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Numero do processo: 10980.726404/2011-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/09/2009
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON.
A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-Dacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49.
A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal. sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10980.726362/2011-52, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/09/2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-Dacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal. sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo Recurso Voluntário Negado.
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Recorrente COTRANS LOCACAO DE VEICULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/09/2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições SociaisDacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal. sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10980.726362/201152, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 64 04 /2 01 1- 55 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10980.726404/201155 Acórdão n.º 3302005.893 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de exigência decorrente de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, tendo como fundamento legal o art. 7° da Lei n° 10.246, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada da exigência fiscal, a interessada interpôs impugnação, ressaltando, inicialmente, cerceamento ao seu direito de defesa, uma vez que o lançamento não contém de forma clara a descrição do fato e a indicação legal infringida, dificultando o oferecimento de impugnação consistente. Ressalta que trinta dias não é prazo suficiente para tudo analisar e verificar todas as perícias necessárias, para impugnar especificamente cada ponto. Disserta sobre o princípio do contraditório, citando doutrinadores. Realça que houve erro quanto ao enquadramento legal dos fatos, pois foi omitida a determinação da base de cálculo adotada pelo sistema fiscal, em ofensa ao art. 37, caput, da CF e art. 142, parágrafo único, do CTN. Alega transcurso do prazo decadencial entre parte dos fatos geradores do imposto e à formalização da exigência, já que os créditos considerados como rendimentos foram totalmente quitados, sendo que o lançamento somente foi efetivado após as exigências de cobrança, que, segundo esclarece, depois de transcorrido o prazo de lançados a documentação cobrada. Diz que nem sequer a regra decadencial seria a do 173 do CTN, em razão da multa agravada, eis que inexistem elementos caracterizadores do evidente intuito de fraude. Complementa que o simples fato de se tratar de tributação baseada em presunção da falta de cumprimento de uma obrigação acessória é suficiente, de per se, para afastar a acusada existência de dolo. Observa, ainda sobre o tema, da impossibilidade do agravamento da multa de ofício em matéria de omissão na entrega de documentação acessória pautada em presunção legal, discussão já superada no E. 1° Conselho de Contribuintes. Em um último ponto, pondera que se sobre o lançamento deve incidir acréscimos moratórios, calculados à razão da Taxa Selic, não pode prosperar, pois afrontam o art. 161, § 1°, do CTN, e art. 192, § 3°, da Constituição Federal. A Delegacia Regional de Julgamento considerou PROCEDENTE o presente lançamento, mantendo a exigência, nos termos do Acórdão nº 06040.031. O contribuinte cientificado do Acórdão de Impugnação ingressou com Recurso Voluntário alegando, em síntese: ü Da Denúncia Espontânea; ü Do efeito confiscatório da multa cominada no caso presente. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10980.726404/201155 Acórdão n.º 3302005.893 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.880, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.726362/201152, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.880): "Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 26 de abril de 2013, por via eletrônica, às folhas 6.982 do processo digital. O recurso voluntário foi apresentado em 21 de maio de 2013, sendo, portanto, tempestivo. Da controvérsia. O Recurso Voluntário apresenta as seguintes questões: Da Denúncia Espontânea; Do efeito confiscatório da multa cominada no caso presente. Passase à análise. Da Denúncia Espontânea. Sobre o assunto assim se manifestou o Recurso Voluntário (folhas 2 e 3): O Código Tributário Nacional, Lei n° 5.172/66, ao instituir normas gerais a serem observadas pelo legislador ordinário na elaboração de leis de tributação, estabelece a exclusão da responsabilidade pela prática de infração, na seguinte situação: "Art. 138 A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo Único Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração." Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10980.726404/201155 Acórdão n.º 3302005.893 S3C3T2 Fl. 5 4 Assim, o contribuinte que se antecipa à ação do Fisco e denuncia espontaneamente a infração, não pode ser responsabilizado pela prática do ato contrário à legislação, devendo ainda, ser excluída toda e qualquer penalidade a ser imposta a quem desta forma agir. A infração ou ilícito tributário retrata, conforme referido acima, o comportamento humano contrário às prescrições das normas tributárias e, de acordo com o ensinamento do Prof. Sacha Calmon Navarro Coelho, resulta basicamente de: "a) não pagar o tributo previsto em lei ou de fazêlo a destempo ou a menos; b) praticar atos vedados pela lei tributária ou deixar de praticar atos obrigatórios, segundo esta mesma lei"\ O inadimplemento, total ou parcial, da prestação tributária ou o seu adimplemento a destempo ou, ainda, o descumprimento de deveres instrumentais, acarretam, pois, a imposição de sanções de natureza fiscal, que possuem duplo efeito: o intimidativo (psicológico) que visa evitar a violação do direito e; o repressivo, que se verifica após perpetrado o desrespeito à norma tributária. As sanções fiscais multa por falta ou insuficiência no pagamento de tributo ou por pagamento a destempo têm, portanto, natureza punitiva, sancionatória. O Supremo Tribunal Federal, em sua composição Plenária, decidiu que "não se distingue mais entre multa indenizatória ou punitiva, porquanto a indenização da mora se faz através dos juros e da correção monetária"2. Demonstrado que as multas fiscais têm sempre caráter punitivo, decorram elas da prática de infração material (não pagamento de tributo devido ou efetuado intempestivamente) ou de infração formal (descumprimento de obrigação acessória), é de se afirmar que, qualquer que seja sua espécie, estará abrangida pelo disposto no art. 138 do CTN. Quanto à aplicação da denúncia espontânea ao caso, observo que decisões reiteradas e uniformes proferidas neste Conselho foram consubstanciadas na Súmula CARF n° 49, de observância obrigatória pelos seus membros, por força do art. 72, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF. O enunciado da súmula é o seguinte: Súmula CARF no 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente de atraso na entrega de declaração. Serviram de acórdãos paradigmas para ela, entre outros, os seguintes: · n° CSRF/0400.574, de 19/06/2007; Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10980.726404/201155 Acórdão n.º 3302005.893 S3C3T2 Fl. 6 5 · n° 19200.096, de'o6/10/2008; · n° 0709.410, de 30/05/2008; · n° 10196.625, de 07/03/2008; · n° 10516.674, de 14/09/2007; · n° 10809.252, de 02/03/2007. Cito as ementas: Acórdão CSRF/0400.574: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO PENALIDADE As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas, sem vínculo direto com fato gerador de tributo, não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138 do CTN. Recurso especial provido. Acórdão 19200.096: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF EXERCÍCIO: 2005 DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN (precedentes CSRF). DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. CONFISCO. A penalidade pela entrega da declaração extemporaneamente não se caracteriza como tributo. Inaplicável, assim, o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal de 1988. Recurso negado. Acórdão 10709.410: Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2001, 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A entrega da declaração de IRPJ fora do prazo legal, mesmo que espontaneamente, sujeita à multa estabelecida na legislação de regência do tributo, posto que não ocorre a denúncia espontânea Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10980.726404/201155 Acórdão n.º 3302005.893 S3C3T2 Fl. 7 6 prevista no art. 138 do CTN, por tratarse de descumprimento de obrigação acessória com prazo fixado em lei para todos os contribuintes. Acórdão 10196.625: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇAO DIPJ. A cobrança de multa por atraso na entrega de declaração tem previsão legal e deve ser efetuada pelo Fisco, uma vez que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea se refere à obrigação principal, não se aplicando às obrigações acessórias, por não estar vinculado diretamente com a existência do fato gerador do tributo. Recurso Voluntário Negado Acórdão 10809.252: IRPJ MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Recurso negado. Verificase que o fundamento para não se aplicar a denúncia espontânea às declarações, nos acórdãos que serviram de paradigma para a edição da Súmula CARF n° 49, também justifica sua não aplicação ao caso presente, pois a apresentação do Dacon é obrigação acessória autônoma, ato formal, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo. Do efeito confiscatório da multa cominada no caso presente. Tendo em vista que a vedação ao confisco tem seio em norma constitucional, na alegação da defesa de que a exação é confiscatória, implícita está a arguição de inconstitucionalidade da própria norma legal que prevê a penalidade, para afastar sua a aplicação no caso concreto. Entretanto, em face do modelo adotado em nosso sistema jurídico, a autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre inconstitucionalidade de normas legais, cabendo apenas executálas, não podendo negar aplicação à lei, sob argumento de que há conflito com a Constituição Federal. Com efeito, o órgão administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza, uma vez que exercício do controle da constitucionalidade, regulado pela própria Constituição Federal, é reservado ao Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa, conforme prevê a Lei Maior no Capítulo III do Título IV. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10980.726404/201155 Acórdão n.º 3302005.893 S3C3T2 Fl. 8 7 A presunção é que o Legislativo, antes de aprovar a lei tenha examinado eventual conflito com a Constituição Federal e chegado à conclusão de não haver tal contrariedade. Essa presunção somente sucumbe ante o pronunciamento judicial. Inadmissível é pretender que a autoridade administrativa descumpra a lei. Até aí não vai o seu poder, tendo em vista o alcance limitado do julgamento nessa esfera, que não pode se desviar dos estritos ditames legais, sendo vedado imiscuirse na competência do Poder Judiciário para examinar a constitucionalidade de normas. No mais, agasalhase o entendimento de que vem a ser essa uma limitação imposta pelo Legislador constituinte ao Legislador infraconstitucional (ordinário), portanto, não se pode dizer que o princípio esteja direcionado à Administração Tributária. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 89DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.905069/2012-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Trata o presente processo da análise dos Pedidos de ressarcimento nº 37194.62373.200112.1.1.080783 e 03098.79974.200112.1.1.097470 referentes à apuração de créditos de PIS e COFINS não cumulativos decorrentes de operações no mercado externo, de que tratam os arts. 3º e 5º da Lei nº 10.637/2002 e os arts. 3º e 6º da Lei nº 10.833/2003. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 05 06 9/ 20 12 -6 7 Fl. 2589DF CARF MF Processo nº 10783.905069/201267 Resolução nº 3301000.765 S3C3T1 Fl. 2.590 2 Foi efetuada análise dos pedidos de ressarcimento e compensação com créditos de PIS e COFINS, em relação ao período de 10/2005 a 12/2008 no processo nº 15586.720027/201206. Foi lavrado o PARECER SEFIS nº 23/2012, cuja ciência ocorreu em 13/03/2012. No curso da fiscalização a interessada apresentou os Pedidos de Ressarcimento nº 37194.62373.200112.1.1.08078.3 no valor de R$ 125.032,74, e nº 03098.79974.200112.1.1.097470, no valor de R$ 761.207,76, referentes ao PIS e COFINS do 2º trimestre de 2008, respectivamente. Os referidos pedidos não foram contemplados e apreciados pelo Parecer nº 23/2012, muito embora tenha sido realizada a apuração do saldo de créditos do 2º trimestre. Com base nestes Demonstrativos, e em todos os elementos de prova carreados no referido processo, restou comprovada a ausência de créditos passiveis de ressarcimento em relação ao 2º trimestre de 2008. Os pedidos de ressarcimento foram indeferidos, por ausência de créditos, e sobre os créditos indevidos foram aplicadas multas isoladas, com base no art. 62 da Lei nº 12.249/2010, por meio do processo nº 15586.720646/201292, que foi apensado a este. Os pedidos de ressarcimento foram indeferidos por meio do PARECER SEFIS Nº 119/2012 e do respectivo Despacho Decisório de folhas 743/747. A interessada foi cientificada em 25/07/2012 e apresentou manifestação de inconformidade ( 754/802), em 23/08/2012, alegando em síntese: conexão com o processo nº 15586.720027/201206 no qual foi analisado o direito creditório, sendo necessário o sobrestamento dos autos até o seu julgamento definitivo; A interessada repete todas as alegações efetuadas no processo nº 15586.720027/201206, quanto às glosas efetuadas e também alega nulidade já que o parecer não se baseou nos valores demonstrados no DACON. Em 27/03/2013 foi apresentada petição (fls. 2.260/2.264) na qual a interessada alega que a DRJ julgou o processo 15586.720027/201206, por meio do acórdão nº 1252.642, procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada. Diante disso, as glosas que não foram mantidas por meio do julgamento citado também não devem ser mantidas no processo em análise. Encerra ratificando todas as demais alegações efetuadas na manifestação de inconformidade. É o relatório." A DRJ no Rio de Janeiro (RJ) julgou a manifestação de inconformidade improcedente e o Acórdão n° 1255.386 foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 2590DF CARF MF Processo nº 10783.905069/201267 Resolução nº 3301000.765 S3C3T1 Fl. 2.591 3 Inexiste previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo de ressarcimento, mesmo na hipótese de o crédito vinculado estar sendo discutido em outro processo sem decisão definitiva na esfera administrativa. A administração pública tem o dever de impulsionar o processo, em respeito ao Princípio da Oficialidade. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO ANALISADO EM OUTRO PROCESSO. Deve ser indeferido Pedido de Ressarcimento, cuja ausência de crédito a ser reconhecido foi apurada em outro processo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo de ressarcimento, mesmo na hipótese de o crédito vinculado estar sendo discutido em outro processo sem decisão definitiva na esfera administrativa. A administração pública tem o dever de impulsionar o processo, em respeito ao Princípio da Oficialidade. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO ANALISADO EM OUTRO PROCESSO. Deve ser indeferido Pedido de Ressarcimento, cuja ausência de crédito a ser reconhecido foi apurada em outro processo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Inconformado, contribuinte interpôs recurso voluntário, em que, basicamente, repete os argumentos contidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Trata o presente processo de indeferimento de Pedidos de Ressarcimento (PER) de créditos de PIS e COFINS do 2° trimestre de 2008, ao qual foram vinculadas Declarações de Compensação (DCOMP) que, por conseguinte, não foram homologadas. A legitimidade dos créditos de PIS e COFINS dos 4° Trimestre de 2005 ao 4° Trimestre de 2008 é discutida nos autos do processo n° 15586.720027/201206, que encontra se nesta pauta para julgamento. Contudo, citado processo foi convertido em diligência, nos seguintes termos (trecho do voto condutor): Fl. 2591DF CARF MF Processo nº 10783.905069/201267 Resolução nº 3301000.765 S3C3T1 Fl. 2.592 4 "PROPOSTA PARA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Tanto em relação ao presente processo quanto aos indicados nas tabelas anteriormente apresentadas e que se encontram no apenso, na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, a recorrente apontou diversas inconsistências entre as planilhas de cálculo da fiscalização e os DACON, notas fiscais de entrada e livros contábeis. E carreou aos autos cópias dos citados documentos. Adicionalmente, alegou que a DRJ, ao recalcular as glosas, em função da decisão que proferiu, teria equivocadamente aumentado os valores das glosas efetuadas pela unidade de origem. Em razão dos grandes volumes de valores e informações, apliquei alguns testes nos valores relativos ao presente processo, cujos resultados apresento a seguir, e que me fizeram trazer para esta turma proposta de conversão do presente julgamento em diligência. Processo objeto da presente contenda créditos de PIS/COFINS do 4° trimestre de 2005 Na fl. 07 do Parecer SEFIS n° 23/2012, consta que a fiscalização foi realizada com base em planilhas fornecidas pela recorrente, contendo as apurações de PIS e COFINS, e nos arquivos magnéticos de notas fiscais de compra e venda. E, com base nas citadas planilhas, a fiscalização elaborou novo demonstrativo de apuração do PIS do 4° trimestre de 2005 (fl. 18.275), em que contemplou as glosas. Contudo, em ambas as peças de defesa, a recorrente relatou que cometeu dois equívocos que terminaram por induzir a fiscalização a erros, a saber: i) Na planilha de apuração do PIS, apôs que o total dos créditos era de R$ 1.163.316,16 m(fl. 18.275). Contudo, no DACON, havia R$ 1.274.881,05 (fls 3 a 23). A diferença monta a R$ 111.564,89. ii) Foram fornecidas para a fiscalização arquivos magnéticos contendo a totalidade das compras e não apenas aquelas que geraram créditos. Com isto, a fiscalização teria efetuado glosas de créditos que, de fato, não haviam sido tomados, no total de R$ 209.441,49. ii a) Apresentou exemplos, com indicação das contas contábeis dos custos e dos correspondentes créditos incluídos no DACON, por meio dos quais demonstra que alguns créditos glosados não foram computados no total dos créditos de PIS. Diante de tais alegações, a DRJ realizou diligência, cujos quesitos foram transcritos no relatório e cuja conclusão final (Termo de Encerramento de Diligência, fls. 18.169 a 18;161), em síntese, foi a de que o Parecer SEFIS n° 23/2012 não merecia reparos. Destaco do relatório de diligência os seguintes aspectos: a) No item 3 (fls. 18.176 e 18.177), o agente fiscal confirma que havia diferenças entre os arquivos de notas fiscais de compra e o DACON. E, por este motivo, adotou a planilha originalmente fornecida pelo contribuinte, em detrimento do DACON. a 1) Concluise que a diferença apontada pela recorrente realmente existe e não foi regularizada pelo trabalho de diligência b) Nos itens 4 (fls. 18.177 e 18.178) e 8 (fl. 18.179), o agente fiscal afirma somente foram glosados créditos efetivamente Fl. 2592DF CARF MF Processo nº 10783.905069/201267 Resolução nº 3301000.765 S3C3T1 Fl. 2.593 5 registrados. E que não procedem as alegações de que teria registrado crédito presumido e a fiscalização glosado crédito integral. b 1) Contudo, mais uma vez, adotou como base para seu trabalho o arquivo digital de notas de entrada e as planilhas preparadas pelo contribuinte que, como já vimos, divergiam do DACON. No voto condutor da decisão de piso, as divergências alegadas pelo contribuinte foram assim tratadas (fl. 18.302): "A interessada foi intimada (fl. 51/52) a apresentar planilha em arquivo excel, contendo os registros de todas as entradas que geraram crédito das contribuições não cumulativas, e que serviram de base para os valores informados no DACON. Tal planilha foi juntada às fls. 16.802/17.661. Assim sendo, os valores informados na planilha é que serviram de base para apuração do direito ao crédito da nãocumulatividade. De fato, tais valores são divergentes daqueles informados no DACON, o que resulta em um reconhecimento de crédito a menor por falta de comprovação, quando menor. Caberia a interessada, ao identificar que deixou de informar créditos a que teria direito na planilha, apresentar a documentação comprobatória de seu direito na manifestação de inconformidade. Do valor informado na planilha foram efetuadas glosas de crédito utilizados indevidamente que serão tratados nos itens a seguir. A interessada alega que não teria pleiteado no DACON alguns dos créditos glosados pela fiscalização. Considerando que a informação destes créditos consta na planilha utilizada pela fiscalização, sua glosa não causaria qualquer prejuízo na apuração do crédito." (g.n.) Com a devida vênia, entendo que a postura adotada pela DRJ desconsiderou as alegações e documentos carreados aos autos, além de desprestigiar o Princípio da Verdade Material, norteador do processo administrativo, fundado no Princípio Constitucional da Legalidade. De fato, há a divergência entre o DACON e a planilha fornecida pela recorrente e adotada pela fiscalização. E são consistentes os demonstrativos de cálculo dos créditos contidos nas peças de defesa. São apresentadas as contas contábeis dos custos computados nas bases de cálculo dos créditos declarados (DACON), cuja leitura evidencia que há sim uma real possibilidade de terem sido glosados créditos não aproveitados pela recorrente. Isto posto, diante das evidências, cabe à autoridade julgadora administrativa requerer que os fatos aduzidos pela recorrente sejam melhor perscrutados. E o caminho natural é a realização de diligência. Assim sendo, proponho que a unidade de origem intime o contribuinte a: i) Apresentar novas planilhas de apuração de PIS do 4° trimestre de 2005, porém, desta feita, que deem suporte aos valores incluídos no DACON. ii) Conciliar as planilhas com as notas fiscais de entrada contidas nos autos. Fl. 2593DF CARF MF Processo nº 10783.905069/201267 Resolução nº 3301000.765 S3C3T1 Fl. 2.594 6 iii) Indicar nas planilhas todas as divergências que alega existirem entre o trabalho da fiscalização e o DACON entregue. A unidade de origem deverá validar as novas planilhas e, caso necessário, recalcular o novo saldo de créditos de PIS do 4° trimestre, após as glosas. O mesmo trabalho deverá ser realizado para os créditos de PIS e COFINS dos demais trimestres fiscalizados, quais sejam, 1° trimestre de 2006 ao 4° trimestre de 2008." Isto posto, proponho que este julgamento seja convertido em diligência, para que seja realizado para o presente processo trabalho idêntico ao proposto para o de n° 15586.720027/201206 e que foi acima transcrito. O resultado do trabalho deve ser formalizado por meio de relatório, do qual deve ser dada ciência ao contribuinte e aberto prazo para manifestação. Em seguida, os autos devem retornar para o CARF conclusos para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 2594DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.006148/2008-00
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA.
Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.
Numero da decisão: 9303-007.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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DISSIMILITUDE FÁTICA. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 61 48 /2 00 8- 00 Fl. 381DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo ao acórdão 330100.766, da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 RESSARCIMENTO. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE A legislação é taxativa em atribuir o direito ao ressarcimento do saldo credor do IPI, apurado na escrita fiscal, às aquisições de matériasprimas, insumos e produtos intermediários efetivamente utilizados na industrialização de produtos e não as suas revendas. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP), está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados.” Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: · Discutese o direito de o sujeito passivo compensar créditos escriturais de IPI pagos na importação de insumos para fabricação de embalagens de material plástico/papelão, tendo em vista que sua atividade se caracteriza como industrialização, nos termos do art. 4º do RIPI, na medida em que realiza correções de deformações, melhoria no acabamento e impressão gráfica nos estojos para ovos (beneficiamento); Fl. 382DF CARF MF Processo nº 11020.006148/200800 Acórdão n.º 9303007.349 CSRFT3 Fl. 565 3 · O acórdão recorrido limitase a afirmar que a atividade exercida pelo sujeito passivo consiste na importação de embalagens plásticos/papelão para acondicionamento de ovos in natura e revenda no mercado interno, sendo que, para alguns clientes, realiza, sob encomenda, impressões gráficas, as quais não se caracterizam como processo de industrialização; · A atividade envolve complexo processo de industrialização: correção de deformações nas embalagens e impressões gráficas. Em Despacho à fls. 314, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que trouxe, entre outros, que: · O sujeito passivo afirma que realiza o beneficiamento das embalagens importadas, na medida em que efetua correção de deformações, melhoria de acabamento e impressão gráfica, na hipótese de encomendas. Por seu turno, o acórdão recorrido entendeu que a contribuinte autuada apenas coloca rotulagem, marcação e impressão gráfica com indicação do produto ou indicação da granja, e que isso não o torna um estabelecimento industrial; · A empresa, por ser estabelecimento apenas equiparado a industrial, não tem direito ao ressarcimento do IPI em virtude de não ter agregado insumos ao produto adquirido e vendido por ele; · O imposto pago na aquisição foi repassado para o adquirente dos respectivos produtos, como muito bem asseverado pela fiscalização, pelo acórdão proferido em primeira instância e pelo acórdão recorrido. É o relatório. Voto Fl. 383DF CARF MF 4 Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do recurso especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que não devo conhecêlo, vez que não há similitude fática entre os arestos recorrido e os indicados como paradigma. Recordase que a lide versa sobre o direito ao ressarcimento de crédito de IPI para o sujeito passivo – que foi considerado pelo colegiado a quo como “equiparado a industrial”, vez que se alegou naquela ocasião que o sujeito passivo importa embalagem para acondicionamento de ovos e as revende no mercado, aplicando impressões gráficas para alguns casos. O sujeito passivo, por sua vez, argumenta que realiza o beneficiamento das embalagens e ainda efetua impressões gráficas tornandoa estabelecimento industrial. E que, sendo assim, teria direito à suspensão da incidência do IPI sobre a saída dos produtos que industrializa. O acórdão recorrido, então, ao definir que o estabelecimento do sujeito passivo era equiparado a industrial, e não industrial, não reconheceu o direito ao ressarcimento do IPI, consignando a seguinte ementa: “RESSARCIMENTO. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE A legislação é taxativa em atribuir o direito ao ressarcimento do saldo credor do IPI, apurado na escrita fiscal, às aquisições de matérias primas, insumos e produtos intermediários efetivamente utilizados na industrialização de produtos e não as suas revendas. ” Traz como fundamento que o art. 11 da Lei 9.779/99 é taxativo ao atribuir o direito ao ressarcimento do saldo credor do IPI apurado na escrita fiscal às operações decorrentes de industrialização e não da revenda de produtos. Enquanto, temse que o acórdão indicado como paradigma de nº: · 20308.994: Fl. 384DF CARF MF Processo nº 11020.006148/200800 Acórdão n.º 9303007.349 CSRFT3 Fl. 566 5 Trata de sujeito passivo que realiza montagem para a saída de produto – através da união de peças e partes ou unidade autônoma. O Colegiado entendeu que essa atividade seria industrial. Para melhor elucidar, transcrevo a ementa consignada: “IPI — IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — Para os efeitos de incidência do IPI, considerase industrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade ou o aperfeiçoe para o consumo (parágrafo único do art. 46 do CTN). Ao explicitar como se caracteriza a industrialização, para o mesmo efeito, o Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIPI/82 dispõe, em seu art. 3 0, inciso III, que constitui industrialização a montagem, consistente na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal. Nesse sentido definiu a operação que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento).” Vêse que não há similitude fática com o caso vertente, vez que não houve discussão de importação de produto, beneficiamento desse produto e revenda ou venda do produto “beneficiado” – embalagem – o que sabemos que poderia gerar a discussão acerca da caracterização como estabelecimento industrial ou equiparada a industrial. O que seria a lide principal do caso vertente. Além disso, não se discutiu o art. 11 da Lei 9.779/99. · 20219.344: Trata de sujeito passivo que efetivamente fabrica as próprias caixas. Tanto é assim, que essa turma ao apreciar recurso especial interposto pelo sujeito passivo, assim consolidou em acórdão 9303006.483: Fl. 385DF CARF MF 6 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/01/1999 a 20/01/2002 ATIVIDADE PREPONDERANTEMENTE INDUSTRIAL. NÃO INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 156 DO STJ. A atividade de confecção de caixas de papelão com logotipo, sob encomenda, para embalagem de mercadorias, prestada por empresa industrial, não constitui mera prestação de serviço de composição gráfica, devendo ser considerada, para efeitos fiscais, como atividade de industrialização. A inserção, no produto assim confeccionado, de impressões gráficas, contendo a identificação da mercadoria a ser embalada e o nome do seu fornecedor, é um elemento eventual, cuja importância pode ser mais ou menos significativa, mas é invariavelmente secundaria no conjunto da operação. ” Ademais, naquele caso, estava se discutindo a incidência de IPI na industrialização de embalagens “personalizadas por encomenda”. Proveitoso trazer que naquele julgamento essa conselheira apresentou declaração de voto, trazendo fatores cruciais para concordar com o relator pelas conclusões, vez que percebeu que não se tratava de produtos feitos por encomenda. Diferentemente do caso vertente, onde se discute se o sujeito passivo seria estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, vez que realiza beneficiamento de embalagem importada. Para assim, se considerado estabelecimento industrial, reconhecer o direito à suspensão da incidência do IPI sobre a saída dos produtos que industrializa. Em vista de todo o exposto, por não haver similitude fática entre os arestos recorrido e os indicados como paradigma, entendo que o recurso especial interposto pelo sujeito passivo não deva ser conhecido, em respeito ao art. 67 do RICARF – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. O que, por conseguinte, voto por não conhecer o Recurso Especial. É o meu voto. Fl. 386DF CARF MF Processo nº 11020.006148/200800 Acórdão n.º 9303007.349 CSRFT3 Fl. 567 7 (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 387DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13602.000108/2005-88
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO. IRRF.
Não é admissível que o julgamento de primeira instância promova a glosa de IRRF, sob pena de violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório.
IMPOSTO RETIDO NA FONTE. DEDUÇÃO DO IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO
O imposto retido na fonte pode ser deduzido na declaração de rendimentos se restarem comprovadas a sua efetiva retenção e a inclusão dos rendimentos correspondentes à base de cálculo do imposto apurado no ajuste anual.
Numero da decisão: 2002-000.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para restabelecer o IRRF no valor de R$3.007,46, desconsiderado na decisão do colegiado de primeira instância.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001 COMPENSAÇÃO. IRRF. Não é admissível que o julgamento de primeira instância promova a glosa de IRRF, sob pena de violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. DEDUÇÃO DO IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO O imposto retido na fonte pode ser deduzido na declaração de rendimentos se restarem comprovadas a sua efetiva retenção e a inclusão dos rendimentos correspondentes à base de cálculo do imposto apurado no ajuste anual.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO. Recorrente GILSON DA SILVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. IRRF. Não é admissível que o julgamento de primeira instância promova a glosa de IRRF, sob pena de violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. DEDUÇÃO DO IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO O imposto retido na fonte pode ser deduzido na declaração de rendimentos se restarem comprovadas a sua efetiva retenção e a inclusão dos rendimentos correspondentes à base de cálculo do imposto apurado no ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para restabelecer o IRRF no valor de R$3.007,46, desconsiderado na decisão do colegiado de primeira instância. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 2. 00 01 08 /2 00 5- 88 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13602.000108/200588 Acórdão n.º 2002000.266 S2C0T2 Fl. 60 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 5ª Turma da DRJ/BHE, que considerou procedente em parte o lançamento, em decisão assim ementada (fls.44/47): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 DEDUÇÕES. São admitidas as deduções pleiteadas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos. A decisão foi assim registrada: Acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por maioria e voto de qualidade, em julgar procedente em parte o lançamento, nos termos do relatório e voto da relatora que integram o presente julgado. Vencidos os julgadores Luciano Coimbra Teixeira, Heloísa de Moraes Silveira e Maria Helena Dias Cyrino. Participaram da presente sessão, além da presidente e da relatora, Luciano Coimbra Teixeira, Heloisa de Moraes Silveira, Marcelo Veiga Ferreira e Maria Helena Dias Cyrino. Ausente justificadamente Alba Andrade de Oliveira Dib. Intimese para pagamento no prazo de 30 (trinta) dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Primeiro Conselho de Contribuintes, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações. Em face do sujeito passivo foi emitido o Auto de Infração de fls. 19/26, relativo ao anocalendário 2001, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que a fiscalização apurou omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$36.631,76 (IRRF correspondente de R$1.734,63). O Auto de Infração alterou o resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$2.415,06 para saldo de imposto a pagar de R$10.754,16. Cientificado da notificação em 30/4/2005 (fls.35), o contribuinte impugnou a exigência fiscal em 31/5/2005 (fls. 2/26). Em apertada síntese, ele não contestou a omissão apontada, mas pleiteou a consideração de deduções a título de pensão judicial, dependente e instrução. Pediu ainda o cancelamento de penalidades, tendo em vista sua boafé. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13602.000108/200588 Acórdão n.º 2002000.266 S2C0T2 Fl. 61 3 Intimado da decisão do colegiado de primeira instância, o recorrente apresentou recurso voluntário em 18/12/2008 (fls. 52/57), em que alega os seguintes argumentos de defesa: no montante dos rendimentos declarados e considerados na autuação está incluso aquele pago pela Prefeitura Municipal de Rio Espera, no valor de R$28.036,34. pelo entendimento do colegiado de primeira instância, que excluiu o IRRF relativo a essa fonte pagadora, caberia a exclusão dos rendimentos, o que não foi feito. os rendimentos advindos dessa fonte pagadora foram pagos ao contribuinte, que é o responsável por leválos ao ajuste na Declaração, fazendo jus a compensar o IRRF correspondente. alega que essa situação não se altera, pelo fato de existir determinação judicial no sentido de que todo o rendimento seja repassado para a beneficiária da pensão alimentícia. defende que o saldo de imposto a pagar é de R$3.016,72, conforme demonstrativo elaborado na sua defesa (fl.54), e não de R$2.415,06 como declarado à Receita Federal do Brasil. requer o acolhimento do seu recurso sem penalidades, uma vez que os equívocos não ocorreram por máfé sua. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade Conforme informado à fl. 58, não foi localizado o Aviso de Recebimento AR relativo à ciência ao recorrente da decisão de primeira instância. Na ausência de prova da entrega ao contribuinte do acórdão de impugnação, é de se considerar o recurso tempestivo, e deve, portanto, ser conhecido e apreciado. Mérito Compensação de IRRF Embora a autuação veicule a omissão de rendimentos recebidos das fontes pagadoras de CNPJ os 16.752.446/000102 e 18.295.329/000192 (fl.21), o litígio a ser apreciado recai sobre o IRRF relativo à Prefeitura Municipal de Rio Espera MG, CNPJ nº 24.179.665/000171. Como já relatado, o sujeito passivo concordou expressamente com a omissão de rendimentos a ele atribuída e requereu a consideração de algumas deduções (pensão judicial, dependente e instrução). Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13602.000108/200588 Acórdão n.º 2002000.266 S2C0T2 Fl. 62 4 Na apreciação do feito, o colegiado de primeira instância acatou as retificações pleiteadas, mas alterou o valor do IRRF compensado, de R$4.892,75 para R$1.885,29, consignando: Registrese que somente pode ser deduzida do imposto devido na declaração de rendimentos a importância descontada na fonte sobre rendimentos oferecidos à tributação (art.12 da Lei n° 9.250, 26 de dezembro de 1995). Uma vez que todo o valor pago pela Prefeitura Municipal de Rio Espera foi repassado à ex esposa a título de pensão alimentícia não há base de cálculo para a retenção de imposto de renda na fonte, fl.11. Portanto, a quantia descontada dos R$28.036,34, deduzidos como pensão alimentícia, não pode ser utilizada pelo contribuinte como dedução do imposto. Por conseguinte, o imposto retido na fonte perfaz R$1.885,29 (R$4.892,75 R$3.007,46). O entendimento da decisão de piso não pode prosperar. Vejamos. Primeiro, pelo fato de a decisão de piso ter levado a efeito, na verdade, uma nova autuação, uma inovação do lançamento original. Ao assim proceder, restou prejudicado o direito da ampla defesa e do contraditório do sujeito passivo. Os rendimentos e o IRRF vinculados ao Município de Rio Espera MG foram declarados pelo contribuinte (fl.31) e não foram objeto da autuação. Ainda que a decisão tenha beneficiado o contribuinte, por acatar as deduções não declaradas por ele, não poderia ter efetuado a glosa parcial do IRRF declarado, o que só poderia ocorrer mediante novo lançamento. Segundo, pelo fato de restar demonstrado nos autos que o contribuinte faz jus a compensar o valor do IRRF em discussão. O comprovante de rendimentos de fl. 57 confirma que o rendimento foi auferido pelo contribuinte, tendo ocorrido a retenção na fonte do IR, ainda que, num segundo momento, o rendimento tenha sido integralmente repassado para uma terceira pessoa a título de pensão alimentícia judicial (fl.12). Dessa feita, deve ser acatado o recurso do contribuinte no sentido de se restabelecer o IRRF de R$3.007,46. Multa de Ofício Ao final de seu recurso, o recorrente requer o cancelamento da penalidade aplicada, uma vez que os equívocos não ocorreram por máfé sua. Sobre o imposto suplementar calculado pela fiscalização, foi aplicada multa de ofício proporcional de 75% (setenta e cinco por cento), com esteio no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13602.000108/200588 Acórdão n.º 2002000.266 S2C0T2 Fl. 63 5 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) A penalidade aplicada, no percentual de 75%, é uma sanção pecuniária com origem no descumprimento de obrigação principal consistente na falta de pagamento do imposto. O percentual independe do dolo na conduta do sujeito passivo, incidindo proporcionalmente ao montante do imposto não pago que foi identificado quando do lançamento de ofício. Caso ficasse comprovado que o sujeito passivo agiu com dolo, a autoridade lançadora aplicaria o percentual duplicado para a multa punitiva, correspondendo a 150% (cento e cinquenta por cento), nos termos do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, antes reproduzido. Portanto, a existência de boafé e a falta de uma intenção dolosa do recorrente não é suficiente para eximir sua responsabilidade e afastar a aplicação da multa de ofício, tampouco dispensar a exigência do imposto e dos juros de mora. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento parcial, para restabelecer o IRRF no valor de R$3.007,46, desconsiderado na decisão do colegiado de primeira instância. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.905391/2009-23
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. O acórdão recorrido fez extensa análise sobre os efeitos retroativos do Laudo Constitutivo e do Ato Declaratório Executivo que reconheceram o benefício fiscal de Redução do Imposto de Renda calculado com base no lucro da exploração, especificamente na parte em que esses efeitos retroativos afetam a apuração das estimativas mensais (tanto para as que haviam sido apuradas por BSR, quanto pela receita bruta). O acórdão paradigma, por sua vez, tratou de lançamento de multa isolada sobre estimativas não recolhidas, calculadas com base na receita bruta, num caso em que a contribuinte defendia valores de estimativas calculados com base em balancetes de suspensão/redução, que foram transcritos no LALUR de forma extemporânea. O acórdão recorrido não trata de indébito de estimativa gerado por mudança de regime (de receita bruta para BSR). E o acórdão paradigma não empreendeu nenhuma análise sobre os efeitos retroativos de um benefício fiscal reconhecido em Laudo Constitutivo e Ato Declaratório Executivo. Aliás, essas questões sobre os efeitos retroativos de um benefício fiscal são completamente estranhas ao paradigma. Não há paralelo entre as decisões cotejadas para que se possa caracterizar divergência a ser sanada mediante processamento de recurso especial. Os contextos absolutamente distintos justificam as diferentes decisões.
Numero da decisão: 9101-003.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10380.905399/2009-90, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Relator e Presidente em Exercício.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. O acórdão recorrido fez extensa análise sobre os efeitos retroativos do Laudo Constitutivo e do Ato Declaratório Executivo que reconheceram o benefício fiscal de Redução do Imposto de Renda calculado com base no lucro da exploração, especificamente na parte em que esses efeitos retroativos afetam a apuração das estimativas mensais (tanto para as que haviam sido apuradas por BSR, quanto pela receita bruta). O acórdão paradigma, por sua vez, tratou de lançamento de multa isolada sobre estimativas não recolhidas, calculadas com base na receita bruta, num caso em que a contribuinte defendia valores de estimativas calculados com base em balancetes de suspensão/redução, que foram transcritos no LALUR de forma extemporânea. O acórdão recorrido não trata de indébito de estimativa gerado por mudança de regime (de receita bruta para BSR). E o acórdão paradigma não empreendeu nenhuma análise sobre os efeitos retroativos de um benefício fiscal reconhecido em Laudo Constitutivo e Ato Declaratório Executivo. Aliás, essas questões sobre os efeitos retroativos de um benefício fiscal são completamente estranhas ao paradigma. Não há paralelo entre as decisões cotejadas para que se possa caracterizar divergência a ser sanada mediante processamento de recurso especial. Os contextos absolutamente distintos justificam as diferentes decisões.
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REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. O acórdão recorrido fez extensa análise sobre os efeitos retroativos do Laudo Constitutivo e do Ato Declaratório Executivo que reconheceram o benefício fiscal de Redução do Imposto de Renda calculado com base no lucro da exploração, especificamente na parte em que esses efeitos retroativos afetam a apuração das estimativas mensais (tanto para as que haviam sido apuradas por BSR, quanto pela receita bruta). O acórdão paradigma, por sua vez, tratou de lançamento de multa isolada sobre estimativas não recolhidas, calculadas com base na receita bruta, num caso em que a contribuinte defendia valores de estimativas calculados com base em balancetes de suspensão/redução, que foram transcritos no LALUR de forma extemporânea. O acórdão recorrido não trata de indébito de estimativa gerado por mudança de regime (de receita bruta para BSR). E o acórdão paradigma não empreendeu nenhuma análise sobre os efeitos retroativos de um benefício fiscal reconhecido em Laudo Constitutivo e Ato Declaratório Executivo. Aliás, essas questões sobre os efeitos retroativos de um benefício fiscal são completamente estranhas ao paradigma. Não há paralelo entre as decisões cotejadas para que se possa caracterizar divergência a ser sanada mediante processamento de recurso especial. Os contextos absolutamente distintos justificam as diferentes decisões. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 53 91 /2 00 9- 23 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10380.905391/200923 Acórdão n.º 9101003.712 CSRFT1 Fl. 3 2 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10380.905399/200990, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Relator e Presidente em Exercício. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial quanto ao que se decidiu sobre direito creditório apurado a partir de estimativa mensal de IRPJ. A recorrente insurgese contra o acórdão recorrido, por meio do qual a respectiva turma da 1a Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, deu provimento a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para fins de reconhecer direito creditório decorrente de pagamento indevido de estimativa mensal de IRPJ. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos a seguir: o r. acórdão ao tempo em que reconheceu o direito creditório no pagamento de estimativa, se quedou silente a respeito da escrituração do balancete de suspensão ou redução da estimativa; ocorre que somente pode ser feito o reconhecimento das estimativas com a transcrição tempestiva dos balancetes no diário; a questão, inclusive, foi objeto do v. voto condutor do r. acórdão da d. DRJ, verbis: [...]; por meio de embargos de declaração foram apontadas a omissão e a contradição do r. acórdão; os embargos de declaração, no entanto, foram desprovidos sob as razões abaixo, verbis: [...]; Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10380.905391/200923 Acórdão n.º 9101003.712 CSRFT1 Fl. 4 3 o entendimento do r. acórdão diverge da jurisprudência pacífica do CARF, v.g.: ‘IRPJ/CSL FALTA DE TRANSCRIÇÃO NO LIVRO DIÁRIO DOS BALANCETES DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO DOS TRIBUTOS DEVIDOS POR ESTIMATIVA Não milita a favor do sujeito passivo, o argumento de que balancetes de suspensão autorizariam o não recolhimento de estimativas, quando ditos balancetes não foram transcritos no Livro Diário, como determina a legislação concedente do benefício, mormente quando diferenças nas transcrições dos balanços não são esclarecidas. Acórdão 108 07095.’ de outra banda, o r. acórdão desafiado sustenta que ‘(...) em face da excepcionalidade da situação analisada – reconhecimento do benefício fiscal de redução do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) com efeitos ex tunc, cuja dedução é admissível na determinação do imposto devido mensalmente com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução (BSR), no período abrangido por esse mesmo balanço ou balancete –, tenha o sujeito passivo escriturado ou não balancetes de suspensão ou redução da estimativa. (...)’ portanto, a divergência reside na vinculação entre o direito de redução de estimativas à transcrição dos balancetes de suspensão e redução no diário. No ver do r. acórdão paradigma, a redução das estimativas somente cabe em face da escrituração dos balancetes de suspensão e redução de estimativas e sua transcrição no diário. De outra banda, o r. acórdão desafiado sustenta a possibilidade da suspensão ou redução de estimativas independentemente da escrituração dos balancetes e sua transcrição no diário; data venia, por força da legislação tributária, em particular a IN SRF nº 93, de 24/12/1997, art. 12, § 5º, alíneas: a e b, bem como a IN SRF nº 460, art. 10, não cabe prosperar o entendimento do r. acórdão desafiado; posto isso, requer a Fazenda Nacional seja o presente recurso conhecido e provido, para que seja reformado o v. acórdão proferido pela e. Câmara a quo, nos termos acima aduzidos, mantendose, via de conseqüência, a decisão proferida em primeira instância. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente de Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho, deu seguimento ao recurso. Os autos foram encaminhados à unidade de origem para que a contribuinte fosse cientificada do Acórdão recorrido, do recurso especial da PGFN, e do despacho que deu seguimento a esse recurso, e ela apresentou tempestivamente, as contrarrazões ao recurso, com os argumentos descritos a seguir: o presente recurso especial é de todo descabido e deve ser rejeitado. Isso porque o único argumento desenvolvido pela Fazenda Nacional consiste na exigência de prévia escrituração de balancete de suspensão, como condição para a redução da base de cálculo estimada do IRPJ e da CSLL. Tal argumento, todavia, é de todo e por todo alheio à situação tratada nestes autos; aqui a Recorrida demonstrou que pagou o IRPJ por estimativa de forma incorreta e a maior no mês, pois não deduziu da respectiva base de cálculo o valor Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10380.905391/200923 Acórdão n.º 9101003.712 CSRFT1 Fl. 5 4 correspondente ao Benefício fiscal concedido pela Agência de Desenvolvimento do Nordeste ADENE em 20.12.2005 (com efeitos retroativos a janeiro de 2005), nos termos do §6º, do art. 223, do RIR/99; fácil notar, portanto, que o erro que levou ao pagamento a maior do IRPJ em nada se refere à apuração dos resultados da Recorrida. Não houve alteração na metodologia de pagamento do imposto com base no lucro estimado, que continuou a servir de base de calculo, apenas com os ajustes relativos ao mencionado incentivo fiscal. Assim, ter ou não o balancete de suspensão é completamente irrelevante, até porque repitase no caso de que aqui se cuida não foi utilizado o resultado apurado em balancete, e sim o mesmo lucro estimado com a dedução do citado beneficio fiscal; não há dúvida que a decisão que a Fazenda Nacional aponta como paradigma trata de assunto diverso. Naquele caso, o contribuinte afirma que apurou lucro menor que o estimado e isto justificaria o não recolhimento dos tributos calculados por estimativa. Por isso é que foi decidido pela necessidade da prévia escrituração dos balancetes de suspensão, que indicam uma nova base de cálculo para o imposto. O que é totalmente diferente do caso da Recorrida, que se limitou a aproveitar um benefício fiscal, sem sair da sistemática de pagamento do IRPJ por estimativa; tanto é assim, que o acórdão que rejeitou os embargos de declaração apresentados pela PFN, nos quais alegava a omissão no que diz respeito à exigência da escrituração do balancete de suspensão, concluiu que "o entendimento da Embargante — correto, aliás — se aplica a situações normais, em que não se verifica como na presente hipótese — 'fato superveniente e relevante, com reflexos retroativos por força de lei'. inexiste, portanto, a divergência jurisprudencial necessária ao cabimento do presente recurso; face ao exposto, pede a Vossas Excelências que não conheçam do presente Recurso Especial, ou, caso assim não entendam, pede que lhe neguem provimento, confirmando integralmente o v. Acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10380.905391/200923 Acórdão n.º 9101003.712 CSRFT1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O julgamento do presente recurso especial segue a sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º a 3º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, já que as situações fática e jurídica verificadas neste processo são, em todos os aspectos relevantes para decisão, idênticas àquelas verificadas no processo 10380.905399/200990, ao qual este é vinculado. Isso posto, aplicase aqui o decidido por esta 1ª Turma da CSRF em seu Acórdão nº 9101003.709, exarado em 09 de agosto de 2018, no âmbito do referido processo 10380.905399/200990. Transcrevese, a seguir, como razões de decidir do presente litígio, o voto que prevaleceu no mencionado Acórdão nº 9101003.709: Não há condições para se conhecer do recurso especial. As alegações da contribuinte em sede de contrarrazões são procedentes. É importante compreender bem o contexto dos presentes autos. O acórdão recorrido esclarece que ele se reporta a diversos processos da Recorrente, atinentes a Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), cujos créditos pleiteados, decorrentes de pagamentos indevidos do IRPJ mensal por estimativa, são referentes aos meses de fevereiro, março, setembro, outubro e novembro de 2005 (meses de pagamento). No caso do processo sob exame, o litígio abrangeu o Per/Dcomp em que a contribuinte utilizou crédito decorrente do pagamento de estimativa de IRPJ realizado em 30/11/2005, referente ao mês de outubro/2005. Ainda de acordo com o acórdão recorrido: os despachos decisórios dos vários processos não homologaram as compensações declaradas mediante Per/DComp, com fundamento no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; contudo, a questão referente à impossibilidade de restituição/compensação de estimativas já foi superada nas decisões de primeira instância, que negaram apenas em parte os pleitos da contribuinte; as decisões de primeira instância negaram a caracterização de pagamento indevido de estimativa, mas o admitiram como pagamento a maior do imposto (saldo negativo), reconhecendo Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10380.905391/200923 Acórdão n.º 9101003.712 CSRFT1 Fl. 7 6 parcialmente o direito creditório pleiteado, considerandoo válido, para efeito de atualização monetária, a partir de janeiro de 2006; já era fato incontroverso, após as decisões de primeira instância, a existência de direito creditório por parte da Recorrente; a única discussão que remanescia nos autos era quanto ao termo inicial a ser considerado para a efetivação desse direito creditório, se da data de cada pagamento efetuado, no decorrer do anocalendário de 2005, ou se de janeiro de 2006, como entenderam as decisões recorridas. Definidos os contornos da controvérsia na fase de recurso voluntário, o acórdão recorrido empreendeu a seguinte análise em relação à parte do direito creditório que ainda não havia sido reconhecida: 8. Chamo a atenção para o fato de que não se está diante de pedido de retificação ou de elaboração de BSR (Balancete de suspensão ou redução), mas de pleito de restituição/compensação de valor pago indevidamente. 9. Assim, não procede a extensa argumentação da decisão recorrida, no sentido de ser impossível dita retificação ou elaboração e de que o BSR apresentado alteraria a forma de apuração do débito de estimativa, originalmente determinado sobre a receita bruta (em alguns processos). 10. Abrese, aqui, um parêntese para se destacar o que segue. 11. Por meio do Laudo Constitutivo nº 0334/2005, de 20 de dezembro de 2005, expedido pela Agência de Desenvolvimento do Nordeste (ADENE), teve a Recorrente reconhecido o benefício fiscal de Redução do Imposto de Renda, nos termos do art. 13 da Lei nº 4.239, de 27 de junho de 1963, com a nova redação dada pelo art. 3º da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e alterações posteriores, conforme Medida Provisória nº 2.19914, de 24 de agosto de 2001 e Decreto nº 4.213, de 26 de abril de 2002, sendo o início do prazo de fruição do benefício o anocalendário de 2005. 12. Posteriormente, pelo Ato Declaratório Executivo nº 016, de 13 de março de 2006, a Delegacia da Receita Federal em FortalezaCE reconheceu que a Recorrente faz jus à redução do imposto de renda, e adicionais não restituíveis, calculados com base no lucro da exploração, relativamente ao empreendimento de que trata o Laudo Constitutivo nº 0334/2005, expedido pelo Ministério da Integração Nacional, na forma ali discriminada (Percentual de redução do Imposto de Renda e adicionais não restituíveís: 75% (setenta e cinco por cento); Início do prazo de fruição do beneficio: anocalendário 2005; Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10380.905391/200923 Acórdão n.º 9101003.712 CSRFT1 Fl. 8 7 Prazo total de fruição: 10 anos; Término do prazo de fruição do beneficio: anocalendário de 2014). 13. Fechado o parêntese, observase que, na determinação do imposto devido mensalmente com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução (BSR), no período abrangido por esse mesmo balanço ou balancete, admitese a dedução dos incentivos fiscais Regionais de Redução e/ou Isenção do Imposto. 14. Logicamente, se o citado Laudo Constitutivo, e o respectivo Ato Declaratório Executivo, houvesse sido emitido antes do início do anocalendário de 2005, não teria feito uso, a Recorrente, da determinação do imposto devido mensalmente com base em estimativa sobre a receita bruta (o que se deu em alguns processos), mas, sim, daquela primeira (BSR). 15. Não é, pois, correto, se pretender equiparar a situação em análise a uma espécie de “mudança de opção” (em alguns processos), tomada ao livre arbítrio da Recorrente, para a situação excepcional ora analisada. 16. Tratase, como visto, de fato superveniente e relevante, com reflexos retroativos por força de lei, como segue (anocalendário em que o empreendimento entrou em operação 2002): Art. 1º Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, a partir do anocalendário de 2000, as pessoas jurídicas que tenham projeto protocolizado e aprovado até 31 de dezembro de 2013 para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados, em ato do Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, nas áreas de atuação das extintas Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste Sudene e Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia Sudam, terão direito à redução de 75% (setenta e cinco por cento) do imposto sobre a renda e adicionais, calculados com base no lucro da exploração. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) §1º A fruição do benefício fiscal referido no caput deste artigo darseá a partir do anocalendário subseqüente àquele em que o projeto de instalação, ampliação, modernização ou diversificação entrar em operação, segundo laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional até o último dia útil do mês de março do ano calendário subseqüente ao do início da operação. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) §2º Na hipótese de expedição de laudo constitutivo após a data referida no §1º, a fruição do benefício darseá a partir do anocalendário da expedição do laudo. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10380.905391/200923 Acórdão n.º 9101003.712 CSRFT1 Fl. 9 8 §3º O prazo de fruição do benefício fiscal será de 10 (dez) anos, contado a partir do anocalendário de início de sua fruição. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) 17. Essa, aliás, a conclusão a que chegou a Informação Fiscal que instruiu a edição do mencionado Ato Declaratório Executivo: 4.4. De acordo com os parágrafos 1º a 3º do art. 73 da Instrução Normativa nº 267, de 23 de dezembro de 2002 c/c o § 3º do art. 1º da Medida Provisória nº 2.19914, de 24 de agosto de 2001, com a redação dada pelo art. 32 da Lei nº 11.196/2005, a fruição do benefício se dará, a partir do anocalendário 2005 até o anocalendário 2014, tendo em vista que o empreendimento entrou em operação no anocalendário 2002 e o Laudo Constitutivo foi expedido em 20 de dezembro de 2005 (fls. 24 a 28). 18. E se referido favor fiscal possui, inegavelmente, efeitos ex tunc, não se pode pretender limitar esses efeitos com fundamento em procedimentos adotados pela Recorrente, quando ainda não reconhecido a ela aquele benefício. 19. Portanto, é de se conferir eficácia plena ao Laudo Constitutivo, e respectivo Ato Declaratório Executivo, que reconheceram o benefício fiscal de redução do imposto de renda de forma retroativa, de modo a propiciar à Recorrente todos os direitos que possuiria se tais normas individuais e concretas houvessem sido editadas contemporaneamente aos fatos tributários. 20. Afirma a decisão recorrida que, no caso, se trataria de “pagamento a maior”, ou seja, devido segundo determinação legal vigente à época em que efetuado, e não de “pagamento indevido”. 21. Se, por “pagamento devido” deve ser entendido aquele efetuado de acordo com a lei vigente ao tempo de sua realização – como, aliás, entende a própria decisão recorrida estáse diante de um pagamento indevido, já que a lei vigente àquela época era a que concedia o benefício fiscal à Recorrente, fato esse reconhecido posteriormente, de forma expressa, tanto pela ADENE, quanto pela RFB. 22. Afirma, ainda, a decisão recorrida que a utilização do BSR seria uma opção do contribuinte e se destinaria a suspender ou reduzir o pagamento do imposto/contribuição devido em cada mês (tendo por referência o que seria recolhido com base na receita bruta), uma vez demonstrado que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto/contribuição, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10380.905391/200923 Acórdão n.º 9101003.712 CSRFT1 Fl. 10 9 23. Sucede, porém, que, no presente caso, em face da retroação do benefício fiscal obtido pela Recorrente, o BSR terá outra função, que não a de simples redução ou suspensão de antecipação mensal, qual seja, apurar se e em que mês no período correspondente, efetuouse pagamento que, em face daquele benefício, não se teria procedido (“pagamento indevido”). 24. Não se trata, portanto, de “gerar pagamento indevido de estimativa”, mas, apenas, de reconhecer a sua inevitável existência no caso em análise. 25. Defende, ainda, a decisão recorrida, que o ato concessivo do incentivo fiscal possuiria caráter constitutivo, não podendo retroagir ao início do ano de 2005. 26. Considerando, porém, que a própria Delegacia da Receita Federal em Fortaleza reconheceu a redução de imposto de renda, por meio do Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 16, de 13/03/2006, com início do prazo de fruição do beneficio no anocalendário 2005, não se sustenta o alegado “caráter constitutivo do ato concessivo do incentivo fiscal”, mas sim, a sua natureza meramente declaratória, com a inevitável retroação de seus efeitos ao início do anocalendário apontado. 27. Por fim, ainda que ultrapassado tudo o que se disse, devese ter presente o contido no § 3º do art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, de seguinte teor (destacouse): Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. [...]. § 3º As receitas provenientes de atividade incentivada não comporão a base de cálculo do imposto, na proporção do benefício a que a pessoa jurídica, submetida ao regime de tributação com base no lucro real, fizer jus. 28. Considerandose que 100% (cem por cento) da receita da Recorrente é incentivada, apenas 25% dessa receita comporia a base de cálculo para determinação do imposto devido mensalmente com base em estimativa sobre a receita bruta (redução de 75%): [...] Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório, a Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10380.905391/200923 Acórdão n.º 9101003.712 CSRFT1 Fl. 11 10 título de pagamento a maior de estimativa, de R$ 122.336,10, relativo a novembro de 2005, na parte correspondente à Selic calculada até janeiro de 2006, e homologar a compensação pleiteada dos débitos que a ele façam referência até o limite do direito creditório reconhecido (processos nºs 10380.905400/200986, 10380.905399/200990, 10380.905398/200945, 10380.905397/200909 e 10380.904905/200923). É como voto. Vêse que o acórdão recorrido fez extensa análise sobre os efeitos retroativos do Laudo Constitutivo e do Ato Declaratório Executivo que reconheceram o benefício fiscal de Redução do Imposto de Renda calculado com base no lucro da exploração, especificamente na parte em que esses efeitos retroativos afetam a apuração das estimativas mensais (tanto para as que haviam sido apuradas por BSR, quanto pela receita bruta). O acórdão paradigma, por sua vez, não guarda nenhuma relação com esse tipo de situação. Aquela decisão tratou de lançamento de multa isolada sobre estimativas não recolhidas, calculadas com base na receita bruta, num caso em que a contribuinte defendia valores de estimativas calculados com base em balancetes de suspensão/redução, que foram transcritos no LALUR de forma extemporânea. O acórdão recorrido não trata de indébito de estimativa gerado por mudança de regime (de receita bruta para BSR). E o acórdão paradigma não empreendeu nenhuma análise sobre os efeitos retroativos de um benefício fiscal reconhecido em Laudo Constitutivo e Ato Declaratório Executivo. Aliás, essas questões sobre os efeitos retroativos de um benefício fiscal são completamente estranhas ao paradigma. Não bastasse isso, o acórdão recorrido ainda destacou que mesmo que se considerasse a estimativa mensal apurada a partir da receita bruta (o que teria ocorrido em alguns processos), ainda assim a contribuinte estaria autorizada a excluir da receita bruta total o valor da receita bruta ou redução a que tiver direito. Nesse ponto, o acórdão recorrido transcreve orientação extraída da própria página eletrônica da Receita Federal: Perguntas e Respostas – DIPJ 2006: 604 Na determinação da base de cálculo estimada qual o tratamento aplicável às receitas provenientes de atividades incentivadas (isenção ou redução)? A pessoa jurídica que gozar de incentivos fiscais calculados com base no lucro da exploração poderá excluir da receita bruta total, para fins de determinação da base de cálculo estimada, o valor da receita bruta ou redução a que tiver direito. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10380.905391/200923 Acórdão n.º 9101003.712 CSRFT1 Fl. 12 11 O valor efetivo do benefício de isenção ou redução calculado com base no lucro da exploração será determinado em 31 de dezembro de cada ano. Disponível em: <www.receita.fazenda.gov.br/publico/perguntao/dipj2006 / PergRespDIPJ2006.pdf>. Acesso em: 30 mar. 2014. Ou seja, mesmo no caso das estimativas apuradas a partir da receita bruta, o valor devido também seria afetado pelo benefício fiscal, gerando indébito a ser restituído/ compensado desde a data do pagamento indevido da estimativa, e não apenas a partir da apuração do saldo negativo no ajuste anual. Realmente, não há paralelo entre as decisões para que se possa caracterizar a alegada divergência jurisprudencial. Os contextos absolutamente distintos justificam as diferentes decisões. Desse modo, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN. Por todo o exposto, empregando a sistemática estabelecida nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, e aplicando à presente lide as razões de decidir acima transcritas, não conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10907.722087/2016-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
RESTITUIÇÃO. FORMULÁRIO. PROGRAMA PER/DCOMP. PAGAMENTOS HÁ MAIS DE CINCO ANOS. UTILIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Quando a impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP decorrer de restrição nele incorporada em cumprimento ao disposto na legislação tributária, tal como a observância do prazo de cinco anos para o seu protocolo, está autorizado o indeferimento sumário do pedido.
Também deve ser sumariamente indeferido o pedido quando não utilizado o instrumento eletrônico sendo possível fazê-lo.
Numero da decisão: 2201-004.714
Decisão: Vistos relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakasu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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FORMULÁRIO. PROGRAMA PER/DCOMP. PAGAMENTOS HÁ MAIS DE CINCO ANOS. UTILIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Quando a impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP decorrer de restrição nele incorporada em cumprimento ao disposto na legislação tributária, tal como a observância do prazo de cinco anos para o seu protocolo, está autorizado o indeferimento sumário do pedido. Também deve ser sumariamente indeferido o pedido quando não utilizado o instrumento eletrônico sendo possível fazêlo. Vistos relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakasu Kushiyama, Daniel Melo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 72 20 87 /2 01 6- 95 Fl. 132DF CARF MF 2 Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 126/129) protocolado em face do Acórdão nº 0134.355 da 2ª Turma da DRJ/BEL (fls. 117/121), que considerou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte em vista do Despacho Decisório nº 15, de 2017, da Delegacia da Receita Federal de Curitiba (fls. 95/97). Originalmente o contribuinte protocolou em 15/12/2016 o formulário Pedido de Restituição ou ressarcimento onde, invocando o Ato Declaratório PGFN nº 5, de 03/11/2016, relativo a isenção do imposto de renda dos portadores de moléstia grave, solicitou a restituição das prestações mensais do imposto de renda pagas desde setembro de 2009 no âmbito do REFIS, porque as teria pago com proventos de aposentadoria. O Despacho Decisório nº 15, de 2017, da DRF/Curitiba/PR, indeferiu o pedido sob o argumento de que deveria ter sido utilizado o programa PER/Dcomp. Tendo o contribuinte apresentado manifestação de inconformidade, foi proferido o Acórdão nº 0134.121, da DRJ/BEL (fls. 105/110), que anulou o Despacho Decisório impugnado, por entender ser inexigível, na espécie, o uso do mencionado programa. A Delegacia de Curitiba manifestouse através do Despacho de fls. 114/116, contestando a correção do Acórdão. Em vista dessa manifestação, a DRJ/BEL reviu a decisão anterior através do Acórdão nº 0134.355 (fls. 117/121), pelo qual considerou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte por acatar os argumentos da unidade de origem, no sentido de que o pedido deveria ter sido realizado com o programa eletrônico. Cientificado dessa decisão em 12/07/2017 (fl. 123), o contribuinte apresentou tempestivamente seu recurso voluntário em 09/082017 (fls. 126/129). Em sede recursal, alega serem isentos do imposto de renda os portadores de melanoma, moléstia de que teria sido diagnosticado, independentemente da contemporaneidade dos sintomas. Quanto ao meio utilizado, alega que o programa PER não permite formular pedido de restituição de tributo cujo recolhimento ocorreu há mais de cinco anos da data da geração do arquivo para envio à Receita Federal. Segundo alega, ao tentar utilizar esse programa, teria surgido o seguinte aviso: "DARF apresentada data de arrecadação com mais de 5 anos com relação à data de criação (art. 168 do CTN). A gravação do arquivo para entrega na RFB somente ocorrerá se este documento for retificador. Deseja prosseguir com a emissão do documento? (Sim/Não)." Neste Colegiado, o processo em análise foi distribuído em sessão pública para esta Conselheira. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10907.722087/201695 Acórdão n.º 2201004.714 S2C2T1 Fl. 133 3 É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. O contribuinte protocolou em 15/12/2016 pedido de restituição de valores que teriam sido pagos no âmbito de parcelamento concedido e pago a partir de setembro de 2009. Pelos documentos juntados, vêse que o pedido compreende pagamentos realizados no período de 10/09/2009 a 07/12/2016 (fls. 90). Tanto o despacho decisório proferido pela autoridade competente para análise do pleito, quanto a decisão de primeira instância administrativa julgaram improcedente a pretensão do contribuinte com base na inobservância da forma adequada: foi utilizado formulário em papel e não o pedido eletrônico. Da Instrução Normativa RFB nº 1300, destaco o que segue: Art. 111. Será indeferido sumariamente o pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso quando o sujeito passivo, em inobservância ao disposto nos §§ 2º a 5º do art. 113, não tenha utilizado o programa PER/DCOMP para formular o pedido. (...) Art. 113. Ficam aprovados os formulários: I Pedido de Restituição ou Ressarcimento Anexo I; (...) § 2º Os formulários a que se refere o caput poderão ser utilizados pelo sujeito passivo somente nas hipóteses em que a restituição, o ressarcimento, o reembolso ou a compensação de seu crédito para com a Fazenda Nacional não possa ser requerido ou declarado eletronicamente à RFB mediante utilização do programa PER/DCOMP. § 3º A RFB caracterizará como impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, para fins do disposto no § 2º deste artigo, no § 2º do art. 3º, no § 6º do art. 21, no caput do art. 32 e no § 1º do art. 41, a ausência de previsão da hipótese de restituição, de ressarcimento, de reembolso ou de compensação no aludido programa, bem como a existência de falha no programa que impeça a geração do Pedido Eletrônico de Fl. 134DF CARF MF 4 Restituição, do Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou da Declaração de Compensação. (...) § 5º Aplicase o disposto no § 1º do art. 46 e no art. 111, quando a impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP decorrer de restrição nele incorporada em cumprimento ao disposto na legislação tributária. Na hipótese em análise, o pedido feito pelo contribuinte abrange a restituição de quantias que, na data do pedido, já haviam sido pagas há mais de cinco anos. Nesse caso, a impossibilidade de utilização do programa decorre a aplicação do § 5º acima transcrito, já que há uma restrição decorrente da legislação tributária. Portanto, em relação aos pagamentos feitos em data anterior a dezembro de 2011, havia efetivamente uma impossibilidade de utilização do programa eletrônico decorrente de restrição nele incorporada em cumprimento da legislação tributária, o que autorizaria o indeferimento sumário. Quanto aos pagamentos feitos a partir de dezembro de 2011, o contribuinte deveria ter utilizado o instrumento adequado, ou seja, o programa PER/Dcomp. Por essa razão, deve ser igualmente aplicado o art. 111, pelo qual impõese o indeferimento do pedido feito indevidamente em formulário. A despeito disso, a título meramente informativo e no sentido de auxiliar o contribuinte na compreensão do seu direito, embora as autoridades que precederam a análise nesse CARF não tenham adentrado a questão de mérito, aparentemente o direito invocado pelo contribuinte decorre de equívoco de sua parte quanto ao Ato Declaratório PGFN nº 5, de 2016. Isso porque, se forem analisados os precedentes judiciais mencionados nesse ato, verseá que eles reconhecem a situação de isenção para os proventos auferidos após a cura provável da doença. No caso em análise, o contribuinte pede a restituição de um parcelamento feito com base em processo que tem como ano de protocolo 2004, o que permite concluir que se trata de incidência tributária sobre rendimentos obtidos nesse ano (2004) ou em anos anteriores. O laudo apresentado pelo contribuinte identifica como termo de início para a doença diagnosticada o ano de 2008. Repitase: o direito à isenção atinge rendimentos obtidos a partir da data em que a doença é diagnosticada, nunca antes. Por outra vertente, o fato de o tributo de anos anteriores estar sendo pago com rendimentos isentos não afeta a higidez do crédito tributário decorrente de fatos ocorridos antes de surgir o direito à isenção. Ou seja, aparentemente o contribuinte está conferindo uma aplicação retroativa à isenção, com base em decisões judiciais e ato declaratório que tratam de sua aplicação prospectiva (para o futuro). Conclusão Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10907.722087/201695 Acórdão n.º 2201004.714 S2C2T1 Fl. 134 5 Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e lhe negar provimento. Dione Jesabel Wasilewski Fl. 136DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720124/2016-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TERMO INICIAL.
É legítima a análise de fatos ocorridos há mais de cinco anos do procedimento fiscal para deles extrair a repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela decadência. Contudo, a contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, deve ter início quando verificada sua repercussão na apuração do tributo em cobrança. Aplicável o teor da Súmula CARF nº 116.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. GLOSA.
Se os atos de reorganização societária registrados pela recorrente, ainda que formalmente regulares, não configuram uma efetiva aquisição de participação societária mas mera permuta de ativos dentro do grupo de empresas sob controle comum, correta a glosa dos valores amortizados como ágio.
ÁGIO INTERNO. GLOSA. TRIBUTAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL NA MESMA OPERAÇÃO SOCIETÁRIA
Se foram exigidos tributos sobre ganho de capital relativamente a ágio gerado internamente no grupo econômico, cabe deduzir do montante autuado a título de ágio não dedutível, o valor que foi tributado como ganho de capital, na mesma operação.
APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICA. AUSÊNCIA DE CARACTERIZAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA.
A autoridade fiscal não logrou êxito em comprovar que a contribuinte teria praticado quaisquer das condutas dolosas descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Nos termos da Súmula CARF nº 14, o simples fato da existência de omissão de receitas não autoriza a aplicação de multa qualificada prevista no artigo 44, §1º da Lei nº 9.430/96.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL
Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas aplica-se ao lançamento da Contribuição Social sobre o lucro líquido as conclusões relativas ao IRPJ.
ÁGIO. ADIÇÃO DE DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. CSLL. PREVISÃO NORMATIVA.
A adição à base de cálculo da CSLL de despesas com amortização de ágio possui amparo legal e corrobora a tese de convergência entre as bases do IRPJ e da referida contribuição, que compartilham a mesma sistemática de apuração.
Numero da decisão: 1201-002.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em primeira votação, por voto de qualidade em dar parcialmente provimento ao recurso voluntário, do seguinte modo: 1) O conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e a conselheira Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa, que votou na sessão de julho/2018) davam provimento ao recurso apenas para afastar a multa qualificada; 2) A conselheira Eva Maria Los e o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães afastavam a multa qualificada e também deduziam do montante do ágio PIONEER glosado, o valor correspondente ao ganho de capital tributado na DU PONT SPAIN. Os conselheiros: Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa, davam integral provimento ao recurso voluntário. Em segunda votação, decidem em dar parcial provimento ao recurso voluntário, do seguinte modo: 1) por unanimidade de votos, em afastar a multa qualificada, reduzindo-a de 150% para 75%. E, por maioria de votos, em deduzir do montante do ágio PIONEER glosado o valor correspondente ao ganho de capital tributado na DU PONT SPAIN. Vencidos: o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, e, a conselheira Ester Marques Lins de Sousa que manteve o voto da conselheira Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa, na sessão de julho/2018) que davam provimento ao recurso apenas para afastar a multa qualificada, e, a relatora que dava integral provimento ao recurso. Designada a conselheira Eva Maria Los para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TERMO INICIAL. É legítima a análise de fatos ocorridos há mais de cinco anos do procedimento fiscal para deles extrair a repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela decadência. Contudo, a contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, deve ter início quando verificada sua repercussão na apuração do tributo em cobrança. Aplicável o teor da Súmula CARF nº 116. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. GLOSA. Se os atos de reorganização societária registrados pela recorrente, ainda que formalmente regulares, não configuram uma efetiva aquisição de participação societária mas mera permuta de ativos dentro do grupo de empresas sob controle comum, correta a glosa dos valores amortizados como ágio. ÁGIO INTERNO. GLOSA. TRIBUTAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL NA MESMA OPERAÇÃO SOCIETÁRIA Se foram exigidos tributos sobre ganho de capital relativamente a ágio gerado internamente no grupo econômico, cabe deduzir do montante autuado a título de ágio não dedutível, o valor que foi tributado como ganho de capital, na mesma operação. APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICA. AUSÊNCIA DE CARACTERIZAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. A autoridade fiscal não logrou êxito em comprovar que a contribuinte teria praticado quaisquer das condutas dolosas descritas nos artigos 71, 72 e 73 da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 24 /2 01 6- 65 Fl. 4381DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 3 2 Lei nº 4.502/64. Nos termos da Súmula CARF nº 14, o simples fato da existência de omissão de receitas não autoriza a aplicação de multa qualificada prevista no artigo 44, §1º da Lei nº 9.430/96. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas aplicase ao lançamento da Contribuição Social sobre o lucro líquido as conclusões relativas ao IRPJ. ÁGIO. ADIÇÃO DE DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. CSLL. PREVISÃO NORMATIVA. A adição à base de cálculo da CSLL de despesas com amortização de ágio possui amparo legal e corrobora a tese de convergência entre as bases do IRPJ e da referida contribuição, que compartilham a mesma sistemática de apuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em primeira votação, por voto de qualidade em dar parcialmente provimento ao recurso voluntário, do seguinte modo: 1) O conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e a conselheira Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa, que votou na sessão de julho/2018) davam provimento ao recurso apenas para afastar a multa qualificada; 2) A conselheira Eva Maria Los e o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães afastavam a multa qualificada e também deduziam do montante do ágio PIONEER glosado, o valor correspondente ao ganho de capital tributado na DU PONT SPAIN. Os conselheiros: Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa, davam integral provimento ao recurso voluntário. Em segunda votação, decidem em dar parcial provimento ao recurso voluntário, do seguinte modo: 1) por unanimidade de votos, em afastar a multa qualificada, reduzindoa de 150% para 75%. E, por maioria de votos, em deduzir do montante do ágio PIONEER glosado o valor correspondente ao ganho de capital tributado na DU PONT SPAIN. Vencidos: o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, e, a conselheira Ester Marques Lins de Sousa que manteve o voto da conselheira Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa, na sessão de julho/2018) que davam provimento ao recurso apenas para afastar a multa qualificada, e, a relatora que dava integral provimento ao recurso. Designada a conselheira Eva Maria Los para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora (assinado digitalmente) Eva Maria Los Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Fl. 4382DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 4 3 Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Relatório 1. Trata o presente processo administrativo de dois autos de infração formalizados pela douta autoridade fiscal para a cobrança de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ("IRPJ"), Contribuiçaõ Social sobre o Lucro Líquido ("CSLL"), juros de mora e multa qualificada de 150%, relativos ao anocalendário de 2011, em virtude da glosa de despesas de amortizacã̧o de ágio deduzidas no referido anocalendário. 2. Nas autuações em comento questionase o ágio registrado em setembro de 2005, momento em que o capital da empresa Du Pont Safety Resources do Brasil Ltda. foi aumentado com as ações da Recorrente e as quotas da empresa Pioneer Sementes Ltda., avaliadas a valor de mercado. O mencionado ágio passou a ser amortizado após a incorporacã̧o destas empresas pela Recorrente em outubro de 2005, encerrandose a amortização em outubro de 2011. 3. No entendimento das autoridades fiscais o ágio em comento não poderia ser aceito porque está em confronto com as regras contábeis, societárias e tributárias teria sido gerado em transação realizada sem propósito negocial, dentro de um mesmo grupo econômico e cujo custo teria sido nulo. Daí, inclusive, o fundamento para aplicação da multa qualificada de 150%. 4. Para suportar as alegações em comento as autoridades fiscais se utilizaram, quase que integralmente, do Termo de Verificaçaõ Fiscal apresentado no processo administrativo nº 13896.722004/201118 autuação formalizada contra a Recorrente para questionar o ágio amortizado nos anoscalendário de 2005 a 2010. 5. Ainda, consideram que a Recorrente teria recolhido IRPJ e CSLL a menor ao utilizar um valor de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL superior ao disponível nos sistemas da Receita Federal do Brasil. 6. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, alguns trechos do relatório constante da decisão de primeira instância, que bem resumem o trabalho fiscal: “Os valores apurados e os respectivos enquadramentos legais encontramse abaixo discriminados: Fl. 4383DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 5 4 1. Breve resumo da Ação Fiscal Inicialmente cumpre observar que a reorganização societária empreendida pelo contribuinte ocorreu em 2005, originando ágio no valor total de R$ 1.645.878.886,00, amortizado mensalmente no período de novembro de 2005 a outubro de 2011. A amortização do ágio dos anos 2005 a 2010 foram objeto de glosa e autuação em processo administrativo diverso (13896.722004/201118), sendo objeto do presente processo a glosa da amortização do ágio do anocalendário 2011. Também devese observar a lavratura de auto de infração em 19/12/2016, com ciência 21/12/2016, posteriormente retificado em 21/12/2016, com ciência pessoal em 23/12/2016. A retificação do lançamento de ofício foi decorrente de identificação de erro no lançamento do crédito tributário anterior. Tal retificação foi autorizada pela Delegada da Delegacia Especial de Maiores Contribuintes em São Paulo, conforme despacho de fls. 3.841/3.842. Fl. 4384DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 6 5 Feita essas considerações, passase a expor a reorganização societária ocorrida em 2005 e que resultou no ágio objeto da presente lide. 1.1 Da reorganização societária empreendida As operações societárias em questão envolveram preponderantemente as empresas Du Pont do Brasil S. A, CNPJ 61.064.929/000179 (empresa fiscalizada), a Du Pont Safety Resources do Brasil LTDA, CNPJ 01.727.475/000147 (denominada a seguir “DSRB”), a Pioneer Sementes LTDA, CNPJ 87.082.814/000109 (denominada a seguir “Pioneer”) e a Griffin Brasil LTDA, CNPJ 16.369.829/000104 (denominada a seguir “Griffin”). Outras sociedades tomaram parte das operações societárias, contudo, conforme apontado pela autoridade fiscal, para a caracterização da infração apurada, essas quatro seriam as de interesse. Destaca a fiscalização, antes de iniciar a explicação sobre as operações societárias, o fato das quatro empresas mencionadas pertencerem a um mesmo grupo econômico ao tempo do período analisado. O organograma do grupo econômico anterior à reorganização societária demonstra o controle comum das sociedades: Aponta a autoridade fiscal que a sociedade E. I. Du Pont de Nemours and Company (identificada como EID no organograma), sediada no exterior, exercia controle direto sobre a Du Pont do Brasil, e indireto sob as demais três sociedades, evidenciando que as quatro empresas integravam um mesmo grupo econômico. Sob o pretexto de reunir todas as empresas em uma única empresa com vistas a otimizar a sua atuação, em um projeto de amplitude global denominado “One Dupont”, a fiscalizada iniciou a reorganização societária assim detalhada pela Fl. 4385DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 7 6 autoridade fiscal (fls.3881/3887), cujos principais trechos são abaixo reproduzidos: “10. Conforme Alteração do Contrato Social da Du Pont Safety Resources do Brasil Ltda, datada de 20/01/2005 e arquivada na Jucesp sob o nº 66.474/050 por meio da qual foi realizada sua adequação às disposições da Lei nº 10.406/2006, bem como feita sua consolidação , o capital social de tal sociedade era de R$ 29.232.115,00, totalmente integralizado e dividido em 29.232.115 quotas, com valor nominal de R$ 1,00 cada, assim distribuídas entre os sócios: a) Du Pont Chemical and Energy Operations, Inc., sociedade constituída e existente de acordo com as leis do Estado de Delaware, EUA, detentora de 29.232.114 quotas, no valor total de R$ 29.232.114,00; e b) José Testa Silva, detentor de 1 quota, no valor total de R$ 1,00. 11. Como revela a Alteração e Consolidação do Contrato Social da Du Pont Safety Resources do Brasil Ltda, datada de 30/09/2005 e arquivada na Jucesp sob o nº 313.620/052, os sócios de tal sociedade decidiram aumentar o seu capital social por meio da emissão de 2.066.830.365 novas quotas, com valor nominal unitário de R$ 1,00, subscritas pela Griffin Brasil Ltda. Tais novas quotas foram subscritas com 11.804.916.969 ações ordinárias nominativas sem valor nominal da Du Pont do Brasil S/A, então detidas pela Griffin e cujo valor de mercado era de R$ 817.218.206,63, bem como com 26.789.280.459 quotas da Pioneer Sementes Ltda, também então de propriedade da Griffin, com valor nominal de R$ 0,01 cada uma e valor de mercado de R$ 1.249.612.159,12 (a avaliação a valor de mercado será adiante comentada). 12. Em decorrência de tal evento societário, o capital social da DSRB passou de R$ 29.232.115,00 para R$ 2.096.062.480,00, dividido em 2.096.062.480 quotas, com valor nominal de R$ 1,00 cada uma, assim distribuídas entre os sócios: a) Du Pont Chemical and Energy Operations, Inc., com 29.232.114 quotas, no valor total de R$ 29.232.114,00; b) Griffin Brasil Ltda, com 2.066.830.365 quotas, no valor total de R$ 2.066.830.365,00; e c) José Testa Silva, com 1 quota, no valor total de R$ 1,00. 13. Simplificadamente, o demonstrativo a seguir resume a situação da DSRB antes e depois da anteriormente descrita operação ocorrida em 30/09/2005: Fl. 4386DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 8 7 14. Visando a conhecer detalhadamente a configuração das empresas do grupo em face de tal evento societário, o fiscalizado foi intimado a apresentar os organogramas do grupo econômico em 30/09/2005 (incluindo sociedades domiciliadas no exterior e indicando os percentuais de participação em cada empresa), nos momentos imediatamente anterior e posterior ao aumento de capital da DSRB. Tais organogramas são a seguir transcritos e neles são destacadas as sociedades de maior interesse (Docs. 65 e 66): Fl. 4387DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 9 8 (...) 16. A Ata da Reunião de Sócios da DSRB realizada em 31/10/2005 (arquivada na Jucesp sob o nº 367.088/058) denota terem sido unanimemente aprovadas as seguintes deliberações: a) retirada da sociedade do sócio José Testa Silva, por meio da cessão e transferência de sua quota para a sócia Griffin; b) aprovação do inteiro teor do Protocolo de Incorporação e Justificação, datado de 17/10/2005 e celebrado entre a DSRB e a Du Pont do Brasil S/A; c) aprovação do laudo elaborado com base no balanço patrimonial da DSRB, levantado em 30/09/2005 e no qual foi apurado o valor do seu acervo líquido – no montante de R$ 1.006.943.881,66 – a ser vertido para a Du Pont do Brasil; e d) a aprovação da incorporação da sociedade pela Du Pont do Brasil S/A, nos termos do protocolo e laudo então também aprovados. 17. Conforme documentos apresentados no curso da ação fiscal, depreendese que, além da incorporação da DSRB, o fiscalizado também incorporou outras cinco sociedades do grupo. A Ata da Assembleia Geral Extraordinária da Du Pont do Brasil S/A realizada em 31/10/2005 (arquivada na Jucesp sob o nº 367.084/053) demonstra terem sido aprovadas as seguintes deliberações: a) o inteiro teor do Protocolo de Incorporação e Justificação, datado de 17/10/2005, celebrado entre a Du Pont do Brasil S/A e as seguintes sociedades: Du Pont Performance Coatings Participações S.A., Du Pont Performance Coatings S.A., Mineração Del Rey Ltda, Pioneer Sementes Ltda, Du Pont Safety Resources do Brasil Ltda e Griffin Brasil Ltda; b) os laudos de avaliação dos acervos líquidos contábeis das sociedades incorporadas então vertidos para a companhia; c) a incorporação das empresas Du Pont Performance Coatings Participações S.A., Du Pont Performance Coatings S.A., Mineração Del Rey Ltda, Pioneer Sementes Ltda, Du Pont Safety Resources do Brasil Ltda e Griffin Brasil Ltda; d) em virtude de tais incorporações, o aumento do capital social da companhia, o Fl. 4388DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 10 9 qual passou a ser de R$ 1.518.608.652,47, representado por 1.518.608.661 ações ordinárias nominativas de uma só classe e sem valor nominal. (...) 21. Levandose em conta os laudos de avaliação das sociedades incorporadas, produzidos com base no critério definido no Protocolo, os acervos líquidos vertidos para o fiscalizado, avaliados em 30/09/2005, foram os seguintes: 22. Após as incorporações das seis sociedades antes mencionadas, o grupo econômico adotou conformação societária que perdurou de dezembro de 2005 até junho de 2007. Neste sentido, o fiscalizado apresentou o organograma vigente neste período, o qual é a seguir transcrito” 1.2 Do ágio gerado e sua amortização Relata a autoridade fiscal que da análise da DIPJ de situação especial apresentada pela DSRB referente ao evento de sua incorporação (período 01/01/2005 a 31/10/2005), observouse a seguinte contabilização (Ficha 45A): Procedeu, dessa forma, a intimação do sujeito passivo para esclarecer e comprovar a natureza e os saldos das respectivas Fl. 4389DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 11 10 contas contábeis. Em resposta a intimação, esclareceu o sujeito passivo que o valor de R$ 1.645.878.886,54, registrado a título de “Ágios em Investimentos” se trata de ágio pago na aquisição das empresas DU PONT DO BRASIL S/A (Fiscalizada – CNPJ 61.064.929/000179) e Pioneer Sementes Ltda. (CNPJ 87.082.814/000109). Ágio esse baseado em expectativa de rentabilidade futura com base em Relatórios de Avaliação EconômicoFinanceira, os valores contabilizados podem ser assim desdobrados: DuPont do Brasil Pioneer Sementes PL 116.846.220,60 304.105.258,61 Ágio 700.371.986,03 945.506.900,51 Em relação ao valor de R$ 1.086.280.065,12 contabilizado no balanço da DSRB a título de “Deságios e Prov. P/ Perdas Prováveis em Invest.”, esclareceu o sujeito passivo se tratar de provisão constituída em acordo ao disciplinado na Instrução da Comissão de Valores Mobiliários nº 319/99 que estabelece, para fins de proteção dos direitos dos acionistas minoritários, a constituição de provisão a razão de no mínimo 66% (sessenta e seis por cento) do valor do ágio. Destaca a fiscalização que essa provisão foi contabilizada tendo como contrapartida o reconhecimento de despesa de igual montante, resultando em apuração de prejuízo contábil pela DSRB. Todavia, não houve impacto na apuração do IRPJ e CSLL do período, pois a despesa foi devidamente adicionada na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. O benefício fiscal em tela, decorrente da amortização do ágio, foi transferido à fiscalizada na incorporação, conforme Ata de Reunião de Sócios da DSRB realizada em 31/10/2005 e arquivada na Jucesp sob o nº367.088/058. A fiscalização conclui nesse sentido, vez que a ata “demonstra ter sido nesta ocasião aprovado o laudo elaborado com base no balanço patrimonial da DSRB, levantado em 30/09/2008 e no qual foi apurado o valor do seu acervo líquido – no montante de R$ 1.006.943.881,66 – a ser vertido para a Du Pont do Brasil S/A. O exame de tal laudo revela que no Ativo Permanente da DSRB constava o registro a título de Investimento no valor de R$ 980.550.300,63.”. Esse valor seria assim composto: Conclui a fiscalização que a partir de tais incorporações a Du Pont do Brasil S/A passou a amortizar o ágio, com a consequente realização do ativo fiscal diferido. Fl. 4390DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 12 11 Em relação ao anocalendário objeto do presente processo (2011), assevera a autoridade fiscal que o sujeito passivo declarou na DIPJ 2012 – ND 1418328, na Linha 78 – Outras Exclusões da Ficha 09A o valor de R$ 225.961.759,31. Intimado a esclarecer a composição, apresentou demonstrativo indicando a exclusão de R$ 150.872.231,11 a título de “Ágio Bandeirantes”. Em resposta a Termo de Intimação Fiscal nº 02, informou à autoridade fiscal que o ágio gerado na reorganização societária empreendida em 2005, teve a sua amortização finalizada em outubro de 2011, apresentou cópia do Livro Razão para comprovação. De posse dos livros fiscais e das informações disponíveis no SPED Contábil, concluiu a autoridade fiscal que a conta contábil “35517010 – Acum Amrt Rsrv – Goodwill – Asset Mod”, correspondente à conta redutora do Ativo Diferido, contabilizou total de créditos de R$ 228.594.289,81 e de débitos de R$ 150.872.231,21, resultando em saldo líquido credor de R$ 77.722.058,60. Ainda nessa análise, verificou a autoridade fiscal que os saldos líquidos mensais contabilizados coincidem com os valores mensais contabilizados nos anos de 2005 a 2010. Porém, destaca a fiscalização, que as bases de cálculos do IRPJ e da CSLL apurados pela fiscalizada não foram impactadas apenas pela amortização contábil do ativo fiscal diferido, mas também que houve a exclusão dos valores relacionados à reversão da provisão constituída nos termos da Instrução CVM nº 319 e alterações. Assim, conclui a fiscalização que o total reduzido das bases de cálculo foi o montante da despesa de amortização do ágio, conforme tabela abaixo: 1.3 Da possibilidade de dedução das despesas com ágio Prossegue a autoridade fiscal discorrendo sobre a possibilidade de deduzir da base de cálculo do IRPJ e CSLL a despesa com a amortização do ágio tratado nos parágrafos anteriores. Citando como fundamento legal os artigos 7 e 8 da Lei 9.532/97, artigo 20 do DecretoLei 7.598/77 e artigos 385, 386, 391 e 426 do RIR/99 a fiscalização assim conclui: “Assim, a possibilidade de dedução do ágio na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL restringese à hipótese do artigo 386, III, c/c o artigo 385, § 2º, II, do RIR/1999, ou seja, nos casos em que a pessoa jurídica absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio, cujo Fl. 4391DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 13 12 fundamento econômico seja o de rentabilidade da coligada ou controlada com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros, situação em que a amortização poderá ocorrer à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. Embora a possibilidade de amortização do ágio antes da ocorrência da alienação do investimento se caracterize como benefício fiscal, outorgado pela Lei n° 9.532/97, é óbvio que o benefício se aplica às reais hipóteses de aquisição de investimento com ágio, não àquelas em que tenha havido uma estruturação intencional para possibilitar o aparecimento do ágio a ser amortizado em futura incorporação, com o único objetivo de criar despesas dedutíveis”. Retoma trechos do Termo de Verificação Fiscal de 05/09/2011 relativo ao processo 13896.722004/201118 para explicitar a impossibilidade do reconhecimento contábil do ágio interno e sua ilegalidade. Por oportuno, de modo a detalhar a autuação fiscal, transcrevese esse trecho: “52. Como já exaustivamente demonstrado anteriormente, os ágios contabilizados na DSRB quando do aumento de seu capital social em 30/09/2005 com participações então detidas pela Griffin na Du Pont do Brasil S/A e na Pioneer foram gerados intragrupo, porquanto todas essas empresas faziam parte de um mesmo conglomerado controlado direta ou indiretamente por sociedade residente no exterior. 53. As avaliações econômicofinanceiras da Du Pont do Brasil S/A e da Pioneer Sementes Ltda. consubstanciadas nos laudos já referidos foram assentadas em informações subjetivas confiadas pelas próprias sociedades avaliadas à empresa responsável pelas mensurações. Não houve qualquer validação pelo mercado de tais avaliações, como é de se esperar em uma transação envolvendo partes independentes e/ou não relacionadas. Ambos os laudos apresentados confirmam a não validação pelo mercado dos valores justos então apurados, conforme observação da própria empresa avaliadora constante no item “Considerações Gerais” dos indigitados laudos, in verbis: “Não tivemos a oportunidade de expor as ações, negócios ou ativos das Empresas ao mercado, nem utilizamos em nosso trabalho dados de outras transações de empresas comparáveis ou seus múltiplos. Consequentemente, não pudemos concluir sobre a existência ou não de potenciais compradores que queiram desembolsar pelo negócio um valor que exceda nossa estimativa de valor justo de mercado” 54. É indubitável que as avaliações da Du Pont do Brasil S/A e da Pioneer apontadas nos laudos seriam efetivamente aprovadas e utilizadas quando do aumento de capital da DSRB em 30/09/2005, a despeito de inexistir, repisese, qualquer validação de tais valores, assumindo uma transação realizada entre partes independentes e/ou não vinculadas em um mercado livre. Afinal Fl. 4392DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 14 13 de contas, todas as empresas faziam parte de um mesmo grupo empresarial e, como tal, estavam sujeitas em última instância a um mesmo controlador. 55. Além do essencial e indefectível traço que particulariza a transação sob enfoque – qual seja, o fato de ter se dado entre sociedades de um mesmo grupo convém sobrelevar outra característica da transação da qual resultou a contabilização na DSRB dos ágios sob exame. Da análise da operação de aumento de capital da DSRB facilmente se colige que dela não resultou qualquer saída de caixa, isto é, qualquer pagamento. O surgimento dos ágios decorreu apenas e tão somente da integralização de capital com quotas (da Pioneer) e ações (do fiscalizado) avaliadas economicamente, em uma operação “não caixa” entre empresas do mesmo grupo. Ao invés de o aumento de capital ter se dado com fundamento nos valores patrimoniais das participações, ele se firmou em seus valores econômicos – pelos quais não houve qualquer desembolso – subjetivamente avaliados segundo uma expectativa de rentabilidade futura. 56. Deduzse da já referida Alteração e Consolidação do Contrato Social da DuPont Safety Resources do Brasil Ltda, datada de 30/09/2005 e arquivada na Jucesp sob o nº 313.620/052, bem como do balanço patrimonial da DIPJ de situação especial da DSRB correspondente ao período entre 01/01/2005 e 31/10/2005, que o lançamento contábil simplificado correspondente ao aumento de capital ora examinado foi o seguinte: 57. Esquematicamente, tal contabilização na DSRB assim impactou o seu balanço patrimonial: 58. Mostrase irrefragável, assim, que os ágios em questão não foram pagos, não tendo por eles ocorrido qualquer desembolso. A operação engendrada entre as empresas do grupo visaram ao reconhecimento de supostos ágios, sem que por eles tivesse ocorrido qualquer “saída de caixa”. Da mencionada operação, portanto, não resultou qualquer “fluxo financeiro” entre as empresas dela participantes. Tampouco no ato da integralização de capital da DSRB a troca de participações da qual resultaram os ágios foi realizada numa base comutativa que assegurasse confiabilidade mínima às avaliações levadas a efeito. Fl. 4393DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 15 14 59. É certo que a teoria contábil não dá guarida ao reconhecimento de um pretenso ágio não pago e internamente gerado entre empresas de um mesmo grupo econômico. 60. Para demonstrar tal assertiva, serão adiante utilizados normativos exarados por algumas entidades, dentre as quais a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), autarquia federal vinculada ao Ministério da Fazenda que detém poderes para disciplinar, normatizar e fiscalizar a atuação dos diversos integrantes do mercado de valores mobiliários e cujo poder normatizador alcança todas as matérias pertinentes a tal mercado. Nos termos do art. 25 do Decreto nº 6.382/2008, que aprova a estrutura regimental da CVM, à sua Superintendência de Normas Contábeis e de Auditoria compete, dentre outras atribuições, estabelecer normas e padrões de contabilidade a serem observados pelas companhias abertas, fundos e instrumentos de investimento coletivo e outros emissores, bem como elaborar pareceres sobre assuntos contábeis e de auditoria, no âmbito do mercado de valores mobiliários (tais competências já se encontravam elencadas no art. 23 do Decreto nº 4.763/2003, então vigente à época dos fatos aqui discutidos). 61. A notória competência técnica da CVM faz com que a aplicação de seus normativos não se adstrinja apenas ao universo das companhias abertas, mas também alcance todas as entidades que primem pela adoção das melhores práticas contábeis. “E esta foi exatamente a justificativa prestada pelo fiscalizado que, a despeito de consistir em sociedade anônima de capital fechado, adotou um normativo da CVM ao constituir na DSRB a provisão prevista no art. 6º da Instrução CVM nº 319, com redação dada pela Instrução CVM nº 349/01”. 62. Em regra, o critério adotado como base de valor na mensuração contábil de ativos e passivos, em condições normais de continuidade de uma empresa, é o custo histórico. A Deliberação CVM nº 29, de 5 de fevereiro de 1986, que aprovou e referendou o pronunciamento do Instituto Brasileiro de Contadores (Ibracon) sobre a Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade, já consagrava o custo histórico como base de valor, a ponto de eleválo à condição de princípio contábil (núcleo central da doutrina contábil). Tal princípio foi assim enunciado (item 5.1): “O custo de aquisição de um ativo ou dos insumos necessários para fabricálo e colocálo em condições de gerar benefícios para a Entidade representa a base de valor para a Contabilidade, expresso em termos de moeda de poder aquisitivo constante”. 63. O indigitado pronunciamento do Ibracon também assim discorre sobre tal princípio: “Na verdade, transcendendo, ainda, o tipo de custo a ser registrado e atualizado, o princípio tinha uma raiz filosófica Fl. 4394DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 16 15 profunda de que somente é ativo aquilo que custou alguma coisa para a entidade, mormente se resultante de transações de compra de bens ou de insumos para fabricação de bens. Dessa forma, compreendese o porquê de a Contabilidade somente admitir registro do “Goodwill” adquirido e não do “criado”. Embora hoje em dia o entendimento do Princípio se tenha ampliado bastante, ainda permanece o fato de que é um valor de entrada que deve prevalecer, como base de registro para a Contabilidade, na continuidade”. 64. A redação original dos artigos 1º e 7º da Resolução CFC nº 750/93 (publicada no Diário Oficial da União de 31/12/1993), então vigente até 02/06/2010, data da publicação no Diário Oficial da União da Resolução CFC nº 1.282/10, que atualizou e consolidou dispositivos da Resolução CFC nº 750/93, também assim literalmente já estabelecia: “DOS PRINCÍPIOS E DE SUA OBSERVÂNCIA Art. 1º Constituem PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DE CONTABILIDADE (PFC) os enunciados por esta Resolução. § 1º A observância dos Princípios Fundamentais de Contabilidade é obrigatória no exercício da profissão e constitui condição de legitimidade das Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC). § 2º Na aplicação dos Princípios Fundamentais de Contabilidade há situações concretas, a essência das transações deve prevalecer sobre seus aspectos formais. (...) O PRINCÍPIO DO REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL Art. 7º Os componentes do patrimônio devem ser registrados pelos valores originais das transações com o mundo exterior, expressos a valor presente na moeda do País, que serão mantidos na avaliação das variações patrimoniais posteriores, inclusive quando configurarem agregações ou decomposições no interior da ENTIDADE. Parágrafo único – Do Princípio do REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL resulta: I – a avaliação dos componentes patrimoniais deve ser feita com base nos valores de entrada, considerandose como tais os resultantes do consenso com os agentes externos ou da imposição destes; II – uma vez integrado no patrimônio, o bem, direito ou obrigação não poderão ter alterados seus valores intrínsecos, admitindose, tãosomente, sua decomposição em elementos e/ou sua agregação, parcial ou integral, a outros elementos patrimoniais; Fl. 4395DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 17 16 III – o valor original será mantido enquanto o componente permanecer como parte do patrimônio, inclusive quando da saída deste; IV – Os Princípios da ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA e do REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL são compatíveis entre si e complementares, dado que o primeiro apenas atualiza e mantém atualizado o valor de entrada; V – o uso da moeda do País na tradução do valor dos componentes patrimoniais constitui imperativo de homogeneização quantitativa dos mesmos”. 65. Admitemse, hoje, exceções ao reconhecimento pelo custo histórico, como prevê o Pronunciamento Conceitual Básico, aprovado em 11 de janeiro de 2008, do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), que explicita a estrutura conceitual para elaboração e apresentação das demonstrações contábeis. Assim preceitua o seu item 101: “101. A base de mensuração mais comumente adotada pelas entidades na preparação de suas demonstrações contábeis é o custo histórico. Ele é normalmente combinado com outras bases de avaliação. Por exemplo, os estoques são geralmente mantidos pelo menor valor entre o custo e o valor líquido de realização, os títulos e ações negociáveis podem em determinadas circunstâncias ser mantidos a valor de mercado e os passivos decorrentes de pensões são mantidos pelo valor presente de tais benefícios no futuro. Além disso, em algumas circunstâncias entidades usam a base de custo corrente como uma resposta à incapacidade do modelo contábil de custo histórico enfrentar os efeitos das mudanças de preços dos ativos não monetários”. 66. Cabe notar que nos casos apontados pelo CPC não há desapego ao princípio do custo histórico, mas a ele se agregam outras bases de avaliação. Além dos exemplos citados pelo CPC, excepcionamse ainda os casos de processos falimentares nos quais, em decorrência de liquidação forçada – fora, portanto, do pressuposto de que a entidade continuará em operação num futuro previsível –, as demonstrações contábeis devem ser elaboradas numa base de mensuração diferente. 67. Por certo, a DSRB não se enquadrava em qualquer situação que lhe permitisse avaliar a maioria dos seus ativos em geral, e o ágio em particular, por outro critério de mensuração que não pelo custo histórico. O ágio, em particular, porque, ainda que pretendesse avaliálo a custo histórico, isso não seria possível por absoluta inexistência de custo (pagamento, desembolso). 68. A teoria contábil dá respaldo apenas ao ágio pago numa negociação entre comprador e vendedor não relacionados entre si. O ágio gerado internamente não decorre de uma operação com propósito negocial – daí, inclusive, a ausência de um desembolso que servisse para chancelar uma transação da qual emergisse o valor justo de um ativo negociado por partes independentes e não relacionadas em um mercado livre. Fl. 4396DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 18 17 Importante mencionar que um ativo intangível, como no caso em tela, muito embora possa gerar benefícios econômicos para uma dada entidade, tem o seu reconhecimento contábil impedido pelo fato de não existir um custo que possa ser confrontado com os decorrentes benefícios gerados. 69. Na situação aqui enfrentada, reiterese que não se pode invocar a ocorrência de negociação de livre iniciativa entre partes interessadas, independentes e detentoras de conhecimentos suficientes sobre o negócio em um mercado livre. Tampouco se pode sustentar que as sociedades participantes da operação em tela se caracterizem como genuínos terceiros, porquanto pertencem a um mesmo grupo empresarial. 70. A CVM não se quedou inerte diante dessa questão. Além de reprovar a contabilização de ágio interno em diversos casos específicos, consubstanciou de forma geral e inequívoca o seu posicionamento no Ofício Circular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007, de 14 de fevereiro de 2007. Neste ato, a autarquia federal condena de maneira veemente o reconhecimento de ágio gerado em operações em que não há pagamento e nas quais tampouco as partes sejam independentes. O fragmento abaixo transcrito resume a taxativa posição da CVM em relação ao ágio interno: “20.1.7 “Ágio” gerado em operações internas A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de “ágio”. Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato contínuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos Fl. 4397DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 19 18 acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como “arm’s length”. Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade”. 71. É de hialina clareza, portanto, que a CVM repudia vigorosamente o reconhecimento contábil de ágios tais como aqueles aqui analisados, os quais foram artificialmente gerados em 30/09/2005 quando do aumento de capital da DSRB. 72. Tendo por objetivo apenas dirimir outra perquirição societária afeita ao âmbito da CVM, vem a propósito realçar que, no caso ora examinado, são também inaplicáveis as disposições previstas no art. 6º da Instrução CVM nº 319/99, com redação dada pela Instrução CVM nº 349/01 (isto é, a constituição da já debatida provisão de R$ 1.086.280.065,12 na DSRB). Tais preceitos visam especialmente à preservação do fluxo de dividendos em função do ágio anualmente amortizado e são especificamente dedicados a incorporações reversas em que tenha ocorrido pagamento pelo ágio (o que não ocorreu na hipótese em questão). A própria Nota Explicativa à Instrução CVM nº 349, de 06/03/2001, já assim bem explicita: “A Instrução CVM nº 319/99, ao prever que a contrapartida do ágio pudesse ser registrada integralmente em conta de reserva especial (art. 6º, § 1º), acabou possibilitando, nos casos de ágio com fundamento econômico baseado em intangíveis ou em perspectiva de rentabilidade futura, o reconhecimento de um acréscimo patrimonial sem a efetiva substância econômica. A criação de uma sociedade com a única finalidade de servir de veículo para transferir, da controladora original para a controlada, o ágio pago na sua aquisição, acabou por distorcer a figura da incorporação em sua dimensão econômica. Esta distorção ocorre em virtude de que, quando concluído o processo de incorporação da empresa veículo, o investimento e, consequentemente, o ágio permanecem inalterados na controladora original. (grifamos)”. 73. Tanto o ágio a que se refere a Instrução CVM nº 319/99 é o originado de uma transação com propósito negocial que, após a publicação da Instrução CVM nº 349/2001, a CVM emitiu o já discutido OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007, o qual abstrata e genericamente veda o reconhecimento contábil do ágio criado intragrupo. Esse ofício deixou ainda mais evidente que as Instruções CVM nº 319/99 e nº 349/01 não abarcavam o ágio gerado artificialmente, tal qual no presente caso. Fl. 4398DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 20 19 74. As determinações das Instruções CVM nº 319/99 e nº 349/01 obviamente em nada descaracterizam a dedutibilidade de um ágio que tenha sido pago numa negociação entre partes independentes. Na verdade, a CVM criou uma forma engenhosa de corrigir as inconsistências originadas de uma transferência para a controlada, via uma empresa veículo, da amortização de ágio pago pela controladora em operação com propósito negocial. 75. Devese novamente chamar a atenção para o fato de que, mesmo com a constituição da provisão prevista nas Instruções CVM nº 319/99 e nº 349/01 (realizada supostamente para atender às normas societárias, mas, no caso em tela, de maneira ilegítima), a efetiva diminuição anual das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL montou, como já outrora evidenciado neste Termo de Verificação Fiscal, o valor dos encargos de amortização do ágio do período (somatório da amortização do ativo fiscal diferido e da exclusão da reversão da provisão constituída). 76. É tão sedimentado o entendimento de que o ágio gerado internamente fundamentado em rentabilidade futura não se qualifica como ativo que, mesmo hoje, após a profunda modificação por que passou a contabilidade brasileira, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), em seu Pronunciamento Técnico CPC04 (R1), item 48, asseverou categoricamente: “O ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo”. 77. Na mesma linha, a Resolução CFC nº 1.110/07, do Conselho Federal de Contabilidade, assim preceitua em seu item 120: “120. O reconhecimento de ágio decorrente de rentabilidade futura gerado internamente (goodwill interno) é vedado pelas normas nacionais e internacionais. Assim, qualquer ágio dessa natureza anteriormente registrado precisa ser baixado”. 78. Nesse exato sentido, assim dispõe o item 50 da Resolução CFC nº 1.157/09: “50. É importante lembrar que só pode ser reconhecido o ativo intangível do ágio por expectativa de rentabilidade futura se adquirido de terceiros, nunca o gerado pela própria entidade (ou mesmo conjunto de empresas sob controle comum). E o adquirido de terceiros só pode ser reconhecido, no Brasil, pelo custo, vedada completamente sua reavaliação”. 79. Resta evidente, portanto, que o reconhecimento contábil do ágio gerado internamente é inadmissível na estrutura conceitual da contabilidade, ainda que tivesse sido pago, pois – por ser intragrupo – não teria decorrido de um processo de compra e venda de ativos líquidos entre partes independentes e não relacionadas. Por razão ainda mais consistente, a mesma sorte é reservada ao ágio gerado internamente e pelo qual sequer se Fl. 4399DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 21 20 realizou pagamento. E tal é a situação dos ágios contabilizados na DSRB quando de seu aumento de capital em 30/09/2005, razão pela qual é inafastável concluirse pela ilicitude de seu reconhecimento contábil. Prossegue a autoridade fiscal: 82. É defeso à autoridade fiscal imiscuirse na reorganização de um grupo empresarial. Não lhe é permitido obstaculizar que um conglomerado adote a melhor conformação que lhe aprouver. Respeitados os ditames legais, os agentes econômicos podem livremente organizar os fatores de produção, de modo a promover a produção ou circulação de seus bens e serviços. 83. Contudo, impõese à administração tributária não só apontar atos negociais sem substância econômica cujo evidente objetivo esteja estritamente vinculado a uma ilícita diminuição dos tributos devidos, mas também exigir dos sujeitos passivos envolvidos os créditos tributários que, por meio dessa ilegal manobra, forem evadidos em detrimento de toda a coletividade. 84. No caso em concreto, não se questiona aqui a reestruturação por que passou o Grupo Du Pont, nos moldes noticiados pelo fiscalizado em suas respostas apresentadas no curso deste procedimento fiscal (tratase do intitulado programa “One Dupont”). Desse modo, levandose em conta as competências legalmente conferidas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, não se opõe aqui propriamente ao aumento de capital empreendido pela Griffin na DSRB com as participações que detinha na Pioneer e no fiscalizado. O que se refuta é, do ponto de vista tributário, a licitude deste aumento de capital com um ativo inexistente (ágio), como já incontestavelmente esquadrinhado, visto que por meio deste artifício, as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL foram vultosa e ilegalmente diminuídas em R$ 1.417.284.599,82, somandose as deduções anuais entre 2005 e 2010 (conforme Demonstrativo 20). 85. Há que se chamar atenção para uma outra circunstância que envolve as operações societárias aqui discutidas. O aumento de capital da DSRB com as ações do fiscalizado e as quotas da Pioneer ocorrera em 30/09/2005. Nesta ocasião, deu se o ilícito reconhecimento dos malfadados ágios na DSRB. Causa espécie que, decorridos apenas 31 dias desde tal operação da qual resultou o ilegal reconhecimento desses ativos fictícios na DSRB, tenham sido promovidas novas operações intragrupo, de forma que a partir de então as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do fiscalizado passassem imediatamente a ser reduzidas por meio dos encargos de amortização dos combatidos ágios. Deduzse, pois, ser esse o verdadeiro propósito do reconhecimento dos ágios internos. Em aproximadamente um mês, os ágios internos – pelos quais nada se pagou – foram ilicitamente reconhecidos e carreados a uma sociedade do grupo, que por sua vez passou a imediatamente amortizálos, diminuindo suas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. (...) Fl. 4400DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 22 21 90. Para a plena demonstração da ilicitude da redução do lucro real por meio dos encargos de amortização dos ágios ora analisados, é imprescindível agora discutir o que preveem os artigos 247 e 248 do Regulamento do Imposto de Renda, in verbis: “Conceito de Lucro Real Art. 247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º). § 1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das leis comerciais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 37, § 1º). § 2º Os valores que, por competirem a outro período de apuração, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do período de apuração, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período de apuração competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente, observado o disposto no parágrafo seguinte (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 4º). § 3º Os valores controlados na parte "B" do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, existentes em 31 de dezembro de 1995, somente serão atualizados monetariamente até essa data, observada a legislação então vigente, ainda que venham a ser adicionados, excluídos ou compensados em períodos de apuração posteriores (Lei nº 9.249, de 1995, art. 6º). Conceito de Lucro Líquido Art. 248. O lucro líquido do período de apuração é a soma algébrica do lucro operacional (Capítulo V), dos resultados não operacionais (Capítulo VII), e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 1º, Lei nº 7.450, de 1985, art. 18, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 4º). 91. Inferese do caput do art. 247 do RIR/99 (cuja matriz legal é o caput do art. 6º do DecretoLei nº 1.598/77) que o lucro real, base para a apuração do imposto de renda, a despeito de não se confundir com o lucro líquido do período, é calculado a partir deste. Já o parágrafo 1º do mesmo dispositivo (que se escora no art. 37, § 1o, da Lei nº 8.981/95) determina que tal lucro líquido deve ser apurado com observância das leis comerciais. O art. 248 igualmente faz menção à observância da lei comercial para fim de apuração do lucro líquido”. 92. Já em relação à CSLL, há que se destacar o que assevera o art. 2º da Lei nº 7.689/88 (com as alterações promovidas pela Lei nº 8.034/90), que instituiu a CSLL: “Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: a) será considerado o resultado do períodobase encerrado em 31 de dezembro de cada ano; Fl. 4401DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 23 22 b) no caso de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividades, a base de cálculo é o resultado apurado no respectivo balanço; c) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixada durante o períodobase, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do períodobase; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Incluído pela Lei nº 8.034, de 1990) 6 exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas na forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso de períodobase. (Incluído pela Lei nº 8.034, de 1990) § 2º No caso de pessoa jurídica desobrigada de escrituração contábil, a base de cálculo da contribuição corresponderá a dez por cento da receita bruta auferida no período de 1º janeiro a 31 de dezembro de cada ano, ressalvado o disposto na alínea b do parágrafo anterior. 93. Ainda em relação à CSLL, fazse necessário também sobressair o que dispõe o art. 57 da Lei nº 8.981/95, com redação dada pela Lei nº 9.065/95: “Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995)”. 94. Conforme se deduz do art. 2o, § 1o, “c”, da Lei nº 7.689/88, o “ponto de partida” para a determinação da base de cálculo da CSLL é igualmente o resultado apurado com base na legislação comercial. É inegável, pois, que ambas as exações –o IRPJ e a CSLL – são calculadas a partir de um mesmo valor: o resultado determinado em consonância com a legislação comercial. A Fl. 4402DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 24 23 partir desse resultado são realizados ajustes (adições, exclusões, compensações) para que finalmente sejam determinadas as bases imponíveis do IRPJ e da CSLL. 95. Ora, como já se demonstrou exaustivamente neste Termo de Verificação Fiscal, o ágio interno – e por razão ainda mais contundente aquele gerado intragrupo e em relação ao qual não houve pagamento, como no presente caso – não é admitido pela legislação comercial. Neste caso, ele não é passível de reconhecimento contábil, mensuração, bem como de divulgação em demonstrações financeiras. E exatamente por tal razão, tampouco seus encargos de amortização podem gerar reflexos no resultado comercial, e por consequência, no resultado tributável, porquanto aquele é, como já visto, o “ponto de partida” para a apuração deste. (...) 97. Os encargos de amortização dos ágios internos aqui discutidos constituem, inexoravelmente, despesas inexistentes/fictícias, quer para fins contábeis, quer para fins de determinação do lucro real e da base cálculo da CSLL. O fiscalizado artificialmente promoveu, in casu, a redução indevida e escusa de seu lucro líquido, a qual repercutiu diretamente na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. 98. Com efeito, foram exatamente os encargos de amortização dos ágios em debate que diminuíram as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do fiscalizado (levando se em conta a exclusão extracontábil relativa à reversão da provisão), as quais têm como “ponto de partida” precisamente o resultado contábil do período. Como tais encargos de amortização não poderiam sequer ser contabilmente reconhecidos, impende concluir que tampouco poderiam reduzir as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 99. Vale aqui destacar o que dispõe a legislação tributária acerca de uma despesa incorrida. Segundo o item 03 do Parecer Normativo CST nº 07/76, “como despesas incorridas, entendem se as relacionadas a uma contraprestação de serviços ou obrigação contratual e que, embora caracterizadas e quantificadas no períodobase, nele não tenham sido pagas, por isso figurando o valor respectivo no passivo exigível da empresa”. Notese que o fato de ser incorrida não significa que a despesa não será paga. Significa que, em conformidade com o regime de competência, no momento em que for considerada incorrida, independentemente de pagamento, a despesa será reconhecida. Como mencionado no parecer normativo, se não houve pagamento ainda, mas a despesa já se considera incorrida, ela é reconhecida contabilmente antes do pagamento a ser efetuado, ao mesmo tempo em que há a assunção de um passivo. 100. O pressuposto de que, para uma despesa ser considerada incorrida, é necessária uma contraprestação de serviços ou uma Fl. 4403DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 25 24 obrigação contratual – pressuposto assumido no Parecer Normativo CST nº 07/76 – decorre da própria teoria contábil, que não tolera que uma despesa seja registrada sem a renúncia a algum ativo e/ou a assunção de um passivo”. Dessa forma, diante os fatos narrados acima, procedeu a fiscalização ao lançamento do crédito tributário, glosando as despesas de amortização do ágio nos montantes constantes na DIPJ 2012 (ND 1418328), conforme quadro abaixo: No mesmo procedimento, verificouse que o valor compensado de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL estava superior ao limite disponível, dessa forma, o excedente aos saldos disponíveis foram objeto de glosa e autuação. Também procedeu a autoridade fiscal a qualificação da multa no patamar de 150% por entender estar configurada a hipótese descrita no art. 44 da Lei 9.430/96, com a redação dada pela 11.488/2007, vez que o fiscalizado teria adotado procedimento compreendido na hipótese de fraude, como conceituado no art. 72 da Lei 4.502/64. O contribuinte foi cientificado do auto de infração pessoalmente pelo seu representante legal em 23/12/2016, apresentando peça impugnatória em 20/01/2017. 2. Da Impugnação A impugnação foi apresentada com as seguintes alegações abaixo resumidas: • Decadência do crédito tributário constituído, vez que o ágio objeto de questionamento foi apurado, contabilizado e declarado pelo contribuinte em 2005, sendo, portanto, esse o termo inicial para o início da contagem do prazo decadencial, encerrandose em 30 de novembro de 2010. • Os artigos 385 e 386 do Regulamento do Imposto de Renda versam sobre o registro de ágio na aquisição de participação societária e sobre a possibilidade de sua amortização. Desses dispositivos legais se conclui que no momento da aquisição de participações societárias sujeitas à equivalência patrimonial, as pessoas jurídicas são obrigadas a desdobrar o custo de aquisição em valor de patrimônio líquido e ágio. Com a liquidação do investimento adquirido com ágio mediante Fl. 4404DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 26 25 incorporação, fusão ou cisão, a pessoa jurídica sobrevivente tem o direito de amortizar o ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura em, no mínimo, 5 anos, contanto que haja estudo suportando o mesmo ágio. Conclui o impugnante que o registro e amortização do ágio dependeriam única e tão somente de: i) haver aquisição de participação societária sujeita a avaliação pelo método de equivalência patrimonial; ii) o custo de aquisição ser superior ao valor do patrimônio líquido da participação adquirida; iii) ágio ser fundamentado em expectativa de rentabilidade futura; e, iv) investimento adquirido com ágio ser liquidado mediante incorporação, fusão ou cisão. Passa a demonstrar ter cumprido tais requisitos; • Alega que o negócio jurídico em exame (aquisição de participação societária via ato de integralização de capital) são válidos, conforme art. 104 do Código Civil, vez que praticados por agente capaz, com objeto lícito, possível e determinado e sob a forma prescrita em lei. Portanto, não cabe a autoridade fiscal alegar que as operações não seriam aptas a gerar o registro de ágio, vez que não há qualquer vício ou ilicitude que autorizasse a sua válida desconsideração; • Ao contrário do afirmado pela fiscalização, a aquisição de participação societária não se dá exclusivamente com o pagamento em dinheiro. Cita o caso de contribuição de capital, em que para a sociedade investidora o recebimento de quotas de outra empresa em ato de integralização de capital nada mais é do que uma aquisição de participação societária com pagamento em quotas, já para a sociedade alienante, se trata de alienação de participação societária com recebimento do pagamento em quotas da empresa investidora. Conclui a impugnante, que a “aquisição de participação societária” que é requisito para a amortização do ágio, pode ser realizada por todas as formas previstas na legislação cível (compra e venda, subscrição de capital com integralização de quotas, dação em pagamento, dentre outras”, por conseguinte, como houve aquisição de participação societária, a DSRB LTDA era obrigada a desdobrar seu custo de investimento em valor de patrimônio líquido e ágio; • Argumenta que a efetiva alienação de participação societária é ratificada pelo fato de a própria Receita Federal do Brasil ter exigido o recolhimento de Imposto de Renda em razão de ganho de capital auferido pela Du Pont Spain na venda da participação societária detida na impugnante e na Pioneer para a Griffin, pois a apuração de ganho de capital pressupõe dois requisitos essenciais: i) alienação de um bem e ii) existência de uma diferença positiva entre o valor de alienação e o custo de aquisição do bem (art. 138 do RIR/99); • Assim, conclui o impugnante: “se a própria Receita Federal do Brasil entendeu que para fins de ganho de capital houve uma alienação de participação societária e que esta ocorreu por um custo superior ao de aquisição, é inquestionável, também, que ao se analisar as regras para registro e Fl. 4405DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 27 26 amortização de ágio há que se concluir, igualmente, que houve uma aquisição de participação societária por valor superior ao custo de aquisição que autoriza o registro e a amortização de ágio.”; • O custo de aquisição é superior ao patrimônio líquido, gerando o ágio objeto da amortização. O custo de aquisição da Du Pont do Brasil foi de R$ 817.218.206,83, sendo que a empresa detinha patrimônio Líquido de R$ 116.846.220,60, gerando ágio de R$ 700.371.986,23. Já o custo de aquisição da Pioneer Sementes foi de R$ 1.249.612.159,12, sendo que a empresa detenha patrimônio líquido de R$ 304.105.258,61, gerando ágio de R$ 945.506.900,51; • O fundamento do ágio gerado é a expectativa de rentabilidade futura, documentado em extensos estudos realizados por empresa idônea, com credibilidade e reconhecimento pelo mercado (Ernst & Young Assessoria Empresarial Ltda). Os estudos foram realizados com base na elaboração de um fluxo de caixa descontado, método mundialmente aceito para se obter o valor econômico de uma empresa, de acordo com sua expectativa de geração de caixa (rentabilidade) no futuro. Portanto, não caberia o argumento utilizado pela autoridade fiscal de que o ágio apurado entre partes relacionadas não poderia ser aceito por faltar subjetividade na avaliação do valor econômico das empresas, por terem se baseado em estudos realizados pela própria entidade e sem validação pelo mercado; • Ainda sobre a validação do estudo pelo mercado, argumenta o impugnante que a norma determina que o ágio deve estar baseado em estudo específico, o qual foi realizado pela Ernst Young, não sendo possível falar em subjetivismos, pois são estudos sérios e pautados nas normas contábeis. Ademais, destaca o contribuinte que a autoridade fiscal não indicou, de forma objetiva, qualquer incorreção ou equívoco nos referidos estudos; • Por fim, em relação aos requisitos previstos para registro e amortização do ágio, destaca que o investimento na impugnante e na Pioneer Sementes foi liquidado mediante incorporação da DSRB Ltda e da Pioneer pela Impugnante. • Sobre o argumento da fiscalização de que não houve propósito negocial nas operações societárias que geraram o ágio, o impugnante alega que a reorganização societária foi resultado de projeto global empreendido pela Du Pont, nomeado “One Du Pont”, tendo como objetivo a reunião de todas as empresas em uma única, gerando melhor atendimento aos clientes, e também redução de custos, dessa forma, não haveria que se falar em ausência de propósito negocial. Traz à baila, também, o argumento de que incorreu em ônus com a reorganização societária, vez que perdeu significativos prejuízos fiscais acumulados pelas demais empresas incorporadas, bem como apurou e recolheu vultoso ganho de capital; Fl. 4406DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 28 27 • Invocando o direito à liberdade de autoorganização, argumenta o impugnante que existindo mais de uma alternativa lícita para reorganização societária, não haveria óbices para escolher aquela que geraria menor tributação, não podendo o Fisco descaracterizar tais operações sob o pretexto de que outra operação seria a real; • Enfatiza o impugnante que a amortização de ágio interno é possível, pois no tempo da reorganização societária (2005) não havia norma impeditiva. O impedimento apenas veio com a edição do artigo 22 da Lei 12.973/2014, prevendo expressamente a possibilidade de amortização de ágio por rentabilidade futura nos casos de aquisição de participação societária entre partes não dependentes. Ademais, argumenta que, na falta de previsão legal, não pode a autoridade fiscal basear o impedimento em vedações previstas na disciplina contábil; • Sobre a inobservância de regras contábeis apontada pela autoridade fiscal defende o impugnante: • A Resolução CFC nº 750/93 não veda o registro a valor de mercado de investimento em empresa cujo valor contábil de ativos líquidos é inferior ao referido valor de mercado, visa a resolução a manutenção do valor original dos ativos da empresa, impedindo alterações, exceto quando previstos em lei. No caso em tela, tal resolução não se aplicaria, visto que não houve reavaliação de ativos próprios, mas sim a aquisição pela DSRB de participação acionária no impugnante e na Pioneer, assim, para a DSRB o valor original do investimento é o valor do seu custo de aquisição; • Não procede o argumento de que a teoria contábil e a legislação brasileira reconhecem e dão respaldo apenas ao ágio pago em uma negociação entre comprador e vendedor não relacionados entre si com base no OfícioCircular CVM/SNC/SEP nº 1/2007, visto que: i) as normas contábeis mencionadas na autuação são inspiradas na Lei 11.638/2007, que trouxe relevantes alterações na ciência contábil, assim não se tratam de normas meramente interpretativas aplicáveis retroativamente, não podendo ser aplicadas às aquisições de participações societárias ocorridas em 2005; ii) as normas citadas, embora previstas no âmbito contábil, não são aplicáveis na apuração do lucro e da base de cálculo da CSLL, por expressa previsão legal nesse sentido (art. 16 da Lei 11.941/09); iii) o Pronunciamento CPC 04 não se aplicaria ao caso em tela, pois se aplica ao ágio gerado internamente, tratando da avaliação de intangíveis pela própria empresa, não se relacionando a operações de aquisição; iv) a expressão “ágio gerado internamente” no âmbito da CVM e no meio contábil se refere as operações de “reavaliação espontânea” de sociedades controladas ou coligadas; • Argumenta que o débito de CSLL exigido no auto de infração deve ser cancelado, visto que não há base legal que Fl. 4407DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 29 28 determine a adição do montante correspondente à amortização do ágio em sua base de cálculo; • Defende a impossibilidade de aplicação da multa agravada de 150% sob o fundamento de que a reorganização societária foi legítima e com propósito negocial, não havendo que se falar em simulação nos termos do art. 167 do Código Civil e nem em conduta fraudulenta, vez que essa não foi devidamente comprovada pela fiscalização; • Por fim, alega não ter conhecimento das razões pela qual a autoridade fiscal considerou que a compensação a maior de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL, vez que a fiscalização apenas apontou que o valor disponível para compensação no SAPLI era inferior ao compensado, portanto, impossibilitada de apresentar qualquer tipo de contestação. Acredita ser resultado do auto de infração lavrado em 2011 (processo administrativo 13896.722004/201118), pois nesse as autoridades fiscais utilizaram parte do saldo para compensar valores de IRPJ e CSLL supostamente devidos. Entretanto, tal processo ainda encontrase pendente de decisão final transitado em julgado na esfera administrativa, estando com a sua exigibilidade suspensa. Portanto, pede o impugnante o reconhecimento da regularidade do ágio registrado e amortizado nas operações de reorganização societária. Quanto à compensação indevida de prejuízo fiscal, requer o sobrestamento do presente processo para que seja aguardado o desfecho do processo administrativo 13896.722004/201118. Subsidiariamente requer que seja reconhecida a decadência do crédito tributário, e também a improcedência da cobrança dos débitos de CSLL bem como da multa qualificada de 150%”. 7. Em sessão de 22 de junho de 2017, a 1ª Turma da DRJ/SPO, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos do voto relator, Acórdão nº 1678.106 (fls. 4268/4316), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2011 PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. AQUISIÇÃO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. ÁGIO. AMORTIZAÇÃO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. O registro do custo de aquisição de participação em empresa pertencente ao mesmo grupo econômico deve ser feito pelo valor do patrimônio líquido, sendo vedada a amortização fiscal de ágio, ainda que tenha sido registrado com base em rentabilidade futura de acordo com estudo elaborado por empresa especializada e que tenha ocorrido incorporação nos termos dos artigos 385 e 386 do Regulamento do Imposto de Renda, porque entre empresas ligadas desde antes do início das operações societárias falta a necessária independência entre as partes Fl. 4408DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 30 29 envolvidas caracterizadora de uma operação de mercado apta a gerar valor de mercado e ágio. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FRAUDE. MULTA. 150%. Em lançamento de ofício é devida multa qualificada de 150% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido quando demonstrada ação ou omissão fraudulenta do contribuinte.” ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2011 CSLL. EXTENSÃO LEGAL. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO INOPONÍVEL AO FISCO. DECORRÊNCIA LÓGICA. Cabível a extensão da glosa das despesas com amortização de ágio à base de cálculo da CSLL por conta do disposto no artigo 57 da Lei 8.981/95, que tem por intento evitar a repetição desnecessária de comandos legais para disciplinar a metodologia de determinação das bases imponíveis das duas exações, naquilo em que as sistemáticas têm em comum. Entretanto, independentemente de qualquer interpretação, uma vez considerado inoponível ao Fisco o planejamento tributário tendente a reduzir a base de cálculo do IRPJ, por decorrência lógica o mesmo não pode ser validado para fins de CSLL.” ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TERMO INICIAL. Em relação à decadência, a contagem do prazo deve ter como base a data a partir da qual o Fisco poderia efetuar o lançamento, ou seja, a data do fato gerador da obrigação. Sob essa ótica, para efeito de tributação da amortização indevida do ágio, a simples apuração desse ágio não dá azo a qualquer infração a qual só poderia, eventualmente, caracterizarse quando da amortização. Isso porque o valor amortizado é despesa que reduz o resultado tributável gerando, quando indevida, a infração passível de lançamento. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE A Administração Pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). Se até mesmo em caso de pendência de decisão definitiva no Poder Judiciário, instância superior e autônoma em relação à esfera administrativa, descabe o sobrestamento do processo administrativo, igual conclusão se impõe quando há pendência de decisão administrativa definitiva relativa à exigência formalizada de ofício no período. Impugnação Improcedente Fl. 4409DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 31 30 Crédito Tributário Mantido”. Dos Fundamentos da DRJ/SPO 8. A DRJ/SPO não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: Questões Preliminares 8.1. A preliminar de decadência foi afastada por considerar equivocado o termo inicial para contagem do prazo decadencial utilizado pela contribuinte. 8.2. Em se tratando de autuação pela não adição ao lucro real e à base de cálculo da CSLL das despesas de amortização de ágio, a data que deve ser considerada como termo inicial é a de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e não a data em que foram realizadas as operações societárias que deram origem ao ágio. No mérito I. Da impossibilidade de deduzir despesas de amortização de ágio geradas em reorganização societária envolvendo pessoas jurídicas sobre controle comum 8.3. Inicialmente, delimitase o objeto da presente lide na possibilidade da legislação vigente amparar ou não a dedutibilidade da despesa com amortização de ágio gerado em reorganizações societárias envolvendo empresas de um mesmo grupo econômico, convencionado como “ágio interno” ou ágio de si mesmo. 8.4. Diferentemente do alegado pela contribuinte, o ágio interno não deixou de ser dedutível somente a partir da MP 627/2013, posteriormente convertida na Lei nº 12.973/2014, pois esta norma materializou posição já consolidada na ciência contábil e na jurisprudência administrativa. O princípio contábil de registro dos componentes do patrimônio pelo valor original ou histórico já existia bem antes de 2005, época dos fatos em questão. 8.5. Não é possível a geração de ágio na transferência de participações societárias valoradas a mercado entre partes relacionadas, por faltar a independência necessária para validar os valores registrados, não sendo suficiente a apresentação de laudo. Isso porque, o laudo representa uma reavaliação de ativos, e nenhum registro contábil faz prova a favor de quem o escritura, sem qualquer documentação comprobatória que o lastreie, nos termos do artigo 923 do RIR/99. 8.6. O registro do ágio na aquisição de participações societárias, nos termos do artigo 385 do RIR/99, pressupõe um custo de aquisição que não se faz presente nos casos de reorganizações societárias entre partes relacionadas. 8.7. A fiscalização não questiona a reorganização societária em si, pois o contribuinte é livre para organizar suas empresas da forma que melhor atender aos seus interesses, mas questionou se a forma como se deu seria suficiente para gerar um ágio passível de amortização e dedução da base de cálculo do IRPJ e CSLL. II. Da não dedutibilidade da amortização de ágio na apuração da base de cálculo da CSLL Fl. 4410DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 32 31 8.8. Apesar do IRPJ e da CSLL terem bases de cálculo definidas em legislação própria, considera que os artigos 7º da Lei nº 9.532/97, 10 da Lei nº 9.718/98 e 386 do RIR/99 também impedem a dedutibilidade da amortização do ágio na apuração da base de cálculo da CSLL. Logo, considera que a apuração nos moldes do artigo 7º da Lei nº 9.532/97 deve ser aplicada de forma idêntica à apuração de cálculo da CSLL. III. Da glosa da compensação de prejuízo fiscal 8.9. A alegação da contribuinte de ausência de motivação relativa à infração de insuficiência de saldo para compensação fiscal deve ser afastada, vez que o sujeito passivo teve ciência do demonstrativo de compensação no curso do processo administrativo n° 13896.722004/201118, e, portanto, tinha total conhecimento dos fatos que levaram à revisão dos saldos de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL. 8.10. Sobre o pedido da contribuinte de sobrestamento do presente processo até a decisão definitiva do processo administrativo correlato, considera que não há na legislação que rege o processo administrativo previsão de tal suspensão. IV. Da multa qualificada 8.11. Com base no que foi apurado no processo referente ao ágio amortizado pela Du Pont nos anoscalendário 2005 a 2010, entende que deve ser mantida a qualificação por restar configurada a fraude a contribuinte tinha conhecimento que os ágios formados em sua escrituração eram ilegítimos. Das Razões constantes do Recurso Voluntário 9. Cientificada da decisão (ciência eletrônica em 07/07/2017, de fl. 4326), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 4329/4377) em 04/08/2017, reiterando em parte as razões já expostas em sua Impugnação (fls. 4004/4083) e complementando, em síntese, com os seguintes pontos: I. Regras contábeis para registro e amortização do ágio 9.1. Parte das normas trazidas pela decisão da DRJ para fundamentar alegação de que o ágio interno não deixou de ser dedutível somente a partir da MP 627/2013 são aplicáveis apenas para fatos geradores ocorridos após as operações em análise. 9.2. As referidas normas são inspiradas na Lei nº 11.638/2007 e trouxeram relevantes modificações para a ciência contábil brasileira, tratandose de uma nova aplicação de conceitos contábeis. 9.3. Como as operações societárias que resultaram o ágio amortizado pela Recorrente são relativas ao anocalendário de 2005, não há que se falar na aplicação desses novos conceitos contábeis por serem cabíveis aplicáveis apenas a partir de 2008. 9.4. Por expressa previsão legal, as normas contábeis citadas pela autoridade julgadora não são aplicáveis para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. II. Da amortização de ágio interno Fl. 4411DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 33 32 9.5. Os artigos 385 e 386 do RIR/99 nunca trouxeram previsão de restrição ao chamado ágio interno. E, diferentemente do que foi afirmado na decisão da r. DRJ, a vedação de registro e amortização de ágio em operações realizadas dentro de um mesmo grupo econômico apenas foi vedada com o advento da Medida provisória nº 627/2013, convertida na Lei nº 12.973/2014. 9.6. O ágio por rentabilidade futura previsto na Lei nº 12.973/2014 é uma figura bastante diferente daquela anteriormente prevista na Lei nº 9.532/97, pois apenas a primeira traz expressamente a previsão de que a dedutibilidade só é admitida nos casos em que a aquisição ocorrer entre empresas independentes. 9.7. No mais, o artigo 65 da Lei nº 12.973/14 determinou claramente que as regras anteriores continuariam a ser aplicáveis com relação a aquisições de participação societária realizadas até 31 de dezembro de 2014. III. Da avaliação econômica das empresas adquiridas 9.8. A legislação não prevê nenhuma ressalva quanto a forma de comprovação de registro contábil do ágio gerado em operações como as do presente caso nem prevê validação de terceiros, exigindo apenas que o contribuinte mantenha arquivada a demonstração que comprova a expectativa de rentabilidade futura que fundamentou o ágio. 9.9. Cabe à fiscalização demonstrar e comprovar qual seria a razão para desconsiderar os estudos apresentados pela Recorrente. IV. Do custo de aquisição e da tributação do ganho de capital 9.10. Sobre o custo da aquisição, ressalta que em momento algum a Recorrente afirmou que a perda de saldo de prejuízo fiscal acumulado pelas empresas incorporadas representaria o custo de aquisição das participações societárias, mas apenas afirmou que a referida perda representa um dos ônus resultantes das operações em questão. 9.11. Houve custo de aquisição nas operações em questão. O pagamento para a aquisição de participação societária foi realizado mediante entrega de quotas do capital da empresa adquirente, o que é previsto no artigo 132 do RIR/99 e confirmado pela própria Receita Federal do Brasil na Solução de Consulta nº 288 da Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal, de 22 de novembro de 2006. 9.12. A alienação de participação societária deve ser considerada válida inclusive porque a RFB exigiu o recolhimento de Imposto de Renda em razão do ganho de capital auferido pela Du Pont Spain na venda da participação societária que esta detinha na Recorrente e na Pioneer para a Griffin. 9.13. A análise do direito à amortização do ágio está relacionada com a referida apuração de ganho de capital, pois não se pode admitir diferentes caracterizações jurídicas para uma mesma operação societária. V. Da decadência Fl. 4412DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 34 33 9.14. Conforme afirmado pelas as autoridades fiscais e julgadoras, o que está sendo discutido no presente processo é a possibilidade da existência do ágio e, portanto, este fato poderia ter disso questionado desde 2005. 9.15. As autoridades fiscais estão questionando, em sua essência, um ato praticado e declarado em 2005. Aplicandose o artigo 173, inciso I, do CTN, a contagem do prazo decadencial se encerrou no dia 30/11/2010. VI. Da ausência de vedação à amortização do ágio em relação à CSLL 9.16. O fundamento legal aplicável ao IRPJ não deve ser usado para a CSLL. Não há base legal que determine a adição do montante correspondente à amortização do ágio na apuração da base de cálculo da CSLL, portanto não é exigível do contribuinte a aplicação de tal equivalência. VII. Da impossibilidade de aplicação da multa agravada de 150% 9.17. Não há fatos ou provas que sustentem a alegação de fraude por suposto conhecimento por parte da Recorrente da irregularidade da amortização do ágio em questão, logo não há que se falar em multa qualificada. No mais, a restrição da amortização defendida pelas autoridades administrativas não era notória, visto que existem decisões na esfera administrativa que reconhecem a legitimidade de tal procedimento. 9.18. Ainda que se assuma ter havido infração à legislação, a fiscalização deveria ter interpretado o artigo 44 da Lei nº 9.430/96 da maneira mais favorável, implicando na aplicação da multa de ofício de 75%, mas não o fez. VIII. Da suposta compensação a maior de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL 9.19. As autoridades fiscais têm o dever de comprovarem como foi apurada a divergência entre a os valores existentes no sistema interno da RFB, o SAPLI, e valores compensados, sendo imprescindível a indicação da fundamentação da referida divergência. 9.20. Por fim, fica evidente que a decisão a ser proferida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no processo nº 13896.722004/201118 tem relevância para o presente processo, pois, se favorável a Recorrente, o direito à amortização de ágio será confirmado e, consequentemente, os valores exigidos de IRPJ e CSLL serão cancelados. Logo, seria recomendável aguardar o desfecho do citado processo correlato. 10. Ao final, a Recorrente requer: (i) que seja reconhecida a improcedência do lançamento fiscal, cancelando as exigências de IRPJ e CSLL; (ii) o sobrestamento do feito até o julgamento definitivo do processo administrativo nº 13896.722004/201118; (iii) subsidiariamente, que seja reconhecida a decadência do crédito tributário, em razão do ágio ter sido registrado e amortizado no ano de 2005; (iv) alternativamente, que seja reconhecida a improcedência da cobrança dos débitos de CSLL e da multa qualificada de 150%. É o relatório. Voto Vencido Fl. 4413DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 35 34 Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora 11. O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Questão Preliminar I. Da Inocorrência de Decadência no Caso Concreto 12. Considero que o prazo decadencial para a lavratura de auto de infração para a glosa de despesas de amortização de ágio tem início com a efetiva dedução de tais despesas pelo contribuinte, pois somente a partir daí é possível cogitar inércia do fisco. 13. No presente caso, a redução no valor dos tributos por conta aproveitamento de despesas de amortização de ágio ocorreu anualmente, a partir de 2005 e finalizando em 2011, e não no momento em que foram realizadas as operações societárias que deram origem ao ágio em questão, em 2005. 14. Por essa razão, como marco inicial do prazo decadencial, não se pode tomar a data em que foram realizadas as operações societárias que deram origem ao ágio. Para esse fim, relevante é a data de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ao final de cada anocalendário, a partir de 31/12/2005, nos termos do artigo 150, §4º, do CTN. 15. Nesse sentido, inclusive, é a jurisprudência desse E. CARF, verbis: DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TERMO INICIAL. Em relação à decadência, a contagem do prazo deve ter como base a data a partir da qual o Fisco poderia efetuar o lançamento, ou seja, a data do fato gerador da obrigação. Sob essa ótica, para efeito de tributação da amortização indevida do ágio, a simples apuração desse ágio não dá azo a qualquer infração a qual só poderia, eventualmente, caracterizarse quando da amortização. Isso porque o valor amortizado é despesa que reduz o resultado tributável gerando, quando indevida, a infração passível de lançamento. (Processo nº 13502.721043/201427, Acórdão nº 1201001.861, 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 17 de agosto de 2017, Relator Luis Fabiano Alves Penteado). DECADÊNCIA. FATOS COM REPERCUSSÃO EM PERÍODOS FUTUROS. É legítimo o exame de fatos ocorridos há mais de cinco anos do procedimento fiscal para deles extrair a repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela caducidade. A restrição decadencial, no caso, voltase apenas à impossibilidade de lançamento de crédito tributário no período em que se deu o fato. (Processo nº 10845.722254/201165, Acórdão nº 1102000.875, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 12 de junho de 2013, Relator João Otávio Oppermann Thomé). Fl. 4414DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 36 35 16. Não há como concordar com o racional da Recorrente no sentido de que o fisco não poderia mais desafiar a formação do ágio, pois, tal racional configura verdadeiro desrespeito ao disposto no artigo 37 da Lei 9.430/96, verbis: Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. 17. Sob este aspecto, a jurisprudência pacífica do CARF converge no sentido de que “se a lei determina que o sujeito passivo deva guardar documentos referentes a negócios jurídicos que venham produzir efeitos fiscais futuros, há de se concluir, necessariamente, que essa lei dá ao fisco o direito de examinálos. Pois não haveria razão de a lei tributária exigir que o sujeito passivo guardasse documentos se não fosse para ficarem à disposição de eventual exame pela autoridade tributária. E se a lei confere ao fisco o direito de examinar aqueles documentos, é porque também lhe dá o direito de vir a questionar os negócios jurídicos ali registrados, desde que para constituir créditos tributários relativos a fatos geradores ocorridos em períodos posteriores, ainda não alcançados pela decadência, nos termos do art. 150, § 4º, e do art. 173, I, ambos do CTN.” (Processo nº 10970.720271/201211, Acórdão nº 9101002.387, 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Sessão de 13 de junho de 2016, Relator Luis Flávio Neto). 18. No mais, conforme bem consignado pelo Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, "pode a fiscalização verificar documentos e analisar fatos ocorridos há mais de cinco anos para deles extrair a repercussão tributária de exercícios futuros. A vedação contida no Código Tributário Nacional impossibilita apenas o lançamento de crédito tributário relativo a período já fulminado pela decadência". (Processo nº 16643.720041/201151, Acórdão nº 1201001.872, 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 19 de setembro de 2017). 19. In casu, relativamente a glosa do anocalendário de 2011, o termo inicial é 31/12/2011 e, portanto, a autoridade teria até 31/12/2016 para lançar o crédito tributário respectivo. Como o auto de infração foi lavrado em 19/12/2016 e a contribuinte intimada em 21/12/2016 (fls. 3836 e 3837), não há que se falar em decadência do crédito tributário. 20. Por fim, nesta mesma linha, é a recente Súmula CARF nº 116, verbis: "Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, devese levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança." 21. Dessa forma, rejeito a preliminar em questão. Questões de Mérito I. Das Regras Contábeis para Amortização do Ágio 22. As autoridades fiscal e julgadora consideram que, sob o ponto de vista contábil, a amortização de ágio em operação realizada entre partes ligadas seria vedada pela legislação e normativos contábeis. Fl. 4415DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 37 36 23. Fundamentam seu raciocínio, essencialmente, nas seguintes normas contábeis: artigo 7º da Resolução CFC n.º 750/93, que trata do Princípio do Registro pelo Valor Original, no item 120 da Resolução CFC n.º 1.110/07, no CPC n.º 04, bem como no OfícioCircular CVM/SNC/SEP n.º 01/07. Confirase os respectivos trechos da r. decisão de piso: “Esse entendimento é claramente depreendido da Resolução CFC nº 1.110/2007, que aprovou a NBC T 19.10 – Redução ao Valor Recuperável de Ativos, in verbis: “120. O reconhecimento de ágio decorrente de rentabilidade futura gerado internamento (goodwill interno) é vedado pelas normas nacionais e internacionais. Assim, qualquer ágio dessa natureza anteriormente registrado precisa ser baixado.” (g.n) O mesmo entendimento (impossibilidade de reconhecimento de ágio gerado internamente) é veiculado no CPC nº 04, aprovado em 2010: “Ágio derivado de expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente. 48. O ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo. 49. Em alguns casos incorrese em gastos para gerar benefícios econômicos futuros, mas que não resultam na criação de ativo intangível que se enquadre nos critérios de reconhecimento estabelecidos no presente Pronunciamento. Esses gastos costumam ser descritos como contribuições para o ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente, o que não é reconhecido como ativo porque não é um recurso identificável (ou seja, não é separável nem advém de direitos contratuais ou outros direitos legais) controlado pela entidade que pode ser mensurado com confiabilidade ao custo. O tema também é tratado e vedado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no OfícioCircular CVM/SNC/SEP nº 1, de 2007, nos seguintes termos: 20.1.7 “Ágio” gerado em operações internas A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de “ágio”. Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato contínuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Fl. 4416DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 38 37 Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como “arm’s length”. Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade. (...) Não cabe também a alegação da impugnante de que os pronunciamentos contábeis e o posicionamento da CVM não se adequariam ao caso em questão, por terem sido emanados após o registro do ágio. A vedação ao reconhecimento de uma mais valia gerada de uma transação entre partes relacionadas advém da Ciência Contábil e foi consagrada pelo Conselho Federal de Contabilidade que enunciou esse impedimento, expressamente, como consequência do Princípio do Registro pelo Valor Original, consoante artigo 7º da Resolução CFC nº 750, de 29 de dezembro de 1993, com a redação vigente até edição da Resolução CFC nº 1.282, de 28 de maio de 2010: SEÇÃO IV O PRINCÍPIO DO REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL Art. 7º Os componentes do patrimônio devem ser registrados pelos valores originais das transações com o mundo exterior, expressos a valor presente na moeda do País, que serão mantidos na avaliação das variações patrimoniais posteriores, inclusive quando configurarem agregações ou decomposições no interior da ENTIDADE. Fl. 4417DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 39 38 Parágrafo único. Do Princípio do REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL resulta: I – a avaliação dos componentes patrimoniais deve ser feita com base nos valores de entrada, considerandose como tais os resultantes do consenso com os agentes externos ou da imposição destes; II – uma vez integrado no patrimônio, o bem, direito ou obrigação não poderão ter alterados seus valores intrínsecos, admitindose, tãosomente, sua decomposição em elementos e/ou sua agregação, parcial ou integral, a outros elementos patrimoniais; III – o valor original será mantido enquanto o componente permanecer como parte do patrimônio, inclusive quando da saída deste; IV – os Princípios da ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA e do REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL são compatíveis entre si e complementares, dado que o primeiro apenas atualiza e mantém atualizado o valor de entrada; V – o uso da moeda do País na tradução do valor dos componentes patrimoniais constitui imperativo de homogeneização quantitativa dos mesmos. Concluise, portanto, que bem antes da época dos fatos em questão (ano de 2005), já havia o princípio contábil de registro dos componentes do patrimônio pelo valor original ou histórico.” 24. Contudo, considero que os o argumentos contábeis mencionados acima não podem servir de justificativa para a glosa das despesas de amortização de ágio. 25. Inicialmente, cumpre ressaltar que tais normas, em sua maioria, somente são aplicáveis para fatos geradores ocorridos após as operações sob análise. Isso porque, tais normas advém da Lei n° 11.638/2007 e trouxeram relevantes modificações nos procedimentos contábeis brasileiros, no contexto de internacionalização da contabilidade1. 1 Acerca desta temática, vale citar trecho da introdução da Resolução CFC n.º 1.055/2005, que criou o Comitê de Pronunciamentos Contábeis: "Considerando que a crescente importância da internacionalização das normas contábeis vem levando inúmeros países a caminhar para um processo de convergência que tenha como consequência: a redução de riscos nos investimentos internacionais (quer os sob a forma de empréstimo financeiro quer os sob a forma de participação societária), bem como os créditos de natureza comercial, redução de riscos essa derivada de um melhor entendimento das demonstrações contábeis elaboradas pelos diversos países por parte dos investidores, financiadores e fornecedores de créditos; a maior facilidade de comunicação internacional no mundo dos negócios com o uso de uma linguagem contábil mais homogênea; a redução do custo do capital que deriva dessa harmonização, o que no caso é de interesse, particularmente, vital para o Brasil.” Na mesma esteira é a introdução do próprio Pronunciamento Técnico CPC4: “Em sintonia com o propósito de convergência contábil estabelecido pelo CPC e preconizado pela Lei n.º 11.638/2007, a base do CPC04 que está sendo colocado em Audiência Pública é o pronunciamento sobre Ativos Intangíveis emitido pelo IASB – International Accounting Standards Board (IAS38), sendo preservados todos os itens contidos no original. Não obstante, considerando o estágio do processo de Convergência das normas contábeis no Brasil, incluindo a edição da Lei n.º 11.638/07, algumas inclusões se fizeram necessárias basicamente relacionadas à inserção dos conceitos de apuração e mensuração de ágios (goodwill).” Fl. 4418DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 40 39 26. Não estamos tratando aqui de meras normas interpretativas aplicáveis retroativamente, mas sim de normativos que cuidam da aplicação de novos conceitos contábeis, introduzidos a partir da publicação da Lei nº 11.638/2007. 27. Tanto isto é verdade que o chamado Regime Tributário de Transição (“RTT”) preconizava a aplicação, para fins contábeis, das normas existentes na contabilidade em 31 de dezembro de 2007. Assim, se os novos Pronunciamentos Contábeis fossem aplicáveis retroativamente, pois de natureza meramente interpretativa de regras já existentes, então não seria sequer possível a aplicação do Regime Tributário de Transição. 28. Verificase, então, que o próprio Poder Legislativo confirma a aplicação dos novos Pronunciamentos Contábeis somente a partir da respectiva edição dos mesmos (após 2008). Desde já, vale assinalar que as operações societárias que resultaram o ágio amortizado pela Recorrente são relativas ao anocalendário de 2005. 29. O Pronunciamento Técnico do CPC nº 04, de 03 de outubro de 2008 (exceto o item 107 da Norma Brasileira de Contabilidade de natureza técnica [“NBC T”] nº 19.8, que entrou em vigor a partir dos exercícios findos encerrados em 2009) é aplicável tão somente em relação aos fatos ocorridos a partir de 28 de novembro de 2008, data de publicação da Resolução do Conselho Federal de Contabilidade nº 1.139, de 21 de novembro de 2008, que aprovou o Pronunciamento Técnico do CPC nº 04, de 03 de outubro de 2008 e tornou sua observância e cumprimento obrigatórios pelas sociedades e entidades sujeitas às Normas Brasileiras de Contabilidade de natureza técnica (“NBC T”) editadas pelo CFC. 30. Logo, com relação às aquisições de participações societárias efetuadas pela Recorrente no ano de 2005, são inaplicáveis o Pronunciamento Técnico do CPC nº 04/2008 e a Resolução do Conselho Federal de Contabilidade nº 1.139/2008, posto que ambos foram editados em 2008, isto é, posteriormente à data de acontecimento dos fatos objeto da presente autuação e, consequentemente, alcançam somente fatos ocorridos a partir de 28 de novembro de 2008, data de publicação da Resolução do Conselho Federal de Contabilidade nº 1.139/2008. 31. Nesse sentido, é o parecer do Professor Eliseu Martins, confiramse alguns trechos: “Lembramos que, ainda assim, com relação ao ágio já registrado e passível de amortização em virtude de transação ocorrida anteriormente a 2010, devese preservar a continuidade do mesmo tratamento fiscal aplicável anteriormente às novas normas contábeis, como garantem as Leis nos 11.638/07 e 11.941/09. (...) E, muito provavelmente a partir desse movimento, é que nasceu o OfícioCircular CVM/SNC/SEP no 01/07, comentado anteriormente, que procurou, tempos depois, desincentivar essa prática contábil entre as empresas abertas. Mas o autor Eliseu Martins, como membro do CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis, só conseguiu a implementação daquele objetivo quando participou ativamente da emissão dos Pronunciamentos Técnicos CPC 15 – Combinação de Negócios, CPC 18 – Investimento em Coligada e em Controlada, e principalmente da emissão da Fl. 4419DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 41 40 Interpretação Técnica ICPC 09 – Demonstrações Contábeis Individuais, Demonstrações Separadas, Demonstrações Consolidadas e Aplicação do Método de Equivalência Patrimonial. Nesta última norma, vigente apenas a partir de 2010, é que se tem, com todas as letras: 55. Nas operações com controladas os lucros não realizados são totalmente eliminados tanto nas operações de venda da controladora para a controlada, quanto da controlada para a controladora ou entre as controladas.” Portanto, e conforme já esclarecido anteriormente, somente a partir de 2010, quando da implantação obrigatória da norma, é que não se tem mais a possibilidade, para fins contábeis, de a vendedora, sob controle comum, reconhecer lucro na venda de qualquer ativo para a controladora ou outra controlada, e nem de a adquirente reconhecer o ágio na parte excedente originalmente constante na vendedora. (...) Ou seja, é imperativo concluir que as normas criadas posteriormente a 2005, acima mencionadas, devem ser entendidas como normas novas e não meramente interpretativas aplicáveis retroativamente.” (grifos nossos) 32. Portanto, das normas contábeis citadas pelas autoridades fiscal e julgadora, estava vigente à época dos fatos apenas a Resolução CFC n.º 750/93, que trata do Princípio do Registro pelo Valor Original. 33. Contudo, o referido princípio não é aplicável ao presente caso. 34. Este princípio discorre sobre a obrigatoriedade de valoração de ativos e passivos com base em seu custo histórico. Os órgãos lançador e julgador, ao mencionarem o referido princípio, pretendem demonstrar que não se poderia registrar a valor de mercado um investimento em empresa cujo valor contábil dos ativos líquidos era inferior ao referido valor de mercado. 35. Considero equivocada a interpretação conferida ao referido princípio, pois esta visa manter o valor original dos ativos da empresa, impedindo sua alteração, exceto se expressamente permitido em lei. 36. No caso em tela não houve uma reavaliação de ativos próprios, mas a aquisição pela DSRB de participação societária na Recorrente e na Pioneer, pelo valor de mercado da referida participação, em conformidade com a legislação vigente. 37. Neste contexto, para a DSRB o valor original do investimento na Recorrente e na Pioneer é o valor do seu custo de aquisição, qual seja, o valor pago por ela nas referidas empresas. 38. Com efeito, a aquisição foi paga em quotas da Recorrente e da Pioneer Sementes, considerandose o valor de mercado do investimento adquirido. Então, o que a Resolução 750/93 pretende é que, por exemplo, este valor original de aquisição do Fl. 4420DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 42 41 investimento registrado pela DSRB não seja, no futuro, alterado internamente, pela própria Recorrente, através de uma reavaliação não expressamente autorizada em lei. 39. Para materializar tal racional, cito, novamente, o seguinte trecho do parecer elaborado pelo professor Eliseu Martins, que analisou as operações em tela: “Consequentemente, de forma alguma o artigo 7º da Resolução CFC 750 proibia o reconhecimento do ágio no caso concreto. Pelo contrário, ele o exigia, obrigando ao registro de um valor original para essa transação. À época, a consideração das condições totalmente individuais para cada empresa era a regra na elaboração das demonstrações contábeis, a não ser nos casos estritos de determinação legal ou normativa diferente. (...) Assim, como a filosofia era a do balanço individual, a figura do artigo 7º da Resolução 750 se referia à demonstração individual, e para a entidade adquirente o valor original era o acordado na transação. Podese afirmar que esse valor transacionado era o valor original que, em outras palavras, passou a ser o custo histórico do bem transacionado. Mesmo não havendo caixa na operação, como foi o caso aqui analisado. Portanto, vale ressaltar novamente que, quando da contribuição das quotas da Pioneer e de ações da DP Brasil para a DSRB, foram atribuídos valores para as transações baseados em estudos de terceiros sobre os valores econômicos das participações contribuídas, sendo que de acordo com o art. 7º da Resolução CFC 750, este deve ser entendido como o valor original (ou custo histórico). Ou seja, não é possível concluir que a Resolução 750 impede ou impedia o registro a mercado de transações entre partes relacionadas, sendo que a DSRB não contrariou a interpretação de referida Resolução. O alcance dessa e das outras Resoluções, à época, era muito restrito.” 40. Ademais, as normas contábeis citadas pelas autoridades fiscal e julgadora não são aplicáveis para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, por expressa previsão legal. 41. Com efeito, parte dos referidos normativos foi instituída no âmbito das alterações introduzidas na Lei das S.A. pelas Leis nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, e nº 11.941, de 27 de maio de 2009, com o objetivo de viabilizar a convergência e harmonização das normas contábeis brasileiras aos padrões internacionais. 42. Essas inovações no âmbito contábil, contudo, de acordo com o que dispõem os artigos 15 a 24 da Lei n.º 11.941/09 – que instituíram o Regime Tributário de Transição (“RTT”) – não são aptas a produzir efeitos no plano fiscal, como determina o artigo 16 daquele diploma legal2. 2 "Art. 16. As alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, e pelos arts. 37 e 38 desta Lei que modifiquem o critério de reconhecimento de receitas, custos e despesas computadas na apuração do lucro líquido do exercício definido no art. 191 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, não terão efeitos para fins de apuração do lucro real da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007." Fl. 4421DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 43 42 43. Assim, ainda que as normas expedidas pela CVM, pelo CPC e pelo CFC fossem aplicáveis no presente caso, é inconsistente a argumentação apresentada pelas autoridades fiscal e julgadora. Tais normativos não poderiam surtir efeitos para fins de apuração do lucro real, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. 44. Sobre esse aspecto, o Parecer do Prof. Eliseu Martins, esclarece: “E é fundamental frisar que os quatro atos normativos: Pronunciamentos Técnicos CPC 15, CPC 18 e CPC 19 e Interpretação Técnica CPC 09, foram recepcionadas e adotadas tanto pela CVM (Deliberações 580/09, 605/09, 606/09 e 618/09, respectivamente), tornandose obrigatórias para as companhias abertas, como também pelo Conselho Federal de Contabilidade (Resoluções CFC 1.175/09, 1.241/09, 1.242/09 e 1.262/09, respectivamente), o que tornou sua aplicação obrigatória a todos os contabilistas. Assim, em razão de as Resoluções do CFC alcançarem todos os profissionais da área contábil, a partir de sua edição as normas ora discutidas atingem todas as sociedades, inclusive as não tributadas com base no lucro real. Situação totalmente diferente da que existia à época dos fatos discutidos neste Parecer. Mas voltamos a repetir: isso tudo para fins contábeis, já que, para fins fiscais, conforme as Leis nos 11.638/07 e 11.941/09, permanecem as mesmas regras fiscais vigentes em 31 de dezembro de 2007 (lembrando que, para 2008 e 2009, isso é verdade para quem optou pelo RTT – Regime Tributário de Transição).” (grifos nossos) 45. Ainda que fosse possível assumir que o CPC04 se aplicasse à época dos fatos e caso o RTT fosse afastado, mesmo assim o Pronunciamento em tela não se aplicaria no caso concreto. 46. O CPC04, assim como a Resolução CFC n.º 1.139/08, que o regulamentou, tratam da impossibilidade de criação de “ágio gerado internamente”, o que não é o caso destes autos. 47. Em verdade, o que tais normativos visam fazer é: (i) vedar o reconhecimento espontâneo de ágio gerado pela própria empresa e (ii) vedar a reavaliação de ágios registrados em decorrência de transações anteriores. O normativo trata de avaliação de intangíveis pela própria empresa e não se relaciona a operações de aquisição, como aquelas que se tem em mãos no presente caso. 48. Além disso, vale observar que o CPC 04 (refletido no NBC T 19.8) excepcionou de forma expressa o ágio fundado em expectativa de rentabilidade futura (goodwill) do tratamento contábil nele regulado, não se fazendo possível, portanto, sua aplicação ao caso em exame. Confirase: “Alcance 2. O presente Pronunciamento aplicase à contabilização de ativos intangíveis, exceto: (a) Fl. 4422DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 44 43 (b) ágio pago por expectativa de rentabilidade futura (goodwill ou fundo de comércio) surgido na aquisição de investimento avaliado pelo método de equivalência patrimonial ou decorrente de combinação de negócios; .” 49. Por fim, a expressão “ágio gerado internamente”, no âmbito da Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”) e no meio contábil, popularizouse com a publicação do OfícioCircular 01/2007. Este documento diz respeito, exclusivamente, a operações específicas de “reavaliação espontânea” de sociedades controladas ou coligadas, tal como se usava à luz do hoje revogado artigo 36 da Lei n' 10.637, de 30.12.2002 (“Lei nº 10.637/02”) ou, ainda, de incorporação de ações de sociedades controladas ou coligadas a valor de mercado. 50. Assim, tendose presentes os fins a que se destina o OfícioCircular 01/2007, concluo que a pretendida transposição desse ato para a legislação tributária com vistas à restrição à dedução fiscal de ágio carece de qualquer embasamento legal no âmbito da legislação do IRPJ e da CSLL. 51. Diante do exposto, considero que a interpretação da doutas autoridades fiscais com relação aos argumentos contábeis para justificar a glosa das despesas de amortização do ágio não deve prevalecer e, portanto, acolho as razões apresentadas pela Recorrente. II. Da Amortização do Ágio Interno 52. As autoridades fiscais afirmam que o registro e a amortização de ágio em operações realizadas dentro de um mesmo grupo econômico sempre foi vedado, sendo que a proibição trazida na Medida Provisória n.º 627/2013, convertida na Lei n.º 12.973/2014, apenas veio corroborar a posição consolidada. Para suportar tal alegação, fazem referência ao voto proferido pela conselheira Adriana Gomes Rego no acórdão n.º 9101002.388 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 53. Data máxima vênia, não alinhome a tal entendimento. Os artigos 385 e 386 do Regulamento do Imposto de Renda nunca veiculavam qualquer restrição ao chamado "ágio interno". 54. A vedação em questão somente foi trazida com a edição da Medida Provisória n.º 627/2013, posteriormente convertida na Lei n.º 12.973/2014, que passou a limitar o registro de ágio a operações entre partes não relacionadas. 55. Nesse sentido, vale transcrever o teor do artigo 22 da Lei n.º 12.973/2014: "Art. 22. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detinha participação societária adquirida com ágio por rentabilidade futura (goodwill) decorrente da aquisição de participação societária entre partes não dependentes, apurado segundo o disposto no inciso III do caput do art. 20 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, poderá excluir para fins de apuração do lucro real dos períodos de apuração subsequentes o saldo do referido ágio existente na contabilidade na data da Fl. 4423DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 45 44 aquisição da participação societária, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração." 56. Notese que, em clara alteração da legislação anterior, a Lei n.º 12.973/2014 prevê que o ágio por rentabilidade futura somente poderá ser amortizado para fins fiscais quando "decorrente de aquisição de participação societária entre partes não dependentes". 57. A esse respeito, vale transcrever novamente o artigo 386 do Regulamento do Imposto de Renda: “Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º , e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10)" 58. Fica claro que, enquanto o artigo 386 do Regulamento do Imposto de Renda referiase somente a "participação societária adquirida com ágio ou deságio", o novo artigo 22 da Lei nº 12.973/2014 referese a "participação societária adquirida com ágio por rentabilidade futura (goodwill) decorrente da aquisição de participação societária entre partes não dependentes", não restando dúvidas sobre a criação de nova condição para amortização fiscal do ágio. 59. Nesse sentido, vale transcrever a Exposição de Motivos da Medida Provisória 627/2013: "As novas regras contábeis trouxeram grandes alterações na contabilização das participações societárias avaliadas pelo valor do patrimônio líquido. Dentre as inovações introduzidas destacamse a alteração quanto à avaliação e ao tratamento contábil do novo ágio por expectativa de rentabilidade futura, também conhecido como goodwill. O art. 21 estabelece prazos e condições para a dedução do novo ágio por rentabilidade futura (goodwill) na hipótese de a empresa absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detinha participação societária adquirida com goodwill, apurado segundo o disposto no inciso III do art. 20 do Decreto Lei nº 1.598, de 1977. Esclarece que a dedutibilidade do goodwill só é admitida nos casos em que a aquisição ocorrer entre empresas independentes." (grifos nossos) 60. Vejam que, o ágio por rentabilidade futura previsto na Lei 12.973 é considerado como o "novo ágio", uma figura bastante diferente daquele anteriormente prevista na Lei n.º 9.532/97, especialmente pelo fato de que "a dedutibilidade do goodwill só é admitida nos casos em que a aquisição ocorrer entre empresas independentes". Fl. 4424DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 46 45 61. Assim, a alegação de que a vedação ao registro e amortização de ágio em operações entre partes relacionadas já existia mesmo antes da Lei n.º 12.973/14 não condiz com a alteração legislativa em comento. 62. Frisese que a justificativa apresentada no voto que embasou o acórdão n.º 9101002.388, mencionado pelas dd. autoridades julgadoras, é contraditória com a sua própria conclusão. 63. Isso porque, se a Lei n.º 12.973/2014 nada mais fez do que esclarecer o óbvio, logicamente não seria necessário editála, pois o regramento lá contido já seria de conhecimento geral dos contribuintes. 64. Portanto, se tanto o Poder Executivo quanto o Poder Legislativo explicitaram tal regra é porque, até aquele momento, não havia qualquer ressalva no ordenamento jurídico em relação às operações realizadas entre partes relacionadas e, portanto, ela não era óbvia. 65. Admitir o contrário é considerar que a lei possui palavras inúteis, o que contraria as regras básicas de hermenêutica e técnica legislativa. Nesta mesma linha, foi o voto proferido pelo conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, no acórdão n.º 1302 002.060, da 2ª Turma da 3ª Câmara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (caso correlato). 66. No mais, cumpre destacar que a própria Lei n.º 12.973/14 determinou expressamente que as regras anteriores (ou seja, art. 7º da Lei 9.532/97 refletido no artigo 386 do Regulamento do Imposto de Renda) continuam a ser aplicáveis com relação a aquisições de participação societária realizadas até 31 de dezembro de 2014, verbis: "Art. 65. As disposições contidas nos arts. 7º e 8º da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e nos arts. 35 e 37 do DecretoLei nº1.598, de 26 de dezembro de 1977, continuam a ser aplicadas somente às operações de incorporação, fusão e cisão, ocorridas até 31 de dezembro de 2017, cuja participação societária tenha sido adquirida até 31 de dezembro de 2014." 67. Dessa forma, se de fato a legislação em comento estivesse apenas referendando entendimento, não seria necessário delimitar a aplicação das novas regras em análise somente às operações realizadas após a edição da Lei nº 12.973/14. 68. Do exposto, concluo que não há qualquer vedação na legislação tributária para o registro e amortização do ágio nas operações em comento. III. Da Apresentação de Laudo Econômico 69. As autoridades fiscal e julgadora consideraram que a apresentação de laudo não seria suficiente para validar o registro contábil do ágio gerado em operações entre partes relacionadas porque este representaria uma reavaliação de ativos, bem como porque não há um terceiro para reconhecer a validade da projeção de rentabilidade futura. 70. No entanto, considero equivocado tal posicionamento. O laudo em questão não pode ser desconsiderado como meio hábil a suportar o registro do ágio, isso Fl. 4425DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 47 46 porque a própria legislação exige apenas que o contribuinte mantenha arquivada a demonstração hábil a comprovar a expectativa de rentabilidade futura que fundamentou o ágio. Esse é teor do artigo 385, do RIR: “Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em socied de coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: (...) § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração.” 71. A legislação não prevê nenhuma ressalva quanto a forma de comprovação do fundamento econômico do ágio no caso de operações realizadas entre partes relacionadas, bem como não condiciona a validação dos valores apurados por um terceiro. Se o legislador não fez tal ressalva, não cabe a esta relatoria fazêla. 72. No mais, tal prova é idônea. Nos termos do artigo, artigo 3º, inciso III, da Lei nº 9.784/99, é direito do contribuinte ver a documentação probatória apresentada devidamente analisada pelo órgão competente, sob pena de afronta aos valores constantes dos artigos 5º ao 8º, da Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil), bem como no artigo 2º da Lei nº 9.784/1999. 73. E, mesmo diante das hipóteses previstas no §4º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, em que as provas poderão ser recusadas3, o normativo dispõe sobre a necessidade de decisão fundamentada por parte da autoridade fiscal. 74. No mais, não cabe a autoridade fiscal e julgadora presumir que a contribuinte teria manipulado tais documentos. Dolo não se presume, se prova e as autoridade não trouxeram elementos probatórios ou indiciários que demonstrem e/ou justifiquem a recusa desses documentos por serem "ilícitos, impertinentes, desnecessários ou protelatórios", nos termos do citado 4º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/1999. 75. E, de acordo com o artigo 923 e 924 do RIR (Decreto nº 3.000/99), a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte e, portanto, cabe a autoridade fiscal comprovar a inveracidade dos fatos registrados, o que não ocorreu in casu. Confirase o teor dos dispositivos: 3 Constam do rol as provas "ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias", incidências que fogem a realidade do presente caso. Fl. 4426DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 48 47 "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais "Art. 924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior" 76. Como dito, tais documentos permitem sim verificar a expectativa/projeção de rentabilidade futura. 77. Ademais, os laudos que suportaram o ágio registrado nas operações sob análise tem por fundamento econômico a expectativa de rentabilidade futura da Recorrente e da Pioneer Sementes e não a reavaliação dos ativos destas. Se assim não fosse, o ágio em questão sequer poderia ser amortizado, pois estaria fundamentado no inciso I do parágrafo 2º do artigo 385 do RIR. 78. Ainda, o fato de as operações terem sido realizadas entre empresas de um mesmo grupo econômico não permite concluir que há subjetividade na avaliação do valor de mercado das empresas adquiridas. 79. Sobre esse aspecto, o artigo 385 do Regulamento do Imposto de Renda determina claramente que o ágio deve estar fundamentado (i) no valor de mercado dos bens do ativo da sociedade investida, (ii) no valor de rentabilidade da sociedade investida, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros, ou (iii) no fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. 80. Ainda, em seu parágrafo 3º, o artigo 385 determina que o ágio fundamentado nos itens (i) e (ii) acima deve ser baseado em demonstrações que devem ser arquivadas como documento comprobatório da escrituração do ágio. 81. Assim, fica claro que, ao menos no que se refere ao ágio baseado em valor de mercado dos bens ou em expectativa de rentabilidade futura, não há espaço para subjetividade, sendo certo que a avaliação econômica da sociedade adquirida e o respectivo ágio são determinados objetivamente, por meio de estudos específicos e objetivos. 82. Os ágios registrados na aquisição da Recorrente e da Pioneer Sementes tiveram fundamento em previsão de rentabilidade futura e foram documentados em extensos estudos realizados por empresa idônea (fls. 1.050 a 1.101 e 1.103 a 1.129), com credibilidade, reconhecida pelo mercado, a Ernst & Young Assessoria Empresaria Ltda. Tais estudos foram realizados com base na elaboração de um fluxo de caixa descontado, método mundialmente aceito para se obter o valor econômico de uma empresa, de acordo com sua expectativa de geração de caixa (rentabilidade) no futuro. 83. Frisese que o fato de a referida avaliação não ter sido “validada pelo mercado” não é suficiente para justificar a sua desconsideração. A Ernst & Young realizou análise crítica das informações recebidas e na condição de avaliadora independente efetuou todos os ajustes nas premissas e cálculos que julgou necessários para uma precisa avaliação econômicofinanceira da Recorrente e da Pioneer. Fl. 4427DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 49 48 84. Os valores apresentados nos estudos são referenciais de valor justo de mercado, calculado com base científica e independente. Nesse aspecto, há se salientar que o valor justo de mercado não pode ser confundido com o preço de negociação. 85. O preço de negociação parte do valor justo de mercado como referencial, mas incorpora outros fatores, tais como ambiente concorrencial, sinergia do negócio adquirido com as operações do adquirente, planos de investimento, etc. Assim, não há razão para se condicionar a validade do estudo a uma suposta “validação do mercado”. 86. No mais, as doutas autoridades fiscais não indicaram qualquer incorreção ou equívoco nos referidos estudos, apontando apenas de forma genérica que eles não poderiam ser considerados válidos para suportar o ágio registrado nas operações sob análise. Contudo, conforme fundamentado acima, o ônus da prova cabe ao fisco, que deve demonstrar e comprovar de forma precisa qual seria a razão para desconsiderar os estudos apresentados. 87. Assim sendo, considero que o laudo apresentado de fato reflete o valor atribuído às quotas que originaram o ágio. IV. Da Existência de Efetivo Custo de Aquisição 88. As doutas autoridades fiscal e julgadora afirmam que no caso em análise não houve custo de aquisição porque as partes envolvidas somente realizaram a transferência de ações entre um mesmo grupo econômico. Registram, ainda, que a perda do saldo de prejuízo fiscal acumulado pelas empresas incorporadas não poderia ser considerada um custo de aquisição. 89. Por sua vez, a ora Recorrente esclarece que: "(...) em nenhum momento a Recorrente afirmou que a perda do saldo de prejuízo fiscal acumulado pelas empresas incorporadas representaria o custo de aquisição das participações societárias. Recorrente apenas ressaltou na impugnação que houve a perda do referido saldo para demonstrar que as operações sob análise também trouxeram ônus para a Recorrente e, assim, contrariar o argumento de que as operações teriam sido realizadas exclusivamente para obter vantagens tributárias. Confirase o respectivo trecho da impugnação: “É necessário ressaltar, também, que a reestruturação acima implicou em elevado ônus para a Impugnante, pois resultou na perda significante de prejuízos fiscais acumulados pelas demais empresas incorporadas, conforme detalhado no quadro abaixo: PREJUÍZO FISCAL DAS INCORPORADAS EM MILHÕES DE REAIS EMPRESA IRPJ CSLL DSRB 13 13 DPC HOLDING 0,5 2 Fl. 4428DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 50 49 DPC 129 142 MDR 13 19 Total 155,5 176 90. Fica evidente que a perda dos referidos prejuízos fiscais não representa o custo de aquisição da participação societária, mas tão somente um dos ônus resultantes das operações sob análise. 91. No presente caso o pagamento para a aquisição de participação societária foi realizado mediante a entrega de quotas do capital da empresa adquirente, ou seja, a empresa vendedora (Griffin) entregou a participação detida nas empresas vendidas (Recorrente e Pioneer Sementes) e, em pagamento, recebeu quotas do capital da empresa adquirente (DSRB Ltda.). Tratouse, portanto, de uma alienação de participação societária com recebimento do pagamento em quotas da empresa investidora. 92. A possibilidade de integralização de capital com bens e/ou direitos, bem como a equiparação dessa integralização à alienação de bens e/ou direitos é prática usual e pode ser claramente identificada na legislação tributária nacional, assim como nas normas legais societárias e contábeis. 93. Vejam que, o artigo 132 do Regulamento do Imposto de Renda prevê claramente a possibilidade de entrega de quaisquer bens e/ou direitos (como participações societárias) em integralização de capital, resultando no pagamento em quotas da sociedade que recebeu referidos bens e/ou direitos. Confirase: “Participações Societárias Adquiridas em Decorrência de Integralização de Capital com Bens ou Direitos Art. 132. As pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital, bens e direitos, pelo valor constante da respectiva declaração de bens ou pelo valor de mercado (Lei nº. 9.249, de 1995, art. 23). § 1º Se a transferência for feita pelo valor constante da declaração de bens, as pessoas físicas deverão lançar nesta declaração as ações ou quotas subscritas pelo mesmo valor dos bens ou direitos transferidos, não se aplicando o disposto no art. 464 (Lei nº. 9.249, de 1995, art. 23, § 1º). § 2º Se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital (Lei nº. 9.249, de 1995, art. 23, § 2º).” 94. Da interpretação do normativo supra, considero que a "aquisição de participação societária" que é requisito para o registro e amortização do ágio pode ser realizada por todas as formas previstas na legislação cível: compra e venda, subscrição de capital com integralização em quotas, dação em pagamento, dentre outras. 95. Nesse mesmo sentido foi o entendimento da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF, manifestado no acórdão n.º 1302002.060, em julgamento realizado em 21/03/2017, verbis: Fl. 4429DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 51 50 “De outro bordo, o acórdão recorrido sustenta que o ágio originouse de uma operação nãoonerosa, em que não houve pagamento, logo “se o ágio é o sobre preço, há impossibilidade jurídica de sua existência em uma aquisição não onerosa”. Assim, sustenta que o efetivo pagamento, é pressuposto para formação do ágio, de forma a infirmar a ocorrência do ágio aqui discutido. No entanto, com relação à substância econômica da operação que gera o ágio, o art. 385, § 2º do RIR/99 determina os possíveis fundamentos econômicos, dentre eles está o valor da rentabilidade futura. Portanto, novamente, a decisão de 1ª instância confunde conceitos; aqui o conceito de “fundamento econômico” é confundido com “pagamento de terceiros”, sendo que este somente pode haver entre partes independentes; aquele, porém, pode ocorrer entre empresas de um mesmo grupo econômico. Neste sentido, vale a transcrição de trechos do voto vencedor do Acórdão n.º 110100.701 (1ª Câmara/1ª Turma Ordinária), conforme segue: “Conforme se vê, o art. 385 do RIR/1999, acima transcrito, define o que é ágio, regra o seu registro e é dele que se infere os pressupostos do ágio. Como se lê, o ágio é a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor patrimonial das ações adquiridas. Além disso, conforme a legislação tributária, para fins fiscais, o ágio surge na aquisição de quotas/ações por valor maior que o patrimonial. Tanto faz que a aquisição decorra de uma compra, ou decorra da aceitação que a subscrição seja feita por entrega de quotas/ações, recebidas por valor acima do valor patrimonial. A aquisição é gênero, do qual a compra ou a troca, por exemplo, são espécies. Por isso, se a integralização na empresa "C" é feita, pela entrega de quotas da empresa "B", por valor superior ao valor patrimonial das ações/quotas da empresa "B", a empresa "C" adquire essas ações/quotas do mesmo modo que as adquiriria se as estivesse comprando. Pretender dizer que só ocorre aquisição se houver a compra da participação é um grave equívoco, baseado em uma alteração arbitrária e sem fundamento do conceito de aquisição. Mais grave é o erro se pretender dizer que tal operação só seja considerada aquisição se "A" e "C" não forem do mesmo grupo econômico. (...) Pagamento é a contrapartida da compra e venda, uma das formas de aquisição da participação. Fundamento econômico do ágio é a razão de ser da mais valia sobre o valor patrimonial. O fato da operação ser entre empresas do grupo não altera a mais valia das ações negociadas. Fl. 4430DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 52 51 A legislação fiscal prevê as formas como este fundamento econômico pode ser expresso (valor de mercado, rentabilidade futura, e outras razões) e como deve ser determinado e documentado. No caso presente o fundamento econômico foi rentabilidade futura avaliada por laudo e esta hipótese está prevista na regra de tributação. Portanto, no caso concreto existe o fundamento econômico do ágio. Inclusive, é preciso destacar que a avaliação não foi questionada em nenhum momento pela fiscalização. De fato, apesar da fiscalização alegar a inexistência de fundamento econômico, ela o faz se referendo ausência de pagamento por terceiros, já que a aquisição foi por meio de aceitação das ações/quotas da investida como integralização de capital entre empresas do mesmo grupo. Assim, o Fisco duvida do fundamento econômico, por confundir fundamento econômico com pagamento de terceiro estranho ao grupo, e não faz qualquer esforço para infirmar o laudo que é o instrumento legal que garante o fundamento econômico nos termos exigidos pela legislação fiscal.” Conforme a exposição acima transcrita, a “aquisição” presente no art. 385, II, do RIR/99, é gênero, do qual a compra ou a troca, por exemplo, são espécies. No caso, a subscrição de ações de uma empresa em outra é uma espécie, isto é, um meio pelo qual se pode adquirir uma empresa, seja por incorporação, cisão ou fusão.” (Processo Administrativo nº 11080.726429/201599, Sessão de 15/07/2017, Relator Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa) 96. Portanto, concluo que houve custo de aquisição nas operações sob análise, o qual está representado pelas quotas do capital da DSRB Ltda. que foram entregues à Griffin. Sustentar que tal forma de pagamento não representa um custo de aquisição é dizer que as quotas do capital social da DSRB Ltda. não tem valor. Tal premissa não merece prosperar. 97. Assim sendo, considero que restou demonstrado o efetivo custo de aquisição das participações societárias. V. Da Tributação do Ganho de Capital 98. A Recorrente logrou êxito em demonstrar que a alienação de participação societária estava comprovada e deveria ser considerada válida, inclusive porque a Receita Federal do Brasil exigiu o recolhimento de Imposto de Renda, no montante de R$ 176.156.620,82, em razão do ganho de capital auferido pela Du Pont Spain na venda da participação societária que esta detinha na Recorrente e na Pioneer para a Griffin. 99. No entanto, as doutas autoridades fiscais rejeitaram tal alegação afirmando que: (i) a apuração de ganho de capital na operação não está sob discussão nos presentes autos e (ii) que o contribuinte estaria discutindo eventual recolhimento de Imposto de Renda por vontade própria, pois não há nenhum lançamento de imposto nos sistemas da Receita Federal. Fl. 4431DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 53 52 100. Não há como se analisar no presente caso apenas o direito à amortização do ágio sem considerar o fato de que para a mesma operação foi apurado ganho de capital. 101. Isso porque, não se pode admitir que uma mesma operação seja caracterizada juridicamente de forma diversa para fins de apuração de ganho de capital e registro de amortização de ágio. 102. A apuração de ganho de capital pressupõe dois requisitos essenciais: (i) alienação de um bem e (ii) a existência de uma diferença positiva entre o valor de alienação e o custo de aquisição do bem. É o que se depreende do disposto no artigo 138 do Regulamento do Imposto de Renda: “Art. 138. O ganho de capital será determinado pela diferença positiva, entre o valor de alienação e o custo de aquisição, apurado nos termos dos arts. 123 a 137.” 103. Assim, se a própria Receita Federal do Brasil entendeu que para fins de ganho de capital houve uma alienação de participação societária e que esta ocorreu por um custo superior ao de aquisição, é inquestionável, também, que ao se analisar as regras para registro e amortização de ágio há que se concluir, igualmente, que houve uma aquisição de participação societária por valor superior ao custo de aquisição que autoriza o registro e a amortização de ágio. 104. Em outras palavras, se de um lado há um ganho sujeito à tributação do Imposto de Renda, do outro lado há um custo passível de amortização. Se os efeitos da operação são válidos para se apurar ganho de capital, são igualmente válidos para possibilitar o registro e a amortização de ágio. Não há como se admitir conclusão diversa, sob pena de manifesta incongruência na interpretação das normas tributárias. 105. Neste aspecto, bem elucidativo é o trecho do voto do pelo exconselheiro Marcos Takata, verbis: “O ágio interno, aqui, foi gerado nas transferências das participações societárias na Center Automóveis para a Marumbi, em conferência a seu capital, pelos sócios Bordin Adm., Pine Part. e Gralha Part., sem que estas tenham apurado ganho de capital (diferença entre o valor contábil e o valor pelo qual foi transferido o investimento) e o tributado. A maisvalia gerada pela Bordin Adm., pela Pine Part. e pela Gralha Part. No investimento na Center teve sua contrapartida registrada em reservas de reavaliação no PL daquelas. De seu turno, quando a Marumbi foi extinta, por cisão total, e o investimento na Center Automóveis foi vertido para a Center Automóveis (de modo que o valor do ágio que ficou “pendurado” no investimento na Center foi vertido para a Center para o seu ativo diferido), aquela mais valia apurada pelos sócios Bordin Adm., Pine Part. e Gralha Part. não foi oferecida à tributação (não foi realizada). Assim, a maisvalia na Center Automóveis (a recorrente) gerada pela Bordin Adm., pela Pine Adm. e pela Gralha Adm. não sofreu tributação, mas passou a ter seu valor deduzido, por Fl. 4432DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 54 53 “incorporação” da controladora da Center (Marumbi) pela Center. A maisvalia gerada (correspondente ao ágio na Center) foi registrada no ativo diferido da Center, para passar a ser amortizada fiscalmente. Notese. As pessoas físicas Ivo Luiz Roveda e Antonio Bordin Neto constituíram a Pine Adm. e a Gralha Part., respectivamente, para nelas ser criado o ágio interno na Center Automóveis, sem tributação, ao conferirem esse investimento ao capital da Marumbi. A Bordin Adm. já existia e já possuía participação na Center Automóveis, mas também criou o ágio interno, sem tributação, ao conferir ao capital da Marumbi o investimento na Center Automóveis. Na sequência, a Marumbi foi extinta por cisão total, com versão do investimento na Center Automóveis para a Center Automóveis (a bem ver, versão do ágio na Center para a Center), para, a partir de então, o valor do ágio passar a ser amortizado. Esta sequência é apenas consectário da etapa precedente, a da geração do ágio. No cenário exposto, efetivamente, nada mudou em relação à Center Automóveis. Aqui se está diante de ágio interno “criado” ou artificial ou sem causa. Não há efetividade nem significado econômicos na geração do ágio interno na Center Automóveis (a recorrente). Neste caso, podese falar com razão que esse ágio interno é ágio “de si mesmo”. Se a maisvalia gerada pela Pine Adm., pela Gralha Part. e pela Bordin Adm. tivesse sido tributada por elas, como ganho de capital, a situação seria diferente. Aí o ágio na Center Automóveis passaria a ter causa. Se tributada a maisvalia gerada, não haveria como se falar em falta de causa ao ágio interno, na esfera jurídicofiscal. A efetividade e significado econômicos seriam conferidos pela própria tributação da maisvalia (ágio). Não haveria como se recusar legitimidade a esse ágio, para efeitos fiscais (dedutibilidade, considerandose que o fundamento da mais valia gerada seja a rentabilidade futura esperada). Aí o ágio seria com causa ou efetivo.” (grifos nossos) (Acórdão n.º 110300.501, julgado em 30 de junho de 2011) 106. Ao meu ver, o fato de o Imposto de Renda ter sido pago em sede de disputa judicial e não por meio de lançamento de ofício é irrelevante para a presente análise. No mais, a ora Recorrente demonstrou a existência de decisão transitada em julgado determinando o recolhimento do referido imposto. 107. Portanto, é inquestionável que o Imposto de Renda referente ao ganho de capital auferido na operação comento está devidamente recolhido aos cofres públicos, Fl. 4433DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 55 54 comprovando a ocorrência da operação de alienação de participação societária. Definitivamente, considero que não estamos diante de operação de ágio "de si mesmo". 108. Por fim, caso esta relatoria reste vencida, consigno que deve ser (ao menos) deduzido do montante do ágio PIONEER glosado o valor correspondente ao ganho de capital tributado na DU PONT SPAIN. VI. Da Suposta Compensação a Maior de Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa da CSLL 109. A Recorrente tentou demonstrar a improcedência da acusação fiscal de que teria havido a compensação a maior de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL no anocalendário de 2011 porque (i) as autoridades fiscais não indicaram como teria sido identificada a compensação a maior, bem como porque (ii) caso a compensação indevida tenha relação com o processo administrativo n.º 13896.722004/201118, há que se aguardar a decisão final deste. 110. Em 28 de fevereiro de 2018, o processo correlato foi julgado pela 3ª Câmara, da 2ª Turma Ordinária, da 1ª Seção. Confirase o resultado do julgamento: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (relator) e Flávio Machado Vilhena Dias e, parcialmente, o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, que votou por negar provimento em relação à infração 2 (ágio 2001), e, também, por maioria, em negar provimento ao recurso quanto ao saldo de compensação de prejuízos, vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Flávio Machado Vilhena Dias. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. O Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca solicitou a apresentação de declaração de voto." 111. O tema em questão foi julgado de forma desfavorável ao contribuinte, conforme r. voto vencedor, nos seguintes termos: "A recorrente alega que as autoridades fiscais consideraram um saldo de prejuízos fiscais apurados antes de 2005 no montante de R$ 410.103.610,93, mas, segundo seus cálculos, o saldo é de R$427.931.664,25, sendo que a diferença (R$17.828.053,32) referese a montante exigido em auto de infração (cópias às fls. 18392 a 18405), que se encontra com a exigibilidade suspensa nos moldes do artigo 151, inciso III, do CTN (cópia da impugnação ainda pendente de julgamento às fls. 18407 a 18459), motivo pelo qual requer que, no caso de improcedência daquele auto de infração, seja considerado no presente processo o saldo de prejuízo fiscal corretamente apurado pela impugnante. O pleito da recorrente não pode ser atendido pelo óbvio motivo de que não é possível proferir um decisão condicionada e, ainda que o fosse, caso o referido auto de infração venha a ser considerado improcedente ao final daquele processo, a Fl. 4434DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 56 55 consequência será o restabelecimento do saldo naquele processo e não neste, pois os fatos que deram ensejo à utilização de parte dos saldos disponíveis no montante apontado pela recorrente são pertinentes unicamente àquele processo. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso neste ponto." 112. No processo supra, foram opostos Embargos de Declaração em 04/09/2018. 113. Em vista da decisão supra (anoscalendário 2005 a 2010) e da oposição de embargos, esta relatoria somente pode considerar disponível para compensação no ano calendário de 2011 a parcela correspondente a este anocalendário, caso exista. 114. Quando de eventual execução de sentença dos processos em comento, tal questão deve ser devidamente considerada pela unidade de origem. 115. E, por entender legítimo o direito a amortização do ágio em questão, os respectivos valores de IRPJ e CSLL devem ser cancelados e o saldo de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL restabelecidos. VII. Da Ausência de Vedação à Amortização do Ágio em relação à CSLL 116. Sobre este tópico, na remota hipótese da glosa da amortização do ágio ser mantida e, por conseguinte, esta relatoria restar vencida, cumpre consignar que, com relação à CSLL a autuação deve ser cancelada em qualquer hipótese. 117. Isso porque, as regras de dedutibilidade aplicáveis na apuração do lucro real não podem ser estendidas automaticamente, sem previsão legal, para a apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (artigo 2º da Lei nº 7.689/88), não se pode exigir da Recorrente a adição da amortização do ágio pago na aquisição de investimento avaliado pela equivalência patrimonial na base de cálculo dessa contribuição. 118. Esse entendimento foi inclusive confirmado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, como evidencia a ementa abaixo transcrita: "CSLL. BASE DE CÁLCULO E LIMITES À DEDUTIBILIDADE. A amortização contábil do ágio impacta (reduz) o lucro líquido do exercício. Havendo determinação legal expressa para que ela não seja computada na determinação do lucro real, o respectivo valor deve ser adicionado no LALUR, aumentando, portanto, a base tributável. Não há, porém, previsão no mesmo sentido, no que se refere à base de cálculo da Contribuição Social, o que, a nosso sentir, torna insubsistente a adição feita de ofício pela autoridade lançadora. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE DO ART. 57, LEI N 8.981/1995. Fl. 4435DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 57 56 Inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL da amortização do ágio pago na aquisição de investimento avaliado pela equivalência patrimonial. Inaplicabilidade, ao caso, do art. 57 da Lei n 8.981/1995, posto que tal dispositivo não determina que haja identidade com a base de cálculo do IRPJ. IRPJ. CSLL. BASES DE CÁLCULO. IDENTIDADE. INOCORRÊNCIA. A aplicação, à Contribuição Social sobre o Lucro, das mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, por expressa disposição legal, não alcança a sua base de cálculo. Assim, em determinadas circunstâncias, para que se possa considerar indedutível um dispêndio na apuração da base de cálculo da contribuição, não é suficiente a simples argumentação de que ele, o dispêndio, é indedutível na determinação do lucro real, sendo necessária, no caso, disposição de lei nesse sentido." (CSRF, Acórdão n. 9101002310, PA no. 12898.001543/2009 12, j. 03.05.2016) 119. Assim sendo, por ausência de previsão legal, considero dedutíveis as despesas com amortização de ágio da base de cálculo da CSLL. VIII. Da Ausência de Pressupostos para Aplicação da Multa Qualificada 120. Vale registrar que, a aplicação de multa qualificada é medida de caráter excepcional e devem as autoridades fiscal e julgadora comprovar que a Recorrente teria praticado quaisquer das condutas dolosas descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. 121. Conforme disposto no artigo 71 da Lei nº 4.502/64, sonegar é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do evento tributário, sua natureza ou circunstâncias materiais, bem como das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente: “Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.” 122. Da leitura, é possível concluir que a sonegação implica em descumprimento por parte do sujeito passivo de dever instrumental prejudicando a constituição da obrigação do crédito tributário. Em termos fáticos, a autoridade fiscal deve provar que a Fl. 4436DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 58 57 conduta do contribuinte impediu a apuração dos créditos tributários e, consequentemente, prejudicou o lançamento. 123. A segunda hipótese de aplicação de multa qualificada é a fraude, definida sobre a ótica tributária, do seguinte modo: “Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.” 124. Fraude no sentido da lei é ato que busca ocultar algo para que possa o contribuinte furtarse do cumprimento da obrigação tributária. Ao contrário do dolo, que busca induzir terceiro a praticar algo, a fraude é ato próprio do contribuinte que serve para lograr o fisco. 125. Apesar disso, o artigo 72 supra, utilizouse do conceito de dolo para a definição de fraude. O "dolo" referido no artigo é o dolo penal, não o civil, porque o segundo ocorre sempre com a participação da parte prejudicada. Não por acaso, tais ilícitos tributários tem repercussões penais, nos termos dos artigos 1º e 2º, da Lei nº 8.137/90. 126. Conforme o artigo 18 do Código Penal, crime doloso ocorre quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo, assim, o dispositivo legal está conforme a teoria da vontade adotada pela lei penal brasileira. Para que o crime se configure, o agente deve conhecer os atos que realiza e a sua significação, além de estar disposto a produzir o resultado deles decorrentes. Assim, a responsabilidade pessoal do agente deve ser demonstrada/provada. 127. Portanto, é imperioso encontrar evidenciado nos autos o intuito de fraude, não sendo possível presumir sua ocorrência. A própria Súmula CARF nº 14, afasta a presunção de fraude e deixa clara a necessidade de comprovação do "evidente intuito de fraude do sujeito passivo". “Súmula CARF nº 14. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” (grifos nossos). 128. Em linha este raciocínio, para o Alberto Xavier4, a figura da fraude exige três requisitos. O um, que a conduta tenha finalidade de reduzir o montante do tributo devido, evitar ou diferir o seu pagamento; o dois, o caráter doloso da conduta com intenção de resultado contrário ao Direito; e, o três, que tal ato seja o meio que gerou o prejuízo ao fisco. 129. Na prática, a comprovação da finalidade da conduta, do seu caráter doloso e do nexo de causalidade entre a conduta ilícita do contribuinte e o prejuízo ao erário é condição sine qua non para enquadrar determinada prática como fraudulenta. 130. Logo, para restar configurada a fraude, a autoridade fiscal deve trazer aos autos elementos probatórios capazes de demonstrar que o sujeito passivo praticou conduta 4 XAVIER, Alberto. Tipicidade da Tributação, Simulação e Norma Antielisiva. São Paulo: Dialética, 2000, p. 78. Fl. 4437DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 59 58 ilícita e intencional hábil a ocultar ou alterar o valor do crédito tributário, bem como que tal ato afetou a própria ocorrência do fato gerador. 131. A terceira hipótese de aplicação da multa qualificada é a prática do conluio que visa o dolo ou fraude por meio de ato intencional entre duas ou mais pessoas: “Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” 132. Como se nota, o conluio é qualquer ato intencional praticado por mais uma parte visando o dolo ou a fraude. O que qualifica o conluio, distinguindoo de outra espécie de conduta dolosa ou fraudulenta, é o aspecto subjetivo, isto é, a existência de mais de um sujeito que ajustem atos que visem à sonegação ou fraude. 133. É importante reforçar que o reconhecimento de quaisquer destas práticas deve ser comprovado pela autoridade fiscal através do nexo entre caso concreto e a suposta sonegação, fraude ou conluio e caracterização efetiva do dolo. Esse é o entendimento deste E. C. CARF, verbis: "(...) MULTA QUALIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DOLO. NÃO CABIMENTO. É incabível a aplicação de multa qualificada, com percentual de 150%, quando não restar comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo, em especial nos casos de planejamento tributário acerca do qual haja divergência na doutrina e na jurisprudência. (...)" (Processo nº 16682.720182/201027, Acórdão nº 1301002.670, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 18 de outubro de 2017, Relator Roberto Silva Junior). (grifos nossos) 134. Vejamos trecho deste acórdão sobre o assunto: "O pressuposto de multa qualificada, de acordo com o §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, é a existência de sonegação, fraude ou conluio. É preciso que o sujeito passivo tenha agido de forma deliberada e consciente, buscando obter um ganho indevido, em detrimento da Fazenda. É necessária a prova da conduta dolosa. Os fatos comprovados nos autos devem gerar a convicção de que os autuados, tendo consciência da ilicitude, deliberam prosseguir na ação ilícita a fim de obter vantagem tributária a que não tinham direito.” (grifos nossos) 135. Os acórdãos citado deixam clara a necessidade observância dos três requisitos aqui consignados, conduta ilícita, intenção e nexo de causalidade entre a ação do sujeito passivo e o prejuízo ao erário, para fim de justificar a efetiva ocorrência das práticas infracionais em comento. 136. As autoridades fiscal e julgadora, no curso do processo administrativo, não cuidaram de trazer elementos probatórios sólidos hábeis a demonstrar o intuito doloso do contribuinte capazes de caracterizar a aplicação da multa qualificada. Mantiveram a exigência Fl. 4438DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 60 59 utilizando como fundamento a decisão de primeira instância administrativa proferida no processo administrativo nº 13896.722004/201118 (correlato). 137. Em síntese, decidiuse que a aludida multa deveria ser mantida porque a Recorrente teria ciência da impossibilidade de registro e amortização do ágio nas operações em comento, o que caracterizaria fraude. 138. Considero que tal afirmação é superada pela própria jurisprudência divergente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 139. Vejam que, há manifestações favoráveis a legitimidade da amortização de ágio em operações análogas a presente. Confirase, por exemplo, a ementa do Acórdão nº 1302002.060, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA O registro contábil do ágio não afeta o resultado tributável antes de sua amortização fiscal, e assim não integra a atividade de apuração do crédito tributário. Logo, somente se cogitará de revisão da atividade de lançamento a partir do momento em que esta for praticada, ou seja, a partir do momento em que a amortização do ágio afetar a determinação do crédito tributário. Não resta configurada a hipótese de decadência no presente caso. ÁGIO. REQUISITOS DO ÁGIO. O art. 20 do DecretoLei no 1.598, de 1997, retratado no art. 385 do RIR/1999, estabelece a definição de ágio e os requisitos do ágio, para fins fiscais. O ágio é a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor patrimonial das ações adquiridas. Os requisitos são a aquisição de participação societária e o fundamento econômico do valor de aquisição. Fundamento econômico do ágio é a razão de ser da mais valia sobre o valor patrimonial. A legislação fiscal prevê as formas como este fundamento econômico pode ser expresso (valor de mercado, rentabilidade futura, e outras razões) e como deve ser determinado e documentado. ÁGIO INTERNO. A circunstância da operação ser praticada por empresas do mesmo grupo econômico não descaracteriza o ágio, cujos efeitos fiscais decorrem da legislação fiscal. A distinção entre ágio surgido em operação entre empresas do grupo (denominado de ágio interno) e aquele surgido em operações entre empresas sem vínculo, não é relevante para fins fiscais. Fl. 4439DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 61 60 ÁGIO INTERNO. INCORPORAÇÃO REVERSA. AMORTIZAÇÃO. Para fins fiscais, o ágio decorrente de operações com empresas do mesmo entre empresas sem vínculo. Ocorrendo a incorporação reversa, o ágio poderá ser amortizado nos termos previstos nos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. LEGALIDADE. MANUTENÇÃO DA DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO. A utilização de empresa veículo que viabilize o aproveitamento do ágio, por si só, não desfigura a operação e invalida a dedução do ágio, se ausentes a simulação, dolo ou fraude.” 140. No mais, mesmo nos casos em que se concluiu pela ausência de propósito negocial a aplicação da multa qualificada foi afastada, pois não há que se falar em fraude quando todos os fatos são reais e declarados ao fisco. Nesse sentido, confirase o seguinte trecho do voto proferido pelo conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: “Considerando o que se contém nos autos e os argumentos da recorrente e recorrida, não vislumbro razão para manter a qualificação da multa de ofício. Isto porque a acusação de fraude, constante da acusação fiscal, a qual deve se inserir, nas previsões normativas dos art.s 71 a 73 da Lei n. 4.502/1964 aos quais remete o art. 44 da Lei n. 9.430/1995, não ficou suficientemente demonstrada, pois a mera constatação de ausência de propósito negocial em uma fase da operação, em que os fatos são todos reais e declarados ao Fisco, não enseja, per se a qualificação, porque a fraude deve ser melhor demonstrada, pois se trata de dolo o se quer indicar.” (Acórdão n.º 9101002.183, julgado em 20 de janeiro de 2016) 141. É notório que tema ágio é altamente controvertido e respondeu em 2014, pelo montante de R$ 18,7 bilhões, nas 30 maiores empresas nãofinanceiras do País (em receita líquida) acumulavam R$ 283,4 bilhões em contencioso tributário, conforme estudo empírico realizado por Ana Teresa Lopes5. 142. Esses valores atrelados à eficiência, estabilidade, uniformidade e busca de soluções pacíficas para resolução de litígios são grandes marcos do CPC/2015 e devem liderar não só as iniciativas do Poder Judiciário, mas desafiar os órgãos do Legislativo e Executivo a cumprirem suas funções como verdadeiros guardiões da segurança jurídica6. 143. Tenho para mim que, concordar com a aplicação da multa qualificada nesta hipótese é admitir nítida afronta ao princípio da segurança jurídica. O artigo 23, do DecretoLei nº 4.657/1942, incluído pela Lei nº 13.655/2018 (Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro), reforça esse entendimento: 5 Dissertação de mestrado apresentada no programa de direito da FGV DIREITO SP (p. 35 e p. 49), em 15/03/2017. Disponível em: https://goo.gl/2xp1fN. Acesso em: 24/07/2018. 6 Lei nº 9.784/99: "Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." Fl. 4440DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 62 61 " Art. 23. A decisão administrativa, controladora ou judicial que estabelecer interpretação ou orientação nova sobre norma de conteúdo indeterminado, impondo novo dever ou novo condicionamento de direito, deverá prever regime de transição quando indispensável para que o novo dever ou condicionamento de direito seja cumprido de modo proporcional, equânime e eficiente e sem prejuízo aos interesses gerais." 144. Não só haviam decisões favoráveis à operação aqui em análise, como considero clara a legitimidade de tal operação. Para além das doutas autoridades fiscais não lograrem êxito em comprovar a ocorrência da fraude (respectivo elemento doloso), considero que não caberia sequer cogitar a aplicação da multa qualificada. Portanto, caso reste vencida, consigno que deve ser afastada a sanção em questão. Conclusão 145. Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do presente RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, DARLHE provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Voto Vencedor Conselheira Eva Maria Los, Redatora designada 1. Este voto vencedor se refere à decisão de deduzir do montante do ágio PIONEER glosado, o valor correspondente ao ganho de capital tributado na DU PONT Spain, conforme o teor do Acórdão proferido pela Turma. 2. Esta redatora do voto vencedor entende, em síntese, ser inaceitável a dedução, da base de cálculo do IRPJ e CSLL, de amortização de ágio gerado internamente a grupo econômico, porém, haja vista que a contrapartida do ágio gerado pela PIONEER foi tributada como ganho de capital na Du Pont Spain, o montante que foi objeto de tributação como ganho de capital, deve ser excluído da autuação. Ágio interno. Indedutibilidade. 3. A presente autuação se refere ao anoscalendário 2011, sendo que aos anos calendário 2005 a 2010 também foram alvos de autuação, no processo administrativo nº 13896.722004/201118, cujo recurso voluntário já foi julgado pela 1ª TO, da 3ª Câmara da 2ª Seção, Acórdão nº 1302002.568, de 22/02/2018, que muito bem se posicionou a respeito do ágio interno: Número do Processo 13896.722004/201118 Contribuinte DU PONT DO BRASIL S A Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 22/02/2018 Relator(a) MARCOS Fl. 4441DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 63 62 ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Nº Acórdão 1302 002.568 Tributo / Matéria Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (relator) e Flávio Machado Vilhena Dias e, parcialmente, o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, que votou por negar provimento em relação à infração 2 (ágio 2001), e, também, por maioria, em negar provimento ao recurso quanto ao saldo de compensação de prejuízos, vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Flávio Machado Vilhena Dias. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. O Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca solicitou a apresentação de declaração de voto. (...) Ementa(s) Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 DOCUMENTOS JUNTADOS AOS AUTOS DEPOIS DA APRESENTAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRIMAZIA DA BUSCA DA VERDADE MATERIALO art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72 contém a regra geral acerca do momento para apresentação das provas pelo contribuinte no processo administrativo fiscal. A produção em momento posterior não impede o julgador de conhecêlas, diante das peculiaridades do caso e das provas apresentadas. Corolário dos princípios da instrumentalidade processual e da busca da verdade material. ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL O prazo decadencial para a lavratura de auto de infração para a glosa de despesas de amortização de ágio tem início com a efetiva dedução de tais despesas pelo contribuinte. Não ocorrência de decadência no caso concreto. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Constituído o crédito pelo lançamento de ofício, ao tributo agregase a multa de ofício, tendo ambos a natureza de obrigação tributária principal e, sobre ele deve incidir integramente os juros à taxa SELIC, nos termos dos art. 139 e 161 do CTN c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. GLOSA. Os atos de reorganização societária registrados pela recorrente ainda que formalmente regulares, se não configuram uma efetiva aquisição de participação societária, mas mera permuta de ativos dentro do grupo de empresas sob controle comum, sendo correta a glosa dos valores amortizados como ágio efetuada pelo Fisco. ÁGIO. COMPLEMENTARIDADE DAS LEGISLAÇÕES COMERCIAIS E FISCAIS. EFEITOS. Os resultados tributáveis das pessoas jurídicas, apurados com base no Lucro Real, têm como ponto de partida o resultado líquido apurado na escrituração comercial, regida pela Lei nº Fl. 4442DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 64 63 6.404/1976, conforme estabelecido pelo DL. 1.598/1977. O ágio é fato econômico cujos efeitos fiscais foram regulados pela lei tributária, com substrato nos princípios contábeis geralmente aceitos. Assim, os princípios contábeis geralmente aceitos e as normas emanadas dos órgãos fiscalizadores e reguladores, como Conselho Federal de Contabilidade e Comissão de Valores Mobiliários, têm pertinência e devem ser observadas na apuração dos resultados contábeis e fiscais. ÁGIO INTERNO. AUSÊNCIA DE SACRIFÍCIO ECONÔMICO. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO CONTÁBIL. A ausência de um efetivo sacrifício patrimonial por parte da investidora pela aquisição de participações em operações com empresas controladas revelam a falta de substância econômica das operações o que impede o seu registro e reconhecimento contábil, pois não há efetiva modificação da situação patrimonial. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas aplicase ao lançamento da Contribuição Social sobre o lucro líquido as conclusões relativas ao IRPJ. (Grifouse.) 4. Por pertinente, também citase decisão judicial: fonte: https://www.ibet.com.br/505112/ : OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DENTRO DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. ÁGIO CONTÁBIL. DEDUÇÃO DO IRPJ E DA CSLL. ARTS. 385 e 386 DO DECRETO N.º 3.000/99. IMPOSSIBILIDADE. ORIENTAÇÕES DO CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE E DA CVM. 1.O direito de deduzir os valores de ágio registrados contabilmente na operação de incorporação, para efeitos de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, tem previsão legal, nos termos dos arts 385 e 386 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/99). 2. Não obstante, in casu, o reconhecimento do ágio não é factível, visto que decorrente de transação albergada no âmbito de grupo econômico, especialmente considerando a operação de aquisição de 99% das ações da Viação S/A (impetrante) pela empresa Participações Ltda., com posterior registro de incorporação desta pela impetrante. 3.Tal entendimento tem gênese na ciência contábil e foi consagrado pelo Conselho Federal de Contabilidade, que editou a Resolução n.º 1.110/2007, cujo item 120 prevê que o reconhecimento do ágio decorrente de rentabilidade futura, gerado internamente (goodwill interno) é vedado pelas normas nacionais e internacionais. Assim, qualquer ágio dessa natureza anteriormente registrado precisa ser baixado. 4.O reconhecimento de ágio em operações realizadas por empresas que compõem determinado grupo econômico também é vedado pela Comissão de Valores Mobiliários, consoante se depreende do Ofício Circular CVM/SNC/SEP nº 01/2007, que trata de normas contábeis das companhias abertas. 5. Não merece guarida a pretensão da impetrante, especialmente considerando que a configuração do ágio pressupõe operação entre partes independentes com a real intenção de investimento, Fl. 4443DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 65 64 e não uma negociação consigo mesmo. 6.Como bem ressaltou a magistrada singular, não restou demonstrado o efetivo pagamento do valor investido e posteriormente escriturado como ágio, sem esquecer que a realização da operação por empresas envoltas por determinado grupo econômico impede o seu reconhecimento contábil. 7.Apelação improvida. TRF 3, Apel.002714360.2009.4.03.6100, julg. 02022017. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por unanimidade, negar provimento à apelação, nos termos do relatório e voto que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. São Paulo, 02 de fevereiro de 2017. (Grifouse.) Tributação do Ágio e do Ganho de Capital. Duplicidade. 5. Os presentes autos de infração se referem às glosas da dedução de amortização de ágio em decorrência de duas operações: a) R$700.371.982,032, referentes à própria Du Pont do Brasil S/A; b) R$945.406.900,51 referentes à Pioneer. 6. No caso do ágio Pioneer, consta dos autos que a autuada impetrou Mandado de Segurança contra o delegado da Receita Federal em Camaçari/BA, que foi indeferido e o qual alega ter sido contra a cobrança de IRPJ sobre ganho de capital na operação de integralização de capital na Du Pont Safety Resources Brasil Ltda DSRB, pela Du Pont Spain (com ações da Pioneer); às págs. 4.182/4.186, a autuada apresentou comprovante de transformação de depósito judicial referente a esta ação judicial em pagamento definitivo, em 08/03/2016, no montante de R$176.155.767,16, e pleiteou que o valor do ganho de capital sobre o qual foi exigido tributo na operação de integralização de capital na DSRG, pela Du Pont Spain (com ações da Pioneer), fosse abatido do correspondente montante glosado de amortização do ágio Pioneer. 7. Por pertinente, citese o seguinte acórdão: Processo nº 19515.003053/200957 Recurso nº 899.462 Voluntário Acórdão nº 1401000.850 da 4ª Câmara /1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de setembro de 2012 COERÊNCIA INTERNA DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE DUAS INFRAÇÕES FISCAIS ANTAGÔNICAS ENTRE SI. O Auto de Infração deve manter uma coerência interna. Se a Autoridade Fiscal defende a inexistência efetiva dos atos de reorganização societária e conclui pela impossibilidade de gerar efeitos fiscais, esse mesmo argumento deveria balizar a impossibilidade de ser apurado ganho de capital nas operações tidas como inexistentes. Não se pode manter duas acusações fiscais (amortização do ágio e ganho de capital) baseadas em fundamentos antagônicos, sendo que a confirmação de uma acusação fiscal (inexistência Fl. 4444DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 66 65 das operações de geração de ágio) implica necessariamente na impossibilidade de a outra prosperar (apuração de ganho de capital sobre o ágio na venda). Os fatos narrados no Auto de Infração são incompatíveis entre si. 8. Em relação ao Acórdão supra, a PFN, cientificada, não contestou; apenas apresentou Recurso Especial em relação a outros tópicos. 9. À vista do exposto, o voto desta redatora é que cabe deduzir do valor da amortização de ágio Pioneer glosado, o valor do ganho de capital correspondente ao que foi tributado e cobrado da Du Pont Spain. CSLL. Tributação reflexa. 10. O Acórdão proferido pela Turma, por maioria de votos, apenas reduziu a multa qualificada e decidiu deduzir do valor da amortização de ágio Pioneer glosado, o valor do ganho de capital correspondente ao que foi tributado e cobrado da Du Pont Spain. A decisão não deu provimento ao pleito para se cancelar a glosa da amortização do ágio na apuração da CSLL. Por isso, a questão também deve ser enfrentada neste voto vencedor. 11. Tomase como referência, recente Acórdão da CSRF, nº 9101003.397, de 18 de fevereiro de 2018, no qual a glosa de ágio indevido é extensamente discutida. Citese: II Repercussão da Glosa de Despesa de Amortização de Ágio na Base de Cálculo da CSLL. RE da Contribuinte. Protesta a Contribuinte sobre a repercussão de glosa de despesa de amortização de ágio na Base de Cálculo da CSLL. Há que se buscar a interpretação sistêmica da legislação tributária, sob pena de incorrer em contradições. Toda a construção empreendida pelo Decretolei nº 1.598, de 1977, encontrase em consonância com a edição no ano anterior (1976) da Lei nº 6.404 ("lei das S/A"), no qual se buscou modernizar os conceitos de contabilização de investimentos decorrentes de participações societárias, inclusive com a adoção do método de equivalência patrimonial (MEP). Foram tratados três momentos cruciais para o investidor, nascimento, desenvolvimento e fim do investimento, respectivamente delineados: (1) o da aquisição do investimento, normatizandose a figura do "ágio", que consiste no sobrepreço pago na aquisição, e (2) o momento em que o investimento gera frutos para o investidor, ou seja, a empresa adquirida gera lucros; e (3) e desfazimento do investimento. Em relação ao segundo momento (desenvolvimento do investimento), a interpretação integrada dos dois diplomas normativos consolidou a construção de sistema no qual os resultados de investimentos em participações societárias pudessem ser devidamente refletidos no investidor, por meio do MEP, e ao mesmo tempo, não fossem objeto de bitributação. Isso porque, em se considerando estritamente os lançamentos Fl. 4445DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 67 66 contábeis, os resultados da investida seriam refletidos no investidor, fazendo com que tanto na investida quando no investidor fossem apuradas receitas operacionais que, em tese, integrariam o lucro líquido e a base de cálculo tributável. Por isso, determinouse que o investidor poderia efetuar ajuste, no sentido de excluir da base de cálculo tributável os resultados positivos auferidos pela investida. É o que prescreve o art. 22 do Decretolei nº 1.598, de 1977, quando determina o procedimento a ser adotado pelo investidor ao final de cada exercício: o valor do investimento na data do balanço (...), deverá ser ajustado ao valor de patrimônio líquido, mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta de investimento. Caso tenha apurado resultado positivo, lançamento a débito na conta de investimento e a crédito em conta de resultado (receitas de equivalência patrimonial), com repercussão na base tributável. Tal repercussão é neutralizada logo no artigo seguinte (art. 23), ao predicar que a contrapartida do ajuste por aumento do valor de patrimônio líquido do investimento não será computada no lucro real (...). Assim, o crédito em conta de resultado seria excluído na apuração do lucro real. Com a criação da CSLL, a Lei nº 7.689, de 1988, discorreu sobre ajuste na base de cálculo para fins fiscais, e determinou pela exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido (art. 2º, § 1º, alínea "c", item 1). Restou, nesse momento, nítida, clara e transparente, a convergência entre as bases de cálculo do IRPJ e CSLL, no que concerne às operações decorrentes de participações societárias e os correspondentes resultados auferidos. A preocupação do legislador em compatibilizar a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, mediante a operacionalização de ajustes no lucro líquido, é evidente. Portanto, não há nenhum sentido entender que, para as operações societárias relativas ao primeiro momento (aquisição do investimento) e o terceiro momento (desfazimento do investimento), poderseia aplicar um entendimento diferente daquele relativo ao segundo momento (desenvolvimento do investimento). Em relação ao terceiro momento (desfazimento do investimento), predica a norma que na alienação do investimento, o valor do ágio deverá ser considerado, na apuração da base de cálculo tributável (art. 25 e 33 do Decretolei nº 1.598, de 1977). E, em conexão indissociável com o segundo momento (desenvolvimento do investimento) e o terceiro momento (desfazimento do investimento), o primeiro momento (nascimento do investimento) trata da aquisição do investimento que, se for Fl. 4446DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 68 67 realizada com sobrepreço, implica na contabilização desse valor a maior em conta específica. É o que diz o art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977, ao determinar nos incisos I e II que o custo de aquisição deveria ser desdobrado em (I) valor do patrimônio líquido na época da aquisição e (II) ágio ou deságio na aquisição. Por isso que, apesar da disposição no art. 25 do Decretolei nº 1.598, de 1977, ser no sentido de que as contrapartidas da amortização do ágio não seriam computadas na determinação do lucro real, não há nenhum sentido em se considerar que tal ajuste não se aplica para fins de apuração da Base de Cálculo da CSLL. Repito: o que se tutela é a convergência entre as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Os motivos apresentados até o momento são suficientes para demonstrar que a glosa de despesa de amortização do ágio tem repercussão tanto para a apuração da base de cálculo do IRPJ quanto da CSLL. Contudo, caso ainda haja alguma contestação sobre tal entendimento, cabem considerações complementares. Não se pode esquecer que o ágio é despesa, submetida a amortização. Logo, encontrase a despesa do ágio submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 47, da Lei nº 4.506, de 1964, base legal para o art. 299 do RIR/99: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Por sua vez, o art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995, dispõe: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (Grifei) A interpretação dada ao dispositivo pelo Conselheiro Marcos Pereira Valadão, no Acórdão nº 9101002.396, é didática e esclarecedora: Fl. 4447DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 69 68 Assim, o texto legal acima transcrito evidencia claramente o vínculo entre a apuração da base cálculo da CSLL e os referidos requisitos para a dedutibilidade de despesas, do contrário não faria nenhum sentido a ressalva contida no texto. Com efeito, se o texto diz que para uma determinada situação deve se aplicar "A" independentemente de "B", é porque "B" também é aplicável àquela mesma situação. Nessa perspectiva, as regras de dedutibilidade de despesas previstas no art. 47 da Lei nº 4.506, de 1964, aplicamse tanto ao IRPJ quanto à CSLL. A redação do art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995, dispõe claramente sobre hipóteses de despesas indedutíveis tanto para o IRPJ quanto para a CSLL, incluindo expressamente as situações previstas no art. 47 da Lei nº 4.506, de 1964. Sendo a despesa de amortização de ágio submetida ao regramento geral das despesas operacionais, não há que se falar em ausência de previsão normativa para a sua adição à Base de Cálculo da CSLL. No mesmo contexto, encontrase a redação do art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995, mencionada pela autoridade fiscal: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. Pela expressão normas de apuração entendese o cômputo do quantum tributável, o procedimento consistente em determinar a base de cálculo do tributo, mediante operações de soma e diminuição de valores. Ou seja, precisamente a discussão dos presentes autos. Pelo dispositivo, resta mais evidente que repercussão dos ajustes efetuados para apuração da base de cálculo do IRPJ para a CSLL. Nesse contexto, entendo não haver reparos ao procedimento adotado pela autoridade fiscal ao promover a glosa de despesa de amortização de ágio tanto para o IRPJ quanto para a CSLL. 12. Concluise que, por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, e partirem da mesma base (Lucro líquido) para o ajuste da base de cálculo aplicamse integralmente ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido as conclusões relativas ao IRPJ. Fl. 4448DF CARF MF Processo nº 16561.720124/201665 Acórdão n.º 1201002.479 S1C2T1 Fl. 70 69 Conclusão Voto por dar PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, a fim de que seja deduzido, do valor da amortização de ágio Pioneer glosado, o valor do ganho de capital correspondente que foi tributado e cobrado da Du Pont Spain. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 4449DF CARF MF
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Numero do processo: 11610.002615/00-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1989 a 31/12/1989, 01/06/1993 a 30/09/1995
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO MATERIAL. OMISSÃO.
Não verificada contradição e omissão no acórdão embargado, cumpre não conhecer dos embargos. No presente caso, os Embargos Inominados devem ser rejeitados.
Numero da decisão: 3301-004.830
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos declaratórios.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1989 a 31/12/1989, 01/06/1993 a 30/09/1995 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO MATERIAL. OMISSÃO. Não verificada contradição e omissão no acórdão embargado, cumpre não conhecer dos embargos. No presente caso, os Embargos Inominados devem ser rejeitados. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos declaratórios. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 26 15 /0 0- 28 Fl. 521DF CARF MF Processo nº 11610.002615/0028 Acórdão n.º 3301004.830 S3C3T1 Fl. 522 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do Despacho de Admissibilidade dos Embargos (fls. 518/519): Trata o presente processo de pedido de restituição, cumulado com pedido de compensação, formulado pelo contribuinte, protocolizado em 09/10/2000, no qual este pretende reaver valores recolhidos a título de contribuições para o PIS, no período de 01/1989 a 12/1989 e 06/1993 a 09/1995, apurados com base nos DecretosLei n°s 2.445/1988 e 2.449/1988, declarados inconstitucionais. O pedido foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo, em razão da suposta decadência do direito de pleitear à restituição, pois transcorridos mais de 5 (cinco) anos entre a data dos recolhimentos indevidos e a data do pedido. Ademais, foi indeferido o reconhecimento da “semestralidade” da base de cálculo da contribuição ao PIS. Em face desta decisão foi apresentada Manifestação de Inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que, por sua vez, manteve o entendimento consignado pela r. decisão da DRF/SP. No recurso voluntário interposto, pugnou a Recorrente pelo reconhecimento do direito à compensação dos valores indevidamente recolhidos, mediante o afastamento da decadência e do não reconhecimento da semestralidade do PIS, que consubstanciaram o indeferimento nas instâncias ordinárias. Por ocasião da apreciação do recurso voluntário interposto, a 2ª Câmara do antigo 2° Conselho de Contribuintes houve por bem dar parcial provimento ao recurso voluntário, afastando a decadência e reconhecendo a “semestralidade” da base de cálculo da contribuição, conforme acórdão de fls. 234/246. Decidiu, ainda, quanto a critérios de correção monetária do indébito, que deveriam observar, no período anterior a 1°/01/1996, a Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar n° 8, de 27/06/1997 e, a partir daquela data, a incidência da Taxa SELIC, acumulada mensalmente, e, no mês da restituição/compensação, a taxa de 1%, conforme a Lei n° 9.250/95. Transcrevo excerto do voto condutor do Acórdão nº 20218.104: “Importante acrescentar, ainda, que os valores dos indébitos que remanescerem, após o desconto da contribuição devida com base na Lei Complementar n. 7/70, devem ser corrigidos monetariamente, até 31/12/1995, com base na tabela anexa à Nonna de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar ni” 08, de 27/06/97. A partir de 19/01/96, sobre os indébitos passam a incidir exclusivamente juros equivalentes à taxa Selic, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao da restituição/compensação e de 1% relativamente ao mês em que Fl. 522DF CARF MF Processo nº 11610.002615/0028 Acórdão n.º 3301004.830 S3C3T1 Fl. 523 3 esta estiver sendo efetuada, por força do disposto no art. 39, § 49, da Lei n. 9.250/95.” Foram interpostos Embargos de Declaração pelo sujeito passivo, que foram rejeitados (Despacho 2101.266 às fls.316 e 317). O sujeito passivo apresentou "pedido de rerratificação", retomando as razões do seu embargo de declaração (fls. 322 a 326). A Embargante apresentou ainda Recurso Especial (fls. 328/360). Cumpre consignar que a Procuradoria da Fazenda também apresentou Recurso Especial (fls. 250/275). Das fls. 413, consta despacho em que se consigna que o requerimento do contribuinte ("pedido de rerratificação") e também o recurso especial encontramse pendentes de apreciação e se encaminha o presente processo para a 3ª Câmara da 3ª Seção para as providências cabíveis. No Despacho de Admissibilidade (fls. 414/416) são apontadas irregularidades formais no presente processo. Determinase, então que seja feito o saneamento na origem e então devolvido o processo para a 3ª Câmara do CARF. Realizado o devido saneamento, o Despacho s/n (à fls. 518/520) acolhe o requerimento do contribuinte ("pedido de rerratificação"), como embargos inominados. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira Questiona, a Embargante, o Acórdão nº 20218.104 no que concerne à menção a "critérios de correção monetária do indébito, que deveriam observar, o período anterior a 1°/01/1996, a Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar n° 8, de 27/O6/1997 e, a partir daquela data, a incidência da Taxa SELIC, acumulada mensalmente, e, no mês da restituição/compensação, a taxa de 1%, conforme a Lei n° 9.250/95" (cf. fl. 324). Defende que houve lapso manifesto porque tal matéria não era objeto do Recurso Voluntário e, em consequência, não poderia ter sido examinada pelo Acórdão recorrido. Vejamos o trecho embargado: Importante acrescentar, ainda, que os valores dos indébitos que remanescerem, após o desconto da contribuição devida com base na Lei Complementar n9 7/70, devem ser corrigidos monetariamente, até 31/12/1995, com base na tabela anexa à Normna de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar ni” 08, de 27/06/97. A partir de 19/01/96, sobre os indébitos passama incidir exclusivamente juros equivalentes à taxa Selic, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao da restituição/compensação e de 1% relativamente ao mês em que esta estiver sendo efetuada, por força do disposto no art. 39, § 49, da Lei n9 9.250/95. Fl. 523DF CARF MF Processo nº 11610.002615/0028 Acórdão n.º 3301004.830 S3C3T1 Fl. 524 4 Contudo, conforme se depreende desse excerto de seu Recurso Voluntário, houve menção à correção monetária (fl. 240): 46. Outro aspecto relevante e decisivo para a apuração do montante indevidamente recolhido pela Recorrente é a não existência de qualquer norma jurídica que imponha a necessidade de correção monetária dessa base de cálculo do PIS (o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador), sendo certo que não se pode cogitar aplicação da correção monetária por mero ato discricionário da Autoridade Administrativa encarregada da aplicação da norma tributária, pois seria imprescindível uma lei que dispusesse sobre a questão. (grifouse) No pedido, a embargante também faz menção à correção monetária, nos seguintes termos (fls. 248): (C) a base de cálculo do PIS, nos termos do art. 6° ida Lei Complementar n° 7/70, é o faturamento do sexto mês anterior ao período de apuração, sem correção monetária, conforme pacificada jurisprudência deste Conselho de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais e o do E. Superior Tribunal de Justiça (grifouse) Portanto, carece razão à Embargante quando afirma que foi tratada no Acordão embargado matéria que não constava do Recurso Voluntário. Certamente, a decisão sobre correção monetária no acórdão recorrido não se conforma aos interesses da embargante. Contudo, o instrumento adequado para questionar não é embargo, mas sim o recurso pertinente. Em face do exposto, voto no sentido de não conhecer os Embargos da Contribuinte, pelas razões indicadas. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 524DF CARF MF
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Numero do processo: 10073.901241/2013-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCTF.
Constatada a existência do crédito tributário, por meio da DCTF retificadora apresentada, ela deve ser analisada pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo, seguindo-se daí o rito processual ordinário.
Numero da decisão: 1301-003.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do crédito pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. Constatada a existência do crédito tributário, por meio da DCTF retificadora apresentada, ela deve ser analisada pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo, seguindo-se daí o rito processual ordinário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do crédito pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. Constatada a existência do crédito tributário, por meio da DCTF retificadora apresentada, ela deve ser analisada pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo, seguindose daí o rito processual ordinário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 12 41 /2 01 3- 09 Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10073.901241/201309 Acórdão n.º 1301003.326 S1C3T1 Fl. 399 2 Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por maioria de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas, em razão da inexistência do crédito alegado para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que o valor a maior recolhido se deu basicamente pois desconsiderou os valores pagos em meses anteriores, apresentou planilha que demonstra como os cálculos ocorreram. O Acórdão recorrido entendeu que na data da transmissão das PerdComps o crédito não era líquido e certo, uma vez que as DCTFs não estavam retificadas, e todo o DARF alocado ao débito estava consumido, sem crédito algum, bem como porque o interessado não juntou provas e documentos. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente defende que o acórdão recorrido deve ser anulado pois não se baseou na verdade material dos fatos, e simplesmente baseouse na DCTF que não foi retificada para não homologar as compensações, juntou as DCTFs retificadoras bem como os cálculos em que se basearam os pagamentos. É o relatório. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10073.901241/201309 Acórdão n.º 1301003.326 S1C3T1 Fl. 400 3 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente apresentou PerdComps, onde se utilizou de créditos decorrentes de IRPJ pago a maior, pois ao efetuar o pagamento das estimativas mensais, não levou em consideração os valores já recolhidos em meses anteriores. Segundo o Despacho Decisório, todo o DARF relacionado estava alocado para um débito, de tal forma que não restou nenhum crédito disponível a ser compensado, não homologando a compensação pleiteada. De igual forma entendeu o acórdão recorrido, que na data da transmissão da Perdcomp, o crédito não se encontrava líquido e certo, bem como faltou ao recorrente trazer a prova do indébito tributário. Passemos aos fatos. O crédito a que refere a recorrente é de IRPJ, antecipação, e segundo a recorrente quando realizou o pagamento do DARF para quitar a antecipação, não levou em consideração os valores pagos em meses anteriores, levandoo a pagar um valor maior. Apresentou planilhas em que se demonstra tal cálculo, e em sede recursal juntou a DCTF retificadora e livros de apuração. O ponto aqui é que a DCTF foi somente retificada após o Despacho Decisório, não gerando a informação de crédito para a RFB. Porém, ainda que a DCTF tenha sido transmitida posteriormente ao Despacho decisório, é certo que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, nos termos do art. 19, da MP 1990 26/1999, dessa forma, prevalece a declaração retificadora. Ademais, no caso em tela, de acordo com a DIPJ, a recorrente apurou seu IRPJ em todos os meses do ano com base em balancete de suspensão ou redução, não caracterizando alteração de regime. Em situações semelhantes, temos o entendimento de que a retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impediria o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, tal como preconiza o § 1º do art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10073.901241/201309 Acórdão n.º 1301003.326 S1C3T1 Fl. 401 4 informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Assim, tendo em vista o princípio da busca da verdade material, já que juntou documentos, ainda que em sede recursal daquilo que faria jus ao seu direito, voto no sentido de se afastar o óbice de desconsideração da DCTF retificadora. E dessa forma, a unidade de origem poderá verificar o mérito do pedido, acerca da existência do crédito e da respectiva compensação, bem como analisar a liquidez e certeza do referido crédito, nos termos do art. 170, do CTN. Posteriormente, podese seguir o rito processual habitual. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem, refazendo sua análise diante da documentação apresentada. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 401DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.720429/2015-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Inexistência de elementos que justifiquem a identificação de ocorrência de prescrição intercorrente. A cronologia de acontecimentos identificam a normalidade e legalidade do trâmite processual.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIRF DA FONTE PAGADORA.
Valores declarados em DIRF pela fonte pagadora e não informado na declaração do imposto de renda da pessoa física do Contribuinte.
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento a legislação tributária. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos.
DESPESAS MÉDICAS
Despesas médicas quando se referir a dependente legalmente comprovado ou a alimentado beneficiado por decisão judicial que definiu a pensão alimentícia em que conste expressamente a obrigação de pagar também despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir a glosa da dedução referente à pensão alimentícia, até o limite decidido judicialmente, corrigido pelos índices lá definidos, para o ano-calendário de 2012 e a glosa referente às despesas médica.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Inexistência de elementos que justifiquem a identificação de ocorrência de prescrição intercorrente. A cronologia de acontecimentos identificam a normalidade e legalidade do trâmite processual. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIRF DA FONTE PAGADORA. Valores declarados em DIRF pela fonte pagadora e não informado na declaração do imposto de renda da pessoa física do Contribuinte. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento a legislação tributária. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos. DESPESAS MÉDICAS Despesas médicas quando se referir a dependente legalmente comprovado ou a alimentado beneficiado por decisão judicial que definiu a pensão alimentícia em que conste expressamente a obrigação de pagar também despesas médicas.
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Inexistência de elementos que justifiquem a identificação de ocorrência de prescrição intercorrente. A cronologia de acontecimentos identificam a normalidade e legalidade do trâmite processual. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIRF DA FONTE PAGADORA. Valores declarados em DIRF pela fonte pagadora e não informado na declaração do imposto de renda da pessoa física do Contribuinte. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento a legislação tributária. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos. DESPESAS MÉDICAS Despesas médicas quando se referir a dependente legalmente comprovado ou a alimentado beneficiado por decisão judicial que definiu a pensão alimentícia em que conste expressamente a obrigação de pagar também despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir a glosa da dedução referente à pensão alimentícia, até o limite decidido judicialmente, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 04 29 /2 01 5- 16 Fl. 241DF CARF MF 2 corrigido pelos índices lá definidos, para o anocalendário de 2012 e a glosa referente às despesas médica. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de dedução de pensão alimentícia judicial e omissão de rendimentos. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 23.567,33, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2012. No Despacho Decisório nº 048/15 o Fisco aceitou parte da comprovação apresentada pelo Recorrente e reduziu o valor do Lançamento para R$ 20.116,42. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura do lançamento o fato de que o Recorrente não teria comprovado integralmente o pagamento da pensão alimentícia aos beneficiários, embora tivesse apresentado o termo de acordo de separação consensual homologado judicialmente e a constatação da omissão de rendimentos. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere à falta de comprovação nos moldes que entende legalmente apropriado, nos termos que segue: O contribuinte supracitado foi intimado impugnar o valor do Imposto de Renda Pessoa Física suplementar do anocalendário de 2012 de R$ 23.567,33, com multa de ofício e juros de mora. Tal fato decorreu da omissão de rendimentos de SEFRA Soluções Empresariais Ltda – ME, CNPJ 09.081.888/000109, no valor de R$ 15.472,55; da dedução indevida de dependentes, no valor de R$ 1.974,72; da dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 5.496,00; da dedução indevida de pensão alimentícia, no valor de R$ 57.948,00 e da dedução indevida com instrução, no valor de R$ 6.182,70. Omissão de Receitas O contribuinte foi lançado de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$ 15.472,55, de SEFRA Soluções Fl. 242DF CARF MF Processo nº 13896.720429/201516 Acórdão n.º 2001000.579 S2C0T1 Fl. 242 3 Empresariais Ltda – ME, CNPJ 09.081.888/000109, fundamentado na informação da DIRF da pessoa jurídica. Analisando a DIRF da pessoa jurídica, constatamos que esta declarou que o contribuinte recebeu a título de rendimento de trabalho assalariado o valor de R$ 15.472,55, em janeiro de 2012. Também recebeu verba isenta de indenização por rescisão de contrato de trabalho, inclusive PDV, no valor de R$ 6.333,73, neste mês de janeiro. O contribuinte apresenta cópia da carteira de trabalho na qual consta o desligamento da pessoa jurídica a data de 02/01/2012, conforme e fls.137 a 139 e 178 a 196. Também apresenta cópia da notificação extrajudicial para a pessoa jurídica para apresentar os documentos referentes ao período fiscalizado, de efls.197 e 198. Em que pese os documentos apresentados pelo contribuinte, não fica comprovado que este não recebeu os valores constantes da DIRF da pessoa jurídica, até porque o desligamento da empresa foi em janeiro e o pagamento dos rendimentos foi em janeiro. A notificação extrajudicial para a pessoa jurídica para apresentar os documentos referentes ao período fiscalizado, que não teria sido atendida, não modifica a DIRF informada pela fonte pagadora, muito menos a possibilidade de ajuizamento de ações judiciais contra a empresa, que não constam terem sido efetivadas. Como o contribuinte não traz nenhuma prova suficiente para comprovar o suposto erro da fonte pagadora, nos termos da livre convicção da Autoridade Julgadora (art.29 do Decreto 70.235/1972), deve ser mantida a omissão de rendimentos. Dedução de Dependentes A glosa da despesa com dependente não procede, pois o contribuinte é pai do menor Enrico Sommerfeld Claramunt, nascido em 27/03/2003,conforme Certidão de Nascimento de efl.22, devendo ser cancelada a glosa de R$ 1.974,72. Tal glosa de dedução já foi objeto de cancelamento pela DRF de origem através do Termo Circunstanciado e do Despacho Decisório, de efls.149 a 154. Dedução com Instrução Na despesa com instrução, fica comprovado que o dependente Enrico Sommerfeld Claramunt teve gasto com educação no Instituto Plebesteriano Mackenzie, no valor anual de R$ 12.098,44, e que o próprio contribuinte teve gasto com pósgraduação na Escola Paulista de Direito, no valor de R$ 12.031,38, além do que a alimentanda Yasmin Lara Claramunt teve despesa com instrução, cuja decisão judicial na ação de alimentos decidiu que é obrigação do contribuinte, na PUC – SP, no valor superior a R$ 20.600,00. Como o limite individual de despesa com instrução é R$ 3.091,35, o contribuinte tem direito ao valor de R$ 9.274,05 de dedução com despesa com instrução. Fl. 243DF CARF MF 4 Tal glosa de dedução já foi objeto de cancelamento e foram concedidas as despesas com instrução pela DRF de origem através do Termo Circunstanciado e do Despacho Decisório, de efls.149 a 154. Dedução Indevida de Pensão Alimentícia A dedução indevida de pensão alimentícia, no valor de R$ 57.948,00, é composta pela falta de comprovação do pagamento pelo contribuinte da alimentanda Yasmin Lara Claramunt e Victoria Pacheco Claramunt. O contribuinte alega que na alimentanda Yasmin Lara Claramunt, fez pagamentos mensais de R$ 1.300,00 em conta corrente e em espécie, totalizando R$ 15.150,00 anuais, acrescido de R$ 4.573,03 na compra de livros e outros gastos, somando o valor de R$ 19.723,03, além do pagamento da faculdade, na quantia de R$ 20.824,97. Dos citados pagamentos mensais, somente pode ser aceito o valor do depósito de R$ 1.300,00, de 18/08/2012, de efl.103, pois os demais comprovantes de pagamentos, de efls.105 a 111, no valor mensal de R$ 1.300,00 e somando a quantia de R$ 9.100,00, foram pagos por GK Administradora de Bens S/S Ltda., não constando nenhuma procuração nos autos autorizando esta empresa a pagar para a alimentanda, nem algum demonstrativo contábil demonstrando que os valores pagos pela empresa saíram de valores de bens e direitos pertencentes ao contribuinte, de forma que este suportasse o ônus do pagamento. Meras alegações sem prova da assunção do ônus não podem ser aceitas. No mesmo sentido, o valor de R$ 4.573,03 na compra de livros e outros gastos não tem comprovação nos autos, não podendo ser aceito, até porque a legislação não aceita a dedução destes como despesa de instrução. Por sua vez, o pagamento da faculdade, na quantia de R$ 20.824,97, deve ser aceito como despesa com instrução, até o limite legal permitido (R$ 3.091,35), como foi feito pela Autoridade Fiscal, e não como dedução como alimentos, conforme a legislação que rege o assunto, contida no item 378 do Livro Perguntas e Respostas do IRPF, abaixo transcrito: (...) No pertinente à alimentada Victoria Pacheco Claramunt, é alegado pelo contribuinte que foram pagas 11 parcelas mensais de R$ 1.600,00, somando a quantia anual de R$ 17.400,00, sendo que parte deste valor foi recolhido pela empresa GK Administradora de Bens Ltda., que administra os bens do contribuinte e os aluguéis recebidos por este. Novamente, verificamos que foram pagos por GK Administradora de Bens S/S Ltda., conforme efls.121 a 131, não constando nenhuma procuração nos autos autorizando esta empresa a pagar para a alimentanda, nem algum demonstrativo contábil demonstrando que os valores pagos pela empresa saíram de valores de bens e direitos pertencentes ao contribuinte, de forma que este suportasse o ônus do pagamento. Meras alegações sem prova da assunção do ônus não podem ser aceitas. Dedução de Despesas Médicas Fl. 244DF CARF MF Processo nº 13896.720429/201516 Acórdão n.º 2001000.579 S2C0T1 Fl. 243 5 O contribuinte teve glosada a dedução de despesas médicas, no valor de R$ 5.496,00, pois o pagamento para o plano de saúde (PS Padrão Administradora de Benefícios Ltda) de Patrícia Sommerfeld Claramunt e da alimentanda Yasmin Lara Claramunt não tinham a discriminação dos beneficiários, além de parte dos pagamentos ter sido realizada pela empresa GK Administradora de Bens Ltda, sem demonstração de ônus para o contribuinte. Na declaração IRPF o contribuinte declarou que pagou para si o valor de R$ 3.840,00 e para o dependente (Enrico Sommerfeld Claramunt) o valor de R$ 1.656,00, ambos referentes à Sul América cia de Seg. Saúde. O plano de saúde, discutido judicialmente e cujos valores foram depositados em juízo, de Patrícia Sommerfeld Claramunt não pode ser aceito, pois esta não consta como dependente do contribuinte e não faz parte dos autos o contrato com os beneficiários deste plano de saúde, identificando o contribuinte como tal, não podendo o contribuinte utilizar como despesa de saúde própria o valor de R$ 3.840,00. Isto sem contar que os meses de abril e maio de 2012 foram pagos GK Administradora de Bens S/S Ltda., não constando nenhuma procuração nos autos autorizando esta empresa a pagar para esta beneficiária, nem algum demonstrativo contábil demonstrando que os valores pagos pela empresa saíram de valores de bens e direitos pertencentes ao contribuinte, de forma que este suportasse o ônus do pagamento. (...) Ocorre que pela decisão judicial sobre separação e alimentos, de e fls.25 a 30, o contribuinte tem obrigação de manter um plano de saúde para a alimentanda Yasmin Lara Claramunt. Então, os valores depositados pelo plano de saúde discutido judicialmente para esta alimentanda podem ser dedutíveis, mas apenas quando forem convertidos em renda do beneficiário (plano de saúde) e não no momento do depósito, pois o Imposto de Renda Pessoa Física é regido pelo regime de caixa e não pelo regime de competência. Mesmo que os depósitos fossem dedutíveis de imediato, que contraria os princípios do IRPF, que encontram nas efls.84 a 98 não poderiam ser dedutíveis os meses de março, julho, agosto, setembro e novembro, por não constarem os comprovantes de pagamentos deste meses, e de abril e maio de 2012, que foram pagos GK Administradora de Bens S/S Ltda., não constando nenhuma procuração nos autos autorizando esta empresa a pagar para esta beneficiária, nem algum demonstrativo contábil demonstrando que os valores pagos pela empresa saíram de valores de bens e direitos pertencentes ao contribuinte, de forma que este suportasse o ônus do pagamento. Logo, caso fossem dedutíveis, somente poderiam ser os valores do plano de saúde dos meses de fevereiro, junho, outubro e dezembro, que somam a quantia de R$ 947,03. Destarte, voto no sentido de julgar improcedente a impugnação, na parte litigiosa mantida pela revisão da DRF de origem, mantendo o Fl. 245DF CARF MF 6 imposto suplementar no valor de R$ 20.116,42, com multa e juros de mora, nos termos da legislação. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter a exigência do Lançamento, com a redução determinada no despacho decisório da autoridade competente para R$ 20.116,42, como imposto suplementar, mais acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) O Recorrente apresentou sua impugnação ao Despacho Decisório, discordando dos lançamentos descritos, para tanto colecionou documentação hábil e idônea afim de corroborar com a referida impugnação. Agora, aos 15 de maio de 2017, decorridos 4 anos da Impugnação, sobreveio a decisão colegiada – Acórdão 1058.2014, dissonando com as provas táticas e materiais colecionadas ao bojo do procedimento fiscalizatório. Portanto, a presente preliminar trata da prescrição intercorrente no curso do procedimento fiscal, pois patente a insegurança jurídica praticada pelo ente fiscal, ofendendo frontalmente o art. 1º em seu parágrafo 1º da Lei 9.873/99. (...) Assim sendo, poderia o Fisco apreciar a Impugnação e os documentos que a instruem dentro de prazo exíguo, obedecendo os limites previsto na legislação, ou pelo menos se curvando ao Princípio da razoabilidade e moralidade, mas não permanecer em desarrazoada e indeterminado tempo para aferição. De tal sorte, que deverá ser acolhida a preliminar arguida para declarar a prescrição intercorrente do presente. DOS FATOS OMISSÃO DE RECEITAS SEFRA soluções empresariais Ltda. (09.081.888/000109) no valor de R$ 15.472,55. Não prospera tal entendimento, pois o contribuinte pediu demissão aos 2 de janeiro de 2012, comprovadamente através dos documentos juntados, sem qualquer direito indenizatório, férias 13º salário ou liberação de FGTS. A referida empresa fechou suas portas, indo para lugar incerto e não sabido, como consta da resposta a notificação encaminhada pelo contribuinte. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 13896.720429/201516 Acórdão n.º 2001000.579 S2C0T1 Fl. 244 7 O Contribuinte, no primeiro dia útil do ano de 2012 pediu a demissão, não laborou nenhum dia, portanto não teve direito a salário ou outros valores. DEDUÇÃO COM PENSÃO ALIMENTÍCIA Foi glosada as despesas de pensões alimentícias compotas pelas alimentadas Yasmin Lara Claramunt e Victoria Pacheco Claramunt, sob o argumento de terem sido pagas pela empresa “GK Administradora de Bens S/S”, e que não há nos Autos nenhuma procuração ou documento que demonstrem ter sido ônus do contribuinte, meras alegações sem prova. Ainda na glosa, o ente fiscal, apesar de reconhecer a imposição judicial ao contribuinte de prestar a título de alimentos assistência médica hospitalar e pagar escolas, considera que devam ser respeitados os limites a serem deduzidos na espécie de dedução com instrução. Como se observa nos documentos apresentados, DIMOBs, o contribuinte possui uma relação comercial com a referida empresa, cuja qual é uma administradora, que durante o referido exercício administrou o recebimento de valores oriundos de locações do Contribuinte, como se observa dos DIMOBs acostados. Após a realização dos recebimentos, a GK informava o saldo disponível ao contribuinte, e este por sua vez, solicitava e direcionava seus créditos aos pagamentos de suas obrigações, dentre elas com as pensões alimentícias. A relação entre o contribuinte e a empresa GK está demonstrada através dos DIMOBs juntados tanto pelo contribuinte como pela referida empresa, pois esta é obrada a fazêlo por força de legislação. O contribuinte demonstrou através de documentação hábil e idônea, decisão judicial a que lhe obriga prestar alimentos às suas filhas, foi considerado imposto por aquela decisão judicial, também como alimentos, o custeio pelo contribuinte de assistência médica e escolar à alimentada Yasmin Lara Claramunt. Para com a outra alimentada apenas foi determinado o pagamento mensal de valores, sem imposição de assistência médica e escolar. Assim e por outro lado, ao invés de pagar as mensalidades, bastria o contribuinte depositar tais valores correspondentes à escola e assistência médica na conta da alimentada, para que estas satisfizessem a obrigação, produzindo assim dedução integral ao contribuinte. Com relação à alimentada Victoria Pacheco Claramunt, a obrigação restou comprovada através da juntada da sentença judicial, da mesma forma comprovada a relação comercial com a GK Administradora, tendo, portanto, o contribuinte determinado a transferência de parte de seu saldo ao pagamento da obrigação alimentar. Fl. 247DF CARF MF 8 Assim não merece prosperar o entendimento do ente fiscal, devendo ser reformado, e ano final julgado procedente a pretensão e os argumentos do contribuinte. Diante de todo o exposto, requer seja acolhida as preliminares, para ver declarada a prescrição intercorrente fiscal, ou não sendo este o entendimento, requerse seja acolhido o presente Recurso, e uma vez verificada sua insubsistência seja proclamada sua improcedência, cancelandolhe o débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. PRELIMINAR – PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE O Recorrente alega que apresentou sua impugnação ao Despacho Decisório 048/2015, discordando do lançamento e que para tanto colecionou documentação hábil e idônea para respaldar a referida impugnação. Diz que em 15/03/2017, decorridos 5 anos da impugnação, sobreveio a decisão colegiada no Acórdão, em dissonância com as provas fáticas apresentadas no procedimento fiscalizatório. Conclui afirmando que a preliminar trata da prescrição intercorrente no curso do procedimento fiscal, ofendendo frontalmente o art. 1º, da Lei nº 9.873/99. DECIDO A prescrição intercorrente ocorre quando há inércia do autor que deixa de praticar os atos necessários para o prosseguimento da ação, no curso do processo, em tempo superior ao máximo previsto em lei para a prescrição do direito discutido. A Lei nº 9.873/99, citada no Recurso, define as condições e prazo de prescrição para o exercício de ação punitiva pela Administração Pública Federal, em relação ao indevidamente requerido pelo Contribuinte neste processo, nos seguintes termos: Art. 1o Prescreve em cinco anos a ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício do poder de polícia, objetivando apurar infração à legislação em vigor, contados da data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado. (...) Art. 2o Interrompese a prescrição da ação punitiva: Fl. 248DF CARF MF Processo nº 13896.720429/201516 Acórdão n.º 2001000.579 S2C0T1 Fl. 245 9 I – pela notificação ou citação do indiciado ou acusado, inclusive por meio de edital; II por qualquer ato inequívoco, que importe apuração do fato; No exame dos autos verificase que a impugnação consta na fl. 02 e foi protocolada em 23/02/2015, tendo o Despacho Decisório da autoridade competente nº 48/2015, fls. 154/155, corrido em 28/04/2015 e ciência do DD em 13/11/2015 fl. 161. Em sequência ocorreu a decisão do Acórdão 1058.2014, fl. 204 em 15/03/2017, seguido da ciência deste, fl. 137, em 27/03/2017. Constatase pela cronologia das ações administrativas não ter havido prescrição intercorrente, como alegado, estando preservada a razoável duração do processo e a celeridade de sua tramitação. Assim sendo, razão não há para a alegação de prescrição intercorrente, motivo suficiente para a rejeição da preliminar. DO MÉRITO O Despacho Decisório nº 048/2015 aceitou parte da comprovação apresentada pelo Recorrente e reduziu o valor do Lançamento para R$ 20.116,42. O Acórdão da DRJ destaca a aceitação da comprovação da despesa com o dependente Enrico Sommerfeld Claramunt, o que já havia sido reconhecido no despacho decisório. O Acórdão da DRJ também considera comprovadas as despesas de instrução do dependente Enrico Sommerfeld Claramunt, do próprio Recorrente e da alimentada Yasmin Lara Claramunt, o que já havia sido reconhecido no despacho decisório. Contudo, a decisão do Acórdão contestado somente considera para a alimentada Yasmin o valor referente ao limite individual como despesa com instrução, o que contraria a decisão judicial que definiu a obrigação do pagamento das despesas deste tipo como obrigação de pensão alimentícia, sem vinculação com o limite para fins fiscais de gastos com dependentes. Não há que se confundir dedutibilidade de pensão alimentícia com despesas com instrução e seus efeitos fiscais vinculados a limites individuais. Na verdade o Recorrente paga despesa com instrução dentro da espécie pensão alimentícia. Portanto considerase aqui todo o valor pago com despesa de instrução da alimentada como dedutível a título de pensão alimentícia. OMISSÃO DE RENDIMENTOS No Acórdão da DRJ não foram acolhidas alegações de defesa, porque sem comprovações, no que se refere à omissão de rendimentos recebidos de SEFRA Soluções Empresariais Ltda, no valor de R$ 15.472,55. O Recorrente apresenta cópia da carteira de trabalho em que consta o registro de seu desligamento da empresa em janeiro de 2012, na qual desempenhou a função de gerente administrativo desde 01/09/2009, regido pelas leis do trabalho, com direitos a verbas de rescisão conforme legislação trabalhista. Fl. 249DF CARF MF 10 O Contribuinte simplesmente alega que nada recebeu após sua saída da empresa, sequer a título de rescisão de contrato de trabalho, sem, contudo, citar os motivos de nada receber pelo desligamento e término do vínculo empregatício. Ausente no processo qualquer prova de ação de trabalhista contra a empresa em que trabalhava a título de verbas rescisórias ou medidas judiciais contra sua ex empregadora, com o objetivo de demandar documentos em seu favor para esclarecer valores de rendimentos pagos em seu nome e informado pela referida empresa à Receita Federal, como obrigação acessória da pessoa jurídica empregadora. Por isso, a inexistência de contestação convincente conjugada com a falta de comprovação resulta concluirse na mantença da identificação de omissão de rendimentos no valor de R$ 15.472,55, constante do Lançamento. DESPESAS MÉDICAS O plano de assistência de saúde está vinculado ao nome da exesposa, como contratante, por razões de condições mais favorecidas por sua situação de estudante, formalizado em período em que mantinham o vínculo conjugal, plano em que constam os membros da família como beneficiários, inclusive o Recorrente. O total pago ao plano foi de R$ 7.781,15, sendo que o informado como dedutível no valor de R$ 5.496,00 referese a ele próprio, seu dependente e sua alimentada, está última em atendimento a decisão judicial referente à pensão alimentícia. Em razão da possibilidade da ocorrência de um vácuo na prestação de serviços médicos por parte da operadora do plano, as prestações mensais passaram a ser depositadas em juízo por decisão judicial em atendimento de sua ação para manutenção dos serviços médicos. Neste caso, os depósitos judiciais equivalem às prestações referentes ao plano de saúde e a necessária apropriação como despesa a este título para efeito de dedução. Referidos desembolsos devem ser considerada no período desta ocorrência sob pena da perda do direito na apuração do imposto por se tratar de regime de caixa e eventual ocorrência de período decadencial. Assim, excluída a glosa no que se refere às despesas médicas. PENSÃO ALIMENTÍCIA A divergência estabelecida na lide em relação à pensão alimentícia diz respeito aos valores constantes nas decisões judiciais que definiram a pensão alimentícia de Yasmin Lara Claramunt e Victoria Pacheco Claramunt e naqueles termos devem ser consideradas para efeito de aceitação da dedução, com base nos pagamentos comprovados documentalmente, seja como depósito em conta corrente ou pagamentos a título de despesas com instrução ou saúde, nos termos e no quantitativo que a decisão judicial determina. A contenda é que de um lado há o rigor na interpretação restritiva da legislação pela Autoridade Fiscalizadora, e de outro, a busca do direito, pelo Contribuinte, de ver reconhecido o que entende plenamente comprovado mediante documentação apresentada, inclusive declaração da empresa intermediadora dos pagamentos para as alimentadas. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, art. 4º e alínea “f” Fl. 250DF CARF MF Processo nº 13896.720429/201516 Acórdão n.º 2001000.579 S2C0T1 Fl. 246 11 inciso II, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados no art. 78 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, como segue: Lei nº 9.250/95. Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (...) Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (...) Decreto nº 3.000/99 Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). § 1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. A autoridade fiscal fundamentou a recusa da dedução do valor das pensões das filhas do Recorrente em razão de que não reconhecia suficiente os documentos de pagamentos feito através de terceiros, sob ordem do Contribuinte, nos seguintes termos: Fl. 251DF CARF MF 12 No que concerne à Pensão Alimentícia paga a YASMIN LARA CLARAMUNT, o contribuinte apresentou Decisão Judicial e comprovantes de transferências de pagamentos mensais, no entanto os comprovantes constam dados da conta debitada GK Administradora de Bens e não os dados da pessoa física do contribuinte. Portanto, permanece a glosa de R$ 54.300,00. Devese levar em consideração que as despesas com instrução e as despesas médicas pagas pelo alimentante, em nome do alimentando, em razão de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou por escritura pública, a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, podem ser deduzidas somente na declaração de rendimentos, em seus campos próprios, observado o limite anual relativo às despesas com instrução. Em relação à Pensão Alimentícia paga a VICTORIA PACHECO CLARAMUNT, da mesma forma os comprovantes constam dados da conta debitada GK Administradora de Bens. Assim, permanece a glosa de R$ 23.400,00. Tratase neste caso do direito à dedução do imposto de renda por pagamentos de pensão alimentícia em que a exigência fica condicionada a ter sido objeto de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, conforme inciso II, art. 4º, da Lei nº 9.250/95 e art. 78 do Decreto nº 3.000/99, e prova do efetivo pagamento do valor declarado como pago aos pensionistas. Com efeito, constatase que foram realmente acostadas ao processo cópia dos acordos judiciais homologados, certidões de nascimentos, comprovações de despesas e declarações e outros comprovantes da empresa GK Administradora de Bens S/S, informando os valores pagos diretamente pela empresa às alimentadas e a respectiva compensação no encontro de contas com os créditos a receber que o Recorrente possuía junto a ela, identificando uma praxe na realização dos pagamentos das pensões alimentícias que cumpria a decisão judicial, pela realização dos depósitos em conta corrente das beneficiárias. A Súmula CARF nº 98 determina que seja permitida a dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, na condição de que tenha decorrido de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e quando comprovado seu efetivo pagamento. Súmula CARF nº 98: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. (grifei) Cabe destacar que o dispositivo que mais se aproxima de uma definição dos condicionantes para obtenção do benefício da dedução diz que o segundo elemento se fará presente “quando comprovado o seu efetivo pagamento”, sem lhe especificar a forma. O fato de ter sido pago através de uma forma que não aquela de crédito em conta das beneficiárias cujo valor não tenha saído diretamente da conta do Recorrente não é motivo suficiente para a glosa da dedução, pois o que realmente importa é a efetividade do pagamento do compromisso assumido. A quitação do compromisso independe da rigorosa observação de crédito em conta corrente e de ter o Contribuinte utilizado um terceiro com o Fl. 252DF CARF MF Processo nº 13896.720429/201516 Acórdão n.º 2001000.579 S2C0T1 Fl. 247 13 qual tinha créditos, para satisfazer sua obrigação de pagar a pensão alimentícia. Por isso, neste caso, satisfeitos os requisitos legais que regem a matéria. Ademais, não há que se confundir abatimentos de despesas com dependentes e beneficiários de pensões alimentícias e suas diferentes formalidades de informação na declaração do Imposto de Renda. Assim que, no exame da documentação acostada ao processo, verificase que o Recorrente apresentou a documentação comprobatória do acordo judicial e a comprovação do pagamento da pensão a que se comprometeu judicialmente, podendo assim se beneficiar da utilização da dedução do imposto a esse título, fazendose imperioso que se conceda o direito pleiteado pelo Recorrente, dando provimento ao recurso para o restabelecimento das deduções, até o valor definido nos acordos judiciais, reajustados para o anocalendário de 2012, pelos índices definidos na homologação judicial. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar, e no mérito DAR PROVIMENTO PARCIAL, para excluir a glosa da dedução referente à pensão alimentícia, até o limite decidido judicialmente, corrigido pelos índices lá definidos, para o anocalendário de 2012, excluir a glosa referente às despesas médicas, ficando mantido o Lançamento no que se refere à omissão de rendimentos. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 253DF CARF MF
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