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Numero do processo: 10980.721469/2015-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
RAT. REENQUADRAMENTO DO CNAE. NÃO COMPROVAÇÃO.
A alegação do desacerto no enquadramento efetuado pela Fiscalização, que teria se baseado em documentos apresentados pelo recorrente, deve vir acompanhada da documentação que evidencie o CNAE então pretendido.
PAGAMENTO A SEGURADO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. NÃO COMPROVAÇÃO.
Uma vez identificados pagamentos contabilizados como salários e ordenados a pagar, bem como rubricas que integram a folha de pagamento da empresa, compete ao contribuinte, a comprovação de que tais valores estariam elencados em uma das alíneas do § 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91.
GRATIFICAÇÃO. PRÊMIO. BASE DE CÁLCULO.
A gratificação enquanto prêmio vinculado ao desempenho da atividade laboral do empregado caracteriza-se como gratificação ajustada (Consolidação das Leis do Trabalho, art. 457, § 1°), a remunerar o trabalho executado com maior produtividade e/ou perfeição. O fato de só ser percebida se a meta for atingida não lhe atribui caráter de ganho eventual, mas de salário condicionado.
Numero da decisão: 2402-006.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 RAT. REENQUADRAMENTO DO CNAE. NÃO COMPROVAÇÃO. A alegação do desacerto no enquadramento efetuado pela Fiscalização, que teria se baseado em documentos apresentados pelo recorrente, deve vir acompanhada da documentação que evidencie o CNAE então pretendido. PAGAMENTO A SEGURADO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. NÃO COMPROVAÇÃO. Uma vez identificados pagamentos contabilizados como salários e ordenados a pagar, bem como rubricas que integram a folha de pagamento da empresa, compete ao contribuinte, a comprovação de que tais valores estariam elencados em uma das alíneas do § 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91. GRATIFICAÇÃO. PRÊMIO. BASE DE CÁLCULO. A gratificação enquanto prêmio vinculado ao desempenho da atividade laboral do empregado caracteriza-se como gratificação ajustada (Consolidação das Leis do Trabalho, art. 457, § 1°), a remunerar o trabalho executado com maior produtividade e/ou perfeição. O fato de só ser percebida se a meta for atingida não lhe atribui caráter de ganho eventual, mas de salário condicionado.
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REENQUADRAMENTO DO CNAE. NÃO COMPROVAÇÃO. A alegação do desacerto no enquadramento efetuado pela Fiscalização, que teria se baseado em documentos apresentados pelo recorrente, deve vir acompanhada da documentação que evidencie o CNAE então pretendido. PAGAMENTO A SEGURADO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. NÃO COMPROVAÇÃO. Uma vez identificados pagamentos contabilizados como salários e ordenados a pagar, bem como rubricas que integram a folha de pagamento da empresa, compete ao contribuinte, a comprovação de que tais valores estariam elencados em uma das alíneas do § 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91. GRATIFICAÇÃO. PRÊMIO. BASE DE CÁLCULO. A gratificação enquanto prêmio vinculado ao desempenho da atividade laboral do empregado caracterizase como gratificação ajustada (Consolidação das Leis do Trabalho, art. 457, § 1°), a remunerar o trabalho executado com maior produtividade e/ou perfeição. O fato de só ser percebida se a meta for atingida não lhe atribui caráter de ganho eventual, mas de salário condicionado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 14 69 /2 01 5- 38 Fl. 262DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, que considerou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foram lavrados Autos de Infração em 14.05.2015, para constituição de Contribuição Previdenciária, como a seguir resumidos: DEBCAD 51.063.0995 Cota Patronal em função dos levantamentos adiante relacionados principal de R$ 3.052.347,24 período de 01/2011 a 12/2012 acrescido de multa de ofício e juros legais Selic; e DEBCAD 51.068.5285 Valor devido a terceiros (SESC, SENAC, INCRA, SEBRAE e FNDE) principal de R$ 66.260,96 período de 01/2011 a 12/2012 acrescido de multa de ofício e juros legais Selic. Para a descrição dos fatos, sirvome do Relatório Fiscal de fls. 53/62: Os fatos geradores do presente lançamento são os pagamentos ou créditos de remunerações efetuados pela empresa aos segurados empregados que lhe prestaram serviços e pagamentos de prólabore indireto aos administradores. As contribuições devidas não foram declaradas em GFIP, ou foram declaradas com alíquotas a menor do devido e não foram recolhidas. O procedimento fiscal culminou com os seguintes levantamentos: Levantamento 03 – Diferença de RAT ( 01/2011 a 12/2012) Levantamento 04 – Pagamentos aos Sócios: (01/2011 a 12/2012) Levantamento 05 Abono Especial ( 01/2011 a 12/2012) Levantamento 06 – Abono Natalino – (01/2011 a 12/2012). Levantamento 07 – Adicional de Transferência ( 01/2011 a 12/2012) Levantamento 08 – Gratificação ( 01/2011 a 12/2012) Levantamento 09 Adicional de Salário ( 01/2011 a 12/2012) Levantamento 10 Bonificação Celso Pontara (01/2011 a 12/2012) Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10980.721469/201538 Acórdão n.º 2402006.658 S2C4T2 Fl. 3 3 Levantamento 11 Bônus (01/2011 a 12/2012) Levantamento 12 – Pagamentos de Comissões (01/2011 a 12/2012) Regularmente intimado, apresentou Impugnação que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil DRJ, às fls. 214/226, com a seguinte ementa: PROVA. PRESSUPOSTO DE FATO. Não tendo a impugnante apresentado prova capaz de afastar os pressupostos de fato do lançamento, impõese a improcedência da impugnação. CONTABILIDADE. ÔNUS DA PROVA. Os lançamentos contábeis lastreadores da apuração da base de cálculo têm o condão de fazer prova contra a empresa (Código Civil, art. 226, primeira parte do caput; e Código de Processo Civil, art. 378), devendo ser desconstituídos por prova robusta. GRATIFICAÇÃO. PRÊMIO. BASE DE CÁLCULO. A gratificação enquanto prêmio vinculado ao desempenho da atividade laboral do empregado caracterizase como gratificação ajustada (Consolidação das Leis do Trabalho, art. 457, § 1°), a remunerar o trabalho executado com maior produtividade e/ou perfeição. O fato de só ser percebida se a meta for atingida não lhe atribui caráter de ganho eventual, mas de salário condicionado. Em seu Recurso Voluntário às fls. 236/250 aduz, em apertada síntese: Que a alíquota do SAT empregada pela auditoria fiscal, alíquota de 2% é incorreta, porquanto os segurados colocados à disposição dos tomadores de serviço não foram locados na atividade fim da empresa contratante, o que é proibido por Lei, é matéria sumulada pelo Tribunal Superior do Trabalho SUMULA 331. A IN RFB n° 971 foi obedecida em relação ao ambiente da terceirização de serviços. Não está comprovado que o serviço prestado não se refere a serviços administrativos, atividademeio para as contratantes. Os segurados colocados à disposição dos tomadores de serviço não foram locados na atividadefim da empresa contratante. Os serviços contratados e prestados pelos segurados do Impugnante em cessão de mão de obra referemse a atividades administrativas, de logística, sendo correta a alíquota adotada em GFIP. Que as verbas tributadas pela Fiscalização se referem à indenização de transporte, por uso de veículo próprio em função de local sem acesso a transporte público; ou a pagamentos eventuais; ou a despesas de representação, no caso dos pagamentos aos sócios; ou decorrem de dissídio coletivo da categoria. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator Fl. 264DF CARF MF 4 A contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 10.12.2015 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 06.01.2016. Preenchidos os demais requisitos, dele passo a conhecer. Diferença de RAT. Por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal, o autuante requisitou ao recorrente fosse apresentado, dentre outros, os contratos de prestação de serviços celebrados com terceiros e as notas fiscais, faturas e recibos de mãodeobra ou serviços prestados. Em seguida, a Fiscalização teria apurado que o recorrente se enquadrava, erroneamente, no CNAE 82113/00, que se refere a “atividades administrativas e serviços complementares”, com grau de risco 1, quando, em função do que constou em seu contrato social e documentos fiscais, o correto enquadramento pela atividade da empresa deveria ser no CNAE 78302/00, “fornecimento e gestão de recursos humanos para terceiros”, grau de risco 2, por tratarse de empresa que exerce a atividade de colocação de mão de obra em empresas do ramo automotivo. Em seu recurso, sustenta o contribuinte que teria observado a Instrução Normativa RFB nº 971/2009 e que, além disso, a Fiscalização não teria comprovado que o serviço prestado não se refere a serviços administrativos, com alíquota de l%, já quitada. Ainda em seu recurso, ao final, assentou que os segurados colocados à disposição dos tomadores de serviço não teriam sido locados na atividadefim da empresa contratante. Os serviços contratados e prestados pelos segurados do Impugnante em cessão de mão de obra referemse a atividades administrativas, de logística, sendo correta a alíquota adotada em GFIP. Pois bem, notase que o CNAE imputado pelo fisco tem como Nota Explicativa a seguinte orientação: O fornecimento de recursos humanos e de serviços de gestão de recursos humanos a empresas clientes. Essas unidades são especializadas em uma série de tarefas relacionadas a recursos humanos e administração de pessoal, podendo representar o empregador em questões referentes à folha de pagamento, impostos e outros assuntos relacionados aos recursos humanos, mas não são responsáveis pela direção e supervisão dos empregados na empresa cliente. Destaquei Do excerto acima, concluise que o enquadramento imputado não significa dizer que a mãodeobra cedida estivesse relacionada à atividade fim das contratantes, empresas do ramo automotivo. Nesse sentido, ante o constatado pela Fiscalização, cabia ao recorrente a comprovação, em seus recursos, de que as contratações diziam respeito ao "fornecimento de uma combinação ou de um pacote de serviços administrativos de rotina a empresas clientes, sob contrato, tais como: serviços de recepção, planejamento financeiro, contabilidade, arquivamento, preparação de material para envio por correio, etc.," Assim não procedendo, voto por, neste ponto, manter o lançamento. Pagamento aos sócios. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10980.721469/201538 Acórdão n.º 2402006.658 S2C4T2 Fl. 4 5 Aduz que não se tratariam de pagamentos ou vantagens aos sócios, mas sim de despesas de representação e que os pagamentos relacionados pelo autuante não teriam sido confrontados com os documentos, que não teriam sido requisitados. Notese que por meio do item 5 do Termo Fiscal nº 1 (fls.156), requisitouse ao autuado a apresentação dos documentos de caixa listados na relação que teria seguido em anexo, lançados na conta cód. 80 : "Sócios, Administradores e Pessoas Ligadas. No Relatório Fiscal de fls. 55 constou a seguinte análise documental: No curso da ação fiscal constatouse, a partir da contabilidade (livros Diário e Razão) e documentos que deram sustentação aos lançamentos contábeis apresentados, mediante solicitação específica, que a empresa efetuou às pessoas físicas Élio Nossa Mendes , CPF nº 038.226.81806 , Humberto Fuzeto, CPF 961.658.71968 sócios da empresa Racing Automotive Ltda, com remuneração pelos serviços prestados, conforme consta na Cláusula Décima do contrato social, e a Rosângela Bernardino Camargo, CPF 018.977.62933, cônjuge de Élio Nossa Mendes, diversas transferências de recursos e pagamentos de despesas, com benefícios e vantagens concedidas, tais como pagamentos de escolas, despesas de condomínio, cartões de crédito de titularidade das pessoas físicas dos sócios, despesas com luz, água, compras de materiais de construção, móveis, artigos de decoração, pagamentos de contas de celular do beneficiário, cônjuge e filhos, telefone, IPTU, IPVA, planos de saúde, planos de previdência, pagamentos de prestações de imóveis, despesas médicas e de terapeutas, pagamentos identificados no histórico como “prólabore”, pagamentos de cheques, de mensalidades de escolas e de cursos, pensão alimentícia, pagamentos de custas judiciais, de seguros, de salários e respectivos encargos sociais a empregados ligados a atividades privadas do beneficiário, dentre outros pagamentos que foram escriturados (contabilizados) na conta contábil código 80, intitulada “Sócios, Administradores e Pessoas Ligadas”, nos anos 2011 e 2012. A conta possui natureza contábil de remuneração. Percebese da analise empreendida e da falta de apresentação de prova em contrário que os pagamentos eram, em verdade, salários indiretos pagos aos sócios e que, assim sendo, devem integrar o salário de contribuição, como conceituado no inciso I do artigo 28 da Lei 8.212/91 1 1 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à Fl. 266DF CARF MF 6 Somemse a isso, os históricos dos lançamentos efetuados naquela conta, que sugerem referiremse a vantagens pagas aos sócios Humberto e Elio, além de sua cônjuge Rosângela. (vide fls. 89/105) Na seqüência do recurso, o contribuinte, em algumas de suas justificativas, procura excluir do conceito de salário de contribuição, aquelas verbas que teriam sido pagas em parcela única, esporadicamente ou sem habitualidade. Não lhe assiste razão. O requisito da habitualidade no recebimento da verba não é essencial para ela passe a integrar a base de cálculo do tributo. Da mesma forma, os ganhos recebidos eventualmente, que não a integram 2, não são, necessariamente, aqueles pagos em parcela única, esporadicamente ou sem habitualidade. Sobre o tema, trago à colação excerto da fundamentação do voto proferido no acórdão 9202006.133, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, após citar renomado autor. Confirase: disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; 2 Art. 28, § 9º, "e", 7, da Lei 8.212/91. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10980.721469/201538 Acórdão n.º 2402006.658 S2C4T2 Fl. 5 7 Fl. 268DF CARF MF 8 Posto desta forma, o fato de determinada verba ter sido paga em apenas um, dois ou alguns meses não a retira, por si só, do campo de incidência da exação. Por outro lado, não traz o recorrente elementos que assegurem, comprovadamente, a eventualidade daqueles Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10980.721469/201538 Acórdão n.º 2402006.658 S2C4T2 Fl. 6 9 pagamentos. É dizer, que tenham se dado em função de uma circunstância casual/imprevista ou fortuita e não em decorrência de uma decisão gerencial, alinhada a uma programação de desembolso da empresa, como por exemplo, a decisão ou política de se pagar determinado valor (seja lá o nome que se tenha dado) no mês de dezembro de cada ano. E mais, alguns dos valores tributados pelo Fisco haviam sido contabilizados em conta de " Salários e Ordenados a Pagar". Vale ainda destacar, que o autuado, novamente em algumas de suas justificativas, procura excluir do conceito de salário de contribuição, aquelas verbas que teriam sido supostamente pagas em função da prestação de serviços por seus terceirizados em locais de difícil acesso a transporte público e que seriam relativos à indenização de transporte, por uso de veículo próprio. Da mesma forma, o recorrente não apresentou qualquer prova para demonstrar que se trata de reembolso e nem que os trabalhadores incorreram em dano por conta do alegado trabalho em local de difícil acesso a transporte público ou mesmo se tais pagamentos seriam, em verdade, ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado 3. Ato continuo, passo a análise, verba a verba, das justificativas apresentadas pelo recorrente, à exceção daquelas que quis fazer crer referiremse a i) pagamentos esporádicos, em única parcela ou sem habitualidade e ii) indenização de transporte por uso de veículo próprio, em função do acima exposto. O quadro abaixo procura demonstrar a distribuição das verbas ao longo de 2011/2012. 2011 2012 jan fev mar abr maio jun jul ago set out nov dez jan fev mar abr maio jun jul ago set out nov dez ABONO ESPECIAL ABONO NATALINO COMISSÕES ADICIONAL DE SALÁRIOS ADICIONAL DE TRANSFERÊNCIA BONIFICAÇÃO CELSO PONTARA BÔNUS GRATIFICAÇÃO Abono Especial. Pago em outubro e dezembro de 2011. Sustenta o recorrente que seriam valores pagos esporadicamente e que teriam sido quitados tendo em vista a prestação de serviços por seus terceirizados em locais de difícil acesso a transporte público. Tratarseia de reembolso destas despesas, em serviços prestados a clientes em períodos curtos. 3 art. 28, § 9º, "s", da Lei 8.212/91 Fl. 270DF CARF MF 10 Não traz elementos que comprovem sua não inclusão na base de cálculo, como já dito alhures. Abono Natalino e Pagamento de Comissões. Abono Pago em dezembro de 2011. Comissões Pago de janeiro a dezembro de 2011 e fevereiro a dezembro de 2012, além de ter sido contabilizado na conta "Salários e Ordenados a Pagar". Faz crer que seriam verbas pagas aos segurados empregados terceirizados em clientes em locais de difícil acesso a transporte público, sendo que as empresas tomadoras possuiriam no dissídio coletivo da categoria, o pagamento desta parcela, com cláusula que não incorporaria os valores aos salários. Assim sendo, seria pagamento isento de reflexos segundo os acordos coletivos de trabalho. Nesse ponto, como bem ressaltou o acórdão de piso, a recorrente não carreou aos autos o suposto acordo coletivo e nem ao menos indicou a empresa tomadora e o correspondente sindicato profissional, razão pela qual, em não se evidenciando tratarse de "abonos expressamente desvinculados do salário", tenho que devam integrar o salário de contribuição. Adicional de salário. Pago de janeiro a abril, outubro e dezembro de 2011 e fevereiro, março e junho de 2012. Alega serem valores pagos a segurados com terceirízação em locais sem acesso a transporte público e que seriam relativos à indenização de transporte, por uso de veículo próprio. Não traz elementos que comprovem sua não inclusão na base de cálculo, como já dito alhures. Adicional de Transferência. Pago de outubro de 2011 a setembro de 2012. Informa que o pagamento sempre foi em parcela única e que pelo fato de ter ocorrido em relação a vários empregados, faria supor que seriam pagamentos mensais. Como bem destacado pelo acórdão recorrido, a verba em questão teria sido paga apenas para quatro empregados (Celso Cazuhiro Ikeda, Fernando Augusto Pinto, Luiz Cláudio Soares e Ronaldo Jose De Paula) e praticamente em todos os meses do período de 10/2011 a 09/2012. No mais, não traz elementos que comprovem sua não inclusão na base de cálculo, como já dito alhures. Bonificação Celso Pontara. Pago de janeiro a setembro, novembro e dezembro de 2011 e março a novembro de 2012, além de ter sido contabilizado na conta "Salários e Ordenados a Pagar". Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10980.721469/201538 Acórdão n.º 2402006.658 S2C4T2 Fl. 7 11 Informa que seriam valores pagos a segurado com terceirização em local sem acesso a transporte público e que, assim sendo, o valor seria relativo à indenização de transporte, por uso de veículo próprio. Como já dito alhures, não traz elementos que comprovem sua não inclusão na base de cálculo. Ademais, o fato de em sua contabilidade, registrar tais pagamentos em conta de "salários e ordenados" impõe ao contribuinte a necessidade de que traga provas robustas que tendam a descaracterizar a natureza salarial que lá evidenciou. Bônus. Pago de janeiro de 2011 a março de 2012, maio, julho, novembro e dezembro de 2012, além de ter sido, da mesma forma, contabilizado na conta "Salários e Ordenados a Pagar". A semelhança do informado para a verba acima, aduz que seriam valores pagos a segurado com terceirização em local sem acesso a transporte público e que, assim sendo, o valor seria relativo à indenização de transporte, por uso de veículo próprio. Mais uma vez, não trouxe elementos que comprovassem sua não inclusão na base de cálculo. Ademais, o fato de em sua contabilidade, repisese, registrar tais pagamentos em conta de "salários e ordenados" impõe ao contribuinte a necessidade de que traga provas robustas que tendam a descaracterizar a natureza salarial que lá evidenciou. Gratificação. Pago em fevereiro, março e dezembro de 2011 e abril, maio, agosto, setembro, outubro, dezembro de 2012. Alega que seriam valores pagos eventualmente e que nenhum empregado a percebia continuamente. Constituiria, assim sendo, uma forma de incentivar a produtividade. E prossegue ao considerar que Prêmios e gratificações seriam valores acrescidos ao salário do empregado, vinculados a fatores de ordem pessoal como atingimento de metas, economia de tempo, de matériaprima, assiduidade, eficiência, rendimento e produtividade, dentre outros. Com efeito, seriam liberalidades estabelecidas pelo empregador e que não podem ser suprimidos unilateralmente, como também não podem ser absorvidos pelo salário, salvo concordância do empregado e desde que não o prejudique. Nesse ponto, filiome à conclusão do acórdão recorrido, quando assenta que "a gratificação enquanto prêmio vinculado ao desempenho da atividade laboral do empregado caracterizase como gratificação ajustada (Consolidação das Leis do Trabalho, art. 457, § 1°), a remunerar o trabalho executado com maior produtividade e/ou perfeição. O fato de só ser percebida se a meta for atingida não lhe atribui caráter de ganho eventual, mas de salário condicionado". Após discorrer sobre as verbas, passa o recorrente à tese de que os abonos, gratificações, teriam natureza remuneratória se concedidos em substituição ao reajuste salarial, Fl. 272DF CARF MF 12 por exemplo, ou pagas habitualmente a determinado colaborador, repetidas vezes. Mas, em não sendo, evidente que teria natureza indenizatória. De início, cumpre destacar que as verbas de natureza indenizatória, que não compõem o salário de contribuição, são aquelas expressamente previstas no § 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91. O fato de determinado valor não ser pago de forma habitual não significa dizer, por si só, que tenha natureza indenizatória. Por derradeiro, impõese ressaltar que o inciso I daquela artigo 28 procurou ser, alinhado ao princípio da solidariedade, o mais amplo possível na determinação daquilo que integraria o salário de contribuição para fins de cobrança do tributo. E mais, quando o legislador admitiu fossem determinadas verbas dele excluídas, cuidou de fazer constar que seriam apenas aquelas. Ou seja, a regra é que se tribute a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho. Uma vez identificados pagamentos contabilizados como salários e ordenados a pagar e rubricas que integram a folha de pagamento da empresa, compete ao contribuinte, a comprovação de que tais valores estariam elencados em uma das alíneas do § 9º daquele dispositivo. Não foi o que se viu nestes autos. Face ao acima exposto, CONHEÇO do recurso apresentado para, no mérito, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 273DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000299/2005-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000, 2001
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103.
A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício.
Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadrava-se na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15521.000284/2009-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: Relator Caio Cesar Nader Quintella
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LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 15521.000284/200979, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 02 99 /2 00 5- 20 Fl. 541DF CARF MF Processo nº 17883.000299/200520 Acórdão n.º 1402003.540 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Trata de Recurso de Ofício oposto em face do cancelamento de exações sofridas pela Contribuinte, promovido pela DRJ a quo, dando provimento às razões de Impugnação opostas contra o lançamento de ofício procedido. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.484, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15521.000284/2009 79, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.484): "Inicialmente, analisando os requisitos de admissibilidade do Recurso de Ofício, constatase que tal apelo foi tirado de v. Acórdão que exonerou débito tributário (considerando, aqui, principal e multas) em monta inferior ao atual valor de alçada que propiciaria seu manejo e consequente conhecimento por este E. CARF. Posto isso, tal montante está abaixo do mínimo de R$ 2.500.000,00 fixados pela Portaria MF nº 63/2017, acarretando no seu não conhecimento, considerandose definitivamente exonerado tal crédito fiscal, nos precisos termos e limites da r. decisão da DRJ a quo. Fl. 542DF CARF MF Processo nº 17883.000299/200520 Acórdão n.º 1402003.540 S1C4T2 Fl. 4 3 Tais circunstâncias e ocorrência também atraem a incidência da Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Como se extrai de tal entendimento sumular plenamente vigente deste E. Conselho, ainda que quando da prolatação do v. Acórdão recorrido a monta do débito cancelado enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador de 2ª Instância administrativa. In casu, como mencionado, tal evento ocorre após a vigência Portaria MF nº 63/2017, não havendo mais justificativa e motivação para o conhecimento recursal. Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 543DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.906499/2015-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/11/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 25/11/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado
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PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 64 99 /2 01 5- 05 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.906499/201505 Acórdão n.º 3301005.241 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06057.201. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10680.906499/201505 Acórdão n.º 3301005.241 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10680.906499/201505 Acórdão n.º 3301005.241 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10680.906499/201505 Acórdão n.º 3301005.241 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10680.906499/201505 Acórdão n.º 3301005.241 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10680.906499/201505 Acórdão n.º 3301005.241 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 82DF CARF MF
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Numero do processo: 10725.903184/2009-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE
A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornou-se inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996.
COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA.
O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerra-se com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005.
INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE.
Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constitui-se ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentam-se desacompanhadas de material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração.
Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revela-se necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado.
Numero da decisão: 1402-003.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10725.903155/2009-24, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornouse inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA. O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerrase com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE. Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constituise ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentamse desacompanhadas de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 31 84 /2 00 9- 96 Fl. 56DF CARF MF 2 material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revelase necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10725.903155/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face do r. despacho decisório proferido pela DRJ que não homologou a compensação, por entender que a DCTFRetificadora foi apresentada extemporaneamente. Aduz em síntese a Recorrente a nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação e cerceamento de defesa. Segundo a Recorrente, o despacho decisório se limitou a apontar que a compensação não seria homologada porque a partir das características do DARF discriminado na DCOMP, o sistema da RFB localizou um ou mais pagamentos que serviram para a quitação de débitos do próprio contribuinte. Ocorre que ao tempo do julgamento já teria sido transmitida DCTF retificadora que deixou de ser considerada. Segundo a recorrente: Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10725.903184/200996 Acórdão n.º 1402003.383 S1C4T2 Fl. 3 3 Invoca ainda a ampla defesa e o contraditório para legitimar seu pleito. Explica que no mérito o crédito decorre do recolhimento a maior de IRPJ n regime de apuração do lucro presumido quando aplicou erroneamente o percentual de presunção de 32%, invés do percentual de 8% adequado para rendimentos oriundos de serviços hospitalares. Afirma que apresentou DCOMPretificadoras para corrigir dados da DCOMP original, não para transmitir DCOMP com créditos supostamente prescritos. Afirma que não há prazo fixado em lei para retificar suas declarações, não sendo aplicável o art. 150, §4º do CTN como parâmetro. Sustenta que divergência entre DCTFretificadora e DIPJ não pode ser visto como impedimento para a compensação, tratandose tão somente de obstáculo de natureza formal. O que gera o crédito para o é a efetivação do pagamento indevido e não as informações prestadas por DCTF e/ou DIPJ. Por fim, acrescenta que: Conclui sustentando que aplicase ao caso a tese do 5 +5, consolidada no julgamento do RESP nº 1002932/SP, com efeito repetitivo. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF Fl. 58DF CARF MF 4 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.353, de 15/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10725.903155/2009 24, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.353): "1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. DO MÉRITO Conforme bem apontou o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar, ao proferir o acórdão 1402001.976: De acordo com as normas introduzidas no ordenamento jurídico conferiuse nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, passando a exigir a apresentação de Declaração de Compensação (PER/DCOMP) com a finalidade de tornar eficaz o exercício da compensação de débitos tributários com eventual indébito tributário apurado pelo contribuinte, inclusive em relação a tributos e contribuições de mesma natureza. Assim sendo, a entrega da PER/DCOMP instituiuse como premissa para a determinação da extinção do crédito tributário mediante compensação. Diante disso, a partir da vigência do referido dispositivo legal, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, formulada em consonância com o art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, e nos termos da antiga redação do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, regulamentada na Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, tornouse inadmissível para cumprimento do novel regime de compensação introduzido no sistema tributário. Sendo assim, não merece qualquer reparo as conclusões firmadas pela autoridade administrativa responsável pela análise das DCOMP eletrônicas, visto que, por este aspecto, plenamente legítima a delimitação de reconhecimento do direito creditório levada a efeito no despacho decisório A jurisprudência consolidada desta turma segue no sentido de que é possível a compensação de débitos tributários via PER/DCOMP quando transmitida DCTF retificadora desde que exista prova inequívoca do crédito apontado. Esse também foi o entendimento adotado pela Receita Federal quando emitiu o Parecer Normativo COSIT nº 2 de 2015: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10725.903184/200996 Acórdão n.º 1402003.383 S1C4T2 Fl. 4 5 RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado Fl. 60DF CARF MF 6 em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Se de um lado é incontroversa a possibilidade de se retificar a DCTF após a transmissão da PER/DCOMP, o mesmo não se pode afirmar quando a retificação é posterior ao prazo decadencial. O art. 168 do CTN dispõe que “O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário. De sua parte o art. 165 do CTN dispõe: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. Por entender que a decadência objetiva a pacificação das relações sociais deve atingir tanto a possibilidade de o fisco lançar como de o contribuinte aproveitar dos créditos, através de compensação. Nessa toada, adiro ao precedente desta turma nos autos do processo administrativo nº 16306.000011/201075 em que se decidiu : DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10725.903184/200996 Acórdão n.º 1402003.383 S1C4T2 Fl. 5 7 A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornou se inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA. O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerrase com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE. Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constituise ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentam se desacompanhadas de material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revelase necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado. Referido precedente é aplicável ao caso concreto. A recorrente apresentou DCTF extemporânea, mas não comprovou cabalmente o pagamento a maior, restringindose a apontar que aplicou o percentual de presunção inadequado sem apresentar as provas do erro ou que fazia jus ao referido percentual, em linha com as exigências da legislação tributária. Esses motivos são o suficiente para além de manter a decisão recorrida no mérito, afastar a nulidade suscitada pela Recorrente em sede preliminar. Fl. 62DF CARF MF 8 3. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto pela manutenção da decisão recorrida. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.906489/2015-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 23/04/2010
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 64 89 /2 01 5- 61 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.906489/201561 Acórdão n.º 3301005.236 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06057.127. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10680.906489/201561 Acórdão n.º 3301005.236 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10680.906489/201561 Acórdão n.º 3301005.236 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10680.906489/201561 Acórdão n.º 3301005.236 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10680.906489/201561 Acórdão n.º 3301005.236 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10680.906489/201561 Acórdão n.º 3301005.236 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.910645/2015-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 24/02/2012
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1538; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.910645/201599 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301005.299 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de setembro de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente MRV ENGENHARIA E PARTICIPACOES SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 24/02/2012 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 06 45 /2 01 5- 99 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10680.910645/201599 Acórdão n.º 3301005.299 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.521. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10680.910645/201599 Acórdão n.º 3301005.299 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10680.910645/201599 Acórdão n.º 3301005.299 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10680.910645/201599 Acórdão n.º 3301005.299 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10680.910645/201599 Acórdão n.º 3301005.299 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10680.910645/201599 Acórdão n.º 3301005.299 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 91DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.001200/2009-32
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA NORMA TRIBUTÁRIA.
Matéria de ordem pública é a que condiciona a legitimidade do próprio exercício de atividade administrativa. Por isso, embora não suscitada em etapas anteriores, notadamente no âmbito da manifestação de inconformidade, não preclui e pode, a qualquer tempo, ser objeto de exame, em qualquer fase do processo e em qualquer grau de jurisdição, sendo passível de reconhecimento de ofício pelo julgador.
A rigor, a retroatividade da lei tributária é matéria de ordem pública, porquanto o inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional versa sobre a possibilidade de consecução pretérita de efeitos jurídicos em face de uma lei, em sentido amplo, mais benéfica ao contribuinte.
PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. PER/DCOMP. FATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. SUPOSTA ALTERAÇÃO DA NORMA DA INCIDÊNCIA QUE REGRA A MATÉRIA POR OUTRA MAIS RECENTE. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE.
A legislação tributária em regra é irretroativa comportando as exceções estabelecidas no artigo 106 do CTN, cujo escopo é a possibilidade de se eliminar e reduzir penalidades, desde que não se trate de fato definitivamente julgado. Em relação à dispensa de tributo, desde que não se trate perdão com vigência presente ou futura, a lei tributária é irretroativa, não podendo ampliar para fins de contemplar algo que não constava na lei anterior.
Tratando de glosa de crédito de mercado externo acumulado ao final de cada trimestre-calendário, cujo pedido, segundo a norma de regência da matéria, o ressarcimento e/ou compensação, mediante PER/Dcomp, impõe que cada pedido deva referir-se a um único trimestre-calendário e ser efetuado pelo saldo credor remanescente do mesmo trimestre a que se refere o crédito, ainda que fosse o caso, é inaplicável a pretensão do contribuinte quando busca se socorrer das exceções do artigo 106 do CTN para fins de retroação de norma editada posteriormente à formulação do respectivo pedido.
Numero da decisão: 3001-000.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer tão somente o crédito decorrente da operação de locação de imóvel por pessoa jurídica, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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APLICAÇÃO RETROATIVA DA NORMA TRIBUTÁRIA. Matéria de ordem pública é a que condiciona a legitimidade do próprio exercício de atividade administrativa. Por isso, embora não suscitada em etapas anteriores, notadamente no âmbito da manifestação de inconformidade, não preclui e pode, a qualquer tempo, ser objeto de exame, em qualquer fase do processo e em qualquer grau de jurisdição, sendo passível de reconhecimento de ofício pelo julgador. A rigor, a retroatividade da lei tributária é matéria de ordem pública, porquanto o inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional versa sobre a possibilidade de consecução pretérita de efeitos jurídicos em face de uma lei, em sentido amplo, mais benéfica ao contribuinte. PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. PER/DCOMP. FATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. SUPOSTA ALTERAÇÃO DA NORMA DA INCIDÊNCIA QUE REGRA A MATÉRIA POR OUTRA MAIS RECENTE. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A legislação tributária em regra é irretroativa comportando as exceções estabelecidas no artigo 106 do CTN, cujo escopo é a possibilidade de se eliminar e reduzir penalidades, desde que não se trate de fato definitivamente julgado. Em relação à dispensa de tributo, desde que não se trate perdão com vigência presente ou futura, a lei tributária é irretroativa, não podendo ampliar para fins de contemplar algo que não constava na lei anterior. Tratando de glosa de crédito de mercado externo acumulado ao final de cada trimestrecalendário, cujo pedido, segundo a norma de regência da matéria, o ressarcimento e/ou compensação, mediante PER/Dcomp, impõe que cada pedido deva referirse a um único trimestrecalendário e ser efetuado pelo saldo credor remanescente do mesmo trimestre a que se refere o crédito, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 12 00 /2 00 9- 32 Fl. 223DF CARF MF 2 ainda que fosse o caso, é inaplicável a pretensão do contribuinte quando busca se socorrer das exceções do artigo 106 do CTN para fins de retroação de norma editada posteriormente à formulação do respectivo pedido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer tão somente o crédito decorrente da operação de locação de imóvel por pessoa jurídica, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Pedido de Ressarcimento Tratase de pedido de ressarcimento de créditos (PER/DCOMP) de PIS/Pasep de incidência não cumulativa, relativo ao 4º trimestre do ano calendário de 2006, no valor de R$ 76.278,89 ( setenta e seis mil e duzentos e setenta e oito reais e oitenta e nove centavos). Termo de Início de Fiscalização Foi dado inicio à diligência no contribuinte para realizar verificação para fins de ressarcimento do PIS/ Pasep nãocumulativo (§ 1° do art. 5 0 da Lei n° 10.637/2002) e da Cofins nãocumulativa (§1° do art.6° da Lei n° 10.833/2003) do 2° trimestre de 2004 ao 4° trimestre de 2006, onde o mesmo foi intimado para apresentar ou disponibilizar, no prazo de 30 dias, inúmeros documentos relativos ao período mencionado. Despacho Decisório Fl. 224DF CARF MF Processo nº 11516.001200/200932 Acórdão n.º 3001000.552 S3C0T1 Fl. 224 3 A autoridade fiscal afirma que a contribuinte forneceu, em meio magnético, arquivo contendo todas as notas ficais utilizadas como insumos, bem como, apresentou, em atendimento ao Termo de Início de Fiscalização, memória de cálculo demonstrando os valores preenchidos nos DACON. Alega, também, em seu Despacho Decisório, que ao analisar os dados informados, constatouse que foram incluídos como crédito, na apuração do PIS, valores de aluguéis pagos à Pessoa Física, o que é proibido pela legislação tributária. Ademais, que foram incluídos valores sem o respaldo de notas fiscais de entrada, o que provocou a apuração de créditos a menor. Com isso, o presente despacho decisório houve por bem, reconhecer parcialmente o direito creditório, no valor de R$ 52.931,62 e homologar a DCOMP até o limite de crédito reconhecido. Manifestação de Inconformidade Em sede de sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega, em suma, que houve equívoco na conclusão da autoridade fiscal, principalmente quanto aos aluguéis pagos e no que se refere aos créditos de exportação utilizados. Créditos de Aluguel Alega a manifestante que o crédito de aluguel utilizado como base de cálculo para fins de compensação/ressarcimento referese ao Aditivo n.1, que é o contrato realizado com a empresa GARANTIA ADMINISTRADORA DE BENS E SERVIÇOS LTDA., pessoa jurídica, e não à pessoa física, como alega a autoridade fiscalizadora e por isso, merece o reconhecimento dos créditos de aluguel no montante de R$ 351,83. Créditos de Exportação Remanescentes do 3º Trimestre A manifestante alega que os créditos de exportação remanescentes do 3º trimestre de 2006 foram devidamente utilizados nos meses de outubro a dezembro de 2006 e que seu Pedido de Ressarcimento foi elaborado de acordo com a IN n° 900/2008. Ademais, afirma que anexou CONTROLE DE UTILIZAÇÃO DOS SALDOS CREDORES – PIS utilizados no ano de 2006, o que demonstraria que não houve utilização indevida de créditos provenientes do saldo credor do 3º trimestre. Com isso, requereu a revisão da Decisão exarada, para que fosse reconhecido o direito creditório de exportação na monta de R$ 22.533,69. Diferença Glosada Por fim, informa que o montante de crédito acima defendido somado ao valor já reconhecido, soma a monta de R$ 75.817,17. Portanto, alega que existe uma diferença glosada de R$ 461,72, feita pela autoridade fiscal, sem que, contudo, possa ser identificada pela empresa qual a origem da negativa deste crédito. DRJ/FNS Fl. 225DF CARF MF 4 A manifestação de inconformidade foi julgada e recebeu a seguinte ementa: Acórdão 0729.361 4ª Turma da DRJ/FNS ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. DIREITO CREDITÓRIO. NÃO RECONHECIMENTO. FUNDAMENTAÇÃO. Os fundamentos de fato e de direito são elementos essenciais para embasar a decisão administrativa que não reconhece o direito creditório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS VINCULADOS AO MERCADO EXTERNO. SALDO REMANESCENTE. Os créditos de mercado externo acumulados ao final de cada trimestre calendário poderão ser objeto de ressarcimento ou compensação, mediante PER/DCOMP, sendo que cada pedido deverá referirse a um único trimestre calendário e ser efetuado pelo saldo credor remanescente do mesmo trimestre a que se referem os créditos. O relatório, por bem retratar a realidade fática dos autos, merece ser transcrito. Trata o processo de pedido de ressarcimento de créditos (PER/DCOMP) da Contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/Pasep de incidência não cumulativa, relativo ao 4º. trimestre do anocalendário de 2006, no valor de R$ 76.278,89 ( setenta e seis mil e duzentos e setenta e oito reais e oitenta e nove centavos). Na análise do pedido formulado pela empresa acima identificada, constatou a autoridade fiscalizadora que foram considerados, para fins de créditos, os valores de aluguéis pagos à pessoa física. Além disso, foram incluídos valores sem o respaldo de notas fiscais de entrada. Conforme o Despacho Decisório constante dos autos, foi reconhecido parcialmente o crédito no valor de R$ 52.931,62 (cinqüenta e dois mil e novecentos e trinta e um reais e sessenta e dois centavos). Fl. 226DF CARF MF Processo nº 11516.001200/200932 Acórdão n.º 3001000.552 S3C0T1 Fl. 225 5 A contribuinte encaminhou a presente manifestação de inconformidade, onde alega, em síntese, que houve equívoco na conclusão da autoridade fiscal, no tocante à análise da documentação apresentada pela empresa, haja vista que os pagamentos de aluguéis foram feitos à empresa Garantia Administradora de Bens e Serviços Ltda., pessoa jurídica, conforme documentação em anexo. Apresenta a discriminação dos créditos gerados em outubro/2006, novembro de 2006 e dezembro de 2006, nos valores de R$ 21.865,98, R$ 30.562,55 e R$ 23.850,36. Aduz que o crédito gerado em outubro/2006 foi no montante de R$ 22.501,17, porém na Dacon do próprio mês foram utilizados (descontados) créditos originários deimportação vinculados à Receita de Exportação no valor de R$ 635,19; e que os créditos de exportação remanescentes no 3º. trimestre /2006 foram devidamente utilizados nos meses de outubro a dezembro de 2006, apresentando a planilha do valor utilizado a cada mês. Alega que o Pedido de Ressarcimento foi elaborado em total e inequívoca conformidade com a Instrução Normativa nº. 900/2008. Anexa o “Controle de utilização dos saldos credores – PIS” com o intuito de demonstrar que não houve utilização indevida de créditos provenientes de saldo credor do 3º. Trimestre de 2006, visto que, tais valores, além de estarem amparados nos respectivos livros contábeis (Diário de Razão) e fiscais da empresa, devidamente registrados na JUCESC, também não foram objeto objeto de glosa por parte da RFB. Acrescenta que existe uma diferença glosada de R$ 461,72 sem que, contudo, possa ser identificada pela empresa a origem desta glosa. Chama atenção para o fato de que, juntamente com o termo de intimação para apresentação da manifestação de inconformidade acompanha decisão referente ao processo nº. 11516.001200200946 e não ao presente processo, o que talvez justifique o equívoco na análise dos documentos da empresa. Requer, por fim, a revisão total da decisão. Locadora Pessoa Jurídica Quanto aos créditos de aluguel, entendeu a DRJ/FNS que embora a contribuinte tenha demonstrado que contratou com uma Pessoa Jurídica, deixou de apresentar as respectivas notas fiscais emitidas pela empresa locadora, com a finalidade de comprovar que os pagamentos foram efetivados e feitos nos montantes que constam do Dacon. Por isso, manteve as glosas relativas aos valores de aluguel de R$ 351,86. Créditos de Trimestres anteriores No tocante aos créditos remanescentes do trimestre anterior, o entendimento foi no sentido de que não há como reconhecer no quarto trimestre os valores relativos a créditos remanescentes relacionados ao mercado externo, relativos ao terceiro trimestre, com base no art. 21 da IN SRF nº. 600/2005, vigente à época da apresentação do PER/Dcomp sob Fl. 227DF CARF MF 6 análise. Ademais, acrescentou que, por conta da normativa, a contribuinte deveria ter gerado um PER/DCOMP específico para o ressarcimento. Desta forma, manteve a glosa objeto da manifestação no valor de R$ 22.533,69. Por fim, quanto a diferença glosada de R$ 461,72, a DRJ afirma, em seu Voto, que não consta discriminado no relatório fiscal a situação fática, ou seja, quais créditos, cujas notas faltantes teriam dado ensejo a este valor de glosa, impossibilitando a manifestação da contribuinte frente ao valor glosado. Isso posto, considerou procedente em parte a manifestação de inconformidade quanto ao valor de R$ 461,72. Desta forma, o valor reconhecido passa a ser de R$ 53.393,34. Recurso Voluntário Após relatar brevemente os eventos fáticos transcorridos, a recorrente aduz seu argumento principal na impossibilidade de exigência de nota fiscal como prova de pagamento de aluguel à pessoa jurídica, bem como a aplicação de lei mais benéfica para a compensação dos créditos remanescentes do trimestre anterior. Créditos de Aluguel Em suma, a recorrente alega que a tese adotada pela DRJ de que, a contribuinte, para viabilizar o direito creditório dos aluguéis, deveria ter apresentado as notas fiscais respectivas, não pode prevalecer. Nesse sentido, aduz que a posição adotada lhe impõe a obrigação de comprovar o cumprimento de obrigação acessória por terceiro locador, ou condiciona o direito ao crédito à produção de prova documental inexigível por lei, isto porque, segundo a mesma, o locador é obrigado a fornecer simples recibo discriminado das importâncias pagas pelo locatário e não nota fiscal. Créditos Remanescentes do 3° Trimestre operações no mercado externo Alega a recorrente, que foram afastados pela autoridade fiscalizadora, créditos decorrentes de operações no mercado externo remanescentes do trimestre anterior, ou seja, 3º trimestre, à luz da IN SRF 600/2005, por ser vigente ao tempo da apresentação do PER/DCOMP impugnado. Por fim, acresce que a IN SRF 900/2008 aboliu o lapso temporal instituída pela Instrução Normativa revogada, e consagrou o direito da compensação irrestrita de débitos próprios, vencidos ou vincendos, requerendo que seja aplicada, retroativamente, a Normativa de 2008, por ser lei mais favorável ao contribuinte. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que reconheceu parcialmente o Pedido de Ressarcimento de PIS de incidência não cumulativa. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 11516.001200/200932 Acórdão n.º 3001000.552 S3C0T1 Fl. 226 7 Admissibilidade do Recurso A contribuinte teve ciência do acórdão de manifestação de inconformidade em 27.08.2012, conforme Aviso de Recebimento AR, fls. 213214, nos termos do inciso II do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subsequente, conforme artigo 5º, também do PAF. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Verificase, pois, que a recorrente apresentou o competente Recurso Voluntário em 20.09.2012, conforme comprova o carimbo da ARF CRICIÚMA, logo, o recurso apresentado é tempestivo ao prazo legal estabelecido no artigo 56 do PAF: Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. Por fim, observo que, em conformidade com o art. 23B do Anexo II da Portaria MF n° 343 de 2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF), este colegiado é competente para apreciar o feito, tendo em vista que o valor do litígio está dentro do limite estabelecido pelo dispositivo. Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos. Créditos de exportação, créditos de Aluguel e Glosa de Diferença. DOS FATOS Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS de incidência não cumulativa, formalizado pelo PERDCOMP n° 35070.42803.160207.1.1.089555, referente aos períodos de apuração 10 a 12/2006 (4° trimestre de 2006). O direito creditório foi reconhecido parcialmente pelos órgãos “a quo”, que homologaram a compensação na monta de R$ 53.393,34, pelos argumentos tratados no Relatório acima. Diante disso, a recorrente busca o reconhecimento de créditos na monta de R$ 22.885,25, que se subdividem em créditos de aluguel e créditos de exportação remanescentes do 3º trimestre do mesmo ano calendário. MÉRITO Crédito decorrente de contrato de Locação Fl. 229DF CARF MF 8 Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de COFINS de incidência não cumulativa, formalizado por PERDCOMP, referente aos períodos de apuração 01 a 03/2005 (1° trimestre de 2005), que, na matéria cujo mérito será enfrentado, circunscreve se a determinar se, conforme a linguagem expressa no voto condutor da decisão examinada, é legal a exigência de nota fiscal emitida pela locatária para comprovar a legitimidade da tomada do crédito de locação, previsto no artigo 3.º , iv da Lei 10.833/03. Seguese ao trecho enxertado. Todavia, embora a contribuinte tenha demonstrado que contratou com uma Pessoa Jurídica, deixou de apresentar as respectivas notas fiscais emitidas pela empresa locadora, com a finalidade de comprovar que os pagamentos foram efetivados e feitos nos montantes que constam do Dacon. Percebese que a autoridade de primeira instância reconheceu ter sido a locatária, pessoa jurídica, enquadrandose, portanto na hipótese legal aqui discutida. Neste sentido, encontrase devidamente satisfeita a argumentação trazida em sede de defesa: No tocante à glosa referente ao crédito de aluguel utilizado como base de cálculo para compensação/ressarcimento, verificase que os aluguéis aproveitados como crédito referemse ao contrato realizado 'corn a empresa GARANTIA ADMINISTRADORA DE BENS E SERVIÇOS LTDA., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o n. 04.980.774/000187, conforme aditivo n. 01 ao Contrato de Locação em 17.12.2001 e não à pessoa física, como por equivoco concluiu , a autoridade notificante. Outrossim, resta claramente delineado que a questão aqui tratada referese ao fato de não ter sido apresentadas as notas fiscais para fins de comprovação. Créditos decorrentes de Aluguel Suficiência probatória dos contratos de locação Os créditos decorrentes de aluguel estão previstos na legislação e respeitam a seguinte determinação: a locação deve ser de prédios, com o requisito de ser pago unicamente a pessoa jurídica, e, ainda, necessariamente deverão ser empregados na utilização das atividades operacionais da empresa. Quanto ao primeiro requisito, registrase que o contrato de locação acostado em fls. 123 destes autos, o documento denominado ADITIVO NR.. 01 AO CONTRATO DE LOCAÇÃO CELEBRADO EM 17.12.2001 ENTRE SÉRGIO CIZESKI, COMO LOCADOR, E PLASSON DO BRASIL Ltda., COMO LOCATÁRIA. Neste instrumento, agora em fls. 128, deparase com a incorporação do mencionado imóvel, anteriormente dado em locação, conforme visto, ao capital social da empresa GARANTIA ADMINISTRADORA DE BENS E SERVIÇOS Ltda. , consoante o mencionado ato de constituição desta sociedade na JUCESC sob NIRE 42203139679. Com isto, e de acordo com o expresso em seu item 2. o titular do contrato de locação seria a pessoa jurídica GARANTIA. A título de evidenciar a existência do contrato de locação, acosta, também, Aditivo n.º 02, firmado em 31 de março de 2009. Desta vez, para regrar novo prazo de locação. Ainda, importa a menção na qual a peça contém a cláusula primeira, cujo conteúdo demonstra a descrição do objeto de tal instrumento, como sendo "um terreno com Fl. 230DF CARF MF Processo nº 11516.001200/200932 Acórdão n.º 3001000.552 S3C0T1 Fl. 227 9 área de 3.501,77 m2, com um pavilhão industrial recém construído, me primeira ocupação, com área de 1.377,70m2". Portanto, concluise que os requisitos para o reconhecimento da legitimidade do crédito estão satisfeitos, determinando ser o contrato de locação a Documentação hábil para comprovação da existência do negócio. Desnecessidade de nota fiscal A recorrente, enquanto pratica atividade de locação, não é contribuinte estadual nem municipal, não sendo lícito impor o requisito probatório da juntada de notas fiscais. Devidamente enfrentadas as questões de fato e mérito, apontase decisão desta CARF no sentido de aceitar os contratos de locação como instrumentos aptos a comprovação do negócio, inclusive apontadolhe as devidas limitações (no precedente citado, foi excluído da base do crédito, taxas condominais, por não ser parte do preço contratado, este sim, base para a tomada de crédito, conforme, repitase, previsão contratual, e, não, valor emitido em nota fiscal. Acórdão nº 3401004.021 ALUGUÉIS. DIREITO DE CRÉDITO. DELIMITAÇÃO. O direito de crédito relativo aos aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados na empresa, previsto no art. 3º, IV das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, compreende apenas a retribuição pelo uso e gozo da coisa não fungível, nos contratos de locação, como regulado pelo art. 565 e ss. do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), não englobando as despesas condominiais e demais taxas sob responsabilidade dos locatários, bem assim, as contraprestações financeiras, a cargo dos parceiros públicos, nos contratos administrativos de concessão das parcerias público privadas. Fundamento legal Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Créditos Remanescentes do 3° Trimestre operações no mercado externo Aduz que, segundo essa normativa, o crédito pretendido compensar, deveria estar vinculado ao saldo apurado em um único trimestre, o que restou inobservado pela mesma, que se valeu de créditos remanescentes do terceiro trimestre para compensação de débitos do quarto trimestre do mesmo ano. Fl. 231DF CARF MF 10 No entanto, a contribuinte entende que deveria ter sido aplicado ao caso em concreto, a IN SRF 900/2008, normativa revogadora da IN SRF 600/2005, tendo em vista que a mesma entrou em vigor ao tempo em que o PER/DCOMP ainda se encontrava pendente de homologação. Isto porque, haveria no ordenamento jurídico, norma que prestigia o contribuinte, merecendo, assim, retroagir até a data do pedido de compensação. Razão deve assistir à requerente; o limite temporal para utilização do crédito prevista na IN 600/2005, deve retroagir sob força do artigo 106 do CTN Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Conclusão Conheço do recurso, para no MÉRITO, dar provimento a tomada de crédito decorrente da operação de locação de imóvel e reconhecer a aplicação retroativa da IN 900/2008. Renato Vieira de Avila (assinado digitalmente) Voto Vencedor Conselheiro Orlando Rutigliani Berri Redator Designado Preâmbulo Com a devida licença aos argumentos do I. Conselheiro Relator e concessa venia aos meus pares que entenderam em sentido contrário, esclareço que o presente prestase tão somente para expor meu entendimento acerca da impossibilidade de se aplicar, ao caso sob exame, a retroatividade da lei tributária, ínsita no inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional CTN Lei nº 5.172, de 25.10.1966, conforme suscitado, tão somente, em sede de Recurso Voluntário. Entendem os conselheiros Renato Vieira de Avila (Relator) e Francisco Martins Leite Cavalcante serem aplicáveis, relativamente aos "Créditos Remanescentes do 3º Trimestre, em operações no mercado externo", as disposições prescritas pelo inciso II do artigo 106 do CTN, para fins de acolher o entendimento segundo o qual aplicase ao caso sob exame Fl. 232DF CARF MF Processo nº 11516.001200/200932 Acórdão n.º 3001000.552 S3C0T1 Fl. 228 11 as disposições da IN RFB nº 900, de 30.12.2008, que revogou a IN SRF nº 600, de 28.12.2005, ao fundamento de que a IN RFB nº 900, de 2008 vigorava ao tempo em que o PER/Dcomp em análise ainda se encontrava pendente de homologação. Dos fundamentos da decisão recorrida A decisão recorrida Acórdão 0729.361, da 4ª Turma da DRJ/FNS, de 15.06.2012, analisando os termos da manifestação de inconformidade apresentada, concluiu pelo reconhecimento parcial do direito creditório vindicado, cuja síntese está expressa na ementa a seguir transcritas, verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. DIREITO CREDITÓRIO. NÃO RECONHECIMENTO. FUNDAMENTAÇÃO. Os fundamentos de fato e de direito são elementos essenciais para embasar a decisão administrativa que não reconhece o direito creditório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS VINCULADOS AO MERCADO EXTERNO. SALDO REMANESCENTE. Os créditos de mercado externo acumulados ao final de cada trimestrecalendário poderão ser objeto de ressarcimento ou compensação, mediante PER/DCOMP, sendo que cada pedido deverá referirse a um único trimestrecalendário e ser efetuado pelo saldo credor remanescente do mesmo trimestre a que se referem os créditos. Impugnação Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Do recurso voluntário Não conformandose com parte dos fundamentos da decisão a quo, haja vista que esta somente reverteu parte das glosas realizadas pela autoridade fiscal que exarou o Despacho Decisório constante dos autos, o Recurso Voluntário, no que importa apreciarmos no presente Voto Vencedor, sustenta, como visto do Relatório, que a IN SRF 900/2008 aboliu o lapso temporal instituída pela Instrução Normativa revogada, e consagrou o direito da Fl. 233DF CARF MF 12 compensação irrestrita de débitos próprios, vencidos ou vincendos, requerendo que seja aplicada, retroativamente, a Normativa de 2008, por ser lei mais favorável ao contribuinte. Do mérito Do ineditismo da alegação e da matéria de ordem pública De plano, cabe esclarecer que a matéria aqui tratada retroatividade benigna da IN RFB nº 900, de 2008, aplicação ao presente caso, tratase, como já salientado, de pedido inédito no curso do presente processo, pois não foi suscitado no âmbito da manifestação de inconformidade apresentada em 26.02.2010 e, por conseguinte, não foi objeto de apreciação do colegiado a quo. À luz dos artigos 16, inciso II e 17 Decreto nº 70.235, de 1972, que rege o processo administrativo fiscal, em se tratando de recurso voluntário, cumpre aos julgadores apreciar as matérias expressamente recorridas. A despeito disso, é pacífico também o entendimento segundo o qual é dever do colegiado ad quem apreciar de ofício as matérias de ordem pública, ou seja, ainda que não tenham sido contestadas, bem como corrigir os erros materiais que, porventura, agravarem incorretamente a exigência fiscal. Tomo as questões de ordem pública como as que condicionam a legitimidade do próprio exercício de atividade administrativa. Por isso, não precluem e podem, a qualquer tempo, ser objeto de exame, em qualquer fase do processo e em qualquer grau de jurisdição, sendo passíveis de reconhecimento de ofício pelo julgador, nos termos do artigo 303, incisos II e III do CPC, de 1973 e, artigo 342, incisos II e III do CPC de 2015. A rigor, entendo que a retroatividade da lei tributária é matéria de ordem pública, porquanto o artigo 106 do Código Tributário Nacional versa sobre a possibilidade de consecução pretérita de efeitos jurídicos em face de uma lei, esta, leiase, em sentido amplo, mais benéfica para o contribuinte, por imperativo do artigo 37, caput, da CF, de 1988 e artigo 2º, parágrafo único e incisos I e IX da Lei nº 9.784, de 29.01.1999. Dessa forma, deve integrar a lide de forma implícita, razão pela qual sua inclusão ex officio, pelo julgador, não caracteriza julgamento extra ou ultra petita, hipótese em que prescindível o princípio da congruência entre o pedido e a decisão. No entanto, salientese, de antemão, que o caso em comento não se trata de aplicação de penalidade, mas sim de pedido de ressarcimento de créditos de exportação remanescentes no 3º trimestre de 2006. Do fundamento da decisão recorrida A decisão recorrida, na parte que importa ao presente Voto Vencedor, fundamentou a manutenção da glosa, efetuada pela autoridade fiscal, dos créditos remanescentes do trimestre anterior, relativo aos créditos relacionados ao mercado externo, nos seguintes termos, verbis: Como se viu no relatório, a contribuinte insurgese ainda quanto aos valores de créditos remanescentes do trimestre anterior, relativo aos créditos relacionados ao mercado externo, e que não foram considerados pela autoridade fiscalizadora. Tais créditos, segundo ela, seriam no montante de R$ 22.533,69. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 11516.001200/200932 Acórdão n.º 3001000.552 S3C0T1 Fl. 229 13 Verificase que, no confronto entre o que foi verificado no Dacon da contribuinte e o Demonstrativo fiscal, não foi considerado pelo fisco o crédito proveniente de saldo do trimestre anterior 3º trimestre de 2006. Todavia, ao contrário do que entende a contribuinte, não há como reconhecer no quarto trimestre os valores relativos a créditos remanescentes relacionados ao mercado externo relativos ao terceiro trimestre. Cumpre lembra o art. 21 da IN SRF nº. 600/2005, vigente à época da apresentação do PER/Dcomp sob análise: Compensação e ressarcimento de créditos da contribuição para o Pis/Pasep e da Cofins Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: I custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; (...) § 1º A compensação a que se refere este artigo será efetuada pela pessoa jurídica vendedora na forma prevista no § 1º do art. 26. § 7º Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a que se refere o inciso I, remanescentes da dedução de débitos dessas contribuições em um mês de apuração, embora não sejam passíveis de ressarcimento antes de encerrado o trimestre do anocalendário a que se refere o crédito, podem ser utilizados na compensação de que trata o caput do art. 26. § 8º A compensação de créditos de que tratam os incisos I e II e o § 4º, efetuada após o encerramento do trimestre calendário, deverá ser precedida do pedido de ressarcimento formalizado de acordo com o art. 22. § 9º O crédito utilizado na compensação deverá estar vinculado ao saldo apurado em um único trimestre calendário. Fl. 235DF CARF MF 14 Art. 22. Os créditos a que se referem os incisos I e II e o § 4º do art. 21, acumulados ao final de cada trimestre calendário, poderão ser objeto de ressarcimento. § 1º O pedido de ressarcimento a que se refere este artigo será efetuado pela pessoa jurídica vendedora mediante a utilização do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração (papel) acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. (...) § 3º Cada pedido de ressarcimento deverá: I referirse a um único trimestrecalendário. II ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por dedução ou compensação. Desta forma, como se depreende dos dispositivos legais acima mencionados, em relação aos créditos de custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, embora não sejam passíveis de ressarcimento antes de encerrado o trimestre do anocalendário a que se refere o crédito, podem ser utilizados na compensação. Todavia, o crédito utilizado na compensação deverá estar vinculado ao saldo apurado em um único trimestre calendário. Por outro lado, os créditos de mercado externo acumulados ao final de cada trimestrecalendário poderão ser objeto de ressarcimento ou compensação, mediante PER/DCOMP após encerrado o trimestre, sendo que cada pedido deverá referirse a um único trimestrecalendário e ser efetuado pelo saldo credor remanescente, líquido das utilizações por dedução. Pelo que consta dos autos, a contribuinte utilizouse do saldo remanescente do trimestre anterior (terceiro trimestre) como “saldo de meses anteriores”, conforme a respectiva ficha do Dacon, sendo que este valor veio a repercutir no resultado do quarto trimestre. Como se verifica acima, o procedimento correto seria o de gerar um PER/DCOMP no 3º. trimestre para o ressarcimento desses créditos e/ou possíveis compensações. Desta forma, mantémse a glosa objeto da manifestação no valor de R$ 22.533,69. Do entendimento expresso no voto vencido De rigor, o recorrente aduz, conforme colhese de sua petição recursal, que a autoridade fiscal, ao exarar o Despacho Decisório, não fez uso correto da legislação tributária, quando desconsiderou os valores de créditos concernentes às operações de comércio exterior remanescentes do trimestre anterior, quando fundamenta a respectiva glosa em preceitos estatuídos na Instrução Normativa SRF nº 600, de 28.12.2005, vigente ao tempo da apresentação PER/Dcomp contestada, que impunhalhe uma restrição temporal, qual seja, de Fl. 236DF CARF MF Processo nº 11516.001200/200932 Acórdão n.º 3001000.552 S3C0T1 Fl. 230 15 que o crédito pretendido compensar deveria estar vinculado ao saldo apurado em um único trimestre calendário, restrição esta que admite que não observou. Sustenta em sua defesa que a norma aplicável ao caso sob exame deveria ser a contida na Instrução Normativa RFB nº 900, de 30.12.2008; primeiro, por se tratar de norma revogadora da IN SRF nº 600, de 2005; segundo, porque a IN RFB nº 900, de 2008, aboliu completamente a restrição temporal instituída pela instrução anterior, posto que admitiu o ressarcimento em trimestrecalendário diverso da respectiva a apuração, mediante a utilização de PER/DCOMP. De sua parte, ao apreciar a referida contenda, o Relator do Voto Vencido assim consigna, ipsis verbis: Créditos Remanescentes do 3º Trimestre operações no mercado externo Aduz que, segundo essa normativa, o crédito pretendido compensar, deveria estar vinculado ao saldo apurado em um único trimestre, o que restou inobservado pela mesma, que se valeu de créditos remanescentes do terceiro trimestre para compensação de débitos do quarto trimestre do mesmo ano. No entanto, a contribuinte entende que deveria ter sido aplicado ao caso em concreto, a IN SRF 900/2008, normativa revogadora da IN SRF 600/2005, tendo em vista que a mesma entrou em vigor ao tempo em que o PER/DCOMP ainda se encontrava pendente de homologação. Isto porque, haveria no ordenamento jurídico, norma que prestigia o contribuinte, merecendo, assim, retroagir até a data do pedido de compensação. Razão deve assistir à requerente; o limite temporal para utilização do crédito prevista na IN 600/2005, deve retroagir sob força do artigo 106 do CTN De se ver, que o nobre relator, sem esgravatar os termos das mencionadas normas regulamentares em questão, decidiu que assistia razão ao requerente, tanto que concluiu, em face das alegações recursais, que os efeitos da norma mais recente deveria retroagir em favor do contribuinte, ao auspício do disposto no artigo 106 do CTN. Equivocamse ambos recorrente e relator do voto vencido; isto porque ao compulsarse as regras entabuladas nas IN SRF nº 600, de 2005 e IN RFB nº 900, de 2008 concluise, sem margem para dúvida, que nenhuma alteração, relativamente a IN SRF nº 600, de 2005, ocorreu quando da edição da IN RFB nº 900, de 2008, em outros termos dizendo, o que o recorrente e o relator convencionaram denominar "restrição temporal" e/ou "limite temporal" permaneceu incólume, na medida em que ambas as normas regulamentares mantiveram o preceito segundo o qual o pedido de ressarcimento/ compensação deverá referir se a um único trimestrecalendário e ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por dedução ou compensação; salientese que a única alteração decorrente da edição da IN RFB nº 900, de 2008, relativamente IN SRF nº 600, de 2005, diz respeito à separação dos temas compensação e ressarcimento, posto que ambos institutos era tratado na mesma seção, enquanto que na IN RFB nº 900, de 2008, os temas Fl. 237DF CARF MF 16 foram abordados em seções separadas, porém uma se reportando a outra, ou seja, a IN RFB nº 900, de 2008 somente veio a dar melhor racionalidade aos temas nelas tratado, nada mais. Com vista a elucidar o acima exposto e para que não paire qualquer dúvida quanto ao acerto da decisão recorrida, trago no subtítulo a seguir o quadro comparativo, na parte que interessa, das IN SRF nº 600, de 2005 e IN RFB nº 900, de 2008, que elaborei. Da análise comparativa das normas complementares suscitadas QUADRO COMPARATIVO Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Compensação e ressarcimento de créditos da contribuição para o Pis/Pasep e da Cofins SEÇÃO III DO RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: Art. 27. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas contribuições, poderão ser objeto de ressarcimento, somente após o encerramento do trimestrecalendário, se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: I custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; I às receitas resultantes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; ou (...) (...) § 7º Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a que se refere o inciso I, remanescentes da dedução de débitos dessas contribuições em um mês de apuração, embora não sejam passíveis de ressarcimento antes de encerrado o trimestre do anocalendário a que se refere o crédito, podem ser utilizados na compensação de que trata o caput do art. 26. Art. 28. O pedido de ressarcimento a que se refere o art. 27 será efetuado pela pessoa jurídica vendedora mediante a utilização do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração em meio papel acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. § 8º A compensação de créditos de que tratam os incisos I e II e o § 4º, efetuada após o encerramento do trimestrecalendário, deverá ser precedida do pedido de ressarcimento formalizado de acordo com o art. 22. (...) § 9º O crédito utilizado na compensação deverá estar vinculado ao saldo apurado em um único trimestrecalendário. § 2º Cada pedido de ressarcimento deverá: Art. 22. Os créditos a que se referem os incisos I e II e o § 4º do art. 21, acumulados ao final de cada trimestrecalendário, poderão ser objeto de ressarcimento. I referirse a um único trimestrecalendário; e § 1º O pedido de ressarcimento a que se refere este artigo será efetuado pela pessoa jurídica vendedora mediante a utilização do Programa II ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestrecalendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 11516.001200/200932 Acórdão n.º 3001000.552 S3C0T1 Fl. 231 17 PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração (papel) acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. (...) (...) § 3º Cada pedido de ressarcimento deverá: SEÇÃO III DA COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS I referirse a um único trimestrecalendário. Art. 42. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: II ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por dedução ou compensação. I custos, despesas e encargos vinculados às receitas resultantes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; (...) § 7º Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a que se refere o inciso I do caput, remanescentes do desconto de débitos dessas contribuições em um mês de apuração, embora não sejam passíveis de ressarcimento antes de encerrado o trimestre do ano calendário a que se refere o crédito, podem ser utilizados na compensação de que trata o caput do art. 34. (...) § 10. A compensação de créditos de que tratam os incisos I e II do caput e o § 4º, efetuada após o encerramento do trimestrecalendário, deverá ser precedida do pedido de ressarcimento formalizado de acordo com os arts. 27 e 28. § 11. O crédito utilizado na compensação deverá estar vinculado ao saldo apurado em um único trimestrecalendário. Da impropriedade de se aplicar ao caso a retroatividade benigna Conforme já mencionado, acaso restase verdadeira a alteração pela norma mais recente do que convencionouse denominar "restrição temporal" relativamente ao que havia prescrito na norma regulamentar revogada, a fim de justificar a aplicação dos preceitos contidos no artigo 106 do CTN, com vista a fazer retroagir, em benefício do recorrente, os supostos novos preceitos da IN RFB nº 900, de 30.12.2008, que revogou a IN SRF nº 600, de 28.12.2005, ainda assim melhor sorte não assiste ao recorrente, haja vista, conforme veremos, Fl. 239DF CARF MF 18 que a matéria discutida nos presentes autos não comporta nenhuma das hipóteses nele elencadas. De se dizer, de plano, que em regra a lei tributária se aplica a fatos geradores futuros e pendentes, sendo os pendentes aqueles que já tiveram início, mas não se completaram. Daí que a novel lei tributária, a princípio, não retroage no tempo para alcançar os fatos geradores já perfeitamente formados antes da vigência da modificação normativa. No entanto, os artigos 105 e 106 do CTN estabelecem exceções que ocorre no caso de a lei ser expressamente interpretativa na qual é excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados. Também quando não se trate de ato não definitivamente julgado deixe de definilo como infração, deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo e também quando lhe comine penalidade menos severa do que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Assim, é mister elucidar situações em que a lei tributária pode retroagir de situações em que isto não seja possível e outros meios tenham que ser percorrido com a finalidade de exonerar o contribuinte do gravame tributário ou a ampliação do direito do fisco a determinado crédito tributário. Convém salientar que a retroatividade da lei tributária não encontra somente a limitação de não prejudicar o contribuinte ao fazer que este venha a dever tributo não previsto anteriormente, se presta também como limitante não só a não surpresa ao contribuinte como também ao próprio Estado que não pode e nem deve ser privado das receitas de tributos já constituídos e consolidados no tempo. Logo, como regra geral, a legislação tributária tem aplicação prospectiva e não retrospectiva. No entanto, a legislação tributária pode se aplicar ao passado, nos termos do artigo 106 do CTN, citado abaixo, ipsis literis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Observase, a legislação tributária engloba as leis, os tratados e convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, nos termos do artigo 96 do CTN. A lei interpretativa deve ser vista como aquela que é emitida no sentido de preencher as lacunas deixadas pela lei interpretada e para que possa ser aplicada ao pretérito Fl. 240DF CARF MF Processo nº 11516.001200/200932 Acórdão n.º 3001000.552 S3C0T1 Fl. 232 19 não pode inovar e, portanto é de difícil aplicação, razão pela qual não se pode dizer que a lei interpretativa poderia ser aplicada a qualquer caso. É fato que a lei interpretativa enfrenta o dilema, qual seja, ou ela inova a lei anterior e, portanto não é interpretativa ou ela em nada acrescenta e neste caso seria inútil. No entanto, tratandose de uma interpretação legítima em que não modifique o sentido da lei anterior de forma a imprimir maior consistência a esta, é possível a retroatividade. Assim, a interpretação deve apenas aclarar interpretações que já era possível pela lei anterior, escolhendo uma das formas de interpretação possíveis em detrimento de outras, o que é perfeitamente cabível. Ainda em relação às leis interpretativas, a exclusão de penalidades a infrações dos dispositivos interpretados é perfeitamente viável, desde que não exista interpretação judicial sobre o caso, vez que a própria lei interpretativa é um reconhecimento da obscuridade da norma e como as penalidades tributárias assemelhamse às leis penais é perfeitamente justificável o afastamento da penalidade com base na interpretação mais favorável ao acusado derivado do direito penal. Do contrário, se a interpretação da lei for desfavorável ao contribuinte, a penalidade deve ser mantida em conformidade à interpretação adequada da lei anterior e, portanto não pode haver o agravamento da penalidade acessória. Neste caso, observase as prescrições do artigo 112 e seus incisos, também do CTN, que, em relação as penalidades, optase por aplicar a mais favorável ao contribuinte quando houver dúvida quanto à capitulação legal do fato, à natureza ou circunstancias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus feitos, quanto a autoria, imputabilidade, ou punibilidade e à natureza da penalidade aplicável ou à sua gradação. Alerto, no entanto, que a retroação da legislação tributária somente é permitida quando se trate de fato não definitivamente julgado e sob condições estipuladas pelo próprio CTN. Sendo que uma dessas condições é quando deixe de definilo como infração. Assim, frisese, o comando é destinado à aplicação de penalidade quanto a ato praticado pelo contribuinte ou por este não observado; então, se a lei deixar de considerar determinado ato como infração ele retroagirá ao passado para eximilo de uma penalidade. Esta disposição, prevista no CTN encontra semelhança com as disposições penais. Mas neste item, devemos atentar que está abrandando a penalidade relativa às obrigação principal ou acessória e nunca o tributo em si. Outra condição é quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo. Neste caso é levado em considerações os procedimentos que o contribuinte deve fazer ou deixar conforme a previsão da legislação tributária, no entanto, para retroagir deve observar que não poderia haver procedimento fraudulento de acordo com a lei anterior e também não pode implicar em falta de recolhimento de tributo. Logo, a lei posterior não pode retroagir alterando o fato gerador de forma a excluir determinados fatos do campo de incidência do imposto e/ou contribuição, pois tal agir resultaria em dispensa de tributo devido. Também não poderia alterar procedimentos já estabelecidos de forma a modificar a sistemática de apuração do imposto que teria por consequência a dispensa de obrigação tributária ou crédito tributário já formado na sistemática anterior, visto que seriam uma afronta as disposições do CTN sobre a matéria. Fl. 241DF CARF MF 20 É de se observar, por fundamental que o CTN falta de pagamento de tributo devido e, portanto a vedação é ampla e contempla qualquer ação que tenha que ser observada ou não realizada. Logo, uma vez surgindo a obrigação tributária não é possível retroagir a lei de forma a dispensar tributo. A última condição é quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Neste caso, é permitida a aplicação de uma penalidade mais branda do que a anterior, cuja prática encontra também respaldo no direito penal. Em todos os casos aqui tratados a única situação que poderia resultar em dispensa de tributo devido seria a lei interpretativa. Contudo, somente haveria dispensa de tributo se a lei anterior fosse vaga e a própria dispensa aqui citada restaria duvidosa. Neste caso, necessitaria também ser possível uma interpretação onde o tributo não fosse considerado devido, pois a lei interpretativa para retroagir não pode inovar na interpretação dando sentido contrário ao sentido já estabelecido na lei. Assim, nunca poderia haver dispensa de tributo por legislação retroativa. Assim, discutido as situações em que a lei pode retroagir passamos a análise de outras situações prevista na legislação tributária que podem produzir os mesmos efeitos, mas em que nosso entender não se trata da retroação da legislação tributária. Embora o tema seja de grande debate, visto que poucas são as manifestações jurisprudenciais e doutrinárias sobre o assunto, indose pouco além do que já está assentado no Código Tributário Nacional, é possível afirmar que a lei tributária em regra é irretroativa comportando exceções que vem estabelecidas no artigo 106 do CTN, cujo escopo é, sem margem para dúvida, a possibilidade de se eliminar e reduzir penalidades, desde que não se trate de fato definitivamente julgado. Em relação à dispensa de tributo, desde que não se trate perdão com vigência presente ou futura, a lei tributária é irretroativa, não podendo ampliar para fins de contemplar algo que não constava na lei anterior. Em reforço, o referido inciso (citado pelo recorrente), não tem o escopo referirse ao tributo em si mesmo, mas às infrações e penalidades decorrentes do comando legal. São situações elencadas de forma taxativa, isto é, aplicamse apenas aos fatos relacionados nas alíneas do inciso II do artigo 106 do CTN. Desta feita, também por estas razões, entendo incabível no caso sob exame a pretendida a aplicação dos preceitos do artigo 106 do CTN. É como penso. Da conclusão Do exposto, no que concerne à matéria sobre apreço, voto em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer tão somente o crédito decorrente da operação de locação de imóvel por pessoa jurídica. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 242DF CARF MF Processo nº 11516.001200/200932 Acórdão n.º 3001000.552 S3C0T1 Fl. 233 21 Fl. 243DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.906842/2008-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei.
Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.451
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 68 42 /2 00 8- 61 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 15374.906842/200861 Acórdão n.º 1002000.451 S1C0T2 Fl. 153 2 (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 100/102) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 93/95), proferida em sessão de 11 de fevereiro de 2011, consubstanciada no Acórdão n.º 1235.673, da 8.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ I (DRJ/RJ1), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 12/14) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 18/07/2008 (efl. 10), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 15336.48637.100504.1.3.047031 (efls. 03/07), transmitido em 10/05/2004, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Fazse mister que os créditos empregados em compensação de tributos gozem de liquidez e certeza. É vedado o cancelamento de declaração de compensação após já ter sido proferido o Despacho Decisório pela autoridade a quo competente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Trata o presente processo de compensação realizada pela interessada acima identificada, com emprego de crédito no valor de R$ 3.188,29, referente ao anocalendário 2003 e oriundo de pagamento supostamente indevido ou a maior. O Per/Dcomp que materializou o feito foi o de fls. 02/06 [efls. 03/07], transmitido à base de dados da Receita Federal em 10/05/2004. Conforme consta do despacho decisório de fls. 09 [efl. 10], emitido eletronicamente, a compensação não foi homologada porque o crédito nela empregado teria sido integralmente utilizado na quitação de outro débito do contribuinte. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 15374.906842/200861 Acórdão n.º 1002000.451 S1C0T2 Fl. 154 3 Inconformada com a decisão, da qual tomou ciência em 30/07/2008 (fls. 08) [efl. 94], a interessada interpôs, no dia 28 do mês seguinte, a manifestação de inconformidade de fls. 11/13 [efls. 12/14], na qual, em síntese, alegou: que "o sistema da SRF não localizou a compensação do débito" porque "tentou localizar diretamente um DARF com o valor devido de R$ 6.209,56, sendo que o pagamento efetuado foi de R$ 3.188,29, devendo ser recolhida a diferença de R$ 3.021,27, onde a mesma foi compensada com o saldo credor da CSLL do anocalendário de 2001"; e que "a DCTF da empresa, no período analisado, devidamente retificada, comprova o valor do débito de R$ 6.209,56 e a DIPJ 2002, ano calendário 2001 aponta um crédito de CSLL no valor de R$ 12.953,68, crédito este onde o débito de R$ 3.021,27 foi compensado posteriormente". O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 3.188,29, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi extinto, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 30/09/2003 2372 R$ 3.188,29 31/10/2003 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado 4155188468 R$ 3.188,29 DB: cód 2372 PA 30/09/2003 R$ 3.188,29 Valor Total R$ 3.188,29 Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/07/2008 Principal: R$ 2.193,38 Multa: R$ 438,67 Juros: R$ 1.471,75 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Como visto, pelo que constou da DComp que manejou a compensação defendida, a interessada empregou crédito originado, em seu entender, de pagamento indevido ou a maior de CSLL no anocalendário 2003. Analisando o feito, a Fazenda Fl. 154DF CARF MF Processo nº 15374.906842/200861 Acórdão n.º 1002000.451 S1C0T2 Fl. 155 4 confirmou a existência do recolhimento declarado, mas não reconheceu o direito creditório, sob o fundamento de ter sido tal pagamento integralmente consumido na quitação de outros débitos. Na peça de bloqueio, entretanto, a interessada defendeuse de inverídica não localização do pagamento pelo Fisco, chegando a citar suposta transcrição de trecho não escrito no despacho decisório combatido. A partir daí, o enleado recurso passou, em abichornante retórica, a justificar compensação que nem mesmo é objeto da lide. Considerando, pois, que a interessada não logrou êxito em desconstituir as razões da Fazenda até porque nem mesmo as atacou, resta a inexistência do crédito como fato incontroverso, sendo certo que não há meios de um direito inexistente gozar dos necessários atributos de liquidez e certeza, requisitados pelo CTN, em seu art. 170, para que se opere a compensação de créditos tributários. Ante o exposto, incumbeme negar provimento à manifestação de inconformidade. No recurso voluntário (efls. 100/102), em síntese, o contribuinte reiterou os termos da manifestação de inconformidade, argumenta que há sim o crédito e não concorda com a inexistência de saldo por alocação em outros débitos. Acrescentou, em novo arrazoado (efls. 117/127), considerações principiológicas e apresentou ementas de decisões, ao final, requereu a correção, de ofício, de eventuais erros cometidos no preenchimento do PER/DCOMP para autorizar a homologação requerida. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 03/03/2011, efls. 97/98, e protocolo recursal em 25/03/2011, efl. 100), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 15374.906842/200861 Acórdão n.º 1002000.451 S1C0T2 Fl. 156 5 Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação do débito confessado com a extinção do crédito tributário que o próprio contribuinte confessa e indica para ser objeto da quitação via compensação. No caso dos autos, a Administração Tributária não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o pagamento indevido ou a maior vindicado, negando a restituição do crédito requerido (CSLL, código 2373, período de apuração 30/09/2003, no valor de R$ 3.188,29, com vencimento em 31/10/2003, recolhido por meio de DARF). Isto porque, o suposto crédito, pelos sistemas informatizados da Receita Federal, está alocado para quitação do débito de igual valor (R$ 3.188,29) para o mesmo tributo (CSLL, código 2373, período de apuração 30/09/2003). Portanto, não há prova de pagamento a maior. Logo, se o DARF recolhido foi alocado para extinguir o tributo indicado não existe pagamento a maior, como quer crer o recorrente (efls. 100/102), e não há que se falar em saldo, pelo que a compensação indicada não tem como prosperar, pois, em verdade, inexiste crédito. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 15374.906842/200861 Acórdão n.º 1002000.451 S1C0T2 Fl. 157 6 Em suma, para a análise que foi efetivada do PER/DCOMP não se comprovou o indicado crédito líquido e certo, incontroverso. Em verdade, foi apontada a alocação do DARF em extinção de débito próprio do sujeito passivo. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de alocação do DARF, de modo a não restar saldo na forma pretendida pelo contribuinte. Logo, se havia alocação do DARF, utilizando o suposto crédito vindicado, assistiu razão ao conteúdo do despacho decisório na não homologação da compensação, pois, em realidade, não há crédito de pagamento a maior ou indevido, pelo que, quando a DRJ atestou correção naquele ato administrativo, agiu corretamente a primeira instância ao efetivar o controle de legalidade, não havendo razões para reformar o decisum vergastado. Observe que o recorrente alega, em manifestação de inconformidade, que "a DCTF da empresa, no período analisado, devidamente retificada, comprova o valor do débito de R$ 6.209,56 e a DIPJ 2002, ano calendário 2001 aponta um crédito de CSLL no valor de R$ 12.953,68, crédito este onde o débito de R$ 3.021,27 foi compensado posteriormente". Talvez, queira o recorrente vindicar a liberação do recolhimento alocado, sob a justificativa de eventual saldo negativo, mas a natureza do crédito reclamado no PER/DCOMP é pagamento indevido ou a maior, logo não há reparos na decisão de piso. A questão é que no recurso voluntário o contribuinte não logra êxito de comprovar, de modo incontroverso, a existência do seu direito a crédito pela ótica da natureza do crédito vindicado a título de pagamento indevido ou a maior. Demais disto, planilha unilateralmente elaborada, a retificadora desprovida de outros elementos não corroboram com a certeza e liquidez para que não seja contestável o crédito. Desprovidos de outros elementos da escrita contábil e fiscal, resta não comprovado o crédito. Aliás, a própria DCTF sequer foi integralmente juntada. As demonstrações contábeis também não estão colacionadas nos autos para confirmação inconteste do eventual crédito. A esse respeito, cito o seguinte precedente: Acórdão n.º 3402004.103 – Recurso Voluntário Relator: Waldir Navarro Bezerra Data da sessão: 27/04/2017 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2008 APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. (...) Ressaltese, neste aspecto, que a demonstração analítica dos valores e lançamentos, dentro da escrituração contábil e fiscal, da base de cálculo da CSLL, inclusive Fl. 157DF CARF MF Processo nº 15374.906842/200861 Acórdão n.º 1002000.451 S1C0T2 Fl. 158 7 quanto as apurações mensais e, consequentemente, da comprovação inconteste do eventual saldo creditório integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte, notadamente quando se discute crédito objeto de pedido de compensação. Vejase, ainda, que não foi juntado aos autos outros elementos probatórios, tais como, a escrita contábil e outras escritas fiscais, como, por exemplo, o Livro Diário, eventuais balancetes transcritos na escrita contábil, o Balanço, eventuais apurações demonstrando os erros e correções posteriores, deixandose, portanto, de apresentar, face a inexistência de elementos de prova, uma demonstração criteriosa do suposto direito a crédito, não havendo como confirmar o alegado crédito vindicado apenas com as declarações, ou parte delas, não tendo sido realizado um trabalho analítico de esclarecimento do suposto crédito, não cabe reconhecer liquidez e certeza, no que não resta demonstrado. Em suma, não há uma precisa indicação consubstanciada em elementos documentais para confrontarse DIPJ, DCTF, apurações, balanço patrimonial e demais demonstrações contábil, DARF's recolhidos e respectivos códigos de recolhimento, balancetes, tudo a fim de comprovar, de modo líquido e certo, a certeza de eventual crédito no valor requerido, inclusive para também se compreender eventuais cálculos de valores originalmente declarados e dos valores retificados. Nesse sentido entendo por bem trazer aos autos o resumo da conclusão do seguinte precedente que entendo reforçar o presente fundamento: Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Relator: Orlando Rutigliani Berri – Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Ressaltese, não caberia ao julgador, em instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventual documentação contábil não pode ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e de devida fundamentação com análise circunstanciada das conclusões que se extrairiam da escrita contábil ou da escrita fiscal, a fim de demonstrar o fato jurídico constitutivo da situação de direito a Fl. 158DF CARF MF Processo nº 15374.906842/200861 Acórdão n.º 1002000.451 S1C0T2 Fl. 159 8 crédito que se pretende invocar sob a ótica da restituição, que seria o elo para efetivar a compensação. Não há, portanto, motivos que justifiquem a reforma da decisão proferida pela DRJ, principalmente por ser atribuição deste Colegiado o controle da legalidade, e não o saneamento de erros imputados aos próprios contribuintes, notadamente quando de pedidos de compensação eletrônicos. Logo, verificandose correção no julgamento a quo, bem como observando que a Administração Tributária não agiu em desconformidade com a lei, nada há que se reparar no procedimento adotado na análise do pedido transmitido pelo contribuinte e apreciado do Despacho Decisório. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado no valor pleiteado, especialmente quanto a natureza do crédito vindicado (pagamento a maior ou indevido, não tendo sido postulado crédito com natureza de saldo negativo), assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer reparos. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe negar provimento para manter íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 159DF CARF MF
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Numero do processo: 15940.720009/2017-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.475
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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RESSARCIMENTO Recorrente USINA ALTO ALEGRE S/A AÇÚCAR E ÁLCOOL Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de ressarcimento de créditos oriundos da Cofins, apurada no 1º trimestre de 2013. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente processo do Pedido de Ressarcimento PER nº 35956.82891.310315.1.1.106741 (fls. 02/05), envolvendo crédito relativo ao PIS incidência não cumulativa Mercado Interno, referente ao 1º trimestre de 2013, no total de R$ 22.462,28. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 40 .7 20 00 9/ 20 17 -4 4 Fl. 3294DF CARF MF Processo nº 15940.720009/201744 Resolução nº 3201001.475 S3C2T1 Fl. 3.286 2 Trata ainda, da DCOMP nº 36724.47293.301116.1.3.102460 (fls. 3.102/3.105) que cita aquele PER como possuidor das informações sobre o crédito (PER inicial). O Despacho Decisório nº 145/2017 SAORT/DRF/PPE (fls. 3115/3118) exarado pela Delegacia da Receita Federal em Presidente Prudente/SP deferiu em parte o Pedido de Ressarcimento e homologou parcialmente a compensação.No referido Despacho Decisório encontrase consignado, resumidamente, que: ∙ O PER nº 37876.46769.310315.1.1.087204 fls. 06 a 08 foi transferido para processo nº 10835.720.767/201746; ∙ A DCOMP nº 36724.47293.301116.1.3.102460 que cita o PER nº 35956.82891.310315.1.1.106741 como inicial solicitou a compensação de débito de IRPJ no valor de R$ 11.231,14; ∙ O processo administrativo nº 10835.720014/201757 trata da verificação dos créditos de PIS e COFINS não cumulativos períodos 01/2013 a 06/2015, que resultou em Auto de Infração fls. 09/52, em decorrência da constituição indevida de créditos sobre dispêndios no cultivo de canadeaçúcar e transporte de mercadorias entre estabelecimentos; ∙ Naquele mesmo processo ainda restou verificada a utilização indevida dos créditos presumidos sobre compra de cana de açúcar de pessoas físicas nos pedidos de ressarcimento ao invés de deduzir referidos créditos das contribuições apuradas; ∙ Segundo o Relatório de Fiscalização daquele Auto de Infração, anexado às fls. 53 a 118 do presente processo, os créditos apurados indevidamente de PIS não cumulativo, foram glosados de forma proporcional (rateio) às espécies de receitas (crédito vinculado à receita tributada no mercado interno, crédito vinculado à receita não tributada no mercado interno; crédito vinculado à receita de exportação); ∙ A empresa se utilizou indevidamente do crédito presumido sobre aquisição de canadeaçúcar nos pedidos de ressarcimento. Referidos créditos foram deslocados para dedução do PIS devido e glosados dos créditos pleiteados nos PERs; ∙ Foram efetuadas as glosas de PIS – mercado interno, sendo que o crédito presumido foi deslocado do PER e utilizado para dedução do PIS devido, restando apurado: (...) · A homologação parcial da DCOMP se deu em virtude do reconhecimento parcial do crédito pleiteado, pois o débito a ser extinto tinha como principal o valor de R$ 11.231,14; Cientificada da decisão (fls. 2.807/2.808), a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 3.124/3.131). Transcrevese abaixo os itens que sintetizam toda a argumentação: Fl. 3295DF CARF MF Processo nº 15940.720009/201744 Resolução nº 3201001.475 S3C2T1 Fl. 3.287 3 1. Dos fundamentos do Despacho Decisório 1.2. Depreendese ... do Despacho que, em razão das glosas de créditos aproveitados de PIS e COFINS ..., processo administrativo n° 15940.720014/201757, o valor de COFINS exportação passível de ressarcimento, no PER/DComp n° 03356.54627.310315.1.1.090161, seria de apenas R$ 373.258,30. Por isso, não foi deferido o pedido de ressarcimento referente ao valor de R$ 84.527,60, objeto de glosa no citado procedimento fiscal. Apesar do deferimento parcial do pedido de ressarcimento, o crédito nele reconhecido seria suficiente para a compensação declarada pela Requerente, de modo que as declarações de compensação foram totalmente homologadas. 2. Das razões pelas quais o Despacho Decisório deve ser reformado 2.1. Conforme se demonstrará, é equivocado o deferimento parcial do pedido de ressarcimento (PER/DComp n°03356.54627.310315.1.1.09 0161), pautado nas glosas promovidas no procedimento fiscal n° 0810500.2016.00475, processo administrativo n°15940.720014/2017 57... a Requerente apresentou impugnação ao Auto de Infração lavrado .... Nos termos da impugnação apresentada, a Requerente defende a legalidade e regularidade dos créditos apurados e postula o cancelamento do auto de infração. Sucessivamente, ainda que mantidas as glosas, a Requerente sustenta que não poderá ser mantido o critério adotado pela Autoridade Fiscal para refazer a apuração das contribuições devidas e o saldo de crédito de PIS e COFINS. Com efeito, o deferimento do pedido de ressarcimento pressupõe a existência de saldos de contribuições superiores àquelas devidas pelo contribuinte, ou seja, a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor da Fazenda Nacional (Instrução Normativa n° 1060/2010, art. 5o; c.c. Instrução Normativa n° 1.300/2012, arts. 62 a 66). Diante disso, após o julgamento da impugnação ao auto de infração n° 0810500.2016.00475, terseá uma das três situações: i)Se a impugnação for acolhida e o auto de infração ... for cancelado, não subsistirá a glosa ... Nessa hipótese, o pedido de ressarcimento PER/DComp n° 03356.54627.310315.1.1.090161 deverá ser integralmente deferimento; ii) Se for acolhida a tese sucessiva desenvolvida na impugnação, confirmandose as glosas de crédito e/ou os lançamentos por suposta omissão de receita, as apurações da contribuição para o PIS e da COFINS deverão ser refeitas, de modo a imputar os créditos apropriados primeiro para a compensação das contribuições devidas, e, depois, ajustar o pedido de ressarcimento, a depender do saldo remanescente dos créditos reconhecidos. Nessa hipótese, os créditos passíveis de deferimento no pedido de ressarcimento PER/DComp n° 03356.54627.310315.1.1.090161 também deverão ser ajustados, pois o saldo disponível para ressarcimento, provavelmente, será inferior ao ora deferido; iii) Se a impugnação ao auto de infração não for acolhida, aí sim,e somente assim, o Despacho Decisório ora atacado não será afetado. Fl. 3296DF CARF MF Processo nº 15940.720009/201744 Resolução nº 3201001.475 S3C2T1 Fl. 3.288 4 2.2. Embora o mérito da defesa ao auto de infração ... processo administrativo n° 15940.720014/201757, deva ser apreciado naquele processo, por cautela, passase a tecer alguns esclarecimentos ... 2.2.1. Colhese do relatório de fiscalização que a Requerente teria cometido as seguintes infrações relativas à contribuição para o PIS e à COFINS: a) Nos períodos de apuração 04/2012, 04/2013 e 01/2014: não oferecimento à tributação de receitas decorrentes da baixa de dívidas de IPI, que teriam sido lançadas em conta do passivo e posteriormente baixadas, após perda do direito do fisco de cobrálas; b) No período de apuração 01/2013 a 06/2015: b.1) apuração de créditos sobre aquisição de bens e serviços empregados no cultivo de canadeaçúcar, que não teriam sido direta e imediatamente utilizados na fabricação de açúcar e álcool, e, por isso, não poderiam ser entendidos como insumos; b.2) apuração de créditos sobre despesas de transporte entre seus estabelecimentos de produtos acabados ou em elaboração, consistentes em i) industrialização efetuada para outra empresa; ii) remessa para industrialização por encomenda; iii) retorno de mercadoria utilizada na industrialização por encomenda; iv) transferência de material de uso ou consumo; e v) transferência de produção do estabelecimento; b.3) utilização dos créditos presumidos sobre compra de canade açúcar de pessoas físicas, em parte, nos pedidos de ressarcimento. 2.2.2. No que concerne ao item "a" acima, a Requerente esclareceu que o Auditor Fiscal partiu de premissa de que a baixa da provisão contábil de valores relativos ao IPI incidente na venda de açúcar, atingidos pela decadência, configuraria extinção de um passivo, sem o correspondente desaparecimento de um ativo e, por isso, deveria ser reconhecida como nova receita. A partir dessa proposição, o Agente Autuante afastou o tratamento contábil dado pela Requerente, transformando provisão em passivo. Ocorre que, mesmo que se admita a existência de passivo e a geração de receita em função da reversão da provisão, é forçoso reconhecer que aqueles valores provisionados correspondentes ao IPI não destacado já tinham sido oferecidos à tributação. É que todo o valor da venda do açúcar, inclusive aquele relativo ao IPI supostamente incidente, era oferecido à tributação do PIS e da COFINS, embora o mencionado imposto não compusesse a base de cálculo dessas contribuições. Portanto, como detalhadamente demonstrado na impugnação ao auto de infração, a receita composta pelo valor que corresponderia ao IPI (que não foi recolhido) sofreu a incidência do PIS e da COFINS, no momento da saída do açúcar, mesmo não integrando a base de cálculo das contribuições. Sendo assim, o lançamento lá combatido caracteriza bis in idem, o que leva à necessidade de seu cancelamento. Fl. 3297DF CARF MF Processo nº 15940.720009/201744 Resolução nº 3201001.475 S3C2T1 Fl. 3.289 5 2.2.3. Em relação à apuração de créditos sobre aquisição de bens e serviços empregados no cultivo de canadeaçúcar (item b.1 acima), a Requerente demonstrou a insubsistência dos fundamentos adotados... Como demonstrado na impugnação, os fundamentos adotados na autuação, primeiro, desconsideram as peculiaridades do processo produtivo ..., segregando, indevidamente, a etapa agrícola da produção; depois, estão pautados na interpretação equivocada da legislação do PIS e COFINS, ao "conceituar" insumo de forma contrária à lei; por fim, a autuação está em desacordo com o entendimento recente e reiteradamente manifestado pelo ... (CARF), assim como do ... (STJ). Portanto, pelas razões exaustivamente desenvolvidas pela Requerente em sua defesa, nem a glosa dos créditos apurados, nem tampouco o lançamento de débitos decorrentes dessa glosa, poderão ser mantidos. 2.2.3. ... a Requerente demonstrou a insubsistência do fundamento, também amparado na legislação do IPI, para glosar créditos apurados sobre despesas de transporte entre os estabelecimentos da Requerente de produtos acabados ou em elaboração, além de material de uso ou consumo (item b.2 acima). Mais uma vez a posição do Auditor Fiscal se dissociou do entendimento adotado pelo CARF, que, reiteradamente, vem admitindo a apuração de créditos de PIS e COFINS na remessa de insumos de um estabelecimento a outro do mesmo contribuinte, de produtos em elaboração, assim como de produtos acabados. Além disso, mesmo que se entenda que a apuração de créditos de PIS e COFINS sobre as despesas com transporte não pode ser admitida em todas as hipóteses consideradas pela Requerente, ainda assim a autuação não poderá ser integralmente mantida, porque, ao contrário do que relatado pelo Auditor Fiscal, a maior parte dos créditos apurados pela Requerente sob essa rubrica se refere, na realidade, ao frete utilizado na remessa para industrialização. E como observado, essa operação é expressamente prevista e disciplinada na legislação do ICMS (RICMS/SP. art. 401: RICMS/PR, art. 334), e também está expressamente prevista no Decreto n° 7.212/2010, que regulamenta o IPI. 2.2.4. No que toca à utilização dos créditos presumidos (item b.3 acima), a Requerente esclareceu que, ao apresentar o pedido de ressarcimento dos créditos..., deixou de distinguir os créditos presumidos apurados sobre a canadeaçúcar adquirida de pessoas físicas. Por isso, foi postulado o ressarcimento indevido de crédito presumido nas competências abril/2013 a julho/2013. ... os créditos apropriados pela Requerente eram significativamente superiores às contribuições devidas. Sendo assim, se procedente a impugnação ao auto de infração, os créditos presumidos excluídos do pedido de ressarcimento serão computados na compensação de Fl. 3298DF CARF MF Processo nº 15940.720009/201744 Resolução nº 3201001.475 S3C2T1 Fl. 3.290 6 contribuições devidas e os demais créditos que assim haviam sido computados integrarão o pedido de ressarcimento. Logo, com o cancelamento do auto de infração, o saldo de créditos passíveis de ressarcimento, ... não sofrerá alteração. 2.3. Portanto, a procedência da defesa ao auto de infração n° 0810500.2016.00475, ainda que parcial, implicará, necessariamente, na reforma do Despacho Decisório n° 102/2017... ... o julgamento desta manifestação de inconformidade deverá aguardar o julgamento da impugnação apresentada no processo administrativo n° 15940.720014/201757... É o relatório. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora julgou improcedente em parte a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/JFA n.º 0965.879, de 26/10/2017 (fls. 3213 e ss.), assim ementado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/2013 a 31/03/2013 CRÉDITOS. INSUMOS. FABRICAÇÃO DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. PRODUÇÃO DE CANADEAÇÚCAR. 1. No cálculo da Cofins nãocumulativa somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. 2. Bens e serviços empregados no cultivo de canadeaçúcar não se classificam como insumos na fabricação de açúcar e álcool, por se tratarem de processos produtivos diversos. As despesas com aqueles itens não geram direito à apuração de créditos na determinação da contribuição devida sobre as receitas auferidas com vendas de açúcar e álcool produzidos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2013 a 31/03/2013 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. 1.Não cabe apreciar questões relativas a ofensa a princípios constitucionais, tais como da legalidade, da razoabilidade, do não confisco ou da capacidade contributiva, dentre outros, competindo, no âmbito administrativo, tão somente aplicar o direito tributário positivado. 2.A doutrina trazida ao processo, não é texto normativo, não ensejando, pois, subordinação administrativa. 3.A jurisprudência judicial colacionada não possui legalmente eficácia normativa, não se constituindo em norma geral de direito tributário se não atendidos nenhum dos requisitos previstos no § 6º do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972. 4. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, salvo quando da existência de Súmula do CARF vinculando a administração tributária federal. Fl. 3299DF CARF MF Processo nº 15940.720009/201744 Resolução nº 3201001.475 S3C2T1 Fl. 3.291 7 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 3237 e ss., por meio do qual repete, basicamente, os mesmos argumentos já declinados em sua impugnação. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou diversos pedidos eletrônicos de ressarcimento de créditos de PIS/Cofins, os quais também serão, nesta mesma assentada, julgados em conjunto com os autos de infração dessas contribuições lavrados em decorrência da insuficiência de recolhimento. Contestado o lançamento, a DRJ manteveo na integralidade. Em síntese, foram as seguintes as infrações verificadas: a) não oferecimento à tributação das receitas decorrentes das baixas das obrigações de IPI a pagar/recolher; b) créditos indevidos sobre gastos realizados no cultivo da canadeaçúcar; c) créditos indevidos sobre despesas de transporte de mercadorias entre estabelecimentos da Recorrente; d) crédito presumido indevido sobre a aquisição de canadeaçúcar de pessoas físicas para dedução das contribuições apuradas ao invés de utilizálos nos pedidos de ressarcimento. No respeitante à primeira matéria, alega a Recorrente que, em apreço ao princípio da prudência, fez uma mera transferência de receita (que, no período em que auferida, teria sido tributada pelo PIS/Cofins), não uma transferência de IPI (que não teria sido cobrado!), de uma conta contábil para uma conta de provisão deste imposto, em face da possibilidade de vir a ser cobrada pelo Fisco dos valores que deixaram de ser exigidos de seus clientes nas operações de venda que realizou. Para Recorrente, portanto, haveria, se mantida a autuação, a tributação da mesma receita duas vezes: quando do seu efetivo auferimento e quando da reversão da "provisão do IPI". É, com efeito, o que ocorreria, se os fatos se verificaram conforme descritos no recurso. Ante o exposto, voto para CONVERTER o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora verifique: a) se em todos os meses em que houve a constituição da provisão do IPI a base de cálculo do PIS/Cofins informada no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais Dacon correspondia ao faturamento antes da contabilização desta provisão; Fl. 3300DF CARF MF Processo nº 15940.720009/201744 Resolução nº 3201001.475 S3C2T1 Fl. 3.292 8 b) se o total das receitas auferidas em cada um desses meses foi oferecido à tributação pelo PIS/Cofins. Por fim, a Recorrente deve ser intimada para que, se assim desejar, manifestese sobre o resultado da diligência. Após, retornem os autos a este colegiado para continuidade do presente julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 3301DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.675274/2009-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.560
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora: (i) confirme se os valores informados no DACON Retificador conferem com a realidade contábil da contribuinte conforme Livro Razão e Planilha de Controle de Impostos, contidos nos autos; (ii) após o confronto do item (i), identifique a efetiva existência do crédito pleiteado na PER/DCOMP e a suficiência para a promoção da compensação de débitos na forma requerida; (iii) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando conhecimento à recorrente e abrindo prazo de 30 (trinta) dias para que esta, querendo, manifeste-se, retornando, em seguida, os autos a este Conselho, para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora: (i) confirme se os valores informados no DACON Retificador conferem com a realidade contábil da contribuinte conforme Livro Razão e Planilha de Controle de Impostos, contidos nos autos; (ii) após o confronto do item (i), identifique a efetiva existência do crédito pleiteado na PER/DCOMP e a suficiência para a promoção da compensação de débitos na forma requerida; (iii) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando conhecimento à recorrente e abrindo prazo de 30 (trinta) dias para que esta, querendo, manifestese, retornando, em seguida, os autos a este Conselho, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 75 27 4/ 20 09 -9 9 Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10880.675274/200999 Resolução nº 3401001.560 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de Pedido de Ressarcimento de COFINS realizado através de PER/DCOMP, referente pagamento à maior que o devido A DERAT São Paulo proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período. Irresignada a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, sob os seguintes argumentos: (i) que cometeu equivoco no preenchimento do PER/DCOMP, que o crédito é oriundo de recolhimento indevido de PIS e COFINS, conforme demonstrado no DACON, repete que o crédito efetivamente existe e é suficiente para quitar os débitos compensados; (ii) que conforme planilha que anexa, verificase facilmente que o crédito a que a empresa teria direito é bastante superior ao valor das compensações realizadas; (iii) que a SRFB possui diversos documentos para comprovar se os créditos existem e caso considere insuficientes, pode ainda baixar o presente processo em diligência para que tal comprovação seja feita através de análise mais minuciosa; (iv) apela para o princípio da verdade material, por tratarse de atividade humana, tanto o preenchimento de declarações quanto o ato de lançamento estão sujeitos a erros e equívocos e que nesse contexto, é natural que se cogite uma revisão da glosa da compensação com o objetivo de afastar cobrança indevida; (v) requer que após realização de diligência seja declarada homologada a compensação realizada, cancelando se a cobrança do tributo, de juros e de multa; (vi) ao final, por economia processual, requer ainda, que sejam julgados conjuntamente diversos processos que relaciona. Em Primeiro Grau a DRJ/SP1 julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos termos do Acórdão nº 16033.885. O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau, sustentando que o crédito teve origem em levantamento contábil das receitas auferidas e de nova apuração das contribuições devidas, considerando que suas receitas se submetem a tributação tanto no regime cumulativo quanto no não cumulativo; que por um mero equivoco na interpretação da legislação atinente a PIS/COFINS, a Recorrente entendia que todas as receitas por ela auferidas deveriam estar sujeitas à sistemática cumulativa, que assim foram declaradas em DCTF e quitadas via DARF.; que retificou o DACON; que a falta de DCTF retificadora não tem o condão de legitimar a cobrança de tributo, levandose em consideração toda a documentação disponibilizada ao Fisco, vindo ao encontro da jurisprudência do CARF sobre o assunto; apela novamente para o princípio da verdade material e a possibilidade de conversão do julgamento em diligência. É o relatório. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10880.675274/200999 Resolução nº 3401001.560 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.559, de 26 de novembro de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.675272/200908, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.559 "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A manifestação inicial da interessada envolve em suas razões de defesa todo o período do levantamento de crédito a ser ressarcido e passível de compensação, composto por uma série de processos, requerendo inclusive, o ajuntamento dos mesmos para que sejam julgados de forma unificada. Diante da negativa colocada pela DRJ/SP1 para julgamento único, por se tratar de créditos envolvendo períodos de apuração distintos, passa então, a Recorrente, em seu recurso, a tratar do crédito pleiteado para o período de apuração 05/2004, destacandose os seguintes pontos: que a atividade explorada pela Recorrente é diversificada, conforme se depreende da cópia do Contrato Social anexada aos autos e tem por atividade empresarial, precipuamente, o desenvolvimento e a exploração do ramo de hotelaria, restaurantes e bares, o desenvolvimento de empreendimentos turísticos em geral, incluída a área de convenções e a prestação de serviços relativos a área de alimentação, bebidas, incluindo banquetes e serviços correlatos, entre outras atividades; que as receitas auferidas com a prestação de serviços de hotelaria permanecem submetidas a apuração cumulativa do PIS, nos moldes da Lei nº 9.718/1998, sob a alíquota de 0,65% e todas as demais receitas estão submetidas ao regime não cumulativo com incidência do PIS sob a alíquota de 1,65%; que toda a segregação de valores das receitas auferidas no mês de maio de 2004, com identificação de sua natureza estão detalhadas no Livro Razão Analítico (anexo), além de ter sido alteradas no DACON retificador, também trazido aos autos; reconhece não ter observado o prazo de 5(cinco) anos para retificar informações declaradas em DCTF, mas todos os dados e informações pertinentes podem ser conferidos pela documentação trazida aos autos (Livro Razão Analítico, Balancete, DACON retificador e planilha de controle de impostos; Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10880.675274/200999 Resolução nº 3401001.560 S3C4T1 Fl. 5 4 O que se depreende dos fatos aqui discutidos, são questões de procedimento de atribuição da contribuinte, quanto a correta apuração da Contribuição devida ao PIS/PASEP do período de apuração 05/2004. Inicialmente a Recorrente, conforme manifestação expressa, havia submetido a totalidade de seu faturamento do período mencionado (05/20054), a sistemática cumulativa (código 8109), quando parte desse faturamento estava sujeito a sistemática não cumulativa. O cálculo de incidência cumulativa deveria atingir somente a receita de serviços de hotelaria, conforme previsto na Lei 10.833/2003, art. 10, XXI e as demais receitas ficariam sujeitas a incidência não cumulativa, a teor do art.15, V,.da mesma lei. A princípio, as provas carreadas aos autos dão conta do que está sendo sustentado pela Recorrente, inclusive, com relação a ausência de DCTF retificadora. Eventuais erros de conduta formal do contribuinte não lhe retiram o direito ao princípio da busca pela verdade material no processo administrativo e da busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Casos semelhantes e recorrentes transitam pelo CARF, cujos julgados nos fornecem diretrizes de procedimento, como se colhe da decisão em destaque: Portanto, erro de preenchimento de DCTF não retira o direito ao crédito quando há outros elementos de prova que podem ser alcançadas em busca da verdade material no processo administrativo tributário. Ante o exposto, resolvem os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência para a repartição de origem de modo que seja informado e providenciado o seguinte: Confirmar se os valores informados no DACON Retificador do Período de Apuração Maio/2004, conferem com a realidade contábil da Contribuinte conforme Livro Razão e Planilha de Controle de Impostos, contidos nos autos; Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10880.675274/200999 Resolução nº 3401001.560 S3C4T1 Fl. 6 5 Após o confronto do item 1, identificar a efetiva existência do crédito pleiteado na PER/DCOMP nº 23370.59930.200206.1.3.040283 e promover a compensação de débitos na forma requerida; Elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando conhecimento a Recorrente e abrindo prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, manifestarse, retornando, em seguida, os autos a este Conselho Administrativo para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que seja informado e providenciado o seguinte: · Confirmar se os valores informados no DACON Retificador do Período de Apuração em referência, conferem com a realidade contábil da Contribuinte conforme Livro Razão e Planilha de Controle de Impostos, contidos nos autos; · Após o confronto do item 1, identificar a efetiva existência do crédito pleiteado na PER/DCOMP em apreço e promover a compensação de débitos na forma requerida; · Elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando conhecimento a Recorrente e abrindo prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, manifestarse, retornando, em seguida, os autos a este Conselho Administrativo para prosseguimento do julgamento." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 305DF CARF MF
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