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Numero do processo: 12448.905087/2013-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2012 a 30/04/2012
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
Numero da decisão: 3401-005.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros [Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2012 a 30/04/2012 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros [Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 90 50 87 /2 01 3- 66 Fl. 207DF CARF MF Processo nº 12448.905087/201366 Acórdão n.º 3401005.400 S3C4T1 Fl. 208 2 Relatório 1. Adoto, por fidedigno, o relatório da decisão recorrida: A empresa acima identificada transmitiu declaração de compensação (Dcomp) nº 30811.62540.080313.1.3.043404 visando compensar os débitos ali declarados, informando como crédito o valor de R$ 42.519,15, decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS de entidades financeiras e equiparadas (cód. 4574) do período de apuração abril de 2012, arrecadado em 18/05/2012. O Darf em questão foi recolhido no valor total de R$ 198.150,62. A Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro (DRF/RJO), através do Despacho Decisório da fl. 14, não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou a compensação declarada, por ausência de crédito. É informado que o DARF indicado como pagamento indevido ou a maior teve seu valor integralmente aproveitado na amortização do crédito tributário a que se refere, confessado pela empresa na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). A empresa foi cientificada em 17/06/2013 (fls. 32 e 33). Em 17/07/2013, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 17 a 31). Alega que o crédito em questão foi descrito na DCTF de abril de 2012, retificada em 17/07/2013. Anexa mapa demonstrativo do crédito. Requer a revisão para homologação das compensações. A DRF de origem atesta a tempestividade da manifestação e encaminha para apreciação de DRJ. É o relatório. 2. Em 06/06/2015, a 02ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) proferiu o Acórdão DRJ nº 1055.300, situado às fls. 38 a 41, de relatoria do AuditorFiscal Marcelo Enk de Aguiar, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente manifestação de inconformidade, indeferindo o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2012 a 30/04/2012 DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 208DF CARF MF Processo nº 12448.905087/201366 Acórdão n.º 3401005.400 S3C4T1 Fl. 209 3 Direito Creditório Não Reconhecido 3. Em 05/08/2015, em conformidade com o termo de solicitação de juntada situado à fl. 48, a contribuinte interpôs recurso voluntário, situado às fls. 50 a 60, no qual reiterou as razões de sua manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 4. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 5. Transcrevo abaixo, por irreprochável, o pedagógico voto da decisão recorrida: Nos sistemas internos da RFB, é possível verificar que o valor do débito confessado em DCTF, afora eventuais outras extinções, correspondia ao valor pago. Em 17/07/2013, foi entregue retificadora para alterar o valor devido de PIS de abril de 2012 para R$ 155.631,47. Também, constatase que o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon) foi alterado, com apresentação de retificadora em 23/07/2013. Desse modo, não havia nenhuma informação anterior ao despacho decisório que justificasse ao indébito. Tampouco foi apresentado qualquer registro anterior, contábil ou fiscal, na manifestação. A Dcomp foi criada a partir da Lei 10.637/2002, que alterou o art. 74 da Lei 9.430/96. A empresa poderia ter se beneficiado da Dcomp entregue caso tivesse ficado inerte a administração tributária, do mesmo modo que poderia ter se beneficiado da declaração dos débitos em questão via DCTF, evitando qualquer procedimento fiscalizatório sobre os mesmos. A Dcomp não é um pedido, nem produz efeitos similares ao de um pedido administrativo de restituição ou de ressarcimento. Pelo contrário, a apresentação desta declaração é um ato jurídico unilateral que o sujeito passivo pratica por sua conta e risco e que, desde logo, extingue o débito tributário que está sendo compensado. A manifestação da empresa se resume a alegação de erro. Nenhum documento contábil ou fiscal foi apresentado. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 12448.905087/201366 Acórdão n.º 3401005.400 S3C4T1 Fl. 210 4 Ademais, a apuração detalhada da contribuição era registrada, na época, pelos contribuintes para a Receita Federal no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon). Embora não tenha sido alegado, tampouco este demonstrativo foi alterado espontaneamente, no que respeita ao despacho decisório. A manifestação de inconformidade era a oportunidade para a empresa fornecer a devida comprovação do direito creditório e/ou do erro em que se fundou a DCTF transmitida. O art. 170 do CTN fixa pressuposto nuclear a ser atendido pelo contribuinte a fim de que possa ser corroborada a compensação pela Fazenda Nacional: que seus créditos estejam revestidos de liquidez e certeza. As alegações devem ser comprovadas documentalmente, nos termos dos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 (aplicável tanto a impugnações quanto a manifestações de inconformidade, por força dos §§ 9° a 11 do art. 74 da Lei 9.430/96 – redação atual), cabendo à interessada apresentar as provas necessárias para confirmar sua defesa. (...) Para o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional, necessário que o interessado demonstrasse que suas alegações encontramse fundamentadas em sua escrituração. No presente processo, nenhuma comprovação da apuração da base de cálculo foi ofertada, seja por meio do Livro Diário ou do Razão. Não se pode acolher a argumentação de que a confirmação da existência do pagamento do tributo, em dissonância com a DCTF, seja suficiente para comprovação do indébito, nem tampouco que a retificadora posterior, reduzindo o valor de modo a justificar o indébito, seja comprovação suficiente. Para a situação em comento, esta DRJ tem admitido a demonstração do erro em que se fundou a declaração original, acompanhada de sua comprovação taxativa, o que poderia justificar uma reforma do despacho ou uma diligência com realização de auditoria fiscal na interessada. Não é possível reconhecer o direito se o contribuinte não traz dados fidedignos aptos a provar o direito alegado, pois é ônus exclusivo deste, provar o que alega, nos termos do art. 333, do Código de Processo Civil (...). Isso posto, VOTO para que seja julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. 6. Como se sabe, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, Fl. 210DF CARF MF Processo nº 12448.905087/201366 Acórdão n.º 3401005.400 S3C4T1 Fl. 211 5 pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal.2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, sempre por unanimidade de votos, como no Acórdão CARF nº 3401004.923, proferido em sessão de 21/05/2018, acórdão paradigma de lote de recursos repetitivos de minha relatoria: PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 7. E, neste sentido, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução, tem reiteradamente este colegiado decidido que "o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário, no qual cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, e em processos relativos a pedidos de ressarcimento e compensação, em que cabe ao contribuinte provar o seu direito de crédito", trecho que se extrai do Acórdão CARF nº 3401003.204, proferido em sessão de 23/08/2016, de relatoria do Conselheiro Augusto Fiel Jorge d'Oliveira. Transcrevo, ainda, as razões do Acórdão CARF nº 3401004.146, de idêntica relatoria: "Assim, uma vez não homologada a compensação da Recorrente e ficando claro à Recorrente que tal decisão se deu em razão da ausência de DCTF, caberia a ela, na apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, demonstrar o indébito, o que poderia ser feito, inicialmente, com a exposição do valor que foi pago e do que, a seu entender deveria ter sido pago, a gerar a diferença. Segundo, as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida. Terceiro, a juntada da documentação comprovando a ocorrência do indébito, o que, a depender do caso, exigiria documentos contábeis, notas fiscais etc. Porém, em sua Manifestação de Inconformidade, para sustentar o seu direito de crédito, a Recorrente apenas reitera a afirmação de que teria ocorrido um pagamento a 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 12448.905087/201366 Acórdão n.º 3401005.400 S3C4T1 Fl. 212 6 maior e que o excesso em tal pagamento corresponderia ao exato valor objeto da declaração de compensação (...). Porém, a Recorrente inicia e encerra ali as suas explicações acerca do pagamento a maior que teria realizado. A Recorrente deixa de expor as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida e não apresenta documento algum que porventura pudesse dar suporte à ocorrência do indébito, como documentos contábeis e notas fiscais, ainda que de modo rudimentar, para indicar um princípio de prova, a ser potencialmente aprofundada em diligência. Nesse cenário, entendo que a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu direito de crédito. Ressaltese que esse direito não foi obstado pela ausência de retificação de DCTF, providência que já se afirmou não é entendida por essa Turma como condição para homologação da compensação, mas por carência probatória do direito alegado, que poderia ter sido suprida no decorrer do contencioso, seguindo as regras de processo administrativo, mas não o foi pela parte a quem interessava demonstrálo, a Recorrente" (seleção e grifos nossos). 8. Assim, não se trata de hipótese de conversão do julgamento em diligência, mas sim de carência probatória por parte da contribuinte recorrente, o que, em pedidos de compensação ou de restituição, milita em seu desfavor. 9. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 212DF CARF MF Processo nº 12448.905087/201366 Acórdão n.º 3401005.400 S3C4T1 Fl. 213 7 Fl. 213DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.903141/2009-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/11/2002
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1451; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.903141/200936 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301005.399 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de outubro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente META MATERIAIS ELÉTRICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2002 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 31 41 /2 00 9- 36 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13888.903141/200936 Acórdão n.º 3301005.399 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada, sob o fundamento de que o pagamento da contribuição (PIS/Cofins), informado como origem do crédito, já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito creditório, bem como a homologação da compensação, alegando que auferira receitas não sujeitas à incidência da contribuição (PIS/Cofins), dada a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1º, da Lei n° 9.718/1998, que fixou um novo conceito de faturamento, ampliando aleatoriamente a base de cálculo das contribuições para alcançar "a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". De acordo com o então Manifestante, referido dispositivo violou flagrantemente os arts. 146 e 154 da Constituição Federal, além do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), alterando o alcance a definição de institutos, conceitos e formas do direito privado, segundo o qual faturamento é uma espécie de receita, qualificada como ingresso patrimonial decorrente de operações mercantis de venda de mercadorias e serviços e nada mais. Concluiu que o Supremo Tribunal Federal (STF), por seu Pleno, reconhecera a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, ao julgar os REs 346.084/PR, 357.9501/RS e 390.840/MG, por entender que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. Dessa forma, pleiteou o reconhecimento da legalidade da compensação declarada, com a exclusão da base de cálculo de todas as receitas agrupadas sob a rubrica "outras receitas". A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1430.400, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão da repartição de origem. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13888.903141/200936 Acórdão n.º 3301005.399 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.379, de 25/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 13888.903098/200917, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.379): O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1430.375 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2002 CONSTITUCIONATIDAI)E. DECISÃO DO SUPREMO—TRIBUNAL FEDERAL. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. PIS. BASE DE CALCULO. A partir de fevereiro de 1999, a base de cálculo do PIS passou a ser a totalidade das receitas auferidas pela empresa subtraida de algumas exclusões previstas em lei. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Aduz o Contribuinte em seu recurso que efetuou pagamento a maior da contribuição ao PIS e compensou com os valores devidos à contribuição. A Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13888.903141/200936 Acórdão n.º 3301005.399 S3C3T1 Fl. 5 4 Administração Fiscal não homologou o pedido de compensação por entender que não há crédito a favor do Contribuinte, visto que o pagamento informado pelo Contribuinte como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando, assim, crédito disponível para compensação com os débitos relacionados no PER/DCOMP, sendo que o DARF foi alocado para o débito declarado em DCTF apresentado pelo Contribuinte. Assim esclarece os fatos o Contribuinte em seu recurso (fls. 80 e seguintes): A Fiscalização incluiu na base de cálculo da PIS o valor de "outras receitas", o que levou a empresa recorrente a recolher valor de contribuição superior ao realmente devido. Segundo apurouse, a recorrente recolheu a importância de R$ 217,35 indevidamente, a titulo de PIS. Este valor tem como correspondente base de cálculo o importe de R$ 33.438,73 qual não deveria integrar a base de calculo de referida contribuição, haja vista que corresponde a "outras receitas" apuradas naquele período. Sendo credora dessa importância, que atualizada gerou um crédito de R$ 330,40, a recorrente utilizouse desse valor para compensálo com o PIS devido no mês de novembro de 2005, conforme procedimento “PER/DCOMP” anexado aos autos do processo administrativo. A Secretaria da Receita Federal não homologou a compensação, conforme despacho decisório proferido em 25 de Margo de 2009. 0 Fisco não aceitou a existência de crédito da recorrente, consolidando o valor do débito, correspondente aos valores considerados indevidamente compensados. (...) A cobrança, no entanto, não pode prosperar, devendo ser cancelada, uma vez que a importância relativa a "outras receitas" não pode ser incluída na base de cálculo para apuração dos tributos PIS e COFINS, devendo, assim, exonerar a recorrente do pagamento dos débitos do período em referência. Percebese que a questão central é que o Fisco entendeu que “outras receitas” integram a base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS, enquanto que o Contribuinte discorda visto a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/1998 e assim se pronuncia às fls. 84 e seguintes: (...) A base de cálculo ao PIS não abrange as "outras receitas", assim consideradas aquelas que não sejam provenientes da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. A contribuição relativa ao PIS incide sobre o faturamento da empresa e teve sua cobrança instituída pela Lei Complementar n° 70/71, encontrando suporte no artigo 195, da Constituição Federal de 1988. O faturamento constituise elemento primordial na construção da base de cálculo da COFINS e do PIS, a qual foi definida pela Carta Magna, não podendo, obviamente, ser alterada por simples lei ordinária. (...) A Lei n° 9.718/98, no entanto, ampliou aleatoriamente a base de cálculo do PIS e da COFINS, passando a considerar faturamento a "totalidade das Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13888.903141/200936 Acórdão n.º 3301005.399 S3C3T1 Fl. 6 5 receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas", conforme se depreende do seu artigo 3°, parágrafo primeiro. Tal dispositivo legal, ao ampliar o conceito de faturamento, violou o principio da supremacia da Constituição Federal. (...) Considerando que o Supremo Tribunal Federal já considerou inconstitucional o artigo 3°, parágrafo 1°, da Lei no 9.718/98, que ampliou o conceito de faturamento, há que se reconhecer a legalidade da compensação pretendida pela recorrente, uma vez que devem ser excluídas da base de cálculo todas as receitas que estão sob o conceito de "outras receitas". Com esses argumentos o Contribuinte requer a anulação do Despacho Decisório proferido em 4 de agosto de 2010 que não homologou o pedido de compensação. Na decisão ora recorrida assim se pronunciou o relator (fls. 73): (...) Realmente, no dia 9 de novembro de 2005, o STF, em sessão plenária em quatro recursos individuais, julgou inconstitucional o § 10 do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, que definiu como base de incidência das contribuições ao PIS e A Cofins a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. 0 STF entendeu que referida norma, quando de sua edição, era incompatível com o texto constitucional então vigente, que previa a incidência das contribuições sociais apenas sobre o faturamento das pessoas jurídicas e não sobre a totalidade das suas receitas. Contudo, como tais decisões do STF não foram proferidas em Ação Direta de Inconstitucionalidade — ADIN, beneficiam, apenas e tão somente, as partes envolvidas nos recursos mencionados. (...) Neste aspecto entendo não assistir razão a administração fiscal, visto que em face a inconstitucionalidade do art. 3o § 1º, da Lei 9.718/98, deve se excluir da base de cálculo da contribuição as “outras receitas”. Ocorre que o Contribuinte não demonstrou na Manifestação de Inconformidade, bem como, no Recurso Voluntário, o que integra a rubrica “outras receitas”, pois cabe a quem alega o direito creditório demonstrar a sua liquidez e certeza. Cito trecho da decisão ora recorrida como razões para decidir (fls 74 e seguintes): Sob outro prisma, compete acentuar que após a ciência do despacho decisório transferese ao contribuinte o ônus probante objetivando sustentar suas alegações, incluindo eventuais retificações de valores informados em DCTF. Diante disto, é importante ressaltar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.903141/200936 Acórdão n.º 3301005.399 S3C3T1 Fl. 7 6 A par disso, impende observar que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, as declarações de compensação devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois há situações em que somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais, acerca da base de cálculo do PIS, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação fiscal demonstrando as receitas constituídas de valores classificados como "outras receitas" que, em sua tese apresentada na manifestação de inconformidade, não estariam sujeitas à incidência de PIS e Cofins. Consoante noção cediça, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º )". Por tais razões, a contribuinte, quando apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário a seu favor para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação, ainda mais quando tal débito estava declarado em DCTF. Esse, por sinal, tem sido o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, como atesta de forma ilustrativa a ementa do seguinte acórdão: "DCTF — ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO — AUSÊNCIA DE PROVA Os dados informados em DCTF reputamse verdadeiros, até prova em contrário. Inadmissível a simples alegação de erro no seu preenchimento, desacompanhada de comprovação cabal do lapso." (Acórdão 10420.645, de 18/5/2005) Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Com essas razões, ausência de comprovação do direito ao crédito, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.903141/200936 Acórdão n.º 3301005.399 S3C3T1 Fl. 8 7 Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins, importando registrar, também, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.726777/2016-70
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2015 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 67 77 /2 01 6- 70 Fl. 143DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2015, anocalendário de 2014, em que foram glosadas deduções de despesas médicas no valor de R$ 20.000,00. A contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ Juiz de Fora de f. 115/119. Cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário de f. 125/126. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigada a apresentar seus exames médicos e laboratoriais. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. A questão aqui posta para análise cingese à glosa de despesas médicas. A interessada, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Consta da fundamentação do lançamento, bem como da decisão de primeira instância, que é necessária a apresentação de comprovação do efetivo pagamento para aceitação das despesas médicas. Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende a recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de Fl. 144DF CARF MF Processo nº 15504.726777/201670 Acórdão n.º 2001000.456 S2C0T1 Fl. 3 3 verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. O recorrente afirma que efetuou o pagamento das despesas em dinheiro. Analisando a documentação (extratos bancários), verificase que não se mostra suficiente para amparar as alegações do contribuinte. Tanto a fiscalização quanto a decisão de primeira instância evidenciaram que não há correspondência entre os saques efetuados e os recibos que supostamente amparariam o total das despesas pretendidas. Desta forma, reitero a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu a dedução das despesas glosadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Fl. 145DF CARF MF 4 José Ricardo Moreira Voto Vencedor Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo Fl. 146DF CARF MF Processo nº 15504.726777/201670 Acórdão n.º 2001000.456 S2C0T1 Fl. 4 5 diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Redator Designado. Fl. 147DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.722745/2016-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. APRESENTAÇÃO DE PROVAS.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual as importâncias pagas a título de pensão alimentícia, inclusive a prestação de alimentos provisionais, conforme normas do Direito de Família, comprovadamente decorrentes de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
Numero da decisão: 2001-000.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
1.0 = *:*
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score : 1.0
Numero do processo: 10283.900785/2006-41
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à repartição de origem para: 1) avaliar a questão relacionada a tentativa de envio da DCTF retificadora, de modo que fique demonstrada a impossibilidade de envio por parte da recorrente; 2) oportunizar a Recorrente a apresentar os documentos que comprovem o crédito pretendido relacionado com a isenção estabelecida pelo art. 25 da Lei 10.684/03 (art. 5-A da Lei 10.637/02) relativos a isenção da COFINS sobre a receita decorrente da venda de produtos intermediários produzidos na ZFM a estabelecimentos industriais sediados na ZFM e incentivados pela SUFRAMA; 3) elaborar planilha detalhando mensalmente os valores relacionados com a referida receita decorrente da venda de produtos intermediários efetivamente produzidos na ZFM a estabelecimentos nela sediados, caso existam, produzindo relatório circunstanciado, minudente e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à repartição de origem para: 1) avaliar a questão relacionada a tentativa de envio da DCTF retificadora, de modo que fique demonstrada a impossibilidade de envio por parte da recorrente; 2) oportunizar a Recorrente a apresentar os documentos que comprovem o crédito pretendido relacionado com a isenção estabelecida pelo art. 25 da Lei 10.684/03 (art. 5-A da Lei 10.637/02) relativos a isenção da COFINS sobre a receita decorrente da venda de produtos intermediários produzidos na ZFM a estabelecimentos industriais sediados na ZFM e incentivados pela SUFRAMA; 3) elaborar planilha detalhando mensalmente os valores relacionados com a referida receita decorrente da venda de produtos intermediários efetivamente produzidos na ZFM a estabelecimentos nela sediados, caso existam, produzindo relatório circunstanciado, minudente e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante
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Recorrente MAGAMA INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à repartição de origem para: 1) avaliar a questão relacionada a tentativa de envio da DCTF retificadora, de modo que fique demonstrada a impossibilidade de envio por parte da recorrente; 2) oportunizar a Recorrente a apresentar os documentos que comprovem o crédito pretendido relacionado com a isenção estabelecida pelo art. 25 da Lei 10.684/03 (art. 5A da Lei 10.637/02) relativos a isenção da COFINS sobre a receita decorrente da venda de produtos intermediários produzidos na ZFM a estabelecimentos industriais sediados na ZFM e incentivados pela SUFRAMA; 3) elaborar planilha detalhando mensalmente os valores relacionados com a referida receita decorrente da venda de produtos intermediários efetivamente produzidos na ZFM a estabelecimentos nela sediados, caso existam, produzindo relatório circunstanciado, minudente e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante RELATÓRIO Adoto o relatório da decisão recorrida que bem espelha e historia a demanda em discussão (fls. 320/22), verbis. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .9 00 78 5/ 20 06 -4 1 Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10283.900785/200641 Resolução nº 3001000.142 S3C0T1 Fl. 3 2 Tratase de declaração de compensação transmitida em 30/07/2003 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2172, do período de apuração de 31/03/2003, com arrecadação em 15/04/2003, no valor originário de R$ 1.259,93. A Delegacia de origem, em análise datada de 16.06.2008 (fl. 06), constatou que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou, em 26.08.2008, manifestação de • inconformidade na qual alega (fls. 10/19): a) No ano de 2003, notadamente no mês de março, toda a sua produção foi vendida a parceiros que também gozavam dos incentivos da Sufram. Assim, nos termos do art. 50 A da Lei n° 10.637/2002, acrescentado pela Lei n° 10.684/2003, fazia jus à isenção do PIS e da Cofins sobre a receita decorrente da comercialização de seus produtos. Oportuno referir que, apesar de a publicação da Lei n° 10.684/2003 ter ocorrido em 31.05.2003, o mencionado artigo passou a produzir efeito desde 1°.02.2003. Assim, num primeiro momento encontravase obrigada a pagar a Cofins. Contudo, por força da legislação superveniente, tal tributo deixou de ser exigível. b) Por equivoco, a DCTF do 10 trimestre/2003 foi informada erroneamente, com informação a maior da base de cálculo da Cofins, considerandose que a receita decorrente da comercialização de produtos intermediários produzidos na ZFM, para estabelecimentos ali radicados, também era tributável. Caso a RFB tivesse confrontado os dados da PER/Comp e da DCTF com os dados informados na DIPJ, ficaria fácil perceber o equivoco das informações da DCTF. c) A contribuinte entregou, na forma da legislação tributária, a DCTF do 1° trimestre de 2003, em 10/06/2003, quando já estava vencido o débito do IRPJ ora cobrado (15/04/2003). Portanto, forçoso concluir, até porque assim o diz o STJ, que a ação de execução fiscal deveria ter sido proposta até 10/06/2008, para que a cobrança do débito tributário não fosse extinto pela prescrição. 0 direito positivo e a jurisprudência do STJ determinam que, entregue a DCTF e vencido o tributo declarado, a Fazenda Pública já tem condições de inscrever o crédito tributário diretamente em divida ativa, não se fazendo necessária qualquer outra providência. Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10283.900785/200641 Resolução nº 3001000.142 S3C0T1 Fl. 4 3 d) A despeito da isenção em favor da contribuinte, esta equivocouse ao informar em DCTF que a referida receita integrava a base de cálculo do tributo. Isso significa que a "confissão de divida" não se aplica no caso concreto, tendo em vista que a divida sequer existia. Aliás, cabe ressaltar que o Conselho de Contribuintes entende que o equivoco no preenchimento da DCTF não prevalece ante a verdade dos fatos. Cabe advertir, ainda, que a confissão de divida decorrente da apresentação da DCTF nada mais é do que uma presunção furls tantum, sendo que os documentos carreados aos autos comprovam todos os fatos constitutivos do direito da contribuinte, o que afasta a presunção relativa da confissão de divida. Assim, caso reste alguma dúvida, a determinação da realização de diligência se torna obrigatória, sob pena de cerceamento de defesa. Requereu, ao fim, que: a) seja determinada diligência para a averiguação da isenção da Cofins sobre a receita decorrente da venda de produtos intermediários produzidos na ZFM a estabelecimentos industriais sediados na ZFM e incentivados pela Suframa, permitindo se constatar o equivoco o preenchimento da DCTF; b) seja julgada procedente a manifestação de inconformidade, para declarar prescrito o débito tributário, determinandose a baixa do seu registro; c) subsidiariamente, seja julgada procedente a manifestação de inconformidade, para que seja homologada totalmente o PER/DComp referente ao processo. Regularmente cientificada em 02.06.2009 (fls. 330), a empresa ingressou com Recurso Voluntário em 22.06.2009 (332/362), reiterando suas razões impugnatórias para ao final requerer, quanto segue. 1. Em razão do inequívoco cerceamento de defesa, seja anulada a r. decisão recorrida, determin andose a realização de diligência para (i) averiguar a isenção da COFINS sobre a receita decorrente da venda de produtos intermediários produzidos na ZFM a estabelecimentos industriais sediados na ZFM e incentivados pela SUFRAMA; e, (ii) conseqüentemente, determinar a base de cálculo da COFINS, o que permitirá constatar o equivoco no preenchimento da DCTF e a correção da informação constante da DIPJ; e 2. SUBSIDIARIAMENTE, seja reformada a r. decisão recorrida, para que seja julgada procedente a manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente, para declarar prescrito o débito tributário, determinandose a baixa do seu registro no sistema; ou, ALTERNATIVAMENTE, seja reformada a r. decisão recorrida, para que seja julgada procedente a manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente, homologandose, consequentemente, a compensação, por ter sido válida a utilização do crédito informado na PER/DECOMP. É o relatório VOTO Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10283.900785/200641 Resolução nº 3001000.142 S3C0T1 Fl. 5 4 Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Julgo tempestivo o recurso voluntário a este colegiado, posto que o AR intimando da decisão recorrida está datado de 02/06/2009 e petição Recurso Voluntário foi protocolizada no dia 22/06/2009, motivo pelo qual tomo conhecimento do apelo do contribuinte. Primeiramente, cumpre analisar a questão da prescrição. A requerente trouxe aos autos julgado do STJ (REsp 673.585/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, 1ª Seção, julgado em 26/04/2006, DJ 05/06/2006, p. 238), em que se acolheu a conhecida tese dos cinco mais cinco, no qual se defende a tese de que, in verbis: Em se tratando de tributo lançado por homologação, tendo o contribuinte declarado o débito através de Declaração de Contribuições de Tributos Federais (DCTF) e não pago no vencimento, considerase desde logo constituído o crédito tributário, tornandose dispensável a instrauração de procedimento administrativo e respectiva notificação prévia. Nessa hipóteses, se o débito declarado somente pode ser exigido a partir do vencimento da obrigação, nesse momento é que começa a fluir o prazo prescricional. (...) Considerando que, quando da entrega da DCTF em 10/06/2003 o débito do IRPJ já estava vencido (15/04/2003), imperativo reconhecer que, nos termos do art. 174 do CTN, em 10/06/2008, já ocorrera a prescrição do débito tributário, segundo o entendimento já consagrado pela Corte Superior. No acórdão recorrido em que se negou provimento a pretensão do recorrente, argumentase que a jurisprudência do STJ não tem o condão de obrigatoriedade, posto que a Receita Federal não estaria vinculada a tais pronunciamentos. Se, por um lado, a RFB não está vinculada ao entendimento dos Ttribunais Superiores, por outro, a jurisprudência desses Tribunais é de fundamental importância para a análise de situações específicas já julgadas, e a sua não observância pode acarretar maior insegurança jurídica e decisões desproporcionais em outros temas, em detrimento do interesse das partes e da própria Justiça Tributária. Se negada essa questão preliminar de prescrição (suscitada desde antes da decisão recorrida, fato reiterado no Recurso Voluntário), estarseá cerceando o constitucional direito de defesa da parte, haja vista que vem o contribuinterecorrente, desde a instância recorrida, insistindo em que seja realizada diligência para (I) averiguar a isenção da COFINS sobre a receita decorrente da venda de produtos intermediários produzidos na ZFM a estabelecimentos industriais sediados na ZFN e incentivados pela SUFRAMA, a fim de determinar a base de cálculo da COFINS e, conseguinte, comprovar o equívoco no preenchimento da DCTF e a correção da informação constante na DIPJ. A autoridade recorrida, porém, negou a restituição e a Diligência suscitada, ao fundamento de que a nova DCTF retificadora não fora apresentada atemporada e adequadamente. Contudo, em sede de recurso voluntário, a requerente anexou a foto da tela no Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10283.900785/200641 Resolução nº 3001000.142 S3C0T1 Fl. 6 5 sistema da RFB que impossibilitou a retificação, quando da apresentação da manifestação de inconformidade (fls. 380). Ademais, salientase que o erro material na DCTF resulta, sobretudo, do fato de que a isenção conferida pela Lei 10.684/03, promulgada apenas em maio de 2003, gerou mudanças naturais nas declarações dos contribuintes. Ora, não se pode penalizar um contribuinte por preencher a declaração a maior, que até um mês antes era devida, quando, a posterior, recebe um isenção com base no art. 25 c/c o art. 29 da Lei 10.684/03, trazida no art. 5ºA da lei 10.637/02, in verbis: “Ficam isentas da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS as receitas decorrentes da comercialização de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, produzidos na Zona Franca de Manaus para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais ali instalados e consoante projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA." Além disso, identificase que, no acórdão da DRFBelém (fls. 318328), elenca se duas condições para a desconstituição do débito: a comprovação inequívoca do pagamento a maior e a apresentação de DCTF retificadora, alegando faltar essa à requerente para fazer jus ao seu direito, ou seja, já foi reconhecido o pagamento a maior que resultou no indébito fiscal. Contudo, haja vista a impossibilidade comprovada de retificar a declaração (fl.380), a negação da diligência perseguida vai de encontro aos direitos da ampla defesa, do contraditório e, principalmente da verdade material. Registrese mais que, na decisão no Processo Administrativo Fiscal de número 10768.000402/200266, esse Conselho já decidiu que “O erro na indicação (..) na DCTF não prevalece ante a verdade dos fatos”. Ou seja, erro material escusável não pode prejudicar direito das partes. Ademais, ainda que a RFB não esteja vinculada aos julgados administrativos, como o próprio acórdão recorrido ressaltou, nos casos de decisões dos Tribunais Superiores, existe disciplina própria insculpida no § 2º do art. 62 do RICARF, verbis. “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C do CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Isto posto, preliminarmente, tomo conhecimento do Recurso e VOTO pela conversão do julgamento em DILIGÊNCIA à unidade de origem, para analisar e responder aos seguintes quesitos, verbis. 1) avaliar a questão relacionada a tentativa de envio da DCTF retificadora, de modo que fique demonstrada a impossibilidade de envio por parte da recorrente; 2) oportunizar a Recorrente a apresentar os documentos que comprovem o crédito pretendido relacionado com a isenção estabelecida pelo art. 25 da Lei 10.684/03 (art. 5 A da Lei 10.637/02) relativos a isenção da COFINS sobre a receita decorrente da venda de Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10283.900785/200641 Resolução nº 3001000.142 S3C0T1 Fl. 7 6 produtos intermediários produzidos na ZFM a estabelecimentos industriais sediados na ZFM e incentivados pela SUFRAMA; 3) elaborar planilha detalhando mensalmente os valores relacionados com a referida receita decorrente da venda de produtos intermediários efetivamente produzidos na ZFM a estabelecimentos nela sediados, caso existam, produzindo relatório circunstanciado, minudente e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas; 4) ao final, que se dê ciência do relatório a recorrente, concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, manifestarse; e, 5) Retornando, em seguida, os autos a este Conselho Administrativo para prosseguimento do julgamento, com as observações que entender pertinentes. Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 389DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.721159/2013-80
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. EXISTÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA E DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL.
As diferenças acidentais que não interferem no deslinde da controvérsia não são aptas a afastar a identificação da similitude fática e, por conseqüência, da divergência jurisprudencial.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. INTERPOSTA PESSOA. CORRETA ATRIBUIÇÃO DA SUJEIÇÃO PASSIVA PELA AUTORIDADE FISCAL.
É cabível a exigência do imposto e consectários incidentes nos rendimentos tributáveis recebidos por intermédio de interposta pessoa. Para tanto, resta desconsiderada a participação da pessoa interposta na operação, devendo os rendimentos ser reconhecidos e tributados em face do seu real beneficiário.
Numero da decisão: 9202-007.323
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. EXISTÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA E DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. As diferenças acidentais que não interferem no deslinde da controvérsia não são aptas a afastar a identificação da similitude fática e, por conseqüência, da divergência jurisprudencial. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. INTERPOSTA PESSOA. CORRETA ATRIBUIÇÃO DA SUJEIÇÃO PASSIVA PELA AUTORIDADE FISCAL. É cabível a exigência do imposto e consectários incidentes nos rendimentos tributáveis recebidos por intermédio de interposta pessoa. Para tanto, resta desconsiderada a participação da pessoa interposta na operação, devendo os rendimentos ser reconhecidos e tributados em face do seu real beneficiário.
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CONHECIMENTO. EXISTÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA E DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. As diferenças acidentais que não interferem no deslinde da controvérsia não são aptas a afastar a identificação da similitude fática e, por conseqüência, da divergência jurisprudencial. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. INTERPOSTA PESSOA. CORRETA ATRIBUIÇÃO DA SUJEIÇÃO PASSIVA PELA AUTORIDADE FISCAL. É cabível a exigência do imposto e consectários incidentes nos rendimentos tributáveis recebidos por intermédio de interposta pessoa. Para tanto, resta desconsiderada a participação da pessoa interposta na operação, devendo os rendimentos ser reconhecidos e tributados em face do seu real beneficiário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 11 59 /2 01 3- 80 Fl. 3049DF CARF MF 2 Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2201003.698 proferido pela 1ª Turma da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 08 de julho de 2017, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 2.736: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ARTIGO 142 DO CTN. EXIGÊNCIAS. Os requisitos do procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerados constam do artigo 142 do CTN. A correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributário é ônus da Autoridade Lançadora. A existência de erro na determinação do sujeito obrigado ao cumprimento da obrigação tributária, seja na qualidade de contribuinte, seja na de responsável, macula com vício insanável o lançamento tributário, ensejando sua nulidade absoluta. Foram opostos embargos de declaração pela Procuradoria da Fazenda Nacional, mas, conforme o Despacho de fls. 2.778, foram inadmitidos. No que se refere ao Recurso Especial referido anteriormente, fls. 2.788 a 2.815, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 2.818 a 2.827, para rediscutir a decisão recorrida no tocante ao critério jurídico para a caracterização de interposta pessoa envolvendo a interpretação do art. 142 do CTN e 167 do Código Civil. Em seu recurso, aduz a Fazenda, em síntese, que: a) a turma recorrida entendeu que a simples comprovação de que o “laranja”, Sr. Paulo Roberto da Rosa, existia na condição de pessoa natural, titular de direitos e obrigações, já seria suficiente para afastar a sujeição passiva do Sr. Joselito Golin, apontado pela autoridade fiscal como real beneficiário das operações; b) o Colegiado, entretanto, sequer chegou a realizar abordagem material quanto à interposição de pessoa. Registrese que em nenhum momento analisase se o Sr. Paulo Roberto da Rosa interpôsse artificialmente entre o Fisco e o Sr. Joselito Golin, com o objetivo de reduzir Fl. 3050DF CARF MF Processo nº 10880.721159/201380 Acórdão n.º 9202007.323 CSRFT2 Fl. 3 3 indevidamente o montante a pagar a título de IRPF, acusação essa fartamente descrita pela autoridade fiscal; c) diante de flagrante abuso de direito no uso interposta pessoa para fugir à tributação, a autoridade administrativa ou judiciária, em defesa do interesse público, deve aprofundar as investigações a fim de alcançar as verdadeiras pessoas, físicas ou jurídicas, que por trás dela se escondem, desacobertando, destarte, a simulação ou a fraude; d) comprovado, como foi pela fiscalização, que houve a utilização de interposta pessoa para acobertar as operações de alienação de imóveis com ganho de capital, cujo beneficiário real foi o Sr. Joselito Golin, revelase correta a autuação fiscal, que identificou corretamente o sujeito passivo do lançamento. Intimado, o Contribuinte apresentarou Contrarrazões, fls. 2.865 e seguintes, nas quais sustenta que: a) o primeiro ponto de atenção é que tanto o acórdão recorrido, nº 2201003.698, como o acórdão paradigma, nº 2201002.286, foram proferidos pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento; b) o acórdão nº 2201002.286 apontado pela Recorrente não pode ser aproveitado como paradigma, uma vez que a lei é clara ao vedar a apresentação de acórdão paradigma proferido pela mesma turma do acórdão recorrido; c) consoante será demonstrado, todos os acórdãos relacionados apresentam fatos, provas e fundamentações jurídicas distintas, de modo que se torna tarefa impossível estabelecer qualquer relação entre eles; d) ausência de divergência jurisprudencial e similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas; e) não se trata de interpretação divergente da legislação, até porque a legislação de ambos os casos é diversa, mas sim de análise e interpretação dos fatos e das provas apresentadas; f) no caso dos autos, a divergência apontada pela Recorrente foi claramente em relação à valoração das provas, sendo que o deslinde da controvérsia passa por nova análise destas, o que, por óbvio, é incabível; g) em nenhum momento foi feito o cotejo analítico da divergência entre os acórdãos paradigmas e o acórdão recorrido, colacionando os pontos divergentes entre eles; h) todas as conclusões levantadas pela Fazenda Nacional são no sentido de questionar a efetiva e real existência do Sr. Rosa. São listados pelo menos 17 fatos ou indícios nesse sentido. Nada obstante, a existência do Sr. Rosa é questão fática e jurídica, Fl. 3051DF CARF MF 4 razão pela qual, com a dispersão da dúvida, a discussão perdeu o objeto; i) mesmo que o Recurso Especial tenha reconhecida a sua admissibilidade, o único argumento apresentado é a tentativa de inovação na defesa do reconhecimento da interposição de pessoa, o que sequer foi alegado pela Fiscalização e jamais comprovado, razão pela qual merece ser totalmente rejeitado no mérito; j) restou inexistente a responsabilidade solidária da ICGL 2; k) não há comprovação de interesse econômico da ICGL 2 no não recolhimento do IRPF por parte do Sr. Rosa ou do Sr. Golin; l) deve ser totalmente excluída a responsabilidade da Recorrida, pois inexiste no caso qualquer interesse jurídico que justifique a sua autuação, ou devolvida a matéria relacionada à solidariedade, bem como a questão da apuração correta dos tributos devidos para que estas matérias possam ser devidamente analisadas, evitandose, com isso supressão de instância. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora 1. Do conhecimento Aduz o Recorrido o não conhecimento do recurso especial, essencialmente, pelos seguintes fundamentos: o acórdão nº 2201002.286 apontado pela Recorrente não pode ser aproveitado como paradigma, uma vez que a lei é clara ao vedar a apresentação de acórdão paradigma proferido pela mesma turma do acórdão recorrido; todos os acórdãos relacionados apresentam fatos, provas e fundamentações jurídicas distintas, de modo que se torna tarefa impossível estabelecer qualquer relação entre eles; não se trata de interpretação divergente da legislação, até porque a legislação de ambos os casos é diversa, mas sim de análise e interpretação dos fatos e das provas apresentadas; em nenhum momento foi feito o cotejo analítico da divergência entre os acórdãos paradigmas e o acórdão recorrido, colacionando os pontos divergentes entre eles. Acerca do argumento sobre o fato de um dos paradigmas ser proferido pela mesma Turma que proferiu o acórdão recorrido, destacase que a previsão contida o RICARF; no sentido de que os colegiados formados após a publicação da Portaria MF n.º Fl. 3052DF CARF MF Processo nº 10880.721159/201380 Acórdão n.º 9202007.323 CSRFT2 Fl. 4 5 343/2015 serão considerados distintos daqueles préexistentes; está em consonância com o Decreto 70.235/1972, não havendo que se falar em ilegalidade do Regimento interno. Ressaltase que o RICARF, estabelecido por meio de Portaria do Ministério da Fazenda, contém regras acerca da execução de leis, decretos e regulamentos, em consonância com o art. 87, parágrafo único, da Constituição Federal. Nesse contexto, extraise que as regras constantes do Regimento, quanto à interposição de recursos, tratam do processo administrativo fiscal, em caráter abstrato, consubstanciandose, materialmente, em lei. Além disso, a composição do Colegiado que proferiu o acórdão paradigma é totalmente distinta da composição do colegiado que proferiu o paradigma, motivo pelo qual não assiste razão ao recorrido. Acerca da similitude fática e da divergência jurisprudencial, cabe esclarecer que, embora existam diferenças acidentais entre os contextos fáticos dos acórdãos paradigmas e do recorrido, é possível identificar a similitude quanto a existência de interposta pessoa para realização dos negócios jurídicos e a divergência na atribuição do sujeito passivo da obrigação tributária. No acórdão recorrido, não obstante a caracterização de interposta pessoa, considerando a premissa de que restou comprovada para a autoridade policial a existência com vida do praticante dos negócios; tendo em vista que a autoridade fiscal apresentou indícios da sua inexistência; entendeuse pela ausência de correta identificação do sujeito passivo, conforme se extrai dos trechos abaixo: Patente a conclusão da autoridade competente para verificação da existência da pessoa natural: Paulo Roberto da Rosa é pessoa física viva e titular de direitos e obrigações. Houve erro da identificação do sujeito passivo pelas Autoridades Lançadoras. Os negócios jurídicos ensejadores de obrigações tributárias constantes do Auto de Infração que aqui se discute foram praticados pelo Sr Paulo Roberto da Rosa como reconhecido pelo próprio Fisco e o lançamento tributário foi realizado em nome de Joselito Golin e dos demais devedores solidários mencionados. Inegável a existência de vício no lançamento. Vício de índole material. Ao reverso, o que se observa é que todo o lançamento tributário parte da premissa de que aquele que praticou o fato gerador não existe como pessoa natural. Consta do prelúdio do Termo de Verificação Fiscal tal afirmação. (...). Instada, por imperativo processual, a comprovar a sujeição passiva, a Recorrente soube se desvencilhar do ônus, comprovando para a autoridade competente, no caso a Fl. 3053DF CARF MF 6 autoridade policial, a existência com vida daquele que praticou os negócios jurídicos ensejadores do ganho de capital. O Fisco não cumpriu seu dever, ou seja, não identificou o sujeito passivo da obrigação tributária. (...) No caso em apreço, observamos que não comprovou o Fisco quem efetivamente praticou os fatos geradores da obrigação tributária. Errou ao eleger o Contribuinte. Como visto é dever do Fisco apontar o real sujeito passivo. Já no âmbito dos paradigmas, transcrevese trecho do voto condutor do Acórdão paradigma nº 10617.100, que demonstra que a Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes não se limitou a uma abordagem formal para decidir sobre a correta identificação do sujeito passivo, empreendendo também uma análise material, que abrange o exame da capacidade econômica da pessoa apontada como “laranja” e do real beneficiário das operações. Verbis: De outra banda, no tocante à infração do ganho de capital, a motivação da qualificação não se resumiu à prática reiterada da infração. No relatório fiscal, há uma longa descrição de fatos que comprovam que o contribuinte utilizou interpostas pessoas, no caso o Sr. Ivanilson Soares da Silva e a Sra. Maria Aparecida Castro, para escapar da tributação do imposto de renda da pessoa física. (...). O breve relato acima, que consta mais detalhado no relatório deste voto, demonstra cabalmente que o Sr. Ivanilson Soares da Silva jamais se assenhoreou de qualquer valor pago pela Terracap. O Sr. Ivanilson, como asseverado pela fiscalização e pelo vendedor do imóvel antes descrito, era empregado do recorrente. Ademais, a declaração do Sr. Ivanilson, secundada pelo recorrente, de que recebeu os valores da Terracap tem graves indícios de inidoneidade ideológica. Claramente se percebe que o recorrente buscou utilizar a figura de seu motorista como interposta pessoa, quer para ocultar o ganho de capital auferido, quer para ocultar o real proprietário do imóvel referido. O acórdão paradigma n.º 2201002.286 deixa ainda mais clara a desconsideração da interposta pessoa na sujeição passiva tributária, devendo os rendimentos serem reconhecidos e tributáveis em nome do real beneficiário, como se observa da ementa abaixo colacionada: Processo nº 10803.720034/201193 Recurso nº 999 Voluntário Acórdão nº 2201002.286 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de novembro de 2013 Matéria IRPF Recorrente CID GUARDIA FILHO Fl. 3054DF CARF MF Processo nº 10880.721159/201380 Acórdão n.º 9202007.323 CSRFT2 Fl. 5 7 Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. INTERPOSTA PESSOA. São tributáveis os rendimentos recebidos por intermédio de interposta pessoa. Para tanto, resta desconsiderada a participação da pessoa interposta na operação, devendo os rendimentos serem reconhecidos e tributáveis no real beneficiário. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSTA PESSOA. Resta caracterizada fraude quando contribuinte se vale de interposta pessoa para omitir rendimentos passíveis de tributação, sendo devida a multa qualificada. (...). Assim, como bem pondera a Procuradoria da Fazenda Nacional, o Colegiado a quo, diante do relato fiscal de interposição de pessoa, limitouse a uma abordagem formal para decidir acerca da correta identificação do sujeito passivo. Concluiu, em síntese, que a simples demonstração de que a pessoa interposta existe, na condição de titular de direitos e obrigações, já é suficiente para afastar a sujeição passiva da pessoa indicada como real beneficiária das operações. Registrese, por oportuno, a Procuradoria opôs embargos de declaração para prequestionar a questão da necessidade de se proceder a uma abordagem material, apontando omissão quanto ao exame do fundamento central do lançamento, a saber, a utilização de interposta pessoa – seja fictícia ou real – com o fim de reduzir indevidamente o montante de IRPF a pagar. Não obstante, os embargos de declaração foram liminarmente rejeitados, sem manifestação de mérito da turma sobre o tema. Em sentido diametralmente oposto, manifestaramse a Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes e a Primeira Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF (na composição anterior à mudança do RICARF). Com efeito, os Colegiados prolatores dos acórdãos paradigmas não se limitaram a uma abordagem formal para decidir acerca da correta identificação do sujeito passivo, procedendo a uma análise material, inclusive com o exame da capacidade econômica da pessoa indicada como “laranja”, bem como do real beneficiário das operações. Assim, temse que em todos os acórdãos analisados examinouse hipótese em que a autoridade fiscal indicou existir interposta pessoa, que visava proteger o patrimônio do real beneficiário das operações realizadas com o objetivo de reduzir indevidamente o IRPF devido. Contudo, diante de tal quadro, os acórdãos recorrido e paradigma utilizaram critérios jurídicos diferentes para aferir a correta identificação do sujeito passivo, aplicandose de forma distinta o art. 142 do Código Tributário Nacional. Fl. 3055DF CARF MF 8 No que se refere ao argumento sobre a necessidade de cotejo analítico entre os acórdãos recorrido e paradigma, cabe esclarecer que a demonstração da divergência não requer necessariamente a elaboração de quadro comparativo, tampouco de cotejo analítico, desde que fiquem claros no recurso os pontos que estão sendo suscitados. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. 2. Da sujeição passiva Apesar da minha participação no julgamento a quo, oportunidade na qual acompanhei o Relator, ao dar provimento ao recurso voluntário, compulsandose os autos, em uma análise aprofundada da temática juntamente com o seu arcabouço probatório, bem como considerando a descrição minuciosa contida no relato fiscal, entendo que merece reforma a decisão vergastada. Tendo em vista a clareza e a objetividade constante da Declaração de Voto proferida pela Conselheira Dione Jesabel Wasilewski, no Acórdão recorrido, utilizome dos seus fundamentos abaixo transcritos como razões de decidir. Sujeito passivo da obrigação principal como contribuinte é aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador do tributo (art. 121, parágrafo único, I, do CTN). Na hipótese tratada nesse processo, o fato gerador do tributo está relacionado com o ganho de capital obtido na compra e venda de imóveis rurais de grande extensão. Essas operações foram realizadas segundo engenharia que foi muito bem descrita no relatório e envolvia o repasse de vultosas somas de uma empresa interessada na compra de imóvel a uma pessoa física que usaria esses recursos e suas habilidades para comprar o bem visado e depois, como dação em pagamento pelo suposto empréstimo, transferiria o bem para o real adquirente. De acordo com a motivação apresentada pela empresa ICGL: "Para alcançar esse objetivo, necessitava dos conhecimentos do Sr. Paulo Roberto da Rosa para escolha dos imóveis, e de sua experiência na negociação de seus preços. Ele, juntamente com o seu procurador, o Sr. Joselito Golin, conheciam as condições de mercado da região e seus participantes. (fl. 64) Essa motivação evidencia que a contratação era feita tendo em vista conhecimentos e experiência daquele que realizaria as operações de compra e venda, características que atribuem um caráter personalíssimo ao negócio. Ocorre que, a despeito de as operações terem sido concretizadas em nome de Paulo Roberto da Rosa, não há um único documento assinado por ele no âmbito de todos os negócios que foram realizados, seja contrato de empréstimo (fls 86/134), instrumento particular de compromisso de compra e venda de imóvel rural (fls. 893/955), ou na emissão de notas promissórias (fl 101/106), estando ele representado pelo Sr. Joselito Golin também nos instrumentos de dação em pagamento (fls 135/175, 1157/1180 e 1234/1249). Fl. 3056DF CARF MF Processo nº 10880.721159/201380 Acórdão n.º 9202007.323 CSRFT2 Fl. 6 9 Segundo a impugnação apresentada por este último, no item "III OS FATOS, TAL COMO SE DERAM" (fls 2356 e ss), no ano de 2006, teria sido procurado por um homem que lhe era desconhecido, seu meioirmão, a quem procurou ajudar adiantandolhe "uma pequena quantia para que se estabelecesse e efetuasse as primeiras despesas. Garantiu um empréstimo de grande porte, mas exigiu do irmão que outorgasse procuração a ele próprio e a seu advogado, cabendolhe, ainda a última palavra em relação aos negócios." Dessa história resulta que o Sr. Paulo Roberto da Rosa, de quase indigente no ano de 2006, a ponto de necessitar do auxílio de um irmão que até então não conhecia, converteuse em um proprietário de terras valiosas nos anos seguintes, a ponto de receber empréstimos na casa dos R$ 40.000.000,00 (quarenta milhões de reais) em 2008. Ocorre que a procuração a que faz referência o Sr. Joselito Golin foi outorgada a ele em 18/10/2002 (fl 1306), muito antes, portanto, da data em que alega ter tido o primeiro contato com o meioirmão. E essa procuração, outorgada em Brasília, indica como residência de ambos a cidade de Curitiba. Não é possível crer que alguém que tem sua situação financeira tão drasticamente alterada em um curto período de tempo e que tem seu nome envolvido em operações milionárias baseadas em suas habilidades pessoais não fosse participar pessoalmente de um único negócio. Além disso, as declarações de imposto sobre a renda da pessoa física entregues em nome do Sr. Paulo Roberto da Rosa indicam na relação de bens e direitos imóveis adquiridos em seu nome no ano de 1996, o que, mais uma vez, contraria as afirmações da impugnação. Esses fatos, aliado a tudo o que foi relatado pela fiscalização, em especial pelo documento de fl 602, pelo qual o Sr. Golin se declara responsável, devedor solidário, garantidor e principal pagador dos empréstimos feitos em favor de Paulo Roberto da Rosa, evidencia a falta de verossimilhança nas alegações apresentadas pelo Sr. Joselito Golin e a correção das conclusões da fiscalização de que quem realizou as operações que deram ensejo à apuração de ganho sujeito à tributação pelo IRPF, real sujeito passivo da obrigação tributária, é este Senhor (Joselito Golin). A conclusão de que o Sr. Paulo Roberto da Rosa não existia de fato é uma decorrência lógica de tudo o que foi apurado no procedimento de fiscalização, mas é uma conclusão periférica, uma dentre muitas que são apresentadas pela Autoridade Fiscal como fundamento para identificar o Sr. Joselito Golin como o verdadeiro contribuinte nas operações investigadas. Como exemplo, remeto à leitura dos itens 11, 12, 13 do Termo de Verificação, além de todo o capítulo seguinte deste documento, onde a fiscalização empreende esforço no sentido de provar o vínculo dos fatos geradores com esse senhor. Esses elementos de convicção apresentados pela fiscalização foram muito bem resumidos pela decisão de piso no seguinte excerto (fl 2428): Quanto à alegação de que não cometeu transgressão alguma e que tudo resultou da intenção de reparar uma injustiça cometida Fl. 3057DF CARF MF 10 ao seu meioirmão “ Paulo Roberto da Rosa” que a fiscalização após árduo trabalho de investigação concluiu tratarse de pessoa fictícia, conforme evidências e razões detalhadamente relatadas no Termo de Verificação Fiscal às fls. 1.471/1.543, como por exemplo, (...); procuração outorgada por Paulo Roberto da Rosa, no anocalendário de 2002, com prazo indeterminado, conferindo ao Sr. Joselito Golin amplos, gerais e ilimitados poderes, inclusive, para abrir, movimentar e encerrar contas bancárias, outorgando ao interessado e a seu advogado a última palavra em relação aos negócios, (fl. 1.306 e §§ 42 e 43, fl. 1495); assunção de responsabilidade solidária por empréstimos contraídos em nome de Paulo Roberto da Rosa junto à empresa I.C.G.L 2, sem benefício de ordem (fl. 602/603); comparecimento do Sr Joselito Golin como “PARTE” num contrato em que apenas “Paulo Roberto da Rosa” havia sido inicialmente contratado (§ 32, letra “d” fls. 1.491/1.493); realização de vultosos “empréstimos de Paulo Roberto Rosa” a Gerson Luiz de Oliveira (participante do quadro societário de várias empresas do Grupo Golin) que, por sua vez, fez transferências milionárias a empresas e pessoas ligadas a Joselito Golin, conforme DIRPF (fls. 1.404 e 1.498/1.499, § 51); ser o interessado empresário conhecido no ramo do agronegócio e comércio de imóveis rurais, enquanto “Paulo Roberto Rosa” é pessoa desconhecida até mesmo em seu domicílio tributário e na empresa em que figurava como DIRETORPRESIDENTE (fls. 1.140/1.156 e §§ 58 a 65 – fls. 1.502/1506); as tentativas de inserir o nome Paulo ao de Joselito Golin, em 1998, no cadastro do CPF (§§ 35 e 36 – fl. 1494); várias fazendas adquiridas em nome de “Paulo Roberto da Rosa” pertenciam a pessoas ligadas a Joselito Golin, como por exemplo, as Fazendas Duas Meninas, Piauí I, II, III, IV e V, Olho D’Água e Brejo da Onça II que tinham como proprietário o Sr. Ronaldo Lisboa de Freitas (fls. 1.251/1.256, 1.258/1.304, 1478 e 1498/1499, §§ 11 e 51) (...) Sendo o litigante pessoa conhecida e atuante no ramo do agronegócio e comércio de imóveis rurais; que todas as intermediações foram sempre realizadas pelo Sr. Joselito, inclusive, para a concessão dos vultosos empréstimos, que na condição de procurador assumiu a responsabilidade solidária por esses empréstimos, sem benefício de ordem e, ainda; que cabia a si e ao seu advogado a última palavra em relação aos negócios, há que se concluir que o suposto “Paulo Roberto da Rosa”, ainda, que tivesse sido comprovada a sua real existência, não se tratava de pessoa imprescindível à intermediação dos negócios, o que confirma tratarse, na realidade, de pessoa fictícia criada com o intuito único e exclusivo de transferir a este os encargos tributários decorrentes dessas operações, beneficiando as partes envolvidas nessas e em operações subsequentes. Portanto, volto a repetir: a afirmação da inexistência física do cidadão Paulo Roberto da Rosa não foi o único fundamento para a atribuição da sujeição passiva ao Sr. Joselito Golin, de forma que a eventual comprovação da incorreção dessa conclusão não implicaria falta de fundamentação para o auto de infração tal como realizado. Ademais disso, gostaria de lembrar a independência das esferas civil e penal, disciplinada pelos seguintes dispositivos legais: Fl. 3058DF CARF MF Processo nº 10880.721159/201380 Acórdão n.º 9202007.323 CSRFT2 Fl. 7 11 Código Civil: Art. 935. A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal. Código de Processo Penal: Art. 66. Não obstante a sentença absolutória no juízo criminal , a ação civil poderá ser proposta quando não tiver sido, categoricamente, reconhecida a inexistência material do fato . (grifos nossos) Art. 67. Não impedirão igualmente a propositura da ação civil : I o despacho de arquivamento do inquérito ou das peças de informação; II a decisão que julgar extinta a punibilidade; (...) Na hipótese em questão, os documentos juntados a fls 2783/2790 revelam que a autoridade policial solicitou ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo autorização para o arquivamento do inquérito policial instaurado, e o fez sob a ressalva de que não estaria adentrando "no mérito de eventuais discussões nos âmbitos tributário e cível aqui não analisados senão na profundidade que interessava a apuração criminal" (fl 2787). O inquérito policial consiste em procedimento inquisitório e preparatório, que tem por objetivo a colheita de elementos sobre a autoria e a materialidade da conduta criminosa. Segundo a lição de Renato Brasileiro de Lima: Diferenciase o inquérito policial da instrução processual por esse motivo: enquanto a investigação criminal tem por objetivo a obtenção de dados informativos para que o órgão acusatório examine a viabilidade da propositura da ação penal, a instrução em Juízo tem como escopo colher provas para demonstrar a legitimidade da pretensão punitiva ou do direito de defesa. (Curso de Processo Penal Niterói; RJ, Impetus, 2013, p. 73) Assim, durante o inquérito seriam colhidos apenas elementos de informação, o que se diferencia das provas que são produzidas no curso do processo judicial, com as garantias do contraditório e da ampla defesa. O arquivamento do inquérito policial não necessariamente produz coisa julgada material, limitandose à coisa julgada formal quando, por exemplo, decorre da ausência de justa causa. E foi isso o que ocorreu no presente caso, já que, no documento de fl 2751, o Ministério Público de São Paulo, ao opinar pelo arquivamento, assim se manifesta: Observase assim que o presente procedimento administrativo deve ser arquivado, pois o conjunto probatório mostrase precário quanto a caracterização dos delitos em questão. (...) Fl. 3059DF CARF MF 12 Assim apesar dos esforços da polícia, o cenário probatório e precário quanto à caracterização dos delitos em exames e não vislumbro novas diligências cabíveis, razão pela qual requeiro o arquivamento dos autos, sem prejuízo, contudo, do disposto no artigo 18 do Código de Processo Penal. (sublinhei) A decisão judicial que determinou o arquivamento também teve o cuidado de ressalvar o artigo 18 do CPP, conforme revela a leitura do documento de fl 2753. O artigo 18 do Código de Processo Penal, por sua vez, determina, in verbis: Art. 18. Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária, por falta de base para a denúncia, a autoridade policial poderá proceder a novas pesquisas, se de outras provas tiver notícia. Isso quer dizer que não foi instaurado o processo para apuração do ilícito e que não há decisão com trânsito em julgado material, o que impediria a rediscussão da questão. Portanto, essas manifestações se restringem a valorar a aptidão dos elementos de convicção existentes para a instauração do processo penal. Não atestam cabalmente a inexistência do crime ou a sua autoria e não vinculam a autoridade administrativa. Ademais disso, a meu ver, ainda que houvesse uma decisão com trânsito em julgado afirmando a existência física do Sr. Paulo Roberto da Rosa, e a sua condição de titular de direitos e obrigações, isso não seria suficiente para fazer dele o sujeito passivo da relação jurídico tributária. Do ponto de vista do fato gerador tributário, o Sr. Paulo Roberto é sim um sujeito fictício, pois embora seu nome e documentação tenha sido utilizada para a realização das operações, ele não participou delas como demonstra a robusta documentação juntada aos autos. A Sr. Joselito Golin, além de ter realizado efetivamente as operações, também teve acesso aos proveitos delas, conforme demonstra o trecho que novamente transcrevo da decisão da DRJ: "realização de vultosos “empréstimos de Paulo Roberto Rosa” a Gerson Luiz de Oliveira (participante do quadro societário de várias empresas do Grupo Golin) que, por sua vez, fez transferências milionárias a empresas e pessoas ligadas a Joselito Golin, conforme DIRPF (fls. 1.404 e 1.498/1.499, § 51);" Esses empréstimos totalizavam em 31/12/2008 R$ 47.140.000,00 (quarenta e sete milhões e cento e quarenta mil reais) e R$ 6.140.000,00 (seis milhões e cento e quarenta mil reais) em 31/12/2009. Em função disso, dos bens e direitos declarados pelo Sr. da Rosa em 31/12/2009 no valor total de R$ 9.167.528,32, o somatório de R$ 8.477.571,85 consistiam em empréstimos para Gerson Luiz de Oliveira e Vale Verde Transportes e Turismo, esta também uma empresa da família Golin (TVF fl 1493). Fl. 3060DF CARF MF Processo nº 10880.721159/201380 Acórdão n.º 9202007.323 CSRFT2 Fl. 8 13 Com isso, ao fim e ao cabo, os recurso e, muito provavelmente também o ganho, apenas passaram pelo Sr. da Rosa, sendo efetivamente transferidos aos domínios do Sr. Golin. Ressaltase que a discussão sobre a real existência do Sr. Paulo Roberto da Rosa não possui a relevância a qual foi atribuída pela decisão recorrida, pois independente da existência física da interposta pessoa, a atividade da fiscalização demonstrou, por meio do minucioso relatório fiscal e pelas provas juntadas ao autos, que o beneficiário real das operações de alienação de imóveis com ganho de capital foi o Recorrido, de modo que se vislumbra correta a autuação fiscal na identificação do sujeito passivo do lançamento. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, com retorno dos autos para a análise das demais questões suscitadas no recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 3061DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.722253/2012-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
SUJEITO PASSIVO. ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. GANHOS DE CAPITAL.
O sujeito passivo da obrigação tributária, na alienação, a qualquer título, de bens ou direitos, é a pessoa que auferiu o ganho de capital.
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. IMÓVEL RURAL.
Considera-se ganho de capital a diferença positiva entre o valor de alienação de bens ou direitos e o respectivo custo de aquisição.
A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considera-se custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º da Lei nº 9.393, de 1996, observado o disposto no art. 14 do mesmo ato legal, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação.
Evidenciada a subavaliação do valor do VTN declarado no DIAT do ano de alienação, por notoriamente diferente do de mercado, cabível se torna o seu arbitramento, mediante aplicação do VTN apurado em Laudo de Avaliação, para fins de apuração do ganho de capital na alienação de imóvel rural adquirido a partir de 1º de janeiro de 1997.
Na alienação a prazo, o ganho de capital deve ser apurado como venda à vista e tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. REAJUSTE DE PARCELAS.
Os valores recebidos a título de reajuste, qualquer que seja a designação dada (juros, correção monetária, reajuste de parcelas, etc), não compõem o valor de alienação, e devem ser tributados em separado do ganho de capital, à medida de seu recebimento, na fonte ou mediante recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), conforme o caso, e na Declaração de Ajuste Anual correspondente ao anocalendário de seu recebimento.
MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. OCORRÊNCIA.
Evidenciado que o contribuinte buscou deliberadamente, por uma série de atos articulados e coerentes entre si, ocultar ou dificultar o conhecimento do Fisco acerca da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, deve ser mantida a qualificação da multa de ofício.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Recurso Voluntário
Numero da decisão: 2202-004.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto (relator), José Ricardo Moreira e Júnia Roberta Gouveia Moreira, que deram provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a para o patamar de 75%. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ronnie Soares Anderson.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 SUJEITO PASSIVO. ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. GANHOS DE CAPITAL. O sujeito passivo da obrigação tributária, na alienação, a qualquer título, de bens ou direitos, é a pessoa que auferiu o ganho de capital. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. IMÓVEL RURAL. Considera-se ganho de capital a diferença positiva entre o valor de alienação de bens ou direitos e o respectivo custo de aquisição. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considera-se custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º da Lei nº 9.393, de 1996, observado o disposto no art. 14 do mesmo ato legal, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Evidenciada a subavaliação do valor do VTN declarado no DIAT do ano de alienação, por notoriamente diferente do de mercado, cabível se torna o seu arbitramento, mediante aplicação do VTN apurado em Laudo de Avaliação, para fins de apuração do ganho de capital na alienação de imóvel rural adquirido a partir de 1º de janeiro de 1997. Na alienação a prazo, o ganho de capital deve ser apurado como venda à vista e tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. REAJUSTE DE PARCELAS. Os valores recebidos a título de reajuste, qualquer que seja a designação dada (juros, correção monetária, reajuste de parcelas, etc), não compõem o valor de alienação, e devem ser tributados em separado do ganho de capital, à medida de seu recebimento, na fonte ou mediante recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), conforme o caso, e na Declaração de Ajuste Anual correspondente ao anocalendário de seu recebimento. MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. OCORRÊNCIA. Evidenciado que o contribuinte buscou deliberadamente, por uma série de atos articulados e coerentes entre si, ocultar ou dificultar o conhecimento do Fisco acerca da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, deve ser mantida a qualificação da multa de ofício. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Recurso Voluntário
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ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. GANHOS DE CAPITAL. O sujeito passivo da obrigação tributária, na alienação, a qualquer título, de bens ou direitos, é a pessoa que auferiu o ganho de capital. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. IMÓVEL RURAL. Considerase ganho de capital a diferença positiva entre o valor de alienação de bens ou direitos e o respectivo custo de aquisição. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º da Lei nº 9.393, de 1996, observado o disposto no art. 14 do mesmo ato legal, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Evidenciada a subavaliação do valor do VTN declarado no DIAT do ano de alienação, por notoriamente diferente do de mercado, cabível se torna o seu arbitramento, mediante aplicação do VTN apurado em Laudo de Avaliação, para fins de apuração do ganho de capital na alienação de imóvel rural adquirido a partir de 1º de janeiro de 1997. Na alienação a prazo, o ganho de capital deve ser apurado como venda à vista e tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. REAJUSTE DE PARCELAS. Os valores recebidos a título de reajuste, qualquer que seja a designação dada (juros, correção monetária, reajuste de parcelas, etc), não compõem o valor de alienação, e devem ser tributados em separado do ganho de capital, à medida de seu recebimento, na fonte ou mediante recolhimento mensal AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 22 53 /2 01 2- 61 Fl. 430DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 431 2 obrigatório (carnêleão), conforme o caso, e na Declaração de Ajuste Anual correspondente ao anocalendário de seu recebimento. MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. OCORRÊNCIA. Evidenciado que o contribuinte buscou deliberadamente, por uma série de atos articulados e coerentes entre si, ocultar ou dificultar o conhecimento do Fisco acerca da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, deve ser mantida a qualificação da multa de ofício. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Recurso Voluntário Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto (relator), José Ricardo Moreira e Júnia Roberta Gouveia Moreira, que deram provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa para o patamar de 75%. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10830.722253/201261, em face do acórdão nº 1644.183, julgado pela 18ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1), em sessão realizada em 26 de fevereiro de 2013, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: " O contribuinte em epígrafe insurgese contra o lançamento consubstanciado no Auto de Infração de fls. 252/258 e Fl. 431DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 432 3 Demonstrativo de Apuração de fls. 259/269, referente ao imposto de renda pessoa física, exercícios 2008 a 2010, anoscalendário 2007, 2008 e 2009, que lhe exige crédito tributário no montante de R$2.521.248,08 sendo R$891.931,34 de imposto (código 2904), R$1.337.896,96 de multa proporcional e R$291.419,78 de juros de mora (calculados até 30/03/2012). Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) (fls. 254/258), o procedimento teve origem na apuração das seguintes infrações fiscais: 001 GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS Omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo. Fl. 432DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 433 4 Enquadramento Legal: Arts. 1º, 2º, 3º e §§, 16, 18 a 22, da Lei nº 7.713/1988; Arts. 1º e 2º, da Lei nº 8.134/1990; Arts. 7º, 21 e 22, da Lei nº 8.981/1995; Arts. 17, 23 e §§, da Lei nº 9.249/1995; arts. 22 a 24 da Lei nº 9.250/1995; Arts. 16, 17 e §§, da Lei nº 9.532/1997; Arts. 123 a 125, 128, 129, 131, 132, 138 e 142 do RIR/1999; Demais dispositivos normativos citados no Termo de Verificação Fiscal. 002 – OMISSÃO DE RENDIMENTOS Omissão de rendimentos referentes a reajuste de parcelas, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo. Fl. 433DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 434 5 Enquadramento Legal: Art. 19, § 3º, da IN SRF 84/2001; Arts. 1º a 3º da Lei nº 8.134/1990; Arts. 1º a 3º e §§, 19 e parágrafo único, da Lei nº 7.713/1988; Arts. 37, 38, 43, 55, incisos I a IV, VI, IX a XII, XIV a XIX, 56 e 83, 123, § 6º, do RIR/1999; Art. 1º da Lei nº 11.482/2007. MULTAS PASSÍVEIS DE REDUÇÃO Fatos Geradores a partir de 15/06/2007. 150% Art. 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430/1996 com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15.06.2007. Todos os procedimentos fiscais adotados, bem como as verificações/análises/conclusões encontramse detalhadamente relatadas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 270/296, parte integrante do Auto de Infração. Cientificado do lançamento em foco, pessoalmente, em 19/04/2012 (fl. 253), o interessado apresentou, em 21/05/2012, por intermédio de seu procurador (fl. 320), a impugnação de fls. 308/318, instruída com os documentos de fls. 319/357, aduzindo o seguinte. ERRO NA ELEIÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Há expressa menção na escritura de alienação do imóvel de que os denominados OUTORGANTES VENDEDORES são: Higino de Vasconcellos, Armando de Vasconcellos e Lourdes Matiazzo de Vasconcellos. Nem poderia ser diferente, pois o impugnante adquiriu via doação somente a nua propriedade do imóvel, uma vez que seus pais reservaram para si o usufruto vitalício do imóvel. Assim, constatado que a alienação foi efetuada por mais de um vendedor, a apuração de ganho de capital não pode recair somente sobre o impugnante, devendo ser apurada também em relação à cessão do usufruto ultimada pelos usufrutuários O Parecer Normativo nº 4 da Cosit de 1995 assevera que ocorrendo cessão de direitos, por alienação, do usufruto, o alienante deverá proceder a apuração do ganho de capital. Tanto se mostra inapropriado o trabalho fiscal, que para identificação do custo de aquisição foi realizado um rateio do valor adotado na declaração de ITR para a área efetivamente doada ao Impugnante. Fl. 434DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 435 6 Se o impugnante não detinha toda área alienada como atesta a fiscalização é certo que não se pode imputar a ele todo o valor de alienação. Há erro na determinação do sujeito passivo. Com essas razões resta demonstrada a precariedade do trabalho fiscal que deve ser rechaçado por elencar equivocadamente os sujeitos passivos da obrigação tributária em grave ofensa ao art. 142 do CTN, assim como art. 10, inciso I ,do Decreto nº 70.235/1972. EQUIVOCADA APURAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL A apuração do ganho de capital ora combatido não se sustenta frente às normas que regem a tributação da alienação de imóvel rural. Desde a edição da Lei nº 9.393/1996, a apuração do ganho de capital na alienação de imóveis rurais deve, necessariamente, seguir a sistemática prevista no art. 19 da mencionada lei. A despeito da fiscalização ter se valido dos critérios apontados na citada legislação, a adoção foi parcial, haja vista que a Fiscalização desqualificou o valor da terra nua constante na declaração do ITR de 2007 por consideralo subavaliado e valeuse do laudo de avaliação do valor da terra nua apresentado pelo impugnante, no valor de R$8.668.000,00. Se o VTN da data de alienação estava subavaliado, sendo necessário laudo para apurar o seu real valor, da mesma forma era dever da fiscalização aferir se o VTN constante da declaração de 2004 estava com sua avaliação correta. Embora o impugnante houvesse protestado pela necessidade de produção de laudo de avaliação para o ano de 2004, a fiscalização adotando critério distinto tomou como custo de aquisição o VTN declarado na DITR/2004, proporcionalizando o valor em razão da área doada, determinando o custo no valor de R$137.866,54. Ora, na data de aquisição o valor declarado é consistente e na venda tem de ser desqualificado por laudo técnico? Se a intenção é apurar o efeito VTN desconsiderando as informações constantes da declaração de ITR essa apuração tem de ser uniforme, tanto para a data de aquisição quanto para a data de alienação. Nesse sentido, o impugnante apresenta laudo elaborado pelo mesmo perito para determinar VTN na data de alienação para demonstrar qual o efeito VTN em 2004, ano de aquisição. Mantendo o mesmo critério utilizado para aferir o valor de VTN em 2007, no ano de 2004 a propriedade alienada tinha como VTN o valor de mercado de R$7.335.995,47, valor muito superior ao VTN declarado. Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 436 7 Se a fiscalização pretende desconsiderar todas as informações constantes das DITRs, substituindoas por laudos de avaliação, tal desconsideração deve ser uniforme sob pena de se infringir a metodologia prevista no art. 19 da Lei nº 9.393/1996. Assim, o laudo demonstra o equívoco na apuração do ganho de capital perpetrado pela fiscalização que macula todo o Auto de Infração. DA EQUIVOCADA METODOLOGIA DE APURAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL Não há fundamento legal para a proporcionalização do VTN constante do laudo, calculado segundo o fluxo de caixa realizado na operação de venda pela fiscalização. A legislação do ganho de capital para apuração do imposto de renda sobre alienação do imóvel rural é norma especial que se sobrepõe às normas gerais previstas para apuração do ganho de capital. Como o Fisco tem o dever de agir nos estritos limites da lei não pode inovar na metodologia de apuração do ganho de capital sem estar lastreado em lei que sustente tal metodologia. Por essa razão deve ser cancelado o auto de infração. DOS VALORES RECEBIDOS A TÍTULO DE REAJUSTE Baseado nas informações prestadas pelo impugnante sobre a composição das parcelas recebidas pela alienação, concluiu a fiscalização equivocadamente que junto com as parcelas recebidas pela alienação do imóvel havia a remuneração com juros e correção monetária. Há dois equívocos neste ponto. i) a tributação do ganho de capital de imóvel rural é regida por norma específica na qual não há vinculação do ganho com o valor do negócio pactuado bastando para tanto o confronto de VTN de aquisição e alienação e; ii) todos os valores recebidos compõem o preço pactuado pela alienação do imóvel rural. Vejase o aditivo (fl. 32) que prevê um percentual fixo de 0,5% ao mês incidente sobre cada parcela. Se o preço é prédeterminado, não há como se falar em juros e correção monetária, que em regra adotam índice variado de mercado, para em razão do decurso de tempo corrigir o valor e/ou remunerar a mora. Diante do patente equívoco na apuração de juros ou correção monetária, sendo que todas as parcelas compõem o preço de venda, o Auto de Infração revelase imprestável, devendo ser integralmente cancelado. DA INDEVIDA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 437 8 É indevida a qualificação da multa de ofício aplicada sobre todas as supostas omissões apuradas pela fiscalização. Tanto as acusações de “falsidades” cometidas no preenchimento da declaração de imposto de renda que poderia ser enquadrado no conceito de fraude ou sonegação, quanto o fato de a fraude ter sido cometida intencional e reiteradamente, não se sustentam. Destaquese que não há meio de se preencher corretamente a apuração do ganho de capital na alienação de imóvel rural. Não há formulário ou anexo no qual seja possível informar o VTN da data de aquisição assim como VTN na data de alienação. Pela ausência de formulário específico é que o impugnante acabou equivocandose no preenchimento do anexo do ganho. Se não há como cumprir corretamente a obrigação acessória, não há como se falar em fraude pela suposta “falsidade” nas informações prestadas. Nesse ponto é de se questionar, como então deveriam ser prestadas tais informações se o sistema da Receita e a declaração de IRPF não permite a apuração do ganho de capital de imóvel rural. Tratase de caso de inexigibilidade de conduta adversa sendo a conduta pretendida pelo Fisco – preencher corretamente a declaração – impossível. Nesses casos, há extinção de qualquer pretensão punitiva. É sabido que o pressuposto nos crimes contra a Fazenda Pública é a intenção inequívoca do agente em retardar o conhecimento da obrigação tributária pelo Fisco, o que no caso dos autos não ocorreu. A alienação do imóvel foi prontamente comunicada na DIRPF e se as informações não foram prestadas de forma exata é porque isto não é possível. Visto que as condutas praticadas pelo impugnante não se enquadram nas hipóteses de agravamento da penalidade, a multa qualificada deve ser prontamente rechaçada. SELIC NÃO INCIDE SOBRE MULTA DE OFÍCIO Protesta pela impossibilidade de incidência da Selic sobre a multa de ofício, pela impropriedade dessa imposição, assim como ausência de fundamento legal. A taxa Selic tem o objetivo de remunerar, diante do atraso, receita sempre esperada pela Fazenda Pública, daí a sua vocação para incidir unicamente sobre o tributo e não sobre a multa que nunca é esperada. Por essa mesma razão, a Selic nunca incide sobre a multa de mora, e nunca poderá incidir sobre a multa de ofício, o que não tem sido observado pela administração tributária. PEDIDO FINAL Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 438 9 Pelo exposto, requer seja decretada a improcedência da equivocada exigência fiscal, pelos motivos de fato e de direito registrados na presente impugnação. A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendose, assim, o crédito tributário lançado. O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 408/423, reiterando as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 1. Sujeito Passivo Sustentou o contribuinte que: 1) consta na escritura de alienação do imóvel que os OUTORGANTES VENDEDORES são Higino de Vasconcellos, Armando de Vasconcellos e Lourdes Matiazzo de Vasconcellos; 2) o impugnante adquiriu via doação somente a nua propriedade do imóvel, tendo seus pais reservado para si o usufruto vitalício do imóvel; 3)constatado que a alienação foi efetuada por mais de um vendedor, a apuração de ganho de capital não pode recair somente sobre o impugnante, devendo ser apurada também em relação à cessão do usufruto ultimada pelos usufrutuários; 4) o Parecer Normativo nº 4 da Cosit de1995 assevera que ocorrendo cessão de direitos, por alienação, do usufruto, o alienante deverá proceder a apuração do ganho de capital; 5) tanto o trabalho fiscal se mostra inapropriado, que para identificação do custo de aquisição foi realizado um rateio do valor adotado na declaração de ITR para a área efetivamente doada ao Impugnante; 6) se o impugnante não detinha toda área alienada como atesta a fiscalização, é certo que não se pode imputar a ele todo o valor de alienação; 7) há erro na determinação do sujeito passivo; 8) com essas razões resta demonstrada a precariedade do trabalho fiscal que deve ser rechaçado por elencar equivocadamente os sujeitos passivos da obrigação tributária em grave ofensa ao art. 142 doCTN, assim como art. 10, inciso I ,do Decreto nº 70.235/1972. A Escritura Pública de Venda e Compra datada de 19/10/2007 (Certidão de fls. 99/102 e 135/139) dá conta que os Outorgantes Vendedores, da nua propriedade: HIGINODE VASCONCELLOS/CPF 371.515.33853e do usufruto vitalício: ARMANDO DEVASCONCELLOS/CPF 029.081.90834e sua esposa LOURDES MATIAZZOVASCONCELLOS/CPF 171.936.86860,venderam a Outorgada Compradora, INPARPROJETO86 SPE LTDA/CNPJ 09.113.847/000157,representada por seu administrador, Sr.César Augusto Ribarolli Parizotto/CPF 115.253.78813,o imóvel constituído pela “Gleba Remanescente da Fazenda São João da Boa Vista”, situada no município, comarca e Registro de Imóveis de Sumaré, deste Estado, matriculado sob nº 99.045, com área de 44,8342 ha, pelo preço certo e ajustado de R$11.208.546,00, da seguinte forma: (i) R$3.000.000,00, pagos anteriormente nos termos e condições estipulados no “Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra de Bem Imóvel Com Condições Resolutivas e Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 439 10 Outras Avencas”, de05/10/2007 (fls. 140/153); (ii) R$8.208.546,00, pagos em 15 parcelas iguais, mensais e consecutivas de R$547.236,40, corrigidas monetariamente pela variação positiva do INCC (Índice Nacional da Construção Civil). Alienação esta registrada sob R.599.045,em 08/04/2008, na matrícula99.045, Livro nº 2, do Registro de Imóveis de Sumaré/SP (fls. 21/22). Aludida Certidão (fls. 99/102 e 135/139) refere, ainda, que a nua propriedade foi havida por Higino de Vasconcellos pelo valor de R$239.000,00, a título de doação feita por seus pais Armando de Vasconcelos e Lourdes Matiazzo Vasconcelos, os quais reservaram para si o usufruto vitalício, atribuindo o valor de R$119.500,00. Doação esta levada a registro sob R.299.045,em 20/10/2004 (fl. 21), em face da escritura de doação com reserva de usufruto lavrada aos 05 de outubro de 2004, livro317, fls. 48/50 do Oficial de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos e Civil de Pessoa Jurídica e Anexo de Notas da Comarca de SumaréSP,em que os proprietários Armando de Vasconcelos e sua mulher Lourdes Matiazzo Vasconcelos transmitiram a título de doação a HIGINO DE VASCONCELLOS o imóvel objeto desta matrícula, avaliado por R$239.000,00. Em R399.045, de 20/10/2004 (fl. 21), consta que pela escritura de doação com reserva de usufruto referida no R.2 supra, Armando de Vasconcelos e sua mulher Lourdes Matiazzo Vasconcelos reservaram para si, enquanto viverem, usufruto vitalício do imóvel objeto desta matrícula, avaliado por R$119.500,00. Não obstante o imóvel em referência estar reservado com usufruto vitalício a Armando de Vasconcelos e sua mulher Lourdes Matiazzo Vasconcelos (R.399.045,de20/10/2004, à fl. 21), percebe seque o “Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra de Bem Imóvel Com Condições Resolutivas e Outras Avenças”, de 05/10/2007 (fls.140/153), foi firmado entre HIGINO DE VASCONCELOS/CPF nº 371.515.33853,naqualidade de compromitente vendedor, sem a participação dos aludidos usufrutuários vitalícios e INPAR PROJETO 86 SPE LTDA, na qualidade de compromitente compradora. Examinando o “Instrumento Particular de Primeiro Aditamento à Escritura Pública de Venda e Compra”, de 16/12/2008 (fls. 154/160), celebrado entre HIGINO DEVASCONCELOS, na qualidade de credor, e INPAR PROJETO 86 SPE LTDA, na qualidade de devedora, nele consta que (fl. 156):“Os usufrutuários Armando de Vasconcellos e Lourdes Matiazzo Vasconcellos, segundo declaração prestada pelo CREDOR, apenas compareceram na ESCRITURA a fim de regularizar o cancelamento do usufruto, não estando recebendo parte do preço de aquisição pactuado no COMPROMISSO e ratificado na ESCRITURA, razão pela qual a pedido do CREDOR é dispensada a anuência destes no presente Instrumento;” Ou seja, está expresso no “Instrumento Particular de Primeiro Aditamento à Escritura Pública de Venda e Compra”, de 16/12/2008 (fls. 154/160), que os usufrutuários vitalícios do imóvel objeto da matrícula nº 99.045 do Registro de Imóveis de Sumaré/SP, o Sr. Armando de Vasconcellos e a Srª Lourdes Matiazzo Vasconcellos compareceram na Escritura Pública de Venda e Compra datada de 19/10/2007 (fls. 99/102 e 135/139), tão somente para regularizar o cancelamento do usufruto, não recebendo parte do preço pactuado no “Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra de Bem Imóvel Com Condições Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 440 11 Resolutivas e Outras Avenças”, de 05/10/2007 (fls. 140/153), ratificado na Escritura Pública deVenda e Compra de 19/10/2007 (fls. 99/102 e 135/139). Os extratos da conta corrente nº 07302691/Agência 0716/Banco Real ABN AMRO, de titularidade de Higino de Vasconcellos, às fls. 161/176, demonstram que tanto o sinal de R$3.000.000,00 (fl. 161), quanto as 11 parcelas mensais de R$547.236,40 (fls.161/170), bem como as quatro últimas parcelas de R$547.236,40 que foram renegociadas, somadas e divididas em outras 12 parcelas, com valor do principal de R$182.412,13 (1/3 do valor anterior) (fls. 171/176), acrescidas dos reajustes aplicados (juros, correção, multa), foram integralmente creditados na referida conta de titularidade do interessado (resposta do contribuinte protocolada em 27/02/2010 de fls. 72/74; Escritura Pública de Venda e Compra datada de 19/10/2007 de fls. 99/102 e 135/139; Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra de Bem Imóvel Com Condições Resolutivas e Outras Avenças”, de05/10/2007, de fls. 140/153; Instrumento Particular de Primeiro Aditamento à Escritura Pública de Venda e Compra”, de 16/12/2008, de fls. 154/160; extratos bancários de fls. 161/176;Termo de Verificação Fiscal de fls. 270/296). O Termo de Compromisso datado de 11/01/2008 (fls. 179/181), firmado entre Roberto Barbosa/CPF 707.054.02800, que intermediou a venda do imóvel de propriedade de Higino de Vasconcellos à empresa Inpar Projeto 86 SPE Ltda, e Engea Empreendimentos Ltda/CNPJ 05.081.560/000131, que auxiliou o Sr. Roberto Barbosa na viabilização de tal negócio, bem assim os comprovantes de transferência eletrônica dos valores de comissão pagos por Higino de Vasconcellos a Engea Empreendimentos Ltda (fls. 182/186), assim também os Recibos assinados por Engea Empreendimentos Ltda (fls. 124/130 e 187/193) e Roberto Barbosa (fls. 49/59, 113/123 e 194/204), deixam patente que o contribuinte Higino de Vasconcellos pagou toda a comissão devida aos corretores (Sr. Roberto Barbosa e Engea Empreendimentos Ltda). Notase, ainda, que o próprio interessado declarou, no curso da ação fiscal, em atendimento às intimações fiscais recebidas, haver recebido todo o valor da operação, conforme podese inferir das transcrições abaixo das respostas protocoladas em 25/04/2011 (fls. 07/08), 02/09/2011 (fls. 47/48) e 27/02/2012 fls. 72/74). “Ref: IntimaçãoMPF: 08.1.04.002011003708 (fls. 07/08) HIGINO DE VASCONCELLOS, brasileiro, (...), vem apresentar sua RESPOSTA ao termo de fiscalização do MPF mencionado acima, referente ao anocalendário 2007, nos seguintes termos: (...) b. A rigor, o valor da alienação foi de R$11.208.546,00 brutos, sendo R$10.255.819,59 ao Intimado, pelo desconto das comissões de corretagem. (grifei) (...)” “Ref: IntimaçãoMPF: 08.1.04.002011003708 (fls. 47/48) HIGINO DE VASCONCELLOS, já qualificado, pelo procurador constituído que subscreve, vem apresentar RESPOSTA Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 441 12 COMPLEMENTAR ao termo de fiscalização do MPF mencionado acima, nos seguintes termos: 1. Valores recebidos: 1.1 Em virtude de alterações nas datas e nos valores previstos no compromisso particular que constou na respectiva escritura pública (já apresentada), este contribuinte acabou por ter os seguintes recebimentos, oriundos do referido negócio: (...) “Ref: IntimaçãoMPF: 08.1.04.002011003708 (fls. 72/74) HIGINO DE VASCONCELLOS, (...), vem apresentar o laudo solicitado e planilha com as datas e valores recebidos pelo contribuinte na venda do imóvel de matrícula 99.045. (grifei) Fl. 441DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 442 13 Destaquese, ainda, que o valor de alienação da Gleba Remanescente da Fazenda São João da Boa Vista informado no Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital, da Declaração de Ajuste Anual Simplificada referente ao exercício 2008/anocalendário2007 do interessado (fl. 211), foi de R$10.255.819,59, resultante dosR$11.208.546,00 brutos descontada a comissão de corretagem de R$952.726,41 (fl. 208).Vêse, assim, que o próprio contribuinte declarou haver recebido a totalidade do valor de alienação do citado imóvel rural (fl. 211), descontada a comissão de corretagem integralmente paga por ele (fls. 49/59, 113/123, 124/130, 182/186, 187/193,194/204 e 208).Resta claro, pois, que o único beneficiário da alienação da gleba remanescente da Fazenda São João da Boa Vista, situada na Estrada do Barreiro Km 3 em Sumaré/SP, feita a Inpar Projeto 86 SPE Ltda/CNPJ 09.113.847/000157, foi o Sr. Higino de Vasconcellos, nu proprietário do imóvel rural em comento. É fato incontestável, que os usufrutuários vitalícios, os Srs. Armando de Vasconcellos/CPF 029.081.90834 e Lourdes Matiazzo Vasconcellos/CPF 171.936.86860 compareceram na Escritura Pública de Venda e Compra datada de 19/10/2007 (fls. 99/102 e 135/139) tão somente objetivando o cancelamento do usufruto, não haver indícios nos autos que estes tenham recebido parte do preço pactuado no “Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra de Bem Imóvel Com Condições Resolutivas e Outras Avenças”, de 05/10/2007 (fls. 140/153). Tanto que consta averbado na matrícula 99.045 do Cartório de Registro de Sumaré/SP, em Av.699.045 – Sumaré, 08 de abril de 2008 (fl. 22), que: “... em virtude da escritura pública de compra e venda registrada sob nº 5, fica cancelado o usufruto vitalício constante no R.3, bem como as cláusulas de incomunicabilidade e impenhorabilidade constante na Av.4 desta matrícula.” O sujeito passivo da obrigação tributária, no caso de alienação de bens e direitos, é aquele que auferiu o ganho de capital, conforme legislação que segue abaixo transcrita. Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário NacionalCTN): Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: (grifei) I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; (grifei) II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 443 14 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (grifei) § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. (grifei) Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. (grifei) Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I – contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; (grifei) (...) Lei nº 7.713/1988: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (grifei) Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (grifei) § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 444 15 considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. (grifei) § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. (...) Lei nº 9.249/1995: Art. 17. Para os fins de apuração do ganho de capital, as pessoas físicas e as pessoas jurídicas não tributadas com base no lucro real observarão os seguintes procedimentos: I – (...) II tratandose de bens e direitos adquiridos após 31 de dezembro de 1995, ao custo de aquisição dos bens e direitos não será atribuída qualquer correção monetária. Lei nº 9.393/1996: Art. 8º O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua VTN correspondente ao imóvel. § 2º O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. (...) Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 445 16 de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. Art. 19. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Parágrafo único. Na apuração de ganho de capital correspondente a imóvel rural adquirido anteriormente à data a que se refere este artigo, será considerado custo de aquisição o valor constante da escritura pública, observado o disposto no art. 17 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. O ganho de capital é determinado pela diferença positiva, entre o valor de alienação de bens ou direitos e o respectivo custo de aquisição (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §º 2º; e Lei nº 9.249, de 1995, art. 17). No caso de alienação de imóvel rural adquirido a partir de 1º de janeiro de 1997, a apuração de ganho de capital é realizada, considerandose como custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação, consoante art. 19 da Lei nº 9.393, de 1996. Portanto, restando documentalmente comprovado que o interessado, nuproprietário do imóvel objeto da matrícula 99.045 do Cartório de Registro de Imóveis de Sumaré/SP, compreendendo uma área de 44,8342 ha, foi quem percebeu a totalidade do valor de alienação pactuado no “Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra de Bem Imóvel Com Condições Resolutivas e Outras Avenças”, de 05/10/2007 (fls. 140/153), Escritura Pública de Venda e Compra datada de 19/10/2007 (fls. 99/102 e 135/139) e “Instrumento Particular de Primeiro Aditamento à Escritura Pública de Venda e Compra”, de 16/12/2008 (fls. 154/160), é ele o sujeito passivo da obrigação tributária surgida com a ocorrência do fato gerador do imposto sobre a renda, na forma de ganho de capital auferido na operação de alienação do referido bem. Em suma, o que se vê do feito é que inocorreu o alegado erro na identificação do sujeito passivo, não assistindo razão ao contribuinte. Apuração do ganho de capital. Da metodologia utilizada. Tratandose de alienação de imóvel rural, com área de 44,8342 ha, adquirido a partir de 1º de janeiro de 1997, já que a nua propriedade foi havida por Higino de Vasconcellos pelo valor de R$239.000,00, a título de doação feita por seus pais Armando de Vasconcelos e Lourdes Matiazzo Vasconcelos, consoante escritura pública de doação com reserva de usufruto lavrada em 05/10/2004 (R.299.045 à fl. 21), a apuração de ganho de capital é realizada, considerandose como custo de aquisição o Valor da Terra Nua – VTN declarado Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 446 17 no Documento de Informação e Apuração do ITR – DIAT do ano de aquisição, nos termos do art. 19 e 8º da Lei nº 9.393, de 1996. A IN SRF nº 84, de 2001, que dispõe sobre a apuração e tributação de ganhos de capital nas alienações de bens e direitos por pessoas físicas, estabeleceu em seus artigos 2º, 8º, 9º, 10 e 11, que: IN SRF nº 84/2001: Ganho de Capital Art. 2º Considerase ganho de capital a diferença positiva entre o valor de alienação de bens ou direitos e o respectivo custo de aquisição. (grifei) Custo de Aquisição Definição Art. 8º O custo dos bens e direitos adquiridos ou das parcelas pagas a partir de 1º de janeiro de 1996 não está sujeito a atualização. (grifei) Imóvel rural Art. 9º Na apuração do ganho de capital de imóvel rural é considerado custo de aquisição o valor relativo à terra nua. (grifei) § 1º Considerase valor da terra nua (VTN) o valor do imóvel rural, nele incluído o da respectiva mata nativa, não computados os custos das benfeitorias (construções, instalações e melhoramentos), das culturas permanentes e temporárias, das árvores e florestas plantadas e das pastagens cultivadas ou melhoradas. § 2º Os custos a que se refere o § 1º, quando não tiverem sido deduzidos como despesa de custeio, na apuração do resultado da atividade rural, podem ser computados para efeito de apuração de ganho de capital. Art. 10 . Tratandose de imóvel rural adquirido a partir de 1997, considerase custo de aquisição o valor da terra nua declarado pelo alienante, no Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (Diat) do ano da aquisição, observado o disposto nos arts. 8º e 14 da Lei nº 9.393, de 1996. (grifei) § 1º No caso de o contribuinte adquirir: I e vender o imóvel rural antes da entrega do Diat, o ganho de capital é igual à diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição; Fl. 446DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 447 18 II o imóvel rural antes da entrega do Diat e alienálo, no mesmo ano, após sua entrega, não ocorre ganho de capital, por se tratar de VTN de aquisição e de alienação de mesmo valor. § 2º Caso não tenha sido apresentado o Diat relativamente ao ano de aquisição ou de alienação, ou a ambos, considerase como custo e como valor de alienação o valor constante nos respectivos documentos de aquisição e de alienação. § 3º O disposto no § 2º aplicase também no caso de contribuinte sujeito à apresentação apenas do Documento de Informação e Atualização Cadastral (Diac). Desmembramento Art. 11. Quando o imóvel for desmembrado do todo, o custo de aquisição deve ser apurado na proporção que a área alienada representar em relação à área total do imóvel. (grifei) Em 28/09/2004, foi apresentado o DIAT da Fazenda São João da Boa Vista, nº imóvel Receita Federal 0.268.7216, compreendendo uma área total de 162,6 ha, com área tributável de 162,6 ha, em nome do contribuinte Armando de Vasconcellos/CPF 029.081.908 34, com Valor de Terra Nua declarado de R$500.000,00 (fl. 60). Proporcionalizando o VTN declarado de R$500.000,00 para a área de 44,8342 ha, que foi desmembrada da área de 162,6 ha e doada a Higino de Vasconcellos em 05/10/2004, por seus genitores Armando de Vasconcellos e Lourdes Matiazzo Vasconcelos, chegase o VTN declarado de R$137.866,54 (artigos 10 e 11 da IN SRF nº 84, de 2001), que é o custo de aquisição utilizado no cálculo do ganho de capital pela Fiscalização (Termo de Verificação Fiscal de fl. 275). Contudo, o que se observa no Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital da DIRPF/2008 (fl. 211), referente à alienação do imóvel rural em comento, é que o interessado informou no campo “custo de aquisição” o valor de R$358.500,00, que é o valor total do imóvel declarado no DIAT/2007 (fls. 222), em total desacordo com o disposto nos artigos 10 e 11 da citada IN SRF nº 84, de 2001. O correto era o contribuinte ter declarado no Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital (fl. 211), como custo de aquisição do imóvel objeto da matrícula 99.045 o valor de R$137.866,54, calculado na proporção da área de 44,8342 ha recebida em doação em 05/10/2004 (R.299.045 à fl. 21), tendo por base o VTN declarado de R$500.000,00, para uma área de 162,6 ha, no DIAT/2004 apresentado pelo alienante/doador (fl. 60), nos termos do disposto nos artigos 10 e 11 da IN SRF nº 84, de 2001. Essa irregularidade verificada no Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital (fl. 211) acarretou uma redução indevida da base de cálculo do imposto de R$220.633,46. Dispõem o art. 8º e §§ da Lei nº 9.393, de 1996, que: Art. 8º O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 448 19 correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua VTN correspondente ao imóvel. (grifei) § 2º O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado.(grifouse) (...) A legislação acima transcrita é claríssima no sentido de que o Valor da Terra NuaVTN a ser declarado no DIAT pelo contribuinte do ITR deverá refletir o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, sendo considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. Assim, o custo de aquisição do imóvel de matrícula 99.045, havida por doação pelo interessado, em 05/10/2004, deverá ser o VTN informado pelo alienante/doador, Sr. Armando de Vasconcellos, no DIAT/2004 da Fazenda São João da Boa Vista com área total declarada de 162,6 ha (fl. 60), calculado na proporção da área recebida em doação de 44,8342 ha. Disso resulta que o custo de aquisição a ser atribuído ao imóvel de matrícula 99.045, para efeito de apuração do ganho de capital obtido na alienação do referido bem, que ocorreu em 19/10/2007, é R$137.866,54. Este é o valor do VTN do imóvel em referência em 1º de janeiro de 2004. Este VTN de R$137.544,86 avaliado em 1º de janeiro de 2004, apurado com base em DIAT/2004 da Fazenda São João da Boa Vista entregue por Armando de Vasconcellos (fl. 60), mostrase condizente com o valor de R$239.000,00 avaliado na escritura pública de doação com reserva de usufruto lavrada em 05/10/2004, em que os proprietários Armando de Vasconcellos e Lourdes Matiazzo Vasconcellos transmitiram a propriedade do imóvel a título de doação a Higino de Vasconcellos (R.299.045 à fl. 21). A propósito, não há nenhum motivo plausível para acatar o VTN de R$7.335.995,47 informado para a data de 1º de janeiro de 2004, no Laudo de Avaliação de 17/05/2012 apresentado na impugnação (fls. 322/341), haja vista, principalmente, que seu valor, em termos de ordem de grandeza, é inconsistente com o valor avaliado no documento público de doação lavrado em 05/10/2004, que tem fé pública. Frisese, de acordo com o R.299.045 da matrícula nº 99.045 do Cartório de Registro de Imóveis de Sumaré/SP (fl. 21), a propriedade do aludido imóvel foi transmitida a Higino de Vasconcellos por seus genitores, a título de doação, avaliada na época, pelo valor de R$239.000,00, consoante escritura pública de doação com reserva de usufruto datada de 05/10/2004. Como dito acima, valor este que é consistente com o VTN calculado pela Fiscalização para 1º de janeiro de 2004, de R$137.544,86, com base no DIAT/2004 (fl. 60). Não se vislumbra, na situação acima, nenhuma divergência notória que denote a necessidade de produção de laudo de avaliação do VTN do imóvel em referencia em 1º de janeiro de 2004, ou de adoção do VTN apontado em laudo de fls. 322/341, como Fl. 448DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 449 20 pretende o impugnante, contrariamente do que aconteceu com o VTN do imóvel informado no DIAT/2007 (fl. 222). Conforme já noticiado, o interessado alienou o imóvel constituído pela gleba remanescente da Fazenda São João da Boa Vista, com 44,4382 ha, a Inpar Projeto 86 SPE Ltda/CNPJ 09.113.847/000157, pelo preço certo e ajustado de R$11.208.546,00, consoante “Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra de Bem Imóvel Com Condições Resolutivas e Outras Avenças”, de 05/10/2007 (fls. 140/153) e Escritura Pública de Venda e Compra datada de 19/10/2007 (Certidão de fls. 99/102 e 135/139). Este preço de R$11.208.546,00, pelo qual o imóvel rural em referência foi alienado pelo interessado, é notoriamente diferente do valor declarado no DIAT/2007 pelo contribuinte (fl. 222), que foi de R$358.500,00 (valor total do imóvel) e R$150.000,00 (valor do VTN). O valor de alienação de imóvel rural, para fins de apuração do ganho de capital, dever ser, a princípio, o valor do VTN declarado, na forma do art. 8º da Lei nº 9.393, de 1996, consoante art. 19 do mesmo diploma legal. Contudo, como bem anotou a Fiscalização no Termo de Verificação Fiscal (fls. 275/276), deve ser observado o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, consoante remissão expressa contida no citado art. 19 do mesmo ato legal. Procedimento fiscal, digase, que tem amparo, também, no art. 20 da Lei nº 7.713, de 1988: Art. 20. A autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará o valor ou preço, sempre que não mereça fé, por notoriamente diferente do de mercado, o valor ou preço informado pelo contribuinte, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Daí a razão por que o contribuinte foi intimado a apresentar o laudo de avaliação da “gleba destacada da Fazenda São João da Boa Vista recebida em doação de Armando de Vasconcellos e Lourdes Matiazzo de Vasconcellos”, conforme estabelecido na NBR14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas–ABNT com grau de fundamentação e precisão II, com anotação de responsabilidade técnica – ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo e preferivelmente pelo método comparativo direto de dados de mercado, que comprove o VTN na data de 1º de janeiro de 2007, a preço de mercado (Termo de Intimação Fiscal, de 07/11/2011, à fls. 63, ciência por via postal em 10/11/2011, à fl. 64). O Laudo de Avaliação apresentado pelo interessado (fls. 75/112), emitido por profissional habilitado e de acordo com as normas da ABNT, concluiu que o justo valor de mercado do imóvel denominado Gleba Remanescente da Fazenda São João da Boa Vista, objeto da matrícula nº 99.045 do Cartório de Registro de Imóveis de Sumaré/SP, com área de 44,8342 ha, para a data de 1º de janeiro de 2007, equivale a VTN de R$8.668.000,00 (fl. 78). Resultado este que evidencia a subavaliação do valor do VTN declarado no DIAT/2007 pelo interessado (fl. 222), motivando a sua impugnação pelo Fisco, dando ensejo à utilização do valor de R$8.668.000,00 apresentado no Laudo de Avaliação (fls. 75/112) como referência para o cálculo do ganho de capital em exame. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 450 21 No que tange à metodologia de apuração do ganho de capital utilizada pela Fiscalização, questionada pelo impugnante, verificase que o ganho de capital foi apurado como venda à vista e tributado na proporção das parcelas recebidas, mediante a proporcionalização do VTN de R$8.668.000,00 apurado no Laudo de Avaliação (fl. 78), de acordo com o fluxo de caixa realizado na operação de alienação (Termo de Verificação Fiscal de fls. 277/281). Conforme ressaltou a Fiscalização no Termo de Verificação Fiscal (fl. 280), esse ajuste se fez necessário, uma vez que o imposto de renda é devido à medida em que as parcelas são recebidas (regime de caixa). Diversamente do que aduz o impugnante, ainda que se trate de alienação de imóvel rural adquirido a partir de 1º de janeiro de 1997, cabe observar na apuração do ganho de capital a legislação acima reproduzida, quando o pagamento da venda de imóvel for parcelado. Do contrário, estaria inobservando a citada norma legal. O art. 19 da Lei nº 9.393, de 1996, apenas preceitua que, para fins de apuração do ganho de capital de imóvel rural adquirido a partir de 1º/01/1997, considerasse custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação, observado o disposto no art. 14 do mesmo ato legal. Esta disposição do artigo 19, contudo, não têm o condão de afastar a observância das normas legais estatuídas nos arts. 2º e 21 da Lei nº 7.713, de 1988, na alienação de imóveis rurais adquiridos a partir de 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital. Verificase que feito esse ajuste, a Fiscalização procedeu, então, à dedução do valor da corretagem paga a Roberto Barbosa (recibos às fls. 49/59, 113/123, 194/204) e à Engea Empreendimentos Ltda (termo de compromisso de fls. 179/180, recibos de fls. 124/130 e 187/193 e comprovantes de pagamento de fls. 182/186), nos termos do art. 123, § 5º, do Decreto nº 3.000, de 1999, bem assim do imposto anteriormente pago pelo contribuinte por conta dessa operação, obtendo, então, o ganho de capital (art. 138 do Decreto nº 3.000, de 1999) e o imposto de renda (art. 142 do Decreto nº 3.000, de 1999). Cálculos estes que constam do Anexo I (fl. 300), parte integrante do Termo de Verificação Fiscal (fls. 270/296). Cabe lembrar que na apuração do ganho de capital total, no valor de R$6.513.561,67 utilizado no cálculo do percentual de diferimento de 83,37%, foram observadas as reduções previstas no art. 40, § 1º, incisos I e II, da Lei nº 11.196, de 2005 (fls. 281, 297 e 300). Concretamente falando, o que se vê, é que o contribuinte obteve um ganho de capital de R$6.513.561,67 na alienação do imóvel de matrícula 99.045 do Cartório de Registro de Imóveis de Sumaré/SP, sendo devido o imposto de R$977.034,25, que descontado o imposto pago de R$266.736,95, restou ainda uma diferença de imposto de R$710.297,29, consoante Anexo I (fl. 300), que é devido, pelo que procedente o correspondente lançamento tributário (Auto de Infração de fls. 252/258). Fl. 450DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 451 22 Dos valores recebidos a título de reajuste de parcelas Os valores recebidos a título de reajuste, qualquer que seja a designação dada (juros, correção monetária, reajuste de parcelas, etc), não compõem o valor de alienação, e devem ser tributados em separado do ganho de capital, à medida de seu recebimento, na fonte ou mediante recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), conforme o caso, e na Declaração de Ajuste Anual correspondente ao anocalendário e seu recebimento, nos termos da legislação abaixo reproduzida. Decreto nº 3.000/1999: Art.123. Considerase valor de alienação (Lei nº 7.713, de 1988, art. 19 e parágrafo único): (...) §6º Os juros recebidos não compõem o valor de alienação, devendo ser tributados na forma dos arts. 106 e 620, conforme o caso. IN SRF nº 84/2001: Art. 19 . Considerase valor de alienação: (...) § 3º Os valores recebidos a título de reajuste, no caso de pagamento parcelado, qualquer que seja sua designação, a exemplo de juros e reajuste de parcelas, não compõem o valor de alienação, devendo ser tributados à medida de seu recebimento, na fonte ou mediante o recolhimento mensal obrigatório (CarnêLeão), quando a alienação for para pessoa jurídica ou para pessoa física, respectivamente, e na Declaração de Ajuste Anual. (grifouse) Assim, os reajustes das parcelas recebidos pelo interessado, em cumprimento às condições estipuladas nos itens 2.1.2. e 2.3 do “Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra de Bem Imóvel Com Condições Resolutivas e Outras Avenças”, de 05/10/2007 (fls. 144/145), bem assim nos itens 3.2 e 3.4 da Escritura Pública de Venda e Compra datada de 19/10/2007 (fls. 137/138) e nos itens 1.1, “a” e “b”, e 1.3 do “Instrumento Particular de Primeiro Aditamento à Escritura Pública de Venda e Compra”, de 16/12/2008 (fls. 156/158), são tributáveis na forma da lei, estando sujeitos à tributação na Declaração de Ajuste Anual correspondente. Correto, portanto, o tratamento tributário dispensado pela Fiscalização aos reajustes das parcelas recebidos pelo interessado, na forma apurada às fls. 277/278 e 282/283, não havendo reparos a fazer. Multa qualificada Fl. 451DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 452 23 A autoridade fiscal efetuou o lançamento de ofício com multa qualificada (150%), por ter entendido que o contribuinte fiscalizado agido com a intenção de suprimir ou reduzir, deliberadamente, o tributo, caracterizando a conduta ilegal com evidente intuito de sonegação, fraude ou simulação, nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Todavia, entendo que não merece prosperar a tese de que ocorreu sonegação, fraude ou simulação, de modo a justificar a qualificação da multa em 150%. Nesse caso, compreendo que não restou suficientemente caracterizada a intenção dolosa de sonegação por parte do contribuinte. A base da argumentação da autoridade fiscal realmente é verdadeira, ou seja, os atos praticados ensejaram a diminuição irregular do recolhimento do tributo, no entanto, não entendo que este fato, por si só, enseja os elementos caracterizadores do dolo, fraude ou simulação. A norma legal que determina a aplicação da multa de ofício qualificada é o artigo 44, I, §1°, da Lei 9.430/96, abaixo transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei no 11.488, 2007) [...] § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei no 11.488, de 2007) Por sua vez, assim dispõe os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 supra referidos: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 452DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 453 24 Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Consoante demonstrado, nos casos de lançamento de ofício, a regra é a aplicação da multa de 75%, estabelecida no inciso I do artigo acima transcrito. Excepciona a regra a comprovação do intuito fraudulento, a qual acarreta a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º, do artigo 44, da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação dada Lei nº 11.488, de 15/06/2007. A fraude fiscal pode se dar em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, um propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Nesses casos, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de lesar o Fisco, quando, se utilizando de subterfúgios, escamoteiam a ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por parte da autoridade fiscal. É nesse ponto que não concordo com o posicionamento adotado pela autoridade autuante, pois, embora concorde ser equivocada a leitura feita pelo contribuinte da legislação, não consigo identificar a intenção dolosa de ocultar, mesmo que considerássemos que a intenção final fosse a diminuição do tributo a ser pago. A qualificação da multa não pode atingir aqueles casos em que o sujeito passivo age de acordo com as suas convicções, deixando às claras o seu procedimento, posto que resta evidente a falta de intenção de iludir, em nada impedindo a Fiscalização de apurar os fatos e de firmar suas convicções. Dessa forma, entendo por necessário desqualificar a multa de ofício, reduzindoa para o percentual de 75%. Juros de mora sobre a multa de ofício Discorda a recorrente da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, os quais pede, caso não seja cancelado o crédito tributário, sejam excluídos. Ocorre, contudo, que o Pleno do CARF, em sessão realizada em setembro de 2018, decidiu pela aprovação da seguinte proposta de súmula: 1ª Proposta de nova súmula Juros sobre multa – “Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício”. Por tais razões, curvome ao disposto na nova Súmula embora ainda esteja pendente de publicação no D.O.U na presente data mantendo assim a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Conclusão. Fl. 453DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 454 25 Ante o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa para 75%. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Conselheiro Ronnie Soares Anderson Redator Designado Ainda que acompanhe o relator quanto aos demais aspectos do enfrentamento da controvérsia, divirjo de seu encaminhamento no que diz respeito à multa qualificada. No caso, a fiscalização circunstanciou detalhadamente diversos elementos de prova que, tomados em seu conjunto, revelam que a "convicção" do contribuinte não era de agir conforme sua interpretação da legislação tributária. Ao contrário, as provas coligidas nos autos atestam que ele, deliberada e dolosamente, buscou ocultar o conhecimento, por parte das autoridades fazendárias, do ganho de capital que acabou sendo objeto do lançamento. Cabe transcrever em sua essência, neste átimo, a seguinte passagem da decisão de piso, a qual, aludindo às constatações da auditoria, demonstra com perspicácia a pertinência da qualificação: Destaquese que qualquer conduta fraudulenta do sujeito passivo, visando reduzir ou suprimir tributo, estará sempre enquadrada em uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Relativamente à omissão de ganhos de capital obtidos, em face da alienação de bens e direitos, consta no Termo de Verificação Fiscal (fls. 284/295), que o contribuinte prestou diversas informações falsas na Declaração de Ajuste Anual Simplificada DAA/ 2008 (fls. 205/213): a) no campo “data de aquisição do imóvel”, informou 11/09/1979 (quando o correto seria declarar 05.10.2004, data em que adquiriu a propriedade por meio de doação), o que fez com que se beneficiasse de maiores percentuais de redução da base de cálculo previstos nas Leis 7.713/1988 e 11.196/2005; b) no campo “custo de aquisição”, informou R$358.500,00 (valor total do imóvel declarado no DIAT/2007, sendo que o correto seria declarar o valor do DIAT/2004 (fl. 60), proporcionalizado de acordo com a quantidade de halqueres recebida, qual seja, R$137.866,54. Esta informação fez com que reduzisse a base de cálculo do IRPF em aproximadamente R$221 mil; c) valeuse indevidamente da isenção do art. 39 da Lei nº 11.196/2005, declarando, ao preencher o programa, que se tratava de venda de imóvel residencial e que aplicou R$2.119.345,00 na compra de outro imóvel residencial. Salienta a Fiscalização no referido Termo de Verificação Fiscal que (fls. 287/288): Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 455 26 “Com efeito, o programa “Ganhos de Capital”, ao ser preenchido, questiona, após detalhar a sobredita isenção (fls. 227), ipsis litteris: Tratase de alienação de imóvel residencial e no prazo de cento e oitenta dias, contados da data de celebração do contrato, o produto da venda foi ou será aplicado na aquisição de imóvel residencial, nos termos do artigo 39 da Lei 11.196, de 2005? Referido questionamento é acompanhado das opções “Sim, integralmente”, “Sim, parcialmente” e “Não”, tendo o contribuinte optado pela opção “Sim, parcialmente” e informado o aludido montante de R$2.119.345,00, fazendo com que não fosse oferecido à tributação. Essas falsidades cometidas na DAA/2008 fizeram com que o IRPF apurado sobre este ganho de capital (lucro imobiliário) fosse significativamente diminuído para apenas R$266.736,95 (aproximadamente 27% do valor principal devido). Além disso, o contribuinte omitiu na DAA/2008 (fls. 205/213), DAA/2009 (fls. 228/241) e DAA/2010 (fls. 242/250), os juros recebidos, o que provocou a redução expressiva da base de cálculo em R$696.631,72 (soma dos juros referentes aos anos calendário 2008 e 2009) e do IRPF em R$181.634,30.” Como bem assinalou a Fiscalização (fl. 288), os fatos acima apontados permitem concluir que a conduta praticada pelo contribuinte enquadrase no conceito de fraude e de sonegação, haja vista que a prática descrita resultou na falta de recolhimento de tributos mediante omissão de informações, falsidade ideológica e cometimento de fraudes, circunstância na qual se impõe a aplicação da multa de 150%.Aa A inserção de elementos inexatos na DIRPF/2008 (fl. 211), como a que diz respeito à data de aquisição do imóvel em referência (o certo era ter informado a data de 05/10/2004, quando recebeu o imóvel em doação, e não 11/09/1979, quando o imóvel foi havido por Armando de Vasconcelos e Lourdes Matiazzo Vasconcelos), fez o interessado beneficiarse indevidamente do percentual de redução previsto no art. 18 da Lei nº 7.713, de 1988, acarretando a redução indevida da base de cálculo. (...) O contribuinte, também, beneficiouse indevidamente da isenção referida no art. 39 da Lei nº 11.196, de 2005, ao informar na ficha de “Demonstrativo da Apuração do Ganhos de Capital” que se tratava de alienação de imóvel residencial (quando na verdade é imóvel rural), com aplicação parcial do produto da venda na aquisição de imóveis residenciais localizados no País, como se viu acima. (...) Vêse, portanto, que restou veementemente evidenciado o intuito do contribuinte de fugir à tributação por omissão de ganhos de capital obtidos na alienação do imóvel objeto da matrícula 99.045 do Cartório de Registro de Imóveis de Sumaré/SP, verificada no valor total de R$4.272.262,97 (R$6.513.561,67 – R$2.241.298,70 = R$4.272.262,97), bem assim por omissão de rendimentos recebidos a título de reajuste de parcelas, apurada no valor de R$R$232.235,31 para o anocalendário 2008 e R$464.396,41 para o anocalendário 2009 (fl. 282/284), Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 456 27 mediante conduta dolosa e intencional do contribuinte, que procedeu à inserção de elementos inexatos na DIRPF/2008, quando do preenchimento da ficha “Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital”, e reduziu o valor do imposto incidente sobre tal fato signo presuntivo de riqueza. Ou deixou de oferecer à tributação na declaração de ajuste anual, por dois exercícios consecutivos, os reajustes das parcelas recebidas em pagamento pela alienação do aludido bem, omitindo em documento fiscal informação de tal monta com a finalidade de reduzir ou suprimir o pagamento do imposto incidente sobre o dito recebimento. Motivo por que se impõe a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% prevista no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007. Com efeito, a inserção de uma série de informações falsas em suas declarações, ainda que realizada "às claras", denotam o desiderato do contribuinte de omitir do Fisco o conhecimento do fato gerador do imposto de renda sobre o ganho de capital do imóvel em tela. Esse intento se evidencia quando verificamse uma série de operações e declarações articuladas e coerentes entre si, afastando, por inexpressiva, a probabilidade de erro, e reforçando sim, o convencimento acerca da existência de uma conduta dolosa consciente e determinada, visando burlar as normas tributárias. Tanto mais tal objetivo se escancara, quando os sucessivos "equívocos", realizados "às claras", vão sempre no sentido de diminuir, ao arrepio da legislação, o aspecto quantitativo do imposto, nunca no de aumentar a carga tributária incidente sobre o negócio jurídico. Inescapável, por conseguinte, a conclusão pela manutenção da multa qualificada. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson c c Fl. 456DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.722789/2015-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011, 2012, 2013
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO ENFRENTAMENTO DE TODAS AS TESES DE DEFESA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE. INOCORRÊNCIA.
O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Mesmo após a vigência do CPC/2015, não há que se falar em nulidade de decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. Inteligência da 1ª Seção do STJ no julgamento dos EDCL no MS 21.315-DF.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012, 2013
REGIME DIFERENCIADO DE APURAÇÃO DE ICMS. ESTORNO DE CRÉDITO DE ICMS FÍSICO SUBSTITUÍDO POR NOVA FORMA DE APURAÇÃO DE CRÉDITOS. BENEFÍCIO FISCAL QUE NÃO SE CONFUNDE COM SUBVENÇÃO.
Constatado que o contribuinte apura ICMS sob modalidade específica e diferenciada, abrindo mãos dos créditos físicos de ICMS e fazendo jus a nova forma de apuração de créditos, não há que se falar em subvenção, quer para custeio, quer para investimento, devendo ser integralmente cancelada a exigência.
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2011, 2012, 2013
CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS.
Aplicam-se aos lançamentos tidos como reflexos as mesmas razões de decidir do lançamento matriz, em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas.
CONTRIBUIÇÃO AO PIS. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE.
Os créditos incentivados de ICMS, concedidos pelos Estados a setores econômicos ou regiões em que haja interesse especial, não se encartam no conceito de receita para fins de incidência das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, pois não constitui entrada de recursos passíveis de registro em contas de resultado, não podendo ser assim considerado e, por conseguinte, não compõe a base de cálculo do PIS.
Numero da decisão: 1301-003.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO ENFRENTAMENTO DE TODAS AS TESES DE DEFESA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE. INOCORRÊNCIA. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Mesmo após a vigência do CPC/2015, não há que se falar em nulidade de decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. Inteligência da 1ª Seção do STJ no julgamento dos EDCL no MS 21.315-DF. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 REGIME DIFERENCIADO DE APURAÇÃO DE ICMS. ESTORNO DE CRÉDITO DE ICMS FÍSICO SUBSTITUÍDO POR NOVA FORMA DE APURAÇÃO DE CRÉDITOS. BENEFÍCIO FISCAL QUE NÃO SE CONFUNDE COM SUBVENÇÃO. Constatado que o contribuinte apura ICMS sob modalidade específica e diferenciada, abrindo mãos dos créditos físicos de ICMS e fazendo jus a nova forma de apuração de créditos, não há que se falar em subvenção, quer para custeio, quer para investimento, devendo ser integralmente cancelada a exigência. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Aplicam-se aos lançamentos tidos como reflexos as mesmas razões de decidir do lançamento matriz, em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Os créditos incentivados de ICMS, concedidos pelos Estados a setores econômicos ou regiões em que haja interesse especial, não se encartam no conceito de receita para fins de incidência das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, pois não constitui entrada de recursos passíveis de registro em contas de resultado, não podendo ser assim considerado e, por conseguinte, não compõe a base de cálculo do PIS.
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NÃO ENFRENTAMENTO DE TODAS AS TESES DE DEFESA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE. INOCORRÊNCIA. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Mesmo após a vigência do CPC/2015, não há que se falar em nulidade de decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. Inteligência da 1ª Seção do STJ no julgamento dos EDCL no MS 21.315DF. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012, 2013 REGIME DIFERENCIADO DE APURAÇÃO DE ICMS. ESTORNO DE CRÉDITO DE ICMS FÍSICO SUBSTITUÍDO POR NOVA FORMA DE APURAÇÃO DE CRÉDITOS. BENEFÍCIO FISCAL QUE NÃO SE CONFUNDE COM SUBVENÇÃO. Constatado que o contribuinte apura ICMS sob modalidade específica e diferenciada, abrindo mãos dos créditos físicos de ICMS e fazendo jus a nova forma de apuração de créditos, não há que se falar em subvenção, quer para custeio, quer para investimento, devendo ser integralmente cancelada a exigência. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2011, 2012, 2013 CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 27 89 /2 01 5- 11 Fl. 53545DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.546 2 Aplicamse aos lançamentos tidos como reflexos as mesmas razões de decidir do lançamento matriz, em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Os créditos incentivados de ICMS, concedidos pelos Estados a setores econômicos ou regiões em que haja interesse especial, não se encartam no conceito de “receita” para fins de incidência das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, pois não constitui entrada de recursos passíveis de registro em contas de resultado, não podendo ser assim considerado e, por conseguinte, não compõe a base de cálculo do PIS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 53546DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.547 3 Relatório TEX COTTON INDÚSTRIA DE CONFECÇÕES LTDA recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1290.009 da 8ª Turma da Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada. O Presidente do colegiado a quo recorre de ofício a este Conselho, com fulcro no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, c/c , art. 1º da Portaria MF nº 63, 03 de janeiro de 2008, haja vista o acórdão de origem ter exonerado o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 1.000.000,00. A parcela de crédito tributário exonerado diz respeito aos débitos de IRPJ referentes aos quatro trimestres de 2012 que já haviam sido confessados em DCTF e não foram deduzidas no momento da realização do lançamento. Em razão do montante de tributo e multa exonerados, não houve interposição de recurso de ofício. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Trata o presente processo de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), no valor de R$ 3.632.883,71, de Contribuição Social s/Lucro Líquido (CSLL), no valor de R$ 537.793,27, de Programa de Integração Social (Pis), no valor de R$ 383.633,93, e de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no valor de R$ 1.751.354,36, dos quais o interessado tomou ciência em 05/10/2015, referentes aos anoscalendário de, 2011, 2012 e 2013. Sobre os valores lançados incidiu multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) e demais encargos de juros moratórios. Nos termos expostos na descrição dos fatos no Relatório Fiscal (fls. 67/96), a autuação em foco decorreu dos seguintes fatos apurados no curso do procedimento fiscal: A Fiscalizada apurou o Imposto de Renda pela modalidade do Lucro Presumido em 2011 e 2012, e pela modalidade do Lucro Real em 2013. O Termo de Intimação 2014.00446201, cientificado em 02/12/2014, abordou, em seu contexto, circunstâncias relativas às informações prestadas pela Fiscalizada na DIME (Declaração do ICMS e do Movimento Econômico), especificamente em relação a “créditos por regimes especiais”, além de questões envolvendo a escrituração contábil destes créditos. O referido Termo intimou a Fiscalizada a entregar cópia de todos os atos concessórios e documentos relacionados aos Regimes Especiais de ICMS concedidos pelo Governo de Santa Catarina, a indicar as contas contábeis onde foram lançados os créditos presumidos de ICMS e a discriminar a composição destes créditos informados nas DIME. Fl. 53547DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.548 4 A Fiscalizada respondeu, em 17/12/2014, apresentando a cópia dos atos concessórios acompanhados das explicações acerca dos lançamentos contábeis. O Termo 2014.00446203, ciência em 26/02/2015, apontou divergências entre dados constantes da contabilidade em cotejo com as informações constantes do quadro DCIP da DIME, e intimou a Fiscalizada a prestar esclarecimentos. O Termo seguinte, 2014.00446204, cuja ciência à Fiscalizada se deu em 18/03/2015, fez ver a ela que os créditos presumidos de ICMS consubstanciavam subvenção para custeio, e não para investimento, e que desta forma deveriam ter sido considerados como receita em 2011 e 2012. O Termo 2014.00446206 a intimou a apresentar o Livro de Apuração do Lucro Real, a Demonstração do Resultado do Exercício trimestral e planilhas da COFINS e do PIS não cumulativo. Este Termo teve sua ciência em 12/05/2015. Em resposta, a Fiscalizada não apresentou o LALUR, nem as DRE e tampouco as planilhas de nãocumulatividade. Indicou, tão somente, as contas contábeis onde estariam registrados os créditos de PIS e COFINS. O Termo de Intimação seguinte, 2014.00446207, foi cientificado à Fiscalizada em 29/06/2015 e contém as DRE trimestrais levantadas pela Fiscalização com base na Escrituração Contábil Digital – ECD, o cálculo das bases de cálculo do PIS e da COFINS, e os créditos de PIS e COFINS também levantados pela Fiscalização. Tudo relativo ao anocalendário de 2012. A intimação era para que a Fiscalizada se manifestasse em caso de discordância dos valores apresentados pela Fiscalização, o que deveria fazêlo com suporte em documentação hábil a permitir o perfeito delineamento de sua discordância. Não houve resposta formal a este Termo, apenas um telefonema onde o Sr. Ricardo Lyra apontou uma duplicidade no cálculo do lucro de 2012, fato este comprovado pela Fiscalização. Segundo a fiscalização, a Fiscalizada fruiu benefícios oriundos de Regimes Especiais de ICMS concedidos pelo Estado de Santa Catarina, que geraram para ela créditos presumidos de ICMS. Tais créditos não foram considerados como receita tributável. Segundo a fiscalização, os créditos presumidos de ICMS, decorrentes dos Regimes Especiais, consubstanciam inexoravelmente uma subvenção estatal. Tais créditos presumidos de ICMS devem ter o tratamento previsto na Lei 11.941/09, a qual, juntamente com a Lei 11.638/07, trata da convergência aos padrões internacionais da contabilidade. Antes das modificações promovidas pela Lei 11.941/09, as subvenções para investimento deveriam ser contabilizadas diretamente a crédito da conta de reserva de capital, e, caso não fossem atendidos os requisitos do artigo 443 do RIR/99, deveriam ser adicionadas ao lucro líquido para fins de determinação do lucro real. Por outro lado, as subvenções para custeio deveriam ser tributadas, pois integravam o resultado operacional das pessoas jurídicas (artigo 392, I, do RIR/99). Após as modificações, as subvenções para investimento devem ser contabilizadas em conta de resultado, e, caso atendidos os requisitos do art. 18 da Lei 11.941/09, podem ser excluídos do lucro líquido para fins de Fl. 53548DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.549 5 determinação do lucro real. Concomitantemente, a empresa deve manter em reserva de lucros a parcela da subvenção excluída. Primordial, portanto, definir se os créditos presumidos de ICMS, no caso em tela, consubstanciam subvenção para custeio ou investimento. A subvenção para custeio é a transferência de recursos para a pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála a fazer face ao seu conjunto de despesas ou na consecução de seus objetivos sociais, podendo estes recursos ser originados de pessoas jurídicas de direito público ou de direito privado. A subvenção para investimento, por seu turno, seria a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála não nas suas despesas, mas sim na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Impõese também a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como subvenção para investimentos. Embora o inciso XI do §35 do artigo 15 e a alínea b) do inciso I do §10 do artigo 21 do Anexo 2 – Benefícios Fiscais, do RICMS de Santa Catarina – Decreto 2.870/2001, determinem que o beneficiado deva reinvestir “o valor correspondente ao benefício na modernização, readequação ou expansão do parque fabril ou na pesquisa e no desenvolvimento de novos produtos”, tratase de uma obrigação genérica e sem mecanismos de controle que permitam a aferição da sincronia entre as subvenções e os investimentos: A Fiscalizada contabilizou o benefício de forma imprópria, tendo creditado uma conta de dedução de vendas (conta 2476 em 2011 e conta 3.1.02.02.0001 em 2012), em vez de uma conta representativa de receitas. Nos anoscalendário 2011 e 2012, quando a Fiscalizada optou pelo regime de tributação do lucro presumido, tal contabilização imprópria resultou na falta de tributação dessas receitas, como determinam os artigos 25, inciso II, e 29, também inciso II, da lei 9.430/96. Assim, os valores auferidos pela Fiscalizada, a título de crédito presumido de ICMS, devem ser considerados como “demais receitas”, e nesta condição devem ser acrescentados diretamente à base de cálculo do IRPJ e CSLL. A fiscalização constatou que a omissão dos valores de crédito presumido de ICMS em 2011 influenciou nos limites de receita, de que tratam os artigos 13 e 14 da Lei nº 9.718/1998 com redação dada pela Lei 10.637/2002, para fins de opção pela modalidade de apuração do Imposto de Renda pelo lucro presumido em 2012. Como a receita total da Fiscalizada em 2011, incluindo os créditos presumidos de ICMS, montou a R$ 48.989.107,80, superior ao limite de 48 milhões estabelecido pelos artigos 13 e 14 da Lei 9.718/98, ela não poderia ter optado pelo lucro presumido em 2012. Intimada, a Fiscalizada não apresentou o LALUR, nem os DRE trimestrais e nem as planilhas de nãocumulatividade do PIS e da COFINS, alegando ainda Fl. 53549DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.550 6 que o refazimento de sua contabilidade para o anocalendário de 2012 seria por demais demorado e custoso. Sendo assim, a Fiscalização levantou os DRE trimestrais com base na escrituração contábil digital que baixou do SPED Contábil. Os valores apurados pela Fiscalização foram submetidos à Fiscalizada, para que manifestasse discordância, se houvesse, via Termo de Intimação 2014.004462 07. A identificação de eventuais adições e exclusões ao lucro líquido, com o fim de apurar o lucro real, era o objetivo do Termo de Intimação 2014.00446206, quando intimou a Fiscalizada a apresentar o LALUR. Como a Fiscalizada não o apresentou, a Fiscalização não contemplou exclusões ou adições. Os valores que serviram de base para a tributação do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido constam do Relatório Fiscal (item 78). Segundo a Fiscalização, no que se refere ao PIS e a Cofins, os valores de subvenção de ICMS, que consubstanciam receita tributável da Fiscalizada, não compõem, todavia, a condição de base de cálculo do PIS e da COFINS, quando o contribuinte apura o lucro na modalidade do lucro presumido, como ocorreu em 2011. Especificamente a revogação do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 afasta a incidência do PIS e da COFINS sobre as subvenções para custeio, no regime da cumulatividade. Tal dispositivo tratava do alargamento da base de cálculo das contribuições PIS/COFINS no regime cumulativo. Após a revogação, portanto, não há base legal para a incidência dessas contribuições sobre as receitas diversas das enquadradas no conceito de receita bruta (art. 279 do RIR/99). Em sendo assim, inexistem consequências relativamente ao PIS e à COFINS do anocalendário de 2011. No que se refere ao anocalendário de 2012, a circunstância da Fiscalizada estar obrigada à apuração do lucro real enseja duas consequências. A primeira delas é que, nesta modalidade, a apuração do PIS e da COFINS se dá na sistemática da nãocumulatividade; a segunda, de que as receitas decorrentes das subvenções para custeio (créditos presumidos de ICMS) passam a sofrer a incidência destas mesmas contribuições. Os artigos 1º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, estabelecem a incidência do PIS/COFINS, no regime nãocumulativo, sobre “o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil”, e as receitas de subvenções para custeio estão no campo de incidência destas contribuições. Significa dizer que os valores líquidos das subvenções de custeio, em 2012, serão tributadas pelo PIS e pela COFINS no regime nãocumulativo. Os valores totais de receitas, base de cálculo destas duas contribuições, são, portanto, em 2012, os valores já contabilizados como receitas somados aos Fl. 53550DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.551 7 créditos das subvenções para custeio (Créditos presumido de ICMS – Regimes Especiais), conforme planilha constante do Relatório Fiscal (item 93). Conforme consta do Relatório Fiscal, o regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS dá direito ao aproveitamento de créditos oriundos de operações que a lei especifica. É o que está disposto no artigo 3ª das leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que criaram o regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Neste sentido, o Termo de Intimação 2014.00446206 intimou a Fiscalizada a elaborar planilha específica demonstrativa da não cumulatividade, ou seja, planilha especificando os créditos e débitos dos referidos tributos, com a respectiva indicação das contas contábeis pertinentes. A Fiscalizada não elaborou tais planilhas, embora tenha indicado as contas que supostamente registrariam as operações que lhe dariam direito a crédito. Não obstante a negativa de proceder à elaboração de tais planilhas, a Fiscalização calculou os créditos de PIS e COFINS a que teria direito (planilha – item 100), e submeteu a ela os referidos valores, para que manifestasse eventual discordância, o que ela não fez. Ainda segundo consta do Relatório Fiscal, os créditos não aproveitados em determinado mês foram aproveitados no mês subseqüente. As planilhas que demonstram os valores autuados de Pis e Cofins, referente ao anocalendário de 2012, constam do Relatório Fiscal (item 102). No anocalendário de 2013, a Fiscalizada apurou o lucro na modalidade do lucro real. Consequentemente, o PIS e a COFINS já foram tributados no regime nãocumulativo. Portanto, segundo a fiscalização, resta apenas tributar os valores das subvenções líquidas de ICMS, que compõem base de cálculo do PIS e da COFINS no regime nãocumulativo. Importa ressaltar que os valores das subvenções de ICMS não foram considerados receitas pela Fiscalizada em nenhum dos anos sob auditoria: 2011, 2012 e 2013. As contribuições de PIS e COFINS, relativas ao anocalendário de 2013, e calculadas sobre os valores das subvenções de ICMS, objeto de autuação, constam de planilha no Relatório Fiscal (item 107). Esclarece a Fiscalização que eventuais créditos de PIS e COFINS já foram aproveitados pela Fiscalizada, quando da apuração que procedeu durante o ano calendário de 2013. Segundo a Fiscalização, os valores de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS já confessados em DCTF foram compensados com os valores apurados no procedimento. Foi aplicada multa de ofício de 75% (art. 44 da Lei 9.430/1996). Fl. 53551DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.552 8 Inconformado, o interessado apresentou impugnação, em 04/11/2015, requerendo o cancelamento dos autos de infração lavrados, alegando, em síntese, o seguinte: . que todo o lançamento fiscal ora combatido decorre da equivocada premissa da qual partiu a Autoridade Fiscal, de que os créditos presumidos de ICMS concedidos pelo Estado de Santa Catarina estariam insertos no conceito legal de receita. . que o regime especial concedido pelo Estado de Santa Catarina referese à técnica de apuração do ICMS relacionada à substituição de créditos efetivos (ou físicos) por créditos presumidos, conforme previsto no art. 21, inciso IX, do Anexo 2, do RICMS/SC. . que tal regime é um Tratamento Tributário Diferenciado, denominado Protêxtil, que não se classifica como subvenção para investimento ou de custeio, mas que consiste em técnica de apuração do ICMS, por meio da qual a Impugnante abriu mão dos créditos físicos (destacados no documento fiscal de entrada), apropriando um crédito presumido do imposto mensalmente. . que, na apuração mensal do ICMS, ao invés de apropriar o crédito pelas aquisições de insumos, a Impugnante apropriava um crédito presumido de ICMS, de modo que a carga efetiva do imposto fosse igual a 3%. Tal afirmação é comprovada pelo Demonstrativo de Créditos Informados Previamente DCIP e pela Declaração do ICMS e do Movimento Econômico – DIME anexos. . que, ainda que tenham ocorrido alguns equívocos na forma de contabilização do crédito presumido de ICMS, o fato é que, no final, foi registrado o valor devido a título de ICMS, conforme declarações prestadas ao Estado de Santa Catarina. . que, ainda que assim não o fosse, o que se admite a título de argumentação, por se tratar de apuração pelo Lucro Presumido, o valor do crédito presumido do ICMS não impactou, de modo algum, na apuração do lucro tributável, já que as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL correspondem a um percentual sobre a receita bruta. . que o conceito de subvenção para investimento ou subvenção de custeio não possui qualquer relevância no caso presente; que o art. 392, I, e o art. 443, I, do RIR/99. que dispõem sobre subvenções, estão inseridos no Subtítulo III, do Título IV, do RIR/99, que trata da apuração do Lucro Real. . que, não bastasse o fato de que o crédito presumido de ICMS em questão não produzir os efeitos capazes de gerar relevância para a discussão sobre os conceitos de subvenção de custeio ou para investimento, já que na DRE é lançada a carga efetiva do imposto, não se está falando de apuração pelo Lucro Real, mas sim de Lucro Presumido. . que o crédito presumido de ICMS, concedido pelo Estado de Santa Catarina em substituição aos créditos efetivos do imposto, não possui natureza de receita. . que não é possível enquadrar os créditos presumidos de ICMS outorgados pelo Estado de Santa Catarina no conceito de receita, na medida em que não revelam capacidade contributiva (ingresso de recursos financeiros como contraprestação da atividade empresarial) e, portanto, riqueza tributável, porquanto se trata de mera técnica de apuração do ICMS, que consiste na substituição de créditos não cumulativos efetivos (ou físicos), por créditos presumidos. Fl. 53552DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.553 9 . que, em análise aos incentivos fiscais concedidos pelos Estadosmembros, conforme já reconhecido pela própria Administração Tributária, "tais vantagens configuram meras reduções de custos ou despesas". . que o Egrégio Supremo Tribunal Federal, recentemente se manifestou, por meio do seu órgão Pleno, no sentido de que o crédito de ICMS acumulado pela pessoa jurídica em razão de imunidade constitucional, quando transferido onerosamente a terceiros, não poderia ser tributado pelo PIS e pela COFINS, eis que tais créditos não são classificáveis, ou seja, não se enquadram no conceito de receita. . que em situação onde a transferência onerosa do crédito acumulado de ICMS para terceiros gerou efetivo ingresso de caixa para a empresa, o Supremo Tribunal Federal considerou que se tratava de mera recuperação de despesa tributária anterior (imposto pago na aquisição), inexistindo nova receita tributável. . que o Superior Tribunal de Justiça possui entendimento pacífico pela impossibilidade de ser considerado receita tributável o crédito presumido de ICMS concedido pelos Estados membros. . que tanto a doutrina quanto a jurisprudência são unânimes ao reconhecer que os valores provenientes do crédito presumido do ICMS não ostentam natureza de receita ou faturamento. . que tais manifestações jurisprudências afastam a classificação dos créditos presumidos de ICMS como receita, inclusive quando estes créditos, em razão do tipo de tratamento tributário diferenciado, representam uma efetiva recuperação de custos. . que, mesmo que os créditos presumidos de ICMS aferidos pela Impugnante representassem uma recuperação de custos, o que não é verdade no caso presente, dado o fato de que o custo registrado contabilmente representa a carga efetiva do imposto estadual, ainda assim estes créditos não podem ser considerados como receita tributável. . que há uma diminuição do custo tributário, pela redução da carga efetiva do imposto, mas que, de modo algum, represente uma recuperação do custo embutido no preço de venda, tratandose apenas de técnica de apuração de ICMS que impacta diretamente na formação do preço. . que o regime especial concedido referese à técnica de apuração do ICMS relacionada à substituição de créditos efetivos (físicos) por créditos presumidos, conforme prescrevem os art. 21, inc. IX, e 23 do Anexo 2, do RICMSSC. . que é importante abrir um parêntese para chamar a atenção de que, de fato, é sabido que alguns Estados da Federação, inclusive Santa Catarina, outorgam benefícios fiscais na forma de créditos presumidos de ICMS que acabam por gerar diminuição de custos e despesas, aumentando indiretamente o lucro tributável. . que, contudo, a Impugnante comprova pelos documentos anexos, bem como pelo disposto nos arts. 21, inc. IX, e 23 do Anexo 2, do RICMSSC, vigente à época, que o benefício fiscal em questão não implica na geração de receita para a empresa. . que é irrefutável a conclusão de que a diminuição do custo tributário não corresponde a uma receita para a Impugnante, tampouco representa acréscimo Fl. 53553DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.554 10 patrimonial, mas tão somente consiste no meio que o Estado de Santa Catarina encontrou para incentivar sua atividade, tornandoa mais competitiva, na medida em que tem condições de praticar um preço menor em suas operações de venda de produção própria. . que não há, portanto, dúvida de que, face a natureza dos créditos presumidos de ICMS e a forma como a Impugnante os utiliza, tais créditos não acarretam aumento da receita ou do lucro, porque a carga efetiva do ICMS apurado é observada na formação do preço, gerando, apenas, a diminuição do preço final da mercadoria. . que o Tribunal Regional Federal da 4a Região, ao analisar benefício fiscal decorrente dos programas de incentivo à atividade têxtil concedidos pelo Estado de Santa Catarina a uma empresa têxtil, concluiu que o crédito presumido de ICMS em questão representa uma tentativa do Estadomembro de diminuir os custo de produção deste setor e, consequentemente, o preço final das atividades, realizando uma renúncia fiscal, direcionando os recursos às empresas dos setores favorecidos, não representando isso faturamento por parte das indústrias beneficiadas, já que o desconto é repassado para o preço final do produto, mantendose, dessa forma, a mesma margem de lucro por unidade vendida. . que não se pode deixar de destacar o fato de que o lançamento de ofício relativo ao anocalendário 2013, quando a Impugnante passou a realizar sua apuração pelo Lucro Real, ocorreu apenas em relação ao PIS e à COFINS, o que demonstra claramente que sempre foi considerada a carga efetiva do imposto na contabilidade, mediante a dedução do crédito presumido do ICMS. . que não há como prosperar a afirmação da Autoridade Fiscal de que a Impugnante omitiu receita tributável nos anoscalendário de 2011 a 2013, pois, como visto, os créditos presumidos de ICMS apontados pela Autoridade Fiscal como receita omitida não podem ser classificados como receita ou faturamento para fins de incidência tributária. . que a receita bruta é o produto da venda de bens ou da prestação de serviços, restando evidente que os créditos presumidos de ICMS não têm natureza de faturamento, não podendo, por isso, servir como base de cálculo para apuração do Lucro Presumido. . que é impossível de se sustentar, como pretendeu fazer a Autoridade Fiscal, que os créditos presumidos de ICMS poderiam ser classificados como "demais receitas'', vez que foi cabalmente demonstrado que tanto a doutrina quanto a jurisprudência expressamente rechaçam a qualificação destes créditos como espécie de receita. . que é importante destacar ainda que a Autoridade Fiscal foi imprecisa na qualificação jurídica destes créditos como receita, eis que em determinados momentos (parágrafo 41 do Relatório Fiscal) afirma que tais créditos são receitas operacionais, "pois integravam o resultado operacional". Porém, em outro momento (parágrafo 52 do Relatório Fiscal), afirma que estes créditos presumidos são "demais receitas". Esta falta de exatidão da Autoridade Fiscal, por si só, acarreta na nulidade do lançamento por falha de motivação quanto à "matéria tributável", cuja aferição é compulsória por força do disposto no art. 142 do CTN. Fl. 53554DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.555 11 . que mostrase inaplicável e impertinente qualquer alegação de que a contabilização dos créditos presumidos de ICMS aumentaria indiretamente o lucro tributável e, portanto, deveria compor a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, na medida em que tais argumentos não guardam nexo com o regime do Lucro Presumido adotado pela Impugnante no anocalendário 2011. . que, se os créditos presumidos de ICMS não são classificados como receita para fins de formação da base de apuração da receita bruta, obviamente também não podem ser considerados para fins de mensuração da "receita bruta total" (art. 13 da Lei 9.718/98) ou "receita total" (art. 14 da Lei 9.718/98) do respectivo ano calendário, haja vista que, para que os créditos presumidos de ICMS possam ser classificados em alguma das "espécies" de receita (bruta, outras receitas operacionais, não operacionais etc.), antes precisam ser receita, cuja possibilidade já restou rechaçada pela doutrina e jurisprudência pátria. . que, excluindose os valores dos créditos presumidos de ICMS do ano calendário 2011, verseá que a receita total é de apenas R$ 46.366.330,53, não havendo dúvida de que a opção realizada pela Impugnante no anocalendário 2012 pelo Lucro Presumido deve ser mantida, pois observados os pressupostos legitimadores desta opção, nos termos dos artigos 13 e 14 da Lei 9.718/98 vigentes à época. . que, por decorrência, quanto ao IRPJ e à CSLL lançados no anocalendário 2012 aplicamse as mesmas razões anteriormente apresentadas pela impossibilidade de tributação dos créditos presumidos de ICMS no regime do Lucro Presumido. . que, ainda em consequência, mostrase completamente indevida a incidência do PIS e da COFINS lançados no respectivo ano de 2012, pois, além de a Autoridade Fiscal ter expressamente consignado a não incidência destes tributos sobre tais rubricas em sede do regime de apuração pelo Lucro Presumido (parágrafos 84 a 87 do Relatório Fiscal), restou antes comprovado pela maciça jurisprudência já consolidada no E. STJ sobre a impossibilidade destes benefícios fiscais de ICMS serem considerados receita. . que não resta dúvida de que os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS referentes ao anocalendário 2012 devem ser cancelados, uma vez que indevida a desconsideração realizada pela Autoridade Fiscal da apuração e recolhimento dos tributos na sistemática do Lucro Presumido. . que o fato de o lançamento quanto ao anocalendário 2013 ter ocorrido apenas em relação ao PIS e a COFINS, somente vem a convalidar as razões de que o crédito presumido de ICMS não representou ingresso de qualquer valor para a Impugnante face a consideração do benefício fiscal na formação do preço. . que o lançamento de PIS e COFINS no ano 2013 também é ilegítimo, pois, os créditos presumidos de ICMS não constituem receita passível de tributação por estes tributos, consoante consolidada jurisprudência e doutrina. . que o próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF já manifestou entendimento que reconhece a não inclusão dos créditos presumidos de ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS nãocumulativos. Fl. 53555DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.556 12 . que não há dúvida de que o lançamento de PIS e COFINS sobre os créditos presumidos de ICMS lançados no anocalendário 2013 deve ser cancelado, eis que flagrantemente ilegítimo. . que a existência de erros materiais na apuração da base de cálculo dos tributos lançados, enseja a declaração de nulidade da autuação. . que o erro na formação do lançamento, sobretudo quando afeto diretamente à base de cálculo e ao cálculo do montante do tributo devido, implica em inobservância dos elementos de validade do lançamento previstos no art. 142 do CTN. . que a não observância dos elementos do lançamento tributário, nos termos do art. 142 do CTN, traduz erro de natureza substancial e enseja a nulidade do auto de infração. Cita acórdão do CARF. . que no lançamento da CSLL no anocalendário 2012, a Autoridade Fiscal, ao apurar a base de cálculo, deixou de considerar o prejuízo fiscal apurado no 2º trimestre para fins de compensação nos 3º e 4º trimestres do mesmo ano. . que a própria Planilha constante no Relatório Fiscal (item 78) comprova tanto a apuração do prejuízo fiscal no 2º trimestre de 2012, quanto a não compensação do mesmo nas competências seguintes. . que a Autoridade Fiscal, no que se refere ao anocalendário de 2012, não observou a base de cálculo prevista para o IRPJ Lucro Real, eis que sequer considerou o valor da CSLL, a qual deveria ter sua base de cálculo igualmente reduzida face a não consideração do prejuízo fiscal apurado no 2º trimestre de 2012. . que, ao ser utilizada a mesma base de cálculo para a CSLL 2012 e para o IRPJ 2012 (apurados pela Autoridade Fiscal no Lucro Real), o lançamento do IRPJ possui grave erro no critério quantitativo. . que, apesar de expressamente ter reconhecido a existência de débitos de IRPJ declarados em DCTF, cujos pagamentos ocorreram sob a sistemática de apuração do Lucro Presumido em 2012 e, ainda, de ter expressamente consignado que tais valores seriam compensados com os débitos objeto do lançamento ora combatido, a Autoridade Fiscal não realizou tais compensações. . que, importante destacar, os lançamentos de IRPJ referentes ao ano de 2011 foram devidamente compensados com os débitos de DCTF relacionados na Planilha constante no Relatório Fiscal (item 110), conforme indicado nos campos "detalhamento das deduções" e "descrições das deduções" do respectivo Auto de Infração. . que, no entanto, no tocante ao IRPJ 2012, não obstante tenha apurado débitos em DCTF, conforme Planilha constante no Relatório Fiscal (item 111), não há indicação de que tais débitos foram considerados no lançamento, eis que os campos de "deduções" do demonstrativo do Auto de Infração encontramse zerados. . que, ao apurar o montante de COFINS supostamente devida no anocalendário 2012 (então apurada pela Autoridade Fiscal na sistemática não cumulativa), Fl. 53556DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.557 13 deixou de considerar, em determinados meses, o saldo de créditos não cumulativos do mês anterior. . que tal fato ocorreu nas competências de junho, julho e agosto de 2012, conforme se pode aferir na tabela constante no Relatório Fiscal (item 102). . que, na competência de junho/2012, não foi apurado débito de COFINS, eis que as deduções de vendas canceladas foram maiores do que a receita bruta (conforme tabela constante no Relatório Fiscal – item 93). . que nesta competência foram apurados créditos nãocumulativos que deveriam ser compensados com os débitos de COFINS de julho/2012. . que no mês de julho/2012 a soma dos créditos não cumulativos e do valor pago em DCTF também compensável foi superior ao valor do débito de COFINS, o que gerou um saldo compensável para o mês de agosto/2012. . que, todavia, no mês de agosto/2012, a Autoridade Fiscal compensou o suposto débito de COFINS com o crédito não cumulativo apurado no mesmo mês e com o valor declarado em DCTF, indicando que haveria COFINS a constituir no valor de R$ 171.166,28. . que ignorou por completo o saldo decorrente do crédito não cumulativo dos meses de junho (não utilizado) e julho (parcialmente utilizado), fulminando este crédito da Impugnante. . que, não bastasse isso, constatase também que no mês de dezembro de 2012, a soma do crédito não cumulativo e do valor que declarado em DCTF foi superior ao suposto débito de COFINS, o que igualmente gerou um saldo de crédito compensável. . que, porém, este saldo de crédito compensável não foi observado em 2012 e tampouco em 2013, eis que na Planilha de apuração da COFINS 2013 (Relatório Fiscal – item 107) não há nenhuma indicação de que o referido saldo de dezembro de 2012 foi compensado em janeiro ou em outro mês de 2013. . que a multa aplicada no patamar de 75% é ilegítima, merecendo ser excluída, ou, quando menos, reduzida, já que a imposição de penalidade gravosa, como a que se apresenta no patamar de 75%, merece ser ponderada em situações especiais. . que, tendo em vista que a Impugnante não se utilizou de meios fraudulentos para tentar, hipoteticamente, reduzir tributo, já que os créditos presumidos de ICMS estavam devidamente lançados na sua escrita contábil e fiscal, inexistindo qualquer omissão, não haveria razão para ser mantida a multa de 75% ora aplicada. . que a multa de 75%, da forma como está sendo aplicada, não observa os mandamentos da Constituição Federal/1988, visto que é excessiva se considerada a suposta infração, gerando, portanto, o proibido efeito confiscatório. . que, ao menos, a multa deve ser reduzida ao patamar máximo de 20%, aplicada pelo Fisco em caso de atraso injustificado no pagamento de tributo. Fl. 53557DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.558 14 Em 04/08/2017 o interessado juntou petição (fls. 53.387/53.395) informando um sinistro do automóvel arrolado e solicitando a sua substituição. Analisando a impugnação apresentada o colegiado a quo julgoua parcialmente procedente, deduzindo os valores de IRPJ dos quatro trimestres confessados espontaneamente em DCTF e não deduzidos pela autoridade fiscal na lavratura do respectivo auto de infração. O contribuinte foi intimado da decisão em 17 de agosto de 2017 (fls. 53.438 53.434), apresentando recurso voluntário de fls. 53.44853.512 tempestivamente em 15 de setembro de 2017 (fl. 53.446), requerendo a declaração de nulidade da decisão de primeira instância por suposto cerceamento do direito de defesa por não ter enfrentado todas suas oito teses de defesa, e, no mérito, reafirmando, em resumo, os termos de sua impugnação. É o relatório. Fl. 53558DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.559 15 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE Em relação ao recurso voluntário, além de tempestivo, foram preenchidos os demais pressupostos para sua admissibilidade. Dele, portanto, conheço. 2 PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Aduz a Recorrente que a decisão recorrida seria nula em razão de não ter analisado todos os argumentos contidos em sua impugnação. Ocorre que a autoridade julgadora não é obrigada a manifestarse sobre todas as alegações da defesa, nem a todos os fundamentos nela indicados, ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. Sobre esse tema, o Superior Tribunal de Justiça STJ, no AgRg no AREsp 462.735/MG, julgado em 18/11/2014, DJe 04/12/2014 assentou a seguinte conclusão: De acordo com o entendimento jurisprudencial remansoso neste Superior Tribunal de Justiça, os julgadores não estão obrigados a responder todas as questões e teses deduzidas em juízo, sendo suficiente que exponham os fundamentos que embasam a decisão. E mesmo com a vigência do Novo Código de Processo Civil Lei nº 13.105/2015 , tal entendimento não se alterou, assim decidindo o STJ: O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, mesmo após a vigência do CPC/2015, não cabem embargos de declaração contra a decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. STJ. 1ª Seção. EDcl no MS 21.315DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 8/6/2016). Desse modo, a Recorrente não pode esperar, tampouco exigir, que sejam abordados nos votos condutores dos acórdãos, cada uma das alegações articuladas na defesa, e Fl. 53559DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.560 16 sim que as questões e matérias em litígio sejam devidamente apreciadas, cumprindose a determinação do art. 31 do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pela Lei 8.748 de 1993. Assim sendo, voto por rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. 3 MÉRITO Segundo a Recorrente, a despeito de qualquer discussão a respeito da natureza de determinados benefícios fiscais concedidos por Estados se enquadrarem como subvenção para investimento ou subvenção para custeio, no caso concreto, tratarseia de regime especial de apuração do ICMS, em que o contribuinte abriria mão de créditos de ICMS a que faria jus na aquisição de seus produtos para recolher, ICMS a alíquota efetiva fixa de 3% na saída de suas mercadorias, não havendo que se falar em omissão de receitas. Sem adentrar nos demais argumentos da Recorrente, entendo assistirlhe razão. Para fins de operacionalização desse benefício fiscal, o Decreto 2.870/01 – Regulamento do ICMS do Estado de Santa Catarina, previa em seu Anexo 2, Capítulo III, Seção, previu o seguinte procedimento: Art. 21. Fica facultado o aproveitamento de crédito presumido em substituição aos créditos efetivos do imposto, observado o disposto no art. 23: [...] IX – nas saídas de artigos têxteis, de vestuário, de artefatos de couro e seus acessórios, promovidas pelo estabelecimento industrial que os tenha produzido calculado sobre o valor do imposto devido pela operação própria, nos seguintes percentuais, observado o disposto nos §§ 10 a 14, 27 e 28 deste artigo (Lei nº 10.297/96, art. 43): a) 82,35% (oitenta e dois inteiros e trinta e cinco centésimos por cento), nas saídas tributadas à alíquota de 17% (dezessete por cento); b) 75% (setenta e cinco por cento), nas saídas tributadas à alíquota de 12% (doze por cento); c) 57,14% (cinqüenta e sete inteiros e quatorze centésimos por cento), nas saídas tributadas à alíquota de 7% (sete por cento). d) 25% (vinte e cinco por cento) nas saídas tributadas à alíquota de 4 % (quatro por cento). Ao aplicarmos, sobre os preços de venda, os percentuais de crédito presumido previstos em tal norma, em todas as hipóteses a alíquota efetiva de ICMS praticada pelo contribuinte passará a ser de 3%. Vejase: Fl. 53560DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.561 17 a) 82,35% de crédito, nas saídas tributadas à alíquota de 17%, equivale à 14% de crédito sobre o preço de venda, ou seja, alíquota efetiva de 3%; b) 75% de crédito, nas saídas tributadas à alíquota de 12%, equivale à 9% de crédito sobre o preço de venda, ou seja, alíquota efetiva de 3%; c) 57,14% de crédito, nas saídas tributadas à alíquota de 7%, equivale à 4% de crédito sobre o preço de venda, ou seja, alíquota efetiva de 3%; d) 25% de crédito, nas saídas tributadas à alíquota de 4 %, equivale à 1% de crédito sobre o preço de venda, ou seja, alíquota efetiva de 3%. Compulsando os autos, resta evidente que, embora conste nas notas fiscais que o ICMS cobrado nas operações se deu com base nas alíquotas habituais (no período, 17% de ICMS nas operações internas e 12% nas operações interestaduais), a precificação dos produtos não se deu com base nessas alíquotas, mas sim considerandose a alíquota efetiva de 3% com base no regime diferenciado previsto na legislação catarinanese para as indústrias têxteis. Vejase, exemplificativamente, a DANFE à fl. 53.353: Conforme se observa no item destacado, o produto “Vestido Rosa Babados 8 Rosa” foi vendido a um preço unitária de R$ 54,81, considerandose uma venda para Fl. 53561DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.562 18 pagamento em 3 parcelas vencíveis a 30, 60 e 90 dias, respectivamente, considerandose uma alíquota de 12% de ICMS (venda interestadual). A seguir, a Recorrente, já em sede de impugnação, apresentou seu demonstrativo de composição do custo. Em relação à mesma mercadoria (“Vestido Rosa Babados 8 Rosa”), a ficha de composição de custos encontrase às fls. 53.35453.355: Fl. 53562DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.563 19 Conforme se observa, o custo de produção dessa mercadoria foi de R$ 23,73428. Acrescese a isso todos os custos variáveis do produto, incluíndose aí os tributos cobrados sobre o preço de venda. Nesse sentido, é importante observar que foram incluídos os custos (em percentual sobre o preço de venda) de frete, IRPJ e CSLL (coeficientes de presunção de lucro multiplicados pelas alíquotas), PIS/Cofins (alíquotas do regime cumulativo), ICMS a alíquota de 3%, INSS, marketing e comissão sobre vendas, entre outros. A seguir, utilizandose de método de precificação denominado markup1, de acordo com o demonstrativo de fl. 53.355, chegase aos valores de vendas que deveriam ser praticados para o produto “Vestido Rosa Babados 8 Rosa”: Vêse que, conforme demonstrado pelo contribuinte, o seu preço de venda fora calculado baseandose em um ICMS efetivo de 3%, pois, caso a alíquota aplicável fosse de 17%, certamente seu preço de venda deveria ser superior. Com um custo de R$ 23,73428 por unidade, e um markup divisor de 47,07%, contemplandose aí ICMS de 3%, o preço de venda fixado para recebimento em 3 parcelas (90 dias) era de R$ 54,81, exatamente o valor praticado. Segundo os cálculos da Recorrente, caso se utilizasse a alíquota de ICMS de 17% o markup seria de 32,07%, o que demandaria o preço de venda de R$ 78,73 nas mesmas condições de venda (explicar mark up) 2. 1 Método desenvolvido e estudo em cadeiras de contabilidade gerencial e controladoria, que consiste em, a partir dos preços de produção de determinada mercadoria, e dos custos tributários e variáveis em função do preço de venda e da margem de lucro desejada, fixarse o preço de venda que deve ser praticado pela empresa. 2 Na realidade, esse cálculo realizado pela Recorrente encontrase equivocado, pois o contribuinte não levou em consideração os créditos de ICMS que faria jus se não fosse tributado com base em regime especial, ou seja, Fl. 53563DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.564 20 As tabelas elaboradas pela Recorrente em seu recurso voluntário bem demonstram o cálculo do ICMS devido em suas operações (fls. 53.46453465): deveria levar em consideração a alíquota efetiva de ICMS a partir da inclusão no cálculo dos créditos físicos de ICMS. Contudo, tal equívoco não possui qualquer influência no cálculo realizado com base na alíquota efetiva de 3%. Fl. 53564DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.565 21 Nesse contexto, ainda que tenham ocorridos alguns equívocos na forma de contabilização do crédito presumido de ICMS, o fato é que, segundo, aliás, não contesta a Autoridade Fiscal nem mesmo o v. Acórdão recorrido, no final, foi registrado o valor devido a título de ICMS, conforme declarações prestadas ao Estado de Santa Catarina, ou seja, contabilmente acabou sendo registrada a carga efetiva do imposto, considerada na formação do preço das mercadorias vendidas pela Recorrente Portanto, conforme se observa, o tratamento diferenciado dado pelo Estado de Santa Catarina às empresas têxteis acaba por refletir diretamente no preço final praticado por essas pessoas jurídicas quando de suas vendas, procedimento inclusive adotado pela Recorrente em sua escrituração contábil, tanto que, no lançamento de IRPJ e de CSLL relativo ao anocalendário de 2013, em que o contribuinte já havia apurado seus tributos com base no lucro real, sequer houve lançamento, pois o lucro calculado pela Recorrente foi considerado correto pela autoridade fiscal autuante. Ocorre que a decisão recorrida utiliza como fundamento para suas conclusões em sentido diverso ao ora externado baseandose na Solução de Consulta Cosit nº 188/2015. Contudo, equivocouse a turma julgadora a quo, pois tal solução de consulta trata de outro benefício fiscal previsto pelo estado catarinense, qual seja, um crédito presumido concedido de forma adicional aos créditos físicos. O benefício analisado em tal decisão está previsto no art. 15, § 35, VI, do Anexo 2, do Decreto n° 2.870/01 – RICMS/SC, vejase: Art. 15. Fica concedido crédito presumido: [...] XXXIX nas saídas de artigos têxteis, de vestuário, de artefatos de couro e seus acessórios, promovida pelo estabelecimento industrial que os tenha produzido, de forma a Fl. 53565DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.566 22 resultar em tributação efetiva equivalente a 3% (três por cento) do valor da operação. § 35. O benefício previsto no inciso XXXIX deverá ser utilizado alternativamente ao disposto no art. 21, IX, e depende da aceitação pelo contribuinte das seguintes regras e condições: I – o benefício é opcional, deverá ser solicitado no Sistema de Administração Tributária – S@T na página oficial da Secretaria de Estado da Fazenda na Internet e mantido por período não inferior a 12 (doze) meses. II – o estabelecimento industrial beneficiário deverá utilizar, no mínimo, 85% (oitenta e cinco por cento) de matériaprima produzida em território nacional e a parcela importada, se houver, deverá ser importada por meio de portos ou aeroportos situados no Estado e por estabelecimento inscrito no Cadastro de Contribuintes do ICMS do Estado de Santa Catarina (CCICMSSC); III – o imposto a recolher em cada período não pode ser inferior a 3% (três por cento) do valor das operações alcançadas pelo benefício; IV para obtenção do percentual mínimo de recolhimento previsto no inciso III, poderão ser utilizados os créditos efetivos do imposto correspondentes ao ciclo de produção das mercadorias abrangidas pelo benefício;[grifos nossos] V será considerado crédito presumido o valor necessário para obtenção do percentual mínimo de recolhimento previsto no inciso III, caso esse limite não seja atingido mediante aplicação do disposto no inciso IV; VI deverá ser estornado o excesso de crédito existente em determinado período, cuja utilização implique em percentual de recolhimento menor que o percentual previsto no inciso III, exceto, na forma da legislação aplicável, os créditos decorrentes de doação ao Fundo Social e ao SEITEC; VII – o descumprimento de quaisquer das condições previstas nos incisos II e XII deste parágrafo implica perda do benefício durante os 12 (doze) meses do exercício seguinte ao da ocorrência do fato. [...] Conforme já salientado, o benefício fiscal a que faz jus a Recorrente está previsto no art. 21, inc. IX, do Anexo 2, do Decreto n° 2.870/01 – RICMS/SC, pedindose vênia para novamente transcrever seus termos: Art. 21. Fica facultado o aproveitamento de crédito presumido em substituição aos créditos efetivos do imposto, observado o disposto no art. 23: Fl. 53566DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.567 23 [...] IX – nas saídas de artigos têxteis, de vestuário, de artefatos de couro e seus acessórios, promovidas pelo estabelecimento industrial que os tenha produzido calculado sobre o valor do imposto devido pela operação própria, nos seguintes percentuais, observado o disposto nos §§ 10 a 14, 27 e 28 deste artigo (Lei nº 10.297/96, art. 43): a) 82,35% (oitenta e dois inteiros e trinta e cinco centésimos por cento), nas saídas tributadas à alíquota de 17% (dezessete por cento); b) 75% (setenta e cinco por cento), nas saídas tributadas à alíquota de 12% (doze por cento); c) 57,14% (cinqüenta e sete inteiros e quatorze centésimos por cento), nas saídas tributadas à alíquota de 7% (sete por cento); d) 25% (vinte e cinco por cento) nas saídas tributadas à alíquota de 4 % (quatro por cento). Art. 23. Nas operações ou prestações em que o crédito presumido for utilizado em substituição aos créditos de imposto relativo à entrada de bens, mercadorias, serviços e quaisquer insumos incorridos na produção e comercialização de mercadorias ou na prestação de serviços, o contribuinte que optar pelo crédito presumido deverá permanecer nessa sistemática por período não inferior a 12 (doze) meses, observado o seguinte: [...] III os créditos do imposto, relativos à entrada de mercadoria adquirida para fins de comercialização ou industrialização, cuja saída for contemplada com o crédito presumido, deverão ser registrados no livro Registro de Entradas e estornados integralmente no livro Registro de Apuração do ICMS, no mesmo período de apuração, devendo ainda o montante do estorno ser lançado em campo próprio da Declaração de Informações do ICMS e Movimento Econômico – DIME. [grifos nossos] Portanto, conforme se observa, no caso da Recorrente, resta evidente o que o crédito presumido de ICMS poderá ser aproveitado em substituição aos créditos efetivos do imposto, situação absolutamente distinta ao benefício fiscal analisado pela Solução de Consulta Cosit n° 188/2015. Reforçase: no caso da Recorrente há uma técnica diferenciada de apuração de tributo (ICMS), procedimento opcional e adotado em substituição ao sistema habitual de tributação previsto na Lei Complementar 87 e nas legislações estaduais habituais do ICMS (aproveitamento do crédito físico do imposto). Portanto, tratandose de regime de apuração próprio, se os créditos efetivos de ICMS não se caracterizam como receita, os créditos presumidos utilizados pelo contribuinte, em substituição ao ICMS embutido em suas compras, também não o pode ser. Fl. 53567DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.568 24 É importante destacar que não foi realizado nenhum pagamento de créditos presumidos por parte do Estado de Santa Catarina, permitindose, isso sim, que o contribuinte tão somente pudesse recolher ICMS à alíquota efetiva de 3% em suas vendas. Aliás, como bem asseverou a Recorrente: 115. Ainda, não se pode deixar de destacar o fato de que o lançamento de ofício relativo ao anocalendário 2013, quando a Recorrente passou a realizar sua apuração pelo Lucro Real, ocorreu apenas em relação ao PIS e à COFINS, o que demonstra claramente que sempre foi considerada a carga efetiva do imposto na contabilidade, mediante a dedução do crédito presumido do ICMS. 116. Aliás, o próprio lançamento fiscal em relação a todo o período não deixa dúvidas quanto à assertiva, na medida em que exclui da “receita tributável” os valores correspondentes aos créditos físicos do ICMS, estornados pela Impugnante em sua contabilidade. 117. Nesse sentido, admitir a tributação nos moldes do lançamento fiscal, cujos termos foram mantidos pelo v. Acórdão recorrido, face às condições específicas do crédito presumido de ICMS aqui cotejado, é o mesmo que admitir válida a tributação da vantagem econômica obtida pelo contribuinte que optou por apurar os tributos federais pelo Lucro Presumido ao invés do Lucro Real. Conforme se observa, a Recorrente procedeu, inclusive, ao estorno dos créditos físicos de ICMS para utilização do regime especial diferenciado a que fez jus, tanto que, no período em que foi tributada originalmente com base no lucro real (anocalendário de 2013), sequer houve lançamento de ofício de IRPJ e de CSLL, pois a autoridade fiscal concluiu que não haveria crédito a ser exigido em razão do procedimento adotado, o que se demonstra que, se fosse adotado o mesmo critério fiscal para exame dos anoscalendário de 2011 e 2012 a conclusão deveria ser absolutamente a mesma, não havendo que se falar em qualquer irregularidade. E ainda que os tais créditos de ICMS pudessem ser considerados como valores passíveis de tributação (subvenção para custeio), de toda forma a exigência não se sustentaria em relação ao anocalendário de 2011 e 2012, pois há razão adicional para exonerarse o crédito tributário correspondente. Isso porque, embora a própria autoridade fiscal tenha concluído que as supostas subvenções para custeio se enquadrariam no conceito de outras receitas para fins de apuração do lucro presumido, contraditoriamente concluiu tratarse de receita bruta para fins de apuração dos tributos devidos, aplicandose os coeficientes de presunção de lucro para determinar as bases de cálculo de IRPJ e de CSLL3. 3 Embora a Recorrente questione a possibilidade, em tese, de se tributar eventuais subvenções correntes quando o contribuinte apura seus resultados com base no lucro presumido, discordo de tal entendimento, pois, embora não se possa enquadrar a subvenção de custeio como receita bruta, não há dúvidas de que se trata de outra receitas, tanto que, se o contribuinte for tributado com base no lucro real a subvenção para custeio é considerada receita operacional, nos termos do art. 392 do RIR/99. Vejase: Fl. 53568DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.569 25 Vejamse excertos do Termo de Verificação Fiscal (fls. 7879): 51. Nos anoscalendário 2011 e 2012, quando a Fiscalizada optou pelo regime de tributação do lucro presumido, tal contabilização imprópria resultou na falta de tributação dessas receitas, como determinam os artigos 25, inciso II, e 29, também inciso II, da lei 9.430/96, in verbis: Art. 25 O lucro presumido será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: I o valor resultante da aplicação dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 31 da Lei 8.981, de 20 de janeiro de 1995, auferida no período de apuração de que trata o art. 1º desta Lei; II – os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período. [grifos do original] ... Art. 29 A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado e pelas demais empresas dispensadas de escrituração contábil, corresponderá à soma dos valores: Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: I as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, inciso IV); [...] De igual forma, se estivéssemos tratando de subvenção para custeio, tais rendimentos deveriam ser computados para apuração do limite de receita total que possibilita um contribuinte optar pela apuração de seu resultado fiscal com base no lucro presumido, ou o obriga a ser tributado com base no lucro real. A Recorrente se apega ao fato de o caput do art. 13 da Lei n º 9.718, de 1998, estipular como limite de receita bruta total, à época dos fatos geradores, o total de R$ 48 milhões, argumentando que eventual subvenção para investimento não se enquadraria no conceito de receita bruta. Ocorre que o legislador utilizouse da expressa receita bruta total, que difere de receita bruta, tanto que, no art. 14 do mesmo diploma lega e que deve ser interpretado em conjunto com o artigo precedente, determinouse que seria hipótese de enquadramento obrigatório no lucro real o fato de o contribuinte ter auferido receita total acima de R$ 48 milhões no ano anterior, conforme transcrito a seguir: Art. 13. A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no anocalendário anterior, tenha sido igual ou inferior a R$ 48.000.000,00 (quarenta e oito milhões de reais), ou a R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais) multiplicado pelo número de meses de atividade do anocalendário anterior, quando inferior a 12 (doze) meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] Art. 14. Estão obrigadas à apuração do lucro real as pessoas jurídicas: I cuja receita total, no anocalendário anterior seja superior ao limite de R$ 48.000.000,00 (quarenta e oito milhões de reais), ou proporcional ao número de meses do período, quando inferior a 12 (doze) meses; (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Portanto, ambos os argumentos da Recorrente devem ser refutados, salientandose, contudo, ser tal conclusão irrelevante para o deslinde do caso concreto em razão de os valores questionados pelo Fisco não se caracterizarem nem como receita bruta, tampouco como outras receitas. Fl. 53569DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.570 26 I de que trata o art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II – os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período. [grifos do original] [...] 55. Logo, a receita bruta em 2011, que é a soma daquela constante da contabilidade somada àquela dos créditos presumidos do ICMS também em 2011, é a seguinte: 56. O lucro presumido em 2011 é, portanto, num primeiro momento, o resultado da aplicação do percentual de 8% à receita bruta ajustada (última coluna da planilha retro). 57. Mas para se chegar ao lucro presumido definitivo há que somar as receitas financeiras. Logo, o lucro presumido de 2011 que será levado ao Auto de Infração será aquele constante da última coluna da planilha abaixo: Certamente, ainda que a Recorrente realmente tivesse sido beneficiada com subvenções correntes, tais valores não se enquadrarim no conceito de receita bruta, uma vez que tais valores são estranhos às receitas auferidas com suas vendas, conforme estipulam os arts. 518, 519 e 224 do RIR/99: Fl. 53570DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.571 27 Lucro Presumido Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Art. 519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considera se receita bruta a definida no art. 2244 e seu parágrafo único. Portanto, incorreta também a formalização da exigência por parte do Fisco em relação ao anocalendário de 2011, o que, por si só, já é suficiente para exonerar também a exigência relativa ao anocalendário de 2012 com base no lucro real, uma vez que as receitas consideradas pelo Fisco como auferidas para superação do limite de receita total para opção pelo lucro presumido em 2012 não se confirmou com o erro na formalização da exigência relativa ao anocalendário de 2011, implicando a exoneração integral, também por essas razões, do crédito tributário de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins de 2012. Ante o exposto, no que diz respeito às exigências dreflexas de CSLL, PIS e Cofins, aplicamse as mesmas razões de decidir do lançamento matriz, em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas. No que atine ao PIS e à Cofins, existe ainda razão adicional e independente para não se manter a exigência. Ainda que se tratasse de subvenções para custeio, em que pese meu entendimento pessoal sobre o tema, entendo que se mereça respeitar a atual jurisprudência dominante no âmbito da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, até mesmo para se resguardar a competência original da 3ª Seção de Julgamentos em relação à análise dos processos envolvendo as contribuições para o PIS e para a Cofins, somente analisado no presente processo em razão de serem autos de infrações reflexos. Nesse cenário, adoto as razões de decidir do acórdão 9303004.560, julgado na sessão de 07 de dezembro de 2016, reproduzindo parcialmente o voto condutor do aresto5: Após discorrer sobre a admissibilidade do Recurso Especial, passo a analisar o cerne da lide trazida nesse recurso, qual seja, se os mencionados créditos presumido de ICMS (puramente escritural) devem ser considerados ou não como receita para fins de incidência de PIS e de Cofins. 4 Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único). 5 Esclarecese que o segundo argumento de tal acórdão para cancelar a exigência de PIS e Cofins não se amolda ao presente caso, pois, em tal paradigma, considerouse o benefício fiscal como sendo uma subvenção para investimento, ao contrário da conclusão a que chegou este colegiado. Fl. 53571DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.572 28 Vêse, assim, que a análise do caso vertente, considerando sua especificidade, devese dar observando os argumentos acolhidos pelo Colendo Supremo Tribunal Federal em recente julgado – Recurso Extraordinário 606.107 que tratou da incidência do PIS e COFINS sobre a transferência de saldos credores de ICMS. Eis que se enquadra perfeitamente ao presente caso. O que passo forçosamente a discorrer sobre aquele julgamento. O Plenário do Supremo Tribunal Federal julgou, na assentada de 22.5.2013, o RE 606.107, de relatoria da Ministra Rosa Weber, com repercussão geral reconhecida, definindo que os créditos de ICMS transferidos a terceiros por empresa exportadora não compõem a base de cálculo das contribuições para PIS e COFINS. É de se lembrar que o tema teve repercussão geral reconhecida, [...] Continuando, é de se recordar que ao julgar o mérito desse RE, o Tribunal negou provimento à pretensão da União e definiu não incidirem as contribuições de PIS e de COFINS sobre créditos de ICMS transferidos a terceiros por empresas exportadoras. Não obstante o julgamento tenha tratado de empresa exportadora, impossível ignorar os fundamentos adotados, pois evidente válidos para o caso em questão. Sendo assim, retornando, temse que o Supremo Tribunal Federal afastou à época a cobrança das contribuições, baseando seu entendimento no fato de que tais créditos de ICMS representariam incentivo à exportação – e que não seriam passíveis de tributação pelas contribuições, pois não se trata de riqueza se compreendendo, portanto, ao conceito de receita para fins de apuração desses tributos. Compulsando aos autos do processo, notase que o crédito presumido do ICMS, por seu puramente escritural, não se incorpora ao patrimônio do contribuinte – devendo ser afastado do conceito de receita. Insurgindo ao entendimento do Supremo Tribunal Federal no referido RE 606.107/RS de que o conceito constitucional de “receita bruta” pressupõe um “ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições” – o que, peço licença para transcrever o voto da Min. Rosa Weber, para melhor aclarar: “Receita pública é a entrada que, integrandose no patrimônio público sem quaisquer reservas, condições ou correspondências no passivo, vem acrescer seu vulto, como elemento novo e positivo.” Vêse esvaziada a discussão sobre qual seria a correta classificação contábil do referido crédito, haja vista que, independentemente da classificação contábil adotada, a Suprema Corte definiu o conceito constitucional de “receita bruta”, entendendo imprescindível a verificação, no caso concreto, se o ingresso patrimonial se submete ou não a alguma espécie de condição, reserva ou contraprestação pela pessoa que o recebe – e se configura como elemento novo positivo. Para melhor elucidar tal entendimento, impõese a transcrição de trecho da ementa do referido julgado, in verbis: Fl. 53572DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.573 29 “(...) V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. (...)” (grifouse)” Na mesma seara, ALIOMAR BALEEIRO no livro “Uma introdução é Ciência das Finanças” havia tratado tal conceito da mesma forma que o julgado no STF ao manifestar: "Receita pública é a entrada que, integrandose no patrimônio público sem quaisquer reservas, condições ou correspondência no passivo, MI, acrescer o seu vulto, como elemento novo e positivo.” Frisese também o entendimento de Aires Barreto em seu artigo “A nova Cofins: primeiros apontamentos” contemplado na saudosa Revista Dialética de Direito Tributário: "receita é [...] a entrada que, sem quaisquer reservas, condições ou correspondência no passivo, se integra ao patrimônio da empresa, acrescendoo, incrementandoo,". Cabe trazer que, em consonância com esse entendimento, além do referido precedente do STF – firmado sob a sistemática do artigo 543B do CPC, a jurisprudência pacífica de ambas as Turmas de Direito Público do Superior Tribunal de Justiça, como inclusive ressaltado pelos Ministros Teori Albino Zavascki e Luiz Fux ao proferirem seus votos (Grifos meus): “CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". LC Nº 118/2005. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. I "Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3º da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita – do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. A norma do art. 3º da LC 118/05, que estabelece como termo inicial do prazo prescricional, nesses casos, a data do pagamento indevido, não tem eficácia retroativa. É que a Corte Especial, ao apreciar Incidente de Inconstitucionalidade no Eresp 644.736/PE, sessão de 06/06/2007, declarou inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Fl. 53573DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.574 30 Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte, da referida Lei Complementar. (REsp nº 890.656/SP, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 20/08/07). II O Estado do Rio Grande do Sul concedeu benefício fiscal às empresas gaúchas, por meio do Decreto Estadual nº 37.699/97, para que pudessem adquirir aço das empresas produtoras em outros estados, aproveitando o ICMS devido em outras operações realizadas por elas, limitado ao valor do respectivo frete, em atendimento ao princípio da isonomia. III Verificase que, independentemente da classificação contábil que é dada, os referidos créditos escriturais não se caracterizam como receita, porquanto inexiste incorporação ao patrimônio das empresas industriais, não havendo repasse dos valores aos produtos e ao consumidor final, pois se trata de mero ressarcimento de custos que elas realizam com o transporte para a aquisição de matériaprima em outro estado federado. IV Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditospresumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. V Recurso especial improvido.” (Grifouse) (RESP nº 1.025.833 / RS, 1ª Turma do STJ, Rel. Min. Francisco Falcão, Publicado no DJe do dia 17.11.2008)” Consoante esse entendimento, disse o Ministro Luiz Galloti no julgamento do RE 71.758: “Se a lei pudesse chamar de compra e venda o que não é compra, de exportação o que não é exportação, de renda o que não é renda, ruiria todo o sistema tributário inscrito na Constituição”. Sendo assim, temse claro que a discussão, de per si, gira em torno da abrangência dos conceitos de receita e faturamento para fins de base de cálculo do PIS e da COFINS. Para melhor compreensão e por não considerar tal benefício como receita, podese ainda aproveitar para decompor a norma tributária que trata da incidência do PIS e da Cofins, invocando a Regra Matriz de Incidência Tributária: 1. 1ª Regra Matriz – relação obrigacional Autoridade Fazendária/Contribuinte: 1.1. Hipótese: Critério Material: auferir receita. Critério Espacial: perímetro nacional; Critério temporal: mensal 1.2. Consequente: Critério Pessoal: (i) sujeito ativo – via “autoridade fazendária”; (ii) sujeito passivo – quem aufere receita bruta. Critério Quantitativo: alíquota de 3,65% sobre a receita bruta 2. 2ª Regra Matriz – dever de lançamento pela Administração: Hipótese: Fl. 53574DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.575 31 Critério Material: ser autoridade fazendária Critério Espacial: perímetro nacional; Critério Temporal: até o último dia útil da primeira quinzena subsequente ao de ocorrência dos correspondentes fatos geradores. Consequente: Critério Pessoal: Estado – autoridade fazendária Critério Prestacional: realizar o lançamento 3. 3ª Regra matriz: sancionadora do não pagamento Hipótese: Critério material: não pagar a importância devida; Critério Espacial: perímetro nacional Critério temporal: até o último dia útil da primeira quinzena subsequente ao de ocorrência dos correspondentes fatos geradores Consequente: Critério pessoal: autoridade fazendária e pessoa jurídica que aufere receita bruta Critério Prestacional: pagar com multa e juros de mora. Depreendendose da análise da regra matriz de incidência, é possível identificar que o critério material constante da 1ª Regra Matriz de Incidência Tributária somente se satisfaz para quem efetivamente aufere receita. O que, na hipótese dos autos não se deve chegar ao questionamento de que a lei não previu sua exclusão e que, portanto, deverseia tributar o referido crédito presumido do ICMS pelo PIS e Cofins pois de receita auferida não se trata. Tais créditos presumidos devem ser tratados como mero benefício fiscal concedidos pelos EstadosMembros como meio de estabelecer equilíbrio de mercado. Indiscutível que seu efeito econômico não caracteriza nova riqueza. Sendo assim, o crédito presumido do ICMS não ostenta natureza de receita ou faturamento, não integrando, portanto, a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Dessa forma, é de se esclarecer que pela essência econômica, a correta classificação contábil dos r. créditos presumido de ICMS deveria considerar seu registro em contas patrimoniais. E, em respeito a Regra Matriz de incidência das contribuição ao PIS e Cofins, bem como a análise da essência do crédito de ICMS, não há que se falar em tributação, pois forçoso se tributar tais direitos pelas r. contribuições. Frisese também a jurisprudência deste Conselho, conforme julgado pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara dessa 3ª Seção, que analisou situação idêntica, Fl. 53575DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.576 32 inclusive envolvendo a mesma empresa, cuja ementa restou redigida (Grifos meus): “[...] PIS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS DO ICMS. BASE DE CÁLCULO. Não incide PIS sobre os valores de créditos de ICMS, obtidos em razão de subvenção estadual, uma vez sua natureza jurídica não se revestir de receita. Recurso Voluntário Provido” (grifouse) (Acórdão nº 3403000.799, P.A. 10283.000091/200521, Rel. Cons. Winderley Morais Pereira, julgado em 03.02.2011)” E o posicionamento exarado pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 3ª Seção no acórdão abaixo transcrito: “(...) “NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCENTIVO FISCAL ESTADUAL. REDUÇÃO NA APURAÇÃO DO ICMS DEVIDO. NÃO INCLUSÃO. Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins e do PIS, o valor do incentivo fiscal concedido pelo Estado sob a forma de crédito escritural, para redução na apuração do ICMS devido. Recurso Voluntário Provido em Parte.” (Grifouse) (Acórdão nº 3401001.976, P.A. 11618.000542/200563, Redator para acórdão Conselheiro Emmanuel Carlos Dantas de Assis, julgado em 26.09.2012)” Em vista de todo o exposto, reconheço que os créditos incentivados de ICMS concedidos não constituem “receita” para fins de incidência das contribuições destinadas ao PIS e da COFINS, na linha do entendimento do Supremo Tribunal Federal ao julgar o RE 606.107 / RS – pois o crédito de ICMS não se constitui entrada de recursos passível de registro em contas de resultado, não podendo ser assim considerado e, por conseguinte, não compõe a base de cálculo do PIS nãocumulativo. [...] A fim de se evitar qualquer questionamento quanto a possível contradição, reforçase que, para fins de IRPJ, se estivéssemos tratando de subvenção para custeio, o que se admite somente para fins de argumentação, há legislação específica que inclui a subvenção para custeio como receita operacional, conforme já discorrido alhures. Fl. 53576DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.577 33 4 CONCLUSÃO Isso posto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 53577DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18050.001766/2008-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999
CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. EMPREITADA TOTAL.
O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato. (Art. 30, VI da Lei 8.212, de 1991.).
LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-005.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wesley Rocha, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior.
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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SOLIDARIEDADE. EMPREITADA TOTAL. O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato. (Art. 30, VI da Lei 8.212, de 1991.). LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wesley Rocha, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 17 66 /2 00 8- 47 Fl. 309DF CARF MF Processo nº 18050.001766/200847 Acórdão n.º 2301005.464 S2C3T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na Sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2301005.456 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10580.013931/200722, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2301005.456 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada. Consoante o Relatório Fiscal e Relatório Fiscal Substitutivo, a recorrente Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia — Coelba, é tomadora de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, referente aos serviços de construção e manutenção programada em redes aéreas de distribuição de energia elétrica, na competência 02/1999, realizadas junto à empresa Construtora ou Incorporadora, ambas incluídas no polo passivo do lançamento fiscal para responderem solidariamente pelo crédito tributário relativo a contribuições devidas à Seguridade Social, tendo sido o crédito apurado por correspondentes à parte dos segurados empregados, da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, tomando como base os valores constantes em notas fiscais de prestação de serviço, referentes à mãodeobra contratada de pessoa jurídica, no período de apuração 02/99. É fundamento do lançamento o art. 33, §3º, da Lei 8.212, de 1991, o art. 52 do Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social (ROCSS), aprovado pelo Decreto 2.173, de 1997, e o art. 74 da Instrução Normativa INSS/DC n° 70, de 2002 (40% do valor dos serviços constantes das notas fiscais), uma vez que a recorrente não apresentou as guias de recolhimento prévio solicitadas. Os serviços de construção civil em subestação, executados pela empreiteira (ampliação/construção), fazem parte do Anexo III, 45.322 da IN 69, de 2002 e as notas fiscais, data de emissão, valor total e tipo de serviço foram relacionados na tabela anexa ao Relatório de Fatos Geradores. A DRJ julgou o lançamento procedente (e improcedente a impugnação da responsável solidária, Coelba atual recorrente) e da contribuinte, em acórdão que recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999 SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. EMPREITADA TOTAL Fl. 310DF CARF MF Processo nº 18050.001766/200847 Acórdão n.º 2301005.464 S2C3T1 Fl. 4 3 O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato (Art. 30, VI da Lei 8.212/91). A partir da competência 02/99 a solidariedade na construção civil somente é admitida quando há empreitada total. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA A solidariedade do contratante de serviços de construção civil, somente é elidida se for comprovado o recolhimento das contribuições previdenciárias pela empresa contratada, devendo ser apresentadas guias de recolhimento e folhas de pagamento específicas, ou seja, vinculadas às notas fiscais de serviço respectivas. BENEFÍCIO DE ORDEM. NÃO CABIMENTO. A solidariedade aqui prevista não comporta benefício de ordem, sendo desnecessária a fiscalização prévia da empresa contratada. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para revisão do procedimento fiscal quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. Lançamento Procedente". Após a decisão proferida, tanto a responsável quanto a tomadora dos serviços foram devidamente cientificadas. Cabe mencionar que a DRJ de origem não recebeu a impugnação da contribuinte, uma vez que a impugnação foi apresentada fora do prazo legal, sendo considerada intempestiva. A Coelba, apresentou Recurso Voluntário, no qual, em síntese, é alegado: (a) a inexistência do suposto saldo devedor objeto do lançamento fiscal impugnado; (b) a não configuração dos pressupostos para apuração do montante supostamente devido mediante aferição indireta (arbitramento); (c) a elisão da responsabilidade solidária da tomadora do serviço; e (d) a cobrança em duplicidade. Os pedidos consistem em: (i) anular/reformar o acórdão recorrido, com a devolução do processo à DRJ, para a adequada análise da farta documentação comprobatória da quitação anexada aos autos pela Recorrente; alternativamente, reformar o acórdão recorrido, a fim de julgar totalmente improcedente a notificação fiscal ora impugnada; Fl. 311DF CARF MF Processo nº 18050.001766/200847 Acórdão n.º 2301005.464 S2C3T1 Fl. 5 4 (ii) declarar a ausência de responsabilidade solidária da Recorrente pelos supostos débitos objeto da notificação fiscal ora impugnada; (iii) ultrapassados os pleitos acima, afastar a metodologia de aferição indireta (arbitramento) indevidamente utilizada para calcular o montante supostamente devido, assim como afastar a duplicidade (bitributação) da cobrança, que está sendo feita simultânea e cumulativamente em relação à Recorrente e à a empresa construtora. A responsável, empresa construtora, não apresentou recurso voluntário. Diante dos fatos narrados, é o relatório.” Voto Conselheiro João Bellini Júnior – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2301005.456 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de julho de 2018, proferido no julgamento do Recurso Voluntário objeto do processo n° 10580.013931/200722, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Wesley Rocha, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2301005.456 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de julho de 2018: Acórdão nº 2301005.456 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Conselheiro Wesley Rocha – Relator O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. DO SALDO DEVEDOR OBJETO DO LANÇAMENTO FISCAL A recorrente alega a inexistência de saldo devedor objeto do lançamento, uma vez que há suficiência probatória dos documentos acostados aos autos, havendo necessidade de observância do princípio da verdade material; diz que a notificação fiscal foi lavrada pelo fato de, no momento da realização da fiscalização em seu estabelecimento, não terem sido apresentados os comprovantes de recolhimento das contribuições previdenciárias referentes ao contrato de prestações serviços firmado entre ela (tomadora) e a empresa construtora (prestadora). Diante disso, o valor lhe foi imputado, como responsável solidária, tendo sido apurado pela sistemática da aferição indireta. Alega também que não existe o suposto débito e a Fazenda Pública tem o poder de Fl. 312DF CARF MF Processo nº 18050.001766/200847 Acórdão n.º 2301005.464 S2C3T1 Fl. 6 5 constituir unilateralmente presunções em seu favor, as quais podem ser desconstituídas mediante prova em contrário. Apresentou toda a documentação hábil, idônea e suficiente à comprovação da quitação dos supostos débitos; de modo que nada se encontra pendente a esse título; tais documentos devem ser pormenorizadamente analisados, a fim de desvendar a realidade dos fatos, em obediência ao princípio da verdade material; ao contrário do que afirmou o acórdão recorrido, as guias de recolhimento anexadas são prova suficiente para desconstituição do débito, assim como as cópias das folhas de pagamento correspondentes. Entretanto, conforme se verifica dos autos, não assiste razão a recorrente. No caso de construção civil, vige a solidariedade tributária do proprietário, incorporador, dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, com o construtor e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, conforme previsão do art. 30, VI, da Lei 8.212, de 1991: Art. 30 (...) (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Tal previsão é regulamentada pelo art. 43 do ROCSS e esmiuçada pela Ordem de Serviço DAF 165, de 1997, item 17: ROCSS Art. 43. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono de obra ou o condôminio de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor nas obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante de obra, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações. § 1º A responsabilidade solidária somente será elidida se for comprovado pelo executor da obra o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, quando não comprovadas contabilmente. § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, o executor da obra deverá elaborar folhas de pagamento e guias de recolhimento Fl. 313DF CARF MF Processo nº 18050.001766/200847 Acórdão n.º 2301005.464 S2C3T1 Fl. 7 6 distintas para cada empresa contratante, devendo esta exigir do executor da obra, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. § 3º Considerase construtor, para os efeitos deste Regulamento, a pessoa física ou jurídica que executa obra sob sua responsabilidade, no todo ou em parte. (Grifouse.) Ordem de Serviço DAF 165, de 1997 17 – O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964 , o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Tal responsabilidade é elidida, de acordo com o item 20 do mesmo texto legislativo desde se comprove ter a contratada efetuado o recolhimento prévio das contribuições sociais relativas à nota fiscal ou fatura: 20 O proprietário, o incorporador, o dono da obra, o condômino de unidade imobiliária e a empresa construtora que contratarem obra de construção civil elidirseão da responsabilidade solidária, desde que comprovem ter a contratada efetuado o recolhimento prévio das contribuições sociais relativas à nota fiscal ou fatura, devendo o salário de contribuição corresponder aos percentuais previstos no Título V, observado o item 27. 20.1 Para comprovação do recolhimento prévio, a contratada anexará à nota fiscal de serviço cópia da GRPS quitada, preenchida segundo o disposto no item 16, alínea b, além da cópia da folha de pagamento. (Redação dada ao subitem pela Ordem de Serviço DAF nº 185, de 31.03.1998, DOU 15.04.1998) (Grifouse.) (...) 16 O recolhimento das contribuições será individualizado por obra, mediante matrículas distintas, observado, quanto ao preenchimento da Guia de Recolhimento da Previdência Social GRPS, o seguinte: (...) b) EMPREITEIRA, no caso de empreitada parcial, e SUBEMPREITEIRA (GRPS específica para cada obra): campo 01 apor o carimbo padronizado do CGC ou sua transcrição. campo 02 registrar o nome da empreiteira/subempreiteira; campos 03 a 07 apor o endereço da obra; campo 08 registrar a matrícula CEI da obra e o nome do proprietário ou dono da obra. Em se tratando de recolhimento Fl. 314DF CARF MF Processo nº 18050.001766/200847 Acórdão n.º 2301005.464 S2C3T1 Fl. 8 7 prévio, registrar também o número, a data e o valor da nota fiscal de serviço à qual as contribuições deverão ser vinculadas; campo 09 registrar o nº 1; campo 10 registrar o nº do CGC da empreiteira/subempreiteira. campo 11 registrar o código FPAS. Os percentuais retroreferidos encontramse definidos no item 5, quais sejam: V APURAÇÃO DE SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO CONTIDO EM NOTA FISCAL DE SERVIÇO 31 É fixado em 40% (quarenta por cento) o percentual mínimo de saláriodecontribuição contido em nota fiscal de serviço/fatura. 31.1 Em se tratando de nota fiscal de serviço que contenha mão deobra e material, o saláriodecontribuição corresponderá no mínimo a 40% (quarenta por cento) do valor da mãodeobra discriminado na fatura, devendo a empresa de construção civil, quando da fiscalização, comprovar a exatidão dos valores discriminados. 31.1.1 Na hipótese de não ser efetuada a discriminação dos valores, 50% (cinqüenta por cento) serão considerados como material e 50% (cinqüenta por cento) como mãodeobra, totalizando o saláriodecontribuição, por conseguinte, 20% (vinte por cento) do valor da nota fiscal de serviço. 31.2 Tratandose de serviços com utilização de equipamentos mecânicos, o saláriodecontribuição corresponderá à aplicação dos seguintes percentuais sobre o valor da nota fiscal/fatura: 31.2.1 Nos demais serviços com utilização de equipamentos mecânicos, o saláriodecontribuição corresponderá a aplicação do percentual de 12% (doze por cento) sobre o valor da nota fiscal/fatura. 31.2.1.1 Estes percentuais refletem os custos da mãodeobra direta, em comparação com os custos totais da obra, devendo, por conseguinte, serem aplicados sobre o valor total da nota fiscal de serviço/fatura, sem a exclusão dos valores referentes a material e a utilização de equipamentos mecânicos. Pavimentação 3% (três por cento) Terraplenagem 5% (cinco por cento) Concreto Preparado 5% (cinco por cento) Obras Complementares (ajardinamento, recreação etc) 7% (sete por cento) Obras de Arte (pontes e viadutos) 15% (quinze por cento) Drenagem 17% (dezessete por cento) Fl. 315DF CARF MF Processo nº 18050.001766/200847 Acórdão n.º 2301005.464 S2C3T1 Fl. 9 8 Diante do exposto, é necessário verificar o contrato de empreitada que originou as contribuições exigidas no presente processo, bem como das notas fiscais de prestação de serviços juntadas ao feito. Nesse sentido, foram juntados na impugnação os seguintes documentos, relacionados à prestadora de serviços realizada: (a) Guia de Recolhimento da Previdência Social (GRPS), competência 02/99. (b) Guia de Recolhimento do FGTS (Gre) do período 02/99; e (c) folhas de pagamento do período 02/99. Pois bem, como assentou a decisão recorrida, nenhum dos documentos referidos se relaciona às notas fiscais concernentes ao contrato de prestação de serviços. Na GRPS não consta os dados referentes à obra, conforme determinado pelo item 16, “b”, da Ordem de Serviço DAF 165 de 1997, e, tampouco, os valores recolhidos por meio da GRPS é compatível com o valor dos tributos devidos, cuja base de cálculo é diversa da apontada pela recorrente, considerando que foi aplicado o percentual de 40% sobre o valor das “notas fiscais, por competência, uma vez que a empresa contratante fornece todo o material utilizado. Entrelaçando a responsabilidade pela empreitada global, em mesmo sentido apontam as normas inscritas no art. 42 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 612/92, vigente à data de ocorrência dos fatos geradores. Decreto nº 612, de 21 de julho de 1992. Art. 46. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor destes serviços pelas obrigações decorrentes deste regulamento, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto às contribuições incidentes sobre faturamento e lucro, conforme o disposto no art. 28. Ainda, A CRPS editou o Enunciado n° 30 (Resolução n° 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007), abaixo transcrito: "Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. Como já visto, os recolhimentos juntados aos autos não são condizentes com s fatos geradores do Lançamento, bem como nem as formalidades e os valores devidos em decorrência do contrato de empreitada em questão, motivos adequados e suficientes a atrair tanto o dever de lançar por parte do fisco (art. 142, parágrafo único, do CTN), quanto a responsabilidade solidária da recorrente, prevista pelo art. 31 da Lei 8.212, de 1991 e legislação correlata (já transcrito). Fl. 316DF CARF MF Processo nº 18050.001766/200847 Acórdão n.º 2301005.464 S2C3T1 Fl. 10 9 Desse modo, deve ser mantida a responsabilidade solidária, com a inclusão de capítulo específico abaixo, bem como o valor do crédito tributário constituído pelo lançamento. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA É alegado que a imputação de responsabilidade solidária pelo pagamento de determinado tributo exige a previsão expressa em lei, assim como a estrita observância dos moldes e requisitos ali discriminados para a ocorrência de tal imputação ou seu afastamento; no caso específico das contribuições previdenciárias, aduz a recorrente que deve ser inteiramente afastada eventual responsabilidade solidária da tomadora de serviço quando for comprovado o recolhimento por parte da prestadora, de acordo com o art. 30, §3° da Lei 8.212, de 1991, o art. 43, §§1° e 2º do Decreto 2.173, de 1997 (ROCSS) e o art. 16 da Ordem de Serviço INSS n° 83; inferese de tais normas que a imputação de responsabilidade solidária à tomadora do serviço tem como pressuposto indispensável a ausência de recolhimento por parte da prestadora; na hipótese em questão, encontramse devidamente comprovados os efetivos recolhimentos das contribuições previdenciárias por parte da empresa prestadora do serviço; logo, uma vez comprovados tais recolhimentos por parte da prestadora do serviço, não se pode falar em qualquer responsabilidade solidária por parte da empresa tomadora, devendo ser inteiramente reformado o acórdão recorrido; o acórdão recorrido, ao centrar esforços apenas na ocorrência de suposta responsabilidade solidária, sem ao menos verificar pormenorizadamente os documentos por si acostados, inverteu a lógica para imputação de tal responsabilidade, porque a atribuição de responsabilidade solidária tem como pressuposto necessário o não pagamento por parte do prestador, o que não foi analisado adequadamente pelo acórdão; a simples leitura e observação atenta dos autos deixa clara a idoneidade e suficiência dos documentos juntados por si para comprovar a plena quitação dos supostos débitos em comento; deve ser afastada, portanto, qualquer responsabilidade solidária por parte da tomadora do serviço. Como se constata dos recolhimentos juntados aos autos, bem como do capítulo abaixo, os documentos ofertados à fiscalização não são condizentes com o período de apuração, bem como não correspondem com as formalidades nem com os valores devidos em decorrência do contrato de empreitada em questão, motivos adequados e suficientes a atrair tanto o dever de lançar por parte do fisco (art. 142, parágrafo único, do CTN), quanto a responsabilidade solidária da recorrente, prevista pelo art. 30, VI, da Lei 8.212, de 1991 e item 17 da Ordem de Serviço DAF 165, de 1997 (já transcrito). DOS PRESSUPOSTOS PARA APURAÇÃO DO MONTANTE DEVIDO MEDIANTE AFERIÇÃO INDIRETA Assevera a recorrente que: os documentos por ela juntados aos autos são hábeis, idôneos e suficientes à comprovação do pagamento dos supostos débitos que estão sendo lhe sendo imputados, afastando a presunção gerada pelo método da aferição indireta; a aferição indireta do montante supostamente devido é um expediente cuja utilização pela Fazenda Pública possui caráter excepcional, só podendo ser utilizada Fl. 317DF CARF MF Processo nº 18050.001766/200847 Acórdão n.º 2301005.464 S2C3T1 Fl. 11 10 na ocorrência das hipóteses e requisitos estritamente definidos pelo art. 33, §§ 3ºa 6º da Lei 8.212, de 1991, que não ocorrem no caso, quais sejam: a) a recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação; ou b) a verificação de indícios de inidoneidade da documentação fiscal e contábil, que aponte para o registro de informações destoantes da realidade dos fatos; não houve qualquer recusa ou sonegação de documentos por sua parte, nem qualquer indicio de inidoneidade da sua estrita fiscal e contábil. Não há qualquer mácula no lançamento, quanto a essa questão. Por primeiro, ressalto que os documentos juntados aos autos pela recorrente não são hábeis, idôneos ou suficientes à comprovação do pagamento dos créditos tributários exigidos. Por sua vez, a Lei 8.212, de 1991, art. 33, §§ 3° e 6º é explícita ao atribuir à fiscalização o poder de (a) lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário, no caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente; (b) apurar e lançar as contribuições devidas quando constatar que a contabilidade não registra a realidade da remuneração dos segurados a seu serviço e (c) desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado, quando constate que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições que caracterizem tal condição: Lei 8.212, de 1991 Art. 33 (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (Redação dada pela Medida Provisória n° 449, de 2008) (no mesmo sentido, o art. 233 do RPS) (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (Grifouse.) No caso em apreço, é evidente a apresentação deficiente da documentação, uma vez que, como visto, não foram apresentadas as guias de recolhimento da Previdência Social referentes à obra em questão. DA COBRANÇA EM DUPLICIDADE Fl. 318DF CARF MF Processo nº 18050.001766/200847 Acórdão n.º 2301005.464 S2C3T1 Fl. 12 11 É alegado que, ao cobrar os débitos em questão simultaneamente da Recorrente e da contatado de modo cumulativo, a Fazenda Pública está efetuando nítida cobrança em duplicidade, bitributação, o que é absolutamente vedado pelo ordenamento jurídico pátrio, principalmente em virtude da proibição do enriquecimento sem causa da Fazenda Pública, adstrita à moralidade administrativa; na verdade, tratase de uma cobrança tripla, pois a cobrança dúplice está sendo feita sobre um débito que já foi devidamente pago pela empresa prestadora na época da ocorrência do fato gerador. Não lhe assiste razão. Como visto, as guias de recolhimentos juntadas aos autos não se relacionam com o crédito tributário ora lançado, e não se comprovou nenhum bis in idem; Ademais, não se está cobrando um montante do crédito tributário da recorrente (responsável solidária) e outro montante de igual valor da empreiteira (contribuinte): é o mesmo crédito tributário que está sendo exigido, apenas uma vez, da contribuinte e da responsável solidária; não há falar, portanto, em duplicidade de tributação. CONCLUSÃO Voto, portanto, por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito NEGAR PROVIMENTO. (assinatura digital) Wesley Rocha Relator” Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Relator Fl. 319DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.002365/2005-53
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2001
MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA DA PESSOA JURÍDICA - DSPJ - INATIVA.
A pessoa jurídica, cujos atos constitutivos foram arquivados no órgão de registro competente, está obrigada à apresentação da declaração de inatividade, por cujo atraso na entrega se sujeita à multa prevista na legislação de regência.
ÔNUS DA PROVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS FATOS IMPEDITIVOS.
No Processo Administrativo Fiscal, em sede de litígio, é dever do contribuinte demonstrar, com documentos hábeis e idôneos, o fato impeditivo, modificativo ou extintivo da pretensão da administração tributária
Numero da decisão: 1001-000.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2001 MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA DA PESSOA JURÍDICA - DSPJ - INATIVA. A pessoa jurídica, cujos atos constitutivos foram arquivados no órgão de registro competente, está obrigada à apresentação da declaração de inatividade, por cujo atraso na entrega se sujeita à multa prevista na legislação de regência. ÔNUS DA PROVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS FATOS IMPEDITIVOS. No Processo Administrativo Fiscal, em sede de litígio, é dever do contribuinte demonstrar, com documentos hábeis e idôneos, o fato impeditivo, modificativo ou extintivo da pretensão da administração tributária
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Recorrente BORIN BATISTA E RIBEIRO ADVOGADOS ASSOCIADOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2001 MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA DA PESSOA JURÍDICA DSPJ INATIVA. A pessoa jurídica, cujos atos constitutivos foram arquivados no órgão de registro competente, está obrigada à apresentação da declaração de inatividade, por cujo atraso na entrega se sujeita à multa prevista na legislação de regência. ÔNUS DA PROVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS FATOS IMPEDITIVOS. No Processo Administrativo Fiscal, em sede de litígio, é dever do contribuinte demonstrar, com documentos hábeis e idôneos, o fato impeditivo, modificativo ou extintivo da pretensão da administração tributária Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 23 65 /2 00 5- 53 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10840.002365/200553 Acórdão n.º 1001000.910 S1C0T1 Fl. 100 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), mediante o Acórdão nº 1419.052, de 13/03/2008 (efls. 27/28), objetivando a reforma do referido julgado. Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado auto de infração (efl. 5), mediante o qual é exigido crédito tributário relativo à multa por atraso na entrega da Declaração Simplificada do anocalendário de 2001, no valor de R$ 200,00. Cientificada da exigência fiscal, a interessada interpôs impugnação argumentando que "inobstante ter efetivado seu registro no órgão competente em data anterior (12/04/2000), somente em 02/09/2002 obteve seu registro perante o CNPJ", pois nesse interstício "estava regularizando a situação de um de seus sócios, que muito embora há muito tempo houvesse se retirado do quadro societário de outra empresa, o seu nome permanecia vinculado" nos registros da Receita Federal, "e por existirem pendências" que impediam o registro da nova empresa". A DRJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e considerou procedente o lançamento, cujo acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2001 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido. Lançamento Procedente. Ciente da decisão de primeira instância em 26/05/2008, conforme Aviso de Recebimento à efl. 31, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 24/06/2008 (efls. 32/34), conforme carimbo aposto à efl. 32. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10840.002365/200553 Acórdão n.º 1001000.910 S1C0T1 Fl. 101 3 No recurso interposto a recorrente reitera o argumento apresentado em sede de primeira instância, em suma, que não estava obrigada à apresentação da Declaração Simplificada, visto que, apesar de registrado o contrato social 12/04/2000, somente em 02/09/2002 obteve seu registro perante o CNPJ, devido a necessidade de regular a situação de um de seus sócios que permanecia vinculado à outra empresa, apesar de ter se retirado do quadro societário há muito tempo, "e por existirem pendências fiscais". Esses argumentos foram fundamentadamente afastados no aresto de primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever o excerto, a seguir, do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 c/c o §3º do art. 57 do RICARF, completandoo ao final: (...) O contrato social anexado às fls. 6/13 indica que a sociedade foi registrada na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) em 13 de abril de 2000. A Instrução Normativa (IN) SRF n° 1, de 12 de janeiro de 2000, estabelece: Art. 14. Todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, estão obrigadas a se inscrever no CNPJ Logo, era obrigação da empresa ter providenciado sua inscrição no CNPJ. Embora não esclarecido qual o impedimento para sua inscrição, restou claro que se trata de pendência cuja causa foi dada por ela mesma, na pessoa de um de seus sócios. O fato de não ter iniciado suas atividades não é motivo para a dispensa da entrega da declaração, visto que, desde a edição da IN SRF n° 28, de 5 de março de 1998, está prevista a entrega obrigatória da declaração de pessoa jurídica inativa. Estando registrada na OAB, portanto, tendo personalidade jurídica, a sociedade estava obrigada à entrega da declaração, ainda que tenha ficado inativa, nos termos da IN SRF n° 145, de 18 de março de 2002, art.1°. Assim, estando caracterizada a situação fática que originou o lançamento nenhum reparo há de se lhe fazer. Dessa forma, voto por julgar procedente o lançamento. Quanto aos impedimentos citados pela recorrente para os quais não apresenta provas, cumpre observar que compete ao autor em sede de litígio, é dever do contribuinte demonstrar, com documentos hábeis e idôneos, o fato impeditivo, modificativo ou extintivo da pretensão da administração tributária, conforme dispõe o art. 333 do Código Processual Civil: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Parágrafo único. É nula a convenção que distribui de maneira diversa o ônus da prova quando: Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10840.002365/200553 Acórdão n.º 1001000.910 S1C0T1 Fl. 102 4 I recair sobre direito indisponível da parte; II tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. Assim, como desde o anocalendário de 1997, a pessoa jurídica inativa está obrigada à apresentação de Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica Inativa (art. 4° da Instrução Normativa SRF n° 28, de 05 de março de 1998), correto foi a aplicação da multa pelo atraso na sua entrega. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
