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Numero do processo: 10283.909725/2009-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 97 25 /2 00 9- 36 Fl. 381DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.909725/200936 Acórdão n.º 3202001.581 S3C2T2 Fl. 382 3 Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 383DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720499/2011-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
Pela absoluta ausência de previsão legal, não corre prazo contra a Administração Tributária para análise de pedido de ressarcimento.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3402-002.595
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Pela absoluta ausência de previsão legal, não corre prazo contra a Administração Tributária para análise de pedido de ressarcimento. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
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Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas dos créditos alegados, de acordo com o sistema de distribuição da carga probatória adotado. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Pela absoluta ausência de previsão legal, não corre prazo contra a Administração Tributária para análise de pedido de ressarcimento. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 04 99 /2 01 1- 23 Fl. 555DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720499/201123 Acórdão n.º 3402002.595 S3C4T2 Fl. 556 2 Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL DOS PRODUTORES RURAIS DO SUDOESTE GOIANO – COMIGO transmitiu, em 10/02/2006, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento – PER nº 39982.21508.100206.1.1.108800, visando à extinção de débitos de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) Não Cumulativo (cód. 6912) pela via de sua compensação com créditos da nãocumulatividade de Contribuição para o PIS/Pasep mercado interno, apurados com base na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Foram consideradas, para utilização do credito pleiteado no PER em referência, as declarações de compensação DComp arroladas nas fls. 176 e 177. Para análise do pleito, a Fiscalização intimou a reintimou o interessado a apresentar documentação comprobatória. Após, uma primeira resposta, em que pediu prorrogação do prazo para atendimento do solicitado, este respondeu que se considerava desobrigado da apresentação dos documentos requisitados porque já se havia transcorrido o prazo decadencial. O Despacho Decisório n° 732/2011 – DRF/GOI (fls. 293 a 304) indeferiu o pedido. Em reclamação, fls. 319 a 383, o interessado invoca o princípio da verdade material, para requere a juntada posterior de documentos. No mérito, alega, em síntese, que: (i) em nenhum momento houve recusa de sua parte em apresentar documentos; (ii) suas rotinas administrativas determinam eliminar automaticamente todos os documentos e arquivos magnéticos, depois de decorrido o prazo decadencial, salvo orientações expressas sobre atos pendentes; Fl. 556DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720499/201123 Acórdão n.º 3402002.595 S3C4T2 Fl. 557 3 (iii) o crédito tributário que é objeto do despacho decisório, tem como nascituro a data da transmissão eletrônica do PER, que ocorreu em 10/02/2006; (iv) dispunha a Fazenda de cinco anos para homologar ou não o ressarcimento, realizado por meio de PER, a contar da ciência do órgão fazendário da realização desse pedido, ou seja, da sua transmissão eletrônica; (v) poderia o Fisco não homologar o pedido de ressarcimento até 09.02.2011, o que não ocorreu, decaindo o seu direito de se manifestar contrário e; (vi) com a ocorrência da homologação tácita dos créditos vinculados ao referido pedido de ressarcimento, automaticamente as declarações de compensação dos débitos também devem ser homologadas. A 17ª Turma da DRJ/RJ1 julgou a reclamação improcedente. O Acórdão nº 12066.602, de 6/26/2014, fls. 439 a 461, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DOCUMENTOS. NÃO APRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO. O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis, arquivos digitais e demais documentos ou esclarecimentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA. O reconhecimento do direito creditório não está sujeito a prazo decadencial, por falta de previsão legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 17ª Turma da DRJ/RJ1. O arrazoado de fls. 467 a 507, após protesto de tempestividade e síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma, em preliminar a arguição da decadência do direito do Fisco de Fl. 557DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720499/201123 Acórdão n.º 3402002.595 S3C4T2 Fl. 558 4 proceder ao exame do PER. Entende que a Fazenda dispunha de cinco anos para homologar ou não o ressarcimento, contados da data de transmissão, em 10 de fevereiro de 2006. Encerrado o prazo em 09.02.2011, ocorreu a homologação tácita dos créditos vinculados ao referido pedido de ressarcimento, automaticamente os débitos utilizados nas DCOMPs, devem ser compensados. Pugna por que se interprete analogicamente o § 5° do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Reclama que informou pessoalmente ao Auditor Fiscal, que suas rotinas administrativas determinam eliminar automaticamente todos os documentos e arquivos magnéticos, após decorrido o prazo decadencial, salvo orientações expressas sobre atos pendentes. Informou ainda, que estava e está buscando resgatar os arquivos magnéticos apagados de seus sistemas eletrônico de dados. Conforme já dito, para ela, não mais existiam atos pendentes inerentes aos exercícios de 2003 a 2008, porquanto já fiscalizados e recolhidos pelo Fisco. Destaca que, se o Fisco tivesse cumprido sua obrigação no tempo certo, poderia ele próprio, buscar as informações em seus próprios sistemas e bancos de dados, visto que repassados tempestivamente, quando solicitados: Afirma que o descarte da documentação e sua não apresentação não foram mera opção da Recorrente, mas conseqüência de sua desobrigação de mantêla. Foi impossibilidade física momentânea, tendo em vista o decurso de prazo decadencial de seus efeitos tributários e necessidades operacionais de seus sistemas de processamento eletrônico de dados. Discorre sobre a vedação da utilização de tributo com efeito de confisco. Repete a arguição de falta de fundamentação para as glosas procedidas. Na continuação, repete os termos da sua reclamação, inclusive o pedido de abono de juros Selic ao valor do ressarcimento. Conclui, requerendo a intimação pessoal do patrono da causa da data e hora do julgamento do presente recurso. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 467 a 507 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJRJ117ª Turma nº 12066.602, de 6/26/2014. Pedido de direcionamento das intimações para o endereço dos procuradores Com relação ao requerimento para que as notificações e intimações relativas ao presente processo sejam enviadas ao endereço do patrono da causa, indefirase. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720499/201123 Acórdão n.º 3402002.595 S3C4T2 Fl. 559 5 Na atual fase do procedimento, todos os atos administrativos são, via de regra, feitos por meio postal e o Decreto n° 70.235, de 6 de março 1972 PAF, art. 23, inc. II, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67, determina que, nesta modalidade, sejam endereçados ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Não há portanto como deferir a solicitação para que as intimações sejam encaminhadas ao domicílio dos procuradores da sociedade. Indefiro. Preliminar de decadência do direito do Fisco de apreciar pedido de ressarcimento Tema preliminar, mas que perpassa toda a discussão de mérito proposta pelo recurso voluntário, argúise a decadência do direito de o Fisco indeferir o ressarcimento em prazo superior a cinco anos contados do ingresso do respectivo pedido. Para tanto, a recorrente faz alusões à previsão de homologação da Declaração de Compensação, especificada no artigo 74, § 5° da Lei n°.430, de 1996, introduzido pelo artigo 49 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74 [...] § 5° O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação A tese construída traduzse na aplicação analógica desse prazo para a Fazenda rever os cálculos elaborados pela contribuinte, tendentes a lhe conferir o direito ao ressarcimento. Ora, o prazo a homologação tácita de DComp está expressamente definido em lei [justamente o § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, transcrito acima, que se aplica exclusivamente à compensação do débito de tributo próprio que o contribuinte interessado declarou/confessou na DCOMP por ele transmitida à Receita Federal]. Já para o exame da legitimidade de créditos não há prazo legalmente estatuído. Em não havendo qualquer restrição temporal ao exame da legitimidade de créditos solicitados pelo contribuinte, conseqüentemente, não decai o direito de o Fisco examinar a escrituração da contribuinte com o fim de verificar o montante de crédito a que faz jus. Se coubesse, ao caso, avaliações de analogia, deverseia, então, buscar seus fundamentos na Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional CTN, que em seus artigos 97, caput e inciso VI, e 156, caput e inciso II, assim dispõe: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) Fl. 559DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720499/201123 Acórdão n.º 3402002.595 S3C4T2 Fl. 560 6 II a compensação; Aplicandose, então, a analogia, verificase que se a compensação, que é hipótese de exclusão do crédito tributário, só pode ser disciplinada através de lei, do mesmo modo, o respectivo crédito que a ela conduz também só pode ser tratado através de lei. Assim, qualquer estipulação de prazo para o deferimento de pedido de ressarcimento também demanda a existência de lei definidora. Em não havendo a determinação legal concernente a prazo para a concessão do ressarcimento, válida é a averiguação, a qualquer tempo, do quantum a que faz jus o requerente de créditos contra a Fazenda Nacional. Hely Lopes Meirelles, em “O Processo Administrativo e em Especial o Tributário”, interpretando o alcance e as conseqüências do princípio da oficialidade, entende que “... a instância não perime, nem o processo se extingue pelo decurso de prazo, senão quando a lei expressamente o estabelecer”. Portanto, há que se indeferir a preliminar de decadência, em face da falta de disposição legal que obrigue a autoridade administrativa a ressarcir saldos credores independentemente de averiguar o real direito do interessado. Esse entendimento está amparado em sólida jurisprudência desta instância recursal: Acórdão n° 3402002.301, de 29 de janeiro de 2014: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDEFERIMENTO. CARÊNCIA DE PROVA. Tendo o contribuinte sido intimado a apresentar a documentação hábil a legitimar o crédito pretendido e não o feito, bem como, deixado ainda de trazêla em quaisquer oportunidades processuais, é de se indeferir o pedido de ressarcimento pretendido, pela carência de prova de sua existência. Inteligência do art. 333 do CPC. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Pela absoluta ausência de previsão legal, e nos termos dos precedentes deste Colegiado, inexiste prazo para análise de pedido de ressarcimento por parte da Administração Tributária, sendo o prazo de 5 anos suscitado pelo contribuinte estendido apenas aos Pedidos de Compensação, o que foi observado no processo. Recurso Voluntário Negado. Acórdão n° 3403.002.568, de 1º de novembro de 2013: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 Fl. 560DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720499/201123 Acórdão n.º 3402002.595 S3C4T2 Fl. 561 7 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DEFERIMENTO TÁCITO. ART. 24 DA LEI Nº 11.457/2007. Conquanto esteja sedimentado no STJ entendimento segundo o qual a administração tributária deve decidir os processos no prazo de 360 dias, o descumprimento desse prazo não gera como consequência jurídica o deferimento tácito do pedido de ressarcimento. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Inexistindo declaração de compensação vinculada ao pedido de ressarcimento, não flui contra a administração o prazo de cinco anos previsto no art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96. CRÉDITOS FICTOS. INSUMOS IMUNES, ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. O regime jurídico dos créditos de IPI somente autoriza o aproveitamento do crédito se houver incidência do imposto na operação de aquisição dos insumos. Recurso voluntário negado. Acórdão n° 330200.526 de 23 de agosto de 2010: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 RESSARCIMENTO. APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. REQUISITOS. Somente é passível de ressarcimento o saldo credor trimestral apurada na escrituração fiscal, o que pressupõe o trânsito obrigatório dos créditos pelo livro de apuração fiscal e o encontro de contas entre os débitos e créditos do imposto. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. ESCRITURAÇÃO REGULAR. Não há que se falar em inversão de ônus de prova em relação à procedimento de adoção legal obrigatória pelo sujeito passivo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE IPI. PRAZO PARA ANÁLISE. INEXISTÊNCIA. Quer sob a denominação de homologação tácita, decadência ou qualquer outra, inexiste prazo legal para a apreciação de pedido de ressarcimento de IPI a partir da data do direito de crédito. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720499/201123 Acórdão n.º 3402002.595 S3C4T2 Fl. 562 8 Recurso Voluntário Negado. Acórdão n° 330200.526 de 23 de agosto de 2010 IPI RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI LEI N° 9.36.3/96 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000 IPI PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. COMPROVAÇÃO. NÃO ATENDIMENTO SATISFATÓRIO A INTIMAÇÃO.De se manter decisão que referendou procedimento do Fisco no sentido de não apreciar o mérito de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, porquanto, devidamente intimada, a.,interessada não logrou apresentar os elementos essenciais para a confirmação do valor pleiteado e, consequentemente, o reconhecimento do favor fiscal envolvido, não obstante, entre a data do pedido e a data da intimação, tivessem se passado mais de sete anos. PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI, "HOMOLOGAÇÃO TÁCITA". IMPOSSIBILIDADE. O transcurso de mais de cinco anos entre a data do pedido de ressarcimento de crédito de IPI e a de sua análise pela autoridade administrativa não configura o seu reconhecimento por conta de uma "homologação tácita", instituto existente na legislação apenas para a "declaração de compensação". Muito embora o recorrente não o tenha alegado, convém destacar, incidentalmente, que tampouco há falar em homologação tácita de qualquer das declarações de compensações que se analisa. Ônus da prova em processos de iniciativa do contribuinte Quanto à possibilidade de se deferir pedido de ressarcimento e homologar compensações sem que o interessado tenha feito prova cabal da liquidez e certeza do crédito pleiteado, acolho integralmente os fundamentos da decisão recorrida e os adoto como razão de decidir, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999. A decisão está em linha com o que vem decidindo este Colegiado. Ilustro (Acórdão n° 3403003.168, de 20 de agosto de 2014, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. NÃO CABIMENTO. É incabível a compensação diante da ausência de comprovação da existência e da liquidez do crédito informado na DCOMP. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720499/201123 Acórdão n.º 3402002.595 S3C4T2 Fl. 563 9 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. EXISTÊNCIA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. CASOS DE DILIGÊNCIA. Incumbe ao postulante a prova da existência e da liquidez do crédito utilizado na compensação. Se a verificação da existência e da liquidez for possível a partir da documentação apresentada pelo postulante, mas demandar procedimento de verificação fiscal/contábil, cabível a realização de diligência. Não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante. A propósito, este Colegiado vem sufragando o entendimento de que não há violação do princípio da verdade material quando a Fiscalização denega pedidos do contribuinte que, intimado, não tenha feito prova cabal de seu direito. Transcrevo, nesse sentido, excerto do voto condutor do Acórdão n° 3403002.981, de 27 de maio de 2014, da lavra do ínclito Conselheiro Rosaldo Trevisan (unânime): Assim, não há que se falar em violação da verdade material (ou do devido processo legal), pois o fisco cumpriu com seu dever de diligência, somente não tendo logrado êxito na conclusividade da análise em função da falta de cooperação da própria recorrente. Há que se ter em mente que a verdade material conformase em duas feições, como ensina James Marins: “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. 1” E igualmente refutada deve ser a alegação de violação à legalidade, ao direito à propriedade, ou à moralidade, visto que a empresa não faz prova contábil de ser detentora de direito creditório, o que impede o reconhecimento do crédito, até por questão de interesse público. Da mesma forma em que é incabível o locupletamento indevido pelo Erário, é inconcebível que se autorize crédito a contribuinte sem saber conclusivamente se este é devido. Atualização monetária ao valor do ressarcimento Por fim, o aproveitamento de créditos não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores, a teor do art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, aplicável ao caso pela norma de remissão do art. 15 da mesma Lei. Conclusões À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala de sessões, em 27 de janeiro de 2015 1 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). 6.ed. São Paulo: Dialética, 2012, p.154. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720499/201123 Acórdão n.º 3402002.595 S3C4T2 Fl. 564 10 Fl. 564DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 13502.000772/2009-89
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO.
Os atos normativos que regulam a matéria, os atos de concessão e o incremento do ativo imobilizado no período autorizam afirmar que os incentivos fiscais estaduais foram concedidos como estímulo a investimentos de implantação/expansão do empreendimento projetado, caracterizando-se, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, como subvenções para investimento.
Numero da decisão: 1103-001.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado dar provimento ao recurso por unanimidade, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, Carlos Mozart Barreto Vianna, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. Os atos normativos que regulam a matéria, os atos de concessão e o incremento do ativo imobilizado no período autorizam afirmar que os incentivos fiscais estaduais foram concedidos como estímulo a investimentos de implantação/expansão do empreendimento projetado, caracterizando-se, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, como subvenções para investimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado dar provimento ao recurso por unanimidade, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, Carlos Mozart Barreto Vianna, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
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Subvenções. Recorrente PRISMA PACK INDÚSTRIA DE FILMES TÉCNICOS E EMBALAGENS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. Os atos normativos que regulam a matéria, os atos de concessão e o incremento do ativo imobilizado no período autorizam afirmar que os incentivos fiscais estaduais foram concedidos como estímulo a investimentos de implantação/expansão do empreendimento projetado, caracterizandose, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, como subvenções para investimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado dar provimento ao recurso por unanimidade, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, Carlos Mozart Barreto Vianna, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 07 72 /2 00 9- 89 Fl. 355DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.000772/200989 Acórdão n.º 1103001.198 S1C1T3 Fl. 356 2 Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ/CSLL (fatos geradores: 31/12/05 e 31/12/06) e de Multa Isolada por falta/insuficiência de recolhimentos de estimativas (fatos geradores 31/1/05 a 30/11/06), com incidência de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora (fls.66/82 e 86/102). A ciência do contribuinte ocorreu em 14/8/09 (fls.67 e 87). No campo “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)”, a fiscalização assim descreveu as infrações: “[...] O Contribuinte, no período de 2005 e 2006, era beneficiário do incentivo fiscal de redução do ICMS, definido no Decreto Estadual nº 7.439/98 e alterações (BAHIAPLAST). O incentivo consistia na utilização de um crédito presumido de 41,1765% do ICMS destacado nas saídas para o mercado estadual e de 70% do ICMS destacado nas saídas interestaduais, lançados em sua escrita contábil/fiscal. O correspondente benefício fiscal (subvenção) era contabilizado em conta de reserva de capital do grupo patrimônio líquido, sem transitar pelo resultado do exercício. A Administração Tributária, em relação ao tema, adotou o Parecer Normativo CST no 112, de 1978, que interpretou a Lei no 4.506, de 1964 (que trata das subvenções correntes), e o Decretolei no 1.598, de 1977 (que trata das subvenções para investimentos), com rigorosa observância dos respectivos ditames. Conceituou subvenção como sendo: ‘sob o ângulo tributário para fins de imposição do imposto de renda às pessoas jurídicas, é um auxílio que não importa em qualquer exigibilidade para o seu recebedor’. Estabeleceu serem as expressões ‘subvenções para custeio’ e ‘subvenções para operação’ sinônimos, que abarcam a transferência de recursos com a finalidade ‘de auxiliála nas suas operações, ou seja, na consecução dos seus objetivos sociais’, que seria o mesmo que ‘auxiliála a fazer face ao seu conjunto de despesas’. ‘A subvenção para custeio ou operação é uma subvenção corrente ou comum. Já subvenção para investimento é uma subvenção especial. Neste caso, a utilização do adjetivo 'corrente’ no art. 44 da Lei nº 4.506/64 teve, apenas, a finalidade de destacar o caráter de normalidade próprio das subvenções para custeio ou operação’. Nas subvenções para investimento, a verba deve ser destinada ‘a aplicação em bens ou direitos’ integrantes do ativo fixo, essa a finalidade última das subvenções para investimento objeto do Decretolei nº 1.598, de 1977 (vide item 2.11 do PN CST 112, de 1978). Fl. 356DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.000772/200989 Acórdão n.º 1103001.198 S1C1T3 Fl. 357 3 A caracterização dessas subvenções não se dá apenas com a intenção do subvencionador; fundamental é a efetivação do investimento. O objetivo da norma que outorga a isenção é incentivar o investimento. Se não há investimento, é descabida a isenção na literalidade da lei (subvenção para investimento). Nesse sentido, o PN CST 112, de 1978, exige ‘efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico’, bem como ‘sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado’ (vide item 2.12 do PN CST 112, de 1978). Os itens 3.6 e 3.7 do PN CST nº 112, de 1978 demonstram uma modalidade típica de subvenção para investimento: ‘3.6. Há, também uma modalidade de redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICM), utilizada por vários Estados da Federação como incentivo fiscal, que preenche todos os requisitos para ser considerado como Subvenção para Investimento. A mecânica do benefício fiscal consiste no depósito, em conta vinculada, de parte do ICM devido em cada mês. Os depósitos mensais, obedecidas as condições estabelecidas, retornam à empresa para serem aplicados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Em alguns casos que tivemos oportunidade de examinar, esse tipo de subvenção é sempre visto em lei, da qual consta expressamente a sua destinação para investimento; o retorno das parcelas depositadas só se efetiva após comprovadas as aplicações no empreendimento econômico; e o titular do empreendimento é o beneficiário da subvenção. 3.7. É oportuna a advertência para o risco de generalizar as conclusões do item anterior para todos os casos de retorno do ICM. O contribuinte deverá ter o cuidado de examinar caso por caso e verificar se estão presentes todos os requisitos exigidos. Um retorno de ICM, por exemplo, como prêmio ao incremento das vendas, em relação às de período anterior, acima de determinado percentual, não será uma subvenção para investimento.’ (grifouse) Conclui, assim, o PN CST no 112, de 1978, em seu item 7: ‘7. CONCLUSÃO 7.1 Ante exposto, o tratamento a ser dado às SUBVENÇÕES recebidas por pessoas jurídicas, para os fins de tributação do imposto de renda, a partir do exercício financeiro de 1978, face ao que dispõe o art. 67., item I, letra ‘b’ do Decretolei n ° 1.598/.77, pode ser assim consolidado: I As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram o resultado operacional da pessoa Fl. 357DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.000772/200989 Acórdão n.º 1103001.198 S1C1T3 Fl. 358 4 jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado nãooperacional; II SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO são as que apresentam as seguintes características: a) a intenção do subvencionador de destinálas para investimento; b) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e c) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. III As ISENÇÕES ou REDUÇÕES de impostos só se classificam como subvenções para investimento, se presentes todas as características mencionadas no item anterior; IV As SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, se registradas como reserva de capital não serão computadas na determinação do lucro real, desde que obedecidas as restrições para a utilização dessa reserva; V As ISENÇÕES, REDUÇÕES ou DEDUÇÕES do Imposto de Renda devido pelas Pessoas Jurídicas não poderão ser tidas como subvenção para investimento; VI O §2° do artigo 38 do Decretolei número 1598/77 aplicase a todas as pessoas jurídicas sujeitas à tributação pelo imposto de renda com base no lucro real; e VII As contas do ativo permanente e respectiva depreciação, amortização ou exaustão, que registrem bens oriundos de SUBVENÇÕES, são corrigidas monetariamente nos termos dos artigos 39 e seguintes do Decretolei no 1.598/77.’ Pelo exposto, fica claro que o benefício concedido pelo Decreto Estadual nº 7.439/98 e alterações (BAHIAPLAST) do Estado da Bahia, por não prever absoluta correspondência e vinculação entre a percepção da vantagem e a aplicação dos recursos (aplicação efetiva e específica dos recursos aquisição de ativo fixo), não pertence ao campo das subvenções para investimento. O correto tratamento tributário a esse tipo de benefício é o de subvenção corrente para custeio ou operação. Em decorrência, os ganhos auferidos a esse título são tributados para fins de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica como outros resultados operacionais (nos termos do art. 392, inciso I, do Decreto n° 3.000, de 26/03/99 RIR/99), gerando também reflexo na apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), conforme arts. 2º e 6° da Lei nº 7.689/88 (com as alterações do art. 2° da Lei n° 8.034/90), além do art. 57 da Lei nº 8.981/95 e art. 28 da Lei nº 9.430/96. Esse é o entendimento pacificado na esfera administrativa, conforme diversas decisões: Solução de Consulta SRRF/5ª RF/DISIT n° 47, de 6 de dezembro de 2002, tratando exatamente do mesmo tipo de benefício fiscal, conclui: ‘Os valores lançados Fl. 358DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.000772/200989 Acórdão n.º 1103001.198 S1C1T3 Fl. 359 5 a crédito em virtude de gozo do benefício fiscal de redução do ICMS, regulado pelo Decreto do Estado da Bahia nº 4.316/95 e alterações, não possuem os requisitos necessários a sua caracterização como subvenção para investimento, devendo ser computados na determinação do lucro operacional.’ Seguem o mesmo entendimento, dentre outras, as Soluções de Consulta n° 28, de 30/06/2003, e a n° 02, de 09/01/2004, ambas, também, da 5ª Região Fiscal, a n° 251, de 24/06/2004, da 7ª RF, a n° 72, de 28/09/2006, da 4ª RF, e a n° 78, de 15/06/2007, da 6ª RF. Assim, procedo ao lançamento de ofício do IRPJ e da CSLL que deixaram de ser apurados e recolhidos, pelo não reconhecimento das subvenções correntes para custeio ou operações recebidos do Estado da Bahia, nos termos do Decreto Estadual 7.439/98 e alterações (BAHIAPLAST), conforme planilhas de cálculos anexadas e demonstrativos constantes dos respectivos Autos de Infração. Da Apuração O contribuinte, nos anos de 2005 e 2006, é tributado pelo Lucro Real Anual, apurando as estimativas mensais com base em Balancetes de suspensão e/ou redução do imposto, conforme LALUR e DIPJ. Os valores mensais do benefício fiscal estão lançados como Crédito Presumido de no campo Outros Créditos, do Livro de Apuração de ICMS e creditados na conta Reserva de Incentivos Fiscais em contrapartida a conta ICMS A RECOLHER, na sua contabilidade. Esses montantes mensais foram incluídos como OUTROS RESULTADOS OPERACIONAIS, nos termos do art. 392, inciso I, do Decreto nº 3.000, de 26/03/99 RIR/99, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, assim como, para o cálculo da multa por não pagamento das estimativas mensais devidas, conforme planilhas anexadas”. Os lançamentos foram considerados procedentes pela Primeira Turma da DRJ – Salvador (BA), conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.254/263): SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. FALTA DE RECONHECIMENTO DA RECEITA. Os recursos fornecidos às pessoas jurídicas pela Administração Pública, quando não vinculados ao efetivo investimento na implantação ou expansão do empreendimento projetado, é estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento, e deve ser computado no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitandose, portanto, à incidência do imposto sobre a renda. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. LANÇAMENTO DE MULTAS. FATOS DISTINTOS. A insuficiência de recolhimento das estimativas mensais do IRPJ autoriza o lançamento de oficio da multa isolada, ainda que coexistindo com a multa de oficio incidente sobre o IRPJ anual apurado em decorrência da Fl. 359DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.000772/200989 Acórdão n.º 1103001.198 S1C1T3 Fl. 360 6 constatação de infrações à legislação fiscal, pois são decorrentes de fatos geradores diversos. IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, em razão da relação de causa e efeito. Devidamente cientificado do acórdão em 10/6/10 (fl.271), o contribuinte interpôs tempestivamente recurso voluntário em 8/7/10 (fls.272/298), em que alega, em síntese: quando de sua constituição, protocolizou em 1º/10/01, para fins de concessão de benefícios fiscais (diferimento do ICMS devido nas aquisições e importações de determinadas mercadorias e crédito presumido de ICMS), Pedido de Habilitação perante a Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração do Estado da Bahia, acompanhado de Projeto de Instalação, que foi acolhido pelo Conselho Deliberativo do Programa Estadual de Desenvolvimento da Indústria de Transformação Plástica – BAHIAPLAST, viabilizando a instalação definitiva de sua planta fabril e o início de suas atividades em 2003; o BAHIAPLAST fora instituído pelo governo da Bahia para fomentar a instalação de novos empreendimentos industriais no segmento de transformação petroquímica e plástica, nos termos do art.1º, I, da Lei estadual nº 7.351/98, e art.2º do Decreto Estadual nº 7.439/98 que a regulamentou; os valores do ICMS não recolhidos tratarseiam de Subvenção para Investimento, conforme Parecer Normativo CST nº 112/78, razão pela qual não transitariam pelo resultado; desde a impugnação, demonstrara o cumprimento dos requisitos constantes do art.238, §2º, “a” e “b” do Decretolei nº 1.598/77, bem como do Parecer Normativo CST nº 112/78; ao contrário do que dispôs o acórdão recorrido, não teria sido dispensada dos requisitos constantes dos §§2º e 3º do art.5º do Decreto nº 7.439/98, sendo que os benefícios concedidos condicionavase a investimento específico implementado com os recursos decorrentes daquela renúncia fiscal; a não cassação do benefício pelo Conselho Deliberativo, que teria competência para tal, afastaria qualquer dúvida quanto ao cumprimento dos requisitos; o requisito relativo à aplicação da subvenção nos investimentos de implantação do empreendimento econômico fora cumprido, “...na medida em que o Projeto de Instalação se concretizou e, hoje, a Recorrente se encontra em pleno funcionamento em uma planta fabril de 6.000 m2, empregando cerca de 241 funcionários e tendo uma produção anual de 13.500 toneladas de mercadoria”, sendo que “...o valor investido apenas em ativo imobilizado desde o início de suas atividades, em 2003, até 31 de dezembro de 2006, supera, em muito, o valor acumulado na conta contábil destinada a reserva de capital com incentivos fiscais”, o que está em consonância com o Parecer Normativo CST nº 112/78 (item 2.11); “...se, durante o período em que foi beneficiada pelo BAHIAPLAST, a Recorrente, além de ter se consolidado enquanto indústria plástica, na Bahia, teve crescimento exponencial do seu ativo fixo (e, portanto, de máquinas e equipamentos que compõem a sua planta fabril), resta evidente a aplicação efetiva e específica dos investimentos realizados, em decorrência das subvenções recebidas e, conseqüentemente, a configuração de subvenção para investimento”; Fl. 360DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.000772/200989 Acórdão n.º 1103001.198 S1C1T3 Fl. 361 7 embora a autoridade autuante tenha afirmado que os valores teriam a natureza de subvenção para custeio, deixou de apontar os respectivos motivos; as multas isoladas por falta/insuficiência de recolhimentos de estimativas não poderiam ser exigidas cumulativamente com as multas de ofício proporcionais. É o que importa relatar. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele se toma conhecimento. Do benefício fiscal estadual O cerne da discussão diz respeito à identificação, para fins da legislação do IRPJ e da CSLL, da natureza jurídica de determinados incentivos fiscais estaduais concedidos pelo Estado da Bahia, especificamente se consistiriam em Subvenções para Custeio ou se poderiam ser caracterizados como Subvenções para Investimento. Enquanto a fiscalização entendeu que seriam Subvenções para Custeio, necessariamente computadas na apuração do lucro, o contribuinte sustentou que teria a natureza jurídica de Subvenções para Investimento. Dispõe o Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000, de 26/03/99): “Art.392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: I – as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais (Lei nº 4.506, de 1964, art.44, inciso IV); ..... Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, § 2º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. ..... Art.545. O valor do imposto que deixar de ser pago em virtude das isenções e reduções de que tratam os arts. 546, 547, 551, Fl. 361DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.000772/200989 Acórdão n.º 1103001.198 S1C1T3 Fl. 362 8 554, 555, 559, 564 e 567 não poderá ser distribuído aos sócios e constituirá reserva de capital da pessoa jurídica, que somente poderá ser utilizada para absorção de prejuízos ou aumento do capital social (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 19, §3º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso I). §1º Consideramse distribuição do valor do imposto (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 19, §4º, e DecretoLei nº 1.825, de 22 de dezembro de 1980, art. 2º, §3º): I a restituição de capital aos sócios, em casos de redução do capital social, até o montante do aumento com incorporação da reserva; II a partilha do acervo líquido da sociedade dissolvida, até o valor do saldo da reserva de capital. §2º A inobservância do disposto neste artigo importa perda da isenção e obrigação de recolher, com relação à importância distribuída, o imposto que a pessoa jurídica tiver deixado de pagar, sem prejuízo da incidência do imposto sobre o lucro distribuído, quando for o caso, como rendimento do beneficiário, e das penalidades cabíveis (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 19, §5º, DecretoLei nº 1.825, de 1980, art. 2º, §2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 10). §3º O valor da isenção ou redução, lançado em contrapartida à conta de reserva de capital nos termos deste artigo, não será dedutível na determinação do lucro real.” (destaquei) Portanto, devese fixar que se enquadram como Subvenções para Investimento os benefícios fiscais concedidos como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, registrados como reserva de capital a somente ser utilizada para absorver prejuízos ou para aumento do capital social. Antes de adentrar na análise da legislação tributária baiana que concedeu os benefícios e das particularidades do caso concreto, fazse necessário contextualizar o tratamento da matéria. Para tanto, considerando a precisão e detalhamento com que o assunto foi tratado pela I. Cons. Edeli Pereira Bessa (voto vencido no acórdão nº 110100.661, de 31/01/12), peço vênia para expor ao Colegiado suas considerações: “[...] O Parecer Normativo CST nº 112/78 traça a evolução histórica da interpretação acerca da incidência tributária do IRPJ sobre as receitas decorrentes de subvenção, partindo do que dispunha a Lei nº 4.506/64: Art 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.000772/200989 Acórdão n.º 1103001.198 S1C1T3 Fl. 363 9 Frente a este cenário legal, o Parecer Normativo CST nº 142/73 havia firmado interpretação de que seriam também tributáveis as subvenções recebidas como compensação de investimentos em ativo fixo na execução de programa de estímulo à industrialização, sob os seguintes fundamentos: 1. Dúvidas são levantadas sobre a tributabilidade de recursos financeiros que, com base no ICM incidente sobre suas operações, as empresas recebam de uma das Unidades da Federação, como compensação de investimentos em ativo fixo na execução de programa de estímulo à industrialização. 2. Não somente nessas circunstâncias, mas sempre que recebam recursos públicos ou privados não exigíveis, vinculados ou não a recolhimento de impostos, as empresas devem computálos como receita bruta operacional, conforme estabelece o Regulamento do Imposto de Renda em seu art. 157, letra d, in verbis: "Art. 157. Integram a receita bruta operacional (Lei nº 4.506, art. 44. ): (...) d) as subvenções correntes para custeio ou operação recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. 3. A atividade estatal de carrear para a empresa recursos financeiros para custeio ou operação identificase, sem dúvida, no plano orçamentário, com a ajuda financeira do poder público às empresas privadas com autorização de lei especial, conceituada e classificada na Lei de Orçamento, como subvenção (Lei nº 4.320/64, art. 12, §§ 2º e 3º, item II, combinados com o art. 19). 4. Em correspondência a aludidos dispêndios públicos subvencionais devem ser feitos na empresa os registros contábeis dos valores respectivos, na época em que se tornarem disponíveis para a empresa, inclusive na hipótese do item 1. 5. Isto porque, no sistema de incentivo fiscal referido no item 1, pelo recolhimento ou compensação com créditos, operase a extinção do crédito tributário relativo ao ICM. Enquanto o percentual relacionado com o referido imposto representa simplesmente um parâmetro para o cálculo dos recursos financeiros a serem recebidos. 6. Por outro lado, é de se esclarecer que, quando as inversões, em ativo fixo, forem compensadas com recursos públicos não exigíveis serão excluídas do ativo imobilizado para efeito de correção monetária conforme estabelece o art. 266 , letra a, do Regulamento do Imposto de Renda. À mesma época, o Parecer Normativo CST nº 107/75 reiterou a incidência do imposto de renda sobre a receita decorrente de subvenção estatal, sem distinguila em razão de sua destinação, Fl. 363DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.000772/200989 Acórdão n.º 1103001.198 S1C1T3 Fl. 364 10 e detalhou aspectos da dedutibilidade do imposto utilizado como veículo para concessão do incentivo: 1. Indagase sobre o tratamento fiscal que deve ser dado à parcela do imposto sobre a circulação de mercadorias que, a título de incentivo fiscal, é depositada em conta vinculada, sujeita à liberação ou não, dependendo do cumprimento de determinada condição. 2. O comando geral do §1º do art. 162 do Regulamento aprovado pelo Decreto nº 58.400/66 e, também, do novo Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 76.186, de 02 de setembro de 1975, define como necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações e operações exigidas pela atividade da empresa. 3. A parcela depositada, como parte do ICM incorrido que é, da mesma forma que a outra parte recolhida diretamente ao Tesouro estadual, é despesa dedutível no exercício da ocorrência do fato gerador respectivo. 4. Se assim não fosse e o contribuinte somente no momento do descumprimento da condição, e conseqüente transformação do depósito em renda do Estado, considerasse tal parcela como despesa, esta não poderia ser deduzida para efeito do imposto de renda em virtude do princípio de independência de exercícios. 5. Por outro lado o condicionamento legal de que tais despesas só sejam dedutíveis se seu pagamento se efetivar durante o exercício de correspondência está plenamente satisfeito in casu, porquanto na data em que deva ser cumprida a condição esta ou será satisfeita, tornandose efetiva a isenção, ou deixará de sêlo, e o depósito se transformará automaticamente em renda do Tesouro estadual. Desta maneira, não há como a quitação do tributo deixar de ocorrer no prazo legal de cumprimento da obrigação principal. 6. Salientese, porém, que, ocorrendo o inadimplemento da condição resolutiva, nada mais haverá para se deduzir, porquanto o dispêndio já foi computado tempestivamente na apuração do lucro tributável, conforme item 3 supra. 7. Por fim, como já definiu o Parecer Normativo CST nº 142/73, cumprida a condição e liberado o depósito, devem tais recursos integrar a receita bruta operacional da empresa, no exercício de sua liberação, ex vi do art. 155, letra d, do Regulamento do Imposto de Renda/75. Contudo, o panorama legal alterouse significativamente com a edição do Decretolei nº 1.598/77, que tratou distintamente as subvenções para investimento: Art. 38 Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o contribuinte com a forma de companhia receber dos Fl. 364DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.000772/200989 Acórdão n.º 1103001.198 S1C1T3 Fl. 365 11 subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de: I ágio na emissão de ações por preço superior ao valor nominal, ou a parte do preço de emissão de ações sem valor nominal destinadas à formação de reservas de capital; II valor da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; III prêmio na emissão de debêntures; IV lucro na venda de ações em tesouraria. § 1º O prejuízo na venda de ações em tesouraria não será dedutível na determinação do lucro real. § 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedida como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no artigo 36 e seus parágrafos; ou b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. (negrejouse) Inicialmente foi editado o Parecer Normativo CST nº 2/78 alterando a interpretação veiculada no Parecer Normativo CST nº 142/73, de forma a estabelecer que as subvenções de investimentos, quando atendidos os requisitos legais, não integrariam o lucro tributável. Vejase: 1. Examinase se as subvenções recebidas pelas pessoas jurídicas, para financiamento de suas atividades normais e para a realização de investimentos, devem ou não integrar a receita bruta operacional e qual o tratamento fiscal a que estão sujeitas. 2. Excetuados os casos de empréstimos e de adiantamentos para aumento de capital, as transferências de recursos podem assumir as seguintes hipóteses: 2.1 Destinadas a cobrir déficits ou custear operações correntes; 2.2 Destinadas a programas especiais, com duas aplicações alternativas: 2.2.1 custeio; 2.2.2 investimentos, que poderão: a) permanecer no ativo da empresa; b) serem entregues à pessoa que forneceu os recursos ou a uma outra pessoa de direito público; Fl. 365DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.000772/200989 Acórdão n.º 1103001.198 S1C1T3 Fl. 366 12 2.3 Ser repassada a outra empresa para aplicação: a) sem qualquer retomo de bens, direitos ou capital, apenas suscetíveis de fiscalização; b) com retomo sob a forma de direito de propriedade sobre os investimentos realizados. 3. O art. 44, inc. IV, da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, reproduzido no art. 155, letra d, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 76.186, de 02 de setembro de 1975, estabelece que integram a receita bruta operacional as subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. 4. Com efeito, as subvenções mencionadas nos subitens 2.1 e 2.2.1, destinadas à cobertura de déficits ou ao custeio de operações correntes, deverão integrar a receita bruta operacional da pessoa jurídica, por força do disposto no art.155, letra d, do Regulamento do Imposto de Renda/75, e as despesas necessárias à atividade da empresa serão dedutíveis na apuração do lucro sujeito à tributação. 5. Relativamente aos recursos recebidos a título de subvenção para investimento, poderão deixar de integrar a receita operacional da empresa beneficiária, uma vez que o art. 44, inc. IV, da Lei nº 4.506/64 somente se refere às subvenções correntes para custeio ou operação como destinadas a compor a receita bruta operacional das pessoas jurídicas. Há que se destacar, porém, algumas condições a serem observadas pelas empresas beneficiárias de subvenções para investimentos: 5.1 Subvenções para investimentos que devam permanecer no ativo da empresa Nos casos em que a subvenção recebida seja destinada à aplicação em bens ou direitos que devem permanecer no ativo da empresa, os recursos recebidos ou colocados à sua disposição deverão ser registrados como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou aumentar o capital social, não podendo, neste último caso, haver restituição de capital aos sócios, sob pena de a pessoa jurídica obrigarse a recolher o imposto sobre a importância distribuída. As quotas de depreciação, amortização ou exaustão, porventura contabilizadas e referentes aos bens ou direitos adquiridos com as subvenções, serão dedutíveis na apuração do lucro real. 5.2 Subvenções para a realização de investimento a ser entregue à pessoa jurídica que forneceu os recursos, ou a uma outra pessoa jurídica de direito público Nos casos em que a subvenção recebida seja destinada à aplicação em obras públicas ou investimentos semelhantes, que devam permanecer no ativo da pessoa jurídica que recebeu os recursos, esta poderá: Fl. 366DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.000772/200989 Acórdão n.º 1103001.198 S1C1T3 Fl. 367 13 5.2.1 contabilizar a contrapartida pelo recebimento dos recursos em conta do passivo exigível e os dispêndios efetuados em conta do ativo realizável, como aplicações em bens de terceiros; terminado o empreendimento, as contas ativas e passivas seriam encerradas, mediante débito à conta do passivo exigível e crédito à conta do ativo realizável; ou 5.2.2 tratandose de entidade cujo balanço deva obedecer aos padrões e normas constantes da Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, contabilizar a transferência recebida como receita e as aplicações efetuadas diretamente em contas de despesa, hipótese em que as receitas e despesas assim escrituradas deverão ser excluídas na apuração dos resultados, para efeito de determinar o lucro sujeita à tributação. 5.3 Recursos recebidos para serem repassados a outra pessoa jurídica Na hipótese do recebimento de recursos a serem repassados a outra pessoa jurídica, para serem aplicados em despesas de custeio ou em investimentos, a empresa que recebe os recursos e os repassa, não os computará como receita operacional, devendo a contrapartida pelo recebimento ser feita em conta do passivo exigível; quando do repasse dos recursos à pessoa jurídica destinatária será debitada em conta do ativo realizável, encerrandose ambas as contas quando da comprovação da aplicação dos recursos. 6. Assinalese que, em qualquer caso, se a transferência recebida for superior às aplicações realizadas, e se a diferença passar a pertencer à empresa, o valor dessa diferença deverá integrar a receita bruta operacional do períodobase em que for concluído o empreendimento. 7. Outra modalidade de receita de que se beneficiam certas pessoas jurídicas, em geral empresas públicas, representada pelo recebimento de um percentual dos dividendos que cabem a União nos resultados de outras pessoas jurídicas, recursos esses não vinculados a aplicações específicas, enquadrase nas normas do art. 155, letra d, do Regulamento do Imposto de Renda/75, devendo, portanto, integrar a receita bruta operacional da empresa beneficiária para efeito de determinar o lucro sujeito à tributação. 8. No que se refere às subvenções para investimentos, fica modificado o entendimento expresso no item 2 do Parecer Normativo CST nº 142, de 27 de setembro de 1973. Todavia, na medida em que tal modificação foi vinculada especificamente ao item 2 do Parecer Normativo CST nº 142/73, que tratava da tributação dos valores recebidos com base no ICM, fezse necessária a edição do Ato Declaratório Normativo CST nº 02/78, que assim estabeleceu: O COORDENADOR DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Fl. 367DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.000772/200989 Acórdão n.º 1103001.198 S1C1T3 Fl. 368 14 Instrução Normativa SRF nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o contido no Parecer CST nº 1952/78, DECLARA, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, e demais interessados, que a parcela do ICM depositada em conta bancária vinculada, a título de incentivo fiscal, sujeita a liberação mediante o cumprimento de condição, constitui receita operacional do ano de sua eventual liberação, devendo ser submetida à tributação pelo imposto de renda, mesmo quando aplicada em bens do ativo imobilizado. O Parecer Normativo CST nº 2/78, publicado no Diário Oficial de 16 de janeiro de 1978, ao modificar o entendimento do item 2 do Parecer Normativo CST nº 142/73 não o fez com relação aos recursos financeiros recebidos com base no ICM incidente sobre as operações da empresa. Relativamente a esses recursos permanecem em vigor, portanto, as conclusões do mencionado Parecer Normativo CST nº 142, de 27 de setembro de 1973. Diante deste contexto, e também abordando as disposições da Lei nº 4.506/64 e do Decretolei nº 1.598/77, bem como as normas de Direito Financeiro, presentes na Lei nº 4.320/64, e a doutrina acerca do conceito de subvenções, o Parecer Normativo CST nº 112/78 concluiu que a lei, até a edição do Decretolei nº 1.598/77, apenas havia firmado a tributação das subvenções para custeio, sem se manifestar acerca das subvenções para investimento. E, sob a premissa de que o referido Decretolei tomou por tributáveis estas receitas, salvo se atendidas as condições legais, o Parecer Normativo CST nº 112/78 exteriorizou a interpretação estes requisitos. Inicialmente mencionou a necessidade de manutenção deste valor em conta de reserva de capital, para que a subvenção não fosse objeto de distribuição, bem como declarou que a norma apenas se refere a recursos oriundos de pessoas jurídicas de direito público, aspectos que não estão em debate nestes autos. Já na seqüência, o Parecer trata das características da subvenção para investimento, nos seguintes termos: 2.11 Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST Nº 142/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma Fl. 368DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.000772/200989 Acórdão n.º 1103001.198 S1C1T3 Fl. 369 15 pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas, mais sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio §2º do art. 38 do DL 1.598/77. 2.12 Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o "animus” de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. 2.13 Outra característica bem nítida da SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO, para os fins do gozo dos favores previstos no 2º do art. 38 do DL nº 1.598/77, de que seu beneficiário terá que ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Em outras palavras quem está suportando o ônus de implantar ou expandir o empreendimento econômico é que deverá ser tido como beneficiário da subvenção, e, por decorrência, dos favores legais. Essa característica está muito bem observada nos desdobramentos do item 5 do PN CST nº 2/78. Nestes termos, além de esclarecer que as disposições da letra “b” do §2º do art. 38 do Decretolei nº 1.598/77 trata de "transferências de capital”, decorrentes, por exemplo, da obrigação contratual de garantir os valores registrados no balanço patrimonial da pessoa jurídica que teve o seu patrimônio líquido, parcial ou totalmente, transferido para outros sócios ou acionistas – o que não guarda pertinência com o presente litígio –, o Parecer Normativo CST nº 112/78 encerrou sua análise inicial com a seguinte conclusão: 2.14 Com o objetivo de promover a interação dos dois diplomas legais ora dissecados [Lei nº 4.506/64 e Decretolei nº 1.598/77] podemos resumir a matéria relacionada com as SUBVENÇÕES nos seguintes termos: As SUBVENÇÕES, em princípio, serão, todas elas, computadas na determinação do lucro líquido: as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO, na qualidade de integrantes do resultado operacional; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, como parcelas do resultado nãooperacional. As primeiras integram sempre o resultado do exercício e devem ser contabilizadas como tal; as últimas, se efetivamente aplicadas em investimentos, podem ser registradas como reserva de capital, e, neste caso, não serão computadas Fl. 369DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.000772/200989 Acórdão n.º 1103001.198 S1C1T3 Fl. 370 16 na determinação do lucro real, desde que obedecidas as restrições para a utilização dessa reserva. A abordagem seguinte teve por foco hipóteses de isenções e reduções de impostos, com vistas a identificar se elas se caracterizam como subvenções para investimento. O Parecer Normativo CST nº 112/78 excluiu deste conceito isenções ou reduções de IPI destinadas, apenas, a diminuir o custo do bem adquirido; reduções de imposto de renda instituídas como compensação de custos ou despesas de instituições financeiras; e isenções, reduções ou destinações do IRPJ, por não afetarem o lucro real. De outro lado, admitiu como subvenção para investimento hipótese específica da atividade de mineração, bem como reduções de ICM, estas últimas nos seguintes termos: 3.6 Há, também, uma modalidade de redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICM), utilizada por vários Estados da Federação como incentivo fiscal, que preenche todos os requisitos para ser considerada como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. A mecânica do benefício fiscal consiste no depósito, em conta vinculada, de parte do ICM devido em cada mês. Os depósitos mensais, obedecidas as condições estabelecidas, retornam à empresa para serem aplicados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Em alguns casos que tivemos oportunidade de examinar, esse tipo de subvenção é sempre previsto em lei, da qual consta expressamente a sua destinação para o investimento; o retorno das parcelas depositadas só se efetiva após comprovadas as aplicações no empreendimento econômico; e o titular do empreendimento é o beneficiário da subvenção. 3.7 É oportuna a advertência para o risco de generalizar as conclusões do item anterior para todos os casos de retorno do ICM. O contribuinte deverá ter cuidado de examinar caso por caso e verificar se estão presentes, todos os requisitos exigidos. Um retorno de ICM, por exemplo, como prêmio ao incremento das vendas, em relação às de período anterior, acima de determinado percentual, não será uma subvenção para investimento. Para além disso, o Parecer Normativo apenas abordou incentivo específico do setor siderúrgico e a correção monetária de contas que registrem bens oriundos de subvenção, bem como esclareceu que a aplicação da norma interpretada alcança todas as pessoas jurídicas sujeitas à tributação pelo imposto de renda com base no lucro real, e não apenas as sociedades anônimas. Disse, ainda, que o Decretolei nº 1.598/77 produziu efeitos a partir do exercício de 1978, convalidando a aplicação do Ato Declaratório Normativo CST nº 10/78 e do Parecer Normativo CST nº 142/73 às subvenções anteriores àquela vigência, bem como declarando a aplicabilidade, a qualquer situação, dos itens 2, 6, 7 e subitens 5.2 e 5.3, bem como dos itens 3, 4 e subitem 5.1, f. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.000772/200989 Acórdão n.º 1103001.198 S1C1T3 Fl. 371 17 Daí as conclusões do Parecer Normativo CST nº 112/78, a seguir reproduzidas: 7.1 Ante o exposto, o tratamento a ser dado às SUBVENÇÕES recebidas por pessoas jurídicas, para os fins de tributação do imposto de renda, a partir do exercício financeiro de 1978, face ao que dispõe o art. 67, item 1, letra "b”, do Decretolei nº 1.598/77, pode ser assim consolidado: I As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram o resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado não operacional; II SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO são as que apresentam as seguintes características: a) a intenção do subvencionador de destinálas para investimento; b) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e c) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. III As ISENÇÕES ou REDUÇÕES de impostos só se classificam como subvenções para investimento, se presentes todas as características mencionadas no item anterior; IV As SUBVENÇÕES, PARA INVESTIMENTO, se registradas como reserva de capital não serão computadas na determinação do lucro real, desde que obedecidas as restrições para a utilização dessa reserva; V As ISENÇÕES, REDUÇÕES ou DEDUÇÕES do Imposto de Renda devido pelas Pessoas Jurídicas não poderão ser tidas como subvenção para investimento; VI O § 2º do artigo 38 do Decretolei nº 1.598/77 aplica se a todas as pessoas jurídicas sujeitas à tributação pelo imposto de renda com base no lucro real; e VII As contas do ativo permanente e respectiva depreciação, amortização ou exaustão, que registrem bens oriundos de SUBVENÇÕES, são corrigidas monetariamente nos termos dos artigos 39 e seguintes do Decretolei nº 1.598/77. Estas as premissas, portanto, para apreciação do litígio presente nestes autos [...]” Nos termos do art.38, §2º, do Decretolei nº 1.598/77, com a redação dada pelo Decretolei nº 1.730/79, Subvenções para Investimento podem ser caracterizadas “...inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos”, desde que: Fl. 371DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.000772/200989 Acórdão n.º 1103001.198 S1C1T3 Fl. 372 18 a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto nos §§ 3º e 4º do artigo 19; ou (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. Assim, quando decorrentes de incentivos tributários, fazse necessária a vinculação entre a sua concessão e o mencionado “estímulo” à implantação ou expansão da atividade econômica. Em suma, para que o benefício fiscal possa ser considerado como Subvenção para Investimento nos termos da legislação do IRPJ/CSLL, outra não pode ter sido a intenção do ente federativo, senão fomentar em seu território a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Considerando a gama de incentivos fiscais, dotados de suas especificidades, é um equívoco considerálos irrestritamente como Subvenções para Investimento. Variados podem ser os objetivos dos entes federativos ao concedêlos. As particularidades do caso concreto – é importante ressaltar que a aplicação do Direito dele não se divorcia é que informam a natureza jurídica de tais benefícios fiscais quando se busca o adequado enquadramento para fins de aplicação da legislação tributária federal. Vejamos, por exemplo, que a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) (REsp nº 1.128.206PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Julg. 05/10/10, DJe 21/10/10), ao se debruçar sobre um caso de exclusão de créditos de PIS/Cofins para efeito de apuração do IRPJ e da CSLL, assentou a necessidade, para fins de caracterização como Subvenção para Investimento, de a aplicação dos recursos obtidos a partir de incentivos fiscais vincularse a projeto ou empreendimento aprovado pelo Poder Público, nos termos do respectivo voto condutor: “(...) Nem se diga também que os referidos créditos teriam a natureza jurídica de subvenções para investimento, de modo a serem excluídos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL por força do art. 38, §2º, do DecretoLei n. 1.598∕77. Isto porque os créditos de PIS∕Cofins não possuem tal característica, na medida em que os recursos obtidos pela sua implantação não têm a sua aplicação vinculada a nenhum projeto ou empreendimento aprovado pelo Poder Público. A este respeito, vejase a conceituação de subvenções para investimento, na ótica do IRPJ: EMENTA: SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO As subvenções para investimentos, que podem ser excluídas da apuração do lucro real, são aquelas que, recebidas do Poder Público, sejam efetiva e especificamente aplicadas pelo beneficiário nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Desta forma, incentivos fiscais recebidos como compensação por inversões fixas previamente realizadas pelo beneficiário, não são passíveis de enquadramento como subvenção Fl. 372DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.000772/200989 Acórdão n.º 1103001.198 S1C1T3 Fl. 373 19 para investimento, na ótica do imposto de renda, por não atenderem à condição de concomitância e de absoluta correspondência entre a percepção da vantagem e a aplicação dos recursos (MF∕SRF∕SRRF7º Solução de Consulta nº 251, de 24 de junho de 2004, Decreto nº 3.000, de 26∕03∕1999, artigo 443; Parecer Normativo CST nº 112, de 29∕12∕1978).” (destaquei). Idêntico enfoque foi conferido pela Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, para quem os créditos presumidos de ICMS são considerados como Subvenções para Investimento quando o incentivo vinculase à “aplicação dos recursos em bens ou investimentos específicos ou à expansão do empreendimento econômico”: TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. INCLUSÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS, COFINS, IRPJ E CSLL. NATUREZA JURÍDICA. SUBVENÇÃO DE CUSTEIO. PREVISÃO LEGAL. COMPENSAÇÃO. ..... 4. O crédito presumido classificase como um incentivo fiscal de ordem financeira, ou seja, consiste em transferência de renda do Estado para o setor privado, uma espécie de subvenção destinada a estimular determinado setor produtivo, visto que os incentivos fiscais têm a mesma consequência financeira das verdadeiras subvenções, as quais gravam a despesa pública. A renúncia fiscal, portanto, caracteriza uma subvenção de custeio. 5. O Regulamento do Imposto de Renda de 1999 exclui, para o fim de determinação do lucro real, somente as subvenções para investimento, de acordo com os requisitos especificados na norma. Com efeito, as subvenções de investimento constituemse subvenções especiais, possuindo como nota fundamental a destinação à aplicação específica em determinados bens ou direitos, para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Diferentemente, as subvenções de custeio ou operação são a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála a fazer face ao seu conjunto de despesas. 6. No caso, este crédito presumido de ICMS restou estabelecido sem qualquer vinculação do benefício à aplicação dos recursos em bens ou investimentos específicos ou à expansão do empreendimento econômico. Não há como enquadrálos, portanto, na modalidade especial de subvenção de investimento, uma vez que se trata tãosomente de auxílio às despesas, como uma subvenção de custeio. Dessa maneira, conquanto os valores recebidos a título de subvenção não façam parte da receita bruta, integram o lucro operacional, na forma do artigo 392, inciso I, do RIR/99. 7. Assim, os valores ressarcidos a título de crédito presumido devem ser adicionados à base de cálculo do IRPJ e da CSLL (art. 28 da Lei nº 9.430/1996), porquanto decorrem de outras receitas operacionais (...)” (AC 2006.72.14.0028106/SC, Primeira Turma, Rel. Joel Ilan Paciornik, Julg. 08/06/11, DE 16/06/11). (destaquei) Fl. 373DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.000772/200989 Acórdão n.º 1103001.198 S1C1T3 Fl. 374 20 Mencionese, ainda, o julgamento realizado pelo mesmo TRF da 4ª Região (AG – Agravo de Instrumento, Processo nº 5006813232011.404.000, Rel. Otávio Roberto Pamplona, Julg. 07/06/11, D.E. 07/06/11) relacionado a estímulos concedidos pelo Estado de Santa Catarina (Lei nº 13.992/07 e Decreto nº 105/07), quando a sua Segunda Turma, lastreada no Parecer Normativo CST nº 112/78, definiu que os contornos do benefício fiscal são essenciais à solução da controvérsia: “(...) Como bem demonstraram as partes, o Decreto nº. 3.000, de 1999, Regulamento do Imposto de Renda RIR, de fato dá tratamento diferenciado aos valores obtidos a título de subvenções por pessoas jurídicas. Há as subvenções de caráter geral, para custeio ou operação, recebidas tanto de pessoas jurídicas de direito privado como de pessoas jurídicas de direito público, ou ainda, de pessoas naturais e que expressamente devem ser computadas na determinação do lucro operacional, por força do art. 392, I, do RIR, e as chamadas subvenções para investimento, as quais não são computadas na determinação do lucro, conforme autorizado pelo art. 443 do RIR. Em relação a esta última, a definição de critérios caracterizadores foi estabelecida pela própria Administração Tributária, mediante o Parecer Normativo do Coordenador do Sistema de Tributação CST nº. 112, de 1978, segundo o qual: ..... De acordo com o mencionado Parecer, para ser excluída da base de cálculo do IR, além dos requisitos contábeis, a subvenção para investimento deverá ser proveniente exclusivamente do Poder Público, sob perfeita sincronia entre a intenção do agente concedente com a ação do beneficiário. Deverá, ainda, ser dirigida diretamente à pessoa jurídica titular do empreendimento econômico, além de ter efetiva e específica aplicação nos investimentos previstos ou na expansão do empreendimento projetado. Assim, é possível concluir que para ter o caráter para investimento a subvenção depende, dentre outros, da integral aplicação dos recursos concedidos no projeto econômico que motivou a subvenção. Apesar de tratarse de normatização sem força de lei, expedida pela própria Administração Tributária, na ausência de regulamentação ordinária, tenho que tal Parecer se enquadra no conceito de legislação tributária, na forma do artigo 96 do Código Tributário Nacional. O programa PróEmprego, instituído pelo Governo do Estado de Santa Catarina para Lei nº. 13.992 e regulamentado pelo Decreto nº. 105, ambos de 2007, concede aos seus participantes tratamento tributário diferenciado no que concerne ao ICMS, na forma de diferimento do imposto em determinadas operações. A rigor, há dúvida até mesmo se tal forma de benefício se enquadra no conceito geral de subvenção, pois se trata de diferimento, assim, não exclui a obrigação tributária e o pagamento do tributo, apenas promove a redução parcial dos custos e despesas, mediante condição resolutiva, uma vez que Fl. 374DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.000772/200989 Acórdão n.º 1103001.198 S1C1T3 Fl. 375 21 descumpridas as condições estabelecidas, o beneficiário é excluído do programa. Mas o requisito principal que o Programa PróEmprego parece não cumprir é o da efetiva e específica vinculação do produto da subvenção com o projeto de implantação ou expansão do empreendimento econômico planejado pelo beneficiário. É certo que nos termos da Lei nº. 13.992/2007 e Decreto nº. 105/2007, o programa se destina a incentivar empreendimentos de relevante interesse sócioeconômico situados ou que venham se instalar no Estado de Santa Catarina, e, além de outras condições para o enquadramento, há a apresentação de projeto detalhado do empreendimento com cronograma físico financeiro, metas de faturamento e de oferta de mãodeobra, bem como a permanência depende da execução do referido cronograma (artigos 2º, IV e 6º, I, do Decreto nº. 105/2007). Entretanto, falta nos citados dispositivos legais a obrigação expressa da total aplicação dos recursos provenientes da subvenção nos específicos projetos aprovados, o que não impede, como bem salienta a autoridade impetrada, a utilização dos respectivos recursos como formação de capital de giro, por exemplo. Não bastasse isso, a própria legislação de regência obriga o enquadrado no programa no compromisso de contribuição financeira ao Fundo PróEmprego, criado pela Lei Complementar nº. 249, de 2003, equivalente a 2,5% do valor mensal da exoneração tributária decorrente, durante a vigência do tratamento tributário diferenciado (art. 19 do Decreto nº. 105/2007). Ou seja, o próprio programa determina a destinação de parte dos recursos dele decorrentes para fim diverso do projeto econômico aprovado. Dessa forma, não é possível afirmar que o tratamento tributário diferenciado de ICMS, na forma do Programa PróEmprego, amoldase ao conceito de subvenção para investimento, a possibilitar a exclusão dos valores respectivos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL.” (destaquei) Feitas tais considerações, passase à análise do caso concreto. Inicialmente, constatase que se atendeu à condição da contabilização dos valores das subvenções em reserva de capital (art.38, §2º, “a”, do Decretolei nº 1.598/77), consoante explicitou a autoridade fazendária: “...O correspondente benefício fiscal (subvenção) era contabilizado em conta de reserva de capital do grupo patrimônio líquido, sem transitar pelo resultado do exercício”. Entretanto, para a fiscalização os valores decorrentes dos incentivos fiscais estaduais não se caracterizariam como Subvenções para Investimento, porque o benefício previsto no Decreto nº 7.439/98 e alterações (BAHIAPLAST), do Estado da Bahia, não previa “...absoluta correspondência e vinculação entre a percepção da vantagem e a aplicação dos recursos (aplicação efetiva e específica do recursos – ativo fixo)”. Ainda no entender da autoridade autuante, “...o objetivo da norma que outorga isenção é incentivar o investimento. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.000772/200989 Acórdão n.º 1103001.198 S1C1T3 Fl. 376 22 Se não há investimento, é descabida a isenção na literalidade da lei (subvenção para investimento)”. Na presente análise, não se pode olvidar que a condição primeira para o enquadramento de benefícios fiscais como Subvenções para Investimento, repitase, é que devem ter sido concedidos como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos. Senão, vejamos novamente o que dispõe o RIR/99, com base no Decretolei nº 1.598/77: “Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, § 2º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas.” (destaquei) O Decreto Estadual nº 7.439, de 17/9/98, que aprovou o Regulamento do Programa Estadual de Desenvolvimento da Indústria de Transformação Plástica – BAHIAPLAST, dispôs (fls.70/79 do Anexo): “Art.2º São os seguintes os objetivos do BAHIAPLAST: I – fomentar a instalação de novos empreendimentos industriais no segmento de transformação petroquímica e plástica; II – interagir com organismos internos e externos dedicados a estudos na área de desenvolvimento industrial e tecnológico com vistas a instalação, expansão, modernização, consolidação e manutenção de empresas do setor de transformação petroquímica e plástica no parque industrial baiano; ..... Art.5º As empresas interessadas em instalar ou ampliar projetos industriais no território baiano, com incentivos do Programa BAHIAPLAST, poderão pleitear os seguintes benefícios: ..... III – crédito presumido nas operações de saídas de produtos transformados, derivados de produtos químicos petroquímicos básicos e petroquímicos intermediários, de estabelecimentos onde sejam exercidas atividades indicadas no art.10 deste Regulamento, desde que fabricados nesses estabelecimentos. ..... §2º Somente poderá ser deferido o benefício previsto no inciso III, do parágrafo único, do art.9º, deste Regulamento a empresa cujo projeto seja de novo empreendimento e de relevância para a matriz industrial do Estado; Fl. 376DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.000772/200989 Acórdão n.º 1103001.198 S1C1T3 Fl. 377 23 §3º Tratandose de ampliação ou modernização o projeto deverá demonstrar agregação de valor em termos tecnológicos e quantidade de produção que represente capacidade adicional de, no mínimo, 35% (trinta e cinco por cento) da atual capacidade de produção. ..... Art.9º Fica concedido crédito presumido nas operações de saída de produtos transformados, derivados de produtos químicos, petroquímicos básicos e petroquímicos intermediários, de estabelecimentos onde sejam exercidas atividades industriais indicadas no art.10, desde que fabricados nesses estabelecimentos, observadas as condições estabelecidas nesta subseção. Parágrafo único. O crédito presumido previsto neste artigo será de: I – 41,1765% (quarenta e um inteiros e um mil setecentos e sessenta e cinco décimos de milésimos por cento) do imposto destacado quando destinados a adquirentes sediados neste Estado; II – 50% (cinqüenta por cento) do imposto destacado nas operações interestaduais; III – 70% (setenta por cento) do imposto destacado nas operações interestaduais, observado o disposto nos §§1º, 2º e 4º do art.5º deste Regulamento.” Assim, dúvidas não há, à luz do Decreto Estadual nº 7.439/98, de que os benefícios fiscais de que tratava seriam concedidos para fomentar a instalação de novos empreendimentos no parque industrial baiano, ou a ampliação de projetos industriais existentes. Consta dos autos cópia do requerimento da Fly Pack Ltda, atual Prisma Pack (fls.40/68), formulado em 1º/10/01 perante a Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração do Estado da Bahia para a obtenção dos incentivos do Programa BAHIAPLAST, do qual se extraem as seguinte informações: o projeto consistiu na instalação de planta de transformação de resinas de polietileno pelo processo de extrusão plana em filmes para fraudas descartáveis e absorventes higiênicos, que contemplaria no primeiro ano de operação a produção de 3.600 t/ano, atingindo 7.200 t/ano no segundo ano e, a partir do quarto ano de operação, 14.400 t/ano; fixação da área construída de 4.000 m2 no município de Camaçari (BA); a constituição da sociedade deuse em 20/8/01 (40 dias antes da formulação do pedido). Em 11/6/02, à Prisma Pack – Indústria de Filmes Técnicos e Embalagens Ltda concedeuse a habilitação no BAHIAPLAST sob a forma de crédito presumido e diferimento do pagamento do ICMS até 31/12/07, nos termos da Resolução nº 10/2002, do Conselho Deliberativo do BAHIAPLAST (fl.69 do Anexo). Apesar de os benefícios fiscais serem concedidos por um Estado com o objetivo de, por exemplo, manter determinado empreendimento em seu território, fomentando a geração de empregos, inclusive indiretos, e o desenvolvimento ou manutenção de Fl. 377DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.000772/200989 Acórdão n.º 1103001.198 S1C1T3 Fl. 378 24 determinado setor produtivo, no contexto da chamada “guerra fiscal”, a legislação tributária federal apenas autoriza a não inclusão nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, caso visem concretamente a estimular a “implantação ou expansão de empreendimento”, o que não dispensaria a efetiva contrapartida pelo empreendedor em tais objetivos. Como esclarecem Hiromi Higuchi, Fábio Hiroshi Higuchi e Celso Hiroyuki Higuchi (in Imposto de renda das empresas. 36ª ed. São Paulo: IR Publicações, 2011, pp. 269 271), a subvenção do art.443 do RIR/99, ao contrário da Subvenção para Custeio, prevista no art.392, que pode ser utilizada para adquirir mercadorias, matériasprimas ou pagar demais custos ou despesas operacionais, não é tributável porque sua destinação é exclusivamente para investimentos (aquisição de imóvel, máquinas etc.). Na espécie, à luz do Decreto Estadual nº 7.439, de 1998, e do projeto de implantação e expansão da planta industrial, aprovado pela Resolução nº 10/2002, do Conselho Deliberativo do BAHIAPLAST, o estímulo à implantação ou expansão de empreendimento restou comprovado. Por sua vez, acerca da “efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado”, não se pode afastar a concreta possibilidade de os recursos decorrentes do crédito presumido de ICMS terem sido aplicados na implantação e consequente expansão da planta industrial, havendo evidências em tal sentido (v.g., o crescente aumento do ativo imobilizado – fl.167 do Anexo). Ademais, registrese, a autoridade autuante, mesmo à vista das explicações do contribuinte no curso do procedimento fiscal, não apontou efetivamente os elementos comprobatórios da não aplicação da subvenção nos investimentos de implantação/expansão do empreendimento econômico. A propósito, é oportuno mencionar que esta Terceira Turma Ordinária (acórdão nº 110300.555, de 20/10/2011) já entendeu, não obstante com composição distinta, que determinado benefício fiscal, igualmente concedido pelo Estado da Bahia, poderia ser considerado, para fins da legislação do IRPJ e da CSLL, como Subvenção para Investimento. O I. Cons. Marcos Shigueo Takata, em seu voto vencedor, esclareceu, com base na legislação regente, que, caso a intenção de quem transfere os recursos (ou tem o custo econômico) é de subvencionar investimento, estáse diante de transferência de capital e, pois, de subvenção para investimento, ressaltando, com bastante perspicácia, que o dinheiro aplicado na instalação/expansão de empreendimento econômico não se “carimba”. Vejamos, verbis: “[...] se um incentivo fiscal é concedido sob a ‘condição’ de instalação, expansão ou ampliação de empreendimentos, o custo econômico desse incentivo representa uma subvenção para investimento. A caracterização de subvenção para investimento não se dá pela vinculação dos recursos recebidos aos empreendimentos, no sentido de destinação dos recursos a esses investimentos. Isso se ocorrer, constitui elemento acidental: o cerne é o que descrevi acima para configuração de subvenção para investimento. Com a devida vênia, subvenção para investimento não depende da vinculação no sentido de destinação dos recursos, por três razões básicas. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.000772/200989 Acórdão n.º 1103001.198 S1C1T3 Fl. 379 25 Primeiro porque, ordinariamente, o beneficiário primeiro aplica seus recursos, para a realização dos empreendimentos, para depois passar a receber a subvenção para investimento. Basta pensar naquele que resolveu instalar sua fábrica em determinado Estado, por conta da subvenção para investimento na forma de incentivos fiscais. É evidente que só receberá os recursos da subvenção, após ter aplicado seus recursos próprios (ainda que obtidos mediante financiamento). Mesmo nos casos de ampliação de empreendimentos já existentes em certo Estado, o que se dá, em geral, é a aplicação de recursos próprios, e depois o recebimento dos recursos de subvenção para investimento. Segundo porque o aumento de estoque de capital como evidência da intenção de subvencionar investimento não depende da destinação dos recursos aos empreendimentos. Depende (aumento de estoque de capital) certamente da intenção de se subvencionar investimento (empreendimento), geralmente expressa (a intenção) por meio de estímulos ao investimento quando a subvenção se dá através de incentivos fiscais. Noutras palavras, nem o art. 38, § 2º, do Decretolei 1.598/77 prevê referida destinação dos recursos, ao tratar de subvenção para investimento para fins de IRPJ sob regime de lucro real tampouco o direito contábil (art. 182, §1º, “d”, da Lei de S.A.). Terceiro, que não deixa de ser um desdobramento das duas razões citadas, porque o dinheiro não ‘se carimba’, não é possível se ‘carimbálo’. Aliás, no caso de subvenção para investimento por meio de incentivos fiscais, em geral nem se recebe dinheiro, mas outro ativo. E, é claro, mesmo numa subvenção em que se receba dinheiro e o beneficiário o destine a algum empreendimento, se a subvenção for dada com intenção de cobrir despesas ordinárias ou para giro normal da empresa, a subvenção será de custeio ou corrente, e não de investimento. Logo, a contrapartida contábil do recurso recebido será receita (transferência de renda), e não reservas de capital (transferência de capital). Pelo que foi deduzido, e como corolário, a caracterização de subvenção para investimento não se dá, não depende de estreita correlação entre os recursos e aplicação específica nos empreendimentos, ou seja, de sincronismo. Para fins da subvenção, vinculação é relacional ao propósito da subvenção. Ou seja, podese falar em vinculação como relacional à intenção do subvencionador. Neste sentido (e somente neste) se pode dizer em vinculação dos recursos a projetos de investimento aprovados, para o caráter de subvenção para investimento. Não foi diversa a conclusão no Acórdão nº 910100.566, da 1ª Turma da CSRF, da sessão de 17 de maio de 2010, de relatoria Fl. 379DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.000772/200989 Acórdão n.º 1103001.198 S1C1T3 Fl. 380 26 do nobre Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias. Transcrevo sua ementa: Ementa: SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BENEFÍCIO FISCAL. CARACTERIZAÇÃO. CONTRAPARTIDA. NÃO VINCULAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS RECURSOS. A concessão de incentivos às empresas consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento do Estado do Amazonas, dentre eles a restituição total ou parcial do ICMS, notadamente quando presentes a i) intenção da pessoa jurídica de Direito Público em subvencionar determinado empreendimento e o ii) aumento do estoque de capital na pessoa jurídica subvencionada, mediante incorporação dos recursos no seu patrimônio, configura outorga de subvenção para investimentos. O conjunto de obrigações assumidas pela beneficiária, em contrapartida ao favor fiscal, não configura aplicação obrigatória dos recursos transferidos. (grifamos) Também cito o Acórdão nº 9101001.094, da 1ª Turma da CSRF, da sessão de 29 de junho de 2011, no que pertine à questão da vinculação dos recursos e sincronismo, e que teve como relator o nobre Conselheiro Alberto Pinto Jr., assim ementado: IRPJ. Subvenção para Investimento. Na hipótese de implantação de empreendimento, há um descasamento entre o momento da aplicação do recurso e do gozo do benefício a título de subvenção para investimento, razão pela qual, natural que o beneficiário da subvenção para investimento, em um primeiro momento, aplique recursos próprios na implantação do empreendimento, para depois, quando a empresa iniciar suas operações e, consequentemente, começar a pagar o ICMS, comece também a recompor seu caixa do capital próprio anteriormente imobilizado em ativo fixo e outros gastos de implantação.(grifamos) Muito bem. Alhures dissemos que, se um incentivo fiscal é concedido sob a ‘condição’ de instalação, expansão ou ampliação de empreendimentos, o custo econômico desse incentivo representa uma subvenção para investimento.” Pelas razões acima, o benefício fiscal em questão deve, para fins da legislação do IRPJ e da CSLL, ser considerado como Subvenção para Investimento, o que infirma a fundamentação dos autos de infração. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 380DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.000772/200989 Acórdão n.º 1103001.198 S1C1T3 Fl. 381 27 Fl. 381DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10814.007929/2008-12
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 19/04/2008
INFRAÇÃO POR ATRASO NO REGISTRO DA CHEGADA DE AERONAVE NO PAÍS. REGISTRO NO SISTEMA MANTRA APÓS O MOMENTO DA EFETIVA CHEGADA. APLICAÇÃO DE MULTA REGULAMENTAR. POSSIBILIDADE.
O registro, no sistema Mantra, após o momento da chegada, no País, de aeronave procedente do exterior configura infração por descumprimento de obrigação acessória, sancionada com a correspondente multa regulamentar.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407.,
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 19/04/2008 INFRAÇÃO POR ATRASO NO REGISTRO DA CHEGADA DE AERONAVE NO PAÍS. REGISTRO NO SISTEMA MANTRA APÓS O MOMENTO DA EFETIVA CHEGADA. APLICAÇÃO DE MULTA REGULAMENTAR. POSSIBILIDADE. O registro, no sistema Mantra, após o momento da chegada, no País, de aeronave procedente do exterior configura infração por descumprimento de obrigação acessória, sancionada com a correspondente multa regulamentar. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407., (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 19/04/2008 INFRAÇÃO POR ATRASO NO REGISTRO DA CHEGADA DE AERONAVE NO PAÍS. REGISTRO NO SISTEMA MANTRA APÓS O MOMENTO DA EFETIVA CHEGADA. APLICAÇÃO DE MULTA REGULAMENTAR. POSSIBILIDADE. O registro, no sistema Mantra, após o momento da chegada, no País, de aeronave procedente do exterior configura infração por descumprimento de obrigação acessória, sancionada com a correspondente multa regulamentar. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407., (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 00 79 29 /2 00 8- 12 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10814.007929/200812 Acórdão n.º 3801005.331 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no que importa ao entendimento dos fatos: O interessado foi autuado em face de "não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar". Foi lançada a multa capitulada no DecretoLei n° 37/1966, artigo 107, inciso IV, alínea "e", no valor de R$ 5.000,00. Segundo a "descrição dos fatos" do auto de infração (fls. 5 a 7 do "eprocesso") (destaques meus): "No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, em procedimento rotineiro de fiscalização aduaneira, supervisionando a equipe de vigilância das operações de desembarque de carga estrangeira chegadas a este Aeroporto Internacional Governador André Franco Montoro, Guarulhos, São Paulo, nos horários, condições e dados abaixo detalhadamente informados e registrados, constatamos que o Transportador Aéreo Internacional acima identificado como autuado (ANEXOl), não registrou a chegada do veículo transportador; no caso a chegada da aeronave no momento do pouso, conforme determina expressamente a legislação aduaneira (vide enquadramento legal). (•••) No caso em tela o Relatório de Ocorrência do Termo de Entrada e o Extrato do Manifesto de Carga do Sistema Mantra, comprovam que o transportador aéreo internacional retardou em muito a informação de chegada do veículo (06h:57min), pois até a hora e data indicadas no manifesto eletrônico o Termo de Entrada ainda não havia sido emitido, o que contraria frontalmente a legislação aduaneira, mister o artigo 9° da Instrução Normativa n° 102 de 1994 que. determina que o registro da chegada do veículo procedente do exterior deve ser efetuado no momento de sua chegada. Para que a ocorrência fique de todo comprovada anexamos ao presente o Extrato do Manifesto de Carga do Sistema Mantra (ANEX02) com as informações de carga,atentando que o campo do número do Termo de Entrada na parte superior contém a expressão "SEM TERMO", o que indica a não lavratura do mesmo até aquele momento (08h:08min). A fiscalização emitiu, então, o extrato Mantra em anexo, como pode ser constatado também na parte superior do mesmo, bem após a chegada da aeronave. Anexamos o Termo de Entrada (ANEXOS), gerado pelo sistema, imediatamente após o Fl. 106DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10814.007929/200812 Acórdão n.º 3801005.331 S3TE01 Fl. 4 3 transportador ter, intempestivamente, informado os dados requeridos pela legislação. (•••) Intimado em 8/5/2008, o interessado apresentou impugnação em 28/5/2008 (fls. 17 e ss.). Alega: 1. Foi autuada ter supostamente deixado de informar os dados de embarque de mercadorias advindas do exterior. 2.Foi considerado infringido o artigo 9° da Instrução Normativa SRF n° 102/1994. 3.A função tributária deve realizarse por atividade administrativa plenamente vinculada. O princípio da legalidade objetiva deve governar toda atividade procedimental e processual tributária. Cita doutrina e o princípio da segurança jurídica. 4.O princípio da segurança jurídica somente permite que o agente fiscal lavre auto de infração se tiver real ciência de determinados fatos que, em tese, tipificam ilícitos tributários, mediante a rigorosa observação dos procedimentos formais, previstos em lei, para provar que tais fatos ocorreram. 5.Não houve subsunção do fato (abertura de termo de entrada "intempestiva") com a hipótese do artigo 107, IV, "e" da Lei n° 10.833/2003 (na verdade, do DecretoLei n° 37/1966). 6.O impugnante realizou a abertura do termo de entrada de forma "tardia" (30 minutos), o que não se confunde com o fato de deixar de prestar informação sobre carga transportada. 7.Houve violação do princípio da razoabilidade. 8.A exigência feita pelas autoridades aduaneiras para que o termo de abertura seja registrado no exato momento da chegada da aeronave mostrase exacerbada, pois, em razão do exercício da atividade própria desenvolvida pela empresa autuada, é humanamente impossível realizar de imediato a abertura de todos os termos de entrada relacionada a cada um dos vôos internacionais operados pela Impugnante. 9.O "atraso" não supera 30 minutos. Prazo efetivamente razoável. 10.É manifesto o excesso de punição. Não houve prejuízo ao Fisco. 11.Cita julgado do Superior Tribunal de Justiça (STJ). 12.Em situação análoga, relativa à exportação de mercadorias, o prazo fixado pela legislação aduaneira é de 2 dias (Instrução Normativa SRF n° 28/1994, artigo 37). Fl. 107DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10814.007929/200812 Acórdão n.º 3801005.331 S3TE01 Fl. 5 4 13.Requer o cancelamento da multa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) julgou improcedente a Impugnação, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 19/04/2008 O DL 37/1966, artigo 107, IV, "e", prevê multa à conduta de "deixar de prestar informação", "sobre veículo ou carga", "na forma e no prazo" estabelecidos pela Receita Federal. O registro de chegada de veículo procedente do exterior ou portando carga sob regime de trânsito aduaneiro deverá ser efetuado, conforme o caso, pelo transportador ou pelo beneficiário do regime de trânsito, na unidade local da Receita Federal, no momento de sua chegada, sob pena de sujeitarse o infrator à multa prevista pelo artigo 107, IV, "e", do DL 37/1966 (IN SRF 102/1994, artigo 9°). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho repisando as alegações ofertadas quando da impugnação, alegando ainda a ocorrência do instituto da denúncia espontânea no presente caso. É o Relatório. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10814.007929/200812 Acórdão n.º 3801005.331 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. No presente caso foi lavrado Auto de Infração para cobrança da multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, abaixo transcrita, haja vista o descumprimento da obrigação acessória disposta no art. 9 da IN SRF no. 102/94: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ir empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. (Grifado) A IN SRF n° 102/94, norma complementar que trata do prazo e da forma da prestação de informação sobre a chegada no País de veículo aéreo procedente do exterior, assim dispunha em seu art. 9º: Art. 9º O registro de chegada de veículo procedente do exterior ou portando carga sob regime de trânsito aduaneiro deverá ser efetuado, conforme o caso, pelo transportador ou pelo beneficiário do regime de trânsito, na unidade local da SRF, no momento de sua chegada, cabendolhe, simultaneamente, a entrega à fiscalização aduaneira dos manifestos e dos respectivos conhecimentos de carga e, quando for o caso, dos documentos de trânsito aduaneiro. § 1º A falta de informações sobre carga procedente do exterior previamente à chegada de veículo ou sobre carga procedente de trânsito, associada à não entrega dos documentos de que trata o "caput" deste artigo, implicará na configuração de declaração negativa de carga, nos moldes do previsto pelo parágrafo único do art. 46 do Decreto n° 91.030, de 5 de março de 1985. § 2º Quando não atendido o disposto neste artigo, o AFTN deverá proceder ao respectivo registro da chegada, sem prejuízo da aplicação das penalidades cabíveis. § 3° A chegada do veículo caracterizará, para efeitos fiscais, o fim da espontaneidade prevista no art. 138 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. (Grifado) Fl. 109DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10814.007929/200812 Acórdão n.º 3801005.331 S3TE01 Fl. 7 6 A norma complementar retrocitada estabelece que o registro de chegada de aeronave procedente do exterior deverá ser efetuado pelo transportador no momento de sua chegada no País. No caso em tela, embora os dados do sistema Siscomex/Mantra indiquem a chegada da aeronave do Vôo BLC8081 em 19/4/2008, às 6h58m, o registro de sua chegada não havia sido feito pela transportadora no Sistema MANTRA, até às 08:08 horas daquele dia. Assim, se houve o descumprimento do prazo de registro determinado na referido preceito normativo, caracterizado pelo momento da chegada da aeronave no País, indubitavelmente, consumouse a conduta infratora prevista determinada na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003. É oportuno ainda ressaltar que o registro da chegada da aeronave, no Sistema Mantra, implica abertura do termo de entrada, documento indispensável para controle aduaneiro das cargas transportadas e descarregadas no recinto alfandegado local. Da aplicação do instituto da denúncia espontânea No entendimento do STJ, conforme comprovam diversos julgados, a entrega extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A prestação de informações nos sistemas Siscomex/Mantra, como é o caso, é uma obrigação acessória e, aplicandose essa linha de raciocínio, deveria se observar a aplicação da Súmula CARF n° 49, que adota a mesma interpretação: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No entanto, essa discussão foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das Fl. 110DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10814.007929/200812 Acórdão n.º 3801005.331 S3TE01 Fl. 8 7 penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Apesar de alguns julgados recentes do CARF estarem admitindo a caracterização da denúncia espontânea com fundamento da nova redação do dispositivo, entendo que na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Esse entendimento, do qual eu compartilho, foi evidenciado em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a TO. S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2°, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10814.007929/200812 Acórdão n.º 3801005.331 S3TE01 Fl. 9 8 Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Assim, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo, no caso a prestação de informação no MANTRA, sistema de controle informatizado de cargas, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, implicaria no esvaziamento do dever instrumental, Fl. 112DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10814.007929/200812 Acórdão n.º 3801005.331 S3TE01 Fl. 10 9 comprometendo o controle aduaneiro efetuado pela autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. Quanto às alegações da recorrente de que a imposição da penalidade viola os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, respeitam a matéria cuja discussão é estranha à competência deste Colegiado. Com efeito, na via administrativa o exame da lide há de se ater apenas à aplicação da legislação vigente, sendo descabido pronunciarse sobre a validade ou constitucionalidade dos atos legais, matéria que se encontra afeta ao Supremo Tribunal Federal, como se verifica dos artigos 102, I, “a” e III, “b”, da CRFB. Matéria está pacificada no âmbito administrativo, tendo sido objeto da Súmula CARF no 2, consolidada na Portaria CARF no 52, de 21/12/2010 (DOU de 23/12/2010), que dispôs, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 113DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.723639/2012-82
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício:2008,2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO.
Acolhem-se os embargos de declaração, para o fim de suprir a contradição que é aquela havida no interior da própria decisão.
Numero da decisão: 1803-002.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração opostos pela Estrutural Serviços Industriais Ltda, para rerratificar o Acórdão da 3ª TE/4ª CÂMARA/1ª SEJUL/CARF nº 1803-002.300, de 26.08.2014, afastando a contradição sem alterar o decidido, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício:2008,2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO. Acolhem-se os embargos de declaração, para o fim de suprir a contradição que é aquela havida no interior da própria decisão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração opostos pela Estrutural Serviços Industriais Ltda, para rerratificar o Acórdão da 3ª TE/4ª CÂMARA/1ª SEJUL/CARF nº 1803-002.300, de 26.08.2014, afastando a contradição sem alterar o decidido, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
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CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO. Acolhemse os embargos de declaração, para o fim de suprir a contradição que é aquela havida no interior da própria decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração opostos pela Estrutural Serviços Industriais Ltda, para rerratificar o Acórdão da 3ª TE/4ª CÂMARA/1ª SEJUL/CARF nº 1803002.300, de 26.08.2014, afastando a contradição sem alterar o decidido, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 273286, com a exigência do crédito tributário no valor de R$641.186,47 a título de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional referente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 36 39 /2 01 2- 82 Fl. 609DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.723639/201282 Acórdão n.º 1803002.551 S1TE03 Fl. 610 2 ao quarto trimestre do anocalendário de 2007 e primeiro e segundo trimestres do ano calendário de 2008 apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido. O lançamento fundamentase na aplicação indevida no coeficiente de determinação do lucro presumido, em conformidade com a análise do Contrato nº 12000031684072, fls. 93114, pactuado entre a Contratante/Petróleo Brasileiro S/A – Petrobrás (CNPJ 33.000.167/000101) e a Contratada/Recorrente, em vez que “ a prestação de serviços na área da engenharia mecânica ou mesmo de serviços em geral, com ou sem fornecimento de materiais, tem suas receitas sujeitas à aplicação do percentual de 32% para determinação da base de cálculo presumida, tanto do IRPJ, quanto da CSLL”, de acordo com o Relatório da Ação Fiscal, fls. 255272. Houve aplicação incorreta do percentual de determinação do lucro presumido de 8% sobre as receitas tributáveis auferidas na atividade de prestação de serviços, quando o correto, para esta atividade, seria 32%, o que acarretou as diferenças a menor de IRPJ apurado pelo sujeito passivo, em conformidade com o Relatório Fiscal, fls. 255272. O valor do IRPJ apurado de ofício pela diferença e aplicado o coeficiente de 24% sobre receita para fins de apuração da base tributável. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação, fls. 289313. Está registrado como ementa do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 10 40.767, de 11.10.2012, fls. 426438: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2007, 31/03/2008, 30/06/2008 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. NÃO COMPROVAÇÃO DESTA ATIVIDADE. As atividades de montagem e manutenção industrial, ainda que realizadas sob a modalidade de empreitada, não caracterizam obras de construção civil, sujeitando as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento) para determinar a base de cálculo do IRPJ sob o regime de tributação com base no lucro presumido. COMPROVAÇÃO DO EMPREGO DE TODOS OS MATERIAIS INDISPENSÁVEIS. Mesmo na atividade de prestação de serviços de construção civil sob o regime de empreitada, o percentual de presunção do lucro é de 32%, quando não houver comprovação do fornecimento de todos os materiais indispensáveis à execução da obra. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada em 12.11.2012, fl. 441, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 28.11.2012, fls. 443472. Consta como ementa do Acórdão da 3ª TE/4ª CÂMARA/1ª SEJUL/CARF nº 1803002.300, de 26.08.2014, fls. 540574: Fl. 610DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.723639/201282 Acórdão n.º 1803002.551 S1TE03 Fl. 611 3 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício:2008,2009 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA. EMPREGO DE TODOS OS MATERIAIS. A partir de 01.01.1999, para fins de apuração do lucro presumido, na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo da CSLL somente será de 8% (oito por cento) quando houver emprego de mão de obra e de todos os materiais indispensáveis à sua execução, que sejam inclusive incorporados à obra. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. [...] Acordam os membros do Colegiado: (1) por voto de qualidade dar provimento ao recurso voluntário em relação à atividade de construção civil; vencidos os Conselheiros Sérgio Rodrigues Mendes, Ricardo Diefenthaeler e Henrique Heiji Erbano que negavam provimento ao recurso voluntário; (2) por voto de qualidade dar provimento ao recurso voluntário em relação à contratação por empreitada; vencidos os Conselheiros Sérgio Rodrigues Mendes, Ricardo Diefenthaeler e Henrique Heiji Erbano que negavam provimento ao recurso voluntário; (3) por maioria de votos negaram provimento ao recurso voluntário em relação ao fornecimento de materiais; vencidos os Conselheiros Arthur José André Neto e Meigan Sack Rodrigues que davam provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. [...] Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Cientificada em 10.11.2014, fl. 585, a pessoa jurídica, Estrutural Serviços Industriais Ltda, apresentou embargos de declaração em 17.11.2014, (segunda feira), fls. 587 597, argumentando, em síntese que há contradição no Acórdão da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 1803002.300, de 26.08.2014, fls. 540574: 2 A CONTRADIÇÃO NO V. ACÓRDÃO EMBARGADO 2.1 Demonstrarseá nas linhas que seguem que, quanto ao tópico MATERIAIS UTILIZADOS/APLICADOS/FORNECIDOS PELA EMBARGANTE, há uma flagrante e inconteste contradição no voto vencedor do v. acórdão embargado, na medida em que, pelo que é possível extrair das justificativas apresentadas para NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO, o entendimento da Relatora foi no sentido de que, para o reconhecimento do direito perseguido pela Fl. 611DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.723639/201282 Acórdão n.º 1803002.551 S1TE03 Fl. 612 4 Embargante (fls. 560),"... a base de cálculo do imposto de renda mensal deve ser de 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade e de mão de obra ou de (b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, ou seja, sem o emprego de materiais, conhecida como empreitada de lavor." (o grifo é nosso). 2.2 Estranhamente, e aí reside a contradição, na parte conclusiva do seu voto, a Eminente Relatora apresentou outra justificativa para negar provimento ao recurso voluntário nessa parte, como se infere no contido nas seguintes passagens do seu voto [...]. 2.3 A contradição mostrase bem evidente na medida em que, numa determinada passagem do voto, às fls. 560, a ilustre Relatora argumenta que "(...) a base de cálculo do imposto de renda mensal deve ser de 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade e de mão de obra (...)" enquanto que, mais adiante, às fls. 573, a justificativa apresentada foi no sentido de que, "por falta de cumprimento todas as condições legais, quais sejam fornecer a mão de obra e todos os materiais indispensáveis à sua execução, que sejam inclusive incorporados à obra". 2.4 De se registrar que ambos os entendimentos fazem parte do voto condutor da r. decisão, tendo em vista que este vai das fls. 552 até a de n. 574. 2.5 De verse, ademais, que a eminente Relatora, ao elaborar o seu voto, tomou a cautela de se reportar a diversos dispositivos de lei e de atos infralegais, especificamente para justificar o seu entendimento no sentido de que a atividade da Embargante é de construção civil, que, no caso, se trata de contratação por empreitada, e que não pode ser dado provimento ao recurso voluntário em relação ao fornecimento de materiais, dando a entender, na parte final do seu voto, que o direito de tributação do IRPJ com base no lucro presumido, tomando por base o percentual de 8% sobre a receita bruta auferida, somente pode ser exercitado se houver o fornecimento de todo o material. 2.6 A legislação referida/invocada pela Relatora é a que segue: a) Lei nº 8.541/1992, que determinava a obrigatoriedade de tributação com base no lucro real, considerando as atividades exercidas pela pessoa jurídica, dentre as quais foram incluídas as "pessoas jurídicas que se dediquem à compra e à venda, ao loteamento, à incorporação ou à construção de imóveis e à execução de obras de construção civil" (art. 5o , inciso IV) (fls. 554); b) Lei nº 9.249/1995, (arts. 2º , 15 e 20) que fixou os percentuais do lucro presumido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (fls. 555/556); c) O Ato Declaratório Normativo Cosit n° 6/1996, que determina que, para fins de tributação do IRPJ com base no lucro presumido "na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais em qualquer quantidade: b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais" (o grifo é nosso); d) Lei n° 9.718/1998, arts. 14 e 17, que relaciona as atividades submetidas à tributação com base no lucro real, a partir de janeiro de 1999, não estando, ai, a de construção civil e/ou de construção por empreitada (fls. 556/557); Fl. 612DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.723639/201282 Acórdão n.º 1803002.551 S1TE03 Fl. 613 5 e) a Instrução Normativa SRF nº 480/2004, que determina a obrigatoriedade de retenção na fonte, do IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP, pelos órgãos da administração federal direta, autarquias, fundações federais, empresas públicas, sociedades de economia mista e demais entidades com participação da União, quando pagarem às pessoas jurídicas pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços. Estão incluídos no rol, os "serviços prestados com emprego de materiais, os serviços contratados com previsão de fornecimento de material, cujo fornecimento de material esteja segregado da prestação de serviço no contrato, e desde que discriminado separadamente no documento fiscal de prestação de serviços" (art. 1º , § 7º , I); o inciso II do § 7º, do art. 1 desta IN, diz que CONSIDERASE: "construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra (...)"; f) Manual de Perguntas e Respostas , Capítulo XIII, Lucro Presumido, 2013, pergunta 009, que trata de pessoas jurídicas que não podem optar pelo lucro presumido. Nesse rol, não consta a atividade exercida pela Embargante. Na resposta à pergunta de n. 009 (fls. 558 a 560), ainda consta o que segue: "Qual a base de cálculo para as empresas que executam obras de construção civil e optam pelo lucro presumido? O percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviços de construção civil é de 32% (trinta e dois por cento) quando houver o emprego unicamente de mão de obra, e de 8% (oito por cento) quando se tratar de contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. (...) Normativo: IN SRF n° 480, de 2004, art. 1a, § 7º, II, e art. 32, II, com alteração dada pela IN SRF n° 539, de 2005". 2.7 Pelo enunciado supra, constatase que não há, em NENHUMA DAS LEIS CITADAS, qualquer orientação no sentido de que, em contratos como o que está em análise neste processo administrativo, para o reconhecimento da tributação com base no lucro presumido, na forma adotada pela Embargante, haveria a necessidade de fornecimento de todo o material. 2.8 Ademais disso, chama a atenção o fato de logo depois de ter sido feita a referência aos dispositivos legais e infralegais supra, a Eminente Relatora ter se manifestado nos seguintes termos: (fls. 560), "Especificamente em relação à atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal deve ser de 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade e de mão de obra ou de (b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, ou seja, sem emprego de materiais, conhecida como empreitada de lavor." (grifamos). 2.9 A contradição existente no v. acórdão Embargado, [...] já referido, está por demais evidenciada quando, mais adiante (fls. 572), foi dito que "a legislação tributária exige de plano (...) o emprego de todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra." Fl. 613DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.723639/201282 Acórdão n.º 1803002.551 S1TE03 Fl. 614 6 2.10 Como se demonstrou, NÃO EXISTE DISPOSITIVO DE LEI que contenha, no seu bojo, norma impositiva no sentido de que devem ser entregues todos os materiais indispensáveis à execução da obra de construção civil. Tal exigência, como visto, consta de atos infralegais, o que afronta, de plano, dispositivos do Código Tributário Nacional (arts. 97, 110, 114 e 144), que exigem a previsão DE LEI, em situações como a que está em julgamento. 2.11 Diante da contradição existente e comprovada no v. acórdão embargado, impõese a manifestação desta Egrégia Turma Especial, para o fim de afastála, tornando, ao fim e ao cabo, possível a execução do julgado. 3 DO PEDIDO Em face do exposto, requer, a Embargante, que sejam acolhidos e providos os presentes embargos, para o fim de eliminar a contradição existente, com o que espera, ela, que sejam acolhidas as razões de direito expostas no recurso voluntário, na sua amplitude, para o fim de lhe DAR PROVIMENTO. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Os Embargos de Declaração opostos pela Estrutural Serviços Industriais Ltda atendem aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Assim, deles tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A pessoa jurídica argui que há contradição no Acórdão embargado. Acolhemse os embargos de declaração, para o fim de suprir a contradição que é aquela havida no interior da própria decisão. Sobre a legislação mencionada nos embargos de declaração, temse que: A Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, determina: Art. 5° Sem prejuízo do pagamento mensal do imposto sobre a renda, de que trata o art. 3°, desta lei, a partir de 1° de janeiro de 1993, ficarão obrigadas à apuração do lucro real as pessoas jurídicas: I cuja receita bruta total, acrescida das demais receitas e dos ganhos de capital, no anocalendário anterior, tiver ultrapassado o limite correspondente a 9.600.000 Ufir, ou o Fl. 614DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.723639/201282 Acórdão n.º 1803002.551 S1TE03 Fl. 615 7 proporcional ao número de meses do período quando inferior a doze meses; II constituídas sob a forma de sociedade por ações, de capital aberto; III cujas atividades sejam de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização e entidades de previdência privada aberta; IV que se dediquem à compra e à venda, ao loteamento, à incorporação ou à construção de imóveis e à execução de obras da construção civil; V que tenham sócio ou acionista residente ou domiciliado no exterior; VI que sejam sociedades controladoras, controladas e coligadas, na forma da legislação vigente; VII constituídas sob qualquer forma societária, e que de seu capital participem entidades da administração pública, direta ou indireta, federal, estadual ou municipal; VIII que sejam filiais, sucursais, agências ou representações, no País, de pessoas jurídicas com sede no exterior. IX que forem incorporadas, fusionadas, ou cindidas no ano calendário em que ocorrerem as respectivas incorporações, fusões ou cisões; X que gozem de incentivos fiscais calculados com base no lucro da exploração. A Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, determina: Art. 2º O imposto de renda das pessoas jurídicas e a contribuição social sobre o lucro líquido serão determinados segundo as normas da legislação vigente, com as alterações desta Lei. [...] Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Vide Lei nº 11.119, de 2005) (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: Fl. 615DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.723639/201282 Acórdão n.º 1803002.551 S1TE03 Fl. 616 8 I um inteiro e seis décimos por cento, para a atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II dezesseis por cento: a) para a atividade de prestação de serviços de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput deste artigo; b) para as pessoas jurídicas a que se refere o inciso III do art. 36 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 da referida Lei; III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, [...]; b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). [...] Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1º do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) O Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 13 de janeiro de 1997, determina: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 147, inciso III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o disposto no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 3º da IN SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: Fl. 616DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.723639/201282 Acórdão n.º 1803002.551 S1TE03 Fl. 617 9 I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais. II As pessoas jurídicas enquadradas no inciso I, letra "a", deste Ato Normativo, não poderão optar pela tributação com base no lucro presumido. Na época da edição do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 13 de janeiro de 1997, em relação à atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal deve ser de (a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade e de mão de obra, caso em que é vedada a opção pelo lucro presumido, ou de (b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, ou seja, sem o emprego de materiais, conhecida como empreitada de lavor. Vale esclarecer que somente com a edição da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, as pessoa jurídicas que se dedicavam a atividade de construção por empreitada que utilizassem o percentual de 8% a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal passaram a poder optar pelo lucro presumido. A mencionada Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, veio disciplinar de forma diferenciada o regime de tributação das pessoas jurídicas no seguinte sentido: Art.14. Estão obrigadas à apuração do lucro real as pessoas jurídicas: I cuja receita total, no anocalendário anterior seja superior ao limite de R$ 48.000.000,00 (quarenta e oito milhões de reais), ou proporcional ao número de meses do período, quando inferior a 12 (doze) meses; (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) I cuja receita total no anocalendário anterior seja superior ao limite de R$ 78.000.000,00 (setenta e oito milhões de reais) ou proporcional ao número de meses do período, quando inferior a 12 (doze) meses; (Redação dada pela Lei nº 12.814, de 2013) (Vigência) II cujas atividades sejam de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização e entidades de previdência privada aberta; Fl. 617DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.723639/201282 Acórdão n.º 1803002.551 S1TE03 Fl. 618 10 III que tiverem lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior; IV que, autorizadas pela legislação tributária, usufruam de benefícios fiscais relativos à isenção ou redução do imposto; V que, no decorrer do anocalendário, tenham efetuado pagamento mensal pelo regime de estimativa, na forma do art. 2° da Lei n° 9.430, de 1996; VI que explorem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). VII que explorem as atividades de securitização de créditos imobiliários, financeiros e do agronegócio.(Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) [...] Art.17. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: [...] II em relação aos arts. 9° e 12 a 15, a partir de 1° de janeiro de 1999. Nesse sentido, é cristalino que a partir de 01.01.1999 a pessoa jurídica que se dedica à execução de obras da construção civil pode optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido, tendo em vista a supressão legislativa da vedação prevista originalmente no inciso IV do art. 5º da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, reiterada no Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 13 de janeiro de 1997. Por seu turno, a Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004, editada pelo então Secretário da Receita Federal, no uso de sua competência conferida pelo inciso III do art 209 do Regimento Interno da SRF, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, vigente à época, prevê: Art. 1º Os órgãos da administração federal direta, as autarquias, as fundações federais, as empresas públicas, as sociedades de economia mista e as demais entidades em que a União, direta ou indiretamente detenha a maioria do capital social sujeito a voto, e que recebam recursos do Tesouro Nacional e estejam obrigadas a registrar sua execução orçamentária e financeira no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi) reterão, na fonte, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e a Contribuição para o PIS/Pasep sobre os pagamentos que efetuarem às pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços em geral, inclusive obras, observados os procedimentos previstos nesta Instrução Normativa. [...] § 7º Para os fins desta Instrução Normativa considerase: Fl. 618DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.723639/201282 Acórdão n.º 1803002.551 S1TE03 Fl. 619 11 I serviços prestados com emprego de materiais, os serviços contratados com previsão de fornecimento de material, cujo fornecimento de material esteja segregado da prestação de serviço no contrato, e desde que discriminados separadamente no documento fiscal de prestação de serviços; II construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. [...] Art. 32. As disposições constantes nesta Instrução Normativa: (Redação dada pela IN SRF nº 539, de 25 de abril de 2005 ) I alcançam somente a retenção na fonte do IRPJ, da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, realizada para fins de atendimento ao estabelecido nos arts. 64 da Lei nº 9.430, de 1996 , e 34 da Lei nº 10.833, de 2003 ; ( Incluído pela IN SRF n° 539, de 25 de abril de 2005 ) II não alteram a aplicação dos percentuais de presunção para efeito de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que estão sujeitas as pessoas jurídicas beneficiárias dos respectivos pagamentos, estabelecidos no art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995 , exceto quanto aos serviços de construção por empreitada com emprego de materiais, de que trata o inciso II do art 1º, e aos serviços hospitalares, de que trata o art. 27. ( Incluído pela IN SRF n° 539, de 25 de abril de 2005 ) Especificamente em relação à atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal deve ser de (a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de todos os materiais e de mão de obra ou de (b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, ou seja, sem o emprego de materiais, conhecida como empreitada de lavor. A RFB interpretando toda a legislação tributária pertinente emitiu o seguinte entendimento no Manual de Perguntas e Respostas, Capítulo XIII – IRPJ – Lucro Presumido 20131, cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: 009 Quem não pode optar pelo regime do lucro presumido, ainda que preenchendo o requisito relativo ao limite máximo de receita bruta? São aquelas pessoas jurídicas que, por determinação legal, estão obrigadas à apuração do lucro real, a seguir: a) pessoas jurídicas cujas atividades sejam de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, 1 Disponível em : <http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/perguntao/dipj2013/Capitulo_XIII_IRPJLucroPresumido_2013.pdf>. Acesso em: 29 abr. 2014. Fl. 619DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.723639/201282 Acórdão n.º 1803002.551 S1TE03 Fl. 620 12 sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguro privado e de capitalização e entidades de previdência privada aberta; b) pessoas jurídicas que tiverem lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior; c) pessoas jurídicas que, autorizadas pela legislação tributária, queiram usufruir de benefícios fiscais relativos à isenção ou redução do imposto de renda; d) pessoas jurídicas que, no decorrer do anocalendário, tenham efetuado o recolhimento mensal com base em estimativa; e) pessoas jurídicas que explorem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou 8 de prestação de serviços (factoring). Notas: A obrigatoriedade a que se refere o item “b” acima não se aplica à pessoa jurídica que auferir receita de exportação de mercadorias e da prestação direta de serviços no exterior. Não se considera direta a prestação de serviços realizada no exterior por intermédio de filiais, sucursais, agências, representações, coligadas, controladas e outras unidades descentralizadas da pessoa jurídica que lhes sejam assemelhadas. A pessoa jurídica que houver pago o imposto com base no lucro presumido e que, em relação ao mesmo anocalendário, incorrer em situação de obrigatoriedade de apuração pelo lucro real por ter auferido lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior, deverá apurar o IRPJ e a CSLL sob o regime de apuração pelo lucro real trimestral a partir, inclusive, do trimestre da ocorrência do fato. Também, não poderão optar pelo regime do lucro presumido: a) as microempresas e empresas de pequeno porte do Simples Nacional constituídas como Sociedade de Propósito Específica SPE, nos termos do artigo 56 da Lei Complementar nº 123/2006; b) as pessoas jurídicas que exerçam as atividades de construção, incorporação, compra e venda de imóveis, enquanto não concluídas as operações imobiliárias para as quais haja registro de custo orçado; e c) que explorem as atividades de securitização de créditos imobiliários, financeiros e do agronegócio. Normativo: Lei nº 9.718, de 1998, art. 14; RIR/1999, art. 246; IN SRF nº 025, de 1999; Fl. 620DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.723639/201282 Acórdão n.º 1803002.551 S1TE03 Fl. 621 13 Lei nº 12.249, de 2010, art. 22; e ADI SRF nº 5, de 2001. [...] 019 Qual a base de cálculo para as empresas que executam obras de construção civil e optam pelo lucro presumido? O percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção civil é de 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, e de 8% (oito por cento) quando se tratar de contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. Notas: As pessoas jurídicas que exerçam as atividades de compra e venda, loteamento, incorporação e construção de imóveis não poderão optar pelo lucro presumido enquanto não concluídas as operações imobiliárias para as quais haja registro de custo orçado (IN SRF nº 25, de 1999, art. 2º;) Não serão considerados como materiais incorporados à obra, os instrumentos de trabalho utilizados e os materiais consumidos na execução da obra. (IN SRF nº 480, de 2004, art. 1º, § 9º) [...] Normativo: IN SRF nº 480, de 2004, art. 1º, § 7º, II e art. 32, II, com a alteração dada pela IN SRF nº 539, de 2005)) Com base nessas considerações jurídicas, o Acórdão embargado deve ser alterado nos seguintes termos: De Especificamente em relação à atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal deve ser de (a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade e de mão de obra ou de (b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, ou seja, sem o emprego de materiais, conhecida como empreitada de lavor 2. Para: Resumindo. Especificamente em relação à atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal deve ser de (a) 8% (oito por cento) quando houver emprego os materiais em qualquer quantidade e de mão de obra ou de (b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, ou seja, sem o emprego de materiais, conhecida como empreitada de lavor, em 2 Fundamentação legal: Fundamentação legal: art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º, art. 5º, art. 25 e art. 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.art. 29 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 e Ato Declaratório Normativo Cosit n° 6, de 13 de janeiro de 1997. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.723639/201282 Acórdão n.º 1803002.551 S1TE03 Fl. 622 14 conformidade com o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 13 de janeiro de 1997. Vale esclarecer que somente com a edição da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, as pessoa jurídicas que se dedicavam a atividade de construção por empreitada que utilizassem o percentual de 8% a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal passaram a poder optar pelo lucro presumido. Por seu turno, a Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004, que entrou em vigor no dia 29.12.2004, especialmente em relação à atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal deve ser de (a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de todos os materiais e de mão de obra ou de (b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, ou seja, sem o emprego de materiais, conhecida como empreitada de lavor. Caso haja o emprego de mão de obra e não haja emprego de todos os materiais indispensáveis à sua execução, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do IRPJ será de 32% (trinta e dois por cento). O período objeto da ação fiscal referente ao quarto trimestre do ano calendário de 2007 e primeiro e segundo trimestres do anocalendário de 2008 e assim aplicase a legislação então vigente na data do fato gerador, ou seja, a Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004, que impõe que a atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal deve ser de (a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de todos os materiais e de mão de obra, nos termos do art. 144 do Código Tributário Nacional. Reiterese que caso haja o emprego de mão de obra e não haja emprego de todos, assim entendido a totalidade dos materiais indispensáveis à sua execução, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do IRPJ será de 32% (trinta e dois por cento). Isto é, aplicase o percentual de 32% (trinta e dois por cento) quando a empreitada for parcial, com fornecimento de parte do material, ou exclusivamente de mãodeobra (empreitada de lavor). Tem cabimento esclarecer que a Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004, foi editada pelo então Secretário da Receita Federal, no uso de sua competência conferida pelo inciso III do art 209 do Regimento Interno da SRF, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, vigente à época. O mesmo entendimento consta na Solução de Consulta Cosit nº 8, de 07 de janeiro de 2014 (Publicada no DOU de 02.04.2014, Seção 1, pág. 36): ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ EMENTA: Lucro presumido. Construção civil. Empreitada. Fornecimento de material. Percentual. Às receitas decorrentes da prestação de serviços de construção civil somente se aplica o percentual de presunção de 8% (oito por cento) para o IRPJ na hipótese de contratação por empreitada na modalidade total, com fornecimento, pelo empreiteiro, de todos os materiais indispensáveis à execução da obra, sendo tais materiais incorporados a esta. As demais receitas decorrentes de prestação de serviços, salvo as de serviços médicos e hospitalares definidos na legislação, sujeitamse ao percentual de presunção de 32% (trinta e dois por cento). Fl. 622DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.723639/201282 Acórdão n.º 1803002.551 S1TE03 Fl. 623 15 DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.249, de 1995, com alterações, art. 15, § 1º, III, “a”, e § 2º; Instrução Normativa RFB nº 1.234, de 2012, arts. 2º, § 7º, II, e § 9º, e 38; Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 1997. ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL EMENTA: Lucro presumido. Construção civil. Empreitada. Fornecimento de material. Percentual. Às receitas decorrentes da prestação de serviços de construção civil somente se aplica o percentual de presunção de 12% (oito por cento) para o CSLL na hipótese de contratação por empreitada na modalidade total, com fornecimento, pelo empreiteiro, de todos os materiais indispensáveis à execução da obra, sendo tais materiais incorporados a esta. As demais receitas decorrentes de prestação de serviços, salvo as de serviços médicos e hospitalares definidos na legislação, sujeitamse ao percentual de presunção de 32% (trinta e dois por cento). DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.249, de 1995, arts. 15 e 20; Lei nº 9.718, de 1998, art. 14; Lei nº 7.689, de 1988, art. 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 57; Lei nº 9.430, de 1996, art. 28; Instrução Normativa RFB nº 1.234, de 2012, arts. 2º, § 7º, II, e § 9º, e 38; Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 1997. Ademais, conforme o princípio da legalidade a que a autoridade julgadora está vinculada, devese aplicar a legislação tributária então vigente à época da ocorrência do fato gerador (art. 37 da Constituição Federal, art. 144 do Código Tributário Nacional, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A ementa do Acórdão embargado, por consequência, também deve ser alterada nos seguintes termos: De CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA. EMPREGO DE TODOS OS MATERIAIS. A partir de 01.01.1999, para fins de apuração do lucro presumido, na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do IRPJ somente será de 8% (oito por cento) quando houver emprego de mão de obra e de todos os materiais indispensáveis à sua execução, que sejam inclusive incorporados à obra. Para CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA. EMPREGO DE TODOS OS MATERIAIS. De acordo com a Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004, para fins de apuração do lucro presumido, na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo da IRPJ somente será de 8% (oito por cento) quando houver emprego de mão de obra e de todos os materiais indispensáveis à sua execução, que sejam inclusive incorporados à obra. Caso haja o emprego de mão de obra e não haja emprego de todos, assim entendido a totalidade dos materiais indispensáveis à sua Fl. 623DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.723639/201282 Acórdão n.º 1803002.551 S1TE03 Fl. 624 16 execução, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do IRPJ será de 32% (trinta e dois por cento). Em assim sucedendo, voto por acolher os embargos de declaração opostos pela Estrutural Serviços Industriais Ltda, para rerratificar o Acórdão da 3ª TE/4ª CÂMARA/1ª SEJUL/CARF nº 1803002.300, de 26.08.2014, afastando a contradição sem alterar o decidido. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 624DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10384.901111/2011-92
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
PER/DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada.
Numero da decisão: 1802-002.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2004 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN). PER/DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada.
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). PER/DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 90 11 11 /2 01 1- 92 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901111/201192 Acórdão n.º 1802002.527 S1TE02 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório Por economia processual e bem resumir os fatos adoto o Relatório da decisão recorrida que transcrevo a seguir: Tratase de apreciar Manifestação de Inconformidade (fls. 3/21) interposta contra o Despacho Decisório (fl. 22) que não homologou a compensação declarada por meio de PER/DCOMP. O pedido de compensação objetiva compensar o alegado pagamento a maior de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, referente ao terceiro trimestre de 2004, com o débito de IRPJ respeitante ao período de apuração 01/01/ 2005, no valor de R$ 206,50. O Despacho Decisório considerou improcedente o crédito informado no PER/DCOMP, à luz da seguinte fundamentação: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O referido decisório está arrimado no seguinte enquadramento legal: arts.165 e 170 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O requerente apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que o pagamento de CSLL realizado não foi integralmente utilizado para a quitação do correspondente débito, aduz que “a DIPJ foi retificada e demonstra a existência do pagamento indevido, faltando apenas ser retificada a DCTF”. Ao finalizar a peça de defesa, o contribuinte requer a improcedência do Despacho Decisório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901111/201192 Acórdão n.º 1802002.527 S1TE02 Fl. 4 3 A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ/Fortaleza/CE) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0826.096 , de 07 de agosto de 2013, cientificado ao interessado em 19/08/2013. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao manifestante o ônus da prova de liquidez e certeza do crédito pleiteado, principalmente quando há inconsistência entre as informações fornecidas por ele à Administração Tributária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 18/09/2013. A Recorrente alega, no essencial, que: existe o pagamento indevido ou a maior que o devido de CSLL, código 2372, conforme comprova a sua escrituração contábil acostada nos autos; a DIPJ foi retificada e demonstra à existência do pagamento indevido, faltando apenas ser retificada a DCTF, tudo comprovado com sua escri turação contábil , esses fatos asseguram o direito da requerente; deve ser apresentada DCTF retificadora com o objetivo de liberar o valor pago indevidamente, conforme comprova cópia da DIPJ e escri turação contábil acostada nos autos; uma vez demonstrado que existe o pagamento indevido ou a maior que o devido da CSLL, deve ser reconhecido o crédito e homologado a compensação efetuada pela requerente; os procedimentos adotados pela autoridade julgadora de primeira instância não estão em conformidade com a legislação que disciplina a compensação e a verdade material dos fatos. Para justificar transcreve os artigos 74 a 76 da Lei nº 9.430/96 bem como os artigos 41 a 46 da Instrução Normativa RFB n° 1.300, de 20 de Novembro de 2012; a caracterização da matéria tributável na atividade do lançamento de ofício é mister da autoridade administrativa, conforme o artigo 845 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99; Fl. 143DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901111/201192 Acórdão n.º 1802002.527 S1TE02 Fl. 5 4 os esclarecimentos e os documentos apresentados devem ser levados em consideração, uma vez que prova a existência do pagamento indevido ou a maior que o devido a ser reconhecido e compensado com os débitos apresentados no PER/DCOMP; enquanto o fisco não comprovar que os indícios por ele apresentados implicam necessariamente a ocorrência do fato gerador, estaremos diante de mera presunção simples, não de prova. Não terá, pois, o fisco cumprido seu ônus e a conseqüência é o dever do julgador considerar não comprovada a ocorrência do fato gerador e do nascimento da obrigação tributária. Poderseia, pois, afirmar ser inconstitucional toda e qualquer presunção absoluta; o fisco não cumpriu com o ônus de produzir a prova material, e a conseqüência é a não comprovação da ocorrência do fato gerador e o nascimento da obrigação tributária; a autoridade administrativa não homologou as compensações efetuadas sob o argumento de que não foi comprovado o pagamento indevido, o que não é verdade, porque de fato existe o pagamento indevido, “logo as PER/DCOMPs devem ser homologadas”. Finalmente requer provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 23434.28219.051007.1.3.040032, transmitido em 05/10/2007, em que a contribuinte pretende compensar débito de sua responsabilidade, com a utilização de suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL no valor de R$ 844,57, código – 2372, relativo ao Período de Apuração: 30/09/2004; Data de Arrecadação: 29/10/2004, no valor de R$ 1.617,51. Consta do despacho decisório, emitido em 06/06/2011 que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP de que tratam os presentes autos, foi localizado o pagamento no valor de R$ 1.617,51, mas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. De inicio, é de se registrar que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos. Pautado neste principio, tanto a Declaração de Compensação — DCOMP prevista no artigo 49 da Lei n° 10.637/2002 que alterou o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 quanto o Pedido de Restituição — PER (eletrônico), utilizam as informações constantes das declarações apresentadas pelo contribuinte (DCTF, DIPJ, DACON, etc) na data em que apresentado o PER/DCOMP. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901111/201192 Acórdão n.º 1802002.527 S1TE02 Fl. 6 5 No caso, por se tratar de suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, o processamento comparou o pagamento indicado no PER/DCOMP com a informação do débito constante na DCTF na data em que transmitido o PER/DCOMP. 0 procedimento em tela constatou que o recolhimento indicado foi integralmente utilizado para quitação de débito informado na DCTF. Dito de outra forma, para o tributo e período de apuração informado, não consta do conta corrente da Receita Federal do Brasil RFB crédito disponível para a compensação indicada. A Recorrente, no essencial, alega que o crédito está comprovado por meio dos valores informados na Declaração de Informações Econômico Fiscais Retificadora do AnoCalendário de 2004, apresentada em 22/11/2010. E que deve ser apresentada DCTF ret ificadora com o objetivo de liberar o valor pago indevidamente, conforme comprova cópia da DIPJ e escrituração contábil acostada nos autos; Como se vê, o contribuinte informa o crédito a compensar no PER/DCOMP nº 23434.28219.051007.1.3.040032, sem retificar a DCTF do 3º trimestre de 2004 e procedeu a retificação da DIPJ/2005 somente em 30/11/2010. Portanto, na data da transmissão (05/10/2007) do PER/DCOMP não há falar em crédito a ser compensado com débitos do contribuinte. No entendimento da decisão recorrida não basta a retificação da DCTF e da DIPJ/2005 para comprovar o direito creditório, pois, neste momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na declaração de compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábil/fiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A Recorrente alega que a DIPJ foi retificada e demonstra à existência do pagamento indevido, faltando apenas ser retificada a DCTF, tudo comprovado com sua escrituração contábil acostada nos autos e que, esses fatos asseguram o direi to da requerente. Pois bem, aqui não se discute a existência do pagamento da CSLL no valor de R$ 1.617,51, relativo ao 3º trimestre de 2004 mediante o DARF em 29/10/2004, mas se nesse pagamento restou indevido o valor de R$ 844,57 como alegado crédito indicado no PER/DCOMP. Para comprovar o crédito relativo ao ano calendário de 2004, a Recorrente juntou aos autos as seguintes cópias: a) Termo de Abertura do Livro Diário nº 021 datado de 01/01/2006 e Termo de Encerramento datado de 31/12/2006, com termo de autenticação na Junta Comercial datado de 16/07/2009; b) Fl.nº 136 do mencionado Livro Diário em que registrado no dia 30/12/2006, “ Vr.ref.CSLL paga a maior no exercício de 2004 ....R$ 11.110,62”; e, c) Fl.nº 129 do Livro Razão com registro em 31/12/2006 do mesmo valor: R$ 11.110,62, apesar de no saldo da conta CSLL a compensar em 01/01/2006 constar como saldo anterior apenas o valor de R$ 9.528,69. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901111/201192 Acórdão n.º 1802002.527 S1TE02 Fl. 7 6 A frágil documentação contábil de 2006 juntada pela Recorrente não demonstra qual o erro na apuração da CSLL e da base de cálculo declarada pela Recorrente na DIPJ/2005 (original), portanto, a Recorrente não traz aos autos qualquer documento produzido em 2004 que demonstre a real base de cálculo da CSLL durante o ano calendário de 2004 em face de suas atividades operacionais, se 32% ou 12% sobre a receita auferida no 3° Trimestre de 2004 ou erro na aplicação da alíquota de 9% sobre o lucro presumido. Enfim, a Recorrente não traz aos autos provas para que seja verificado e especificado, à luz da documentação fiscal (notas fiscais emitidas), contábil (escrituração) e DIPJ/2005, qual o montante da receita bruta obtida/declarada e CSLL devida e paga, em relação ao ano calendário de 2004. A simples escrituração em 2006 de supostos valores pagos a maior em 2004 não comprova o crédito alegado pela Recorrente. De plano, o que se observa nos autos é que a interessada não traz qualquer elemento que comprove suas alegações, o que viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. CPC Art. 333. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; ... A Recorrente, busca transferir ao Fisco sua obrigação de comprovar o direito creditório alegado. Ora, nada impedia ao contribuinte, acaso interessado em comprovar seu direito creditório, a proceder a juntada de cópia da escrituração contábil/fiscal e comparar com os valores declarados na DIPJ/2005 e DCTF. E, demonstrar cabalmente suas atividades operacionais mediante notas fiscais para os fins de apuração do lucro presumido. A Recorrente diz que os procedimentos adotados pela autoridade julgadora de primeira instância não estão em conformidade com a legislação que disciplina a compensação e a verdade material dos fatos. Para justificar transcreve os artigos 74 a 76 da Lei nº 9.430/96 bem como os artigos 41 a 46 da Instrução Normativa RFB n° 1.300, de 20 de Novembro de 2012; Aduz que a caracterização da matéria tributável na atividade do lançamento de ofício é mister da autoridade administrativa, conforme o artigo 845 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901111/201192 Acórdão n.º 1802002.527 S1TE02 Fl. 8 7 Não há que se confundir, o ato administrativo do lançamento de ofício quando produzido pelo Fisco, com aquele produzido pelo contribuinte (PER/DCOMP) no qual declara o direito creditório para compensações efetuadas pelo interessado. Com efeito, o lançamento tributário é ato jurídico produzido pelo Fisco, nos termos do artigo 142 do CTN, ao passo que no caso da compensação, a declaração é produzida pelo próprio contribuinte (PERDCOMP), que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação; é dizer, submetese ao poder dever da Administração de verificação de sua regularidade. Por essa razão, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o artigo 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Como registrado acima e, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado pelo interessado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente o contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. Como cediço, as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a Fl. 147DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901111/201192 Acórdão n.º 1802002.527 S1TE02 Fl. 9 8 obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito e os equívocos dito cometidos. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PER/DCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 05/10/2007, tomou ciência do despacho decisório expedido em 06/06/2011, e apresentou a manifestação de inconformidade. Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA
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Numero do processo: 13706.001117/2008-71
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1999 a 31/08/2003
RECURSO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO.
Declarada pelo STF, por meio de súmula vinculante, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário.
CESSÃO DE MÃO DE OBRA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão-de-obra, observado o disposto no § 5o do art. 33
Entende-se como cessão de mão-de-obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade-fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação.
MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento.
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. No mérito: por maioria de votos, em dar provimento parcial para: a) Determinar que a Guia da Previdência Social - GPS, de fl. 9051, seja apropriada à competência 07/2003 do CNPJ 62534060. b) determinar a exclusão das contribuições exigidas sobre os valores que deixaram de ser retidos em razão de medida judicial liminar vigente até 17/01/2002, em relação ao prestador WH-SP; c) determinar o recálculo dos débitos relativos às empresas CONNECTCOM, nos períodos de 12/2001 e março de 2002, ADECCO, nos períodos de dezembro de 2001, fevereiro a junho de 2002, agosto a outubro de 2002, dezembro de 2002, fevereiro de 2003, abril de 2003 e julho de 2003, e PANALPINA, nos períodos de janeiro a maio de 2002, julho de 2002, setembro a dezembro de 2002, março a maio de 2003 e julho de 2003, considerando os pagamentos à maior efetuados tomando como parâmetro o confronto entre os valores devidos segundo a fiscalização por competência/prestador e os recolhimentos por ela efetuados por competência/prestador; d) determinar o reajuste da base de cálculo das notas fiscais juntadas nas fls. 9052/9191 dos autos, aplicando-se as disposições constantes na Ordem de Serviço INSS/DAF nº 209, de 20 de maio de 1999, item 17, na IN INSS/DC 100/2003, art. 159, § 1º, "v", assim como no art. 150, § 1º, v da IN INSS nº 03/2005; e) determinar a improcedência da glosa de alimentação e transporte efetuados pela fiscalização; f) determinar o recálculo da multa de mora do remanescente, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ( art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa. Fez sustentação oral o Dr. Ruben Tadeu Cordeiro Perlingeiro.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/1999 a 31/08/2003 RECURSO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. Declarada pelo STF, por meio de súmula vinculante, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão-de-obra, observado o disposto no § 5o do art. 33 Entende-se como cessão de mão-de-obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade-fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido em Parte
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MAQ. E SERVIÇOS LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1999 a 31/08/2003 RECURSO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. Declarada pelo STF, por meio de súmula vinculante, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãode obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãode obra, observado o disposto no § 5o do art. 33 Entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 11 17 /2 00 8- 71 Fl. 9753DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. No mérito: por maioria de votos, em dar provimento parcial para: a) Determinar que a Guia da Previdência Social GPS, de fl. 9051, seja apropriada à competência 07/2003 do CNPJ 62534060. b) determinar a exclusão das contribuições exigidas sobre os valores que deixaram de ser retidos em razão de medida judicial liminar vigente até 17/01/2002, em relação ao prestador WHSP; c) determinar o recálculo dos débitos relativos às empresas CONNECTCOM, nos períodos de 12/2001 e março de 2002, ADECCO, nos períodos de dezembro de 2001, fevereiro a junho de 2002, agosto a outubro de 2002, dezembro de 2002, fevereiro de 2003, abril de 2003 e julho de 2003, e PANALPINA, nos períodos de janeiro a maio de 2002, julho de 2002, setembro a dezembro de 2002, março a maio de 2003 e julho de 2003, considerando os pagamentos à maior efetuados tomando como parâmetro o confronto entre os valores devidos segundo a fiscalização por competência/prestador e os recolhimentos por ela efetuados por competência/prestador; d) determinar o reajuste da base de cálculo das notas fiscais juntadas nas fls. 9052/9191 dos autos, aplicandose as disposições constantes na Ordem de Serviço INSS/DAF nº 209, de 20 de maio de 1999, item 17, na IN INSS/DC 100/2003, art. 159, § 1º, "v", assim como no art. 150, § 1º, “v” da IN INSS nº 03/2005; e) determinar a improcedência da glosa de alimentação e transporte efetuados pela fiscalização; f) determinar o recálculo da multa de mora do remanescente, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ( art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa. Fez sustentação oral o Dr. Ruben Tadeu Cordeiro Perlingeiro. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 9754DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13706.001117/200871 Acórdão n.º 2403002.965 S2C4T3 Fl. 9.722 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário e Recurso de Ofício interposto em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil com julgamento no Rio de Janeiro I, nº 12 044.186, fls. 9.306/9.339, que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada para manter incólume o crédito tributário consubstanciado no DEBCAD 37.065.261, referente ao período de 09/1999 a 08/2003, do qual o contribuinte tomou ciência em 29/12/2006, no valor de R$ 20.965.452,15 (vinte milhões novecentos e sessenta e cinco mil quatrocentos e cinquenta e dois reais e quinze centavos), já inclusos multa e juros. A presente autuação almeja o recolhimento de crédito tributário referente aos valores que deixaram de ser retidos por ocasião do pagamento a empresas prestadoras de serviço executados mediante cessão de mão de obra, ou seja, deixou de reter 11% da Nota Fiscal de serviços, contrariando o que determina o art. 31 da Lei 8.212/91, conforme Relatório Fiscal, fls. 1.803/1.818: 2. FATOS GERADORES E PROCEDIMENTOS ADOTADOS A IBM deixou de destacar na nota fiscal/fatura e de recolher os valores referentes à retenção de 11% sobre os valores pagos a empresas prestadoras de serviços, conforme detalhado abaixo. As empresas prestadoras dos serviços poderiam compensar os valores retidos e recolhidos pela Previ por ocasião do pagamento de das suas contribuições à Seguridade Social, cujos fatos geradores estão descritos no art. 28 da Lei 2.212/91. ... 2.2 PROCEDIMENTOS Em auditoria de diagnóstico realizada na IBM detectouse que a empresa contrata grande quantidade de prestadores de serviço. Tal procedimento se justifica, em grande parte, pela terceirização de seus contratos de suporte a software e manutenção a hardware. Além disso, contrata diversos outros serviços como vigilância, limpeza e conservação, obras de instalação, trabalho temporário, dentre outros. Foi constatado, ainda, que grande parte dessas empresas não vinham sendo retidas dos 11%. Dessa forma, foi apontado na auditoria de diagnóstico que tais fatos geradores deveriam ser melhor apurados. 2.2.3. APURAÇÃO DO VALOR DEVIDO Consta do ANEXO I planilha detalhando a forma de cálculo dos valores cobrados nesta NFLD. É o resultado da junção das informações contidas nas duas planilhas fornecidas pela IBM. Constam as seguintes colunas: ... Fl. 9755DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Para a apuração da BC APU – base de cálculo da retenção, buscouse chegar o mais próximo da realidade. Dessa forma, tivemos as seguintes situações: a) A IBM informou o campo relativo ao número de contrato associado ao pagamento na planilha: o contrato foi apresentado. O contrato foi analisado e chegouse a uma conclusão sobre o percentual a ser utilizado ou mesmo se não cabe a retenção. Tal conclusão encontrase detalhada no item 2.2.4 deste relatório; não foi apresentado o contrato – nesse caso, ocorrendo absoluta ausência de informação, foi adotada a alíquota de 100%. B) Não foi informado o campo relativo ao número de contrato na planilha: não foi apresentado qualquer contrato em vigência para o pagamento – nesse caso, ocorrendo absoluta ausência de informação, foi adotada a alíquota de 100%; foi apresentado um único contrato em vigência para o pagamento – utilizouse a alíquota resultante da conclusão a que se chegou na análise do contrato; Foi apresentado mais de um contrato em vigência para o pagamento – foi utilizada a maior alíquota a cuja conclusão se chegou na análise dos contratos. Consta do ANEXO II planilha elaborada pela fiscalização com o detalhamento da análise dos contratos apresentados. Nesta planilha, temos as seguintes hipóteses de preenchimento: ... As informações contidas nessa planilha, quando em confronto com informações incluídas nas planilhas fornecidas pela IBM, foram desconsideradas. Exemplificando: se na competência 04/2000, para empresa ALFA, consta a informação SC mas na planilha da IBM consta a informação de um pagamento vinculado a um contrato, foi considerada esta última informação não considerouse que tal pagamento pode ser decorrente de contrato cujo termo aditivo não foi fornecido ou, ainda, de acerto de valores pendentes de contrato que estava em vigor até alguns meses antes. 2.3 – CONTRATOS ANALISADOS A IBM, ao celebrar contrato com prestadora, elabora dois contratos. Um, chamado MASTER, que contém informações genéricas e que não informam detalhes da prestação dos serviços (tipo de serviço, período de vigência, valores, etc...). Outro, chamado de SOW, que contém tais informações. Na maioria dos casos (salvo contratos mais antigos) o número do contrato é composto da denominação SOW seguido de uma numeração. Como exemplo temos o contrato SOW 4900BR0064, onde o 00 significa que foi elaborado em 2000. Os contratos fornecidos foram os SOW e encontramse no ANEXO IV. Nesse Fl. 9756DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13706.001117/200871 Acórdão n.º 2403002.965 S2C4T3 Fl. 9.723 5 anexo consta, também, uma cópia de um contrato MASTER para ilustrar o aqui descrito. Segue abaixo o resumo da análise dos mesmos pela fiscalização (número, período de vigência, serviços incluídos e base de cálculo considerada). O período de vigência foi considerado pelos documentos apresentados, ou seja, se não foi apresentado à fiscalização um termo aditivo que prorrogou o contrato, esta ficou, obviamente, impossibilitada de considerar esse período. Para se chegar à base de cálculo considerada, foram analisadas as informações contidas nos contratos bem como as informações da planilha IBM. Ou seja, se um determinado contrato fala em manutenção de software e hardware mas na planilha IBM consta retenção de 11% sobre o valor bruto em quase todas as notas ficais emitidas pelo prestador, foi considerada a alíquota de 100% como base de cálculo uma vez que as notas fiscais/faturas apresentadas não contém informações completas nem tão pouco a IBM as prestou. ... DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 1.821/1.844. DA DILIGÊNCIA O julgamento da impugnação foi convertido em diligência com fundamento nos artigos 18 e 19 do Decreto 70.235/72, sendo solicitado que, com base nas alegações da empresa e informações contidas na documentação apresentada, fosse verificada a documentação e efetuadas as retificações consideradas devidas; pronunciamento quanto aos demais documentos apresentados pela Impugnante, assim como suas razões de defesa, atentando para o fato de que ocorreu decadência para o período de 09/1999 a 11/2001. Conforme Relatório de Diligência Fiscal, fls. 8.971/8.975,a Autoridade Fiscal entendeu que houveram alguns casos em que as GPS apresentadas pela defesa quitam valores constantes das notas fiscais/faturas anexadas pela defesa e ainda há sobras não detalhadas pela IBM. Tais sobras foram, então, apropriados nas respectivas competências em que ocorreram. O contribuinte foi devidamente intimado e apresentou os documentos de fls. 9022/9042 em resposta ao relatório de diligência. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos do então impugnante, a 11ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, prolatou o acórdão 12044.186 de fls. 9.306/9.339, a qual julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte a impugnação, conforme ementa a seguir: Fl. 9757DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período: 01/09/1999 a 31/08/2003 INFRAÇÃO. RETENÇÃO DE 11% SOBRE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. As empresas contratantes de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, estão obrigadas a reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço. CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. Declarada pelo STF, por meio de súmula vinculante, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos à contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo sonegação de documentos ou sua apresentação deficiente, as contribuições serão apuradas por aferição indireta cabendo à empresa o ônus da prova ao contrário. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTOS. O lançamento pode ser revisto quando for constatada matéria de fato que altere a natureza quantitativa do crédito. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A DRJ entendeu por recorrer de ofício, tendo em vista a exoneração do crédito tributário ser de valor superior ao limite de alçada, previsto no art. 1º da portaria MF nº 3, de 03/01/2008. A exoneração procedida se deu em razão do reconhecimento da decadência do período de 09/1999 a 11/2001, nos termos do art. 150, parágrafo IV do CTN, tendo em vista que o crédito tributário foi constituído em 27/12/2006, tendo sido o contribuinte intimado em 29/12/2006, bem como em razão de provas apresentadas pelo contribuinte que afastaram a exigência em algumas competências. A autoridade julgadora elaborou para tanto, a planilha de fls. 9337/9339, que demonstra analiticamente as retificações efetuadas, que demonstram a exoneração da contribuição de R$ 10.262.271,21 para R$ 3.991.707,22 (sem multa e juros). DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a recorrente, IBM Brasil Ind. Máq. e Serviços LTDA, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 9.518/9.556, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: Fl. 9758DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13706.001117/200871 Acórdão n.º 2403002.965 S2C4T3 Fl. 9.724 7 1 – Que parte da contribuição exigida pela NFLD foi devidamente retida e recolhida pela recorrente; 2 – A não sujeição ao regime de retenção cessão de mãodeobra das contribuições previdenciárias; 3 – A não incidência da contribuição sobre o fornecimento de material; 4 – Que foi exigida contribuição sobre serviços que não estão sujeitos à retenção; 5 – Que foi exigida contribuição que a recorrente deixou de reter por força de medida liminar; 6 – A improcedência das glosas de despesas com alimentação e vale transporte; 7 – A impossibilidade de se exigir qualquer contribuição da recorrente. É o relatório. Fl. 9759DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl.9.714, o recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Também conheço do recurso de ofício uma vez que a exoneração procedida está acima do patamar legal para tanto. DO MÉRITO DO RECOLHIMENTO DE PARTE DA CONTRIBUIÇÃO EXIGIDA NA NFLD Afirma o contribuinte no item 2, de sua peça recursal, que há uma guia de pagamento relativa ao período de julho de 2003, referente ao prestador WPSP, que não foi considerada pela fiscalização, seja em sede de lavratura de auto de infração, seja na diligência efetuada, bem como pela DRJ, que afirmou apenas que os pagamentos já teriam sido objeto de análise, conforme se percebe da fl. 9325 dos autos. Razão assiste ao contribuinte. Na referida competência, foi considerado pela fiscalização o total de R$ 22.287,40 (vinte e dois mil, duzentos e oitenta e sete reais e quarenta centavos), a título de recolhimentos efetuados pelo recorrente, em GPS em nome dos prestadores de serviço, conforme se percebe das fls. 751/752 dos autos (ANEXO I do Auto de Infração). Na mesma planilha percebese que o valor devido que fora apontado pela fiscalização foi de R$ 29.380,03 (vinte e nove mil, trezentos e oitenta reais e três centavos), tendo gerado uma diferença à pagar de R$ 7.092,63 (sete mil, noventa e dois reais e sessenta e três centavos). Em sede de diligência, a Receita Federal do Brasil retificou o valor devido na referida competência exonerando a importância devida apenas no que toca a nota fiscal 14346 FF, conforme se percebe do item 19 do Relatório Fiscal de Diligência, fl. 8974, in verbis: 19. Nas notas fiscais em que constam serviços exclusivamente relacionados a ar condicionado, a base de cálculo da contribuição foi retificada para 0%. Isto ocorreu nas notas fiscais 13298FF, 13992FF e 14068FF. A nota fiscal 13892FF teve a base de calculo retificada para 50% pois na nota consta a discriminação de materiais e de mão de obra. As notas fiscais 13325FF e 14346FF tiveram seus valores de retenção alterados em função das informações do item 10 deste Relatório, a cobrança relativa às demais notas fiscais não foi alterada para este prestador. O quadro abaixo demonstra as alterações efetuadas: Fl. 9760DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13706.001117/200871 Acórdão n.º 2403002.965 S2C4T3 Fl. 9.725 9 COMP CNPJ DIF NFLD I DIF NFLD II ago/02 62534060 13.446,08R$ 11.092,00R$ fev/03 62534060 4.664,72R$ 42.287,97R$ mar/03 62534060 705,15R$ 627,38R$ abr/03 62534060 1.737,32R$ 1.659,55R$ jul/03 62534060 7.082,63R$ 7.068,29R$ ... A alteração foi de R$ 24,34 (vinte e quatro reais e trinta e quatro centavos), apenas em razão da exoneração do suposto valor que seria devido da nota fiscal 014346FF. No entanto, em momento algum, a fiscalização no relatório de diligência, trata da alegação concernente ao recolhimento efetuado no valor de R$ 436,67 (quatrocentos e trinta e seis reais e sessenta e sete centavos), acrescidos de R$ 69,86 (sessenta e nove reais e oitenta e seis centavos), que importa em R$ 506,53 (quinhentos e seis reais e cinquenta e três centavos), relativos à competência 07/2003, representados na fl. 9051, dos autos. O recorrente no Doc. 02 do Aditamento à impugnação trás as Guias de Pagamento – GPS referente ao período 07/2003, que compreendem as notas de fls. 9049/9051, as duas primeiras, somadas, chegam ao valor encontrado pela fiscalização e destacado no Anexo I, fl. 756, qual seja, R$ 22.287,40 ( R$ 9.639,92 + R$ 12.647,48), tendo, no entanto, faltado a soma com a GPS de fl. 9151, no importe de R$ 436,67. Também não verifiquei sua utilização extemporânea em qualquer competência, a partir do Anexo I ao auto de infração, bem como do Relatório de Documentos Apresentados, fls. 314/430. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso para que a Guia da Previdência Social – GPS, de fl. 9051, seja apropriada à competência 07/2003 do CNPJ 62534060, no valor de R$ 436,67. DA EXIGÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO QUE A RECORRENTE DEIXOU DE RETER POR FORÇA DE MEDIDA LIMINAR Afirma o contribuinte que foi incluído na base de cálculo os valores das notas fiscais emitidas pelas WH EngenhariaSP, sobre as quais a recorrente deixou de efetuar a retenção em razão de medida liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança n. 1999.61.00.0542668, em curso perante a 2ª Vara da Justiça Federal em São Paulo, impetrado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo. A DRJ analisou o argumento do então impugnante e informou que não havia prova de que a WH seria filiada ao sindicato e que seria beneficiada com tal liminar. No entanto, para afastar essa dúvida o contribuinte juntou a inicial do Mandado de Segurança, bem como o anexo ao próprio Mandado de Segurança no qual consta a lista de associados. Verifico que na fl. 9684 dos presentes autos (equivalente a fl. 165 do processo judicial), consta a WH ENGENHARIA como integrante dos beneficiados do sindicato, razão pela qual, entendo que devam ser excluídos da presente demanda os valores lançados no período da vigência da liminar para esta empresa, conforme Parecer Fl. 9761DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 PROCGER/CGCONS/DCT n. 09/2003 e IN/SRP n. 03 de 14/07/2005, art. 177, inciso I, citados pela DRJ na fl. 9336. Outrossim, destaquese que as notas fiscais das quais o contribuinte faz referência são aquelas emitidas até 17/01/2002, data em que fora publicado o Acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região que reformou a referida decisão judicial, constante na fl. 9703 dos autos. Portanto, o contribuinte estava desobrigado da retenção no período compreendido entre 17 de abril de 2000, data do deferimento da liminar pelo magistrado de primeira instância, conforme fl. 9692, até a data de 17/01/2002, data de sua revogação pelo Tribunal Regional Federal, fl. 9703, sendo devidas as cobranças realizadas quanto às notas fiscais do período anterior (cujo período já foi objeto de declaração da decadência pela DRJ, fl. 9338), bem como as posteriores à revogação. DA COMPENSAÇÃO DOS VALORES RECOLHIDOS A MAIOR Afirma o contribuinte, em seu item 2.7. e seguintes que em várias notas fiscais houve por ele o desconto e o recolhimento a maior da contribuição previdenciária de que trata a obrigação do art. 31 da Lei 8.212/91 e esses valores não foram abatidos do montante devido por competência/prestador. Dessa forma, deveria a fiscalização ter “aproveitado o excesso de recolhimento” para abater o valor da diferença apurada no respectivo período (por prestador). Alega que isso ocorreu em virtude de a fiscalização ter considerado cada nota fiscal e a respectiva retenção isoladamente e não a competência (mês) como um todo, por prestador, uma vez que numa mesma competência houve a emissão de uma pluralidade de notas fiscais e, conforme disposição normativa (Ordem de Serviço n. 209/00, vigente no período autuado), o recolhimento poderia ser feito em uma única GPS, como ocorreu. Destaca que tais ocorrência se deram com relação aos prestadores de serviços CONNECTCOM, ADECCO e PANALPINA, da seguinte forma: a) CONNECTCOM, nos períodos de 12/2001 e março de 2002; b) ADECCO, nos períodos de dezembro de 2001, fevereiro a junho de 2002, agosto a outubro de 2002, dezembro de 2002, fevereiro de 2003, abril de 2003 e julho de 2003; e c) PANALPINA, nos períodos de janeiro a maio de 2002, julho de 2002, setembro a dezembro de 2002, março a maio de 2003, e julho de 2003. Requer o recorrente que a NFLD seja retificada para que eventual diferença de contribuição seja apurada pelo confronto entre os valores devidos segundo a Fiscalização, por competência/prestador e os recolhimentos por ela efetuados por competência/prestador, uma vez que obedeceu o disposto no item 29.4 da Ordem de Serviço n. 209/99 e do art. 109, parágrafo único da Instrução Normativa da Diretoria Colegiada do INSS – INSS/DC n. 71 de 10/05/2002, ambas vigentes à época dos fatos geradores. Trago abaixo o texto das normativos trazidos pelo contribuinte como justificativa para seu pleito, item 29.4 da OS n. 209/99 e art. 109 da IN – INSS/DC n. 71/2002, respectivamente, in verbis: Fl. 9762DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13706.001117/200871 Acórdão n.º 2403002.965 S2C4T3 Fl. 9.726 11 29.4 Na hipótese de emissão, na competência, de mais de uma nota fiscal, fatura ou recibo pelo mesmo estabelecimento da contratada, poderá a contratante consolidar o recolhimento dos valores retidos em uma única guia de recolhimento. * * * * * Art.109. Quando mais de um estabelecimento da contratada emitir nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, na mesma competência, o recolhimento dos valores retidos deverá ser efetuado por estabelecimento da contratada, devendo ser emitidos tantos documentos de arrecadação quantos forem os estabelecimentos envolvidos na prestação de serviço. Parágrafo único. Na hipótese de emissão de mais de uma nota fiscal, de mais de uma fatura ou de mais de um recibo de prestação de serviço, na competência, pelo mesmo estabelecimento da empresa contratada, deverá a empresa contratante consolidar o recolhimento de todos os valores retidos em um único documento de arrecadação. A fiscalização e a DRJ justificam a negativa do procedimento em razão da ilegitimidade do recorrente para pleitear a compensação desses valores, uma vez que o legitimado ativo para tanto seria o prestador do serviço e não o tomador, bem como em razão da aferição indireta realizada pelo fiscal, haja vista que houve divergência entre o recorrente e a fiscalização quanto ao percentual da nota a ser aplicado para incidência da contribuição. Ocorre que não se trata aqui, de compensação de valores, mas sim de apropriação de valores efetivamente retidos/recolhidos à maior pelo contribuinte, em nome do prestador de serviços, seja com base nos critérios utilizados pela fiscalização, seja com base no critério levado a cabo pelo contribuinte. Essa possibilidade se dá em razão de a legislação vigente à época permitir que o contribuinte unificasse em uma única Guia, todos os pagamentos relativos a uma pluralidade de notas fiscais emitidas pelo mesmo prestador. Caso a legislação determinasse que deveria ser realizado o pagamento de uma guia para cada nota fiscal emitida, não poderseia estar realizando o presente procedimento, uma vez que a importância paga deveria ser observada por cada documento. Com relação à CONNECTCOM (CNPJ 00.308.141/000176), temos as seguintes informações, conforme se pode depreender do ANEXO I ao Relatório Fiscal: Fl. 9763DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 NOTA FISCAL VALOR RETIDO/RECOLHIDO IBM VALOR DEVIDO ‐ FISCAL DIFERENÇA EXIGIDA PAGAMENTO A MAIOR COMPETÊNCIA REFERÊNCIA FL. 004658‐NS 6.378,73R$ 3.189,36R$ ‐R$ 3.189,37R$ dez/01 449 004576‐NS 4.104,60R$ 2.052,30R$ 2.052,30R$ dez/01 449 004671‐NS 3.459,42R$ 1.729,71R$ 1.729,71R$ dez/01 449 004657‐NS 1.681,90R$ 840,95R$ 840,95R$ dez/01 449 004633‐NS 342,20R$ 171,10R$ 171,10R$ dez/01 449 004577‐NS 258,50R$ 129,25R$ 129,25R$ dez/01 449 004632‐NS 70,84R$ 35,42R$ 35,42R$ dez/01 449 004656‐NS 51,70R$ 25,85R$ 25,85R$ dez/01 449 004670‐NS 2.845,92R$ 2.845,92R$ ‐R$ dez/01 449 004584‐NS 1.029,78R$ 1.029,78R$ ‐R$ dez/01 449 002130‐FF ‐R$ 136,62R$ 136,62R$ ‐R$ dez/01 449 TOTAL 20.223,59R$ 12.186,27R$ 8.037,32R$ dez/01 449 ‐R$ 004949‐NS 332,53R$ 166,27R$ 166,26R$ mar/02 449 004947‐NS 1.360,39R$ 1.360,39R$ ‐R$ mar/02 449 002368‐FF ‐R$ 158,38R$ 158,38R$ ‐R$ mar/02 449 TOTAL 1.692,92R$ 1.685,03R$ 158,38R$ 7,89R$ mar/02 449 Demonstrase, portanto, que com relação ao cessionário de mãodeobra, CONNECTCOM, em ambas as competências em que são exigidas as diferenças, o contribuinte efetuou retenção/recolhimento à maior na Guia de Pagamento – GPS, não podendo lhe ser exigido eventual diferença, inexistente dessa forma. No que toca à empresa ADECCO (CNPJ n. 35.918.663/000174) , temos o quadro à seguir: A) VALOR RETIDO/RECOLHIDO IBM B) VALOR DEVIDO ‐ FISCAL C) DIFERENÇA EXIGIDA D) DIFERENÇA IBM x FISCAL > (A) ‐ (B) COMPETÊNCIA (D) ‐ (C) REFERÊNCIA FL. 133.526,52R$ 134.417,83R$ 1.157,63R$ 891,31‐R$ dez/01 266,32R$ 561 49.741,13R$ 73.514,16R$ 23.781,34R$ 23.773,03‐R$ fev/02 8,31R$ 565 126.539,67R$ 156.929,82R$ 31.333,09R$ 30.390,15‐R$ mar/02 942,94R$ 569 99.412,58R$ 99.198,44R$ 212,36R$ 214,14R$ abr/02 1,78‐R$ 572 99.004,91R$ 107.693,29R$ 8.859,35R$ 8.688,38‐R$ mai/02 170,97R$ 575 114.867,77R$ 118.156,96R$ 3.888,64R$ 3.289,19‐R$ jun/02 599,45R$ 579 84.572,27R$ 95.274,33R$ 10.994,17R$ 10.702,06‐R$ ago/02 292,11R$ 586 135.218,68R$ 137.370,25R$ 2.224,30R$ 2.151,57‐R$ set/02 72,73R$ 590 113.686,26R$ 115.598,88R$ 1.938,17R$ 1.912,62‐R$ out/02 25,55R$ 594 193.427,09R$ 192.670,81R$ 93,78R$ 756,28R$ dez/02 662,50‐R$ 605 73.627,41R$ 111.632,36R$ 38.134,10R$ 38.004,95‐R$ fev/03 129,15R$ 609 128.511,86R$ 128.463,84R$ 238,85R$ 48,02R$ abr/03 190,83‐R$ 616 146.180,92R$ 146.852,21R$ 898,62R$ 671,29‐R$ jul/03 227,33R$ 629 Diante do quadro acima, percebese que na maioria das competências, o contribuinte efetuou um retenção/recolhimento à menor daquele lançado pela fiscalização. No entanto, a diferença que está sendo cobrada pelo fiscal é maior do que a diferença entre o valor recolhido pela IBM e o valor apontado como devido pela fiscalização. Dessa forma, devem as diferenças exigidas serem retificadas, considerando o cálculo da Coluna D, subtraída da Coluna C e, no casos em que o contribuinte recolheu um valor à maior do que aquele exigido na competência (abr/2002, dez/2002 e abr/2003), o saldo deverá ser zerado, não gerando crédito para as demais competências, ou seja, deve prevalecer o cálculo aritmético da Coluna ‘D’ para fins de exigência da contribuição. Por fim, com relação à PANALPINA (CNPJ n. 49.728.108/000194), apresento o quadro abaixo: Fl. 9764DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13706.001117/200871 Acórdão n.º 2403002.965 S2C4T3 Fl. 9.727 13 A) VALOR RETIDO/RECOLHIDO IBM B) VALOR DEVIDO ‐ FISCAL C) DIFERENÇA EXIGIDA D) DIFERENÇA IBM x FISCAL > (A) ‐ (B) COMPETÊNCIA (D) ‐ (C) REFERÊNCIA FL. 50.741,66R$ 74.002,02R$ 30.064,88R$ 23.260,36‐R$ jan/02 6.804,52R$ 697 13.033,31R$ 18.530,06R$ 8.813,50R$ 5.496,75‐R$ fev/02 3.316,75R$ 698 29.097,53R$ 34.514,73R$ 8.733,95R$ 5.417,20‐R$ mar/02 3.316,75R$ 698 37.157,71R$ 40.989,67R$ 7.148,71R$ 3.831,96‐R$ abr/02 3.316,75R$ 699 42.951,20R$ 46.712,55R$ 7.078,10R$ 3.761,35‐R$ mai/02 3.316,75R$ 699 53.564,18R$ 66.146,21R$ 15.898,77R$ 12.582,03‐R$ jul/02 3.316,74R$ 700 35.978,08R$ 39.847,76R$ 7.186,44R$ 3.869,68‐R$ set/02 3.316,76R$ 702 35.369,34R$ 39.578,65R$ 7.526,07R$ 4.209,31‐R$ out/02 3.316,76R$ 702 34.260,36R$ 36.579,92R$ 5.636,32R$ 2.319,56‐R$ nov/02 3.316,76R$ 702 45.274,69R$ 43.743,22R$ 5.102,04R$ 1.531,47‐R$ dez/02 ‐R$ 703 67.705,13R$ 73.374,26R$ 18.816,82R$ 5.669,13‐R$ mar/03 13.147,69R$ 704 47.836,77R$ 44.045,86R$ 8.404,43R$ 3.790,91‐R$ abr/03 ‐R$ 705 41.835,12R$ 85.468,49R$ 52.129,90R$ 43.633,37‐R$ mai/03 8.496,53R$ 705 69.233,98R$ 59.604,56R$ 12.264,29R$ 9.629,42‐R$ jul/03 ‐R$ 706 Diante do quadro acima, verificase que o contribuinte apenas efetuou recolhimentos a maior do que o apurado pela fiscalização nas competências de dezembro de 2002, abril de 2003 e julho de 2003. Portanto, não pode o contribuinte ser considerado devedor nessas competências. Quanto às demais, hão de ser observadas as mesmas observações feitas com relação à empresa ADECCO, ou seja, prevalecer o cálculo aritmético da Coluna ‘D’ e, nas competências em que houve recolhimento a maior do que o que a fiscalização entende como devido, deve o saldo ser zerado, não gerando crédito para as demais competências. Ante do exposto, entendo que assiste razão ao recurso do contribuinte nesse ponto para determinar o recálculo do valor devido. DA NÃOINCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE O FORNECIMENTO DE MATERIAL UP LANGUAGE, ALLPARK e PUSAR Afirma o recorrente que os contratos celebrados com as empresas UP LANGUAGE, ALLPARK e PUSAR também abrangiam o fornecimento de material necessário para a prestação do serviço, citando para tanto as cláusulas contratuais em seu recurso, conforme fl. 9539. Ocorre que a previsão contratual não estabelece o percentual de material e mão de obra relacionados, e, em virtude de não ter a recorrente apresentado as notas fiscais de serviço relacionadas, a fiscalização tomou como base de cálculo o importe de 100% dos pagamentos efetuados a estas empresas. Afirma que o fato de haver previsão contratual, independentemente de discriminação em nota fiscal, é suficiente para minorar a base de cálculo apurada, assim como foi feito com a base dos serviços prestados pela BRITANIA CULTURAL E COMERCIAL LTDA, cujo objeto do contrato é similar àquele celebrado com as demais empresas, não podendo a Fiscalização efetuar o lançamento por arbitramento utilizandose de critérios distintos para mesma situação fática. Pois bem, passemos à análise da questão de direito. Fl. 9765DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 Tratandose de cessão de mão de obra cumulada com entrega de materiais, deveria é importante trazer à lume as disposições dos arts. 121 ao 123 da Instrução Normativa 971/2009, in verbis: Art. 121. Os valores de materiais ou de equipamentos, próprios ou de terceiros, exceto os equipamentos manuais, fornecidos pela contratada, discriminados no contrato e na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, não integram a base de cálculo da retenção, desde que comprovados. § 1º O valor do material fornecido ao contratante ou o de locação de equipamento de terceiros, utilizado na execução do serviço, não poderá ser superior ao valor de aquisição ou de locação para fins de apuração da base de cálculo da retenção. § 2º Para os fins do § 1º, a contratada manterá em seu poder, para apresentar à fiscalização da RFB, os documentos fiscais de aquisição do material ou o contrato de locação de equipamentos, conforme o caso, relativos a material ou equipamentos cujos valores foram discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços. § 3º Considerase discriminação no contrato os valores nele consignados, relativos a material ou equipamentos, ou os previstos em planilha à parte, desde que esta seja parte integrante do contrato mediante cláusula nele expressa. * * * Art. 122. Os valores de materiais ou de equipamentos, próprios ou de terceiros, exceto os equipamentos manuais, cujo fornecimento esteja previsto em contrato, sem a respectiva discriminação de valores, desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, não integram a base de cálculo da retenção, devendo o valor desta corresponder no mínimo a: I 50% (cinquenta por cento) do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços; II 30% (trinta por cento) do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços para os serviços de transporte de passageiros, cujas despesas de combustível e de manutenção dos veículos corram por conta da contratada; Fl. 9766DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13706.001117/200871 Acórdão n.º 2403002.965 S2C4T3 Fl. 9.728 15 III 65% (sessenta e cinco por cento) quando se referir a limpeza hospitalar, e 80% (oitenta por cento) quando se referir aos demais tipos de limpeza, do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços. § 1º Se a utilização de equipamento for inerente à execução dos serviços contratados, desde que haja a discriminação de valores na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, adotase o seguinte procedimento: I havendo o fornecimento de equipamento e os respectivos valores constarem em contrato, aplicase o disposto no art. 121; ou II não havendo discriminação de valores em contrato, independentemente da previsão contratual do fornecimento de equipamento, a base de cálculo da retenção corresponderá, no mínimo, para a prestação de serviços em geral, a 50% (cinquenta por cento) do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços e, no caso da prestação de serviços na área da construção civil, aos percentuais abaixo relacionados: a) 10% (dez por cento) para pavimentação asfáltica; b) 15% (quinze por cento) para terraplenagem, aterro sanitário e dragagem; c) 45% (quarenta e cinco por cento) para obras de arte (pontes ou viadutos); d) 50% (cinquenta por cento) para drenagem; e e) 35% (trinta e cinco por cento) para os demais serviços realizados com a utilização de equipamentos, exceto os manuais. § 2º Quando na mesma nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços constar a execução de mais de um dos serviços referidos nos incisos I e II do § 1º, cujos valores não constem individualmente discriminados na nota fiscal, na fatura, ou no Fl. 9767DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 16 recibo, deverá ser aplicado o percentual correspondente a cada tipo de serviço, conforme disposto em contrato, ou o percentual maior, se o contrato não permitir identificar o valor de cada serviço. § 3º Aplicase aos procedimentos estabelecidos neste artigo o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 121 * * * Art. 123. Não existindo previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento, e o uso desse equipamento não for inerente ao serviço, mesmo havendo discriminação de valores na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, a base de cálculo da retenção será o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, exceto no caso do serviço de transporte de passageiros, para o qual a base de cálculo da retenção corresponderá, no mínimo, à prevista no inciso II do art. 123. (Redação vigente à época do fato gerador) Parágrafo único. Na falta de discriminação de valores na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, a base de cálculo da retenção será o seu valor bruto, ainda que exista previsão contratual para o fornecimento de material ou a utilização de equipamento, com ou sem discriminação de valores em contrato. Conforme pode se extrair dos dispositivos normativos acima, nos casos em que: a) exista contrato com previsão de fornecimento de material, com ou sem especificação do valor respectivo e; b) não haja discriminação de valores na nota fiscal de serviço ou documento equivalente; a base de cálculo da contribuição deverá ser o valor bruto da nota fiscal. Cumpre destacar que o dispositivo acima encontra a mesma conclusão nas instruções normativas vigentes à época dos fatos geradores, quais sejam: Art. 106, parágrafo 2º e 3º da IN INSS DC 71/2002; Art. 158, caput, INSS DC 100/2003 e Art. 149, caput, INSS 03/2005, cujos textos trago abaixo reproduzidos. Art. 106, parágrafo 2º e 3º da IN INSS DC 71/2002: Art. 106. Quando o fornecimento de material ou de equipamento estiver previsto em contrato, mas sem valor estimado, desde que discriminadas as parcelas na nota fiscal, na fatura ou no recibo, o valor relativo ao custo da mãodeobra deverá ser calculado da seguinte forma, para os serviços: ... Fl. 9768DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13706.001117/200871 Acórdão n.º 2403002.965 S2C4T3 Fl. 9.729 17 § 2º Na falta de discriminação do valor da parcela relativa a material ou a equipamento em nota fiscal, em fatura ou em recibo, a basedecálculo para a retenção será o seu valor bruto. § 3º Quando o fornecimento de material não estiver previsto no contrato, mesmo que discriminadas as parcelas em nota fiscal, fatura ou recibo, a basedecálculo para a retenção será o seu valor bruto. Art. 158, caput, INSS DC 100/2003: Art. 158. Havendo previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, para a execução dos serviços, esses valores serão deduzidos da base de cálculo desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, conforme previsto no § 7º do art. 219 do RPS. Art. 149, caput, INSS 03/2005: Art. 149. Os valores de materiais ou de equipamentos, próprios ou de terceiros, exceto os equipamentos manuais, fornecidos pela contratada, discriminados no contrato e na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, não integram a base de cálculo da retenção, desde que comprovados. Dessa forma, não merece provimento o recurso do contribuinte neste ponto, uma vez que não foram apresentadas as notas fiscais com a discriminação dos valores, não obstante a apresentação do contrato. Não há que se falar em arbitrariedade do fiscal quanto ao critério utilizado para outras empresas cedentes de mão de obra, uma vez que nos casos em que se foi realizada a comparação, foram apresentadas as notas fiscais de serviço. Entendo que as disposições presentes na Instrução Normativa acima estão em consonância com a legislação tributária, apenas corroborando com a regra geral do ônus da prova, conforme disposto no art. 333 do Código de Processo Civil. WH ENGENHARIASP Com relação à WHSP, afirma o contribuinte que também houve exigência de contribuição sobre valor correspondente ao fornecimento de material em diversos Fl. 9769DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 18 pagamentos efetuados à WHSP, conforme demonstrariam diversas notas fiscais anexadas pela recorrente ao processo. Destaca que no relatório de diligência, a autoridade autuante, entendeu que apenas a NF n. 13892FF teria discriminado o valor correspondente ao fornecimento de material. Aduz ainda que as notas anexadas nas fls. 9052 a 9191 deveriam ter sua base reduzida em 50% do valor da nota. A DRJ entendeu que o procedimento solicitado não deveria ser efetuado, uma vez que a recorrente não teria apresentado o respectivo contrato de prestação de serviços celebrado com WHSP, em razão do disposto no parágrafo 7º do art. 219 do RPS. Em seu favor, a recorrente afirma que o material é inerente à prestação dos serviços prestados pela WHSP e portanto, a apresentação do contrato seria desnecessária. As notas fiscais anexadas foram objeto do DOC. 03 do Aditamento à impugnação e nela constam 135 (cento e trinta e cinco) notas fiscais da empresa WHSP, todas elas se referem ao período não abrangido pela decadência, bem como são posteriores à revogação da liminar da qual exonerava a WHSP da retenção pelos tomadores de serviços. Em análise das referidas provas foi elaborada por este conselheiro planilha demonstrativa das notas fiscais por amostragem, tomando como parâmetro valores acima de R$ 10.000,00 (dez mil reais). Na planilha verificase que os serviços prestados pela WHSP fazem referência a “serviços auxiliares de engenharia civil”, sempre havendo destaque de material, e em algumas notas fiscais material, equipamento, refeição e transporte. Os serviços são diversos, tais como execução de instalações para adequação da biblioteca, instalação de ar condicionado, instalação de Nobreak para Print Center, execução de Infraestrutura para Escritório, Instalação de Divisórias e Instalações Elétricas, readequação de Layout de salas, etc. Verifico que, pela descrição dos serviços, bem como das informações prestadas pelo recorrente, que tais serviços não podem ser executados sem fornecimento de material, ou seja, apenas com mão de obra, enquadrandose na hipótese do art. 122, parágrafo 1º, II, ‘e’, da IN 971/2009, in verbis: Art. 122. ...: ... § 1º Se a utilização de equipamento for inerente à execução dos serviços contratados, desde que haja a discriminação de valores na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, adotase o seguinte procedimento: ... II não havendo discriminação de valores em contrato, independentemente da previsão contratual do fornecimento de equipamento, a base de cálculo da retenção corresponderá, no mínimo, para a prestação de serviços em geral, a 50% (cinquenta por cento) do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços e, no caso da prestação de serviços na área da construção civil, aos percentuais abaixo relacionados: Fl. 9770DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13706.001117/200871 Acórdão n.º 2403002.965 S2C4T3 Fl. 9.730 19 ... e) 35% (trinta e cinco por cento) para os demais serviços realizados com a utilização de equipamentos, exceto os manuais. A previsão acima é a mesma daquela prevista na Ordem de Serviço INSS/DAF n.º 209, de 20 de maio de 1999, item 17, na IN INSS DC 100/2003, art. 159, parágrafo 1º, ‘v’, assim como no art. 150, parágrafo 1º, ‘v’ da IN INSS n. 03/2005 (na redação vigente até 2007), conforme as transcrições à seguir. OS INSS n. 209/99, in verbis: 17 A contratada que esteja obrigada a fornecer material ou dispor de equipamentos próprios ou de terceiros indispensáveis à execução do serviço, cujos valores estejam estabelecidos contratualmente, sendo as parcelas correspondentes discriminadas na nota fiscal, fatura ou recibo, os respectivos valores não estarão sujeitas à retenção. 17.1 Na hipótese de não constar no contrato os valores referentes a material ou equipamentos, deverão ser discriminadas as respectivas parcelas na nota fiscal, fatura ou recibo, não se admitindo que o valor relativo aos serviços seja inferior a 50% (cinqüenta por cento) do valor bruto. 17.1.1 Quando a utilização de equipamento não estiver estabelecida em contrato, porém for inerente à execução do serviço, aplicase o disposto no subitem anterior. 17.2 O valor do material fornecido ao contratante a ser discriminado na nota fiscal, fatura ou recibo não poderá ser superior ao valor de sua aquisição para fins de dedução da base de cálculo da retenção. 17.3 Na construção civil, quando os serviços abaixo relacionados forem executados com equipamentos mecânicos, não constando no contrato o valor referente a equipamento, deverá ser discriminada a respectiva parcela na nota fiscal, fatura ou recibo, não podendo a importância relativa aos serviços em relação ao valor bruto ser inferior a: ... Demais serviços com utilização de meios mecânicos 35% (trinta e cinco por cento) ... 18 Na falta de discriminação do valor da parcela relativa a material ou equipamento na nota fiscal, fatura ou recibo, a base de cálculo para a retenção será o seu valor bruto. IN INSS DC 100/2003, in verbis: Fl. 9771DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 20 Art. 159. Quando o fornecimento de material ou a utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, estiver previsto em contrato, mas sem discriminação dos valores de material ou equipamento, a base de cálculo da retenção corresponderá, no mínimo, a: § 1º Se a utilização de equipamento for inerente à execução dos serviços contratados, mas não estiver prevista em contrato, a base de cálculo da retenção corresponderá, no mínimo, a cinqüenta por cento do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, observandose, no caso da prestação de serviços na área da construção civil, os percentuais abaixo relacionados: V demais serviços realizados com a utilização de equipamentos, exceto manuais: trinta e cinco por cento. IN INSS n. 03/2005, in verbis: Art. 150. Os valores de materiais ou de equipamentos, próprios ou de terceiros, exceto os equipamentos manuais, cujo fornecimento pela contratada esteja apenas previsto em contrato, desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, não integram a base de cálculo da retenção, devendo o valor desta corresponder no mínimo a: § 1º Se a utilização de equipamento for inerente à execução dos serviços contratados, mas não estiver prevista em contrato, a base de cálculo da retenção corresponderá, no mínimo, a cinqüenta por cento do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, desde que haja a discriminação de valores nestes documentos, observandose, no caso da prestação de serviços na área da construção civil, os percentuais abaixo relacionados: V trinta e cinco por cento para os demais serviços realizados com a utilização de equipamentos, exceto os manuais. Abaixo segue a tabela demonstrativa, elaborada por amostragem, das notas fiscais. Fl. 9772DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13706.001117/200871 Acórdão n.º 2403002.965 S2C4T3 Fl. 9.731 21 NOTA FISCAL VENCIMENTO VALOR MATERIAL DESTACADO? VALOR2 SERVIÇO REFERÊNCIA 12796 abr/02 20.900,00R$ SIM 3.313,36R$ AUXILIAR DE CONSTRUÇÃO CIVIL ‐ EXECUÇÃO DE INSTALAÇÕES PARA ADEQUAÇÃO DA BIBLIOTECA 9055 12779 abr/02 41.024,25R$ SIM 10.120,98R$ AUXILIAR DE CONSTRUÇÃO CIVIL ‐ INSTALAÇÃO DE AR CONDICIONADO 9057 12872 mai/02 24.037,17R$ SIM 6.037,95R$ AUXILIAR DE CONSTRUÇÃO CIVIL ‐ INSTALAÇÕES DE AR CONDICIONADO 9059 12867 mai/02 22.752,80R$ SIM 8.575,21R$ AUX. CONST. CIVIL ‐ INSTAÇÃO DE NOBREAK PARA PRINT CENTER 9060 12831 abr/02 22.407,18R$ SIM 1.814,04R$ AUX. CONST. CIVIL ‐ INSTALAÇÃO DE AR CONDICIONADO 9064 12929 mai/02 77.854,70R$ SIM 29.342,35R$ AUX. CONST. CIVIL ‐ INSTALAÇÃO DE NOBREAK PARA PRINT CENTER 9066 12931 mai/02 11.544,69R$ SIM 330,12R$ AUX. CONST. CIVIL ‐ INSTALAÇÃO DE AR CONDICIONADO 9067 12969 ILEGIVEL 29.635,19R$ SIM 11.169,09R$ INSTALAÇÃO DE NO BREAK 9068 13006 jun/02 35.024,09R$ SIM 13.200,09R$ INSTALAÇÕ DE NO‐BREAK PARA PRINT CENTER 9071 13107 jul/02 21.610,64R$ SIM 6.871,73R$ EXECUÇÃO DE INFRAESTRUTURA PARA ESCRITÓRIO NO PREDIO 10 9078 13062 jun/02 17.057,48R$ SIM 6.428,73R$ EXECUÇÃO DE INSTALAÇÃO DE NO BREAK PARA O PRINT CENTER 9080 13920 mar/03 21.156,00R$ SIM 7.534,02R$ INSTALAÇÃO DE DIVISÓRIAS E INSTALAÇÕES ELÉTRICAS 9085 13919 mar/03 23.976,00R$ SIM 8.415,80R$ ADEQUAÇÕES ELÉTRICAS E DIVISÓRIAS 9086 13883 mar/03 13.442,22R$ REFEIÇÃO 6.721,11R$ MUDANÇA NA ÁREA DE ARQUIVO DE FINANÇAS 9087 14161 jun/03 18.000,00R$ SIM 4.573,00R$ INSTALAÇÃO E ADEQUAÇÃO ELÉTRICA DO PRÉDIO 9106 14251 jul/03 24.395,86R$ MATERIAL/TRANSPORTE 7.477,80R$ READEQUAÇÃO DA ÁREA DE CALL CENTER E ESCRITÓRIOS 9111 14278 ago/03 59.680,40R$ SIM 12.549,19R$ READEQUAÇÃO DA ÁREA DE CALL CENTER E ESCRITÓRIOS 9112 14279 ago/03 109.628,95R$ MATERIAL/TRANSPORTE 27.603,39R$ DESMONTAGEM DAS INSTALAÇÕES DO 3, 4 E 5 ANDARES 9113 14332 ago/03 69.589,99R$ MATERIAL/TRANSPORTE 18.489,62R$ ADEQUAÇÃO DE LAYOUT E CRIAÇÃO DE SALA DE OPERAÇÕES PARA ADI NO PRÉDIO 10 9114 13335 ago/03 26.252,54R$ SIM 5.602,04R$ REFORMAR PARCIAL DO 2 E 16 ANDARES 9115 14353 set/03 12.295,00R$ SIM 2.555,00R$ MUDANÇA DA RATIONAL A TUTOIA 9118 14286 ago/03 49.145,45R$ SIM 11.119,08R$ DEMONSTAGEM DAS INSTALAÇÕES DO 3, 4 E 5 ANDARES 9119 14310 ago/03 17.346,41R$ SIM 3.452,55R$ ALTERAÇÃO E ADEQUAÇÃO DE LAYOUT E REFORMA NO BANHEIRO DO PREDIO 31A 9120 14311 ago/03 17.443,90R$ SIM 3.667,98R$ READEQUAÇÃO DA ÁREA DE CALL CENTER E ESCRITÓRIOS 9121 13181 ago/02 22.000,00R$ SIM 7.501,12R$ ADEQUAÇÃO DE LAYOUT DA AREA DAS DOCAS DO TUSS 9127 13195 ago/02 31.891,40R$ SIM 10.140,80R$ EXECUÇÃO DE INFRAESTRUTURA PARA ESCRITÓRIOS NO PRÉDIO 10 9128 13136 jul/02 194.394,42R$ MATERIAL/EQ/REF 27.736,08R$ INFRAESTRUTURA PARA INSTALAÇÕES CRITICAS ‐ SUPERVISÃO E GERENCIAMENTO ‐ SERVIÇOS DE AC 9130 13163 jul/02 20.839,37R$ MATERIAL 8.818,74R$ INSTALAÇÃO DE NOBREAK PARA PRINT CENTER 9132 13222 ago/02 60.526,07R$ MAT/EQ/REF 22.907,04R$ EXECUÇÃO DE INFRAESTRUTURA PARA INSTALAÇÕES CRÍTICAS DO IU04 E TU18 9136 13242 jul/02 33.500,16R$ SIM 10.652,36R$ EXECUÇÃO DE INFRA ESTRUTURA PARA ESCRITÓRIO 9137 13262 ago/02 36.357,07R$ MAT/EQ/REF 14.490,08R$ INFRA ESTRUTURA DE INSTALÇÕES CRÍTICAS DO TUO3 E TU18 9138 13299 set/02 92.842,24R$ MAT/EQ/REF 61.350,00R$ INFRA ESTRUTURA DE INSTALÇÕES CRÍTICAS DO TUO3 E TU18 9142 13385 out/02 74.400,00R$ SIM 37.200,00R$ INFRA ESTRUTURA DE INSTALÇÕES CRÍTICAS DO TUO3 E TU18 9148 13382 out/02 137.941,20R$ MAT/EQ/REF 91.151,32R$ INFRA ESTRUTURA DE INSTALÇÕES CRÍTICAS DO TUO3 E TU18 9150 13490 nov/02 50.266,91R$ MAT/EQ 20.670,78R$ EXECUÇÃO PARA SETORES DE NWS E IDNX NO BCRS DO TU‐04 9157 23521 nov/02 75.000,00R$ SIM 37.500,00R$ SERVIÇOS ADICIONAIS DA OBRA DE INFRAESTRUTURA PARA O BCRS TUTOIA 9160 13796 fev/03 21.500,00R$ SIM 10.750,00R$ SUBSTITUIÇÃO DO PISO DA SUBTAÇÃO 9173 13812 fev/03 76.634,00R$ SIM 38.317,00R$ ADEQUAÇÃO DAS INSTALAÇÕES PARA DEFICIENTES 9175 Fl. 9773DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 22 Diante do exposto, entendo as notas fiscais apresentadas no Doc. 03 do Aditamento a impugnação devam ser objeto de recálculo da contribuição devida, aplicandose o disposto nos artigos acima citados. DA GLOSA DE DESPESAS COM ALIMENTAÇÃO E VALE TRANSPORTE Destaca o recorrente que a fiscalização glosou valores relativos a deduções efetuadas pelo cedentes de mão de obra, relativos a refeição e transporte, no que concerne às notas emitidas pela WHSP (Doc. 03 do Aditamento à impugnação, fls. 9052 a 9191) e WH MANUTENÇÃO (Doc. 06 do Aditamento, fls. 9227 a 9294). Afirma que não pode haver a glosa uma vez que bastaria a indicação dos valores em nota fiscal para elidir a responsabilidade do tomador do serviço pela retenção da contribuição, nos termos do item 19 da OS n. 209/99, bem como do art. 105 da IN 71/2002, abaixo transcritos, respectivamente: 9 Poderão ser deduzidos da base de cálculo da retenção os valores correspondentes ao custo de fornecimento, pela contratada, do valetransporte e do valerefeição, em conformidade com a legislação própria. 19.1 As parcelas de que trata este item deverão ser discriminadas na nota fiscal, fatura ou recibo. * * * Art. 105. Poderão ser deduzidas da base de cálculo da retenção as parcelas que estiverem discriminadas na nota fiscal, na fatura ou no recibo e que correspondam: I – ao custo da parcela "in natura", fornecida pela contratada de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), e em conformidade com a legislação própria; II – ao fornecimento de material contratualmente estabelecido e cujo valor não pode ser superior ao de aquisição, comprovado por documento fiscal; III – à utilização de equipamentos pertencentes à contratada, indispensáveis à execução do serviço, desde que contratualmente estabelecido e cujo valor de aluguel também esteja estimado em contrato. Cumpre destacar que essa previsão também consta na IN INSS DC 100/2003, art. 161, in verbis: Art. 161. Poderão ser deduzidas da base de cálculo da retenção as parcelas que estiverem discriminadas na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, que correspondam: I ao custo da alimentação in natura fornecida pela contratada, de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Fl. 9774DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13706.001117/200871 Acórdão n.º 2403002.965 S2C4T3 Fl. 9.732 23 Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), conforme Lei nº 6.321, de 1976; II ao fornecimento de valetransporte de conformidade com a legislação própria. Parágrafo único. A fiscalização do INSS poderá exigir da contratada a comprovação das deduções previstas neste artigo. Há também previsão na IN 971/2009, e, em todas as previsões, a responsabilidade pela guarda da documentação comprobatória de alimentação e transporte é do cedente de mão de obra, e não do tomador. Percebase que a própria legislação informa que o cedente de mão de obra é que deve efetuar o destaque: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). (Produção de efeitos). § 1o O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Além disso, não há como ser diferente, uma vez que é o próprio cedente de mãodeobra que determinará os custos que serão incorridos para execução do serviço contido na nota fiscal ou fatura. Dessa forma, não cabe ao tomador a guarda destas provas, mas sim, ao prestador de serviços e, não havendo qualquer indício de conluio entre as empresas, deve ser acentuada a boafé do tomador, em detrimento da presunção da fiscalização. Ante o exposto, entendo que não merecem prosperar as glosas efetuadas pela fiscalização. DA EXIGÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOBRE SERVIÇOS QUE NÃO ESTÃO SUJEITOS À RETENÇÃO Em suas razões recursais, aduz a IBM que existem diversas notas fiscais emitidas pela WHSP que discriminam serviços não sujeitos à retenção, como por exemplo, serviços de supervisão, gerenciamento e consultoria, além de serviços envolvendo ar condicionado, mas que, sequer foram citados no relatório de diligência. Fl. 9775DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 24 A DRJ negou o pleito do então impugnante justificando que a fiscalização realizou aferição indireta por não confiar na descrição contida naquele tipo de serviço e este fato causaria a inversão do ônus da prova, devendo o contribuinte apresentar outros documentos para respaldar a informação constante na nota. O contribuinte entende que a fiscalização não deu qualquer razão para que as descrições constantes das notas fiscais fossem desconsideradas, portanto, não poderia a decisão presumir que elas não seriam confiáveis sob pena de cerceamento do direito de defesa da recorrente. Ocorre que a fiscalização informa o motivo para proceder à aferição indireta, conforme fl. 1808, Relatório Fiscal, in verbis: Em virtude dos fatos relatados acima, quais sejam, a falta de informação da maioria dos contratos nas planilhas, a falta da informação da data de emissão da nota na planilha RelINVR (informou somente a data de pagamento), a não apresentação da maioria dos contratos, a apresentação de cópias das notas fiscais/faturas sem informações detalhadas conjugada com a não prestação de informações sobre a forma de prestação dos serviços, esta fiscalização adotou procedimento de aferição indireta para cobrar os valores devidos. Com relação às notas das quais o contribuinte informa que deveriam ser exoneradas (em razão da não incidência dos serviços relacionados), estas são aquelas que não estão respaldadas pelos respectivos contratos, os quais seriam necessários para ilidir a presunção firmada pela fiscalização. Outrossim, destaquese que o recorrente não aponta objetivamente quais as notas que não deveria ser objeto de tributação, bem como, verifico que das notas emitidas pela WH Engenharia – SP, relativas a serviços de arcondicionado tiveram retenção de contribuição previdenciária, a exemplo da nota da fl. 9.059. Ante o exposto, entendo que não merece provimento a fundamentação do contribuinte, por não ter apresentado outra prova capaz de confirmar as informações prestadas nos documentos fiscais dos quais entende que não haveria incidência de contribuições previdenciárias. DA CARACTERIZAÇÃO DA CESSÃO MÃODEOBRA DOS SERVIÇOS CONTRATADOS O recorrente ventila em sua defesa que os serviços prestados pelas empresas, a exemplo do que se perceberiam dos contratos firmados com a INSTEC PROJETOS E INSTALAÇÕES TÉCNICAS LTDA e PCTEC ENGENHARIA E ASSISTÊNCIA TECNICA LTDA., vigentes no período não abrangido pela decadência, que demonstrariam que os empregados das empresas não estavam subordinados à recorrente, e, em razão disso, não haveria que se falar em cessão de mão de obra e, consequentemente, exigência de contribuição previdenciária. Aduz que a fiscalização no item 2.2.4., do Relatório Fiscal apenas cita o tipo de serviço e a empresa que o prestou, não tendo demonstrado a efetiva cessão de mãodeobra nos contratos de prestação de serviços que foram apresentados pela recorrente no decorrer da ação fiscal. Afirma que tal fato acarretaria a nulidade da NFLD por vício material. Fl. 9776DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13706.001117/200871 Acórdão n.º 2403002.965 S2C4T3 Fl. 9.733 25 No entanto, entendo que não merece ser acolhida a razão recursal, seja com relação à existência de nulidade, seja com relação à não configuração de cessão de mão de obra. Primeiro, quanto à nulidade, no item 2.2.4., a fiscalização foi transparente suficiente para informar os serviços prestados, para tanto, vejamos um dos trechos da fl. 1811, integrante do item 2.2.4, in verbis: RHEAL NEGOCIOS E TECNOLOGIA (REALEZA INFORMATICA) – CNPJ 02.698.372/000169 SOW4902BR0255 período: 09/2002 a 06/2005 inclui serviços de manutenção de hardwares e suporte em software. base: 50% do valor da nota. Foi considerado que metade dos pagamentos referese a manutenção de hardware e metade a suporte em software, conforme item 3 do contrato (pág 12/32). Este item trata também da obrigatoriedade da retenção dos 11%. Percebese que a fiscalização informa qual o prestador de serviço ela está tratando, quais os contratos que acobertam a operação e que foram apresentados no decorrer da fiscalização, o período, bem como a natureza dos serviços prestados, além de informar qual a base de cálculo que foi tomada para incidência da retenção. Destaquese que vários foram os prestadores de serviço identificados e que são objeto do presente processo, tendo a empresa deixado de apresentar os contratos relativos a 08 (oito) empresas: TECMES TECNOLOGIA MET SERV INF LTD, ENGEWORK SERVIÇOS E COM DE INF LTDA, SUPER NET ENGENHARIA DE REDES LTDA. SPE DATA INFORMATICA LTDA, VOGA CONSULTORIA INFORMATICA LTDA, SPREAD TELEINFORMATICA, SPREAD TELEINFORMATICA LTDA, PREMIER TECNOLOGIA DA INF LTDA e IONIC ENGENHARIA LTDA, razão pela qual estas empresas não constam do anexo 2.2.4. Além disso, o fiscal elaborou Anexos ao relatório fiscal que bem traduzem os procedimentos tomados no decorrer da fiscalização. Por fim, cumpre destacar que o item 2.2.4., há de ser lido em conformidade com o item 2.2., Procedimentos, fl. 1806/1808, que diz: Em auditoria de diagnóstico realizada na IBM detectouse que a empresa contrata grande quantidade de prestadores de serviço. Tal procedimento se justifica, em grande parte, pela terceirização de seus contratos de suporte a software e manutenção de hardware. Além disso, contrata diversos outros serviços como vigilância, limpeza e conservação, obras de instalações, trabalho temporário, dentre outros. Foi constatado, ainda, que grande parte dessas empresas não vinham sendo retidas dos 11%. Dessa forma, foi apontado na auditoria de diagnóstico que tais fatos geradores deveriam ser melhor apurados. ... Fl. 9777DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 26 Em virtude dos fatos relatados acima, quais sejam, a falta de informação da maioria dos contratos nas planilhas, a falta da informação da data de emissão da nota na planilha RelINVR (informou somente a data de pagamento), a não apresentação da maioria dos contratos, a apresentação de cópias das notas fiscais/faturas sem informações detalhadas conjugada com a não prestação de informações sobre a forma de prestação dos serviços, esta fiscalização adotou procedimento de aferição indireta para cobrar os valores devidos. Tais fatos afastam as alegações de cerceamento do direito de defesa, bem como de que há vício material. No que toca a caracterização dos serviços como cessão de mãodeobra, necessárias são as seguintes considerações. É obrigatória a retenção de 11% no valor da nota fiscal ou fatura, quando a empresa contratar serviço contínuo, desde que haja a cessão de mãodeobra, para fins de Contribuição Previdenciária, nos termos do art. 31 da Lei n. 8.212/91 c/c o art. 219 do Decreto n. 3.048/99; assim como quando contratar, na modalidade empreitada, serviço de cessão de mãodeobra, nos termos do § 3o do art. 219 do Decreto n. 3.048/99. Mister se faz definir o que vem a ser serviço de cessão de mãodeobra, passível da retenção de 11%, para, em seguida, analisar os casos que deram origem à NFLD em tela. Assim disciplina o art. 31, §§ 3o e 4o da Lei n. 8.212/91, redação da Lei n. 9.711/98, verbis: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33 (...) § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III empreitada de mãodeobra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. Fl. 9778DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13706.001117/200871 Acórdão n.º 2403002.965 S2C4T3 Fl. 9.734 27 Para melhor compreensão, importante destacar as previsões constantes no art. 219 do Decreto n. 3.048/99, verbis: Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. § 1o Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. § 2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III construção civil; IV serviços rurais; V digitação e preparação de dados para processamento; VI acabamento, embalagem e acondicionamento de produtos; VII cobrança; VIII coleta e reciclagem de lixo e resíduos; IX copa e hotelaria; X corte e ligação de serviços públicos; XI distribuição; XII treinamento e ensino; XIII entrega de contas e documentos; XIV ligação e leitura de medidores; XV manutenção de instalações, de máquinas e de equipamentos; XVI montagem; XVII operação de máquinas, equipamentos e veículos; XVIII operação de pedágio e de terminais de transporte; Fl. 9779DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 28 XIX operação de transporte de cargas e passageiros; XX portaria, recepção e ascensorista; XXI recepção, triagem e movimentação de materiais; XXII promoção de vendas e eventos; XXIII secretaria e expediente; XXIV saúde; e XXV telefonia, inclusive telemarketing. § 3o Os serviços relacionados nos incisos I a V também estão sujeitos à retenção de que trata o caput quando contratados mediante empreitada de mãodeobra. (grifo nosso) A jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de que a lista constante no § 4o do art. 31 da Lei n. 8.212/91, é exemplificativa. Nesse diapasão, conforme delegação do citado parágrafo, o Regulamento traz, taxativamente, o rol dos serviços que deverão ser considerados como “cessão de mãodeobra”, para fins de incidência da Contribuição Previdenciária. Logo, diante do exposto, extraise que para haver a cessão de mãodeobra, passível da retenção de 11% de Contribuição Previdenciária, mister se faz que haja, concomitantemente: (i) a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados; (ii) a realização de serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa e (iii) previsão do serviço na lista constante no art. 219, § 2o do Decreto n. 3.048/99. Verifico da relação de serviços apresentados como base de cálculo para contribuição previdenciária por parte do fiscal, que todos os serviços foram contínuos, em virtude do período em que foram prestados, que pode ser constatado da movimentação de notas fiscais emitidas, conforme anexo I do REFISC, bem como que todos eles estão presentes na lista do art. 219, parágrafo 2º acima com os efetivos destaques. Com relação às clausulas constantes dos contratos da Instec e Pctec, estas tratam apenas de disposições relativas ao bom cumprimento dos contratos estipulados entre as empresas, principalmente dada a natureza de tais contratos, referentes à manutenção de hardware perante o tomador e perante terceiros. Por todo o exposto, diante das descrições apresentadas pela fiscalização, bem como das planilhas efetuadas e anexas ao auto de infração, além das notas fiscais e elementos trazidos, entendo que há cessão de mão de obra nos casos lançados, conforme disposto nos incisos XII, XV, XVII, XX, e XXV do parágrafo 2º do art. 219 RPS) e não retificados no decorrer do procedimento fiscal. DAS MULTAS APLICADAS No que se referem às multas de mora e de ofício aplicadas, mister se faz tecer alguns comentários. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Fl. 9780DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13706.001117/200871 Acórdão n.º 2403002.965 S2C4T3 Fl. 9.735 29 Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, Fl. 9781DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 30 necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN positiva o princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. DO RECURSO DE OFÍCIO No que toca ao recurso de ofício, entendo que a decisão da 11ª turma da DRJ no Rio de Janeiro não mereça outra reforma que não as apontadas nos tópicos acima. O recurso de ofício trata apenas de retificações procedidas em razão das provas apresentadas pelo então impugnante, ajustadas inclusive em sede de diligência, bem como por tratar de reconhecimento de decadência, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN, uma vez que o contribuinte tomou ciência do auto de infração em 29/12/2006 e por tratar o crédito tributário do período de 09/1999 a 08/2003, está extinto o crédito tributário até a competência de 11/2001. Dessa forma, não merece reparo da referida decisão. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do Recurso de Ofício para negar provimento. Fl. 9782DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13706.001117/200871 Acórdão n.º 2403002.965 S2C4T3 Fl. 9.736 31 Conheço do recurso voluntário para, no mérito, dar provimento parcial do para: a) Determinar que a Guia da Previdência Social – GPS, de fl. 9051, seja apropriada à competência 07/2003 do CNPJ 62534060. b) determinar a exclusão das contribuições exigidas sobre os valores que deixaram de ser retidos em razão de medida judicial liminar vigente até 17/01/2002, em relação ao prestador WHSP; c) Determinar o recálculo dos débitos relativos às empresas CONNECTCOM, nos períodos de 12/2001 e março de 2002; ADECCO, nos períodos de dezembro de 2001, fevereiro a junho de 2002, agosto a outubro de 2002, dezembro de 2002, fevereiro de 2003, abril de 2003 e julho de 2003; e PANALPINA, nos períodos de janeiro a maio de 2002, julho de 2002, setembro a dezembro de 2002, março a maio de 2003, e julho de 2003, considerando os pagamentos à maior efetuados tomando como parâmetro o confronto entre os valores devidos segundo a fiscalização por competência/prestador e os recolhimentos por ela efetuados por competência/prestador; d) determinar o reajuste da base de cálculo das notas fiscais juntadas nas fls. 9052/9191 dos autos, aplicandose as disposições constantes na Ordem de Serviço INSS/DAF n.º 209, de 20 de maio de 1999, item 17, na IN INSS DC 100/2003, art. 159, parágrafo 1º, ‘v’, assim como no art. 150, parágrafo 1º, ‘v’ da IN INSS n. 03/2005. e) determinar a improcedência da glosa de alimentação e transporte efetuados pela fiscalização; f) determinar o recálculo da multa de mora do remanescente, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 9783DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10970.000521/2009-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. SEM CARÁTER DE NORMA GERAL. EXTENSÃO. RESTRITAS AO OBJETO E À AÇÃO ESPECÍFICA.
As decisões administrativas e judiciais não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão, salvo quando se trata de decisão proferida pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normal legal ou pelos STF ou STJ em matéria infraconstitucional sob a sistemática dos recursos repetitivos (artigo 543-C do CPC), que devem ser observadas por este Conselho por força do art. 62-A do RICARF.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. VIA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE DE DEFERIMENTO. MATÉRIA SUMULADA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Anexo II do RICARF).
SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
São válidas como prova as informações bancárias requisitadas em absoluta observância às normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação de informações ao Fisco, pelas instituições financeiras, não constitui quebra do sigilo bancário.
DEPÓSITO BANCÁRIO. TITULARIDADE. PESSOAS INDICADAS NOS DADOS CADASTRAIS. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA.
A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. (Súmula CARF nº 32)
PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
As presunções legais invertem o ônus da prova, cabendo ao Fisco comprovar tão-somente a ocorrência da hipótese descrita na norma como presuntiva da infração.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação de origem dos valores ingressados no sistema financeiro.
Numero da decisão: 2201-002.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia e Eduardo Tadeu Farah.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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SEM CARÁTER DE NORMA GERAL. EXTENSÃO. RESTRITAS AO OBJETO E À AÇÃO ESPECÍFICA. As decisões administrativas e judiciais não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão, salvo quando se trata de decisão proferida pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normal legal ou pelos STF ou STJ em matéria infraconstitucional sob a sistemática dos recursos repetitivos (artigo 543C do CPC), que devem ser observadas por este Conselho por força do art. 62A do RICARF. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. VIA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE DE DEFERIMENTO. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Anexo II do RICARF). SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. São válidas como prova as informações bancárias requisitadas em absoluta observância às normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação de informações ao Fisco, pelas instituições financeiras, não constitui quebra do sigilo bancário. DEPÓSITO BANCÁRIO. TITULARIDADE. PESSOAS INDICADAS NOS DADOS CADASTRAIS. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA. A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. (Súmula CARF nº 32) PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 05 21 /2 00 9- 90 Fl. 330DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 As presunções legais invertem o ônus da prova, cabendo ao Fisco comprovar tãosomente a ocorrência da hipótese descrita na norma como presuntiva da infração. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação de origem dos valores ingressados no sistema financeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOZO – Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia e Eduardo Tadeu Farah. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10970.000521/200990 Acórdão n.º 2201002.678 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Neste processo foi lavrado o auto de infração do Imposto de Renda de Pessoa Física (fls. 20 a 25), exercício 2006, no qual se apurou o imposto de valor de R$ 1.159.803,68 por omissão de rendimentos baseada em depósitos bancários sem comprovação de origem, acrescido da multa de ofício de 75%, sobre os quais incidem os respectivos juros de mora. Conforme o Termo de Verificação Fiscal, diante da não apresentação pela contribuinte dos extratos bancários, foram requisitadas informações aos Bancos Bradesco e HSBC. Após sucessivas intimações, a contribuinte respondeu que emprestou as suas contas a terceiros e que não possuía controle sobre a sua movimentação, entretanto, apesar de ser reiteradamente exigida a comprovação da vinculação dos créditos com as operações da empresa, não apresentou qualquer comprovação. Em decorrência disso, foram efetuadas diligências (fls. 178/237), por meio das quais se constatou a utilização das contas correntes investigadas pela fiscalizada (cheques nominais emitidos para aquisição de um veículo Mitsubishi L200 Sport, em agosto de 2005, no valor de R$ 86.000,00, e débitos referentes a pagamentos de seguros e de consórcio de um veículo Fiat/Palio Fire). Em cumprimento a Mandado de Busca e Apreensão na Praça Evaristo Alves, Patrocínio (MG), foi constatado ser esse o domicílio da contribuinte, do qual ela se mudou sem atualizar o endereço na RFB. A interessada apresentou a impugnação, cujos argumentos foram assim relatados na decisão recorrida: 1) a contribuinte é pessoa simples, não demonstra nem ostenta riquezas, não teve seu patrimônio acrescido, mesmo porque não possui nenhum; logo, ausentes quaisquer indícios que pudesse levar o fisco a presumir ter ela auferido receitas na estratosférica quantia de R$4.248.l14,14; “não possui vínculo com qualquer empresa. Não recebe renda proveniente de salário ou qualquer outro provento”; 2) ao atender à intimação para comprovação da origem dos depósitos bancários, a fiscalizada informou que sua conta foi utilizada por terceiros, empresas do ramo frigorífico, Distribuidora de Carnes Integração, CNPJ n° 04.683.468/000189, e Produtora de Charque Tradição, CNPJ n° 04.339.890/0001l l; “estas empresas não possuem conta bancos em sua contabilidade, sendo que toda movimentação financeira é fiaita através da conta caixa, empresas estas fiscalizadas em igual período (2005) sendo lhes exigidos todos os tributos inclusive Imposto de Renda ”; 3) a intimação efetuada para apresentação de documentos que vinculassem os depósitos bancários realizados em suas contas correntes com operações das citadas empresas “se tornou uma missão impossível" pela imperfeição técnica da contabilidade daquelas empresas; pela falta de tais documentos o fisco considerou os depósitos bancários como omissão de receitas, arbitrando um valor a pagar muito além da capacidade contributiva da autuada; 4) a impugnante é companheira de Homero Tafnor, CPF n° 136.476.10844, “que era o proprietário de um imóvel onde se localiza um frigorífico atualmente paralisado onde as empresas citadas exerciam suas atividades”, fato que pode ser comprovado pela declaração de rendimentos de seu companheiro, pelos aluguéis recebidos; as empresas e seu companheiro tinham empecilhos junto às instituições financeiras para movimentar contas bancárias em seus próprios nomes, e tendo seu companheiro interesse na permanência das empresas no imóvel de sua propriedade, para ajudálas a manterem suas atividades, foramlhes emprestadas as contas investigadas; Fl. 332DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 5) é verdade a aquisição do veículo Mitsubishi, no entanto, esta foi feita por meio de um empréstimo concedido por seu pai, Sr. Antônio Caetano Filho; posteriormente, o veículo foi vendido e o empréstimo quitado; o consórcio de um veículo, junto à Bradesco Administradora de Consórcio Ltda., era para ser pago em sessenta meses com prestações de pequeno valor, porém, tal responsabilidade foi repassada para terceiros; os seguros feitos junto ao Bradesco foram bancados pelo seu companheiro; o auditor fiscal conhece as condições financeiras da investigada, pois conforme relatório, esteve em sua residência, que foi vasculhada em todos os detalhes em busca de algo que a incriminasse, mas nada foi encontrado; 6) o fisco considerou depósitos bancários como receitas, sem observar a inexistência de saldos positivos que induzam a um lucro; entende que a presunção contida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996 inverte o ônus da prova para a pessoa física desobrigada de manter livros contábeis; “não possuindo o livro Caixa, os extratos bancários refletem toda sua movimentação financeira, não só os depósitos, mas também os encargos advindos desta movimentação”; para demonstrar a inexistência de saldos positivos que evidenciem algum lucro serão entregues extratos bancários assim que disponibilizados pelos bancos; no caso em pauta o fisco considerou os depósitos como receitas deixando de deduzir as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, consoante determinado pela lei; 7) “...não e' razoável admitir que uma pessoa física, não assalariada, possa obter uma receita como a que foi apurada sem nenhum custo operacional dedutível na operação do imposto, portanto, inquestionável que houve arbitrariedade”; cita comentário de Aliomar Baleeiro a respeito do ato de arbitramento pelo fisco, nos termos do artigo 148 do CTN; cita, ainda, a Súmula 182 do extinto TFR e, também, entendimento do Conselho de Contribuintes, no sentido de que não basta a simples presunção legal de que os depósitos bancários constituem renda tributável sem que se evidencie sinais exteriores de riqueza. Posteriormente à impugnação, a interessada, por meio de seu representante legal, solicitou, a fls. 259/261, a juntada dos extratos bancários de fls. 264/287, e aproveitou, ainda, para se valer dos seguintes argumentos: 1) reclama que os depósitos bancários foram considerados renda sem computar as saídas; os extratos que ora apresenta demonstram que os valores depositados tratam se de receitas brutas que devem sofrer deduções – despesas de custeio para necessária percepção da receita e manutenção da fonte produtora, nos termos do art. 6°, inciso III, da Lei n° 8.134/1990; observa a ocorrência de saldos negativos infinitamente superiores aos saldos positivos, excluindo qualquer indício de aquisição patrimonial decorrente dessa movimentação bancária; entende que na opção de tributar a receita bruta “a base de cálculo seria 15% sobre 8% (lucro presumido) ou 1,2% sobre a receita bruta R$4.248.114,14 x 1,2% = R$50.977,00”. 2) por outro lado, ratifica que a receita apurada foi auferida por terceiros na conta da autuada, logo, esta deveria constar do presente processo apenas como solidária e as empresas Distribuidora de Charque Integração Ltda. e Produtora de Charque Tradição Ltda. como sujeito passivo da obrigação tributária; “essa assertiva é corroborada pelo relatório fiscal da própria Receita Federal o qual não o temos integralmente, mas consta deste relatório que o contribuinte Máster Couros Ltda., CNPJ n° 01965251/000173, informou que as transferências bancárias de valores para a conta de titularidade de Alexandra Pereira Alves referemse a pagamentos antecipados por conta de fornecimento de peles de bovinos conforme natas fiscais n” 000071 e 000070, emitidas pela empresa Eldorado Comércio e Indústria de Carnes Ltda., CNPJ n° 04759664/000190"; “que o contribuinte, António Sérgio de Melo Queiroz, CPF 23916826620, informou que realizou operações de venda de bovinos para Distribuidora de Carnes Integração Ltda., conforme comprovam as notas fiscais avulsas de produtor apresentadas, acrescentando que nunca manteve com a fiscalizada qualquer relação comercial.”; afirma que essas duas informações correspondem a apenas dois itens de um extenso relatório elaborado pelos auditores federais, em fiscalização efetuada contra as citadas empresas; requer, por essa razão, que esse relatório seja solicitado pela DRJ para a constatação da relação entre a autuada e as empresas responsáveis pelas movimentações de suas contas correntes. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10970.000521/200990 Acórdão n.º 2201002.678 S2C2T1 Fl. 4 5 Os membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG), por meio do Acórdão nº 0929.545, de 21 de maio de 2010, consideraram a impugnação improcedente. Após a frustrada tentativa de intimar a contribuinte, foi cientificado o seu procurador em 24 de junho de 2010 (Aviso de Recebimento à folha 304), que postou o recurso voluntário em 22 de julho, no qual repete as razões de defesa e rebate a decisão recorrida por não ter enfrentado a questão da ilegalidade e desprezado a jurisprudência dos tribunais. É o relatório. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 6 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. A recorrente questiona a decisão da primeira instância, pela não manifestação de inconstitucionalidade das normas e inobservância aos tribunais. Além disso, que: o depósito bancário não pode ser considerado renda; a Lei nº 8.021, de 1990, exige a comprovação do consumo para que se possa presumilo como renda; a recorrente não tem disponibilidade econômica ou patrimonial e não está obrigada a manter escritura contábil por ser pessoa física; houve quebra de sigilo bancário; os documentos “protegidos por sigilo fiscal”, que poderiam servirlhe como prova, foram inseridos parcialmente nos autos, impedindo a recorrente de se defender; e que a responsabilidade não seria da autuada, e sim da pessoa jurídica que utilizou a conta. Preliminares Inicialmente, descabe a preliminar de nulidade da decisão recorrida, uma vez que não cabe à DRJ se manifestar sobre a ofensa de princípios constitucionais, por falta de amparo legal. Também, o julgador não está obrigado a observar as decisões dos tribunais, sejam administrativos ou judiciais, salvo de for vinculante. A Administração Tributária se submete ao principio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei. Assim, não pode a autoridade lançadora e julgadora afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento. No caso específico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tem aplicação o art. 62 do Anexo II de seu Regimento Interno que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto pelos seus membros. A questão de inconstitucionalidade de lei foi pacificada no CARF por meio da Súmula nº 2, a qual diz: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” As decisões administrativas e judiciais, por sua vez, não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão, salvo as decisões judiciais proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais e as proferidas pelos tribunais sob a sistemática dos recursos repetitivos (artigo 543C do CPC), que devem ser observadas por este Conselho por força do art. 62A do RICARF. Também está desprovido de sustentação o questionamento quanto à ilegalidade de acesso aos dados bancários, já que foram adotadas as medidas legais para inicio da ação fiscal, conforme o disposto no art. 6º da Lei Complementar nº 105: Art. 6°. As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver procedimento administrativo instaurado ou Fl. 335DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10970.000521/200990 Acórdão n.º 2201002.678 S2C2T1 Fl. 5 7 procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. (grifos no recurso) Nos autos, estava clara a necessidade e a imprescindibilidade de acesso aos significativos valores movimentados em contas bancárias para levantamento do imposto de renda devido, já que a informação não fora prestada pelo contribuinte. Essa solicitação de informação está respaldada no art. 918 do RIR/1999: Art. 918. Iniciado o procedimento fiscal, os AuditoresFiscais do Tesouro Nacional poderão solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no art. 38 da Lei n°4.595, de 1964 (Lei n° 4.595, de 1964, art. 38, §§ 5° e 6°, e Lei n° 8.021, de 1990, art. 8°). A autoridade fiscal intimou mais de uma vez a contribuinte, que se esquivou de prestar as informações. Observase ainda que não há quebra de sigilo bancário, e sim, mera transferência de informações, já que estas, na Receita Federal do Brasil, estão sujeitas ao sigilo fiscal, de acesso restrito aos agentes do fisco e ao contribuinte, conforme consta do RIR/1999: Art. 998. Nenhuma informação poderá ser dada sobre a situação econômica ou financeira dos sujeitos passivos ou de terceiros e sobre a natureza e o estado dos seus negócios ou atividades (Lei n° 5.172, de 1966, arts. 198 e 199). [...] § 2° A obrigação de guardar reserva sobre a situação de riqueza dos contribuintes se estende a todos os funcionários públicos que, por dever, de ofício, vierem a ter conhecimento dessa situação (Decretolei n° 5.844, de 1943, art. 201, § 1°). § 3º É expressamente proibido revelar ou utilizar, para qualquer fim, o conhecimento que os servidores adquirirem quanto aos segredos dos negócios ou da profissão dos contribuintes (Decretolei n° 5.844, de 1943, art. 201, § 2°). Art. 999. Aquele que, em serviço da Secretaria da Receita Federal, revelar informações que tiver obtido no cumprimento do dever profissional ou no exercício de ofício ou emprego, será responsabilizado como violador de segredo, de acordo com a lei penal (Decretolei n°5.844, de 1943, art. 202). Pelas razões acima, não se verifica qualquer irregularidade quanto ao acesso às informações bancárias no procedimento fiscal que apurou o imposto de renda. Quanto à alegação de ilegitimidade passiva, vale salientar que as meras alegações da recorrente de que teria emprestado as contas bancárias a terceiros, e de que não seria obrigada a manter escrituração, por ser pessoa física, ou, ainda, de que não adquiriu bens, não são suficientes para cancelar o lançamento. De acordo com a Súmula CARF nº 32, a titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. A contribuinte, diante da farta evidência juntada pela auditoria, fruto de diligências e busca e apreensão, não conseguiu comprovar que os recursos não lhe pertenciam. Omissão de rendimentos – presunção do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996 Fl. 336DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 8 O imposto de renda das pessoas físicas, nos termos o artigo 43 do CTN, tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, isto é, de riqueza nova. Entretanto, o legislador ordinário presumiu que há aquisição de riqueza nova nos casos de movimentação financeira em que o contribuinte não demonstre a origem dos recursos. E, nesse caso, ante a vinculação do princípio da legalidade que rege a administração pública, tem a fiscalização a obrigação de autuar a omissão no valor dos depósitos bancários recebidos. Assim está expresso no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela constatação de depósitos bancários, mas pela falta de esclarecimentos, por parte do contribuinte, quanto à origem dos numerários depositados em suas contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme expressamente previsto na lei, resultando na presunção de omissão de rendimentos. As presunções legais invertem o ônus da prova, cabendo ao Fisco comprovar tão somente a ocorrência da hipótese descrita na norma como presuntiva da infração. Nos autos, o contribuinte não apresentou provas, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos valores depositados/creditados nas contas correntes, constante do Termo de Verificação Fiscal (fls. 117 a 121), caracterizando, assim, a omissão de rendimentos, como definida no artigo 42, da Lei 4.930, de 1996, com os limites alterados pelo art. 40 da lei n° 9.481, de 1997, e no artigo 849 e parágrafos do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999). Isto posto, voto em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso da contribuinte. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator Fl. 337DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10768.003937/2005-31
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006, 2007
AÇÃO JUDICIAL. SOBRESTAMENTO. PROCESSO BAIXADO E ARQUIVADO.
Compete ao órgão julgador, de ofício ou a requerimento, levar em consideração as alterações fáticas supervenientes, concedendo a medida mais adequada. Deve ser rejeitado o pedido de sobrestamento do processo administrativo até o trânsito em julgado de sentença judicial quando o respectivo processo já transitou em julgado, foi baixado e arquivado no órgão judicial.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PROCESSO DE CONSULTA.
Cabe ao contribuinte apurar na declaração de compensação o crédito líquido e certo (art. 170 do CTN). A mera indicação do processo de consulta como origem do crédito, sem a existência de quaisquer outros elementos aptos a permitir a quantificação do crédito alegado, impede seja operacionalizada a compensação, razão pela qual esta não poderá ser homologada.
CERTIDÃO NEGATIVA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO.
A jurisprudência do CARF é pacifica no sentido de não conhecer os pedidos para emissão de certidão negativa de débito, tendo em vista a falta de competência deste órgão para tal mister.
Numero da decisão: 1801-002.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Fernandes Limiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich
Nome do relator: ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006, 2007 AÇÃO JUDICIAL. SOBRESTAMENTO. PROCESSO BAIXADO E ARQUIVADO. Compete ao órgão julgador, de ofício ou a requerimento, levar em consideração as alterações fáticas supervenientes, concedendo a medida mais adequada. Deve ser rejeitado o pedido de sobrestamento do processo administrativo até o trânsito em julgado de sentença judicial quando o respectivo processo já transitou em julgado, foi baixado e arquivado no órgão judicial. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PROCESSO DE CONSULTA. Cabe ao contribuinte apurar na declaração de compensação o crédito líquido e certo (art. 170 do CTN). A mera indicação do processo de consulta como origem do crédito, sem a existência de quaisquer outros elementos aptos a permitir a quantificação do crédito alegado, impede seja operacionalizada a compensação, razão pela qual esta não poderá ser homologada. CERTIDÃO NEGATIVA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO. A jurisprudência do CARF é pacifica no sentido de não conhecer os pedidos para emissão de certidão negativa de débito, tendo em vista a falta de competência deste órgão para tal mister.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 AÇÃO JUDICIAL. SOBRESTAMENTO. PROCESSO BAIXADO E ARQUIVADO. Compete ao órgão julgador, de ofício ou a requerimento, levar em consideração as alterações fáticas supervenientes, concedendo a medida mais adequada. Deve ser rejeitado o pedido de sobrestamento do processo administrativo até o trânsito em julgado de sentença judicial quando o respectivo processo já transitou em julgado, foi baixado e arquivado no órgão judicial. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PROCESSO DE CONSULTA. Cabe ao contribuinte apurar na declaração de compensação o crédito líquido e certo (art. 170 do CTN). A mera indicação do processo de consulta como origem do crédito, sem a existência de quaisquer outros elementos aptos a permitir a quantificação do crédito alegado, impede seja operacionalizada a compensação, razão pela qual esta não poderá ser homologada. CERTIDÃO NEGATIVA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO. A jurisprudência do CARF é pacifica no sentido de não conhecer os pedidos para emissão de certidão negativa de débito, tendo em vista a falta de competência deste órgão para tal mister. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 39 37 /2 00 5- 31 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES 2 Ana de Barros Fernandes Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro Relator. Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich Relatório Em 28/06/2005 a empresa formulou consulta (efls. 02/09) para verificar seu direito de efetuar o procedimento de compensação dos valores recolhidos a maior no período anterior ao da IN SRF 480/2004, advindos da utilização da base de cálculo presumida de 32% da receita bruta auferida mensalmente, ao invés de ter utilizado 8% para cálculo da referida base presumida do IRPJ, uma vez que sua atividade enquadravase como serviços hospitalares, nos termos do art. 23, inciso II, alíneas "a", "b" e "c" da IN SRF n° 306/2003, além do disposto no Ato Declaratório Interpretativo n° 18/2003. Em 07/07/2005 foi proferida a Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DISIT n. 284 (efls. 17/20) que considerou correto o entendimento da empresa em relação ao seu direito de compensação dos valores recolhidos a maior. O contribuinte foi intimado desta decisão em 15/07/2005 (efl. 21) e posteriormente o processo de consulta foi arquivado (efl. 22). A partir de então a empresa começou a transmitir as seguintes PER/DCOMP`S (efls. 24/78 e 80/127): 05611.30205.280706.1.3.049300; 14141.74201.100806.1.3.044049; 36674.76784.140906.1.3.049170; 07444.52440.200407.1.7.041697; 08755.56831.141106.1.3.040599; 14557.80472.141206.1.3.040660; 19221.87115.120107.1.3.046484; 23551.16870.160107.1.3.048309; 03422.60309.090207.1.3.048482; 42160.29087.200307.1.3.040094; 21859.98564.200407.1.3.040431; 16584.12548.270407.1.3.047904; 27283.79318.160507.1.3.044436; 13113.19496.190607.1.3.044858; 30011.48613.190707.1.3.043184; 01290.25287.170807.1.3.044798; 26325.90315.200907.1.3.044470; 13507.53994.191007.1.3.044095; 02761.31612.191107.1.3.043004; 21078.29003.191207.1.3.047358. Em 06/06/2011 foi proferido Despacho Decisório (efls. 128/133), o qual não homologou as DCOMP`s, com supedâneo no art. 74 da Lei n. 9.430/1996, uma vez que o contribuinte indicou como crédito o processo de consulta, o qual não trata de qualquer direito creditório, mas sim de consulta sobre aplicação da legislação tributária federal. Consignou ainda que o contribuinte deveria ter indicado os pagamentos efetuados indevidamente ou a maior. Deste modo, concluiu inexistir qualquer direito creditório a ser analisado nas DCOMP`S. O contribuinte tomou ciência desta decisão em 13/06/2011 (efl. 135) e apresentou manifestação de inconformidade (efls. 145/188), a qual foi julgada improcedente pela DRJRio de Janeiro I(RJ). O julgador, inicialmente, verificou ausência de transcurso do prazo de cinco anos para homologação tácita das DCOMP`s. Outrossim, consignou que o direito do contribuinte compensar o recolhimento a maior do IRPJ foi reconhecido, mas este Fl. 294DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES Processo nº 10768.003937/200531 Acórdão n.º 1801002.252 S1TE01 Fl. 294 3 não procedeu ao pedido de compensação conforme disciplinado, impossibilitando à SRF aferir a higidez de seu crédito. Assim, faltou ao crédito informado (processo de consulta) certeza e liquidez. Por fim, decidiu pelo não sobrestamento do presente processo para aguardar o trâmite da ação ordinária n. 2005.34.00.0255368 e indeferiu o pedido de emissão de certidão. O contribuinte foi intimado desta decisão em 22/11/2011 (efls. 245/246) e interpôs recurso administrativo (efls. 248/291), onde argumenta: a) Inicialmente, pretende o sobrestamento do processo administrativo em função da suspensão da exigibilidade do crédito tributário na ação ordinária n. 2005.34.00.0255368, em trâmite na 4ª Vara Federal do Distrito Federal. b) Lembrou que a solução de consulta reconheceu seu direito de compensar o valor recolhido a maior a título de IRPJ. Assim, questiona a conclusão fiscal de inexistência de direito creditório se a solução de consulta constatou tal direito. c) Ressaltou o direito da empresa recolher o IRPJ com a base de cálculo reduzida. d) Por fim, requer a emissão de certidão negativa, com fulcro nos arts. 151, III e V do CTN. Ao final, requer o sobrestamento do presente processo até o trânsito em julgado da ação ordinária n. 2005.34.00.0255368; a homologação das declarações de compensação; emissão de certidão negativa de débitos. Voto Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro, Relator Presentes os pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do presente recurso. Sobrestamento – Ação Ordinária n. 2005.34.00.0255368 Quanto ao pedido de sobrestamento, o mesmo se mostra incabível, seja pelo fato do objeto daquela ação não ser prejudicial à presente lide, seja pelo fato da referida ação ordinária já ter transitado em julgado. Quanto à ausência de prejudicialidade, bem resumiu o julgado recorrido: Isto porque no que tange às Dcomp o crédito pleiteado, uma vez indeferido, não tem por conseqüência sua cobrança. Quanto aos débitos que tenham sido pagos a maior e que estariam representados pelo crédito pleiteado também não há que se falar em exigibilidade, uma vez que já estariam extintos por seus pagamentos. Quanto aos débitos indicados nas Dcomp para compensação seria contraditório, até mesmo um contrasenso, buscar extinguir por compensação débitos de IRPJ e CSLL acima da base presumida cujo reconhecimento pleiteou administrativamente e judicialmente. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES 4 No que tange ao andamento da ação ordinária n. 2005.34.00.0255368, ao consultar este processo judicial no sítio eletrônico do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (http://portal.trf1.jus.br/portaltrf1/paginainicial.htm) verificase que o trânsito em julgado do acórdão proferido ocorreu em 03/04/2013. Inclusive, o processo encontrase baixado naquele tribunal desde 23/04/2013 e baixado e arquivado na 4ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal desde 18/09/2013. Portanto, perdeu o objeto tal pretensão do contribuinte. Impossibilidade de homologação das DCOMP`s O contribuinte requer a homologação das declarações de compensação. Para tanto, lembrou que a solução de consulta reconheceu seu direito de compensar o valor recolhido a maior a título de IRPJ. Outrossim, ressalta o direito da empresa recolher o IRPJ com a base de cálculo reduzida. O processo de consulta instaurado pelo contribuinte cingiase na possibilidade de compensar o imposto que considera ter sido pago a maior, em virtude de ter direito à base de cálculo reduzida do IRPJ. A Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DISIT n. 284 de 07 de julho de 2005 (efls. 17/19) concluiu pelo direito do contribuinte de compensar os valores pagos a maior, desde que correto o seu enquadramento como prestador de serviços hospitalares. Para tanto, consignou ainda que a compensação deveria observar o disposto na IN SRF n. 460/2004: Por último, cumpre observar que, além de observar o prazo de cinco anos contados a partir da extinção do crédito tributário, a compensação deve seguir as orientações da IN SRF n° 460/2004. (efl. 19) Deste modo, importa ressaltar que a conclusão judicial não influencia o presente processo, pois a ação ordinária n. 2005.34.00.0255368 se resumiu ao “reconhecimento do direito de calcular a base de cálculo do Imposto de Renda sobre o lucro presumido no percentual de 8% (oito por cento) e da Contribuição social Sobre o Lucro Liquido – CSLL no percentual de 12% (doze por cento), uma vez que presta serviços de hemodiálise, que se incluem no conceito de "serviços hospitalares".” (efl. 215). Portanto, não tratou especificamente do Despacho Decisório (efls. 128/133), o qual não homologou as DCOMP`s, com supedâneo no art. 74 da Lei n. 9.430/1996. Destarte, se correto o enquadramento do contribuinte como prestador de serviços hospitalares, é cristalino o seu direito à apuração da base de cálculo reduzida do IRPJ e a compensação dos valores pagos a maior. A demanda cingese então na forma pela qual o contribuinte tentou realizar a compensação, indicando como crédito apenas o processo de consulta. O art. 74 da Lei n. 9.430/96 possibilita que o sujeito passivo que apurar crédito o utilize na compensação de débitos próprios. Tal compensação se efetua mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Ademais, cabia ao contribuinte observar a IN SRF n. 600, de 28 de dezembro de 2005 (que revogou a IN SRF n. 460/2004), vigente à época de transmissão das DCOMP`s, a qual determina que a compensação se dará mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP. O art. 170 do CTN exige ainda que os créditos informados pelo contribuinte sejam líquidos e certos. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES Processo nº 10768.003937/200531 Acórdão n.º 1801002.252 S1TE01 Fl. 295 5 A legislação é clara, portanto, ao dizer que é o próprio contribuinte quem apresenta a declaração de compensação, onde deverá informar o crédito utilizado e o débito compensado. Ocorre que nas declarações transmitidas pelo contribuinte (efls. 24/78 e 80/127) o crédito informado se restringiu à indicação do processo n. 10768.003937/200531, que tratou da Solução de Consulta. Ocorre que neste processo não foi apresentado pelo contribuinte os créditos que este pretendia compensar. Portanto, não há como avaliar o pagamento a maior efetuado pelo contribuinte, o qual ensejou seu crédito. Não há nenhum documento nos autos que permita tal avaliação. O problema é simples: não restou demonstrado o quantum do indébito tributário em favor do contribuinte. Registro que a ausência de liquidez e certeza do crédito apurado pelo contribuinte (art. 170 do CTN) não se deve apenas ao fato deste ter indicado como crédito o processo de consulta, mas sim da inexistência de quaisquer documentos que possibilitem tal aferição pela Receita Federal. Tanto é que, a título de exemplo, esta turma já entendeu pela possibilidade de realização de compensação no processo n. 13706.000308/200491, onde o contribuinte havia indicado como crédito seu processo de solução de consulta. Entretanto, naquele caso o contribuinte havia retificado todas as DCTF's e apresentado a DIPJ com a tributação a 8%, permitindo a aferição de liquidez e certeza de seu crédito. Dessa feita, não merece reparos o entendimento adotado na decisão recorrida. Emissão de Certidão Negativa de Débito O contribuinte requer a emissão de certidão negativa, com fulcro nos arts. 151, III e V do CTN. Contudo, tal pretensão não pode nem mesmo ser conhecida por completa incompetência deste órgão para tanto. É pacífica a jurisprudência neste sentido: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2009 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. AÇÃO AJUIZADA APÓS VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR N. 118/2005. PRAZO QUINQUENAL. Conforme entendimento firmado pelo STF, na sistemática dos recursos repetitivos, o prazo prescricional para compensação tributária é de cinco anos, a contar do pagamento, para as ações ajuizadas após início da vigência da Lei Complementar n. 118/2005, ou seja, 09/06/2005. PARCELAMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA INCLUSÃO DAS PARCELAS COMPENSADAS. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. Não tendo o sujeito passivo comprovado que incluiu em parcelamento as quantias supostamente recolhidas indevidamente que pretende compensar, devese glosas os valores correspondentes. PEDIDO DE CERTIDÃO NEGATIVA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO. Não devem ser conhecidos os pedidos para emissão de certidão negativa de débito, posto que é matéria não incluída na competência do CARF. Recurso Voluntário Negado. (Número do Processo 16641.000069/201016; Nº Acórdão 2401003.385; Tipo do Recurso: RECURSO VOLUNTARIO; Relator(a) KLEBER FERREIRA DE ARAUJO; Data de Publicação: 09/06/2014) PEDIDO DE EMISSÃO DE CERTIDÃO NEGATIVA E DE EXCLUSÃO DO CADIN Não se conhece do pedido de emissão de certidão negativa e de exclusão da recorrente do CADIN. (...) Fl. 297DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES 6 (Número do Processo 11065.005085/200416; Nº Acórdão 10322344; Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO; Relator(a) Flávio Franco Corrêa; Data de Publicação: 22/03/2006) Destarte, cabe ao contribuinte observar o que dispõe a IN RFB n° 734/2007, a qual dispõe sobre a emissão de certidão de regularidade fiscal pela Receita Federal. Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro Fl. 298DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES
score : 1.0
Numero do processo: 15540.720159/2012-56
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
O prazo para interposição de recurso é peremptório. A peça impugnatória apresentada após o prazo legal não deve ser conhecida, por não preencher os requisitos de admissibilidade.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido:
Numero da decisão: 2803-004.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade.
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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NÃO CONHECIMENTO. O prazo para interposição de recurso é peremptório. A peça impugnatória apresentada após o prazo legal não deve ser conhecida, por não preencher os requisitos de admissibilidade. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 01 59 /2 01 2- 56 Fl. 454DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela contribuinte Cobrave Cooperativa Brasileira de Profissionais em Vendas Ltda em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), que restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Matéria não expressamente impugnada tornase definitiva na esfera administrativa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. DIRETORES DE COOPERATIVA. São devidas contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais diretores de cooperativa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O processo ora em apreço teve origem com o lançamento pela fiscalização dos seguintes autos de infração: a) Debcad nº 51.004.0063, relativo ao lançamento de (i) contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados contribuintes individuais cooperados que trabalham na direção da cooperativa – levantamento A1, e autônomos que prestaram serviços para a cooperativa – levantamento A2, nas competências janeiro de 2009 a dezembro de 2009, e (ii) contribuições previdenciárias patronais destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho RAT, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados a serviços do sujeito passivo – levantamento A6, nas competências novembro de 2009 a dezembro de 2009, inclusive 13°. b) Debcad nº 51.004.0071, relativo ao lançamento de contribuições previdenciárias devidas pelos segurados contribuintes individuais – levantamento A3 e A5, nas competências janeiro de 2009 a dezembro de 2009, sendo que o levantamento A3 referese a contribuições dos segurados contribuintes individuais autônomos que prestaram serviços para a COBRAVE e o levantamento A5 referese a diferenças de contribuições dos segurados contribuintes individuais que prestaram serviços a terceiros decorrentes da aplicação incorreta do limite máximo do salário de contribuição. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 15540.720159/201256 Acórdão n.º 2803004.216 S2TE03 Fl. 455 3 Devidamente cientificada da autuação fiscal, a contribuinte apresentou impugnação aduzindo, em apertado escorço: a) inicialmente diverge das conclusões da auditoria, interrogando sobre a realização direta de vendas, a diferença de atuação dos supervisores da atuação dos diretores, os dados que levaram a auditoria a concluir que a remuneração dos diretores era decorrente de suas atribuições administrativas. b) que a auditoria ignorou a existência de um contador, que, quando a cooperativa era de menor porte, era responsável por todas as atividades administrativas da mesma. Que mesmo afirmando que a atividade administrativa foi exercida pelos diretores até a competência de outubro de 2009, o levantamento A1 incluiu também as competência novembro e dezembro de 2009. c) que a contribuição instituída pela Lei nº 8.212, de 1991, se destinou a substituir, no tocante às cooperativas de trabalho, a contribuição patronal das empresas, em se supondo que os pagamentos efetuados aos cooperativados pelas cooperativas de trabalho sejam inferiores a setenta e cinco por cento das notas fiscais/faturas emitidas. Nesse passo, demonstra que a remuneração total dos cooperativados, incluída a da diretoria, em nenhum momento no período de 2009 excedeu o percentual de 75% do faturamento os valores pagos aos cooperados. Cita Parecer do AdvogadoGeral da União e decisão do processo 2002.71.12.0006055 TRF – 4a Região, que entende aplicáveis ao presente lançamento. Analisando as alegações da contribuinte, a DRJ de origem entendeu por bem em manter na íntegra o lançamento efetuado pela fiscalização, não acolhendo as ponderações apresentadas na impugnação, conforme a ementa de decisão colacionada alhures. Irresignada com a decisão da DRJ, a contribuinte apresentou recurso voluntário repisando os argumentos apresentados em sede de impugnação. Sem contrarrazões por parte da Procuradoria da Fazenda, os autos foram encaminhados a este Conselho, sendo a mim sorteada a relatoria. É o relatório. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 4 Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade Preliminarmente, enfrento a questão da tempestividade do recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Para tanto, importante ressaltar que o sistema da oficialidade, que preside o processo administrativo, caracterizase como uma sequência lógica e ordenada de atos rumo à solução final da demanda, iniciandose com a intimação do sujeito passivo e caminhando até alcançar uma decisão final. Nesse sentido, permitome tecer algumas considerações. Todo o prazo processual é delimitado por dois termos: o inicial (dies a quo), pelo qual surge a faculdade da parte em realizar algum ato, e o final (dies ad quem), em que se extingue efetivamente a faculdade assegurada inicialmente, tenha o interessado praticado ou não o ato processual a ele assegurado. E a norma adjetiva, disciplinando a matéria, estabeleceu um limite de prazo para que as partes possam produzir, de maneira válida, suas manifestações no processo. Com efeito, o artigo 33, do Decreto nº 70.235/72, dispõe que “da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão”. No mesmo sentido, o artigo 5º do Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal, assevera que os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, sendo que somente se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que ocorra o processo ou deva ser praticado o ato. E sobre a questão, o Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, o processo de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal e outros processos que especifica, repete a redação citada acima em seu artigo 9º, verbis: Art. 9º. Os prazos serão contínuos, com início e vencimento em dia de expediente normal da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil em que corra o processo ou deva ser praticado o ato (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 5º). 8. De igual sorte, esta também é a determinação dos artigos 184 e 240, parágrafo único, do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 184. Salvo disposição em contrário, computarseão os prazos, excluindo o dia do começo e incluindo o do vencimento. § 1º Considerase prorrogado o prazo até o primeiro dia útil se o vencimento cair em feriado ou em dia em que: Fl. 457DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 15540.720159/201256 Acórdão n.º 2803004.216 S2TE03 Fl. 456 5 I for determinado o fechamento do fórum; II o expediente forense for encerrado antes da hora normal. § 2º Os prazos somente começam a correr do primeiro dia útil após a intimação (art. 240 e parágrafo único). [...] Art. 240. Salvo disposição em contrário, os prazos para as partes, para a Fazenda Pública e para o Ministério Público contarseão da intimação. Parágrafo único. As intimações consideramse realizadas no primeiro dia útil seguinte, se tiverem ocorrido em dia em que não tenha havido expediente forense. Importante também frisar que o próprio Código Tributário Nacional – CTN tratou da matéria, como segue: Art. 210. Os prazos fixados nesta Lei ou legislação tributária serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. In casu, verificase que o contribuinte foi cientificado do acórdão nº 10 48.057, prolatado pela 7ª Turma da DRJ/POA, no dia 24/12/2013 (terçafeira), conforme cópia do AR juntado às fls. 445, começando a contar o prazo de 30 dias no dia 26/12/2013 (quintafeira), por ser o primeiro dia útil seguinte ao da intimação. Contudo, o recurso voluntário foi protocolado apenas no dia 13/02/2014, conforme fls. 446. Portanto, o recurso foi interposto fora do prazo recursal – o último dia para recorrer seria dia 24/01/2014. Dessa forma, não conheço do recurso, por não preencher o requisito formal (tempestividade) para admissibilidade recursal. Conclusão Por todo o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário, por tratarse de peça intempestiva. É como voto. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Relator Fl. 458DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 6 Fl. 459DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA
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