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Numero do processo: 10580.904885/2011-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 31/01/2006
RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE
Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei.
Reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas.
Numero da decisão: 1301-003.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10580.904884/2011-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhecese a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por negar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 48 85 /2 01 1- 59 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10580.904885/201159 Acórdão n.º 1301003.605 S1C3T1 Fl. 3 2 provimento ao recurso. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10580.904884/201112, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10580.904885/201159 Acórdão n.º 1301003.605 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório MEDYCAMENTHA PRODUTOS ONCOLOGICOS E HOSPITALARES LTDA recorre a este Conselho em face do acórdão proferido pela 4ª Turma da DRJ em Porto Alegre que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, pleiteando sua reforma, com fulcro nos §§ 9º e 10 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, c/c c artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas, em razão da ausência de comprovação de recolhimento indevido de estimativa e na impossibilidade de se retificar a origem do crédito pleiteado para saldo negativo de CSLL. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que o erro se deu basicamente na PER/DComp, quando informou como origem do crédito Pagamento Indevido ou a Maior quando o correto seria Saldo Negativo de CSLL, assim, requereu que sua Dcomp fosse retificada ou autorizada sua retificação. O Acórdão recorrido entendeu que não houve mero erro no preenchimento da PER/DComp, tampouco haveria que se falar em inexatidões materiais em seu preenchimento, tratandose, em realidade, de pedido do contribuinte para alteração da natureza jurídica do pedido, uma vez que PER/DComp indicava tratarse de pagamento indevido de estimativa, mas, na realidade, de saldo negativo de CSLL. Concluiu não haver prova de recolhimento indevido de estimativa, indeferindo o pedido de reconhecimento do direito creditório pleiteado e não homologando as compensações declaradas. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte, tempestivamente, apresentou recurso voluntário com os mesmos argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, requerendo a reforma da decisão recorrida com o consequentemente reconhecimento do direito creditório requerido e a homologação das compensações declaradas. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10580.904885/201159 Acórdão n.º 1301003.605 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.599, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10580.904884/2011 12, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.599): "O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade do recurso, dele, portanto, tomo conhecimento. A Recorrente apresentou Per/DComp utilizandose de créditos decorrentes de IRPJ (estimativa) pago a maior, porém, conforme reconheceu, na realidade tratavase de Saldo Negativo. Segundo o Despacho Decisório, Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. O acórdão recorrido, por sua vez, superou a fundamentação utilizada no despacho decisório em razão de posterior alteração de entendimento por parte da RFB por meio do art. 10 da IN RFB nº 900, de 2008, e da Solução de Consulta Interna Cosit nº 19, de 2011, tanto em relação à admissão ao direito de restituição ou de compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, quanto à sua aplicação aos PER/DComp originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estivessem pendentes de decisão administrativa. Aduz que o contribuinte não trouxe prova do recolhimento a maior e que o pedido de retificação do PER/DComp para se considerar como origem do crédito o saldo negativo de IRPJ, em vez de pagamento indevido ou a maior de Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10580.904885/201159 Acórdão n.º 1301003.605 S1C3T1 Fl. 6 5 estimativa, não se enquadra nas hipóteses previstas no art. 78 da IN RFB nº 900, de 2008 Pois bem, passo à análise da controvérsia. O crédito a que refere a Recorrente tratase de Saldo Negativo de IRPJ, porém, ao preencher a Per/DComp para declarar a compensação informou como IRPJ Pago a Maior ou Indevidamente, gerando a não homologação das respectivas compensações. O ponto aqui é que a Per/DComp apresentada pelo contribuinte contém erro material, e tal fato, por si só não pode embasar a negação ao seu direito de crédito, bem como leva ao enriquecimento ilícito do Estado. Em relação à possibilidade de comprovação de erro de fato no preenchimento da declaração, inclusive na própria DCOMP, o entendimento atual, inclusive da RFB, é de que é possível superar esse equívoco, desde que haja comprovação de tal erro, conforme bem delineado pela RFB no Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, cujo excerto de interesse de sua ementa reproduzse a seguir: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.REVISÃO E RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO – DE LANÇAMENTO E DE DÉBITO CONFESSADO, RESPECTIVAMENTE – EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. ESPECIFICIDADES. A revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, para reduzir o crédito tributário, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, no caso de ocorrer uma das hipóteses previstas nos incisos I, VIII e IX do art. 149 do Código Tributário Nacional – CTN, quais sejam: quando a lei assim o determine, aqui incluídos o vício de legalidade e as ofensas em matéria de ordem pública; erro de fato; fraude ou falta funcional; e vício formal especial, desde que a matéria não esteja submetida aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. A retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10580.904885/201159 Acórdão n.º 1301003.605 S1C3T1 Fl. 7 6 REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOU COMPENSAÇÃO, EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração de Compensação – Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e mesmo a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. Dessa forma, este Colegiado tem tido o entendimento de se reconhecer parte do requerido pela Recorrente, no sentido de não lhe suprimir instâncias de julgamento, e oportunizar que, após o contribuinte ser devidamente intimado para tanto, sejam apresentados documentos e estes sejam analisados a fim de se averiguar a ocorrência do erro alegado e consequentemente a aferição de seu direito de crédito. Assim, tendo em vista o princípio da busca da verdade material, já que juntou documentos, ainda que em sede recursal daquilo que faria jus ao seu direito, voto no sentido de se afastar o óbice de retificação da Per/DComp apresentada. E dessa forma, a unidade de origem poderá verificar o mérito do pedido, acerca da existência do crédito e da respectiva compensação, bem como analisar a liquidez e certeza do referido crédito, nos termos do art. 170, do CTN, retomandose a partir de então o rito processual de praxe. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe." Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10580.904885/201159 Acórdão n.º 1301003.605 S1C3T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.002403/2005-58
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/1988 a 30/09/1995
ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA.Sendo o acórdão paradigma divergente do recorrido, há que se admitir seu conhecimento. Vez que o acordão paradigma defende a higidez da coisa julgada, não podendo a administração alterar o seu conteúdo. Por sua vez o acórdão recorrido, autorizou o pedido de restituição, sendo que a coisa julgada autorizava somente a compensação.
DECADÊNCIA
Opera-se a Decadência ao direito de repetir, em razão do Pedido de Restituição Eletrônico (PER) n.º 28701.75967.100308.1.2.577603, que foi transmitido em 10/03/2008, antes de ter sido operada a decadência, para homologar as compensações. Mesmo aquelas transmitidas após 15/09/2008. Até o limite do crédito determinado pela decisão judicial.
Numero da decisão: 9303-007.446
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal- Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1988 a 30/09/1995 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA.Sendo o acórdão paradigma divergente do recorrido, há que se admitir seu conhecimento. Vez que o acordão paradigma defende a higidez da coisa julgada, não podendo a administração alterar o seu conteúdo. Por sua vez o acórdão recorrido, autorizou o pedido de restituição, sendo que a coisa julgada autorizava somente a compensação. DECADÊNCIA Opera-se a Decadência ao direito de repetir, em razão do Pedido de Restituição Eletrônico (PER) n.º 28701.75967.100308.1.2.577603, que foi transmitido em 10/03/2008, antes de ter sido operada a decadência, para homologar as compensações. Mesmo aquelas transmitidas após 15/09/2008. Até o limite do crédito determinado pela decisão judicial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal- Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
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Vez que o acordão paradigma defende a higidez da coisa julgada, não podendo a administração alterar o seu conteúdo. Por sua vez o acórdão recorrido, autorizou o pedido de restituição, sendo que a coisa julgada autorizava somente a compensação. DECADÊNCIA Operase a Decadência ao direito de repetir, em razão do Pedido de Restituição Eletrônico (PER) n.º 28701.75967.100308.1.2.577603, que foi transmitido em 10/03/2008, antes de ter sido operada a decadência, para homologar as compensações. Mesmo aquelas transmitidas após 15/09/2008. Até o limite do crédito determinado pela decisão judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 24 03 /2 00 5- 58 Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 10680.002403/200558 Acórdão n.º 9303007.446 CSRFT3 Fl. 1.145 2 por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 3301002.216, de 25 de fevereiro de 2014 (fls. 1122 a 1127 do processo eletrônico), proferido Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, deu provimento parcial para afastar a decadência ao direito de repetir, em razão do Pedido de Restituição Eletrônico (PER) n.º 28701.75967.100308.1.2.577603), transmitido em 10/03/2008, antes de ter sido operada a decadência, para homologar as compensações, mesmo aquelas transmitidas após 15/09/2008, até o limite do crédito determinado pela decisão judicial. A discussão dos presentes autos tem origem na transmissão de Declarações de Compensação (Dcomp’s) a partir de 18/03/2004, listadas às fls. 213/217, com crédito de valores recolhidos a título de PIS e débitos de PIS, COFINS, IRPJ CSLL e IRRF. O crédito originase da Ação Judicial de n.º 1997.38.00.0608725 interposta sob o argumento de ter sido pago o PIS nos termos dos DecretosLei n.º 2.445 e 2.449, de 1988, julgados inconstitucionais, quando deveria prevalecer o regime da Lei Complementar n.º 07/70. O trânsito em julgado ocorreu em 15/09/2003. Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 10680.002403/200558 Acórdão n.º 9303007.446 CSRFT3 Fl. 1.146 3 A DRF Belo Horizonte calculou o direito creditório no montante de R$847.909,42 em 31/12/1995, conforme decisão judicial, e homologou as compensações de débitos de PIS contidos nas Dcomp’s até o limite do crédito reconhecido, e não homologou as compensações de débitos distintos da Contribuição PIS contidos nas Dcomp’s transmitidas, por não estarem alcançados pela sentença judicial, no seu entendimento, tudo conforme Despacho Decisório de fls. 213/224. Inconformado com o deferimento parcial de seu pedido, o Contribuinte apresentou impugnação alegando, em síntese, que: a análise do acórdão transitado em julgado foi realizada de forma superficial e equivocada pela fiscalização, quando da confecção do despacho decisório; além da existência de acórdão transitado em julgado, declarando o direito da manifestante à ampla compensação de seus créditos, à época em que realizada a compensação já se encontrava em vigor a nova redação da Lei 9.430/96, produzindo seus efeitos de forma a permitir a compensação de créditos oriundos de tributos federais com quaisquer débitos de tributos administrados pela Receita Federal, sem que haja necessidade de aprovação da Fazenda. Cita decisão do STJ em outro processo em que se admite que a parte não está impedida de, independentemente do resultado do processo, proceder à compensação dos créditos na conformidade com as normas supervenientes, se atender os requisitos próprios. Por fim, requer a reforma do despacho decisório, garantindo a homologação total das compensações realizadas pela empresa. A DRJ em Belo Horizonte/MG julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos, deu provimento parcial para afastar a decadência ao direito de repetir, em razão do Pedido de Restituição Eletrônico (PER) n.º 28701.75967.100308.1.2.577603), transmitido em 10/03/2008, antes Fl. 1146DF CARF MF Processo nº 10680.002403/200558 Acórdão n.º 9303007.446 CSRFT3 Fl. 1.147 4 de ter sido operada a decadência, para homologar as compensações, mesmo aquelas transmitidas após 15/09/2008, até o limite do crédito determinado pela decisão judicial. conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1988 a 30/09/1995 AÇÃO JUDICIAL COISA JULGADA. COMPENSAÇÃO. OUTROS TRIBUTOS. POSSIBILIDADE. A despeito de não ter sido expressamente autorizada a compensação com outros tributos, a ulterior alteração legislativa produzida pelo art. 74, da Lei nº 9.430, de 1996, expressamente autorizou aos contribuintes que apurarem indébito passível de restituição, como é o caso, ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão, ensejando a homologação das compensações declaradas até o montante do indébito reconhecido pelo Poder Judiciário. Recurso Parcialmente Provido. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 1129 a 1135) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recurso do Contribuinte, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito à higidez da coisa julgada, não podendo a administração alterar o seu conteúdo. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigma o acórdão de número 20402.901. A comprovação do julgado firmouse pela transcrição da ementa do acórdão paradigma no corpo da peça recursal. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 1137 e 1138 sob o argumento que o acórdão recorrido autorizou o pedido de restituição, sendo que a coisa julgada autorizava a compensação. Ainda, argumenta que a Fazenda Nacional defendeu a higidez da coisa julgada, não podendo a administração alterar o seu conteúdo, sendo este exatamente o sentido da decisão proferida no acórdão paradigma. Fl. 1147DF CARF MF Processo nº 10680.002403/200558 Acórdão n.º 9303007.446 CSRFT3 Fl. 1.148 5 Com essas considerações, concluiuse que a divergência jurisprudencial foi comprovada. O Contribuinte foi cientificado para apresentar contrarrazões, conforme se verifica às fls. 1140 e não se manifestou. É o relatório em síntese. Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Voto Vencido quanto da Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, porém não deve ser conhecido por não cumprir com os requisitos essenciais de admissibilidade, nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Conforme exposto no relatório, por meio do Recurso Especial a Fazenda Nacional devolve a este Colegiado a discussão sobre a coisa julgada material. Segundo a Fazenda Nacional, o Acordão Recorrido permitiu que o Contribuinte apresentasse pedido de Restituição, referente a período respaldado por decisão judicial transitada em julgado, a qual somente autorizava a compensação dos créditos apurados. E o acórdão paradigma entendeu por respeitar a decisão imutável pelo trânsito em julgado, nos termos da Constituição Federal/88, indeferindo a compensação pleiteada pelo contribuinte, em desacordo com o comando judicial. Pelos trechos extraídos do Acordão Recorrido, a matéria decidida foi a decadência do Contribuinte de requerer as compensações declaradas: Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 10680.002403/200558 Acórdão n.º 9303007.446 CSRFT3 Fl. 1.149 6 A DRF/BHE através do Despacho Decisório nº 1.147, de fls. 211/222), homologou as compensações declaradas com débito de PIS, não homologandose os demais débitos (outros tributos IRPJ, CSLL e COFINS), em conformidade com a decisão judicial . Após ter sido apresentada a manifestação de inconformidade veio então o segundo despacho decisório, uma vez que embora consignado que a ação judicial transitou em julgado em 15/09/2003 “(donde se conclui que o contribuinte teria 05 anos a partir daquela data para utilização do crédito, ou seja até 15/09/2008) não feita qualquer consideração ou análise acerca dos documentos constantes do quadro 2 abaixo, transmitidos após 15/09/2008, e que continham débitos também do PIS”. Ocorre, porém, que, antes do transcurso do prazo decadencial (15/09/2008), a Recorrente transmitiu o Pedido Eletrônico de Restituição Eletrônico(PER) n° 28701.75967.100308.1.2.577603 (em 10/03/2008), conforme frisado pela decisão recorrida “muito embora tenha formalizado em 10/03/2008, mais de 06 (seis) meses antes do decurso do lapso temporal previsto pelo art. 168 do CTN”, o que é perfeitamente possível em razão do disposto no art. 74, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002: A partir da transmissão do pedido de restituição (em 10/03/2008), evitou a decadência do direito, possibilitando à Recorrente o direito à homologação das demais compensações apresentadas, mesmo aquelas transmitidas após 15/09/2008. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para afastar a decadência ao direito de repetir, em razão do Pedido de Restituição Eletrônico (PER) nº 28701.75967.100308.1.2.577603), transmitido em 10/03/2008, antes de ter sido operada a decadência, para homologar as compensações, mesmo aquelas transmitidas após 15/09/2008, até o limite do crédito determinado pela decisão judicial. Para comprovar a divergência, a Fazenda Nacional apresentou como paradigmas o acórdão nº 20402.901, que traz a seguinte ementa: Fl. 1149DF CARF MF Processo nº 10680.002403/200558 Acórdão n.º 9303007.446 CSRFT3 Fl. 1.150 7 Ementa: PIS. COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. APLICAÇÃO DE LEI POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE DE CONTRARIAR A COISA JULGADA. Havendo decisão judicial transitada em julgado que determina que os créditos de PIS só poderão ser compensados com valores devidos do próprio PIS, inviável a aplicação de lei posterior que possibilita a compensação com outros tributos. Devese respeitar a coisa julgada, conforme proteção dada pela Constituição Federal, de forma que a lei mais benéfica ao contribuinte, no caso em questão, não pode retroagir de forma a contrariar o que expressamente dispõe a decisão judicial transitada em julgado.. Segue os trechos do acordão paradigma: A função precípua do Judiciário é, portanto, aplicar a lei aos casos concretos em que ocorra litígio, quando estes forem trazidos à sua apreciação. Tais decisões são definitivas quando delas não couber mais recurso ou este não for apresentado dentro dos prazos estabelecidos pela lei. Esta característica de tais decisões, de serem definitivas, fazem a atividade do Judiciário divergir de tribunais administrativos, como este Conselho de Contribuintes. As decisões aqui prolatadas são passíveis de revisão pelo poder Judiciário, não sendo, portanto, definitivas. Quando estas decisões se tornam definitivas, dizse que fazem coisa julgada material. Esta é protegida pelo art. 5°, XXXVI da Constituição Federal: "a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada;", ou seja, o Judiciário decide uma questão em definitivo, e, posteriormente, nem a lei pode afetar o que foi decidido. O que se verifica aqui é que o Judiciário aplicou a lei da época da decisão e dos fatos para decidir a controvérsia. Tal decisão tornouse definitiva, com o trânsito em julgado da mesma. E esta decisão determinava que o crédito apurado a título de PIS pela Recorrente só poderia ser compensado com o próprio PIS devido futuramente. Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 10680.002403/200558 Acórdão n.º 9303007.446 CSRFT3 Fl. 1.151 8 Havendo coisa julgada material neste sentido, não cabe a ninguém, seja contribuinte, autoridade administrativa ou legislador, contrariála. Caso a coisa julgada fosse desconsiderada, estarseia ofendendo a proteção à coisa julgada colocada pela Constituição Federal.” Para caracterização de divergência interpretativa exigese como requisito formal que os acórdãos recorrido e aqueles indicados como paradigmas sejam suficientemente semelhantes para permitir o 'teste de aderência', ou seja, deve ser possível avaliar que o entendimento fixado pelo Colegiado paradigmático seja perfeitamente aplicável ao caso sob análise, assegurando assim o provimento do recurso interposto. No presente caso entendo que este requisito não foi cumprido. Apesar das ementas serem confrontantes, a matéria tratada é diferente, isto porque a conclusão do acordão recorrido é diferente do que está exposto na ementa. Assim, considerando que o Colegiado paradigmático não analisou a matéria sob o mesmo prisma da turma a quo, isto é a Decadência, entendo que estamos diante de situações fáticas distintas o que impede o conhecimento do presente recurso especial. Diante de todo o exposto, deixo de conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Voto Vencedor quanto ao Mérito. Na hipótese de restar vencida quanto ao conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, adotase como razões de decidir o acórdão de recurso voluntário, nos termos do art. 50, §1º da Lei 9.784, para negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, conforme demonstrado abaixo: Fl. 1151DF CARF MF Processo nº 10680.002403/200558 Acórdão n.º 9303007.446 CSRFT3 Fl. 1.152 9 A DRF/BHE através do Despacho Decisório nº 1.147, de fls. 211/222), homologou as compensações declaradas com débito de PIS, não homologandose os demais débitos (outros tributos IRPJ, CSLL e COFINS), em conformidade com a decisão judicial . Após ter sido apresentada a manifestação de inconformidade veio então o segundo despacho decisório, uma vez que embora consignado que a ação judicial transitou em julgado em 15/09/2003 “(donde se conclui que o contribuinte teria 05 anos a partir daquela data para utilização do crédito, ou seja até 15/09/2008) não feita qualquer consideração ou análise acerca dos documentos constantes do quadro 2 abaixo, transmitidos após 15/09/2008, e que continham débitos também do PIS”. Ocorre, porém, que, antes do transcurso do prazo decadencial (15/09/2008), a Recorrente transmitiu o Pedido Eletrônico de Restituição Eletrônico(PER) n° 28701.75967.100308.1.2.577603 (em 10/03/2008), conforme frisado pela decisão recorrida “muito embora tenha formalizado em 10/03/2008, mais de 06 (seis) meses antes do decurso do lapso temporal previsto pelo art. 168 do CTN”, o que é perfeitamente possível em razão do disposto no art. 74, da Lei .nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n.º 10.637, de 2002: A partir da transmissão do pedido de restituição (em 10/03/2008), evitou a decadência do direito, possibilitando à Recorrente o direito à homologação das demais compensações apresentadas, mesmo aquelas transmitidas após 15/09/2008. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para afastar a decadência ao direito de repetir, em razão do Pedido de Restituição Eletrônico (PER) n.º 28701.75967.100308.1.2.577603), transmitido em 10/03/2008, antes de ter sido operada a decadência, para homologar as compensações, mesmo aquelas transmitidas após 15/09/2008, até o limite do crédito determinado pela decisão judicial. Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 10680.002403/200558 Acórdão n.º 9303007.446 CSRFT3 Fl. 1.153 10 Em vista do exposto voto por negar o Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal– Redator designado Com a devida vênia, apresento a seguir as razões porque ouso divergir da decisão proposta pela i. Relatora do processo. Do conhecimento Conforme entendimento externado no voto, o acórdão paradigma não teria analisado a matéria sob o mesmo prisma do acórdão recorrido. Neste, terseia discutido a decadência do direito do contribuinte apresentar pedido/declaração de compensação do crédito tributário devido, assunto que, segundo se depreende das considerações presentes na parte do voto que analisa o conhecimento do recurso especial interposto pela Fazenda, não estaria presente na decisão paradigma, que versa, apenas, acerca da prevalência da decisão transitada em julgado sobre as disposições legais aplicáveis aos demais contribuintes, ainda que essas sejam mais favoráveis do que o direito assegurado em juízo. Peço licença para discordar. Tal como foi reconhecido pela própria Relatora, o entendimento retratado na ementa do acórdão recorrido demonstra que a decisão vergastada relativizou a força da coisa Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 10680.002403/200558 Acórdão n.º 9303007.446 CSRFT3 Fl. 1.154 11 julgada, admitindo que legislação superveniente ampliasse o direito garantido ao contribuinte na sentença judicial, se não vejamos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1988 a 30/09/1995 AÇÃO JUDICIAL COISA JULGADA. COMPENSAÇÃO. OUTROS TRIBUTOS. POSSIBILIDADE. A despeito de não ter sido expressamente autorizada a compensação com outros tributos, a ulterior alteração legislativa produzida pelo art. 74, da Lei nº 9.430, de 1996, expressamente autorizou aos contribuintes que apurarem indébito passível de restituição, como é o caso, ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão, ensejando a homologação das compensações declaradas até o montante do indébito reconhecido pelo Poder Judiciário. Recurso Parcialmente Provido. Este é, justamente, o pano de fundo da discussão travada nos autos. A divergência de interpretação da legislação diz respeito à execução da decisão judicial que transita em julgado favoravelmente ao contribuinte nos casos em que há superveniência de legislação que amplia o direito reconhecido pelo Poder Judiciário. A decadência, nesse contexto, constituise em uma questão de menor importância, secundária. Não é a matéria em si o objeto do dissenso, mas a execução da sentença em situações como a de que aqui se trata. A decisão de afastar a decadência foi, tão somente, consequência do entendimento de que a ulterior alteração promovida pelo art. 74 da Lei 9.430/96 introduziu no ordenamento jurídico a possibilidade de que o valor do indébito passível de restituição fosse compensado, o que deu ensejo à interpretação de que o pedido de ressarcimento apresentado pelo contribuinte afastou a preclusão temporal do exercício do direito, ainda que a sentença tenha reconhecido, apenas, o direito à compensação e, essas, tenham sido, notadamente, apresentadas, em parte, de forma extemporânea. Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 10680.002403/200558 Acórdão n.º 9303007.446 CSRFT3 Fl. 1.155 12 E, de fato, foi exatamente essa a divergência jurisprudencial reconhecida na análise de admissibilidade do recurso e, consequente, é sobre essa matéria que se estabeleceu a controvérsia de que ora nos ocupamos (efolha 1.138). Como se vê a PFN defende a higidez da coisa julgada, não podendo a administração alterar o seu conteúdo. Este foi exatamente o sentido da decisão proferida no acórdão paradigma. Por sua vez o acórdão recorrido, autorizou o pedido de restituição, sendo que a coisa julgada autorizava a compensação. De forma que entendo confirmada a divergência jurisprudencial. Com essas considerações, concluise que a divergência jurisprudencial foi comprovada. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 1155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.721730/2011-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÃO DE 15% SOBRE NOTA FISCAL OU FATURA DE COOPERATIVA DE TRABALHO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 595.838/SP.
O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 595.838/SP, no âmbito da sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil (CPC), declarou a inconstitucionalidade _ e rejeitou a modulação de efeitos desta decisão _ do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212, de 1991, dispositivo este que previa a contribuição previdenciária de 15% sobre as notas fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.
Numero da decisão: 2402-006.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Denny Medeiros da Silveira e Mauricio Nogueira Righetti.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Denny Medeiros da Silveira (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÃO DE 15% SOBRE NOTA FISCAL OU FATURA DE COOPERATIVA DE TRABALHO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 595.838/SP. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 595.838/SP, no âmbito da sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil (CPC), declarou a inconstitucionalidade _ e rejeitou a modulação de efeitos desta decisão _ do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212, de 1991, dispositivo este que previa a contribuição previdenciária de 15% sobre as notas fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.
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CONTRIBUIÇÃO DE 15% SOBRE NOTA FISCAL OU FATURA DE COOPERATIVA DE TRABALHO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 595.838/SP. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 595.838/SP, no âmbito da sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil (CPC), declarou a inconstitucionalidade _ e rejeitou a modulação de efeitos desta decisão _ do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212, de 1991, dispositivo este que previa a contribuição previdenciária de 15% sobre as notas fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Denny Medeiros da Silveira e Mauricio Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em exercício (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Jamed Abdul AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 17 30 /2 01 1- 92 Fl. 756DF CARF MF 2 Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Denny Medeiros da Silveira (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. Relatório Temse Recurso Voluntário, de fls. 680 a 709, tomado contra Acórdão de fls. 670 a 676, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário conforme lançado. Por bem delinear a causa até a interposição do apelo, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Compõe o presente processo o auto de infração 37.314.0479 (parte patronal – cooperativa de trabalho), lavrado em 22/8/2011, com valor originário (sem multa acessória ou juros), de R$ 130.741,78. Como motivação do lançamento, consta, no Relatório Fiscal de folhas 17 a 24, o seguinte: I DAS CONSIDERAÇÕES INICIAIS 1.1. O presente relatório é parte integrante do Auto de Infração AI de número supracitado, e tem por objeto a narrativa do fato ocorrido e verificado na ação fiscal, que ensejou o lançamento fiscal em referência formalizado no processo 10865721.730/ 201192. 1.2 Em conformidade com o Acórdão n° 1233.583 de 05.10.2010 proferido pela 10a turma da DRJ/RJ Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro, o lançamento anterior Processo 10.865.001581/200927 foi julgado nulo por erro na identificação do sujeito passivo, sendo portanto este LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. ... 1.5. O sujeito passivo identificado em epígrafe que tem como atividade a fabricação de papeis, está sendo notificado através do presente Auto de Infração AI, a recolher à Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB débito no montante de R$ 187.762,15 (Cento e oitenta e sete mil, setecentos e sessenta e dois reais, quinze centavos) consolidado em 22/08/2011, referente à contribuição social prevista no inciso IV, art. 22 da Lei n.° 8.212/91; apurados na empresa CHAMFLORA MOGI GUAÇU AGROFLORESTAL LTDA CNPJ: 44.765.881/000108 cujo mérito está sendo discutido judicialmente nos autos do processo impetrado pelo contribuinte perante a E. Justiça Federal n° 2000.61.05.0096243. ... 1.6. Além disso, foi ajuizada pelo contribuinte uma Medida Cautelar, proposta diretamente perante o E. Tribunal Regional Fl. 757DF CARF MF Processo nº 10865.721730/201192 Acórdão n.º 2402006.600 S2C4T2 Fl. 749 3 Federal da 3a REGIÃO n° 2003.03.00.0772627, na qual foi defendo o pedido da empresa de concessão de liminar, a qual autorizou a efetuar o depósito judicial relativo a contribuição previdenciária acima citada. ... 1.7 Considerando que os débitos reportemse a fatos geradores ocorridos a partir de 01/2006, não há que se falar em decadência em virtude desta notificação ser substitutiva, aplica se ao caso o disposto no inciso II do Art. 173 do CTN: ... 1.8. Visto que o presente crédito está com a sua exigibilidade suspensa em função do contribuinte encontrarse sob o respaldo de medidas liminares. O crédito é constituído com o objetivo de evitar que os valores das contribuições previdenciárias, que estão sendo objeto de discussão judicial e que foram depositados em juízo pelo contribuinte, sejam atingidos pelo instituto da decadência. ... II DAS COOPERATIVAS DE TRABALHO 2.1. Cooperativa de Trabalho, espécie de cooperativa, também denominada cooperativa de mão de obra, é a sociedade formada por operários, artífices, ou pessoas da mesma profissão ou ofício ou de vários ofícios de uma mesma classe, que, na qualidade de associados, prestam serviços a terceiros por seu intermédio. 2.1.1. No decorrer da auditoria fiscal realizada no sujeito passivo, foram constatados serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho que se enquadram na definição supracitada, e identificadas a seguir. RAZÃO SOCIAL CNPJ UNIMED – BAIXA MOGIANA COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO 42.910.966/000142... DO LANÇAMENTO 3.1. Dado o exposto acima, e ao confrontar as informações contidas nas folhas de pagamento, nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e de Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP e na Contabilidade, com os valores recolhidos por meio das Guias da Previdência Social GPS, constatouse que o sujeito passivo deixou de recolher no período de 01/2006 a 12/2008 a contribuição a seu cargo incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviço, relativo a serviços que lhe tenha sido prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho. 3.1.1 Portanto, referese este débito as contribuições previdenciárias parte da empresa incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviço, relativo a serviços que lhe tenha sido prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho médico UNIMED BAIXA MOGIANA. Fl. 758DF CARF MF 4 ... 3.3.1 Para a determinação da Base de Cálculo a ser adotada na Cooperativa de Trabalho UNIMED BAIXA MOGIANA, aplicou se o índice de 30% (trinta por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme disposto na alínea "a" do Inciso I do Art. 291. da IN SRP N° 03, de 14 de julho de 2005. ... A ciência do lançamento se deu em 26/8/2011, conforme folha 3. A impugnação foi apresentada às folhas 620 e seguintes, em 2/9/2011 (folha 665), por procuração, nos seguintes termos: Em preliminar, alega que o Fisco não poderia realizar o lançamento estando a questão subjudice. Entende que as decisões foram claras no impedimento, ao determinar “à autoridade coatora que se abstenha de qualquer ato tendente a compelir as impetrantes a recolherem a contribuição prevista no inciso IV do art. 22 da lei nº 8.212/91, com a redação que lhe atribuiu a Lei nº 9.876/99, porquanto formal e materialmente inconstitucional”. Na pior das hipóteses, o lançamento deveria ser sobrestado aguardando a decisão final na ação judicial. A seguir, alega que, tendo sido intimado em 22/8/2011, estaria decaído o direito de lançamento no período 1/2006 a 7/2006, com base no art. 150, §4º do CTN, posto que o lançamento seria de diferenças de contribuição. Aduz inconstitucionalidade do fundamento legal da exação tendo em vista afronta do instituído pela Lei 9.876/1999 ao art. 195, I, “a” da Constituição Federal. Alega também inconstitucionalidade pela duplicidade de contribuições sobre a mesma base de cálculo, no caso, o Cofins. Entende que tributar sobre o valor bruto da nota fiscal implica em tomar rubricas que não são destinadas à remuneração dos cooperados como base de cálculo de contribuição social previdenciária. Também não haveria substituição tributária, tendo em vista que o tomador recolhe a contribuição em nome próprio. Alega também inconstitucionalidade pela não obediência do art. 195, §4º da Constituição Federal, que exige lei complementar na instituição de novas fontes de custeio previdenciário. Impugna o lançamento de juros uma vez que procede ao depósito judicial regular e mensal da contribuição discutida. Alega que a inclusão dos administradores da empresa no Relatório de Vínculos é ilegal desde a revogação do art. 13 da Lei 8.620/1993 pela Lei 11.941/2009 e que a responsabilização pelo art. 135 do CTN demandaria demonstração de excesso de poderes ou infração à lei, o que não foi feito, nem é o caso do contexto. Fl. 759DF CARF MF Processo nº 10865.721730/201192 Acórdão n.º 2402006.600 S2C4T2 Fl. 750 5 Ao final, pede suspensão do processo, pelo mandado de segurança pendente de julgamento; a insubsistência do débito lançado pela procedência da impugnação; e a exclusão dos juros lançados. Requer também que as decisões e notificações sejam expedidos apenas ao patrono da impugnante, que subscreve a peça. Em seu apelo, reprisa a empresa Recorrente os mesmíssimos argumentos lançados em sua peça de Defesa (fls. 620 a 641), requerendo, ao final, (i) a suspensão do processo, especialmente qualquer ato tendente a cobrança do débito; alternativamente, que (ii) seja acolhido o recurso, julgandoo procedente para declarar a insubsistência do débito apurado ou, ainda, (iii) seja excluída a incidência de juros relativamente aos valores lançados pela fiscalização, uma vez que totalmente indevidos. Protesta pela produção de todas as provas admitidas em direito e a intimação em nome do patrono da recorrente. Juntada nova procuração e alteração contratual às fls. 716/743, vindo o processo a julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. ADMISSIBILIDADE. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade intrínsecos e extrínsecos, merecendo ser conhecido. 2. PRELIMINAR. 2.1. DA SUSPENSÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Compõe o presente processo o auto de infração 37.314.0479 (parte patronal – cooperativa de trabalho), lavrado em 22/8/2011, com valor originário (sem multa acessória ou juros), de R$ 130.741,78. A Recorrente advoga pela suspensão do presente processo até a ultimação da ação judicial nº 2000.61.05.0096243 que segue na Justiça Federal, eis que obteve provimento liminar que a eximia da obrigação de recolhimento das contribuições incidentes sobre faturas de cooperativas de trabalho. Ocorre que tal demanda se resolverá através da repercussão geral declarada nos autos do RE nº 595.838/SP, que firmou entendimento vinculativo favorável a tese recursal como veremos em tópico próprio. Fl. 760DF CARF MF 6 E ainda que não fosse o caso, a decisão judicial em questão não impede o lançamento, tão pouco o seguimento de atos processuais como o presente. As discussões travadas nos autos da ação estão ancoradas em inconstitucionalidade da norma de instituição da exação fato que também excluí a possibilidade de concomitância e não tem impacto sobre o presente processo eis que restaria suspensa apenas a exigibilidade dos créditos advindos da autuação. 2.2. DA DECADÊNCIA. Consta do Relatório Fiscal informação quanto ao fato do presente lançamento ter natureza substitutiva de lançamento anterior que fora anulado por vício formal atraindo a aplicação do Art. 173, II do CTN para fins de contagem de prazo decadencial, entretanto, não identificamos nos autos qualquer ato decisório anterior que pudesse confirmar tal informação. Ante a deficiência informativa indicada, o caminho adequado seria a conversão do julgamento em diligência para que a decisão anulatória mencionada no Relatório Fiscal fosse juntada aos autos. Entretanto, dada a matéria em lide e seu desfecho naturalmente favorável a Recorrente, em atenção a economicidade e eficiência, tal medida assim como o próprio julgamento do tema é dispensável. 3. MÉRITO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DA EMPRESA INCIDENTE SOBRE A NOTA FISCAL OU FATURA DAS COOPERATIVAS DE TRABALHO Tratase de lançamento realizando com fundamento no inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212/91, dispositivo que previa a obrigação de recolhimento de 15% devidos a titulo de contribuição previdenciária devida sobre em razão da contratação de sociedades cooperativas de trabalho e calculados sobre o total da nota fiscal ou fatura. A rubrica foi mantida tendo em conta a vigência plena do dispositivo à época dos fatos. Como veremos adiante a inconstitucionalidade da exação foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, entretanto, ainda que assim não fosse, o lançamento não poderia prosperar. A exação incidiu sobre Planos de Saúde mantidos regularmente por cooperativas de saúde UNIMED BAIXA MOGIANA, que não se confundem com as cooperativas de trabalho. Apesar de posterior, a Lei nº 12.690/12 tratou de conceituar as cooperativas de trabalho, excluindo as Cooperativas de Saúde do conceito. Para que se perceba a diferença, analisando as operações sob a ótica do principio da dupla qualidade, cabe observar que, em essência, existem três espécies de cooperativas, aquelas em que os sócios são clientes da cooperativa, fornecedores de serviços ou produtos entregues ao mercado por meio da cooperativa ou trabalhadores que se utilizam da cooperativa para acesso ao mercado. As cooperativas de saúde suplementar criam planos de saúde com o objetivo de viabilizar aos sócios o fornecimento de serviços médicos ao mercado, sob a sistemática de prépagamento e em conjunto com uma gama de serviços que, não necessariamente, representam trabalho pessoal do sócio, tais como exames, internações, aplicação de medicamentos etc. Já as cooperativas de trabalho, através da sistemática de coordenação e parassubordinação, viabilizam aos sócios meios de disponibilizar sua força de trabalho ao Fl. 761DF CARF MF Processo nº 10865.721730/201192 Acórdão n.º 2402006.600 S2C4T2 Fl. 751 7 mercado, viabilizar o trabalho sem alienação plena de tal força é a razão essencial das Cooperativas deste tipo. Portanto, nas cooperativas que operam planos de saúde, para além do próprio serviço não guardar relação direta com o trabalho do cooperado, este é mero fornecedor de serviços e não trabalhador que coloca sua força de trabalho à disposição do mercado. São situações econômicas, fáticas e jurídicas bem distintas. Citamos tais questões apenas para compartilhar com o colegiado nossa visão sobre matéria especifica e não corriqueiramente posta à julgamento, mas existe outra razão legal para exclusão dos créditos constituídos sobre tais fatos. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 595.838/SP, no âmbito da sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil (CPC), declarou a inconstitucionalidade _ e rejeitou a modulação de efeitos desta decisão _ do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212, de 1991, dispositivo este que previa a contribuição previdenciária de 15% sobre as notas fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99 ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Fl. 762DF CARF MF 8 Tal decisão é vinculativa e deve ser aplicada pelo colegiado nas lides pendentes de julgamento conforme determina o Art. 62 do Anexo II do RICARF, merecendo provimento o Recurso Voluntário. Conclusão. Por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário afastando a preliminar de suspensão do processo, para no mérito dar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado Digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 763DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720293/2014-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2010 a 31/12/2010
MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE E PLANEJAMENTO. PRORROGAÇÃO. INFORMAÇÃO PELA INTERNET. VALIDADE.
O Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, sendo assim irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento, quando não demonstrado o prejuízo ou a preterição ao direito de defesa do contribuinte.
É válida a prorrogação do MPF por intermédio de registro eletrônico, efetuado pela autoridade outorgante, ficando essa informação disponível na Internet para o contribuinte.
MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. IMPOSSIBILIDADE QUALIFICAÇÃO.
De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condiciona-se à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude da contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a qualificação da penalidade,
Numero da decisão: 2401-005.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a qualificadora da multa. Vencidas as conselheiras Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada) e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2010 a 31/12/2010 MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE E PLANEJAMENTO. PRORROGAÇÃO. INFORMAÇÃO PELA INTERNET. VALIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, sendo assim irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento, quando não demonstrado o prejuízo ou a preterição ao direito de defesa do contribuinte. É válida a prorrogação do MPF por intermédio de registro eletrônico, efetuado pela autoridade outorgante, ficando essa informação disponível na Internet para o contribuinte. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. IMPOSSIBILIDADE QUALIFICAÇÃO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condiciona-se à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude da contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a qualificação da penalidade,
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2028; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16004.720293/201459 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.872 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de novembro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente CITRUS JUICE EIRELLI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2010 a 31/12/2010 MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE E PLANEJAMENTO. PRORROGAÇÃO. INFORMAÇÃO PELA INTERNET. VALIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, sendo assim irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento, quando não demonstrado o prejuízo ou a preterição ao direito de defesa do contribuinte. É válida a prorrogação do MPF por intermédio de registro eletrônico, efetuado pela autoridade outorgante, ficando essa informação disponível na Internet para o contribuinte. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. IMPOSSIBILIDADE QUALIFICAÇÃO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude da contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a qualificação da penalidade, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a qualificadora da multa. Vencidas as conselheiras Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada) e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 02 93 /2 01 4- 59 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 16004.720293/201459 Acórdão n.º 2401005.872 S2C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 16004.720293/201459 Acórdão n.º 2401005.872 S2C4T1 Fl. 4 3 Relatório CITRUS JUICE EIRELLI., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 4a Turma da DRJ em Belém/PA, Acórdão nº 0134.469/2017, às efls. 192/202, que julgou procedente o lançamento fiscal, concernente às contribuições previdenciárias devidas à previdência social incidentes sobre a comercialização de produto rural (frutas) adquirido de produtores rurais pessoas fisicas (subrogação) e dos pagamentos realizados ao sócio administrador, não declaradas em GFIP e nem recolhidos, em relação ao período de 03/2010 a 12/2010, conforme Termo de Constatação Fiscal, às fls. 133/143 e demais documentos que instruem o processo, consubstanciado nos Autos de Infração abaixo relatados: Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP nº 51.072.8138 (fls. 109/118): no valor consolidado em 26/11/2014, com multa e juros de R$ 118.321,96 (cento e dezoito mil, trezentos e vinte e um reais e noventa e seis centavos). É constituído pela contribuição SAT/RAT (0,10%) e Rural (2%). Compreende os levantamentos denominados R1 – PRODUTORES RURAIS ANEXO I A (03 a 12/2010) e R2 –PRODUTORES RURAIS ANEXO I B (03 a 12/2010); Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP nº 51.072.8146 (fls. 119/124): no valor consolidado em 26/11/2014, com multa e juros de R$ 322,24 (trezentos e vinte e dois reais e vinte e quatro centavos). É constituído pela alíquota de contribuição do segurado do contribuinte individual (11%). Compreende o levantamento denominado RA – REMUNERAÇ ADMINISTRADOR (10 e 11/2010) e, Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP nº 51.072.8154 (fls. 125/132): no valor consolidado em 26/11/2014, com multa e juros de R$ 11.213,01 (onze mil, duzentos e treze reais e onde centavos). É constituído pela contribuição destinada a terceiros SENAR (0,20%). Compreende os levantamentos denominados R1 –PRODUTORES RURAIS ANEXO I A (03 a 12/2010) e R2 – PRODUTORES RURAIS ANEXO I B (03 a 12/2010). Conforme depreende do Termo de Constatação Fiscal, a auditoria informa ter intimado a empresa em 13/11/2014 para apresentar notas fiscais, recibos, documentos bancários TED/DOC, relativos aos pagamentos realizados a produtores rurais lançados nas contas 211043889 – Fornecedores a pagar, 421010001 – Outras despesas não operacionais e 311010001 –MatériaPrima e a notificada apresentou expediente no qual esclarecia que o Sr. Luis Brás Piovesan era o responsável pela intermediação de compra de frutas e que os valores por ele recebidos foram repassados aos produtores rurais. A notificada é optante pelo Lucro Presumido, no entanto, apresentou escrituração contábil do período. Das Contribuições Incidentes Sobre A Aquisição De Produtos Rurais A empresa não comprovou a retenção da contribuição do produtor rural pessoa física e se tais produtores eram segurados especiais ou empregadores rurais. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 16004.720293/201459 Acórdão n.º 2401005.872 S2C4T1 Fl. 5 4 A planilha denominada de Anexo I demonstra os produtores rurais cujas notas fiscais foram identificadas (Anexo IA, conta contábil n. 311010001 Matéria Prima). No item B estão descritas informações referentes aos lançamentos contábeis de pagamentos ao produtor rural Sr.Luis Brás Piovesan, nas contas contábeis n. 211043889 Fornecedores a pagar e n. 421010001 Outras despesas não operacionais, pagamentos estes em sua maioria feitos por meio de transferências bancárias. Documentos examinados: escrituração contábil do período de 01/2010 a 12/2010, informações do Sistema Informatizado da Receita Federal do Brasil (GIA), Livro de Registro de Entrada e Notas Fiscais. Fundamentação Legal: artigos 25 e 30, da Lei nº 8.212/91. Das Contribuições Lançadas Devidas À Previdência Social Incidentes Sobre Valores Pagos Ao Sócio Administrador Ao analisar a escrituração contábil verificou pagamento realizados ao Sr. Wagner Machado Gonçalves, CPF nº 389.685.06876, sócio administrador da notificada. Fundamentação Legal: artigos 21, § 2º, inciso I e 22, inciso II, da Lei nº 8.212/91. Da Multa Aplicada A Fiscalização informa que as motivações para a aplicação da multa de ofício qualificada (150%) na forma prevista no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, foram as seguintes: O procedimento sistemático e reiterado pelo sujeito passivo, quando deixou de informar em GFIP a comercialização de produto rural adquirido de produtor rural pessoa física e também não informando os valores pagos ao administrador, com o único intuito, em tese, de sonegar, através de ato voluntário e consciente, na busca de omitirse das contribuições devidas, opondose conscientemente ao que determina a lei. Ao não informar tais valores em GFIP, a notificada reduziu, deliberadamente, o valor devido e o subseqüente recolhimento de sua obrigação tributária para com a Seguridade Social. A notificada pretendeu impedir ou retardar o pagamento do tributo, impedindo sua cobrança por parte da RFB. Esta situação se enquadra na previsão do art. 71, da Lei nº 4.502/1964. A contribuinte, regularmente intimada, apresentou impugnação, requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento em Belém/PA entendeu por bem julgar procedente o lançamento, conforme relato acima. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 16004.720293/201459 Acórdão n.º 2401005.872 S2C4T1 Fl. 6 5 Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 215/230, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as razões da impugnação, motivo pelo qual, neste aspecto, adoto o relatório da DRJ, a seguir exposto: Extrapolado O Prazo Para O Término Dos Trabalhos De Fiscalização Aduz que de acordo com a Portaria RFB n° 4.066/2007, nos artigos 12 e 13, o prazo de duração da fiscalização é de 120 dias, podendo ser prorrogado por mais 60 dias e assim sucessivamente, desde que o contribuinte seja cientificado, no entanto, transcorridos 224 dias, contados do início da ação fiscal, não houve prorrogação do MPF, tampouco teve ciência formal de sua prorrogação. Alega que a atuação deve observar os prazos legais previstos para início e encerramento, bem como a ciência do contribuinte para a prorrogação do MPF, seguindo assim padrões éticos de probidade, decoro e boafé, princípios estipulados pela Lei 9.784/99, art. 145 da CF/88, art. 196 do CTN, razão pela qual solicita a nulidade dos créditos previdenciários por flagrante desrespeito às Leis e direitos do contribuinte. Colaciona Acórdãos do Conselho de Contribuinte. Das Supostas Infrações Não concorda com as acusações feitas nos Autos de Infração pela Fiscalização, em especial, a acusação de que age de forma dolosa, por este motivo, impugna os lançamentos, bem como os fatos geradores e solicita a revisão dos valores e da aplicação da penalidade. Da Multa Com Caráter Confiscatório Alega que a ilegalidade e o caráter confiscatório do tributo indevidamente exigido e da multa de 150% (cento e cinquenta por cento), decorre da violação frontal aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, bem como ao disposto no artigo 150, inciso IV, da nossa Constituição Federal, que determina ser vedado ao Estado utilizar tributo com efeito confisco. Por esta razão, pede a exclusão da multa ou a sua redução com base no princípio da proporcionalidade e da razoabilidade. Alfim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar os Autos de Infração, tornandoos sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 16004.720293/201459 Acórdão n.º 2401005.872 S2C4T1 Fl. 7 6 É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINAR NULIDADE PRORROGAÇÃO DO MPF A contribuinte alega ser nula a atuação pois devese observar os prazos legais previstos para início e encerramento, bem como a ciência do contribuinte para a prorrogação do MPF, seguindo assim padrões éticos de probidade, decoro e boafé, princípios estipulados pela Lei 9.784/99, art. 145 da CF/88, art. 196 do CTN, razão pela qual solicita a nulidade dos créditos previdenciários por flagrante desrespeito às Leis e direitos do contribuinte. Sem razão a Recorrente. Isso porque, conforme já observado pela decisão recorrida: Por ocasião da emissão do Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 03/04), estava em vigor a Portaria RFB nº 3.014, de 29/07/2011, e não a Portaria RFB nº 4.066/2007, citada pela impugnante, que tratava do planejamento das atividades fiscais e estabelecia normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) Como se infere dos referidos dispositivos, há a previsão de prorrogação do prazo de validade do MPF, inclusive tantas vezes quantas forem necessárias, sendo que a prorrogação é efetuada por meio eletrônico e essa informação estará disponível na Internet para consulta pelos impugnantes, a partir do código de acesso fornecido com o primeiro MPF lavrado, a dispensar a ciência pessoal do sujeito passivo. No presente caso, foi emitido o MPFF nº 08.10700201400240 2, disponível no sitio da RFB (http://www.receita.fazenda.gov.br), por meio do código de acesso do contribuinte constante do Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 03/04), onde podem ser verificadas também, as eventuais prorrogações efetuadas, todas constantes do campo DEMONSTRATIVO DE PRORROGAÇÃO, importando um total de oito prorrogações. Ademais, a posição predominante neste Conselho é a de que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária. Sendo assim, irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento. Tal posicionamento fica claro pela leitura das duas decisões da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF abaixo transcritas. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 16004.720293/201459 Acórdão n.º 2401005.872 S2C4T1 Fl. 8 7 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. INEXISTÊNCIA QUE NÃO CAUSA NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fisco contribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar inicio ou a levar adiante o procedimento fiscal. A inexistência de MPF para fiscalizar determinado tributo ou a não prorrogação deste não invalida o lançamento que se constitui em ato obrigatório e vinculado.(Acórdão nº 920201.637; sessão de 12/04/2010; Relator Moisés Giacomelli Nunes da Silva) VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF.ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Falhas quanto a prorrogação do MPF ou a identificação de infrações em tributos não especificados, não causam nulidade no lançamento. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e,detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional.(Acórdão nº 920201.757; sessão de 27/09/2011; Relator Manoel Coelho Arruda Junior) Em face do exposto, afasto a preliminar. MÉRITO DO LANÇAMENTO A contribuinte questiona os fatos geradores e solicita a revisão dos valores lançados, mas em nenhum momento da defesa, aponta quais seriam as rubricas que não integrariam o saláriodecontribuição, nem tampouco discrimina os valores efetivamente devidos, qual seria a real base de cálculo das contribuições no seu entendimento, não apresentando provas hábeis a demonstrar a necessidade de revisão dos valores apurados. Sobre esta questão, merece ser ressaltado que alegações genéricas, sem fundamentos concretos, palpáveis, não devem sequer ser apreciadas. A defendente tem o ônus da impugnação específica, vale dizer, deve, em seu instrumento de defesa, contestar pontualmente cada um dos aspectos de sua inconformidade com o lançamento, expondo os motivos de fato e de direito em que se apóia, com as provas que possuir, conforme determina o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/1972. A lavratura dos Autos de Infração ocorreu a partir de situações fáticas concretas, à luz de diversos documentos da empresa, a saber, valores contidos na escrituração contábil, Livro de Registro de Entrada e Notas Fiscais, bem como nas informações do Sistema Informatizado da Receita Federal do Brasil. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 16004.720293/201459 Acórdão n.º 2401005.872 S2C4T1 Fl. 9 8 Por meio do Termo de Constatação e Descrição dos Fatos de fls. 133/141, a Fiscalização informa com precisão os fatos geradores de contribuição, as bases de cálculo lançadas, a origem da exação e os fundamentos legais que deram base para o lançamento efetuado, a partir do exame dos documentos citados no item anterior. Portanto, se vê na imputação fiscal, que a Autoridade Fiscal cumpriu com o ônus probatório que lhe cabia, restando à interessada o ônus de apresentar provas em contrário, das quais não se desincumbiu plenamente. Sobre a prova, diz o Código de Processo Civil (CPC): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fica superado, portanto, o argumento de que os lançamentos merecem a improcedência e/ou arquivamento. MULTA QUALIFICADA Alega que não agiu com dolo, não tendo o fisco comprovado cabalmente a ocorrência de qualquer das circunstâncias agravantes. Afirma não haver prova de que a Recorrente praticou qualquer conduta com o dolo de fraudar o erário público. Sendo multa aplicada no percentual de 150% totalmente desproporcional e confiscatória, por esta razão, pede sua exclusão ou a sua redução. Pois bem! Preambularmente, cumpre transcrever a legislação que fundamentou a exigência da multa no presente lançamento de ofício: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Como se vê, a multa de 75%, prevista no inciso I, acima transcrito, é objetiva e independe da culpa ou dolo do agente. O artigo 136 do Código Tributário Nacional assim diz: Art. 136 Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária Fl. 247DF CARF MF Processo nº 16004.720293/201459 Acórdão n.º 2401005.872 S2C4T1 Fl. 10 9 independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Contudo, a multa qualificada de 150%, em atendimento ao que disciplina o §1º, art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, poderá ser aplicada somente nos casos previstos nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, 1964, que têm a seguinte redação: Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão, dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou deferir o seu pagamento. Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no art. 71 e 72. A sonegação pode se dar em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à fazenda pública, um propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Na sonegação sempre existe o dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública. Para ser enquadrado neste conceito, basta o contribuinte agir com dolo na desobediência da lei fiscal. A sonegação impede a apuração da obrigação tributária principal diante da ocultação de bens ou de fatos jurídicos à incidência fiscal (fato gerador já realizado) enquanto na figura da fraude a ação ou omissão visa escamotear o pagamento do imposto devido reduzilo, evitálo ou retardálo. Depreendese dos dispositivos acima transcritos que para aplicação da multa qualificada deve existir o elemento fundamental de caracterização que é o evidente intuito de fraudar ou de sonegar. Ainda de acordo com os dispositivos legais acima transcritos, impõese à autoridade lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação de regência em casos de imputação da multa qualificada, que somente poderá ser levada a efeito quando àquela estiver convencida do cometimento do crime (dolo, fraude ou sonegação), devendo, ainda, relatar todos os fatos de forma pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a devida análise da conduta que lhe está sendo atribuída e, bem assim, ao procurador de que o delito efetivamente praticado. Em outras palavras, não basta a indicação da conduta dolosa, fraudulenta, a partir de meras presunções e/ou subjetividades, impondo a devida comprovação por parte da autoridade fiscal da intenção prédeterminada do contribuinte, demonstrada de modo concreto, sem deixar margem a qualquer dúvida, visando impedir/retardar o recolhimento do tributo devido. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 16004.720293/201459 Acórdão n.º 2401005.872 S2C4T1 Fl. 11 10 Este entendimento, aliás, encontrase sedimentado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: MULTA AGRAVADA – Fraude – Não pode ser presumida ou alicerçada em indícios. A penalidade qualificada somente é admissível quando factualmente constatada as hipóteses de fraude, dolo ou simulação. (8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10807.561, Sessão de 16/10/2003) (grifamos) MULTA QUALIFICADA – NÃO CARACTERIZAÇÃO – Não tendo sido comprovada de forma objetiva o resultado do dolo, da fraude ou da simulação, descabe a qualificação da penalidade de ofício agravada. (2ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10245.625, Sessão de 21/08/2002) MULTA DE OFÍCIO – AGRAVAMENTO – APLICABILIDADE – REDUÇÃO DO PERCENTUAL – Somente deve ser aplicada a multa agravada quando presentes os fatos caracterizadores de evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, fazendose a sua redução ao percentual normal de 75%, para os demais casos, especialmente quando se referem à infrações apuradas por presunção. (8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10807.356, Sessão de 16/04/2003) (grifamos) Na esteira desse raciocínio, ratificando posicionamento pacífico do então 1º Conselho de Contribuintes, o CARF consagrou de uma vez por todas o entendimento acima alinhavado, editando a Súmula nº 14, determinando que: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a QUALIFICAÇÃO da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo Pois bem. Ao meu ver, para aplicar a multa qualificada é necessária a prova da evidente intenção de sonegar ou fraudar, condição imposta pela lei. A prova deve ser material, pois o evidente intuito de sonegação não pode ser presumido. Não basta a prova da falta de recolhimento da contribuição devida, tampouco meros indícios; é necessária que estejam perfeitamente identificadas e comprovadas a circunstância material do fato, com vistas a configurar o evidente intuito de sonegar, relativamente a cada fato gerador do imposto. Assim, é nesse ponto que não concordo com o posicionamento adotado pela autoridade autuante, pois não consigo identificar a intenção dolosa de ocultar, mesmo que considerássemos que a intenção final fosse a diminuição das contribuições a serem pagas. A qualificação da multa não pode atingir aqueles casos em que o sujeito passivo age de acordo com as suas convicções, deixando às claras o seu procedimento, posto que resta evidente a falta de intenção de iludir, em nada impedindo a Fiscalização de apurar os fatos e de firmar suas convicções. Conforme mencionado no item anterior, o lançamento ocorreu à luz de diversos documentos da empresa, a saber, valores contidos na escrituração contábil, Livro de Registro de Entrada e Notas Fiscais, bem como nas informações do Sistema Informatizado da Receita Federal do Brasil, ou seja, não houve qualquer impedimento a fiscalização. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 16004.720293/201459 Acórdão n.º 2401005.872 S2C4T1 Fl. 12 11 No presente caso, o Sr. Fiscal assim dispôs: A motivação para aplicação da multa de ofício qualificada foi a forma sistemática e reiterada do procedimento adotado pelo contribuinte que, no ano de 2010, deixou de informar em GFIP a comercialização de produto rural adquirido de produtor rural pessoa física e também não informou os valores pagos ao administrador, com o único intuito, em tese, de sonegar, através de ato voluntário e consciente, na busca de omitirse das contribuições devidas, opondose conscientemente ao que determina a lei. Entendo, contudo, que tal entendimento não merece prosperar. A simples menção, no Relatório Fiscal, ao fato de ter a Recorrente cometido o mesmo o erro repetidamente não é suficiente, na visão deste Relator, para a caracterização do dolo exigido pela lei para majorar a multa de ofício. Entendimento semelhante possui a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que a mera conduta reiterada do contribuinte não é suficiente para caracterização de conduta dolosa, fraude ou simulação, sendo necessária a demonstração cabal das mesmas, vejamos: IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA E RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. SIMPLES CONDUTA REITERADA E/OU MONTANTE MOVIMENTADO. IMPOSSIBILIDADE DE QUALIFICAÇÃO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera o agravamento da multa, sobretudo quando a autoridade lançadora utiliza como lastros à sua empreitada a simples reiteração da conduta e/ou o volume/montante da movimentação bancária do contribuinte, fundamentos que, isoladamente, não se prestam à aludida imputação, consoante jurisprudência deste Colegiado. Recurso especial negado. (CSRF. Acórdão 9202003.644 – 2ª Turma. Sessão de 04.03.2015) [...] Ora, não faria sentido que aquele que tem a intenção de lesar o Fisco mediante o recolhimento a menor de contribuições previdenciárias informasse em sua contabilidade a operação e o valores. Dessa forma, entendo que deve ser desqualificada a multa de ofício, reduzindoa para o percentual de 75%. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 16004.720293/201459 Acórdão n.º 2401005.872 S2C4T1 Fl. 13 12 Por todo o exposto, estando o Auto de Infração, sub examine, em consonância parcial com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO para rejeitar a preliminar e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para afastar a qualificadora da multa, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 251DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.902854/2012-87
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/11/2004
JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA.
Somente devem ser observados os entendimentos jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/11/2004
DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. JUNTADA DE PROVAS. DESNECESSIDADE.
Deve ser indeferido o pedido de diligência e/ou perícia, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Ao indicar como crédito um pagamento indevido, destacando, inclusive, as informações constantes do Darf pleiteado, sem proceder a qualquer retificação, não há como transmudar a vontade expressa na Dcomp transmitida, sendo desnecessária a diligência e/ou perícia, bem assim a eventual juntada de novas provas.
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APRESENTAÇÃO DE RECURSO.
As reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário.
VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES.
Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferi-lo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/11/2004
DIPJ E DACON. NATUREZA JURÍDICA.
A DIPJ possui natureza meramente informativa. A Dacon não é declaração, mas demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de divida, por expressa inexistência de disposição legal.
ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ.
O descumprimento da obrigação de retificar a DCTF não enseja a perda do direito creditório, desde que o verdadeiro valor devido possa ser confirmado pela fiscalização através de outros meios que estivessem à disposição da Fiscalização e após intimação regular da interessada para realizar retificação de suas declarações. O não-atendimento pelo contribuinte desta intimação, gera a não-homologação da compensação declarada.
PER/DCOMP. DÉBITO DECLARADO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Oportunizada, em face do exercício do contraditório, com a trazida da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário, a apresentação de documentos pela empresa interessada e não apresentado qualquer documento capaz de afastar a conclusão contida no despacho decisório contestado, mantém-se o indeferimento da restituição da contribuição para o PIS, por inexistência do crédito indicado em Per/Dcomp.
Numero da decisão: 3001-000.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/11/2004 JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. Somente devem ser observados os entendimentos jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/11/2004 DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. JUNTADA DE PROVAS. DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de diligência e/ou perícia, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Ao indicar como crédito um pagamento indevido, destacando, inclusive, as informações constantes do Darf pleiteado, sem proceder a qualquer retificação, não há como transmudar a vontade expressa na Dcomp transmitida, sendo desnecessária a diligência e/ou perícia, bem assim a eventual juntada de novas provas. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APRESENTAÇÃO DE RECURSO. As reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferi-lo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/11/2004 DIPJ E DACON. NATUREZA JURÍDICA. A DIPJ possui natureza meramente informativa. A Dacon não é declaração, mas demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de divida, por expressa inexistência de disposição legal. ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ. O descumprimento da obrigação de retificar a DCTF não enseja a perda do direito creditório, desde que o verdadeiro valor devido possa ser confirmado pela fiscalização através de outros meios que estivessem à disposição da Fiscalização e após intimação regular da interessada para realizar retificação de suas declarações. O não-atendimento pelo contribuinte desta intimação, gera a não-homologação da compensação declarada. PER/DCOMP. DÉBITO DECLARADO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA. Oportunizada, em face do exercício do contraditório, com a trazida da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário, a apresentação de documentos pela empresa interessada e não apresentado qualquer documento capaz de afastar a conclusão contida no despacho decisório contestado, mantém-se o indeferimento da restituição da contribuição para o PIS, por inexistência do crédito indicado em Per/Dcomp.
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Somente devem ser observados os entendimentos jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2004 DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. JUNTADA DE PROVAS. DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de diligência e/ou perícia, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Ao indicar como crédito um pagamento indevido, destacando, inclusive, as informações constantes do Darf pleiteado, sem proceder a qualquer retificação, não há como transmudar a vontade expressa na Dcomp transmitida, sendo desnecessária a diligência e/ou perícia, bem assim a eventual juntada de novas provas. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APRESENTAÇÃO DE RECURSO. As reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferi lo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 28 54 /2 01 2- 87 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10935.902854/201287 Acórdão n.º 3001000.545 S3C0T1 Fl. 90 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2004 DIPJ E DACON. NATUREZA JURÍDICA. A DIPJ possui natureza meramente informativa. A Dacon não é declaração, mas demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de divida, por expressa inexistência de disposição legal. ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ. O descumprimento da obrigação de retificar a DCTF não enseja a perda do direito creditório, desde que o verdadeiro valor devido possa ser confirmado pela fiscalização através de outros meios que estivessem à disposição da Fiscalização e após intimação regular da interessada para realizar retificação de suas declarações. O nãoatendimento pelo contribuinte desta intimação, gera a nãohomologação da compensação declarada. PER/DCOMP. DÉBITO DECLARADO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA. Oportunizada, em face do exercício do contraditório, com a trazida da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário, a apresentação de documentos pela empresa interessada e não apresentado qualquer documento capaz de afastar a conclusão contida no despacho decisório contestado, mantémse o indeferimento da restituição da contribuição para o PIS, por inexistência do crédito indicado em Per/Dcomp. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 0254.303, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte DRJ/BHE que, em sessão de julgamento realizada no dia 24.03.2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado em Per/Dcomp 27125.20765.041209.1.2.043590, transmitido em 04.12.2009. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10935.902854/201287 Acórdão n.º 3001000.545 S3C0T1 Fl. 91 3 Da síntese dos fatos Por bem sintetizar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido (efls. 69 a 72), verbis: Relatório O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito nele declarado em razão de pagamento indevido ou a maior de Cofins nãocumulativo, relativo ao fato gerador de 30/11/2004. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu Despacho Decisório eletrônico no qual indefere a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito da empresa, não restando crédito disponível. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 10/10/2012 (fl. 65), o contribuinte apresentou, em 09/11/2012, a manifestação de inconformidade de fls. 2/4, alegando, em síntese, que a origem do crédito pode ser confirmada no Dacon retificador transmitido em 30/11/2009, no qual consta que não foi apurado débito para o período em questão, restando indevido o pagamento realizado. Informa que se equivocou em não retificar a DCTF em tempo hábil e que tentou retificála após receber o despacho decisório, não obtendo êxito devido a limitações de transmissão de arquivos para o sistema da RFB. Por fim, requer seja reconhecido o crédito pleiteado e determinada a sua restituição. É o relatório. Da ementa da decisão recorrida A 1ª Turma da DRJ/BHE, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o citado acórdão de manifestação de inconformidade, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2004 RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. Na ausência de provas, o Dacon retificador, com valores divergentes daqueles declarados em DIPJ e em DCTF, não pode ser considerado instrumento hábil para conferir certeza e liquidez ao crédito indicado no pedido de restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da ciência Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10935.902854/201287 Acórdão n.º 3001000.545 S3C0T1 Fl. 92 4 O contribuinte, conforme depreendese do "COMUNICADO Nº 293/2014" de efl. 74, corroborado pelo Aviso de Recebimento "AR" de efl. 75, conheceu do teor do acórdão vergastado em 10.04.2014, razão pela qual, irresignado com a decisão recorrida, em 12.05.2014, conforme depreendese do carimbo de protocolo aposto na "Folha de Rosto" do presente recurso voluntário (efls. 77 a 85), apresentou respectiva petição recursal. Do recurso voluntário Ciente da decisão a quo, e com ela inconformado, o recorrente apresentou recurso voluntário, através de patrono legitimamente constituído, pugnando pela reforma do acórdão da 1ª Turma da DRJ/BHE. Nesta petição recursal, além de repisar os fatos que ensejaram a transmissão do referido Per/Dcomp e os argumentos apresentados na sua manifestação de inconformidade, notadamente para reafirmar o equívoco relativo a não retificação da DCTF e a para confirmar a apresentação de Dacon retificadora, como elemento de prova do pagamento indevido, salienta que existe jurisprudência administrativa, no âmbito do Carf, que admite "a retificação da DIPJ no decorrer do processo de compensação para possibilitar que a parte interessada aponte de forma correta, o saldo negativo (...)". Diante do alegado, requer: (i) a reforma da decisão prolatada, que não homologou o pedido de restituição; (ii) a determinação do retorno dos autos a DRF/Cascavel, para que aprecie a matéria em litígio, levando em consideração as declarações retificadoras; (iii) a produção de provas, por todos os meios em direito admitidos, especialmente a pericial; (iv) que o presente recurso seja recebido nos efeitos suspensivos e devolutivo; e (v) que seja dado provimento ao pleito para reconhecer seu direito creditório e homologar a restituição objeto do presente Per/Dcomp. Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao CARF em 14.05.2014 (efl. 88), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro o processamento do presente feito. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10935.902854/201287 Acórdão n.º 3001000.545 S3C0T1 Fl. 93 5 Observo que, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017, este colegiado é competente para apreciar o presente feito. Da tempestividade O recurso voluntário foi apresentado em 12.05.2014, depois da ciência do acórdão recorrido, ocorrida em 10.04.2014; portanto, a petição recursal é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dela conheço. Preâmbulo I Da produção de prova, diligência e/ou perícia No processo administrativo fiscal a autoridade julgadora não está obrigada a deferir pedidos de realização de diligência ou perícia requeridas. A teor do disposto no artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.748, de 1993, tais pedidos somente são deferidos quando necessários à formação de convicção do julgador. Frisese, a produção de provas, a realização de perícia ou diligência deve ser efetivada para a elucidação de fatos e/ou complementação de prova, isso tudo à critério da autoridade que realiza o julgamento do processo. Não obstante convém relembrar sobre a legislação que trata do momento da produção de prova. Para tanto, o Processo Administrativo Fiscal (PAF D. 70.235/72) esclarece que cabe ao interessado carrear aos autos os documentos que permitem corroborar suas alegações defensivas, verbis: (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) Desta feita, não constatando a apresentação de qualquer novo documento que corrobore e sustenta suas alegações recursais e não demonstrando quaisquer das situações tipificadas no parágrafo 4º, do artigo 16, do PAF, dáse a preclusão. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10935.902854/201287 Acórdão n.º 3001000.545 S3C0T1 Fl. 94 6 Veja, ao declarar que dispunha de crédito pago indevidamente, o recorrente assume a incumbência de demonstrar sua liquidez e certeza, no entanto, assim não procedeu. Por fim evidenciase também que afora a dita preclusão processual, conforme se verá adiante, não há questão de fato a ser elucidada. Portanto, é de se concluir pelo indeferimento do presente pleito. Preâmbulo II Da jurisprudência administrativa Cabe esclarecer que, no que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos jurisprudenciais indicados pelo recorrente, somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do artigo 100 do Código Tributário Nacional CTN. Porém, não obstante a prescrição legal acima evidenciada, cabe assentar que a doutrina interpreta o chamado "direito líquido e certo" aquele cujos aspectos de fato possam comprovarse documentalmente, entendimento este corroborado por robusta jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme exemplificam as ementas transcritas, verbis: DIREITO CREDITÓRIO RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO O sujeito passivo tem direito à restituição e/ou compensação de tributo pago/retido a maior que o devido em face da legislação tributária ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. Entretanto, deve comprovar com documentos hábeis e idôneos o indébito efetivamente apurado. Recurso Voluntário Procedente em Parte (1º CC, 1ª Câmara, Rec. Voluntário nº 160140, Proc. nº 10283.001953/9814, Rel. Valmir Sandri, Acórdão nº 10197098, Sessão de 19/12/2008) COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração contábil e fiscal e documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. (Acórdão 380302.491 3ª Turma Especial, Terceira Seção do CARF, processo administrativo 10467.902984/200988) Preâmbulo III Da suspensão da exigibilidade Embora nestes autos em nenhum momento aventouse a hipótese da interrupção da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, em face da não homologação da restituição pleiteada pelo contribuinte, em respeito ao recorrente tratarseá do tema em breves linhas. Vejase, a partir de 31.10.2003, com a edição da Medida Provisória nº 135 convertida na Lei nº 10.833, ambas de 2003, a suspensão da exigibilidade de débito compensado tornouse possível, pois a declaração em Per/Dcomp, feita pelo contribuinte passou a ter caráter de confissão de dívida e ser instrumento hábil e suficiente para a exigência Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10935.902854/201287 Acórdão n.º 3001000.545 S3C0T1 Fl. 95 7 dos créditos informados como recolhidos a maior ou indevidamente e/ou dos débitos indevidamente compensados. Neste passo, o inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25.10.1966), dispõe que as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. Neste contexto, é suficiente reafirmar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em questão até que ocorra sua definitividade na esfera administrativa. Preâmbulo IV Do princípio da verdade material O recorrente pretende fundamentar a reforma do acórdão recorrido, bem assim seu pedido de produção de prova, diligência e perícia, no recorrentemente aventado princípio da verdade material. No entanto, como sobejamente demonstrado no voto condutor do acórdão recorrido, o motivo do indeferimento do pretendido direito creditório reside no fato de a autoridade competente da DRF/Cascavel constatar, após exame nos sistemas informatizados da RFB, que o valor do referido crédito, pleiteado que foi em Per/Dcomp, a "partir das características do DARF discriminado (...), foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Mais, que analisados os pretensos elementos de prova carreados aos presentes autos, verificouse que se mostraram insuficientes para comprovar o direito creditório alegado. Diante destas constatações e o que dos autos consta, aí também aliado aos corretos fundamentos da decisão recorrida, advogo o entendimento segundo o qual não é papel deste colegiado recursal conceder infindáveis oportunidades para que o contribuinte transponha aos autos documentos e/ou informações que venham confirmar seu direito, digo isto pois entendo que tal concessão importaria em desrespeito aos prazos estabelecidos na legislação processual de regência, como vimos anteriormente. Prosseguindo um pouco mais, podese dize ainda que é comezinho a obrigação do sujeito passivo, desde a feitura de seu pleito reivindicatório, passando pela sua manifestação de inconformidade, municiar sua pretensão em documentos hábeis suficientes para evidenciar a liquidez e certeza do crédito tributário cuja restituição postula. Por isso, e não por outra razão, é que a legislação impõe ao contribuinte o dever de demonstrar sua liquidez e certeza. De outra forma dizendo, é ônus do sujeito passivo e não da Administração Tributária tal mister. Desta feita, não se pode, sob o pálio da "verdade material" suplantar toda e qualquer regra processual aplicável ao processo administrativo fiscal federal a fim de, ao arrepio, dentre outros, do princípio da isonomia, permitir seja desbancada a competência originária da autoridade fiscal ou mesmo do colegiado recorrido, para fins de substituir tarefa que competia ao sujeito passivo, seja espontaneamente ou mesmo depois de provocado, em face das sucessivas rejeições da sua pretensão. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10935.902854/201287 Acórdão n.º 3001000.545 S3C0T1 Fl. 96 8 Portanto, não é correto afirmar que a aventada a menor rigidez dos prazos para a produção de prova tenha o condão de sobrepujar determinadas regras, vez que o primado da "verdade material", na medida em que autoriza o julgador apreciar provas e/ou indícios não contemplados pela instância a quo, impõe que estas tenham sido produzidas no momento oportuno, o que não se observa nestes autos, uma vez que não foram produzidas. Do mérito É fato inconteste que o indeferimento do presente pedido de restituição, pela unidade fiscal de origem, tem motivação no fato de o pagamento mencionado no Per/Dcomp ter sido integralmente utilizado para quitar débito de Cofins não cumulativo, declarado para o período de 30.11.2004, não restando, portanto, saldo disponível para ser restituído. Da DCTF original, referente ao mesmo período de apuração, observase que o contribuinte vincula integralmente o Darf discriminado no presente Per/Dcomp a débito de Cofins nãocumulativo declarado. Por sua vez, o contribuinte informa que não transmitiu DCTF retificadora, mas que apresentou, em 30.11.2009, Dacon retificador, que, ao seu talante, evidenciaria a inexistência de PIS nãocumulativo a pagar e, por conseguinte, comprovaria a existência do crédito pleiteado. No entanto, o voto condutor do acórdão recorrido adverte, corretamente, "que na DIPJ/2005 ativa, retificada em 23.12.2008, o contribuinte declarou o mesmo valor devido que consta na DCTF original, isto é, R$ 14.271,35", evidenciando, portanto "divergências não esclarecidas entre os valores informados pelo interessado nas declarações encaminhadas à RFB (DCTF, DIPJ e Dacon ativos)". Desta feita, didaticamente, a relatora do voto condutor da decisão a quo pontua que, não obstante o "no Dacon retificador o contribuinte não informe valor a pagar de Cofins nãocumulativo para o período em questão, na ausência de outras provas, essa declaração não pode ser considerada, por si só, instrumento hábil para conferir certeza e liquidez ao crédito indicado no pedido de restituição". Ressalta que "os valores declarados em DCTF, a teor do que dispõe o DecretoLei nº 2.124, de 1984, em seu art. 5º, §1º, constituem confissão de dívida, sendo tal declaração o documento que comunica a existência de crédito tributário, instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. O Dacon e a DIPJ, por outro lado, são instrumentos hábeis para a consolidação e a apuração de Cofins nãocumulativo para o período de 31.11.2004". Diante desta premissa, a relatora, de maneira absolutamente clara, concluiu que a "apresentação de Dacon retificador, com redução do valor do débito anteriormente confessado e com valores divergentes daqueles informados em outras declarações, não basta para justificar a reforma da decisão de indeferimento de restituição", posto que "fazse mister a prova inequívoca de que houve erro de fato no preenchimento da DCTF, isto é, de que o valor correto do débito é aquele constante no Dacon retificador". Portanto, constatase no caso ora sob exame que o acórdão recorrido, analisando em sua completude o conteúdo da manifestação de inconformidade que tratava da não homologação da compensação declarada, fez questão de esclarecer que não bastava ao contribuinte, para fins de averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido, a trazida aos autos somente do "Dacon retificador, com valores divergentes daqueles declarados Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10935.902854/201287 Acórdão n.º 3001000.545 S3C0T1 Fl. 97 9 em DIPJ e DCTF", desacompanhado de "documentos comprobatórios", ou seja, aqueles que "atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito, visto que, sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado". Neste ponto, importa reforçar que o Dacon se trata de demonstrativo e não configura uma confissão de divida. De fato, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 387, de 2004, foi ele instituído como Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais, com objetivos semelhantes ao Livro de Apuração do Lucro Real Lalur, para fins do imposto de renda da pessoa jurídica tributada com base no lucro real. É o que se infere dos controles que são exigidos na Instrução Normativa referida, verbis: (...) Art. 3º O sujeito passivo deverá manter controle de todas operações que influenciem a apuração do valor devido das contribuições referidas no art. 2º e dos respectivos créditos a serem descontados, deduzidos, compensados ou ressarcidos, na forma dos arts. 2º, 3º, 5º, 5ºA, 7º e 11 da Lei nº 10.637, de 2002, dos arts. 2º, 3º, 4º, 6º, 9º e 12 a Lei nº 10.833, de 2003, especialmente quanto: I as receitas sujeitas à apuração da contribuição em conformidade com o art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e com o art. 2º da Lei nº 10.833, de2003; II as aquisições e aos pagamentos efetuados a pessoas jurídicas domiciliadas no Pais; III aos custos, despesas e encargos vinculados eis receitas referidas no inciso I; IV aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas de exportação e de vendas a empresas comerciais exportadoras com fim especifico de exportação, que estariam sujeitas a apuração das contribuições em conformidade com o art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e com o art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003, caso as vendas fossem destinadas ao mercado interno; e V ao estoque de abertura, nas hipóteses previstas no art. 11 da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 12 da Lei nº 10.833, de 2003. Parágrafo único. O controle a que se refere o caput deverá abranger as informações necessárias para a segregação de receitas referida no § 8º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, observado o disposto no art. 100 da Instrução Normativa nº 247, de 21 de novembro de 2002. (...) Tanto o é que sua apresentação não dispensa a informação dos valores correspondentes em DCTF, como evidenciado a partir da Instrução Normativa SRF nº 583, de Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10935.902854/201287 Acórdão n.º 3001000.545 S3C0T1 Fl. 98 10 2005, que passou a impor a retificação do Dacon, nos casos em que a retificação da DCTF acarretasse a alteração de valores também informados naquele demonstrativo, verbis: (...) Art. 12. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. (...) § 12 A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. (...) Art. 62 A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. Concluise daí que, ao contrário da DCTF, o Dacon possui apenas caráter informativo e os valores nele expressos não configuram confissão de divida, por inexistência de disposição legal. Ultrapassada a contextualização fático, esclareço, por oportuno que este colegiado, atento à hodierna tendência de se mitigar os rigores das regras preclusivas contidas no processo administrativo fiscal, para o fim de acolher provas apresentadas nesta instância recursal, entende que para aplacarse tais regras, o comportamento do sujeito passivo é determinante. Melhor dizendo, estando o contribuinte, como é o caso em apreço, ciente dos motivos pelos quais os elementos de prova coligidos aos autos não foram considerados hábeis e suficientes para seu desiderato, era seu o dever demonstrar que envidou o esforço no sentido de sanar as lacunas probatórias aventadas na decisão recorrida. No entanto, o recorrente, ao manterse fiel à linha argumentativa, mesmo sabedor que o fundamento da decisão recorrida assentouse na ausência de documentos que corroborassem sua pretensão, preferiu agir de forma não proativa, ao deixar de se empenhar em provar o direito que alega possuir, impedindo, in totum, que este julgador aventasse, quiçá, a hipótese de conversão deste julgamento em diligência, com supedâneo no novel princípio da cooperação, que atualmente tem redação implementada pelo artigo 6º da Lei nº 13.105, de 16.03.2015 Novo Código de Processo Civil, que afirma que "todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva". Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10935.902854/201287 Acórdão n.º 3001000.545 S3C0T1 Fl. 99 11 Em suma, constatase que no caso destes autos, o alegado indébito não foi correta e suficientemente demonstrado e provado. Estando o débito tributário formalmente constituído, para que se pudesse infirmálo seria necessária prova de sua inexatidão, pois, neste caso, o ônus da prova cabe ao interessado artigo 36 da Lei nº 9.784, de 31.01.1999 Lei de Procedimento Administrativo e inciso I do artigo 373 da Lei nº 13.105, de 16.032015 Código de Processo Civil CPC. Sem os devidos elementos de prova hábeis do direito creditório do recorrente, atento aos requisitos de certeza e liquidez do crédito, previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional CTN Lei nº 5.172, de 25.10.1966, mostrase impraticável desconstituir o que formalmente foi constituído, pelo próprio contribuinte, por meio da DCTF original e tempestivamente entregue. Portanto, não há dúvida de que o despacho decisório Nº de Rastreamento 038070845 foi corretamente exarado e o acórdão recorrido não merece qualquer ressalva. Da conclusão Com estas considerações, voto por conhecer do Recurso Voluntário interposto, para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 99DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.724033/2013-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.527
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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RECOF. SUSPENSÃO DO PIS/COFINS. Recorrente WIPRO DO BRASIL INDUSTRIAL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). RELATÓRIO Por bem descrever os fatos do presente processo, reproduzo fragmentos do relatório da DRJ: Tratase de Pedido de Restituição de suposto pagamento indevido ou a maior formalizado em papel. Na apreciação do Pedido de Restituição, por meio do Despacho Decisório (...), a autoridade fiscal disse que, na inicial, a contribuinte destacou que um de seus principais clientes é a empresa Caterpillar Brasil Ltda, a qual, consoante Ato Declaratório Executivo ADE SRF nº 8, de 18/03/2004, é pessoa jurídica homologada no RECOF –Regime Aduaneiro de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .7 24 03 3/ 20 13 -8 5 Fl. 347DF CARF MF Processo nº 13888.724033/201385 Resolução nº 3201001.527 S3C2T1 Fl. 3 2 Explicou que, a Caterpillar, por ser homologada no RECOF, seu cliente usufrui, além da não incidência do IPI e ICMS, da suspensão do PIS e COFINS e ainda, informou que a peticionante, como fornecedor da Caterpillar, não aplicou a suspensão prevista em relação ao PIS e COFINS, apurando tais tributos a maior e os extinguindo por meio de compensação (Declaração de Compensação – DCOMP) com saldo de crédito proveniente de ressarcimento de IPI. O Auditorfiscal observou que no presente processo a interessada não pagou ou recolheu qualquer débito por meio de DARF ou GPS, mas, sim, realizou a declaração de compensação de débito de COFINS com crédito de ressarcimento de IPI, por meio de apresentação de DCOMP com crédito de ressarcimento de IPI e ainda: Embora tanto o pagamento como a compensação sejam modalidades de extinção do crédito tributário – conforme incisos I e II, do artigo 156 do CTN –, tais modalidades possuem institutos jurídicos distintos, não sendo possível a aplicação de um em outro. Tanto é assim que a compensação tem seu regramento fundamentado nos artigos 170 e 170A, os quais estão disciplinados, na esfera federal, no artigo 74 da Lei 9.430/96. Quanto ao pagamento, o regramento está disciplinado nos artigos 157 a 164 do CTN, e a restituição de eventual pagamento indevido encontrase nos artigos 165 a 169 do aludido diploma legal. A autoridade administrativa explicou que o crédito utilizado na compensação de débitos não se originou de pagamento indevido ou a maior, mas, sim, de ressarcimento de IPI e que ressarcimento não é sinônimo de restituição, uma vez que o ressarcimento tem natureza de beneficio fiscal, o qual decorre de política estatal, não havendo um prévio pagamento indevido ou a maior. Já a restituição pressupõe a existência de um prévio pagamento indevido, que foi, de fato, recolhido pelo contribuinte e completou: Portanto, além de a pretensão do contribuinte não se tratar de restituição de pagamento indevido ou a maior, tampouco a DCOMP, declarada pelo contribuinte, estava amparada em crédito de pagamento indevido ou a maior. Observou, também, que embora a contribuinte tenha solicitado a restituição do crédito (ressarcimento) informado sem amparo legal, não caberia atualização por falta de previsão legal. Situação diferente de quando o crédito é originado de pagamento indevido ou a maior, hipótese em que há previsão legal de atualização. O Auditorfiscal entendeu que outro óbice ao pedido seria o pedido ter sido protocolizado após a homologação da DComp pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, fato jurídico que não permitiria a retificação da DComp e a consequente redução do valor do débito, isto porque, a compensação declarada só poderá ser retificada na hipótese de a mesma se encontrar pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. (...) Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade (...), tecendo seus argumentos conforme segue: Inicialmente informa que a RKM Equipamentos Hidráulicos S/A passou a se denominar WIPRO DO BRASIL INDUSTRIAL S/A. Após narrar os fatos contidos no processo, faz a abertura de sua argumentação em fase preliminar: Fl. 348DF CARF MF Processo nº 13888.724033/201385 Resolução nº 3201001.527 S3C2T1 Fl. 4 3 Da possibilidade de deferimento do pedido de restituição no formato realizado 1) Quitação dos tributos por meio de compensação de crédito de ressarcimento de IPI – crédito oriundo do princípio da nãocumulatividade que pressupõe o pagamento antecipado pelo contribuinte 2) Artigo 165 do CTN que não contempla a restrição proposta – 3) Prevalência do direito material sobre o rigor formal – 4) Violação dos princípios que regem a Administração Pública (artigo 2º e seguintes da Lei nº 9.784/99) Explica que a negativa preliminar proposta pela autoridade fiscal se pauta no sentido da impossibilidade de deferimento do pedido de restituição formulado, uma vez que o indébito sustentado decorreu de uma compensação a maior realizada com crédito de ressarcimento de IPI e não por meio de recolhimento em DARF ou GPS. Para basear sua tese, sustenta que a IN RFB nº 1300/2012 apenas permite a restituição de valores pagos pelos contribuintes por meio de DARF ou GPS. Ainda, que a liquidação por meio de compensação de crédito de ressarcimento de IPI não permitiria aludido pleito, uma vez que o ressarcimento teria natureza de benefício fiscal decorrente de política estatal, enquanto que a restituição pressupõe um prévio pagamento indevido, seu cliente (Caterpillar) está habilitado no regime do RECOF, ele, como fornecedor, deveria ter efetuado a venda com suspensão do PIS e COFINS. (...). Entende que os créditos originados dos pedidos de ressarcimento de IPI não decorrem de benefício fiscal, mas sim do estrito atendimento ao princípio da nãocumulatividade previsto na Constituição Federal, que visa evitar o efeito cascata da incidência tributária e não possui qualquer caráter de benesse estatal. Argúi que o caso em comento não guarda qualquer relação com o processo de ressarcimento de IPI, mas com pedido de restituição da COFINS que foi quitada por meio de PER/DCOMP com origem no ressarcimento de IPI. Sob essa premissa, o que foi pugnado junto à União Federal é a devolução de valor efetivamente quitado da COFINS, cujo montante restou reduzido após a recomposição de sua base de cálculo. Discorda do contido no Despacho Decisório, pois o Código Tributário Nacional não impõe qualquer restrição e/ou formato de quitação do tributo objeto do indébito: E nem se alegue que a limitação ao pleito se baseia exclusivamente no disposto pela IN RFB nº 1300/2012. Isto porque, é insuscetível a aplicação isolada de ato administrativo em desacordo com o contido no Código Tributário Nacional. Extraise do texto da lei, que de forma ampla estabeleceu regra geral quanto à possibilidade de restituição, não destacando nenhuma hipótese de exceção e/ou restrição, concernente ao formato de pagamento. Esposa o entendimento de que se o Código Tributário Nacional não pretendeu restringir os direitos dos contribuintes no exercício do direito de restituição dos valores indevidamente recolhidos aos cofres públicos, não poderia a Receita Federal, por meio de interpretação isolada em Instrução Normativa, sob o pretexto de regulamentação, impor limites à previsão legal e: O objetivo da lei sempre foi fornecer aos contribuintes mecanismos de reaver os valores indevidamente cobrados pela administração pública ou objeto de equívoco por parte dos sujeitos passivos. Fl. 349DF CARF MF Processo nº 13888.724033/201385 Resolução nº 3201001.527 S3C2T1 Fl. 5 4 Importante salientar, que na hipótese em comento, conforme já consignado no pleito de restituição, a única forma da Manifestante reaver o que lhe é de direito consistia no deferimento do pedido de restituição, sob pena de esvaziamento do direito legalmente assegurado. Isto porque, uma vez homologada a compensação que liquidou o débito a maior da COFINS, insuscetível de qualquer retificação/cancelamento, sendo de rigor o único formato adotado pela Manifestante, que, inclusive, se baseou em orientação verbal da própria Receita Federal em atendimento no plantão fiscal. Cita a os princípios constitucionais (artigo 37, da CF) que regem a relação entre fisco e contribuintes e a Lei nº 9.784/99, afirmando que tais comandos devem ser seguidos, pois são os pilares do ordenamento jurídico. Entende que em nenhum momento o texto da lei estabelece que somente será passível de restituição os valores pagos em DARF ou GPS, tal como fez crer a autoridade fiscal em seus fundamentos e também: Na hipótese tratada, a violação ao princípio da legalidade potencializase na medida em que o pedido de restituição era a única forma da Manifestante buscar seu direito em face da União Federal, uma vez não previsto na legislação qualquer outro formato para as circunstâncias narradas. Entende cabíveis os princípios da proporcionalidade, razoabilidade, oficialidade e da verdade material e que não podem ser mitigados pelo formalismo: Para que o formalismo não se torne um instrumento que restringe a observância da forma e distancia a verdade material, deve a administração alcançar a função social do processo para que haja a prevalência da justiça sobre a forma, uma vez que está submissa ao princípio da legalidade, sendolhe imposto, inclusive, para o alcance da norma, o poderdever de revisão de ofício seus próprios atos. Em outras palavras, não deve o formalismo se sobrepor à matéria e à verdade dos fatos e a autoridade tem o dever de buscar a verdade material, não devendo se satisfazer com as informações trazidas pelas partes. Cita doutrina e jurisprudência que entende aplicáveis ao caso e conclui: Diante dos argumentos traçados, com amparo na melhor doutrina e jurisprudência pátrias, inconteste a possibilidade da administração pública analisar os pleitos dos contribuintes evitandose o formalismo excessivo e considerando a boafé das relações, tudo em busca ao alcance da verdade material e respeito aos preceitos estampados no artigo 37, da Constituição Federal e artigo 2º, da Lei nº 9.784/99. Após ou argumentos preliminares, a interessada continua sua defesa com o título "Do direito": Do efetivo amparo legal para suspensão de PIS e COFINS objeto de venda realizada à empresa habilitada no RECOF – Inexistência de obrigatoriedade de cohabilitação para fornecimento – Benefícios legais destinados à compradora que produzem efeitos automáticos – Direito material que pode ser aferido com base nos elementos probatórios ainda que existente erro formal no preenchimento das Notas Fiscais. Inicialmente a interessada explica que no exercício de suas atividades dentro dos períodos de 2007 a 2011, a Manifestante realizou diversas vendas em favor da Caterpillar Brasil Ltda, inscrita no CNPJ sob nº. 61.064.911/000177, que, por sua vez, consoante Ato Declaratório Executivo SRF nº 8, de 18 de março de Fl. 350DF CARF MF Processo nº 13888.724033/201385 Resolução nº 3201001.527 S3C2T1 Fl. 6 5 2004 e Ato Declaratório Executivo SRF nº 53, de 24 de julho de 2006 é homologada no RECOF (Regime Aduaneiro de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado) (doc. anexo aos autos) instituído através do Decreto n° 2.412 de 3 de Dezembro de 1997. Expõe sua compreensão do funcionamento do Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Aduaneiro Informatizado (RECOF), o qual permite à empresa beneficiária importar ou adquirir no mercado interno, com suspensão do pagamento de tributos, mercadorias a serem submetidas a operações de industrialização de produtos destinados à exportação ou mercado interno. É também permitido que Parte da mercadoria admitida no regime, no estado em que foi importada ou depois de submetida a processo de industrialização, seja despachada para consumo. A mercadoria, no estado em que foi importada, poderá também ser exportada, reexportada ou destruída. Desta feita, informa os benefícios: Na época dos fatos em exame, o RECOF era regulamentado pela Instrução Normativa SRF 757/2007, que, além de estabelecer todos os requisitos impostos às empresas habilitadas, dentre vários benefícios oferecidos pelo regime é de que a empresa homologada goza da permissão de importar todos os insumos com suspensão de II, IPI e PIS/COFINS, bem como efetuar compras nacionais com a suspensão do IPI e PIS/COFINS, conforme estabelecido em seu artigo 28. Diante dos benefícios contidos nas normas citadas, a interessada defende que em que pese ter fornecido para empresa homologada no RECOF – Caterpillar do Brasil Ltda, não excluiu de sua base de cálculo tributável a suspensão de PIS e COFINS previstas na legislação, mas sim, equivocadamente, apurou e recolheu A MAIOR os citados tributos. Em outras palavras, ao constituir sua base de cálculo de PIS e do COFINS não desconsiderou as vendas para a Caterpillar Brasil Ltda, portanto, a empresa recolheu mais do que deveria. É certo, que os valores das vendas com suspensão de PIS e COFINS não podem contemplar a base de cálculo para fins de tributação dessas contribuições, sob pena de esvaziamento da benesse legal/normativa do RECOF. A interessada cita a SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 28 de 26 de Setembro de 2007 ASSUNTO: Regimes Aduaneiros EMENTA: Regime Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado Recof. Somente as mercadorias de origem nacional remetidas às empresas autorizadas a operar o regime Recof poderão sair do estabelecimento do fornecedor nacional com suspensão do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. A venda de mercadorias de origem nacional à empresas que estão no regime Recof, com suspensão do IPI e das Contribuição para o PIS/Pasep e da cofins, não geram direito à manutenção dos créditos. E conclui que diante do equívoco no cômputo na base de cálculo das contribuições das vendas a Caterpillar com suspensão de PIS e COFINS, a Manifestante reconstituiu sua escrita suprimindo essas operações da base tributável, o que motivou a redução dos valores devidos na competência objeto dos presentes autos. Informa que retificou a Dacon e a DCTF do período e ainda que: Fl. 351DF CARF MF Processo nº 13888.724033/201385 Resolução nº 3201001.527 S3C2T1 Fl. 7 6 Por outro lado, a fim de complementar as informações e documentos anexados aos autos, que por si só comprovariam o direito sustentado, a Manifestante apresenta “Laudo Técnico Contábil”, assinado por profissional devidamente habilitado no Conselho Regional de Contabilidade – CRC/SP, contratado para fins de corroborar as questões trazidas à julgamento, que, além das informações constantes do seu corpo, contempla documentação anexa que permite essa conclusão, com o fito de exaustivamente comprovar a origem e procedência do direito creditório. Entende que os fornecedores de mercadorias às empresas habilitadas no RECOF não necessitam de cohabilitação no regime, uma vez que nessa hipótese os únicos beneficiados da operação são as adquirentes dos bens: A cohabilitação prevista pelos artigos 8º e seguintes, da IN RFB nº 757/2007, além de facultativa, permite aos fornecedores industriais das empresas habilitadas se beneficiarem conjuntamente dos benefícios do regime do RECOF, com a aquisição/importação de partes, peças e componentes necessários à produção dos bens que industrializar também com suspensão tributária prevista na legislação. (...) A interpretação contida no despacho decisório impugnado é deveras equivocada, uma vez ausente a imposição de cohabilitação em toda a legislação do RECOF para os casos de simples fornecimento às empresas habilitadas. Até porque, caso a legislação exigisse a cohabilitação de todos os fornecedores das empresas habilitadas, o RECOF não sairia do papel, uma vez que dificilmente as empresas de porte inferior que fornecem os bens contemplariam todos os requisitos impostos pelos artigos 4º e 5º, da IN RFB 757/2007. Argumenta que a falta de registro nas notas fiscais de saída dos produtos com suspensão das referidas contribuições, seria somente formalidade, confirase: Por sua vez, é sabido que também existe a exigência do artigo 28, do mesmo texto normativo, que indica as informações a serem imprimidas nas Notas Fiscais de saída dos fornecedores (“Saída com suspensão do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, para estabelecimento habilitado ao Recof ADE SRRF nº xxx, de xx/xx/xxxx"), as quais de fato não compuseram as notas emitidas pela Manifestante. Porém, consoante já sustentado nesta peça, a formalidade de informação em Nota Fiscal não pode se sobrepor ao direito material decorrente do RECOF, haja vista inequívoca comprovação de que a destinação das mercadorias objeto de análise foram à empresa devidamente habilitada no regime (Caterpillar), a qual é a efetiva destinatária da norma e não pode ser prejudicada por eventual lapso de informação na Nota Fiscal de compra. É certo, portanto, que eventual equívoco formal não deve prevalecer sobre a verdade material consubstanciada nos demais meios probatórios existentes no processo administrativo fiscal, sobretudo quando não há prejuízo a fazenda nacional. Cita jurisprudência administrativa na qual consta que demonstrados nos autos os erros nos procedimentos adotados pelo contribuinte, há que ser reapreciado o pleito desconsiderandose tais equívocos, haja vista inexistir prejuízo à fazenda nacional e conclui: Fl. 352DF CARF MF Processo nº 13888.724033/201385 Resolução nº 3201001.527 S3C2T1 Fl. 8 7 Nesse sentido, em que pese as Notas Fiscais emitidas à Caterpillar não terem feito menção à saída com suspensão de PIS e COFINS, restando comprovada a destinação das mercadorias no formato da legislação à empresa habilitada no RECOF, é de rigor seja admitido o lançamento da suspensão prevista na legislação, que, conforme parágrafo único, do artigo 27, da IN RFB 757/2007 se consuma automaticamente. Por fim, solicita: Preliminarmente: 1) Considerando todas as premissas adotadas, com convicção acerca da possibilidade de análise material do direito de restituição pleiteado pela Manifestante, ainda que sob outra roupagem ou mesmo sobre o formato de revisão da compensação que liquidou a maior o valor objeto do pedido, em como a busca pela verdade material e formalismo moderado, é de rigor seja admitida a aferição material do pleito realizado. No mérito: 1) Diante da inexistência de obrigatoriedade da Manifestante se cohabilitar no regime do RECOF para fornecimento à empresa habilitada, sem prejuízo da insofismável viabilidade de mitigação de erro formal no preenchimento das Notas Fiscais de saída, prestigiandose a verdade material, necessário se faz o reconhecimento do direito creditório sustentado, com o consequente deferimento da restituição pleiteada. Seguindo a marcha processual normal, irresignado com r. decisão proferida pela DRJ/Ribeirão Preto, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário repisando os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade, requerendo total reforma do julgado. VOTO Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3201001.492, de 24/10/2018, proferida no processo 13888.721005/201497, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3201001.492): "O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. No caso em tela reclama o Contribuinte que efetuava venda de produtos para empresa Caterpillar Brasil, qual era detentora do RECOF. Que a Caterpillar como adquirente de produtos da Contribuinte, a saída dos produtos teria isenção tributária. Em caso idêntico, o assunto foi enfrentado por esse CARF no acórdão no. 3401001.275, com o seguinte fundamento: Fl. 353DF CARF MF Processo nº 13888.724033/201385 Resolução nº 3201001.527 S3C2T1 Fl. 9 8 "(...) observo que o fundamento inicial da não homologação da compensação realizada se lastreou em uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de forma tal que não haveria saldo disponível para a compensação realizada. Na linha adotada pela decisão de primeira instância, o acolhimento da manifestação de inconformidade, em situações como estas, exigiria a demonstração cabal dos argumentos deduzidos, através de documentação hábil suficiente a amparálos. Todavia, entendo draconiano impor ao sujeito passivo a intuição de qual acervo probatório deveria dispor para atender suficientemente as expectativas do julgador administrativo. É inconteste que, tratandose de restituição de tributos, é do contribuinte o encargo de provar o direito vindicado, ex vi do art. 36 da Lei nº 9.784/99 e art. 373, I, do novo Código de Processo Civil, de tal sorte que deveria haver uma prova mínima das razões aventadas, não sendo suficiente a tal desiderato a mera juntada de declarações retificadoras, pois, como adrede exposto, não amparam direito à restituição de tributo pago indevidamente. No caso vertente, entretanto, constam dos elementos coligidos aos autos, ainda na manifestação de inconformidade, cópias das notas fiscais de venda à CATERPILLAR, empresa beneficiária do RECOF e, por conseqüência, com benefício da suspensão do PIS/Pasep e Cofins em suas aquisições no mercado interno, com discriminação dos documentos e a pretensa demonstração que essas faturas compuseram a base de cálculo daquelas exações. Como pontuado alhures, não é possível exigir que o sujeito passivo traga, de imediato, toda a documentação, que reputa o julgador necessária à demonstração do indébito, em um extremado exercício de predição. Nessa toada, à luz dos termos do despacho decisório eletrônico, parecialhe suficiente a justificativa da retificação, a demonstração dos cálculos e as notas fiscais respectivas, agregandose, após decisão de primeiro grau administrativo, o extrato do livro Registro de Saídas. Poderseia indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental complementar, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, como fez a decisão recorrida, contudo, não se pode olvidar que o despacho decisório contestado é fruto de verificações automáticas de sistema, realizadas a partir de declarações prestadas pelo contribuinte, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinam o despacho decisório, pois validado por meio de chancela eletrônica. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, não se pode perder de vista os princípios norteadores do processo administrativo fiscal, valendo registrar que esta Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem orientado sua jurisprudência no sentido que, em situações como a deste processo, onde há um robusto princípio de prova, formado não apenas por declarações ou debates eminentemente retóricos, deve o julgamento ser convertido em diligência para análise da procedência do direito postulado. (...) Com isso, adoto nos exatos termos como fundamento os argumentos exteriorizado pelo Conselheiro Robson José Bayerl, para converter o feito em diligência para a unidade preparadora realize: Fl. 354DF CARF MF Processo nº 13888.724033/201385 Resolução nº 3201001.527 S3C2T1 Fl. 10 9 Aferição da procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Após, vista ao contribuinte se manifestar pelo prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos a este Conselho." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem realize: a) aferição da procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, d) elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas; e) após, vista ao contribuinte para se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. Cumprida a diligência, os autos devem retornar a este Conselho para julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 355DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.007552/2006-75
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
RESSARCIMENTO IPI. CORREÇÃO PELA TAXA SELIC. DESCABIMENTO. AUSÊNCIA DE OPOSIÇÃO ESTATAL.
Conforme o decidido pelo STJ no julgamento do REsp º 1.035.847/RS, submetido à sistemática do art. 543C (Recursos Repetitivos) do antigo CPC, somente é devida a correção pela taxa SELIC dos créditos de IPI passíveis de ressarcimento, quando existe oposição estatal ilegítima à sua utilização.
No caso concreto, não existiu oposição estatal ilegítima, logo, descabida a correção pretendida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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Recorrente GRÁFICA A ÚNICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 RESSARCIMENTO IPI. CORREÇÃO PELA TAXA SELIC. DESCABIMENTO. AUSÊNCIA DE OPOSIÇÃO ESTATAL. Conforme o decidido pelo STJ no julgamento do REsp º 1.035.847/RS, submetido à sistemática do art. 543C (Recursos Repetitivos) do antigo CPC, somente é devida a correção pela taxa SELIC dos créditos de IPI passíveis de ressarcimento, quando existe oposição estatal ilegítima à sua utilização. No caso concreto, não existiu oposição estatal ilegítima, logo, descabida a correção pretendida. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 75 52 /2 00 6- 75 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 19647.007552/200675 Acórdão n.º 3002000.416 S3C0T2 Fl. 143 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata de Pedido de Ressarcimento do IPI, referente ao 4º trimestre de 2005, e de Declarações de Compensação decorrentes, lastreado em créditos que se originariam da sistemática da não cumulatividade do imposto. A partir desse ponto, transcrevo o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "Tratase de "Declaração de Compensação Eletrônica PER/DCOMP" às folhas 01/16, transmitida em 13/01/2006, na qual a contribuinte acima identificada pleiteia o ressarcimento de crédito do IPI no valor de R$ 8.364,30, relativo ao 4° trimestre de 2005, a ser compensado com débitos do PIS e da Cofins. Encaminhado o processo para a realização de diligência, após anexação das folhas 17/65, o auditor apresentou suas conclusões no Termo de Informação Fiscal de folhas 66/80. Desta forma, foi proferido o Despacho Decisório de folha 83 não homologando a compensação. • Em 24/01/2007 (Aviso de Recebimento — AR á folha 88), a contribuinte foi cientificada do referido Despacho Decisório, apresentando em 22/02/2007 a Manifestação de Inconformidade de folhas 89/95, sendo essas as suas razões, em síntese: • Inicialmente, requer a suspensão da exigibilidade dos débitos, nos termos dos parágrafos 9° ao 11 do art. 74 da Lei n°9.430, de 1996; • A previsão legal para aplicação da taxa SELIC na compensação e restituição encontrase no § 4° do art. 39 da Lei n° 9.250, de 1995, que em momento algum especifica que somente incidirá sobre a compensação de valores recolhidos indevidamente ou a maior; • A SELIC deve ser aplicada ante a demora da Receita Federal em apreciar o seu pedido de compensação, transcrevendo ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes que entende corroborar seus argumentos. Em face da transferência de competência para julgamento prevista no anexo V da Portaria SRF n° 179, de 13 de fevereiro Fl. 143DF CARF MF Processo nº 19647.007552/200675 Acórdão n.º 3002000.416 S3C0T2 Fl. 144 3 de 2007, o presente processo foi encaminhado a esta 1111 Delegacia de Julgamento." Em seqüência, analisando as argumentações apresentadas pela contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador DRJ/SDR julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 13/01/2006 CRÉDITOS BÁSICOS. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Incabível atualização monetária ou juros de mora incidentes sobre o eventual valor a ser objeto de ressarcimento, por ausência de previsão legal. Compensação não Homologada Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 125/128), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, em linhas gerais, repisando argumentos já apresentados. Posteriormente, em 09/03/2016, a recorrente apresentou petição (fl. 133/138) informando que o Tribunal Regional Federal da 5ª Região teria proferido sentença favorável ao seu entendimento sobre o cabimento da correção pela taxa Selic no Mandato de Segurança nº 2001.83.00.0119305. Tal decisão, segundo a recorrente, teria sido mantida pelo Superior Tribunal de Justiça. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 19647.007552/200675 Acórdão n.º 3002000.416 S3C0T2 Fl. 145 4 A questão fundamental posta em discussão na presente lide se refere ao suposto direito à correção dos créditos escriturais de IPI pela taxa Selic, quando do seu pedido de ressarcimento. Com efeito, esta Turma já teve oportunidade de se pronunciar sobre o assunto em julgamento recentemente realizado em processo do mesmo contribuinte. Naquela oportunidade, o Acórdão 3002000.291, da lavra da I. Relatora Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 14/07/2004 CRÉDITOS BÁSICOS. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Nos termos da súmula 411 do STJ, é devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Não é esta, contudo, a hipótese dos presentes autos, em que fora pleiteada a incidência da taxa SELIC desde a data de entrada do insumo até o momento da apresentação do processo. Como restou consignado no Acórdão citado, o Superior Tribunal de Justiça já manifestou entendimento no sentido de que não cabe a correção monetária sobre os créditos escriturais de IPI por ausência de previsão legal, contudo, ocorrendo oposição estatal ilegítima à utilização desses créditos, nasce a necessidade da correção, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Tal tese jurídica foi esposada no julgamento do REsp 1.035. 847/RS, submetido à sistemática do art. 543C (Recursos Repetitivos) do antigo CPC: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 19647.007552/200675 Acórdão n.º 3002000.416 S3C0T2 Fl. 146 5 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp nº 1.035.847/RS, Relator Min. Luiz Fux, Dje: 03/08/2009) Ademais, em decorrência da posição recorrentemente assentada naquela Corte Superior, foi editada a Súmula STJ nº 411, que possui a seguinte ementa: É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Portanto, em se tratando de créditos escriturais de IPI, via de regra, não incide a correção monetária, contudo, existindo oposição ilegítima por parte do Estado à sua efetiva utilização pelo contribuinte, é devida a correção pela taxa Selic. No caso em tela, não se verifica tal oposição ilegítima por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Em realidade, a ora recorrente pretendeu corrigir monetariamente seu crédito desde o momento da entrada dos insumos em seu estabelecimento, como se o Estado estivesse em mora desde sempre, isto é, o pleito se refere à correção monetária de créditos que somente se encontravam em sua escrituração contábil há época e, como já visto, por falta de previsão legal, não incide correção sobre créditos escriturais. A fim de se comprovar os limites da demanda, se transcreve excerto do Termo de Informação Fiscal (fl. 74): Fl. 146DF CARF MF Processo nº 19647.007552/200675 Acórdão n.º 3002000.416 S3C0T2 Fl. 147 6 "Antes de iniciar a demonstração da correta reconstituição da escrita fiscal do IPI, cabe destacar que o contribuinte indevidamente pleiteou em seus processos juros compensatórios, a título da taxa SELIC, como se tivesse havido restituição (nos casos de pagamento indevido ou a maior). O contribuinte, apesar de não ter se creditado de tais juros compensatórios na sua escrita fiscal, ao apresentar o processo incluiu tal acréscimo sobre o valor de cada crédito original, como se a Fazenda Nacional estivesse em mora com ele desde a data de entrada do insumo industrial." (grifo nosso) Dessa forma, impõese reconhecer indevida a correção pretendida e ratificar o Despacho Decisório da unidade de origem, assim como a decisão no Acórdão recorrido. Por fim, quanto ao noticiado posteriormente pela recorrente, a decisão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região na ação mandamental nº 2001.83.00.0119305, não assiste razão à recorrente, pois o decisum daquela Corte em nada se opõe ao desenvolvimento lógicojurídico apresentado ao longo deste voto, como se comprova pelo trecho da respectiva ementa abaixo transcrito: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE DA SENTENÇA. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. CRÉDITO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTO NÃO TRIBUTADO, ISENTO OU SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. LEI Nº 9.779/99. BENEFÍCIO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO A OPERAÇÕES ANTERIORES AO SEU ADVENTO E A SITUAÇÕES NÃO PREVISTAS EM SEUS DISPOSITIVOS. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. RESSALVA DO ENTENDIMENTO PESSOAL DO RELATOR. COMPENSAÇÃO COM TRIBUTOS DE MESMA ESPÉCIE. CORREÇÃO MONETÁRIA. APLICAÇÃO DE TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. (...) É devida a correção monetária dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos e matériaprima utilizados na fabricação de produtos sujeitos à alíquota zero, isentos ou não tributados, quando o ente público impõe resistência ao aproveitamento dos créditos. ......................................................................................................... (grifo nosso) Fl. 147DF CARF MF Processo nº 19647.007552/200675 Acórdão n.º 3002000.416 S3C0T2 Fl. 148 7 Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.901700/2013-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/10/2008
FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF.
Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2008
COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/10/2008 FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2008 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 17 00 /2 01 3- 16 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10580.901700/201316 Acórdão n.º 3301005.421 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação declarada (DCOMP), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já havia sido utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte afirmou que o direito creditório decorria do alargamento da base de cálculo da Contribuição (PIS/Cofins) introduzido pelo art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/1998, julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o então Manifestante, no recolhimento da contribuição devida no período, foram incluídos indevidamente em sua base de cálculo valores alheios ao faturamento, relativos a receitas financeiras e de aluguéis, atividades essas que não compõem sua atividade de venda de mercadoria ou de prestação de serviços. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 02069.144, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando a falta de comprovação do direito creditório compensado, cujo ônus recai sobre o interessado, a quem cabe a demonstração da liquidez e certeza do crédito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e repisou os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade, acrescentando, em breve síntese, o que segue: a) a discussão sobre a existência de direito de créditos da contribuição incidente sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento está superada; b) o dever do órgão julgador de instruir o processo, solicitando documentos, caso assim entenda como necessário para tomar sua decisão, nos termos dos artigos 29 e 36 da Lei nº 9.784/1999, bem como no art. 27 e 29 do Decreto 70.235/1972; c) foi apresentado documentação para provar a liquidez e certeza de seu crédito. É o relatório. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10580.901700/201316 Acórdão n.º 3301005.421 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.417, de 25/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 10580.900074/201341, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.417): O recurso voluntário foi interposto no prazo e reúne os pressupostos legais de interposição, portanto, merece conhecimento. Feita a síntese acima, passase a analisar as questões levantadas, especialmente sobre i) a decisão de indeferimento fundamentada no valor informado em DCTF com a correspondente quitação do montante declarado, não havendo crédito a compensar; ii) a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF; iii) a análise do crédito decorrente de receitas financeiras a partir das provas juntadas aos autos. I) Do indeferimento do pedido de restituição diante da inexistência de retificação da DCTF Neste ponto, é relevante a análise da decisão que indeferiu o pedido de restituição, sob a fundamentação de que foi efetuada uma declaração por DCTF e a DARF discriminada no PER/DCOMP foi inteiramente utilizada para quitar o débito do contribuinte, não restando crédito para a restituição, verbis: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O significado que se extrai deste despacho decisório é que a Recorrente apresentou o PER/DCOMP, mas não realizou a retificação da DCTF do período correspondente, qual seja, 1º trimestre de 2009. Desta feita, a DARF do período vinculada à COFINS foi utilizada para cobrir integralmente um débito declarado, não havendo excesso resultante do pagamento indevido. Ressaltese, no entanto, que a retificação da DCTF, por si só, não se presta para solidificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte, sendo indispensável a apresentação de prova, tais como demonstrativos contábeis e fiscais, para aferição do crédito. Neste sentido, já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste E. CARF, no julgamento do processo 10909.900175/200812, manifestando o entendimento no acórdão nº 9303005.520 (sessão de 15/08/2017), no sentido de que, mesmo no caso de uma a retificação Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10580.901700/201316 Acórdão n.º 3301005.421 S3C3T1 Fl. 5 4 posterior ao Despacho Decisório, não haveria impedimentos para o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, comparecendo nos autos com qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que cometera no preenchimento da DCTF (escrita contábil e fiscal): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado. Esta colenda 1ª TO da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF tem manifestado entendimento no mesmo sentido, segundo a qual, em razão da verdade material, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte pode ser demonstrado por outros elementos de prova, independentemente da retificação da DCTF, conforme é possível constatar pelo recente acórdão relatado pela ilustre conselheira Semíramis de Oliveira Duro: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. (...) Recurso Voluntário provido. (Número do Processo 11060.900738/201311. Relatora SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO. Data da Sessão 17/04/2018. Nº Acórdão 3301 004.545) Desta feita, o que é necessário verificar é a existência de comprovação pela Recorrente, nos autos, trazendo elementos de prova capaz de trazer liquidez e certeza de seu crédito. II) Da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF Quanto ao ponto sobre a incidência da contribuição sobre receitas financeiras, auferidas por entidade que não desenvolva atividade financeira, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou, inclusive em sede de repercussão geral, acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998, por pretender alargar o conceito de faturamento, estabelecendo as receitas totais da pessoa jurídica como base de cálculo das contribuição para o PIS e COFINS. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10580.901700/201316 Acórdão n.º 3301005.421 S3C3T1 Fl. 6 5 Tratase do RE nº 585.235 e desde 2010 a PGFN já se manifestou formalmente, por meio da Portaria PGFN 294/2010, no sentido de dispensar os procuradores da fazenda nacional a contestar ou recorrer nesta matéria: Item 1, Anexo I, Portaria PGFN nª 294/2010 Resumo: É inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, eis que tais exações devem incidir, apenas, sobre as receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços (conceito restritivo de receita bruta), e não sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica (conceito ampliativo de receita bruta). (...) DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: o PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidencia do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Nestes termos, é de rigor a aplicação do art. 62, § 1º, I e II, "b" e "c" do anexo II do RICARF, no sentido de que os membros das turmas de julgamento do CARF estão autorizados afastar a aplicação lei sob fundamento de inconstitucionalidade nos casos em que este entendimento já foi manifestado por decisão definitiva em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal ou decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em sede de julgamento realizado em repercussão geral nos termos dos arts. 543B do CPC/1973, ou mesmo no caso de existência de Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Resta, portanto, consolidado o entendimento acerca da não incidência de PIS e COFINS sobre receitas financeiras, quando não constituírem receita operacional da empresa, no contexto da aplicação da Lei 9.718/1998. Este entendimento, porém, nem é controvertido nos autos, pois admitido pela própria r. decisão guerreada. O fundamento para o não reconhecimento do crédito é a ausência de provas aptas a demonstrar sua liquidez e certeza. Desta feita, caso comprovada a inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da COFINS no período em referência, demonstrandose a liquidez e certeza do crédito declarado pelo contribuinte, será de rigor reconhecer o direito à restituição pleiteado pelo contribuinte. É o que se passa a analisar. III) Da liquidez e certeza do crédito Neste ponto, a Recorrente argumentou que no período de apuração em foco (1º Trim./2009), considerando a original vigência da Lei nº 9.718/1998, apurou a contribuição com a inclusão de receitas financeiras à base de cálculo. No entanto, em que pese a Recorrente ressaltar em seu Recurso Voluntário que a autoridade julgadora pode, de ofício, requerer a instrução do processo e que estas informações já são de conhecimento do Fisco, pois todas já declaradas por obrigações acessórias, por se estar diante de um pedido de compensação, o ônus da prova da legitimidade do crédito é de quem requer. Em seu recurso voluntário, a Recorrente trouxe aos autos a DIPJ do período, com informações sobre receita bruta. No entanto, não é possível Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10580.901700/201316 Acórdão n.º 3301005.421 S3C3T1 Fl. 7 6 identificar receitas financeiras e receitas de aluguel tal qual alegado pela Recorrente. Seria necessário a apresentação de outras provas, como demonstrativos contábeis, razão, ou mesmo contratos de aluguel, planilhas, enfim. A DIPJ não possui força probatória isoladamente, desacompanhada de outros documentos oficiais, como registros contábeis e outros documentos fiscais, como o DACON. A afirmação de que o Fisco já detém todas as informações, por todas as obrigações acessórias já cumpridas, bastando baixar em diligência para verificar a informação também não é pertinente, portanto. Nos casos de pedido de restituição e de compensação, como dito, o ônus da prova da existência do crédito é do contribuinte, não tendo a Recorrente se desincumbido de tal tarefa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. (Número do Processo 10880.674831/200954. Relatora LARISSA NUNES GIRARD. Data da Sessão 13/06/2018. Nº Acórdão 3002000.234) (grifos não constam do original) A Recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu manifestação de inconformidade e recurso voluntário, qualquer prova documental hábil capaz de sustentar a veracidade e existência de seu direito de crédito (escrita contábil e fiscal). Não constam dos autos balancetes e demonstrações contábeis, nem mesmo DACON do contribuinte para evidenciar o quantum de receitas financeiras levadas à tributação da COFINS. Desta feita, diante da ausência de comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese negar provimento ao presente recurso voluntário Isto posto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar provimento. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS, importando registrar, também, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10580.901700/201316 Acórdão n.º 3301005.421 S3C3T1 Fl. 8 7 Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.001415/2008-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
Ementa:
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA MOVIMENTAÇÃO DE CONTAS DE TERCEIROS EM PROVEITO PRÓPRIO
A Lei nº 9.430/1996, em seu artigo 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base em valores depositados em conta bancária que não tiveram sua origem comprovada, mediante documentação hábil e idônea.
Quando ficar comprovado que contas bancárias de terceiros foram
movimentadas pelo contribuinte em proveito próprio, os recursos também devem ser atribuídos ao contribuinte.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA
É cabível a atribuição de responsabilidade solidária nas hipóteses em que ficar caracterizado interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.
A decisão de mérito prolatada no principal aplica-se à CSLL, à contribuição ao PIS e à COFINS pela íntima relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 1202-000.747
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Nereida de Miranda Finamore Horta
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA MOVIMENTAÇÃO DE CONTAS DE TERCEIROS EM PROVEITO PRÓPRIO A Lei nº 9.430/1996, em seu artigo 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base em valores depositados em conta bancária que não tiveram sua origem comprovada, mediante documentação hábil e idônea. Quando ficar comprovado que contas bancárias de terceiros foram movimentadas pelo contribuinte em proveito próprio, os recursos também devem ser atribuídos ao contribuinte. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA É cabível a atribuição de responsabilidade solidária nas hipóteses em que ficar caracterizado interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. A decisão de mérito prolatada no principal aplica-se à CSLL, à contribuição ao PIS e à COFINS pela íntima relação de causa e efeito.
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DEPÓSITO BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA MOVIMENTAÇÃO DE CONTAS DE TERCEIROS EM PROVEITO PRÓPRIO A Lei nº 9.430/1996, em seu artigo 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base em valores depositados em conta bancária que não tiveram sua origem comprovada, mediante documentação hábil e idônea. Quando ficar comprovado que contas bancárias de terceiros foram movimentadas pelo contribuinte em proveito próprio, os recursos também devem ser atribuídos ao contribuinte. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA É cabível a atribuição de responsabilidade solidária nas hipóteses em que ficar caracterizado interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. A decisão de mérito prolatada no principal aplicase à CSLL, à contribuição ao PIS e à COFINS pela íntima relação de causa e efeito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA 2 (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Losso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno Relatório Cuidase de processo administrativo referente à Dusso Comércio de Couros Ltda (CNPJ nº 57.132.680/000114) para a exclusão do SIMPLES. A autoridade lançadora apurou a prática reiterada de infração à legislação tributária o que motivou à exclusão da contribuinte do SIMPLES, consoante Ato Declaratório Executivo DRF/São José do Rio Preto nº 101/2008, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2003. Com as investigações iniciadas pela Polícia Federal e Receita Federal em operação denominada “Grandes Lagos”, consoante Termo de Constatação e Intimação Fiscal (fls 1516 e seguintes), apurouse fraudes e outros ilícitos por frigoríficos no interior do estado de São Paulo. Nesse contexto, deuse investigações sobre as atividades da contribuinte Dusso Comércio de Couros Ltda., que foi constatada através de depósitos bancários, que foram informados pelas instituições financeiras por meio de RMF – Requisição de Movimentação Financeira, cuja origem não restou comprovada e resultou em omissão de receitas para os anos calendários de 2003, 2004, 2005 e 2006. Destaco que a Receita Federal e a Receita Previdenciária instauraram procedimentos fiscais distintos junto à contribuinte em questão, que passaram a receber tratamento uniforme em decorrência da unificação da Receita Federal do Brasil. Para os mesmos anoscalendários foram também lavrados Autos de Infração exigindo contribuições previdenciárias e suas obrigações acessórias iniciados em função da operação “Grandes Lagos”, a saber: Processo nº 16004.001415/200866 Contribuições Previdenciárias apuradas e devidas por conta da exclusão do SIMPLES; Processo nº 16004.001416/200819 Contribuições devidas a outras entidades – terceiros em decorrência da exclusão; Processo nº 16004.001417/200855 Obrigações Acessórias: referese à multa aplicada com base no artigo 283, II, “j”, e artigo 373 do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto nº 3048/99 e artigos 92 a 102 da Lei nº 8212/91 e por motivo de circunstâncias agravantes de penalidade; e artigo 290, II, do Regulamento da Previdência Social. Processo nº 16004.001419/200844 Obrigações Acessórias: GFIP’s entregues com informações incorretas. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA Processo nº 16004.001415/200866 Acórdão n.º 1202000.747 S1C2T2 Fl. 3 3 Processo nº 16004.001489/200801– Obrigações Acessórias: deixou de corrigir campos de “ALÍQUOTA RAT.” e “OPÇÃO PELO SIMPLES”, no período de 1/2003 a 5/2003, e “CÓDIGO DE OUTRAS ENTIDADES”, no período de 1/2003 a 12/2006, não declarando todas as contribuições previdenciárias patronais, devidas à Seguridade Social. As contribuições devidas que deveriam ser corrigidas estão descritas no Processo Administrativo nº 16004.001415/200866. Com a dificuldade de comprovar o vínculo entre os verdadeiros sócios e as empresas abertas em nome de “laranjas”, a Receita Federal solicitou formalmente o apoio da Polícia Federal em Jales/SP. No início dos trabalhos, a Polícia Federal tomou a providência de representar pela quebra do sigilo fiscal, telefônico e telemático das principais empresas envolvidas no ‘esquema’, bem como foram realizadas várias diligências. Foi constatado a existência de uma grande organização criminosa. Diante disso, a Justiça Federal decretou 109 prisões temporárias e 28 prisões preventivas, e decidiu pela quebra de sigilo bancário de todas as pessoas físicas e jurídicas (matriz e filial), determinando que as instituições financeiras fornecessem à Delegacia da Receita Federal (fls 35 do Processo nº16004.001416/200819) a informação das movimentações financeiras. A partir de referida apuração houve a consequente lavratura dos autos de infração referentes ao IRPJ (cf. fls. 19861994), CSLL (fls. 20162025), COFINS (fls. 2042 2050) e contribuição ao PIS (fls. 20682076). Para elucidar o esquema desbaratado pela Polícia Federal, cabe a informação de que a contribuinte, possuía como sócios os Srs. Paulo César Dusso, Antônio Dusso e João Antonio Dusso, tendo este último deixado a sociedade em março de 2000. Conforme o apurado, verificouse a participação de diversas empresas no suposto esquema. Para evitar repetições, transcrevo trecho do acórdão recorrido que relata a dinâmica da operação: “A DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO PAULO LTDA (doravante apenas "DISTRIBUIDORA") atuava como "noteira", neologismo empregado para designar as empresas que tinham por função a emissão de notas fiscais "frias" para acobertar operações de compra de gado e venda de carne realizadas por terceiros que desejavam ocultar do fisco as respectivas operações. Em arquivo magnético apreendido pela Polícia Federal constatouse que o cliente com o código de n° 63 era João Dusso Viena. Viena é o nome de um antigo frigorífico que operava no mesmo endereço do hoje RIO PRETO ABATEDOURO DE BOVINOS LTDA (doravante apenas "RIO PRETO ABATEDOURO"). A inscrição no CNPJ da DISTRIBUIDORA foi declarada inapta, com efeitos a partir de 01/01/1999, por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/SÃO JOSÉ DO RIO PRETO n° 53/2008, tornando inidôneos os documentos por ela emitidos desde então. A FRINORTE COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA DE CARNES LTDA, ex NORTE RIOPRETENSE DISTRIBUIDORA LTDA (doravante apenas "NORTE RIOPRETENSE"), também atuava como "noteira". Além disso, fornecia notas fiscais a pessoas que geravam créditos fictícios de ICMS e era utilizada para registrar Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA 4 empregados de terceiros que não desejavam arcar com as contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento. Nos sistemas informatizados desta empresa, o código n° 1 pertence a João Dusso, que também recebeu procuração dela para movimentar contacorrente mantida junto ao Banco Mercantil do Brasil. A inscrição no CNPJ da NORTE RIOPRETENSE também foi declarada inapta, mediante o Ato Declaratório Executivo DRF/SÃO JOSÉ DO RIO PRETO, com efeitos a partir de 18/11/1996, tornando inidôneos os documentos por ela emitidos. A COMERCIAL DE CARNES E DERIVADOS VALENTIM GENTIL LTDA (doravante apenas "VALENTIM GENTIL") está registrada em nome de "laranjas" e outorgou procuração a João Antônio Dusso e a Paulo César Dusso para que estes movimentassem sua contacorrente n° 69510, mantida junto ao Banco Bradesco. Comprovouse inclusive que os irmãos Dusso utilizaram esta conta para comprar um imóvel rural de 48,4 hectares no ano de 2002 junto a Lazaro Sudário da Silva. A RIO PRETO ABATEDOURO DE BOVINOS LTDA (doravante apenas "RIO PRETO ABATEDOURO") foi constituída, em 09/05/2002, em nome de Elizeu Machado Filho (95% das quotas) e de Gilberto Soriano Lopes (5% das quotas). Ao longo dos anos de 2003, a 2006 a empresa movimentou vultosos recursos (R$ 233.338.957,87), em 16 contas bancárias, sendo que 11 destas eram movimentadas por procuração. Nos depoimentos prestados pelos sócios ficou patente que eles mal se conhecem. Além disso, o Sr. Elizeu demonstrou total desconhecimento sobre os negócios da empresa, mal sabendo informar sobre pontos importantes como quantidade de contas bancárias, faturamento, lucro e clientes. Afirmou que outorgou procurações para que terceiros movimentassem recursos em negócios dos próprios procuradores, que compravam gado e vendiam carne. Reconheceu que, dentre aqueles a quem conferiu procuração, estão o Sr. Paulo César Dusso e o Sr. João Antônio Dusso. Asseverou que os abates eram, realizados na RIO PRETO ABATEDOURO e que conheceu seu sócio na SEBO SOL, onde este trabalhava. O Sr. Gilberto, por sua vez, afirmou que emprestou seu nome para a constituição da empresa recebendo como recompensa o emprego de encarregado do departamento pessoal. Afirmou que nunca integralizou qualquer capital, já que não tinha condições financeiras para tanto. João Antônio Dusso e Paulo César Dusso movimentaram por procuração a conta n° 74230, mantida pela RIO PRETO ABATEDOURO junto ao Banco Bradesco, sendo que no cadastro de clientes da instituição financeira estes constam como titulares da conta. Paulo César Dusso utilizou esta conta para algumas operações de interesse pessoal, mas a maior parte da movimentação foi realizada em razão de operações da DUSSO COUROS, de modo que a movimentação financeira desta empresa ficou acobertada. A título de exemplo, citese o esclarecimento prestado pelo Sr. Domingos Correa Silva, que afirmou haver creditado na referida conta o valor de R$ 9.750,00, em 04/07/2003, em razão de compra de gado junto ao Sr. Paulo Dusso. A Polícia Federal em busca realizada nesta empresa, apreendeu notas fiscais que mostram transações realizadas entre ela e a DISTRIBUIDORA e uma relação Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA Processo nº 16004.001415/200866 Acórdão n.º 1202000.747 S1C2T2 Fl. 4 5 manuscrita de telefones de "taxistas", entre os quais João Dusso e José Luiz Dusso. "Taxista" é neologismo empregado no contexto da operação para designar aqueles que compravam gado, abatiam em estabelecimentos de terceiros e vendiam os produtos resultantes, acobertando as operações com notas fiscais "frias" de "noteiras". A TRADIÇÃO COMÉRCIO DE COUROS LTDA (doravante apenas "TRADIÇÃO COUROS") é, conforme foi apurado, outra empresa "noteira". Teve, entre os anos de 2002 e 2007, R$ 39.000.000,00 de movimentação financeira e desde sua abertura até setembro de 2008 recolheu apenas R$ 728,27 em tributos. Na condição de fornecedora de notas fiscais "frias", a TRADIÇÃO COUROS tem como principais clientes a DUSSO COUROS, a CURTIDORA CATANDUVA LTDA e a CLASSICOUROS SERVIÇOS LTDA, sendo que as duas últimas funcionam no mesmo endereço. Apurouse que a DUSSO COUROS utiliza os serviços da CURTIDORA CATANDUVA LTDA e da CLASSICOUROS SERVIÇOS LTDA. A Polícia Federal, em busca realizada na CURTIDORA CATANDUVA LTDA, apreendeu notas, documentos, planilhas com anotações sobre quantidade de couros, peso e clientes entre os quais Paulo Dusso), cartão magnético e talão de cheques em nome da TRADIÇÃO COUROS, assinados por Paulo César Dusso. Diligência realizada na TRADIÇÃO COUROS revelou que a empresa funciona em casa localizada em bairro residencial, sem computador e com apenas dois pequenos armários de aço, uma máquina de escrever, uma de somar e um aparelho de facsímile na mesa da única funcionária, Sra. Maria Pereira Barbosa. Foram apreendidos na TRADIÇÃO COUROS notas fiscais da DUSSO COUROS, cópia de procurações, duas agendas telefônicas e dois cadernos tipo espiral, constando diversas anotações que fazem referência a Paulo Dusso. Constatouse que o Sr. Paulo César Dusso foi, até 01/11/2006, procurador da TRADIÇÃO COUROS. Os fatos apurados atestam que as contas n° 74230 da RIO PRETO ABATEDOURO e n° 75795 da TRADIÇÃO COUROS pertenciam de fato à DUSSO COUROS. Há vários lançamentos nos extratos bancários dessas contas que comprovam isso, tais como pagamentos de tributos apurados pela empresa, pagamentos de IPVA de seus veículos, cheque nominativo a Antônio Dusso. Há vários depoimentos que confirmam os fatos acima relatados. A Sra. Ana Claudia Valente Fioravante, exfuncionária da DISTRIBUIDORA, afirmou à Polícia Federal que a atividade da ' empresa era "tirar nota" e que os compradores de notas eram identificados por códigos. Da mesma forma, a atividade de vendedora de notas fiscais da NORTE RIOPRETENSE foi confirmada pela Sra. Jaqueline Vilches da Silva e pela Sra. Karla Regina Chiavatelli, exfuncionárias desta empresa. O Sr. João Antônio Dusso afirmou à Polícia Federal que conhece o Sr. Valder Antônio Ales, com quem mantém relações comerciais, Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA 6 devendose ressaltar que este é dono da DISTRIBUIDORA e da NORTE RIOPRETENSE, conforme foi apurado. A atuação como "noteiras" da DISTRIBUIDORA e da NORTE RIOPRETENSE foi confirmada pela Sra. Maria dos Anjos Medeiros, ex funcionária da DISTRIBUIDORA, em depoimento à Polícia Federal. Afirmou, ainda, que o Sr. João Antônio Dússo e o Sr. Paulo César Dusso são clientes de Valder Antônio Alves. O Sr. Paulo César Dusso afirmou à Polícia Federal que adquiriu, para sua empresa, couro verde da RIO PRETO ABATEDOURO, tendo recebido notas fiscais da DISTRIBUIDORA. Ainda, em fls 41 do Processo 16004.001416/200819, temos que: “Durante a “Operação Grandes Lagos”, na busca e apreensão realizada na empresa Curtidora Catanduva Ltda., a Polícia Federal apreendeu notas, documentos, planilhas com anotações sobre quantidade de couros, peso e clientes (entre os quais Paulo Dusso), cartão magnético e talão de cheques em nome da Tradição Comércio de Couros Ltda. Tais cheques estavam em branco e assinados por Paulo César Dusso, sócio da Dusso Comércio de Couros Ltda. Posteriormente, por meio dos RMFs, verificamos que o Sr. Paulo César Dusso, movimentou a conta da Tradição mediante procuração – fls 71 a 199, do processo 16004.001057/200891. No procedimento fiscal de Diligência na Tradição, realizada em 31/7/2008, fotografamos as instalações da empresa, que opera numa casa em bairro residencial, não possui computador, tem apenas dois pequenos armários de aço, uma máquina de escrever, uma máquina de somar e um aparelho facsímile na mesa da única funcionária, Sra. Maria Pereira Barbosa – fls 1522 a 1525, do processo 16004.001057/200891.” No seu voto, em relação à instalação da empresa antes citada, a DRJ explica que: “Registrese que estas são as instalações de uma empresa que movimentou,entre 2002 e 2007, nada menos que R$ 39.000.000,00. Mais que isso, a ligação do Sr. Paulo Dusso com a TRADIÇÃO COUROS ficou evidenciada pelos documentos apreendidos nesta empresa, dentre os quais destacamse notas fiscais da DUSSO COUROS, duas agendas telefônicas e dois cadernos tipo espiral nos quais há anotações com referência expressa a Paulo Dusso.” A partir destas constatações, intimouse a recorrente para que apresentasse Livro Caixa, onde constasse a movimentação diária referente aos anos de 2003 a 2006, para que comprovasse a origem dos recursos das contas da empresa, bem como das contas movimentadas por procuração outorgada a seus sócios. Em resposta, confirmou a movimentação da conta nº 74230 (Rio Preto Abatedouro), nos negócios da empresa outorgante e que os cheques nominais à Dusso serviam para pagamento de resíduos faturados à outorgante. Em relação à conta nº 75795 (em nome da Tradição Couros), confirmou que possuía procuração, mas a movimentação era feita em nome do Sr. Antonio Carlos Gissi, sendo que os pagamentos de despesas pessoais feitos por tais contas eram referentes à remuneração Fl. 6DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA Processo nº 16004.001415/200866 Acórdão n.º 1202000.747 S1C2T2 Fl. 5 7 de prestação de serviços e que o único benefício experimentado pelo Sr. Paulo Dusso era uma comissão simbólica pelos serviços prestados. De se destacar que os Livros Caixa apresentados eram escriturados mensalmente e, não, diariamente, como exige a legislação fiscal. Para a contribuinte, esta alteração na forma de escrituração não altera o resultado final. Uma das características do esquema verificado na operação “Grandes Lagos” era a constituição de procuradores para movimentar em interesse próprio, contas de terceiros, de modo a ocultar movimentação financeira. A investigação constatou que essas contas foram movimentadas por Paulo Dusso para fins diversos, inclusive para pagamento de despesas pessoais. Notase que os valores declarados pela “Dusso Couro” como receita bruta não guardam relação com as contas movimentadas. Apenas 4% (quatro por cento) dos valores constantes dos depósitos bancários foram tributados, isto é, faltou computar os 96% restantes para fins de tributação. O valor considerado nos 4 anoscalendários é de R$530.130,90, enquanto que o levantado com base na movimentação financeira é de R$12.595,488,19. Esse fato, no entender da fiscalização, evidencia a conduta dolosa da contribuinte em ocultar os fatos geradores dos tributos. Ademais, a utilização das contas mencionadas foi feita para ocultar operações da “Dusso Couros”, o que também é característica de dolo. Assim, houve a imputação de multa qualificada sobre os créditos apurados. Em virtude da prática reiterada de infração à legislação tributária, entendeu a autoridade ser cabível a exclusão da contribuinte do Simples, nos termos do artigo14, V, da Lei nº 9317/96, por meio do ADE DRF/São Jose do Rio Preto nº 101/2008. Ante a exclusão da sistemática do Simples e sem a presença da escrituração adequada para a apuração do lucro real, coube à autoridade arbitrar o lucro a partir da receita bruta conhecida. Tendo em vista tais dados, a fiscalização considerou como receitas omitidas os depósitos bancários de origem não comprovada (aí considerando os valores contidos nas contas em epígrafe), nos termos do artigo 42 da Lei nº 9430/96. Nesse passo, houve a imputação de responsabilidade solidária aos sócios da “Dusso Couros”, Srs. Paulo César Dusso e Antonio Dusso, nos termos do art. 124, I do Código Tributário Nacional CTN, por entender a autoridade que as ações daqueles caracterizavam interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores da obrigação tributária. Com as imputações, apresentaram Manifestação de Inconformidade (fls.21032116), solicitando pedido de revisão da exclusão do SIMPLES. Em apertada síntese, alegam que o Processo Administrativo nº 16004.001234/200759, possui ligação com o feito aqui discutido, destacando que naquele feito há a impugnação cabível, o que motivaria a suspensão do presente processo. Afirma haver violação ao direito constitucional de ampla defesa, já que a exclusão do SIMPLES se operou com notificação posterior ao ato de exclusão, entendendo que seria cabível o oferecimento de defesa em momento anterior ao ato de exclusão. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA 8 Destaca que não houve confirmação dos atos contidos na representação fiscal, não havendo respeito ao artigo 93, IX da Constituição Federal, já que o ato de exclusão não foi devidamente fundamentado. Informa que recebiam apenas pequena remuneração em virtude do exercício do contrato de mandato, e que, por óbvio, esta quantia não refletia toda a movimentação financeira da empresa. Informa que o depoimento do Sr. Elizeu Machado à Policia Federal evidencia a atuação de Paulo César Dusso e João Antonio Dusso como procuradores, que somente compravam gado para a outorgante (a “Rio Preto Abatedouro”). Em acréscimo, não há de se atribuir a movimentação da Tradição Couros à Dusso Couros. Há depoimento do Sr. Francisco Sangalli informando que a conta bancária era movimentada por Antonio Carlos Gissi. A busca e apreensão efetuada na Curtidora Catanduva, onde se apreendeu talão de cheques assinados em branco por Paulo Dusso, que era tão somente procurador da empresa, são evidências que confirmam as declarações, já que sequer houve oitiva do Sr. Antonio Gissi. Prossegue informando que, em virtude da apresentação de recurso à autoridade fiscal, não há definitividade na decisão que apurou a omissão de receitas e assim, não cabe à Receita Federal a exclusão da sistemática do Simples ante a pendência do julgamento administrativo. Requer a procedência da manifestação, determinando sua reinclusão no SIMPLES. Com a lavratura dos autos de infração decorrentes da omissão de receitas, foi apresentada Impugnação, por “Dusso Couros”, Paulo César Dusso e Antonio Dusso. Em linhas gerais, alegam que não houve denúncia formalizada contra os impugnantes, nem mesmo contra seus sócios, os quais sequer foram mencionados na investigação que apurou o esquema criminoso levantado pelo Ministério Público, destacando que o Sr. Paulo Dusso foi arrolado como testemunha de acusação. No bojo da investigação foram produzidos relatórios denominados “Empresas envolvidas no esquema” e “Pessoas físicas envolvidas no esquema”, onde os impugnantes não fazem parte de nenhum dos relatórios. Destacam a autuação de Paulo Dusso apenas como procurador da Tradição Couros e da Rio Preto Abatedouro. Informa que houve autuação do Fisco estadual sobre a Tradição Couros e que, naquela ocasião, não foi relacionado como coobrigado o procurador, Paulo Dusso. Este informa que não tem ciência se a empresa outorgante sofreu autuação por parte do fisco federal, o que, se ocorreu, pode ser objeto de pagamento, parcelamento ou impugnação. Tampouco há qualquer prova da vantagem econômica por este obtida que justifique a responsabilização. O Sr. Antonio Dusso destaca que não apresentou qualquer acréscimo patrimonial que pudesse ser encarado como operação ilícita. Informam que os fatos geradores foram praticados pela Tradição Couros e pela Rio Preto Abatedouro, cabendo a imputação à estas empresas e seus sócios. A mera atuação como procurador não dá suporte jurídico e fático à sujeição passiva solidária imputada aos impugnantes, que ainda se respondessem, caberia responsabilização à pessoa física, e não como devedor solidário. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA Processo nº 16004.001415/200866 Acórdão n.º 1202000.747 S1C2T2 Fl. 6 9 Houve relações comerciais entre a “Dusso Couros” e as empresas, mas estas foram devidamente contabilizadas. Não há prova da constituição fraudulenta da Tradição Couros e da Rio Preto Abatedouro por “laranjas” de Paulo Dusso, não sendo cabível a imputação como receitas omitidas da “Dusso Couros” de todas as contas das empresas acima, que operouse por mera presunção. A movimentação efetuada por Paulo na qualidade de procurador não pode ser imputada à Dusso Couros, que possui sócios distintos dos das empresas outorgantes. Em relação à multa qualificada, esta foi imputada com base em acusação pendente de julgamento administrativo. Informa que a empresa, como é comum aos optantes do SIMPLES, manteve os livros e documentos exigidos por lei, e somente as vendas eram registradas no Livro Caixa, acompanhados de notas fiscais, donde é possível averiguar a regularidade das movimentações. Assim, o fisco tinha à sua disposição elementos suficientes para a apuração do lucro, sendo descabido o arbitramento. Acresce que não há vinculação entre a movimentação financeira da “Dusso Couros” com as outras empresas, não havendo demonstração de alteração patrimonial. Requerem o provimento da impugnação, com a conseqüente improcedência da sujeição passiva solidária aos Srs. Paulo e Antonio Dusso e a desconstituição do lançamento estipulado nos autos de infração. O Acórdão nº 142744 da 1ª Turma da DRJ/RPO (fls. 2.206/2.222), manifestouse nos termos a seguir narrados. Inicialmente, apreciando a Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Ato Declaratório Executivo exarado pela DRF/São José do Rio Preto nº 101/2008, responsável pela exclusão da “Dusso Couros” do SIMPLES, há a alegação de que há correlação entre este ato e o Processo administrativo nº 160004.001234/2007, o qual ainda está sob análise, apresenta uma alegação improcedente pois o mencionado processo é oriundo de Auto de Infração lavrado contra contribuinte diferente (no, caso, Comercial de Carne Dusso Ltda. – CNPJ nº 02.144.010/000126), inexistindo a vinculação entre os processos que justifique o pleito. A despeito da alegação de violação à garantia constitucional de ampla defesa no ato de exclusão do SIMPLES, em que a contribuinte requer o oferecimento de defesa prévia ao ato de exclusão, afirma o relator que não há previsão legal para a defesa requerida, havendo, tão somente, Manifestação de Inconformidade a ser apresentada, nos termos do artigo 15,§3º da Lei nº 9317/96. Ou seja, o recurso é cabível após o ato de exclusão. A possibilidade de defesa prévia, quando existe, é feita de maneira expressa, como é o caso da Lei nº 9430/96, artigo 32, não havendo o que se falar neste caso em cerceamento ao direito de defesa. Acresce ao voto que, com esta manifestação, a contribuinte se insurge contra disposição expressa de lei e, neste passo, a competência atribuída à autoridade administrativa é de apenas dar cumprimento a lei, não possuindo a competência de apreciar aspectos relacionados à inconstitucionalidade ou invalidade de norma, sendo este assunto restrito ao Poder Judiciário. Em relação à conclusão da contribuinte de ausência de fundamentação da decisão de exclusão do SIMPLES, alegando violação ao artigo 93, IX da Constituição Federal Fl. 9DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA 10 CF. Informa o Acórdão que a contribuinte não produziu provas novas ou elementos que justificassem a revisão dessa exclusão do Simples. Aduz que os depoimentos do Sr. Elizeu Machado Filho trazem carga de convicção de que o Sr. Paulo César Dusso se utilizava da conta da “Rio Preto Abatedouro” (movimentada por procuração), com o fim de ocultar transações comerciais, especificamente relacionadas às operações da “Dusso Couros”, verificadas a partir de movimentações bancárias e também de ausência de conhecimento sobre a atividade operacional da empresa. Entende que o depoimento do Sr. Elizeu revela a participação da Rio Preto Abatedouro nas infrações tributárias descobertas na operação denominada “Grandes Lagos”. Prossegue evidenciando que o depoimento prestado pelo Sr. Elizeu Machado Filho elucida muito a situação descrita no acórdão. “ No "Auto de Qualificação e Interrogatório" foi anexado por cópia aos autos às fls. 334336. Ao ser indagado acerca dos clientes da RIO PRETO ABATEDOURO, o Sr. Elizeu respondeu nos seguintes termos: "doutor, agora não me lembro, mas já vendi para a Gessy Lever". Soa surreal esta afirmação do Sr. Elizeu, titular de 95% das quotas do capital social de uma empresa que entre os anos de 2003 e 2006, movimentou nada menos que R$ 233.338.957,87. Como é possível sequer conhecer os principais clientes da empresa? Em seguida, ao ser questionado sobre o faturamento mensal da empresa, respondeu: "doutor, eu vou ficar devendo, porque isso fica na contabilidade". Mais uma vez revelase com clareza que o Sr. Elizeu não passava de um "laranja" na RIO PRETO ABATEDOURO. No tocante à procuração conferida aos Srs. João Antônio Dusso e Paulo César Dusso, o Sr. Elizeu afirmou à Polícia Federal que eles compravam gado para ele com recursos provenientes de sua conta, remetiam para abate na RIO PRETO ABATEDOURO e, em seguida, adquiriam a carne. Nas declarações prestadas à Receita Federal do Brasil (fls. 337338), o Sr. Elizeu detalhou mais o modo como eram utilizadas as contas operadas por procuradores. Afirmou que outorgou procurações para outras pessoas movimentarem recursos e que estas contas eram utilizadas para negócios dos próprios procuradores, que compravam gado e vendiam a carne, citando inclusive os irmãos Dusso (Paulo e João), realizando o abate na RIO PRETO ABATEDOURO. Esclarece que os procuradores compravam gado para o frigorífico, mas também efetuavam abates no frigorífico com notas de outras empresas, sendo que pagavam pelo abate (taxa), dando como pagamento os resíduos do gado. Ao final, concluiu que, por não ter controles dessas contas, não saberia dizer se eram utilizadas também para operações próprias dos procuradores. Os depoimentos do Sr. Elizeu Machado Filho são elemento forte de convicção de que o Sr. Paulo César Dusso se valeu da conta bancária da RIO PRETO ABATEDOURO que movimentava por procuração para ocultar transações comerciais de seu interesse pessoal, quais sejam, operações da DUSSO COUROS. Isso se infere não apenas das afirmações relacionadas à movimentação das contas bancárias propriamente ditas, mas sobretudo do total desconhecimento de questões básicas da atividade operacional da empresa, como Clientes e faturamento. Na verdade, o depoimento do Sr. Elizeu revela que a RIO PRETO Fl. 10DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA Processo nº 16004.001415/200866 Acórdão n.º 1202000.747 S1C2T2 Fl. 7 11 ABATEDOURO foi mais uma das engrenagens utilizada na consecução das infrações tributárias características da operação "Grandes Lagos". Isso fica ainda mais evidente com a leitura dos depoimentos dados pelo Sr. Gilberto Soriano Lopes (titular de 5% das quotas do capital social da RIO PRETO ABATEDOURO) à Polícia Federal e à Receita Federal (fls. 340 343). O Sr. Gilberto afirma textualmente que emprestou seu nome para abrir a empresa e quenão tinha condições financeiras para gerir, administrar ou ser proprietário de qualquer empresa. Assevera que assim agiu para receber, como recompensa, o emprego de encarregado do departamento pessoal. As afirmações do Sr. Gilberto são extremamente contundentes e demonstram que a RIO PRETO ABATEDOURO foi constituída por "laranjas". “(fls. 2.2172218) Destaca que a conclusão da autoridade administrativa de que a “Dusso Couros” é titular dos valores movimentados pela “Rio Preto Abatedouro” não decorre da procuração conferida ao Sr. Paulo Dusso. Esta é apenas um dos elementos analisados, acrescidos dos depoimentos (in casu de Eliseu Machado e Gilberto Lopes), das notas fiscais apreendidas na “Rio Preto Abatedouro”, que davam conta de relações com a dita Distribuidora e de outros documentos. De se notar que a Distribuidora é uma empresa que não possuía estrutura operacional e sua função era vender notas fiscais “frias” às empresas que, de fato, operavam regularmente com atividade de frigoríficos. Acrescenta que há afirmação de Sr. Domingos Correa Silva que efetuou crédito no importe de R$ 9.750,00 na conta da Rio Preto Abatedouro (movimentada por Paulo Dusso), em razão de compra de couro, adquirida do sr. Paulo Dusso, responsável também pelas tratativas desse negócio. Para a investigação, a prova principal da utilização pela Dusso Couros das contas bancárias da “Rio Preto Abatedouro” e da “Tradição Couros” advém do rastreamento dos recursos movimentados. Segundo a autoridade, tais recursos foram utilizados para pagamentos de tributos da “Dusso”, compra e venda de derivados bovinos, emissão de cheques nominativos às empresas ditas “noteiras” e cheques depositados na conta da “Dusso”. Em relação à afirmação da contribuinte de que a movimentação financeira da “Tradição Couros” não pode ser atribuída à “Dusso”, o voto destaca que não houve na Manifestação resposta em relação a inúmeros pontos levantados durante a investigação em relação a esse vínculo. Ainda, em relação à afirmação da contribuinte de que não há definitividade na decisão da autuação que apurou omissão de receitas e por isso excluiu a empresa do SIMPLES por fatos, em seu entender, pendentes de julgamento na esfera administrativa, esclarece o acórdão que a exclusão da Dusso Couros de referido sistema foi baseada no artigo 14, V, da Lei nº 9317/1996, tendo decorrido de prática reiterada de infração à legislação tributária, tendose apurado que a contabilidade da empresa operou efetuando lançamentos mensais e também que movimentou recursos em contascorrentes bancárias de terceiros (“Rio Preto Abatedouro” e “Tradição Couros’), mediante procuração conferida por estes ao sócio da “Dusso Couros”, Sr. Paulo Dusso. Para a administração, independente da aludida omissão de receitas resultantes destes atos e da tributação por ventura devida, estas são infrações reiteradas à legislação Fl. 11DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA 12 tributária, especialmente ante a ausência de manutenção regular de escrituração, sendo cabível a exclusão mencionada. Ademais, a impugnação aos autos de infração não obstam os efeitos da exclusão do SIMPLES, acrescentando ainda que os lançamentos somente poderiam ser realizados posteriormente à exclusão, conforme o artigo 16 da Lei nº 9317/1996. No que tange às alegações dos impugnantes de que não houve denúncia apresentada pelo Ministério Público contra a “Dusso Couros” ou seus sócios (Paulo Dusso e Antonio Dusso), após a investigação policial e que tanto a empresa quanto as pessoas físicas não constam do rol produzido pela Polícia Federal de “Envolvidos no Esquema”, destaca o acórdão que referidas alegações não tem efeito quanto à validade dos lançamentos tributários efetuados, esclarecendo que o fato de não haver denúncia até o momento de prolação do acórdão, significa tão somente que a persecução penal não atingiu tais pessoas, sendo relevante porém esclarecer que a validade dos lançamentos independe de condenação criminal dos envolvidos, e que a discussão sobre a legalidade dos autos de infração lavrados restringese às provas trazidas no bojo deste processo administrativo. Em relação ao auto de infração lavrado pelo Fisco Estadual, esclarece que são tributos diversos dos lançados no processo administrativo aqui discutido, não se juntando referido auto nem sua impugnação. Tampouco há qualquer relevância em relação ao pagamento, parcelamento ou impugnação de tal auto em relação aos autos impugnados no presente processo, já que apenas é levantada uma hipótese, sem comprovação fática ou legal e também porque a autoridade considerou como receitas da “Dusso Couros” os depósitos bancários constantes da conta da “Tradição Couros” (movimentada por procuração pelo Sr. Paulo Dusso), não havendo incompatibilidade no fato de que recursos movimentados por outras contas tenham resultado em eventual lavratura de novos autos de infração. Entende que, do exame das provas acostadas aos autos, depreendese a participação do Sr. Paulo César Dusso na prática das infrações tributárias, restando demonstrado seu interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores das obrigações tributárias, citando como exemplo “esclarecimento prestado pelo Sr. Domingos Correa Silva, que afirmou haver creditado na referida conta o valor de R$ 9.750,00, em 04/07/2003, em razão de compra de gado junto ao Sr. Paulo Dusso.” Não obstante, menciona a apreensão por parte da Polícia Federal em buscas realizadas na Curtidora Catanduva Ltda., de “notas, documentos, planilhas com com anotações sobre quantidade de couros, peso e clientes (entre os quais Paulo Dusso), cartão magnético e talão de cheques em nome da TRADIÇÃO COUROS, assinados por Paulo César Dusso. Em diligência realizada na TRADIÇÃO COUROS, foram apreendidos notas fiscais da DUSSO COUROS, cópia de procurações, duas agendas telefônicas e dois cadernos tipo espiral, constando diversas anotações que fazem referência a Paulo Dusso. Constatouse que o Sr. Paulo César Dusso foi, até 01/11/2006, procurador da TRADIÇÃO COUROS.” Afirma corroborar com a indicação da atuação da Distribuidora como “noteira”, o depoimento da Sra. Maria dos Anjos Medeiros, confirmando que o Sr. Paulo Dusso era cliente da empresa. O próprio contribuinte Paulo Dusso afirmou ter adquirido materiais da “Rio Preto Abatedouro” com notas fiscais da Distribuidora. Verificouse ainda a utilização, pelo Sr. Paulo Dusso, das contascorrentes bancárias aqui mencionadas para pagamentos de despesas pessoais, tendose colacionado cheques da Rio Preto Abatedouro e da Tradição, assinados pelo contribuinte, e depositados na conta da Dusso Couros. Do mesmo modo, em relação ao Sr. Antonio Dusso, houve a constatação de pagamento de despesas pessoais (IPVA) por meio das contas movimentadas por procuração por Paulo Dusso, recebendo ainda cheques assinados por este em sua conta pessoal. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA Processo nº 16004.001415/200866 Acórdão n.º 1202000.747 S1C2T2 Fl. 8 13 Para o julgador, esses fatos são reveladores do interesse comum nas operações tributárias apuradas. Tendo em vista que as operações do Sr. Paulo César Dusso em contas da Tradição Couros e da Rio Preto Abatedouro não beneficiaram estas empresas, mas sim a Dusso Couros, a esta devem ser imputados os tributos decorrentes de referidas operações, tendo tão somente a autoridade identificado o titular econômico das transações, não podendo ser imputadas as primeiras empresas. Ainda, referida conclusão não é invalidada pelo fato de supostamente não haver provas de que estas empresas tenham sido constituídas por “laranjas” de Paulo César Dusso. Referindose à alegação de que a autuação por omissão de receitas foi feita por mera presunção, esclarece a autoridade que referida autuação foi feita com lastro no artigo 42 da Lei nº 9430/1996, destacando que a insurgência da contribuinte contra lei não pode ser apreciada na esfera administrativa. Destaca que foram verificadas irregularidades significativas na contabilidade da contribuinte, que registrava sua movimentação bancária por partidas mensais, não mantendo registro individualizado das operações. Ainda, entende a autoridade que a contribuinte utilizou contas bancárias de terceiros (das empresas “Rio Preto Abatedouro” e “Tradição Couros’), ocultando suas operações e sem registro contábil, irregularidades estas que determinaram a exclusão da contribuinte do SIMPLES. Votando pela improcedência das impugnações, entende DRJ que agiu com acerto a autoridade lançadora, excluindo a contribuinte do SIMPLES, baseado em prática reiterada de infração à legislação tributária, bem como por arbitrar o lucro com base na receita bruta conhecida. Cientes da decisão o Sr. Antonio Dusso em 18 de março de 2010 (fl. 2224), Sr. Paulo César Dusso em 18 de março de 2010 (fl. 2225) e Dusso Comércio de Couros Ltda. em 8 de abril de 2010 (fl. 2.230). Irresignados, apresentaram Recurso Voluntário tempestivo (fl. 2231 a 2254), reiterando os argumentos trazidos com a impugnação aos autos de infração, acrescendo ainda a alegação de que o acórdão não trouxe fundamentação suficiente, restringindose a repetir os argumentos trazidos com a autuação fiscal. É o Relatório. Voto Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Como relatado, tratase de exigência de IRPJ, CSLL, contribuição ao PIS e COFINS decorrente de omissão de receitas que resultou na exclusão da recorrente do SIMPLES, as quais foram verificadas mediante o cotejamento das informações constantes nas declarações entregues à Receita Federal e das informações dos movimentações bancárias Fl. 13DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA 14 fornecidas pelas instituições financeiras por meio de RMF – Requisição de Movimentação Financeira. Com o cotejo, a autoridade lançadora constatou que não foram reconhecidos os ingressos de recursos nas contascorrentes bancárias da própria recorrente e responsáveis solidários, bem como nas de terceiros que era usada pela recorrente como pessoas interpostas (“RIO PRETO” e “TRADIÇÃO COUROS”). Para o procedimento de fiscalização, a autoridade fiscal se valeu não só da movimentação bancária obtida junto às instituições financeiras, mas também de provas colhidas pela Polícia Federal na operação que se denominou “Grandes Lagos”. A interposição de pessoas ficou claramente identificada pois um dos sócios da recorrente, Sr. Paulo Dusso possuía procuração para movimentar a contacorrente bancária da “RIO PRETO” e, pelos depoimentos do Srs. Elizeu Machado Filho e Gilberto Soriano Lopes, ficou comprovado que eles não detinham a administração das empresas ou mesmo conheciam suas atividades, mas que toda a administração era feita pelo Sr. Paulo Dusso. Além disso, foram obtidos documentos e notas fiscais na RIO PRETO que revelavam transações feitas com a DISTRIBUIDORA, bem como uma relação manuscrita de telefones de "taxistas", entre os quais os Srs. João Dusso e José Luiz Dusso. Como evidenciado na investigação, a DISTRIBUIDORA é uma empresa sem estrutura operacional e que atuava vendendo notas fiscais "frias" às empresas que realmente operavam com gado, carne, couros e outros produtos relacionados com a atividade de frigoríficos. Ainda, outro depoimento importante, foi o do Sr. Domingos Correa Silva quem confirmou que efetuou um crédito no valor de R$9.750,00 na conta da RIO PRETO ABATEDOURO, que foi movimentada, por procuração, pelo Sr. Paulo César Dusso em razão da compra de couro. O Sr. Domingos confirmou que o couro foi adquirido junto ao Sr. Paulo Dusso e que os contatos foram mantidos exclusivamente com ele. Outro fato importante é o rastreamento dos recursos movimentados pelas empresas “RIO PRETO” e “TRADIÇÃO COUROS” que evidenciaram que a DUSSO COUROS as utilizava para sua própria atividade. Foi apurado que esses recursos foram utilizados para diversos fins, como compra e venda de couro/carne, pagamento de tributos apurados pela DUSSO COUROS e emissão de cheques nominativos aos proprietários de empresas "noteiras". Além disso, vários cheques provenientes dessas contas, assinados pelo Sr. Paulo César Dusso, foram depositados na conta da DUSSO COUROS. Também foram encontradas notas fiscais na RIO PRETO revelando as negociações feitas com a empresa, lista dos telefones dos ‘taxistas’, dentre eles o Srs. João Dusso e José Luiz Dusso. Ficou constatado pela Polícia Federal e pela Receita Federal, que o produto do abate era por ele vendido no comércio varejista, com emissão de notas fiscais "frias" adquiridas junto a empresas abertas em nome de terceiros ou mesmo "laranjas", e, em muitos casos, utilizava, inclusive, para a movimentação financeira decorrente de suas atividades, contas bancárias de terceiros. Enfim, pelos fatos constantes do relatório e das observações aqui feitas,a autoridade lançadora comprova que a recorrente não registrou em sua escrita contábil todas as receitas que obteve em suas atividades, a maior parte foi mantida à margem. Conforme levantado, somente 4% dos montantes lançados em sua própria contacorrente foram registrados e os restantes 96% foram ocultados. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA Processo nº 16004.001415/200866 Acórdão n.º 1202000.747 S1C2T2 Fl. 9 15 Adicionalmente, havia também receitas de suas atividades que ficaram registradas em contacorrente bancárias de terceiros, mas pertencentes à recorrente. A primeira alegação da recorrente é que a impugnação apresentada no Processo Administrativo nº 16004.001234/200759 suspende o presente Processo Administrativo, tendo em vista que os dois estão ligados. Todavia, como bem explicou a DRJ no corpo de seu voto, essa alegação não procede porque, conforme atesta o extrato de fl. 2204, o Processo Administrativo nº 16004.001234/200759 referese a Auto de Infração lavrado contra a empresa COMERCIAL DE CARNE DUSSO LTDA (CNPJ 02.144.010/000126) – ou seja, outra empresa contribuinte. Portanto, não há como acatar essa alegação. Em segundo lugar, afirma que houve violação à garantia constitucional do direito à ampla defesa uma vez que foi determinada a exclusão do SIMPLES com notificação para apresentação de defesa administrativa, enquanto que deveria ter tido direito de defesa antes da exclusão. Nos termos do artigo 15, § 3°, da Lei nº 9.317/96, temos que: “Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: II (...) § 3° A exclusão de oficio darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo.” (Incluído pela Lei n°9.732/1998) Portanto, o recurso é cabível após a ocorrência da exclusão e não procede a alegação de que houve cerceamento do direito de defesa pela ausência de oportunidade de audiência prévia. O procedimento aplicado pelas autoridades fiscais seguem disposição da lei, portanto, não há como acolher essa alegação da recorrente e, novamente, concordo com o entendimento da DRJ. A recorrente se insurge em relação à constitucionalidade de normativos aqui aplicados, consoante Súmula do CARF nº 2, esse colegiado não é competente para julgar sobre essa matéria, a saber: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Quanto à omissão de receitas, deuse pois não foi feita a comprovação da origem das movimentações financeiras para os anoscalendários sob análise, nem mesmo do motivo pelo qual não estavam registradas na escrituração contábil. A recorrente alegou ainda que a autoridade estadual fez o lançamento do ICMS reconhecendo o exercício da atividade rural, todavia, isso não significa que houve comprovação da natureza das atividades ou que há incompatibilidade com as conclusões consignadas no presente processo administrativo. No processo aqui, a omissão de receitas foi considerada com base nos depósitos bancários de origem não comprovada e coube à contribuinte, que foi intimada por diversas vezes, a prova da origem dos recursos que ingressaram em suas contas, a qual não foi apresentada em momento algum. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA 16 Do Termo de Constatação Fiscal, extraise esclarecimentos do modus operandi da recorrente no esquema levantado. Da análise de toda essa documentação, fica evidente que a RIO PETRO e a TRADIÇÃO eram empresas interpostas, as quais movimentavam recursos pertencentes à recorrente. Iniciada a fiscalização da pessoa jurídica, foram solicitadas, por diversas vezes, as comprovações dos valores identificados em sua movimentação financeira; o que não foi feito durante todo o processo de fiscalização. Com isso, ficou caracterizada a omissão de receitas valendose a autoridade lançadora do disposto no artigo 42 e §1º da Lei nº 9430/1996, a saber: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira” Uma vez verificada a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, a fiscalização, primeiro, deve intimar o sujeito passivo a comprovar a origem de tais recursos, mediante documentação hábil e idônea. Caso o sujeito passivo não comprove, temse caracterizada a omissão de receitas ou rendimentos por presunção legal. A presunção se dá simplesmente por existir depósitos ou valores creditados que não foram comprovados pelo sujeito passivo. É marco inicial para a intimação, mas, caso não se cumpra a condição disposta na norma, ou seja, a comprovação, tornase o fundamento para a caracterização. Ficou demonstrado nos autos que a recorrente, não procedeu à comprovação da origem dos recursos, resultando esse seu procedimento, assim, na causa de lançar, isto é, o lançamento foi baseado na ocultação de contas bancárias, relativo aos anoscalendários sob análise. Nesse período, constatouse que foram movimentadas importâncias cuja relação entre o que foi declarado é de 4% para 96% , logo, representam valores bem distintos e distantes entre si. A contribuinte não forneceu os esclarecimentos e documentos necessários para refutar os fatos detectados na ação fiscal. Dessa forma, a autoridade fiscal cumpriu com os ditames do artigo 42 da Lei nº 9430/1996, caracterizando a omissão de receitas por presunção legal. Com o cotejo dos valores declarados para o fisco federal e a movimentação financeira mantida à margem de qualquer registro contábil ou escrituração oficial, em nome da recorrente e de empresas que foram comprovadamente interpostas, restou demonstrada, inequivocamente, a omissão de receita. Diante desse indício, a autoridade fiscalizadora, suportada no normativo retromencionado, não pode simplesmente desprezálas, aliás, deve usá las para suportar o seu lançamento. Nesse sentido, temos sim caracterizada a omissão de receitas consubstanciada na não comprovação de depósitos ou créditos em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira pela recorrentes e pessoas interpostas. Já foi exaustivamente relatado que as provas constantes nos documentos apreendidos pela Polícia Federal, revelam sua atuação num esquema de organização empresarial, ficando evidente a omissão de receitas com base no artigo 42 acima reproduzido. Portanto, tratase de presunção legal relativa ,i.e., que admite prova em contrário, a qual cabe à recorrente. Ao fisco cabe apenas apresentar o fato indiciário definido na lei como necessário e Fl. 16DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA Processo nº 16004.001415/200866 Acórdão n.º 1202000.747 S1C2T2 Fl. 10 17 suficiente ao estabelecimento da presunção, qual seja, a ocorrência de depósitos bancários de origem não comprovada em contas de titularidade da pessoas, física ou jurídica, ou ainda, no caso de interposição de pessoas, em contas de terceiros, efetuandose o lançamento de ofício sempre contra o titular de fato da conta de depósito ou de investimento. Ficou muito bem identificado pelo Fisco que a recorrente é a efetiva titular das movimentações financeiras sob análise. Conforme já ressaltado, uma vez identificada ser da recorrente a responsabilidade pela movimentação financeira em comento, é a lei que imputa ao contribuinte o ônus de constituir prova da origem dos referidos recursos. Por este motivo, simples alegações, desacompanhadas de provas, tais como a de que os mesmos recursos passariam pelas contas bancárias mais de uma vez, caracterizando verdadeiro capital de giro ou movimentação financeira da recorrente, ou que a receita bruta considerada para a apuração dos tributos estaria equivocada, ou de que as provas de sua movimentação estariam com o próprio fisco, ou ainda com terceiros, não podem ser acatadas, devem ser sim provadas. Quanto aos lançamentos reflexos, por conta da vinculação existentes com o IRPJ, as mesmas conclusões são aplicáveis. Ou seja, dada a decisão de mérito prolatada para o IRPJ, em se tratando de tributação reflexa, mantémse a mesma para a CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS, tendo em vista que o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a caracterização dos depósitos bancários de origem não comprovada como receitas da pessoa jurídica e a interessada, em nenhum momento, carreou aos autos qualquer elemento comprobatório da origem dos recursos depositados de forma a permitir a identificação de que tais valores não seriam receitas da recorrente ou que, em sendo receitas da atividade, foram regularmente oferecidas à tributação para elas prevista. Note que a recorrente não questiona o cálculo dos tributos incidentes sobre o lucro arbitrado ou mesmo o arbitramento, mas apenas a caracterização da omissão de receitas, motivo pelo qual me abstenho de analisar. A operação “Grandes Lagos” já foi objeto de decisão desse colegiado e tem sido acordada a omissão de receitas, o arbitramento do lucro e a responsabilidade solidária, conforme as ementas abaixo: “Processo nº 16004.000542/200848 Recurso nº506.400 Voluntário Acórdão nº110200.462–1ªCâmara/2ªTurma Ordinária Sessão de 30 de junho de 2011 Matéria: IRPJ Recorrente:ALCEU ROBERTO DA COSTA Recorrida: FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2002,2003,2004,2005,2006 Fl. 17DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA 18 PESSOA JURÍDICA. EQUIPARAÇÃO. Equiparamse às pessoas jurídicas as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro,mediante venda a terceiros de bens ou serviços. ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃO APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. Sujeitase ao arbitramento do lucro o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou, na hipótese de tributação com base no lucro presumido, o Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Configuram omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica,regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. Comprovando se que os valores dos depósitos pertencem à terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. PIS/PASEP COFINS. Aplicase às exigências decorrentes, o mesmo tratamento dispensado ao lançamento da exigência principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.” “Acórdão n 110300.486–1ªCâmara/3ªTurmaOrdinária Sessão de 29 de junho de 2011 Matéria: IRPJ e reflexos Recorrente: Campo Oeste Carnes Indústria Comércio Importação e Exportação Ltda Recorrida:Fazenda Nacional Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002 Ementa: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Aplica se a norma de decadência contida no art.173,I,do CTN–Código Tributário Nacional nos casos de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do lançamento por homologação (art. 150 do CTN) quando restar incontroversa a ocorrência de evidente intuito de fraude. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. TITULAR DE FATO DA PESSOA JURÍDICA. A pessoa física que efetivamente pratica atos que caracterizam o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, revelando a sua condição de “titular de fato”, responde solidariamente pelo crédito tributário constituído em desfavor da Fl. 18DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA Processo nº 16004.001415/200866 Acórdão n.º 1202000.747 S1C2T2 Fl. 11 19 pessoa jurídica. Responde solidariamente pelo crédito tributário devido pela pessoa jurídica.” Em relação à qualificação da multa, ficou comprovado o verdadeiro intuito de fraudar o recolhimento dos tributos, é claro no relatório as práticas reiteradas para impedir o recolhimento dos tributos, assim, a autoridade fiscal lhe imputou corretamente a multa de 150% com base no artigo 44, II, da Lei nº 9430/96. Por fim, contestou a recorrente a imputação, a seus sócios, nos termos do artigo 124, I, do CTN, da responsabilidade solidária pelos créditos tributários constituídos, por ser descabida a responsabilidade solidária a terceiros por suas meras participações como prepostos ou administradores. Segundo o artigo 124, I, do CTN: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal;” Os fatos, que são as provas aqui acostadas nos autos, revelam que houve interesse comum das pessoas físicas, Srs, Paulo César Dusso e Antonio Dusso confirmando a responsabilidade solidária. Também pelas investigações ficou confirmado que as pessoas físicas, sócias da recorrente, faziam depósitos na mesma contacorrente em decorrência de compra e venda da recorrente, utilizavam os recursos para quitar despesas pessoais. Assim, mantenho o lançamento em relação à responsabilidade das pessoas físicas por estar evidente que eram solidárias por se vincularem ativamente às situações ocorridas e aos atos praticados durante sua gestão ou administração, revelando o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação como dispõe o inciso I do art. 124 do CTN, acima transcrito. Na configuração da solidariedade é relevante que haja a participação comum na realização do lucro, e não a mera participação nos resultados representados pelo lucro. A existência de interesse comum é situação que somente em cada caso pode ser examinada. A solidariedade, em tais casos, independe de previsão legal. É a fiscalização que deve provar que há interesse comum nesta ou naquela situação, o que ficou corretamente demonstrado. Nesse sentido, há diversos documentos comprovando, bem como os depoimentos obtidos. Diante do exposto, meu voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora Fl. 19DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA 20 Fl. 20DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA
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Numero do processo: 10640.904425/2009-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1999
SIMPLES. MICRO EMPRESA. ALÍQUOTA DE 3%. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE PJ 2000 SIMPLES APÓS DESPACHO DECISÓRIO. CRÉDITO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP DEVIDA.
No ano calendário 1999, as micro empresas deveriam recolher o SIMPLES à alíquota de 3%. A devida comprovação do pagamento com base na alíquota de 4% caracteriza pagamento indevido ou a maior, o que assegura à contribuinte o direito à compensação (DCOMP) ou à restituição (PER), ainda que a retificação da Declaração Anual Simplificada (PJ 2000) tenha ocorrido após despacho decisório eletrônico. Homologação da DCOMP devida.
Numero da decisão: 1302-003.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10640.904413/2009-20, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 1999 SIMPLES. MICRO EMPRESA. ALÍQUOTA DE 3%. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE PJ 2000 SIMPLES APÓS DESPACHO DECISÓRIO. CRÉDITO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP DEVIDA. No ano calendário 1999, as micro empresas deveriam recolher o SIMPLES à alíquota de 3%. A devida comprovação do pagamento com base na alíquota de 4% caracteriza pagamento indevido ou a maior, o que assegura à contribuinte o direito à compensação (DCOMP) ou à restituição (PER), ainda que a retificação da Declaração Anual Simplificada (PJ 2000) tenha ocorrido após despacho decisório eletrônico. Homologação da DCOMP devida.
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COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF E PJ 2000 APÓS DESPACHO DECISÓRIO Recorrente IRMÃOS ORNELLAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1999 SIMPLES. MICRO EMPRESA. ALÍQUOTA DE 3%. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE PJ 2000 SIMPLES APÓS DESPACHO DECISÓRIO. CRÉDITO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP DEVIDA. No ano calendário 1999, as micro empresas deveriam recolher o SIMPLES à alíquota de 3%. A devida comprovação do pagamento com base na alíquota de 4% caracteriza pagamento indevido ou a maior, o que assegura à contribuinte o direito à compensação (DCOMP) ou à restituição (PER), ainda que a retificação da Declaração Anual Simplificada (PJ 2000) tenha ocorrido após despacho decisório eletrônico. Homologação da DCOMP devida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10640.904413/200920, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 44 25 /2 00 9- 54 Fl. 35DF CARF MF Processo nº 10640.904425/200954 Acórdão n.º 1302003.144 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face de Acórdão da 2a. Turma da DRJ de Juiz de Fora (MG) que, por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade, registrandose a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente, empresa varejista de produtos alimentícios e outros, alega que pagou SIMPLES à alíquota de 4% (que correspondia ao percentual acumulado, relativo a 1998), quando deveria pagar 3%, devidos em 1999, em conformidade com as disposições do art. 5º da Lei nº 9.317/96, vigente à época. Para evidenciar esse pagamento indevido ou a maior e para compensálo, enviou a DCOMP e na sequência retificou a Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica (DSPJ) originalmente transmitida. Anexou Recibo de Entrega da PJ 2000 Simples normal, retificadora e Darfs. A DRJ manteve o despacho decisório eletrônico e declarou não homologada a DCOMP. Entendeu que a recorrente não demonstrou que haveria pagamento indevido ou a maior. Desconsiderou a declaração simplificada retificadora de 2004. Não examinou a alegação da recorrente de que a alíquota correta do SIMPLES para 1999 seria de 3% e não de 4%. Não analisou os DARFs por meio dos quais a recorrente pretende demonstrar tal pagamento a maior. Concluiu que o valor contido na declaração simplificada da PJ corresponde ao valor pago e devido, pois considerou somente a PJ 2000 Simples original. Assim, concluiu que não haveria crédito disponível. Intimou a recorrente a pagar o principal, multa e juros. Diante do acórdão de manifestação de inconformidade, a recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente, reforçando que, ao analisar e confrontar com a Declaração Simplificada PJ, ano calendário 1999, a fiscalização deveria ter considerado os débitos declarados na segunda declaração retificadora PJ Simplificada entregue em 11/04/2004 (cancelada no sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil) e não a primeira, entregue cerca de nove minutos antes, na mesma data. É o breve relatório. Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10640.904425/200954 Acórdão n.º 1302003.144 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.132, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10640.904413/2009 20, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.132): "Conheço do recurso voluntário, à vista da interposição tempestiva e do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. A recorrente atua no comércio varejista de gêneros alimentícios, perfumaria, papelaria, armarinho, louças e legumes (cláus. III, contrato social, fl. 3). Sustenta que dispunha do crédito pleiteado, pois ao detectar o erro, entregou PJ 2000 Simples retificadora em 11/04/2004, sob n° de controle 10.02.38.90.27. Embora a DCOMP tenha sido entregue antes da PJ retificadora, defende que a IN 210/2002 seria omissa quanto à retificação de declarações. Com esse entendimento, afirma que não poderia concordar com o não reconhecimento do crédito. Alega que a fiscalização deveria ter considerado a declaração retificadora, ainda que realizada posteriormente à avaliação de seu pedido (despacho decisório eletrônico). Ressalta que, a IN SRF nº 210/2002, vigente à época, não mencionava como condição para o deferimento que a retificação fosse em data anterior à entrega da DCOMP. Com base em tais fatos e fundamentos, a recorrente, em 10/12/2003, utilizouse da DCOMP n° 36194.68673.101203.1.3.047949 para compensar débito com os supostos créditos de pagamento a maior de SIMPLES (alíquota de 4%, em vez de 3%). Observase, portanto, que independentemente de ter havido a retificação da DSPJ somente após a transmissão da DCOMP, não se verificou se, de fato, houve ou não pagamento a maior ou indevido pela recorrente. Para essa análise, é necessário verificar se procede a alegação da recorrente de que a alíquota do SIMPLES para o ano calendário 1999 seria realmente de 3% e não de 4%. No link idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/.../capitulov Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10640.904425/200954 Acórdão n.º 1302003.144 S1C3T2 Fl. 5 4 simples2008.pdf, a Receita Federal do Brasil (RFB) orienta que, Para a determinação do percentual a ser utilizado pelas Micro Empresas (ME), é necessário identificar, primeiramente, a faixa de receita bruta acumulada em que se encontra a ME, com o auxílio da Tabela S1, abaixo transcrita. Nesse caso, a pessoa jurídica deverá verificar o total da receita bruta acumulada, dentro do ano calendário, até o próprio mês em que está fazendo a apuração. Já o valor devido mensalmente, a ser recolhido pela ME, será o resultante da aplicação sobre a receita bruta mensal auferida da alíquota correspondente. Tabela S1: Percentuais aplicáveis às ME (regra geral) Receita Bruta Acumulada (em R$) Alíquotas Até 60.000,00 3% De 60.000,01a 90.000,00 4% De 90.000,01 a 120.000,00 5% De 120.000,01 a 240.000,00 5,4% O Estatuto da Microempresa de 1999 Lei nº 9.841, de 5 de outubro de 1999, estabeleceu que (art. 2º), para os efeitos desta Lei, ressalvado o disposto no art. 3º, considerase: I microempresa, a pessoa jurídica e a firma mercantil individual que tiver receita bruta anual igual ou inferior a R$ 244.000,00 (duzentos e quarenta e quatro mil reais); (Vide Decreto nº 5.028, de 31.3.2004). Conforme Declaração Anual Simplificada (PJ 2000 SIMPLES), fl. 14, a razão social da recorrente é: Irmãos Ornellas Ltda. ME; natureza jurídica: sociedade por cotas de responsabilidade limitada empresa privada. Os valores declarados pela recorrente em 1999 são a seguir reproduzidos, demonstrando que realmente se enquadrava como Micro Empresa: Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10640.904425/200954 Acórdão n.º 1302003.144 S1C3T2 Fl. 6 5 Verificase, portanto, que procede a alegação da recorrente de que a alíquota do SIMPLES (cód. rec. 61060) que deveria pagar em 1999 era de 3% (art. 5º da Lei nº 9.317/96, vigente à época ) e não de 4%. Os dois DARFs anexados ao processo indicam pagamento à alíquota de 4%. Demonstrado, dessa forma, que houve pagamento a maior ou indevido, fazendo jus à compensação pleiteada. No caso, portanto, entendo que o fato de Declaração PJ 2000 Simples ter sido retificada após a utilização do valor pago a maior não pode retirar o direito creditório da recorrente, em cumprimento ao princípio da verdade material, pois comprovados a certeza, liquidez e disponibilidade do crédito utilizado na DCOMP em questão. Assim, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito pleiteado e homologar a compensação pleiteada até o limite do direito creditório reconhecido." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 39DF CARF MF
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