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Numero do processo: 10880.977985/2009-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.624
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.925294/2009-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.925294/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 77 98 5/ 20 09 -0 3 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10880.977985/200903 Resolução nº 1201000.624 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação cujo crédito é decorrente de pagamento a maior que o devido. No despacho decisório o direito creditório não foi reconhecido porque o pagamento em questão fora integralmente utilizado na quitação de débito devidamente declarado. Foi protocolada manifestação de inconformidade em que foi alegado que o crédito tinha origem em "antecipações" de CSLL do anocalendário de 2003. Também, que: ao final do ano de 2003 foi apurado prejuízo fiscal e que então a empresa passou a ter o direito de compensar os créditos; o crédito utilizado na PER/DCOMP foi informado tomandose como base o DARF recolhido, quando na verdade deveria ter sido utilizado o "Saldo Negativo" de CSLL; "foram feitas as devidas correções na DIPJ, onde equivocadamente não havia sido lançado o 'Saldo Negativo' de CSLL, porém todas as antecipações foram informadas bem como o resultado (prejuízo) do exercício". A manifestação foi considerada improcedente uma vez que, "os equívocos como o relatado pela contribuinte não são apenas formais, tendo inúmeras implicações materiais, pois, dependendo do tipo de crédito informado, o procedimento de análise é diferenciado, requerendo, inclusive, maiores detalhamento e comprovação por parte do contribuinte". Consta ainda de decisão que "não há como acatar a solicitação da contribuinte de se considerar que o crédito utilizado no PER/DCOMP é parte da composição do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003". No Recurso Voluntário foi alegado que a) "o artigo 4° da IN/SRF n° 600/2005, vigente à época dos fatos, estabelecia expressamente que a autoridade fiscal deveria determinar a realização de diligencia fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que fosse verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. No caso em tela, este procedimento não foi adotado"; b) "... na hipótese de ocorrer erro no preenchimento de DCTF, e/ou de DIPJ, que não corresponda à verdade dos fatos como ocorre no caso sub examine o contribuinte estará sendo privado de fazer valer um direito seu, direito este amparado por nosso Código Tributário Nacional e pela legislação ordinária"; c) "... tendo ocorrido manifesto erro de preenchimento de declaração, caracterizando o erro de fato, e tendo em vista que o despacho decisório e o acórdão recorrido Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10880.977985/200903 Resolução nº 1201000.624 S1C2T1 Fl. 4 3 não foram prolatados com fundamento na verdade material dos fatos, requerse desde já a decretação da nulidade do acórdão recorrido, para que outro seja lavrado levandose em consideração os princípios do Direito Tributário" d) "... o crédito utilizado na PERD/COMP foi informado tomandose como base o 'DARF recolhido', enquanto o correto deveria ter sido o 'Saldo Negativo de CSLL'"; e) "... foram feitas as devidas retificações na DIPJ, na qual equivocadamente não havia sido lançado o saldo negativo de CSLL"; f) "... todas as antecipações foram informadas, bem como o resultado (negativo) do exercício"; g) "tendo em vista a clareza do mero erro formal perpetrado, com fundamento no comezinho principio tributário da verdade material, é imperioso que se considere que o crédito utilizado é parte da composição do saldo negativo de CSLL da DIPJ/2003". É o relatório. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10880.977985/200903 Resolução nº 1201000.624 S1C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.619, de 16/10/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10880.925294/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.619): "Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Mérito. Segundo o recorrente, o crédito indicado na Dcomp referese a pagamento de estimativa. No entanto, esse pagamento foi considerado para compor o saldo negativo do período conforme parte da DIPJ (ficha 12A) constante dos autos, este a efetiva origem do crédito. Ocorre que não consta dos autos a DIPJ integral do período, assim como as DCTFs correspondentes, pelo que não é possível verificar o total dos valores pagos por estimativa e se conferir o valor do saldo negativo do ano em tela. Fazse pois necessária a juntada aos autos da DIPJ integral do período e a demonstração do saldo negativo apurado. Conclusão. Em face do exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para: a) que sejam juntadas as cópias da DIPJ e da DCTF (e eventuais retificadoras) do período correspondente; b) confirmação dos pagamentos/compensações das estimativas que compuseram o saldo negativo; c) verificação quanto à não utilização desse saldo negativo em outras Dcomps; O contribuinte poderá ser intimado a prestar esclarecimentos, a juízo da autoridade diligenciante. A conclusão deverá constar de relatório circunstanciado do qual se dará ciência ao interessado para que, querendo, se manifeste no prazo de trinta dias. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10880.977985/200903 Resolução nº 1201000.624 S1C2T1 Fl. 6 5 Com ou sem a manifestação do interessado, os autos deverão retornar a este colegiado para julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18108.000620/2007-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/01/1998
DECADÊNCIA QUINQUENAL.
Segundo a Súmula Vinculante n. 8 do Supremo Tribunal Federal, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias é de 5 anos.
DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. APLICAÇÃO DA REGRA DECADENCIAL DO ARTIGO 150, §4º, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
Nos termos da Súmula CARF nº 99, para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração..
Numero da decisão: 2301-005.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência do poder-dever de constituir o crédito tributário nos períodos de apuração anteriores a setembro de 2002. Ausente momentaneamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (Suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/01/1998 DECADÊNCIA QUINQUENAL. Segundo a Súmula Vinculante n. 8 do Supremo Tribunal Federal, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias é de 5 anos. DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. APLICAÇÃO DA REGRA DECADENCIAL DO ARTIGO 150, §4º, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Nos termos da Súmula CARF nº 99, para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração..
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Segundo a Súmula Vinculante n. 8 do Supremo Tribunal Federal, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias é de 5 anos. DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. APLICAÇÃO DA REGRA DECADENCIAL DO ARTIGO 150, §4º, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Nos termos da Súmula CARF nº 99, para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência do poderdever de constituir o crédito tributário nos períodos de apuração anteriores a setembro de 2002. Ausente momentaneamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 10 8. 00 06 20 /2 00 7- 91 Fl. 148DF CARF MF 2 Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (Suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de crédito lançado contra os contribuintes acima identificados, que de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 34/35, referese às contribuições previdenciárias devidas pela empresa relativas a parte dos segurados, empresa, e para o financiamento da complementação das prestações por acidente do trabalho — SAT, exigidas por meio do instituto da responsabilidade solidária, em razão da contratação de prestador de serviço CLÍNICA MENA BARRETO S/C LTDA, com cessão de mãodeobra, sem a devida apresentação dos recolhimentos específicos para elisão da responsabilidade solidária, conforme previsão contida nos §§ 3° e 6° do artigo 31 da Lei n° 8.212/91. O período do lançamento compreende: 01/1997 a 01/1998. Foram examinados os Livros Diário do período onde estão lançadas as notas fiscais de prestação de serviço. Os valores das notas fiscais e seus respectivos números, bem como o salário de contribuição aferido à base de 40% do valor das notas fiscais estão devidamente demonstrados no Relatório de Lançamentos. Ciente da exigência em 24/10/2007, conforme consta do AR (fl. 37), a prestadora apresentou defesa (fls. 39/44), alegando: (i) cerceamento de defesa, pois recebeu apenas e tão somente o Relatório de Lançamentos da NFLD, cuja cópia anexa à presente defesa; (ii) deve ser observado o prazo decadencial de cinco anos, conforme entendimento recente confirmado pela Corte Especial do Colendo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n° 616348, que julgou inconstitucional o art. 45 da Lei n° 8.212/91; e (iii) "... a prestação de serviço foi realizada pelos próprios sócios à tomadora do serviço, bem como, há de se considerar a inexistência de funcionário da impugnante nesta empresa, mesmo porque todos os impostos relativos a este empregado foram devidamente recolhidos". Junta os seguintes documentos (fls. 45/68): procuração, cópias do instrumento particular de contrato social e da NFLD (FLD, REPLEG, VÍNCULOS, RELATÓRIO FISCAL, ROSTO DA NFLD, IPC, DAD, RL e DSD). A tomadora contestou o lançamento tempestivamente por meio do documento de fls. 71/75, alegando que ocorreu a decadência com relação aos créditos previdenciários não constituídos no prazo de cinco anos. É letra morta a disposição contida nos art. 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, por contrariar norma hierarquicamente superior (CTN). Esse entendimento foi confirmado pela Corte Especial do Colendo Superior Tribunal de Justiça, através do Recurso Especial n° 616348. Em 15 de maio de 2008, o Acórdão da DRJ de n. 1724.998 (fls. 93 e ss) julgou o lançamento procedente em parte. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 18108.000620/200791 Acórdão n.º 2301005.678 S2C3T1 Fl. 3 3 Em 22 de agosto de 2008, o ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 112 e ss) alegando a decadência quinquenal. Em 3 de setembro de 2008, a responsável solidária, Clinica Mena Barreto Ltda, interpôs Recurso Voluntário (fls. 117 e ss) alegando a decadência quinquenal. Em 15 de agosto de 2013, a 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF emitiu a Resolução nº 2301000.409, pela qual o julgamento foi convertido em diligência, a fim de que o fisco: a) informe se ocorreram recolhimentos parciais nas competências existentes no lançamento; e b) anexe a decisão que anulou lançamento original, conforme informado no Relatório Fiscal. Em resposta à diligência (fls. 142 e ss), a unidade de origem confirmou a existência de pagamentos parciais para os períodos em questão, em que pese não tenha sido juntada a decisão que anulou o lançamento original. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Considerando que foi declarada a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 pelo Supremo Tribunal Federal STF na Súmula Vinculante nº8, de 12/06/2008, de eficácia retroativa para os contribuintes com solicitações administrativas apresentadas até a data do julgamento da referida Súmula, os créditos da Seguridade Social relativos ao período de 01/01/1997 a 31/01/1998 devem ser cancelados, uma vez que o lançamento tributário ocorreu após o lapso temporal quinquenal. Constatada na resposta à diligência (fls. 142 e ss) que houve pagamentos parciais de contribuição para os períodos autuados, a regra decadencial a ser aplicada é a do artigo 150, §4º, do CTN, sendo que o entendimento de aplicação do artigo 150, §4º, do CTN quando houver recolhimentos consta inclusive na Súmula CARF nº 99, "in verbis": Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Ante o exposto, aplicase a regra decadencial do artigo 150, §4º, do CTN, de modo que todos os fatos geradores anteriores a setembro de 2002 se encontram atingidos pela Fl. 150DF CARF MF 4 decadência, uma vez que o prazo de cinco anos para constituição do crédito tributário se encerrou em setembro de 2002, ao passo que a cientificação do auto de infração se deu em setembro de 2007 (fls. 5). Com base no exposto, voto por conhecer o Recurso Voluntário e darlhe parcial provimento para reconhecimento da decadência das competências até setembro de 2002. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 151DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.722674/2017-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 30/12/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO ALEGADO.
A impugnação deve vir acompanhada de prova documental que ratifique as alegações apresentadas.
CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA SOBRE REMUNERAÇÃO DE FRETISTAS. AUSÊNCIA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO.
A contribuição da empresa prevista na Lei nº 8.212/1991, art. 22, III, incide sobre a remuneração de segurados contribuintes individuais que prestam serviços de frete, a qual corresponde a 20% do rendimento bruto percebido. Não pode ser reputado como indenização parte da remuneração recebida, sob a alegação de que consiste em reparação por casos fortuitos ocorridos, principalmente quando esses fatos não são comprovados.
TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS, AVISO PRÉVIO INDENIZADO E OS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIO-DOENÇA. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA. RECURSO REPETITIVO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
Em face da natureza eminentemente não remuneratória das verbas denominadas terço constitucional de férias, aviso prévio indenizado e os quinze dias que antecedem o auxílio-doença, na forma reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial nº 1.230.957/RS, julgado sob a indumentária do artigo 543C, do CPC, o qual é de observância obrigatória por este Colegiado nos termos do artigo 62, § 2º, do RICARF, não há se falar em incidência de contribuições previdenciárias sobre aludidas rubricas, impondo seja rechaçada a tributação imputada.
INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO-MATERNIDADE. SALÁRIO-PATERNIDADE. HORAS EXTRAS.
De acordo com a Lei nº 8.212/1991, art. 28, §2º, incide contribuição previdenciária sobre o salário-maternidade. O Superior Tribunal de Justiça - STJ também se manifestou pela incidência da contribuição sobre essa verba no julgamento do Recurso Especial - REsp 1.230.957/RS, sob o rito dos recursos repetitivos. Incide contribuição previdenciária sobre o salário-paternidade, entendimento expresso na Solução de Consulta nº 122/2015 emitida pela Coordenação Geral de Tributação - COSIT. Incide contribuição previdenciária sobre as horas extras e respectivo adicional, por se tratar de verba paga em retribuição pela prestação do trabalho. O STJ também já decidiu nesse sentido no julgamento do Recurso Especial - REsp 1.358.281.
INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GRATIFICAÇÕES.
Verbas pagas mensalmente, semestralmente ou anualmente, como prêmio de incentivo ao empregado, por desempenho ou tempo de serviço, integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. Incide essa contribuição sobre gratificação ajustada paga em razão da admissão do empregado, a qual decorre do contrato de trabalho e não tem natureza eventual.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÕES EM MEIO DIGITAL DE ACORDO COM O LEIAUTE. PRESTAÇÃO DEFICIENTE. PENALIDADE. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NULIDADE. ARTIGO 12, II, DA LEI 8.218/91.
Deixar de apresentar informações em meio digital de acordo com o leiaute previsto no manual normativo de arquivos digitais constitui infração aos dispositivos da legislação previdenciária. A adoção de dispositivo diverso (art. 12, II, da Lei 8.218/91) constitui causa de nulidade de auto de infração. In casu há uma falha grave na fundamentação jurídica para a lavratura do auto de infração. O auto foi lavrado com o Código de Fundamentação Legal (CFL) 22, ao invés do Código CFL 35, que determina corretamente a aplicação da penalidade constante no inciso III do artigo 32 da Lei 8.212/91. O art. 112 do CTN assevera que a penalidade aplicada deverá ser aquela mais favorável ao acusado quando houver dúvida sobre a capitulação legal do fato, à natureza ou às circunstâncias materiais do fato ou, ainda, quanto à natureza ou extensão dos seus efeitos.
Numero da decisão: 2402-006.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial ao recurso voluntário para excluir do Auto de Infração os valores relativos ao 13º salário sobre o aviso prévio indenizado e sobre o terço de férias e para afastar as Multas por descumprimento de obrigações acessórias - Infrações F e G do Relatório Fiscal (CFL 21 e CFL 22). Vencido o conselheiro Luis Henrique Dias Lima que deu provimento em menor extensão. Manifestou interesse em apresentar declaração de voto o conselheiro Luis Henrique Dias Lima.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente)
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 30/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO ALEGADO. A impugnação deve vir acompanhada de prova documental que ratifique as alegações apresentadas. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA SOBRE REMUNERAÇÃO DE FRETISTAS. AUSÊNCIA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. A contribuição da empresa prevista na Lei nº 8.212/1991, art. 22, III, incide sobre a remuneração de segurados contribuintes individuais que prestam serviços de frete, a qual corresponde a 20% do rendimento bruto percebido. Não pode ser reputado como indenização parte da remuneração recebida, sob a alegação de que consiste em reparação por casos fortuitos ocorridos, principalmente quando esses fatos não são comprovados. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS, AVISO PRÉVIO INDENIZADO E OS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIO DOENÇA. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA. RECURSO REPETITIVO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Em face da natureza eminentemente não remuneratória das verbas denominadas terço constitucional de férias, aviso prévio indenizado e os quinze dias que antecedem o auxíliodoença, na forma reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial nº 1.230.957/RS, julgado sob a indumentária do artigo 543C, do CPC, o qual é de observância AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 26 74 /2 01 7- 13 Fl. 35753DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.754 2 obrigatória por este Colegiado nos termos do artigo 62, § 2º, do RICARF, não há se falar em incidência de contribuições previdenciárias sobre aludidas rubricas, impondo seja rechaçada a tributação imputada. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO MATERNIDADE. SALÁRIOPATERNIDADE. HORAS EXTRAS. De acordo com a Lei nº 8.212/1991, art. 28, §2º, incide contribuição previdenciária sobre o saláriomaternidade. O Superior Tribunal de Justiça STJ também se manifestou pela incidência da contribuição sobre essa verba no julgamento do Recurso Especial REsp 1.230.957/RS, sob o rito dos recursos repetitivos. Incide contribuição previdenciária sobre o salário paternidade, entendimento expresso na Solução de Consulta nº 122/2015 emitida pela Coordenação Geral de Tributação COSIT. Incide contribuição previdenciária sobre as horas extras e respectivo adicional, por se tratar de verba paga em retribuição pela prestação do trabalho. O STJ também já decidiu nesse sentido no julgamento do Recurso Especial REsp 1.358.281. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GRATIFICAÇÕES. Verbas pagas mensalmente, semestralmente ou anualmente, como prêmio de incentivo ao empregado, por desempenho ou tempo de serviço, integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. Incide essa contribuição sobre gratificação ajustada paga em razão da admissão do empregado, a qual decorre do contrato de trabalho e não tem natureza eventual. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÕES EM MEIO DIGITAL DE ACORDO COM O LEIAUTE. PRESTAÇÃO DEFICIENTE. PENALIDADE. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NULIDADE. ARTIGO 12, II, DA LEI 8.218/91. Deixar de apresentar informações em meio digital de acordo com o leiaute previsto no manual normativo de arquivos digitais constitui infração aos dispositivos da legislação previdenciária. A adoção de dispositivo diverso (art. 12, II, da Lei 8.218/91) constitui causa de nulidade de auto de infração. In casu há uma falha grave na fundamentação jurídica para a lavratura do auto de infração. O auto foi lavrado com o Código de Fundamentação Legal (CFL) “22”, ao invés do Código CFL “35”, que determina corretamente a aplicação da penalidade constante no inciso III do artigo 32 da Lei 8.212/91. O art. 112 do CTN assevera que a penalidade aplicada deverá ser aquela mais favorável ao acusado quando houver dúvida sobre a capitulação legal do fato, à natureza ou às circunstâncias materiais do fato ou, ainda, quanto à natureza ou extensão dos seus efeitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 35754DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.755 3 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial ao recurso voluntário para excluir do Auto de Infração os valores relativos ao 13º salário sobre o aviso prévio indenizado e sobre o terço de férias e para afastar as Multas por descumprimento de obrigações acessórias Infrações F e G do Relatório Fiscal (CFL 21 e CFL 22). Vencido o conselheiro Luis Henrique Dias Lima que deu provimento em menor extensão. Manifestou interesse em apresentar declaração de voto o conselheiro Luis Henrique Dias Lima. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente) Relatório Cuidase de Recurso Voluntário, de fls. 35.683 usque 35.721, tomado contra Acórdão de fls. 35.606/35.633, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário conforme lançado. Por bem delinear a causa até a interposição do Recurso, fazse necessária a transcrição do relatório da r. decisão objurgada, nos seguintes termos: 1 LANÇAMENTO Tratase de processo no nome da contribuinte em epígrafe, doravante mencionada simplesmente como contribuinte ou empresa, por meio do qual foi formalizado crédito tributário incluindo o período 04/2012 a 12/2013 e 13/2013, o qual se refere a quatro Autos de Infração: AUTO DE INFRAÇÃO 1 (fls. 2/18) No primeiro Auto de Infração, as contribuições foram lançadas conforme a seguir: Fl. 35755DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.756 4 Consta no Relatório Fiscal: Infração A A empresa foi reintimada a apresentar sua folha de pagamento digital, formato do Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD, uma vez que na primeira apresentada foi constatada a ausência dos segurados contribuintes individuais. A folha de pagamento apresentada depois da reintimação, contudo, continuou sem informações relativas a contribuinte individuais. Na análise da escrituração contábil digital da empresa, anos 2012 e 2013, foram detectadas contas de despesas relacionadas a pagamentos de frete, todavia os históricos dos lançamentos contábeis denotam haver pagamentos a pessoas físicas e a pessoas jurídicas. Assim, não foi possível a identificação dos fatos geradores das contribuições incidentes sobre as remunerações de contribuintes individuais prestadores de serviço de frete. Foi, então, solicitada à contribuinte relação dos transportadores autônomos e suas respectivas remunerações mensais. Ela apresentou planilha, com a base de cálculo corresponde a 20% (vinte por cento) da remuneração bruta percebida pelo serviço prestado. A Auditoria fez o cruzamento desses valores com aqueles informados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Fl. 35756DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.757 5 Social – GFIP, detectando diferenças que foram lançadas, conforme Planilha 04. Infração B Por meio de informação na GFIP, a empresa se enquadrou na alíquota RAT prevista no inciso II do art. 22 da Lei nº 8.212/1991 conforme a atividade preponderante de cada estabelecimento, havendo alguns com 2% (dois por cento) e outros com 3% (três por cento). Embora tenha sido verificado no sistema corporativo da Receita Federal do Brasil (SISCOL) que o Fator Acidentário de Prevenção – FAP da empresa para o ano de 2013 é 0,6451, nas GFIP das competências 01/2013 a 13/2013, a empresa informou valores de FAP entre 0,5000 e 0,53000, criando divergências entre o valor efetivamente devido e o declarado da contribuição GILRAT. Assim, foram lançadas as diferenças entre o GILRAT declarado e o efetivamente devido, por estabelecimento, cujos valores constam na Planilha 03. Infrações C e C1 Do cruzamento das remunerações contidas nas folhas de pagamento apresentadas em meio digital, formato MANAD, com as informações prestadas em GFIP, a Auditoria constatou que parte da remuneração dos segurados empregados deixou de compor a base de cálculo declarada. Foram então lançadas as contribuições previstas nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212/1991 sobre essas diferenças não declaradas. A Alíquota GILRAT considerada foi aquela referente ao CNAE resultante do autoenquadramento da empresa, efetuado em suas GFIP. O comparativo entre os valores declarados e os valores das folhas de pagamento encontrase na Planilha 05. Infrações D e D1 Nas folhas de pagamento apresentadas, foi constatado o pagamento de remuneração aos empregados sob a rubrica 1695 – Gratificação Liberalidade. Instada a esclarecer a natureza desses valores, a empresa informou que se trata de uma gratificação paga para incentivar os empregados, a qual entende ser uma liberalidade. Conforme dito pela empresa, o pagamento “pode ser feito em um mês, semestre ou ano pelo empregador ao empregado”. Por não se tratar de ajuda de custo por transferência, conforme inicialmente previsto pela empresa, mas sim de uma gratificação de incentivo, os valores foram considerados bases de cálculo das contribuições previstas na Lei nº 8.212/1991, art. 22, I e II, que foram lançadas. Fl. 35757DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.758 6 Para o lançamento da GILRAT, foi considerado o autoenquadramento da empresa no CNAE, conforme GFIP apresentadas. Os valores pagos a título dessa gratificação encontramse discriminados na Planilha 06. Infrações E e E1 As Auditoras Fiscais apuraram que, na escrituração contábil do ano de 2013, a empresa registrou nas rubricas contábeis 33102010 (Salários), 33102030 (Horas Extras), 33103010 (Férias), 33103020 (13º Salário) e 33102040 (Gratificações Funcionários) valores que não constam nas folhas de pagamento apresentadas e não foram declarados em GFIP. Tais valores foram identificados em contas de despesa, pelos históricos dos lançamentos, e tiveram reflexos no resultado contábil. Os lançamentos contábeis que evidenciam o reconhecimento das despesas pela empresa encontramse discriminados na Planilha 08. Na Planilha 09, constam a composição da base de cálculo, as alíquotas e as contribuições lançadas (Lei nº 8.212/1991, art. 22, I e II). Como não é possível a identificação dos estabelecimentos a que se referem os lançamentos contábeis, foi aplicada a alíquota RAT de 3% (três por cento), ajustada pelo FAP da empresa para 2013: 0,6451. AUTOS DE INFRAÇÃO 2 (fls. 19/42) E 3 (fls. 43/56) As contribuições lançadas no Auto de Infração 2 corresponderam às seguintes infrações: Fl. 35758DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.759 7 A empresa se enquadra no código do Fundo da Previdência e Assistência social – FPAS 507 – Indústria, incidindo sobre as remunerações dos segurados empregados que lhes prestam serviços as contribuições destinadas às seguintes entidades: FNDE (Salário Educação), INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE. A contribuinte celebrou convenio com o SESI e o SENAI que acoberta os estabelecimentos situados nos estados de Pernambuco, Sergipe e Ceará. Há, também, convenio apenas com o SENAI para as empresas do estado da Paraíba. Nesses convênios constam cláusulas prevendo o recolhimento direto a essas entidades, desobrigando a contribuinte do recolhimento em Guia da Previdência Social – GPS e da declaração em GFIP. Quando contrata serviços de transporte (frete) com pessoas físicas (transportador autônomo), a empresa se obriga ao desconto e recolhimento das contribuições desse segurado (contribuinte individual) destinadas ao SEST e ao SENAT. Infrações A e A1 A base de cálculo das contribuições para o SEST e SENAT foram apuradas a partir das planilhas de Fl. 35759DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.760 8 remunerações dos transportadores autônomos entregues à Auditoria Fiscal, correspondendo a 20% (vinte por cento) do valor bruto pago pelos serviços prestados. Os valores das planilhas foram comparados com aqueles informados em GFIP e foram lançadas as diferenças não declaradas, demonstradas na Planilha 04. Infrações C2, C3, C4, C5 e C6 Essas infrações correspondem às contribuições de terceiros que incidiram sobre as mesmas bases de cálculo descritas nas infrações C e C1 (valores encontradas nas folhas de pagamento e não declaradas em GFIP). Na Planilha 05 foi apresentado o comparativo entre a base de cálculo apurada pelas autoridades fiscais e aquelas informadas em GFIP. Infrações D2, D3, D4, D5 e D6 Essas infrações correspondem às contribuições de terceiros que incidiram sobre as mesmas bases de cálculo descritas nas infrações D e D1 (Gratificação Liberalidade). Na Planilha 06 encontramse demonstrados os valores pagos a título dessa gratificação, as alíquotas e os valores das contribuições lançadas. Infrações E3, E4, E5, E6 e E7 Essas infrações correspondem às contribuições de terceiros que incidiram sobre as mesmas bases de cálculo descritas nas infrações E, E1 e E2 (rubricas contábeis 33102010 Salários, 33102030 Horas Extras, 33103010 Férias, 33103020 13º Salário e 33102040 Gratificações Funcionários). Na Planilha 07 estão relacionados os lançamentos contábeis e as remunerações. Como, pelo registro contábil, não foi possível a identificação dos estabelecimentos a que se referem os lançamentos, foi utilizada a alíquota total de 5,8% (cinco vírgula oito por cento), correspondente às seguintes entidades: FNDE (2,5%), INCRA (0,2%), SENAI (1%), SESI (1,5%) e SEBRAE (0,6%). AUTO DE INFRAÇÃO 4 (fls. 58/61) As multas por descumprimento de obrigações acessórias referemse às seguintes infrações: Fl. 35760DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.761 9 Infração F Regularmente intimada a apresentar as folhas de pagamento dos anos 2012 e 2013 em meio digital, no formato MANAD, a contribuinte apresentou arquivos digitais do ano de 2012 sem os registros de informações “K200 – Contabilização da Folha de Pagamento”. Assim, ela entregou tais arquivos sem atender à forma estabelecida pela Instrução Normativa MPS/SRP nº 12/2006 (MANAD), descumprindo o disposto no art. 11, §§ 3º e 4º, da Lei nº 8.218/1991. A multa para a infração descrita no parágrafo anterior está estabelecida no art. 12, I e parágrafo único, da Lei nº 8.218/1991 e corresponde a 0,5% (meio por cento) do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período (anocalendário em que as operações foram realizadas). A receita bruta foi apurada na contabilidade da empresa. Infração G Embora tenha sido intimada a apresentar as folhas de pagamentos dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, nas folhas de pagamento em meio digital apresentadas pela contribuinte, não constam as remunerações dos segurados contribuintes individuais. Foram, portanto, omitidas parcialmente as informações solicitadas, em desobediência ao art. 11, §§ 3º e 4º da Lei nº 8.218/1991. Para o cálculo da multa aplicada, foram consideradas as remunerações dos segurados contribuintes individuais, transportadores autônomos, constantes na planilha fornecida pela empresa, em atendimento ao Termo de Intimação nº 05. Apesar de a contribuinte ter dito que os únicos contribuintes individuais que lhe prestaram serviços foram transportadores autônomos, ela também remunerou outros profissionais autônomos, conforme constatado nas GFIP dos anos 2012 e 2013. Nessas GFIP foram declaradas remunerações de contribuintes individuais classificados na categoria 13. A multa por omissão de informações nos arquivos digitais solicitados está estabelecida no art. 12, II e parágrafo único, da Lei nº 8.218/1991: 5% (cinco por cento) sobre o valor da operação correspondente, limitada a 1% (um por cento) da receita bruta da pessoa jurídica no período. Uma vez que não foi atingido esse limite, no caso, foi aplicada a multa de 5% do valor da operação. Infração H A Auditoria Fiscal identificou guias de recolhimento com o código 2909 (Reclamatória Trabalhista), motivo pelo qual solicitou a apresentação de cópias das ações trabalhistas Fl. 35761DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.762 10 relativas aos anos de 2012 e 2013: inicial, sentença, acordo, GPS e GFIP. Mesmo depois de várias prorrogações e reintimações, a contribuinte não apresentou os documentos referentes a parte das ações judiciais de 2012 e não apresentou nenhum documento do ano de 2013. Ao não apresentar os documentos relacionados às reclamatórias trabalhistas, a contribuinte cometeu a infração capitulada no art. 33, §§ 2º e 3º, da Lei nº 8.212/1991 e nos arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social –RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999. A aplicação da multa baseouse na Lei nº 8.212/91, arts. 92 e 102, e no RPS, art. 283, II, “j”, e art. 373, sendo calculada em seu valor mínimo, atualizado pela Portaria MF nº 8/2017, ou seja, R$.22.840,21 (vinte e dois mil, oitocentos e quarenta reais e vinte e um centavos). Infração H Foram constatados pagamentos a título de frete em várias rubricas contábeis identificadas pelas autoridades fiscais no relatório, contudo sem a identificação nos registros contábeis se tais pagamentos se referem a pessoas físicas ou jurídicas. Além disso, nas contas relacionadas à contabilização da folha de pagamento (33102010 – Salários e 33103010 – Férias) são lançadas despesas que compõem e que não compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Foi concluído, então, que a empresa não registra em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições. Assim, infringiu o art. 32, II, da Lei nº 8.212/1991, c/c art. 225, II e §§ 13 a 17, do RPS. A aplicação da multa baseouse na Lei nº 8.212/91, arts. 92 e 102, e no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, art. 283, II, “a”, e art. 373, tendo sido calculada em seu valor mínimo, atualizado pela Portaria MF nº 8/2017, ou seja, R$.22.840,21 (vinte e dois mil, oitocentos e quarenta reais e vinte e um centavos). ACRÉSCIMOS LEGAIS APLICADOS Sobre as contribuições lançadas nos Autos de Infração, foram aplicados juros de mora, com base no art. 61, §3º, da Lei nº 9.430/1996, e multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996. 2 IMPUGNAÇÃO A ciência eletrônica da empresa se deu em 26/04/2017, conforme Termo de Ciência de Abertura de Mensagem de fls. 35.425. Em 25/05/2017, foi apresentada impugnação, na qual foi alegado, em resumo: Fl. 35762DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.763 11 1. A partir da Emenda Constitucional nº 20/1998, a habitualidade passou a ser um elemento fundamental para configurar o pagamento feito ao empregado como salário e, consequentemente, como base de cálculo da contribuição previdenciária. A Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, art. 458, também define a habitualidade como requisito para a verba ser conceituada como salário. 2. Depreendese da Constituição Federal e da Lei nº 8.212/1991, art. 28, que verbas indenizatórias, que não configurem contraprestação por serviços prestados não compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias. 3. No julgamento do Recurso Extraordinário – RE nº 166722 9/RS, o Supremo Tribunal Federal – STF, ao definir o real alcance da expressão “folha de salários”, afastou a incidência de contribuição previdenciária sobre pagamentos a autônomos, dirigentes e trabalhadores avulsos e definiu a necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de financiamento da Seguridade Social que não aquelas definidas no art. 195, I, da Constituição Federal. 4. Nesse julgado, o STF ressaltou a importância de se observar o sentido já estabelecido para palavras e expressões, principalmente se são institutos já consagrados no Direito. Assim, não se pode incluir no conceito de remuneração parcelas indenizatórias. 5. A contribuinte recolhe a contribuição previdenciária sobre os valores creditados aos autônomos que lhe prestam serviços, informando esses valores nas GFIP. Os montantes apurados pela Auditoria não representam remuneração e sim mero reembolso de despesas em caráter excepcional, como, por exemplo, quando estradas são bloqueadas por desabamentos ou alagamentos, o que aumenta o custo do transporte. Essas importâncias têm, pois, caráter indenizatório e não configuram contraprestação de serviços. 6. Também por não representar contraprestação por serviços prestados, o aviso prévio indenizado e a correspondente parcela do 13º salário não são base de incidência da contribuição previdenciária. Esse entendimento é pacífico no Superior Tribunal de Justiça –STJ, já tendo a matéria sido objeto de julgamento sob a sistemática dos recursos repetitivos (Recurso Especial – REsp 1.230.957/RS). 7. Da mesma forma, não incide contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias, que não provém de serviço algum fornecido pelo empregado. 8. Com relação ao aviso prévio indenizado, o correspondente 13º salário e o terço constitucional de férias, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF já vem obedecendo ao posicionamento do STJ. Fl. 35763DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.764 12 9. Tampouco constituem base de cálculo das contribuições previdenciárias os valores pagos a título de saláriomaternidade e licença paternidade, pois são direito garantidos pela Constituição Federal, sem relação com a contraprestação por serviços. Nesse sentido a jurisprudência do Tribunal Regional Federal – TRF da 3ª Região. 10. Igualmente, não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de horas extras, que constituem indenização pelos prejuízos físicos e psicológicos do empregado, por ficar afastado do convívio familiar em face da longa jornada de trabalho. A jurisprudência também abona essa tese. 11. Os valores lançados como Gratificação Liberalidade correspondem a: a. Gratificações relacionadas ao tempo de casa dos funcionários, como, por exemplo, por ter gozado 20 (vinte) anos de férias, Prêmio PHEX e Prêmio Tempo de Serviço. b. Pagamentos relacionados com a admissão dos funcionários, pagos no ato da contratação, como indenização para que ele peça seu desligamento de outra empresa. Nesse caso, o funcionário sequer pertencia aos quadros da empresa. O CARF já decidiu pela não incidência de contribuição previdenciária sobre essa verba se for paga de forma espontânea. No caso, o Auditor Fiscal não comprovou que o pagamento se deu de forma compulsória. c. Bônus/Adicional de Desempenho, pagamentos efetuados por mera liberalidade, de forma eventual, aos gerentes. 12. Todas essas verbas são eventuais, não habituais, motivo pelo qual não influem na base de cálculo das contribuições previdenciárias. 13. Quanto às infrações relativas à remuneração de empregados não oferecidas à tributação (Base ECD), incluída nas planilhas 7 e 8 da fiscalização, a impugnante está diligenciando sobre o tema e, quando obtiver a documentação comprobatória, efetuará sua juntada aos autos. 14. Com respeito às multas aplicadas com base na Lei nº 8.218/1991, art. 12, I e II, as incorreções no preenchimento do CNPJ no arquivo MANAD ou valores diferentes em razão da desoneração da folha de pagamento, em sua maioria, já foram regularizados, como comprovam os anexos, não havendo prejuízo ao Erário. 15. A multa não pode ter fim meramente arrecadatório, devendo ter caráter pedagógico e inibidor de condutas infracionais. No caso, em que não houve prejuízo à arrecadação e houve boafé, com a regularização dos erros, não pode ser aplicada qualquer sanção, tendo havido o descumprimento do art. 2º da Lei Geral de Processos Administrativos Federais, que aponta os princípios a serem obedecidos. Fl. 35764DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.765 13 16. De qualquer forma, o art. 11 da Lei nº 8.218/1991 não se aplica às contribuições previdenciárias, para as quais existem disposições expressas na Lei nº 8.212/1991, especialmente seu art. 32, II, cuja redação foi dada pela Lei nº 11.941/2009. Assim, houve desrespeito ao princípio da legalidade, pois o Auto de Infração deveria ter sido lavrado com o Código de Fundamentação Legal CFL 35, com a aplicação do art. 32, III, da Lei nº 8.212/1991 e art. 283, II, do Decreto nº 3.048/1999. Há jurisprudência do CARF nesse sentido. 17. As multas exorbitantes aplicadas violam os princípios da razoabilidade e da verdade material. Ademais, havendo dúvida na aplicação das penalidades, deve prevalecer a mais benéfica ao contribuinte. 18. A impugnante pede seja declarada a insubsistência do Auto de Infração, determinandose o seu cancelamento, e protesta pela juntada de novos documentos para demonstrar a regularidade dos seus procedimentos. Em seu Recurso, reprisa a Recorrente, em boa parte, os mesmos argumentos lançados em sua peça de Defesa, tendo alterações apenas a partir de seu item 76 (fls. 35.716). A partir dele, argumenta que, em caso de que não se entenda pela aplicação da penalidade do artigo 32, a Lei nº 8.212/91, deverseia aplicar a punição de acordo com a regra do artigo 57 da MP 2.15835/2001, uma vez que mais benéfica ao contribuinte do que a norma penal aplicada pela autoridade fiscal no presente caso (artigo 12 da Lei nº 8.218/91). Além disso, a nova redação do art. 57 da MP 2.15835/01, conferida pela Lei 12.873/13, teria revogado o art. 12 da Lei nº 8.218/91, porquanto, a despeito de ser mais genérica (por abranger obrigações acessórias em sentido lato), implicaria em incompatibilidade. Assenta que não haveria dúvida de que, in casui,haveria, para o mesmo fato, dois dispositivos legais incompatíveis: "i) um deles tratando de arquivos digitais, estabelece pena de maior importância econômica; (ii) o outro, tratando de obrigações acessórias (como são, sem dúvida, as obrigações de fornecer arquivos digitais), estabelece pena menor. Logo, há uma incompatibilidade entre as disposições, de sorte que, nos termos da LICC, a norma posterior revoga a anterior." Em tal diapasão, a consequência da aplicação, para a acusação de que a Recorrente apresentou os arquivos digitais em formato diverso do pretendido pelas autoridades, seria de que, ao invés de cobrar 0,5% sobre a receita bruta, o máximo que se poderia cobrar seria R$18.000,00, isto é, 12 vezes R$1.500,00 (art. 57, inc. I, letra b, da MP 2.15835/01, com a redação da Lei 12.873/13). E, quanto a acusação de que a Recorrente teria omitido informação no arquivo digital (falta de informação sobre pagamentos a contribuintes individuais) a pena Fl. 35765DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.766 14 deveria ser de 3% sobre o valor das operações, ou seja R$322.156,46 (cf. art. 57, III, a, da MP 2.15835/01) e não R$ 536.927,45. Como segunda razão, pela necessidade de aplicação da penalidade mais benéfica, afia que o artigo 12, inc. I, da Lei nº 8.218/91 violaria o art. 97, inc. V, do Código Tributário Nacional, uma vez que imporia hipótese de incidência de multa não descrita no artigo 11 daquela Lei e, portanto, desrespeitaria o princípio da reserva legal. Assenta, às fls. 35.719: Ora, no caso, o fato atribuído à empresa (passível de punição), consiste em que a Recorrente teria entregue os arquivos em desacordo com o leiaute previsto no denominado MANAD, o que significa dizer que a mesma cumpriu o seu dever instrumental de manter escrituração à disposição do fisco e apresentar os arquivos quando intimada para tanto. O mandamento contido no art. 11 foi cumprido pela empresa. Logo nenhuma sanção poderá ser imposta com base no art. 12, I, da Lei 8.218/91 (que, de qualquer forma, é incompatível com o art. 97, inc. V, do CTN). (g.o.) Dessa forma, a aplicação do artigo 57 da MP 2.15835/01 seria mais acertado, eis que preveria melhor mandamento que permite a imposição de sanção. Colaciona trecho do Parecer Normativo nº 3/2013 da Receita Federal do Brasil, salientando que, na forma do artigo 100, inc. I, do CTN, tal parecer seria norma complementar ao direito tributário, devendo ser aplicado ao caso pelo CARF, não devendo prevalecer as penalidades referentes aos itens F e G do auto de infração. Por derradeiro, requer seja conhecido e provido o Recurso Voluntário, cancelandose integralmente as autuações, ou, alternativamente, sejam corretamente aplicadas as penalidades pelo descumprimento das obrigações acessórias. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. ADMISSIBILIDADE. Consta dos Autos Termo de Ciência por Abertura de Mensagem [Fl. 35.680], indicando que a recorrente acessou sua domicilio eletrônico e os termos do Acórdão 0840.994 6ª Turma da DRJ/FOR em 10/11/2017 às 11:36:50, uma sextafeira, data em que se considera feita a intimação nos termos do art. 23, § 2º, inciso III, alínea 'b' do Decreto nº 70.235/72. Fl. 35766DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.767 15 O Termo de Solicitação de Juntada [Fl. 35.681/35.682] registra que o Recurso Voluntário foi interposto em 12/12/2017 às 13:56:58, data em que se findaria o prazo para interposição tempestiva do Recurso. Analisando os demais requisitos intrínsecos e extrínsecos e dada sua tempestividade, votamos por conhecer do recurso. O procedimento de fiscalização teve por objeto analises quanto ao adimplemento de obrigações previdenciárias ocorridas no período compreendido entre 01/2012 a 12/2013 (incluindo as competências dos 13º salários de 2012 e 2013), gerando 03 autos de infração: Constam dos referidos autos de infração as seguintes rubricas: Fl. 35767DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.768 16 Analisando os detalhes do lançamento e a peça Recursal, verificamos que nem todos os créditos foram objeto de contestação e conforme dispõe o Decreto nº 70.235/1972, art. 17 não integrarão o contencioso. 1 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 35768DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.769 17 O conhecimento das questões em lide, dado seu grande volume, é tortuoso, mas merece registro o excelente trabalho dos auditores fiscais quanto a sistematização e detalhamento daquilo que fora lançado. A metodologia adotada pelos auditores facilitou o exercício da defesa, razão pela qual, para emissão do presente voto, adotaremos os tópicos na forma proposta pela Recorrente, conjugando matérias relacionadas e julgandoas em bloco. Tal registro referese apenas a metodologia de organização do lançamento e não ao seu conteúdo, que será objeto de analise nos próximos tópicos. 2. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE VERBAS QUE NÃO TEM CARÁTER RETRIBUTIVO. A Recorrente inicia sua incursão ruma ao reexame do decisório a quo tentando estabelecer como premissa para as análises seguintes, que a retributividade pelo trabalho é elemento essencial de subsunção dos fatos em lide à norma de incidência das contribuições previdenciárias lançadas. Essa premissa somente é aplicável se presentes as condições para identificá las nos fatos, o que se demonstra por meio de provas e demonstrações inequívocas de tal natureza e não como pressuposto de que, no caso concreto, todas as verbas pagas teriam tal natureza. 3. INFRAÇÕES A, A1 E A2 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL SOBRE VALORES PAGOS OU CREDITADOS A TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS NÃO OFERECIDOS A TRIBUTAÇÃO. Neste ponto a fiscalização entendeu que os pagamentos por serviços de transporte realizados por contribuintes individuais amoldamse a hipótese de incidência das contribuições previdenciárias de que trata o III do artigo 22 da Lei nº 8.212/912, registrando que os transportadores estão classificados como contribuintes individuais por força do disposto na alínea “g” do inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212/913. Ante a conclusão supramencionada, os agentes fiscais tomaram por base de calculo o percentual de 20% do valor total do serviço, nos termos do §154 do art. 22 da Lei nº 8.212/91 e entendendo que a Recorrente deixou de observar seu dever de incluílos em folha de 2 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: [...] III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). 3 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: [...] V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). [...] g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego;(Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). 4 § 15. Na contratação de serviços de transporte rodoviário de carga ou de passageiro, de serviços prestados com a utilização de trator, máquina de terraplenagem, colheitadeira e assemelhados, a base de cálculo da contribuição da empresa corresponde a 20% (vinte por cento) do valor da nota fiscal, fatura ou recibo, quando esses serviços forem prestados por condutor autônomo de veículo rodoviário, auxiliar de condutor autônomo de veículo rodoviário, bem como por operador de máquinas. (Incluído pela Lei nº 13.202, de 2015) Fl. 35769DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.770 18 pagamento, nos termos do inciso I do art. 325 da Lei nº 8.212/91, replicado no inciso I do art. 2256 do Regulamento da Previdência Social – RPS – aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Em contradição ao entendimento fiscal a Recorrente sustenta ter recolhido os valores do tributo que seriam incidentes sobre os pagamentos relativos a serviços de frete e que os pagamentos tomados por base para o lançamento não têm caráter remuneratório, são reembolsos de custos extraordinários com combustível e outros. A sistemática própria das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a transportadores autônomos foi estabelecida sobre a presunção de que 80% do valor representa custo da operação de transporte e apenas 20% retribuição pelo trabalho pessoal do transportador. O principal objetivo desta redução da base de cálculo do transportador autônomo é, justamente, evitar a incidência das contribuições previdenciárias sobre o valor pago pelo contribuinte a título de combustível, manutenção, depreciação do veículo entre outros, portanto, não faz sentido excluir da base de calculo os valores referidos pela Recorrente. O art. 55, § 2º, da Instrução Normativa RFB n° 971/20097 contém orientação clara quanto a impossibilidade de exclusão de tais valores, ainda que discriminados em documentos. No presente caso, ainda que admita a possibilidade de excluir tais valores sob os auspícios da tese de que tratamse de casos fortuitos, imprevistos e outros motivos que, na visão da Recorrente, não teriam caráter remuneratório tal conclusão somente poderia ser aduzida de provas contundentes e detalhadas de que tais pagamentos tiveram a motivação e destinação alegada, o que não consta dos autos. A realidade processual e a conformação legislativa referidas advoga em desfavor da Recorrente, razão pela qual votamos por negar provimento ao recurso, mantendo integralmente os lançamentos sobre os pagamentos efetuados em benefício dos transportadores autônomos a serviço da recorrente, não declarados em GFIP e não recolhidos. 5 Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; 6 Art. 225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; 7 Art. 55 (…) §2º O saláriodecontribuição do condutor autônomo de veículo rodoviário (inclusive o taxista), do auxiliar de condutor autônomo e do operador de máquinas, bem como do cooperado filiado a cooperativa de transportadores autônomos, conforme estabelecido no § 4º do art. 201 do RPS, corresponde a 20% (vinte por cento) do valor bruto auferido pelo frete, carreto, transporte, não se admitindo a dedução de qualquer valor relativo aos dispêndios com combustível e manutenção do veículo, ainda que parcelas a este título figurem discriminadas no documento. Fl. 35770DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.771 19 4 INFRAÇÕES C, C1, C2, C3, C4, C5 E C6 – VALORES DA FOLHA DE PAGAMENTO NÃO OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO CONTRIBUIÇÃO PATRONAL, GILRAT, SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE. Neste ponto entendeu a fiscalização que todas as verbas referidas nos itens C de 1 a 6 integram o saláriodecontribuição sem, no entanto, promover qualquer analise sobre sua natureza ou divergências postas em âmbito jurisprudencial e doutrinário. 4.1. 13º SOBRE O AVISO PRÉVIO INDENIZADO E TERÇO ADICIONAL DE FÉRIAS. O aviso prévio indenizado consiste em uma obrigação legal do empregador que, unilateralmente e sem justa causa, rompe o contrato de trabalho e, mesmo dispensando o trabalhador de suas atividades laborais, tem o dever de pagar o valor equivalente a 30 dias de salário a titulo de indenização. A lei prevê ainda que sobre o valor do aviso prévio indenizado resulta [proporcional aos dias de aviso] 1/12 [um doze avos] de 13º salário indenizado e 1/12 [um avos] de férias indenizadas. Sobre a matéria pairam divergências jurisprudenciais e doutrinárias não abordadas pela fiscalização. Mas, basicamente, o entendimento fiscal de casos semelhantes tem lastro no pressuposto de que o §9º do Art. 28 da Lei 8.212/91 é taxativa e ao não excluir tal verba da base de calculo do saláriodecontribuição. O STJ, tratando do 13º sobre o aviso prévio indenizado e terço adicional de férias, em 2017 alterou entendimento quanto ao tema passando a ter precedentes onde aplica interpretação mais abrangente da norma entendendo pela não incidência8 superando outros anteriores onde entendia que a Contribuição Previdenciária deve incidir sobre tais verbas9. No âmbito do CARF temos precedentes reconhecendo a não incidência de contribuição previdenciária, admitindo a exclusão de certas parcelas ainda que não estejam expressamente previstas no dispositivo legal acima mencionado, como se pode ver no acórdão nº 2803004.204, de relatoria do exConselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior. Vejamos: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. QUINZE PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO DO EMPREGADO, POR DOENÇA OU ACIDENTE. 1/3 (UM TERÇO) SOBRE FÉRIAS E AVISO PRÉVIO INDENIZADO. STJ. POSICIONAMENTO ATUAL. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DE ACORDO COM A NOVA SISTEMÁTICA LEGAL. 1. Em relação aos valores pagos pelo empregador, nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado, por doença ou acidente, assim como no que tange ao adicional de 1/3 (um terço) sobre as férias, equivocado o 8 Recursos Especiais nº 1.230.957/RS e nº 1598509/RN DJe 17/08/2017 9 REsp 1.541.803/AL, DJe de 21.6.2016 e REsp 1.569.576/RN DJe de 1º.3.2016 Fl. 35771DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.772 20 posicionamento dos julgadores da primeira instância administrativa. In casu, há que se considerar o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça STJ. 2. Na mesma direção outra recente decisão do STJ (Resp 1.230.957), que na sistemática do art. 543C do CPC (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxíliodoença, (ii) do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas; e (iii) do aviso prévio indenizado. 3. A multa de ofício foi corretamente aplicada, conforme se pode verificar do item 20 do acórdão recorrido. E tal posicionamento se repetiu em 2018 no acórdão nº 2401005.145, publicado em 13/03/2018, onde o Relator, aplicou o artigo 62, §1º, inciso II, “b” da Portaria MF nº 343/06/201510 (RICARF), votou por excluir da base de cálculo o valor relativo ao terço constitucional de férias, aviso prévio indenizado e os 15 dias que antecedem o auxiliadoença. Tais posicionamentos estão alinhados ao entendimento deste Relator, razão pela qual votamos por dar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. 4.2. SALÁRIOMATERNIDADE E LICENÇA PATERNIDADE. Alega a Recorrente que não "podem servir de base de cálculo à contribuição previdenciária e fundiária as verbas pagas às empregadas a título de saláriomaternidade, ou seja, aquilo que é devido às seguradas empregadas, trabalhadoras avulsas, empregadas domésticas, contribuintes individuais, facultativas e seguradas especiais, por ocasião do parto, nem tampouco pode incidir a contribuição previdenciária sobre a licençapaternidade, que é um direito constitucional garantido aos homens trabalhadores para que estes possam estar livres do trabalho e acompanhar os primeiros dias de vida dos seus filhos." Neste ponto é equivocada a posição da Recorrente, não é por ser um beneficio de ordem constitucional que tais verbas estariam excluídas da base de calculo da contribuição em lide. O entendimento majoritário dos tribunais superiores e do CARF quanto a tais verbas está consolidado em sentido contrário a pretensão da Recorrente, o que se pode confirmar pelo Recurso Especial nº 1.230.957/RS, julgado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil de 1973. Vejamos: 1.3 Salário maternidade. O salário maternidade tem natureza salarial e a transferência do encargo à Previdência Social (pela Lei 6.136/74) não tem o condão de mudar sua natureza. Nos 10 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; Fl. 35772DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.773 21 termos do art. 3º da Lei 8.212/91, "a Previdência Social tem por fim assegurar aos seus beneficiários meios indispensáveis de manutenção, por motivo de incapacidade, idade avançada, tempo de serviço, desemprego involuntário, encargos de família e reclusão ou morte daqueles de quem dependiam economicamente". O fato de não haver prestação de trabalho durante o período de afastamento da segurada empregada, associado à circunstância de a maternidade ser amparada por um benefício previdenciário, não autoriza conclusão no sentido de que o valor recebido tenha natureza indenizatória ou compensatória, ou seja, em razão de uma contingência (maternidade), pagase à segurada empregada benefício previdenciário correspondente ao seu salário, possuindo a verba evidente natureza salarial. Não é por outra razão que, atualmente, o art. 28, § 2º, da Lei 8.212/91 dispõe expressamente que o salário maternidade é considerado salário de contribuição. Nesse contexto, a incidência de contribuição previdenciária sobre o salário maternidade, no Regime Geral da Previdência Social, decorre de expressa previsão legal. Sem embargo das posições em sentido contrário, não há indício de incompatibilidade entre a incidência da contribuição previdenciária sobre o salário maternidade e a Constituição Federal. A Constituição Federal, em seus termos, assegura a igualdade entre homens e mulheres em direitos e obrigações (art. 5º, I). O art. 7º, XX, da CF/88 assegura proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei. No que se refere ao salário maternidade, por opção do legislador infraconstitucional, a transferência do ônus referente ao pagamento dos salários, durante o período de afastamento, constitui incentivo suficiente para assegurar a proteção ao mercado de trabalho da mulher. Não é dado ao Poder Judiciário, a título de interpretação, atuar como legislador positivo, a fim estabelecer política protetiva mais ampla e, desse modo, desincumbir o empregador do ônus referente à contribuição previdenciária incidente sobre o salário maternidade, quando não foi esta a política legislativa. A incidência de contribuição previdenciária sobre salário maternidade encontra sólido amparo na jurisprudência deste Tribunal, sendo oportuna a citação dos seguintes precedentes: REsp 572.626/BA, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ de 20.9.2004; REsp 641.227/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 29.11.2004; REsp 803.708/CE, 2ª Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 2.10.2007; REsp 886.954/RS, 1ª Turma, Rel. Min. Denise Fl. 35773DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.774 22 Arruda, DJ de 29.6.2007; AgRg no REsp 901.398/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 19.12.2008; REsp 891.602/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 21.8.2008; AgRg no REsp 1.115.172/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJe de 25.9.2009; AgRg no Ag 1.424.039/DF, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 21.10.2011; AgRg nos EDcl no REsp 1.040.653/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, DJe de 15.9.2011; AgRg no REsp 1.107.898/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 17.3.2010. 1.4 Salário paternidade. O salário paternidade referese ao valor recebido pelo empregado durante os cinco dias de afastamento em razão do nascimento de filho (art. 7º, XIX, da CF/88, c/c o art. 473, III, da CLT e o art. 10, § 1º, do ADCT). Ao contrário do que ocorre com o salário maternidade, o salário paternidade constitui ônus da empresa, ou seja, não se trata de benefício previdenciário. Desse modo, em se tratando de verba de natureza salarial, é legítima a incidência de contribuição previdenciária sobre o salário paternidade. Ressaltese que "o saláriopaternidade deve ser tributado, por se tratar de licença remunerada prevista constitucionalmente, não se incluindo no rol dos benefícios previdenciários" (AgRg nos EDcl no REsp 1.098.218/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 9.11.2009). O considerando o alinhamento dos tribunais superiores em sentido oposto ao defendido pela Recorrente, também com base no artigo 62, §1º, inciso II, “b” da Portaria MF nº 343/06/2015 (RICARF), votamos por negar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. 4.3. HORAS EXTRAS. Neste ponto a Recorrente alega que as demais rubricas indicadas como base para o lançamento representam horas extras e que por sua natureza intrínseca tem caráter indenizatório eis que, em sua visão, objetivam compensar danos físicos e psicológica. Mais uma vez, nos termos do artigo 62, §1º, inciso II, “b” da Portaria MF nº 343/06/2015 (RICARF), o colegiado deve observar a jurisprudência vinculativa ainda vigente, eis que o STJ, sob o rito do art. 543C do CPC (recurso repetitivo) quando do REsp 1.358.281, j. 23/4/2014, decidiu em sentido oposto ao pretendido pela Recorrente, ao firmar entendimento no sentido da tributabilidade das Horas Extras, eis que subsumemse ao conceito de saláriodecontribuição. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ 8/2008. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DE Fl. 35774DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.775 23 PREVIDÊNCIA SOCIAL. BASE DE CÁLCULO. ADICIONAIS NOTURNO, DE PERICULOSIDADE E HORAS EXTRAS. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. SÍNTESE DA CONTROVÉRSIA 1. Cuidase de Recurso Especial submetido ao regime do art. 543C do CPC para definição do seguinte tema: "Incidência de contribuição previdenciária sobre as seguintes verbas trabalhistas: a) horas extras; b) adicional noturno; c) adicional de periculosidade". CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA E BASE DE CÁLCULO: NATUREZA REMUNERATÓRIA 2. Com base no quadro normativo que rege o tributo em questão, o STJ consolidou firme jurisprudência no sentido de que não devem sofrer a incidência de contribuição previdenciária "as importâncias pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador" (REsp 1.230.957/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe 18/3/2014, submetido ao art. 543C do CPC). 3. Por outro lado, se a verba possuir natureza remuneratória, destinandose a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, ela deve integrar a base de cálculo da contribuição. ADICIONAIS NOTURNO, DE PERICULOSIDADE, HORAS EXTRAS: INCIDÊNCIA 4. Os adicionais noturno e de periculosidade, as horas extras e seu respectivo adicional constituem verbas de natureza remuneratória, razão pela qual se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária (AgRg no REsp 1.222.246/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 17/12/2012; AgRg no AREsp 69.958/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 20/6/2012; REsp 1.149.071/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/2010; Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 9/4/2013; REsp 1.098.102/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 17/6/2009; AgRg no Ag 1.330.045/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 25/11/2010; AgRg no REsp 1.290.401/RS; REsp 486.697/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 17/12/2004, p. 420; AgRg nos EDcl no REsp 1.098.218/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 9/11/2009). [...] CONCLUSÃO 9. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008. (STJ REsp: 1358281 SP 2012/02615969, Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN, Data de Julgamento: 23/04/2014, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 05/12/2014) Fl. 35775DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.776 24 Ao contrário do alegado pela Recorrente, horas extraordinárias têm natureza remuneratória eis que devidas em contraprestação diretamente relacionada ao trabalho prestado pelo segurado em beneficio do empregador, o pagamento em valores superiores ao ordinário não é elemento suficiente para considerar tais pagamentos como indenizatórios. Ante ao exposto, votamos por negar provimento ao recurso neste ponto. 5. INFRAÇÕES D, D1, D2, D3, D4, D5, D6 – GRATIFICAÇÃO LIBERALIDADE NÃO DECLARADA EM GFIP – CONTRIBUIÇÃO PATRONAL, GILRAT, SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE. Neste ponto a Recorrente manteve exatamente os mesmos argumentos articulados na inicial. Analisando os autos, documentos e elementos da defesa, da autuação e da decisão recorrida verificamos não ser possível acolher a pretensão recursal. As alegações da Recorrente visam classificar as verbas como pagamentos eventuais, como verdadeiras gratificações e liberalidades. Apesar da argumentação não ser clara, não detalhar ou demonstrar situações, ainda que por amostragem, onde isso poderia ser confirmado, em busca da verdade material, investigamos a documentação processual com afinco e não foi possível visualizar tal natureza nas verbas. Quanto as gratificações por aposentadoria, poderia a recorrente ter demonstrados em planilha acompanhada de documentos quais valores seriam inerentes a tal premiação, mas não o fez. O mesmo ocorreu quanto ao bônus de contratação, cujo uma das alegações é a de que o trabalhador a recebia antes do inicio do contrato de trabalho, mas nem mesmo isso foi comprovado. As demais premiação padecem do mesmo infortúnio. As manifestações da Recorrente, na fase fiscalizatória e contenciosa, são contraditórias entre sí e os documentos contidos nos autos não refletem, com clareza, nenhuma das alegações da contribuinte em qualquer das fases do processo. A tese da recorrente não tem lastro em nenhuma prova documental segura e capaz de infirmar a presunção que se constrói com o lançamento. Percebam que o lançamento, quanto ao conteúdo fundamental, não foi contundente, não abordou as questões de modo profundo e poderia ter sido, se verdadeiro for o alegado pela Recorrente, desconstruído por meio de provas simples, mas esta não logrou êxito em efetuar tal demonstração. E entre as duas posições, restou melhor construída a posição fiscal, tocando nosso convencimento de modo mais contundente. Neste ponto, votamos por negar provimento ao recurso, adotando o texto da decisão recorrida como complemento de fundamentação do presente voto. Inicialmente, cabe observar que a nomenclatura criada pela contribuinte para a verba, “Gratificação Liberalidade”, não tem o condão de transformar a sua natureza, a qual é o elemento a ser analisado para se chegar à conclusão da incidência ou não de contribuição previdenciária. Conforme relatado pelas autoridades fiscais, em resposta ao Termo de Intimação nº 02, item 01, pelo qual foi Fl. 35776DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.777 25 solicitado esclarecimento sobre a natureza da despesa identificada sob a rubrica 1695 – Gratificação Liberalidade, a empresa respondeu: ... tratase de um pagamento que pode ser feito em um mês, semestre ou ano pelo empregador ao empregado como maneira de incentiválo, e por isso é dito que é uma liberalidade do empregador, ... (grifo dos Auditores) A Auditoria ressaltou, ainda, que essa rubrica é descrita no documento intitulado “Transferências de Funcionários entre Unidades” fornecido pela contribuinte e, portanto, deveria corresponder à ajuda de custo paga quando da mudança de empregados entre estabelecimentos. Foi constatado nas GFIP, todavia, que ela não tem relação alguma com transferências, pois os funcionários beneficiados não tiveram movimentação entre estabelecimentos da empresa. Na impugnação, a contribuinte detalha algumas verbas que teriam sido albergadas pela rubrica Gratificação Liberalidade, dentre elas: gratificações relacionadas ao tempo de casa dos funcionários, Prêmio PHEX e Prêmio Tempo de Serviço, Bônus/Adicional de Desempenho pago aos gerentes. A própria contribuinte admitiu, por ocasião da ação fiscal, que os pagamentos tem uma constância, sendo feitos mensalmente, semestralmente ou anualmente e têm como objetivo o incentivo dos seus colaboradores. Não haveria que se discutir, portanto, a habitualidade. Entretanto, depois de admitir aos Auditores, por escrito, que há habitualidade no pagamento das verbas, a contribuinte fala na sua impugnação, de forma genérica e inespecífica, que as verbas são eventuais, sem apresentar qualquer elemento de prova que demonstre haver erro na sua manifestação anterior. Cabe observar que, mesmo que não estivesse caracterizada de forma evidente a habitualidade para as verbas mencionadas, não é o fato de ter sido paga uma única vez que descaracteriza a natureza remuneratória da verba, devendo ser verificados outros parâmetros. O acordo, ainda que tácito entre o empregador e o empregado, por exemplo, afasta a liberalidade do primeiro, passando a verba a fazer parte da remuneração do segundo pela prestação dos serviços. Na verdade, a habitualidade constitui elemento essencial para descaracterizar a liberalidade do empregador, mas perde o sentido como único parâmetro quando faz parte da remuneração, sobre a qual incide a contribuição previdenciária. Vejamos a doutrina: Fl. 35777DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.778 26 Somente estarão excluídos do saláriodecontribuição valores não remuneratórios e nãohabituais. Caso o pagamento tenha sido feito uma única vez, sem habitualidade, mas se claramente decorrente do trabalho, ainda assim é remuneração. Os ganhos eventuais somente excluemse da base se expressamente desvinculados do salário do trabalhador. Diante do exposto, a análise do Bônus de Contratação, última verba que a impugnante diz ter sido paga sob a rubrica Gratificação Liberalidade, não pode levar à outra conclusão que não a de que integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Tratase de pagamento efetuado em decorrência do contrato de trabalho celebrado entre a empresa e o empregado, fazendo parte da remuneração pactuada. O fato de a importância ter sido paga antes da formalização do contrato, ou seja, de forma adiantada, não muda a sua natureza. Inquestionavelmente, tal parcela é vinculada ao contrato de trabalho, uma vez que o trabalhador somente faz jus a ela na medida em que celebrar e cumprir o pacto laboral efetuado com o empregador. O CARF já decidiu nesse mesmo sentido no processo 16327.720160/201430 (Acordão nº 2402005.274, de 11/05/2016, 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária), que formaliza lançamento da contribuição incidente sobre bônus pago antes do início de contrato de trabalho para incentivar o trabalhador a celebrar o contrato. No seu recurso, a empresa alegou justamente a autonomia entre o bônus de contratação e o contrato de trabalho, bem como a ausência de retributividade e de habitualidade nos pagamentos. Segue a ementa da decisão: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. SÚMULA VINCULANTE 08 do STF. De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4o, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. Fl. 35778DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.779 27 No caso de lançamento das contribuições sociais, em que para os fatos geradores efetuouse antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4o, ambos do CTN. NULIDADE. ERRO DE CÁLCULO NA BASE DE CÁLCULO. ALEGAÇÃO DE QUESTÃO DE FATO. FASE RECURSAL. INDEFERIMENTO. PRECLUSÃO. Preclui o direito do contribuinte de apresentar, em fase recursal, matéria fática não contestada na impugnação, em vista do disposto no art. 16, III, §4° c/c o art. 17, ambos do Decreto 70.235/72, respeitandose o princípio processual da duplo grau de jurisdição (duplo juízo sobre o mérito, dupla revisão da matéria). BÔNUS DE CONTRATAÇÃO (HIRING BÔNUS). ABONO DE PERMANÊNCIA. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei 8.212/1991, integra o salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho, inclusive àqueles recebidos a título de prêmio, na forma de gratificação ajustada, independente da denominação dada pelo sujeito passivo. Incidem contribuições sobre a gratificação ajustada paga em razão da admissão do empregado, visto que não se caracteriza como pagamento eventual, decorrente de mera liberalidade do empregador, afastando a aplicação da regra isentiva prevista no § 9o do art. 28 da Lei 8.212/1991. GRIFEI Logo, com relação à Gratificação Liberalidade, também improcedentes os argumentos da contribuinte. 6. “INFRAÇÕES E, E1, E2, E3, E4, E5, E6 – REMUNERAÇÃO DE EMPREGADOS NÃO OFERECIDAS À TRIBUTAÇÃO – BASE ECD – CONTRIBUIÇÃO PATRONAL, GILRAT, SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE” Neste ponto a Recorrente alega que: "51. Como se verifica, a fiscalização constatou que os valores das rubricas contábeis 33102010 (Salários), 33102030 (Horas Extras), 33103010 (Férias) e 33103020 (13 Salário), foram lançados como despesas, mas não constaram nas folhas de pagamento do contribuinte, nem tampouco foram declarados em GFIP. Estes valores constam das Planilhas 7 e 8 elaboradas pela fiscalização, e Fl. 35779DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.780 28 sobre os mesmos está sendo exigida a contribuição previdenciária. 52. A Recorrente continua diligenciando acerca desse tema e, uma vez obtida a documentação comprobatória relacionada ao assunto, prontamente efetuará sua juntada aos autos." Este é todo o texto apresentado em sede de impugnação e recursal, os documentos não foram apresentados e nenhuma intenção ou tese recursal pode ser verificada neste ponto, portanto, tratase de matéria não impugnada. 7. INFRAÇÕES F, G – MULTAS POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS (CFL 21 E CFL 22). Neste ponto a Recorrente não questiona os aspectos fáticos da infração cometida, sustenta apenas que não houve dano para a administração tributária. Entende ainda que as multas aplicadas estariam nulas por serem calcadas em fundamentos legais inadequados. A primeira infração foi aplicada com o Código de Fundamentação Legal CFL 21 em razão da entrega dos arquivos digitais em layout diferente do estabelecido pela Receita Federal equivalente a 0,5% (meio por cento) do valor da receita bruta da Impugnante, conforme prevista na alínea F, artigo 12, I, Lei nº 8.218/91 – [R$12.127.180,22]. A segunda penalidade foi lavrada com o Código de Fundamentação Legal CFL 22 equivalente a 5% (cinco por cento) sobre o valor das operações omitidas ou informadas incorretamente nos arquivos digitais, conforme disposto na alínea G – artigo 12, II, Lei nº 8.218/91 – [R$536.927,45]. A Recorrente não nega as infrações, mas entende que tais normas não estão relacionadas as contribuições previdenciárias, que para tais casos existem previsão especifica na Lei nº 8.212/91, em especial o seu artigo 32, inciso III, sustentando ainda que tais infrações deveriam ser lavradas com o Código de Infração Legal CFL 35, cujas penalidades estão previstas no artigo 283, do Decreto nº 3.048/99 RPS. Sobre a matéria o CARF já se posicionou anteriormente através do Acórdão nº 2301003.419 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, relatado por Damião Cordeiro de Moraes, no seguinte sentido: DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA 2. Pelo que consta dos autos, a empresa foi autuada por apresentar em meio digital com leiaute previsto no Manual de Arquivos Digitais informações incompletas e inexatas da sua folha de pagamentos e do cadastro de trabalhadores. Os valores encontrados nas folhas de pagamento em papel seriam maiores que os que constam no arquivo entregue à fiscalização, conforme determinado no art. 11, §§3º e 4º, e multa do art. 12, II, da Lei 8.218/91 (fl. 2): Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou Fl. 35780DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.781 29 elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (...) § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. .(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 4º Os atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. .(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas; III multa equivalente a Cr$ 30.000,00, por dia de atraso, até o máximo de trinta dias, aos que não cumprirem o prazo estabelecido pelo Departamento da Receita Federal ou diretamente pelo AuditorFiscal, para apresentação dos arquivos e sistemas. Parágrafo único. O prazo de apresentação de que trata o inciso III deste artigo será de, no mínimo, vinte dias, que poderá ser prorrogado por igual período pela autoridade solicitante, em despacho fundamentado, atendendo a requerimento circunstanciado e por escrito da pessoa jurídica.” 3. A empresa, por sua vez, não negou as inconsistências e apresentou a folha de pagamento em papel, com vista a sanar os erros no arquivo digital (fl. 115). 4. Ocorre que, no meu sentir, há uma falha grave na fundamentação jurídica para a lavratura do auto de infração. In casu, o auto foi lavrado com o Código de Fundamentação Legal (CFL) “22”, ao invés do Código CFL “35”, que determina corretamente a aplicação da penalidade constante no inciso III do artigo 32 da Lei 8.212/91. Fl. 35781DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.782 30 5. Isto porque não é irreal dizer que o inciso III do artigo 32 da Lei 8.212/91, na forma em que estabelecida pela Receita Federal do Brasil, também abrange a apresentação das informações na forma digital atinentes à apuração das contribuições previdenciárias: “prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização”. 6. O Decreto nº 3.048/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social, também tratou da matéria. Senão vejamos: “Art. 225. A empresa é também obrigada a: III prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. (...) § 22. A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Acrescentado pelo Decreto n° 4.729, de 09/06/03. ver art. 8° da MP n° 83/02, convertida na Lei n°10.666/03) Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações:b) deixar a empresa de apresentar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal os documentos que contenham as informações Fl. 35782DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.783 31 cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, ou os CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, III DA LEI N.° 8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, "b" DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.° 3.048/99 EXIGÊNCIA DE ARQUIVOS EM MEIO MAGNÉTICO FUNDAMENTO ART. 8° DA LEI 10.666/2003 C//C ART. 225, III DO DECRETO 3048/99. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do artigo 32, III da Lei n.° 8.212/91 c/c artigo 283, II, "h" do RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99. A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Acrescentado pelo Decreto n° 4.729, de 09/06/03. ver art. 8° da MP n° 83/02, convertida na Lei n° 10.666/03) Deixar de apresentar informações em meio digital de acordo com o leiaute previsto no manual normativo de arquivos digitais constitui infração aos dispositivos da legislação previdenciária. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.” (Acórdão 240100.513— 4 Câmara/1ª Turma Ordinária – Relatora: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira) 9. Ajuda a formar a minha convicção pela adoção da legislação previdenciária 11. Com efeito, o equívoco gerado pela autuação fiscal na fundamentação jurídica gera nulidade do auto de infração. Maior ainda é a dificuldade causada para o pleno exercício da ampla defesa e do contraditório, haja vista que o documento lavrado de forma deficiente gerou sérias dúvidas quando a sua legalidade. 12. E o art. 59 do Decreto n.º 70.235/72 assevera que “são nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de Fl. 35783DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.784 32 defesa”. De maneira que a nulidade há que ser declarada de ofício, com o objetivo precípuo de assegurar a plena certeza do crédito tributário. 13. No que diz respeito à conceituação do vício, se formal ou material, opto pelo material, considerando que, nos exatos termos do artigo 142 do CTN, compete à autoridade administrativa “propor a aplicação da penalidade cabível”. Em havendo aplicação de penalidade diversa daquela estabelecida pela legislação previdenciária, portanto equivocada, o vício atinge o auto de infração em sua própria origem. 14. In casu, aumenta a minha posição em conceituar o vício na forma material o fato de a falha aqui apontada dizer respeito à própria obrigação tributária e não aos requisitos burocráticos exigidos ao lançamento fiscal. 15. Assim, voto por conhecer de ofício do vício e anular o auto de infração por vício material, eis que maculada a própria exigência da obrigação acessória. A Lei nº 8.218/91 indicia, em seu Art.2º, os impostos e contribuições alcançados por suas regras. Vejamos: Art. 2º Em relação aos fatos geradores que vierem a ocorrer a partir do primeiro dia do mês de agosto de 1991, os pagamentos dos tributos e contribuições relacionados a seguir deverão ser efetuados nos seguintes prazos: I Imposto sobre Produtos Industrializados, até o quinto dia útil da quinzena subseqüente à de ocorrência dos fatos geradores; II Imposto sobre a Renda retido na fonte: a) até o segundo dia útil da semana subseqüente à da ocorrência dos fatos geradores, no caso de retenções incidentes sobre rendimentos decorrentes do trabalho, com ou sem vínculo empregatício, e de aluguéis; b) na data da remessa, no caso de rendimentos de residentes ou domiciliados no exterior, quando ocorrer antes do prazo previsto na alínea seguinte; c) no segundo dia útil subseqüente ao de ocorrência do fato gerador, nos demais casos, exceto nas hipóteses previstas noart. 35 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, e noart. 2º, § 1º, do Decreto Lei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987. III Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários: a) até o quinto dia útil da quinzena subseqüente à de ocorrência dos fatos geradores, no caso de aquisição de ouro, ativo financeiro; Fl. 35784DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.785 33 b) até o segundo dia útil seguinte àquele em que ocorrer cobrança ou registro contábil do imposto, nos demais casos. IV Contribuições para o FINSOCIAL, o PISPASEP e sobre o Açúcar e o Álcool: a) até o quinto dia útil do mês subseqüente ao de ocorrência dos fatos geradores, ressalvado o disposto na alínea seguinte; b) até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao da ocorrência dos fatos geradores, em relação à parcela de atualização da receita pela Índice Nacional de Preços ao Consumidor INPC e respectivos juros. Parágrafo único. Em se tratando de microempresas e de empresas que tenham optado pela tributação do Imposto sobre a Renda com base no lucro presumido, a que se refere o art. 25, serão observados os seguintes prazos: I até o último dia útil da quinzena subseqüente à da ocorrência do fato gerador, no caso do inciso I do "caput" deste artigo; II até o último dia útil da semana subseqüente à da ocorrência do fato gerador, no caso da alínea "a" do inciso II do "caput", deste artigo; III até o último dia útil da quinzena seguinte ao mês de ocorrência do fato gerador, no caso da alínea "a" do inciso IV do "caput", deste artigo. Perceba que as Contribuições Previdenciárias não são citadas em nenhum artigo da norma em foco. Percebam ainda que todos os tributos referidos no Art. 2º estão relacionados a faturamento ou receita, portanto, é razoável, para estes tributos, que eventuais penalidades decorrentes do desatendimento das obrigações acessórias de que trata a lei em questão, sejam calculadas sobre o faturamento. As Contribuições Previdenciárias aqui tratadas incidem e se relacionam a outro tipo de operação econômica para sua apuração, eis que é a folha de pagamento e não o faturamento que revela sua base de calculo, não sendo razoável aplicar penalidade que tome por base operação econômica que em nada se relaciona as bases de calculo das contribuições sociais tratadas no presente PAF. Certamente ancorado na razoabilidade e capacidade contributiva o legislador inseriu em lei especial, como penalidade para o mesmo tipo infracional, regras punitivas apropriadas ao tipo de exação ora analisada. Se é folha de pagamento que se considera para calculo das contribuições lançadas, como considerar o faturamento como paramêtro de calculo nos casos de infração? Nesse sentido, entendemos correta a tese da Recorrente ao afirmar que existindo lei especial, esta deve prevalecer sobre norma geral, portanto, para o presente caso a penalidade aplicável somente poderia ser a que trata o artigo 32, III da Lei n.° 8.212/91 c/c artigo 283, II, "h" do RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99. Fl. 35785DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.786 34 O erro gerador da penalidade consistiu em equivoco no registro do numero do CNPJ da Recorrente nos arquivos MANAD, arquivos transmitidos e com os dados de incidência adequados, tendo a Recorrente promovido o ajuste e não gerado prejuízos ao fisco, o que, em que pese não ser atenuante, revela a injustiça da penalidade aplicada no presente caso. Por fim, a Recorrente é industria fabricante de cimento, onde grande parte do seu faturamento provem da venda de mercadorias e não da mão de obra de seus empregados e tomar o faturamento para punir conduta relativa a contribuições incidentes sobre folha de pagamento, inquestionavelmente, revelase fora de qualquer razoabilidade. O presente caso padece da mesma nulidade referida no voto colacionado, entendemos que a norma especial deve prevalecer e que a penalidade aplicável somente poderia ser a que trata o artigo 32, III da Lei n.° 8.212/91 c/c artigo 283, II, "h" do RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, CFL 35, isto posto, ante ao vicio material identificado no lançamento e decisão recorrida, votamos acolher o recurso neste ponto. CONCLUSÃO. A luz do exposto votamos por conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe parcial provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Declaração de Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima. Não obstante o bem fundamentado voto do i. Relator, dele divirjo especificamente quanto à tipificação da penalidade prevista no artigo 32, III da Lei n. 8.212/91, em detrimento daquela tipificada nos arts. 11 e 12 da Lei n. 8.281/1991, aplicada pela autoridade lançadora. Pois bem. A hipótese de incidência tributária em apreço materializouse na apresentação de arquivos digitais com informações de natureza previdenciária em desacordo com o leiaute constante do Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD (Instrução Normativa MPS/SRP nº 12/2006), sem o registro “K200 – Contabilização da Folha de Pagamento” Fl. 35786DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.787 35 (infração F), e com omissões quanto aos valores pagos aos contribuintes individuais que prestaram serviços para a Recorrente (infração G): Em face de tais infrações, a Fiscalização da RFB aplicou as penalidades previstas no art. 12, incisos I (infração F) e II (infração G), da Lei n. 8.218/1991: Art. 12 – A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I – multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II – multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; [...]” No entendimento da Recorrente, que foi acompanhado pelo i. Relator, a autoridade lançadora equivocouse na fundamentação das infrações relacionadas aos arquivos digitais em tela ao aplicar as multas previstas nos arts. 11 e 12 da Lei n. 8.218/1991, vez que a Lei n. 8.213/1991 (art. 32, III) seria a lei específica a incidir no caso concreto, enquanto que aquela seria uma lei genérica. Assim, ainda no entendimento da Recorrente, as infrações em tela devem se enquadrar no Código de Fundamentação Legal (CFL) 35 e não nos CFL 21 e 22, como o fez a autoridade lançadora. É o núcleo da divergência. Na espécie, a autoridade lançadora seguiu orientação do Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD (Instrução Normativa MPS/SRP n. 12/2006) ao verificar que a Recorrente não atendeu à forma estabelecida pela RFB para a apresentação de informações em meio digital, bem assim não apresentou informações em meio digital com omissão ou incorreções, decorrendo assim auto de infração por descumprimento de obrigação acessória no CFL 21 e no CFL 22, respectivamente. Não obstante o fato de que até o advento da Lei n. 11.457/2007, o art. 32, III, da Lei n. 8.212/1991 ter sido utilizado para fundamentar autos de infração lavrados em virtude de inconsistências na apresentação de arquivos digitais referentes a contribuições previdenciárias, tanto para pessoas jurídicas em geral, quanto para órgãos públicos, há de se considerar que após a vigência da indigitada lei, que criou a Secretaria da Receita Federal do Fl. 35787DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.788 36 Brasil, esse procedimento tornouse inadequado no caso de pessoas jurídicas em geral, permanecendo. todavia, aplicável aos órgãos públicos. Conspira para esse entendimento o fato de o art. 8°. da Lei n. 10.666/2003, que a princípio seria a norma mais específica, não prescrever a penalidade a ser aplicada no caso de descumprimento do dispositivo, o que o torna ineficaz, vez que não traz a cominação de multa. Nesse contexto, o art. 8°. da Lei n. 10.666/2003 não se presta, nem nunca se prestou, como fundamentação legal para aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória relativa a arquivos digitais. E isto porque, a despeito de descrever uma obrigação acessória, que consiste em arquivar e conservar, devidamente certificados, os sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização arquivos digitais esses referentes a documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária o referido dispositivo legal não traz em seu bojo a cominação da multa a ser aplicada no caso de descumprimento da referida obrigação acessória, o que o torna, neste ponto específico, sem efetividade, razão pela qual o Fisco Federal sempre utilizou como fundamentação legal para este tipo de infração o art. 32, III, da Lei n. 8.212/1991, que estabelece a obrigatoriedade de a empresa prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, capitulandose a multa nos arts. 92 e 102 desta lei. Entretanto, o art. 32, III, da Lei n. 8.212/1991, não é direcionado especificamente à deficiência na apresentação de arquivos digitais, vez que ele descreve uma infração mais genérica, qual seja: "prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização", que tanto pode ser aplicado para infração relativa a arquivos digitais, como para qualquer outro tipo de infração que se refira a apresentação de informação em desacordo com a forma estabelecida pela RFB. Todavia, com a vigência da Lei n. 11.457/2007, a tributação das contribuições sociais previstas no art. 11, “a”, “b” e “c” da Lei n. 8.212/1991 passou a ser da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Assim, a Lei n. 8.218/1991, também com relação às contribuições previdenciárias, passou a reger a obrigatoriedade de a empresa que utiliza sistemas de processamento eletrônico de dados para escriturar os seus livros contábeis manter à disposição Fisco Federal os respectivos arquivos e sistemas digitais. O art. 11 da Lei n. 8.218/1991 estabelece a obrigatoriedade de as pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, tratandose, sem nenhuma sombra de dúvida, de dispositivo legal específico para este tipo de infração, que é complementado, no caso de inobservância, pelo art. 12, do mesmo diploma legal, que impõe penalidades lastreadas por percentuais a serem aplicados sobre a receita bruta da pessoa jurídica. Fl. 35788DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.789 37 De se observar ainda que a multa por descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 32, III, da Lei n. 8212/1991, diferentemente do que dispõe os arts. 11 e 12 da Lei n. 8.218/1991, não está vinculada a uma determinada base de cálculo, vez que corresponde a uma faixa de valor, conforme dispõe o art. 283, II, do Decreto 3.048/99 (RPS). É oportuno ainda destacar que o art. 57 da MP n. 2.15835/2001, com a redação dada pela Lei n. 12.766/2012, não revogou o art. 12 da Lei n. 8.218/1991, nem muito menos constituise norma mais benéfica, como afirma a Recorrente, Com efeito, o tópico 4.7 do Parecer Normativo RFB n. 3, de 10 de junho de 2013, é cirúrgico ao afirmar que, caso os arquivos digitais não sejam apresentados pela pessoa jurídica na forma que deveriam ser feitos, em decorrência da inexistência de dispositivo específico na Lei n. 12.766/2012, aplicase o disposto no inciso I do art. 12 da Lei n. 8.218/1991, porque é uma conduta cuja sanção não se encontra na multa da Lei n. 12.766/2012, mas na do art. 12 da Lei n. 8.218/1991. De outra banda, o Parecer Normativo Cosit n. 3, de 24 de agosto de 2015, é esclarecedor quanto ao escopo genérico do art. 57 da MP n. 2.15835/2001, agora com a redação dada pela Lei n. 12.783/2013: 5. A novel alteração, desta feita pelo art. 57 da Lei nº 12.783, de 2013, ao reintroduzir no art. 57 da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001, uma redação assemelhada à redação originária eliminando as remissões a “declaração, demonstrativo ou escrituração digital”, retomou o escopo genérico do dispositivo, a fim de ser aplicado a quaisquer situações que decorram do descumprimento de uma obrigação acessória, quando inexista norma específica. Também foi eliminado o texto que determinava que os prazos para a apresentação dos documentos não poderiam ser inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias da intimação, bem como foram tratadas situações que envolvam pessoas jurídicas de direito público e novo regramento de infração pautado no tipo do regime tributário aplicável ao contribuinte. 6. Dessa forma, sem prejuízo da aplicação do entendimento fixado no Parecer Normativo RFB nº 3, de 10 de junho de 2013, para as infrações cometidas no período de vigência da redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012, ou seja, até 24 de outubro de 2013, com observância do princípio “tempus regit actum” (art. 6º do DecretoLei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942 Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro Lindb), e sem olvidar a aplicação do art. 106, II, do Código Tributário Nacional, devem ser feitas as seguintes considerações em decorrência da nova redação do art. 57 da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001, tendose em vista, ainda, a atualização de várias normas infralegais já adotadas pela Receita Federal do Brasil, em consonância com esta mais recente alteração legal: a) O aspecto material do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, na redação dada pela Lei nº 12.783, de 2013, retomou o escopo genérico de sua redação originária, e não contém mais, em seu aspecto material, as infrações relativas à não apresentação de “declaração, demonstrativo ou escrituração digital”; Fl. 35789DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.790 38 b) O aspecto material dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, é deixar de escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal quando exigido o sistema de processamento eletrônico, e não mais se encontra limitado pelo art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, de modo a abarcar, novamente (tal qual antes da Lei nº 12.766, de 2012), a não apresentação de declaração, demonstrativo ou escrituração digital; b.1) Os arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, em nenhum momento foram revogados e, portanto, mantiveram sua vigência mesmo no período de vigência da redação dada ao art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, pela Lei nº 12.766, de 2012, conforme item 4.8. do Parecer Normativo Nº 3, de 2013, o que implica (observadas as considerações do contido nos itens 4.1. a 4.7. do Parecer Normativo nº 3, de 2013) a validade, em tese, dos lançamentos efetuados com esse suporte legal no referido período; [...](grifei) De se destacar que os Atos Declaratórios Executivos n. 52/2018 e n. 53/2018, da CoordenaçãoGeral de Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil (COFIS) DOU de 03/08/2018 aprovaram, respectivamente, o Manual de Orientação do Leiaute 4 da Escrituração Contábil Fiscal (ECF) e Manual de Orientação do Leiaute 6 da Escrituração Contábil Digital (ECD), que trazem a atualização da multa por atraso e incorreções na apresentação dessas escriturações, previstas no art. 12 da Lei n. 8.218/1991, considerando a nova redação dada a este dispositivo pela Lei n. 13.670/2018, que prevê as seguintes penalidades: "Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa equivalente a 0,5% (meio por cento) do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período a que se refere a escrituração aos que não atenderem aos requisitos para a apresentação dos registros e respectivos arquivos; (Redação dada pela Lei nº 13.670, de 2018) II multa equivalente a 5% (cinco por cento) sobre o valor da operação correspondente, limitada a 1% (um por cento) do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período a que se refere a escrituração, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações referentes aos registros e respectivos arquivos; e (Redação dada pela Lei nº 13.670, de 2018) III multa equivalente a 0,02% (dois centésimos por cento) por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período a que se refere a escrituração, limitada a 1% (um por cento) desta, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos registros e respectivos arquivos. (Redação dada pela Lei nº 13.670, de 2018) Parágrafo único. Para as pessoas jurídicas que utilizarem o Sistema Público de Escrituração Digital, as multas de que tratam o caput deste artigo serão reduzidas: (Redação dada pela Lei nº 13.670, de 2018) Fl. 35790DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.791 39 I à metade, quando a obrigação for cumprida após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; e (Incluído dada pela Lei nº 13.670, de 2018) II a 75% (setenta e cinco por cento), se a obrigação for cumprida no prazo fixado em intimação. (Incluído dada pela Lei nº 13.670, de 2018)" Assim, conforme se consolidam as diretrizes do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), constatase a importância fundamental da consistência e higidez das informações mantidas em arquivos digitais, que ganham especial relevo no caso das contribuições previdenciárias com a transversalidade da DCTFWeb (que compreende as informações antes prestadas em GFIP), EFD Reinf e eSocial, confirmandose, se alguma dúvida ainda possa persistir, a especialidade dos arts. 11 e 12 da Lei n. 8.218/1991 na disciplina e aplicação das multas relativas a arquivos digitais. Por fim, e apenas por amor ao debate, ressalto que a Lei n. 8.218/1991 não se restringe, conforme afirma o i. Relator, aos tributos elencados no seu art. 2°. Com efeito, o caput do art. 2°. da Lei n. 8.218/1991 ao se referir ao Imposto sobre Produtos Industrializados; Imposto sobre a Renda retido na fonte; Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários; e Contribuições para o FINSOCIAL, PISPASEP e sobre o Açúcar e o Álcool, bem assim o seu parágrafo único ao se reportar às microempresas e empresas que tenham optado pela tributação do Imposto sobre a Renda com base no lucro presumido, apenas e tãosomente, estipulou prazos para o pagamento dos respectivos tributos, conforme se depreende, sem muito esforço cognitivo, da leitura do caput: Art. 2º Em relação aos fatos geradores que vierem a ocorrer a partir do primeiro dia do mês de agosto de 1991, os pagamentos dos tributos e contribuições relacionados a seguir deverão ser efetuados nos seguintes prazos: [...] (grifei) Assim, não há qualquer óbice à aplicação da Lei n. 8.218/1991 às Contribuições Previdenciárias, vez que estas não podem ser excluídas do alcance daquela lei apenas porque o dispositivo legal não determinou prazo para seu pagamento. Nessa perspectiva, não vislumbro defeito na decisão recorrida no que diz respeito à aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória tipificada por não atendimento na forma estabelecida pela RFB para a apresentação de informações em meio digital (CFL 21), bem assim pela não apresentação de informações em meio digital com omissão ou incorreções (CFL 22), com espeque nos arts. 11 e 12 da Lei n. 8.218/1991. Assim, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário também neste ponto. Fl. 35791DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.792 40 (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 35792DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.724057/2017-34
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/09/2015
CONCOMITÂNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 3001-000.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 28/09/2015 CONCOMITÂNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
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EM TRANSP. INTER. E LOG. EIRELI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/09/2015 CONCOMITÂNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 40 57 /2 01 7- 34 Fl. 233DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário impetrado contra Acórdão de Impugnação emitido pela DRJ de São Paulo que decidiu pela improcedência da impugnação mantendo o crédito tributário lançado. O presente processo versa sobre auto de infração lavrado para exigência da multa aduaneira prevista no art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/66, com redação dada pela Lei no 10.833/03. Afirma a fiscalização que o Agente de Carga AED BRASIL CONS. EM TRANSP. INTER. E LOG. EIRELI concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico MHBL 151505208043730 a destempo em/a partir de 28/09/2015 14:39:51 cuja carga objeto da desconsolidação foi trazida ao Porto de Santos com atracação registrada em 30/09/2015 03:45:00. Insta registrar que o citado Conhecimento Eletrônico foi incluído em 13/09/2013 às 12:11, momento a partir do qual se tornou possível o registro do conhecimento eletrônico agregado. A perda do prazo ocorreu em virtude da inclusão do conhecimento eletrônico house em prazo inferior a quarenta e oito horas anteriores ao registro da atracação no porto de destino do conhecimento genérico. A Recorrente apresentou Impugnação em face do auto de infração alegando, em síntese, o seguinte: (i) não se aplica a concomitância entre o processo administrativo e judicial tendo em vista que o presente processo não é objeto de ação coletiva impetrada pela ACTC e que esta atua em nome próprio pleiteando direito alheio; (ii) nulidade do auto de infração por não descrição do dispositivo infringido e por falta de motivação; (iii) inoperância do sistema SISCOMEXCarga; (iv) a necessidade de prova do elemento subjetivo; (v) que a denúncia espontânea exclui a sanção pelo descumprimento da obrigação principal quando acompanhada do pagamento do tributo. A DRJ de São Paulo julgou improcedente a impugnação, mantendo o lançamento do auto de infração conforme Acórdão no 1682.075 a seguir transcrito: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 28/09/2015 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO DE CARGA. MULTA. A não prestação de informação do conhecimento de carga na chegada de veículo ao território nacional tipifica a multa prevista no art. 107, IV, “e” do Decretolei n° 37/66 com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Antecipação de Tutela. Não se toma conhecimento da impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial. Parecer Normativo COSIT n° 7/14. Súmula CARF n° 1. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 234DF CARF MF Processo nº 11128.724057/201734 Acórdão n.º 3001000.644 S3C0T1 Fl. 234 3 Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância repisando os argumentos apresentados em sede de Impugnação e alegando o seguinte: (i) nulidade da decisão de primeira instância por não ter enfrentado todos os argumentos da defesa por ocasião da sua impugnação; (ii) não haver concomitância entre os processos judicial e administrativo; (ii) nulidade do auto de infração por não descrição do dispositivo infringido e por falta de motivação; (iii) da necessidade de prova do elemento subjetivo; (iv) da denúncia espontânea; (v) da violação da proporcionalidade; (vi) da retroatividade benigna. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Da competência para julgamento do feito O presente colegiado é competente para apreciar o presente feito, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Conhecimento Em juízo de admissibilidade do presente Recurso Voluntário constatei o não preenchimento de um dos requisitos para o seu conhecimento. A seguir, em sede preliminar, serão analisadas as alegações de nulidade e concomitância suscitadas pela Recorrente. Preliminar Preliminarmente a recorrente alega a nulidade da decisão de primeira instância por não ter enfrentado todos os argumentos da defesa por ocasião da sua impugnação, afirmando que a decisão vergastada tratou apenas das matérias “denúncia espontânea” e “parcial concomitância”. Com isso afirma em seu Recurso Voluntário que as seguintes perguntas não foram respondidas: “O auto de infração é ou não é nulo? Descreve a infração ou não? Descreve os fatos? Em que local? Houve prova do elemento subjetivo? Por quais motivos é possível afirmar se houve ou não revogação da infração em questão?” Antes de adentrarmos na alegação da Recorrente, insta destacar que encontrando o julgador fundamentos suficientes para justificar seu convencimento, tornase Fl. 235DF CARF MF 4 desnecessária a abordagem de outras alegações apresentadas pela parte, porque já estão inócuas frente à decisão proferida. Portanto, o julgador não está jungido às minúcias de todos os argumentos lançados pela parte, senão aquelas necessárias e suficientes aos deslinde da controvérsia. Não há que se falar em ausência de pronunciamento por parte da decisão de piso tendo em vista que as questões suscitadas pela Recorrente em sede de impugnação foram respondidas conforme parágrafo extraído daquela decisão e abaixo reproduzido: “O presente Auto de Infração possui como dispositivo legal infringido o art. 107, inciso IV, alínea 'e' do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03, por não prestação de informações da carga no prazo legal estabelecido pela INSRF n° 800 de 2007, em seu artigo 22, que é de quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo. Como descrito no relatório fiscal de fls.04/05, o agente de carga concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico (CE) MHBL 151505208043730 a destempo em/a partir de 28/09/2015 14:39:51. A carga objeto da desconsolidação foi trazida ao Porto de Santos acondicionada no(s) container(es) SUDU5781055, pelo Navio M/V TABEA, em sua viagem 006S, com atracação registrada em 30/09/2015 03:45:00, portanto não respeitando o prazo previsto na legislação tributária” Portanto, improcedente a alegação de nulidade arguida pela Recorrente neste particular. A discussão objeto da presente demanda versa sobre o cabimento da aplicação da multa aduaneira prevista no art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/66 em virtude da inclusão do conhecimento eletrônico house fora do prazo estabelecido no art. 22 da IN SRF nº 800/2007. A Recorrente alega em seu Recurso Voluntário os seguintes motivos para cancelamento da penalidade: (i) Não haver concomitância entre os processos judicial e administrativo; (ii) Nulidade do auto de infração por não descrição do dispositivo infringido e por falta de motivação; (iii) A necessidade de prova do elemento subjetivo; (iv) Da denúncia espontânea; (v) Da violação da proporcionalidade; (vi) Da retroatividade benigna. 1) Não haver concomitância entre os processos judicial e administrativo Fl. 236DF CARF MF Processo nº 11128.724057/201734 Acórdão n.º 3001000.644 S3C0T1 Fl. 235 5 A Recorrente alega em seu Recurso Voluntário que não há concomitância entre a ação judicial no 000523886.2015.4.03.6100 que tramita na 4ª Vara Cível Federal da Seção Judiciária de São Paulo, impetrada pela Associação Nacional das Empresas Transitárias, Agentes de Carga Aérea, Comissária de Despachos e Operadores Intermodais (ACTC), e o presente processo tendo em vista que não há identidade entre o pedido e a causa de pedir em ambos os casos, não cabendo, por conseguinte, a aplicação da Súmula CARF no 1. Não assiste razão à Recorrente. Conforme bem destacado pelo acórdão recorrido, o principal objetivo da demanda judicial impetrada pela ACTC é impedir a aplicação da penalidade prevista nos art. 18 e 22 da IN SRF no 800/2007 bem como reconhecer a denúncia espontânea prevista no art. 102, §2º do Decretolei no 37/66. Portanto, a causa de pedir é justamente o afastamento da penalidade aplicada na presente demanda e um de seus pedidos consiste no exercício da denúncia espontânea previsto no art. 102, §2º do citado DecretoLei. Ou seja, as citadas causa de pedir e pedido ajustamse perfeitamente na lide aqui instaurada. Portanto, correto o entendimento da decisão de primeira instância em relação à concomitância da ação judicial e do presente processo administrativo. Considerando as circunstâncias de fato, aplicase a Súmula CARF no 1 abaixo reproduzida: Súmula CARF nº 1 “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial” Diante do exposto, não conheço do Recurso Voluntário, restando, portanto, prejudicada a análise dos demais argumentos sustentados pela Recorrente. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 237DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.904964/2012-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2006
COMPENSAÇÃO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA.
A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO.
É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.900
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que não conhecia do recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/10/2006 COMPENSAÇÃO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que não conhecia do recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
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EFEITOS Recorrente MOINHO CANUELAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2006 COMPENSAÇÃO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que não conhecia do recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 49 64 /2 01 2- 46 Fl. 245DF CARF MF 2 convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório Tratase de Declaração de Compensação para o aproveitamento de crédito de COFINS decorrente de pagamento indevido ou a maior. Em razão da aparente inexistência do crédito, vez que o DARF não foi localizado no sistema, foi transmitido Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação declarada. A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade intempestiva, com prequestionamento de tempestividade. Através do Acórdão nº 02061.851, a DRJ não conheceu da defesa por intempestiva. Cientificada desta decisão, a empresa apresentou o Recurso Voluntário ora em apreço, tempestivamente, sustentando a existência do direito creditório e a necessidade de aplicação ao presente processo do princípio da verdade real e material. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.886, de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10882.904939/201262, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402005.886): "Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo, mas negolhe provimento, pelas razões a seguir expostas. Pela análise do presente processo, trazida no relatório acima, depreendese que o contencioso no presente processo não foi regularmente instaurado, vez que intempestiva a Manifestação de Inconformidade apresentada pela empresa em 18/12/2012, mais de 30 (trinta) dias após sua regular intimação do Despacho Decisório Eletrônico, ocorrida em 14/11/2012 (e fl. 69). O art. 74, § 9º da Lei n.º 9.430/96, na redação dada pela Lei n.º 10.833/2003, prevê defesa própria a ser apresentada pelo sujeito passivo na hipótese de não homologação de pedido de compensação: a Manifestação de Inconformidade. Esta defesa deve ser apresentada no prazo de 30 (trinta) dias contados da Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10882.904964/201246 Acórdão n.º 3402005.900 S3C4T2 Fl. 3 3 ciência do despacho denegatório, previsto no §7º daquele mesmo dispositivo legal: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)" (grifei) No presente caso, a intempestividade é patente, vez que, intimado em 14/11/2012 (quartafeira), o prazo fatal para a apresentação da Manifestação de Inconformidade encerrouse em 14/12/2012 (sextafeira). Essa questão já foi analisada em distintas oportunidades por este CARF1, inclusive em processos semelhantes do mesmo sujeito passivo, nos Acórdãos 3202003.041, 3202003.042, 3202003.043, 3202003.044 3802003.046, 3802003.047 e 3802003.048 publicados em 27/08/2014. Naqueles julgados, os Recursos Voluntários apresentados pela empresa não foram providos pelo Relator Cláudio Augusto Gonçalves Pereira em razão da mesma mácula no procedimento (intempestividade da Manifestação de Inconformidade originária): "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2000 Ementa: Manifestação de Inconformidade Intempestiva Efeitos 1 Vide ainda: Processo n.º 15374.902473/200919 Data da Sessão 08/12/2015 Relator Frederico Augusto Gomes de Alencar Acórdão n.º 1402001.974 Fl. 247DF CARF MF 4 A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do presente recurso e negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado." (grifei) Ora, todas as questões passíveis de análise nesta seara administrativa seriam pormenorizadas quando do julgamento da primeira Manifestação de Inconformidade. Não tendo sido conhecida esta defesa por patente intempestividade, evidente a preclusão do direito processual da Recorrente, cujas razões trazidas no Recurso Voluntário não merecem análise e provimento. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, por tempestivo, mas por negarlhe provimento em razão da preclusão, face a intempestividade da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório Eletrônico." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma (houve apresentação intempestiva da Manifestação de Inconformidade), de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do Recurso Voluntário, por tempestivo, mas por negarlhe provimento em razão da preclusão, face a intempestividade da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório Eletrônico. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 248DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.724660/2011-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Ainda que se refira a crédito tributário objeto de depósito judicial, não é nulo o lançamento de ofício realizado para fins de prevenção da decadência, com o expresso reconhecimento da suspensão da sua exigibilidade e sem a aplicação de penalidade ao sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-007.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Ainda que se refira a crédito tributário objeto de depósito judicial, não é nulo o lançamento de ofício realizado para fins de prevenção da decadência, com o expresso reconhecimento da suspensão da sua exigibilidade e sem a aplicação de penalidade ao sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Ainda que se refira a crédito tributário objeto de depósito judicial, não é nulo o lançamento de ofício realizado para fins de prevenção da decadência, com o expresso reconhecimento da suspensão da sua exigibilidade e sem a aplicação de penalidade ao sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 46 60 /2 01 1- 16 Fl. 721DF CARF MF 2 Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2402004.896, proferido pela 2ª Turma / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratamse dos Autos de Infrações (AI’s) abaixo discriminados, lavrados pela Auditoria Fiscal: 1.1. AI DEBCAD n.º 37.195.5432, consolidado 30.08.2011, referente à exigência de R$ 3.685.291,52 em Contribuições Previdenciárias da Empresa, incidentes sobre pagamentos feitos pela impugnante a contribuintes individuais, cujas contribuições incidentes não foram declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e nem recolhidas à Previdência, nas competências de 01/2007 a 12/2007 e 01/2008 a 12/2008; 1.2. AI DEBCAD n.º 37.195.5440, consolidado em 30.08.2011, referente à exigência de R$ 18.014,38 em Contribuições Destinada a Outras Entidades ou Fundos (Terceiros), incidentes sobre remunerações pagas pela impugnante a segurados empregados, não declaradas em GFIP ou recolhidas à Previdência, nas competências de 01/2007 a 13/2008. 1.3. AI DEBCAD n.º 37.195.5416, emitido em 30.08.2011, referente à aplicação de multa no valor de R$ 12.195,44, por descumprimento de obrigação acessória, em virtude de a empresa ter apresentado GFIP’s com omissão de dados correspondentes a fatos geradores de contribuições previdenciárias, incidentes nas competências de 01/2007, 02/2007, 09/2007 e 09/2008. O Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 417/424. A DRJ/SDR, às fls. 583/597, julgou pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário na forma originalmente lançado. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 649/655. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 663/678, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para excluir do AI n.º 37.195.5440 as competências de 05/2007 a 13/2008. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DO DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. IMPROCEDÊNCIA. Fl. 722DF CARF MF Processo nº 10980.724660/201116 Acórdão n.º 9202007.296 CSRFT2 Fl. 10 3 São improcedentes os lançamentos de ofício em que o tributo exigido esteja com a exigibilidade suspensa, por força de depósito do seu montante integral. Decisão que se alinha ao entendimento firmado em decisão definitiva do Superior Tribunal de Justiça adotada sob o rito do art. 543C do CPC, conforme determina o art. 62A do RICARF. PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS A SEGURADOS SEM VÍNCULO DE EMPREGO. FALTA DE PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Os valores pagos aos administradores (diretores não empregados) a título de participação nos lucros sujeitamse a incidência de contribuições, por não haver norma que preveja a sua exclusão do saláriodecontribuição. REPASSE DE AÇÕES EM TESOURARIA. RETRIBUIÇÃO POR SERVIÇOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Malgrado haja contrato de doação entre a empresa e seus diretores para a transferência de ações em tesouraria para estes, as evidências dos autos conduzem à conclusão de que os repasses tiveram como causa jurídica o vínculo de prestação de serviço entre a autuada e seus diretores, revelando o caráter remuneratório das parcelas. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. CONTRIBUIÇÕES EFETUADAS UNICAMENTE PELOS EMPREGADOS. APORTES EFETUADOS PELA EMPRESA EM BENEFÍCIO DE DOIS DIRETORES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Verificandose que a empresa não participava do custeio de planos de previdência disponível aos segurados a seu serviço, os aportes efetuados em benefícios de apenas dois diretores é equiparado a prêmio pela prestação do serviço, devendo sofrer a incidência de contribuições. FORNECIMENTO DE CARTÕES PARA COMPRA DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS A DIRETORES. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE QUE OS PAGAMENTOS SE INSEREM NA SISTEMÁTICA DO PAT. INCIDÊNCIA. Os valores fornecimentos mediante cartões a diretores para compra de alimentos sujeitamse a incidência de contribuições, posto que a empresa os fazia em desrespeito à legislação do PAT. CARTÕES PARA DESPESAS COM VEÍCULOS. INCLUSÃO NO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO Os valores repassados aos diretores mediante cartões para pagamento de despesas com veículos devem sofrer a incidência de contribuições, posto que a empresa não demonstrou que os veículos eram utilizados para o trabalho e nem houve comprovação das despesas. Fl. 723DF CARF MF 4 JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido em Parte. Às fls. 680/698, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: valores depositados judicialmente lançamento de ofício das quantias depositadas. O e. Colegiado a quo decidiu anular parcialmente o lançamento fiscal por considerálo desnecessário face a existência de depósito integral das quantias lançadas nos períodos especificados, divergindo do entendimento já proferido pelo CARF, conforme Acórdãos paradigmas 1101001.135 e 10707.992, segundo os quais o depósito judicial não impede lançamento fiscal, não o exonera nem o torna nulo, razão pela qual este deve se manter incólume. Os acórdãos apontados como paradigmas demonstram claramente que não há nada que impeça o fisco de efetuar o lançamento, no caso da existência de depósito judicial integral. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 694 e ss., a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: valores depositados judicialmente lançamento de ofício das quantias depositadas. O Contribuinte foi cientificado à fl. 702. À fl. 710, a RFB informou: 1. O presente processo foi encaminhado a esta equipe face evento automático efetuado pelo sistema para preparar a recuperação dos débitos passíveis de inclusão no parcelamento especial da Lei 12996/14 . 2. No entanto, por ocasião da consolidação via internet, a empresa não selecionou os AI 371955424, 371955440, 371955432 e 371955416 e o evento para estes autos foi cancelado, apenas o AI 371955459 foi incluído. 3. A empresa ainda detém a modalidade RFB PREV ART 1º, Lei 12865/13, porém localizamos apenas 4 pagamentos ínfimos se comparados aos valores dos AI em comento,sendo que o último pagamento foi efetuado em 07/2014, além dos AI 371955424, 371955432 e 371955440 conterem período não Fl. 724DF CARF MF Processo nº 10980.724660/201116 Acórdão n.º 9202007.296 CSRFT2 Fl. 11 5 comtemplados na Lei 12865/13, qual seja, 11/2008, 12/2008 e 13/2008 e o AI 371955416 não estar comtemplado período 08/2011. 4. Diante do acima exposto propomos devolução ao SECAT para seguimento da cobrança e demais procedimentos a seu cargo. 5. A consideração superior, após retorne ao SECAT em continuidade. À fl. 716, a Delegacia de origem também informou que “foram transferidos do processo nº 10980.724660/201116 para o processo nº 11061.720002/201777 os créditos previdenciários referentes à parte não impugnada pelo sujeito passivo lançados nos AI 37.195.5416 e AI 37.195.5432. Permanece no processo 10980.724660/201116 o crédito previdenciário lançado no AI 37.195.5440, que seguirá para o CARF para julgamento.” Sem contrarrazões, os autos vieram conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratamse dos Autos de Infrações (AI’s) abaixo discriminados, lavrados pela Auditoria Fiscal: 1.1. AI DEBCAD n.º 37.195.5432, consolidado 30.08.2011, referente à exigência de R$ 3.685.291,52 em Contribuições Previdenciárias da Empresa, incidentes sobre pagamentos feitos pela impugnante a contribuintes individuais, cujas contribuições incidentes não foram declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e nem recolhidas à Previdência, nas competências de 01/2007 a 12/2007 e 01/2008 a 12/2008; 1.2. AI DEBCAD n.º 37.195.5440, consolidado em 30.08.2011, referente à exigência de R$ 18.014,38 em Contribuições Destinada a Outras Entidades ou Fundos (Terceiros), incidentes sobre remunerações pagas pela impugnante a segurados empregados, não declaradas em GFIP ou recolhidas à Previdência, nas competências de 01/2007 a 13/2008. 1.3. AI DEBCAD n.º 37.195.5416, emitido em 30.08.2011, referente à aplicação de multa no valor de R$ 12.195,44, por descumprimento de obrigação acessória, em virtude de a empresa ter apresentado GFIP’s com omissão de dados correspondentes a fatos geradores de contribuições previdenciárias, incidentes nas competências de 01/2007, 02/2007, 09/2007 e 09/2008. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. Fl. 725DF CARF MF 6 O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: valores depositados judicialmente lançamento de ofício das quantias depositadas. 1. O DEPÓSITO JUDICIAL NÃO IMPEDE O LANÇAMENTO FISCAL, NÃO O EXONERA NEM O TORNA NULO. Essa matéria não é nova na apreciação deste Colegiado, de modo que, na primeira oportunidade em que me manifestei em julgado da sessão de 20/07/2016, divergi do voto emanado (por qualidade) por este Colegiado de relatoria da Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo no Acórdão nº 9202004.303: De plano, julgo prudente esclarecer que não entendo aplicável ao presente caso o mandamento insculpido no art. 62, § 2º, do Anexo II do RICARF/2015: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (grifouse) Nos processos administrativos em que se discute a (im)possibilidade de realização de lançamento de ofício de crédito tributário objeto de prévio depósito judicial, é frequente a alegação, por parte dos sujeitos passivos, de que a questão já teria sido decidida de maneira definitiva pelo STJ no acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP. O julgamento de tal recurso judicial efetivamente seguiu o rito previsto no art. 543C do antigo Código de Processo Civil (CPC), em virtude de aquela Corte Superior ter considerado o recurso como representativo de controvérsia. Portanto, tal julgado se enquadraria, em tese, entre as hipóteses elencadas no § 2º do art. 62 do Anexo II do RICARF/2015. Ocorre que o caso concreto enfrentado nos presentes autos não é alcançado pelo teor daquele julgado, de forma a vincular a decisão deste Colegiado. A 2ª Turma da CSRF teve recentemente a oportunidade de deliberar a respeito do alcance do acórdão de julgamento do Fl. 726DF CARF MF Processo nº 10980.724660/201116 Acórdão n.º 9202007.296 CSRFT2 Fl. 12 7 REsp nº 1.140.956/SP. Dispôs a respeito do assunto o voto condutor do Acórdão nº 9202004.303: "A esse respeito, o Contribuinte alega a existência de decisão do Superior Tribunal de Justiça, na sistemática do art. 543B, do Código de Processo Civil, que vincularia os Conselheiros de CARF, conforme o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF. Tratase do Recurso Especial 1.140.956SP, que no entender desta Conselheira de forma alguma autoriza a conclusão de que deveriam ser declarados nulos os Autos de Infração lavrados em presença de depósito do montante integral do débito. Assim, embora não seja imprescindível a lavratura de Auto de Infração nos casos em que haja depósito do montante integral do crédito tributário, não há base legal para que os lançamentos efetuados nessas condições sejam considerados nulos ou sejam cancelados. Nesse sentido, trago à colação e aqui incluo em minhas razões de decidir o voto proferido pela Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, no Acórdão nº 1101001.135, de 05/06/2014, que analisou o Recurso Especial 1.140.956SP, citado pelo Contribuinte em seu apelo, concluindo que o efeito repetitivo não contempla a tese esposada pelo Contribuinte: "A recorrente invoca a observância do art. 62A do RICARF em razão da manifestação do Superior Tribunal de Justiça assim consolidada na ementa do Recurso Especial nº 1.140.956SP: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. AÇÃO ANTIEXACIONAL ANTERIOR À EXECUÇÃO FISCAL. DEPÓSITO INTEGRAL DO DÉBITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (ART. 151, II, DO CTN). ÓBICE À PROPOSITURA DA EXECUÇÃO FISCAL, QUE, ACASO AJUIZADA, DEVERÁ SER EXTINTA. 1. O depósito do montante integral do débito, nos termos do artigo 151, inciso II, do CTN, suspende a exigibilidade do crédito tributário, impedindo o ajuizamento da execução fiscal por parte da Fazenda Pública. (...) 2. É que as causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN) impedem a realização, pelo Fisco, de atos de cobrança, os quais têm início em momento posterior ao lançamento, com a lavratura do auto de infração. 3. O processo de cobrança do crédito tributário encarta as seguintes etapas, visando ao efetivo recebimento do referido crédito: a) a cobrança administrativa, que ocorrerá mediante a lavratura do auto de infração e aplicação de multa: exigibilidade Fl. 727DF CARF MF 8 autuação; b) a inscrição em dívida ativa: exigibilida de inscrição; c) a cobrança judicial, via execução fiscal: Exigibilida de execução. 4. Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração, assim como de coibir o ato de inscrição em dívida ativa e o ajuizamento da execução fiscal, a qual, acaso proposta, deverá ser extinta. 5. A improcedência da ação antiexacional (precedida do depósito do montante integral) acarreta a conversão do depósito em renda em favor da Fazenda Pública, extinguindo o crédito tributário, consoante o comando do art. 156, VI, do CTN, na esteira dos ensinamentos de abalizada doutrina, verbis: "Depois da constituição definitiva do crédito, o depósito, quer tenha sido prévio ou posterior, tem o mérito de impedir a propositura da ação de cobrança, vale dizer, da execução fiscal, porquanto fica suspensa a exigibilidade do crédito. (...) Ao promover a ação anulatória de lançamento, ou a declaratória de inexistência de relação tributária, ou mesmo o mandado de segurança, o autor fará a prova do depósito e pedirá ao Juiz que mande cientificar a Fazenda Pública, para os fins do art. 151, II, do Código Tributário Nacional. Se pretender a suspensão da exigibilidade antes da propositura da ação, poderá fazer o depósito e, em seguida, juntando o respectivo comprovante, pedir ao Juiz que mande notificar a Fazenda Pública. Terá então o prazo de 30 dias para promover a ação. Julgada a ação procedente, o depósito deve ser devolvido ao contribuinte, e se improcedente, convertido em renda da Fazenda Pública, desde que a sentença de mérito tenha transitado em julgado" (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 27ª ed., p. 205/206). 6. In casu, o Tribunal a quo, ao conceder a liminar pleiteada no bojo do presente agravo de instrumento, consignou a integralidade do depósito efetuado, às fls. 77/78: "A verossimilhança do pedido é manifesta, pois houve o depósito dos valores reclamados em execução, o que acarreta a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, de forma que concedo a liminar pleiteada para o fim de suspender a execução até o julgamento do mandado de segurança ou julgamento deste pela Turma Julgadora." 7. A ocorrência do depósito integral do montante devido restou ratificada no aresto recorrido, consoante dessumese do seguinte excerto do voto condutor, in verbis: Fl. 728DF CARF MF Processo nº 10980.724660/201116 Acórdão n.º 9202007.296 CSRFT2 Fl. 13 9 "O depósito do valor do débito impede o ajuizamento de ação executiva até o trânsito em julgado da ação. Consta que foi efetuado o depósito nos autos do Mandado de Segurança impetrado pela agravante, o qual encontrase em andamento, de forma que a exigibilidade do tributo permanece suspensa até solução definitiva. Assim sendo, a Municipalidade não está autorizada a proceder à cobrança de tributo cuja legalidade está sendo discutida judicialmente." 8. In casu, o Município recorrente alegou violação do art. 151, II, do CTN, ao argumento de que o depósito efetuado não seria integral, posto não coincidir com o valor constante da CDA, por isso que inapto a garantir a execução, determinar sua suspensão ou extinção, tese insindicável pelo STJ, mercê de a questão remanescer quanto aos efeitos do depósito servirem à fixação da tese repetitiva. 9. Destarte, ante a ocorrência do depósito do montante integral do débito exequendo, no bojo de ação antiexacional proposta em momento anterior ao ajuizamento da execução, a extinção do executivo fiscal é medida que se impõe, porquanto suspensa a exigibilidade do referido crédito tributário. 10. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Porém, observase que a discussão, naqueles autos, tinha em conta execução fiscal promovida em face de sujeito passivo que promovera depósito judicial classificado como insuficiente pela Municipalidade e, assim, inábil a suspender a exigibilidade do crédito tributário. Aqui, o lançamento foi formalizado sem aplicação de penalidade e com o reconhecimento da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, inexistindo qualquer questionamento acerca da suficiência do depósito judicial. Por sua vez, o voto condutor do julgado antes mencionado principia observando que: Entrementes, dentre os multifários recursos especiais relacionados à questão da impossibilidade de ajuizamento de executivo fiscal, ante a existência de ação antiexacional conjugada ao depósito do crédito tributário, grande parte referese à discussão acerca da integralidade do depósito efetuado ou da existência do mesmo, razão pela qual impõese o julgamento da controvérsia pelo rito previsto no art. 543C, do CPC, cujo escopo precípuo é a uniformização da jurisprudência e a celeridade processual. (destaques do original) Sob esta ótica, o Superior Tribunal de Justiça manifestouse acerca da implementação da suspensão da exigibilidade do Fl. 729DF CARF MF 10 crédito tributário em razão de depósito judicial, asseverando que sua implementação, quando integral, impede “atos de cobrança”, dentre os quais inseriu a “lavratura do auto de infração e aplicação de multa”, sem apreciar a possibilidade de lançamento sem aplicação de penalidade e com suspensão da exigibilidade. É nesse contexto específico que exsurge o impedimento à lavratura do auto de infração em face de depósito judicial integral do tributo. No mais, o Superior Tribunal de Justiça teve em conta apenas a extinção do crédito tributário em razão da conversão do depósito em renda da Fazenda Pública, bem como a suficiência do depósito judicial no caso concreto em análise, determinando a extinção da execução fiscal em curso. Concluise, do exposto, que o Superior Tribunal de Justiça não decidiu, no rito do art. 543C, acerca da impossibilidade de lançamento, sem aplicação de penalidade e com suspensão da exigibilidade, de tributo depositado judicialmente. Por tais razões, deve ser REJEITADO o pedido de vinculação ao julgado antes referido, por força do art. 62A do RICARF." (...) Assim, resta claro que o julgado ora analisado de forma alguma autoriza a interpretação no sentido de que o Auto de Infração lavrado apenas para prevenir a decadência, adotando todas as cautelas legais, no sentido da manutenção da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, lavrado por pessoa competente e sem qualquer cerceamento de direito de defesa deva ser declarado nulo, por haver o Contribuinte efetuado depósito do montante integral do débito." (grifouse) Acompanho as razões expostas no julgado transcrito para concluir que a tese construída no acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP não se aplica indistintamente a qualquer hipótese de lançamento de ofício de crédito tributário objeto de prévio depósito judicial. A i. Conselheira Relatora do Acórdão nº 9202004.303, fazendo remissão ao Acórdão nº 1101001.135, conclui que o Egrégio STJ somente apreciou, por ocasião do julgamento do REsp nº 1.140.956/SP, hipótese em que o sujeito ativo promove o lançamento de crédito tributário acompanhado de penalidade, em razão de entenderse, no momento do lançamento, pela não integralidade dos depósitos judiciais por meio dos quais o sujeito passivo pretendeu suspender a exigibilidade o crédito tributário, valendose da previsão legal do inciso II do art. 151 do CTN. Não estão contempladas na manifestação exarada pelo STJ hipóteses como a encontrada nos presentes autos, em que a Fiscalização reconhece no auto de infração a suspensão da exigibilidade dos créditos constituídos e realiza o lançamento sem a imputação de penalidade alguma, com o propósito de prevenção da decadência. Fl. 730DF CARF MF Processo nº 10980.724660/201116 Acórdão n.º 9202007.296 CSRFT2 Fl. 14 11 Tal conclusão é corroborada pela declaração feita no início do voto condutor do acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP. Ao justificar a necessidade de julgamento da controvérsia pelo rito do art. 543C do CPC então vigente, o i. Ministro Relator faz referência à existência de grande quantidade de recursos especiais em que se discute acerca da integralidade ou mesmo da existência de depósito judicial e dos seus efeitos em relação à impossibilidade de ajuizamento de executivo fiscal. Além disso, quando mencionou os atos de cobrança cuja realização estaria inibida pela existência do depósito judicial, o voto condutor do acórdão judicial fez menção apenas à "lavratura do auto de infração e aplicação de multa", não abordando a hipótese de lançamento realizado sem a aplicação de qualquer penalidade em virtude do reconhecimento da integralidade do depósito judicial e da consequente suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Diante de tais fatos, considero que o STJ, ao construir sua decisão no julgamento do REsp nº 1.140.956/SP, não contemplou hipóteses fáticas em que a autoridade tributária realiza lançamento de ofício com a exclusiva finalidade de prevenir a decadência, reconhecendo expressamente a suspensão da exigibilidade dos créditos constituídos em virtude da existência de depósitos judiciais e corretamente se abstendo de aplicar penalidade ao sujeito passivo. Assim, concluise que, embora o STJ tenha proferido o acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP seguindo o rito estabelecido no art. 543C do CPC então vigente, não há que se falar em vinculação dos conselheiros desta Turma, no presente julgamento, àquela decisão. [...]Passase então ao desenvolvimento das razões de decidir aplicáveis ao caso ora submetido ao julgamento desta 1ª Turma da CSRF. Filiome ao grupo dos julgadores administrativos que entendem não haver impedimento à lavratura de autos de infração para prevenção da decadência de obrigação tributária que já seja objeto de depósito vinculado a uma demanda judicial. A autoridade tributária tem entre suas atribuições a atividade administrativa de lançamento, que, nos termos do parágrafo único do art. 142 do CTN, é vinculada e obrigatória. In verbis: [...]Identificando, portanto, a ocorrência de fato gerador de obrigação tributária, aquela autoridade tem como dever funcional a realização do lançamento tributário, que se completa com as etapas de determinação da matéria tributável, cálculo do montante devido, identificação do sujeito passivo e aplicação da penalidade cabível, se for o caso. O dispositivo é expresso ao definir a atividade administrativa de lançamento como vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, não trazendo qualquer previsão de tratamento diferenciado para Fl. 731DF CARF MF 12 hipóteses de crédito com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Na hipótese de existência de depósito judicial relacionado à obrigação identificada pela autoridade tributária, poderseia discutir a necessidade de realização do lançamento. Isso porque existe a tese de que a efetivação de tal depósito seria análoga ao pagamento antecipado do tributo pelo sujeito passivo, figura encontrada na sistemática adotada para os tributos submetidos ao lançamento por homologação. Os defensores de tal tese entendem que o depósito judicial seria suficiente para a constituição do crédito tributário (sujeita à posterior homologação do sujeito ativo), sendo desnecessária a realização de lançamento de ofício pela autoridade tributária. Tal entendimento, todavia, não leva à conclusão de que os lançamentos de ofício realizados neste contexto sejam nulos ou passíveis de cancelamento. O Decreto nº 70.235/1972 trata da seguinte forma as hipóteses de nulidade no processo administrativo tributário: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Lançamentos de ofício como o praticado nos presentes autos não se enquadram em nenhuma das situações de nulidade prescritas. O auto de infração foi lavrado por autoridade competente (Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil) e não houve qualquer preterição de direito de defesa. Após a formalização do lançamento, o contribuinte pôde exercer plenamente seu direito de defesa assegurado por lei, impugnando o auto de infração e provocando o contencioso administrativo, que inclusive nos trouxe até a presente fase de julgamento de recurso especial. Os requisitos formais dos autos de infração, cujo descumprimento poderia, em tese e em último caso (impossibilidade de saneamento), levar a uma declaração de sua nulidade, são objeto do art. 10 do mesmo Decreto nº 70.235/1972: O auto de infração que originou os presentes autos cumpriu rigorosamente todas as formalidades que dele são exigidas, não se podendo cogitar de sua nulidade em razão de alguma mácula neste sentido. Sendo assim, não se identifica qualquer vício ou irregularidade que possa provocar a nulidade do lançamento realizado. A autuação, embora possa ser considerada desnecessária por alguns, se deu de forma completamente regular, notadamente diante de seu propósito de prevenir a decadência, do reconhecimento da suspensão da exigibilidade do crédito constituído em virtude da existência de depósito judicial e da não imputação de penalidade ao sujeito passivo. Fl. 732DF CARF MF Processo nº 10980.724660/201116 Acórdão n.º 9202007.296 CSRFT2 Fl. 15 13 Acrescentese que não acarretou qualquer prejuízo para o contribuinte o lançamento realizado com a finalidade de prevenção da decadência (e tampouco provocará prejuízo sua manutenção neste julgamento). Quando um sujeito passivo suspende a exigibilidade de crédito tributário mediante a realização de depósito judicial integral, nenhuma exigência lhe é feita até o trânsito em julgado da demanda judicial. Somente com o trânsito em julgado da ação é que o sujeito passivo é autorizado a levantar os valores depositados, devidamente corrigidos (caso obtenha êxito no mandado de segurança), ou observa a conversão do depósito judicial em renda a favor da União (caso a decisão judicial seja favorável à Fazenda Nacional). Diante do exposto, quanto ao mérito do recurso especial da Fazenda Nacional, voto por DARLHE PROVIMENTO para restabelecer integralmente o lançamento objeto dos presentes autos. Contudo, mais recentemente em voto proferido pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, no Acórdão N. 9202007.129, na sessão de 28/08/2018, acompanhei pelas conclusões, cujo excerto abaixo transcrito adoto como razão de decidir para aplicação no caso destes autos, os quais analiso a frente: O Colegiado a quo entendeu por dar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte sob o fundamento de que o lançamento seria desnecessário face à existência do de depósitos judiciais no montante integral. O contribuinte alega que há duplicidade de lançamento em razão da existência de depósito judicial, no entanto, não lhe confiro razão. De fato houve a realização do depósito judicial nos mesmos valores lançados, deixando claro tratarse de depósito do montante integral do crédito tributário. Por sua vez, o presente lançamento foi efetuado com o intuito de prevenir a decadência, eis que a matéria está sendo discutida em juízo. Cumpre dizer que nos termos do art. 142 do CTN, transcrito a seguir, o lançamento encontrase dentre das atividades vinculadas do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, não comportando juízo de conveniência. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, Fl. 733DF CARF MF 14 identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (g.n.) É certo que o depósito judicial suspende a exigibilidade do crédito tributário. Ao final da demanda judicial, caso vença a Fazenda Nacional, os valores depositados serão convertidos em renda, caso contrário, os valores serão levantados pelo contribuinte. Entretanto, não se vislumbra ilegalidade no lançamento ou qualquer vício que leve à sua nulidade. Tampouco se pode dizer que há duplicidade de lançamento, porque, conforme já arguido, caso a contenda termine de forma favorável à Fazenda Nacional, o depósito será convertido em renda e o lançamento será desconstituído, tal qual ocorreu no provimento parcial dado pela decisão de primeira instância. Tanto é assim, que não se julga o mérito das questões quando existe identidade fática entre o lançamento e a ação judicial, em conformidade com o que: " Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Por outro lado, não se vislumbra que o lançamento possa levar a algum prejuízo ao contribuinte, eis que havendo decisão final a seu favor, o crédito será considerado extinto e os valores depositados judicialmente poderão ser, por ele, levantados. Não se pode olvidar que, por variadas hipóteses, o juízo pode decretar o levantamento do valor depositado ainda no curso da ação judicial. Caso isso ocorra e o contribuinte, por hipótese, venha a sucumbir no processo judicial, tendo transcorrido o prazo decadencial, ficaria o fisco impossilitado de proceder à cobrança do crédito tributário, o que traria desnecessário dano ao Erário. Ainda que a formalização do lançamento possa ser considerada desnecessária, uma vez efetuado o lançamento, não cabe sua anulação se inexiste qualquer mácula em sua constituição. Deste modo, ressaltada minha mudança de posicionamento, adoto exclusivamente o trecho acima como razão de decidir e assim entendo devase dar provimento ao recurso da PGFN para afastar a nulidade declarada. Fl. 734DF CARF MF Processo nº 10980.724660/201116 Acórdão n.º 9202007.296 CSRFT2 Fl. 16 15 Pelo exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para no mérito darlhe provimento, contudo, com retorno à Câmara a quo para apreciação das demais questões. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 735DF CARF MF
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Numero do processo: 13799.720010/2018-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 11/08/2006
AUTO DE INFRAÇÃO - MULTA REGULAMENTAR - CIGARROS - LEGITIMIDADE PASSIVA
O fato gerador da multa é qualquer das figuras descritas no artigo 3.º do Decreto 300/68. No caso, manter em depósito coaduna-se com a prescrição da legislação de regência, não subsistindo o argumento de que a mercadoria ão pertenceria ao ora recorrente.
Numero da decisão: 3001-000.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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No caso, manter em depósito coadunase com a prescrição da legislação de regência, não subsistindo o argumento de que a mercadoria ão pertenceria ao ora recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 79 9. 72 00 10 /2 01 8- 13 Fl. 161DF CARF MF 2 Relatório Auto de Infração Tratase de Auto de Infração de n. 0810300/00144/2016, lavrado pela Delegacia da Receita Federal em Bauru/SP – DRFBAU, na data de 29/09/2016, em face de Allan Dener Vicente, tendo como responsável solidário Jairo Vicente no qual se aplicou multa no valor de R$ 36.598,00 (trinta e seis mil quinhentos e noventa e oito reais), ensejando a abertura do processo administrativo n. 10646.720101/201634. O mencionado auto de infração descreveu os fatos da seguinte forma: Aplicase a penalidade pela INFRAÇÃO ÀS MEDIDAS DE CONTROLE FISCAL RELATIVAS A FUMO, CIGARRO, CHARUTO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. De fato, conforme consta do processo administrativo 10646.720100/2016 90, em 15/12/2015 ocorreu a apreensão de 18.299 maços de cigarros de origem estrangeira em posse do(s) sujeito(s) passivo(s) indicado(s) acima, de que resultou o perdimento de mercadorias materializado pelo Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda de Mercadoria (AITAGF) 16/00143 lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru (DRF/BAURU). A multa regulamentar aplicada tem como fundamento o art. 3º do DecretoLei n. 399/68, com redação dada pelo art. 78 da Lei n. 10.833/03, na proporção de R$ 2,00 por maço de cigarros, cumulada com a pena de perdimento da mercadoria, tendo em vista a não apresentação de documentação idônea, no caso, despacho de importação. Foi lavrado termo de guarda dos produtos apreendidos e os autuados intimados para apresentação de impugnação no prazo de 20 (vinte) dias. Impugnação Em sede de impugnação, os contribuinte alegaram que o laudo pericial elaborado nos autos do processo criminal n. 000133107.2015.403.6132, em trâmite perante a Justiça Federal de Avaré/SP, teria constatado que nem todos os cigarros apreendidos pela fiscalização seriam de procedência estrangeira, de modo que parte deles seriam nacionais e, portanto, não poderiam ser contabilizados para a fixação da multa de R$ 2,00 por maço do produto. Contudo, deixou de apresentar o documento mencionado, argumentando que o mesmo não foi disponibilizado, e, ainda nesse ponto, requereu a suspensão do processo administrativo até o julgamento da ação judicial. Ademais, aduziram a ilegitimidade passiva do impugnante Jairo Vicente, afirmando que as mercadorias apreendidas pertenciam exclusivamente ao outro impugnante, Allan Dener Vicente, o qual teria admitido na instrução criminal que era o único dono dos produtos. Ainda, alegaram que o endereço onde houve a apreensão seria a residência de Allan, o qual teria pedido auxílio de seu pai Jairo no momento do flagrante. Por fim, aduzem que há excesso no valor da autuação, devendo ser considerado como total o valor de R$ 36.598,00, o qual deve ser dividido na proporção da responsabilidade de cada autuado ou então igualmente entre os dois. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 13799.720010/201813 Acórdão n.º 3001000.623 S3C0T1 Fl. 122 3 Houve pedido de prioridade de tramitação em decorrência da idade do impugnante Jairo Vicente, com fulcro nas Leis n. 10.048/00 e 10.741/03. Conversão em diligência A DRJ/FOR entendeu por bem converter o julgamento em diligência com a finalidade de esclarecer as alegações no tocante à nacionalidade das mercadorias apreendias e à legitimidade passiva do autuado Jairo Vicente. Em resposta à intimação, os impugnantes esclareceram que seu procurador não foi intimado dos atos praticados no presente processo administrativo, apesar de devidamente investido de procuração e que o magistrado de primeiro grau rejeitou a denúncia oferecida na ação criminal que tramita perante a Justiça Federal de Avaré/SP, tendo juntado movimentações do referido processo. DRJ/FOR A impugnação foi julgada e recebeu a seguinte ementa: Acórdão 0841.005 7ª Turma da DRJ/FOR Sessão de 26 de outubro de 2017 Processo 10646.720101/201634 Interessado ALLAN DENER VICENTE JAIRO VICENTE CPF 749.981.53820 CNPJ/CPF 425.527.78852 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 11/08/2006 INFRAÇÃO ÀS MEDIDAS DE CONTROLE FISCAL RELATIVAS A FUMO, CIGARRO E CHARUTO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. A posse de cigarros de procedência estrangeira, sem documentação que comprove sua regular importação, constitui infração às medidas de controle fiscal, sujeitando o infrator à multa de R$ 2,00 por cada maço. MULTA. PROPORCIONALIDADE. As multas aplicadas de acordo com a legislação tributária não podem ser reduzidas ou dispensadas, e não violam os princípios constitucionais, devendo ser exigidas sob pena de responsabilidade funcional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 11/08/2006 INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. VEDAÇÃO. A arguição de inconstitucionalidade não é oponível na esfera administrativa, porquanto a autoridade administrativa carece de competência para apreciar matéria reservada ao Poder Judiciário. INTIMAÇÃO. MODALIDADES. COMPETÊNCIA. No processo administrativo tributário, as intimações devem ser realizadas na forma prevista no art. 23 do Decreto nº 70.235/1972 e alterações posteriores, pela unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil responsável pelo preparo do processo, cabendo a ela decidir qual das modalidades de intimação admitidas pela lei deve ser utilizada para dar ciência dos atos processuais. Acaso seja utilizada a via postal ou o meio eletrônico, não há previsão legal para intimação em local diverso do Fl. 163DF CARF MF 4 domicílio tributário do sujeito passivo, sendo, portanto, incabível aventar se nulidade acaso não atendido pedido nesse sentido. PEDIDO DE PARCELAMENTO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. Não compete à Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento apreciar pedido de parcelamento de créditos tributários, devendo o pleito ser formulado perante a autoridade competente. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 11/08/2006 INSTÂNCIAS PENAL E ADMINISTRATIVA. INDEPENDÊNCIA. O julgamento administrativo de infrações tributárias não está adstrito ao que tiver sido decidido em ação penal, ainda que ambos os julgamentos decorram da apuração dos mesmos fatos, salvo na hipótese de que trata o art. 935 do Código Civil. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O relatório, por bem retratar a realidade fática dos autos, merece ser transcrito. Tratase da exigência do crédito tributário relativo a multa prevista no art. 3º, parágrafo único, do Decretolei nº 399, de 30 de dezembro de 1968, com a redação dada pelo art. 78 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Os fatos que fundamentaram o lançamento são os mesmos descritos no Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda de Mercadoria (AITAGF) nº 16/00143, lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru, SP (DRF/Bauru) e integrante do processo administrativo nº 10646.720100/201690, segundo o qual 18.299 maços de cigarros de procedência estrangeira foram arrecadados pela autoridade policial por se encontrarem na posse dos sujeitos passivos desacompanhados de documentação comprobatória de sua regular importação, dele constando que: “não tendo o detentor tomado as devidas providências legais necessárias à regular introdução das mercadorias em território nacional, passam as mesmas a se encontrar em circulação ilegal”. Também consta do referido processo que, como consulta ao Portal Anvisa (disponível em portal.anvisa.gov.br) revelou que a marca de cigarro apreendida não consta no Registro de Produto Fumígeno – Dados Cadastrais do referido Portal, a apreensão em questão deverá ser considerada como contrabando, conforme art. 334A do Decretolei nº 2.848, de 1940 (Código Penal). Cientificados do lançamento em 13 de outubro de 2016 (fls. 2124), os sujeitos passivos apresentaram, em 2 de novembro de 2016, a impugnação conjunta de fls. 2732, por meio da qual arguem: Que os 18.299 maços de cigarros foram apreendidos na residência de 1 (um) dos Sujeitos Passivos o Sr. ALLAN DENER VICENTE o qual em situação de desespero acionou o seu Pai, ora, outro Sujeito Passivo o Sr. JAIRO VICENTE; que o Laudo Pericial elaborado a pedido do Ministério Público Federal, nos autos do Processo Criminal n° 000133107.2015.403.6132, que tramita perante a Justiça Federal da Comarca de Avaré, no qual consta Fl. 164DF CARF MF Processo nº 13799.720010/201813 Acórdão n.º 3001000.623 S3C0T1 Fl. 123 5 preliminarmente cigarros de origem nacional e cigarros de origem estrangeira não foi apresentado para o Sujeito Passivo ALLAN para que o mesmo possa apresentar suas notas fiscais e confrontar o mesmo Laudo; A aplicação da multa antes de fornecer ao sujeito passivo Allan condições de apresentar seus pontos de defesas em relação ao Laudo Pericial e ao término do Processo Criminal é inconstitucional, uma vez que essa Multa aplicada aos sujeitos Passivos antes do término do Processo Criminal elimina qualquer presunção de inocência, uma vez que não foi ainda apresentado a denúncia pelo Ministério Público, não foi dado vista aos Réus do Laudo Pericial, não foi dada oportunidade de apresentar sua defesa, ainda mais, que o Sujeito Passivo Allan tem a absoluta certeza que foram apreendidos cigarros de origem nacional juntamente com alguns cigarros de origem estrangeira. O Sujeito Passivo conta com 62 (sessenta e dois) anos de idade completos. Por esse motivo requer prioridade na tramitação deste processo nos termos da Lei 10.048/2000 e Lei 10.741/2003, integrante do ordenamento pátrio jurídico. Conforme depoimento na Delegacia o filho do Sujeito Passivo JAIRO VICENTE, o Sr. ALLAN DENER VICENTE admitiu a propriedade de toda a mercadoria. O Acusado Jairo nunca foi proprietário da banca de comércio nesta cidade, a banca pertence ao seu filho Allan Dener Vicente, assim como os produtos encontrados na casa de seu filho, sendo que seu filho admitiu a propriedade de todos os produtos. No momento da Busca e apreensão o Sr. Jairo estava trabalhando na instalação de internet, quando seu filho Allan o ligou pedindo socorro, sendo que nesse momento, quando foi socorrer o filho ficou sabendo que estaria envolvido em tese no crime. Além disso, o Sr. Jairo Vicente não reside no endereço do seu filho, reside no bairro do Macuco, rancho na represa Jurumirim, na cidade de Cerqueira César/SP, com distância aproximada de 8 (oito) quilômetros de distância da Cidade, inclusive nessa área, encontrase a maioria dos seus clientes rurais, os quais recebem manutenção da internet via rádio. O Sr. Jairo Vicente informou corretamente todas as perguntas do delegado, não se negou a responder nenhuma, prestou todos os esclarecimentos, não interferindo ou prejudicando a investigação. Ante o exposto requer a suspensão do processo administrativo, uma vez que é necessário o término do processo criminal para que se apure a participação do Sujeito Passivo Jairo Vicente. É evidente que há um erro de cobrança gravíssimo, uma vez que se apurado que os Sujeitos Passivos Pai e Filho são legítimos para configurarem no Polo Passivo do Processo Administrativo, cabe apurar quantos maços de cigarros pertencem a cada um dos Sujeitos Passivos, assim aplicando a multa proporcional a cada um ou até dividindo a multa pela metade a cada um dos Sujeitos. Fl. 165DF CARF MF 6 O que está havendo na aplicação dos Autos de Infrações é que está existindo uma majoração da multa uma vez que ela está sendo equivalente a quantia de 36.598 (trinta e seis mil quinhentos e noventa e oito reais) de maços de cigarros, isso multiplicado por R$ 2,00 totaliza o valor de R$ 73.196,00 (setenta e três mil e cento e noventa e seis reais) . Ante o exposto os Sujeitos Passivos requerem a revisão da Multa pela metade uma vez que os 18.299 (dezoito mil duzentos e noventa e nove) maços de cigarro devem ser divididos entre os Sujeitos ou aplicado apenas ao Sujeito Passivo Allan Dener. Em virtude da Presunção de Inocência de um dos Sujeitos Passivos é necessária a suspensão do Processo Administrativo a fim de se apurar a real e evidente participação de cada Sujeito. Além disso, é evidente que os Sujeitos não tiveram a oportunidade de questionarem o Laudo Pericial, uma vez que possuem Notas Fiscais e a certeza que preliminarmente o Laudo Pericial constou cigarros nacionais. E em virtude da majoração da Multa que deverá ser revista é necessário de maneira direta impugnar pelo valor aplicado a ambos os Sujeitos Passivos. Senhor julgador, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados nesta Impugnação: Estão anexados a esta Impugnação os seguintes documentos: Demonstrativo consolidado do crédito tributário de ambos os Sujeitos, documentos pessoais, dados da empresa do sujeito passivo Sr. Jairo Vicente, comprovantes de endereços, cópia das fases do processo judicial, uma vez que não foi apresentado denuncia pelo Ministério Publico Federal. À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência parcial do lançamento requer que seja acolhida a presente Impugnação. Requer a suspensão do Processo Administrativo até o término do Processo Judicial que tramita perante a Justiça Federal de Avaré, uma vez que é necessário apurar a quantia real de cigarros de origem estrangeira e a participação de um dos sujeitos passivos. Por fim se o Ilmo. Julgador entender que a multa deva ser apenas aplicada a 1 (um) dos Sujeitos Passivos ou entenda que ela deva ser aplicada em um único valor de R$ 36.598,00 (trinta e seis mil e quinhentos e noventa e oito reais) aos dois sujeitos, desde já requer o parcelamento com redução de 40% (quarenta por cento). O julgamento foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 08003.112, expedida em 26 de junho de 2017 por esta 7ª Turma da DRJ/FOR, para que a unidade preparadora providenciasse: (i) a juntada de laudo merceológico ou qualquer outro documento que pudesse confirmar a procedência dos cigarros objeto da autuação; (ii) a juntada de cópia das decisões judiciais exaradas nos autos do processo criminal nº 000133107.2015.403.6132, especialmente aquelas relativas ao sujeito passivo Jairo Vicente; e (iii) a juntada de quaisquer outros documentos ou informações que entendesse necessários ou importantes para o aperfeiçoamento da diligência e para a solução da presente lide. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 13799.720010/201813 Acórdão n.º 3001000.623 S3C0T1 Fl. 124 7 Em cumprimento à dita Resolução, a unidade preparadora juntou aos autos os documentos de fls. 7590, contendo manifestação dos autuados, inclusive cópia de consultas extraídas do sítio da Justiça Federal em São Paulo, referentes ao andamento do processo criminal nº 0001331 07.2015.403.6132, e assim informou, às fls. 97: 1. Os interessados Jairo Vicente a Allan Dener Vicente foi intimado, em 14/07/2017, através do Termo de Intimação nº 090/2017, para juntar cópia de eventual decisão exarada nos autos do Processo do Processo Criminal nº 0001331.2015.403.6132. Em resposta foram juntadas as fls. 75 a 90; 2. Foi realizada nova conferência/recontagem pelo depósito de mercadorias apreendidas responsável pela guarda das mercadorias apreendidas desta unidade da Receita Federal e a funcionária daquele local (fiel depositária) afirmou que nenhuma mercadoria nacional foi encontrada; 3. Não foi juntado aos autos quaisquer outros documentos ou informação que se entenda necessário para o aperfeiçoamento desta diligência e para solução da lide; 4. Foram cientificados os sujeitos passivos do Teor da Resolução 08 003.112 7ª Turma da DRJ/FOR e desta diligência, assegurandolhe o prazo de 30 dias para pronunciar sobre as informações ou documentos trazidos aos autos em conforme art. 16, § 4º, “c” do Decreto nº 70.235, de 06 de 1972, com redação dada pela Lei 9.532, de dezembro de 1997, c/c art., parágrafo único, do Decreto 7.574, de 29 de setembro de 2011. Em sua manifestação, os sujeitos passivos, por meio de seu representante, sugerem que possam existir atos nulos neste processo, pelo fato de o procurador não vir recebendo qualquer tipo de informação ou intimação, e pedem para que todas as intimações sejam direcionadas ao escritório daquele. Também afirmam, os sujeitos passivos, que o Juiz Federal não aceitou a denúncia do Ministério Público Federal e remeteu os autos ao ProcuradorGeral da República; que até então não haviam sido abertas vistas do processo para a defesa, nem liberado o laudo pericial para impugnações, nem aberto prazo para apresentação de defesa; e que seria necessário cautela em relação às informações prestadas pela fiel depositária responsável pela guarda das mercadorias apreendidas, uma vez que o juiz federal não abriu vistas para análise do laudo pericial e da contagem dos produtos, o que tornaria temerária qualquer discussão referente aos produtos apreendidos. Alegam, ainda, os sujeitos passivos, em sua manifestação, que esta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) se omitiu quanto à majoração do auto de infração, uma vez que entende que estão sendo cobradas multas em duplicidade, e reiteram o pedido para que o processo seja suspenso até o trânsito em julgado do processo criminal n° 000133107.2015.4.03.6132. É o relatório. Fl. 167DF CARF MF 8 Quanto à arguição de nulidade por ausência de intimação do procurador dos impugnantes, a DRJ considerou que não existiram irregularidade na forma como foram realizadas as comunicações aos contribuintes, acrescentando que no processo administrativo fiscal a notificação será realizada no domicílio fiscal do sujeito passivo por via postal, tal como foi efetuado no nestes autos. Em relação ao pleito de ilegalidade por ter sido realizado o lançamento antes do término do processo criminal, os julgadores entenderam pela regularidade do lançamento, haja vista terem sido colacionados os fatos e argumentos que a autoridade fazendária considerou legítimos e por não haver relação de subordinação entre as instâncias administrativa e judicial. Sobre a arguição de inconstitucionalidade da multa aplicada, considerou que sua análise é de competência exclusiva do Poder Judiciário. No tocante à alegação de ilegitimidade passiva do impugnante Jairo Vicente, firmou se o convencimento de que o mesmo teve relação com o fato que ensejou a aplicação da penalidade por conta da posse de cigarros estrangeiros sem documento idôneo que comprovasse a regular nacionalização das mercadorias. Ainda nesse ponto, a DRJ entendeu que não há duvidas quanto à origem estrangeira dos cigarros, refutando os argumentos de que parte deles seria nacional. Outrossim, constatouse a prática de infração, tendo havido confissão dos fatos imputados na instrução criminal, não se podendo argumentar acerca do não recebimento da denúncia na ação criminal, uma vez que a ausência de documentação idônea referente à importação constitui ato ilícito por si só. Por fim, a DRJ reputou correta a multa no montante em que foi fixada, não havendo duplicação do valor, e destacou não ter competência para analisar pedido de parcelamento. Isso posto, considerou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário. Recurso Voluntário Após relatar brevemente os eventos fáticos transcorridos, a recorrente repete os argumentos trazidos na impugnação, quais sejam: Ilegitimidade passiva de Jairo Vicente Os recorrentes aduzem que Jairo Vicente, pai de Allan Dener Vicente, não possuiria responsabilidade tributária no caso em apreço, tendo em vista que a conduta que originou a multa teria sido praticada exclusivamente pelo segundo, enquanto que o primeiro apenas teria prestado socorro ao filho. Alega, para tanto, que Jairo não teria interesse no fato gerador, portanto, não poderia ser aplicada a prescrição do art. 124, inciso I do Código Tributário Nacional. Desmembramento do processo n. 10646.720101/201634 O Agente da Receita Federal em Avaré/SP entendeu por bem aplicar a previsão do art. 7º, §3º da Portaria RFB nº 2.284/10, determinando a abertura desse processo em apartado ao processo n. 10646.720101/201634, para que fosse analisado exclusivamente o vínculo de responsabilidade do recorrente Jairo Vicente na prática dos atos que deram ensejo ao Auto de Infração n. 0810300/00144/2016. Ademais, por se tratar de pessoa idosa, submeteuse o presente recurso com prioridade para julgamento por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 13799.720010/201813 Acórdão n.º 3001000.623 S3C0T1 Fl. 125 9 É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila, Relator Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada em face do Auto de Infração n. 0810300/00144/2016. Admissibilidade do Recurso Os contribuintes tiveram ciência do acórdão de impugnação em 24.11.2017, conforme Avisos de Recebimento AR, fls. 125/128, nos termos do inciso II do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subsequente, conforme artigo 5º, também do PAF. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Verificase, pois, que a recorrente apresentou o competente Recurso Voluntário em 15.12.2017, conforme comprova o comprovante de protocolo da DRF – BAU ARF AVARÉ, logo, o recurso apresentado é tempestivo ao prazo legal estabelecido no artigo 56 do PAF: Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. Por fim, observo que, em conformidade com o art. 23B do Anexo II da Portaria MF n° 343 de 2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF), este colegiado é competente para apreciar o feito, tendo em vista que o valor do litígio está dentro do limite estabelecido pelo dispositivo. DOS FATOS Trata o presente processo de recurso voluntário apresentado em decorrência de decisão que julgou improcedente impugnação oferecida contra auto de infração que aplicou multa no valor de R$ 36.598,00 com fundamento no art. 3º do DecretoLei n. 399/68, com redação dada pelo art. 78 da Lei n. 10.833/03, em decorrência da apreensão de maços de cigarro estrangeiros desacompanhados de documentação idônea, qual seja o despacho de importação, caracterizando o cometimento de infração tributária. Questionase, nesse julgamento, a insurgência quanto à legitimidade do recorrente Jairo Vicente em figurar como sujeito passivo no lançamento pelos fatos narrados no relatório acima. MÉRITO O cerne da questão perpassa a leitura da legislação de regência, a qual, expressamente, prevê em seu texto, que ter em depósito mercadoria irregular. DECRETOLEI Nº 399, DE 30 DE DEZEMBRO DE 1968. Fl. 169DF CARF MF 10 Art 3º Ficam incursos nas penas previstas no artigo 334 do Código Penal os que, em infração às medidas a serem baixadas na forma do artigo anterior adquirirem, transportarem, venderem, expuserem à venda, tiverem em depósito, possuirem ou consumirem qualquer dos produtos nêle mencionados. Da resposta da diligencia, foi fornecido a decisão que não acatou a denuncia formulada pelo Ministério Público Federal, mas que, em seu bojo, revela indícios das condutas perpetradas pelo requerente, uma vez que "teriam sido supreendidos, mantendo em depósito, em proveito próprio" grande quantidade de cigarros, enquadrandose, portanto, na figura em destaque do artigo terceiro retromencionado. No recurso voluntário a recorrente alega a impossibilidade de atribuirse a responsabilidade solidária ao Jairo, uma vez que não se comprovou a participação de de Jairo na conduta. Contudo, o argumento não se sustenta, uma vez que, conforme se viu na narrativa acima, ambos foram surpreendidos mantendo a mercadoria em depósito. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 170DF CARF MF Processo nº 13799.720010/201813 Acórdão n.º 3001000.623 S3C0T1 Fl. 126 11 Fl. 171DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.906442/2012-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário:2011
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN.
Não se desincumbindo a recorrente do ônus de comprovar o direito creditório alegado, cabe o não provimento do recurso voluntário.
Direito creditório que não se reconhece
Numero da decisão: 1402-003.292
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausente, o conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1614; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 65 1 64 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.906442/201278 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.292 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria IRPJ/Compensação Recorrente APRUMO PROMOCIONAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2011 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN. Não se desincumbindo a recorrente do ônus de comprovar o direito creditório alegado, cabe o não provimento do recurso voluntário. Direito creditório que não se reconhece Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausente, o conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 64 42 /2 01 2- 78 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10875.906442/201278 Acórdão n.º 1402003.292 S1C4T2 Fl. 66 2 Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi indeferido sob entendimento do DD de que “o pagamento relativo ao DARF ali discriminado, foi integralmente utilizado na quitação de débito(s) da contribuinte, não restando crédito disponível". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: 1. que a decisão recorrida não teria levado em conta, nas razões de decidir, a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo a Recorrente de apresentar defesa, bem como demonstrar a existência do crédito; 2. que, o princípio da motivação dos atos administrativos foi desrespeitado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação das compensações utilizando como fundamento a inexistência do crédito, sem qualquer esclarecimento adicional, tendo a decisão de primeira instância se restringido a fazer menção de artigos genéricos da legislação tributária; 3. que, assim, fica inexequível a recorrente argumentar e apresentar defesa sem saber ao certo por qual motivo sua compensação não foi homologada; 4. que, inexistindo fundamentação que sustente a decisão da autoridade administrativa, esta passa a ser nula, por desrespeitar o princípio da motivação dos atos administrativos, impedindo que a Recorrente apresente uma defesa concreta; 5. que, além do princípio da motivação dos atos administrativos, restou violado o direito a ampla defesa, pois, como afirmado anteriormente, sem conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada, a apresentação de qualquer defesa está prejudicada; 6. que, sendo assim, resta claro que o despacho decisório é completamente nulo, pois não apresenta fundamentações que permitam a Recorrente compreender por qual motivo sua compensação não foi homologada e impedindo que esta comprove seu direito ao crédito, constituindo em cerceamento de defesa. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10875.906442/201278 Acórdão n.º 1402003.292 S1C4T2 Fl. 67 3 Finaliza requerendo o provimento do recurso voluntário e a reforma da decisão de primeira instância, declarando insubsistente o despacho decisório que não homologou a compensação. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10875.906442/201278 Acórdão n.º 1402003.292 S1C4T2 Fl. 68 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Como se vê no recurso voluntário, a recorrente limitase a alegar falta de fundamentação na decisão e até cerceamento de defesa porque não saberia o motivo do indeferimento da compensação. Na verdade, o cenário que se observa é de mera irresignação da recorrente em razão da decisão de 1º Piso lhe ter sido desfavorável e não porque tenha o aresto qualquer ponto ou item que afronte a legislação ou atos processuais e possa levar à sua anulação. Digase, o acórdão foi prolatado em estrita obediência às normas legais e regimentais, foram apreciadas todas as provas e documentos acostados aos autos e analisada a manifestação da contribuinte. Se o decidido lhe foi desfavorável não significa nulidade. Só entendimento da Turma Julgadora. De outra banda, no que interessa, não há, no RV, qualquer contraposição argumentativa ou documental que possa elidir o que consta do Despacho Decisório que, ao contrário do entendimento da recorrente, tem ampla e clara fundamentação. Vejase: “A partir das características do DARF descriminado no Per/Dcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp. Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Enquadramento legal arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996”. Como se nota acima, o despacho traz de forma explícita e fundamentada a motivação da não homologação da compensação realizada, justificada pela inexistência do crédito utilizado na compensação realizada no Per/Dcomp, haja vista que o pagamento relativo ao DARF ali discriminado foi integralmente utilizado para quitar débito de IRPJ confessado em DCTF. Nessa linha, soam até despropositadas as alegações de que a apresentação de provas não foi possível (a recorrente teve amplo campo material para fazer isso e tempo mais que suficiente) ou de que não teria havido motivação para o indeferimento. Ou seja, não se verificando, no despacho decisório, irregularidades, incorreções nem omissões que prejudiquem o reclamante ou influam na solução do litígio, não Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10875.906442/201278 Acórdão n.º 1402003.292 S1C4T2 Fl. 69 5 há se falar em nulidade da decisão, pois não houve ofensa aos princípios constitucionais da legalidade, do contraditório e da ampla defesa e da eficiência, como alega a recorrente, razão pela qual devem ser rejeitadas as ponderações feitas no recurso voluntário. Quanto ao mérito propriamente dito, a simples leitura do recurso voluntário mostra a singeleza dos argumentos que, repitase, tão somente pugnaram pela possível (mas incomprovada) falta de motivação para decidir. Na verdade, caberia à recorrente contrapor provas robustas de que o pagamento de que tenta lançar mão para a compensação intentada não teria sido (ao revés do informado no Despacho Decisório) “integralmente utilizado para quitar débito confessado em DCTF apresentado pela própria contribuinte”. Estas provas, argumentativas ou documentais, não vieram aos autos, assim como não se acostaram quaisquer registros contábeis ou fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar a motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou comprovar erro material na apuração do imposto e reduções de valores da base de cálculo de débito confessado em DCTF. Como é cediço, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC/1973, art. 333, I; atual CPC, artigo 373, I). No caso de pedidos de ressarcimento ou restituição, o interessado deve trazer provas de que possui direito líquido e certo contra a Fazenda Pública e assim deve ser repetido tributariamente para recompor o patrimônio subtraído por pagamento de um tributo de forma indevida. Não o fazendo, suas alegações ficam meramente neste terreno e seu direito se perde. Em outro dizer, a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da indisponibilidade do interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Concretamente, se o DARF indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. No caso, o DARF foi utilizado para pagamento do tributo confessado na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), informação da lavra da própria contribuinte. É certo que este quadro pode ser alterado. Mas isso exige prova concreta por parte da contribuinte, afinal é ela a autora e para modificar o ato administrativo cabelhe demonstrar onde está o erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Não o fazendo – como não o fez , o indeferimento permanece. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10875.906442/201278 Acórdão n.º 1402003.292 S1C4T2 Fl. 70 6 Por fim, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 70DF CARF MF
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Numero do processo: 19740.000396/2005-72
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. COFINS. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO.
Cancela-se a exigência de multa e juros lançada de ofício quando, pela documentação carreada aos autos, no recurso voluntário, comprova-se que a composição da base de cálculo da Cofins do período em trato refere-se a receitas de aluguéis, a teor do disposto no inciso I do artigo 12 da MP nº 75, de 2002, que dispensou citados acréscimos na hipótese de a entidade fechada de previdência complementar efetuar o pagamento da referida contribuição em parcela única, até o último dia útil do mês de novembro de 2002, relativamente a fatos geradores ocorridos até 31 de julho de 2002.
Numero da decisão: 3001-000.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. COFINS. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. Cancela-se a exigência de multa e juros lançada de ofício quando, pela documentação carreada aos autos, no recurso voluntário, comprova-se que a composição da base de cálculo da Cofins do período em trato refere-se a receitas de aluguéis, a teor do disposto no inciso I do artigo 12 da MP nº 75, de 2002, que dispensou citados acréscimos na hipótese de a entidade fechada de previdência complementar efetuar o pagamento da referida contribuição em parcela única, até o último dia útil do mês de novembro de 2002, relativamente a fatos geradores ocorridos até 31 de julho de 2002.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
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DIREITO CREDITÓRIO. COFINS. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. Cancelase a exigência de multa e juros lançada de ofício quando, pela documentação carreada aos autos, no recurso voluntário, comprovase que a composição da base de cálculo da Cofins do período em trato referese a receitas de aluguéis, a teor do disposto no inciso I do artigo 12 da MP nº 75, de 2002, que dispensou citados acréscimos na hipótese de a entidade fechada de previdência complementar efetuar o pagamento da referida contribuição em parcela única, até o último dia útil do mês de novembro de 2002, relativamente a fatos geradores ocorridos até 31 de julho de 2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1320.720, da 4ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II DRJ/RJOII AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 03 96 /2 00 5- 72 Fl. 399DF CARF MF Processo nº 19740.000396/200572 Acórdão n.º 3001000.604 S3C0T1 Fl. 400 2 que, na sessão de julgamento realizada em 29.07.2008 (fls. 45 a 48), que julgou procedente o lançamento. Da ementa do acórdão recorrido A 4ª Turma da DRJ/RJOII, ao julgar improcedente a impugnação, exarou o citado acórdão, cujas ementas colacionase: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999 FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE PAGAMENTO DOS ACRÉSCIMOS LEGAIS. ANISTIA ART. 12 MP Nº 75/2002. ALEGA SER BENEFICIÁRIO. ALEGAÇÃO NÃO COMPROVADA. LANÇAMENTO. MANTÉM. É de se manter o lançamento de multa e juros de mora sobre valor recolhido da Cofins depois de decorrido o prazo legalmente previsto para o seu recolhimento, quando não restar comprovado ser o valor recolhido referente a fato gerador decorrente de qualquer uma das hipóteses contidas no art. 12 da MP nº 75/2002. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante. Lançamento Procedente Da síntese dos fatos Adotase, para o acompanhamento inicial dos fatos, o relatório encartado no acórdão recorrido, que segue transcrito, verbis: Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração de fls. 25 a 33, lavrado pela Deinf/Rio de Janeiro em decorrência de irregularidades constatadas nos créditos vinculados informados em DCTF correspondente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, consubstanciando exigência de crédito tributário no valor total de R$ 14.763,61, correspondente à multa de mora e aos juros de mora exigidos isoladamente referentes ao mês 12/1999. 2. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Lega.l”, à fl. 28, do “Anexo IIa Demonstrativos de Pagamentos Efetuados Fl. 400DF CARF MF Processo nº 19740.000396/200572 Acórdão n.º 3001000.604 S3C0T1 Fl. 401 3 Após o Vencimento”, à fl. 29, e do “Anexo IV Demonstrativo de Multa e/ou Juros a pagarNão Pagos ou Pagos a Menor”, à fl. 30, que: 2.1 O presente Auto de Infração originouse da realização de Auditoria Interna na DCTF (Retificadora) referente ao 4º Trimestre do anocalendário 1999, conforme INSRF nºs 045/98 e 077/98; e 2.2 A irregularidade constatada no crédito vinculado informado nessa DCTF diz respeito à insuficiência de pagamento da multa de mora e à falta de pagamento dos juros de mora, conforme “Anexo IV Demonstrativo de Multa e/ou Juros a pagarNão Pagos ou Pagos a Menor”. 3. Os dispositivos legais infringidos constam do “Quadro 10” da “Descrição dos fatos e enquadramento legal”, à fl. 28 do Auto de Infração. 4. Cientificada em 04/10/2005 (fl. 01), a Interessada, inconformada, apresentou, em 31/10/2005, a impugnação de fl. 01 a 05, na qual alega, em síntese, que: 4.1 O recolhimento da Cofins por ela realizado (doc. nº 02, fl. 23) lastreouse na anistia concedida pela Medida Provisória nº 75, de 24/10/2002, que, em seu art. 12, dispensou de juros e multa as entidades fechadas de previdência complementar que efetuassem o pagamento da Contribuição para o PIS ou da Cofins em parcela única, até o último dia útil do mês de novembro de 2002, relativamente a fatos geradores ocorridos até 31 de julho de 2002, nas hipóteses nele previstas; 4.2 Atende a todos os pressupostos elencados pelo dispositivo supracitado para à adesão à anistia, quais sejam: 4.2.1 É entidade fechada de previdência complementar, o que se depreende claramente da leitura de seus atos societários (doc. nº 01, fls. 13/21); 4.2.2 Realizou o pagamento da Cofins em parcela única no dia 27/11/2002, ou seja, antes do último dia útil de mês de novembro de 2002, conforme o Darf em anexo (doc. nº 02, fl. 23); 4.2.3 O fato gerador relativo à Cofins, devidamente recolhida em 27/11/2002, ocorreu bem antes do dia 31 de julho de 2002, o que se comprova pela DCTF anexada (doc. nº 04, fls. 35/38), que se refere ao período relativo ao mês 12/1999, anteriormente, portanto, ao mês de julho de 2002; e 4.2.4 O fato gerador que deu origem à Cofins recolhida referese justamente ao auferimento de rendimentos e receitas previstos na legislação que concedeu da anistia, como se pode depreender da anexa planilha demonstrativa da base de cálculo (doc. nº 05, fl. 40). 5. O processo foi encaminhado a esta Delegacia para julgamento. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 19740.000396/200572 Acórdão n.º 3001000.604 S3C0T1 Fl. 402 4 6. É o relatório. Do recurso voluntário Irresignado ainda com o desfecho de seu pleito e, mais especificamente, com a decisão contida no acórdão vergastado, o recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 59 a 64), para, além de reprisar os argumentos de defesa apresentados na sua impugnação, aduzir, com fundamento nos princípios da ampla defesa e da busca pela verdade material dos fatos, que os documentos neles juntados (fls. 65 a 378), que "espancam qualquer sombra de dúvida que possa haver acerca da natureza das receitas que foram consideradas para a apuração da COFINS paga em relação ao período de dezembro de 1999 com o beneficio da anistia". Nestes termos, requer, "considerandose a adesão da Recorrente à anistia veiculada pela Medida Provisória nº 75/2002, o que a dispensou de recolher a multa e os juros de mora lançados, (...) a reforma do v. acórdão recorrido, para que se determine o cancelamento da exigência fiscal". Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 03.11.2008 (fl. 381), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro a relatoria do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo a competência deste Colegiado para apreciar o presente feito, na forma do artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, com redação da Portaria MF 329 de 2017. Da tempestividade O recurso voluntário foi juntado em 10.10.2008 (segundafeira), conforme depreendese da chancela constante na sua "Folha de Rosto" (fl. 59), depois da ciência ocorrida em 19.09.2008 (sextafeira), conforme esclarece o "Aviso de Recebimento" (fl. 55), portanto é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dele conheço. Dos fatos O lançamento consubstanciado no Auto de Infração nº 0001754 está fundamentado na falta de pagamento de multa e juros de mora, decorrentes do atraso no recolhimento da Cofins relativa ao período de dezembro de 1999, cuja data de vencimento era 12.01.2000. Portanto, não se trata de falta de recolhimento da contribuição, mas de acréscimos Fl. 402DF CARF MF Processo nº 19740.000396/200572 Acórdão n.º 3001000.604 S3C0T1 Fl. 403 5 legais supostamente devidos em face de o pagamento ter sido efetuado após o vencimento da respectiva obrigação tributária. Em sua defesa, o recorrente assevera que o pagamento efetuado da referida contribuição não contemplou mencionados acréscimos legais porque foi realizado ao amparo das disposições veiculadas na Medida Provisória nº 75, de 24.10.2002, que previu expressamente a dispensa de juros e multa. A decisão do colegiado a quo assentouse na premissa segundo a qual Devidamente impugnado o lançamento, foi o mesmo mantido, ao fundamento o recorrente não teria comprovado que o valor recolhido se referia aos fatos geradores decorrentes das receitas especificadas nos incisos I a III do artigo 12 da MP nº 75, de 2002. Não se conformando com a manutenção da exigência, além de brevemente discorrer sobre o descabimento da cobrança dos mencionados acréscimos legais, o recorrente esclarece que ora traz à colação documentos que, juntamente com aqueles apresentados na impugnação, entende suficientes para evidenciar a natureza das receitas utilizadas como base de cálculo da contribuição, quais sejam: (i) balancete contábil do mês de dezembro de 1999, destacando as páginas 11, 13, 17 e 19 (doc. nº 01), (ii) folhas relevantes dos Livros Diário e Razão (doc. nº 02) e (iii) contratos de aluguel em vigor no período (doc. nº 03). Do mérito Como visto, em seu recurso, o recorrente argui que "aderiu à anistia veiculada" pelo artigo 12 da Medida Provisória n° 75, de 24.10.2002, mais adiante reproduzido, que dispensou o pagamento de juros e multa às entidades fechadas de previdência complementar que efetuassem o recolhimento da Cofins em parcela única, até o último dia útil do mês de novembro de 2002, relativamente a fatos geradores ocorridos até 31 de julho de 2002, nas hipóteses nele previstas. Art. 12. As entidades fechadas de previdência complementar poderão pagar em parcela única, até o último dia útil do mês de novembro de 2002, com dispensa de juros e multa, os débitos relativos à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, constituídos ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa, ajuizados ou a ajuizar, referentes a fatos geradores ocorridos até 31 de julho de 2002 e decorrentes de: I rendimentos relativos a receitas de aluguel, destinados ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e resgates; II receita decorrente da venda de bens imóveis, destinada ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e resgates; III o resultado positivo auferido na reavaliação da carteira de investimentos imobiliários referida nos incisos I e II. Compulsandose os documentos carreados aos presentes autos, notadamente o Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF, de fl. 23; a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, de fls. 35 a 38 estes apresentados juntamente com a impugnação, em 31.10.2005; o Balancete de Verificação do mês de dezembro 1999, de fls. 74 Fl. 403DF CARF MF Processo nº 19740.000396/200572 Acórdão n.º 3001000.604 S3C0T1 Fl. 404 6 a 92; o Livro Razão, de fls. 95 a 103; o Livro Diário, de fls. 104 a 110, e os diversos contratos de locação não residencial firmados, no período, entre o recorrente e as empresas AMERADA HESS LTDA., ANDERSEN CONSULTING DO BRASIL LTDA., ARTHUR ANDERSEN S/C, BANCO MERCANTIL DE SÃO PAULO S.A., BOOZALLEN HAMILTON DO BRASIL CONSULTORES & LTDA., CADAM CAULIM DA AMAZÔNIA S/A, CAEMI MINERAÇÃO E METALURGlA S/A, CIMENTO TUPI S/A., COMPASS ASSET MANAGEMENT SERVICES S/C LTDA., CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT S.A., BANCO HSBC BAMERINDUS S.A., BONARI HOLDING LTDA., MINERAÇÕES BRASILEIRAS REUNIDAS S/A MBR, McKlNSEY Ltda. S/C, MSL MINERAIS S/A, SONY MUSIC ENTERTAINMENT (BRASIL) INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., STAFFORDMILLER INDÚSTRIA LTDA., todos relativos à locação não residencial de "espaços" localizados no edifício CAEMI, evidenciase assistir razão ao recorrente, na medida em que estes demonstram, sem margem a dúvida, que a composição da base de cálculo da Cofins, do P.A. de 12/1999, referese à hipótese contida no inciso I do artigo 12 da MP nº 75, de 2002, por se tratar, efetivamente, de receitas de aluguéis. Da conclusão Isto posto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento, cancelandose a exigência consubstanciada no presente auto de infração. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Relator Fl. 404DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.918426/2015-00
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 29/11/2013
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei.
Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.504
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 29/11/2013 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 84 26 /2 01 5- 00 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10880.918426/201500 Acórdão n.º 1002000.504 S1C0T2 Fl. 135 2 (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 128/129) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 114/119), proferida em sessão de 14 de junho de 2017, consubstanciada no Acórdão n.º 1677.991, da 8.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (DRJ/SPO), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 04/05) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 05/05/2015 (efl. 107), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 05764.90727.220914.1.3.046584 (efls. 102/106), transmitido em 22/09/2014, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 29/11/2013 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação de fls. 102/106 (PER/DCOMP n.º 05764.90727.220914.1.3.046584), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10880.918426/201500 Acórdão n.º 1002000.504 S1C0T2 Fl. 136 3 IRPJ (cód. receita 2362 – IRPJ – PJ OBRIGADA À APURAÇÃO DO LUCRO REAL – DEMAIS ENTIDADES – ESTIMATIVA MENSAL) relativo ao período de apuração encerrado em 31/10/2013. Pelo Despacho Decisório de fl. 107 o contribuinte foi cientificado, em 12/05/2015 (fl. 109), de que: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher os débitos indevidamente compensados (principal: R$ 8.845,39). Irresignado, o contribuinte apresentou em 09/06/2015 a Manifestação de Inconformidade, de fls. 04/05, alegando, em síntese, i) que recolheu e declarou em DCTF a estimativa de IRPJ relativa a outubro/2013, no valor de R$ 729.717,70; ii) que não retificou a DCTF correspondente para apontar o valor correto da estimativa de IRPJ de outubro/2013, que seria de R$ 680.685,12; iii) que o valor correto da estimativa de IRPJ de outubro/2013 foi devidamente informado na DIPJ transmitida em 30/06/2014; iv) que o crédito pleiteado existe, tendo ocorrido apenas um erro no preenchimento da DCTF; v) anexa em favor dos seus argumentos, cópias da DCTF, PER/DCOMP, DIPJ, todas originais, do DARF no valor de R$ 729.717,70, bem como de parte do razão contábil das contas de IRPJ referentes ao ano de 2013; vi) por fim, pede que seja acolhida a sua Manifestação de Inconformidade e homologadas as compensações declaradas no PER/DCOMP. O presente processo está sendo apreciado na mesma sessão em que os processos ns.º 10880.918416/201566, 10880.918424/201511, 10880.918422/201513, 10880.918417/201519, 10880.918423/201568 e 10880.918425/201557, estão sendo julgados, tendo em vista a identidade do direito creditório discutido e corresponderem ao mesmo Darf. O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 8.150,16, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi extinto, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10880.918426/201500 Acórdão n.º 1002000.504 S1C0T2 Fl. 137 4 31/10/2013 2362 R$ 729.717,70 29/11/2013 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado 2670473753 R$ 729.717,70 Db: cód 2362 PA 31/10/2013 R$ 729.717,70 Valor Total R$ 729.717,70 Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 29/05/2015 Principal: R$ 8.845,39 Multa: R$ 1.769,07 Juros: R$ 663,40 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Conforme consignado no Despacho Decisório de fl. 107, o indeferimento teve como origem a alocação integral do Darf de R$ 729.717,70 para quitação do débito de IRPJ (cód 2362) relativo a outubro/2013. Ou seja, uma das providências requeridas para a indicação do pretenso direito creditório seria a retificação da DCTF referente a outubro/2013. Consulta aos sistemas da RFB revela que a DCTF atualmente ativa de outubro/2013 (original) foi entregue em 20/12/2013, nela constando a alocação integral do pagamento ao débito de outubro/2013, tal qual demonstra a DCTF anexada pelo interessado às fls. 29 e seguintes. Assim, tomandose em consideração a informação prestada pelo próprio contribuinte em sua DCTF, inexistiria direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior. Reza o parágrafo 1.º do artigo 5.º do DecretoLei n.º 2.124, de 13 de junho de 1984: Parágrafo 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário,constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Tratase de confissão extrajudicial da existência de tais débitos, conforme arts. 348, 350 e 353 do atualmente vigente Código de Processo Civil (CPC) – Lei n.º 5.869, de 11 de janeiro de 1973, e por isso mesmo é título executivo. Os débitos tributários, então declarados e confessados na DCTF, decorrem do lançamento por homologação de que trata o artigo 150 do CTN, verbis: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. É a DCTF, portanto, a forma com que o sujeito passivo dá conhecimento à autoridade administrativa da ocorrência do fato Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.918426/201500 Acórdão n.º 1002000.504 S1C0T2 Fl. 138 5 jurídicotributário e informa o pagamento do valor correspondente do tributo. Por essa razão a necessidade da retificação da DCTF sempre que o sujeito passivo queira modificar anterior informação prestada quanto aos seus débitos tributários, pois o conhecimento deste fato pelo Fisco é elemento indispensável para o aperfeiçoamento do lançamento por homologação. Sobre a imprescindibilidade da retificação da DCTF para a comprovação do pagamento indevido ou a maior, a Receita Federal do Brasil editou o Parecer Normativo (PN) COSIT n.º 2, de 28 de agosto de 2015, que confirmou a vinculação necessária entre as informações prestadas na DCTF e a disponibilidade do direito creditório utilizado em PER/DCOMP, além de esclarecer diversos pontos relacionados à temporalidade da apresentação desta DCTF retificadora, admitindo, sem deixar de considerála obrigatória, a sua apresentação mesmo após a transmissão do PER/DCOMP, e até após a ciência de Despacho Decisório que não tenha homologado as compensações declaradas. É oportuna a transcrição de trecho do citado PN que aborda a necessidade da informação do débito correto em DCTF para que possa ficar caracterizado o direito creditório do pagamento indevido ou a maior, inclusive com citação a vários acórdãos da 2ª instância administrativa de julgamento (CARF): 10.5. Desse modo, por se tratar de uma confissão de dívida do sujeito passivo, inclusive podendo ser contra ele cobrado na falta de pagamento, ele necessariamente terá de alterar essa confissão se entender que pagou um valor indevido, para então poder requerer um pedido de restituição ou apresentar uma DCOMP. Tratase de simetria de formas. Fazendo uma analogia, é a mesma situação daquela contida no art. 352 do CPC, pois ali também depende de uma atuação de quem fez a confissão para ela poder ser revogada. No presente caso, a atuação do sujeito passivo se dá mediante retificação da declaração que constituiu o crédito tributário perante o Fisco, conforme item 10. Inclusive o CARF já decidiu que o crédito alocado em DCTF não retificada não é líquido e certo, e o indébito pressupõe a retificação da DCTF: INDÉBITO PLEITEADO DECLARADO EM DCTF. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO PRÉVIA Enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão n.º 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014). DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde o que não ocorreu. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10880.918426/201500 Acórdão n.º 1002000.504 S1C0T2 Fl. 139 6 (Acórdão n.º 3801002.926, Rel. Cons. Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Sessão de 25/02/2014) (grifouse) 10.6. A despeito da necessidade de o sujeito passivo retificar a DCTF para ter direito creditório contra a Fazenda Nacional, não há impedimento para que ele a retifique para reduzir tributos cujos pagamentos já tenham sido objeto de PER ou de DCOMP como créditos a serem restituídos ou compensados. Consoante o seguinte julgado administrativo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano calendário: 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ADMISSIBILIDADE. O crédito tributário do contribuinte nasce do pagamento indevido ou a maior que o devido, porém ele apenas se torna oponível à Receita Federal após a devida retificação e/ou correção das respectivas Declarações, quando então o Órgão Administrativo poderá tomar conhecimento daquele direito creditório em questão. De qualquer forma, em determinadas situações, em razão do procedimento eletrônico de compensação, em que não há espaço para emendas ou correções pelo contribuinte, há que se admitir e analisar a retificação da DCTF efetuada posteriormente ao despacho decisório, sob pena de excesso de rigorismo, que não resolve satisfatoriamente a lide travada e leva o contribuinte ao Poder Judiciário, apenas fazendo aumentar a condenável litigiosidade. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão n.º 3403003.340, Rel. Cons. Luiz Rogério Sawaya Batista, Sessão de 15/10/2014). Sendo assim, não tendo o interessado retificado, até a data deste julgamento, o débito de IRPJ Estimativa de outubro de 2013, através da necessária apresentação da DCTF retificadora, é de se indeferir seu pedido de homologação das compensações por ausência do indébito pleiteado na PER/DCOMP objeto deste processo. Todavia, ainda que essa questão preliminar da ausência da retificação do débito em DCTF correspondente ao pagamento pleiteado como indevido ou a maior pudesse ser superada, o que se faz aqui por mera argumentação, a liquidez e certeza do direito creditório alegado, fundamental para o deslinde de demandas como a presente, não é comprovada a partir dos elementos trazidos pelo interessado juntamente com a Manifestação de Inconformidade. Na ficha 11 de sua DIPJ (fl. 69) consta demonstração do cálculo da estimativa de IRPJ devida relativamente ao PA de outubro de 2013, apurada com base em balanço de suspensão ou redução, com os seguintes valores: Base de Cálculo do IRPJ 13.301.694,59 IRPJ apurado (alíquota + adicional) 3.305.423,65 () Incentivos Fiscais 4.559,89 () IRPJ devido em meses anteriores 2.597.885,90 () IRPJ retido na fonte 22.292,73 (=) IRPJ a pagar 680.685,13 Esse é o valor que o sujeito passivo afirma ser o correto para este débito. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.918426/201500 Acórdão n.º 1002000.504 S1C0T2 Fl. 140 7 Nos razões contábeis apresentados pelo interessado às fls. 51/52 deste processo, não há a conta que registra os lançamentos da provisão de IRPJ de 2013 (valores devidos de IRPJ), inclusive a do mês de outubro de 2013 que interessa particularmente a este processo. Consta apenas o lançamento do IRPJ pago/antecipado (conta n.º 112225) em 29/11/2013, relativo ao período de apuração outubro/2013, no valor de R$ 729.717,70. Porém, no processo n.º 10880.918416/201566, que está sendo julgado nesta mesma sessão de julgamento, o interessado juntou à fl. 34 o razão contábil da provisão de IRPJ devida (conta 211214001), através da qual o valor devido neste mês foi contabilizado como R$ 752.439,34, que diminuído do IRF informado como retido neste mês de R$ 22.292,73, redunda em valor a recolher de R$ 730.146,61, muito próximo do valor de R$ 729.717,70 recolhido por ele em Darf. Não foi apresentado pelo sujeito passivo qualquer demonstrativo ou elemento que comprove que a correta base de cálculo da estimativa de IRPJ relativa a outubro de 2013 seja realmente a que foi informada na DIPJ, e não aquela que serviu para apuração do valor contabilizado e pago de IRPJ neste mês de outubro. Sendo assim, à luz dos elementos comprobatórios trazidos à apreciação desta instância julgadora, não é possível concluir pela existência, liquidez e certeza do crédito pleiteado. Ante o exposto, ausente a retificação do débito de IRPJ estimativa referente a outubro de 2013, bem como não tendo o sujeito passivo comprovado adequadamente por meios hábeis e idôneos o indébito, voto no sentido de considerar improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecer o direito creditório pleiteado e não homologar as compensações declaradas. No recurso voluntário (efls. 128/129), em síntese, o contribuinte reiterou os termos da manifestação de inconformidade. Argumenta que não efetuou a retificação da DCTF mensal de Outubro/2013 para o valor correto do débito de R$ 680.685,12, conforme DIPJ do respectivo período. Diz que essa problemática originou a divergência que redundou na inexistência do crédito. Alega que os pontos de discordância são: a) a DIPJ de 2013, transmitida em 30/06/2014, informa o valor correto de débito para o IRPJ na ordem de R$ 680.685,12; b) houve erro no preenchimento da DCTF de Outubro/2013, resultando no lançamento de imposto indevido; c) devese considerar os lançamentos apresentados na DCTF retificadora transmitida em 17/11/2017 que evidencia o referido crédito tributário originado de pagamento à maior, referente ao código de receita 236201 IRPJ (página 03, no valor de R$ 680.685,12 IRPJ por estimativa mensal demonstrado na DIPJ de 2013). Informa como documentos anexados, especialmente: a DCTF retificadora referente a Outubro/2013; a DIPJ de 2013; o razão contábil das contas de IRPJ de Outubro/2013; recibo do SPED Contábil referente a 2013. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.918426/201500 Acórdão n.º 1002000.504 S1C0T2 Fl. 141 8 Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade Inicialmente, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017, haja vista que as turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário. Outrossim, a Portaria CARF n.º 111, de 20 de julho de 2018, que estabelece o momento da verificação do valor em litígio para fins de definição da competência das Turmas Extraordinárias (TE's), disciplina que a verificação do valor em litígio, para fins de definição da competência das TE's, será realizada pela Divisão de Sorteio e Distribuição da Coordenação de Gestão do Acervo de Processos (Disor/Cegap) no momento do sorteio do processo administrativo fiscal para a turma de julgamento, bem como define que permanecerá na competência das referidas turmas o recurso voluntário cujo processo administrativo fiscal sofra atualização de valor após o sorteio para a turma ou para o conselheiro relator, desde que a partir dessa atualização o valor em litígio não exceda a 120 (cento e vinte) salários mínimos. Neste caso cabe informar que o valor constante no sistema do eprocesso para o direito creditório que a contribuinte busca reconhecer está registrado como sendo de R$ 8.150,16. Observo, ainda, que o Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 26/10/2017, efls. 120 e 124/125, e protocolo recursal em 22/11/2017, efls. 126/128), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.918426/201500 Acórdão n.º 1002000.504 S1C0T2 Fl. 142 9 Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação do débito confessado com a extinção do crédito tributário que o próprio contribuinte confessa e indica para ser objeto da quitação via compensação. No caso dos autos, a Administração Tributária não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o pagamento indevido ou a maior vindicado, negando a restituição do crédito requerido. Observase que, na primeira análise, pelos sistemas informatizados da Receita Federal, o suposto crédito, proveniente do DARF indicado no PER/DCOMP, estava integralmente alocado, não havendo saldo disponível, razão pela qual do indeferimento da compensação, eis que não se reconheceu o direito creditório. A fim de refutar tal constatação, o contribuinte retificou a DCTF e afirma que a DIPJ corroboraria a informação. Ocorre que, após analisar os autos, incluindo os documentos não pagináveis, constato que não há provas, sequer verossimilhança, quanto a alegação da redução do valor devido a título do tributo que estava inicialmente alocado no DARF objeto do crédito anotado no PER/DCOMP, de forma que inexiste comprovação, pelo contribuinte, de certeza e liquidez para o crédito vindicado. Em suma, para a análise que foi efetivada no PER/DCOMP em comento não se comprovou o indicado crédito líquido e certo, incontroverso. Em verdade, foi apontada a alocação do DARF em extinção de débito próprio do sujeito passivo. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.918426/201500 Acórdão n.º 1002000.504 S1C0T2 Fl. 143 10 quadro sintético demonstrativo da situação de alocação do DARF, de modo a não restar saldo na forma pretendida pelo contribuinte. A despeito da retificação da DCTF, inexistiu provas, mínimas que fossem, a fim de atestar, ao menos, verossimilhança das alegações. O razão contábil, quanto a conta apresentada, não atesta a redução do débito. Aliás, neste ponto interessante a anotação da DRJ, nestes termos, litteris: (...), a liquidez e certeza do direito creditório alegado, fundamental para o deslinde de demandas como a presente, não é comprovada a partir dos elementos trazidos pelo interessado juntamente com a Manifestação de Inconformidade. Na ficha 11 de sua DIPJ (fl. 69) consta demonstração do cálculo da estimativa de IRPJ devida relativamente ao PA de outubro de 2013, apurada com base em balanço de suspensão ou redução, com os seguintes valores: Base de Cálculo do IRPJ 13.301.694,59 IRPJ apurado (alíquota + adicional) 3.305.423,65 () Incentivos Fiscais 4.559,89 () IRPJ devido em meses anteriores 2.597.885,90 () IRPJ retido na fonte 22.292,73 (=) IRPJ a pagar 680.685,13 Esse é o valor que o sujeito passivo afirma ser o correto para este débito. Nos razões contábeis apresentados pelo interessado às fls. 51/52 deste processo, não há a conta que registra os lançamentos da provisão de IRPJ de 2013 (valores devidos de IRPJ), inclusive a do mês de outubro de 2013 que interessa particularmente a este processo. Consta apenas o lançamento do IRPJ pago/antecipado (conta n.º 112225) em 29/11/2013, relativo ao período de apuração outubro/2013, no valor de R$ 729.717,70. Porém, no processo n.º 10880.918416/201566, que está sendo julgado nesta mesma sessão de julgamento, o interessado juntou à fl. 34 o razão contábil da provisão de IRPJ devida (conta 211214001), através da qual o valor devido neste mês foi contabilizado como R$ 752.439,34, que diminuído do IRF informado como retido neste mês de R$ 22.292,73, redunda em valor a recolher de R$ 730.146,61, muito próximo do valor de R$ 729.717,70 recolhido por ele em Darf. Não foi apresentado pelo sujeito passivo qualquer demonstrativo ou elemento que comprove que a correta base de cálculo da estimativa de IRPJ relativa a outubro de 2013 seja realmente a que foi informada na DIPJ, e não aquela que serviu para apuração do valor contabilizado e pago de IRPJ neste mês de outubro. Sendo assim, à luz dos elementos comprobatórios trazidos à apreciação desta instância julgadora, não é possível concluir pela existência, liquidez e certeza do crédito pleiteado. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.918426/201500 Acórdão n.º 1002000.504 S1C0T2 Fl. 144 11 No que se refere ao argumento acima apresentado pela primeira instância, o contribuinte não refuta o fundamento, de modo que, não havendo verossimilhança nas alegações, entendo por não dar razão ao sujeito passivo. Logo, a questão é que no recurso voluntário o contribuinte não logra êxito de comprovar, de modo incontroverso, a existência do seu direito a crédito, especialmente sob a ótica da natureza do crédito vindicado, qual seja, pagamento indevido ou a maior. Demais disto, a retificadora desprovida de outros elementos não corrobora com a certeza e liquidez necessárias para autorizar o reconhecimento do crédito. Da forma como este é vindicado apresentase controverso, inexistindo certeza e liquidez. Desprovidos de outros elementos da escrita contábil, não resta comprovado o crédito. Aliás, as demonstrações contábeis também não estão colacionadas a contento nos autos para confirmação inconteste do eventual crédito. A esse respeito, cito o seguinte precedente: Acórdão n.º 3402004.103 – Recurso Voluntário Relator: Waldir Navarro Bezerra Data da sessão: 27/04/2017 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2008 APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. (...) Ressaltese, neste aspecto, que a demonstração analítica dos valores e lançamentos, dentro da escrituração contábil e, consequentemente, da comprovação inconteste do eventual direito creditório integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte, notadamente quando se discute crédito objeto de pedido de compensação. Vejase, ainda, que não foi juntado aos autos outros elementos probatórios, tais como, a escrita contábil e outras escritas fiscais, como, por exemplo, o Livro Diário, eventuais balancetes transcritos na escrita contábil, o Balanço, eventuais apurações demonstrando os erros e correções posteriores, deixandose, portanto, de apresentar, face a inexistência de elementos de prova, uma demonstração criteriosa do suposto direito a crédito, não havendo como confirmar o alegado crédito vindicado apenas com as declarações, ou parte delas, não tendo sido realizado um trabalho analítico de esclarecimento do suposto crédito. Sendo assim, não cabe reconhecer liquidez e certeza, no que não resta demonstrado, comprovado. Em suma, não há uma precisa indicação consubstanciada em elementos documentais para confrontarse DIPJ, DCTF, apurações, balanço patrimonial, balancetes e demais demonstrações contábil, e integral análise de contas contábeis do razão, tudo a fim de comprovar, de modo líquido e certo, a certeza de eventual crédito, inclusive para se compreender eventuais cálculos de valores originalmente declarados e dos valores Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.918426/201500 Acórdão n.º 1002000.504 S1C0T2 Fl. 145 12 retificados. Nesse sentido entendo por bem trazer aos autos o resumo da conclusão do seguinte precedente que entendo reforçar o presente fundamento: Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Relator: Orlando Rutigliani Berri – Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Ressaltese, não caberia ao julgador, em instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventual documentação contábil não pode ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e de devida fundamentação com análise circunstanciada das conclusões que se extrairiam da escrita contábil ou da escrita fiscal, a fim de demonstrar o fato jurídico constitutivo da situação de direito a crédito que se pretende invocar sob a ótica da restituição, que seria o elo para efetivar a compensação. Não há, portanto, motivos que justifiquem uma eventual reforma da decisão proferida pela DRJ, principalmente por ser atribuição deste Colegiado o controle da legalidade, e não o saneamento de erros imputados aos próprios contribuintes, notadamente quando de pedidos de compensação eletrônicos. Outrossim, não compete a este julgador sanear os autos para colacionar provas ao processo, quando sequer está convencido quanto a verossimilhança das alegações. Logo, verificandose correção no julgamento a quo, bem como observando que a Administração Tributária não agiu em desconformidade com a lei, nada há que se reparar no procedimento adotado na análise do pedido transmitido pelo contribuinte e apreciado no Despacho Decisório. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer reparos. Dispositivo Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.918426/201500 Acórdão n.º 1002000.504 S1C0T2 Fl. 146 13 Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe negar provimento para manter íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 146DF CARF MF
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