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Numero do processo: 10820.900309/2008-67
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. DARF COMPENSANDO DÉBITO EXTINTO POR PAGAMENTO.
Constatado efetivo erro de fato no preenchimento da DCOMP, com informação de DARF compensando débito extinto por pagamento, é de se reconhecer o crédito relativo ao pagamento indevido ou a maior apurado bem como a prévia extinção do débito.
Numero da decisão: 1003-000.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
1.0 = *:*
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score : 1.0
Numero do processo: 10830.900197/2012-10
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1003-000.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para conhecer o status do mandado de segurança, processo administrativo, declarações e pagamentos mencionados no processo.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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score : 1.0
Numero do processo: 11131.001349/2010-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL VENDEDOR ESTRANGEIRO.
Configura interposição fraudulenta de terceiros na importação a substituição, mediante simulação, do verdadeiro vendedor das mercadorias por aqueles nos documentos de instrução do despacho aduaneiro de importação e na própria declaração de importação.
IMPORTAÇÃO. SIMULAÇÃO DE COMPRA E VENDA. CESSÃO DE NOME. FALSIDADE IDEOLÓGICA.
Caracteriza simulação de compra e venda de mercadorias, na importação, a operação em que a pessoa que cedeu o seu nome para figurar como vendedora na declaração de importação prestara, na verdade, apenas serviços típicos de agente de compra e venda, incorrendo em falsidade ideológica o documento que lhe serviu de instrumento.
IMPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. USO DE DOCUMENTO FALSO. DANO AO ERÁRIO. MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO. BASE DE CÁLCULO.
Considera-se dano ao Erário, punido com a pena de perdimento das mercadorias, ou, no caso de estas não serem localizadas ou terem sido consumidas, com a multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, a ocultação do real vendedor das mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, bem como a falsificação, material ou ideológica, de qualquer documento necessário ao desembaraço aduaneiro.
DECADÊNCIA. MULTA. VALOR DA MERCADORIA INTRODUZIDA IRREGULARMENTE NO PAÍS.
Em se tratando de Auto de Infração para apurar a aplicação de multa calculado sobre o valor da mercadoria introduzida irregularmente no país, a legislação de regência é a aduaneira e não a tributária, uma vez que a exigência não tem natureza de tributo. Assim, o prazo decadencial é estabelecido pelos arts. 139 do Decreto-lei n. 37/66 e 753 do Regulamento Aduaneiro, os quais estabelecem que o prazo para a constituição da sanção é de 05 (cinco) anos e tem como termo inicial a data da infração.
PENA DE PERDIMENTO. FALSIDADE MATERIAL E IDEOLÓGICA DA DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA À INSTRUÇÃO DO DESPACHO ADUANEIRO. MERCADORIA NÃO LOCALIZADA. INFRAÇÃO POR DESCRIÇÃO INEXATA OU INCOMPLETA DA MERCADORIA. MULTA REGULAMENTAR ESPECÍFICA. NATUREZA JURÍDICA DISTINTA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. POSSIBILIDADE.
Aplica-se concomitantemente com a pena de perdimento da mercadoria estrangeira que, na operação de importação, seja utilizado documento falsificado necessário ao processamento do despacho aduaneiro, que será substituída por multa equivalente ao seu valor aduaneiro, se a respectiva mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria, quando o importador omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo-tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, por tratarem-se de infrações autônomas e de natureza jurídica distinta, inclusive em atenção a comando legal permissivo.
Numero da decisão: 3302-005.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso de Oficio, para restabelecer a multa de 1%, relativa a DI 06/11760864, vencidos os Conselheiros Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Junior, que lhe negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado). Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência das multas aplicadas relativas às DI´s registradas em data anterior a 15.12.2005, vencido o Conselheiro Jorge Lima Abub, que lhe dava provimento integral. O Conselheiro Jorge Lima Abud apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL VENDEDOR ESTRANGEIRO. Configura interposição fraudulenta de terceiros na importação a substituição, mediante simulação, do verdadeiro vendedor das mercadorias por aqueles nos documentos de instrução do despacho aduaneiro de importação e na própria declaração de importação. IMPORTAÇÃO. SIMULAÇÃO DE COMPRA E VENDA. CESSÃO DE NOME. FALSIDADE IDEOLÓGICA. Caracteriza simulação de compra e venda de mercadorias, na importação, a operação em que a pessoa que cedeu o seu nome para figurar como vendedora na declaração de importação prestara, na verdade, apenas serviços típicos de agente de compra e venda, incorrendo em falsidade ideológica o documento que lhe serviu de instrumento. IMPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. USO DE DOCUMENTO FALSO. DANO AO ERÁRIO. MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO. BASE DE CÁLCULO. Considera-se dano ao Erário, punido com a pena de perdimento das mercadorias, ou, no caso de estas não serem localizadas ou terem sido consumidas, com a multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, a ocultação do real vendedor das mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, bem como a falsificação, material ou ideológica, de qualquer documento necessário ao desembaraço aduaneiro. DECADÊNCIA. MULTA. VALOR DA MERCADORIA INTRODUZIDA IRREGULARMENTE NO PAÍS. Em se tratando de Auto de Infração para apurar a aplicação de multa calculado sobre o valor da mercadoria introduzida irregularmente no país, a legislação de regência é a aduaneira e não a tributária, uma vez que a exigência não tem natureza de tributo. Assim, o prazo decadencial é estabelecido pelos arts. 139 do Decreto-lei n. 37/66 e 753 do Regulamento Aduaneiro, os quais estabelecem que o prazo para a constituição da sanção é de 05 (cinco) anos e tem como termo inicial a data da infração. PENA DE PERDIMENTO. FALSIDADE MATERIAL E IDEOLÓGICA DA DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA À INSTRUÇÃO DO DESPACHO ADUANEIRO. MERCADORIA NÃO LOCALIZADA. INFRAÇÃO POR DESCRIÇÃO INEXATA OU INCOMPLETA DA MERCADORIA. MULTA REGULAMENTAR ESPECÍFICA. NATUREZA JURÍDICA DISTINTA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. POSSIBILIDADE. Aplica-se concomitantemente com a pena de perdimento da mercadoria estrangeira que, na operação de importação, seja utilizado documento falsificado necessário ao processamento do despacho aduaneiro, que será substituída por multa equivalente ao seu valor aduaneiro, se a respectiva mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria, quando o importador omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo-tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, por tratarem-se de infrações autônomas e de natureza jurídica distinta, inclusive em atenção a comando legal permissivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso de Oficio, para restabelecer a multa de 1%, relativa a DI 06/11760864, vencidos os Conselheiros Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Junior, que lhe negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado). Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência das multas aplicadas relativas às DI´s registradas em data anterior a 15.12.2005, vencido o Conselheiro Jorge Lima Abub, que lhe dava provimento integral. O Conselheiro Jorge Lima Abud apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente Substituto (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
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OCULTAÇÃO DO REAL VENDEDOR ESTRANGEIRO. Configura interposição fraudulenta de terceiros na importação a substituição, mediante simulação, do verdadeiro vendedor das mercadorias por aqueles nos documentos de instrução do despacho aduaneiro de importação e na própria declaração de importação. IMPORTAÇÃO. SIMULAÇÃO DE COMPRA E VENDA. CESSÃO DE NOME. FALSIDADE IDEOLÓGICA. Caracteriza simulação de compra e venda de mercadorias, na importação, a operação em que a pessoa que cedeu o seu nome para figurar como vendedora na declaração de importação prestara, na verdade, apenas serviços típicos de agente de compra e venda, incorrendo em falsidade ideológica o documento que lhe serviu de instrumento. IMPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. USO DE DOCUMENTO FALSO. DANO AO ERÁRIO. MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO. BASE DE CÁLCULO. Considerase dano ao Erário, punido com a pena de perdimento das mercadorias, ou, no caso de estas não serem localizadas ou terem sido consumidas, com a multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, a ocultação do real vendedor das mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, bem como a falsificação, material ou ideológica, de qualquer documento necessário ao desembaraço aduaneiro. DECADÊNCIA. MULTA. VALOR DA MERCADORIA INTRODUZIDA IRREGULARMENTE NO PAÍS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 13 1. 00 13 49 /2 01 0- 70 Fl. 3071DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.072 2 Em se tratando de Auto de Infração para apurar a aplicação de multa calculado sobre o valor da mercadoria introduzida irregularmente no país, a legislação de regência é a aduaneira e não a tributária, uma vez que a exigência não tem natureza de tributo. Assim, o prazo decadencial é estabelecido pelos arts. 139 do Decretolei n. 37/66 e 753 do Regulamento Aduaneiro, os quais estabelecem que o prazo para a constituição da sanção é de 05 (cinco) anos e tem como termo inicial a data da infração. PENA DE PERDIMENTO. FALSIDADE MATERIAL E IDEOLÓGICA DA DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA À INSTRUÇÃO DO DESPACHO ADUANEIRO. MERCADORIA NÃO LOCALIZADA. INFRAÇÃO POR DESCRIÇÃO INEXATA OU INCOMPLETA DA MERCADORIA. MULTA REGULAMENTAR ESPECÍFICA. NATUREZA JURÍDICA DISTINTA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. POSSIBILIDADE. Aplicase concomitantemente com a pena de perdimento da mercadoria estrangeira que, na operação de importação, seja utilizado documento falsificado necessário ao processamento do despacho aduaneiro, que será substituída por multa equivalente ao seu valor aduaneiro, se a respectiva mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria, quando o importador omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, por trataremse de infrações autônomas e de natureza jurídica distinta, inclusive em atenção a comando legal permissivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso de Oficio, para restabelecer a multa de 1%, relativa a DI 06/11760864, vencidos os Conselheiros Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Junior, que lhe negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado). Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência das multas aplicadas relativas às DI´s registradas em data anterior a 15.12.2005, vencido o Conselheiro Jorge Lima Abub, que lhe dava provimento integral. O Conselheiro Jorge Lima Abud apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Presidente Substituto (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Redator Designado Fl. 3072DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.073 3 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da resolução nº 08002.338, de fls. 2.2042.209: Trata o presente processo de exigência de crédito tributário no valor de R$ 16.656.453,12 (dezesseis milhões, seiscentos e cinqüenta e seis mil, quatrocentos e cinqüenta e três reais e doze centavos), composto das seguintes parcelas: 1. R$ 1.000,00 relativos a MULTA de 1% sobre o valor da mercadoria descrita na DI de forma incorreta ou incompleta, sendo o mínimo da multa igual a R$ 500,00 por cada adição, conforme dispõe o art. 84, inciso I, § 1º da Medida Provisória n° 215835/01. 2. R$ 9.566.873,12 relativos a MULTA de 100% sobre o valor da mercadoria importada com utilização de fatura comercial ideologicamente falsa, por ocultação do efetivo vendedor estrangeiro e subfaturamento, nas importações registradas no período de 01/01/2003 a 31/12/2007. 3. R$ 7.088.580,00 relativos a MULTA de 100% sobre o valor da mercadoria exportada com utilização de notas fiscais ideologicamente falsas por ocultação do efetivo comprador estrangeiro e subfaturamento, nas exportações das embarcações de que tratam os RE n° 05/090888001 e 06/0422109001. A multa de 100% sobre o valor da mercadoria, relativa às irregularidades indicadas nos itens 2 e 3 acima, decorre da conversão de pena de perdimento em multa e foi aplicada conforme dispõe art. 105, inc. VI do DecretoLei nº 37/66 combinado com o art. 23, inc.V, § 3° do DecretoLei nº 1.455/76, incluídos no ordenamento jurídico pela Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, verbis, DL nº 37/66 Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado DL nº 1.455/76. Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Fl. 3073DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.074 4 § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias § 3° A pena prevista no §1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida [negritei] O procedimento fiscal originouse de determinação judicial, conformeOficio n° OFI.0011.0008506/ 2009 de 30/06/2009 da 11ª Vara da Justiça Federal no Ceará em razão de investigação realizada pela Policia Federal na chamada Operação Luxo, que efetuou mandados de busca e apreensão na sede da empresa fiscalizada e na residência de sócios e diretores De acordo com o relatório fiscal de fls. 10/2152, constatouse as seguintes irregularidades, aqui genérica e resumidamente descritas: A INDUSTRIA NAVAL S/A e INACE IATES LTDA teriam se utilizado das empresas norteamericanas interpostas, OCEANTECH, ALL OCEANS, JASFER, S&S SEAFOOD, para manipular preços e condições de pagamentos de suas operações de comércio exterior. A fiscalização aduz que estas empresas foram registradas em Miami/EUA com o fim especifico de "prestação serviços" de refaturar pedidos do grupo INACE, conforme reconhecido pela própria sócia formal de uma destas empresas estrangeiras (Doc. A.1), ou seja, instruir operações de importações com faturas comerciais e conhecimentos de transportes ideologicamente falsos em nome dessas empresas norteamericanas, muitas vezes com valores subfaturados ou superfaturados, conforme quadro abaixo. (...) Após detalhar o procedimento fiscal e o que chamou de “logística fraudulenta” das empresas acima, que seria realizada com o intuito de ocultar os verdadeiros compradores ou vendedores no comércio exterior, a fiscalização passou a indicar individualmente as irregularidades encontradas em diversos documentos de importação e de exportação que os caracterizariam como ideologicamente falsos ou com mera descrição incompleta da mercadoria. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada pessoalmente em 15/12/2010 a empresa apresentou em 14/01/2011 a impugnação de fls 2.155/2.202, da qual colho alguns trechos na forma abaixo: A) Decadência o prazo decadencial de cinco anos deve ser contado “da data das efetivas exportações das aludidas embarcações, levadas a cabo uma em 20/01/2005 (nota fiscal de fl. 457), Registro de Exportação de 11/01/2005 (fls. 459/462), despacho aduaneiro de exportação concluído em 20/01/2005 (fl. 467), e Passe de Saída emitido pela RFB em 24/01/2005 (doc. 02, anexo); e outra em 24/06/2005 (nota fiscal de fl 492), Registro de Exportação de 17/06/2005 (fls. 494/504), com Passe de Saída expedido pela RFB em 30/09/2005 (doc. 03, anexo).” Estaria igualmente extinta pela decadência a penalidade aplicada em face das Declarações de Importação registradas nos anos de 2003, 2004 e 2005, indicadas nas fls. 25 a 39 do "Doc. K" da autuação, fls. 1623/1662. B) Inexistência de ocultação do efetivo comprador estrangeiro As embarcações mencionadas nos REs 05/0039066001 e 05/0908888001 são barcos de luxo destinados a compradores estrangeiros que realizam o pedido e a efetiva compra através de broker. Fl. 3074DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.075 5 O comprador estrangeiro final, portanto, não conhece a empresa brasileira produtora do barco. A negociação do preço, o recebimento da encomenda do barco com suas especificações, a contratação e, por conseguinte, as responsabilidades (direitos e obrigações) contratuais, são firmados pela autuada diretamente com o broker que, no caso é a OCEANTECH ENTERPRISES INC. C) Inexistência de ocultação do efetivo Fornecedor estrangeiro Apesar de indicar algumas poucas irregularidades sobre operações aduaneiras de importações específicas, indicadas nas fls. 24/42 do Relatório Final de Procedimento Fiscal, a fiscalização lavrou a pena de perdimento convertida em multa sobre todos negócios aduaneiros da autuada , sem exceção, efetivados com as empresas estrangeiras OCEANTECH ENTERPRISES, ALL OCEANS TRADING, ROZEN INTERNACIONAL, JASFER, e 4NET WORKING, consoante informa o suposto Demonstrativo de Infrações (importações), Doc. K do auto de infração. Pelo "Doc. K" da autuação é possível constatar que, de um total de 819 (oitocentas e dezenove) mercadorias importadas sobre as quais foi cominada a pena de perdimento convertida em multa, no valor total de R$ 9.566.873,12 (nove milhões, quinhentos e sessenta e seis mil, oitocentos e setenta e três reais e doze centavos), apenas sobre 139 (cento e trinta e nove) foi especificada infração diferente da absurda generalização da autuação de que houve ocultação do real importador, e destas apenas 54 (cinquenta e quatro) foram mencionadas no Relatório Final de Procedimento Fiscal, ficando as outras 85 sem se saber porque a autuação inadvertidamente deduziu tratarse de importação com subfaturamento. D) Inexistência de sub ou superfaturamento das mercadorias importadas indicadas nas fls.24/42 do relatório fiscal. A defesa ressalta que esse tópico é feito apenas por zelo a argumentação, uma vez que a pena de perdimento imposta não teria se dado pelo cometimento das supostas infrações de subfaturamento ou superfaturamento, e sim pela suposta ocultação do real vendedor ou comprador estrangeiro, o que foi devidamente rebatido no tópico anterior da presente impugnação. Neste item a impugnação ainda alega que não foi intimada a apresentar os documentos que comprovam regular importação e examina as irregularidades apontadas pela fiscalização que levaramna a concluir pela falsidade ideológica nos documentos emitidos pelos fornecedores abaixo: a) Fornecedor Estrangeiro OCEANTECH ENTERPRISES (16 DIs) b) Fornecedor Estrangeiro ALL OCEANS TRADING (03 DIs) c) Fornecedor Estrangeiro ROZEN INTERNACIONAL(04 DIs) d) Fornecedor Estrangeiro JASFER (02DIs) e) Fornecedor Estrangeiro 4NET WORKING (06 DIs) I) Outros Fornecedores (02 DIs) Em 13 de março de 2013, a DRJ/FOR julgou parcialmente procedente a impugnação nos seguintes nos seguintes termos: I) PRELIMINARMENTE, por unanimidade de votos: Fl. 3075DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.076 6 a) DECLARAR A NULIDADE, por vício material, do lançamento relativo à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na exportação, para EXONERAR a parcela do crédito tributário no valor de R$ 7.088.580,00, por falta de amparo legal em sua constituição; b) DECLARAR A NULIDADE, por vício material, do lançamento relativo à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, para EXONERAR a parcela do crédito tributário no valor de R$ 62.250,60, por ofensa aos pressupostos estabelecidos no art. 142 do Código Tributário Nacional; c) DECLARAR A DECADÊNCIA do lançamento relativo à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, quanto aos fatos geradores ocorridos em 2003 e 2004, para EXONERAR a parcela do crédito tributário no valor de R$ 959.514,03; e d) REJEITAR as alegações de cerceamento do direito de defesa: i. na impugnação, com relação à matéria autuada de subfaturamento; ii. na manifestação de inconformidade, após a diligência. II) NO MÉRITO, julgar procedente em parte a impugnação, para: a) por maioria de votos, vencido o relator Charles Pereira Nunes: i. MANTER a parcela do crédito tributário no valor de R$ 7.779.432,71, relativa à parcela da multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, em virtude de ocultação do real vendedor das mercadorias e de falsidade ideológica das faturas que instruíram o despacho aduaneiro de importação. Vencido também o julgador Ícaro Nonato Lopes Cezar que não acolheu a tese da autuação com relação as importações que têm as exportadoras declaradas Rozen Internacional e 4Net Networking; ii. EXONERAR a parcela do crédito tributário no valor de R$ 705.931,92, relativa à diferença da multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, apurada com base em suposto subfaturamento das mercadorias, afinal não comprovado; b) por unanimidade de votos: i. EXONERAR a parcela do crédito tributário no valor de R$ 59.743,86, relativa à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, por falta de subsunção dos fatos à hipótese legal relativamente à operação consubstanciada na Declaração de Importação nº 07/15375991, em que figurou como exportadora a empresa Merrem & La Porte; ii. EXONERAR a parcela do crédito tributário no valor de R$ 1.000,00, relativa à multa por descrição incorreta das mercadorias, na importação, em virtude de tal exigência haver sido absorvida pela pena de perdimento das mercadorias, convertida em multa. Contra a referida decisão foram interpostos recursos de ofício e voluntário, o primeiro por ultrapassar o limite de alçada previsto no artigo 1º, da Portaria MF nº 3, de janeiro de 2008, vigente à época da prolação do acórdão e, o segundo por iniciativa da contribuinte, pleiteando a anulação integral do Auto de Infração com base nos argumentos suscitados nos seguintes tópicos: (i) Decadência do Direito do Fisco de Cominar Multa Pela Conversão da Fl. 3076DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.077 7 Pena de Perdimento Art. 139 do DecretoLei 37/1966 e Art. 753 do Decreto 6.759/2009; e (ii) Inexistência de Ocultação do Real Fornecedor Estrangeiro Mercadoria Importada Regularmente através de Empresa Trading Estrangeira Comprovação da Origem, Disponibilidade e Transferência dos Recursos (Contrato de Câmbio) empregados na Operação de Comércio Exterior. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade Nos termos do artigo 1º, da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, haverá recurso de ofício sempre a decisão de primeiro grau exonerar o contribuinte do pagamento de tributos e encargos da multa, em valor superior a R$ 2.500.000,001. No presente caso, o recurso de ofício deve ser conhecido, considerando que o crédito exonerado pela decisão "a quo" é superior ao limite de alçada. Por sua vez, considerando que a Recorrente, intimada em 09.07.2013 (fls.3.046), interpôs recurso voluntário em 08.08.2013 (fls.3.0473.066), dentro do prazo de 30 (trinta) dias, bem como seu recurso preenche os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Feito a admissão dos recursos, convém analisar as questões trazidas à este Conselho para julgamento. II Do Recurso de Ofício Conforme se verifica na decisão recorrida, a DRJ exonerou parte do crédito tributário originariamente lançado, consubstanciado nos motivos devidamente explicitados no acórdão recorrido que, resumidamente dizem respeito a: (i) exoneração, por vício material, do lançamento relativo à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na exportação, no valor de R$ 7.088.580,00, por falta de amparo legal em sua constituição; (ii) exoneração, por vício material, do lançamento relativo à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, no valor de R$ 62.250,60, por ofensa aos pressupostos estabelecidos no art. 142 do Código Tributário Nacional; 1 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Fl. 3077DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.078 8 (iii) exoneração, pela decadência, o lançamento da multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, quanto aos fatos geradores ocorridos em 2003 e 2004, valor de R$ 959.514,03; (iv) exoneração, pela ausência de comprovação o crédito tributário no valor de R$ 705.931,92, relativa à diferença da multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, apurada com base em suposto subfaturamento das mercadorias; (v) exoneração, a parcela do crédito tributário no valor de R$ 59.743,86, relativa à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, por falta de subsunção dos fatos à hipótese legal relativamente à operação consubstanciada na Declaração de Importação nº 07/15375991, em que figurou como exportadora a empresa Merrem & La Porte; e (vi) exoneração, a parcela do crédito tributário no valor de R$ 1.000,00, relativa à multa por descrição incorreta das mercadorias, na importação, em virtude de tal exigência haver sido absorvida pela pena de perdimento das mercadorias, convertida em multa. Neste cenário, passase à análise das questões anteriormente citadas. II.1 exoneração, por vício material, do lançamento relativo à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na exportação, no valor de R$ 7.088.580,00, por falta de amparo legal em sua constituição A decisão que exonerou o crédito tributário tratado neste tópico merece ser mantida pelos seus próprios fundamentos, razão pela qual, adoto as razões despendidas pelo i. julgador "a quo" para afastar a aplicação da multa, a saber: As exportações objeto do presente lançamento aconteceram no ano de 2005. No entanto, nesta época a legislação que determinava a conversão da pena de perdimento em multa não indicava a base de cálculo no caso de exportação, pois só se referia a valor aduaneiro, que pelo AVA é conceito aplicado apenas na importação. Esta omissão permaneceu até que a MP nº 497, publicada em 27 de julho de 2010, incluiu o valor constante na nota fiscal ou documento equivalente como base de cálculo na exportação. A MP foi convertida na Lei nº 12.350, de 2010, conforme transcrição abaixo, onde se observa as mudanças ocorridas no § 3º em análise. DL 1.455/76 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) VI (Vide Medida Provisória nº 320, 2006) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Fl. 3078DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.079 9 § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (Vide) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Medida Provisória nº 497, de 2010) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Assim por inexistência de base legal para aplicação da multa de conversão à época dos fatos e, tendo em vista o disposto no art. 144 da Lei nº 5.172, de 25 de março de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) o qual estabelece que “O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada”, considero o lançamento nulo, por vício material, em virtude de erro insanável na aplicação da legislação tributária, devendo, portanto ser excluída a parcela de R$ 7.088.580,00 correspondente ao total do crédito tributário lançado na exportação. II.2 exoneração, por vício material, do lançamento relativo à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, no valor de R$ 62.250,60, por ofensa aos pressupostos estabelecidos no art. 142 do Código Tributário Nacional O redator designado para redigir o voto vencedor, afastou a multa por entender que a fiscalização não comprovou efetivamente a participação das empresas American Marine, Inc. e Aluland B.V. nos fatos que repercutiram no lançamento em foco, tendo reconhecido de ofício a irregularidade do trabalho, uma vez que o contribuinte não se insurgiu em relação as operações envolvendo referidas empresas, objeto das DI´s nº 07/13491510 e 06/00751508, senão vejamos: Observase que, apesar de nada trazer a fiscalização em relação à participação das empresas American Marine, Inc. e Aluland B.V. nos fatos que repercutiram no lançamento em foco, os valores correspondentes às DI nº 07/13491510 e 06/00751508 em que essas empresas figuram como exportadoras foram computados para a determinação do crédito tributário, configurando vício material por ofensa aos pressupostos estabelecidos no art. 142 do Código Tributário Nacional. Desse modo e não obstante o fato de a empresa autuada também haver silenciado quanto à referida exigência, impende, em homenagem ao princípio da legalidade e tendo em vista o disposto no art. 53 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de Fl. 3079DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.080 10 1999, que seja declarada a nulidade dessa parte do lançamento, de modo a EXONERAR o crédito tributário no valor de R$ 62.250,60. Analisando o relatório fiscal de fls.1095, constatase inexistir, de fato, qualquer menção as referidas empresas, bem como qualquer registro das citadas DI´s, restando, ao meu ver, correta a decisão de piso, que afastou a cobrança da multa calculado sobre as operações tratadas neste tópico. Por outro lado, discordo quando o n. julgador afirma inexistir alegação por parte da Recorrente acerca das operações relacionadas as DI´s anteriormente citadas, posto que no momento em que o contribuinte afirma que todas as operações realizadas através das DI´s objeto de fiscalização não foram derivadas de nenhum ato ilícito, resta contestado, ainda que implicitamente, as operações sob análise, independentemente do contribuinte apontar DI por em sua impugnação. Nestes termos, concordo com a manutenção da decisão que excluiu a multa por ausência de provas do ilícito. II.3 exoneração, pela decadência, o lançamento da multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, quanto aos fatos geradores ocorridos em 2003 e 2004, valor de R$ 959.514,03 Assim de pronunciou a DRJ para aplicar o prazo decadencial ao fatos geradores ocorridos em 2003 e 2004: Com base na regra do art. 139 do DecretoLei nº 37, de novembro de 19664, reproduzida no art. 753 do Decreto nº 6.759/2009 (RA) a empresa alega decadência contando o prazo decadencial de cinco anos a partir dos registros das Declarações de Importação relativas aos anos de 2003, 2004 e 2005, conforme indicadas nas fls. 25 a 39 do "Doc. K" da autuação, fls. 20822121. Por sua vez a fiscalização entende, em sua informação de fls. 28972898, que se tratando de operações realizadas ao amparo de Drawback o prazo decadencial iniciase a partir do primeiro dia útil do exercício seguinte ao do trigésimo dia subseqüente ao encerramento do prazo para exportação previsto no ato concessório. Não assiste razão à fiscalização ao querer utilizar o prazo decadencial previsto para drawback nos termos do Regulamento Aduaneiro, pois o lançamento não trata de descumprimento do regime de drawback, sendo este usado na motivação do lançamento apenas como indícios de outras fraudes, ou seja, embora a fiscalização tenha detectado irregularidades relativas a invoices que, segundo ela, visavam desviar a destinação da mercadoria para outra embarcação diferente da amparada pelo regime e seria um dos motivos para a falsificação de invoice, esse tipo de infração relativa ao drawback, repitase, não foi objeto de lançamento do crédito tributário, pois sequer houve exigência dos tributos. Também não merece prosperar a invocação, pelo contribuinte, do art. 139 do CTN e seu correspondente no Regulamento Aduaneiro. O citado art. 139 do DL 37, editado em novembro de 1966, por tratar de matéria especifica conviveu harmoniosamente com o art. 173, I da Lei nº 5.172, de outubro do mesmo ano, e para fins de lançamento do crédito tributário prevaleceu sobre este até a promulgação do Constituição Federal de 1988 pois, apesar da lei ter sido denominada de Código Tributário Nacional CTN pelo AC nº 36/67, somente na Fl. 3080DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.081 11 CF/88 ganhou o status de lei complementar6 e a exclusividade para tratar sobre decadência tributária. Neste momento surgiu uma antinomia resolvida instantaneamente no mesmo texto da CF/88 e o citado DL/66 perdeu sua força normativa em relação a essa matéria. Assim, todo crédito tributário decorrente de multa isolada deve se submeter ao prazo decadencial previsto no art. 173, I, da Lei nº 5.172, de 25 de março de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). No caso sob exame temos que o lançamento da multa foi aperfeiçoado com a ciência em 15/12/2010. Então, são válidos todos os lançamentos relativos às DIs datadas desde 01/01/2005, devendo ser excluído o crédito tributário decaído no valor de R$ 959.514,03 decorrente das infrações cometidas nos anos de 2003 e 2004, conforme as 3 planilhas do Anexo Único deste acórdão. Com todo respeito ao i. julgador de piso, peço vênia para discordar da aplicação do artigo 173, I, do CTN, ao presente caso, por entender, ao meu sentir, de forma equivocada, tratarse os autos de exigência multa isolada, aquela derivada do não pagamento dos tributos incidências da importação e/ou exportação. Isto porque, as multas aqui discutidas decorrem de infração de natureza administrativoaduaneira e não de infração de caráter tributárioaduaneiro, razão pela qual é inaplicável o disposto no CTN e, por via oposta, aplicável o artigo 139, do DL 37/66 para contagem do prazo decadencial. Nestes termos, entendo, por outro fundamento, que os fatos gerados de 2003 e 2004 foram alcançados pelo instituto da decadência, motivo pelo qual, mantenho a exoneração do crédito admitido pela DRJ. II.4 exoneração, pela ausência de comprovação o crédito tributário no valor de R$ 705.931,92, relativa à diferença da multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, apurada com base em suposto subfaturamento das mercadorias Em relação a questão tratada neste tópico, concordo com a decisão piso que afastou a acusação de subfaturamento, para algumas DI´s, pela ausência de motivos e documentos que dessem respaldo ao lançamento fiscal, a saber: A fiscalização acusa a existência de subfaturamento em diversas operações de importação da empresa autuada, tendo, em função disto, refeito a base de cálculo para fins de aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, em face da constatação da infração de interposição fraudulenta de terceiros e de ocultação do verdadeiro vendedor, tendo discriminado, no Demonstrativo de Valor Aduaneiro Efetivo das Mercadorias (Doc. L2, fls. 2.144/2.150), os valores que serviram de base ao lançamento, nesses casos. O subfaturamento de preços na importação, é uma espécie de fraude contra o Erário, cuja configuração, para fins de aplicação de penalidade tributária, requer, primordialmente, a constatação de diferença considerável entre o preço da mercadoria informado na Declaração de Importação e aquele praticado, no mesmo período, em importações de mercadoria idêntica ou similar. Em nenhum dos casos relacionados nos autos, porém, foram colacionados pela autoridade fiscal elementos suficientes a essa constatação. Fl. 3081DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.082 12 No caso das DI nº 06/11760864 e 07/09665746, notase que a fiscalização não respeitou o mesmo critério para definir o real valor da mercadoria, pois, enquanto nesta admitiu acréscimo no preço decorrente de demora no pagamento ou por cobrança de armazenagem na fábrica, explicando que o embarque da mercadoria ocorreu mais de um ano depois da data da invoice, naquela partiu para a diferença direta entre os valores, sem considerar a diferença de tempo entre as operações. No caso da DI nº 07/11439588, a acusação de subfaturamento decorreu de suposta diferença de INCOTERMS, mas a comparação foi feita apenas com uma Confirmação de Ordem e não com a fatura comercial tida como verdadeira. No caso da DI nº 07/08576820, a diferença de preços foi levantada a partir da comparação apenas com uma cotação de preços e não com a fatura comercial tida como verdadeira. No caso da DI nº 07/05832451, a diferença de preços foi levantada a partir da comparação apenas com uma relação de compras e não com a fatura comercial tida como verdadeira, e não há certeza de que se trata da mesma mercadoria. No caso da DI nº 07/02401611, a diferença de preços foi levantada a partir da comparação apenas com uma cotação de preços e não com a fatura comercial tida como verdadeira, e não há certeza de que se trata da mesma mercadoria. No caso da DI nº 07/02105869, a diferença de preços foi levantada a partir da comparação apenas com uma cotação de preços e não com a fatura comercial tida como verdadeira, e não há certeza de que se trata da mesma mercadoria. No caso da DI nº 07/01692744, a diferença de preços foi levantada a partir da comparação apenas com uma Purchase Order (ordem de compra) e não com a fatura comercial tida como verdadeira, e não há certeza de que se trata da mesma mercadoria. No caso da DI nº 06/10292492, a diferença de preços foi levantada a partir da comparação apenas com uma Marine Generator Order (Ordem de Gerador Marinho) e não com a fatura comercial tida como verdadeira. No caso das DI nº 05/02857182 e 05/01261260, adotase o entendimento exposto no voto vencido: Na análise da matéria verificase a necessidade de provas mais robustas para rejeitar o valor do frete, assim devese aceitar o valor aduaneiro declarado para excluir da planilha L2 a parcela correspondente à diferença entre este e o valor efetivo lançado. No caso da DI nº 07/14377826, adotase o entendimento exposto no voto vencido, resumido no seguinte parágrafo: Aqui as alegações da impugnante quanto ao subfaturamento são amparadas pela deficiência da autuação que não trouxe aos autos prova suficiente uma vez que os documentos apresentados não vinculam a mercadoria à presente DI. Assim, tendo em vista esta nova negociação iniciada em julho, é possível que se trate realmente de outra DI. No caso da DI nº 07/12946661, a diferença de preços foi levantada a partir da comparação apenas com Purchase Order (ordem de compra) e com Order Fl. 3082DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.083 13 Acknowledgement (Reconhecimento de Ordem) e não com a fatura comercial tida como verdadeira. No caso da DI nº 07/12905175, sequer foram coletados documentos indiciários especificamente relacionados com a DI, tendo a acusação de subfaturamento decorrido da similaridade material e temporal com a operação acima citada (DI nº 07/12946661). No caso da DI nº 06/03601981, adotase o entendimento exposto no voto vencido, resumido nos seguintes parágrafos: Examinandose os documentos citados não é possível identificar o chamado sistema de cabos eletrônicos belden rg8 10sul. Efetivamente observase no documento EMBMB60310 de fl.1211 que ele aparece como mero cabo isolado, já no packing list EMBAA6013006 de fls. 197 ele aparece como sistema, mas constituído por apenas 1 rolo, o que não condiz com a diversidade de cabos do MB6310, e finalmente, na invoice desaparece a palavra rolo mas permanece o mesmo peso. Assim, aqui também há insuficiência das provas juntadas pela fiscalização para ajustar o valor aduaneiro declarado Também no caso da DI nº 07/07221069 adotasse o mesmo entendimento expendido no voto vencido: De acordo com a fiscalização o turco hidráulico (guindaste) importado diretamente do fabricante OPACMARE, ao amparo do regime de drawback AC n° 20060002077 (casco 563) foi declarado pelo valor subfaturado (FOB) de US$ 32.047,67. Da Fattura n° 1527 e da Confirmação de Ordem n° 2024_06.std da OPACMARE dirigidas à OCEANTECH consta para o equipamento acima mencionado o valor (FOBItália) de 31.180,00 euros, que corresponde a US$ 42.055,58, na data do registro da DI. (fls.1401/1404). A impugnação alega que a citada "Confirmação de Ordem" não foi aceita pela trading indicada, porquanto não foi assinada consoante se depreende da fl. 1149/verso [fl. 1406 do eprocesso]. Tal fato teria ocorrido porque a autuada negociou a compra diretamente com o fabricante com preço menor. No Demonstrativo de Valor Aduaneiro Efetivo na planilha L2 verificase que a quase totalidade da diferença de preço se explica pela simples conversão do incoterm exworks para CPT, onde se incluiu o frete aéreo num valor muito elevado, US$ 10.718.66, reduzindo assim o preço FOB ou Exworks inicialmente negociado. A argumentação da autuada é consistente, pois as condições da venda foram alteradas, vindo a mercadoria para o Brasil ao invés de Miami, e nesse sentido a fiscalização não trouxe outro elemento que desqualifique o incoterm declarado (CPT) ou o preço efetivamente pago ou a pagar. Portanto, sendo a Opcamare o real vendedor e tratandose de uma importação direta, julgo serem as provas apresentadas pela fiscalização insuficientes para comprovar subvaloração ou falsidade da invoice. Fica assim demonstrado que, especificamente em relação à acusação de subfaturamento, a fiscalização terá incorrido em falta de motivo ou em insuficiência probatória quanto ao lançamento das diferenças apontadas nos preços das Fl. 3083DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.084 14 mercadorias que refletiram no ajuste do crédito tributário, conforme apurado no Demonstrativo de Valor Aduaneiro Efetivo de Mercadorias (Doc. L2, fls. 21442150), motivo pelo qual voto pela procedência das alegações trazidas na impugnação, para EXONERAR o crédito tributário correspondente a essas diferenças, no valor de R$ 705.931,92. Irretocável, no entendimento deste relator, a decisão de piso concernente a exclusão da multa em comento. II.5 exoneração, da parcela do crédito tributário no valor de R$ 59.743,86, relativa à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, por falta de subsunção dos fatos à hipótese legal relativamente à operação consubstanciada na Declaração de Importação nº 07/15375991, em que figurou como exportadora a empresa Merrem & La Porte Aqui, peço licença, uma vez mais, para adotar, por total concordância, a decisão de piso que exonerou o contribuinte da multa aplicada na DI nº 07/15375991, posto que os fatos narrados no relatório fiscal não demonstram nenhuma irregularidade passível de punição, a saber (trecho extraído do voto vencedor): No caso da DI nº 07/15375991, não ficou demonstrada pela fiscalização a subsunção dos fatos à hipótese legal de aplicação da multa resultante da conversão da pena de perdimento, como bem esclareceu o relator do voto vencido, cujo teor aqui se adota: A fiscalização informa que ao amparo da adição 002 dessa DI foram importadas barras triclad de aço alumínio da empresa Merren La Porte com financiamento do fornecedor para pagamento em até 180 dias. Aduz ainda que: Ocorre que uma via das invoices n° 971382 e 971383 da Merrem dirigidas OCEANTECH e informando pagamento adiantado / prepayemente foram encaminhadas em 27/09/2007 por mensagem eletrônica de Jackie Ferreira para Gergory do setor de importações dos estaleiros INACE com o seguinte texto; "Seguem as faturas do embarque antes das correções necessárias". Em outras mensagens eletrônicas entre Jackie Ferreira e o setor de importação dos estaleiros INACE de 24/09 a 28/09/2007 nas quais são mencionadas correções efetuadas nessas faturas, dentre as quais exclusão do nome OCEANTECH e que essas mercadorias já tinham sido pagas pela OCEANTECH, portanto, na invoice teria que constar pagamento 90 dias do BL, que teria que ser fechado o contrato de câmbio coma Merrem La Porte e esse valor devolvido para a OCEANTECH". Portanto, comprovada a falsidade ideológica da invoices n° 971382 e 971383 da Merren La Porte, pois as mercadorias apesar de já pagas, dessas constou que os pagamentos somente ocorreriam a partir de noventa dias do embarque e a utilização de recursos em nome da OCEANTECH pelos estaleiros INACE para a realização desses pagamentos. [os negritos não são originais] A impugnante alega que: A autoridade fiscal fez conclusão errada acerca dos fatos e documentos mencionados no relatório fiscal. Ocorre que a mercadoria importada pela autuada com base na DI em comento foi adquirida diretamente do fabricante (Merren La Fl. 3084DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.085 15 Porte) para pagamento no prazo indicado nas invoices 971382 e 971383 e na DI, que era 90 dias do embarque (BL). E de fato a mercadoria foi paga diretamente ao fornecedor estrangeiro (Merren La Porte), no prazo de 90 dias do embarque (BL), nos termos do contrato de câmbio anexo (doc. 05). Na análise da matéria (fls. 11091114 e 14011404) verificase que não se trata de ocultação do real vendedor. Por outro lado, sendo a exportadora pessoa autônoma e verdadeiramente comerciante nada obsta que ela negocie dando o prazo para pagamento que lhe convenha. O fato da compra ser paga em duplicidade pelo grupo Inace não torna a DI falsa, pois tratase de mero equívoco sem efeitos tributário ou cambial, e tampouco faz parte de uma estratégia para manter o fluxo de caixa do grupo. Impugnação, portanto, procedente, neste quesito, devendo o crédito tributário respectivo, no valor de R$ 59.743,86, ser exonerado. II.6 exoneração, a parcela do crédito tributário no valor de R$ 1.000,00, relativa à multa por descrição incorreta das mercadorias, na importação, em virtude de tal exigência haver sido absorvida pela pena de perdimento das mercadorias, convertida em multa. A multa exonerada neste tópico, foi aplicada com fundamento no artigo 84, inciso I, da MP 215835/2001 c/c artigos 69 e 81, inciso IV, da Lei nº 10.833/2003, relativa a DI nº 06/11760864, por entender a fiscalização que houve descrição incorreta quanto ao correto nome do fabricante das mercadorias (vide fls.08). As fls.06 do processo, constatase que a fiscalização aplicou para mesma DI multa de 1% sobre o valor aduaneiro, por entender que as importações assinaladas no Demonstrativos de Infrações (doc.k) foram descritas incorreta ou incompletamente. Ou seja, foram aplicadas multas distintas para o mesmo fato declarado ilícito. Nestes termos, por entender inaplicável a cumulação das referidas multas, concordo com o entendimento da DRJ que exonerou a multa de R$ 1.000,00, nos seguintes termos: Descrição incorreta Quanto ao erro de nome dos fabricantes das bombas nas adições 007 e 008 da DI 06/11760864, o que aconteceu foi a substituição indevida dos fabricantes MP PUMP e GRUNDFOS PUMPS CORP pelo nome do real vendedor/exportador DEPCO PUMP COMPANY, configurando erro sujeito a aplicação da multa de R$ 500,00 por adição. No entanto, considerase que a penalidade de falsidade da invoice/ocultação do real fornecedor absorve esta penalidade devendo assim ser excluída da autuação. III Do Recurso Voluntário III.1 Decadência do Direito do Fisco de Cominar Multa Pela Conversão da Pena de Perdimento Art. 139 do DecretoLei 37/1966 e Art. 753 do Decreto 6.759/2009 A Recorrente se insurge contra decisão recorrida que aplicou o artigo 173, inciso I, do CTN, ao invés do regramento previsto no artigo 139, do DecretoLei 37/66. Afirma Fl. 3085DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.086 16 que, considerada a contagem de prazo prevista neste último normativo legal, a decadência atingiria os fatos gerados ocorridos entre 01/01/2005 e 15/12/2005, considerando que a intimação do Auto de Infração foi efetivada em 15.12.2010. Já manifestei em tópico anterior, que a contagem de prazo para o presente caso deve ser aquela prevista no artigo 139, do DecretoLei 37/66. Isto porque, o presente Auto de Infração não tem natureza tributária, tratandose, tão e somente de aplicação de multa em razão da comercialização de produtos de origem estrangeira introduzidos irregularmente no país. Deste modo, as normas que tratam do instituto da decadência, previstas no artigos 150, §4º, e 173, I, ambos do Código Tributário Nacional não se aplicam ao caso em comento, mas sim a disposições previstas nas legislações aduaneiras. Neste ponto, tanto o artigo 139 do Decreto nº 37/662 quanto o artigo 753, do Decreto nº 6.759/20093 preceituam, que na hipótese de imposição de penalidades, o prazo para a constituição desta sanção é de 05 (cinco) anos contados da data da infração, sendo que no presente caso, a data da infração, é o registro das DI´s. Portanto, considerando que a Recorrente foi intimada em 15.12.2010, entendo que a multa aplicada/calculada nas DI´s registradas em data anterior a 15.12.2005 estão decaídas, devendo, assim, serem excluídas do lançamento fiscal. III.2 Inexistência de Ocultação do Real Fornecedor Estrangeiro Mercadoria Importada Regularmente através de Empresa Trading Estrangeira Comprovação da Origem, Disponibilidade e Transferência dos Recursos (Contrato de Câmbio) empregados na Operação de Comércio Exterior. A Recorrente reproduziu em seu recurso as alegações suscitadas em sua impugnação, apresentadas sinteticamente no relatório desta decisão. Analisando os autos, não vejo como acolher o pleito realizado pelo contribuinte em relação a inexistência de irregularidades apuradas e demonstradas nas operações sob análise. Isto porque, como bem delimitou o julgador e o redator da decisão de piso. restou demonstrado que houve ocultação do real vendedor das mercadorias e falsidade ideológica nas faturas que instruíram o despacho aduaneiro de importação, sendo que as alegações da Recorrente não se prestaram para o fim pretendido. Desta forma, por concordar com a decisão de piso, adoto suas razões, para afastar o pleito da Recorrente, a saber: Do modus operandi do Grupo Inace Conforme explicitado pela fiscalização e corroborado pela documentação aduzida aos autos, a empresa autuada constitui, juntamente com a empresa Inace Iates Ltda. o que se pode denominar, informalmente, de Grupo Inace, dada a convergência de interesses e o compartilhamento de pessoas, instalações e operações de comércio exterior, sob a administração da família Bezerra (Elisa Gradhvol Bezerra, Antônio Gil F. Bezerra, Robert Gil Bezerra e Flávia M. Barros Bezerra). Para atingir seus objetivos, revelam os autos, o Grupo Inace fez diversas operações de comércio exterior, primeiro, entre os anos de 1997 e 2002, com as 2 Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. 3 Art. 753. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, contados da data da infração (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 139). Fl. 3086DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.087 17 empresas Basic One, Corp., Multisea, Inc., S & S Seafood, Inc., depois, a partir de 2004, com as empresas Jasfer, Inc., Oceantech Enterprises, Inc. e All Oceans Trading, LLC do Grupo naquele país), tendo todas elas como sócio o Sr. Sérgio Sales Ferreira, também citado nos autos como Sérgio Cabral. A figura abaixo, trazida pela fiscalização, ilustra as vinculações societárias e demonstra o âmbito de influência do Grupo Inace. É também citada nos autos a empresa Inace USA, LLC, mas, não há registros de operações em seu nome, tratandose, ao que parece, de uma espécie de escritório central ou broker (agente de compras e vendas) do Grupo Inace nos Estados Unidos, configurando, todavia, peça importante para a operacionalização do esquema naquele país. Documentos acostados aos autos pela fiscalização indicam que o Grupo Inace fazia uso também, em algumas operações, de terceiras empresas, que eram remuneradas para fazer as vezes de exportadoras, assumindo o lugar dos verdadeiros vendedores das mercadorias. Observase, pelo relato fiscal e pela documentação acostada aos presentes autos, que as operações de comércio exterior das empresas do Grupo Inace eram antecedidas de negociações, travadas diretamente entre a empresa autuada e o real vendedor das mercadorias, havendo casos de cotações paralelas feitas pelas empresas ditas de trading. Depois do processo de aquisição das mercadorias, nos Estados Unidos ou em outros países, o fornecedor/vendedor as encaminhava para as empresas norte Fl. 3087DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.088 18 americanas vinculadas ao Grupo Inace ou para as terceiras empresas que aderiram ao esquema fraudulento, também sediadas naquele país sempre com a intermediação das empresas norteamericanas, onde eram armazenadas, consolidadas e refaturadas (“revendidas”) para fins de exportação para a empresa autuada, de acordo com instruções oriundas do Grupo Inace. Apesar de a empresa autuada afirmar em sua impugnação que essa prática é lícita e comum no comércio internacional atual e que tinha por objetivo tornar as operações seguras, descomplicadas e de baixo custo, a legislação brasileira não permite a substituição do real vendedor da mercadoria por terceiros quaisquer na documentação de instrução das respectivas declarações de importação, tipificando tal conduta como simulação, e o documento assim produzido é considerado como ideologicamente falsificado, situação que sujeita o infrator à pena de perdimento da mercadoria ou, no caso de impossibilidade de sua aplicação, em face do consumo ou da não localização da mercadoria, à pena de multa equivalente ao valor aduaneiro desta. Oportuno reproduzir, aqui, em virtude de explicitar com ímpar clareza, toda a logística empregada pela empresa autuada com a coadjuvação das empresas Oceantech Enterprises, All Oceans Trading, Rozen Internacional, Jasfer, e 4Net Networking, o seguinte trecho do voto vencido: Compulsando os autos se verá que a logística ocorria na seguinte seqüência: 1. criação em Miami de empresa vinculada aos estaleiros Inace (trading/broker) para vender os barcos e receber o pagamento correspondente, cujos recursos permaneciam em sua conta no exterior; 1.1. com parte desses recursos a empresa americana comprava produtos nos EUA, ou no resto do mundo, e os exportava para os estaleiros Inace, custeando ainda todos os outros custos da empresa no estrangeiro, tais como despesas com pessoal, transporte e armazenagem da mercadoria em Miami, transporte para o Brasil, seguro, outros contratos com terceiros etc; 1.2. A outra parte dos recursos era repassa aos estaleiros Inace no momento da compra da barco. 1.3. o fato da trading tanto importar barcos como exportar outros produtos dos/para os estaleiros Inace, permitia um fluxo financeiro bidirecional, regulando oficialmente o saldo de caixa em Miami através de liquidação de contrato de câmbio a qualquer momento dentro do prazo de negociação ou mesmo com antecipações de pagamentos. 2. na importação a cronologia era documentada da seguinte forma: 2.1. cotação do preço da mercadoria efetuada pela empresa americana ou pelos estaleiros Inace, podendo ocorrer de ambos cotarem simultaneamente. 2.2. após a negociação para determinar o preço final cotado, às vezes o fornecedor emitia um documento formal de cotação outras vezes os email já eram suficientes; 2.3. na maioria das vezes os Estaleiros Inace faziam a negociação para determinarem o preço, mas podia acontecer do preço ser definido somente entre a trading e o fornecedor, no entanto, a negociação só continuava depois que os estaleiros Inace concordasse com o preço e emitisse para a trading o documento chamado CONF significando uma confirmação ou ordem de compra e ao mesmo Fl. 3088DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.089 19 tempo uma autorização para a trading pagar a mercadoria, que segundo a própria autuada caracterizase como uma Ordem de Pagamento (fl. 2172) 2.4. de posse da CONF a trading emitia para o fornecedor uma OP (Ordem Purchaser) fazendo o pedido, que seria respondido/confirmado pelo fornecedor com a emissão de uma Order ou proform invoice. Às vezes esse era um momento crítico devido a existência de vários atores no lado do comprador (Estaleiros Inace, InaceUsa, Oceantech, All Oceans etc.) onde a OP era emitida por uma empresa, o pagamento feito por outra e a mercadoria destinada a uma terceira, então o fornecedor poderia ficar sem saber para quem emitir a proforma invoice. 2.5. concluído o negócio, normalmente com pagamento antecipado ou à vista pela trading/Inace USA, esta recebia a mercadoria no estabelecimento do fornecedor ou em Miami e ali a armazenava para aguardar o momento oportuno de exportála para o Brasil. 2.6. definido o momento certo do embarque, era preparada a lista correspondente e enviada aos estaleiros Inace para preparo do draft da invoice do jeito que estes quisessem. Observese que o draft era a própria fatura proforma, cujo modelo em branco já ficava com a autuada para preenchêlo como se fosse a própria trading, e esta quando a recebia emitia oficialmente a invoice definitiva sem questionar os termos do draft/proforma. 2.7. todo esse processo desde o começo da negociação até o registro da DI eventualmente poderia demorar meses. Observação: no caso das empresas Rozen e 4Networking, verseá que a aquisição da mercadoria do fornecedor/real vendedor manteve a mesma forma acima, ou seja, a mercadoria continuava sendo negociada com os fornecedores diretamente pelo grupo Inace, e estas duas empresas não participavam da negociação comercial. Por isso elas jamais poderiam emitir fatura comercial, mas apenas fatura de simples prestação de serviço onde sequer poderia constar comissão comercial, pois também não atuavam, no caso sob exame, como agentes de compra ou de venda. O que de fato aconteceu, se verá, foi mera cessão de nome por estas duas empresas para simular uma operação de compra e venda e assim ocultar o real vendedor. Da subordinação administrativa, financeira e operacional das empresas americanas de trading A empresa autuada alega que o Sr. Sérgio Sales Ferreira é pessoa estranha ao seu quadro social e à sua administração e que manteve relação estritamente comercial com as empresas Oceantech Enterprises, All Oceans Trading, Rozen Internacional, Jasfer, e 4net Networking, as quais, segundo afirma (fls. 2.164), são empresas de trading: As empresas indicadas pela fiscalização como sendo interpostas exportadoras estrangeiras (OCEANTECH ENTERPRISES, ALL OCEANS TRADING, ROZEN INTERNACIONAL, JASFER, e 4NET WORKING), são todas, na verdade, empresas de trading que prestam serviços à autuada, com o escopo único de minimizar custos de importação. No esquema descortinado pela fiscalização, no entanto, verificase que as empresas Jasfer, Inc., Oceantech Enterprises, Inc. e All Oceans Trading, LLC, eram desprovidas de autonomia e leais aos interesses da empresa autuada, circunstância decorrente do fato de terem elas como sócio comum o Sr. Sérgio Sales Ferreira, Fl. 3089DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.090 20 pessoa inequivocamente ligada ao Grupo, como restará demonstrado neste voto vencedor. As várias mensagens e os roteiros de procedimentos acostados aos autos evidenciam que o Sr. Sérgio Sales Ferreira, na qualidade de sócio efetivo e administrador aparente das ditas empresas de trading sediadas nos Estados Unidos, tem sido o principal interlocutor entre elas e a empresa autuada (que, juntamente com a empresa Inace Iates Ltda., integra o Grupo Inace, no Brasil), porém, em nível de subalternidade, ou seja, recebendo e cumprindo as instruções emanadas dessa empresa que, inequivocamente, possuía ampla ascendência administrativa, financeira e operacional, pelo menos, em relação à logística descrita pela fiscalização e confirmada pela impugnante, que a esse propósito assim se manifestou em sua impugnação (fls. 2.163): Impende destacar que a sistemática das importações da autuada são efetivadas, na sua maioria, através de empresas estrangeiras constituídas com o objetivo social de prestar serviços de trading. A autuada utiliza serviços dessas empresas estrangeiras de trading com o fim de realizar operações de comércio internacional seguras, descomplicadas e de baixo custo, porquanto essas empresas praticam o despacho aduaneiro nos órgãos internacionais, prestam assessoria na logística internacional, buscam e negociam com fornecedores internacionais, dão garantia dos produtos estrangeiros importados e exportados por sua conta e risco, contratam agente de transporte internacional, consolidam mercadorias para importação etc. É exemplo contundente dessa subordinação a mensagem, abaixo transcrita ipsis litteris, em que o Sr. Robert Gil Bezerra, do Grupo Inace, repreende o Sr. Sérgio Ferreira e cobra providências da empresa por ele administrada, a Oceantech: Sergio, Estamos precisando de atualizações em nosso relatório. Estive identificando que vários embarques foram relacionados a CONF's, mas os embarques já chegaram e as CONF's não. Temos que ter respostas atualizadas, nosso produção precisa disso. Quero realmente saber, porque não conseguimos uma resposta atualizada. Se vocês precisão de um tempo para se organizar, daremos esse tempo, mas tenho que saber de quanto tempo precisa, não posso é ficar sem respostas corretas é seguras. As respostas que tenho hoje em nosso relatórios de acompanhamento de pendências, estão desatualizadas ou incorretas. É muito importante você saber que o procedimento quem faz somos nos(INACE). Temos que dar credibilidade na informação, acabar com o atravessadores, que acontece diariamente, com isso as informações ficam no ar. Com o relatório bem trabalhado ninguém iria lhe importunar, então você teria maior rendimento em sua produção interna. Espero que entenda, que estou cobrando para o bem de todos. Fl. 3090DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.091 21 Atenciosamente ROBERT GIL BEZERRA INACE Original Message From: Robert Gil To: SJCABRAL@aol.com Cc: elisa@inace.com.br ; flavia@inace,corn.br ; elise©inace,com.br ; GIL Sent: Monday, May 14, 2007 10:53 AM Subject: REUNiA0 DO DIA 3 de MAIO Fortaleza, 14 de Maio de 2007 À Oceantech Caro Sergio, Estamos com sérios problemas, precisamos nos concentrar em nossas compras Internacionais. Ficou combinado um procedimento a ser seguido na reunião que vocês(você, Tiago e Clodoaldo) fizeram dia 3 de maio. Tenho que dar respostas a produção que é a primeira a ser penalizada, no final todos somos penalizados, por mais que o pedido saia em cima da hora, pedido atrasado ou qualquer outra desculpa, precisamos correr atraz do prejuízo, mas não é isso que esta acontecendo, segundo o relatório alimentado por vocês (Oceantech) e o Clodoaldo (Inace). Ficamos com cotações aguardando resposta por mais de 50 dias, isso é inconcebível, depois de confirmado, a resposta é lenta, o embarque é feito de qualquer forma, não podemos continuar assim. Precisamos acompanhar a solicitação da produção, o prazo de entrega vai sempre proposto no pedido, sei que as vezes o prazo é muito em cima, mas precisamos da uma resposta de volta, dizendo quanto tempo vamos precisar para colocar em Fortaleza, para que eles possam se organizar encima daquela informação. Vocês tem hoje 4 pessoas, para atender 300 pedidos ano, sei que uma é financeiro, outro é embarque e os outros dois são compras. O que eles estão fazendo? Preciso de uma atitude enérgica URGENTE. Obrigado pela atenção. Robert Gil Bezerra Fl. 3091DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.092 22 SUPRIMENTOS Demonstram os autos que, mais do que empresas de trading, as empresas Basic One, Corp., Multisea, Inc., S & S Seafood, Inc., Jasfer, Inc., Oceantech Enterprises, Inc., All Oceans Trading, LLC e Inace USA, LLC, constituídas, ao que parece, regularmente nos Estados Unidos, atuaram nas operações de comércio exterior objeto da ação fiscal que resultou no presente lançamento, na verdade, como verdadeiras offshore companies21, ou seja, como postos avançados das empresas do Grupo Inace no exterior, pensadas para agirem longe do alcance da legislação brasileira, sob as instruções e a conveniência da empresa autuada e da Inace Iates Ltda. Como elementos de prova dessa relação de subordinação entre a empresa autuada e as suas offshore, a fiscalização trouxe aos autos as planilhas de custos das embarcações de cascos nº 550, 560, 562, 563, 564, 555, 559, 561, 567, 568 e 577 (fls. 1.151/1.168), em que constam colunas com despesas intituladas “Custo Escritório Miami+Outros” ou “Custo Miami”, indicativas da apropriação, no custo das embarcações, de despesas administrativas do Grupo Inace com as empresas de Miami, EUA. Em algumas dessas planilhas (fls. 1.153/1.156 e 1.161), observase que são registrados, como custos de mão de obra mensal relativas às embarcações de cascos 560, 563 e 564, os salários devidos ou pagos pelas empresas do Grupo Inace no Brasil a diversas pessoas, entre elas, Sérgio Ferreira, Roberto Ferreira e Thiago, que figuram nos autos como operadores das empresas baseadas nos Estados Unidos. As informações dessas planilhas são corroboradas pelos documentos de fls. 1.092/1.106, relativos a operações com o PineBank e o Regions Bank, as quais registram, entre outros gastos nos anos de 2005 e 2006, os pagamentos feitos aos funcionários Thiago A Thomaz, Leda Romer Ferreira, Roberto C. Ferreira, Antonio Silva e Clodoaldo Rodrigues, demonstrando que as empresas de Miami, EUA, não passavam de escritórios ou departamentos informais da empresa autuada. Duas situações descritas pela fiscalização retratam bem o status de subordinação entre as empresas do Grupo Inace e o principal gestor das empresas de trading, o Sr. Sérgio Sales Ferreira: a primeira é o fato de a empresa autuada manter sob sua guarda documento de interesse pessoal do Sr. Sérgio Sales Ferreira (fls. 756), no qual a empresa Favo Empreendimentos informa, para fins de declaração do Imposto de Renda, pagamentos por ele efetuados no ano de 2008, no total de R$ 16.243,55, referente a aquisição de um imóvel no Brasil (apartamento 901 do Jardim Atlântida, Ed. Triton); a segunda, trata do tratamento diferenciado dado ao dito senhor no documento de fls. 2.780, encontrado na secretaria da sede dos estaleiros Inace, no qual são reservadas passagens aéreas nos trechos Fortaleza/Paris/Fortaleza, cabendo ao Sr. Antonio Gil Bezerra, sócio da empresa autuada, o voo na classe executiva, enquanto ao Sr. Sérgio, sócio das empresas ditas de trading, é reservado voo na classe econômica. Já no documento de fls. 2.227 é ordenada a emissão de fatura comercial da empresa All Oceans para a Indústria Naval, em conformidade com fatura pro forma do real fornecedor das mercadorias, demonstrando que as empresas estabelecidas no exterior não possuíam autonomia operacional. A ingerência do Grupo Inace sobre essas empresas era tamanha que até a forma de pagamento das compras por elas realizadas ao real fornecedor das mercadorias no exterior era determinada pelo Grupo, conforme fica claro na seguinte mensagem: Fl. 3092DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.093 23 From: "Gabriela" <gabriela.compras@inace.com.br > To: "Thiago" <tt@inaceusa.com >, <tt jnaceusa@hotmail.com >, "Sergio Cabral AOL'" <sjcabral@aol.com > CC: "Robert" <robert@inace.com.br > Subject: Amortecedor e Dobradiça Razeto e Casareto Sent: Mon, 26 Jan 2009 10:42:08 0300 Thiago/Sérgio, Conforme decisão do Robert, o pedido que segue em anexo deverá ser pago com cartão de crédito pela All Oceans. Segue em anexo o pedido feito no sistema e a Pro Forma do fornecedor. No aguardo de seus comentários. Att. OBS: ROBERT FAVOR CONFIRMAR ESTAS INFORMAÇÕES JUNTO AO THIAGO. Gabriela Belém Purchase Department/Depto de Compras Inace Shipyard Indústria Naval do Ceara S.A. A mensagem abaixo (fls. 1.107), pela qual o setor de custos do Grupo Inace requisita informações ao denominado Escritório de Miami, na pessoa de Sérgio Sales Ferreira, demonstra que o Grupo Inace também exercia o total controle financeiro e contábil das operações das empresas de trading: From: custos@inace.com.br To: robert@inace.com.br Subject: Documento para ser enviado pra Sergio.(Robert desconsiderar o e mail enviado anteriormente) Sent: Tue, 12 Dec 2006 14:40:29 0300 (GMT03:00) FortalezaCE, 12 de dezembro de 2006. De: Setor de Custos Para: Escritório de Miami Prezado Sérgio, Solicito o envio de cópias legíveis de documentos, conforme desc abaixo: 1. Extratos bancários do PineBank e Regions Bank, segundo do arquivo em anexo (solicitação para Sérgio Ver Planilha 1); 2. Registros do programa Quick Books, segundo solicitação anexo (solicitação para Sérgio Ver Planilha 2); Fl. 3093DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.094 24 3. Extratos dos cartões de credito, segundo solicitação d (solicitação para Sérgio Ver Planilha 3); 4. Reenvio de cópias legíveis dos cheques(arquivo em anex modelo ilegível), referentes a conta 83 1054 7966, seguindo o modelo do arquivo em ano modelo de cópia legível). Agradecimentos, A correspondência de fls. 790, oriunda de cliente do Grupo Inace, denuncia o fluxo de financiamento das importações, no qual as empresas de trading figuram como meras intermediárias dos pagamentos aos fornecedores das mercadorias importadas pela empresa autuada. Diversos documentos juntados pela fiscalização mostram que as pessoas alocadas nas empresas offshore do Grupo Inace transitavam entre essas empresas conforme as conveniências do Grupo, sendo comum entre elas o uso do email corporativo terminado em @inaceusa.com, como é o caso de Sérgio Sales Ferreira (sergio@inaceusa.com), Christian Muzzio (muzzio@inaceusa.com), Thiago A. Thomaz (tt@inaceusa.com), Jacqueline Ferreira (jackie@inaceusa.com) e de Leda Romer Ferreira (leda@inaceusa.com), indicativo da subordinação a que estavam submetidos. O documento de fls. 2.215 expressa a logística fraudulenta empregada pela empresa autuada, na qual as empresas americanas vinculadas ao Grupo Inace fazem as vezes de exportadores, em lugar dos verdadeiros fornecedores das mercadorias importadas pela empresa autuada, simulando operação diferente da realmente ocorrida: Conforme conversado, toda mercadoria com aquisição nos Estados Unidos e transporte via embarque marítimo será destinada, primeiramente, ao escritório da All Oceans, Doral, FL. A documentação original de cada mercadoria deverá seguir diretamente do fornecedor para a Indústria Naval. No documento de fls. 2.218, a mesma logística é explicitada. Neste caso, a mensagem indica que haveria a substituição documental do real fornecedor (Kohler) das mercadorias (geradores) por empresa americana vinculada ao Grupo Inace: Outra coisa, vo deixar aqui na mesa uma PF da Kohler p Robert assinar. Depois que ele assinar vo entrega p tesouraria. O procedimento de sempre. Pode explicar p Robert que é referente aos geradores que já estão prontos e vão ser enviados para Inace Usa para o Sergio embarcar, e o pagamento é contra apresentação, ou seja, na entrega. Também confirma a sistemática do Grupo Inace o Relatório de Ordens Gerado pelo Datasul, que relaciona “planilhas referente a relatórios gerados pelo sistema DATA SUL com todos os materiais que se encontram em "ordens" e estão pendentes de preços para que seja feito os devidos "pedidos" em nome da ALL OCEANS, para controle e referência de todos”. Ou seja: todas essas operações seriam dissimuladas. Conforme os documentos de fls. 2.219, a empresa Oceantech Enterprises, Inc. seria a destinatária no território americano de bens adquiridos do real fornecedor por conta e ordem das empresas do Grupo Inace no Brasil, os quais depois seguiriam dessa empresa para o Brasil, com ocultação do real fornecedor. Fl. 3094DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.095 25 A mensagem de fls. 2.226, referenciada às fls. 19, confirma a logística da empresa autuada nas operações de comércio exterior: > Prezada D Elisa, aqui vão os dados dos eletrônicos comprados na Simrad. Agora > resta ao Sergio despachar para o Brasil. > Abraço Janot Pela mensagem de fls. 810 fica claro que as verdadeiras operações de comércio exterior eram realizadas entre as empresas do Grupo Inace e o fornecedor das mercadorias, sendo que as empresas estrangeiras vinculadas ao Grupo serviam como armazenadoras e consolidadoras de mercadorias, remetendoas em seu próprio nome ao Brasil conforme as conveniências do Grupo, interpondose fraudulentamente entre o verdadeiro fornecedor e o adquirente das mercadorias: Sergio, Devido ao grande número de compras realizadas e por conta da demora do DECEX em deferir os drawbacks, ficou acordado que as compras que a INACE BR fizer e precisar estocar para esperar o aval do Aécio para embarque serão armazenadas no armazém da All Oceans. Quando fizermos a compra, iremos solicitar ao fabricante que deixe no armazém e comunicaremos tudo a você com detalhes para que esse material fique separado. Quando o Aécio liberar o embarque, a CTI irá buscar tudo e embarcar normalmente. Favor atentar bem para esse fato para não haver problemas futuros. Att, Manuela Sales Purchase Department/Departamento de Compras Inace Shipyard Indústria Naval do Ceará S.A Brazil www.inace.com.br Restou, assim, evidenciado pela fiscalização que as empresas Oceantech Enterprises, All Oceans Trading, Jasfer e S & S Seafood, gerenciadas pelo Sr. Sérgio Sales Ferreira, cumpriam as instruções do Grupo Inace no Brasil e emitiam as faturas comerciais conforme os dados repassados pelas empresas desse Grupo, entre elas, a empresa autuada. Isso é evidenciado no documento de fls. 1.138 (“Procedimento para controle de importação de materiais (IATES)”), onde se lê: 2 A confecção das Invoices e Packing Lists deverá ser de responsabilidade de: 2.1 All Oceans: Sergio Cabral 2.2 lnace: Dep. Compras internacionais. Fl. 3095DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.096 26 Pelo que se vê, era a ação dessas pessoas estruturada em conformidade com os interesses do Grupo Inace, que permitia, em última análise, o alcance dos objetivos declarados pela empresa autuada segurança, descomplicação e redução de custos , ainda que em detrimento do Erário. Da procedência do lançamento da multa por utilização de notas fiscais ideologicamente falsas e ocultação do efetivo vendedor estrangeiro, mediante simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros, nas operações com as empresas Oceantech Enterprises, All Oceans Trading e Jasfer A fiscalização tem razão ao acusar a empresa autuada de se utilizar das empresas norteamericanas Oceantech Enterprises, All Oceans Trading, Jasfer e S & S Seafood para ocultar o real vendedor das mercadorias por ela importadas e manipular preços e condições de pagamento, mediante o uso de faturas ideologicamente falsas na instrução das Declarações de Importação que apresentou até 31 de dezembro de 2007, relacionadas no “Anexo K” deste processo. Observase que a impugnante não nega os fatos descritos no auto de infração, mas, se defende da acusação fiscal de interposição fraudulenta de terceiros, mediante simulação, com ocultação do verdadeiro vendedor das mercadorias por ela importadas, alegando que “as empresas indicadas pela fiscalização como sendo interpostas exportadoras estrangeiras (Oceantech Enterprises, All Oceans Trading, Rozen Internacional, Jasfer, e 4Ne Working), são todas, na verdade, empresas de trading que prestam serviços à autuada, com o escopo único de minimizar custos de importação”. Fossem meras agentes de compra e venda, o fato de terem operado em seu próprio nome não as transformaria em vendedoras das mercadorias, desde que registrassem nas faturas que estavam agindo por conta e ordem da empresa autuada, mas, não foi o que aconteceu nas operações objeto do lançamento, nas quais as ditas empresas figuram como vendedoras das mercadorias e não como prestadoras de serviços, situação que a própria autuada admite em sua impugnação, quando afirma, às fls. 2.165, que “em várias operações de importação a trading fica encarregada de efetuar a compra ao fornecedor estrangeiro e revender para a autuada, incluindo no preço de venda à autuada os seus custos e seu lucro.” Tudo isso, porém, foi feito mediante a interposição fraudulenta de terceiros, visto que as referidas empresas “de trading”, que eram estruturalmente subordinadas aos interesses do Grupo Inace, adquiriam dos reais vendedores, ainda em território americano, as mercadorias cuja aquisição havia sido negociada pela empresa autuada, e “refaturavam” essas mercadorias, mediante emissão de faturas comerciais para fins de exportação, as quais eram elaboradas em conformidade com as instruções determinadas pelo Grupo Inace, de modo que os preços, as quantidades e a descrição das mercadorias eram manipuladas, conforme insinuou a fiscalização e confirmou a própria empresa autuada, para que se ajustassem às condições do regime de drawback suspensão que beneficiava a quase totalidade das importações da empresa autuada, como ela mesma afirma em sua impugnação (fls. 2.165): No caso da autuada, que é beneficiária de drawback para quase todas as suas importações, o serviço de trading ganha maior relevância porque inclui a adequação dos procedimentos do exportador estrangeiro As exigências da Alfândega brasileira, ou seja, a adequação da invoice às normas brasileiras, com a descrição correta da mercadoria, indicação do produtor, dentre outras. Com efeito, a logística praticada pela empresa autuada através de empresas que lhe deviam subordinação administrativa, operacional e financeira, favorecialhe Fl. 3096DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.097 27 o controle absoluto das operações, nos polos exportador e importador, e lhe propiciava “operações de comércio internacional seguras, descomplicadas e de baixo custo”, tudo, como já foi dito, em detrimento do Erário. As operações de comércio exterior da empresa autuada eram, assim, fundadas na simulação e no uso, para fins de desembaraço aduaneiro, de documentos inquinados de falsidade ideológica. Inequívoco, pois, o artifício doloso caracterizador da infração imputada pela autoridade fiscal Um exemplo do que ocorria nessa sistemática nos é fornecido pelo documento de fls. 1.119, no qual é evidenciado o intuito econômico da manipulação documental das importações: De: Paola Aquino [mailto:paola.aquino©inace.com.br] Enviada em: segundafeira, 18 de maio de 2009 11:57 Para: 'Marcelo' Assunto: RES: NCM das mercadorias que vão ser embarcadas para o casco 582! Marcelo, Não existe drawback para o 582. O que acontece às vezes é o Sergio e o Aécio colocarem em algum item que não vai ser usado de outros drawbacks para não pagarmos imposto. Att, Paola de Aquino Yacht Department/Departamento de Iates Web: www.inace.com.br Email:Raola.aquino@_inace.com.br Em outra mensagem, juntada às fls. 842/845, a manipulação de faturas comerciais (commercial invoices) e de listas de embarques (packing lists), para adequação ao regime de drawback, fica bastante clara, como se lê no seguinte trecho: PS.: As invoices e packing lists estão sendo alterados conforme orientação da Paola, para que fique de acordo com os respectivos drawbacks. Diversos outros documentos e mensagens citados e aduzidos aos autos pela fiscalização revelam a ingerência administrativa, operacional e financeira das empresas do Grupo Inace no Brasil, entre elas, a empresa autuada, sobre as empresas estrangeiras capitaneadas pelo Sr. Sérgio Sales Ferreira, sendo também relevante a participação da Sra. Jacqueline S. Ferreira nessas operações: O documento de fls. 875/876 (“Procedimento para controle de importação de materiais (IATES)”), referenciado às fls. 17/18, demonstra com clareza o quão alto tem sido o grau de ingerência das empresas do Grupo Inace no Brasil entre elas Fl. 3097DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.098 28 a autuada sobre as empresas estabelecidas no exterior e de como era planejada a manipulação das faturas comerciais por elas emitidas. Vejamos o seu conteúdo: 1 — (All Oceans e Dep. Compras Internacionais) Todo e qualquer embarque deverá ser informado (checklist), através do email, para Paola, Dept. importação / exportação e Dept. compras internacionais. 1.2 — (Paola, Aécio e Nathalia) De forma geral a Paola é a responsável pela confecção, consulta e confirmação da descrição dos itens no drawback. Depois de confeccionado o arquivo deve ser passado para o Aécio que entregará a pessoa terceirizada, Domingos (Banco do Brasil), responsável pelo cadastramento no DECEX. A Nathalia é responsável por acompanhar esse processo e informar aos interessados (Dino, Julio, Val e Paola) o andamento deste. 0bs.1: Uma vez por semana o Sergio vai passar uma tabela dos materiais que já chegaram em Miami para deixarmos tudo pronto antes mesmo dele preparar o embarque; Obs.2. Quando a Paola for informar o item do drawback com todos os detalhes para o Sergio, deverá também passar para o Aécio; Obs.3: Quando for incluir no drawback um item que for sistema, não esquecer de duplicado da mesma forma. 1.3 — (Nathalia) A classificação fiscal (NCM) e o acompanhamento do deferimento de drawback no DECEX são de responsabilidade da Nathalia. (Drawback 576 e 568) Obs.: Aécio ficou de verificar como vai fazer para que o Gleidson tenha acesso de consulta no SISCOMEX (Aécio já conseguiu e vai passar p/ Nathalia) 1.4 — (Paola) A NCM que será discriminada no conhecimento de embarque deverá ser fornecida pela Paola, já que a mesma já consta na descrição do item no drawback. 1.5 — (All Oceans e Dep. Compras Internacionais) Antes da confecção da Invoice e Packing List todos os responsáveis por tal deverão consultar a descrição do item no drawback (PAOLA). 2 — A confecção das Invoices e Packing Lists devera ser de responsabilidade de: 2.1 All Oceans: Sergio Cabral 2.2 Inace: Dep. Compras internacionais. (Raffael, Marcelo e Gabriela) Novo Procedimento: IATES Quando Sergio passar por email as informações do embarque que ele está preparando, a Paola deverá preparar um draft da INVOICE, entregar p/ o Aécio para conferência e correções e passar novamente para o Sergio para que ele possa preparar INVOICE original; 2) A INVOICE original será passada para o Dept. de Compras Internacional para, então, preparar a pasta com a documentação para o desembaraço aduaneiro. Fl. 3098DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.099 29 OFFSHORE Mesmo procedimento sendo que a responsável é a Gabriela (Dept. Compras) 3 — Preparação e envio ao dept. importação / exportação das pastas com documentação para desembaraço aduaneiro das mercadorias: 3.1 — Responsável: Departamento de compras internacionais (Raffael, Marcelo e Gabriela) 3.2 — O que deve constar nas pastas: a) Invoice Original (assinada) b) Packing List Original (assinado) c) Copia de conhecimento de carga (BL / AWB) d) Copia do Contrato de Câmbio detalhes do pagamento OBS.1: No caso dos embarques da All Oceans o Sergio encaminhará os conhecimentos de carga originais (juntamente com Invoice e Packing List) para o departamento de compras. OBS. 2: O Packing List p/ Alex Almoxarifado deve ser mais detalhado contendo os números pedido e PO. OBS. 3: Os documentos originais devem ser postados no nome do Robert, devidamente assinados e avisados através do email. OBS. 4: Quando o Sergio passar a cópia do HBOL para o Aécio ele deverá conferir e responder em 48 horas. 4 — Confecção das pastas. 4.1 As pastas serão preparadas por conhecimento, ou seja, cada BL / AWB terá uma pasta independente. 5 — Desembaraço aduaneiro: 5.1 — (Dino e Aécio) O departamento responsável pelo desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas é o departamento de exportação / importação (Aécio). Antes do registro das DIs o Dino deverá conferir o material (peso, quantidade, pais de origem, valor e descrição) na unidade alfandegária evitando o pagamento de multas e impostos. Aécio explicou que isso é possível nos embarques aéreos. Nos marítimos o Aécio ficou de verificar se é e como é possível. (Aécio já verificou e não é possível conferir no marítimo) 5.2 — Despacho documental (Júlio César) As LIs e DIs são de responsabilidade do Julio Cesar. Para esse registro o Júlio deve sempre conferir e verificar se as informações estão de acordo com as informações contidas na pasta. Nathalia ajudará o Julio a fazer um Relatório de Desempenho para que metas sejam traçadas. 5.3 — Despacho físico (Dino e Aécio) A liberação das mercadorias nos recintos alfandegados é realizada por Dino e Aécio. Fl. 3099DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.100 30 OBS.: Caso ocorra alguma divergência com a documentação (Invoice, Packing List, conhecimento de embarque), o departamento de importação / exportação deverá informar exatamente o que deve ser alterado ou providenciado para a conclusão do processo. Não é de responsabilidade do Dep. Importação / Exportação alterar INVOICE, apenas informar o que deve ser alterado para Paola/Gabriela passar para Sergio através do email e aviso por telefone. A resolução dos demais problemas será de responsabilidade do setor de importação / exportação. 5.4 — (Nathalia) A Nathalia é responsável por acompanhar todos os processos de importação das mercadorias dos lates e fazer um feedback diário com a Paola. Portanto, todo e qualquer problema que aconteça durante o processo de liberação das mercadorias deverá ser informado para ela. Também é responsável pelo Banco de Dados dos drawbacks genéricos 588 a 591, 6 — As notas fiscais serão encaminhadas ao departamento de compras internacionais para que sejam inseridas no sistema Datasul e, posteriormente entregue para o recebimento (Rosinha). OBS.: A data limite para entrega de todas as notas fiscais implantadas no sistema para o recebimento é até o dia 10 de cada mês, pois é o dia de fechamento da contabilidade. 7 — (Aécio) Aécio fazer solicitação a Receita Federal de um armazém alfandegário. 8 (Nathalia) Levantar com a Contabilidade/Custos o que foi gasto com multas/ impostos/ demurrage para criarmos metas de redução de custos mensais Segundo esse documento, a confecção das faturas comerciais no exterior era de responsabilidade do Sr. Sérgio Sales Ferreira (de cognome Sérgio Cabral), o qual, no entanto, só poderia fazêlo após consulta aos Departamentos de Importação/Exportação e de Compras Internacionais das empresas do Grupo Inace no Brasil (Paola, Aécio e Nathalia), que tinham a incumbência de adequar a descrição e a NCM das mercadorias ao previsto no regime de drawback. No mesmo documento se observa que o procedimento foi depois ligeiramente modificado, com a introdução de rascunhos prévios das faturas (drafts invoice), ficando assim definido: Quando Sergio passar por email as informações do embarque que ele esta preparando, a Paola deverá preparar um draft da INVOICE, entregar p/ o Aécio para conferência e correções e passar novamente para o Sergio para que ele possa preparar INVOICE original. Recordemos a fundamentação legal adotada pela fiscalização para o presente lançamento: Decreto lei nº 37, de 18 de novembro de 1966 [...] Art.105Aplicase a pena de perda da mercadoria: [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; Fl. 3100DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.101 31 Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976 [...] Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] IV enquadrada nas hipóteses previstas nas alíneas "a" e "b" do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) No caso em análise, os fatos narrados pela fiscalização e o farto conjunto probatório por ela aduzido aos autos confluem para a caracterização das duas infrações acima descritas, ambas puníveis com a pena de perdimento das mercadorias ou, mais propriamente, da multa equivalente ao valor aduaneiro destas. Primeiro, porque as faturas comerciais que instruíram as Declarações de Importação (operação simulada) objeto da ação fiscal não expressam a verdadeira operação havida (operação dissimulada), que foi realizada entre o real fornecedor das mercadorias e a empresa autuada, implicando a infração prevista no art. 23, inciso IV, do Decretolei nº 37, de 1966, por utilização de documento ideologicamente falso para fins do desembaraço aduaneiro de importação das mercadorias. Segundo, porque a empresa autuada, ao fazer constar nas Declarações de Importação objeto da ação fiscal, em lugar do verdadeiro vendedor das mercadorias por ela importadas, empresas norteamericanas a ela subordinadas de fato e que, como ficou fartamente demonstrado, não estavam vinculadas ao fato gerador das obrigações tributárias decorrentes das operações de importação por ela realizadas, terá incorrido na infração descrita no art. 23, inciso V, do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, por ocultação do verdadeiro vendedor das mercadorias, mediante simulação, caracterizada pela interposição fraudulenta de terceiros. A legislação brasileira exige que no despacho aduaneiro de importação figurem as partes efetivamente intervenientes na operação, não podendo o verdadeiro fornecedor/vendedor/exportador das mercadorias ser ocultado e simplesmente substituído, por exemplo, pelo agente de compras e vendas (prestador de serviços), como ocorreu no presente caso, conforme amplamente comprovado pela fiscalização, sob pena de caracterizarse a simulação, ilícito assim disciplinado no Código Civil: Fl. 3101DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.102 32 Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil) [...] Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. § 2º Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. Improcedente, portanto, a impugnação, quanto ao lançamento da multa por utilização de notas fiscais ideologicamente falsas e ocultação do efetivo vendedor estrangeiro, mediante simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros, nas operações com as empresas Oceantech Enterprises, All Oceans Trading e Jasfer, devendo ser mantido o respectivo crédito tributário, no valor de R$ 5.939.989,07. Da procedência do lançamento da multa por utilização de notas fiscais ideologicamente falsas e ocultação do efetivo vendedor estrangeiro, mediante simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros, nas operações com as empresas Rozen International e 4Net Networking, Corp. Quanto às operações envolvendo as empresas 4Net Networking Corporation e Rozen International, as provas colacionadas pela fiscalização revelam que, embora representassem um nível a mais na logística do Grupo Inace nos Estados Unidos, o modus operandi permanecia intacto, com a empresa autuada determinando todos os passos a serem observados pelos partícipes do esquema, como se verifica nas mensagens abaixo (fls. 1.003): From: Importação <importacao@inace.com.br > To: Sergio Cabral CC: Roberto Cabral 1 Subject: Modelo para Emissão de INVOICE 4NET Aquecedores Etc. EMB71015 BL HBOL3718 Sent: 07/11/2007 18:44:56 +00:00 Attachments: 1. Plano de fundo Natureza.jpg 2. Invoice Marítimo pg 1 18.10.07. xls Prezado Sérgio, Segue anexo, o modelo de como deverá ser emitida a INVOICE da 4NET referente ao embarque EMB71015 Itens 01,02 e 03 do packing List BL no. HBOL 3718 conforme combinado. Caso haja alguma dúvida, favor comunicar. Grato, Fl. 3102DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.103 33 Aécio Costa ___________________________________________ From: Importação <importacao©inace.com.br > To: Sergio Cabral CC: Roberto Cabral 1 Subject: Modelo corrigido para Emissão de INVOICE Aquecedores etc. BL. HB0L3718 EMB 71015 Itens1,2,3 Sent: 07/11/2007 20:09:35 +00:00 Attachments: 1. Plano de fundo Natureza.jpg 2. Invoice Marítimo pg 1 18.10.07. xls • Sergio, Segue anexo, modelo corrigido para emissão da INVOICE 4NET BL no HB0L3718 referente aos Aquecedores Etc., em conformidade com orientação do senhor Roberto Cabral. Obs. Esclareço que o valor final a ser colocado na invoice a ser emitida, ficará por conta do exportado, tendo em vista o acréscimo em percentual que deverá ser adicionado e o valor do frete. Grato pela atenção, Aécio Costa Dept. de Importação Vale trazer, ainda trechos Relatório Final de Procedimento Fiscal em que são descritas situações em que se mostra evidente a ingerência da empresa autuada nas operações efetivadas por intermédio das empresas Rozen International e 4Net Networking: a) às fls. 20/21: A mensagem eletrônica de 14/03/20088 de Jacqueline Ferreira para o Sr. Aécio" informa que o embarque aéreo de 17/mar teria sido dividido em quatro remessas sendo duas consolidadas em faturas em nome da ALL OCEANS (n° 2121 e 2123) e as outras duas em remessas individuais mediante faturas em nome ROZEN INTERNATIONAL (n° 71687 e 71688) e encaminhando as invoices n° 2121 e 2123, além de, posteriormente, reencaminhar as invoices porque as primeiras não estariam com a informação de frete prépago. Essas mensagens mostram claramente a manipulação de faturas pela Sra. Jackie Ferreira não somente no que tange a forma de pagamento do frete em faturas no nome da ALL OCEANS, mas também em faturas em nome da ROZEN INTERNATIONAL, que não tem relação societária formal com o Grupo INACE (Quadro 1); b) às fls. 29: Em relação às empresas 4NET NETWORKING CORPORATION e ROZEN INTERNATIONAL, apesar de não termos evidenciados ligações societárias formais, Fl. 3103DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.104 34 constatamos que essas empresas também foram utilizadas na logística fraudulenta de ocultação dos efetivos fornecedores estrangeiros de mercadorias importadas pelos estaleiros INACE e/ou subfaturamento do valor das mercadorias importadas, mediante instrução de DI com faturas ideologicamente falsas. As mensagens encaminhadas pelo setor de importação dos estaleiros INACE a Sérgio Cabral enviando o modelo para emissão de invoice em nome da 4NET revela que tais invoices também eram emitidas pelo escritório em Miami (ALL OCEANS, OCEANTRADING e INACE USA). A análise individualizada das operações pela fiscalização, com base na documentação acostada aos autos, também aponta no mesmo sentido, deixando explícita a condição de interpostas pessoas das empresas Rozen International e 4Net Networking: a) às fls. 44: 5.2.3.1 DI nº 07117583281 —Adição 001 O gerador N843NW2 de 12kw da Northern Lights de que trata a confirmação de compra 2007/044 da IND. NAVAL encaminhada por Robert Gil Bezerra a Roberto Ferreira foi importado mediante a DI em referência do fornecedor estrangeiro interposto fraudulentamente ROZEN INTERNACIONAL, a transação comercial ocorreu de fato entre a IND. NAVAL e a NORTHERN LIGHTS com a intermediação do preposto Roberto Ferreira, tendo a transação retratada na invoice da ROZEN INTERNATIONAL utilizada para instruir a DI sido uma mera simulação, para ocultar as verdadeiras partes da operação; b) às fls. 44: 5.2.3.2 — DI nº 07/16271863 Ao amparo dessa DI foram importados dois guinchos MUIR VRC6000 (adição 002) e dois VC3500 do fornecedor estrangeiro declarado ROZEN INTERNATIONAL, no regime de drawback suspensão —AC n°20060011920. Entretanto, os documentos abaixo identificados comprovam que esses guinchos foram adquiridos diretamente da MUIR pela IND. NAVAL: a) Correspondências eletrônicas entre Estaleiros Inace, Fred Mayer da MUIR, Sergio Cabral e Sergio Ferreira. b) Duas vias distintas da Ordem de Pedido n° 200605004 da Oceantech à MUIR com diferença no valor total. c) Proforma invoice 06089 da MUIR dirigida A OCEANTECH. d) Invoice 4029478 da MUIR e o packing list de 26/06/2006 da MUIR destinados IND. NAVAL e INACE IATES, respectivamente. A Invoice OT3810 em nome da OCEANTECH (481.pdf — Doc. E7) apresentada ao Secex na instrução do requerimento do AC n° 20060011920 relativa a equipamentos a serem importados no regime para utilização na embarcação Casco 564 discrimina esse equipamento ao valor de US$ 7.200,00. Dessa forma, resta comprovado além do subfaturamento do valor declarado desses equipamentos, a aquisição direta desses equipamentos pela IND. NAVAL da Fl. 3104DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.105 35 MUIR, sendo a invoice n° 71627 em nome da ROZEN INTERNATIONAL instrutiva dessa DI ideologicamente falsa. c) às fls. 45: 5.2.3.3 DI nº 07/14377826 A correspondência de Paul Raymond Orange da Econosto para Muzzio sobre a cotação de válvulas EC001000040HAJ2 ao preço unitário (fob) 272,00 Euros equivalente a US$ 370,22 na data de embarque das mercadorias, incoterms FCA e pagamento adiantado, comprova inequivocamente o subfaturamento e a falsidade ideológica da invoice em nome da ROZEN instrutiva dessa importação adição 002 da DI nº 07/14377826. Essas válvulas foram importadas ao preço unitário declarado (fob) de US$ 300 para pagamento em 180 dias. A realização de outras operações de importação registradas diretamente pelos estaleiros INACE ao fornecedor e fabricante estrangeiro ECONOSTO aliada à ocorrência de negociação de válvulas desse fabricante entre o intermediário Luis Rosales da REG Holland e o Sr. Robert Gi1 também evidencia a condição da ROZEN INTERNATIONAL como mera fornecedora de fachada das transações internacionais entre os estaleiros INACE das válvulas importadas mediante a DI em referência e a de nº 06/06617366002; d) às fls. 45/46: 5.2.3.4 DI nº 07/12946661 e 07/1 29051 75 Ao amparo da DI nº 07/12946661 foram importados os equipamentos fabricados pela WARTSILA discriminados no quadro abaixo do fornecedor estrangeiro declarado ROZEN INTERNATIONAL, no regime de drawback AC nº 20070069239. A existência de invoice da WARTSILA dirigida a OCEANTECH e de Ordem de Pedido em nome da OCEANTECH encaminhada por Robert Gil à WARTSILA referentes venda dos equipamentos importados ao amparo dessa DI, revela incontestemente a falsidade ideológica da fatura instrutiva da DI nº 71604 em nome da ROZEN INTERNATIONAL, a ocultação do efetivo fornecedor das mercadorias, além do alteração dos valores dos equipamentos; e) às fls. 47: 5.2.5.1 DI nº 07/16456340 Essa DI referese à importação de um turco Marquipt e dois motores diesel Volvo com acessórios nos valores unitários (cfr) declarados de US$ 9.514,76 e US$ 42.907,66. Entretanto, documentos apreendidos na Operação Luxo trazem informações distintas das constantes nessa DI. a) Minutas de Invoice em nome da 4NET sem numeração encaminhada por mensagem eletrônica do Sr. Aécio do Setor de Importação dos Estaleiros Inace para Sergio Cabral, Roberto Cabral e Leda Romer, pedindo para desconsiderar o documento e não emitir a invoice, em razão de erro na aplicação do percentual, na qual constam valores superiores aos declarados, de US$ 9.745,03 e de US$ 43.943,06. Fl. 3105DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.106 36 b) Proforma invoice da Marqpit em que consta o valor (fobmiami) de US$ 8.772,00 para o turco dirigida à OCEANTECH e informando o deposito em 29/08/2007 de 50% e o restante na entrega. c) Proforma invoice PF817641/2 da Volvo referentes aos dois motores constantes da adição 002 no valor de US$ 38.980,00 (cada). Os dois motores volvo registrados nessa DI, segundo a proforma acima identificada, teriam sido vendidos a OCEANTECH para entrega no Rio de Janeiro. A mensagem eletrônica que encaminha essa proforma para Sergio Cabral e Robert Bezerra explicita que esse motores seriam pagos pela OCEANTECH que, posteriormente, receberia da JM EMPREENDIMENTOS. Essa importação foi instruída com fatura da 4NET. A falsidade da invoice em nome da 4NET utilizada para instruir essa DI e a ocultação do efetivos fornecedores estrangeiros MARQUIPT e AB VOLVO PENTA, evidenciase também na mensagem eletrônica do Almirante Janot para Sergio Cabral e Robert Gill informando a cobrança de pagamento de 10% nos motores Volvo e sugerindo que o Sergio pagasse que, posteriormente, a JM EMPREENDIMENTOS pagaria a OCEANTECH; f) às fls. 48/49: 5.2.5.3 DI nº 07/14450531 Nessa DI foram registradas diversas mercadorias no regime de drawback suspensão AC n° 20060011920 no valor total (cfr) de US$ 74.389,90. Entretanto, a apreensão de minutas de invoice nº OT32628 em nome da 4NET discriminando as mesmas mercadorias e o mesmo embarque EMB70813 — BL nº HB0L3683, mas com valores diferentes, totalizado US$ 69.066,61 e U$ 70.204,12, revela a falsidade da fatura de mesma numeração instrutiva da DI. A diferença no valor das mercadorias entre a minuta de invoice e a invoice instrutiva da DI referese aos 8% que, segundo mensagem eletrônica de 17/09/2007, encaminhada por Sérgio cabral a Roberto Cabral remetendo as invoices finais dessa seria a remuneração da 4NET pelo "empréstimo" do nome para figurar como exportadora das mercadorias. Conforme comentado no email anterior, segue anexo as copias das INVOICE'S que finais, que deverão ser emitidas referentes ao embarque EMB70813 — BL n° HBOL3683. Favor verificar o tal dos 8% 4NET Ao amparo das adições 13, 14 e 15 foram importadas duas portas corrediças de vidro temperado e dois fechos automáticos adquiridos do fornecedor chinês ARITEX no valor total (fob) declarado de US$ 23.533,23. Essas portas foram formalmente vendidas a OCEANTECH mediante a invoice OEI12042006 da ARITEX destinada a OCEANTECH ENTERPRISES. Essa fatura da ARITEX juntamente com instruções para pagamento foi enviada eletronicamente pela ARITEX a Sergio Cabral com cópia para Fernando Jr. da INACE, esse [...] repassou a mensagem para Robert Bezerra. A ARITEX encaminhou a OCEANTECH [...] memo de pagamento informando o valor total das mercadorias de US$ 21.610 , informando o recebimento do depósito de 50% e que a entrega se daria em noventa dias'. Entretanto, na DI foi informado o fornecedor estrangeiro 4NET NETWORKING CORP, o que significa que o desembaraço das mercadorias foi Fl. 3106DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.107 37 instruído com fatura comercial em nome da 4NET. Portanto, a existência de fatura comercial em que as mercadorias são formalmente vendidas a OCEANTECH e enviadas para a INACE, quando na DI é informado outro fornecedor estrangeiro e alteração fraudulenta de valores das mercadorias revela a falsidade ideológica da fatura instrutiva n° 7002750 em nome da 4NET NETWORKING. g) às fls. 49/50: 5.2.5.6 DI nº 07/12656736 Por meio dessa DI foram importados do fornecedor estrangeiro declarado 4NET no regime de drawback suspensão — AC n° 20070069239: dois geradores Kohler modelos 50EFOZD e 33EFOZD aos valores unitários (cfr) de US$ 26.590,25 e 21.680,41, respectivamente, e 250 litros de isolamento acústico coating 3680 vdamp barrier ao valor unitário (cfr) de US$ 10,79. Ocorre que segundo os documentos apreendidos na Operação Luxo abaixo discriminados os valores declarados dessas mercadorias foram subfaturados e instruídos com faturas comerciais e packing list falsos no mínimo ideologicamente: a) Minutas da comercial invoice OT32620 e OT32622 em nome da 4NET na qual constam os valores unitários (cfr) de US$ 24.625,43 / US$ 82.810,19 e de US$ 20,079,27 / US$ 44.963,75 para os geradores e de US$ 10,02 para o isolamento132. b) Proposta da KOHLER dirigida a OCEANTECH encaminhada por Sergio Cabral a Robert Gil desses geradores aos preços unitários (fob) de US$ 19.889,43 e 24.435,59. Mensagem eletrônica do setor de importação do Sr. Aécio do setor de importação dos estaleiros INACE para Sérgio Cabral de 15/09/2007, encaminhando a minuta de invoice nº 0132620 com os mesmos valores de mercadorias declarados e o packing list com o seguinte texto: "Seguem anexo as faturas referentes ao EMB70730 — BL nº HB0L3676, com as correções solicitadas quanto ao acréscimo de 8% 4NET. Corrobora a compra dos equipamentos feita diretamente pela IND. NAVAL a cobrança feita por Robert Gil Bezerra a Roberto Skuplik da confirmação do aceite das encomendas dos geradores. As mensagens eletrônicas trocadas entre Robert Gil e Roberto Skuplik de 16 a 20/03/2007 confirmam que o preço dos dois geradores foi de US$ 44.325,02, sendo 30% de entrada e o restante antes da entrega dos equipamento e que inicialmente o interposto fornecedor estrangeiro seria a OCEANTECH, pois Robert Gil diz: " Esses geradores serão comprados pela Oceantech Enterprises, através da Sailing. [...] A Ocean vai fazer o depósito. de entrada até segunda, ok?" Resta portanto, comprovada a falsidade ideológica da fatura comercial n° OT32620 em nome da 4NET instrutiva dessa DI, em razão dessa ter sido uma mera cessionária do nome para figurar como exportadora dos equipamentos recebendo a remuneração de 8%, de fato adquiridos diretamente pela IND. NAVAL, e a alteração dos valores dos equipamentos e das condições de pagamento, realizado adiantado com recursos [em] nome da OCEANTECH, mas na DI declarado à prazo. Tais informações e os documentos nelas citados, independentemente da acusação de subfaturamento dos preços das mercadorias, que será objeto de Fl. 3107DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.108 38 posterior análise, desvelam irrefutavelmente o papel desempenhado pelas empresas 4net Networking, Corp. e Rozen International, Inc. como interpostas pessoas, nas operações de comércio exterior formalizadas com a empresa autuada, a que aderiram em troca de comissão, como se tal prática não fosse vedada pela legislação tributária brasileira. A empresa autuada, por outro lado, nada trouxe em sua impugnação que comprovasse serem tais empresas as verdadeiras vendedoras das mercadorias por ela importadas. Improcedente, portanto, a impugnação quanto ao lançamento da multa por utilização de notas fiscais ideologicamente falsas e ocultação do efetivo vendedor estrangeiro, mediante simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros, nas operações com as empresas 4net Networking, Corp. e Rozen International, Inc., devendo ser mantida a parcela do crédito tributário, no valor de R$ 1.839.443,64, correspondente às Declarações de Importação em que essas empresas figuraram como exportadoras. Ressaltase, por oportuno, que os valores mantidos e informados pela DRJ, sofrerão alterações em razão da exclusão das multas aplicadas/calculadas nas DI´s registradas em data anterior a 15.12.2005, face a aplicação do instituto da decadência tratada anteriormente. Por fim, insta tecer que referida operação já foi alvo de análise nos autos do PA 11131.720216/201187 (acórdão 3401003776), onde restou decidido pela existência de operações tidas por fraudulentas, a saber: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2007, 2008, 2009 SUBFATURAMENTO. PENALIDADE APLICÁVEL. PERDIMENTO (ARTIGO 23, IV, DO DECRETO No 1.455/1976, e § 3o, COMBINADO COM ARTIGO 105, INCISO VI, DO DECRETOLEI No 37/1966). USO DE DOCUMENTO FALSO. MULTA SUBSTITUTIVA. Na hipótese de prática de subfaturamento mediante uso de documento falso (material ou ideologicamente), devese aplicar a penalidade prevista no artigo 23, IV, e § 3o, DecretoLei nº 1.455/1976, combinado com o artigo 105, VI, do Decreto Lei no 37/1966 (a pena de perdimento ou, na impossibilidade de aplicação, a multa que a substitui). INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NAS OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL VENDEDOR/EXPORTADOR. INTERPOSTA PESSOA DECLARADA AOS CONTROLES ADUANEIROS. AUSÊNCIA DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA ENTRE IMPORTADOR E VENDEDOR/EXPORTADOR DECLARADO. Na interposição fraudulenta por simulação, com ocultação do real vendedor/exportador, é necessária a demonstração da ocorrência da simulação pela fiscalização, ou seja, que a relação estabelecida entre o importador e o vendedor/exportador é distinta da declarada, ou seja, que não se trata de uma compra e venda internacional. REGIMES ADUANEIROS. DRAWBACK. MODALIDADE SUSPENSÃO. DESVIO DE MERCADORIA. DESCUMPRIMENTO. Fl. 3108DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.109 39 A mercadoria importada ao amparo do regime de DRAWBACK deve ser exportada após beneficiamento, impondose, assim, que seja integralmente empregada no processo industrial do produto exportado. Em regra, o regime de Drawback não admite o desvio da mercadoria importada para Ato Concessório distinto daquele para o qual ela foi previamente importada, sendo admitida a transferência de mercadoria importada de um regime outorgado por um Ato Concessório para outro, mediante autorização. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A EXPORTAÇÃO IE Anocalendário: 2007, 2008, 2009 DANO AO ERÁRIO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA EXPORTAÇÃO. MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO. AUSÊNCIA DE BASE DE CÁLCULO NO PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA MEDIDA PROVISÓRIA nº 497/2010, CONVERTIDA NA LEI no 12.350/2010. CANCELAMENTO DO LANÇAMENTO RELATIVO AOS FATOS GERADORES ANTERIORES A 28/07/2010. ARTIGO 23, INCISO V, PARÁGRAFO 3o, DO DECRETOLEI Nº 1.455/76. A base de cálculo da multa substitutiva da pena de perdimento nas operações de exportação somente foi instituída com a Medida Provisória no 497/2010, que entrou em vigor no dia 28/07/2010. Com isso, em atenção ao princípio da irretroatividade das leis (artigo 150 do CTN) e ao disposto no artigo 144, do CTN, a multa por infração de dano ao erário decorrente de interposição fraudulenta na exportação só pode ser aplicada para operações de exportação cujos fatos geradores tenha ocorrido posteriormente a 28/07/2010, não havendo penalidade para a infração no período anterior. DANO AO ERÁRIO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA EXPORTAÇÃO. MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO. BASE DE CÁLCULO. ARTIGO 23, INCISO V, PARÁGRAFO 3º, DO DECRETOLEI nº 1.455/76. Nos termos do artigo 23, parágrafo 3º, do DecretoLei nº 1.455/76, a multa substitutiva da pena de perdimento para os casos de interposição fraudulenta nas operações de exportação é equivalente “ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação”, devendo ser cancelado lançamento que tem fundamento legal diverso, eis que vedada a alteração do critério jurídico do lançamento por decisão administrativa. IV Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto relator. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 3109DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.110 40 Voto Vencedor Conselheiro Orlando Rutigliani Berri Redator Designado Preâmbulo Do escopo deste voto vencedor Contra a decisão consubstanciada no Acórdão 0825.066, exarado pela 2ª Turma da DRJ/FOR, foram interpostos recursos de ofício e voluntário. Admitidos os recursos em questão, distribuído e sorteado o processo, este foi pautado para a sessão ordinária do dia 28.08.2018, da 2ª TO/3ªCA/3ªSE/CARF, sob a relatoria do Conselheiro Walker Araujo. Após discussão de praxe, referido Colegiado decidiu Acórdão 3302005.749, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso de Oficio, a fim de restabelecer a multa de 1% sobre o Valor Aduaneiro das mercadorias classificadas na NCM 8413.70.80 e 8413.70.90, internalizadas por meio das Adições da DI 06/11760864, ocasião em que foram vencidos os Conselheiros Walker Araujo (Relator), José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Junior, que lhe negavam provimento; razão pela qual este Conselheiro (Suplente convocado) foi designado para redigir o voto vencedor, tão somente quanto a este tema/matéria. É o que faço neste momento. Do demonstrativo da autuação Do presente o procedimento fiscal, consubstanciado em Auto de Infração, complementado por respectivo Relatório Fiscal, para o que interessa ao presente Voto Vencedor, colhese: Contribuinte: INDÚSTRIA NAVAL DO CEARÁ SA DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO Multa Regulamentar DI: 06/11760864 Data do Registro: 29/09/2006 NCM Valor Aduaneiro Multa (%) Valor Calculado Valor da Multa 8413.70.80 3.482,73 1,00 34,82 500,00 8413.70.90 6.809,06 1,00 68,09 500,00 Valor mínimo R$ 500,00 por Adição Total da Multa em R$ na DI 1.000,00 Total Geral da Multa em R$ 1.000,00 Enquadramento Legal (*) MULTAS NÃO PASSÍVEIS DE REDUÇÃO Fatos Geradores a partir de 30/12/2003. 1,00% Art. 84, inciso I, da Medida Provisória nº 215835/01 combinado com o art. 69 e art. 81, inc. IV, da Lei nº 10.833/03. DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO Multa Proporcional ao Valor Aduaneiro Data de Referência Valor Aduaneiro Multa (%) Valor Calculado Valor da Multa 09/12/2010 7.088.580,00 100,00 7.038.580,00 7.088.580,00 10/12/2010 9.566.873,12 100,00 9.566.873,12 9.566.873,12 Fl. 3110DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.111 41 Total de Multa Devida em RS 16.655.453,12 Enquadramento Legal (*) MULTAS NÃO PASSÍVEIS DE REDUÇÃO Fatos Geradores a partir de 30/12/2003. 100,00% Art. 23, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76, com a redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/02 combinado com art. 81, inciso III da Lei nº 10.833/03. Do relatório parcial de procedimento fiscal (...) 5. DAS IRREGULARIDADES E FRAUDES EM OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR Conforme explicitado anteriormente e pormenorizado a seguir, as empresas INDÚSTRIA NAVAL S/A e INACE IATES LTDA. utilizaram em suas operações de comércio exterior interpostas pessoas como importadoras e exportadoras estrangeiras (empresas constituídas nos EUA pertencentes ou não ao Grupo Quadro 1), para ocultar os efetivos vendedores e compradores internacionais nas importações e exportações de mercadorias, respectivamente. Em outras palavras, instruindo as importações e exportações com faturas comerciais / commercial invoices ideologicamente falsas. A utilização de interpostas pessoas nas operações de comércio exterior registradas pelos estaleiros INACE instrumentalizou a utilização de faturas comerciais falsas ideologicamente com valores de mercadorias subfaturados não somente para redução fraudulenta da base de cálculo de tributos, mas também para concretizar a submissão simulada do valor da importação ao valor autorizado da importação ao ato concessório disponível, permitindo a manipulação dos valores das mercadorias, conforme a conveniência dos estaleiros. Para permitir o enquadramento de mercadorias destinadas a uma embarcação no regime de drawback referente a outra embarcação muitas vezes as mercadorias são descritas de forma divergente da real, fato reclamado até por funcionário da INACE em razão de dificultar o controle de estoque. Assim, restou também evidenciada a fraude na importação de mercadorias ao amparo do regime de drawback suspensão, em razão da utilização de fatura comercial propositadamente falsificada para permitir o enquadramento de importação de equipamentos em ato concessório no qual, antes mesmo da importação já era dada destinação diversa à compromissada. 5.1. DA OCULTAÇÃO DO EFETIVO COMPRADOR ESTRANGEIRO DAS EMBARCAÇÕES EXPORTADAS As embarcações exportadas no período de 2002 a 2007 pela IND. NAVAL foram todas realizadas no regime de drawback suspensão e formalmente destinadas OCEANTECH. Entretanto, conforme explicitado no item 2, a OCEANTECH foi uma empresa constituída em Miami/Eua exatamente para possibilitar a alteração/modificação de documentos relacionados às operações de comércio exterior dos estaleiros INACE. Fl. 3111DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.112 42 Não é demais destacar que as embarcações construídas pelos estaleiros INACE são feitas por encomendas. Não é então crivei que uma única empresa norte americana, de 2002 a 2007, seja a encomendante de todas as embarcações exportadas num período de mais de cinco anos. Ainda mais quando essa compradora é coincidente sua principal fornecedora estrangeira declarada, comprovadamente interposta fraudulentamente. (...) 5.2. DAS OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÕES Nas operações de importação registradas pela Indústria NAVAL no período de 2005 a 2007 e/ ou feitas ao amparo do regime de drawback suspensão em que foram declarados os fornecedores norteamericanos OCEANTECH ENTERPRISES (fls. ), ALL OCEANS TRADING, 4NET, JASFER e ROZEN e portanto, apresentadas faturas em nome dessas empresas configurase a ocultação do efetivo fornecedor estrangeiro e a falsidade ideológica dessas faturas que simulam uma transação comercial entre elas e a INDÚSTRIA NAVAL. Conforme pormenorizado no item 3, essas empresas norteamericanas foram utilizadas na logística fraudulenta implementada pelos estaleiros INACE de "refazimento" de faturas comerciais de importações registradas pelo Estaleiro INACE, o que configura a ocultação dos reais vendedores e compradores estrangeiros de mercadorias e a falsidade ideológica das faturas utilizadas para instruir o despacho aduaneiro dessas mercadorias. Em alguma dessas operações foi comprovado também o subfaturamento ou superfaturamento do valor declarado do valor das mercadorias, a destinação da mercadoria importada para embarcação diversa a compromissada no regime de drawback e /ou a descrição incompleta da mercadoria. Nas operações de importações assinaladas no item 5.2.6 de outros fornecedores estrangeiros que não as empresas norteamericanas acima mencionadas constatamos também a utilização de faturas materialmente falsas e/ou de subfaturamento dos valores declarados das mercadorias. (...) 6. DAS INFRAÇÕES E PENALIDADES APLICÁVEIS As irregularidades relatadas no item 3 e 5 caracterizam as infrações aduaneiras de dano ao erário capituladas nos incisos VI e XXII do art. 689 do Decreto nº 6.759/2009, conforme sintetizado no Doc. K, puníveis com o perdimento, ou conversão em multa, caso não sejam localizadas ou tenham sido consumidas, nos termos do §1º do retro citado artigo. VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Fl. 3112DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.113 43 §1º A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23. § 3º, com a redação dada pela Lei n0 10.637, de 2002, art. 59). Art. 94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Art. 95 Respondem pela infração: IV a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria. Consoante o inciso IV do art. 94 do DecretoLei nº 37/1966, respondem por tais infrações a pessoa jurídica que promoveu tais importações, no caso, a IND. NAVAL S/A. 6.1. Da Falsidade ideológica de documentos instrutivos de desembaraço aduaneiro A falsidade de um documento pode ser material ou ideológica. Segundo o Profº Julio Mirabete: "A falsidade material consiste na imitação da verdade através de contrafação (o falsificador cria, forma, imprime, cunha, manufatura, fabrica o documento) ou alteração (o agente modifica o documento, por acréscimo ou supressão). A falsidade ideológica consiste na diversidade entre o que devia ser escrito e o que realmente consta do documento. O documento formalmente é verdadeiro, mas é falso o seu conteúdo" (MIRABETE, Julio Fabrini, op. cit., São Paulo: Atlas, 2001, p. 246). A fatura comercial / Commercial Invoice e o conhecimento de transporte internacional são documentos obrigatórios na instrução da DI, consoante art. 493 do Regulamento Aduaneiro/2002. Consoante o art. 553 do Decreto nº 6.759/2009, a fatura comercial e o conhecimento de carga ou documento de efeito equivalente, dentre outros, são documentos obrigatórios na instrução da DI, pois são os documentos que trazem as informações referentes a transação comercial necessários para a determinação da base de cálculo e alíquotas dos impostos incidentes sobre a operação e adoção das medidas de controle aduaneiro cabíveis. Art. 553. A declaração de importação será instruída com (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 46, caput, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 22): I a via original do conhecimento de carga ou documento de efeito equivalente; II a via original da fatura comercial, assinada pelo exportador; III o comprovante de pagamento dos tributos, se exigível; e Fl. 3113DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.114 44 IV outros documentos exigidos em decorrência de acordos internacionais ou por força de lei, de regulamento ou de outro ato normativo. Como qualquer outro documento, uma fatura comercial e um conhecimento de transporte referentes a uma venda e frete, respectivamente, tem que ser documentos únicos, exceto se forem vias absolutamente idênticas ou cópias fidedignas do original, para que possam vir a ter o reconhecimento de sua autenticidade. Dessa forma, diante das evidências de falsidade ideológica de faturas comerciais e de conhecimentos de transportes instrutivos de DI pormenorizadas nos itens 3 e 5, configurase, no mínimo, a falsidade ideológica desses documentos. Conforme explicitado nos itens 3 e 5, as importações assinaladas no Doc. K foram instruídas com faturas comercias ideologicamente falsas, no mínimo, além de outras infrações detectadas. Essa infração tem como penalidade o perdimento da mercadoria importada, entretanto em razão da impossibilidade de aplicação dessa pena, em razão de terem sido consumidas na construção ou incorporadas em embarcações, dos §§1º e 3º do inciso XXII do artigo 689 do Regulamento Aduaneiro/2009, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637 de 30/12/2002. No caso das exportações, os documentos instrutivos da Declaração de Exportação são a primeira via da Nota Fiscal de saída e a via Original do conhecimento de transporte, nos termos do art. 588 do Decreto nº 6.759/2009. Art. 588. A declaração de exportação será instruída com: I a primeira via da nota fiscal; II a via original do conhecimento e do manifesto internacional de carga, nas exportações por via terrestre, fluvial ou lacustre; e Assim sendo, configurada a falsidade ideológica da nota fiscal que instruiu as exportações vinculadas ao AC nº 20030093384 e 20030112788 informando venda interposta adquirente OCEANTECH, impõese a aplicação da multa de 100% do valor aduaneiro (valor constante da nota fiscal) em razão da impossibilidade de apreensão das embarcações que foram exportadas. 6.2. Da Ocultação do Efetivo Fornecedor estrangeiro em operações de importações e do efetivo comprador de mercadorias exportadas Nos termos do art. 689, inciso XXII do Regulamento Aduaneiro/2009, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637 de 30/12/2002, a realização de operação de importação com ocultação do efetivo vendedor das mercadorias e de operação de exportação com ocultação do efetivo comprador constituem infrações punível com a pena de perdimento. Assim sendo, conforme explicitado nos itens 3, 4 e 5, cabível a aplicação de pena de perdimento das mercadorias importadas ao amparo da DI assinaladas na Doc. K e das embarcações exportadas identificadas no item 5.2 em razão da ocultação do efetivos vendedores e compradores das mercadorias, mediante fraude e simulação, respectivamente. Em razão da impossibilidade de apreensão das Mercadorias, efetuamos a conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro declarado das mercadorias, consoante o Fl. 3114DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.115 45 disposto nos §§ 1º e 3º do inciso XXII do artigo 689 do Regulamento Aduaneiro/2009, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637 de 30/12/2002. É importante destacar que mesmo que tenham sido constatadas mais de uma conduta infracional punível com o perdimento das mercadorias numa mesma operação de comércio exterior ou com aplicação de multa em razão da impossibilidade de apreensão da mercadoria, a penalidade de multa será aplicada uma só vez. 6.3. Da Descrição Incompleta de Mercadorias Conforme explicitado no item 5.2, caracterizada a descrição incompleta das mercadorias importadas ao amparo das DI identificadas no Doc. K, aplicase a multa de 1% sobre o valor aduaneiro das mercadorias, nos termos do disposto no §§ 1º e 2º, inciso III, do art. 69 da Lei 10.833/2003 c/c artigo 84 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 (fls. 116/469). Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. § 1º A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária á determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 2° As informações referidas no § 1º, sem prejuízo de outras que venham ã ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou cientifico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial; (grifo nosso). Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O valor da multa prevista neste artigo será de $ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. § 2º A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e de outras Fl. 3115DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.116 46 penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. (...) Mérito Da ementa da decisão recorrida A 2ª Turma da DRJ/FOR, ao julgar procedente em parte a impugnação, exarou o já citado acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 PESSOAS VINCULADAS. CONCEITO ADUANEIRO. Dentre outras hipóteses legais, consideramse pessoas vinculadas quando uma delas, direta ou indiretamente, controla a outra, ou seja, quando a primeira estiver, de fato ou de direito, numa posição de impor limitações ou ditar ordens à segunda. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL VENDEDOR ESTRANGEIRO. Configura interposição fraudulenta de terceiros na importação a substituição, mediante simulação, do verdadeiro vendedor das mercadorias por aqueles nos documentos de instrução do despacho aduaneiro de importação e na própria declaração de importação. IMPORTAÇÃO. SIMULAÇÃO DE COMPRA E VENDA. CESSÃO DE NOME. FALSIDADE IDEOLÓGICA. Caracteriza simulação de compra e venda de mercadorias, na importação, a operação em que a pessoa que cedeu o seu nome para figurar como vendedora na declaração de importação prestara, na verdade, apenas serviços típicos de agente de compra e venda, incorrendo em falsidade ideológica o documento que lhe serviu de instrumento. IMPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. USO DE DOCUMENTO FALSO. DANO AO ERÁRIO. MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO. BASE DE CÁLCULO. Considerase dano ao Erário, punido com a pena de perdimento das mercadorias, ou, no caso de estas não serem localizadas ou terem sido consumidas, com a multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, a ocultação do real vendedor das mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, bem como a falsificação, material ou ideológica, de qualquer documento necessário ao desembaraço aduaneiro. Fl. 3116DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.117 47 PROCEDIMENTO FISCAL. FASE INQUISITORIAL. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo sido regularmente cientificado do lançamento, carece ao autuado alegar cerceamento do direito de defesa em virtude de eventual falta de intimação, na fase inquisitorial do procedimento fiscal, para apresentação de documentos que pudessem fazer prova em seu favor. IMPOSTO SOBRE A EXPORTAÇÃO IE EXPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO NA. BASE DE CÁLCULO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Inaplicável, por falta de previsão legal relativamente à base de cálculo, a multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, quanto aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DILIGÊNCIA. SANEAMENTO PROCESSUAL. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo sido regularmente cientificado da diligência requisitada pela autoridade julgadora, descabe ao autuado alegar cerceamento do direito de defesa em virtude de eventual discordância com o seu resultado. MULTA ISOLADA. DECADÊNCIA. BASE LEGAL. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados conforme as regras estabelecidas no Código Tributário Nacional, que, com o advento da Constituição Federal de 1988, que o recepcionou com o status de lei complementar, detém a exclusividade para tratar de decadência tributária, não cabendo, desde então, invocarse o art. 139 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, para solucionar conflitos nesta matéria. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Da parte dispositiva do acórdão recorrido Em face da impugnação apresentada em 14.01.2011 (fls 2.155 a 2.202), acrescentada pelas alegações apresentadas às fls. 2.889 a 2.901, por conta de diligência proposta, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) DRJ/FOR, por meio do Acórdão 0825.066, da Sessão de Julgamento ocorrida em 13.03.2013, ao julgar parcialmente procedente a impugnação, assim decidiu, verbis: Fl. 3117DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.118 48 I) PRELIMINARMENTE, por unanimidade de votos: a) DECLARAR A NULIDADE, por vício material, do lançamento relativo à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na exportação, para EXONERAR a parcela do crédito tributário no valor de R$ 7.088.580,00, por falta de amparo legal em sua constituição; b) DECLARAR A NULIDADE, por vício material, do lançamento relativo à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, para EXONERAR a parcela do crédito tributário no valor de R$ 62.250,60, por ofensa aos pressupostos estabelecidos no art. 142 do Código Tributário Nacional; c) DECLARAR A DECADÊNCIA do lançamento relativo à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, quanto aos fatos geradores ocorridos em 2003 e 2004, para EXONERAR a parcela do crédito tributário no valor de R$ 959.514,03; e d) REJEITAR as alegações de cerceamento do direito de defesa: i. na impugnação, com relação à matéria autuada de subfaturamento; ii. na manifestação de inconformidade, após a diligência. II) NO MÉRITO, julgar procedente em parte a impugnação, para: a) por maioria de votos, vencido o relator Charles Pereira Nunes: i. MANTER a parcela do crédito tributário no valor de R$ 7.779.432,71, relativa à parcela da multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, em virtude de ocultação do real vendedor das mercadorias e de falsidade ideológica das faturas que instruíram o despacho aduaneiro de importação. Vencido também o julgador Ícaro Nonato Lopes Cezar que não acolheu a tese da autuação com relação as importações que têm as exportadoras declaradas Rozen Internacional e 4Net Networking; ii. EXONERAR a parcela do crédito tributário no valor de R$ 705.931,92, relativa à diferença da multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, apurada com base em suposto subfaturamento das mercadorias, afinal não comprovado; b) por unanimidade de votos: i. EXONERAR a parcela do crédito tributário no valor de R$ 59.743,86, relativa à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, por falta de subsunção dos fatos à hipótese legal relativamente à operação consubstanciada na Declaração de Importação nº 07/15375991, Fl. 3118DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.119 49 em que figurou como exportadora a empresa Merrem & La Porte; ii. EXONERAR a parcela do crédito tributário no valor de R$ 1.000,00, relativa à multa por descrição incorreta das mercadorias, na importação, em virtude de tal exigência haver sido absorvida pela pena de perdimento das mercadorias, convertida em multa. Da controvérsia que resultou na elaboração deste voto vencido Compulsando a decisão recorrida, temse que o acórdão, não obstante deixar de ementar o assunto ora em apreço, deixou evidenciada a fundamentação segundo a qual a 2ª Turma da DRJ/FOR concluiu pela exoneração da penalidade pecuniária prescrita nos §§ 1º e 2º, inciso III, do artigo 69 da Lei nº 10.833, de 2003 combinado com o artigo 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, que dispõe sobre a aplicação da multa de 1% (um por cento), calculada sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada, em face de sua descrição incorreta e/ou incompleta. Segundo referido dispositivo, o Colegiado a quo entendeu que referida exigência é inaplicável, uma vez "absorvida pela pena de perdimento das mercadorias". Por seu turno, o nobre Relator do voto vencido nesta matéria, tratada no âmbito do Recurso de Ofício, assim se pronunciou, verbis: (...) II.6 exoneração, a parcela do crédito tributário no valor de R$ 1.000,00, relativa à multa por descrição incorreta das mercadorias, na importação, em virtude de tal exigência haver sido absorvida pela pena de perdimento das mercadorias, convertida em multa. A multa exonerada neste tópico, foi aplicada com fundamento no artigo 84, inciso I, da MP 215835/2001 c/c artigos 69 e 81, inciso IV, da Lei nº 10.833/2003, relativa a DI nº 06/11760864, por entender a fiscalização que houve descrição incorreta quanto ao correto nome do fabricante das mercadorias (vide fls.08). As fls. 06 do processo, constatase que a fiscalização aplicou para mesma DI multa de 1% sobre o valor aduaneiro, por entender que as importações assinaladas no Demonstrativos de Infrações (doc.k) foram descritas incorreta ou incompletamente. Ou seja, foram aplicadas multas distintas para o mesmo fato declarado ilícito. Nestes termos, por entender inaplicável a cumulação das referidas multas, concordo com o entendimento da DRJ que exonerou a multa de R$ 1.000,00, nos seguintes termos: (g.n.) Descrição incorreta Quanto ao erro de nome dos fabricantes das bombas nas adições 007 e 008 da DI 06/11760864, o que aconteceu foi a substituição indevida dos fabricantes MP PUMP e Fl. 3119DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.120 50 GRUNDFOS PUMPS CORP pelo nome do real vendedor/exportador DEPCO PUMP COMPANY, configurando erro sujeito a aplicação da multa de R$ 500,00 por adição. No entanto, considerase que a penalidade de falsidade da invoice/ocultação do real fornecedor absorve esta penalidade devendo assim ser excluída da autuação. (...) Do anexo "Doc. K" De plano, compulsandose o anexo "Doc. K", fls. 1.623 e seguintes, que trata do "Demonstrativo de Infrações em Operações de Importações registradas pela IND. NAVAL CNPJ: 07.26.9371000109", notadamente quanto às Adições 007 e 008 da Declaração de Importação (DI) 06/11760864, DI composta por 11 (onze) Adições, traz as seguintes informações, verbis: Nº Adição Produtor Estrangeiro Exportador Estrangeiro Nº AC DWBCK Descrição Produto Importado Infrações Constatadas 0611760864011 ASIANSTAR ANCHOR CHAIN CO OCEANTECH ENTERPRISES INC 20060011920 CORRENTE STUDLINK DE AÇO 518 Falsidade ideológica da fatura comercial instrutiva e ocultação do real fornecedor estrangeiro 0611760864010 WILLIAMS VALVE CORP OCEANTECH ENTERPRISES INC 20060011920 VÁLVULA ANGULAR EM BRONZE 6 Falsidade ideológica da fatura comercial instrutiva e ocultação do real fornecedor estrangeiro 0611760864009 DEPCO PUMP COMPANY OCEANTECH ENTERPRISES INC 20060011920 BOMBA BOSWORTH 115/230AC DIÂMETRO 2' 1HP 2600A 30M 16CT, 2 X 2 Falsidade ideológica da fatura comercial instrutiva e ocultação do real fornecedor estrangeiro 0611760864008 DEPCO PUMP COMPANY OCEANTECH ENTERPRISES INC 20060011920 BOMBA DE ÁGUA DOCE GRUNDFOS 20 115/230AC DIÂMETRO 1" . :1 HP Falsidade ideológica da fatura comercial instrutiva, ocultação do real fornecedor estrangeiro, subfaturamento do valor declarado e descrição incorreta/incompleta da mercadoria (g.n.) 0611760864007 DEPCO PUMP COMPANY OCEANTECH ENTERPRISES INC 20060011920 BOMBA DE PORÃO / INCÊNDIO 115/230AC MP HHLF. 5HP BALDOR 2" NPT Falsidade ideológica da fatura comercial instrutiva, ocultação do real fornecedor estrangeiro, subfaturamento do valor declarado e descrição incorreta/incompleta da mercadoria (g.n.) 0611760864006 DEPCO PUMP COMPANY OCEANTECH ENTERPRISES INC 20060011920 BOMBA DE TRANSFERÊNCIA DE COMBUSTÍVEL 24VDC DIAM. 1"_:1HF,l, OBERDOFF N990H Falsidade ideológica da fatura comercial instrutiva e ocultação do real fornecedor estrangeiro 0611760864005 DEPCO PUMP COMPANY OCEANTECH ENTERPRISES INC 20060011920 BOMBA DE TRANSFERÊNCIA DE COMBUSTÍVEL 115/230 AC 60HZ , DIAM. 1.1/4" 1HP OBERDOFF N1 100 X 1nN 1214C.T Falsidade ideológica da fatura comercial instrutiva e ocultação do real fornecedor estrangeiro 0611760864004 KIDDE FENWAL OCEANTECH ENTERPRISES INC 20060011920 SISTEMA COMPLETO DE COMBATE A INCÊNDIO FM200 Falsidade ideológica da fatura comercial instrutiva, ocultação do real fornecedor estrangeiro e subfaturamento do valor declarado da mercadoria. 0611760864003 LIFELINE INFLATABLE OCEANTECH ENTERPRISES INC 20060011920 VÁLVULA DE PLÁSTICO HIDROSTÁTICO HAMMAR SNN 023341/SNO23342 Falsidade ideológica da fatura comercial instrutiva e ocultação do real fornecedor estrangeiro 0611760864002 LIFELINE INFLATABLE OCEANTECH ENTERPRISES INC 20060011920 BASE EM ALUMÍNIO 0Z03503 Falsidade ideológica da fatura comercial instrutiva e ocultação do real fornecedor estrangeiro 0611760864001 LIFELINE INFLATABLE OCEANTECH ENTERPRISES INC 20060011920 BALSA SALVA VIDAS LIFEONE10, PESSOAS DRZ 4704 Falsidade ideológica da fatura comercial instrutiva e ocultação do real fornecedor estrangeiro Da impugnação ao auto de infração Em que pese constar no "cabeçalho" na impugnação apresentada, em 14.01.2011, pelo contribuinte INDÚSTRIA NAVAL DO CEARÁ S/A que contesta a totalidade da exigência tributária de que trata o Auto de Infração lavrado em face do MPF 0317600/00096/09, consubstanciado no presente processo administrativo, compulsando referida peça defensiva, quanto ao tema em apreço, colhese o que segue transcrito, verbis: Fl. 3120DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.121 51 (...) a) Fornecedor Estrangeiro OCEANTECH ENTERPRISES a.1) DI 06/11760864 e 07/09665746 A fiscalização indica que houve divergência de valores declarados nas aludidas DIs entre a mesma mercadoria importada (sistema de incêndio FM200 da KIDDE FENWAL). Todavia a autoridade fiscal não levo em consideração que os sistemas de incêndio são mensurados de acordo com o ambiente da embarcação que vai receber o sistema, que, portanto, poderá ser maior ou menor, resultando num valor mais caro ou mais barato do sistema de incêndio, que varia o preço ainda de acordo com o projeto solicitado para cada embarcação. As invoices nºs 51403F0 51450F0 de 29/04/2006, consoante consta nestes documentos, de sistema de incêndio destinados para as embarcações Casco 562 e 563, portanto não correspondem às importações firmadas com amparo nas DI 06/11760864 e 07/09665746, uma vez estas importações foram realizadas com amparo no AC 2006011920 para a embarcação casco 564, que já foi vistoriada pela RFB e exporta. Diferente do que aduziu a fiscalização, não há vinculação entre os dois sistemas de incêndio destinados ao barco 564 e outros dois destinados aos barcos 562 e 563. Tanto é assim que as importações das DIs mencionadas foram efetivadas com amparo em drawback e destinadas ao barco 564 e foram incorporadas a esse barco que já foi vistoriado pela RFB. Certamente o sistema de incêndio mais barato (U$ 3.120,59) era um complemento do anterior de (U$ 11.620,12), porquanto estavam descritos no ato concessório do drawback do barco Caso 564. Observase ainda que as invoices nºs 51403F0 51450F0 são datadas de 29/04/2006, enquanto as DIs 06/11760864 e 07/09665746 foram registradas em datas com diferença de mais de 1 (um) ano. No tocante às adições 007 e 008 da DI 06/11760864, a autuação pretende vincular documentos totalmente estranhos a essas importações para inadvertidamente afirmar que houve subfaturamento. As Ordem de Pagamento mencionadas no relatório fiscal são de produtores, datas, qualidades e quantidades diferentes. (...) De se ver, portanto, dos excertos acima reproduzidos, que o contribuinte em momento algum contesta a exigência da aplicada com fundamento no artigo 84, inciso I, da MP 215835/2001 c/c artigos 69 e 81, inciso IV, da Lei nº 10.833/2003, relativamente às Adições 007 e 008 da DI 06/11760864, na medida em que se limita a questionar a exigência decorrente da acusação fiscal de subfaturamento. Fl. 3121DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.122 52 Neste contexto, por não se tratar de questão de ordem pública, ou seja, por não estar inserida no rol das matérias de interesse de toda a sociedade, situadas acima das disposições dos sujeitos de uma relação jurídica, tenho por mim que não deve ser, assim, analisadas de ofício por qualquer órgão jurisdicional, ainda que administrativo, na medida em que demandaria provocação mediante pedido expresso da parte interessada, no caso o autuado na presente relação processual, o que, por si só, já seria motivo suficiente para justificar o restabelecimento da referida penalidade. No entanto, ultrapassandose esta particularidade de ordem pública processual, com todo respeito ao ilustre Relator, peçolhe máxima vênia para discordar da interpretação que emprestou ao caso sobre apreço; que será melhor delineada em seguida. Da falsidade documental e da multa aplicada Compulsando os itens 6.1. "Da Falsidade ideológica de documentos instrutivos de desembaraço aduaneiro" e 6.2. "Da Ocultação do Efetivo Fornecedor estrangeiro em operações de importações e do efetivo comprador de mercadorias exportadas" do relatório fiscal que é parte integrante e indissociável do Auto de Infração, temse, em apertada síntese, que a Fiscalização concluiu que houve apresentação de documentação, notadamente as faturas comerciais, com falsidade ideológica, haja vista que ocultavam o real fornecedor estrangeiro e/ou com subfaturamento do valor declarado das mercadorias nelas discriminadas, que instruíram os despachos aduaneiros, tanto de importação como de exportação, o que caracterizou a infração por dano ao Erário, sancionada com a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, em razão do consumo ou revenda das referidas mercadorias. De fato, na instrução dos referidos despachos aduaneiro, foram utilizadas, conforme sintetizado, dentre outras, na planilha denominada "Demonstrativo de Infrações em Operações de Importações registradas pela IND. NAVAL CNPJ: 07.26.9371000109", faturas comerciais ideológica e/ou materialmente falsas, o que configura dano Erário, punida com a pena de perdimento da mercadoria, ou, como na presente autuação, com a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, quando esta não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, conforme prescreve o inciso VI do artigo 105, do Decretolei nº 37, de 1966, combinado com o artigo 23, inciso IV, e parágrafos 1º e 3º, do Decreto Lei nº 1.455 de 1976, a seguir transcritos, verbis: Decretolei 37/1966 Art. 105. Aplicase a pena de perda da mercadoria: (...) VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; (...) (grifei) Decretolei 1.455/1976 Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) Fl. 3122DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.123 53 IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas "a" e "b" do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. (...) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (...) § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972.(Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (...) (grifei) As referidas infração e penalidade foram regulamentadas no artigo 689, inciso VI, e parágrafos §§ 1º, 3ºA e 3º B, que têm o seguinte teor, verbis: Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º,este com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, art. 59): (...) VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; (...) § 1º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 1972 (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, § 3º, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010, art. 41). (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) (...) § 3º A. O disposto no inciso VI do caput inclui os casos de falsidade material ou ideológica. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 3º B. Para os efeitos do inciso VI do caput, são necessários ao desembaraço aduaneiro, na importação, os documentos Fl. 3123DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.124 54 relacionados nos incisos I a III do caput do art. 553. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) (...) Como visto, a falsidade material e ideológica das faturas comerciais, utilizadas nos despachos aduaneiros de importação objeto da presente autuação, bem como a prática do subfaturamento encontrase devidamente comprovada nos autos. E para essa conduta há penalidade específica no artigo 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, o que implicaria, se fosse o caso da presente autuação, na seguinte dúvida: qual a penalidade aplicar? A pena de perdimento ou a multa de 100% (cem por cento) sobre a diferença entre o preço arbitrado e o preço declarado? Ou ainda, as duas penalidades? Com o advento do Decreto nº 8.010, de 2013, que acrescentou o § 1ºA ao artigo 703 do Regulamento Aduaneiro em vigor RA/2009, a dúvida foi esclarecida, cuja determinação é no sentido de que seja aplicada somente a pena de perdimento, se configurada a infração que enseje a imposição de ambas as penalidades. Para dirimir qualquer dúvida a respeito, segue transcrito o novel comando regulamentar, verbis: Art. 703. Nas hipóteses em que o preço declarado for diferente do arbitrado na forma do art. 86 ou do efetivamente praticado, aplicase a multa de cem por cento sobre a diferença, sem prejuízo da exigência dos tributos, da multa de ofício referida no art. 725 e dos acréscimos legais cabíveis (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 88, parágrafo único).(Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). § 1º A multa de cem por cento referida no caput aplicase inclusive na hipótese de ausência de apresentação da fatura comercial, sem prejuízo da aplicação de outras penalidades cabíveis (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, inciso II, alínea “b”, item 2, e § 6º). (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). § 1ºA Verificandose que a conduta praticada enseja a aplicação tanto de multa referida neste artigo quanto da pena de perdimento da mercadoria, aplicase somente a pena de perdimento. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) (...) (g.n.) Neste sentido, no que tange à constatação da falsidade material e ideológica das faturas comerciais e da prática do subfaturamento, uma vez que comprovados pela fiscalização e não sendo motivo de questionamento neste voto vencedor, cabenos apenas, confirmar, tal como resta evidenciado pelo nobre Relator, seu perfeito enquadramento na hipótese da infração e penalidade descritas no artigo 105, inciso VI, do Decretolei nº 37, de 1966, combinado com o artigo 23, inciso IV, e parágrafos §§ 1º e 3º, do DecretoLei nº 1.455, de 1976, ou seja, confirmandose a incidência da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. Da descrição incorreta/incompleta da mercadorias e da multa aplicada Fl. 3124DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.125 55 Compulsandose o já referido "Demonstrativo de Infrações em Operações de Importações registradas pela IND. NAVAL CNPJ: 07.26.9371000109", restringindose a análise ao que é de interesse para este voto vencedor, ou seja, ao que pertine à DI 06/1176086 4, temse que a fiscalização, para além da acusação de falsidade ideológica da fatura comercial instrutiva, em face da ocultação do real fornecedor estrangeiro e do subfaturamento do valor declarado das mercadorias nelas discriminadas, constatou a descrição incorreta/incompleta das mercadorias importadas por meio das suas Adições 007 e 008. Em relação à imposição da multa prescrita nos parágrafos 1º e 2º, do inciso III, do artigo 69 da Lei nº 10.833, de 2003, combinado com o artigo 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, o Recorrente não se defendeu; porém, como já dito, o Colegiado a quo decidiu por sua exoneração, decisão essa que foi acompanhada por parte deste Colegiado Recursal, inclusive, pelo nobre Relator, que concordando com o entendimento da DRJ, entenderam ser inaplicável a cumulação das referidas penalidades. Assim, uma vez demonstrado que os produtos importados por meio das suas Adições 007 e 008 da DI 06/11760864, foram descritos de forma incompleta ou inexata, uma vez que tal acusação não foi objeto de contestação pelo Recorrente, a conduta que lhe foi imputada induvidosamente, subsumese a descrição típica da infração e respectiva multa de 1% (um por cento), capitulada no artigo 69, caput e parágrafo 1º, da Lei nº 10.833, de /2003, a seguir transcrito, verbis: Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. § 1º A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 2º As informações referidas no § 1º, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador/exportador; adquirente (comprador)/fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; (...) III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial; (...) (g.n.) Fl. 3125DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.126 56 Referida matéria, aliás, foi regulamentada no artigo 711, inciso III, e parágrafo 1º, III, do Decreto nº 6.759, de 2009, Regulamento Aduaneiro RA/2009, que têm o seguinte teor, verbis: Art. 711. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 84, caput; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 69, §1º): (...) III quando o importador ou beneficiário de regime aduaneiro omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 1º As informações referidas no inciso III do caput, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo (Lei nº 10.833, de 2003, art. 69, §2º): (...) III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil que confiram sua identidade comercial; (...) (g.n.) Dispõem os parágrafos 1º e 2º do artigo 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, a seguir transcrito, verbis: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: (...) § 1º O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. § 2º A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. (g.n.) Diferentemente do que foi assentado no Decreto nº 8.010, de 2013, cuja determinação é no sentido de que seja aplicada somente a pena de perdimento, se configurada a infração que enseje concomitantemente a imposição da referida pena com a multa de 100% (cem por cento) sobre a diferença entre o preço arbitrado e o preço declarado, no caso vertente, além de não haver previsão legal restritiva neste sentido, a própria norma impositiva da Fl. 3126DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.127 57 penalidade artigo 84 da MP nº 2.15835/2001, em seu o parágrafo 2º prescreve textual e concretamente que a aplicação da multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria não prejudica a exigência, dentre outros gravames, de outras penalidades administrativas, que é justamente o caso da pena de perdimento da mercadoria, cuja natureza é punir que, de forma dolosa, pratica atos que visam burlar o controle aduaneiro pátrio, penalidade que é substituída por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, quando esta não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, por configurar dano ao Erário, em face de seu enquadramento em uma das hipóteses previstas nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei nº 37, de 1966. Portanto, constatada a descrição incompleta e/ou inexata da mercadoria, cuja acusação não se tem dúvida diante do silêncio do Recorrente, não se vislumbra qualquer mácula na autuação, uma vez que referida multa é aplicada em razão do simples descumprimento da obrigação acessória, uma vez que a responsabilidade pela infração, neste caso, tem natureza objetiva e independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato praticado, consoante o artigo 94, parágrafo 2º, do Decretolei nº 37, de 1966. É como penso. Da conclusão Por tudo quanto exposto, com as vênias de praxe, voto por dar provimento ao Recurso de Ofício, para, tão somente, restabelecer a multa de 1% (um por cento), devido sobre o valor aduaneiro das mercadorias importadas por meio das Adições 007 e 008 da DI 06/11760864, no valor de R$ 1.000,00, em cumprimento ao disposto no parágrafo 1º do artigo 84, da MP nº 2.15835, de 2001, por entender cabíveis, na espécie, a imposição de ambas as penalidades. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Declaração de Voto Conselheiro Jorge Lima Abud. Inauguro minha Declaração de VOTO, cumprimentando o Relator e o Redator designado pela exposição dos seus argumentos. Todavia, peço vênia para discordar dos seus argumentos e passo assim a expor os motivos porquê a presente ação fiscal não poderia prosperar, dado que se apoia, ao meu sentir, em uma teratologia. Indispensável para essa demonstração a reprodução do inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: Fl. 3127DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.128 58 V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Inicialmente, faço rápida consideração sobre o cuidado de se interpretar um dispositivo tão abrangente, e também tão gravoso – já que a sanção é a pena de perdimento – de maneira afoita. Não tenho dúvidas, guardadas as devidas vênias, que no presente caso, a fiscalização, o Acórdão de Impugnação e os votos do Acórdão de Recurso Voluntário que me precederam não tiveram o devido cuidado de burilar os diversos conceitos que se amalgamam nas três linhas do dispositivo transcrito, que tem por finalidade a tipificação da figura do sujeito passivo oculto em operações de comércio exterior. Como ponto de partida da análise a ser empreendida, temos que considerar nada menos que o próprio território aduaneiro ou território nacional, sob uma ótica muito simples e direta: Ressalvadas questões ligadas a acordos e tratados internacionais, o que aqui decididamente não é o caso, o direito pátrio não atinge território alienígena. Essa é a única ótica viável, e portanto possível, de se coordenar os conceitos embutidos no inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76, para se definir a figura da ocultação do sujeito passivo: Ø Na exportação ocultação do REAL VENDEDOR; Ø Na importação – ocultação do REAL COMPRADOR; Essa interpretação inibe que um ato de uma autoridade fiscal / aduaneira pátria atinja solo estrangeiro. Agir de outro modo, tal qual a presente ação fiscal foi calcada, ou pelo menos em parte, é desconsiderar um sem número de acordos e tratados internacionais, sem falar na própria SOBERANIA, princípio máximo na relação entre Estados nacionais. Não obstante a esse aspecto, que ao meu ver, por si só já fulminaria as pretensões da ação fiscal, para enriquecer a discussão e assim demonstrar como o caminho escolhido por aqueles que a DERAM PROVIMENTO é árido e frágil, passo a burilar conceitos. Quem é o sujeito passivo oculto na importação? É o REAL COMPRADOR do produto importado que se acoberta pelo importador interposto e se mantem recôndito dos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros. Quem é o sujeito passivo oculto na exportação? É o REAL VENDEDOR do produto importado que se acoberta pelo exportador interposto e se mantem recôndito dos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros. Vale aqui uma observação: sujeito passivo oculto na exportação é uma conduta muito rara. Acompanhando o assunto de interposição fraudulenta de terceiros em comércio exterior, desde a publicação da Instrução Normativa SRF n° 52/2001, que carecia de base legal – digase em tempo, este Conselheiro só se deparou com o tema duas ou três vezes. Fl. 3128DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.129 59 Tratamse de situações em que o exportador de fato está cometendo alguma irregularidade – exportação de outro produto que não o declarado. Em um dos casos era para fugir da tributação – produto in natura pagava imposto enquanto que produto elaborado tinha alíquota zero , enquanto que no outro caso, que me recordo, exportavase sucata enquanto se declarava produto industrializado, com a clara finalidade de se lavar dinheiro. Em ambos os casos, o exportador interposto funcionava de anteparo ao REAL VENDEDOR, que em uma eventual ação fiscal, queria se ver livre de qualquer sanção, seja penal ou administrativa. E as questões que se seguem: Quem seria o REAL VENDEDOR na importação? Quem seria o REAL COMPRADOR na exportação? No caso em análise, a fraude apontada decorreu de se pretender acobertar o REAL COMPRADOR na exportação (simulação). A INDUSTRIA NAVAL S/A e INACE IATES LTDA teriam se utilizado das empresas norteamericanas interpostas, OCEANTECH, ALL OCEANS, JASFER, S&S SEAFOOD, para manipular preços e condições de pagamentos de suas operações de comércio exterior. A fiscalização aduz que estas empresas foram registradas em Miami/EUA com o fim especifico de "prestação serviços" de refaturar pedidos do grupo INACE, conforme reconhecido pela própria sócia formal de uma destas empresas estrangeiras (Doc. A.1), ou seja, instruir operações de importações com faturas comerciais e conhecimentos de transportes ideologicamente falsos em nome dessas empresas norteamericanas, muitas vezes com valores subfaturados ou superfaturados, conforme quadro abaixo. (...) Antes de se atreverem a responder essas questões, questões que o presente processo não responde, e mesmo sem um conceito definido capitulam a conduta descrita como infracional no inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76, advirto para o desatino de se tentar buscar essas duas respostas. Estabeleçome em território estrangeiro como pessoa jurídica. Recebo dinheiro do Brasil, declarado, e passo a atuar como um “testa de ferro” na compra de produtos para enviálos ao Brasil. As autoridades fiscais / aduaneiras vão dizer que eu estou ocultando quem? E se eu não fosse um nacional? Fosse eu cidadão de outra nacionalidade com capital próprio ou de outros estrangeiros e resolvo exportar para o Brasil uma revenda de material adquirido, como o caso que se apresenta? Que risco corro de ser enquadrado como ocultador do REAL VENDEDOR na importação? A dúvida é pertinente sim, já que a letra do inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76, não faz qualquer menção à nacionalidade ou grau de parentesco, já que pode se alegar essas condições para tipificar o presente caso. Ao se burilar conceitos na busca de quem seria o REAL COMPRADOR na exportação é que se percebe o completo desatino de não se usar os limites do território nacional como referência. Poderia à caso a autoridade fiscal/aduaneira decretar a pena de Fl. 3129DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.130 60 perdimento de bem nacional exportado à comprador estrangeiro que ela consideraria interposto (ocultador) do REAL COMPRADOR lá no exterior? Portanto, para adequada interpretação do inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76, devese ater a seguinte relação: Ø Na exportação ocultação do REAL VENDEDOR; Ø Na importação – ocultação do REAL COMPRADOR; Continuando à análise, é momento propício de se adentrar com a Instrução Normativa SRF n° 327/2003: Art. 15. A utilização do método do valor de transação nas operações comerciais entre pessoas vinculadas somente será permitida quando a vinculação não tiver influenciado o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas. Art. 16. A vinculação de que trata o artigo anterior diz respeito à relação existente entre o comprador e o vendedor na transação comercial de compra e venda das mercadorias. Art. 17. Na análise da vinculação de que trata o artigo 15, parágrafo 4, alínea "h", do Acordo de Valoração Aduaneira, serão considerados membros da mesma família: I marido e mulher; II irmão e irmã; III ascendente e descendente em primeiro e segundo graus, em linha direta; IV tio, tia, sobrinho e sobrinha; V sogro, sogra, genro e nora; VI cunhado e cunhada. Art. 18. Presumese a vinculação entre as partes na transação comercial quando, em razão da legislação do país do vendedor ou da prática de artifício tendente a ocultar informações, não for possível: I conhecer ou confirmar a composição societária do vendedor, de seus responsáveis ou dirigentes; ou II verificar a existência de fato do vendedor. É essa a arma à disposição da fiscalização pátria – referendada pelo Acordo de Valoração Aduaneira – para lidar com qualquer espécie de VINCULAÇÃO entre exportador estrangeiro e importador nacional e/ou exportador estrangeiro interposto (inexistente): a valoração aduaneira. Fl. 3130DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.131 61 Verificada a vinculação e/ou a ação de exportador estrangeiro interposto, a autoridade fiscal / aduaneira pode desabonar o valor declarado e proceder à valoração aduaneira. Procedimento bem distinto da aplicação da pena de perdimento com base na ocultação do sujeito passivo. Portanto, a pena de perdimento não pode prevalecer. Faturas comerciais e conhecimentos de transportes ideologicamente falsos em nome dessas empresas norteamericanas, muitas vezes com valores subfaturados ou superfaturados A função da sólida construção jurisprudencial é fornecer critérios precisos para a equânime e indistinta aplicação da Lei. Indispensável, mais uma vez, a transcrição do fulcro legal da pena de perdimento: ² Inciso, VI do artigo 105, do DecretoLei nº 37/66: Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: (...) VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; O prosseguimento da presente análise consistirá na busca da distinção entre os conceitos de “subfaturamento” e “falsidade ou adulteração de documento necessário ao seu embarque ou desembaraço”, este último passível de aplicação de pena de perdimento. Mister dizer que a legislação, a doutrina e a própria jurisprudência fazem essa distinção: Ø A mercadoria submetida a despacho de importação, dentre outros controles aduaneiros, submetese ao controle do valor aduaneiro, em conformidade às regras estabelecidas no Acordo sobre a Implementação do art. VII do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio GATT 1994, aprovado pelo Decreto Legislativo n.º 30 de 15/12/94 e promulgado pelo Decreto n.º 1.355 de 30/12/94; Ø O desiderato deste controle se refere à não concordância da fiscalização aduaneira em relação ao preço declarado na importação, frente às regras referentes ao procedimento de valoração aduaneira. Para tanto, a fiscalização se vale dos métodos previstos no Acordo de Valoração Aduaneira (GATT), fundamentando a decisão em caso de desconsideração do valor da transação; Fl. 3131DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.132 62 Ø O objetivo da valoração aduaneira é determinar o valor de uma mercadoria para fins de incidência do Imposto de Importação e de todo e qualquer encargo baseado no valor aduaneiro, inclusive o ICMS e o IPI; Ø Para tanto, a fiscalização deve seguir regiamente os seis métodos de valoração aduaneira, a saber: 1º método: valor de transação; 2º método: valor de transação de mercadorias idênticas; 3º método: valor de transação de mercadorias similares; 4º método: valor de revenda; 5º método: valor computado; 6º método: valor obtido por critérios razoáveis. Ø O Fisco aplicará o método substitutivo, pautado no artigo 148 do Código Tributário Nacional – rito de arbitramento , mediante a observância do direito de defesa. A valoração aduaneira é o sistema utilizado segundo os critérios do Acordo de Valoração Aduaneira da Organização Mundial de Comércio (OMC), resultando na justa fixação da base de cálculo dos tributos aduaneiros. Este sistema contribui para a regulação dos mercados, constitui uma forma de controlar os preços internacionais, impedindo o sub ou o superfaturamento nas operações internacionais. O que caracteriza o subfaturamento na importação é a constatação da diferença entre os valores APURADOS através dos métodos de valoração aduaneira e os declarados pelo importador na declaração de importação. Os efeitos do subfaturamento serão: a) majorar a base de cálculo dos tributos aduaneiros; e a b) incidência da multa prevista no artigo 108 do DecretoLei n° 37/66. A diferença fundamental que precisa ser ressaltada no tocante à distinção entre subfaturamento e a incidência da pena de perdimento por força do inciso, VI do artigo 105, do DecretoLei nº 37/66, reside no fato de que a incidência da pena de perdimento tem por preceito frustrar a operação de importação por inteiro, já que foi amparada por documentação FALSA. Sendo assim, elegese o seguinte critério: Ã Se a declaração dos valores vier a configurar falsidade ideológica, estáse diante de subfaturamento; Fl. 3132DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.133 63 Ã Se a declaração dos valores vier a configurar falsidade material, estáse diante de falsificação ou adulteração de documento necessário ao embarque ou desembaraço da mercadoria. No intuito de prosseguir na análise, indispensável fazer mais essa distinção: Ã FALSO IDEOLÓGICO – neste caso o documento é formalmente correto, sendo, porém, falsa a idéia nele expressa. Aquele que emite o documento tem efetiva legitimidade para tanto. No entanto, acaba inserindolhe um conteúdo falso (que no caso específico da valoração aduaneira é um valor de transação não aceito); Ã FALSO MATERIAL – aqui não se trata da perfeição da idéia contida no documento, mas a incorreção reside no próprio documento que é forjado, contrafeito, falsificado, alterado. Conforme explica Fernando Capez (Curso de Direito Penal, Volume 3, p. 319): “Concluise com base nessa lição que o documento ideologicamente falso é elaborado por pessoa que tinha a incumbência de fazelo, a qual, no entanto, insere conteúdo inverídico, ao passo que, no falso material, forjase um documento, falsificase a assinatura ou se procede a alguma modificação na estrutura do documento, daí o porquê de somente se exigir prova pericial quando a falsidade for material”. A partir da eleição desse critério, o texto do inciso VI, do artigo 105, do DecretoLei nº 37/66 parece se coadunar perfeitamente com esta distinção, ao mencionar as expressões ‘falsificado” e “adulterado”. VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; (Grifo e Negrito Nossos) Assim no subfaturamento a conduta consiste na declaração de valores que não traduz a realidade da operação comercial, mas a fatura comercial, enquanto documento emitido pelo exportador, mantémse hígida quanto aos seus requisitos extrínsecos. Já na falsificação ou adulteração de documento a própria fatura comercial, ou qualquer outro documento que instrui o desembaraço aduaneiro, é materialmente falsa. Essa diferença fica mais evidente quanto aos seus efeitos, ao se perceber a distinção dos procedimentos adotados pela fiscalização aduaneira para evidenciar uma e outra prática. Há que se diga que tanto no “subfaturamento” quanto na “falsidade ou adulteração de documento necessário ao seu embarque ou desembaraço” o ônus da prova cabe à fiscalização, mas existe uma nítida distinção dos procedimentos por ela adotados: Fl. 3133DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.134 64 ● No subfaturamento a fiscalização desabona o valor aduaneiro declarado (1º método de valoração aduaneira), em face da adoção de um dos métodos de valoração aduaneira susequentes; ● Na falsificação ou adulteração de documento a fiscalização demonstra que a fatura comercial, ou qualquer outro documento que instrui o desembaraço aduaneiro, é FALSA frente a outros elementos inerentes à própria transação, como por exemplo a troca de emails entre importador e exportador e a constatação do valor real das mercadorias importadas mediante a consulta de catálogos ou no próprio sítio do fabricante/exportador na internet. Repisase que no caso do falsificação ou adulteração de documento NÃO há o que se falar e adoção de método de valoração aduaneiro subsequente. A fiscalização prescinde do procedimento de valoração, pois foi constatado o valor REAL do bem importado através de provas inerentes à transação. A jurisprudência judicial confirma esse entendimento ¹ Julgados relativos ao subfaturamento. § STJ RECURSO ESPECIAL REsp 1242532 RS 2011/00456921 (STJ) Data de publicação: 02/08/2012 Ementa: RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IMPORTAÇÃO. SUBFATURAMENTO. PENA DEPERDIMENTO. ART. 105 , VI , DO DL 37 /66. NÃO INCIDÊNCIA. HIPÓTESESUJEITA À MULTA. ART. 108 , PARÁGRAFO ÚNICO , DO DL 37 /66.1. A pena de perdimento, prevista no art. 105, VI, do Decreto Lei37/66, incide nos casos de falsificação ou adulteração de documento necessário ao embarque ou desembaraço da mercadoria, enquanto a multa prevista no parágrafo único do art. 108 do mesmo diploma legal destinase a punir declaração inexata em seu valor, natureza ou quantidade da mercadoria importada.2. Quando a declaração de importação é falsa quanto à natureza da mercadoria importada, seu conteúdo ou quantidade, será possível aplicarse, a par da multa, também a pena de perdimento em relação ao excedente não declarado, tendo em vista o que dispõe o inciso XII do art. 618 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos (Decreto 4.543 /02).3. Todavia, quando a hipótese é exclusiva de subfaturamento, não há regra semelhante autorizando a pena de perdimento, devendo ser aplicada somente a norma específica, que é a multa de 100% sobre a diferença apurada entre o valor real e o declarado, nos termos do art. 108 , parágrafo único , do DL 37 /66.4. No caso, segundo o arcabouço fático delineado na origem, houve apenas subfaturamento, vale dizer, indicação de valores a menor para a operação de importação, o que afasta a incidência da pena de perdimento. 5. Recurso especial não provido. (Grifo e Negrito Nossos) Fl. 3134DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.135 65 § TRF1 AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO AGA 277254220134010000 DF 002772542.2013.4.01.0000 (TRF1) Data de publicação: 14/11/2013 § STJ RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA RMS 26964 GO 2008/01149334 (STJ) Data de publicação: 11/09/2008 Ementa: TRIBUTÁRIO. ICMS. ART. 148 DO CTN . ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INDÍCIOS DE SUBFATURAMENTO. 1. A pauta fiscal é valor fixado prévia e aleatoriamente para a apuração da base de cálculo do tributo. Não se pode confundila com o arbitramento de valores previsto no artigo 148 do Código Tributário Nacional , que é modalidade de lançamento, regularmente prevista na legislação tributária. 2. O art. 148 do CTN deve ser invocado para a determinação da base de cálculo do tributo quando certa a ocorrência do fato imponível, o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos registrados pelo contribuinte não mereçam fé, ficando a Fazenda Pública, nesse caso, autorizada a proceder ao arbitramento mediante processo administrativofiscal regular, assegurados o contraditório e a ampla defesa. 3. Ao final do procedimento previsto no art. 148 do CTN , nada impede que a administração fazendária conclua pela veracidade dos documentos fiscais do contribuinte e adote os valores ali consignados como base de cálculo para a incidência do tributo. 4. Caso se entenda pela inidoneidade dos documentos, a autoridade fiscal irá arbitrar, com base em parâmetros fixados na legislação tributária, o valor a ser considerado para efeito de tributação. 5. No caso, havendo indícios de subfaturamento, os fiscais identificaram o sujeito passivo, colheram os documentos necessários à comprovação da suposta infração e abriram processo administrativo para apurar os fatos e determinar a base de cálculo do imposto a ser pago, liberando na seqüência as mercadorias. Não se trata, portanto, de pauta fiscal, mas de arbitramento da base de cálculo do imposto, nos termos do que autoriza o art. 148 do CTN . 6. Recurso ordinário em mandado de segurança não provido (Grifo e Negrito Nossos) § STJ RECURSO ESPECIAL REsp 1240005 RS 2011/00421311 (STJ) Data de publicação: 17/09/2013 Ementa: TRIBUTÁRIO DESEMBARAÇO ADUANEIRO DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO SUBFATURAMENTO DO BEM IMPORTADO ART. 105 , VI , DO DECRETOLEI N. 37 /66 PENA DE PERDIMENTO DO BEM INAPLICABILIDADE APLICAÇÃO DA MULTA DE 100% Fl. 3135DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.136 66 PREVISTA NO ART. 108 , PARÁGRAFO ÚNICO , DA REFERIDA NORMA. 1. Esta Corte firmou o entendimento de que a pena de perdimento prevista no art. 105 , VI , do Decreto Lei 37 /66 incide nos casos de falsificação ou adulteração de documento necessário ao embarque ou desembaraço da mercadoria. A multa prevista no parágrafo único do art. 108 do mesmo diploma legal destinase a punir declaração inexata de seu valor, natureza ou quantidade da mercadoria importada. 2. Tratando os autos de caso de subfaturamento, deve ser mantido o acórdão a quo, a fim de se afastar a pena de perdimento pretendida pela Fazenda Nacional. 3. Recurso especial não provido. ¹ Julgados relativos à incidência da pena de perdimento. § TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA AMS 792 SP 2009.61.19.0007921 (TRF3) Data de publicação: 10/02/2011 Ementa: MANDADO DE SEGURANÇA. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. SUBFATURAMENTO. FISCALIZAÇÃO. PENA DE PERDIMENTO. LEGALIDADE. 1. A autoridade aduaneira, durante a verificação física das mercadorias submetidas a despacho aduaneiro, encontrou, nos volumes da carga, uma outra fatura comercial (Commerce Invoice PNPE/H#865295), emitida pela empresa Selectron Technology Co. China e endereçada à empresa Alcatel Business Systems France (empresa exportadora das mercadorias importadas pela ora apelante), sendo que parte das mercadorias relacionadas nesta fatura correspondia aos itens constantes das faturas que acompanharam a declaração de importação. 2. Mediante o confronto da fatura emitida pela Selectron Technology Co. China com a fatura emitida pela Alcatel Business Systems France à ora apelante, verificouse que os valores constantes da primeira eram superiores aos valores declarados. 3. Não há argumento lógico que possa sustentar o fato de a empresa exportadora (Alcatel Business Systems France) ter comprado mercadoria da China a determinado preço e, posteriormente, vendido esta mesma mercadoria para a apelante a preços menores, razão pela qual concluiu a autoridade aduaneira ter havido a apresentação de documento contendo informações falsas. 4. Intimada a fornecer documentos que pudessem contribuir com a fiscalização, a apelante apresentou a lista de preços dos produtos a ela vendidos pela Alcatel Business Systems France, restando comprovado que o valor declarado pela apelante para o produto analog interfaces SLI16I foi inferior em U$ 99,66, por unidade, ao preço constante da referida lista. 5. Restou também apurada, ainda tomandose por base a referida lista e confrontandose os preços dela constantes com aqueles que foram declarados, uma diferença total de U$ 22.573,16, o que gerou uma sonegação estimada de R$ 23.930,95 (fls. 83/84). 6. Havendo a correta subsunção do fato Fl. 3136DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.137 67 descrito no auto de infração à norma do artigo 618 , VI do Decreto nº 4.543 /02, e somandose a este fato o regular desenvolvimento da ação de fiscalização, não há que se falar em qualquer ilegalidade na aplicação da pena de perdimento, perfeitamente cabível no caso sob análise. 7. Apelação a que se nega provimento.... (Grifo e Negrito Nossos) § TRF4 APELAÇÃO CIVEL AC 31935 PR 2007.70.00.0319359 (TRF4) Data de publicação: 16/06/2010 Ementa: TRIBUTÁRIO. SUBFATURAMENTO. ADUANEIRO. IMPORTAÇÃO. FUNDADOS INDÍCIOS DE FALSIDADE PUNÍVEL COM A PENA DE PERDIMENTO. A administração aduaneira, diante de fortes indícios de falsidade das informações constantes na documentação de importação, consubstanciados na divergência entre o equipamento efetivamente importado e o declarado, bem como no tocante ao fato de não se tratar de máquina nova mas usada, pode, mediante instauração do correspondente Procedimento Especial de Fiscalização, aplicar a pena de perdimento ao bem (Decreto nº 4.542 /2002, art. 705; Decretolei nº 37 /1966, art. 105 , VI ; IN SRF nº 206/2002, art. 69), e não com a multa prevista § único do art. 108 do Decretolei 37 /66, porquanto esta situação não se restringe a mero subfaturamento. (Grifo e Negrito Nossos) Portanto, no nosso entender, fatura ideologicamente falsa não enseja a pena de perdimento e sim o procedimento de valoração aduaneira com a majoração da base de cálculo dos tributos aduaneiros e a incidência da multa prevista no artigo 108 do DecretoLei n° 37/66. Portanto, também nesse caso, a pena de perdimento não pode prevalecer. (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Fl. 3137DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.003711/2008-43
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2003
Decadência.
O prazo decadencial para os tributos de apuração trimestral tem seu início de contagem a partir do encerramento do trimestre, quando aplicável o art. 150 do CTN.
Inconstitucionalidade.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Taxa Selic.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
Numero da decisão: 1302-000.447
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 Decadência. O prazo decadencial para os tributos de apuração trimestral tem seu início de contagem a partir do encerramento do trimestre, quando aplicável o art. 150 do CTN. Inconstitucionalidade. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Taxa Selic. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. e relator Fl. 422DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.003711/200843 Acórdão n.º 130200.447 S1C3T2 Fl. 419 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade Irineu Bianchi E Marcos Rodrigues de Mello Relatório Os autos de infração a folhas 4 a 16 exigem o recolhimento de crédito tributário no montante de R$ 373.460,23, assim discriminado: TRIBUTO JUROS DE MORA MULTA TOTAL Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) 109.616,57 67.891,71 82.212,42 259.720,70 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) 47.883,39 29.943,61 35.912,53 113.739,53 DESCRIÇÃO DAS INFRAÇÕES IMPUTADAS O autuante, reportandose ao termo de verificação a folhas 18 a 20, atribui à autuada as infrações de cuja descrição adiante se faz uma síntese. 1. GLOSA DE CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS – Glosa dos valores declarados a título de PIS nãocumulativo, utilizado como despesa na demonstração do resultado, em valores superiores ao apurado e recolhido. Valor apurado conforme livro diário e razão, confirmado na DIPJ – declaração de informações econômicofiscais da pessoa jurídica. Datas do fato gerador: 31.03.2003, 30.06.2003, 30.09.2003, 31.12.2003. Enquadramento legal para o IRPJ: artigo 249, inciso I, artigo 251, parágrafo único, artigos 299 e 300, todos do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda 1999 – RIR 1999. Enquadramento legal para a CSLL: artigo 2º, e seus parágrafos, da Lei nº 7.689, de 1988; artigo 1º da Lei nº 9.316, de 1996; artigo 28 da Lei nº 9.430, de 1996; artigo 37 da Lei nº 10.637, de 2002. 2. GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE – SALDO DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES – Compensação indevida de prejuízos fiscais apurados, tendo em vista as reversões dos prejuízos após o lançamento de ofício, por meio deste auto de infração, relativo aos períodosbases do 1º e do 2º trimestre do anocalendário de 2003, em decorrência da glosa de dedução indevida. Datas do fato gerador: 30.09.2003, 31.12.2003. Enquadramento legal para o IRPJ: artigo 247, artigo 250, inciso III, artigo 251, parágrafo único, artigos 509 e 510, todos do RIR 1999. Enquadramento legal para a CSLL: artigo 2º, e seus parágrafos, da Lei nº 7.689, de 1988; artigo 1º da Lei nº 9.316, de 1996; artigo 28 da Lei nº 9.430, de 1996; artigo 37 da Lei nº 10.637, de 2002. Termo de verificação fiscal No termo de verificação fiscal a folhas 18 a 20 o autuante apresenta a motivação dos lançamentos. Dele extraemse as observações e argumentos resumidos adiante. Fl. 423DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.003711/200843 Acórdão n.º 130200.447 S1C3T2 Fl. 420 3 • A empresa contabilizou as receitas auferidas no anocalendário de 2003, bem como apurou os tributos devidos, sem porém apresentar as respectivas DCTF (declaração de débitos e créditos tributários federais) e sem recolher os débitos relativos ao IRPJ, à CSLL e à Cofins – contribuição para o financiamento da seguridade social. • O contribuinte optou pela tributação do IRPJ com base no lucro real trimestral e apurou o resultado positivo de R$ 33.826,65 no 3º trimestre e de R$ 102.313,95 no 4º trimestre. Quanto ao 1º e 2º trimestre, a empresa apurou prejuízo, respectivamente, de R$ 11.880,11 e R$ 9.018,63. Os prejuízos foram compensados pelo contribuinte nos dois trimestres subsequentes. • Entretanto, tais valores foram apurados com erro, uma vez que o contribuinte deduziu, na demonstração do resultado, despesas com o PIS/Pasep de R$ 66.003,39, R$ 80.848,98, R$ 106.291,89 e R$ 124.334,44, respectivamente, no 1º, 2º, 3º e 4º trimestre, ao passo que os valores efetivamente apurados e pagos foram R$ 194,70, R$ 793,99, zero e R$ 1.491,60, conforme demonstrado nos DACON (demonstrativo de apuração das constribuições sociais) apresentados pelo contribuinte, cuja cópia se acha a folhas 224 a 243. • Os valores deduzidos pelo contribuinte na demonstração do resultado foram aqueles apurados contabilmente, antes de descontados os créditos a que ele faz jus. • Portanto, as diferenças entre o valor utilizado pelo contribuinte e o valor apurado no DACON devem ser adicionados ao valor apurado pelo contribuinte, determinando assim o verdadeiro lucro líquido do período de apuração. • Concluise que o contribuinte cometeu duas infrações, a saber, a dedução indevida de PIS/Pasep e a compensação de prejuízo inexistente no 3º e no 4º trimestre. IMPUGNAÇÃO DO LANÇAMENTO A notificação dos lançamentos foi feita pessoalmente em 27.03.2008. Por via postal, conforme envelope a folhas 314, em 28.04.2008, uma segundafeira, a autuada enviou uma só impugnação, juntada a folhas 315 a 339. Os enunciados seguintes resumem seu conteúdo. • Segundo o artigo 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, o prazo para impugnar é de 30 dias. No caso em tela, a primeira intimação foi recebida em 27.03.2008. Dessa forma o dies ad quem se dará em 26.04.2008, recaindo para o primeiro dia útil seguinte, 28.04.2008 (segundafeira), de modo que não há dúvida sobre a tempestividade da presente impugnação. • A exigência fiscal não possui fundamentos para subsistir e deve ser cancelado o auto de infração em sua totalidade, por não preencher os requisitos indispensáveis, por ter ocorrido decadência e principalmente por serem inequivocamente indevidos o tributo, as multas e os encargos da forma como pretende o fisco. Preliminar de decadência do crédito tributário • No caso, ocorreu o fenômeno da decadência e é certo que o fisco não pode constituir nenhum crédito tributário referente aos meses de janeiro e fevereiro de 2003, tendo em vista que a ciência do auto de infração se deu em 27.03.2008. • O IRPJ e a CSLL são tributos que se classificam entre os chamados por homologação, o que os sujeita ao artigo 150 do CTN, especialmente a regra do seu § 4º para fins de contagem do prazo decadencial. Fl. 424DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.003711/200843 Acórdão n.º 130200.447 S1C3T2 Fl. 421 4 • Na hipótese dos autos, a regra geral relativa ao prazo decadencial não reside no artigo 173, inciso I, do CTN, mas sim no seu artigo 150, § 4º, conforme adverte parte considerável da doutrina. Esse é o entendimento pacífico do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais do mesmo órgão. • Em vista da farta jurisprudência coligida, eventuais alegações tendentes a deslocar a regra de decadência do artigo 150, § 4º, do CTN, para o artigo 173, inciso I, devem ser prontamente afastadas. Não cabe aqui a ressalva de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, porque em momento algum a fiscalização cogitou de nenhuma dessas circunstâncias. Caso entendesse presente tais condutas, teria aplicado a multa agravada, o que não foi o caso nem o poderia ser. • Não cabe alegar que a decadência não ocorreu em razão de que, para fins de IRPJ e CSLL, devem ser analisados os trimestres, e não os meses isoladamente, tendo em vista que a impugnante estaria submetida à sistemática do lucro real. Esse argumento é desprovido de fundamento jurídico válido, tendo em vista que o artigo 150, § 4º, do CTN é claro no sentido de que o marco inicial para a contagem do prazo decadencial é a data da efetiva ocorrência do fato gerador, e não uma data fixada pela legislação para fins de apuração e recolhimento dos tributos. • Como é impensável que os fatos geradores do IRPJ e da CSLL somente ocorram de forma efetiva uma vez a cada trimestre, fica evidente que todos os eventos que resultaram na tributação pelos referidos tributos do dia 01/01/2003 até 26/03/2003 devem ser excluídos de suas bases de cálculo em razão da decadência. • Não sobejam dúvidas de que a fiscalização efetivamente decaiu do seu direito de lançar qualquer tributo cujo suposto fato gerador seja anterior a 27 de março de 2003, uma vez que a autoridade administrativa se manteve inerte durante anos e somente procedeu ao lançamento de ofício nessa data. Mérito – exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS • É necessário retificar a base de cálculo usada pela fiscalização, porque levou em conta todo o valor do PIS apurado pela impugnante, ilegalmente majorado pelo ICMS em sua base. Dessa forma, o resultado deve ser recomposto, eliminando da base de cálculo do PIS o valor do ICMS, e somente depois dessa operação podese aferir a parcela do IRPJ e da CSLL que supostamente não teria sido recolhida. • Desde a sua instituição, o PIS teve como base de cálculo o faturamento, conceito tipicamente delimitado no direito privado e que não pode ser alterado pela legislação tributária, segundo determina expressamente o artigo 110 do CTN. Entretanto, com a edição da Lei nº 9.718, de 1998, a União Federal tentou alterar essa concepção, determinando que a exação em causa tenha como base de cálculo a totalidade das receitas do contribuinte, adotando este o conceito de faturamento para fins tributários. • Posteriormente, foi editada a Emenda Constitucional nº 20, de 1998, que alterou o artigo 195, I, da CF 1988, e incluiu o vocábulo receita no seu texto, tentando dotar de constitucionalidade a Lei nº 9.718, de 1998, como se isso fosse permitido em nosso ordenamento. Todavia, após anos de disputa judicial, a questão foi finalmente submetida à apreciação do Supremo Tribunal Federal – STF, que em 09.11.2005 declarou a inconstitucionalidade do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Dessa forma, ficou consolidado que a base de cálculo do PIS seria apenas o faturamento das empresas, e entendese este como o resultado das vendas de mercadorias e prestação de serviços. Fl. 425DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.003711/200843 Acórdão n.º 130200.447 S1C3T2 Fl. 422 5 • A jurisprudência do STF somente valeria para fatos geradores ocorridos antes da vigência da Lei n] 10.637, de 2002, visto que essa lei, em razão de ter sido publicada sob a égide da EC nº 20, de 1998, teria validamente ampliado a base de cálculo do PIS para todas as receitas do contribuinte. Contudo, sendo a base de cálculo do PIS a receita ou o faturamento, em nenhum caso poderia ser incluído o ICMS. • No caso de tributos, estamos tratando de receita pública, destinada ao ente tributante competente para cobrála. Dessa forma, a parcela referente ao ICMS efetivamente não pertence à autuada e não se caracteriza como sua receita nem como parcela de seu faturamento, mas é apenas recolhida e repassada ao estado da federação a que se destina. • Assim, o ICMS não pode ser incluído na base de cálculo do PIS, mesmo após a vigência da Lei nº 10.637, de 2002, de forma que deve ser descontado no presente caso, e ser reformulado todo o resultado apurado pela fiscalização. • Em termos gerais, receita é todo o numerário recebido pelo contribuinte e que passa a integrar seu patrimônio, ou seja, a receita tem que trazer acréscimo patrimonial. Em abono do argumento, citamse passagens doutrinárias. • A necessidade da ocorrência de acréscimo patrimonial para que valores recebidos pela pessoa jurídica sejam classificados como receita já foi reconhecida até mesmo pela Receita Federal, como aponta Ricardo Mariz de Oliveira, reportandose aos Pareceres Normativos CST nº 121, de 1973, e nº 35, de 1974. Na medida em que o ICMS não implica nenhum acréscimo patrimonial, não pode ser considerado como parte de sua receita, mas tão somente mero ingresso. • Diante desse quadro, em que o ICMS não é faturamento nem receita da impugnante, é inquestionável a necessidade de ser revisto o lançamento, conforme entendimento majoritário do STF. Ilustrase o argumento com a transcrição de trecho de voto atribuído ao Ministro Marco Aurélio de Mello. • Ao se incluir o ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, afrontase o fato gerador dessas contribuições. Por conseguinte, afrontase diretamente a CF 1988, artigo 195, I, “b”. O contrário equivale a considerar que o ICMS é parte do faturamento ou da receita, o que culminaria na ilegal ampliação do alcance desses conceitos fixados no direito privado, em evidente afronta ao artigo 110 do Código Tributário Nacional. • Sob qualquer prisma que se analise a questão, é patente a impossibilidade da inclusão do citado imposto estadual na base de cálculo do PIS, o que leva à necessidade de cancelamento do auto de infração ou, na pior hipótese, da sua reformulação. Impossibilidade de aplicação da multa no patamar exigido pelo fisco • Sendo improcedente todo o lançamento fiscal, a multa aplicada é evidentemente indevida. Entretanto, caso seja considerado procedente o lançamento, ainda assim a multa não pode ser aplicada no patamar exigido pelo fisco. • Não há falar que na esfera administrativa não pode ser oposta a arguição de inconstitucionalidade, primeiramente porque não se pretende a declaração de inconstitucionalidade de nenhuma disposição. Em segundo lugar, porque a impossibilidade da Fl. 426DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.003711/200843 Acórdão n.º 130200.447 S1C3T2 Fl. 423 6 discussão sobre a constitucionalidade das leis não impede que a aplicação de princípios e normas constitucionais sejam questionados administrativamente. • Princípios como a ampla defesa, a moralidade, a razoabilidade, a capacidade contributiva, a vedação ao confisco e a eficiência, devem ser atendidos pela autoridade administrativa em qualquer hipótese. Se o contribuinte considera que tais princípios não foram corretamente aplicados, pode requerer que a própria autoridade se manifeste sobre a matéria. Tal fato não implica arguição de inconstitucionalidade, mas simplesmente observância da Constituição Federal. Nesse sentido é claro o artigo 2º da Lei nº 8.784, de 1999. • É pacífico na doutrina e na jurisprudência que os limites ao poder de tributar são verdadeiros direitos e garantias fundamentais e se caracterizam como cláusula pétrea na CF 1988, porque decorrem de princípios prescritos no seu artigo 5º. Entre esses limites, citase a proibição do confisco, instituído pelo inciso IV do artigo 150 da CF 1988. • Os constitucionalistas e os tributaristas têm entendido que o primado, além de dever ser implementado de forma ampla, por ser direito e garantia individual, visa a proteger o patrimônio do contribuinte e que não faz sentido não englobar também as multas e as contribuições. • Cobrar uma multa exorbitante em função de algum tributo equivale a usar indiretamente esse tributo de maneira confiscatória. Desse modo, nada mais confiscatório do que aplicação de multa igual a 75% do principal. Ilustrase o argumento com a citação de passagens doutrinárias e de precedente judicial. • O artigo 145, §1º, da CF 1988 expressamente estabelece que a autoridade administrativa deve respeitar o princípio da capacidade contributiva quando apurar e exigir tributos e contribuições. Já ao contribuinte cabe questionar os critérios adotados para o efetivo cumprimento desse dispositivo. • Em respeito ao princípio da eventualidade, combatese a exigência de multa isolada, também porque é excessivamente onerosa, desproporcional e, portanto, flagrantemente ofensiva aos princípios constitucionais da razoabilidade e proporcionalidade. • Tradicionalmente, os atos legislativos e administrativos sujeitavamse exclusivamente ao controle da legalidade. A partir do momento em que a constituição deixou de ser mero repositório de normas pragmáticas para assumir densidade e normatividade jurídica, a jurisprudência passou a admitir que os atos do Poder Público possam ser contrastados também em sua razoabilidade ou proporcionalidade. • Os elementos objetivos que permitem dizer se o ato do poder público é ou não razoável são: a adequação entre o fim perseguido e o instrumento empregado; a exigibilidade ou necessidade da medida; a proporcionalidade em sentido estrito. • No caso versado, as multas correspondem a grande parte do auto de infração, aproximando se do valor do principal. Em termos econômicos, o imposto, fonte de arrecadação e fim último da tributação, transformase em acessório, e o acessório em principal, o que demonstra a grave ofensa ao princípio da razoabilidade ou proporcionalidade. • A penalidade não pode transformarse na fonte principal de arrecadação, que é o pagamento do tributo. Essa subversão de objetivos fica clara no auto de infração. • Dessa forma, é requerida a supressão da multa ou sua redução para o patamar mínimo. Impossibilidade de aplicação da taxa Selic Fl. 427DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.003711/200843 Acórdão n.º 130200.447 S1C3T2 Fl. 424 7 • O cômputo dos juros moratórios com base na taxa Selic é evidentemente ilegal por consistir em remuneração do capital. Sua natureza jurídica foi precisamente delineada como remuneratória em circulares do Banco Central do Brasil. • Os juros moratórios têm caráter compensatório ou indenizatório, enquanto os juros remuneratórios têm como finalidade recompensar aquele que deixa voluntariamente de usar seu capital, cedendoo para o uso de outrem. Em abono do argumento citase passagem doutrinária e precedente judicial. • Nos termos do artigo 161 do CTN, os juros de mora somente podem incidir à taxa de 1% ao mês. Qualquer disposição contrária, veiculada por ato normativo inferior ao CTN é inaplicável, principalmente quando utiliza como parâmetro índice de natureza remuneratória e não somente compensatória de suposta mora do contribuinte. • Diante disso, devem ser excluídos do crédito tributário os valores cobrados a título de juros de mora com base na taxa Selic, aplicandose tão somente os juros previstos no CTN. Pedido • Pedese que seja julgada procedente a impugnação, retificandose o auto de infração, determinandose de pronto o seu trancamento e exonerandose a impugnante dos gravames do litígio. • Na pior das hipóteses, deve ser reformulado o crédito tributário, acolhendose a preliminar de decadência e excluindose o ICMS da base de cálculo do PIS, de forma que se altere o IRPJ e a CSLL exigidos. • Alternativamente, pedese que a multa seja retirada ou reduzida ao menor patamar legalmente possível, tendo em vista as razões ora esboçadas e principalmente a aplicação do princípio da retroatividade benéfica no que se refere à Lei nº 11.488, de 2007. • Pugnase pela exclusão dos valores cobrados a título de juros com base na taxa Selic, aplicandose tão somente os juros previstos no CTN. • Protestase pela realização de quaisquer tipos de prova e pela juntada de novos documentos capazes de elidir o feito fiscal. A DRJ decidiu conforme ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS REGIME NÃOCUMULATIVO VALOR DEDUTÍVEL Na determinação do lucro real, somente é dedutível a título de despesas com contribuição para o PIS o valor que tiver sido apurado como efetivamente devido segundo o regime nãocumulativo. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2003 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS REGIME NÃOCUMULATIVO VALOR DEDUTÍVEL Fl. 428DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.003711/200843 Acórdão n.º 130200.447 S1C3T2 Fl. 425 8 Na determinação da base de cálculo da CSLL, apenas é dedutível a título de despesas com contribuição para o PIS o valor que tiver sido apurado como efetivamente devido segundo o regime nãocumulativo. A recorrente tomou ciência do acórdão DRJ em 12/08/2009 e apresentou recurso em 04/09/2009. Em seu recurso alega: Decadência do direito de lançar, tendo em vista que a ciência se deu em 27/03/2008, quando já transcorridos mais de cinco anos dos fatos geradores referentes a janeiro e fevereiro de 2003; A impossibilidade de aplicação de multa no patamar exigido pelo fisco, diante dos princípios da moralidade, razoabilidade, capacidade contributiva e vedação de confisco; E, finalmente, se insurge contra a aplicação da taxa selic. Voto Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Sobre a alegação de decadência, importa esclarecer que o contribuinte optou pelo regime de apuração trimestral do lucro real, conforme declaração de rendimentos de fls. 244 e seguintes. Portanto, diferentemente do alegado pela recorrente, em relação ao 1º trimestre de 2003, o fisco tinha o prazo até 31/03/2008 para dar ciência do lançamento. Tendo sido a ciência do lançamento em 27/03/2008, não há de se falar em decadência. Quanto à alegação de inaplicabilidade da multa de ofício por suposta inconstitucionalidade, este colegiado não possui competência para se pronunciar sobre a matéria, nos termos da súmula nº 2 do Conselho de Contribuintes: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Também não merece acolhida o argumento de inaplicabilidade da taxa selic, nos termos da súmula nº 4 do Conselho de Contribuintes: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 429DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.003711/200843 Acórdão n.º 130200.447 S1C3T2 Fl. 426 9 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Relator Fl. 430DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10880.662128/2012-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa.
Numero da decisão: 1201-002.523
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 21 28 /2 01 2- 07 Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10880.662128/201207 Acórdão n.º 1201002.523 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Pedido de Restituição eletrônico PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte a fim de compensar pretenso saldo credor de CSLL referente ao 3º trimestre/2007. Por meio do despacho decisório de fls., o pedido foi indeferido, sob a alegação de que o DARF informado como origem do crédito já teria sido integralmente utilizado para quitar outro débito declarado. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. Alega, em síntese: (i) que o crédito é legítimo, uma vez que, por exercer atividade consistente na prestação de serviço hospitalar, faria jus ao direito de aplicação do percentual de presunção do lucro de 12% para CSLL, e não de 32%, como equivocadamente considerou nas suas apurações; e (ii) que retificou as declarações (DIPJ e DCTF), ainda que em momento posterior ao despacho decisório. A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que o contribuinte não faria jus ao enquadramento do percentual de presunção de 12%. Cientificada da decisão de piso, a empresa interpôs recurso voluntário por meio do qual reitera as razões de defesa, bem como alega que possui decisão judicial que reconheceu o direito de aplicar o percentual de 12%, e não 32%. É o relatório. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10880.662128/201207 Acórdão n.º 1201002.523 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.511, de 21/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.662116/2012 74, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.511): Conforme visto no tópico do relatório, o presente litígio diz respeito ao enquadramento ou não do objeto social da Recorrente no conceito de serviços hospitalares. Assim, caso seja verificado que a empresa presta serviço hospitalar, cabível o reconhecimento do direito creditório. Caso contrário, ou seja, uma vez verificado que a atividade desenvolvida é outra, correto o indeferimento do pedido de restituição. Nesse contexto, e por mais esforços que a autoridade fiscal responsável pelo lançamento e a decisão da DRJ tenham empreendido no sentido de afastar o enquadramento da atividade da empresa enquanto serviço hospitalar, o fato é que a Recorrente ajuizou ação judicial que tem por objeto justamente o reconhecimento do direito de se valer do referido percentual de 8% às suas atividades. De fato, o contribuinte possui sentença que deu provimento à ação judicial por ele ajuizada e, inclusive, já transitou em julgado o reconhecimento do direito de se valer do percentual de 8% para fins de lucro presumido. Abaixo copio o quadro do movimento do processo disponibilizado eletronicamente e transcrevo o resumo da demanda, respectivamente: PROCESSO 002259987.2013.4.03.6100 MOVIMENTAÇÃO PROCESSUAL Todas as Movimentações Seq Data Descrição 40 23/01/2015 ARQUIVAMENTO DOS AUTOS Receb.Guia: 542/2014 (7a. Vara) Pac.: 610007000412 39 05/12/2014 BAIXA DEFINITIVA ARQUIVO conf. Guia n.542/2014 (7a. Vara) Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10880.662128/201207 Acórdão n.º 1201002.523 S1C2T1 Fl. 5 4 38 28/11/2014 DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre: DESPACHO DE FLS. 91 37 30/10/2014 DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE DESPACHO/DECISAO ,PAG. 39/41 36 08/10/2014 REMESSA PARA PUBLICACAO DE DESPACHO/DECISAO 35 08/10/2014 RECEBIMENTO DO JUIZ C/ DESPACHO/DECISAO 34 06/10/2014 AUTOS COM (CONCLUSAO) JUIZ PARA DESPACHO/DECISAO 33 06/10/2014 TRANSITO EM JULGADO Data do Último Prazo: 23/09/2014 Complemento Livre: PARA PARTES 32 27/08/2014 RECEBIMENTO DA FAZENDA NACIONAL 31 27/08/2014 RECEBIMENTO NA SECRETARIA 30 18/08/2014 REMESSA EXTERNA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL VISTA 29 12/08/2014 DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre: 28 16/07/2014 DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE SENTENCA ,PAG. 35/55 27 02/07/2014 REMESSA PARA PUBLICACAO DE SENTENCA Tratase de ação ordinária, com pedido de tutela antecipada, em que postula a autora a inexigibilidade do percentual de presunção de 32% na aplicação do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido pelo regime de apuração do lucro presumido às atividades hospitalares, reconhecendose como corretos os percentuais de 8% e 12%, respectivamente.Alega que, por se tratar de pessoa jurídica prestadora de serviços médicos de pronto socorro junto ao Hospital São Luiz Unidade Itaim, atendendo em média 7.600 pacientes por mês, tem direito ao recolhimento dos tributos pelas alíquotas menores asseguradas aos prestadores de serviços hospitalares.Sustenta que a Receita Federal vinha reconhecendo às clínicas médicas o enquadramento tributário na qualidade de prestadores de serviços hospitalares, entendimento que foi alterado após a edição do Ato Declaratório Interpretativo 19/2007 e da Instrução Normativa RFB n 791/2007, com as alterações da IN n 1234/2012, que restringiram a possibilidade de enquadramento da grande maioria das clínicas na tributação presumida da renda sob os percentuais minorados.Entende que a Receita Federal não poderia criar um novo conceito de serviços hospitalares dissociado do Direito Privado, o que determina sejam afastados os atos impugnados. Como se nota, a discussão que foi travada no processo judicial direito à aplicação do percentual de 8% para fins de Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10880.662128/201207 Acórdão n.º 1201002.523 S1C2T1 Fl. 6 5 IRPJ no lucro presumido tem o mesmo objeto do que se postula no recurso voluntário ora interposto. Nesses casos, cabível a aplicação da Súmula CARF nº 1, que assim dispõe: importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em razão, então, da concomitância apontada, NÃO CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 224DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.100676/2008-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2401-000.701
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Recorrente PAULO GEREMIA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite. Relatório Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física IRPF, fls. 6/13, decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual (DAA) anocalendário 2003, exercício 2004, que alterou o valor do Imposto de Renda a restituir de R$ 167.236,93 para imposto suplementar de R$ 48.990,82, sujeito à multa de ofício, e R$ 1.738,34, sujeito à multa de mora, em virtude de dedução indevida de dependentes, dedução indevida de despesas médicas, omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício e compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .1 00 67 6/ 20 08 -3 1 Fl. 339DF CARF MF Processo nº 11080.100676/200831 Resolução nº 2401000.701 S2C4T1 Fl. 225 2 Em impugnação apresentada às fls. 2/5, o contribuinte alega que é portador de cardiopatia grave desde 20/1/03, pleiteia a isenção do imposto e requer seja cancelada a notificação. A DRJ/POA, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme acórdão 1027.339 de fls. 161/162, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. São isentos do imposto de renda, nos termos da legislação, os rendimentos de aposentadoria de contribuinte com doença grave comprovada por laudo oficial. Consta do voto que: Examinando a documentação existente no presente processo, as razões apresentadas na impugnação, verificamos que o contribuinte apresenta laudo médico, fl. 13, comprovando doença grave nos termos da legislação tributária. A legislação estabelece que só os rendimentos de aposentadoria de portador de doença grave é que são isentos do imposto de renda, art. 39, inciso XXXIII. Pela documentação apresentada, somente os rendimentos recebidos do Estado do Rio Grande do Sul, R$ 4.381,20, é que são de aposentadoria, e, portanto, isentos. Retirandose da base de cálculos os rendimentos isentos citados apura se uma redução no imposto lançado de R$ 1.205,02. Cientificado do Acórdão em 8/12/10 (cópia de Aviso de Recebimento AR de fl. 167), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 4/1/11, fls. 168/169, que contém, em síntese: Alega que os demais rendimentos também são de aposentadoria, sendo isentos. Diz que os rendimentos recebidos do SESC (inclusive o decorrente de ação trabalhista) são complementação de aposentadoria. Assim, tais importâncias deverão ser excluídas da base de cálculo do imposto de renda, já que provenientes de aposentadoria e foi reconhecido que o contribuinte é portador de moléstia grave. Alternativamente, no caso de haver outro entendimento, que sejam considerados os rendimentos abaixo descritos: 1) GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL R$ 4.381,90 e R$ 12.696,00 isentos pela condição de maior de 65 anos; 2) INSS R$ 5.855,58 e R$ 13.754,00 isentos pela condição de maior de 65 anos; 3) SESC ADMINISTRAÇÃO REGIONAL DO RIO GRANDE DO SUL R$ 64.779,85 referente complemento de aposentadoria; e 4) SESC ADMINISTRAÇÃO Fl. 340DF CARF MF Processo nº 11080.100676/200831 Resolução nº 2401000.701 S2C4T1 Fl. 226 3 REGIONAL DO RIO GRANDE DO SUL R$ 606.248,36, decorrente de ação trabalhista de cobrança de diferenças de aposentadoria com sentença proferida pela 5ª Turma do TRT 4ª Região em 30 de junho de 200l e transitada em julgado em 16 de dezembro de 2002. Os valores foram recebidos no ano de 2003, quando o contribuinte já era portador da moléstia grave. Para comprovar os fatos enumerados, apresentou os Comprovantes de Rendimentos pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte do ano calendário 2003 e notas fiscais e recibos de pagamentos de honorários advocatícios decorrentes da Ação Trabalhista no valor total de R$ 157.194,04, comprovantes de despesas médicas no valor de R$ 880,00 e despesas com plano de saúde pagos ao Sindicato do Comércio Atacadista de Gêneros Alimentícios de Porto Alegre, no valor de R$ 6.800,00, no cumprimento da intimação 2004/610450929344101. Em caso do pedido não ser aceito o contribuinte requer a isenção dos proventos de aposentadoria do Instituto Nacional da Previdência Social, os proventos de aposentadoria complementar do SESC ADMINISTRAÇÃO REGIONAL DO RIO GRANDE DO SUL, redução da Base de Calculo dos Proventos decorrentes de ação trabalhista dos valores pagos a titulo de honorários advocatícios no montante de R$ 157.194,04, deduções de despesas médicas no valor de R$ 880,00 e despesas com Plano de Saúde Unimed pagos ao Sindicato do Comércio Atacadista de Gêneros Alimentícios de Porto Alegre, no valor de R$ 6.800,00, todos documentos apresentados no cumprimento da intimação 2004/610450929344101. Em 15/4/16, fls. 304/328 o sujeito passivo junta aos autos reiteração do pedido formulado e apresenta novos argumentos, reafirmando que os valores recebidos a título de complementação de aposentadoria são isentos. Descreve o lançamento, indicando valores e apontando erros da fiscalização na apuração dos mesmos, da seguinte forma: 1) Quanto à dedução indevida de dependentes e despesas médicas, concorda com a glosa. 2) Quanto à omissão de rendimentos, no valor total de R$ 703.961,28, e glosa de IRRF, informa: 2.1) Valores recebidos a título de diferenças de complementação de aposentadoria no montante de R$ 607.567,39, no qual pagou R$ 157.189,04 de honorários advocatícios e R$ 129,13 de outras despesas relacionadas ao processo, resultando numa base de cálculo, caso não houvesse isenção, de R$ 405.249,22; que o IRRF do processo judicial foi de R$ 153.337,86. 2.2) A partir de abril/03 houve retenção de imposto de renda pelo SESC no montante de IRRF R$ 12.806,37. Desta forma, o total do IRRF pelo SESC foi de R$ 166.144,24 e não o valor indicado pela fiscalização de R$ 166.018,78. É insubsistente a glosa de R$ 6.653,34 a titulo de IRRF, havendo ainda uma diferença favorável ao contribuinte de R$ 125,46. 3) Que R$ 4.331,68 são rendimentos isentos de aposentadoria recebidos do estado do Rio Grande do Sul. 4) O fisco não comprovou o recebimento pelo contribuinte do valor de R$ 28.551,17, como supostamente tendo sido pago pelo Sindicato Comércio Atacadista de Gêneros Alimentícios de Porto Alegre. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 11080.100676/200831 Resolução nº 2401000.701 S2C4T1 Fl. 227 4 Diz que fiscalização não juntou aos autos cópia da DIRF referente ao SESC e que há cópia da DIRF do Sindicato Atacadista de Gêneros Alimentícios, que não se refere ao anocalendário de 2003. Diz não fazer ideia de que rendimento é esse recebido em 2003 do Sindicato Atacadista de Gêneros Alimentícios. É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. Da análise dos autos, vêse que o contribuinte declara em sua DAA originária, entregue em 19/4/04, os rendimentos discriminados no quadro 1. Quadro 1 Rendimentos declarados pelo contribuinte Quadro 1 Rendimentos declarados pelo contribuinte Nome fonte pagadora valor recebido cont. prev. IRRF SESC ADMINISTRACAO REGIONAL DO RS 449.069,32 0,00 153.337,86 SINDICATO COM ATAC GENEROS ALIMENTICIOS POA 28.551,17 2.123,13 1.218,15 GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL 4.381,90 1.536,94 0,00 INSS 5.855,58 0,00 0,00 SESC ADMINISTRACAO REGIONAL DO RS 64.779,85 0,00 12.680,92 Totais 552.637,82 3.660,07 167.236,93 Em seguida, o contribuinte envia declaração retificadora "zerando" os valores recebidos. Diz ser isento do IRPF por ser portador de moléstia grave, conforme laudo de fl. 18, que determina a isenção a partir de 02/2003. Notadamente, conforme documentos juntados aos autos, os valores recebidos do SESC/RS são decorrentes de complementação de aposentadoria (última linha do quadro 1) e recebidos devido a ação judicial referente a diferenças de complementação de aposentadoria (primeira linha do quadro 1). Não foram glosados os valores recebidos do INSS. O valor recebido do Governo do Estado do Rio Grande do Sul foi excluído pela DRJ e não houve recurso de ofício. O contribuinte alega desconhecer valores recebidos do Sindicato Comércio Atacadista de Gêneros Alimentícios de POA. Os documentos juntados às fls. 14, 15, 27 e 28 se referem ao anocalendário 2004. Para avaliar os valores recebidos pelo contribuinte a título de aposentadoria, complementação de aposentadoria e as diferenças de complementação de aposentadoria (devido à ação judicial) e também o imposto retido na fonte em 2003 é necessário que sejam juntadas aos autos as DIRFs relativas ao anocalendário 2003, das diversas fontes pagadoras Fl. 342DF CARF MF Processo nº 11080.100676/200831 Resolução nº 2401000.701 S2C4T1 Fl. 228 5 (indicadas no quadro 1), indicando mês a mês os valores recebidos, pois a isenção devido à moléstia grave iniciouse em fevereiro/2003, sendo os valores referentes a janeiro/2003 tributáveis. Cabe também refazer a tabela de fl. 12, considerando como tributáveis os rendimentos recebidos em janeiro/2003 e os que não são rendimentos de aposentadoria ou complementação de aposentadoria, diante do disposto na Lei 7.713/88, art. 6º, e Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), art. 39, inciso XXXIII, e §§ 4º a 6º. Sendo assim, voto em converter o julgamento em diligência, para que sejam juntadas as DIRFs de 2003 das diversas fontes pagadoras informadas pelo contribuinte, bem como sejam indicados os rendimentos recebidos em janeiro/2003 e os posteriores que não sejam de aposentadoria ou complementação de aposentadoria. Solicitase também que seja refeita a tabela de fl. 12. O sujeito passivo deverá ser intimado do resultado da diligência, devendo ser concedido a ele o prazo de trinta dias para manifestação. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 343DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14751.720202/2012-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
Verificadas uma série de contradições na decisão, cabe admitir embargos de declaração para o seu enfrentamento.
ERRO MATERIAL. EXTENSÃO. NULIDADE ACÓRDÃO.
Padecendo o acórdão embargado de vícios em extensão tal que inviabilizem sua serventia para a apreciação da lide, deve ser reconhecida sua nulidade e realizado novo julgamento.
Numero da decisão: 2202-004.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para fins de decretar a nulidade do Acórdão nº 2803-003.177, sendo que, após a ciência desta decisão aos interessados, deverá ser redistribuído o feito para novo julgamento do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Verificadas uma série de contradições na decisão, cabe admitir embargos de declaração para o seu enfrentamento. ERRO MATERIAL. EXTENSÃO. NULIDADE ACÓRDÃO. Padecendo o acórdão embargado de vícios em extensão tal que inviabilizem sua serventia para a apreciação da lide, deve ser reconhecida sua nulidade e realizado novo julgamento.
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Embargante DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM JOÃO PESSOAPB Interessado CHURRASCARIA CABO BRANCO LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Verificadas uma série de contradições na decisão, cabe admitir embargos de declaração para o seu enfrentamento. ERRO MATERIAL. EXTENSÃO. NULIDADE ACÓRDÃO. Padecendo o acórdão embargado de vícios em extensão tal que inviabilizem sua serventia para a apreciação da lide, deve ser reconhecida sua nulidade e realizado novo julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para fins de decretar a nulidade do Acórdão nº 2803003.177, sendo que, após a ciência desta decisão aos interessados, deverá ser redistribuído o feito para novo julgamento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 72 02 02 /2 01 2- 35 Fl. 613DF CARF MF 2 A 3ª Turma Especial da 2ª Seção exarou o Acórdão nº 2803003.177, em 20/03/2014 (fls. 569/580), no qual foi dado parcial provimento ao recurso voluntário, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 30/06/2011 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS. MULTA DE MORA. OBSERVÂNCIA DA NORMA MAIS BENÉFICA Constitui infração à legislação previdenciária a empresa apresentar GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas. A lei aplicase a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, art. 106 do CTN. Autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da vigência da MP n° 449/1996, vislumbrase a possibilidade de, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, reduzir a penalidade para adequála ao artigo 32A da Lei nº 8.212/91. A Delegacia da Receita Federal em João Pessoa/PB levantou (fls. 599/606) a existência de contradição na decisão, nos seguintes resumidos termos: 1. DA CONFUSÃO ENTRE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ... Na análise do mérito, observase que o Relator, não obstante tenha iniciado sua exposição às fls. 575 afirmando que “devese manter o crédito previdenciário em relação à diferença de alíquotas aplicadas na rubrica RAT”(descumprimento de obrigação principal), passa, em seguida, a se referir à “superveniência de legislação mais benéfica no que se refere à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. ... Analisando os artigos acima, percebese claramente que, em se tratando de Auto de Infração lavrado por falta de recolhimento de contribuições declaradas a menor, o único dispositivo aplicável na espécie para determinação da multa de ofício é o art. 35A da Lei nº 8.212/91 c/c art. 44 da Lei nº 9.430/96. Portanto se contradiz o Acórdão embargado ao analisar caso concreto de falta de recolhimento (descumprimento de obrigação principal) e vislumbrar possibilidade de aplicação de multa específica para descumprimento de obrigação acessória (art. 32A da Lei nº 8.212/91) ... 2. DO EQUÍVOCO QUANTO AO PERÍODO DE APURAÇÃO Fl. 614DF CARF MF Processo nº 14751.720202/201235 Acórdão n.º 2202004.761 S2C2T2 Fl. 614 3 Continuando sua análise às fls. 579, informa que “no que tange aos autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da MP n°449/1996 (sic), importa que seja feita a análise quanto à aplicação do artigo106, inciso II, alínea “c” do CTN”, segundo o qual a lei se aplica a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Em trecho da própria Ementa também se lê: “Autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da vigência da MP n° 449/1996(...)”. Destaquese, por oportuno, mais uma vez, que o Auto de Infração em questão foi lavrado em 2012 e se refere a fatos geradores de 2010,(...) Face ao alegado, os embargos de declaração foram admitidos com esteio no art. 65 do Anexo II do RICARF, via Despacho de fls. 609/611. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Realizada a ciência da decisão em 17/08/2016 (fl. 598), os embargos foram tempestivamente opostos em 18/08/2016 (fl. 607), devendo ser, destarte, conhecidos. Com razão a embargante, ao levantar os vícios que permeiam o acórdão questionado. De antemão, necessário destacar quais são os objetos dos autos de infração veiculados neste processo administrativo, resumidos na tabela abaixo (ver também autos de infração e no relatório fiscal às fls. 02/68), cabendo registrar que só restou controverso, dada o pedido de parcelamento quanto aos demais e impugnação parcial (fls. 499/507 c/c fls. 508/511), parte do AI nº 51.028.3721, objeto da decisão embargada: Verificase, de pronto, estarem bastante equivocadas as referências constantes na ementa ao período de apuração como sendo fatos geradores do ano de 2011, tendo em vista ser o ano de relevo o ano de 2010. Fosse somente isso, contudo, seria mero erro material perfeitamente superável com a respectiva correção. Fl. 615DF CARF MF 4 Todavia, em sua fundamentação, o voto condutor passa a tecer considerações acerca da retroatividade da multa benigna, afirmando que o lançamento foi realizado em período anterior à MP nº 449/08. Vale transcrever novamente tal passagem (fl. 578): 13. Quanto à cobrança de multa nesses lançamentos, realizados no período anterior à MP n° 449/2008, entendo que não há como aplicar o artigo 35A, pois poderia haver retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. Ora, o lançamento foi cientificado em 24/11/2012 (fl. 424), e não antes da edição da MP nº 449/08; ademais, abarca períodos de apuração de 2010, também posteriores ao advento daquele diploma, não havendo retroatividade benigna relativa às infrações a operar na espécie, mas sim mera aplicação da legislação então vigente. Não bastasse o conjunto de relevantes impropriedades já mencionadas, a argumentação veiculada foca, reiteradamente, seu esforço de convencimento em desenvolver razões sobre as normas que regem as multas por falta de entrega de GFIP e omissão de fatos geradores, vide, ilustrativamente, alguns trechos do julgado (fls. 576 e 578): 8. Nesse momento, passo a examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. (...) 12. Resumindo, é possível concluir que para a aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas as regras do artigo 32A, da Lei n° 8.212/1991, que regulam exaustivamente a matéria, sendo irrelevante a existência ou não pagamento/recolhimento e qual tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do crédito relativo ao tributo devido. Sem embargo, tratamse de obrigações acessórias completamente alheias ao caso em tela, no qual a obrigação acessória constatada como descumprida, e com relação à qual houve desistência do recurso, diz respeito à elaboração da folha de pagamento sem identificação das bases de cálculo das contribuições previdenciárias relativas aos empregados de férias ou demitidos, dentre outras falhas CFL30, de embasamento legal distinto. Além disso, a lide remanescente é atinente a obrigação principal, e não a obrigação acessória, conforme bem observado pela embargante. A apreensão distorcida da realidade na fundamentação do voto culminou em ementa, reproduzida no relatório deste em sua completude, na qual se assevera que: (..) Autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da vigência da MP n° 449/1996, vislumbrase a possibilidade de, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, reduzir a penalidade para adequála ao artigo 32A da Lei nº 8.212/91. Em suma, julgouse, ao invés de obrigação principal, obrigação acessória, distinta inclusive da única veiculada nos autos, e partindose do pressuposto de que os fatos geradores e o lançamento se deram em momentos distintos do tempo em que efetivamente ocorreram. Fl. 616DF CARF MF Processo nº 14751.720202/201235 Acórdão n.º 2202004.761 S2C2T2 Fl. 615 5 Não possuindo serventia para a solução da controvérsia posta neste processo administrativo, deve assim o acórdão embargado, eivado dos vícios supra destacados, ser anulado, para que outro seja proferido na boa e devida forma, em observância ao disposto nos arts. 59 a 61 do Decreto nº 70.235/72, c/c os arts. 53 e 54 da Lei nº 9.784/99. Nesse sentido, é recorrente a jurisprudência do CARF, vide Acórdãos nº 2202003.175 (j. 16/2/2016), nº 1103000.872 (j. 24/10/2013), nº 02.03.253 (j. 30/6/2008), e nº 10423.275 (j. 25/6/2008), valendo transcrever deste último a respectiva ementa: EMBARGOS INOMINADOS Confirmado o erro material no acórdão embargado, é de se acolher os embargos inominados que o apontaram. ACÓRDÃO ERRO MATERIAL NULIDADE O descompasso entre as matérias objeto do processo e aquelas relatadas e enfrentadas no relatório e no voto condutor do acórdão embargado é vicio que compromete de forma irremediável o acórdão, impondo a sua anulação, para que outro seja proferido na boa e devida forma. Sendo assim, voto no sentido de acolher os Embargos de Declaração, para fins de decretar a nulidade do Acórdão nº 2803003.177, sendo que, após a ciência desta decisão aos interessados, deverá ser redistribuído o feito para novo julgamento do recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 617DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.001936/2010-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES E RECOLHIMENTO DO TRIBUTO APÓS INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO.
O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação dos demais envolvidos nas infrações verificadas.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INTERPOSTAS PESSOAS. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
Alegações genéricas sobre a origem dos depósitos bancários desacompanhadas de provas não são suficientes para afastar o lançamento por presunção.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA. RECORRÊNCIA DA CONDUTA.
A movimentação recorrente de recursos próprios através de contas bancárias de terceiros e a ausência total de contabilização da receita correspondente seguida do conseqüente não oferecimento de tais valores à tributação demonstra por si só o efetivo dolo da contribuinte que justifica a aplicação da multa qualificada de 150%.
Numero da decisão: 1201-002.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES E RECOLHIMENTO DO TRIBUTO APÓS INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação dos demais envolvidos nas infrações verificadas. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INTERPOSTAS PESSOAS. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Alegações genéricas sobre a origem dos depósitos bancários desacompanhadas de provas não são suficientes para afastar o lançamento por presunção. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA. RECORRÊNCIA DA CONDUTA. A movimentação recorrente de recursos próprios através de contas bancárias de terceiros e a ausência total de contabilização da receita correspondente seguida do conseqüente não oferecimento de tais valores à tributação demonstra por si só o efetivo dolo da contribuinte que justifica a aplicação da multa qualificada de 150%.
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INOCORRÊNCIA. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES E RECOLHIMENTO DO TRIBUTO APÓS INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação dos demais envolvidos nas infrações verificadas. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INTERPOSTAS PESSOAS. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Alegações genéricas sobre a origem dos depósitos bancários desacompanhadas de provas não são suficientes para afastar o lançamento por presunção. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA. RECORRÊNCIA DA CONDUTA. A movimentação recorrente de recursos próprios através de contas bancárias de terceiros e a ausência total de contabilização da receita correspondente seguida do conseqüente não oferecimento de tais valores à tributação demonstra por si só o efetivo dolo da contribuinte que justifica a aplicação da multa qualificada de 150%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 19 36 /2 01 0- 56 Fl. 18832DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Relatório Contra o interessado, contribuinte do SIMPLES, foram lavrados autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica no valor total de R$ 29.034,87, PIS/Pasep no valor total de R$ 29.034,87, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido no valor total de R$ 50.456,52, Cofins no valor total de R$ 100.913,20, Imposto sobre Produtos Industrializados valor total de R$ 25.228,21 e Contribuição para a Seguridade Social INSS no valor total de R$ 188.814,80, em função de receitas operacionais movimentadas em contas bancárias em nomes de terceiros e suprimento de numerário efetuado por sócio, sem origem comprovada, conforme Relatório Fiscal de fls. 97/122; Foi emitida Representação Fiscal visando a exclusão da autuada do Simples, tendo sido editado os Atos Declaratórios Executivos DRF/JFA nº 045/2010 e 49/2010, excluindo a empresa da sistemática do Simples Federal e Simples Nacional, respectivamente; A empresa apresenta impugnação (fls. 292/308) na qual alega, em síntese, que: 1) preliminarmente pleiteamos a nulidade do presente auto de infração”, tendo em vista que “a empresa impugnante, antes de ser intimada , auditou sua escrita contábil e, encontrando algumas diferenças, tratou de fazer uso do que disposto no artigo 138 do CTN, retificando suas declarações de rendimento e efetuando os pagamentos complementares de imediato. Desta forma , o presente auto de infração resta esvaído de nulidades, haja vista que mencionado dispositivo beneficia o contribuinte no sentido de evitar que o mesmo seja sancionado, haja vista que o mesmo, espontaneamente, denunciou erros e omissões encontrados, tratando de regularizar a situação; 2) em relação á omissão de receitas decorrentes do empréstimo de sócios, mais uma vez o fisco errou terrivelmente. Isto por que, alem de entregarmos as planilhas demonstrativas inclusive com o n° dos lançamentos efetuados no diário relativo aos valores movimentados na referida conta, também tivemos o cuidado de demonstrar a origem dos recursos dos sócios devidamente contabilizados no livro diário. Fl. 18833DF CARF MF Processo nº 10640.001936/201056 Acórdão n.º 1201002.473 S1C2T1 Fl. 3 3 Deste feito, considerando que demonstramos os recibos de empréstimo, bem como os recibos de distribuição de lucros recebidos da empresa, efetivamente lançados no livro diário, nas datas específicas dos respectivos lançamentos, não cabe a o fisco utilizar da hipótese de presunção prevista no RIR, haja vista que esta somente permite ao fisco considerar como receita omitida os valores emprestados pelos sócios cuja origem não possa ser comprovada. Ora, a contabilidade demonstra claramente que os sócios haviam recebido distribuição de lucros e que tinham disponibilidade financeira quando dos respectivos empréstimos. A contabilidade demonstra também que os referidos empréstimos foram pagos em quase sua totalidade, tudo efetivamente lançado de acordo com a legislação pertinente e com os princípios contábeis geralmente aceitos”; 3) o fisco , ao determinar o referido valor considerado omisso não efetuou os seguintes procedimentos: a não considerou as entradas de valores provenientes de notas fiscais efetivamente emitidas e informadas não somente na planilha, como nos livros fiscais estaduais, na contabilidade e , inclusive , na declaração de imposto de renda original, haja vista que os valores detectados pela empresa não entraram nesta conta corrente. b embora devidamente informado na planilha, não foi excluído da mesma os valores decorrentes dos cheques depositados e devolvidos duas vezes. Cumpre salientar que a empresa recebia de seus clientes com cheques, na maioria das vezes, de terceiros. Então, dava baixa nos clientes, conforme escrituração contábil quando do recebimento destes cheques e efetuava o deposito no banco. Quando estes cheques eram devolvidos, ao invés da empresa voltar novamente com o cheque devolvido para o cliente inadimplente, foi criado pela contabilidade uma conta em que todos estes cheques eram lançados, Tais cheques referiamse a clientes que pagaram e tiveram o cheque devolvido por duas vezes. Após o recebimento destes clientes, quando isto acontecia , a empresa dava baixa nos referidos cheques, devolvidos a tais clientes, e depositava os valores recebidos ora em dinheiro , ora em cheque na conta corrente. Desta forma , ao tributar estes valores mais uma vez a fiscalização fere o principio do "no bis in idem". “Isto por que os cheques recebidos , conforme pode ser observado nos lançamentos contábeis decorrem de notas fiscais devidamente lançadas cujo imposto foi previamente pago; 4) vários valores depositados nas contas, conforme o próprio fisco pode averiguar, tratamse de receitas decorrentes das outras empresas da família. Desta forma também as receitas das outras empresas deveriam ser excluídas do levantamento fiscal, haja vista que tais receitas já estão sendo tributadas na empresa cedente; 5) expedir ato declaratório de exclusão e, neste, garantir defesa, é o mesmo que consubstanciála ineficiente para os fins legais, afrontando o § 3º, do artigo 15, da Lei 9.317/96 c/c o Decreto 70.235/72 e a Lei 9.784/99. Não fosse o bastante, os ADE's ora combatidos consignam, ainda, que os efeitos da exclusão devem ser retroagidos à data do ano calendário de 2006. Tratase de uma ilegalidade que merece ser reparada”; 6) desta forma são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados neste manifesto de inconformidade: Fl. 18834DF CARF MF 4 a) A empresa teve cerceado seu direito de defesa na medida em que não lhe foi oferecido quaisquer documentos que lhe informassem que auferiu receita superior ao legalmente estabelecido para estar incursa no SIMPLES, de forma que os únicos elementos de que dispõe para realizar o presente manifesto de inconformidade ratificam sua posição de que combatidos; b) A Impugnante não pode ser excluída do Simples, haja vista não estar incursa em nenhuma das situações excludentes elencadas pela legislação pertinente. c) A impugnante solicita que sejam anulados e/ou retificados os ADE's ora combatidos.considerando todo o explanado no presente manifesto de inconformidade. d) A impugnante pretende provar o alegado por meio de provas documentais, testemunhais ou periciais solicitando .portanto, neste ato, estas possibilidades. e) a impugnante solicita a inteira desconsideração do auto de infração em epigrafe sendo anulados, portanto, quaisquer sanções civis, criminais ou pecuniárias, moratórias, juros, correções, complemento de impostos, dentre outros. f) A impugnante requer que seja desconsiderado o arbitramento do lucro, haja vista que possuía o livro diário devidamente escriturado com todas as informações necessária à apuração do lucro, caso, de fato, houvesse omitido quaisquer valores. Ademais quem escolhe a tributação que melhor lhe cabe é o próprio contribuinte não cabendo ao fisco tal escolha, haja vista que a empresa tinha os documentos necessários para que sua receita fosse apurada.Ademais era impossível ter efetuado o pagamento da primeira quota do imposto como lucro presumido ,por exemplo , haja vista que a empresa era optante pelo simples e somente ficou sabendo do valor da suposta receita omitida quando do recebimento pela procuradora do auto de infração ora combatido, tendo completamente ferido seus direitos de ampla defesa e contraditório. g) Requer ainda a juntada de documentos e complementos desta petição, vez que , em virtude de motivos de força maior, não teve prazo razoável para juntar os documentos pertinentes que justificassem todo o explanado neste documento. h)solicita que seja realizada pericia contábil a fim de verificar que não houve omissão de receitas no que diz respeito á conta das pessoas físicas supracitadas, constatando através da referida perícia que toda a movimentação financeira foi efetivamente lançada alem de averiguar a questão dos depósitos dos cheques devolvidos, notas iscais de exercícios anteriores, bem como todos os outros itens passíveis de fazer com que tal imputação completamente injusta seja desconsiderada. i) Nomeia , desde já , como assistente técnico do perito, a Sra Adriana de Fátima Moreira , bacharel em ciências contábeis , CRCMG 56.680”; 7) “que seja desconsiderada quaisquer majorações de multa vez que não configurada pela fiscalização o intuito de dolo ou fraude praticado pela empresa”; Decisão DRJ Em decisão de 29/06/11, a 2° Turma da DRJ/JFA manteve integralmente o lançamento fiscal, conforme ementa abaixo: Fl. 18835DF CARF MF Processo nº 10640.001936/201056 Acórdão n.º 1201002.473 S1C2T1 Fl. 4 5 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores, independentemente de intimação dos demais envolvidos nas infrações verificadas. OMISSÃO DE RECEITA. Comprovado que a empresa usou contas bancárias de interpostas pessoas para recebimento de receitas que não transitaram pela sua contabilidade e nem foram oferecidas à tributação, esses valores serão considerados como omissão de receita. O suprimento de numerário efetuado por sócio, caracteriza omissão de receita por presunção legal do tipo juris tantum. Cabe, portanto, ao contribuinte apresentar a prova da origem e da efetiva entrega dos valores. MULTA QUALIFICADA. A infração à legislação tributária praticada com evidente intuito de fraude impõe a aplicação de multa de ofício qualificada. Recurso Voluntário Irresignada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário por meio do qual ratifica seus argumentos de Impugnação. É o breve relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário apresentado é tempestivo e preenche os demais requisitos legais, assim, merece ser apreciado. Fl. 18836DF CARF MF 6 Preliminar Alega a ora Recorrente em matéria preliminar a nulidade do lançamento fiscal, vez que aplicável ao caso o disposto no artigo 138 do CTN, isso porque, a Recorrente teria retificado suas declarações fiscais, bem como efetuado os respectivos recolhimentos complementares antes de sua intimação pela fiscalização. Concordo com o racional jurídico adotado pela Recorrente mas discordo da aplicação ao caso em tela. Isso porque, conforme será explicitado mais adiante, devemos analisar o encadeamento dos eventos que culminaram no auto de infração de uma forma conjunta, como um filme e não como fotos estáticas e isoladas entre si. Explico. O procedimento fiscal na Recorrente originouse em apuração de indícios de irregularidades cometidas por ela, no decorrer da fiscalização realizada nas pessoas físicas Elcimar de Araújo Egydio – CPF nº 998.070.84687 e Áurea Luiza Lopes de Freitas Jorge – CPF nº 038.143.98602, quando foi constatado que grande parte das receitas da empresa eram depositadas diretamente em contas correntes dessas pessoas, sem a devida contabilização. Neste ponto, acertada a menção na decisão da DRJ do disposto no § 1º do artigo 7º do PAF (Decreto 70.235/72), pois, trata da questão da espontaneidade, estabelecendo que “o início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação dos demais envolvidos nas infrações verificadas”. É exatamente o que trata o presente caso. As pessoas físicas Elcimar de Araújo Egydio e Áurea Luiza Lopes de Freitas Jorge foram cientificados do procedimento fiscal efetuado contra eles em 24/03/08. Nesse procedimento foram identificadas infrações envolvendo a ora Recorrente, que constituem objeto tanto do presente processo quanto do processo nº 10640.001935/201010. Não me parecer haver qualquer sombra de dúvida que o envolvimento da ora Recorrente nas infrações apuradas pela fiscalização perpetrada em relação às pessoas físicas Elcimar de Araújo Egydio e Áurea Luiza Lopes de Freitas Jorge, implica na aplicação do citado art. 7°, § 1º do PAF, o que significa a perda de espontaneidade a partir de 24/03/08 que foi a data de ciência do início da ação fiscal nas pessoas físicas. No presente caso, temos que a declaração retificadora entregue após o início da ação fiscal não produz qualquer efeito e o mesmo se aplica aos pagamentos efetuados, não havendo que se falar em espontaneidade. Neste sentido, trago recente julgado deste Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 Fl. 18837DF CARF MF Processo nº 10640.001936/201056 Acórdão n.º 1201002.473 S1C2T1 Fl. 5 7 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DE ALUGUÉIS. DIMOB. DECLARAÇÃO APRESENTADA APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A declaração do cônjuge somente foi transmitida após o início da ação fiscal, e quando já existia inclusive decisão proferida pela Delegacia de Julgamento. Não há que se falar em espontaneidade para efetuar retificação da declaração (art. 138 do CTN). O art. 7º, § 1º do Decreto 70.235 estabelece que o início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. (Acórdão 2401005.499 09/05/18 1° Turma 4°Câmara 1°Seção) Assim, afasto a preliminar suscitada. Mérito O lançamento fiscal referese à receita omitida apurada por presunção em razão de movimentação bancária em nome de interpostas pessoas, bem como, suprimento de caixa efetuado por sócio, sem comprovação de origem. A fiscalização efetuada nas pessoas físicas Elcimar de Araújo Egydio e Áurea Luiza Lopes de Freitas Jorge, identificou que parte do caixa movimentado em suas contas bancárias pertenciam na verdade a um grupo de empresas, entre elas a ora Recorrente. Cabe aqui ressaltar que da leitura dos autos é fácil concluir que a própria Recorrente aceita a constatação acima mencionada, vez que toda discordância referese somente aos valores lançados em função da apuração dessas receitas. Tendo sido identificado que as contas bancárias das pessoas físicas acima eram usadas pela Recorrente, a fiscalização elaborou relação na qual apresenta de forma discriminada os depósitos e os créditos efetuados em cada conta bancária e intimou o respectivo titular a apresentar comprovação da origem dos valores. Em resposta às intimações foram apresentadas planilhas nas quais constam a qual empresa pertence o valor depositado/creditado e indica a(s) notas(s) fiscal(ais) do qual ele se origina. Em alguns casos, informa que o valor se refere a empréstimo recebido de outra empresa (fls. 909/1016). Com base nessas planilhas a Fiscalização elaborou demonstrativo denominado “ORIGEM DOS CRÉDITOS” (fls. 125/166), no qual, depois dos devidos ajustes e exclusões, relacionam os valores que se referem à ora Recorrente. Fl. 18838DF CARF MF 8 Como esses valores, recebidos pela empresa através de contas bancárias de interpostas pessoas, não transitaram por contabilidade e nem, tampouco, foram oferecidos à tributação, foram considerados receita omitida pela Recorrente. A Recorrente alega erro da fiscalização ao não excluir da base tributada, os valores referentes a cheques depositados e devolvidos duas vezes e também valores relativos a empréstimos disponibilizados por outras empresas da família. Não concordo com a Recorrente. Neste ponto, a Recorrente traz apenas alegações genéricas desacompanhadas de evidências e documentos que demonstrem os cheques considerados em duplicidade ou empréstimos tratados como receita omitida. Isso porque, resta claro no demonstrativo “ORIGEM DOS CRÉDITOS”, que a fiscalização considerou apenas os depósitos de cheques liberados, ou seja, aqueles já compensados pelas instituições financeiras. Tratase de questão de fato, devidamente demonstrado nos autos. No tocante aos empréstimos, o TVF afirma que tais valores foram considerados para a empresa que concedeu o empréstimo que é a titular do recurso e isso é evidenciado nos demonstrativos preparados. Assim, me parece demonstrado que os empréstimos tomados pela Recorrente não foram computados no total da receita omitida. A impugnante alega ainda que o fisco não considerou as entradas de valores provenientes de notas fiscais efetivamente emitidas, escrituradas nos livros fiscais e contábeis. Mais uma vez, trouxe a Recorrente apenas alegações, contudo, não demonstrou o respectivo cotejo entre tais valores contabilizados e os montantes movimentadas em contas bancárias de terceiros, assim, não enxergo elementos suficientes que possam justificar a conclusão de que os valores declarados pela Recorrente são exatamente aqueles identificados na movimentação de contas bancárias de titularidade alheia. Desta sorte, acertada a conclusão de que a movimentação financeira efetuada nas contas de terceiros representa a receita omitida. Quanto ao suprimento de numerário efetuado por sócio, sem origem comprovada, temos que o lançamento decorre de presunção legal prevista no art. 282 do RIR/99. Em relação a este tópico, invoco a Súmula CARF n. 95: Súmula CARF 95 A presunção de omissão de receitas caracterizada pelo fornecimento de recursos de caixa à sociedade por administradores, sócios de sociedades de pessoas, ou pelo administrador da companhia, somente é elidida com a demonstração cumulativa da origem e da efetividade da entrega dos recursos. Não entendo presente nos autos a necessária comprovação pela Recorrente, com documentos hábeis e idôneos, tanto da origem, quanto da efetiva entrega pelo sócio do numerário suprido à pessoa jurídica. Assim, não é possível afastar o lançamento fiscal. Fl. 18839DF CARF MF Processo nº 10640.001936/201056 Acórdão n.º 1201002.473 S1C2T1 Fl. 6 9 Multa Qualificada Com relação à aplicação da multa qualificada, tenho que plenamente justificada nos autos. A movimentação de recursos próprios através de contas bancárias de terceiros e a ausência total de contabilização da receita correspondente seguida do conseqüente não oferecimento de tais valores à tributação demonstra por si só o efetivo dolo da Recorrente na busca de evitar ou reduzir tributação, preenchendo assim, os requisitos previstos em lei para aplicação da multa qualificada, que deve ser mantida. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para AFASTAR a PRELIMINAR SUSCITADA e no MÉRITO NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 18840DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.720185/2014-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF nº 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A nulidade do lançamento somente se configura na ocorrência das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972.
DECADÊNCIA. NÃO CONFIGURAÇÃO.
Quando o contribuinte não houver efetuado qualquer pagamento prévio, o prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário começa a contar do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
GUARDA DE DOCUMENTOS.
O contribuinte é obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, toda a documentação que embasou o preenchimento de sua declaração de rendimentos.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.
O Mandado de Procedimento Fiscal, sob a égide da Portaria que o criou, é instrumento de controle administrativo sobre as atividades fiscais tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo.
GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. APURAÇÃO.
Estão sujeitas à apuração de ganho de capital as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4.
Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto ò Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Aplicação da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário
Numero da decisão: 2202-004.669
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto. A declaração de voto do conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto foi encaminhada por e-mail institucional ao Conselheiro Relator, no entanto diante da renúncia de mandato do Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto antes do acórdão estar formalizado, a declaração de voto é juntada ao acórdão sem a sua assinatura digital.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A nulidade do lançamento somente se configura na ocorrência das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972. DECADÊNCIA. NÃO CONFIGURAÇÃO. Quando o contribuinte não houver efetuado qualquer pagamento prévio, o prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário começa a contar do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. GUARDA DE DOCUMENTOS. O contribuinte é obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, toda a documentação que embasou o preenchimento de sua declaração de rendimentos. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal, sob a égide da Portaria que o criou, é instrumento de controle administrativo sobre as atividades fiscais tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. APURAÇÃO. Estão sujeitas à apuração de ganho de capital as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto ò Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Aplicação da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário
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SÚMULA CARF nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A nulidade do lançamento somente se configura na ocorrência das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972. DECADÊNCIA. NÃO CONFIGURAÇÃO. Quando o contribuinte não houver efetuado qualquer pagamento prévio, o prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário começa a contar do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. GUARDA DE DOCUMENTOS. O contribuinte é obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, toda a documentação que embasou o preenchimento de sua declaração de rendimentos. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal, sob a égide da Portaria que o criou, é instrumento de controle administrativo sobre as atividades fiscais tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. APURAÇÃO. Estão sujeitas à apuração de ganho de capital as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 01 85 /2 01 4- 92 Fl. 226DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 227 2 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto ò Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Aplicação da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto. A declaração de voto do conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto foi encaminhada por email institucional ao Conselheiro Relator, no entanto diante da renúncia de mandato do Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto antes do acórdão estar formalizado, a declaração de voto é juntada ao acórdão sem a sua assinatura digital. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 11516.720185/201492, em face do acórdão nº 0955.383, julgado pela 4ª Turma da Delegacia Fl. 227DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 228 3 Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA), em sessão realizada em 07 de novembro de 2014, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: "Trata o presente processo do Auto de Infração de fls.138/142, lavrado pela DRF/Florianópolis/SC em 07/02/2014, contra o contribuinte retro identificado, que resultou na cobrança do crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, referente ao exercício financeiro de 2010, no montante de R$ 452.756,76, sendo R$ 207.344,18 de imposto de renda, R$ 155.508,14 de multa proporcional (passível de redução), e R$ 89.904,44 de juros de mora calculados até fevereiro de 2014. O lançamento efetuado decorreu da apuração, pela autoridade fiscal, de “omissão de ganhos de capital auferidos na alienação de bens ou direitos adquiridos em reais”, no mês de abril do anocalendário de 2009, no valor tributável de R$ 1.382.294,51, tudo conforme expresso no item “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” de fls.139 – parte integrante do Auto de Infração ora contestado – e Termo de Verificação Fiscal de fls.131/136. Protocolizouse ainda o processo administrativo 11516.720186/201437, também em nome do autuado, o qual trata da Representação Fiscal para Fins Penais visto que a autoridade lançadora entendeu ter ficado demonstrada, em tese, para os mencionados pagamentos, a ocorrência de fatos que configuram crime contra a Ordem Tributária, consoante definido pelos artigos 1º e 2º da Lei nº 8.137/90. Em sua peça impugnatória de fls.150/170, o contribuinte, por meio de seu procurador nomeado pelo instrumento de fls.171, contesta o lançamento efetuado, argumentando, em apertada síntese, que: Dos Fatos: 1) O Auto de Infração foi lavrado em seu desfavor em razão da autoridade fiscal ter entendido que ocorreu Ganho de Capital na “operação imobiliária realizada com a Cia Cimento Itambé, no ano de 2008, a qual teve como objeto de pagamento imóvel de sua propriedade localizado em Capão da Barra, no Município de Garopaba/SC”; 2) “Em 2009 o impugnante obteve oferta da Cia Cimento Itambé para adquirir terreno com área de 17.832 m2, situado no Bairro Praia Comprida, no Município de São José/SC, e, depois de diversas tratativas, respectivo negócio foi ajustado e ao final convencionado o valor justo e acertado de R$ 4.112.000,00, conforme Escritura Pública de Compra e Venda”, 3) “Dentre as formas de pagamento discriminadas na mencionada escritura pública, foi dado como forma de pagamento, a título de dação em pagamento, o imóvel alvo da fiscalização em análise”, avaliado em R$ 1.700.000,00; Da Decadência da Constituição do Crédito Tributário: 4) A teor do disposto no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, “considerando que realizada no ano de 2008 e supondo incidência de ganho de capital, o Fl. 228DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 229 4 termo inicial para contagem do prazo decadencial deuse em 01.01.2009, contandose 05 (cinco) anos para o lançamento do tributo, forçoso reconhecer que o lançamento encontrase abarcado pela decadência pois findo o prazo para constituição da obrigação em 01.01.2014”; Da Prescrição Quanto à Guarda de Documentos: 5) Considerando o lapso temporal existente entre a edificação e a solicitação de documentos pelo Fisco, “o termo inicial da obra ocorreu em 03/04/2003 e sua conclusão em 01/04/2004, mesmo que se considere como início do prazo prescricional a conclusão da obra, verificase incidente o referido instituto” visto que “instado o contribuinte a prestar esclarecimentos apenas em 23/07/2013, evidente o alcance da prescrição na guarda dos documentos comprovadores dos custos com a edificação”; Da Extrapolação do Prazo Fiscalizatório: 6) O início da ação fiscal se deu em 23/07/2013, segundo Termo de Verificação Fiscal, enquanto que sua finalização ocorreu apenas em 23/01/2014, conforme Termo de Encerramento de Fiscalização, ou seja, “extrapolado a limitação legal porque manteve o contribuinte sob fiscalização por prazo superior há seis meses, isto porque, anterior ao Mandado de Procedimento Fiscal, já estava sendo alvo de fiscalização pelo Fisco”; 7) Considerando que “o prazo para procedimento fiscalizatório não poderia ultrapassar o limite legal, deveria ter sua conclusão em prazo não superior a sessenta dias (Decreto nº 22.586/1984, art.117)”; Da Não Concretização do Fato Gerador : 8) O impugnante adquiriu no ano de 2002 terreno urbano de 1.606,50 m2, sem quaisquer edificações. Em 03/04/2003 a Municipalidade expediu Alvará de Licença para construção de uma edificação de alvenaria para fins residenciais multifamiliar transitória (pousada). Mencionada obra teve sua conclusão em 01/04/2004 e o “Habitese” foi expedido apenas em 12/03/2008, “momento em que a construção deixou de estar em situação irregular e, portanto, passou a agregar valor ao terreno”; 9) Tão logo obteve o “Habitese”, informou a construção e seu valor econômico em sua Declaração de Bens, anexa a DIRPF; 10) A dificuldade em prestar ao Fisco as informações relativas as benfeitorias realizadas se deve ao lapso temporal ora transcrito; 11) “Haverá possibilidade de acréscimo patrimonial se evidenciado disponibilidade de riqueza a ser utilizada pelo contribuinte, entendendose, assim, a manutenção patrimonial existente mais o lucro com a transação efetivada. Por certo, não ser esta a situação em concreto, haja vista que a transação realizada entre o impugnante e a Cia de Cimento Itambé não trouxe acréscimo patrimonial ao contribuinte, apenas manteve situação fática préexistente”; 12) Na mencionada transação comercial, “restou dado na forma de dação em pagamento o imóvel objeto de fiscalização, mais uma vez caracterizando ausência de ganho de capital”; 13) Do Princípio de Vedação de Confisco às Multas Fiscais; 14) “Multas Fiscais de valor exorbitante podem caracterizar uma maneira indireta de burlar a Carta Magna, que proíbe o confisco”; 15) “A multa de 75% sobre o valor do tributo, aplicada ao contribuinte sob a hipótese de ganho de capital, é abusiva, desarrazoada, desproporcional e confiscatória”; 16) “Diante do princípio da vedação ao Fl. 229DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 230 5 confisco, somado aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, caso entendase pela manutenção do lançamento impugnado, requerse a diminuição da multa moratória”; Da Taxa SELIC: 17) “Embora a SELIC tenha sido materializada, através de lei ordinária, como juros moratórios que devem incidir sobre débitos tributários e previdenciários, esta não possui tal natureza por traduzir fenômeno monetário de pagamento pelo uso de dinheiro, com caráter nitidamente remuneratório” e “não pode o Fisco exigir pagamento de juros de mora calculado por taxas de juros com caráter remuneratório, sob pena de ofensa ao conceito jurídico e econômico de juros moratórios, ferindo o artigo 161 e seu parágrafo 1º do CTN”; 18) “Determinando a lei que deve ser aplicada a Taxa SELIC em matéria tributária, e cabendo a fixação dessa taxa ao Banco Central do Brasil, que tem competência financeira, mas não tributária, há uma inconstitucional delegação de competência tributária, sem mencionar a ofensa, no caso, à segurança nas relações jurídico tributárias”. Para corroborar seus argumentos, o interessado, em sua defesa, transcreve ementas de Acórdãos emanados do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, do Superior Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, bem como textos da lavra dos juristas Vittório Cassone, Sacha Calmon Navarro Coelho, Luiz Roberto Barroso, Hugo de Brito Machado, Pero Roberto Decomain e Ives Gandra da Silva Martins. A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendose, assim, a integralidade do crédito tributário. O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 197/223, reiterando, as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator I – Preliminares. Alegações de inconstitucionalidade. Quanto a alegação da recorrente contrariedade a Constituição e a princípios constitucionais, deixo de analisálo pois este Conselho não possui competência para ser pronunciar a respeito, nos termos da Súmula CARF nº 02: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.". Nulidade do lançamento. No tocante a alegação de nulidade do lançamento, cumpre destacar o artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, balizador do Processo Administrativo Fiscal, a seguir transcrito: Fl. 230DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 231 6 Art. 59 – São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Pela leitura do inciso I do dispositivo acima transcrito, depreendese que basta que os atos e termos processuais tenham sido lavrados por pessoa competente para que sejam considerados válidos, esclarecendose que esses atos e termos são os chamados, no processo civil, despachos de mero expediente, sem qualquer carga decisória. Notese quanto às decisões – e a lei não faz qualquer distinção e, portanto, estáse tratando aqui, também, das decisões interlocutórias – são tratadas no inciso seguinte. Delas é exigido, para que sejam tidas como eficazes, terem sido proferidas por autoridade competente e sem preterição no direito de defesa do requerente. Examinando o presente processo, observo que o Termo de Intimação Fiscal de fl. 23, o Termo de Início de Diligência de fl. 51, o Termo de Início de Ação Fiscal de fls. 70/71 e o Termo de Intimação Fiscal de fls. 103/104, bem como o Auto de Infração de fls. 138/142, estão embasados na legislação tributária pertinente, citada expressamente nos mencionados documentos, os quais foram expedidos por pessoa e autoridade competentes para assim proceder; que o contribuinte foi devidamente intimado e cientificado, resguardandolhe os prazos legais para apresentar os esclarecimentos solicitados pelo Fisco e a impugnação apresentada; que o processo se encontra instruído com todas as peças indispensáveis, cujos requisitos correspondem à perfeita descrição exigida pelo artigo 11 do Decreto nº 70.235/1972 alterado pela Lei nº 8.748/1993. Assim sendo, a autoridade lançadora agiu com estrita observância das normas legais que regem a matéria em questão, não tendo como se enquadrar o lançamento em tela nas disposições contidas no precitado artigo. Observase, ainda, que o contribuinte, ao expor seus argumentos na impugnação, às fls. 150/170, assim como em recurso voluntário, às fls. 197/223, demonstra pleno conhecimento da infração que lhe foi imputada. Nessas circunstâncias, esvaise qualquer argumentação do autuado no sentido de questionar a validade do presente lançamento. Decadência. Consoante relatado, o contribuinte argui ter ocorrida a decadência para o lançamento em tela, argumentando que, a teor do disposto no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, “considerando que realizada no ano de 2008 e supondo incidência de ganho de capital, o termo inicial para contagem do prazo decadencial deuse em 01.01.2009, contandose 05 (cinco) anos para o lançamento do tributo, forçoso reconhecer que o lançamento encontrase abarcado pela decadência pois findo o prazo para constituição da obrigação em 01.01.2014”. O autuado efetuou a alienação do “terreno urbano de 1.606,50 m2, sito em Capão da Barra, Município de Garopaba/SC, com edificação em alvenaria, abrangendo área de 1.271,81m²” à empresa Cia de Cimento Itambé, CNPJ 76.630.573/000160, em 28/11/2008, mediante “dação em pagamento” em operação imobiliária realizada com a mencionada pessoa jurídica, nesta mesma data, para a compra de um terreno situado no Município de São José/SC, conforme expresso na Escritura Pública de Compra e Venda e Outras Avenças anexada às Fl. 231DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 232 7 fls.25/32 e na Escritura Pública de Dação em Pagamento Parcial Garantia Hipotecária e Outras Avenças anexada às fls.37/47. Equivocouse o contribuinte em sua argumentação. A constituição do crédito tributário pelo lançamento é atividade administrativa privativa, vinculada e obrigatória, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, não admitindo delegação de competência ao sujeito passivo ou a terceiro. No lançamento por homologação, a legislação do tributo remete ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento do tributo porventura devido e cumprir deveres instrumentais e formais, dando conhecimento de tais fatos à autoridade administrativa. No entanto, esta atividade exercida pelo contribuinte (pagamento antecipado e cumprimento dos deveres instrumentais e formais) não se confunde com lançamento, que só ocorrerá no momento em que a autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, a homologue. Portanto, é precisamente no momento da homologação que a atividade do contribuinte se converterá em lançamento. Contudo, necessariamente há que haver a antecipação do pagamento do tributo devido, pois o que se homologa é o pagamento. No caso de não haver o pagamento, não há o que se homologar. Então, haverá a necessidade de a autoridade administrativa substituir o lançamento por homologação pelo lançamento de ofício, no tocante ao tributo que não foi pago. O Código Tributário Nacional trata da decadência em dois artigos principais: o artigo 173, inciso I, que estabelece a regra geral; e o artigo 150, § 4°, em casos de lançamento por homologação. Para melhor elucidar a matéria, transcrevese, a seguir, os mencionados dispositivos: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado Fl. 232DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 233 8 da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Assim, não havendo recolhimento antecipado não se pode falar em lançamento por homologação e o termo inicial da contagem do prazo decadencial se dá conforme artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, acima transcrito. Por oportuno, transcrevo trecho do voto da DRJ de origem que bem apreciou a matéria em questão: “O pagamento do imposto de renda devido, na hipótese de Ganho de Capital relativo à uma operação imobiliária realizada à vista, sujeito à tributação exclusiva à alíquota de 15% (quinze por cento), deve ser efetuado até o ultimo dia útil do mês subsequente àquele em que os rendimentos forem percebidos, a teor do disposto no artigo 852 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) vigente. Considerando que a operação imobiliária em comento ocorreu em 28/11/2008, o imposto de renda incidente sobre o Ganho de Capital correspondente, deveria ter sido recolhido aos cofres públicos pelo contribuinte até o dia 30/12/2008. Não o tendo feito, o exercício em que o lançamento de ofício poderia ter sido efetuado iniciouse em janeiro de 2009 e encerrouse em dezembro desse mesmo ano. Portanto, “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado” é 01/01/2010, tendo o prazo decadencial de 05 (cinco) anos expirado somente em 31/12/2014. Como a ciência do Auto de infração em tela se deu em 27/02/2014, constatase que o lançamento ocorreu dentro do prazo qüinqüenal, não havendo que se falar, portanto, em decadência.” Diante disto, rejeitase a alegação de decadência suscitada. Da Prescrição Quanto à Guarda de Documentos. Argumenta o contribuinte que a considerar o lapso temporal transcorrido entre a edificação realizada no terreno – “o termo inicial ocorreu em 03/04/2003 e sua conclusão em 01/04/2004” – e a exigência do Fisco para que prestasse esclarecimentos acerca dos comprovantes da obra e suas benfeitorias somente em 23/07/2013, “torna evidente o alcance da prescrição na guarda dos documentos comprovadores dos custos com a edificação”, ou seja, já transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos previsto na legislação tributária vigente. Não assiste razão ao contribuinte. Na Declaração de Bens e Direitos, parte integrante de sua Declaração de Ajuste Anual IRPF/2009, cópia anexada às fls.10/16, o contribuinte aponta “Terreno urbano de 1.606,50 M2, sito em Capão da Barra, Município de GaropabaSC, adquirido em 01/08/2002 de Marcos Toledo dos Santos, com construção em Fl. 233DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 234 9 2008”, informando os valores de R$ 40.000,00 (situação 31/12/2007) e R$ 1.896.500,00 (situação 31/12/2008). Por pertinente, transcrevese trechos do Termo de Verificação Fiscal de fls.131/136: “Com base nestas informações, no Termo de Início de Diligência (fls. 51) foi solicitado ao contribuinte que apresentasse os comprovantes dos gastos com benfeitorias que justificassem a alteração do valor do imóvel na Declaração de Bens. No item 3.2 de sua resposta, o contribuinte informou que: “[...] após a obtenção do HABITESE em 2008 c/c pagamento da referida Guia GPS/INSS, foi na oportunidade de imediato feito o lançamento da edificação junto ao IRPF do Requerente PAULO HENRIQUE MATTOS (exercício 2009 anocalendário 2008). Desta forma, o antigo terreno urbano de 1.606,50m2, situado em Capão da Barra, no Município de Garopaba SC, passou de um valor de bem declarado condizente com a efetiva regularização do imóvel concluída em 2008. Ou seja, o valor do imóvel passou a contemplar a edificação em alvenaria de uma área total de 1.271,81m2, o que justifica sua declaração no IRPF (exercício 2009 anocalendário 2008), em R$ 1.896.560,00 pois reproduz o preço de mercado correspondente ao terreno c/c a edificação acima referida. Logo, o preço total do imóvel lançado/declarado se justifica pelo valor de mercado que o bem passou a corresponder após a regular edificação”. (grifouse) Assim, acertadamente salientou a DRJ de origem ao dizer que não há previsão legal que permita ao contribuinte registrar em sua Declaração de Bens o preço total do imóvel pelo valor que o bem passou a corresponder após a construção (valor de mercado). Ocorre que o valor a ser incluído na declaração é, necessariamente, o valor de aquisição do imóvel (terreno) acrescido das benfeitorias comprovadas com documentação hábil e idônea (construção). Portanto, o valor de R$ 1.896.560,00, incluído em sua declaração, está totalmente equivocado. Vejamos trecho do acórdão da DRJ ora recorrido: “Os documentos apresentados pelo contribuinte atestam que houve uma construção no mencionado terreno. O contribuinte averbou a construção por R$ 243.815,00 (fls. 50). Entretanto, vale lembrar que para averbar uma construção e seu respectivo valor não é necessário comprovar os gastos junto ao Cartório de Registro de Imóveis, bastando que a pessoa informe verbalmente quanto gastou. Portanto, o simples fato de estar averbado um determinado valor não serve como comprovação dos gastos. Não foram apresentados comprovantes do custo da construção, exceto o pagamento da contribuição previdenciária relativa à obra, R$ 62.330,81 (fls. 65) e a ART da execução do projeto, R$ 21,00 (fls. 61). Assim, o valor efetivamente Fl. 234DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 235 10 comprovado pelo contribuinte como determina a legislação se restringe a R$ 62.351,81. Ainda em sua resposta, no item 3J3, o contribuinte informou que: "[...] as benfeitorias no imóvel iniciaram em 2003 (data do alvará) e foram concluídas em 2004 (conforme termos do Habite se expedido só em 2008), por isso, inviável apresentar de forma individual todas notasfiscais, uma vez que já foram decorridos praticamente 10 anos do início da obra/edificação” Em relação a estes argumentos do contribuinte é preciso esclarecer que a legislação tributária estabelece que, para fins de apuração de Ganho de Capital, podem integrar o custo de aquisição do imóvel, desde que comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na declaração de bens, os dispêndios com construções, ampliações, reformas e pequenas obras. O contribuinte não apresentou comprovação dos gastos com a construção (exceto com o pagamento da contribuição previdenciária e da ART do projeto) e não incluiu benfeitorias no imóvel em suas Declaração de Ajuste Anual relativas aos anos de 2003 (fls. 03) e Cabe ainda salientar que em suas Declarações de Ajuste Anual dos exercícios 2004 e 2005, anos calendário 2003 e 2004, anos em que o contribuinte afirma ter construído no imóvel, ele declarou um total de rendimentos de R$ 41.172,34 e R$ 15.820,00 (fls. 02 e 09, respectivamente), valores incompatíveis com os gastos com a construção por ele informados ”. Nada trouxe o interessado, para apreciação da autoridade julgadora, que justificasse sua afirmativa de que a edificação no terreno ocorreu nos anoscalendário de 2003 e 2004. Observo que os dados apontados pela autoridade fiscal, acima transcritos, se contrapõem a assertiva do autuado. Os documentos anexados ao presente processo, inclusive os fornecidos pelo autuado durante a ação fiscal, apontam o ano calendário de 2008 como o ano de construção do imóvel em comento. Os contribuintes devem manter em boa guarda e ordem todos os documentos que se refiram aos rendimentos e deduções por eles declarados, aos atos e às operações que contribuíram para modificar a sua situação patrimonial. Essa guarda deve ser observada enquanto não se efetivar a caducidade de a Fazenda Pública proceder ao lançamento tributário, ou seja, pelo prazo decadencial atinente ao imposto de renda. Vale registrar as disposições contidas no artigo 797 do RIR/1999 vigente: Art. 797 É dispensada a juntada, à declaração de rendimentos, de comprovantes de deduções e outros valores pagos, obrigando se, todavia, os contribuintes a manter em boa guarda os aludidos Fl. 235DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 236 11 documentos, que poderão ser exigidos pelas autoridades lançadoras, quando estas julgarem necessário. (DecretoLei nº 352, de 17 junho de 1968, art. 4º). Da expressão “quando estas julgarem necessário” deve ser entendido que tal liberalidade está adstrita ao tempo entre a entrega da Declaração de Ajuste Anual IRPF e a decadência do crédito tributário nela apurado ou dela decorrente. Portanto, tendo em vista que o contribuinte recebeu o Termo de Início de Diligência anexado a fls.51 em 31/07/2013, segundo AR – Aviso de Recebimento de fls.52, não há que se falar em “prescrição quanto à guarda de documentos” relativos ao ano calendário de 2008. Novamente, carece de razão o recorrente, não merecendo reforma o acórdão recorrido. Extrapolação do Prazo Fiscalizatório. Alega o autuado que o início da ação fiscal se deu em 23/07/2013, segundo Termo de Verificação Fiscal, enquanto que sua finalização ocorreu em 07/02/2014, conforme Termo de Encerramento de Fiscalização, tendo sido “extrapolado a limitação legal porque manteve o contribuinte sob fiscalização por prazo superior há seis meses, isto porque, anterior ao Mandado de Procedimento Fiscal, já estava sendo alvo de fiscalização pelo Fisco”. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), disciplinado atualmente pela Portaria SRF nº 3.007/2001, é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. É uma ordem emanada de dirigentes das unidades da Receita Federal para que seus auditoresfiscais, em nome desta, executem atividades fiscais (fiscalização, diligência, etc.) tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. Assim, em 23/07/2013 foi emitido o MPF nº 09201002013011897, a fim de permitir a realização de uma diligência junto ao contribuinte, consubstanciada no Termo de Início de Diligência de fls.51/52. Posteriormente, em 17/09/2013 foi emitido o MPF nº 09201002013013750, determinando a abertura de fiscalização no impugnante, para exame do IRPF de sua responsabilidade no período de 01/01/2009 a 31/12/2009, segundo Termo de Início de Fiscalização de fls.70/71. Cumpre registrar que, nos casos de necessidade de prorrogação da validade do MPF originário, seu disciplinamento está na mencionada Portaria SRF 3.007 de 26/11/2001, em alguns de seus dispositivos, a seguir transcritos: “Art.12. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 237 12 Art.13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias para procedimentos de diligência. § 1º A prorrogação de que trata o caput farseá por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 7º, inciso VIII. § 2º Após cada prorrogação, o AFRF responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo VI. . . . . . . Art.15. O MPF se extingue: I – pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio; II – pelo decurso dos prazos a que se referem os artigos 12 e 1 3. Art.16. A hipótese de que trata o inciso II do artigo anterior não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal”. Parágrafo Único Na emissão do novo MPF de que trata este artigo, não pode ser indicado o mesmo AFRF responsável pela execução do Mandado extinto.” Portanto, o MPF passou a ser prorrogado mediante registro eletrônico, sem a necessidade de se dar ciência ao sujeito passivo sobre o fato. O conhecimento da prorrogação do MPF pelo contribuinte ocorre por iniciativa deste, mediante acesso ao sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Internet, com a utilização do “código de acesso” do procedimento fiscal inicial ou quando da prática de algum ato de ofício pela autoridade fiscal, oportunidade na qual lhe será fornecido o “Demonstrativo de Emissão e Prorrogação do MPF”, simplesmente, reproduzindo as informações constantes na Internet. O acórdão da DRJ de origem, inclusive possui em seu voto o seguinte: “Conforme Tela MPFD de fls.178, o MPF nº 09201002013 011897 de 23/07/2013 foi prorrogado até 16/05/2014. Conforme Tela MPFF de fls.179, o MPF nº 09201002013 013750 de 17/09/2013 foi prorrogado até 16/05/2014. Considerando que o Auto de Infração foi lavrado em 07/02/2014 e dado ciência ao contribuinte em 27/02/2014, segundo AR – Fl. 237DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 238 13 Aviso de Recebimento a fls.148, não houve nenhuma irregularidade no procedimento fiscal em foco.” Ademais, também não procede o comentário do impugnante, de que “o prazo para procedimento fiscalizatório não poderia ultrapassar o limite legal, deveria ter sua conclusão em prazo não superior a sessenta dias (Decreto nº 22.586/1984, art.117)”, tendo o acórdão recorrido bem exposto que o referido Decreto (do Estado de Santa Catarina) não integra a legislação tributária federal. Mérito Da Não Concretização do Fato Gerador. Após ressaltar que “a dificuldade em prestar ao Fisco as informações relativas às benfeitorias realizadas se deve ao lapso temporal ora transcrito”, argumenta o contribuinte que só “haverá possibilidade de acréscimo patrimonial se evidenciado disponibilidade de riqueza a ser utilizada pelo contribuinte, entendendose, assim, a manutenção patrimonial existente mais o lucro com a transação efetivada” e, por certo, não ser esta a situação em concreto, “haja vista que a transação realizada entre o impugnante e a Cia de Cimento Itambé não trouxe acréscimo patrimonial ao contribuinte, apenas manteve situação fática préexistente”, concluindo que, na mencionada transação comercial, “restou dado na forma de dação em pagamento o imóvel objeto de fiscalização, mais uma vez caracterizando ausência de ganho de capital”. A DRJ, importante referir, expressou em seu acórdão que “Evidentemente, se confirmado o “valor de aquisição” apontado, para o anocalendário de 2008, pelo contribuinte em sua DIRPF/2009, para o terreno e suas benfeitorias (R$ 1.896.500,00), não teria havido Ganho de Capital na operação imobiliária por ele efetuada no anocalendário de 2009, quando o mencionado imóvel foi avaliado e repassado a empresa Cia de Cimento Itambé, mediante “dação em pagamento”, pela importância de R$ 1.700.000,00. E, conseqüentemente, não teria havido o acréscimo patrimonial correspondente. Contudo, necessário destacar que o contribuinte não conseguiu comprovar durante a ação fiscal, e tampouco na fase impugnatória, o “valor de aquisição” questionado pelo Fisco, sequer logrou comprovar algum valor relativamente próximo a esta quantia, prevalecendo, portanto, o “valor de aquisição” apurado pela autoridade fiscal (R$ 102.351,81). Na apuração de Ganho de Capital são consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos de qualquer natureza, inclusive “dação em pagamento”, a teor do disposto no artigo 117, parágrafo 4º, do RIR/1999 vigente. Assim, carece de razão o recorrente, pois não provado o fato constitutivo do direito alegado pela contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Não merece provimento o recurso quanto a este ponto, portanto. Caráter confiscatório da Multa de Ofício. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 239 14 Quanto ao caráter confiscatório da multa proporcional alegado pela interessada, cumpre esclarece que, deixo de analisálo pois este Conselho não possui competência para ser pronunciar a respeito, nos termos da Súmula CARF nº 02: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.". Taxa Selic. Por fim, inexiste ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto o Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Além disso, estabelece a Súmula CARF nº 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Deste modo, não há como acolher a tese do recorrente, não merecendo provimento o recurso do contribuinte também quanto a esta matéria. Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Declaração de Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Congratulo o i.Relator pela clareza do seu voto. Entretanto, divirjo quanto à questão de mérito, compreendendo não ser possível simplesmente afastar todo o custo de aquisição quando for possível arbitrálo. Nessa linha, entendo ser necessário esclarecer os fundamentos do meu voto. Compulsando os autos, constatase que já no Termo de Verificação Fiscal a autoridade lançadora registrou que: "No dia 23 de julho de 2013 foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 09201002013011897 a fim de permitir a realização de uma diligência junto ao contribuinte. No termo de INício de DiligÊncia (Fls. 51 e 52) foi solicitado ao Fl. 239DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 240 15 contribuinte que apresentasse os valores das benfeitorias realizadas no terreno urbano de 1.606,50 m² situado em Capão da Barra, município de Garopaba SC, negociado com a Cia de Cimento Itambé. Atendendo ao Termo de INício de Diligência, o contribuinte apresentou a correspondência de fls. 53 a 57 à qual anexou os seguintes documentos relativos à construção de uma pousada no referido terreno: projeto arquitetônico da obra (planta baixa) (fls. 59); ART do projeto da obra (fls. 60 a 62); Alvará de Licença Municipal (fls. 63); 'Habitese' (fls. 64); Guia de Previdência Social (fls. 65) e cópias de suas declarações de IRPF, exercícios 2009 e 2010, anoscalendário 2008 e 2009. As cópias das declarações apresentadas pelo contribuinte não foram incluídas no processo por já existirem cópias das mesmas anexadas pela fiscalização (fls. 10 a 22).” fl. 131; (...) "Na Declaração de Bens da Declaração de Ajuste Anual anterior, exercício 2009, anocalendário 2008, o contribuinte alterou o valor do terreno em Garopaba de R$ 40.000,00 para R$ 1.896.560,00 informando uma construção em 2008 (fls. 14). Com base nestas informações, no Termo de INício de DiligÊncia (fls. 51) foi solicitado ao contribuinte que apresentasse os comprovantes dos gastos com benfeitorias que justificassem a alteração do valor do imóvel na Declaração de Bens." fl. 133 (...) "Primeiramente é preciso salientar que não há previsão legal que permita ao contribuinte registrar em sua Declaração de Bens o preço total do imóvel pelo valor que o bem passou a corresponder após a construção (valor de mercado). O valor a ser incluído na declaração é, necessariamente, o valor de aquisição do imóvel (terreno) acrescido das benfeitorias comprovadas com documentação hábil e idônea (construção). Portanto, o valor de R$ 1.896.560,00, incluído em sua declaração, está totalmente equivocado. Os documentos apresentados pelo contribuinte atestam que houve uma construção no mencionado terreno. O contribuinte averbou a construção por R$ 243.815,00 (fls. 50). Entretanto, vale lembrar que para averbar uma construção e ser respectivo valor não é necessário comprovar os gastos junto ao Cartório de Registro de IMóveis, bastando que a pessoa informa verbalmente quanto gastou. Portanto, o simples fato de estar averbado um determinado valor não serve como comprovação dos gastos. Não foram apresentados comprovantes do custo da construção, exceto o pagamento da contribuição previdenciária relativa à obra, R$ 62.330,91 (fls. 65) e a ART da execução do projeto, R$ 21,00 (fls. 61). Assim, o valor efetivamente comprovado pelo contribuinte como determina a legislação se restringe a R$ 62.351,81." fl. 134. Ato contínuo, a autoridade lançadora continuou esclarecendo que a legislação impõe a apresentação de documentação hábil, idônea e discriminada da declaração de bens. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 241 16 Nesse sentido, entendendo que não comprovou os gastos, à exceção do pagamento da contribuição previdenciária e da ART. Então, concluiu que não apresentou as provas exigidas, razão pela qual glosou o custo de aquisição declarado. Ratificou seu raciocínio afirmando que a construção teria ocorrido entre 2003 e 2004, anoscalendário em que a Contribuinte declarou renda de ínfima, comparada ao custo declarado da construção. Em sua defesa, a Contribuinte argumenta pela inocorrência do fato gerador. Explica especificamente que, entre outras questões, a despeito de não ter as notas fiscais individualizadas, incorporou a construção. Nesse caminho, afirma ter apresentado provas da existência de fato da despesa, e pede que seja aceita como custo. In verbis: "O Recorrente adquiriu no ano de 2002, terreno urbano de 1.606,50 m², situado na Rua ArcoIris, esq. Rod. Municipal GRP030, em Capão da Barra, no Município de Garopaba/SC, sem quaisquer edificações, todavia, porém, perante sua visão empreendedora decidiu realizar melhorias no imóvel e, em 03.04.2003, esta Municipalidade expediu Alvará de Licença para construção de uma edificação em alvenaria para fins residenciais multifamiliar transitória (pousada), possuindo dois pavimentos, contendo área total de 1.271,81 m² (doc. já anexo ao procedimento). Mencionada obra teve conclusão em 01.04.2004, contudo, o HABITESE documento necessário para regularização e uso da obra foi expedido apenas em 12.03.3008, momento que a construção deixou de estar em situação irregular e, portanto, passou a agregar valor ao imóvel/terreno. Desse modo, diante da nova realidade fática, somadas a boafé do contribuinte, tão logo obteve o HABITISE, tratou de lançar a construção em sua declaração de bens e direitos, anexo ao seu Imposto de Renda." fl. 207. Realmente, compulsando os autos, constatase que consta nos autos inúmeros documentos comprovando a realização de uma construção no interregno entre a aquisição e a alienação do imóvel: 1. Planta baixa com carimbo de aprovado em 04/03/2003 pelo Secretário Municipal de Obras de Saneamento e Meio Ambiente (fl. 59); 2. Anotação de Responsabilidade Técnica ART, datado de 25/06/2003, o qual inclusive utilizada como base de cálculo o valor da obra/serviço R$ 150.000,00, e que esclarece que os honorários são de R$ 400,00 (fl. 60); 3. Solicitação de Baixa de ART por conclusão da obra/serviço em 14/01/2005 (fl. 62); 4. Alvará de licença de construção de pousada com área de 1.271,81 m² (fl. 63); Fl. 241DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 242 17 5. Habitese datado de 12/03/2008, referente a obra de 1.271,81 m² do alvará de 2003 (fl. 64); 6. Guia da Previdência Social GPS referente à competência 12/2008 no valor de R$ 62.330,81 (fl. 65); 7. Certidão Negativa de Débitos relativos às Contribuições Previdenciárias e às de Terceiros, referente a essa obra (total de 1.271,81 m²), emitda em 09/12/2008 (fl. 66); 8. Cadastro Geral Dados da Obra do Cadastro Específico do INSS CEI da obra, indicando que a obra foi iniciada em 03/04/2003 e emitido o habite se em 12/03/2008 (fl. 67); 9. Aviso de Regularização de Obras ARO referente a essa obra, e datado de 05/12/2008, no qual ficou avaliado como custo de remuneração de R$ 169.377,20 e como custo global R$ 1.018.727,11, apurando como débito de Contribuições Previdenciárias o valor de R$ 62.330,81 (fls. 68/69); Registrase que todos esses documentos indicam o Contribuinte como construtor ou proprietário do imóvel. Nesse caminho, é possível afirmar que houve uma construção no imóvel ao longo do período em que o Contribuinte era seu titular. Ou seja, ele comprou um terreno e vendeu uma pousada (terreno com edificação). Inclusive, esse fato já havia sido indicado e comprovado durante a fiscalização, com bem constatou a autoridade lançadora. Pois bem. A despeito de admitir a existência da construção inclusive admitindo como custos comprovados o pagamento da GPS e da ART (mas não dos honorários identificados nesta, registrase) a autoridade lançadora entendeu que não restou comprovado o custo da construção. Por isso, glosou o valor declarado pela Contribuinte, reconhecendo apenas os já citados custos da GPS e da ART. Admitindo que o custo exato não ficou comprovado, entendo ser necessário divergir da autoridade lançadora e do i.Relator quanto à solução a ser adotada. É verdade que cabe ao Contribuinte comprovar o custo incorrido; não o fazendo, deve realmente ser glosado o valor declarado. Contudo, comprovada a existência do custo, tampouco pode a autoridade lançadora simplesmente desconsiderálo integralmente, "zerando" o custo de aquisição ante à falta do valor exato; deve, isso sim, buscar meios indiretos para apurálo. Registrase que o CTN atribui à autoridade lançadora a competência e o dever de arbitrar o valor do bem sempre que as declarações do Contribuinte forem omissas ou não merecerem fé: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo Fl. 242DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 243 18 sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Não se trata de mera autorização, mas sim de determinação legal: a autoridade lançadora ARBITRARÁ o valor ou o preço. Exatamente pautandose nessa regra geral, a Lei nº 7.713/1988 estabeleceu que deve ser utilizado como custo de aquisição do bem percebese, portanto, que o tributo tem por base o preço do bem o seu preço ou valor pago, mas admite e já prevê as formas pelas quais a autoridade lançadora arbitrará o custo de aquisição caso não mereça fé ou não prove o que declara o Contribuinte: Art. 16. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago, e, na ausência deste, conforme o caso: I o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; II o valor que tenha servido de base para o cálculo do Imposto de Importação acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; III o valor da avaliação do inventário ou arrolamento; IV o valor de transmissão, utilizado na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante; V seu valor corrente, na data da aquisição. § 1º O valor da contribuição de melhoria integra o custo do imóvel. § 2º O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e dos bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens. § 3º No caso de participação societária resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. § 4º O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previsto neste artigo. Assim, caso não seja possível identificar exatamente o valor pago na aquisição do bem, então deve a autoridade lançadora buscar outras formas para apurar o custo de aquisição. Simplesmente desconsiderar qualquer custo, imputando o valor zero, é verdadeira ficção jurídica: é adotar como verdade algo que se sabe falso. Enfim, configura completo confronto com as Leis. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 244 19 Novamente, a Lei específica e não apenas a regra geral do art. 148 do CTN ou mesmo raciocínio lógico determina que, quando não puder apurar o valor exato, a autoridade fiscalizadora deve utilizar meios indiretos para apurar o custo de aquisição do bem. Ressaltase, outrossim, que a Lei prevalece sobre eventual regulamentação infralegal. Acontece que não há contradição; pelo contrário, a IN SRF nº 84/2001 apenas ratifica o comando do CTN e da Lei nº 7.713/1988: Valores computáveis como custo Art. 17. Podem integrar o custo de aquisição, quando comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na Declaração de Ajuste Anual, no caso de: I bens imóveis: a) os dispêndios com a construção, ampliação e reforma, desde que os projetos tenham sido aprovados pelos órgãos municipais competentes, e com pequenas obras, tais como pintura, reparos em azulejos, encanamentos, pisos, paredes; b) os dispêndios com a demolição de prédio construído no terreno, desde que seja condição para se efetivar a alienação; c) as despesas de corretagem referentes à aquisição do imóvel vendido, desde que tenha suportado o ônus; d) os dispêndios pagos pelo proprietário do imóvel com a realização de obras públicas, tais como colocação de meiofio, sarjetas, pavimentação de vias, instalação de redes de esgoto e de eletricidade que tenham beneficiado o imóvel; e) o valor do imposto de transmissão pago pelo alienante na aquisição do imóvel; f) o valor da contribuição de melhoria; g) os juros e demais acréscimos pagos para a aquisição do imóvel; h) o valor do laudêmio pago, etc.; II outros bens ou direitos: os dispêndios realizados com a conservação e reparos, a comissão ou a corretagem quando não transferido o ônus ao adquirente, os juros e demais acréscimos pagos, etc. Custo na ausência do valor pago Art. 18. Na ausência do valor pago, o custo de aquisição é: I o valor que tenha servido de base para o cálculo do imposto de importação, acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; II o valor de transmissão utilizado, na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante anterior; Fl. 244DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 245 20 III o valor corrente na data da aquisição; IV igual a zero, quando não possa ser determinado nos termos dos incisos I, II e III. Percebese, portanto, que o art. 17 garante o direito de considerar no custo de aquisição certos valores, inclusive os dispêndios com a construção. Para tanto, deve discriminálos na DAA e apresentar documentação hábil e idônea quando instado a comprová los. Ressaltase, o direito é garantido ao Contribuinte. Conquanto estejam lançados na DAA, não cabe à autoridade lançadora escolher se considerará ou não os valores descritos nesse art. 17. Cabe, isso sim, exigir a comprovação hábil e idônea. O que acontece quando o Contribuinte não logra comprovar a existência do dispêndio? O valor deve ser desconsiderado. E quando o Contribuinte comprova a existência do dispêndio, mas não o seu quantum? Então aplicase o art. 18, ou seja, apuração por meios indiretos e, apenas quando for impossível, é que se lhe atribuirá o valor de zero. Frisase: o art. 18 não apenas está localizado imediatamente após o art. 17, como trata "do valor pago". Logo, não há que se discutir que se restringe apenas ao valor de aquisição em relação ao alienante do imóvel, mas também a qualquer montante que tenha sido incorrido em função da transmissão, da manutenção ou beneficiamento da coisa. Registrase que a alienação da propriedade pode ser tanto onerosa quanto gratuita; sendo gratuita, não há pagamento pelo adquirente ao alienante, mas ainda assim há outros pagamentos inerentes, como o referente ao imposto de transmissão (in casu, ITCMD). Portanto, não se pode restringir o art. 18 ao valor referente ao pagamento ao alienante, devendo abranger todos os pagamentos. No caso presente, há nos autos documentação hábil e idônea para comprovar a ocorrência dos dispêndios com construção, de forma que podem integrar o custo de aquisição do imóvel. A questão em dúvida não é se houve ou não a construção, mas apenas o quantum. Dessa forma, deve ser aplicada a regra do art. 18, apurando o custo por meios indiretos. Conforme a lista já citada acima, há inúmeros documentos nos autos e já apresentados durante a fiscalização que serviriam de base para a apuração indireta desse custo de aquisição. Ressaltase, especialmente, o valor considerado pela própria Receita Federal como custo da obra para a apuração das Contribuições Previdenciárias. Ora, o mesmo ente não pode admitir a existência de um custo da obra na ordem centenas de milhares de reais para fins de apuração de um tributo e zero para outro. Mormente quando considerar um valor alto aumenta a arrecadação daquele, e considerar um valor baixo aumenta a arrecadação deste. É clara hipótese de venire contra factum proprium. Para que não restem dúvidas, a própria Receita Federal é clara em admitir que a construção superveniente deve ser considerada na apuração do custo de aquisição do bem. Assim, por exemplo, a Solução de Consulta Interna COSIT nº 2, de 14/01/2014, cuja ementa já antecipa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF ALIENAÇÃO DE BEM IMÓVEL ADQUIRIDO POR FINANCIAMENTO BANCÁRIO. GANHO DE CAPITAL. CUSTO E DATA DE AQUISIÇÃO. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 246 21 Para fins de apuração do ganho de capital no âmbito da legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, diante da ocorrência de alienação (contrato de compra e venda) de bem imóvel que fora adquirido por intermédio de financiamento em instituição financeira (financiamento bancário), considerase: a) custo de aquisição aquele que corresponda ao total dos valores pagos, incluindo sinal (ou valor correspondente), os decorrentes das prestações efetuadas a cada anocalendário, à medida que tenham sido pagas, os juros e demais acréscimos pagos no respectivo financiamento, bem como as despesas permitidas pela legislação do imposto como integrantes daquele custo (tais como: construção, ampliação, reforma etc), até o momento da respectiva alienação. O que é mais, convém observar a IN SRF nº 599, de 28/12/2005, que determina o seguinte: Art. 3º Para a apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda incidente sobre o ganho de capital por ocasião da alienação, a qualquer título, de bens imóveis realizada por pessoa física residente no País, serão aplicados fatores de redução do ganho de capital apurado. § 1º A base de cálculo do imposto corresponderá à multiplicação do ganho de capital pelos fatores de redução, que serão determinados pelas seguintes fórmulas: (...) § 4º Na alienação em conjunto de imóvel constituído de partes adquiridas em datas diferentes, a redução aplicase à parcela do ganho de capital que corresponder a cada parte, observandose que: I a redução correspondente a cada parte é determinada em função da data de sua aquisição e aplicada sobre a parcela do ganho de capital a ela correspondente; II a parcela do ganho de capital correspondente a cada parte é determinada aplicandose sobre o total do ganho de capital o percentual resultante da relação entre o custo da parte objeto da redução e o custo total do imóvel, ou entre a área da parte objeto da redução e a área total do imóvel. § 5º O disposto no § 4º aplicase à construção, ampliação ou reforma, ressalvado o disposto no § 6º. § 6º Na alienação de imóvel constituído por terreno adquirido até 31 de dezembro de 1995 e de edificação, ampliação ou reforma iniciada até essa data, ainda que concluída em ano posterior, informada na Declaração de Ajuste Anual, os fatores de redução de que trata o caput são determinados em função do ano de aquisição do terreno e aplicado sobre todo o ganho de capital. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 247 22 Tanto a SCI COSIT nº 2/2014 quanto a IN SRF nº 599/2005 consideram a construção como um dos custos que deve ser considerado na apuração do custo de aquisição do bem, custo esse equiparável à aquisição de imóvel por partes. Tanto assim, inclusive, que esclarecem que o custo da construção deve ser considerado em data própria tal qual a data de aquisição de uma parcela nova do imóvel para fins de aplicação dos fatores de redução e apuração final do ganho de capital. Correto o raciocínio: uma vez que a construção não se perfaz no mesmo instante em que ocorre a aquisição do terreno, então não podem ser utilizados os mesmos índices de redução. Ainda assim, a construção acresce ao patrimônio, aumentando o valor do imóvel, assim como acresce ao patrimônio a aquisição de nova parcela do mesmo imóvel. Efetivamente, não poderia ser diferente. O bem compõe o patrimônio enquanto valor. Enquanto se observa o patrimônio, os bens que o compõe são fungíveis, tendo relevância apenas o seu valor. Tanto assim que, na própria Ficha "Declaração de Bens e Direitos" da DIRPF, os bens são individualizados mas, ao final, é indicado o valor total dos bens. Inclusive, é esse valor final total que é apropriado na Ficha "Resumo", ao final da DIRPF. Ao ser incorporado ao patrimônio, o bem entra com determinado valor. Por certo, ao receber benfeitorias no presente caso, construções , elas certamente aumentam o seu valor e seu custo de aquisição. Por tudo isso, e reiterando o quanto já escrito acima, uma vez que reste comprovada a ocorrência da construção, ficando em discussão exclusivamente o quantum despendido, não pode a autoridade lançadora simplesmente afastar todo o custo de aquisição das benfeitorias pelo fato de não merecer fé o valor declarado pela Contribuinte. Deve, isso sim, utilizar uma das formas indiretas de apurar o referido custo de aquisição, regra essa imposta pela Lei inclusive no CTN e na Lei nº 7.713/198 e pela legislação infralegal, já citada acima. São essas as razões pelas quais divergi do voto condutor do acórdão. Dilson Jatahy Fonseca Neto Fl. 247DF CARF MF
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Numero do processo: 16349.000372/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços.
INSUMO. CONCEITO.
Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO
PROPORCIONAL.
Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS
O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.
Numero da decisão: 3401-004.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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A nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividadefim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo nãocirculante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas. REGIME NÃOCUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 03 72 /2 00 9- 81 Fl. 371DF CARF MF Processo nº 16349.000372/200981 Acórdão n.º 3401004.916 S3C4T1 Fl. 0 2 (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Fl. 372DF CARF MF Processo nº 16349.000372/200981 Acórdão n.º 3401004.916 S3C4T1 Fl. 0 3 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, de créditos de contribuição não cumulativa, vinculadas à receita do mercado externo, com débitos administrados pela RFB. Foi emitido Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado e homologou as compensações até o limite reconhecido. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, a contribuinte encaminhou sua Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, o seguinte: 1) Créditos a descontar na importação: a empresa apurou créditos decorrentes de suas operações de importação de insumos e produtos para revenda, norteandose pelo art. 15 da Lei n° 10.865/2004. O Fisco questionou tais créditos com base nas seguintes premissas: (a) importação de bens classificados na NCM 38.08 assim como das matériasprimas utilizadas para sua produção que supostamente deveriam ser tributados à alíquota zero da contribuição; e (b) crédito tomado sobre produtos que não se caracterizam no conceito de insumos. Ocorre que o NCM 38.08 não diz respeito apenas a defensivos agrícolas, bem como a empresa não fabrica somente o tipo de produto classificado em tal NCM. Estão inseridos no rol de produtos abarcados pela NCM 38.08 diversas outras mercadorias e não só defensivos agrícolas abarcados pela alíquota zero da contribuição. A empresa é produtora de inseticidas, raticidas, produtos de jardinagem amadora e repelentes, os quais se inserem, como os defensivos agrícolas, no rol 38.08 da NCM, mas que são tributados pela alíquota regular. Não foram confrontados os NCMs indicados pela empresa em suas DIs, se pautando o despacho decisório apenas em premissa de que todos os produtos comercializados estariam classificados no NCM 38.08 como defensivos agrícolas e que, por isso, não dariam direito ao crédito pleiteado. Acosta planilha e folders. 2) Créditos decorrentes da aquisição de insumos: a Fiscalização glosou créditos da empresa relativos à aquisição de insumos utilizados em seu processo produtivo. Estas glosas são refutadas porque: a) conceito de insumos: tomandose como referência os intentos do Legislador, constantes de Exposição de Motivos da norma instituidora da sistemática nãocumulativa da COFINS (delimitou o regime de apuração de créditos totalmente diferente daquela adotada pela legislação do IPI), reputase claramente ilegal o conceito utilizado pela Fiscalização na definição de insumos. A definição sugerida pela Fiscalização se pautou, além da impossível utilização por analogia das normas do IPI, também na IN n°247/2002, que trata quase que de forma idêntica da conceituação de insumos para creditamento da COFINS da conceituação elaborada para fins de IPI. Isso fica latente quando se contempla como um dos prérequisitos para o enquadramento de determinada mercadoria como insumo seu contato direto com o produto final que está sendo elaborado. A intenção do legislador era a desoneração do faturamento e não do produto final, razão pela qual difícil conceber como necessários, para a conceituação de insumos, a restrição contida no referido Fl. 373DF CARF MF Processo nº 16349.000372/200981 Acórdão n.º 3401004.916 S3C4T1 Fl. 0 4 dispositivo infralegal, que obriga a ocorrência do contato direto da mercadoria com o produto final que se está a elaborar. A norma infralegal agiu ao total arrepio de suas competências ao regular preceito em total desacordo com os intentos da legislação que lhe dá fulcro, sofrendo, por conseguinte, de uma ilegalidade contida em sua gênese. Deve ser afastada a aplicabilidade da possível interpretação restritiva do crédito aqui discutido, pautada pela definição contida na IN, que obrigue o contato direto do insumo com o produto final que se está a produzir. È de todo evidente que o crédito de insumos apropriados pela empresa não pode ser contestado pelos argumentos levantados pela Fiscalização, vez que este se baseou em norma ilegal emitida pela RFB em desacordo com a legislação que lhe dá sustento, devendo este ser reconhecido em sua totalidade; b) contato direto dos insumos glosados ao produto final: após análise exaustiva dos diversos produtos enumerados pela Fiscalização em sua planilha de exclusões, a empresa houve por bem elaborar demonstrativo (anexado), no qual justifica o enquadramento dos produtos desconsiderados do conceito de insumos sugerido, refutando os argumentos de que estes não poderiam gerar direito ao crédito de COFINS apropriado. Assim: 1) materiais de embalagem: em sua totalidade, os materiais de embalagem considerados pelo despacho decisório como de mero acondicionamento para transporte, compõem na verdade o produto final e servem não para o transporte, mas sim para a proteção dos produtos comercializados desde o término de sua produção até o consumo final. Os produtos elaborados pela empresa, por serem de cunho tóxico, se sujeitam a diversas normas regulatórias emanadas por Agências Governamentais, as quais lhe obrigam a acondicionar suas mercadorias em embalagens padronizadas e resistentes. As caixas (que compõem grande parte dos produtos glosados pelo despacho em questão) são reforçadas por divisórias e colunas de proteção, além de se utilizarem de gramatura superior as caixas comuns contidas no mercado, evitando que o produto químico produzido sofra alterações em decorrência do contato excessivo com, por exemplo, a luz solar. Tal proteção não visa o transporte da mercadoria, a qual seria inutilizada por seu consumidor final após o recebimento destas, mas sim o acondicionamento de produtos tóxicos que devem ser sempre guardados por estas na sequência ao seu manejo, evitando assim prejuízos ao meio ambiente decorrentes de possíveis contaminações. Também se pode ver que na embalagem do produto final comercializado existem rótulos que são colocados em cada uma delas contendo informações importantes acerca das recomendações para a utilização dos produtos, assim como dos perigos que este pode causar caso sejam manejados de forma imprópria. Se estas caixas servissem apenas para o mero transporte não se fariam necessárias explicações atinentes aos procedimentos que devem ser adotados pelo consumidor final para utilização dos produtos. Os materiais de embalagem servem ao propósito de acondicionamento da mercadoria em si e não para o mero transporte destas. Não há que se falar em ilegalidade do crédito, devendo as caixas e todos os outros produtos que a compõem (rótulos, tinta, etiquetas e etc.) ser reconhecidos como insumos dos produtos comercializados, com geração de créditos; 2) materiais de limpeza: podem ser separados naqueles que são utilizados para a limpeza do pátio industrial e nos que são utilizados como produtos intermediários que visam a higienização das tubulações por onde passam os produtos químicos elaborados pela empresa ou o tratamento da água utilizada para aquecer em "banho maria" as matérias primas colocadas na caldeira de produção. Quanto a estes últimos, por serem de aplicação necessária ao processo produtivo, não há que se Fl. 374DF CARF MF Processo nº 16349.000372/200981 Acórdão n.º 3401004.916 S3C4T1 Fl. 0 5 questionar que geram direito ao crédito de COFINS. Os produtos glosados pela fiscalização, como se comprova pela planilha anexa, dizem respeito ao segundo tipo de materiais de limpeza, ou seja, aqueles que estão inseridos no processo produtivo e não são simplesmente utilizados para desinfetar o pátio fabril, mas sim para impedir que bactérias contaminem os produtos químicos que estão sendo produzidos; 3) créditos sobre matéria prima alíquota zero: esse beneficio é aplicado apenas nas aquisições destinadas à produção de defensivos agrícolas, sendo que nas aquisições regulares destas mercadorias no mercado interno ou externo ocorre a incidência normal de COFINS. Como dito, é empresa que, dentre outros, produz mercadorias saneantes também classificadas no NCM 38.08 (engloba os defensivos agrícolas), as quais se sujeitam à alíquota regular da contribuição aqui tratada (inseticidas, raticidas, fungicidas e etc.). Assim, equivocada está a Fiscalização ao glosar, sem uma análise aprofunda, todas as matérias primas adquiridas após a data de vigência da alíquota zero atribuída para a produção de defensivos agrícolas. 3) Despesas com aluguéis: a Fiscalização glosou parcela dos créditos aferidos na rubrica "Despesas de Alugueis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas" sob o argumento de estarem contidos em sua composição valores que não se prestam a este tipo creditório. A maioria das glosas diz respeito a despesas tidas com energia elétrica, as quais foram incorretamente inseridas na rubrica em questão. Os créditos decorrentes de despesas de energia elétrica não vislumbram qualquer restrição pela legislação vigente da contribuição, devendo ser considerados em sua íntegra. A situação em tela se caracteriza como sendo mero equivoco formal cometido pela empresa no preenchimento de seu DACON. Não se presta como argumento suficiente para a glosa de créditos pleiteados, eis que nos processos referentes a ressarcimento/restituição, o principio da verdade material deve ser aplicado, tanto quanto nos casos relativos à constituição de créditos tributários. 4) Rateio Proporcional: a Fiscalização recalculou as porcentagens adotadas pela empresa para fins de apuração dos tipos creditórios aferidos no período em questão, sob o argumento de que não poderiam ter sido incluídos no cômputo das "Receitas de Vendas Não Tributadas no Mercado Interno", receitas tidas com operações financeiras e com vendas de ativos imobilizados. Fundamentou no art. 17 da Lei n° 11.033/2004. Mas este artigo prevê apenas a possibilidade de manutenção dos créditos de COFINS dos contribuintes quando estes possuam receitas abrangidas por normas isentivas ou de não incidência. Não faz ele qualquer distinção entre as receitas que deverão ser incluídas ou não no computo da sistemática de cálculo intitulada "rateio proporcional". Além disso, caso estivesse correto o entendimento da Fiscalização, a exclusão destas receitas do cálculo do rateio proporcional não poderia ocasionar a anulação do direito creditório aferido, porquanto o crédito permaneceria válido, passando de um crédito decorrente de receitas não tributadas para um crédito de receitas tributadas e/ou de exportações. 5) Diligências e perícias: pelo volume de documentos juntados aos autos, não resta outra alternativa para a análise efetiva de todo material apresentado, assim como para desvendar a verdade material dos fatos, que se: a) baixe o processo em diligência para análise dos documentos apresentados, como também outros que os sejam entendidos necessários para a validação do crédito pleiteado; b) realize trabalhos periciais, visando a validação dos argumentos apresentados pela empresa em relação ao correto enquadramento de seus insumos, a fim de que se reconheça seu direito creditório; Fl. 375DF CARF MF Processo nº 16349.000372/200981 Acórdão n.º 3401004.916 S3C4T1 Fl. 0 6 c) sejam analisados os quesitos que apresenta (art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972). Sobreveio Acórdão nº 10047.115, exarado pela DRJ/POA, que considerou improcedente a impugnação, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.871, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 16349.000309/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.871): "Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, e reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo seu conhecimento. Do Mérito A maior parte dos créditos glosados pela Fiscalização devemse ao fato de que essa autoridade descaracterizou como insumos as aquisições de mercadorias que ensejaram o respectivo crédito de COFINS nãocumulativa. Nessa linha, foram glosados créditos referentes à aquisição de produtos de limpeza industrial e material de embalagens. Diante disso, convém discorrer brevemente sobre a não cumulatividade da Contribuição Social ao PIS e da COFINS A modalidade nãocumulativa das contribuições sociais surgiu em decorrência da edição das Medidas Provisórias 66/2002 e 135/2003, posteriormente convertidas nas Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 16349.000372/200981 Acórdão n.º 3401004.916 S3C4T1 Fl. 0 7 Anteriormente, a nãocumulatividade tributária no Brasil foi inaugurada com o ICMS e o IPI, sob influência da sistemática de tributação sobre o valor agregado, em voga em muitos países europeus a partir da segunda metade do século XIX, e pouco se desenvolveu de doutrina – e jurisprudência – a respeito da definição dos itens que poderiam ser admitidos como crédito; primeiro, porque houve uma taxatividade mais explícita dos itens creditáveis; segundo, até o advento da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os debates jurídicos eram monopolizados pelos conflitos de ordem eminentemente formal, especialmente nos casos em que o contribuinte leis ordinárias est de forma conflituosa com os dispositivos constitucionais sobre tais tributos nos últimos cinquenta. Contudo, diferentemente de outros tributos nãocumulativos, como o ICMS e o IPI, a regulamentação constitucional limitou se a delegar à lei ordinária para que essa estabelecesse quais setores de atividade econômica o regime nãocumulativo seria aplicável, conforme se denota da inclusão do parágrafo doze ao artigo 195, da Constituição Federal: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. Vejam que, em relação ao ICMS e ao IPI, a Constituição Federal foi um pouco menos econômica, buscando definir limites mínimos para a aplicação do conceito da não cumulatividade tributária: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: IV produtos industrializados; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...) Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas Fl. 377DF CARF MF Processo nº 16349.000372/200981 Acórdão n.º 3401004.916 S3C4T1 Fl. 0 8 anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; De tal forma, ainda que o princípio da nãocumulatividade guarde um significado próprio – qual seja a de viabilizar a tributação sobre o valor agregado –, é certo que a modalidade nãocumulativa das contribuições sociais deve ser encarada mormente pelos mandamentos previstos nas respectivas leis de sua criação, não cabendo a esse Tribunal ultrapassar os limites objetivos previstos por essa legislação infraconstitucional. Esse é o comentário de Ricardo Mariz de Oliveira, na obra coletiva “Não Cumulatividade Tributária: Todavia, pelo que consta desse artigo, já se pode constatar que se trata de um regime de nãocumulatividade parcial, pois ele não assegura plena dedução de créditos, mas apenas dos valores listados “numerus clausulus” e segundo regras de cálculo prescritas expressamente. (Editora Dialética, 2009. Página 427) Assim, devese ter em vista que a nãocumulatividade não comporta um conceito absoluto e independente da legislação que regra os tributos com essa particularidade. Isso não será diferente com as contribuições sociais. Na miríade de atos normativos que regem a contribuições sociais nãocumulativas, é muito claro que nos detemos no artigo 3º, das Leis Federais de regência, muito embora as modalidades de direito ao crédito estejam espalhadas na legislação ordinária que regulam as contribuições sociais para setores específicos e operações específicas, as quais algumas serão objeto de análise mais adiante. Nesse primeiro momente, vejamos o citado artigo 3º: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o; e (Redação dada pela Medida Provisória nº 413, de 2008) Produção de efeitos a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) Fl. 378DF CARF MF Processo nº 16349.000372/200981 Acórdão n.º 3401004.916 S3C4T1 Fl. 0 9 b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); V – despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para Fl. 379DF CARF MF Processo nº 16349.000372/200981 Acórdão n.º 3401004.916 S3C4T1 Fl. 0 10 locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. E fica bem claro que o item de maior questionamento desde o início da vigência do regime nãocumulativo é aquele que se refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Vejam que a expressão “insumo”, na legislação de referência, não foi adicionada de uma definição própria para aplicação, de modo que, nos termos do artigo 11, da Lei Complementar 95/1998, que trata da elaboração e redação das leis, as palavras devem ser utilizadas no texto legal em seu sentido comum, de modo que a interpretação da legislação deve seguir tal comando como premissa. Diante disso, cabe mencionar que, segundo o Dicionário Aurélio1, insumo pode ser definido como o “elemento que entra no processo de produção de mercadorias ou serviços; máquinas e equipamentos, trabalho humano, etc.; fator de produção”. No que se refere ao conceito de insumo em âmbito jurídico, o eminente tributarista Aliomar Baleeiro2, há muito já definira: 1 Novo Aurélio Século XXI – O Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2 In Direito Tributário Brasileiro, 9ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, pág. 214. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 16349.000372/200981 Acórdão n.º 3401004.916 S3C4T1 Fl. 0 11 (...) é uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa 'input', isto é, o conjunto dos fatores produtivos, como matériasprimas, energia, trabalho, amortização do capital, etc., empregados pelo empresário para produzir o 'output' ou o produto final. (...) De fato, do ponto de vista puramente econômico, o conceito acima nos parece apropriado. Para a ciência econômica, tal definição inclui todos os elementos necessários à produção de um bem, mercadoria ou serviço, tais como matériasprimas, bens intermediários, equipamentos, capital, horas de trabalho, etc. Todavia, para fins fiscais, o termo insumo é utilizado de maneira mais restrita, haja vista a pouca disposição existente até hoje para se desenvolver esse conceito no Direito Brasileiro. Nas raras remissões legislativas encontradas, usualmente tratase do ICMS e do IPI, tributos onde há uma forte vinculação física entre o produto final e o bem que irá gerar crédito fiscal, mesmo porque constituem impostos sobre a “produção e circulação de bens e serviços”, tal como disposto em nosso Código Tributário Nacional (Capítulo IV da Lei nº 5.172/1966 CTN). No caso do ICMS, o que se observa é uma evolução gradual do conceito de insumo, que acaba ampliando o conceito básico e evidente da tríade matériaprima/produto intermediário/material de embalagem, principalmente no que se refere ao que se chama produto intermediário. Nas raras oportunidades em que a legislação estadual enfrentou o tema, podemos citar um ato normativo que pode ser considerado como pioneiro na definição de insumo: a Decisão Normativa CAT 01/2001, do Estado de São Paulo, que, ao exemplificar mercadorias que poderiam ser consideradas insumos, deu especial destaque àqueles produtos que são utilizados no processo ainda que não componham o produto final: Entre outros, têmse ainda, a título de exemplo, os seguintes insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de uma mercadoria ou são utilizados nesse mesmo processo produtivo para limpeza, identificação, desbaste, solda etc.: lixas; discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral tais como etiquetas, fitas adesivas, fitas crepe, papéis de embrulho, sacolas, materiais de amarrar ou colar (barbantes, fitas, fitilhos, cordões e congêneres), lacres, isopor utilizado no isolamento e proteção dos produtos no interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis para marcação de embalagens; óleos de corte; rebolos; modelos/matrizes de isopor utilizados pela indústria; produtos químicos utilizados no tratamento de água Fl. 381DF CARF MF Processo nº 16349.000372/200981 Acórdão n.º 3401004.916 S3C4T1 Fl. 0 12 afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de insumos e de produtos. Porém, como podemos verificar, o conceito amplificado de insumo para o ICMS (e também do IPI) é derivado da conclusão de que são os elementos que participam efetivamente do processo produtivo, haja vista que, conforme dito anteriormente, o ICMS demanda uma intrínseca relação entre a entrada da mercadoria utilizada no processo econômico que ensejará a saída do produto final. Ademais, verificase que enquanto o ICMS e o IPI possuem profunda relação com a movimentação física de bens e mercadorias, o que se reflete na maneira como a não cumulatividade se manifesta – como regra, apropriase créditos na entrada de bens e mercadorias que venham a serem movimentados posteriormente com débito do imposto , o PIS e a COFINS possuem relação com um aspecto absolutamente econômico, representado e controlado graficamente pela contabilidade, a geração de receitas tributáveis. Nessa linha, a nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, expressivamente mais complexa e mais alheia aos operadores do Direito e aos legisladores, que durante cinquenta anos acostumaram com a “nãocumulatividade física” em detrimento de uma “nãocumulatividade econômica” De certo, é possível entender essa falha conceitual ao se analisar com cuidado o artigo 3º acima mencionado, quando se observa que os incisos e parágrafos insistem na ideia de permitir o crédito, por exemplo, desde a entrada dos bens para estoque (quando menciona “aquisição”) enquanto o conceito intrínseco da nãocumulatividade econômica está sobre a noção de custo e despesa, que não são registrados no momento da aquisição do estoque, mas sim quando da sua realização pela venda, e consequente registro contábil da receita. Desse modo, acredito que o conceito de insumo para a legislação do PIS/PASEP e da COFINS parece ser mais abrangente que o utilizado para créditos do IPI e do ICMS – como faz crer das conclusões da decisão ora recorrida –, de maneira que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. Nesse caso, entendo que a legislação possibilitou o desconto de créditos das contribuições além dos elementos que compõem os custos diretos e indiretos de produção através alocação por atividade (i.e. “Sistema de Custeio ABC”), e incluiu componentes que, em uma análise puramente contábil, seriam classificados como despesas variáveis, estritamente atreladas com a geração de receitas. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 16349.000372/200981 Acórdão n.º 3401004.916 S3C4T1 Fl. 0 13 Porém, como premissa básica para a apuração de créditos de PIS/PASEP e COFINS, temos que os custos diretos e indiretos constituem base de cálculo de forma inquestionável; já as despesas deverão ser analisadas caso a caso, na medida em que cada uma contribua de forma cabal para a venda do produto ou serviço. Por outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 247/2002, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358/2003, ao regulamentar a cobrança do PIS/PASEP e da COFINS, definiu insumo de uma maneira mais restrita, contrariando, em última análise, o espírito das Leis Federais nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que visavam mitigar o efeito cascata das contribuições e “estimular a eficiência econômica”3: Art. 66. (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.(...) Partindo esse entendimento, a Receita Federal amenizou algumas restrições, criando um entendimento, que vigora até hoje em diversas Soluções de Consulta, de que deve haver um vínculo de imprescindibilidade e à essencialidade do respectivo bem ou serviço para que seja possível a apropriação de créditos. Assim, destacou a Solução de Consulta que inaugurou esse raciocínio: “Solução de Consulta nº 400/2008 (8ª Região Fiscal) PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS. 3 Exposição de Motivos da Lei Federal nº 10.833/2003. Fl. 383DF CARF MF Processo nº 16349.000372/200981 Acórdão n.º 3401004.916 S3C4T1 Fl. 0 14 Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/PASEP devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.637, de 2002, art. 3o, inciso II; IN SRF no 247, de 2002, art.66, § 5o. COFINS. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados Fl. 384DF CARF MF Processo nº 16349.000372/200981 Acórdão n.º 3401004.916 S3C4T1 Fl. 0 15 como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.833, de 2003, art. 3o, inciso II; IN SRF no 404, de 2004, art.8o, § 4o.(DOU de 08/12/2008)” Já a Instrução Normativa SRF nº 404/2004 manteve a definição anterior, em seu artigo 8º, §4º, que assim dispôs: Artigo 8º. (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) Consideradas, pois, as manifestações acima, podemos afirmar que o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS deve ser tido de forma mais abrangente, desde que tais itens estejam intimamente ligados à atividadefim da empresa e que principalmente venham a ser utilizados efetivamente e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo para geração de receitas, devendo ser inquestionável o crédito decorrente dos elementos que compõem o custo de produção, seja direto ou indireto. Passo a analisar item a item que fora glosado pela fiscalização e mantido pela decisão de primeiro grau: (A) MATERIAL DE EMBALAGEM Tal como ficou demonstrado pelas declarações e documentação fornecida pela Recorrente, os materiais de embalagem e transporte que foram objeto de glosa de créditos Fl. 385DF CARF MF Processo nº 16349.000372/200981 Acórdão n.º 3401004.916 S3C4T1 Fl. 0 16 são absolutamente necessários para o atendimento da legislação vigente que regula a produção e comercialização dos produtos ofertados pela Recorrente, de modo que não há como não considerálos como custo operacional. Diante da exposição anterior, sobre a nãocumulatividade das contribuições sociais, não vejo razão para manter a glosa. (B) MATERIAL DE LIMPEZA Da mesma forma, a atividade da Recorrente requer a obediência de diversas regras exigidas pelas autoridades sanitárias. Tal fato por si só já justifica a apropriação de créditos pela Recorrente, eis que, tais dispêndios são verdadeiros custos indiretos que deve ensejar o direito ao desconto de crédito. Por conta disso, merece reforma a decisão recorrida. (C) DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA REGISTRADAS COMO ALUGUÉIS Tendo sido comprovado que houve apenas erro material na demonstração dos créditos na DACON, não há como não reconhecer o direito ao crédito de energia elétrica eis que tal despesa está expressamente prevista no rol das possibilidades de apropriação de crédito não cumulativo. Ainda, como a fiscalização não analisou a documentação suporte das despesas de energia elétrica, não cabe somente em sede de recurso avaliar a procedência e sua regularidade documental, razão pela qual não entendo ser nem mesmo caso de diligência. (D) AQUISIÇÃO DE PRODUTOS IMPORTADOS E VENDIDOS COM ALÍQUOTA ZERO Em obediência ao artigo 15, inciso II, da Lei Federal 10865/2004, nos casos de insumos importados, classificados na posição 38.08, em que houver pagamento da COFINS, não há qualquer óbice para a manutenção do crédito, nessa hipótese. Ainda, nos termos do artigo 17, da Lei 11.033/2004, não há menor dúvida de que são garantidos os créditos sobre insumos que implicam em vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da COFINS . (E) RATEIO PROPORCIONAL Por fim, não vejo razão da manutenção da decisão no que tange ao rateio dos créditos da nãocumulatividade segundo a proporção entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno, haja vista que somente há previsão para o rateio entre receitas cumulativas e não cumulativas, nos termos do artigo 3º, da Lei Federal 10.833/2003, mesmo porque não houve qualquer menção no despacho decisório de que a Recorrente teria parte de suas receitas tributadas no regime cumulativo. Fl. 386DF CARF MF Processo nº 16349.000372/200981 Acórdão n.º 3401004.916 S3C4T1 Fl. 0 17 Por todo o exposto, conheço do Recurso e doulhe parcial provimento, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 387DF CARF MF
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