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Numero do processo: 13888.903440/2015-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011
DCTF. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Comprovada que a retificação da DCTF encontra respaldo na contabilidade, há que se reconhecer o pagamento indevido ou a maior.
PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO.
Não tendo havido expressa manifestação no Despacho Decisório Eletrônico relativa à necessidade de retificação de DCTF, tampouco à comprovação desta retificação, considerando, ainda, o princípio da verdade material, é facultada ao Contribuinte a apresentação da referida prova por ocasião do Recurso Voluntário, fulcro no artigo 16, § 4º, alínea "c" do Decreto nº 70.235/72, uma vez que o fundamento da falta de comprovação veio à tona no acórdão da DRJ.
Numero da decisão: 1302-003.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca solicitaram a apresentação de declaração de voto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.903415/2015-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Como foram propostas 3 soluções distintas, foi observado o procedimento do art. 60 do Ricarf, sendo que, em primeira votação venceu a proposta de conversão em diligência, apresentada pela conselheira Maria Lúcia Miceli contra a de negar provimento ao recurso, vencidos nesta votação os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 DCTF. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Comprovada que a retificação da DCTF encontra respaldo na contabilidade, há que se reconhecer o pagamento indevido ou a maior. PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. Não tendo havido expressa manifestação no Despacho Decisório Eletrônico relativa à necessidade de retificação de DCTF, tampouco à comprovação desta retificação, considerando, ainda, o princípio da verdade material, é facultada ao Contribuinte a apresentação da referida prova por ocasião do Recurso Voluntário, fulcro no artigo 16, § 4º, alínea "c" do Decreto nº 70.235/72, uma vez que o fundamento da falta de comprovação veio à tona no acórdão da DRJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca solicitaram a apresentação de declaração de voto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13888.903415/201535, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Como foram propostas 3 soluções distintas, foi observado o procedimento do art. 60 do Ricarf, sendo que, em primeira votação venceu a proposta de conversão em diligência, apresentada pela conselheira Maria Lúcia Miceli contra a de negar provimento ao recurso, vencidos nesta votação os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 34 40 /2 01 5- 19 Fl. 213DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório A Recorrente apresentou Declaração de Compensação utilizandose de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) relativo ao 2º trimestre de 2011 para extinguir sob condição resolutória débitos próprios. Despacho Decisório (DD) eletrônico considerou inexistente o crédito, uma vez que o valor do DARF estava totalmente vinculado ao débito de IRPJ trimestral (código 2089) daquele período, não homologando a compensação pleiteada na DComp. Em sua manifestação de inconformidade, a Empresa diz que reconheceu, após a notificação do DD, o erro cometido pela contabilidade, uma vez que não retificou a DCTF de junho/2011, sendo que o valor da DCTF original não correspondia ao valor constatado e declarado em DIPJ, sendo este último o valor considerado correto. Assim retificou a DCTF e pediu o anulação do DD e a homologação da compensação requerida. A 4ª Turma da DRJ de Recife proferiu acórdão considerando improcedente a manifestação de inconformidade, nos seguintes termos: DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. COMPROVAÇÃO VIA DIPJ. SEM FORÇA PROBATÓRIA. A DIPJ não é suficiente, por si só, para comprovar erro de fato no preenchimento da DCTF, sendo necessário trazer provas documentais outras suficientes, tais como livros fiscais e contábeis, e, conforme o caso, documentos fiscais, para que o julgador administrativo possa verificar se o tributo apurado naquela declaração corresponde ao montante escriturado. Em sede de recurso voluntário, a Empresa busca demonstrar seu direito creditório, acostando: a DCTF retificadora; o DARF com recolhimento a maior; a DIPJ 2012; Diário Geral de 2011; Razão Analítico contas "Prestação de Serviços" e "Vendas de Mercadorias"; balancete de verificação relativo a junho de 2011. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13888.903440/201519 Acórdão n.º 1302003.268 S1C3T2 Fl. 3 3 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.239, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.903415/2015 35, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.239): "O Contribuinte foi cientificado do acórdão em 25 de julho de 2016, tendo apresentado o recurso em 12 de agosto de 2016, portanto, tempestivamente. A representação é regular, conforme instrumento de mandato. Conheço do recurso voluntário. Como sói acontecer estamos tratando de declaração de compensação por pagamento a maior sem que a Requerente tenha retificado a DCTF correspondente. Assim, nos batimentos do Sistema de Controle de Créditos (SCC) o valor é negado. Não consta do processo que a Empresa tenha sido intimada em momento anterior à emissão do DD, e há que se fazer registro que, caso a retificação apontada tivesse ocorrido, o despacho eletrônico de nãohomologação não teria sido expedido. Então, retificando posteriormente a citada declaração, a Recorrente requer, em manifestação de inconformidade, que a DRJ considere o erro e reconheça o valor corrigido de IRPJ, com base em sua DIPJ, o que não acontece por falta de comprovação lastreada em documentos e livros contábeis e fiscais. Estamos tratando de empresa administradora de bens, tributada pelo lucro presumido, com objeto de compra e venda de bens imóveis (fl. 11). Na receita do 2ª trimestre de 2011 consta parcela significativa de venda de bens imóveis (R$11.110.500,00) oferecida no percentual de presunção de 8% e outra parte relativa a prestação de serviços, embora não conste do seu objeto social (R$52.100,35), o que entendo não prejudicar seu direito, oferecida no percentual de 32% (fls. 199 e 201), esta última com pequena diferença de 50 reais a menor. Inicialmente, entendo que as provas apresentadas nesta oportunidade devem ser aceitas, ante uma escalada que começa pela determinação de que a DCTF teria que ser retificada (DD); com a apresentação da respectiva retificação, esta deixa de ser aceita por falta de provas (Acórdão DRJ); e, finalmente, sendo apresentadas as provas relativas à retificação, vem o processo à apreciação desta turma. A questão está centrada na retificação da DCTF: caso fosse feita antes do DD, nada do que está em análise teria ocorrido; como foi feita depois do DD, exigese prova de que a retificação está conforme a escrita contábil e fiscal. Fl. 215DF CARF MF 4 Então, entendo ser compreensível a apresentação em sede de manifestação de inconformidade apenas da DCTF retificadora, haja vista que a prova de sua correção é dedução, não é requerida expressamente, se não somente depois do acórdão recorrido. Noutras palavras, a fundamentação do indeferimento do pleito na falta de comprovação só veio a tona com o acórdão recorrido. Sem adentrar no questionamento sobre se a dedução referida seria exigível ou não, haja vista que ainda temos que considerar e sopesar, também, o princípio da verdade material, entendo que a aceitação, conforme apontei até agora, teria respaldo no artigo 16 § 4º alínea "c" do Decreto nº 70.235, de 1972. Conhecidas as provas juntadas pelo Recorrente, entendo que são suficientes para demonstrar a correção de seus cálculos e, consequentemente, da DCTF retificadora apresentada, fazendo jus ao direito creditório pleiteado, no valor original de R$3.578,12, conforme declaração de compensação ora em julgamento. Assim, a decisão deste processo, limitado que está à Declaração de Compensação, seria o provimento do recurso voluntário, com o reconhecimento do direito creditório requerido de R$3.578,12 e homologando a compensação requerida na DComp 09584.08284.290415.1.3.046505. Todavia, este processo é paradigma para os de nº 13888.903416/201580, 13888.903417/201524, 13888.903418/201579, 13888.903419/201513, 13888.903420/201548, 13888.903421/201592, 13888.903422/201537, 13888.903423/201581, 13888.903424/201526, 13888.903425/201571, 13888.903426/201515, 13888.903427/201560, 13888.903428/201512, 13888.903431/201528, 13888.903432/201572, 13888.903433/201517, 13888.903434/201561, 13888.903435/201514, 13888.903436/201551, 13888.903437/201503, 13888.903438/201540, 13888.903439/201594, 13888.903440/201519, 13888.903441/201563, 13888.903442/201516, 13888.903443/201552, 13888.903444/201505 e 13888.903445/201541, conforme previsto no artigo 47, § 1º do Anexo II do RICARF, abaixo transcrito: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, será formado lote de recursos repetitivos e, dentre esses, definido como paradigma o recurso mais representativo Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13888.903440/201519 Acórdão n.º 1302003.268 S1C3T2 Fl. 4 5 da controvérsia. (Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018) Assim, todos os processos citados tratam de declarações de compensação, tendo como crédito o pagamento a maior relativo ao 2º trimestre de 2011, lucro presumido, cuja análise se procedeu nestes autos. A Empresa comprova o valor total de crédito de R$51.260,05, que, na sistemática de repetitivos, limita o valor total a ser utilizado nos demais processos conjuntamente com este. Feitas estas considerações, dou provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório pleiteado na DComp, e homologando a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, a despeito da posição deste relator no julgamento do recurso paradigma, impõese dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Declaração de Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Peço vênia para divergir da decisão do Relator, fundamentada na busca pela verdade material, um dos princípios que informam o processo administrativo fiscal. É que, conforme o art. 170 do CTN, a legislação que permite a compensação de créditos tributários exige a liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo. Assim, na hipótese de apresentação de Declaração de Compensação (DComp) por parte do sujeito passivo é ônus deste a demonstração de tais requisitos em relação ao seu direito creditório. Fl. 217DF CARF MF 6 No caso da análise eletrônica e automática como a que gerou o Despacho Decisório que não homologou a compensação de que tratam estes autos, a liquidez e certeza é aferida pela administração tributária, via de regra, pelo mero cruzamento das informações disponíveis em seu banco de dados, fornecidas seja pelo próprio sujeito passivo seja por terceiros. Incumbe, então, ao sujeito passivo a responsabilidade para que as informações por ele fornecidas à administração tributária sejam compatíveis com o direito creditório invocado. Nos presentes autos, a Recorrente apresentou a DComp compensando suposto direito creditório proveniente de pagamento indevido ou a maior, mas as informações confessadas por ela própria em sua DCTF demonstravam a inexistência do alegado direito. Por esta razão, a compensação não foi homologada pelo Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piracicaba/SP. Com a apresentação da Manifestação de Inconformidade, e instauração do contencioso administrativo, a análise da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado passa a outro nível, sendo ônus do sujeito passivo comprovála cabalmente, por meio da adequada instrução documental. O art. 16, §§4º a 6º, do Decreto nº 70.235, de 1972, de aplicação ao presente processo, por força do art. 74, §11, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, dispõe acerca do momento para a apresentação das referidas provas: " Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13888.903440/201519 Acórdão n.º 1302003.268 S1C3T2 Fl. 5 7 § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)" (Destacouse) A Recorrente, como relatado, quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, limitouse a apresentar cópia da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) retificada para compatibilizar o valor do débito confessado ao informado na, também retificada, Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), e que alega ser o correto. Deste modo, deve ser considerada irretocável a decisão de primeira instância, para quem: "20. Então, atualmente a DIPJ não possui força probante, por si só, das informações prestadas na Dcomp. Portanto, para provar que a DCTF foi preenchida com erro e, por conseguinte, que a apuração contida na DIPJ representa a realidade fiscal do contribuinte, tornase necessário que o contribuinte traga aos autos provas documentais, tais como os livros contábeis e fiscais, na parte de interesse, e documentos fiscais, conforme o caso, de forma a permitir ao julgador administrativo verificar se o que foi declarado na DIPJ corresponde ao registrado na escrituração. 21. Frisese, adicionalmente, que, ainda que se desconsiderasse o caráter informativo da DIPJ e o caráter de confissão da DCTF, ainda assim seria necessária a comprovação documental (escrituração) do valor correto do IRPJ apurado haja vista a discrepância entre as informações constantes nessas duas declarações, ambas de lavra do contribuinte. 22. Como o interessado não trouxe aos autos qualquer outro documento que não a própria DIPJ, entendo que não comprovou o erro de fato no preenchimento da DCTF, sendo devido considerar a utilização integral do Darf para a liquidação do débito nela declarado." Os parcos elementos de prova juntados pelo sujeito passivo, de fato, não demonstram de modo algum que o novo valor de débito confessado na DCTF é o montante efetivamente devido, e não aquele confessado na primeira DCTF apresentada e informado na DIPJ original. Cabia ao sujeito passivo instruir a sua manifestação de inconformidade com todos os elementos necessários para a demonstração inconteste do seu suposto crédito. Era seu totalmente o ônus da prova. Não se desincumbindo de tal mister, operase a preclusão consumativa, sobre a qual Fredie Didier Jr (Curso de Direito Processual Civil, 18a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 1, p. 432) assim leciona: "A preclusão consumativa consiste na perda de faculdade/poder processual, em razão de essa faculdade ou esse poder já ter sido Fl. 219DF CARF MF 8 exercido, pouco importa se bem ou mal. Já se praticou o ato processual pretendido, não sendo possível corrigilo, melhorálo ou repetilo. A consumação do exercício do poder o extingue. Perdese o poder pelo exercício dele." As questões que se põem, neste instante, são três: 1) as novas provas trazidas aos autos apenas com o Recurso Voluntário devem ser admitidas? 2) se admitidas, as novas provas são suficientes para comprovar a liquidez e certeza do crédito compensado? 3) se admitidas as provas e não sendo suficientes, há a necessidade de realização de alguma diligência para suprir eventual dúvida remanescente com estes novos elementos? Entendo que o limite temporal previsto no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, acima transcrito, não pode ser excepcionado a não ser nas hipóteses que se enquadrem nas suas alíneas. Não estou só neste posicionamento, cabendo citar a Professora Fabiana Del Padre Tomé (A prova no Direito Tributário. São Paulo: Noeses, 2011): "Em tais situações, e apenas nelas, autorizase a juntada de novos documentos até mesmo em instante posterior ao ato decisório de primeira instância, sendo apreciados pelo órgão julgador de segundo grau, caso seja interposto recurso. O direito de contraporse à exigência fiscal e de produzir provas dos seus argumentos é regrado pelo ordenamento, que, não admitindo a instabilidade das relações jurídicas, fixa termos dentro dos quais as atividades hão de ser realizadas. Assim ocorre com a instrução probatória. Pertinente é a crítica de James Marins à prática adotada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, consistente em apreciar provas em grau de recurso, independentemente do preenchimento dos pressupostos legais. O direito à produção probatória implica observância aos limites temporais à sua realização, além, é claro, do atendimento ao requisito de sua obtenção por meio lícito." Tratando acerca da possibilidade de flexibilização de tais regras, Maria Rita Ferragut (As provas e o Direito Tributário, 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 2016, pp. 6465) é categórica, mas prevê o que entende ser uma nova hipótese de exceção: "Entendemos que o limite temporal é inflexível. Tal inflexibilidade contempla, entretanto, o recebimento de provas após a impugnação, nas duas e somente duas, situações a seguir: (i) Se a prova não tiver sido juntada antes pelas razões previstas nas alíneas a,b e c do §4º acima. (ii) Pela impossibilidade de o sujeito passivo defenderse de forma plena, considerando a complexidade da autuação versus o tempo que lhe foi legalmente conferido para apresentação da defesa. Tratase, nessa medida, de comprovada impossibilidade material de se defender no prazo legal." No meu julgar, a hipótese veiculada pela doutrinadora, na verdade, já é albergada pela alínea "a" do §4º, na medida em que poderia ser entendido como um acontecimento inevitável e para o qual o sujeito passivo não concorreu ainda que culposamente, para contemplar os requisitos previstos por Maria Helena Diniz para a força maior (Código Civil Comentado, 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 1997, pp. 747748). Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13888.903440/201519 Acórdão n.º 1302003.268 S1C3T2 Fl. 6 9 De outra parte, para afastar a alegação de que o não acolhimento de documentos extemporâneos, na ausência de configuração das hipóteses de exceção previstas no texto legal, configuraria ofensa à ampla defesa, valhome da lição de Maria Teresa Martínez Lopes e Marcela Cheffer Bianchini (Aspectos polêmicos sobre o momento de apresentação da prova no processo administrativo fiscal federal in: A prova no processo tributário, São Paulo: Dialética, 2010, p. 48): "Devese observar que a justificativa apresentada para o entendimento que ocorre afronta ao princípio da ampla defesa quando não são apreciadas provas apresentadas após a impugnação é de índole constitucional e, portanto, para afastar a aplicabilidade do parágrafo 4º do artigo 16 do PAF, devese alegar sua inconstitucionalidade, mas é vedado por lei aos órgãos administrativos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." No caso dos autos, não há alegação da Recorrente de qualquer motivo que a impediu de trazer aos autos as novas provas, nem ainda estas se referem a fato ou direito superveniente, de modo que se afastam das hipóteses das alíneas "a" e "b" do referido §4º. Apenas com muito "contorcionismo hermenêutico" se poderia entender que o caso se enquadra na alínea "c" do citado dispositivo. É que não é possível admitir que o sujeito passivo foi surpreendido com a insuficiência dos elementos de prova apresentados com a Manifestação de Inconformidade. Em que a comprovação de que apresentou uma DCTF retificadora, reduzindo o débito confessado; a comprovação de que o débito anteriormente confessado em DCTF tinha um valor superior; a comprovação de que o débito informado em DIPJ retificadora corresponde ao novo valor confessado; e a comprovação de que efetuou pagamento em montante equivalente ao débito inicialmente confessado poderia atestar a liquidez e certeza do crédito tributário invocado? É óbvio que seria necessário demonstrar com a escrituração contábil e fiscal, bem como com os elementos que a embasaram, que os valores que conduzem ao novo débito confessado tem suporte fático e não são mera criação do sujeito passivo, de modo a conferir ao crédito pleiteado a certeza e liquidez exigida pela legislação. Assim, entendo que não devem ser conhecidos os novos documentos apresentados, uma vez que a Manifestação de Inconformidade era o momento adequado para a comprovação do crédito tributário. Decidir em sentido diverso, ainda que visando à busca da verdade material significa contrariar a expressa disposição legal do art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972. Reconheço que há julgados, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que adotam a chamada "formalidade moderada", para, com base no art. 38 da Lei nº 9.784, de 1999, bem como no critério da adequação entre meios e fins (previsto para o processo administrativo no art. 2º, inciso VI, daquela mesma norma), acatar a juntada de provas fora das regras prescritas no PAF. Fl. 221DF CARF MF 10 Com a devida vênia, entendo que tal corrente não observa que a própria disciplina trazida pelo Decreto nº 70.235, de 1972, já adota uma "formalidade moderada", quando prevê hipóteses razoáveis em que se pode mitigar o formalismo de se exigir que as provas sejam apresentadas no momento da Impugnação. Não há uma formalidade irrestrita ou exacerbada no dispositivo em questão, mas um regramento, adequado e necessário a meu ver, para o saudável funcionamento do processo administrativo, sem margens a chicanas, máfé processual ou indevida protelação. Válida mais uma vez a lição da Professora Professora Fabiana Del Padre Tomé (Op. cit.): "A doutrina costuma distinguir verdade material e verdade formal, definindo a primeira como a efetiva correspondência entre proposição e acontecimento, ao passo que a segunda seria uma verdade verificada no interior de determinado jogo, mas susceptível de destoar da ocorrência concreta, ou seja, da verdade real. Com base em tais argumentos, é comum identificar o processo administrativo tributário com a busca pela verdade material, e o processo judicial tributário com a realização da verdade formal. Nesse sentido posicionamse Alberto Xavier, Paulo Celso B. Bonilha e James Marins, dentro outros, considerando a busca pela verdade material um princípio de observância indeclinável da administração tributária, em oposição ao princípio da verdade formal que preside o processo civil e prioriza a formalidade processual probatória. Essa corrente doutrinária proclama o abandono da formalidade, na esfera administrativa, em prol da produção de prova e contraprova, para, com isso, alcançar a verdade material. Tal conclusão, entretanto, não procede. O que se consegue, em qualquer processo, é a verdade lógica, obtida em conformidade com as regras de cada sistema. Conquanto nos processos administrativos sejam dispensadas certas formalidades, isso não implica a possibilidade de serem apresentadas provas ou argumentos a qualquer instante, independentemente da espécie e forma. É imprescindível a observância do procedimento estabelecido em lei, ainda que esse rito dê certa margem de liberdade aos litigantes." Observase, portanto, que esta busca pela verdade material, bem como o atendimento ao citado critério da adequação entre meios e fins, não pode ser algo que passe ao largo dos procedimentos estabelecidos, e tolere que o administrado vá apresentando as provas "a contagotas", mesmo que em momento processual posterior ao adequado. Lembrese que o art 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, como acima destacado, impõe ao sujeito passivo a apresentação na Impugnação das "provas que possuir", sob pena, inclusive de representar a supressão da instância, com a consequente violação do devido processo legal, posto que a conduta do sujeito passivo subtrairia ao julgador de primeira instância a possibilidade de apreciar as provas juntadas em momento posterior, que seriam examinadas, exclusivamente, pelo julgador do CARF. Tal fato, inclusive, é constatado pela Recorrente, que apresenta pedido subsidiário para que os autos sejam baixados à autoridade julgadora a quo, para que esta possa se pronunciar sobre os novos elementos de prova. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13888.903440/201519 Acórdão n.º 1302003.268 S1C3T2 Fl. 7 11 Ora, se a regra processual foi originalmente prevista para os procedimentos de constituição do crédito tributário, quanto mais válida será para os procedimentos de restituição e compensação, em que o ônus de provar a existência do direito creditório recai exclusivamente sobre o sujeito passivo. Ressalvo, apenas para demonstrar a ausência de zelo do sujeito passivo na busca de comprovar o direito creditório que invoca, que, ainda que fossem acatados os novos documentos apresentados, nada trariam de prova inconteste do referido crédito. É que os elementos em questão se limitam a cópias simples do Diário Geral de 2011; do Razão Analítico das contas "Prestação de Serviços" e "Vendas de Mercadorias"; e do balancete de verificação relativo a junho de 2011. É óbvio que tais elementos são um começo de prova em favor do direito creditório do sujeito passivo, mas estão longe de conferir a liquidez e certeza necessária. Se o sujeito passivo confessou, à época dos fatos geradores, um valor de débito e o quitou por recolhimento; se o sujeito, tempos depois, informou este mesmo valor em sua DIPJ, qual a razão para, agora, afirmar que tal valor está incorreto? É imprescindível que ele explicite o erro cometido e como chegou ao novo valor. Assim, mesmo que se acatem os novos documentos (decisão da maioria dos meus pares), terseia a mesma situação em que se encontrou a DRJ, ou seja, elementos de prova insuficientes, sendo que a realização de diligência para a complementação documental não significaria mero esclarecimento de dúvida para a formação do convencimento do julgador, mas o suprimento da ineficiência da instrução probatória realizada pelo sujeito passivo. Os novos elementos apresentados em nada esclarecem qual foi o erro que motivou o suposto pagamento a maior. Quais foram os valores alterados na nova apuração? Não se sabe. Onde estão as provas hábeis a comprovar o indébito? A Recorrente não as apresentou. Concluise, portanto, que o sujeito passivo não provou a liquidez e certeza do crédito utilizado na Dcomp de que tratam os presentes autos. Isto posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo, com a manutenção da nãohomologação da compensação realizada na Dcomp apresentada. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Declaração de Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Com a devida venia ao D. Relator mas, o caso vertente, conforme posição por mim adotada em diversos processos passados, o ônus probatório em procedimentos de compensação administrativa é, para além de dúvidas razoáveis, do contribuinte. Isto é, a luz dos preceitos do art. 170 do CTN, a liquidez e certeza do crédito cuja recuperação se postula Fl. 223DF CARF MF 12 deve ser demonstrada pelo contribuinte, quando assim for instado pelas autoridades competentes. E, para que não recaia sobre mim a pecha de incoerente, sustento, de fato, que pelo princípio da verdade material seja atribuível às autoridades administrativas o mister de, quando menos, declinar os motivos que as levaram a não reconhecer a mencionada liquidez e certeza do direito creditório postulado (de sorte que o contribuinte possa entender, quiçá, quais provas deva produzir). Na hipótese em exame, todavia, o recorrente transmitiu DCOMP, veiculando um crédito cujo valor, declinado em DARF que lhe dera origem, estava integralmente vinculado a um débito regularmente confessado, sem que se apurasse qualquer saldo a compensar... Em outras palavras, a autoridade administrativa, aqui, por uma limitação imposta pelo próprio postulante, apontou como "questão problema" apenas a inexistência de saldo compensável, desincumbindose, neste particular, do dever de indicar qualquer outro ponto de discórdia, até por ausência de dados suficientes para assim se proceder. Não me oponho, é verdade, a que o contribuinte apresente DCTF ou mesmo DIPJ retificadora, sob alegação de erro de preenchimento, mesmo que posteriormente à prolação do competente despacho decisório desde que, contudo, esta correção venha devidamente acompanhada dos documentos que lhe comprovem a lisura e acuidade (o ônus, insistase, é de que retifica a declaração). Até porque, por força dos preceitos do art. 373, I, do CPC, compete ao requerente a comprovação do "fato constitutivo de seu direito". Se o fato que constitui o direito é o erro de preenchimento de DCTF ou DIPJ, compete a quem o alega a sua demonstração e tal demonstração deve ser feita no momento oportuno, isto é, quando da apresentação de sua impugnação (art. 16 do Decreto 70.235/75). Assim, entendo, a apresentação extemporânea de documentos necessários ao cumprimento do dever definido nos mencionados preceitos legais (art. 371 do CPC e 16 do Decreto 70.235), impede o seu conhecimento nesta fase processual. O motivo que me levou, no entanto, a concordar com as conclusões do D. Relator, cinge ao fato da maioria de meus pares ter decidido por, justamente, conhecer dos documentos trazidos pelo recorrente por ocasião da interposição de suas razões de insurgência, a par das limitações do, por vezes invocado, art. 16 do Decreto 70.235. Ato contínuo, conhecidos os preditos documentos, a única conclusão que me resta é pela procedência das alegações trazidas pelo insurgente, e, assim, reconhecer o seu direito creditório conforme posto pelo voto vencedor. Por tais razões, e só por elas, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 224DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004293/2009-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103.
A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício.
Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadrava-se na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15521.000284/2009-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 15521.000284/200979, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 42 93 /2 00 9- 79 Fl. 441DF CARF MF Processo nº 19515.004293/200979 Acórdão n.º 1402003.554 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Trata de Recurso de Ofício oposto em face do cancelamento de exações sofridas pela Contribuinte, promovido pela DRJ a quo, dando provimento às razões de Impugnação opostas contra o lançamento de ofício procedido. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.484, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15521.000284/2009 79, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.484): "Inicialmente, analisando os requisitos de admissibilidade do Recurso de Ofício, constatase que tal apelo foi tirado de v. Acórdão que exonerou débito tributário (considerando, aqui, principal e multas) em monta inferior ao atual valor de alçada que propiciaria seu manejo e consequente conhecimento por este E. CARF. Posto isso, tal montante está abaixo do mínimo de R$ 2.500.000,00 fixados pela Portaria MF nº 63/2017, acarretando no seu não conhecimento, considerandose definitivamente exonerado tal crédito fiscal, nos precisos termos e limites da r. decisão da DRJ a quo. Fl. 442DF CARF MF Processo nº 19515.004293/200979 Acórdão n.º 1402003.554 S1C4T2 Fl. 4 3 Tais circunstâncias e ocorrência também atraem a incidência da Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Como se extrai de tal entendimento sumular plenamente vigente deste E. Conselho, ainda que quando da prolatação do v. Acórdão recorrido a monta do débito cancelado enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador de 2ª Instância administrativa. In casu, como mencionado, tal evento ocorre após a vigência Portaria MF nº 63/2017, não havendo mais justificativa e motivação para o conhecimento recursal. Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 443DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.901001/2008-57
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 22/12/2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
Numero da decisão: 1003-000.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 22/12/2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
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COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 10 01 /2 00 8- 57 Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10640.901001/200857 Acórdão n.º 1003000.262 S1C0T3 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 0933.136, de 12 de janeiro de 2011, da 2ª Turma da DRJ/JFA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo do direito creditório. Aos 14/07/2008, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório, nº de rastreamento 759939004, emitido em 09/05/2008, que não homologou a compensação declarada em razão de inexistência de crédito PER/DCOMP nº 15990.57469.221204.1.3.042733, na qual declarou ter apontado como o "tipo de crédito" no PER/DECOMP Pagamento Indevido ou a Maior", contudo o correto deveria ter sido "Saldo Negativo de IRPJ". Juntou ao processo cópia do DARF com o pagamento do IRPJ (saldo negativo de 2003), cópia da PER/DCOMP, cópia da DCTF Trimestres de 2003 e cópia da DIPJ/2004. A DRJ/JFA julgou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconhecei o direito creditório, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerado: 22/12/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DE PEDIR. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INOVAÇÃO. A alteração da fundamentação que embasou o direito creditório pleiteado, apresentada na fase litigiosa, encerra verdadeira inovação, caracterizando nova solicitação do interessado, não passível de apreciação originária pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, sob pena de supressão de instância. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário que, em síntese, destacou: (i) que, em sua manifestação de inconformidade, sustentou ter se equivocado no preenchimento da DCOMP ao informar que seu crédito era oriundo de pagamento indevido ou a maior e não saldo negativo de IRPJ. Defende, contudo, que o equívoco na indicação do tipo de crédito caracterizase com um erro de fato e, portanto, a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal; (ii) que o saldo negativo constituído como crédito passível de compensação através da DCOMP, foi apurado através da DIPJ/2004 juntada aos autos, cujo valor do crédito existente seria de R$ 41.861,98 (IRPJ devido no anocalendário 2003); (iii) que em razão da economia processual e celeridade da questão, a autoridade fiscal deve realizar a retificação da natureza do crédito declarado na DCOMP; Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10640.901001/200857 Acórdão n.º 1003000.262 S1C0T3 Fl. 4 3 Por fim, requereu o cancelamento do débito fiscal e que seja realizada a retificação da DCOMP em análise nestes autos. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. Alega a Recorrente, em síntese, que o erro cometido no preenchimento da DCOMP, qual seja, a indicação errada do tipo de crédito, é mero erro de fato e que, em razão da verdade material, deve ser feita a alteração de ofício por parte da autoridade administrativa. O art. 170 do CTN, que rege a matéria, destaca como condição para realização da compensação a existência de direito líquido e certo, senão vejamos: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 destaca em seu artigo 74, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1oA compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2oA compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Vêse, conforme declaração da Recorrente, que a mesma errou quanto à informação em relação ao tipo de crédito. Em que pese seu argumento de se tratar de erro de fato, o equívoco apontado impede a análise do crédito. A Declaração de Compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de débitos tributários. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10640.901001/200857 Acórdão n.º 1003000.262 S1C0T3 Fl. 5 4 Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos existentes no pedido podem ser corrigidos de ofício ou a requerimento da Requerente, como determina o art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. O equívoco que impede a autoridade julgadora de analisar a liquidez e certeza do crédito não pode ser considerado mero erro de fato ou material. Se o contribuinte informa tratarse de pagamento indevido ou a maior é em cima dessa declaração que a análise quanto ao crédito será analisada. O erro de preenchimento indicado impediu a análise do requerimento, isso porque os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação da Declaração de Compensação, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. A informação de que o direito creditório era de saldo negativo de IRPJ e não pagamento indevido ou a maior na Declaração de compensação revestese, pois, de inovação da matéria, porque a autoridade administrativa deverá analisar, obrigatoriamente, a regularidade da apuração do lucro real e os pagamentos realizados para identificar a liquidez e certeza do crédito. Outrossim, conforme destacado no acórdão da DRJ, há outras informações que merecem maior análise para validação do crédito, pois observou que as DCTF anexadas ao processo apontam a quitação dos débitos de estimativas por compensação com créditos de ressarcimento de IPI. Logo, não há como negar a necessidade de análise criteriosa para identificar a liquidez e certeza do crédito originado por saldo negativo de IRPJ. Assim, não se acolhe a alegação de celeridade e economia processual, visto que a competência para a análise da regularidade do crédito apontado não é do CARF, mas da DRF respectiva. Outrossim, a regra é de que a declaração de compensação somente pode ser retificado pela Recorrente caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador, em conformidade com o art. 6º da Instrução Normativa RFB nº 432/2004. Por essa razão, entendo que não se trata de erro material passível de correção de ofício. Isto posto, voto em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão da DRJ/JFA. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 198DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11634.001131/2010-54
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2007 a 31/10/2007
ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL. EXERCÍCIO DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Estando os fatos devidamente descritos na autuação e tendo sido oportunizado ao contribuinte o direito ao legítimo exercício da ampla defesa e do contraditório, eventuais defeitos na fundamentação legal do débito não são suficientes para invalidar o auto de infração.
Numero da decisão: 9202-007.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado).
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(Assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2007 a 31/10/2007 ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL. EXERCÍCIO DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Estando os fatos devidamente descritos na autuação e tendo sido oportunizado ao contribuinte o direito ao legítimo exercício da ampla defesa e do contraditório, eventuais defeitos na fundamentação legal do débito não são suficientes para invalidar o auto de infração.
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EXERCÍCIO DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Estando os fatos devidamente descritos na autuação e tendo sido oportunizado ao contribuinte o direito ao legítimo exercício da ampla defesa e do contraditório, eventuais defeitos na fundamentação legal do débito não são suficientes para invalidar o auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado). (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (Assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 11 31 /2 01 0- 54 Fl. 181DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2402003.646, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de Auto de Infração de crédito devido à Seguridade Social, lançado pela fiscalização contra a empresa, acima identificada, perfazendo um total de R$ 893.708,46 (oitocentos e noventa e três mil e setecentos e oito reais e quarenta e seis centavos), consolidado em 05/08/2010. Tratase de compensação indevida de contribuições previdenciárias efetuadas pela filial da empresa CNPJ n° 61.144.150/000678, nas competências 08/2007, 09/2007 e 10/2007, cujos valores foram declarados em GFIP. O Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 122/136. A DRJ em Curitiba, às fls. 59/68, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 66/78. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 91/97, DEU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2007 a 31/10/2007 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. NORMA APLICÁVEL VIGENTE À ÉPOCA DO ENCONTRO DE CONTAS (FORMULAÇÃO DO PEDIDO). MATÉRIA JULGADA PELO STJ SOB O PÁLIO DO ART. 543C DO CPC. RECURSO REPETITIVO. Na análise do pedido de compensação deverá será aplicada a norma vigente à época do encontro de contas efetuado pelo contribuinte, ou seja, aquela vigente na época do pedido de compensação formulado. Tendo em vista que o art. 44, § 1º da IN SRFB somente teve sua vigência iniciada após ter sido formulado o pedido de compensação em análise, os óbices por ele impostos não podem ser aplicados ao presente caso. Recurso Voluntário Provido. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 11634.001131/201054 Acórdão n.º 9202007.318 CSRFT2 Fl. 10 3 Às fls. 99/107, a Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração, alegando contradição e omissão do julgado, porém, restaram os mesmos rejeitados, às fls. 110/112. Às fls. 114/141, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: Nulidade. Inexistência de vício/vício formal versus vício material: a) capitulação legal prejuízo como condição para a anulação do lançamento; e b) ausência de identificação do débito vício formal. Considerou manifesta a identidade (ou similitude) fática entre as situações analisadas no acórdão recorrido e no(s) paradigma(s). Todos os acórdãos confrontados tratam de normas gerais relacionadas ao processo administrativo tributário, notadamente sobre vícios porventura existentes no lançamento. O acórdão recorrido entendeu que a fiscalização não declinou especificamente o débito que ensejou o indeferimento da compensação pretendida, o que caracterizaria cerceamento ao direito de defesa. Noutro passo, o paradigma apresentado, acórdão nº 230200308, ao tratar de elemento essencial ao lançamento, que naquele caso tratavase da demonstração da subordinação jurídica para caracterização do vínculo de emprego, concluiu que a incompletude do relatório fiscal ensejaria apenas a nulidade do lançamento por vício formal. Importante ressaltar que o elemento faltante no caso do paradigma também se configurava como essencial ao lançamento e ao exercício do direito à ampla defesa pelo contribuinte. Nada obstante, o acórdão paradigma apenas anulou o lançamento por vício formal, possibilitando que a fiscalização complementasse o trabalho fiscal nos termos do art. 173, inciso II, do CTN. O acórdão recorrido respaldou ainda seu entendimento no fato de que o óbice disposto no art. 44, § 1º da Instrução Normativa 900 da SRFB não poderia ter sido aplicado ao presente caso, por se tratar de legislação superveniente à compensação efetuada e glosada pela fiscalização. Ocorre que os paradigmas apresentados quanto à matéria, acórdãos nº 1401000894 e nº 10614513, também tratando de casos nos quais se vislumbrou a incorreção do enquadramento legal da autuação, concluíram de modo diverso, afastando qualquer preliminar de nulidade ou mesmo o argumento de insubsistência do lançamento sob esse epíteto. O Contribuinte requereu ao final que, na hipótese de não reformar a sentença que anulou o lançamento, seja anulado o Auto de Infração, porém, por vício formal. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 144/149, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação às seguintes matérias: Nulidade do lançamento: a) capitulação legal prejuízo como condição para a anulação do lançamento; e b) ausência de identificação do débito vício formal. Cientificado à fl. 153, o Contribuinte apresentou Contrarrazões às fls. 156/165, requerendo, preliminarmente, a inadmissibilidade do recurso especial por não apontar especificamente qual dispositivo legal foi infringido pelo acórdão recorrido. Alega também a falta de similitude fática com o objeto da autuação fiscal, não comprovando, assim, o dissídio jurisprudencial. Ainda preliminarmente, argui que o recurso especial encontra óbice no art. 62, § 2º do RICARF, em virtude de que a matéria pertinente ao caso já foi analisada pelo STJ no REsp 1.164.452, Tema nº 345 de recursos repetitivos. No mérito, requer a manutenção da decisão. Vieram os autos para julgamento. É o relatório. Fl. 183DF CARF MF 4 Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de Auto de Infração de crédito devido à Seguridade Social, lançado pela fiscalização contra a empresa, acima identificada, perfazendo um total de R$ 893.708,46 (oitocentos e noventa e três mil e setecentos e oito reais e quarenta e seis centavos), consolidado em 05/08/2010. Tratase de compensação indevida de contribuições previdenciárias efetuadas pela filial da empresa CNPJ n° 61.144.150/000678, nas competências 08/2007, 09/2007 e 10/2007, cujos valores foram declarados em GFIP. O Acórdão recorrido negou provimento ao Recurso Voluntário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: Nulidade do lançamento: a) capitulação legal prejuízo como condição para a anulação do lançamento; e b) ausência de identificação do débito vício formal. O Contribuinte sustenta ser nulo o lançamento efetuado, tendo em vista que a fiscalização não demonstrou, a contento, os fundamentos necessários para a realização do lançamento, dentre eles as bases tributáveis e a própria ocorrência do fato gerador. Para o melhor deslinde da questão é importante observar a questão de prova bem delimitada e decidida pelo acórdão do colegiado a quo: Verificase que o comando normativo determina que a recorrente deveria estar em situação regular junto à Previdência Social para que, somente então, pudesse levar a efeito a compensação de contribuições previdenciárias devidas. Pois bem, da leitura do relatório fiscal, depreendese que a autoridade fiscal apurou que a recorrente estava em situação irregular junto à previdência social, todavia, nas demais ponderações do relatório fiscal do lançamento, sequer chegou a ser apontado quais eram os débitos que estavam em situação irregular, mas apenas que haviam débitos em fase de inscrição em dívida ativa. A meu ver, a ausência do apontamento específico de qual o débito ensejou o indeferimento da compensação pretendida configura o cerceamento do direito de defesa do contribuinte, na medida em que fica preterido em pontualmente poder vir até a comprovar que tal informação esteja equivocada e demonstrar que o lançamento é improcedente. Todavia, no presente caso, ainda em sede preliminar, tenho que exista questão prejudicial até mesmo à alegação da nulidade do lançamento e que já foi alvo de calorosas discussões, tendo sido Fl. 184DF CARF MF Processo nº 11634.001131/201054 Acórdão n.º 9202007.318 CSRFT2 Fl. 11 5 decidida até pelos Tribunais Superiores em favor da pretensão da recorrente. Refirome à tese de que a legislação a ser aplicada ao caso é aquela vigente à época em que formulado o pedido de compensação, de modo que o óbice previsto no art. 44, § 1o da Instrução Normativa 900 da SRFB não se aplica ao presente caso. Pois bem, no caso em apreço a compensação foi efetuada por intermédio de GFIP nas competências de 08/2007 a 10/2007, logo em data muito anterior à vigência da IN 900/08, cujos efeitos somente passaram a valer em 1o de janeiro de 2009, conforme disposto em seu art. 99, a seguir: Art. 99. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de janeiro de 2009. Logo, a legislação a ser aplicada ao presente caso deveria ser aquela vigente à época do encontro de contas levado a efeito, ou seja, a legislação vigente à época em que formulado o pedido de compensação, no presente caso, formalizado em 2007. Em que pese o argumento da Fazenda Nacional, entendo que o auto de infração padece de deficiência oriunda da ausência de êxito da fiscalização a ausência do apontamento específico de qual o débito ensejou o indeferimento da compensação, ainda quanto a capitulação do auto de infração este também não corresponde a época dos fatos, sendo posterior, motivo pelo qual deve ser cancelado o Auto de Infração de obrigação principal, por vício material. Isso por que como bem apontado pelo Conselheiro Julio César Vieira Gomes CARF, Processo nº 19994.000022/201032. 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, a descrição do fato precisa demonstrar claramente a ocorrência do fato gerador: No caso do ato administrativo de lançamento, o auto de infração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. E a sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regra matriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material. (...)” Diante do exposto, recebo o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para no mérito negarlhe provimento. Fl. 185DF CARF MF 6 É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Mário Pereira de Pinho Filho – Redator designado Não obstante as razões suscitadas pela i. Relatora, entendo que as normas afetas à compensação e a jurisprudência deste Conselho conduzem a conclusão diversa daquela apontada no voto vencido. Da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional verificase que foram trazidas ao exame deste Colegiado somente duas questões: a) ausência de identificação do débito que impediu a compensação; e b) capitulação legal prejuízo como condição para a anulação do lançamento. Quanto ao primeiro item, a decisão recorrida detémse a comentar que o Fisco apurou estar o contribuinte em situação irregular perante a Previdência Social sem, contudo, especificar os débitos nessa condição, restringidose a afirmar “que haviam débitos em fase de inscrição em dívida ativa”. Prossegue o Relator da decisão fustigada arguindo que, a seu ver, “a ausência do apontamento específico de qual o débito ensejou o indeferimento da compensação pretendida configura o cerceamento do direito de defesa do contribuinte”, dada a impossibilidade de que esse pudesse comprovar eventual equívoco no apontamento feito pela autoridade autuante. Sobre esse tema, a partir de uma leitura mais atenta do acórdão sob afronta, concluise a que tais arguições, embora revelem uma convicção do relator quanto ao caso concreto, não tiveram qualquer influência sobre decisão adotada pelo Colegiado recorrido. Até porque, o recurso voluntário do contribuinte não faz nenhuma consideração a esse respeito. Muito provavelmente seja esse o motivo de não haver consideração alguma no despacho de admissibilidade que rejeitou os embargos da Fazenda Nacional, mesmo tendo a Procuradoria questionado expressamente o trecho da decisão que faz referência ao assunto. Do mesmo modo, não há nenhuma menção a respeito desse tópico na ementa da decisão, o que reforça a tese aqui esposada. Relativamente ao segundo tema, a decisão a quo aponta para a existência de defeito no lançamento em razão de o Relatório Fiscal (fls. 11/16) fazer alusão ao § 1º do art. 44 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, norma que ainda não havia sido editada à época das dos fatos, para glosar as compensações efetuadas, ao argumento de que “a empresa por ocasião da efetivação das compensações encontravase em débito com as contribuições previdenciárias, com valores já constituídos e inscritos e/ou em fase de inscrição em Dívida Ativa”. De acordo com o referido dispositivo: Art. 44. [...] Fl. 186DF CARF MF Processo nº 11634.001131/201054 Acórdão n.º 9202007.318 CSRFT2 Fl. 12 7 § 1º Para efetuar a compensação o sujeito passivo deverá estar em situação regular relativa aos créditos constituídos por meio de auto de infração ou notificação de lançamento, aos parcelados e aos débitos declarados, considerando todos os seus estabelecimentos e obras de construção civil, ressalvados os débitos cuja exigibilidade esteja suspensa. [...] Ocorre que, quando da compensação, encontravase vigente a Instrução Normativa SRP nº 3/2005, a qual veiculava dispositivo de idêntico teor ao do ato normativo que, neste ponto, lhe sucedeu o qual, digase de passagem, foi a própria Instrução Normativa RFB nº 900/2008. Senão vejamos: Art. 193. Caso haja pagamento de valores indevidos à Previdência Social, de atualização monetária, de multa ou de juros de mora, é facultado ao sujeito passivo optar pela compensação ou pela formalização do pedido de restituição na forma da Seção II deste Capítulo, observadas, quanto à compensação, as seguintes condições: (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008) I a compensação deverá ser realizada com contribuições sociais arrecadadas pela SRP para a Previdência Social, excluídas as destinadas para outras entidades ou fundos; (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008) II o sujeito passivo deverá estar em situação regular, considerando todos os seus estabelecimentos e obras de construção civil, em relação às contribuições objeto de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD e débito decorrente de Auto de Infração AI, cuja exigibilidade não esteja suspensa, de Lançamento de Débito Confessado LDC, de Lançamento de Débito Confessado em GFIP LDCG, de Débito Confessado em GFIP DCG; (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008) III o sujeito passivo deverá estar em dia com as parcelas relativas ao acordo de parcelamento de contribuições objeto dos lançamentos de que trata o inciso II, considerados todos os seus estabelecimentos e obras de construção civil; (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008) IV somente é permitida a compensação de valores que não tenham sido alcançados pela prescrição, conforme disposto nos arts. 218 e 219; (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008) V a compensação somente poderá ser realizada em recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes àqueles a que se referem os valores pagos indevidamente. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008) (Grifouse) Além do que, tanto a Instrução Normativa RFB nº 900/2008 quanto a Instrução Normativa SRP nº 3/2005 prestamse tãosomente a dar operacionalidade ao procedimento de compensação definido em lei e em regulamento, as disposições legais e Fl. 187DF CARF MF 8 regulamentares que serviram de base para o lançamento estão devidamente relacionadas no relatório denominado Fundamento Legal do Débito – FLD (fls. 7/8), e isso está colocado de forma bastante evidente no Relatório Fiscal, nos seguintes termos: 4. Integram o Auto de Infração os seguintes relatórios: [...] c). Fundamentos Legais do Débito: (FLD), que informa ao contribuinte os dispositivos lega que fundamentaram o lançamento efetuado, de acordo com a legislação vigente à época de ocorrência dos fatos geradores; [...] (Grifouse) Recorrendose ao relatório FLD, vêse não haver qualquer irregularidade na indicação das normas que deram azo à autuação. Confirase: Fundamentos Legais das Rubricas 501 COMPENSAÇÃO INDEVIDA 501.06 Competências : 08/2007 a 10/2007 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 89 (com a redação dada pela Lei n. 9.129, de 20.11.95) e art. 31, parágrafos 1 . , (com as alterações da MP n. 1.66315, de 23.10.98, convertida na Lei n. 9.711, de 21.11.98); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, artigos 247 a 249, 251, 253 e art. 219, parágrafos 4. e 9. Ademais, mesmo que se admita a existência de eventual erro na fundamentação legal do lançamento, a jurisprudência dominante no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é no sentido de que o sujeito passivo se defende dos fatos que lhe são imputados e não da capitulação legal. Assim, estando os fatos devidamente descritos na autuação e tendo sido oportunizado ao contribuinte o direito ao legítimo exercício da ampla defesa e do contraditório, consoante se verifica no presente caso, eventuais defeitos na fundamentação legal do débito não seriam suficientes a afastar a autuação. Conclusão Ante o exposto voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional para, no mérito, darlhe provimento de forma a restabelecer o lançamento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 188DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13656.721196/2012-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.ACOLHIMENTO
Existindo obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, impõe-se seu acolhimento para sanar o vício contido na decisão.
Numero da decisão: 3302-006.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.ACOLHIMENTO Existindo obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, impõese seu acolhimento para sanar o vício contido na decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 72 11 96 /2 01 2- 59 Fl. 10099DF CARF MF Processo nº 13656.721196/201259 Acórdão n.º 3302006.248 S3C3T2 Fl. 3 2 Tratase de processo administrativo no bojo do qual discutese o direito a créditos tributários relativos ao procedimento industrial consistente na industrialização do alumínio. Quando da prolação do Acórdão 3302004.156 restou estabelecida uma sistemática de aproveitamento de créditos, mantendo algumas glosas e revertendo outras, na forma da decisão sob exame. Desta decisão foram opostos Embargos Declaratórios por meio dos quais a Recorrente apontou obscuridadades, contradições e omissões. Foi proferido Despacho de Admissibilidade pelo qual foram admitidos parcialmente os embargos de declaração interpostos pelo contribuinte em relação aos itens 2, 3, 4, 5, 6 e 8 das alegações. É o Relatório. Voto Conselheiro Raphael Madeira Abad Relator. 1. Admissibilidade. Os embargos de declaração opostos pelo Contribuinte, ora Embargante, tiveram o exame de admissibilidade processado regularmente, dele tomo conhecimento. Partindose das premissas estabelecidas pelo Despacho de Admissibilidade, cumpre agora analisar os itens 2, 3, 4, 5, 6 e 8 das alegações 2. Mérito. 2.1. Manutenção de parte da glosa decorrente da aquisição de materiais de embalagem. O Despacho de Admissibilidade assim delineou a alegada contradição na manutenção de parte da glosa decorrente da aquisição de material de embalagem: 2. Contradição na manutenção de parte da glosa decorrente da aquisição de materiais de embalagem. Explica que, no voto, o Relator relacionou, exemplificativamente, alguns bens sobre os quais as glosas deveriam ser revertidas. Na parte dispositiva, contudo, a decisão, contraditoriamente, enumerou alguns itens, contrariando a decisão do Relator de reverter "a glosa integral dos créditos apropriados sobre o preço de aquisição dos referidos materiais". (grifos não constantes do original) Fl. 10100DF CARF MF Processo nº 13656.721196/201259 Acórdão n.º 3302006.248 S3C3T2 Fl. 4 3 Relativamente à contradição alegada no que diz respeito aos créditos relativos às aquisições de material de embalagem, cumpre destacar que tal requerimento foi formulado no item 4.2.2. do Recurso Voluntário. Acerca dos referidos materiais de embalagem, o Voto Vencedor do Ilustre Conselheiro José Fernandes do Nascimento tratouos da seguinte forma: "A fiscalização também não andou bem quanto à glosa das aquisições dos materiais de embalagem, tais como “paletes, estrados, ripas e etiquetas”, sob o argumentos de que elas eram destinadas ao transporte e armazenamento dos produtos fabricados pela recorrente. Em consonância com a definição de insumo anteriormente apresentada, para fins de apropriação de crédito das referidas contribuições, a condição de o material de embalagem ser de apresentação, acondicionamento ou de transporte revela ser irrelevante. Para essa finalidade, revelase suficiente a utilização dos referidos materiais no âmbito do processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto destinado à venda em condições de ser comercializado, transportado e entregue ao cliente. Em relação à glosa em apreço, a autuada alegou que utilizava diversos tipos de materiais de embalagem, conforme se constata nos excertos extraídos do recurso voluntário, a seguir transcritos: Por exemplo, a alumina, quando comercializada em pó branco, antes de sua transformação em alumínio metálico, é embalada mediante a utilização de diversos insumos necessários a assegurar o acondicionamento do produto, a exemplo de fita gomada, da fita isolante, da etiqueta, dos selos de embalagem, dos papéis de embalagem e dos pallets ou caixas de madeira (conforme detalhado no doc. 07 da impugnação), sem os quais o transporte da alumina não se faz possível. A título exemplificativo, a recorrente junta aos presentes autos fotos da utilização dos pallets de madeira no processo de embalagem dos produtos/insumos utilizados no seu processo produtivo (doc. 12 da impugnação) Mais do que destinados ao transporte a contento, os diversos insumos para embalagem adquiridos pela recorrente prestamse ao acondicionamento do produto, de modo que não haja sua contaminação, por partículas ou umidade, e também para a colocação de informações necessárias e pertinentes aos clientes. (grifos do original) Não há nos autos informação de que os referidos materiais de embalagens não foram utilizados na fase de produção dos bens destinados à venda, logo, deve ser revertida a glosa integral dos créditos apropriados sobre o preço de aquisição dos referidos materiais, inclusive, fita gomada, da fita isolante, dos selos de Fl. 10101DF CARF MF Processo nº 13656.721196/201259 Acórdão n.º 3302006.248 S3C3T2 Fl. 5 4 embalagem, dos papéis de embalagem e caixas de madeira, bem como os materiais de embalagem especiais, a exemplo do contentor flex, utilizado para transportar pó de alumínio. De outra parte, não há amparo legal para o reconhecimento do direito de apropriação de crédito sobre o valor de aquisição de máquinas impressoras de etiquetas de embalagem, conforme pretendido pela recorrente. Por terem prazo de vida útil superior a um ano, o custo de aquisição de tais máquinas deve ser registrado nas correspondentes contas do ativo não circulante, subgrupo imobilizado, e os créditos apropriados sobre os encargos de depreciação nos períodos em que incorridos os referidos encargos, na forma estabelecida no art. 3º, § 1º, III, das Lei 10.637/2002 e 10.833/2003. Pelo motivo, devem ser mantidas as glosas das aquisições de máquinas e equipamentos com prazo de vida útil superior a um ano, registrados ou que deveriam ser registrados no ativo permanente. Tais bens não se enquadram no conceito de insumo, logo, indevida apropriação de crédito sobre o valor de aquisição." (grifos não constantes no original) Cotejando o texto do voto vencedor e do dispositivo é possível aferir que existe uma contradição entre eles, eis que o texto do voto do Relator tratou todos os materiais de embalagem, exemplificando alguns, enquanto o dispositivo da decisão enumerou taxativamente os produtos. Analisando o Recurso Voluntário em questão é possível aferir que ao mencionar os materiais de embalagem a Recorrente tratou de: "fita gomada, fita isolante, etiqueta, selos de embalagem, papéis de embalagem, pallets de madeira e caixas de madeira.", tudo constante o item 4.2.e. de fls. 46 de 97. Admitese que no âmbito do regime não cumulativo, independente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e comercializado, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos da referida contribuição. Por este motivo, tendo requerido a reversão da glosa dos créditos relativos a tais produtos acima mencionados, voto no sentido de acolher os embargos, sem efeitos infringentes para suprir a omissão, esclarecendo que devem ser concedidos os créditos para todos os materiais de embalagem expressamente requeridos, expressamente "fita gomada, fita isolante, material de embalagem, etiqueta, selos de embalagem, papéis de embalagem, pallets de madeira, estrados de madeira, ripas e caixas de madeira. Assim, no dispositivo do Acórdão, onde se lê “Por maioria de votos, também em restabelecer o crédito em relação aos paletes, estrados, ripas e etiquetas, fita gomada, fita isolante, selo de embalagem, papel de embalagem, embalagens especiais, parcialmente vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Ricardo Rosa e a Conselheira Maria do Socorro, que concediam apenas para as etiquetas, fita gomada, fita isolante, selo de embalagem, papel de embalagem e embalagens especiais”, passase a se ler "Por maioria de votos, também em reverter a glosa sobre os materiais de embalagem que foram expressamente requeridos no Recurso Voluntário." Fl. 10102DF CARF MF Processo nº 13656.721196/201259 Acórdão n.º 3302006.248 S3C3T2 Fl. 6 5 2.2. Contradição e omissão em relação à glosa de aquisições de máquinas e equipamentos com prazo de vida útil superior a um ano ou de valor superior a R$ 326,00. “3. Contradição e omissão em relação à glosa dos créditos decorrentes de aquisições de máquinas e equipamentos com prazo de vida útil superior a um ano ou de valor superior a R$ 326,00. Argumenta que, ao manter a glosa, o acórdão reconheceu o direito de crédito relativos à depreciação dos bens ativáveis, mas não determinou de quem seria o ônus de provar/determinar (i) quais bens não foram ou deveriam ser ativados e (ii) "a partir deles, aplicar os respectivos impactos da apuração dos créditos sobre encargos de depreciação em detrimento do custo de aquisição". O presente item trata da alegada contradição e omissão em relação ao ônus de provar e determinar quais máquinas com prazo de vida útil superior a um ano ou valor superior a R$ 326,00 não foram ou deveriam ser ativados. A decisão sob análise foi redigida nos seguintes termos: "De outra parte, não há amparo legal, para o reconhecimento do direito de apropriação de crédito sobre o valor de aquisição de máquinas impressoras de etiquetas de embalagem, conforme pretendido pela recorrente. Por terem prazo de vida útil superior a um ano, o custo de aquisição de tais máquinas deve ser registrado nas correspondentes contas do ativo não circulante, subgrupo imobilizado, e os créditos apropriados sobre os encargos de depreciação nos períodos em que incorridos os referidos encargos, na forma estabelecida no art. 3º, § 1º, III, das Lei 10.637/2002 e 10.833/2003. (destaques nossos) Pelo motivo, devem ser mantidas as glosas das aquisições de máquinas e equipamentos com prazo de vida útil superior a um ano, registrados ou que deveriam ser registrados no ativo permanente. Tais bens não se enquadram no conceito de insumo, logo, indevida apropriação de crédito sobre o valor de aquisição." A ementa ora embargada foi lavrada nos termos que são transcritos abaixo : “Por unanimidade de votos, em restabelecer os créditos em relação aos produtos químicos, materiais e equipamentos (não registrados no ativo imobilizado) utilizados no processo produtivo e mantida a glosa nas aquisições de máquinas e equipamentos com prazo de vida útil superior a um ano ou de valor superior a R$ 326,00 (trezentos e vinte e seis reais) e máquinas impressoras de etiquetas, resguardado o direito a apropriação de créditos relativos à depreciação dos bens ativáveis. Fl. 10103DF CARF MF Processo nº 13656.721196/201259 Acórdão n.º 3302006.248 S3C3T2 Fl. 7 6 Finalmente, esta foi a conclusão a que chegou o Despacho de Admissibilidade. Concernente à glosa de créditos na aquisição de máquinas e equipamentos ativáveis no imobilizado, há uma obscuridade/omissão quanto à expressão "resguardado o direito a apropriação de créditos relativos à depreciação dos bens ativáveis", pois, de fato, não se definiu como será a apropriação destes valores e a quem corresponderia este encargo na liquidação do acórdão. Assim, entendo pelo cabimento dos embargos para esclarecimento. Em relação à competência para se definir a competência para atribuir a vida útil superior a um ano de determinado produto, voto no sentido de acolher os embargos, sem efeitos infringentes para suprir a omissão, esclarecendo que a competência para realizar tal indicação é do fisco. 2.3. Contradição em relação aos créditos decorrentes da aquisição de produtos químicos, materiais e equipamentos (não registrados no ativo imobilizado) utilizados no processo produtivo. Em relação a este item, os Embargos Declaratórios foram admitidos apenas no que diz respeito aos itens especificamente abordados no Recurso Voluntário e indicados nos embargos opostos. "Porém, pareceme haver omissão quanto aos itens especificamente abordados no recurso voluntário e indicados nos embargos opostos. Assim, admito os embargos apenas em relação aos itens expressos no recurso voluntário" Estando a análise dos presentes Embargos Declaratórios limitada ao Despacho de Admissibilidade, neste momento processual somente poderão ser analisados os itens expressos no Recurso Voluntário. Por este motivo cumpre identificar quais foram os bens que apesar de indicados no Recurso Voluntário, não foram objeto de análise quando da prolação do Acórdão ora recorrido, e que foram mencionados nos Embargos de Declaração. No Recurso Voluntário (fls. 27 de 97) foram trazidos à baila os seguintes produtos: Argônio gasoso, argônio líquido, manômetros, acido sulfúrico para análise, ácido cloridrico, ácido sulfúrico, ácido nítrico, cal, soda cáustica, carvão, floculante, pano filtro, tecidos filtrantes, borracha de neoprene para fixação de filtros, filtro cartucho, óleo combustível, GLP, fluoreto de alumínio, criolita fundida, eletrólitos, anodo de carbono, catodo contendo blocos de carbono, varas de eucalipto, energia elétrica, ferramentas, combustível, lubrificantes, raspadores, argamassa refrataria, blocos catódicos, chaparia para carcaça, fibra cerâmica refratária, tijolo refratário, vermiculita, pasta fria, equipamentos de proteção individual, serviços e materiais de manutenção, barras de aço para fabricação dos pinos das cubas, barras coletoras, filtro para tomada de pressão dos reatores, chapa lisa de aço, Fl. 10104DF CARF MF Processo nº 13656.721196/201259 Acórdão n.º 3302006.248 S3C3T2 Fl. 8 7 cantoneiras de compensado, rolamentos, solenóide, alavanca desligadoras, eletrodo especial, hexafluoreto de enxofre, tubos de fibra de vidro, juntas, arruela de pressão, conector de cobre estanhado, materiais de usinagem, olhal de suspensão, motores de anéis, amperímetro, potenciômetro, cadinho, correia transportadora, bloco de sobrecarga rexroth, válvula de retenção, válvula limitadora, válvula direcional, pinos de transmissão de energia elétrica, selos para embalagens, filtro cerâmico, molde para lingote, oxigênio, nitrogênio, ar comprimido, tijolos e isolantes refratários para forno de espera, consultoria, motores, calço, cilindros laminadores, anel de grafite, cloro, grafite, fluido para corte, fibra ceramica, fita de aço, sal de fundição, desengraxante, fio extensão, fita e etiqueta adesiva, flutuador refratário, graxa, haste de escumagem, ponteira, cone, tinta, acetileno, água, tubo difusor, bloco difusor, cinta de poliester, prensa, pistões, lâmina, disco de serra, broca, lima, fresas, lixa, parafuso, olhal, pastilha de metal duro, valseina, inibidor de corrosão, termopar, rebolo, fornos de fundição e de aquecimento, tesouras rotativas, guilhotinas, serras, dioxido de carbono, moldes, matrizes, equipamentos e componentes de solda, sal líquido, bem como os insumos da solda TIGMIG, tintas, vernizes, bico venturi, oleo hidráulico. Os Embargos de Declaração trataram exclusivamente dos seguintes bens: Criolita fundida, blocos de carbono, carvão, flexível catódico e arruela Belleville, queimador ep/forno retenção maçarico, flanges do tubo metálico flexível, cabo de aço com mola e arruela para mangueira de ar comprimido, mangueira industrial de borracha pra uso em água e ar, calçados para alinhamento de blocos de concreto, termopar, sensor proxim, indutivos, bloco de sobrecarga, porcas e hastes de lacração, revestimento cerâmico norback, faca para guilhotina prensa, corrente e bombas de plástico em PVC Delimitados os Embargos de Declaração a estes itens, é apenas sobre eles que deve recair a análise no presente momento processual, quais sejam "Criolita fundida, blocos de carbono e carvão". Em relação a estes produtos, é de se acolher os Embargos Declaratórios, com efeitos infringentes, com o objetivo de restabelecer os créditos sobre "Criolita fundida, blocos de carbono e carvão", que foram objeto do Recurso Voluntário, dos Embargos Declaratórios e relacionamse ao processo produtivo. Por esta razão, no dispositivo do Acórdão onde se lê “Por unanimidade de votos, em restabelecer os créditos em relação aos produtos químicos, materiais e equipamentos (não registrados no ativo imobilizado) utilizados no processo produtivo e mantida a glosa nas aquisições de máquinas e equipamentos com prazo de vida útil superior a um ano ou de valor superior a R$ 326,00 (trezentos e vinte e seis reais) e máquinas impressoras de etiquetas, resguardado o direito a apropriação de créditos relativos à depreciação dos bens ativáveis”, passase a se ler, “Por unanimidade de votos, em restabelecer os créditos em relação aos produtos químicos, materiais e equipamentos (não registrados no ativo imobilizado) utilizados no processo produtivo, inclusive criolita fundida, blocos de carbono e carvão, e mantida a glosa nas aquisições de máquinas e equipamentos com prazo de vida útil superior a um ano ou de valor superior a R$ 326,00 (trezentos e vinte e seis reais) e máquinas impressoras de etiquetas, resguardado o direito a apropriação de créditos relativos à depreciação dos bens ativáveis” 2.4. Equipamentos de Proteção Individual EPI. Fl. 10105DF CARF MF Processo nº 13656.721196/201259 Acórdão n.º 3302006.248 S3C3T2 Fl. 9 8 A Embargante suscita que a decisão encontrase maculada por contradição e omissão em relação aos créditos na aquisição de equipamentos de proteção individual EPI, o que foi tratado no despacho de admissibilidade nos seguintes termos: 5. Contradição e omissão em relação aos créditos na aquisição de equipamentos de proteção individual EPI. Demonstra que, embora o acórdão tenha reconhecido o direito de apropriação de créditos sobre os valores gastos na aquisição de equipamentos de proteção individual (EPI), isso não constou da parte dispositiva do voto. Efetivamente, a redação do Voto Vencedor reconhece o direito da Recorrente à reversão das glosas dos valores de aquisição de equipamentos de proteção individual EPI necessários e empregados em todas as etapas do processo produtivo. Também devem ser revertidas a glosa dos valores de aquisição de equipamentos de proteção individual (EPI) utilizados em todas as etapas dos processos de industrialização da recorrente. Tais bens são necessários e utilizados na atividade de produção dos bens destinados à venda." Este entendimento também foi manifestado nas conclusões do Voto Vencedor, quando assim dispôs: "III Da Conclusão Por todo o exposto, votase pela rejeição das preliminares arguidas e, no mérito pelo provimento parcial do recurso, para reverter as glosas em relação a: (..) 4) aquisição de equipamentos de proteção individual (EPI), utilizados em todas as etapas dos processos de industrialização;" Contudo, o dispositivo do Acórdão foi omisso em relação à reversão da glosa sobre os Equipamentos de Proteção Individual (EPI). Desta forma, é de se acolher os presentes Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para integrar o Acórdão Recorrido que deverá fazer constar a reversão da glosa relativa aos créditos decorrentes dos equipamentos de proteção individual EPI utilizados em todo o processo produtivo nos seguintes termos: “Por unanimidade de votos, em reverter as glosas em relação aos equipamentos de proteção individual (EPI) utilizados em todas as etapas dos processos de industrialização.” 2.5. Créditos decorrentes dos gastos com serviços para conservação das instalações industriais. O Despacho de Admissibilidade destaca a omissão em relação aos créditos decorrentes de gastos com serviços para conservação das instalações industriais, verbis: Fl. 10106DF CARF MF Processo nº 13656.721196/201259 Acórdão n.º 3302006.248 S3C3T2 Fl. 10 9 “O acórdão também é omisso quanto ao créditos decorrentes dos gastos com serviços para conservação das instalações industriais. Conforme segue, o i. Redator parece entender que há direito ao crédito, mas o dispositivo do acórdão foi silente a respeito. No entendimento deste Relator, com exceção dos serviços de conservação e manutenção das instalações industriais, os demais serviços não se enquadram no conceito de insumo de produção. Além disso, não foram integralmente aplicados na área fabril, conforme informação da própria da recorrente.” (destaques não constantes do original) Efetivamente, não obstante o reconhecimento, por parte do Relator, de que são aproveitáveis os créditos decorrentes dos gastos com serviços para conservação das instalações industriais, tal inteligência não foi reproduzida no dispositivo do Acórdão. Diante desta omissão, é de se acolher os presentes Embargos Declaratórios, sem efeitos infringentes, para que o reconhecimento do direito ao aproveitamento a tais créditos integre o dispositivo do Acórdão, nos seguintes termos: “Por unanimidade de votos, em reverter a glosa dos serviços de conservação e manutenção das instalações industriais.” 2.6. Despesas de aluguéis de galpões e armazenagem. A Embargante suscita que a decisão encontrase maculada por contradição e omissão em relação às despesas com aluguéis de galpões e armazenagem. Em seu Recurso Voluntário a Recorrente sustentou que para a venda de seus produtos ela incorre em gastos com armazenagem de mercadoria em região próxima ao porto. O Voto Vencedor, ao tratar das despesas com armazenagem, entendeu a pertinência da necessidade da Recorrente de armazenar produtos em local próximo ao porto, reconhecendo o direito ao crédito. Em relação as despesas com armazenagem, a recorrente alegou que necessitava guardar produtos em localidade próxima ao porto, para sua posterior embarque e entrega à clientela. Nestes casos, os produtos fabricados, como pó de alumínio e lingote, eram agrupados, mediante a chamada peação ou estufagem, até atingir a quantidade a ser exportada e, em seguida, remetida aos clientes. Dada essas características, as despesas de armazenagem de pó de alumínio e lingote nas instalações portuárias ou retroportuárias, previamente ao embarque, enquadramse no disposto no art. 3º, IX, da Lei 10.833/2003, logo, as glosas dessas despesas devem ser revertidas. Inclusive, o dispositivo da decisão em análise menciona a reversão das glosas com despesas de armazenagem dos produtos em localidade próxima ao porto para posterior embarcação, nos seguintes termos. Fl. 10107DF CARF MF Processo nº 13656.721196/201259 Acórdão n.º 3302006.248 S3C3T2 Fl. 11 10 “Por maioria de votos, em reverter a glosa em relação as despesas com armazenagem dos produtos em localidade próxima ao porto, para sua posterior embarcação e entrega à clientela, vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède e Ricardo Paulo Rosa, que mantinham a glosa.” A reversão das referidas glosas também foi tratada nas conclusões do Voto Vencedor, nos seguintes termos: "III Da Conclusão Por todo o exposto, votase pela rejeição das preliminares arguidas e, no mérito pelo provimento parcial do recurso, para reverter as glosas em relação a: (..) 7) despesas de armazenagem do pó de alumínio e do lingote de alumínio nas instalações portuárias ou retroportuárias;” Contudo, nos Embargos Declaratórios a Embargante suscita que foi reconhecido apenas o crédito sobre as despesas com o aluguel de galpões destinados exclusivamente ao armazenamento da alumina e os gastos relativos aos serviços de armazenagem de insumos. Este ponto foi tratado no despacho de admissibilidade nos seguintes termos: 8. Contradição e omissão em relação às despesas com aluguéis de galpões e armazenagem, uma vez que o voto vencedor não tenha se posicionado expressamente a respeito do assunto, do que se depreende que não exista divergência. Efetivamente, as despesas com aluguéis de galpões e armazenagem dos produtos em região próxima ao porto, para posterior venda integram aquilo que se denomina "armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda" de que trata o artigo 3º, IX da lei 10.833/03, razão pela qual voto no sentido de acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes, para integrar o dispositivo no sentido de que devem ser revertidas as glosas relativas a tais créditos relativos a aluguéis de locais de armazenagem, entendendo que tal custo amoldase ao conceito de custo de armazenagem. Por estas razões, onde se lê “Por maioria de votos, em reverter a glosa em relação as despesas com armazenagem dos produtos em localidade próxima ao porto, para sua posterior embarcação e entrega à clientela, vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède e Ricardo Paulo Rosa, que mantinham a glosa.” passase a ler “Por maioria de votos, em reverter a glosa em relação as despesas com armazenagem dos produtos em localidade próxima ao porto, para sua posterior embarcação e entrega à clientela, inclusive as despesas com aluguéis de galpões, vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède e Ricardo Paulo Rosa, que mantinham a glosa.” É como voto. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Fl. 10108DF CARF MF Processo nº 13656.721196/201259 Acórdão n.º 3302006.248 S3C3T2 Fl. 12 11 Fl. 10109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.008267/2008-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/05/2008
OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL.
A obra para a qual não foi emitida CND de obra inacabada, ao final da construção, poderá ser regularizada em nome do adquirente e emitida a CND com a área total da obra ou por unidade adquirida, conforme o caso, desde que sejam recolhidas as contribuições correspondentes, apuradas com base na área construída total.
Numero da decisão: 2201-004.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) e Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado)
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) e Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado)
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A obra para a qual não foi emitida CND de obra inacabada, ao final da construção, poderá ser regularizada em nome do adquirente e emitida a CND com a área total da obra ou por unidade adquirida, conforme o caso, desde que sejam recolhidas as contribuições correspondentes, apuradas com base na área construída total. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) e Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 82 67 /2 00 8- 06 Fl. 129DF CARF MF 2 Relatório O presente processo trata de Recursos Voluntário em face do Acórdão nº 03 29.043 5ª Turma da DRJ/BSA, fl. 77 a 88, que assim relatou a lide administrativa: Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal — A1OP n°: 37.115.2160, emitido contra a empresa em epígrafe, no valor de R$ 31.347,80 (Trinta e um mil e trezentos e quarenta e sete reais e oitenta centavos), consolidada em 26/06/2008, lavrada durante ação fiscal determinada pelo Mandado de Procedimento Fiscal — MPF 110.0120100.2008.00042. Conforme Relatório Fiscal de fls. 24/30, o crédito tributário lançado tem por objeto as contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre o valor da mãodeobra utilizada na execução da obra de construção civil de CE1: 32.560.00668/78 (Ed. River Side), concernentes à cotaparte dos segurados empregados. A contribuição de Terceiros foi levantada por meio do AI nº 37. 115.2194 e a correspondente à da empresa e do RAT Riscos Ambientais do Trabalho, do AI nº: 37.115.2178. Esclarece que essa obra foi iniciada pela empresa Moraes Construtora Lida, que realizou a execução da obra até a estrutura da 8a laje, das dezessete previstas, desistindo da mesma. Posteriormente, após a adjudicação da obra pelos condôminos que contrataram a sua execução, essa obra inacabada foi adquirida dos Condôminos pela empresa Construtora e Incorporadora Merzian Ltda., em 07/10/2003, sem que as partes fizessem prova da regularidade contributiva previdenCiária, pois a Certidão Negativa de Débito —CND nº.04117200308001080, apresentada durante a lavratura da escritura pública de compra e venda, tinha a finalidade para quaisquer daquelas previstas nas Lei 8.212/91, exceto para averbação de construção civil em imóvel. Em exame ao sistema CCOR _ Consulta contacorrente de Estabelecimento, não foi efetuado nenhum recolhimento com relação a esta obra pela empresa Moraes Construtora Ltda. CE1 inicial 08.902.01772/78, no período sob sua responsabilidade. Informa que a empresa Construtora e Incorporadora Merzian Lida, antes de adquirir a obra inacabada (Ed. River Side), deveria ter exigido a Certidão Negativa de Débito — CND, com a finalidade expressa para averbação de construção civil cm imóvel, fazendo prova da regularidade contributiva previdenciária, conforme determinado pelo artigo 465 da IN 3/2005. E que se a empresa tivesse se orientado no dispositivo acima, teria, dentro do valor pago pela Obra inacabada de R$ 220.000,00, discriminado a parcela paga relativa aos encargos previdenciários. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10120.008267/200806 Acórdão n.º 2201004.520 S2C2T1 Fl. 115 3 Como não procedeu a esta orientação, ao contabilizar a aquisição da Obra inacabada, no valor de R$ 220.000,00, na data de 12/01/2004, em lançamento único, utilizando a conta contábil .3.1.1.01.0001 — Custo Aquisição de Terreno, deixou de contabilizar essa obra em Títulos Próprios. Os gastos relativos a esta aquisição, composto do terreno e do custo da obra cm andamento, deveriam ter sido distribuídos nas seguintes rubricas: 1.3.1.1.01.0001 — Custo de aquisição do terreno e demais rubricas componentes do custo, dentre elas a que discrimina o INSS: 1.3.1.1.01.009. Pela não contabilização em títulos próprios, a empresa foi autuada com a lavratura do Al n° 37.115.2186. Durante a ação fiscal, não foi apresentado nenhum documento de quitação de recolhimento ou de dívida previdenciária relativo a períodos anteriores a janeiro de 2004. Desse modo, tendo em vista a impossibilidade de apurar o custo total de mãodeobra, o débito foi apurado por aferição indireta, com base na área edificada proporcional ao Custo Unitário Básico — CUB, nos termos da legislação de regência. Foram considerados todos os valores pagos a título de mãode obra própria, de retenções cm notas fiscais c de aquisição de concreto utilizado na execução da obra, bem como os recolhimentos previdenciários efetuados pela empresa. E, conforme Ofício de esclarecimentos fornecido pela Empresa, indicando as áreas reduzidas no cálculo do ARO (demonstradas por meio de projeto), o ARO efetuado em 20/11/2007, foi substituído pelo ARO, com cálculo efetuado em 26/03/2008, considerando estas áreas reduzidas. Cientificado do lançamento em 01/07/2008, o contribuinte apresentou defesa em 30/07/2008, alegando em apertada síntese: a autuação foi apurada por aferição indireta, tendo a fiscalização aduzido a impossibilidade de apurar o custo total de mãodeobra; no entanto, não aponta qual dificuldade seria, deixando tal denúncia vaga e, portanto, sem nenhuma aplicabilidade ao caso; nesse sentido, afirma sem razão que a empresa não contabiliza em títulos próprios, bem corno o relatório fiscal é bastante obscuro; como a obra comporta período anterior à aquisição por parte da autuada, cobrando tributos até .a 8a laje, engloba período superior a 5 (cinco anos) que já estaria prescrito; fora rechaçada a demonstração contábil da impugnante, quanto à aquisição da obra inacabada, sendo uma medida descomedida, não coincidindo com a realidade da impugnante, que faz a contabilidade de maneira adequada, respeitando os princípios contábeis; Fl. 131DF CARF MF 4 a aferição indireta é descabida e inapropriada, não havendo motivos para sua realização, sendo que todos os lançamentos procedidos pela Impugnante estão adequados e de acordo com princípios e convenções aplicáveis às ciências contábeis; a autuação não cumpre com os requisitos do art. 37 da Lei 8.212/91, não havendo clareza nem precisão quanto aos exatos descurnprimentos apontados; haver cerceamento de defesa, sendo o preenchimento do relatório turvo, explicações não convincentes acerca do descrédito para com a documentação contábil, postura totalmente discricionária na aferição indireta, utilizando de valores oriundos da imaginação; ter a fiscalização não observado o art. 474 da IN 03/05, tendo desconsiderado diversos valores que poderiam ter sido objeto de análise ( contudo, não demonstra quais são esses valores), também não fora observada a totalidade das formalidades para sua confecção, não constando a hora em que foi lavrado o mesmo; a obra. de construção apresenta inúmeras áreas cobertas e descobertas, o que deverá ser comprovado pela perícia a ser solicitada, bem como não ter sido considerada totalmente a utilização de esquadrias de alumínio, de ferro, e coberturas metálicas, mesmo existindo notas fiscais abrangendo esses materiais préfabricados ( contudo, não demonstra, não anexa nenhum documento); violação ao artigo 142 do CTN; pugna pela realização de diligências e perícias; por fim, solicita o cancelamento da autuação. Foi proferido acórdão com os seguintes fundamentos: As alegações apresentadas pela impugnante mostramse equivocadas, não tendo a mesma carreado aos autos qualquer prova que possa elidir ou mesmo alterar o lançamento efetuado nesta notificação: Primeiramente, observase, ao contrário do afirmado pela Impugnante, que o procedimento de aferição indireta da base de cálculo empregada pelo auditorfiscal foi devidamente justificado e os valores apurados claramente demonstrados, com indicação dos critérios e parâmetros utilizados, conforme: ARO Aviso de Regularização de Obras, às fls. 124/127, DISO Declaração e Informação Sobre Obra de Construção Civil, elaborada pela própria empresa construtora, ás fls. 116/117, Oficio da empresa, datado de 18, de março de 2008, demonstrando as áreas reduzidas, fls.122, Declaração do Engenheiro Técnico responsável, às fls. 123, Termo de Cientificação — comunicando a retificação do cálculo efetuado no ARO, considerando as áreas reduzidas, em conformidade com o projeto apresentado pela empresa c declaração do engenheiro responsável técnico pela obra, à fls. 21. (documentos anexados'ao M no: 37.115.2178). Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10120.008267/200806 Acórdão n.º 2201004.520 S2C2T1 Fl. 116 5 A devida fundamentação legal foi mencionada às fls. 7/8, assim como no Relatório fiscal, e foi lavrado o Auto de Infração Al nº 37.115.2186, por descumprimento de obrigação acessória, não contabilização com títulos próprios. Dessa forma, demonstrados nos autos, de forma clara e precisa, os fundamentos fáticos e jurídicos da exigência fiscal, a alegação de cerceamento de defesa, por parte da defendente, não merece guarida, especialmente porque o contribuinte, na impugnação apresentada, demonstra plena compreensão dos itens da autuação imputada, o que lhe possibilitou oferecer a impugnação da forma apresentada nos autos. Assim sendo, tornase salutar destacar que a empresa impugnante adquiriu obra de construção civil inacabada (execução da obra até a estrutura da 8ª laje), sem que as partes fizessem prova da regularidade contributiva previdenciária, pois a Certidão Negativa de Débito—CND nº. 04117200308001080, apresentada durante a lavratura da escritura pública de compra e venda, tinha a finalidade para quaisquer daquelas previstas na Lei 8.212/91, exceto para averbação de construção civil em imóvel. No caso de obra inacabada, deverá ser apresentado pelo contribuinte laudo de avaliação técnica de um profissional habilitado pelo CREA, acompanhado da Anotação de Responsabilidade TécnicaART, a fim de que seja informado o percentual da construção já realizada, em relação à obra total. O percentual informado será utilizado para conversão em área equivalente para a apuração das contribuições devidas, efetuandose o enquadramento de acordo com a área total do projeto. Sendo que, no caso, para regularização da obra inacabada, a Certidão Negativa de Débito CND deveria ter sido expedida com expressa menção da área parcialmente regularizada. Contudo, a obra para a qual não foi emitida CND de obra inacabada, ao final da construção, poderá ser regularizada cm nome do adquirente c emitida a CND com a área total da obra ou por unidade adquirida, conforme o caso, desde que sejam recolhidas as contribuições correspondentes, apuradas com base na área construída total, verbis: (...) A devida fundamentação legal foi mencionada às fls. 7/8, assim como no Relatório fiscal, e foi lavrado o Auto de Infração AI n ° 37.115.2186, por descumprimento de obrigação acessória, não contabilização em títulos próprios. Dessa forma, como a autuada não providenciou a regularização da obra inacabada, foi que a fiscalização, por meio deste Auto deInfração de Obrigação Principal, constituiu, através de aferição indireta, considerando a área edificada proporcional ao Fl. 133DF CARF MF 6 Custo Unitário Básico — CUB, o crédito previdenciário com base na área construída total. Outrossim, não há que se falar em período prescrito, já que cabe ao interessado a comprovação da realização de parte da obra ou da sua total conclusão em período abrangido pela decadência, e a impugnante não traz aos autos nenhum dos documentos elencados no artigo 482 da Instrução Normativa MPS/SRP n° 3, de 2005. Ao não ter providenciado a regularização da obra inacabada, a impugnante impossibilitou a comprovação de qualquer período eventualmente prescrito. Salientese que, na própria DISO Declaração e Informação Sobre Obra de Construção Civil, elaborada pela empresa construtora, ás fls. 116/117, é declarado como data de início da abra: jul/2005 c término: maio/2007, bem como tratarse de obra nova. Nesse diapasão, devese assinalar que o AutodeInfração por descumprimento de obrigação acessória AIOA: n" 37.115.218 6 foi julgado procedente pelo Acórdão nº 29.045, haja vista que: "No que concerne à contabilidade da empresa, como é cediço, a mesma deve atender, entre outros, aos requisitos previstos no inciso II do artigo 32 da Lei 8.212/91 e no inciso II do § 13° do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, destacandose a utilização de centros de custo distintos para cada obra, e, dentro destes, a contabilização de forma discriminada, das contas que são fatos geradores de contribuição previdenciária, verbis: (...) Dessa forma, como inequivocamente demonstrado pela fiscalização, a empresa, ao contabilizar a aquisição da Obra inacabada, no valor de R$ 220.000,00, na data de 12/01/2004, em lançamento único, utilizando a conta contábil 1.3.1.1.01.0001 Custo Aquisição de Terreno, deixou de contabilizar essa obra em Títulos Próprios, pois parte do custo de aquisição se refere ao custo da obra inacabada (até a estrutura da 8ª laje); como bem assinalado pelo nobre auditor, os gastos relativos a esta aquisição, composto do terreno e do custo da obra em andamento, deveriam ter sido distribuídos nas seguintes rubricas: 1.3.1.1.01.0001 — Custo de aquisição do terreno e demais rubricas componentes do custo, dentre elas a que discrimina o INSS: 1.3.1.1.01.009. Despiciendo acrescentar que, ao não regularizar a parte da obra inacabada, conforme a determinação legal, a fim de que fosse informado o percentual da construção já realizada, em relação à obra total, não contabilizando esses valores, fica impossível determinar o valor total da obra, pois, no custo contabilizado pela empresa adquirente, falta o custo inicial até a estrutura da 8ª laje, o que, a propósito, responde a indagação da impugnante (...quais foram as dificuldades? quais os pontos equivocados?). Portanto, faltando prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil em qualquer período da sua execução (considerase prova regular e formalizada a escrituração contábil em livro Diário e Razão), está a fiscalização, nos ternos do parágrafo único do artigo 142 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10120.008267/200806 Acórdão n.º 2201004.520 S2C2T1 Fl. 117 7 do CTN, obrigada a efetuar o lançamento, nos, moldes do parágrafo 4 ° do artigo 33 da Lei 8.212/91, sob pena de responsabilidade funcional." Esclareçase também que, conforme ARO Aviso de Regularização de Obras, às fls. 124/126, foram considerados todos os valores pagos a título de mãodeobra própria, de retenções em notas fiscais e de aquisição de concreto utilizados na execução da obra, bem como os recolhimentos previdenciários efetuados pela empresa; além do que foram considerados os redutores integrantes da área total da edificação, determinados pelo artigo 449 da 1N 03/2005 (conforme Oficio de esclarecimentos fornecido pela Empresa, às fls. 122/123). Quanto à alegação de que não fora observada a totalidade das formalidades para a confecção desta autuação, não ,constando a hora em que foi lavrada a mesma, impende destacar que a determinação contida no art. 293, do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, com relação à hora da autuação, diz respeito somente ao AutodeInfração por descumprimento de obrigação acessória, tendo por objetivo a lavratura do auto no exato momento da constatação da infração praticada, não se aplicando à autuação de obrigação principal, como no presente caso, em que todos os requisitos essenciais a sua constituição estão presentes. Temse também não haver a mínima necessidade de perícia contábil, quanto aos valores apurados pela fiscalização, haja vista não existirem dúvidas alusivas aos valores identificados no lançamento efetuado, demonstrados nos diversos Discriminativos e Relatórios que compõem a notificação. Salientese que o contribuinte, comodamente, poderia trazer aos autos quaisquer documentos que entendesse devidos; ,no entanto, o mesmo não contesta nenhum dos valores lançados, fazendo apenas ilações jurídicas, desprovidas de provas fáticas. Por fim, observase que a notificação em epígrafe foi lavrada na estrita observância das determinações legais vigentes, tendo sido lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto e consoante o que prescreve a legislação descrita no Relatório de Fundamentos Legais — FLD, de fls. 7/8. Cientificado do acórdão, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 88 a 105, alegando em breve síntese: a) preliminar pelo lançamento de crédito tributário decaído; b) preliminar para reconhecer a validade dos lançamentos contábeis; c) preliminar de nulidade por falta de requisitos para preenchimento do AI; d) preliminar por nulidade por desrespeito ao direito de defesa; e) preliminar de nulidade por desatendimento à norma previdenciária e quanto ao mérito: a) redutores para apuração de mão de obra; b) prémoldados e préfabricados; c) arbitramento dos valores considerados como salário de contribuição e d) tipificação e graduação das penalidades impostas. É o relatório do necessário. Fl. 135DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama Decadência Não há que se falar em decadência no presente caso, tendo em vista que o período de apuração, conforme relatório fiscal é de 01/01/2004 a 31/05/2008 e o contribuinte foi cientificado pessoalmente do lançamento em 01/07/2008, portanto, dentro dos 5 (cinco) anos previsto tanto no artigo 150, § 4º, quanto no artigo 173, ambos do Código Tributário Nacional. Sendo assim, rejeito esta preliminar. Reconhecimento da validade dos lançamentos contábeis Esta preliminar confundese com o mérito da aferição indireta, de modo que será tratado adiante. Falta de requisitos para preenchimento do AI Também não há como reconhecer esta preliminar, tendo em vista que a infração está devidamente caracterizada conforme consta às fls. 7/8 e o contribuinte conseguiu se defender em sua integralidade. O fato de não serem acolhidas suas razões, não dá ensejo à anulação por falta de preenchimento dos requisitos. Deste modo, não prospera esta preliminar. Desrespeito ao direito de defesa Como mencionado no tópico anterior, a infração e a sua correspondente fundamentação legal, está devidamente caracterizada e foram devidamente demonstrados nos autos, de forma clara e precisa, os fundamentos fáticos e jurídicos, são de fácil compreensão, até porque o Recorrente pode se defender de forma que restou devidamente demonstrado que compreendeu o porquê da lavratura do AI. Desatendimento à norma previdenciária Esta preliminar também confundese com o mérito que será tratado adiante. Mérito Conforme foi devidamente relatado, a Recorrente adquiriu obra de construção civil inacabada sem que fizesse prova da regularidade referente ao pagamento das contribuições previdenciárias, a teor do que dispõe o artigo 465 da Lei nº 8.212/91: Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10120.008267/200806 Acórdão n.º 2201004.520 S2C2T1 Fl. 118 9 Art. 465. No caso de obra inacabada, deverá ser solicitado ao responsável pela sua regularização o laudo de avaliação técnica de profissional habilitado pelo CREA, acompanhado da respectiva ART, no qual seja informado o percentual da construção já realizada, em relação à obra total, observandose, quanto à matricula, o disposto no § 3ºdo art. 471. § 1º O percentual informado no laudo de avaliação técnica será utilizado para determinação da área que constará na CND de obra inacabada e que servirá de base para a apuração da remuneração sobre a qual incidirão as respectivas contribuições, efetuandose o enquadramento de acordo corn a área total do projeto, e apurandose as contribuições proporcionalmente à área correspondente à obra inacabada, na forma dos inciso 11 e III do § 1 "do aiI. 464. (Nova redação dada pela INMr/RrB n"819, de 2010312008) Devidamente intimada com o ARO Aviso de Regularização de Obras, às fls. 124/127 e não tendo providenciado a regularização da obra inacabada a fiscalização, utilizandose do expediente da aferição indireta, considerando a área edificada proporcional ao Custo Unitário Básico CUB, constituiu o crédito previdenciário com base na área construída total. Além disso, auxilia na fundamentação da utilização da Aferição Indireta o fato de que a Recorrente também foi autuada por descumprimento de obrigação acessória AIOA nº 37.115.2186, pois deveria atender ao disposto no inciso 11 do artigo 32 da Lei nº 8.212/91 e no inciso 11 do § 13 do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, destacandose a utilização de centros de custo distintos para cada obra, e, dentro destes, a contabilização de forma discriminada, das contas que são fatos geradores de contribuição previdenciária, verbis: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) 11 lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os lotais recolhidos; ____________________________________ Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) § 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão Fl. 137DF CARF MF 10 exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: 1 atender ao principio contábil tio regime de competência; e II registrar; em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição,bem copio as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. Como devidamente demonstrado pela fiscalização, a empresa, deveria contabilizar a aquisição da Obra inacabada, no valor de R$ 220.000,00, na data de 12/01/2004, em lançamento único, utilizando a conta contábil 1.3.1.1.01.0001 — Custo Aquisição de Terreno, deixou de contabilizar essa obra em Títulos Próprios , pois parte do custo de aquisição se refere ao custo da obra inacabada (até a estrutura da 8" laje); como bem assinalado pelo nobre auditor, os gastos relativos a esta aquisição, composto do terreno e do custo da obra em andamento, deveriam ter sido distribuídos nas seguintes rubricas: 1.3.1.1.01.0001 — Custo de' aquisição do terreno e demais rubricas componentes do custo, dentre elas a que discrimina o INSS: 1.3.1.1.01.009. Oportuno destacar que este Conselho registra jurisprudência que evidencia a excepcionalidade das medidas adotadas no lançamento que ora se analisa, bem como a necessidade de que haja adequada fundamentação para elas. Nesse sentido, o Acórdão nº 240102.161, da lavra do Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, registra em sua ementa: AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÃO EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO. A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o Fisco não demonstra que houve sonegação de documentos ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa. Entretanto, não é esta a situação tratada nos autos. No presente caso, conforme ressaltado na decisão recorrida é diversa e justifica a aplicação da aferição indireta, conforme disposto nos seguintes trechos: Despiciendo acrescentar que, ao não regularizar a parte da obra inacabada, conforme a determinação legal, a fim de que fosse informado o percentual da construção já realizada, em relação à obra total, não contabilizando esses valores, fica impossível determinar o valor total da obra, pois, no custo contabilizado pela empresa adquirente, falta o custo inicial até a estrutura da 8° laje, o que, a propósito, responde a indagação da impugnante (...quais foram as dificuldades? quais os pontos equivocados?). Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10120.008267/200806 Acórdão n.º 2201004.520 S2C2T1 Fl. 119 11 Portanto, faltando prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil em qualquer período da sua execução (considerase prova regular e formalizada a escrituração contábil em livro Diário e Razão), está a fiscalização, nos termos do parágrafo único do artigo 142 do CTN, obrigada a efetuar o lançamento, nos moldes do parágrafo 4° do artigo 33 da Lei 8.212/91, sob pena de responsabilidade funcional." Esclareçase também que, conforme ARO Aviso de Regularização de Obras, às Ils. 124/126, foram considerados todos os valores pagos a título de mãodeobra própria, de retenções em notas fiscais e de aquisição de concreto utilizados na execução da obra, bem como os recolhimentos previdenciários efetuados pela empresa; além do que foram considerados os redutores integrantes da área total da edificação, determinados pelo artigo 449 da IN 03/2005 (conforme Oficio de esclarecimentos fornecido pela Empresa, às Ils. 122/1 23). • Quanto à alegação de que não fora observada a totalidade das formalidades para a confecção desta autuação, não constando a hora em que foi lavrada a mesma, impende destacar que a determinação contida no art. 293, do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, com relação à hora da autuação, diz respeito somente ao AutodeInfração por descumprimento de obrigação acessória, tendo por objetivo a lavratura do auto no exato momento da constatação da infração praticada, não se aplicando à autuação de obrigação principal, como no presente caso, em que todos os requisitos essenciais a sua constituição estão presentes. Temse também não haver a mínima necessidade de perícia contábil, quanto aos valores apurados pela fiscalização, haja vista não existirem dúvidas alusivas aos valores identificados no lançamento efetuado, demonstrados nos diversos Discriminativos e Relatórios que compõem a notificação. Salientese que o contribuinte, comodamente, poderia trazer aos autos quaisquer documentos que entendesse devidos, no entanto, o mesmo não contesta nenhum dos valores lançados, fazendo apenas ilações jurídicas, desprovidas de provas fálicas. Por fim, observase que a notificação em epígrafe foi lavrada na estrita observância das determinações legais vigentes, tendo sido lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto e consoante o que prescreve a legislação descrita no Relatório de Fundamentos Legais — FLD, de fls. 7/8. No caso em tela, ao contrário do decidido na jurisprudência mencionada, no caso em discussão, os requisitos dos §§ 3.º e 4.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, foram preenchidos e resta claro ao estabelecer as hipóteses que trazem a possibilidade de arbitramento das contribuições, ou seja, quando haja recusa, sonegação ou apresentação deficiente de informações por parte do sujeito passivo. Fl. 139DF CARF MF 12 Verificada a hipótese de aplicação da aferição indireta, deve ser negado provimento ao recurso. Quanto ao desconto dos prémoldados, este ponto foi muito bem trabalhados na decisão de primeira instância que peço a vênia para transcrever: Esclareçase também que, conforme ARO Aviso de Regularização de Obras, às íls. 124/126, foram considerados todos os valores pagos a título de mãodeobra própria, de retenções em notas fiscais e de aquisição de concreto utilizados na execução da obra, bem como os recolhimentos previdenciários efetuados pela empresa; além do que foram considerados os redutores integrantes da área total da edificação, determinados pelo artigo 449 da 1N 03/2005 (conforme Oficio de esclarecimentos fornecido pela Empresa, às fls. 122/123). (...) Temse também não haver a mínima necessidade de perícia contábil, quanto aos valores apurados pela fiscalização, haja vista não existirem dúvidas alusivas aos valores identificados no lançamento efetuado, demonstrados nos diversos Discriminativos e Relatórios que compõem a notificação. Salientese que o contribuinte, comodamente, poderia trazer aos autos quaisquer documentos que entendesse devidos; ,no entanto, o mesmo não contesta nenhum dos valores lançados, fazendo apenas ilações jurídicas, desprovidas de provas fáticas. Sendo assim, não há como acolher as razões do Recorrente. Conclusão Por todo o exposto, rejeito as preliminares arguídas e no mérito, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo Recorrente. (assinado digitalmente) Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.725597/2017-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2012 a 30/12/2012
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa, quando concedido ao contribuinte prazo mais do que o suficiente para atendimento da intimação, sobretudo quando se observa o prazo de 5 (cinco) dias úteis no tocante às informações e documentos solicitados que digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, ou em declarações apresentadas à administração tributária.
GLOSA DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS. INEXISTÊNCIA.
Na dicção do art. 170 do CTN, a compensação somente pode ser efetuada com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.
Numero da decisão: 2402-006.652
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de nulidade, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior que votaram por anular o lançamento por vício formal; e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, votaram pelas conclusões os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira e Luis Henrique Dias Lima. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2063; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.725597/201741 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.652 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de outubro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. GLOSA DE COMPENSAÇÃO Recorrente COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMERICAS AMBEV E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2012 a 30/12/2012 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa, quando concedido ao contribuinte prazo mais do que o suficiente para atendimento da intimação, sobretudo quando se observa o prazo de 5 (cinco) dias úteis no tocante às informações e documentos solicitados que digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, ou em declarações apresentadas à administração tributária. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS. INEXISTÊNCIA. Na dicção do art. 170 do CTN, a compensação somente pode ser efetuada com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de nulidade, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior que votaram por anular o lançamento por vício formal; e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, votaram pelas conclusões os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira e Luis Henrique Dias Lima. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 55 97 /2 01 7- 41 Fl. 400DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório A DRJ fez um relato preciso do despacho decisório que não homologou a compensação e da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, que passa a integrar, em parte, o presente relatório: Tratase de glosa de compensações de Contribuições Previdenciárias, declaradas [...] em [...] GFIP nas competências de 04/2012 a 12/2012, cuja análise foi formalizada no Despacho Decisório [...], onde a fiscalização considerou as compensações como indevidas, abrangendo vários estabelecimentos da autuada. O contribuinte foi intimado do Despacho Decisório em 03/05/2017, conforme Aviso de Recebimento AR postal acostado às fls. 128. Segundo consta no referido Despacho Decisório no trabalho de auditoria interna de GFIP, foi constatada a ocorrência de compensações, razão pela qual o contribuinte foi intimado a demonstrar/detalhar, a origem dos créditos utilizados nas compensações declaradas nas referidas competências. O Termo de intimação foi recebido em 23/03/2017, por via postal conforme Aviso de Recebimento AR de fls 96. Segundo o Auditor, na resposta à intimação o contribuinte esclareceu que “Os créditos utilizados pelo contribuinte nas compensações lançadas em GFIP nas competências de 04.2012 a 13.2012 decorrem do recolhimento indevido de contribuições previdenciárias decaídas em Reclamações Trabalhistas.” Com vistas a esclarecer o procedimento exigido no caso de Reclamatória Trabalhista o Auditor informa que: Com relação às reclamatórias trabalhistas, a Carta Magna atribuiu competência exclusiva à Justiça do Trabalho a execução, de ofício, das contribuições sociais decorrentes das sentenças/acordos que proferir, como disposto no art. 114, §3º, da CF, com redação dada pela Emenda Constitucional EC nº 20, de 15.12.1998, e, posteriormente, no inciso VIII do art. 114, da CF, com redação dada pela EC nº 45, de 08.12.2004. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10880.725597/201741 Acórdão n.º 2402006.652 S2C4T2 Fl. 3 3 5. A Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, em seu artigo 876, parágrafo único, atribui competência a Justiça do Trabalho na execução dos valores devidos a título de contribuição social decorrentes de sentença/acordos trabalhistas. 6. A Instrução Normativa SRP nº 03/2005, em seu artigo 128, inciso II, letras “a” e “b”, corroborada pela Instrução Normativa RFB nº 971/2009, artigo 101, inciso I e II, respeitou a competência atribuída à Justiça do Trabalho, nos termos do inciso VIII do art. 114 da Constituição Federal, promover de ofício a execução dos créditos das contribuições previdenciárias devidas em decorrência de decisões condenatórias ou homologatórias por ela proferidas. Sobre os documentos juntados aos autos o Auditor esclarece que; Com relação aos elementos juntados aos autos pelo contribuinte: (1) cópia da Solução de Consulta nº 9 – COSIT 02/02/2016, (2) cópia da Informação prestada no Mandado de Segurança nº 500552471.2011.404.7205 e (3) Acórdão Ag. Reg. no Recurso Extraordinário 419.612 Paraná proferido pelo STF, que supostamente fundamentaria a alegada decadência, por considerar o fato gerador das verbas trabalhistas à data efetiva da prestação de serviços, referemse, na verdade, de (1) ao fato gerador da contribuição incidente sobre a remuneração de servidor público vinculado ao RGPS, (2) petição para impedir o lançamento de contribuições previdenciárias, cuja incidência seja reconhecida em virtude de condenação na Justiça do Trabalho, relativos a trabalho prestado há mais de cinco anos antes do lançamento com base na Sumula Vinculante nº 8 do STF, teve liminar deferida em parte que foi cassada na Sentença que julgou extinto o processo em 10/01/2012, transitado em julgado em 29/12/2012, (3) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AO CUSTEIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. REMUNERAÇÃO. DEFINIÇÃO DO CRITÉRIO TEMPORAL: REGIME DE COMPETÊNCIA OU REGIME DE CAIXA, os quais, não tem qualquer nexo causal com o assunto ora discutido. Diante dos fatos apurados o Auditor conclui que: Neste contexto, as compensações efetuadas em GFIP, com créditos sabidamente inexistentes de fato, haja vista que os créditos devem ser líquido e certo (art. 170, caput do CTN), com intuito exclusivo de reduzir a base de cálculo das contribuições previdenciária, desnaturase das hipóteses legais. (Lei 8.212/91, art. 11 § único, letras “a”, “b” e “c”; C/C art. 89), pelo qual, devem ser glosados os valores indevidamente compensados, não os homologando, no montante de R$ 33.798.643,28. Por fim, considerando que o contribuinte utilizouse da compensação mesmo tendo conhecimento de que não existiram recolhimentos efetuado indevidamente, que possam servir de lastro para justificar as referidas compensações, e, tampouco, é titular de direito que lhe tenha sido administrativa ou Fl. 402DF CARF MF 4 judicialmente reconhecido, o processo foi enviado para os procedimentos necessários à imputação da multa isolada no percentual de 150% sobre o valor das contribuições que deixaram de ser recolhida, conforme determinado pelo art. 89§10º da Lei 8.212/1991, em função da falsidade das compensações; com o objetivo de retardar, ou impedir, ou reduzir, ou diferir o pagamento do tributo efetivamente devido (art. 44 da Lei 9.430/1996), caracterizando fraude, dolo e simulação conforme art. 72 da Lei nº 4.502/1964. Cientificado a empresa oferece em 02/06/2017, conforme Termo acostado à fls 131, a manifestação de inconformidade de fls. 133/155, onde registra a sua tempestividade, narra os fatos que motivaram a emissão do despacho e alega que a fiscalização contrariou o direito a ampla defesa, porque concluiu o procedimento fiscal antes de vencido o prazo para produção de provas. Reclama que pediu dilação do prazo fixado no Termo de Intimação 0100/2017 e não obteve resposta da fiscalização. Transcreve decisões administrativa e judiciais sobre o tema. Alega que a fiscalização não descreve de forma clara as razões para a glosa da compensação. Diz em verbis: Como não há qualquer elemento ou indício que permita a identificação das razões pelas quais a Fiscalização reputou indevidas as compensações realizadas em GFIP. Em síntese, o Auditor Fiscal, ilegalmente, transferiu à Requerente a missão de deduzir os fundamentos que o conduziram à conclusão, o que, por si só, configura frontal ofensa aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da necessidade de motivação dos atos e decisões da Administração Pública. No mérito, diz que "a competência para constituir esses créditos tributários ainda pertence à Receita Federal do Brasil, que se legitima no lançamento das contribuições inobstante o resultado da reclamação trabalhista". Aduz que existe divergência sintática entre a alínea "a" do inciso I do artigo 195 da Constituição Federal e o inciso I do artigo 22 da Lei n. 8.212/1991, fato que gera insegurança jurídica, sobretudo em relação às contribuições previdenciárias decorrentes das sentenças da Justiça do Trabalho, porque: • Se o "dever" se adequasse ao modelo constitucional, o aspecto temporal do fato imponível dessas contribuições ocorreria quando a remuneração deveria ter sido paga, ou seja, na prestação do serviço reclamado; • Se, contudo, o "dever" não se adequasse ao modelo constitucional, o aspecto temporal do fato imponível dessas contribuições ocorreria quando do efetivo pagamento da condenação trabalhista. Diz ainda: Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10880.725597/201741 Acórdão n.º 2402006.652 S2C4T2 Fl. 4 5 47. Para corroborar o entendimento da RFB e da jurisprudência dominante, o Poder Executivo, por meio da Medida Provisória n. 449/08 convertida na Lei n. 11.941/09, inseriu o §2º no artigo 43 da Lei n. 8.212/91, enunciando, em interpretação autentica, que o fato imponível das contribuições previdenciárias ocorre na obrigação de pagar remuneração, ou seja, na prestação de serviço. 48. O § 22 no artigo 43 da Lei n. 8.212/91, agindo como norma interpretativa, consolidou, portanto, o entendimento de que o fato imponível das contribuições previdenciárias, sejam elas decorrentes ou não das decisões da Justiça do Trabalho, ocorre quando da prestação do serviço; momento em que o direito atribui ao empregador o dever de pagar a remuneração, e ao empregado o direito à essa importância. A seguir discorre sobre a decisão do STF que reconhece a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212/1991 e fixou o prazo de decadência em 05 anos, nos moldes do artigo 150§4º do Código Tributário Nacional, que dispõe sobre a decadência do direito de a Fazenda Pública efetivar o lançamento em 05 anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Aduz que: 53. O prazo enunciado no artigo 150, §4º, do CTN não é suspenso tampouco interrompido pela distribuição da reclamação trabalhista, sobretudo porque: i) essa ação judicial não é condição para a constituição do crédito tributário, e ii) não existe amparo legal. 54. Por outro lado, se a reclamação trabalhista fosse pressuposto para a constituição do crédito tributário estarseia negando a compulsoriedade do tributo, porque o direito à remuneração é disponível, haja vista a incidência da prescrição bienal para a formalização da pretensão judicial trabalhista. 55. Não há alternativa, portanto, senão: i) identificar como momento do fato imponível da contribuição previdenciária decorrente da decisão da Justiça do Trabalho o tempo da prestação do serviço que ensejou a remuneração onerada; ii) reconhecer decaído o direito de a RFB constituir os créditos tributários decorrentes de pagamentos de prestações de serviço ocorridas há mais de cinco anos. 56. Nesse sentido é a jurisprudência dominante do Tribunal Superior do Trabalho —TST, que aplicando a Súmula Vinculante n. 08 identifica a decadência das contribuições previdenciárias decorrentes incidentes sobre remunerações pagas por serviços prestados há mais de cinco. A manifestante prossegue com a transcrição de Recursos de Revista onde as decisões foram no sentido do reconhecimento da decadência dos 05 anos nos processos revistos: Fl. 404DF CARF MF 6 ................em conformidade com a jurisprudência atual e reiterada deste Tribunal, no sentido de que aplicável à constituição do crédito previdenciário o prazo decadencial de cinco anos previsto no art. 173 do CTN e de que o termo inicial do lapso decadencial coincide com o primeiro dia do exercício seguinte ao que deveria ter sido feito o lançamento. Óbice do art. 896, § 4º, da CLT e da Súmula 333/TST. Recurso de revista nãoconhecido. Em seguida discorre sobre a aplicação da multa isolada objeto do processo 108757.220782/201708. Resume seus pedidos nos seguintes itens: a) preliminarmente, declarar a nulidade do Despacho Decisório em referência, com o consequente afastamento da conclusão de inexistência dos créditos compensados, uma vez que o procedimento padece de nulidade insanável, em face do cerceamento do direito de defesa do contribuinte b) preliminarmente, declarar a nulidade do Despacho Decisório em referência, com o consequente afastamento da conclusão de inexistência dos créditos compensados, uma vez que tal conclusão não foi devidamente motivada e fundamentada; c) no mérito, reconhecer a improcedência da glosa e da não homologação das compensações, na medida em que os valores compensados decorreram, exclusivamente, de contribuições previdenciárias decaídas indevidamente arrecadadas na Justiça do Trabalho. d) Subsidiariamente, caso não seja integralmente cancelado o lançamento, requer, ao menos, seja afastada a multa agravada, conforme entendimento pacífico da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A DRJ julgou a manifestação improcedente, conforme decisão assim ementada: DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. O Cerceamento de direito de defesa somente ocorre quando o sujeito passivo teve prejudicado se a descrição dos fatos é insuficiente ou deficiente, de tal forma, a impedilo de apresentar defesa. COMPENSAÇÃO. GLOSA Cabe à interessada a comprovação da natureza do seu crédito a ser compensado, bem como a sua liquidez e certeza. A glosa de compensação indevida dispensa a formalização de lançamento de ofício mediante auto de infração, em face da sua declaração em GFIP, que constitui instrumento de confissão de dívida, podendose proceder à imediata inscrição do débito nela confessado em Dívida. JUSTIÇA DO TRABALHO. EXECUÇÃO DE OFÍCIO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CABIMENTO. Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10880.725597/201741 Acórdão n.º 2402006.652 S2C4T2 Fl. 5 7 É competência material da Justiça do Trabalho a execução das contribuições sociais devidas sobre as verbas reconhecidas como devidas nos atos judiciais que proferir, RESTITUIÇÃO. RECOLHIMENTOS FEITOS EM PERÍODO DECADENTE. INOCORRÊNCIA. Descabe falarse em decadência quanto aos recolhimentos feitos espontaneamente pelo contribuinte em relação a valores devidos por força de execução pela Justiça do Trabalho. A argüição de decadência e a inexigibilidade de contribuição previdenciária, porventura decadente, deve ter sido discutida perante o juízo trabalhista. Não cabe a construção de créditos com esta natureza, em face da posterior entrada em vigor da Súmula Vinculante 08/2008, que não teve aplicação retroativa. O sujeito passivo foi intimado da decisão da DRJ em 09/11/2017, através de carta postal com aviso de recebimento (v. fl. 329), e interpôs recurso voluntário em 11/12/2017, no qual basicamente reiterou os termos de sua Manifestação de Inconformidade. Sem contrarrazões ou manifestação pela PGFN. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da nulidade por cerceamento de defesa Neste ponto, a recorrente reitera os argumentos da manifestação de inconformidade acerca do cerceamento aos direitos de defesa. É que a fiscalização teria lhe concedido dilação de prazo para apresentação de documentos até o dia 08/05/2017, mas teria proferido o despacho decisório em 03/05/2017, antes, portanto, daquela data. Realmente, no doc. 2 da manifestação de inconformidade (fl. 307 do PDF), consta que a data limite para o detalhamento do crédito e da compensação seria 08/05/2017 (vide abaixo) e que a auditoria estaria aguardando esse detalhamento: Fl. 406DF CARF MF 8 A despeito disso, o despacho decisório foi proferido em 25 de abril de 2017 e foi notificado ao sujeito passivo em 03/05/2017. Sobre essa questão, o acórdão de impugnação decidiu nos seguintes termos (destacouse): Na apresentação dos esclarecimentos a empresa novamente formula pedido de prorrogação de prazo para apresentar novos esclarecimentos, contudo, até o fechamento do procedimento fiscal, formalizado em 03/05/2017, nada mais apresentou, procedimento também adotado no prazo de contestação, haja vista que junto a esta peça somente foram anexadas: cópia do despacho decisório e uma tela existente no ECAC onde existe a informação de que a "Data limite de detalhamento" é 08/05/2017. Tal detalhamento referese à utilização de planilha do programa denominado AUDCOMP, que não é vinculante para a execução do procedimento fiscal. A afirmação acima destacada não está suficientemente justificada e não há qualquer explicação do que se trata o programa denominado AUDCOMP, tampouco porque a utilização da planilha não seria, no entender da DRJ, vinculante para a execução do procedimento fiscal. De todo modo, no entender deste relator, a prolatação do despacho decisório e a sua ciência à contribuinte antes da data limite prevista no sistema da própria Receita Federal gera uma surpresa e uma consequente violação ao seu direito de defesa, vez que cria a expectativa, no sujeito passivo, de que até aquela data poderiam ser apresentados documentos ou esclarecimentos relativos às compensações então fiscalizadas. Em sendo assim, na dicção do art. 59, inc. II, do Decreto 70235/72, deve ser reconhecida a nulidade do despacho decisório que não homologou a compensação, tendo em vista a existência de preterição ao direito de defesa da recorrente. Tal nulidade, por ser procedimental, e não relativa à materialidade dos fatos geradores, é formal. Vejase, nesse sentido, a doutrina de Leandro Paulsen1: Os vícios formais são aqueles atinentes aos procedimentos e ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e incidência da lei. Se este conselheiro for vencido na preliminar, cabe analisar o mérito recursal. 3 Da glosa de compensações Do que se depreende da acusação fiscal e das peças processuais que lhe sucederam, é que os créditos compensados pela recorrente seriam oriundos de recolhimentos previdenciários que ela entendeu serem indevidos, realizados em decorrência de condenações trabalhistas, tendo em vista que os fatos geradores teriam ocorrido há mais de cinco anos. No entender da recorrente, na dicção do art. 43, § 2º, da Lei 8212/91, os fatos geradores teriam ocorrido na data da prestação dos serviços, ao passo que a Súmula Vinculante 8 determinaria que o prazo decadencial para a constituição dos créditos seria de cinco anos contados a partir dos fatos geradores. 1 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10. ed. rev. atual. Porto Alegre: Livraria do Advogado, ESMAFE, 2008, p. 1164. Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10880.725597/201741 Acórdão n.º 2402006.652 S2C4T2 Fl. 6 9 Em contraponto, a acusação fiscal e a DRJ entenderam que: (a) somente a Justiça do Trabalho teria competência para dirimir a questão relativa aos recolhimentos supostamente indevidos; (b) os documentos anexados pela contribuinte não teriam nexo causal com o assunto ora discutido; e (c) as compensações efetuadas em GFIP com créditos sabidamente inexistentes de fato, haja vista que os créditos devem ser líquidos e certos, devem ser glosadas. Vejase, nesse contexto, os seguintes trechos da fundamentação do acórdão recorrido com destaques: No mérito, conforme já adiantado, entende a manifestante que possuía créditos líquidos e certos decorrentes da aplicação da decadência em pagamentos de contribuição previdenciárias nas RCT, para tanto formula uma tese jurídica onde trata da exigibilidade de formalização do lançamento pela RFB e a existência do reconhecimento da decadência em julgados do TRT. Quanto à exigibilidade do lançamento, é uníssono, em face da legislação transcrita no Despacho Decisório, também reconhecida pela manifestante, que compete à Justiça do Trabalho executar as contribuições previdenciárias nas RCT. Qualquer lançamento de ofício somente poderia ser feito, a partir do trânsito em julgado da decisão condenatória, e mesmo assim somente para parcelas que, por ventura, não tivessem sido já executadas pela Justiça do Trabalho. Esta questão está regida em definitivo nos seguintes atos do poder judiciário: SÚMULA Nº 368 TST Descontos previdenciários e fiscais. Competência. Responsabilidade pelo pagamento. Forma de cálculo. (Conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 32, 141 e 228 da SDI1) I. A Justiça do Trabalho é competente para determinar o recolhimento das contribuições previdenciárias e fiscais provenientes das sentenças que proferir. A competência da Justiça do Trabalho para execução das contribuições previdenciárias alcança as parcelas integrantes do salário de contribuição, pagas em virtude de contrato de emprego reconhecido em juízo, ou decorrentes de anotação da Carteira de Trabalho e Previdência Social CTPS, objeto de acordo homologado em juízo. (exOJ nº 141 Inserida em 27.11.1998) II.É do empregador a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e fiscais, resultante de crédito do empregado oriundo de condenação judicial, devendo incidir, em relação aos descontos fiscais, sobre o valor total da condenação, referente às parcelas tributáveis, calculado ao final, nos termos da Lei nº 8.541/1992, art. 46 e Provimento da CGJT nº 01/96. (exOJ nº 32 Inserida em 14.03.1994 e OJ nº 228 Inserida em 20.06.2001) Fl. 408DF CARF MF 10 III.Em se tratando de descontos previdenciários, o critério de apuração encontrase disciplinado no art. 276, §4º, do Decreto n º 3.048/99 que regulamentou a Lei nº 8.212/91 e determina que a contribuição do empregado, no caso de ações trabalhistas, seja calculada mês a mês, aplicandose as alíquotas previstas no art. 198, observado o limite máximo do salário de contribuição. (ex OJ nº 32 Inserida em 14.03.1994 e OJ 228 Inserida em 20.06.2001) Está súmula foi objeto de apreciação do pleno do STF mediante a emissão da Súmula Vinculante nº 53, que trata da competência da Justiça do Trabalho para executar contribuições previdenciárias decorrentes de suas decisões. A proposta foi apresentada no julgamento do Recurso Extraordinário 569056, com repercussão geral reconhecida. O recurso do INSS, questionava a decisão do Tribunal Superior do Trabalho que negou a incidência automática da contribuição previdenciária nas decisões que reconhecessem a existência de vínculo de emprego – nos termos do item I, da Súmula 368 do TST. O recurso foi desprovido pelo STF, que seguiu o entendimento de que a decisão trabalhista que não dispõe sobre o pagamento de salários, limitandose a reconhecer a existência de vínculo, não constitui título executivo judicial para fins de contribuições previdenciárias. A Súmula 53 do STF tem a seguinte redação: "A competência da Justiça do Trabalho prevista no artigo 114, inciso VIII, da Constituição Federal alcança a execução de ofício das contribuições previdenciárias relativas ao objeto da condenação constante das sentenças que proferir e acordos por ela homologados". Não tem cabimento a alegação segundo a qual a fiscalização teria que fazer o lançamento, pois a competência para a execução das contribuições previdenciárias devidas nas RCT, onde há condenação de valores expressos, é da Justiça do Trabalho, de forma que não poderia a fiscalização exercer tal função. Além do mais, se diverso o procedimento, haveria risco de cobrança em duplicidade. A questão da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/1991 já foi objeto de pacificação pelo Supremo Tribunal Federal, que, em sessão de 12/06/2008, editou a Súmula Vinculante nº 8, de cumprimento obrigatório pela Administração Pública, de acordo com a Lei nº 11.417, de 19/12/2006, que regulamentou o artigo 103A da Constituição Federal, contudo, não lhe foi atribuída eficácia retroativa, de forma que os pagamentos de contribuições sociais previdenciárias anteriores à sua edição, ainda que se refiram a período superior a 5 anos, devem ser considerados perfeitos e impassíveis de restituição. [...] Totalmente irregular e desprovido de legalidade foi o procedimento da manifestante de evocar, após o transcurso de anos, ser detentoras de créditos oriundos de pretensa decadência de recolhimentos feitos em decorrência de execuções exigidas na Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10880.725597/201741 Acórdão n.º 2402006.652 S2C4T2 Fl. 7 11 Justiça do Trabalho, no curso de processos de reclamatória trabalhista. Aliás, tal situação sequer foi respaldada na apresentação das tais reclamatórias trabalhista, perante a fiscalização ou juntadas na manifestação de inconformidade. Pois bem. No entender deste relator, o recurso voluntário deve ser desprovido, mas não porque a SRFB não tenha competência para processar e julgar o pedido de restituição, mas sim pelo outro fundamento adotado pela fiscalização para não homologar a compensação, qual seja: a inexistência de certeza e de liquidez do crédito supostamente detido pela contribuinte. Assim como a SRFB tem competência para lançar, de ofício, as contribuições cuja exigibilidade não tenha sido analisada pela Justiça do Trabalho (vide, e.g., o inc. II do art. 101 da IN RFB 971/09), ela também tem competência para processar e julgar os pedidos de restituição fundados em fatos não submetidos ao julgamento daquele órgão judicial. A rigor, o Poder Judiciário sempre tem competência para processar e julgar quaisquer ações relativas à tributação, tendo em vista o princípio da inafastabilidade da jurisdição, mas isso não significa que a Receita também não possa fazêlo, respeitados, evidentemente, os limites da Súmula CARF nº 1 e as demais disposições legais. Todavia, na dicção do art. 170 do CTN, a compensação somente pode ser efetuada com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A certeza e liquidez do crédito do contribuinte em face do Fisco é um requisito essencial para a elaboração do encontro de contas. A despeito disso, e no caso in concreto, o sujeito passivo não se dignou de apresentar qualquer documento que comprovasse sequer a existência dos seus créditos, muito menos a sua certeza e a sua liquidez. Com efeito, e conforme consta do acórdão de impugnação, "tal situação sequer foi respaldada na apresentação das tais reclamatórias trabalhista, perante a fiscalização ou juntadas na manifestação de inconformidade" (como no original). Intimado através do "Termo de Intimação nº 0100/2017 SEORT/DRF/GUARULHOS", fl. 18, a contribuinte apresentou petição solicitando dilação de prazo (fls. 25/26), para, em seguida, prestar os esclarecimentos de fls. 97/102, esclarecimentos, entretanto, totalmente desacompanhados das reclamatórias trabalhistas, das memórias de cálculo e de qualquer outro documento que demonstrasse os seus créditos e que permitisse a sua aferição. Os únicos documentos disponibilizados foram uma solução de consulta relativa às contribuições previdenciárias dos servidores públicos, as informações prestadas num mandado de segurança do qual a contribuinte não é parte e determinados precedentes jurisprudenciais. É induvidoso que se os créditos estariam fundados em recolhimentos realizados há mais de cinco anos, em reclamatórias trabalhistas promovidas em desfavor da empresa, ela deveria ter demonstrado a existência dessa circunstância através dos respectivos documentos comprobatórios, fato este que não passou despercebido ao crivo da decisão da DRJ. A compensação é amplamente reconhecida no direito público e no direito privado e ocorre quando duas pessoas são ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra. Vejase, inicialmente, o que dispõem os arts. 368 e 369 do Código Civil: Fl. 410DF CARF MF 12 Art. 368. Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem. Art. 369. A compensação efetuase entre dívidas líquidas, vencidas e de coisas fungíveis. Como se vê acima, no direito privado a compensação independe da vontade das partes e basta que estejam presentes os pressupostos dos arts. 368 e 369 retro mencionados. Se duas pessoas forem credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse até o limite no qual se compensarem. Já no regime tributário, a compensação depende de lei autorizadora (vide abaixo), a qual deve regular as suas condições e as suas garantias. O art. 170 do CTN atribui à lei a possibilidade de compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Vejase: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Da leitura do art. 170 do CTN, depreendese que, assim como no direito civil, no direito tributário a compensação somente se opera com créditos líquidos e certos. A par disso, há necessidade de lei autorizadora ("a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa"). Em sendo assim, a decisão recorrida foi incensurável ao asseverar que "tal situação sequer foi respaldada na apresentação das tais reclamatórias trabalhista, perante a fiscalização ou juntadas na manifestação de inconformidade". 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer e acolher a preliminar, para reconhecer a nulidade do lançamento por vício formal. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10880.725597/201741 Acórdão n.º 2402006.652 S2C4T2 Fl. 8 13 Voto Vencedor Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti Redator Designado Em que pese as, como de costume, muito bem articuladas razões do Relator, delas ouso a dissentir. A divergência resumese quanto ao entendimento do Relator de que teria havido cerceamento do direito de defesa do recorrente, na medida em que o procedimento teria se encerrado antes de o término do prazo supostamente a ele assinalado, bem como quanto à competência da RFB para reconhecer o direito creditório consubstanciado no pagamento indevido ou a maior de contribuição previdenciária efetuada nos autos de Reclamações Trabalhistas. Pois bem. O caso referese à auditoria das compensações declaradas em GFIP, que conta, hoje, com o sistema "AUDCOMP" como instrumento de auxílio. Em resumo, a partir desse sistema, que se vale de uma interface acessível ao contribuinte, são emitidas intimações, ao mesmo tempo em que recebe as respectivas respostas, que devem ser, na maioria dos casos, lá inseridas on line pelo próprio intimado. Após prestadas as respostas, o sistema promove, sempre que possível, a auditoria automatizada mediante verificações nas bases de dados da RFB. O prazo observado pelo sistema para dar início ao processamento eletrônico é determinado pelo auditor, que, via de regra, o estabelece normalmente em uma data mais a frente do que aquela que, formalmente, assinalou ao intimado. Nesse caso, teria inserido no sistema a data de 08.05.2017. Como bem narrou a decisão de piso, a intimação inicial se deu em 22.03.2017, com a concessão do prazo de 10 dias para atendimento. Em 03.04.2017, no vencimento do prazo, foi pedido sua prorrogação. Ainda que não tivesse sido, expressamente, deferida a prorrogação, a aceitação dos esclarecimento em 06.04.2017, implicou a seu tácito deferimento. Todavia, nessa mesma oportunidade (em 06.04.2017), solicitou nova prorrogação do prazo, sem que para essa, tivesse havido resposta formal ou mesmo tácita. Com isso, deveria ter em mente o recorrente que seu prazo esgotarase findo aquele formalmente lhe concedido. Assim sendo, passados aproximadamente 40 dias, em 03.05.2017 o auditor houve por bem encerrar o procedimento. Fl. 412DF CARF MF 14 Vale destacar, como assentou o voto do Relator, que a alegação de que detinha créditos compensáveis provenientes de reclamatórias trabalhistas "sequer foi respaldada na apresentação das tais reclamatórias trabalhista, perante a fiscalização ou juntadas na manifestação de inconformidade". E reforçase: mesmo em seu recurso voluntário abdicou de tentar fazer a prova material de seu direito. Por sua vez, o artigo 19 da Lei 3.470/58, com a redação dada pela MP 2.158 35/2001, assim dispõe sobre a concessão dos prazos nos procedimentos de ofício: "Art. 19. O processo de lançamento de ofício será iniciado pela intimação ao sujeito passivo para, no prazo de vinte dias, apresentar as informações e documentos necessários ao procedimento fiscal, ou efetuar o recolhimento do crédito tributário constituído. § 1º Nas situações em que as informações e documentos solicitados digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, ou em declarações apresentadas à administração tributária, o prazo a que se refere o caput será de cinco dias úteis. (destaquei) Nesse rumo, não tendo vislumbrado o efetivo cerceamento de defesa do recorrente, que dispôs de prazo mais do que o suficiente a comprovar o crédito que alegara possuir, em especial em função de sua natureza, voto, neste ponto, por negar provimento ao recurso sob exame. A seu turno, em que pese acompanhar o relator quanto ao não provimento do recurso por ausência de liquidez e certeza do crédito que pretendeu utilizar, discordo quanto à competência da RFB para, neste caso, reconhecer o direito creditório relativo a recolhimentos efetuados em função da execução de decisão condenatória no âmbito da Justiça do Trabalho. Como bem posto pela decisão de piso, "qualquer lançamento de ofício somente poderia ser feito, a partir do transito em julgado da decisão condenatória, e mesmo assim somente para parcelas que, por ventura, não tivessem sido já executadas pela JUstiça do TRabalho." Notase que a pretensão recursal reside em que fosse assentada a necessidade de que houvesse um lançamento administrativo para o recolhimento das contribuições apuradas no âmbito da RT, sendo que, uma vez inexistente, os recolhimentos, na data das compensações, contariam com mais de 5 (cinco) anos e, por tanto, segundo alega, agora indevidos. Assim, a competência da Justiça do Trabalho darseia somente quanto à execução do crédito, mas não quanto a sua constituição. Nesse ponto, reproduzo o excerto a seguir, igualmente extraído da decisão recorrida. Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10880.725597/201741 Acórdão n.º 2402006.652 S2C4T2 Fl. 9 15 Percebase do trecho acima, que uma vez determinados, no âmbito judicial, os valores das contribuições incidentes sobre as rubricas que integraram a condenação, não haveria qualquer óbice à execução das mesmas, reputandose, pois, regularmente constituídas. Com efeito, VOTO por rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 414DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720097/2014-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
IN 243/2002. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 115.
A sistemática de cálculo do "Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)" prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, não afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000.
PRL PONDERADO. LEGALIDADE.
O art. 18, II, da Lei 9.430/96 determina que o preço-parâmetro seja a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, o que não conflita com o PRL ponderado que resultou da média ponderada dos preços em função da quantidade consumida/vendida em cada operação, seja PRL 20 quando revendido como mercadoria, seja PRL 60 quando insumo de produto vendido. A média aritmética dos preços de revenda pode ser a ponderada em função das quantidades consumidas em cada operação, aliás, o que não pode é ser a média aritmética simples dos preços de revenda, pois, se assim, fosse, estaria prejudicado todo o controle de preços de transferência.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. FRETE E SEGURO E IMPOSTOS DE IMPORTAÇÃO.
Uma vez que compõem o preço de venda do produto, o valor do frete, seguro e dos impostos de importação devem ser considerados no preço praticado para fins de apuração dos ajustes dos preços de transferência segundo o método PLR, como forma de se propiciar a comparabilidade entre o preço-parâmetro e o custo de aquisição dos insumos.
CÁLCULOS. ERRO DE FATO.
Constatados, através de diligência fiscal, erros de fato no cálculos dos ajustes de preços de transferência, deve ser exonerada a parcela equivocadamente lançada.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
CSLL REFLEXO DE IRPJ.
Aplica-se à CSLL o mesmo que foi decidido em relação ao IRPJ, por se tratar de lançamento reflexo.
Numero da decisão: 1301-003.498
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: (i) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício; e (ii) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Amélia Wakako Morishita Yamamoto que votaram por dar lhe provimento parcial em relação à inclusão de frete, seguro e tributos no preço praticado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Bianca Felícia Rothschild e Giovana Pereira de Paiva Leite.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 115. A sistemática de cálculo do "Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)" prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, não afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000. PRL PONDERADO. LEGALIDADE. O art. 18, II, da Lei 9.430/96 determina que o preçoparâmetro seja a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, o que não conflita com o “PRL ponderado” que resultou da média ponderada dos preços em função da quantidade consumida/vendida em cada operação, seja PRL 20 quando revendido como mercadoria, seja PRL 60 quando insumo de produto vendido. A média aritmética dos preços de revenda pode ser a ponderada em função das quantidades consumidas em cada operação, aliás, o que não pode é ser a média aritmética simples dos preços de revenda, pois, se assim, fosse, estaria prejudicado todo o controle de preços de transferência. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. FRETE E SEGURO E IMPOSTOS DE IMPORTAÇÃO. Uma vez que compõem o preço de venda do produto, o valor do frete, seguro e dos impostos de importação devem ser considerados no preço praticado para fins de apuração dos ajustes dos preços de transferência segundo o método PLR, como forma de se propiciar a comparabilidade entre o preço parâmetro e o custo de aquisição dos insumos. CÁLCULOS. ERRO DE FATO. Constatados, através de diligência fiscal, erros de fato no cálculos dos ajustes de preços de transferência, deve ser exonerada a parcela equivocadamente lançada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 97 /2 01 4- 69 Fl. 2035DF CARF MF 2 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 CSLL REFLEXO DE IRPJ. Aplicase à CSLL o mesmo que foi decidido em relação ao IRPJ, por se tratar de lançamento reflexo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: (i) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício; e (ii) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Amélia Wakako Morishita Yamamoto que votaram por dar lhe provimento parcial em relação à inclusão de frete, seguro e tributos no preço praticado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Bianca Felícia Rothschild e Giovana Pereira de Paiva Leite. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado para a cobrança de IRPJ e CSLL, acrescidos de multa de 75% e juros, em razão da constatação, por parte da autoridade fiscalizadora, que o montante total de ajustes a título de preço de transferência seria maior do que o adicionado pelo contribuinte. O ponto de partida do cálculo foi o arquivo "Importações" (doc.3), a partir do qual a fiscalização selecionou as importações de partes vinculadas e de países com tributação favorecida, gerando a planilha "01 Demonstrativo resumo das Importações de vinculadas no anocalendário 2009" (doc. 30), apurando os preços praticados de acordo com a determinação do art. 12, §3º da IN SRF nº 243/2002, e gerando a planilha "02 Demonstrativo dos cálculos dos Preços Praticados itens calculados pelo método PRL" (doc. 31). Para a apuração do preçoparâmetro pelo método PRL, a fiscalização iniciou com a extração das informações do arquivo em "Vendas"; excluiu as vendas para vinculadas; e elaborou, então, a planilha "03 Demonstrativo Resumo das Vendas" (doc. 32), Fl. 2036DF CARF MF Processo nº 16561.720097/201469 Acórdão n.º 1301003.498 S1C3T1 Fl. 3 3 contendo os subtotais de quantidade, Valor total da venda, descontos incondicionais, ICMS, PIS, COFINS e Valor Líquido das Vendas por cada código de produto. Os preços parâmetros calculados pelo PRL20, PRL60, e PRL20/60 (ponderado, nos casos de insumos que foram parcialmente utilizados em produção, e parcialmente revendidos), nos documentos nº 33, 34 e 35. A fiscalização também apurou os ajustes pelo PIC, com base na documentação entregue pelo contribuinte, conforme planilhas constantes nos documentos 36, 37 e 38. O quadro de fls. 649/650 mostra o valor total do ajuste apurado para cada um dos itens importados em que foi encontrado algum ajuste a ser efetuado, e está a seguir sintetizado: Nas Fichas 09A (IRPJ) e 17 (CSLL) da DIPJ/2010 (doc. 2), a contribuinte já havia efetuado a adição de R$ 354.039,91, a título de "Ajustes Decorrentes de Métodos de Preços de Transferências". Desta forma, efetuouse ajustes nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL no montante de R$ 21.382.390,39, que é a diferença entre o montante total de ajustes apurado pela fiscalização (R$ 21.736.430,30) e o valor já previamente declarado pela contribuinte (R$ 354.039,91). Notificado, o Contribuinte apresentou Impugnação de fls. 685/741 alegando, em síntese: (i) recalculou de forma equivocada o método PIC para alguns produtos; (ii) utilizou saldos iniciais e finais também equivocados para alguns produtos, o que gerou distorções no consumo do ano e no preçoparâmetro utilizado no método PRL60; (iii) para um produto específico que tinha finalidades distintas, desconsiderou sem base em lei, os métodos PRL20 e PRL60 adotados pela impugnante e calculou uma média ponderada do preçoparâmetro (iv) desqualificou indevidamente os cálculos realizados pela impugnante em relação ao método PRL60, consoante as regras da Lei nº 9.430/96; (v) calculou o preço praticado para fins de comparação com o preçoparâmetro PRL com base em cláusula CIF, sem descontar os valores de frete, seguros e imposto de importação; (vi) alega a ilegalidade da IN SRF nº 243/2002; (vii) impossibilidade de cobrança de juros sobre multa de ofício. O principal ponto de divergência foi o método PRL60, onde se percebe, no Termo de Verificação Fiscal e nos cálculos apresentados pela fiscalização, que as diferenças apuradas decorrem da utilização da sistemática da Lei nº 9.430/96 pela impugnante, ao passo que a fiscalização adota a sistemática da IN SRF nº 243/2002; A DRJ optou por converter o julgamento em diligências cujos relatórios constam em fls. 1652/1668 e 1874/1879. A conclusão da 1ª diligência foi a seguinte: Refazendo os cálculos, considerando as alegações apresentadas pela contribuinte em sua impugnação, a fiscalização apurou um montante total de ajustes a título de preço de transferência no valor de R$ 20.794.531,35 referente ao anocalendário 2009. Fl. 2037DF CARF MF 4 Considerando que a contribuinte já havia efetuado a adição de R$ 354.039,91 a título de "Ajustes Decorrentes de Métodos de Preços de Transferências", o valor correto em termos de matéria tributável é de R$ 20.440.491,44, que é a diferença entre o valor apurado nesta diligência fiscal e o valor já previamente declarado pelo contribuinte. O contribuinte apresentou manifestação indicando erros na apuração, o que gerou a realização da 2ª diligência, que chegou à seguinte conclusão: Assim, atendendo à solicitação da DRJ/SPO, a fiscalização refez os cálculos de ajustes a título de preço de transferência dos itens para os quais foi utilizado o método PRL. Os valores de ajustes foram recalculados não só em função das alterações nas quantidades dos estoques, mas também, como conseqüência direta, em função das alterações dos preços praticados e parâmetros. Assim, a fiscalização apresenta, às fls. 1877/1878, tabela com os novos valores de ajustes apurados a título de preço de transferência dos itens para os quais foi utilizado o método PRL, totalizando R$ 13.746.358,15. O contribuinte se manifesta sobre o novo resultado de diligência, alegando que a diferença entre os ajustes realizados indica a precariedade da autuação fiscal, pugnando pela sua nulidade. A DRJ julgou a Impugnação parcialmente procedente, através do Acórdão nº 1681.335 (fls. 1899/1943), onde: a) rejeitou as preliminares de nulidade; b) afastar a alegação de ilegalidade da IN SRF nº 243/2002; c) rejeitou a alegação da impugnante contrária à inclusão dos valores relativos ao frete, ao seguro e aos tributos no cálculo do preço praticado. d) Quanto à alegação de falta de base legal para utilizar o PRL20/60 de forma ponderada, e que deveria se utilizar o método mais favorável ao contribuinte, rejeitoua com base na SCI Cosit nº 30/2008. e) Acata o resultado das diligências, reduzindo o valor do ajuste de R$ 21.382.390,39 para R$ 13.426.053,36. f) rejeita a alegação de não incidência de juros sobre multa de ofício. Irresignado, o Contribuinte apresenta Recurso Voluntário de fls. 1957/2027, repisando as razões de sua Impugnação. Da mesma forma, em razão do montante exonerado, o presidente da DRJ interpôs Recurso de Ofício. É o relatório. Fl. 2038DF CARF MF Processo nº 16561.720097/201469 Acórdão n.º 1301003.498 S1C3T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido pelo Colegiado. Da mesma forma, o Recurso de Ofício ultrapassa o valor de alçada estabelecido pela Portaria MF nº 63/2017, e não se enquadra em nenhuma das hipóteses do art. 27 da Lei nº 10.522/2002, devendo ser conhecido. I) Análise do Recurso de Ofício O contribuinte alegou, ainda em sua Impugnação, que em relação aos itens cujo preço de transferência foi calculado pelo método PRL, houve equívoco quanto ao estoque inicial, ao estoque final e, consequentemente, quanto às quantidades consumidas, afetando o cálculo do preço parâmetro. O equívoco se deu em razão da fiscalização ter utilizado uma planilha que posteriormente, ainda dentro do procedimento de averiguação dos fatos, foi retificada. Esclareceu: “Tivessem sido adotadas as informações constantes dos documentos fornecidos em 14/05/2014 (Intimação n° 5), certamente terseia calculado corretamente os saldos de inventário da planilha e identificado um consumo inferior do aludido produto, concluindo que o ajuste real foi inferior ao ajuste indicado no lançamento. Ou seja, embora a metodologia adotada pela fiscalização para apuração de consumo no PRL60 seja correta, os números utilizados no cálculo são incorretos, já que partiram de planilhas e documentos apresentados pela contribuinte antes da Intimação n° 5.” Em razão da evidência do erro da fiscalização, a própria DRJ solicitou diligência para que fossem refeitos os cálculos dos ajustes de preços de transferência, considerando as quantidade consumidas corretamente, para os itens avaliados pelo método PRL. Sobre a documentação juntada, aduziu a fiscalização no relatório de fls. 1874/1881: Constatamos realmente que para o cálculo das quantidades em estoque, e consequentemente, das quantidades de ajuste, foi utilizada a planilha insumoproduto enviada anteriormente, antes da devida retificação. As quantidades de insumo importado presentes nos estoques iniciais e finais foram então recalculadas com base nas relações insumoproduto retificadas. Salientamos, entretanto, que a alteração nas quantidades de estoque inicial de cada item importado, afeta não só as quantidades de ajuste, mas também os preços praticados, já que Fl. 2039DF CARF MF 6 estes são calculados considerandose também, além de todas as importações do ano, os estoques iniciais. (...) Assim, atendendo à solicitação da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo (DRJ / SPO) refizemos os cálculos de ajustes a título de preço de transferência dos itens para os quais foi utilizado o método PRL. Os valores de ajustes a título de preços de transferência foram recalculados não só em função das alterações nas quantidades dos estoques, mas também, como consequência direta, em função das alterações dos preços praticados e parâmetros. A diligência elaborou planilha de fls. 1877/1878, com os novos valores de ajustes para os itens que utilizaram o método PRL, totalizando um ajuste total de R$ 13.746.358,15. Parecenos que a questão é eminentemente matemática, e que a própria fiscalização verificou e sanou o equívoco realizado a esse respeito, à luz dos dados corretamente apresentados pelo contribuinte. Em razão disso, entendo acertada a decisão proferida pela instância a quo, tomando como fundamento complementar da minha decisão o teor dos relatórios de diligência de fls. 1652/1668 e 1874/1879, com fulcro no art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, verbis § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Desse modo, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício. II) Análise do Recurso Voluntário a) Preliminares a.i) Nulidade por inconsistência do lançamento Aduz a Recorrente que a autuação seria nula em razão da inconsistência dos cálculos e da metodologia adotada pela Fiscalização nos ajustes de preço de transferência, que implicaram em redução de 37,21% da autuação. Friso inicialmente que discordo do fundamento dado pela decisão da DRJ, com base no art. 60 do Decreto 70.235/72, cujas irregularidades se referem, a meu ver, àquelas ocorridas no âmbito do procedimento administrativo, e não relativas ao conteúdo do ato que deve obedecer ao art. 142 do CTN. Entretanto, com a devida vênia, entendo que apesar dos erros materiais verificados através da diligência fiscal, pareceme fora de dúvida que o ato administrativo está dotado de todos os requisitos de validade sob o risco de se chegar à situação de que todo lançamento que tivesse algum aspecto a ser reformado poderia ser objeto de anulação, por inconsistência da autuação. Fl. 2040DF CARF MF Processo nº 16561.720097/201469 Acórdão n.º 1301003.498 S1C3T1 Fl. 5 7 Vislumbrase nos autos todos os elementos exigidos pelo art. 10 do Decreto 70.235/72, razão pela qual entendemos que não deve ser pronunciada a nulidade por vício de motivação de fato e de direito. Como já defendemos em outras oportunidades, há que se distinguir, naturalmente, duas situações diferentes: o juízo preliminar, acercar do atendimento aos requisitos de lavratura do auto de infração, incluindo aí as exigências probatórias, através do qual se pode concluir pela nulidade da autuação; e o juízo meritório, no qual se efetuará a valoração das provas existentes, para verificar o atendimento integral de todos os ônus probatórios envolvidos e a verificação da procedência ou não das alegações fiscais. Neste momento, cabe fazer apenas o juízo preliminar, cabendo a análise das provas e das operações em questão a um momento posterior. Sob este prisma, verificase que estão presentes os fundamentos da fiscalização, no relato e no auto de infração, estando atendido a exigência mínima para manutenção formal da autuação. Desse modo, voto por rejeitar a preliminar de nulidade arguida. b) Mérito b.i) PRL 20/60 Ponderado opção pelo método mais benéfico ao contribuinte. Aduz o Recorrente que em relação ao produto DESMODUR 20, que tinha finalidade distintas (ora para produção, ora para revenda), a Fiscalização desconsiderou os métodos do PRL 20 e 60 utilizados pela Recorrente, e calculou uma média ponderada entre valores obtidos de acordo com os métodos citados, chegando a um preço parâmetro arbitrário, sem base legal. Na decisão a quo, o relator mencionou seu entendimento pessoal de que o PRL20 e o PRL60 são métodos distintos de apuração do preçoparâmetro e como a legislação de regência não permite a aplicação de mais um método de avaliação para o mesmo produto (um para os produtos importados submetidos a revenda direta, e outro para os produtos importados utilizados na produção ou industrialização), deverseia adotar como preço parâmetro o mais favorável ao contribuinte (o maior valor, e não a média ponderada, evidentemente menor), nos termos do artigo 18, § 4º, da Lei nº 9.430/96 e do artigo 4º, § 2º, da IN SRF nº 32/2001. Entretanto, por vinculação legal, aplicou a Solução de Consulta Interna COSIT nº 30/2008, que dispõe: “Nos casos em que os insumos importados de pessoas vinculadas são aplicados em parte no processo produtivo e em parte são revendidos, ao se eleger o PRL como método de apuração, o preço médio ponderado do período será o resultante da aplicação do método PRL, com margem de vinte por cento, na hipótese de revenda, e do método PRL, com margem de sessenta por cento, na hipótese dos insumos aplicados na produção. Esse será o preço médio ponderado do método PRL apurado para o período anual a ser comparado com os outros dois métodos de apuração (PIC e CPL)”. Nos casos em que o produto foi destinado à revenda, aplicouse a margem de 20% e chegouse a um preço parâmetro segundo o PRL 20. Por outro lado, nos casos em Fl. 2041DF CARF MF 8 que a mercadoria foi utilizada para produção, empregouse a margem de 60% e chegouse a um preço parâmetro para o mesmo bem, usando o PRL 60. Diante dos dois, optou o contribuinte pelo preço parâmetro maior, que lhe assegurou maior dedutibilidade. Aduz o contribuinte que o art. 18, §4º da lei nº 9.430/96 determina que nos casos em que se utilize mais de um método para um mesmo produto, deverá ser considerado dedutível o maior valor apurado, dede que não seja superior ao valor de aquisição (§5º). Além disso, argumenta também que a previsão específica desse "PRL Ponderado" somente surgiu com a inclusão do §14 ao art. 18 da Lei nº 9.430/96, por meio da Lei nº 12.715/2012, que dispôs expressamente: § 14. Na hipótese de um mesmo bem importado ser revendido e aplicado na produção de um ou mais produtos, ou na hipótese de o bem importado ser submetido a diferentes processos produtivos no Brasil, o preço parâmetro final será a média ponderada dos valores encontrados mediante a aplicação do método PRL, de acordo com suas respectivas destinações. Sem dúvidas, tratamse de fortes argumentos para dar suporte à tese defendida, entretanto, tenho para mim, entretanto, que em uma análise alentada da legislação de preços de transferência, tal disposição já poderia ser haurida da própria redação original. A redação da Lei nº 9.430/96, com as alterações da lei nº 9959/2000, dispõe o seguinte: Art.18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II – Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: III – Método do Custo de Produção mais Lucro – CPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. Da própria literalidade do dispositivo, resta evidente que o sujeito passivo possui liberdade de escolha entre três métodos possíveis PIC, PRL ou CPL , um para cada inciso. Diferentemente do que alega o Contribuinte, buscando justificar a escolha pelo "método" mais favorável entre o PRL 20 e o PRL 60, não se trata aqui de métodos distintos, mas de um único método. Fl. 2042DF CARF MF Processo nº 16561.720097/201469 Acórdão n.º 1301003.498 S1C3T1 Fl. 6 9 É dizer, o contribuinte não tem liberdade para escolher se o preço parâmetro do produto importado será calculado pelo PRL 20 ou 60 essa determinação decorre da própria lei e da destinação que será dada a esse produto, não havendo margem de escolha nesse ponto. Se a opção do sujeito passivo for pelo PRL, ele empregará no cálculo: a margem de 20% se os produtos forem destinados a revenda (item 1 do inciso II); a margem de 60% se os produtos forem empregados na produção de outros bens (item 2 do inciso II). Essa leitura nos parece intuitiva, mas ainda corroborada pelas diretrizes da Lei Complementar 95/98, em seu artigo 11, III, d, que determina que para a obtenção da ordem lógica nos textos legais, as discriminações e enumerações devem ser feitas por meio de incisos, alíneas e itens, sucessivamente. A distinção foi feita, nesse caso, através dos incisos I, II e III do art. 18 da Lei nº 9.430/96. Não parece haver incompatibilidade entre o art. 18, II, que determina a apuração do preço parâmetro pela "média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos" e a utilização de uma média ponderada, levandose em conta as quantidades consumidas na operação e as quantidades revendidas. Como pontuou o Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, no voto proferido no acórdão CARF nº 1302001.628: Assim sendo, a média aritmética de que trata o inciso II do art. 18 deve ser tida como a média aritmética ponderada em função da quantidade consumida em cada operação, pois há que se aplicar, ao caso, o vetusto, mas nunca ultrapassado, brocardo latino que nos ensina que: prefirase a inteligência dos textos que torne viável o seu objetivo, ao invés da que os reduza à inutilidade (Commodissimum est, id accipi, quo res de qua agitur, magis valeat quam pereat). Uma vez que o PRL 20 e 60 são modelos de cálculo específicos dentro de um mesmo método estabelecido pela legislação, é fora de sentido querer atribuir apenas um deles para todos os produtos, mormente diante da possibilidade de utilização da média ponderada, aplicandose as margens de lucro para os produtos correspondentes, na proporção de sua quantidade. O artigo 12 da IN SRF nº 243/2002 inclusive esclarece ainda mais a redação do art. 18, II, ao dispor: Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: Não nos parece que houve uma inovação nesse ponto, mas simplesmente uma explicitação do sentido mais evidente e razoável do dispositivo legal, de modo que o §14 do art. 18 da Lei nº 9.430/96 em nada inovou na ordem jurídica, mas veio na condição de lei interpretativa, para firmar o sentido adequado da norma, já praticado há muito, com base na redação original. Fl. 2043DF CARF MF 10 Correta, portanto, a SCI Cosit nº 30. de 30/07/2008, aplicada no presente caso. No mesmo sentido, menciono o excelente voto do Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado constante no Acórdão CARF nº 1302002.128. Desse modo, é de rejeitar o argumento suscitado. b.ii) Da Ilegalidade da IN SRF nº 243/2002 Quanto ao argumento da ilegalidade da IN 243/2002, frente à lei nº 9.430/96, tal matéria foi objeto de recente Súmula no âmbito do CARF, cujo teor é o seguinte: Súmula CARF nº 115 A sistemática de cálculo do "Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)" prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, não afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000. Por força de determinação regimental, o Colegiado é obrigado a aplicar as Súmulas desse Conselho, razão pela qual rechaço o argumento da ilegalidade da IN nº 243/2002. a.iii) Inclusão dos valores de frete, seguros e tributos na importação na determinação do preço praticado (cálculo "CIF") Aduz a Recorrente que a adoção do custo CIF + II eleva o ajuste a ser realizado e viola a finalidade das regras de preço de transferência, uma vez que esses valores são pagos a terceiros, partes não vinculadas. Sobre a matéria, já tive oportunidade de votála em outra oportunidade, na qual me filiei ao brilhante voto do Ilustre Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, versado no Acórdão CARF nº 1301003.209 e reproduzido abaixo: Pois bem, sobre o tema, na vigência da IN SRF nº 243, de 2002, tenho opinião firmada a respeito da legalidade dessa norma complementar. Entendo que os valores relativos a frete, seguro e imposto de importação devem compor a apuração do preço praticado, uma vez que compõem também o preço parâmetro. Isso porque o § 4º do art. 4º da IN SRF nº 243/2002 reflete o disposto no § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96, com a redação vigente à época dos fatos (“§ 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação”). Não se pode olvidar que, para fins de preço de transferência, a comparação entre preço praticado e preço parâmetro deve se dar a partir de grandezas semelhantes. Ora, se os valores de frete, seguro e tributos incidentes na importação são computados na apuração do preço de revenda, e o que se deseja é apurar o preço parâmetro em patamares similares aos mesmos bens ou serviços adquiridos no Brasil e de partes independentes, necessariamente o custo do frete, seguro e os tributos não recuperáveis de importação deverão ser considerados. Há de se ter simetria na comparação. O dispositivo legal em debate é claro ao determinar que o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação integram o custo. Fl. 2044DF CARF MF Processo nº 16561.720097/201469 Acórdão n.º 1301003.498 S1C3T1 Fl. 7 11 Tal procedimento, na apuração do preço de transferência pelo método PRL, é óbvio. Esse método parte do preço de revenda praticado pelo contribuinte (média aritmética), e, daí, são excluídos alguns valores (descontos incondicionais concedidos, impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, comissões e corretagens pagas, e margem de lucro, nos termos do artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, e do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002), para se chegar ao preçoparâmetro, que será comparado ao preço considerado pela contribuinte como custo. Como, evidentemente, a contribuinte considerou na formação do preço de revenda, todos os seus custos, inclusive os de frete e seguro, por ela assumidos, e os tributos incidentes na importação, o preçoparâmetro, formado a partir do preço de revenda, também tem nele embutido os citados custos, ou seja, tratase de preço CIF, e não FOB, como quer fazer crer a impugnante. Assim, para que não ocorram distorções na comparação do preçoparâmetro com o preço praticado pela contribuinte, também o preço praticado deverá ter, em sua composição, tais custos. Comparar nada mais é do que subtrair um do outro, de modo que o efeito de tais custos na apuração de eventual ajuste a ser feito no Lucro Real e na base de cálculo da CSLL será nulo. É justamente dessa forma que se elimina a influência das parcelas do custo de aquisição que não têm qualquer relação de vinculação entre as empresas importadora e exportadora, e se analisa apenas o valor da mercadoria importada. No mesmo sentido podese citar precedente da extinta 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes que, no acórdão 1051671, enfrentou a questão com propriedade: [...] A inclusão ou não dos valores do frete, seguro e dos impostos nãorecuperáveis dependerá do método utilizado: PIC, PRL ou CPL. c. Os valores do frete, seguro e dos impostos não recuperáveis alteram de acordo com a variação do preço, das distâncias a serem percorridas,do tipo de transporte a ser utilizado, do peso transportado, entre outras variáveis. Desta maneira, nos casos de comparação direta entre os preços praticados na operação de importação de bens entre pessoas vinculadas e não vinculadas, como no método PIC, a inclusão dos valores mencionados alteraria a comparabilidade entre os preços praticados. d. Neste mesmo sentido, teríamos a opção de não computar os referidos valores, quando da utilização do método CPL. e. Não é o caso do PRL inscrito na legislação brasileira. Este método parte de um preço pelo qual o produto adquirido de uma pessoa vinculada é revendido a uma pessoa não vinculada. A partir deste preço de revenda são efetuados os ajustes deduzindo os valores legalmente especificados. Após o ajuste é deduzida uma margem legalmente estabelecida de 20%. O empresário agrega ao Prego de Revenda os custos correspondentes ao frete, seguro e os impostos não recuperáveis. Desta maneira, se desconsiderarmos no Custo da Importação os valores relativos ao frete, seguro e dos impostos não recuperáveis a comparabilidade para fins de preço de transferência estaria prejudicada. [...] No que tange aos argumentos a respeito da nova redação do § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96, nos termos da Lei nº 12.715, de 2012, comumente trazido ao debate, entendo que seu teor depõe contra a recorrente. Explico. Fl. 2045DF CARF MF 12 Em primeiro lugar, caso comumente adotado pelos recorrentes fosse adotada, os custos de frete e seguro suportados pelo importador somente seriam despesas dedutíveis em razão do disposto na redação original do § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96. Isso porque o alcance de tal dispositivo somente diria respeito à dedutibilidade de tais despesas. Ora, partindose de tal premissa, teríamos que concluir que a nova redação dada pela Lei nº 12.715/12 teria revogado a dedutibilidade das despesas com frete e seguro realizadas com pessoas não vinculadas nas operações de importações, uma vez que não mais comporão o cálculo do preço praticado para fins de comparação com o preço parâmetro. Não me parece, portanto, a melhor interpretação a tese de que a antiga redação do dispositivo tivesse como objetivo tornar dedutíveis tais desembolsos. Há de se encontrar outra interpretação ao enunciado em questão. Nesse sentido, entendo que a melhor exegese do dispositivo legal em tela coadunase com o disposto no § 4º do art. 4º da IN SRF 243/2002, ou seja: o custo de seguro e frete, bem como dos tributos incidentes na importação, à luz da redação original do § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96, deveria ser incluído para fins de cálculo do preço praticado porque também estava contido na apuração do preço parâmetro. O objetivo da norma infralegal atacada era equalizar as bases comparativas, em nada desbordando do texto legal. Retornandose ao novo diploma legal, alguns outros comentários merecem ser feitos. Se por um lado o dispositivo passou a excluir do preço parâmetro as operações de frete e seguro contratadas com pessoas não vinculadas (e cujo ônus tenha sido do importador FOB), por outro deixou evidente que nos casos de tais ônus não serem suportados diretamente pelo importador (CIF) os respectivos valores devem compor o preço praticado. Sem dúvida, a partir de 2013 (início de produção de efeitos da Lei nº 12.715/12), o grau de litigiosidade tende a diminuir. Por outro lado, se é possível depreender que a nova redação pode alterar a exegese da anterior – por seu caráter, digamos, interpretativo , não se pode desprezar que também pode se extrair que o novo texto legal inovou, passando a surtir efeitos a partir do anocalendário de 2013. E podese enxergar ainda que há pontos interpretativos e pontos modificativos na norma. Assim, quem contratou com cláusula CIF pode enxergar que a Lei nº 12.715/12 aplicase somente a partir de 2013; por outro lado, quem contratou com cláusula FOB dirá que a nova norma somente interpreta a norma anterior, traduzindo o espírito da arm´s length. O Fisco, por sua vez, pode interpretar de maneira absolutamente inversa, entendendo que em relação à cláusula CIF o novo diploma foi interpretativo, mas no que tange à cláusula FOB aplicarseá somente a partir de 2013. O mesmo raciocínio aplicase aos valores referentes aos tributos incidentes na importação e demais gastos aduaneiros. Portanto, o caráter de mitigação da litigiosidade FiscoContribuinte estampado na exposição de motivos da MP 563 possui muito mais caráter prospectivo que retrospectivo. A meu ver, os pontos trazidos pela Lei nº 12.715, de 2012, revestemse de caráter inovador no que tange à exclusão do preço praticado de algumas despesas. Se na redação original do § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, constava que “Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação”, o novo mandamento legal foi claro ao passar a permitir a exclusão da apuração do preço parâmetro dos valores de frete e seguro, de ônus do importador (FOB), quando contratados com pessoas não vinculadas e não localizadas em “paraísos fiscais”. De outro ângulo, observase que manteve a inclusão de tais valores no preço praticado quando a importação se der com cláusula CIF, pois, quisesse alterar seu quantum, certamente o teria feito como o fez nos fretes e seguros contratados diretamente pela importadora com pessoas não vinculadas. Fl. 2046DF CARF MF Processo nº 16561.720097/201469 Acórdão n.º 1301003.498 S1C3T1 Fl. 8 13 A questão da inovação fica ainda mais clara ao analisarmos o tratamento dos tributos incidentes na importação. Se na redação original do dispositivo em tela constava explicitamente que tais valores deveriam compor o preço praticado, o § 6º A inserto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, pela Lei nº 12.715, de 2012, passou a determinar a exclusão dos tributos incidentes na importação da composição do preço praticado. Tal alteração, indubitavelmente, não pode ser tachada de interpretativa, pois altera diametralmente o tratamento de tais valores, primeiro incluindoos no preço praticado, e, posteriormente, excluindoos de seu cálculo. Diante do exposto, concluo que, para fins determinação do preço praticado, qualquer exclusão, inclusive dos valores de frete, seguro, tributos, deve ser expressamente autorizada pela legislação, tal qual trazido pela Lei nº 12.715, de 2012. Forte nos argumentos postos acima, e tomandoos como razão de decidir, entendo que o argumento do contribuinte deva ser rechaçado nesse ponto. a.iv) Juros sobre multa de ofício Sobre essa matéria, há muito me manifesto no sentido de reconhecer a não incidência de juros sobre multa de ofício. Entretanto, a matéria se encontra hoje sumulada pelo CARF, através da Súmula nº 108: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Desse modo, em observância à determinação regimental, aplico a súmula CARF para negar provimento ao pleito do contribuinte. III) Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário e negar provimento ao Recurso de Ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 2047DF CARF MF 14 Fl. 2048DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.951079/2015-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.
Nos pedido de compensação, caso não haja o reconhecimento do direito creditório, devidamente fundamentado em Despacho Decisório, é ônus do contribuinte comprovar, com documentação hábil e idônea, o direito invocado, inclusive de trazer aos autos a comprovação dos declarações por ela transmitidas, sejam originais ou retificadoras.
Numero da decisão: 1302-003.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.905520/2016-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.905520/2016-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1733; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.951079/201519 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1302003.198 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de outubro de 2018 Matéria PEDIDO DE COMPENSAÇÃO Recorrente Clínica e Cirurgia Dermatologica Dra. Shirlei Schanaider Borelli Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Nos pedido de compensação, caso não haja o reconhecimento do direito creditório, devidamente fundamentado em Despacho Decisório, é ônus do contribuinte comprovar, com documentação hábil e idônea, o direito invocado, inclusive de trazer aos autos a comprovação dos declarações por ela transmitidas, sejam originais ou retificadoras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.905520/201671, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 10 79 /2 01 5- 19 Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10880.951079/201519 Acórdão n.º 1302003.198 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de pedido de compensação, no qual o contribuinte pretende quitar débitos próprios com suposto crédito, cuja origem seria um pagamento indevido ou a maior de IRPJ Lucro Presumido (código 2089). Em Despacho Decisório eletrônico proferido, houve o reconhecimento parcial do direito creditório, uma vez que foi identificada a utilização do crédito invocado no pedido de compensação para quitar outros débitos do contribuinte. Sendo assim, foi reconhecido um "saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação nos débitos informados no PER/DCOMP". Ao ser cientificado do despacho proferido, o contribuinte, ora Recorrente, Clínica e Cirurgia Dermatologica Dra. Shirlei Schanaider Borelli Ltda., apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que, "em razão da elevada carga tributária do país e das particularidades para apuração de todos os tributos que está obrigada a recolher mensalmente” efetuou recolhimento indevido e/ou a maior de IRPJ no período de 06/2010, razão pela qual possui o direito subjetivo à tomada de crédito. Como bem relatado no acórdão recorrido, a Recorrente alega que cumpriu todos os ditames impostos pela legislação para a formulação dos pedido de compensação. Invoca dispositivos do CTN, do Código Civil e da Constituição Federal para respaldar o seu direito subjetivo de utilizar créditos de tributos pagos indevidamente ou a maior. Para comprovar o seu direito, a Recorrente acostou aos autos, quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, o pedido de compensação, comprovante de arrecadação, DCTF e DIPJ. Ao final, requereu a procedência do pedido, para que reste reconhecido o direito creditório e, por consequencia, reste homologada a compensação pretendida. Em análise à Manifestação de Inconformidade, a douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) entendeu por bem julgar como improcedente o apelo do contribuinte, tendo o acórdão recebido a seguinte ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. A legislação tributária que rege as hipóteses de compensação de tributos ou contribuições federais atribui à interessada o ônus de comprovar a disponibilidade de seu crédito junto à Fazenda Pública, bem como o cumprimento dos requisitos estabelecidos para que seu direito creditório possa ser reconhecido pela Administração Tributária, Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10880.951079/201519 Acórdão n.º 1302003.198 S1C3T2 Fl. 4 3 depois de constatado que o crédito pleiteado se reveste das necessárias certeza e liquidez. Diante dos meios de prova ofertados e dos dados presentes nos sistemas informatizados da Administração Tributária, não se reconhece o direito creditório em litígio, nem se homologam as compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente intimado da decisão proferida em 18/08/2017, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, em 19/09/2017, no qual, em síntese, repisa os argumentos anteriormente apresentados em sua Manifestação de Inconformidade. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.193, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.905520/2016 71, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.193): "DA TEMPESTIVIDADE Como se denota dos autos, a Recorrente foi intimada do teor do acórdão recorrido, via AR, em 05/10/2017 (fl. 104), apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 01/11/2017 (comprovante de fl. 106), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Assim, por cumprir os demais requisitos de admissibilidade, o Recurso Voluntário deve ser conhecido e analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10880.951079/201519 Acórdão n.º 1302003.198 S1C3T2 Fl. 5 4 Como se depreende do relatório acima, o Recorrente indicou em pedido de compensação, como direito creditório, suposto pagamento a maior ou indevido de IRPJ Lucro Presumido. Para comprovar a totalidade do seu direito creditório, posto que no Despacho Decisório expedido foi identificada a utilização de parte do crédito no pagamento de outros débitos, do próprio contribuinte, este trouxe aos autos apenas as declarações que havia prestado ao fisco federal. Em brilhante trabalho, contudo, aquela DRJ de Ribeirão Preto demonstrou de forma irretocável que o direito creditório invocado foi utilizado em 03 diferentes pedido de compensação apresentados pelo contribuinte, sendo um deles o que discutido. Demonstrou ainda, o julgador a quo, que o contribuinte retificou a sua DIPJ e DCTF, ressalvando a disparidade entre o débito apurado na "DIPJ retificadora (R$ 1.237.522,71) e o débito declarado em DCTF (R$ 63.549,58), esta última também retificadora". Contudo, houve a constatação que o crédito invocado no presente pedido de compensação foi, de fato, alocado em parte no pagamento de outros débitos do próprio contribuinte. Vejase a conclusão que chegou aquela Turma de Julgamento, que analisou de forma detida as declarações e pagamentos apresentados pela Recorrente. Ressaltase, ainda, que se adota na presente decisão as razões de decidir daquele acórdão, como autoriza do § 3, do artigo 57 do RICARF: 26. Foram efetuados três recolhimentos pela interessada, referidos ao terceiro trimestre do ano calendário de 2010, entre os quais o que daria origem ao direito creditório sob apreciação, ou seja, recolhimento no valor de R$ 53.348,31, sob código de receita 2089: (...) 27. Do recolhimento no valor total de R$ 53.348,31, a quantia de R$13.288,90 encontrase alocada ao débito declarado em DCTF, para o 3º trimestre de 2010, conforme vinculação efetuada pela contribuinte nas informações complementares da DCTF. 28. Houve também a alocação da quantia de R$ 30.712,05 ao mesmo débito declarado em DCTF, valor este correspondente ao “Saldo a Pagar do Débito”. 29. O montante restante, de R$ 9.347,36, deu suporte para o reconhecimento parcial do direito creditório utilizado por meio da Dcomp sob apreciação (R$ 53.348,21 menos R$ 13.288,90 menos R$ 30.712,05 = Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10880.951079/201519 Acórdão n.º 1302003.198 S1C3T2 Fl. 6 5 R$ 9.347,36). Vejamse as alocaçõesefetuadas ao débito de IRPJ do terceiro trimestre, declarado em DCTF: (...) 30. Enfim, o recolhimento efetuado, no valor de R$ 53.348,41, indicado como origem do direito creditório, foi integralmente aproveitado, mediante: alocação parcial ao débito declarado em DCTF e como suporte para o reconhecimento parcial do direito creditório utilizado na Declaração de Compensação objeto deste processo. Em conseqüência, o recolhimento efetuado já se esgotou integralmente, isto é, não há saldo residual, e, portanto, não há direito creditório adicional a ser reconhecido. 31. Portanto, não se reconhece o direito creditório em litígio, nem se homologam as compensações declaradas. Devese pontuar que a Recorrente, em sua Manifestação de Inconformidade e, posteriormente, em seu Recurso Voluntário, não trouxe aos autos qualquer comprovação do direito creditório. Trouxe apenas argumentos genéricos que, data venia, em nenhum momento foram referendados com documentação comprobatória. Por outro lado, de forma temerária, a Recorrente afirma que a decisão da DRJ "não apreciou a DCTF retificadora de 06/11/2013, a qual faz alusão rapidamente no item 23 do acórdão." Contudo, desde as premissas que foram fixadas previamente no acórdão proferido, o julgador a quo deixa claro que aquela Turma de Julgamento "tem reiteradamente se manifestado pela aceitação de provas e documentos a qualquer tempo, desde que apresentados antes de iniciado o julgamento". Ademais, ao contrário do que afirma a Recorrente, a análise dos argumentos apresentados partiu das declarações da DIPJ e da DCTF retificadoras. Assim, caberia à Recorrente demonstrar, com documentos hábeis e idôneos, eventual erro nas duas declarações, até mesmo porque, reiterese, toda a análise do direito creditório por parte da DRJ se deu com base nas declarações retificadoras apresentadas pelo próprio contribuinte. E não há no apelo da Recorrente qualquer tentativa de se desconstruir o que restou demonstrado no acórdão proferido. Os argumentos apresentados são genéricos e sem qualquer lastro probatório. Desta feita, por ausência de comprovação, não há como reconhecer o direito creditório do contribuinte, nos termos indicados no pedido de compensação apresentado junto à Receita Federal do Brasil. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.951079/201519 Acórdão n.º 1302003.198 S1C3T2 Fl. 7 6 Por todo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo, na totalidade, a decisão proferida pela DRJ de Ribeirão Preto (SP)." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13558.720282/2005-23
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta confirme os recolhimentos efetuados relativamente aos períodos de 01 a 04/2000, em 28/09/2006 e a idoneidade dos comprovantes de recolhimento anexados (folhas 304 a 307).
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa -Presidente
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente) e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta confirme os recolhimentos efetuados relativamente aos períodos de 01 a 04/2000, em 28/09/2006 e a idoneidade dos comprovantes de recolhimento anexados (folhas 304 a 307). (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa -Presidente (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente) e José Roberto Adelino da Silva.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta confirme os recolhimentos efetuados relativamente aos períodos de 01 a 04/2000, em 28/09/2006 e a idoneidade dos comprovantes de recolhimento anexados (folhas 304 a 307). (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente) e José Roberto Adelino da Silva. Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário, contra o acórdão número 15 22.948, da 1a Turma da DRJ/SDR, que considerou procedente, em parte, a manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório n° 165/2009 (fls. 236 a 241) emitido pelo seu titular, deferiu parcialmente os pedidos de compensação declarados através de diversos PER/DCOMP's (fls. 01 a 99). Transcrevo, a seguir o relatório: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 58 .7 20 28 2/ 20 05 -2 3 Fl. 377DF CARF MF Processo nº 13558.720282/200523 Resolução nº 1001000.076 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Os citados pedidos de compensação objetivavam quitar débitos com o saldo negativo do IRPJ relativo ao anocalendário de 2000. A inspetoria de Ilhéus, ao analisar tais pedidos realizou a recomposição dos saldos dos anoscalendário de 1999 e 2000 e concluiu que o saldo negativo do IRPJ em 2000 era de R$ 32.565,61 (fl. 240), deferindo parcialmente o direito creditório requerido pelo contribuinte e homologando as compensações pleiteadas até o limite do direito reconhecido. ' Cientificado do aludido despacho decisório em 23/09/2009 (fl. 244), o contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade em 23/10/2009 (fls. 250 a 268), aduzindo, em síntese, que: a) “em data de 30/06/2004 a Requerente realizou a transmissão do PER/DCOMP n° 17331.89l31.300604.l.3.29511, objetivando a quitação de tributos com créditos decorrentes de saldo negativo de IRPJ do exercício de 2001, ano base 2000, compreendidos ao longo do anocalendário, no valor original de R$ 61.795,19”; b) “o respectivo credito originavase de Imposto de Renda retido na fonte (IRRF) decorrentes de rendimentos de aplicações financeiras durante o exercício de 2000 e de Imposto de renda Pessoa Jurídica (IRPJ) recolhidos indevidamente nos meses de 01 a 04/2000 a título de estimativas”; c) “analisando as informações relativas aos custos e despesas com pessoal constantes nos balancetes e GFIP's dos períodos de 2001/2000 e 2000/1999 o auditor fiscal Alejandro Daniel Corbacho verificou que as informações constantes nos demonstrativos contábeis estavam superiores aos informados nos demonstrativos do Ministério da Previdência social” e que “verificando a suposta divergência.de valores o auditor Alejandro Daniel Corbacho adicionou os montantes de R$ 162.729,49 e R$ 114.014,11 aos valores de Lucro Real constante nas DIPJ dos períodos de 1999 e 2000”; d) “entretanto, tal procedimento fiscal não pode prevalecer uma vez que a empresa reconhece as suas despesas com base no princípio contábil de competência, ou seja, os efeitos financeiros das transações e eventos são reconhecidos nos períodos nos quais ocorrem, independentemente de terem sido recebidos ou pagos. Já o preenchimento das GF IP's ocorrem com base no princípio de caixa, onde se reconhece as despesas (remunerações) com base nos desembolsos efetivos ocorridos no mês ou período”; e) “verificase, então, que as diferenças encontradas pelo fiscal podem ter ocorrido devido ao confronto de informações reconhecidas com base em dois princípios distintos, bem como ao reconhecimento das despesas dedutivas que não servem de base de informação na GFIP” e que “de tal modo, o mesmo não pode desconsiderar a escrita fiscal do contribuinte simplesmente pelas diferenças encontradas no confronto de informações contábeis com informações previdenciárias”; f) “após analisar todas as informações e documentações apresentadas ao longo do processo o auditor fiscal Alejandro'Daniel Corbacho verificou que na DIPJ do exercício de 2000 ano base 1999, mais precisamente no item 16 da ficha 25 A, havia uma diminuição da obrigatoriedade relativa aos créditos com pessoas ligadas como pode ser observado abaixo (diferença no valor de R$1.685.447,81):” g) “detectada a diferença acima demonstrada o auditor descaracterizou a apuração do Lucro Real do exercício de 1999 adicionando a suposta diferença a base de calculo do IRPJ sob alegação que o contribuinte não apresentara provas materiais que comprovassem a respectiva quitação do mútuo ocorrido entre o contribuinte e a empresa Viação Águia Branca”; _ h) “cabe esclarecer que as intimações relativas às apresentações dos documentos que comprovavam as transferências de numerários entre Fl. 378DF CARF MF Processo nº 13558.720282/200523 Resolução nº 1001000.076 S1C0T1 Fl. 4 3 as empresas ligadas foram lavradas a partir do mês de 08/2009, ou seja, 10 anos após a apresentação da DIPJ 2000 ano base 1999”; ' i) “apesar do contribuinte não apresentar os documentos relacionados à operação guerreada, devido à deterioração temporal, o mesmo disponibilizou ao fisco os livros mercantis que comprovam a operação ocorrida em 23/03/1999” e que “o procedimento fiscal não pode prevalecer, uma vez que o contribuinte apresentou como provas materiais os livros que comprovam a operação ocorrida entre as empresas ligadas”; j) “que apesar do contribuinte ter disponibilizado os livros fiscais, o mesmo não possuía a suposta obrigatoriedade de apresentação, pois o fato gerador do crédito tributário ocorreu a mais de cinco anos”. Cientificada em 23/04/2010 (fl 345), a recorrente apresentou o recurso voluntário em 21/05/2010 (fl 346). VOTO Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. Em seu voto a DRJ concluiu (transcrição parcial): “Como não há mais possibilidade do lançamento do crédito tributário apurado no exercício 2000, devido ao prazo decadencial, art. 173 CTN, os efeitos com relação ao exercício 2001 limitamse à glosa das compensações das estimativas do anocalendário 2000 e da composição de prejuízo fiscal” (fl. 240). ~ Portanto, como resultado da análise realizada pelo Auditor Fiscal, foram modificados os resultados decorrentes da apuração do Lucro Real, inicialmente no anocalendário de 1999, repercutindo no ano de 2000, ao efetuar as glosas das compensações das estimativas, no montante de R$ 9.976,97 e do prejuízo fiscal anteriormente considerado pelo contribuinte (R$14.336,65) na Demonstração do Lucro Real (fl. 161). Verificase também que foi adicionada despesa com pessoal ao Lucro Líquido no montante de R$ 114.014,11, resultando no saldo negativo do IRPJ (anocalendário 2000) no montante de R$ 32.565,61, em contraposição ao informado pelo contribuinte (R$ 61.795,19). _ Na análise do direito creditório alegado pelo contribuinte, a autoridade administrativa tem o direito de questionar a existência do crédito pleiteado exigindo do contribuinte os documentos comprobatórios do referido crédito, como por exemplo, DARF ou outro elemento que não se encontre nos arquivos eletrônicos da RFB. Poderá também determinar a realização de diligência fiscal para verificar, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 13558.720282/200523 Resolução nº 1001000.076 S1C0T1 Fl. 5 4 Neste ponto é que ocorreu ao fisco que as informações contidas na DIPJ eram inexatas, pois no seu entender, o contribuinte não comprovou a efetivação do mútuo com a empresa Águia Branca, como também teria incluído indevidamente no seu resultado, despesas de pessoal além das informadas em GFIP, além das glosas de estimativas diante da ausência de pagamento das mesmas. ` Entretanto, não poderá a autoridade administrativa efetuar, dentro de um simples parecer, a recomposição do lucro real da pessoa jurídica. Mas foi exatamente o que ocorreu, em claro desrespeito ao Decreto 70.23 5/72 e suas alterações, a autoridade administrativa procedeu ao ajuste do Lucro Real, para indeferir em parte a pretensão do Impugnante. Não quero dizer da impossibilidade de se proceder ao lançamento, mas da necessidade de ser o mesmo efetuado com restrita observância aos dispositivos legais' vigentes sobre a matéria. O CTN assim dispõe: Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcula o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Como se pode verificar, ao constituir um crédito tributário, superior ao que o contribuinte havia declarado, o Parecer acabou por efetuar um lançamento. Entretanto, existem formas prédefinidas para que se possa efetuar o lançamento, e delas nos dá conhecimento o Decreto 70.235/72. . Art. 2° Os atos e termos processuais, quando a lei não prescrever forma determinada, conterão somente o indispensável à sua finalidade, sem espaço em branco e sem entrelinhas, rasuras ou emendas não ressalvadas. (realcei). É o artigo 9° do citado Decreto que nos orienta quanto às forrnas de deve constar de cada uma. Determina a forma. Entendo que na apreciação do indébito tributário não se deva, no próprio processo, contestar a apuração efetuada pe1o contribuinte quanto ao valor do imposto apurado, mas tão somente quanto aos valores que deles serão abatidos a título de efetivo pagamento, como é o caso das estimativas e do valor do imposto de renda retido na fonte, que se constituem em pagamentos antecipados. 5 A discordância do Fisco para com procedimentos adotados pelo contribuinte até a apuração do quanto a pagar, antes das deduções citadas devem Fl. 380DF CARF MF Processo nº 13558.720282/200523 Resolução nº 1001000.076 S1C0T1 Fl. 6 5 ser externadas por meio de auto de infração ou 'notificação de lançamento, e no presente caso, ressaltese também que já decaiu este direito, pois já havia transcorrido o prazo de O5 anos contados do fato gerador, conforme declarado pelo próprio Auditor Fiscal, tendo em vista que o Despacho Decisório foi proferido em 16/06/2009 e pretendeuse realizar lançamentos referentes aos anos de 1999 e 2000. Destarte, julgo improcedentes os ajustes efetuados no parecer em análise (fl. 240), relativos aos ajustes ao Lucro Real, conforme detalhados abaixo, pois desprovidos de legalidade quanto à forma de sua exigência. ... No tocante às estimativas relativa ao anoscalendário de 2000, como não foi recolhida, deverá ser mantida a respectiva glosa, pois, conforme já explicitado, são ajustes realizados após o cálculo do IRPJ apurado, valores que poderiam ser abatidos apenas se tivessem sido efetivamente pagos, entretanto o contribuinte não os recolheu. . Em relação às glosas das estimativas do anocalendário de 1999, como o contribuinte não as contestou, tratase de matéria preclusa. Além disto, tal ano calendário não coincide com o período do alegado indébito tributário informado pelo interessado nos seus pedidos de compensação mediante PER/DCOMP, que no caso é o anocalendário 2000, este sim objeto de análise para a concessão do direito creditório requerido neste processo. Ainda em relação ao saldo negativo do IRPJ, referente ao ano calendario 2000, este foi objeto do processo administrativo fiscal n° 13558000598/2005O3, julgado pela 2 Turma desta DRJ em 03 de julho de 20_08, o qual foi reduzido para 57.549,03, conforme cópia do acórdão n° 15 16.132 (fls 278 a 282) cujo demonstrativo final transcrevo a seguir. ... Desta forma, na verdade o contribuinte possuía saldo negativo do IRPJ no valor de R$ 57.549,03, conforme o aludido acórdão, e procedendose a glosa no valor de R$ 9.976,97, relativa às estimativas não recolhidas no ano calendário 2000, resulta no saldo negativo do IRPJ no anocalendário de 2000 no valor de R$ 47.572,06 e como no Despacho Decisório já foi reconhecido o montante de R$ 32.565,61, reconheço a diferença no valor de R$ 15.006,45. Portanto, devese permitir as demais compensações pleiteadas até o limite do indébito tributário comprovado (R$ 15.006,45). Ante o exposto, voto no sentido de DEFERIR EM PARTE a solicitação objeto da Manifestação de Inconformidade, reconhecendo o direito creditório do IRPJ, relativo ao anocalendário de 2000, no montante de R$ 15.006,45, devendo ser efetuadas as compensações dos débitos pleiteados pelo contribuinte até esse . limite, cabendo o prosseguimento da cobrança dos débitos não compensados. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 13558.720282/200523 Resolução nº 1001000.076 S1C0T1 Fl. 7 6 Em seu recurso, a recorrente, basicamente, afirma: · Ocorre que o entendimento exarado pela DRJ quanto ao valor nao reconhecido (R$ 9.976,97) deve ser reformado, tendo em vista que a Recorrente recolheu o valor relativo às estimativas do anocalendário de 2000. · Após apresentar sua declaração de compensação, a Requerente constatou incongruências entre os valores constantes de sua DIPJ e DCTF, realizando a retificação desta última. · Outrossim, constatou que o pagamento por antecipação no importe de R$ 9.976,97 não havia ocorrido, a Recorrente procedeu ao seu recolhimento em 28/09/2006, conforme consta dos comprovantes de arrecadação anexos. Apresenta quadros demonstrativos dos valores recolhidos (fl 348 e 349). Continua: · Importante ressaltar que estes pagamentos, ainda que extemporâneos, não podem ser desconsiderados pela Administração Pública, já que demonstra a quitação do crédito tributário. · Há que se ressaltar que em razão do princípio da verdade material, ante de julgado definitivamente o processo administrativo, as provas úteis ao julgamento da questão deverão ser levadas em consideração pelo julgador, conforme entendimento unânime do extinto Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda TERCEIRA TURMA RECURSO N° 303121078 JULGAMENTO EM 16/05/2005) “PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. " (destacouse) (PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES DO MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° 143443 JULGAMENTO EM 06/l 1/2008) PROCESSO ADMINISTRATIVO .FISCAL BUSCA DA VERDADE MATERIAL No processo administrativo' predomina o princípio da verdade material no sentido de identificar se realmente ocorreu ou não o fato gerador. " Fl. 382DF CARF MF Processo nº 13558.720282/200523 Resolução nº 1001000.076 S1C0T1 Fl. 8 7 (TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES DO MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° 136880 JULGAMENTO EM 13/11/2008) “PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que' norteia o contencioso administrativo tributário. " (destacouse) · Desta forma, ainda que não apresentados em momento anterior, os comprovantes de pagamento do imposto de renda por estimativa devem ser levados em consideração por esta Egrégia Câmara, para os fins de reconhecer o direito creditório da Recorrente e conseqüente homologação da compensação realizada. Por último, requer que seja reconhecido o crédito de R$9.976,97. Transcrevo, a seguir, parte da decisão da DRJ (fl 335, renumerada para 288): Desta forma, na verdade o contribuinte possuía saldo negativo do IRPJ no valor de R$ 57.549,03, conforme o aludido acórdão, e procedendose a glosa no valor de R$ 9.976,97, relativa às estimativas não recolhidas no ano calendário 2000, resulta no saldo negativo do IRPJ no anocalendário de 2000 no valor de R$ 47.572,06 e como no Despacho Decisório já foi reconhecido o montante de R$ 32.565,61, reconheço a diferença no valor de R$ 15.006,45. Portanto, devese permitir as demais compensações pleiteadas até o limite do indébito tributário comprovado (R$ 15.006,45). Ante o exposto, voto no sentido de DEFERIR EM PARTE a solicitação objeto da Manifestação de Inconformidade, reconhecendo o direito creditório do IRPJ, relativo ao anocalendário de 2000, no montante de R$ 15.006,45, devendo ser efetuadas as compensações dos débitos pleiteados pelo contribuinte até esse . limite, cabendo o prosseguimento da cobrança dos débitos não compensados. Mantida, então, a decisão contida no Despacho Decisório ERCA/IRF?ILHDRF/ITA 165/2009, objeto da intimação 073/2009 (fl 289, renumerada para 242) a seguir transcrita: Segue em anexo, para ciência, cópia do Despacho Decisório ERCAJIIRFIILHDRF/ Fica o interessado INTIMADO, nas pessoas de seus representantes legais, a pagar, dentro do prazo de 30 (trinta) dias, contados a Fl. 383DF CARF MF Processo nº 13558.720282/200523 Resolução nº 1001000.076 S1C0T1 Fl. 9 8 partir do recebimento desta (data da assinatura do Aviso de Recebimento AR), o(s) débito(s), cuja compensação não foi homologada, conforme detalhado na Listagem de Débitos anexa. Ao final, o que restou, por parte da recorrente, foi o pedido de reconhecimento do crédito de R$9.976,97, nada mais tendo sido reclamado. Da parte do fisco, ao que se depreende da leitura do Despacho, assim como, da decisão da DRJ, foi o recolhimento do valor acima, devidamente glosado, acrescido dos acréscimos moratórios.. É de se observar que a recorrente efetuou os recolhimentos dos valores correspondentes aos períodos de 01 a 04/2000, em 28/09/2006 (anexou os comprovantes de recolhimento, do montante total, às folhas 304 a 307). Assim, entendo que esses recolhimentos podem (e devem) ser levados em consideração, posto que, ainda que extemporaneamente (acrescidos dos encargos moratórios devidos), eles justificariam o pedido de restituição/compensação ou satisfariam a exigência do débito resultante da glosa, á que a recorrente nada mais deve ao fisco. Ressaltese que os recolhimentos foram efetuados bem antes da emissão do despacho decisório, que ocorreu em 16/09/2009 (fl 279, renumerada para 241). Portanto, proponho converter o julgamento em diligência para a Unidade de Origem, para que esta confirme os recolhimentos efetuados relativamente aos períodos de 01 a 04/2000, em 28/09/2006 e a idoneidade dos comprovantes de recolhimento anexados (folhas 304 a 307). É como voto. (assinado digitalmente) Jose Roberto Adelino da Silva Fl. 384DF CARF MF
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