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Numero do processo: 11080.918667/2011-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. UTILIZAÇÃO ANTERIOR EM OUTRAS COMPENSAÇÕES EM QUE PLEITEOU-SE O CANCELAMENTO. CONEXÃO PROCESSUAL. PREJUDICIALIDADE. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Uma vez constatado que o crédito utilizado na DCOMP fora também utilizado, anteriormente, em outra compensação, somente poderia ser aceita tal manobra se cancelada a primeira Declaração que se valeu de tal monta. Verifica-se, então, plena relação de prejudicialidade entre as pretensões, dependendo a procedência da mais recente do desfecho da antiga, devendo-se promover a transposição e aplicação dos efeitos do julgamento promovida na causa antecedente na resolução da demanda sequente.
Numero da decisão: 1402-003.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que votaram por sobrestar o processo.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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CRÉDITO. UTILIZAÇÃO ANTERIOR EM OUTRAS COMPENSAÇÕES EM QUE PLEITEOUSE O CANCELAMENTO. CONEXÃO PROCESSUAL. PREJUDICIALIDADE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Uma vez constatado que o crédito utilizado na DCOMP fora também utilizado, anteriormente, em outra compensação, somente poderia ser aceita tal manobra se cancelada a primeira Declaração que se valeu de tal monta. Verificase, então, plena relação de prejudicialidade entre as pretensões, dependendo a procedência da mais recente do desfecho da antiga, devendose promover a transposição e aplicação dos efeitos do julgamento promovida na causa antecedente na resolução da demanda sequente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que votaram por sobrestar o processo. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 86 67 /2 01 1- 03 Fl. 1492DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Fl. 1493DF CARF MF Processo nº 11080.918667/201103 Acórdão n.º 1402003.598 S1C4T2 Fl. 1.493 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 1466 a 1479) interposto contra v. Acórdão (fls. 1450 a 1456) proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza/CE, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte (fls. 02 a 12), mantendo o r. Despacho Decisório (fls. 1436) que expressamente deixou de reconhecer, parcialmente, o suposto crédito de CSLL oriundo de saldo negativo do anocalendário de 2006. Em resumo, a parcela agora ainda controversa do crédito pretendido pela Contribuinte referese exclusivamente ao valor original de R$ 3.668.476,07, oriundo de pagamentos de estimativas a maior de janeiro e novembro de 2006, aqui utilizado para pagar estimativas de CSLL de fevereiro a abril de 2008 e iguais adiantamentos de IRPJ, de janeiro abril de 2008. O motivo exclusivo da denegação da compensação agora pretendida, como se verifica do r. Despacho Decisório, foi a constatação pelo Fiscal da utilização prévia desse mesmo crédito para quitar a estimativa de dezembro de 2006, procedida por meio de 11 (onze) DCOMPs diferentes. Por sua vez, as DCOMPs referentes àquela estimativa de dezembro 2006 não foram homologadas inicialmente por força da aplicação do art. 10 da IN nº 600/2005, que vedava a utilização de crédito oriundo de estimativas (no caso, de janeiro a novembro de 2006) antes do término do anocalendário. Tais 11 (onze) processos administrativos ainda tramitam na esfera administrativa, atualmente neste E. CARF. Por muito bem resumir o início da lide, adotase a seguir trechos do preciso relatório elaborado pela DRJ a quo: Temse no presente o Despacho Decisório nº de rastreamento 005563065, fl. 1436, tratandose de ato administrativo que reconheceu de forma parcial o direito creditório evidenciado no PER/DCOMP nº 34464.85317.301009.1.3.034195, concernente ao saldo negativo de CSLL do anocalendário 2006, exercício 2007, o que se deu na forma a seguir reproduzida: Fl. 1494DF CARF MF 4 A pessoa jurídica postulou o crédito de R$ 6.873.878,50, enquanto o valor reconhecido foi de apenas R$ 3.171.506,92. A diferença se deu em razão da confirmação apenas parcial dos pagamentos das estimativas informados pela interessada no demonstrativo do crédito: · R$ 14.372.962,67 – R$ 10.670.591,08 = R$ 3.702.371,59. Dessa forma, o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual a compensação informada pelo sujeito passivo foi homologada de modo parcial, restando exigível a seguinte parcela: · R$ 3.527.861,23 + R$ 705.572,24 + R$ 1.260.504,81 = R$ 5.493.938,28 A pessoa jurídica foi notificada da decisão administrativa em 19/09/2011, fl. 1438. Não satisfeita com o que foi deliberado, em 18/08/2011 a interessada apresentou a sua manifestação de inconformidade, fls. 02/12, documento em que teceu as considerações a seguir apresentadas. A homologação de forma parcial do crédito ocorreu em razão “de o Fisco ter considerado a utilização pretérita de parte deste crédito realizada pela Manifestante para pagamento do débito de CSLL relativo ao mês de Dezembro de 2006, situação que ocorreu em 31/01/2007 através da transmissão de 11 (onze) DCOMPs e o recolhimento de uma guia DARF”. Em um primeiro momento houvera apurado que o valor da CSLL de dezembro/2006 seria de R$ 5.306.590,80, valor que foi confessado em DCTF e quitado pelas formas do pagamento da quantia de R$ 1.638.114,67 e da compensação do restante, no valor de R$ 3.668.476,07. Após a realização de procedimento de auditoria interna verificou que não haveria nenhum valor de CSLL a recolher, em relação ao mês de dezembro/2006, que o resultado apurado em 31/12/2006 seria o saldo negativo de CSLL informado no PER/DCOMP objeto do presente processo, em razão do que apresentou, antes do início de qualquer processo de fiscalização, Fl. 1495DF CARF MF Processo nº 11080.918667/201103 Acórdão n.º 1402003.598 S1C4T2 Fl. 1.494 5 a DIPJ e a DCTF retificadoras, corrigindo o equívoco registrado nas declarações anteriores. Sua intenção seria cancelar as 11 (onze) DCOMPs transmitidas para fins de compensação de parte do valor da CSLL do fato gerador dezembro/2006, o que não foi possível “uma vez que as referidas compensações tiveram despachos (eletrônicos) emitidos, situação que impediu o cancelamento das DCOMPs nos termos do art. 82 da IN RFB 900/2008”. Tais procedimentos compensatórios estão sendo discutidos em processos administrativos fiscais decorrentes de manifestações de inconformidade apresentadas em face dos despachos decisórios que não homologaram as 11 (onze) compensações realizadas sob o argumento de que o art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005, proibia a compensação de valores recolhidos a título de estimativa mensal antes do final do exercício que se referem. A despeito da improcedência da formalidade imposta pela Fazenda Pública, o que importa é que as manifestações de inconformidade apresentadas pela interessada buscam o cancelamento das DCOMPs em questão, uma vez que o débito objeto das compensações foi cancelado pelas declarações retificadoras apresentadas tempestivamente pela empresa. Todos os 11 (onze) processos administrativos em foco “pendem de apreciação de Recurso Voluntário pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF”. As compensações realizadas pela pessoa jurídica requerente “não afetam o direito creditório da Manifestante utilizado na compensação objeto do despacho decisório ora combatido, uma vez que (i) o débito inicialmente compensado não existe e, por isso, os créditos referentes ao ‘Saldo Negativo de CSLL’ do ano calendário 2006 (Exercício 2007) não foi afetado pelas 11 (onze) DCOMPs consideradas pelo Fisco ou, ainda, (ii) pelo fato de as compensações em questão não terem sido homologadas pela d. fiscalização, situação que torna ainda mais evidente a higidez do crédito utilizado na compensação objeto do presente processo”. Prosseguindo, discorreu com mais profundidade sobre as duas temáticas acima evidenciadas, voltadas para o pretendido cancelamento dos 11 (onze) PER/DCOMPs, dada a inexistência do débito compensado, e pela impertinência do fundamento legal utilizado para a não homologação das compensações, consistente na impossibilidade do reconhecimento do crédito decorrente de estimativa paga indevidamente ou a maior, valor que deveria ser levado para o resultado apurado ao final do anocalendário e requerido na modalidade de saldo negativo de CSLL, tendo em vista o disposto no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005. Ao final de tudo requereu a reforma do despacho decisório contraditado, com o reconhecimento integral do direito creditório informado pela manifestante com base no saldo Fl. 1496DF CARF MF 6 negativo de CSLL do anocalendário 2006 e a consequente homologação total das respectivas compensações. É o que se tem a relatar. Processada a Defesa, foi proferido pela 3ª Turma da DRJ/FOR o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento às razões apresentadas, mantendo integralmente o o r. despacho decisório: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 SALDO NEGATIVO. NÃO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. ESTIMATIVA COMPENSADA. NÃO HOMOLOGAÇÃO OU HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO. QUESTÃO PENDENTE DE JULGAMENTO. AUSÊNCIA DOS ATRIBUTOS DE CERTEZA E DE LIQUIDEZ. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Ausentes os atributos de certeza e de liquidez, dada a inexistência de decisão administrativa definitiva, a respeito do direito creditório utilizado na compensação da estimativa, não há como se reconhecer o direito creditório pertinente ao saldo negativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Diante de tal revés, foi interposto o Recurso Voluntário, em suma, trazendo as mesmas alegações de Impugnação, explicando a origem do crédito utilizado na compensação sobre análise e a sua relação com mais 11 (onze) demanda administrativas, mas entendendo ser hígido e certo o crédito utilizado, requerendo a homologação da DCOMP transmitida e alternativamente a suspensão do feito. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 1497DF CARF MF Processo nº 11080.918667/201103 Acórdão n.º 1402003.598 S1C4T2 Fl. 1.495 7 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. A Recorrente em seu Recurso Voluntário primeiro defende que a parcela do débito referente à estimativa de dezembro de 2006, então quitada pelas compensações com o crédito das estimativas pagas a maior de janeiro a novembro do mesmo ano (que dão origem ao mesmo crédito aqui utilizado, motivando sua denegação), é inexistente, fato este apurado em auditoria interna que constatou que recolhimento procedido em DARF e pagamentos de estimativas de meses anteriores já teriam, anteriormente, satisfeito o real montante do crédito primeiramente calculado a maior, posteriormente retificado em DIPJ, DACON e DCTF. Também afirma que somente não procedeu ao cancelamento das 11 DCOMPs que saldam tal crédito pelo fato de já terem sido proferidos Despachos Decisórios nos 11 (onze) processos administrativos correspondentes (denegando sua homologação pela vedação contida no art. 10 da IN nº 600/2005), mas ainda pugna pelo cancelamento nas defesas administrativas e aguarda seu desfecho. E, por fim, esclarece e justificativa que apenas por tal motivo utilizou novamente o crédito oriundo das estimativas recolhidas a maior entre janeiro e novembro de 2006 na DCOMP aqui sob análise para saldar estimativas de CSLL de fevereiro abril de 2008 e estimativas de janeiro a abril do mesmo ano. Posto isso, já se verifica que a Contribuinte não nega que o mesmo crédito fora também utilizado nas 11 (onze) DCOMPs que quitaram a estimativa de dezembro de 2006. Apenas entende que, sendo inexistente tal débito, o crédito estaria disponível para esta nova e devida utilização. Ocorre que tal justificativa de débito inexistente não desvincula a relação de total prejudicialidade do desfecho daqueles outros processos com o presente, vez que ainda Fl. 1498DF CARF MF 8 não tinha havido o cancelamento de tais compensações quando da interposição recursal, sendo apenas um dos pedidos da Contribuinte naquelas contendas que não se apresenta como objeto deste processo e nem da competência desta C. 2ª Turma Ordinária. Lembrese que a justificativa de denegação da homologação não foi a sua inexistência ou insuficiência, mas a sua múltipla utilização fato este que continua se mostrando verdadeiro. Assim, temos cenário em que a procedência da compensação pleiteada nestes autos, previamente, depende da não utilização do suposto crédito para saldar aquelas 11 (onze) outras compensações. São os seguintes processos que se relacionam diretamente com presente feito: 1 Verificando o andamento de tais processo, constatase que já foram todos julgados neste E. CARF2, por meio de Acórdãos meritórios. Mais do que isso, todos estavam incluídos em Lote de processos sujeito à julgamento repetitivo, nos termos dos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, julgado em sessão de 17 de maio de 2018, pela C. 1ª Turma Ordinária desta mesma C. 4ª Câmara. 1 Existe erro de transcrição no v. Acórdão da DRJ que apresenta na última linha dessa mesma tabela de relação de processos o número de uma demanda administrativa alheia à compensação da estimativa de dezembro de 2006 com o crédito, ora sob análise. 2 http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarInformacoesProcessuais/consultarInformacoesProcessuais .jsf Fl. 1499DF CARF MF Processo nº 11080.918667/201103 Acórdão n.º 1402003.598 S1C4T2 Fl. 1.496 9 Nessa esteira, o Acórdão nº 1401002.578 (processo nº 11080.928620/2009 25), de relataria do I. Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto, foi o paradigma selecionado, restando ementado, decidido e fundamentados da seguinte forma: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO. Contatandose que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa. Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator (...) Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentado pela empresa no qual solicita a compensação de pretensos créditos relativos a pagamento a maior de CSLL devida por estimativa. A origem dos créditos, consoante informado pelo recorrente desde sua impugnação, baseiase na retificação dos valores de apuração que, após a retificação das DIPJ e DCTF da empresa, resultaram como pagos a maior. Com base nestes créditos a empresa, por meio do PER/DCOMP objeto deste processo, a empresa realizou a compensação com débito da mesma contribuição de períodos subseqüentes. Fl. 1500DF CARF MF 10 Quando da análise do PER/DCOMP o sistema informatizado reconheceu a existência do crédito mas, no entanto, considerou improcedente a utilização do crédito posto que o art. 10 da IN RFB nº 600/2005, veda a possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior de estimativa para a quitação dos valores devidos por estimativa de meses subseqüentes. O contribuinte, irresignado apresentou manifestação de inconformidade alegando a existência do crédito. A Delegacia de Julgamento, na análise da manifestação, a considerou improcedente. Ainda inconformado o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual entende que não é cabível o indeferimento do crédito com base no art. 10, da IN 600/2005, haja vista que, quando da prolação do despacho decisório de nãohomologação referida norma não mais estava em vigor. É o breve relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator A análise do presente processo prendese, em síntese, à verificação da possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior da CSLL com débitos da mesma contribuição de períodos subseqüentes e, ainda, a força impeditiva do art. 10, da IN RFB nº 600/2005. A norma questionada impedia a utilização, por parte do contribuinte, dos valores pagos a maior durante o ano calendário com outros débitos com base na justificativa de que os valores pagos a maior por estimativa deveriam ser levados ao ajuste do exercício, como se pagamentos por estimativas fossem, no sentido de que estes pagamentos a maior compusessem o saldo credor a vir ser apurado no exercício. Ocorre, no entanto, que referida norma impeditiva não encontra respaldo nos ditames da Lei nº 9.430/96, no que trata de restituição/compensação. Assim, se um pagamento foi realizado a maior em um determinado período. A existência do crédito relativo a este pagamento a maior exsurge desde a data do referido recolhimento, na forma do art, 170, do CTN, matriz legal de todas as normas de compensação. A limitação realizada pelo art. 10, da IN 600/2005 desborda dos limites impostos pela normas a ela superiores e, por isso, não pode produzir eficácia contra os direitos nestas inseridos. Em conformidade com este entendimento é que o CARF já se posicionou de forma consolidada, emitindo a Súmula nº 84, conforme abaixo transcrita e consoante os acórdão paradigmas precedentes que a justificaram. (...) Fl. 1501DF CARF MF Processo nº 11080.918667/201103 Acórdão n.º 1402003.598 S1C4T2 Fl. 1.497 11 Verificado o teor da Súmula acima apresentada, há de se rever as decisões atacadas pelo recorrente. Assim decorreria este voto, quando da época de sua elaboração. Ocorre, no entanto, que iniciada a sessão de julgamento a representante do contribuinte informou acerca da existência de auto de infração lavrado por meio do processo nº 11080.732426/201161, pela sistemática do lucro arbitrado, no qual os pagamentos a maior de IRPJ e CSLL por estimativa realizados no ano e solicitados pela empresa em PER/DCOMP, para a compensação das estimativas devidas do mês de dezembro/2006. Verificase, pela consulta ao processo de auto de infração que para o ano de 2006 foi desconsiderada a escrituração fiscal da empresa e foi realizado o lançamento pelo lucro arbitrado trimestral. Da realização do lançamento foram utilizados os pagamentos por estimativa que não compuseram os saldos negativos já utilizados pela empresa (fls. 8.831/8.835 do processo nº 11080.732426/201161). Mais ainda, verificase que, sendo arbitrado o lucro, deixam de ser existentes os débitos por estimativa do ano de 2006, dada a modificação da sistemática de apuração do lucro. Ainda em consulta ao referido auto de infração constatamos que o mesmo já foi julgado em última instância por este CARF e mantido em definitivo os valores lavrados, já estando em fase de execução judicial (fls. 93.232/93.241 do processo nº 11080.732426/201161). À vista do exposto temos então que o PER/DCOMP objeto do presente processo, no qual são utilizados os pagamentos a maior de estimativas do ano de 2006 para a compensação com débitos de estimativa do mesmo ano, perdeu totalmente seu objeto, tanto pelo desaparecimento dos créditos, quanto dos débitos, em face da lavratura de auto de infração pelo lucro arbitrado já julgado em definitivo na esfera administrativa. Por estas razões, deixo de analisar o presente recurso apenas em relação às limitações que levaram ao indeferimento do pedido e, analisando o caso em vista da verdade material, verificandose que deixaram de existir os débitos declarados no PER/DCOMP objeto deste processo, havemos de julgar no sentido de deixar de reconhecer os créditos em face de sua atual inexistência e determinar o cancelamento dos débitos declarados no PER/DCOMP em razão de igualmente não mais existirem, tudo em razão da lavratura do auto de infração pelo lucro arbitrado que modificou integralmente a situação dos débitos e créditos objeto do presente processo. Neste sentido voto por dar provimento ao recurso para: 1) Deixar de analisar os créditos solicitados, relativos aos pagamentos a maior de estimativa em razão de os créditos terem Fl. 1502DF CARF MF 12 deixado de existir em face da lavratura do auto de infração do mesmo ano, no qual os referidos pagamentos foram utilizados; 2) Determinar o cancelamento dos débitos compensados no presente processo, tendo em vista trataremse de débitos de estimativa do ano de 2006, em face, também, da lavratura de auto de infração que apurou o IRPJ pelo lucro arbitrado e por consequência desfaz qualquer obrigação de recolhimento por estimativa. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Frisese que esta mesma decisão foi, ipsis litteris, replicada nos outros 10 (dez) processos vinculados a esta demanda e tal processo paradigma já se encontra na Unidade Local para providências. Como claramente se observa de tal julgado, temos situação em que, realmente foi atendida a pretensão da Contribuinte de cancelar a satisfação do débitos referente à estimativa de dezembro de 2006 com os créditos apurados nos recolhimentos a maior das estimativas de janeiro a novembro do mesmo ano. Confirase o segundo trecho da parte dispositiva do Acórdão paradigma citado: Neste sentido voto por dar provimento ao recurso para: (...) Determinar o cancelamento dos débitos compensados no presente processo, tendo em vista trataremse de débitos de estimativa do ano de 2006, em face, também, da lavratura de auto de infração que apurou o IRPJ pelo lucro arbitrado e por consequência desfaz qualquer obrigação de recolhimento por estimativa. Se apenas assim fosse, a utilização duplicada do mesmo crédito, adotada como fundamento para a denegação da compensação aqui apurada, cairia por terra, dando margem à validade da manobra da Contribuinte (restando pendente apenas a análise de materialidade e quantificação do crédito, que nunca fora procedida). Porém, como se verifica da primeira parte do dispositivo de tal Acórdão paradigma, foi reconhecida e declarada a inexistência do próprio crédito utilizado lá (inquestionavelmente o mesmo empregado na compensação aqui apreciada): Fl. 1503DF CARF MF Processo nº 11080.918667/201103 Acórdão n.º 1402003.598 S1C4T2 Fl. 1.498 13 Deixar de analisar os créditos solicitados, relativos aos pagamentos a maior de estimativa em razão de os créditos terem deixado de existir em face da lavratura do auto de infração do mesmo ano, no qual os referidos pagamentos foram utilizados; Como muito bem esclarecido pelo I. Relator daquele feito paradigma, fora informado naqueles processos (fato que não ocorreu no presente) que toda a apuração de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2006 foi objeto de arbitramento em lançamento de ofício consubstanciado no processo administrativo nº 11080.732426/201161 e, por sua vez, as estimativas recolhidas de janeiro a novembro daquele ano foram consideras no cálculo da exigência. Assim, o suposto crédito oriundo de tais antecipações mensais já fora utilizado na quantificação daquela outra exação, mantida em decisão administrativa definitiva, como igualmente informado. Desse modo, realmente, o crédito empregado pela Contribuinte na compensação agora sob análise também não existe. Registrese que, uma vez certa e inquestionável a relação de total dependência e prejudicialidade entre esta demanda e aqueles 11 (onze) processos administrativos, inclusive reconhecida pela Contribuinte, a necessária, lógica e inafastável transposição dos efeitos do seu julgamento ao desfecho desta contenda supri qualquer necessidade nova prova, específica para estes autos, de inexistência do créditos, bastando a aplicação do resultado consequencial do conteúdo daquelas decisões. Diante do exposto e por tais fundamentos, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a não homologação da compensação pretendida pela Contribuinte, na mesma monta rejeitada pelo r. Despacho Decisório. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 1504DF CARF MF 14 Fl. 1505DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.004918/2009-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação.
Numero da decisão: 3201-004.292
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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PROVA DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. Recorrente COOPAVEL COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão n.º 06049.863 3ª Turma da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade mantendo o indeferimento da restituição pleiteada, bem como a não homologação das compensações declaradas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 49 18 /2 00 9- 87 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10935.004918/200987 Acórdão n.º 3201004.292 S3C2T1 Fl. 3 2 Em seu pedido de restituição, a contribuinte alega que sofreu a retenção do PIS e da Cofins (no percentual de 3,65%) sobre as operações de comercialização de produtos rurais e prestações de serviço de armazenamento que realizou com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), e que não conseguiu realizar a dedução dos valores retidos na contribuição devida, uma vez que, estando submetida a apuração da contribuição na modalidade não cumulativa, não apurou valor a pagar da contribuição no período, em face de os créditos gerados terem sido superiores ao valor do débito da contribuição. Por sua vez, a SAORT, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel – PR, após analisar o pleito constante do presente processo, emitiu Despacho Decisório indeferindo o pedido de restituição formulado pela interessada. Sustenta a autoridade administrativa, em resumo, que a interessada não logrou êxito na comprovação do direito creditório solicitado, uma vez que não foi possível, com base nos documentos apresentados (arquivos digitais), confirmar se as Notas Fiscais emitidas para a Conab constam declaradas nas receitas que compõem as bases de cálculo das contribuições que foram informadas no Dacon. Diante do indeferimento do pedido de restituição, as compensações declaradas com lastro no pedido de restituição em comento não foram homologadas. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O Acórdão n.º 06049.863 3ª Turma da DRJ/CTA, está assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO. Inexistindo comprovação do direito creditório informado em Pedido de Restituição ou em Declaração de Compensação DCOMP, é de se indeferir o crédito solicitado e de considerar não homologada a compensação declarada. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: Dos Fatos Inicialmente a Recorrente argui que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Cascavel equivocouse ao analisar o pedido, fazendo confusão com isenções, não incidências e imunidades, e análises que não tem qualquer relação com o pedido formulado, como se o pedido de restituição tivesse sido realizado com base e fundamento no artigo 27 da Instrução Normativa 900 de 2008. A Recorrente argumenta que o pedido de restituição se refere a créditos retidos de COFINS, pela prestação de serviços da ora Recorrente à CONAB. Alega ainda que o pedido restituição não se encontra prescrito. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10935.004918/200987 Acórdão n.º 3201004.292 S3C2T1 Fl. 4 3 Do Direito A Recorrente sustenta ter havido pagamento a maior do que o valor devido de COFINS para o período em análise (retenção indevida). Fundamenta o pedido restituição no artigo 12, da Instrução Normativa SRF 900/2008. Informa não haver conseguido utilizar os valores retidos na fonte a título de COFINS para pagar débitos da mesma espécie no mesmo mês. Assim, adotou o procedimento constante do artigo 34 da IN RFB 900/2008, que trata da compensação de débitos próprios de tributos administrados pela RFB. Sustenta que a única prova necessária para fazer valer o seu direito ao crédito seria da existência da retenção e da quitação dos tributos quando for positiva a sua apuração, o que, segundo a mesma, ocorrera no presente processo. Argumenta quando a suspensão da exigibilidade do crédito nos termos do inciso III, do artigo 151, do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/1966). Do Pedido Ao final do RV a Recorrente pede que seja dado provimento ao recurso a fim de reformar o acórdão da DRJ com a restituição/compensação das contribuições devidamente acrescida de juros pela taxa acumulada da Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.280, de 23/10/2018, proferido no julgamento do processo 10935.000340/200817, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.280): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise de cada um dos pontos do Recurso Voluntário. De forma objetiva, a lide cingese quanto a certeza e liquidez do crédito. No julgamento de primeira instância consta exatamente que a Recorrente não conseguiu comprovar tais créditos. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10935.004918/200987 Acórdão n.º 3201004.292 S3C2T1 Fl. 5 4 Sustenta a autoridade administrativa, em resumo, que a interessada não logrou êxito na comprovação do direito creditório solicitado, uma vez que não foi possível, com base nos documentos apresentados (arquivos digitais), confirmar se as Notas Fiscais emitidas para a Conab constam declaradas nas receitas que compõem as bases de cálculo das contribuições que foram informadas no Dacon. (Acórdão DRJ, efl. 206) As manifestações de inconformidade da Recorrente não colaboraram para o esclarecimento da dúvida da autoridade administrativa. Ao contrário, parecem enveredar por caminhos diversos da comprovação fática de retenção nas Notas Fiscais emitidas pela Conab. Sobre a necessidade de comprovação, cito trecho do Acórdão de primeira instância. Entendeu a autoridade fiscal que para se usufruir do direito à restituição/compensação previsto na legislação acima, é necessário que se comprove: (i) a retenção realizada; e (ii) o valor da contribuição devida no mês, a qual deve ser realizada pela demonstração da respectiva base de cálculo, composta por todas as receitas tributáveis e as possíveis exclusões (receitas isentas, não tributáveis, suspensões, imunidades e, no caso, receitas decorrentes de atos cooperativos), bem como dos créditos da não cumulatividade. No entanto, conforme se observa pela leitura do despacho decisório, a auditoria realizada pela fiscalização não conseguiu firmar convicção sobre o direito creditório requerido, uma vez que os documentos apresentados (arquivos digitais) não espelham (ou confirmam) as receitas de bens e serviços declaradas no Dacon, não se podendo afirmar com certeza se os valores das Notas fiscais emitidas para a CONAB constam dentro das receitas tributadas que compõem a base de cálculo da contribuição, e, por conseqüência, se houve a configuração da hipótese de restituição/compensação acima tratada. Ou seja, a autoridade a quo concluiu que o direito à restituição/compensação restou prejudicado, posto que não houve a comprovação material do mesmo. (Acórdão DRJ, efl. 209) O juízo a quo entendeu que a Recorrente pouco colaborou para esclarecer a certeza e liquidez. Cito trecho e uso como razão de fundamentar como se meu fosse: Nesse ponto, é bom que se lembre, que a autoridade a quo não mediu esforços para seu intento, mas, infelizmente, a contribuinte pouco colaborou. Talvez, digase, em face de um entendimento equivocado. E assim dessa mesma forma, como se vê na manifestação de inconformidade, a interessada prossegue insistindo em sua tese. Inverte os papéis, age como se não precisasse provar nada e, também, como se autoridade tributária fosse obrigada a reconhecer o seu suposto direito creditório sem a necessidade de qualquer verificação documental (ou de arquivos eletrônicos). Ora, a interessada esquece, ou simplesmente ignora, que a administração pública tem a sua atividade vinculada à lei e que, no presente caso, a legislação é clara no sentido de que o direito creditório (com direito à restituição ou compensação) somente é devido quando se comprove a impossibilidade de dedução dos valores retidos dos valores a pagar da contribuição no período, consubstanciada, em síntese, na demonstração da base de cálculo e na inexistência da contribuição. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10935.004918/200987 Acórdão n.º 3201004.292 S3C2T1 Fl. 6 5 Com efeito, é de se dizer que a comprovação da existência de crédito junto à Fazenda Nacional é atribuição da contribuinte, cabendo à autoridade administrativa, por sua vez, examinar a liquidez e certeza de que teriam sido repassadas aos cofres públicos importâncias superiores àquelas devidas pela contribuinte de acordo com a legislação pertinente, autorizando, após confirmação de sua regularidade, a restituição ou compensação do crédito conforme vontade expressa da contribuinte. (Acórdão DRJ, efl. 209) Sobre a necessidade de certeza e liquidez, há farta jurisprudência deste órgão de julgamento. CARF Acórdão nº 3403001.477 do Processo 13882.000037/200271 – Data: 20/03/2012 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ORIGEM CERTEZA. LIQUIDEZ. Compensação de crédito independe de autorização, entretanto, deve ser certo e liquido, constatado por meio de diligência fiscal a certeza, a liquidez decorre do próprio procedimento fiscal, impõe reconhecer o crédito e homologar as compensações efetivadas até o limite dos créditos apurados. CARF Acórdão nº 3403002.579 do Processo 10983.902416/200867 – Data: 24/10/2013 COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, de forma a manter o indeferimento da restituição pleiteada, bem como a não homologação das compensações declaradas na Dcomp nº 25265.65884.020408.1.3.046583." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, de forma a manter o indeferimento da restituição pleiteada, bem como a não homologação das compensações declaradas. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10435.720878/2017-65
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2016
PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS.
Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
Numero da decisão: 2001-000.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2016 PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS. Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1550; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10435.720878/201765 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.969 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 11 de dezembro de 2018 Matéria IRPF: PENSÃO ALIMENTICIA Recorrente IRACY DE LOURES SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2016 PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS. Da legislação de regência, extraise que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 08 78 /2 01 7- 65 Fl. 70DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa a Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2016, anocalendário de 2015. De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, foi apurada a glosa parcial sobre as deduções indevidamente realizadas pelo sujeito passivo, por falta de comprovação, a título de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública e Contribuição à Previdência Privada e Fapi. Regularmente cientificado da Notificação, a contribuinte, em suma, discordou da glosa das deduções e juntou documentos diversos para comprovar suas despesas e obrigação em pagar a pensão. A DRJ Porto Alegre, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de o Contribuinte não logrou êxito em comprovar os direitos alegados eis que não foi juntado ao processo “a quarta via do instrumento de conciliação, com a devida homologação judicial, portanto, não há como aceitar a dedução pleiteada a título de pensão alimentícia judicial (não restou comprovado nos autos que o referido Termo de Sessão de Mediação/Conciliação foi efetivamente homologado em juízo. Mantida a glosa dessa dedução. Em sede de Recurso Voluntário, junta o contribuinte documentações que não deixam dúvidas acerca da dedutibilidade de suas despesas em relação a pensão alimentícia. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Pensão alimentícia Merece trazer a baila logo de início o que dispõe a legislação no que se refere à pensão alimentícia. Vejamos o que está previsto no art. 8º, II, “f”, da Lei nº 9.250/1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10435.720878/201765 Acórdão n.º 2001000.969 S2C0T1 Fl. 3 3 decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Ressaltese que a alínea “f” do inciso II do artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995, passou a ter nova redação com o advento da Lei n.º 11.727, de 23 de junho de 2008, redação esta que, nos termos do art. 21 desta Lei, entrou em vigor na data da publicação da Lei nº 11.441, de 4 de janeiro de 2007. Eis a nova redação: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou deescritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Conforme verificase da legislação acima transcrita, são requisitos para a dedução: a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; que o pagamento tenha a natureza de alimentos; que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do anocalendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. No caso em comento discutese apenas a dedutibilidade da pensão posto que que não teria sido comprovada pelo contribuinte a obrigatoriedade judicial. Ocorre que em sede de Recurso Voluntário junta toda a documentação que não deixa dúvida acerca de sua obrigação legal em pagar pensão. Nesta senda entendo que deve ser trazido à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias Fl. 72DF CARF MF 4 e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Neste diapasão, verificando a boa fé, o respaldo em decisão judicial e os argumentos e documentos claros trazidos pelo contribuinte, além das efetivas provas da obrigação legal em pagar a pensão, entendo serem dedutíveis as despesas de pensão alimentícia incorridas pelo contribuinte. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acatar integralmente a despesa de pensão alimentícia declarada pelo contribuinte bem como as despesas médicas glosadas. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720093/2011-38
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE CONSTATADA. SANEAMENTO
As obscuridades apontadas em Embargos de Declaração, uma vez constatadas, devem ser solucionadas, atribuindo-se efeitos infringentes, caso altere a decisão embargada.
Numero da decisão: 9101-003.882
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, sanando a obscuridade apontada, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Re^go - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Caio César Nader Quintella (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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OBSCURIDADE CONSTATADA. SANEAMENTO As obscuridades apontadas em Embargos de Declaração, uma vez constatadas, devem ser solucionadas, atribuindose efeitos infringentes, caso altere a decisão embargada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, sanando a obscuridade apontada, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Caio César Nader Quintella (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 93 /2 01 1- 38 Fl. 9395DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.882 CSRFT1 Fl. 9.396 2 Tratase de Embargos de Declaração opostos por Raizen Energia S/A, em face do acórdão nº 9101003.364, proferido no julgamento de Recursos Especiais interpostos pelo contribuinte e pela União. Eis a ementa do acórdão embargado: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. O reconhecimento do ágio não representa manifestação de fato imponível tributário. Diante disso, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário decorrente da redução indevida do resultado do exercício só se inicia após a amortização anual, e não com o registro original do ágio. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa SELIC. MULTA QUALIFICADA. ATOS SOCIETÁRIOS SEM PROPÓSITO NEGOCIAL. ÁGIO DESPROVIDO DE SUBSTÂNCIA ECONÔMICA. PROCEDÊNCIA. Se os fatos retratados nos autos deixam foram de dúvida a intenção do contribuinte de, por meio de atos societários diversos, desprovidos de propósito negocial, gerar ágios artificiais, despidos de substância econômica e, com isso, reduzir a base de incidência de tributos, descabe afastar a qualificação da multa aplicada pela Fiscalização. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 ÁGIO. EXIGÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE RENTABILIDADE FUTURA. ELABORAÇÃO CONTEMPORÂNEA À AQUISIÇÃO DO INVESTIMENTO. DESCUMPRIMENTO. INVALIDADE. O artigo 20, §§ 2º, b, e 3º, do Decretolei nº 1.598/1977, em sua redação original, ao tempo dos fatos, prescrevia o obrigatório desdobramento do custo, no momento da aquisição da participação societária, em valor de patrimônio líquido e ágio, sendo que o ágio fundado na expectativa de rentabilidade futura deveria estar baseado em demonstração que o contribuinte deveria arquivar, para comprovação de tal fundamento. Nesses termos, o descumprimento ao mandamento legal que determinava a elaboração de demonstrativo da expectativa de rentabilidade futura justificadora do ágio, contemporânea à aquisição da participação societária avaliada pelo patrimônio líquido, não confere ao ágio pago o grau de confiança necessário a legitimar as influências dele decorrentes para o resultado tributável Fl. 9396DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.882 CSRFT1 Fl. 9.397 3 ÁGIO. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. INEFICÁCIA. A reorganização societária na qual inexista motivação outra que não a criação artificial de condições para obtenção de vantagens tributárias é inoponível à Fazenda Pública. Negada eficácia fiscal ao arranjo societário sem propósito negocial, restam não atendidos os requisitos para a amortização do ágio como despesa dedutível, impondose a glosa e a recomposição da apuração dos tributos devidos. ÁGIO DE SI MESMO. INCONSISTÊNCIA. Carece de consistência econômica ou contábil o ágio surgido no bojo de entidades sob o mesmo controle, o que obsta que se admitam suas consequências tributárias. ÁGIO. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. Não há como aceitar a dedução da amortização do ágio artificialmente criado com a utilização de empresa veículo, formalmente constituída, não obstante despida de propósito negocial. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E DA BASE NEGATIVA DA CSLL. AFASTAMENTO DA TRAVA. IMPOSSIBILIDADE. A compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas da CSLL acumulados é limitada pela trava de trinta por cento do lucro líquido ajustado.” Por meio de Despacho, o Presidente da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais acolheu em parte os Embargos, para que a Turma julgadora esclareça se o recurso especial foi conhecido de “forma integral (conforme o dispositivo do voto vencedor) ou parcial (conforme a proclamação do resultado) e, no segundo caso, qual a parte que foi conhecida (qualificação da multa de ofício relativa ao ágio da empresa Corana, ao ágio da empresa NDPar, ao excesso de compensação de prejuízos) e os seus respectivos resultados, nos termos exarados nos itens 1 e 2 “. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Correa, Relator. Tratase de Embargos de Declaração contra a decisão proferida no julgamento do Recurso Especial da União. Ressaltese, contudo, que o acórdão embargado foi proferido no julgamento de apelos a esta instância, interpostos pela União e pelo contribuinte Os presentes embargos foram opostos dentro do prazo regulamentar. Dele conheço. De acordo com o que fora fixado no Despacho de Admissibilidade, esta Turma deve esclarecer se o recurso especial foi conhecido de “forma integral (conforme o dispositivo do voto vencedor) ou parcial (conforme a proclamação do resultado) e, no segundo Fl. 9397DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.882 CSRFT1 Fl. 9.398 4 caso, qual a parte que foi conhecida (qualificação da multa de ofício relativa ao ágio da empresa Corona, ao ágio da empresa NDPar, ao excesso de compensação de prejuízos) e os seus respectivos resultados, nos termos exarados nos itens 1 e 2.” Tais são os itens 1 e 2 do referido Despacho: “1. Conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional omissão/obscuridade A primeira reclamação do embargante possui duas partes. Na primeira parte, o embargante alega que o acórdão embargado, na proclamação do seu resultado, teria sido omisso em relação ao fato de que o recurso especial da Fazenda Nacional não foi conhecido na parte relativa à qualificação da multa de ofício incidente sobre o ágio associado à empresa NDPar e na parte relativa à qualificação da multa de ofício incidente sobre o excesso de compensação de prejuízos fiscais, conforme o seguinte excerto (fls. 9284): Desse modo, uma vez que houve omissão no resultado do julgamento no que se refere ao não conhecimento do Recurso Especial da PGFN com relação à aplicação da multa qualificada sobre (i) o ágio NDPar e sobre o (ii) suposto excesso de aproveitamento de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL, requerse o acolhimento dos presentes Embargos de Declaração, para que essa informação conste, de forma expressa, em tal resultado. Verifico que a exigência tributária relativa ao ágio foi segregada em três partes, associadas às empresas Usina da Barra, Corona e NDPar, respectivamente (fls. 7197). Apenas a exigência relativa às empresas Corona e NDPar tiveram a correspondente multa de ofício qualificada para o percentual de 150% (fls. 7224 e fls. 7246). Também foi qualificada a multa de ofício da exigência relativa ao excesso na compensação de prejuízos fiscais. A decisão de segunda instância exonerou a qualificação da multa de ofício em todos os casos, retornandoa ao patamar de 75%. O recurso especial da Fazenda Nacional requereu a manutenção da qualificação da multa de ofício. O relator da decisão embargada votou por não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional na parte relativa ao ágio associado à empresa NDPar, por entender que o acórdão paradigma não possuía similitude fática, conforme o seguinte excerto (fls. 9216): Logo, não se analisou no presente caso a aplicação de multa de ofício para operação de utilização de ágio mediante empresa veículo, como foi o caso da NDPar. Nesse contexto, entendo que esse paradigma não pode ser considerado para demonstrar a divergência quanto à desqualificação da multa quanto ao ágio NDPar. O relator também votou por não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional na parte relativa ao excesso de compensação de prejuízos fiscais, pelo mesmo motivo, conforme o seguinte excerto (fls. 9217): Logo, como houve o cancelamento do lançamento em relação à matéria compensação de prejuízo fiscal, não se pode tratar de divergência em relação à multa sobre esse lançamento, de modo que não pode ser conhecido o Recurso da Fazenda quanto a esse ponto. Fl. 9398DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.882 CSRFT1 Fl. 9.399 5 Mas não é só. Ainda que tal decisão servisse a tal fim, analisando o quanto discutido em relação à compensação de prejuízo, percebese que o tema foi o regime de apuração, conforme o seguinte trecho da decisão: [...] Em nenhum momento evidenciouse que no paradigma se discutiu a possibilidade de utilização integral de prejuízo fiscal na extinção da pessoa jurídica. Logo, também por essa razão não merece ser conhecido o recurso da Fazenda em relação à multa aplicada sobre a compensação de prejuízo fiscal. Por outro lado, o voto vencedor conheceu do recurso da Fazenda Nacional sem fazer ressalvas, e deulhe provimento, conforme o seguinte dispositivo (fls. 9246): Desse modo, cabível a aplicação da multa de 150%, na forma: a) do artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/1996, para os fatos geradores do anocalendário 2006; b) do artigo 44, § 1o, da Lei n° 9.430/1996, para os fatos geradores ocorridos a partir do anocalendário de 2007. Em face do exposto, conheço do Recurso Especial da PGFN para, no mérito, darlhe provimento. Todavia, a proclamação da decisão do colegiado, no início do acórdão embargado, afirma que o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido apenas na parte relativa ao ágio das empresas Corona e Usina da Barra, dando lhe provimento, conforme a seguinte transcrição (fls. 9207): Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas quanto à qualificação da multa (4) do ágio referente à CORONA e (5) do ágio referente à USINA DA BARRA. No mérito do recurso fazendário, por voto de qualidade, acordam em dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros e Gerson Macedo Guerra (relator), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Franco Corrêa. Os embargos de declaração são cabíveis para suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar a turma julgadora, de ofício ou a requerimento. O embargante localiza a alegada omissão no fato de a proclamação do resultado do julgamento não mencionar a parte não conhecida do recurso especial da Fazenda Nacional. Todavia, este usa como referência o voto vencido do relator, quando o voto vencedor conheceu do recurso, conforme a transcrição acima. Portanto, não há a alegada omissão. Todavia, verifico que, apesar de o dispositivo do voto vencedor ter dado conhecimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, a proclamação do resultado afirma que esse conhecimento foi parcial. Com isso, entendo que o acórdão não está claro, pois o texto da proclamação do resultado é incompatível com o texto do dispositivo do voto vencedor, possibilitando interpretações diversas quanto ao alcance da decisão. Tal fato configura obscuridade que exige nova manifestação da Fl. 9399DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.882 CSRFT1 Fl. 9.400 6 turma julgadora, para que esta esclareça se o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido de forma integral (conforme o dispositivo do voto vencedor) ou parcial (conforme a proclamação do resultado) e, no segundo caso, qual a parte que foi conhecida (ágio da empresa Corana, ágio da empresa NDPar, excesso de compensação de prejuízos) e os seus respectivos resultados. (grifei) A segunda parte da presente reclamação do embargante consiste em alegada obscuridade na proclamação do resultado do julgamento, quando afirma o restabelecimento da qualificação da multa de ofício sobre o ágio relacionado à empresa Usina da Barra, quando a fiscalização sequer qualificou essa parcela da multa de ofício exigida, conforme o seguinte excerto (fls. 9284): Além da omissão apontada, deve ser sanada também a obscuridade do acórdão recorrido quanto ao suposto provimento parcial do recurso fazendário para que fosse reestabelecida |a multa qualificada sobre o ágio referente à Usina da Barra. Isso porque, analisandose os autos de infração, notase que a Fiscalização não aplicou a multa no patamar de 150% sobre a glosa das despesas referentes a esse ágio. Vejase: [...] Como se vê, não houve a aplicação da multa qualificada sobre a glosa de despesas do ágio Usina da Barra. Logo, é evidente que não há que se falar em conhecimento e, muito menos, provimento do Recurso Especial da PGFN em relação a essa matéria. Verifico que assiste razão ao embargante, pois os autos de infração em tela não estão exigindo multa de ofício qualificada em relação ao ágio relacionado à empresa Usina da Barra, mas tão somente em relação ao ágio relacionado às empresas Corona e NDPar, conforme já apontado acima, bem como em relação ao excesso de compensação de prejuízos fiscais. Com isso, entendo ser necessária nova manifestação da Turma Julgadora para que esclareça qual parte do recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecida (ágio da empresa Corona, ágio da empresa NDPar, excesso de compensação de prejuízos) e os seus respectivos resultados.”(grifei) Assim postos os fatos, vêse que, em primeiro plano, surge a questão sobre a extensão do conhecimento do Recurso Especial da União. Com efeito, a Turma não conheceu do Recurso Especial da União, no tocante à questão relativa à multa qualificada sobre a glosa do designado ágio NDPar, conforme o voto do Relator, nos seguintes termos: “Analisando a situação fática do paradigma, foi possível depreender que apenas a questão do ágio interno foi ali analisada, vale aqui a transcrição do trecho do voto do relator que descreve os fatos: Dos autos, extraio, por relevante, os seguintes fatos: em 31 de janeiro de 2006, a fiscalizada promoveu reavaliação de seus imóveis, motivo pelo qual constituiu uma reserva de reavaliação; em 08 de março de 2006, foi constituída a empresa ESTRE HOLDING, com capital de R$ 1.000,00; Fl. 9400DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.882 CSRFT1 Fl. 9.401 7 em 30 de abril de 2006, a ESTRE HOLDING promove a incorporação de ações do capital social da contribuinte, transformandoa em sua subsidiária integral; o valor econômico da fiscalizada foi avaliado, por meio de laudo, em R$ 220.179.000,00, sendo registrado ágio de R$ 175.824.453,00 em 26 de junho de 2006, a ESTRE HOLDING é incorporada pela fiscalizada. Vêse que a decisão tomada naquele caso paradigmático apenas analisou a aplicação da multa qualificada no âmbito de operação de ágio gerado intragrupo, conforme se depreende das seguintes passagens do voto do relator: Com efeito, um processo de reestruturação societária, submetido a uma única vontade, eis que realizado entre empresas pertencentes ao mesmo Grupo Econômico, realizado em um espaço curto de tempo, no qual não houve desembolso e totalmente desprovido de substância econômica, não encontra guarida nas disposições dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, de modo a tornar o ágio, nascido de si próprio, dedutível. (...) Relativamente à qualificação da multa, diversamente do esposado na decisão de primeiro grau, penso que ela deve ser mantida. A autuação, no presente caso, fundouse na constatação e comprovação de que a reestruturação elaborada pela fiscalizada visou, apenas, alcançar um benefício fiscal previsto em lei. Para tanto, em curtíssimo espaço de tempo, não obstante declinar formalmente razões de ordem societária ou econômica, constituiu uma HOLDING; transformouse em subsidiária integral da HOLDING criada, vez que esta incorporou suas ações pelo valor de mercado; e, passo seguinte, fez desaparecer a HOLDING criada para, por meio de uma incorporação reversa, deduzir um suposto “ágio”, derivado de uma alegada rentabilidade futura dos seus ativos. Logo, não se analisou no presente caso a aplicação de multa de ofício para operação de utilização de ágio mediante empresa veículo, como foi o caso da ND Par. Nesse contexto, entendo que esse paradigma não pode ser considerado para demonstrar a divergência quanto à desqualificação da multa quanto ao ágio NDPar. (grifei) Em segundo lugar, não há que se falar em multa qualificada sobre a glosa de despesa com a amortização do ágio Usina da Barra, uma vez que tal glosa fora sancionada com a multa de 75%, no lançamento tributário. Assim, uma vez esclarecido que o Recurso Especial da União não abrangeu a multa sobre a glosa de despesa de amortização do ágio Usina da Barra e que a Turma não conheceu da questão suscitada sobre a multa qualificada sobre a glosa de despesa de amortização do ágio NDPAR, resta inequívoco que a questão sobre a multa qualificada decidida pela Turma, ao julgar o Recurso da União, diz respeito à glosa da despesa com amortização do ágio Corona. Fl. 9401DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.882 CSRFT1 Fl. 9.402 8 De fato, é preciso reconhecer que o acórdão embargado não foi claro o suficiente quanto ao ágio atingido pela multa qualificada, verbis: “Por fim, o Recurso Especial da Fazenda Nacional, que combate a redução da multa aplicada ao percentual de 75%. As reorganizações societárias descritas pela Fiscalização e já mencionadas neste voto, no julgamento do Recurso Especial do contribuinte, visaram à criação artificial de ágios para serem deduzidos dos resultados tributáveis, quando amortizados, e à compensação indevida de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL. Para tais desideratos, montaramse esquemas com o emprego de empresas veículos formalmente constituídas, não obstantes despidas de propósito negocial. Tais empresas tiveram duração efêmera e não exerceram qualquer função distinta da transferência de patrimônios e recursos para viabilizar a redução do IRPJ e da CSLL mediante a amortização de ágios sem substância econômica, bem como pela compensação irregular de prejuízo fiscal. O planejamento tributário em referência foi concebido de tal modo a aparentar normalidade e legalidade, com o intento de ocultar os verdadeiros fins, valendose da roupagem das formas jurídicas. Diante disso, é preciso estar atento à redação do artigo 72 da Lei nº 4.502/1964: "Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento." Nas circunstâncias referidas, revelase patente o dolo da conduta de fraude, pois os que planejaram e implementaram as reorganizações societárias, a constituição formal de sociedades sem propósito negocial e a criação de ágios artificiais agiram com consciência do que faziam, isto é, sabiam que estavam executando a ação de modificar as características essenciais dos fatos geradores do IRPJ e da CSSL, alterando os resultados tributáveis com a dedução de despesas de amortização de ágio sem substância econômica, como também com a compensação ilegal de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL, tudo isso para obter o fim pretendido, efetivamente obtido, a redução indevida do IRPJ e da CSLL. Desse modo, cabível a aplicação da multa de 150%, na forma: a) do artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996, para os fatos geradores do anocalendário 2006; b) do artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996, para os fatos geradores ocorridos a partir do anocalendário de 2007.” Em terceiro lugar, no tocante ao Recurso da União sobre a multa qualificada aplicada sobre o excesso de prejuízos fiscais compensados, a Turma manifestouse nos seguintes termos do voto do Relator: “Com relação à matéria compensação de prejuízo fiscal, importante destacar que no julgamento do paradigma, confirmouse o cancelamento do lançamento relativo a essa matéria, nos termos do cancelamento já decidido pela DRJ, negando se provimento ao recurso de ofício, nos seguintes termos: Fl. 9402DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.882 CSRFT1 Fl. 9.403 9 No que diz respeito às compensações dos resultados negativos, a providência encontra respaldo na legislação de regência, eis que, em conformidade com o disposto no art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995, o valor devido a ser lançado de ofício deve ser apurado com observância do regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase correspondente. Tratandose, pois, de apuração com base no lucro real anual, há de se recompor a base de cálculo com base no valor declarado e com a imputação da matéria tributável apurada. No caso vertente, tal recomposição tomou por base a declaração apresentada pela contribuinte (DIPJ), sistema interno de controle da Receita Federal (SAPLI) e o Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), motivo pelo qual o recurso de ofício, no que tange a este item, não deve ser provido. Logo, como houve o cancelamento do lançamento em relação à matéria compensação de prejuízo fiscal, não se pode tratar de divergência em relação à multa sobre esse lançamento, de modo que não pode ser conhecido o Recurso da Fazenda quanto a esse ponto. Mas não é só. Ainda que tal decisão servisse a tal fim, analisando o quanto discutido em relação à compensação de prejuízo, percebese que o tema foi o regime de apuração, conforme o seguinte trecho da decisão: (..)Tratandose, pois, de apuração com base no lucro real anual, há de se recompor a base de cálculo com base no valor declarado e com a imputação da matéria tributável apurada. Em nenhum momento evidenciouse que no paradigma se discutiu a possibilidade de utilização integral de prejuízo fiscal na extinção da pessoa jurídica. Logo, também por essa razão não merece ser conhecido o recurso da Fazenda em relação à multa aplicada sobre a compensação de prejuízo fiscal.” (grifei) Portanto, não se admitiu o apelo da União em relação à multa qualificada sobre o excesso de prejuízos fiscais compensados. Diante do que está retratado, acima, solucionase a obscuridade, nos seguintes termos: a) não foi conhecida a questão sobre a qualificação da multa, suscitada no Recurso Especial da União, em relação à glosa da despesa de amortização do ágio ND Par; b) a União não interpôs Recurso Especial em relação à multa sobre a glosa da despesa de amortização do ágio Usina da Barra; c) não foi conhecida a questão sobre a qualificação da multa, suscitada no Recurso Especial da União, em relação à glosa do excesso de compensação de prejuízos fiscais; Fl. 9403DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.882 CSRFT1 Fl. 9.404 10 d) a Turma conheceu da questão sobre a qualificação da multa, suscitada no Recurso Especial da União, em relação à glosa da despesa de amortização do ágio Corona, dandolhe provimento. Agora, prosseguese ao item 2 do Despacho de Admissibilidade: “2. Provimento do recurso especial da Fazenda Nacional obscuridade/contradição A segunda reclamação do embargante está na afirmação de que o voto vencedor do acórdão embargado estaria obscuro em relação à extensão do provimento do recurso especial da Fazenda Nacional, uma vez que este determina a manutenção da multa qualificada em relação ao ágio, sem distinguir as empresas de origem, e em relação ao excesso de compensação de prejuízos fiscais, quando esse recurso especial teria sido admitido apenas em relação ao ágio da empresa Corona, conforme o seguinte excerto (fls. 9290): Como se vê, apesar de essa E. CSRF ter entendido, por unanimidade de votos, pelo não conhecimento do Recurso Especial da PGFN em relação ao ágio NDPar e ao suposto excesso de aproveitamento de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL, no voto vencedor, de forma obscura, constou que o recurso fazendário teria sido integralmente conhecido e provido, sem qualquer individualização dos atos/operações praticados e lançados. Nesse contexto, deve essa E. CSRF acolher os presentes Embargos de Declaração, para que seja sanada a obscuridade apontada, de modo que conste não apenas na ementa e no resultado do julgamento, mas, também, de forma expressa, no voto vencedor, que o Recurso Especial da PGFN foi conhecido e provido apenas e tão somente no que tange à aplicação da multa qualificada sobre a glosa das despesas do ágio Corona. (grifei) Ainda nessa quadra, o embargante afirma que o mesmo voto vencedor está em contradição com o resultado do julgamento, pois anunciam providências distintas, conforme o seguinte excerto (fls. 9290): Mencionese, ainda, que tal como escrito, o voto vencedor acabou por ser contraditório com o resultado do julgamento, tal como já exposto, a Turma, por unanimidade, não conheceu do Recurso Especial da PGFN com relação (i) ao ágio NDPar e ao (ii) suposto excesso de aproveitamento de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL. Dessa forma, não poderia o voto vencedor fazer menção às operações societárias de forma genérica, sem qualquer identificação, nem tão pouco à compensação do prejuízo fiscal e base negativa tais assuntos, restaram superados pelo não conhecimento do Recurso Especial da PGFN. (grifei) Verifico que esta reclamação trata da mesma situação abordada no item anterior: existe uma incongruência entre o voto vencido, o dispositivo do voto vencedor e a proclamação do resultado. No item anterior, o embargante se prende ao voto vencido para afirmar a falha na proclamação do resultado e aqui o embargante ainda se prende ao voto vencido para, agora, afirmar a falha no voto vencedor. Assim, a admissão da reclamação do item anterior se estende à presente reclamação e a solução de lá se aproveita para cá, uma vez que o dispositivo do voto vencedor e a proclamação do resultado do julgamento devem ser equalizados. Com isso, os Fl. 9404DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.882 CSRFT1 Fl. 9.405 11 embargos devem ser admitidos quanto a este tópico, embora este seja desnecessário, por reprisar questão já abordada.” Devese aclarar que o voto vencedor cuidou das questões suscitadas pela União e pelo contribuinte, em recursos especiais próprios. Na exposição das razões de decidir, o redator do voto vencedor examinou, primeiramente, a matéria objeto do recurso do contribuinte, relativamente à dedutibilidade dos ágios amortizados, fazendoo pelas seguintes perspectivas: a) exigência de laudo de avaliação contemporâneo aos fatos; b) possibilidade de amortização fiscal do ágio em operações com empresa veículo; c) possibilidade de efeitos tributários do ágio interno. A adoção de tal conduta metodológica não implicou desconhecimento das características de cada um dos ágios referidos nos recursos interpostos. Pelo contrário, verifica se que o voto vencedor assenhoreouse dos fatos da causa retratados nos autos, bem assim dos aspectos de relevo dos ágios submetidos a julgamento. O redator do voto vencedor talvez devesse metodologicamente apreciar cada ágio de um modo isolado em relação aos demais, para fins de clareza, como reclama a Embargante. No entanto, as perspectivas de análise supramencionadas possibilitaram o cuidadoso exame à luz das orientações jurisprudenciais mais recentes. Somente após a necessária exposição dos fundamentos de rejeição à dedutibilidade da amortização desses ágios, ao julgar o Recurso Especial do contribuinte, passouse ao julgamento da matéria trazida à baila no recurso da União: a qualificação das multas. Ademais, não se deve confundir a questão sobre a glosa do excesso de compensação de prejuízos fiscais, objeto de recurso do contribuinte, com a multa qualificada sobre essa glosa, objeto de recurso União. A primeira foi admitida a julgamento e a segunda, não. O Recurso Especial do contribuinte quanto à glosa do excesso de compensação do prejuízo fiscal foi conhecido, nos seguintes termos do voto do Relator: “Diante o questionamento da admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda pelo Contribuinte e do Contribuinte, pela Fazenda, fazse importante sua análise. Alega a Fazenda Nacional não restar perfeitamente caracterizada a divergência em relação a matéria validade das empresas veículo. Diz a Fazenda que diferentemente do caso sob exame, em que, conforme explicita o voto recorrido, não havia registro de ágio no momento em que realizada a operação no paradigma nº 1102000.982, havia registro anterior do ágio. Também no segundo paradigma apresentado, pelo que se extrai do voto vencedor do acórdão nº 1301001.505, havia ágio registrado quando da operação tratada. Assim, entende a Fazenda que devese negar seguimento ao recurso especial manejado diante da ausência de caracterização da divergência pelas diferenças fáticas das situações analisadas. Entendo que não cabe razão à Fazenda. Analisando o recorrido, percebese que a razão pela qual não se admitiu o ágio gerado através de empresa veículo foi a ausência propósito negocial, gerada pela ausência de propósito extratributário para a efetivação das operações societárias. Fl. 9405DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.882 CSRFT1 Fl. 9.406 12 No paradigma 1301001.505, por seu turno, empresa veículo não prejudica o direito do contribuinte, conforme se depreende já de sua ementa, verbis: INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO INOCORRÊNCIA. No contexto das Leis 9.472/97 e 9.494/97, e pelo Decreto nº 2.546/97, a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 mediante utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco.ágio ou economia de tributos distinta daquela prevista em lei. Logo, há, sim, similitude fática entre as operações, em ambos os casos foi utilizada empresa intermediária para aquisição de participação, com posterior incorporação. Muito embora a questão da data da contabilização do ágio seja um ponto tratado na decisão recorrido, não é esta a questão relevante para a decisão de ausência de propósito negocial. Portanto, conheço do Recurso do contribuinte nos termos do despacho de admissibilidade e do despacho de agravo.” (grifei Dessarte, conhecido o Recurso Especial do contribuinte, em sua totalidade, a Turma passou a julgálo. Ao apreciar a questão do excesso de compensação de prejuízos fiscais, o Relator entendeu que deveria prover o apelo do contribuinte, mas a Turma, por voto de qualidade, negou provimento. Coube ao Conselheiro Flávio Franco Corrêa a elaboração do voto vencedor, proferido desse modo: “Na próxima questão, a limitação da utilização de prejuízo fiscal e base negativa na extinção de pessoa jurídica. DANCO incorporou USINA DA BARRA 48, e seu capital social, que estava registrado no valor de R$ 1.000,00, aumentou para R$ 660.519.604,29. Ao cabo da incorporação, a sociedade incorporada deixou de existir. Em seguida, a incorporadora alterou sua razão social para USINA DA BARRA S/A AÇÚCAR E ÁLCOOL (USINA DA BARRA 08), como também alterou seu endereço, situando se, desde então, no local onde era a sede de USINA DA BARRA 48. DANCO estava inativa desde a sua constituição, com capital de R$ 1.000,00, enquanto USINA DA BARRA 48, com capital de R$ 660.518.604,29, estava ativa desde 1956. Com a incorporação, USINA DA BARRA 08 assumiu todos os ativos e todos os passivos de USINA DA BARRA 48. Tudo o mais permaneceu como na anterior USINA DA BARRA 48: ativos, passivos, receitas, despesas, endereço, sócios. Apenas duas alterações ocorreram: o capital social, acrescido em R$1.000,00, e o número do CNPJ. No documento Protocolo e Justificação da AGE de 28/02/2007, citouse que a incorporação acarretaria vantagens às sociedades envolvidas, "consistentes na redução de custos operacionais e administrativos em face da unificação dos esforços gerenciais e do redimensionamento da estrutura operacional". No ponto, a Fiscalização argui: como sustentar a justificativa de redução de custos operacionais e Fl. 9406DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.882 CSRFT1 Fl. 9.407 13 administrativos, se a empresa incorporadora DANCO foi cadastrada no CNPJ em maio de 2006 e permaneceu inativa até fevereiro de 2007, ocasião da incorporação? Alertese para a circunstância segundo a qual a pessoa jurídica DANCO apresentou a DIPJ relativa ao anocalendário de 2007 com todos os custos e despesas zerados, o que fulmina o argumento de que a incorporação em lume visava à redução de custos operacionais e administrativos, bem como o redimensionamento da estrutura operacional, já que nada disso existia. Na realidade, a fiscalizada valeuse da incorporação em foco com o propósito de compensar o prejuízo da pessoa jurídica incorporada acima da trava de 30%. Isto é, o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa de CSLL oriundos de USINA DA BARRA 48 foram compensados por USINA DA BARRA 08 além do limite legal, com o suposto apoio na tese de que não há limitação para compensação de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL gerados em pessoa jurídica extinta. Na linha do pensamento do ilustre Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior, no acórdão nº 10196.142, a pergunta que se deve fazer é: "quem de fato incorporou quem no caso concreto? A alteração da denominação e a concomitante transferência do endereço para aquele da dita incorporada são sinais fortes do que de fato ocorreu." A incorporadora teve a razão social e o domicílio alterados, ajustandose à razão social e ao endereço da incorporada, deficitária. Nessa prumada, verificase que a incorporada sobreviveu de fato, com a geração de resultados positivos compensados com prejuízos dela própria. Em verdade, o que se fez foi a adoção de forma jurídica sem correspondência fática, objetivandose compensar prejuízos fiscais acumulados com resultados positivos próprios, fora da trava de 30%, contornandose, com forma vazia de conteúdo, a prescrição proibitiva da legislação. Sem dúvida, o óbice imposto pela Fiscalização quanto à compensação de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL, acumulados anteriormente pela incorporada, decorreu da percuciente procura pela realidade escondida sob a capa das formas jurídicas, que dão a aparência de que os fatos são merecedores de uma qualificação distinta daquela que lhe é juridicamente correta e, como tal, determinante de um desvio da incidência natural da regra jurídica que impede a vantagem fiscal pretendida. Porém, uma vez descobertos os fatos reais pela retirada da capa das formas jurídicas, de plano se constata que toda a atividade após o evento da incorporação derivava da incorporada, com o nome desta e no seu endereço, que sobreviveu de fato, com geração de resultados compensados com prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL. Firme nestas razões, anotase a violação ao artigo 510 do RIR/99, bem como a infração ao artigo 16 da Lei nº 9.065/1995, motivo por que se deve negar provimento ao Recurso Especial do contribuinte, quanto ao item debatido.” (sic) Por mera lógica, o Recurso Especial da União, quanto à multa qualificada sobre o excesso de prejuízo fiscal compensado, só poderia ser julgado após a Turma deliberar sobre a procedência da glosa desse excesso, invocada no Recurso Especial do contribuinte. No entanto, como assinalado precedentemente, a Turma não conheceu do apelo da União, em relação a essa questão. Diante de tudo o que se expôs, as obscuridades indicadas devem sem solucionadas, ao fim e ao cabo, observadas as determinações dos itens 1 e 2 do Despacho de Admissibilidade, com base nas seguintes respostas: Fl. 9407DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.882 CSRFT1 Fl. 9.408 14 1) não foi conhecida a questão sobre a qualificação da multa, suscitada no Recurso Especial da União, em relação à glosa da despesa de amortização do ágio ND Par; 2) a União não interpôs Recurso Especial em relação à multa sobre a glosa da despesa de amortização do ágio Usina da Barra; 3) a Turma conheceu o Recurso Especial do contribuinte, quanto ao excesso de compensação de prejuízo fiscal, negandolhe provimento; 4) não foi conhecida a questão sobre a qualificação da multa, suscitada no Recurso Especial da União, em relação à glosa do excesso de compensação de prejuízos fiscais; 5) a Turma conheceu da questão sobre a qualificação da multa, suscitada no Recurso Especial da União, em relação à glosa da despesa de amortização do ágio Corona, dandolhe provimento. Portanto, os Embargos de Declaração devem ser acolhidos com efeitos infringentes, para, suprindo as obscuridades, retificar o acórdão, que passa a ter a seguinte redação: “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencido o conselheiro Flávio Franco Corrêa, que não conheceu em relação à decadência. No mérito, acordam em negar provimento ao recurso nos seguintes termos: (1) por unanimidade de votos quanto à decadência; (2) por maioria de votos quanto ao ágio interno, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que deram provimento nesse ponto; e (3) por voto de qualidade em relação à (3.1) empresa veículo, (3.2) trava de 30%, (3.3) aos juros sobre multa e (3.4) ao laudo contemporâneo, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que deram provimento a esses quatro temas. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas quanto à qualificação da multa (4) do ágio referente à CORONA. No mérito do recurso fazendário, por voto de qualidade, acordam em dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros e Gerson Macedo Guerra (relator), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Franco Corrêa.” É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 9408DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.882 CSRFT1 Fl. 9.409 15 Fl. 9409DF CARF MF
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Numero do processo: 19679.720028/2014-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.904
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Vinícius Guimarães (Suplente convocado) que negava provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho não participou da votação em razão do voto definitivamente proferido pelo Conselheiro Vinícius Guimarães.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Vinícius Guimarães (Suplente convocado) que negava provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho não participou da votação em razão do voto definitivamente proferido pelo Conselheiro Vinícius Guimarães. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação declarada, relativa a suposto crédito da contribuição não cumulativa (PIS/Cofins), por falta de comprovação de recolhimento a maior e/ou indevido. Segundo a autoridade administrativa, no que tange à apuração das contribuições ao PIS e à Cofins, o contribuinte desempenhava concomitantemente atividades sujeitas aos regimes cumulativo e não cumulativo. No Dacon, conforme relato, o método de determinação dos créditos se dera pela “INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA SOBRE RECEITA PARCIAL E/OU RECEITA DE EXPORTAÇÃO COM RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 79 .7 20 02 8/ 20 14 -2 6 Fl. 625DF CARF MF Processo nº 19679.720028/201426 Resolução nº 3302000.904 S3C3T2 Fl. 3 2 BASE NA PROPORÇÃO DOS CUSTOS DIRETAMENTE APROPRIADOS”, pressupondo, tal opção, a existência de um sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração que possibilitasse a verificação do percentual de cada nota fiscal destinado à atividade sujeita ao regime cumulativo (serviços de concretagem) e à atividade não cumulativa (vendas de cimento, argamassa etc.). No Despacho, foi ressaltada uma característica importante na atividade de serviço de concretagem, relativamente à utilização da matériaprima principal, o cimento produzido pelo próprio contribuinte, que estava sujeito ao regime da não cumulatividade. Nesse caso, quando o contribuinte adquiria insumo para produção do cimento, apenas parte poderia ser aproveitada como crédito, a outra parte não. Nas planilhas apresentadas pelo contribuinte, todas as notas ali elencadas estavam com a totalidade dos valores classificados como crédito, por isso foram solicitadas informações mais específicas dos bens e serviços utilizados como insumos e fretes contratados, com a indicação do processo produtivo e o cálculo de rateio. Não havendo atendimento por parte da interessada concluiuse que as informações prestadas não eram aptas a comprovar a liquidez e certeza dos créditos alegados. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte confirmou que desempenhava, concomitantemente, atividades sujeitas ao regime cumulativo e não cumulativo, realizando serviços de concretagem enquadráveis como ‘execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil’, cujas receitas se sujeitavam ao regime cumulativo, enquanto todas as demais receitas eram tributadas pelo regime não cumulativo. Segundo ele, equivocadamente, oferecera à tributação das contribuições (PIS/Cofins), na sistemática não cumulativa, a totalidade de suas receitas, inclusive a de prestação de serviços de concretagem, sujeita ao regime cumulativo, aplicando a alíquota de 7,6% e apropriando todos os créditos de insumos e serviços tomados no âmbito de sua atividade. Posteriormente, entretanto, refizera a apuração e retransmitira todas as respectivas obrigações acessórias para (i) desfazer a apropriação dos créditos de insumos e serviços de concretagem e (ii) fazer incidir sobre as receitas do regime cumulativo a correta alíquota de 3%, o que resultou em recolhimentos superiores aos valores realmente devidos, que foram objeto das declarações de compensação apresentadas. Contestou a decisão da autoridade fiscal, ressaltando que, se não houvera a comprovação da apropriação dos créditos pelo método direto dos custos, como destacado no despacho decisório, deveria ter sido utilizado o método da proporcionalidade, legitimando o rateio de custos entre as atividades sujeitas aos regimes cumulativo e não cumulativo (apresentou o cálculo de rateio dos insumos a partir da proporcionalidade da receita bruta que, segundo ele, encontravase de acordo com o previsto no § 8º do art. 3ª da Lei nº 10.833, de 2003). Salientou que o Despacho Decisório não fizera qualquer menção à imposição de juros e multa, presumindose daí que eles não estavam sendo exigidos, tornandose nula uma possível cobrança a esse respeito, em razão da impossibilidade de se defender. Admitiu que, no caso, tratavase de mero erro formal, sem qualquer lesão ao fisco, uma vez que não houvera redução do valor do montante tributável, não tendo sido logrado qualquer benefício, o que demonstrava que a não homologação da compensação Fl. 626DF CARF MF Processo nº 19679.720028/201426 Resolução nº 3302000.904 S3C3T2 Fl. 4 3 pretendida deflagrava um rigor excessivo, incompatível com os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, bem como com a verdade material prevalecente no âmbito do processo administrativo tributário. A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob fundamento de falta de comprovação da existência do direito creditório, por meio de documentos fiscais e/ou escrituração contábil hábeis, e por considerar que a aplicação do cálculo de rateio dos créditos a partir da proporcionalidade não podia ser considerada antes que se comprovasse o montante dos créditos informados no Dacon. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou os argumentos utilizados na Manifestação de Inconformidade, ressaltando o seguinte: a) o fornecimento de argamassa preparada em betoneiras no trajeto até a obra é prestação de serviços, razão pela qual refez a apuração da contribuição; b) ao verificar estarem as receitas decorrentes de prestação de serviço de concretagem sujeitas ao regime cumulativo, refez sua apuração, constatando que os recolhimentos outrora efetivados foram superiores aos valores realmente devidos; c) houve indevida desconsideração do método de apuração adotado; d) defendeu a busca pela verdade material. É o relatório Voto Paulo Guilherme Deroulede, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3302000.901, de 23/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 19679.720027/201481, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3302000.901): A Recorrente reformulou sua escrituração contábil com o objetivo de refazer a sua apuração de COFINS com o escopo de tributar as receitas relativas às atividades de "concretagem" no regime CUMULATIVO, eis que originalmente o havia feito sob a sistemática NÃO CUMULATIVA. A Recorrente insurgese contra o fato da autoridade fiscal haver deixado de reconhecer o controle elaborado por ela, mormente diante de planilhas com identificação individual de cada nota fiscal de entrada dos insumo de forma separada em relação à atividade sujeita à sistemática cumulativa e não cumulativa. Requer seja acatada ao menos a COFINS apurada de forma cumulativa referente à mesma competência do crédito que deveria ter sido compensada, eis Fl. 627DF CARF MF Processo nº 19679.720028/201426 Resolução nº 3302000.904 S3C3T2 Fl. 5 4 que entende tratarse de mera reclassificação de receita, seja segundo o método de apropriação direta ou pelo método do rateio proporcional. Vale destacar que originalmente a Recorrente apresentou DACON pela sistemática NÃO CUMULATIVA, apropriandose de todos os insumos adquiridos, mas apurando COFINS a uma alíquota de 7,6%. Contudo, retificou a declaração para adequarse à sistemática CUMULATIVA, sujeitandose à alíquota de 3%. A fiscalização, contudo, entendeu por bem desconsiderar o controle de custos da Recorrente para fins de repartição dos créditos de insumos passíveis de apropriação. Argumenta a Recorrente que a não homologação da DCOMP em discussão implicaria exigência em duplicidade da COFINS da competência de setembro de 2008. Aduz ainda que a fiscalização tinha o dever de empregar o método alternativo da proporcionalidade (rateio proporcional) previsto no § 8º do artigo 3º da Lei 10.833/2003, e não simplesmente deixar de reconhecer qualquer pagamento a título de COFINS cumulativa. Não obstante os argumentos esposados pela Recorrente é de se notar que ao prestar o "serviço de concretagem" ela utiliza como principal matéria prima o CIMENTO por ela mesmo produzido e sujeito ao regime não cumulativo. Como da aquisição dos insumos para a fabricação do cimento apenas uma parte foi destinado ao serviço utilizado na operação de concretagem, apenas uma parte dos créditos poderia ter sido utilizado. Foi por esta razão que a Autoridade Fiscal entendeu que os créditos apresentados não possuiriam a liquidez e certeza necessários ao seu aproveitamento aos fins almejados pela Recorrente. "Entretanto, como constatado pela autoridade fiscal, as planilhas apresentadas em 26/06/2015 não contemplavam os dados solicitados no TIF 12/2015, não trazendo a informação individualizada de cada nota fiscal: rubrica correspondente do Dacon, mês em que o valor foi apropriado, número da nota fiscal, dia de emissão, número do CFOP da operação, código NCM da mercadoria, descrição detalhada da mercadoria, CNPJ/CPF do fornecedor, nome do fornecedor, valor da nota, valor da base de cálculo para fins de crédito e indicação a qual processo produtivo cada um dos bens pertence (cimento, argamassa, concreto etc). Concluindo, dessa maneira, que as informações prestadas pela contribuinte não estavam aptas a comprovar a liquidez e certeza dos créditos alegados." (efls. 482) Se por um lado é verdade que a Recorrente possui o direito de utilizarse dos créditos tributários, por outro é necessário que tais créditos sejam dotados da liquidez e certeza necessários à compensação. Em sede de Recurso Voluntário, é de competência deste colegiado aferir, em grau recursal, se a documentação apresentada é suficiente à demonstração do direito ao crédito. A negativa do fisco, que foi acompanhada pela DRJ, é no sentido de que a Recorrente, mesmo intimada, deixou de apresentar todas as informações relevantes à aferição da liquidez e da certeza dos créditos, merecendo destaque a rubrica correspondente do DACON, mês de apropriação, número da nota, dia de emissão, número do CFOP da operação, código NCM da mercadoria, descrição Fl. 628DF CARF MF Processo nº 19679.720028/201426 Resolução nº 3302000.904 S3C3T2 Fl. 6 5 detalhada, CNPJ ou CPF do fornecedor, nome do fornecedor, valor da nota, valor da base de cálculo para fins de crédito e indicação a qual processo produtivo cada um dos bens pertence, o que levou ao fisco a entender que o crédito não era dotado dos predicados imprescindíveis à sua compensação. No entanto, pela análise do processo é possível aferir que muitas destas informações estão contidas na documentação trazida aos autos pela Recorrente, havendo indícios de que podem existir créditos a serem aproveitados. Neste cenário, proponho converter o julgamento em diligência, à unidade de origem, para que a fiscalização, após a Recorrente indicar o processo produtivo no qual o insumo comum foi empregado, apure o real valor dos créditos pelo emprego do método do rateio proporcional com base na receita bruta, conforme a legislação aplicável, ocasião em que a fiscalização poderá exigir novos documentos. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência à unidade de origem, para que a fiscalização, após a Recorrente indicar o processo produtivo no qual o insumo comum foi empregado, apure o real valor dos créditos pelo emprego do método do rateio proporcional com base na receita bruta, conforme a legislação aplicável, ocasião em que a fiscalização poderá exigir novos documentos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 629DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10803.720060/2015-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010, 2011
PRELIMINAR. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. IRPF. PRAZO DO ART. 173, I, DO CTN.
O fato gerador do IRPF é complexivo ou periódico, vez que compreende a disponibilidade econômica ou jurídica adquirida pelo contribuinte em determinado ciclo que se inicia no dia primeiro de janeiro e se finda no dia 31 de dezembro de cada ano-calendário.
Assim, a contagem do prazo decadencial para a constituição do lançamento de IRPF submete-se à regra geral prevista no art. 173, I, do CTN, ou seja, cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
O pleno acesso a todos os documentos que lastrearam o lançamento, que permitiu o total conhecimento e compreensão das infrações fiscais que foram imputadas, infirma as alegações do sujeito passivo quanto a suposto cerceamento de defesa.
PRELIMINAR. DEMONSTRATIVO DA VARIAÇÃO A DESCOBERTO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. RECURSOS/ORIGENS E APLICAÇÕES/DISPÊNDIOS. COMPROVAÇÃO.
Não há que se falar de ausência de fundamentação legal quando o demonstrativo da variação patrimonial a descoberto apresenta a devida fundamentação legal e indica, de forma inequívoca, os recursos/origens e as aplicações/dispêndios.
PRELIMINAR. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE.
Não há que se falar de realização de diligência quando for considerada desnecessária ao deslinde da matéria litigiosa.
INADEQUAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO-TRIBUTÁRIO APLICADO E DUPLA TRIBUTAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Considera-se acréscimo patrimonial a descoberto a aquisição de bens e direitos e a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. Assim, um acréscimo patrimonial não acobertado pela renda à disposição do contribuinte no momento de sua realização é uma omissão de rendimento tributável.
A sistemática de apuração dos rendimentos omitidos possui previsão legal, consoante a norma disposta no art. 3º., § 1º., da Lei n. 7.713/88, decorrendo a legalidade e adequação do critério jurídico-tributário utilizado no caso concreto, com mais razão ainda quando o sujeito passivo fez uso do instituto da pessoa jurídica de modo contrário à função e aos princípios que regem o ordenamento jurídico.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CARACTERIZAÇÃO. IRPF. TRIBUTAÇÃO.
Os rendimentos caracterizados como acréscimo patrimonial a descoberto devem compor a base de cálculo anual do IRPF e nessa condição serem tributados observando-se a tabela progressiva.
EXPROPRIAÇÃO DE BENS EM PROL DA UNIÃO. EFEITOS DA CONDENAÇÃO PENAL. PAGAMENTO DE TRIBUTO. IMPOSSIBILIDADE. CARACTERIZAÇÃO DE CONFISCO NA ESFERA TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA.
A expropriação de valores e bens em prol da União, em razão da prática de diversos ilícitos criminais, não se caracteriza, sob nenhuma hipótese, pagamento de tributo, mas, sim, um efeito da condenação penal.
A exigência de IRPF corresponde a uma parcela dos rendimentos omitidos, apurada pela aplicação da alíquota nominal de 27,5% que, consideradas as deduções permitidas em lei, reduz-se a uma alíquota efetiva inferior, o que descaracteriza o argumento de que o tributo é superior ao valor expropriado.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. HIPÓTESES DE SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. POSSIBILIDADE.
A omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, comprovada a ocorrência de sonegação, fraude e conluio, hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64, autoriza a qualificação da multa de ofício.
MULTA ISOLADA. INEXISTÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. INOVAÇÃO RECURSAL.
Tratando-se de matéria não impugnada, não expressamente questionada pelo sujeito passivo em sede de impugnação (art. 17 do Decreto n. 70.235/1972), resta caracterizada inovação recursal, não passível de apreciação pela segunda instância de julgamento.
Numero da decisão: 2402-006.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento parcial para excluir do lançamento os bens que foram entregues e expropriados. O Conselheiro Paulo Sérgio da Silva votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício)
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010, 2011 PRELIMINAR. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. IRPF. PRAZO DO ART. 173, I, DO CTN. O fato gerador do IRPF é complexivo ou periódico, vez que compreende a disponibilidade econômica ou jurídica adquirida pelo contribuinte em determinado ciclo que se inicia no dia primeiro de janeiro e se finda no dia 31 de dezembro de cada ano-calendário. Assim, a contagem do prazo decadencial para a constituição do lançamento de IRPF submete-se à regra geral prevista no art. 173, I, do CTN, ou seja, cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. O pleno acesso a todos os documentos que lastrearam o lançamento, que permitiu o total conhecimento e compreensão das infrações fiscais que foram imputadas, infirma as alegações do sujeito passivo quanto a suposto cerceamento de defesa. PRELIMINAR. DEMONSTRATIVO DA VARIAÇÃO A DESCOBERTO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. RECURSOS/ORIGENS E APLICAÇÕES/DISPÊNDIOS. COMPROVAÇÃO. Não há que se falar de ausência de fundamentação legal quando o demonstrativo da variação patrimonial a descoberto apresenta a devida fundamentação legal e indica, de forma inequívoca, os recursos/origens e as aplicações/dispêndios. PRELIMINAR. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Não há que se falar de realização de diligência quando for considerada desnecessária ao deslinde da matéria litigiosa. INADEQUAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO-TRIBUTÁRIO APLICADO E DUPLA TRIBUTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Considera-se acréscimo patrimonial a descoberto a aquisição de bens e direitos e a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. Assim, um acréscimo patrimonial não acobertado pela renda à disposição do contribuinte no momento de sua realização é uma omissão de rendimento tributável. A sistemática de apuração dos rendimentos omitidos possui previsão legal, consoante a norma disposta no art. 3º., § 1º., da Lei n. 7.713/88, decorrendo a legalidade e adequação do critério jurídico-tributário utilizado no caso concreto, com mais razão ainda quando o sujeito passivo fez uso do instituto da pessoa jurídica de modo contrário à função e aos princípios que regem o ordenamento jurídico. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CARACTERIZAÇÃO. IRPF. TRIBUTAÇÃO. Os rendimentos caracterizados como acréscimo patrimonial a descoberto devem compor a base de cálculo anual do IRPF e nessa condição serem tributados observando-se a tabela progressiva. EXPROPRIAÇÃO DE BENS EM PROL DA UNIÃO. EFEITOS DA CONDENAÇÃO PENAL. PAGAMENTO DE TRIBUTO. IMPOSSIBILIDADE. CARACTERIZAÇÃO DE CONFISCO NA ESFERA TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. A expropriação de valores e bens em prol da União, em razão da prática de diversos ilícitos criminais, não se caracteriza, sob nenhuma hipótese, pagamento de tributo, mas, sim, um efeito da condenação penal. A exigência de IRPF corresponde a uma parcela dos rendimentos omitidos, apurada pela aplicação da alíquota nominal de 27,5% que, consideradas as deduções permitidas em lei, reduz-se a uma alíquota efetiva inferior, o que descaracteriza o argumento de que o tributo é superior ao valor expropriado. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. HIPÓTESES DE SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. POSSIBILIDADE. A omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, comprovada a ocorrência de sonegação, fraude e conluio, hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64, autoriza a qualificação da multa de ofício. MULTA ISOLADA. INEXISTÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. INOVAÇÃO RECURSAL. Tratando-se de matéria não impugnada, não expressamente questionada pelo sujeito passivo em sede de impugnação (art. 17 do Decreto n. 70.235/1972), resta caracterizada inovação recursal, não passível de apreciação pela segunda instância de julgamento.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1816; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2.793 1 2.792 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10803.720060/201545 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.795 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 05 de dezembro de 2018 Matéria IRPF Recorrente ALBERTO YOUSSEF Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010, 2011 PRELIMINAR. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. IRPF. PRAZO DO ART. 173, I, DO CTN. O fato gerador do IRPF é complexivo ou periódico, vez que compreende a disponibilidade econômica ou jurídica adquirida pelo contribuinte em determinado ciclo que se inicia no dia primeiro de janeiro e se finda no dia 31 de dezembro de cada anocalendário. Assim, a contagem do prazo decadencial para a constituição do lançamento de IRPF submetese à regra geral prevista no art. 173, I, do CTN, ou seja, cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. O pleno acesso a todos os documentos que lastrearam o lançamento, que permitiu o total conhecimento e compreensão das infrações fiscais que foram imputadas, infirma as alegações do sujeito passivo quanto a suposto cerceamento de defesa. PRELIMINAR. DEMONSTRATIVO DA VARIAÇÃO A DESCOBERTO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. RECURSOS/ORIGENS E APLICAÇÕES/DISPÊNDIOS. COMPROVAÇÃO. Não há que se falar de ausência de fundamentação legal quando o demonstrativo da variação patrimonial a descoberto apresenta a devida fundamentação legal e indica, de forma inequívoca, os recursos/origens e as aplicações/dispêndios. PRELIMINAR. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 72 00 60 /2 01 5- 45 Fl. 2793DF CARF MF Processo nº 10803.720060/201545 Acórdão n.º 2402006.795 S2C4T2 Fl. 2.794 2 Não há que se falar de realização de diligência quando for considerada desnecessária ao deslinde da matéria litigiosa. INADEQUAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICOTRIBUTÁRIO APLICADO E DUPLA TRIBUTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Considerase acréscimo patrimonial a descoberto a aquisição de bens e direitos e a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. Assim, um acréscimo patrimonial não acobertado pela renda à disposição do contribuinte no momento de sua realização é uma omissão de rendimento tributável. A sistemática de apuração dos rendimentos omitidos possui previsão legal, consoante a norma disposta no art. 3º., § 1º., da Lei n. 7.713/88, decorrendo a legalidade e adequação do critério jurídicotributário utilizado no caso concreto, com mais razão ainda quando o sujeito passivo fez uso do instituto da pessoa jurídica de modo contrário à função e aos princípios que regem o ordenamento jurídico. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CARACTERIZAÇÃO. IRPF. TRIBUTAÇÃO. Os rendimentos caracterizados como acréscimo patrimonial a descoberto devem compor a base de cálculo anual do IRPF e nessa condição serem tributados observandose a tabela progressiva. EXPROPRIAÇÃO DE BENS EM PROL DA UNIÃO. EFEITOS DA CONDENAÇÃO PENAL. PAGAMENTO DE TRIBUTO. IMPOSSIBILIDADE. CARACTERIZAÇÃO DE CONFISCO NA ESFERA TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. A expropriação de valores e bens em prol da União, em razão da prática de diversos ilícitos criminais, não se caracteriza, sob nenhuma hipótese, pagamento de tributo, mas, sim, um efeito da condenação penal. A exigência de IRPF corresponde a uma parcela dos rendimentos omitidos, apurada pela aplicação da alíquota nominal de 27,5% que, consideradas as deduções permitidas em lei, reduzse a uma alíquota efetiva inferior, o que descaracteriza o argumento de que o tributo é superior ao valor expropriado. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. HIPÓTESES DE SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. POSSIBILIDADE. A omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, comprovada a ocorrência de sonegação, fraude e conluio, hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64, autoriza a qualificação da multa de ofício. MULTA ISOLADA. INEXISTÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. INOVAÇÃO RECURSAL. Tratandose de matéria não impugnada, não expressamente questionada pelo sujeito passivo em sede de impugnação (art. 17 do Decreto n. 70.235/1972), resta caracterizada inovação recursal, não passível de apreciação pela segunda instância de julgamento. Fl. 2794DF CARF MF Processo nº 10803.720060/201545 Acórdão n.º 2402006.795 S2C4T2 Fl. 2.795 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento parcial para excluir do lançamento os bens que foram entregues e expropriados. O Conselheiro Paulo Sérgio da Silva votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício) (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 2711/2726) em face do Acórdão n. 02 67.778 7ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE (efls. 2672/2687), que julgou improcedente a impugnação de efls. 2613/2623, mantendo o crédito tributário consignado no lançamento constituído em 02/12/2015 (ciência pessoal efls. 2590/2605) mediante o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF Exercícios: 2010 (AC 2009) e 2011 (AC 2010) no montante de R$ 10.932.533,61 sendo R$ 3.653.241,21 de imposto (Cód. Receita 2904); R$ 1.694.064,11 de juros de mora calculados até 11/2015; e R$ 5.479.861,82 de multa proporcional calculada sobre o principal (efls. 2523/2537) com fulcro nas infrações caracterizadas por i) acréscimo patrimonial a descoberto; e ii) falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, conforme o discriminado no Termo de Verificação Fiscal (efls. 2538/2589). Em face do lançamento em apreço (efls. 2523/2537), o sujeito passivo apresentou, em 04/01/2016 (data da postagem na unidade dos Correios) efls. 2665/2666 a impugnação de efls. 2613/2623, julgada improcedente, nos termos do Acórdão n. 0267.778 (efls. 2672/2687), conforme entendimento sumarizado na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010, 2011 PRELIMINAR. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. As alegações de nulidade são improcedentes quando a autuação se efetivou dentro dos estritos limites legais e foi facultado ao sujeito passivo o exercício do contraditório e da ampla defesa. SONEGAÇÃO. FRAUDE, CONLUIO. Fl. 2795DF CARF MF Processo nº 10803.720060/201545 Acórdão n.º 2402006.795 S2C4T2 Fl. 2.796 4 A sonegação, em uma de suas vertentes, é toda ação ou omissão dolosa com o objetivo de impedir ou retardar o conhecimento do fisco da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. O conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando alcançar o efeito da sonegação. DECADÊNCIA. A regra contida no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional é excepcionada nos casos em que se comprovar a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, passando a prevalecer o prazo previsto no inciso I do art. 173, em que o prazo decadencial se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a constituição do crédito tributário poderia ter sido efetuada. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. HIPÓTESES DE SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. POSSIBILIDADE. A omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, comprovada a ocorrência de sonegação, fraude e conluio, hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, autoriza a qualificação da multa de ofício. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos isentos, tributáveis, nãotributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. PERDA, EM FAVOR DA UNIÃO, DE VALORES AUFERIDOS PELO AGENTE COM A PRÁTICA DO FATO CRIMINOSO. CARACTERIZAÇÃO COMO PAGAMENTO DO TRIBUTO: IMPOSSIBILIDADE. A perda, em favor da União, de valor auferido pelo agente com a prática do fato criminoso é um efeito da condenação penal e não se confunde com a figura do pagamento do tributo. COLABORAÇÃO PREMIADA. DEVOLUÇÃO AO ERÁRIO DOS VALORES OBTIDOS ILICITAMENTE. IMPOSTO ORIUNDO DE TAIS VALORES: ANISTIA: IMPOSSIBILIDADE. A legislação tributária não prevê a possibilidade de anistia para o imposto de renda decorrente de rendimentos ilícitos devolvidos ao erário. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese o pedido de realização de diligência quando for considerada desnecessária ao deslinde da matéria litigiosa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O sujeito passivo foi pessoalmente cientificado do teor do Acórdão n. 02 67.778 (efls. 2672/2687) em 10/06/2016 (efl. 2708) e interpôs Recurso Voluntário (efls. 2711/2726) em 12/07/2016 (efl. 2711), esgrimindo, em linhas gerais, os seguintes argumentos: i) em sede preliminar: a) decadência; b) lançamento com preterimento do direito de defesa e Fl. 2796DF CARF MF Processo nº 10803.720060/201545 Acórdão n.º 2402006.795 S2C4T2 Fl. 2.797 5 com aplicação de presunção tributária sem oportunizar esclarecimento do contribuinte; c) ausência de fundamentação fática; e d) conversão do julgamento em diligência; e ii) no mérito: a) inadequação do critério jurídicotributário aplicado e dupla tributação; b) confisco expropriação da totalidade dos bens; c) multa qualificada inexistência dos requisitos legais; e d) multa isolada impossibilidade. A PGFN apresentou contrarrazões (efls. 2754/2791). É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo principal (efls. 2711/2726) é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores. Portanto, dele CONHEÇO. Das preliminares Em sede preliminar, o Recorrente protesta pela nulidade do Acórdão n. 02 67.778 (efls. 2672/2687) em virtude do advento da decadência; de lançamento com preterimento do direito de defesa e com aplicação de presunção tributária sem oportunizar esclarecimento do contribuinte; de ausência de fundamentação fática; e conversão do julgamento em diligência. Decadência O Recorrente protesta pela decadência do lançamento, vez que este foi constituído em 02/12/2015 (ciência pessoal efls.2590/2605) e referese a fatos geradores ocorridos no período de 01/01/2009 a 31/12/2010. Amparase o Recorrente na regra especial do art. 150, § 4°., do CTN, tendo em vista entender que não houve comprovação de dolo, fraude ou simulação. Ocorre que o fato gerador do IRPF é complexivo ou periódico, vez que compreende a disponibilidade econômica ou jurídica adquirida pelo contribuinte em determinado ciclo que se inicia no dia primeiro de janeiro e se finda no dia 31 de dezembro de cada anocalendário. Nesse contexto, eventuais pagamentos efetuados pelo Recorrente a título de IRPF como por exemplo, carnêleão, imposto retido na fonte e imposto complementar constituemse antecipações do imposto devido na declaração de ajuste anual, afastando, de plano, a regra especial do art. 150, § 4°., do CTN, independentemente da ocorrência, no caso concreto, de fraude, dolo ou simulação, que será, inclusive, objeto de apreciação no tópico pertinente. Nessa perspectiva, verificase que o quinquênio decadencial em relação ao AC mais antigo, no caso 2009, iniciouse no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que Fl. 2797DF CARF MF Processo nº 10803.720060/201545 Acórdão n.º 2402006.795 S2C4T2 Fl. 2.798 6 o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso concreto, 1°. de janeiro de 2011. Assim, o prazo decadencial para a Fazenda Nacional proceder ao lançamento de IRPF referente ao AC 2009 exauriuse exatamente em 31 de dezembro de 2015, observandose a regra geral do art. 173, I, do CTN, aplicável ao tributo em apreço. Considerandose que o lançamento em apreço aperfeiçoouse em 02/12/2015, não há que se falar de decadência em face dos fatos geradores ocorridos no AC 2009, nem muito menos aqueles do AC 2010. Destarte, rejeito a preliminar. Preterimento do direito de defesa e com aplicação de presunção tributária sem oportunizar esclarecimento do contribuinte O Recorrente alega que o lançamento em lide efetuouse com preterimento do direito de defesa e com aplicação de presunção tributária sem oportunizar esclarecimento do contribuinte, esgrimindo os seguintes argumentos: No caso, a autoridade fiscal recorreu à presunção legal da "variação patrimonial à descoberto" para considerar um conjunto de dispêndios realizados por uma pessoa jurídica que assumidamente foi "utilizada" pelo recorrente (GFD) como sendo manifestação de renda do recorrente não oferecida à tributação. Como comprovado no curso da ação fiscal, a documentação fiscal da GFD Investimentos Ltda. não se encontra na posse do recorrente, que buscou todos os meios a seu alcance para obtêlas. A posse desta documentação seria essencial para conhecer a forma como foram contabilizados (e, no caso, se foram oferecidos ou não à tributação) recursos que ingressaram na Pessoa Jurídica e foram utilizados para os dispêndios levantados pela fiscalização. Neste contexto, há duas situações a serem avaliadas. Por um lado, se a autoridade fiscal tinha conhecimento que os dispêndios foram feitos com recursos originados de ingressos (tributados ou não tributados) feitos na Pessoa Jurídica (GFD), não haveria base legitimadora para recorrer à presunção legal. Não é necessário presumir o que é conhecido. Por outro, e aqui entra a questão do cerceamento de defesa de forma mais clara tendo o contribuinte (e a própria ação fiscal) desde o primeiro momento indicado que a origem dos recursos utilizados nos dispêndios poderiam ser encontrados em ingressos na Pessoa Jurídica, a análise da movimentação e dos lançamentos desta pessoa jurídica seria essencial à efetiva descrição da verdade real de eventual fato gerador. E, embora seja, em tese, do recorrente o ônus de apresentar documentação idônea, está comprovado que nunca teve meio de exercer esta faculdade, por não ter acesso à documentação contábil da GFD no curso da ação fiscal. A decisão, contudo, optou pelo formalismo. Partindo da premissa que de que o recorrente foi intimado para apresentar documentos e não o fez conclui que não há espaço para falar em cerceamento de defesa, sem ter se detido na circunstância de se teve o recorrente meio de obter a documentação necessária. [...] As "várias oportunidades" (4, na verdade) mencionadas pela decisão recorrida, espalhadas por um período não maior do que dois meses (11/08/2015 a 19/10/2015) não é suficiente para afastar a realidade: o recorrente não pode analisar e apresentar documentação hábil não porque não tenha querido, mas simplesmente porque não pôde. Assim, entende o recorrente que a lavratura o Auto de Infração sem que tenha sido possível ao contribuinte a análise dos documentos relativos a GFD Investimentos Fl. 2798DF CARF MF Processo nº 10803.720060/201545 Acórdão n.º 2402006.795 S2C4T2 Fl. 2.799 7 Ltda. produz a sua nulidade, uma vez que realizado com preterimento do direito de defesa, sobretudo no caso em que a maior parte do lançamento teve com fundamento infração legal estruturada em presunção tributária (Variação Patrimonial a Descoberto) que a própria ação fiscal demonstra que os recursos tiveram origem em ingressos ocorridos na Pessoa Jurídica. Esses argumentos foram apreciados pela decisão recorrida, vez que também foram arguidos pelo Recorrente em sede de impugnação: O lançamento obedeceu aos requisitos específicos do Auto de Infração, pois ocorreu a qualificação do sujeito passivo, a descrição dos fatos, foram apontadas as disposições legais infringidas e determinada a exigência com a respectiva intimação para cumprila ou impugnála no prazo legal. Além de não se vislumbrar ilegitimidade passiva ou vício formal (Código Tributário Nacional, arts. 142 e 173), os atos e os termos foram lavrados por pessoa competente e entendo, conforme argumentos adiante expostos, que não houve preterição do direito de defesa, de modo a se respeitar os limites definidos no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Os atos praticados durante o curso do procedimento fiscal, embora estejam submetidos ao princípio inquisitivo, antes, portanto, da instauração da fase litigiosa, foram objeto de intimação do contribuinte e abertura da possibilidade de se falar nos autos. É o que ocorreu por meio da emissão do Termo de Intimação Fiscal nº 1, de 18/06/2015, fls. 1.582, com ciência em 24/06/2015, quando o sujeito passivo, em resposta, solicitou a presença dos agentes do fisco na sede da carceragem da Polícia Federal em Curitiba/PR, ocasião pela qual, em 22/07/2015, lavraram Termo de Declarações prestado pelo interessado naquele local, fls. 294/323. Não é desarrazoado lembrar que as autoridades lançadoras tentavam, sem sucesso, que o autuado atendesse as intimações a ele dirigidas desde 08/20142, por ocasião das diligências fiscais em seu desfavor (TDPFD nº 08.1.96.002014008672) e em nome da GFD Investimentos Ltda. (TDPFD nº 08.1.90.002014022108). Várias outras oportunidades foram concedidas ao autuado para argumentar, contestar e juntar elementos de provas nos autos: a) 11/08/2015, fls. 1.610; 20/08/2015, fls. 1.632; 30/09/2015, fls. 1.637; 19/10/2015, fls. 1.642. Os prazos concedidos nos mencionados termos eram razoáveis a que o autuado prestasse as informações requisitadas, observandose a abertura contida na norma do art. 927 do Decreto nº 3.000, de 1999. [...] Todas as informações requisitadas pelos agentes do fisco envolviam os fatos vivenciados pelo contribuinte, seja na pessoa natural, seja por via da GFD Investimentos Ltda.. No desenrolar do procedimento fiscal, os fatos geradores preliminares apurados pelos agentes fiscais, com base nos elementos de prova provenientes do processo judicial ou coletados junto a terceiros, foram objeto de comunicação ao autuado, com abertura de prazo para se pronunciar. As autoridades fiscais também se dirigiram à sede da GFD Investimentos Ltda. e lá nada encontraram, de maneira que lavraram o Termo de Constatação Fiscal de fls. 357/358, onde descobriram, em conversa com o zelador do prédio, Sr. Fábio Vitor da Silva, que a pessoa jurídica havia abandonado o local às pressas. Fl. 2799DF CARF MF Processo nº 10803.720060/201545 Acórdão n.º 2402006.795 S2C4T2 Fl. 2.800 8 Assim, tanto no curso da ação fiscal, nos casos em que envolvia a atuação do contribuinte, quanto na sede litigiosa, por ocasião da apresentação da impugnação, ao contribuinte foram oferecidas oportunidades concretas de falar de modo producente no processo. Ante tais considerações, refuto a preliminar de nulidade arguida. Pois bem. Compulsando os autos, verificase que a planilha de variação patrimonial a descoberto (Arquivo NãoPaginável Anexo 42_VPD_2009 e 2010) discrimina nos AC 2009 e 2010, mês a mês, dispêndios/aplicações considerando como origem de recursos os rendimentos brutos tributáveis declarados pelo Recorrente (no caso, recebidos de pessoas físicas). A composição da indigitada planilha de variação patrimonial a descoberto é descrita de forma pormenorizada, minuciosa e elucidativa no Termo de Verificação Fiscal (e fls. 2538/2589), inclusive quanto à metodologia empregada na sua elaboração e aos valores considerados (e não considerados) como origens de recursos. A planilha de variação patrimonial a descoberto (Arquivo NãoPaginável Anexo 42_VPD_2009 e 2010), bem assim todos os anexos vinculados ao Auto de Infração (e fls. 2523/2537), inclusive o Termo de Verificação Fiscal (efls. 2538/2589), foram devidamente entregues ao Recorrente, propiciandolhe assim, amplo direito de defesa e de contraditório. Resta evidenciado nos autos que no curso da ação fiscal, o Recorrente foi instado a apresentar esclarecimentos e documentos relativos às infrações que posteriormente vieram a lhe ser imputadas, inclusive no que diz respeito a fatos e circunstâncias a ele mesmo (pessoa física) relacionados, bem assim à GFD Investimentos Ltda. (pessoa jurídica). É sintomática a riqueza de informações e de argumentos arguidos na peça recursal ora apreciada, o que denuncia, per si, o pleno conhecimento do Recorrente das acusações fiscais que lhe foram imputadas, espancandose assim qualquer ilação de cerceamento de defesa e de presunção arbitrária por parte da autoridade lançadora. Rejeito a preliminar. Ausência de fundamentação fática O Recorrente reclama por ausência de fundamentação fática do lançamento, nos seguintes termos: Alguns dispêndios considerados pelo lançamento para calcular a suposta variação patrimonial a descoberto do recorrente não possuem prova de que foram efetivamente realizados ou, pelo menos, em que valor efetivamente foram realizados É o caso, por exemplo, dos salários pagos ao Sr. Rafael Angulo Lopes e os pagamentos feitos para suposta aquisição de uma aeronave. Esta realidade, apesar de ter sido alegada em impugnação, não mereceu enfrentamento específico na decisão recorrida. Todavia, essa alegação não prospera. Fl. 2800DF CARF MF Processo nº 10803.720060/201545 Acórdão n.º 2402006.795 S2C4T2 Fl. 2.801 9 Com efeito, verificase nos autos que a decisão recorrida apreciou, sim, esse questionamento trazido em sede de impugnação: O contribuinte se rebela contra o dispêndio/aplicação lançado em julho de 2007, considerado na compra de uma aeronave (impugnação, fls. 2.616), por entender que o valor teve origem na sociedade em conta de participação com a empresa Fafer, item 3.2 do Termo de Verificação Fiscal. Ora, em primeiro lugar, o auto de infração em discussão se ateve aos anosbase 2009 e 2010, sem qualquer lançamento para o anocalendário 2007. Por sua vez, é possível identificar, no Anexo 42 Demonstrativo de Variação Patrimonial, o registro da compra da aeronave "Lear Jet 31 Prefixo PRSFA, nº série 23, junto à PH Transportes/Marabela", em julho de 2010, na importância de R$526.920,00. Ocorre que o autuado não comprovou, com documentos hábeis e idôneos, que os recursos utilizados na compra da mencionada aeronave, se de fato é essa a que ele se referiu em sua defesa, proveio da sociedade em conta de participação com a empresa Fafer. No termo de verificação fiscal, fls. 2.555, as autoridades lançadoras já haviam assinalado que o fiscalizado não havia entregue as planilhas sobre os investimentos e liquidações no empreendimento residencial Dona Lila IV, Curitiba/PR. Desse modo, não é admissível que a compra da aeronave tenha como origem de recursos a venda dos imóveis do mencionado edifício residencial. Não adianta apenas alegar; a prova é essencial a que se corrija o lançamento. A irresignação quanto ao meio utilizado pelo fisco para apurar os salários pagos ao trabalhador Rafael Angulo Lopes não deve prosperar, pois este era empregado do contribuinte, conforme indicam os trechos adiante reproduzidos, extraídos das provas produzidas na operação "Lava Jato", e a declaração de ajuste anual do trabalhador, ao discriminar o recebimento de rendimentos tributáveis, provenientes de pessoas físicas, apenas confirma que a relação de emprego se formou com uma pessoa natural que, nos termos do art. 2º, §1º, da CLT, é equiparada a empregador para fins trabalhistas, com os reflexos naturais em outros ramos do Direito, em especial o Direito Tributário. 1. Termo de declarações que presta Alberto Youssef [...] afirma que o controle mantido por parte do declarante funcionava através de lançamentos que eram de responsabilidade de RAFAEL ÂNGULO LOPES, (fls. 266); [...] nesses casos as pessoas que acionava eram ADARICO NEGROMONTE e RAFAEL ÂNGULO, (fls. 267); 2. Termo de transcrição de depoimento de Carlos Alberto Pereira da Costa Juiz Federal: Quem fazia isso no escritório dele, quem cuidava das contas no exterior, essas transações? Interrogado: Quem tratava junto com seu Alberto era o senhor Rafael Angulo, ele que seria o senhor... A parte que tratava da parte financeira do senhor Alberto, em relação aos negócios do senhor Alberto, fora da GFD. A GFD não participou dessas operações. Assim, a alteração dos valores considerados como remuneração demandam prova em contrário, elemento do qual não se desincumbiu o autuado. Desta forma, rejeito a preliminar. Fl. 2801DF CARF MF Processo nº 10803.720060/201545 Acórdão n.º 2402006.795 S2C4T2 Fl. 2.802 10 Conversão do julgamento em diligência O Recorrente suscita a conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos: Com fundamento na impossibilidade de acesso pelo recorrente a documentos relativos à GFD que pudessem permitir conhecer e demonstrar o tratamento tributário dado no ingresso dos recursos na Pessoa Jurídica que realizaram as despesas consideradas no lançamento, requereuse a conversão do julgamento em diligência exatamente com a finalidade de obterse junto às equipes da operação Lava Jato esta documentação para, posteriormente, realizar a demonstração no curso da ação fiscal. Ocorre que embora tenha requerido (como comprova as petição anexas) o recorrente só veio a obter cópia de parte deste documentos na última semana (28/06/2016). Este fato reforça o equívoco da decisão recorrida de indeferir o requerimento realizado, como informa a decisão, na forma do art. 35 do Decreto 7574/2011. A decisão recorrida enfrentou essa questão apresentada na impugnação (efls. 2613/2623), conforme segue: De acordo com o art. 35 do Decreto nº 7.574, de 2011, a autoridade julgadora deve examinar o pedido de realização de diligências ou perícias formuladas pelo sujeito passivo, mandando realizar aquelas que forem necessárias e indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. A finalidade da realização das diligências e perícias é elucidar questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide, quando o exame dos elementos contidos nos autos não seja suficiente para dirimilas. Todavia, não é dever da Receita Federal do Brasil produzir provas cuja responsabilidade é do sujeito passivo. Se se entende que a ausência dos documentos produzidos pela GFD Investimentos Ltda. produziu sérias lacunas no lançamento fiscal, é ônus do sujeito passivo carrear aos autos tais provas e contrapôlas ao Auto de Infração, de forma específica, sem recorrerse a argumentos genéricos. Como já fora reproduzido neste voto, várias oportunidades foram concedidas ao interessado para falar nos autos durante o curso do procedimento fiscal, sem se esquecer que na fase litigiosa, por ocasião da impugnação, trinta dias foram oferecidos para apresentação dos motivos de fato e de direito em que se fundamenta os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Entendo, salvo melhor juízo, que o pedido do contribuinte é protelatório, uma vez que os documentos não foram apresentados durante o curso do procedimento fiscal e nem na fase da impugnação. Assim, indefiro a conversão do julgamento em diligência. Concordo as alegações da decisão recorrida, nos termos do art. 57, § 3°., do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n. 343, de 09 de junho de 2015, vez que o Recorrente não aduz novas razões de defesa perante a segunda instância. Rejeito a preliminar. Fl. 2802DF CARF MF Processo nº 10803.720060/201545 Acórdão n.º 2402006.795 S2C4T2 Fl. 2.803 11 Do mérito No mérito, o Recorrente suscita inadequação do critério jurídicotributário aplicado e dupla tributação; expropriação da totalidade dos bens a caracterizar confisco; c) inexistência dos requisitos legais para a multa qualificada; e impossibilidade de aplicação da multa isolada. Inadequação do critério jurídicotributário aplicado e dupla tributação O Recorrente protesta pela inadequação do critério jurídicotributário aplicado e dupla tributação a viciar o lançamento em apreço, nos seguintes termos: Como acima mencionado, é bastante duvidosa a opção pela presunção legal quando os fatos envolvidos na fiscalização não comportavam qualquer presunção, por serem conhecidos. O lançamento por variação patrimonial a descoberto tornou mais simples o trabalho da autoridade fiscal, mas muito provavelmente não representa de maneira correta o fato tributário que se depreende da narrativa das provas e indícios já conhecidos. Neste aspecto, poderseia afirmar, com todo respeito, ser uma opção jurídicotributária "arbitrária" e simplificadora, que foge do compromisso do processo administrativo fiscal com a verdade real. Com efeito, TVF anexo ao auto de infração descreve a opção da fiscalização de realizar o lançamento a partir, na sua maior parte, dos dispêndios realizados pela GFD Investimentos Ltda. Da mesma forma, o mesmo TVF descreve como referida pessoa jurídica foi constituída sob as ordens do contribuinte para servir de "empresa patrimonial" (aliás, fato que, em tese, havendo origem lícita dos recursos, não é vedado pela legislação, sendo um fim social aceitável na legislação societária brasileira). Por outro lado, em seus depoimentos e nas provas colhidas, fica nítida a realidade de que os recursos utilizados na integralização de capital e/ou formação de caixa da GFD (seja pela "troca" de posições com a "Piemonte" seja pelos depósitos em dinheiro) eram recursos titularizados pelo contribuinte em decorrência de suas atividades anteriores no âmbito do "Caso BANESTADO". Ou seja, recursos obtidos há mais de 10 anos e que foram totalmente tributados pelo lançamento realizado no auto de infração 10930.007728/200295, crédito que atualmente está sendo executado judicialmente. Sobre este particular, diz a decisão recorrida Também não é admissível concordar com a argumentação do interessado no sentido de que a origem dos recursos utilizados nos dispêndios apontados pelos agentes do fisco é oriunda do caso "Banestado", objeto do Auto de Infração 10930.007728/200295, o que evidenciaria dupla tributação. Não parece razoável que as declarações do recorrente como réu colaborador sejam utilizadas como verdadeiras para sustentar a tributação (quando reconhece a confessa a aquisição de bens por meio da GFD ou pagamentos realizados), mas não servem para nada quando servem para afastar a tributação. Com base na prova colhida e compartilhada com a autoridade fiscal, incluindo as declarações do recorrente e de pessoas vinculadas a ele, fica bastante consolidada a realidade de que os dispêndios realizados pelo recorrente referemse a recursos que ingressaram na GFD e que parte destes recursos já pertenciam ao recorrente. A opção arbitrária, desconectada dos fatos, pela tributação pela presunção da Variação Patrimonial a Descoberto a partir dos "comprovados" dispêndios da GFD não é admissível, ainda mais neste caso, que a própria fiscalização tinha elementos Fl. 2803DF CARF MF Processo nº 10803.720060/201545 Acórdão n.º 2402006.795 S2C4T2 Fl. 2.804 12 para compreender que os recursos que realizaram os dispêndios ingressaram na GFD, tendo a autoridade fiscal todos os meios para verificar a que título eles ingressaram e se foram ou não foram tributados neste momento (de ingresso na GFD). Quando da apreciação da impugnação (efls. 2613/2623), a decisão recorrida destinou um tópico específico, intitulado "Acréscimo patrimonial a descoberto. Critério jurídicotributário utilizado", com o seguinte teor: Considerase acréscimo patrimonial a descoberto a aquisição de bens e direitos e a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. Ao adotarse a técnica utilizada no presente lançamento, a inferência permitida é a suposição legal de que um acréscimo patrimonial não acobertado pela renda à disposição do contribuinte no momento de sua realização é uma omissão de rendimento tributável. A mencionada sistemática de apuração dos rendimentos omitidos possui previsão legal, consoante a norma disposta no art. 3º, § 1º, da Lei nº 7.713/88, a seguir reproduzida, e por isso o critério jurídicotributário utilizado, além de legal, é adequado, mormente na situação em apreço, quando o autuado utilizou o instituto da pessoa jurídica de modo contrário à função e aos princípios que regem o ordenamento jurídico. [...] O uso inadequado da GFD Investimentos Ltda. (denominação atual da DGF Investimentos Ltda.) ocorreu pela prática de atos contra a lei ou contratos sociais e estranhos aos objetivos sociais, discriminado no seu ato constitutivo, onde se destacam, dentre outras, as seguintes atividades: a) o exercício de atividades, no Brasil ou no exterior, direta ou indiretamente, inclusive através de consórcios ou "joint ventures", relacionadas ao desenvolvimento, implantação e operação de projetos de infraestrutura [...] (fls. 96). b) o exercício de atividades conexas ou relacionadas ao objeto social, direta ou indiretamente, inclusive importação e exportação; (fls. 96). [...] d) A prestação de serviços de assessoria e consultoria: (i) na elaboração de estudos e projetos na estruturação e reestruturação organizacional; (ii) financeira; (iii) na prospecção de oportunidades no mercado de capitais; [...](fls. 154). Os depoimentos prestados pelo autuado, por Meire Bonfim da Silva Poza e por Carlos Alberto Pereira da Costa na Justiça Federal, na operação "Lava Jato", bem como os elementos de variação patrimonial indicados pelas autoridades lançadoras no Termo de Verificação Fiscal, permitem concluir que o contribuinte se escondeu atrás da personalidade jurídica da sociedade para evitar obrigação tributária pessoal, tirar vantagem da lei e se proteger de várias condutas criminosas perpetradas contra a administração pública. Quando se constatam tais irregularidades, é possível atingir as pessoas individuais que se ocultam atrás do aparato técnicojurídico (pessoa jurídica). Também não é admissível concordar com a argumentação do interessado no sentido de que a origem dos recursos utilizados nos dispêndios apontados pelos agentes do fisco é oriunda do caso "Banestado", objeto do Auto de Infração 10930.007728/200295, o que evidenciaria dupla tributação. Fl. 2804DF CARF MF Processo nº 10803.720060/201545 Acórdão n.º 2402006.795 S2C4T2 Fl. 2.805 13 Como a própria defesa reconhece, o caso "Banestado" ocorreu há mais de dez anos, e os recursos auferidos com aquela atividade criminosa, que redundou em condenação penal, já foram consumidos, presumivelmente, e argumentação em sentido contrário demandaria prova inequívoca. Da mesma forma que o Decreto nº 70.235/72 estabelece a obrigatoriedade do agente do fisco em provar a ocorrência do ilícito fiscal, caput do art. 9º, também impõe ao sujeito passivo o ônus de provar o que alega, redação contida no inciso III do art. 16, sob pena de, não o fazendo, se sujeitar à infração apurada no lançamento. A outro giro, as provas emprestadas da operação "Lava Jato" indicam que o contribuinte, já em 2009, amealhava consideráveis rendimentos, a título de comissões, por auxiliar a lavar recursos oriundos de propinas, os quais não foram declarados e, por corolário, tributados. No Termo de Declarações de fls. 264, ele próprio reconheceu que, em 2005, a mando de um parlamentar, realizava a coleta e pagamento de valores, em troca de comissões, junto à Diretoria da Petrobrás comandada por Paulo Roberto Costa. Concluise, pois, que não é possível apontar que a fonte de recursos do sujeito passivo para amparar os dispêndios realizados nos anosbase 2009 e 2010 advém do caso "Banestado". O contribuinte se rebela contra o dispêndio/aplicação lançado em julho de 2007, considerado na compra de uma aeronave (impugnação, fls. 2.616), por entender que o valor teve origem na sociedade em conta de participação com a empresa Fafer, item 3.2 do Termo de Verificação Fiscal. Ora, em primeiro lugar, o auto de infração em discussão se ateve aos anosbase 2009 e 2010, sem qualquer lançamento para o anocalendário 2007. Por sua vez, é possível identificar, no Anexo 42 Demonstrativo de Variação Patrimonial, o registro da compra da aeronave "Lear Jet 31 Prefixo PRSFA, nº série 23, junto à PH Transportes/Marabela", em julho de 2010, na importância de R$526.920,00. Ocorre que o autuado não comprovou, com documentos hábeis e idôneos, que os recursos utilizados na compra da mencionada aeronave, se de fato é essa a que ele se referiu em sua defesa, proveio da sociedade em conta de participação com a empresa Fafer. No termo de verificação fiscal, fls. 2.555, as autoridades lançadoras já haviam assinalado que o fiscalizado não havia entregue as planilhas sobre os investimentos e liquidações no empreendimento residencial Dona Lila IV, Curitiba/PR. Desse modo, não é admissível que a compra da aeronave tenha como origem de recursos a venda dos imóveis do mencionado edifício residencial. Não adianta apenas alegar; a prova é essencial a que se corrija o lançamento. A irresignação quanto ao meio utilizado pelo fisco para apurar os salários pagos ao trabalhador Rafael Angulo Lopes não deve prosperar, pois este era empregado do contribuinte, conforme indicam os trechos adiante reproduzidos, extraídos das provas produzidas na operação "Lava Jato", e a declaração de ajuste anual do trabalhador, ao discriminar o recebimento de rendimentos tributáveis, provenientes de pessoas físicas, apenas confirma que a relação de emprego se formou com uma pessoa natural que, nos termos do art. 2º, §1º, da CLT, é equiparada a empregador para fins trabalhistas, com os reflexos naturais em outros ramos do Direito, em especial o Direito Tributário. Fl. 2805DF CARF MF Processo nº 10803.720060/201545 Acórdão n.º 2402006.795 S2C4T2 Fl. 2.806 14 1. Termo de declarações que presta Alberto Youssef [...] afirma que o controle mantido por parte do declarante funcionava através de lançamentos que eram de responsabilidade de RAFAEL ÂNGULO LOPES, (fls. 266); [...] nesses casos as pessoas que acionava eram ADARICO NEGROMONTE e RAFAEL ÂNGULO, (fls. 267); 2. Termo de transcrição de depoimento de Carlos Alberto Pereira da Costa Juiz Federal: Quem fazia isso no escritório dele, quem cuidava das contas no exterior, essas transações? Interrogado: Quem tratava junto com seu Alberto era o senhor Rafael Angulo, ele que seria o senhor... A parte que tratava da parte financeira do senhor Alberto, em relação aos negócios do senhor Alberto, fora da GFD. A GFD não participou dessas operações. Assim, a alteração dos valores considerados como remuneração demandam prova em contrário, elemento do qual não se desincumbiu o autuado. Considerandose que o Recorrente não aduz novas razões de defesa perante a segunda instância, confirmo e adoto a decisão recorrida, com fulcro no art. 57, § 3°., do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n. 343, de 09 de junho de 2015. Expropriação da totalidade dos bens a caracterizar confisco O Recorrente reclama que houve expropriação da totalidade dos seus bens, estando, assim, caracterizado confisco, conforme segue: Na cláusula 7ª do "Termo de Colaboração Premiada" do Contribuinte está prevista a entrega e expropriação da totalidade dos bens obtidos com as práticas confessadas, que foram efetivamente entregues/expropriados, bens cuja aquisição foi considerada como causa jurídica para a incidência tributária no presente lançamento. É vedado no ordenamento jurídico brasileiro o emprego do tributo com efeito de confisco (art. 150, IV, CF) . Assim, se o tributo for além da totalidade do próprio produto do crime, estaria se revelando verdadeiro confisco. O recorrente entende que é precisamente o que ocorre neste caso, já que já foram revertido em benefício da União a totalidade dos bens que foram produto de seus crimes. Nesse ponto, são esclarecedores os argumentos da instância de piso: A expropriação dos valores angariados pelo contribuinte em prol da União, em razão da prática de diversos ilícitos criminais, não pode, de forma alguma, ser considerada como pagamento de tributo, mas, sim, como um efeito da condenação penal, que se caracteriza pela perda, em favor da União, de todos os bens, direitos e valores relacionados, direta ou indiretamente, à prática dos crimes previstos na Lei de Lavagem de Dinheiro ( Lei nº 9.613, de 3 de março de 1998). [...] A exigência do imposto corresponde a uma parcela dos rendimentos omitidos, apurada pela aplicação da alíquota nominal de 27,5% que, consideradas as deduções permitidas em lei, reduzse a uma alíquota efetiva inferior, o que descaracteriza o argumento de que o tributo é superior ao valor expropriado. A Fl. 2806DF CARF MF Processo nº 10803.720060/201545 Acórdão n.º 2402006.795 S2C4T2 Fl. 2.807 15 sistemática aqui descrita está demonstrada no demonstrativo de apuração do IRPF, fls. 2.527/2.528. Por outro lado, a legislação tributária não prevê a possibilidade de que se anistie os investigados que decidiram colaborar com a Justiça e que devolveram ao erário os recursos obtidos ilicitamente. Por fim, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Decreto nº 70.235/72, art. 26A, na redação dada pela Lei nº 11.941/09). Ante tais considerações, rejeito a tese encampada pelo sujeito passivo. Considerandose que o Recorrente não aduz novas razões de defesa perante a segunda instância, confirmo e adoto a decisão recorrida, com fulcro no art. 57, § 3°., do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n. 343, de 09 de junho de 2015. Inexistência dos requisitos legais para a multa qualificada O Recorrente protesta pela inexistência dos requisitos legais para aplicação da multa qualificada de 150%, esgrimindo os seguintes argumentos: No auto de infração foi aplicada a multa de 150% sobre o valor, com fundamento no § 1° do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, segundo o qual: [...] A aplicação do artigo em questão exige a configuração de umas das condutas tipificadas nos artigos 71, 72 ou 73 da lei 4.502/64. A simples omissão de rendimentos não basta para a que o intuito de fraude fique configurado. Não se pode, da mesma forma, dizer que existe fraude ou dolo apenas por estar o contribuinte respondendo a processo criminal. Em nenhum momento, a autoridade fiscal comprova sua ocorrência, não havendo qualquer fundamento para a configuração do dolo, vez que não é possível a extensão da presunção do art. 42 da lei 9.430/96 ao § 12 do art. 44 da mesma lei. Assim, não comprovada a existência de dolo, não pode a Administração aplicar a multa em dobro. A jurisprudência do Conselho de Contribuintes aponta para o mesmo sentido das conclusões aqui expostas: [...] Assim, deve ser afastada a multa qualificada, porquanto incabível e desprovida de fundamento legal. A decisão recorrida consolida, a partir das evidências colacionadas no Termo de Verificação Fiscal (efls. efls. 2538/2589), a conduta do Recorrente: No presente caso, a discussão da preliminar de decadência e a imposição da multa qualificada exigem, a priori, o exame das condutas praticadas pelo autuado em relação à omissão de rendimentos tributáveis, apurada pela sistemática da variação patrimonial a descoberto. E as autoridades lançadoras, em várias passagens do Termo de Verificação Fiscal, as descreveram, as quais deram azo à constituição do crédito tributário. Pincemos alguns trechos: Fl. 2807DF CARF MF Processo nº 10803.720060/201545 Acórdão n.º 2402006.795 S2C4T2 Fl. 2.808 16 Parte substancial das comissões que recebeu de valores desviados da Lavajato foram canalizados para as contas bancárias de sua empresa patrimonial no Brasil, a GFD Investimentos Ltda. (antiga DGF), bem como para as contas no exterior dos fundos e empresas que controlam oficialmente a GFD (Grupo Devonshire). [...] (fls. 2.544). [...] Youssef passou a se escamotear por meio de inúmeras interpostas pessoas, a fim de se evadir do Fisco e da Justiça. Conhecedor de técnicas sofisticadas de blindagem patrimonial, controlador de inúmeras contas bancárias offshore, próspero na obtenção de interpostas pessoas, Youssef movimentou e adquiriu bens em volumes gigantescos durante anos a fio sem que ninguém percebesse. O segredo para isto: em nenhuma operação poderia constar o seu nome, nem mesmo como procurador. As operações eram feitas por meio de empresas offshore ou diluídas em várias interpostas. (fls. 2.544). Com o tempo Youssef passou a usar a GFD também para emitir notas fiscais ideologicamente falsas para receber recursos de empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato, diretamente ou por meio de empresas do operador Julio Camargo. Em relação a estas notas a contadora Meire foi enfática ao afirmar que a GFD não possuía capacidade econômica, operacional, nem técnica para executar os objetos dos contratos de prestação de serviços com as empreiteiras envolvidas na Lava Jato. O próprio Youssef admitiu que a GFD não prestou estes serviços e que esta estratégia era de apenas “esquentar” um dinheiro em espécie “sujo ou ruim” que possuía consigo, transformando seu “caixa ruim em caixa bom” (fls. 2.546/2.547). A descrição das condutas está baseada na farta documentação que constitui o presente processo, destacandose os seguintes elementos probatórios: a) Termo de declarações de Meire Bonfim da Silva Poza, fls. 182/200; b) Termo de Colaboração Premiada do autuado, com a participação de defesa técnica, homologado pelo STF, onde está sendo processado pela prática de crimes contra o sistema financeiro, crimes de corrupção, crimes de peculato, crimes de lavagem de dinheiro e de organização criminosa, dentre outros, fls. 263/292; c) Termo de Declarações do autuado prestado às autoridades lançadoras, fls. 294/323; d) Termo de Transcrição de Depoimento de Carlos Alberto Pereira da Costa, fls. 328/355. Amparandose nos mencionados termos e nos outros elementos que compõem o processo, verifico que a descrição dos fatos utilizada pela autoridade lançadora na constituição do crédito tributário apenas atevese às passagens lá descritas. Da narrativa até aqui exposta, entendo que o contribuinte movimentou e se beneficiou de recursos em divisas estrangeiras no exterior, à revelia do Sistema Financeiro nacional, atuou em conluio com terceiras pessoas para ocultar patrimônio pessoal, emitiu notas fiscais fraudulentas, em nome da GFD Investimentos Ltda., para viabilizar o recebimento das propinas a ele devidas em razão de sua atuação pessoal nos esquemas de desvio de dinheiro de estatais, adquiriu imóveis e veículos em nome de terceiros, além de várias outras condutas contrárias à lei, com o intuito doloso, único e exclusivo, de impedir o conhecimento por parte do fisco da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, representada pela disponibilidade econômica dos respectivos rendimentos tributáveis, bem como se esquivar da execução fiscal que corre contra ele em relação a créditos tributários constituídos no passado. Fl. 2808DF CARF MF Processo nº 10803.720060/201545 Acórdão n.º 2402006.795 S2C4T2 Fl. 2.809 17 O autuado confirmou, e terceiras pessoas a ele vinculadas corroboraram, que os recursos que amealhou, indevidamente, com a realização de condutas à margem da lei não poderiam indicar seus dados pessoais, de forma a se esquivar da cobrança de tributos promovida pela Receita Federal do Brasil. Veja a passagem do seu termo de declarações às autoridades lançadoras: Fls. 295 1. O Sr. era o real beneficiário (proprietário) da GFD? Em que data o Sr. adquiriu a GFD ou passou a usála? A.Y.: Ele declara só não ter assinado como procurador ou proprietário da GFD pois tinha uma discussão com a RFB em juízo (...) Desse modo, no lançamento fiscal em discussão, não se verifica mera inadimplência de tributo, mas, sim, a prática de várias condutas queridas e desejadas com o intuito deliberado de violar a lei tributária e com pleno conhecimento de sua ilicitude – dolo , de forma a impedir o conhecimento pela administração tributária da ocorrência do fato gerador do imposto de renda – sonegação , em conluio com outras pessoas físicas e jurídicas, sem, obviamente, informar integralmente os rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual, subsumindose às hipóteses descritas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. [...] Caracterizada a infração à legislação tributária, há de se exigir multa e juros de mora, além do imposto devido. A Lei nº 9.430, de 1996, ao cuidar da multa, assim dispôs: [...] No caso em discussão, consoante razões até aqui expostas, deve ser mantida a qualificação da multa de ofício aplicada, pois a materialidade da conduta do contribuinte se ajusta perfeitamente à norma contida nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 64. Os fatos anteriormente apontados, demonstrados por elementos seguros de provas, levam à conclusão de que o sujeito passivo, conscientemente, omitiu do Fisco os rendimentos tributáveis, provenientes de vantagens indevidas auferidas junto a empresas estatais, apurados pela técnica da variação patrimonial a descoberto, com o objetivo de impedir o conhecimento pela autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador e, por corolário, a fim de reduzir a base de cálculo do imposto de renda. (grifei) A legislação tributária, por meio do art. 26 da Lei nº 4.506, de 1964, é clara ao dispor que os rendimentos derivados de atividades ilícitas são sujeitos à tributação do imposto de renda. [...] As Declarações de Ajuste Anual relativa aos anosbase 2010 e 2009, fls. 1.771/1.786, contêm valores completamente incompatíveis com aqueles apurados no Auto de Infração. A intenção deliberada de impedir o conhecimento do Fisco da ocorrência do fato gerador, em conluio com outras pessoas físicas e jurídicas e com o emprego de várias fraudes, escondendose atrás da suposta personalidade jurídica da sociedade GFD Investimentos Ltda. para evitar obrigação tributária, caracteriza as hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Assim, refuto os argumentos contrários ao emprego da multa qualificada. Fl. 2809DF CARF MF Processo nº 10803.720060/201545 Acórdão n.º 2402006.795 S2C4T2 Fl. 2.810 18 Desta forma, considerandose a materialidade da conduta do Recorrente na forma acima denunciada, não restam dúvidas quanto à sua subsunção à norma plasmada nos arts. 71, 82 e 73 da Lei n. 4.502/1964, caracterizandose infração à legislação tributária a atrair a multa qualificada no percentual de 150% (art. 44, I c/c § 1°. da Lei n. 9.430/1996). Impossibilidade de aplicação da multa isolada O Recorrente entende que deve ser afastada a multa exigida isoladamente, amparandose na jurisprudência do CARF que colaciona. A decisão recorrida informa que: Apesar de a impugnação não apresentar argumentos específicos contrários ao lançamento da multa exigida isoladamente, a referida matéria encontrase impugnada, ainda que colateralmente, tanto pela alegação da preliminar de nulidade. Quanto ao mérito deste tópico, está precluso o direito de o interessado discutila em momento posterior. Todavia, resta evidenciado que o Recorrente não enfrentou o lançamento em apreço no tocante à multa isolada, não sendo suficiente para o mister a alegação de nulidade que sequer a menciona. Na verdade, tratase de matéria não impugnada, vez que não expressamente contestada pelo sujeito passivo em sede de impugnação (art. 17 do Decreto n. 70.235/1972), restando assim caracterizada inovação recursal, não passível de apreciação pela segunda instância de julgamento. Concluise que o questionamento quanto à multa isolada está fora do escopo desta análise. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 2711/2726), REJEITAR AS PRELIMINARES, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 2810DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.722524/2011-81
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
Numero da decisão: 2001-000.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 72 25 24 /2 01 1- 81 Fl. 228DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 5.651,64, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2007. A fundamentação do Lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura o fato de não ter sido apresentada comprovação complementar referente aos pagamentos de despesas médicas além dos recibos e notas fiscais de prestação de serviços. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na comprovação da despesa, especialmente no que se refere a documentos suplementares aos recibos apresentados pelos serviços médicos prestados, como segue: Foi emitida, por Auditor Fiscal da DRF/Guarulhos SP, a Notificação de Lançamento de fls. 9/12, referente ao imposto de renda pessoa física do exercício 2008. Foi apurado imposto suplementar de R$ 5.651,64, mais multa de ofício e juros de mora. Depois da regular ciência do lançamento, foi apresentada impugnação e documentos comprobatórios, fls. 2/7, 13/29 e 60/86. Protesta pelo restabelecimento das despesas glosadas. Da análise dos documentos apresentados e demais questões de fato alegadas, foi elaborado Despacho Decisório nº 009/2012, fls. 50/53, que restabeleceu a despesa de R$ 4.092,00. Notificada, a Contribuinte manifestase no prazo legal, requerendo a dedução de mais R$ 18.680,00. Da análise da documentação apresentada, nos termos da Instrução Normativa RFB nº 1.061/2010, restou cumprida parcialmente a formalidade exigida pela legislação tributária do imposto de renda, conforme descrito no relatório e Despacho Decisório nº 009/2012, fls. 50/53, que restabeleceu a despesa médica de R$ 4.092,00, sendo mantido, o imposto suplementar de R$ 4.526,34, mais acréscimos legais. O motivo da permanência da glosa mencionada no parágrafo anterior consiste na falta de comprovação do efetivo pagamento. Dos documentos constantes dos autos, apenas os de fls. 77/85 (cópias microfilmadas de cheques) conferem direito ao restabelecimento de mais R$ 3.222,00 de despesa médica. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10875.722524/201181 Acórdão n.º 2001000.732 S2C0T1 Fl. 229 3 Para o restante das despesas não foram juntados documentos hábeis no sentido de comprovar o efetivo pagamento na forma solicitada pela fiscalização no procedimento de revisão de ofício, fls. 47/48. É certo que a comprovação do efetivo pagamento não é feita somente por meio de cheques ou transferências bancárias. Outros meios podem ser utilizados pelos contribuintes para demonstrar o efetivo pagamento, tais como faturas de cartão de crédito, extratos bancários com registros de saques em valores e datas compatíveis com os comprovantes emitidos pelos prestadores de serviços. (...) Logo, além da dedução concedida por meio do procedimento de revisão de ofício levado a efeito pela fiscalização do Órgão de origem, restabelecese mais R$ 3.222,00 a título de despesa médica. O cálculo do imposto fica assim demonstrado: (...) Saldo do Imposto a Pagar 3.640,29. Diante do exposto, VOTO pela PROCEDÊNCIA EM PARTE da Impugnação, o que resulta em manutenção do imposto suplementar a pagar demonstrado no quadro acima, mais multa de ofício e juros de mora. Assim, conclui o acórdão vergastado pela procedência parcial da impugnação para manter a exigência do Lançamento em R$ 3.640,29, como imposto suplementar, mais acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) A Receita Federal glosou a quantia de R$ 18.680,00 em despesas médicas realizadas com a empresa IMBRA CONSULTORIO ODONTOLÓGICO LTDA., alegando que a Recorrente NÃO apresentou comprovação das despesas. A NOTA FISCAL ELETRONICA DE SERVIÇOS – NFe foi emitida em 27.12.2007, tendo recebido o número 00006503, tudo devidamente comprovado conforme NOTA FISCAL ANEXA, no valor exato do declarado no IRPF, ou seja, R$ 18.600,00 (dezoito mil, seiscentos e oitenta reais). É importante observar que a NOTA FISCAL foi emitida ao final do tratamento médico realizado ao longo do ano de 2007. Os recibos de pagamentos e os cheques são anteriores a data da emissão da data por uma questão muito simples, a NOTA FISCAL somente foi emitida ao FINAL DO TRATAMENTO E DEPOIS DA EMPRESA TER RECEBIDO OS VALORES POR ELA COBRADOS, QUAIS SEJAM, R$ 18.680,00. Fl. 230DF CARF MF 4 É FATO. A recorrente apresentou todas as provas a fim de comprovar suas despesas realizadas, não foram simples recibos ou declaração de pagamentos, foram RECIBOS COM CARIMBO DO CNPJ, MICOFILMES DOS CHEQUES E NOTA FISCAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS, lembrando que essa somente foi emitida após o final do tratamento e do pagamento dos serviços. Requerse, portanto, que a r. decisão de não conhecimento dos comprovantes apresentados seja INTEGRALMENTE reformado, sendo os mesmos aceitos e a GLOSA da despesa médica seja reconsiderada e o valor seja, integralmente, incluído na Declaração do IRPF. À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja colhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Acompanha o presente RECURSO o CD entregue pela Receita Federal, onde consta a INTEGRA de todo o processo administrativo. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A divergência no que ser refere à despesa médica é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia na contenda é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação do recibo da prestação de serviço ou nota fiscal de prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10875.722524/201181 Acórdão n.º 2001000.732 S2C0T1 Fl. 230 5 II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Decreto nº 3.000/99 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser Fl. 232DF CARF MF 6 feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) A exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, assim, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma. Descabe, assim, o rigor na exigência para a apresentação de comprovação suplementar sobre o contribuinte possuidor da documentação originária do pagamento nas condições em que a lei estabelece, especialmente porque a autoridade fiscalizadora pode obter informação de confirmação da outra parte. Razão não há para a dissociação de ambos os polos na relação e estabelecer exigência rigorosa de um e nada de outro, porque a operação é conjunta e correspondente, com reflexos constatáveis nas informações dos dois contribuintes. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada na lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10875.722524/201181 Acórdão n.º 2001000.732 S2C0T1 Fl. 231 7 O Código Civil, Lei nº 10.406/2002, em seu art. 219 diz que: “As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiros em relação aos signatários.” Neste sentido, os recibos em questão presumemse verdadeiros porque aceitos pelas partes contratantes identificadas no documento, de forma que não é razoável a decisão do Fisco de rejeitar os comprovantes como prova válida, sem a indicação de elementos que os desqualifiquem. Se os documentos são válidos para o prestador dos serviços oferecer os valores à tributação, os mesmos documentos deverão ser válidos também para a dedução legal de quem os recebe como comprovação de pagamentos. Por juízo subjetivo ou simples desconfiança, sem sequer a indicação de indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências fora dos limites da lei. O procedimento fiscal busca amparo no que dispõe o art. 73 e seu § 1º, do Decreto nº 3.000/99, para posicionar o ônus da prova unicamente no contribuinte, nos termos em que a seguir se descreve: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (grifei) § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) No ordenamento jurídico brasileiro o decreto regulamentador é uma norma expedida pelo poder executivo que tem como função pormenorizar os preceitos fixados na lei, dentro dos limites nela insertos, sendo considerados, por isso, atos secundários. Seu alcance cingese aos limites da lei não podendo criar situações que obrigue ou limite direitos além daqueles constantes na lei que regulamenta. Neste quesito específico das deduções de despesas médicas temos o que dispõe a Lei nº 9.250/95, em seu art. 8º, § 2º, incisos II e III, que foi objetivamente regulamentado no Decreto 3.000/99, no art. 80, § 1º, incisos II e III. Assim, a regulamentação deste item de despesa dedutível aqui se esgota porque o objeto tratado foi abordado de forma direta e específica, não permitindo outras exigências porque a lei não concede extensões de procedimento fiscalizatório nem limitação quantitativa de direitos. Neste sentido descabe a utilização do art. 73 e seu § 1º, conforme citado no Lançamento, por se tratar de dispositivo genérico que aparece no Decreto Regulamentador no capítulo das Disposições Gerais de Deduções, vinculado ao longínquo DecretoLei nº 5.844 de 1943, muito distante no tempo e do contexto jurídico atual. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. A origem do conteúdo do texto vem do período do DecretoLei acima citado, mais precisamente do ano de 1943, anterior, portanto, às quatro últimas Constituições do Brasil (1946, 1967, 1969 e 1988) e, muito distante do conceito atual de Direito do Contribuinte e do Estado de Direito. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento ex officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de provo, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. A Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º, inciso II, diz que “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Da mesma forma, o art. 150, inciso I, vai na mesma direção ao determinar que: “Sem prejuízo de outras Fl. 234DF CARF MF 8 garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;”. A verdade posta é que ao reduzir ou limitar deduções a Autoridade Lançadora estaria aumentando tributo sem lei que estabeleça. Estamos sob a égide da Constituição Federal de 1988 e, quando a Carta Magna menciona o termo “lei” ela se refere aquele instrumento jurídico emanado do Poder Legislativo, como órgão de representação do povo, nascido do devido processo constitucional. O decretolei, por sua vez, constituíase numa espécie de ato normativo com origem no Poder Executivo em caso de urgência ou de interesse público relevante. Ou seja, um decreto que fazia às vezes de lei que vigorou até a Constituição Federal de 1988. A doutrina aceita que o decreto lei tenha valor vigorante enquanto não contrariar lei posterior. Contudo, o DecretoLei nº 5.844/1943, ao não constituirse em lei, contraria a Constituição vigente, nos dispositivos antes citados (inciso II, art. 5º e inciso I, art. 150 – CF/1988). Eventual desconfiança de que o profissional teria fornecido comprovação de serviço que não prestou caracterizaria conluio entre as partes contratantes, o que não foi apontado no histórico do Lançamento. Admitirse que os recibos não representam uma verdadeira prestação de serviço conduz à conclusão lógica de que teria ocorrido conluio entre profissional e paciente, ambos contribuintes do imposto, com o objetivo de lesar o fisco, e assim estariam enquadrados em multa qualificada, o que não foi o caso de apontamento no Lançamento. Em socorro ao posicionamento que busca resguardar o direito do contribuinte tomamse emprestados os termos da doutrina que trata da necessária clareza da motivação nos atos da administração pública, trazida pelo sempre bem citado Hely Lopes Meireles, quando descreve a necessidade da motivação do ato administrativo, que assim se posiciona: “Para se ter a certeza de que os agentes públicos exercem a sua função movidos apenas por motivos de interesse público da esfera de sua competência, leis e regulamentos recentes multiplicam os casos em que os funcionários, ao executarem um ato jurídico, devem expor expressamente os motivos que o determinaram. É a obrigação de motivar. O simples fato de não haver o agente público exposto os motivos de seu ato bastará para tornálo irregular; o ato não motivado, quando o devia ser, presumese não ter sido executado com toda a ponderação desejável, nem ter tido em vista um interesse público da esfera de sua competência funcional.” No mesmo sentido a Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, no seu art. 50, diz que: “os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; decidam processos administrativos de concurso ou seleção público; decidam recursos administrativos...”. O Novo Código de Processo Civil, embora posterior aos fatos da ocorrência do lançamento, pode ser utilizado em apoio à interpretação aqui esposada, porque mais benéfico à Recorrente, contém dispositivos pertinentes que devem ser trazidos à colação, de vez que transitam na mesma linha de entendimento que aborda a observância do direito do contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê na orientação do art. 7º, como segue: Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10875.722524/201181 Acórdão n.º 2001000.732 S2C0T1 Fl. 232 9 “Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei) Traz reforço ainda o CPC para esse entendimento quando suaviza o posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º, do art. 373, da seguinte forma: § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. CONCLUSÃO Legítima a dedução a título de despesas médicas do valor pago pela contribuinte, comprovado mediante apresentação de nota fiscal de prestação de serviço ou recibo, este assinado por profissional habilitado, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirma o seu pagamento. Desnecessária qualquer declaração posterior firmada pelo profissional prestador do serviço porque aqueles comprovantes já cumprem a função legalmente exigida. De considerar plenamente admissível que os comprovantes revestidos das formalidades legais sustentam a condição de valor probante, até prova em contrário, de sua inidoneidade. A contestação da Autoridade Fiscal sobre a validade da documentação comprobatória deve ser apresentada com indícios consistentes e não somente por simples dúvida ou desconfiança. Acolhese como verdadeira a prova apresentada que satisfaça os requisitos previstos na legislação pertinente e, para eventual convicção contrária da Autoridade Lançadora, esta deverá ser posta com fundamentos consistentes que a sustentem objetivamente. No caso, constatase que os serviços prestados correspondem à especialidade técnica de profissional habilitado na área médica, de acordo com as necessidades especificas do beneficiário e, com o fornecimento de comprovantes de pagamento dos serviços prestados, mediante recibos assinados por profissional habilitado. Assim que, verificase que a Recorrente apresentou a documentação comprobatória da despesa médica realizada, correspondendo à comprovação do pagamento do profissional, na forma exigida pela legislação, e por isso a utilizou como dedutível na Fl. 236DF CARF MF 10 declaração de ajuste do imposto, razão porque se faz necessária a providência da exclusão da glosa das despesas médicas que corresponderia ao imposto suplementar de R$ 3.640,29, em vista de ter sido apensado aos autos cópia dos recibos e notas fiscais de prestação de serviço, como material probante, nos termos requeridos pela legislação tributária. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO, restabelecendose a dedução das despesas médicas glosadas, razão pela qual se faz imperioso o cancelamento integral do Lançamento. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 237DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.900326/2006-72
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1997
DIPJ. RETIFICAÇÃO.
Não surte efeito fiscal a retificação da DIRPJ quando já decorreu mais de 05 (cinco) anos da apuração do tributo (31/12/1997), pois já transcorrido o prazo qüinqüenal previsto no art. 150 do CTN para a homologação tácita.
Numero da decisão: 1001-000.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acatar a preliminar de decadência, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva (relator) e Eduardo Morgado Rodrigues que a rejeitaram e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva (relator) e Eduardo Morgado Rodrigues que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa..
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acatar a preliminar de decadência, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva (relator) e Eduardo Morgado Rodrigues que a rejeitaram e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva (relator) e Eduardo Morgado Rodrigues que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa.. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
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RETIFICAÇÃO. Não surte efeito fiscal a retificação da DIRPJ quando já decorreu mais de 05 (cinco) anos da apuração do tributo (31/12/1997), pois já transcorrido o prazo qüinqüenal previsto no art. 150 do CTN para a homologação tácita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acatar a preliminar de decadência, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva (relator) e Eduardo Morgado Rodrigues que a rejeitaram e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva (relator) e Eduardo Morgado Rodrigues que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa.. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 03 26 /2 00 6- 72 Fl. 363DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o acórdão 0221.875 da 3a Turma da DRJ/BHE, que indeferiu pedido de restituição de “Saldo Negativo de CSLL” apurado no ano calendário de 1997, no valor de R$ 20.184,32, enviado eletronicamente á SRF (atualmente RFB) em 14/08/2003, consubstanciado no documento anexado às fls. 01 a 05 deste processo. Relatório 2. A solicitação do contribuinte foi objeto do Despacho Decisório eletrônico anexado à fl. 06, de onde se extrai: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que na data da transmissão do PERDCOMP com demonstrativo de crédito já estava extinto o direito de utilização do saldo negativo em virtude do decurso do prazo de cinco anos entre a data de transmissão do PER/DCOMP e a data da apuração do saldo negativo ". 2.1 Tendo em vista o acima exposto, o art. 168 do CTN (Código Tributário Nacional), o inciso 11 do art. 6° da Lei n° 9.430, de 1996 e o art. 5° da IN SRF n° 600, de 2005, a solicitação do contribuinte foi INDEFERIDA. Cientificada em 06/05/2009 , a recorrente apresentou o recurso voluntário, aparentemente, em 02/06/2009 (não está legível fl 343), mas, o encaminhamento ao CARF ocorreu em 05/06/2009 (fl. 359). Voto Vencido Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. A recorrente, resumidamente, alega que: Cuidase de Pedido de Restituição/Ressarcimento apresentado no PER/DCOMP n° 15141.43613.140803.1.2.032249, transmitido em 13/08/2003, relativo ao direito da empresa Recorrente à compensação integral do prejuízo fiscal referente à base de cálculo negativa da CSLL, no valor original de R$20.184 32 (vinte mil, cento e oitenta e quatro reais e trinta e dois centavos), no período de apuração compreendido entre os meses de fevereiro a dezembro de 1997. Com o advento da Medida Provisória n°. 812, de 30/12/1994, que, posteriormente, resultou na Lei n° 8.981/95, a empresa Recorrente impetrou o Mandado de Segurança Preventivo n°. 95.00259907, perante a 12” Vara Federal em Belo Horizonte, Seção Judiciária de Minas Gerais, pleiteando, em suma, fosse afastada a incidência desta nova legislação tributária da área do seu Imposto de Renda, vez que as normas retro mencionadas não preenchiam os requisitos constitucionais de relevância da matéria, reputadas, portanto, inconstitucionais. Notese que, nos moldes previstos na referida lei, ao compensar seus prejuízos fiscais, o Contribuinte poderia fazêlo com ressalvas. Dentre elas, o ponto frontal Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10665.900326/200672 Acórdão n.º 1001000.962 S1C0T1 Fl. 364 3 discutido pela Recorrente seria a possibilidade de se compensar, em cada exercício, apenas a proporção de 30% (trinta por cento) dos prejuízos fiscais apurados. Assim, o direito à compensação da integralidade dos prejuízos fiscais apurados até 31/12/1994, bem como os prejuízos eventualmente gerados a partir de 1° de janeiro de 1995, foi discutido pela Recorrente em Juízo. Observese que, no referido mandamus, a ora Recorrente obteve provimento liminar, sendo que, na r. sentença de mérito, o MM. Juiz ntendeu por bem conceder a segurança pleiteada, reconhecendo, em ontrole difuso, a inconstitucionalidade da Lei n°. 8.981, de 20/01/1995, om repercussão in casu et inter partes, restando afastada a plicabilidade desta norma relativamente à Recorrente. Entretanto, a Recorrente, através da petição protocolada em 14/08/2003, optou por desistir da ação mandamental em virtude da adesão ao parcelamento Especial PAES, instituído pela Lei n°. 10.684, de 30 de aio de 2003. Neste sentido, em 30/09/2003, foi protocolada, na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Divinópolis, a declaração de existência formulada pela Empresa. Contudo, tendo em vista a existência de prejuízos fiscais a serem compensados na base da CSLL, a Recorrente efetuou o requerimento da compensação de tais valores, incluídos nos 70 % (setenta por cento) não autorizados pela Fazenda Nacional, no exercício de 1995, em razão da Medida Provisória convertida em Lei, conforme explicitado alhures. Entretanto, para total surpresa da empresa Recorrente, em 20/05/2008, foi proferido, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Divinópolis, o Despacho Decisório n°. 763934555 que indeferiu o pedido de restituição/ressarcimento apresentado no PER/DCOMP acima identificado, sob a alegação de que está prescrito o direito de utilização do saldo negativo em virtude do decurso do prazo de cinco anos entre a data da transmissão do PER/DCOMP e a data de apuração do saldo negativo. Cientificada do r. despacho interpôs, tempestivamente Manifestação de inconformidade, haja vista que, concessa venia, a referida decisão feriu direito líquido e certo da Recorrente no sentido de proceder à compensação do saldo negativo de CSLL. Não obstante a interposição da Manifestação de Inconformidade, a Receita Federal do Brasil, através do Acórdão de n° 0221.875, proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, persistiu em não homologar a compensação pleiteada, pelas razões a seguir ementadas: Assunto Contribuição Social sobre O Lucro Líquido CSLL. Anocalendário: 1997 DECADÊNC1A RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo/contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, e, consequentemente, de compensálos, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, inclusive no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação. Fl. 365DF CARF MF 4 PREJUÍZO FISCAL/BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL COMPENSAÇÃO A compensação de prejuízo fiscal /BC negativa da CSLL é uma faculdade e deve ser exercida pelo contribuinte em tempo hábil e antes da ação do fisco. Solicitação indeferida.” Argumenta a recorrente que: · é indiscutível o seu direito posto que gerados por prejuízos fiscais acumulados de períodos anteriores; · conforme dito alhures, a Empresa, através da PER/DCOMP transmitido em 13/08/2003, buscou compensar o saldo negativo obtido pela influência dos prejuízos fiscais na base de cálculo da CSLL através da devida retificação da DIPJ; · segundo o entendimento proferido no r. despacho, a apuração do saldo negativo foi. feita em 31/12/1997 e o pedido de compensação em 13/08/2003, daí o motivo da alegação de que decorreram mais de 05 anos, estando prescrito o direito da Recorrente de compensar o que lhe era de direito; · no entanto, desconsiderou a Receita Federal o fato de que, durante esse período, encontravase em trâmite, perante a Justiça Federal, o referido mandado de segurança preventivo que discutiu, além da inconstitucionalidade da Lei n°. 8.981/95, a possibilidade de se compensar a integralidade dos saldos negativos gerados a título de ajustes de prejuízo fiscal apurados pela Recorrente até 31.12.1994, bem como os eventualmente apurados a partir de 1° de janeiro de 1995; · assim, é de se notar que, no lapso temporal em que era discutida, via ação mandamental, a constitucionalidade da Lei n°. 8.981/95, bem como o direito a compensar a integralidade dos saldos negativos obtidos através dos prejuízos fiscais, o prazo prescricional de 05 anos, previsto no artigo 168 do CTN. estava interrompido; · registrese que o mandado de segurança foi distribuído em 04/12/1995 e teve homologada a sua desistência em 05/12/2003, o que significa dizer que, entre esse lapso temporal, não há se falar, data vênia, em prescrição do direito da Recorrente de compensar seus créditos; Alega ainda que a compensação de prejuízos fiscais é imprescritível , com base no artigo 6°, do Decretolei 1598/77. Alega que não ocorre a prescrição da apresentação da retificação de DIPJ retificadora: · o saldo negativo de CSLL foi apurado em 31/12/97, tendo sido este conseqüência reflexa da desistência da ação judicial acima mencionada que questionava a limitação do percentual de Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10665.900326/200672 Acórdão n.º 1001000.962 S1C0T1 Fl. 365 5 compensação dos prejuízos fiscais, cujos valores controversos foram em seguida acertados em Parcelamento Especial PAES; · verificado o saldo negativo de CSLL, procedeu a ora Recorrente ao envio de DIPJ retificadora em 13/08/2003, documento anexo, pela qual apurou e declarou a existência_ do saldo negativo. Em seqüência, transmitiu a PER/DCOMP em 13/08/2003, visando à compensação do saldo negativo, no qual faz os ajustes do prejuízo fiscal de 1997; · desta feita, a aplicação correta ao caso concreto do artigo 6°, §l°, inciso II da Lei n°. 9.430/96 é a contagem do prazo prescricional a partir da entrega da declaração de rendimentos, que, “in casu seria a declaração de rendimentos retificadora: transmitida em 13/08/2003; · unindo e prendendo ao acima sustentado, não se pode perder de vista que o prazo prescricional de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como é o caso do da CSLL, deve ser observado de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que adota, nesses casos, a intitulada tese dos 5 + 5; · com efeito, apresentada a DIPJ em 13/08/2003, desta data correrá o prazo para que a Fazenda homologue os valores declarados, e a partir de então, iniciase o prazo prescricional para que o contribuinte, ora Recorrente, solicite a restituição do saldo negativo de CSLL; Finaliza requerendo a procedência do presente Recurso voluntário para que seja reformado o despacho hostilizado no intuito de que seja deferido o pedido de restituição/compensação do saldo negativo de CSLL, por ser obra de inteira justiça. Entendo assistir razão à recorrente. A matéria já foi pacificada pelo CARF através da Súmula 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Portanto, o seu pedido de compensação/restituição estava dentro do prazo acima indicado, consoante a PER/DCOMP apresentada em 13/08/2003, relativamente ao período encerrado em 31/12/1997. Portanto, dou provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Voto Vencedor Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Redator do voto vencedor. Fl. 367DF CARF MF 6 Voto por acatar a decadência e negar o provimento ao recurso voluntário, como preliminar. Acredito que não se aplica ao caso a Súmula CARF 91, pois a DIRPJ retificadora foi apresentada em 13/08/2003 alterando o resultado apurado para o período de apuração (PA) de 31/12/1997. Ou seja, naquela data da retificação nem o Fisco nem o contribuinte poderiam mais modificar a apuração da CSLL, pois o direito de lançar havia decaído. Logo, a retificação ocorreu quando já transcorridos mais de 05 (cinco) anos da apuração (31/12/1997). No mesmo dia (13/08/2003) o contribuinte apresentou a PERDCOMP. Não se nega aqui o entendimento consubstanciado na Súmula 91 do CARF de que ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Mas há que se interpretar que, conforme originalmente apreciado no julgamento do RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, em que foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, entendeuse que para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplicase ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerandose o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tãosomente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional darseá a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador). No caso presente a DIRPJ Retificadora do Exercício 1998, ano calendário 1997, foi apresentada em 13/08/2003 e alterou o resultado apurado para o fato gerador 31/12/1997. Ou seja, naquela data da retificação nem o Fisco nem o contribuinte poderiam mais modificar a apuração da CSLL, pois o direito de lançar havia decaído. Logo, a retificação ocorreu quando já transcorridos mais de 05 (cinco) anos da apuração (31/12/1997). Logo, não há como se requere o prazo de cinco anos (art. 168, I, do CTN) para se requer crédito que sequer existia por impedimento previsto no art. 150, § 4º do CTN. No mesmo dia (13/08/2003) o contribuinte apresentou a PERDCOMP. Desta forma voto por reconhecer a decadência do direito do contribuinte de modificar o tributo lançado e negar o provimento ao Recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 368DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.723715/2010-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Exercício: 2005, 2006
MULTA POR IMPRECISÃO NA DESCRIÇÃO DA MERCADORIA. ART. ART. 636 DO REGULAMENTO ADUANEIRO/2002
A multa de 1% por imprecisão na descrição da mercadoria prevista no art. 636 do RA/02 é devida quando a reclassificação impõe a alteração do NCM.
Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Exercício: 2005, 2006
REGIME DE ORIGEM DO MERCOSUL. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA.
Em face da constatação de que a mercadoria provem de fato de país membro do bloco, deve ser mantida a preferência tarifária do regime de origem do Mercosul. Neste sentido, o certificado de origem foi aceito como válido, sendo afastada a multa de 30% por falta de Licença de Importação.
Numero da decisão: 3201-004.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os
Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para, saneando as omissões no acórdão recorrido, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter a exigência apenas da multa de 1% (um por cento) por erro de classificação fiscal da mercadoria. Vencido, quanto à proposta de anulação do acórdão embargado, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, por entender que este deveria ser anulado, não complementado por meio de embargos, e os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, relatora, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Laercio Cruz Uliana Junior, que davam integral provimento ao Recurso, para exonerar todo o crédito tributário lançado. Vencido, ainda, o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que negava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à manutenção apenas da multa por erro de classificação fiscal, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Ficou de apresentar declaração de voto o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
(assinado digitalmente)
Leonardo Correia Lima Macedo
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Exercício: 2005, 2006 MULTA POR IMPRECISÃO NA DESCRIÇÃO DA MERCADORIA. ART. ART. 636 DO REGULAMENTO ADUANEIRO/2002 A multa de 1% por imprecisão na descrição da mercadoria prevista no art. 636 do RA/02 é devida quando a reclassificação impõe a alteração do NCM. Assunto: Imposto sobre a Importação - II Exercício: 2005, 2006 REGIME DE ORIGEM DO MERCOSUL. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. Em face da constatação de que a mercadoria provem de fato de país membro do bloco, deve ser mantida a preferência tarifária do regime de origem do Mercosul. Neste sentido, o certificado de origem foi aceito como válido, sendo afastada a multa de 30% por falta de Licença de Importação.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2160; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 1.733 1 1.732 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.723715/201012 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3201004.243 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2018 Matéria PIS COFINS Embargante CAMIL ALIMENTOS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Exercício: 2005, 2006 MULTA POR IMPRECISÃO NA DESCRIÇÃO DA MERCADORIA. ART. ART. 636 DO REGULAMENTO ADUANEIRO/2002 A multa de 1% por imprecisão na descrição da mercadoria prevista no art. 636 do RA/02 é devida quando a reclassificação impõe a alteração do NCM. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Exercício: 2005, 2006 REGIME DE ORIGEM DO MERCOSUL. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. Em face da constatação de que a mercadoria provem de fato de país membro do bloco, deve ser mantida a preferência tarifária do regime de origem do Mercosul. Neste sentido, o certificado de origem foi aceito como válido, sendo afastada a multa de 30% por falta de Licença de Importação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para, saneando as omissões no acórdão recorrido, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter a exigência apenas da multa de 1% (um por cento) por erro de classificação fiscal da mercadoria. Vencido, quanto à proposta de anulação do acórdão embargado, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, por entender que este deveria ser anulado, não complementado por meio de embargos, e os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, relatora, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Laercio Cruz Uliana Junior, que davam integral provimento ao Recurso, para exonerar todo o crédito tributário lançado. Vencido, ainda, o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que negava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à manutenção apenas da multa por erro de classificação fiscal, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 37 15 /2 01 0- 12 Fl. 1733DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.734 2 o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Ficou de apresentar declaração de voto o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 3201002.616, que restou assim ementado: Assunto: Classificação de Mercadorias Exercício: 2005, 2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando o Auto de Infração apresenta todos os elementos necessários para a apresentação de defesa pelo contribuinte. PRELIMINAR. REVISÃO ADUANEIRA. LEGITIMIDADE. É legítimo o procedimento de revisão aduaneira previsto no Regulamento Aduaneiro. PRELIMINAR. DECADÊNCIA. REVISÃO ADUANEIRA. No procedimento de revisão aduaneira, a decadência do direito do Fisco em lançar os tributos devidos deve obedecer ao disposto no no art. 54 do Decretolei nº 37, de 1966. Decadência parcial reconhecida. Fl. 1734DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.735 3 PRECLUSÃO. NÃO CABIMENTO DE MULTA DE OFÍCIO. Nos termos do art. 17 do DL 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não expressamente abordada na impugnação. Não conhecimento da alegação de inaplicabilidade da multa de ofício por se tratar de inovação em sede de Recurso Voluntário. MULTA POR IMPRECISÃO NA DESCRIÇÃO DA MERCADORIA. ART. ART. 636 DO REGULAMENTO ADUANEIRO/2002 A multa de 1% por imprecisão na descrição da mercadoria prevista no art. 636 do RA/02 é devida quando a reclassificação impõe a alteração do NCM. REGIME DE ORIGEM DO MERCOSUL. DESCONSIDERAÇÃO DO CERTIFICADO DE ORIGEM. CONSEQUÊNCIAS. Em face da constatação de que a mercadoria, conforme descrita e classificada no Certificado de Origem, não corresponde aquela que foi efetivamente importada, deve ser afastada a preferência tarifária do regime de origem do Mercosul. Neste sentido, o certificado de origem será desconsiderado, sendo também aplicável a multa de 30% por falta de Licença de Importação. RECURSO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. PENALIDADE PREVISTA NO DL Nº 37/66. Para as penalidades previstas no DL nº 37/66 o prazo decadencial de 5 (cinco) anos é contado da data da Infração. Decadência reconhecida. Recurso de Ofício negado. Em despacho que admitiu os Embargos opostos, o Presidente desta 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF assim resumiu a controvérsia: A embargante invocou o art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, para interpor Embargos de Declaração contra o Acórdão nº 3201 002.616, julgado na sessão de 29 de março de 2017, fls. 1588 a 1622,1 cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: (omissis) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos negado provimento as preliminares de cerceamento de direito de defesa e revisão aduaneira. Por maioria de votos dado provimento para considerar o termo inicial da decadência a data do registro da DI, Fl. 1735DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.736 4 vencidos os Conselheiros Mércia Trajano Damorim e Paulo Roberto Duarte Moreira. Quanto a preliminar de nulidade por vício no lançamento, foi negado provimento por maioria de votos, vencidos a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (Relatora), Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Cássio Shapo. Quanto ao mérito, por maioria de votos deuse provimento parcial para afastar a reclassificação da mercadoria, para as Declarações de Importação 06/01928479 e 06/05549843 por não possuírem vinculação de laudo válido. Por unanimidade de votos negouse provimento para afastar a multa de ofício e a multa de 1%. Por maioria de votos negouse provimento ao recurso voluntário para afastar a multa de 30% por falta de LI, vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Cássio Shapo, que davam provimento para afastar a multa de 30% por falta de LI. Designado para redator do voto vencedor o Conselheiro Jose Luiz Feistauer. A Conselheira Mércia Trajano Damorim ficou de apresentar declaração de voto. O arrazoado (fls. 1662 a 1667) aduz que o acórdão embargado padece de vício de omissão no tocante à parte dos fundamentos da decisão e a sua correspondente conclusão. Segundo a embargante, no voto vencido da decisão embargada, a relatora afastou a reclassificação de mercadoria importada, em sede de revisão aduaneira, uma vez que não teria sido realizada qualquer análise física do produto (arroz) apta para aferir se, de fato, o arroz importado era ou não polido. A embargante aduz que o voto vencido reconheceu que a alteração na classificação fiscal do produto importado não poderia ter sido feita com base exclusivamente no "Certificado de Classificação de Produto Vegetal Importado” (MAPA), pois os critérios de classificação do referido certificado são distintos daqueles adotados pela NCM e Mercosul. Nessa esteira, o voto vencedor teria se omitido, aponta a embargante, em afastar, de forma expressa, as premissas sustentadas pelo voto vencido que infirmam a reclassificação de mercadoria então realizada. A embargante assinala que "além de não enfrentar a problemática posta pelo voto vencido, o relator do voto vencedor olvidouse de apresentar seus próprios fundamentos que justificassem sua conclusão e consequente manutenção do auto de infração" (fl. 1665). Além disso, a embargante sustenta que o voto vencedor deixou de "fundamentar o afastamento do pedido subsidiário acolhido pela relatora do voto vencido, no que tange a desclassificação do certificado de origem" (fl. 1665), tendo se limitado a afirmar que a Turma teria concluído pela aplicação da multa de 30% pela falta de Licença de Importação (LI). Em síntese, o acórdão embargado teria deixado de trazer os fundamentos para as conclusões a que chegou, limitandose a narrar, nas palavras da embargante, o resultado do julgamento, Fl. 1736DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.737 5 sem trazer razões próprias para afirmar a reclassificação dos produtos importados e a desclassificação do certificado de origem com a aplicação da multa de 30% pela falta de LI. Os Embargos foram admitidos para fins de saneamento da omissão apontada e os autos foram a mim remetidos para julgamento na condição de Relatora originária do feito, muito embora tenha restado vencida e tenha sido designado redator para o voto vencedor. Transcrevo os termos do referido despacho: 1 Omissão A Embargante, como visto, alega que o acórdão embargado foi omisso ao não apresentar os fundamentos para as conclusões a que chegou, tendo se limitado a narrar o resultado do julgamento, sem trazer fundamentação própria para sustentar sua decisão atinente à manutenção da reclassificação dos produtos importados e a desclassificação do certificado de origem com a aplicação da multa de 30% pela falta de LI. Os excertos transcritos a seguir são fundamentais para elucidar se houve omissão do acórdão embargado (grifamos algumas partes): fl. 1614 a 1616: Conforme determinado durante a sessão de julgamento, encaminho a redação do voto vencedor, em relação às matérias relativas: à preliminar de nulidade em face da reclassificação fiscal da mercadoria, bem como, no mérito, à aplicação da multa por ausência de licenciamento (30%). No caso, o voto vencido decidiu pela nulidade do procedimento fiscal, pois não concordou com a reclassificação da mercadoria, o que entende que não poderia ocorrer apenas em razão do exame da documentação que acompanhou as importações. (...) Desta forma, em face do que foi acima transcrito, entendeu a maioria da Turma que assiste razão à Fiscalização, para então acatar a fundamentação do procedimento de revisão aduaneira, efetivado com base na documentação fornecida pelo MAPA, onde os produtos importados foram especificados como sendo do grupo "Beneficiado", SubGrupo "Polido". Concluiuse, assim, que a descrição e classificação tarifária do produto, conforme constam nas Declarações de Importação, não correspondem às mercadorias efetivamente importadas. Portanto, os respectivos Certificados de Origem apresentados pelo contribuinte, por descreverem o produto apenas como "arroz semibranqueado, não glaceado", devem ser desconsiderados, pois não correspondem às mercadorias efetivamente importadas, devendo ser afastada a preferência tarifária do regime de origem do Mercosul. Fl. 1737DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.738 6 No mesmo sentido, também concluiu a maioria da Turma pela aplicabilidade da multa de 30% por falta de Licença de Importação LI. Conforme a documentação fornecida pelo MAPA, os produtos importados foram especificados como sendo do grupo "Beneficiado", SubGrupo "Polido", portanto, necessária a emissão de LI. (...) Pelo exposto, decidiu a turma, por maioria de votos, em preliminar, que deve ser rejeitada a hipótese de nulidade do lançamento, em face do procedimento que resultou na reclassificação fiscal das mercadorias importadas; no mérito, deve ser mantida a aplicação da multa de 30% por falta de Licença de Importação. Da leitura dos excertos transcritos, vislumbro omissão do acórdão embargado no tocante à apreciação de argumentos fundamentais ao deslinde da causa, os quais poderiam, em tese, infirmar a conclusão assentada pelo colegiado. Podese observar que o voto vencedor se restringiu a relatar as conclusões do colegiado quanto à validade do procedimento de reclassificação de mercadoria importada e de afastamento do certificado de origem com aplicação de multa de 30% por falta de LI, sem, contudo, enfrentar as razões e argumentos relevantes, contrários ao procedimento fiscal, os quais foram apreciados, de forma detalhada, pelo voto vencido. Com efeito, o voto vencedor do acórdão embargado não se manifestou sobre os argumentos opostos à reclassificação de mercadorias, manutenção do auto de infração e aplicação da multa de 30% por falta de LI. A decisão relata que a maioria da Turma entendeu como procedente a reclassificação de mercadoria baseada na documentação fornecida pelo MAPA, sem trazer, entretanto, os fundamentos para tal conclusão, deixando de se pronunciar sobre as razões contrárias que atacam frontalmente a utilização dos critérios de classificação do MAPA apontandoos como incongruentes e inadequados e que sublinham a necessidade de inspeção física dos produtos importados, para verificação de sua genuína classificação. Da leitura dos excertos, constatase, ainda, que o voto vencedor registra que a maioria da Turma entendeu aplicável a multa de 30% por falta de LI, mas não traz qualquer argumento para sustentar suas conclusões e afastar os argumentos relevantes contrários ao procedimento fiscal. Podese assinalar, em síntese, compulsando a decisão embargada, que o voto vencedor não articula argumentos para sustentar sua decisão, deixando de enfrentar os argumentos contrários suscitados pela recorrente e enfrentados no voto vencido , os quais se chocam frontalmente com a autuação e que seriam, em tese, capazes de infirmála. A omissão que reclama a estreita via dos embargos de declaração é justamente essa: a de ausência de pronunciamento Fl. 1738DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.739 7 de matéria expressamente posta em debate, fundamental para o deslinde da causa. 2 Conclusão Com essas considerações, em face do que dispõe o § 7° do art. 65 do RICARF, dou seguimento aos embargos de declaração interpostos pela embargante, para ser julgado pelo Colegiado. Incluase, portanto, o presente processo em lote para sorteio a um dos conselheiros da 1ª Turma Ordinária/2ª Câmara/3ª Seção/CARF. Os autos me foram remetidos para elaboração de relatório e pauta, com a presente inclusão em pauta de julgamento. É o relatorio. Voto Vencido Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Conforme relatado, os Embargos de Declaração opostos pelo Contribuinte foram admitidos por ausência de fundamentação no voto vencedor do acórdão Embargado, sendo despiciendo reescrever os termos do despacho de admissibilidade, já transcrito acima. É fato aduzido nos Embargos de Declaração e anuído no despacho de admissibilidade que o voto vencedor proferido apenas relatou o resultado do julgamento obtido, sem, contudo, fundamentar as razões pelas quais tais conclusões foram firmadas. A necessidade de prolação de decisão fundamentada é premissa essencial ao exercício do contraditório, como forma de garantir os princípios da ampla defesa e da segurança jurídica. Estabelece a lei geral do processo administrativo, Lei nº 9.784/99: Art. 2oA Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; II atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de poderes ou competências, salvo autorização em lei; III objetividade no atendimento do interesse público, vedada a promoção pessoal de agentes ou autoridades; Fl. 1739DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.740 8 IV atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa fé; V divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição; VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; XI proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as previstas em lei; XII impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados; XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. Especificamente quanto à motivação dos atos administrativos, assim entendidas as decisões proferidas em sede de processo administrativo, estabelece a mesma lei: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V decidam recursos administrativos; VI decorram de reexame de ofício; VII deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; Fl. 1740DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.741 9 VIII importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo. § 1oA motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. § 2oNa solução de vários assuntos da mesma natureza, pode ser utilizado meio mecânico que reproduza os fundamentos das decisões, desde que não prejudique direito ou garantia dos interessados. § 3oA motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata ou de termo escrito. Notase que, na hipótese dos autos, nenhum das exigências legais supra destacadas foi cumprida: a decisão possui motivação falha, sem a indicação "explícita, clara e congruente" dos fundamentos que levaram à conclusão obtida. Não obstante as disposições legais supra, atinentes ao procedimento administrativo, é de se destacar, também, imposição trazida pelo Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária nesta seara. Efetivamente, as decisões proferidas em sede de contencioso administrativo, tal qual as decisões judiciais, estão obrigadas a se manifestar acerca de todos os pedidos formulados pelo contribuinte, de modo motivado e apresentando fundamentação suficiente. Ainda que não estejam obrigadas a se manifestar acerca da totalidade dos argumentos apresentados, esta é imprescindível quando se trate de fundamento capaz de infirmar a conclusão adotada. A decisão proferida sem estes elementos, é nula, inexistente. É o que estabelece o Código de Processo Civil de 2015: Art. 489. São elementos essenciais da sentença: I o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem. § 1oNão se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: I se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; II empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; III invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; Fl. 1741DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.742 10 IV não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; V se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; VI deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. (...) O transcrito dispositivo do Código de Processo Civil é bastante minucioso ao definir os elementos essenciais de uma decisão. Especificamente quanto à motivação, cumpre trazer as palavras do eminente jurista Humberto Theodoro Júnior: A falta de motivação da sentença (de motivação adequada, repitase) dá lugar à nulidade do ato decisório. Tão relevante é a necessidade de fundamentar a sentença que a previsão de nulidade por sua inobservância consta de regra constitucional (CF, art. 93, IX), e não de preceito apenas do NCPC (art. 11). (in THEODORO JÚNIOR, Humberto.Curso de Direito Processual Civil, 59ª ed. rev., atual. e ampl. Rio de Janeiro: Forense, 2018. Vol. 1, p. 1097) Por todo exposto, é de se concluir que, para afastar da decisão embargada qualquer resquício de nulidade seja na condição de ato decisório, seja na condição de ato administrativo vinculado se faz necessário, por meio dos presentes Embargos de Declaração, o devido saneamento das omissões existentes, com a integração da decisão recorrida, consistente na apreciação de todos os fatos e fundamentos apresentados pelo Recorrente. Na hipótese presente, outrossim, percebese que os fundamentos de mérito sob os quais o Redator designado deixou de se manifestar são essenciais e suficientes, por si só, para alterar a própria conclusão final obtida. Tanto é assim que esta Relatora, vencida, em análise de tais fatos e fundamentos expostos pela Recorrente, chegou à conclusão diversa daquela indicada pelo voto embargado, insuficiente e não fundamentado. E, nesse aspecto, observo que, conforme destacado pelo i. Presidente desta Turma em sede de Despacho de admissibilidade, a omissão vislumbrada "no tocante à apreciação de argumentos fundamentais ao deslinde da causa, os quais poderiam, em tese, infirmar a conclusão assentada pelo colegiado." Tratase da possibilidade de concessão dos efeitos infringentes dos Embargos de Declaração quando examinada questão que deveria ter sido apreciada no primeiro julgamento, questão essa suficiente para alterar a conclusão do julgado. Nesse sentido, trago precedentes deste CARF: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 Fl. 1742DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.743 11 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. ACOLHIMENTO. Devem ser acolhidos, com efeitos infringentes, os embargos que questionaram omissão na decisão, decorrente de não fundamentação da tese adotada. MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA. QUALIFICAÇÃO. O lançamento de ofício relativo a declaração de compensação indevida sujeitase à multa isolada qualificada por caracterizar evidente intuito de fraude, no caso de o crédito oferecido à compensação ser de natureza nãotributária. (Acórdão nº 1201001.590, de 21/03/2017, Rel. ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA) Na hipótese supra, a situação em muito se assemelha à presente, onde, por ausência de fundamentação, foi alterada a conclusão inicialmente obtida pelo Acórdão recorrido. Cito a conclusão do voto condutor: Peço licença para discordar do argumento formulado pelo Acórdão embargado, no sentido de que a declaração, por constituir confissão de dívida, permite a cobrança dos valores indevidamente pleiteados, posto que a multa isolada exigida na hipótese é figura independente e tem por função justamente sancionar atos considerados ilícitos pela legislação. Ante o exposto, ACOLHO os embargos da Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, para, no mérito, restabelecer a multa isolada qualificada de 150% que havia sido cancelada pelo Acórdão recorrido. Ainda pela possibilidade de concessão de efeitos infringentes, o seguinte acórdão: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2001, 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. Verificado no acórdão embargado obscuridade na fundamentação, cabe seu acolhimento para sanála, ainda que de tal feito resultem efeitos infringentes. RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. ORIGEM DE RECURSOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. Para fins de apuração do efetivo acréscimo patrimonial do contribuinte ao longo de determinado anocalendário, devem ser considerados os rendimentos de aluguel por ele recebidos no curso do período. Embargos Acolhidos. Fl. 1743DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.744 12 (Acórdão nº 2402005.712, de 15/03/2017, Rel. JAIRO MARCOS BAUM) Logo, é preciso pontuar que o saneamento das omissões verificadas no acórdão embargado levará, indubitavelmente, ao novo exame do mérito decidido, podendo se chegar à conclusão diversa daquela obtida no primeiro julgamento. Ou seja, a conclusão exposta no voto vencedor não tem o condão de vincular o julgamento integrador, uma vez que, como dito anteriormente, a conclusão desvinculada de fundamentação é nula, inexistente. Assim, considerando que o exame dos fatos e fundamentos já foi devidamente realizada na condição de Relatora do feito, não há como se chegar à conclusão diversa daquela já exposta quando do julgamento do Recurso Voluntário. Desse modo, reescrevo o voto vencido proferido em sede de julgamento de Recurso Voluntário, naqueles trechos que desafiaram os presentes Embargos de Declaração por omissão de fundamentação no voto vencedor. Os trechos omitidos na transcrição referemse às partes do voto proferido que não padecem de omissão, conforme Embargos de Declaração acolhidos. Logo, a transcrição a seguir corresponde à adição, ao acórdão anterior, dos trechos para os quais entendo ter ocorrido as omissões indicadas, sendo mantido aquele acórdão em todos os demais aspectos. Passo à transcrição. 1. RECURSO VOLUNTÁRIO Em sede de Recurso Voluntário o contribuinte apresenta diversas insurgências, preliminares e de mérito, às quais passo a examinar de forma individualizada. 1.1 Preliminares (omissis) c) Impossibilidade de revisão do lançamento por mudança no critério jurídico (Item 2.3 RV) A discussão relativa à revisão aduaneira configurar ou não hipótese de alteração de critério jurídico do lançamento é deveras tortuosa. Tenho para mim que o procedimento de revisão tal como previsto no regulamento aduaneiro é, por si, possível, posto que a existência de previsão normativa autorizadora da revisão por si legítima o procedimento: É cabível discutir se tal permissivo legal está ou não em conformidade com o art. 149 do CTN ou mesmo com preceitos constitucionais, tais como legalidade e segurança jurídica. Contudo, este exame foge à esfera administrativa e ultrapassa minha competência como julgadora deste CARF. Fl. 1744DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.745 13 E certo, contudo, que não é todo e qualquer aspecto do despacho de desembaraço que poderá ser alterado no procedimento de revisão. Existem limites legais que devem ser observados pelo agente tributário. Esse aspecto, embora suscitado como preliminar pelo Contribuinte, será apreciada juntamente com o mérito, pois, no meu entendimento, com este se confunde. 1.2 Mérito (Item 2.4 RV) (omissis) Como visto em no Relatório, a Contribuinte importou, nos anos de 2005 e 2006 (período objeto da autuação) mercadoria descrita como “arroz semibranqueado, não glaceado”, classificandoa como "outros" (não polido), uma vez que, no seu entendimento, não poderia ser classificado na condição de "polido", sendo que, no entendimento da Fiscalização, o correto teria sido a classificação como "arroz polido". Relativamente ao mérito da demanda, portanto, a questão primordial (mas não a única) que se coloca é: o arroz importado pela Contribuinte deve ser classificado como polido ou não polido (outros)? Para melhor visualização, confirase o comparativo entre as classificações fiscais adotadas pelo contribuinte e pela Fiscalização: NCM Informado em DI NCM Reclassificação 1006.30.19 Arroz semibranqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido Parboilizado Outros 1006.30.11 Arroz semibranqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido Parboilizado Polido ou brunido 1006.30.29 Arroz semibranqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido Não Parboilizado Outros 1006.30.21 Arroz semibranqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido Não Parboilizado Polido ou brunido Logo, é fácil verificar que a única divergência trazida aos autos diz respeito à subalinea dedicada à identificação do produto como polido ou não. É incontroverso que se trata de "Arroz semibranqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido ", parboilizado ou não, conforme o caso. Já de início é preciso observar que a reclassificação da mercadoria não ocorreu em razão de exame pericial do produto importado, mas, tão somente, pelo exame de documentação que acompanhou as importações ora em exame. Pois bem. No momento em que a Contribuinte providenciou a importação do arroz, descreveu em suas Declarações de Importação relativas aos anos de 2005 e 2006 (período objeto da autuação) o produto importado como sendo "arroz semibranqueado, não glaceado". Fl. 1745DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.746 14 Esta mesma descrição constou nos respectivos Certificados de Origem que comprovavam que o produto era oriundo de países do MERCOSUL. Não obstante, no início do procedimento de Revisão aduaneira, o contribuinte foi intimado a apresentar, para cada uma das DIs, o respectivo "Laudo de Classificação de arroz, de acordo com a Portaria nº 296, de 17/11/1988, do Ministério da Agricultura". Em atendimento às intimações feitas pela Fisco, foram apresentados os referidos "Certificado de Classificação de Produto Vegetal Importado" emitidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento" (MAPA) (por exemplo, fl. 187, 199, 223, dentre outras). Em todos os certificados emitidos pelo MAPA os produtos importados foram especificados como sendo do grupo "Beneficiado", SubGrupo "polido": Assim, com base exclusivamente neste documento emitido pelo MAPA é que a Fiscalização, em procedimento de revisão aduaneira, afirmou que a descrição e classificação tarifária do produto nas Declarações de Importação não seriam condizentes com as mercadorias importadas. E mais do que isso, a Fiscalização concluiu que os próprios Certificados de Origem, por descreverem o produto apenas como "arroz semibranqueado, não glaceado", e, portanto, não polido, não seriam correspondentes às mercadorias efetivamente importadas. Com isso, passou a considerar que o contribuinte importador não teria apresentado os Certificados de Origem das mercadorias, anulando, assim, o benefício fiscal de redução a zero das alíquotas dos tributos devidos, benefício esse aplicável tanto ao arroz polido, como ao não polido. Assim, é preciso observar que não se trata meramente de uma questão de classificação fiscal, ou seja, se o arroz deve ser classificado como polido ou não polido, mas existe, claramente, uma afirmação do Fisco de que a mercadoria importada pelo contribuinte não seria aquela descrita nos documentos de importação, ou seja, nas suas faturas / Invoices, DI's e mesmo nos respectivos Certificados de Origem. Pois bem. A despeito de todos os documentos relativos à importação (DI's, faturas / invoices e certificados de origem classificarem o produto importado como sendo "arroz semibranqueado, não glaceado", a Fiscalização entendeu que a caracterização como polido seria a mais acertada uma vez que esta é a classificação adotada pelos "Certificados de Classificação de Produto Vegetal Importado" emitidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento de acordo com a Portaria M.A. nº 269/88, acostados aos autos. Fl. 1746DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.747 15 Nesse ponto, mais uma vez reputo necessário ressaltar que não houve análise física do produto, mas, apenas, uma análise documental. Nesse aspecto, defende a Contribuinte a impossibilidade de se utilizar a citada Portaria M.A. nº 269/88, e consequentemente, os Certificados emitidos com base em tal norma, para subsidiar a classificação fiscal como "arroz polido", suscitando a existência de divergências de critérios de classificação entre esta e a tabela do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, utilizada para fins fiscais. Confirase a classificação NCM adotada para o arroz: 10.06 Arroz. 1006.10 Arroz com casca (arroz paddy) 1006.10.10 Para semeadura 1006.10.9 Outros 1006.10.91 Parboilizado 1006.10.92 Não parboilizado 1006.20 Arroz descascado (arroz cargo ou castanho) 1006.20.10 Parboilizado 1006.20.20 Não parboilizado 1006.30 Arroz semibranqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido 1006.30.1 Parboilizado 1006.30.11 Polido ou brunido 1006.30.19 Outros 1006.30.2 Não parboilizado 1006.30.21 Polido ou brunido 1006.30.29 Outros 1006.40.00 Arroz quebrado Agora vejamos a classificação adotada pelo Ministério da Agricultura por meio da sua Portaria M.A. nº 269/88: 4. Classificação O arroz será classificado em grupos, subgrupos, classes e tipo, identificados de acordo com os seguintes critérios: 4.1. Grupos Segundo a sua forma de apresentação, o arroz será classificado em 2 (dois) grupos, assim denominados: 4.1.1. Arroz em casca é o produto fisiologicamente desenvolvido, maduro e em casca, depois de colhido; 4.1.2. Arroz beneficiado é o produto maduro que submetido a processo de beneficiamento, achase desprovido de sua casca. 4.2 Subgrupos Segundo o seu preparo, o arroz em casca e o arroz beneficiado serão ordenados em subgrupos: 4.2.1. Subgrupos do arroz em casca: Fl. 1747DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.748 16 4.2.1.1. Natural 4.2.1.2. Parboilizado 4.2.2. Subgrupos do arroz beneficiado: 4.2.2.1. Integral 4.2.2.2. Parboilizado 4.2.2.3. Parboilizado integral 4.2.2.4. Polido Trazendo a classificação para a mesma formatação utilizada pela NCM: 4.2.1 Arroz em casca 4.2.1.1 Natural 4.2.1.2 Parboilizado 4.2.2 Arroz beneficiado: 4.2.2.1 Integral 4.2.2.2 Parboilizado 4.2.2.3 Parboilizado integral 4.2.2.4 Polido Agora lado a lado: 1006.10 Arroz com casca (arroz paddy) 1006.10.10 Para semeadura 1006.10.9 Outros 1006.10.91Parboilizado 1006.10.92Não parboilizado 1006.20 Arroz descascado (arroz cargo ou castanho) 1006.20.10 Parboilizado 1006.20.20 Não parboilizado 1006.30 Arroz semibranqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido 1006.30.1 Parboilizado 1006.30.11 Polido ou brunido 1006.30.19 Outros 1006.30.2 Não parboilizado 1006.30.21 Polido ou brunido 1006.30.29 Outros 4.2.1 Arroz em casca 4.2.1.1 Natural 4.2.1.2 Parboilizado 4.2.2 Arroz beneficiado: 4.2.2.1 Integral 4.2.2.2 Parboilizado 4.2.2.3 Parboilizado integral 4.2.2.4 Polido É interessante observar que, para o arroz sem casca, a NCM apresenta 2 grupos (arroz descascado e Arroz semibranqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido) e estes se subdividem no total de 6 classificações possíveis: · Descascado parboilizado Fl. 1748DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.749 17 · Descascado não parboilizado · Semibranqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido, parboilizado e polido · Semibranqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido, parboilizado e não polido · Semibranqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido, não parboilizado e polido · Semibranqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido, não parboilizado e não polido Já para a classificação adotada pelo MAPA, o grupo de arroz beneficiado, ou seja, sem casca, apresenta apenas 4 itens: · integral · parboilizado · parboilizado integral · polido. Ou seja, já de início se nota que não existe qualquer paralelo entre as duas classificações em questão. Aprofundando especificamente com relação à classificação dos dois tipos de arroz objeto da presente discussão ("arroz parboilizado polido ou não polido" e "arroz não parboilizado polido ou não polido"), é ainda mais visível a incongruência: (a) Onde, na classificação do MAPA, estaria enquadrado o arroz de NCM 1006.30.11, que é, ao mesmo tempo parboilizado (4.2.2.2) e polido (4.2.2.4.)? (b) E o arroz de NCM 1006.30.29 (ou mesmo o de NCM 1006.20.20), ou seja, que não é nem integral (4.2.2.1.), nem parboilizado (4.2.2.2.), nem parboilizado integral (4.2.2.3.) e nem polido (4.2.2.4.)? Uma hipótese seria, então, classificar o arroz não polido como sendo do grupo arroz em casca (4.2.1) que apenas distingue entre os subgrupos natural (4.2.1.1) e parboilizado (4.2.1.2). Todavia, esta se descarta por absoluto, uma vez que, de acordo com a própria Fiscalização, não se trata de arroz em casca, mas, sim, de arroz beneficiado. Afinal, acaso se tratasse de arroz em casca, o NCM seria vinculado ao item "1006.10 Arroz com casca (arroz paddy)", e não ao item efetivamente utilizado "1006.30 Arroz semibranqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido". Ainda em conjectura. Poderseia afirmar que, caso o arroz fosse de fato não polido, como afirma a Contribuinte, então o MAPA o teria classificado no subgrupo "4.2.2.2. Fl. 1749DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.750 18 Parboilizado", argumento que reforçaria a tese de que a mercadoria descrita nas DIs e nos certificados de origem não seria aquela objeto dos Certificados do MAPA. Todavia, mais uma vez se nota a impossibilidade de tal conclusão. Se assim o o fosse, como, então, deveria o MAPA ter classificado o arroz não parboilizado e não polido? É certo, se há NCM específica para o arroz não parboilizado e não polido (1006.30.29) é porque esta "combinação" é possível. É no mínimo alarmante verificar que a classificação adotada pelo MAPA não tem sincronia com a NCM, utilizada para fins de classificação fiscal. Logo, não vejo como traçar qualquer paralelo entre as diversas classificações adotadas pela NCM e as singelas 4 (quatro) classificações possíveis de serem adotadas pelo MAPA. Em outras palavras, entendo que sim, seria possível a Fiscalização Aduaneira, seja durante o despacho aduaneiro, seja em procedimento de revisão, alterar a classificação fiscal do arroz de "não polido", no caso, no subgrupo "outros", para a classificação de "polido". Essa alteração, por certo, acarretaria a reclassificação fiscal e até mesmo a descaracterização dos certificados de origem que, indubitavelmente, classificaram o arroz como sendo não polido. Contudo, entendo, com segurança e convicção, que esta alteração na classificação fiscal não poderia ter se dado com base exclusivamente nos "Certificado de Classificação de Produto Vegetal Importado" emitido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento" (MAPA), uma vez que os critérios de classificação utilizados por este órgão não trazem total correspondência com os critérios adotados pela NCM e pelo Mercosul. Em outras palavras, não se pode, como base nos elementos constantes dos autos, afirmar, com a certeza e segurança que se exigem do lançamento tributário, que o arroz importado pela contribuinte deveria ter sido classificado, na NCM, como sendo 1006.30.11 e 1006.30.21 (polido ou brunido) e não como 1006.30.19 e 1006.30.29 (outros), pois não há, em definitivo, qualquer prova de análise física do produto que tenha sido elaborada em conformidade, exatamente, com os critérios estabelecidos pela NCM e pela NESH. Nesse aspecto, necessário ressaltar que o contribuinte trouxe aos autos a demonstração de que, no ano de 2009 (que, inclusive, foi objeto do Termo de Início de Ação Fiscal), a Fiscalização, diferentemente de como procedera com relação aos anos de 2005 e 2006, ora examinados, solicitou a elaboração de laudos técnicos para conferência física da mercadoria. E, nesses casos, a conferência física das mercadorias, e a respectiva classificação exclusivamente com base nos critérios da NCM e NESH, concluíram se tratar de arroz não polido. (por exemplo, fls. 1226, 1261, dentre outras) Não quero, com isso, afirmar que tais laudos seriam válidos como prova relativamente às importações realizadas em 2005 e 2006, mas, tãosomente, demonstrar que, quando a fiscalização procedeu em estrita conformidade com as regras atinentes ao procedimento de classificação fiscal, solicitando a análise física do produto importado, obteve conclusão absolutamente diversa daquela obtida exclusivamente com base em análise de documentos. Fl. 1750DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.751 19 E observe que, mesmo nesses casos de 2009, em que o laudo emitido com base em análise física do produto concluiu se tratar de arroz não polido, ainda assim os respectivos Certificados do MAPA permaneciam classificando esse mesmo arroz como "polido". Logo, se em 2009 os certificados do MAPA não eram suficientes para chancelar a classificação fiscal do arroz como polido, tendo sido necessária a análise física do produto, porque em 2005 e 2006 essa análise física foi dispensada em os Certificados do MAPA foram admitidos como prova soberana e incontestável? Tal circunstância, a meu ver, macula o lançamento tributário relativo ao ano de 2005 e 2006 de inadmissível incerteza e insegurança. Os certificados emitidos pelo MAPA, por seguirem regras e critérios de classificação distintos daqueles adotados pela NCM / NESH, não podem por absoluto, serem utilizados como único e exclusivo fundamento para suportar o procedimento de revisão aduaneira. Ainda nesse aspecto, para que não se alegue que o entendimento ora externado negaria validade à documento público, qual seja os Certificados do MAPA, ou mesmo que considera inócua a Portaria M.A. nº 269/88, tenho que, nos exatos termos constante da parte preambular da citada norma, esta se destina a classificar o produto (arroz) pronto para venda ao consumidor final. Confirase: Portaria N o 269, de 17 de novembro de 1988 O MINISTÉRIO DE ESTADO DA AGRICULTURA, no uso de suas atribuições tendo em vista o disposto na Lei N o 6.309, de 15 de dezembro de 1975, e no Decreto N o 82.110, de 14 de agosto de 1978, resolve: I Aprovar a norma anexa, assinada pelo Secretário de Serviços Auxiliares de Comercialização e pelo Secretário Nacional de Abastecimento, a ser observada na classificação, embalagem e marcação do arroz. II Esta portaria entra em vigor na data de sua publicação, revogadas a Portaria N o 205, de 26 de agosto de 1981 e as disposições em contrário. ÍRIS REZENDE NORMA DE IDENTIDADE, QUALIDADE, EMBALAGEM E APRESENTAÇÃO DO ARROZ 1. Objetivo A presente Norma tem por objetivo definir as características de identidade, qualidade, embalagem apresentação do arroz em casca (natural e parboilizado), e do arroz beneficiado (integral, parboilizado, parboilizado integral e polido), e dos fragmentos de arroz que se destinam à comercialização. Assim, enquanto a classificação fiscal NCM observa o produto no momento imediato do desembaraço, antes da sua transformação realizada pela indústria interna, a norma Fl. 1751DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.752 20 do MAPA se destina à classificação do produto já beneficiado, empacotado e posto à disposição do consumidor final. Logo, também por esse ângulo se verifica a imprestabilidade das classificações efetuadas com base na Portaria M.A. nº 269/88 para fins de classificação fiscal de mercadoria importada. Outra linha de raciocínio que poderia ser desenvolvida diz respeito aos conceitos trazidos pelas normas (NESH, MAPA e Mercosul) do que seja o arroz polido, tal como abordado pela DRJ. Contudo, após intenso exame do tema, inclusive com estudos acerca das diversas camadas do arroz, como o "pericarpo" que, segunda a NESH, é totalmente removido no arroz polido, ou o "tegumento", que, de acordo com o Ministério da Agricultura, será em grande parte removido no arroz polido, concluo que se trata de discussão inócua que apenas desvirtuaria o tema ora em exame. Isso porque, na hipótese dos autos, não existiu qualquer análise física do arroz importado de modo a verificar quais as camadas foram preservadas e que, assim, pudesse concluir se se tratava de arroz polido ou não polido, de acordo com os critérios estabelecidos na NESH. E mais, na presente data, seria impossível realizar qualquer exame físico nos produtos em questão. Assim, tenho que a questão ora em exame é exclusivamente de classificação fiscal e de possível divergências entre os critérios de classificação adotados pela NCM, pela Portaria 269/88 do MAPA e pela Resolução Mercosul. E a classificação fiscal levada a efeito pela Fiscalização deve, necessariamente, atender aos parâmetros estabelecidos na legislação de regência. Por todo exposto, tenho que a reclassificação fiscal levada a efeito em sede de Revisão Aduaneira é nula por não apresentar fundamentos capazes de sustentar a pretendida reclassificação, uma vez que não apresenta argumentos de fato e de direito capazes de infirmar a classificação fiscal adotada pelo contribuinte. É preciso concluir que, no caso concreto, não estou a reconhecer a legitimidade da classificação fiscal realizada pelo contribuinte uma vez que, como dito, não consta nos autos a verificação física da mercadoria capaz de aferir, com certeza e segurança, que o arroz importado se encontrava na condição de polido ou não. O que se verifica é que o trabalho fiscal levado a efeito não primou pelo princípio da legalidade estrita, externado pelo art. 142 do CTN, pois não revestiu seu lançamento da certeza e segurança inerentes ao lançamento tributário. O procedimento de revisão aduaneiro apresenta vício material na sua motivação (erro de direito), assim entendida como a adequada fundamentação legal da revisão do lançamento, nulidade essa, insanável, nos termos do art. 149 do CTN. Por fim, a Contribuinte requer a aplicação, ao caso concreto, do art. 112 do CTN: Fl. 1752DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.753 21 Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Todavia, consoante todo arrazoado exposto na presente decisão, não vislumbro qualquer existência de dúvida. O que houve, em fato, foi uma divergência quanto à aplicação da legislação tributária. Vejase que a dúvida que autoriza a aplicação do art. 112 do CTN não é aquela decorrente da irresignação do contribuinte quanto aos fatos apurados pela Fiscalização, da interpretação divergente das normas. Esta irresignação se materializa por meio do devido processo legal e da ampla defesa assegurados ao contribuinte. Se assim não o fosse, toda e qualquer lide administrativa poderia ser caracterizada como dúvida, independentemente da sua fundamentação. A dúvida que se exige é a dúvida razoável, fundamentada, e, nos termos legais, a dúvida objetiva, que alcança a certeza dos fatos e /ou da capitulação legal. Não é a dúvida quanto a interpretação do direito. Desse modo, entendo inaplicável aos autos o art. 112 do CTN. PEDIDOS SUBSIDIÁRIOS Por dever de ofício, ainda que acolhido o mérito acima examinado, compete me, também, a análise dos demais pontos apresentados em sede de Recurso Voluntário. (omissis) Validade do Certificado de Origem (Item 2.6 RV) Na hipótese dos autos, a violação imputada ao Contribuinte está assim tipificada pelo Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos (Decreto 4.543/02): Art. 116. O tratamento aduaneiro decorrente de ato internacional aplicase exclusivamente à mercadoria originária do país beneficiário (Decretolei no37, de 1966, art. 8o). § 1oRespeitados os critérios decorrentes de ato internacional de que o Brasil seja parte, temse por país de origem da mercadoria aquele onde houver sido produzida ou, no caso de mercadoria resultante de material ou de mãodeobra de mais de um país, Fl. 1753DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.754 22 aquele onde houver recebido transformação substancial (Decretolei no37, de 1966, art. 9o). Art. 503. No caso de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, a comprovação desta será feita por qualquer meio julgado idôneo, em conformidade com o estabelecido no correspondente acordo internacional, atendido o disposto no art. 116. Com efeito, na hipótese dos autos, verificase que a desclassificação do certificado de origem não ocorreu em razão da verificação de que o produto importado não seria originário do país descrito na documentação de importação, tampouco na conclusão de que o produto importado não correspondia àquele descrito. Ou seja, a Fiscalização em momento algum alegou que poderia ter ocorrido uma "substituição" do produto importado por outro diverso. Até porque, pelo que consta dos autos, não há qualquer indício de que o contribuinte possa ter se aproveitado de qualquer benefício em razão da importação do arroz polido ou não polido, uma vez que ambos merecem idêntico tratamento fiscal e aduaneiro, e até mesmo regulatório. Sendo assim, entendo que assiste razão à Recorrente ao postular a aplicação do art. 503 do Regulamento Aduaneiro exatamente onde diz que "no caso de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, a comprovação desta será feita por qualquer meio julgado idôneo". Repiso, não há qualquer alegação ou mesmo indício nos autos de que a suposta incorreção na classificação fiscal possa ter trazido qualquer benefício ao contribuinte, apta a ensejar qualquer possibilidade de fraude na operação. Nesse sentido, entendo bastante próprias as palavras do eminente Jurista Humberto Ávila em Parecer apresentado aos autos pela Recorrente: 2.4.3 A própria legislação interna determina que a comprovação da origem será feita "por qualquer meio julgado idôneo", como se verifica no artigo 503 do Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto n°. 4.543/02), mesma redação do artigo 563 do Regulamento Aduaneiro de 2009 (Decreto n°. 6.759/09): Art. 503. No caso de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, a comprovação desta será feita por qualquer meio julgado idôneo, em conformidade com o estabelecido no correspondente acordo internacional, atendido o disposto no art. 116. 2.4.4 O dispositivo é bastante claro com relação ao fato de que qualquer documentação idônea poderá comprovar a origem da mercadoria importada. Isso significa que ainda que toda a Declaração de Importação fosse considerada imprestável o que por si só já seria equivocado , ainda assim a procedência da mercadoria poderia ser comprovada pela documentação existente, como os próprios contratos. O suposto erro na Declaração é incapaz de atingir o Certificado de Origem, na medida em que o erro se refere a um aspecto bastante específico (a existência de processo de polimento ou não) sem atingir de nenhum modo a idoneidade da documentação apresentada com relação à origem do arroz importado. Fl. 1754DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.755 23 2.4.5 Sendo assim, a fundamentação apresentada pelo Fisco para justificar a invalidade dos Certificados de Origem não encontra respaldo legal. Não há fundamento na legislação interna para a vinculação entre o código utilizado e a imprestabilidade de toda documentação. O procedimento aduaneiro ao qual as empresas foram submetidas levou à autorização de importação de arroz proveniente de países signatários do Mercosul. Tal fato, por si só, já é suficiente para a consideração dessa documentação como idônea para fins de comprovação da origem da mercadoria. Se a autoridade fiscal, mais tarde, pretende discutir se este arroz é polido ou não polido, isso em nada altera o fato de que já reconheceu e autorizou a importação desse arroz, considerando idônea a sua comprovação de origem. Pelo exposto, entendo que, em sede de apreciação subsidiária, acaso mantida a reclassificação fiscal pretendida pela Fiscalização, deve ser afastada a possibilidade de desclassificação do certificado de origem, nos termos do citado art. 503 do Regulamento Aduaneiro. Pelo exposto, voto por ACOLHER os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para, saneando as omissões no acórdão recorrido, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Voto Vencedor Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo Redator Designado. Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos Embargos de Declaração, com efeitos infringentes. De forma concisa, o cerne do litígio consiste no procedimento adotado pela fiscalização que levou a reclassificação fiscal das mercadorias importadas e na validade dos certificados de origem. Nesse sentido, após ampla discussão do caso, a turma decidiu pela legalidade do procedimento de reclassificação, sendo que foi mantida apenas a multa por erro de classificação fiscal. Notese que, apesar da reclassificação, a turma considerou que a mudança efetuada no oitavo dígito da NCM seria insuficiente para descaracterizar a origem das mercadorias, mantendose, portanto, a preferência tarifária do regime de origem do Mercosul. O presente voto vencedor tem por objetivo esclarecer as razões que fundamentaram tais conclusões. Inicialmente, cabe recordar que a relatora Conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, após análise do caso proferiu seu voto com as seguintes conclusões: Fl. 1755DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.756 24 1.2 Mérito (Item 2.4 RV) (...) Por todo exposto, tenho que a reclassificação fiscal levada a efeito em sede de Revisão Aduaneira é nula por não apresentar fundamentos capazes de sustentar a pretendida reclassificação, uma vez que não apresenta argumentos de fato e de direito capazes de infirmar a classificação fiscal adotada pelo contribuinte. (...) Validade do Certificado de Origem (Item 2.6 RV) Sendo assim, entendo que assiste razão à Recorrente ao postular a aplicação do art. 503 do Regulamento Aduaneiro exatamente onde diz que "no caso de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, a comprovação desta será feita por qualquer meio julgado idôneo". Repiso, não há qualquer alegação ou mesmo indício nos autos de que a suposta incorreção na classificação fiscal possa ter trazido qualquer benefício ao contribuinte, apta a ensejar qualquer possibilidade de fraude na operação. (...) Pelo exposto, entendo que, em sede de apreciação subsidiária, acaso mantida a reclassificação fiscal pretendida pela Fiscalização, deve ser afastada a possibilidade de desclassificação do certificado de origem, nos termos do citado art. 503 do Regulamento Aduaneiro. Pelo exposto, voto por ACOLHER os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para, saneando as omissões no acórdão recorrido, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário A partir do eminente voto da relatora, a discussão da turma recaiu sobre a validade o procedimento adotado pela fiscalização para a reclassificação das mercadorias. O procedimento fiscalizatório foi tomou como fundamento documentos denominados "Certificado de Classificação de Produto Vegetal Importado" emitidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento" (MAPA). O debate foi quanto à possibilidade de utilização dos documentos do MAPA como única fonte para a reclassificação das mercadorias dentro da NCM. Sobre o assunto, cabe explicar que a reclassificação fiscal foi efetuada exatamente no oitavo dígito da NCM, ou seja, no último dígito da nomenclatura comum. Nesse sentido, cabe lembrar que o sétimo e o oitavo dígitos da NCM são exatamente os dígitos manipulados apenas pelos próprios países integrantes do Mercosul, ou seja, sem interferência Fl. 1756DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.757 25 de terceiros países. O sétimo e o oitavo dígitos da NCM são exatamente os dígitos criados para o desenvolvimento de políticas econômicas específicas de cada um dos países do Mercosul. O Mercosul realiza tal trabalho no Comitê Técnico nº 1 (CT1), órgão encarregado do exame técnico dos temas relacionados a Tarifas, Nomenclatura e Classificação de Mercadorias. No âmbito do governo brasileiro, o MDIC realizada a coordenação nacional do CT1. Nesse sentido, com base em consulta ao setor produtivo brasileiro, o MDIC, junto com os demais representantes dos países integrantes do bloco, realiza o trabalho de nomenclatura para dois últimos dígitos da nomenclatura. A consideração quanto ao CT1 e ao MDIC interessa, pois resvala na conclusão da turma quanto a validade dos "Certificado de Classificação de Produto Vegetal Importado" emitidos pelo MAPA para embasar a reclassificação dos últimos dois dígitos da NCM. Ou seja, em razão da liberdade quanto aos trabalhos dentro do sétimo e oitavo dígito da NCM, prevaleceu o entendimento de maior força destes Certificados do MAPA para guiar a fiscalização. Ainda sobre o assunto, a falta de harmonização entre a NCM e a nomenclatura adotada pelo MAPA por meio da Portaria M.A. nº 269/88 foi considerada irrelevante para a conclusão quanto a validade do Certificado que orientou a reclassificação. Evidente que o desejável seria que as nomenclaturas da NCM e o MAPA estivessem harmonizadas, mas tal fato não é impeditivo para que a fiscalização possa utilizar o Certificado do MAPA. Sobre a validade dos laudos e pareceres de outros órgãos federais, citase o disposto no art. 30 do Decreto nº 70.235/72: Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. Reforço o disposto no art. 30 do Decreto nº 70.235/72 com as palavras do Conselheiro Paulo Duarte retirados de sua declaração de voto: Laudos de órgãos federais serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, ou seja, na identificação e qualificação da mercadoria, especialmente as que tiverem sob controle do órgão, como o caso do arroz, que esteve sob procedimento de classificação, que engloba a identificação e qualificação do MAPA ou entidade credenciada por este, por força da Portaria MA 269/88. É nesse sentido que os Certificados emitidos pelo MAPA foram utilizados no procedimento fiscal: meramente de identificação, aproveitandose da competência formal e uso de técnicas de "classificação" para esclarecer suas características/propriedades, como a de arroz "POLIDO". O MAPA realizou a retirada de amostra no momento da entrada na mercadoria estrangeira no território nacional e a submeteu à análise visando a verificação do atendimento a padrões Fl. 1757DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.758 26 estabelecidos em seus atos normativos que a qualificam ao consumo interno, ainda que necessite de etapas ulteriores de beneficiamento. Dessa análise resultou a identificação da mercadoria, em termos de suas propriedades e características, o que foi utilizada no procedimento fiscal. Assim, observese que o disposto no Certificado do MAPA foi considerado válido, sendo considerado como certo que o arroz em questão naquela ocasião atendia ao critério “polido”. O polimento do arroz em 20052006 não foi contestado no laudo do MAPA. Do voto da relatora, observase que a recorrente enfrentou dúvida semelhante em pelo menos outra ocasião, qual seja no ano de 2009. Diante desse fato, a título de ensinamento futuro, recomendase a realização do procedimento de solução de consulta sobre classificação fiscal de mercadorias na NCM, conforme disposto na Lei nº 9.430/96. Tal procedimento é o único capaz de garantir a certeza quanto a classificação fiscal adotada no período de sua vigência, compreendido entre a data da sua publicação ou ciência ao consulente e a data da publicação ou ciência da nova Solução de Consulta definitiva. Diante de todo o exposto, a fiscalização utilizou de forma válida os Certificados do MAPA que estavam vigentes para reclassificar as mercadorias no subitem “polido”. A reclassificação foi efetuada dentro de um procedimento de revisão aduaneira, cuja execução ocorre após a importação e, na maioria das vezes, onde já ocorreu o consumo das mercadorias importadas. É de se concluir, portanto, que no caso concreto prevaleceu o entendimento da turma quanto a validade dos Certificados do MAPA para a reclassificação adotada pela fiscalização no procedimento de revisão aduaneira, com a manutenção apenas da penalidade por erro de classificação fiscal. Conclusão Diante do exposto, voto por ACOLHER os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, mantendo apenas a exigência da multa de 1% (um por cento) por erro de classificação fiscal da mercadoria. (assinado digitalmente) Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo Declaração de Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira Mantenho meu posicionamento por ocasião do julgamento do RV do qual resultou no Acórdão embargado. Assim, cabe expressar meu entendimento para manter a reclassificação efetuada pela fiscalização, desclassificar o certificado de origem em razão de consignar Fl. 1758DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.759 27 mercadoria com descrição e classificação divergente do que restou apurado, e manter a multa por falta de LI, pois o novo código tarifário exige licenciamento nãoautomático. Revisão aduaneira x mudança no critério jurídico Entende a nobre Relatora que a reclassificação fiscal levada a efeito em sede de Revisão Aduaneira é nula por não apresentar fundamentos capazes de sustentar a pretendida reclassificação, uma vez que não apresenta argumentos de fato e de direito capazes de infirmar a classificação fiscal adotada pelo contribuinte. Prossegue seu raciocínio afirmando que o procedimento de revisão aduaneiro apresenta vício material na sua motivação (erro de direito), assim entendida como a adequada fundamentação legal da revisão do lançamento, nulidade essa, insanável, nos termos do art. 149 do CTN. A irresignação da recorrente tem como pano de fundo a controvérsia de se efetuar lançamento de exigência em ato de revisão após ultrapassado o desembaraço aduaneiro e conferência da mercadoria. De pronto, podese afirmar que a autoridade fiscal fundamentou a hipótese legal de revisão do lançamento. A fundamentação do lançamento foi a inexatidão da classificação fiscal da mercadoria, no caso o arroz, tendo como arrimo os laudos (certificados) emitidos pelo MAPA. Além disso, o auto de infração foi fundamentado em vários dispositivos do regulamento aduaneiro Decreto nº 4.543/2002. Assim sendo, a referida alegação não merece prosperar. A identificação do arroz pelo Mapa e a reclassificação pela autoridade fiscal Uma primeira questão que surge é acerca da prestabilidade de aplicação do resultado do "laudo" do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA na "classificação" do arroz importado pela recorrente. Em outros dizeres, o laudo é apto para identificar a mercadoria para efeitos de classificação tarifária e se reveste da qualidade de prova? Antes, porém, impende afirmar que não se trata de laudo do MAPA, mas de "CERTIFICADO DE CLASSIFICAÇÃO DE PRODUTO VEGETAL IMPORTADO", e para a expressão "classificação" compreendese a identificação da mercadoria. Estabelecese a distinção: o que é classificação para o MAPA, tem o efeito de identificação das características do produto para efeitos fiscais; e ainda, tratase de um Certificado cujos efeitos é o mesmo de um laudo. O art. 30 do Decreto nº 70.235/72 prescreve: Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua Fl. 1759DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.760 28 competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. Laudos de órgãos federais serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, ou seja, na identificação e qualificação da mercadoria, especialmente as que tiverem sob controle do órgão, como o caso do arroz, que esteve sob procedimento de classificação, que engloba a identificação e qualificação do MAPA ou entidade credenciada por este, por força da Portaria MA 269/881. É nesse sentido que os Certificados emitidos pelo MAPA foram utilizados no procedimento fiscal: meramente de identificação, aproveitandose da competência formal e uso de técnicas de "classificação" para esclarecer suas características/propriedades, como a de arroz "POLIDO". O MAPA realizou a retirada de amostra no momento da entrada na mercadoria estrangeira no território nacional e a submeteu à análise visando a verificação do atendimento a padrões estabelecidos em seus atos normativos que a qualificam ao consumo interno, ainda que necessite de etapas ulteriores de beneficiamento. Dessa análise resultou a identificação da mercadoria, em termos de suas propriedades e características, o que foi utilizada no procedimento fiscal. O conteúdo do certificado trouxe informações hábeis à perfeita identificação da mercadoria objeto do procedimento de reclassificação fiscal que esteve em curso; senão vejamos: Assinalou que a amostra referiase à produto importado, em sacos, com indicação do nº do BL, o que permite concluir que o Laudo/Certificado não tem por objeto somente produtos embalado/acondicionado para a comercialização, como se pronto para a venda a consumidor final; Foi efetuado a partir de amostras do arroz importado conforme identificado no próprio certificado. A fiscalização, na maioria dos casos, demonstrou a perfeita correspondência entre a DI e o Certificado, por meio do Conhecimento de Carga. Informou o equipamento utilizado para se obter a identificação da mercadoria (por exemplo: "MOTOMCO MOD 919 S"); Apresenta o campo "Esclarecimento ao Cliente" com a informação de que "O prazo para fins de contestação do resultado da classificação contida neste certificado é de 45 dias (...), a partir da data da emissão deste certificado" 1 Anexo 1. Objetivo A presente Norma tem por objetivo definir as características de identidade, qualidade, embalagem apresentação do arroz em casca (natural e parboilizado), e do arroz beneficiado (integral, parboilizado, parboilizado integral e polido), e dos fragmentos de arroz que se destinam à comercialização. Fl. 1760DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.761 29 A fiscalização diante das inúmeras informações consignadas nos Laudos, inclusive com a indicação inconteste de que se trata de arroz POLIDO (com a imagem reproduzida no voto da Relatora) não teve dúvidas quanto à exata identificação e classificação fiscal a ser empreendida segundo as regras próprias. A inspeção para classificação pelo MAPA, segundo as regras da Portaria 269/88 permitiram identificar, com precisão, que o arroz importado de que trata estes autos é polido, segundo o que consta expresso nos campos "Especificações Qualitativas" e "Discriminação do Resultado da Classificação" que apontaram para arroz beneficiado, POLIDO e com limites máximos de tolerância de defeitos/tipos que se enquadram no ANEXO VI, da Portaria 269/88, que trata do ARROZ BENEFICIADO POLIDO. Não há, portanto, que se pretender correlacionar as classificações efetuadas pelo MAPA em suas normativas (que na verdade tratase de identificação para fins de aptidão ao consumo) com os códigos tarifários dispostos na TEC e, mormente, com as diversas regras de interpretação do Sistema Harmonizado. A uma, não cabe ao órgão pretender realizar classificação fiscal de produtos, e tal não fora feito; a duas, a classificação é atribuição exclusiva da autoridade fiscal e esta utilizouse de identificação do órgão competente ao controle e certificação do produto. Identificado o arroz importado como semibranqueado ou branqueado e "polido", os códigos tarifários a serem atribuídos serão: 1006.30.11 (parboilizado) e 1006.30.21 (nãoparboilizado), conforme a reclassficiação elaborada pela autoridade fiscal. Para as DI 06/01928479 em que não foi juntado o certificado do MAPA, e a DI 06/0549843, em que o certificado apresentouse ilegível, afastamse as reclassificações. Desclassificação do Certificado de Origem Segundo as regras do Regime de Origem internalizadas em nosso ordenamento jurídico, a deficiência na identificação da mercadoria conduz à perda da preferência tarifária. Sempre que a mercadoria descrita no Certificado de Origem não corresponder àquela identificada na verificação física, o certificado de origem será desclassificado e, consequentemente, cobrados os tributos próprios de uma importação realizada por meio de terceiro país, a teor do que determina a IN SRF nº 149/2002, em seu art. 10, caput e parágrafo único: “Art. 10. O Certificado de Origem apresentado será desqualificado pela autoridade aduaneira, para fins de reconhecimento do tratamento preferencial, quando ficar comprovado que não acoberta a mercadoria submetida a despacho, por ser originária de terceiro país ou não corresponder à mercadoria identificada na verificação física, conforme os elementos materiais juntados, bem assim quando: (...) Fl. 1761DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.762 30 Parágrafo único. Na hipótese de desqualificação do Certificado de Origem, a importação ficará sujeita à aplicação do tratamento tributário estabelecido para mercadoria originária de terceiro país, mediante a constituição do correspondente crédito tributário em Auto de Infração.” Verificase nos dispositivos normativos do Regime de Origem aprovado pelo Quadragésimo Quarto Protocolo ao Acordo de Complementação Econômica 18, promulgado pelo Decreto nº 5.455/2005 que a indicação de classificação fiscal no Certificado de Origem não caracteriza mero erro formal. Com efeito a alínea “e”, do Item “A”, do Anexo IV do referido protocolo, aponta o que se entende por mero erro formal, que, uma vez sanado, não implicaria prejuízo ao tratamento tarifário diferenciado: “e) Em caso de se detectarem erros formais na confecção do certificado de origem, avaliados como tais pelas as Administrações Aduaneiras, caso, por exemplo de inversão no número de faturas, ou em datas, menção errônea do nome ou domicílio do importador, etc. não se demorará o despacho da mercadoria, sem prejuízo de resguardar a renda fiscal através da aplicação dos mecanismos vigentes em cada Estado Parte. Serão considerados erros formais todos aqueles erros que não modificam a qualificação de origem da mercadoria....” Em segundo, a alínea “f” do mesmo item é categórica ao definir o tratamento legal a ser dispensado a erros diversos daqueles constantes da já transcrita alínea “e”: “f) Não serão aceitos Certificados de Origem que mereçam observações diferentes daquelas descritas na alínea “e”. Finalmente, a alínea “h” deixa claro que, para efeito do regime de origem do Mercosul, a classificação fiscal não se inclui no rol dos chamados vícios formais. Confirase: “h) Os casos enumerados na alínea “e” deverão ser comunicados pela administração aduaneira à repartição oficial quando se aplique o tratamento tarifário correspondente ao âmbito de extrazona. Também serão comunicados os casos em que exista diferença entre a classificação consignada no Certificado de Origem e a resultante da verificação aduaneira da mercadoria, sem prejuízo da aplicação dos procedimentos aduaneiros previstos em cada Estado Parte para tais infrações.” Em verdade, ao fazer a ressalva de que, além dos erros formais (previstos na alínea “e”), deveriam ser também comunicados as divergências de classificação fiscal, o texto do Acordo esclarece que essas últimas não se inserem no rol dos considerados erros formais. Fl. 1762DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.763 31 Assim sendo, não há margem para dúvida de que, estando incorretamente classificada a mercadoria, não poderia ser aceito o certificado emitido, mormente quando o erro detectado alcança a própria descrição literal do produto, omitindose sua característica essencial à correta classificação tarifária arroz polido. Portanto, o Certificado de Origem apresentado, o qual descrevia e classificava mercadoria diversa da efetivamente importada e objeto de reclassificação pela autoridade lançadora, não produziu os efeitos para o gozo da redução a zero da alíquota do II incidente sobre a mercadoria, nos termos do Acordo de Complementação Econômica nº 18, Capítulo III, artigo 3º, inciso b). Multa por falta de licença de importação Decorre da classificação incorreta laborada pela contribuinte a exigência, ainda comprovada no julgamento da impugnação, de outra posição tarifária sujeita ao licenciamento nãoautomático. Ademais, sendo também incorreta e incompleta a descrição da mercadoria afastase qualquer possibilidade de aplicação do ADN Cosit nº 12/97. Dessa forma, em razão da desqualificação do certificado de origem, a incorreta descrição do produto e sua classificação tarifária errônea atraem a aplicação da multa de 30% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada, por ausência de licenciamento não automático nos termos do art. 633 do Decreto nº 4.543/2002. Diante de tudo ante exposto, votei no sentido de, acolhidos os embargos de declaração, neguei provimento ao recurso do contribuinte. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 1763DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.000603/2004-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 1998
Ementa: IRPJ APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA – A conduta da
contribuinte de não informar a totalidade de suas receitas nas declarações de rendimentos entregues ao Fisco, nem escriturá-las
nos livros próprios, durante períodos consecutivos, procedimento adotado sistematicamente em todo o grupo de empresas capitaneado pela autuada, por meio de limitadores eletrônicos de emissão de notas fiscais ou cupom, além da manutenção de controles paralelos de receitas, denota o elemento subjetivo da prática dolosa
e enseja a aplicação de multa qualificada pela ocorrência de fraude prevista no art. 72 da Lei nº 4.502/1964.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1202-000.693
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Nelson Lósso Filho
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998 Ementa: IRPJ APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA – A conduta da contribuinte de não informar a totalidade de suas receitas nas declarações de rendimentos entregues ao Fisco, nem escriturálas nos livros próprios, durante períodos consecutivos, procedimento adotado sistematicamente em todo o grupo de empresas capitaneado pela autuada, por meio de limitadores eletrônicos de emissão de notas fiscais ou cupom, além da manutenção de controles paralelos de receitas, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa qualificada pela ocorrência de fraude prevista no art. 72 da Lei nº 4.502/1964. Recurso Voluntário Negado. . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Fl. 810DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 15/08/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10680.000603/200495 Acórdão n.º 120200.693 S1C2T2 Fl. 811 2 Relatório Retornam os autos após julgamento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais do Recurso Especial da Fazenda Nacional, em relação à decisão tomada pela maioria dos membros da extinta Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes no Acórdão nº 10808.664, fls. 567/583, que deu provimento ao recurso voluntário quanto à impossibilidade da exigência de multa de ofício no caso de sucessão de empresas. Acordaram os membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em conhecer e dar provimento ao recurso especial, determinando o retorno dos autos à Câmara de origem para apreciação das alegações da recorrente a respeito da qualificação da multa de ofício, conforme consta da ata de julgamento traduzida na folha de rosto do referido Acórdão CSRF 910100.6431ª Turma, fls. 793. Como determinado no Acórdão CSRF 910100.6431ª Turma, cabe a esta Turma apreciar as alegações apresentadas pela empresa em seu recurso e não enfrentadas no julgamento original, relativas à qualificação da multa de ofício. Registro que a empresa embargou o acórdão proferido originalmente, sustentando existir omissão no voto, dentre outras matérias, quanto à ausência de dolo que motivasse a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150%%, fls. 660/666. Os embargos foram parcialmente acolhidos, sendo prolatado o Acórdão nº 10809.679, fls. 703/712, da sessão de 14/08/2008, para suprir a omissão apontada. É o Relatório. Voto Conselheiro Nelson Lósso Filho Da análise do voto do Relator original, conselheiro Luiz Alberto Cava Maceira, no Acórdão nº 10808.563, da sessão de 10/11/2005, como também do Acórdão nº 10809.679, da sessão de 14/08/2008, da lavra da conselheira Karem Jureidini Dias, vejo que além da matéria levada ao crivo da CSRF, a responsabilidade por multa de ofício no caso de sucessão de empresas, a extinta Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes decidiu rejeitar as preliminares suscitadas, de nulidade e de decadência, além de no mérito dar provimento parcial ao recurso, abordando todos os questionamentos levantados pela pessoa jurídica. Entretanto, como determinado no Acórdão CSRF nº 910100.6431ª Turma, abordo especificamente a qualificação da multa pela questão da caracterização nos autos a ocorrência de fraude, perpetrada pela contribuinte no intuito de deixar de pagar os tributos devidos. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 15/08/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10680.000603/200495 Acórdão n.º 120200.693 S1C2T2 Fl. 812 3 No que concerne à imposição da multa qualificada, prevista no artigo 44 II da Lei nº 9.430/96, vejo que foi perfeitamente aplicada ao caso em questão, haja vista a conduta dolosa da contribuinte ao utilizar procedimentos fraudulentos para omitir receitas. O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 está assim redigido: “Art. 44 – Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Omitido) II – cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Fica claro que a infração submetida à hipótese da multa do inciso II do artigo 44 é a ação ou omissão com intenção de retardar ou impedir o pagamento do tributo, cujo fato gerador tenha ocorrido. O mestre Alberto Xavier traduz com clareza, apoiado em Rubens Gomes de Sousa, a noção deste instituto: “Não cabe dúvida que a definição se inspirou nas lições de Rubens Gomes de Sousa, quando ensinava no seu ‘Compêndio de Legislação Tributária’ que a fraude fiscal – uma das infrações tributárias simples, por oposição aos crimes e contravenção em matéria tributária – podia ser definida como toda ação ou omissão destinada a evitar ou retardar o pagamento de um tributo devido, ou a pagar tributo menor que o devido. Em face desta noção desenhavase bem simples a distinção entre a fraude fiscal e a evasão de imposto. Ambas seriam ações ou omissões destinadas a evitar, retardar ou reduzir o pagamento de um tributo, mas enquanto a fraude fiscal pressupõe a ocorrência do fato gerador, isto é, uma obrigação tributária já existente, constituindo uma infração, a evasão colocase em momento anterior ao da ocorrência do fato gerador, antes pois do nascimento da obrigação do imposto, pelo que não caberia no caso falarse em ato ilícito.” O artigo 72 da Lei nº 4502/64 traz a definição de fraude citada no art. 44 da Lei nº 9.430/96: “Art. 72 – Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento.” Ao definir que fraude é a ação ou omissão dolosa para impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador do tributo, o legislador entendeu que tal procedimento seria motivado por artifício engendrado para impedir a exteriorização completa de um fato que efetivamente aconteceu ou vai acontecer na hipótese de incidência tributária. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 15/08/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10680.000603/200495 Acórdão n.º 120200.693 S1C2T2 Fl. 813 4 Novamente Alberto Xavier, com apoio em Galvão Teles, define assim o conceito do dolo no campo tributário: “Ensina Galvão Teles – com a clareza que é de seu timbre – que ‘dolo, na acepção com que lhe dá a linguagem dos juristas, é a intenção de provocar um evento ou resultado contrário ao Direito. O agente prevê e quer o resultado ilícito; este representase no espírito do sujeito que o elege como fim, e para ele dirige a sua vontade através de uma conduta ativa ou passiva’ (Dos Contratos em Geral, 2a ed., 1962, pág. 45). Não pode falarse em fraude à lei sem que exista dolo e não pode falarse em dolo onde não ocorra uma especial direção subjetiva da consciência e vontade do agente que possa caracterizarse como ‘intenção fraudulenta.” No Termo de Verificação de Infração, o autuante identifica como os motivos que o levaram a impor a multa qualificada os seguintes: “a) as omissões de receitas verificadas ocorreram de forma generalizada na empresa MG MASTER LTDA., bem como já ocorriam as omissões nas empresas que a mesma incorporou e continuaram a ocorrer após as incorporações, como comprovam os envelopes de Fechamento de Caixa e os relatórios existentes no aplicativo SISPAC, constantes da documentação retida/apreendida, de acordo com o Termo de Retenção, a que se refere o item 2, e anexados ao presente processo; b) filiais que iniciaram suas atividades em 1998 também já contabilizavam, desde o primeiro dia de funcionamento, valores de receitas de vendas inferiores às reais; c) as omissões não ocorreram de forma isolada ou esparsa, mas sim de forma continuada e geral, na medida em que ocorreram não só em alguns dias, mas diariamente, não apenas em alguns meses, mas em todos os meses do anocalendário de 1998, que ora está sendo analisado, e também não apenas em uma loja, mas em todas que já existiam, nas que entravam em funcionamento e também nas que foram incorporadas, todas sob a administração do Sr. Sebastião Vicente Bonfim Filho, que era sócio das incorporadas e continua como sócio quotista, representante legal e dirigente exclusivo da MG MASTER LTDA; d) as omissões não foram em decorrência de erros de escrituração e sim decorrentes da sistemática contabilização de valores de receitas de vendas inferiores aos efetivamente ocorridos; e) o relatório de auditoria realizada pelo PÁTIO BRASIL SHOPPING, de Brasília, apreendido na sala da Presidência, conforme Termo de Apreensão referenciado no item 2, já apontava para omissão de vendas, conforme documentos juntados às folhas 144 a 148 do anexo 01 do processo IRPJ e reflexos da MG MASTER LTDA; Fl. 813DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 15/08/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10680.000603/200495 Acórdão n.º 120200.693 S1C2T2 Fl. 814 5 f) na documentação e nos arquivos magnéticos apreendidos foram encontrados diversos documentos que fazem menção a dois tipos de controles, um societário e outro gerencial, como atestam, por exemplo, os documentos juntados às folhas 149 a 217 do anexo 01 do processo IRPJ e reflexos da MG MASTER LTDA. O societário corresponderia aos valores escriturados pelo contribuinte, enquanto que o gerencial (ainda que em valores inferiores aos apurados por esta fiscalização) representaria os valores reais, a fim de que o contribuinte tivesse o controle gerencial das suas atividades. g) existe uma limitação à emissão de notas ou cupons fiscais no dia, em função do procedimento de controle de cotas, de tal forma que a utilização dos emissores de cupom fiscal (ECF) fica restrita ao valor previamente determinado pelo próprio sócio administrador, Sr. Sebastião Vicente Bonfim Filho, conforme constatado nos documentos juntados às folhas 218 a 220 do anexo 01 do processo IRPJ e reflexos da MG MASTER LTDA.. h) na documentação apreendida, conforme item 2, encontramos um relatório de apuração trimestral que, em seu item 1.1, contém a sugestão de condicionar os emissores de cupons fiscais (ECF) a um percentual de emissão ainda menor que o corrente, bem como que sejam os gerentes orientados neste sentido, conforme documentos juntados às folhas 221 do anexo 01 do processo IRPJ e reflexos da MG MASTER LTDA; i) ações trabalhistas dão conta de indícios de sonegação fiscal, como por exemplo, os processos n. 605/99, da 318 Junta de Conciliação e Julgamento de Belo Horizonte, 640/00, da 358 Vara da Justiça do Trabalho de Belo Horizonte e 0186/99, da 138 Junta de Conciliação e Julgamento de Belo Horizonte, cópias anexas às folhas 222 a 224 do anexo 01 do processo IRPJ e reflexos da MG MASTER LTDA; j) o Sr. Sebastião Vicente Bonfim Filho já foi denunciado pela prática de crimes contra a ordem tributária (consubstanciada na redução de carga tributária devida, de forma continuada, omitindo nos livros e documentos fiscais obrigatórios as correspondentes operações tributáveis), na condição de sócio administrador da empresa CATALÃO ESPORTES LTDA (uma das empresas incorporadas à MG MASTER LTDA. em 1998), no processo n.98.057.3273, da 38 Vara Criminal, da Comarca de Belo Horizonte, documentos juntados às folhas 245 à 248 do anexo 01 do processo IRPJ e reflexos da MG MASTER LTDA;” Não consegue a contribuinte demonstrar a inconsistência do lançamento fiscal, não trazendo à colação nenhuma prova que descaracterize a infração que lhe está sendo imputada, ficando denotada a intenção de reduzir o pagamento do tributo por artifício doloso, adotado sistematicamente em todo grupo empresarial, dentre outros, as restrições eletrônicas à emissão de notas ou cupons fiscais, sendo aplicável, portanto, a multa qualificada de 150%. Pelos fundamentos expostos, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 814DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 15/08/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10680.000603/200495 Acórdão n.º 120200.693 S1C2T2 Fl. 815 6 (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Relator Fl. 815DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 15/08/2012 p or NELSON LOSSO FILHO
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