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Numero do processo: 10855.900745/2008-39
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE.
A falta de comprovação de divergência jurisprudencial inviabiliza o processamento do recurso especial. A divergência jurisprudencial não se estabelece em matéria de prova, e sim na interpretação das normas, visto que, na apreciação da prova, o julgador tem o direito de formar livremente a sua convicção. Além disso, a caracterização da divergência jurisprudencial se dá quando o entendimento do caso paradigma pode ser transposto para o recorrido, produzindo o resultado pretendido pelo recorrente, mas isso não ocorre aqui. No caso sob exame, a impossibilidade da caracterização de divergência não decorre apenas das diferenças entre os conjuntos probatórios dos casos cotejados, ou do fato de o julgador ter o direito de formar livremente a sua convicção ao apreciar as provas. Essa impossibilidade também decorre do fato de que a imputação de ônus probatório com suas respectivas consequências simplesmente não poderia ser transposta de um caso para o outro. Não se pode pretender validar um PER/DCOMP tomando como referência o ônus probatório que foi imputado à Fiscalização num caso em que houve lançamento de ofício (auto de infração).
Numero da decisão: 9101-003.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator e Presidente em Exercício.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. A falta de comprovação de divergência jurisprudencial inviabiliza o processamento do recurso especial. A divergência jurisprudencial não se estabelece em matéria de prova, e sim na interpretação das normas, visto que, na apreciação da prova, o julgador tem o direito de formar livremente a sua convicção. Além disso, a caracterização da divergência jurisprudencial se dá quando o entendimento do caso paradigma pode ser transposto para o recorrido, produzindo o resultado pretendido pelo recorrente, mas isso não ocorre aqui. No caso sob exame, a impossibilidade da caracterização de divergência não decorre apenas das diferenças entre os conjuntos probatórios dos casos cotejados, ou do fato de o julgador ter o direito de formar livremente a sua convicção ao apreciar as provas. Essa impossibilidade também decorre do fato de que a imputação de ônus probatório com suas respectivas consequências simplesmente não poderia ser transposta de um caso para o outro. Não se pode pretender validar um PER/DCOMP tomando como referência o ônus probatório que foi imputado à Fiscalização num caso em que houve lançamento de ofício (auto de infração).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. A falta de comprovação de divergência jurisprudencial inviabiliza o processamento do recurso especial. A divergência jurisprudencial não se estabelece em matéria de prova, e sim na interpretação das normas, visto que, na apreciação da prova, o julgador tem o direito de formar livremente a sua convicção. Além disso, a caracterização da divergência jurisprudencial se dá quando o entendimento do caso paradigma pode ser transposto para o recorrido, produzindo o resultado pretendido pelo recorrente, mas isso não ocorre aqui. No caso sob exame, a impossibilidade da caracterização de divergência não decorre apenas das diferenças entre os conjuntos probatórios dos casos cotejados, ou do fato de o julgador ter o direito de formar livremente a sua convicção ao apreciar as provas. Essa impossibilidade também decorre do fato de que a imputação de ônus probatório com suas respectivas consequências simplesmente não poderia ser transposta de um caso para o outro. Não se pode pretender validar um PER/DCOMP tomando como referência o ônus probatório que foi imputado à Fiscalização num caso em que houve lançamento de ofício (auto de infração). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator e Presidente em Exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 07 45 /2 00 8- 39 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10855.900745/200839 Acórdão n.º 9101003.905 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto à negativa de reconhecimento de direito creditório reivindicado em Declaração de Compensação (PER/DCOMP). A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 1102000.941, de 08/10/2013, por meio do qual a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, negou provimento a recurso voluntário apresentado na fase anterior do processo, mantendo a negativa em relação ao PER/DCOMP. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1998 LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE. EMPREITADA. Somente pode ser aplicado o percentual sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal de 8% (oito por cento), no caso de empreitada comprovadamente em que há emprego de materiais, em qualquer quantidade e de mão de obra. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10855.900745/200839 Acórdão n.º 9101003.905 CSRFT1 Fl. 4 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Para o processamento do recurso, ela desenvolve os seguintes argumentos: a controvérsia existente no processo gira em torno da comprovação ou não de que as receitas da Recorrente sejam provenientes da prestação de serviços na construção civil com emprego de materiais, para fim de determinar o coeficiente aplicável para apuração do lucro presumido (se 8% ou 32%); o acórdão recorrido entendeu que a Recorrente não comprovou as atividades sujeitas ao coeficiente de 8%, ou seja, a prestação de serviços de construção civil com emprego de materiais; ocorre que os contratos de prestação de serviços comprovam claramente as atividades desenvolvidas pela Recorrente, assim como os materiais empregados nas obras, na medida em que são contratos firmados com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, onde consta expressamente os serviços a serem realizados, com emprego de materiais; por esta razão, restou caracterizada divergência com a decisão proferida pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes no processo 10245.000927/00 77, assim ementado: Acórdão nº 10195.517 LUCRO PRESUMIDO e LUCRO ARBITRADO PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE COEFICIENTES APLICÁVEIS NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL O auto de infração deve estar acompanhado de todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Tendo a fiscalização acusado a empresa de utilizar coeficientes inadequados, competia a ela provar que suas receitas não se originam de empreitada com fornecimento de materiais. Recurso provido. assim, considerando a divergência processual e que os contratos e as notas fiscais constituem prova hábil à comprovação do crédito da Recorrente, requer seja dado provimento ao recurso, para anular o acórdão recorrido e homologar a compensação realizada. Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 25/05/2015, deu seguimento ao recurso especial, fundamentando sua decisão na seguinte análise sobre a divergência suscitada: I Matéria objeto do recurso especial Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10855.900745/200839 Acórdão n.º 9101003.905 CSRFT1 Fl. 5 4 No recurso discutemse os meios de comprovação da prestação de serviços com fornecimento de materiais a ensejar a aplicação da alíquota de 8% para a determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal. A contribuinte insurgese contra a decisão que manteve o indeferimento de parte dos pedidos de compensação por entender que, sendo diversas as atividades da contribuinte, os contratos por ela firmados podem abrigar uma ou mesmo mais de uma atividade, sendo necessária a apresentação de toda a documentação contábil e fiscal cabível para apurar a base de cálculo do IRPJ para que haja o reconhecimento do direito creditório. A recorrente entende que contratos e notas fiscais constituem prova hábil para a comprovação de seu direito creditório. [...] III Análise da admissibilidade do Recurso Especial [...] Na decisão combatida julgouse necessária, para a obtenção do direito creditório, a apresentação de todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como, os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração comercial e fiscal, de forma a comprovar, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado em compensação. No paradigma, foi decidido que ordens de serviço de terceiros referente à contratação de construção com fornecimento de materiais, notas fiscais de aquisição de materiais e documentos fornecidos por terceiros declarando que as obras executadas compreenderam fornecimento de mãodeobra são suficientes para apurar o direito da contribuinte, não se tendo exigida a escrituração contábil e fiscal da recorrente. Assim, constato que foi comprovada a divergência argüida, uma vez que ante a mesma situação fática, os julgados confrontados obtiveram decisões diversas no sentido de comprovar o direito creditório dos sujeitos passivos, no que se refere à apuração da base de cálculo do lucro presumido à alíquota de 8%. Em 02/06/2015, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu o recurso especial da contribuinte, e em 08/06/2015, o referido órgão apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: DO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. o Despacho nº 1101 – 1ª Câmara reconheceu como comprovada a caracterização da divergência jurisprudencial; todavia, o recorrente não pretende a uniformização de teses jurídicas, objetivo primordial do recurso especial interposto com base na configuração da divergência, mas sim o revolvimento do conjunto fáticoprobatório; Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10855.900745/200839 Acórdão n.º 9101003.905 CSRFT1 Fl. 6 5 a princípio, cabe estabelecer em quais bases foi proferida a decisão recorrida: [...]; a decisão recorrida, deixa claro, portanto, que o contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório consistente em demonstrar o seu direito creditório. Isto é, não comprovou que houve erro ou pagamento a maior hábil a gerar o indébito alegado; portanto, o Recurso Especial não deve ser conhecido, vez que este instrumento não pode ser utilizado para a rediscussão do conjunto fáticoprobatório; DA IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES DA RECORRENTE. na remota hipótese de não ser aceito o entendimento acima, passase a demonstrar que o Recurso Especial também não merece provimento; a Fazenda Nacional adota como razões a elucidativa fundamentação apresentada no acórdão recorrido: [...]; ademais, convém destacar que a regra acerca da distribuição do ônus da prova no ordenamento jurídico pátrio encontra previsão no art. 333 do Código de Processo Civil, verbis: [...]; a norma extraída deste dispositivo determina que o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito incumbe ao autor. Aplicada ao contexto da compensação tributária, temse que compete ao contribuinte produzir a prova da certeza e liquidez do crédito que alega ter perante o Fisco; o ônus da prova que incumbe ao ente tributante consiste em, uma vez provado o fato constitutivo (crédito) pelo contribuinte, provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo daquele; com a devida vênia, não procede o entendimento de que cabe à autoridade fiscal a demonstração da inexistência dos elementos informados pelo contribuinte para a formação do crédito; tratase de inadmissível inversão do ônus da prova, a qual não tem previsão legal. É imperioso destacar que qualquer exceção à regra geral deve constar de texto de lei, como, por exemplo, existe no Direito do Consumidor, descabendo que o faça a autoridade julgadora com base em juízo de equidade; na compensação, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito líquido e certo declarado. Se não se desincumbiu do ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, não há que se exigir da autoridade fiscal a demonstração de qualquer elemento contrário à alegação do crédito; cumpre frisar, por oportuno, que o entendimento adotado no acórdão recorrido encontra amparo na jurisprudência do CARF. Confirase: [...]; DO PEDIDO. ante todo o exposto, pugna a Fazenda Nacional para que seja negado conhecimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte; Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10855.900745/200839 Acórdão n.º 9101003.905 CSRFT1 Fl. 7 6 caso não seja este o entendimento sufragado, requer que, no mérito, seja negado provimento ao citado recurso, mantendose o acórdão proferido pela eg. Turma a quo. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O presente processo traz controvérsia sobre negativa de compensação (PER/DCOMP), em razão do não reconhecimento do direito creditório reivindicado pela contribuinte. Esse direito creditório seria originário de pagamento indevido ou a maior de imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ), código de receita: 2089, no valor de R$ 1.058,78, relativo ao quarto trimestre de 1998. A contribuinte alega que aplicou indevidamente o coeficiente de 32% para presunção do lucro, enquanto que, por atuar no ramo de construção civil por empreitada, com fornecimento de material próprio, e por força da Solução de Consulta SRRF/8a RF/DISIT n° 52, proferida no processo administrativo n° 10855.000267/200351, o coeficiente correto seria de 8%. Tanto a decisão de primeira instância administrativa, quanto a de segunda instância (acórdão ora recorrido), indeferiram o pleito com o entendimento de que a contribuinte não se desincumbiu do ônus de comprovar o alegado direito creditório. Com seu recurso especial, a contribuinte busca a homologação da compensação realizada. E em sede de contrarrazões, a PGFN suscita inicialmente uma preliminar de não conhecimento do recurso, alegando que a decisão recorrida deixa claro que a contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório consistente em demonstrar o seu direito creditório, e que o recurso especial não deve ser conhecido, uma vez que não pode ser utilizado para a rediscussão do conjunto fáticoprobatório. Realmente, não há condições para se conhecer do recurso especial. Reproduzo a seguir várias passagens do acórdão recorrido que ilustram a motivação para a negativa em relação ao PER/DCOMP: Acórdão nº 1102000.941 [...] Relatório Em síntese, o valor do indébito com o qual a contribuinte declarou a compensação, objeto deste processo, seria originário de pagamento Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10855.900745/200839 Acórdão n.º 9101003.905 CSRFT1 Fl. 8 7 indevido ou a maior de imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ), código de receita: 2089, no valor de R$ 1.058,78, relativo ao quarto trimestre de 1998. A contribuinte apresentou DIPJ, relativo ao anocalendário de 1998, informando IRPJ (código de receita: 2089), relativo ao 4º trimestre de 1998, no valor de R$ 1.830,74. A contribuinte alega que o indébito informado na PER/Dcomp de n° 04309.07265.121203.1.3.047666 decorreu do fato de ter tratado a totalidade de suas receitas como receitas advindas de prestação exclusiva de serviços, sobre as quais foi aplicado o coeficiente de presunção de lucro de 32%. Pauta a contribuinte que atua no ramo de construção civil por empreitada, com fornecimento de material próprio, e por força da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT n° 52, proferida no processo administrativo n° 10855.000267/200351, a essas receitas deveriam ser aplicadas o coeficiente de presunção de lucro de 8%. Com base nisto, sustenta ter efetuado recolhimento a maior que o devido, no 4º trimestre de 1998, apresentando, em virtude disso, a PER/Dcomp de fls. 01/02, objeto do despacho decisório de fl. 03. Em fls. 6064, verificamse as razões do recurso da contribuinte. Inicialmente, apresenta esta o Objeto Social de sua empresa (fls. 17): [...] Junta a Recorrente aos autos contrato de execução de obras (fls 33 36) bem como notas de fiscais de sua emissão e notas de compra de mercadorias / matérias primas que serão utilizadas em trabalhos de sua empresa, sem qualquer alusão a qual obra ou atividade que vem desenvolvendo, sempre recebidos em seu endereço (fls. 38 e outras). Também, importante observar que o contrato prevê anexos que falam sobre materiais fornecidos os quais não foram juntados. Importante observar que as fls. 37 junta a Recorrente um orçamento a uma das atividades a ser realizada na rua Bento Antonio Pereira, sendo que ela mesma descreve tão somente serviços, tais como: carga e descarga; sentamento de tubos de pvc; escoramento especial; escavação e transporte do produto escavado; etc. Às fls. 43, até verificase nota fiscal emitida pela Recorrente, contra determinada prefeitura, onde encontrase em seu corpo “serviços de escavação e reaterreno e obras complementares para implantação de esgoto, entre outros”. O ponto nevrálgico continua sendo: emprego de materiais. Afirma a Recorrente que deixou de retificar o valor do débito de IRPJ declarado na DCTF e na DIPJ, de modo que o sistema não constatou o pagamento a maior do imposto, gerando a não homologação da compensação por ausência de crédito. Transcreve esta o fundamento da não homologação da compensação: [...]; Alega a Recorrente que, embora se esforçasse, a delegacia de julgamento também entendeu que o crédito não foi devidamente comprovado, sendo imprescindível a apresentação de toda a documentação fiscal do trimestre para apuração da base de cálculo do IRPJ. Ainda, a Recorrente alega que, para atender a exigência do órgão recorrido, esta anexou ao presente recurso, todas as notas fiscais emitidas no trimestre, os contratos dos demais meses que compõem o trimestre e Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10855.900745/200839 Acórdão n.º 9101003.905 CSRFT1 Fl. 9 8 que não haviam sido juntados, as notas fiscais dos materiais empregados nas obras e a cópia do Livro Diário correspondente ao trimestre. Em 02/12/2009 a Recorrente foi cientificada do Acórdão proferido pela autoridade fiscal (fls. 58), a qual apresentou em 21/12/2009 seu Recurso (fls. 6064) reiterando os termos da defesa exordial. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto [...] A Recorrente alega que está amparada pela Solução de Consulta SRRF/8ª RF/Disit nº 52, de 07.03.2005 formalizada no processo nº10855.000267/200351. A Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) manifestouse sobre a prestação de serviço em geral, quando a pessoa jurídica executar obras de construção civil com emprego de material, alegada pela recorrente em quatro contratos e três cartascontrato de execução de obras e/ou serviços de engenharia firmados com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo SABESP. Nesse sentido, referida Solução de Consulta, citando o Ato Declaratório Cosit n° 6, de 13/01/1997, que disciplinou o assunto, declarou, em seu inciso I, que os percentuais aplicáveis no caso de atividade de construção por empreitada são os seguintes: [...]; 1 Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais. Com efeito, registre que a solução de consulta, em seu item 12, deixa claro que as empresas que exercem atividades diversificadas mereceram o tratamento disposto no artigo 223, § 3º do RIR/1999, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, que estabelece que o percentual a ser aplicado é aquele correspondente a cada atividade. Ora, cabe assinalar que a base de cálculo do IRPJ para as empresas optantes do regime de tributação com base no lucro presumido é determinada mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 15 da Lei n° 9.249, de 1995, e arts. 1º e 25, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996, fundamento legal dos artigos 518 e 519 do RIR/99, que assim dispõem: [...]; Nesse sentido, mediante esse procedimento fiscal a Recorrente obteve e esclarecimentos sobre a questão, oportunidade em que não lhe foi reconhecido qualquer direito creditório, por falta de análise da liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. A dedução esclarecida pela defendente, então, não está evidenciada. A Recorrente suscita que as compensações formalizadas no Per/Dcomp devem ser homologadas, pois está sujeita ao lucro presumido calculado pelo Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10855.900745/200839 Acórdão n.º 9101003.905 CSRFT1 Fl. 10 9 coeficiente de 8% sobre a receita bruta, uma vez que se dedica à construção civil com emprego de materiais e de mão de obra. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Logo, apreendese a partir da resposta consulta que nenhum procedimento adotada pela Recorrente foi “homologado” pela RFB, tão somente esta apresentou os fundamentos legais para que a Consulente, ora Requerente, aplicasse corretamente a lei. Apenas isto! E isto foi realizado corretamente até porque, pela simples leitura do objeto social estabelecido em contrato social (fls. 15) da Recorrente, constatase que a mesma se propõe a exercer diversas modalidades de prestação de serviços, quais sejam: a) saneamento urbano e civil; b) pavimentação em todos os seus tipos e modalidades; c) terraplanagem e remoção de terra; d) drenagem; e) calçamento e sua reposição; f) construção civil e geral, por empreitadas ou administração por conta própria ou de terceiros; g) serviços técnicos de engenharia; h) serviços especializados de impermeabilização, vedação na construção civil; i) Administração de obras na construção civil; j) incorporação imobiliária em geral; k) compra e venda de imóveis e a promoção de venda de empreendimentos imobiliários de sua propriedade; l) administração de bens imóveis próprios; m) qualquer outro negócio conexo, conseqüente, afim ou correlato com o objetivo social. Exercendo a Recorrente atividades diversas na área de construção civil, os contratos por ela firmados podem abrigar uma ou mesmo mais de uma atividade, daí porque imprescindível a apresentação de toda a documentação fiscal cabível para apuração da base de cálculo do IRPJ, do 4º trimestre de 1998, de modo a demonstrar o montante do tributo devido. Portanto, a contribuinte deveria trazer aos autos demonstrativo da apuração do lucro presumido do 4º trimestre de 1998 (outubro, novembro e dezembro de 1998) com aplicação, no caso de atividades diversificadas, do percentual correspondente a cada atividade, a fim de se determinar a base de cálculo e o imposto de renda devido e, aí sim, cotejar o IRPJ pago com aquele efetivamente devido. Quando um contribuinte apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, demonstrar o crédito tributário a seu favor, para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10855.900745/200839 Acórdão n.º 9101003.905 CSRFT1 Fl. 11 10 reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. [...] O empreiteiro de uma obra pode contribuir para ela só com seu trabalho ou com ele e os materiais. A obrigação de fornecer os materiais não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes. [...] Concluindo, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros e documentos contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado, o que aqui não restou provado. Em assim sucedendo, conduzo meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (g.n.) Não é possível extrair nenhuma divergência em relação ao acórdão recorrido a partir do entendimento de ele graduou previamente o valor das provas, ou restringiu as possibilidades de comprovação do indébito a um único tipo de prova, ou algo semelhante a isso. O acórdão recorrido, embora tenha feito alguns comentários genéricos sobre a importância da escrituração contábil e fiscal, não disse em nenhum momento que só reconheceria o indébito se a contribuinte tivesse apresentado "toda" a sua escrituração contábil e fiscal. Não há nenhuma dúvida de que o acórdão recorrido indeferiu sim o pleito da contribuinte, mas por entender que ela não conseguiu comprovar de alguma forma o alegado direito creditório, principalmente porque restou evidenciado, segundo o acórdão recorrido, que ela executa atividades diversas na área da construção civil, submetidas a diferentes coeficientes para a presunção do lucro. É sempre importante lembrar que o Recurso Especial tem por escopo uniformizar o entendimento da legislação tributária entre as câmaras e turmas que compõem o CARF, não se prestando como instância recursal no reexame de material probatório. Com efeito, o alegado dissenso jurisprudencial deve se dar em relação a questões de direito. A divergência jurisprudencial realmente não se estabelece em matéria de prova, e sim na interpretação das normas, visto que, na apreciação da prova, o julgador tem o direito de formar livremente a sua convicção, conforme dispõe o art. 29 do Decreto nº 70.235/1972. Mas o que a contribuinte busca com seu recurso especial é justamente o reexame do conjunto fáticoprobatório, e isso não é possível em sede de recurso especial. Não bastasse esse problema de não se poder confrontar, em sede recurso especial, as convicções dos julgadores diante das provas de cada um dos processos, há ainda um outro aspecto que também inviabiliza a caracterização de divergência e o conhecimento do recurso. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10855.900745/200839 Acórdão n.º 9101003.905 CSRFT1 Fl. 12 11 É que a caracterização de divergência só pode ocorrer quando o entendimento do caso paradigma pode ser transposto para o recorrido, produzindo o resultado pretendido pelo recorrente, mas isso não ocorre aqui, porque o acórdão paradigma (Acórdão nº 101 95.517) examinou a questão do coeficiente de presunção de lucro num contexto bastante diferente daquele analisado pelo acórdão recorrido. O paradigma tratou de auto de infração para exigência de IRPJ, e, nesse caso, o ônus probatório é inicialmente atribuído à Fiscalização. O trecho abaixo evidencia o contexto em que foi exarado o paradigma: Acórdão paradigma nº 10195.517 [...] A solução do litígio demanda análise do ônus da prova. Tendo a fiscalização acusado a empresa de utilizar coeficientes inadequados, competia a ela provar que as receitas da interessada não se originam de empreitada com fornecimento de materiais. O artigo 9º do Decreto nº 70.235/72 determina que devem acompanhar o auto de infração todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. No caso, caberia à fiscalização demonstrar que as receitas da empresa não advêm de empreitada com fornecimento de material, o que não foi feito. A fiscalização limitouse a alegar que a empresa, em razão de sua atividade (prestação de serviços gerais), estaria sujeita aos coeficientes de [...]. Quando se trata de auto de infração (caso paradigma), o ônus probatório inicial é da Fiscalização, e se ela não se desincumbe desse ônus, o lançamento não é mantido. E quando se trata de reivindicação de direito creditório em um PER/DCOMP (caso recorrido), é o contribuinte que tem que se desincumbir inicialmente do ônus probatório, sob pena de o alegado crédito não ser reconhecido. Assim, não há como pretender que o mesmo ônus probatório que foi imputado à Fiscalização num caso de lançamento de ofício (auto de infração), seja imputado ao Fisco num caso de repetição de indébito, em que a iniciativa é do contribuinte. Isto porque o ônus da prova incumbe ao autor (da ação judicial, do procedimento administrativo, etc.) quanto ao fato constitutivo de seu direito (CPC, art. 373, I). Assim, no caso sob exame, a impossibilidade da caracterização de divergência não decorre apenas das diferenças entre os conjuntos probatórios dos casos cotejados, ou do fato de o julgador ter o direito de formar livremente a sua convicção ao apreciar as provas. Essa impossibilidade também decorre do fato de que a imputação de ônus probatório com suas respectivas consequências simplesmente não poderia ser transposta de um caso para o outro. Não se pode pretender validar um PER/DCOMP tomando como referência o Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10855.900745/200839 Acórdão n.º 9101003.905 CSRFT1 Fl. 13 12 ônus probatório que foi imputado à Fiscalização num caso em que houve lançamento de ofício (auto de infração). Desse modo, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 172DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13433.720282/2010-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
CRÉDITO PRESUMIDO NA EXPORTAÇÃO. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL (N/T). PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
De acordo com a Súmula CARF nº 124, a produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não-tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996.
Numero da decisão: 3201-004.363
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO N/T. Recorrente A FERREIRA INDÚSTRIA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 CRÉDITO PRESUMIDO NA EXPORTAÇÃO. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL (N/T). PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com a Súmula CARF nº 124, a produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 72 02 82 /2 01 0- 05 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 13433.720282/201005 Acórdão n.º 3201004.363 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face de decisão proferida pela DRJ/ Ribeirão Preto, que manteve o Despacho Decisório da DRF/Mossoró/RN e, consequentemente, não reconheceu o direito ao crédito presumido do IPI pleiteado. Como é de costume desta Turma de julgamento, transcrevese o relatório do Acórdão de primeira instância, para apreciação: "Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil que indeferiu o pedido de ressarcimento de créditos do IPI e não homologou as compensações declaradas. A empresa em epígrafe peticionou ressarcimento de crédito presumido do IPI, de que trata a Lei n° 9.363/96, (...), a serem compensados com débitos contidos nos Per/Dcomp relacionados no processo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil indeferiu o ressarcimento, considerando o fato de que a empresa produz e exporta castanha de caju sem casca, produto classificado na TIPI com NCM 0801.32.00, como não tributado (NT). Explicitou que mesmo havendo um EX tarifário com alíquota zero (0%) de IPI, este somente poderia ser aplicado quando o produto fosse acondicionado em embalagens de apresentação, que não é o caso dos produtos exportados pela manifestante, por se encontrarem embalados em caixas para transporte. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, encaminhada pelo órgão de origem como tempestiva, na qual alegou, em suma, que a exportação do produto industrializado, ainda que sob a rubrica NT, foi examinada em Recurso Repetitivo, em vista do que pedese que o mesmo entendimento seja "reproduzido neste processo", na forma do art 62 A do Regimento do “CARF”, porque, em matéria infraconstitucional, o RR do Superior Tribunal de Justiça constitui a última palavra no ordenamento jurídico do Brasil. Por outra, informa que o CARF afastou, por unanimidade, qualquer restrição ao produto NT. Solicitou também que fosse reconhecido, porque assim também foi decidido no Recurso Repetitivo, o direito à correção do crédito pelaTaxa Selic." O Acórdão nº 14043.636, da DRJ/Ribeirão Preto, possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 Fl. 171DF CARF MF Processo nº 13433.720282/201005 Acórdão n.º 3201004.363 S3C2T1 Fl. 4 3 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional (CTN). DECISÕES PROFERIDAS PELO STJ EM RECURSO REPETITIVO. APLICABILIDADE. MESMO OBJETO. A controvérsia submetida ao rito do artigo 543C, do CPC, cingese sobre a legalidade da Instrução Normativa 23/97 que restringiu o direito ao crédito presumido do IPI às pessoas jurídicas efetivamente sujeitas à incidência da contribuição destinada ao PIS/PASEP e da COFINS, à luz do disposto na Lei n° 9.363/96 e não ao Direito ao crédito presumido nas operações de exportação de produtos Não Tributados NT. Não possuindo o mesmo objeto, não pode ser aplicada ao caso concreto. CRÉDITO PRESUMIDO NA EXPORTAÇÃO. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL (N/T). A castanha de caju sem casca, quando não acondicionada em embalagem de apresentação, é classificada na TIPI, no código NCM 0801.32.00, com a notação “NT”, correspondente a produto nãotributável. Nesse caso, em vista de que a exportação de produto classificado como nãotributável pela legislação do IPI não dá direito a crédito presumido do imposto, não se confirma o direito creditório pleiteado. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Em seguida, os autos foram distribuídos e pautados nos moldes do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 13433.720282/201005 Acórdão n.º 3201004.363 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.356, de 24/10/2018, proferido no julgamento do processo 13433.720230/201021, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.356): "Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais conforme Regimento Interno deste Conselho e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Pessoalmente entendo que é possível o creditamento nas operações do contribuinte, contudo, a matéria possui a recente Súmula n.º 124, que deve ser aplicada ao presente litígio administrativo fiscal, por ser obrigatória, em acordo com o regimento interno deste Conselho: "Súmula CARF nº 124 A produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996." Não reconhecido o crédito, resta prejudicado o argumento do contribuinte a respeito da aplicação da taxa Selic. Diante do exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 173DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.910623/2015-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/01/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 25/01/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 06 23 /2 01 5- 29 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10680.910623/201529 Acórdão n.º 3301005.288 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.428. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10680.910623/201529 Acórdão n.º 3301005.288 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.910623/201529 Acórdão n.º 3301005.288 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10680.910623/201529 Acórdão n.º 3301005.288 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10680.910623/201529 Acórdão n.º 3301005.288 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10680.910623/201529 Acórdão n.º 3301005.288 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.913623/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a recorrente seja intimada a apresentar a documentação relativa às operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, nos termos do voto do relator, vencidos o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento ao recurso voluntário e os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Diego Weis Jr que negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a recorrente seja intimada a apresentar a documentação relativa às operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, nos termos do voto do relator, vencidos o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento ao recurso voluntário e os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Diego Weis Jr que negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a recorrente seja intimada a apresentar a documentação relativa às operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, nos termos do voto do relator, vencidos o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento ao recurso voluntário e os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Diego Weis Jr que negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 13 62 3/ 20 09 -7 1 Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10830.913623/200971 Resolução nº 3302000.841 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação declarada, relativa a suposto crédito da Contribuição (PIS/Cofins), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos comprobatórios (peças judiciais de mandado de segurança por ele impetrado, partes da DIPJ, DCTF e da Demonstração do Resultado do Exercício) e requereu a reforma da decisão de origem, alegando que o crédito pleiteado era decorrente de receitas financeiras auferidas por empresa sucedida, tendo a incidência da contribuição (PIS/Cofins) se dado sob amparo do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, que promoveu o alargamento de sua base de cálculo, para além das receitas decorrentes das vendas de mercadorias e serviços, alargamento esse declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por falta de demonstração da composição e da existência do crédito e de provas hábeis a comprovar sua liquidez e certeza. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, trouxe aos autos cópias de planilhas identificadas como Balancete, Balanço, Lalur e Razão e requereu o reconhecimento do seu direito, repisando os mesmos argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10830.913623/200971 Resolução nº 3302000.841 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Deroulede, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3302000.833, de 25/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10830.913618/200969, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3302000.833 Voto vencedor): Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto ao fato de estar comprovada a certeza e liquidez do direito creditório alegado pela recorrente. Em seu voto, o i. relator entendeu que os documentos acostados aos autos demonstram a existência do crédito pleiteado pela recorrente, possibilitando a compensação requerida. Todavia, não constam, no processo, documentos necessários à demonstração da natureza de algumas receitas no caso, atinentes à participação em outras sociedades , as quais poderiam servir de base de incidência de PIS/COFINS e, assim, influenciar na apuração do crédito alegado pela recorrente. Nesse sentido, voto por converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da RFB tome as seguintes providências: 1. Intimar a recorrente para apresentar documentação suficiente e necessária das operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, devendo ser demonstrado, de forma clara e objetiva, o enquadramento ou não de eventuais receitas ligadas àquelas operações ao provimento jurisdicional concedido à recorrente; 2. Analisar os documentos e a resposta apresentada pela recorrente, analisando sua consistência e procedência, elaborando, ao final, relatório com parecer conclusivo, manifestandose, em especial, sobre o enquadramento ou não das receitas ligadas às operações de participação societária acima aludidas ao escopo da decisão judicial em favor da recorrente; 3. Dar ciência à recorrente desta Resolução e, ao final, do resultado desta diligência (item 2), abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº. 7.574/11. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10830.913623/200971 Resolução nº 3302000.841 S3C3T2 Fl. 5 4 Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da RFB tome as seguintes providências: 1. Intimar a recorrente para apresentar documentação suficiente e necessária das operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, devendo ser demonstrado, de forma clara e objetiva, o enquadramento ou não de eventuais receitas ligadas àquelas operações ao provimento jurisdicional concedido à recorrente; 2. Analisar os documentos e a resposta apresentada pela recorrente, analisando sua consistência e procedência, elaborando, ao final, relatório com parecer conclusivo, manifestandose, em especial, sobre o enquadramento ou não das receitas ligadas às operações de participação societária acima aludidas ao escopo da decisão judicial em favor da recorrente; 3. Dar ciência à recorrente desta Resolução e, ao final, do resultado desta diligência (item 2), abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº. 7.574/11. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 290DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.727123/2016-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2301-000.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que seja verificado se o crédito tributário em questão no presente processo guarda vinculação com o processo 12448.900756/2013-11, e, caso positivo, se o crédito tributário em questão no presente processo foi extinto, total ou parcialmente, por homologação da compensação/restituição.
(assinado digitalmente).
João Bellini Júnior - Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Bellini Júnior (Presidente).
Relatório
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1521; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18470.727123/201696 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2301000.732 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 03 de outubro de 2018 Assunto Imposto de Renda Pessoa Física Recorrente LUIZ ILDEFONSO SIMOES LOPES Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que seja verificado se o crédito tributário em questão no presente processo guarda vinculação com o processo 12448.900756/201311, e, caso positivo, se o crédito tributário em questão no presente processo foi extinto, total ou parcialmente, por homologação da compensação/restituição. (assinado digitalmente). João Bellini Júnior Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por LUIZ ILDEFONSO SIMÕES LOPES, contra o Acórdão de julgamento (efls. 59/62) que julgou improcedente a impugnação. O relatório do Acórdão recorrido foi descrito nos seguintes termos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 70 .7 27 12 3/ 20 16 -9 6 Fl. 175DF CARF MF Processo nº 18470.727123/201696 Resolução nº 2301000.732 S2C3T1 Fl. 3 2 "Tratase de processo de impugnação à Notificação de Lançamento de fls. 28 a 31, referente à declaração de ajuste anual do exercício 2013 (DIRPF 2013), anocalendário 2012. 2. O interessado foi notificado em decorrência da glosa da compensação de R$ 671.178,54 de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), redundando na exigência tributária de R$ 671.178,54 de Imposto sujeito à multa de mora, R$ 134.236,70 de multa de mora e acréscimos legais pertinentes. 3. A autoridade fiscal em suas razões assim se postou: 'O contribuinte, presidente da fonte pagadora, não comprovou a regularidade dos recolhimentos do imposto de renda retido na fonte da empresa. 0 contribuinte alega que a maior parte dos valores devidos foi extinta por meio da compensação com créditos da empresa. Todavia, efetuada verificação por amostragem, observouse a Insuficiência de créditos para a quitação integral do Imposto de renda retido do mês de setembro/2012, conforme processo administrativo nº 12448.900756/201311. Em razão do exposto, não foi admitida a compensação do Imposto de renda retido na fonte'. 4. O interessado ciente da exigência, por via postal, em 30/08/2015 (fls. 32), apresentou a impugnação de fls. 2 a 19 em 26/09/2015 alegando que é Diretor Presidente da Brookfield Brasil Ltda, que é a fonte pagadora, e que essa empresa reteve o imposto de renda agora glosado e que a totalidade desses débitos se encontram extintos sob condição resolutória, em face da compensação declarada nos PER/DCOMP nº 12511.34114.171012.1.3.028200, sendo que a maioria já foi homologada pelo Despacho Decisório nº 043217486, recebido em 18/02/2013 pela fonte pagadora. 5. Resta apenas um saldo devedor de R$ 20.813,80, cuja decisão já foi contestada por meio de manifestação de inconformidade com efeito suspensivo. 6. A aludida Manifestação de Inconformidade foi processada, mas nunca julgada, e que não houve qualquer omissão de rendimentos por parte do contribuinte em questão, já que todos os valores declarados no ajuste condizem com o informado pela Fonte Pagadora. 7. O que se verifica em relação à situação fiscal da Fonte Pagadora é que os débitos atrelados ao processo de cobrança nº 12448.900756/201311 se encontram com a exigibilidade suspensa, não havendo razão, então, para o lançamento neste combatido. 8. Defendese ainda citando posição do STJ que o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente da empresa é cabível apenas quando demonstrado que este agiu com excesso de poderes, infração à lei ou ao estatuto, ou no caso de dissolução irregular de sociedade, não se incluindo o simples inadimplemento de obrigações tributárias. 9. Aduz que a mera inadimplência do tributo (que sequer se pode cogitar, face à Manifestação de Inconformidade ainda não julgada) e admitindo a prova da retenção do imposto como óbice à glosa da Fl. 176DF CARF MF Processo nº 18470.727123/201696 Resolução nº 2301000.732 S2C3T1 Fl. 4 3 dedução de IRRF declarada pelo contribuinte, encontra amparo em diversos julgados do CARF. 10. Prossegue, ainda, nos seguintes termos: A partir da apresentação desta Manifestação de Inconformidade, em 20.03.2013, portanto, o débito objeto do Processo nº 12448.900756/201311, estava, ou deveria estar, com a sua exigibilidade suspensa até a decisão definitiva que jamais existiu quanto à compensação realizada, em decorrência da própria legislação, na forma do art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional. In verbis: "Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) Ill as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo;" (grifouse) Neste mesmo sentido, ainda, é a disciplina do art. 74, §§ 9º e 11, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 10.833/03, sendo norma cogente de direito público, que não autoriza qualquer margem de discricionariedade por parte do aplicador do Direito, isto é, não admite interpretação pela Administração Pública tendente a desconsiderar o efeito suspensivo da manifestação de inconformidade, conforme segue: "Art. 74. (...)§ 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7°, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação(...)§ 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9° e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação." (grifouse) Adicionalmente, ressaltase que a Manifestação de Inconformidade, nos termos do § 49 do art. 77 da Instrução Normativa RFB n° 1.300/2012, e suas alterações, a qual disciplina a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, obedecerá "ao rito processual do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972". Isso, por si só, já seria o suficiente para que a Manifestação de Inconformidade fosse enquadrada na hipótese do art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional, na medida em que tal dispositivo faz alusão às reclamações e aos recursos previstos "nas leis reguladoras do processo tributário administrativo" e, em âmbito federal, é o Decreto n° 70.235/72 c/c Decreto 7.574/11 que regula o processo administrativo, inaugurando, assim, a fase litigiosa em relação à cobrança de tributos federais. Contudo, corroborando com o raciocínio acima desenvolvido, e espancando qualquer dúvida sobre o tema, o próprio ato normativo expedido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (IN nº 1.300/2012) dispõe, expressamente, sobre a extensão do efeito suspensivo da exigibilidade do crédito tributário à Manifestação de Inconformidade, em seu art. 77, § 55, ipsis litteris: Fl. 177DF CARF MF Processo nº 18470.727123/201696 Resolução nº 2301000.732 S2C3T1 Fl. 5 4 "Art. 77. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso ou, ainda, da data da ciência do despacho que não homologou a compensação por ele efetuada, apresentar manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório ou a não homologação da compensação. § 55 A manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, bem como o recurso contra a decisão que julgou improcedente essa manifestação de inconformidade, enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 do CTN relativamente ao débito objeto da compensação.” Todavia, afastada a responsabilidade do Impugnante, que sofreu o ônus da retenção do Imposto de Renda sobre rendimentos do trabalho assalariado, é de rigor o reconhecimento da suspensão da exigibilidade do débito objeto do presente Processo, advinda da apresentação de Manifestação de Inconformidade no Processo de Crédito nº 12448.900.527/201399, desde a data do seu protocolo, em 20.03.2013, até decisão definitiva acerca da compensação realizada, declarandose nulo o Lançamento nº 2013/806608920838154. Além da impossibilidade de lançamento do débito em tela, visto que oriundo de processo administrativo com exigibilidade suspensa, os valores ora lançados não se equiparam ao montante de Imposto de Renda Retido na Fonte constante no Processo Administrativo nº 12448.900756/201311, referente ao débito de IRRF sobre rendimentos do trabalho assalariado. Vejase que o valor do IRRF glosado, correspondente ao montante retido pela Fonte Pagadora no exercício 2013 (anocalendário 2012), representa a quantia de R$ 671.178,54 (seiscentos e setenta e um mil, cento e setenta e oito reais e cinquenta e quatro centavos), enquanto o saldo devedor de Imposto de Renda Retido na Fonte (Código de Receita 0561) exigido no Processo Administrativo nº 12448.900756/201311 é de somente R$ 20.813,80 (vinte mil, oitocentos e treze reais e oitenta centavos), conforme detalhamento abaixo: (...) Sendo assim, considerando, de acordo com o próprio Fisco, que "efetuada verificação por amostragem, observouse a insuficiência de créditos para a quitação integral do imposto de renda retido do mês de setembro/2012" para o que não é competente o fiscal autuante mas sim a Delegacia de Julgamento que ainda irá apreciar a Manifestação de Inconformidade no Processo de Crédito nº 12448.900.527/201399 e que o saldo devedor de IRRF sobre rendimentos do trabalho assalariado (com exigibilidade suspensa) constante naquele processo representa a quantia de somente R$ 20.813,80 (vinte mil, oitocentos e treze reais e oitenta centavos), bem distante da quantia aqui lançada, deve, igualmente, ser anulado o Lançamento 2013/806608920838154, por ausência de certeza quanto ao débito cobrado. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 18470.727123/201696 Resolução nº 2301000.732 S2C3T1 Fl. 6 5 Cabe salientar, aliás, que o Impugnante foi alvo de outras duas notificações de lançamento dos exercícios imediatamente anterior e posterior ao ora impugnado, cujas DIRFs foram revisadas pelos ARFB Bruno Cezar Silva de Lacerda e Walter Gomes Vieira Filho e ambas as notificações assinadas pelo Delegado da RFB DRF/RJ2 Alfredo Luiz Valle do Nascimento, demonstrando que a fiscalização vem adotando o mesmo entendimento plasmado na Norma de Execução Cofis nº l, de 22 de abril de 2014 em todos os casos, mesmo sendo esta norma editada apenas após a ocorrência de todos os fatos geradores tratados na presente notificação de lançamento e, portanto, inaplicável ao caso concreto, em atenção ao princípio da irretroatividade. Por fim, ainda que estas conclusões não sejam alcançadas pela simples leitura dos dados disponíveis nos próprios sistemas da Receita Federal, requer o Impugnante a realização de diligência para que seja confirmado o status das compensações pendentes de confirmação no Processo Administrativo de Crédito n° 12448.900527/201399, e no processo de cobrança nº 12448.900756/201311, objeto da suposta compensação indevida de IRRF, e que seja o presente cancelado ante a constatação de que o lançamento combatido fora efetuado enquanto suspensa a exigibilidade do crédito tributário". Em Recurso Voluntário apresentado nas efls. 116/127, o recorrente alega que a totalidade destes débitos encontrase extinto, sob condição resolutória, por ocasião da compensação declarada no PER/DCOMP nº. 12511.34114.171012.1.028200, sendo que a maior parte dos débitos já foram homologados (e definitivamente extintos) pelo Despacho Decisório nº 043217486, recebido em 18.02.2013, pela Fonte Pagadora. Alega, ainda, que "Pela análise do direito creditório da Fonte Pagadora, verifica se que do valor total do crédito declarado no PER/DCOMP nº. 12511.34114.171012.1.3.02 8200 em relação à compensação do débito de IRRF Rendimento do Trabalho Assalariado (Código de Receita 0561, do qual estaria inadimplente), no montante de R$ 114.272,76 (cento e quatorze mil, duzentos e setenta e dois reais e setenta e seis centavos), o próprio Fisco já reconheceu a liquidez e certeza da parte dos créditos compensados, restando parcialmente homologada a compensação e apurado contra aquela Pessoa Jurídica um saldo devedor pendente de julgamento pela RFB com exigibilidade suspensa de R$ 20.813,80, relativo ao IRRF controlado no PAF n9 12448.900756/201311". Pede a reforma da decisão de primeira instância. É breve o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso voluntário é tempestivo. Assim, passo a analisar o mérito. Conforme se constata do enquadramento legal e dos fatos apurados, o Lançamento se deu em decorrência da glosa da compensação de R$ 671.178,54 de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), redundando na exigência tributária de R$ 671.178,54 de Imposto sujeito à multa de mora, R$ 134.236,70 de multa de mora e acréscimos legais Fl. 179DF CARF MF Processo nº 18470.727123/201696 Resolução nº 2301000.732 S2C3T1 Fl. 7 6 pertinentes, em razão da não comprovação do recolhimento pela empresa da qual que o recorrente é presidente e administrador. Diante disso, a DRJ de origem entendeu que o lançamento deveria ser mantido, mesmo com a informação referente ao processo de compensação, que o contribuinte pediu, inclusive, para que fosse solicitado análise e apuração ao caso. De fato o Lançamento decorre da responsabilidade do recorrente quanto ao imposto devido, uma vez que no presente caso a responsabilidade da fonte pagadora é repassada ao sócio administrador, diretor, gerente ou representante da pessoa jurídica a quem cabe a retenção, tendo em vista sua solidariedade pelo recolhimento, no que dispõe os termos do art. 723 do RIR/1999. "Art. 723. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte (DecretoLei nº 1.736, de 20 de dezembro de 1979, art. 8º)". Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas referidas neste artigo restringese ao período da respectiva administração,gestão ou representação (DecretoLeinº1.736, de1979,art.8º,parágrafo único). O teor do artigo 723 do RIR/99, tem respaldo no artigo 135, do CTN, que assim dispõem: "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I–as pessoas referidas no artigo anterior; II–os mandatários, prepostos e empregados; III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado". Para análise completa do presente caso, em interpretação sistemática da legislação tributária, temos o artigo 45, do CTN, que estabelece o seguinte: " Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. Diante das normas gerias, verificase que poderão ser deduzidos, pelo contribuinte, as parcelas do imposto retidas antecipadamente pela fonte pagadora, quando da apresentação de sua Declaração de Ajuste Anual, referente aos valores de imposto de renda da pessoa física, conforme se constata do art. 87, in verbis: "Art. 87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 12): Fl. 180DF CARF MF Processo nº 18470.727123/201696 Resolução nº 2301000.732 S2C3T1 Fl. 8 7 I As contribuições feitas aos fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente; II as contribuições efetivamente realizadas em favor de projetos culturais,aprovados na forma da regulamentação do Programa Nacional do Apoio à Cultura PRONAC,de que trata o art. 90; III os investimentos feitos a título de incentivo às atividades áudio visuais de que tratam os arts.97 a 99; IV o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; V o imposto pago no exterior de acordo com o previsto no art. 103". Para que possa ser feita, portanto, a compensação, oartigo55,daleinº7.450/85, dispõe o seguinte: "Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos". A legislação tributária condiciona a compensação do imposto de renda retido na fonte, nesses casos, mediante a comprovação do efetivo pagamento do imposto, sendo que a pessoa física, por ser sócio/diretor da pessoa jurídica, é solidariamente responsável com a empresa, na apresentação dos documentos comprobatórios da quitação do imposto de renda retido na fonte pagadora. Nesse sentido,segue a jurisprudência deste CARF: "IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE E NÃO RECOLHIDO. SÓCIO ADMINISTRADOR DA FONTE PAGADORA. GLOSA DE FONTE. RESPONSABILIDADE. Por força do princípio da responsabilidade tributária solidária, sendo o contribuinte sócio administrador da empresa (fonte pagadora), incabível a compensação do I.R. Fonte quando comprovada a inexistência do recolhimento do tributo retido.” (Acórdão nº 220200.826, de 19 de outubro de 2010). Ocorre que, o recorrente, vem desde a impugnação solicitando a realização da diligência para que sejam colhidos nestes autos os esclarecimentos necessários quanto à compensação efetuada e já confirmada no Processo Administrativo de Crédito nº 12448.900527/201399 e no Processo de Débito nº 12448.900756/201311, controlador do débito originário da presente. Segundo o recorrente, em suas argumentações em segunda instânica, o equivoco na cobrança se deu em razão de: 12. Em face dessa homologação parcial foi apresentada Manifestação de Inconformidade no Processo de Crédito n9 12448.900527/201399, pendente de julgamento pela RFB e com exigibilidade suspensa (art. 151, III, CTIM), na qual a Brookfield Brasil Ltda. demonstra a existência de todo o crédito de IRPJ (exercício de 2009, anocalendário 2008) declarado para compensação do débito de IRRF (código 0561), Fl. 181DF CARF MF Processo nº 18470.727123/201696 Resolução nº 2301000.732 S2C3T1 Fl. 9 8 controlado no Processo Administrativo n9 12448.900756/201311, de modo a extinguir, em definitivo, todas as obrigações remanescentes. 13.Conforme já informado nos autos através do DOC. 05 da Impugnação Manifestação de Inconformidade no processo n9 12448.900527/201399 a Fonte Pagadora utilizou, para fins de compensação de débitos diversos, créditos de saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), referente ao exercício de 2009, anocalendário 2008, tendo sido este crédito corretamente identificado tanto na DIPJ como no PER/DCOMP para o qual foi realizada a análise de crédito. 14. O que se constata, no entanto é que, apesar da manifesta regularidade das aludidas compensações, foi proferido Despacho Decisório que compensou apenas parte dos créditos declarados. 15.Tal desencontro de informação por parte do Fisco se deu, em razão de valor informado incorretamente na ficha 12A da DIPJ 2009 da Empresa sucedida pela Fonte Pagadora, sucessão essa que é a razão para a impossibilidade de correção da informação por intermédio dos sistemas disponibilizados pela Receita Federal. 16.Assim, em que pese a regularidade do crédito, a Empresa encontra se impossibilitada de retificar a DIPJ conforme determinado ante a baixa do CNPJ da sucedida, o que, naturalmente poderia ser realizado ex officio pelo Fisco quando verificado que apenas se deixou de incluir na totalização do Imposto de Renda pago por estimativa na ficha 12A da DIPJAssim, verifico que o recorrente que não obrou afastar as provas trazidas pela fiscalização quando da autuação, deixando de apresentar comprovações do direito por ele alegado. Alega ainda que "o próprio Fisco atribui a suposta inadimplência à Fonte Pagadora e, no entanto, realizou a glosa contra a Declaração de Ajuste da Pessoa Física do Recorrente, que já suportou o ônus da retenção do Imposto de Renda sobre os valores recebidos e que foram integralmente declarados ao Fisco. Ora, sendo de líquido e certo o crédito tributário empregado na compensação, como já reconhecido pelo Fisco naquele mesmo processo administrativo em sua maior parte, não é possível conceber qual seria a conduta diversa exigível do contribuinte, quer seja ele diretor ou não, quando da sua Declaração de Ajuste". Nesse sentido, de fato, tendo o contribuinte efetivamente sofrido o ônus da retenção do imposto de renda na fonte, tem ele o direito de compensálo na declaração, independentemente de ter havido ou não o recolhimento do imposto, cuja responsabilidade recai exclusivamente sobre a empresa retentora. Isso porque, de fato o contribuinte não poderá pedir a restituição do imposto em nome da pessoa jurídica. Penso que, na busca da verdade material, que envolve o processo administrativo fiscal, o recorrente possui relativa razão, devendo ser apurada melhor as referidas informações de compensação homologadas e deferidas parcialmente no processo mencionado, a fim de que se possa ter verificada as provas com mais assertividade, quanto ao efetivo recolhimento do imposto. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 18470.727123/201696 Resolução nº 2301000.732 S2C3T1 Fl. 10 9 Conclusão Ante o exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que seja trazido aos autos as informações sobre as compensações mencionadas pelo contribuinte nos Processo Administrativo de Crédito nº 12448.900527/201399 e no Processo de Débito nº 12448.900756/201311, verificando se o crédito tributário em questão no presente processo guarda vinculação com o processo 12448.900756/201311, e, caso positivo, se o crédito tributário em questão no presente processo foi extinto, total ou parcialmente, por homologação da compensação/restituição. Após, seja dado vista ao contribuinte para que esse se manifeste quanto à referida diligência, bem como apresente eventual prova de seu direito alegado no presente recurso. (assinado digitalmente) WESLEY ROCHA Relator Fl. 183DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.901835/2006-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter novamente o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora, considerando a decisão definitiva proferida no processo referente à autuação, manifeste-se conclusivamente sobre os efeitos decorrentes no presente contencioso, quantificando eventuais saldos a recolher no presente processo.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado, em substituição à conselheira Mara Cristina Sifuentes, ausente, justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rosaldo Trevisan (Presidente)
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter novamente o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora, considerando a decisão definitiva proferida no processo referente à autuação, manifeste-se conclusivamente sobre os efeitos decorrentes no presente contencioso, quantificando eventuais saldos a recolher no presente processo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado, em substituição à conselheira Mara Cristina Sifuentes, ausente, justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rosaldo Trevisan (Presidente)
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1366; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 715 1 714 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.901835/200676 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401001.581 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 27 de novembro de 2018 Assunto COMPENSAÇÃO IPI Recorrente CBF INDUSTRIA DE GUSA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter novamente o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora, considerando a decisão definitiva proferida no processo referente à autuação, manifestese conclusivamente sobre os efeitos decorrentes no presente contencioso, quantificando eventuais saldos a recolher no presente processo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado, em substituição à conselheira Mara Cristina Sifuentes, ausente, justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rosaldo Trevisan (Presidente) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 01 83 5/ 20 06 -7 6 Fl. 715DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 716 ___________ Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da 3a Turma da DRJ/JFA, em 14.08.2009, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a não homologação parcial da compensação referente a crédito do IPI. Os autos já foram objeto de análise por esse Conselho, que converteu o julgamento do recurso em Diligência, através da 1ª Turma Especial, da Terceira Seção, nos seguintes termos: 1. Com base nas alegações realizadas pela Recorrente e nos documentos anexados ao presente Recurso Voluntário apurar se houve o pagamento em duplicidade dos valores afirmados; 2. Intimar a Recorrente a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 3. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. Isto porque, conforme restou consignado no Recurso Voluntário e destacado no relatório e no voto condutor da Resolução, (...) Alega a recorrente que os créditos se, por um lado, teve os créditos por ela compensados reduzidos, por outro lado também teve, por ocasião da recomposição da apuração do IPI realizada no AI n° 15586.001512/200892, mantido intactos os débitos vinculados aos créditos não homologados. Agravase ao fato que a recorrente procedeu o pagamento do débito por meio do direito conferido na MP n° 470/09, do débito tributário que deixou de ser recolhido em função da utilização do crédito presumido de IPI. Assim, incluiu todos os débitos apurados no AI n° 15586.001512/2008 92 na anistia e desistiu da discussão administrativa. Conforme relatado, na decisão proferida pela DRJ/JFA, tornou imperativa a análise da dita duplicidade, assim determinando: "Na análise do auto de infração mencionado será verificada a ocorrência da mencionada duplicidade, sendo necessário que o julgamento dos pedidos de ressarcimento ocorra a priori" (fls. 425). Relata a Recorrente tal situação decorreu do fato de que o AI n° 15586.001512/200892 e a Manifestação de Inconformidade foram julgados em 28.08.2009, mas a Recorrente foi cientificada das decisões apenas em 18.01.2010, ou seja, quase quatro meses após a prolação dos acórdãos. Desconhecendo o teor das decisões, em 26.11.2009 a Recorrente desistiu da defesa apresentada no AI n° 15586.001512/200892 e quitou todos os débitos lançados. Relata ainda que em função das datas dos acontecimentos, o Fisco reconheceu a "duplicidade" no AI n° 15586.001512/200892 e não no presente processo. Notase do exposto, que a matéria exige esclarecimento, dado que houve quitação do débito, transcurso temporal diverso entre as manifestações e defesas, bem como permanece a dúvida sobre o procedimento fiscal de reconstituição da escrita fiscal, onde por um lado a Recorrente teve os créditos por ela compensados reduzidos e por outro lado, os débitos vinculados mantidos intacto. Desse modo, caberia questionar sobre o montante final do débito a ser considerado. Fl. 716DF CARF MF Processo nº 10783.901835/200676 Resolução nº 3401001.581 S3C4T1 Fl. 717 3 Em cumprimento à diligência, a chefe da Equipe de Parcelamento proferiu despacho informando o seguinte: Os processos em referência foram encaminhados à DRF/BHE/SECAT/Eqpar para que seja esclarecido se no processo 11962.000397/200924 (MP 470/2009) estão consolidados os valores constantes do processo 15586.001512/200892. A análise do parcelamento previsto na MP 470/2009 ficou a cargo de um Grupo de Trabalho criado especificamente para essa finalidade, não tendo a Equipe de Parcelamento participado. No entanto, em consulta ao Despacho emitido por esse Grupo de Trabalho, verificouse que a decisão final relacionada ao pedido da empresa CBF INDÚSTRIA DE GUSA S/A depende da conclusão do julgamento do processo 15586.001512/200892 pelo CARF. Em consulta ao SIEF, nessa data, verificouse que esse processo ainda está em julgamento. Em relação ao processo 15586.001512/200892, o Despacho Decisório do GT MP 470/2009 definiu que: – Caso o CARF modifique o julgamento da DRJ e confirme que os débitos do processo 15586.001512/200892 são devidos, o contribuinte, por ter solicitado sua consolidação nos termos da MP 470/2009, disporá de 30 dias após a intimação de cobrança para recolher a diferença apurada (R$ 52.248,79, em 11/2009) corrigida pela SELIC acumulada até a data de pagamento (CENÁRIO 1 DA MEMÓRIA DE CÁLCULO) – Caso o CARF confirme a exoneração dos valores, ratificando assim a decisão da DRJ, o processo 15586.001512/200892 não entra na consolidação da MP 470/2009, por ter sido exonerado. Por outro lado, o processo 15586.001512/200892, com a adesão do contribuinte ao parcelamento criado pela Medida Provisória 470/2009, teve julgamento terminativo favorável à Fazenda Nacional, em razão da desistência do litígio pelo contribuinte, tal como restou ementado quando do julgamento do recurso da Procuradoria (Acórdão 9303005.292), em 22.06.2017: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2003 a 31/07/2005 PEDIDO DE DESISTÊNCIA. EFEITOS. O pedido de desistência total do sujeito passivo, formulado em qualquer etapa processual, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, implica a extinção ex tunc do litígio, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Após manifestação da Recorrente, em que sustenta que não haver mais dúvidas com relação à cobrança em duplicidade do tributo (auto de infração nº 15586.001512/200892 vs. Manifestações de inconformidade nº’s 10783.901836/200611; 10783.901835/200676; 10783.902770/200848; e 10783.902771/200892), e já quitado à vista em parcelamento, os autos retornaram ao CARF para seguir a julgamento; onde foi distribuído a mim para relatar. É o relatório. Fl. 717DF CARF MF Processo nº 10783.901835/200676 Resolução nº 3401001.581 S3C4T1 Fl. 718 4 VOTO Conselheiro Tiago Guerra Machado Relator Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes na legislação, de forma que lhe tomo conhecimento. Do Mérito Tal como se verifica da leitura das conclusões do Grupo de Trabalho responsável pela consolidação manual dos débitos no âmbito da anistia da MP 470/09, foi confirmado que os débitos controlados pelo PTA nº 15586.001512/200892 foram incluídos na anistia. Como a Câmara Superior de Recursos Fiscais homologou a desistência da Recorrente naquele caso, quando do julgamento do Recurso Especial da Procuradoria, os débitos naquele processo são plenamente e devidos e, diante do parcelamento com liquidação à vista, foram tipo como pagos. Assim, tendo em vista a coincidência fática entre os aludidos pedidos de compensação (que originaram os PTA´s 10783.901836/200611; 10783.901835/200676; 10783.902770/200848; e 10783.902771/200892) que vieram a ser indeferidos pelas mesmas razões que o auto de infração consignado no PTA 15586.001512/200892 – concidência inclusive reconhecida pela próprio DRJ – há de se arrastar as conclusões e efeitos do processo de lançamento de ofício aos processos que versam sobre as compensações negadas. Desta feita, devese reconhecer que houve cobrança em duplicidade dos valores controlados pelo presente processo, em comparação aos valores lançados no PTA 15586.001512/200892 (Auto de Infração); valores estes que, em razão da decisão terminativa pela CSRF e da respectiva liquidação durante o programa de parcelamento, deverão ser conciliados e excluídos dos valores lançados por conta do despacho decisório. Todavia, tendo em vista o término do julgamento do PTA 15586.001512/2008 92 (Auto de Infração), e em virtude de a diligência não esclarecer efetivamente se os valores que ali foram quitados em função da anistia guardavam relação com os montantes discutidos na compensação. Pelo exposto, sugiro nova conversão em diligência para que a unidade preparadora, considerando a decisão definitiva proferida no processo referente à autuação, manifestese conclusivamente sobre os efeitos decorrentes no presente contencioso, quantificando eventuais saldos a recolher no presente processo. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Fl. 718DF CARF MF
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Numero do processo: 13851.901237/2009-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13851.900891/2009-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13851.900891/2009-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13851.900891/200973, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 01 23 7/ 20 09 -8 7 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13851.901237/200987 Resolução nº 1302000.668 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório A Empresa apresentou PER/DCOMP pretendendo compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de pagamento de estimativa mensal. Em Despacho Decisório Eletrônico, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que não foi confirmada a existência do crédito informado "por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao .final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período", forte no artigo 10 da IN 600/2005. Inconformada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, acompanhada dos documentos, na qual alega, em síntese, que: a) o despacho decisório não homologou a PER/Dcomp sob alegação da improcedência do crédito por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real; b) houve equivoco quanto à interpretação do artigo 10 da IN n° 600/2005; c) o despacho decisório sustenta que a impugnante violou o artigo 10 da IN n° 600/2005; d) a impugnante, por sua vez, informa que não apurou saldo negativo de IRPJ no anocalendário correspondente, nem utilizou o valor do indébito na apuração do referido saldo negativo; e) discorre sobre o direito à compensação. salientando que a compensação, objeto dos autos, foi efetuada mediante pedido eletrônico (PER/Dcomp) e elaborada atendendo todos parâmetros estabelecidos pela legislação; f) o artigo 10 da IN n° 600/2005 viola o principio da legalidade tributária, não podendo a contribuinte ser prejudicada por norma que não tem força de lei, mas sim caráter acessório a ela; g) vedar a compensação dos créditos relativos a pagamento indevido ou a maior de IRPJ/CSLL no decorrer do anocalendário afeta nitidamente o direito do contribuinte na utilização de seu direito; h) se a lei que disciplina referido procedimento não restringe a compensação não há que se falar em improcedência do crédito; i) cita ementas de decisões administrativas; j) Instrução Normativa é ato administrativo realizado nos limites do Poder Regulamentar conferido á Administração Pública; k) o artigo 10 da IN n° 600/2005 não vincula o particular sendo incapaz de gerarlhe obrigação; 1) o valor do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ é legitimo e de pleno direito da impugnante, estando de pleno acordo com as diretrizes trazidas pela lei. Ao final, requer a homologação da compensação pretendida, declarando extinto o crédito tributário. A 5ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, decisão assim ementada: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO CALENDÁRIO. COMPENSAÇÃO. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13851.901237/200987 Resolução nº 1302000.668 S1C3T2 Fl. 4 3 Os recolhimentos mensais de IRPJ, quer calculados sobre a receita bruta auferida nesses períodos, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, as denominadas estimativas, não caracterizam pagamentos do tributo a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no final do anocalendário, mas sim meras antecipações. A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois ai ocorrente o fato gerador do imposto de renda da pessoa jurídica optante pelo regime de tributação anual. Do confronto entre o montante antecipado ao longo do anocalendário e o quantum do imposto apurado em 31 de dezembro poderá resultar saldo de imposto de renda a pagar ou saldo negativo de IRPJ, este último, pagamento a maior que o devido, é passível de restituição ou compensação, sobre o qual serão acrescidos de juros à taxa Selic contados a partir de 1° de janeiro subseqüente. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto A Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Não satisfeita a Empresa apresentou Recurso Voluntário reprisando os argumentos do recurso anterior. Vieram os autos por sorteio. É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13851.901237/200987 Resolução nº 1302000.668 S1C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1302000.660, de 18/10/2018, proferida no julgamento do Processo nº 13851.900891/200973, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1302000.660): "O recurso é tempestivo. A representação é regular. Conheço do recurso. Estamos tratando de proibição de compensação de pagamento a maior ou indevido de estimativa mensal, cuja previsão estava no artigo 10 da Instrução Normativa nº 600, de 2005. Temos a incidência direta da súmula CARF nº 84, cujo teor transcrevo: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Sendo de aplicação forçada pelos Conselheiros deste Conselho, por força do artigo 45 § 6º do Anexo II do RICARF, a proibição constante da referida IN não oferece óbice à compensação pleiteada. Todavia, ante a situação criada, em que o direito creditório não sofreu nenhuma análise, sendo sumariamente negado o direito por força de previsão normativa, e pelo fato desta Turma não ter condições de proceder a esta análise, entendo que o julgamento deve ser convertido em diligência para: a) que seja procedida a análise do direito creditório, com o afastamento da proibição constante do artigo 10 da IN nº 600/2005; b) seja dada ciência da decisão ao Recorrente, para manifestação; c) passado o prazo de 30 dias, com ou sem a manifestação do interessado, retornem os autos para julgamento. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 70DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.722067/2011-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103.
A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício.
Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadrava-se na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.515
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15521.000284/2009-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadrava-se na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15521.000284/2009-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
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LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 15521.000284/200979, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 72 20 67 /2 01 1- 61 Fl. 877DF CARF MF Processo nº 13005.722067/201161 Acórdão n.º 1402003.515 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Trata de Recurso de Ofício oposto em face do cancelamento de exações sofridas pela Contribuinte, promovido pela DRJ a quo, dando provimento às razões de Impugnação opostas contra o lançamento de ofício procedido. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.484, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15521.000284/2009 79, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.484): "Inicialmente, analisando os requisitos de admissibilidade do Recurso de Ofício, constatase que tal apelo foi tirado de v. Acórdão que exonerou débito tributário (considerando, aqui, principal e multas) em monta inferior ao atual valor de alçada que propiciaria seu manejo e consequente conhecimento por este E. CARF. Posto isso, tal montante está abaixo do mínimo de R$ 2.500.000,00 fixados pela Portaria MF nº 63/2017, acarretando no seu não conhecimento, considerandose definitivamente exonerado tal crédito fiscal, nos precisos termos e limites da r. decisão da DRJ a quo. Fl. 878DF CARF MF Processo nº 13005.722067/201161 Acórdão n.º 1402003.515 S1C4T2 Fl. 4 3 Tais circunstâncias e ocorrência também atraem a incidência da Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Como se extrai de tal entendimento sumular plenamente vigente deste E. Conselho, ainda que quando da prolatação do v. Acórdão recorrido a monta do débito cancelado enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador de 2ª Instância administrativa. In casu, como mencionado, tal evento ocorre após a vigência Portaria MF nº 63/2017, não havendo mais justificativa e motivação para o conhecimento recursal. Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 879DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720502/2016-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012, 2013, 2014, 2015
PRELIMINAR. DECADÊNCIA. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA.
A conversão do julgamento em diligência com o fito de garantir o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa do Recorrente, não caracteriza, sob nenhum aspecto, advento de decadência, vez que o contencioso administrativo se iniciou com a impugnação tempestiva, sendo a referida conversão mera etapa daquele.
PRELIMINAR. DEMONSTRATIVO DA VARIAÇÃO A DESCOBERTO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. RECURSOS/ORIGENS E APLICAÇÕES/DISPÊNDIOS. COMPROVAÇÃO.
Não há que se falar de ausência de fundamentação legal quando o demonstrativo da variação patrimonial a descoberto apresenta a devida fundamentação legal e indica, de forma inequívoca, os recursos/origens e as aplicações/dispêndios.
PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
O pleno acesso a todos os documentos que lastrearam o lançamento, inclusive com dilação de prazo recursal, que permitiu o total conhecimento e compreensão das infrações fiscais que foram imputadas, infirma as alegações do sujeito passivo quanto a suposto cerceamento de defesa.
AUSÊNCIA DE ANÁLISE DE DOCUMENTAÇÃO JUNTADA. APRECIAÇÃO PELA AUTORIDADE JULGADORA.
Não há que se falar em nulidade da decisão por ter deixado de analisar documentos apresentados juntamente com a impugnação, quando o julgador da instância de piso fundamentou a sua decisão em outros elementos probatórios anexados aos autos e suficientes à formação de sua convicção.
O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelo impugnante, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. Na verdade, o julgador tem o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar a conclusão adotada.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CARACTERIZAÇÃO. IRPF. TRIBUTAÇÃO.
Os rendimentos caracterizados como acréscimo patrimonial a descoberto devem compor a base de cálculo anual do IRPF e nessa condição serem tributados observando-se a tabela progressiva.
COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS PAGOS POR PESSOA JURÍDICA. APROVEITAMENTO PELA PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE.
Não há que se falar de compensação de tributos pagos por pessoa jurídica no lançamento efetuado em face de pessoa física, vez que ausente amparo na legislação tributária por se tratarem de contribuintes distintos, sujeitos a distintas regras de tributação (pessoa jurídica x pessoa física), observando-se ainda que, no caso da pessoa jurídica, os tributos pagos já repercutiram na apuração do resultado contábil/fiscal daquela nos respectivos anos-calendário, sendo assim incomunicáveis com a pessoa física.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138 DO CTN. EXPROPRIAÇÃO DE BENS. PAGAMENTO DE TRIBUTO. INOCORRÊNCIA.
A expropriação de valores e bens em prol da União, em razão da prática de diversos ilícitos criminais, não se caracteriza, sob nenhuma hipótese, pagamento de tributo, mas, sim, um efeito da condenação penal.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. HIPÓTESES DE SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE.
A omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, comprovada a ocorrência de sonegação, fraude e conluio, hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64, autoriza a qualificação da multa de ofício.
MULTA DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. LEI 9430/1996. CUMULATIVIDADE. FUNDAMENTOS DIVERSOS. BASE DE CÁLCULO DISTINTA.
Os incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/1996, tratam de suportes fáticos distintos e autônomos, com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes.
SOLIDARIEDADE. UNIDADE DE INTERESSE JURÍDICO. MATERIALIZAÇÃO DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. CARACTERIZAÇÃO.
Caracterizada a unidade de interesse jurídico entre a responsável solidária e o sujeito passivo principal na materialização da hipótese de incidência tributária, decorre a imposição da solidariedade prevista no art. 124 do CTN.
Numero da decisão: 2402-006.796
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário interposto por Alberto Youssef e rejeitar as preliminares, e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento parcial para excluir do lançamento os bens que foram entregues e expropriados, e incluir nas origens o valor do seguro de vida. O Conselheiro Paulo Sérgio da Silva votou pelas conclusões. Quanto ao recurso voluntário interposto pela responsável solidária, Joana D'arc Fernandes da Silva, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecê-lo e, por voto de qualidade, negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício)
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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DECADÊNCIA. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. A conversão do julgamento em diligência com o fito de garantir o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa do Recorrente, não caracteriza, sob nenhum aspecto, advento de decadência, vez que o contencioso administrativo se iniciou com a impugnação tempestiva, sendo a referida conversão mera etapa daquele. PRELIMINAR. DEMONSTRATIVO DA VARIAÇÃO A DESCOBERTO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. RECURSOS/ORIGENS E APLICAÇÕES/DISPÊNDIOS. COMPROVAÇÃO. Não há que se falar de ausência de fundamentação legal quando o demonstrativo da variação patrimonial a descoberto apresenta a devida fundamentação legal e indica, de forma inequívoca, os recursos/origens e as aplicações/dispêndios. PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. O pleno acesso a todos os documentos que lastrearam o lançamento, inclusive com dilação de prazo recursal, que permitiu o total conhecimento e compreensão das infrações fiscais que foram imputadas, infirma as alegações do sujeito passivo quanto a suposto cerceamento de defesa. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DE DOCUMENTAÇÃO JUNTADA. APRECIAÇÃO PELA AUTORIDADE JULGADORA. Não há que se falar em nulidade da decisão por ter deixado de analisar documentos apresentados juntamente com a impugnação, quando o julgador da instância de piso fundamentou a sua decisão em outros elementos probatórios anexados aos autos e suficientes à formação de sua convicção. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 05 02 /2 01 6- 54 Fl. 8635DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.636 2 O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelo impugnante, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. Na verdade, o julgador tem o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar a conclusão adotada. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CARACTERIZAÇÃO. IRPF. TRIBUTAÇÃO. Os rendimentos caracterizados como acréscimo patrimonial a descoberto devem compor a base de cálculo anual do IRPF e nessa condição serem tributados observandose a tabela progressiva. COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS PAGOS POR PESSOA JURÍDICA. APROVEITAMENTO PELA PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE. Não há que se falar de compensação de tributos pagos por pessoa jurídica no lançamento efetuado em face de pessoa física, vez que ausente amparo na legislação tributária por se tratarem de contribuintes distintos, sujeitos a distintas regras de tributação (pessoa jurídica x pessoa física), observandose ainda que, no caso da pessoa jurídica, os tributos pagos já repercutiram na apuração do resultado contábil/fiscal daquela nos respectivos anos calendário, sendo assim incomunicáveis com a pessoa física. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138 DO CTN. EXPROPRIAÇÃO DE BENS. PAGAMENTO DE TRIBUTO. INOCORRÊNCIA. A expropriação de valores e bens em prol da União, em razão da prática de diversos ilícitos criminais, não se caracteriza, sob nenhuma hipótese, pagamento de tributo, mas, sim, um efeito da condenação penal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. HIPÓTESES DE SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. A omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, comprovada a ocorrência de sonegação, fraude e conluio, hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64, autoriza a qualificação da multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. LEI 9430/1996. CUMULATIVIDADE. FUNDAMENTOS DIVERSOS. BASE DE CÁLCULO DISTINTA. Os incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/1996, tratam de suportes fáticos distintos e autônomos, com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. SOLIDARIEDADE. UNIDADE DE INTERESSE JURÍDICO. MATERIALIZAÇÃO DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. CARACTERIZAÇÃO. Caracterizada a unidade de interesse jurídico entre a responsável solidária e o sujeito passivo principal na materialização da hipótese de incidência tributária, decorre a imposição da solidariedade prevista no art. 124 do CTN. Fl. 8636DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.637 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário interposto por Alberto Youssef e rejeitar as preliminares, e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento parcial para excluir do lançamento os bens que foram entregues e expropriados, e incluir nas origens o valor do seguro de vida. O Conselheiro Paulo Sérgio da Silva votou pelas conclusões. Quanto ao recurso voluntário interposto pela responsável solidária, Joana D'arc Fernandes da Silva, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecêlo e, por voto de qualidade, negarlhe provimento. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício) (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de Recursos Voluntários do sujeito passivo principal (efls. 8366/8414) e da responsável solidária Joana D'arc Fernandes da Silva (efls. 8422/8523) em face do Acórdão n. 0273.290 7ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE (efls. 7425/7491), que julgou parcialmente procedente as impugnações de efls. 6873/6881 e efls. 7410/7413 (ambas do sujeito passivo principal), mantendo parcialmente o crédito tributário consignado no lançamento constituído em 18/08/2016 (ciência pessoal efl. 6369) mediante o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF Exercícios: 2012 (AC 2011); 2013 (AC 2012); 2014 (AC 2013); e 2015 (AC 2014) no montante de R$ 41.585.672,67 sendo R$ 14.576.208,85 de imposto (Cód. Receita 2904); R$ 5.014.998,40 de juros de mora calculados até 08/2016; e R$ 21.864.313,27 de multa proporcional calculada sobre o principal (efls. 6253/6276) com fulcro nas infrações caracterizadas por i) acréscimo patrimonial a descoberto; e ii) falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, conforme o discriminado no Termo de Verificação Fiscal (efls. 6277/6350), e improcedente a impugnação (efls. 7071/7137 e efls. 7306/7372) da responsável solidária Joana D'arc Fernandes da Silva. Em face do lançamento em apreço (efls. 6253/6276), o sujeito passivo e a responsável solidária Joana D'arc Fernandes da Silva apresentaram, em 19/09/2016 e 26/09/2016, respectivamente, as impugnações de efls. 6873/6881 e efls. 7410/7413 (ambas do sujeito passivo principal) e efls. 7071/7137 e efls. 7306/7372 (ambas da responsável solidária), julgadas parcialmente procedente e improcedente, respectivamente, nos termos do Fl. 8637DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.638 4 Acórdão n. 0273.290 (efls. 7425/7491), conforme entendimento sumarizado na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012, 2013, 2014, 2015 PRELIMINAR. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. As alegações de nulidade são improcedentes quando a autuação se efetivou dentro dos estritos limites legais e foi facultado ao sujeito passivo o exercício do contraditório e da ampla defesa. DECADÊNCIA. A regra contida no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional é excepcionada nos casos em que se comprovar a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, passando a prevalecer o prazo previsto no inciso I do art. 173, em que o prazo decadencial se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a constituição do crédito tributário poderia ter sido efetuada. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. IMPUGNAÇÃO. ABRANGÊNCIA. Todos os arrolados como responsáveis solidários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos isentos, tributáveis, nãotributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. PERDA, EM FAVOR DA UNIÃO, DE VALORES AUFERIDOS PELO AGENTE COM A PRÁTICA DO FATO CRIMINOSO. CARACTERIZAÇÃO COMO PAGAMENTO DO TRIBUTO: IMPOSSIBILIDADE. A perda, em favor da União, de valor auferido pelo agente com a prática do fato criminoso é um efeito da condenação penal e não se confunde com a figura do pagamento do tributo. COLABORAÇÃO PREMIADA. DEVOLUÇÃO AO ERÁRIO DOS VALORES OBTIDOS LICITAMENTE. IMPOSTO ORIUNDO DE TAIS VALORES: ANISTIA: IMPOSSIBILIDADE. A legislação tributária não prevê a possibilidade de anistia para o imposto de renda decorrente de rendimentos ilícitos devolvidos ao erário. SONEGAÇÃO. FRAUDE, CONLUIO. A sonegação, em uma de suas vertentes, é toda ação ou omissão dolosa com o objetivo de impedir ou retardar o conhecimento do fisco da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a Fl. 8638DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.639 5 excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. O conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando alcançar o efeito da sonegação. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. HIPÓTESES DE SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. POSSIBILIDADE. A omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, comprovada a ocorrência de sonegação, fraude e conluio, hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, autoriza a qualificação da multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. CUMULATIVIDADE. FUNDAMENTOS DIVERSOS. BASE DE CÁLCULO DISTINTA. A incidência cumulativa de multa de ofício e de multa isolada é legítima, pois possuem fundamentação fática e jurídica diversas. No caso em discussão, as multas não incidiram sobre a mesma base de cálculo. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. CONTRIBUINTES DISTINTOS. IMPOSSIBILIDADE. É vedada a compensação de tributos arrecadados por um contribuinte em favor de outro. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese o pedido de realização de diligência quando for considerada desnecessária ao deslinde da matéria litigiosa. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A responsável solidária Taiana de Sousa Camargo não apresentou impugnação. O sujeito passivo principal foi cientificado do teor do Acórdão n. 0273.290 (efls. 7425/7491) em 04/07/2018 (efls. 7509) e a responsável solidária Joana D'arc Fernandes da Silva em 22/06/2017 (efls. 7497/7501 e 7510), interpuseram Recurso Voluntário (efls. 8366/8414 e efls. 8422/8523, respectivamente) nas datas de 03/08/2017 (efl. 8364) e em 24/07/2017 (efls. 8415/8416), esgrimindo, em linhas gerais, os seguintes argumentos: Sujeito passivo principal (Alberto Youssef): i) em sede preliminar: a) nulidade do Acórdão n. 02 73.290 (efls. 7425/7491) por ausência de demonstrativo da variação patrimonial com a devida fundamentação legal e por cerceamento de defesa (ausência de ciência dos elementos anexos que compõem o auto de infração; e b) decadência do lançamento; e ii) no mérito: a) ilegalidade do procedimento por ausência de análise de documentação juntada; b) insubsistências do auto de infração quanto à exclusão de ingresso oriundo de empréstimo bancário na planilha de variação patrimonial a descoberto; c) insubsistências do auto de infração quanto à exclusão de ingresso oriundo de rendimento isento (veículo adquirido com prêmio de seguro de vida); d) ilegalidade da proibição de compensação dos tributos pagos pela pessoa jurídica no lançamento efetuado em face de pessoa física; e) ocorrência da hipótese do art. 138 do CTN; f) ilegalidade da aplicação da multa qualificada por ausência de fundamentação minuciosa e não ocorrência de sonegação, fraude ou conluio tributários; g) ilegalidade da cobrança cumulativa de multa isolada com a multa de ofício; h) ilegalidade e ausência de fundamentação fática e probatória no lançamento de dispêndios para a apuração da variação patrimonial; i) insubsistência do auto de infração quanto à exclusão de ingressos oriundos de rendimentos e vendas de títulos Fl. 8639DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.640 6 mobiliários por meio de corretora de valores (Planner); e j) insubsistência do auto de infração quanto à exclusão de ingressos oriundos de empreiteiras, fornecedores e outras pessoas relacionadas. Por sua vez, a responsável solidária Joana D'arc Fernandes da Silva enfrenta o lançamento e a solidariedade que lhe foi imputada, aduzindo, i) em sede preliminar: a) nulidade do termo de ciência não constituição do crédito tributário decadência; b) nulidade do auto de infração e do termos de responsabilidade solidária passiva cerceamento de defesa; c) cerceamento de defesa indeferimento de diligência termo de constatação violação do dever de sigilo profissional e garantias fundamentais; d) violação ao princípio da capacidade contributiva; e) erro de identificação do sujeito passivo; f) cerceamento de defesa deficiente e equivocada descrição dos fatos do termo de responsabilidade ilegitimidade passiva; g) termo de solidariedade passiva sem auto de infração contra o devedor principal; e, ii) no mérito: a) não consideração dos mútuos; b) excesso de exação; c) ausência de correlação das provas e imputação de solidariedade presunção erro da sujeição passiva decisão dissociada dos fatos objeto da exigência fiscal; d) insubsistência do lançamento de ofício; e) impossibilidade do agravamento de multa sem a existência dos requisitos legais ausência de dolo devedor solidário; f) impossibilidade da cumulação da multa isolada; e g) confisco. A PGFN apresentou contrarrazões (efls. 8564/8630). É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo principal (efls. 8366/8414), bem assim pela responsável solidária Joana D'Arc Fernandes da Silva (efls. 8415/8416) são tempestivos e atendem aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores. Portanto, deles CONHEÇO. Recurso Voluntário de Alberto Youssef Das preliminares Em sede preliminar, o Recorrente protesta pela nulidade do Acórdão n. 02 73.290 (efls. 7425/7491) por ausência de demonstrativo da variação patrimonial com a devida fundamentação legal e por cerceamento de defesa (ausência de ciência dos elementos anexos que compõem o auto de infração), bem assim invoca o advento da decadência do lançamento em razão da conversão do julgamento em diligência (necessidade de desconsideração dos débitos tributários relativos ao AC 2011). Ausência de demonstrativo da variação patrimonial com a devida fundamentação legal Em apertada síntese, alega o Recorrente que o demonstrativo de variação patrimonial mensal que lastreou a autuação em lide não contempla fluxo de caixa confrontando origens e aplicações de recursos, impossibilitando, no seu entendimento, a tributação de acréscimos patrimoniais a descoberto ante a ausência de fundamento legal para a base de cálculo, nos termos do enunciado de Súmula CARF n. 67 e do art. 3°. da Lei n. 7.713/88. Fl. 8640DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.641 7 De observar que esta preliminar arguida pelo Recorrente decorre de diligência determinada pela instância de piso, mediante o Despacho 2.002.094 7ª Turma da DRJ/BHE (efls. 7253/7254), para que as autoridades lançadoras dessem ciência ao contribuinte e aos responsáveis tributários arrolados (Joana D’Arc Fernandes da Silva e Taiana Sousa Camargo) de todos os anexos (Anexos 01A até Anexo 44, com especial atenção para os Anexos incluídos nos Termos de Anexação de Arquivo NãoPaginável) que compuseram o presente processo administrativo fiscal, destacandose a planilha de Variação Patrimonial a Descoberto, desde que este ato processual ainda não tenha sido realizado, reabrindose o prazo de 30 (trinta) dias para apresentação da impugnação. Pois bem. Compulsando os autos, verificase que a planilha de variação patrimonial a descoberto (Arquivo NãoPaginável Anexo 42_planilha VPD DOC1_VPD11a14) discrimina nos AC 2011 a 2014, mês a mês, dispêndios/aplicações considerando como origem de recursos os rendimentos brutos tributáveis declarados pelo Recorrente, que foram constatados apenas nos AC 2011 e 2012. Por sua vez, o Termo de Verificação Fiscal (efls. 6277/6350) é bastante elucidativo quanto à metodologia empregada para elaboração da planilha de Variação Patrimonial a Descoberto em apreço, inclusive quanto aos valores considerados (e não considerados) como origens de recursos, verbis: [...] Feita a necessária contextualização do fiscalizado Alberto Youssef e de sua empresa patrimonial, a GFD Investimentos Ltda, passemos a identificar os fatos considerados como infrações tributárias relevantes para esta autuação. Este auto de infração referese apenas a fatos e infrações apurados nos AC 2011 a 2014, dispêndios cujo beneficiário foram considerados como sendo do fiscalizado Alberto Youssef e que redundaram em variação patrimonial a descoberto deste contribuinte. Importante frisar que esta fiscalização já havia autuado o fiscalizado, com ciência em 02/12/2015, por fatos semelhantes aos aqui narrados, por infrações apuradas nos AC 2009 e 2010, conforme se depreende da análise do PAF No. 10803.720060.2015.45 (IRPF AC 2009 e 2010 e Muldi – falta de recolhimento carnêleão), o qual já fora objeto de decisão administrativa da DRJ/BHE, à qual manteve a íntegra da autuação por unanimidade de votos (Anexo 44_Decisão DRJ, deste TVF). A grande maioria dos dispêndios que favoreceram YOUSSEF se deram de forma indireta, ou seja, por meio de sua empresa GFD. Passemos a pontuar cada elemento de variação patrimonial relevante. Importante frisar que serão consideradas, para o cálculo da VPD de Youssef anos 2011 a 2014, apenas as saídas de recursos da conta da GFD e de empresas interpostas já citadas, bem como dispêndios em espécie indicados nas planilhas de Rafael Angulo. Consideraremos que todo os valores recebidos pela GFD nos anos de 2009 e 2010, sejam originários das empresas do operador Julio G. A. Camargo (Treviso, Piemonte e Auguri), ou recursos originários de integralização de capital recebidos do exterior, foram devidamente consumidos nos próprios anos calendários de 2009 e 2010 e tributados no PAF No. 10803.720060.2015.45. A primeira parcela de integralização, ocorrida em 31/08/2010, no valor de R$ 644.540,00, foi praticamente toda consumida, antes mesmo de outros relevantes ingressos/origens, em repasses às empresas Pontual Empreendimentos (R$ Fl. 8641DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.642 8 214.973,62, em 01/09/2010) e Viagens Marsans Internacional (R$ 250.000,00, em 15/09/2010). Já a segunda parcela de integralização, ocorrida em 06/10/2010, no valor de R$ 2.446.556,42, foi praticamente toda consumida, antes mesmo de outros relevantes ingressos/origens, em repasses às empresas Pontual Empreendimentos (R$ 214.973,62, em 25/10/2010), Viagens Marsans Internacional (R$ 1.021.831,00, em 07/10/2010 e 08/10/2010), FAFER ADM E INCORP DE IMÓVEIS (R$ 300.000,00, em 13/10/2010), Piemonte Empreendimentos Ltda (R$ 500.000,00, em 07/10/2010) e CAPEMISA SEGURADORA DE VIDA E PREVIDÊNCIA (R$ 121.600,00, em 08/10/2010). Por fim, a terceira e última parcela de integralização, ocorrida em 23/11/2010, no valor de R$ 2.242.595,16, foi praticamente toda consumida, antes mesmo de outros relevantes ingressos/origens, em repasses às empresas Pontual Empreendimentos (R$ 79.947,24, em 25/10/2010), FAFER ADM E INCORP DE IMÓVEIS (R$ 300.000,00, em 26/11/2010), EXPANDIR (R$ 1.000.000,00, em 23/11/2010 e 30/11/2010) e UTC PARTICIPAÇÕES R$ 756.168,00, em 02/12/2010. [...] Na sequência, com ênfase às efls. 6.292/6335, o Termo de Verificação Fiscal discrimina, com riqueza de detalhes, os dispêndios/aplicações classificandoos quanto à natureza de cada um deles. Sobre o tema, a decisão recorrida elucida: [...] Os elementos de provas utilizados na fiscalização são provenientes da operação "Lava Jato" e foram compartilhados com a administração tributária por meio de decisão judicial, de primeiro grau de jurisdição, fls. 110 a 121 (Anexo 03), ou dos tribunais superiores, fls. 106 a 109 (Anexo 02); respostas produzidas pelo autuado, destacandose a oitiva pessoal, na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba/PR, em 23/07/15, convertidas no Termo de Declarações do Fiscalizado, fls. 583 a 612; além de informações produzidas por terceiros em atendimento às intimações fiscais. Descreve o modus operandi adotado pelo autuado e menciona que ele adquiriu bens móveis e imóveis para si e membros de seu convívio, registrandoos em nome de terceiros e, em especial, como de propriedade da pessoa jurídica GFD Investimentos (antiga DGF), sua longa manus, bem como para contas no exterior dos fundos e empresas que controlam oficialmente a GFD Investimentos (Devonshire Global Fund, Devonshire Investiment Manager LLC, Devonshire Latam Investiments I LLC). A partir das fls. 6.292 do Termo de Verificação Fiscal, as autoridades lançadoras passam a descrever vários eventos que compuseram a planilha "Demonstrativo de Variação Patrimonial Fluxo Financeiro Preliminar", integrante do denominado "Anexo 42_planilha VPD e extratos Termo de Anexação de Arquivo Não paginável". Os fatos, por seus títulos, são os adiante listados: Aquisições de bens e direitos (imóveis) 1.1. Dispêndios para aquisição de apartamento na Vila Nova Conceição, Condomínio Edifício Walk Vila Nova, Rua Afonso Braz, 747, ap. 111 bloco A, matrícula 193.249. [...] Fl. 8642DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.643 9 A partir das fls. 6.292 do Termo de Verificação Fiscal, as autoridades lançadoras passam a descrever vários eventos que compuseram a planilha "Demonstrativo de Variação Patrimonial Fluxo Financeiro Preliminar", integrante do denominado "Anexo 42_planilha VPD e extratos Termo de Anexação de Arquivo Não paginável". Os fatos, por seus títulos, são os adiante listados: Aquisições de bens e direitos (imóveis) 1.1. Dispêndios para aquisição de apartamento na Vila Nova Conceição, Condomínio Edifício Walk Vila Nova, Rua Afonso Braz, 747, ap. 111 bloco A, matrícula 193.249. O mencionado imóvel, residência do autuado e de sua exesposa, foi adquirido de Sergio Heumann, conforme informações contidas no Anexo 10. A aquisição se deu por meio de desembolsos significativos que foram realizados pela GFD Investimentos Ltda./Alberto Youssef. A liquidação do contrato de financiamento imobiliário ocorreu em 28/11/2014, com a quitação de um boleto de R$514.660,59, além do pagamento de custas de R$49.859,59 e ITBI de R$38.284,51. A quitação do boleto (R$514.660,59), atribuída à exesposa de Youssef, não foi admitida pela fiscalização, pois esta entendeu que a Sra. Joana não possuía recursos próprios para esse fim e que os empréstimos obtidos juntos às pessoas físicas Solange Maria Garcia Lopes, Wania Ruth Prata Tibery e Sheila Scaff Coelho se mostraram inverossímeis. Os fiscais mencionaram que a Sra. Joana não comprovou, por meio de documentação, que os rendimentos declarados de R$177.294,21 se referiam a prestação de serviços advocatícios, apesar de alegação nesse sentido. Quanto às operações de mútuo, as desqualificaram pelo fato de a Sra. Joana (i) não ter comprovado a origem dos empréstimos, sobretudo por não ter apresentado os cheques administrativos utilizados pelas mutuantes, tal como defendido no termo de resposta oferecido à fiscalização; (ii) ausência da devolução das quantias emprestadas até o encerramento do procedimento de fiscalização; (iii) inexistência de anotação na matrícula do imóvel da garantia oferecida às mutuantes, a qual se tratava dos direitos que a Sra. Joana detinha sobre o contrato de compra e venda; (iv) ausência do reconhecimento de firma do avalista, presumivelmente parente, nos contratos de mútuo. 1.2. Dispêndios para aquisição de imóvel (terreno de 4.800 m2 e galpão industrial), por intermédio de Sociedade em Conta de Participação junto com a UTC Participações Ltda. e UTC Desenvolvimento Imobiliário SA, na cidade de Lauro de Freitas/BA, por meio de pagamentos via GFD, cuja contratação ocorreu em benefício do Sr. Alberto Youssef. 1.3. Dispêndios diversos para aquisição do Hotel Jahú SA, por meio de pagamentos via GFD, cuja contratação ocorreu em benefício do Sr. Alberto Youssef, conforme se conclui das declarações prestadas pelo Sr. João Procópio Junqueira Pacheco de Almeida Prado. 1.4. Imóvel adquirido em nome de Taiana Sousa Camargo, CPF 668.111.71391. 1.5. Imóvel Web Hotel Príncipe da Enseada. 1.6. Seis unidades no Hotel Blue Tree Premium Londrina/PR (Escuna Flat). 1.7. Dispêndios de Youssef para aquisição de imóveis na cidade do Rio de Janeiro. Aquisições de bens e direitos (veículos) pelo fiscalizado Fl. 8643DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.644 10 1.7. (sic) Aquisição de veículo Land Rover Evoque Dynamic, blindado, plaza FZQ 1954, Renavam 218376, ano 2013, adquirido em 15/05/2013 pelo fiscalizado junto à empresa Autostar, para presentear o exdiretor de abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa. 1.8. Aquisição de veículo VW Tiguan 2.0 TSI, blindado, placa FLR4044, ano 2013, presente de Youssef para sua filha, a Srta. Surrailly Fernandes Youssef. 1.9. Aquisição de veículo Volvo XC60, blindado, placa BBB6244, ano 2011, registrado em nome de Pieruccini & Martins Advogados Associados. 1.10. Aquisição de veículo Porsche Cayene S, placa FLA8333, ano 2006, registrado em nome da empresa Conseq Consultoria e Representações Ltda., sendo o sócio gerente desta pessoa jurídica o também denunciado na Lavajato, o Sr. Enivaldo Quadrado, testadeferro e homem da estrita confiança do fiscalizado. 1.11. Aquisição de veículo Mercedes Benz CLS 500, placas BCT 0050, ano 2006, avaliado em R$125.780,00. 1.12. Aquisição de veículo VW Tiguan 2.0 TSI, blindado, placa ERU 6734, ano 2010, registrado em nome de Rebeca Pimentel Pinheiro Santana, filha de Olivia Maria Pimentel Santana, exsupervisora de novos negócios da Marsans Corporate, empresa do grupo de turismo adquirido por Youssef. Pagamentos diversos feitos pelo fiscalizado 2.1. Pagamentos feitos à empresa Esferatur Passagens e Turismo S/A. 2.2. Suprimentos de caixa na empresa Expandir Participações Ltda.. 2.3. Youssef, por meio da GFD, pagou cerca de R$10,5 milhões à Viagens Marsans Internacionais Ltda e Viagens Marsans Corporativo S/A para aquisição do controle do grupo Marsans. 2.4. Despesas com o colaborador Antonio Almeida Silva, o contador "Toninho", pagos por meio da empresa RCI Hardware e Software Ltda.. 2.5. Pagamentos de salários mensais ao colaborador Rafael Angulo Lopez, normalmente em espécie, mas também por meio das empresas AJPP e Arbor. 2.6. Despesas com serviços prestados pela empresa Frison Conveniente Serviços Automotivos Ltda. no veículo Porsche Cayene S, placa FLA8333, ano 2006. 2.7. Despesas préoperacionais, de locação e funcionamento da Mercearia Araçari Bar e Restaurante Ltda.. 2.8. Despesas de consultoria privada prestadas pelo Sr. Marcelo Vicentini Chamie à Mercearia Araçari Bar e Restaurante Ltda., pagas por Alberto Youssef por meio de depósito em dinheiro e transferências da empresas Arbor Consultoria e Assessoria Contábil Ltda. ME. 2.9. Despesas de Youssef, por meio da GFD, com a compra de ações, títulos e valores mobiliários intermediados pela corretora Planner. 2.10. Despesas com o colaborador Waldomiro de Oliveira, pagos por meio da Empreiteira Rigidez Ltda.. 2.11. Despesas com o colaborador Waldomiro de Oliveira, pagos por meio da RCI Hardware e Software Ltda.. 2.12. Despesas com o colaborador Waldomiro de Oliveira, pagos por meio da MO Consultoria e Laudos Estatísticos Ltda.. Fl. 8644DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.645 11 2.13. Despesas com o colaborador Antonio Almeida Silva, o "Toninho", pagos por meio da Empreiteira Rigidez Ltda.. 2.14. Despesas com o colaborador Antonio Almeida Silva, o "Toninho", pagos por meio da MO Consultoria e Laudos Estatísticos Ltda.. 2.15. Despesas com o colaborador Enivaldo Quadrado, pagos por meio da empresa Arbor Assessoria Contábil. 2.16. Despesas de Youssef com a colaboradora Meire Bonfim da Silva Pozza (contadora e operadora de Youssef), pagos por meio da Arbor Assessoria Contábil. 2.17. Despesas pagas por Youssef por meio da empresa Phisical Com. Imp. Exp. Ltda., junto às empresas L7M Motorsports Ltda. e British Cars do Brasil Ltda.. 2.18. Dispêndios incorridos pelo operador como forma de abastecer as contas bancárias da Expandir Participações S/A, CNPJ 09.372.578/000143, empresa do grupo Marsans, de propriedade de fato de Alberto Youssef. 2.19. Despesas de investimentos realizadas a mando e em benefício de Youssef para a empresa Malga Engenharia Ltda., CNPJ 17.343.014/000100, provenientes das empresas de Meire Pozza, AJPP e Arbor. 2.20. Despesas em espécie realizados por Alberto Youssef ("BBB") consigo ou com a Srta. Taiana Sousa Camargo, demonstradas por documentos entregues por Rafael Angulo Lopez. 2.21. Empresa "Controle e Monitoramento de Veículos Ltda.", CNPJ 06.134.915/000176. 2.22. Despesas com o colaborador João Procópio Junqueira Pacheco de Almeida Prado. No decorrer do ano de 2016, as Autoridades Tributárias e Aduaneiras da Receita Federal do Brasil intimaram o autuado a se pronunciar sobre uma série de dispêndios e aquisições de ativos que a ele foram imputados Termos de Intimação Fiscal TIF nºs 9, 10 e 11, de 16/02/16, 22/03/16 e 02/05/16, respectivamente sem que, entretanto, obtivessem qualquer tipo de resposta. Por ocasião da expedição dos TIFS nºs 12 e 13, em 24/05/16 e 06/07/16, respectivamente, dirigidos ao contribuinte e aos seus representantes legais, contendo a planilha de variação patrimonial a descoberto atribuída ao fiscalizado, foram gerados termos de resposta em 14/06/16 e 30/06/16, levando a fiscalização a se pronunciar, no Termo de Verificação Fiscal, fls. 6.338 a 6.340, sobre a tese encampada pelo interessado quanto à dificuldade em ter acesso aos documentos contábeis de suas empresas e sobre os carnêsleão indicados na intimação. Diante de todo o exposto, a fiscalização tornou sem efeitos tributários os atos praticados em nome da pessoa jurídica GFD Investimentos Ltda. e os considerou como sendo atos de responsabilidade do próprio contribuinte. Isto posto, não se vislumbra no caso em apreço a incidência do Enunciado de Súmula CARF n. 67, nem qualquer transgressão ao art. 3°. da Lei n. 7.713/88. Rejeito a preliminar. Cerceamento de defesa (ausência de ciência dos elementos anexos que compõem o auto de infração) O Recorrente aduz que não foram observados os requisitos mínimos necessários à validade do lançamento e destaca exatamente o Despacho2.002.094 7ª Turma Fl. 8645DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.646 12 da DRJ/BHE (efls. 7253/7254) que decidiu por converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal o cientificasse de todos os anexos integrantes deste processo administrativo fiscal. Ora, se foi exatamente esta providência da DRJ/BHE (Despacho2.002.094) que veio a suprir eventuais omissões da autoridade fiscal no sentido de conferir ao Recorrente pleno conhecimento de todos os documentos e anexos produzidos no curso da ação fiscal e que lastrearam as infrações que lhe foram imputadas, reabrindose, inclusive, o prazo de 30 (trinta) dias para apresentação de impugnação, como é possível que o Recorrente ainda venha arguir cerceamento de defesa? Bem ao contrário do que afirma, resta evidenciado, inclusive pela riqueza de detalhes dos argumentos apresentados, não apenas no Recurso Voluntário (efls. 8366/8414), bem assim em sede de impugnação junto à instância de piso, que o Recorrente tem pleno e completo conhecimento das infrações fiscais que lhe foram imputadas, bem assim de todos os documentos produzidos para o mister pela autoridade fiscal. Convenhamos, não há que se falar de cerceamento de defesa. Rejeito a preliminar. Decadência do lançamento em razão da conversão do julgamento em diligência (necessidade de desconsideração dos débitos tributários relativos ao AC 2011) O Recorrente reclama pelo advento de decadência do lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos no AC 2011, observandose a regra especial do art. 150, § 4°., do CTN, com fulcro no Despacho 2.002.094 7ª Turma da DRJ/BHE (efls. 7253/7254) que determinou que a autoridade lançadora o cientificasse de todos os anexos (Anexos 01A até Anexo 44, com especial atenção para os Anexos incluídos nos Termos de Anexação de Arquivo NãoPaginável) que compuseram o presente processo administrativo fiscal, destacandose a planilha de Variação Patrimonial a Descoberto nos seguintes termos, verbis: [...] Conforme demonstrado no item anterior, através do Despacho 2.002.094, fls. 7253, a 7ª Turma da DRJ/BHE decidiu por converter o julgamento em diligência para que as autoridades lançadoras dessem ciência ao contribuinte de todos os anexos que compunham o processo administrativo, reabrindo o prazo de 30 (trinta) dias para apresentação de impugnação. Ao reconhecer que não foi dada ao contribuinte a ciência de todos os anexos, a 7ª Turma buscou convalidar o lançamento defeituoso quando deveria ter reconhecido sua nulidade, eis que encontravase viciado em sua formação e a situação não se enquadrava em nenhuma das hipóteses do art. 1455, 1466 e 1497 do CTN. Dada a nulidade do lançamento, em sede de impugnação, pugnouse pelo reconhecimento do transcurso do prazo decadencial para os fatos geradores ocorridos no anoexercício 2011, o que foi afastado na decisão ante o entendimento de aplicabilidade da exceção contida no §4º do art. 150 do CTN, nos seguintes termos: [...] Ocorre, no entanto, que não houve qualquer comprovação de ocorrência de dolo, no âmbito tributário, por parte do Contribuinte. Pelo contrário. O que se observa é Fl. 8646DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.647 13 que o julgador tentou trazer o dolo criminal, esse sim flagrantemente existente, para o campo tributário e o aplicou para não se verem decaídos parte dos créditos. De se frisar que não há qualquer dolo tributário em ter o Contribuinte sido sócio oculto de pessoa jurídica e recebido por meio dela algumas receitas provenientes de ilícitos criminais, ainda mais quando estas “receitas” foram devidamente oferecidas à tributação. Tampouco há dolo em se constituir pessoa jurídica para desempenho de atividades profissionais ou administração de bens. De se frisar que não há qualquer dolo tributário em ter o Contribuinte sido sócio oculto de pessoa jurídica e recebido por meio dela algumas receitas provenientes de ilícitos criminais, ainda mais quando estas “receitas” foram devidamente oferecidas à tributação. Tampouco há dolo em se constituir pessoa jurídica para desempenho de atividades profissionais ou administração de bens. Há que se considerar, ainda, que diversos foram os pagamentos de tributos efetuados ao Fisco, como a administração pode saber verificando os registros das respectivas pessoas jurídicas. Não fosse suficiente, é certo a necessidade de existência de dolo específico para que ocorra delito contra a ordem tributária e, no caso em comento, não houve supressão ou redução de tributos que pudesse caracterizálo. Tanto que nas inúmeras sentenças condenatórias proferidas pelo MM. Juiz Dr. Sérgio Moro, juntadas pela autoridade ao PAF para tentar justificar a ocorrência de dolo, não há qualquer condenação por crimes previstos pela lei n. 8.137/1990. [...] Inexistindo dolo, fraude ou simulação, temse que a regra para a contagem do prazo decadencial é a contida no art. 150, §4º do CTN, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador: [...] Assim sendo, considerando a nulidade do auto de infração lavrado em 11/08/2016 e a inexistência de dolo por parte do Contribuinte, fazse necessário reconhecer a decadência do direito da Fazenda de lançar os débitos tributários referentes ao anobase 2011. [...] É cediço que o fato gerador do IRPF é complexivo ou periódico, vez que compreende a disponibilidade econômica ou jurídica adquirida pelo contribuinte em determinado ciclo que se inicia no dia primeiro de janeiro e se finda no dia 31 de dezembro de cada anocalendário. Na espécie, o lançamento em lide foi constituído em 18/08/2016, mediante ciência pessoal (efl. 6369) e referese a fatos geradores ocorridos nos AC 2011 a 2014. De fato, eventuais pagamentos efetuados pelo Recorrente a título de IRPF como por exemplo, carnêleão, imposto retido na fonte e imposto complementar constituem se antecipações do imposto devido na declaração de ajuste anual, e, assim, atrairiam a regra especial do art. 150, § 4°., do CTN, desde, claro, que restem comprovados recolhimentos e inexistente fraude, dolo ou simulação. Fl. 8647DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.648 14 No caso concreto, a autoridade lançadora caracteriza, de forma inequívoca, a materialidade da conduta do Recorrente, subsumindoa ao disposto nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964 (sonegação, fraude e conluio), inclusive para fins da qualificação da multa no percentual de 150%, como se verá detalhadamente no tópico pertinente, o que, por si só, comprova a ocorrência das exceções previstas no art. 150, § 4°.,, in fine, do CTN (fraude, dolo ou simulação), tornando despicienda a averiguação de eventuais recolhimentos antecipados. Nessa perspectiva, afastada a regra especial, verificase que o quinquênio decadencial em relação ao AC mais antigo, no caso 2011, iniciouse no primeiro dia seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso concreto, 1°. de janeiro de 2013. Assim, o prazo decadencial para a Fazenda Nacional proceder ao lançamento de IRPF referente ao AC 2011 exauriuse exatamente em 31 de dezembro de 2017, observandose a regra geral do art. 173, I, do CTN, aplicável ao tributo em apreço. Considerandose que o lançamento em apreço aperfeiçoouse em 18/08/2016, não há que se falar de decadência em face dos fatos geradores ocorridos no AC 2011. Apenas por amor ao debate, é relevante destacar que o Despacho2.002.094 7ª Turma da DRJ/BHE (efls. 7253/7254) não buscou convalidar o lançamento, como sugere o Recorrente, mas tãosomente garantir o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa do Recorrente neste processo administrativo fiscal, na medida em que lhe propiciou, sem qualquer restrição, o acesso a todos os anexos produzidos no curso da ação fiscal, desde que este ato processual ainda não tivesse sido realizado, oportunidade em que, inclusive, reabriu prazo de 30 (trinta) dias para impugnação em face de tais documentos. É dizer, a providência da instância de piso visou unicamente a afastar qualquer prejuízo à defesa do Recorrente. Ademais, a impugnação tempestiva iniciou o contencioso administrativo, havendo a conversão do julgamento em diligência mera etapa daquele. Rejeito a preliminar. Do mérito No mérito, o Recorrente enfrenta o lançamento em lide nos seguintes pontos: a) ilegalidade do procedimento por ausência de análise de documentação juntada; b) insubsistências do auto de infração quanto à exclusão de ingresso oriundo de empréstimo bancário na planilha de variação patrimonial a descoberto; c) insubsistências do auto de infração quanto à exclusão de ingresso oriundo de rendimento isento (veículo adquirido com prêmio de seguro de vida); d) ilegalidade da proibição de compensação dos tributos pagos pela pessoa jurídica no lançamento efetuado em face de pessoa física; e) ocorrência da hipótese do art. 138 do CTN; f) ilegalidade da aplicação da multa qualificada por ausência de fundamentação minuciosa e não ocorrência de sonegação, fraude ou conluio tributários; g) ilegalidade da cobrança cumulativa de multa isolada com a multa de ofício; h) ilegalidade e ausência de fundamentação fática e probatória no lançamento de dispêndios para a apuração da variação patrimonial; i) insubsistência do auto de infração quanto à exclusão de ingressos oriundos de rendimentos e vendas de títulos mobiliários por meio de corretora de valores (Planner); e j) insubsistência do auto de infração quanto à exclusão de ingressos oriundos de empreiteiras, fornecedores e outras pessoas relacionadas. Pois bem. Fl. 8648DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.649 15 Ausência de análise de documentação juntada Quanto à alegação de ausência de análise de documentação juntada aos autos é de se ressaltar que a decisão de piso enfrentou todos os argumentos trazidos pela Recorrente na peça impugnatória (efls. 6873/6881 e efls. 7410/7413). E mesmo que não o fizesse, não estaria obrigada a fazêlo, vez que o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. Na verdade, o julgador tem o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. É nesse sentido, ao tratar da fundamentação das decisões judiciais com fulcro no art. 489, § 1°., do CPC/2015, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), verbis: "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, mesmo após a vigência do CPC/2015, não cabem embargos de declaração contra a decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. STJ. 1ª Seção. EDcl no MS 21.315DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 8/6/2016 (Info 585)." Na sequência de sua irresignação, o Recorrente insurgese contra as exclusões na planilha de variação patrimonial a descoberto (VPD) dos ingressos oriundos de empréstimo bancário; rendimento isento (veículo adquirido com prêmio de seguro de vida); rendimentos e vendas de títulos mobiliários por meio de corretora de valores (Planner); e empreiteiras, fornecedores e outras pessoas relacionadas, nos seguintes termos: Ingressos oriundos de empréstimos bancários O TVF incluiu no item 2 – Pagamentos Diversos Feitos pelo Fiscalizado (p. 6.310), o subitem 2.3 – Youssef, por meio da GFD pagou cerca de R$ 10.267.889,54 à Viagens Marsans Internacionais Ltda. e Viagens Marsans Corporativo S/A para aquisição do controle do grupo Marsans (fls. 6.3136.315), sendo que o contribuinte teria sido “intimado e não contestou a causa e a titularidade destes dispêndios” (fl. 6.315). O acórdão recorrido, às fls. 7.466/7.468 manteve o referido dispêndio na planilha de variação de VPD, sob o fundamento de que a impugnação não teria anexado “o contrato que deu origem ao suposto empréstimo” (fl. 7.466) ou que “o empréstimo concedido foi objeto de quitação ou que a garantia oferecida tenha sido exercida para satisfazer a pretensão econômica do credor” (fl. 7.468). Primeiramente, cumpre chamar atenção que o próprio acórdão recorrido reconhece que o relatório de análise não buscou averiguar a procedência de tais recursos, presumindo de forma arbitrária e excessiva, que todos os dispêndios comprovados mediante dados bancários deveriam ser objeto de tributação. Nesse viés, se reconheceu que “o ponto inicial é que o mencionado relatório de análise atevese apenas ao exame dos dados bancários da GFD Investimentos Ltda., sem perscrutar a procedência e a natureza do depósito efetuado na conta corrente da pessoa jurídica. Transcrevo a delimitação do trabalho realizado pela equipe técnica (...)” (fl. 7.466). Fl. 8649DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.650 16 Portanto, resta evidenciada a atuação arbitrária das referidas autoridades fiscais ao realizar, a despeito dos amplos poderes investigadores que lhe são outorgados, do amplo acesso que tiveram de toda documentação envolvida nos inúmeros processos e procedimentos da Operação Lava Jato, a tributação do recorrente tão somente com base nos dados bancários da pessoa jurídica, sem averiguação do cabimento de tributação de rendimentos no caso concreto, em violação ao ordenamento jurídico pátrio, ao estabelecer que a base de cálculo do imposto é o montante dos proventos tributáveis (art. 43 e 44 do CTN) e a competência privativa da autoridade administrativa para verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação e determinação da matéria tributável (art. 142 do CTN). Na sequência, se verifica que o acórdão recorrido se valeu de presunção amparada em fato totalmente distinto e não relacionado ao fato gerador em cotejo, proveniente de depoimento de Carlos Alberto Pereira da Costa na Ação Penal nº 502569917.2014.404.7000/PR, no sentido de que o Banco Merril Lynch, de Nova York, teria realizado empréstimo indevido para integralizar ao capital social da GFD Investimentos. Assim, jamais esse trecho de depoimento de fls. 635 e 636 poderia ser utilizado para justificar ou de alguma forma excluir, a priori, empréstimos bancários não tributáveis, obtidos a partir de instituição bancária diversa (Banco Safra), com outro valor (R$ 10.460.000,00) em data distinta (05/04/2012). Desse modo, a inclusão e manutenção da tributação com base nesse fundamento constitui juízo arbitrário dos fatos. Não fosse apenas isso, a informação sobre a origem e natureza desses proventos, como decorrente de empréstimo bancário do Banco Safra, obtido em 05/04/2012, no valor de R$ 10.460.000,00, já eram de posse da administração fiscal no documento obtido a partir da Cooperação Técnica 002PF001125 e Cooperação Técnica 001MPF00104088, constando os dados bancários extraídos da conta 422 Banco Safra/Agência 25/Conta 175606, sob a descrição EMPRÉSTIMO LIBERADO, no valor de R$ 10.460.000,00: É dizer, não há dúvidas que tal transferência decorreu a partir de empréstimo bancário não caracterizado como acréscimo patrimonial, comprovado a partir de extratos bancários do seu recebimento devidamente obtidos pela Receita Federal, conforme entendimento deste CARF. Não há qualquer justificativa ou razoabilidade, portanto, para simplesmente ignorar a obtenção de empréstimo bancário e sua utilização para as transferências tributadas! Assim, se havia alguma dúvida em relação à origem e ao recebimento desse dispêndio, equivocadamente classificado como variação patrimonial, caberia à administração fiscal, dentro do uso de seus poderes, e com base na Cooperação Técnica 002PF001125 e Cooperação Técnica 001MPF00104088, e fundamento normativo do art. 37 da Lei 9.784/1999, se valer de documentação hábil e inidônea desconstitutiva dos dados bancários documentados no processo. Fl. 8650DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.651 17 Também se mostra totalmente improcedente a alegação do TVF de que o recorrente teria sido “intimado e não contestou a causa e a titularidade destes dispêndios” (fl. 6.315). Nesse sentido, o Termo de Declarações de fls. 606, prestado em 23/07/2015, o complemento a impugnação feita pelo recorrente de fl. 74107413 e a impugnação da Sra. Joana às fls. 7.353/7.354 ratificaram a informação que a inclusão de tal provento como acréscimo patrimonial considerando a transferência de R$ 10.267.889,54 à Viagens Marsans Internacionais Ltda. e Viagens Marsans Corporativo S/A em 05/04/2012 decorreu de empréstimo bancário obtido junto ao Banco Safra, ocorrida na mesma data de 05/04/2012. Em nenhum momento dos autos, o Recorrente recebeu intimação específica para comprovar, mediante documentação, a coincidência destas datas e valores, constituindo flagrante nulidade do lançamento: [...] De todo modo, a despeito disso, o Recorrente vem anexar a documentação obtida em 01/08/2017, mediante acesso obtido nos autos de Embargos de Terceiros 500908937.2015.4.04.700, o qual, no entender da autoridade julgadora (já que a autoridade fiscalizadora, mesmo conhecendo, entendeu ser irrelevante qualquer prova de origem), seria apta a corrigir o lançamento tributário, conforme argumentação de fl. 7.468. O mesmo vale para os recursos provenientes de operação de crédito contraído pela ARBOR Consultoria e assessoria contábil junto ao Banco Máxima, cuja prova encontrase juntado no PAF ás fl. 68166821, que sustentou um conjunto de dispêndios lançados na apuração da planilha VPD (especialmente, o item 13.18). Nesse sentido, em se tratando de transferências bancárias oriundas de empréstimo bancário de origem comprovada, tais rendimentos devem ser excluídos da base de cálculo da variação patrimonial tributável, conforme diversos precedentes sobre a matéria: [...] Ante o exposto, requerse, em sede recursal, a inclusão, no cálculo da VPD, das origens decorrentes de empréstimos bancários conforme alegações acima e prova presente nos autos do PAF. Este ponto foi objeto das impugnações do sujeito passivo (efls. 6873/6881 e 7410/7413) e enfrentado pela decisão a quo, conforme segue: Pagamento de 10,5 milhões efetuado a Marsans A Sra. Joana D'Arc Fernandes, em outro ponto de sua defesa, argumenta que nem todos os recursos que ingressaram na GFD Investimentos foram ilícitos, destacando o empréstimo de R$10.460.000,00, em 05/04/2012, creditado em conta corrente no Banco Safra e, no mesmo dia, objeto de transferência para a pessoa jurídica Viagens Marsans Internacional na importância de R$10.267.889,55, o que não poderia ser objeto de tributação. É verdade que os fiscais consideraram como "aplicação/dispêndios", em 04/2012, na planilha de Variação Patrimonial a Descoberto, o montante de R$10.267.889,54, referente ao item "13.3 Suprimentos de caixa na empresa Viagens Marsans, por meio de recursos que Alberto Youssef mantinha na empresa GFD". Por outro lado, o mencionado empréstimo não foi considerado pelas autoridades lançadoras como "recursos/origens" na planilha de Variação Patrimonial a Fl. 8651DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.652 18 Descoberto. Ao agir desse modo, entendo que atuaram corretamente, consoante argumentos a seguir arrolados, ainda que o Relatório de Análise nº 041/2014, produzido pela Secretaria de Pesquisa e Análise SPEA/PGR, fls. 366, assim tenha se manifestado: Nesse passo, examinando o quadro anterior, convém registrar o empréstimo que foi obtido pela GFD Investimentos no valor de R$ 10.460.000,00 na data de 5/4/2012. Após o recebimento do referido empréstimo, conforme dados extraídos da conta 422 Banco Safra / agência 25 / Conta 175606, vêse que, no mesmo dia (5/4/2012), foi transferido à pessoa jurídica VIAGENS MARSANS INTERNACIONAIS (CNPJ 42.184.317/000175) o importe total de R$ 10.267.889,55. O ponto inicial é que o mencionado relatório de análise atevese apenas ao exame dos dados bancários da GFD Investimentos Ltda., sem perscrutar a procedência e a natureza do depósito efetuado na conta corrente da pessoa jurídica. Transcrevo a delimitação do trabalho realizado pela equipe técnica de apoio à força tarefa da Lava Jato, fls. 363: ANÁLISE A análise da GFD investimentos teve por base os dados bancários deferidos conforme Evento 3, do Processo 5007992, para o período de 1/1/2009 a 31/12/2013, transmitidos pelas instituições financeiras por meio da Cooperação Técnica 002 PF001125 e compartilhado com o Ministério Público Federal por meio da Cooperação Técnica 001MPF00104088. O segundo ponto é que não acompanhou a impugnação o contrato que deu origem ao suposto empréstimo, de forma a identificar as cláusulas relativas aos juros exigidos, a forma de pagamento e a garantia oferecida pelo mutuário. A exigência discriminada no ponto nº 2 é primordial, principalmente porque o autuado já havia se utilizado de artifício bancário, em oportunidade anterior, para trazer ao Brasil recursos que possuía no exterior, não declarados às instituições brasileiras de controle. O depoimento prestado por Carlos Alberto Pereira da Costa na Ação Penal nº 502569917.2014.404.7000/PR é elucidativo, fls. 635 a 636, com destaque especial para o trecho em que é citado o Banco Merrill Lynch: [...] Juiz Federal: Certo. Senhor Carlos, o senhor pode me esclarecer o seu histórico com o senhor Alberto Youssef, então? Interrogado: Sim senhor. Eu conheci o senhor Alberto através do senhor José Janene, quando trabalhava na CSA, como advogado. Em dois mil e ... final de 2008, quando a CSA já tava encerrando as atividades, seu Alberto Youssef me contratou pra abrir ... tentar constituir uma empresa pra fazer uma proteção patrimonial. Ele me disse que havia recursos dele fora do país, e aí foi criada então a GFD que era uma empresa que foi constituída com duas empresas estrangeiras. Juiz Federal: Quais seriam essas empresas estrangeiras? Interrogado: Devonshire, Devonshire que é o GFD Global Fund Devonshire e Latam Investment Management. Juiz Federal: E essas empresas eram do senhor Alberto Youssef? Fl. 8652DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.653 19 Interrogado: Essas empresas elas estão no meu nome, mas são de propriedade dele, né, ele me pediu que eu... Juiz Federal: São Offshores, então? Interrogado: São, são Offshores. Eu sou o beneficiário final dessas empresas. Juiz Federal: Eram constituídas aonde essas duas Offshores? Interrogado: Em Delaware, Estados Unidos. Juiz Federal: E elas enviaram dinheiro pro Brasil como investimento? Interrogado: Foi, foi feito investimento inicial, a princípio o que ele me disse é que iria trazer em torno de dez milhões de reais. Foram feitos, então, abertura de conta no banco Merrill Lynch de Nova York, foi depositado por ele numa conta caução no banco, em torno de três milhões de dólares, três milhões e meio, e o banco Merrill Lynch abriu uma linha de crédito então pra GFD no Brasil. Juiz Federal: Sei. Interrogado: Então o dinheiro que entrou foi caucionado com esse recurso que era dele, através de um empréstimo no Banco Central para integralização do capital social da GFD. Juiz Federal: Mas o dinheiro de fato era dele mesmo? Interrogado: Era dele, isso foi o que ele me disse, sempre me disse. Juiz Federal: Mas o porquê do empréstimo então? Interrogado: Porque o banco Merrill Lynch, até por uma questão de evitar algum tipo de lavagem de dinheiro, esse tipo de utilização, eles não aceitavam uma conta de passagem, ou seja, ele depositar esse dinheiro na conta e eles mandarem pra cá, então isso foi uma estratégia sugerida pelo gerente da conta na época, lá em Nova York, senhor Júlio Laje, que se abríssemos duas contas, abrisse uma conta onde ficaria caucionado um recurso e uma segunda conta onde seria aberto uma linha de crédito pra GFD no Brasil, aonde seriam valores iguais, né. Juiz Federal: Certo, então esse dinheiro veio daí? Interrogado: Veio, veio através ... Juiz Federal: Dez milhões, isso? Interrogado: Não, inicialmente foi proposto dez milhões, tanto é que o capital social da GFD no contrato é dez milhões de reais, mas só ingressaram sete milhões e meio, sete milhões aproximadamente através de quatro operações, através do BACENJUD, aliás, do BACEN. Juiz Federal: Do BACEN. Interrogado: E foram essas quatro que integralizaram sete milhões, sete milhões e pouco, capital social da GFD. (...) Fl. 8653DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.654 20 Em terceiro lugar, não se demonstrou, por meio de provas hábeis e idôneas, que o empréstimo concedido foi objeto de quitação ou que a garantia oferecida tenha sido exercida para satisfazer a pretensão econômica do credor. Veja que a fiscalização já havia inquirido o contribuinte acerca do suposto empréstimo em 23/07/2015, por ocasião do Termo de Declarações prestado na carceragem da Polícia Federal em Curitiba/PR, fls. 606, sendo inimaginável que no período de quatorze meses 23/07/2015 a 26/09/2016, data da apresentação da impugnação não tenha sido possível providenciar os documentos comprobatórios relacionados com a operação em discussão. É importante frisar que o período de 14 (quatorze) meses se estendeu com a apresentação da impugnação em 27/03/2017. 21. Explicar sobre o mútuo supostamente havido entre o Banco Safra e a GFD no valor de mais de R$ 10 milhões? O mútuo foi efetivado? Ele foi quitado? Quais bens a GFD ofereceu em garantia? A.Y.: Na verdade foi a dívida na aquisição da Marsans. Houve repactuação da dívida e iniciaram o pagamento em 60 vezes de 180 mil por mês (hotel em Porto Seguro oferecido em garantia). Assim, a mera alegação, desprovida de prova idônea, é inábil a corrigir o lançamento tributário. Operações de mútuo. Pagamento de registro e ITBI de imóvel. Outro item combatido pela Sra. Joana D'Arc Fernandes se relaciona com a pretensão da regularidade das operações de mútuo realizadas com as pessoas físicas Solange Maria Perim Garcia Lopes, Wania Ruth Prata Tibery e Sheila Scaff Coelho, no total de R$500.000,00, de forma a se defender, na planilha de variação patrimonial a descoberto, do "dispêndio/aplicação" considerado pelos fiscais, em 11/2014, no valor de R$602.804,69, quanto à aquisição do apartamento na Vila Nova Conceição, Condomínio Edifício Walk Vila Nova, Rua Afonso Braz, 747, ap 111 bloco A, matrícula 193.249. A fim de relembrar, a importância de R$602.804,69 é resultado da soma das parcelas de R$514.660,59, R$49.859,59 e R$38.284,51, e corresponde, respectivamente, à quitação de boleto bancário, custas e ITBI, consoante fls. 6.293 do Termo de Verificação Fiscal. As autoridades lançadoras não aceitaram a tese de que a quitação do boleto bancário de R$514.660,59 tivesse sido realizado pela Sra. Joana Fernandes da Silva, sob o fundamento de que os empréstimos não foram comprovados, tecendo considerações sobre (i) as transferências dos valores emprestados, (ii) a devolução das quantias emprestadas, (iii) a garantia dos empréstimos e (iv) a ausência de rendimentos percebidos por ela. A responsável solidária fez acompanhar sua defesa, neste tópico, pelos documentos de fls. 7.143 a 7.156. Com a impugnação apresentada em 27/03/2017, juntou nos autos o cheque bancário emitido por Sheila Scaff Coelho, no valor de R$250.000,00, fls. 7.384, além dos documentos anteriormente apresentados, fls. 7.379 a 7.393. Constato, porém, que deve ser mantido o item de "dispêndio/aplicação" da variação patrimonial a descoberto, pois a Sra. Joana D'Arc Fernandes limitouse a demonstrar apenas um dos aspectos que embasou a fundamentação do fisco. A Sra. Joana D'Arc Fernandes da Silva comprovou a transferência dos valores emprestados por meio da apresentação dos cheques provenientes de Solange Maria Fl. 8654DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.655 21 Perim Garcia Lopes (R$100.000,00, fls. 7.145) e Wania Ruth Prata Tibery (R$150.000,00, fls. 7.149), ambos do Banco Bradesco, agência 2648/Prime Londrina, e emitidos em 24/11/2014 (segundafeira), sacados, vide autenticação bancária neles apostos, gerados os cheques administrativos de fls. 7.146 e 7.148, emitidos em 24/11/2014 (segundafeira), para serem depositados na conta de poupança da Sra. Joana D'Arc, no Banco Bradesco, agência 0560/Londrina Centro, em 27/11/2014 (quintafeira), vide fls. 7.144 (fls. 688), 7.147(fls. 687) e 7.151. O cheque proveniente de Sheila Scaff Coelho (R$250.000,00, fls. 7.384), Banco Santander, agência Londrina, emitido em 20/11/2014, foi sacado em 27/11/2014, vide autenticação bancária nele reproduzida. No verso do cheque constam os dados da agência 3189 e conta 010005324. Na mesma data, foi realizado um depósito em dinheiro na conta 010005324, agência 3189, da responsável solidária, no Banco Santander, no valor de R$251.000,00, fls. 7.385. Ainda em 27/11/2014, foi realizado um TED do Banco Santander para o Banco Bradesco, no valor de R$263.900,00, em benefício de Joana D'Arc Fernandes da Silva, fls. 7.385. A operação descrita neste parágrafo pode ser visualizada no extrato de conta de fls. 7.387 e 7.389. Em 28/11/2014, ocorreu o saque de R$514.660,59 a fim de o boleto bancário, fls. 7.151 c/c fls. 7.156. Quanto ao aspecto da devolução das quantias emprestadas, informa que a dívida ainda não foi quitada e que realizou apenas o pagamento de juros no ano calendário 2.015, sem, contudo, trazer provas nesse sentido. Também não comprovou que as mutuantes concordaram com a postergação do empréstimo e com o pagamento apenas dos juros da obrigação. Nos contratos de mútuo (fls. 674, 679 e 684), a cláusula 4ª e seu parágrafo primeiro disciplinavam que o pagamento do valor principal e dos juros deveria ocorrer no prazo de 180 (cento e oitenta) dias a contar da assinatura do presente contrato, podendo ser renovado por igual período com a concordância expressa das partes. No que concerne à garantia dos empréstimos, argumentou que o avalista dos contratos é seu irmão, com patrimônio suficiente a honrar os mútuos contraídos, sem que, contudo, trouxesse elementos a comprovar tal assertiva. Os próprios contratos de mútuo excepcionavam a garantia do avalista, condicionando o seu exercício após a insuficiência da garantia prestada pela mutuária o próprio imóvel objeto dos contratos de mútuo. Veja que a garantia prestada pela responsável solidária não foi objeto de anotação junto à matrícula do imóvel, destoando do que se verifica rotineiramente nas operações de empréstimo que envolvem valores significativos. A Sra. Joana D'Arc Fernandes também se esquivou de comprovar o recebimento de rendimentos tributáveis provenientes de pessoas físicas no anobase 2014, apresentando apenas dois informes de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício proveniente das pessoas jurídicas Ijiat Agência de Viagens e Turismo Ltda. (R$9.000,00) e Agropecuária Prata Tibery Ltda. (R$10.000,00), fls. 7.190 a 7.191. Diante do contexto, entendo que o dispêndio/aplicação de R$514.660,59 deve ser mantido na planilha de variação patrimonial a descoberto. A responsável solidária também se irresigna quanto ao valor de custas e ITBI apontados pela fiscalização para a transferência do imóvel em discussão nesse tópico, razão pela qual juntou nos autos o documento de fls. 7.392, onde apontou que o valor pago a título de emolumentos alcançou a importância de R$9.254,11. Na Declaração de Ajuste Anual apresentada pela Sra. Joana D'Arc Fernandes, exercício 2015, anocalendário 2014, a ficha denominada "Bens e Direitos" indicou Fl. 8655DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.656 22 a aquisição de um apartamento na Rua Afonso Braz, 747, apto. 111A, Bloco Soho, Edifício Walk Vila Nova Conceição, São Paulo, em 28/11/2014, com pagamento do saldo do financiamento junto ao Banco Santander Brasil S/A, R$514.660,59, mais R$48.859,59 (custas de escritura e registro), e ITBI de R$38.284,51. O dispêndio/aplicação utilizado pelas autoridades lançadoras na planilha de variação patrimonial a descoberto a título de pagamento de ITBI deve ser mantido, pois a responsável solidária não trouxe documento algum em oposição ao discriminado em sua declaração de ajuste anual. Também sou a favor da manutenção do dispêndio/aplicação quanto aos gastos com escritura e registro, no valor de R$48.859,59, pois a prova de fls. 7.392 não discrimina que o pagamento se refere ao imóvel em discussão nesse tópico. Considerandose que o Recorrente não aduz novas razões de defesa perante a segunda instância, confirmo e adoto a decisão recorrida, com fulcro no art. 57, § 3°., do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n. 343, de 09 de junho de 2015. Ingresso oriundo de rendimento isento (veículo adquirido com prêmio de seguro de vida) No item 1, ao listar as aquisições de bens e direitos, o TVF, às fls. 6305, indica a compra do veículo VW Tiguan 2.0 TSI, blindado, placa FLR4044, ano 2013, que seria um presente do Contribuinte à sua filha Surrailly Fernandes Youssef. A decisão recorrida manteve o dispêndio na planilha de variação patrimonial, às fls. 7466, sob a fundamentação de que não houve comprovação da aquisição do veículo com recursos advindos de prêmio de seguro de vida pago a Alberto Youssef. Ocorre, no entanto, que, em sede de impugnação, às fls. 7395, a Sra. Joana D’Arc juntou aos autos fotocópia do cheque emitido pela Seguradora na data 13/11/2013 nominal à Alberto Youssef. Também em novembro/2013, precisamente no dia 30, conforme informação do MPF às fls. 1298, o veículo em comento foi adquirido em nome de Surrailly Fernandes Youssef. A afirmação constante no acórdão recorrido, de que não houve comprovação da compensação do cheque do prêmio de seguro de vida, demonstra que a fiscalização não buscou a verdade real dos fatos, sendo certo que poderiam têlo feito vez que possuem ampla capacidade de investigação. De se dizer, ainda, que a decisão recorrida reconhece expressamente, às fls. 7430, que o relatório de análise não averiguou a procedência dos recursos, considerando, para cálculo da variação patrimonial descoberta, apenas as saídas de recursos da conta da GFD Investimentos, demais empresas citadas e dispêndios em espécies. Notase, tanto no tocante a este item, como em todo PAF, a atuação arbitrária da fiscalização que, mesmo detentora de completa capacidade investigativa, atevese a tributar apenas os dispêndios, ignorando por absoluto todas as receitas, como se estas não existissem. Com efeito, a receita isenta de R$ 631.810,22 obtida pelo requerente no ano calendário 2013 com o comprovado pagamento da indenização de seguro de vida Fl. 8656DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.657 23 (cujo cheque está juntado ao PAF), lançada na DIRPF 2014/2013 (folha 5347 do PAF), foi simplesmente desconsiderada pela fiscalização na apuração da VPD. Fosse legal o lançamento, ele deveria ser revisto para subtrair da base de cálculo este rendimento recebido em 2013. No caso, este mesmo recurso foi utilizado para adquirir o veículo VW Tiguam 2.0 FLR 4044 que foi doado á sua filha em 2013. Veja que a planilha indica que a fiscalização imputa ao requerente o dispêndio de R$ 139.900,00 relativo a aquisição do veículo (item 3.8) e R$ 140.000,00 de doação realizada a sua filha (item 4.2.1). Ora, o valor de R$ 140.000,00 doado a sua filha foi utilizado na aquisição do veículo, cobrandose duplicadamente do mesmo fato econômico. Fosse legal o lançamento, ele deveria ser revisto para subtrair da base de cálculo algum dos dois dispêndios duplicadamente considerados. Ante o exposto, necessária se faz a exclusão do dispêndio constituído na aquisição do veículo VW Tiguan 2.0 TSI, blindado, placa FLR4044, ano 2013, vez considerado em duplicidade, e a inclusão da origem decorrente do recebimento de seguro de vida. O questionamento acima foi objeto das impugnações do sujeito passivo (efls. 6873/6881 e 7410/7413) e assim enfrentado pela decisão recorrida: A responsável solidária de fato, Joana D'Arc Fernandes, alega que o veículo discriminado no item 1.8, VW Tiguan 2.0 TSI, foi adquirido com recursos provenientes do seguro pago a Alberto Youssef por ele ter sido vítima de infarto. Na defesa apresentada em 27/03/2017, a Sra. Joana D'Arc juntou nos autos a cópia do cheque administrativo emitido pela Prudential do Brasil Seguros de Vida, em 13/11/2013, nominalmente a Alberto Youssef, fls. 7.395. O cheque apresentado não veio acompanhado de elemento a demonstrar sua compensação bancária e depósito em conta corrente do autuado e, muito menos, há qualquer elemento que o vincule à aquisição do veículo VW Tiguan. Na denúncia formulada pelo Ministério Público Federal em face de Alberto Youssef e outros ficou demonstrado que o bem foi adquirido em novembro de 2013, com sinal de negócio de R$139,9 mil e financiamento bancário da diferença, vide fls. 1.298 a 1.299. Veja a transcrição do email trocado entre Youssef e o funcionário da concessionária de veículos: “Boa tarde everson estou te enviando os dados para faturar o veiculo Surrailly fernandes youssef cpf 08403290918 rg 86765128 end rua afonso braz 747 apt 111A vila nova conceicao. Aguardo a conta para o sinal abraco” anexo 122. “vou financiar isso no bradesco pela empresa vou te passar um tel. Do ceo da empresa liga para ele que vai tomar todas as providências com Vc para faturar ainda hoje mais tardar segunda cedo 11 989972110 Mário lúcio abs”. anexo 122. Assim, em razão da ausência de prova de que o cheque foi compensado, depositado na conta corrente do autuado e utilizado na aquisição do veículo, não é possível admitir que o automóvel foi adquirido com recursos provenientes de seguro de vida. Com base nos mesmos fundamentos ausência de compensação do cheque e prova do seu depósito na conta corrente do autuado não é possível considerar o Fl. 8657DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.658 24 recebimento da indenização como rendimentos isentos a compor o saldo de origem/recursos da planilha de variação patrimonial a descoberto. A Sra. Joana D'Arc Fernandes alega que Alberto Youssef doou a sua filha Surrailly Fernandes Youssef a importância de R$140.000,00 e que este valor foi utilizado na aquisição do veículo VW Tiguan, o que impediria a fiscalização de considerar tal situação como elemento a propiciar dois dispêndios na planilha de variação patrimonial a descoberto, sob pena de bitributação, a saber: (i) aquisição do veículo VW Tiguan em nome da filha, em 11/2013, no valor de R$139.900,00 (item 3.8); (ii) empréstimos e doações concedidos à filha, em 01/2014, no valor de R$140.000,00 (item 4.2). Na declaração de ajuste anual de Alberto Youssef, exercício 2015, anobase 2014, fls. 5.354, consta na ficha denominada "Doações Efetuadas" que foi pago a Surrailly Fernandes Youssef o valor de R$140.000,00. A informação contida na declaração de ajuste anual do contribuinte é tratada pelo Manual de Perguntas e Respostas do IRPF do exercício de 2015 como doações em dinheiro: DOAÇÕES EM DINHEIRO DOADOR 437 Como o doador deve declarar as doações efetuadas em dinheiro, quando utilizar o Programa IRPF 2015? O doador deve declarar na Ficha de Doações Efetuadas o nome, o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) do beneficiário, o valor doado e o código 80 (Doações em espécie). A doação em dinheiro, por se tratar de uma saída de recursos do patrimônio do autuado, deve ser considerada como dispêndio/aplicação na planilha de variação patrimonial a descoberto. Na defesa apresentada pelos autuados não há prova de que o dinheiro repassado a Surrailly Fernandes Youssef tenha sido utilizado na aquisição do veículo VW Tiguan. Como fora demonstrado neste subtópico, o sinal de negócio para a aquisição do mencionado automóvel foi dado por Alberto Youssef, conforme email trocado entre este e o funcionário da concessionária de veículos. Se o contribuinte tivesse a intenção de informar a doação de bens móveis ou imóveis, deveria proceder da seguinte maneira, tal como preconizado pelo Manual de \Perguntas e Respostas do IRPF do exercício de 2015: DOAÇÕES RECEBIDAS EM BENS MÓVEIS E IMÓVEIS 435 — Como declarar as doações recebidas em bens móveis e imóveis? Aquele que recebe as doações deve declarálas da seguinte forma: 1 Relacionar no campo “Discriminação” da Declaração de Bens e Direitos as doações recebidas, com a indicação do nome e do número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) do doador. 2 Informar no campo “Situação em 31/12/2014 (R$)” o valor do bem ou direito recebido, conforme estabelecido pelo instrumento de doação. 3 Informar o valor correspondente à doação na ficha Rendimentos Isentos e Não tributáveis. Fl. 8658DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.659 25 Atenção: O doador deve proceder da seguinte forma: informar no item relativo ao bem doado, no campo “Discriminação” da Declaração de Bens e Direitos, o nome e o número de inscrição no CPF de quem recebeu a doação; deixar em branco o campo “Situação em 31/12/2014 (R$)” e ainda na ficha “Doações Efetuadas”, sob o código 81. Consulte as perguntas 571. Isto posto, entendo que a planilha de variação patrimonial a descoberto deve contemplar como dispêndio/aplicação as duas situações, ou seja, (i) a doação em dinheiro, (ii) a aquisição do veículo VW Tiguan. Considerandose que o Recorrente não aduz novas razões de defesa perante a segunda instância, confirmo e adoto a decisão recorrida, com fulcro no art. 57, § 3°., do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n. 343, de 09 de junho de 2015. Ingressos oriundos de rendimentos e vendas de títulos mobiliários por meio de corretora de valores (Planner) Remetese aos argumentos veiculados nos itens III.A e IV.B, supra. No caso específico, não obstante existam provas no PAF juntadas pela própria autoridade fiscalizadora, de que as relações entre a corretora Planner e a GFD Investimentos incluíram a remessa pela GFD de recursos para aquisição de títulos mobiliários e a remessas da Planner para a GFD para liquidação de vendas de títulos ou pagamento de rendimentos obtidos na aplicação (no caso, de tributação exclusiva na fonte), o lançamento considerou apenas as “saídas” no cálculo do VPD (ver item 13.9 da planilha VPD). Devem ser incluídos no cálculo da VPD como “origens” as receitas recebidas da Planner, comprovadas as folhas 2283, 2284 e 2507 do PAF (notas de corretagem de venda de títulos e extrato da conta da GFD na Planner). A decisão a quo abordou esse questionamento, quando da apreciação das impugnações do sujeito passivo (efls. 6873/6881 e 7410/7413), nos seguintes termos: Venda das ações pela GFD Investimentos. Na impugnação apresentada em 27/03/2017, o autuado entende que a fiscalização deveria ter considerado os recursos obtidos com a venda das ações pela GFD Investimentos Ltda. como "recursos/origens" na planilha de variação patrimonial a descoberto. Na mencionada planilha, o item 13.9 trata dos gastos com a compra de ações. As despesas se encontram reproduzidas no quadro a seguir: Fl. 8659DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.660 26 O Termo de Verificação Fiscal, fls. 6.319/6.320, informa que a resposta apresentada pela Planner Corretora de Valores S/A se encontra presente no Anexo 21B, fls. 2.276/2.347. Na resposta elaborada por Planner Corretora de Valores S/A, fls. 2.281/2.285, extraímos os seguintes trechos referentes à pessoa jurídica GFD Investimentos: (...) Assim, adentrando ao mérito da presente manifestação, informamos que a GFD efetuou transferências eletrônicas de recursos à PLANNER, exclusivamente, para honrar seus compromissos financeiros oriundos da compra de títulos e valores mobiliários na sua conta de cliente nº 343854, no montante total de R$ 3.788.626,72 (três milhões, setecentos e oitenta e oito mil, seiscentos e vinte e seis reais e setenta e dois centavos), sendo necessário, ainda, retificar a monta de valores constantes do item 1 do quadro do TDPFF, que encontrase somada equivocamente no valor de R$4.700.000,00 (quatro milhões e setecentos mil reais). Visando comprovar as operações citadas acima, juntamos a presente manifestação, extrato de conta corrente do cliente no período em questão (doc.III), bem como, as respectivas notas de corretagem que seguem abaixo discriminadas. Oportuno também esclarecer que no em citado período, a PLANNER efetuou à GFD transferências eletrônicas de recursos em sua na conta corrente cadastrada, na monta de R$3.883.256,09 (três milhões, oitocentos e oitenta e dois mil, duzentos e cinquenta e seis reais e nove centavos), que também seguem discriminadas no quadro abaixo, oriundas de venda de títulos e valores mobiliários identificadas nas respectivas notas de corretagem: (...) Na resposta apresentada pela corretora de valores, as notas de corretagem foram anexadas às fls. 2.310/2.347, sendo que se referem tanto à compra como à venda de ativos [(Nºs das notas ano 2011: 59.673, 60.071, 60.497, 64.475, 64.118, 65.107, 67.875, 68.260, 72.542, 73.022, 73.407, 73.731, 74.404, 74.712, 75.068, 75.409, 76.507, 77.471, 81.808, 83.718); Nºs das notas ano 2012: 3.786, 4.606, 61.094, 61.275, 17.886, 32.936, 37.188, 38.283, 30.468, 38.603, 40.845)]. As autoridades lançadoras, ao discorrerem especificamente sobre as despesas do contribuinte, por meio da GFD Investimentos Ltda., com a compra de ações, títulos e valores mobiliários, com a intermediação da corretora de valores Planner (item 2.9 do TVF), fls. 6.319/6.320, não informaram o porquê de terem sido selecionadas apenas parcela das notas de corretagem a fim de compor a planilha de variação patrimonial a descoberto. Por outro lado, às fls. 6.291 do TVF, os agentes do fisco assim se manifestaram: Importante frisar que serão consideradas, para o cálculo da VPD de Youssef anos 2011 a 2014, apenas as saídas de recursos da conta da GFD e de empresas interpostas já citadas, bem como dispêndios em espécie indicados nas planilhas de Rafael Angulo. Consideraremos que todo os valores recebidos pela GFD nos anos de 2009 e 2010, sejam originários das empresas do operador Julio G. A.Camargo (Treviso, Piemonte e Auguri), ou recursos originários de integralização de capital recebidos do Fl. 8660DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.661 27 exterior, foram devidamente consumidos nos próprios anos calendários de 2009 e 2010 e tributados no PAF No. 10803.720060.2015.45. Com base na exposição contida nesse subtópico, encontrase o motivo relevante que conduziu as autoridades lançadoras a não considerarem como origem de recursos na planilha de VPD os recursos recebidos pela GFD Investimentos Ltda. nos anos base 2009 e 2010, sem, que, contudo, tenham sido explicitadas as razões pelo não acolhimento dos recursos obtidos nos anoscalendário subsequentes. Assim, entendo que cabe considerar no demonstrativo de variação patrimonial do interessado os recursos que ele obteve, por meio da GFD Investimentos Ltda., com a venda dos ativos. Com base no quadro produzido pela Planner Corretora de Valores S/A em resposta à intimação do fisco, fls. 2.283/2.284, a compra e a venda de ativos alcançou os valores listados no quadro denominado "Compra e Venda de Ativos pela GFD Investimentos", atentandose para o fato de que os valores mensais são a soma das importâncias indicadas diariamente: O exame do último quadro implica a alteração da planilha de variação patrimonial a descoberto elaborada pelo fisco (origem e aplicação de recursos) para o cômputo das origens e aplicações decorrentes das operações de compra e venda de ações. A alteração da variação patrimonial a descoberto repercutirá no cálculo do imposto de renda devido, elemento a ser apurado em tópico próprio, espaço para o qual deverão se dirigir os autuados. Considerandose que a decisão recorrida, ao considerar no demonstrativo de variação patrimonial do Recorrente os recursos que ele obteve, por meio da GFD Investimentos Ltda., com a venda dos ativos, atendeu plenamente a este pleito específico, não se vislumbrando assim interesse recursal quanto à matéria ora questionada, vez que sua apreciação não lhe tem mais utilidade, pois não há possibilidade de obtenção de uma situação mais vantajosa, sob o aspecto prático. Ingressos oriundos de empreiteiras, fornecedores e outras pessoas relacionadas O Recorrente ao enfrentar o lançamento em litígio neste tópico, remetese aos argumentos apresentados nos itens III.A e IV.B, verbis: Fl. 8661DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.662 28 Remetese aos argumentos veiculados nos itens III.A e IV.B, supra.. No caso, o lançamento não incluiu, como deveria fazer, no cálculo da VPD, as “origens”, em grande parte submetidas a tributação pela GFD, decorrentes de pagamentos efetuados por empreiteiras, fornecedores e outras pessoas vinculadas, indicadas nos lançamentos a crédito na conta da GFD na planilha do Anexo_10_Extrato GFD produzida pela fiscalização. A apreciação dessa alegação do Recorrente já foi devidamente abordada quando da análise da preliminar entitulada ausência de demonstrativo da variação patrimonial com a devida fundamentação legal, bem assim da questão de mérito relativa à ausência de análise de documentação juntada. Assim, entendo suficiente as considerações já feitas. Considerandose que o Recorrente não aduz novas razões de defesa perante a segunda instância, confirmo e adoto a decisão recorrida, com fulcro no art. 57, § 3°., do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n. 343, de 09 de junho de 2015. Proibição de compensação dos tributos pagos pela pessoa jurídica no lançamento efetuado em face de pessoa física No tocante à compensação dos tributos pagos pela pessoa jurídica no lançamento efetuado em face de pessoa física, que o Recorrente suscita na peça recursal, impõese esclarecer que tal procedimento não encontra amparo na legislação tributária, vez que se tratam de contribuintes distintos, sujeitos a distintas regras de tributação (pessoa jurídica x pessoa física), observandose ainda que, no caso da pessoa jurídica, os tributos pagos já repercutiram na apuração do resultado contábil/fiscal daquela nos respectivos anoscalendário, sendo assim incomunicáveis com a pessoa física. Caso a pessoa jurídica GFD Investimentos entenda que efetuou pagamento de tributos a maior ou de forma indevida, pode pleitear restituição e/ou compensação mediante a aplicação PER/DCOMP disponível no sítio da RFB. Ocorrência da hipótese do art. 138 do CTN O Recorrente reclama pela ocorrência da hipótese do art. 138 do CTN, tendo em vista que houve pagamento e exclusão da penalidade e/ou ilegalidade da cobrança em razão da expropriação dos valores e bens em favor da União, bem assim há vedação ao confisco: O art. 107 e 108 do CTN determinam que a analogia, a equidade e os princípios gerais do direito devem ser utilizados na interpretação e integração da legislação tributária. Sob esta luz, a análise dos fatos trazidos pelo auto de infração impugnado demonstram ter havido, na prática e efetivamente, a hipótese prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional. De fato, as provas conduzem para a confissão espontânea do fato gerador e para o pagamento integral do tributo devido, o que, consequentemente, exclui a penalidade eventualmente incidente em vista do atraso. Com efeito, do que consta do PAF que originou o Auto de Infração combatido, grande parte dos elementos probatórios que sustentam a cobrança fiscal foram trazidos espontaneamente pelo próprio contribuinte, que também, espontaneamente, entregou à União a totalidade dos bens adquiridos (neles, incluído, o percentual que corresponderia a incidência tributária). Ou seja, o contribuinte, na prática, confessou espontaneamente a infração tributária e realizou o pagamento integral do Fl. 8662DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.663 29 tributo devido, configurandose a hipótese do art. 138 do CTN. No máximo, podese dizer que não houve a obediência a alguma formalidade (por exemplo, no lugar de entregar os bens à União pelo depósito em conta vinculada ao juízo, realizar o pagamento do respectivo DARF) que, contudo, não estiveram ao alcance do contribuinte pelas circunstâncias em que foi realizada a confissão/denúncia. Formalidades são formalidades, não alteram a realidade dos fatos ocorridos. O próprio lançamento passou por cima das formalidades (desconsiderou pessoas jurídicas etc) para buscar alcançar a verdade real dos fatos tributários. Assim, deve ser anulado o auto de infração pela ocorrência da ipótese prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional. A disponibilização da totalidade dos recursos à União ocorreu antes de existir qualquer condenação penal, como parte de um acordo de colaboração que antecedeu, inclusive, a própria propositura das várias ações penais em face do recorrente. Ou seja, não há o mínimo espaço na realidade para se afirmar que a entrega dos recursos à União é consequência e efeito da “condenação penal”, pois não é possível que um ato seja consequência ou efeito de um outro ato ou fato que ainda nem havia ocorrido no momento em que foi praticado. Simples assim. Por outro lado, a própria União entende que os bens entregues pelo recorrente no âmbito de seu acordo de colaboração premiada deveriam ser utilizados para o pagamento de tributos do recorrente, como plasmado na petição de tutela provisória de urgência cautelar incidental manejada nos autos n. 5022438 44.2014.4.04.700, cuja cópia se anexa, demonstrando que os valores entregues, do ponto de vista da Fazenda Nacional, deveriam ter sido revertidos em favor dela (FN), confirmando a ocorrência da hipótese do art. 138 do CTN. Sucessivamente, no “Termo de Colaboração Premiada” do Contribuinte está prevista a entrega e expropriação da totalidade dos bens obtidos com as práticas confessadas, que foram efetivamente entregues/expropriados, bens cuja aquisição foi considerada como causa jurídica para a incidência tributária no presente lançamento. Contudo, é vedado no ordenamento jurídico brasileiro o emprego do tributo com efeito de confisco (art. 150, IV, CF). Assim, se o valor do tributo for além da totalidade do próprio produto do crime, estaria se revelando verdadeiro confisco. O contribuinte entende que é precisamente o que ocorre neste caso, já que já foram revertidos em benefício da União a totalidade dos bens que foram produto de seus crimes. O argumento do recorrente encontra apoio em parte da doutrina. Luís Eduardo Shoueri (Direito Tributário, 2 Ed. São Paulo: Saraiva, 2012) ensina que: [...] Essa matéria foi enfrentada na decisão recorrida nos seguintes termos: A expropriação dos valores angariados pelo contribuinte em prol da União, em razão da prática de diversos ilícitos criminais, não pode, de forma alguma, ser considerada como pagamento de tributo, mas, sim, como um efeito da condenação penal, que se caracteriza pela perda, em favor da União, de todos os bens, direitos e valores relacionados, direta ou indiretamente, à prática dos crimes previstos na Lei de Lavagem de Dinheiro ( Lei nº 9.613, de 3 de março de 1998). [...] A exigência do imposto corresponde a uma parcela dos rendimentos omitidos, apurada pela aplicação da alíquota nominal de 27,5% que, consideradas as deduções permitidas em lei, reduzse a uma alíquota efetiva inferior, o que descaracteriza o argumento de que o tributo é superior ao valor expropriado. A Fl. 8663DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.664 30 sistemática aqui descrita está demonstrada no demonstrativo de apuração do IRPF, fls. 15 a 20. O fato gerador do imposto de renda surgiu no momento em que o contribuinte percebeu a renda, ainda que proveniente de recursos ilícitos, tal como indicado no demonstrativo de variação patrimonial a descoberto, subsumindose à hipótese de incidência prevista no art. 43 do Código Tributário Nacional. [...] A tributação levou em consideração o acréscimo patrimonial do autuado no momento da ocorrência do fato gerador que, por sinal, é anterior ao instante da expropriação dos valores angariados pelo contribuinte em prol da União. A legislação tributária não prevê a possibilidade de que se anistie os investigados que decidiram colaborar com a Justiça e que devolveram ao erário os recursos obtidos ilicitamente. Quanto à tese de que a prática discutida neste tópico configura confisco, relembro que os órgãos de julgamento em sede administrativotributária estão proibidos de afastar a norma jurídica sob fundamento de inconstitucionalidade (Decreto nº 70.235/72, art. 26A, na redação dada pela Lei nº 11.941/09). (grifei) Desse modo, rejeito a tese encampada pelo sujeito passivo. Pois bem. O art. 138 do CTN informa: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Nessa perspectiva, não se vislumbra no caso concreto, pelas razões já apresentadas pela instância de piso, acima destacadas, bem assim pelo conjunto probatório acostado aos autos, a ocorrência de denúncia espontânea a atrair a incidência do art. 138 do CTN. Outrossim, não há que se falar de confisco, vez que as multas foram aplicadas em percentuais estabelecidos na legislação tributária em vigor, observandose ainda que foge ao escopo do julgador administrativo pronunciarse quanto a eventual inconstitucionalidade de leis, a teor o Enunciado de Súmula CARF n. 2. Aplicação da multa qualificada por ausência de fundamentação minuciosa e não ocorrência de sonegação, fraude ou conluio tributários O Recorrente também se insurge contra a imposição da multa qualificada (150%) aplicada no lançamento em tela. Assim se pronuncia: O recorrente vem requerer a anulação da cobrança da multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) de ofício discriminada nas fls. 12/13 dos autos, tendo como fundamento normativo o art. 44, §1º da Lei nº 9.430/1996. Fl. 8664DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.665 31 De início, cumpre atentar que a equipe de auditores fiscais lavraram Termo de Verificação Fiscal, no qual com base em fundamentação de apenas DUAS PÁGINAS E MEIA (fls. 6.341 6.343) pretende a aplicação de multa de 150% num valor que totaliza R$ 21.864.313,27 genericamente aplicada para mais de 43 fatos geradores entre os anos de 2011 e 2014. Notese a incidência da multa qualificada necessitaria da demonstração do propósito deliberado de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Entretanto, em nenhum ponto, o TVF se debruça sobre a comprovação de recolhimentos de tributos da empresa GFD Investimentos sobre seus rendimentos, decidindose por aplicálos novamente sobre uma das pessoas físicas beneficiadas, em relação aos mesmos rendimentos já tributados anteriormente. Também não há uma subsunção mínima dos arts. 71, 72 e 73 ao caso concreto, quanto mais uma fundamentação minuciosa sobre os fatos geradores. Percebese, na realidade, que o TVF, pela notoriedade do contribuinte, valeuse de seu nome para exasperar juízos genéricos e abstratos, chegando até a se valer do argumento de que o recorrente acumularia “várias condenações criminais na investigação Lavajato (dentre elas a de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, etc (vide Anexos 39 e 44_A a E, deste TVF), além de condenações no escândalo do caso Banestado” (fl. 6.342). Não há, tampouco, discriminação ou menção de qual hipótese do art. 44, §1º se está fundamentando a aplicação de multa qualificada de ofício, o que constitui nulidade absoluta deste ponto, tendo em vista o concreto prejuízo ao exercício da ampla defesa, em ofensa aos arts. 20, caput, inc. VII, VIII e IX da Lei n° 9.784/1999: [...] A fundamentação utilizada no TVF é genérica e a todo momento confunde a responsabilização criminal decorrentes de negócios ilícitos não especificados com a responsabilização e o dolo tributários voltados a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Jamais poderia ser realizada uma aplicação automática do dolo criminal afetos a tipos distintos com o dolo tributário, quanto mais o dolo específico. Neste aspecto, a análise de todas as sentenças criminais juntadas ao PAF demonstra que o recorrente não foi condenado em nenhuma delas por qualquer crime previsto na Lei n. 8.137/1990. Isso de modo algum implica dizer que o contribuinte (como sócio formal ou oculto) não possa ser responsabilizado criminalmente se bens e investimentos são fruto de crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. E, isso também não implica inferir que o contribuinte não possa ser responsabilizado perante a administração fiscal para recolhimento de tributos devidos ou complementares, de pessoa jurídica do qual seja sócio formal ou oculto. O que não se pode confundir é a responsabilização penal com a responsabilização tributária e o dever de justificação minuciosa para aplicação da multa qualificada de ofício. Não por outra razão, este CARF, em inúmeros julgados, entendeu pela nulidade da aplicação de multa qualificada sem demonstração minuciosamente justificada, sendo necessária a efetiva motivação de forma inequívoca do evidente do intuito doloso específico: [...] No caso em tela, considerando que o TVF: (i) não fez qualquer discriminação de qual hipótese do art. 44, §1º se está fundamentando a aplicação de multa qualificada de ofício, em prejuízo à ampla defesa do recorrente; (ii) não há uma subsunção dos arts. 71, 72 e 73 ao caso concreto; Fl. 8665DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.666 32 (iii) efetuou aplicação de multa de 150% num valor que totaliza R$ 21.864.313,27 genericamente aplicada para mais de 43 fatos geradores entre os anos de 2011 e 2014, em apenas duas páginas e meia, desprovidas de fundamentação minuciosa justificadora; (iv) se vale de fundamentação genérica e a todo momento confunde a responsabilização criminal decorrentes de negócios ilícitos não especificados com a responsabilização e o dolo tributários voltados a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, requerse seja declarada a ilegalidade da aplicação da multa de ofício qualificada prevista do art. 44, §1º da Lei nº 9.430/1996. A decisão recorrida consolida, a partir das evidências colacionadas no Termo de Verificação Fiscal (efls. 6277/6350), a conduta do Recorrente: A discussão da imposição da multa qualificada exige, a priori, o exame das condutas praticadas pelo autuado em relação à omissão de rendimentos tributáveis, apurada pela sistemática da variação patrimonial a descoberto. E as autoridades lançadoras, em várias passagens do Termo de Verificação Fiscal, as descreveram, as quais deram azo à constituição do crédito tributário. Pincemos alguns trechos: Em breve síntese, Youssef recebia recursos ("propinas") de empreiteiras beneficiárias, pela fraude do cartel, em contratos gigantescos com a estatal. Para receber estes recursos, Youssef e as empreiteiras simulavam a prestação de serviços tendo como prestadoras empresas de fachada controladas pelo operador Alberto Youssef, mas em nome de laranjas (fls. 6.278). O fato é que Youssef, desenvolvendo sua atividade como operador, enriqueceu e adquiriu bens móveis, imóveis, investimentos em participações hoteleiras, em empresas comerciais de vários ramos, para si e membros de seu convívio próximo. Todos estes ativos figuraram em nome de terceiros, destacandose a empresa GFD Investimentos Ltda, sua empresa patrimonial, que por sua vez estava formalmente em nome de sócios estrangeiros controlados de fato por Youssef (fls. 6.282). Parte substancial das comissões que recebeu de valores desviados da Lavajato foi canalizada para as contas bancárias de sua empresa patrimonial no Brasil, a GFD Investimentos Ltda. (antiga DGF), bem como para as contas no exterior dos fundos e empresas que controlam oficialmente a GFD (Grupo Devonshire). Suspeitase que estas contas no exterior também receberam recursos ilícitos que Youssef guardava no exterior, oriundos de atividades ilícitas cometidas no passado. (fls. 6.283) [...] Youssef passou a se escamotear por meio de inúmeras interpostas pessoas, a fim de se evadir do Fisco e da Justiça. Conhecedor de técnicas sofisticadas de blindagem patrimonial, controlador de inúmeras contas bancárias offshore, próspero na obtenção de interpostas pessoas, Youssef movimentou e adquiriu bens em volumes gigantescos durante anos a fio sem que ninguém percebesse. O segredo para isto: em nenhuma operação poderia constar o seu nome, nem mesmo como procurador. (fls. 6.284) Fl. 8666DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.667 33 Além da GFD, sua empresa patrimonial, outras operações financeiras por ele ordenadas eram feitas por meio de empresas offshore ou diluídas em várias interpostas. Youssef ordenou a movimentação bancária de mais de R$ 250 milhões em recursos ilícitos, por meio de contas bancárias abertas no Brasil em nome de empresas interpostas como a MO CONSULTORIA COMERCIAL E LAUDOS ESTATÍSTICOS LTDA, RCI HARDWARE E SOFTWARE LTDA, EMPREITEIRA RIGIDEZ LTDA, GREECE COM. IMP. EXP. LTDA, PHISICAL COM. IMP. EXP. LTDA, entre outras). Também utilizou empresas de contabilidade de Meire B. S. Pozza, sua contadora, para receber e repassar milhões de reais em recursos ilícitos por meio da AJPP SERVICOS ADMINISTRATIVOS e a ARBOR CONSULTORIA E ASSESSORIA CONTABIL. (fls. 6.284) Tais empresas eram disponibilizadas a Youssef e operacionalizadas por uma trupe de colaboradores regiamente remunerados, destacandose as figuras de Antonio Almeida Silva (o contador "Toninho") e Waldomiro de Oliveira (vulgo, "Bom Velhinho" ou "Pescador"), de tal sorte que Youssef nunca precisou ir sequer a uma agência bancária ou à JUCESP para abrir ou movimentar contas pessoalmente, ou requerer atos cadastrais nas mesmas. Todas estas questões menores eram resolvidas pela trupe de colaboradores, que enriqueceu com esta atividade também. Falaremos destes colaboradores mais adiante, detalhando o que fizeram e quanto ganharam.(fls. 6.284). A descrição das condutas está baseada na farta documentação que constitui o presente processo, destacandose os seguintes elementos probatórios: a) Termo de declarações de Meire Bonfim da Silva Poza, fls. 371 a 389; b) Termo de transcrição do interrogatório de Paulo Roberto Costa, colhido na Ação Penal nº 5026212 82.2014.404.7000, fls. 490 a 515; c) Termo de transcrição do interrogatório de Alberto Youssef, colhido na Ação Penal nº 502621282.2014.404.7000, fls. 517 a 544; d) Termo de Colaboração Premiada do autuado, com a participação de defesa técnica, homologado pelo STF, onde está sendo processado pela prática de crimes contra o sistema financeiro, crimes de corrupção, crimes de peculato, crimes de lavagem de dinheiro e de organização criminosa, dentre outros, fls. 562 a 581; e) Termo de Declarações do autuado prestado às autoridades lançadoras, fls. 583 a 612; f) Termo de declarações complementar nº 10 de Alberto Youssef, fls. 630 a 633; g) Termo de Transcrição de Depoimento de Carlos Alberto Pereira da Costa, fls. 635 a 661; h) Termo de declarações de João Procópio Junqueira Pacheco de Almeida Prado, fls. 1.333 a 1.336; i) Termo de Resposta de Rafael Angulo Lopez, fls. 2.676 a 2.680. Amparandose nos mencionados termos e nos outros elementos que compõem o processo, verifico que a descrição dos fatos utilizada pela autoridade lançadora na constituição do crédito tributário apenas atevese às passagens lá descritas. Da narrativa até aqui exposta, entendo que o contribuinte movimentou e se beneficiou de recursos em divisas estrangeiras no exterior, à revelia do Sistema Financeiro nacional; atuou em conluio com terceiras pessoas para ocultar patrimônio pessoal; emitiu notas fiscais fraudulentas, em nome da GFD Investimentos Ltda., para viabilizar o recebimento das propinas a ele devidas em razão de sua atuação pessoal nos esquemas de desvio de dinheiro de estatais; valeu se de empresas interpostas (MO Consultoria Comercial e Laudos Estatísticos Ltda., Fl. 8667DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.668 34 RCI Hardware e Software Ltda., etc.) para movimentar recursos ilícitos no sistema financeiro nacional, sempre com o objetivo de ocultar sua participação pessoal nas atividades delituosas; adquiriu imóveis e veículos em nome de terceiros, além de várias outras condutas contrárias à lei, com o intuito doloso, único e exclusivo, de impedir o conhecimento por parte do fisco da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, representada pela disponibilidade econômica dos respectivos rendimentos tributáveis, bem como se esquivar da execução fiscal que corre contra ele em relação a créditos tributários constituídos no passado. O autuado confirmou, e terceiras pessoas a ele vinculadas corroboraram, que os recursos que amealhou, indevidamente, com a realização de condutas à margem da lei não poderiam indicar seus dados pessoais, de forma a se esquivar da cobrança de tributos promovida pela Receita Federal do Brasil. Veja a passagem do seu termo de declarações às autoridades lançadoras: Fls. 584 1. O Sr. era o real beneficiário (proprietário) da GFD? Em que data o Sr. adquiriu a GFD ou passou a usála? A.Y.: Ele declara só não ter assinado como procurador ou proprietário da GFD pois tinha uma discussão com a RFB em juízo (...) No termo de transcrição do interrogatório colhido na Ação Penal nº 5026212 82.2014.404.7000, o próprio interessado confirma ao Juiz Federal Sérgio Moro que recebia parcela dos desvios ilícitos provenientes dos contratos firmados entre diversas empreiteiras e a Petrobrás S/A, valendose da conta de diversas empresas para não se apresentar como o verdadeiro beneficiário. Fls. 521 Juiz Federal: Que contas que o senhor utilizou pra receber esses depósitos dessas empresas? Foi mencionado a MO, a GFD, mais alguma? Interrogado: Não, teve mais algumas. Teve algumas empresas que foi usada do senhor Leonardo Meireles. E teve algumas empresas lá fora, quando o recebimento era fora, que era usado de terceiras pessoas, no caso da operadora Nelma Penasso e do próprio Leonardo Meireles. E também de Carlos Rocha, que me indicava conta de clientes que precisavam de dinheiro lá fora e eu precisava desses reais aqui. Juiz Federal: Qual que era o percentual de ganho em cima do contrato que era repassado? Interrogado: Vossa Excelência fala do contrato...? Juiz Federal: Das empresas com a Petrobrás. Interrogado: 1%. Juiz Federal: 1% ia pro PP, já foi mencionado? Interrogado: Sim. Juiz Federal: E o senhor que cuidava da distribuição desses valores? Interrogado: Sim, senhor. Fl. 8668DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.669 35 Juiz Federal: O senhor tinha um ganho próprio? Interrogado: Eu também tinha o meu ganho. Juiz Federal: Quanto que o senhor? Interrogado: Em média de 5%. Juiz Federal: Quanto? Interrogado: 5 %, em média Desse modo, no lançamento fiscal em discussão, não se verifica mera inadimplência de tributo, mas, sim, a prática de várias condutas queridas e desejadas com o intuito deliberado de violar a lei tributária e com pleno conhecimento de sua ilicitude – dolo , de forma a impedir o conhecimento pela administração tributária da ocorrência do fato gerador do imposto de renda – sonegação , em conluio com outras pessoas físicas e jurídicas, sem, obviamente, informar integralmente os rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual, subsumindose às hipóteses descritas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. [...] Ainda sobre a matéria, posicionase a decisão recorrida: Os fatos anteriormente apontados, demonstrados por elementos seguros de provas, levam à conclusão de que o sujeito passivo, conscientemente, omitiu do Fisco os rendimentos tributáveis, provenientes de vantagens indevidas auferidas junto a empresas estatais, apurados pela técnica da variação patrimonial a descoberto, com o objetivo de impedir o conhecimento pela autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador e, por corolário, a fim de reduzir a base de cálculo do imposto de renda. A legislação tributária, por meio do art. 26 da Lei nº 4.506, de 1.964, é clara ao dispor que os rendimentos derivados de atividades ilícitas são sujeitos à tributação do imposto de renda. [...] As Declarações de Ajuste Anual relativa aos anosbase 2011 e 2014, fls. 5.335 a 5.357, contêm valores completamente incompatíveis com aqueles apurados no Auto de Infração. A intenção deliberada de impedir o conhecimento do Fisco da ocorrência do fato gerador, em conluio com outras pessoas físicas e jurídicas e com o emprego de várias fraudes, escondendose atrás da suposta personalidade jurídica da sociedade GFD Investimentos Ltda. e de outras empresas para evitar obrigação tributária, caracteriza as hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Assim, refuto os argumentos contrários ao emprego da multa qualificada. [...] Desta forma, considerandose a materialidade da conduta do Recorrente na forma acima denunciada, não restam dúvidas quanto à sua subsunção à norma plasmada nos arts. 71, 82 e 73 da Lei n. 4.502/1964, caracterizandose infração à legislação tributária a atrair a multa qualificada no percentual de 150% (art. 44, I c/c § 1°. da Lei n. 9.430/1996). Cobrança cumulativa de multa isolada com a multa de ofício Fl. 8669DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.670 36 O Recorrente protesta contra a aplicação cumulativa da multa isolada com a multa de ofício no lançamento em apreço, nos seguintes termos: O recorrente vem requerer a anulação da cobrança cumulativa da multa isolada com a multa de ofício discriminada na fl. 14 dos autos, por suposta falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê leão e utilizandose como fundamento normativo os arts. 106 e 961 do RIR/99, combinados com os arts. 43 e 44, inc. II, alínea ´a´ da Lei nº 9.430/1996. O acórdão recorrido indefere o afastamento da alegação de ilegalidade da acumulação da multa isolada com a multa de ofício, sob os seguintes fundamentos: (i) “o contribuinte não anexou nos autos nenhum DARF que se refira aos períodos de arrecadação indicados no Auto de Infração” (fls. 7.487) ; (ii) “os julgamentos do CARF não vinculam a atividade das Delegacias Regionais de Julgamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil, com exceção das hipóteses em que são editadas súmulas com efeito vinculante em relação à administração tributária federal” (fls. 7.487); (iii) “as duas multas não foram aplicadas sobre a mesma base de cálculo” (fl. 7.488). Em primeiro lugar, cumpre atentar para a ilegalidade, não reconhecida pelo acórdão recorrido, da cobrança cumulativa da multa isolada com a multa de ofício. Nesse sentido, em diversas oportunidades o CARF têm afastado a aplicação simultânea das multas de ofício com a multa isolada prevista no art. 44, inc. II da Lei nº 9.430/1996: [...] A ilegalidade da acumulação da multa de ofício com a multa isolada já foi reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça, ante a característica sucessiva da multa do inc. II e pela incidência do princípio da consunção, a partir do precedente fixado no REsp 1.496.354/PR, de relatoria do Ministro Humberto Martins. Nesse sentido, colacionamse os seguintes julgados: [...] Ante o exposto, requerse a reforma do acórdão recorrido para, em sede de recurso ordinário, proceder a anulação da cobrança da multa isolada discriminada na fl. 14 dos autos, ante a ilegalidade da sua cobrança cumulativa com multa de ofício, devidamente reconhecida por este Conselho (Acórdão nº 1201001.450, Acórdão nº 1301001.725, Acórdão nº 2202003.002) e pelo Superior Tribunal de Justiça (AgRg no REsp 1576289/RS, AgRg no REsp 1.499.389/PB, REsp 1.496.354/PR). A decisão recorrida apreciou a questão, em sede de impugnação, nos seguintes termos: O Regulamento do Imposto Sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1.999, combinado com o art. 44, II, "a", da Lei nº 9.430, de 1.996, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 2.007, identifica o fundamento legal de tal exação: Art.106. Está sujeita ao pagamento mensal do imposto a pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos que não tenham sido tributados na fonte, no País, tais como (Lei nº 7.713, de 1988, art. 8º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 24, §2º, inciso IV): (...) Fl. 8670DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.671 37 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Neste tópico de discussão, as autoridades fiscais indicaram no Auto de Infração, fls. 14, que a multa isolada foi empregada nos seguintes períodos de apuração: 31/05/2011, 31/12/2011, 31/01/2012, 29/02/2012, 31/03/2012, 30/04/2012, 31/05/2012, 30/06/2012, 31/07/2012, 31/08/2012, 30/09/2012, 31/10/2012, 30/11/2012 e 31/12/2012. O autuado argumenta que os documentos de arrecadação em anexo, fls. 7.009 a 7.033, e discriminados na planilha de fls. 6.880, comprovam o recolhimento do imposto exigido no lançamento. Os documentos de arrecadação em anexo se referem aos períodos de apuração adiante listados: 31/01/2010, 30/03/2010, 31/05/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 31/08/2010, 30/09/2010, 31/10/2010, 30/11/2010, 31/12/2010, 31/01/2011, 28/02/2011, 31/03/2011, 30/04/2011, 30/06/2011, 31/07/2011, 31/08/2011, 30/09/2011, 31/10/2011 e 30/11/2011. Confrontandose os períodos de apuração do lançamento tributário e os documentos de arrecadação que acompanharam a defesa, concluise que a exigência deve ser mantida integralmente, pois o contribuinte não anexou nos autos nenhum DARF que se refira aos períodos de arrecadação indicados no Auto de Infração. A sustentação de que a multa isolada não pode ser exigida cumulativamente com a multa de ofício, segundo julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF que acompanham a defesa, não pode ser admitida por este colegiado julgador. Em primeiro lugar, porque os julgamentos do CARF não vinculam a atividade das Delegacias Regionais de Julgamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil, com exceção das hipóteses em que são editadas súmulas com efeito vinculante em relação à administração tributária federal. A outro ponto, porque a multa isolada e a multa de ofício possuem fundamentação fática e jurídica diversas. A multa isolada é cabível quando a pessoa física deixa de efetuar o pagamento mensal do imposto (CarnêLeão), consoante o disposto no art. 8º da Lei nº 7.713, de 1988, devendo ser aplicada ainda que haja ou não saldo de imposto a pagar na correspondente declaração de ajuste anual, pois o momento em que a arrecadação deveria ter sido realizada precede o resultado do ajuste. A multa de ofício é aplicada sobre o imposto de renda suplementar e decorre da omissão de rendimentos por parte do sujeito passivo na declaração de ajuste, sendo cobrada juntamente com o tributo não pago. Fl. 8671DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.672 38 O fundamento legal da multa de ofício é diverso da multa isolada. Para esta, a base legal já foi reproduzida neste tópico, enquanto para aquela se trata do disposto no art. 44, I, e §1º, da Lei nº 9.430, de 1.996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2.007. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1° O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nosarts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Em terceiro lugar, no caso em exame, as duas multas não foram aplicadas sobre a mesma base de cálculo. A multa isolada foi empregada em razão de o autuado ter recebido rendimentos de pessoas físicas sem a correspondente arrecadação do CarnêLeão. A título de ilustração, veja que o interessado informou em sua DIRPF, fls. 5.341, em 05/2011, o recebimento de R$56.528,84, com contribuição à Previdência Oficial de R$737,93. No Auto de Infração, o agente fiscal considerou tais informações e apurou imposto mensal não declarado de R$14.821,48, gerando a multa isolada de R$7.410,74 (50%), fls. 21. Por outro lado, o rendimento tributável de R$56.528,84 foi utilizado como "Recursos/Origens" na planilha de Variação Patrimonial a Descoberto que, subtraído do montante de R$1.013.838,04 de "Dispêndios/Aplicações", gerou variação patrimonial a descoberto, em 05/11, de R$957.309,20. A multa de 150% foi empregada sobre a variação patrimonial a descoberto de R$957.309,20, vide fls. 12. Ante tais considerações, concluise que as multas isoladas e de ofício devem ser mantidas no presente lançamento. Muito bem. Para uma melhor compreensão da matéria em lide, entendo oportuno um breve resgate da legislação tributária, no tocante à aplicação da multa de ofício e da multa isolada, ambas previstas no art. 44 da Lei n. 9.430/1996. No que diz respeito à multa de ofício, é de se observar que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996 foi alterado, em 29/06/2006, pela Medida Provisória (MP) n. 303/2006, que disciplinava, entre outras questões, a aplicação das multas nos casos de lançamentos de ofício realizados pela Administração Tributária Federal. Fl. 8672DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.673 39 Assim, na primeva redação do art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, a multa de ofício era aplicada nos casos de falta de pagamento ou recolhimento; pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória; falta de declaração; e declaração inexata, exceto os casos de sonegação, fraude e conluio.rib Na redação conferida pela MP n. 303/2006, a multa de ofício de 75% prevista no dispositivo legal em tela somente pode ser aplicada sobre a totalidade ou diferença de tributo quando se configure falta de pagamento ou recolhimento; falta de declaração; e declaração inexata. Não obstante o encerramento do prazo de vigência da MP n. 303/2006 em 27/10/2006, consoante os termos do Ato do Presidente da Mesa do Congresso Nacional n. 57/2006, a redação do art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996 permaneceu exatamente com a mesma configuração que lhe foi conferida por aquela MP, ou seja, a multa de ofício de 75% aplicase nos casos de falta de pagamento ou recolhimento; falta de declaração; e declaração inexata, agora sob os auspícios da MP n. 351/2007, convertida na Lei n. 11.488/2007. Assim, a novel redação do art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996 excluiu da hipótese de hipótese de incidência da multa de ofício de 75% o "pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa moratória", deduzindose, todavia, que a referida multa está afastada apenas nas situações em que o sujeito passivo efetuou o pagamento após o vencimento, sem o acréscimo da multa de mora de 20%, mas tenha confessado o respectivo débito. Nesse caso específico, a rigor, a multa de ofício de 75% não seria aplicável. De outra banda, é oportuno resgatar que até a edição da MP n. 351/2007, de 22 de janeiro de 2007, posteriormente convertida na Lei n. 11.488/2007, a multa isolada prevista no art. 44, II, da Lei n. 9.430/1996 era aplicada nas hipóteses em que o tributo não havia sido anteriormente pago; o tributo havia sido pago em atraso, mas sem a imposição da multa de mora; a pessoa física sujeita ao recolhimento mensal, deixasse de fazêlo ao longo do ano; e a pessoa jurídica sujeita ao recolhimento mensal por estimativa, deixasse de fazêlo ao longo do ano. A alíquota da multa isolada era de 75%, ou de 150% para os casos de evidente intuito de sonegação, fraude ou conluio. Todavia, desde a edição da MP n. 351/2007, convertida na Lei n. 11.488/2007, alterouse essa sistemática, vez que a multa isolada passou a ser de 50% cobrada sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser feito ao longo do ano calendário pela pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos e ganhos de capital que não tenham sido tributados na fonte, no respectivo país de origem, e pela pessoa jurídica que optar pelo regime de pagamento por estimativa. Nesse contexto, desde 22/01/2007, assim é a redação do art. 44, I e II, da Lei n. 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] (grifei) Fl. 8673DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.674 40 b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] Destarte, a nova redação do art. 44, I e II, da Lei n. 9.430/1996, aplicável aos fatos geradores ocorridos a partir de 22 de janeiro de 2007, afastou qualquer dúvida sobre a possibilidade de aplicação concomitante das multas de ofício e das multas isoladas por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, vez que as hipóteses de incidência que ensejam a imposição das penalidades da multa de ofício e da multa isolada em razão da falta de pagamento do carnêleão são perfeitamente distintas e tratadas em incisos próprios do indigitado dispositivo legal. Resta evidenciado que os incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/1996 tratam de suportes fáticos distintos e autônomos, com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplicase sobre o tributo devido apurado anualmente, no caso concreto, IRPF, aperfeiçoandose a hipótese de incidência tributária ao final do ano calendário. Por sua vez, na espécie, a multa isolada é apurada sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser feito ao longo do anocalendário pela pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos e ganhos de capital que não tenham sido tributados na fonte, no respectivo país de origem. É dizer, são materialidades absolutamente independentes e distintas, não havendo que se falar em concomitância. Em resumo, não existe óbice à cumulatividade de ambas penalidades (multa isolada com multa de ofício). No caso concreto, verificase que o lançamento em lide aplicou a multa de ofício de 150% em face da infração tipificada por acréscimo patrimonial a descoberto (AC 2011; 2012; 2013; e 2014) e multa isolada de 50% restrita à infração caracterizada por falta de recolhimento de carnêleão nos AC 2011 (P.A 31/05/2011 e 31/12/2011) e AC 2012 (todos os períodos de apuração). Ausência de fundamentação fática e probatória no lançamento de dispêndios para a apuração da variação patrimonial A despeito dessa alegação do Recorrente, não se verifica qualquer ilegalidade e ausência de fundamentação fática e probatória no lançamento de dispêndios para a apuração da variação patrimonial, conforme já delineado na análise da preliminar entitulada ausência de demonstrativo da variação patrimonial com a devida fundamentação legal. Sem mais considerações a fazer. Por fim, cabe ressaltar, conforme já relatado, que a decisão recorrida considerou no demonstrativo de variação patrimonial do Recorrente os recursos que ele obteve, por meio da GFD Investimentos Ltda., com a venda dos ativos, alterando, destarte, a planilha de variação patrimonial a descoberto elaborada pela autoridade lançadora fisco (Arquivo Não Paginável Anexo 42_planilha VPD DOC1_VPD11a14) no cômputo das origens e aplicações decorrentes das operações de compra e venda de ações, com repercussão na apuração do Fl. 8674DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.675 41 imposto suplementar exigido no AC 2011 no sentido de reduzilo de R$ 2.171.906,55 para R$ 1.716.373,56, inclusive com redução do valor relativo à multa qualificada, conforme discriminado na tabela abaixo: Nessa perspectiva, não merece reparo a decisão recorrida. Recurso Voluntário de Joana D'arc Fernandes da Silva Com relação ao Recurso Voluntário (efls. 8422/8523) interposto pela responsável solidária (Sra. Joana D'arc Fernandes da Silva), é oportuno destacar que os questionamentos em sede de preliminares e de mérito já foram apreciados, ainda que de forma reflexa, no bojo da análise do recurso voluntário do sujeito passivo principal (Alberto Youssef), restando assim apenas as questões referentes à responsabilidade solidária, que passo à análise. Da análise dos autos, verificase que resta comprovado o interesse comum da responsável tributária na realização dos fatos geradores em litígio, nos termos do art. 124 do CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (grifei) Não obstante a expressão "interesse comum" consignada no art. 124, I, do CTN, encartar um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançarse a ratio essendi do referido dispositivo legal. Assim, verificase que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas jurídicas solidariamente obrigadas estejam no mesmo polo da relação jurídica que deu azo à hipótese de incidência tributária, exatamente porque não encontraria respaldo na lógica jurídicatributária a integração no polo Fl. 8675DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.676 42 passivo da relação jurídica de uma empresa que não tenha qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Nessa perspectiva, é forçoso concluir que o interesse qualificado pela lei não há de ser o mero interesse social, moral, econômico ou financeiro no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas sim o interesse jurídico, atrelado à atuação comum ou conjunta no pressuposto fático do tributo. Assim, caracteriza responsabilidade solidária em matéria tributária a realização conjunta de situações que, per se, configuram a hipótese de incidência tributária. As situações fáticas consignadas no Termo de Verificação Fiscal (efls. 6277/6350), caracterizam, de forma exaustiva, a unidade de interesse jurídico entre a responsável solidária (Joana D'arc Fernandes da Silva) e o sujeito passivo principal (Alberto Youssef) na materialização da hipótese de incidência tributária em litígio: [...] 7.1 JOANA D´ARC FERNANDES DA SILVA, CPF 455.827.77920 Enquadramento legal: art. 124, I, CTN: Interesse comum na ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. O fato de o responsável indicado lograr proveito próprio (econômico) das situações que constituem os fatos geradores das obrigações principais revelam sim o seu interesse comum naquelas situações. Em outras palavras, o “interesse comum” a que alude o art. 124, I do CTN pode ser entendido como sendo o interesse econômico, ou seja, o interesse em lograr proveito próprio daqueles atos.” Acórdão CARF 1102 000.920 de 10/09/2013. A Sra. Joana D`Arc foi esposa de Alberto Youssef desde 20/04/1989 até o dia 29/08/2014, portanto, logo após a deflagração da Operação lavajato. Com ele viveu durante anos e se beneficiou claramente dos ganhos obtidos pelo esquema ilícito de seu marido. Deste relacionamento usufruiu de imóveis, veículos e de um estilo de vida de luxo. Intimada por diversas vezes por esta fiscalização, a Sra. Joana não logrou êxito em comprovar rendas próprias que justificassem a aquisição dos bens por ela usufruídos, restando por óbvio que a mesma vivia exclusivamente das rendas de seu exmarido Alberto Youssef. A mesma chegou a entregar declarações de imposto de renda (DIRPFs) em que declarava ter recebido rendas de pessoas físicas em valores relevantes, em torno de R$ 630 mil entre os anos de 2010 e 2013, para tentar dar uma ar de licitude e de origem para seus bens (Anexo 10 deste TVF). Porém, não logrou identificar as pessoas que a pagaram e os serviços que teria prestado e que justificassem estes recebimentos. Até mesmo a quitação do apartamento sediado na Vila Nova Conceição/SP, onde vivia com o fiscalizado, ela tenta justificar o saldo residual como sendo fruto de empréstimo de três amigas, porém também não comprovou a transferência efetiva dos recursos objeto dos mútuos. A solidária chegou a assumir dívidas em seu nome, que na verdade foram contraídas em benefício de seu exmarido, junto à Alpes Corretora TVM S/A. Corrobora a responsabilização da Sra. Joana D´arc o entendimento inserto no “AgRg no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 259.338 – PE Fl. 8676DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.677 43 (2012/02450131”, que reza em sua ementa que a execução fiscal direcionada contra um devedor não alcança o direito patrimonial do seu cônjuge, salvo se o credor comprovar que o proveito econômico com a ilicitude tenha sido revertido em prol da família, está alinhada ao entendimento do STJ: "A meação só responde pelo ato ilícito quando o credor, na execução fiscal, provar que o enriquecimento dele resultante aproveitou ao casal" (Súmula 251/STJ). Citese também o REsp nº 522.263/PR, Relator Ministro João Otávio de Noronha, DJ 06/12/2006, que traz o seguinte: "..O cônjuge responde com sua meação somente pela dívida contraída exclusivamente pelo consorte, desde que esta tenha sido revertida em benefício da família, competindo ao credor comprovar tal situação...". Joana entregou declarações de imposto de renda (DIRPFs) em que declarava ter recebido rendas de pessoas físicas em valores relevantes, para tentar dar uma ar de licitude e de origem para seus bens, porém, não logrou identificar as pessoas que a pagaram e as causas de grande parte dos recebimentos. Joana se beneficiou de uma vida de luxo às custas de recursos de natureza ilícita de Youssef. Informou em suas declarações de imposto de renda (DIRPF) ter auferido rendas que não conseguiu comprovar em sua totalidade, após ser intimada. Importante frisar que Joana foi intimada e reintimada diversas vezes para comprovar aquisição de alguns ativos que a beneficiou. [...](grifos originais) Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER dos Recursos Voluntários (efls. 8366/8414 e efls. 8422/8523), REJEITAR AS PRELIMINARES, e, no mérito, NEGARLHES PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 8677DF CARF MF
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Numero do processo: 10768.908443/2006-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/04/2003
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DIREITO CREDITÓRIO APURADO COM SALDO REMANESCENTE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
O Recurso Voluntário é o instrumento por meio do qual o contribuinte submete ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), a decisão proferida em 1ª instância pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Artigo 25 do Decreto nº 70.235/1972. O poder de recorrer somente existe para quem tem interesse na modificação da decisão pela qual sucumbiu, ou seja, que não tenha sido atendido em sua pretensão, no todo ou em parte, configurando-se requisito indispensável de qualquer recurso. Impossibilidade de conhecimento.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3402-005.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cynthia Elena de Campos - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
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DIREITO CREDITÓRIO APURADO COM SALDO REMANESCENTE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. O Recurso Voluntário é o instrumento por meio do qual o contribuinte submete ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), a decisão proferida em 1ª instância pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Artigo 25 do Decreto nº 70.235/1972. O poder de recorrer somente existe para quem tem interesse na modificação da decisão pela qual sucumbiu, ou seja, que não tenha sido atendido em sua pretensão, no todo ou em parte, configurandose requisito indispensável de qualquer recurso. Impossibilidade de conhecimento. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 84 43 /2 00 6- 26 Fl. 125DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra despacho decisório que deixou de dar cumprimento ao Acórdão nº 1327.537, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ), que declarou ocorrida a homologação tácita da compensação, julgando procedente o pedido realizado através da Manifestação de Inconformidade apresentada. Por bem reproduzir os fatos, transcrevo abaixo o relatório apresentado em decisão da DRJ/RJ2: "Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada em PER/DCOMP, apresentada em 14/08/2003 (fls.02/06), de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente, em 15/05/2003, a título de COFINS, atinente ao período de apuração 04/2003, com débito da COFINS referente ao período de apuração 05/2003, no valor de RS 19.321,13. Por meio do Despacho Decisório n° 781156265, emitido eletronicamente (fl. 09), o Delegado da DERATRJO, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. Cientificada do despacho decisório em 25/08/2008 (fls. 07 e 08) a interessada apresentou em 23/09/2008 a manifestação de inconformidade de folhas 11 a 16, por meio da qual contesta a cobrança dos débitos indevidamente compensados sob a alegação de que, uma vez que a compensação foi proposta em 14/08/2003, tinha o fisco o prazo de cinco anos, ou seja, até 15/08/2008 para homologar , ou não, o pedido. E o relatório." Às fls. 57 a Equipe de Compensação da Divisão de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro proferiu o seguinte despacho: "Lastreados no Acórdão de n° 1327.537 da 4a Turma da DPJ/RJ2, fls.34/35, que homologou tacitamente a DCOMP de n° 38910.66240.140803.1.3.048849, fls.02/06, desfizemos no sistema SIEF a informação do reconhecimento do direito creditório, fl. 40/41, informamos impugnação no processo de cobrança vinculado, e prestamos a informação do resultado da impugnação como sendo lançamento procedente em parte, conforme fl. 42, em função da inexistência nos sistemas da funcionalidade/situação homologação tácita e da impossibilidade de efetivar a compensação sem reconhecimento do direito creditório. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10768.908443/200626 Acórdão n.º 3402005.720 S3C4T2 Fl. 126 3 Tendo em vista que o crédito pleiteado tornouse insuficiente para atingir a totalidade do débito, conforme cálculos do aplicativo SAPO de fls. 37/39, o montante de R$ 4.267,85 continuará sendo cobrado, conforme fl. 42. Diante do exposto procedase à: a) ciência à interessada do Acórdão de n° 1327.537 de fls. 34/35, dos demonstrativos do aplicativo SAPO de fls. 37/39, da cobrança do débito não alcançado pelo crédito pleiteado, extrato de fl. 42, do darf de fl. 43 e do presente despacho." Os cálculos informados no despacho em referência constam nas fls. 50 a 55 do processo eletrônico e apresenta o seguinte levantamento: Fl. 127DF CARF MF 4 Com isso, em data de 25/11/2011 (fls. 60) a Contribuinte foi intimada de acordo com o Termo de Ciência de fls. 59, pelo qual foi comunicada sobre a cobrança de débito não alcançado pelo crédito pleiteado, resultando em saldo remanescente de R$ 9.769,94 (nove mil, setecentos e sessenta e nove reais e noventa e quatro centavos). A Recorrente interpôs o Recurso Voluntário de fls. 6271 alegando, em síntese, que: Em 14 de agosto de 2003 promoveu a compensação de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofíns recolhida indevidamente a maior, transmitindo nesta data a respectiva PER/DCOMP de n.° 38910.66240.140803.1.3.048849, consubstanciada na DCTF do 2.° Trimestre/2003, relativa aos meses de abril (apuração do crédito) e maio (compensação do débito) do mesmo ano de 2003. Recebeu o despacho decisório em 25 de agosto de 2008, em prazo superior ao que deveria o fisco ter procedido a comunicação, restando, portanto, verificada hipótese de homologação tácita prevista na legislação. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10768.908443/200626 Acórdão n.º 3402005.720 S3C4T2 Fl. 127 5 A Delegacia Regional de Julgamento acolheu o pedido de homologação tácita dos créditos compensados. Ao receber a intimação da referida decisão, o I. Fiscal entendeu de forma equivocada que haveria pagamentos a serem realizados, tendo em vista que o sistema da Receita Federal do Brasil impossibilitaria o reconhecimento creditório. Nos termos em que proferido o despacho pelo i. Fiscal, o que se verifica em verdade é o descumprimento da decisão proferida pela delegacia Regional de Julgamento, determinando a cobrança de valores já declarados indevidos. Com a ocorrência da homologação tácita da compensação realizada, ocorre também, por decorrência lógica, a decadência do Direito da Fazenda rever os valores utilizados na compensação e, especialmente, decai o Direito da Fazenda de lançar e cobrar supostas diferenças inexistentes no caso em exame, como já se demonstrou apuradas por ela após a decorrência do prazo de 05 anos. Através do despacho de fls. 18, a Equipe de Compensação da Divisão de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro propôs o envio do presente processo para apreciação por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em tempo, importante observar que consta às fls. 120 dos autos a informação de adesão da Contribuinte ao Parcelamento previsto pela Lei nº 12.996RFBDemais Débitos. No entanto, através do extrato de fls. 122 e informações de fls. 123 é possível verificar que o presente processo não está entre aqueles incluídos neste parcelamento. É o relatório. Voto Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora Pressupostos legais de admissibilidade Da análise dos fatos acima relatados, constatase que o v. Acórdão nº 13 27.537 proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro definiu pelo reconhecimento da homologação tácita das compensações declaradas, uma vez que não foram apreciadas pela autoridade administrativa dentro do prazo de cinco anos da data do protocolo pedido. A homologação da compensação, seja tácita ou expressa, de fato extingue os débitos do sujeito passivo declarados no pedido convertido em declaração de compensação, incidindo o artigo 156, inciso II do Código Tributário Nacional. Não há dúvidas de que a homologação tácita da compensação pleiteada no referido PER/DCOMP nº 38910.66240.140803.1.3.048849, transmitida em data de 14/08/2003, foi reconhecida e declarada em decisão de primeira instância. Fl. 129DF CARF MF 6 Por sua vez, da análise da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais de fls. 21, é possível constatar que a diferença entre o débito apurado (R$ 19.321,13) e crédito utilizado para compensação (R$ 17.626,71) foi recolhida através de DARF no valor de R$ 1.694,42 (hum mil, seiscentos e noventa e quatro reais e quarenta e dois centavos). No entanto, a observação lançada pela Equipe de Compensação de que o julgamento foi por provimento parcial (fls. 55), resultando em consolidação do débito para recolhimento da diferença, tratase de despacho decisório e não tramitou perante a Delegacia de Julgamento, o que impossibilita a apreciação por este Colegiado. Em síntese, a irresignação da Recorrente versa sobre o despacho decisório que deixou de dar cumprimento ao Acórdão nº 1327.537, proferido pela DRJ/RJ II. O Recurso Voluntário em análise tem por objeto o pedido para que seja cancelada toda e qualquer cobrança relativa à compensação de valores realizada conforme PER/DCOMP de n.° 38910.66240.140803.1.3.048849, consubstanciada na DCTF do 2.° Trimestre/2003, por força da disposição constante do disposto no artigo 74, § 5 o da Lei n° 9.430/96, reformandose o r. despacho de fls. 44, bem como para que sejam efetuadas as mudanças necessárias nos sistemas da Receita Federal para que seja reconhecida a homologação tácita relativa à compensação de créditos objeto do presente processo. Ocorre que, não obstante a irresignação da Recorrente em decorrência da cobrança de saldo remanescente, o fato é que a decisão da DRJ/RJ 2, per si, não gerou lesividade à parte, tanto é que homologou tacitamente o PERD/COMP objeto deste litígio, julgando pela procedência da Manifestação de Inconformidade. Não há utilidade no recurso interposto, pois o despacho que motivou a irresignação não foi a decisão de Primeira Instância, mas sim outro despacho decisório, o qual deve ser impugnado nos termos previstos pelo Decreto nº 70.235/1972, que assim dispõe: Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: I em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal; a) aos Delegados da Receita Federal, titulares de Delegacias especializadas nas atividades concernentes a julgamento de processos, quanto aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal; b) às autoridades mencionadas na legislação de cada um dos demais tributos ou, na falta dessa indicação aos chefes da projeção regional ou local da entidade que administra o tributo, conforme for por ela estabelecido. II – em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10768.908443/200626 Acórdão n.º 3402005.720 S3C4T2 Fl. 128 7 Outrossim, o poder de recorrer somente existe para quem tem interesse na modificação da decisão pela qual sucumbiu, ou seja, que não tenha sido atendido em sua pretensão, no todo ou em parte, configurandose requisito indispensável de qualquer recurso. Não há, neste caso, o necessário interesse recursal, que obrigatoriamente deve repousar no binômio necessidade e utilidade. A necessidade referese à imprescindibilidade do provimento por este Tribunal Administrativo para obtenção do resultado objeto do recurso, ao passo que a utilidade cuida da adequação da medida recursal alçada para atingir o fim colimado. Por tais razões, não pode ser conhecido o recurso em análise. Dispositivo Ante o exposto, voto por não conhecer o Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Fl. 131DF CARF MF
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