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7534391 #
Numero do processo: 10980.009614/2005-37
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito.
Numero da decisão: 1001-000.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI

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data  da  ciência  da  decisão  recorrida.  Demonstrada  nos  autos  a  intempestividade  do  recurso  voluntário,  não  se  conhece das razões de mérito.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.  (assinado digitalmente)  Lizandro Rodrigues de Sousa  ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Edgar Bragança Bazhuni ­ Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de  Sousa  (presidente),  Edgar  Bragança  Bazhuni,  Eduardo  Morgado  Rodrigues  e  Jose  Roberto  Adelino da Silva.    Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 96 14 /2 00 5- 37 Fl. 32DF CARF MF Processo nº 10980.009614/2005­37  Acórdão n.º 1001­000.916  S1­C0T1  Fl. 33          2 Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  pela  Recorrente  em  face  de  decisão  proferida  pela  1ª  Turma  da  Delegacia  Regional  de  Julgamento  em  Curitiba  (PR),  mediante  o  Acórdão  nº  06­13.647,  de  23/02/2007  (e­fls.  13/17),  objetivando  a  reforma  do  referido julgado.  Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado auto de infração (e­fl. 7),  mediante  o  qual  é  exigido  crédito  tributário  relativo  à  multa  por  atraso  na  entrega  da  Declaração de  Imposto de Renda Pessoa  Jurídica  ­ DIPJ,  do  exercício 2004, no valor de R$  500,00.  Cientificada  da  exigência  fiscal,  a  interessada  interpôs  impugnação  argumentando, em suma, que entregou a declaração sem que o  fisco se pronunciasse,  sendo,  por isto, incabível a cobrança face à denúncia espontânea da infração.  A  DRJ  considerou  procedente  o  lançamento,  cujo  acórdão  foi  assim  ementado:  Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário  Exercício: 2004   Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA POR ATRASO  NA ENTREGA DA DIPJ.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA  A  entrega  fora  de  prazo  da  declaração não caracteriza a denúncia  espontânea da  infração  prevista  no  art.  138  do  CTN  e  não  impede  a  imposição  da  penalidade,  resultante  do  descumprimento  de  obrigação  acessória com prazo fixado em lei para todos os contribuintes.  Lançamento Procedente.  Ciente da decisão em 18/04/2007, conforme Aviso de Recebimento à e­fl. 20,  a  Recorrente  apresentou  recurso  voluntário  em  21/05/2007  (e­fls.  21/26),  conforme  carimbo  aposto à fl. 21.  É o Relatório.    Voto             Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator   DA INTEMPESTIVIDADE RECURSAL  Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para que seja interposto  o  Recurso  Voluntário  contra  as  decisões  das  Delegacias  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento é de 30 dias a partir da ciência da referida decisão:  Fl. 33DF CARF MF Processo nº 10980.009614/2005­37  Acórdão n.º 1001­000.916  S1­C0T1  Fl. 34          3 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial,  com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência  da decisão.  A Regra Geral sobre contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal é  estabelecida pelo Art. 5º, do Decreto nº 70.235/72:  "Art.  5º:  Os  prazos  serão  contínuos,  excluindo­se,  na  sua  contagem, o dia de início e incluindo­se o dia do vencimento.  Parágrafo único. Os prazos  só se iniciam ou vencem no dia de  expediente  normal  no  órgão  em que  corra  o  processo  ou  deva  ser praticado o ato."  Acerca  da  Eficácia  e  Execução  das  Decisões,  assim  dispõe  o  Decreto  n°  70.235/1972:  Art. 42. São definitivas as decisões:  I  ­  de  primeira  instância  esgotado  o  prazo  para  recurso  voluntário sem que este tenha sido interposto;  [...]  A contagem do prazo recursal deve iniciar no primeiro dia útil seguinte. Isto  posto,  como  a  data  de  ciência  foi  no  dia  18/04/2007  (quarta­feira),  a  contagem  do  prazo  recursal deve iniciar na quinta­feira, dia 19/04/2007.  A  recorrente  alega  a  tempestividade  da  apresentação  do  seu  recurso,  pois  teria entregue  em 18/04/2007, no  entanto,  no  carimbo da  recepção da peça  recursal  consta  a  data de 21/05/2007.  Assim, tendo em vista que o prazo recursal esgotou­se com o decurso de 30  (trinta)  dias,  ou  seja,  em  18/04/2007  (quarta­feira),  mas  o  recurso  voluntário  somente  foi  apresentado  em  21/05/2007,  o  mesmo  é  intempestivo  e  não  deve  ser  conhecido  por  este  colegiado.  Neste  sentido,  tendo  em  vista  o  não  cumprimento  do  pressuposto  de  admissibilidade,  previsto  no  art.  33  do  Decreto  70.235/72,  voto  no  sentido  de  NÃO  CONHECER  do  recurso  voluntário,  por  ser  intempestivo,  tornando  definitiva,  no  âmbito  administrativo, a decisão de primeira instância.  (assinado digitalmente)  Edgar Bragança Bazhuni                            Fl. 34DF CARF MF

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7543713 #
Numero do processo: 10715.721964/2011-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2009, 2010 PENALIDADE. LEGISLAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES EXIGIDAS PELA RFB. PRAZO DE REGISTRO DADOS EMBARQUE. DESCUMPRIMENTO. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea 'e', do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias, destinadas à exportação no SISCOMEX, é cabível quando o atraso for superior a 07 (sete) dias, nos termos da IN SRF nº 1.096/2010. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-005.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para dar parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA

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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2009, 2010 PENALIDADE. LEGISLAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES EXIGIDAS PELA RFB. PRAZO DE REGISTRO DADOS EMBARQUE. DESCUMPRIMENTO. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea 'e', do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias, destinadas à exportação no SISCOMEX, é cabível quando o atraso for superior a 07 (sete) dias, nos termos da IN SRF nº 1.096/2010. Recurso Voluntário Provido em Parte.

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3402­005.946  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  28 de novembro de 2018  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO ­ MULTA ADUANEIRA  Recorrente  SOCIÉTÉ AIR FRANCE  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Ano­calendário: 2009, 2010  PENALIDADE.  LEGISLAÇÃO  ADUANEIRA.  PRESTAÇÃO  DE  INFORMAÇÕES  EXIGIDAS  PELA  RFB.  PRAZO  DE  REGISTRO  DADOS EMBARQUE. DESCUMPRIMENTO.   A multa prescrita no art. 107,  inciso  IV,  alínea  'e', do Decreto­Lei nº 37/66  referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias, destinadas  à  exportação  no  SISCOMEX,  é  cabível  quando  o  atraso  for  superior  a  07  (sete) dias, nos termos da IN SRF nº 1.096/2010.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do  recurso  voluntário  para  dar  parcial  provimento,  nos  termos  do  relatório  e  do  voto  que  integram o presente julgado.        (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente e Relator.   Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Waldir  Navarro  Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos,  Pedro  Sousa  Bispo,  Maysa  de  Sá  Pittondo  Deligne,  Rodrigo  Mineiro  Fernandes  e  Renato  Vieira  de  Ávila  (Suplente  convocado  em  substituição  a  Conselheira  Thais  De  Laurentiis  Galkowicz). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 72 19 64 /2 01 1- 53 Fl. 516DF CARF MF     2 Trata  o  presente  processo  de  Auto  de  Infração  lavrado  contra  a  empresa  SOCIÉTÉ AIR FRANCE (fls. 3/16), para constituição de crédito tributário referente à multa  regulamentar no valor de R$ 160.000,00, decorrente da prestação intempestiva de informações  relativas a 32 embarques aéreos realizados no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro.  Segundo a Fiscalização,  a Recorrente  registrou  intempestivamente os dados  de embarque de mercadorias,  relativos  aos Despachos de Exportação  (DDE)  relacionados na  planilha  juntada às  fls. 6 a 8  (informações extraídas do SISCOMEX ­ EXPORTAÇÃO ­  fls.  18/130),  descumprindo  dessa  forma  a  obrigação  acessória  prevista  no  art.  37  da  Instrução  Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 510, de  2005, sujeitando­se por essa infração à multa prevista na alínea 'e' do inciso IV do art. 107 do  Decreto­lei n° n° 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003.  Em seu Relatório, afirma o Fisco que a obrigação do transportador encontra­ se  estabelecida  no  art.  37  do  Decreto­lei,  com  observância  do  prazo  estipulado  no  art.  39,  inciso  II,  da  Instrução  Normativa  SRF  nº  28,  de  1994.  Que  o  referido  prazo  deveria  ser  observado pelo transportador, por veículo, cada um identificado pelo respectivo vôo, em que se  transportaram as cargas amparadas pelas Declarações de Exportação (DDE).  Cientificado  do  Auto  de  Infração,  a  Recorrente  apresentou  Impugnação  e  requereu o cancelamento do lançamento, alegando  (i) erro na tipificação do auto de infração,  (ii)  ausência  de  prova  da  intempestividade,  (iii)  prova  imperfeita  em  razão  de  indisponibilidades do Siscomex,  (iv)  inexistência de embaraço à  fiscalização,  (v) violação da  finalidade do ato administrativo e (vi) violação à proporcionalidade e à razoabilidade.  Na  decisão  de  piso  (prolatada  pela  DRJ  em  Florianópolis/SC),  destacou  o  julgador  administrativo  que  o  registro  dos  dados  de  embarque  no  Siscomex  após  o  prazo  estabelecido pela legislação de regência constitui  infração objetiva cominada com a multa de  cinco mil reais por viagem cujos dados de embarque foram registrados intempestivamente, em  face  de  expressa  determinação  legal,  sendo  mantido  o  crédito  tributário  de  R$  160.000,00.  Quanto  às  demais  alegações  do  contribuinte,  a  Delegacia  de  Julgamento  afastou­as,  ora  por  falta de comprovação, ora em razão da necessária observância do princípio da legalidade por  parte da Administração Pública, cuja atividade é vinculada e obrigatória.  Cientificado  da  decisão  em  07/01/2013  e,  não  concordando,  interpôs  em  05/02/2013, o Recurso Voluntário em que reitera seu pedido de cancelamento total do Auto de  Infração,  repisando  os  argumentos  de  defesa  apresentados  na  Impugnação,  resumido  nas  seguintes razões:  1) o Auto de Infração lavrado não foi instruído com qualquer documento que  comprove a  infração  imputada à mesma,  caracterizando a não ocorrência do  fato  gerador da  multa, bem como a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa;  2)  o  Auto  de  Infração  foi  lavrado  com  base  em  incorreta  tipificação,  bem  como em incorreta adequação dos fatos à norma;  3) após alterações do §2º do art. 102 do Decreto­lei nº 37/1966 pela Lei nº  12.350/2010, o instituo da denuncia espontânea passou a excluir não somente as penalidades  de natureza tributária, mas também as penalidades administrativas;  4) prova  imperfeita,  o SISCOMEX inegavelmente  apresenta  falhas  técnicas  (reproduz no corpo recurso) que, por diversas vezes, geram sua indisponibilidade por horas ou  Fl. 517DF CARF MF Processo nº 10715.721964/2011­53  Acórdão n.º 3402­005.946  S3­C4T2  Fl. 517          3 mesmo  dias  e  impedem  a  inserção  de  dados  de  embarque  de  mercadorias,  não  podendo  a  Recorrente arcar com pesadas multas em virtude de um atraso que ela não deu causa;  5)  inexistência  de  embaraço  a  fiscalização  e  violação  à  finalidade  do  ato  administrativo;  6) violação do princípio da proporcionalidade e da razoabilidade; e  7) a fiscalização agiu em desacordo e inobservância do disposto nos artigos  63 e 65, da Lei nº 5.025/1966.  8)  a  multa  que  trata  o  presente  lançamento  tem  sido  aplicada  pela  Fiscalização por cada veículo. No entanto, não poderia gerar qualquer espécie de multa, eis que  as mercadorias por eles  transportadas,  foram informadas  tempestivamente, ou seja, dentro do  prazo de 7 dias estipulados pela IN nº 1.096/2010.  Junto ao Recurso Voluntário, trouxe aos autos cópias de acórdãos do CARF  sobre  a  matéria  e  de  um  Ofício  do  SERPRO,  datado  de  11/11/2011,  informando  sobre  as  indisponibilidades ocorridas no sistema SISCOMEX durante o ano 2004.  Os  autos,  então,  foram  encaminhados  a  este CARF para  análise  do  recurso  que  proferiu  o  Acórdão  nº  3803­006.269  (3ª  Turma  Especial),  sessão  de  22/07/2014  (fls.  358/364), que no voto condutor, o Relator aduz que "Considerando que as informações foram  prestadas intempestivamente pelo Recorrente mas antes de qualquer atividade da fiscalização e  alguns dias depois das datas dos vôos em que as mercadorias exportadas foram transportadas,  tem­se que nenhuma das exceções acima referenciadas se aplica ao presente caso".  Ao  final,  o  Colegiado  decide  que  no  caso  sob  análise,  no  momento  da  prestação  de  informações  pelo  transportador,  as  Declarações  de  Exportação  já  haviam  sido  apresentadas,  restringindo­se  a  obrigação  acessória  aos  registros  dos  embarques  no  SISCOMEX,  medida  essa  de  controle  meramente  administrativo,  o  que  em  nada  afeta  o  cumprimento das obrigações tributárias principais. E conclui da seguinte forma (fl. 358):  "Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  dar  provimento  ao  recurso,  para  cancelar  o  auto  de  infração.  Vencido  o  conselheiro  Corintho  Oliveira Machado que negava provimento". (Grifei)  Cientificada do Acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional  apresentou  Recurso  Especial  suscitando  divergência  quanto  à  exoneração  da  penalidade  em  comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decreto­lei nº  37/1966, com a nova redação dada pela Lei nº 12.350/2010.  Ao julgar o caso, a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste  CARF  (Acórdão  nº  9303­003.796,  de  26/04/2016,  fls.  428/436),  deu  provimento  parcial  ao  Recurso Especial da Fazenda Nacional, afastando a possibilidade de aplicação do instituto  da  denúncia  espontânea  às  penalidades  infligidas  pelo  descumprimento  de  deveres  instrumentais,  como  os  decorrentes  da  inobservância  dos  prazos  fixados  pela  RFB  para  a  prestação de informações à administração aduaneira.   Fl. 518DF CARF MF     4 Na mesma decisão, determinou que os autos fossem remetidos novamente às  Turmas Ordinárias  (TO)  para  apreciação  e  deliberação  dos  demais  argumentos  apresentados  pelo Contribuinte em seu recurso.  O  contribuinte  opôs  Embargos  de  Declaração  cuja  a  admissibilidade  foi  negada por despacho do Presidente do CARF.  Por  fim,  cabe  informar  que  a  empresa  recorreu  ao  Poder  Judiciário  e  a  Fazenda Nacional (PGFN) recorreu da liminar concedida, culminando que o Tribunal Regional  Federal  da  1ª  Região  ­  TRF01,  proferiu  decisão  no  Agravo  de  Instrumento  nº  1005165­ 84.2016.4.01.0000 (Processo Referência: 1006968­87.2016.4.01.3400), em que restou cassada  a  liminar  concedida  do  MS  1006968­87.2016.4.01.3400,  impetrada  pela  SOCIETE  AIR  FRANCE (fls. 465/514).  Os autos foram distribuídos à esta Turma Ordinária, para relatoria do feito.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator   O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado.  Como  se  verifica  no  relatório,  apenas  o  argumento  relativo  à  aplicação  da  denúncia espontânea em relação a penalidades decorrentes do descumprimento de obrigações  acessórias foi enfrentado no Acórdão proferido pela 3ª Turma da CSRF, justamente por ter sido  o  fio  condutor  do  Acórdão  proferido  na  Turma  Especial,  que  deixou  de  deliberar  sobre  os  demais pontos abordados, a despeito do Relator tê­los citados em seu acórdão.  Desse modo, cabe a este Colegiado discutir, apenas os demais argumentos  aduzidos no Recurso Voluntário da Recorrente.   Como relatado, a Recorrente alega em sua Impugnação e  repisa no Recurso  Voluntário  que,  (i)  o  Auto  de  Infração  foi  lavrado  com  base  em  incorreta  tipificação,  bem  como em incorreta adequação dos fatos à norma; (ii) a multa que trata o presente lançamento  tem sido aplicada pela Fiscalização por cada veículo. No entanto, foi incluído dentro dos fatos  geradores listados, indica que 5 dos embarques mencionados (vôos) teve seu registro de dados  de embarque realizado tempestivamente dentro do prazo de 07 dias; (iii) falta de prova, o Auto  de  Infração  lavrado  não  foi  instruído  com  qualquer  documento  que  comprove  a  infração  imputada à mesma, caracterizando o cerceamento do direito de defesa; (iv) com as alterações  do §2º do art. 102 do Decreto­Lei nº 37/1966 pela Lei nº 12.350/2010, o instituo da denuncia  espontânea passou a excluir não somente as penalidades de natureza tributária, mas também as  penalidades  administrativas;  (v)  o  SISCOMEX  inegavelmente  apresenta  falhas  técnicas  que  impedem  a  inserção  de  dados  de  embarque  de mercadorias;  (vi)  inexistência  de  embaraço  a  fiscalização;  (vii)  violação  do  princípio  da  proporcionalidade  e  da  razoabilidade  e  (viii)  aplicação do disposto nos art. 63 e 65 da Lei nº 5.025/66.  Ressalta­se  que  o  argumento  da  ocorrência  de  direito  superveniente,  autorizando a aplicação do instituto da denúncia espontânea às multas administrativas (item  Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10715.721964/2011­53  Acórdão n.º 3402­005.946  S3­C4T2  Fl. 518          5 (iv) do tópico acima), matéria esta que já foi enfrentada e decidido pelo seu afastamento pelo  Acórdão proferido pela 3ª Turma da CSRF.  1. Da alegada Nulidade do lançamento  Quanto ao argumento sustentado pela Recorrente que é nulo o lançamento,  ao fundamento que ocorreu erro na tipificação do Auto de Infração e também que não haveria  provas  do  cometimento  da  infração,  entendo  que  nos  dois  argumentos  não  assiste  razão  à  Recorrente, explico.  Veja­se o que alega a Recorrente em seu recurso:     Pois bem. Verifica­se no Auto de Infração, no quadro "Descrição dos Fatos e  Enquadramento Legal" (fl. 5/6 dos autos), que a Fiscalização enquadrou a infração na alínea 'e'  do  inciso  IV  do  art.  107  do  Decreto­lei  nº  37,  de  1966,  na  redação  conferida  pela  Lei  n.º  10.833,  de  2003,  que  tipifica  a  conduta  de  deixar  de  prestar  as  informações  requeridas,  na  alínea “c” do mesmo dispositivo, combinado com dispositivos da IN/SRF nº 28/1994 e IN/SRF  nº 510/2005. Veja­se:  Art. 107. Aplicam­se ainda as seguintes multas:  (...)  IV – de R$ 5.000,00 (cinco mil reais):  (...)  c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar,  dificultar ou  impedir ação de  fiscalização aduaneira,  inclusive no  caso de  não  apresentação  de  resposta,  no  prazo  estipulado,  a  intimação  em  procedimento fiscal;  (...)  e)  por  deixar  de  prestar  informação  sobre  veiculo  ou  carga  nele  transportada,  ou  sobre  as  operações  que  execute,  na  forma  e  no  prazo  estabelecidos  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  aplicada  à  empresa  de  transporte  internacional,  inclusive  a  prestadora  de  serviços  de  transporte  internacional expresso porta a porta, ou ao agente de carga. (Grifei)  Como pode ser visto, o alegado enquadramento incorreto não se verifica. De  outra  forma,  a multa  em apreço é decorrente,  tão­somente, da  impontualidade da  interessada  quanto ao cumprimento da obrigação acessória de que trata a alínea 'e1 do inciso IV do art. 107  do  Decreto­lei  n°  37,  de  1966,  infração  essa  que,  se  não  informada,  seria  passível  de  Fl. 520DF CARF MF     6 conhecimento  pela  autoridade  aduaneira.  Portanto,  perfeitamente  tipificada  e  enquadramento  da a infração à norma.   Continua  a  Recorrente,  aduzindo  que,  "(...)  Porém,  diferentemente  do  que  informa a autoridade  fazendária às  fls. 5 do auto de  infração,  tal  planilha não possui  valor  probatório algum para fins de apuração da infração imputada á Recorrente (...)".  Por outro lado, Veja­se o consignado no texto do Auto de Infração (fl. 5):  "001  ­  NÃO  PRESTAÇÃO  DE  INFORMAÇÃO  SOBRE  VEICULO  OU  CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÕES QUE EXECUTAR  No  exercício  das  funções  de  Auditor  Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil,  conforme dispõe o art. 147, do Decreto­Lei 37/66, regulamentado pelo art. 203, inciso VI, da  Portaria MF nº 587, de 21 de dezembro de 2010, com vistas à verificação do cumprimento da  obrigação acessória disposta no art 37, da IN/SRF nº 28/1994, alterado pelo art.1º, da IN/SRF  nº 1.096/2010, foram apurados registros de dados de embarque intempestivos, referentes aos  transportes internacionais realizados no período de junho a dezembro de 2009, no Aeroporto  Internacional do Rio de Janeiro­ALF/GIG". (Grifei)  Quanto  a  alegação  de  que  não  haveria  provas  do  cometimento  da  infração,  resta constatado nos autos que os dados que embasaram o lançamento, estão relacionados no  demonstrativo  de  fls.  6  e  8  do  Auto  de  Infração,  separado  por  numero  de  DDE,  data  do  Embarque, Data da  Informação e nº do Vôo,  sendo que  tais  informações  foram extraídas do  Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX, módulo EXPORTAÇÃO), um Sistema  de controle informatizado que reflete, num único ambiente, onde permanecem gravadas todas  as  informações  relativas  ao  comércio  exterior  (incluindo  o  registro  de  embarque  de  mercadorias destinadas ao exterior) e no qual é exercido o controle governamental do Brasil, a  partir  inclusive,  de  informações  registradas  pelos  próprios  importadores,  exportadores,  depositários  e  transportadores,  por  seus  empregados  ou  representantes  legais.  Os  extratos  encontram­se apensados aos autos às fls. 18 a 130.   Alega  também  a  Recorrente  que  o  SISCOMEX  inegavelmente  apresenta  falhas técnicas que, por diversas vezes, geram sua indisponibilidade por horas ou mesmo dias e  impedem a  inserção de  dados de  embarque de mercadorias,  não podendo a Recorrente  arcar  com pesadas multas em virtude de um atraso que ela não deu causa.  Ora,  se  houve  alguma  das  informações  relacionadas  na  planilha  de  forma  incorreta,  é  ônus  da  Recorrente  demonstrar,  trazendo  aos  autos  as  provas  documentais  que  comprovem  o  erro  supostamente  cometido  pela  Fiscalização.  Afinal,  conforme  conhecido  brocardo jurídico, alegar e não provar é o mesmo que não alegar, devendo o julgador observar  as regras de distribuição do ônus probatório. Contudo, a Recorrente nada trouxe que infirmasse  qualquer das informações encartadas no demonstrativo elaborado às fls. 6/8.  Quanto  ao  alegado  que  o  Auto  de  Infração  lavrado  não  foi  instruído  com  qualquer  documento  que  comprove  a  infração  imputada  à  mesma,  caracterizando  o  cerceamento do direito de defesa, verifica­se que o Auto de Infração foi lavrado por autoridade  competente e teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da RFB, detalhada no Auto  de  Infração,  onde  consta  a  motivação  para  o  lançamento  e  as  provas  que  conduziram  a  autoridade  fazendária  a  sua  lavratura.  A  Recorrente  foi  cientificada  da  exigência  fiscal  e  apresentou  Impugnação  que  foi  apreciada  em  julgamento  realizado  na  primeira  instância.  Irresignada  com  o  resultado  do  julgamento  da  autoridade  a  quo,  a  Recorrente  protocolou  recurso voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões  Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10715.721964/2011­53  Acórdão n.º 3402­005.946  S3­C4T2  Fl. 519          7 de  decidir  daquela  autoridade,  portanto,  as motivações  para o  lançamento,  bem como,  as  do  julgamento na primeira instância foram claramente identificadas.   Com  todo  este  histórico  de discussão  administrativa,  não  se  pode  falar  em  cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento  da primeira instância, uma vez que todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235/72, foi  observado,  tanto no  lançamento  tributário, como no curso do devido processo administrativo  fiscal.  Assim,  a  nulidade  alegada  pela  Recorrente  quanto  ao  possível  erro  de  enquadramento  legal da penalidade não deve prosperar, haja vista que o  tipo  infracional está  perfeitamente  descrito  na  norma  e  se  coaduna  com  o  fato  ocorrido,  qual  seja,  o  atraso  na  prestação dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria. No mesmo sentido verifica­se que  as informações das datas foram extraídas do Sistema de controle de exportação, o SISCOMEX.  2. Do valor da multa   Da análise  dos  extratos  do SISCOMEX acostados  aos  autos  às  fls.  18/130,  tem­se  que  o  lançamento  só  poderia  vigorar  em  relação  às  Declarações  de  Despacho  de  Exportação  ­  DDE,  cujos  embarques  foram  efetuados  e  encontra­se  relacionados  no  demonstrativo com o nº da DDE, Data do Embarque, Registro de Embarque, Fato Gerador e o  nº  do  Vôo  (fls.  6  a  8  do  Auto  de  Infração),  visto  que  ultrapassado  o  prazo  de  07  dias  estabelecido para o registro no SISCOMEX, conforme o estabelecido no artigo 37 da IN SRF  nº 28/94 (redação dada pela IN RFB no 1.096, de 13/12/2010).   2.1 ­ Da contagem do prazo  Sustenta a Recorrente em seu recurso que:     Alega  ainda  que  a  redação  da  Solução  de  Consulta  n°  215/04,  é  clara  ao  afirmar que não há justificativa para que se considere o início da contagem de prazos às sextas­ feiras, sábados, domingos e feriados já que "tal procedimento apenas aumenta o Custo Brasil  sem nenhum incremento visível de performance da fiscalização aduaneira".  Quanto  a  contagem  dos  prazos,  o  Fisco  acertadamente  considerou  a  forma  prescrita no caput do artigo 210 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), que determina que os prazos  sejam contínuos, excluindo­se na sua contagem o dia de início e incluindo­se o de vencimento.  Art. 210 ­ Os prazos fixados nesta Lei ou na legislação tributária serão contínuos,  excluindo­se na sua contagem o dia de início e incluindo­se o de vencimento.  Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal  na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (grifei).  Fl. 522DF CARF MF     8 No entanto, neste caso, não é de se aplicar, porém, a regra prescrita em seu  parágrafo  único,  segundo  o  qual  os  prazos  só  se  iniciam  ou  vencem  em  dia  de  expediente  normal  na  repartição  em  que  corra  o  processo  ou  deva  ser  praticado  o  ato, uma  vez  que  o  cumprimento  do  prazo  em  questão  não  está  a  depender  da  intervenção  da  repartição  pública  (no  caso  a  repartição  aduaneira),  nem  nesta  deva  ser  realizada  uma  vez  que  a  obrigação  é  efetuada  pela  própria  Recorrente  em  seu  estabelecimento.  Trata­se  de  regra  excepcional, destinada apenas a estabelecer uma exceção à disposição encartada na cabeça do  artigo.  Como se observa, o nosso entendimento é divergente do adotado na Solução  de Consulta 9ª RF/DISIT nº 215, de 2004. Contudo, alerto que além de desprovida de caráter  vinculante, não resultou de consulta formulada pela Recorrente.  Ressalta­se  que  a  obrigação  de  prestar  informação  sobre  veículo  ou  carga  transportada no SISCOMEX  independe da  interveniência da  repartição  aduaneira para que o  responsável  pelo  seu  cumprimento  a  satisfaça  no  prazo  de  sete  dias,  contado  da  data  do  embarque, conforme estipulado no caput do art. 37 da IN SRF n.º 28, de 2004, alterado pela IN  RFB n.º 1.096/2010.  A  rigor, os  sujeitos passivos de  tais obrigações  são previamente habilitados  pela Receita Federal do Brasil (RFB) para acessarem, de forma ininterrupta, o referido sistema  informatizado,  razão  pela  qual  entendo  que,  da  mesma  forma,  os  prazos  concernentes  à  prestação  de  informação  no  SISCOMEX  também  devem  ser  contados  ininterruptamente,  adotando­se apenas a disciplina contida no caput do art. 210 do CTN, eis que o fato em exame  não reproduz a hipótese da disposição contida no parágrafo único do precitado artigo.  No entanto, a Recorrente aduz que os embarques abaixo relacionados, foram  tempestivamente informados no SISCOMEX dentro do prazo de 07 dias, conforme o disposto  na  IN RFB  nº  1.096/2010,  ante  a  contagem  de  prazo  processual  estipulado  pela  Solução  de  Consulta nº 215/2004:            Pois bem. Nos casos acima, assiste razão à Recorrente somente quanto ao  Embarque do vôo AFR/443 ­ Data de Embarque: 28/08/2009 ­ Data de inserção de registro  de  Embarque  em  28/08/2009  (DDE  nº  2090795776/3),  uma  vez  que  a  data  de  embarque  Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10715.721964/2011­53  Acórdão n.º 3402­005.946  S3­C4T2  Fl. 520          9 coincide exatamente com a data de registro de embarque e, portanto, informado pela empresa  dentro do prazo estabelecido pela IN RFB nº 1.096/2010.  Quanto  ao  demais  embarques,  sem  reparos  a  decisão  a  quo,  uma  vez  que  encontra­se correto o critério utilizado para aplicação da penalidade, ao considerar que o valor  de  R$  5.000,00  deve  ser  exigido  em  relação  a  cada  veículo  transportador,  ou  seja,  por  embarque/vôo,  o  que  resulta  no  caso  em  apreço  em  31  vôos,  totalizando  o  valor  de  R$  155.000,00.  3. Da alegada prova imperfeita ­ falhas técnicas do SISCOMEX  Aduz  em  seu  recurso  que  o  SISCOMEX  inegavelmente  apresenta  falhas  técnicas  que,  por  diversas  vezes,  geram  sua  indisponibilidade  por  horas  ou  mesmo  dias  e  impedem a inserção de dados de embarque de mercadorias.  No que diz respeito ao argumento que atribui à ocorrência de problemas no  SISCOMEX como sendo motivador do registro dos dados de embarque fora do prazo fixado,  tenho­o como daqueles que não transcende de si mesmo, é genérico e desprovido de elementos  de prova, e dessa ocorrência não se teve notícia concreta nos autos. Como já asseverado, não  basta sustentar que falhas ocorreram no aludido sistema e exemplificá­las descrevendo algumas  que se teriam verificado inclusive em períodos anteriores ao que ocorreram os embarques das  mercadorias  objeto  dos  autos.  Assim,  a  pretensão  calçada  nesse  argumento  não  tem  como  prosperar no sentido de afastar a aplicação da multa ora litigada.  No que se refere às alegações quanto às informações da Fiscalização de que  as  datas  informadas  como  sendo  do  registro  dos  dados  de  embarque  seriam,  na  verdade,  as  datas  das  averbações  ou  que  as mesmas  não  refletem  as  tentativas  de  registros  por  parte  da  transportadora, também são desprovidas de comprovação nos autos.   Sobre os argumentos de problemas existentes no registro das informações, as  mesmas não foram comprovadas de forma que pudessem afastar a exigência do cumprimento  do prazo em questão. Ainda que as decisões administrativa e  judicial  trazidas aos autos para  sustentar sua tese não vincule o julgador, é de se destacar que as ementas aludem à necessária  comprovação das falhas no SISCOMEX.  Quanto a  informação  trazido pelo Ofício Resposta expedido pelo SERPRO,  oriundo de pedidos judiciais efetuado pela Recorrente, que revela os casos de inconsistência e  do  desempenho  da  unidade  de  monitoração  do  sistema  SISCOMEX,  o  referido  Órgão  de  processamento de dados apresentou a relação de panes registradas ao longo do ano de 2004, ou  seja, período distinto do discutido nesses autos que é referente ao ano de 2009 (fls. 344/351).  Quanto  às  alegações  no  tocante  à  aplicação  da  IN  RFB  n.º  835/2008,  que  trata  de  normas  de  contingência,  é  de  se  destacar  que  referida  norma  traz  em  seu  bojo  as  situações  em  que  se  aplicaria  e,  principalmente,  os  ritos  para  que  se  contingenciassem  problemas  de  origem  técnica  determinando  procedimentos  a  serem  cumpridos  pelos  interessados. E como se vê da análise dos autos, nada consta que  tais procedimentos  tenham  sido adotados no período da autuação em relação à autuada.  Por fim, no que respeita ao encargo de se provar o que se alega, de se ver o  disposto no inciso III do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, que diz:  Fl. 524DF CARF MF     10 Art. 16. A impugnação mencionará:  III  ­  os  motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos  de  discordância e as  razões e provas que possuir:  (redação dada pelo art. 1º  da Lei n° 8.748, de 1993) ­ Grifei  4. Da alegada inexistência de embaraço à fiscalização  A Recorrente alega a inexistência de embaraço à fiscalização, desoneração às  exportações e violação á finalidade do Ato administrativo.  Cabe ressaltar que na vigência da IN SRF nº 28, de 1994, a inobservância da  obrigação  estabelecida  no  seu  art.  37,  era  entendida  pela  RFB  como  caracterizadora  de  embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, conforme disposto em seu art. 44.   No  entanto,  a  partir  da  edição  da  MP  nº  135/2003,  convertida  na  Lei  nº  10.833, de 2003, foi estabelecida para o transportador a obrigação de “prestar à Secretaria da  Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas  transportadas”,  como  se  verifica  da  redação  emprestada  ao  art.  37  do Decreto­lei  nº  37,  de  1966 pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003:  “Art. 77. Os arts. 1º, 17, 36, 37, 50, 104, 107 e 169 do Decreto­Lei nº 37, de  18 de novembro de 1966, passam a vigorar com as seguintes alterações:  Art.  37. O  transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal,  na  forma  e  no  prazo  por  ela  estabelecidos,  as  informações  sobre  as  cargas  transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior  ou a ele destinado".  Posto  isto,  com  a  entrada  em  vigor  dessa  nova  norma  legal,  o  descumprimento da obrigação de prestar à RFB, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as  informações sobre as cargas transportadas, passou a ser cominada com a multa de R$ 5.000,00,  prevista no inciso IV, “e”, do art. 107 do Decreto­lei nº 37/1966, e não mais aquela prevista por  embaraço, que veio a ser tipificada no inciso IV, “c”.   Portanto,  ainda  que  a  IN SRF nº  28/94,  como  alega,  possa  definir  o  atraso  como embaraço, o Decreto Lei n.º 37/66, com a redação da Lei n.º 10.833/2003, previu multa  específica para a intempestividade na prestação das referidas informações.  Assim, para a caracterização de ilícito sujeito à aplicação da referida multa,  há que ser apurado o descumprimento da obrigação, o que implica, no caso, a inobservância de  prazo  fixado  pela  Administração  Tributária  para  a  apresentação  dos  dados  relativos  ao  embarque.  Por  fim,  tendo  em  vista  o  princípio  da  legalidade  a  que  está  sujeito  o Ato  administrativo,  é  de  se  afastar,  também,  as  alegações  quanto  à  inexistência  de  embaraço  à  fiscalização  e  os  demais  argumentos  quanto  à  desoneração  às  exportações,  violação  à  finalidade do ato administrativo e que não houve prejuízo ao  interesse público, pois nenhum  tributo teria deixado de ser recolhido.  5. Violação à proporcionalidade e à razoabilidade ­ caráter confiscatório da multa  O  argumento  de  que  a  multa  viola  princípios  constitucionais  não  pode  ser  apreciado  pelo  julgador  administrativo,  pois  falece  competência  aos  agentes  administrativos  para  afastar  a  aplicação  de  dispositivos  legais  plenamente  vigentes.  Para  que  incida  a  Fl. 525DF CARF MF Processo nº 10715.721964/2011­53  Acórdão n.º 3402­005.946  S3­C4T2  Fl. 521          11 penalidade em questão, basta que se configure a situação fática eleita pelo legislador para a sua  aplicação, sendo absolutamente desnecessária qualquer consideração  Além  disso,  quanto  ao  argumento  de  desproporcionalidade  e  da  razoabilidade,  a  única  possibilidade  de  não  aplicação  da  multa  seria  pela  declaração  de  inconstitucionalidade da mesma, o que é vedado expressamente pelo artigo 26­A do Decreto nº  70.235/72 e pela Súmula CARF nº 02, de observância obrigatória por parte deste Colegiado.  Art.  26­A.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica  vedado  aos  órgãos  de  julgamento  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.  Nesse diapasão, quanto  à  aplicação dos princípios da proporcionalidade, da  razoabilidade  e  do  não  confisco,  cabe  destacar  que  uma  vez  materializada  a  hipótese  de  incidência prevista na norma penal, é defeso à Fiscalização aduaneira, à luz dos mencionados  princípios,  mitigar  a  aplicação  da  penalidade  imposta  pela  legislação,  eis  que  a  atividade  administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a fiscalização aplicar a sanção  em  sua  inteireza  conforme determina  a norma  legal,  em  atendimento  ao  preceito  contido  no  parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional, in verbis:  Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada  e  obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.  6. Da aplicação do disposto nos art. 63 e 65 da lei nº 5.025/66.  Por fim, em seu recurso a Recorrente sustenta que:    Muito  embora  seja  um  argumento  inovador  no  recurso,  analisa­se  a  aplicabilidade dos referidos artigos da Lei nº 5.025/66:  Art.  63.  Ficam  os  órgãos  responsáveis  pela  fiscalização  de  embarque  obrigados  a  prestar  os  mais  amplos  esclarecimentos  sobre  os  direitos  e  deveres  dos  exportadores,  bem  como  dar  a  necessária  assistência  à  realização normal das operações de exportação, tendo em vista os objetivos  da presente lei.   Art.  65.  Quando  ocorrerem,  na  exportação,  erros  ou  omissões  caracteristicamente sem a intenção de fraude e que possam ser de imediato  corrigidos, a autoridade responsável pela fiscalização alertará o exportador  e o orientará sobre a maneira correta de proceder.   Repise­se que encontra­se correta a tipificação com base no art.107, IV, "e",  do Decreto­Lei37/66, afinal deixaram de ser registrados os embarques no prazo normativo, por  deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações  Fl. 526DF CARF MF     12 que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à  empresa  de  transporte  internacional,  inclusive  a  prestadora  de  serviços  de  transporte  internacional expresso porta ­porta, ou ao agente de carga;  Portanto,  não  assiste  razão  as  alegações  de  violação  à  proporcionalidade,  razoabilidade  ou  isonomia,  porquanto  se  tratar  de  obrigação  de  fazer,  ensejando  o  seu  descumprimento o apenamento previsto no ordenamento legal (multa de R$ 5.000,00 por fato  gerador), não havendo de se falar em ausência de prejuízo ou boa­fé.  É  dever  da  empresa  tomar conhecimento das  leis  e normas  vigentes,  e  à  Fiscalização cabe  autuar o  infrator no caso de cometimento de  irregularidade  encontrada,  tal  como ocorrido  à  espécie,  ao passo que os  invocados  artigos 63  e 65 da Lei nº 5.025/66,  em  nenhum momento não eximem o transgressor da multa aplicada (obrigação de fazer).  Em outras palavras, havendo previsão na legislação aduaneira para o registro  do embarque, a omissão ou registro a destempo, por si só,  têm o condão de lastrear a sanção  imputada. Ademais, como citado acima, a atividade administrativa do lançamento é vinculada  e obrigatória, devendo a Fiscalização aplicar a sanção em sua inteireza conforme determina a  norma  legal,  em  atendimento  ao  preceito  contido  no  parágrafo  único  do  art.  142  do Código  Tributário Nacional.  6. Dispositivo  Por  todo  o  exposto,  voto  por  conhecer  do Recurso Voluntário  interposto  e  DAR­LHE  parcial  provimento,  para  excluir  do  Auto  de  Infração  a  multa  quanto  ao  Embarque do vôo AFR/443 ­ Data de Embarque: 28/08/2009 ­ Data de inserção de registro  de  Embarque  em  28/08/2009  (DDE  nº  2090795776/3),  uma  vez  que  a  data  de  embarque  coincide exatamente com a data de registro de embarque, mantendo­se as demais penalidades  que totaliza o valor de R$ 155.000,00 (conforme disposto no item "2.1" deste voto).  .  É como voto.  (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra                                Fl. 527DF CARF MF

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7560852 #
Numero do processo: 19679.720025/2014-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.902
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Vinícius Guimarães (Suplente convocado) que negava provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho não participou da votação em razão do voto definitivamente proferido pelo Conselheiro Vinícius Guimarães. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede - Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE

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3302­000.902  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  23  de outubro de 2018  Assunto  COMPENSAÇÃO  Recorrente  CCB ­ CIMPOR CIMENTOS DO BRASIL S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  converter  o  julgamento  em  diligência,  nos  termos  do  voto  do  relator.  Vencido  o  Conselheiro  Vinícius  Guimarães (Suplente convocado) que negava provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro  Gilson Macedo Rosenburg Filho não participou da votação em razão do voto definitivamente  proferido pelo Conselheiro Vinícius Guimarães.  (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Deroulede ­ Presidente e Relator  Participaram  do  julgamento  os  Conselheiros:  Paulo  Guilherme  Déroulède  (Presidente),  Vinícius  Guimarães  (suplente  convocado),  Walker  Araujo,  Corintho  Oliveira  Machado,  José  Renato  Pereira  de  Deus,  Jorge  Lima  Abud,  Diego  Weis  Junior  e  Raphael  Madeira Abad.   Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário  interposto contra decisão de primeira  instância  que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão  da repartição de origem de não homologar a compensação declarada, relativa a suposto crédito  da  contribuição  não  cumulativa  (PIS/Cofins),  por  falta  de  comprovação  de  recolhimento  a  maior e/ou indevido.  Segundo a autoridade administrativa, no que tange à apuração das contribuições  ao  PIS  e  à  Cofins,  o  contribuinte  desempenhava  concomitantemente  atividades  sujeitas  aos  regimes cumulativo e não cumulativo.  No Dacon, conforme relato, o método de determinação dos créditos se dera pela  “INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA SOBRE RECEITA PARCIAL E/OU RECEITA DE EXPORTAÇÃO COM     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 79 .7 20 02 5/ 20 14 -9 2 Fl. 533DF CARF MF Processo nº 19679.720025/2014­92  Resolução nº  3302­000.902  S3­C3T2  Fl. 3          2  BASE  NA PROPORÇÃO  DOS CUSTOS DIRETAMENTE APROPRIADOS”,  pressupondo,  tal  opção,  a  existência de um sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração  que possibilitasse a verificação do percentual de cada nota fiscal destinado à atividade sujeita  ao  regime  cumulativo  (serviços  de  concretagem)  e  à  atividade  não  cumulativa  (vendas  de  cimento, argamassa etc.).  No  Despacho,  foi  ressaltada  uma  característica  importante  na  atividade  de  serviço  de  concretagem,  relativamente  à  utilização  da  matéria­prima  principal,  o  cimento  produzido  pelo  próprio  contribuinte,  que  estava  sujeito  ao  regime  da  não  cumulatividade.  Nesse  caso,  quando  o  contribuinte  adquiria  insumo  para  produção  do  cimento,  apenas  parte  poderia  ser  aproveitada  como  crédito,  a  outra  parte  não.  Nas  planilhas  apresentadas  pelo  contribuinte,  todas  as notas  ali  elencadas  estavam com a  totalidade dos  valores  classificados  como  crédito,  por  isso  foram  solicitadas  informações  mais  específicas  dos  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos  e  fretes  contratados,  com  a  indicação  do  processo  produtivo  e  o  cálculo  de  rateio.  Não  havendo  atendimento  por  parte  da  interessada  concluiu­se  que  as  informações prestadas não eram aptas a comprovar a liquidez e certeza dos créditos alegados.  Em  sua  Manifestação  de  Inconformidade,  o  contribuinte  confirmou  que  desempenhava,  concomitantemente,  atividades  sujeitas  ao  regime  cumulativo  e  não  cumulativo,  realizando  serviços  de  concretagem  enquadráveis  como  ‘execução  por  administração,  empreitada  ou  subempreitada,  de  obras  de  construção  civil’,  cujas  receitas  se  sujeitavam  ao  regime  cumulativo,  enquanto  todas  as  demais  receitas  eram  tributadas  pelo  regime não cumulativo.  Segundo  ele,  equivocadamente,  oferecera  à  tributação  das  contribuições  (PIS/Cofins),  na  sistemática  não  cumulativa,  a  totalidade  de  suas  receitas,  inclusive  a  de  prestação de  serviços de  concretagem,  sujeita  ao  regime cumulativo,  aplicando a  alíquota de  7,6%  e  apropriando  todos  os  créditos  de  insumos  e  serviços  tomados  no  âmbito  de  sua  atividade.  Posteriormente,  entretanto,  refizera  a  apuração  e  retransmitira  todas  as  respectivas  obrigações  acessórias  para  (i)  desfazer  a  apropriação  dos  créditos  de  insumos  e  serviços de concretagem e  (ii)  fazer  incidir  sobre  as  receitas do  regime  cumulativo  a correta  alíquota de 3%, o que resultou em recolhimentos superiores aos valores realmente devidos, que  foram objeto das declarações de compensação apresentadas.  Contestou  a  decisão  da  autoridade  fiscal,  ressaltando  que,  se  não  houvera  a  comprovação da apropriação dos créditos pelo método direto dos custos,  como destacado no  despacho decisório,  deveria  ter  sido  utilizado  o método da proporcionalidade,  legitimando  o  rateio  de  custos  entre  as  atividades  sujeitas  aos  regimes  cumulativo  e  não  cumulativo  (apresentou o cálculo de rateio dos insumos a partir da proporcionalidade da receita bruta que,  segundo ele,  encontrava­se de acordo com o previsto no § 8º do art. 3ª da Lei nº 10.833, de  2003).  Salientou que o Despacho Decisório não fizera qualquer menção à imposição de  juros e multa, presumindo­se daí que eles não estavam sendo exigidos, tornando­se nula uma  possível cobrança a esse respeito, em razão da impossibilidade de se defender.  Admitiu  que,  no  caso,  tratava­se  de mero  erro  formal,  sem  qualquer  lesão  ao  fisco,  uma  vez  que  não  houvera  redução  do  valor  do  montante  tributável,  não  tendo  sido  logrado  qualquer  benefício,  o  que  demonstrava  que  a  não  homologação  da  compensação  Fl. 534DF CARF MF Processo nº 19679.720025/2014­92  Resolução nº  3302­000.902  S3­C3T2  Fl. 4          3  pretendida deflagrava um rigor excessivo,  incompatível com os princípios da razoabilidade e  da proporcionalidade, bem como com a verdade material prevalecente no âmbito do processo  administrativo tributário.  A  Delegacia  de  Julgamento  (DRJ)  julgou  improcedente  a  Manifestação  de  Inconformidade, sob fundamento de falta de comprovação da existência do direito creditório,  por  meio  de  documentos  fiscais  e/ou  escrituração  contábil  hábeis,  e  por  considerar  que  a  aplicação  do  cálculo  de  rateio  dos  créditos  a  partir  da  proporcionalidade  não  podia  ser  considerada antes que se comprovasse o montante dos créditos informados no Dacon.  Cientificado  da  decisão  de  primeira  instância,  o  contribuinte  interpôs Recurso  Voluntário e reiterou os argumentos utilizados na Manifestação de Inconformidade, ressaltando  o seguinte:  a) o fornecimento de argamassa preparada em betoneiras no trajeto até a obra é  prestação de serviços, razão pela qual refez a apuração da contribuição;  b)  ao  verificar  estarem  as  receitas  decorrentes  de  prestação  de  serviço  de  concretagem  sujeitas  ao  regime  cumulativo,  refez  sua  apuração,  constatando  que  os  recolhimentos outrora efetivados foram superiores aos valores realmente devidos;  c) houve indevida desconsideração do método de apuração adotado;  d) defendeu a busca pela verdade material.  É o relatório  Voto  Paulo Guilherme Deroulede, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF),  aprovado  pela Portaria MF  343,  de  9  de  junho  de  2015,  aplicando­se,  portanto,  ao  presente  litígio o decidido na Resolução nº 3302­000.901, de 23/10/2018, proferida no  julgamento do  processo nº 19679.720027/2014­81, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela  decisão (Resolução nº 3302­000.901):  A Recorrente reformulou sua escrituração contábil com o objetivo de refazer a  sua  apuração  de  COFINS  com  o  escopo  de  tributar  as  receitas  relativas  às  atividades de "concretagem" no regime CUMULATIVO, eis que originalmente o  havia feito sob a sistemática NÃO CUMULATIVA.  A Recorrente  insurge­se  contra o  fato da autoridade  fiscal haver deixado de  reconhecer  o  controle  elaborado  por  ela,  mormente  diante  de  planilhas  com  identificação  individual  de  cada  nota  fiscal  de  entrada  dos  insumo  de  forma  separada  em  relação  à  atividade  sujeita  à  sistemática  cumulativa  e  não  cumulativa.  Requer  seja  acatada  ao  menos  a  COFINS  apurada  de  forma  cumulativa  referente à mesma competência do crédito que deveria ter  sido compensada, eis  Fl. 535DF CARF MF Processo nº 19679.720025/2014­92  Resolução nº  3302­000.902  S3­C3T2  Fl. 5          4  que entende tratar­se de mera reclassificação de receita, seja segundo o método  de apropriação direta ou pelo método do rateio proporcional.   Vale  destacar  que  originalmente  a  Recorrente  apresentou  DACON  pela  sistemática NÃO CUMULATIVA, apropriando­se de todos os insumos adquiridos,  mas apurando COFINS a uma alíquota de 7,6%.  Contudo,  retificou  a  declaração  para  adequar­se  à  sistemática  CUMULATIVA, sujeitando­se à alíquota de 3%.  A fiscalização, contudo, entendeu por bem desconsiderar o controle de custos  da  Recorrente  para  fins  de  repartição  dos  créditos  de  insumos  passíveis  de  apropriação.  Argumenta  a  Recorrente  que  a  não  homologação  da DCOMP  em  discussão  implicaria exigência em duplicidade da COFINS da competência de setembro de  2008.  Aduz ainda que a fiscalização tinha o dever de empregar o método alternativo  da proporcionalidade  (rateio proporcional) previsto no § 8º do artigo 3º da Lei  10.833/2003,  e  não  simplesmente  deixar  de  reconhecer  qualquer  pagamento  a  título de COFINS cumulativa.  Não obstante os argumentos esposados pela Recorrente é de se notar que ao  prestar  o  "serviço  de  concretagem"  ela  utiliza  como  principal matéria  prima  o  CIMENTO por ela mesmo produzido e sujeito ao regime não cumulativo. Como  da  aquisição  dos  insumos  para  a  fabricação  do  cimento  apenas  uma  parte  foi  destinado ao serviço utilizado na operação de concretagem, apenas uma parte dos  créditos poderia ter sido utilizado.  Foi  por  esta  razão  que  a  Autoridade  Fiscal  entendeu  que  os  créditos  apresentados  não  possuiriam  a  liquidez  e  certeza  necessários  ao  seu  aproveitamento aos fins almejados pela Recorrente.  "Entretanto,  como  constatado  pela  autoridade  fiscal,  as  planilhas  apresentadas  em  26/06/2015 não contemplavam os dados solicitados no TIF 12/2015, não trazendo a  informação  individualizada  de  cada  nota  fiscal:  rubrica  correspondente  do Dacon,  mês em que o valor foi apropriado, número da nota fiscal, dia de emissão, número  do  CFOP  da  operação,  código  NCM  da  mercadoria,  descrição  detalhada  da  mercadoria, CNPJ/CPF do fornecedor, nome do fornecedor, valor da nota, valor da  base de cálculo para fins de crédito e indicação a qual processo produtivo cada um  dos bens pertence  (cimento,  argamassa,  concreto  etc). Concluindo,  dessa maneira,  que  as  informações  prestadas  pela  contribuinte  não  estavam  aptas  a  comprovar  a  liquidez e certeza dos créditos alegados." (e­fls. 482)  Se por um lado é verdade que a Recorrente possui o direito de utilizar­se dos  créditos  tributários,  por  outro  é  necessário  que  tais  créditos  sejam  dotados  da  liquidez e certeza necessários à compensação.  Em sede de Recurso Voluntário, é de competência deste colegiado aferir, em  grau  recursal,  se  a  documentação  apresentada  é  suficiente  à  demonstração  do  direito ao crédito.   A  negativa  do  fisco,  que  foi  acompanhada  pela  DRJ,  é  no  sentido  de  que  a  Recorrente,  mesmo  intimada,  deixou  de  apresentar  todas  as  informações  relevantes à aferição da liquidez e da certeza dos créditos, merecendo destaque a  rubrica correspondente do DACON, mês de apropriação, número da nota, dia de  emissão, número do CFOP da operação, código NCM da mercadoria, descrição  Fl. 536DF CARF MF Processo nº 19679.720025/2014­92  Resolução nº  3302­000.902  S3­C3T2  Fl. 6          5  detalhada, CNPJ ou CPF do fornecedor, nome do fornecedor, valor da nota, valor  da  base  de  cálculo  para  fins  de  crédito  e  indicação  a  qual  processo  produtivo  cada um dos bens pertence, o que levou ao fisco a entender que o crédito não era  dotado dos predicados imprescindíveis à sua compensação.  No  entanto,  pela  análise  do  processo  é  possível  aferir  que  muitas  destas  informações estão contidas na documentação  trazida aos autos pela Recorrente,  havendo indícios de que podem existir créditos a serem aproveitados.  Neste cenário, proponho converter o  julgamento em diligência, à unidade de  origem, para que a fiscalização, após a Recorrente indicar o processo produtivo  no  qual  o  insumo  comum  foi  empregado,  apure  o  real  valor  dos  créditos  pelo  emprego do método do rateio proporcional com base na receita bruta, conforme a  legislação  aplicável,  ocasião  em  que  a  fiscalização  poderá  exigir  novos  documentos.  Destaque­se  que,  não  obstante  o  processo  paradigma  se  referir  unicamente  à  Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS.  Portanto, aplicando­se  a decisão do paradigma ao presente processo,  em razão  da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu  converter  o  julgamento  em  diligência  à  unidade  de  origem,  para  que  a  fiscalização,  após  a  Recorrente indicar o processo produtivo no qual o insumo comum foi empregado, apure o real  valor dos créditos pelo emprego do método do rateio proporcional com base na receita bruta,  conforme  a  legislação  aplicável,  ocasião  em  que  a  fiscalização  poderá  exigir  novos  documentos.  (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Deroulede  Fl. 537DF CARF MF

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7532959 #
Numero do processo: 12448.737224/2011-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2007 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. ORIGEM. PROCEDÊNCIA PARICAL. Caracterizam omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SIMPLES. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A verificação de diferença na base de cálculo ou INSUFICIÊNCIA de RECOLHIMENTO do imposto pela sistemática do SIMPLES constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO REFLEXO. Havendo a omissão de receita tributável pelo IRPJ, aplica-se idêntico entendimento aos demais tributos e contribuições sociais, com a incidência sobre os mesmos fatos.
Numero da decisão: 1201-002.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA

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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2007 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. ORIGEM. PROCEDÊNCIA PARICAL. Caracterizam omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SIMPLES. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A verificação de diferença na base de cálculo ou INSUFICIÊNCIA de RECOLHIMENTO do imposto pela sistemática do SIMPLES constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO REFLEXO. Havendo a omissão de receita tributável pelo IRPJ, aplica-se idêntico entendimento aos demais tributos e contribuições sociais, com a incidência sobre os mesmos fatos.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1757; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C2T1  Fl. 347          1 346  S1­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  12448.737224/2011­61  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1201­002.616  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  16 de outubro de 2018  Matéria  SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E  CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE  PEQUENO PORTE ­ SIMPLES  Recorrente  PARKIMÓVEIS CONSTRUÇÕES LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS  EMPRESAS  DE  PEQUENO  PORTE ­ SIMPLES  Ano­calendário: 2007  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  OMISSÃO  DE  RECEITA.  ORIGEM.  PROCEDÊNCIA PARICAL.  Caracterizam omissão de  receita, por presunção  legal, os valores creditados  em conta de depósito mantida  junto a  instituição financeira, em relação aos  quais  o  titular,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações.  SIMPLES. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO.  A  verificação  de  diferença  na  base  de  cálculo  ou  INSUFICIÊNCIA  de  RECOLHIMENTO  do  imposto  pela  sistemática  do  SIMPLES  constitui  infração  que  autoriza  a  lavratura  do  competente  auto  de  infração,  para  a  constituição do crédito tributário.  OUTROS  TRIBUTOS  OU  CONTRIBUIÇÕES.  LANÇAMENTO  REFLEXO.  Havendo  a  omissão  de  receita  tributável  pelo  IRPJ,  aplica­se  idêntico  entendimento  aos  demais  tributos  e  contribuições  sociais,  com  a  incidência  sobre os mesmos fatos.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 72 24 /2 01 1- 61 Fl. 347DF CARF MF     2 (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Rafael Gasparello Lima ­ Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de  Sousa  (presidente),  Eva Maria  Los,  Luis  Fabiano Alves  Penteado, Carmem Ferreira  Saraiva  (suplente  convocada  em  substituição  ao  conselheiro  Jose  Carlos  de  Assis  Guimarães),  Luis  Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele  Barra Bossa. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães.  Relatório  O  acórdão  nº  12­61.702,  proferido  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro (DRJ/RJ1), julgou procedente em parte a impugnação  administrativa, conforme se extrai da sua ementa:  ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES  Ano­calendário: 2007  OMISSÃO  DE  RECEITA.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  PROCEDÊNCIA PARCIAL  É  legítimo o  lançamento por presunção de omissão de  receitas  com  base  em  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  quando  o  contribuinte,  regularmente  intimado,  não  logra  comprovar  os  créditos  em  suas  contas,  com  as  exclusões  permitidas pela legislação tributária.  SIMPLES INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO.  A  verificação  de  diferença  na  base  de  cálculo  ou  INSUFICIÊNCIA  de  RECOLHIMENTO  do  imposto  pela  sistemática  do  SIMPLES  constitui  infração  que  autoriza  a  lavratura do competente auto de infração, para a constituição do  crédito tributário.  LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, CSLL, COFINS, CSS­INSS  Dada  a  íntima  relação  de  causa  e  efeito,  aplica­se  aos  lançamentos reflexos o decidido no principal  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte  Resumidamente,  o  acórdão  recorrido  narrou  os  fatos  que proporcionaram  a  imposição fiscal:  Trata  o  presente  processo  da  fiscalização  da  pessoa  jurídica  acima  identificada  quanto  ao  período  de  apuração  (PA)  de  Fl. 348DF CARF MF Processo nº 12448.737224/2011­61  Acórdão n.º 1201­002.616  S1­C2T1  Fl. 348          3 1º/01/2007  a  30/06/2007  do  que  resultou  em  autuação  e  lançamento  de  ofício  do  seguinte  crédito  tributário  (imposto  e  contribuições):  Imposto de Renda Pessoa Jurídica­Simples de R$ 16.195,48  Programa de Integração Social­Simples. R$ 12.021,02  Contribuição Social s/Lucro Líquido­Simples de R$ 17.425,06  Contribuição p/ Financ. S.Social­Simples. R$ 51.686,83  Contribuição p/ Seguridade Social­Simples de R$ 145.990,57  A  pessoa  jurídica  foi  intimada  para  apresentar  livros  de  sua  escrituração,  contrato  social  e  suas  alterações  e  extratos  bancários,  tendo  atendido  às  exigências  formuladas  pela  Fiscalização,  que  verificou  a  existência  de  depósitos  bancários  não escriturados e relacionados às contas correntes:    Intimada  em  16/05/2011  (fl.  125)  para  apresentar  a  documentação hábil  e  idônea  que  comprovasse  e  justifcasse  os  depósitos  bancários,  cuja  relação  individualizada  constou  do  anexo à intimação (fls. 126 a 132), a pessoa jurídica informou o  seguinte à fl. 136.:    Idêntica  resposta  foi  dada  pela  pessoa  jurídica  para  o  Banco  Santander  (fl.137),  sendo  que  para  os  depósitos  efetuados  no  Banco do Brasil  argumentou  que  se  tratava  de  um  empréstimo  tomado  com  esse  Banco,  sem,  contudo,  apresentar  documentação comprobatória de sua veracidade.  Em  intimação  datada  de  27/10/2011,  fl.  145,  a  pessoa  jurídica  foi intimada para:    Em resposta à intimação recebida, a pessoa  jurídica respondeu  afirmando:  Fl. 349DF CARF MF     4   Em seguida,  a Fiscalização procedeu  à  lavratura  do Termo de  Verificação  Fiscal,  em  que  constatou  a  omissão  de  receitas  caracterizadas  por  depósitos  bancários  cuja  origem  não  foi  comprovada por documentação hábil e idônea e, lavrou os autos  de  infração  para  cobrança  dos  tributos  e  contribuições  acima  citados, que foi recebido pelo contribuinte em 25/11/2011.  Inconformada  com  as  autuações,  a  pessoa  jurídica  apresentou  impugnação em 27/12/2011 com os seguintes argumentos:  1­ que os depósitos bancários verificados pela Fiscalização são  oriundos  de  transferência  entre  as  contas  bancárias  de  titularidade da  empresa, o que deveria  ter  sido observado pela  Fiscalização;  2­ que a movimentação na conta do Banco do Brasil, decorrente  de  empréstimo,  a  impugnante  não  tem  como  comprovar  o  empréstimo porque tal conta se encontra há muito já encerrada;  3­ que a Fiscalização errou ao calcular os tributos devidos e, na  opinião  da  impugnante,  deveria  ter  sido  calculado  em  valores  inferiores  aos  apresentados,  resultando  numa  base  tributável  para o período de  janeiro a junho de 2007 de R$ 234.479,00 e  não R$ 321.249,00, o que excede a exação em R$ 86.770,00;  4­ que em se tratando de alegação de omissão de receitas, para  efeitos do imposto de renda deve ser considerado o lucro de 50%  dos valores omitidos, o que não foi observado pela autuante;  5­ que a Fiscalização  fez  incidir a  correção monetária  sobre a  multa  aplicada,  o  que  só  pode  ser  feito  em  procedimentos  judiciais;  Requer seja feita a revisão dos cálculos do imposto devido e, in  fine, o cancelamento do débito fiscal reclamado.  A  contribuinte  interpôs  o  tempestivo  recurso  voluntário,  reiterando  os  mesmos argumentos da impugnação administrativa  É o relatório.  Voto             Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator.  O  recurso  voluntário  é  tempestivo,  havendo  os  demais  pressupostos  de  admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento.   Fl. 350DF CARF MF Processo nº 12448.737224/2011­61  Acórdão n.º 1201­002.616  S1­C2T1  Fl. 349          5 A Recorrente não evidenciou qualquer argumento  jurídico que  infirmasse  a  constituição do crédito  tributário, ocasionando sua preservação  integral,  consoante o  acórdão  recorrido. Não há elementos suficientes para inverter o ônus da prova que lhe é própria, nem  qualquer esclarecimento sobre as receitas omitidas.  A  presunção  relativa  de  omissão  de  receita  é  impugnável  pela  Recorrente,  porém, necessário documentos hábeis e idôneos que evidenciem o contrário, segundo o artigo  42 da Lei nº 9.430/1996:  Art. 42. Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.  § 1º  O  valor  das  receitas  ou  dos  rendimentos  omitido  será  considerado  auferido  ou  recebido  no  mês  do  crédito  efetuado  pela instituição financeira.   § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não  houverem  sido  computados  na  base  de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  a  que  estiverem  sujeitos,  submeter­se­ão  às  normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente  à época em que auferidos ou recebidos.  O  artigo  923  do  Regulamento  do  Imposto  sobre  a  Renda  e  Proventos  de  Qualquer  Natureza  (RIR/1999),  aprovado  pelo  Decreto  nº  3.000/1999,  reafirma  que  "a  escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte  dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou  assim definidos em preceitos legais."   A  presunção  juris  tantum  foi  estabelecida  em  norma  vigente,  invertendo  o  ônus de prova quanto à omissão de  receitas para a contribuinte. O atual Código de Processo  Civil,  subsidiariamente,  aplicável  ao processo administrativo  tributário, prevê  tal hipótese no  seu artigo 374:  "Art. 374. Não dependem de prova os fatos:  (...)  IV—  em  cujo  favor milita  presunção  legal  de  existência  ou  de  veracidade."  Neste sentido, assim se pronunciou o acórdão recorrido nº 12­61.702 sobre a  parcial procedência do lançamento de ofício:  Foi  verificado  pela  Fiscalização  a  omissão  de  receitas  caracterizada  por  depósitos  bancários  de  origens  não  comprovadas.  A  presunção  legal  de  omissão  se  deu  após  a  regular  intimação  da  pessoa  jurídica,  que  recebeu  a  relação  individualizada  dos  depósitos  bancários  e  não  logrou  comprovar, com documentação hábil e idônea, as origens de tais  recursos.  Fl. 351DF CARF MF     6 (...)  Nunca  é  demais  lembrar  que  o  art.  42  da  lei  nº  9.430/96  caracteriza­se como presunção legal de omissão de receitas, no  qual  o ônus da  prova,  de  forma  expressa,  é  transferido  para  o  contribuinte.  Nos  casos  de  presunções  legais  o  ônus  da  prova  fica  invertido,  cabendo  ao  contribuinte  provar  os  fatos  registrados em sua escrituração. (...)  (...)  A  lei  obriga  que,  para  que  os  depósitos  bancários  sejam  considerados como receita omitida da pessoa jurídica, esta deve  ser  intimada  regularmente  para  comprovar,  mediante  documentação hábil  e  idônea, a origem dos  recursos utilizados  nessas operações.  Verificamos  que  a Fiscalização  intimou  regularmente  a  pessoa  jurídica,  nos  termos  do  parágrafo  terceiro  do  artigo  42  da Lei  9430/96, não  logrando a  interessada comprovar as origens dos  recursos transitados em suas contas correntes.  Os  argumentos  da  impugnante  não  se  sustentam para  elidir  as  autuações, pois carecem de provas inequívocas que os amparem,  vejamos:  1  ­  argumentos  devem  estar  acompanhados  de  provas  que  os  sustentem e dizer e não provar é o mesmo que não dizer – para  que o depósito bancário da  conta da pessoa  jurídica no Banco  do  Brasil  se  caracterizasse  como  fruto  de  um  empréstimo,  deveria  a  empresa  ter  apresentado  o  respectivo  contrato  de  mútuo com a instituição financeira, o que não fez;  2­ os autos de infração foram lavrados com base nos dispositivos  legais  neles  relacionados  e  a  autuada  não  os  contestou  e  não  invocou  outra  legislação  que  amparasse  seus  argumentos,  portanto não podem ser acolhidos;  3  ­ não é vero que houve correção monetária aplicada sobre a  multa  de  oficio,  por não  haver mais  correção monetária  o  que  houve foi a cobrança de juros de mora, aplicados sobre o valor  do principal,  que  é a  remuneração do capital  sobre o valor do  imposto, pelo prazo em que ele deixou de ser recolhido, e juros  de mora não se confunde com correção monetária;  (...)  Já  quanto  a  identidades  de  lançamentos  entres  as  contas  bancárias  da  pessoa  jurídica,  esta  apontou  a  existência  de  movimentações  financeiras nelas ocorridas e que seriam objeto  de depósitos bancários de mesma titularidade;  Na  planilha  dos  depósitos  do  Banco  Sntander,  c/c  130000868,  fls. 127, há o registro de dois depósitos de mesma titularidade –  em  25/04/2007,  de  R$  104.000,00  e  em  25/05/2007,  de  R$  61.000,00.  Estes  valores  tem  correspondência  com  os  extratos,  fls. 52 e 55, que confirmam ser de mesma titularidade.  Fl. 352DF CARF MF Processo nº 12448.737224/2011­61  Acórdão n.º 1201­002.616  S1­C2T1  Fl. 350          7 Portanto, há que se excluir da base tributável tais valores, pois  não  configuram  receitas  omitidas  passíveis  de  tributação.  Vejamos a planilha original do autuante:    As  diferenças  apuradas  devem  ser  ajustadas,  excluindo­se  dos  fatos geradores de abril e maio os respectivos valores de de R$  104.000,00  e  de  R$  61.000,00,  ficando  a  tabela  acima  assim  ajustada:      Assim,  excluída  a  diferença  acima  apontada,  não  tendo  a  interessada  afastada  a  presunção  legal  na  qual  se  baseou  o  lançamento,  mediante  a  apresentação  de  provas  com  base  em  documentação hábil  e  idônea  (repita­se,  exceto os depósitos de  mesma titularidade), há que ser mantida a presunção de omissão  de  receitas  pela  existência  de  créditos  em  conta  bancária  sem  comprovação da origem dos recursos. Por outro lado, devem ser  excluídos  da  base  tributável  os  valores  referentes  a  transferências interbancárias de mesma titularidade.  Os  autos  de  infração  ajustados  pela  exclusão  das  bases  de  cálculo  dos  fatos  geradores  do  PA  04/2007  e  05/2007  encontram­se  em  planilhas  que  estão  anexadas  ao  p.  processo  como Doc.j, fls. 303 a 314.  CONCLUSÃO  De  todo  o  exposto,  voto  por  dar  provimento  parcial  à  impugnação, excluindo­se das bases  tributáveis os depósitos de  mesma  titularidade,  ajustando­se  os  autos  de  infração  e  propondo considerar devidos:  Imposto de Renda Pessoa Jurídica ­ Simples de R$ 14.386,51  Fl. 353DF CARF MF     8 Programa de Integração Social ­ Simples. R$ 10.667,26  Contribuição Social s/Lucro Líquido ­ Simples. de R$ 15.616,09  Contribuição p/ Financ. S.Social­Simples. R$ 46.437,75  Contribuição p/ Seguridade Social­Simples. de R$ 130.676,47  todos os tributo e contribuições acrescidos da multa de ofício de  75% e dos juros de mora.    Posteriormente, o acórdão nº 12­62.560, proferido pela mesma 5ª Turma da  Delegacia  da Receita  Federal  de  Julgamento  do Rio  de  Janeiro,  retificou  o  erro material  do  acórdão  nº  12­61.702,  "somente  alterando  o  valor  da  contribuição  para  o PIS,  considerada  devida neste julgamento, no valor de R$ 10.677,26."  Isto  posto,  voto  pelo  conhecimento  do  recurso  voluntário  e  NEGO­LHE  PROVIMENTO.  (assinado digitalmente)  Rafael Gasparello Lima ­ Relator                                  Fl. 354DF CARF MF

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Numero do processo: 11624.720154/2014-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2011 NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não padece de nulidade a autuação lavrada com observância ao art. 142 do CTN, arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, e não sendo o caso de aplicação do art. 53 da Lei nº 9784/99. Eventuais equívocos cometidos pela Fiscalização devem ser saneados ao longo do processo, como determina o art. 60 do Decreto 70.235/72. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. CIÊNCIA DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO. Não é necessário que todos os sujeitos passivos solidários tomem ciência do início do procedimento, bastando que seja oportunizado a todos o livre acesso ao processo, de forma a poderem exercer o contraditório e a ampla defesa. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. PERÍODO DE ABRANGÊNCIA. O sócio só deve figurar no pólo passivo das obrigações tributárias surgidas nos respectivos períodos em que exercia a função de administrador, salvo quando comprovado que continuava atuando nesta mesmo estando fora do quadro societário ou da administração. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2011 MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O princípio da vedação ao confisco tem sede constitucional, no art. 150, inciso IV, da Constituição Federal. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme Súmula CARF nº 2. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A utilização, por diversos períodos de apuração, de alíquotas de tributos inferiores àquelas determinadas pela legislação, causando a diminuição expressiva dos valores a recolher, demonstra a existência de dolo e caracteriza a prática de sonegação, a ensejar a qualificação da multa de ofício com a sua duplicação. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. A falta de resposta às intimações para prestar esclarecimentos ou entregar documentos, quando causar prejuízos ao regular desenvolvimento do procedimento fiscal, impedindo ou dificultando que a Autoridade Tributária possa apurar a real base de cálculo dos tributos, é causa para o agravamento, em 50%, da multa de ofício.
Numero da decisão: 3401-005.429
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Cássio Schappo e Marcos Antônio Borges (suplente convocado em substituição à Conselheira Mara Cristina Sifuentes). Ausente justificadamente os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Carlos Henrique de Seixas Pantarolli.
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2011 NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não padece de nulidade a autuação lavrada com observância ao art. 142 do CTN, arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, e não sendo o caso de aplicação do art. 53 da Lei nº 9784/99. Eventuais equívocos cometidos pela Fiscalização devem ser saneados ao longo do processo, como determina o art. 60 do Decreto 70.235/72. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. CIÊNCIA DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO. Não é necessário que todos os sujeitos passivos solidários tomem ciência do início do procedimento, bastando que seja oportunizado a todos o livre acesso ao processo, de forma a poderem exercer o contraditório e a ampla defesa. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. PERÍODO DE ABRANGÊNCIA. O sócio só deve figurar no pólo passivo das obrigações tributárias surgidas nos respectivos períodos em que exercia a função de administrador, salvo quando comprovado que continuava atuando nesta mesmo estando fora do quadro societário ou da administração. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2011 MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O princípio da vedação ao confisco tem sede constitucional, no art. 150, inciso IV, da Constituição Federal. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme Súmula CARF nº 2. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A utilização, por diversos períodos de apuração, de alíquotas de tributos inferiores àquelas determinadas pela legislação, causando a diminuição expressiva dos valores a recolher, demonstra a existência de dolo e caracteriza a prática de sonegação, a ensejar a qualificação da multa de ofício com a sua duplicação. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. A falta de resposta às intimações para prestar esclarecimentos ou entregar documentos, quando causar prejuízos ao regular desenvolvimento do procedimento fiscal, impedindo ou dificultando que a Autoridade Tributária possa apurar a real base de cálculo dos tributos, é causa para o agravamento, em 50%, da multa de ofício.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Cássio Schappo e Marcos Antônio Borges (suplente convocado em substituição à Conselheira Mara Cristina Sifuentes). Ausente justificadamente os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Carlos Henrique de Seixas Pantarolli.

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3401­005.429  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de outubro de 2018  Matéria  PIS/PASEP e COFINS ­ AUTO DE INFRAÇÃO  Recorrente  OCIDENTAL DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2011  NULIDADE  DO  LANÇAMENTO.  CERCEAMENTO  DE  DEFESA.  INOCORRÊNCIA.   Não padece de nulidade a autuação  lavrada com observância ao art. 142 do  CTN, arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, e não sendo o caso de aplicação  do  art.  53  da  Lei  nº  9784/99.  Eventuais  equívocos  cometidos  pela  Fiscalização devem ser saneados ao longo do processo, como determina o art.  60 do Decreto 70.235/72.  SUJEIÇÃO  PASSIVA  SOLIDÁRIA.  CIÊNCIA  DO  INÍCIO  DO  PROCEDIMENTO.  Não é necessário que todos os sujeitos passivos solidários tomem ciência do  início do procedimento, bastando que seja oportunizado a todos o livre acesso  ao processo, de forma a poderem exercer o contraditório e a ampla defesa.  SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. PERÍODO DE ABRANGÊNCIA.  O  sócio  só deve  figurar no pólo passivo das obrigações  tributárias  surgidas  nos  respectivos  períodos  em  que  exercia  a  função  de  administrador,  salvo  quando  comprovado  que  continuava  atuando  nesta mesmo  estando  fora  do  quadro societário ou da administração.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2011  MULTA  DE  OFÍCIO.  PRINCÍPIO  DA  VEDAÇÃO  AO  CONFISCO.  DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.  O  princípio  da  vedação  ao  confisco  tem  sede  constitucional,  no  art.  150,  inciso IV, da Constituição Federal. O Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de  lei tributária, conforme Súmula CARF nº 2.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 62 4. 72 01 54 /2 01 4- 12 Fl. 1216DF CARF MF Processo nº 11624.720154/2014­12  Acórdão n.º 3401­005.429  S3­C4T1  Fl. 1.217          2 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.  A  utilização,  por  diversos  períodos  de  apuração,  de  alíquotas  de  tributos  inferiores  àquelas  determinadas  pela  legislação,  causando  a  diminuição  expressiva  dos  valores  a  recolher,  demonstra  a  existência  de  dolo  e  caracteriza a prática de sonegação, a ensejar a qualificação da multa de ofício  com a sua duplicação.  MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO.  A  falta  de  resposta  às  intimações  para  prestar  esclarecimentos  ou  entregar  documentos,  quando  causar  prejuízos  ao  regular  desenvolvimento  do  procedimento fiscal,  impedindo ou dificultando que a Autoridade Tributária  possa apurar a real base de cálculo dos tributos, é causa para o agravamento,  em 50%, da multa de ofício.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Rosaldo Trevisan ­ Presidente.  (assinado digitalmente)  Lázaro Antônio Souza Soares ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Rosaldo  Trevisan  (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos,  Cássio Schappo e Marcos Antônio Borges (suplente convocado em substituição à Conselheira  Mara  Cristina  Sifuentes).  Ausente  justificadamente  os  conselheiros Mara  Cristina  Sifuentes,  Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Carlos Henrique de Seixas Pantarolli.  Relatório  1.  Trata  o  presente  caso  de  ação  fiscal  desenvolvida  junto  ao  contribuinte  OCIDENTAL  DISTRIBUIDORA  DE  PETRÓLEO  LTDA,  com  início  em  26/02/2014,  para  verificação  do  cumprimentos  das  suas  obrigações  referentes  aos  tributos  PIS/PASEP e COFINS, referentes ao período de apuração dos anos­calendário de 2010 e 2011.  2.  Como  resultado  do  procedimento  fiscal,  foram  lavrados  Autos  de  Infração  para  o  PIS/PASEP  e  para  a  COFINS,  com  crédito  tributário  no  valor  total  de  R$12.262.945,37  e  R$56.249.597,19,  respectivamente,  com  juros  de  mora  calculados  até  dezembro de 2014. O Auditor­Fiscal da Receita Federal  responsável  identificou as  seguintes  infrações à legislação tributária, conforme Termo de Verificação Fiscal às fls. 60 a 70:  3.) ANÁLISE  Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 11624.720154/2014­12  Acórdão n.º 3401­005.429  S3­C4T1  Fl. 1.218          3 A análise da DACON dos anos­calendário 2010 e 2011 mostram  que o contribuinte declarou o mostrado nas tabelas abaixo.  (...)  Nas fichas “13A ­ Créditos Descontados no Mês ­ PIS/PASEP ­  Regime  Não­Cumulativo”  e  “23A  ­  Créditos  Descontados  no  Mês  ­ Cofins  ­ Regime Não­Cumulativo” encontra­se  sempre  a  mesma informação “Não foi encontrado nenhum registro”. Na  ficha  “04A  ­  Cadastro  de  Produtos  Sujeitos  a  Alíquotas  Diferenciadas”  temos  o  registro  de  “0901014­01­Álcool,  Inclusive  para  Fins  Carburantes  ­  Venda  por  Distribuidor  ou  Comerciante  Não  Varejista”  com  as  alíquotas  de  PIS  e  COFINS de 3,75% e 17,25%, respectivamente.  A  consulta  às DCTF  dos  anos­calendário  2010  e  2011 mostra  que  foram  declarados  débitos  exatamente  como  consta  nas  DACON, sem registro de pagamento ou compensação.  O pagamento de PIS/Pasep e COFINS da empresa, distribuidora  de  combustível,  conforme  consta  em  seu  contrato  social,  é  estabelecido pelo  inciso  II do art.  5º da Lei nº 9.718, de 27 de  novembro de 1998, alterada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho  de 2008, que diz:  “Art. 5º ­ A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes  sobre a receita bruta auferida na venda de álcool, inclusive para  fins  carburantes,  serão  calculadas  com  base  nas  alíquotas,  respectivamente,  de:  (  Incluído  pela  Lei  nº  11.727,  de  23  de  junho de 2008 )   I ­ ( ... )  II ­ 3,75% (três inteiros e setenta e cinco centésimos por cento) e  17,25% (dezessete inteiros e vinte e cinco centésimos por cento),  no  caso de distribuidor.  (Incluído pela Lei nº 11.727, de 23 de  junho de 2008 )”  Portanto,  para  apurar  a  diferença  entre  os  valores  de  PIS  e  COFINS,  declarados  em  DCTF  com  base  nas  alíquotas  de  2,37% e 10,92%, para os valores determinados pela Lei, com as  alíquotas  corretas  de  3,75%  e  17,25%,  inicialmente,  tendo  constatado a não existência da Escrituração Contábil Digital no  ambiente  SPED,  para  os  anos­calendário  2010  e  2011,  o  contribuinte foi intimado, através do TIPF, a:  “1–  Apresentar  o  recibo  de  entrega  da  Escrituração  Contábil  Digital no ambiente SPED, instituído pelo Decreto nº 6.022, de  2007. No caso de não ter sido entregue a Escrituração Contábil  Digital  no  ambiente  SPED até  a  presente  data,  providenciar  o  cumprimento  dessa  obrigação  e  apresentar  o  respectivo  recibo  de entrega.  2– No caso de não atendimento do item 1 acima e existindo, em  relação a esses mesmos anos, livros Diário em papel autenticado  pela Junta Comercial, apresentar os livros Diário e Razão.”  Fl. 1218DF CARF MF Processo nº 11624.720154/2014­12  Acórdão n.º 3401­005.429  S3­C4T1  Fl. 1.219          4 O contribuinte não respondeu ao TIPF.  Para  apurar  os  dados  para  o  correto  lançamento  de  PIS  e  COFINS, também foi feito o TI01 ­ Termo de Intimação 01, onde  é determinado ao contribuinte:  (...)  O contribuinte não respondeu ao TI01.  Assim,  não  se  tendo  a  contabilidade  da  empresa  nem  dados  necessários  para  apurar  os  valores  de  PIS  e  CONFINS,  será  considerado  como  base  de  cálculo  a  receita  já  declarada  em  DACON,  os  valores  de  alíquotas  a menor  ali  utilizadas,  cujos  valores calculados de PIS e CONFIS foram transportados para a  DCTF,  e  considerado  o  fato  da  não  existência  de  créditos  conforme consta em DACON.  (...)  4.) MULTAS APLICADAS  Na  OCIDENTAL  foi  aberta  ação  fiscal  para  verificar  omissão  dos  tributos  PIS  –  COMBUSTÍVEIS  e  COFINS  –  COMBUSTÍVEIS e para o tributo IRPJ eventual REDUÇÃO DA  RECEITA LÍQUIDA. Também foram abertas ações  fiscais nas  empresas,  ON,  ORION  e  SPEED,  na  operação  MOVIMENTAÇÃO  FINANCEIRA  INCOMPATÍVEL  COM  RECEITA DECLARADA – PJ, para verificar a suspeita de que a  OCIDENTAL opera através de tais empresas para realizar sua  movimentação financeira.  Sobre a movimentação financeira e receita bruta, os valores das  empresas são mostrados na tabela abaixo.    Observa­se os altos valores da relação movimentação financeira  sobre receita bruta declarada para as empresas ON e ORION e  o baixo valor para a OCIDENTAL.  Os  valores  movimentados  entre  as  empresas,  mostrados  nas  tabelas a  seguir, demostram o  interrelacionamento entre estas  empresas.  Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 11624.720154/2014­12  Acórdão n.º 3401­005.429  S3­C4T1  Fl. 1.220          5   A ação  fiscal nas empresas ON, ORION e SPEED confirmou  que  estas  operam  para  a  OCIDENTAL.  Empresas  que  receberam ou enviaram valores para as contas bancárias destas  empresas,  confirmaram  que  tratava­se  de  valores  relativos  à  OCIDENTAL ou empresa relacionada.   Resultado de diligências realizadas:      Respostas  das  diligências  foram  anexadas  a  este  processo  de  Auto de Infração.  A análise das notas  fiscais  eletrônicas da OCIDENTAL e das  usinas  de  álcool  Americana,  Naviraí,  Santa  Terezinha,  Vicentina,  Biosev  e  São  Fernando,  emitidas  em  nome  da  OCIDENTAL  para  compra  de  álcool  por  parte  desta  e  das  notas  fiscais  de  venda  de  álcool  da  OCIDENTAL, mostrou  o  seguinte:  Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 11624.720154/2014­12  Acórdão n.º 3401­005.429  S3­C4T1  Fl. 1.221          6   Portanto, com base numa amostragem de 61,4% da compras de  álcool  da OCIDENTAL,  vemos  que  esta  comprou  o  álcool  por  um preço médio de R$ 1,0505599706 enquanto o preço médio de  venda em 2010 foi de R$ 1,1187487075. Sobre o valor da venda  a empresa deveria recolher 3,75% de PIS e 17,25% de COFINS,  nos  termos  do  inciso  II  do  art.  5º  da  Lei  nº  9.718,  de  27  de  novembro de 1998, alterada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho  de 2008.  Assim teríamos:  PIS+COFINS  =  (3,75%  +  17,25%)  x  1,1187487075  =  0,2349372286  Se  a  empresa  fosse  pagar  estas  contribuições,  a  venda  deveria  cobrir o preço da compra mais estes impostos, ou seja:  CUSTO  =  1,0505599706  +  0,2349372286  =  1,2854971992  maior que o preço de venda realizado de R$ 1,1187487075.  Vamos considerar agora apenas os valores declarados em DCTF  pela  OCIDENTAL,  ou  seja,  2,37  e  10,92  de  PIS  e  COFINS.  Teríamos então:  PIS+COFINS  =  (2,37%  +  10,92%)  x  1,1187487075  =  0,1486817032  Se a empresa fosse pagar estas contribuições, a venda deveria  cobrir o preço da compra mais estes impostos, ou seja:  CUSTO  =  1,0505599706  +  0,1486817032  =  1,1992416738  maior  que  o  preço  de  venda  realizado  de  R$  1,1187487075.  Portanto,  a OCIDENTAL não  teria  valores nem para pagar  os  valores de PIS e COFINS confessados em DCTF.  A  OCIDENTAL  também  teria  ainda  que  recolher  o  imposto  estadual  ICMS,  o  que  aumentaria  ainda  mais  o  prejuízo  de  seus negócios.  Na análise da vendas de álcool pela OCIDENTAL consideramos  apenas as notas fiscais com os CFOP abaixo relacionados.  Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 11624.720154/2014­12  Acórdão n.º 3401­005.429  S3­C4T1  Fl. 1.222          7 (...)  Constatada  a  ocorrência  acima  descrita  para  2010,  fizemos  análise  para  2011  e  foi  constatado  os  mesmos  procedimentos  neste ano.  (...)  Os arquivos das planilhas, extensão ods, com as notas fiscais de  venda de álcool das usinas para a OCIDENTAL foram anexados  ao  processo  deste  Auto  de  Infração  como  arquivos  não­ pagináveis.  Além do álcool, a venda de outros combustíveis pela empresa é  um valor menor do seu  total de vendas, conforme demonstrado  na tabela abaixo.    Conclui­se  que  a  OCIDENTAL  atua  no  mercado  de  distribuição  de  combustíveis,  principalmente  o  álcool,  praticando  um  preço  de  venda  muito  abaixo  de  preço  de  mercado,  dominando  este  mercado  e  impossibilitando  a  existência de empresas concorrentes. A OCIDENTAL não atua  sozinha  neste  sistema  operacional,  utilizando­se  de  outras  empresas para pagamento e recebimento de valores, ocultando  assim sua movimentação financeira do fisco federal.  Os  preços  de  compra  e  venda  do  álcool  comercializado  pela  OCIDENTAL pressupõe  a  intenção da  empresa  de não pagar  os tributos, sejam federais ou estaduais, intenção que vale não  apenas para os tributos já declarados em DCTF e não pagos, e,  portanto, inscritos em Dívida Ativa, como vale para os tributos  lançados neste Auto de Infração.  A  OCIDENTAL  não  entregou  a  escrituração  contábil  digital  dos anos­calendário 2009, 2010 e 2011, impedindo assim que a  Receita Federal do Brasil apurasse os fatos acima descritos, o  que  demonstraria  a  intenção  da  empresa  de  não  recolher  os  impostos devidos.  A  OCIDENTAL  utiliza  alíquotas  inexistentes  de  2,37%  e  10,92% para, respectivamente, PIS e COFINS, continuamente  para todos os meses de 2010 até março de 2011, mês a partir do  qual encerra suas atividades.  O ocultação da escrituração contábil  e utilização de alíquotas  inexistentes de PIS e COFINS por anos seguidos caracteriza o  descrito no art. 71 da Lei nº 4.502/1964:  (...)  Assim, para a multa de ofício cabe a aplicação do disposto no  §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996.  Fl. 1222DF CARF MF Processo nº 11624.720154/2014­12  Acórdão n.º 3401­005.429  S3­C4T1  Fl. 1.223          8 (...)  Por não ter respondido ao TIPF e ao Termo de Intimação 01,  cabe  aplicação  do  disposto  no  §2º  do  art.  44  da  Lei  nº  9.430/1996.  (...)  5.) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA  Neste  Auto  de  Infração  imputa­se  responsabilidade  solidária  para  as  empresas  ON  PETROLEO  LTDA,  CNPJ  05.410.577/0001­95,  ORION  DISTRIBUIDORA  DE  COMBUSTIVEIS LTDA, CNPJ 04.220.515/0001­58 e SPEED  COMBUSTIVEIS  LTDA,  CNPJ  95.387.353/0001­00  pois  atuam como “interposta pessoa” da OCIDENTAL para ocultar  sua movimentação financeira. A OCIDENTAL não entrega sua  escrituração  contábil  digital,  escondendo  assim  os  dados  da  Receita  Federal  do  Brasil  que  pudessem  identificar  seus  fornecedores. A receita estadual informou a Receita Federal do  Brasil que as empresas acima dariam suporte às operações da  OCIDENTAL,  foram  abertas  fiscalizações  nestas  empresas  na  operação  MOVIMENTAÇÃO  FINANCEIRA  INCOMPATÍVEL  COM  RECEITA  DECLARADA  –  PJ  e  assim  foi  possível  comprovar que realmente realizavam a movimentação financeira  da  OCIDENTAL  e  identificar  seus  fornecedores  que,  após  diligências nestes, chegou­se aos valores das compras realizadas  pela OCIDENTAL, para comprovar que os preços de compra e  venda do álcool comercializado pela OCIDENTAL pressupõe a  intenção da empresa de não pagar os tributos.  A  OCIDENTAL  omitiu  informações  da  Receita  Federal  do  Brasil,  seja pela  não apresentação da  contabilidade bem como  pela  ocultação  de  sua  movimentação  financeira  e,  neste  caso,  com a ajuda das empresas ON, ORION e SPEED.  Todas  estas  empresas, OCIDENTAL, ON, ORION  e  SPEED,  não  respondem  às  intimações  feitas  pela  Receita  Federal  do  Brasil,  impedindo  assim  a  obtenção  de  informações  do  contribuinte.  A OCIDENTAL ainda declara em DACON alíquotas inexistentes  de PIS e COFINS, valores depois repassados integralmente para  a DCTF.  Assim,  ON  PETROLEO  LTDA,  CNPJ  05.410.577/0001­95,  ORION  DISTRIBUIDORA  DE  COMBUSTIVEIS  LTDA,  CNPJ  04.220.515/0001­58  e  SPEED  COMBUSTIVEIS  LTDA,  CNPJ  95.387.353/0001­00  concorrem  para  ocultar  informações  da  OCIDENTAL e impedir a Receita Federal do Brasil de realizar  o  lançamento de contribuições devidas e, portanto, respondem  solidariamente  pelo  tributos  lançados  com base  no  inciso  I  do  art. 124 da Lei nº 5.172/1966.  Os  sócios  administradores  das  empresas  OCIDENTAL,  ON,  ORION e SPEED concordaram, ou se omitiram assumindo do  Fl. 1223DF CARF MF Processo nº 11624.720154/2014­12  Acórdão n.º 3401­005.429  S3­C4T1  Fl. 1.224          9 mesmo modo a responsabilidade, com os procedimentos destas  empresas  na  ocultação  das  informações  da  OCIDENTAL  e  respondem solidariamente  pelo  tributos  lançados  com base  no  art. 135 da Lei nº 5.172/1966.  São  os  sócios  administradores  destas  empresas  conforme  contrato social:      3.  Foi  apresentada  uma  única  Impugnação  em  06/01/2015.  Tal  recurso, porém, foi subscrito por ORION DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS LTDA e  seus  sócios  Ezidio  Guerino,  Luciana  Guerino,  Liliane  Guerino  Valduga  Cruz  e  Fioravante  Guerino  Neto,  bem  como  pela  sócia  Deolinda  Polizelli  Guerino,  da  OCIDENTAL  (Interessada), responsáveis solidários apontados pela Fiscalização.  4.  Em  relação  aos  sujeitos  passivos  OCIDENTAL  DISTRIBUIDORA  DE  PETRÓLEO  LTDA,  e  os  responsáveis  solidários  ON  PETRÓLEO  LTDA,  SPEED  COMBUSTÍVEIS  LTDA,  RODRIGO  RIBAS  GONÇALVES  (sócio  da  OCIDENTAL),  MARILENA  RIBAS  GONÇALVES  (sócia  da  ON),  PAULO  SERGIO  DE  OLIVEIRA  e  MAURÍCIO PEDROZO COZECHEM (sócios da SPEED), apesar de terem sido devidamente  cientificados, não apresentaram Impugnação.  5.  Trago  à  colação,  a  seguir,  os  trechos  da  Impugnação  que  bem  sintetizam seus argumentos:  1 ­ FALTA DE TERMOS DE INICIO DE AÇÃO FISCAL  Os  impugnantes  denunciam  que  nenhum  termo  inaugural  do  procedimento de investigação fiscal  foi  lavrado, descumprindo  flagrantemente  a norma  legal  acima  transcrita,  o  que  eiva  de  nulidade o lançamento tributário.  (...)  Para tanto com a finalidade de dar formalidade ao procedimento  fiscal  o  agente  deve  lavar  os  termos  necessários  (início  de  fiscalização,  objeto  da  fiscalização,  relatório  do  procedimento  fiscal, os lançamentos fiscais...)  Fl. 1224DF CARF MF Processo nº 11624.720154/2014­12  Acórdão n.º 3401­005.429  S3­C4T1  Fl. 1.225          10 A  ausência  ou  a  não  cientificação  válida  destes  termos  são  causas  de  anulabilidade  do  lançamento  de  vício  formal  porque  não  produziram  os  efeitos  jurídicos  a  eles  atribuídos,  assim  como  a  extrapolação  do  prazo  fixado  para  a  conclusão  dos  trabalhos,  sem  que  haja  a  formalização  de  termo  de  prorrogação.  Tal  conduta  omissiva  da  autoridade,  causa  prejuízo  ao  contribuinte, ademais tal procedimento fere ainda o principio da  moralidade que a administração deve necessariamente guardar.  2 ­ CERCEAMENTO DE DEFESA  É patente  o  cerceamento de  defesa,  primeiramente quando os  impugnantes  foram  incluídos  em  auto  de  infração  tão  e  unicamente no momento de sua lavratura, de forma que jamais  tiveram qualquer ciência da existência da mesma.  É de se destacar de inicio que não houve a necessária intimação  dos  impugnantes  da  fiscalização  nenhum  termo  de  inicio  foi  lavrado,  sequer  foi  cientificados  os  impugnantes  que  havia  a  fiscalização,  razão  pela  qual  não  puderam  apresentar  suas  razões,  documentos  e  qualquer  outro  no  momento  da  fiscalização.  Impõe esclarecer que a  fiscalização efetuada, e ora impugnada  esta marcada pelo signo da ilegalidade, não só pela surpresa e  afronta  constitucional,  mas  sim  por  um  vício  de  origem,  a  motivação, explico: Os agentes fiscais atuaram sob o  interesse  do  chamado  SINDICOM  (sindicato  que  representa  a  grandes  distribuidoras), atuação esta de forma consciente e amplamente  direcionada, como a que ocorreu na Receita Estadual, através  da  operação  denominada  "Predador"  a  qual  teve  a  sua  ilegalidade  e  ilicitude  reconhecida  pelo  Poder  Judiciário  (Tribunal  de  Justiça  do  Estado  do  Paraná),  conforme  documentos  anexos,  bem  como  por  diversos  outros  processos  que  versam  a  respeito  da  conduta  de  delegados,  policiais  e  agentes  do  fisco  que  agiram  em  condições  que  em  tese  representam  interesses  escusos,  conforme  processos  administrativos  correcionais  que  tramitam  [e  que  não  podem  serem juntados pois encontram­se em segredo de justiça].  (...)  3 ­ DA PROVA ILÍCITA  Excetuando  o  aspecto  midiático  que  se  deu  à  operação  PREDADOR, a qual foi ilegalmente promovidas, sem qualquer  efeito  legal, pelo simples e contundente fato de que não havia  condições legais para se fazer a persecução penal aos acusados,  faltando­lhe o requisito essencial, ou seja, o CRIME.  (...)  Ora,  como  se  verifica,  os  acusados  de  forma  geral,  foram  verdadeiras vítimas de atos ilegais e abusivos. Sendo nos exatos  Fl. 1225DF CARF MF Processo nº 11624.720154/2014­12  Acórdão n.º 3401­005.429  S3­C4T1  Fl. 1.226          11 parâmetros do STJ ilegal a busca e apreensão bem como todo o  inquérito  policial  e  ações  penais  (já  trancadas  na  sua  integralidade pelo TJ­PR, ou sequer recebidas as denuncias pelo  N. Juízes), por uma única e bastante razão, o fato imputado não  era  crime,  era  sim  uma  ação  vil  e  sorrateira  do  Cartel  das  Grandes  Distribuidoras,  influente  lamentavelmente  na  administração públicas, aliás, como mais uma vez se observa.  Sendo  assim,  toda  e  qualquer  prova  obtida  naqueles  procedimentos são provas ilícitas.  (...)  4 ­ DA IMPOSSIBILIDADE DE FIGURAR COMO SUJEITO  PASSIVO, AUTO BASEADO EM PRESUNÇÃO, FALTA DE  OBSERVÂNCIA AOS TERMOS E REQUISITOS LEGAIS  (...)  Frisa­se  que  os  agentes  fiscais  em  nenhum  momento  estabelecem  a  motivação,  de  forma  clara  e  objetiva,  não  descrevem e revelam de onde extraíram os fundamentos de fato  para  a  inclusão  dos  impugnantes  no  polo  passivo  de  uma  obrigação tributária.  (...)  Em  que  pese  a  má­fé  que  se  evidencia  na  notificação,  em  especial  pela  absoluta  falta  de  fundamentação  legal  para  o  estabelecimento  da  solidariedade,  pelo  principio  da  eventualidade,  combate­se  nos  tópicos  seguintes  tal  procedimento, acreditando­se que os agentes  fiscais valeram­se  dos Art. 124, Ido CTN.  (...)  O que não se caracterizou no auto de infração em questão, que  de uma forma até displicente, simplesmente indica como sujeito  passivo,  todos  os  que  mantinham  relação  comercial  e  ainda  todos os que um dia foram sócios da empresas que incluiu sob o  pretexto do artigo 124 do CTN.  Para que um terceiro seja responsável pelo credito Tributário é  absolutamente  necessário  que  ele  tenha  concorrido  para  o  descumprimento  da  obrigação  tributária.  Sendo  indispensável  para  a  correta  aplicação  da  norma,  e  que  o  Fisco,  apresente  provas de que a intervenção ou omissão tenha ocorrido, há de se  trazer  a  tona  o  real  alcance  da  responsabilidade  se  ela  seria  solidária ou subsidiária, desta forma não correndo o risco de se  fazer  uma  injustiça  no  que  tange  a  responsabilidade  de  um  terceiro que não tenha de forma alguma participado no suposto  fato ilícito.  (...)  E  como,  o  dever  de  provar  a  efetiva  participação  é  de  quem  alega,  cabe  salientar  que  se  faz  necessário  um  processo  Fl. 1226DF CARF MF Processo nº 11624.720154/2014­12  Acórdão n.º 3401­005.429  S3­C4T1  Fl. 1.227          12 administrativo amplo  e detalhado,  e não apenas  relações  fictas  baseadas  na  presunção  e  suposições  em  um  AUTO  DE  INFRAÇÃO,  afim  de  que  se  atribua  a  pessoas  estranhas  a  relação  tributaria,  o  peso  de  toda  estas  acusações,  faz­se­ia  necessário  sim  se  esta  é  a  intenção da  autoridade  tributária,  a  proposição  de  um  processo  administrativo  nos  moldes  da  Lei  Federal  do  Processo  Administrativo  para  apurar  as  responsabilidades,  e  até mesmo  desconsiderar  a  personalidade  jurídica da empresa, fato este ate o momento não realizado pela  autoridade administrativa.  Cumpre  enfatizar  que  no  auto  de  infração  são  relacionados  como "participes" desde empresas que tiveram simples relações  comerciais,  e  pessoas  físicas  que  foram  ou  são  sócios  destas  empresas, inclusive meros sócios quotistas sem qualquer poder  de  mando,  a  quem  a  doutrina  dominante  é  pacifica  no  entendimento  que  não  são  responsáveis,  pois  não  possuem  mandato e não tem poderes de gestão para prejudicar o Fisco.  (...)  6 ­ Do Excesso de Exação  Admite­se ainda, para  fins de argumentação, a  impossibilidade  de  aplicação  e  exigência  da  multa  no  malsinado  auto  de  infração, face ao efeito confiscatório, visto que a multa aplicada  em  patamares  excessivos,  ademais  o  confisco  já  esta  caracterizado  pelo  fato  de  que  não  há  sequer  campo  de  incidência tributária, ou seja, sequer é possível exigir o tributo,  face aos argumentos já expedidos, não obstante a multa aplicada  traduz em verdadeiro abuso.  (...)  7 ­ Impossibilidade de qualificação da multa  Não  se  faz  presente  os  pressupostos  para  qualificação  das  multas,  note­se  primeiramente  que  nenhum  dos  impugnantes  deu causa a qualquer ao aumento ou qualificação das multas.  Note que o aumento/qualificação se deu:   1­)  em  tese  porque  a  OCIDENTAL  ocultou  a  escrituração  fiscal;  2­) não respondeu o TIPF.  3­)  praticava  um  preço  de  venda  muito  abaixo  do  preço  de  mercado dominando o mercado.  Evidente  que  os  impugnantes  não  tiveram  nenhuma  relação  com nenhum destes  fatos,  pelo  que não podem  responder  por  eles.   Entretanto,  tais elementos não são capazes de dar sustentação  ao  aumento/qualificação  da  multa,  veja:  a  fiscalização  Fl. 1227DF CARF MF Processo nº 11624.720154/2014­12  Acórdão n.º 3401­005.429  S3­C4T1  Fl. 1.228          13 simplesmente pegou os valores declarados pelo contribuinte em  DCTF e DACON e adequou a alíquota do PIS e COFINS.  Não  precisou  nem  precisava  de  qualquer  outra  diligencia  de  qualquer outra ação ou colaboração da OCIDENTAL, se não  precisou, se não localizou um centavo de real que fosse oculto  não  pode  alegar  que  a  houve  ocultação  de  dados,  que  houve  dificultação  à  fiscalização,  assim  como  o  argumento  do  preço  também não é licito, uma pela ausência de previsão legal outra  pela  já  declaração  do  TJ­PR,  da  ilegalidade  deste  argumento,  aliás,  o  Acórdão  é  pontual  em  estabelecer  que  a  Ipiranga  por  exemplo vendia inclusive abaixo do preço da OCIDENTAL.  (...)  8 ­ Da ausência de requisição de informações financeiras  Não  há  nos  apensos  que  colacionam  a  ação  fiscal,  qualquer  decisão fundamentada que tenha lavrado o agente fiscal, frise­se  sem qualquer abono ou pertinência para a decisão uma vez que  o  caso  deve  ser  submetido  ao  delegado  da  repartição,  principalmente  por  tratar­se  de medida  que  poderia  e  no  caso  resultou em prejuízo dos impugnantes.  De  tal  forma  que  os  impugnantes,  especialmente  os  indevidamente  incluídos  sob a  rubrica do artigo 124 do CTN,  tiveram  quebrado  seu  sigilo  fiscal,  sem  qualquer  autorização  judicial,  e  mais  ainda  sem  qualquer  ciência,  sem  qualquer  fiscalização validamente iniciada contra si.  Assim, é o auto de infração, também sob esta ótica, calcado em  absoluta prova ilícita.  (...)  9 ­ Do levantamento falho e impreciso  Como se verifica que o  fisco não  foi cuidadoso na sua analise,  quanto ao levantamento fiscal, explico: o agente fiscal aduz que  foram lançados [Pis e Cofins] com alíquotas diversas da correta,  aduz  ainda  os  tributos  devem  ser  apurados  sob  o  regime  não  cumulativo.  Contudo,  o  agente  deixou  de  atender  o  correto  levantamento  fiscal  na  medida  em  que  desprezou  completamente  todos  os  créditos deduzíveis, especialmente as compras, note­se que este  dado é de pleno conhecimento do fisco, tanto que houve inclusive  a mensuração na alegação [ilegal] de prática predatória [preço  abaixo do custo para eliminar a concorrência].  (...)  Sendo o levantamento falho e impreciso é de todo merecedor de  ser  anulado  o  auto,  eventualmente  sendo  facultado  ao  agente  fiscal a sua correção, desde que devidamente intimada a defesa  constituída para apresentar nova impugnação.  Fl. 1228DF CARF MF Processo nº 11624.720154/2014­12  Acórdão n.º 3401­005.429  S3­C4T1  Fl. 1.229          14 10 ­ Dos períodos dos sócios  Mais uma vez revela­se inconsistente o auto de infração uma vez  que  reputa  como  todos  os  sócios  como  responsáveis  enquanto  que  na  realidade  o  impugnante  FIORAVANTE  GUERINO  NETO,  retirou­se  da  sociedade  ORION  em  março  de  2010,  portanto  não  pode  responder  por  atos  subsequentes,  já  a  impugnante  LUCIANE  GUERINO,  esta  foi  apenas  sócia  da  empresa no mês de março de 2010  tendo deixado a  sociedade  ORION em abril de 2010, a impugnante LILIANE a seu turno  deixou de ter qualquer poder (formal já que de fato nunca teve)  no mês de agosto de 2010.  11  ­  Da  legalidade  da movimentação  financeira  na  conta  da  impugante ORION  Em  06  de  dezembro  de  2005,  a  empresa  OCIDENTAL  e  a  impugnante  ORION,  firmaram  Contrato  de  Prestação  de  Serviços  e  Cooperação,  que  tinha  como  pressuposto:  "que  a  contratante  OCIDENTAL  era  ré  em  diversos  processos  trabalhistas  com  bloqueios  judiciais  de  valores  em  conta  corrente"  que  "a  margem  de  lucro  era  inferior  a  1%  (um  por  cento),  que:  "bloqueios  ou  penhoras  em  conta  corrente  da  OCIDENTAL ocasionariam a inviabilidade do empreendimento"  resolveram  elaborar  o  contrato  e  proceder  de  forma  licita  (o  que inclusive foi objeto de reconhecimento de firmas e de toda a  transparência  e  registro  inerente)  a  cooperação  financeira,  inclusive de operações de créditos sempre em nome da ORION,  mas sob a ordem da OCIDENTAL.  (...)  REQUERIMENTO  Diante de todo o exposto, Requer:  1. Seja recebida a presente impugnação;  2.  Seja aplicado a lei de processo administrativo, com direito  a produção de alegações finais, produção de provas em ocasião  oportuna;  3.  Requer  desde  já  a  produção  de  prova  oral  consistente  na  oitiva  de  testemunhas  a  fim de  demonstrar  faticamente  a  quem  incumbia os atos de gestão;  4.  Requer  ainda  por  oportuno  perícia  para  apurar  refazer  a  apuração  correta  dos  tributos  ante  o  levantamento  falho  e  impreciso  do  agente  fiscal,  para  tanto  indica  como  perito/assistente  técnico:  Luis  Henrique  Morgado  Gomes;  e  como  quesitos:  (1)  levando­se  em  conta  que  os  tributos  em  questão  não  são  cumulativos,  qual  seria  a  apuração  correta  deste com os dados disponíveis (faturamento e compras);  5.  Vistas aos autos nos tempos e prazos que julgar necessário;  Fl. 1229DF CARF MF Processo nº 11624.720154/2014­12  Acórdão n.º 3401­005.429  S3­C4T1  Fl. 1.230          15 6.  Seja  concedido  ao  patrono  da  impugnante  o  direito  de  sustentar  oralmente  pelo  prazo  regulamentar  as  razões  do  inconformismo em sessão de julgamento previamente agendada,  sob pena de cerceamento de defesa;  7.  Digne­se o nobre julgador a utilizar os princípios gerais de  direito, em especial a equidade;  8.  Caso não seja acolhida a preliminar supra, seja conhecido  o recurso e provido para o fim de declarar a nulidade do auto de  infração, ou alternativamente excluir as impugnantes do mesmo  pelo  ofensa  aos  princípios  do  contraditório  e  ampla  defesa  e  demais fundamentos jurídicos apontados;  9.  Seja  conhecido  e  provido  o  recurso  no mérito  a  fim  de  que  sejam  cancelados  os  lançamentos  dos  autos  de  infração  impugnados;  10.  As  futuras  intimações  ou  notificações  seja  encaminhadas  e  dirigidas ao advogado que esta subscreve no endereço: Avenida  Marcos  Konder,  1024  ­  Sala  34  ­  Centro  ­  Itajaí  (SC),  CEP  88.301­302 a/c de Dr. Luiz Carlos Ávila Júnior.  6.  A  1ª  Turma  da  DRJ­Belo  Horizonte  (DRJ­BHE)  exarou  o  Acórdão nº 02­069.259 na Sessão datada de 28/06/2016. Em relação à preliminar, afastou a  arguição de nulidade dos autos de infração contestados.  7.  Quanto  ao  mérito,  a  DRJ  exarou  sua  decisão  nos  seguintes  termos:  4. Do Cerceamento ao Direito de Defesa  Quanto  à  alegação  de  ter  havido  cerceamento  do  direito  de  defesa e não ter sido garantido o contraditório e a ampla defesa,  esta  não  procede.  O  art.  5º,  inciso  LV,  da  CF/88,  garante  o  direito  ao  contraditório  e  à  ampla  defesa  apenas  em  fase  de  contencioso (ou seja,  litigiosa), o que somente ocorre na esfera  administrativa  quando  da  apresentação  de  impugnação  ao  lançamento efetuado.  (...)  No  presente  caso,  a  descrição  dos  fatos  e  o  enquadramento  legal,  e  os  demonstrativos  de  apuração  contidos  nos  autos  de  infração, bem como a descrição no Termo de Verificação Fiscal,  permitem identificar de forma cristalina a infração cometida.  Da Falta de Termos de Início de Ação Fiscal  (...)  Ao  contrário  do  alegado na  peça  de defesa,  inexiste o  alegado  vício  formal  decorrente  da  falta  de  notificação  prévia  ao  lançamento de ofício, uma vez que o trâmite de um procedimento  administrativo  fiscal  pode  ser  diferenciado  por  dois  momentos  distintos: (a) o oficioso e (b) o contencioso.  Fl. 1230DF CARF MF Processo nº 11624.720154/2014­12  Acórdão n.º 3401­005.429  S3­C4T1  Fl. 1.231          16 A  primeira  fase  do  procedimento,  a  oficiosa,  é  de  atuação  exclusiva  da  autoridade  tributária,  que  busca  obter  elementos  visando  demonstrar  a  ocorrência  do  fato  gerador  e  as  demais  circunstâncias  relativas  à  exigência.  Portanto,  a  autoridade  fiscal,  ao  verificar  a  infração  e  entendendo  estar  presentes  as  provas necessárias do ilícito, não está obrigada a abrir espaço à  defesa  do  sujeito  passivo,  seja  ele  contribuinte  ou  responsável.  Isto  porque  não  há  o  que  se  falar  em  cerceamento  de  defesa  durante o procedimento fiscal, fase em que, mediante aplicação  do  direito  tributário  material,  se  desenvolve  a  ação  de  fiscalização  da  qual  poderá  redundar  a  formalização  da  exigência fiscal.  (...)  A  fase  processual,  a  contenciosa  da  relação  fisco­contribuinte,  inicia­se  com a  impugnação  tempestiva do  lançamento  (art.  14  do Decreto nº 70.235, de 1972), e se caracteriza pelo conflito de  interesses  submetido  à  Administração.  Nesta  fase,  para  a  solução do conflito é que se aplicam as garantias constitucionais  da observância do devido processo  legal, do contraditório e da  ampla defesa.  (...)  Da Motivação do Procedimento Fiscal  (...)  Ademais, resta claro no Termo de Verificação Fiscal (fls. 60/70)  que  a  ação  fiscal  decorreu  da  verificação do  cumprimento  das  obrigações tributárias relativas ao IRPJ, PIS e Cofins nos anos­ calendário de 2010 e 2011, conforme Mandado de Procedimento  Fiscal nº 09.1.01.00­2014­00045­1.  (...)  Assim,  não  se  vislumbra  a  falta  de  adequada  motivação,  nem  como  esta  poderia  ter  prejudicado  a(s)  Interessada(s)  em  seu  direito de defesa, visto que a impugnação apresentada atesta que  as  Impugnantes  tiveram  pleno  conhecimento  das  infrações,  devidamente  descritas  e  capituladas  no  lançamento,  e  que  exerceram plenamente o  seu direito de defesa, alegando  tudo o  que  entenderam  cabível  e  apresentando  as  provas  que  acreditaram serem relevantes.  Acrescente­se  que  as  Impugnantes,  devidamente  representadas,  podem solicitar  cópia  integral de  todo o processo, o que  inclui  todos os documentos e provas juntadas pela autoridade fiscal.  (...)  5. Da Prova  (...)  Fl. 1231DF CARF MF Processo nº 11624.720154/2014­12  Acórdão n.º 3401­005.429  S3­C4T1  Fl. 1.232          17 No  que  se  refere  às  provas  emprestadas,  ressalte­se  que  a  cooperação entre os entes tributantes é prevista no CTN, em seu  art. 199, que assim prescreve:  (...)  Dessa  forma,  os  fatos  apurados  podem  ser  examinados  pelo  Fisco federal e pelo estadual, relativamente aos tributos contidos  nas respectivas competências tributárias e, portanto, nada obsta  que as provas obtidas em uma esfera possam ser utilizadas pela  outra.  No  caso,  a  Fiscalização,  baseado  em  informação  da  "Receita  Estadual"  e  outros  indícios  apurados  durante  a  ação  fiscal,  iniciou  fiscalizações  nas  empresas  ON  PETROLEO  LTDA,  ORION DISTRIBUIDORA DE COMBUSTIVEIS LTDA e SPEED  COMBUSTIVEIS  LTDA,  na  operação  MOVIMENTAÇÃO  FINANCEIRA  INCOMPATÍVEL COM RECEITA DECLARADA  – PJ.  O procedimento  fiscal que  terminou com a  lavratura dos Autos  de  Infração da contribuição para o PIS  e da Cofins baseou­se,  preliminarmente,  nas  informações  prestadas  no  Demonstrativo  de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) e Declaração de  Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), que comprovou  a insuficiência de recolhimento daquelas contribuições.  E  com  fundamento  nas  informações  colhidas  na OCIDENTAL,  ON, ORION e SPEED, bem como nas diligências efetuadas junto  aos  seus  fornecedores,  foram  imputadas  as  correspondentes  responsabilidades solidárias.  De se destacar que a jurisprudência apenas recomenda que tais  provas sejam utilizadas com critério e que se permita à parte a  possibilidade  de  contrariá­las.  O  direito  de  contrariar  foi  ofertado às Impugnantes na fase litigiosa.  (...)  6. Da Responsabilidade Tributária  (...)  É  cediço  que  a  constituição  de  uma  exigência  tributária  e  de  suas  penalidades,  inclusive  quando  abranger  sujeitos  passivos  solidários, constitui­se em ato vinculado e obrigatório, por parte  da autoridade administrativa (ver art. 142 do CTN), desde que,  por  óbvio,  se  amoldem  aos  preceitos  de  solidariedade  e  de  responsabilidade estampados no CTN, bem como na  legislação  tributária,  e,  portanto,  independe  da  desconsideração  da  personalidade  jurídica  dos  entes  arrolados  (frise­se,  ato  de  cunho exclusivo da autoridade judiciária – ver art. 50 do Código  Civil  e  art.  28  do Código  de Defesa  do Consumidor).  E  nessa  linha,  não  se  pode  olvidar  que  o  art.  116  do  CTN,  parágrafo  único,  cuida  tão  somente  da  desconsideração  para  fins  Fl. 1232DF CARF MF Processo nº 11624.720154/2014­12  Acórdão n.º 3401­005.429  S3­C4T1  Fl. 1.233          18 tributários de atos ou negócios  jurídicos,  não  se  imiscuindo na  desconsideração de personalidade jurídica propriamente dita.  E no exercício de sua competência privativa, a autoridade fiscal  cumpriu  o  contido  na Portaria RFB  nº  2.284/2010,  que  dispõe  sobre  os  procedimentos  a  serem  adotados  pela  Secretaria  da  Receita Federal do Brasil quando da constatação de pluralidade  de  sujeitos  passivos  de  uma  mesma  obrigação  tributária,  especificamente os seguintes dispositivos:  (...)  6.1.  Da  Responsabilidade  Tributária  da  Pessoa  Jurídica  ORION  Conforme apontado pela  autoridade  fiscal,  na  citada  operação  MOVIMENTAÇÃO  FINANCEIRA  INCOMPATÍVEL  COM  RECEITA DECLARADA – PJ,  verificou­se que  a OCIDENTAL  (Interessada) atuava por meio de outras empresas, entre elas a  Impugnante  ORION  DISTRIBUIDORA  DE  COMBUSTÍVEIS  LTDA,  para  realizar  pagamento  e  recebimento  de  valores,  ocultando assim sua movimentação financeira do Fisco.  Ressalte­se  que,  no  curso  da  ação  fiscal,  a  OCIDENTAL  não  respondeu a nenhuma intimação da Fiscalização, entre elas a de  apresentar  sua Escrituração Contábil Digital,  assim como  seus  livros  contábeis  e  fiscais.  Também  foi  relatado  (Termo  de  Verificação  Fiscal,  fl.  69),  que  nenhuma  das  empresas  que  atuava em conjunto  com a  Interessada, ON, ORION e SPEED,  respondia às  intimações  feitas pela Fiscalização, dificultando a  obtenção de informações do contribuinte.  Por meio  de  diligências  junto  a  empresas  que  se  relacionavam  com a OCIDENTAL, comprovou­se que a ORION operava para  aquela,  recebendo  e  enviando  valores  por meio  de  suas  contas  bancárias.  Em  diligência  efetuada  na  Transportadora  Silva  &  Dias  Ltda  (fls. 605/607),  esta  foi  intimada a esclarecer a que  título  foram  realizadas  as  transferências  bancárias  citadas  ­  valores  recebidos de contas da ORION, ao que informou:  (...)  O  mesmo  ocorre  com  a  Comércio  de  Combustíveis  Siga  Bem  Ltda. (fls. 608/610).  Da  mesma  forma,  em  diligência  efetuada  na  Petro  Sell  ­  Representações  Comerciais  Ltda  ­  ME  (fls.  611/615),  que  foi  intimada  a  esclarecer  a  que  título  foram  realizadas  as  transferências  bancárias  citadas  ­  valores  recebidos  de  contas  da ORION, informa o seguinte:  (...)  Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 11624.720154/2014­12  Acórdão n.º 3401­005.429  S3­C4T1  Fl. 1.234          19 E  em  diligência  efetuada  na  Pórtico  Combustíveis  e  Serviços  Automotivos  Ltda.  (fls.  536/543),  também  esta  esclarece,  a  respeito de transferências bancárias para contas da ORION:  (...)  O intento das citadas empresas pode, outrossim, ser comprovado  por meio do Contrato de Prestação de Serviços  e Cooperação,  assinado  em  06  de  dezembro  de  2005,  celebrado  entre  a  OCIDENTAL  (CONTRATANTE)  e  a  ORION  (CONTRATADA),  anexado pelas Impugnantes às fls. 847/849, excertos a seguir:  (...)  Assim, em conformidade com os fatos relatados neste Voto, está­ se  diante  de  um  caso  típico  de  responsabilidade  solidária  passiva, fundamentado no inciso I do artigo 124 do CTN:  Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;  Aqui, importa esclarecer que o interesse comum qualificado pela  lei há de ser o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou  conjunta na situação que constitui o fato imponível.  No  caso  em  apreço,  a  ORION  atuava  continuamente  com  a  OCIDENTAL  (ambas  têm  como  objeto  social  principal  o  comércio  atacadista  na  distribuição  de  combustíveis)  para  ocultação da movimentação financeira desta, concorrendo para  impedir ou dificultar o conhecimento do Fisco da  situação que  constitua o fato gerador das contribuições sociais devidas ­ PIS  e  Cofins  ­  ou  seja,  o  auferimento  de  receitas  pela  pessoa  jurídica.  Resta  caracterizada,  portanto,  a  solidariedade  prevista  no  art.  124, inc. I, do CTN.  6.2.  Da  Responsabilidade  Tributária  das  Pessoas  Físicas  (sócios)  Segundo a Fiscalização, os sócios administradores das empresas  OCIDENTAL e ORION concordaram, ou se omitiram assumindo  do  mesmo  modo  a  responsabilidade,  com  os  procedimentos  destas empresas na ocultação das informações da OCIDENTAL.  Portanto, respondem solidariamente pelo tributos lançados com  base no art. 135 da Lei nº 5.172/1966.  (...)  Primeiramente,  há  que  se  verificar  se  as  Impugnantes  (sócios)  possuíam  poderes  de  gerência  no  período  em  que  surgiram  as  obrigações tributárias: 01/01/2010 a 31/03/2011.  Quanto  à  Impugnante  DEOLINDA  POLIZELLI  GUERINO,  verifica­se  pela  Décima  Sétima  Alteração  Contratual,  fls.  Fl. 1234DF CARF MF Processo nº 11624.720154/2014­12  Acórdão n.º 3401­005.429  S3­C4T1  Fl. 1.235          20 461/465, assinada em 12 de maio de 2007, que a Sra. Deolinda  possuía  50  %  (cinquenta  por  cento)  do  capital  social  da  OCIDENTAL, em sociedade com o Sr. Rodrigo Ribas Gonçalves,  que também possui 50 % do capital.  E,  conforme  cláusulas  sexta  e  sétima  do  contrato  social  consolidado, a administração da sociedade competia igualmente  aos sócios, na qualidade de sócios administradores.  No  que  diz  respeito  aos  sócios  da  ORION,  têm­se,  conforme  Segunda,  Terceira,  Quarta  e  Quinta  Alterações  Contratuais,  apresentadas pelas Impugnantes (fls. 850/875):    (...)  Constatado  que  todos  os  sócios  Impugnantes  eram  administradores  que  detinham  poderes  de  gerência  sobre  as  pessoas  jurídicas  em  litígio,  OCIDENTAL  e  ORION,  passa­se  analisar se os atos praticados por estes representaram ilicitude  que,  de  alguma  forma,  concorreu  para  o  inadimplemento  dos  créditos tributários devidos pela sociedade que representavam.  (...)  Veja­se  o  conceito  de  infração  tributária  segundo  Paulo  de  Barros  Carvalho  (Curso  de  Direito  Tributário,  17ª  Edição),  “infração  tributária  é  toda  ação  ou  omissão  que,  direta  ou  indiretamente,  represente  o  descumprimento  dos  deveres  jurídicos  estatuídos  em  leis  fiscais.” É  certo  que  a  infração de  que  trata  o  caput  do  art.  135  não  precisa  ser  à  lei  tributária,  bastando que tenha conseqüências tributárias.  Quanto  ao  elemento  subjetivo  da  infração,  tem­se  importante  lição  do  Parecer  PGFN  CRJ/CAT  n°  55/2009,  editado  pela  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional,  em  resposta  a  consulta  formulada a  respeito da natureza da  responsabilidade  tributária dos administradores – sócios ou não – das sociedades  limitadas e das sociedades anônimas. Em seu item 59, apresenta  entendimento  da  jurisprudência  maciça  do  STJ  a  respeito  da  exigência do dolo gênero, e não dolo espécie. Logo, envolve dolo  ou culpa:  (...)  No caso concreto, conforme registrado no Termo de Verificação  Fiscal  às  fls.  64/68,  verifica­se,  pelos  atos  praticados  pela  OCIDENTAL, assim como pela ORION em nome daquela, cuja  responsabilidade  restou  comprovada  nos  termos  deste  Voto,  a  ocorrência  das  condutas  caracterizadas  pelo  art.  71  da  Lei  nº  Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 11624.720154/2014­12  Acórdão n.º 3401­005.429  S3­C4T1  Fl. 1.236          21 4.502/1964, o que acarretou,  inclusive, a qualificação da multa  do lançamento de ofício; trechos transcritos abaixo:  "Conclui­se que a OCIDENTAL atua no mercado de distribuição  de  combustíveis,  principalmente  o  álcool,  praticando  um  preço  de venda muito abaixo do preço de mercado[...]. A OCIDENTAL  não  atua  sozinha  neste  sistema  operacional,  utilizando­se  de  outras  empresas  para  pagamento  e  recebimento  de  valores,  ocultando assim sua movimentação financeira do fisco federal.  Os  preços  de  compra  e  venda  do  álcool  comercializado  pela  OCIDENTAL pressupõe a intenção da empresa de não pagar os  tributos,  sejam  federais  ou  estaduais,  intenção  que  vale  não  apenas para os tributos já declarados em DCTF e não pagos, e,  portanto,  inscritos em Dívida Ativa, como também vale para os  tributos lançados neste Auto de Infração.  A OCIDENTAL não entregou a escrituração contábil digital dos  anos­calendário  2009,  2010  e  2011,  impedindo  assim  que  a  Receita Federal  do Brasil  apurasse  os  fatos  acima descritos,  o  que  demonstraria  a  intenção  da  empresa  de  não  recolher  os  impostos devidos.  A OCIDENTAL utiliza alíquotas inexistentes de 2,37% e 10,92%  para,  respectivamente,  PIS  e Cofins,  continuamente  para  todos  os  meses  de  2010  até  março  de  2011,  mês  a  partir  do  qual  encerra suas atividades.  O  ocultação  da  escrituração  contábil  e  utilização  de  alíquotas  inexistentes  de  PIS  e  Cofins  por  anos  seguidos  caracteriza  o  descrito no art. 71 da Lei nº 4.502/1964"  (...)  Não  houve,  assim,  simples  inadimplemento  de  tributos,  mas  ilícito qualificado.  As  Impugnantes  suscitam,  ainda,  questão  sobre  o  alcance  da  responsabilidade, se esta seria solidária ou subsidiária, embora  esteja  qualificado  nos  Autos  de  Infração  como  "Responsabilidade  Solidária  por  Excesso  de  Poderes,  Infração  de Lei, Contrato Social ou Estatuto".  Quanto  a  essa  questão,  no  mesmo  ato,  o  Parecer  PGFN  CRJ/CAT  n°  55/2009,  em  seu  item  14,  distingue  a  responsabilidade  subsidiária  em  sentido  próprio  da  responsabilidade  subsidiária  em  sentido  impróprio,  conforme  segue:  (...)  À  luz  das  transcrições  anteriores,  entende­se  que  a  responsabilidade  de  que  trata  o  art.  135,  inc.  III,  do  CTN,  é  solidária e não subsidiária.  Isso posto, conclui­se que os sócios  Impugnantes devem figurar  no  pólo  passivo  das  obrigações  tributárias  dos  respectivos  Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 11624.720154/2014­12  Acórdão n.º 3401­005.429  S3­C4T1  Fl. 1.237          22 períodos  em  que  exerciam  a  função  de  administrador  na  OCIDENTAL ou na ORION, conforme o caso, na qualidade de  responsáveis  tributários  solidários  nos  termos  do  art.  135,  inc.  III, do CTN.  7. Da Multa  (...)  E, conforme se extrai do Termo de Verificação Fiscal, fls. 64/68,  a  qualificação  da multa,  ou  seja,  sua  exacerbação  de  75  para  150%,  se  deu  pela  caracterização  das  condutas  praticadas  no  art.  71  da  Lei  nº  4.502/1964.  E  seu  agravamento,  ou  seja,  o  aumento de 150 para 225%, ocorreu pela falta de atendimento à  intimação regularmente efetuada.  Como se vê, a multa lançada guarda absoluta conformidade com  o preceptivo legal. Não está, portanto, o lançamento dissonante  da norma de regência.  O ponto  relevante – e que  se  insere no âmbito da  competência  deste Colegiado –  consiste em aferir  se a  conduta da  infratora  exterioriza  o  evidente  intuito  de  sonegação  ou  fraude,  subsumindo­se assim à hipótese que determina a exacerbação da  penalidade de 75 para 150%, assim como verificar se ocorreu a  hipótese que determina seu agravamento de 150 para 225%.  7.1. Da Qualificação da Multa  (...)  Pelo  exposto,  com  a  supressão  ou  redução  de  tributo  obtida  através  da  falsidade  ou  omissão  de  prestação  de  informações  nas  declarações,  assim  como  a  ocultação  da  escrituração  contábil e, concomitantemente, identificada a vontade do agente  em fraudar o Fisco, por afastada a possibilidade do cometimento  de  erro  natural,  independentemente  de  haver  um  outro  documento  falso,  configura­se  o  dolo,  a  sonegação,  o  que  dá  ensejo ao  lançamento de ofício com a aplicação da penalidade  qualificada.  Não  resta  dúvida  de  que  o  dolo  ­  elemento  subjetivo  do  tipo  qualificado  tributário  ou  do  tipo  penal  ­  também  está  presente  quando a consciência e a vontade do agente para a prática da  conduta (positiva ou omissiva) exsurgem de atos que tenham por  finalidade  impedir  ou  retardar  o  conhecimento,  por  parte  da  autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador e de suas  circunstâncias materiais, necessárias a sua mensuração.  Neste caso concreto, a autoridade lançadora apontou fatos, sem  que  haja  qualquer  prova  em  contrário,  que  afastam  a  possibilidade  de  simples  erro  e  levam  à  qualificação  da  penalidade em virtude da prática dolosa.  Concluindo,  as  condutas  e  o  envolvimento  de  elevados  valores  que  deixaram  de  ser  reiteradamente  recolhidos  ou  declarados  aos  cofres públicos nos anos­calendário de 2010 a 2011  fazem  Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 11624.720154/2014­12  Acórdão n.º 3401­005.429  S3­C4T1  Fl. 1.238          23 denotar  o  elemento  subjetivo  necessário  e  suficiente  para  a  sanção  de  150%,  em  conformidade  com  os  dispositivos  legais  transcritos.  (...)  7.2. Do Agravamento da Multa  Do Termo de Verificação Fiscal, destaca­se trechos que relatam  o  não  atendimento  pela  Interessada  de  intimações  feitas  pela  autoridade fiscal:  (...)  Nesse ponto, as Impugnantes não apresentaram qualquer prova  que  afastasse  os  fatos  apontados  pela  Fiscalização.  Correto,  portanto, o agravamento da multa nos termos do art. 44, § 2º, da  Lei nº 9.430/96.  (...)  8. Das Informações sobre Movimentação Financeira  (...)  Consoante  a  retrocitada  Lei  Complementar,  o  acesso  às  informações  bancárias  independe  de  autorização,  não  constituindo  quebra  de  sigilo.  As  informações  obtidas  permanecem  protegidas.  A  Lei  5.172,  de  1.966  (CTN),  em  seu  artigo 198, veda sua divulgação para qualquer fim, por parte da  Fazenda Pública Nacional ou de seus funcionários, sem prejuízo  do  disposto  na  legislação  criminal. Nos  termos  do  inciso  II  do  art.  197  da  mesma  Lei  (CTN),  as  entidades  financeiras  estão  obrigadas a fornecer ao Fisco as informações solicitadas.  (...)  O  sigilo  bancário  tem  por  finalidade  a  proteção  contra  a  divulgação ao público dos negócios das instituições financeiras e  de  seus  clientes.  Assim,  a  partir  da  prestação,  por  parte  das  instituições  financeiras,  das  informações  e  documentos  solicitados  pela  autoridade  tributária  competente,  como  autorizam a Lei Complementar nº 105/2.001 e o art. 197, II, do  CTN,  o  sigilo  bancário  não  é  quebrado,  mas  apenas  é  transferido  à  responsabilidade  da  autoridade  administrativa  solicitante  e  dos  agentes  fiscais  que  a  eles  tenham  acesso  no  restrito exercício de  suas  funções,  sigilo esse, que não poderão  violar,  ressalvadas  as  disposições  do  parágrafo  único  do  art.  198 e do art. 199, ambos do CTN.  Sendo assim, a Fiscalização procedeu a sua atuação de acordo  com disposições legais vigentes, havendo previsão legal expressa  a  respeito  da  requisição  de  documentos  a  instituições  financeiras.  Foi  demonstrada,  conforme  relatado,  a  motivação  para  que  se  procedesse  à  requisição  administrativa  dos  dados  bancários dos fiscalizados.  Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 11624.720154/2014­12  Acórdão n.º 3401­005.429  S3­C4T1  Fl. 1.239          24 A  respeito  da  alegação  de  ausência  de  "decisão  fundamentada  com o abono do delegado da repartição", cumpre esclarecer que  a  ação  fiscal  sob  análise  foi  devidamente  instaurada mediante  Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) emitido pelo Delegado  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Curitiba/PR,  que  pode  ser  verificado  no  sítio  da  RFB  na  internet,  no  endereço  <http://www.receita.fazenda.gov.br>,  a  partir  do  código  de  acesso disponível no Termo de Início do Procedimento Fiscal (fl.  72).  9. Da Apuração do PIS e da Cofins  (...)  Primeiramente  relembramos  que,  no  curso  da  fiscalização,  a  contribuinte,  intimada  a  apresentar  sua  Escrituração  Contábil  (por  duas  vezes),  bem como  informar  e  demonstrar  os  créditos  das contribuições PIS e COFINS utilizados nos anos de 2010 e  2011,  preferiu  não  se manifestar.  E  que,  diante  do  silêncio,  as  contribuições  foram  lançadas  com  base  nos  dados  informados  pela  própria  Interessada  em  seu  DACON,  e  descontando  os  valores declarados em DCTF.  É de se ressaltar, também, que o princípio da verdade material,  que  rege  o  processo  administrativo,  obriga  a  autoridade  administrativa  a  corrigir  o  seu  procedimento  quando  houver  a  apresentação  de  provas  incontestes  de  ocorrência  de  erros  materiais.  Ocorre, entretanto, que as  Impugnantes não  lograram êxito em  comprovar  materialmente  o  erro  de  fato  cometido,  pois  não  juntaram  ao  processo  cópia  da  documentação  contábil  comprovando  os  fatos  relatados,  e  nem  tampouco  dos  documentos  que  comprovam o  valor  das  bases  de  cálculos  das  contribuições. Note­se que, no caso, nem sequer se afirmou que  os dados constantes dos DACONs da contribuinte não refletem a  realidade fática.  (...)  Não  sendo  contrastados  os  fatos  e  as  provas  colhidos  pela  autoridade  tributária,  não  há  como  anular  o  lançamento  como  querem as Impugnantes.  10.  Da  Movimentação  Financeira  na  Conta  da  Impugnante  ORION  Ao  contrário  do  alegado  pelas  Impugnantes,  a  ORION  atuava  continuamente  com  a  OCIDENTAL  para  ocultação  da  movimentação  financeira  desta,  concorrendo  para  impedir  ou  dificultar o  conhecimento do Fisco da situação que constitua o  fato gerador das contribuições  sociais devidas  ­ PIS  e Cofins  ­  ou  seja,  o  auferimento  de  receitas  pela  pessoa  jurídica,  caracterizando  a  solidariedade  prevista  no  art.  124,  inc.  I,  do  CTN.  Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 11624.720154/2014­12  Acórdão n.º 3401­005.429  S3­C4T1  Fl. 1.240          25 12. Da Solicitação de Perícia  Com efeito, a diligência somente se justifica quando a prova não  pode ou não cabe ser produzida por uma das partes. Não cabe  ao  julgador  diligenciar  no  sentido  de  produção  de  provas  que  cumpria a defesa constituir quando da apresentação de sua peça  impugnatória.  8.  Os  sujeitos  passivos  Ezidio  Guerino,  Luciana  Guerino,  Liliane  Guerino Valduga Cruz e Fioravante Guerino Neto (sócios da ORION DISTRIBUIDORA DE  COMBUSTÍVEIS  LTDA),  bem  como  Deolinda  Polizelli  Guerino  (sócia  da  OCIDENTAL  DISTRIBUIDORA  DE  PETRÓLEO  LTDA),  irresignados  com  a  decisão  da  DRJ,  apresentaram  um  único  Recurso  Voluntário,  subscrito  por  todos.  Vale  destacar  que,  diferentemente  da  Impugnação,  o  sujeito  passivo  ORION  DISTRIBUIDORA  DE  COMBUSTÍVEIS  LTDA  não  fez  parte  deste  Recurso  Voluntário  e  nem  apresentou  o  seu  próprio separadamente.   9.  Inicialmente,  nesta  nova  peça,  apresenta  uma  síntese  do  seu  inconformismo com o Acórdão recorrido, afirmando que este foi  inconsistente na análise dos  fundamentos  da  Impugnação.  Não  houve,  no  seu  entender,  uma  análise  adequada  quanto  à  ausência de diligências prévias ao Auto de Infração, ocasionando o cerceamento do seu direito  de defesa.  10.  Quanto  à  responsabilidade  solidária,  afirma que  não  há  que  se  falar  em interesse comum, pois o que existia era apenas um contrato de cooperação financeira entre  a Orion e a Ocidental. Entende que a DRJ ampliou ainda mais a presunção existente nos autos.   11.  Alega  que  o  Acórdão  imputava  aos  recorrentes  o  ônus  da  prova,  quando o novo CPC permite a distribuição dinâmica do ônus da prova, e que o mínimo que se  esperaria da DRJ seria a determinação para realização de uma diligência para melhor averiguar  todos os fatos.  12.  Em  seguida,  reapresenta,  ipsis  litteris,  os  mesmos  argumentos  já  expostos na Impugnação e analisados pela DRJ.  13.  É o relatório.  Voto              Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Relator  I ­ DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO  14.  O  Recorrente,  apesar  de  não  solicitar  como  preliminar,  requer  a  nulidade  do Auto  de  Infração  em  diversos  pontos  esparsos  do  seu Recurso Voluntário,  bem  como ao seu final, sendo este o item 9 do seu Requerimento a este Conselho.   Fl. 1240DF CARF MF Processo nº 11624.720154/2014­12  Acórdão n.º 3401­005.429  S3­C4T1  Fl. 1.241          26 15.  Entretanto, analisando o Termo de Verificação Fiscal que  integra os  Autos  de  Infração,  verifico  que  houve  uma  minuciosa  descrição  dos  fatos  pela  Autoridade  Tributária, identificando as razões da autuação e das responsabilidades solidárias atribuídas aos  demais  sujeitos  passivos,  permitindo  aos  Recorrentes  exercerem  plenamente  seu  direito  de  defesa,  o  que  fizeram  com  ampla  desenvoltura,  rebatendo  os  mínimos  detalhes  de  cada  imputação que lhes havia sido feita pelo Fisco, o que seria impossível se os Autos de Infração  não contivessem a perfeita descrição de todos os fatos que o Auditor­Fiscal julgou ensejadores  das infrações por ele tipificadas.  16.  A autuação está perfeitamente instruída com as provas das  infrações  identificadas  pelo Auditor­Fiscal,  e  o Termo  de Verificação  Fiscal  faz  a  perfeita  vinculação  entre  os  fatos  narrados  e  a  documentação  comprobatória,  não  se  vislumbrando  a  alegada  autuação  com base em  "presunções". Ressalte­se que os  eventuais  equívocos  cometidos pela  Fiscalização  podem e  devem  ser  saneados  ao  longo do  processo,  tanto  pela DRJ quanto  por  este CARF, e não implicam em nulidade do processo, sendo bastante plausível a existência de  erros na interpretação de determinados fatos ou erros materiais cometidos numa ação fiscal de  tamanha complexidade. Assim determina o art. 60 do Decreto 70.235, de 1972:  Art.  60.  As  irregularidades,  incorreções  e  omissões  diferentes  das  referidas  no  artigo  anterior  não  importarão  em nulidade  e  serão  sanadas  quando  resultarem  em  prejuízo  para  o  sujeito  passivo,  salvo  se  este  lhes  houver  dado  causa,  ou  quando  não  influírem na solução do litígio.  17.  O  Recorrente  teve  acesso  a  todas  as  provas  produzidas  e  demais  documentos  que  compõem  o  presente  processo  administrativo  fiscal.  Foi  oportunizado  momento  processual  para  apresentação  de  sua  defesa,  de  forma  ampla,  inaugurando  o  contraditório. E pela leitura da peça impugnatória, observa­se que compreendeu perfeitamente  todas as acusações que lhe estavam sendo imputadas, como já observado pela instância de piso.  Assim, não entendo presentes o  alegado cerceamento do direito de defesa ou  a violação  aos  princípios da legalidade, do contraditório e da ampla defesa.  18.  O  auto  de  infração  foi  lavrado  por  servidor  competente  e  contem  todos os elementos obrigatórios especificados no art. 10 do Decreto 70.235/72. Não vislumbro  qualquer preterição ao direito de defesa do autuado e, assim, afasto a incidência do art. 59 do  mesmo Decreto.  19.  Nesse  contexto,  não  vejo  qualquer  razão  para  que  seja  declarada  a  nulidade  das  autuações.  Os  fatos  trazidos  pelo  Recorrente  nesta  preliminar,  em  verdade,  retratam seu inconformismo com as autuações, sendo, portanto, matéria de mérito, e não causas  ensejadoras de nulidade.  20.  Voto pela improcedência desta preliminar.    II ­ DA FALTA DE TERMOS DE INICIO DE AÇÃO FISCAL  21.  O  Auditor­Fiscal  encaminhou  por  via  postal,  com  Aviso  de  Recebimento (AR), o Termo de Início do Procedimento Fiscal, anexado às fls. 72 e 73 deste  processo. O referido AR se encontra à  fl. 74,  indicando que a ciência se deu em 26/02/2014.  Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 11624.720154/2014­12  Acórdão n.º 3401­005.429  S3­C4T1  Fl. 1.242          27 Após o encerramento da ação fiscal,  todos os sujeitos passivos solidários foram devidamente  cientificados da autuação e lhes foi concedido o prazo legal de 30 dias para se defenderem.  22.  Não  é  necessário  que  todos  os  sujeitos  passivos  tomem  ciência  do  início do procedimento, bastando que seja oportunizado a todos o livre acesso ao processo, de  forma a poderem exercer o contraditório e a ampla defesa.   23.  Na verdade, caso o Fisco já disponha de todos os elementos que julgar  necessários para realizar o lançamento tributário, o termo de início é dispensável. Sua principal  função, inclusive, é caracterizar a perda da espontaneidade deste, conforme previsto no art. 138  do CTN. Nesse sentido, o teor da Súmula CARF nº 46:  O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação  ao  sujeito  passivo,  nos  casos  em  que  o  Fisco  dispuser  de  elementos suficientes à constituição do crédito tributário.  24.  Deve­se ter em mente que o procedimento de fiscalização obedece ao  princípio  inquisitório,  e não  inaugura  a  fase contenciosa. Como bem detalhado pela DRJ em  seu Acórdão, existem dois momentos distintos no procedimento fiscal:  A  primeira  fase  do  procedimento,  a  oficiosa,  é  de  atuação  exclusiva  da  autoridade  tributária,  que  busca  obter  elementos  visando  demonstrar  a  ocorrência  do  fato  gerador  e  as  demais  circunstâncias  relativas  à  exigência.  Portanto,  a  autoridade  fiscal,  ao  verificar  a  infração  e  entendendo  estar  presentes  as  provas necessárias do ilícito, não está obrigada a abrir espaço à  defesa  do  sujeito  passivo,  seja  ele  contribuinte  ou  responsável.  Isto  porque  não  há  o  que  se  falar  em  cerceamento  de  defesa  durante o procedimento fiscal, fase em que, mediante aplicação  do  direito  tributário  material,  se  desenvolve  a  ação  de  fiscalização  da  qual  poderá  redundar  a  formalização  da  exigência fiscal.  O  procedimento  fiscal  é  inquisitório  e  aos  particulares  cabe  colaborar e  respeitar os poderes  legais dos quais a autoridade  administrativa  está  investida.  Não  se  formou  ainda  a  relação  jurídica processual e os particulares não atuam como parte. Isto  somente  acontece  com  o  ato  de  lançamento  e  a  respectiva  impugnação.  A  fase  processual,  a  contenciosa  da  relação  fisco­contribuinte,  inicia­se  com a  impugnação  tempestiva do  lançamento  (art.  14  do Decreto nº 70.235, de 1972), e se caracteriza pelo conflito de  interesses  submetido  à  Administração.  Nesta  fase,  para  a  solução do conflito é que se aplicam as garantias constitucionais  da observância do devido processo  legal, do contraditório e da  ampla defesa.  25.  Nesse  sentido,  as  seguintes decisões do Conselho Administrativo de  Recursos Fiscais ­ CARF:  A) Acórdão nº 3302­003.225 – Terceira Seção de Julgamento ­  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 21/06/2016:  Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 11624.720154/2014­12  Acórdão n.º 3401­005.429  S3­C4T1  Fl. 1.243          28 NULIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DO  DIREITO  DE  DEFESA.  SUJEITOS  PASSIVOS  SOLIDÁRIOS  REGULARMENTE CIENTIFICADOS. IMPOSSIBILIDADE.  Não há cerceamento do direito de defesa, se após a conclusão do  procedimento fiscal  foi oportunizado e exercido adequadamente  o direito de defesa por todos os sujeitos passivos solidários.  B) Acórdão nº 3302­004.433 – Terceira Seção de Julgamento ­  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 29/06/2017:  Não  assiste  razão  à  recorrentes.  A  uma,  porque  a  inclusão  do  sujeito  passivo  solidário  no  pólo  passivo  da  autuação  depende  apenas  da  comprovação,  no  curso  do  procedimento  fiscal,  da  sua  responsabilidade  pelo  crédito  tributário  lançado  ou  pela  multa  aplicada.  Assim,  uma  vez  demonstrada  a  existência  de  interesse comum nos fatos jurídicos tributários ou que concorreu  para prática da infração ou dela beneficiou, independentemente,  de  figurar  ou  não  no  MPF,  que  amparou  a  realização  do  procedimento  fiscal,  o  sujeito  passivo  solidário  deverá  ser  integrado  ao  polo  passivo  da  autuação,  por  expressa  determinação  do  art.  142  do  CTN.  Ademais,  por  ser  mero  instrumento  administrativo  de  controle  dos  procedimentos  de  fiscalização,  relativos  aos  tributos  administrados  pela  RFB,  eventual  irregularidade  existente  no  referido  documento,  inequivocamente, não tem o condão de macular higidez do auto  de infração resultado do trabalho de fiscalização, realizado em  conformidade  com  os  requisitos  estabelecidos  no  art.  10  do  Decreto 70.235/1972.  A  duas,  porque,  no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  após a conclusão do procedimento fiscal e a ciência regular do  auto  de  infração  ao  contribuinte  fiscalizado  e  demais  sujeitos  passivos solidários, a todos eles é assegurado o contraditório e o  exercício do amplo direito de defesa.   Dada essa condição, se na fase de instrução ou inquisitorial do  procedimento  fiscal,  instaurado  contra  determinado  sujeito  passivo,  a  fiscalização  obtém  os  elementos  necessários  para  inclusão dos demais sujeitos passivos solidários no pólo passivo  da  autuação,  revela­se  de  todo  dispensável  a  ciência  do  procedimento já instaurado ou a instauração de um novo contra  cada um dos sujeitos passivos solidários.  26.  Nesse  contexto,  correta  a  decisão  da  DRJ,  não  havendo  reparos  a  serem feitos. Voto por negar provimento ao pedido dos Recorrentes.    III ­ DO CERCEAMENTO DE DEFESA  27.  Alegam os recorrentes que foram incluídos em auto de infração tão e  unicamente  no  momento  de  sua  lavratura;  que  não  houve  a  necessária  intimação  sobre  a  fiscalização, que nenhum termo de inicio foi lavrado, sequer foram cientificados de que havia a  Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 11624.720154/2014­12  Acórdão n.º 3401­005.429  S3­C4T1  Fl. 1.244          29 fiscalização,  razão  pela  qual  não  puderam  apresentar  suas  razões,  documentos  em  qualquer  outro no momento da fiscalização.  28.  Como visto  no  tópico  anterior,  tais  afirmativas  não  são  verdadeiras,  tanto que os  recorrentes  apresentaram  Impugnação e,  não  se conformando com a decisão da  DRJ, apresentam agora o presente Recurso Voluntário. Logo,  tiveram todas as oportunidades  para produzirem sua defesa.  29.  Sustentam  ainda  os  recorrentes  que  a  fiscalização  é  ilegal,  pois  contem  um  vício  de  origem  relacionado  à  sua motivação. Os  agentes  fiscais  teriam,  em  seu  entendimento,  atuado  sob  o  interesse  do  chamado  SINDICOM  (sindicato  que  representa  grandes distribuidoras),  atuação esta de  forma consciente  e amplamente direcionada, como a  que ocorreu na Receita Estadual, através da operação denominada "Predador" a qual teve a sua  ilegalidade e ilicitude reconhecida pelo Poder Judiciário.  30.  A DRJ  analisou  a  referida  decisão  do Poder  Judiciário,  em  segunda  instância  da  4ª Vara Criminal  da Comarca  de  Londrina,  de  concessão  do Habeas Corpus  nº  781.786­7  impetrado  em  favor  de  EZÍDIO  GUERINO  (sócio  da  ORION),  tendo  como  impetrado  o  Juiz  de  Direito  da  mesma  Vara  e  Comarca,  cuja  cópia  foi  acostada  pelas  Impugnantes às fls. 898/914, colacionando ao seu Acórdão os seguintes excertos desta decisão:  [...] o SindiCombustíveis­PR denunciou, em novembro de 2008,  ao  então  Secretário  de  Estado  da  Segurança  Pública,  que  um  determinado  grupo  de  empresas  estaria  crescendo  'a  olhos  vistos',  em  velocidade  incompatível  com  a  rentabilidade  do  negócio e solicitou que os fatos fossem investigados.  Foi  nomeado  um  Delegado  Especial  que,  entre  outras  diligências,  ouviu  os  representantes  legais  de  diversas  distribuidoras  de  combustíveis  [...]  os  representantes  das  distribuidoras  narraram  que  um  grupo  de  empresas  estaria  praticando  o  comércio  de  álcool  combustível  abaixo  do  custo,  inviabilizando a atividade e a concorrência a médio prazo.  No  entanto,  apenas  o  paciente  ­  assim  como  Guilherme  Ribas  Gonçalves,  Rodrigo  Ribas  Gonçalves,  Eliane  Mazzarello  Guarda,  Airton  Catenacci  e  Yalen  Thadeu  Guarda  ­  foi  denunciado pelo pretenso cometimento dos crimes de  formação  de  quadrilha  (art.  288  do  CP  ­  1º  fato)  e  contra  a  ordem  econômica  ­  formação  de  dumping  (art.  4º,  VI,  da  Lei  nº  8.137/90), descritos da seguinte forma na denúncia: [...]  Da leitura da denúncia se vê que ela imputou ao paciente e co­ denunciados  a  conduta  de  vender  álcool  etílico  hidratado  carburante por preço abaixo do  custo,  de  forma  injustificada e  com finalidade predatória, ou seja, dominar o setor e prejudicar  a concorrência.[...]  Vê­se,  assim,  que  no  caso  em  tela  a  falta  de  justa  causa  é  constatável  de  plano,  uma  vez  que  dados  de  conhecimento  público  [...]  demonstram a  ínfima  participação  no mercado  da  empresa  administrada  pelo  paciente  (Ocidental)  e,  consequentemente,  a  sua  incapacidade  de  eliminar  a  concorrência mediante a prática de preços predatórios.  Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 11624.720154/2014­12  Acórdão n.º 3401­005.429  S3­C4T1  Fl. 1.245          30 Conclui­se,  deste  modo,  que  a  ação  penal  da  forma  como  foi  oferecida  é  temerária,  pois  a  prática  do  crime  contra  a  ordem  econômica  (art.  4º,  VI,  da  Lei  nº  8.137/90)  mostra­se  inviável  pelo pequeno poderio econômico da empresa administrada pelo  paciente [...]  Por todo o acima exposto, voto pela concessão da ordem, para o  fim de trancar a ação penal [...]  Curitiba, 16 de junho de 2011.  31.  Com base nesse documento,  não vislumbro  a  alegada  "ilegalidade  e  ilicitude  reconhecida  pelo  Poder  Judiciário"  como  afirmam  os  recorrentes.  A  ação  fiscal  desenvolvida  pelo  Fisco  Federal  teve  como  origem  o  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  nº  09.1.01.00­2014­00045­1,  com  o  objetivo  de  verificar  o  cumprimento  das  obrigações  tributárias relativas ao IRPJ, PIS e Cofins, nos anos­calendário de 2010 e 2011.  32.  O Auditor­Fiscal, à fl. 64, detalha o procedimento:  Na OCIDENTAL  foi  aberta  ação  fiscal  para  verificar  omissão  dos  tributos  PIS  e  Cofins  –  COMBUSTÍVEIS  e  para  o  tributo  IRPJ  eventual  REDUÇÃO  DA  RECEITA  LÍQUIDA.  Também  foram abertas ações fiscais nas empresas ON, ORION e SPEED,  na  operação  MOVIMENTAÇÃO  FINANCEIRA  INCOMPATÍVEL  COM  RECEITA  DECLARADA  –  PJ,  para  verificar a suspeita de que a OCIDENTAL opera através de tais  empresas para realizar sua movimentação financeira.  33.  Dessa  forma, não vislumbro existente um cerceamento do direito de  defesa, nem qualquer ilegalidade, vício de origem ou falta de motivação, como alegado pelos  recorrentes. Entendo correta a decisão da DRJ. Voto por negar provimento ao pedido dos  Recorrentes.    IV ­ DA PROVA ILÍCITA   34.  Afirmam  os  recorrentes  que,  sendo  considerada  pelo  STJ  ilegal  a  busca  e  apreensão,  bem como  todo  o  inquérito  policial  e  ações  penais  referentes  à operação  PREDADOR, já trancadas na sua integralidade pelo TJ­PR, ou sequer recebidas as denuncias  pelos Juízes, o fato imputado não era crime, mas sim "uma ação vil e sorrateira do Cartel das  Grandes Distribuidoras, influente lamentavelmente na administração públicas". Sendo assim,  todas as provas obtidas naqueles procedimentos são provas ilícitas.  35.  Ocorre,  entretanto,  que,  para  o  presente  procedimento  fiscal,  não  houve a utilização de provas obtidas a partir da citada operação. Logo, não há qualquer prova  utilizada  nesta  ação  fiscal  que  tenha  sido  obtida  de  forma  ilícita,  mas  sim  a  partir  de  procedimentos realizados de acordo com os ditames legais.  36.  Voto por negar provimento ao pedido dos Recorrentes.    Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 11624.720154/2014­12  Acórdão n.º 3401­005.429  S3­C4T1  Fl. 1.246          31 V  ­  DA  IMPOSSIBILIDADE  DE  FIGURAR  COMO  SUJEITO  PASSIVO,  AUTO  BASEADO  EM  PRESUNÇÃO,  FALTA  DE  OBSERVÂNCIA  AOS  TERMOS E REQUISITOS LEGAIS  37.  Alegam  os  recorrentes  que  os  agentes  fiscais  em  nenhum momento  estabelecem a motivação, de forma clara e objetiva, de onde extraíram os fundamentos de fato  para a inclusão dos recorrentes no pólo passivo da obrigação tributária, evidenciando a má­fé  da notificação, feita de forma displicente, apenas indicando todos os que um dia foram sócios  da empresas.  38.  Entretanto,  pela  leitura  do  TVF,  observo  que  houve,  sim,  a  devida  fundamentação.  A  Autoridade  Tributária  baseou­se  nas  informações  prestadas  pela  própria  Ocidental no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) e na Declaração de  Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), comprovando a insuficiência de recolhimento  daquelas contribuições, por conta da utilização de uma alíquota de PIS e de COFINS inferior  àquela estabelecida em lei.  39.  Baseou­se, também, na movimentação financeira dos envolvidos e na  circularização  realizada  com  fornecedores  e  clientes,  demonstrando  cabalmente  que  as  empresas  incluídas  no  pólo  passivo  da  obrigação  tributária  como  responsáveis  solidários  buscavam encobrir os verdadeiros sujeitos passivos, objetivando sonegar  tais  informações do  Fisco Federal.  40.  Utilizou­se, ainda, das notas fiscais eletrônicas para tentar demonstrar  que os preços praticados pela Ocidental estavam abaixo do seu próprio preço de custo. Buscou  informações da Escrituração Contábil Digital (ECD) dos anos­calendário 2009, 2010 e 2011 da  Ocidental, mas  constatou que não estava  sendo  entregue,  reforçando a  tese de que pretendia  esconder sua situação fiscal da Receita Federal, dificultando que esta apurasse os fatos acima  descritos, bem como de que teria a intenção de não recolher os impostos devidos.  41.  Assim,  me  parece  bastante  claro  de  onde  foram  extraídos  os  fundamentos de  fato para a  inclusão dos  recorrentes no pólo passivo da obrigação  tributária.  Nesse  contexto,  voto  por  negar  provimento  à  alegação  de  ausência  de  apresentação  da  motivação.    VI ­ DO EXCESSO DE EXAÇÃO  42.  Alegam os recorrentes a impossibilidade de aplicação e exigência da  multa  do  Auto  de  Infração,  face  ao  efeito  confiscatório,  visto  que  a multa  foi  aplicada  em  patamares excessivos.  43.  O  princípio  da  vedação  ao  confisco  tem  sede  constitucional,  no  art.  150,  inciso  IV, da Constituição Federal. Para analisar o pedido dos  recorrentes,  seria preciso  adentrar  na  questão  da  constitucionalidade  dos  dispositivos  legais  utilizados  pelo  Auditor­ Fiscal  na  aplicação  da  multa  de  ofício,  o  que  é  vedado  pelo  art.  26­A  do  Decreto  nº  70.235/1972:  Art.  26­A.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica  vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar  Fl. 1246DF CARF MF Processo nº 11624.720154/2014­12  Acórdão n.º 3401­005.429  S3­C4T1  Fl. 1.247          32 de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento de inconstitucionalidade.  44.  Nesse mesmo sentido, a Súmula CARF nº 2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.   45.  Voto por negar provimento ao pedido dos Recorrentes.    VII ­ DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA  46.  Alegam os recorrentes que não tiveram qualquer relação com nenhum  dos fatos que, em tese, levariam à qualificação da multa, pelo que não poderiam responder por  eles.  Sustenta  que,  para  efetuar  o  presente  lançamento,  a  Fiscalização  apenas  necessitou  adequar  a  alíquota  das  contribuições,  não  tendo  necessitado  da  colaboração  da  Ocidental.  Afirma que não houve ocultação de dados nem dificuldades à Fiscalização.  47.  A qualificação da multa de ofício está prevista no art. 44, § 1º, da Lei  nº 9.430, de 27/12/1996, a seguir transcrito:  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  (....)  §  1º O  percentual  de multa  de  que  trata  o  inciso  I  do  caput  deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e  73  da  Lei  nº  4.502,  de  30  de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  48.  O art. 71 da Lei nº 4.502/64, por sua vez, tipifica a seguinte conduta  como sonegação fiscal:  Art.  71.  Sonegação  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por  parte da autoridade fazendária:  I  ­  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;  49.  As alíquotas das contribuições  são dados  relacionados à natureza ou  circunstância  material  do  fato  gerador.  A  empresa  Ocidental,  pela  atuação  dos  seus  sócios  administradores Rodrigo Ribas Gonçalves  e Deolinda Polizelli Guerino,  alterou  as  alíquotas  estabelecidas para o cálculo do PIS e da COFINS, utilizando, em seu lugar, alíquotas menores,  apurando assim, consequentemente, valores menores destas contribuições.  Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 11624.720154/2014­12  Acórdão n.º 3401­005.429  S3­C4T1  Fl. 1.248          33 50.  Não  há  como  imaginar  que  tal  conduta,  constatada  no  período  de  01/2010  a  03/2011,  ou  seja,  ao  longo de  15 meses,  possa  ter  ocorrido  por  erro material. As  alíquotas do PIS e da COFINS,  além de  estarem previstas em  lei,  constam no DACON, na  ficha  “04A  ­  Cadastro  de  Produtos  Sujeitos  a  Alíquotas  Diferenciadas”,  onde  os  próprios  recorrentes  indicaram  a  venda  do  produto  “0901014­01­Álcool,  Inclusive  para  Fins  Carburantes  ­  Venda  por  Distribuidor  ou  Comerciante  Não  Varejista”.  Entretanto,  os  recorrentes,  em  momento  algum,  deram  qualquer  explicação  sobre  as  razões  de  terem  sido  utilizadas alíquotas diferentes.  51.  A  diferença  de  valores  a  recolher  foi  apurada  pela  Fiscalização  nos  montantes  de R$  15.407.053,10  para  a COFINS  e  de R$  3.358.883,62  para PIS  (valores  do  principal apenas, sem multa e juros). Trata­se de uma quantia expressiva, que não poderia ter  passado  despercebida  por  nenhum  administrador.  Não  é  minimamente  razoável  supor  que  nenhum dos administradores tenha percebido tal diferença em sua apuração das contribuições.  52.  Além disso, os administradores não cumpriram com o dever mínimo  de zelo para com as obrigações fiscais da Ocidental, pois sequer apresentaram a Escrituração  Contábil Digital (ECD) dos anos­calendário 2009, 2010 e 2011. Intimados através do Termo de  Início de Procedimento Fiscal  e do Termo de  Intimação 01 a  apresentarem sua  escrituração,  não apresentaram resposta a nenhum dos dois termos.  53.  Observe­se que a Autoridade Fiscal  teve que realizar a apuração das  contribuições unicamente  corrigindo as  alíquotas,  porém mantendo a mesma base de  cálculo  dos  DACONs,  uma  vez  que  sem  a  contabilidade  da  Ocidental  não  teria  como  verificar  a  correção da base de cálculo utilizada.  54.  Deve acrescentar a este conjunto de evidências o fato de que mesmo  as  contribuições  calculadas  a menor  nos  DACONs,  e  cujos  valores  foram  reproduzidos  nas  DCTFs, não  foram pagas nem compensadas pelos  sócios administradores. Apesar de  tal  fato  não caracterizar a ocorrência de uma sonegação, constitui­se em mais uma evidência de que os  sócios administradores valem­se de uma conduta, de um modus operandi, que visa apropriar­se  de valores que deveriam ser utilizados para pagamentos de tributos.  55.  Os  sócios  administradores  são  os  que  teriam  interesse  em  adotar  tal  conduta para  seus negócios  empresariais,  uma vez que  são os únicos beneficiados por  todos  estes fatos. Mostra­se evidente que se os valores que foram sonegados, bem como aqueles que  ainda não foram recolhidos nem compensados, permanecem à disposição de ambos para serem  utilizados como bem entenderem.  56.  Em conclusão, entendo que restou provado pelas Autoridades Fiscais  que  os  sócios  administradores  da  Ocidental,  Rodrigo  Ribas  Gonçalves  e  Deolinda  Polizelli  Guerino, empreenderam um conjunto de ações dolosas tendentes a impedir ou retardar, total ou  parcialmente,  o  conhecimento  por  parte  da  autoridade  fazendária  sobre  a  natureza  ou  circunstâncias materiais do fato gerador da obrigação tributária principal, configurando assim a  conduta  definida  em  lei  como  "sonegação".  Portanto,  correta  a  duplicação  da  multa  de  ofício.  57.  Quanto  aos  sujeitos  passivos  Ezidio  Guerino,  Luciana  Guerino,  Liliane  Guerino  Valduga  Cruz  e  Fioravante  Guerino  Neto,  sócios  da  ORION  DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS LTDA, uma outra análise deve ser feita.  Fl. 1248DF CARF MF Processo nº 11624.720154/2014­12  Acórdão n.º 3401­005.429  S3­C4T1  Fl. 1.249          34 58.  A  empresa  Ocidental  não  fez  a  transmissão  da  sua  ECD  para  a  Receita Federal, deixando de informar, portanto, o montante do faturamento registrado em sua  contabilidade.  A  consequencia  imediata  desta  conduta  é  dificultar  a  verificação  da  base  de  cálculo correta a ser utilizada para a apuração do PIS e da COFINS.  59.  Entretanto, as Autoridades Tributárias ainda poderiam se valer de sua  movimentação  financeira para  encontrar o  faturamento  e  as bases de  cálculo dos  tributos. A  Fiscalização constatou, porém, que a Ocidental se valia de empresas interpostas com o objetivo  de movimentar parte de sua receita e, assim, ocultar o montante verdadeiro do seu faturamento.  60.  Foram abertos procedimentos de fiscalização junto a essas empresas,  no  âmbito  da  Operação  "MOVIMENTAÇÃO  FINANCEIRA  INCOMPATÍVEL  COM  RECEITA  DECLARADA  –  PJ",  onde  foi  possível  identificar  todo  o  fluxo  financeiro  de  recursos enviados e  recebidos dessas  empresas para e pela Ocidental, bem como circularizar  junto  a  fornecedores  e  clientes  da  Ocidental  para  identificar  a  razão  dos  depósitos  e  transferências bancárias. Além disso, foi feita a apuração dos custos das aquisições de álcool da  Ocidental,  a  partir  de  onde  se  comprovou  que  esta  revendia  tal  produto  a  preço  abaixo  do  praticado no mercado.  61.  Os  fornecedores  e  clientes  da Ocidental  responderam  às  intimações,  prestando os devidos  esclarecimentos. A ORION, entretanto,  a exemplo das outras  empresas  interpostas e da própria Ocidental, não atendeu às intimações da Receita Federal.  62.  As  tabelas  de  fluxos  financeiros  elaboradas  pela  Fiscalização,  constantes  à  fl.  64  deste  processo,  demonstram  que  os  valores  que  circulavam  nas  contas  tinham o claro objetivo de ocultar a real movimentação financeira da Ocidental. A DRJ, em sua  decisão,  apresentou  os  resultados  da  circularização  feita  pelo  Auditor­Fiscal  com  os  fornecedores  da  Ocidental,  onde  são  detalhados  que  os  pagamentos  são  feitos  à  Orion  por  determinação da Ocidental.  63.  Aliás, a própria Ocidental justifica sua relação com a Orion através de  um Contrato  de  Prestação  de  Serviços  e Cooperação,  assinado  em  06/12/2005,  na  qual  está  explícito  que  a  Ocidental  pretende  utilizar  as  contas  bancárias  da  Orion,  empresa  sem  processos trabalhistas contra si, as quais já são existentes e sem nenhuma ordem de constrição  judicial,  para movimentar  seus  recursos  financeiros,  pois  está  sofrendo bloqueios  e penhoras  por conta de decisões judiciais.  64.  Sendo a ORION empresa interposta que claramente participava de tal  ardil, não há como supor que seus sócios administradores, participando de uma empresa cujo  único objetivo era ocultar a movimentação financeira da Ocidental, não tinham conhecimento  da  infração  que  estava  sendo  cometida.  E,  tendo  participação  ativa  em  parte  da  operação,  visando  a  garantir  a  ocultação  da  sonegação  fiscal,  devem  responder  solidariamente  com  a  Ocidental  e  seus  sócios pelo crédito  tributário  lançado. Consequentemente, a qualificação da  multa, por conta da sonegação, também os atinge.  65.  Quanto  ao  agravamento  da  multa  de  ofício,  sua  previsão  se  encontra no art. 44, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996:  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 11624.720154/2014­12  Acórdão n.º 3401­005.429  S3­C4T1  Fl. 1.250          35 I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  (...)  § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais  cabíveis.  (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  (...)  §  2º Os  percentuais  de  multa  a  que  se  referem  o  inciso  I  do  caput  e  o  §  1º  deste  artigo  serão  aumentados  de metade,  nos  casos  de  não  atendimento  pelo  sujeito  passivo,  no  prazo  marcado, de intimação para:   I ­ prestar esclarecimentos;  66.  Conforme  já  exposto  neste mesmo  tópico  do  presente  voto,  tanto  a  Ocidental quanto a Orion foram intimadas a prestar esclarecimentos, mas não responderam às  intimações.  Tal  conduta  trouxe  inegável  prejuízo  à  Fiscalização,  que  solicitou  a  ECD  das  empresas,  bem  como  outros  documentos  que  poderiam  determinar  qual  o  faturamento  das  empresas e qual a correta base de cálculo para apuração das contribuições.   67.  Com  a  ausência  dos  esclarecimentos  solicitados,  a Fiscalização  teve  que se contentar em realizar a apuração com a mesma base de cálculo constante nos DACONs,  informada pela própria Ocidental, sem lhe ser possível a sua conferência com outras fontes de  informação, em especial, a contabilidade das empresas.  68.  Como tanto a Ocidental quanto a Orion não atenderam às intimações  para prestar esclarecimentos, e tal conduta é diretamente imputável àqueles responsáveis pela  administração de  suas  empresas,  o  agravamento da multa de ofício deve valer para  todos os  sujeitos passivos solidários.  69.  Voto por negar provimento ao pedido dos Recorrentes.    VIII  ­  DA  AUSÊNCIA  DE  REQUISIÇÃO  DE  INFORMAÇÕES  FINANCEIRAS  70.  Alegam  os  recorrentes  que  a  decisão  não  teve  qualquer  abono  ou  pertinência, uma vez que o caso deveria ser submetido ao delegado da repartição. Sustentam,  também,  que  os  recorrentes  tiveram  quebrado  seu  sigilo  fiscal  sem  qualquer  autorização  judicial.  71.  Apesar do  texto do Recurso Voluntário ser confuso em sua redação,  não  há  base  legal  para  qualquer  contestação  relacionada  a  uma  "necessidade  de  abono  da  decisão por parte do delegado da repartição". Ademais, como bem destacado pelo Acórdão da  Fl. 1250DF CARF MF Processo nº 11624.720154/2014­12  Acórdão n.º 3401­005.429  S3­C4T1  Fl. 1.251          36 DRJ,  o  procedimento  fiscal  foi  instaurado  com  base  em  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  (MPF) emitido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em Curitiba/PR.  72.  Quanto  à  alegação  de  quebra  do  sigilo  bancário  sem  autorização  judicial,  deve­se  destacar  que  tal  autorização  é  desnecessária  para  os  procedimentos  instaurados pela Receita Federal. Com efeito, a Lei Complementar nº 105, de 2001, c/c o art.  197, inciso II, do CTN, é a base legal para a que as Autoridades Tributárias possam requisitar a  movimentação financeira dos contribuintes sem a necessidade de autorização judicial:  Lei nº 5.172/1.966 (CTN)  Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à  autoridade  administrativa  todas  as  informações  de  que  disponham  com  relação  aos  bens,  negócios  ou  atividades  de  terceiros.  (...)  II  –  os  bancos,  casas  bancárias,  Caixas  Econômicas  e  demais  instituições financeiras;    Lei Complementar nº 105, de 2001  Art.  5º  O  Poder  Executivo  disciplinará,  inclusive  quanto  à  periodicidade  e  aos  limites  de  valor,  os  critérios  segundo  os  quais  as  instituições  financeiras  informarão  à  administração  tributária  da  União,  as  operações  financeiras  efetuadas  pelos  usuários de seus serviços.  §  4º  Recebidas  as  informações  de  que  trata  este  artigo,  se  detectados  indícios  de  falhas,  incorreções  ou  omissões,  ou  de  cometimento  de  ilícito  fiscal,  a  autoridade  interessada  poderá  requisitar  as  informações  e  os  documentos  de  que  necessitar,  bem  como  realizar  fiscalização  ou  auditoria  para  a  adequada  apuração dos fatos.  § 5º As informações a que refere este artigo serão conservadas  sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor.  Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios  somente  poderão examinar documentos, livros e registros de instituições  financeiras,  inclusive  os  referentes  a  contas  de  depósitos  e  aplicações financeiras, quando houver processo administrativo  instaurado  ou  procedimento  fiscal  em  curso  e  tais  exames  sejam  considerados  indispensáveis  pela  autoridade  administrativa competente.  Parágrafo  único. O  resultado  dos  exames, as  informações  e  os  documentos  a  que  se  refere  este  artigo  serão  conservados  em  sigilo, observada a legislação tributária.  73.  O  Supremo  Tribunal  Federal  já  se  pronunciou  pela  constitucionalidade da referida Lei Complementar no julgamento do Recurso Extraordinário nº  Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 11624.720154/2014­12  Acórdão n.º 3401­005.429  S3­C4T1  Fl. 1.252          37 601314/SP,  sob  a  sistemática  de  Repercussão  Geral,  com  Acórdão  publicado  no  DJe  em  16/09/2016, fixando a seguinte tese:  O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao  sigilo  bancário,  pois  realiza  a  igualdade  em  relação  aos  cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem  como  estabelece  requisitos  objetivos  e  o  translado  do  dever  de  sigilo da esfera bancária para a fiscal.  74.  Portanto, como se observa, prevaleceu o entendimento, por maioria de  votos  –  9  a  2  –,  de  que  a  norma  não  resulta  em  quebra  de  sigilo  bancário,  mas  sim  em  transferência  de  sigilo  da  órbita  bancária  para  a  fiscal,  ambas  protegidas  contra  o  acesso  de  terceiros.  A  transferência  de  informações  é  feita  dos  bancos  ao  Fisco,  que  tem  o  dever  de  preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal.  75.  Voto por negar provimento ao pedido dos Recorrentes.    IX ­ DA ALEGAÇÃO DE LEVANTAMENTO FALHO E IMPRECISO  76.  Alegam os recorrentes que a autuação deveria ser anulada, ou feita a  sua correção, pois a Autoridade Fiscal "desprezou completamente todos os créditos deduzíveis,  especialmente as compras".  77.  Entretanto, conforme consta no TVF e nas provas acostadas aos autos,  a empresa Ocidental apresentou seus DACONs sem indicar a existência de créditos de PIS e  COFINS.  Mesmo  assim,  o  Auditor­Fiscal  intimou  a  empresa  por  duas  vezes  a  apresentar  eventuais créditos que julgasse possuir, nos seguintes termos:  1)  Informar  e  demonstrar  os  créditos  das  contribuições  PIS  e  COFINS utilizados nos anos de 2010 e 2011;  78.  A empresa, entretanto, sequer respondeu à intimação. E mesmo agora,  em  seu  Recurso  Voluntário,  alega  o  direito,  mas  não  apresenta  qualquer  prova  de  sua  existência. A DRJ assim se manifestou sobre esse pedido:  Primeiramente  relembramos  que,  no  curso  da  fiscalização,  a  contribuinte,  intimada  a  apresentar  sua  Escrituração  Contábil  (por  duas  vezes),  bem como  informar  e  demonstrar  os  créditos  das contribuições PIS e COFINS utilizados nos anos de 2010 e  2011,  preferiu  não  se manifestar.  E  que,  diante  do  silêncio,  as  contribuições  foram  lançadas  com  base  nos  dados  informados  pela  própria  Interessada  em  seu  DACON,  e  descontando  os  valores declarados em DCTF.  É de se ressaltar, também, que o princípio da verdade material,  que  rege  o  processo  administrativo,  obriga  a  autoridade  administrativa  a  corrigir  o  seu  procedimento  quando  houver  a  apresentação  de  provas  incontestes  de  ocorrência  de  erros  materiais.  Ocorre, entretanto, que as  Impugnantes não  lograram êxito em  comprovar  materialmente  o  erro  de  fato  cometido,  pois  não  Fl. 1252DF CARF MF Processo nº 11624.720154/2014­12  Acórdão n.º 3401­005.429  S3­C4T1  Fl. 1.253          38 juntaram  ao  processo  cópia  da  documentação  contábil  comprovando  os  fatos  relatados,  e  nem  tampouco  dos  documentos  que  comprovam o  valor  das  bases  de  cálculos  das  contribuições. Note­se que, no caso, nem sequer se afirmou que  os dados constantes dos DACONs da contribuinte não refletem a  realidade fática.  (...)  Fundada  a  pretensão  da  Fazenda  Pública  nos  elementos  que  dispuser, cabe ao sujeito passivo apresentar os fatos que possam  impedir, modificar ou extinguir o direito reclamado pelo sujeito  ativo.    79.  Voto por negar provimento ao pedido dos Recorrentes.    X ­ DOS PERÍODOS DOS SÓCIOS  80.  Alegam os recorrentes que o auto de infração seria inconsistente uma  vez que reputa todos os sócios como responsáveis, enquanto na realidade os sócios estiveram  na administração da Orion em períodos distintos.  81.  Analisando o TVF,  realmente  chega­se  à  conclusão de que  todos os  sujeitos  passivos  solidários  foram  responsabilizados  solidariamente  pelo  valor  total  da  autuação; entretanto, o Acórdão da DRJ já parece determinar que cada sócio seja responsável  solidário  apenas  pelos  tributos  lançados  referentes  ao  período  de  apuração  em  que  constava  como administrador no Contrato Social:  Isso posto, conclui­se que os sócios  Impugnantes devem figurar  no  pólo  passivo  das  obrigações  tributárias  dos  respectivos  períodos  em  que  exerciam  a  função  de  administrador  na  OCIDENTAL ou na ORION, conforme o caso, na qualidade de  responsáveis  tributários  solidários  nos  termos  do  art.  135,  inc.  III, do CTN.  82.  Tendo em vista essa decisão, entendo que ocorreu a perda do objeto  do pedido dos recorrentes, pois já se encontram contemplados pela decisão da DRJ.    XI  ­  DA  LEGALIDADE  DA  MOVIMENTAÇÃO  FINANCEIRA  NA  CONTA DA IMPUGNANTE ORION  83.  Alegam  os  recorrentes  que  as  empresas  OCIDENTAL  e  ORION  firmaram  "Contrato  de Prestação  de Serviços  e Cooperação",  tendo  como pressuposto  que  a  OCIDENTAL era ré em diversos processos trabalhistas com bloqueios judiciais de valores em  conta corrente; que estes bloqueios na conta da OCIDENTAL ocasionariam a inviabilidade do  empreendimento,  e  assim  resolveram  estabelecer  uma  cooperação  financeira,  inclusive  de  operações de créditos sempre em nome da ORION, mas sob a ordem da OCIDENTAL.  Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 11624.720154/2014­12  Acórdão n.º 3401­005.429  S3­C4T1  Fl. 1.254          39 84.  Essa questão já foi discutida no tópico "VII ­ DA QUALIFICAÇÃO  DA MULTA", sendo desnecessária sua repetição. Restou evidenciado que a Orion agia como  empresa interposta, movimentando recursos financeiros que pertenciam à Ocidental.  85.  Voto por negar provimento ao pedido dos Recorrentes.    XII ­ DOS REQUERIMENTOS  a) Pedido de sustentação oral e produção de prova oral consistente na oitiva  de testemunhas  Aos  recorrentes  é  facultado  apresentar  sustentação  oral  na  sessão  do  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na forma especificada em seu regimento interno.  Entretanto, não há previsão para oitiva de  testemunhas. Nesse  sentido, voto  pelo indeferimento do pedido dos recorrentes.  b) Pedido de perícia  Não  é  cabível  a  solicitação  de  perícia  para  refazer  a  apuração  das  contribuições.  Caso  os  recorrentes  tivessem  discordado  da  apuração  realizada  pelo  Auditor­ Fiscal, deveriam ter apresentado sua própria apuração,  inclusive com o desconto dos créditos  que alega possuir, e os respectivos documentos comprobatórios. Aí sim, poderia ser designada  uma diligência para averiguar a veracidade dos cálculos efetuados.  O  que  os  recorrentes  pretendem,  no  entanto,  é  a  realização  de  perícia  para  fazer  a  própria  produção  de  provas,  inclusive  porque  nenhuma  foi  apresentada  junto  com  o  Recurso  Voluntário  ou  com  a  Impugnação.  Entretanto,  diligências  e  perícias  devem  dirimir  dúvidas  de  natureza  técnica,  não  podendo  se  prestar  para  a  coleta  de  provas  que  desde  a  Impugnação já podiam ter sido apresentadas pela defesa.  c) Pedido de encaminhamento de intimações diretamente aos advogados  Não  há  previsão  legal  para  que  a  intimação  seja  feita  diretamente  ao  advogado, devendo  todas as  intimações, nos  termos do art. 23,  incisos  I a  III, do Decreto nº  70.235, de 1972, serem direcionadas aos sujeitos passivos.    Assim,  pelos  fundamentos  acima  expostos,  voto  por  conhecer  e  negar  provimento ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Lázaro Antônio Souza Soares ­ Relator                Fl. 1254DF CARF MF Processo nº 11624.720154/2014­12  Acórdão n.º 3401­005.429  S3­C4T1  Fl. 1.255          40                 Fl. 1255DF CARF MF

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Numero do processo: 11020.001000/2004-47
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2004 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. Tendo o acórdão paradigma restringido a sua análise da matéria a quais bens ou serviços enquadram-se no conceito de insumos, segundo a legislação do IPI, para fins de creditamento do PIS/Pasep não-cumulativo, não se estabelece com a decisão recorrida a necessária divergência jurisprudencial, pois não se trava a discussão quanto à previsão expressa contida no inciso II do art. 3º, da Lei n.º 10.637/2002.
Numero da decisão: 9303-007.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO

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insumos,  segundo a  legislação do  IPI,  para  fins  de  creditamento  do  PIS/Pasep  não­cumulativo,  não  se  estabelece com a decisão  recorrida a necessária divergência  jurisprudencial,  pois não se trava a discussão quanto à previsão expressa contida no inciso II  do art. 3º, da Lei n.º 10.637/2002.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do Recurso Especial.    (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em Exercício    (assinado digitalmente)  Vanessa Marini Cecconello ­ Relatora       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 10 00 /2 00 4- 47 Fl. 861DF CARF MF Processo nº 11020.001000/2004­47  Acórdão n.º 9303­007.685  CSRF­T3  Fl. 862          2   Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Andrada  Márcio  Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge  Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da  Costa Pôssas (Presidente em Exercício).     Relatório    Trata­se  de  recurso  especial  de  divergência  interposto  pela  FAZENDA  NACIONAL  (e­fls.  07  a  59),  com  fulcro  nos  artigos  64,  inciso  II  e  67,  do  Anexo  II  do  Regimento  Interno  do Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais  – RICARF,  aprovado  pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 3302­00.171 (e­fls. 01 a  05) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 18  de setembro de 2009, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário. O acórdão  foi assim ementado:    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2004  NÃO­CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. OUTRAS DESPESAS.   Por falta de previsão legal, não geram direito ao crédito do PIS/Cofins as  despesas  realizadas  ou  incorridas  que  não  se  enquadrem  no  conceito  de  insumo,  exceto  as  previstas  na  legislação.  Também  não  geram  direito  a  crédito  as  despesas  que  não  forem  comprovadas  por  meio  de  documentação hábil e idônea.  COMBUSTÍVEL E LUBRIFICANTES USADO NA PRODUÇÃO. DIREITO  AO CRÉDITO.   As  despesas  com  a  aquisição  de  combustíveis,  inclusive  o  GLP,  e  os  lubrificantes  usados  no  processo  produtivo  da  adquirente  dão  direito  ao  crédito do PIS/Cofins não­cumulativos.  Recurso Voluntário Provido em Parte.  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  Membros  da  SEGUNDA  TURMA  ORDINÁRIA  da  TERCEIRA  CÂMARA  da  TERCEIRA  SEÇÃO  DE  JULGAMENTO  do  CONSELHO  ADMINISTRATIVO  DE  RECURSOS  FISCAIS,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso  para  reconhecer o direito ao crédito nas aquisições de GLP .  Fl. 862DF CARF MF Processo nº 11020.001000/2004­47  Acórdão n.º 9303­007.685  CSRF­T3  Fl. 863          3 (grifou­se)    Não resignada em parte com a decisão, a Fazenda Nacional  interpôs recurso  especial  alegando  divergência  jurisprudencial  quanto  ao  conceito  de  insumos  para  fins  de  utilização  de  créditos  das  contribuições  para  o  PIS  e  a  COFINS  na  sistemática  da  não­ cumulatividade,  defendendo  que  apenas  podem  ser  considerados  insumos  para  fins  de  cálculo do crédito do PIS não­cumulativo aqueles elencados no art. 3º da Lei nº 10.637/2002  combinado com o art. 66 da IN SRF nº 464/2004, adotando a tese da definição de “insumos”  prevista na legislação do IPI. Nessa linha, sustenta não ser possível o creditamento de PIS e  COFINS  com  relação  às  aquisições  de  gás  GLP  para  empilhadeiras  e  lubrificantes  para  máquinas industriais, pois não se incorporam ao produto final. Para comprovar a divergência,  colacionou  como  paradigma  o  acórdão  n.º  203­12.448  que,  diversamente  da  decisão  recorrida, adota como conceito de “insumo” a tese trazida na legislação do IPI.  A  Recorrente  aduz  ainda,  em  apertadas  linhas,  com  base  no  conceito  de  insumos da legislação do IPI, para se considerar combustíveis e lubrificantes como insumos,  é necessário que estes sejam empregados diretamente na fabricação dos produtos destinados  à  venda,  e  desde  que  não  contabilizados  pelo  contribuinte  no  seu  ativo  permanente,  que  sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou por ele  diretamente  sofrida,  alterações  tais  como  o  desgaste,  o  dano  ou  a  perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas.  Por  fim,  pede  o  provimento  do  recurso  especial  com  a  reforma  do  acórdão recorrido no ponto atacado.   Nos  termos do despacho n.º 3300­0045, de 06 de junho de 2011  (e­fls. 93 a  95),  foi  dado  seguimento  ao  recurso  especial  da  Fazenda Nacional,  por  ter  sido  entendida  como comprovada a divergência  jurisprudencial, com base no Acórdão paradigma n.º 203­ 12.448, quanto ao conceito de insumo para utilização dos créditos na apuração do PIS e da  COFINS  na  sistemática  da  não­cumulatividade, mais  especificamente  quanto  ao  direito  ao  crédito de PIS/Pasep nas aquisições de GLP e lubrificantes para máquinas industriais.   Cientificada  a  Contribuinte  (e­fls.  857  e  858),  não  foram  apresentadas  contrarrazões.   O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado  e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais ­ 3ª  Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ CARF.   É o Relatório.             Fl. 863DF CARF MF Processo nº 11020.001000/2004­47  Acórdão n.º 9303­007.685  CSRF­T3  Fl. 864          4 Voto               Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora     Admissibilidade    O  recurso  especial  de  divergência  interposto  pela  Fazenda  Nacional  é  tempestivo,  restando  analisar­se  o  atendimento  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade  constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­  RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria  MF n.º 256/2009).  No  acórdão  recorrido,  a  Turma a  quo  afastou  a  glosa  relativa  aos  créditos  de  PIS/Pasep  não­cumulativo  decorrente  das  aquisições  de  combustíveis  ­  gás  GLP  para  as  empilhadeiras ­ e lubrificantes para as máquinas industriais, com base no inciso II do art. 3º da  Lei nº 10.637/2002, que expressamente prevê a possibilidade de exclusão dos referidos itens da  base  de  cálculo  do  PIS  desde  que  utilizados  na  fabricação  dos  bens,  restando  superada  a  discussão quanto ao seu enquadramento no conceito de insumos.   Para elucidar a assertiva, transcreve­se trecho da decisão de parcial provimento  do recurso voluntário, combatida no recurso especial da Fazenda Nacional, in verbis:    [...]  A recorrente defende que o gás usado em empilhadeira e o lubrificante  usado  na  manutenção  de  máquinas  são  insumos,  no  que  a  decisão  recorrida discorda.  Sobre  este  tema,  o  inciso  II,  do  art.  3º,  da  Lei  n.º  10.637/2002,  e  alterações posteriores (Leis nº 10.684/03 e 10.865/04), assim dispõe:  Art.  3º  ­  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2º  a  pessoa  jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a:  (...)  II  ­ bens e serviços, utilizados como insumo na prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata  o  art.  2º  da  Lei  nº  10.485,  de  3  de  julho  de  2002,  devido  pelo  fabricante  ou  importador,  ao  concessionário,  pela  Fl. 864DF CARF MF Processo nº 11020.001000/2004­47  Acórdão n.º 9303­007.685  CSRF­T3  Fl. 865          5 intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados  nas  posições 87.03 e 87.04 da TIPI;  (grifei).  Da  leitura  atenta  deste  dispositivo  legal  há  que  se  concluir que a condição para descontar o crédito sobre combustíveis  e  lubrificantes  é  que  eles  sejam  usados  na  fabricação  de  bens  ou  produtos,  estando  superada  a  discussão  se  os  mesmos  são  ou  não  insumos. A Lei determina que os mesmos sejam assim tratados.  No  caso  concreto,  não  vejo  como  negar  o  crédito  sobre  o  gás  (GLP)  usado  em  empilhadeira  e  o  lubrificante  para  máquinas  porque  estes  equipamentos  (máquinas  e  empilhadeira)  são  usados no processo de produção de artefatos de madeira.  Poder­se­ia  questionar  que  a  empilhadeira  não  é  equipamento usado na fabricação de artefatos de madeira. No entanto,  pelo  que  disse  a  recorrente,  no  que  concordo,  este  equipamento  é  usado  pára  a  movimentação  de  matéria­prima  dentro  da  empresa,  indispensável e integrante do processo produtivo. 0 fato de também ser  usada para movimentar produtos acabados, ao meu ver, não excluir o  direito ao crédito.  Por seu turno, o lubrificante usado na manutenção de  máquinas  deve  ter  o  mesmo  tratamento  das  peças  de  reposição  que,  inquestionavelmente, geram direito a crédito.  [...]    Portanto,  os  argumentos  que  embasaram  a  concessão  do  direito  ao  crédito  passam ao largo da discussão quanto ao conceito de insumos, pois se restringem à disposição  contida no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e na condição de que os combustíveis e  lubrificantes sejam utilizados na fabricação dos bens, requisitos verificados no caso dos autos.   A Fazenda Nacional, por meio do seu recurso especial, busca reverter o julgado  com relação à concessão dos créditos decorrentes das aquisições de GLP e  lubrificantes para  máquinas, atacando, no entanto, argumento diverso daquele utilizado pelo acórdão recorrido. A  divergência jurisprudencial suscitada e comprovada pela Procuradoria refere­se ao conceito de  insumos,  defendendo  aplicar­se  aquele  mais  restrito  decorrente  da  legislação  do  IPI.  Nesse  sentido  é  a  argumentação  desenvolvida  em  sua  peça  recursal,  bem  como o  acórdão  n.º  203­ 12.448, indicado como paradigma, cuja ementa segue abaixo transcrita, in verbis:    CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   Data do fato gerador: 31/07/2003   IPI. CRÉDITOS.   Fl. 865DF CARF MF Processo nº 11020.001000/2004­47  Acórdão n.º 9303­007.685  CSRF­T3  Fl. 866          6 Geram o  direito  ao  crédito,  bem  como  compõem  a  base  cálculo  do  crédito  presumido,  além  dos  que  se  integram  ao  produto  final  (matérias­primas  e  produtos intermediários, stricto sensu, e material de embalagem), e os artigos  que se consumam durante o processo produtivo e que não faça parte do ativo  permanente,  mas  que  nesse  consumo  continue  guardando  uma  relação  intrínseca  com  o  conceito  stricto  sensu  de  matéria­prima  ou  produto  intermediário:  exercer  na  operação  de  industrialização  um  contato  físico  tanto  entre  uma  matéria­prima  e  outra,  quanto  da  matéria­prima  com  o  produto final que se forma.   PIS/PASEP. REGIME NÃO­CUMULATIVO. CRÉDITOS. GLOSA PARCIAL.   O aproveitamento dos créditos do PIS no regime da não cumulatividade há  que  obedecer  às  condições  especificas  ditadas  pelo  artigo  3°  da  Lei  n°  10.637,  de  2002,  c/c  o  artigo  66  da  IN  SRF  n°  247,  de  2002,  com  as  alterações da IN SRF n° 358, de 2003. Incabíveis, pois, créditos originados  de  gastos  com  seguros  (incêndio,  vendaval  etc),  material  de  segurança  (óculos, jalecos, protetores auriculares), materiais de uso geral (buchas para  máquinas, cadeado, disjuntor, calço para prensa, catraca, correias, cotovelo,  cruzetas,  reator  para  lâmpada),  peças  de  reposição  de  máquinas,  amortização  de  despesas  operacionais,  conservação  e  limpeza, manutenção  predial.   Recurso negado.       Portanto, tendo o acórdão paradigma restringido a sua análise da matéria a quais  bens ou serviços enquadram­se no conceito de insumos, segundo a legislação do IPI, para fins  de  creditamento  do  PIS/Pasep  não­cumulativo,  não  se  estabelece  com  a  decisão  recorrida  a  necessária divergência jurisprudencial, pois não se trava a discussão quanto à previsão expressa  contida no inciso II do art. 3º, da Lei n.º 10.637/2002.   Além disso, verifica­se dos itens tratados na decisão paradigmática não estarem  dentre  os  mesmos  combustíveis  (gas  GLP)  e  lubrificantes  para  máquinas,  evidenciando­se  ainda mais a ausência de divergência jurisprudencial.   Diante do exposto, não se conhece do recurso especial da Fazenda Nacional.   É o voto.   (assinado digitalmente)  Vanessa Marini Cecconello                          Fl. 866DF CARF MF

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Numero do processo: 16561.720242/2016-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013, 2014 ART. 24 DA LINDB. INAPLICABILIDADE. A Constituição Federal reserva à lei complementar a definição de normas gerais em matéria de legislação tributária e, nesta seara, o Código Tributário Nacional estipula as regras para homologação da atividade de apuração de tributos pelo sujeito passivo, bem como define as normas complementares no âmbito tributário e os critérios de aplicação, interpretação e integração da legislação triburária. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO EM SEDE DE DILIGÊNCIA. Inexiste alteração de critério jurídico se as constatações expressas por ocasião do encerramento da diligência determinada pela autoridade julgadora de 1ª instância apenas confirmam a motivação originalmente adotada para formalização do lançamento. NULIDADE POR NEGLIGÊNCIA NO CUMPRIMENTO DE DILIGÊNCIA. Descabe a arguição de nulidade se a expedição de Requisição de Movimentação Financeira determinada pela autoridade julgadora de 1ª instância não se revela possível depois do encerramento do procedimento fiscal, especialmente se a resistência da contribuinte no curso do procedimento fiscal retardou o conhecimento do Fisco acerca das operações financeiras investigadas e permitiu que apenas parte das requisições fosse antes expedida. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. AUSÊNCIA DE PROVA DO "REAL ADQUIRENTE" DOS INVESTIMENTOS. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA DA TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. Se, apesar do empenho da autoridade fiscal em identificar o fluxo financeiro das operações, a resistência da fiscalizada em fornecer as informações impediu investigações mais aprofundadas para identificação da real adquirente dos investimentos, de modo a apurar se o custo do investimento permaneceu registrado em seu patrimônio, descabe a glosa das amortizações do ágio pago. LAUDO EXTEMPORÂNEO. Subsiste a glosa, apenas, na parte correspondente a investimento cujo fundamento do ágio não resta demonstrado, dada a apresentação de laudo extemporâneo e que justifica a mais-valia em valor de mercado dos bens do ativo da adquirida, até porque, ainda que o laudo fosse contemporâneo à aquisição, a mera fundamentação em valor de mercado de ativos não validaria a dedutibilidade parcial com base em taxas de depreciação aplicáveis aos ativos, vez que a dedução de depreciação é dependente, também, do tempo remanescente de vida útil dos bens e da sua efetiva utilização na atividade operacional, além da necessária verificação acerca de eventual alienação ou baixa no período considerado. MULTA QUALIFICADA. Deve ser afastada a qualificação da penalidade quando não resta suficientemente provado que os dispositivos legais que autorizam a amortização do ágio foram aplicados para obter vantagens tributárias a partir da criação de novas hipóteses de casos artificiais, elaboradas em outro contexto. DECADÊNCIA. Afastada a qualificação da penalidade, cumpre verificar a regra decadencial aplicável. MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA. OBRIGATORIEDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. APLICAÇÃO DO ART. 150 DO CTN. NECESSIDADE DE CONDUTA A SER HOMOLOGADA. O fato de o tributo sujeitar-se a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomar-se o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial. CONDUTA A SER HOMOLOGADA. Imposto de renda e CSLL retidos na fonte e deduzidos na apuração anual caracterizam pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, §4º do CTN. TRANSFERÊNCIA DE CAPITAL PARA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO POR EMPRESA VEÍCULO, SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA. SUBSISTÊNCIA DO INVESTIMENTO NO PATRIMÔNIO DA INVESTIDORA ORIGINAL. Para dedução fiscal da amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura é necessário que a incorporação se verifique entre a investida e a pessoa jurídica que adquiriu a participação societária com ágio. Não é possível a amortização se o investimento subsiste no patrimônio da investidora original. LAUDO EXTEMPORÂNEO. Não se admite como demonstração de fundamento do ágio pago laudo elaborado mais de um ano depois da aquisição do investimento, bem como rejeita-se laudo trazido em impugnação que atribui à investida valor de mercado, considerando a rentabilidade futura, inferior ao seu valor patrimonial. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE Caracteriza o evidente intuito de fraudar o Fisco as operações de reestruturação societárias criadas com o objetivo único de possibilitar a amortização de ágio mediante a utilização de empresas-veículo, sem propósito negocial que não seja o de obter benefício tributário. INTERPRETAÇÃO DE PENALIDADE FAVORAVELMENTE AO CONTRIBUINTE. APLICAÇÃO DO ART. 112 DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. Estando os fatos que determinaram a aplicação da multa qualificada devidamente identificados e não restando dúvida sobre o enquadramento da situação de fato ao tipo previsto na lei é inaplicável o art. 112 do CTN. PENALIDADES. ART. 76 DA LEI Nº 4.502/64. NÃO APLICAÇÃO. Embora o artigo 76, II, “a” da Lei nº 4.502/64 exclua a penalidade pela observância de decisão irrecorrível de última instância administrativa, o artigo 100 do CTN (Lei nº 5.172/66), norma posterior, passou a excluir penalidades apenas no caso de observância de decisões administrativas a que a lei atribua eficácia normativa. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. O não-recolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada, ainda que encerrado o ano-calendário. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do ano-calendário, por caracterizarem penalidades distintas, desde que a exigência não se refira a infrações ocorridas na vigência da redação original do art. 44, §1o, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996. CANCELAMENTO PARCIAL DAS GLOSAS. As multas isoladas devem ser recalculadas com o expurgo das glosas canceladas. MULTA POR OMISSÃO EM ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL FISCAL - ECF. A lei que prevê a penalidade não indica qualquer conduta que possa dispensar o cumprimento da obrigação acessória determinada, exceto as condutas previstas nos incisos I e II do § 3° do art. 8º-A da nova redação do Decreto-lei nº 1.598/77, que foram observadas pela autoridade fiscal. O lançamento foi devidamente demonstrado faticamente e fundamentado na legislação pertinente, sendo ato administrativo vinculado, portanto, obrigatório, sob pena de responsabilidade funcional. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOBSERVÂNCIA. ANÁLISE VEDADA A autoridade administrativa encontra-se vinculada ao estrito cumprimento da legislação tributária, não dispondo de competência para apreciar inconstitucionalidade e/ou invalidade de norma, considerando princípios constitucionais, quando o diploma está legitimamente inserido no ordenamento jurídico nacional. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Inexistindo questionamentos específicos, o cancelamento parcial das glosas deve repercutir na base de cálculo da CSLL.
Numero da decisão: 1402-003.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, i) conhecer da petição apresentada depois de pautado o processo para julgamento, mas rejeitar a preliminar de aplicação do art. 24 da LINDB; ii) afastar a arguição de nulidade do lançamento por alteração de critério jurídico em sede de diligência, bem como por negligência no cumprimento de diligência junto a instituições financeiras; iii) negar provimento ao recurso voluntário para, iii.i) manter integralmente as glosas de amortização do ágio pago na aquisição de Santaelisa Vale S/A, votando pelas conclusões os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio; ; iii.ii) manter os lançamentos de multa por omissão na ECF; iv) dar provimento parcial ao recurso voluntário para que as apurações de 2010, 2011 e 2012 sejam recompostas em razão do afastamento das glosas de amortização do ágio pago na aquisição de "Tavares de Melo" e do acolhimento da arguição de decadência relativamente à glosa de amortização do ágio pago na aquisição de "Ampla" no ano-calendário 2010, inclusive verificando-se a disponibilização de prejuízos fiscais e bases negativas para compensação em períodos posteriores ao aqui autuados em valores superiores aos utilizados pela autoridade lançadora; por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: v) afastar as glosas de amortização do ágio pago na aquisição de "Tavares de Melo" (R$ 114.389.672,40 nos anos-calendário 2010 e 2011 e R$ 19.064.945,40 no ano-calendário 2012), vencido o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone que negava provimento. Os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio acompanharam a Relatora pelas conclusões; vi) acolher a arguição de decadência relativamente à glosa de amortização do ágio pago na aquisição de "Ampla" no ano-calendário 2010 (R$ 1.033.275,36) e manter as glosas referentes aos anos-calendário 2011 (R$ 1.033.275,36) e 2012 (R$ 172.212,55), afastando qualificação da multa, vencido o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone que negava provimento; por voto de qualidade, vii) negar provimento ao recurso voluntário em relação à qualificação da multa em 150% sobre as glosas de amortização do ágio pago na aquisição de Santaelisa Vale S/A nos anos-calendário 2011 a 2014, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio que davam provimento para excluir a exasperação; viii) dar provimento parcial ao recurso voluntário para recálculo das multas isoladas com o expurgo das glosas de amortização do ágio pago na aquisição de "Tavares de Melo" nos anos-calendário 2011 (R$ 114.389.672,40) e 2012 (R$ 19.064.945,40), vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio que davam provimento para afastar os lançamentos de multas isoladas por concomitância. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Relatora. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente em Exercício).
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, i) conhecer da petição apresentada depois de pautado o processo para julgamento, mas rejeitar a preliminar de aplicação do art. 24 da LINDB; ii) afastar a arguição de nulidade do lançamento por alteração de critério jurídico em sede de diligência, bem como por negligência no cumprimento de diligência junto a instituições financeiras; iii) negar provimento ao recurso voluntário para, iii.i) manter integralmente as glosas de amortização do ágio pago na aquisição de Santaelisa Vale S/A, votando pelas conclusões os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio; ; iii.ii) manter os lançamentos de multa por omissão na ECF; iv) dar provimento parcial ao recurso voluntário para que as apurações de 2010, 2011 e 2012 sejam recompostas em razão do afastamento das glosas de amortização do ágio pago na aquisição de "Tavares de Melo" e do acolhimento da arguição de decadência relativamente à glosa de amortização do ágio pago na aquisição de "Ampla" no ano-calendário 2010, inclusive verificando-se a disponibilização de prejuízos fiscais e bases negativas para compensação em períodos posteriores ao aqui autuados em valores superiores aos utilizados pela autoridade lançadora; por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: v) afastar as glosas de amortização do ágio pago na aquisição de "Tavares de Melo" (R$ 114.389.672,40 nos anos-calendário 2010 e 2011 e R$ 19.064.945,40 no ano-calendário 2012), vencido o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone que negava provimento. Os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio acompanharam a Relatora pelas conclusões; vi) acolher a arguição de decadência relativamente à glosa de amortização do ágio pago na aquisição de "Ampla" no ano-calendário 2010 (R$ 1.033.275,36) e manter as glosas referentes aos anos-calendário 2011 (R$ 1.033.275,36) e 2012 (R$ 172.212,55), afastando qualificação da multa, vencido o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone que negava provimento; por voto de qualidade, vii) negar provimento ao recurso voluntário em relação à qualificação da multa em 150% sobre as glosas de amortização do ágio pago na aquisição de Santaelisa Vale S/A nos anos-calendário 2011 a 2014, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio que davam provimento para excluir a exasperação; viii) dar provimento parcial ao recurso voluntário para recálculo das multas isoladas com o expurgo das glosas de amortização do ágio pago na aquisição de "Tavares de Melo" nos anos-calendário 2011 (R$ 114.389.672,40) e 2012 (R$ 19.064.945,40), vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio que davam provimento para afastar os lançamentos de multas isoladas por concomitância. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Relatora. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente em Exercício).

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013, 2014 ART. 24 DA LINDB. INAPLICABILIDADE. A Constituição Federal reserva à lei complementar a definição de normas gerais em matéria de legislação tributária e, nesta seara, o Código Tributário Nacional estipula as regras para homologação da atividade de apuração de tributos pelo sujeito passivo, bem como define as normas complementares no âmbito tributário e os critérios de aplicação, interpretação e integração da legislação triburária. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO EM SEDE DE DILIGÊNCIA. Inexiste alteração de critério jurídico se as constatações expressas por ocasião do encerramento da diligência determinada pela autoridade julgadora de 1ª instância apenas confirmam a motivação originalmente adotada para formalização do lançamento. NULIDADE POR NEGLIGÊNCIA NO CUMPRIMENTO DE DILIGÊNCIA. Descabe a arguição de nulidade se a expedição de Requisição de Movimentação Financeira determinada pela autoridade julgadora de 1ª instância não se revela possível depois do encerramento do procedimento fiscal, especialmente se a resistência da contribuinte no curso do procedimento fiscal retardou o conhecimento do Fisco acerca das operações financeiras investigadas e permitiu que apenas parte das requisições fosse antes expedida. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. AUSÊNCIA DE PROVA DO "REAL ADQUIRENTE" DOS INVESTIMENTOS. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA DA TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. Se, apesar do empenho da autoridade fiscal em identificar o fluxo financeiro das operações, a resistência da fiscalizada em fornecer as informações impediu investigações mais aprofundadas para identificação da real adquirente dos investimentos, de modo a apurar se o custo do investimento permaneceu registrado em seu patrimônio, descabe a glosa das amortizações do ágio pago. LAUDO EXTEMPORÂNEO. Subsiste a glosa, apenas, na parte correspondente a investimento cujo fundamento do ágio não resta demonstrado, dada a apresentação de laudo extemporâneo e que justifica a mais-valia em valor de mercado dos bens do ativo da adquirida, até porque, ainda que o laudo fosse contemporâneo à aquisição, a mera fundamentação em valor de mercado de ativos não validaria a dedutibilidade parcial com base em taxas de depreciação aplicáveis aos ativos, vez que a dedução de depreciação é dependente, também, do tempo remanescente de vida útil dos bens e da sua efetiva utilização na atividade operacional, além da necessária verificação acerca de eventual alienação ou baixa no período considerado. MULTA QUALIFICADA. Deve ser afastada a qualificação da penalidade quando não resta suficientemente provado que os dispositivos legais que autorizam a amortização do ágio foram aplicados para obter vantagens tributárias a partir da criação de novas hipóteses de casos artificiais, elaboradas em outro contexto. DECADÊNCIA. Afastada a qualificação da penalidade, cumpre verificar a regra decadencial aplicável. MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA. OBRIGATORIEDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. APLICAÇÃO DO ART. 150 DO CTN. NECESSIDADE DE CONDUTA A SER HOMOLOGADA. O fato de o tributo sujeitar-se a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomar-se o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial. CONDUTA A SER HOMOLOGADA. Imposto de renda e CSLL retidos na fonte e deduzidos na apuração anual caracterizam pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, §4º do CTN. TRANSFERÊNCIA DE CAPITAL PARA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO POR EMPRESA VEÍCULO, SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA. SUBSISTÊNCIA DO INVESTIMENTO NO PATRIMÔNIO DA INVESTIDORA ORIGINAL. Para dedução fiscal da amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura é necessário que a incorporação se verifique entre a investida e a pessoa jurídica que adquiriu a participação societária com ágio. Não é possível a amortização se o investimento subsiste no patrimônio da investidora original. LAUDO EXTEMPORÂNEO. Não se admite como demonstração de fundamento do ágio pago laudo elaborado mais de um ano depois da aquisição do investimento, bem como rejeita-se laudo trazido em impugnação que atribui à investida valor de mercado, considerando a rentabilidade futura, inferior ao seu valor patrimonial. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE Caracteriza o evidente intuito de fraudar o Fisco as operações de reestruturação societárias criadas com o objetivo único de possibilitar a amortização de ágio mediante a utilização de empresas-veículo, sem propósito negocial que não seja o de obter benefício tributário. INTERPRETAÇÃO DE PENALIDADE FAVORAVELMENTE AO CONTRIBUINTE. APLICAÇÃO DO ART. 112 DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. Estando os fatos que determinaram a aplicação da multa qualificada devidamente identificados e não restando dúvida sobre o enquadramento da situação de fato ao tipo previsto na lei é inaplicável o art. 112 do CTN. PENALIDADES. ART. 76 DA LEI Nº 4.502/64. NÃO APLICAÇÃO. Embora o artigo 76, II, “a” da Lei nº 4.502/64 exclua a penalidade pela observância de decisão irrecorrível de última instância administrativa, o artigo 100 do CTN (Lei nº 5.172/66), norma posterior, passou a excluir penalidades apenas no caso de observância de decisões administrativas a que a lei atribua eficácia normativa. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. O não-recolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada, ainda que encerrado o ano-calendário. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do ano-calendário, por caracterizarem penalidades distintas, desde que a exigência não se refira a infrações ocorridas na vigência da redação original do art. 44, §1o, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996. CANCELAMENTO PARCIAL DAS GLOSAS. As multas isoladas devem ser recalculadas com o expurgo das glosas canceladas. MULTA POR OMISSÃO EM ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL FISCAL - ECF. A lei que prevê a penalidade não indica qualquer conduta que possa dispensar o cumprimento da obrigação acessória determinada, exceto as condutas previstas nos incisos I e II do § 3° do art. 8º-A da nova redação do Decreto-lei nº 1.598/77, que foram observadas pela autoridade fiscal. O lançamento foi devidamente demonstrado faticamente e fundamentado na legislação pertinente, sendo ato administrativo vinculado, portanto, obrigatório, sob pena de responsabilidade funcional. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOBSERVÂNCIA. ANÁLISE VEDADA A autoridade administrativa encontra-se vinculada ao estrito cumprimento da legislação tributária, não dispondo de competência para apreciar inconstitucionalidade e/ou invalidade de norma, considerando princípios constitucionais, quando o diploma está legitimamente inserido no ordenamento jurídico nacional. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Inexistindo questionamentos específicos, o cancelamento parcial das glosas deve repercutir na base de cálculo da CSLL.

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1402­003.605  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  11 de dezembro de 2018  Matéria  IRPJ/CSLL ­ Glosa de amortização de ágio  Recorrente  BIOSEV S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2010, 2011, 2012, 2013, 2014  ART.  24  DA  LINDB.  INAPLICABILIDADE.  A  Constituição  Federal  reserva  à  lei  complementar  a  definição  de  normas  gerais  em  matéria  de  legislação tributária e, nesta seara, o Código Tributário Nacional estipula as  regras  para  homologação  da  atividade  de  apuração  de  tributos  pelo  sujeito  passivo, bem como define as normas complementares no âmbito tributário e  os critérios de aplicação, interpretação e integração da legislação triburária.   NULIDADE  DO  LANÇAMENTO  POR  ALTERAÇÃO  DE  CRITÉRIO  JURÍDICO  EM  SEDE  DE  DILIGÊNCIA.  Inexiste  alteração  de  critério  jurídico  se  as  constatações  expressas  por  ocasião  do  encerramento  da  diligência  determinada  pela  autoridade  julgadora  de  1ª  instância  apenas  confirmam  a  motivação  originalmente  adotada  para  formalização  do  lançamento. NULIDADE POR NEGLIGÊNCIA NO CUMPRIMENTO DE  DILIGÊNCIA. Descabe a arguição de nulidade se a expedição de Requisição  de  Movimentação  Financeira  determinada  pela  autoridade  julgadora  de  1ª  instância  não  se  revela  possível  depois  do  encerramento  do  procedimento  fiscal,  especialmente  se  a  resistência  da  contribuinte  no  curso  do  procedimento fiscal retardou o conhecimento do Fisco acerca das operações  financeiras  investigadas  e  permitiu  que  apenas  parte  das  requisições  fosse  antes expedida.  AMORTIZAÇÃO  DE  ÁGIO.  AUSÊNCIA  DE  PROVA  DO  "REAL  ADQUIRENTE"  DOS  INVESTIMENTOS.  INSUFICIÊNCIA  PROBATÓRIA DA TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. Se, apesar do empenho  da  autoridade  fiscal  em  identificar  o  fluxo  financeiro  das  operações,  a  resistência da fiscalizada em fornecer as  informações impediu investigações  mais  aprofundadas  para  identificação  da  real  adquirente  dos  investimentos,  de modo a apurar se o custo do investimento permaneceu registrado em seu  patrimônio,  descabe  a  glosa  das  amortizações  do  ágio  pago.  LAUDO  EXTEMPORÂNEO.  Subsiste  a  glosa,  apenas,  na  parte  correspondente  a     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 02 42 /2 01 6- 73 Fl. 10131DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 3          2 investimento  cujo  fundamento  do  ágio  não  resta  demonstrado,  dada  a  apresentação de laudo extemporâneo e que justifica a mais­valia em valor de  mercado dos bens do ativo da adquirida, até porque, ainda que o laudo fosse  contemporâneo à aquisição, a mera fundamentação em valor de mercado de  ativos  não  validaria  a  dedutibilidade  parcial  com  base  em  taxas  de  depreciação  aplicáveis  aos  ativos,  vez  que  a  dedução  de  depreciação  é  dependente,  também, do tempo remanescente de vida útil dos bens e da sua  efetiva  utilização  na  atividade  operacional,  além  da  necessária  verificação  acerca  de  eventual  alienação  ou  baixa  no  período  considerado.  MULTA  QUALIFICADA. Deve ser afastada a qualificação da penalidade quando não  resta  suficientemente  provado  que  os  dispositivos  legais  que  autorizam  a  amortização  do  ágio  foram  aplicados  para  obter  vantagens  tributárias  a  partir  da  criação  de  novas  hipóteses  de  casos  artificiais,  elaboradas  em  outro  contexto.  DECADÊNCIA.  Afastada  a  qualificação  da  penalidade,  cumpre verificar a  regra decadencial  aplicável. MATÉRIA DECIDIDA NO  RITO  DOS  RECURSOS  REPETITIVOS.  OBSERVÂNCIA.  OBRIGATORIEDADE.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos  543­C  do  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos  no  âmbito  do  CARF.  APLICAÇÃO  DO  ART.  150  DO  CTN.  NECESSIDADE  DE  CONDUTA  A  SER  HOMOLOGADA.  O  fato  de  o  tributo  sujeitar­se  a  lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de  dolo, fraude ou simulação, tomar­se o encerramento do período de apuração  como  termo  inicial  da  contagem do prazo decadencial. CONDUTA A SER  HOMOLOGADA. Imposto de renda e CSLL retidos na fonte e deduzidos na  apuração  anual  caracterizam  pagamento  apto  a  atrair  a  aplicação  da  regra  decadencial prevista no art. 150, §4º do CTN.   TRANSFERÊNCIA  DE  CAPITAL  PARA  AQUISIÇÃO  DE  INVESTIMENTO  POR  EMPRESA  VEÍCULO,  SEGUIDA  DE  SUA  INCORPORAÇÃO  PELA  INVESTIDA.  SUBSISTÊNCIA  DO  INVESTIMENTO  NO  PATRIMÔNIO  DA  INVESTIDORA  ORIGINAL.  Para dedução  fiscal da amortização de ágio  fundamentado em  rentabilidade  futura  é  necessário  que  a  incorporação  se  verifique  entre  a  investida  e  a  pessoa  jurídica  que  adquiriu  a  participação  societária  com  ágio.  Não  é  possível  a  amortização  se  o  investimento  subsiste  no  patrimônio  da  investidora  original.  LAUDO  EXTEMPORÂNEO.  Não  se  admite  como  demonstração de fundamento do ágio pago laudo elaborado mais de um ano  depois da aquisição do  investimento, bem como  rejeita­se  laudo  trazido em  impugnação  que  atribui  à  investida  valor  de  mercado,  considerando  a  rentabilidade  futura,  inferior  ao  seu  valor  patrimonial.  MULTA  QUALIFICADA.  EVIDENTE  INTUITO  DE  FRAUDE  Caracteriza  o  evidente intuito de fraudar o Fisco as operações de reestruturação societárias  criadas com o objetivo único de possibilitar a amortização de ágio mediante a  utilização  de  empresas­veículo,  sem  propósito  negocial  que  não  seja  o  de  obter  benefício  tributário.  INTERPRETAÇÃO  DE  PENALIDADE  FAVORAVELMENTE AO CONTRIBUINTE. APLICAÇÃO DO ART. 112  DO  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  Estando  os  fatos  que  determinaram  a  aplicação  da  multa  qualificada  devidamente  identificados  e  não  restando  Fl. 10132DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 4          3 dúvida  sobre o  enquadramento da  situação de  fato  ao  tipo previsto na  lei  é  inaplicável  o  art.  112  do  CTN.  PENALIDADES.  ART.  76  DA  LEI  Nº  4.502/64. NÃO APLICAÇÃO. Embora o artigo 76, II, “a” da Lei nº 4.502/64  exclua  a  penalidade  pela  observância  de  decisão  irrecorrível  de  última  instância  administrativa,  o  artigo  100  do  CTN  (Lei  nº  5.172/66),  norma  posterior,  passou  a  excluir  penalidades  apenas  no  caso  de  observância  de  decisões administrativas a que a lei atribua eficácia normativa.  MULTA  ISOLADA.  FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS.  O não­recolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício  isolada,  ainda  que  encerrado  o  ano­calendário.  CUMULAÇÃO  COM  MULTA  DE  OFÍCIO.  COMPATIBILIDADE.  É  compatível  com  a  multa  isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do  ano­calendário,  por  caracterizarem  penalidades  distintas,  desde  que  a  exigência não se refira a infrações ocorridas na vigência da redação original  do  art.  44,  §1o,  inciso  IV  da  Lei  nº  9.430,  de  1996.  CANCELAMENTO  PARCIAL DAS GLOSAS. As multas isoladas devem ser recalculadas com o  expurgo das glosas canceladas.   MULTA  POR  OMISSÃO  EM  ESCRITURAÇÃO  CONTÁBIL  FISCAL  ­  ECF. A  lei  que  prevê  a  penalidade  não  indica  qualquer  conduta  que  possa  dispensar  o  cumprimento  da  obrigação  acessória  determinada,  exceto  as  condutas previstas nos incisos I e II do § 3° do art. 8º­A da nova redação do  Decreto­lei  nº  1.598/77,  que  foram  observadas  pela  autoridade  fiscal.  O  lançamento  foi  devidamente  demonstrado  faticamente  e  fundamentado  na  legislação  pertinente,  sendo  ato  administrativo  vinculado,  portanto,  obrigatório,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional.  PRINCÍPIOS  CONSTITUCIONAIS.  INOBSERVÂNCIA.  ANÁLISE  VEDADA  A  autoridade  administrativa  encontra­se  vinculada  ao  estrito  cumprimento  da  legislação  tributária,  não  dispondo  de  competência  para  apreciar  inconstitucionalidade  e/ou  invalidade  de  norma,  considerando  princípios  constitucionais,  quando  o  diploma  está  legitimamente  inserido  no  ordenamento jurídico nacional.  TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Inexistindo questionamentos específicos,  o  cancelamento  parcial  das  glosas  deve  repercutir  na  base  de  cálculo  da  CSLL.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,  i)  conhecer  da petição apresentada depois de pautado o processo para julgamento, mas rejeitar a preliminar  de  aplicação  do  art.  24  da  LINDB;  ii)  afastar  a  arguição  de  nulidade  do  lançamento  por  alteração de critério jurídico em sede de diligência, bem como por negligência no cumprimento  de diligência junto a instituições financeiras; iii) negar provimento ao recurso voluntário para,  iii.i) manter  integralmente  as glosas de  amortização do ágio pago na aquisição de Santaelisa  Vale  S/A,  votando  pelas  conclusões  os  Conselheiros  Caio Cesar Nader Quintella,  Leonardo  Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio;  ;  iii.ii) manter  os  lançamentos  de multa  por  omissão  na ECF;  iv)  dar  provimento  parcial  ao  recurso voluntário para que as apurações de 2010, 2011 e 2012 sejam recompostas em razão do  Fl. 10133DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 5          4 afastamento das glosas de amortização do ágio pago na aquisição de "Tavares de Melo" e do  acolhimento da arguição de decadência relativamente à glosa de amortização do ágio pago na  aquisição de "Ampla" no ano­calendário 2010,  inclusive verificando­se a disponibilização de  prejuízos fiscais e bases negativas para compensação em períodos posteriores ao aqui autuados  em  valores  superiores  aos  utilizados  pela  autoridade  lançadora;  por  maioria  de  votos,  dar  provimento parcial ao recurso voluntário para: v) afastar as glosas de amortização do ágio pago  na aquisição de "Tavares de Melo" (R$ 114.389.672,40 nos anos­calendário 2010 e 2011 e R$  19.064.945,40  no  ano­calendário  2012),  vencido  o  Conselheiro  Paulo  Mateus  Ciccone  que  negava  provimento.  Os  Conselheiros  Caio  Cesar  Nader  Quintella,  Leonardo  Luis  Pagano  Gonçalves,  Lucas  Bevilacqua  Cabianca  Vieira  e  Junia  Roberta  Gouveia  Sampaio  acompanharam a Relatora pelas conclusões; vi) acolher a arguição de decadência relativamente  à  glosa  de  amortização  do  ágio  pago  na  aquisição  de  "Ampla"  no  ano­calendário  2010  (R$  1.033.275,36) e manter as glosas referentes aos anos­calendário 2011 (R$ 1.033.275,36) e 2012  (R$  172.212,55),  afastando  qualificação  da  multa,  vencido  o  Conselheiro  Paulo  Mateus  Ciccone  que  negava  provimento;  por  voto  de  qualidade,  vii)  negar  provimento  ao  recurso  voluntário em relação à qualificação da multa em 150% sobre as glosas de amortização do ágio  pago  na  aquisição  de  Santaelisa  Vale  S/A  nos  anos­calendário  2011  a  2014,  vencidos  os  Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua  Cabianca  Vieira  e  Junia  Roberta  Gouveia  Sampaio  que  davam  provimento  para  excluir  a  exasperação;  viii)  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para  recálculo  das  multas  isoladas com o expurgo das glosas de amortização do ágio pago na aquisição de "Tavares de  Melo" nos anos­calendário 2011 (R$ 114.389.672,40) e 2012 (R$ 19.064.945,40), vencidos os  Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua  Cabianca  Vieira  e  Junia  Roberta  Gouveia  Sampaio  que  davam  provimento  para  afastar  os  lançamentos de multas isoladas por concomitância.    (assinado digitalmente)  Paulo Mateus Ciccone ­ Presidente em Exercício.    (assinado digitalmente)  Edeli Pereira Bessa ­ Relatora.  Participaram  do  julgamento  os  Conselheiros: Marco  Rogério  Borges,  Caio  Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa  Dias,  Lucas  Bevilacqua  Cabianca  Vieira,  Júnia  Roberta  Gouveia  Sampaio  e  Paulo  Mateus  Ciccone (Presidente em Exercício).   Relatório  BIOSEV S/A,  já qualificada nos  autos,  recorre de decisão proferida pela 1ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  de  Ribeirão  Preto/SP  que,  por  unanimidade de votos,  julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento  formalizado em 22/12/2016, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 193.340.077,10.  Fl. 10134DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 6          5 Consta da decisão recorrida o seguinte relato:  De acordo  com a descrição  dos  fatos  e  enquadramento  legal  neles  constantes,  os  lançamentos  decorrem  de  valores  excluídos  indevidamente  do  Lucro  Líquido  do  período, na determinação do Lucro Real (houve a glosa de despesas de amortização  de  ágio  lançadas  na  apuração  do  lucro  real  e  da  base  de  cálculo  da CSLL). Há  lançamento de multas isoladas pela falta de pagamento do IRPJ e CSLL incidentes  sobre a base de cálculo estimada em função de balanços de suspensão ou redução.  Ainda  houve  aplicação  de  multa  regulamentar  em  face  da  apresentação  da  escrituração  contábil  fiscal  (ECF)  com  informações  inexatas,  incompletas  ou  omitidas,  tudo  conforme  o  Termo  de  Verificação  Fiscal  (TVF)  anexado.  Consta  ainda as compensações de prejuízos fiscais do IRPJ e de base negativa da CSLL.  Às  fls.  5087  a  5141  consta  o  TVF  lavrado  pelo  Auditor­Fiscal,  documento  que  integra os autos de infração, do qual se extrai:  A  ação  fiscal  visou  a  apuração  do  ágio  declarado  em DIPJ  na  aquisição  da  empresa  Santelisa Vale S/A, CNPJ 50.402.445/0001­76 (SEV)  Nesta verificação fiscal foi constatado que, embora a empresa adquirida com ágio tenha  sido  a  Santelisa  Vale  S/A,  o  verdadeiro  objetivo  era  a  aquisição  da  Santelisa  Vale  Bioenergia S/A, CNPJ 49.213.747/0001­17  (atual Biosev Bioenergia S/A),  a  empresa  operacional controlada pela Santelisa Vale S/A. A Santelisa Vale era uma holding que  concentrava  os  interesses  de  dois  grupos  familiares  e  de  outros  investidores,  cuja  principal empresa operacional era a Santelisa Vale Bioenergia.  Para  isso,  foi  utilizada  uma  complexa  reorganização  societária  pelo  grupo  Louis  Dreyfus envolvendo empresas veículos criadas ou utilizadas exclusivamente para essa  operação de  aquisição da Santelisa Vale Bioenergia. A própria  aquisição  foi  efetuada  como uma associação de empresas, sob um Contrato de Associação.  Foram  utilizadas  empresas  no  exterior  que  serviram  como  veículos  para  capitalizar  recursos  em  espécie  no  país  e,  principalmente,  uma  empresa  veículo  no  país,  denominada  Ágatis  Investimentos  e  Participações  S/A,  CNPJ  09.942.712/0001­02,  utilizada para transportar o principal ativo utilizado na operação e o ágio dela resultante.  O  ativo  utilizado  Bioenergia  S/A,  CNPJ  15.527.906/0001­36,  atual  Biosev  e  ora  fiscalizada.  Através  da  incorporação  da  Ágatis  pela  fiscalizada  procurou­se  dar  uma  aparência  legítima ao aproveitamento da amortização do ágio como despesa dedutível.  Foi constatado,  também, a  falta de origem para os  recursos utilizados na aquisição de  outras  duas  empresas,  a  então  Tavares  de  Melo  Açúcar  e  Álcool  S/A,  CNPJ  15.527.906/0001­36,  atual  Biosev,  e  a  Ampla  Participações  S/A,  CNPJ  03.515.224/0001­24,  pela  incorporada  Louis  Dreyfus  Commodities  Bioenergia  S/A,  CNPJ 51.376.853/0001­63. Essa operação ocorreu em 28/03/2007, mas o ágio apurado  foi sendo amortizado tributariamente pela fiscalizada até o ano de 2012.  No  referido  TVF  a  autoridade  fiscal  descreve  a  estruturação  da  operação  que  envolveu  a  aquisição  da  Santelisa  Vale  S/A  (fls.  5088  a  5092),  que  destaco  os  principais fatos:  Em 14/04/2009 foi firmado um Contrato de Associação, Subscrição de Ações e Outras  Avenças1  (doc.  F1)  entre  Louis  Dreyfus  Commodities  Brasil  S/A,  CNPJ  47.067.525/0001­08,  LDC  Bioenergia  S/A,  CNPJ  15.527.906/0001­36,  de  um  lado  e  Santa  Elisa  Participações  S/A,  CNPJ  07.035.643/0001­10,  Santelisa  Vale  S/A,  CNPJ  50.402.445/0001­76,  Santelisa  Vale  Bioenergia  S/A,  CNPJ  49.213.747/0001­17,  Família Biagi,  Família Cícero  Junqueira Franco e GS Power Holdings LLC,  empresa  constituída em Delaware (EUA), de outro lado.  Fl. 10135DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 7          6 O  Contrato  de  Associação  previa  todas  as  etapas  do  planejamento  da  operação  societária  em  que  o  grupo  Louis  Dreyfus  adquiriu  o  controle  das  usinas  de  açúcar  e  álcool até então detidas pelas  famílias Biagi e  Junqueira Franco  reunidas na Santelisa  Vale  Bioenergia.  O  planejamento  foi  todo  detalhado,  prevendo  até  os  horários  das  assembleias a serem realizadas.  Por esse Contrato de Associação, seria criada uma Sociedade de Propósito Específico, a  Veículo  LDC  (que  viria  a  ser  a  Ágatis),  que  integralizaria  aumento  de  capital  na  Santelisa  Vale  (SEV),  em  dois  aumentos  de  capital  distintos,  pela  conferência  da  totalidade das ações da LDC Bioenergia, exceto por uma ação que seria transferida para  a Santelisa Vale Bioenergia, a título gratuito.  A  clausula  2.1.5  do  Contrato  de  Associação  estabelecia  que  o  preço  de  emissão  das  ações que seriam integralizadas pela Veículo LDC seria fixado de forma a que a soma  das participações finais da Família Biagi, da Família Cícero Junqueira Franco, da Santa  Elisa Participações e da GS não seria inferior a 14,5% do capital social total e votante  da Santelisa Vale, e a participação final da Veículo LDC não seria inferior a 50% mais  uma ação do capital social total e votante da Santelisa Vale.  O Contrato de Associação (doc. F1) sofreu modificações em clausulas importantes pelo  Primeiro  Aditamento  do  Contrato  de  Associação  de  28/08/2009  (doc.  F2)  e  pelo  Segundo  Aditamento  do  Contrato  de  Associação  de  23/09/2009  (doc.  F3).  O  grupo  Louis  Dreyfus,  através  de  duas  novas  empresas,  passaria  a  aportar  recursos  não  previstos no Contrato de Associação de 14/04/2009.  Em  resumo,  constava  do  Segundo  Aditamento  do  Contrato  de  Associação  de  23/09/2009,  que  a  associação  consistia  na  subscrição  de  novas  ações  ordinárias  da  Santelisa Vale pela Veículo LDC, que integralizaria as ações mediante a conferência da  totalidade  das  ações  da  LDC  Bioenergia,  exceto  uma  que  seria  transferida  a  título  gratuito  para  a  Santelisa  Vale  Bioenergia,  e  pela  Louis  Dreyfus  Commodities  Brasil  (LDC  Brasil),  ou  por  dois  investidores  (Investidor  A  e  Investidor  B)  indicados  pela  LDC Brasil, que integralizaria o valor de R$ 400.000.000,00 em dinheiro (clausula 2.1).  Para esse aumento de capital  foi estabelecida uma sequência de eventos (clausula 2.2)  no dia do fechamento.  O primeiro evento previsto foi uma AGE da Santelisa Vale, às 9h00, na qual (...)iriam  aprovar  um  aumento  de  capital  no  valor  de  R$  400.000.000,00  (...)  que  seriam  integralizadas em dinheiro pelos investidores citados Em seguida foi prevista uma AGE  da Santelisa Vale Bioenergia, às 10h00, na qual (...) aprovaria um aumento de capital no  valor  de  R$  950.000.000,00,  por  meio  da  emissão  de  8.475.882.708  ações,  sendo  3.568.792.718  de  ações  ordinárias  no  valor  total  de  R$  400.000.000,00,  (...)  a  ser  totalmente  integralizado  pela  Santelisa  Vale,  (...)  e  4.907.089.989  de  ações  preferenciais,  no  valor  equivalente  a  100%  do  Valor  de  Conversão  dos  Principais  Credores  da  Santelisa  Vale  Bioenergia,  (...)  no  valor  de  R$  550.000.000,00.  Esses  principais  credores  eram  cinco  bancos  que  detinham  créditos  contra  a  Santelisa Vale  Bioenergia.  O terceiro evento previsto foi a 2ª AGE da Santelisa Vale, às 11h00. Nesta AGE, (...)  iriam  aprovar  um  aumento  de  capital  de  R$  330.000.000,00  (...)  a  serem  subscritas  pelos  principais  credores  da  Santelisa  Vale  Bioenergia.  Os  principais  credores  integralizariam estas ações por meio da transferência de ações preferenciais da Santelisa  Vale Bioenergia, obtidas na etapa anterior.  O próximo evento é a 3ª AGE da Santelisa Vale, às 12h00. Nesta AGE, (...) deveriam  aprovar um novo aumento de capital da Santelisa Vale no valor em reais igual ao valor  patrimonial  contábil  da  LDC  Bioenergia  constante  do  último  balanço  patrimonial  disponível  antes  da  data  do  fechamento,  observado  o  número  de  ações  e  o  preço  de  emissão  como  descrito  anteriormente,  além  de  efetuar  a  mudança  da  denominação  social e a mudança da sede para São Paulo.  Fl. 10136DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 8          7 A  Veículo  LDC  integralizou  o  valor  correspondente  mediante  a  transferência  das  89.297.655  ações  ordinárias,  representativas  da  totalidade  do  capital  social  da  LDC  Bioenergia para a Santelisa Vale, menos uma ação ordinária que foi  transferida para a  Santelisa Vale Bioenergia.  Com  esta  associação  a  Louis  Dreyfus  Commodities  Brasil  assumiu  o  controle  da  Santelisa Vale desde  a data do  contrato de  associação,  como evidenciam  as  cláusulas  destacadas.  Na seqüência, o TVF aborda a “Efetivação da Operação” (fls. 5092 a 5103), cujos  pontos que considero mais importantes também copio a seguir:  Na pratica, a operação começou a ser efetivada pelo grupo Louis Dreyfus antes dessas  quatro AGE previstas no Contrato de Associação Consolidado pelo 2º Aditamento.  (...) a Ágatis (a citada Veículo LDC), empresa que o grupo Louis Dreyfus utilizou para  interpor como veículo na aquisição da Santelisa Vale e da Santelisa Vale Bioenergia,  havia  sido  criada  em  30/06/2008  com  o  capital  social  de  R$  10.000,00  pela  LDC  Bioenergia, com R$ 9.900,00, e pela Louis Dreyfus Commodities Brasil S/A, com R$  100,00 de participação, e cuja sede ficava em Jaboticabal, Zona Rural.  Inativa  desde  então,  em  20/06/2009  foi  celebrado  um  Instrumento  Particular  de  Alteração  Contratual  (doc.  31)  em  que  a  LDC  Bioenergia  teria  vendido  a  sua  participação  de  99% na Ágatis  para  a Louis Dreyfus Commodities Brasil  S/A,  CNPJ  47.067.525/0001­08,  que  até  então  possuía  apenas  1%,  tornando­se  a  única  sócia.  Segundo  esse  Instrumento,  a  Louis  Dreyfus  Commodities  Brasil  S/A  teria  pago  R$  9.900,00 em moeda corrente pela participação adquirida, na data de 20/06/2009. Nesse  mesmo instrumento, a única sócia decidiu transformar a empresa de limitada para S/A,  e alterou o seu endereço para o endereço da sede do grupo em São Paulo.  Entretanto, na contabilidade enviada ao Sped pela LDC Bioenergia (atual Biosev) não  consta  lançamento  dessa  operação  ou  desse  valor  nessa  data.  Ao  contrário,  a  Ágatis  ainda consta da conta de Investimento nº 0013110114 da LDC Bioenergia em 31/12/99  com  o  histórico  “INTEGRALIZACAO  DE  CAPITAL  SOCIAL  25/11”  e  baixada  apenas em 01/02/2010 (doc. F7) – ou seja, as  transações acordadas no Instrumento de  Alteração Contratual  (doc. 31) não correspondem ao que  foi  feito na contabilidade da  LDC Bioenergia.  Depois a Ágatis foi usada para receber o controle da própria LDC Bioenergia, conforme  a Ata da AGE da Ágatis Investimentos e Participações S/A, CNPJ 09.942.712/0001­02,  de 26/10/2009,  às 8h00  (doc. 32),  realizada antes das quatro AGE previstas para essa  mesma data no Contrato de Associação Consolidado.  É de se ressaltar que a Ágatis foi criada pela LDC Bioenergia, que teria “vendido” a sua  participação  no  quadro  de  acionistas  da  Ágatis,  sendo  que  depois  a  Ágatis  foi  usada  para receber o controle da própria LDC Bioenergia.  Segue diagrama ilustrativo trazido pela autoridade fiscal:  Fl. 10137DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 9          8   Ao descrever acerca das 4 AGE’s, todas realizadas no dia 26/10/2009, destaca que  nas  duas  primeiras  AGEs,  em  que  houve  aumento  de  capital,  o  preço  fixado  por  ação  teria  sido  calculado  conforme  demonstrativo  apresentado  pela  empresa  fiscalizada, mas  esta,  por  sua  vez,  após  ser  intimada,  não  comprovou  o  valor  da  empresa adotado no cálculo, sugerindo que o valor da empresa teria sido adotado  para chegar ao número de ações que interessava para atender a condição prevista  na  clausula  2.1.5  do  Contrato  de  Associação  (“A  clausula  2.1.5  do  Contrato  de  Associação estabelecia que o preço de emissão das ações que seriam integralizadas  pela Veículo LDC seria  fixado de  forma a que  a  soma das participações  finais da  Família Biagi, da Família Cícero Junqueira Franco, da Santa Elisa Participações e da  GS não seria inferior a 14,5% do capital social total e votante da Santelisa Vale, e a  participação final da Veículo LDC não seria inferior a 50% mais uma ação do capital  social total e votante da Santelisa Vale”).  E o TVF continua:  Fl. 10138DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 10          9 Com  este  aumento  de  capital  na  LDC­SEV,  e  consequente  aquisição  de  participação  acionária,  foi apurado um ágio na empresa veículo Ágatis. O valor  total do ágio a ser  amortizado tributariamente é de R$ 355.892.742,60, como consta do Lalur 2013 (doc.  51), que está sendo amortizado em 5 anos Após as operações descritas nessas AGEs, foi  adotado  o  Acordo  de  Acionistas  da  Santelisa  Vale  S/A  de  26/10/2009  (doc.  F5).  O  Acordo  de  Acionistas  tinha  um  prazo  de  20  anos  a  partir  dessa  data,  ou  após  a  efetivação de um IPO qualificado (clausula 14.1). No Acordo de Acionistas já estavam  previstas as próximas etapas da reorganização societária.  Na clausula 4.2.1, sob o título de Reorganizações Sociais Permitidas, consta a previsão  de incorporação das empresas Santelisa Vale (a então LDC­SEV) e da veículo Ágatis.  No  Acordo  de  Acionistas  também  fica  claro  que  quem  tem  o  poder  de  decisão  na  empresa é o grupo Louis Dreyfus. A clausula 5.2.2 trata da composição do Conselho de  Administração.  É  ilustrativo,  também,  da  condição  de  mero  veículo  da  Ágatis,  a  clausula  9.1.2  do  Acordo de Acionistas, em que constam as características da Ágatis.  Como  estava  previsto,  a  próxima  etapa  do  planejamento  tributário  levado  a  efeito  envolve a incorporação de empresas para se enquadrar no art. 386 do RIR/99.  A  primeira  incorporação  foi  efetuada  em  31/03/2010,  em  que  a  LDC  Bioenergia  incorporou a atual LDC­SEV, anterior Santelisa Vale, conforme a Ata da AGE da LDC  Bioenergia S/A, CNPJ 15.527.906/0001­36 (doc. F6)  O Protocolo e Justificação de Incorporação também foi firmado em 29/03/2010 entre a  incorporada LDC­SEV e a  incorporadora LDC Bioenergia, ambas representadas pelos  mesmos diretores Bruno Melcher e Christophe Malik Akli (doc. 44B).  A etapa final e decisiva para o pretendido aproveitamento tributário da amortização do  ágio  é  a  incorporação  da  veiculo  Ágatis  (em  que  está  registrado  o  ágio  apurado  na  subscrição de capital na Santelisa Vale) pela LDC Bioenergia.  Porém,  antes  dessa  incorporação  são  feitas  alterações  societárias  pelo  grupo  Louis  Dreyfus  e  pelos  controladores  da  Celosia  que  resultaram  na  troca  das  empresas  acionistas da Ágatis e, por consequência, acionistas da LDC Bionergia.  Após essas alterações, e no mesmo dia 30/12/2010, realizou­se a incorporação da Ágatis  pela empresa operacional LDC Bioenergia.  Após  esta  última  etapa  do  planejamento  tributário,  a  fiscalizada  LDC  Bioenergia  considerou estar enquadrada nas determinações legais para aproveitar tributariamente as  despesas de amortização do ágio, o que será analisado adiante neste Termo.  Na  seqüência  o  TVF  aborda  fatos  relacionados  ao  valor  do  ágio  apurado  e  conseqüente amortização (fls. 5103 a 5107):  O valor do ágio apurado pela Ágatis nesta aquisição foi quantificado da seguinte forma  pelo fiscalizado (doc. 52):    Fl. 10139DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 11          10 Note­se que  a  aquisição  de 62,99% da Santelisa Vale  custou R$ 1.515.681.000,00  ao  grupo  Louis  Dreyfus  e  Canna  Investors  em  26/10/2009  às  12h00,  enquanto  que  o  mesmo grupo Louis Dreyfus, através das empresas NL Participations Holdings 4 BV e  NL Participations Holdings 2 BV, pagou R$ 400.000.000,00 por 33,9% de participação  na Santelisa Vale um pouco antes, às 9h00.  Na data­base de 31/12/2008, a Santelisa Vale  foi avaliada a valor de mercado em R$  621 milhões,  conforme  o  Laudo  de  Avaliação  solicitado  pela  LDC  Bioenergia  (doc.  108).  Na  aquisição  em  26/10/2009,  às  9h00,  a  Santelisa  Vale  foi  valorada  em  R$  780.136.442,00,  como  visto  anteriormente,  enquanto  que  a  aquisição  às  12h00  do  mesmo  dia  26/10/2009,  foi  equivalente  a  uma  valoração  da  Santelisa  Vale  em  R$  2.406.224.830,06 (= R$ 1.515.681.020,46 / 0,6299). Entre 9h00 e 12h00, as ocorrências  que poderiam alterar o valor da Santelisa Vale  foram o próprio aumento de capital de  R$  400.000.000,00  e  a  conversão  de  dívida  em  aumento  de  capital  de  R$  550.000.000,00 na controlada Santelisa Vale Bioenergia, que refletiria na Santelisa Vale  por equivalência patrimonial.  Essas duas parcelas totalizaram R$ 950.000.000,00, que somados ao valor da Santelisa  Vale de R$ 780.136.442,00,  resultaria numa valoração de R$ 1.730.136.442,00 para a  aquisição  feita  às  12h00.  Isso  já  indica  que  o  valor  da  transação  pela  aquisição  de  62,99% não foi coerente, sendo muito elevado.  No entanto, e apesar disso, o aproveitamento fiscal da amortização do ágio depende de  qual  é  o  fundamento  econômico  em  que  está  baseado  e  da  demonstração  desse  fundamento, de acordo com o art. 385 do RIR/99.  Para  fundamentar economicamente o ágio apurado, o  fiscalizado apresentou o “Laudo  de rentabilidade futura da Santelisa Vale S/A (‘SEV S/A’ ou ‘Empresa’) relacionado a  aquisição do controle desta pela Ágatis Investimentos e Participações S/A”, elaborado  pela KPMG Corporate Finance em 14/04/2011 (doc. F4). Quando questionado, o sujeito  passivo  confirmou  que  esse  é  o  Laudo  que  justifica  economicamente  o  ágio  apurado  pela Ágatis (doc. 87).  É de se destacar que o laudo foi elaborado posteriormente pela KPMG, em 14/04/2011  –  um  ano  e  meio  após  a  aquisição  da  participação  societária  –,  a  pedido  da  LDC  Bioenergia.  O  objetivo  desse  laudo  “foi  elaborar  um  relatório  sobre  a  análise  de  rentabilidade futura da SEV S/A relacionado à aquisição, em 26/10/2009, pela Ágatis”.  A data base do laudo é 31/10/2009, portanto, posterior à aquisição. Além disso, em sua  conclusão,  o  Laudo  não  apresenta  explicitamente  um  resultado  final  do  valor  da  empresa, embora conclua que a expectativa de rentabilidade futura da SEV S/A seja a  demonstrada na página 48 do Laudo.  Observamos  que  normalmente,  neste  tipo  de  laudo,  o  valor  de  mercado  da  empresa  avaliada é dado após o cálculo do fluxo de caixa da empresa a valor presente ao qual é  somado uma parcela da  chamada “perpetuidade”. O Laudo em questão  não  apresenta  nada disso. Tampouco define o valor do ágio com base nesse valor da empresa, apenas  cita  na  descrição  da  operação  que  “como  consequência  da  contribuição  de  capital,  houve a geração de um ágio fiscal no valor de R$ 356 milhões, registrado fiscalmente  na Ágatis”.  Trata­se de um  laudo evasivo, mesmo porque  foi  feito em uma  situação anormal. Foi  elaborado  em  14/04/2011  sobre  uma  operação  feita  em  26/10/2009,  cuja  empresa  avaliada  deixou  de  existir,  por  ter  sido  incorporada,  em  31/03/2010,  ou  seja,  foi  elaborado um Laudo de rentabilidade futura de uma empresa que já não existia. Além  disso,  a  empresa  que  seria  a  interessada  no  Laudo,  por  ser  a  adquirente  (Ágatis),  também  deixou  de  existir  em  30/12/2010,  por  também  ter  sido  incorporada,  o  que  evidencia mais uma vez a artificialidade da interposição da Ágatis na operação. O laudo  apresentado é deficiente para a fundamentação econômica do ágio pago, ao não apontar  claramente o valor de mercado da empresa na data de aquisição e ao ser elaborado após  a aquisição.  Fl. 10140DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 12          11 De  toda  forma,  supondo  que  não  houvessem  essas  deficiências,  se  considerarmos  a  soma  dos  valores  de  Resultado  do  Exercício  constantes  da  página  48  do  Laudo,  chegaremos ao valor de R$ 2.017 milhões. Se a esse valor, considerarmos a participação  societária adquirida na SEV S/A em outubro de 2009 de 62,99%, chega­se à conclusão  de que o valor da participação adquirida é de R$ 1.270,51 milhões, no máximo, segundo  o Laudo. Dessa forma, o Laudo de Avaliação estaria referendando como valor do ágio o  montante  de  R$  110,72 milhões  (R$  1.270,51 milhões  –  R$  1.159,79 milhões),  bem  abaixo do ágio apurado pela fiscalizada.  Assim, e  se  fosse válido, o próprio Laudo de Avaliação  utilizado para  fundamentar o  valor do ágio não avaliza o valor pago na aquisição de 62,99% da Santelisa Vale pela  Ágatis, confirmando o indício apontado em parágrafo anterior.  A  fiscalizada  foi  questionada  a  confirmar  qual  seria  o  valor  da  Santelisa  Vale  S/A,  determinado  com  base  na  expectativa  de  resultados  futuros,  de  acordo  com  o  laudo  apresentado (doc. 86). Porém, a fiscalizada se omitiu,  limitando­se a  informar que “os  valores indicados na página 48 do laudo elaborado pela KPMG Corporate Finance não  representam  o  valor  da  Santelisa  Vale  S.A.  Os  valores  ali  indicados  representam  a  projeção  dos  resultados  futuros  da  Santelisa  Vale  S.A.  e  confirmam  a  existência  de  expectativa de rentabilidade futura da empresa adquirida” (doc. 87).  Fica­se, assim, na situação em que o laudo de avaliação não chega a concluir qual seria  o  valor  da  empresa  adquirida,  com  base  na  expectativa  de  resultado  futuro,  e  que  o  adquirente da participação societária admite não saber qual é esse valor de rentabilidade  futura.  Ocorre que essa situação é um flagrante desrespeito à legislação tributária. Afinal, o art.  385,  §  2º,  inciso  II,  do  RIR/99,  diz  que  o  lançamento  do  ágio  deverá  indicar  o  seu  fundamento  econômico  no  valor  de  rentabilidade  da  controlada,  com  base  em  previsão dos resultados nos exercícios futuros. Textualmente, diz o § 3º do art. 20 do  DL 1.598/77, base do art. 385 do RIR/99:  Art  20  ­  O  contribuinte  que  avaliar  investimento  em  sociedade  coligada  ou  controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição  da participação, desdobrar o custo de aquisição em:  (...)  § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu  fundamento econômico:  a) ­ valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou  inferior ao custo registrado na sua contabilidade;  b) ­ valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão  dos resultados nos exercícios futuros;  c) ­ fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas.  §3º ­ O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º  deverá  ser  baseado  em  demonstração  que  o  contribuinte  arquivará  como  comprovante da escrituração. (grifamos)  Dessa forma, na hipótese mais benéfica ao fiscalizado, pode­se concluir que realmente  “os valores ali indicados representam a projeção dos resultados da Santelisa Vale S/A e  confirmam a  existência de  expectativa de  rentabilidade  futura da  empresa  adquirida”,  mas não no valor total do ágio que foi pago. A outra hipótese é a de que o fiscalizado  não pode aproveitar tributariamente ágio nenhum nessa operação, em vista de que não  conseguiu demonstrar o “valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em  previsão  dos  resultados  nos  exercícios  futuros”,  que  deveria  ser  avaliado  antes  da  aquisição.  Fl. 10141DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 13          12 Apesar  dessa  falta  de  comprovação  do  ágio,  o  sujeito  passivo  está  amortizando  e  aproveitando esse ágio fiscalmente   Em janeiro de 2011, antes até de obter o Laudo de Avaliação, o sujeito passivo começa  a aproveitar o ágio tributariamente, com a exclusão da despesa de amortização de ágio  da Ágatis no valor de R$ 5.928.483,33 no mês, lançado como ajuste de RTT no Lalur.  O TVF passa a demonstrar a utilização de empresa veículo para a amortização do  ágio (fls. 5107 a 5115):  O ponto central no aproveitamento das despesas de amortização de ágio na apuração do  Lucro  Real  e  da  base  de  cálculo  da  CSLL  é  a  incorporação  da  empresa  Ágatis  pela  fiscalizada,  o  que  ocorreu  em  30/12/2010,  de  forma  a  justificar  o  enquadramento  da  operação  nos  dispositivos  do  art.  386  do  RIR/99  Como  visto  anteriormente,  o  grupo  Louis Dreyfus (e o grupo Canna Investors) adquiriu o controle da Santelisa Vale e, em  consequência, da Santelisa Vale Bioenergia,  através de aumentos de capital. Parte em  espécie (R$ 400.000.000,00 através de duas empresas veículos no exterior), e parte com  a  participação  societária  na  LDC  Bioenergia.  A  utilização  da  LDC  Bioenergia  é  a  operação que gerou o ágio em análise.  Porém, a utilização da LDC Bioenergia para aumentar o capital social da Santelisa Vale  não  foi  feita de  forma direta pelo grupo Louis Dreyfus. Em vez das  controladoras da  LDC Bioenergia, a Louis Dreyfus Commodities Brasil S/A e a Celosia, aumentarem o  capital  social  da  Santelisa  Vale,  foi  interposta  a  empresa  veículo  Ágatis  como  controladora da LDC Bioenergia e fazer o aumento de capital.  A Ágatis  era  uma empresa  inativa,  criada  em 30/06/2008 com o capital  social  de R$  10.000,00 pela LDC Bioenergia, com R$ 9.900,00, e pela Louis Dreyfus Commodities  Brasil  S/A,  com  R$  100,00  de  participação,  que  nunca  teve  funcionários,  nem  apresentou  custos,  despesas  ou  receitas,  como pode  ser  visto  na  sua DIPJ  2010,  ano­ calendário 2009 (doc. F11). Nessa DIPJ apresenta apenas no mês de dezembro de 2009  resultados  de  participação  societária  decorrentes  da  operação  em  análise  nesta  fiscalização.  Apenas após ser celebrado o Contrato de Associação com o grupo Santa Elisa em abril  de  2009  é  que  a  Ágatis  foi  colocada  como  controlada  única  da  Louis  Dreyfus  Commodities  Brasil  S/A,  empresa  holding  do  grupo  Louis  Dreyfus  no  Brasil,  em  20/06/2009.  Depois a Ágatis foi usada para receber o controle da própria LDC Bioenergia, na data  da  operação  de  aquisição  do  controle  da  Santelisa Vale,  conforme  a  Ata  da AGE  da  Ágatis Investimentos e Participações S/A (doc. 32).  Essa  inversão de posição, passando a Ágatis de controlada para controladora da LDC  Bioenergia permitiu que o ágio fosse formalmente registrado na Ágatis para fins fiscais.  Com a incorporação pela LDC Bioenergia, o ágio poderia ser amortizado e aproveitado.  Assim, a Ágatis foi utilizada, dentro dos grupos Louis Dreyfus e Canna Investors, como  veículo do ativo para a aquisição da Santelisa Vale e veículo do ágio para fins fiscais.  A justificativa apresentada no Protocolo e Justificativa de Incorporação da Ágatis pela  LDC  Bioenergia  (docs.  33  e  34)  para  essa  incorporação,  aprovada  em  AGEs  de  30/12/2010,  foi  a  de  que  essa  incorporação  estaria  inserida  no  contexto  de  reorganização  societária  mencionada  no  Acordo  de  Acionistas  celebrado  em  26/10/2009. A clausula 4.2.1 desse acordo de acionistas faz referência à reorganização  societária por meio da qual a Ágatis seria incorporada pela LDC Bioenergia, de modo  que os acionistas da incorporada passem a deter participação direta na incorporadora. A  incorporação  visa  à  simplificação  da  estrutura  acionária  da  incorporadora  e  à  sua  preparação para os planos futuros de crescimento.  Com a incorporação, os controladores indiretos da LDC Bioenergia realmente passaram  a ter participação direta na LDC Bioenergia:  Fl. 10142DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 14          13   Ocorre  que  esses  controladores  já  controlavam  diretamente  a  LDC Bioenergia  desde  antes do início deste processo:    Tal situação leva necessariamente a uma dúvida: se é  tão importante que os acionistas  da incorporada passem a deter participação direta na incorporadora e se é tão importante  a  simplificação  da  estrutura  acionária  da  incorporadora,  quais  seriam  os motivos  que  levaram  esses  mesmos  acionistas  a  fazer  uma  estrutura  acionária  mais  complexa,  participando indiretamente na LDC Bioenergia, e principalmente, quais os motivos para  essa estrutura mais complexa ser utilizada apenas durante o período em que o controle  da Santelisa Vale e da Santelisa Vale Bioenergia foi adquirido?  A resposta apresentada não esclareceu muito (doc. 81).  É de se estranhar que seja necessária uma outra empresa para consolidar os  interesses  do Grupo Louis Dryfus e do Grupo Canna Investors, afinal, esses interesses já estavam  consolidados na própria LDC Bioenergia. O  fiscalizado foi solicitado a esclarecer por  que a Louis Dreyfus Commodities Brasil S/A e a Celosia Holdings S/A não fizeram a  contribuição  da  totalidade  das  suas  participações  acionárias  no  capital  da  LDC  Bioenergia diretamente em aumento de capital da Santelisa Vale S/A.  Fl. 10143DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 15          14 Entretanto,  parece  que  o  sujeito  passivo  não  consegue  ou  não  pode  esclarecer  essas  dúvidas.  Apesar  de  ser  uma  estrutura  mais  eficiente,  não  foi  apresentado  um  só  dado  a  demonstrar esse fato ou uma única situação que mostre essa eficiência. Os interesses da  Celosia e do Grupo LDC já estavam consolidados na LDC Bioenergia, passaram a ser  consolidados na Ágatis e depois voltaram a ser consolidados na LDC Bioenergia, sem  que  houvesse  nenhuma  outra  empresa  ou  recurso  colocado  na  Ágatis,  além  da  LDC  Bioenergia, para ser consolidado.  Porém,  é  possível  inferir  em  que  a  “concentração  do  investimento  na  Ágatis  era  a  estrutura  mais  eficiente”.  Após  a  incorporação  da  Ágatis  em  31/12/2010,  a  LDC  Bioenergia  passa  a  amortizar  tributariamente  o  ágio  decorrente  da  aquisição  da  Santelisa Vale.  É preciso ressaltar a função primordial da empresa veículo Ágatis neste caso concreto.  Sem a empresa veículo o ágio ficaria registrado nos controladores da LDC Bioenergia,  o  grupo  Louis  Dreyfus  Commodities  e  o  grupo  Canna  Investors,  sem  haver  a  possibilidade de sua amortização tributária, a menos que o investimento fosse vendido  ou formasse uma única entidade com os reais controladores.  Se não fosse a possibilidade de aproveitar fiscalmente a amortização de ágio, o fato de a  estrutura  ser  mais  complexa  e  com  empresas  holdings  intermediárias  não  parece  ser  problema  algum  para  o  grupo  Louis  Dreyfus  Commodities.  Veja­se,  por  exemplo,  a  estrutura organizacional do fiscalizado em 2013, apresentada em 23/07/2015 (doc. 83).  Essa  estrutura  tem  4  empresas  holdings  em  sequência  denominadas  Louis  Dreyfus  Holding.  A  primeira  a  Louis  Dreyfus  Holding  BV  e  na  sequência  Louis  Dreyfus  Commodities  and  Energy Holdings BV,  Louis  Dreyfus Commodities Holdings BV  e  Louis  Dreyfus  Commodities  Netherlands  Holding  BV,  uma  controlando  a  outra  com  100%, com a última controlando a Sugar Holdings BV.  A Sugar Holdings está no lugar da LDC Brasil como controladora da Biosev, além de  controlar  as  empresas  NL  Participations  Holdings  3  BV  NL,  que  controla  a  Participations Holdings 4 BV, e a NL Participations Holdings 1 BV, que controla a NL  Participations Holdings 2 BV.  Com uma estrutura dessas, não deixa de ser irônica a justificativa das incorporações da  Ágatis, da Celosia e da Santelisa Vale, de simplificação da estrutura, redução de custos  operacionais e eliminação de holdings intermediárias.  Para  permitir  a  dedutibilidade  da  amortização  do  ágio,  a  legislação  tributária  se  fundamenta na efetiva extinção do investimento através dos institutos da incorporação,  fusão e cisão entre empresas controladora, a que arcou efetivamente com o desembolso  do  investimento,  e  controlada,  a que  foi  realmente  adquirida de  terceiros vendedores.  Ou  seja,  instituiu  um  disciplinamento  para  a  tributação  de  um  negócio  jurídico  particular que culmina em uma “confusão patrimonial”, em que não há mais distinção  entre  os  patrimônios  das  empresas  controladora  e  controlada.  O  “encontro”  do  patrimônio  adquirido  e  do  ágio  pago  por  tal  patrimônio  em  um mesmo  patrimônio  é  uma condição obrigatória para a dedutibilidade fiscal da amortização do ágio.  Impõe­se a absorção do patrimônio da incorporada, fusionada ou cindida, pois de outra  forma, permanecendo o investimento, não se caracteriza a situação prevista na norma,  que  é  exatamente  o  de  estabelecer  uma  regra  de  tributação  para  quando  acontece  a  confusão  patrimonial  do  investimento.  Se  fosse  admitida  a  amortização  do  ágio  transferido, sem a extinção do investimento, o art. 426 do RIR/99 não teria mais sentido  de permanecer vigente.  No caso em análise, a opção do grupo Louis Dreyfus Commodities, e também do grupo  Canna Investors, não foi pela extinção do investimento. O ágio na aquisição do controle  do grupo Santa Elisa, que foi apurado em uma empresa veículo, foi  transferido para a  Fl. 10144DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 16          15 empresa operacional do grupo  (LDC Bioenergia,  atual Biosev),  e  lá permaneceu  para  ser amortizado após a incorporação da empresa adquirida. Porém, apesar disso, o custo  do investimento na Santelisa Vale permaneceu intacto como era originalmente nas reais  investidoras,  a  LDC  Brasil  e  a  Celósia,  posteriormente  em  suas  sucessoras,  Sugar  Holdings  e Canna  Investors,  já  que não  participaram de  incorporação,  fusão ou  cisão  com a adquirida. Dessa forma, o investimento não foi extinto.  A  autoridade  fiscal,  então,  passa  a  descrever  uma  outra  operação  enfrentada  no  presente lançamento, qual seja a aquisição das empresas Tavares de Melo Açúcar e  Álcool S/A e Ampla Participações S/A (fls. 5115 a 5126):  Em  março  de  2007,  a  Louis  Dreyfus  Commodities  Bioenergia  S/A,  CNPJ  51.376.853/0001­63,  adquiriu  as  empresas  Tavares  de  Melo  Açúcar  e  Álcool  S/A,  CNPJ  15.527.906/0001­36,  e  Ampla  Participações  S/A,  CNPJ  03.515.224/0001­  24,  esta  última  detentora  da Agroarte  Empresa  Agrícola  S/A, CNPJ  03.526.292/0001­99.  Como se percebe, a Tavares de Melo Açúcar e Álcool S/A é a atual Biosev.  Conforme o Contrato de Compra e Venda de Ações (doc. F30), firmado em 28/03/2007  entre vários acionistas pessoas físicas, a Louis Dreyfus Commodities Bioenergia S/A, e  a  Louis  Dreyfus  Commodities  Brasil  S/A,  CNPJ  47.067.525/0001­08,  esta  como  garantidora e fiadora, as ações da Tavares de Melo e da Ampla foram transferidas em  28/03/2007  para  a  Louis  Dreyfus  Commodities  Bioenergia  pelo  preço  de  R$  813.173.310,80,  do  qual  foi  pago R$  629.360.903,80  à  vista  na  data  do  contrato,  R$  86.939.160,10  em  notas  promissórias  com  vencimento  em  28/03/2008,  e  R$  96.873.246,90 também em notas promissórias com vencimento em 28/03/2009.  As notas promissórias eram de emissão da Louis Dreyfus Commodities Bioenergia S/A,  mas  avalizadas  pela Louis Dreyfus Commodities Brasil  S/A, CNPJ  47.067.525/0001­ 08, holding do grupo Louis Dreyfus no país.  Nessa aquisição, a Louis Dreyfus Commodities Bioenergia S/A apurou um ágio de R$  577.114.738,56   O  valor  pago  e  o  ágio  apurado  foram  baseados  no  balanço  patrimonial  das  empresas  adquiridas na data de 28/02/2007 (doc. F32) e em Laudos de Avaliação da Tavares de  Melo (doc. F33) e da Ampla (doc. F34). O Laudo de Avaliação da Tavares de Melo foi  elaborado  pela  Deloitte  Touche  Tohmatsu  com  data  de  28/03/2007,  mesma  data  do  fechamento do negócio, o que sugere que não houve muito tempo para que a adquirente  o analisasse com muita profundidade.  Já o Laudo de Avaliação da Ampla, com certeza não foi analisado antes da aquisição ser  fechada, uma vez que, embora  também elaborado pela Deloitte Touche Tohmatsu,  foi  elaborado com data de 10/06/2007, ou seja, após a aquisição ter sido realizada.  Verificando  o  laudo  elaborado,  ele  realmente  parece  apto  a  justificar  o  ágio  pago  na  aquisição da Ampla. Mas não, é evidente, com fundamento no valor da rentabilidade da  adquirida  com base  em previsão dos  resultados dos  exercícios  futuros  (art.  385, § 2º,  inciso II, do RIR/99), mas sim, com fundamento no valor de mercado de bens do ativo  da adquirida superior ao custo registrado na sua contabilidade (art. 385, § 2º,  inciso I,  do RIR/99).  Como se sabe, o tratamento tributário de cada uma dessas situações são completamente  diferentes, como determina o art. 386 do RIR/99.  Embora o Laudo de Avaliação da Ampla seja claro ao avaliar bens do ativo, máquinas e  implementos  agrícolas,  a  valor  de mercado,  o  sujeito  passivo  utilizou­se  desse  laudo  para  amortizar  o  ágio  e  aproveitar­se  de  tais  despesas  de  amortização  para  reduzir  o  lucro real e a base de cálculo da CSLL.  Fl. 10145DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 17          16 Tal fato, por si só, exige que esta fiscalização glose tais despesas das bases de cálculo  tributárias,  mas  há  outros  problemas  que  envolvem  o  aproveitamento  deste  ágio  e  também do ágio da Tavares de Melo.  Em  seguida  à  aquisição  destas  empresas,  e  na  mesma  data  do  contrato  de  compra  e  venda,  em  28/03/2007,  foi  realizada  uma AGE da Tavares  de Melo Açúcar  e Álcool  S/A  às  13h00  (doc.  F35)  em  que  foi  alterada  a  sua  denominação  social  para  LDC  Bioenergia S/A, além da extinção do Conselho de Administração.  Em  30/03/2007,  a  adquirente  Louis  Dreyfus  Commodities  Bioenergia  S/A  é  incorporada pela então LDC Bioenergia S/A, conforme a Ata da AGE da Louis Dreyfus  Commodities  Bioenergia  S/A  às  16h00  (doc.  F36).  No  dia  seguinte,  31/03/2007,  a  Ampla Participações S/A foi incorporada pela LDC Bioenergia S/A, conforme a Ata da  AGE da LDC Bioenergia S/A, às 14h00 (doc. F37).  Efetuada  a  incorporação  reversa  da  Louis  Dreyfus  Commodities  Bioenergia  S/A  e  a  incorporação da Ampla Participações S/A, a LDC Bioenergia S/A passa a amortizar o  ágio apurado na aquisição da Ampla e na sua própria aquisição em cinco anos, à razão  de 1/60 por mês.  Com  exceção  do  Laudo  de  Avaliação  da  Ampla  Participações  S/A,  a  operação  societária  parece  estar  toda  regular.  Se  o  ágio  atribuído  à  Ampla  não  pode  ser  amortizado, devido ao Laudo, a parcela do ágio que seria devido à aquisição da Tavares  de Melo aparenta ser regular.  Porém, não é  sem motivo que a Louis Dreyfus Commodities Brasil S/A consta como  garantidora e fiadora das obrigações da Louis Dreyfus Commodities Bioenergia S/A no  Contrato de Compra e Venda da Tavares de Melo e da Ampla.  A compradora formal não possui os recursos necessários para o pagamento da primeira  parcela do preço acertado, no valor de R$ 629.360.903,80, que deveria ser pago na data  do fechamento do contrato, isto é, em 28/03/2007.  Demonstra,  ainda,  mediante  dados  obtidos  em  declarações  apresentadas  pelo  contribuinte,  bem  como  em  contas  contábeis  correspondentes,  que  não  haveria  volume suficiente a demonstrar a origem de tais recursos. Supondo que tais recursos  tivessem  sido  obtidos  junto  a  terceiros,  passa  a  intimar  o  fiscalizado  para  esclarecimentos.  Responde  o  fiscalizado  em  determinado  momento  que  os  recursos  “foram  provenientes  de  disponibilidade  de  caixa  imediata  na  oportunidade,  formada  tanto  pelos  recursos  gerados  nas  próprias  atividades  da  Louis  Dreyfus  Commodities  Bioenergia  S/A,  bem  como  recursos  captados  no  mercado  financeiro  junto  a  terceiros e investimento de acionistas, entre outras fontes”   Por  não  demonstrar  documentalmente  a  origem  dos  recursos  captados  junto  ao  mercado financeiro e a terceiros, foi novamente intimado a esclarecimentos, quando  respondeu  que  “não  tinha  sido  possível  organizar  a  documentação/informação  requerida” e depois  veio esclarecer que “não houve  fornecimento de  recursos por  terceiros  para  a  transação.  A  aquisição  foi  feita  com  recursos  disponíveis  no  momento da transação, conforme retratado nas suas demonstrações financeiras.”  Constata a autoridade fiscal uma contradição com a resposta anterior.  Novamente  o  contribuinte  volta  a  responder  que  “não  houve  uma  operação  específica de captação de recursos financeiros para a aquisição da Tavares de Melo  Açúcar e Álcool S/A. Os recursos para a operação provieram de disponibilidade de  caixa  imediata,  originadas  tanto  pelos  recursos  gerados  pelas  suas  próprias  Fl. 10146DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 18          17 atividades  operacionais,  como  captados  no  mercado  financeiro  junto  a  terceiros  e  investimentos recebidos de acionistas, entre outras fontes”.  Embora voltando a admitir a captação, permanece não identificando a origem dos  recursos, total e tipo e recursos.  Passa a autoridade fiscal a analisar os lançamentos contábeis da aquisição:  A primeira parcela do pagamento, no valor de R$ 629.360.903,80, estava contabilizada  na conta 4420.014 – Contas a Pagar, a segunda parcela, no valor de R$ 86.939.160,13,  foi contabilizada na conta 4420.025 ­ Notas Promissórias a Pagar, e a terceira parcela,  no valor de R$ 96.873.246,90, na conta 4695.001 ­ Notas Promissórias a Pagar.  A  julgar  pelas  contas  envolvidas,  essas  contas  representavam  a  dívida  com  os  vendedores da Tavares de Melo e da Ampla. Questionado no Termo de Intimação Fiscal  nº  16  a  informar  a  quem  a  incorporada  Louis  Dreyfus  Commodities  Bioenergia  S/A  tinha  a  obrigação  de  pagar  esses  R$  629.360.903,83,  o  sujeito  passivo  respondeu  o  seguinte em 15/08/2016:  “A  Fiscalizada  esclarece  que  a  Louis  Dreyfus  Commodities  Bioenergia  S/A  tinha  a  obrigação de pagar o valor acima mencionado nos termos e na proporção da cláusula e  do anexo 3.6 do Contrato de Compra e Venda de Ações, datado de 28 de março de 2007  (...).  Como  era  de  se  esperar,  a  Louis  Dreyfus  Commodities  Bioenergia  S/A  tinha  a  obrigação  de  pagar  o  valor  da  conta  4420.014  –  Contas  a  Pagar  aos  vendedores  da  Tavares de Melo e da Ampla. Em sendo assim, existiam duas dúvidas a resolver: como  um pagamento feito em 28/03, conforme o contrato, continua contabilizado no saldo da  conta  do  passivo  em 30/03;  e  onde  foi  registrado  o  ativo  adquirido  correspondente  a  essa obrigação no passivo de 30/03.  A respeito do fato de que um pagamento feito em 28/03 continua contabilizado no saldo  da  conta  do  passivo  em  30/03,  foi  apresentada  a  seguinte  explicação  em  resposta  de  02/09/2016 ao Termo de Intimação Fiscal nº 17:  “A Fiscalizada  esclarece que  as  informações prestadas  na Declaração de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  (“DIPJ”)  referentes  ao  mês  de  Março/2007  referiam­se, na realidade, ao mês de Fevereiro/2007.”  Em  28/04/2016,  respondendo  ao  Termo  de  Intimação  Fiscal  nº  10  que  solicitou  a  informação  de  quais  eram  as  contas  contábeis  das  contrapartidas  do  lançamento  do  investimento  de  R$  236.058.572,24  e  do  ágio  de  R$  577.114.738,85,  informados  na  DIPJ  do  período  de  janeiro  a  março  de  2007  da  incorporada  Louis  Dreyfus  Commodities  Bioenergia  S/A,  o  fiscalizado  apresentou  dois  lançamentos. O  primeiro  indica que os recursos para o pagamento da aquisição saíram do Banco Pactual, o que  poderia esclarecer a origem dos recursos utilizados.  O  segundo  lançamento  revela  que  a  contra­partida  do  investimento  foi  creditada  nas  contas 4420.025 ­ Notas Promissórias a Pagar e na conta 4695.001 ­ Notas Promissórias  a Pagar, já conhecidas. A nova informação é que a contabilização do valor da primeira  parcela  foi  transferida  da  conta  4420.014  –  Contas  a  Pagar  para  a  conta  1150.009  –  Financeiro Tesouraria da incorporada Louis Dreyfus Commodities Bioenergia S/A.  Essa  transferência  de  contas  acabou  sendo  confirmada  pelo  sujeito  passivo  ao  apresentar uma planilha em 28/10/2016 em resposta ao item 2 do Termo de Intimação  Fiscal  nº19. Nessa  planilha  o  fiscalizado  indicou  os  lançamentos  envolvendo  a  conta  1150.009 – Financeiro Tesouraria.  Dessa forma, o passivo da primeira parcela foi extinto pelo pagamento aos vendedores  das empresas, mas a origem dos recursos permaneceu dissimulada pela conta 1150.009  Fl. 10147DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 19          18 – Financeiro Tesouraria. Com essa forma engenhosa, a obrigação foi quitada sem haver  dívida com ninguém, nem com terceiros nem com os sócios.  Ora, se houve a entrada de recursos na empresa, e recursos vultosos, e não há obrigação  com  terceiros  ou  com  os  acionistas,  só  poderia  se  tratar  de  receita  que  não  foi  contabilizada. Tratar­se­ia de omissão de receitas.  E como omissão, não poderia o fiscalizado reconhecer a origem dos recursos, informar  quem  lhe  forneceu  as  condições  para  que  adquirisse  a  Tavares  de Melo  e  a  Ampla,  apesar  de  que  não  teria  condições  para  isso.  Afinal,  a  adquirente  abriu  uma  conta  bancária no Banco Pactual, em que recebeu os recursos e da qual saíram os pagamentos  para  os  vendedores.  A  adquirente  contabilizou  essa  conta  corrente  na  conta  contábil  1120.208 – Banco Pactual.  O razão da conta contábil 198.001.000.1120.208 – Banco Pactual e o extrato bancário  do Banco Pactual  foram apresentados  pelo  fiscalizado  em  15/08/2016,  na  resposta  ao  Termo de Intimação Fiscal nº 16, como docs. 08 e 09, respectivamente.  Em tais documentos constam os depósitos efetuados nos dias 27 e 28/03/2007 para os  pagamentos  feitos  aos  vendedores  no mesmo  dia  28/03/2007.  Esses  depósitos  são  os  seguintes:    Questionado  pelo  Termo  de  Intimação  Fiscal  nº  17,  em  23/08/2016,  a  apresentar  os  documentos bancários  (contratos de câmbio, comprovantes de depósito, comprovantes  de transferência, etc.), com identificação do depositante ou credor, que sustentam cada  um  dos  depósitos  realizados  no  Banco  Pactual  S/A,  respondeu  o  seguinte  em  03/10/2016:  “A Fiscalizada esclarece que tentou obter a documentação solicitada com as instituições  financeiras  acima  identificadas,  mas  foi  informada  de  que  os  extratos  bancários  são  guardados pelo período de 5 (cinco) anos – de modo que não dispõem de documentos  dos anos de 2006 e 2007”.  Assim,  não  cabe  admitir  que  o  sujeito  passivo,  beneficiário  de  tais  depósitos,  não  conheça as movimentações ocorridas, por quem foram feitas e a que título foram feitas,  em sua própria conta corrente.  Em  resposta  ao  Termo  de  Intimação  Fiscal  nº  20,  apresentada  em  09/11/2016,  que  questionava sobre os saldos efetivos das contas que compuseram a DIPJ em fevereiro e  Fl. 10148DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 20          19 março de 2007, o fiscalizado apresentou o “Balancete Fev 2007 X Março 2007”, como  doc. 01.  Foi  observado  nesse  balancete  a  existência  de  contas  contábeis  de  empréstimos  relacionados  aos bancos  e/ou  valores que  foram depositados no Banco Pactual para a  compra  da  Tavares  de  Melo.  Esses  empréstimos  tiveram  as  mesmas  características:  foram  tomados  em  março  de  2007,  e  as  contas  contábeis  que  os  representam  foram  agrupadas  sob  a  rubrica  de  “PPM C/ Bancos  P/C Exportac”,  no  grupo  contábil  4205  (circulante) ou 4635 (Realizável a Longo Prazo). São as seguintes contas:    A identificação dos valores dessas contas de empréstimo com os valores depositados no  Banco Pactual para pagamento da Tavares de Melo e da Ampla fica evidente em pelo  menos dois casos, os empréstimos do Banco ABN Amro e do Unibanco. Na resposta de  09/11/2016 ao Termo de Intimação Fiscal nº 20, foram apresentados os razões contábeis  das contas representativas da conta corrente mantidas no Banco ABN Amro (como doc.  05) e no Unibanco (como doc. 06).  No razão da conta 4635.356 – ABN Amro consta o lançamento  inicial do  total de R$  82.444.000,00, que foi o valor depositado no Banco Pactual, o seu estorno e o crédito  da  metade  desse  valor  e  de  algumas  taxas,  perfazendo  o  valor  líquido  de  R$  41.174.105,15. No razão da conta 4205.356 consta apenas o crédito da outra metade, R$  41.222.000,00,  e  o  lançamento  de  taxas,  permanecendo  o  valor  líquido  de  R$  41.388.105,15.  No  razão  da  conta  4635.409  –  União  Bancos  Brasil  S/A  consta  o  crédito  de  R$  61.986.000,00, que foi o valor depositado no Banco Pactual, e o lançamento de taxas,  perfazendo o valor de R$ 62.316.972,42.  Não obstante  essas  evidências  e  embora  tenha  sido questionado  sucessivamente pelos  Termos  de  Intimação  desde  o  início  da  fiscalização,  o  sujeito  passivo  permanece  afirmando  que  os  recursos  utilizados  na  aquisição  da  então  denominada  Tavares  de  Melo  Açúcar  e  Álcool  S/A  e  da  Ampla  Participações  S/A  foram  decorrentes  de  sua  atividade normal.  Talvez por isso, não identificou até o momento a origem dos recursos, não identificou o  nome e o CNPJ de quem forneceu o recurso, o  total do recurso  fornecido e o  tipo do  recurso (se empréstimo, aumento de capital, etc), e não apresentou qualquer documento  que  comprovasse  essas  informações,  como  transferências  bancárias,  contratos  de  câmbio,  contratos  de  empréstimo,  demonstrativos  dos  saldos  dos  eventuais  empréstimos, pagamentos de juros e principal dos eventuais empréstimos, etc.  Apenas em 06/12/2016 apresentou dois contratos de empréstimo em resposta ao Termo  de Intimação Fiscal nº 23. Apresentou, em língua inglesa, o contrato de financiamento  denominado  Preexport  Financing  Agreement,  que  justificaria  o  crédito  de  R$  206.671.635,51  na  conta  contábil  4635.001  (doc.  2).  Trata­se  de  um  Contrato  de  Financiamento  de  Pré­Exportação,  firmado  em  22/03/2007  entre  o  Banco  do  Brasil  através  da  sua  filial  em  Londres  (“London  Branch”),  Louis  Dreyfus  Commodities  Bioenergia  e  a  Louis  Dreyfus  Commodities  Brasil  S/A,  CNPJ  47.067.525/0001­08,  como garantidora, na quantidade total de US$ 100.000.000,00.  O outro contrato apresentado foi o denominado Pagamento Antecipado de Exportação,  que  justificaria  o  crédito  de  R$  62.316.972,42  na  conta  contábil  4635.409  (doc.  3).  Trata­se de uma Cédula de Crédito Bancário – Pagamento Antecipado de Exportação,  Fl. 10149DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 21          20 firmada em 13/03/2007 entre o Unibanco, por meio de sua agência em Cayman, e Louis  Dreyfus  Commodities  Bioenergia  e  Louis  Dreyfus  Commodities  Brasil,  no  valor  de  US$ 30.000.000,00.  Esses  dois  contratos  de  financiamento  são  contratos  de  financiamento  específicos,  dirigidos  à  exportação  e  que  ao  utilizar  os  recursos  para  outros  fins  que  não  a  exportação de mercadorias, implicam inclusive em recolhimento de impostos como IOF  e IRRF  Assim,  conclui  a  autoridade  fiscal:  “Ao  não  comprovar  a  origem  dos  recursos  utilizados  para  a  aquisição  das  empresas Tavares de Melo Açúcar  e Álcool S/A  e  Ampla Participações S/A, o fiscalizado não comprova que a real adquirente dessas  empresas  tenha  sido  a  incorporada  Louis  Dreyfus  Commodities  Bioenergia  S/A.  Portanto,  não  comprova  que  o  ágio  apurado  nessas  aquisições  pertença,  efetivamente,  a  esta  empresa.  Assim,  não  pode  a  fiscalizada  amortizar  tal  ágio  e  deduzi­lo na apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL.”  Na  seqüência,  o  TVF  aborda  as  demais  infrações  e  ajustes  promovidos  no  lançamento.  Informa acerca da compensação de prejuízos  fiscais, destacando que “O saldo de  prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativa de CSLL nos controles do fiscalizado  devem  ser  ajustados  aos  valores  descritos  acima,  conforme  as  Planilhas  de  Compensação de Prejuízos Fiscais do IRPJ e de Compensação de Base Negativa da  CSLL, anexas ao Auto de Infração”.  Justifica o lançamento da falta de recolhimento de estimativa, informando que:  No período de 2011 a 2014, a fiscalizada apurou estimativa mensal de IRPJ e de CSLL  com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução.  A dedução de despesas de amortização de ágio levou a fiscalizada a apurar uma base de  cálculo mensal menor do que a real, calculando a estimativa de IRPJ e CSLL a menor  em tais períodos.  Situação em que o art. 44 da Lei nº 9.430/95 dispõe claramente que deverá ser lançada  multa de ofício isolada de 50% sobre o valor não recolhido da estimativa Nos períodos  de abril de 2012 a fevereiro de 2013, de abril de 2013 a dezembro de 2014, o prejuízo  fiscal  apurado  é  maior  do  que  o  valor  do  ágio  amortizado,  não  havendo,  portanto,  diferença a lançar devido à amortização do ágio. Nos demais períodos, foram efetuados  os cálculos de estimativa de acordo com a fiscalização.  Em relação à multa por apresentação da ECF com omissões, destaca:  Durante a presente fiscalização, foi constatado que o sujeito passivo havia entregue ao  Sistema Público de Escrituração Digital  – Sped os arquivos  relativos à Escrituração  Contábil Fiscal – ECF, correspondente ao ano de 2014, de forma bastante incompleta.  (...)  foi  intimado  a  apresentar  as  informações  completas  da  Demonstração  do  Resultado Liquido e do  e­Lalur  e  e­Lacs  em 26/11/2015,  com prazo  de 20 dias  (doc.  98). Após solicitação de prorrogação de prazo na resposta apresentada em 17/12/2015,  o contribuinte acabou retificando a ECF de 2014 em 05/01/2016   Justifica a gravidade da omissão de  informações na ECF e cita as disposições do  art. 8 e 8A do Decreto­lei nº 1.598/77, com a redação dada pela Lei nº 12.973/2014,  bem como transcreve disposições da IN RFB nº 1.422/2013. E complementa:  Como a  redação do art. 8 e 8­A do Decreto­lei  nº 1.598/77  faz  referência ao  e­Lalur,  apenas  os  valores omitidos  nesse demonstrativo  serão  objeto de  lançamento de multa  por omissão, embora outros módulos da ECF tenham sido apresentados com omissões,  Fl. 10150DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 22          21 como a Demonstração  do Resultado Líquido. Os  valores  omitidos  no  e­Lacs  também  não serão objeto de  lançamento de multa em virtude de os valores omitidos  serem os  mesmos do e­Lalur, o que poderia representar uma duplicidade de lançamentos.  A apresentação do e­Lalur, e da ECF, de forma completa ocorreu após procedimento de  ofício  desta  fiscalização,  porém  dentro  do  prazo  concedido,  portanto  as multas  serão  lançadas reduzidas em 50%.  Por  fim, o TVF aborda os  fundamentos para a aplicação da multa qualificada de  150% sobre os tributos apurados.  Defende  que  os  procedimentos  adotados  pela  fiscalizada  estão  compreendidos  na  hipótese de sonegação e fraude.  Cita a exposição de motivos do art. 8º da Medida Provisória nº 1602/97, convertida  na Lei nº 9.532/97, base legal dos arts. 385 e 386 do RIR/99.  Argumenta  que  “desde  o  seu  início,  a  intenção  com  essa  legislação  era  que  fosse  aplicada  aos  casos  reais,  procurando  tirar  o  incentivo  que  poderia  haver  anteriormente  à  incorporação  de  empresas  apenas  para  obtenção  de  vantagem  de  natureza fiscal”.  E continua:  Quando  o  caput  desse  art.  386  fala  em  “pessoa  jurídica  que  absorver  patrimônio  de  outra”  se  refere  a  qualquer  pessoa  jurídica  ou  se  refere  àquela  pessoa  jurídica  que  realmente  detenha  participação  societária,  realmente  adquirida  com  seus  recursos  próprios?  Não  parece  razoável  que  esse  dispositivo  traga  definições  que  possam  ser  delegadas  tranquilamente  para  outras  pessoas  jurídicas,  mesmo  as  ligadas  com  quem  realmente adquiriu a participação societária.  Assim,  não  cabe  à  empresa  invocar  desconhecimento,  prática  de  erro  escusável,  ou  divergência de interpretação da legislação.  No  caso  da  aquisição  da  Santelisa  Vale,  a  reorganização  societária  não  foi  feita  ao  acaso. A reestruturação societária promovida para a inclusão da empresa veículo Ágatis  como controladora da fiscalizada e sua posterior incorporação teve o objetivo de gerar  despesas de amortização de ágio.  A  contribuinte  estava  perfeitamente  consciente  da  falta  de  propósito  negocial  ou  societário  na  interposição  da  Ágatis,  à  luz  do  art.  966  do  Código  Civil,  ficando  caracterizada  a  utilização  dessa  como  mera  “empresa  veículo”  para  transferência  do  ágio dos reais adquirentes, apenas com o fim almejado de redução do valor  tributável  pela amortização do ágio.  A  Ágatis  em  seu  curto  período  ativo,  não  incorreu  em  custos,  despesas  ou  receitas,  apresentando  apenas  a  movimentação  decorrente  do  pretenso  investimento  na  LDC  Bioenergia, e seu ágio. Ou seja, a sociedade formalizada produziu apenas documentos  (atas, estatutos, livros contábeis, entre outros) utilizados para movimentar contabilmente  recursos de outras empresas do grupo LDC e da Canna Investors.  O  fato  de  não  terem  sido  utilizados  documentos  falsos  ideologicamente  não  implica  necessariamente  na  inexistência  da  intenção  de  escapar  ao  pagamento  de  tributos.  A  análise da sequência das operações, e seus resultados antes e depois de sua ocorrência  revelam a existência de um plano, de um artifício criado para reduzir a carga tributária.  Conforme anteriormente demonstrado, a conduta ilícita consistiu na criação artificial da  situação prevista nos arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97. Em outras palavras, da simulação da  hipótese  legal  a  fim  de  ser  obtida  vantagem  fiscal.  Houve  a  interposição  de  uma  aparente  controladora  da  empresa  operacional,  seguido  de  uma  aparente  operação  de  Fl. 10151DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 23          22 incorporação. Operações aparentes, porque sem substância econômica, por serem pura  forma, sem materialidade.  Ressalte­se que no caso da aquisição da Santelisa Vale, o contribuinte não escondeu os  atos do Fisco. Se isto tivesse ocorrido estaríamos falando de sonegação pura e simples,  e não da fraude prevista no art. 72 da Lei 4.502/64.  Já no caso da aquisição da Tavares de Melo e da Ampla não se pode dizer o mesmo.  Nesta situação, o sujeito passivo adotou procedimentos que visaram esconder os  fatos  realmente  ocorridos,  tanto  por  ocasião  da  operação  quanto  no  momento  desta  fiscalização.  Ocorre que ao apresentar a  sua DIPJ de evento especial de  incorporação, que deveria  corresponder  ao  período  de  01/01  a  30/03/2007,  a  Louis  Dreyfus  Commodities  Bioenergia  empregou  não  os  saldos  contábeis  de  30/03/2007,  mas  sim  os  saldos  contábeis de 28/02/2007, sob a alegação de que a data base das aquisições (da Tavares  de Melo e da Ampla) foi fixada em 28/02/2007.  Não apresenta nenhum documento para comprovar que a competência da operação de  aquisição societária  tenha  se deslocado para um mês  antes da aquisição ser  fechada e  paga.  Afinal,  a  data­base  da  operação  em  28/02/2007  pode  ser  importante  para  os  contratantes, mas não para determinar os saldos contábeis que devem constar da DIPJ  em 30/03/2007.  O uso dos saldos de fevereiro de 2007 na DIPJ, propiciou que a contabilização do valor  da primeira parcela  fosse  feita pelas  contas 4420.014 – Contas  a Pagar  e 1150.009 –  Financeiro  Tesouraria  da  incorporada  Louis  Dreyfus  Commodities  Bioenergia  S/A,  omitindo os empréstimos  tomados para a aquisição das empresas, que  foram  tomados  somente em março de 2007.  Também durante a fiscalização procurou­se esconder como a operação foi efetivamente  realizada  Por  fim,  após  a  apresentação  de  um  balancete  de  março  de  2007  da  Louis  Dreyfus  Commodities  Bioenergia  S/A,  que  permitiu  a  identificação  de  empréstimos  com  valores  bastante  próximos  dos  valores  que  foram  depositados  no Banco  Pactual  para  os  pagamentos  aos  vendedores  da  Tavares  de  Melo  e  da  Ampla,  passou­se  a  solicitar a apresentação, para cada um dos empréstimos identificados na contabilidade,  dos  contratos  de  financiamento  e  de  demonstrativo  do  crédito,  com  informações  a  respeito dos pagamentos, juros e saldos.  Nessa mesma ocasião, na resposta de 06/12/2016, apresentou apenas dois contratos de  empréstimo,  como  descrito  anteriormente,  e  mesmo  assim,  sem  os  demais  comprovantes.  A  comprovar  a  intenção  de  postergar  a  apresentação  de  todos  os  documentos, no caso destes dois contratos de empréstimo apresentados, eram os únicos  controlados  nas  suas  respectivas  contas  contábeis,  não  havendo  outros  contratos  que  justificassem  a  resposta  de  que  “a  identificação  dos  contratos  de  empréstimo  não  é  realizada pelo número da conta contábil em que referidos contratos são registrados”.  Em  vista  das  inúmeras  oportunidades  para  apresentação  da  origem  dos  recursos  utilizados  para  a  aquisição  das  empresas  Tavares  de Melo  e Ampla,  desde março  de  2015, o  sujeito passivo deixou  clara  a  sua  intenção de omitir  como  se deu essa parte  fundamental da operação.  Tentou esconder na declaração apresentada à RFB e tenta esconder da fiscalização.  O sujeito passivo foi cientificado da autuação em 22/12/2016, conforme fls. 5203  Foi apresentada, em 20/01/2017, a impugnação de fls. 5216 a 5319, acompanhada  dos documentos de fls. 5320 a 7369, a seguir resumida:  [...]  Fl. 10152DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 24          23 Às fls.7377 a 7385 consta a Resolução 14­4.323 ­ 1ª Turma da DRJ/RPO, proferida  no dia 27 de  junho de 2017, na qual  se decidiu pela conversão do julgamento em  diligência, para as seguintes providências:  a)  diligenciar  as  instituições  financeiras  elencadas  no  balancete  apresentado  pela  autuada  (Banco  Brasileiro  Desc  S/A;  Banco  ABN  Amro  S/A;  Banco  do  Brasil  S/A;  Banco AGF do Brasil S/A e União Bancos Brasil S/A) e o Banco Calyon Brasil S/A,  para que elas sejam demandadas a apresentar a documentação de origem dos alegados  empréstimos, destacando que se não possuirem mais os documentos arquivados, sejam  eles  físicos  ou  digitalizados,  que  sejam  demandadas  a  manifestarem­se,  por  escrito,  baseadas nos registros dos seus bancos de dados, se houve no ano de 2007 empréstimos  em  favor  da  adquirente  Louis  Dreyfus  Commodities  Bioenergia  S/A,  detalhando  quando  e  quais  valores  foram  emprestados,  separado  por  cada  operação  e  data,  detalhando  as  condições  da  contratação,  tais  como  valores  contratados;  encargos;  valores  e  vencimentos  das  parcelas  do  correspondente  pagamento  devido;  se  o  empréstimo encontra­se quitado ou não, entre outros elementos pertinentes a operação;  b)  diligenciar  o  Banco  Central  do  Brasil,  para  que  sejam  demandados  a  indicar  as  operações  de  câmbio  ocorridas  em  favor  da  adquirente  Louis  Dreyfus  Commodities  Bioenergia  S/A,  em  especial  as  que  originaram  os  recursos  creditados  na  conta  do  Banco Pactual no mês de março de 2007, de modo a buscar a quê e a quem se referem  tais câmbios;  b) diligenciar o Banco Pactual, para que informe do que se tratam as descrições contidas  no respectivo extrato: “DEPOSITO EM C/C VIA CIP– LOUIS...”, detalhando as datas  e correspondente descrições em sua íntegra, de modo a indicar hipóteses da origem de  tais  depósitos,  tal  como  ocorrido  com  a  descrição  “DEPOSITO  EM  C/C  VIA  RESERVA  –UNIBANCO...”,  cujo  crédito,  pela  documentação  dos  autos,  indicam  serem decorrentes de contrato de câmbio/ antecipação de exportação.  c) intimar a fiscalizada a apresentar sua escrita contábil, em especial, mas não apenas, o  razão das contas representativas dos empréstimos tomados pelas instituições financerias  indicadas  no  balancete  apresentado,  demonstrando  não  só  o  registro  do  empréstimo,  mas também o pagamento dos mesmos, o registro dos encargos correspondentes, entre  outros  elementos  que  entender  pertinente,  para  demonstrar  que  sua  contabilidade,  ao  menos, registra todos os eventos relacionados a um empréstimo, nos termos das normas  aplicáveis a tais operações;  d) reintimar a fiscalizada a apresentar os contratos e demais documentos que provam a  efetiva realização de empréstimos, conforme alegado na impugnação, não apenas os da  contratação, mas também os que documentam os desdobramentos de uma operação de  empréstimo, por exemplo, a forma dos pagamentos realizados, eventuais renegociações,  aditivos, etc.  e)  outras  diligências  que  entender  pertinentes  a  comprovação  de  quem  efetivamente  desembolsou  os  recursos  para  a  aquisição  das  empresas  Tavares  de  Melo  Açúcar  e  Álcool S/A e Ampla Participações S/A.  A autoridade fiscal concluiu os trabalhos manifestando­se por intermédio do Termo  de  Diligência  Fiscal  de  fls.  8052  a  8069,  do  qual  se  extraem  as  seguintes  informações mais relevantes:  4.  O  Auto  de  Infração  foi  lançado  em  21/12/2016,  porém  a  fiscalização  não  foi  encerrada  nesse  momento,  em  vista  de  que  haviam  sido  encaminhadas  RMF  –  Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira para o Banco BTG Pactual  e para o Banco Central do Brasil, que se encontravam pendentes das  respostas dessas  instituições.  5.  Além  dessas  RMF,  o  fiscalizado  continuou  a  ser  inquirido  sobre  os  recursos  utilizados na aquisição da Tavares de Melo e da Ampla. A  fiscalização acabou  sendo  Fl. 10153DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 25          24 encerrada em definitivo através do Termo de Intimação Fiscal nº 27, do qual o sujeito  passivo  teve  ciência  em  22  de  junho  de  2017,  após  não  haver  atendimento  aos  questionamentos das seguidas intimações.  6. As solicitações encaminhadas para o Banco BTG Pactual e para o Banco Central do  Brasil atendem o que foi agora solicitado pela 1ª Turma da DRJ/RPO.  Em  relação  ao  primeiro  item  da  diligência,  informou:  “deixo  de  promover  as  diligências  solicitadas  em  vista  de  que  o  procedimento  de  fiscalização  no  contribuinte  já  se  encontra  encerrado,  não  sendo  possível,  dessa  forma,  o  atendimento dos requisitos que autorizam a expedição de Requisição de Informações  sobre Movimentação Financeira – RMF, como consta do art. 2º, § 5º, do Decreto nº  3.724/2001”.  Na seqüência informa:  Em  resposta  de  30/03/2017  (doc. D4),  o Banco Central  encaminhou o  demonstrativo  denominado “Analitico (Medio)”. Nesse demonstrativo constam todas as operações de  câmbio efetuadas pelo contribuinte no período de janeiro a junho de 2007.  Verificando­se os 54 registros relativos a contratos de exportação, constam 7 contratos  que  tinham  como  importador  a  empresa  Nethgrain,  destacados  no  demonstrativo  Analiticomedio  –  Nethgrain  (doc.  D7).  Excluindo­se  esses  contratos,  os  restantes  47  contratos  de  exportação perfaziam o  total  de R$ 163.386.142,47,  com a média de R$  3.476.300,90 por contrato.  Por  sua  vez,  os  contratos  vinculados  ao  importador  Nethgrain  totalizaram  R$  616.978.150,00,  com  a  média  de  R$  88.139.735,71.  A  disparidade  dos  valores  envolvidos  com  os  contratos  do  importador Nethgrain  se  deve  a  que  esses  contratos  correspondem aos contratos de pré­pagamento de exportação que apontamos no Termo  de Verificação Fiscal  como  sendo  a origem dos  recursos  utilizados  para  a  compra da  Tavares  de Melo  e da Ampla. É  importante destacar  que  a Nethgrain B.V.  também é  uma empresa pertencente ao grupo Louis Dreyfus.  Como se percebe, os valores desses contratos são os valores que foram depositados na  conta do Banco BTG Pactual utilizada para os pagamentos aos vendedores da Tavares  de  Melo  e  da  Ampla.  Aliás,  no  próprio  demonstrativo  Analitico  (Médio)  consta  a  informação  de que os  recursos  desses  contratos  seriam depositados no Banco Pactual  S.A.,  agência  1,  c/c  89646.  Apenas  os  dois  últimos  contratos,  nos  valores  de  US$  5.500.000,00  e  US$  3.500.000,00,  seriam  depositados  em  conta  corrente  no  Banco  Bradesco.  Possivelmente  esses  dois  contratos  são  a  origem  do  valor  de  R$  16.513.858,86,  creditado  na  conta  contábil  4205.237  –  Banco  Brasileiro  Desc  S/A.  Ressalte­se  que  nenhum  dos  demais  47  registros  relativos  a  contratos  de  exportação  aponta uma conta no Banco Pactual S.A. como destino do depósito dos valores.  O demonstrativo do Banco Central também trouxe outra informação muito importante:  as mercadorias que teriam sido exportadas para a Nethgrain seriam açúcar, álcool, soja,  café, milho, algodão e suco de laranja.  Assim, procuramos verificar quais  foram as mercadorias que teriam sido efetivamente  exportadas, considerando­se que tanto a Louis Dreyfus Commodities Bioenergia quanto  a sua incorporadora LDC Bioenergia eram empresas compostas por usinas de açúcar e  álcool, portanto, produtoras de açúcar e de álcool.  Inicialmente,  verificamos  os  registros  de  exportação  efetuadas  pela  Louis  Dreyfus  Commodities Bioenergia no período de 2006 e 2007, e pela LDC Bioenergia no período  de 2007 a 2015, constantes do Siscomex – Sistema de Comércio Exterior Constatamos  que houve exportação de soja para a Nethgrain, apenas no período de setembro/2007 a  setembro/2010. Em 2006, antes da operação em análise, houve uma única exportação de  açúcar cristal para a Nethgrain em março, no valor de US$ 5.768.700,00.  Fl. 10154DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 26          25 Houve, também, uma pequena exportação de café para a Nethgrain, efetuada pela Louis  Dreyfus Commodities Bioenergia em junho e julho de 2007, período em que já estaria  extinta pela  incorporação à LDC Bioenergia O valor  total exportado para a Nethgrain  no  período  2007  a  2010  foi  bastante  próximo  do  valor  que  teria  sido  obtido  com  os  empréstimos  de  pré­pagamento  de  exportação,  principalmente  se  considerarmos  que  houve  uma  antecipação  das  exportações,  uma  vez  que  os  contratos  de  exportação  tinham prazos superiores a 6 anos para pagamento, além de quatro anos de carência, de  acordo com as informações prestadas pelo Banco Central.  Os produtos exportados praticamente se limitaram a derivados de soja:  farelos  e  óleos  de  soja  degomados.  Como  a  LDC  Bioenergia  produz  e  comercializa  produtos  derivados  da  cana  de  açúcar,  os  produtos  derivados  de  soja  que  foram  exportados tiveram que ser adquiridos de terceiros.  Para  identificarmos  os  fornecedores  dos  produtos  de  soja  e  os  destinatários  dessas  exportações, solicitamos ao contribuinte diligenciado, por meio do Termo de Intimação  Fiscal – Diligência nº 02, que apresentasse os arquivos digitais das notas fiscais de saída  de  seus  estabelecimentos  e  das  notas  fiscais  dos  produtos  que  entraram  nesses  estabelecimentos, no período de 2007 a 2010, na forma do disposto nos artigos 265, 266  do Decreto nº 3.000, de 26/03/99, no artigo 11 da Lei 8.218/91, na Instrução Normativa  do Secretário da Receita Federal nº 86, de 22/10/2001, e no Ato Declaratório Executivo  Cofis nº 15, de 23/10/2001, e seu Anexo Único.  Porém, o  contribuinte  limitou­se a  responder que não  localizou o arquivo solicitado e  que estaria desobrigada da sua conservação.  Em função dessa recusa do contribuinte, utilizamos as informações existentes no Sped –  Sistema Público de Escrituração Digital. Analisamos todas as notas fiscais relacionadas  à incorporadora LDC Bioenergia, seja como emitente seja como destinatária, constantes  no Sped nos anos de 2009 e 2010 (doc. D11 e D12 – Demonstrativos de Notas Fiscais  Biosev  2009  e  2010),  visto  que  antes  dessa  data,  a  nota  fiscal  eletrônica  não  era  obrigatória.  Os demonstrativos com os dados das notas fiscais de 2009 e 2010 mostram que o único  fornecedor de derivados de soja para a LDC Bioenergia é a Louis Dreyfus Commodities  Brasil, sua controladora (doc. Biosev – Fornecedor de Soja 2009 e 2010).  Nas  próprias  notas  fiscais  de  exportação  para  a  Nethgrain,  emitidas  pela  LDC  Bioenergia,  consta  a  informação de que  a mercadoria  foi  adquirida da Louis Dreyfus  Commodities  Brasil  (doc. D16  ­ Nota  Fiscal  LDC Bio  –2009  e D17  ­  2010). Assim  como  nas  notas  fiscais  emitidas  pela  Louis  Dreyfus  Commodities  Brasil  para  o  destinatário  LDC  Bioenergia  consta  a  informação  de  que  a  mercadoria  se  destina  a  exportação e é entregue nos armazéns portuários da Louis Dreyfus Commodities Brasil  (doc. D18 a D24 ­ Notas Fiscais Dreyfus Brasil – 2009 e 2010).  Enquanto as exportações da LDC Bioenergia de derivados de soja para a Nethgrain se  limitam  aos  valores  dos  contratos  de  empréstimo  em  análise,  a  Louis  Dreyfus  Commodities Brasil exporta uma quantidade bastante superior de mercadorias derivadas  de  soja  para  a  própria  Nethgrain  O  volume  de  exportações  da  Louis  Dreyfus  Commodities Brasil mostra claramente que esta era a empresa que possuía condições de  arcar com o volume dos empréstimos utilizados para a aquisição da Tavares de Melo e  Ampla e, mais ainda, era a empresa que tinha relacionamento comercial importante com  a  Nethgrain  para  obter  tais  empréstimos.  A  Nethgrain  era  um  dos  principais  importadores  da  Louis  Dreyfus  Commodities  Brasil,  se  não  o  mais  importante  pelo  valor das importações, inclusive no ano de 2006.  Apenas  no  ano  de  2007,  em  que  foi  efetuada  a  aquisição  da  Tavares  de Melo  e  da  Ampla, a Louis Dreyfus Commodities Brasil exportou mercadorias para a Nethgrain no  valor  de  US$  715.245.397,00,  quantia  2,4  vezes  superior  ao  valor  dos  empréstimos  utilizados  na  compra  dessas  empresas.  No  ano  anterior  à  aquisição,  o  volume  de  Fl. 10155DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 27          26 exportações para a Nethgrain foi de mais que o dobro do valor dos empréstimos, US$  605.847.824,00. Enquanto que a LDC Bioenergia exportou para a Nethgrain apenas a  quantidade necessária para justificar os empréstimos que passaram pela Louis Dreyfus  Commodities Bioenergia, e nos períodos após a incorporação reversa. Empréstimos nos  quais a Louis Dreyfus Commodities Brasil era a garantidora avalista.  No entanto, há outra inconsistência nesses dados. Nas notas fiscais da LDC Bioenergia  não  foram  encontradas  notas  fiscais  no  total  dos  valores  que  teriam  sido  exportados.  Nem  a  LDC  Bioenergia  emitiu  notas  fiscais  no  volume  que  teria  exportado  para  a  Nethgrain, nem a Louis Dreyfus Commodities Brasil vendeu derivados de soja para a  LDC Bioenergia nos volumes necessários para a exportação.  Como se verifica, nem as vendas de derivados de soja da Louis Dreyfus Commodities  Brasil para a LDC Bioenergia, nem os valores exportados pela LDC Bioenergia são em  valores suficientes para o volume exportado para a Nethgrain pela LDC Bioenergia:  No período de 2009, considerando o valor médio de cotação como sendo US$ 1,00 =  R$ 2,00, o valor das notas fiscais de exportação da LDC Bioenergia representa menos  de ¼ do que foi exportado. Em 2010, considerando uma cotação média de US$ 1,00 =  R$  1,70,  representa  80%  do  que  foi  exportado.  Sequer  o  valor  das  mercadorias  que  foram fornecidas pela Louis Dreyfus Commodities Brasil foi suficiente para fazer frente  ao volume exportado.  Essa situação pode ser a explicação para a recusa constante do contribuinte em fornecer  as documentações solicitadas durante a fiscalização e, também, nesta diligência.  A Louis Dreyfus Commodities Bioenergia foi utilizada como uma empresa veículo, por  onde transitaram os recursos necessários para a aquisição e o ágio obtido na operação.  Sequer  as mercadorias  enviadas  para  a  quitação  da  dívida  passaram  por  ela. A Louis  Dreyfus  Commodities  Brasil  foi  a  real  adquirente,  pois  foi  quem  quitou  os  recursos  utilizados na aquisição com as mercadorias exportadas. Essas operações de exportação  de mercadorias derivadas de soja foram efetuadas após a aquisição da Tavares de Melo  e  após  a  incorporação  reversa  da  Louis  Dreyfus  Commodities  Bioenergia  pela  adquirida.  O único propósito de todas essas operações foi apenas para permitir o enquadramento  da  operação  no  art.  386  do RIR/99  e  o  consequente  aproveitamento  das  despesas  de  amortização de ágio. Afinal, o que impedia que a própria Louis Dreyfus Commodities  Brasil  efetuasse  todas  essas  operações  em  seu  nome,  já  que  as  fez  em  nome de  uma  controlada?  Como é evidente, nada a impedia, a não ser o impedimento de aproveitar o ágio.  Chama  a  atenção,  também,  que  esses  empréstimos  possam  ter  sido  quitados  com  as  exportações  de  farelo  de  soja  e  óleo  de  soja  degomado  nos  períodos  imediatamente  subsequentes (setembro de 2007 a setembro de 2010) à obtenção dos empréstimos, em  março de 2007. Isso porque os empréstimos tinham prazo de quitação de mais de 2500  dias, com prazo de carência de 4 anos. Os empréstimos teriam sido quitados dentro do  prazo de carência.  Da mesma  forma que em  relação ao  item anterior,  também  já havíamos  solicitado ao  Banco BTG Pactual que prestasse as informações acima.  Em  resposta  de  09/12/2016,  apresentou  a  seguinte  planilha  para  identificar  os  remetentes  dos  recursos Visando  esclarecer  as  descrições  empregadas  nessa  planilha,  objeto  deste  item  da  diligência,  solicitamos  esclarecimentos  ao  Banco  BTG  Pactual  (doc. D33). Na resposta datada de 09/04/2007 (doc. D35), informou apenas o seguinte:  a) A sigla CIP significa Câmara Interbancária de Pagamentos e transcreveu a definição  constante da página eletrônica do Bacen.  Fl. 10156DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 28          27 b)  A  expressão  “Reserva”  significa  Sistema  de  Transferência  de  Reservas  e  também  transcreveu a definição constante da página eletrônica do Bacen.  c) A  expressão  “Cambio – São Paulo”  está na descrição  da  transferência  recebida do  Banco Bradesco S/A.  d)  Em  relação  aos  demais  itens  questionados  informou  que  não  possuía  mais  informações  além  das  que  já  haviam  sido  enviadas  na  planilha  apresentada  em  09/12/2016, reproduzida acima.  Assim, com relação ao solicitado neste item da diligência, a informação relevante está  na confirmação de que o depósito de R$ 165.015.200,00, com a descrição “Depósito em  c/c via reserva – Cambio São Paulo”, teve origem no Banco Bradesco.  Outra informação relevante para a compreensão da operação de aquisição da Tavares de  Melo  e da Ampla,  com a utilização da Louis Dreyfus Commodities Bioenergia  como  uma mera empresa veículo, está na apresentação da ficha cadastral da conta (doc. D31).  A Ficha Cadastral  foi firmada com data de 21/03/2007, apenas uma semana antes que  os  depósitos  dos  recursos  fossem  realizados.  O  que  comprova  que  a  Louis  Dreyfus  Commodities Bioenergia não  tinha conta nessa instituição financeira, e que essa conta  no  Banco  BTG  Pactual  foi  aberta  exclusivamente  para  o  trânsito  dos  recursos  da  compra da Tavares  de Melo  e da Ampla. Após  essa operação,  a  conta não  teve mais  movimentação.  Em atenção aos itens “c” e “d” desta diligência,  foi encaminhado ao sujeito passivo o  Termo de Intimação Fiscal – Diligência nº 01, do qual teve ciência em 07/07/2017.  Em resposta apresentada em 28/07/2017, apresentou arquivos em Excel como sendo os  razões contábeis das contas solicitadas Os arquivos apresentados dizem respeito apenas  ao período de abril a dezembro de 2007, segundo consta do nome dos arquivos. Apesar  disso,  constam os  lançamentos de  contratação dos  empréstimos, que  foram  realizados  em março de 2007.  Esses arquivos apresentam algumas deficiências, uma vez que não constam saldos, os  históricos  são  compostos  apenas  por  números,  e  os  lançamentos  encontram­se  sem  ordem  cronológica.  É  importante  ressaltar  que  esses  arquivos  já  haviam  sido  apresentados em resposta ao Termo de  Intimação Fiscal nº 25, e essas deficiências  já  haviam sido apresentadas nessa ocasião, e foram objeto do Termo de Intimação Fiscal  nº 26. Este Termo nº 26 não foi atendido pelo fiscalizado.  À  parte  esses  problemas,  a  questão  não  foi  respondida,  uma  vez  que  não  foram  apresentados  o  pagamento  dos  empréstimos,  dos  juros,  o  registro  dos  encargos  correspondentes, entre outros elementos que entendesse pertinente, para demonstrar que  sua contabilidade, ao menos, registra todos os eventos relacionados a um empréstimo.  A  única  informação  atendida,  que  foi  apresentar  o  registro  da  contratação  do  empréstimo, era a menos relevante de todas, uma vez que esse registro já era conhecido,  ao  constar  do  balancete  de  fevereiro/março  de  2007  (arquivo  da  resposta  apresentada  pelo contribuinte em 09/11/2016).  Este item da diligência também foi objeto do Termo de Intimação Fiscal –Diligência nº  01, do qual teve ciência em 07/07/2017.  Neste caso, o sujeito passivo apresentou os contratos de empréstimo que vinham sendo  solicitados durante a  fiscalização, embora estejam em língua estrangeira, com exceção  do contrato com o Unibanco.  No  Termo  de  Intimação  Fiscal  –  Diligência  nº  02  solicitamos  a  apresentação  da  tradução  juramentada  dos  contratos  de  empréstimos.  Em  resposta  de  06/09/2017,  apresentou os arquivos de nº 01 a 09 contendo a tradução.  Fl. 10157DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 29          28 Deixou  de  apresentar  os  contratos  de  empréstimo  que  justificassem  os  valores  creditados  na  conta  4205.237  ­  Banco  Brasileiro  Desc  S/A,  como  consta  do  arquivo  apresentado no item anterior como sendo o razão contábil dessa conta. Provavelmente,  essa  conta  recebeu  os  recursos  obtidos  com  os  contratos  de  empréstimo  listados  no  arquivo  do Banco Central  (item b1  deste  Termo)  nos  valores  de US$ 5.500.000,00 e  US$ 3.500.000,00, nas mesmas datas dos demais contratos de empréstimo e que tinham  como importador a mesma Nethgrain. A diferença é que os valores foram depositados  na conta corrente mantida no Banco Bradesco.  Embora  tenha apresentado os demais  contratos de empréstimo,  também este  item não  foi atendido. Não foram apresentados, nem prestados qualquer outro esclarecimento, os  documentos  que mostrem os  desdobramentos  de  uma operação  de  empréstimo,  como  por exemplo, a forma dos pagamentos realizados, eventuais renegociações, aditivos,  etc.  Veja­se que, em resposta ao item 7 do Termo de Intimação Fiscal nº 23, apresentada em  06/12/2016, o fiscalizado respondeu o seguinte sobre as características dos contratos de  pré­pagamento de exportação:  A Fiscalizada  esclarece que  o  termo  ‘PPM C/ Bancos  – P/C Exportac’  refere­se  à  (i)  Contratos de Pré­Pagamento de Exportação (“PPE”) e a (ii) Recebimentos Antecipados  de Exportação.  Nestas  modalidades  de  contratos,  instituições  financeiras  ou  o  próprio  importador  fornecem  recursos  de  que  o  exportador  necessita  para  a  realização  de  seu  ciclo  produtivo, mediante cobrança de taxa de juros.  De maneira  simplificada,  a operação  se  estrutura da  seguinte  forma:  (i) O exportador  celebra  contratos  com uma  instituição  financeira  ou  com  o  próprio  importador;  (ii)  o  credor  externo  adianta  ao  exportador  os  recursos  que  lhe  seriam  provenientes  da  exportação;  (iii)  o  exportador  transfere  ao  credor  os  direitos  sobre  os  recursos  provenientes da exportação por meio de Instrumento Contratual próprio, notificando o  importador que,  tão logo receba a documentação de embarque, efetue o pagamento ao  credor; (iv) o pagamento da obrigação se dá com o embarque da mercadoria e a remessa  dos juros ao exterior, finalizando o ciclo comercial da operação.  Apesar  dessa  resposta,  e  embora  intimado  nos  Termos  seguintes,  não  apresentou  nenhum Instrumento Contratual por meio do qual  foram  transferidos os direitos sobre  os  recursos  provenientes  da  exportação  às  instituições  financeiras  credoras;  não  comprovou o pagamento da obrigação com o embarque das mercadorias; e também não  comprovou o pagamento e a remessa dos juros ao exterior.  Detalha  cada  contrato  apresentado,  dando  destaque  aos  objetivos  do  contrato  de  empréstimo, que seriam para financiar a produção e exportação, mas com clausulas que  permitem a  realização do pagamento com exportações da garantidora, no  caso a  sua  controladora Louis Dreyfus Commodities Brasil.  Em relação ao empréstimo com o Banco Calyon, no contrato consta explicitamente que  o empréstimo é efetuado para a aquisição de usinas de açúcar e álcool, na sua cláusula 3  –  Finalidade,  cujo  pagamento  seria  feito  com  exportações,  sendo  que  o  importador  (comprador) faria o pagamento diretamente à instituição financeira, em uma “Conta de  Arrecadação”,  aberta  pelo  Credor  exclusivamente  para  esse  fim,  mas,  mediante  um  termo  aditivo,  constou  que  os  produtos  a  serem  exportados  seriam  cana­de­açúcar,  subprodutos  da  cana­de­açúcar  (álcool,  fermento)  e  qualquer  outra  mercadoria  produzida por qualquer devedor (definido como o tomador do empréstimo – Louis  Dreyfus  Commodities  Bioenergia  –  ou  pelo  garantidor  –  Louis  Dreyfus  Commodities Brasil),  incluindo suco de  laranja, café, soja,  trigo ou farelo de soja ou  óleo, algodão e quaisquer outros produtos aceitáveis.  Reforça  que  no  empréstimo  do  Bradesco,  “foi  firmado  um  Contrato  de  Cessão  de  Dívida  em  28/06/2007  (resposta  de  06/09/2017  –  doc.  04),  firmado  com  a  LDC  Fl. 10158DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 30          29 Bioenergia, a empresa que foi adquirida e que incorporou a Louis Dreyfus Commodities  Bioenergia, como a Devedora Original, e a Louis Dreyfus Commodities Brasil, como  a Devedora Atual, pelo qual, a Devedora Atual assume total responsabilidade pelas  obrigações  assumidas  pela  Devedora  Original  conforme  os  termos  e  condições  constantes no Contrato de Abertura de Crédito, firmado em 26/03/2007”. E que “Na  resposta  de  06/09/2017  (doc.  03)  foi  apresentada  também  a  tradução  de  uma  Nota  Promissória datada de 28/06/2007, em que consta que a Louis Dreyfus Commodities  Brasil S/A é a “Devedora Atual” do valor do principal de US$ 80.000.000,00”  Por fim, conclui a diligência, manifestando­se nos seguintes termos:  No  lançamento  da  matéria  em  questão,  havíamos  concluído  que  a  Louis  Dreyfus  Commodities  Bioenergia  S/A  não  dispunha  de  recursos  próprios  para  a  aquisição  da  Tavares de Melo e da Ampla. Dessa forma,  tais recursos deveriam ter sido fornecidos  por uma terceira empresa, pertencente ao grupo Louis Dreyfus.  Verificamos  também  que  os  recursos  utilizados  pela  incorporada  Louis  Dreyfus  Commodities Bioenergia S/A na aquisição da Tavares de Melo Açúcar e Álcool S/A e  da  Ampla  S/A,  foram  formalizados  através  de  contratos  de  empréstimo  de  pré­ pagamento de  exportação,  embora o  fiscalizado nunca  tenha  admitido  essa  situação e  também  não  tenha  apresentado  nenhum documento  que  demonstrasse  a  evolução  dos  contratos de empréstimo apontados pela fiscalização.  Após o  lançamento,  foram obtidos novos documentos,  fornecidos pelo Banco Central  do Brasil, que confirmaram o fato de que a Louis Dreyfus Commodities Bioenergia foi  utilizada como uma empresa veículo na aquisição da Tavares de Melo e da Ampla e que  a  verdadeira  adquirente  dessas  empresas  foi  a  Louis  Dreyfus  Commodities  Brasil,  controladora da fiscalizada e holding do grupo no Brasil.  Os recursos para essa aquisição foram obtidos através de contratos de pré­pagamento de  exportação,  tendo  como  empresa  importadora  a  holandesa  Nethgrain,  também  integrante  do  grupo  Louis  Dreyfus,  para  a  qual  a  controladora  Louis  Dreyfus  Commodities  Brasil  já  exportava  um  volume  bastante  expressivo  de  mercadorias  derivadas de soja.  Assim,  as  empresas  foram  adquiridas  efetivamente  pela  controladora  Louis  Dreyfus  Commodities Brasil, através de um planejamento  tributário abusivo, em que foi usada  uma controlada, a Louis Dreyfus Commodities Bioenergia como veículo da transação,  apenas  para  justificar  o  aproveitamento  das  despesas  de  amortização  do  ágio  obtido  como forma de reduzir o valor dos tributos que viriam a ser devidos.  Os  recursos  para  os  pagamentos  aos  vendedores  das  empresas  Tavares  de  Melo  e  Ampla foram depositados na conta corrente da Louis Dreyfus Commodities Bioenergia  na mesma data  em que  foram  feitos  os pagamentos  aos  vendedores  das  empresas,  ou  seja,  28/03/2007.  Em  seguida,  dois  dias  após,  em  30/03/2007,  a  Louis  Dreyfus  Commodities Bioenergia deixa de existir ao ser incorporada pela adquirida.  Está  evidente  que  a  Louis  Dreyfus  Commodities  Bioenergia  não  desembolsou  os  valores  pagos  pelas  empresas.  Até  aqui,  essa  é  uma  situação  bastante  comum  nos  planejamentos tributários adotados pelas empresas para o aproveitamento tributário do  ágio, em que se simula uma situação em que a empresa veículo obtém empréstimos, ou  os  recebe  por  transferência,  para  que  a  própria  adquirida  arque  com  a  sua  própria  compra.  Neste caso, a sofisticação é maior ainda, vez que nem a própria adquirida viria a pagar  pela  sua  aquisição. Como os  empréstimos  utilizados na operação  são  empréstimos  de  pré­pagamento  de  exportação,  os  pagamentos  desses  empréstimos  se  dariam  pela  exportação de mercadorias. Porém, tais exportações sequer foram efetuadas com açúcar  e  álcool,  que  são  as  mercadorias  produzidas  pela  empresa  veículo  Louis  Dreyfus  Commodities Bioenergia e pela adquirida Tavares de Melo.  Fl. 10159DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 31          30 As mercadorias exportadas por conta de tais empréstimos foram produtos derivados de  soja. E produtos derivados de  soja que  já eram produzidos e normalmente exportados  pela  controladora  Louis  Dreyfus  Commodities  Brasil,  e  que  os  forneceu  para  a  exportação  pela  LDC  Bioenergia.  A  Louis  Dreyfus  Commodities  Brasil  também  exportou diretamente para  a Nethgrain para  cobrir  os  empréstimos,  como os próprios  contratos de financiamento permitiam e, em pelo menos um caso, assumiu a obrigação  diretamente, por meio de uma cessão da dívida original.  É  significativo  que  a  fiscalizada  não  consiga  mostrar  os  pagamentos  efetuados  no  âmbito  desses  empréstimos,  sejam  pagamentos  do  principal,  sejam  pagamentos  dos  juros incorridos, nem demonstrar os saldos devedores desses empréstimos.  Intimada em 16/11/2017 do Termo de Diligência Fiscal, conforme AR de fls. 8070, a  impugnante  apresentou  sua  manifestação  complementar  no  dia  15/12/2017,  conforme  fls. 8071 a 8130, acompanhada dos documentos de  fls. 8131 a 8148, da  qual também extraímos os seguintes excertos:  [...]  A Turma Julgadora manteve a exigência em acórdão assim ementado:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2010, 2011, 2012, 2013, 2014  PRELIMINAR DE NULIDADE.  Rejeita­se a preliminar de nulidade invocada pela defesa, quando não presentes os  fatos descritos no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972.  DECADÊNCIA.  INÍCIO DA CONTAGEM Começa a  fluir o prazo decadencial no  primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser lançado, quanto aos  tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando comprovada a ocorrência  de dolo, fraude ou simulação.  ÁGIO.  CONTAGEM  DO  PRAZO  DECADENCIAL  O  prazo  decadencial  para  a  lavratura de auto de infração para a glosa de despesas de amortização de ágio tem  início com a efetiva dedução de tais despesas pelo contribuinte. Não ocorrência de  decadência no caso concreto.  MULTA QUALIFICADA.  SIMULAÇÃO.  FRAUDE A  simulação  tem  ínsita  no  seu  conceito a fraude, que se subsume à definição contida no art. 72 da Lei n° 4.502, de  1964,  e  à  ação  dolosa  tendente  a  modificar  as  características  essenciais  da  obrigação  tributária,  de  modo  a  reduzir  o  montante  do  imposto  devido,  sendo  aplicável a multa qualificada.  INTERPRETAÇÃO DE PENALIDADE FAVORAVELMENTE AO CONTRIBUINTE.  APLICAÇÃO DO ART. 112 DO CTN. IMPOSSIBILIDADE.  Estando os  fatos que determinaram a aplicação da multa qualificada devidamente  identificados e não restando dúvida sobre o enquadramento da situação de fato ao  tipo previsto na lei é inaplicável o art. 112 do CTN.  PENALIDADES. ART. 76 DA LEI 4.502/67. NÃO APLICAÇÃO.  Embora  o  artigo  76,  II,  “a”  da  Lei  4.502/1964  exclua  a  penalidade  pela  observância de decisão irrecorrível de última instância administrativa, o artigo 100  do CTN (Lei 5.172/1966), norma posterior, passou a excluir penalidades apenas no  Fl. 10160DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 32          31 caso  de  observância  de  decisões  administrativas  a  que  a  lei  atribua  eficácia  normativa.  MULTA  ISOLADA.  FALTA/INSUFICIÊNCIA  DO  RECOLHIMENTO  DE  ESTIMATIVAS MENSAIS.  O  artigo  44,  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  ao  prever  as  infrações  por  falta  de  recolhimento  de  antecipação  e  de  pagamento  do  tributo  ou  contribuição  (definitivos)  não  significa  duplicidade  de  tipificação  de  uma  mesma  infração  ou  penalidade.  Ao  tipificar  essas  infrações  o  artigo  44  da  Lei  nº.9.430,  de  1996  demonstra  estar  tratando  de  obrigações,  infrações  e  penalidades  tributárias  distintas, que não se confundem e não se excluem.  MULTA ISOLADA ­ APRESENTAÇÃO DA ECF COM OMISSÕES A lei que prevê a  penalidade  não  indica  qualquer  conduta  que  possa  dispensar  o  cumprimento  da  obrigação acessória determinada, exceto as condutas previstas nos incisos I e II do  §  3° do  art.  8º­A, que  foram observadas  pela  autoridade  fiscal. O  lançamento  foi  devidamente  demonstrado  faticamente  e  fundamentado  na  legislação  pertinente,  sendo  ato  administrativo  vinculado,  portanto,  obrigatório,  sob  pena  de  responsabilidade funcional.  PRINCÍPIOS  CONSTITUCIONAIS.  INOBSERVÂNCIA.  ANÁLISE  VEDADA  A  autoridade  administrativa  encontra­se  vinculada  ao  estrito  cumprimento  da  legislação  tributária,  não  dispondo  de  competência  para  apreciar  inconstitucionalidade  e/ou  invalidade  de  norma,  considerando  princípios  constitucionais,  quando  o  diploma  está  legitimamente  inserido  no  ordenamento  jurídico nacional.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ   Ano­calendário: 2010, 2011, 2012, 2013, 2014   ÁGIO. FUNDAMENTO ECONÔMICO. DEMONSTRATIVO. MOMENTO. PROVA   O fundamento econômico do ágio há de ser determinado antes, ou, no máximo, até o  momento  da  aquisição.  A  prova  de  que  foi  a  rentabilidade  futura  a  razão  do  pagamento do ágio há de ser feita com documentos contemporâneos aos fatos, pois  a “demonstração” se faz com os documentos que de fato serviram de base para a  tomada da decisão de adquirir a participação societária.  AMORTIZAÇÃO  DO  ÁGIO.  HIPÓTESE  DE  INCIDÊNCIA.  INVESTIDOR  E  INVESTIDA. MESMA UNIVERSALIDADE.  Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997 se dirigem às pessoas jurídicas (1)  real  sociedade  investidora,  aquela  que  efetivamente  acreditou  na  mais  valia  do  investimento,  fez  os  estudos  de  rentabilidade  futura,  decidiu  pela  aquisição  e  desembolsou originariamente os  recursos, e  (2) pessoa  jurídica  investida. Deve­se  consumar a confusão de patrimônio entre essas duas pessoas  jurídicas, ou seja, o  lucro  e  o  investimento  que  lhe  deu  causa  passam  a  se  comunicar  diretamente.  Compartilhando do mesmo patrimônio a controladora e a controlada ou coligada,  consolida­se  cenário  no  qual  os  lucros  auferidos  pelo  investimento  passam  a  ser  tributados precisamente pela pessoa  jurídica que adquiriu o ativo com mais valia  (ágio).  ÁGIO.  REQUISITOS  LEGAIS.  EFETIVA  EXISTÊNCIA  DA  ADQUIRENTE.  EMPRESA VEÍCULO.  Fl. 10161DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 33          32 Mesmo  uma  holding  pura  requer  um  mínimo  de  elementos  materiais  que  a  caracterizem  como  sociedade  empresária,  para  além  de  um  registro  na  Junta  Comercial e um número no CNPJ. Não há a geração de ágio na situação em que, no  momento da aquisição, a holding dita adquirente era apenas um CNPJ, existente no  âmbito formal, mas materialmente vazia.  DESPESAS. AMORTIZAÇÃO. ÁGIO.  A amortização, a qual se submete o ágio para o seu aproveitamento, constitui­se em  espécie de gênero despesa, e, naturalmente, encontra­se  submetida ao regramento  geral  das  despesas  disposto  no  art.  299  do  RIR/99,  submetendo­se  aos  testes  de  necessidade, usualidade e normalidade.  DESPESAS. ARTIFICIALIDADE.  Não  há  norma  de  despesa  que  recepcione  um  situação  criada  artificialmente.  As  despesas  devem  decorrer  de  operações  necessárias,  normais,  usuais  da  pessoa  jurídica. Não há como estender os atributos de normalidade, ou usualidade, para  despesas  derivadas  de  operações  atípicas,  não  consentâneas  com  uma  regular  operação econômica e financeira da pessoa jurídica.  ÁGIO.  DEDUTIBILIDADE.  A  PESSOA  JURÍDICA  QUE  INCORPOROU  A  SOCIEDADE  ADQUIRIDA,  OU  FOI  POR  ELA  INCORPORADA,  DEVE  SER  A  QUE DE FATO TEVE O SACRIFÍCIO PATRIMONIAL.  Para  dedutibilidade  da  amortização do  ágio  estabelecida  pelos  artigos  7º  e  8º da  Lei  n°  9.532,  de  1997,  é  imprescindível  que  a  pessoa  jurídica  que  incorporou  a  sociedade adquirida, ou foi por ela incorporada, seja a que de fato teve o sacrifício  patrimonial para a aquisição da participação societária.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL   Ano­calendário: 2010, 2011, 2012, 2013, 2014  LANÇAMENTO REFLEXOS. CSLL.  Aplica­se à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático  e matéria tributável.  Cientificada  da  decisão  de  primeira  instância  em  02/04/2018  (fl.  8268),  a  contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 27/04/2018 (fls. 8269), no qual  deduz os argumentos a seguir sintetizados.  A recorrente principia destacando que nestes autos não se discute a geração  de ágio interno e vincula as amortizações de ágio a duas transações realizadas por sociedades  pertencentes ao Grupo Louis Dreyfus Commodities (“Grupo LDC”), quais foram:  · Março de 2007: a Louis Dreyfus Commodities Bioenergia S.A.  (“LDCB”)  adquiriu  com  ágio  as  ações  representativas  da  integralidade  de  capital  social  das  empresas  Tavares  de Melo  Açúcar  e  Álcool  S.A.  (“Tavares  de  Melo”) e Ampla Participações S.A. (“Ampla”). Estes ágios passaram a ser  amortizado a partir das incorporações realizadas ainda em março de 2007.  · Outubro  de  2009:  a  Ágatis  Investimentos  e  Participações  (“Ágatis”)  adquiriu  com  ágio  ações  representativas  do  capital  social  da  empresa  Fl. 10162DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 34          33 Santaelisa Vale S.A.  (“Santaelisa Vale”), amortizando o respectivo ágio a  partir da incorporação realizada em dezembro de 2010.  Assevera  que  ambas  transações  acima  apontadas  foram  movimentos  estratégicos  na  consolidação do Grupo LDC como um dos maiores  produtores  de açúcar  e  álcool do Brasil,  iniciando a amortização do ágio após  incorporações, na forma do art. 7º da  Lei  nº  9.532/97,  classificando,  assim,  de  equivocada  a  conclusão  fiscal  de  que  ambas  as  transações realizadas em março de 2007 e a transação realizada em outubro de 2009 foram  ardilosas e tiveram como único objetivo transferir o ágio às sociedades operacionais sem que  houvesse  o  suposto  atendimento  do  requisito  de  “confusão  patrimonial”  entre  o  “real  adquirente” e a  sociedade adquirida, bem como de que  teria havido  intenção deliberada de  modificar as características essenciais da obrigação tributária de modo a reduzir o montante  do tributo devido, com a consequente qualificação da penalidade. Destaca, ainda, a exigência  de multa isolada por falta de recolhimento de estimativa e a aplicação de multa por omissão no  Registro M300  (“e­Lalur”)  da  Escrituração  Contábil  Fiscal  no  valor  de  R$  48.182.189,88  (cerca de 25% do valor global do auto de infração).  Na  sequência,  apresenta  as  características  das  transações  realizadas  e  confronta  a  acusação  fiscal,  bem  como  a  decisão  recorrida  e  o  resultado  da  diligência  determinada  pela  autoridade  julgadora  de  1ª  instância,  deduzindo  argumentos  contra  a  integralidade do lançamento, ao final assim sintetizados:  X. CONCLUSÃO  543.  Esse  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  deve  ser  integralmente  apreciado  e  acolhido em suas razões de fato e de Direito, que demonstram a total improcedência  desta infundada exigência fiscal.  544. Quanto aos fatos, pode­se concluir que:  (i) Aquisição da Tavares de Melo – a aquisição foi realizada pelo Grupo LDC em  um  contexto  de  expansão  de  suas  atividades  com  partes  independentes,  sendo  o  preço  efetivamente  pago  em  dinheiro,  com  reconhecimento  do  ágio  baseado  em  expectativa  de  rentabilidade  futura  da  companhia  reconhecido  em  laudo  técnico  elaborado anterior à aquisição;  (ii)  Aquisição  da  Ampla  ­  a  aquisição  foi  realizada  pelo  Grupo  LDC  em  um  contexto de expansão de suas atividades com partes  independentes, sendo o preço  efetivamente  pago  em  dinheiro,  com  reconhecimento  do  ágio  baseado  em  expectativa  de  rentabilidade  futura  da  companhia  reconhecido  em demonstrativos  elaborados especialmente para esse fim;  (iii) Aquisição da Santaelisa Vale – a aquisição foi realizada pelo Grupo LDC em  um  contexto  de  expansão  de  suas  atividades  com  partes  independentes,  sendo  o  preço  efetivamente  pago  em participação  em  sociedade  (LDC Bioenergia),  com o  reconhecimento  de  ágio  fundamentado  na  expectativa  de  rentabilidade  futura,  reconhecido  em  demonstrativos  elaborados  especialmente  para  esse  fim,  confirmados  posteriormente  por  laudo  técnico.  A  justificativa  econômica  para  realizar a aquisição da Santaelisa Vale pela Ágatis foi a necessidade de assegurar a  manutenção  do  controle  societário  durante  a  aquisição  (momento  em  que  instituições financeiras poderiam diluir o controle do grupo) e posteriormente (em  virtude de possíveis ajustes nas participações societárias).  545. Quanto à nulidade, pode­se concluir que:  Fl. 10163DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 35          34 (i)  Impossibilidade  de  alteração de  critério  jurídico – a  fundamentação principal  apontada pelas Autoridades Fiscais (única para o ágio da Tavares de Melo) seria a  não  comprovação  da  origem  dos  recursos  utilizados  pela  LDCB  para  adquirir  a  Tavares de Melo e Ampla. Ocorre que houve alteração do critério jurídico utilizado  para  a  manutenção  do  crédito  em  sede  de  Diligência  (as  Autoridades  Fiscais  passaram  a  identificar  que  a  contratação  do  empréstimo  teria  sido  simulada  e  realizada com o único propósito de viabilizar a amortização do ágio sem envolver o  suposto “real adquirente”). A referida alteração de critério jurídico é vedada pelo  ordenamento jurídico brasileiro (art. 146 e 149 do CTN, bem como § 3º do art. 18  do Decreto 70.235/72), devendo­se, portanto, ser declarado nulo o auto de infração  neste particular. De outra forma, o E. CARF somente poderá analisar se houve ou  não  a  comprovação  da  origem  dos  recursos  para  aferir  se  o  ágio  seria  ou  não  regular para fins de amortização;  (ii) Erro de direito – caso não seja caracterizado a alteração de critério jurídico, o  que  se  admite  para  argumentar,  deverá  ser  identificado  o  “erro  de  direito”,  entendido como uma confusão com relação à norma aplicada (ao invés de aplicar,  de início, a norma que dispunha que as operações foram simuladas, aplicou­se uma  presunção de que a não comprovação dos recursos implicaria a conclusão de que a  LDCB não seria a “real adquirente). Neste sentido e levando­se em consideração o  entendimento asseverado pelo STJ no REsp 1.130.545/RJ  (vinculante ao E. CARF  por  força  do  art.  62  da  Portaria  343/15),  não  será  possível,  a  este  E.  CARF,  considerar  em  suas  razões  de  decidir  o  “aditamento”  realizado  em  sede  de  diligência;  (iii)  Erro  de  fato  –  caso  o  E.  CARF  entenda  que  o  resultado  da Diligência não  implica “erro de direito”, o que se admite para argumentar, a reinterpretação de  novos fatos para caracterizá­los no mesmo critério jurídico deve respeitar o prazo  decadencial. Dessa forma, caso a transação que implicou na aquisição prescinda de  dolo, fraude ou simulação, nos termos do comprovado nas razões de Direito acima  aduzidas,  dever­se­á  reconhecer  a  decadência  do  direito  do  Fisco  de  realizar  o  referido “aditamento” comprobatório aos anos de 2010 e 2011. Na hipótese de a  transação  ser  tida  como  dolosa,  fraudulenta  ou  simulada,  o  que  se  admite  exclusivamente  para  argumentar,  haveria  decadência  do  direito  das  Autoridades  Fiscais complementarem as provas obtidas na diligência para o ano de 2010;  (iv)  Vício  material  –  nos  termos  do  entendimento  da  CSRF,  sempre  que  houver  “inovação” no lançamento, em especial a fatos e motivação, inclusive nos casos em  que tal inovação se der por resulte de uma diligência, estará presente um vício de  ordem material no lançamento, devendo o eventual novo lançamento ocorrer dentro  do  prazo  de  5  (cinco) anos  da ocorrência  do  fato  gerador  e  não  de  cinco  anos  a  contar  da  data  em  que  tornada  definitiva  a  decisão  que  tenha  anulado,  por  vício  formal, o lançamento anteriormente efetuado (parágrafo único do art. 149 do CTN).  (v) Ausência de diligência – as Autoridades Fiscais negligenciaram a necessidade  de diligência juntamente às instituições financeiras que concederam os empréstimos  à LDCB, prova que poderia afastar a construção fática e argumentativa perpetrada  na Diligência. Este fato macula o presente Auto de Infração de nulidade por vício de  motivação,  isto  porque  as Autoridades Fiscais  não  atuaram de  forma prospectiva  para  buscar  elementos  probatórios  essenciais  ao  deslinde  do  caso. Nesse  sentido,  caso  não  haja  nenhuma  prova  que  infirme  que  os  contratos  apresentados  pela  Recorrente  tenham  sido,  de  fato,  celebrados,  não  é  possível  que  sejam  desconsiderados como recursos idoneamente contraídos pela LDCB;  546. Quanto ao mérito, pode­se concluir que:  Fl. 10164DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 36          35 (i)  Argumentação  apresentada  na  Diligência  para  concluir  que  a  estrutura  de  aquisição  da  Tavares  de Melo  seria  simulada  –  todos  os  elementos  colhidos  em  sede de diligência  ratificaram que a LDCB  tinha patrimônio  suficiente para  fazer  frente  aos  pagamentos  em  favor  dos  antigos  acionistas  da  Tavares  de Melo,  bem  como a origem dos recursos teria sido comprovada e justificada: empréstimos com  instituições  financeiras. A contabilidade da Recorrente não pode ser desconsidera  sem  que  haja  qualquer  indício  de  fraude  ou  simulação  nas  operações.  Não  há  qualquer  indício documental que a LDC Brasil adimpliu os empréstimos em favor  da  LDCB  sem  que  a  última  não  tivesse  tido  qualquer  sacrifício  patrimonial.  Ademais,  a  comprovação  de  pagamento  de  empréstimos  que  financiaram  a  aquisição de participações societárias não é requisito previsto na  legislação para  que o ágio seja tido como amortizável para fins  fiscais. A Recorrente comprovou  que (i) realizou o pagamento aos acionistas (as transferências saíram de sua conta  no Banco Pactual); (ii) tinha patrimônio registrado na sua contabilidade suficiente  para  justificar  o  pagamento;  e  (iii)  contratou  empréstimos  com  terceiros  não  relacionados  de  forma  lícita.  Portanto,  não  há  como,  pela  suposta  não  comprovação  de  pagamento  dos  empréstimos  pela  LDCB  ou  LDC  Bioenergia,  aduzir que o ágio não estaria regular. Vale apontar que o resultado da Diligência se  baseou em uma série de equívocos e distorções na interpretação dos fatos, dentre as  quais vale ressaltar:  ・ A Fiscalização identificou que houve exportação da LDC Bioenergia à Nethgrain  em montante suficiente para fazer frente aos pagamentos dos empréstimos. Apesar  disso, concluiu que o fato de ter adquirido performance da LDC Brasil (soja) e de  ter  exportado  a  uma  parte  relacionada  (Nethgrain)  seria  indicativo  de  que  a  operação teria sido simulada;  ・  Segundo  as  Autoridades  Fiscais,  a  criação  de  conta  no  Banco  Pactual  que  recebeu  os  valores  decorrentes  dos  empréstimos  e  realizou  o  pagamento  aos  vendedores da Tavares de Melo seria um  indicativo que a operação  foi  simulada.  Ocorre  que  esse  argumento  não  possui  nenhuma  sustentação,  haja  vista  ser  extremamente  normal  a  criação  de  uma  conta  para  concentrar  o  pagamento  de  determinada obrigação,  bem  como outras motivações  financeiras  (i.e.,  taxas mais  baratas) que poderiam justificar a referida decisão;  ・ As Autoridades Fiscais dispuseram que a Recorrente não teria apresentado, na  sua contabilidade, o pagamento dos empréstimos, juros e o respectivo registro dos  encargos  correspondentes.  Ocorre  que  não  foi  apresentado  nenhum  indício  comprobatório  que  pudesse  constatar  que  a  contabilidade  da  Recorrente  seria  imprestável.  Portanto,  o  regular  tratamento  contábil  dos  empréstimos,  conforme  apresentado  no  balancete  apresentado  à  Fiscalização,  deve  ser  tido  como  meio  idôneo de prova;  ・  As  alegações  das Autoridades Fiscais  não  lograram  comprovar  que  teria  sido  outra  sociedade  ou  outra  pessoa  física  que,  de  fato,  adimpliu  os  empréstimos  apresentados em sede de diligência.  ・ A existência de sociedade garantidora dos empréstimos contratados, a realização  de exportação de outras commodities que não as produzidas pela própria empresa,  a assunção de determinados empréstimos por empresas do mesmo grupo econômico  e o adimplemento de contratos utilizados para financiar empresas exportadoras por  outras sociedades do mesmo grupo econômico são práticas extremamente normais,  Fl. 10165DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 37          36 lícitas e,  inclusive, previstas em normativos do Banco Central, não sendo possível  reconhecer qualquer ilegalidade na transação da forma que foi realizada.  (ii) A aquisição da Tavares de Melo preencheu  todos os  requisitos  legais para o  reconhecimento do direito à amortização do ágio –  todos  os  requisitos  formais  e  substanciais  exigidos  pela  legislação  foram  devidamente  observados  pela  Recorrente. Nos termos do art. 7º e 8º da Lei 9.532/97 a dedutibilidade das despesa  de ágio está condicionado ao atendimento exclusivo dos seguintes requisitos: (ii.1)  aquisição  de  participação  societária  com  o  pagamento  de  ágio  (a  transação  foi  realizada com terceiros e a contraprestação paga em dinheiro); (ii.2) o investimento  deverá  ser  avaliado  por  MEP;  (ii.3)  o  fundamento  do  ágio  pago  deverá  se  expectativa de rentabilidade futura (no caso em concreto, tal requisito foi atendido,  conforme  reconhecido  pela  Fiscalização  e  DRJ);  e  (ii.4)  incorporação,  cisão  ou  fusão  entre  sociedade que  o  ágio estava contabilizado  (LDCB)  e  sociedade  que o  fundamentou (Tavares de Melo);  (iii) Contabilidade  como meio  idôneo  de  prova –  o  recurso  utilizado  pela  LDCB  para  adquirir  a  Tavares  de Melo  e  a  Ampla  estava  regularmente  registrado  nos  livros contábeis da Recorrente que não apresentava nenhum indício de fraude que  pudesse descaracterizá­lo como constituído. A contabilidade é meio de prova idôneo  em  favor  do  contribuinte  (art.  226  do  CC/02  e  arts.  923  e  924  do  RIR/99),  pois  apenas refletia o que de fato e de direito existia: dinheiro oriundo de empréstimos  existente na conta corrente da Recorrente;  (iv)  Única  possibilidade  de  contestar  o  passivo  –  o  único  instituto  jurídico  que  poderia permitir a descaracterização de passivos seria o de passivo fictício. Assim,  a Fiscalização não poderia fundamentar a autuação no dispositivo relativo ao ágio,  bem  como deveria  comprovar  elemento  indiciário  (ausência  de  pagamentos)  para  presumir que o passivo seria fictício e, quando muito, isto permitiria uma acusação  de suposta omissão de receita e não de  inidoneidade fiscal do ágio, o que não foi  feito;  (v) Impossibilidade jurídica de classificação da LDCB como “empresa veículo” –  só  é  possível  falar  em  “empresa­veículo”  quando  a  sociedade  não  tem  absolutamente  nenhuma  outra  função  na  estrutura  que  não  a  de  propiciar  uma  economia fiscal, em um contexto desprovido necessariamente de qualquer propósito  negocial  efetivo.  A  LDCB  era  empresa  operacional,  existente  a  anos,  com  funcionários,  ativos  e  estrutura  administrativa  própria,  não  sendo  possível  classificá­la  como  “empresa­veículo”.  Ainda  que  fosse  tida  como  “sociedade­ veículo”,  o  que  se  admite  para  argumentar,  ainda  assim,  o  presente  caso  teria  atendido os requisitos que a jurisprudência administrativa vem entendendo que são  necessários  para  o  ágio  ser  amortizado  para  fins  fiscais:  (v.1)  a  transação  que  gerou  o  ágio  foi  realizado  entre  partes  independentes;  (v.2)  houve  efetivo  pagamento em dinheiro pela LDCB; (v.3) o  fundamento econômico do ágio estava  baseado  em  avaliação  econômica  (o  laudo  técnico  para  fundamentar  o  ágio  da  Tavares  de  Melo  foi,  inclusive,  reconhecido  pela  DRJ  como  regular).  A  jurisprudência  administrativa  vem  entendendo  que  há  indícios  de  simulação  quando:  (a)  a  empresa  tida  como  “veículo”  foi  criada  exclusivamente  para  a  obtenção de economia fiscal; e (b) o resultado final dos vários atos realizados se dá  para atingir o único e exclusivo objetivo de viabilizar a amortização do ágio para  fins  fiscais  que  de  outra  forma  não  seria  atingido.  No  caso  do  ágio  gerado  na  LDCB, não há atendimento de nenhum destes  requisitos,  isto porque  (a) a LDCB  não foi criada exclusivamente para a obtenção de economia fiscal, sendo empresa  operacional  atuante  no  mercado  de  açúcar  e  álcool;  e  (ii)  o  resultado  final  dos  negócios jurídicos celebrados tinham como finalidade a aquisição da participação  Fl. 10166DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 38          37 na  Tavares  de  Melo  e  Ampla  pela  LDCB,  sociedade  operacional  que,  após  a  aquisição,  uniria  seu  patrimônio  com  as  empresas  adquiridas  com  o  intuito  de  ganho de escala econômica;  (vi) A LDC Brasil  não  era  “real  adquirente” – além  da  legislação  não  prever  o  suposto  requisito  de  “confusão  patrimonial”  com  o  suposto  “real  adquirente”,  sendo  somente  necessário  que  haja  a  união  patrimonial  entre  o  investidor  que  possui o ágio registrado em sua contabilidade e o investimento que fundamentou o  pagamento do excedente de preço, cumpre mencionar que é impossível considerar a  LDC Brasil  como  “real  adquirente”  da  transação,  visto  que  todos  os  atos  foram  praticados pela LDCB de  forma lícita e não podem ser desconsideradas para  fins  fiscais pelas Autoridades Fiscais sob pena de afronta do art. 149, VII, do CTN;  (vii)  Aquisição  da  Ampla  e  o  registro  do  ágio  –  demonstrou­se,  ao  longo  da  Impugnação que (a) o elemento eleito pela legislação para fundamentar o ágio é a  motivação  subjetiva  do  investidor,  assim,  comprovando­se  que  a  aquisição,  pelo  Grupo LDC, da Ampla visava o percebimento dos lucros futuros dessa companhia,  não  poderia  ser  outra  a  conclusão  que  não  a  que  o  fundamento  do  ágio  seria  expectativa  de  rentabilidade  futura,  mesmo  existindo  laudo  que  objetivamente  verifique que o valor pago pela companhia seria atribuível à maisvalia de ativos;  (b) o “demonstrativo” a qual se refere a legislação tributária poderá ser qualquer  elemento que demonstre a motivação da LDCB em adquirir a Ampla por conta de  sua  expectativa  de  lucratividade  futura,  não  havendo  nenhuma  obrigação  de  ser  elaborado antes da aquisição da participação societária;   (viii)  Laudo  técnico  da  Ampla  embasado  em  mais­valia  de  ativos  –  Como  salientado,  o  elemento  volitivo  do  Grupo  LDC  na  aquisição  da  Ampla  preponderaria  como  fundamento  do  ágio  pago  em detrimento  de  laudo que  tenha  objetivamente identificado a alocação do excedente de preço pago como mais­valia  de ativos. Entretanto, mesmo se assim não o fosse, o que admitimos exclusivamente  para  fins  de  argumentação,  seria  admitido  a  apropriação  da  despesa  de  depreciação da mais­valia alocada ao custo das máquinas e equipamentos após sua  incorporação  pela  LDC  Bioenergia.  Dessa  forma,  em  virtude  do  prazo  de  depreciação normalmente aceito pelas Autoridades Fiscais ser de 10 anos para os  imobilizados em questão (máquinas e equipamentos), não se poderia admitir a glosa  de 50% do ágio amortizado pela Recorrente.  (ix) Aquisição da Santaelisa Vale o registro do ágio – demonstrou­se, ao longo da  Impugnação,  que  (a)  a  Fiscalização  só  poderia  julgar  o  laudo  técnico  como  inidôneo se contraditá­lo com provas técnicas; (b) o elemento eleito pela legislação  para  fundamentar  o  ágio  é  a  motivação  subjetiva  do  investidor,  assim,  comprovando­se  que  a  aquisição,  pela  Ágatis,  da  Santaelisa  Vale  visava  o  percebimento  dos  lucros  futuros  dessa  companhia,  não  poderia  ser  outra  a  conclusão que não a que o  fundamento do ágio seria expectativa de rentabilidade  futura;  (c)  o “demonstrativo” a  qual  se  refere  a  legislação  tributária  poderá  ser  qualquer elemento que demonstre a motivação da Ágatis em adquirir a companhia  por conta da expectativa de lucratividade futura; (d) os laudos técnicos elaborados  posteriormente à aquisição são idôneos e não existe nenhuma exigência legal de que  sejam elaborados antes das aquisições. Por conta disso, conclui­se que o ágio pago  na aquisição da Santaelisa Vale  estava embasado nas  respectivas expectativas de  rentabilidade  futura,  foram  devidamente  registrados  com  o  suporte  em  laudos  contemporâneos  à  operação  que  foram  confirmados  por  laudos  técnicos  que  ratificaram, quantitativamente, o ágio pago. Os recentes  julgamentos do E. CARF  confirmam os elementos e as conclusões ventiladas;  Fl. 10167DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 39          38 (x) Validade da utilização de holdings puras em estruturas societárias dotadas de  propósito  negocial  –  o  ordenamento  jurídico  pátrio  permite  a  utilização  de  sociedades  holdings  puras  sem  funcionários,  receitas  e  custos  para,  inclusive,  se  beneficiar  de  regimes  fiscais  (§  3º  do  art.  2º  da  Lei  6.404/76  e  art.  31  da  Lei  11.727/08);  (xi) Ágio  da  Santaelisa Vale  ­  Preenchimento  dos  requisitos  para  a  dedução  do  ágio – é imperioso reconhecer que no ágio decorrente da aquisição do controle da  Santaelisa Vale também houve o atendimento de todos os requisitos previstos na lei  para que o ágio fosse tido como regular para fins de amortização: (i) houve efetiva  aquisição de participação societária entre partes  independentes, com o pagamento  do  ágio;  (ii)  o  investimento  na Recorrente  foi  avaliado  por meio  do MEP;  (iii)  a  fundamentação do pagamento do ágio  foi a expectativa de rentabilidade futura da  sociedade adquirida (fundamentado em demonstrativo anterior à transação que foi,  em um segundo momento, ratificado por laudo técnico); e (iv) houve incorporação  do investimento pela adquirente (Ágatis);  (xii) Não configuração de “empresa veículo” (existência de motivação econômica  para a utilização da Ágatis) ­ Não há nenhum vício que justifique a desconsideração  do  evento  de  incorporação  da  Ágatis  pela  LDC  Bioenergia,  não  subsistindo  a  alegação da Fiscalização de que a Ágatis é uma “empresa veículo” com finalidades  exclusivamente fiscais. Ela existiu por necessidade societária de manter o controle  da  Santaelisa  Vale  durante  toda  operação. Mesmo  se  admita  sua  caracterização  como empresa cujo único propósito seria viabilizar economia fiscal, o que se admite  para  fins  de  argumentação,  ainda  assim,  não  poderia  ser  desconsiderada  a  operação  por  falta  de  aderência  da  teoria  do  business  purpose  ao  princípio  da  estrita  legalidade  tributária.  Também  há  de  se  admitir  que  o  sistema  jurídico  permite a existência de empresas holdings puras,  inclusive, com a finalidade de se  utilizar  de  benefícios  fiscais. Os  recentes  julgamentos  do E. CARF  envolvendo os  mesmos  elementos  do  caso  discutido  nesses  autos  (alegação  de  inexistência  de  confusão  patrimonial  por  conta  de  interposição  de  “empresa  veículo”)  foram  julgados a favor do contribuinte;  (xiii) Ágio da Santaelisa Vale ­ Inexistência de previsão legal quanto à “confusão  patrimonial” do “investidor originário” – Restou demonstrado que a Ágatis  foi a  real  investidora,  não  tendo  existido  única  e  exclusivamente  para  viabilizar  a  amortização  do  ágio.  Sua  personalidade  jurídica  não  pode  ser  desconsiderada.  Adotar  o  posicionamento  da  Fiscalização  implicaria  condicionar  a  amortização  fiscal do ágio a requisito absolutamente vago e abstrato, que não está previsto em  lei,  causando  absoluta  insegurança  jurídica.  No  caso  analisado,  houve  o  evento  societário que implicou a confusão do investidor com a investida (incorporação da  Ágatis  pela  LDC  Bioenergia).  Se  admitida,  somente  a  título  de  argumentação,  a  necessidade de confusão patrimonial entre a “adquirente originária” e a empresa  adquirida,  ainda  assim,  em  relação  à  Santaelisa  Vale,  com  a  incorporação  da  Celosia pela Ágatis, restaria atendido tal requisito;  (xiv) A conclusão da I. DRJ sobre a sujeição da norma de amortização do ágio ao  art. 299 do RIR não pode prosperar pelas seguintes razões: (xiv.1) a regra aplicável  à  dedutibilidade  do  ágio  pago  baseado  em  expectativa  de  rentabilidade  futura  é  regra autônoma e específica, sendo aplicável em detrimento de regra geral; (xiv.2)  a regra do art. 299 é aplicável às despesas registradas na contabilidade, a despesa  de ágio é um ajuste realizado na própria base de cálculo; e (xiv.3) a interpretação  parte da premissa equivocada de que há artificialidade na operação,  fazendo com  que a redução do IRPJ e da CSL delas decorrentes não fossem usuais, necessárias e  Fl. 10168DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 40          39 normais,  fato  que,  conforme  já  exaustivamente  comprovado,  não  corresponde  à  realidade da operação.  547. Quanto às multas e aos juros de mora, pode­se concluir:  (i) Multa agravada de 150% ­ A severa multa de 150% aplicada pela Fiscalização  também  deve  ser  prontamente  afastada,  pois,  como  se  sabe,  essa  penalidade  somente  poderia  ser  imposta  a  casos  de  evidente  intuito  de  fraude,  sonegação ou  conluio, quando restar provada pelo Fisco a inequívoca intenção do contribuinte de  enganar,  esconder  ou  iludir.  Porém,  é  claro  que  este  não  é  um  caso  de  fraude,  sonegação  ou  conluio.  Ainda  que  se  entenda  que  as  operações  praticadas  pela  Recorrente  não  lhe davam o  direito  de  proceder  como procedeu,  o que  se  admite  apenas  para  argumentar,  não  se  pode  falar  em  qualquer  tipo  de  fraude.  A  Recorrente jamais falsificou documentos ou “maquiou” livros contábeis ou fiscais,  ao contrário, sempre registrou, às claras, todas as operações em sua contabilidade.  A Recorrente registrou  todos os  seus atos nas Juntas Comerciais e demais órgãos  públicos  cabíveis  e  sempre  recebeu  a  Fiscalização  com  total  transparência  e  atendeu a todas as suas solicitações com clareza e prontidão. As alegações de que:  (a) não houve propósito negocial utilização da Ágatis na estrutura societária; e (b)  a  Recorrente  teria  “escondido”  os  contratos  de  empréstimo  que  originaram  o  recurso  para  aquisição  da  Tavares  de  Melo  e  Ampla  revelaria  a  intenção  fraudulenta  do  Grupo  LDC  são  totalmente  descabidas  e  não  possuem  a  menor  chance de prosperar;  (ii) Multa  isolada de 50% ­ A Fiscalização aplicou também uma multa  isolada de  50%  sobre  os  mesmos  supostos  fatos  geradores  que  motivaram  a  lavratura  dos  Autos  de  Infração.  Trata­se  de  mais  um  excesso  que  deve  ser  imediatamente  cancelado. A multa isolada aplica­se somente aos casos em que, ao fim do período­ base, o contribuinte paga regularmente os valores de IRPJ/CSL, mas deixa de fazer  as  antecipações  mensais.  Nesses  casos,  a  multa  pode  ser  aplicada  isoladamente,  sem a exigência do tributo, daí a sua denominação. Porém, quando o fisco entende  que o contribuinte deixou de pagar valores de IRPJ/CSL ao fim do período­base e  efetua  o  lançamento  desses  valores  juntamente  com  uma  penalidade  aplicada  de  ofício,  não  há  que  se  falar  em  multa  isolada.  Já  está  amplamente  pacificado  na  jurisprudência  que  a multa  isolada  não  pode  ser  exigida  cumulativamente  com  a  penalidade  imposta  de  ofício,  de  modo  que  a  multa  isolada  também  deve  ser  integralmente cancelada;  (iii)  Multa  pela  Omissão  na  ECF:  As  Autoridades  Fiscais  aplicaram  multa  na  ordem de 48 milhões sobre valores não informados na ECF, em específico as linhas  do Registro M300 (e­Lalur). A Recorrente estava, em 2014, em cenário de prejuízo  fiscal,  inclusive  até  mesmo  depois  da  realização  dos  ajustes  decorrentes  das  supostas  despesas  indedutíveis.  Sendo  assim,  a  multa  por  omissões  na  obrigação  acessória, especialmente após a retificação realizada pela Recorrente, é medida que  sanciona conduta que não trouxe prejuízo algum à administração. Por fim, segundo  o melhor entendimento do STF, toda multa por obrigação acessória que superar o  valor  do  tributo  devido  (no  caso  não  há  tributo  devido)  será  considerada  como  desproporcional e confiscatória. Nesse sentido, a multa por omissão de informações  na ECF deve ser cancelada ou, no mínimo, reduzida a patamares proporcionais e  não confiscatórios.  XI. PEDIDOS   548. Com base em todo o exposto, a Recorrente tem por comprovada a exatidão dos  procedimentos adotados e a total improcedência dos Autos de Infração, bem como o  Fl. 10169DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 41          40 equívoco cometido pela Autoridade Fiscal ao interpretar os fatos e o Direito a eles  aplicável neste caso.  549. Assim sendo, a Recorrente pleiteia o acolhimento integral do presente Recurso  Voluntário  e  o  imediato  e  integral  cancelamento  dos  Autos  de  Infração  em  tela  (principal,  multas  e  juros),  com  o  consequente  arquivamento  do  processo  administrativo e recomposição dos prejuízos fiscais e bases negativas compensadas  quando da apuração do crédito tributário em discussão.  550. A Recorrente protesta ainda pela juntada posterior de documentos que possam  se fazer necessários, nos termos do artigo 16, § 40, alínea “a” do Decreto 70.235/72,  bem como do princípio da verdade material que orienta o processo administrativo  fiscal.  551. A Recorrente  informa que  tem interesse em realizar sustentação oral perante  esse E. CARF. (destaques do original)  Em  contrarrazões  ao  recurso  voluntário,  a  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional pondera que:  · Não  se  verifica  a  nulidade  arguída,  vez  que  não  houve  atuação  de  pessoa  incompetente  e  tampouco  qualquer  preterição  no  direito  de  defesa  da  contribuinte  no  presente  processo  administrativo,  sendo  que  seus  argumentos  se  confundem  com  o  próprio  mérito  da  exigência.  Observa  que  a  Fiscalização  desde  o  início  se  refere  a  ausência  de  confusão  patrimonial,  acusação  que  teria  como  pressuposto  a  caracterização  de  "LDC  Bioenergia"  como  empresa  veículo, de modo que as considerações posteriores à diligência apenas  reforçam o  critério  jurídico  adotado no  lançamento,  o que  infirma o  alegado erro de direito e a dita revisão de lançamento. Quanto à falta  de  intimação  de  instituições  financeiras,  a  autoridade  fiscal  apenas  ressaltou  que  aquelas  determinações  já  haviam  sido  adotadas  de  antemão e não haveria motivo para sua repetição;  · Também não se verificaria a decadência, vez que não houve alteração  de critério jurídico, e na hipótese de dolo, fraude e simulação o prazo  decadencial seria  regido pelo art. 173,  I do CTN, além de a data da  aquisição com ágio não influenciar a contagem do prazo decadencial;  · O  laudo de  avaliação  de  "Tavares  de Melo"  teria  sido  elaborado  na  data  de  fechamento  do  negócio,  impedindo  sua  análise  com  profundidade pela adquirente, e o laudo de avaliação de "Ampla" foi  elaborado depois da aquisição e com fundamento no valor de mercado  dos  bens  de  ativo  da  adquirida  superior  ao  custo  registrado  em  sua  contabilidade;  · O  sujeito  passivo  não  logrou  provar  a  origem  dos  recursos  que  utilizou  para  aquisição  dos  investimentos  em  "Tavares  de  Melo"  e  "Ampla",  inviabilizado seu reconhecimento como real adquirente. Já  com  referência  ao  investimento  em  "Santaelisa  Vale",  o  laudo  de  rentabilidade futura seria intempestivo e não fundamentaria o valor da  companhia, além de ter sido utilizada empresa veículo ("Ágatis") com  Fl. 10170DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 42          41 finalidade única de adquirir o  investimento com ágio e  transferi­lo à  empresa operacional, sem a necessária confusão patrimonial entre as  reais adquirentes e a recorrente.  · Como  a  amortização  de  ágio  seria  benefício  fiscal,  a  interpretação  restritiva da norma se impõe, e nela se estabelece uma presunção de  perda  de  investimento  em  face  da  "confusão  patrimonial"  entre  investimento e investidor, circunstância em que é imprescindível que  o investimento tenha sido efetivamente adquirido pelo investidor com  ágio, e que o ágio seja de fato pago por alguma das pessoas jurídicas  que  participaram  da  incorporação,  fusão  ou  cisão  societária  que  tornará o ágio dedutível. Cita jurisprudência da 1ª Turma da CSRF e  da  1ª  Turma  Ordinária  da  3ª  Câmara  quanto  à  impossibilidade  de  utilização  de  empresa  veículo  para  a  obtenção  do  ágio  e  à  necessidade  de  confusão  patrimonial  entre  o  real  investidor  e  o  investimento.   · A  Fiscalização  demonstrou  que  "LDCB"  não  possuía  recursos  próprios para arcar com os pagamentos decorrentes da operação de  aquisição de "Tavares de Melo" e "Ampla", e a recorrente não provou  que  os  empréstimos  contratados  foram  efetivamente  arcados  pela  LDC  Bioenergia.  Mais  do  que  a  apresentação  de  contratos  de  empréstimo,  deve  ser  demonstrado  o  efetivo  cumprimento  dos  compromissos  assumidos,  e  assim  não  foi  feito  apesar  das  diversas  oportunidades que lhe foram dadas. Os elementos da acusação fiscal e  resultantes  da  diligência  deixam  foram  de  dúvida  que  quem  arcou  com os pagamentos da aquisição Tavares de Melo e da Ampla foi, de  fato,  a  LDC  Brasil,  e  não  a  LDC  Bionergia.  As  constatações  sintetizadas na decisão recorrida acerca das demonstrações presentes  nos  autos  evidenciam  que  a  escrituração  somente  faz  prova  quando  suportada  por  documentos,  subsistindo  a  conclusão  de  que  a  realidade  negocial  foi  falseada,  fazendo  crer  que  a  LDC Bionergia  estivesse suportando os custos decorrentes das aquisições, e sobre ela  recaindo  o  "animus"  da  operação,  com  a  utilização  de  empresa  veículo para a obtenção do ágio, o que é vedado pelo Direito.   · O laudo apresentado para avaliação de "Santaelisa Vale" já  indicaria  "Ágatis"  como  empresa  veículo,  e  as  demais  circunstâncias  apresentadas  confirmam  esta  figuração,  restando  desconstituído  na  decisão  recorrida  o  argumento  de  que  ela  foi  usada  por  razões  empresariais.  Considerando  que  o  Fisco  poderá  desconsiderar  os  efeitos  jurídicos  tributários  se  comprovado  que  a  pretensão  das  partes  ao  celebrar  o  negócio  jurídico  foi  exclusivamente  fugir  à  tributação, conforme precedentes citados, não procede a oposição da  contribuinte  à  aplicação  do  art.  116,  parágrafo  único  do  CTN.  Também a possibilidade de  se  constituir  uma holding  com o  intuito  único  de  gozo  de  incentivos  fiscais  foi  validamente  refutada  na  decisão  de  1ª  instância,  a  evidenciar  que  a  glosa  foi  regularmente  promovida. No caso, a realidade negocial  foi  falseada,  fazendo crer  que a Ágatis estivesse suportando os custos decorrentes da aquisição  Fl. 10171DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 43          42 do  investimento,  e  sobre  ela  recaindo  o  "animus"  da  operação,  a  evidenciar utilização de empresa veículo para a obtenção do ágio, o  que é vedado pelo Direito.  · Não  foram  apresentados  laudos  contemporâneos  à  aquisição  do  investimento em "Ampla" e "Santaelisa Vale",  restando  injustificado  o  fundamento  se  não  foram  elaborados  à  época  em  que  o  ágio  foi  pago  (mais  especificamente,  antes  do  pagamento,  impondo  considerar que o ágio foi pago com base em quaisquer outras razões  econômicas,  mas  não  na  rentabilidade  futura.  O  fundamento  em  questão não é um simples documento, mas sim a vontade real que fez  parte do negócio firmado, sendo que, na forma da legislação citada, o  lançamento  contábil  do  ágio  deve  indicar  a  razão  econômica  que  levou o seu pagamento, a qual, por seu turno, deve estar demonstrada  em um documento arquivado na contabilidade da empresa, não sendo  possível conceber que o documento que ateste a razão econômica de  um  ágio  seja  elaborado  após  o  seu  efetivo  pagamento,  o  que  significaria admitir que a parte adquiriu o bem e depois analisou se  tinha  interesse  na  compra  já  realizada,  ou  seja,  que o  ato  existiria  antes  da  vontade.  Esta  hipótese,  alem  de  ser  um  disparate  hermenêutico,  implicaria  a  permissão  de  inimagináveis  situações  fraudulentas. Ademais,  o  laudo  referente  à aquisição de "Ampla"  se  conformaria  no  valor  de  mercado  de  bens  do  ativo  da  adquirida  superior  ao  custo  registrado  na  contabilidade,  descabendo  ao  Fisco  cogitar  de  outro  tipo  de  amortização  diversa  daquela  que  a  contribuinte  promoveu.  E  o  documento  alegado  em  relação  a  "Santaelisa Vale" promove sua avaliação a valor de mercado e não foi  dirigido  a  "Ágatis",  inclusive  reafirmando  a  sua  falta  de  essência  empresaria. Arremata  referindo  outros  vícios  apontados  no  laudo de  rentabilidade futura da "Santaelisa Vale".  · A  multa  qualificada  deve  ser  mantida  ainda  que  não  existam  documentos  com  fraudes  materiais,  e  a  acusação  fiscal  é  de  simulação, praticada de modo a parecer que os atos praticados foram  aqueles  formalizados,  quando  a  substância  é,  na  verdade,  distinta.  Confirmado  que  os  atos  praticados  no  processo  de  aquisição  das  empresas  padecem  de  artificialidades  próprias  de  fraude  por  simulação,  em  especial  pela  utilização  de  empresas  veículo,  em  estrutura  complexa  adotada  com o único  intuito  de obter  vantagem  tributária  indevida,  e  considerando  as  demais  ponderações  apresentadas  pela  Fiscalização,  bem  como  o  enquadramento  legal  apresentado, conclui que foi preenchida a circunstância qualificadora  da multa de ofício (art. 72), sendo inaplicável o art. 112 do CTN por  inexistir dúvida quanto aos fatos que a autorizam.  · É  possível  a  cumulação  entre multa  de  ofício  e multa  isolada,  pois  são  penalidades  distintas  que  incidem  sobre  bases  de  cálculo  diversas, mormente em face da alteração legislativa promovida pela  Medida Provisória nº 351/2007, e no caso a autoridade autuante agiu  de acordo com as normas aplicáveis ao caso, realizado o seu dever  Fl. 10172DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 44          43 de efetuar o lançamento, nos termos do art. 142 do CTN, inclusive no  que  se  refere  à  sua  exigência  depois  do  encerramento  do  ano­ calendário.  ·  Não há hipótese aplicável de dispensa da multa por omissão na ECF,  e  o  argumento  de  não  prejuízo  à  administração  contém  uma  contradição inerente, levando­se em conta que, no caso,  toda norma  que impõe penalidade,  impõe justamente para obrigar uma conduta,  que  uma  vez  não  observada,  obviamente,  implica  em  prejuízo  a  administração  pública.  Quanto  ao  alegado  efeito  confiscatório,  a  Súmula CARF nº 2 impede sua apreciação.  Em 3  de  dezembro  de  2018  o  sujeito  requereu  a  juntada  da  petição  de  fls.  9279/9336,  na  qual  invoca  a  recente  alteração  da  Lei  de  Introdução  às  Normas  do  Direito  Brasileiro ­ LINDB pela Lei nº 13.655/2015, em razão da qual entende evidente a necessidade  de que os órgãos judicantes administrativos apliquem as previsões da LINDB na interpretação  de atos e negócios jurídicos praticados por particulares. Cita manifestações de doutrinadores  favoráveis  à  aplicação  do  art.  24  da  LINDB  à  instância  administrativa  que  controla  o  lançamento  tributário  e  expõe  sua  avaliação  acerca  dos  critérios  jurídicos  utilizados  pela  jurisprudência administrativa majoritária para que fosse caracterizada "empresa­veículo" no  período em que a Recorrente deduziu as despesas de ágio em suas bases de apuração do IRPJ  e da CSLL (2010 a 2014) e, mesmo se caracterizada a utilização de "empresa­veículo", se esse  critério teria relevância para invalidar a amortização do ágio para fins fiscais.   Conclui  inexistir  dúvidas  que  a  orientação  geral  da  época  adotava  como  premissa o fato de que a simples utilização de holdings puras em reorganizações societárias  não  seria  elemento  suficiente  para  inviabilizar  o  aproveitamento  fiscal  do  ágio,  isto  porque  desde que (i) não surgisse "novo" ágio; (ii) houvesse transação com terceiros independentes; e  (iii)  não  fosse  identificado  defeitos  nos  negócios  jurídicos  celebrados  (dolo,  fraude  ou  simulação),  a  utilização  de  holdings  puras  não  seria  relevante  para  fins  fiscais. Acrescenta  especificamente em relação ao Ágio da Tavares de Melo que todos os precedentes existentes à  época não admitiriam a classificação da "LDCB" como "empresa­veículo".  Pede, assim, que se admita aplicável o art. 24 da LINDB e que, considerando  a  jurisprudência  majoritária  da  época,  bem  como  a  unanimidade  dos  posicionamentos  contrários  à  circunstância  referente  ao  ágio  da  "Tavares  de  Melo",  que  seja  cancelado  integralmente o crédito tributário aqui formalizado.  Em  07/12/2018  a  recorrente  apresentou  nova  petição,  cujo  objetivo  seria  juntar  aos  autos  novos  documentos  que  comprovam  que  os  contratos  celebrados  com  o  (i)  Banco do Brasil S.A.;  (ii) Banco Calyon Brasil S.A.;  (iii) Unibanco União de Bancos Brasil  S.A.;  (iv)  Banco  ABN  AMRO  S.A.;  e  (v)  Banco  Bradesco  S.A.,  implicou  oneração  do  patrimônio da Recorrente, sendo possível concluir que a LDC Brasil não atende a condição de  adquirente para fins de aplicação do artigo 7º da Lei nº 9.532, de 10.12.1997. Os elementos  foram integrados às fls. 9339/10130.  Voto             Conselheira Edeli Pereira Bessa ­ Relatora  Fl. 10173DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 45          44 Aplicação do art. 24 da LINDB  Preliminarmente  é  oportuno  registrar  que,  apesar  de  ser  passível  de  conhecimento a petição apresentada depois de pautado o presente processo para julgamento, na  medida  em  que  nela  estão  veiculados  novos  argumentos  acerca  de  matéria  previamente  impugnada e debatida em recurso voluntário, deve ser afastada a pretendida aplicação do art.  24 da LINDB, que assim dispõe:  Art.  24.  A  revisão,  nas  esferas  administrativa,  controladora  ou  judicial,  quanto  à  validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção  já  se  houver  completado  levará  em  conta  as  orientações  gerais  da  época,  sendo  vedado  que,  com  base  em  mudança  posterior  de  orientação  geral,  se  declarem  inválidas situações plenamente constituídas.   Parágrafo  único.  Consideram­se  orientações  gerais  as  interpretações  e  especificações  contidas  em  atos  públicos  de  caráter  geral  ou  em  jurisprudência  judicial  ou  administrativa  majoritária,  e  ainda  as  adotadas  por  prática  administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. (negrejou­se)  As expressões destacadas evidenciam que o dispositivo em questão se dirige  à revisão de ato, processo ou norma editados pela Administração Pública, bem como contratos  firmados  entre  ela e particulares. O  lançamento  tributário, por sua vez, não opera  revisão de  atos administrativos, nem afeta ato ou situação plenamente constituída. E, caso se cogite que o  lançamento  de  ofício  resulta  em  revisão  de  apurações  promovidas  pelo  sujeito  passivo,  está  patente que a norma em referência tem por objeto a revisão de atos da Administração Pública  dos  quais  decorram  benefícios  ou  vantagens  ao  particular,  e  não  a  revisão  de  atos  de  particulares,  mormente  considerando  que  as  apurações  promovidas  pelo  sujeito  passivo  somente se tornam definitivas com o decurso do prazo de homologação previsto no art. 150,  §4º  do  CTN.  Esta  incompatibilidade,  aliás,  revela  que  o  alcance  atribuído  à  norma  pela  requerente  conflita  com  a  Constituição  Federal  que,  em  seu  art.  146,  inciso  III,  alínea  "b",  atribui  à  lei  complementar  a  disciplina  acerca  da  atividade  administrativa  de  lançamento.  E,  mesmo  vislumbrando­se  o  lançamento  tributário  como  sendo  o  ato  passível  de  revisão  por  meio de decisão proferida no  âmbito do processo  administrativo  fiscal,  basta observar que  a  aplicação,  interpretação  e  integração  da  legislação  tributária  também  é  regida  pelo  Código  Tributário Nacional.   Acrescente­se,  ainda,  o  fato  de  a  norma  em  referência  ter  sido  editada  em  face  das  atividades  de  controle  das  contratações  públicas,  e  os  prejuízos  que  sua  aplicação  traria ao contencioso administrativo, obstaculizando seu aperfeiçoamento e evolução mediante  a  consolidação  de  jurisprudência  que,  quando  editada,  não  dispunha  de  qualquer  atributo  normativo na forma da legislação complementar desde antes vigente.   Por tais razões, deve ser REJEITADA a preliminar de aplicação do art. 24 da  LINDB.     Nulidade do lançamento relativo à glosa de amortização do ágio gerado na  aquisição da Tavares de Melo e Ampla  A recorrente  argúi a nulidade da parcela do  lançamento  relativa a glosa de  amortização  do  ágio  gerado  na  aquisição  da  Tavares  de  Melo  e  Ampla,  em  razão  da  Fl. 10174DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 46          45 impossibilidade  de  alteração  de  critério  jurídico  promovida  em  sede  de  diligência,  ou,  subsidiariamente,  que  seja  reconhecida  a  ocorrência  de  erro  de  direito,  impeditivo  da  admissibilidade  do  aditamento  realizado  em  diligência,  ou  mesmo  erro  de  fato,  corrigido  depois do transcurso do prazo decadencial relativamente aos anos­calendário de 2010 e 2011  ou,  minimamente,  de  2011.  A  nulidade  do  lançamento  também  estaria  evidenciada  pela  negligência no cumprimento de diligência junto a instituições financeiras.   Expondo a acusação fiscal de que a autuada teria ocultado fatos por ocasião  da operação e do procedimento fiscal, inclusive invocando estas constatações para qualificação  da  penalidade,  muito  embora  elas  permitissem  cogitar,  quando  muito,  da  majoração  por  embaraço  à  fiscalização,  a  recorrente  assevera  que  a  invalidação  do  ágio  para  fins  de  amortização  decorreu  do  fato  de  a  contribuinte  não  conseguir  comprovar  a  origem  dos  recursos utilizados para o pagamento aos vendedores das empresas Tavares de Melo e Ampla,  de modo que a LDCB, empresa operacional do Grupo LDC, não seria a "real adquirente" das  participações societárias. Relata que, frente às alegações veiculadas na impugnação de que a  acusação  fiscal  estaria  baseada  em  simples  ilação,  e  de  que  os  recursos  em  questão  teriam  origem  em  empréstimos  e  financiamentos  regularmente  contraídos  pela  LDCB  e  contabilizados  sem  qualquer  evidência  de  fraude,  a  exigir  a  caracterização  da  hipótese  em  passivo fictício, a autoridade julgadora de 1ª instância, a partir das mesmas provas apresentadas  à Fiscalização,  requereu diligências  junto  às  instituições  financeiras que  teriam concedido os  empréstimos em 2007, bem como ao Banco Central do Brasil para esclarecimentos quanto aos  contratos  de  câmbio  que  internalizaram  os  recursos,  além  da  intimação  à  contribuinte  para  apresentação  da  escrituração  do  pagamento  dos  empréstimos  e  de  sua  reintimação  para  apresentação  dos  contratos  e  outros  desdobramentos  da  operação.  A  contribuinte  teria  localizado  outros  documentos,  apesar  de  não  estar mais  obrigada  a  guardá­los,  e  destacando  que  na  conversão  em  diligência  a  I.  DRJ  deixou  evidente  que  a  comprovação  que  se  fazia  necessária  para  tornar  o  ágio  válido  para  fins  fiscais  seria  a  apresentação  dos  contratos  celebrados  pela LDCB,  observa  que  apesar  de  apresentadas  as  provas  necessárias,  a  decisão  recorrida  expressou  a  conclusão  de  que  elas  ratificariam  que  a  LDCB  não  atenderia  à  condição de "real adquirente", mas sim a Louis Dreyfus Commodities Brasil S/A (LDC), que  teria incorrido no ônus patrimonial para fazer frente aos pagamentos realizados e registrados  na LDCB em março de 2007.  Entende  que  as  conclusões  assim  expostas  em  diligência  implicariam  nulidade do auto de infração, dado que na forma do art. 142 do CTN, o lançamento deve conter  os elementos indispensáveis à identificação inequívoca da obrigação surgida. Como o auto de  infração  firmou  que  os  documentos  apresentados  ao  longo  da  Fiscalização  não  teriam  sido  suficientes para comprovar que os recursos teriam sido originados do patrimônio da LDCB,  sendo,  portanto,  "presumível"  que  a  LDCB  não  seria  "real  adquirente",  não  se  afirmando  inequivocamente que os recursos não seriam da LDCB, inclusive havendo elementos a indicar  que  a  LDCB  teve  sacrifício  patrimonial,  uma  vez  solicitadas  novas  provas  em  diligência,  o  Auto de infração deveria ser peremptoriamente anulado por ausência de comprovação fática  das alegações da Fiscalização.   Frente  a  tais  alegações,  necessário  se  faz  analisar  como  transcorreu  o  procedimento fiscal e em que termos foi formulada a acusação fiscal original. Segundo relatado  no Termo de Verificação Fiscal (fls. 5087/5141), a conclusão de que a compradora formal não  possui os recursos necessários para o pagamento da primeira parcela do preço acertado, no  valor de R$ 629.360.903,80, que deveria ser pago na data do fechamento do contrato, isto é,  em 28/03/2007, decorreu das seguintes constatações:  Fl. 10175DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 47          46 · a Louis Dreyfus Commodities Brasil S/A consta como garantidora e  fiadora  das  obrigações  da  Louis  Dreyfus  Commodities  Bioenergia  S/A no Contrato de Compra e Venda da Tavares de Melo e da Ampla;  · Louis Dreyfus Commodities Bioenergia S/A auferiu receita líquida de  R$  566.313.544,93  e  lucro  bruto  de  R$  82.118.570,96  no  ano­ calendário 2006, e R$ 53.290.934,76 de receita líquida nos três meses  anteriores  ao  evento  especial  de  março/2007;  além  de  o  ativo  circulante variar de R$ 342.455.705,86 a R$ 314.004.442,58 nos dois  períodos,  representando R$  686.143.521,23  o  ativo  total  ao  final  de  2006. Como não houve aporte de capital, os recursos teriam advindo  de  terceiros,  dado  o  aumento,  na DIPJ  de  janeiro  a março/2007,  do  passivo circulante de R$ 75.462.289,99 para R$ 748.786.797,46, e do  exigível a  longo prazo de R$ 5.373.605,77 para R$ 102.246.852,67,  sendo  que  este  último  aumento  corresponde  à  nota  promissória  da  terceira  parcela  devida  na  operação  (R$  96.873.246,90),  e  no  detalhamento  do  aumento  do  circulante  foi  indicada  a  nota  promissória  da  segunda  parcela  devida  (R$  86.939.160,10),  bem  como  em  contas  a  pagar  foi  indicada  a  primeira  parcela  de  R$  629.360.903,80, paga em 28/03/2007;  · Questionada no início do procedimento fiscal, em 25/02/2015, acerca  da  origem  dos  recursos  utilizados  pela  incorporada  Louis  Dreyfus  Commodities  Bioenergia  S/A,  CNPJ  51.376.853/0001­63,  na  aquisição  da  então  denominada  Tavares  de  Melo  Açúcar  e  Álcool  S/A,  CNPJ  15.527.906/0001­36,  com Contrato  de  Compra  e  Venda  datado de 28/03/2007 (fls. 04/07), a fiscalizada apenas informou que  os recursos  foram provenientes de disponibilidade de caixa imediata  na oportunidade, formada tanto pelos recursos gerados nas próprias  atividades da Louis Dreyfus Commodities Bioenergia S/A, bem como  recursos  captados  no  mercado  financeiro  junto  a  terceiros  e  investimento  de  acionistas,  entre  outras  fontes  (fls.  08/14  e  1366/1369);  · Em 21/05/2015 a Fiscalização  solicitou  identificação da origem dos  recursos utilizados nessa aquisição, informando o nome e o CNPJ de  quem  forneceu  o  recurso,  o  total  do  recurso  fornecido  e  o  tipo  de  recurso, se  foi empréstimo, aumento de capital, etc  (fls. 2006/2008),  reiterando a solicitação em 26/11/2015 (fls. 2492/2495), mas, depois  de  solicitar  nova  dilação  de  prazo,  em  15/01/2016  a  fiscalizada  reiterou a resposta anterior (fls. 2527/2530), ensejando a reintimação  do que antes solicitado (fls. 2664/2666), motivando o esclarecimento  de  que  não  houve  fornecimento  de  recursos  por  terceiros  para  a  transação. A aquisição foi feita com recursos disponíveis no momento  da  transação,  conforme  retratado  nas  suas  demonstrações  financeiras  (fls.  2667/2668). Mais  à  frente,  em  05/05/2016,  indicou  que  não  houve  uma  operação  específica  de  captação  de  recursos  financeiros  para  a  aquisição  da  Tavares  de Melo  Açúcar  e  Álcool  S/A. Os  recursos  para  a  operação  provieram  de  disponibilidade  de  caixa  imediata,  originadas  tanto  pelos  recursos  gerados  pelas  suas  Fl. 10176DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 48          47 próprias  atividades  operacionais,  como  captados  no  mercado  financeiro  junto a  terceiros  e  investimentos  recebidos de acionistas,  entre outras fontes (fls. 2710/2712);  · A fiscalizada informou que as obrigações registradas em seu passivo  decorriam do Contrato de Compra e Venda de Ações, datado de 28 de  março  de  2007  (fl.  2726)  e,  constatando  que  a  obrigação  de  R$  629.360.903,83  permanecia  no  balanço  em  30/03/2007,  apesar  de  paga  em 28/03/2007,  a  autoridade  fiscal  inquiriu  a  contribuinte  (fls.  2911/2914), que em 02/09/2016 justificou na utilização de balanço de  fevereiro/2007  a  permanência  dos  valores  no  balanço  informado  na  DIPJ de evento especial (fls. 2919/2924). Contudo, observando que as  obrigações,  também  firmadas  em  28/03/2007,  já  estavam  contabilizadas  em  fevereiro/2007,  a  autoridade  fiscal  exigiu  novos  esclarecimentos (fls. 3014/3021), obtendo em resposta que, apesar de  o  fechamento da operação  ter  sido  realizado em 28.3.2007, a data­ base  da  transação  foi  fixada  em  28.2.2007,  conforme  previsto  na  cláusula 1.5 do Contrato de Compra e Venda de Ações, datado de 28  de  março  de  2007,  cuja  cópia  já  foi  apresentada  pela  Fiscalizada.  Desse modo, no que pese o contrato ter sido assinado em 28.3.2007,  o evento refere­se à 28.2.2007 ­ mês de contabilização da operação  (fls. 3023/3033);  · Intimada a prestar informações acerca do registro do investimento no  ativo  (fls.  2679/2681),  a  fiscalizada  indicou,  em  28/04/2016,  o  creditamento  de  conta  bancária mantida  junto  ao Banco  Pactual  em  28/03/2007,  além  da  constituição  das  obrigações  relativas  às  notas  promissórias  a  pagar  (fls.  2683/2686  e  2699/2700),  bem  como,  em  respostas  de  15/08/2016  (fls.  2813/2816)  e  28/10/2016,  que  a  contabilização  do  valor  da  primeira  parcela  foi  transferida  da  conta  4420.014  –  Contas  a  Pagar  para  a  conta  1150.009  –  Financeiro  Tesouraria  da  incorporada  Louis  Dreyfus  Commodities  Bioenergia  S/A, a ensejar a conclusão de que o passivo da primeira parcela  foi  extinto pelo pagamento aos vendedores das empresas, mas a origem  dos  recursos  permaneceu  dissimulada  pela  conta  1150.009  –  Financeiro Tesouraria;  · Observando  que,  se  houve  a  entrada  de  recursos  na  empresa,  e  recursos  vultosos,  e  não  há  obrigação  com  terceiros  ou  com  os  acionistas, só poderia se tratar de receita que não foi contabilizada, a  autoridade  fiscal  investigou  a  movimentação  escriturada  no  razão  contábil da conta mantida no Banco Pactual S/A, passando a exigir os  documentos  bancários  (contratos  de  câmbio,  comprovantes  de  depósito,  comprovantes de  transferência, etc.),  com  identificação do  depositante  ou  credor,  que  sustentam  cada  um  dos  depósitos  realizados  no  Banco  Pactual  S/A  (fls.  2719/2721,  2764/2765),  mas  em resposta de 03/10/2016 a fiscalizada informou que tentou obter a  documentação  solicitada  com  as  instituições  financeiras  acima  indicadas,  mas  foi  informada  de  que  os  extratos  bancários  são  guardados pelo período de (cinco) anos (fls. 2932/2933);  Fl. 10177DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 49          48 · Insistindo  na  exigência  de  esclarecimentos  acerca  dos  valores  que  compunham o saldo das contas em fevereiro e março/2007, mediante  novas  intimações  de  08/10/2016,  21/10/2016,  27/10/2016  e  01/11/2016  (fls.  2940/2943,  2949/2952,  2967/2970  e  2987/2991),  a  autoridade  fiscal  obteve  informações  em  09/11/2016  acerca  da  escrituração  de  empréstimos  relacionados  aos  depósitos  junto  ao  Banco  Pactual,  registrados  sob  a  rubrica  "PPM  C/  Bancos  P/C  Exportac", verificando­se identidades em empréstimos vinculados aos  Bancos  ABN  e  Unibanco  (fls.  2996/3000).  Em  16/11/2016  a  autoridade  fiscal  exigiu  outros  esclarecimentos,  inclusive  quanto  à  evolução  contábil  de  tais  dívidas  (fls.  3014/3021)  e  depois  de  apresentar  óbices  operacionais  para  prestar  tais  informações  (fls.  3023/3033),  sujeitando­se  a  nova  intimação  em  29/11/2016  (fls.  3073/3078),  em 06/12/2016  a  fiscalizada  solicitou  prazo  adicional  e  apresentou apenas dois contratos de financiamento de pré­exportação  (fls.  3080/3089)  que,  segundo  a  fiscalização  eram  dirigidos  à  exportação e que ao utilizar os recursos para outros  fins que não a  exportação  de mercadorias,  implicam  inclusive  em  recolhimento  de  impostos como IOF e IRRF.   Com base nas informações assim reunidas, a autoridade lançadora promoveu  o lançamento em 22/12/2016 (fls. 5087/5203) e, frente às alegações deduzidas em impugnação,  a autoridade  julgadora de 1ª  instância converteu o  julgamento em diligência sob as seguintes  justificativas:  Conforme  se  depreende  do  TVF,  a  autoridade  fiscal  demonstra  indícios  de  que  a  adquirente Louis Dreyfus Commodities Bioenergia  S/A,  na  negociação de  compra  das empresas Tavares de Melo Açúcar e Álcool S/A e Ampla Participações S/A, cujo  Contrato de Compra e Venda de Ações foi firmado em 28/03/2007, não possuia os  recursos necessários para o pagamento da primeira parcela do preço acertado, no  valor  de  R$  629.360.903,80,  que  deveria  ser  pago  na  data  do  fechamento  do  contrato,  alegando  que,  assim,  não  poderia  ser  a  real  adquirente  e,  conseqüentemente, aproveitar­se do ágio gerado.  Por  outro  lado,  no  decorrer  do  procedimento  fiscal,  também  foram  apresentados  indícios  de  que  parte  dos  recursos  necessários  para  o  referido  pagamento  aparentam vir de empréstimos junto a instituições financeiras.  Por sua vez, a impugnante alega que “em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº  20, a Requerente apresentou Balancete de Fevereiro a Março de 2007, no qual ficou  evidenciado, contabilmente, o registro dos contratos de empréstimo que financiaram  a  aquisição  das  empresas  Tavares  de  Melo  e  Ampla.  Tais  contratos  foram  contabilizados nas contas do Grupo contábil 4205 (circulante) e 4635 (realizável a  longo prazo). As Autoridades Fiscais,  inclusive,  identificaram dois valores  (Banco  ABN Amro e Unibanco) dessas contas de empréstimo em dois depósitos efetuados  no Banco Pactual. O que ratificaria que a LDCB, efetivamente, contraiu dívidas para  adquirir a Tavares de Melo e a Ampla”.  Alega ainda “a operação que originou parte dos recursos utilizados pela LDCB para  adquirir a Tavares de Melo, presumida como verdadeira até que se prove o contrário,  foi  um  empréstimo.  Assim,  os  recursos  que  adentraram  ao  patrimônio  da  LDCB  tiveram  uma  dívida  correspondente  contabilizada.  Isto  é,  patrimonialmente  e  nos  Fl. 10178DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 50          49 termos do que foi contabilizado, é incontestável que o dispêndio para a aquisição da  Tavares de Melo originou­se do patrimônio da LDCB.”  Ocorre  que  diversos  documentos  que  embasariam  os  alegados  empréstimos  não  foram  apresentados  pelo  autuado,  apesar  de  reiteradamente  intimado.  Também  houve uma concentração na obtenção de vultosos  recursos  em dias antes da data  prevista  para  o  pagamento,  tudo  a  colocar  dúvidas  se  de  fato  houve  tais  empréstimos em favor da adquirente.  Ao  analisar  a  documentação  acostada  aos  autos,  não  localizei  diligências  realizadas  pela  autoridade  fiscal  junto  às  respectivas  instituições  financeiras  identificadas  no  balancete  apresentado  pela  fiscalizada,  a  seguir  elencadas,  que  poderiam esclarecer acerca da veracidade dos alegados empréstimos:  [...]  Consta  a  apresentação  de  alguns  registros  contábeis  (razão)  relacionados  aos  supostos  empréstimos, mas  apenas  junto  aos Bancos ABN e Unibanco, mas  até o  mês  dos  créditos,  ocorrido  em  março/2007,  conforme  solicitado  em  termo  de  intimação  fiscal.  Poderia  ser  juntado  aos  autos  os  registros  contábeis  dos  desdobramentos,  tais  como  pagamentos  e  demais  eventos  relacionados,  destes  supostos empréstimos e dos demais elencados no balancete.  No demonstrativo dos depósitos ocorridos na conta do Banco Pactual, comparado  com os  lançamentos no Razão, há a descrição de “Câmbio de Venda” em alguns  créditos  relevantes,  bem  como  “DEPOSITO  EM  C/C  VIA  CIP  –  LOUIS  DREYFUS...”, conforme a seguir:  [...]  Como  operações  de  câmbio  são  controladas  pelo  Banco  Central  do  Brasil,  fui  pesquisar,  mas  também  não  localizei,  diligências  junto  a  esta  instituição  com  o  intuito de apurar do que se tratam tais câmbios, a quem se referem tais operações.  Na mesma linha, não consta nenhum esclarecimento do que se tratam as descrições  no  extrato  do  Banco  Pactual:  “DEPOSITO  EM  C/C  VIA  CIP  –  LOUIS  DREYFUS...”,  que  também  poderiam  ajudar  a  trazer  elementos  para  o  convencimento da origem dos recursos pertencerem legalmente à adquirente Louis  Dreyfus  Commodities  Bioenergia  S/A.  A  título  ilustrativo,  consta  a  descrição  “DEPOSITO  EM  C/C  VIA  RESERVA–  UNIBANCO...”,  e  tais  créditos  são  decorrentes  de  contrato  de  câmbio/antecipação  de  exportação,  conforme  juntado  nos autos. É isto que precisamos para os demais lançamentos.  Sendo  assim,  proponho  a  conversão  do  julgamento  deste  processo  em  diligência  para que os autos sejam devolvidos a DRF de origem, a fim de que sejam adotadas  as seguintes providências:  a) diligenciar as  instituições  financeiras  elencadas no balancete apresentado pela  autuada (Banco Brasileiro Desc S/A; Banco ABN Amro S/A; Banco do Brasil S/A;  Banco AGF do Brasil S/A e União Bancos Brasil S/A) e o Banco Calyon Brasil S/A,  para  que  elas  sejam  demandadas  a  apresentar  a  documentação  de  origem  dos  alegados  empréstimos,  destacando  que  se  não  possuirem  mais  os  documentos  arquivados,  sejam  eles  físicos  ou  digitalizados,  que  sejam  demandadas  a  manifestarem­se, por escrito, baseadas nos registros dos seus bancos de dados, se  houve  no  ano  de  2007  empréstimos  em  favor  da  adquirente  Louis  Dreyfus  Commodities  Bioenergia  S/A,  detalhando  quando  e  quais  valores  foram  Fl. 10179DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 51          50 emprestados,  separado  por  cada  operação  e  data,  detalhando  as  condições  da  contratação,  tais  como  valores  contratados;  encargos;  valores  e  vencimentos  das  parcelas  do  correspondente  pagamento  devido;  se  o  empréstimo  encontra­se  quitado ou não, entre outros elementos pertinentes a operação;  b) diligenciar o Banco Central do Brasil, para que sejam demandados a indicar as  operações de câmbio ocorridas em favor da adquirente Louis Dreyfus Commodities  Bioenergia S/A, em especial as que originaram os recursos creditados na conta do  Banco  Pactual  no mês  de março  de  2007,  de modo  a  buscar  a  quê  e  a  quem  se  referem tais câmbios;  b) diligenciar  o Banco Pactual,  para  que  informe do  que  se  tratam as  descrições  contidas  no  respectivo  extrato:  “DEPOSITO  EM  C/C  VIA  CIP  –  LOUIS...”,  detalhando as datas e correspondente descrições em sua íntegra, de modo a indicar  hipóteses  da  origem  de  tais  depósitos,  tal  como  ocorrido  com  a  descrição  “DEPOSITO  EM  C/C  VIA  RESERVA  –  UNIBANCO...”,  cujo  crédito,  pela  documentação  dos  autos,  indicam  serem  decorrentes  de  contrato  de  câmbio/  antecipação de exportação.  c)  intimar  a  fiscalizada  a  apresentar  sua  escrita  contábil,  em  especial,  mas  não  apenas,  o  razão  das  contas  representativas  dos  empréstimos  tomados  pelas  instituições financeiras indicadas no balancete apresentado, demonstrando não só o  registro  do  empréstimo,  mas  também  o  pagamento  dos  mesmos,  o  registro  dos  encargos  correspondentes,  entre  outros  elementos  que  entender  pertinente,  para  demonstrar que sua contabilidade, ao menos, registra todos os eventos relacionados  a um empréstimo, nos termos das normas aplicáveis a tais operações;  d)  reintimar  a  fiscalizada  a  apresentar  os  contratos  e  demais  documentos  que  provam a efetiva realização de empréstimos, conforme alegado na impugnação, não  apenas os da contratação, mas também os que documentam os desdobramentos de  uma  operação  de  empréstimo,  por  exemplo,  a  forma  dos  pagamentos  realizados,  eventuais renegociações, aditivos, etc.  e) outras diligências que entender pertinentes a comprovação de quem efetivamente  desembolsou os recursos para a aquisição das empresas Tavares de Melo Açúcar e  Álcool S/A e Ampla Participações S/A.  Apesar das diversas intimações lavradas pela autoridade fiscal de 25/02/2015  a 29/11/2016 para obter da fiscalizada as informações acerca da origem dos recursos utilizados  pela incorporada Louis Dreyfus Commodities Bioenergia S/A, CNPJ 51.376.853/0001­63, na  aquisição  da  então  denominada  Tavares  de  Melo  Açúcar  e  Álcool  S/A,  CNPJ  15.527.906/0001­36, com Contrato de Compra e Venda datado de 28/03/2007, inclusive com a  expressa  referência  ao  disposto  no  art.  37  da  Lei  nº  9.430/961,  a  autoridade  julgadora  de  1ª  instância  entendeu  pertinente  a  busca  perante  o  Banco  Central  do  Brasil  e  as  instituições  financeiras  indicadas  nos  registros  contábeis  das  informações  não  prestadas  pela  fiscalizada,  além da formalização de novas intimações e reintimações para apresentação, pela autuada, de  elementos de sua escrituração contábil.                                                              1 Indicou a autoridade fiscal no Termo de Intimação Fiscal nº 19 (fls. 2949/2952):  "Cabe esclarecer que  a  responsabilidade pela guarda dos documentos  que  comprovem a  escrituração da pessoa  jurídica,  relativos  a  fatos  que  repercutam  em  lançamentos  contábeis  de  exercícios  futuros,  é  do  fiscalizado  e  devem  ser  conservados  até  que  se  opere  a  decadência  do  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  os  créditos  tributários relativos a esses exercícios, nos termos do art. 37 da Lei nº 9.430/96. Além disso, não é admissível que  o próprio beneficiário não conheça as movimentações ocorridas, por quem foram feitas e a que título foram feitas,  em sua própria conta corrente".  Fl. 10180DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 52          51 A autoridade fiscal intimou a autuada (fls. 7387/7388 e 7412/7413), reunindo  novos  elementos  juntados  às  fls.  7398/8046,  e  observou  no  Termo  de  Encerramento  de  Diligência Fiscal  (fls.  8052/8069)  que por  ocasião  da  lavratura do  auto  de  infração  ainda  se  encontravam  pendentes  de  respostas  as  Requisições  de  Informação  sobre  Movimentação  Financeira ­ RMF dirigidas ao Banco BTG Pactual e ao Banco Central do Brasil, além de ter  sido dirigidos outros questionamentos acerca do tema em referência à autuada, que não foram  respondidos.  Esclareceu  que  não  poderiam  ser  expedidas  RMF  às  demais  instituições  financeiras em razão do encerramento do procedimento de fiscalização, relatou as informações  prestadas  pelo Banco Central  do  Brasil  em  30/03/2017  e,  confrontando­as  com  registros  do  Siscomex, bem como com informações de notas  fiscais existentes no Sped ­ Sistema Público  de Escrituração Digital, na medida em que a autuada afirmou­se desobrigada em conservar tais  documentos  para  apresentá­los  à  autoridade  fiscal,  apontou  as  incongruências  constatadas  e  concluiu:  A Louis Dreyfus Commodities Bioenergia foi utilizada como uma empresa veículo,  por onde transitaram os recursos necessários para a aquisição e o ágio obtido na  operação. Sequer as mercadorias enviadas para a quitação da dívida passaram por  ela. A Louis Dreyfus Commodities Brasil foi a real adquirente, pois foi quem quitou  os  recursos  utilizados  na  aquisição  com  as  mercadorias  exportadas.  Essas  operações de exportação de mercadorias derivadas de soja foram efetuadas após a  aquisição  da  Tavares  de  Melo  e  após  a  incorporação  reversa  da  Louis  Dreyfus  Commodities Bioenergia pela adquirida.   O  único  propósito  de  todas  essas  operações  foi  apenas  para  permitir  o  enquadramento da operação no art. 386 do RIR/99 e o consequente aproveitamento  das  despesas  de  amortização  de  ágio.  Afinal,  o  que  impedia  que  a  própria  Louis  Dreyfus Commodities Brasil efetuasse todas essas operações em seu nome, já que as  fez  em  nome  de  uma  controlada?  Como  é  evidente,  nada  a  impedia,  a  não  ser  o  impedimento de aproveitar o ágio.  O fiscal autuante também fez considerações acerca das informações prestadas  pelo  Banco  BTG  Pactual,  destacando  as  evidências  de  que  a  Louis  Dreyfus  Commodities  Bioenergia  não  tinha  conta  nessa  instituição  financeira,  e  que  essa  conta  no  Banco  BTG  Pactual foi aberta exclusivamente para o trânsito dos recursos da compra da Tavares de Melo  e  da  Ampla.  Após  essa  operação,  a  conta  não  teve mais movimentação.  Com  referência  às  intimações  dirigidas  à  autuada,  observou  que  não  foram  apresentados  o  pagamento  dos  empréstimos, dos  juros, o registro dos encargos correspondentes entre outros elementos que  entendesse  pertinente,  para  demonstrar  que  sua  contabilidade,  ao menos,  registra  todos  os  eventos  relacionados  a  um  empréstimo.  A  única  informação  atendida,  que  foi  apresentar  o  registro  da  contratação  do  empréstimo,  era  a  menos  relevante  de  todas,  uma  vez  que  esse  registro  já  era  conhecido,  ao  constar  do  balancete  de  fevereiro/março  de 2007  (arquivo  da  resposta apresentada pelo contribuinte em 09/11/2016).   Para além disso, a interessada apresentou tradução juramentada dos contratos  de empréstimos, mas deixou de prestar esclarecimentos  também em relação aos empréstimos  creditados  em  conta  mantida  no  Banco  Bradesco,  dado  que,  mesmo  considerando  as  características informadas acerca dos contratos de pré­pagamento de exportação, a autuada não  apresentou  nenhum  Instrumento Contratual  por meio  do  qual  foram  transferidos  os  direitos  sobre  os  recursos  provenientes  da  exportação  às  instituições  financeiras  credoras;  não  comprovou  o  pagamento  da  obrigação  com  o  embarque  das  mercadorias;  e  também  não  comprovou o pagamento e a remessa dos  juros ao exterior. Com referência aos empréstimos  creditados em contas mantidas no Banco do Brasil S/A, Banco Calyon, Banco Bradesco S/A,  Fl. 10181DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 53          52 Banco Unibanco S/A, o fiscal autuante destacou os registros que permitiam o cumprimento das  obrigações  de  exportação  pela  controladora  Louis  Dreyfus  Commodities  Brasil  e,  ao  final,  concluiu que:  Assim, as empresas foram adquiridas efetivamente pela controladora Louis Dreyfus  Commodities  Brasil,  através  de  um  planejamento  tributário  abusivo,  em  que  foi  usada uma controlada, a Louis Dreyfus Commodities Bioenergia  como veículo da  transação, apenas para justificar o aproveitamento das despesas de amortização do  ágio obtido como forma de reduzir o valor dos tributos que viriam a ser devidos.   Os recursos para os pagamentos aos vendedores das empresas Tavares de Melo e  Ampla  foram  depositados  na  conta  corrente  da  Louis  Dreyfus  Commodities  Bioenergia na mesma data em que foram feitos os pagamentos aos vendedores das  empresas, ou seja, 28/03/2007. Em seguida, dois dias após, em 30/03/2007, a Louis  Dreyfus  Commodities  Bioenergia  deixa  de  existir  ao  ser  incorporada  pela  adquirida.   Está  evidente  que  a  Louis  Dreyfus  Commodities  Bioenergia  não  desembolsou  os  valores pagos pelas empresas. Até aqui,  essa é uma situação bastante comum nos  planejamentos  tributários  adotados  pelas  empresas  para  o  aproveitamento  tributário do ágio, em que se simula uma situação em que a empresa veículo obtém  empréstimos, ou os recebe por  transferência,  para que a própria adquirida arque  com a sua própria compra.   Neste caso, a sofisticação é maior ainda, vez que nem a própria adquirida viria a  pagar  pela  sua  aquisição.  Como  os  empréstimos  utilizados  na  operação  são  empréstimos de pré­pagamento de  exportação, os pagamentos  desses  empréstimos  se dariam pela exportação de mercadorias. Porém,  tais exportações sequer  foram  efetuadas  com  açúcar  e  álcool,  que  são  as mercadorias  produzidas  pela  empresa  veículo Louis Dreyfus Commodities Bioenergia e pela adquirida Tavares de Melo.   As mercadorias exportadas por conta de tais empréstimos foram produtos derivados  de  soja.  E  produtos  derivados  de  soja  que  já  eram  produzidos  e  normalmente  exportados pela controladora Louis Dreyfus Commodities Brasil, e que os forneceu  para  a  exportação  pela  LDC  Bioenergia.  A  Louis  Dreyfus  Commodities  Brasil  também exportou diretamente para a Nethgrain para cobrir os empréstimos, como  os  próprios  contratos  de  financiamento  permitiam  e,  em  pelo  menos  um  caso,  assumiu a obrigação diretamente, por meio de uma cessão da dívida original.   É  significativo que a  fiscalizada não consiga mostrar os pagamentos efetuados no  âmbito desses empréstimos, sejam pagamentos do principal, sejam pagamentos dos  juros incorridos, nem demonstrar os saldos devedores desses empréstimos.  Resta  patente  nesta  descrição  do  procedimento  fiscal  que  a  resistência  da  autuada em prestar as informações exigidas desde 25/02/2015, impediu a autoridade fiscal de  alcançar a plena realidade dos fatos. Também está evidente que o fiscal autuante se valeu de  todos  os meios  postos  à  sua  disposição,  especialmente  quando  se  observa  que  ele,  frente  às  informações prestadas somente 09/11/2016 acerca da escrituração de empréstimos relacionados  aos  depósitos  junto  ao  Banco  Pactual,  registrados  sob  a  rubrica  "PPM  C/  Bancos  P/C  Exportac", de plano, em 14/11/2016, expediu RMF ao Banco Central do Brasil, cuja resposta  somente foi apresentada em 30/03/2017, depois da lavratura dos autos de infração que, tendo  por objeto  fatos geradores a partir de 31/12/2010, não poderiam ser  formalizados a partir de  01/01/2017.  Fl. 10182DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 54          53 De  outro  lado,  o  fato  é  que  as  constatações  expressas  por  ocasião  do  encerramento  da  diligência  apenas  confirmam o  critério  jurídico  originalmente  adotado  para  formalização  do  lançamento  quanto  ao  ponto  específico  em debate:  a  autuada  não  foi  a  real  adquirente  dos  investimentos  em  tela,  quer  por  não  conseguir  provar  a  causa  e  a  regular  quitação  dos  empréstimos  escriturados  como  origem  das  disponibilidades  destinadas  ao  pagamento da primeira parcela do Contrato de Compra e Venda de Ações, como exposto no  Termo de Verificação Fiscal, quer por se constatar que tais empréstimos tinham por referência  exportações que integravam a atividade de sua controladora, na forma evidenciada a partir dos  elementos colhidos em diligência.   Inexiste,  assim,  qualquer  erro  de  direito  ou  pretensão  de  saneá­lo  em  diligência, mas sim um lançamento sustentado por indícios consistentes e convergentes de que  a  autuada  não  seria  a  real  adquirente  dos  investimentos  em  questão,  e  a  confirmação,  em  diligência, desta constatação. Assim, a recorrente tem razão quando assevera que a invalidação  do ágio para fins de amortização decorreu do fato de a contribuinte não conseguir comprovar a  origem dos  recursos  utilizados  para  o  pagamento  aos  vendedores  das  empresas Tavares  de  Melo e Ampla, de modo que a LDCB, empresa operacional do Grupo LDC, não seria a "real  adquirente"  das  participações  societárias.  Todavia,  a  diligência  realizada,  na  qual  a  contribuinte,  ao  contrário  do  que  afirma,  não  apresentou  todos  os  documentos  exigidos  por  alegar não estar mais obrigada a guardá­los, como bem exposto pela autoridade julgadora de 1ª  instância, resultou na conclusão de que as provas apresentadas ratificariam que a LDCB não  atenderia à condição de "real adquirente", mas sim a LDC Brasil, que teria incorrido no ônus  patrimonial para fazer frente aos pagamentos realizados e registrados na LDCB em março de  2007. Ou seja, em essência, a autuada permanece afastada da condição de "real adquirente" dos  investimentos;  o  critério  jurídico  adotado  na  lançamento,  portanto,  não  foi  reformado;  e  o  lançamento, assim, não padece de nulidade, pois os elementos  indispensáveis à  identificação  inequívoca  da  obrigação  surgida  já  estavam  presentes  desde  a  origem,  restando  somente  avaliar, no mérito, se devem ser considerados apenas os elementos probatórios reunidos até a  formalização do lançamento, ou se também aqueles reunidos em sede de diligência podem ser  considerados para avaliação da procedência da exigência, inclusive no que se refere à alegada  suposição de fraude.  Esclareça­se  que  nem  a  referência  à  fiscalizada  como  "empresa  veículo"  importa em inovação pela autoridade fiscal encarregada da diligência, dado que esta indicação  foi  feita no sentido de que por ela  transitaram os  recursos necessários para a aquisição e o  ágio obtido na operação, na mesma linha acusatória original.   Logo,  não  era  exigível  a  formalização  de  lançamento  complementar,  não  houve ofensa ao art. 146 do CTN e não há razão para se cogitar de decadência do direito de o  Fisco apresentar as constatações reunidas em sede de diligência. A autoridade julgadora de 1ª  instância reputou necessária a investigação complementar em razão das alegações de defesa da  autuada, mas os elementos reunidos, em sua maior parte sem a colaboração da interessada, não  lhe  favoreceram,  mas  sim  reafirmaram  a  acusação  inicial,  na  medida  em  que,  apesar  de  confirmaram a existência dos empréstimos e seus respectivos registros, permitiram estabelecer  sua  correlação,  especialmente  no  que  se  refere  ao  cumprimento  das  obrigações  correspondentes,  com  a  controladora  da  autuada,  indicando­a  como  "real  adquirente"  e  mantendo a acusação original de que a autuada não o seria.   Reitere­se, como já dito, que os dados do SISCOMEX somente puderam ser  acessados a partir do momento em que a autoridade fiscal alcançou a informação dos contratos,  Fl. 10183DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 55          54 dada a permanente resistência da fiscalizada em apresentá­los durante a investigação original,  sendo imprópria a alegação de que tais informações  já estavam à disposição das Autoridades  Fiscais  no momento  da  lavratura  do  Auto  de  Infração.  Este  cenário,  inclusive,  evidencia  a  impropriedade da pretensão da recorrente de que seja proferida decisão em seu favor em razão  da impossibilidade de expedição de RMF às demais  instituições financeiras não questionadas  durante o procedimento fiscal. Como antes observado, a possibilidade de tal questionamento só  se materializou com a tardia resposta da fiscalizada em 09/11/2016, apesar de intimada neste  sentido desde 25/02/2015,  e assim  inviabilizou o  alcance de outros  esclarecimentos  antes do  transcurso do prazo decadencial, sendo certo que, apesar disso, as requisições expedidas foram  suficientes  para  obtenção  das  informações  necessárias  junto  ao  SISCOMEX,  dispensando  requisições semelhantes às demais instituições financeiras.   Sob esta ótica, não existe sequer "erro de fato",  sob a conceituação exposta  pela recorrente. Os fatos novos foram trazidos aos autos em razão das alegações de defesa mas,  ao contrário do que pretendia a autuada, apenas corroboraram a acusação inicial, sem qualquer  alteração de critério jurídico ou "aditamento" na valoração jurídica do fato. Antes, a autuada  não provara ser a real adquirente do investimento, deixando de apresentar provas que, como se  viu  na  diligência,  estavam  sob  sua  guarda,  e  o  exame  destas  provas,  assim  como  as  demais  investigações  que  elas  permitiram,  apenas  confirmaram  a  conclusão  original  de  que  a  fiscalizada  não  reunia  provas  que  permitissem  caracterizá­la  como  real  adquirente  dos  investimentos.   Assim  estabelecidas  estas  premissas  formais,  descabe,  em  preliminar,  declarar  a  nulidade  do  lançamento  por  alteração  de  critério  jurídico,  ou  mesmo  firmar  a  decadência  em  razão  do  resultado  da  diligência,  eventualmente  avaliando  a  ocorrência  de  eventual vício formal para fins de aplicação do art. 173, II do CTN. Na apreciação do mérito  serão definidas as provas que se prestam a sustentar a acusação fiscal, bem como a imputação  de multa qualificada aos créditos tributário lançados.  Por tais razões, deve ser REJEITADA a arguição de nulidade do lançamento  por  alteração  de  critério  jurídico  em  sede  de  diligência,  bem  como  por  negligência  no  cumprimento de diligência junto a instituições financeiras.   Dedutibilidade das amortizações de ágio na aquisição dos investimentos em  "Tavares de Melo" e "Ampla"  A acusação fiscal se baseia na falta de origem para os recursos utilizados na  aquisição  de  outras  duas  empresas,  a  então  Tavares  de  Melo  Açúcar  e  Álcool  S/A,  CNPJ  15.527.906/0001­36,  atual Biosev,  e  a Ampla Participações  S/A, CNPJ  03.515.224/0001­24,  pela  incorporada  Louis  Dreyfus  Commodities  Bioenergia  S/A,  CNPJ  51.376.853/0001­63,  acordada em 28/03/2007 e tendo a Louis Dreyfus Commodities Brasil S/A como garantidora e  fiadora  das  operações  da  adquirente.  A  autoridade  fiscal  também  apresentou  objeções  aos  laudos que fundamentaram o ágio pago em rentabilidade futura, dado que, como o valor pago  teve  por  base  o  balanço  patrimonial  das  adquiridas  em  28/02/2007:  1)  no  que  se  refere  à  aquisição  de  "Tavares  de Melo",  sendo  o  laudo  elaborado  em  28/03/2007,  não  houve muito  tempo  para  que  a  adquirente  o  analisasse  com  muita  profundidade;  2)  no  que  se  refere  à  aquisição da "Ampla", o laudo elaborado em 10/06/2007 certamente não foi analisado antes da  aquisição  ser  fechada,  além  de  seu  conteúdo  indicar  a  fundamentação  do  ágio  no  valor  de  mercado de bens do ativo da adquirida superior ao custo registrado na sua contabilidade. As  glosas  promovidas  alcançaram  as  amortizações  deduzidas  nos  anos­calendário  2010  a  2012,  Fl. 10184DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 56          55 aplicando­se multa qualificada aos créditos tributários, dado que as definições do art. 7º da Lei  nº 9.532/97 não poderiam ser delegadas tranquilamente para outras pessoas jurídicas, mesmo  as ligadas com quem realmente adquiriu a participação societária, sendo que o sujeito passivo  adotou procedimentos que visaram esconder os  fatos realmente ocorridos,  tanto por ocasião  da operação quanto no momento desta fiscalização.   A  autoridade  julgadora  de  1ª  instância  manteve  as  objeções  ao  laudo  apresentado em relação à aquisição de "Ampla", entendeu que o laudo apresentado em relação  à  aquisição  de  "Tavares  de Melo"  está  dentro  dos  limites pontuados  na  decisão,  e  firmou o  entendimento de que o requisito da confusão patrimonial não ocorreu entre a real adquirente,  por  quem  teve  o  sacrifício  patrimonial  efetivo,  de  fato,  não  estando  cumprido  o  aspecto  pessoal e material da hipótese de incidência para  tal despesa no âmbito da LDC Bionergia,  validando também as exigências de multa isolada, bem como a imputação de multa qualificada  porque  houve  simulação  de  quem  seria  o  real  adquirente  das  investidas,  de  quem  estaria  suportando os empréstimos, formalmente em nome da aparente adquirente (LDCB/LDC Bio),  mas que, de fato, estaria sendo pago pela controladora LDC Brasil. Em consequência, rejeitou  a arguição de decadência em face da necessária aplicação, ao caso, do art. 173, I do CTN.   A  recorrente  descreve  os  fatos,  iniciando  pela  aquisição  de  "Tavares  de  Melo" (sua antiga denominação) e "Ampla" pela LDCB, empresa operacional controlada pelo  Grupo LDC, descrevendo a atuação das  adquiridas  e da  investidora,  bem como a motivação  econômica  das  operações. Relata  que as  partes  assinaram Contrato  de Compra  e Venda  de  Ações  (fls.  5477 a 5498)  em 28.3.2007,  no qual  figurara os  vários acionistas  pessoas  físicas  detentores  da  Tavares  de  Melo;  a  Exitus  Administração  e  Participações  S.A.  (“Exitus”)  e  Ângela Cristina de Albuquerque Melo (detentores da Ampla), bem como a LDCB, acordando­ se  o  preço  de  R$  813.173.310,80,  parte  para  a  aquisição  da  Tavares  de Melo,  parte  para  aquisição  da  Ampla.  Ressaltando  que  a  transação  se  deu  entre  partes  independentes  e  com  efetivo pagamento do preço em dinheiro, observa que estava obrigada a avaliar o investimento  segundo  o  método  da  equivalência  patrimonial,  destacando  o  correspondente  ágio  que,  considerando o preço de aquisição distribuído em R$ 5.166.376,60 em contrapartida às ações  de  "Ampla",  e  R$  808.006.934,20  em  contrapartida  às  ações  de  "Tavares  de  Melo",  representou R$ 5.166.376,56 relativamente ao investimento em "Ampla" e R$ 571.948.362,00  relativamente ao investimento em "Tavares de Melo".   Aborda  a  incorporação da LDCB e da Ampla pela LDC Bioenergia  (nova  denominação  da  Tavares  de  Melo),  deliberada  no  mesmo  dia  da  aquisição  das  empresas  Tavares de Melo e Ampla e efetivada nos dois dias seguintes, com alteração da denominação  da companhia para LDC Bioenergia. Reforça que a LDCB era empresa operacional, existente  há  muitos  anos,  com  diversos  ativos,  empregados  e  atividades  operacionais  e  que  após  a  incorporação  a  "LDC Bionergia"  passou  a  ser detida  pela  LDC Brasil,  holding  existente  há  muitos anos, que concentrava os negócios do Grupo LDC no Brasil.  Esclarece  que  a  referida  reestruturação  societária  foi,  a  todo  momento,  idealizada  pelo Grupo  LDC  para  unir  seus  ativos  voltados  à  produção  de  açúcar  e  etanol,  buscando­se,  como  evidenciado  em  notícia  da  época,  a  redução  de  custos  e  ganhos  de  produtividade. Complementa que após a referida  incorporação, a LDC Bioenergia passou a  amortizar  o  ágio  pago  na  sua  aquisição,  bem  como  o  ágio  pago  na  aquisição  da  Ampla  à  razão de 1/60 por mês, nos termos do art. 7º da Lei 9.532/97.  Fl. 10185DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 57          56 Resume  os  argumentos  da  acusação  fiscal  para  glosa  das  despesas  de  amortização  de  ágio  gerado  na  aquisição  de  "Tavares  de  Melo"  à  suposta  ausência  de  comprovação da origem dos recursos utilizados pela LDCB na referida aquisição, e transcreve  trecho da acusação no qual a própria Fiscalização no TVF indicou que caso fosse comprovada  a  origem  do  recurso  o  ágio  contabilizado  na  LDCB  e,  posteriormente,  amortizado  na  LDB  Bioenergia seria regular. Em seu entendimento, ao identificar que a Fiscalização não teria se  utilizado de todos os itinerários suficientes para alcançar a verdade material neste particular,  a  I.  DRJ  solicitou  Diligência  para  obter  maiores  informações  a  respeito  dos  empréstimos  contabilizados  na  LDCB,  mas  frente  à  apresentação  destes  documentos  pela  recorrente,  as  Autoridades Fiscais, em uma tentativa de “convalidar” o Auto de Infração iniciaram nova tese  jurídica  para  classificar  os  contratos  celebrados  pela  LDCB  como  simulados  e  que  sua  finalidade na estrutura seria de mera empresa­veículo utilizada para viabilizar a amortização  do  ágio  sem  a  extinção  do  “real  adquirente”  (no  entender  das  Autoridades  Fiscais,  LDC  Brasil).   Reitera que não houve imputação de simulação na acusação original e que as  informações  utilizadas  em  diligência  sempre  estiveram  à  disposição  da  Fiscalização,  inexistindo  fato  novo,  mas,  somente,  uma  tentativa  de  convalidá­lo  após  a  Recorrente  ter  comprovado  que,  de  fato,  celebrou  contratos  de  empréstimos  com  instituições  financeiras.  Assim, ao primeiro argumento de que a LDCB não teria comprovado ter, de fato, incorrido no  sacrifício patrimonial necessário para ser tida como adquirente da participação societária foi  agregado o segundo argumento de que a LDCB desempenhou o papel de “empresa­veículo”  na transação, tendo sido utilizada pela “real adquirente” (LDC Brasil) com o único objetivo  de  viabilizar  a  amortização  do  ágio  que  de  outra  forma  não  seria  implementada,  além  do  terceiro argumento de que não houve o atendimento do requisito de “confusão patrimonial”  entre o “real adquirente” (LDC Brasil) e a Tavares de Melo (investimento adquirido).  Entende  que  as  alegações  do  resultado  da  Diligência,  acolhidas  pelas  Autoridades  Julgadoras,  não merecem  prosperar,  não  só  pelas  razões  antes  expostas,  como  também porque os elementos fáticos trazidos pelas Autoridades Fiscais somente corroboram o  entendimento de que a LDCB teria sido, de fato, a “real adquirente” suportando com o ônus  patrimonial do empréstimo e figurando como investidora da Tavares de Melo. Reportando­se  às  provas  admitidas  na  decisão  recorrida  para  firmar  o  entendimento  de  que  a  LDCB  foi  utilizada como empresa de passagem, observa que todos os pontos apresentados nas razões de  decidir  da  r. Decisão  recorrida  extrapolam a  justificativa  inicial  de  que  a LDCB não  tinha  patrimônio suficiente para justificar o pagamento ou não teria justificado qual seria a origem  dos recursos utilizados para adquirir a participação societária na Tavares de Melo e Ampla.  Mas  defende  que  os  pontos  apresentados  são  ilações  superficiais  e  que  os  elementos  colhidos ao  longo da Diligência  somente  ratificam que a LDCB  tinha patrimônio  suficiente  para  fazer  frente  aos  pagamentos  em  questão.  Afirma  inexistir  qualquer  indício  documental que a LDC Brasil adimpliu os empréstimos em favor da LDCB sem que a última  não  tivesse tido qualquer sacrifício patrimonial e assevera que sendo comprovado que havia  patrimônio  para  fazer  frente  ao  pagamento  e  que  sua  origem  seria  lícita  (empréstimos  contratados  com  terceiros  independentes)  seria  necessário  reconhecer que o ágio  relativo à  Tavares de Melo  seria  regular  e passível  de amortização  fiscal,  até porque  a  legislação que  disciplina  a  amortização  fiscal  do  ágio  não  exige  prova  de  empréstimos  que  financiaram  a  aquisição de participações societárias, mormente se comprovado que (i) realizou o pagamento  aos acionistas (as transferências saíram de sua conta no Banco Pactual); (ii) tinha patrimônio  Fl. 10186DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 58          57 registrado  na  sua  contabilidade  suficiente  para  justificar  o  pagamento;  (iii)  contratou  empréstimos com terceiros não relacionados de forma lícita.  Acrescenta  que  apesar  de  todos  esses  aspectos,  para  não  deixar  nenhuma  dúvida quanto ao fato de que a LDC Bioenergia (sucessora da LDCB em todos os seus direitos  e obrigações após a sua incorporação) teria adimplido os referidos empréstimos, a Recorrente  apresenta, separado pelos contratos, os REs relativos às exportações realizadas (doc. nº 5). Os  REs  até  agora  obtidos  que  ora  se  junta  ao  presente  Recurso  Voluntário  subsidiaram  a  liquidação dos empréstimos. E nesta linha, aborda equívocos do relatório de diligência e das  conclusões da decisão recorrida sob os seguintes tópicos:  · Das  Informações  oferecidas  pelo Banco Central  do Brasil:  provado  que  os  recursos  creditados  na  conta  do  Banco  Pactual  foram  internalizados  em  razão  de  contratos  de  câmbio  relativos  aos  empréstimos  e  financiamentos  apresentados  pela  Recorrente,  a  Fiscalização contrapôs que as  exportações  associadas  teriam sido de  produtos derivados de soja, e não de açúcar e álcool produzidos pela  "LDCB",  concluindo  que  as  alienações  aos  exterior  teriam  sido  promovidas  pela  "LDC Brasil"  em  razão  do  volume  de  exportações  por  ela  promovidos  e  do  relacionamento  comercial  mantido  com  a  adquirente  estrangeira  ("Nethgrain").  Argumentando  que  a  exportação  de  outra  commodity  seria  prática  extremamente  comum  no mercado, com a necessidade de adquirir performance de terceiros,  junta provas das exportações realizadas e discorda da qualificação da  "LCDB"  como  empresa  veículo  pois  foi  ela  quem  efetivamente  (i)  contraiu  o  empréstimo;  (ii)  recebeu  os  recursos;  (iii)  quitou  os  empréstimos  com  exportações  foi  a  LDCB  e  a  LDC  Bioenergia  (sucessora  da  LDC  em  todos  os  seus  direitos  e  obrigações  após  a  incorporação); e  (iv) registrou as operações perante as Autoridades  Competentes (Banco Central e Autoridades Aduaneiras);  · Das  informações  fornecidas  pelo  Banco  Pactual:  desqualifica  a  acusação  fiscal  de  que  a  ficha  cadastral  da  conta  que  recebeu  os  valores  utilizados  para  o  pagamento  da  aquisição  da  Tavares  de  Melo e da Ampla teria sido criada em 21.3.2007 (uma semana antes  da  realização  dos  depósitos)  e  assim  seria  prova  de  que  a  LDCB  criou a referida conta exclusivamente para o transito dos recursos da  compra da Tavares de Melo e da Ampla, argumentando que não há  qualquer  simulação  criar  uma  conta  bancária  para  concentrar  determinada quantia de dinheiro a ser utilizada para um fim.   · Dos  arquivos  contábeis  apresentados  pela  Recorrente:  anota  que  apresentou balancete de fevereiro a março de 2007 para evidenciar o  registro dos empréstimos que financiaram a aquisição de "Tavares de  Melo" e "Ampla", bem comprovou contabilmente que os pagamentos  aos  vendedores  teve  contrapartida  nas  contas  passivas  de  empréstimos,  e  observa  que,  dada  a  relevância  destes  valores,  certamente  os  empréstimos  foram  analisados  pela  auditoria  à  época.  Invoca  o  valor  probatório  de  sua  escrituração  realizada  em  conformidade com a legislação comercial, e se opõe ao entendimento  Fl. 10187DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 59          58 de que a suposta ausência de comprovação do pagamento seria um  indício  de  que  a  LDCB  não  seria  a  "real  adquirente",  mormente  tendo  em  conta  que  o  adimplemento  de  tais  obrigações  não  seria  requisito necessário para dedutibilidade das  amortizações,  consoante  se poderia ver em exemplo no qual um Banco perdoa um empréstimo  contratado  para  aquisição  de  investimento. De  toda  a  sorte,  haveria  indícios  de  prova  suficientes  reunidos  em  diligência  de  que  houve  exportações em montante equivalente ao valor dos empréstimos, além  de  outros  documentos  juntados  pela  recorrente,  e  as  Autoridades  Fiscais  não  lograram  comprovar  que  teria  sido  outra  sociedade  ou  outra  pessoa  física  que,  de  fato,  adimpliu  os  empréstimos  apresentados em sede de diligência.  · Dos  contratos  apresentados  pela  Recorrente:  os  documentos  apresentados  tinham  a  LDCB  como  tomadora  do  empréstimo,  assumindo  um  compromisso  mediante  as  instituições  credoras  de  adimplir  a  respectiva  dívida  com  exportações  de  commodities  nos  termos da regulamentação vigente, o que, como sabido, poderia  ser  feito por qualquer empresa do grupo. Discorre sobre as características  de  referidos  contratos,  afirma  incontroversa  a  contratação  dos  empréstimos,  e  se  opõe  aos  demais  indícios  de  planejamento  tributário  suscitados  em  diligência,  concernentes  em  dispositivos  contratuais  que  vinculam  a  "LDC  Brasil"  como  garantidora  ou  cessionária  ou  solidária  da  dívida,  afirmando  a  normalidade  destas  ocorrências  em grupo econômico,  sua  regulação  pelo Banco Central  do  Brasil  e  sua  reprodução  no  mercado  financeiro.  Discorda  da  conclusão  de  que  o  investimento  teria  sido  adquirido  por  "LDC  Brasil"  e  assevera  que  a  operação  não  tinha  como  único  propósito  econômico a geração do ágio e sua amortização para fins  fiscais. A  Fiscalização teria desvirtuado a suposta ausência de comprovação da  origem dos recursos pela LDCB, não há prova de cessão de obrigação  contratual  da  "LDCB"  à  "LDC Brasil"  a  título  gratuito  e  o  passivo  sempre  permaneceu  registrado  com  a  empresa  que  tomou  os  empréstimos.   · Do  atendimento  das  regras  regulatórias  ­  operações  para  financiamento de empresas exportadoras: discorre sobre a regulação  das  operações  de  antecipação  de  exportação,  inclusive  quanto  à  possibilidade  de  liquidação  do  contrato  de  câmbio  por  recebimento  da  receita  decorrente  de  exportação  de  outras  pessoas  jurídicas  do  mesmo  grupo  econômico,  providência  que  implica  necessariamente  no reconhecimento de um crédito da sociedade que teria adimplido a  obrigação em face da devedora original, ou seja, a liquidação não se  dá a  título gratuito. Quanto  à cessão de obrigação mencionada pela  Fiscalização, reitera que ela faz nascer uma dívida da recorrente com  a  LDC  Brasil  na  mesma  proporção,  também  evidenciando  onerosidade. Já a figuração da LDC Brasil como garantidora, em nada  justificam a desconsideração da LDCB nas transações. Destaca que a  aquisição  da  totalidade  do  capital  da Tavares  de Melo  e  da Ampla  seriam  causas  jurídicas  legítimas,  e  não  simuladas,  para  a  Fl. 10188DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 60          59 celebração dos contratos de empréstimo, sendo a amortização do ágio  mera  consequência  daquela  operação.  E  acrescenta  que  segundo  jurisprudência atual deste E. CARF, não há qualquer ilícito quando a  motivação  do  negócio  jurídico  está  relacionada  à  obtenção  de  vantagem fiscal. O ilícito ocorre quando a causa do negócio jurídico  (a  aquisição  da  participação  societária)  está  apenas  ligada  à  obtenção de um benefício fiscal, o que não ocorre no presente caso.  Conclui  que  todas  as  alegações  apresentadas  na  conclusão  da Diligência,  ratificadas pela r. Decisão recorrida, sobre a  ilicitude da contratação dos empréstimos pela  LDCB  são  infundadas  e  passa  à  demonstração  das  razões  de  direito  que  fundamentam  o  atendimento  a  todos os  requisitos  legais para  amortização do ágio  e da  impossibilidade de a  LDCB ser considerada empresa­veículo.  Nota­se  que  o  Grupo  LDC  estruturou  a  operação  realizada  objetivando,  também, auferir as vantagens fiscais em face do ágio pago na aquisição de "Tavares de Melo" e  "Ampla".  Considerando  o  alinhamento  entre  as  atividades  exercidas  pelas  adquiridas  e  a  LDCB,  a  figuração  desta  como  adquirente  dos  investimentos  permitiria  cogitar  da  sua  unificação às adquiridas e a construção do cenário no qual a Lei nº 9.532/97 permite a redução  do lucro tributável pela amortização do ágio pago.   Neste sentido, LDCB foi apresentada como adquirente de tais investimentos  no  Contrato  de  Compra  e  Venda  de  Ações  (fls.  2817/2883),  estando  LDC  indicada  como  interveniente garantidora e fiadora das obrigações de LDC BIO (LDCB), sem que a acusação  fiscal apontasse como suspeita qualquer outra disposição contratual. De outro lado, ainda que  LDC  tenha  atuado  financeiramente para  suprir  a  incapacidade de LDCB efetivar  a aquisição  dos  investimentos,  não  há  evidências,  nos meios  utilizados,  de  que  o  custo  do  investimento  esteja  replicado  no  patrimônio  de  LDC,  permitindo­lhe  dele  também  se  valer,  apesar  da  amortização fiscal promovida por LDCB.  A autoridade julgadora de 1ª instância, replicando as premissas adotadas pelo  Conselheiro  André  Mendes  de  Moura  para  admissibilidade  da  amortização  fiscal  do  ágio,  expostas no Acórdão nº 9101­002.301,  firma o entendimento de que o requisito da confusão  patrimonial  não  ocorreu  entre  a  real  adquirente,  por  quem  teve  o  sacrifício  patrimonial  efetivo, de fato, não estando cumprido o aspecto pessoal e material da hipótese de incidência  para  tal  despesa  no  âmbito  da  LDC  Bionergia.  Contudo,  cabe  observar  o  contexto  dos  exemplos citados no voto condutor do referido acórdão acerca do descumprimento do requisito  da confusão patrimonial:  Hipótese de Incidência Prevista Para a Amortização  [...]  Ao  se  apreciar  o  aspecto  pessoal,  merecem  relevo  as  palavras  da  doutrina,  ao  determinar  que  se  trata  da  “qualidade  que  determina  os  sujeitos  da  obrigação  tributária”.  E a norma em análise se dirige à pessoa jurídica investidora originária, aquela que  efetivamente  acreditou  na  mais  valia  do  investimento,  fez  os  estudos  de  rentabilidade  futura  e  desembolsou  os  recursos  para  a  aquisição,  e  à  pessoa  jurídica investida.  Fl. 10189DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 61          60 Ocorre  que,  em  se  tratando  do  ágio,  as  reorganizações  societárias  empreendidas  apresentaram novas pessoas ao processo.  Como  exemplo,  podemos  citar  situação  no  qual  a  pessoa  jurídica A  adquire  com  ágio  participação  societária  da  pessoa  jurídica  B.  Em  seguida,  utiliza­se  de  uma  outra pessoa jurídica, C, e integraliza o capital social dessa pessoa jurídica C com  a  participação  societária  que  adquiriu  da  pessoa  jurídica  B.  Resta  consolidada  situação  no  qual  a  pessoa  jurídica  A  controla  a  pessoa  jurídica  C,  e  a  pessoa  jurídica  C  controla  a  pessoa  jurídica  B.  Em  seguida,  sucede­se  evento  de  transformação societária, no qual a pessoa jurídica B absorve patrimônio da pessoa  jurídica C, ou vice versa.  Ocorre  que  os  sujeitos  eleitos  pela  norma  são  precisamente  a  pessoa  jurídica  A  (investidora)  e  a  pessoa  jurídica  B  (investida)  cuja  participação  societária  foi  adquirida  com ágio. Para  fins  fiscais,  não  há  nenhuma previsão  para  que  o ágio  contabilizado  na  pessoa  jurídica  A  (investidora),  em  razão  de  reorganizações  societárias  empreendidas  por  grupo  empresarial,  possa  ser  considerado  "transferido" para a pessoa  jurídica C, e a pessoa  jurídica C, ao absorver ou ser  absorvida pela pessoa jurídica B, possa aproveitar o ágio cuja origem deu­se pela  aquisição da pessoa jurídica A da pessoa jurídica B.  Da  mesma  maneira,  encontram­se  situações  no  qual  a  pessoa  jurídica  A  realiza  aportes  financeiros na pessoa  jurídica C e, de plano, a pessoa  jurídica C adquire  participação  societária  da  pessoa  jurídica  B  com  ágio.  Em  seguida,  a  pessoa  jurídica C absorve patrimônio da pessoa jurídica B, ou vice versa, a passa a fazer a  amortização do ágio.  Mais  uma  vez,  não  é o  que  prevê  o  aspecto  pessoal da  hipótese  de  incidência da  norma em questão. A pessoa jurídica que adquiriu o investimento, que acreditou na  mais  valia  e que desembolsou os  recursos para a aquisição  foi,  de  fato, a pessoa  jurídica A (investidora). No outro pólo da relação, a pessoa jurídica adquirida com  ágio foi a pessoa jurídica B. Ou seja, o aspecto pessoal da hipótese de incidência,  no caso, autoriza o aproveitamento do ágio a partir do momento em que a pessoa  jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) passem a integrar a mesma  universalidade.  São  as  situações  mais  elementares.  Contudo,  há  reorganizações  envolvendo  inúmeras empresas (pessoa jurídica D, E, F, G, H e assim por diante).  Vale registrar que goza a pessoa jurídica de liberdade negocial, podendo dispor de  suas  operações  buscando  otimizar  seu  funcionamento,  com  desdobramentos  econômicos, sociais e tributários.  Contudo,  não  necessariamente  todos  os  fatos  são  recepcionados  pela  norma  tributária.  A partir do momento em que, em razão das reorganizações societárias, passam a ser  utilizadas novas pessoas jurídicas (C, D, E, F, G, e assim sucessivamente),  pessoas  jurídicas  distintas  da  investidora  originária  (pessoa  jurídica  A)  e  da  investida (pessoa jurídica B), ­> o evento de absorção não envolve mais a pessoa  jurídica  A  e  a  pessoa  jurídica  B,  mas  sim  pessoa  jurídica  distinta  (como,  por  exemplo, pessoa jurídica F e pessoa jurídica B), a subsunção ao art. 386 do RIR/99  torna­se  impossível,  vez  que  o  fato  imponível  (suporte  fático,  situado  no  plano  concreto) deixa de ser amoldar à hipótese de incidência da norma (plano abstrato),  por incompatibilidade do aspecto pessoal.  Fl. 10190DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 62          61 Em  relação  ao  aspecto material,  há  que  se  consumar  a  confusão  de  patrimônio  entre investidora e investida, a que faz alusão o caput do art. 386 do RIR (A pessoa  jurídica  que  absorver  patrimônio  de  outra,  em  virtude  de  incorporação,  fusão  ou  cisão,  na  qual  detenha participação  societária  adquirida  com ágio  ou  deságio...).  Com a confusão patrimonial, aperfeiçoa­se o encontro de contas entre investidor e  investida, e a amortização do ágio passa a ser autorizada, com repercussão direta  na base de cálculo do IRPJ e da CSLL.  Na realidade, o requisito expresso de que investidor e investida passam a compor o  mesmo  patrimônio,  mediante  evento  de  transformação  societária,  no  qual  a  investidora absorve a investida, ou vice versa, encontra fundamento no fato de que,  com a confusão de patrimônios, o  lucro auferido pela investida passa a integrar a  mesma universalidade da investidora. SCHOUERI9, com muita clareza, discorre que,  antes da absorção, investidor e investida são entidades autônomas.  O  lucro  auferido  pela  investida  (que  foi  a  motivação  para  que  a  investidora  adquirisse a investida com o sobrepreço), é tributado pela própria investida. E, por  meio do MEP, eventual acréscimo no patrimônio líquido da investida seria refletido  na investidora, sem, contudo, haver tributação na investidora. A lógica do sistema  mostra­se  clara,  na medida  em que  não  caberia  uma dupla  tributação dos  lucros  auferidos pela investida.  Por  sua vez,  a partir do momento  em que  se  consuma a  confusão patrimonial, os  lucros auferidos pela então investida passam a integrar a mesma universalidade da  investidora. Reside, precisamente nesse ponto, o permissivo para que o ágio, pago  pela investidora exatamente em razão dos lucros a serem auferidos pela investida,  possa ser aproveitado, vez que passam a se comunicar, diretamente, a despesa de  amortização do ágio e as receitas auferidas pela investida.  Ou seja, compartilhando o mesmo patrimônio investidora e investida, consolida­se  cenário  no  qual  a  mesma  pessoa  jurídica  que  adquiriu  o  investimento  com  mais  valia  (ágio) baseado na expectativa de  rentabilidade  futura, passa a  ser  tributada  pelos lucros percebidos nesse investimento.  Verifica­se, mais uma vez, que a norma em debate, ao predicar, expressamente, que  para se consumar o aproveitamento da despesa de amortização do ágio, os sujeitos  da relação jurídica seriam a pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em  virtude  de  incorporação,  fusão  ou  cisão,  na  qual  detenha  participação  societária  adquirida com ágio ou deságio, ou seja, investidor e investida, não o fez por acaso.  Trata­se precisamente do encontro de contas da investidora originária, que incorreu  na despesa e adquiriu o investimento, e a investida, potencial geradora dos lucros  que motivou o esforço incorrido.  Prosseguindo  a  análise  da  hipótese  de  incidência  da  norma  em  questão,  no  que  concerne  ao  aspecto  temporal,  cabe  verificar  o  momento  em  que  o  Contribuinte  aproveita­se da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no  LALUR,  evento  que  provoca  impacto  direto  na  apuração  da  base  de  cálculo  tributável. Considerando­se  o  regime  de  tributação  adotado  pelo  sujeito  passivo,  aperfeiçoa­se  o  lançamento  fiscal  e  o  termo  inicial  para  contagem  do  prazo  decadencial.  Consolidação   Naturalmente, a cognição para verificar se a amortização do ágio passa, primeiro,  por verificar se os fatos se amoldam à hipótese de incidência, e, segundo, verificar  Fl. 10191DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 63          62 se requisitos de ordem formal estabelecidos pela norma encontram­se atendidos e,  terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado.  A primeira verificação parece óbvia, mas, diante de todo o exposto até o momento,  observa­se  que  a  discussão  mais  relevante  insere­se  precisamente  no  momento  situado antes  da  subsunção  do  fato  à  norma. Fala­se  insistentemente  se  haveria  impedimento  para  se  admitir  a  construção  de  fatos  que  possam  se  amoldar  à  hipótese  de  incidência  de  norma  de  despesa.  O  ponto  é  que,  independente  da  genialidade da construção empreendida, da reorganização societária arquitetada e  consumada, a investidora originária prevista pela norma não perderá a condição de  investidora originária. Quem viabilizou a aquisição?  De onde vieram os recursos? Quem efetuou os estudos de viabilidade econômica da  investida? Quem decidiu adquirir um  investimento com sobrepreço? A  investidora  originária.  Ainda que a pessoa jurídica A, investidora originária, para viabilizar a aquisição da  pessoa jurídica B, investida, tenha (1) "transferido" o ágio para a pessoa jurídica C,  ou  (2)  efetuou  aportes  financeiros  (dinheiro,  mútuo)  para  a  pessoa  jurídica  C,  a  pessoa jurídica A não perderá a condição de investidora originária.  Pode­se dizer que, de acordo com as regras contábeis, o ágio legitimamente passou  a integrar o patrimônio da pessoa jurídica C, depois da pessoa jurídica D que por  sua vez foi incorporada pela pessoa jurídica B (investida).  Ocorre que a absorção envolvendo a pessoa jurídica D e a pessoa  jurídica B não  tem qualificação jurídica para fins tributários.  Trata­se de operação que não se enquadra na hipótese de incidência da norma, que  elege,  quanto ao aspecto pessoal,  a pessoa  jurídica A  (investidora originária) e a  pessoa  jurídica B  (investida),  e  quanto ao  aspecto material,  o  encontro  de  contas  entre  a  despesa  incorrida  pela  pessoa  jurídica  A  (investidora  originária  que  efetivamente incorreu no esforço para adquirir o investimento com sobrepreço) e as  receitas auferidas pela pessoa jurídica B (investida).  Mostra­se  insustentável,  portanto,  ignorar  todo  um  contexto  histórico  e  sistêmico,  para que se autorize "pinçar" os artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997, promover  uma  interpretação  isolada  e  se  construir  uma  tese  no  qual  se  permita  que  fatos  construídos  artificialmente  possam  alterar  a  hipótese  de  incidência  de  norma  tributária. (negritos do original e grifos acrescidos)  O  traço  comum  das  operações  de  transferência  de  ágio  está  no  fato  a  real  adquirente não perder  a condição de  investidora originária. Ou  seja,  ao  final das operações,  subsiste  em  seu  patrimônio  o  custo  do  investimento  na  pessoa  jurídica  adquirida  ou  na  sociedade  veículo  para  a  qual  o  investimento  foi  transferido,  a  depender  de  quem  seja  a  incorporadora no passo que antecede a amortização fiscal do ágio na forma dos arts. 7º e 8º da  Lei nº 9.532/97.  No voto condutor, no mérito, do Acórdão nº 1402­003.574, esta Conselheira  recentemente  reafirmou  seu  entendimento  contrário  ao  aproveitamento  fiscal  de  ágio  transferido,  dada  a  constatação  de  que  a  cessão  do  direito  de  aquisição  do  capital  social  da  holding  que  detinha  a  totalidade  das  ações  do  Banco  Cacique  S/A  (Cacipar  Comércio  e  Participações  Ltda),  promovida  pelo  Banco  Société  Générale  Brasil  em  favor  de  Trancoso  Participações S/A, mantendo­se a primeira como garantidora da operação, com o subsequente  aporte de capital necessário na cessionária para a aquisição sob análise, evidenciavam o Banco  Fl. 10192DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 64          63 Société Générale Brasil  como real adquirente do  investimento, subsistindo o  investimento no  Banco  Cacique  S/A  em  seu  patrimônio  ao  ser  promovida  a  incorporação  da  Trancoso  Participações S/A e da Cacipar Comércio e Participações Ltda pelo Banco Cacique S/A.   Os demais acórdãos citados naquele  julgado, de  relatoria desta Conselheira,  também apresentavam o traço característico representado pela amortização fiscal do ágio sem  que a real adquirente do investimento incorporasse ou fosse incorporada pela investida. Veja­ se:  · Acórdão  nº  1101­000.942  (processo  nº  10980.722071/2012­76):  os  recursos utilizados para aquisição de participação na autuada foram  aportados  pela  Arcelor  Spain  Holding  SL  na  ArcelorMittal  Brasil  SSC Participações S/A,  e  imediatamente  transferidos para Gonvarri  Corporacion Financiera SL (na primeira parte do acordo) ou para a  autuada (na segunda parte do acordo), prestando­se a ArcelorMittal  Brasil  SSC  Participações  S/A  apenas  como  extensão  do  caixa  da  Arcelor Spain Holding SL no Brasil. Ao final, Arcelor Spain Holding  SL passa a  ser detentora de 50% das ações da autuada, adquiridas  mediante  interposição  da  Arcelor  Mittal  Brasil  SSC  Participações  S/A,  a  qual  não  apresenta  outra  utilidade  senão  sua  posterior  extinção,  em  razão  de  incorporação  pela  autuada,  de  modo  a  construir o cenário a partir do qual poderia ser almejada a aplicação  do  art.  7º,  inciso  III  da  Lei  nº  9.532/97  c/c  art.  8º,  alínea  “b”  da  mesma lei;  · Acórdão  nº  1101­000.936  (processo  nº  16561.720040/2011­17):  o  ágio  pago  por  Accor  Participações  S/A  ao  adquirir  Cia.  Sinal  de  Participações e Sinal Participações S/A, holdings que possuíam como  únicos  ativos  ações  das  empresas  Ticket  Serviços  S/A  e  GR  S/A,  passou a ser amortizado por Ticket Serviços S/A ao ser  transportado  para o  seu patrimônio mediante  incorporação da  interposta Sobraser  Participações  Ltda,  muito  embora,  ao  final,  Ticket  Serviços  S/A  permaneça  controlada  por  Accor  Brasil  Participações  Ltda,  esta  submetida ao controle de Accor Participações S/A;  · Acórdãos  nº  1101­000.961  e  1101­000.962  (processos  nº  16643.000142/2010­21  e  16643.000144/2010­11):  o  investimento  inicial de R$ 9,6 bilhões  feito pelo Santander Hispano, aportado em  "Santander  Holding"  para  aquisição  do  Banespa,  permaneceu  sob  sua  titularidade  indireta,  ao  final  representado por  investimento  na  controlada  Banco  Santander  S/A,  que  posteriormente  incorporou  o  Banespa;  · Acórdão nº 1101­000.899 (processo nº 19515.005924/2009­77): com  os recursos aportados por AVERDIN, as empresas veículo APENINA  e MKV realizam a operação que gera o ágio aqui amortizado, após a  extinção, apenas, de APENINA e MKV, incorporadas pela autuada. A  investidora original, AVERDIN, que efetivamente adquiriu a LISTEL,  subsistiu  ativa  e,  inclusive,  mantendo  em  seu  patrimônio  o  investimento feito na LISTEL, por seu valor majorado pelo ágio pago.  Fl. 10193DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 65          64 Em  tais  cenários,  a  amortização  do  ágio  não  é  passível  de  dedução  fiscal  pelas razões assim reiteradas no Acórdão nº 1402­003.574:  Isto  porque  os  efeitos  das  amortizações  de  ágio  e  deságio,  à  época  em  que  as  operações  foram  realizadas,  estavam  assim  disciplinados  no  Decreto­lei  nº  1.598/77:  Art. 23. [...]  Parágrafo  único  ­  Não  serão  computadas  na  determinação  do  lucro  real  as  contrapartidas de ajuste do valor do  investimento ou da amortização do ágio ou  deságio na aquisição, nem os ganhos ou perdas de capital derivados de investimentos  em  sociedades  estrangeiras  coligadas  ou  controladas  que  não  funcionem  no  País.(Incluído pelo Decreto­lei nº 1.648, de 1978).  [...]  Art. 33 ­ O valor contábil, para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na  alienação ou  liquidação do  investimento em coligada ou controlada avaliado pelo  valor de patrimônio líquido (art. 20), será a soma algébrica dos seguintes valores:  I  ­  valor  de  patrimônio  líquido  pelo  qual  o  investimento  estiver  registrado  na  contabilidade do contribuinte;   II ­ ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado  na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados, nos exercícios  financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real. (Redação dada pelo Decreto­ lei nº 1.730, 1979)   IV ­ provisão para perdas (art. 32) que tiver sido computada na determinação do lucro  real.   § 1º ­ Os valores de que tratam os itens II a IV serão corrigidos monetariamente.   § 2º ­ Não será computado na determinação do lucro real o acréscimo ou a diminuição  do valor de patrimônio líquido de investimento, decorrente de ganho ou perda de capital  por  variação  na  porcentagem  de  participação  do  contribuinte  no  capital  social  da  coligada ou controlada. (Redação dada pelo Decreto­lei nº 1.648, de 1978). (negrejou­ se)  Dessa  forma,  as  amortizações  de  ágio  e  deságio  deveriam  ser  adicionadas  ou  excluídas na apuração do lucro real, e controladas na parte B do Livro de Apuração  do  Lucro  Real  –  LALUR,  para  posteriormente  compor  a  apuração  do  ganho  de  capital na alienação ou liquidação do investimento. Mas, segundo a Lei nº 6.404/76:   Art. 219. Extingue­se a companhia:   I ­ pelo encerramento da liquidação;   II ­ pela incorporação ou fusão, e pela cisão com versão de todo o patrimônio em outras  sociedades.  Nestes termos, por vislumbrar distinção entre a hipótese do inciso II do art. 219 da  Lei nº 6.404/76 e de encerramento prevista no  inciso  I do mesmo dispositivo, esta  hábil  a  ensejar  a  aplicação  do  disposto  no  art.  33  do Decreto­lei  nº  1.598/77,  o  legislador assim fixou na seqüência deste dispositivo:  Participação Extinta em Fusão, Incorporação ou Cisão  Art  34  ­  Na  fusão,  incorporação  ou  cisão  de  sociedades  com  extinção  de  ações  ou  quotas de capital de uma possuída por outra, a diferença entre o valor contábil das ações  ou  quotas  extintas  e  o  valor  de  acervo  líquido  que  as  substituir  será  computado  na  determinação do lucro real de acordo com as seguintes normas:  I ­ somente será dedutível como perda de capital a diferença entre o valor contábil e o  valor  de  acervo  líquido  avaliado  a  preços  de mercado,  e  o  contribuinte  poderá,  para  Fl. 10194DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 66          65 efeito  de  determinar  o  lucro  real,  optar  pelo  tratamento  da  diferença  como  ativo  diferido, amortizável no prazo máximo de 10 anos;   II  ­  será  computado  como  ganho  de  capital  o  valor  pelo  qual  tiver  sido  recebido  o  acervo  líquido  que  exceder  o  valor  contábil  das  ações  ou  quotas  extintas,  mas  o  contribuinte  poderá,  observado o  disposto  nos  §§  1º  e  2º,  diferir  a  tributação  sobre  a  parte do ganho de capital em bens do ativo permanente, até que esse seja realizado.   §  1º O  contribuinte  somente  poderá  diferir  a  tributação  da  parte  do  ganho  de  capital  correspondente a bens do ativo permanente se:   a) discriminar os bens do acervo líquido recebido a que corresponder o ganho de capital  diferido, de modo a permitir a determinação do valor realizado em cada período­base; e   b) mantiver, no livro de que trata o item I do artigo 8º, conta de controle do ganho de  capital  ainda  não  tributado,  cujo  saldo  ficará  sujeito  a  correção monetária  anual,  por  ocasião  do  balanço,  aos  mesmos  coeficientes  aplicados  na  correção  do  ativo  permanente.   § 2º ­ O contribuinte deve computar no lucro real de cada período­base a parte do ganho  de  capital  realizada  mediante  alienação  ou  liquidação,  ou  através  de  quotas  de  depreciação, amortização ou exaustão deduzidas como custo ou despesa operacional.   Nos  casos  em que  a  incorporação,  fusão  ou  cisão  ocorre  em momento  próximo à  aquisição  do  investimento  com  ágio,  o  valor  contábil  do  investimento  é  sempre  superior ao acervo líquido contábil que substitui as quotas/ações extintas em razão  da incorporação,  fusão ou cisão, ensejando perda de capital. Para que esta perda  fosse  dedutível,  em  interpretação  literal  do  texto,  necessário  seria  que  o  acervo  líquido vertido em razão da incorporação, fusão ou cisão fosse avaliado a preços de  mercado.  De outro lado, caso atendido este requisito, qualquer ágio apurado na aquisição de  investimentos,  quando  esta  fosse  seguida  de  incorporação  da  investida,  ensejaria  perda dedutível. A exposição de motivos da Lei nº 9.532/97 expressa preocupação  com circunstâncias semelhantes a esta, como a seguir transcrito:  O art. 8o estabelece o tratamento tributário do ágio ou deságio decorrente da aquisição,  por  uma  pessoa  jurídica,  de  participação  societária  no  capital  de  outra,  avaliada  pelo  método da equivalência patrimonial.  Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto, diversas  empresas  utilizando  dos  já  referidos  “planejamentos  tributários”,  vêm  utilizando  o  expediente  de  adquirir  empresas  deficitárias,  pagando  ágio  pela  participação,  com  a  finalidade  única  de  gerar  ganhos  de  natureza  tributária  mediante  o  expediente,  nada  ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária.  Com as normas  previstas no  Projeto,  esses procedimentos  não  deixarão  de  acontecer,  mas,  com  certeza,  ficarão  restritos  às  hipóteses  de  casos  reais,  tendo  em  visto  o  desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a sua adoção  exclusivamente por esse motivo.   Neste contexto, as disposições da Lei nº 9.532/97 podem ser interpretadas como um  instrumento para evitar a dedução do ágio apurado sem fundamento econômico, o  qual deveria ser mantido em conta do ativo permanente, não sujeita a amortização,  bem  como  uma  forma  de  parcelar  os  efeitos  tributários  do  ágio  pago  sob  outros  fundamentos:  Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação,  fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio,  apurado segundo o disposto no art. 20 do Decreto­Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de  1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003)  Fl. 10195DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 67          66 I  ­  deverá  registrar o valor do  ágio ou deságio  cujo  fundamento  seja  o de  que  trata a  alínea "a" do § 2º do art. 20 do Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta  que registre o bem ou direito que lhe deu causa;  II ­ deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do §  2º  do  art.  20  do  Decreto­Lei  nº  1.598,  de  1977,  em  contrapartida  a  conta  de  ativo  permanente, não sujeita a amortização;  III ­ poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b"  do  §2°  do  art.  20  do Decreto­lei  n°  1.598,  de  1977,  nos  balanços  correspondentes  à  apuração  de  lucro  real,  levantados  posteriormente  à  incorporação,  fusão  ou  cisão,  à  razão  de  um  sessenta  avos,  no  máximo,  para  cada  mês  do  período  de  apuração;  (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998)  IV ­ deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea  "b" do § 2º do art. 20 do Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à  apuração  de  lucro  real,  levantados  durante  os  cinco  anos­calendários  subseqüentes  à  incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada  mês do período de apuração.  § 1º O valor  registrado na  forma do  inciso  I  integrará o  custo do bem ou direito para  efeito  de  apuração  de  ganho  ou  perda  de  capital  e  de  depreciação,  amortização  ou  exaustão.  § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese  de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar:  a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III;  b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso  IV.  § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput:  a)  será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de  capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou  acionista, na hipótese de devolução de capital;  b)  poderá  ser  deduzido  como  perda,  no  encerramento  das  atividades  da  empresa,  se  comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe  deu causa.  § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do  fundo  de  comércio  ou  intangível  sujeitará  a  pessoa  física  ou  jurídica  usuária  ao  pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros  de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente.  § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o  parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito.   No  mesmo  sentido  manifesta­se  Luís  Eduardo  Schoueri,  na  obra  Ágio  em  Reorganizações  Societárias  (Aspectos  Tributários),  Dialética:  São  Paulo,  2012.  Depois  de  reportar­se  à  doutrina  que  se  posiciona  em  sentido  contrário,  diz  o  referido autor (p. 67):  Tal  posicionamento  não  deixa  de  ser  curioso.  Afinal,  se  anteriormente  o  ágio  era  deduzido  integralmente,  a  imposição  de  restrições  não  poderia  ser  considerada  um  incentivo. A exposição de motivos da Medida Provisória no 1.602/1997 deixou hialino  esse instituto de restrição da consideração do ágio como despesa dedutível, mediante a  instituição  de  óbices  à  amortização  de  qualquer  tipo  de  ágio  nas  operações  de  incorporação. Com  isso, o  legislador visou  limitar a dedução do ágio às hipóteses  em  que forem acarretados efeitos econômico­tributários que o justificassem.  Realizada  a  incorporação,  na  escrituração  comercial,  o  acervo  líquido  recebido  pelo valor contábil anula o investimento correspondente, avaliado pela equivalência  patrimonial,  e  remanesce  no  patrimônio  da  sociedade  resultante  apenas  o  Fl. 10196DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 68          67 ágio/deságio,  classificado  em  Ativo  Diferido,  quando  fundamentado  em  rentabilidade futura, para amortização no período pelo qual ela foi projetada. Com  a edição da Lei nº 9.532/97 a amortização do ágio com este fundamento passa a ser  dedutível,  na  apuração  do  lucro  real,  no  mesmo  momento  em  que  registrada  contabilmente,  desde  que  observado  o  prazo  mínimo  de  5  (cinco)  anos  para  amortização.  Quanto  ao  ágio  fundamentado  em  ativos  ou  em  outras  razões  econômicas,  a  doutrina  contábil  orienta  em  sentido  semelhante  ao  da  lei,  pois  no  primeiro  caso  vincula seus efeitos no resultado à realização do ativo  incorporado, e no segundo  caso determina sua baixa imediata, por não ser possível associar seu pagamento a  algum critério que permita dimensionar sua amortização.  Esta abordagem não autoriza a conclusão de que a Lei nº 9.532/97 tenha instituído  um  benefício  fiscal.  A  regra  expressa  em  seus  artigos  7o  e  8o,  nos  termos  de  sua  exposição  de  motivos,  prestou­se,  em  verdade,  a  evitar  planejamentos  tributários  que  viabilizassem a dedução de ágios,  como perda de  capital,  qualquer que  fosse  seu  fundamento,  e  as  justificativas  apresentadas  pela  Comissão  de  Finanças  e  Tributação para negar sua revogação por meio do Projeto de Lei nº 2.922/2000 não  alteram  a  motivação  originalmente  apresentada  para  a  edição  dos  dispositivos  legais  em  referência.  Equivocada,  portanto,  a  argumentação  da  recorrente  no  sentido de que a dedutibilidade fiscal do ágio gerado na aquisição de sociedades teve  como objetivo incentivar a prática de fusões e aquisições, tais como as ocorridas em  processos de privatização. Se a extinção do "Société" ou da autuada não integrava  as pretensões futuras do grupo empresaria, a impossibilidade de aproveitamento do  ágio era uma desvantagem que deveria ser considerada na decisão empresarial.   Neste  sentido,  inclusive,  é  o  entendimento  de  Ricardo  Mariz  de  Oliveira  (Fundamentos do Imposto de Renda, São Paulo: Quartier Latin, 2008, p. 766):  Voltando ao primeiro e principal requisito para que a amortização seja dedutível ­ haver  absorção de patrimônio por meio de incorporação, fusão ou cisão deve­se ter presente  que, a despeito da largueza de opções dadas pela Lei n. 9532 para a consecução do seu  desiderato,  trata­se  de  condição  a  ser  cumprida  em  sua  substância,  e  não  apenas  formalmente, até  tendo em vista a continuidade da vigência da norma de proibição da  dedução da amortização se não houver um desses atos, prevista no art. 25 do Decreto­lei  n. 1598.  Com razão, a dedução fiscal da amortização é admitida a partir do momento em que "a  pessoa jurídica [...] absorver patrimônio de outra", segundo o "caput" do art. 7º, o que  deve  representar  uma  ocorrência  efetiva.  Outrossim,  não  se  trata  de  absorção  de  patrimônio de qualquer pessoa jurídica, pois o mesmo dispositivo acrescenta que deve  ser  a pessoa  jurídica "na qual  detenha participação  societária  adquirida  com ágio". E,  ademais,  o  dispositivo  ainda  restringe  a  forma  de  absorção,  dizendo  que  ela  deve  ocorrer "em virtude de incorporação, fusão ou cisão".  Essa disposição legal evidencia acima de qualquer dúvida que a exigência é de reunião  total (por incorporação ou fusão) ou parcial (por cisão) da pessoa jurídica investidora e  da pessoa jurídica investida.  O art. 8º, letra "b", dá a alternativa de se inverter a ordem, ou seja, trata a absorção da  investidora  pela  investida  (a  chamada  "incorporação  para  baixo"  ou  "down  stream  merger") do mesmo modo que a absorção da investida pela investidora (a "incorporação  para cima" ou "up stream merger"), que está prevista no art. 7o.  Seja como for, o relevante para a lei é a substância da reunião das duas (ou mais de duas  pessoas jurídicas) pessoas jurídicas, por um dos atos jurídicos previstos nos dois artigos.  Fl. 10197DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 69          68 Portanto, é insuficiente que a amortização do ágio se verifique em contrapartida à  expectativa de lucros a serem gerados, sendo fundamental a absorção de patrimônio  envolvendo investidora e investida.  Na  sistemática  vigente à  época, a amortização do ágio  realizada pela  investidora  permanece  indedutível  na  apuração  do  lucro  real,  e  somente  gera  efeitos  na  alienação ou liquidação do investimento. Já a amortização do ágio realizada após a  extinção do investimento não precisa ser adicionada ao lucro real, desde que o ágio  esteja  fundamentado  em  rentabilidade  futura  e  a  amortização  observe  o  limite  temporal mínimo estabelecido pela legislação.  Contudo,  é  fundamental  que  a  incorporação  se  verifique  entre  investida  e  investidora, com conseqüente confusão patrimonial e extinção do investimento, para  que  a  amortização  do  ágio  gere  efeitos  na  apuração  do  lucro  tributável.  Aqui,  porém,  ao  término  das  operações,  nada  mudou,  pois  o  "Société"  permaneceu  detendo as participações na autuada.  Esta distorção, aliás, é reconhecida pela própria Comissão de Valores Mobiliários  (CVM) ao analisar a incorporação promovida por meio de uma sociedade veículo,  assim  expondo  na Nota Explicativa  à  Instrução CVM n°  349/2001,  que  alterou  a  redação da Instrução CVM n° 319/99:  A  Instrução  CVM  n°  319/99,  ao  prever  que  a  contrapartida  do  ágio  pudesse  ser  registrada  integralmente  em  conta  de  reserva  especial  (art.  6o,  §  1o),  acabou  possibilitando, nos casos de ágio  com  fundamento econômico baseado em  intangíveis  ou  em  perspectiva  de  rentabilidade  futura,  o  reconhecimento  de  um  acréscimo  patrimonial  sem  a  efetiva  substância  econômica.  A  criação  de  uma  sociedade  com  a  única  finalidade  de  servir  de  veículo  para  transferir,  da  controladora  original  para  a  controlada, o ágio pago na sua aquisição, acabou por distorcer a figura da incorporação  em  sua  dimensão  econômica.  Esta  distorção  ocorre  em  virtude  de  que,  quando  concluído  o  processo  de  incorporação  da  empresa  veículo,  o  investimento  e,  conseqüentemente, o ágio permanecem inalterados na controladora original.  Significa dizer que embora alocado o ágio em empresa veículo, e na seqüência na  incorporadora  desta,  os  efeitos  econômicos  do  investimento  contabilizado  na  controladora  por  ocasião  do  aporte  de  caixa  na  empresa  veículo  subsistem.  Em  consequência,  a  incorporação  entre  a  investida  e  esta  empresa  que  localizou  temporariamente  o  ágio  não  atende  aos  requisitos  legais para  que  a  amortização  deste afete o lucro tributável.  Recorde­se o que diz a Lei nº 9.532/97:  Art.  7º  A  pessoa  jurídica  que  absorver  patrimônio  de  outra,  em  virtude  de  incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com  ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decreto­Lei nº 1.598, de 26  de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003)  I  ­  deverá  registrar o valor do  ágio ou deságio  cujo  fundamento  seja  o de  que  trata a  alínea "a" do § 2º do art. 20 do Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta  que registre o bem ou direito que lhe deu causa;  II ­ deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do §  2º  do  art.  20  do  Decreto­Lei  nº  1.598,  de  1977,  em  contrapartida  a  conta  de  ativo  permanente, não sujeita a amortização;  III ­ poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea  "b"  do  §2°  do  art.  20  do  Decreto­lei  n°  1.598,  de  1977,  nos  balanços  correspondentes  à  apuração  de  lucro  real,  levantados  posteriormente  à  incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada  mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998)  Fl. 10198DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 70          69 IV ­ deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea  "b" do § 2º do art. 20 do Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à  apuração  de  lucro  real,  levantados  durante  os  cinco  anos­calendários  subseqüentes  à  incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada  mês do período de apuração.  [...]   Art. 8º O disposto no artigo anterior aplica­se, inclusive, quando:  a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido;  b)  a  empresa  incorporada,  fusionada  ou  cindida  for  aquela  que  detinha  a  propriedade da participação societária. (negrejou­se)  Claro  está  que  as  empresas  envolvidas  na  incorporação  devem  ser,  necessariamente,  a  adquirente  da  participação  societária  com  ágio  e  a  investida  adquirida. A interposição de uma empresa veículo não extingue, na real adquirente,  a  parcela  do  investimento  correspondente  ao  ágio,  de  modo  que  ao  final  dos  procedimentos realizados, com a incorporação da empresa veículo pela investida, a  propriedade da participação societária adquirida com ágio subsiste no patrimônio  da investidora, diversamente do que cogita a lei.  Em  tais  condições,  a  amortização  do  ágio  que  passou  a  existir  no  patrimônio  da  investida  somente  poderia  surtir  efeitos  na  apuração  do  seu  lucro  real  caso  se  verificasse  a  sua  extinção,  ou  da  investidora  ("Société"),  mediante  incorporação,  fusão  ou  cisão  entre  elas  promovida,  por  meio  da  qual  o  ágio  subsistisse  evidenciado apenas no patrimônio resultante desta operação, na forma do art. 7o da  Lei nº 9.532/97.   Na medida  em  que  tal  não  ocorreu,  a  dedutibilidade  do  ágio  submete­se  à  regra  geral exposta, à época, no Decreto­lei nº 1.598/77:  Art. 23. [...]  Parágrafo  único  ­  Não  serão  computadas  na  determinação  do  lucro  real  as  contrapartidas de ajuste do valor do  investimento ou da amortização do ágio ou  deságio na aquisição, nem os ganhos ou perdas de capital derivados de investimentos  em  sociedades  estrangeiras  coligadas  ou  controladas  que  não  funcionem  no  País.(Incluído pelo Decreto­lei nº 1.648, de 1978).  [...]  Art 33 ­ O valor contábil, para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na  alienação ou  liquidação do  investimento em coligada ou controlada avaliado pelo  valor de patrimônio líquido (art. 20), será a soma algébrica dos seguintes valores:  I  ­  valor  de  patrimônio  líquido  pelo  qual  o  investimento  estiver  registrado  na  contabilidade do contribuinte;   II ­ ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado  na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados, nos exercícios  financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real. (Redação dada pelo Decreto­ lei nº 1.730, 1979)   IV ­ provisão para perdas (art. 32) que tiver sido computada na determinação do lucro  real.   [...]  Pertinente citar, novamente, abordagem contida na obra Ágio em Reorganizações  Societárias  (Aspectos  Tributários),  antes  referida.  Nela,  o  autor  Luís  Eduardo  Schoueri preliminarmente expõe o entendimento de que o ágio, para o investidor, é  custo que deve ser considerado em caso de alienação do investimento. Os resultados  Fl. 10199DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 71          70 auferidos  com  este  investimento  são  reconhecidos,  no  patrimônio  do  investidor,  como resultados da equivalência patrimonial, não sujeitos a tributação nesta ótica.  Seguindo a mesma lógica, a amortização contábil do ágio por rentabilidade futura,  por parte do investidor, também não deve afetar o lucro tributável.   Diante  deste  contexto,  o  autor  reputa  incabível  afirmar  que  o  ágio,  ainda  que  fundamentado  na  rentabilidade  futura,  pode  ser  considerado  realizado  antes  da  incorporação  de  uma  das  pessoas  jurídicas  envolvidas  (exceto  se  antes  disso  tiver  ocorrido  baixa  da  participação  societária  adquirida,  quando,  em  regra  o  ágio  será  realizado) (Op. cit. p. 73). E complementa mais à frente: com a incorporação, alerte­ se,  já  não  há  mais  que  falar  em  investimento  nem  em  ágio.  Ambas  as  figuras  desaparecem (Op. cit. p. 74).  Entende  o  referido  autor  que  a  partir  da  incorporação,  os  lucros  passam  a  ser  tributados na investidora, pois antes disso no máximo haverá receita de equivalência  patrimonial,  não  tributável  (Op.  cit.  p.  79).  Aqui,  porém,  os  lucros  permanecem  tributados na  investida, que os reduz mediante amortização de ágio decorrente de  investimento que subsiste no patrimônio da investidora original.   A provisão determinada pela Instrução Normativa CVM no 349/2001 impediria que  a  equivalência patrimonial  refletisse no patrimônio da  investidora apenas o  valor  líquido  dos  resultados,  restabelecendo  o  reconhecimento  bruto  dos  resultados  da  investida,  sem  os  efeitos  da  amortização  do  ágio  na  investida,  dado  que  a  amortização  do  ágio  se  repetiria  na  investidora.  A  diferença  está  na  redução  da  carga tributária da investida que esta manobra permite, em desrespeito ao previsto  no art. 7o da Lei no 9.532/97.  Evidenciado,  portanto,  que  não  houve  a  extinção  do  investimento,  inadmissível  a  amortização fiscal do ágio, o que dispensa a avaliação dos demais argumentos da  recorrente acerca da vinculação do fundamento econômico do ágio a rentabilidade  futura,  até porque  a  acusação  fiscal  também não  se debruçou  sobre  este  aspecto.  (negritos do original e grifos acrescidos)  No presente caso, ao constatar que a primeira parcela paga pela aquisição dos  investimentos  em  "Tavares  de  Melo"  e  "Ampla"  (R$  629.360.903,80)  superavam  não  só  a  receita  líquida  anual  de  LDCB  em  2006  (R$  566.313.544,93),  como  também  seu  ativo  circulante  (R$  342.455.705,86),  e  aproximava­se  do  valor  de  seu  ativo  total  (R$  686.143.521,23), a autoridade fiscal empenhou significativos esforços para identificar a origem  dos  valores  pagos  aos  alienantes  das  participações  societárias  mas,  somente  em  momento  próximo  ao  término  do  prazo  decadencial  para  constituição  do  crédito  tributário  relativo  ao  ano­calendário  2010,  encontrou  indícios  de  que  as  disponibilidades  utilizadas  pela  LDCB  estariam  vinculadas  a  empréstimos  bancários  nos  quais  a  LDC  também  figurava  como  garantidora, além de associados a compromissos de exportação que não se provou vinculados à  LDCB, ou mesmo por ela honrados.  Os elementos posteriormente reunidos em diligência confirmaram a possível  interferência de LDC nas operações, como indicado desde o início das investigações, quando  se constatou que a Louis Dreyfus Commodities Brasil S/A consta como garantidora e fiadora  das  obrigações  da  Louis  Dreyfus  Commodities  Bioenergia  S/A  no  Contrato  de  Compra  e  Venda  da  Tavares  de  Melo  e  da  Ampla.  Há  indícios  de  que  LDC  tenha  promovido  as  exportações  exigidas  em  decorrência  dos  empréstimos  que  favoreceram  LDCB,  como  detalhadamente exposto no Termo de Encerramento de Diligência (fls. 8052/8069):  Fl. 10200DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 72          71 Os contratos de  empréstimos apresentados  foram os  seguintes,  nos quais  constam  como  partes  a  Louis  Dreyfus  Commodities  Bioenergia,  como  Tomadora,  a  Louis  Dreyfus  Commodities  Brasil,  como  Garantidora,  e  a  instituição  financeira  como  Credora:   a)  Banco  ABN  Amro  S/A,  através  da  sede  na  Holanda,  no  valor  de  US$  40.000.000,00, com data de 15/02/2007 (resp. de 06/09/2017 ­ docs. 01 a 03), e com  as seguintes datas de pagamento:  [...]  O  objetivo  do  empréstimo  seria  financiar  a  produção  e  a  exportação  de  commodities, definida como açúcar bruto e refinado e/ou etanol.   Neste  contrato  consta  que  a  entrega  dos  produtos  dos  Contratos  de  Exportação  seria o principal mecanismo de pagamento do empréstimo (clausula 7.1), sendo que  o  comprador  deveria  pagar  o  produto  diretamente  na  “Conta  de  Arrecadação”  (clausula  13.3.e),  aberta  pelo Credor  exclusivamente para  esse  fim  (clausula  15).  Consta,  ainda,  a  possibilidade  de  pagamento  do  empréstimo  com  exportações  da  garantidora, a Louis Dreyfus Commodities Brasil.   b) Banco do Brasil S/A, agência de Londres, no valor de US$ 100.000.000,00 (resp.  de 06/09/2017 ­ docs. 05 e 06), firmado em 22/03/2007, em que constam:   “CONSIDERANDO  QUE  a  Tomadora  firmou  contratos  comerciais  (doravante  denominados  "Contratos  de  Exportação")  com  um  ou  mais  importadores  (sendo  cada  um  deles  doravante  denominado  um  "Importador"),  conforme  os  quais  a  Tomadora concordou em exportar remessas futuras regulares de cana­de­açúcar e  subprodutos da cana­de­açúcar,  incluindo açúcar refinado e cristal, etanol, álcool  ou etanol anídrico ou hidratado,  fermento biológico seco, álcool etílico sintético e  de  fermentação,  qualquer  outra  commodity  produzida  e/ou  negociada  pela  Tomadora ou pela Garantidora  como, por  exemplo,  suco de  laranja,  café,  trigo,  soja,  farinha  de  soja,  óleo  de  soja,  algodão  e/ou  produtos  relacionados  e/ou  qualquer outra mercadoria que possa ser exportada no futuro pela Tomadora ou  pela Garantidora (doravante denominados "Produto") do Brasil pelo valor total de  US$  100.000.000,00  (Cem  Milhões  de  Dólares  Norte­Americanos),  e  os  Importadores serão instruídos pela Tomadora a efetuar o pagamento dos Produtos  diretamente à Credora.”.   "Importador"  significa  a  NETGRAIN  B.V.  e  outros  compradores  de  produtos  da  Tomadora localizados fora da República Federativa do Brasil, para o qual há uma  Instrução  de  Pagamento  Irrevogável,  para  que  faça  os  pagamentos  diretamente  para o Banco do Brasil, agência de Londres.   No Anexo II constam as datas de pagamento do principal: 10/03/2011, 10/03/2012,  10/03/2013 e 10/03/2014.  c) Banco Calyon, agência de Londres (identificado na resposta como Banco AGF),  no valor de US$ 40.000.000,00, datado de 26/03/2007 (resp. de 06/09/2017 ­ docs.  07 a 09). Neste contrato consta explicitamente que o empréstimo é efetuado para a  aquisição de usinas de açúcar e álcool, na sua cláusula 3 ­ Finalidade:   “A Tomadora deverá aplicar todos os valores tomados em empréstimo (...) para o  financiamento da aquisição de quatro fábricas de açúcar e etanol e uma destilaria  da  Vendedora1  (doravante  denominada  "Aquisição")  que  é  necessário  para  possibilitar que a Tomadora cumpra suas obrigações nos termos de seus contratos  Fl. 10201DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 73          72 de  exportação  existentes  ou  futuros.  A  Credora  não  é  obrigada  a  supervisionar,  monitorar  ou  verificar  a  aplicação  de  qualquer  valor  tomado  em  empréstimo  de  acordo com o presente Contrato”. Não obstante esse propósito, o pagamento seria  feito  com  exportações,  sendo  que  o  importador  (comprador)  faria  o  pagamento  diretamente à instituição financeira, em uma “Conta de Arrecadação”, aberta pelo  Credor  exclusivamente  para  esse  fim,  como  pode  ser  visto  na  cláusula  8  e  na  clausula 20:   “(D) A Tomadora deverá, imediatamente, mediante confirmação da Credora que a  Credora  aprovou  os  contratos  de  exportação  relacionados  na  Notificação  de  Contrato de Exportação Designado, entregar Instruções de Pagamento Irrevogáveis  aos Compradores Elegíveis de acordo com cada um dos Contratos de Exportação  Designados e, ao mesmo tempo, garantir que a Credora receba uma cópia de cada  referida  Instrução  de  Pagamento  Irrevogável,  devidamente  certificada  por  um  conselheiro  da Tomadora como  uma  cópia  fiel  e  completa  do  respectivo  original.  Quando qualquer pagamento de acordo com um Contrato de Exportação Designado  tiver que ser feito de acordo com a Carta de Crédito, a Tomadora deverá garantir  que  uma  Instrução  de  Pagamento  Irrevogável  seja  entregue  ao  Banco  Elegível  pertinente no momento da apresentação dos Documentos de Transporte de acordo  com essa Carta de Crédito e, ao mesmo tempo, garantir que a Credora receba uma  cópia  dessa  Instrução de Pagamento  Irrevogável,  devidamente  certificada  por  um  conselheiro  da  Tomadora  como  uma  cópia  fiel  e  completa  de  seu  original”.  No  Termo Aditivo ao Contrato2 (Doc. AGF 10 (2) da resposta de 28/07/2017), para o  qual o contribuinte não apresentou a tradução, consta que o primeiro pagamento do  empréstimo  seria  em  15/06/2010  e  o  último  em  15/06/2013,  e  que  seriam  feitos  trimestralmente  a  partir  do  depósito  de  receitas  de  Contratos  de  Exportação  na  Conta  de  Cobrança.  Os  produtos  a  serem  exportados  seriam  cana­de­açúcar,  subprodutos  da  cana­de­açúcar  (álcool,  fermento)  e  qualquer  outra  mercadoria  produzida por qualquer devedor (definido como o tomador do empréstimo – Louis  Dreyfus  Commodities  Bioenergia  –  ou  pelo  garantidor  –  Louis  Dreyfus  Commodities Brasil), incluindo suco de laranja, café, soja, trigo ou farelo de soja  ou óleo, algodão e quaisquer outros produtos aceitáveis.   d) Banco Bradesco S/A, agência das Ilhas Cayman, no valor de US$ 80.000.000,00,  datado de 26/03/2007 (doc. 11 da resposta de 28/07/2017 – consta a tradução deste  contrato  como  o  Adendo  A  do  Contrato  de  Cessão  de  Dívida,  cuja  tradução  foi  apresentada em 06/09/2017). Neste contrato também consta o seguinte:   Todos os adiantamentos serão utilizados unicamente para financiar as atividade de  exportação  da  Tomadora  no  curso  regular  de  seu  negócio,  o  que  é  reconhecido  como  sendo  de  exportação  de  cana­de­açúcar  e  subprodutos  da  cana­de­açúcar,  (...),  qualquer outra  commodity produzida e/ou negociada pela Tomadora ou pela  Garantidora, como suco de laranja, café, trigo, soja, farinha de soja, óleo de soja,  algodão e/ou produtos relacionados e/ou qualquer outra mercadoria que possa ser  exportada  no  futuro  pela  Tomadora  ou  Garantidora  (doravante  definido  como  "Mercadorias"). A respeito dos pagamentos do empréstimo,  reza o contrato que a  Tomadora  deveria  reembolsar  o  montante  principal  do  Adiantamento  em  10  parcelas  iguais  de  US$  8.000.000,00.  A  primeira  parcela  seria  devida  em  28/09/2009 e cada parcela restante seria devida no dia 27 de março e setembro de  cada ano subseqüente. O montante do principal não pago será devido no total em 27  de  março  de  2014  (“Data  de  vencimento  final”).  Neste  caso  foi  firmado  um  Contrato de Cessão de Dívida em 28/06/2007  (resposta de 06/09/2017 – doc. 04),  firmado  com a LDC Bioenergia,  a  empresa  que  foi  adquirida  e que  incorporou a  Louis  Dreyfus  Commodities  Bioenergia,  como  a  Devedora  Original,  e  a  Louis  Dreyfus Commodities Brasil, como a Devedora Atual, pelo qual, a Devedora Atual  Fl. 10202DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 74          73 assume total responsabilidade pelas obrigações assumidas pela Devedora Original  conforme  os  termos  e  condições  constantes  no  Contrato  de  Abertura  de  Crédito,  firmado em 26/03/2007.   Na  resposta  de  06/09/2017  (doc.  03)  foi  apresentada  também  a  tradução  de  uma  Nota  Promissória  datada  de  28/06/2007,  em  que  consta  que  a  Louis  Dreyfus  Commodities  Brasil  S/A  é  a  “Devedora  Atual”  do  valor  do  principal  de  US$  80.000.000,00,  que  deverá  ser  amortizada  em  10  parcelas  iguais  de  US$  8.000.000,00 no dia 28 de setembro e de março de cada ano subsequente.   e) Banco Unibanco S/A, agência das Ilhas Cayman, no valor de US$ 30.000.000,00,  firmado em 13/03/2007 (resposta de 28/07/2017 – doc. 12).   Trata­se  de  uma  Cédula  de  Crédito  Bancário  –  Pagamento  Antecipado  de  Exportação,  que  traz  como  emitentes  a  Louis  Dreyfus  Commodities  Bioenergia,  exportadora,  e  a  Louis  Dreyfus  Commodities  Brasil,  co­emitente,  com  vínculo  de  solidariedade pelo pagamento do principal, juros e encargos, conforme a clausula 2  – Promessa de Pagamento e clausula 8 – Obrigação Solidária.   O  pagamento  do  principal  estava  previsto  para  ser  pago  em  3  parcelas  de  US$  10.000.000,00,  com  os  prazos  de  1.800  dias  após  o  empréstimo  para  a  primeira  parcela, 2.160 dias para a segunda e 2.520 dias para a terceira.   Os pagamentos do valor do principal deveriam ser feitos por meio do embarque das  mercadorias integrantes da exportação, obrigando­se a Exportadora a transferir ao  Unibanco  Cayman  o  direito  de  receber  dos  Importadores  diretamente  o  preço  devido pela exportação.  Contudo,  para  afirmar­se  a  transferência  do  ágio  era  determinante  aferir  a  repercussão financeira destes favores da LDC à LDCB na escrituração contábil na LDC, dado  que somente se poderia cogitar de duplicação do investimento, e da consequente possibilidade  de  dedução  do  custo  por  ambas,  se  a  dívida  de LDCB  em  favor  de LDC  foi  convertida  em  investimento  desta  em  sua  sucessora  (haja  vista  a  incorporação  de  LDCB  por  "Tavares  de  Melo").   Em  suma,  apesar  do  empenho  da  autoridade  fiscal  em  identificar  o  fluxo  financeiro das operações, e da resistência da fiscalizada em fornecer tais informações, o fato é  que  a  premência  do  término  do  prazo  decadencial  acabou  por  favorecê­la,  impedindo  investigações mais  aprofundadas para eventual  identificação de que  a possível  adquirente de  fato  (LDC) não perdeu a condição de  investidora originária. Em consequência,  na operação  em  tela  apenas  se  vislumbra  que  LDCB  recebeu  algum  favorecimento  financeiro  de  sua  controladora  para  adquirir  "Tavares  de Melo"  e  "Ampla",  inexistindo  qualquer  evidência  de  aumento de capital que resultasse na replicação dos investimentos adquiridos em LDC. Por tais  razões,  não  é  possível  afirmar  que  a  confusão  patrimonial  decorrente  da  incorporação  entre  "Tavares de Melo", "Ampla" e LDCB desrespeita o requisito neste sentido estipulado nos arts.  7º e 8º da Lei nº 9.532/97.  Em  consequência,  apesar  de  ser  passível  de  conhecimento  a  petição  apresentada depois de pautado o presente processo para julgamento, em 07/12/2018, na medida  em que nela estão veiculados novos argumentos acerca de matéria previamente  impugnada e  debatida em recurso voluntário, desnecessária se faz qualquer manifestação acerca do conteúdo  probatório  dos  documentos  por meio  dela  apresentados,  vez  que  correlacionados  à  acusação  fiscal acima afastada.  Fl. 10203DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 75          74 No mais,  ao  discorrer  sobre  a  validade  da  amortização  do  ágio  gerado  na  aquisição  da  Tavares  de  Melo,  a  recorrente  assevera  que  o  fundamento  do  ágio  em  rentabilidade  futura  está  atestado  em  laudo não  contestado.  Porém,  importa  esclarecer  que  a  autoridade fiscal assim ponderou no Termo de Verificação Fiscal:  135. O  valor  pago  e o  ágio  apurado  foram baseados  no  balanço  patrimonial das  empresas adquiridas na data de 28/02/2007 (doc. F32) e em Laudos de Avaliação  da Tavares de Melo  (doc. F33) e da Ampla  (doc. F34). O Laudo de Avaliação da  Tavares  de  Melo  foi  elaborado  pela  Deloitte  Touche  Tohmatsu  com  data  de  28/03/2007, mesma  data  do  fechamento  do  negócio,  o  que  sugere  que  não  houve  muito tempo para que a adquirente o analisasse com muita profundidade.   A  autoridade  julgadora  de  1ª  instância  expôs  suas  premissas  ao  analisar  o  laudo apresentado no contexto de aquisição supostamente realizada pela Ágatis para, mais à  frente, manifestar­se acerca da objeção fiscal ao laudo apresentado em relação à aquisição de  "Tavares de Melo":  Primeiramente, em relação ao laudo ou demonstrativo necessário para justificar o  fundamento econômico do ágio pago, vejamos o que dispõe o parágrafo 3º do artigo  385 do RIR 99:  Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada  pelo  valor  de  patrimônio  líquido  deverá,  por  ocasião  da  aquisição  da  participação,  desdobrar o custo de aquisição em (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 20):  I  ­  valor  de  patrimônio  líquido  na  época  da  aquisição,  determinado  de  acordo  com  o  disposto  no  artigo  seguinte;  e  II  ­  ágio  ou  deságio  na  aquisição,  que  será  a  diferença  entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior.  § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas  distintas do custo de aquisição do investimento (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 20,  § 1º).  §  2º  O  lançamento  do  ágio  ou  deságio  deverá  indicar,  dentre  os  seguintes,  seu  fundamento econômico (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º):  I ­ valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao  custo registrado na sua contabilidade;  II  ­  valor  de  rentabilidade  da  coligada  ou  controlada,  com  base  em  previsão  dos  resultados nos exercícios futuros;  III ­ fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas.  § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo  anterior  deverá  ser  baseado  em  demonstração  que  o  contribuinte  arquivará  como  comprovante da escrituração (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). (g.n.)  Uma  interpretação  literal  desse  dispositivo  exige  que  o  demonstrativo  seja  arquivado,  no  máximo,  até  a  data  da  escrituração  contábil  do  ágio  gerado  na  aquisição  de  participação  societária.  Tão  somente  o  fundamento  econômico  de  “fundo  de  comércio”  dispensa  essa  demonstração.  Os  demais  (incisos  I  e  II  do  parágrafo  2º)  exigem  esse  demonstrativo  como  comprovante  para  a  regular  escrituração contábil do registro inicial da existência do ágio, em outras palavras, é  essencial conhecer o fundamento econômico que deu suporte ao pagamento, na data  do registro inicial do ágio.  Fl. 10204DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 76          75 Numa  interpretação  que  não  seja  a  literal,  reputa­se  inadmissível  o  início  da  amortização fiscal do ágio sem que se tenha claramente determinado qual o correto  fundamento econômico deste. Caso contrário, estar­se­ia admitindo a amortização  de  algo  que  não  se  sabe  efetivamente  do  que  se  trata.  É  necessária  a  contemporaneidade  da  “demonstração”  que  permita  a  identificação  de  seu  fundamento econômico.  Destarte,  percebe­se  claramente  que  o  fundamento  econômico  do  ágio  há  de  ser  determinado antes, ou, no máximo, até o momento da aquisição. Trata­se, ainda, de  uma  questão  de  ordem  lógica:  não  faz  sentido  imaginar  que  o  fundamento  econômico  determinante  para  o  pagamento  de  um  ágio  somente  possa  ter­se  tornado  conhecido  após  a  operação  de  compra.  Ora,  se  somente  tornou­se  conhecido  após  a  aquisição,  não  pode  ter  sido  ele  o  fator  determinante  para  o  pagamento  ocorrido Assim,  a  prova  de  que  foi  a  rentabilidade  futura  a  razão  do  pagamento do ágio  incumbe obrigatoriamente à empresa que por ele pagou, e  tal  prova  há  de  ser  feita  com  documentos  contemporâneos  aos  fatos,  pois  a  “demonstração”  se  faz  com  os  documentos  que  de  fato  serviram  de  base  para  a  tomada da decisão de adquirir a participação societária.  Mais ainda, ante a falta de comprovação contemporânea, resta apenas a alternativa  de considerar que o ágio  teve por  fundamento “outras  razões econômicas”, posto  ser  a  única  alternativa  existente  a  não  exigir  o  arquivamento  da  referida  “demonstração”,  e,  por  conseguinte,  a  impossibilidade  de  aproveitamento  da  dedutibilidade fiscal desse ágio.  [...]  Inicialmente  abordaremos  a  questão  do  laudo/demonstrativo  que  justificaria  o  fundamento econômico do ágio pago, nos termos do artigo 385 e §§ 2º e 3º do RIR  99,  já  abordado  no  tópico  acima,  cujos  fundamentos  para  sua  exigência  são  os  mesmos.  Em  relação  a  aquisição  da  Tavares  de  Melo,  tanto  a  tempestividade,  quanto  o  fundamento  econômico eleito mostraram­se  regulares,  inclusive reconhecidos  pela  autoridade fiscal, a despeito da informação de que o laudo teria sido elaborado com  a  mesma  data  do  fechamento  do  negócio.  Entendo  que  está  dentro  dos  limites  pontuados  acima,  quando  do  enfrentamento  do  caso  da  Santaelisa,  aplicável  também neste ponto.  [...] (destaques do original)  De fato, a  legislação citada exige prova do fundamento do ágio por ocasião  de sua escrituração e esta deve ser promovida no momento da aquisição do  investimento, de  onde decorre a conclusão de que não se pode negar validade  ao  laudo apenas porque ele  foi  elaborado no mesmo dia em que a aquisição se verificou. A autoridade fiscal menciona que sua  elaboração  em  28/03/2007  teria  prejudicado  uma  análise mais  aprofundada  de  seu  conteúdo  pelas  interessadas,  mas  é  razoável  supor  que  os  estudos  já  estivessem  em  curso  desde  a  cogitação de aquisição do investimento, com sua posterior formalização que, por ter ocorrido  até a data de efetivação do negócio, deve ser admitido com prova do fundamento atribuído ao  ágio pago, se inexistem outros questionamentos acerca de seu conteúdo.   Logo, não subsistem motivos para a glosa das amortizações do ágio pago na  aquisição de "Tavares de Melo".  Fl. 10205DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 77          76 Já com referência ao ágio pago na aquisição de "Ampla", a autoridade fiscal  destacou que:  136.  Já o Laudo de Avaliação  da Ampla,  com  certeza  não  foi  analisado antes  da  aquisição  ser  fechada,  uma  vez  que,  embora  também  elaborado  pela  Deloitte  Touche Tohmatsu, foi elaborado com data de 10/06/2007, ou seja, após a aquisição  ter sido realizada. Não foi sem intuito algum que já na página de apresentação deste  Laudo, a Deloitte fez constar o seguinte parágrafo:   Entendemos que o propósito deste trabalho é fornecer à LDCB o suporte necessário na  justificativa do ágio pago do valor de aquisição da empresa. Nenhum outro objetivo  pode  ser  subentendido  ou  inferido,  bem como,  este  documento  é  para  uso  restrito  da  finalidade descrita acima. (grifei)   137. Porém, o mais determinante neste Laudo se encontra no seu item 2 ­ Objetivo:   O  objetivo  dessa  Avaliação  Patrimonial  é  estabelecer  os  valores  de  reposição  e  de  mercado, bem como as  vidas úteis dos ativos classificados na contábil 1.3.2.1.0010 –  Máquinas  e  Implementos  Agrícolas,  na  data­base  de  28  de  fevereiro  de  2007,  fornecendo o suporte necessário na justificativa do ágio pago na aquisição da empresa.   138. Verificando o  laudo elaborado, ele  realmente parece apto a  justificar o ágio  pago  na  aquisição  da  Ampla. Mas  não,  é  evidente,  com  fundamento  no  valor  da  rentabilidade  da  adquirida  com  base  em  previsão  dos  resultados  dos  exercícios  futuros (art. 385, § 2º, inciso II, do RIR/99), mas sim, com fundamento no valor de  mercado  de  bens  do  ativo  da  adquirida  superior  ao  custo  registrado  na  sua  contabilidade (art. 385, § 2º, inciso I, do RIR/99).   139.  Como  se  sabe,  o  tratamento  tributário  de  cada  uma  dessas  situações  são  completamente  diferentes,  como  determina  o  art.  386  do  RIR/99.  Enquanto  o  fundamento em valor de mercado dos bens da adquirida leva a que essa mais valia  seja depreciada da mesma forma que o bem a que se refere, o ágio com fundamento  em resultado de exercícios futuros pode ser amortizado na apuração do lucro real,  após a ocorrência de fusão, cisão ou incorporação da empresa, à razão máxima de  um sessenta avos por mês.   140. Veja­se, ainda, o item 6 do Laudo, que apresenta o “Resultado da Avaliação”,  em que consta o valor do saldo contábil, o valor de mercado, e o valor da mais valia  obtida:     141. Embora o Laudo de Avaliação da Ampla seja claro ao avaliar bens do ativo,  máquinas e implementos agrícolas, a valor de mercado, o sujeito passivo utilizou­se  desse laudo para amortizar o ágio e aproveitar­se de tais despesas de amortização  para reduzir o lucro real e a base de cálculo da CSLL.   142. Tal fato, por si só, exige que esta fiscalização glose tais despesas das bases de  cálculo tributárias, mas há outros problemas que envolvem o aproveitamento deste  ágio e também do ágio da Tavares de Melo.   Fl. 10206DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 78          77 Afirmando  equivocada  a  análise  fiscal  dos  fatos  e  do  direito  aplicável,  a  recorrente observa que a decisão recorrida ratificou aqueles argumentos e defende a validade  da amortização do ágio gerado na aquisição da Ampla porque a transação se deu entre partes  independentes,  houve  efetivo  pagamento  de  preço  incorrido  por  sociedade  brasileira  (a  LDCB) para adquirir o investimento na Ampla, o fundamento do ágio em rentabilidade futura  está baseado em demonstrativos que certificavam a intenção subjetiva de adquirir as empresas  visando perceber  seus  lucros  futuros,  o valor do preço  e do  ágio não  foram questionados,  o  ganho de capital  apurado pelos vendedores  foi  submetido à  tributação pelo  IRPF, não houve  contestação  quanto  à  finalidade  econômica  da  estrutura,  no  lançamento  a  Fiscalização  em  nenhum  momento  imputou  à  Recorrente  a  execução  de  nenhuma  reorganização  societária  simulada ou  fraudulenta, e a LDCB era empresa operacional,  existente há muitos anos, que  não era e não foi tratada pela Fiscalização como sociedade veículo.  Defende,  assim,  a  legitimidade  da  amortização  fiscal  do  ágio  pago  na  aquisição de "Ampla" porque, além dos argumentos também aplicáveis à aquisição de "Tavares  de Melo", em síntese:  · Primeiro argumento: Todos os  requisitos  legais para a amortização  fiscal  do ágio decorrente da aquisição da Ampla foram observados, tanto sob uma  perspectiva formal quanto sob uma perspectiva substancial;   · Segundo  argumento:  não  há  requisito  legal  que  exige  que  laudo  técnico  elaborado  antes  da  aquisição  da  participação  societária  seja  tido  como  Demonstrativo hábil  para  fundamentar o  lançamento do ágio baseado em  expectativa de rentabilidade futura, nos termos do § 3º do art. 385;   · Terceiro  argumento:  o  ágio  contabilizado  baseava­se  na  expectativa  subjetiva  do  adquirente  de  rentabilidade  futura  das  empresas  adquiridas  (Tavares  de Melo  e Ampla),  bastando demonstrar a  intenção  subjetiva do  grupo em adquirir a empresa com base em sua expectativa de rentabilidade  futura para o fundamento do ágio ser comprovado;   · Quarto argumento: caso o E. CARF entenda que o fundamento econômico  do ágio seria a mais­valia dos ativos da empresa adquirida, o que se admite  para argumentar, tal conclusão implica reconhecer a possibilidade jurídica  de aproveitar­se de maiores despesas de amortização e depreciação de bens  após  a  união  patrimonial  da  sociedade  investida  com  a  sociedade  investidora. (destaques do original)  A  recorrente  detalha  cada  um  destes  argumentos,  reportando­se  aos  dispositivos  legais de regência e, especificamente no que se  refere à  fundamentação do ágio,  assevera  que  a  LDCB  possuía  o  intuito  subjetivo  em  adquirir  a  Ampla  com  vistas  a  sua  expectativa  de  rentabilidade  futura  (já  que  era  uma  aquisição  conjunta  com  a  Tavares  de  Melo), restando comprovado, nos  termos que a  legislação determina, o  fundamento do ágio.  Defende a  inexistência de vedação à  elaboração do  laudo  técnico posteriormente a data da  aquisição  para  demonstrar  o  fundamento  econômico  do  ágio,  pois  não  há  previsão  legal  de  embasamento  da  contabilidade  por  laudo  técnico  antes  da  aquisição,  pois  o  art.  20,  §3º  do  Decreto­lei nº 1.598/77 exige que o lançamento indique o fundamento econômico, sendo que  este  momento  não  coincide  necessariamente  com  a  elaboração  de  demonstração  que  será  arquivada como comprovante do lançamento escriturado, citando doutrina e jurisprudência do  CARF  em  favor  da  possibilidade  de  elaboração  posterior  da  demonstração.  Ademais,  a  conjuntura  dos  documentos  apresentados  evidenciariam  a  fundamentação  subjetiva  da  Fl. 10207DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 79          78 "LDCB"  participar  da  lucratividade  da Ampla,  de modo  que  este  é  o  aspecto  subjetivo  que  deve  ser  indicado  na  escrituração,  consoante  doutrina  que  cita,  e  de  outro  lado,  se  o  ágio  decorreu  de mais­valia  de  ativos  classificados  no  imobilizado,  como  reconhecido  em  laudo,  caberia  seu  reconhecimento  como  depreciação,  na  forma  demonstrada  pela  recorrente,  a  evidenciar o equívoco da postura da Fiscalização ao glosa integralmente as amortizações, sem  observar eventual descumprimento do regime de competência, em observância ao art. 273 do  RIR/99.  Tais  argumentos  foram  validamente  refutados  na  decisão  de  1ª  instância,  cujos fundamentos a seguir reproduzidos, associados às premissas apresentadas no contexto de  aquisição supostamente realizada pela Ágatis, antes transcritas, são aqui adotados:  Contrariamente ao que quer fazer crer as impugnantes, o fundamento econômico do  ágio  não  é  elemento  sujeito  ao  exclusivo  critério  do  adquirente. O  legislador,  ao  enumerar as três hipóteses previstas no § 2º do art. 385 do RIR/1999 não ofertou ao  contribuinte  simples  opções  de  enquadramento  do  ágio  pago.  A  cada  uma  das  hipóteses  o  legislador  atribuiu  um  tratamento  tributário  diferenciado,  previsto  no  art. 386 do RIR/1999, caso a pessoa jurídica absorver, em virtude de incorporação,  fusão  ou  cisão,  o  patrimônio  daquela  na  qual  detenha  participação  societária  adquirida com ágio.  No  caso  do  ágio  cujo  fundamento  seja  o  valor  de  mercado  de  bens  do  ativo  da  coligada  ou  controlada  superior  ao  custo  registrado  na  sua  contabilidade,  a  contabilização se dá em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe  deu  causa  e  o  valor  do  ágio  integra  o  custo  do  bem  ou  direito  para  efeito  de  apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão.  Quando o ágio tiver por fundamento fundo de comércio, intangíveis e outras razões  econômicas, a contabilização se dá em contrapartida a conta de ativo permanente,  não sujeita a amortização e o ágio será considerado custo de aquisição, para efeito  de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa  ou  na  sua  transferência  para  sócio  ou  acionista,  na  hipótese  de  devolução  de  capital. Além disso, o ágio poderá ser deduzido como perda, no encerramento das  atividades  da  empresa,  se  comprovada,  nessa  data,  a  inexistência  do  fundo  de  comércio ou do intangível que lhe deu causa.  Finalmente, caso o ágio tenha por fundamento expectativa de rentabilidade futura, é  facultado ao contribuinte a respectiva amortização nos balanços correspondentes à  apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão,  à razão de 1/60, no máximo, para cada mês do período de apuração.  Ora, tendo o legislador atribuído tratamento diferenciado a cada uma das hipóteses,  evidentemente  é  descabido  falar­se  em  opção  ao  alvedrio  do  contribuinte  do  fundamento econômico do ágio. Caso essa fosse a intenção do legislador, bastaria à  norma  contemplar  os  três  tratamentos  tributários  acima  referidos,  facultando  ao  contribuinte  a  escolha  de  qualquer  deles. O  legislador,  porém,  vinculou  cada um  desses tratamentos tributários a um fundamento econômico específico para o ágio.  Dessa forma, não pode o contribuinte qualificar ágio pago em virtude de valor de  mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ao custo registrado na  sua contabilidade como ágio decorrente de expectativa de rentabilidade futura. Ao  proceder dessa forma o contribuinte infringe a norma, a fim de eleger o tratamento  tributário que mais lhe convém.  Fl. 10208DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 80          79 No  caso  da  Ampla,  há  evidente  extemporaneidade  do  laudo  e  o  fundamento  nele  expresso  não  se  conforma  a  rentabilidade  em  face  de  resultados  de  exercícios  futuros (art. 385, § 2º, inciso II, do RIR/99), mas sim, com fundamento no valor de  mercado  de  bens  do  ativo  da  adquirida  superior  ao  custo  registrado  na  sua  contabilidade  (art.  385,  §  2º,  inciso  I,  do  RIR/99),  o  que  implica  em  outra  sistemática  de  aproveitamento  tributário,  que  não  a  adotada  pela  autuada,  razão  pela qual, por estes argumentos, correta a autuação fiscal neste aspecto.  Mesmo  quando  defende  a  autuada  de  que,  neste  caso,  não  seria  possível  desconsiderar  todas  as  despesas  apropriadas  no  resultado  da  Requerente  no  período mencionado, devendo reconhecer as despesas de depreciação do custo de  tais  máquinas  e  equipamentos,  para  fins  de  considerá­las  dedutíveis,  cumpre  manifestar  que  a  autoridade  fiscal  agiu  corretamente  ao  glosar  despesa  sem  fundamento  legal.  Se  haveria  outro  tipo  de  amortização  legalmente  possível,  esta  incumbência competiria, oportunamente, a quem se interessasse.  Acrescente­se que a dedutibilidade das amortizações de ágio pago em razão  de bens do ativo não se prova mediante a mera cogitação das taxas de depreciação que seriam  aplicáveis aos ativos, como faz a interessada em seu recurso voluntário, mas também em razão  do  tempo  remanescente  de  vida  útil  dos  bens  e  da  sua  efetiva  utilização  na  atividade  operacional, além da necessária verificação acerca de eventual alienação ou baixa no período  considerado,  que  anteciparia  sua  dedução  como  custo  na  apuração  de  ganho  ou  perda  de  capital. Impróprio, assim, imputar à autoridade fiscal o dever de proceder a estas investigações  diante da cômoda opção do sujeito passivo por amortizar o ágio em referência linearmente, nos  cinco anos subsequentes à incorporação pela autuada.   Considerando, porém, que a qualificação da penalidade, imposta em razão da  postura  do  sujeito  passivo  de  esconder  os  fatos  realmente  ocorridos,  tanto  por  ocasião  da  operação quanto no momento desta fiscalização, não pode subsistir na medida em que, como  antes exposto, não restou suficientemente provado que os dispositivos legais que autorizam a  amortização do ágio foram aplicados para obter vantagens tributárias a partir da criação de  novas hipóteses de casos artificiais, elaboradas em outro contexto, a glosa da amortização do  ágio pago na aquisição de "Ampla", mantida em razão da ausência de laudo que o fundamente  em rentabilidade futura, resta parcialmente alcançada pela decadência.   Isto  porque,  afastada  a  qualificação  da  penalidade,  passa  a  ser  possível  cogitar da contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, §4º do CTN, em razão do qual  o  lançamento  pertinente  ao  ano­calendário  2010  somente  seria  possível  até  31/12/2015,  ao  passo que a presente exigência foi cientificada ao sujeito passivo em 31/12/2016.  Esclareça­se  que,  no  âmbito  do  CARF,  a  matéria  em  litígio  tem  seu  julgamento afetado pelas disposições do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado  pela Portaria MF nº 343/2015:  Art.  62.  Fica  vedado aos membros  das  turmas  de  julgamento  do CARF  afastar  a  aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional,  lei ou decreto, sob  fundamento de inconstitucionalidade.  [...]  § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista pelos arts. 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 1973 ­ Código de Processo  Fl. 10209DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 81          80 Civil  (CPC),  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos no âmbito do CARF.  Isto porque, relativamente à contagem do prazo decadencial na forma do art.  150, do CTN, o Superior Tribunal de Justiça já havia decidido, na sistemática prevista pelo art.  543­C do Código de Processo Civil, o que assim foi ementado no acórdão proferido nos autos  do REsp nº 973.733/SC, publicado em 18/09/2009:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO  DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento de ofício) conta­se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado,  nos  casos  em  que  a  lei  não  prevê  o  pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes  da  Primeira  Seção:  REsp  766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006, DJ 10.04.2006;  e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux,  julgado  em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra­se regulada por cinco regras  jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito  de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos  tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no  Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do CTN,  sendo  certo  que  o  "primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda que  se  trate de  tributos  sujeitos a  lançamento por homologação,  revelando­se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos  nos  artigos  150,  §  4º,  e  173,  do  Codex  Tributário,  ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo sujeito a lançamento  por  homologação;  (ii)  a  obrigação  ex  lege  de  pagamento  antecipado  das  contribuições  previdenciárias  não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de  1994;  e  (iii)  a  constituição  dos  créditos  tributários  respectivos  deu­se  em  26.03.2001.  Fl. 10210DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 82          81 6. Destarte, revelam­se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o  decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento  de ofício substitutivo.  7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543­C, do  CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  Extrai­se deste  julgado  que o  fato de o  tributo  sujeitar­se  a  lançamento  por  homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomar­ se  o  encerramento  do  período  de  apuração  como  termo  inicial  da  contagem  do  prazo  decadencial de 5 (cinco) anos.  Resta claro, a partir da ementa transcrita, que é necessário haver uma conduta  objetiva  a  ser homologada,  sob pena de a  contagem do prazo decadencial  ser orientada pelo  disposto no art. 173 do CTN. E  tal  conduta, como  já se  infere a partir do  item 1 da  referida  ementa, não seria apenas o pagamento antecipado, mas também a declaração prévia do débito.  Relevante  notar,  porém,  que,  no  caso  apreciado  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça,  a  discussão  central  prendia­se  ao  argumento  da  recorrente  (Instituto  Nacional  de  Seguridade Social –  INSS) de que o prazo para constituição do crédito  tributário seria de 10  (dez)  anos,  contando­se  5  (cinco)  anos  a  partir  do  encerramento  do  prazo  de  homologação  previsto no art. 150, §4o do CTN, como antes já havia decidido aquele Tribunal. Por esta razão,  os fundamentos do voto condutor mais se dirigiram a registrar a inadmissibilidade da aplicação  cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, §4o, e 173, do Codex Tributário,  ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal.  Em conseqüência não há, naquele julgado, maior aprofundamento acerca do  que seria objeto de homologação tácita na forma do art. 150 do CTN, permitindo­se aqui a livre  convicção acerca de sua definição. Referido dispositivo, por sua vez, assim estabelece:  Art.  150.  O  lançamento  por  homologação,  que  ocorre  quanto  aos  tributos  cuja  legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio  exame  da  autoridade  administrativa,  opera­se  pelo  ato  em  que  a  referida  autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado,  expressamente a homologa.  §  1º  O  pagamento  antecipado  pelo  obrigado  nos  termos  deste  artigo  extingue  o  crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento.  §  2º  Não  influem  sobre  a  obrigação  tributária  quaisquer  atos  anteriores  à  homologação,  praticados  pelo  sujeito  passivo  ou  por  terceiro,  visando  à  extinção  total ou parcial do crédito.  §  3º Os  atos  a  que  se  refere  o  parágrafo  anterior  serão,  porém,  considerados na  apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade,  ou sua graduação.  § 4º Se a  lei  não  fixar prazo a homologação,  será  ele de  cinco anos,  a contar da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se  homologado  o  lançamento  e  definitivamente  extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.  Indispensável, portanto, o exercício da  atividade que a  lei  atribui ao  sujeito  passivo,  a  qual  não  se  limita  ao  pagamento,  que  deve  estar  associado  à  apuração  do  crédito  tributário devido, assim estampada em sua escrituração comercial e fiscal.   Fl. 10211DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 83          82 No  presente  caso,  como  se  vê  na  DIPJ  juntada  às  fls.  4960/5072,  a  contribuinte apurara prejuízo fiscal e base negativa da CSLL não só na apuração anual, como  também em todos os balancetes de suspensão mensais, assim deixando de recolher estimativas  ou tributos devidos no ajuste anual. Todavia, sujeitou­se a retenções de IRPJ e CSLL na fonte,  as quais, deduzidas na apuração anual, resultaram na apuração de saldos negativos de IRPJ e  CSLL, a  indicar que se tratariam de retenções promovidas sobre rendimentos computados na  apuração  anual,  hipótese  na  qual  a  1ª  Turma  da  CSRF  já  se  manifestou  favoravelmente  à  aplicação do art. 150, §4º do CTN:  DECADÊNCIA. 150, §4º, CTN  Tendo  o  contribuinte  declarado  o  IRPJ  à  ocasião  da  incorporação,  com  o  pagamento das estimativas e IRFonte, o prazo decadencial para exigência do IRPJ é  submetido ao artigo 150, §4º, do CTN. (Acórdão nº 9101­002.245 ­ Sessão de 1 de  março de 2016).  DECADÊNCIA.  150,  §4º,  CTN.  PAGAMENTO.  IRFONTE.  STJ.  REPETITIVO.  RESP 973.733.  Constatando­se  o  pagamento  de  Imposto  de  Renda  retido  pela  fonte  pagadora,  o  prazo decadencial para exigência do IRPJ é submetido ao artigo 150, §4º, do CTN.  Aplicação da decisão em recurso especial n. 973.733, submetido à regra do artigo  543­C, do CPC/1973. (Acórdão nº 9101­003.603 ­ Sessão de 10 de maio de 2018).  Acrescente­se que a 2ª Turma da CSRF já sumulou entendimento semelhante,  aplicável às retenções na fonte sofridas por pessoas físicas:  Súmula CARF nº 123  Imposto  de  renda  retido  na  fonte  relativo  a  rendimentos  sujeitos  a  ajuste  anual  caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no  artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional.  Por  tais  razões,  o  presente  voto  é  no  sentido  de  DAR  PROVIMENTO  PARCIAL ao recurso voluntário para:  · afastar  as  glosas  de  amortização  do  ágio  pago  na  aquisição  de  "Tavares  de Melo"  (R$  114.389.672,40  nos  anos­calendário  2010  e  2011 e R$ 19.064.945,40 no ano­calendário 2012), o que dispensa a  apreciação  da  qualificação  da  penalidade  aplicada  sobre  o  crédito  tributário  resultante  de  tais  glosas,  bem  como  da  arguição  de  decadência dela dependente; e  · acolher  a  arguição  de  decadência  relativamente  à  glosa  de  amortização do ágio pago na aquisição de "Ampla" no ano­calendário  2010  (R$  1.033.275,36)  e  manter  as  glosas  referentes  aos  anos­ calendário 2011 (R$ 1.033.275,36) e 2012 (R$ 172.212,55), mas sem  a qualificação da penalidade.    Dedutibilidade das amortizações de ágio na aquisição dos investimentos em  "Santaelisa Vale"  Fl. 10212DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 84          83 A  acusação  fiscal  se  baseia  na  constatação  de  que  o  ágio  na  aquisição  do  controle do grupo Santa Elisa, que foi apurado em uma empresa veículo, foi transferido para a  empresa  operacional  do  grupo  (LDC  Bioenergia,  atual  Biosev),  e  lá  permaneceu  para  ser  amortizado  após  a  incorporação  da  empresa  adquirida.  Porém,  apesar  disso,  o  custo  do  investimento  na  Santelisa  Vale  permaneceu  intacto  como  era  originalmente  nas  reais  investidoras, a LDC Brasil e a Celósia, posteriormente em suas sucessoras, Sugar Holdings e  Canna Investors,  já que não participaram de incorporação,  fusão ou cisão com a adquirida.  Dessa  forma, o  investimento não  foi  extinto. Ademais, para  fundamentar  economicamente o  ágio apurado, o fiscalizado apresentou o “Laudo de rentabilidade futura da Santelisa Vale S/A  (‘SEV S/A’ ou ‘Empresa’) relacionado a aquisição do controle desta pela Ágatis Investimentos  e Participações S/A”, elaborado pela KPMG Corporate Finance em 14/04/2011, ou seja, um  ano e meio após a aquisição da participação societária, e a pedido da LDC Bionergia (e não  da adquirente "Ágatis", já extinta), além de ser deficiente para a fundamentação econômica do  ágio pago, ao não apontar claramente o valor de mercado da empresa na data de aquisição e  ao ser elaborado após a aquisição, prestando­se a referendar, caso fosse válido, apenas o ágio  no montante de R$ 110,72 milhões.  As  glosas  promovidas  alcançaram  as  amortizações  deduzidas  nos  anos­ calendário  2011  a 2014,  aplicando­se multa  qualificada  aos  créditos  tributários,  dado  que  as  definições  do  art.  7º  da  Lei  nº  9.532/97  não  poderiam  ser  delegadas  tranquilamente  para  outras  pessoas  jurídicas,  mesmo  as  ligadas  com  quem  realmente  adquiriu  a  participação  societária,  afastando­se  hipóteses  de  desconhecimento,  prática  de  erro  escusável  ou  divergência de interpretação da legislação porque:  235.  Assim,  não  cabe  à  empresa  invocar  desconhecimento,  prática  de  erro  escusável, ou divergência de interpretação da legislação.   236.  No  caso  da  aquisição  da  Santelisa  Vale,  a  reorganização  societária  não  foi  feita ao acaso. A reestruturação societária promovida para a inclusão da empresa  veículo Ágatis como controladora da fiscalizada e sua posterior incorporação teve o  objetivo  de  gerar  despesas  de  amortização  de  ágio.  Para  isso,  foram  realizadas  diversas  operações  que,  analisadas  isoladamente,  não  violavam  nenhuma  norma  legal.  Porém,  o  resultado  da  reorganização  proporcionou  ao  sujeito  passivo  os  melhores efeitos tributários que não seriam possíveis legalmente.   237.  A  Ágatis  foi  inserida  como  controladora  da  então  LDC  Bioenergia  pelos  grupos  Louis  Dreyfus  Commodities  e  Canna  Investors  com  o  objetivo  certo  de  forçar uma  situação  formal para  transferência do ágio à  empresa operacional do  grupo.  Assim,  os  reais  adquirentes  promoveram  a  obtenção  de  vantagens  fiscais  pela  dedução da  amortização do  ágio,  reduzindo  a base de  cálculo  do  IRPJ  e  da  CSLL.   238. Se não houvesse essa passagem da reorganização societária, a Louis Dreyfus  Commoditeis  Brasil  e  a  Celosia  seriam  as  controladoras  da  Santelisa  Vale  e  da  Santelisa Vale Bioenergia, mas  o  ágio  ficaria  registrado  nas  suas  contabilidades,  sem  possibilidade  de  ser  aproveitado  na  configuração  atual  das  empresas.  Não  seria possível a dedução das despesas de amortização de ágio porque a  lei não o  permite.   239. A lei não permite, em vista de que o investimento não foi extinto pela simples  reorganização  societária  (permanecendo  nas  controladoras  da  LDC  Bioenergia,  atual Biosev), portanto, não se enquadrando na situação prevista nos artigos 7º e 8º,  da Lei 9.532/97.   Fl. 10213DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 85          84 240. A contribuinte estava perfeitamente consciente da falta de propósito negocial  ou societário na interposição da Ágatis, à luz do art. 966 do Código Civil, ficando  caracterizada a utilização dessa como mera “empresa veículo” para transferência  do  ágio  dos  reais  adquirentes,  apenas  com  o  fim  almejado  de  redução  do  valor  tributável pela amortização do ágio.   241.  A  Ágatis  em  seu  curto  período  ativo,  não  incorreu  em  custos,  despesas  ou  receitas, apresentando apenas a movimentação decorrente do pretenso investimento  na LDC Bioenergia, e seu ágio. Ou seja, a sociedade formalizada produziu apenas  documentos  (atas,  estatutos,  livros  contábeis,  entre  outros)  utilizados  para  movimentar contabilmente recursos de outras empresas do grupo LDC e da Canna  Investors.  A  situação  do  planejamento  tributário  em  questão  nesta  ação  fiscal,  a  aparência  de  legalidade  e  a  publicidade  dessa  aparente  legalidade  é  um  aspecto  imprescindível de toda a operação.   242. Como buscar guarida e enquadramento na legislação que lhe permitiria obter  a  redução  da  despesa  fiscal?  Com  certeza  não  seria  apenas  excluindo  um  valor  qualquer  que  lhe  aprouvesse  na  apuração das  bases  de  cálculo  dos  tributos,  sem  qualquer  justificativa.  É  imprescindível mascarar  a  origem  dessa  exclusão  com  a  aparência da legalidade e da normalidade. Essa é a única chance de que se obtenha  êxito no seu propósito: a redução dos tributos devidos.   243. Assim, através de um processo de reorganização societária, com várias etapas  artificiais,  apesar  de  formalmente  legais  quando  vistas  isoladamente,  procurou­se  esconder o objetivo de obter a redução dos tributos devidos, mesmo sabendo­se que  essa redução era ilegal. Admitir essa situação como válida seria admitir que a lei  permite a sua própria burla.   244. O dolo  tributário não é  caracterizado pelos meios utilizados para obter­se o  resultado  pretendido.  Fraude  fiscal  é  a  violação  à  norma  fiscal  pelo  contribuinte  com a finalidade de escapar do pagamento do imposto devido.   245.  O  fato  de  não  terem  sido  utilizados  documentos  falsos  ideologicamente  não  implica necessariamente na  inexistência da  intenção de  escapar ao pagamento de  tributos. A análise da sequência das operações, e seus resultados antes e depois de  sua  ocorrência  revelam  a  existência  de  um  plano,  de  um  artifício  criado  para  reduzir a carga tributária.   246.  Juridicamente,  pode­se  definir  simulação  como  a  aparência  de  um  negócio  jurídico contrário à realidade, destinado a provocar uma ilusão a terceiros, seja por  não  existir  negócio  de  fato,  seja  por  existir  um  negócio  diferente  daquele  que  se  aparenta.   247. Conforme  anteriormente  demonstrado,  a  conduta  ilícita  consistiu  na  criação  artificial da situação prevista nos arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97. Em outras palavras,  da  simulação  da  hipótese  legal  a  fim  de  ser  obtida  vantagem  fiscal.  Houve  a  interposição  de  uma  aparente  controladora  da  empresa  operacional,  seguido  de  uma  aparente  operação  de  incorporação.  Operações  aparentes,  porque  sem  substância econômica, por serem pura forma, sem materialidade.   248.  Ressalte­se  que  no  caso  da  aquisição  da  Santelisa  Vale,  o  contribuinte  não  escondeu os atos do Fisco. Se isto tivesse ocorrido estaríamos falando de sonegação  pura e simples, e não da fraude prevista no art. 72 da Lei 4.502/64.   A  autoridade  julgadora  de  1ª  instância  manteve  as  objeções  ao  laudo  apresentado,  bem  como  rejeitou  o  novo  laudo  apresentado  em  impugnação  porque  não  foi  Fl. 10214DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 86          85 dirigido  à  Ágatis,  mas  para  a  LDC  Bionergia  S.A,  mais  um  fator  a  demonstrar  a  falta  de  essência  empresarial  da  Ágatis.  Também  rejeitou  as  justificativas  apresentadas  pela  impugnante  para  interposição  da  "Ágatis",  asseverando  que  os  motivos  extratributários  alegados apenas reforçariam o entendimento de que, sem a sua utilização, não seria possível  compor a situação em que se deu a amortização do ágio. Ressaltou que mesmo uma "holding  pura" não prescinde de um conteúdo material mínimo,  à míngua do qual  resta  caracterizada  simulação,  rejeitou  os  demais  argumentos  da  impugnante  e  afirmou  presente  evidente  artificialismo  na  interposição  da  empresa  Ágatis,  como  veículo  do  ativo  usado  para  pagamento  da  transação  geradora  do  ágio,  mantendo  a  qualificação  da  penalidade  porque  presente o intuito doloso de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador  da  obrigação  tributária,  mediante  a  consecução  de  atos  de  reorganização  societária  sem  propósito negocial. Em consequência, rejeitou a arguição de decadência em face da necessária  aplicação, ao caso, do art. 173, I do CTN.   A recorrente descreve a grave crise financeira em que se encontrava o Grupo  Santa Elisa  em  2009,  a motivar  que os  próprios Bancos  credores,  liderados  pelo Bradesco,  fossem buscar possíveis compradores para a empresa, do que decorreu a aquisição em questão,  mediante  Contrato  de  Associação,  Subscrição  de  Ações  e  Outras  Avenças  firmado  em  14/4/2009 entre a LDC Brasil e LDC Bioenergia (nova denominação da Tavares de Melo), de  um  lado,  e  Santa  Elisa  Participações  S.A.  (“Santaelisa  Par”),  Santaelisa  Vale,  Santaelisa  Bioenergia,  Família  Biagi,  Família  Cícero  Junqueira  Franco  e  GS  Power  Holdings  LLC  (“GS”), de outro lado.  Relata  a  sequência  de  eventos  a  serem  realizadas  no  dia  do  fechamento,  previstas  no  contrato,  esclarecendo  que  o  Grupo  LDC,  juntamente  com  seu  sócio  (Grupo  Canna  Investors),  no  âmbito  do  Contrato  de  Associação,  Subscrição  de  Ações  e  Outras  Avenças, decidiu realizar a aquisição da participação societária por meio de uma empresa já  pertencente a ambos (Ágatis), e inclusive porque não havia certeza que parcela relevante dos  Bancos Credores aceitaria manter uma participação  final na Santaelisa Vale Bioenergia de  13,71%, impedindo que o "Grupo LDC" mantivesse o controle da "Santaelisa Vale". Discorre  sobre os procedimentos para contribuir a "LDC Bioenergia" em aumento de capital de Ágatis,  as  alterações  de  denominação  das  investidas  e  a  transferência  de  controle,  demonstrando  a  estrutura final da seguinte forma:    Ressalta que a  intervenção da "Ágatis" assegurou a participação de 62,99%  na  antiga  "Santaelisa  Vale",  bem  como  que  "LDC  Brasil"  e  "Celosia"  possuíam  acordo  de  acionistas,  de modo que  com muitos  sócios  novos  envolvidos,  não  havia  interesse  de  tornar  ainda mais complexa a relação entre todos os sócios. A celebração deste acordo de acionistas  exclusivo entre "LDC Brasil" e "Celosia" foi relatado em formulário de referência apresentado  Fl. 10215DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 87          86 à CVM (fls. 6.792 a 7.369) como sendo compatível com as disposições do acordo de acionistas  celebrado com os acionistas originais do Grupo Santaelisa Vale.  O exame do Contrato de Associação, Subscrição de Ações e Outras Avenças  (fls.  3138/3247),  porém,  permite  concluir  que  o  controle  da  adquirida  pelos Grupos  LDC  e  "Canna  Investors"  foi  assegurado  mediante  imputação  de  obrigações  às  partes  do  referido  contrato, especialmente com referência à fixação do preço de emissão das ações. Veja­se:  2.1. Associação. A Associação consiste na subscrição, pelo Veículo LDC, de novas  ações  ordinárias,  nominativas  e  sem  valor  nominal  do  capital  social  da  SEV  (as  "Ações LDC"),  para  integralização,  pelo Veículo LDC, mediante  a  conferência,  à  SEV,  em  dois  aumentos  de  capital  distintos  da  SEV,  conforme  descrito  nas  Cláusulas abaixo, da totalidade das ações de emissão da LDC BIO, exceto por uma  ação, que será transferida a título gratuito para a SEVBIO.  2.1.1. Primeiro Aumento de Capital. Até o 10º (décimo) Dia Útil contado do dia em  que  a  última  das  condições  precedentes  estabelecidas  no  Capítulo  VII  deste  Contrato de Associação for cumprida ou renunciada (exceto aquelas condições que,  por  sua  natureza,  quer  por  determinação  expressa,  devam  ser  cumpridas  no  Primeiro Fechamento,  e,  em  tal  caso,  sujeito ao  cumprimento ou  renúncia de  tais  condições)  ("Data  do  Primeiro  Fechamento"),  o  Veículo  LDC  subscreverá  um  aumento  de  capital  na  SEV  com  integralização  mediante  a  transferência  de  71.438.125  (setenta e um milhões, quatrocentos e  trinta e oito mil,  cento e vinte e  cinco) ações ordinárias, nominativas e sem valor nominal de emissão da LDC BIO,  representativas  de  80%  (oitenta  por  cento)  de  seu  capital  social.  Respeitado  o  disposto  na  Cláusula  2.1.5  abaixo,  o  número  de  novas  ações  ordinárias,  nominativas  e  sem  valor  nominal  a  serem  emitidas  pela  SEV,  no  âmbito  do  Primeiro  Aumento  de  Capital  ("Ações  Iniciais  LDC"),  bem  como  seu  preço  de  emissão,  serão  calculados  com  base  na  metodologia  descrita  no  Anexo  8  deste  Contrato de Associação ("Investimento Inicial LDC").  [...]  2.1.4. Segundo Aumento de Capital. Até o 10º (décimo) Dia Útil contado do dia em  que forem determinados os valores finais referidos na Cláusula 2.1.3 acima ("Data  do Segundo Fechamento"), o Veículo LDC subscreverá um aumento de capital na  SEV, com integralização mediante a conferência de 17.859.530 (dezessete milhões,  oitocentas  e  cinquenta  e  nove  mil,  quinhentas  e  trinta)  ações  ordinárias,  nominativas e sem valor nominal de emissão da LDC BIO, representativas de 20%  (vinte  por  cento)  de  seu  capital  social  ("Segundo  Aumento  de  Capital"  e  "Investimento  Complementar  LDC").  O  número  de  novas  ações  ordinárias  nominativas  e  sem  valor  nominal  a  serem  emitidas  pela  SEV  no  âmbito  de  tal  aumento  de  capital  ("Ações  Complementares  LDC"),  bem  como  seu  preço  de  emissão  serão  calculados  com  base  na  metodologia  descrita  no  Anexo  8  deste  Contrato de Associação, respeitado o disposto na Cláusula 2.1.5 abaixo. Também  na  Data  do  Segundo  Fechamento,  o  Veículo  LDC  transferirá  à  SEVBIO,  gratuitamente, uma ação ordinária de emissão da LDC BIO.  2.1.5. Limites de Participação Final Pro Forma. As Partes desde  logo concordam  que o preço de emissão das Ações Iniciais LDC e das Ações Complementares LDC  será fixado de forma que:  (a)  a  soma  das  Participações  Finais  Pro  Forma  da  Família  Biagi,  da  Família  Cícero  Junqueira  Franco,  da  SEPAR  e  da GS  não  seja,  em  qualquer  caso  e  por  qualquer razão,  inferior a 14,5% (quatorze inteiros e cinco décimos por cento) do  Fl. 10216DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 88          87 capital  social  total  e  votante  da  SEV  ("Limite  de  Participação  dos  Acionistas  Iniciais"); e  (b) a Participação Final Pro Forma do Veículo LDC não seja, em qualquer caso e  por  qualquer  razão,  inferior  a  50%  (cinquenta  por  cento)  mais  uma  ação  do  capital social total e votante da SEV ("Limite de Participação do Veículo LDC").  [...]  2.2.4. Legenda Ações SEV. Simultaneamente à subscrição das Ações Iniciais LDC e  a celebração do Acordo de Acionistas SEV, a SEV deverá averbar no seu Livro de  Registro de Ações Nominativas a vinculação de tais ações ao Acordo de Acionista  SEV. A legenda a ser inserida, para os fins da averbação prevista no artigo 118 da  Lei das Sociedades por Ações, terá a seguinte redação:  "AS  AÇÕES  DE  TITULARIDADE  DA  [  .  ]  ESTÃO  SUJEITAS  AOS  TERMOS  E  CONDIÇÕES DO ACORDO DE ACIONISTAS CELEBRADOS EM [DATA], CÓPIA  DO QUAL SE ENCONTRA ARQUIVADA NA SEDE DA COMPANHIA. NÃO SERÁ  REALIZADA OU REGISTRADA NENHUMA TRANSFERÊNCIA DESTAS AÇÕES  NOS  LIVROS  DA  COMPANHIA,  SALVO  SE  ACOMPANHADA  DE  PROVA  DE  CUMPRIMENTO  DOS  TERMOS  DO  REFERIDO  ACORDO  DE  ACIONISTAS.  TRANSAÇÕES  CELEBRADAS  PELA  COMPANHIA  OU  ACIONISTAS  EM  INFRAÇÃO AO ACORDO DE ACIONISTAS SERÃO NULAS E SEM EFEITO".  [...]  8.2.  Observadores  da  Transição.  Para  fins  de  acompanhamento  da  gestão  e  das  atividades  da  LDC  BIO,  da  SEV,  da  SEVBIO  e  suas  Subsidiárias,  a  partir  da  presente data até a Data do Fechamento:   (a) a LDC Brasil terá o direito de manter até 6 (seis) observadores permanentes na  SEV, na SEVBIO e em suas Subsidiárias (“Observadores da Transição”), para o  fim de acompanhar quaisquer operações e procedimentos das referidas empresas  que  envolvam:  (i)  suprimentos  e  compras  de materiais  e  serviços;  (ii)  atividades  agrícolas, incluindo a aquisição de cana­de­açúcar, contratos de parceria agrícola,  arrendamento  rural  e  prestação  de  serviços  por  terceiros;  (iii)  pagamentos,  recebimentos e tesouraria em geral; (iv) contabilidade, controladoria, informática e  tecnologia da informação; e (v) departamento comercial e de logística (...), limitado  a um observador por cada uma das áreas acima; e (b) a LDC Brasil terá a opção de  iniciar  um  projeto  de  integração  com  o  objetivo  de  identificar  sinergias  operacionais  e  preparar  a  transição  nomeando para  tanto  uma  equipe  de  projeto  que  deverá  receber  o  apoio  e  contribuição  dos  Diretores  da  SEV  desde  que  tal  contribuição  não  exceda  a  2  (duas)  horas  diárias  de  dedicação  por  Diretor.  A  empresa de consultoria especializada que conduzirá tal projeto será escolhida pela  LDC Brasil e pelas Famílias SEV de comum acordo.   8.3.2.  Procedimento  para  Aprovação  de  Determinadas  Matérias. Caso  o  Diretor  Presidente  da  SEV  tenha  intenção  de  praticar  qualquer  dos  atos  descritos  nos  Anexos  8.3(e)  deste  instrumento  ele  deverá  encaminhar  um  e­mail  para  o  Sr.  Bruno Melcher (...), descrevendo o ato e justificando a necessidade de praticá­lo.  Se o representante da LDC Brasil receber o e­mail mencionado acima até as 9:00h  de  um  dia,  ele  deverá  responder  ao Diretor Presidente  da  SEV  até  as  12:00h  do  mesmo  dia.  Se  o  referido  e­mail  for  recebido  pelo  representante  da  LDC  Brasil  entre as 9:01h e 14:00h de um dia, ele deverá responder ao Diretor Presidente da  SEV  até  às  17:00h  do mesmo  dia. Caso  o  representante  da  LDC Brasil  receba  o  referido e­mail após às 14:01h, ele deverá responder até às 12:00h do dia seguinte  Fl. 10217DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 89          88 ao  recebimento.  Caso  o  representante  da  LDC  Brasil  não  responda  ao  e­mail  encaminhado  pelo Diretor  Presidente  da  SEV  dentro  dos  prazos  descritos  acima,  considerar­se­á  que  a  LDC  Brasil  se  absteve  de  opinar  sobre  o  ato  descrito  no  Anexo  8.3(e)  deste  instrumento  submetido  à  aprovação  no  e­mail  em  questão  e  a  administração da SEV estará automaticamente autorizada a praticá­lo.   [...] (negrejou­se)  Estes  aspectos  não  escaparam  à  autoridade  fiscal  que,  além  de  destacar  o  controle  exercido  por  "LDC  Brasil"  desde  a  assinatura  do  Contrato  de  Associação,  assim  consignou no Termo de Verificação Fiscal:  34.  A  primeira  AGE  prevista  no  Contrato  de  Associação  foi  realizada  em  26/10/2009, às 9h00, sendo a AGE da Santelisa Vale S/A, CNPJ 50.402.445/0001­ 76  (doc.  41).  Conforme  a  Ata  dessa  AGE,  foi  decidido  a  criação  de  ações  preferenciais classe A e classe B, o aumento do capital social de R$ 842.303.148,90  para R$ 853.975.344,90, um aumento de R$ 11.672.196,00 mediante a emissão de  1.167.219.580  novas  ações  ordinárias,  subscritas  e  integralizadas  pelo  preço  de  emissão  total  de  R$  400.000.000,00,  ou  seja,  R$  0,34269473114047  por  ação,  fixado com base na perspectiva de rentabilidade futura.   35. De acordo com a fiscalizada, o preço por ação foi calculado do seguinte modo  (doc. 79):   Valor da Empresa: R$ 780.136.442   Quantidade de ações: 2.276.476.326 ações   Preço de emissão das ações: R$ 0,34269473114047 por ação   Quantidade das novas ações ordinárias: 1.167.219.580 ações   Preço de emissão das novas ações ordinárias: R$ 400.000.000   36.  No  entanto,  o  fiscalizado  não  conseguiu  comprovar  o  valor  da  empresa  adotado  no  cálculo  acima,  o  que  parece  indicar  que  o  valor  da  empresa  foi  adotado para chegar ao número de ações que interessava para atender à condição  prevista na clausula 2.1.5 do Contrato de Associação. Quando questionado sobre o  valor da empresa, pelo Termo de Intimação Fiscal nº 08 (doc. 98), apresentou um  Laudo  de  Avaliação  da  Santelisa  Vale  para  a  data­base  de  31/12/2008,  que  considerou o valor de mercado da empresa, nessa data, em R$ 621 milhões  (doc.  108).  37. Do preço de emissão de cada ação ordinária, R$ 0,01 foi destinado ao aumento  de capital social e os restantes R$ 0,33269473114047 foram destinados a Reserva  de  Capital.  As  novas  ações  foram  colocadas  para  subscrição  particular  pelas  sociedades NL  Participations Holdings  4 BV  e NL Participations Holdings  2 BV,  que  as  integralizaram  em moeda  corrente  nacional,  de  acordo  com  o  boletim  de  subscrição.   38.  As  duas  empresas  investidoras  desse  aumento  de  capital,  NL  Participations  Holdings  4  BV  e  NL  Participations  Holdings  2  BV,  são  empresas  sediadas  no  exterior e integrantes do grupo Louis Dreyfus, usadas como veículo para o aporte  de capital em lugar da LDC Brasil S/A, como citado no Contrato de Associação. Os  representantes das duas empresas nesse ato eram diretores do grupo Louis Dreyfus  Commodities: Bruno Melcher  (diretor da LDC Bioenergia e da Ágatis) e Marcelo  M. Bacci (diretor da LDC Brasil e da Ágatis).   [...]  Fl. 10218DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 90          89 39.  A  segunda  AGE  prevista  no  Contrato  de  Associação  foi  realizada  em  26/10/2009, às 10h00. Conforme a Ata da AGE da Santelisa Vale Bioenergia S/A,  CNPJ 49.213.747/0118­28, de 26/10/2009, 10h00 (doc. 45), a primeira decisão foi  alterar a denominação social da empresa para LDC­SEV Bioenergia S/A.   40.  Em  seguida,  foi  aprovado  o  aumento  do  capital  social  de  R$  383.105.919,94  para R$ 637.382.401,94, com um aumento efetivo de R$ 254.276.482,00, mediante a  emissão  de  3.568.792.749  novas  ações  ordinárias  e  4.907.089.989  novas  ações  preferenciais, subscritas e integralizadas nas seguintes condições: as 3.568.792.749  novas ações ordinárias tiveram o preço de emissão total de R$ 400.000.000,00, ou  seja,  R$  0,11208272138869  por  ação,  valor  fixado  com  base  na  perspectiva  de  rentabilidade  futura  nos  termos  do  art.  170,  §  1º,  da  Lei  6.404/76.  Do  preço  de  emissão,  R$  0,03  foi  destinado  ao  aumento  de  capital  social  e  o  restante  R$  0,08208272138869 foi destinado a Reserva de Capital, como previsto no art. 182, §  1º,  alínea  a,  da  Lei  6.404/76,  para  futura  destinação.  As  ações  ordinárias  foram  subscritas pela Santelisa Vale S/A e integralizadas em moeda corrente.   41. As 4.907.089.989 novas ações preferenciais tiveram o preço de emissão total de  R$ 550.000.000,00, ou seja, R$ 0,11208272138869 por ação, valor fixado com base  na perspectiva de rentabilidade futura, nos termos do art. 170, § 1º, da Lei 6.404/76.  Do preço de emissão, R$ 0,03 também foi destinado ao aumento de capital social e  o restante R$ 0,08208272138869 destinado a Reserva de Capital, como previsto no  art.  182,  §  1º,  alínea  a,  da  Lei  6.404/76,  para  futura  destinação.  As  novas  ações  preferenciais  foram  colocadas  para  subscrição  particular  pelos  principais  bancos  credores  da  empresa,  as  sociedades  Banco  Bradesco  S/A  (2.129.741.374  ações),  Banco  Itaú  BBA  S/A  (648.563.217  ações),  Banco  Santander  (Brasil)  S/A  (999.137.928  ações),  Banco  Votorantim  S/A  (1.042.959.767  ações)  e  HSBC  Bank  Brasil S/A – Banco Múltiplo (86.687.703 ações) e foram integralizadas mediante a  capitalização dos créditos detidos contra a companhia.   42. De acordo com a fiscalizada, o preço por ação foi calculado do seguinte modo  (doc. 79):   Valor da Empresa: R$ 655.164.599   Quantidade de ações: 5.845.366.623 ações   Preço de emissão das ações: R$ 0,11208272138869 por ação   Quantidade das novas ações ordinárias: 3.568.792.719 ações   Preço de emissão das novas ações ordinárias: R$ 400.000.000   Quantidade das novas ações preferenciais: 4.907.089.989 ações   Preço de emissão das novas ações preferenciais: R$ 550.000.000   43. No  entanto, aqui  também o  fiscalizado não  conseguiu  comprovar  o  valor da  empresa adotado no cálculo acima, o que novamente parece indicar que o valor da  empresa  foi  adotado  para  chegar  ao  número  de  ações  que  interessava  para  atender  à  condição  prevista  na  clausula  2.1.5  do  Contrato  de  Associação.  A  resposta  ao  questionamento  sobre  o  valor  da  empresa,  pelo  Termo  de  Intimação  Fiscal nº 08 (doc. 98),  foi a mesma da Santelisa Vale. No Laudo de Avaliação da  Santelisa  Vale  para  a  data­base  de  31/12/2008,  consta  a  avaliação  da  Santelisa  Vale  Bioenergia,  principal  ativo  da  SEV.  Nesse  laudo,  o  valor  de  mercado  da  Santelisa Vale Bioenergia, nessa data, era de R$ 550 milhões (doc. 108). (negrejou­ se)  Quanto  à  complexidade que  seria  carregada  para  o Contrato  de Associação  sem a intervenção da "Ágatis", alegada em razão do acordo de acionistas firmado entre "LDC  Brasil" e "Celosia", basta observar que consequências semelhantes não impediram a inclusão,  Fl. 10219DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 91          90 no Contrato de Associação, de outros dois investidores do Grupo LDC, em parcial substituição  à  "Ágatis",  consoante  evidenciado  na  consolidação  do  acordo  após  o  segundo  aditamento  promovido pelas partes (fls. 3402/3575):  2.1.  Associação.  A  Associação  consiste  na  subscrição  de  novas Ações Ordinárias  SEV ("Aumento de Capital SEV"), para integralização:   (a) pelo Veículo LDC, mediante a conferência, pelo Veículo LDC à SEV, conforme  descrito  nas Cláusulas  abaixo,  da  totalidade  das  ações  de  emissão  da  LDC BIO,  exceto por uma ação, que será transferida a título gratuito para a SEVBIO; e  (b)  pela  LDC  BRASIL,  ou,  a  critério  da  LDC  BRASIL,  por  pelo  menos  dois  investidores  (doravante  o  "Investidor  A  e  o  Investidor  B")  que  venham  a  ser  indicados às demais Partes, por escrito, pela LDC BRASIL pelo menos 5 (cinco)  Dias  Úteis  da  Data  do  Fechamento  e  que  vierem  a  aderir  a  este  Contrato  de  Associação Consolidado nos termos da Cláusula 2.1.3 (a LDC Brasil, o Investidor  A  e/ou  o  Investidor B  e/ou  qualquer  outro  investidor  indicado  pela  LDC BRASIL  para os fins de subscrição e integralização previstos nesta alínea "b" são doravante  designados  indistintamente,  "Investidores")  em  dinheiro,  no  valor  de  R$  400.000.000,00  (quatrocentos  milhões  de  reais),  por  meio  de  Transferência  Eletrônica  Disponível  ("TED")  ou  transferência  internacional  de  recursos  imediatamente  disponíveis  para  a  conta  corrente  nº  15947­6,  mantida  pela  SEV  junto  à  agência  nº  2042­7  do  Banco  Bradesco.  Fica  desde  já  acordado  que  os  Investidores poderão ser Afiliadas da LDC Brasil. (negrejou­se)  Estipuladas  as  parcelas  do  aumento  de  capital  que  seriam  subscritas  por  "Ágatis" e pelos investidores (ao final indicados como NL Participations Holdings 4 BV e NL  Participations Holdings 2 BV), as partes acordaram que os "investidores" deteriam 10,67% do  capital e "Ágatis" ("Veículo LDC") 68,53%, percentuais suficientes para que, após a conversão  dos  principais  credores,  fosse  assegurado  o  controle  do  Grupo  LDC,  como  também  consolidado no segundo aditamento ao Contrato de Associação:  2.1.2.1.  Participações  Econômicas  na  SEV  Pós­Aumento  de  Capital  SEV  e  Conversão dos Principais Credores. Após o Aumento de Capital SEV e a Conversão  dos  Principais  Credores,  a  participação  econômica  na  SEV/SEVBIO  será  a  seguinte:  Nome  Participação (%)  Investidores  9,3014  Veículo LDC  59,7683  [...]  [...]  Total  100%  [...]  Como se vê, o primeiro aumento de capital subscrito pelas partes associadas  ao  Grupo  LDC  foi  estipulado  para  que  este  detivesse  participações  na  adquirida,  as  quais,  juntamente  com  o  compromisso  de  alienação  das  participações  detidas  pelas  partes  que  figuraram no Contrato de Associação, lhe assegurariam o controle da adquirida ainda que todos  os principais credores convertessem seus direitos em participação societária na adquirida. Para  além disso,  a  inclusão  dos  demais  investidores  associados  ao Grupo LDC deixa patente  que  "LDC Brasil"  e  "Celosia"  poderiam  figurar  como  adquirentes  sem  o  acréscimo  de  qualquer  complexidade à contratação, restando injustificada a interposição de "Ágatis" nesta aquisição.  Fl. 10220DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 92          91 A  recorrente  associa  a  incorporação  da  LDC­SEV  (nova  denominação  da  Santaelisa  Vale)  pela  LDC  Bioenergia  às  finalidades  de:  (a)  simplificar  a  estrutura  empresarial do Grupo LDC; (b) integrar as unidades administrativas, comerciais e financeiras  reduzindo  os  custos  operacionais  e  administrativos  em  prol  da  eficiência  e  racionalização  econômica;  (c)  otimizar  o  acesso  a  capitais;  (d)  alinhar  os  interesses  dos  acionistas  da  Incorporada  para  participarem  diretamente  do  capital  social  da  sociedade  produtora  de  açúcar,  etanol  e  energia  elétrica,  em  31.3.2010  a  LDC  Bioenergia  incorporou  a  LDC­SEV  (nova  denominação  da  Santaelisa  Vale),  conforme  a  ata  da  AGE  da  LDC  Bioenergia  (fls.  6.087 a 6.158). Na sequência,  descreve  a  reestruturação  societária no Grupo LDC e Canna  Investors em razão da qual os controladores da Ágatis passaram a ser a Canna Investors LLP  (controladora da Celosia) e a Sugar Holdings BV (empresa do Grupo LDC que havia recebido  as ações da Pekan da LDC BV. Por fim, associa a incorporação da Ágatis pela LDC Bionergia  à continuidade da  integração operacional buscada, destacando que  já havia se passado mais  de  um  ano  desde  a  associação  original,  não  havendo  mais  incertezas  relevantes  quanto  a  eventuais ajustes que ainda seriam necessários entre as partes, bem como que, diante desse  cenário de menor incerteza, mesmo com a incorporação da Ágatis, havia segurança de que o  Grupo LDC manteria sempre pelo menos 50% mais uma ação ordinária da LDC­SEV, o que  lhe  assegurava  o  controle  da  sociedade,  o  que  evidenciaria  a  importância  e  a  necessidade  empresarial (e não meramente tributária) da existência da Ágatis.   Observa  que  esta  reestrutura  estava  prevista  no  Contrato  de  Associação,  Subscrição de Ações e Outras Avenças (cláusula 4.2.1) facultando aos acionistas da Ágatis se  tornarem acionistas da  incorporadora, que  viria a abrir  seu  capital  na Bolsa de Valores de  São Paulo logo em seguida. Assim demonstra a estrutura empresarial ao final das operações:    A autoridade  lançadora, porém,  tece severas críticas às citadas  justificativas  de simplificação e integração das unidades do Grupo ao expor na integralidade a forma como  se deu a intervenção de "Ágatis" na operação em debate:  99. A Ágatis era uma empresa inativa, criada em 30/06/2008 com o capital social de  R$  10.000,00  pela  LDC  Bioenergia,  com  R$  9.900,00,  e  pela  Louis  Dreyfus  Commodities  Brasil  S/A,  com  R$  100,00  de  participação,  que  nunca  teve  Fl. 10221DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 93          92 funcionários, nem apresentou custos, despesas ou receitas, como pode ser visto na  sua DIPJ 2010, ano­calendário 2009 (doc. F11). Nessa DIPJ apresenta apenas no  mês  de  dezembro  de  2009  resultados  de  participação  societária  decorrentes  da  operação em análise nesta fiscalização.   100. Apenas após ser celebrado o Contrato de Associação com o grupo Santa Elisa  em  abril  de  2009  é  que  a  Ágatis  foi  colocada  como  controlada  única  da  Louis  Dreyfus  Commodities  Brasil  S/A,  empresa  holding  do  grupo  Louis  Dreyfus  no  Brasil, em 20/06/2009.   101. Depois a Ágatis foi usada para receber o controle da própria LDC Bioenergia,  na data da operação de aquisição do controle da Santelisa Vale, conforme a Ata da  AGE da Ágatis Investimentos e Participações S/A (doc. 32).   [...]  102. Essa inversão de posição, passando a Ágatis de controlada para controladora  da  LDC  Bioenergia  permitiu  que  o  ágio  fosse  formalmente  registrado  na  Ágatis  para  fins  fiscais.  Com  a  incorporação  pela  LDC  Bioenergia,  o  ágio  poderia  ser  amortizado  e  aproveitado.  Assim,  a  Ágatis  foi  utilizada,  dentro  dos  grupos  Louis  Dreyfus  e  Canna  Investors,  como  veículo  do  ativo  para  a  aquisição  da  Santelisa  Vale e veículo do ágio para fins fiscais.   103.  A  justificativa  apresentada  no  Protocolo  e  Justificativa  de  Incorporação  da  Ágatis pela LDC Bioenergia (docs. 33 e 34) para essa incorporação, aprovada em  AGEs de 30/12/2010, foi a de que essa incorporação estaria inserida no contexto de  reorganização  societária  mencionada  no  Acordo  de  Acionistas  celebrado  em  26/10/2009.  A  clausula  4.2.1  desse  acordo  de  acionistas  faz  referência  à  reorganização  societária  por  meio  da  qual  a  Ágatis  seria  incorporada  pela  LDC  Bioenergia, de modo que os acionistas da incorporada passem a deter participação  direta  na  incorporadora.  A  incorporação  visa  à  simplificação  da  estrutura  acionária  da  incorporadora  e  à  sua  preparação  para  os  planos  futuros  de  crescimento.   104. Ainda segundo o Protocolo, a operação resultará nos seguintes benefícios:   “a) simplificação da estrutura societária da incorporadora, propiciando condições mais  adequadas para atingimento dos seus planos de expansão futuros;   b) otimização do acesso a capitais; e   c)  alinhamento  dos  interesses  dos  acionistas  indiretos  da  incorporada,  que  após  a  conclusão  da  incorporação,  passarão  a  participar  diretamente  do  capital  social  da  incorporadora”.   105. Com a incorporação, os controladores indiretos da LDC Bioenergia realmente  passaram a ter participação direta na LDC Bioenergia:   [...]  106. Ocorre que esses controladores já controlavam diretamente a LDC Bioenergia  desde antes do início deste processo:   [...]  107. Tal situação  leva necessariamente a uma dúvida:  se é  tão  importante que os  acionistas da incorporada passem a deter participação direta na incorporadora e se  é  tão  importante  a  simplificação  da  estrutura  acionária  da  incorporadora,  quais  Fl. 10222DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 94          93 seriam  os  motivos  que  levaram  esses  mesmos  acionistas  a  fazer  uma  estrutura  acionária  mais  complexa,  participando  indiretamente  na  LDC  Bioenergia,  e  principalmente,  quais  os motivos  para  essa  estrutura mais  complexa  ser  utilizada  apenas durante o período em que o controle da Santelisa Vale e da Santelisa Vale  Bioenergia foi adquirido?   108. A resposta apresentada não esclareceu muito (doc. 81):   “A  Fiscalizada  esclarece  que  a  Ágatis  não  é  uma  empresa  interposta.  Ao  tempo  da  transação,  a  LDC Bioenergia  S/A  era  detida  pela  Louis Dreyfus  Commodities  Brasil  S/A  (84,7%) e pela Celosia Holdings S/A  (15,3%). Assim,  como  a  associação  com o  Grupo Santa Elisa dependia da contribuição da totalidade do capital da LDC Bioenergia  em  aumento  de  capital  da  Santelisa  Vale  S/A,  a  Ágatis  foi  a  empresa  que  passou  a  concentrar  100%  da  participação  na  LDC  Bioenergia,  consolidando  os  interesses  do  Grupo Louis Dryfus e da Celosia, de forma a tornar possível a associação com o Grupo  Santa Elisa”.   109. É de se estranhar que seja necessária uma outra empresa para consolidar os  interesses  do  Grupo  Louis  Dryfus  e  do  Grupo  Canna  Investors,  afinal,  esses  interesses  já  estavam  consolidados  na  própria  LDC Bioenergia. O  fiscalizado  foi  solicitado a esclarecer por que a Louis Dreyfus Commodities Brasil S/A e a Celosia  Holdings  S/A  não  fizeram  a  contribuição  da  totalidade  das  suas  participações  acionárias  no  capital  da  LDC  Bioenergia  diretamente  em  aumento  de  capital  da  Santelisa Vale S/A.   110. Entretanto, parece que o sujeito passivo não consegue ou não pode esclarecer  essas  dúvidas.  Na  nova  resposta  limitou­se  a  praticamente  repetir  a  mesma  resposta, apenas acrescentando (doc. 87):    “A  concentração  do  investimento  na  Ágatis  era  a  estrutura  mais  eficiente  para  a  negociação da transação com o Grupo Santa Elisa”.   111. Ainda apresentou outra resposta, repetindo a alegação (doc. 97):   “Tal como esclarecido pela fiscalizada em suas respostas anteriores, a concentração do  investimento  na  Ágatis  era  a  estrutura  mais  eficiente  do  ponto  de  vista  negocial  da  transação, na medida em que a Ágatis passou a consolidar os interesses da Celosia e do  Grupo Louis Dreyfus Commodities para fins de associação como o Grupo Santa Elisa”.   112. Apesar de ser uma estrutura mais eficiente, não foi apresentado um só dado a  demonstrar  esse  fato  ou  uma  única  situação  que  mostre  essa  eficiência.  Os  interesses da Celosia e do Grupo LDC já estavam consolidados na LDC Bioenergia,  passaram  a  ser  consolidados  na  Ágatis  e  depois  voltaram  a  ser  consolidados  na  LDC Bioenergia, sem que houvesse nenhuma outra empresa ou recurso colocado na  Ágatis, além da LDC Bioenergia, para ser consolidado.   113. Porém,  é possível  inferir em que a “concentração do  investimento na Ágatis  era  a  estrutura mais  eficiente”. Após a  incorporação da Ágatis  em 31/12/2010,  a  LDC Bioenergia passa a amortizar tributariamente o ágio decorrente da aquisição  da  Santelisa  Vale.  Para  essa  amortização,  sim,  era  uma  estrutura mais  eficiente.  Essa  estrutura  permitiria  que  o  ágio  transitasse  por  uma  empresa  veículo  temporária e que poderia ser incorporada pela empresa operacional, atendendo, na  visão do grupo Louis Dreyfus, às condições do art. 386 do RIR/99, e sem precisar  incorporar a real adquirente ou a empresa operacional adquirida.   114. É preciso ressaltar a função primordial da empresa veículo Ágatis neste caso  concreto.  Sem  a  empresa  veículo  o  ágio  ficaria  registrado  nos  controladores  da  LDC Bioenergia, o grupo Louis Dreyfus Commodities e o grupo Canna  Investors,  Fl. 10223DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 95          94 sem  haver  a  possibilidade  de  sua  amortização  tributária,  a  menos  que  o  investimento  fosse  vendido  ou  formasse  uma  única  entidade  com  os  reais  controladores.   115. No  caso  do  grupo Canna  Investors  poderia  haver  a  alegação de  que  o  ágio  estaria registrado então na Celosia e que como esta foi incorporada pela Ágatis e,  posteriormente,  pela  LDC  Bioenergia,  a  sua  parcela  do  ágio  poderia  ser  amortizável. Ocorre que a Celosia era o único investimento da Canna Investors, e a  própria  Celosia,  como  já  descrito,  era  uma  empresa  sem  qualquer  atividade  empresarial,  sem  receitas  ou  despesas.  Portanto,  a  real  investidora  da  LDC  Bioenergia  era  a  Canna  Investors,  que  forneceu  os  recursos  para  a  Celosia  em  aumento de capital, conforme se pode ver nas Fichas Cadastrais da Jucesp (docs.  F18  e F19),  para  que  pudesse  realizar  esse  investimento,  e  que  permanece  ativa.  Não  só permanece ativa,  como passou  a  ser  acionista  direta  da LDC Bioenergia,  atual  Biosev,  com  as  alterações  societárias  efetuadas  em  30/12/2010  (doc.  F20,  ficha 60), e da qual permanece acionista (doc. F21).   116. Se não fosse a possibilidade de aproveitar fiscalmente a amortização de ágio, o  fato de a estrutura ser mais complexa e com empresas holdings intermediárias não  parece ser problema algum para o grupo Louis Dreyfus Commodities. Veja­se, por  exemplo,  a  estrutura  organizacional  do  fiscalizado  em  2013,  apresentada  em  23/07/2015 (doc. 83):   [...]  117.  Essa  estrutura  tem  4  empresas  holdings  em  sequência  denominadas  Louis  Dreyfus  Holding.  A  primeira  a  Louis  Dreyfus  Holding  BV  e  na  sequência  Louis  Dreyfus  Commodities  and  Energy  Holdings  BV,  Louis  Dreyfus  Commodities  Holdings  BV  e  Louis  Dreyfus  Commodities  Netherlands  Holding  BV,  uma  controlando a outra com 100%, com a última controlando a Sugar Holdings BV. A  Sugar Holdings está no lugar da LDC Brasil como controladora da Biosev, além de  controlar  as  empresas  NL  Participations  Holdings  3  BV  NL,  que  controla  a  Participations Holdings 4 BV, e a NL Participations Holdings 1 BV, que controla a  NL Participations Holdings 2 BV.   118.  Com  uma  estrutura  dessas,  não  deixa  de  ser  irônica  a  justificativa  das  incorporações  da  Ágatis,  da  Celosia  e  da  Santelisa  Vale,  de  simplificação  da  estrutura, redução de custos operacionais e eliminação de holdings intermediárias.   Não há dúvidas,  neste contexto,  que "Ágatis"  foi  interposta na operação de  aquisição de "Santaelisa Vale" apenas para permitir a incorporação e a pretendida amortização  fiscal  do  ágio  pago.  Imprópria  a  alegação  da  recorrente  de  que  a  Fiscalização  deixou  de  examinar os atos praticados pelo Grupo Econômico e deturpou as reais circunstâncias fáticas  e  negociais  envolvidas  nos  eventos  descritos  acima,  na  tentativa  de  construir  um  cenário  fantasioso em que todas as operações foram realizadas unicamente com o objetivo de deduzir  as  despesas  de  ágio  das  bases  de  cálculo  do  IRPJ  e  da  CSL.  A  autoridade  fiscal  analisou  detalhadamente  todos  os  passos  da  operação  de  aquisição  em  questão,  e  antecipadamente  infirmou  as  justificativas  que  a  interessada  deduz  em  sua  defesa  para  afastar  as  glosas  promovidas.  Sob  esta  ótica,  afastados  os  ditos  verdadeiros propósitos  negociais  perde  o  objeto a discussão da recorrente acerca da possibilidade jurídica de utilização de holding pura  em  estruturas  lícitas  dotadas  de  propósito  negocial.  Irrelevante,  também,  se  o  conceito  de  empresa­veículo,  além  de  não  estar  previsto  em  lei,  trata­se  de  uma  importação  da  teoria  Fl. 10224DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 96          95 americana do business purpose que não se adere ao regime tributário nacional, na medida em  que  deixa  de  ter  qualquer  importância  o  rótulo  atribuído  à  "Ágatis"  se  regularmente  demonstrada a inexistência de qualquer substância que lhe possa ser atribuída, para além de sua  utilidade para fins de aproveitamento fiscal do ágio. Não há dúvida que o contribuinte tem o  direito de escolher, dentre as alternativas  legais válidas e  legítimas, aquela que apresenta o  menor ônus tributário para alcançar o mesmo objetivo,  todavia, a legislação civil e tributária  nega efeitos a atos simulados, como bem expôs a autoridade fiscal, ao limitar a vantagem fiscal  aos casos reais, afastando­a nos casos em que a atuação do sujeito passivo acaba por mascarar  a  origem  dessa  exclusão  com  a  aparência  da  legalidade  e  da  normalidade,  mediante  a  estruturação de um plano, de um artifício criado para reduzir a carga tributária, característico  de  simulação,  concebida  como  a  aparência  de  um  negócio  jurídico  contrário  à  realidade,  destinado  a  provocar  uma  ilusão  a  terceiros,  seja  por  não  existir  negócio  de  fato,  seja  por  existir um negócio diferente daquele que se aparenta.  Confirma­se, portanto, não ser possível à empresa invocar desconhecimento,  prática  de  erro  escusável,  ou  divergência  de  interpretação  da  legislação.  Na  presença  de  operações  aparentes,  porque  sem  substância  econômica,  por  serem  pura  forma,  sem  materialidade,  resta  caracterizada  a  fraude  prevista  no  art.  72  da  Lei  4.502/64,  motivação  válida para aplicação da penalidade prevista no art. 44, §1º da Lei nº 9.430/96.  Esclareça­se  que,  mesmo  se  não  restasse  caracterizada  a  simulação  e,  por  consequência,  a  fraude  em  razão  da  interposição  de  "Ágatis",  ainda  assim  seria  possível  a  desconsideração  de  operação  sem  substância  econômica,  mediante  aplicação  do  art.  116,  parágrafo  único  do  CTN,  consoante  entendimento  expresso  pela  1ª  Turma  da  CSRF,  e  claramente exposto na ementa do Acórdão nº 9101­003.447:  NORMA GERAL ANTIELISIVA. EFICÁCIA.  Perfeita a decisão recorrida, ao discorrer que o art. 116, parágrafo único, do CTN  requer,  com  vistas  a  sua  plena  eficácia,  que  lei  ordinária  estabeleça  os  procedimentos a serem observados pelas autoridades tributárias dos diversos entes  da  federação  ao  desconsiderarem  atos  ou  negócios  jurídicos  abusivamente  praticados  pelos  sujeitos  passivos.  Na  esfera  federal,  há  na  doutrina  nacional  aqueles  que  afirmam  ser  ineficaz  a  referida  norma  geral  antielisiva,  sob  o  argumento de que a lei ordinária regulamentadora ainda não foi trazida ao mundo  jurídico. Por outro lado, há aqueles que afirmam ser plenamente eficaz a referida  norma, sob o argumento de que o Decreto nº 70.235/72, que foi recepcionado pela  Constituição de 1988 com força de lei ordinária, regulamenta o procedimento fiscal.  Dentre as duas interpretações juridicamente possíveis deve ser adotada aquela que  afirma a  eficácia  imediata da norma geral antielisiva,  pois esta  interpretação é a  que melhor se harmoniza com a nova ordem constitucional, em especial com o dever  fundamental de pagar tributos, com o princípio da capacidade contributiva e com o  valor de repúdio a praticas abusivas. No mesmo sentido, precedente na 1ª Turma da  CSRF, Ac. 9101­002.953.  Referida  decisão  está  pautada  nas  razões  do  voto  da  Conselheira  Cristiane  Silva Costa, assim expressas no Acórdão nº 9101­002.953:  O Código Tributário Nacional, em sua redação original, previa a possibilidade de  revisão de ofício do lançamento tributário na hipótese de simulação:  Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos  seguintes casos: (...)  Fl. 10225DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 97          96 VII ­ quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu  com dolo, fraude ou simulação (...)  Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o  direito da Fazenda Pública.  A  Lei  Complementar  nº  104/2001  incluiu  o  parágrafo  único  ao  artigo  116,  para  assim dispor:  Art. 116. (...)  Parágrafo  único.  A  autoridade  administrativa  poderá  desconsiderar  atos  ou  negócios  jurídicos  praticados  com  a  finalidade  de  dissimular  a  ocorrência  do  fato  gerador  do  tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os  procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária.  Desde  sua  edição,  a  doutrina  se  divide  para  tratar  da  norma  do  artigo  116,  parágrafo único, como eficaz, ou não.  Paulo  Ayres  Barreto  entende  que  a  norma  ainda  seria  ineficaz:  "Enquanto  lei  ordinária não disciplinar o procedimento de desconsideração dos negócios jurídicos  realizados  com  a  finalidade  de  dissimular  a  ocorrência  do  fato  gerador,  será  inaplicável o parágrafo único do art. 116 do CTN. Há ineficácia técnica, de natureza  sintática."  (Planejamento  Tributário  Limites  Normativos,  1ª  edição,  São  Paulo,  Noeses, 2016, p. 256)  De  outro  lado,  como  pondera  Regina  Helena  Costa,  atual  Ministra  do  Superior  Tribunal de Justiça, "o direito positivo já autorizava a desconsideração de negócios  jurídicos dissimulados, à vista do disposto no art. 149, VII, CTN, que estabelece que  o  lançamento  deva  ser  procedido  de  ofício  na  hipótese  de  o  sujeito  passivo,  ou  terceiro em benefício daquele, ter agido com dolo, fraude ou simulação" (Curso de  Direito Tributário,  Saraiva,  2009,  p.  184). Em que  pese  interprete  desta  forma,  a  Ministra ainda leciona que "Além de parecer desnecessária, ante o disposto no art.  149,  VII,  CTN,  abriga  a  referida  norma  demasiada  generalidade  e  latitude,  demandando,  a  nosso  ver,  que  outra  lei  venha  a  estatuir  as  hipóteses  de  sua  aplicação, sob pena de conceder­se demasiada  liberdade ao administrador  fiscal na  desconsideração dos atos e negócios jurídicos" (obra citada, p. 185).  Entendo que a norma do artigo 116 é eficaz, legitimando a desconsideração de atos  simulados, reforçando a previsão contida no artigo 149, VII, do Código Tributário  Nacional.  A  doutrina  de  Paulo  de  Barros  Carvalho  também  merece  menção,  admitindo  a  desconsideração de atos pelo Fisco, quando demonstrada a simulação. Sua doutrina  enfrenta a simulação sob o ponto de vista da vontade:  "Apenas as operações do contribuinte que mascarem determinada transação econômica  e  jurídica,  ocultando,  por  formas  artificiosas,  a  realidade,  configuram  'operações  simuladas'. Se os verdadeiros motivos dos atos praticados pelas partes não cumprirem  com  a  finalidade  imputada  a  eles  por  lei,  bem  como  neles  estiverem  presentes  cabalmente notas que indiquem verdadeira hipótese de omissão da real intenção do que  faz suporte ao negócio jurídico escolhido, tais atos não são oponíveis ao fisco, devendo  merecer tratamento tributário de ato dissimulado e seus consequentes efeitos jurídicos.  (...)  Para  que  haja  simulação  é  necessário,  portanto:  (i)  conluio  entre  as  partes,  (ii)  divergência entre a real vontade das partes e negócio por elas declarado; e (iii) intenção  de lograr o Fisco. Se tais características, porém, não se apresentarem no caso concreto,  Fl. 10226DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 98          97 será vedado à autoridade administrativa desconsiderar o ato" (Derivação e Positivação  no Direito Tributário, p. 82)  Esclareço que não comungo do entendimento do ilustre Professor Paulo de Barros  Carvalho sobre a necessidade de ilicitude, nos termos dos artigos 71 a 73 da Lei nº  4.502/64, para fins de desconsideração de operações pelo Fisco (na mesma obra, o  professor sustenta que "para que seja admissível a autuação fiscal, desconsiderando  o  negócio  jurídico  praticado,  não  basta  que  os  efeitos  econômicos  de  tal  prática  sejam  semelhantes  aos  de  ato  diverso,  mas  é  imprescindível  que  tenha  havido  ilicitude em tal realização, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64")".  Ora,  a  conformação  dos  fatos  jurídicos  à  figura  da  simulação  não  depende  da  identificação  destes  com  os  artigos  71  a  73  referidos,  basta  que  se  amoldem  às  prescrições  do  Código  Civil  (167)  e  Código  Tributário  Nacional  (art.  149,  VII  e  116,  parágrafo  único).  As  normas  de  Direito  Tributário,  no  que  concerne  à  simulação,  não  alteraram  o  conceito  de  simulação  tratado  pela  norma  de  direito  privado,  relacionada  à  vontade  do  agente,  manifestada  de  forma  distinta  no  ato  simulado daquela pretendida pelo ato dissimulado. (Grifos originais)  Não se acolhe, portanto, a imposição apresentada pela recorrente, no sentido  de  que  a  Ágatis  figurou  como  adquirente  da  participação  societária  e  sócia  do  empreendimento e de que, assim, somente ela poderia, para fins contábeis, transferir o custo  pago para  o  patrimônio  da  Santaelisa Vale. Ainda que  o direito  crie  realidades  e  constitua  personalidades jurídicas, estas podem ser afastadas se evidenciada simulação ou inexistência  de substância econômica.  Inócuo, assim, o empenho da recorrente em demonstrar que a  transação de  aquisição  de  participação  societária  foi  realizada  entre  partes  independentes,  envolvendo  pessoas não relacionadas e que houve efetivo pagamento do preço (e do ágio) firmado entre as  partes, porque este preço não foi  incorrido por sociedade brasileira (Ágatis) para adquirir o  investimento  em  outra  sociedade  brasileira  (Santaelisa  Vale),  sucedida  pela  Recorrente  em  todos  os  direitos  e  obrigações  após  sua  incorporação,  mas  sim  pelas  pessoas  jurídicas  dos  Grupos LDC e Canna Investors, como extensamente demonstrado pela autoridade lançadora.   Irrelevantes,  também,  as  estipulações  do  art.  2º,  §3º  da  Lei  das  S/A,  bem  como  o  alegado  art.  31  da  Lei  nº  11.727/2008,  que  reconheceria  a  holding  pura  como  uma  sociedade válida para todos os fins, ao dispor que a esta poderá diferir o reconhecimento das  despesas  com  juros  de  empréstimos  contraídos  para  financiamentos  de  investimentos  em  sociedades  controladas,  até  porque  referido  diferimento  tem  em  conta,  justamente,  a  permanência do investimento adquirido, convertendo em seu custo as despesas com aportes de  recursos,  nas  investidas,  por  meio  de  empréstimos.  Observe­se,  inclusive,  que  o  aporte  de  novos recursos nas investidas, dentre outras atuações da holding, são atividades que operam em  favor de sua efetiva existência.  Com  referência  à  discordância  manifestada  pela  recorrente  acerca  da  caracterização da LDC Brasil e Celosia Holding como "reais adquirentes" da transação, sob  o fundamento de que inexistiria norma jurídico­tributária que exija o requisito da "confusão  patrimonial"  entre  o  "real  adquirente"  e  o  investimento  adquirido,  já  restou  expresso  neste  voto os fundamentos do voto condutor, no mérito, do Acórdão nº 1402­003.574, para firmar a  conclusão de que é fundamental que a incorporação se verifique entre investida e investidora,  com conseqüente confusão patrimonial e extinção do investimento, para que a amortização do  ágio gere  efeitos na apuração do  lucro  tributável, dado que a  interposição de uma empresa  Fl. 10227DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 99          98 veículo não extingue, na real adquirente, a parcela do investimento correspondente ao ágio, de  modo que ao final dos procedimentos realizados, com a incorporação da empresa veículo pela  investida, a propriedade da participação societária adquirida com ágio subsiste no patrimônio  da investidora, diversamente do que cogita a lei.  Esclareça­se,  ainda,  que  a  autoridade  fiscal  não  reconheceu  "Celosia  Holding" como real adquirente do investimento, consoante se observa nas seguintes passagens  do Termo de Verificação Fiscal:  12. Esclarecemos que a empresa Celosia Holdings, acionista da LDC Bioenergia e  por  consequência  da  Ágatis,  era  uma  empresa  controlada  pela  Canna  Investors  LLP, por sua vez sediada no Reino Unido (docs. F16 e F17). A Celosia Holdings era  uma  empresa  sem  custos,  despesas,  receitas  e  sem  funcionários,  cujas  únicas  movimentações  eram  as  provenientes  da  participação  na  LDC  Bioenergia  ou  na  Ágatis  (docs. F14 a F16). Em  vista  da ausência  de  recursos próprios,  trata­se de  uma  empresa  veículo  do  controlador  externo.  A  Celosia  não  chegou  sequer  a  assinar o Contrato de Associação,  limitando­se a enviar uma correspondência em  que declara a sua concordância com ele (doc. F1).   [...]  67.  Em  30/12/2010,  a  Ágatis  incorporou  a  Celosia  Holdings,  conforme  a  Ata  da  AGE da Ágatis às 9h00 (doc. 82A), e incorporou a Pekan, conforme a Ata da AGE  da Ágatis às 10h00 (doc. 100). Com isso, os controladores da Ágatis passaram a ser  a Canna Investors LLP (controladora da Celosia) e a Sugar Holdings BV (empresa  do grupo Louis Dreyfus Commodities), que havia recebido em 09/09/2010 as ações  da Pekan que pertenciam à Louis Dreyfus Commodities BV (doc. 102).   [...]  77.  Note­se  que  a  aquisição  de  62,99%  da  Santelisa  Vale  custou  R$  1.515.681.000,00  ao  grupo  Louis  Dreyfus  e  Canna  Investors  em  26/10/2009  às  12h00,  enquanto  que  o  mesmo  grupo  Louis  Dreyfus,  através  das  empresas  NL  Participations  Holdings  4  BV  e  NL  Participations  Holdings  2  BV,  pagou  R$  400.000.000,00  por  33,9%  de  participação  na  Santelisa  Vale  um  pouco  antes,  às  9h00.   [...]  97. Como visto anteriormente, o grupo Louis Dreyfus (e o grupo Canna Investors)  adquiriu  o  controle  da  Santelisa  Vale  e,  em  consequência,  da  Santelisa  Vale  Bioenergia,  através de aumentos de capital. Parte  em espécie  (R$ 400.000.000,00  através  de  duas  empresas  veículos  no  exterior),  e  parte  com  a  participação  societária na LDC Bioenergia. A utilização da LDC Bioenergia é a operação que  gerou o ágio em análise.   [...]  102. Essa inversão de posição, passando a Ágatis de controlada para controladora  da  LDC  Bioenergia  permitiu  que  o  ágio  fosse  formalmente  registrado  na  Ágatis  para  fins  fiscais.  Com  a  incorporação  pela  LDC  Bioenergia,  o  ágio  poderia  ser  amortizado  e  aproveitado.  Assim,  a  Ágatis  foi  utilizada,  dentro  dos  grupos  Louis  Dreyfus  e  Canna  Investors,  como  veículo  do  ativo  para  a  aquisição  da  Santelisa  Vale e veículo do ágio para fins fiscais.   [...]  Fl. 10228DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 100          99 109. É de se estranhar que seja necessária uma outra empresa para consolidar os  interesses  do  Grupo  Louis  Dryfus  e  do  Grupo  Canna  Investors,  afinal,  esses  interesses  já  estavam  consolidados  na  própria  LDC Bioenergia. O  fiscalizado  foi  solicitado a esclarecer por que a Louis Dreyfus Commodities Brasil S/A e a Celosia  Holdings  S/A  não  fizeram  a  contribuição  da  totalidade  das  suas  participações  acionárias  no  capital  da  LDC  Bioenergia  diretamente  em  aumento  de  capital  da  Santelisa Vale S/A.  [...]  114. É preciso ressaltar a função primordial da empresa veículo Ágatis neste caso  concreto.  Sem  a  empresa  veículo  o  ágio  ficaria  registrado  nos  controladores  da  LDC Bioenergia, o grupo Louis Dreyfus Commodities e o grupo Canna  Investors,  sem  haver  a  possibilidade  de  sua  amortização  tributária,  a  menos  que  o  investimento  fosse  vendido  ou  formasse  uma  única  entidade  com  os  reais  controladores.   115. No  caso  do  grupo Canna  Investors  poderia  haver  a  alegação de  que  o  ágio  estaria registrado então na Celosia e que como esta foi incorporada pela Ágatis e,  posteriormente,  pela  LDC  Bioenergia,  a  sua  parcela  do  ágio  poderia  ser  amortizável. Ocorre que a Celosia era o único investimento da Canna Investors, e a  própria  Celosia,  como  já  descrito,  era  uma  empresa  sem  qualquer  atividade  empresarial,  sem  receitas  ou  despesas.  Portanto,  a  real  investidora  da  LDC  Bioenergia  era  a  Canna  Investors,  que  forneceu  os  recursos  para  a  Celosia  em  aumento de capital, conforme se pode ver nas Fichas Cadastrais da Jucesp (docs.  F18  e F19),  para  que  pudesse  realizar  esse  investimento,  e  que  permanece  ativa.  Não  só permanece ativa,  como passou  a  ser  acionista  direta  da LDC Bioenergia,  atual  Biosev,  com  as  alterações  societárias  efetuadas  em  30/12/2010  (doc.  F20,  ficha 60), e da qual permanece acionista (doc. F21).   [...]  129. No caso em análise, a opção do grupo Louis Dreyfus Commodities, e também  do  grupo  Canna  Investors,  não  foi  pela  extinção  do  investimento.  O  ágio  na  aquisição  do  controle  do  grupo  Santa  Elisa,  que  foi  apurado  em  uma  empresa  veículo,  foi  transferido  para  a  empresa  operacional  do  grupo  (LDC  Bioenergia,  atual  Biosev),  e  lá  permaneceu  para  ser  amortizado  após  a  incorporação  da  empresa adquirida. Porém, apesar disso, o custo do investimento na Santelisa Vale  permaneceu intacto como era originalmente nas reais investidoras, a LDC Brasil e  a Celósia, posteriormente em suas sucessoras, Sugar Holdings e Canna Investors, já  que  não  participaram  de  incorporação,  fusão  ou  cisão  com  a  adquirida.  Dessa  forma, o investimento não foi extinto.   [...]  237.  A  Ágatis  foi  inserida  como  controladora  da  então  LDC  Bioenergia  pelos  grupos  Louis  Dreyfus  Commodities  e  Canna  Investors  com  o  objetivo  certo  de  forçar uma  situação  formal para  transferência do ágio à  empresa operacional do  grupo.  Assim,  os  reais  adquirentes  promoveram  a  obtenção  de  vantagens  fiscais  pela  dedução da  amortização do  ágio,  reduzindo  a base de  cálculo  do  IRPJ  e  da  CSLL.   [...]  241.  A  Ágatis  em  seu  curto  período  ativo,  não  incorreu  em  custos,  despesas  ou  receitas, apresentando apenas a movimentação decorrente do pretenso investimento  Fl. 10229DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 101          100 na LDC Bioenergia, e seu ágio. Ou seja, a sociedade formalizada produziu apenas  documentos  (atas,  estatutos,  livros  contábeis,  entre  outros)  utilizados  para  movimentar contabilmente recursos de outras empresas do grupo LDC e da Canna  Investors.  A  situação  do  planejamento  tributário  em  questão  nesta  ação  fiscal,  a  aparência  de  legalidade  e  a  publicidade  dessa  aparente  legalidade  é  um  aspecto  imprescindível de toda a operação.   Daí porque a alegação de que em 30.12.2010 a Celosia foi incorporada pela  Ágatis que, por sua vez, teve seu patrimônio unido à LDC Bioenergia (sociedade que já tinha  incorporado a Santaelisa Vale) no mesmo dia, não se presta a evidenciar a exigida “confusão  patrimonial”.  Sob  tais premissas, devem ser mantidas não só as glosas de amortização de  ágio, como também a qualificação da penalidade, à semelhança do entendimento firmado pela  1ª Turma da CSRF nos seguintes julgados:  AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO.  INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. UTILIZAÇÃO DE  EMPRESA­VEÍCULO.  AUSÊNCIA  DE  PROPÓSITO  NEGOCIAL  Não  produz  o  efeito tributário pretendido pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica  em  cujo  patrimônio  constava  registro  de  ágio  com  fundamento  em expectativa  de  rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária, em operações  em seqüência feitas em curto espaço de tempo entre a integralização de capital na  incorporada  e  posterior  evento  de  incorporação  reversa.  Nestes  casos  resta  caracterizada  a  utilização  da  incorporada  como  mera  empresa­veículo  para  transferência do ágio à incorporadora.  MULTA  QUALIFICADA.  EVIDENTE  INTUITO  DE  FRAUDE  Caracteriza  o  evidente  intuito  de  fraudar  o  Fisco  as  operações  de  reestruturação  societárias  criadas  com  o  objetivo  único  de  possibilitar  a  amortização  de  ágio  gerado  artificialmente, mediante a utilização de empresas­veículo, sem propósito negocial  que não seja o de obter benefício tributário. (Acórdão nº 9101­003.208 ­ Sessão de 8  de novembro de 2017).  QUALIFICAÇÃO DA MULTA. PLUS NA CONDUTA. DOLO.  Operações  empreendidas  com  utilização  de  empresa  de  papel,  sem  substância  econômica, visando construir deliberadamente o suporte fático para aproveitamento  do  ágio  demonstram  flagrante  artificialidade.  Evidencia­se  a  presença  dos  elementos  volitivo  e  cognitivo,  caracterizando  o  dolo,  o  plus  na  conduta  que  ultrapassa o tipo objetivo da norma tributária e que é apenado com a qualificação  da multa de ofício. (Acórdão nº 9101­003.275 ­ Sessão de 6 de dezembro de 2017).  MULTA  QUALIFICADA.  EMPREGO  DE  EMPRESA  VEÍCULO.  AUSÊNCIA  DE  PROPÓSITO ECONÔMICO.  O emprego de empresa veículo, despida de propósito econômico, com o fim de dar a  aparência  de  obediência  aos  requisitos  de  dedutibilidade  do  ágio  amortizado,  previstos nos artigos 7º  e 8º da Lei nº 9.532/1997, autoriza a aplicação da multa  qualificada,  prevista  no  artigo  44,  §  1º,  da  Lei  nº  9.430/1996,  para  os  fatos  geradores ocorridos a partir do ano­calendário de 2007. (Acórdão nº 9101­003.533  ­ Sessão de 4 de abril de 2018).  Com  referência  à  pretendida  aplicação  do  art.  112  do  CTN,  e  do  art.  76,  inciso  II,  alínea  "a"  da  Lei  nº  4.502/64,  além  dos  princípios  da  razoabilidade  e  da  Fl. 10230DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 102          101 proporcionalidade na aplicação de  sanções, adota­se, aqui, os mesmos  fundamentos expostos  pela autoridade julgadora de 1ª instância para rejeitá­las:  Quanto  ao  cancelamento  integral  da  multa,  com  base  no  artigo  112,  do  CTN,  equivoca­se  a  impugnante,  pois  ele  é  aplicável  quando  o  julgador,  na  análise  do  caso concreto e diante das provas dos autos, resta em dúvida quanto à capitulação  legal do fato ou quanto à sua natureza, suas circunstâncias materiais, ou à natureza  ou extensão dos seus efeitos. No caso, todavia, tal dúvida inexiste, eis que os fatos  que  levaram  à  autuação  estão  claramente  delineados  no  Termo  de  Verificação  Fiscal e respectivo auto de infração.  Dar  a  tal  dispositivo  o  alcance  pretendido  pela  impugnante  faria  com  que  este  tivesse  o  condão  de  excluir  a  penalidade  sempre  que  houvesse  um  conflito  de  interpretação  dos  fatos  entre  as  autoridades  fiscais  e  os  contribuintes.  Definitivamente não é este o caso.  O CTN prevê a chamada interpretação benéfica quando houver dúvida em relação  às circunstâncias fáticas de cada caso, mas não autoriza o benefício em função de  entendimento jurídico diverso da pretensão do contribuinte.  Também entendo não assistir razão quando defende a aplicação ao caso do artigo  76, II, “a” da Lei 4.502/1964, que dispõe:  Art . 76. Não serão aplicadas penalidades:  (...)  II ­ enquanto prevalecer o entendimento aos que tiverem agido ou pago o impôsto:  a)  de  acôrdo  com  interpretação  fiscal  constante  de  decisão  irrecorrível  de  última  instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não  parte o interessado;  A Recorrente sequer menciona qual seria a decisão irrecorrível de última instância  administrativa a que se refere.  De qualquer  forma, entendo que o artigo 76,  II, “a” da Lei 4.502/1964 teria  sido  derrogado  por  norma  posterior,  no  caso,  o  artigo  100  do  Código  Tributário  Nacional, que assim preceitua (grifei):  Art.  100.  São  normas  complementares  das  leis,  dos  tratados  e  das  convenções  internacionais e dos decretos:  I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas;  II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que  a lei atribua eficácia normativa;  III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas;  IV  os  convênios  que  entre  si  celebrem  a  União,  os  Estados,  o  Distrito  Federal  e  os  Municípios.  Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de  penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de  cálculo do tributo.  Enquanto  o  artigo  76,  II,  “a”  da  Lei  4.502/1964  exclui  a  penalidade  pela  observância de decisão irrecorrível de última instância administrativa, o artigo 100  Fl. 10231DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 103          102 do CTN, posterior, passou a excluir penalidades apenas no caso de observância de  decisões administrativas a que a lei atribua eficácia normativa, o que também não é  o caso.  Embora os fundamentos até aqui expostos sejam suficientes para manutenção  das glosas de amortização do ágio pago na aquisição de "Santaelisa Vale", cumpre recordar que  a  autoridade  fiscal  também  aponta  inobservância  do  art.  20,  §3º  do Decreto­lei  nº  1.598/77  porque:  81. Para fundamentar economicamente o ágio apurado, o fiscalizado apresentou o  “Laudo  de  rentabilidade  futura  da  Santelisa  Vale  S/A  (‘SEV  S/A’  ou  ‘Empresa’)  relacionado a aquisição do controle desta pela Ágatis Investimentos e Participações  S/A”, elaborado pela KPMG Corporate Finance em 14/04/20112 (doc. F4). Quando  questionado,  o  sujeito  passivo  confirmou  que  esse  é  o  Laudo  que  justifica  economicamente o ágio apurado pela Ágatis (doc. 87).   82.  É  de  se  destacar  que  o  laudo  foi  elaborado  posteriormente  pela  KPMG,  em  14/04/2011 – um ano e meio após a aquisição da participação societária –, a pedido  da  LDC  Bioenergia.  O  objetivo  desse  laudo  “foi  elaborar  um  relatório  sobre  a  análise de rentabilidade futura da SEV S/A relacionado à aquisição, em 26/10/2009,  pela Ágatis”. A data base do  laudo é 31/10/2009, portanto, posterior à aquisição.  Além disso, em sua conclusão, o Laudo não apresenta explicitamente um resultado  final do valor da empresa, embora conclua que a expectativa de rentabilidade futura  da SEV S/A seja a demonstrada na página 48 do Laudo.   83.  Observamos  que  normalmente,  neste  tipo  de  laudo,  o  valor  de  mercado  da  empresa  avaliada  é  dado  após  o  cálculo  do  fluxo  de  caixa  da  empresa  a  valor  presente ao qual é somado uma parcela da chamada “perpetuidade”. O Laudo em  questão não apresenta nada disso. Tampouco define o valor do ágio com base nesse  valor da empresa, apenas cita na descrição da operação que “como consequência  da contribuição de capital, houve a geração de um ágio fiscal no valor de R$ 356  milhões, registrado fiscalmente na Ágatis”.   84. Trata­se de um laudo evasivo, mesmo porque foi feito em uma situação anormal.  Foi  elaborado  em  14/04/2011  sobre  uma  operação  feita  em  26/10/2009,  cuja  empresa  avaliada  deixou  de  existir,  por  ter  sido  incorporada,  em  31/03/2010,  ou  seja,  foi elaborado um Laudo de rentabilidade  futura de uma empresa que  já não  existia.  Além  disso,  a  empresa  que  seria  a  interessada  no  Laudo,  por  ser  a  adquirente (Ágatis),  também deixou de existir em 30/12/2010, por também ter sido  incorporada,  o  que  evidencia  mais  uma  vez  a  artificialidade  da  interposição  da  Ágatis  na  operação.  O  laudo  apresentado  é  deficiente  para  a  fundamentação  econômica  do  ágio  pago,  ao  não  apontar  claramente  o  valor  de  mercado  da  empresa na data de aquisição e ao ser elaborado após a aquisição.   85.  De  toda  forma,  supondo  que  não  houvessem  essas  deficiências,  se  considerarmos a soma dos valores de Resultado do Exercício constantes da página  48  do  Laudo,  chegaremos  ao  valor  de  R$  2.017  milhões.  Se  a  esse  valor,  considerarmos a participação societária adquirida na SEV S/A em outubro de 2009  de 62,99%, chega­se à conclusão de que o valor da participação adquirida é de R$  1.270,51  milhões,  no  máximo,  segundo  o  Laudo.  Dessa  forma,  o  Laudo  de  Avaliação  estaria  referendando  como  valor  do  ágio  o  montante  de  R$  110,72  milhões (R$ 1.270,51 milhões – R$ 1.159,79 milhões), bem abaixo do ágio apurado  pela fiscalizada.   Fl. 10232DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 104          103 86.  Assim,  e  se  fosse  válido,  o  próprio  Laudo  de  Avaliação  utilizado  para  fundamentar o valor do ágio não avaliza o valor pago na aquisição de 62,99% da  Santelisa Vale pela Ágatis, confirmando o indício apontado em parágrafo anterior.   87. A fiscalizada  foi questionada a confirmar qual seria o valor da Santelisa Vale  S/A, determinado com base na expectativa de resultados  futuros, de acordo com o  laudo apresentado (doc. 86). Porém, a fiscalizada se omitiu, limitando­se a informar  que “os valores indicados na página 48 do laudo elaborado pela KPMG Corporate  Finance  não  representam o  valor  da  Santelisa Vale S.A. Os  valores ali  indicados  representam a projeção dos resultados futuros da Santelisa Vale S.A. e confirmam a  existência de expectativa de rentabilidade futura da empresa adquirida” (doc. 87).   88. Fica­se, assim, na situação em que o laudo de avaliação não chega a concluir  qual  seria  o  valor  da  empresa  adquirida,  com  base  na  expectativa  de  resultado  futuro, e que o adquirente da participação societária admite não saber qual é esse  valor de rentabilidade futura.   [...]  90.  Dessa  forma,  na  hipótese  mais  benéfica  ao  fiscalizado,  pode­se  concluir  que  realmente  “os  valores  ali  indicados  representam  a  projeção  dos  resultados  da  Santelisa Vale S/A e confirmam a existência de expectativa de rentabilidade futura  da  empresa  adquirida”,  mas  não  no  valor  total  do  ágio  que  foi  pago.  A  outra  hipótese é a de que o fiscalizado não pode aproveitar tributariamente ágio nenhum  nessa  operação,  em  vista  de  que  não  conseguiu  demonstrar  o  “valor  de  rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos  exercícios futuros”, que deveria ser avaliado antes da aquisição.   91. Apesar dessa falta de comprovação do ágio, o sujeito passivo está amortizando e  aproveitando esse ágio fiscalmente. De acordo com as Demonstrações Financeiras  de 31/03/2010 (doc. 23), na nota explicativa sobre as principais práticas contábeis,  o  ágio  de  aquisição  de  empresas  deixou  de  ser  amortizado  contabilmente  em  01/01/2009, conforme o CPC 04 – Ativo Intangível. Tributariamente, o valor  total  do ágio de R$ 355.892.742,60 está sendo amortizado em 5 anos.   92. Em janeiro de 2011, antes até de obter o Laudo de Avaliação, o sujeito passivo  começa  a  aproveitar  o  ágio  tributariamente,  com  a  exclusão  da  despesa  de  amortização de ágio da Ágatis no valor de R$ 5.928.483,33 no mês, lançado como  ajuste de RTT no Lalur. No ano de 2011, a exclusão é de R$ 71.178.548,52  (doc.  49B). O procedimento foi o mesmo e no mesmo valor nos anos de 2012 (doc. 50C) e  2013 (doc. 51C), registrando a amortização de ágio como ajuste do RTT.   93. Nas DIPJ 2012 a 2014, relativas aos anos­calendário 2011 a 2013 (docs. F8 a  F10), também foi adotado o mesmo procedimento: declarar a amortização de ágio  apurado  na  Ágatis  na  linha  55  da  ficha  07,  a  título  de  amortização  de  ágio  nas  aquisições de  investimento, compondo o ajuste do RTT na apuração do lucro real  (ficha 09) e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (ficha  17).   94.  Com  relação  ao  ano­calendário  de  2014,  a  empresa  fez  a  entrega  da  ECF  –  Escrituração Contábil Fiscal, que substituiu a DIPJ e o Lalur, em setembro de 2015  e o retificou em 05/01/2016 (doc. 104). Da mesma forma que no ano anterior, no e­ Lalur (doc. F23) e no e­Lacs (doc. F24), o sujeito passivo excluiu o valor do ágio no  valor de R$ 71.178.548,52 do Lucro Líquido, compondo o ajuste do RTT (doc. F25)  na apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL.   Fl. 10233DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 105          104 95. Essas despesas de amortização do ágio apurado na aquisição de participação  societária na Santelisa Vale S/A serão glosadas nesta fiscalização, mas, ressalte­se,  mesmo que pudessem ser amortizadas,  o  seriam  em valor  inferior  ao aproveitado  pelo fiscalizado, como descrito.   A  recorrente  defende  que  o  fundamento  econômico  do  ágio  pago  –  a  expectativa  de  rentabilidade  futura  da  Santaelisa  Vale  –  foi  registrado  pela  sociedade  brasileira  Ágatis  e  estava  embasado  em  documento  anterior  à  operação  (doc.  31  da  Impugnação – fls. 6723 a 6773), sendo improcedente qualquer alegação de intempestividade  de  elaboração  do  demonstrativo  que  comprova  a  escrituração  do  ágio.  Tais  informações,  tempos depois, foram confirmadas por Laudo de Avaliação preparado pela KPMG (doc. 30 da  Impugnação – fls. 6666 a 6773).  Afirma  que  o  fundamento  econômico  do  ágio  na  aquisição  da  Santaelisa  Vale  pela  Ágatis  era  expectativa  de  rentabilidade  futura,  observando  que  a  autoridade  julgadora reconheceu a apresentação de documento anterior à operação, mas deixou de avaliar  sua aptidão jurídica sob o entendimento de que  tal documento não foi dirigido à Ágatis, mas  para a LDC Bioenergia S.A., mais um  fato a demonstrar a  falta de essência empresarial da  Ágatis.   Consta da decisão recorrida que:  Numa  interpretação  que  não  seja  a  literal,  reputa­se  inadmissível  o  início  da  amortização fiscal do ágio sem que se tenha claramente determinado qual o correto  fundamento econômico deste. Caso contrário, estar­se­ia admitindo a amortização  de  algo  que  não  se  sabe  efetivamente  do  que  se  trata.  É  necessária  a  contemporaneidade  da  “demonstração”  que  permita  a  identificação  de  seu  fundamento econômico.  Destarte,  percebe­se  claramente  que  o  fundamento  econômico  do  ágio  há  de  ser  determinado antes, ou, no máximo, até o momento da aquisição. Trata­se, ainda, de  uma  questão  de  ordem  lógica:  não  faz  sentido  imaginar  que  o  fundamento  econômico  determinante  para  o  pagamento  de  um  ágio  somente  possa  ter­se  tornado  conhecido  após  a  operação  de  compra.  Ora,  se  somente  tornou­se  conhecido  após  a  aquisição,  não  pode  ter  sido  ele  o  fator  determinante  para  o  pagamento  ocorrido Assim,  a  prova  de  que  foi  a  rentabilidade  futura  a  razão  do  pagamento do ágio  incumbe obrigatoriamente à empresa que por ele pagou, e  tal  prova  há  de  ser  feita  com  documentos  contemporâneos  aos  fatos,  pois  a  “demonstração”  se  faz  com  os  documentos  que  de  fato  serviram  de  base  para  a  tomada da decisão de adquirir a participação societária.  Mais ainda, ante a falta de comprovação contemporânea, resta apenas a alternativa  de considerar que o ágio  teve por  fundamento “outras  razões econômicas”, posto  ser  a  única  alternativa  existente  a  não  exigir  o  arquivamento  da  referida  “demonstração”,  e,  por  conseguinte,  a  impossibilidade  de  aproveitamento  da  dedutibilidade fiscal desse ágio.  O laudo apresentado durante o procedimento de fiscalização, como bem apontado  pelo  TVF  (fls.  5104  e  ss),  é  extemporâneo,  foi  elaborado  posteriormente  pela  KPMG, em 14/04/2011 – um ano e meio após a aquisição da participação societária  –,  a  pedido  da LDC Bioenergia,  quando a  adquirente  seria  a Ágatis. Além disso,  foram demonstradas diversas outras deficiências pela autoridade fiscal.  Fl. 10234DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 106          105 Embora a autuada apresente nesta impugnação um outro documento, juntado às fls.  6722 a 6772, como sendo o que embasaria o registro da sociedade brasileira Ágatis,  avaliando o valor de mercado da Santaelisa Vale em 31/12/2008, constata­se que tal  documento não foi dirigido à Ágatis, mas para a LDC Bionergia S.A, mais um fator  a demonstrar a falta de essência empresarial da Ágatis.  Nele  se  encontra  a  seguinte  afirmação:  “A  KPMG  foi  contratada  pela  LDC  Bio  para  realizar  uma  avaliação  econômico­financeira  independente  da  SEV,  para  a  data  base  de  31  de  dezembro  de  2008.  A  avaliação  econômico­financeira  será  utilizada  pelos  acionistas  da  LDC  Bio  para  estabelecer  o  valor  econômico­ financeiro da SEV no contexto da Transação”.  Portanto, por este motivo, já não estariam preenchidos os requisitos legais para se  autorizar  a  amortização  fiscal  do  ágio,  no  contexto  de  aquisição  supostamente  realizada pela Ágatis.  Como se vê, a autoridade julgadora de 1ª  instância apreciou o documento e  expressou motivação suficiente para rejeitar o documento. De outro lado, ainda que se admita  que o direcionamento do referido laudo à "LDC Bio", e não à "Ágatis", não representaria vício  suficiente para desconsiderá­lo, não se pode olvidar que a autoridade fiscal, ao constatar que o  laudo datado de 14/04/2011 resultava em avaliação incompatível com a fundamentação do ágio  em rentabilidade futura, intimou o sujeito passivo a confirmar se é esse o Laudo que justifica  economicamente o ágio apurado pela Ágatis (fls. 2338/2341) e, em resposta, o sujeito passivo  informou,  em  09/09/2015:  "Sim,  a  Fiscalizada  confirma  essa  informação"  (fls.  2342/2347),  também esclarecendo que:  7.2)  Confirmar  se  o  valor  da  Santaelisa  Vale  S/A,  determinado  com  base  na  expectativa  de  resultados  futuros,  é  o  montante  de  R$  2.017  milhões.  Caso  contrário, demonstrar de quanto é esse valor de acordo com esse Laudo;  Resposta:  Os  valores  indicados  na  página  48  do  laudo  elaborado  pela  KPMG  Corporate Finance não representam o valor da Santaelisa Vale S.A. Os valores ali  indicados  representam  a  projeção  dos  resultados  da  Santaelisa  Vale  S.A.  e  confirmam  a  existência  de  expectativa  de  rentabilidade  futura  da  empresa  adquirida.  Apesar  disso,  em  20/01/2017,  ao  impugnar  o  lançamento,  a  interessada  trouxe  aos  autos  outro  documento,  que  lhe  teria  sido  dirigido  em  03/09/2009  por  KPMG  Corporate Finance Ltda, contexto no qual é inevitável perquirir qual a razão de este documento  não  ter  sido  apresentado  à  autoridade  fiscal  nas  oportunidades  que  lhe  foram  concedidas,  mormente tendo em conta as inconsistências nos cálculos que lhe foram cientificadas.  Alegações  da  recorrente  são  indicativas  da  motivação  desta  atitude  protelatória, em especial o entendimento de que necessário seria contraditar o laudo com prova  técnica  para  negar­lhe  condições  de  comprovar  o  valor  econômico  da  empresa.  Isto  porque,  depois de apresentar ao Fisco laudo extemporâneo e impreciso, que remete à sua página 48 a  expectativa de  rentabilidade  futura na data base de 31 de outubro de 2009, na qual constam,  apenas,  projeções  de  resultado  não  consolidadas  de  uma  das  empresas  do  grupo  avaliada,  a  interessada  traz  em  impugnação  outro  documento  sobre  o  qual  também  recairia  seu  entendimento  de  que  o  questionamento  de  seu  conteúdo dependeria  de  prova  técnica. E  isto  possivelmente porque a partir de sua análise resta fora de dúvida, na comparação de ambos os  documentos, que a avaliação datada de 03 de setembro de 2009 contempla outras participações  societárias detidas pela avaliada e expressamente não consideradas no laudo anterior (17% na  Fl. 10235DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 107          106 Companhia Nacional de Açúcar e Álcool ­ CNAA; 25% na Tropical BioEnergia S.A., 73% na  Crystalsev  Comércio  e  Representação  Ltda.,),  além  de  outra  sequer  mencionada  naquele  documento (45,95% na Santa Vitória Açúcar e Álcool Ltda), resultando, ao final, na conclusão  de que o valor de mercado de Santaelisa Vale S.A foi estimado entre R$ 592 milhões e R$ 651  milhões.  Ou  seja,  o  laudo  em  referência  atribui  à  adquirida  valor  de  mercado  inferior  até  mesmo  ao  patrimônio  líquido  de  R$  1.159.788.260,00  considerado  para  apuração  do  ágio,  conforme indicado à fl. 5104 do Termo de Verificação Fiscal.   Apesar  de  incorrer  em  impropriedades  conceituais,  para  afastar  questionamentos acerca de inovações em julgamento recompõe­se a acusação fiscal com esta  nova referência:  85.  De  toda  forma,  supondo  que  não  houvessem  essas  deficiências,  se  considerarmos a soma dos valores de Resultado do Exercício constantes da página  48  do  Laudo,  chegaremos  ao  valor  de  R$  651  milhões.  Se  a  esse  valor,  considerarmos a participação societária adquirida na SEV S/A em outubro de 2009  de 62,99%, chega­se à conclusão de que o valor da participação adquirida é de R$  410,06 milhões, no máximo, segundo o Laudo. Dessa forma, o Laudo de Avaliação  estaria  referendando  como  valor  do  ágio  o  montante  de  negativo  R$  749,73  milhões  (R$ 410,06 milhões – R$ 1.159,79 milhões), bem abaixo do ágio apurado  pela fiscalizada.   Em  outras  palavras,  se  a  participação  societária  adquirida  tem  valor  de  mercado  proporcional  equivalente  a,  no  máximo,  R$  410,06  milhões,  aí  consideradas  as  projeções  de  resultado  das  investidas  de  2009  a  2018,  e  as  adquirentes  pagaram  por  esta  participação societária R$ 1.515,61 milhões, acima do patrimônio líquido proporcional de R$  1.159,79  milhões,  resta  evidente  que  nenhuma  parcela  do  ágio  pago  (R$  355.892.740,00)  poderia ter por fundamento rentabilidade futura.  Releva anotar, ainda, que o documento trazido em impugnação, em verdade,  já  constava  dos  autos  às  fls.  2576/2625  e  foi  apresentado  como  documento  nº  2  juntado  à  resposta apresentada em 15/01/2016 (fls. 2527/2530), nos seguintes termos:  6. Em resposta protocolizada em 21/07/2015,  foi apresentado um cálculo do valor  de  emissão  de  novas  ações  das  empresas  Santaelisa  Vale  S/A  e  Santaelisa  Vale  Bioenergia S/A em que consta o item "Valor da Empresa". Assim:  6.1. Esclarecer como se concluiu que o valor da Santaelisa Vale S/A em 26/10/2009  era de R$ 780.136.442,00;   6.2. Apresentar o documento que comprova e suporta essa avaliação do "Valor da  Empresa" da Santaelisa Vale S/A;  6.3. Esclarecer como se concluiu que o valor da Santaelisa Vale Bioenergia S/A em  26/10/2009 era de R$ 655.164.599,00;  6.4. Apresentar o documento que comprova e suporta essa avaliação do "Valor da  Empresa" da Santaelisa Vale Bioenergia S/A;  Resposta: A Fiscalizada  anexa a  esta Resposta  o  laudo de Avaliação Econômico­ Financeira  que  suportou  o  valor  da  Santaelisa  Vale  S/A  e  da  Santaelisa  Vale  Bioenergia S/A (doc. nº 2)  Fl. 10236DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 108          107 A autoridade lançadora inclusive observou, no Termo de Verificação Fiscal,  o descompasso entre a avaliação e o valor pago pela participação societária:  78. Na data­base de 31/12/2008, a Santelisa Vale foi avaliada a valor de mercado  em R$ 621 milhões, conforme o Laudo de Avaliação solicitado pela LDC Bioenergia  (doc. 108). Na aquisição em 26/10/2009, às 9h00, a Santelisa Vale foi valorada em  R$ 780.136.442,00, como visto anteriormente, enquanto que a aquisição às 12h00  do mesmo dia 26/10/2009, foi equivalente a uma valoração da Santelisa Vale em R$  2.406.224.830,06  (=  R$  1.515.681.020,46  /  0,6299).  Entre  9h00  e  12h00,  as  ocorrências  que  poderiam  alterar  o  valor  da  Santelisa  Vale  foram  o  próprio  aumento de capital de R$ 400.000.000,00 e a conversão de dívida em aumento de  capital  de  R$  550.000.000,00  na  controlada  Santelisa  Vale  Bioenergia,  que  refletiria na Santelisa Vale por equivalência patrimonial.   79. Essas duas parcelas  totalizaram R$ 950.000.000,00, que somados ao valor da  Santelisa  Vale  de  R$  780.136.442,00,  resultaria  numa  valoração  de  R$  1.730.136.442,00  para  a  aquisição  feita  às  12h00.  Isso  já  indica  que  o  valor  da  transação pela aquisição de 62,99% não foi coerente, sendo muito elevado.   Confirma­se,  portanto,  que  o  laudo  apresentado  à  autoridade  fiscal  para  provar o fundamento do ágio pago era extemporâneo e impreciso, e o dito documento anterior  à operação (doc. 31 da Impugnação – fls. 6723 a 6773), tinha outra finalidade na sequência de  procedimentos para efetivação da aquisição, além de não se prestar a fundamentar o ágio pago  em  rentabilidade  futura,  não  se  podendo  dizer,  sequer,  que  suas  informações  foram  confirmadas por Laudo de Avaliação preparado pela KPMG (doc. 30 da Impugnação – fls.  6666 a 6773) em 14/04/2011, vez que este demonstrativo expressamente deixa de contemplar  os resultados de investidas da sociedade adquirida.  No  mais,  a  recorrente  reitera  as  alegações  deduzidas  em  face  dos  questionamentos  fiscais  ao  laudo  de  avaliação  da  participação  societária  adquirida  em  "Ampla", aduzindo que o fundamento do ágio é dado pela motivação subjetiva do investidor,  sustentada em algum documento,  (neste caso,  laudo anterior à aquisição suportando o valor  de mercado da Santaelisa Vale) bastando que o adquirente busque perceber lucros futuros para  que  o  fundamento  do  ágio  seja  expectativa  de  rentabilidade  futura;  bem  como  que  o  “demonstrativo” a qual refere a legislação tributária poderá ser qualquer elemento de prova  que disponha sobre a motivação por parte da Ágatis (representante do Grupo LDC) em pagar  determinado  preço  com  vistas  a  expectativa  de  rentabilidade,  inexistindo  exigência  legal  determinando que o Laudo Técnico seja arquivado como comprovante antes da contabilização  ou da aquisição. Assim, valem aqui todos os argumentos já deduzidos neste voto para afirmar  da necessária prova do fundamento econômico atribuído ao ágio, a ser arquivada por ocasião  do seu registro contábil.   A  recorrente  também  contesta  as  referências,  na  decisão  recorrida,  à  necessária observância dos requisitos do art. 299 do RIR/99 para aferição da dedutibilidade das  amortizações de ágio, porém, como já se demonstrou a validade da acusação fiscal acerca das  glosas sob análise, desnecessária se mostra a apreciação de tais questionamentos.   Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário  para  manter  integralmente  as  glosas  de  amortização  do  ágio  pago  na  aquisição  de  Santaelisa  Vale  S/A  e  a  qualificação  da  penalidade  aplicada  sobre  os  créditos  tributários daí resultantes, apurados nos anos­calendário 2011 a 2014.   Fl. 10237DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 109          108 Multa isolada por falta de antecipação das estimativas mensais  Reconstituindo  os  balancetes  de  suspensão/redução  em  razão  das  infrações  apuradas, a autoridade lançadora apurou falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL  nos meses de dezembro/2011, janeiro/2012, fevereiro/2012 e março/2013.  A  recorrente manifesta­se  contra  a  aplicação  da  multa  isolada  por  falta  de  antecipação  das  estimativas  mensais  alcançando  os  mesmos  supostos  fatos  geradores  que  motivaram  a  lavratura  destes  Autos  de  Infração  asseverando:  1)  a  impossibilidade  de  aplicação  simultânea  da  multa  de  ofício  com  a  multa  isolada  na  forma  dos  julgados  administrativos  que  cita  e  da  Súmula  CARF  nº  105,  bem  como  do  atual  entendimento  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  em  face  do  qual  está  sendo  determinado  o  não  seguimento  de  recurso  especial  interposto  pela  Fazenda  Nacional  na  matéria,  inclusive  nos  casos  em  que  aquelas  foram  aplicadas  com  base  na  nova  redação  dos  incisos  I  e  II  do  art.  44  da  Lei  nº  9.430/96,  realizada  por  meio  da  Lei  nº  11.488  de  15.6.2007,  a  evidenciar  a  pacificação  no  âmbito do STJ; e 2) a  impossibilidade de aplicação de multa isolada após o fato gerador do  IRPJ e da CSL, pois uma vez concretizado o aspecto temporal do fato gerador, não há razão  para  a  Autoridade  Fiscal  demandar  outra  base  de  cálculo  que  não  aquela  estritamente  definida pela norma que estabelece a hipótese de incidência, conforme jurisprudência que cita.   Ocorre que a legislação fixa como regra a apuração trimestral do lucro real ou  da base de cálculo da CSLL, e faculta aos contribuintes a apuração destes resultados apenas ao  final do  ano­calendário  caso  recolham as  antecipações mensais devidas,  com base na  receita  bruta  e  acréscimos,  ou  justifiquem  sua  redução/dispensa  mediante  balancetes  de  suspensão/redução.   Se assim não procedem, desde a  redação original da Lei nº 9.430/96 estava  assim disposto:  Art.44.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas  as  seguintes multas,  calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição:   I ­ de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento,  pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa  moratória,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração  inexata,  excetuada  a  hipótese do inciso seguinte;   [...]  §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas:   [...]  IV ­isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de  renda  e  da  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  na  forma  do  art.  2º,  que  deixar  de  fazê­lo,  ainda  que  tenha  apurado  prejuízo  fiscal  ou  base  de  cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário  correspondente;   [...]   Conclui­se, daí, que o legislador estabeleceu a possibilidade de a penalidade  ser  aplicada  mesmo  depois  de  encerrado  o  ano­calendário  correspondente,  e  ainda  que  evidenciada  a  desnecessidade  das  antecipações,  nesta  ocasião,  por  inexistência  de  IRPJ  ou  CSLL  devidos  na  apuração  anual.  Para  exonerar­se  da  referida  obrigação,  cumpria  à  Fl. 10238DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 110          109 contribuinte levantar balancetes mensais de suspensão, e evidenciar a  inexistência de base de  cálculo para recolhimento das estimativas durante todo o ano­calendário.   Ausente tal demonstração, resta patente a inobservância da obrigação imposta  àqueles que optam pela apuração anual do lucro. Logo, para não se sujeitar à multa de ofício  isolada, deveria a contribuinte ter apurado e recolhido os valores estimados com os acréscimos  moratórios  calculados  desde  a  data  de  vencimento  pertinente  a  cada mês,  e  não meramente  determinar o valor que, ao final, ainda remanesceu devido nos cálculos do ajuste anual.   Ou seja, para desfazer espontaneamente a  infração de  falta de  recolhimento  das estimativas, deveria a contribuinte quitá­las, ainda que verificando que os tributos devidos  ao  final  do  ano­calendário  seriam  inferiores  à  soma  das  estimativas  devidas.  Apenas  que  a  quitação destas estimativas, porque posteriores ao encerramento do ano­calendário,  resultaria  em um saldo negativo de  IRPJ ou CSLL, passível de  compensação com débitos de períodos  subseqüentes,  à  semelhança  do  que  viria  a  ocorrer  se  a  contribuinte  houvesse  recolhido  as  antecipações no prazo legal.  Já  se  a  contribuinte  assim  não  age,  o  procedimento  a  ser  adotado  pela  Fiscalização  difere  desta  regularização  espontânea.  Isto  porque  seria  incongruente  exigir  os  valores  que  deixaram  de  ser  recolhidos  mensalmente  e,  ao  mesmo  tempo,  considerá­los  quitados  para  recomposição  do  ajuste  anual  e  lançamento  de  eventual  parcela  excedente  às  estimativas mensais.  Assim, optou o legislador pela dispensa de lançamento do valor principal não  antecipado,  e  reconhecimento  dos  efeitos  de  sua  ausência  no  ajuste  anual,  com  conseqüente  exigência  apenas  do  valor  apurado  em  definitivo  neste  momento,  sem  levar  em  conta  as  estimativas,  porque  não  recolhidas.  E,  para  que  a  falta  de  antecipação  de  estimativas  não  ficasse  impune,  fixou­se,  no  art.  44,  §1º,  inciso  IV, da Lei nº 9.430/96,  a penalidade  isolada  sobre esta ocorrência, distinta da falta de recolhimento do ajuste anual, como já explicitado.   Observe­se, ainda, que a norma antes citada recebeu a seguinte redação pela  Medida Provisória n.º 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007:  Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com  a seguinte redação, transformando­se as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e  III:  “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:  I ­ de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração e nos de declaração inexata;  II  ­  de  50%  (cinqüenta  por  cento),  exigida  isoladamente,  sobre  o  valor  do  pagamento mensal:  a) na forma do art. 8o da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de  ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de  ajuste, no caso de pessoa física;  b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido  apurado  prejuízo  fiscal  ou  base  de  cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário  correspondente,  no  caso  de  pessoa  jurídica.  Fl. 10239DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 111          110 §  1o  O  percentual  de  multa  de  que  trata  o  inciso  I  do  caput  deste  artigo  será  duplicado  nos  casos  previstos  nos  arts.  71,  72  e  73  da  Lei  nº  4.502,  de  30  de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais cabíveis.  I ­ (revogado);  II ­ (revogado);  III­ (revogado);  IV ­ (revogado);  V ­ (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998).  § 2o Os percentuais de multa a que se  referem o  inciso  I do caput e o § 1o deste  artigo  serão  aumentados  de  metade,  nos  casos  de  não  atendimento  pelo  sujeito  passivo, no prazo marcado, de intimação para:  I ­ prestar esclarecimentos;  II  ­ apresentar os arquivos ou sistemas de que  tratam os arts. 11 a 13 da Lei no  8.218, de 29 de agosto de 1991;  III ­ apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei.  ................................................. ”   Em razão dos efeitos desta alteração, a 1a Turma da CSRF aprovou a Súmula  nº 105 com o seguinte enunciado: A multa  isolada por  falta de  recolhimento de estimativas,  lançada  com  fundamento  no  art.  44  §  1º,  inciso  IV  da Lei  nº  9.430,  de  1996,  não  pode  ser  exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado  no  ajuste  anual,  devendo  subsistir  a  multa  de  ofício.  Restou  pacificado  nesta  1a  Seção  de  Julgamento  que  até  a  vigência  da  Medida  Provisória  nº  351/2007,  que  alterou  a  redação  original  do  art.  44,  §1o,  inciso  IV  da  Lei  nº  9.430/96  e  deslocou  o  fundamento  legal  da  penalidade em comento para o  inciso  I,  letra “b” daquele art. 44, não é possível a exigência  concomitante das duas penalidades.  Todavia, as  infrações aqui punidas ocorreram a partir de dezembro de 2011  está  evidenciado  nos  autos  que  a  contribuinte,  relativamente  ao  pagamento mensal  esperado  naqueles períodos, deixou de  efetuá­lo  integralmente, descumprindo esta obrigação acessória  imposta aos optantes pela apuração anual das base tributáveis. A multa proporcional, por sua  vez, foi aplicada em razão da falta de recolhimento dos tributos devidos ao final do período.   Quanto  ao  entendimento  em  contrário  firmado  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça,  importa  observar  que,  nos  termos  do  art.  62  do Anexo  II  do Regimento  Interno  do  CARF,  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  343/2015,  com  a  redação  dada  pela  Portaria  MF  nº  152/2016,  é vedado a membros  das  turmas  de  julgamento  do CARF afastar  a  aplicação ou  deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade,  salvo  na  hipótese,  no  caso  de manifestações  do  Superior  Tribunal  de  Justiça, de decisão definitiva em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543­C da Lei  nº 5.869, de 1973, ou do arts. 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 ­ Código de Processo Civil, na  forma disciplinada pela Administração Tributária.   Não sendo este o caso, a exigência da multa isolada deve ser mantida, ainda  que  concomitante  com  a  multa  de  ofício,  bem  como  após  a  concretização  do  fato  gerador  anual, na linha da jurisprudência dominante na 1ª Turma da CSRF:  Fl. 10240DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 112          111 MULTA  ISOLADA  POR  FALTA  DE  RECOLHIMENTO  DE  ESTIMATIVAS.  LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO.  A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art.  44,  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  quando  adotou  a  redação  em  que  afirma  "serão  aplicadas as seguintes multas", deixa clara a necessidade de aplicação da multa de  ofício  isolada,  em  razão  do  recolhimento  a  menor  de  estimativa  mensal,  cumulativamente  com  a  multa  de  ofício  proporcional,  em  razão  do  pagamento  a  menor do tributo anual, independentemente de a exigência ter sido realizada após o  final  do  ano  em  que  tornou­se  devida  a  estimativa.  (Acórdão  nº  9101­002.777  ­  Sessão de 6 de abril de 2017).  ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM  A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.  Nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ posteriores à Lei  nº  11.488/2007,  quando  não  justificados  em  balanço  de  suspensão  ou  redução,  é  cabível  a  cobrança  da  multa  isolada,  que  pode  e  deve  ser  exigida,  de  forma  cumulativa,  com  a multa  de  ofício  aplicável  aos  casos  de  falta  de  pagamento  do  mesmo tributo, apurado de forma incorreta, ao final do período­base de incidência.  MULTA  ISOLADA  E  MULTA  DE  OFÍCIO.  INCIDÊNCIA  CONCOMITANTE.  CONSUNÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.   Repele­se o argumento que pretende escorar­se na tese da consunção para afastar a  aplicação simultânea das multas comentadas. Não há como se reduzir o campo de  aplicação  da  multa  isolada  com  lastro  no  suposto  concurso  de  normas  sobre  o  mesmo  fato,  seja  porque  os  fatos  ora  descritos  não  são  os  mesmos,  seja  porque  quaisquer dos fatos relacionados no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, com  a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, não absorvem o fato relacionado no inciso  II do mesmo artigo. Não há, pois, dúvida alguma sobre a possibilidade de aplicação  concomitante  da multa  de  ofício  e  da multa  isolada.  (Acórdão  nº  9101­003.597  ­  Sessão de 10 de maio de 2018).  MULTA  ISOLADA  POR  FALTA  DE  RECOLHIMENTO  DE  ESTIMATIVAS.  CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO  SOBRE O  TRIBUTO DEVIDO  NO FINAL DO ANO. INOCORRÊNCIA DE BIS IN IDEM.  A  multa  pela  falta  de  estimativas  não  se  confunde  com  a  multa  pela  falta  de  recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. Elas configuram penalidades  distintas previstas para diferentes situações/fatos, e com a finalidade de compensar  prejuízos financeiros também distintos, não havendo, portanto, que se falar em bis  in idem. A multa normal de 75% pune o não recolhimento de obrigação vencida em  março do ano subseqüente ao de apuração, enquanto que a multa isolada de 50%  pune  o  atraso  no  ingresso  dos  recursos,  atraso  esse  verificado  desde  o  mês  de  fevereiro do próprio ano de apuração (estimativa de janeiro), e seguintes, até o mês  de março do ano subseqüente.  A  partir  do  advento  da  Medida  Provisória  nº  351/2007,  convertida  na  Lei  nº  11.488/2007,  que  alterou  a  redação  do  art.  44  da  Lei  nº  9.430/96,  não  há  mais  dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência  da multa  isolada  cominada  pela  falta  de  pagamentos  das  estimativas mensais  do  IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício decorrente da falta de  pagamento  do  imposto  e  da  contribuição  devidos  ao  final  do  ano­calendário.  (Acórdão nº 9101­003.611 ­ Sessão de 5 de junho de 2018).  Fl. 10241DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 113          112 Apenas que, considerando o cancelamento das glosas de amortização do ágio  pago na aquisição de "Tavares de Melo" nos anos­calendário 2011 (R$ 114.389.672,40) e 2012  (R$  19.064.945,40),  cabe  aqui  DAR  PROVIMENTO  PARCIAL  ao  recurso  voluntário  para  recálculo das multas isoladas com o expurgo daquelas parcelas.   Multa por omissão na ECF  A  autoridade  lançadora  aplicou  multa  no  valor  de  R$  48.182.189,88,  já  reduzida  em  50%,  e  correspondente  a  3%  do montante  de R$  3.212.145.991,74  omitido  na  Escrituração Contábil Fiscal ­ ECF original (Parte A do e­LALUR) referente ao ano­calendário  de 2014.   Consta  do Termo de Verificação  fiscal  que  na  escrituração  apresentada  em  24/09/2015  a  Demonstração  do  Resultado  Líquido,  anual  e  do  mês  de  dezembro,  os  Lançamentos da Parte A e B do e­Lalur e os Lançamentos da Parte A e B do e­Lacs traziam  apenas algumas linhas de informações sintéticas preenchidas, com as demais linhas de contas  analíticas  zeradas,  ou  seja,  com  os  valores  omitidos.  Intimada  a  apresentar  as  informações  completas, a contribuinte, de pois de solicitar prorrogação de prazo, retificou a escrituração em  05/01/2016.   Invocando  as  disposições  do  art.  8º­A  do  Decreto­lei  nº  1.598/77,  com  a  redação dada pela Lei nº 12.973/2014, bem como a Instrução Normativa RFB nº 1.422/2013, a  autoridade  fiscal  destacou  a  gravidade  da  omissão  de  informações  da  ECF,  em  face  da  extinção da DIPJ a partir do ano­calendário 2014, e refutou as justificativas apresentadas pela  contribuinte para a apresentação incompleta.   A  recorrente  afirma  a  inadequação  na  aplicação  da multa  por  omissão  na  ECF,  observando  que,  diante  da  constatação  de  que  a  contribuinte  não  havia  preenchido  as  linhas do e­Lalur, a Fiscalização intimou a contribuinte a apresentar as informações completas  em 26.11.2015, o que foi prontamente realizado com a retificação da ECF em 5.1.2016, mas  ainda assim, sob o entendimento de existir “gravidade da omissão de informação” e que sem  essa  informação corretamente preenchida o Fisco não conseguiria  realizar a administração  tributária,  prejudicando  sua  capacidade  de  selecionar  e  detectar  os  indícios  de  fraude,  a  autoridade  lançadora  aplicou  multa  de  3%  sobre  todas  as  linhas  não  preenchidas  na  ECF  entregue originalmente, calculando cerca de R$ 48.182.189,88 (quarenta e oito milhões, cento  e oitenta e dois mil,  cento e oitenta e nove reais e oitenta e oito centavos) a  título de multa  punitiva com base no inciso II do art. 8º­A combinado com o inciso II do § 3º do mesmo artigo  do Decreto­lei 1.598, de 26.12.1977 (“DL 1.598/77”).  Destaca os altos custos de conformidade para o preenchimento da respectiva  obrigação,  sendo  que  muitas  delas  não  tinham  sequer  sistema  que  possibilitasse  o  preenchimento do Programa Validador e Assinador  ("P.V.A"),  e observa que o ano de 2015  destacou­se como "ano teste" da ECF, dado o considerável número de versões do manual de  preenchimento e do programa validador, o que afetou o atendimento da recorrente à obrigação,  inclusive  prorrogando­se  o  prazo  para  entrega  da  primeira  ECF  de  julho/2014  para  setembro/2014. Foi neste contexto que a Recorrente decidiu por bem em enviar a obrigação  acessória  com  as  informações  zeradas  e  retificá­las  assim  que  resolvido  as  dificuldades  internas.  Contudo, como bem observado pela autoridade lançadora:  Fl. 10242DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 114          113 225. Em sua resposta apresentada em 28/06/2016, informou apenas que estava  se  adaptando  aos  lay­outs  da  ECF  e  enfrentou  dificuldades  em  preencher  os  blocos por completo no prazo inicial. Dessa forma, não se justifica o fato de não  ter entregue a ECF de forma completa no prazo original e, muito menos, para  não ter retificado a ECF antes da intimação feita por esta fiscalização.   De  fato,  a  interessada  dispôs  de  largo  período  de  tempo  para  retificar  a  escrituração  originalmente  apresentada,  mas  somente  o  fez,  depois  de  intimada,  em  05/01/2016.  Pertinente,  assim,  a  observância  do  disposto  no Decreto­lei  nº  1.598/77,  com  a  redação dada pela Lei nº 12.973/2014:  Art  8º  ­  O  contribuinte  deverá  escriturar,  além  dos  demais  registros  requeridos  pelas leis comerciais e pela legislação tributária, os seguintes livros:   I  ­  de  apuração  do  lucro  real,  que  será  entregue  em  meio  digital,  e  no  qual:  (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014)   [...]  Art. 8º­A. O sujeito passivo que deixar de apresentar o livro de que trata o inciso I  do caput do art. 8º, nos prazos fixados no ato normativo a que se refere o seu § 3º,  ou  que  o  apresentar  com  inexatidões,  incorreções  ou  omissões,  fica  sujeito  às  seguintes multas:   I ­ equivalente a 0,25% (vinte e cinco centésimos por cento), por mês­calendário ou  fração,  do  lucro  líquido  antes  do  Imposto  de  Renda  da  pessoa  jurídica  e  da  Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período a que se refere a apuração,  limitada a 10% (dez por cento) relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de  apresentar ou apresentarem em atraso o livro; e   II  ­ 3%  (três por cento), não  inferior a R$ 100,00  (cem reais), do valor omitido,  inexato ou incorreto.   [...]  § 3º A multa de que trata o inciso II do caput:   I  ­  não  será  devida  se  o  sujeito  passivo  corrigir  as  inexatidões,  incorreções  ou  omissões antes de iniciado qualquer procedimento de ofício; e  II  ­  será  reduzida  em  50%  (cinquenta  por  cento)  se  forem  corrigidas  as  inexatidões, incorreções ou omissões no prazo fixado em intimação.   §  4º  Quando  não  houver  lucro  líquido,  antes  do  Imposto  de  Renda  e  da  Contribuição  Social,  no  período  de  apuração  a  que  se  refere  a  escrituração,  deverá ser utilizado o lucro líquido, antes do Imposto de Renda e da Contribuição  Social do último período de apuração informado, atualizado pela taxa referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  de  Custódia  ­  Selic,  até  o  termo  final  de  encerramento do período a que se refere a escrituração.  Indica  a  recorrente  que não  há  lei  válida  prevendo  essa  exigência  e que  o  cálculo  está  equivocado  na  medida  em  que  seu  cálculo  deveria  levar  em  conta  apenas  os  lançamentos  faltantes  que  justificassem  o  auto  de  infração  e  não  todos  os  lançamentos  contábeis, que obviamente não causaram qualquer prejuízo ao fisco.  Fl. 10243DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 115          114 A  penalidade  em  referência,  porém,  como  se  vê  nos  dispositivos  acima  transcritos,  independe  de  prejuízo  concreto  ao  procedimento  fiscal,  e presta­se  a  estimular  o  cumprimento espontâneo da obrigação mediante consequências objetivamente previstas e que  têm em conta os valores omitidos, claramente demonstrados às fls. 5079/5085.   A  recorrente  também  defende  que  o  modelo  tributário  sancionatório  seja  coerente dentro de um modelo de Estado Democrático de Direito, observando a proibição de  excesso (com aplicação decorrente da proibição do confisco). Assim, a penalidade deveria ser  cancelada por três argumentos:  · Ausência  de  prejuízo  à  Administração:  considerando  que  a  sanção  não pode ser transformada em instrumento de arrecadação, devendo  ser graduada segundo o dano ou ameaça que a infração representa à  arrecadação de tributos, conforme doutrina que cita, registra que em  2014 não seria apurado lucro mesmo se indedutíveis a amortização de  ágio e as despesas financeiras, a evidenciar que a omissão de valores  nas  linhas  de  registro  M300  não  causou  nenhum  prejuízo  à  arrecadação  de  IRPJ  e  CSLL.  Como  tais  obrigações  acessórias  se  prestam a permitir a averiguação das obrigações tributárias principais,  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  tem  relevado  tais  penalidades  nas  hipóteses  em  que  o  contribuinte  agiu  de  boa­fé,  sem  qualquer  prejuízo  ao  Erário,  até  porque  o  art.  112  do  CTN  consagra  o  princípio  da  proteção  ao  contribuinte  de  boa­fé.  Destaca,  ainda,  a  desproporcionalidade da multa que  representa cerca de 25% do auto  de infração;  · Desrespeito  ao  princípio  da  proporcionalidade:  defendendo  que  na  aplicação  concreta  da  sanção  sempre  deve  haver  uma  proporcionalidade  entre  a  pena  e  a  infração  punida,  porque  uma  pena muito branda pode enfraquecer a eficácia da norma jurídica e,  assim,  comprometer  sua  função  e,  ao  contrário,  a  pena  excessivamente severa não implementa a justiça, e sim, afasta­a para  mais  distante,  conforme doutrina  e  jurisprudência  que  se pautam na  adequação,  necessidade  e  razoabilidade,  e  também  distinguem  as  multas que ultrapassam a medida do tributo, conforme expresso pelo  Supremo Tribunal Federal. Na medida em que a contribuinte apurou  prejuízo em 2014, não haveria tributo devido e a multa aplicada seria  desproporcional,  evidenciando  confisco,  mormente  porque  a  Recorrente  se  encontra  em cenário de dificuldades  econômicas,  por  questões  de  mercado  e  até  mesmo  por  questões  que  o  Brasil  vem  vivendo no cenário econômico; e  · Configuração  do  confisco:  o  Supremo  Tribunal  Federal  admite  a  extensão  do  não  confisco  às multas,  sendo  necessário  utilizar­se  do  juízo de proporcionalidade para aferir sua confiscatoriedade, e como  não há tributo devido, cabe seu afastamento integral.  Quanto  a  estes  aspectos,  basta  reiterar  o  que  consignado  pela  autoridade  julgadora de 1ª instância:  Fl. 10244DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 116          115 Embora  a  impugnante  defenda  dificuldades  para  a  implementação  da  ECF,  que  justificaria  sua  conduta  omissiva,  assim  como  a  ausência  de  prejuízo  à  Administração;  desrespeito  ao  princípio  da proporcionalidade;  e  configuração do  confisco,  o  lançamento  foi  devidamente  demonstrado  faticamente  e  fundamentado  na legislação pertinente, sendo ato administrativo vinculado, portanto, obrigatório,  sob pena de responsabilidade funcional.  A  lei  que  prevê  a  penalidade  não  indica  qualquer  conduta  que  possa  dispensar o  cumprimento da obrigação acessória determinada, exceto as condutas previstas nos  incisos I e II do § 3° do art. 8º­A. A primeira hipótese não ocorreu no presente caso,  pois  já  estava  sob  procedimento  fiscal.  A  segunda  hipótese  foi  respeitada  pela  autoridade fiscal.  O  argumento  de  não  prejuízo  para  administração  é  absolutamente  improcedente,  pois  toda  norma  que  impõe  penalidade,  impõe  justamente  para  obrigar  uma  conduta,  que  uma  vez  não  observada,  obviamente,  implica  em  prejuízo  a  administração pública.  Por  fim,  se  a  norma  legal  desrespeita  os  princípios  constitucionais  da  proporcionalidade e de vedação ao confisco, esta autoridade julgadora é impedida  de  se  manifestar  acerca  de  inconstitucionalidade.  A  autoridade  administrativa  encontra­se  vinculada  ao  estrito  cumprimento  da  legislação  tributária,  não  dispondo  de  competência  para  apreciar  inconstitucionalidade  e/ou  invalidade  de  norma,  considerando  princípios  constitucionais,  quando  o  diploma  está  legitimamente  inserido no ordenamento  jurídico nacional. O foro apropriado para  discussões dessa natureza é o Poder Judiciário. Nesses termos dispõe o art. 26­ A  do Decreto 70.235/1972, incluído pelo art. 25 da Lei 11.941/2009:  Art.  26­A.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica  vedado  aos  órgãos  de  julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar  tratado, acordo  internacional,  lei  ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.”  Com  efeito,  no  âmbito  do  procedimento  administrativo  tributário,  cabe  exclusivamente  Registre­se,  por  oportuno,  que  penalidade  semelhante  aplicada  a  outra  companhia do Grupo LDC (Biosev Bioenergia S/A) nos autos do processo administrativo nº  16561.720141/2016­01, foi integralmente mantida no Acórdão nº 1302­002.724.  Neste  ponto,  portanto,  deve  ser  NEGADO  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário.  Recomposição dos saldos de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa  A autoridade lançadora consigna no Termo de Verificação Fiscal que:  195. No ano­calendário 2009, o contribuinte apurou um saldo de prejuízos  fiscais  de  R$  761.162.169,00  e  um  saldo  de  bases  de  cálculo  negativas  de  CSLL  de  R$  799.543.985,05,  após  a  compensação  dos  seus  resultados  declarados  nesse  ano­ calendário.   196. No ano­calendário 2010, apurou Prejuízo Real de R$ 114.188.461,12 e Base de  Cálculo negativa de CSLL no valor de R$ 114.188.461,12. Em função dos valores  apurados na fiscalização, os resultados declarados pelo fiscalizado em 2010 foram  totalmente compensados, além da compensação de saldo de prejuízo fiscal e saldo  Fl. 10245DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 117          116 de  bases  de  cálculo  negativa  de  CSLL  de  períodos  anteriores  no  valor  de  R$  370.345,99.   197. No  ano­calendário  2011,  apurou Prejuízo Real  de R$  322.336,78  e Base  de  Cálculo  negativa  de  CSLL  no  valor  de  R$  322.336,78.  Em  função  dos  valores  apurados na fiscalização, os resultados declarados pelo fiscalizado em 2011 foram  totalmente compensados, além da compensação de saldo de prejuízo fiscal e saldo  de  bases  de  cálculo  negativa  de  CSLL  de  períodos  anteriores  no  valor  de  R$  55.883.747,84.   198.  No  período  de  2012,  o  contribuinte  declarou  resultados  negativos  de  R$  377.487.483,77, que foram compensados parcialmente com a infração apurada pela  fiscalização no valor de R$ 90.415.706,47. Da mesma forma no período de 2013, em  que o  resultado declarado pelo  contribuinte de prejuízo  real e de base de  cálculo  negativa de CSLL no valor de R$ 509.853.018,18, foram parcialmente compensados  com a infração apurada de R$ 71.178.548,52.   199. Também em 2014, o resultado declarado pelo contribuinte, de prejuízo real e  de  base  de  cálculo  negativa  de  CSLL  no  valor  de  R$  416.016.666,83,  foram  parcialmente compensados com a infração apurada de R$ 71.178.548,52.   200.  O  saldo  de  prejuízos  fiscais  e  de  bases  de  cálculo  negativa  de  CSLL  nos  controles do fiscalizado devem ser ajustados aos valores descritos acima, conforme  as Planilhas de Compensação de Prejuízos Fiscais do IRPJ e de Compensação de  Base Negativa da CSLL, anexas ao Auto de Infração.   A  recorrente  demanda  que,  à  semelhança do alegado nas  razões  de  direito  que fundamentam a dedutibilidade das despesas com amortização do ágio, os prejuízos fiscais  não  deveriam  ser  ajustados,  uma  vez  que  as  adições  de  supostas  despesas  não  dedutíveis  devem ser afastadas e o Prejuízo Fiscal e a Base de Cálculo Negativa recomposta para os seus  valores originais (anteriores à autuação).  Considerando  o  afastamento  das  glosas  de  amortização  do  ágio  pago  na  aquisição  de  "Tavares  de Melo"  (R$ 114.389.672,40  nos  anos­calendário  2010  e  2011  e R$  19.064.945,40  no  ano­calendário  2012)  e  o  acolhimento  da  arguição  de  decadência  relativamente à glosa de amortização do ágio pago na aquisição de "Ampla" no ano­calendário  2010  (R$  1.033.275,36),  deve  ser  DADO  PROVIMENTO  PARCIAL  ao  recurso  voluntário  para  que  as  apurações  destes  períodos  sejam  recompostas,  inclusive  verificando­se  a  disponibilização  de  prejuízos  fiscais  e  bases  negativas  para  compensação  em  períodos  posteriores em valores superiores aos utilizados pela autoridade lançadora.  CSLL  Considerando que à CSL são aplicadas as mesmas normas de apuração e de  pagamento estabelecidas para o IRPJ, observada a legislação específica quanto à alíquota e  base de cálculo (artigo 57 da Lei nº. 8.981, de 20.1.1995 e artigo 28 da Lei nº. 9.430/1996), a  recorrente afirma válidos os argumentos de fato e de Direito apresentados anteriormente, que  justificam  a  legalidade  do  procedimento  adotado  pela  Recorrente  também  para  efeitos  de  recolhimento da CSL.  Na medida em que a autoridade fiscal promoveu glosas de idêntico valor na  apuração  do  IRPJ  e da CSLL,  diferindo  a  apuração  apenas  na  compensação  de prejuízos  ou  bases  negativas  anteriores  ou  na  repercussão  dos  prejuízos  e  bases  negativas  apurados  nos  Fl. 10246DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 118          117 períodos, o afastamento das glosas de amortização do ágio pago na aquisição de "Tavares de  Melo"  (R$  114.389.672,40  nos  anos­calendário  2010  e  2011  e  R$  19.064.945,40  no  ano­ calendário 2012), bem como o acolhimento da arguição de decadência relativamente à glosa de  amortização do ágio pago na aquisição de "Ampla" no ano­calendário 2010 (R$ 1.033.275,36),  devem também repercutir na apuração da base de cálculo da CSLL, já estando esta repercussão  contemplada no provimento parcial dado ao recurso voluntário naqueles pontos.   Conclusão  Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de:  · CONHECER a petição apresentada depois de pautado o processo para  julgamento, mas REJEITAR a preliminar de aplicação do art. 24 da  LINDB;  · REJEITAR  a  arguição  de  nulidade  do  lançamento  por  alteração  de  critério jurídico em sede de diligência, bem como por negligência no  cumprimento de diligência junto a instituições financeiras;  · DAR  PROVIMENTO  PARCIAL  ao  recurso  voluntário  para:  i)  afastar  as  glosas  de  amortização  do  ágio  pago  na  aquisição  de  "Tavares  de Melo"  (R$  114.389.672,40  nos  anos­calendário  2010  e  2011 e R$ 19.064.945,40 no ano­calendário 2012), o que dispensa a  apreciação  da  qualificação  da  penalidade  aplicada  sobre  o  crédito  tributário  resultante  de  tais  glosas,  bem  como  da  arguição  de  decadência  dela  dependente;  e  ii)  acolher  a  arguição  de  decadência  relativamente  à  glosa  de  amortização  do  ágio  pago  na  aquisição  de  "Ampla"  no  ano­calendário  2010  (R$  1.033.275,36)  e  manter  as  glosas referentes aos anos­calendário 2011 (R$ 1.033.275,36) e 2012  (R$ 172.212,55), mas sem a qualificação da penalidade;  · NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário  para  manter  integralmente as glosas de amortização do ágio pago na aquisição de  Santaelisa Vale S/A e a qualificação da penalidade aplicada sobre os  créditos tributários daí resultantes, apurados nos anos­calendário 2011  a 2014;  · DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para recálculo  das multas isoladas com o expurgo das glosas de amortização do ágio  pago  na  aquisição  de  "Tavares  de Melo"  nos  anos­calendário  2011  (R$ 114.389.672,40) e 2012 (R$ 19.064.945,40);  · NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa  por omissão na ECF; e  · DAR  PROVIMENTO  PARCIAL  ao  recurso  voluntário  para  que  as  apurações  de  2010,  2011  e  2012  sejam  recompostas  em  razão  do  afastamento das glosas de amortização do ágio pago na aquisição de  "Tavares  de  Melo"  e  do  acolhimento  da  arguição  de  decadência  relativamente  à  glosa  de  amortização  do  ágio  pago  na  aquisição  de  "Ampla"  no  ano­calendário  2010,  inclusive  verificando­se  a  Fl. 10247DF CARF MF Processo nº 16561.720242/2016­73  Acórdão n.º 1402­003.605  S1­C4T2  Fl. 119          118 disponibilização  de  prejuízos  fiscais  e  bases  negativas  para  compensação  em  períodos  posteriores  aqui  autuados  em  valores  superiores aos utilizados pela autoridade lançadora.    (assinado digitalmente)  Edeli Pereira Bessa – Relatora                              Fl. 10248DF CARF MF

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Numero do processo: 10880.978908/2012-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 06/12/2004 MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À APRESENTAÇÃO DA DCTF E ANTES DO INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. AFASTAMENTO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Diante da existência de decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o débito foi confessado, desde que antes do início de qualquer procedimento fiscal, configura-se a denúncia espontânea do art. 138 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-005.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado, homologando-se as compensações até o limite do direito creditório reconhecido. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE

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3302­005.960  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de setembro de 2018  Matéria  RESTITUIÇÃO  Recorrente  DOW BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS QUÍMICOS  LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 06/12/2004  MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À  APRESENTAÇÃO  DA  DCTF  E  ANTES  DO  INÍCIO  DE  QUALQUER  PROCEDIMENTO  FISCAL.  AFASTAMENTO,  POR  FORÇA  DE  DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.  Diante da existência de decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos  repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento  em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF  na  qual  o  débito  foi  confessado,  desde  que  antes  do  início  de  qualquer  procedimento fiscal, configura­se a denúncia espontânea do art. 138 do CTN.  Recurso Voluntário Provido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para  reconhecer  o  direito  creditório  pleiteado,  homologando­se as compensações até o limite do direito creditório reconhecido.  (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Paulo  Guilherme  Déroulède  (Presidente),  Orlando  Rutigliani  Berri  (Suplente  Convocado),  Walker  Araujo,  Vinicius Guimarães  (Suplente Convocado),  José Renato Pereira de Deus,  Jorge Lima Abud,  Diego Weis Júnior e Raphael Madeira Abad.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 89 08 /2 01 2- 68 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10880.978908/2012­68  Acórdão n.º 3302­005.960  S3­C3T2  Fl. 3          2 Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  contra  decisão  de  primeira  instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a  decisão  da  repartição  de  origem  de  indeferir  o  Pedido  de  Restituição  (PER)  formulado,  em  razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado  para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte.  Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou que fazia jus  à restituição pleiteada pelo fato de que o crédito informado era proveniente de recolhimento de  multa  de  mora  indevida,  em  razão  da  denúncia  espontânea,  tendo  em  vista  o  recolhimento  espontâneo do tributo devido, nos termos do art. 138 do CTN.  A  Delegacia  de  Julgamento  (DRJ),  por  meio  do  acórdão  nº  14­053.293,  julgou  improcedente  a  Manifestação  de  Inconformidade,  considerando  que  o  instituto  da  denúncia espontânea não exclui a multa de mora estipulada na legislação tributária, porquanto  o  seu  pagamento  é  expressamente  previsto  para  os  casos  em  que  o  recolhimento  do  tributo  ocorre  espontaneamente  após  o  vencimento  da  obrigação,  sendo  irrelevante  à  questão  a  distinção doutrinária entre caráter indenizatório ou punitivo da sua exigência.  Ressaltou, ainda, o julgador de piso, que as autoridades administrativas estão  obrigadas  à observância da  legislação  tributária vigente no País,  sendo  incompetentes para  a  apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos normativos regularmente  editados.  Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso  Voluntário  e  reafirmou  as  razões  de  defesa  suscitadas  na Manifestação  de  Inconformidade,  enfatizando  o  instituto  da  denúncia  espontânea,  especialmente  o  seu  reconhecimento  pelo  CARF e pelo STJ em sede de Recurso Repetitivo.  É o relatório.  Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10880.978908/2012­68  Acórdão n.º 3302­005.960  S3­C3T2  Fl. 4          3 Voto             Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF),  aprovado  pela Portaria MF  343,  de  9  de  junho  de  2015,  aplicando­se,  portanto,  ao  presente  litígio  o  decidido  no Acórdão  nº  3302­005.954,  de  26/09/2018,  proferida  no  julgamento  do  processo nº 10880.978899/2012­13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento  que  prevaleceu  naquela decisão (Acórdão nº 3302­005.954):  1. Admissibilidade  O presente Recurso Voluntário é tempestivo, eis que a Recorrente tomou  ciência  da  decisão  em  21.03.2016  (e­fls.  71)  e  apresentou  o  Recurso  em  20.04.2016  (e­fls.72),  portanto  dentro  do  prazo  de  30  dias  de  que  trata  o  artigo 33 do Decreto n. 70.235/72.  A matéria é de competência deste Colegiado e o recurso reveste­se dos  demais requisitos legais, razão pela qual dele conheço.  2. Mérito.  Não tendo sido arguidas preliminares, é de se analisar o mérito recursal.  2.1. Denúncia Espontânea.  Em relação ao instituto da denúncia espontânea e a sua atual disciplina  no  âmbito  do  Poder  Judiciário  e  no  CARF,  tal  entendimento  encontra  respaldo na jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais que no  processo 10980.004263/200730 foi proferido o Acórdão n. 9303005.874, na  sessão  de  18  de  outubro  de  2017,  cuja  ementa,  de  Relatoria  do  I.  Conselheiro Rodrigo Pôssas é abaixo transcrita:  "ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS.  Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003  MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À  APRESENTAÇÃO  DA  DCTF  E  ANTES  DO  INÍCIO  DE  QUALQUER  PROCEDIMENTO  FISCAL.  AFASTAMENTO,  POR  FORÇA  DE  DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.  Havendo decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos,  no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso,  feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o  débito  foi  confessado,  desde que  antes  do  início  de qualquer procedimento  fiscal, por considerar, que, nestes casos, configura­se a denúncia espontânea  do  art.  138  do  CTN,  ela  deverá  ser  reproduzida  pelos  conselheiros  no  julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental.."   Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10880.978908/2012­68  Acórdão n.º 3302­005.960  S3­C3T2  Fl. 5          4 Quando da prolação da referida decisão, em sede de Recurso Especial, a  Câmara Superior de Recursos Fiscais salientou que em razão da existência  de  Recurso  Especial  em  sistemática  dos  Recursos  Repetitivos  no  STJ,  a  matéria sequer pode ser apreciada pelo CARF.  "A matéria  tratada  no  presente  recurso  refere­se  somente  ao  cabimento  ou  não  da  cobrança  da multa  moratória  nos  casos  de  pagamento  a  destempo,  mas  feito  anterior  ou  até  concomitantemente  à  apresentação  da  DCTF  na  qual  se  confessou  o  respectivo  débito,  e  antes  do  início  de  qualquer  procedimento fiscal.  O tema não é mais passível de discussão no CARF haja vista que o Superior  Tribunal de Justiça já decidiu a questão posta, sob a sistemática dos recursos  repetitivos, nos termos do artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de  1973, antigo Código de Processo Civil.  O Recurso Especial nº 1.149.022/SP, que trata da matéria, foi interposto pela  autora,  contra  decisão  do  Tribunal  Regional  Federal  da  3ª  Região,  que  entendeu  que  não  se  configurava  a  denúncia  espontânea  o  deliberado  pagamento  a  destempo  do  tributo,  não  discutido  judicialmente,  cujo  lançamento deve por ele ser efetuado."  Tratando­se de Recurso Repetitivo  submetido à norma do artigo 543­C  do CPC, aplica­se a Portaria MF n. 343/2015, art. 62 § 2º que determina a  aplicação da decisão, nos seguintes termos:  Art.  62.  Fica  vedado  aos  membros  das  turmas  de  julgamento  do  CARF  afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou  decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.  (...)  §  2º  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  e pelo Superior Tribunal de  Justiça  em matéria  infraconstitucional,  na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts.  1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão  ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do  CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)  Quando da discussão da controvérsia no âmbito da Câmara Superior de  Recursos  Fiscais,  no  bojo  do  já  mencionado  Recurso  Especial,  o  Ilmo.  Conselheiro Rodrigo Pôssas salientou que o referido entendimento vincula  as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, verbis:  "Registre­se  ainda,  a  título  de  observação,  que,  na  forma  da  Lei  nº  10.522/2002,  art.  19,  §  5º,  com  a  redação  dada  pelo  art.  21  da  Lei  nº  12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de  Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN  na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão:  NOTA PGFN/CRJ/Nº 1114/2012 (...)  (...)  5.  ...  em  resposta  à  consulta  da  RFB,  segue  em  lista  anexa  a  esta  Nota  a  delimitação dos julgados proferidos pelo STF e STJ, relacionados pela RFB,  para efeitos de que aquele órgãoproceda ao cumprimento, no seu âmbito,do  quanto disposto no Parecer PGFN 2025/2011.  (...)  45 RESP 1.149.022/SP  (...)  Resumo:  1.  A  denúncia  espontânea  resta  configurada  na  hipótese  em  que  o  contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a  Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10880.978908/2012­68  Acórdão n.º 3302­005.960  S3­C3T2  Fl. 6          5 lançamento  por  homologação)  acompanhado  do  respectivo  pagamento  integral,  retifica­a  (antes  de  qualquer  procedimento  da  Administração  Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá  concomitantemente."  No caso concreto a Recorrente realizou uma compensação tributária e,  independente de qualquer atuação estatal, posteriormente identificou o erro,  recolheu a diferença e emitiu nova DCTF (...)  Imperioso destacar que pela análise da documentação trazida aos autos  a nova DCTF foi apresentada APÓS o recolhimento da diferença do tributo,  que  se deu  independente de qualquer atuação por parte da Administração  Pública,  razão  pela  qual  a  Recorrente  entende  não  serem  devidos  juros  moratórios.  Efetivamente, é de se constatar que o caso ora submetido a análise deste  Colegiado amolda­se com perfeição à jurisprudência deste Colegiado, aliás  de observância compulsória, razão mais que suficiente para que seja dado  provimento ao presente Recurso Voluntário  Diante  do  exposto,  voto  por  dar  provimento  parcial  ao  Recurso  voluntário  para  reconhecer  o  direito  creditório  pleiteado,  cabendo  à  unidade administrativa efetuar a compensação até o limite do crédito.   Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar  provimento  parcial  ao  Recurso  Voluntário,  para  reconhecer  o  direito  pleiteado,  cabendo  à  unidade administrativa efetuar a compensação até o limite do crédito.  (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède                                Fl. 117DF CARF MF

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Numero do processo: 10380.904130/2011-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.545
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA

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3201­001.545  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  29 de novembro de 2018  Assunto  SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA  Recorrente  NORSA REFRIGERANTES LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento do Recurso em diligência.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Paulo Roberto Duarte Moreira ­ Relator  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro  Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira,  Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o  conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio  Cruz Uliana Junior.    Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida  pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP.  Para  bem  relatar  os  fatos,  transcreve­se  o  relatório  da  decisão  proferida  pela  autoridade a quo:  Trata  o  presente  processo  de  Manifestação  de  Inconformidade  interposta  pela  empresa  NORSA  REFRIGERANTES  LTDA,  CNPJ  nº  07.196.033/0001­06,  em  contrariedade  ao  Despacho  Decisório  de  fl.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 04 13 0/ 20 11 -1 9 Fl. 4584DF CARF MF Processo nº 10380.904130/2011­19  Resolução nº  3201­001.545  S3­C2T1  Fl. 194          2 3983  e  3984,  que  não  homologou  o  PER/DCOMP  nº  29017.28381.240108.1.1.01.6975,  relativo  a  crédito  de  ressarcimento  de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI do 4º Trimestre/2007.  Tal Despacho Decisório é decorrente do MPF nº 0310100.2011.00310­ 0, o qual abrangeu os períodos a seguir relacionados, para os quais a  manifestante solicita reunião dos processos.    De acordo com o Despacho Decisório de fl. 3983 e 3984, o valor do  crédito reconhecido foi  inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s)  seguinte(s)  motivo(s):  a)  saldo  credor  passível  de  ressarcimento  inferior  ao  valor  pleiteado.  Por  sua  vez,  a(s)  glosa(s)  decorreu(ram)da(s) situação(ões) a seguir:  ­  Constatação  de  que  o  saldo  credor  passível  de  ressarcimento  é  inferior ao valor pleiteado;  ­  Ocorrência  de  créditos  considerados  indevidos,  em  procedimento  fiscal.  Esclareça­se  que  o  Despacho  Decisório  foi  instruído  com  os  demonstrativos  de  apuração  e  da  Informação  Fiscal  de  fls.  4026  a  4036.  A base legal do lançamento encontra­se nos autos.  Em 15/05/2012  (fl.  3985),  a  interessada  foi  cientificada do Despacho  Decisório  e,  em  13/06/2012,  apresentou  manifestação  de  inconformidade (fls. 3986/4000), acompanhada dos documentos de fls.  4001/4504, na qual alega, em síntese, o quanto segue:  ∙  Solicita  a  reunião  para  julgamento  dos  processos,  abrangidos  pelo  MPF nº  0310100.2011.00310­0,  relativos  aos  períodos  1º,  2º,  3º  e  4º  Trimestres/2007 e 1º, 2º e 3 Trimestres/2008;  ∙ falta de fundamentação e detalhamento legal, bem como da descrição  dos  fatos  , ausência do principio de motivação dos seus atos, motivos  pelos os quais, solicita nulidade;  ∙  a  existência  de  saldo  credor  passível  de  ressarcimento,  conforme  RAIPI  juntado  aos  autos,  que  a  glosa  decorreu  em  razão  da  fiscalização, ter erroneamente se utilizado de saldos incompreensíveis,  requerendo todos os meios de prova, inclusive perícia e diligência;  ∙ homologação tácita de compensações atreladas ao presente processo,  em  razão  de  decurso  de  prazo  de  5  anos,  do  envio  das  DCOMPs  originais;  Fl. 4585DF CARF MF Processo nº 10380.904130/2011­19  Resolução nº  3201­001.545  S3­C2T1  Fl. 195          3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP  por  intermédio  da  8ª  Turma,  no  Acórdão  nº  14­59.902,  sessão  de  06/04/2016,  julgou  improcedente a impugnação do contribuinte. A decisão foi assim ementada:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS  ­  IPI   Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007  NULIDADE.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  ­  CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.  Não  configura  cerceamento  do  direito  de  defesa  quando  o  conhecimento  dos  atos  processuais  pelo  acusado  e  o  seu  direito  de  resposta ou de reação encontraram­se plenamente assegurados.  HOMOLOGAÇÃO TÁCITA POR DECURSO DE PRAZO   As  compensações  vinculadas  à  PER/DCOMP  original,  de  pleito  de  ressarcimento,  tem como inicio da contagem prazo quinquenal a data  da transmissão do PER/DECOMP do pleito de compensação, portanto,  temos a inocorrência de da homologação tácita por decadência.  IPI. RESSARCIMENTO. DESPACHO ELETRÔNICO.  É  de  se  manter  intacto  o  montante  deferido  no  despacho  decisório  quando  a  manifestação  de  inconformidade  não  logra  êxito  em  demonstrar  qualquer  inconsistência  no  processamento  eletrônico  do  PER DCOMP.  RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. SALDO CREDOR   O  valor  do  ressarcimento  limita­se  ao  menor  saldo  credor  apurado  entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao  da protocolização do pedido.  ÔNUS DA PROVA.  Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou  extintivos da pretensão fazendária.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido   Inconformada  a  contribuinte,  apresentou  recurso  voluntário  reiterando  as  mesmas  matérias  versadas  em  manifestação  de  inconformidade  para  reforma  da  decisão  recorrida  no  sentido  de  reconhecer  a  nulidade  do  despacho  decisório  e  o  direito  ao  ressarcimento do saldo credor do IPI no trimestre em questão.  É o relatório.    Voto  Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator  Fl. 4586DF CARF MF Processo nº 10380.904130/2011­19  Resolução nº  3201­001.545  S3­C2T1  Fl. 196          4 O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual  dele tomo conhecimento.  Consta  dos  autos  que  o  litígio  versa  sobre  o  valor  reconhecido  do  crédito  ressarcível de IPI no período de apuração, que fora inferior ao solicitado.  A autoridade fiscal apontou dois fundamentos para a conclusão de que consta no  despacho decisório: (i) a constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior  ao  pleiteado  na  PER/DCOMP,  e  (ii)  a  constatação,  em  procedimento  fiscal,  de  créditos  considerados indevidos.  Todavia,  a  recorrente  suscita  em  preliminar  a  nulidade  do  despacho  decisório  em razão de não identificar (a) a origem do saldo credor inicial do 1º Trimestre de 2007 obtido  pela fiscalização, transportado do trimestre anterior, e (b) o motivo e valores das glosas, assim  exposto:  A Recorrente suscitou e demonstrou minuciosamente na defesa  inicial  que,  por  mais  esforço  que  tenha  feito,  não  conseguiu  descobrir  o  motivo de dois fatos que alteraram consideravelmente a apuração dos  saldos credores em cheque: primeiro não conseguiu identificar como a  fiscalização  chegou  no  saldo  credor  inicial  do  1º  Trimestre  de  2007  (transportado  do  4º  Trimestre  de  2006);  segundo  não  conseguiu  identificar  a  razão  das  glosas,  embora  tenha  feito  diversas  tentativas  oportunamente demonstradas.  Aduz que neste ponto é nula igualmente a decisão recorrida pois fundamentou a  higidez do despacho decisório na ausência de incompetência da autoridade administrativa e de  preterição do direito de defesa, pois lhe fora assegurado tal direito.  Insiste a recorrente que o cerceamento do direito de defesa não é afastado tão­só  pela possibilidade recursal, mas sim no conhecimento dos cálculos dos créditos glosados e dos  exatos motivos que implicaram a negativa do pleito.  A  recorrente  relata  em  seu  recurso  as  "tentativas"  em  elucidar  os motivos  da  glosa  ao  analisar  as  informações  que  constam  dos Termo  de Constatação  nº  01  e Termo  de  Informação Fiscal nº 04 e Termo de Intimação nº 04.  Conclui  que  as  glosas  realizadas  não  foram  justificadas  e  o  saldo  credor  do  trimestre anterior transportado para o período auditado não fora esclarecido.  Pois bem, vejamos se procedentes as alegações.  O  saldo  credor  inicial  do  trimestre,  transportado  do  trimestre  imediatamente  anterior,  está  informado  no  "Demonstrativo  de  Apuração  do  Saldo  Credor  Ressarcível"  (demonstrativo  de  detalhamento  do  crédito  anexo  ao  despacho  decisório),  coluna  "b",  cuja  legenda  esclarece  que  "Para  o  primeiro  período  de  apuração,  será  igual  ao  Saldo  Credor  apurado  ao  final  do  trimestre­calendário  anterior,  ajustado  pelos  valores  dos  créditos  reconhecidos em PERDCOMP de trimestres anteriores. Esse saldo (saldo credor inicial) não é  passível de ressarcimento."   Assim, o valor consignado é de R$ 2.820.233,94 que deveria corresponder aos  ajustes do valor original do  saldo  credor no Livro de Apuração do  IPI,  de R$ 6.261.422,69.  Fl. 4587DF CARF MF Processo nº 10380.904130/2011­19  Resolução nº  3201­001.545  S3­C2T1  Fl. 197          5 Ademais, afirma a contribuinte que no PAF 10380.903166/2011­77 foi reconhecido o pedido  de  ressarcimento  de  R$  2.247.609,66  no  3º  decêndio  de  janeiro/2007,  devendo,  assim,  o  estorno parcial ser considerado corretamente neste período.  Não  consta  dos  autos  a  ciência  ao  contribuinte  de  tais  ajustes,  bem  como  sua  demonstração.  Quanto  ao  desconhecimento  dos  motivos  da  glosa  de  créditos,  a  leitura  do  Termo  de Constatação  nº  01  (fls.  4.026/4.028)  explicita  apenas  que  a  apuração  dos  créditos  ressarcíveis foram obtidos das notas fiscais com código CFOP 1101 e 2101.  Mais uma vez, permanece a dúvida quanto à ciência da contribuinte no tocante  aos motivos e fundamentos das glosas.  Por  último,  aduz  ainda  a  contribuinte  que  em  todos  os  trimestres  havia  saldo  credor disponível e não houve utilização em período seguinte, o que levaria ao reconhecimento  do crédito e homologação das compensações.  Os  pontos  suscitados  pela  recorrente  devem  ser  esclarecidos  para  a  correta  apreciação dos fatos à luz do direito creditório  Desse modo, proponho a conversão do feito em diligência para que a Autoridade  Preparadora,  em  face  dos  argumentos  apresentados  em  sede  de  Recurso  Voluntário,  providencie o que se pede:  1. Demonstre a  ciência da contribuinte no procedimento  fiscal de apuração do  saldo credor inicial do trimestre e das glosas de créditos efetuadas;   2. Apresente os demonstrativos de apuração do saldo credor do trimestre com os  ajustes realizados;  3.  Apresente  os  demonstrativos  de  glosa  dos  créditos  no  trimestre,  com  os  motivos e seus fundamentos;  4.  Houve  saldo  credor  final  de  IPI  apurado  pelo  Contribuinte  no  trimestre  anterior?  5.  Por  fim,  a  partir  das  respostas  anteriores  e  possíveis  ajustes  (saldo  credor  inicial  do  trimestre  e/ou  créditos  glosados)  decorrentes  de  acolhimento  dos  argumentos  suscitados  pela  contribuinte,  esclareça  se  no  presente  Processo  Administrativo  remanescem  débitos não compensados por insuficiência de crédito. Se positivo, quais e em qual valor?  A Autoridade Fiscal poderá intimar o contribuinte para apresentar documentos  ou esclarecimentos que entenda necessários para o cumprimento da diligência.  Após, conceda­se o prazo de 30 (trinta) dias ao contribuinte para se manifestar  quanto ao resultado da diligência.  Cumpridas  as  providências  indicadas,  deve  o  processo  retornar  ao  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais ­ CARF para prosseguimento do julgamento.  (assinado digitalmente)  Fl. 4588DF CARF MF Processo nº 10380.904130/2011­19  Resolução nº  3201­001.545  S3­C2T1  Fl. 198          6 Paulo Roberto Duarte Moreira    Fl. 4589DF CARF MF

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Numero do processo: 10930.907128/2011-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Diferentemente da compensação, por ausência de compensação legal, não será considerada tacitamente homologada a restituição, objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, após o prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. DESCABIMENTO. A decisão judicial, proferida pelo Supremo Tribunal Federal sob a sistemática de repercussão geral, que reconhece a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, promovido pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, não possui influência nas solicitações de restituição de PIS ou de Cofins calculados no regime da não cumulatividade, com base nas Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 3201-004.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA

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3201­004.371  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de outubro de 2018  Matéria  Restituição/Compensação  Recorrente  MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/03/2004 A 31/03/2004  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  PRAZO  DE  CINCO  ANOS  PARA  APRECIAR.  HOMOLOGAÇÃO  TÁCITA.  RESTITUIÇÃO.  IMPOSSIBILIDADE.  Diferentemente  da  compensação,  por  ausência  de  compensação  legal,  não  será  considerada  tacitamente  homologada  a  restituição,  objeto  de  despacho  decisório  proferido  e  cientificado  o  sujeito  passivo,  após  o  prazo  de  cinco  anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do  artigo  74  da  Lei  nº  9.430/96,  com  a  redação  dada,  respectivamente,  pelo  artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03.  ALARGAMENTO  DA  BASE  DE  CÁLCULO.  RESTITUIÇÃO.  PIS/PASEP. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. DESCABIMENTO.  A decisão judicial, proferida pelo Supremo Tribunal Federal sob a sistemática  de  repercussão geral, que  reconhece a  inconstitucionalidade do alargamento  da base de cálculo do PIS e da Cofins, promovido pelo art. 3º, § 1º da Lei nº  9.718, de 1998, não possui  influência nas  solicitações de  restituição de PIS  ou de Cofins calculados no regime da não cumulatividade, com base nas Leis  nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.  (assinatura digital)  Charles Mayer de Castro Souza ­ Presidente.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 71 28 /2 01 1- 10 Fl. 143DF CARF MF     2 (assinatura digital)  Pedro Rinaldi de Oliveira Lima ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcelo  Giovani  Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira  Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz  Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).  Relatório    Trata­se  de  Recurso  Voluntário  de  fls.  57  em  face  da  decisão  de  primeira  instância da DRJ/PR de fls. 51 que manteve o despacho decisório de fls. 5, que não reconheceu  os créditos pleiteados.     Como é de costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório do  Acórdão de primeira instância, segue para apreciação conforme fls. apontadas acima:    "Trata  o  presente  processo  de  manifestação  de  inconformidade  (fls.  15/23)  apresentada  em  18/01/2012,  em  face  do  indeferimento  de  pedido  de  restituição  (PER),  de  nº  36090.20662.300605.1.2.04­6196,  nos  termos  do  despacho  decisório  emitido  em  02/12/2011  pela  DRF  em  Londrina  (rastreamento nº 13472644).  No aludido PER,  transmitido  eletronicamente em 30/06/2005,  a  contribuinte  objetiva  o  reconhecimento  de  direito  creditório  no  montante  de  R$  3.077,73  correspondente  a  uma  parte  do  pagamento  de  Cofins  efetuado  em  15/04/2004,  sob  o  código  5856, no montante de R$ 220.412,03.  Segundo  o  despacho  decisório  recorrido,  a  restituição  foi  indeferida porque, de acordo com a informação contida na DCTF  transmitida  pela  interessada,  o  pagamento  indicado  para  dar  suporte  ao  crédito  estava  totalmente  utilizado  para  extinção  do  débito de Cofins, cód. 5856, do período de apuração 03/2004.  Na manifestação apresentada, a interessada afirma que o § 1º do  art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 teve a sua inconstitucionalidade  declarada  pelo  STF.  Salienta  que  a  manifestação  contida  no  despacho  decisório  decorre  de  informação  prestada  em  DCTF  nos anos de 2000 a 2004, ou seja, consoante previsão legal então  vigente. Acredita que a conclusão deve ser a de procedência do  pedido, afinal, nos termos das decisões existentes as receitas não  operacionais devem ser excluídas das bases de cálculo do PIS e  da  Cofins.  Salienta  que  as  declarações  prestadas  anteriormente  devem ser revistas e diz que para ocorrer o deferimento bastará à  Autoridade Julgadora proceder à análise das DCTF apresentadas,  tendo por base planilha anexada à manifestação.  Aduz,  adicionalmente,  que  a  discussão  principal  contida  no  processo  diz  respeito  à  matéria  de  direito,  “devendo  o  órgão  Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10930.907128/2011­10  Acórdão n.º 3201­004.371  S3­C2T1  Fl. 144          3 julgador  apreciar  a  procedência  da  tese”,  intimando  a  contribuinte a provar o direito mediante prova documental.  Ao  final,  pede  o  acolhimento  da  manifestação  de  inconformidade.  À  fl.  44  a  DRF  Londrina  atesta  a  tempestividade  da  manifestação.  Às  fls.  47/50,  juntaram­se  cópias  de  extratos  de  consultas  ao  sistema de controle de Dacon.  É o relatório."  Este Acórdão de primeira instância da DRJ/MG foi publicado com a seguinte  Ementa:   "ASSUNTO:  NORMAS  DE  ADMINISTRAÇÃO  TRIBUTÁRIA   Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004   ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. RESTITUIÇÃO.  PIS/PASEP.  COFINS.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  DESCABIMENTO.  A decisão judicial, proferida pelo Supremo Tribunal Federal sob  a  sistemática  de  repercussão  geral,  que  reconhece  a  inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e  da Cofins, promovido pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718, de 1998,  não tem relação e portanto não autoriza a restituição de PIS ou de  Cofins,  calculados  no  regime da  não  cumulatividade,  com base  nas Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, respectivamente.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido."  Após o protocolo do Recurso Voluntário, que reforçou as argumentações da  Manifestação de Inconformidade, os autos foram distribuídos para este Conselheiro e pautados  para julgamento nos moldes estabelecidos no regimento interno.  Relatório proferido.  Voto             Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima ­ Relator.  Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos  e  petições  apresentados  aos  autos  deste  procedimento  administrativo  e,  no  exercício  dos  trabalhos  e  atribuições  profissionais  concedidas  aos  Conselheiros,  conforme  Portaria  de  condução e Regimento Interno, apresenta­se este Voto.  Fl. 145DF CARF MF     4 Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de  Recursos Fiscais, merece conhecimento o tempestivo Recurso Voluntário.  Sobre  o  pedido  de  homologação  tácita,  verifica­se  que  esta  não  ocorreu,  apesar  do  prazo  de  cinco  anos  do  pedido  administrativo  (30/06/05)  até  a  data  do Despacho  Decisório de fls 5 (02/12/2011) ter vencido.  Será considerada tacitamente homologada, somente a compensação objeto de  declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado  o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos  termos dos  parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo  artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03.  Entre  muitos  precedentes  neste  Conselho,  a  homologação  tácita  ganhou  destaque  no  julgamento  do Acórdão  9303003.456,  na Câmara  Superior  de Recursos  Fiscais  deste Conselho, em fevereiro de 2016, na relatoria do professor Valcir Gassen.  Contudo,  a  grande  maioria  dos  precedentes  deste  Conselho  não  aplicou  a  homologação  tácita  em  pedidos  de  restituição,  desacompanhados  da  declaração  de  compensação, por ausência de previsão legal.  Este é o caso dos autos.   Portanto, não merece provimento a alegação preliminar.  Com relação ao mérito, como bem exposto na decisão de primeira instância,  a mencionada inconstitucionalidade do denominado "alargamento da base de cálculo do Pis e  Cofins" não se aplica ao regime não cumulativo, isto porque a Lei n.º 9718/98, que foi objeto  do mencionado julgamento no STF, trata somente do Pis e Cofins no regime cumulativo.  Assim,  a  decisão  judicial,  proferida  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  sob  a  sistemática de repercussão geral, que reconhece a inconstitucionalidade do alargamento da base  de cálculo do PIS e da Cofins, promovido pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, não possui  influência  nas  solicitações  de  restituição  de  PIS  ou  de  Cofins  calculados  no  regime  da  não  cumulatividade, com base nas Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003.  Diante  do  exposto,  vota­se  para  que  seja  NEGADO  PROVIMENTO  ao  Recurso Voluntário.  Voto proferido.  (assinatura digital)  Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.                              Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10930.907128/2011­10  Acórdão n.º 3201­004.371  S3­C2T1  Fl. 145          5     Fl. 147DF CARF MF

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