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Numero do processo: 19515.000206/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004,2005
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103.
A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício.
Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadrava-se na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15521.000284/2009-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004,2005 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadrava-se na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa.
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LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 15521.000284/200979, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 02 06 /2 00 9- 12 Fl. 5091DF CARF MF Processo nº 19515.000206/200912 Acórdão n.º 1402003.545 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Trata de Recurso de Ofício oposto em face do cancelamento de exações sofridas pela Contribuinte, promovido pela DRJ a quo, dando provimento às razões de Impugnação opostas contra o lançamento de ofício procedido. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.484, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15521.000284/2009 79, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.484): "Inicialmente, analisando os requisitos de admissibilidade do Recurso de Ofício, constatase que tal apelo foi tirado de v. Acórdão que exonerou débito tributário (considerando, aqui, principal e multas) em monta inferior ao atual valor de alçada que propiciaria seu manejo e consequente conhecimento por este E. CARF. Posto isso, tal montante está abaixo do mínimo de R$ 2.500.000,00 fixados pela Portaria MF nº 63/2017, acarretando no seu não conhecimento, considerandose definitivamente exonerado tal crédito fiscal, nos precisos termos e limites da r. decisão da DRJ a quo. Fl. 5092DF CARF MF Processo nº 19515.000206/200912 Acórdão n.º 1402003.545 S1C4T2 Fl. 4 3 Tais circunstâncias e ocorrência também atraem a incidência da Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Como se extrai de tal entendimento sumular plenamente vigente deste E. Conselho, ainda que quando da prolatação do v. Acórdão recorrido a monta do débito cancelado enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador de 2ª Instância administrativa. In casu, como mencionado, tal evento ocorre após a vigência Portaria MF nº 63/2017, não havendo mais justificativa e motivação para o conhecimento recursal. Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 5093DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15555.720036/2015-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012
NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 RICARF.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO OBJETO DE DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO
Compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo pode se ressarcir de valores pagos indevidamente, deduzindo-os das contribuições devidas à Previdência Social.
É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da decisão judicial.
DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS.
As decisões judiciais só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros.
Numero da decisão: 2301-005.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado para substituir a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, ausente justificadamente) e João Bellini Junior (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adotase a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 RICARF. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO OBJETO DE DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO Compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo pode se ressarcir de valores pagos indevidamente, deduzindoos das contribuições devidas à Previdência Social. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da decisão judicial. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 55 5. 72 00 36 /2 01 5- 07 Fl. 179DF CARF MF 2 João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado para substituir a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, ausente justificadamente) e João Bellini Junior (Presidente). Relatório 1. Tratase de julgar recurso voluntário (efls 145/167) interposto em face do Acórdão nº 0738.074 (efls 129/137), prolatado pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis que julgou improcedente manifestação de inconformidade ao não reconhecer o direito creditório decorrente de compensação de contribuições previdenciárias procedidas pelo ora Recorrente. 2. Esclareçase que as razões trazidas no recursos voluntário do contribuinte (efls. 145/167) são praticamente idênticas àquelas que constam nas peças impugnatórias, motivo que nos leva a transcrever o relatório1 contido decisão de primeira instância, suficiente para a compreensão do contexto do litígio. Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade, contra Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu/RJ, emitido em 08/07/2015, fls. 63/70, cuja decisão considerou não homologado valores indevidamente compensados pelo sujeito passivo, no montante de R$ 8.037.960,05. Nos termos do despacho decisório, a autoridade lançadora informa que o contribuinte declarou e compensou indevidamente valores de contribuições previdenciárias na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, nas competências indicadas. A fiscalização apresenta o seguinte relato a respeito dos fatos motivadores do Despacho Decisório, conforme segue. Relata que foi procedido analise nas compensações realizadas pela empresa nas GFIPs – Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social pelo contribuinte, ao longo dos anos de 2010 e 2012, a seguir indicadas. 1 Acórdão 0738.074, efls. 130 em diante. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 15555.720036/201507 Acórdão n.º 2301005.732 S2C3T1 Fl. 180 3 Cita que o contribuinte foi intimado a justificar as compensações efetuadas e que este, em resposta, informou que o procedimento foi efetuado com amparo no processo judicial nº 2010.51.10.0009703, em tramitação na 2º Vara Federal de Execução Fiscal de São de Meriti/RJ. A fiscalização, da análise do citado processo, informa que este se trata de Mandado de Segurança, cuja sentença, proferida em 05.07.2012, assim assentou: “No que tange ao pedido de compensação, deixo claro que, apesar da ação mandamental ser adequada para declaração do direito compensação tributária, nos termos da súmula nº 213, do Colendo Superior Tribunal de Justiça, é imperiosa a demonstração efetiva d recolhimento indevido, o que deverá ser efetivado perante o órgão fazendário, observadas as determinações acima quanto à prescrição limitações legais. A correção dos créditos a serem compensados naturalmente feita pelo sistema da RFB a partir de 1996 pela tax SELIC, conforme entendimento pacífico do e. STJ. (Res 1.111.175/SP), não cabendo a incidência de juros ou correção monetária, já incluídos na SELIC. Do quanto ficou exposto CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA, para suspender apenas, a exigibilidade da contribuição previdenciária incidente ao valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado e relativamente ao adicional de férias de um terço, na forma da fundamentação supra. JULGO IMPROCEDENTE O PEDIDO da mesma natureza no que tange ao valores pagos, a título de salário maternidade e de férias (salvo quando tiver por origem férias não gozadas e convertidas e pecúnia), consoante exposto acima.” Prossegue descrevendo que nas pesquisas ao sítio daquele Tribunal, não consta o Transito em Julgado da citada ação judicial, condição, como acima abordada, indispensável à utilização do pretenso crédito no encontro de contas fiscais. Fl. 181DF CARF MF 4 Relata que a decisão proferida na justiça federal em 20.03.2013, em julgamento aos Embargos de Declaração propostos pela autora, foi clara ao condicionar a compensação ao trânsito em julgado. Salienta que em 01/07/2014 o Tribunal Regional da 2º Região negou provimento às Apelações da Fazenda Federal e da autora. Afirma que, com amparo do art 1º Portaria DRFNIU nº 68, de 05.09.2013, decidiu não homologar as compensações objeto de analise. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, fls. 77/100, a qual, em síntese traz os argumentos a seguir relatados: Requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, no que o Código Tributário Nacional é expresso ao determinar como hipótese de suspensão a apresentação pelo contribuinte de defesa administrativa. Que em contrário, o contribuinte sofre pena de sofrer maléficos e equivocados efeitos patrimoniais, antes da constituição definitiva do crédito, com a conseqüente decisão final administrativa. Que em face disto, não deve constar restrição à expedição de Certidão Negativa de Débitos ou outra com o mesmo efeito, assim como inscrição no CADIN, nem procedimentos de cobrança executiva pelo ente tributante, até a finalização do processo administrativo fiscal. Alega a estrita legalidade do procedimento fiscal adotado pelo contribuinte. Que a compensação, posta como modalidade extintiva do crédito tributário, emerge quando o sujeito passivo da obrigação tributária é, ao mesmo tempo, credor e devedor do erário público. Pondera que caso as obrigações sejam recíprocas entres os sujeitos da relação jurídica, admitese a possibilidade de extinção dos débitos e créditos recíprocos entre credor e devedor, sempre em montantes equivalentes. Com relação a fundamentação legal, cita o DecretoLei 2.287/86, no que alega que a compensação deve ser de ofício, pelo fisco, em procedimento interno da SRF, para qualquer débito do contribuinte. Cita a lei 9.430/96, no que o procedimento deve ser efetuado pelo contribuinte, mediante autorização da SRF. Aduz que a Lei 8.383/91, autoriza a compensação diretamente pelo contribuinte mediante escrituração contábil, para débitos da mesma espécie e destinação constitucional, apurados em períodos subseqüentes. Cita que entre os regimes acima listados, destaca o previsto no art. 66 da Lei 8.383/91, pois nessa modalidade de compensação, diferentemente das outros mencionados, não há prévio exame da autoridade fiscal de modo a conferir aos créditos do sujeito passivo os necessários atributos de liquidez e certeza previstos no art. 170 do CTN. Que a compensação de que trata o art. 66 da Lei 8.383/91 não implica, necessariamente, que o crédito a compensar seja líquido. Alega que o dispositivo legal não condiciona a compensação a requerimento administrativo. Que o procedimento poderá ser verificado a qualquer momento pela Administração Pública, a teor do art.150 do CTN, obviamente em se tratando de lançamento por homologação. Reitera que no art. 66 da Lei 8.383/1991, é clara a conclusão de que o dispositivo visou permitir ao próprio contribuinte o aproveitamento de crédito decorrente de pagamento de tributo indevido ou a maior, compensandoo com débitos apurados em período subseqüentes. Aduz que se nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação o próprio pagamento antecipado extingue o crédito tributário sob condição resolutória da ulterior homologação, por idênticos motivos, o mesmo ocorrerá em se tratando de crédito tributário objeto de compensação. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 15555.720036/201507 Acórdão n.º 2301005.732 S2C3T1 Fl. 181 5 Salienta que, por ter recolhido a contribuição social previdenciária sobre verbas que desbordam a hipótese de incidência eleita pelo legislador no art. 22, I, da Lei 8.212/91, seria verossímil reconhecer que efetuou a empresa, pagamentos indevidos de tributos. Que neste contexto, forte no artigo 66 da Lei n° 8.383/91 cominado com os artigos 165, inciso I, e 168, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional, teria o direito de proceder à compensação dos valores indevidamente recolhidos nos últimos cinco anos com débitos vencidos/vincendos relativos às exações previdenciárias. Entende que recolheu indevidamente a contribuição social previdenciária pretensamente incidente sobre valores pagos em situações em que não há remuneração por serviços prestados ou representam pagamentos indenizatórios, ou seja, hipóteses que desbordam da incidência do fato gerador, no que cita os valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado (antes da obtenção do auxíliodoença ou do auxílioacidente); adicional de férias de 1/3 (um terço); aviso prévio indenizado e 13° salário proporcional ao aviso prévio indenizado e férias gozadas. Sobre o tema, cita decisões do Superior Tribunal de Justiça – STJ e do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais – CARF cujas decisões seriam no sentido da inexigibilidade da contribuição previdenciária patronal incidente sobre os valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento dos funcionários doentes ou acidentados, valores pagos a título de 1/3 (terço) de férias gozadas e o aviso prévio indenizado. Salienta que o Supremo Tribunal Federal STF já decidiu pela inexistência de repercussão geral no que concerne a discussão acerca da exigência da contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos nos quinze primeiros dias que antecedem a concessão do auxílio acidente, nos autos do Recurso Extraordinários n° 611.505/SC, bem como sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado, no julgamento do Agravo de Instrumento n° 745.901/PR. Afirma, no que tange a controvérsia relativa a exação incidente sobre o saláriomaternidade, o STF reputou existente a repercussão geral da questão constitucional suscitada relativa a ofensa ao disposto no art. 195,§ 4°,da CF/88. Alega que nesse sentido, a administração pública não pode se furtar a reconhecer a legitimidade dos créditos apresentados em GFIP, vez que a legislação autoriza a compensação e as cortes extraordinárias reconhecem que se os contribuintes recolheram a contribuição social previdenciária de forma indevida, teriam direito a créditos a compensar. Por ultimo, requer que seja conhecida a Manifestação de Inconformidade, conferindolhe o tratamento legal, que suspenda a exigibilidade dos tributos ali discutidos nos termos do artigo 151, inciso III, do CTN, artigo 74, parágrafos 9º e 11 da Lei 9.430/96; Requer ainda a reforma do despacho decisório, para que seja reconhecida a legitimidade dos créditos apresentados em GFIP, e consequentemente, sejam homologadas as respectivas compensações, tendo em vista o entendimento pacificado das cortes extraordinárias acerca da não incidência de contribuição previdenciária sobre valores pagos sob tais rubricas. Fl. 183DF CARF MF 6 (fim da transcrição do relatório inserto no Acórdão nº 0738.074) É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles 3. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. 4. Como visto, parte substancial da peça recursal apresentada pelo contribuinte repete as mesmas argumentações, suscita as mesmas questões e formula os mesmos pedidos constantes na peça impugnatória. Havendo coincidência entre as razões recursais e as formuladas na impugnação, a análise do recurso pode ser feita utilizandose da prerrogativa conferida pelo Regimento Interno do CARF. RRIICCAARRFF:: AARRTTIIGGOO 5577 §§ 33ºº 5. De acordo com o disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF, não tendo sido apresentadas perante a segunda instância administrativa novas razões de defesa, adoto os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição do inteiro teor do voto2: Inicialmente, com relação ao pedido de suspensão da exigibilidade do credito tributário, cumpre trazer o que determina a Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), a qual enumera causas de suspensão, em seu artigo 151, abaixo transcrito, com as alterações da Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001: “Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I – a moratória; II – o depósito do seu montante integral; III – as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV – a concessão de medida liminar em mandado de segurança; V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; VI – o parcelamento Como se constata do processo judicial nº 2010.51.10.0009703, acostado aos autos, em tramitação na 2º Vara Federal de Execução Fiscal de São de Meriti/RJ, consta claramente à fl. 04, na decisão de fls. 124/130 daquele processo, que na decisão proferida, o juiz indeferiu o pedido de liminar. Desta forma, nos termos da legislação acima citada, não existe qualquer amparo legal para afastar medidas de cobrança administrativa em relação aos créditos compensados indevidamente pelo contribuinte. Quanto a compensação, compulsando os autos, constato, que os argumentos apresentados pela empresa não trazem situação fática ou jurídica com eficácia para 2 Acórdão 0738.074, efls. 133/136. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 15555.720036/201507 Acórdão n.º 2301005.732 S2C3T1 Fl. 182 7 alterar as motivações do Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Nova Iguaçu/RJ, o qual considerou não homologado valores indevidamente compensados pelo sujeito passivo, no montante de R$ R$ 8.037.960,05. Inicialmente, verificase dos autos que o Sujeito Passivo procedeu as compensações de contribuições previdenciárias na GFIP, com base em créditos fictícios e ainda não adquiridos, decorrente de pleito judicial que ainda não esta transitado em julgado. Na investigação fiscal procedida pela autoridade tributária, esta constatou que a demanda judicial que dariam suporte as compensações de contribuições procedidas ainda não estavam finalizadas, com transito em julgado. A este respeito, o contribuinte não apresenta justificativas diretas para o procedimento efetuado, sendo que se limita a trazer, em sua peça de impugnação, diversas ponderações a respeito da legislação que regulamenta o instituto da compensação, no que entende que não necessitaria de autorização administrativa para proceder as compensações. Entretanto, considerado que o interessado foi buscar na esfera judicial o direito de não sofrer incidência de contribuição previdenciária sobre diversas as rubricas que compõe sua folha de salários, temse que se impõe, nos termos da legislação que rege a matéria, necessariamente, antes de qualquer discussão administrativa sobre o mérito da incidência, aguardar o devido trânsito em julgado do pleito judicial. No caso, constatase que a empresa, ingressou com o Mandado de Segurança, processo judicial nº 2010.51.10.0009703, o qual se encontra em tramitação na 2º Vara Federal de Execução Fiscal de São de Meriti/RJ. Conforme se apura da decisão prolatada em embargos apresentados pelas partes a sentença proferida em primeira instancia, fls. 16/19, no processo 2010.51.10.0009703 a justiça determina claramente, ainda, que a compensação deveria ocorrer apenas após o transito em julgado da sentença. Ante o exposto, CONHEÇO dos presentes embargos de declaração e DOULHES PROVIMENTO para integrar a sentença e definir o prazo prescricional, aplicação dos juros e a forma de compensação, nos termos da fundamentação supra: 1) Reconhecendo a prescrição do direito à repetição dos valores pagos pela impetrante em data que anteceder a 23/02/2005 (prescrição qüinqüenal). 2) Impondo à compensação o respeito às seguintes regras:2.1) A compensação se dará após o trânsito em julgado da sentença, conforme disposto no artigo 170A do Código Tributário Nacional, acrescido pela Lei Complementar n° 104, de 10/01/2001, cuja aplicação não pode ser afastada, em virtude de ter entrado em vigor em data anterior ao ajuizamento da presente demanda, observada a prescrição qüinqüenal (art, 3o da Lei Complementar n° 118/2005); 2,2) O valor a ser compensado será acrescido de juros mediante a aplicação da taxa SEUC, na forma do art. 89, §4°, da Lei n° 8,212/91, com redação dada pela Lei n° 11.941/09. 2.3) Nos termos do artigo 66 da Lei n° 8.383/91 (com a redação concedida pela Lei n° 9.069/95), somente é possível efetuar Fl. 185DF CARF MF 8 a compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de contribuição previdenciária com outras contribuições da mesma espécie, porquanto não foram abrangidas pelo artigo 74 da Lei n° 9,430/96, por força do preceituado no artigo 26, parágrafo único, da Lei n° 11,457/2007, 2,4) a apuração dos créditos deve ser realizada pelo contribuinte, mas sujeita ao procedimento de fiscalização da Secretaria da Receita Federal, Oficiese, com urgência, a Relatora do agravo de instrumento noticiado, n° 2010,02,01,0112640 (fl. 216/221), encaminhando cópia desta decisão e da sentença de fls, 250/262, Intimemse, São João de Meriti, 20 de março de 2013, MARCOS PAULO SECIOSO DE GOES Juiz(a) Federal Substituto(a) no exercício da titularidade Este mesmo entendimento foi mantido no recurso interposto ao Tribunal Regional Federal da 2º Região – fls. 20/49 – no que transcrevo parte do acórdão prolatado: 9. A presente ação foi proposta após a vigência da Lei n° 11.457/2007, pelo que a compensação tributária só poderá efetivarse com créditos da mesma espécie. 10. O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de recurso submetido à sistemática repetitiva, firmou entendimento no sentido de ser aplicável a regra do art. 170A do CTN, que veda a compensação de tributo anteriormente ao trânsito em julgado da sentença (REsp 1167039/DF, Rei. Min. Teori Albino Zavascki). Cito ainda que os embargos de declaração, relativo ao acórdão acima referenciado, fls. 50/62, não alteraram o entendimento do TRF da 2º Região. Isto posto, com relação a compensação, cabe observar legislação que regulamenta a matéria, no que cito o art. 170A do CTN. Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela LC nº 104, de 10.1.2001). Este dispositivo legal está em pleno vigor, e não existe qualquer motivo para que este órgão de julgamento colegiado afaste a sua aplicação. Já com relação ao art. 66, da Lei nº 8.383, de 1991, citado pelo contribuinte, que lhe daria, a seu ver, autorização para compensação, independentemente de autorização administrativa ou judicial, temse que este argumento não procede, uma vez que este dispositivo está superado pela imposição do citado art. 170A do CTN. Assim, o que na realidade se constata dos autos é que o impugnante, ao efetuar as compensações de forma unilateral, sem o transito em julgado da lide na justiça, foi contra as disposições contidas na Lei, bem como contra os atos administrativos da autoridade competente para administrar e fiscalizar o tributo. Observase ainda que não existe no pleito judicial, qualquer decisão com determinação no sentido de cumprimento imediato de compensações previdenciária, favorável ao contribuinte. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 15555.720036/201507 Acórdão n.º 2301005.732 S2C3T1 Fl. 183 9 Neste contexto, cabe observar ainda o disposto na Lei 12.016/2009, que veda a concessão de liminar e a execução provisória de Mandado de Segurança em matéria que verse sobre compensação tributária, conforme expressamente disciplinado no art. 7º, § 2º e art.14, § 3º do citado dispositivo legal, sendo que este dispositivo foi corretamente observado pelo poder judiciário. Ou seja, em matérias tributária cuja isenção ainda não está pacificada e reconhecida pela Receita Federal do Brasil, somente com a ocorrência de decisão judicial transitada em julgado poderia, e nos termos da própria decisão, o contribuinte proceder a compensação, e observando as normas da administração tributária, o que não foi o caso em comento. Observo ainda que, não cabe a esta instancia administrativa discutir a relação jurídico/tributária sobre as diversas verbas que o interessado alega que não incide contribuições previdenciárias. Isto porque, estando comprovado nos autos que o contribuinte discute este direito no poder judiciário, se verifica a concomitância de apreciação sobre a matéria, sendo aplicável no caso o disposto no Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, que tratou da matéria: Art.62. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, importa renúncia às instâncias administrativas. Parágrafo único.O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. Assim, como se observa do mencionado dispositivo legal, não cabe neste acórdão entrar no mérito de incidência ou não das diversas rubricas mencionadas. No caso, a tributação sobre estas verbas, conforme já relatado, está sendo discutida na via judicial, que tem preferência sobre a via administrativa. Observo ainda que as citações e apresentações do impugnante de diversas decisões judiciais não tem interferência direta neste julgamento. Isto porque, nos termos dos artigos 468 e 472 do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, os efeitos de eventuais decisões judiciais, em caso concreto, favoráveis a outros contribuintes não tem força para alcançar terceiros estranhos à lide, ficando limitada somente aos integrantes da mesma: Art. 468. A sentença, que julgar total ou parcialmente a lide, tem força de lei nos limites da lide e das questões decididas. (...) Art. 472. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. Nas causas relativas ao estado de pessoa, se houverem sido citados no processo, em litisconsórcio necessário, todos os interessados, a sentença produz coisa julgada em relação a terceiros. Fl. 187DF CARF MF 10 No mesmo contexto, se aplicam decisões citadas pelo contribuinte relativas ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e Delegacias da Receita de Julgamento – DRJ, tendo em vista que cada processo administrativo fiscal tem análise e decisão que lhe são próprias, em decorrência da situação fática presente em cada caso e da legislação que deve ser observada em decorrência dos fatos objeto da lide levada a julgamento administrativo. (fim da transcrição do voto inserto no Acórdão nº 0738.074) CCOONNCCLLUUSSÃÃOO 6. Concordando integralmente com os termos da decisão de primeira instância administrativa, VOTO por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator Fl. 188DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.002616/2008-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Processo julgado no dia 26/09/2018, no período da manhã.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Leonardo Correia Lima Macedo, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Laercio Cruz Uliana Junior, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Processo julgado no dia 26/09/2018, no período da manhã. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Leonardo Correia Lima Macedo, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Laercio Cruz Uliana Junior, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório. Tratase de Recurso Voluntário de fls. 380 apresentado em face da decisão de primeira instância da DRJ/SP de fls. 359, que julgou improcedente a Impugnação de fls. 225 apresentada em face ao lançamento de II, IPI, Pis e Cofins Importação de fls. 14 e seguintes. Como de costume desta Turma de julgamento, transcrevese o relatório da decisão de primeira instância: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 66 .0 02 61 6/ 20 08 -9 2 Fl. 509DF CARF MF Processo nº 12466.002616/200892 Resolução nº 3201001.461 S3C2T1 Fl. 510 2 "O importador, por meio das declarações de importação DI n° 08/0831884 0 de 04/06/2008 e DI n° 08/08756138 de 11/06/2008, importou as mercadorias descritas de forma geral como “cabeça de impressão” / “cartucho de impressão” e “cartucho de toner”. Classificou respectivamente nas NCM 8443.99.25, com alíquotas de 0% de II e 5% de IPI e NCM 8443.99.29, com alíquotas de 8% de II e 10% de IPI. Segundo a fiscalização, a classificação fiscal correta para os produtos é a NCM 8443.99.39, com alíquota de II de 14% e IPI de 20%. Baseou se a fiscalização na análise dos equipamentos nos quais os produtos seriam utilizados, nas Regras de Classificação do Sistema Harmonizado e na Solução de Consulta SRRF/9ª RF/DIANA n° 126/2007. Através do presente Auto de Infração, cobraramse as diferenças de II, IPI, PIS, Cofins e respectivas multas de ofício e juros de mora, além da multa de 1% pelo erro da classificação fiscal. A autuação totalizou o valor de R$ 1.179.034,19. Intimada do Auto de Infração em 07/08/2008 (fl. 15), a interessada apresentou impugnação e documentos em 21/08/2008, juntados às folhas 225 e seguintes, alegando em síntese: 1. Alega que aplicou corretamente as Regras de Classificação Fiscal de Mercadorias. Tece comentários sobre a Regra 1. Alega que a Regra 3c só seria aplicável na hipótese de mercadoria classificável em duas ou mais posições, o que não seria o caso concreto. 2. Alega que as cabeças de impressão/cartuchos de impressão da HP são desenvolvidos para uma linha de produtos que incluem impressoras e também multifuncionais. Alega que independente do produto a função principal da cabeça de impressão é imprimir textos e imagens. Alega que a cabeça de impressão atua mediante acoplamento mecânico com a impressora ou multifuncional. Cita as NESH da posição 8443. Cita que a posição 8443 alberga as impressoras, copiadoras e telecopiadoras (fax) mesmo combinadas entre si. Alega que a subposição 8443.99 engloba as partes e acessórios desses aparelhos. Por fim alega que o item 8443.99.2 compreende as partes e acessórios de impressoras e, por fim, que a NCM 8443.99.25 abrange os cartuchos ou cabeças de impressão a jato de tinta. Alega que a posição da fiscalização aplicase especificamente a máquinas copiadoras. Alega que a classificação adotada pela impugnante decorre da aplicação da RGI 1ª e RGI 6ª, complementada pela RGC1. 3. Com relação ao produto “cartucho de toner” da HP, alega que são reservatórios de toner descartáveis cuja função básica é imprimir. Alega que são acoplados a impressoras de diferentes linhas de produtos da marca, em alojamentos contendo conexões mecânicas e elétricas para realizar o processo de impressão a laser. Alega que a Fl. 510DF CARF MF Processo nº 12466.002616/200892 Resolução nº 3201001.461 S3C2T1 Fl. 511 3 classificação segue a mesma lógica já exposta para as cabeças de impressão/cartuchos de impressão. Alega que o item 8443.99.2 compreende as partes e acessórios de impressoras. Alega que o toner não se confunde com tinta, visto que o primeiro classificase na NCM 3215.11.00 (tintas pretas) e o segundo na NCM 3707.90.21. Assim, entende que os cartuchos de toner não se classificam na NCM 8443.99.27 (cartuchos de tinta) e sim na NCM 8443.99.29 (Outros). 4. Alega que a fiscalização baseouse na Solução de Consulta SRRF/9ª/DIANA n° 126 de 26/03/2007. Alega que a Solução de Consulta SRRF/7ª/DIANA n° 300 de 29/11/2007, posterior, indica a classificação NCM 8443.99.29 para cartucho de toner para impressoras. Alega que a Solução de Consulta SRRF/7ª/DIANA n°49 de 24/07/08 da própria impugnante classifica na NCM 8443.99.27 o produto cartucho de impressão a jato de tinta marca HP utilizado em impressoras a jato de tinta. 5. Alega que as mercadorias estavam corretamente descritas pois sua função principal é imprimir, independente se serão utilizadas em impressoras ou multifuncionais. Alega, portanto, serem incabíveis as multa de ofício e a multa por erro na classificação fiscal. 6. Alega que se forem considerados insuficientes os argumentos prestados, requer a realização de perícia indicando assistente técnico e quesitos. 7. Requer, por fim, que sejam acatados os argumentos apresentados e que seja declarado improcedente o presente auto de infração. É o relatório. Em 17/09/2014 a impugnante solicitou a juntada de novos documentos, principalmente uma relação com 17 soluções de consulta respondidas pela Receita Federal, que alega suportarem a classificação fiscal por ela adotada. Cita também a impugnante neste momento o art. 15 da IN SRF n° 1.464 de 08/05/2014, segundo a qual, as soluções de consulta teriam efeito vinculante não só à consulente, mas a qualquer contribuinte que se encontre na mesma situação." A decisão de primeira instância da DRJ/SP foi publicada com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 04/06/2008, 11/06/2008 Ementa: As mercadorias descritas como “cabeça de impressão” / “cartucho de impressão” e “cartucho de toner”, com as características expostas neste processo, encontram correta classificação fiscal na NCM 8443.99.39. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido." Fl. 511DF CARF MF Processo nº 12466.002616/200892 Resolução nº 3201001.461 S3C2T1 Fl. 512 4 O processo digital foi distribuído e pautado nos moldes do regimento interno vigente. Relatório proferido. Voto. Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Os autos não estão em condição de julgamento. As mercadorias descritas como “cabeça de impressão”, “cartucho de impressão” e “cartucho de toner” possuem diversas passagens por este Conselho que, em maioria, registrou conclusões diferentes sobre suas classificações. No entanto, a maioria dos julgamentos consideraram que, o fato das impressoras serem multifuncionais (escaneam, fotocopiam e imprimem), atrai a aplicação de subposições mais genéricas, diferentemente das que tratam somente das impressoras. Explico. O contribuinte classificou o produto “cabeça de impressão” / “cartucho de impressão” na NCM 8443.99.25 e o produto “cartucho de toner” na NCM 8443.99.29. A fiscalização defende que ambos se classificam na NCM 8443.99.39, sob a premissa já mencionada. São estas as posições: “8443 MÁQUINAS E APARELHOS DE IMPRESSÃO POR MEIO DE BLOCOS, CILINDROS E OUTROS ELEMENTOS DE IMPRESSÃO DA POSIÇÃO 84.42; OUTRAS IMPRESSORAS, MÁQUINAS COPIADORAS E TELECOPIADORES (FAX),MESMO COMBINADOS ENTRE SI; PARTES E ACESSÓRIOS. 8443.99 Outros 8443.99.25 Cabeças de impressão térmicas ou de jato de tinta, mesmo com depósito de tinta incorporado. 8443.99.29 Outros 8443.99.39 Outras A DRJ explicou como funcionam as sequencias das classificações, nas suposições, da seguinte forma: "Reproduzimos então as possibilidades em nível de item na estrutura da TEC vigente na época dos fatos: 8443.99.1 De telecopiadores (fax) Fl. 512DF CARF MF Processo nº 12466.002616/200892 Resolução nº 3201001.461 S3C2T1 Fl. 513 5 8443.99.2 De impressoras ou traçadores gráficos ("plotters") 8443.99.3 De máquinas copiadoras." Em razão destas premissas, a DRJ concluiu que a subposição "2", por utilizar somente a palavra "impressoras", não configuraria a classificação adequada para as impressoras multifuncionais, que também "escaneam" e "fotocopiam". Por fim, tanto a fiscalização quanto a DRJ apontaram que a subposição "3" é a mais correta, porque utiliza as palavras "máquinas copiadoras" e concluíram pela posição 8443.99.39, como se fosse a posição mais genérica e abrangente. Não é fato controverso que a posição 8443 abrange as mercadorias de forma genérica, conforme pode ser verificado na NESH 2017 exposta no site da Receita Federal: "II. OUTRAS IMPRESSORAS, APARELHOS DE COPIAR E APARELHOS DE TELECOPIAR (FAX), MESMO COMBINADOS ENTRE SI Este grupo abrange: A) As impressoras. Incluemse neste grupo os aparelhos para a impressã o de textos, caracteres ou imagens em suportes de impressão, exceto os descritos na Parte I, acima. Estes aparelhos aceitam dados de diferentes fontes (por exemplo, máquinas automáticas para processamento de dados, escâneres planos de escritó rio, redes). A maioria destes aparelhos incorpora uma memória para armazenar tais dados. " Contudo, dentro do raciocínio exposto, verificase que a posição mais correta, conforme a CIRCULAR Nº 41, DE 26 DE JUNHO DE 2008, do MDIC, seria a 8443.99.90, porque, justamente, não se limita às palavras "copiadoras" ou "impressoras", conforme pode ser verificado na seqüências das posições exposta a seguir: “8443 MÁQUINAS E APARELHOS DE IMPRESSÃO POR MEIO DE BLOCOS, CILINDROS E OUTROS ELEMENTOS DE IMPRESSÃO DA POSIÇÃO 84.42; OUTRAS IMPRESSORAS, MÁQUINAS COPIADORAS E TELECOPIADORES (FAX), MESMO COMBINADOS ENTRE SI; PARTES E ACESSÓRIOS. 8443.99 outros 8443.99.90 outros." Dessa forma, a princípio, não se mostra correto enquadrar as mercadorias na subposição "3", em vez da "2", visto que ambas não utilizam as palavras "escaneadoras" ou "fotocopiadoras", que são as funções a mais que permitiram a característica de multifuncional e o desenquadramento das posições utilizadas pelo contribuinte. Assim, a premissa de que a característica multifuncional permite o enquadramento em posição mais genérica está correta, mas a posição adotada pela fiscalização como a correta não é a mais genérica. Fl. 513DF CARF MF Processo nº 12466.002616/200892 Resolução nº 3201001.461 S3C2T1 Fl. 514 6 Diante do exposto, votase para que o julgamento seja CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA para que: a autoridade de origem verifique se a posição constante na CIRCULAR Nº 41, DE 26 DE JUNHO DE 2008, do MDIC (8443.99.90) existia à época dos fatos. Após, o contribuinte deve ser intimado do resultado da diligência, com a devida oportunidade de manifestação. Resolução proferida. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 514DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.004915/2009-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/04/2009
PIS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação.
Numero da decisão: 3201-004.289
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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PROVA DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. Recorrente COOPAVEL COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2009 a 30/04/2009 PIS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão n.º 06049.860 3ª Turma da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade mantendo o indeferimento da restituição pleiteada, bem como a não homologação das compensações declaradas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 49 15 /2 00 9- 43 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10935.004915/200943 Acórdão n.º 3201004.289 S3C2T1 Fl. 3 2 Em seu pedido de restituição, a contribuinte alega que sofreu a retenção do PIS e da Cofins (no percentual de 3,65%) sobre as operações de comercialização de produtos rurais e prestações de serviço de armazenamento que realizou com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), e que não conseguiu realizar a dedução dos valores retidos na contribuição devida, uma vez que, estando submetida a apuração da contribuição na modalidade não cumulativa, não apurou valor a pagar da contribuição no período, em face de os créditos gerados terem sido superiores ao valor do débito da contribuição. Por sua vez, a SAORT, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel – PR, após analisar o pleito constante do presente processo, emitiu Despacho Decisório indeferindo o pedido de restituição formulado pela interessada. Sustenta a autoridade administrativa, em resumo, que a interessada não logrou êxito na comprovação do direito creditório solicitado, uma vez que não foi possível, com base nos documentos apresentados (arquivos digitais), confirmar se as Notas Fiscais emitidas para a Conab constam declaradas nas receitas que compõem as bases de cálculo das contribuições que foram informadas no Dacon. Diante do indeferimento do pedido de restituição, as compensações declaradas com lastro no pedido de restituição em comento não foram homologadas. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O Acórdão n.º 06049.860 3ª Turma da DRJ/CTA, está assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2009 a 30/04/2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO. Inexistindo comprovação do direito creditório informado em Pedido de Restituição ou em Declaração de Compensação DCOMP, é de se indeferir o crédito solicitado e de considerar não homologada a compensação declarada. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: Dos Fatos Inicialmente a Recorrente argui que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Cascavel equivocouse ao analisar o pedido, fazendo confusão com isenções, não incidências e imunidades, e análises que não tem qualquer relação com o pedido formulado, como se o pedido de restituição tivesse sido realizado com base e fundamento no artigo 27 da Instrução Normativa 900 de 2008. A Recorrente argumenta que o pedido de restituição se refere a créditos retidos de PIS, pela prestação de serviços da ora Recorrente à CONAB. Alega ainda que o pedido restituição não se encontra prescrito. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10935.004915/200943 Acórdão n.º 3201004.289 S3C2T1 Fl. 4 3 Do Direito A Recorrente sustenta ter havido pagamento a maior do que o valor devido de PIS para o período em análise (retenção indevida). Fundamenta o pedido restituição no artigo 12, da Instrução Normativa SRF 900/2008. Informa não haver conseguido utilizar os valores retidos na fonte a título de PIS para pagar débitos da mesma espécie no mesmo mês. Assim, adotou o procedimento constante do artigo 34 da IN RFB 900/2008, que trata da compensação de débitos próprios de tributos administrados pela RFB. Sustenta que a única prova necessária para fazer valer o seu direito ao crédito seria da existência da retenção e da quitação dos tributos quando for positiva a sua apuração, o que, segundo a mesma, ocorrera no presente processo. Argumenta quando a suspensão da exigibilidade do crédito nos termos do inciso III, do artigo 151, do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/1966). Do Pedido Ao final do RV a Recorrente pede que seja dado provimento ao recurso a fim de reformar o acórdão da DRJ com a restituição/compensação das contribuições devidamente acrescida de juros pela taxa acumulada da Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.280, de 23/10/2018, proferido no julgamento do processo 10935.000340/200817, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.280): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise de cada um dos pontos do Recurso Voluntário. De forma objetiva, a lide cingese quanto a certeza e liquidez do crédito. No julgamento de primeira instância consta exatamente que a Recorrente não conseguiu comprovar tais créditos. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10935.004915/200943 Acórdão n.º 3201004.289 S3C2T1 Fl. 5 4 Sustenta a autoridade administrativa, em resumo, que a interessada não logrou êxito na comprovação do direito creditório solicitado, uma vez que não foi possível, com base nos documentos apresentados (arquivos digitais), confirmar se as Notas Fiscais emitidas para a Conab constam declaradas nas receitas que compõem as bases de cálculo das contribuições que foram informadas no Dacon. (Acórdão DRJ, efl. 206) As manifestações de inconformidade da Recorrente não colaboraram para o esclarecimento da dúvida da autoridade administrativa. Ao contrário, parecem enveredar por caminhos diversos da comprovação fática de retenção nas Notas Fiscais emitidas pela Conab. Sobre a necessidade de comprovação, cito trecho do Acórdão de primeira instância. Entendeu a autoridade fiscal que para se usufruir do direito à restituição/compensação previsto na legislação acima, é necessário que se comprove: (i) a retenção realizada; e (ii) o valor da contribuição devida no mês, a qual deve ser realizada pela demonstração da respectiva base de cálculo, composta por todas as receitas tributáveis e as possíveis exclusões (receitas isentas, não tributáveis, suspensões, imunidades e, no caso, receitas decorrentes de atos cooperativos), bem como dos créditos da não cumulatividade. No entanto, conforme se observa pela leitura do despacho decisório, a auditoria realizada pela fiscalização não conseguiu firmar convicção sobre o direito creditório requerido, uma vez que os documentos apresentados (arquivos digitais) não espelham (ou confirmam) as receitas de bens e serviços declaradas no Dacon, não se podendo afirmar com certeza se os valores das Notas fiscais emitidas para a CONAB constam dentro das receitas tributadas que compõem a base de cálculo da contribuição, e, por conseqüência, se houve a configuração da hipótese de restituição/compensação acima tratada. Ou seja, a autoridade a quo concluiu que o direito à restituição/compensação restou prejudicado, posto que não houve a comprovação material do mesmo. (Acórdão DRJ, efl. 209) O juízo a quo entendeu que a Recorrente pouco colaborou para esclarecer a certeza e liquidez. Cito trecho e uso como razão de fundamentar como se meu fosse: Nesse ponto, é bom que se lembre, que a autoridade a quo não mediu esforços para seu intento, mas, infelizmente, a contribuinte pouco colaborou. Talvez, digase, em face de um entendimento equivocado. E assim dessa mesma forma, como se vê na manifestação de inconformidade, a interessada prossegue insistindo em sua tese. Inverte os papéis, age como se não precisasse provar nada e, também, como se autoridade tributária fosse obrigada a reconhecer o seu suposto direito creditório sem a necessidade de qualquer verificação documental (ou de arquivos eletrônicos). Ora, a interessada esquece, ou simplesmente ignora, que a administração pública tem a sua atividade vinculada à lei e que, no presente caso, a legislação é clara no sentido de que o direito creditório (com direito à restituição ou compensação) somente é devido quando se comprove a impossibilidade de dedução dos valores retidos dos valores a pagar da contribuição no período, consubstanciada, em síntese, na demonstração da base de cálculo e na inexistência da contribuição. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10935.004915/200943 Acórdão n.º 3201004.289 S3C2T1 Fl. 6 5 Com efeito, é de se dizer que a comprovação da existência de crédito junto à Fazenda Nacional é atribuição da contribuinte, cabendo à autoridade administrativa, por sua vez, examinar a liquidez e certeza de que teriam sido repassadas aos cofres públicos importâncias superiores àquelas devidas pela contribuinte de acordo com a legislação pertinente, autorizando, após confirmação de sua regularidade, a restituição ou compensação do crédito conforme vontade expressa da contribuinte. (Acórdão DRJ, efl. 209) Sobre a necessidade de certeza e liquidez, há farta jurisprudência deste órgão de julgamento. CARF Acórdão nº 3403001.477 do Processo 13882.000037/200271 – Data: 20/03/2012 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ORIGEM CERTEZA. LIQUIDEZ. Compensação de crédito independe de autorização, entretanto, deve ser certo e liquido, constatado por meio de diligência fiscal a certeza, a liquidez decorre do próprio procedimento fiscal, impõe reconhecer o crédito e homologar as compensações efetivadas até o limite dos créditos apurados. CARF Acórdão nº 3403002.579 do Processo 10983.902416/200867 – Data: 24/10/2013 COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, de forma a manter o indeferimento da restituição pleiteada, bem como a não homologação das compensações declaradas na Dcomp nº 25265.65884.020408.1.3.046583." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, de forma a manter o indeferimento da restituição pleiteada, bem como a não homologação das compensações declaradas. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.964769/2009-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2201-000.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). RELATÓRIO 1 Adoto como relatório o da decisão recorrida às fls. 80/88 do EFLS, por bem relatar os fatos ora questionados. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 64 76 9/ 20 09 -2 3 Fl. 499DF CARF MF Processo nº 15374.964769/200923 Resolução nº 2201000.322 S2C2T1 Fl. 500 2 Tratase de DCOMP Eletrônica n° 29715.55927.240709.1.3.048961 (fls. 72/76), apresentada em 24/07/09, onde a interessada declara, resumidamente, a compensação utilizando o seguinte crédito: Crédito – Pagamento Indevido ou a Maior – IRRF Data de Arrecadação : 30/12/2008 Valor Original do Crédito Inicial : R$ 93.715,14 Crédito Original da Data da Transmissão : R$ 93.715,14 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 93.715,14 A DCOMP foi analisada em procedimentos informatizados, resultando em NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. De acordo com o Despacho Decisório de fl. 68, nº de rastreamento 848618355, de 07/10/2009, o julgamento teve a seguinte fundamentação: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 93.715,14. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 22/10/2009, fl. 71. Inconformada, a interessada apresentou, em 19/11/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 02/08, instruída com os documentos de fls. 09/67, onde alega resumidamente o que segue: o crédito em questão tem origem na redução da base de cálculo do IRRF – royalties referente ao mês de dezembro/2008; é prestadora de serviços de telefonia móvel e oferece aos seus clientes o serviço de roaming internacional, pelo qual os clientes podem se utilizar dos serviços de telecomunicações no exterior, utilizando a rede local; por este serviço deve pagar um determinado valor às empresas no exterior; sobre essa remessa de royalties ao exterior incide o IRRF (15%) e a CIDE (10%), nos termos dos artigos 2 e 2A da Lei 10.332/2001; ocorre que por razões operacionais não tem como apurar o valor devido às operadoras no exterior no prazo de pagamento do IRRF e da CIDE, ou seja, em um mesmo mês a contar da prestação de serviço; no intuito de evitar o inadimplemento dos tributos adota o procedimento de recolher o IRRF e a CIDE sobre uma previsão; ou seja, declara e recolhe em DCTF o IRRF e a CIDEroyalties (fls.17/24) sobre uma base estimada, antes da contabilização dos valores efetivamente devidos; posteriormente, ao calcular o valor efetivamente devido às operadoras de telefonia no exterior, faz a apuração dos tributos devidos sobre as remessas, podendo acontecer então duas situações: a) a apuração de base de cálculo maior que a estimada, quando então providencia o pagamento da diferença com multa e juros; b) a apuração de base de cálculo a menor que a estimada, quanto então verificasse o valor pago efetivamente a maior, sendo esta diferença passível de restituição/compensação. Fl. 500DF CARF MF Processo nº 15374.964769/200923 Resolução nº 2201000.322 S2C2T1 Fl. 501 3 a segunda hipótese foi o que ocorreu, pois fez uma previsão de remessa ao exterior no montante de R$ 1.031.343,33, correspondente ao IRRF no valor de R$ 154.701,50, mas posteriormente verificou que a remessa foi de somente R$ 531.052,46, o que levaria ao IRRF no valor de R$ 79.657,87; a diferença entre o valor pago R$ 154.701,50 e o efetivamente devido R$ 79.657,87, que importa em R$ 93.715,14, que é justamente o valor utilizado na PER/DCOMP em análise (fl. 73); estes fatos podem ser comprovados pela análise do razão da conta roaming internacional (doc 07 – fls. 25/27), onde se vê na conta o montante de R$ 345.589,37, bem como a data da efetiva remessa em fevereiro de 2.009; sobre os R$ 345.589,37 devem ser acrescidos os tributos sobre a operação, uma vez que este é o valor que deve ser pago às operadoras no exterior, em virtude de acordo entre as partes, conforme demonstrado na tabela a seguir (fl. 06): desta forma resta inequivocamente demonstrado o pagamento a maior do IRRFroyalties, com base na sua escrituração e ainda o valor pleiteado na PER/DCOMP em análise; apesar de retificar o cálculo do IRRF devido, por equívoco, não retificou a DCTF correspondente ao período; a ausência de retificação contudo não pode obstaculizar o seu direito quanto à restituição do indébito; o razão é documento probante favorável ao pleito da empresa, não podendo ser desconsiderado pela mera ausência de retificação da DCTF; a existência de erro material no preenchimento da DCTF não pode sacrificar o direito material do contribuinte de compensar seu indébito; cita doutrina e jurisprudência para concluir que o simples erro formal no preenchimento da DCTF não tem o condão de criar a obrigação tributária de recolher o tributo indevido; Cita doutrina para postular que sua escrituração constitui meio hábil para comprovação do indébito, que gerou o crédito utilizado na PER/DCOMP em questão, devendo ser considerada como meio de prova dos fatos alegados; requer também a juntada ao presente do processo 15374.364770/200958, por decorrer do mesmo fato redução da base de cálculo do IRRF e da CIDE do mês de dezembro/2008; finaliza requerendo o deferimento de seu pedido. 2 – A decisão da DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, conforme decisão ementada abaixo: Fl. 501DF CARF MF Processo nº 15374.964769/200923 Resolução nº 2201000.322 S2C2T1 Fl. 502 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 30/12/2008 PAGAMENTO EFETUADO A MAIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. NÃO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Não comprovada a existência do pagamento a maior, deixase de reconhecer o direito creditório pleiteado, por falta de certeza e liquidez, não se homologando, conseqüentemente, as compensações efetuadas pelo contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 3 – Seguiuse recurso voluntário do contribuinte fls. 95/109. 3 É o relatório do necessário. VOTO Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 4 – O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 5 – Importante destacar alguns pontos fáticos identificados no voto condutor da decisão de piso a respeito caso, verbis: Antes de entrar se no mérito, cabe a recapitular alguns fatos: 1º em 19/02/2009 o contribuinte entregou a DCTF de fls. 19/24, onde declara um débito de IRRF royalties no valor de R$ 154.701,50 (fl. 20), a ela vinculando DARF no mesmo valor, de modo a extinguir o débito declarado, segundo a empresa indevidamente pago no montante de valor de R$ 93.715,14; 2º posteriormente, em 24/07/2009, entregou a PER/DCOMP em exame (fl. 72), onde postula um direito creditório no montante de R$ 93.715,14 (fl. 73), já que, segundo explica, o IRRF devido seria de somente R$ 60.986,36; 3º em 07/10/2009, a autoridade a quo indeferiu o pleito do contribuinte, tendo em vista que o pagamento no montante R$ 154.701,50, efetuado em 30/12/2008, encontravase vinculado ao débito declarado pelo contribuinte no montante de R$ 154.701,50 (fl. 20). Fl. 502DF CARF MF Processo nº 15374.964769/200923 Resolução nº 2201000.322 S2C2T1 Fl. 503 5 De tais informações há que se destacar que o indeferimento do pedido de compensação pela autoridade a quo se deu em virtude do próprio contribuinte ter confessado em DCTF dívida no total de R$ 154.701,50 (fl. 20), a qual, quando espontaneamente apresentada pelo devedor, representa, nos termos do art 585, inciso II do CPC, documento público e título executivo extrajudicial. 6 – Por sua vez o contribuinte sustenta que houve erro material no preenchimento da DCTF, que mesmo não tendo sido posteriormente retificada, e apresenta os documentos para infirmar as razões da decisão de piso. Conforme alguns tópicos ora indicados. Fl. 503DF CARF MF Processo nº 15374.964769/200923 Resolução nº 2201000.322 S2C2T1 Fl. 504 6 7 O direito à confirmação ou otimização do crédito vinculado ao contribuinte não está condicionado à higidez das obrigações fiscais, em especial da DCTF e DIRF. 8 Na apuração da liquidez e certeza do crédito relacionado ao contribuinte, é dever da Autoridade Tributária apreciar as provas trazidas por este, na busca da justiça e otimização fiscal. 9 Assim, considerando, que no âmbito do processo administrativo fiscal impera o princípio da verdade material, que obriga a autoridade administrativa a analisar exaustivamente os fatos alegados pelos contribuintes, solicitando inclusive diligências e apresentações de novas provas das alegações existentes no processo administrativo fiscal, a existência de informação incontroversa em alguma obrigação acessória em nada altera o direito do contribuinte. Fl. 504DF CARF MF Processo nº 15374.964769/200923 Resolução nº 2201000.322 S2C2T1 Fl. 505 7 10 – No presente caso, apesar da juntada de indício de provas na manifestação de inconformidade por parte do contribuinte às fls. 26/27 trazendo alguma verossimilhança nas alegações do contribuinte, poderia o julgador de piso ter baixado em diligência os autos para se socorrer de maiores informações da contribuinte. 11 – Pela análise da decisão da DRJ verificase que a turma recorrida tomou por premissa logo de início o fato da existência do erro do preenchimento da DCTF, contudo, sabendose tratarse de lançamento cujas declarações comportam prova ao contrário e, portanto, tem um caráter juris tantum, sendo relativa as declarações ali indicadas, poderia muito bem ter procedido à diligência para melhor análise dos autos. 12 – Contudo, pelo teor da decisão abaixo, verificamos que houve por parte da turma de piso a análise da situação fática, além do mero erro de preenchimento da DCTF, inclusive com valoração da prova produzida pelo contribuinte com detalhes do que poderia ter sido produzido para a comprovação de suas alegações, verbis: “Deflui de todo o exposto que a alternativa do contribuinte para ter o seu pedido deferido depende da comprovação induvidosa do propalado erro cometido, sem o que sua pretensão não pode subsistir. O pedido do contribuinte é sustentado fundamentalmente por duas razões: 1ºo razão é documento probante favorável ao pleito da empresa, não podendo ser desconsiderado pela mera ausência de retificação da DCTF e 2ºo simples erro formal no preenchimento da DCTF não tem o condão de criar a obrigação tributária de recolher o tributo indevido. Segundo pode ser depreendido de sua manifestação de inconformidade, o contribuinte postula que o valor correto do IRRF do mês de dezembro seria R$ 60.986,36 (fl. 05) e não R$ R$ 154.701,50 (fl. 20). Isto é o que se deflui do quadro de fl. 05. Já à fl. 04 sua alegação é a seguinte: “Em dez/2008 a Requerente fez uma previsão de remessa de valores de roaming ao exterior no montante de R$ 1.031.343,33 (base de cálculo estimada), valor este que acarretaria R$ 154,701,50 de IRRF a pagar. Posteriormente, ao realizar a apuração final das remessas de roaming ao exterior a Requerente verificou que o total de remessas era de apenas R$ 531.052,46 (base de cálculo real), o que levaria ao IRRF devido de R$ 79.657,87. A diferença entre o valor pago( R$ 154.701,50) e o efetivamente devido (R$ 79.657,87), totaliza R$ 93.715,14, que é justamente o valor utilizado na PER/DCOMP (vide fl. 02 da PER/DCOMP).” Fl. 505DF CARF MF Processo nº 15374.964769/200923 Resolução nº 2201000.322 S2C2T1 Fl. 506 8 De plano há que se constatar um primeiro problema na manifestação de inconformidade do contribuinte: a diferença entre R$ 154.701,50 e R$ 79.657,87 é R$ 75.043,63 e não R$ 93.715,14. Então, o contribuinte deveria ter pleiteado um direito creditório de R$ 75.043,63 e não 93.715,14. Para apurar este valor, aplicou o percentual de 15%, previsto no artigo 2A da Lei 10.332/2001 sobre o total das remessa efetivamente realizada, segundo afirma (fl. 04) – R$ 531.052,46, que efetivamente implica no valor devido de R$ 79.657,87. Já segundo o que consta no demonstrativo de fl. 05 as remessas para o exterior totalizariam R$ 345.589,37, que acrescido da taxa gross up importaria no valor de R$ 406.575,83 e num IRRF no total de R$ 60.986,36 (406.575,83 x 15%). Então afinal deve se perguntar: as remessas reais ao exterior foram de R$ 531.052,46 ou R$ 345.589,37? No valor de R$ 531.052,46 está incluída a taxa gross up? O IRRF devido segundo cálculos da empresa é R$ 79.657,87 ou R$ 60.986,36? Seu direito creditório é R$ 75.043,63 ou R$ 93.715,14? Como se vê as próprias informações da empresa são conflitantes e prejudiciais ao seu pleito, posto não permitirem aferir com segurança qual o valor por ela considerado correto e, por conseqüência, obstaculizando a quantificação do eventual direito creditório, já que nem sequer o erro material restou demonstrado. O contribuinte apresenta também o razão da conta roaming internacional (doc 07 – fls. 25/27), onde se veria o montante de R$ 345.589,37, bem como a data da efetiva remessa em fevereiro de 2.009. O primeiro problema da alegação é que o direito creditório relativo ao IRRF referese ao mês de dezembro de 2.008. Assim sendo, penso que a empresa deveria ter juntado provas de as remessas efetuadas em fevereiro de 2.009 tenham conexão com o direito creditório por ela pretendido relativo àquele período. O segundo problema é que o valor indicado no documento de fl. 26 está totalmente ilegível, ainda quando utilizado o recurso de se aumentar digitalmente sua imagem, já que este processo foi digitalizado. Já a data de 27/02/2009 é visualizada com nitidez. Por fim, com o devido respeito, os documentos apresentados pelo contribuinte são insuficientes para comprovar o erro alegado, pois os registros contábeis desacompanhados dos documentos que lhe deram suporte, não são suficientes para amparar o direito creditório no valor de R$ 93.715,14, em face do que dispõe o artigo 923 do RIR/1999: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Fl. 506DF CARF MF Processo nº 15374.964769/200923 Resolução nº 2201000.322 S2C2T1 Fl. 507 9 No caso em exame, entendo que, para tentar comprovar o erro, o contribuinte deveria ter apresentado os documentos que elucidassem a formação do valor R$ 345.589,37, como por exemplo, aqueles que evidenciassem a que empresas no exterior se referiam tais valores, o valor dos serviços por elas prestados, o período a que se referiam as ligações, os clientes, etc... Entretanto, deixou de fazêlo. Em síntese: deveria ter demonstrado claramente o aventado erro cometido, tarefa que não logrou cumprir. 13 – Em decorrência das razões de decidir da DRJ, com razão o contribuinte trouxe no recurso voluntário além dos documentos já juntados em defesa, fls. 145 (conta razão) e outros documentos com base no art. 16 § 4º alínea “c” do Decreto 70.235/72 às fls. 147/149 (Contas a Pagar dezembro 2008) e às fls. 151/441 (Invoices) relacionadas aparentemente com o Livro Razão anteriormente apresentado e Contas a Pagar para demonstrar o contrário da decisão de piso. 14 Do conjunto probatório trazido aos autos e explicações relacionadas, me parece estar devidamente evidenciada a existência e do crédito pleiteado pela Recorrente, não obstante o erro cometido no preenchimento da DCTF. Isso porque, os valores constantes no razão em Dezembro de 2008 no total de R$ 345.589,37 e ratificam o cálculo apresentado pela Recorrente que resultaria em IRRF a pagar em um montante menor do que declarado em DCTF de acordo com as alegações do recurso indicado alhures no item 6 do voto. 15 – Quanto a esse assunto esse E. Conselho nos Ac. 1001000.696 j. 07/08/2018 Relator Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni e Ac. 1201002.106 J. 16/03/2018 Relator Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado trataram do tema em decisão e com a devida vênia tomando como razões de decidir parte do último voto, verbis: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2008 RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. PRAZO PARA RETIFICAÇÃO DA DCTF. O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fl. 507DF CARF MF Processo nº 15374.964769/200923 Resolução nº 2201000.322 S2C2T1 Fl. 508 10 Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinalase o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. ERRO DE FATO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. POSSIBILIDADE Comprovado erro de fato no preenchimento da declaração, a DCTF retificadora tem a eficácia de alterálo. DIREITO AO CRÉDITO. PROVA FÁTICA. Em conformidade com o princípio da verdade material, observase que a retificação da DCTF, por parte da Recorrente, é baseada em prova inequívoca do seu direito ao crédito. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2004 DCOMP. CRÉDITO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. RECONHECIMENTO Na hipótese de mero equívoco no preenchimento da DCTF, contrastando com as informações acertadas da DIPJ e com a comprovação do recolhimento a maior através de DARF juntado aos autos, não há razão para penalizar o contribuinte, sendo medida certa o reconhecimento do crédito pleiteado. “Ora, me alinho com o racional adotado pela DRJ, contudo, discordo da conclusão. Isso porque, me parece cristalino pela documentação trazida aos autos pela Recorrente em conjunto com as devidas explanações que houve, sim, equívoco no preenchimento da DCTF, contrastando com as informações (acertadas) da DIPJ e, por fim, restou comprovado o recolhimento a maior em razão do DARF juntado aos autos. Este Conselho é reconhecido no mundo jurídico brasileiro por decidir as causas que lhe são submetidas com aplicação de refinada expertise na legislação e na prática tributária, além de se pautar, invariavelmente, pela busca constante da verdade material. Isso porque, diante da extrema complexidade da legislação e das obrigações tributárias no Brasil, não é anormal, mesmo para as grandes empresas que têm condições de manter caras estruturas de "compliance" fiscal, cometer erros e equívocos. Contudo, tais erros e equívocos não pode dar origem ao enriquecimento sem causa do Fisco. Este é o caso que se apresenta nos autos. Houve erro no preenchimento de uma das obrigações acessórias relacionadas ao pagamento do tributo. Uma vez comprovado o erro e o recolhimento do tributo que se alega ter sido efetuado, não há razão para penalizar o contribuinte.” 16 – Por esse motivo, entendo que, no caso concreto, diverso de outros já julgados por essa Turma tais como nos AC. 2201004.437 e 2201004.450 dos ilustres Conselheiros Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e Daniel Melo Mendes Bezerra, respectivamente, entendo ser necessário a conversão do julgamento em diligência em virtude da verossimilhança das alegações do contribuinte no que tange à comprovação de erro material Fl. 508DF CARF MF Processo nº 15374.964769/200923 Resolução nº 2201000.322 S2C2T1 Fl. 509 11 no momento da apuração a maior do IRRF recolhido para empresas estrangeiras em virtude de ter tomado o serviço de roaming, fato incontroverso nos autos. 17 Pelo exposto, entendo que a autoridade administrativa deve promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes nos autos e outros mais que entender necessários, tendo por norte o princípio da verdade material. 18 Isto posto, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora: 1 fundamentada nas alegações de fls. 95/109 e os documentos acostados às fls. 145/441, bem como em outros que entender pertinentes, verifique a procedência das informações neles trazidas, e as compare com os valores que formam aquele controverso nos autos, com a finalidade de se checar possível diferença entre estes; e 2 se manifeste de forma conclusiva sobre as constatações desta diligência, inclusive informando se as conclusões advindas são competentes para retificar ou extinguir o crédito tributário. 3 Ao final, deverá ser dada ciência ao contribuinte sobre o resultado da diligência, em homenagem ao princípio do contraditório e ampla defesa e posteriormente o retorno dos autos para julgamento. Conclusão 19 Ante a todo o exposto, voto por converter o processo em diligência. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 509DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.906190/2009-12
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Comprovado erro de fato no preenchimento da DCTF, nada impede a sua retificação após a ciência do Despacho Decisório de não homologação da compensação, desde que apresentadas provas aptas a permitir o reconhecimento do direito creditório postulado.
Numero da decisão: 1002-000.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2003 RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. POSSIBILIDADE. Comprovado erro de fato no preenchimento da DCTF, nada impede a sua retificação após a ciência do Despacho Decisório de não homologação da compensação, desde que apresentadas provas aptas a permitir o reconhecimento do direito creditório postulado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
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COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. POSSIBILIDADE. Comprovado erro de fato no preenchimento da DCTF, nada impede a sua retificação após a ciência do Despacho Decisório de não homologação da compensação, desde que apresentadas provas aptas a permitir o reconhecimento do direito creditório postulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 61 90 /2 00 9- 12 Fl. 87DF CARF MF 2 Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/BSB: Trata o presente processo da Declaração de Compensação nº 36698.26243.140404.1.3.042776, apresentada pelo contribuinte em epígrafe por meio do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação PER/DCOMP, pela qual pretende o reconhecimento do direito creditório representado por pagamento indevido ou a maior, decorrente de pagamento de CSLL (código de receita 6012) relativo ao período de apuração de setembro de 2003, para utilização na quitação de débito tributário relativo à contribuição para o PIS, período de apuração de março de 2004, no valor de R$ 49,20. No despacho decisório eletrônico, emitido em 25/05/2009, a autoridade tributária não homologou a compensação declarada, sob a fundamentação de inexistência do crédito informado, haja vista que o pagamento referente ao DARF discriminado na DCOMP havia sido integralmente utilizado para a quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados na declaração, conforme segue: Características do DARF: Período de Apuração: 30/09/2003 Código de Receita: 6012 Valor Total do DARF: R$ 10.564,43 Data de Arrecadação: 31/10/2003 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF: Número do Pagamento: 1500986311 Valor Original Total: R$ 10.564,43 Débito: Db cód 6012 PA 30/09/2003 Valor Original Utilizado: R$ 10.564,43 Cientificado da decisão proferida pela DRF/Goiânia em 01/06/2009, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 30/06/2009. Nesta, alega ter ocorrido um equívoco no ato de preenchimento da DCTF correspondente, tendo sido informado o valor do pagamento como se devido fosse, e que somente percebeu o erro com a ciência do aludido despacho decisório. Acrescenta, ainda, que procedeu à retificação da DCTF, informando um valor devido de R$ Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10120.906190/200912 Acórdão n.º 1002000.463 S1C0T2 Fl. 88 3 7.395,10. Alega, por conseguinte, possuir um direito creditório na importância de R$ 3.169,33. Por fim, requer o acolhimento da manifestação de inconformidade interposta, com consequente cancelamento do despacho denegatório contestado. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/BSB, conforme acórdão n. 03043.746, de 27 de junho de 2011 (efl. 32), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 DCTF. RETIFICAÇÃO CONSIDERADA NÃO ESPONTÂNEA EM PROCESSO ANTERIOR. NÃO ADMISSÃO. DCTF retificadora apresentada de forma não espontânea, em virtude de transmissão efetivada após a ciência de despacho decisório de não homologação de compensação, que enseje o não reconhecimento do direito creditório alegado, inviabiliza compensações posteriores, relativas a esse mesmo crédito. DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF deve ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte, não sendo suficiente, por si só, para a comprovação da existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido ou a maior. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 50), no qual, oferece os argumentos abaixo sintetizados. Contesta a não homologação da compensação, alegando que "foi discriminado na DIPJ a apuração do valor correto da CSLL e houve o pagamento a maior através do DARF em anexo " e que (sic) "o erro foi que quando fizemos a apuração do lucro do terceiro trimestre de 2003, esquecemos de compensar o prejuízo acumulado conforme balancete, e livro Lalur em anexo no valor de R$ 35.214,75, e depois que tínhamos já pago o DARF no valor de R$ 10.564,43 é que percebemos que foi pago a maior, e deixamos de retificar a DCTF do 3o trimestre 2003, a qual foi retificada posteriormente após a notificação da Receita Federal do Brasil". Sustenta que (sic) "está muito claro quanto ao direito do crédito, e que realmente houve o equívoco e que gerou a diferença a ser compensada, está tudo lançado certinho no livro diário e no livro Lalur em anexo". Ao final, requer o provimento do Recurso Voluntário. Fl. 89DF CARF MF 4 É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23B do Regimento Interno do CARF, com redação dada pela Portaria MF n.º 329. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito Quanto ao mérito, constato que ora Recorrente não teve homologado o PER/DCOMP nº 36698.26243.140404.1.3.042776 transmitido em 14/04/2004, sob a alegação de que o valor do crédito original de R$ 74,53 nele informado já havia sido utilizado integralmente no pagamento de outro débito, conforme mostra o excerto do Despacho Decisório Eletrônico abaixo: Em sua Manifestação de Inconformidade, o ora Recorrente contestou a não homologação da compensação sob a alegação de erro de preenchimento da DCTF do 3º trimestre do anocalendário de 2003, a qual, conforme relatado, foi julgada improcedente, Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10120.906190/200912 Acórdão n.º 1002000.463 S1C0T2 Fl. 89 5 mormente pela ausência de comprovação do erro alegado e por ter sido a DCTF retificadora apresentada posteriormente à data de emissão do Despacho Decisório de não Homologação da compensação. Tais fatos configuraram ausência do requisito de liquidez e certeza do crédito pleiteado, inviabilizando a homologação do pedido de compensação, a teor do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional CTN (grifos nossos): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Compulsando os autos, constato que o valor principal do crédito não compensado era de R$ 49,20 e que Recorrente juntou ao Recurso Voluntário diversos documentos com vistas à sua comprovação, a saber: às efls. 51/54 acostou cópia da Parte A e B do LALUR, em que se encontra consignado o valor de R$ 82.167,76 do lucro do 3º trimestre de 2003 que serviu de base de cálculo da CSLL, a qual totalizou o valor de R$ 7.395,10; às efls. 55 apresentou DARF de recolhimento da importância de R$ 10.564,43, correspondente ao período de apuração de 30/09/2003, caracterizando recolhimento indevido de R$ 3.169,33; às efls.57, apresentou o balancete analítico referente a setembro de 2003, consignando o valor de R$ 7.395,10 relativo à provisão de CSLL do período respectivo; às efls. 61, apresentou a página 97 do LivroDiário, relativo a outubro de 2003, que informa o saldo de R$ 3.169,33 de CSLL a recuperar, relativo ao pagamento indevido do 3º trimestre; às efls. 81 foi juntada cópia do LivroDiário de abril de 2004, demonstrando a forma como a Recorrente utilizou parte do crédito de R$ 3.169.33 para quitação de PIS no valor de R$ 49,20 do período de apuração de março de 2004. À vista dos documentos acostados aos autos, entendo que o Recorrente comprova inequivocamente o crédito de R$ 49,20 glosado no Despacho Decisório Eletrônico e que foi a causa da não homologação da compensação, embora só tenha colacionado os documentos comprobatórios respectivos após o prazo previsto na legislação de regência, o que, em tese, levaria à preclusão do direito apresentálos. Entretanto, a preclusão na apresentação de provas em razão de intempestividade não vem sendo encarada em caráter absoluto neste CARF quando o Recorrente traz aos autos comprovação inequívoca do crédito postulado, em prestígio aos Princípios da verdade material e do formalismo moderado. A propósito, como corroboração do entendimento, os seguintes julgados: Fl. 91DF CARF MF 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 VERDADE MATERIAL COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO Ainda que não sejam provadas nos autos as hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72 que justificariam a juntada tardia de documentos, é possível admitir referida juntada tardia em vista da necessidade de busca da verdade material. Por outro lado, é crucial que seja demonstrada e comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado para que o mesmo seja reconhecido pela autoridade julgadora. (Acórdão nº 180300.7653 Turma Especial) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Exercício: 2004 COMPENSAÇÃO. VALOR PAGO A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF. COMPROVAÇÃO DO ERRO. Ao restar comprovado nos autos que o débito originalmente confessado em DCTF era superior ao valor efetivamente devido, a retificação da declaração deve ser admitida. Em consequência, o valor pago a maior deve ser reconhecido como direito creditório em favor do contribuinte, passível de restituição e/ou compensação. Assunto IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Exercício: 2004 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL APLICÁVEL. CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA COM EMPREGO DE MATERIAIS. Para fins de determinação do percentual aplicável ao lucro presumido das pessoas jurídicas que se dedicam à atividade de construção por empreitada com ou sem emprego de materiais, aos fatos geradores anteriores à vigência das Instruções Normativas SRF nº 480/2004 e nº 539/2005, aplicamse as disposições do ADN COSIT nº 6/1997, até então vigentes. Ao restar comprovado o atendimento cumulativo às três condições estabelecidas por este último normativo, a saber, tratarse de contrato de empreitada, de construção e com o fornecimento de materiais em qualquer quantidade, aplicase o percentual de 8% para determinação do lucro presumido. Não se verificando alguma das referidas condições, o percentual aplicado deve ser de 32%. (Acórdão 130100.533 em 30/03/2011, 1ª Turma da 3ª Câmara) CSLL. ERRO NO PREENCHIMENTO DO PER/DCOMP. Comprovado o erro no preenchimento do PER/DECOMP, ainda que após instaurado o Processo Administrativo Fiscal, deve ser acatada a retificação. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 1402000.438 em 24/02/2011 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10120.906190/200912 Acórdão n.º 1002000.463 S1C0T2 Fl. 90 7 IRPJ REVISÃO DE LANÇAMENTO As condições para revisão do lançamento estão contidas no artigo 149 do CTN. ERRO DE FATO Comprovada a ocorrência de erro de fato no preenchimento da DIPJ/2001, cabe a sua retificação e, por conseqüência, o reconhecimento do direito pleiteado. (Acórdão 10809.429 da 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, sessão em 14/09/2007). Ademais, a própria Administração Tributária, por meio das conclusões exaradas no Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, admite a retificação da DCTF após a data de transmissão do PERD/COMP, mesmo depois da emissão do despacho decisório de não homologação da compensação. Confirase: (...) Conclusão 22. Por todo o exposto, concluise: a) as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário; b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010; (...) Dispositivo Considerando que o Recorrente logrou demonstrar inequivocamente o erro de preenchimento na DCTF do 3º trimestre de 2003, voto por dar PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para homologar a compensação até o limite do crédito reconhecido. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 93DF CARF MF 8 Aílton Neves da Silva Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13739.000641/2007-66
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
DECADÊNCIA. TERMO DE INÍCIO. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. TRIBUTO SUJEITO AO AJUSTE ANUAL.
Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, havendo antecipação de pagamento e não se imputando ao contribuinte a prática de conduta com dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial tem início na data da ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 9202-007.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 DECADÊNCIA. TERMO DE INÍCIO. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. TRIBUTO SUJEITO AO AJUSTE ANUAL. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, havendo antecipação de pagamento e não se imputando ao contribuinte a prática de conduta com dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial tem início na data da ocorrência do fato gerador.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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TERMO DE INÍCIO. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. TRIBUTO SUJEITO AO AJUSTE ANUAL. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, havendo antecipação de pagamento e não se imputando ao contribuinte a prática de conduta com dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial tem início na data da ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 9. 00 06 41 /2 00 7- 66 Fl. 100DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 280100.879 proferido pela Primeira Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 20 de setembro de 2010, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 58: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DECADÊNCIA. O fato gerador do Imposto de Renda da Pessoa Física ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário, tendo o fisco o prazo de cinco anos, a contar desta data, para efetuar eventuais lançamentos, por força do disposto no § 4° do art. 150, do Código Tributário Nacional. Preliminar de Decadência Acolhida. Recurso Voluntário Provido. Interposto o Recurso Especial pela Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 64 e seguintes, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 88 e seguintes, para rediscutir a decisão recorrida no tocante à Decadência. Em seu recurso, aduz a Fazenda, em síntese, que: a) no caso, impende destacar que não se operou lançamento por homologação algum, afinal a contribuinte não antecipou o pagamento do tributo; b) acórdão objurgado, a despeito destas ponderações e da dicção do art. 173 do CTN, aplicou o prazo de decadência qüinqüenal, a contar da data de ocorrência de cada fato gerador; c) deve ser reformada a r. decisão recorrida. Essa é a linha adotada pela jurisprudência majoritária no âmbito dos Conselhos de Contribuintes, que, em harmonia com tudo quanto exposto neste recurso, ante a inexistência de pagamento, não admite a contagem do prazo decadencial a partir do fato gerador, tal qual previsto no §4º do art. 150 do CTN. Intimado, o Contribuinte apresentou Contrarrazões, fls. 95 e seguintes, requerendo a manutenção da decisão recorrida, em razão da devida aplicação do art. 150,§ 4º, do CTN ao presente caso, tendo em vista a existência de retenção na fonte, portanto a antecipação do pagamento. É o relatório. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13739.000641/200766 Acórdão n.º 9202007.376 CSRFT2 Fl. 3 3 Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. A controvérsia constante dos presentes autos se refere ao prazo decadencial do lançamento: se seria aplicável o art. 173, I, do CTN ou o art. 150, § 4º, do mesmo diploma legal. Cabe salientar que a matéria objeto dos autos se encontra pacificada nesse Conselho no sentido da aplicabilidade do art. 150, §4º, do CTN, desde que cumpridos dois requisitos: um positivo, qual seja a existência de pagamento antecipado; e outro negativo, que é ausência de qualificação da multa aplicada, ou seja, inexistência de dolo, simulação ou fraude. Compulsandose os autos, observase que houve retenção do imposto de renda na fonte, consoante Demonstrativo de fls. 13, embora o acórdão recorrido não tenha se firmado nessa premissa fática para consignar o entendimento acerca da aplicação do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Assim, aferida a existência da retenção na fonte, impõese a aplicação do Enunciado de Súmula 123 do CARF: Súmula CARF nº 123 Imposto de renda retido na fonte relativo a rendimentos sujeitos a ajuste anual caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Cabe salientar que a multa aplicada foi no patamar de 75%, razão pela qual se deduz a inexistência de dolo, fraude ou simulação, cumprindose assim o requisito negativo para a aplicação do art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Portanto, tendo a ciência do auto de infração em 30/05/2007, fls. 25, no que se refere ao fato gerador ocorrido em 31/12/2001, o lançamento aconteceu a destempo, pois o termo final do prazo de cinco anos ocorreu em 31/12/2006. Diante do exposto, voto por conhecer Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 102DF CARF MF 4 Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.904424/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1999
SIMPLES. MICRO EMPRESA. ALÍQUOTA DE 3%. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE PJ 2000 SIMPLES APÓS DESPACHO DECISÓRIO. CRÉDITO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP DEVIDA.
No ano calendário 1999, as micro empresas deveriam recolher o SIMPLES à alíquota de 3%. A devida comprovação do pagamento com base na alíquota de 4% caracteriza pagamento indevido ou a maior, o que assegura à contribuinte o direito à compensação (DCOMP) ou à restituição (PER), ainda que a retificação da Declaração Anual Simplificada (PJ 2000) tenha ocorrido após despacho decisório eletrônico. Homologação da DCOMP devida.
Numero da decisão: 1302-003.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10640.904413/2009-20, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 1999 SIMPLES. MICRO EMPRESA. ALÍQUOTA DE 3%. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE PJ 2000 SIMPLES APÓS DESPACHO DECISÓRIO. CRÉDITO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP DEVIDA. No ano calendário 1999, as micro empresas deveriam recolher o SIMPLES à alíquota de 3%. A devida comprovação do pagamento com base na alíquota de 4% caracteriza pagamento indevido ou a maior, o que assegura à contribuinte o direito à compensação (DCOMP) ou à restituição (PER), ainda que a retificação da Declaração Anual Simplificada (PJ 2000) tenha ocorrido após despacho decisório eletrônico. Homologação da DCOMP devida.
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COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF E PJ 2000 APÓS DESPACHO DECISÓRIO Recorrente IRMÃOS ORNELLAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1999 SIMPLES. MICRO EMPRESA. ALÍQUOTA DE 3%. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE PJ 2000 SIMPLES APÓS DESPACHO DECISÓRIO. CRÉDITO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP DEVIDA. No ano calendário 1999, as micro empresas deveriam recolher o SIMPLES à alíquota de 3%. A devida comprovação do pagamento com base na alíquota de 4% caracteriza pagamento indevido ou a maior, o que assegura à contribuinte o direito à compensação (DCOMP) ou à restituição (PER), ainda que a retificação da Declaração Anual Simplificada (PJ 2000) tenha ocorrido após despacho decisório eletrônico. Homologação da DCOMP devida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10640.904413/200920, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 44 24 /2 00 9- 18 Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10640.904424/200918 Acórdão n.º 1302003.143 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face de Acórdão da 2a. Turma da DRJ de Juiz de Fora (MG) que, por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade, registrandose a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente, empresa varejista de produtos alimentícios e outros, alega que pagou SIMPLES à alíquota de 4% (que correspondia ao percentual acumulado, relativo a 1998), quando deveria pagar 3%, devidos em 1999, em conformidade com as disposições do art. 5º da Lei nº 9.317/96, vigente à época. Para evidenciar esse pagamento indevido ou a maior e para compensálo, enviou a DCOMP e na sequência retificou a Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica (DSPJ) originalmente transmitida. Anexou Recibo de Entrega da PJ 2000 Simples normal, retificadora e Darfs. A DRJ manteve o despacho decisório eletrônico e declarou não homologada a DCOMP. Entendeu que a recorrente não demonstrou que haveria pagamento indevido ou a maior. Desconsiderou a declaração simplificada retificadora de 2004. Não examinou a alegação da recorrente de que a alíquota correta do SIMPLES para 1999 seria de 3% e não de 4%. Não analisou os DARFs por meio dos quais a recorrente pretende demonstrar tal pagamento a maior. Concluiu que o valor contido na declaração simplificada da PJ corresponde ao valor pago e devido, pois considerou somente a PJ 2000 Simples original. Assim, concluiu que não haveria crédito disponível. Intimou a recorrente a pagar o principal, multa e juros. Diante do acórdão de manifestação de inconformidade, a recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente, reforçando que, ao analisar e confrontar com a Declaração Simplificada PJ, ano calendário 1999, a fiscalização deveria ter considerado os débitos declarados na segunda declaração retificadora PJ Simplificada entregue em 11/04/2004 (cancelada no sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil) e não a primeira, entregue cerca de nove minutos antes, na mesma data. É o breve relatório. Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10640.904424/200918 Acórdão n.º 1302003.143 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.132, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10640.904413/2009 20, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.132): "Conheço do recurso voluntário, à vista da interposição tempestiva e do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. A recorrente atua no comércio varejista de gêneros alimentícios, perfumaria, papelaria, armarinho, louças e legumes (cláus. III, contrato social, fl. 3). Sustenta que dispunha do crédito pleiteado, pois ao detectar o erro, entregou PJ 2000 Simples retificadora em 11/04/2004, sob n° de controle 10.02.38.90.27. Embora a DCOMP tenha sido entregue antes da PJ retificadora, defende que a IN 210/2002 seria omissa quanto à retificação de declarações. Com esse entendimento, afirma que não poderia concordar com o não reconhecimento do crédito. Alega que a fiscalização deveria ter considerado a declaração retificadora, ainda que realizada posteriormente à avaliação de seu pedido (despacho decisório eletrônico). Ressalta que, a IN SRF nº 210/2002, vigente à época, não mencionava como condição para o deferimento que a retificação fosse em data anterior à entrega da DCOMP. Com base em tais fatos e fundamentos, a recorrente, em 10/12/2003, utilizouse da DCOMP n° 36194.68673.101203.1.3.047949 para compensar débito com os supostos créditos de pagamento a maior de SIMPLES (alíquota de 4%, em vez de 3%). Observase, portanto, que independentemente de ter havido a retificação da DSPJ somente após a transmissão da DCOMP, não se verificou se, de fato, houve ou não pagamento a maior ou indevido pela recorrente. Para essa análise, é necessário verificar se procede a alegação da recorrente de que a alíquota do SIMPLES para o ano calendário 1999 seria realmente de 3% e não de 4%. No link idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/.../capitulov Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10640.904424/200918 Acórdão n.º 1302003.143 S1C3T2 Fl. 5 4 simples2008.pdf, a Receita Federal do Brasil (RFB) orienta que, Para a determinação do percentual a ser utilizado pelas Micro Empresas (ME), é necessário identificar, primeiramente, a faixa de receita bruta acumulada em que se encontra a ME, com o auxílio da Tabela S1, abaixo transcrita. Nesse caso, a pessoa jurídica deverá verificar o total da receita bruta acumulada, dentro do ano calendário, até o próprio mês em que está fazendo a apuração. Já o valor devido mensalmente, a ser recolhido pela ME, será o resultante da aplicação sobre a receita bruta mensal auferida da alíquota correspondente. Tabela S1: Percentuais aplicáveis às ME (regra geral) Receita Bruta Acumulada (em R$) Alíquotas Até 60.000,00 3% De 60.000,01a 90.000,00 4% De 90.000,01 a 120.000,00 5% De 120.000,01 a 240.000,00 5,4% O Estatuto da Microempresa de 1999 Lei nº 9.841, de 5 de outubro de 1999, estabeleceu que (art. 2º), para os efeitos desta Lei, ressalvado o disposto no art. 3º, considerase: I microempresa, a pessoa jurídica e a firma mercantil individual que tiver receita bruta anual igual ou inferior a R$ 244.000,00 (duzentos e quarenta e quatro mil reais); (Vide Decreto nº 5.028, de 31.3.2004). Conforme Declaração Anual Simplificada (PJ 2000 SIMPLES), fl. 14, a razão social da recorrente é: Irmãos Ornellas Ltda. ME; natureza jurídica: sociedade por cotas de responsabilidade limitada empresa privada. Os valores declarados pela recorrente em 1999 são a seguir reproduzidos, demonstrando que realmente se enquadrava como Micro Empresa: Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10640.904424/200918 Acórdão n.º 1302003.143 S1C3T2 Fl. 6 5 Verificase, portanto, que procede a alegação da recorrente de que a alíquota do SIMPLES (cód. rec. 61060) que deveria pagar em 1999 era de 3% (art. 5º da Lei nº 9.317/96, vigente à época ) e não de 4%. Os dois DARFs anexados ao processo indicam pagamento à alíquota de 4%. Demonstrado, dessa forma, que houve pagamento a maior ou indevido, fazendo jus à compensação pleiteada. No caso, portanto, entendo que o fato de Declaração PJ 2000 Simples ter sido retificada após a utilização do valor pago a maior não pode retirar o direito creditório da recorrente, em cumprimento ao princípio da verdade material, pois comprovados a certeza, liquidez e disponibilidade do crédito utilizado na DCOMP em questão. Assim, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito pleiteado e homologar a compensação pleiteada até o limite do direito creditório reconhecido." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 40DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001905/2008-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006
DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN. SÚMULA CARF 99.
O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. ESTÁGIOS. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO DE EMPREGO. PREVISÃO LEGAL EXPRESSA.
O cumprimento do disposto na legislação vigente à época dos fatos geradores, tais como a apresentação dos termos de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, bem como o Convênio Nacional firmado com o CIEE, afasta o vínculo empregatício, cabendo à autoridade lançadora o ônus de comprovar que os estágios não estariam propiciando a complementação do ensino e da aprendizagem.
Numero da decisão: 2402-006.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher a decadência até a competência 11/2003, inclusive, e, no mérito, também por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti (Relator), Luís Henrique Dias Lima e Denny Medeiros da Silveira. Designado para fazer o voto vencedor o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: José Ricardo Moreira, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN. SÚMULA CARF 99. O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. ESTÁGIOS. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO DE EMPREGO. PREVISÃO LEGAL EXPRESSA. O cumprimento do disposto na legislação vigente à época dos fatos geradores, tais como a apresentação dos termos de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, bem como o Convênio Nacional firmado com o CIEE, afasta o vínculo empregatício, cabendo à autoridade lançadora o ônus de comprovar que os estágios não estariam propiciando a complementação do ensino e da aprendizagem.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher a decadência até a competência 11/2003, inclusive, e, no mérito, também por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti (Relator), Luís Henrique Dias Lima e Denny Medeiros da Silveira. Designado para fazer o voto vencedor o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Redator Designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros: José Ricardo Moreira, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
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INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN. SÚMULA CARF 99. O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. ESTÁGIOS. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO DE EMPREGO. PREVISÃO LEGAL EXPRESSA. O cumprimento do disposto na legislação vigente à época dos fatos geradores, tais como a apresentação dos termos de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, bem como o Convênio Nacional firmado com o CIEE, afasta o vínculo empregatício, cabendo à autoridade lançadora o ônus de comprovar que os estágios não estariam propiciando a complementação do ensino e da aprendizagem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher a decadência até a competência 11/2003, inclusive, e, no mérito, também por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti (Relator), Luís Henrique Dias Lima e Denny Medeiros da Silveira. Designado para fazer o voto vencedor o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 19 05 /2 00 8- 10 Fl. 311DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 312 2 Mauricio Nogueira Righetti Relator (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Redator Designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros: José Ricardo Moreira, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, que considerou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foi lavrado Auto de Infração (AI DEBCAD 37.121.901 9), no valor principal de R$ 2.283.049,80, acrescidos de juros Selic e da multa prevista nos já revogados incisos I, II e III do artigo 35 da Lei 8.212/91, referente a contribuições dos segurados, incidentes sobre a remuneração paga a ESTAGIÁRIOS em desacordo com a legislação, não declaradas em GFIP e não recolhidas em época própria, relativas à competência de 12/2002 a 12/2006. Como colocado no Relatório do acórdão de piso, o BANCO SANTANDER S.A (CNPJ 90.400.888/000142) é a atual denominação social de BANCO SANTANDER BANESPA S/A, anteriormente denominado de BANCO SANTANDER MERIDIONAL S/A, sucessor, por incorporação, do BANCO SANTANDER BRASIL S/A (CNPJ 61.472.676/0001 72), do BANCO DO ESTADO DE SÃO PAULO S/A BANESPA (CNPJ 61.411.633/0001 87) e do BANCO SANTANDER S/A (CNPJ 33.517.640/000122). Ainda conforme relatado naquele acórdão, Fl. 312DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 313 3 Fl. 313DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 314 4 Fl. 314DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 315 5 Ainda segundo o Relatório do acórdão de piso (fls. 198/205), o autuado, em sua impugnação, alegou: Que as competências abrangidas até novembro de 2003 teriam sido alcançadas pela decadência, a teor do artigo 150, § 4º do CTN. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 316 6 E quanto ao mérito, propriamente dito, assim se manifestou: Fl. 316DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 317 7 Como já dito, a DRJ julgou improcedente a impugnação às fls. 197/212: Cientificado do acórdão em 29.06.2009 (fls. 215), apresentou Recurso Voluntário em 23.07.2009 (fls. 216/232), aduzindo, em síntese: Decadência, na forma do artigo 150, § 4º do CTN, na medida em que haveria recolhimentos antecipados relacionados a terceiros. Que o requisito necessário para a realização do estágio foi cumprido pela recorrente, por meio dos contratos firmados com os estagiários, já apresentados à fiscalização, com a interveniência do CIEE, consoante estabelece o artigo 3º da Lei 6.494/77, bem como o artigo 5º do DEcreto 87.497/82. Assim sendo, os Termos de Compromissos são hábeis e suficientes a comprovação do estágio, conforme estabelece, inclusive, o § 1º do artigo 6º daquele Decreto. Que além da existência dos Termos de Compromissos, todos os estagiários freqüentam cursos de educação superior. Além do mais, a recorrente possui condições de proporcionar a experiência prática necessária na linha deformação do estagiário, sendo certo que o estágio propicia a complementação do ensino e da aprendizagem do estudante, planejados, executados, acompanhados e avaliados em conformidade com os currículos. Que todas as informações e relatórios acerca dos estagiários foram encaminhados às IES ou ao CIEE, sendo certo que à Recorrente não cabe a guarda deste material. Que o relatório MAPE, acostado à impugnação, referente ao estagiário Marcello Renato Souza, contém todas as informações acerca do planejamento, acompanhamento, orientação e avaliação do estagiário. Que caso os programas de estágio não estivessem em conformidade com as condições legais, as IES já teriam se pronunciado, solicitando que a recorrente tomasse as providências cabíveis no sentido de regularizar a situação, eis que são as responsáveis pelos estágios, na forma do artigo 2º do Decreto nº 87.497/82. Que o Fisco não comprovou o descumprimento dos requisitos materiais e formais elencados na lei e o fato de o estagiário Marcelo ter autorizado a entrada do Fiscal ou lhe entregado documentos já solicitados não quer dizer que não haja coordenação ou planejamento de suas atividades. Que o Fisco, ao pretender tributar fato lícito e perfeitamente previsto em lei, está conferindo a esta fato uma interpretação econômica que afigurase como procedimento rechaçado pelo ordenamento pátrio. É o relatório. Voto Vencido Fl. 317DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 318 8 Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator A contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 29.06.2009 e apresentou, tempestivamente, seu Recurso Voluntário em 23.07.2009. Observados os demais requisitos, dele passo a conhecer. 1 Da decadência Inicialmente, sustenta o autuado a ocorrência da decadência com relação às competências abrangidas até 11/2003 (período lançado => 12/2002 a 12/2006), à luz do § 4º do artigo 150 do CTN, na medida em que teria havido pagamento antecipado relativo a tal exação e que a ciência do lançamento derase somente em 19.12.2008. Por sua vez, a decisão de piso considerou que como não teria havido recolhimento antecipado relacionado ao fato gerador "remuneração paga a ESTAGIÁRIOS em desacordo com a legislação pertinente", não haveria que se falar na aplicação do dispositivo encimado, mas sim na do artigo 173, I do mesmo diploma. Na sequência, notese que o DAD Discriminativo Analítico de Débito de fls. 28/35 trouxe em seu bojo tão somente os valores pagos a estagiários, razão pela qual não se é capaz de aferir sequer e existência, ou não, de pagamento antecipado a título de contribuição dos segurados naquelas competências. No caso do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN, a necessidade de haver pagamento antecipado já está sedimentada não só no CARF, mas no próprio Judiciário, conforme se observa no REsp 973.733/SC. Notese que a Súmula CARF nº 99 1 estabelece que para fins de aplicação da regra prevista no artigo 150, § 4º do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Ou seja, com relação a pagamento a determinado(s) segurado(s) (FG), se houve o pagamento antecipado daquela exação (cota empresa, contribuição do empresa ou terceiros, conforme seja o caso), o lançamento de eventual diferença estaria sujeito à regra especial. A contrario sensu, se o pagamento antecipado refere a segurado não declarado ou a exação sob fundamento legal diverso, não há que se falar em lançamento por homologação, mas sim do típico lançamento de ofício, cuja regra para o cômputo da decadência é regida pelo artigo 173 do codex tributário. Confirase entendimento semelhante ao deste Relator, posto no Acórdão nº 9202005.177, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de relatoria da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, conforme se observa no seguinte excerto: 1 Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Fl. 318DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 319 9 De imediato, refuto a tese do acórdão recorrido de que aplicável, ao caso concreto, a súmula CARF nº 99. A referida súmula teve por objetivo pacificar entendimento nos casos de salários indiretos, em que ocorrem lançamentos de diversas rubricas do conceito latu de remuneração. Referida súmula será aplicável, unicamente, aos lançamentos que envolvam salários indiretos, tais como: PLR, vale alimentação, fornecimento de educação, plano de saúde, dentre diversas outras utilidades que podem constituir salários indiretos, quando fornecidos fora das hipóteses de exclusão do conceito de salário de contribuição, previstas no art. 28, §9º da lei 8212/91. Fica fácil essa constatação quando verificamos os paradigmas que ensejaram a aprovação da súmula CARF nº 99. Em resumo e em outras palavras: penso que para que um "pagamento antecipado" possa ser considerado como aquele de que trata o artigo 150 do CTN, é primordial não apenas que diga respeito ao mesmo fato gerador e base de cálculo da autuação, mas também ao mesmo fundamento legal que dá amparo à exação lançada de ofício. Nessa mesma linha, o Acórdão nº 9202005.227, da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) do CARF, cuja ementa transcrevemos a seguir: CS. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO. REGRA DECADÊNCIA. ART. 173, I DO CTN. Inexistindo recolhimento antecipado sobre os fatos geradores e fundamentação legal lançada de ofício, a decadência deve ser aplicada a luz do art. 173, I do CTN. Os recolhimentos efetuados antecipadamente como entidade isenta não são aproveitados para recolhimentos antecipados de entidades sem esse benefício fiscal. (Grifo nosso) Assim considerando, o lançamento em tela trouxe para a tributação fatos geradores não declarados (pagamento a estagiários), não havendo que se falar em sequer parcial pagamento antecipado capaz de atrair a regra especial para a contagem do prazo decadencial. O recorrente, por meio de petitório apresentado somente em 22.07.2015, acostou aos autos cópias de GPS eventualmente recolhidas pelo CNPJ 61.472.676/000172, sob o código "2100 Empresas em Geral", relativas às competências de 12/2002 a 11/2003, dentre outras. Entretanto, penso que tal comprovação deveria ter sido apresentada juntamente à sua Impugnação e/ou, a depender do caso, ao seu Recurso Voluntário, o que não foi feito, contrariando, assim sendo, o disposto no § 4º do artigo 16 do Dec. 70.235/72, fazendo com que referidos documentos não devam ser conhecidos. Além do quê, o autuante, no tópico relativo ao período do lançamento e à aplicação da Súmula Vinculante STF nº 8, após fazer constar a utilização do artigo 173, I do Fl. 319DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 320 10 CTN no lançamento, que seria, segundo ele, a sistemática mais adequado ao caso em que se há o desconhecimento da ocorrência do fato gerador, assentou a lavratura de Representação Fiscal para Fins Penais, vez que teria constatado a ocorrência de situação que, em tese, configuraria o crime de sonegação de Contribuição Previdenciária, à luz do artigo 337A, I, do CPB. Confirase: Consignado desta forma, passo a entender que o Fisco estaria, ainda de outro giro, concluindo pela existência de dolo, fraude ou simulação, que autorizaria o deslocamento no que toca à contagem de prazo da regra especial contida no artigo 150, § 4º do CTN, para a geral prevista naquele artigo 173, I. Por sua vez, o artigo 71 da Lei 4.502/64, define sonegação como sendo toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; ou das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Já o artigo 337A, específico para o caso, tipifica a sonegação sempre que a omissão de fatos geradores ou a omissão de segurado empregado em documento de informações previsto pela legislação previdenciária resulte na supressão ou redução de contribuição social previdenciária. Prosseguindo, o dolo, consoante se extrai da definição contida no artigo 18, I, do CPB, estaria caracterizado sempre que demonstrada a intenção do agente na consecução de resultado juridicamente reprovável, por meio de uma conduta tipificada como crime (dolo direto); ou mesmo quando evidenciado que, mesmo não querendo o resultado, assumira o risco de produzilo (dolo eventual). Nessa linha, há de se perquirir se, in casu, estaria configurado o dolo na sonegação a ensejar o deslocamento para a regra geral de contagem de prazo decadencial. À luz do que consta dos autos, em especial do detalhado e pormenorizado Relatório Fiscal, que será melhor abordado no tópico a diante, penso ter restado caracterizada, ao menos, a assunção do risco pelo recorrente na produção do resultado previsto naqueles artigos 71 da Lei 4.502/64 e 337A do CPB, na medida em que não teria declarado em GFIP, os "estagiários" e os valores a eles pagos, quando, em verdade, não teria sido capaz de comprovar a observância aos requisitos previstos na Lei 6.494/77 e no Decreto 87.497/82. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 321 11 Por fim, é de se notar que o lançamento, aperfeiçoado em 19.12.2008, não contemplou a multa de ofício prevista no artigo 44, § 1º da Lei 9.430/96, aplicada aos lançamentos de ofício relativos à presente exação a partir da edição do artigo 35A da Lei 8.212/91, com a redação data pela Medida Provisória 449/2008, de 03.12.2008, em virtude das competências envolvidas. Destarte, voto, quanto a essa matéria, por rejeitar o pleito de reconhecimento da decadência. 2 Do mérito. Prosseguindo, no que tange ao mérito, a questão resumese à comprovação de que se foi, ou não, observado o disposto na Lei 6.494/77 e em sua regulamentação. Os valores pagos a título de bolsa complementação educacional de estagiário, desde que nos termos da Lei 6.494/77, não integram o conceito de salário de contribuição para fins de incidência da exação. 2 A contrario sensu, são considerados segurados obrigatórios na condição de empregado o bolsista e o estagiário que prestam serviços a empresa em desacordo com o diploma encimado. 3 A rigor, a atividade de estagiário revestese das principais características encontradas nas relação de emprego, tais como pessoalidade, subordinação e onerosidade. Contudo, a legislação decidiu por retirar os pagamentos a esse título do campo de incidência da contribuição, desde que observadas as exigências previstas naquela Lei 6.494/77. Por sua vez, trago à colação o artigo 1º do diploma acima citado: Art. 1º As pessoas jurídicas de Direito Privado, os órgãos de Administração Pública e as Instituições de Ensino podem aceitar, como estagiários, os alunos regularmente matriculados em cursos vinculados ao ensino público e particular. . § 1o Os alunos a que se refere o caput deste artigo devem, comprovadamente, estar freqüentando cursos de educação superior, de ensino médio, de educação profissional de nível médio ou superior ou escolas de educação especial. § 2º o estágio somente poderá verificarse em unidades que tenham condições de proporcionar experiência prática na linha de formação do estagiário, devendo o aluno estar em condições de realizar o estágio, segundo o disposto na regulamentação da presente lei. § 3º Os estágios devem propiciar a complementação do ensino e da aprendizagem e ser planejados, executados, acompanhados e avaliados em conformidade com os currículos, programas e calendários escolares. 2 Art. 28, § 9º, "i", da Lei 8.212/91 3 Art. 9º, "h", do Decreto 3.048/99. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 322 12 No caso em exame, segundo o Relatório Fiscal, a Fiscalização teria constatado uma série de evidências que apontariam para o descumprimento dos requisitos previstos naquela lei, dentre elas, a falta de documentação correta, a não comprovação de que havia acompanhamento ou avaliação de desempenho dos estudantes pelas instituições de ensino, não apresentação de plano de estágio que o contratante deveria elaborar em conformidade com as respectivas faculdades, falta de comprovação da frequência escolar, a remuneração vinculada a cumprimento de metas, os estudantes desempenhavam funções meramente burocráticas, estando afastados da finalidade do estágio, que é de aprimoramento e complementação do aprendizado escolar por meio da experiência prática conforme prevê o parágrafo 2º, artigo 1º, da Lei 6.494/77. Pois bem. Antes de prosseguir com relação ao que consta dos autos, impõese tecer a seguinte consideração. Como já dito acima, para que as bolsas pagas a estagiários sejam retiradas do campo de incidência da exação, faz necessária a comprovação, por parte daquele que efetua o pagamento e, por conseguinte, se vale da não incidência tributária, de que a relação entre ele e o estudante está formal e materialmente de acordo com o que dispõem a Lei 6.494/77 e o Decreto 87.497/82. Nesse contexto, o § 1º do artigo 6º do decreto encimado, ao estabelecer que o Termo de Compromisso "constituirá comprovante exigível pela autoridade competente, da inexistência de vínculo empregatício", não está a afirmar que referido documento seria o bastante para comprovar referida situação, mas sim, que é documento obrigatório para a pretensão em demonstrála. Pareceme óbvia a conclusão encimada. Não se afigura razoável, ao meu sentir, que a existência de um mero documento tivesse o condão de comprovar, de forma cabal, que, na prática, a relação entre o recorrente e o estudante se dá, exclusivamente, no âmbito da prática de estágio supervisionado. Segundo o relato fiscal, nos Acordos de Cooperação e Termo de Compromisso de Estágio que têm, como interveniente o CIEE, as normas e regras previstas são as mesmas mencionadas para todos os contratados, com variações nas atividades, na carga horária e no valor da bolsa, que seria sempre um valor fixo. Na sequência, aduz o autuante que não foram comprovados ou estariam em desacordo com a legislação, os seguintes pontos relacionados àqueles acordos de cooperação e termos de compromisso: i) falta de indicação, nos acordos que possuem a IES como interveniente, de quando e por quem o estagiário teria acompanhamento, seria avaliado, orientado e supervisionado. Haveria, tão somente, previsão de que o banco seria obrigado a fornecer subsídios à IES, sempre que necessário; ii) falta de comprovação das atividades executadas pelos estagiários, além de não terem sido apresentados relatórios de atividades desenvolvidas. Somase a isso, o fato de também não terem sido apresentados os planos de estágios que deveriam ser encaminhados às IES, nos moldes por elas estabelecidos, previstos na maioria dos acordos; Fl. 322DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 323 13 iii) que as atividades desenvolvidas, tais como previstas naqueles instrumentos, não seriam de aprendizado, mas sim de execução, tais como, fazer atendimento e orientação a clientes, elaborar documentos planilhas ou formulários diversos e fazer pesquisas; e iv) falta de comprovação, embora intimado, da frequência escolar do estagiário. A seu turno, a recorrente sustenta que além de todas as informações e relatórios acerca dos estagiários terem sido encaminhados, ou a IES, ou ao CIEE, não seria ela a responsável pela guarda desse material. Não comungo deste entendimento. Muito embora o destinatário das informações, relatórios ou planos de estágios não seja o recorrente, até porque não é o responsável pela avaliação do estágio, a questão é que pelo o fato de ser a beneficiária direta da norma de não incidência, passa a deter interesse direto na comprovação de que sua relação com o estudante se dá, efetiva e exclusivamente, no âmbito de uma atividade de estágio supervisionado. Daí, penso que o eventual encaminhamento de todas aquelas informações, relatórios ou planos de estágios deveria estar prudentemente registrado e salvaguardado com o recorrente, por meio de cópia recebida pelo destinatário, por exemplo. Posto desta forma, a circunstância de supostamente não ter havido, por parte das IES, pronunciamento encaminhado à recorrente acerca de eventuais irregularidades na atividade de estágio, não a desincumbe de tomar as cautelas tendentes a comprovar ter cumprido sua parte no processo. Não importa se, ao final, não há a efetiva avaliação por quem detém referida obrigação ou mesmo se, de uma forma ou de outra, o que se pretende é a mera inserção do estudante no mercado de trabalho; o que se pretende evitar é a desvirtuada utilização da mão deobra do estagiário como se empregado fosse. E nesse ponto, o Relatório Fiscal traz importantes constatações que conduzem ao entendimento deste julgador no sentido de que houvera, sim, o desvirtuamento da atividade de estágio, passando a valerse o recorrente, de uma mãodeobra que, sabidamente, lhe demandaria menor custo. Vejamos: Contrariamente à previsão de que receberia uma bolsa de valor fixo, dependendo do setor e atividade desenvolvida, o estagiário recebia bônus e prêmios, ou seja, remuneração vinculada a uma objetivo específico, qual seja, a superação de metas pré estabelecidas. Foram pagos, ainda, valores a título de "'bônus vendas seguros", que representa um bônus pelo número de seguros vendidos, devido ao estagiário à disposição dos gerentes; tratamento semelhante ao que se dá aos empregados. Relatou o autuante que por meio de consultas à internet, em especial no site da Associação dos Funcionários do Grupo Santander Banespa, Banesprev e Cabesp Afubesp, pôdese constatar notícia dando conta do desvirtuamento retro citado. Confirase: Fl. 323DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 324 14 Nessa mesma linha de consultas à internet, noticiou o Fisco o fato a seguir, extraído do site da FETECSPCUT. Vejase:: Foi ainda identificado pela Fiscalização na internet, informação acerca de ação trabalhista de 2004, movida em face do Banco do Estado de São Paulo S/A BANESPA, com a seguinte decisão: Fl. 324DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 325 15 A partir de referidas notícias, concluiu o Fisco "que as atividades das pessoas contratadas como estagiárias, na verdade, são atividades destinadas a empregados reconhecidos pelo Justiça Trabalhista e, internamente por todos.". Prosseguindo, passo a colacionar excertos da decisão vergastada, com a qual comungo, na medida em que bem interpreta os fatos descritos pela Autoridade Autuante, concluindo pela incidência da exação em tela. Após trazer ementa de julgado do STJ (REsp 38351), assim concluiu: Fl. 325DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 326 16 Apenas para ilustrar, impõese destacar que nas sessões de junho deste ano foram julgados pela CSRF os processos 16327.001895/200812 (acórdão 9202006939), 16327.001896/200867 (acórdão 9202006941) e 16327.001897/200810 (acórdão 9202 006.942), relacionados a fatos similares ao presente e de interesse do recorrente, oportunidade em que se decidiu, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento. Naquela oportunidade assim se manifestou o relator no acórdão número 9202006.939, cujo excerto transcrevo a seguir. Com a devida vênia ao entendimento manifestado pelo Colegiado a quo, entendo que, com fulcro no estabelecido no art. 28, §9o ., "i", da Lei no . 8.212, de 1991, a referida Lei no . 6.494, de 1977, na forma do seu art. 1o , §§1o ., 2o . e 3o ., estabelece condições a meu ver a serem necessariamente cumpridas e que perpass am a simples celebração do Termo de Compromisso, Fl. 326DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 327 17 dependendo a exclusão da base de cálculo das contribuições da efetiva comprovação, pela concedente, de todos os requisitos estabelecidos, uma vez que é a concedente a beneficiária da exclusão, cabendo a esta, assi m, comprovar o fato constitutivo de seu direito àquela, prevista na referida alínea "i", afastand o, desta forma, a relação de emprego. E prosseguiu o relator: Aplicando tais considerações especificamente quanto ao caso sob análise, entendo que, uma vez tendo se limitado a concedente a apre sentar os Termos de Compromisso de Estágio sem qualquer comprovação de matrícula e frequ ência regular e de compatibilidade de atividades e acompanhamento efetivo, não se desincumbiu aquela concedente satisfatoriamente do ônus supra, qual seja, de comprovação de cumprimento dos requisitos estabelecidos nos §§1o ., 2o . e 3o . do art. 1o da Lei no . 6.494, de 1977, à luz do referido Decreto regulamentador, que restaram, assim, violados, alinhandome aqui ao entendimento da autoridade julgadora de 1a . instância, cujo excerto abaixo é adotado aqui como razão de decidir adicional quanto à matéria: (...) Por todo o fundamentado acima, estou convicto de que a relação havida entre os "estagiários" e o recorrente não se dera, exclusivamente, no âmbito da prática de estágio supervisionado, tal como prevista na Lei 6.494/77. Com efeito, VOTO por CONHECER o recurso apresentado e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Voto Vencedor Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Redator Designado Com o devido respeito ao bem fundamentado voto do ilustre relator, divirjo do seu entendimento no tocante à decadência e ao mérito. 1. Da decadência Relativamente à decadência, o prazo do art. 150, § 4º, do CTN, é igualmente considerado como um prazo de homologação tácita do lançamento por homologação (ou Fl. 327DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 328 18 recolhimento por homologação). Ali está estabelecido que o lançamento por homologação ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento, o qual é homologado tacitamente pelo decurso do prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. No caso concreto, as contribuições estão sujeitas ao lançamento por homologação e a contribuinte fez o pagamento antecipado dos valores que entendia devidos. Tal recolhimento antecipado, a propósito, é calculado e efetuado sobre a folha de salários (ou folha de pagamentos) como um todo, e não empregado por empregado, tanto que levado a cabo numa única guia de recolhimento, por competência e por código, e não por pessoa física. Esse recolhimento antecipado, por óbvio, viabiliza a atividade homologatória pelo fisco e inexiste qualquer critério legal que permita concluir que o lustro decadencial seja aferido por trabalhador. E como afirmado pelo ilustre conselheiro relator, a recorrente, por meio de petitório apresentado em 22.07.2015, acostou aos autos cópias de GPS recolhidas pelo CNPJ 61.472.676/000172, sob o código 2100 Empresas em Geral; e, com o devido respeito ao entendimento da relatoria, entendemos que o recolhimento antecipado a que se refere o art. 150, § 4º, do CTN, a Súmula CARF 99 e o recurso repetitivo nº REsp 973.733/SC, é o recolhimento antecipado da exação, considerandose a folha de pagamento como um todo, e não a folha de pagamento por funcionário. Vejase, primeiramente, o julgado do STJ em sede de recurso representativo de controvérsia, o qual alude ao recolhimento antecipado da exação: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). [...] Fl. 328DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 329 19 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (destacouse) Vejase, em segundo lugar, a Súmula CARF 99, a qual alude expressamente ao "valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador", sendo iniludível que houve o citado recolhimento antecipado pelo contribuinte nos fatos geradores nas competências: Súmula CARF nº 99 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Insistase que as contribuições em referência são incidentes sobre a folha de salários, na dicção do art. 195, inc. I, alínea a, da CF. Quer dizer, a totalidade da folha deve ser indubitavelmente considerada, inexistindo, ainda, qualquer critério legal que permita concluir que a aferição dos recolhimentos parciais seja feita por empregado ou mesmo por parcela relativa à rubrica especificamente exigida no auto de infração. Logo, entendo que houve sim recolhimentos parciais. Por fim, também entendo que não houve dolo, fraude ou simulação, uma vez que a recorrente agiu de acordo com um modo de proceder que entendeu ser lícito (remuneração de estagiários em conformidade com a Lei 6494/77). Ademais, e como se verá no mérito, a recorrente não só não agiu com dolo, fraude ou simulação, como também agiu de acordo com a lei que regulamentava o estágio à época dos fatos geradores. Logo, quando o lançamento foi notificado ao sujeito passivo, em 19/12/2008, já havido transcorrido o prazo decadencial até a competência novembro/2003, devendo ser acolhida a preliminar de decadência. 2. No mérito No tocante ao mérito, o recurso deve ser provido. Em caso reflexo ao presente, vez que decorrente do mesmo procedimento fiscal e dos mesmos elementos de prova (art. 6º, § 1º, inc. III, e § 8º, do RICARF), a colenda 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara desta 2ª Seção de Julgamento, no PAF 16327.001893/200823, da mesma contribuinte, deu total provimento ao seu recurso, filiandose na tese acolhida pelo então conselheiro do CARF, MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, nos acórdãos 2202 003.727, 2202003.728 e 2202003.729, que igualmente adoto como razões de decidir: "Um documento básico a ser analisado é o convênio firmado entre o contribuinte e o CIEE, cuja cópia está acostada nas folhas 91 e seguintes. Além do contribuinte aqui sucedido, o Banco Santander Brasil S/A (CNPJ 61.472.676/000172), Fl. 329DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 330 20 participaram do mesmo termo de convênio outras instituições, como o BANCO do ESTADO DE SÃO PAULO S/A BANESPA CNPJ/MF.: 61.411.633/0001787. Este Conselho já tratou da questão, no Acórdão 2403002152, Sessão de 17 de julho de 2013, processo 16327.001895/200812, onde o contribuinte era o mesmo Banco Santander S/A, porém lá como sucessor do Banco do Estado de São Paulo BANESPA, acima citado. No Voto, o Conselheiro relator Ivacir Júlio de Souza, assim dispôs, em resumo: 1 Anuindo o Relatório Fiscal na condução do voto “ ad quod ”, o I. Julgador entendeu que não estavam presentes os requisitos materiais e formais exigíveis na lei de regência n.° 6.494, de 07/12/1977. 2 Dado que consta de reiteradas intimações a apresentação dos documentos constantes na cláusula 2 do sobredito convênio, é lícito concluir que a Autoridade autuante não desconhecia que a referida cláusula define obrigações do CIEE e não da Recorrente. As obrigações da Recorrente no referido Convênio estão elencadas na cláusula 3 do documento em apreço e não foram motivo de questionamento sugerindo, pois adimplidas. 3 Em complemento ao acima, no item 3.1 do Relatório Fiscal, o Auditor Fiscal registra que o Contribuinte apresentou CONVÊNIO NACIONAL, firmado com o Centro de Integração Empresa Escola – CIEE. No item 3.2.2 o CIEE está como interveniente em todos os contratos assinados entre as partes, a Autoridade autuante afirmou que existiram pontos em desacordo com a legislação. O sujeito passivo é uma instituição financeira, entretanto, mesmo sublinhando que seria obrigação da Instituição de ensino, o Auditor Fiscal baseou a autuação no Art. 9° , “h” do Decreto n° 3.048 de 06 de maio de 1999. 4 Do despacho no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, a devolução dos documentos ali referidos faz prova de que constataramse produzidos os, também, exigíveis Termos de Compromisso de Estágio acompanhados dos respectivos relatórios. Observa este Relator, a seu turno, que nos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, a Autoridade Fiscal fez constar a seguinte observação: Toda documentação solicitada, a qualquer momento, aplicase a todas as empresas incorporadas no período, quando não nomeada na solicitação. Prosseguindo, na análise constante do Acórdão 2403002152: 5 A ação fiscal teve início em 18/10/2007 e encerramento em 19/12/2008. No curso da referida ação, dispondo sobre o estágio de estudantes, a Lei n° 11.788, de 25 de setembro de 2008 alterou a redação do art. 428 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, aprovada pelo Decreto Lei no 5.452, de 1o de Fl. 330DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 331 21 maio de 1943, e a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996; revogou as Leis nos 6.494, de 7 de dezembro de 1977, e 8.859, de 23 de março de 1994, o parágrafo único do art. 82 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e o art. 6o da Medida Provisória no 2.16441, de 24 de agosto de 2001. Na nova Lei, o legislador reiterou de forma mais objetiva os aspectos que suscitaram a motivação do lançamento em comento, realçando que o que se pretende com o estágio é fazer com que o educando desenvolva competência próprias da atividade profissional. Desse modo, entendeuse que efetuar os trabalhos típicos dos empregados da empresa concedente não se caracteriza desvio do aprendizado. 6 Ressaltando quais são as obrigações das instituições de ensino, o sobredito destaque do inciso IV do caput do art. 7° revela que o relatório das atividades exigido na ação fiscal é exigência que se faz ao educando com a apresentação periódica, em prazo não superior a 6 (seis) meses, verbis: Art. 7o São obrigações das instituições de ensino, em relação aos estágios de seus educandos: I – celebrar termo de compromisso com o educando ou com seu representante ou assistente legal, quando ele for absoluta ou relativamente incapaz, e com a parte concedente, indicando as condições de adequação do estágio à proposta pedagógica do curso, à etapa e modalidade da formação escolar do estudante e ao horário e calendário escolar; II – avaliar as instalações da parte concedente do estágio e sua adequação à formação cultural e profissional do educando; III – indicar professor orientador, da área a ser desenvolvida no estágio, como responsável pelo acompanhamento e avaliação das atividades do estagiário; IV – exigir do educando a apresentação periódica, em prazo não superior a 6 (seis) meses, de relatório das atividades; 7 Não obstante tudo que foi exposto, transcreveuse parte do Relatório fiscal onde a Autoridade autuante registra que todos os estagiários executam sua tarefas ao abrigo do Termo de compromisso o qual tem sido equivocadamente tratado como contrato de estágio : “...os estudantes atuarem oficialmente na empresa por meio de um contrato de estágio, os indícios apurados ...” 8 Cumpre ressaltar que o Decreto n° 87.497, de 18 de agosto de 1982, regulamentou a exortada Lei n° 6.494/77 e no art. 4° do referido diploma fica definido que cabe às instituições de ensino e não as empresa que concedem os estágios regularem entre outras questões a sistemática de organização, orientação, supervisão e avaliação de estágio curricular, fatos geradores que como destacado alhures motivaram o auto em comento. 10 Aduz que o art. 6º do mesmo sobredito diploma define que a realização do estágio curricular, por parte de estudante, não acarretará vínculo empregatício de qualquer natureza. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 332 22 Caracterizando como Termo de compromisso, afastando assim hipótese de relação trabalhista, o legislador evitou denominar de contrato o pacto entre as partes e no § 1º do art. supra acentua que o Termo de Compromisso será celebrado entre o estudante e a parte concedente da oportunidade do estágio curricular, com a interveniência da instituição de ensino, e constituirá comprovante exigível pela autoridade competente, da inexistência de vínculo empregatício. 11 Desse modo, entendeuse que as exigências legais previstas na lei n° 6.494/77, regulamentadas pelo Decreto n° 87.497, de 18 de agosto de 1982 foram todas cumpridas pela Recorrente. A exigência fiscal ora em apreço é da responsabilidade das Instituições de ensino, como acima se verificou. 12 Foi citado o entendimento do TST, 3ª Turma: Acórdão do processo Nº RR 46643337.1998.5.09.5555, 21/10/1998 Estágio relação de emprego. Não forma vínculo de emprego o estagiário que firma termo de compromisso, de acordo com a Lei nº 6.494/77, tendo em vista que a admissão no Banco do Brasil se dá exclusivamente através de aprovação em concurso público, nos termos do art. 37, inciso II, da Constituição Federal de 1988.” Para destacar que: Sobre o voto supra, destacando que a relação jurídica entre o estagiário e o Banco é de natureza civil, achandose disciplinada pela Lei nº 6.494/77 e, havendo quaisquer irregularidades na execução do estágio, as mesmas devem ser resolvidas entre o estagiário e/ou estabelecimento de ensino, no presente caso, o CIEE, ACORDAM os Ministros da Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho, unanimemente, conhecer da Revista, por violação ao art. 37, inciso II, da Constituição Federal e, no mérito, darlhe provimento para declarar inexistente o vínculo empregatício. Novamente a seu turno, observa este Relator que ao analisar o caso com o Banespa Banco do Estado de São Paulo, sociedade anônima, o Conselheiro relator do voto que aqui se toma como paradigma usou ainda o argumento da necessidade de ingresso na sociedade de economia mista do Estado se dar por concurso público, conforme previsto na CF/88. Aqui, o Banco sucedido não tinha o capital majoritariamente pertencente ao Estado e tais argumentos, especificamente, não se aplicam. Prosseguindo nas razões daquele voto: 13 A Lei nº 6.494, de 07.12.77, ao dispor sobre o estágio, estabeleceu em seu art. 4º que "o estágio não cria vínculo empregatício de qualquer natureza". No art. 3º exige que haja termo de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, com a interveniência obrigatória da instituição de ensino. Tudo isto posto, entendeuse que a relação jurídica entre Fl. 332DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 333 23 o estagiário e o Banco é de natureza civil, à época dos fatos, disciplinada pela Lei nº 6.494/77 revogada pela Lei n° 11.788/2008. Portanto, eventuais hipóteses de irregularidades na execução do estágio, deveriam ser resolvidas entre o estagiário, as instituições de ensino e o agente interveniente, o CIEE. 14 A Autoridade autuante, afirmando ser de interesse, registrou nos item 8.1.2 e 8.1.3 manifestações classistas que não motivam o auto quer pela evidente politização da questão, quer por serem supervenientes aos fatos geradores, como o caso do congresso do ano de 2008. 15 Concluiu então aquele Relator que: Por experiência própria vivenciada em dois momentos em empresas diferentes, durante minha formação, no terceiro grau , eu mesmo fazia questão ainda que na condição de estagiário, de aprender e realizar o máximo possível das tarefas realizadas pelos empregados, de preferência as mais complexas pois do contrário teria passado a maior parte do tempo em absoluta inatividade. Tudo isto sopesado, compulsado os autos, não alcancei desnaturados os termos de compromisso pactuados entre os estagiários, a Recorrente, o Interveniente CIEE e as instituições de ensino que ensejasse caracterizar relação de emprego “stricto sensu ”. Trazendo a esta lide os argumentos acima expostos, os quais se amoldam perfeitamente, entendo, em suma, que foram realizados os termos devidos, com interveniência do CIEE e das instituições de ensino (fl. 98 e ss.) e concluo da mesma forma que foi feito no Acórdão 2403002152, aqui repetidamente citado. CONCLUSÃO. Em conclusão, VOTO por reconhecer a decadência do lançamento tributário até a competência 11/2003, inclusive e, no mérito, por dar provimento ao recurso voluntário." Assim, por compreender que a relação jurídica entre o estagiário e o Banco é de natureza civil, achandose disciplinada pela Lei nº 6.494/77 (vigente à época dos fatos geradores), não deve ocorrer a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos pela contribuinte aos estagiários. Ademais, não verifico que no caso concreto tenham sido descumpridos os requisitos da legislação, razão pela qual não deve ser mantido o lançamento em questão. Portanto, se não restarem desnaturados os termos de compromisso pactuados entre os estagiários, a Recorrente, o Interveniente CIEE e as instituições de ensino, não se caracteriza relação de emprego “stricto sensu”. Logo, cumpridas as exigências da cláusula 3ª do Convênio com o Fl. 333DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 334 24 Centro Integrado Empresa Escola CIEE, agente interveniente entre o concedente do estágio e o educando, descabe tutela. Por fim, importa referir os seguintes acórdãos deste Conselho cujo resultado do julgamento foi no mesmo entendimento acima exposto: 2403002.152, 2403002.153, 2403002.154, 2202003.728 e 2202003.729. Acrescento ainda que a apresentação dos termos de compromisso a que alude o art. 3º da revogada Lei 6494/77 e do Convênio Nacional firmado com o CIEE demonstram que o sujeito passivo, a rigor, estaria cumprindo o disposto na legislação, de forma a impor à autoridade fiscal o ônus de comprovar que os estágios não estariam propiciando a complementação do ensino e da aprendizagem. A despeito disso, a autoridade administrativa afirmou que a recorrente é quem não teria comprovado o planejamento, o acompanhamento, a orientação, a frequência escolar, etc. Ademais, e como já dito, tais pontos, que supostamente estariam em desacordo com a legislação, eram de incumbência e de verificação das instituições de ensino, e não da concedente dos estágios, como está claro no Convênio Nacional firmado. E nem poderia ser diferente, pois a frequência escolar, por exemplo, somente pode ser aferida de forma inconteste pela instituição educacional, e não pelo sujeito passivo. Por outro lado, e no entender deste conselheiro, não poderia a autoridade autuante e nem o ilustríssimo relator tomar como fundamento de suas razões as notícias propagadas por partes direta e economicamente interessadas no eventual resultado da lide, a exemplo da Associação de Funcionários e da CUT. Quer dizer, somente um exame in loco poderia constatar, a par de outras provas, que os fins colimados pela Lei 6494/77 teriam sido desatendidos. 3. Conclusão Por tais razões, e no mérito, ouso divergir do brilhante voto do conselheiro relator, para dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 334DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.910043/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MAIOR OU INDEVIDAMENTE. COMPENSAÇÃO ANTES DO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84. AFASTAMENTO DA VEDAÇÃO PELA IN SRF Nº 600/05. POSSIBILIDADE. INDÉBITO CARACTERIZADO. DEMANDA DE NOVA ANÁLISE.
Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
Verificada a legalidade da manobra de compensação pretendida pelo contribuinte, afastando-se entendimento anterior pela sua vedação, devem ser, materialmente, analisadas a procedência e a quantificação do crédito pretendido antes da sua homologação.
Numero da decisão: 1402-003.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com base na Súmula CARF nº 84, para afastar a vedação da compensação pretendida pela Contribuinte, determinando o retorno à Unidade Local para a prolatação de novo Despacho Decisório, considerando a materialidade e a quantificação do crédito utilizado na compensação, analisando a documentação já acostada aos autos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15374.910035/2009-24, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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COMPENSAÇÃO ANTES DO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84. AFASTAMENTO DA VEDAÇÃO PELA IN SRF Nº 600/05. POSSIBILIDADE. INDÉBITO CARACTERIZADO. DEMANDA DE NOVA ANÁLISE. Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Verificada a legalidade da manobra de compensação pretendida pelo contribuinte, afastandose entendimento anterior pela sua vedação, devem ser, materialmente, analisadas a procedência e a quantificação do crédito pretendido antes da sua homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com base na Súmula CARF nº 84, para afastar a vedação da compensação pretendida pela Contribuinte, determinando o retorno à Unidade Local para a prolatação de novo Despacho Decisório, considerando a materialidade e a quantificação do crédito utilizado na compensação, analisando a documentação já acostada aos autos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 15374.910035/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 00 43 /2 00 9- 71 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 15374.910043/200971 Acórdão n.º 1402003.434 S1C4T2 Fl. 3 2 Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação pretendida, por entender que estimativas recolhidas a maior/indevidamente só podem ser objeto de compensação ao final ou após o período de apuração do IRPJ e da CSLL. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que a Lei nº 9430/96 garante a compensação de quaisquer indébitos, fruto de recolhimento indevido ou maior, não se sustentando legalmente a impossibilidade invocada pela Autoridade Fiscal. Traz excertos jurisprudenciais e doutrinários. Também pugna pela inconstitucionalidade da Instrução Normativa nº 600/05 e invoca do princípio da busca pela verdade material. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, deixando de conhecer a matéria constitucional invocada e, na parte conhecida, negando provimento à defesa, por entender haver vedação expressa no art. 10 da IN nº 600/05 que impediria essa pretensão compensatória da Contribuinte. Ressaltase lá a vinculação daqueles N. Julgadores aos entendimentos da Receita Federal do Brasil. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, em suma, abandonando as alegações de inconstitucionalidade, mas reiterando e frisando a legalidade da compensação das estimavas, no mesmo período em que apurado o indébito, trazendo novos julgados deste E. CARF que corroboram sua pretensão e infirmam o posicionamento do v. Acórdão combatido. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.428, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15374.910035/2009 24, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 15374.910043/200971 Acórdão n.º 1402003.434 S1C4T2 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.428): "O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Ausentes alegações preliminares, passase ao mérito da demanda. O tema exclusivo agora sob análise é a possibilidade legal da Contribuinte utilizar em compensação, via DCOMP, crédito oriundo de estimativas recolhidas indevidamente, ainda no mesmo período de apuração. Como fica muito claro nos autos, o único fundamento para a denegação da compensação foi a suposta vedação da manobra intentada, como se verifica tanto no r. Despacho Decisório como, posteriormente, no v. Acórdão, ora recorrido, que expressamente invocam o art. 10 da IN SRF nº 600/05, vigente à época da transmissão da DCOMP. Registrese que não houve qualquer análise da materialidade do crédito ou da sua quantificação, ainda que a Recorrente tenha carreado documentação aos autos, sendo a motivação da não homologação da compensação exclusivamente jurídica. Pois bem, tal matéria sob apreço é tema há muito debatido neste E. CARF (e no predecessor E. Conselho de Contribuintes), sendo, desde 10 de dezembro de 2012, objeto da Súmula CARF nº 84, a qual, recentemente, em sessão de 03 de setembro de 2018, pela composição do Pleno da C. Câmara Superior de Recursos Fiscais, foi mantida e teve sua redação revisada: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Como se observa da leitura de tal entendimento sumular, da mesma forma como defende a Recorrente, é autorizada a compensação de estimativas recolhidas a maior (indébito) a partir do seu pagamento. Logo, o óbice imposto à Contribuinte não deve prevalecer, em obediência a tal enunciado. Inclusive, não há qualquer limitação temporal da aplicabilidade da Súmula nº 84, mostrandose, no entender deste Conselheiro, irrelevante qual normativo interno da Receita Federal do Brasil regulava a matéria à época do pleito de compensação. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 15374.910043/200971 Acórdão n.º 1402003.434 S1C4T2 Fl. 5 4 Contudo, apenas para robustecer o presente julgamento, esclarecese que existem inúmeros precedentes desta C. 1ª Seção que, especificamente, abordam e afastam a vedação contida no art. 10 da IN nº 600/05, para promover a devida e mandatória aplicação da referida Súmula. Nesse sentido, ilustrando aquilo acima consignado, confirase o recente Acórdão nº 1301003.233, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta C. 1ª Seção, de relatoria do I. Conselheiro Nelso Kichel, publicado em 30/08/2018: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato e desde que não utilizado no ajuste anual. Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa mensal em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo anocalendário, cabível a devolução do saldo negativo no ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices da IN SRF 600 (Súmula CARF nº 84) no que diz respeito à possibilidade de indébito relativo a pagamento de estimativas em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (destacamos) Desse modo, merece reforma o v. Acórdão (assim como r. Despacho Decisório, digase), vez que lícita e viável a postura procedimental da Contribuinte. Porém, como já esclarecido, em momento algum houve investigação sobre a existência e quantificação do crédito empregado, fruto do alegado recolhimento a maior/indevido de estimativa (por consequência lógica do afastamento sumário da regularidade da postura da Recorrente, não havendo, então, em se falar de lapso nos julgamentos pretéritos). Fl. 116DF CARF MF Processo nº 15374.910043/200971 Acórdão n.º 1402003.434 S1C4T2 Fl. 6 5 De forma reversa, agora, uma vez aceita a circunstância jurídica da compensação, mister proceder à devida análise de materialidade do valor utilizado. Todavia, tal análise não deve ser direta e imediatamente feita por esta C. 2ª Instância, sobre pena de supressão do iter regular processual, bem como do próprio direito de defesa da Contribuinte, devendo os autos serem remetidos à Unidade Local competente para a análise da documentação acostada ao feito e de sistemas de informação internos, proferindose novo Despacho Decisório, com o prosseguimento do regular do processo (garantida, inclusive, a apresentação de nova Manifestação de Inconformidade, Recurso Voluntário e todos outros apelos contemplados pela legislação). Diante de todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com base na Súmula CARF nº 84, para afastar a vedação da compensação pretendida pela Contribuinte, invocada tanto no r. Despacho Decisório, como no v. Acórdão recorrido. Devem ser os autos encaminhados à D. Unidade Local competente para a prolatação de novo Despacho Decisório, considerando a materialidade e a quantificação do crédito utilizado na compensação, analisando a documentação já acostada aos autos e sistemas de informações internos da RFB. Deverá também ser retomado o curso natural e ordinário do processo administrativo após tal nova decisão." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com base na Súmula CARF nº 84, para afastar a vedação da compensação pretendida pela Contribuinte, determinando o retorno à Unidade Local para a prolatação de novo Despacho Decisório, considerando a materialidade e a quantificação do crédito utilizado na compensação, analisando a documentação já acostada aos autos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 117DF CARF MF
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