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Numero do processo: 10480.902761/2014-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 29/02/2012
RESTITUIÇÃO. PROVA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Para fazer jus ao ressarcimento pleiteado, incumbe ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, sob pena de indeferimento de seu pedido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DATA DO FATO GERADOR: 29/02/2012 RESTITUIÇÃO. PROVA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Para fazer jus ao ressarcimento pleiteado, incumbe ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, sob pena de indeferimento de seu pedido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 27 61 /2 01 4- 18 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10480.902761/201418 Acórdão n.º 3301005.214 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do Pedido de Restituição (PER) da Contribuição (PIS/Cofins), em virtude de o pagamento informado encontrarse totalmente alocado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte juntou aos autos DCTF mensal original e retificadora e comprovante de pagamento como provas do recolhimento indevido. Sustentou que o Pedido de Restituição havia sido negado por falta de retificação da DCTF, contendo os valores devidos, anteriormente à data da análise do pedido de crédito. Por fim, destacou que a empresa procedera ao pedido de restituição da contribuição por se tratar de tributo com alíquota zero, nos termos do art. 28 da Lei nº 10.865/2004. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 02069.468, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, afastando o pleito por falta de comprovação do direito creditório. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito, repisando os mesmos argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade, destacando que agira de acordo com orientações recebidas de funcionários da Receita Federal e que não lhe fora informado da necessidade de retificação prévia do Dacon. É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10480.902761/201418 Acórdão n.º 3301005.214 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.202, de 26/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10480.902751/201474, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3301005.202): O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. A Recorrente pleiteia a restituição do PIS, nos termos do art. 28 da Lei nº 10.865/2004: Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: Todavia, a empresa não indicou o inciso do dispositivo. Entendo como provável o “III produtos hortícolas e frutas, classificados nos Capítulos 7 e 8, e ovos, classificados na posição 04.07, todos da TIPI”, de acordo com os atos constitutivos da Lázaro Frutas. Todavia, a decisão de piso não merece reforma, porquanto nestes autos não há suporte documental comprobatório do direito creditório requerido, o que afasta a sua certeza e liquidez. É certo que incumbe ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. A Recorrente trouxe aos autos a DCTF mensal original e retificadora, a DACON retificadora e DARF, por entender como suficientes para demonstrar que o recolhimento foi indevido. Entretanto, não foram trazidos aos autos a escrituração contábil fiscal da Recorrente, esclarecimentos do porquê o recolhimento foi indevido, planilha de apuração do PIS ou notas fiscais (art. 26 a 27 do Decreto n° 7.574/2011). Entendo que as declarações retificadas devem estar acompanhadas de outros documentos que demonstrem cabalmente o recolhimento indevido. Em regra geral, considerase que o ônus da prova recai sobre quem alega o fato ou o direito: Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10480.902761/201418 Acórdão n.º 3301005.214 S3C3T1 Fl. 5 4 CPC/2015 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Assim, é do próprio contribuinte o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao ressarcimento. Enfim, estáse diante da ausência de liquidez e certeza quanto ao suposto crédito pleiteado, devendo ser mantido o Despacho Decisório proferido pela DRF de origem. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.951080/2015-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.
Nos pedido de compensação, caso não haja o reconhecimento do direito creditório, devidamente fundamentado em Despacho Decisório, é ônus do contribuinte comprovar, com documentação hábil e idônea, o direito invocado, inclusive de trazer aos autos a comprovação dos declarações por ela transmitidas, sejam originais ou retificadoras.
Numero da decisão: 1302-003.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.905520/2016-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Nos pedido de compensação, caso não haja o reconhecimento do direito creditório, devidamente fundamentado em Despacho Decisório, é ônus do contribuinte comprovar, com documentação hábil e idônea, o direito invocado, inclusive de trazer aos autos a comprovação dos declarações por ela transmitidas, sejam originais ou retificadoras.
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Shirlei Schanaider Borelli Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Nos pedido de compensação, caso não haja o reconhecimento do direito creditório, devidamente fundamentado em Despacho Decisório, é ônus do contribuinte comprovar, com documentação hábil e idônea, o direito invocado, inclusive de trazer aos autos a comprovação dos declarações por ela transmitidas, sejam originais ou retificadoras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.905520/201671, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 10 80 /2 01 5- 43 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10880.951080/201543 Acórdão n.º 1302003.199 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de pedido de compensação, no qual o contribuinte pretende quitar débitos próprios com suposto crédito, cuja origem seria um pagamento indevido ou a maior de IRPJ Lucro Presumido (código 2089). Em Despacho Decisório eletrônico proferido, houve o reconhecimento parcial do direito creditório, uma vez que foi identificada a utilização do crédito invocado no pedido de compensação para quitar outros débitos do contribuinte. Sendo assim, foi reconhecido um "saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação nos débitos informados no PER/DCOMP". Ao ser cientificado do despacho proferido, o contribuinte, ora Recorrente, Clínica e Cirurgia Dermatologica Dra. Shirlei Schanaider Borelli Ltda., apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que, "em razão da elevada carga tributária do país e das particularidades para apuração de todos os tributos que está obrigada a recolher mensalmente” efetuou recolhimento indevido e/ou a maior de IRPJ no período de 12/2012, razão pela qual possui o direito subjetivo à tomada de crédito. Como bem relatado no acórdão recorrido, a Recorrente alega que cumpriu todos os ditames impostos pela legislação para a formulação dos pedido de compensação. Invoca dispositivos do CTN, do Código Civil e da Constituição Federal para respaldar o seu direito subjetivo de utilizar créditos de tributos pagos indevidamente ou a maior. Para comprovar o seu direito, a Recorrente acostou aos autos, quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, o pedido de compensação, comprovante de arrecadação, DCTF e DIPJ. Ao final, requereu a procedência do pedido, para que reste reconhecido o direito creditório e, por consequencia, reste homologada a compensação pretendida. Em análise à Manifestação de Inconformidade, a douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) entendeu por bem julgar como improcedente o apelo do contribuinte, tendo o acórdão recebido a seguinte ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. A legislação tributária que rege as hipóteses de compensação de tributos ou contribuições federais atribui à interessada o ônus de comprovar a disponibilidade de seu crédito junto à Fazenda Pública, bem como o cumprimento dos requisitos estabelecidos para que seu direito creditório possa ser reconhecido pela Administração Tributária, Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.951080/201543 Acórdão n.º 1302003.199 S1C3T2 Fl. 4 3 depois de constatado que o crédito pleiteado se reveste das necessárias certeza e liquidez. Diante dos meios de prova ofertados e dos dados presentes nos sistemas informatizados da Administração Tributária, não se reconhece o direito creditório em litígio, nem se homologam as compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente intimado da decisão proferida em 05/10/2017, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, em 01/11/2017, no qual, em síntese, repisa os argumentos anteriormente apresentados em sua Manifestação de Inconformidade. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.193, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.905520/2016 71, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.193): "DA TEMPESTIVIDADE Como se denota dos autos, a Recorrente foi intimada do teor do acórdão recorrido, via AR, em 05/10/2017 (fl. 104), apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 01/11/2017 (comprovante de fl. 106), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Assim, por cumprir os demais requisitos de admissibilidade, o Recurso Voluntário deve ser conhecido e analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10880.951080/201543 Acórdão n.º 1302003.199 S1C3T2 Fl. 5 4 DA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Como se depreende do relatório acima, o Recorrente indicou em pedido de compensação, como direito creditório, suposto pagamento a maior ou indevido de IRPJ Lucro Presumido. Para comprovar a totalidade do seu direito creditório, posto que no Despacho Decisório expedido foi identificada a utilização de parte do crédito no pagamento de outros débitos, do próprio contribuinte, este trouxe aos autos apenas as declarações que havia prestado ao fisco federal. Em brilhante trabalho, contudo, aquela DRJ de Ribeirão Preto demonstrou de forma irretocável que o direito creditório invocado foi utilizado em 03 diferentes pedido de compensação apresentados pelo contribuinte, sendo um deles o que discutido. Demonstrou ainda, o julgador a quo, que o contribuinte retificou a sua DIPJ e DCTF, ressalvando a disparidade entre o débito apurado na "DIPJ retificadora (R$ 1.237.522,71) e o débito declarado em DCTF (R$ 63.549,58), esta última também retificadora". Contudo, houve a constatação que o crédito invocado no presente pedido de compensação foi, de fato, alocado em parte no pagamento de outros débitos do próprio contribuinte. Vejase a conclusão que chegou aquela Turma de Julgamento, que analisou de forma detida as declarações e pagamentos apresentados pela Recorrente. Ressaltase, ainda, que se adota na presente decisão as razões de decidir daquele acórdão, como autoriza do § 3, do artigo 57 do RICARF: 26. Foram efetuados três recolhimentos pela interessada, referidos ao terceiro trimestre do ano calendário de 2010, entre os quais o que daria origem ao direito creditório sob apreciação, ou seja, recolhimento no valor de R$ 53.348,31, sob código de receita 2089: (...) 27. Do recolhimento no valor total de R$ 53.348,31, a quantia de R$13.288,90 encontrase alocada ao débito declarado em DCTF, para o 3º trimestre de 2010, conforme vinculação efetuada pela contribuinte nas informações complementares da DCTF. 28. Houve também a alocação da quantia de R$ 30.712,05 ao mesmo débito declarado em DCTF, valor este correspondente ao “Saldo a Pagar do Débito”. 29. O montante restante, de R$ 9.347,36, deu suporte para o reconhecimento parcial do direito creditório Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10880.951080/201543 Acórdão n.º 1302003.199 S1C3T2 Fl. 6 5 utilizado por meio da Dcomp sob apreciação (R$ 53.348,21 menos R$ 13.288,90 menos R$ 30.712,05 = R$ 9.347,36). Vejamse as alocaçõesefetuadas ao débito de IRPJ do terceiro trimestre, declarado em DCTF: (...) 30. Enfim, o recolhimento efetuado, no valor de R$ 53.348,41, indicado como origem do direito creditório, foi integralmente aproveitado, mediante: alocação parcial ao débito declarado em DCTF e como suporte para o reconhecimento parcial do direito creditório utilizado na Declaração de Compensação objeto deste processo. Em conseqüência, o recolhimento efetuado já se esgotou integralmente, isto é, não há saldo residual, e, portanto, não há direito creditório adicional a ser reconhecido. 31. Portanto, não se reconhece o direito creditório em litígio, nem se homologam as compensações declaradas. Devese pontuar que a Recorrente, em sua Manifestação de Inconformidade e, posteriormente, em seu Recurso Voluntário, não trouxe aos autos qualquer comprovação do direito creditório. Trouxe apenas argumentos genéricos que, data venia, em nenhum momento foram referendados com documentação comprobatória. Por outro lado, de forma temerária, a Recorrente afirma que a decisão da DRJ "não apreciou a DCTF retificadora de 06/11/2013, a qual faz alusão rapidamente no item 23 do acórdão." Contudo, desde as premissas que foram fixadas previamente no acórdão proferido, o julgador a quo deixa claro que aquela Turma de Julgamento "tem reiteradamente se manifestado pela aceitação de provas e documentos a qualquer tempo, desde que apresentados antes de iniciado o julgamento". Ademais, ao contrário do que afirma a Recorrente, a análise dos argumentos apresentados partiu das declarações da DIPJ e da DCTF retificadoras. Assim, caberia à Recorrente demonstrar, com documentos hábeis e idôneos, eventual erro nas duas declarações, até mesmo porque, reiterese, toda a análise do direito creditório por parte da DRJ se deu com base nas declarações retificadoras apresentadas pelo próprio contribuinte. E não há no apelo da Recorrente qualquer tentativa de se desconstruir o que restou demonstrado no acórdão proferido. Os argumentos apresentados são genéricos e sem qualquer lastro probatório. Desta feita, por ausência de comprovação, não há como reconhecer o direito creditório do contribuinte, nos termos indicados no pedido de compensação apresentado junto à Receita Federal do Brasil. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10880.951080/201543 Acórdão n.º 1302003.199 S1C3T2 Fl. 7 6 Por todo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo, na totalidade, a decisão proferida pela DRJ de Ribeirão Preto (SP)." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.910045/2009-83
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI Nº 9.363/96. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. IMPOSSIBILIDADE.
Em face da necessidade de interpretação literal de normas tributárias que dispõem sobre benefícios fiscais, não é possível a inclusão dos gastos com industrialização por encomenda na base de cálculo para apuração do crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96.
Numero da decisão: 9303-007.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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LEI Nº 9.363/96. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. IMPOSSIBILIDADE. Em face da necessidade de interpretação literal de normas tributárias que dispõem sobre benefícios fiscais, não é possível a inclusão dos gastos com industrialização por encomenda na base de cálculo para apuração do crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 91 00 45 /2 00 9- 83 Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10850.910045/200983 Acórdão n.º 9303007.532 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência apresentado pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 3402003771, de 24/01/2017, efl. 391 e seg., o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 03/11/2002 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS JUNTO A PESSOAS FÍSICAS. As aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens de pessoas físicas. utilizadas na industrialização de produtos destinados exportação, devem compor a base de cálculo do crédito presumido de IPI previsto na Lei n° 9.363/96 e do REsp 993.164/MG, sujeito à sistemática dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105/2015. CREDITO PRESUMIDO. BASE DE CALCULO. SÚMULA CARF Nº19. Somente podem ser considerados como matériaprima ou produto intermediário, além daqueles que se integram ao produto em fabricação, os bens que sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida, e desde que no sejam bens do ativo permanente. Dessa maneira, os gastos com combustíveis, energia elétrica, lubrificantes, peças de manutenção e reposição etc., não se enquadram nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário (PN CST, n° 65, de 1979; Lei n°9.363, de 1996). CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA DE INSUMO EMPREGADO NO PROCESSO PRODUTIVO DO BEM EXPORTADO. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE. Não contraria as disposições da Lei 9.363/96 a inclusão na base de cálculo do incentivo por ela instituído das despesas com industrialização por encomenda desde que esta seja realizada sobre bem a ser empregado como matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem na fabricação do bem a ser exportado. Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10850.910045/200983 Acórdão n.º 9303007.532 CSRFT3 Fl. 4 3 O recurso especial de divergência da Fazenda Nacional, efl. 406 e seg, insurgese contra a concessão de crédito presumido de IPI sobre os serviços de industrialização por encomenda. O recurso da Fazenda Nacional foi admitido por meio do Despacho de Admissibilidade, efl. 418 e seg. O contribuinte regularmente cientificado não apresentou contrarrazões ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. O recurso especial da Fazenda Nacional atende aos pressupostos formais e materiais para o seu conhecimento. A matéria devolvida ao colegiado no recurso especial da Fazenda Nacional é referente à possibilidade de aproveitamento do crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, quanto às despesas efetuadas com industrialização por encomenda. Esta matéria não é nova no CARF e eu me filio à corrente de que no regime da Lei nº 9.363/96 tal apropriação está desamparada de previsão legal. Inicialmente partilho do entendimento de que qualquer modalidade de incentivo ou benefício fiscal deve estar sujeito a regras de interpretação literal da legislação que o concede. Não creio que está correta a conclusão de que as formas de exclusão do crédito tributário sejam somente as previstas no art. 175 do CTN. Na minha opinião o art. 175 do CTN somente estabeleceu que a isenção e a anistia excluem o crédito tributário, mas por evidente, não são as únicas formas existentes de exclusão do crédito tributário. A concessão de crédito presumido de IPI é uma forma indireta de excluir o crédito tributário, na medida em que permite se apropriar de um crédito antes inexistente para ser compensado com tributos devidos. Fosse correta a conclusão de que as únicas formas de exclusão do crédito tributário são a isenção e a anistia, penso que a redação do art. 111 do CTN seria muito infeliz Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10850.910045/200983 Acórdão n.º 9303007.532 CSRFT3 Fl. 5 4 em prever no seu inciso II uma regra que já se encaixava no próprio inciso I, ou seja, seria desnecessário constar no inciso II que se interpreta literalmente as regras de outorga de isenção já que esta é uma forma de exclusão do crédito tributário já contemplado no inciso I. Veja como é a redação do art. 111 do CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Portanto entendo que no presente caso deve se dar interpretação literal à norma tributária que concede o benefício fiscal nos exatos termos de que dispõe o art. 111 do CTN. Na verdade a concessão de isenção, anistia e de concessão de incentivos e benefícios fiscais decorrem de normas que têm caráter de exceção. Fogem às regras do que seria o tratamento normal. Transcrevo abaixo trecho da doutrina do Professor Eduardo Sabbag: (...) Retomando a análise do art. 111 do CTN, o que se nota é que tal dispositivo disciplina hipóteses de “exceção”, devendo sua interpretação ser literal[44]. Na verdade, consagra um postulado que emana efeitos em qualquer ramo jurídico, isto é, “o que é regra se presume; o que é exceção deve estar expresso em lei”. Com efeito, a regra não é o descumprimento de obrigações acessórias, nem a isenção concedida e, por fim, nem a exclusão ou suspensão do crédito tributário, mas, respectivamente, o cumprimento de obrigações, o pagamento do tributo e a extinção do crédito, mediante pagamento ou outra modalidade extintiva. Assim, o direito excepcional[45] deve ser interpretado literalmente, razão pela qual se impõe o artigo ora em estudo. Aliás, em absoluta consonância com o art. 111 está a regra do parágrafo único do art. 175, pela qual “a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente”. (...) (Trecho extraído da internet no seguinte endereço: https://eduardosabbag.jusbrasil.com.br/artigos/121933898/inter pretacaoeintegracaodalegislacaotributaria) Fl. 441DF CARF MF Processo nº 10850.910045/200983 Acórdão n.º 9303007.532 CSRFT3 Fl. 6 5 Estabelecido esta premissa, vejamos então como o crédito presumido do IPI está disciplinado na Lei nº 9.363/96: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. A interpretação literal que se extrai do comando normativo acima transcrito é que gera direito ao crédito presumido do IPI os valores decorrentes da aquisição no mercado interno de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para aplicação no processo produtivo das empresas produtoras e exportadoras. A industrialização por encomenda é um serviço prestado ao industrial e não se identifica definitivamente com qualquer dos itens citados na norma, quais sejam matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. Portanto mesmo que nessa prestação de serviço possa se agregar algum insumo ou mesmo que do serviço resulte uma matériaprima a ser utilizada no seu processo produtivo próprio, entendo que a lei não permitiu essa apropriação. Tanto é verdade, que posteriormente à edição do referido benefício fiscal, sobreveio por meio da Lei nº 10.276/2001, uma forma alternativa de apuração do crédito presumido, desta feita prevendo expressamente a possibilidade de se apropriar do valor correspondente aos serviços com industrialização por encomenda. Segue transcrição do dispositivo legal: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10850.910045/200983 Acórdão n.º 9303007.532 CSRFT3 Fl. 7 6 contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. (...) § 5o Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996. Portanto, por esta leitura, a apropriação de crédito presumido de IPI, na industrialização por encomenda, somente passou a ser possível a partir da vigência da Lei nº 10.276/2001 e caso o contribuinte tenha efetuado a opção pelo cálculo naquele termo alternativo. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 443DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.910591/2015-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/07/2012
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 25/07/2012 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 05 91 /2 01 5- 61 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10680.910591/201561 Acórdão n.º 3301005.274 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.472. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10680.910591/201561 Acórdão n.º 3301005.274 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.910591/201561 Acórdão n.º 3301005.274 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10680.910591/201561 Acórdão n.º 3301005.274 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10680.910591/201561 Acórdão n.º 3301005.274 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10680.910591/201561 Acórdão n.º 3301005.274 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.003548/2004-41
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2000
MULTA POR ATRASO.DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
Numero da decisão: 1003-000.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2000 MULTA POR ATRASO.DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 35 48 /2 00 4- 41 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13811.003548/200441 Acórdão n.º 1003000.233 S1C0T3 Fl. 70 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 20/22) que julgou procedente o lançamento efetuado mediante o Auto de Infração à folha 04, correspondente a multas por atraso na entrega de DCTF relativas ao primeiro e segundo trimestres de 2000, num valor total de multa a pagar de R$ 1.000,00. A recorrente, às folhas 50/52 alega, em síntese: I Que até 1999 era dispensada a entrega da DCTF quando o total de débitos fosse inferior a dez mil reais e, na alteração da legislação a partir de 1999, "não ficou claro no texto da lei a obrigatoriedade da entrega das DCTFs, para todos os contribuintes Lucro Real/Lucro Presumido, independentemente do valor da soma dos tributos", já que, no texto legal, empresas imunes ou isentas constavam dispensadas desta obrigação no mesmo capítulo em que se falava da obrigação da entrega das DCTF pelas empresas optantes pelo Lucro Real e Lucro Presumido, não tendo sido mantida a dispensa de entrega para empresas com débitos tributários inferiores a dez mil reais; II Que, assim que entendeu corretamente o texto legal, de forma voluntária efetuou a entrega das DCTF em questão, não tendo havido posterior reincidência; III Que não houve, com o descumprimento momentâneo de uma determinação legal dúbia qualquer tipo de prejuízo para o Tesouro, visto de a empresa, independentemente da entrega das DCTF, recolheu todos os seus tributos e apresentou no prazo legal sua declaração de IRPJ, o que caracteriza a intenção de nunca burlar ou fraudar qualquer dispositivo em vigor; IV Que é empresa de pequeno porte, com faturamento de microempresa, que procura cumprir suas obrigações fiscais, não tendo sofrido nenhum outro auto de infração, tendo, portanto, "caráter primário", "que objetiva perdão por parte de qualquer julgador"; V Que o valor do auto de infração é vultoso e com a correção se torna impossível de ser quitado, face a dificuldade comercial que enfrentam os pequenos empresários de forma geral. É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. I Em relação à mudança legislativa mencionada pela recorrente, de fato, até 30 de outubro de 1998, vigia a IN SRF nº 73/1996, que tratava da DCTF Declaração de Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13811.003548/200441 Acórdão n.º 1003000.233 S1C0T3 Fl. 71 3 Contribuições e Tributos Federais, que estabelecia, em seu art. 2º, inciso I, a obrigatoriedade de entrega daquela declaração o estabelecimento, cujo valor mensal dos tributos e contribuições a declarar seja igual ou superior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). Em 30 de outubro de 1998, a IN SRF nº 126/98 instituiu nova DCTF, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, prevendo em seu art. 3º, as hipóteses de dispensa de sua apresentação, conforme transcrito a seguir: Art. 3o Estão dispensadas da apresentação da DCTF, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo: I as microempresas e empresas de pequeno porte enquadradas no regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; II as pessoas jurídicas imunes e isentas, cujo valor mensal de impostos e contribuições a declarar na DCTF seja inferior a dez mil reais; III as pessoas jurídicas inativas, assim consideradas as que não realizaram qualquer atividade operacional, nãooperacional, financeira ou patrimonial, conforme disposto no art. 4o da Instrução Normativa SRF No 28, de 05 de março de 1998; IV os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas. Parágrafo único. Não está dispensada da apresentação da DCTF, a pessoa jurídica: I excluída do SIMPLES, a partir do 1o trimestre do ano subseqüente ao da exclusão; II cuja imunidade ou isenção houver sido suspensa ou revogada, a partir do trimestre do evento; III anteriormente inativa, a partir do trimestre em que praticar qualquer atividade. (grifouse) A despeito da efetiva ocorrência da mencionada alteração regulamentar, a leitura do dispositivo transcrito não se apresenta confusa nem remete a qualquer dúvida. Ainda que assim fosse, sua aplicação não poderia ser afastada por este colegiado, por absoluta falta de previsão legal. II No que se refere à alegada espontaneidade na entrega da declaração em atraso, a questão é objeto da Súmula CARF nº 49, abaixo transcrita, com entendimento vinculante na administração tributária federal determinado pela Portaria MF nº 277, de 7 de junho de 2018: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. III, IV Os argumentos relativos à suposta ausência de prejuízo para o Tesouro, à regularidade dos demais atos da referida pessoa jurídica, à ausência de intenção de burlar o fisco e ao "caráter primário" que ensejaria perdão por parte dos julgadores não Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13811.003548/200441 Acórdão n.º 1003000.233 S1C0T3 Fl. 72 4 socorrem à contribuinte, por absoluta falta de previsão legal, lembrando que os atos produzidos no julgamento administrativo de processos fiscais são atos vinculados à estrita legalidade, não admitindo juízos de valor de qualquer natureza, sobretudo para dispensar penalidades, que não os expressamente previstos em lei, estando os julgadores adstritos à aplicação dos textos legais e sujeitos, em caso contrário, à responsabilização funcional prevista na Lei nº 8.112/90. Especificamente em relação à suposta ausência de prejuízo para o Fisco quando da não apresentação tempestiva da declaração, enganase a contribuinte, pois sem as informações que devem constar das declarações o trabalho da Administração Tributária fica obstado, gerando custos e riscos desnecessários à sociedade para o ateste do cumprimento das obrigações tributárias por parte destes contribuintes omissos ou retardatários. V Por fim, no que se refere ao suposto valor vultoso do auto de infração e da impossibilidade da contribuinte em quitálo, resta apenas lembrar que o valor original para pagamento até o vencimento, com redução legal de 50%, era de exatos quinhentos reais, valor o qual a autuada optou por não pagar, por acreditar indevido. Cabe acrescentar que, também por absoluta falta de previsão legal, não é cabível a aplicação do princípio da preservação da empresa para dispensar o pagamento de penalidades ou tributos legalmente devidos. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000231/2009-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004, 2005
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.
O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é instrumento interno de planejamento, controle e gerência das atividades de fiscalização, disciplinado por atos internos da Receita Federal que não têm o condão de alterar a competência do auditor fiscal quanto à atividade vinculada e obrigatória do lançamento, atribuída pelo art. 142 do CTN.
TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. PROVA EMPRESTADA. ART. 199, DO CTN.
Todos os órgãos da Administração Federal, Estadual, Municipal e Autárquica estão obrigados à prestação mútua de assistência e cooperação na fiscalização dos tributos respectivos; no lançamento de ofício, o Fisco Federal pode valer-se de documentos, informações, laudos, autos de infração etc, levados a efeito pela fiscalização estadual.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005
IRRF. PAGAMENTO A PESSOA JURÍDICA PRESTADORA DE SERVIÇOS.
É improcedente o pleito para que se deduzam, da exigência fiscal de IRRF devido a pagamentos sem causa, valores que a autuada deduziu dos pagamentos efetuados a terceiros e recolheu, dado tratar-se de imposto cujo ônus foi suportado por aquele terceiro.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004, 2005
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE
Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei.
MULTA QUALIFICADA.
Está em consonância com a legislação de regência, uma vez configurada uma ou mais das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, a aplicação da multa de ofício qualificada, não se podendo, em âmbito administrativo, reduzi-lo ou alterá-lo por critérios meramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade.
JUROS DE MORA. SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 1201-002.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Bárbara Santos Guedes e Gisele Barra Bossa que afastavam a multa qualificada reduzindo-a para 75%.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada), Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente); ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2004, 2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é instrumento interno de planejamento, controle e gerência das atividades de fiscalização, disciplinado por atos internos da Receita Federal que não têm o condão de alterar a competência do auditor fiscal quanto à atividade vinculada e obrigatória do lançamento, atribuída pelo art. 142 do CTN. TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. PROVA EMPRESTADA. ART. 199, DO CTN. Todos os órgãos da Administração Federal, Estadual, Municipal e Autárquica estão obrigados à prestação mútua de assistência e cooperação na fiscalização dos tributos respectivos; no lançamento de ofício, o Fisco Federal pode valer-se de documentos, informações, laudos, autos de infração etc, levados a efeito pela fiscalização estadual. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005 IRRF. PAGAMENTO A PESSOA JURÍDICA PRESTADORA DE SERVIÇOS. É improcedente o pleito para que se deduzam, da exigência fiscal de IRRF devido a pagamentos sem causa, valores que a autuada deduziu dos pagamentos efetuados a terceiros e recolheu, dado tratar-se de imposto cujo ônus foi suportado por aquele terceiro. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004, 2005 MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. MULTA QUALIFICADA. Está em consonância com a legislação de regência, uma vez configurada uma ou mais das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, a aplicação da multa de ofício qualificada, não se podendo, em âmbito administrativo, reduzi-lo ou alterá-lo por critérios meramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade. JUROS DE MORA. SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Bárbara Santos Guedes e Gisele Barra Bossa que afastavam a multa qualificada reduzindo-a para 75%. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada), Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente); ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
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O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é instrumento interno de planejamento, controle e gerência das atividades de fiscalização, disciplinado por atos internos da Receita Federal que não têm o condão de alterar a competência do auditor fiscal quanto à atividade vinculada e obrigatória do lançamento, atribuída pelo art. 142 do CTN. TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. PROVA EMPRESTADA. ART. 199, DO CTN. Todos os órgãos da Administração Federal, Estadual, Municipal e Autárquica estão obrigados à prestação mútua de assistência e cooperação na fiscalização dos tributos respectivos; no lançamento de ofício, o Fisco Federal pode valer se de documentos, informações, laudos, autos de infração etc, levados a efeito pela fiscalização estadual. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005 IRRF. PAGAMENTO A PESSOA JURÍDICA PRESTADORA DE SERVIÇOS. É improcedente o pleito para que se deduzam, da exigência fiscal de IRRF devido a pagamentos sem causa, valores que a autuada deduziu dos pagamentos efetuados a terceiros e recolheu, dado tratarse de imposto cujo ônus foi suportado por aquele terceiro. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005 MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 02 31 /2 00 9- 98 Fl. 3390DF CARF MF Processo nº 19515.000231/200998 Acórdão n.º 1201002.662 S1C2T1 Fl. 3 2 Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. MULTA QUALIFICADA. Está em consonância com a legislação de regência, uma vez configurada uma ou mais das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, a aplicação da multa de ofício qualificada, não se podendo, em âmbito administrativo, reduzilo ou alterálo por critérios meramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade. JUROS DE MORA. SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Bárbara Santos Guedes e Gisele Barra Bossa que afastavam a multa qualificada reduzindoa para 75%. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada), Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente); ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Constam do processo os autos de infração: a) de págs. 1.321/1.341, em que se exigem R$133.752,64 de Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, regime nãocumulativo, devido à diferença Fl. 3391DF CARF MF Processo nº 19515.000231/200998 Acórdão n.º 1201002.662 S1C2T1 Fl. 4 3 apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago, fato gerador em 31/10/2005 e multa de ofício de 75%; R$15.242.459,11 de Contribuição para o PIS regime nãocumulativo, à diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago, fatos geradores em 31/12/2004, 31/01/2005, 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005, 31/05/2005, 30/06/2005 e multa de ofício de 75%. b) de págs. 1.342/1.346 em que se exigem R$12.824.699,00 de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF devido a: 001 Pagamentos a beneficiários não identificados/sem causa, fatos geradores 21/01/2004, 05 e 29/03/2004, 07/04/2004, 06/05/2004, 06 e 23/08/2004, 24/03/2005, 20/04/2005, 10/06/2005 e multa de ofício de 150%. 2. Conforme págs. 2.799/2.813, os autos de infração Cofins e PIS de págs. 1.303/1.330, são objeto do processo nº19515.001239/200629, portanto apenas o auto de infração de IRRF é objeto do presente. 3. Os procedimentos de fiscalização e as autuações estão descritos no Termo de Verificação Fiscal, págs. 1.303/1.320. 4. O contribuinte apresentou impugnação de págs. 1.375/1.498, acompanhada de documentos de págs. 1.499/2.771, julgada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP DRJ/SP1, que proferiu o Acórdão nº 1622.903 de 22/09/2009, págs. 2.831/2.881, julgando a impugnação improcedente: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2004, 2005 NULIDADE. As causas de nulidade são aquelas previstas no artigo 59 do Decreto n° 70.235/1972. MPF. O MPF é instrumento de controle interno da administração, qualquer irregularidade formal apurada não é causa de nulidade. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. É lícito ao Fisco valerse de informações e provas colhidas em outros processos, desde que guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. PAGAMENTO SEM CAUSA. Os pagamentos efetuados sem causa justificada devem ser tributados, nos moldes do artigo 61 da Lei n° 8.981/95. 5. Cientificado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário de págs. 2.831/2.881, tempestivo, sintetizado a seguir. Recurso Voluntário 6. Esclarece que efetuou as operações de compra de soja em grão, inicialmente, da Santa Cruz e posteriormente da Centéria; contratou operações de industrialização para produzir farelo de soja na Rubi, e posteriormente, na Sperafico; vendeu o produto para a Canorpa, e posteriormente, para a Axis, que efetuaram as operações de exportação. Fl. 3392DF CARF MF Processo nº 19515.000231/200998 Acórdão n.º 1201002.662 S1C2T1 Fl. 5 4 7. Reclama que a premissa da fiscalização foi que as operações não ocorreram, pois foram simuladas; assevera que foram reais e que não há prova nos autos de que não ocorreram. 8. Em preliminar, aponta nulidade dos autos, devido a irregularidades do MPF, o uso de prova emprestada da Secretaria do Estado de São Paulo, vício insanável: · aponta que não houve declaração de inidoneidade dos documentos, portanto estes são válidos, assim como os registros contábeis, tendo presunção de veracidade até prova em contrário, e que os autuantes reproduziram as conclusões dos agentes estaduais; · reclama de ilegitimidade passiva, vício insanável, pois a fonte pagadora é responsável substituta pelo IRRF, porém é o beneficiário que suporta o ônus da tributação; e discorre sobre a responsabilidade tributária , arts. 134 e 135 do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, para concluir que "a totalidade das supostas infrações apuradas pela fiscalização estadual e utilizadas pelos agentes fiscais federais para justificar a autuação fiscal em comento, foi praticada por terceiros, que não a Recorrente. Quanto Recorrente, não há sequer uma única afirmação no sentido de que ela teria participado da alegada fraude."; portanto, a responsabilidade de recolher os tributos é dos terceiros que praticaram a fraude; · aponta que "que os principais documentos que suportam as "provas" apresentadas pela fiscalização, seriam as notas de exportação que teriam sido, segundo alegado pela fiscalização, duplicadas pela CANORP, empresa comercial exportadora, neste suposto esquema armado para fraudar o Fisco. Ou seja, reiterandose o até aqui exposto: nenhum documento citado como "ilícito" foi produzido ou é de responsabilidade da Recorrente." · e que: "se foram os representantes e dirigentes da empresa comercial exportadora (CANORP) que agiram com dolo, ao duplicarem notas de exportação e falsificarem documentos, foram eles que deram causa ao suposto não embarque da soja alienada pela Recorrente. Assim, além do que estabelece o artigo 135 do CTN, nos termos do artigo 70 da Lei n.o 10.637/2002, a responsabilidade pelo recolhimento desses tributos é exclusiva da empresa comercial exportadora (ou, ainda, de seus dirigentes, no caso de dolo)" · aduz ser desnecessário julgar as preliminares suscitadas, se o julgamento resultar favorável ao contribuinte. 9. No mérito: · pugna pela legalidade das operações de compra de soja; das remessas para industrialização por encomenda com supressão de ICMS, retornando com ICMS somente sobre o valor agregado, gerando créditos de ICMS, PIS e Cofins; · quanto às saídas para exportação, apenas vendeu para a Canorpa e para a Axis e estas exportaram; · destaca que adotou cautelas quanto à lisura das operações, mediante consulta a empresas renomadas de auditoria e juristas, demonstrou boafé e lisura nos seus documentos; quanto à quitação da obrigação, consta termo de quitação juntado pela fiscalização, portanto, não há simulação, o que houve foi uma presunção; · reitera nulidade da autuação por falta de busca da verdade material; Fl. 3393DF CARF MF Processo nº 19515.000231/200998 Acórdão n.º 1201002.662 S1C2T1 Fl. 6 5 · que a contabilidade faz prova em favor da recorrente, dado que a documentação não é inidônea, uma vez que não tem como fazer prova de que a soja circulou; · assevera existir a causa que justifica os pagamentos feitos pela Recorrente; descabe aplicar o art. 61, §§ 1º e 2º da Lei nº 8.982, de 1995, ao caso, pois os pagamentos tiveram causa e as operações ocorreram; a Master foi paga por consultoria tributária; · quando muito seria o caso de ter sido autuada por omissão de receitas e não por suposto pagamento sem causa; · reclama de ofensa aos princípios da Razoabilidade, Proporcionalidade e vedação de usar imposto para confisco; ressalta que tributo não é sanção de ato ilícito e houve ofensa ao art. 3º do CTN; · pleiteia a dedução dos valores que reteve na fonte sobre os pagamentos que efetuou à Master; · aponta impossibilidade de aplicação de multa, dada a inexistência da infração pela Recorrente; · impossibilidade da multa agravada, pois não houve fraude, sonegação nem conluio; · requer a aplicação do art. 112 do CTN; · pugna pela ilegalidade da taxa Selic como juros de mora; · pugna pela ilegalidade da aplicação de juros de mora sobre a multa; · conclui requerendo que este processo seja julgado em conjunto com o de nº 19515.000230/200943; 10. O Recurso Voluntário foi julgado pela 2ª TO, da 2ª Câmara, da Segunda Seção do CARF, Acórdão nº 2202002.473,. de 15 de outubro de 2013, que deu lhe provimento, por unanimidade: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2004, 2005 IRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA Para a exigência do Imposto de Renda na Fonte por pagamento sem causa ou operação não comprovada, com fundamento no art. 61, § 1o, da Lei n° 8.981. de 1995, o ônus de comprovar a ocorrência da situação descrita na norma abstrata é do Fisco. Tendo a fonte pagadora apresentado documentos fiscais que atestam a efetividade das operações que ensejaram os pagamentos, é do Fisco o ônus de provar a eventual inidoneidade desses documentos. Recurso provido. 11. A Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, apresentou Recurso Especial, págs. 3.095/3.110, com o argumento de que já há decisões no sentido de que a mesma "Operação Soja", com as mesmas Rubi e Canorpa realizada por outras empresas constituiu operações simuladas; as notas fiscais de exportação eram falsas e não houve industrialização da soja; que, no caso: Fl. 3394DF CARF MF Processo nº 19515.000231/200998 Acórdão n.º 1201002.662 S1C2T1 Fl. 7 6 Com a devida vénia, ao reconhecer a efetiva ocorrência das operações entre a recorrente e as empresas Master e Rubi e que tais operações tiveram causa, o v. acórdão recorrido adotou entendimento diferente daquele adotado por outras Turmas deste CARF, o que autoriza a interposição de Recurso Especial por divergência. (...) A operação perpetrada pela recorrente não é estranha a este Conselho. Tratase de planejamento tributário mediante esquema de evasão fiscal em operações de soja, conhecido como "Operação Soja" ou "Performance de Exportação", pelo qual inúmeras outras empresas foram também autuadas. (...) Ressaltese que no referido precedente, o contribuinte recorrente também pagou pelo produto e recolheu os impostos respectivos, o que não impediu que as glosas fossem mantidas, considerandose que toda a operação, desde a compra até a exportação da soja era ficta. E este é o cerne da questão. Por mais que o ilustre relator do julgado recorrido afirme que a causa da operação era exatamente a obtenção de créditos fictos de PIS, COFINS, IPI e ICMS, fato é que, ao contrário do quanto decidido, as operações perpetradas entre a recorrente e as empresas intermediárias não existiu, como demonstrado nos acórdão paradigmas. (...) No Recurso Voluntário, a defesa assevera a existência de causa para os pagamentos, forte na premissa fática de que as operações praticadas entre a CBD e as empresas SANTA CRUZ (aquisição de grãos de soja), RUBI (industrialização da soja) e CANORP (exportação dos produtos beneficiados) eram independentes. Assim, a não efetivação de uma das operações (exportação), não comprometeria as demais. Insiste que mesmo admitida a fraude, não existiriam provas do envolvimento da recorrente, sendo a mesma terceiro de boafé. A independência das operações comerciais é mero sofisma. Conforme exposto no tópico anterior todas as operações eram vinculadas. No ponto, importante transcrever as seguintes observações da DRJ de São Paulo/SP (fls. 2.405/2455): (...) 43. Todos os contratos de industrialização estavam ligados aos contratos de compra de grãos de soja acima citados, pois o objeto era idêntico, ou seja, a mesma quantidade de grãos de soja adquiridos da Santa Cruz era industrializada, adequais os contratos de compra de grãos de soja determinavam a entrega do produto no estabelecimento da industrializadora. 44. Da mesma forma, os contratos de performance de exportação estavam atrelados aos contratos de compra de grãos de soja e de industrialização, tendo em vista que a quantidade de produto Fl. 3395DF CARF MF Processo nº 19515.000231/200998 Acórdão n.º 1201002.662 S1C2T1 Fl. 8 7 constante na cláusula primeira, parágrafo segundo, era a mesma prevista nos demais contratos citados. (...) Sem muito esforço, percebese que a tese de desvinculação das operações não encontra suporte nas provas coligidas aos autos. Os contratos estavam sim interligados e faziam parte de um mesmo mecanismo. Não é o possível estabelecer a blindagem das operações anteriores à exportação como pretende a recorrente. (...) Se operações eram fictícias, por óbvio, as causas que ensejaram os pagamentos a RUBI e a MASTER são falsas, melhor dizendo, não existem. Tratase, portanto, de típicos pagamentos sem causa, nos termos dos arts. 674, do RIR/99 e 61 da Lei n.Q 8.981/95. 12. O Recurso Especial da PFN foi admitido nos seguintes termos, págs. 3.111/3.117: Diante do exposto, com fundamento nos artigos 67 e 68, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, DOU SEGUIMENTO ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, para que seja rediscutida a questão da efetiva ocorrência das operações entre a Autuada e as empresas Master e Rubi, bem como a existência de causa para tais operações. (Grifouse.) 13. O contribuinte apresentou suas Contrarrazões, págs. 3.154/3.169 e, em seguida requereu revisão do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial da PFN, o qual, mediante despacho da Câmara Superior de Recursos Ficais CSRF, não foi conhecido: A propósito, faço notar, inicialmente, que do exame de admissibilidade de recurso especial que der seguimento ao mesmo não existe previsão regimental de nenhum recurso disponível que não a apresentação de contrarrazões, nos termos do art. 68 e 69 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — RICARF, aprovado pela Portaria MF n°256, de 22 de junho de 2009. Destarte, diante do exposto, não conheço do expediente protocolizado de efls.3204 a 3243, uma vez caracterizada sua inexistência no arcabouço regulador do Processo Administrativo Fiscal no âmbito deste CARF, ressaltandose, ainda, não se verificar a existência de qualquer lapso manifesto no despacho ali guerreado, sem prejuízo, porém, da posterior apreciação da argumentação pelo nãoconhecimento do recurso trazida pelo contribuinte em sede de contrarrazões, a ser realizada quando do julgamento do mencionado recurso especial de iniciativa da Fazenda Nacional. 14. Em seguida foi proferido pela CSRF o Acórdão nº 9202003.877, de 12 de abril de 2016, págs. 3.261/3.276: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário: 2004, 2005 Fl. 3396DF CARF MF Processo nº 19515.000231/200998 Acórdão n.º 1201002.662 S1C2T1 Fl. 9 8 CONHECIMENTO. Na vigência da Portaria 256/2009, cabível Recurso Especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. No caso de critérios jurídicos distintos aplicados a situações fáticas semelhantes, caracterizada a existência de divergência. SIMULAÇÃO. Em se tratando de operações simuladas, devem os tributos ser exigidos em razão das operações efetivamente realizadas, desconsiderandose os atos simulados. PAGAMENTO SEM CAUSA. Os pagamentos efetuados sem causa justificada devem ser tributados, nos moldes do artigo 61 da Lei n° 8.981/95. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Gerson Macedo Guerra (Relator), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martinez Lopez. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para apreciação das demais questões trazidas no Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Gerson Macedo Guerra (Relator), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. (Grifouse.) 15. O contribuinte apresentou Embargos de Declaração, págs. 3.344/3.351, admitido em parte em relação à omissão: Diante do exposto, proponho que os presentes embargos de declaração sejam parcialmente admitidos, a fim de que seja sanada a omissão do acórdão, através da prolação de novo Acórdão, onde se explicite os fundamentos da decisão quanto à aceitação do primeiro paradigma apresentado pela Fazenda Nacional (Acórdão no. 1302000.992) , à luz do disposto no art. 67, § 7o. e 8o. do anexo II ao Regimento Interno deste CARF aprovado pela Portaria MF no. 256, de 2009. 16. Foi então prolatado pela CSRF o Acórdão nº 9202005.197, de 20/02/2017, rejeitando os embargos, cientificado ao contribuinte em 30/05/2017, pág. 3.381. 17. A PFN, cientificada, informou que não se manifestaria. 18. É o relatório. Voto Conselheira Eva Maria Los, Relatora 19. Às págs. 2.799/2.813, consta que a ação fiscal resultou nos processos: · 19515.000982/200661 Autos de infração PIS e Cofins dos anoscalendário 2002 e 2003, decorrentes de Autuação de IRPJ; Fl. 3397DF CARF MF Processo nº 19515.000231/200998 Acórdão n.º 1201002.662 S1C2T1 Fl. 10 9 · 19515.001239/200629 Autos de infração PIS e Cofins dos anoscalendário 2004 e 2005, decorrentes de Autuação de IRPJ; · 19515.000230/200943 Auto de infração de IRRF dos anoscalendário 2002, 2003 e fatos geradores em 6 e 7/01/2004; · 19515.000231/200998 Auto de infração de IRRF dos anoscalendário 2004 e 2005, que ora se julga. 1 Delimitação da lide. 20. À vista dos argumentos expostos pela PFN nos Embargos admitidos, o voto vencedor da CSRF avaliou que: Adentrando o mérito, novamente com a devida vénia, também discordo do posicionamento esposado pelo relator, no sentido de necessidade de comprovação de falsidade documental das etapas de aquisição de grãos e suposto beneficiamento dos referidos, a fim de que se possa concluir pela invalidade da operação, o que poderia dar azo à aplicação do disposto no art. 61, §1°. da Lei u°. 8.981, de 1995, consoante realizado pela autoridade lançadora. Apesar dos registros contábeis fazem prova da efetiva saída dos recursos da autuada, entendo, com base nos elementos indiciários constantes dos autos, não terem restado comprovadas as operações de aquisição e beneficiamento de grãos de soja, destacandose, em especial, as seguintes evidências: a) Na forma ressaltada pela autoridade autuante, a estranheza deste ciclo de atividades em relação às atividades econômicas da autuada, bem assim a discrepância entre os preços praticados nas operações de aquisição de soja e os preços praticados em mercado (vide efls. 1302 a 1306 e remissões); b) Inexistência de conhecimento de transporte para os grãos supostamente adquiridos e beneficiados (vide efl. 1303); c) A clara vinculação entre as supostas etapas de aquisição e beneficiamento e a posterior etapa de exportação, para a qual se comprovou a utilização de notas fiscais duplicadas, acompanhado de outros indícios que permitem concluir pela não ocorrência da referida etapa (vide aqui itens 55 a 71 da decisão da DRJ de origem, efls. 2847 a 2850). A propósito, conforme muito bem ressaltado pela Fazenda em seu pleito recursal, a partir de outros trechos do julgamento da autoridade julgadora de 1ª. instância , verbis: (...) Assim, concluo pela existência de simulação nas operações sob análise, sendo de se afastar os efeitos jurídicos das etapas aqui caracterizadas como simuladas, devendose buscar os efeitos jurídicotributários do que realmente ocorreu. Fl. 3398DF CARF MF Processo nº 19515.000231/200998 Acórdão n.º 1201002.662 S1C2T1 Fl. 11 10 21. Cabe portanto, neste voto, o julgamento do Recurso Voluntário contra o Acórdão DRJ/SPO1, sobre o auto de infração de IRRF dos anoscalendário 2004 e 2005, relativamente à matéria que restou sem pronunciamento da CSRF, que são os seguintes questionamentos: · Em preliminar, aponta nulidade dos autos, devido a irregularidades do MPF, o uso de prova emprestada da Secretaria do Estado de São Paulo, vício insanável: reitera nulidade da autuação por falta de busca da verdade material; · pleiteia a dedução dos valores que reteve na fonte sobre os pagamentos que efetuou à Master; · aponta impossibilidade de aplicação de multa, dada a inexistência da infração pela Recorrente; e da impossibilidade da multa agravada, pois não houve fraude, sonegação nem conluio; requer a aplicação do art. 112 do CTN; · pugna pela ilegalidade da taxa Selic como juros de mora; · pugna pela ilegalidade da aplicação de juros de mora sobre a multa; · conclui requerendo que este processo seja julgado em conjunto com o de nº 19515.000230/200943; 2 Nulidade. 2.1 MPFF 22. Argumenta que os Mandados de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF) autorizaram o exame do IRPJ de 2001 a 06/2005 e quanto ao IRRF apenas os meses 03, 04 e 06/2005; por isso, a autoridade fiscal não detinha poderes para fiscalizar o IRRF do ano calendário 2004 e demais meses de 2005. 23. No entanto, a Recorrente se engana, se observar no MPFF, constatará que constam também: Verificações Obrigatórias, relativas aos últimos cinco anos e no período de execução deste Procedimento Fiscal; assim, cientificado em 01/04/2005 e prorrogado até o final da ação fiscal, abrangeu os períodos de que a Recorrente reclama. 24. Quanto à jurisprudência do extinto Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, atual CARF, sofreu diametral mudança de entendimento, conforme se cita a seguir: Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 10/04/2018 Nº Acórdão 1301002.930 Sujeitos Passivos. Dispensa de MPF. As irregularidades na emissão e prorrogação do MPF não acarretam nulidade do lançamento, nem do processo administrativo, ademais, nos casos de pluralidade de autuados, não se exige MPF individual para cada um dos responsáveis tributários. (...) É válido o emprego no processo administrativo tributário de prova emprestada, bem como de provas indiciárias, cujo valor probante dependerá da quantidade e da consistência dos indícios. prova emprestada Fl. 3399DF CARF MF Processo nº 19515.000231/200998 Acórdão n.º 1201002.662 S1C2T1 Fl. 12 11 25. E principalmente, é obrigação funcional do Auditor Fiscal, lavrar autuação, quando constatar infração tributária. Citese: Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE- Data da Sessão 08/11/2017 Nº Acórdão 9101003.253 MPF. PRORROGAÇÕES. COMPLEMENTAR. DILIGÊNCIAS. INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO.O Mandado de Procedimento Fiscal constituise em instrumento interno de planejamento, controle e gerência das atividades de fiscalização, disciplinado por atos internos da Receita Federal, dispondo sobre prazos e condições para a emissão, prorrogação e complementação do MPF, mas que não têm o condão de alterar a competência do auditor fiscal quanto à atividade vinculada e obrigatória do lançamento, atribuída pelo art. 142 do CTN1. 26. Do qual transcrevo trecho do voto: Sobre o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), tratase de mero instrumento interno de planejamento, controle e gerência das atividades de fiscalização, disciplinado por atos internos da Receita Federal que não têm o condão de alterar a competência do auditor fiscal quanto à atividade vinculada e obrigatória do lançamento, atribuída pelo art. 142 do CTN. Por isso, eventual deficiência na ciência, no curso de Fiscalização, sobre qualquer dos MPF emitidos (tanto de fiscalização quanto de diligências), não implica em nulidade. Isso porque, no decorrer da ação fiscal, o que se deve observar é se a Contribuinte tomou a devida ciência do Termo de Início da Fiscalização, dos Termos de Continuidade da Ação Fiscal, e do Auto de Infração, conforme previsto nos artigos 7º e 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), o que ocorreu no caso concreto. Nesse contexto, adoto as razões de decidir da decisão recorrida, que transcrevo na sequência: A portaria da RFB n° 11.371, de 12 de dezembro de 2007, dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, sendo que os artigos 1º, e 4º, cujas normas que interessam ao presente julgamento assim dispõem: Art. 1º O planejamento das atividades de fiscalização dos tributos federais, a serem executadas no período de 1º de 1 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 3400DF CARF MF Processo nº 19515.000231/200998 Acórdão n.º 1201002.662 S1C2T1 Fl. 13 12 janeiro a 31 de dezembro de cada ano, será elaborado pela CoordenaçãoGeral de Fiscalização (Cofis), pela CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (Coana) e pela Coordenação Especial de Vigilância e Repressão (Corep), no âmbito de suas respectivas áreas de competência, considerando as propostas das unidades descentralizadas da RFB, observados os princípios do interesse público, da impessoalidade, da imparcialidade, da finalidade, da razoabilidade e da justiça fiscal. Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos administrados pela RFB serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). ... Art. 4º O MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997, darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. Das normas acima referidas depreendese que o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF se constitui em elemento de transparência, planejamento, limitação e controle das atividades da Administração Tributária. A eventual inobservância dos procedimentos e limites fixados por meio do MPF, salvo quando se constituir em meio ilícito para obtenção de prova, não geram nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fiscocontribuinte e que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar determinada ação. Assim, se ocorrerem problemas com a emissão, prorrogação, comunicação do MPF, não resulta invalido os atos praticados pela fiscalização. Salvo se utilizado como meio ilícito na obtenção de provas, as irregularidades administrativas relacionadas à emissão, comunicação e prorrogação do MPF não tornam imprestáveis os documentos obtidos para respaldar o lançamento de créditos tributário. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada e, Fl. 3401DF CARF MF Processo nº 19515.000231/200998 Acórdão n.º 1201002.662 S1C2T1 Fl. 14 13 detectada a ocorrência da situação descrita em lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento. Salvo nos casos de ilegalidade, a validade do ato administrativo é subordinada ao autor ser titular do cargo ou função a que tenha sido atribuída a legitimação para a prática daquele ato. Assim, legitimado o AFRF para constituir o crédito tributário mediante lançamento, não há o que se falar em nulidade por vício relacionado ao MPF que se constitui em instrumento de controle da Administração. Tem razão o recorrente ao afirmar nos termos do artigo 4º da citada Portaria há necessidade de lhe ser dado ciência da existência do MPF ou de suas prorrogações. Porém, a norma aqui referida tem sua razão de ser. O contribuinte somente esta obrigado a prestar esclarecimentos ao AFRF que estiver devidamente munido de MPF. Assim, em havendo dúvidas quanto à existência ou vigência do MPF, em não constando ou não sendo possível o acesso por meio eletrônico, cabe ao auditor fiscal provar a existência deste para, só então, prosseguir formalizando exigência de documentos. Por tais razões, desacolho a alegação de nulidade do lançamento sustentada com base em vícios inerentes ao MPF. 27. Em 2005, o MPFF era regido pela Portaria SRF nº 3.007, de 26 de novembro de 2001, alterada pela Portaria SRF n º 1.2 38 , de 3 1 de outubro de 2002, e pela Portaria SRF nº1.468 , de 6 de outubro de 2003. 28. Como se evidencia, descabe esta alegação de nulidade. 29. Cito acórdão referente a situação análoga, na mesma Operação Performance de Exportação ou Operação Soja: Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 17/08/2016 Nº Acórdão 2401004.484 Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria, dar provimento parcial, para excluir do lançamento o imposto incidente sobre os pagamentos feitos às empresas Globalbank e Deloitte, para as quais foi identificada a causa do pagamento. (...) Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRFAnocalendário: 2004 NULIDADE DO PROCESSO Fl. 3402DF CARF MF Processo nº 19515.000231/200998 Acórdão n.º 1201002.662 S1C2T1 Fl. 15 14 ADMINISTRATIVO FUNDADO EM PRESUNÇÃO. INADMISSIBILIDADE. O auto de infração de imposto de renda retido na fonte não foi calcado em meras presunções, mas em fatos e provas colacionados aos autos que demonstram a inexistência das operações de compra e venda de soja, industrialização e exportação. Indevida a alegação de nulidade. OPERAÇÃO PERFORMANCE DE EXPORTAÇÃO. LANÇAMENTO DE IRRF POR OCORRÊNCIA DE PAGAMENTOS SEM COMPROVAÇÃO DAS OPERAÇÕES E/OU SUA CAUSA. ALEGAÇÃO DE BOAFÉ. INSUBSISTÊNCIA. As alegações da recorrente quanto a sua boafé nas operações não podem servir como fundamento para excluir sua responsabilidade nas operações em que figure como sujeito passivo de obrigações tributárias. Comprovada a inexistência das operações de compra e venda de soja, beneficiamento e posterior exportação. As operações foram simuladas e inexistentes. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. EXCLUSÃO COM RELAÇÃO AOS PAGAMENTOS EFETUADOS A BENEFICIÁRIOS IDENTIFICADOS E COM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU SUA CAUSA. Devem ser excluídos do lançamento o imposto incidente sobre os pagamentos efetuados a beneficiários identificados e devidamente comprovadas as operações correspondentes. LANÇAMENTO ANTERIOR DE IRPJ SOBRE AS MESMAS BASES DE CÁLCULO DO IRRF. INCOMPATIBILIDADE INEXISTENTE Não há incompatibilidade entre o lançamento anterior de IRPJ e a cobrança de IRRF com base no disposto no artigo 61, § 1º, da Lei n. 8.981, de 20 de janeiro de 1995 que prevê a incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte para as situações especificamente definidas na norma de incidência.Recurso Voluntário Provido em Parte. 2.2 PROVA EMPRESTADA. 30. Acusa que o Autuante se utilizou de provas obtidas em procedimento de fiscalização realizado pela Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda do Estado de São Paulo, o que não pode ser acolhido porque: Ora, se as provas carreadas pela fiscalização federal seriam suficientes a manutenção da autuação, como pretendeu a decisão, porque citar por diversas folhas as conclusões da fiscalização estadual? Simples, diversas conclusões de fato estão fundamentadas nas provas colhidas pela fiscalização estadual, tal como a suposta incapacidade das empresas envolvidas para realização das operações. (...) Fl. 3403DF CARF MF Processo nº 19515.000231/200998 Acórdão n.º 1201002.662 S1C2T1 Fl. 16 15 Ou seja, evidente que apesar da prova emprestada não ser valida, fato é que, ainda que fosse (ad argumentandum), diversas foram as inconsistências levantadas pela Recorrente em sua peça impugnatória — que ora se reitera , pelo que, em momento algum, conforme será abordado adiante, foi produzida qualquer prova da efetiva inexistência das operações em questão, ao contrário do alegado pela DRJ. 31. Acusa que a acusação de simulação, se trata de presunção e que os documentos mencionados pelas autoridades fiscais que supostamente respaldariam as exigências, seriam justamente os relatórios elaborados pela Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda do Estado de São Paulo, abordados exaustivamente na Impugnação, que, como visto, carecem da certeza necessária para embasar as acusações lançadas contra a Recorrente. 32. Não é o caso de se analisar a conclusão já sacramentada pelo Acórdão da CSRF, acerca de as operações terem sido simuladas. Cabe apenas analisar se "prova emprestada" é motivo de nulidade dos autos dela decorrentes. 33. Eis que, no caso, a Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda do Estado de São Paulo lavrou Auto de Infração e Imposição de Multa em relação à Recorrente, em 28/09/2005, e que se encontra neste processo, junto com a documentação correspondente, às págs. 135/1.170, dentre as quais consta descrição "Esquema de Evasão Fiscal em Operações de Soja", págs. 148/168, onde os personagens são exatamente as empresas com as quais a Recorrente teria realizado as operações: a Centúria e a Rubi, a Santa Cruz, a Sperafico e a Canorp, a Axis, e a Master Consultoria Tributária S/C Ltda, descritas como executoras da simulação, e as operações da Autuada, com as mesmas. 34. Citase, por pertinente, jurisprudência do CARF: Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 05/12/2017 Nº Acórdão 2401005.151 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2003 PROVA EMPRESTADA. EXISTÊNCIA DE CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Instaurado o contencioso administrativo, por meio da impugnação protocolizada, o contribuinte obteve a possibilidade de apresentar argumentos e provas de fato e de direito capazes de afastar a exigência fiscal, em atendimento ao contraditório e à ampla defesa, não havendo que se falar em nulidade. Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 13/06/2018 Nº Acórdão 1401002.684 PROVA EMPRESTADA VALIDADE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.É válida a utilização, em processo administrativo tributário, de provas colhidas no curso de investigação policial, desde que a autoridade administrativa extraia suas próprias conclusões das provas emprestadas. É lícito ao Fisco Federal valerse de informações colhidas por outras autoridades, administrativas ou judiciais, para efeito de Fl. 3404DF CARF MF Processo nº 19515.000231/200998 Acórdão n.º 1201002.662 S1C2T1 Fl. 17 16 lançamento, quando o contraditório é ofertado no processo para o qual são transportadas. Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE- Data da Sessão 17/10/2017 Nº Acórdão 9303005.845 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: (...) PROVA EMPRESTADA. INFORMAÇÃO FORNECIDA PELO MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL PARA INSTAURAÇÃO DE PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. POSSIBILIDADE. No presente caso, o Fisco Federal obteve apenas informações sobre supostas fraudes cometidas pela Contribuinte com base em informações coletadas pelo Ministério Público Estadual, a partir das informações iniciouse o procedimento de fiscalização, preservados os princípios constitucionais do devido processo legal e do contraditório.Os órgãos da Administração Pública Federal, Estadual e Municipal, bem como entidades autárquicas, paraestatais e de economia mista são obrigados a auxiliar a fiscalização, prestando informações e esclarecimentos que lhe forem solicitados, cumprindo ou fazendo cumprir as disposições de regência, conforme o previsto no artigo 125 do Decretolei nº 5.844, de 1943 e artigo 2º do Decretolei nº 1.718, de 1979. 35. Do qual se extrai trechos do voto: Quanto a utilização de prova emprestada em matéria tributaria, o Superior Tribunal de Justiça STJ, nos autos do REsp nº 81.094 MG (1995/00631385) entendeu que não há qualquer ilegalidade no lançamento efetuado, ainda mais se a autuação realizada pelo Fisco Federal obedeceu às formalidades legais, dando direito de ampla defesa ao contribuinte.In verbis: "TRIBUTÁRIO. IR. LANÇAMENTO. AUXÍLIO E PROVA EMPRESTADA. ART. 199, DO CTN. 1. Todos os órgãos da Administração Federal, Estadual, Municipal e Autárquica estão obrigados à prestação mútua de assistência e cooperação na fiscalização dos tributos respectivos. 2. No lançamento do Imposto de Renda pode o Fisco Federal valerse de documentos, informações, laudos, autos de infração etc..., levados a efeito pela fiscalização estadual. 3. Cabe à autora provar os fatos constitutivos de seu direito alegados na inicial, que poderão ser contestados pelo réu em juízo. 4. Apelo improvido" (fl. 164). "(...) Fl. 3405DF CARF MF Processo nº 19515.000231/200998 Acórdão n.º 1201002.662 S1C2T1 Fl. 18 17 Ademais, não há dúvidas de que os entes estatais devem organizarse para otimizar a fiscalização tributária no intuito de aprimorar a arrecadação. A utilidade do dispositivo do Código Tributário Nacional é inquestionável, pois representa simplificação da atuação fiscalizatória, evitando repetição de diligências, economia de recursos e tempo. Ante o exposto, conheço apenas em parte do recurso especial e, neste particular, negolhe provimento". Neste sentido, as informações fornecidas pelo Ministério Público Catarinense transferidas para o fisco, foram no sentido de noticiar as supostas fraudes, com essas informações, a Fazenda Nacional de modo legal iniciou o procedimento fiscalizatório. Até porque os órgãos da Administração Pública Federal, Estadual e Municipal, bem como entidades autárquicas, paraestatais e de economia mista são obrigados a auxiliar a fiscalização, prestando informações e esclarecimentos que lhe forem solicitados, cumprindo ou fazendo cumprir as disposições de regência, conforme o previsto no artigo 125 do Decreto lei nº 5.844, de 1943 e artigo 2º do Decretolei nº 1.718, de 1979. 36. Do exposto se evidencia não ser caso de nulidade dos autos, o uso de "prova emprestada". 2.3 BUSCA DA VERDADE MATERIAL 37. Pleiteia a nulidade dos autos ao argumento de falta de busca da verdade material. 38. No entanto, é este o objetivo da fiscalização; dada a decisão final emitida pela CSRF, de que as operações foram simuladas, verificase que, neste caso, veio à tona a verdade material de que a autuada simulou operações em conjunto com as citadas empresas. 3 Dedução dos valores que reteve na fonte sobre os pagamentos que efetuou à Master 39. Alega que efetuou retenção de IRRF sobre os pagamentos efetuados à Master Consultoria Tributária S/C Ltda, CNPJ 04.233.504/000102, a título de honorários incidentes sobre a economia tributária obtida com esta a operação: correspondentes à aplicação da alíquota de 1,5% sobre o valor do serviço, retidos pela Recorrente, nos termos do disposto no artigo 647, do Regulamento do Imposto de Renda de 1999, conforme comprovam as guias de retenção anexas (documentos anexados à Impugnação). 40. E cobra que se verifique o já foi pago e que os valores sejam abatidos: Pagamentos Realizados à Master Consultoria Tributária S/C Ltda. Data de pagamento Valor Pago Base de Cálculo Reajustada Apurada pelo Fiscal Valor Pago pela Recorrente (1,5%) Valor Supostamente Devido 21/01/04 1.782.196,01 2.741.840,02 26.732,94 2.715.107,08 29/03/04 535.627,66 824.042,55 8.034,41 816.008,14 Fl. 3406DF CARF MF Processo nº 19515.000231/200998 Acórdão n.º 1201002.662 S1C2T1 Fl. 19 18 06/05/04 407.180,85 626.432,08 6.107,71 620.324,36 23/08/04 397.421,53 611.417,74 5.961,32 605.456,42 41. Tais pagamentos estão relacionados à pág. 1.310 (fls. 275): DEMONSTRATIVO DA BASE DE CÁLCULO REAJUSTADA MASTER CONSULTORIA TRIBUTÁRIA S/C LTDA DT DA NF N.NF VALOR NF DT PAG VAL PAGO BCREAJUSTADA 15/01/2004 000065 1.782.196,01 21/01/2004 1.782.196,01 2.741.840.02 15/03/2004 000067 535.627,66 29/03/2004 535.627,66 824.042,55 28/04/2004 000069 407.180,85 06/05/2004 407.180,85 626.432,08 16/08/2004 000074 397.421,53 23/08/2004 397.421,53 611.417,74 TOTAL 2.317.823,67 42. Anexos à impugnação; DCTF (págs. 1.892/2.655) apontam débitos 17081 IRRF Remuneração de serviços profissionais prestados por PJ, embora não coincidam os valores, podendo estar conjugados com outros; cópias das NF, págs. 2.663/2.696, especificando o valor da NF, Imposto de Renda, porém o total ilegível, demonstrativos dos valores recolhidos e DARF. 43. Ocorre que a base legal que obriga a fonte pagadora é o art. 647 do RIR, de 1999, e se refere a retenção pela fonte pagadora no caso a Autuada do Imposto de Renda, devido pela pessoa jurídica recebedora do pagamento, neste caso, a Master. 44. De onde se evidencia que não se trata de valores cujo ônus tenha sido suportado pela Recorrente, o que conduz à conclusão que descabe o pleito de subtrair aqueles valores cujo ônus foi da Master, dos valores que ora são exigidos da Recorrente. 4 Multa de Ofício. Qualificação da Multa. Art. 112 do CTN. 45. O dispositivo que regula a multa de ofício aplicada, conforme indicado no auto de infração, foi o art. 44, II da Lei nº 9.430, de 1996: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 46. Portanto, está em consonância com a legislação de regência, uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, não se podendo, em âmbito administrativo, reduzilo ou alterálo por critérios meramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade. Fl. 3407DF CARF MF Processo nº 19515.000231/200998 Acórdão n.º 1201002.662 S1C2T1 Fl. 20 19 47. Considerações sobre a graduação da penalidade, no caso, não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei, não dando margem a conjecturas atinentes à ocorrência de efeito confiscatório ou de ofensa ao princípio da proporcionalidade. Nesse sentido, qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, em franca ofensa à vinculação a que se encontra submetida a instância administrativa (art. 142, parágrafo único, do CTN), como a contraposição a princípios constitucionais, somente podem ser reconhecidos pela via competente, o Poder Judiciário. Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR-Data da Sessão 13/07/2016 Nº Acórdão 9101002.397 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 (...) MULTA QUALIFICADA. DEMONSTRAÇÃO DE DOLO PARA A EVASÃO DE TRIBUTOS. Demonstrada a simulação da segregação de fontes de rendimentos, com o dolo de evadir tributos, é legítima a qualificação da multa de ofício. Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE Data da Sessão 03/07/2017 Nº Acórdão 9101002.957 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 MULTA QUALIFICADA. OCORRÊNCIA DE ATOS SIMULADOS E CONLUIO. A consecução de atos simulados e realizados em conluio, que impediram o Fisco de determinar os verdadeiros beneficiários de pagamentos e acarretaram a supressão ilícita de tributos, evidencia sonegação, conduta dolosa tendente a impedir o conhecimento das condições pessoais do contribuinte da obrigação tributária principal, e conluio, ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas visando os efeitos em questão, que justificam a qualificação da multa de ofício. 48. No presente caso, as exportações fictícias e demais operações simuladas visaram criar créditos indevidos de PIS e Cofins, mediante simulação das operações de compra, industrialização e exportação, ações que foram executadas junto com as demais empresas citadas, o que caracteriza o conluio. E é evidente a intenção dolosa de sonegar as contribuições de Cofins e PIS, o que justifica a qualificação da multa. 49. E quanto às acusações de inconstitucionalidade e ilegalidade de legislação devese esclarecer que, sendo aos Conselheiros do CARF, não compete apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. 50. No que tange à petição de que se aplique o disposto no art. 112, do CTN, considerandose que o entendimento deste voto é de que inexistem dúvidas quanto à prática de Fl. 3408DF CARF MF Processo nº 19515.000231/200998 Acórdão n.º 1201002.662 S1C2T1 Fl. 21 20 infração tributária e à penalidade aplicável ao caso, não há que se falar em interpretação mais favorável, pois o lançamento é ato administrativo vinculado, devendo se conformar às disposições da legislação de regência. 5 Taxa Selic como juros de mora. 51. A questão já está definitivamente consolidada no CARF, conforme a súmula vinculante a seguir: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conformePortaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). 6 Juros de mora sobre a multa. 52. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, estará sujeita à incidência de juros conforme estabelecido no art. 113 do CTN. 53. Esse também é o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme se observa da ementa a seguir transcrita (AgRg no REsp 1335688/PR – DJe de 10/12/2012), Acórdão transitado em julgado em 14/02/2013: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTARIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "E legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990 PR, Rei. Min. Castro Meira. DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rei. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. I 2. Agravo regimental não provido. 54. A jurisprudência do CARF vem convergindo no sentido de considerar procedente a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, depois de vencido o prazo para pagamento, uma vez que passa a integrar o crédito tributário. Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR Data da Sessão 19/01/2018 Nº Acórdão 9101003.374 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o Fl. 3409DF CARF MF Processo nº 19515.000231/200998 Acórdão n.º 1201002.662 S1C2T1 Fl. 22 21 crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE Data da Sessão: 08/11/2017 Nº Acórdão: 9101003.222 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora à taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo e a multa de ofício proporcional. Tipo do Recurso: Recurso nº Especial do Contribuinte Data da Sessão: 03/04/2018 Acórdão nº: 9101003.510 Voto vencedor: Conselheira Cristiane Silva Costa, Redatora designada Com a devida vênia ao voto do Relator, entendo por negar provimento ao recurso especial do contribuinte, tendo sido acompanhada pela maioria deste Colegiado. Ressalvo que em precedentes desta Turma, pronuncieime pela ilegitimidade da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício (acórdãos 9101003.053 e 9101003.216, dentre outros). Ocorre que, diante de reiterados julgamentos em que restei vencida, curvome ao entendimento predominante do Colegiado, ponderando que a matéria é unicamente de direito e há orientação prevalecente na jurisprudência do CARF pela manutenção da cobrança de juros sobre a multa. A esse respeito, destaco voto elaborado pela Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Presidente desta Turma e do CARF (acórdão 9101003.376): (...) 55. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, determina: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 3410DF CARF MF Processo nº 19515.000231/200998 Acórdão n.º 1201002.662 S1C2T1 Fl. 23 22 56. Notese que no caput do art. 61, o texto é “débitos [...] decorrentes de tributos e contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes” evidencia que o legislador não quis se referir, apenas aos tributos e contribuições em termos estritos para todas as situações. 57. Finalmente a Súmula CARF nº 5: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. 58. E o CTN determina: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. 59. Assim, o crédito tributário decorre da obrigação principal que, por sua vez, tem por objeto também a penalidade pecuniária. Consequentemente, o entendimento sumulado compreende todo o crédito tributário lançado, ou seja, tributos, contribuições e multas aplicadas. Súmula CARF nº 5 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). 60. E ainda: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. 7 Julgamento em conjunto com o processo nº 19515.000230/200943; 61. Como já relatado, trata o processo supracitado de auto de infração de IRRF dos anoscalendário 2002, 2003 e fatos geradores em 6 e 7/01/2004, devido à mesma infração fiscal; a Recorrente anexou, págs. 3.195/3.196, e 3.238, despachos da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, e da CSRF negando admissão ao Recurso Especial interposto pela PFN, em relação a Acórdão proferido por aquela Câmara, evidenciando que o processo já foi objeto de julgamento definitivo no CARF, não sendo mais possível o julgamento conjunto. Fl. 3411DF CARF MF Processo nº 19515.000231/200998 Acórdão n.º 1201002.662 S1C2T1 Fl. 24 23 Conclusão. Voto por NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, nas matérias que restaram sem pronunciamento pela CSRF. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 3412DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.906328/2010-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO COM EFEITOS INFRINGENTES.
Havendo omissão/contradição/obscuridade na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear o vício apontado.
Numero da decisão: 1401-002.966
Decisão: Vistos, relatados e discutidos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos declaratórios e dar-lhes provimento para alterar a decisão, retificando as razões e concedendo efeitos infringentes para reconhecer o crédito de JCP no montante de R$174.351,56.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Sérgio Abelson (suplente convocado) e Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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ACOLHIMENTO COM EFEITOS INFRINGENTES. Havendo omissão/contradição/obscuridade na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear o vício apontado. Vistos, relatados e discutidos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos declaratórios e darlhes provimento para alterar a decisão, retificando as razões e concedendo efeitos infringentes para reconhecer o crédito de JCP no montante de R$174.351,56. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Sérgio Abelson (suplente convocado) e Cláudio de Andrade Camerano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 63 28 /2 01 0- 79 Fl. 2672DF CARF MF 2 Relatório Tratase de processo administrativo, oriundo de Declarações de Compensação (DCOMP nº 24289.06521.180509.1.3.027610, nº 05221.19897.300909.1.7.02 5392 e nº 16989.85447.290109.1.3.027787) apresentadas durante o anocalendário de 2009, por meio das quais o Embargante pleiteou a compensação do saldo negativo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (“IRPJ”), apurado no anocalendário de 2007, no total de R$ 82.333.048,69, com débitos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Importa mencionar que quase a totalidade do saldo negativo apurado pelo Embargante era composta por (i) retenções de Imposto de Renda (“IR/Fonte”) realizadas no anocalendário de 2007, sobre operações realizadas no Brasil e no exterior, num total de R$ 99.691.690,241 e (ii) pelas estimativas recolhidas durante o anocalendário, no montante de R$ 987.470.460,36 (cujo pagamento foi reconhecido pela Autoridade Fiscal no Despacho Decisório que deu ensejo ao presente processo administrativo). Ao analisar as DCOMP apresentadas pelo Embargante, entendeu a Autoridade Fiscal que o valor do direito creditório apurado na DIPJ, referente ao ano calendário de 2007 (R$ 82.333.048,69), não teria sido comprovado, razão pela qual não homologou as compensações declaradas nas DCOMP supracitadas (cujos débitos foram registrados sob os seguintes números: 16327.906574/201021, 16327.906746/201066 e 16327.906747/201019). Após o regular processamento dos autos, foi proferida, na sessão de 12/04/2018, o acórdão nº 1401002.397 (“acórdão recorrido”), por meio do qual essa E. Turma Julgadora entendeu por negar provimento ao Recurso Voluntário, conforme ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÕES. SALDO NEGATIVO. PAGAMENTOS NO EXTERIOR. RETENÇÃO NA FONTE. FALTA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. É ônus do contribuinte a juntada de todos os documentos que comprovem os créditos alegados que pretendem ser compensados. Não restando claro e devidamente comprovado documentalmente o direito aos créditos, impossível o reconhecimento creditório e sua consequente compensação.” Contudo, o acórdão recorrido contém omissões, contradições e obscuridades que precisam ser sanadas por essa E. Turma Julgadora, razão pela qual são opostos os presentes Embargos de Declaração. I DO DIREITO I.1. – Da Obscuridade / Contradição Quanto às Glosas que Tiveram como Fundamento a Falta de Comprovação da Retenção na Fonte – Operações no Brasil Como já exposto, a Autoridade Fiscal reconheceu apenas parte do IR/Fonte que compôs o saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2007, uma vez que, em Fl. 2673DF CARF MF Processo nº 16327.906328/201079 Acórdão n.º 1401002.966 S1C4T1 Fl. 2.673 3 relação às operações no Brasil, (i) haveriam retenções não comprovadas e (ii) retenções para as quais não foi possível verificar se a receita correspondente foi oferecida à tributação. Nesse sentido, vejase a seguir o quadro extraído do detalhamento do Despacho Decisório, no qual a Autoridade Fiscal fundamentou, na coluna “Justificativa”, cada uma das glosas objeto desse processo administrativo: Como se vê, para alguns valores, a Autoridade Fiscal entendeu que (i) as retenções não teriam sido comprovadas, enquanto que para outros, o fundamento da glosa foi o de que (ii) não teria sido possível verificar se a receita correspondente à retenção foi oferecida à tributação. Nesse ponto, é de extrema importância que se destaque que, conforme pode ser verificado no quadro supra, nenhuma glosa teve como fundamento a ausência de comprovação da retenção e, concomitantemente, a suposta falta de comprovação da tributação da receita correspondente à retenção. Desse modo, (i) em relação às glosas por suposta falta de retenção na fonte, o Embargante acostou aos autos, ao longo desse processo administrativo, a prova de que houve a efetiva retenção2. Por outro lado, (ii) em relação às glosas por suposta falta comprovação da tributação de receita correspondente à retenção, foram acostados aos autos documentos que comprovam a contabilização e tributação dessas receitas. Não obstante, em que pese terem sido as glosas fundamentadas em justificativas distintas, como acima demonstrado, analisandose o acórdão recorrido, é possível verificar que todas as glosas foram tratadas da mesma forma, tendo sido decidido que deveria haver a manutenção da acusação fiscal, já que “não há novamente prova do oferecimento à tributação dessas parcelas sendo impossível reconhecer o crédito pleiteado”. Confirase: Fl. 2674DF CARF MF 4 “Retenções na Fonte Para essa rubrica, que o contribuinte informou totalizar R$ 5.684.848,01, o despacho decisório reconheceu apenas R$ 1.871.792,57. Foram confirmadas as retenções constantes da tabela de fls. 83 a 89, no valor de R$ 1.777.764,97, e apenas parcialmente confirmadas retenções de R$ 94.027,60 (fls. 89 a 90). Quando da conversão em diligência, tomou o cuidado o Relator de separar cada uma das rubricas e cada uma das retenções realizadas e foi concedido prazo, oportunidade, manifestações, ou seja, todo o contraditório ao Contribuinte, para que pudesse prestar as informações de maneira adequada e de forma a se comprovar o seu direito. Contudo, apenas e mais uma vez argumenta que já está devidamente comprovado nos autos pela documentação juntada, que as retenções foram realizadas e suas receitas devidamente oferecidas à tributação. Nesse sentido, não há novamente prova do oferecimento à tributação dessas parcelas sendo impossível reconhecer o crédito pleiteado.” (fls. 14 e 15 do acórdão recorrido – g.n.) Contudo, ao decidir dessa maneira, o acórdão recorrido incorreu em nítida obscuridade / contradição, já que não ficou claro como as glosas fundamentadas na falta de comprovação da retenção poderiam ser mantidas em razão de, supostamente, não ter sido comprovado o oferecimento à tributação das receitas correspondentes. De fato, uma vez que para as glosas a seguir listadas o critério jurídico eleito pela Autoridade Fiscal foi o de que não teria sido comprovada a retenção, a manutenção dessas glosas somente poderia ser pelo mesmo motivo e não por fundamento inovador. Vejase: CNPJ da Fonte Pagadora Código da Receita Valor Não Confirmado Fundamento da Glosa Fundamento do Acórdão 00.854.426/000102 1708 R$ 113,90 Retenção na fonte não comprovada Não Comprovação da tributação da receita correspondente 00.854.428/000100 1708 R$ 591,35 Retenção na fonte não comprovada Não Comprovação da tributação da receita correspondente 02.340.278/000133 1708 R$ 7.129,22 Retenção na fonte não comprovada Não Comprovação da tributação da receita correspondente 02.814.094/000168 1708 R$ 26.787,23 Retenção na fonte não comprovada Não Comprovação da tributação da receita correspondente 06.215.483/000128 8045 R$ 1.423,44 Retenção na fonte não comprovada Não Comprovação da tributação da receita correspondente Fl. 2675DF CARF MF Processo nº 16327.906328/201079 Acórdão n.º 1401002.966 S1C4T1 Fl. 2.674 5 07.358.761/000169 5706 R$ 58.231,65 Retenção na fonte não comprovada Não Comprovação da tributação da receita correspondente 07.359.641/000186 5706 R$ 10.918,43 Retenção na fonte não comprovada Não Comprovação da tributação da receita correspondente 07.369.685/000197 5706 R$ 4.852,63 Retenção na fonte não comprovada Não Comprovação da tributação da receita correspondente 07.684.413/000181 1708 R$ 642,30 Retenção na fonte não comprovada Não Comprovação da tributação da receita correspondente 08.508.718/000103 1708 R$ 1.973,30 Retenção na fonte não comprovada Não Comprovação da tributação da receita correspondente 08.944.184/000150 8045 R$ 958,83 Retenção na fonte não comprovada Não Comprovação da tributação da receita correspondente 32.206.435/00115 1708 R$ 11.106,31 Retenção na fonte não comprovada Não Comprovação da tributação da receita correspondente 33.066.408/000115 8045 R$ 3.579.919,00 Retenção na fonte não comprovada Não Comprovação da tributação da receita correspondente 62.307.848/000115 1708 R$ 998,89 Retenção na fonte não comprovada Não Comprovação da tributação da receita correspondente R$ 3.705.646,48 Desse modo, tendo em vista que parte das glosas teve como fundamento a falta de comprovação da retenção e que essa foi efetivamente comprovada nesses autos, requerse a esse E. Turma Julgadora o acolhimento dos presentes Embargos de Declaração, para que seja sanada essa obscuridade / contradição, e canceladas as glosas supra. I.2 – Da Omissão Quanto aos Juros sobre Capital Próprio (Código 5706) Analisandose o Despacho Decisório objeto desse processo administrativo, é possível notar que parte dos valores que foram objeto de glosa pela Fiscalização são referentes ao IR/Fonte sobre juros sobre capital próprios (“JCP” – Código de Receita 5706). Vejase: CNPJ da Fonte Pagadora Código da Receita Valor Não Confirmado Fundamento da Glosa Fl. 2676DF CARF MF 6 02.105.040/000123 5706 R$ 5.722,42 Receita Correspondente Oferecida Parcialmente à tributação 07.358.761/000169 5706 R$ 58.231,65Retenção na fonte 07.359.641/000186 5706 R$ 10.918,43Retenção na fonte 07.369.685/000197 5706 R$ 4.852,63Retenção na fonte 17.227.422/000105 5706 R$ 94.626,43 Receita Correspondente Oferecida Parcialmente à tributação Tais valores, conforme exposto em detalhes no tópico 3.1 do Recurso Voluntário interposto pela ora Embargante, são referentes aos juros sobre capital próprio (“JCP”) distribuídos ao Banco Real S/A (CNPJ nº 17.156.514/000133), sucedido por Banco ABN Amro Real S/A (CNPJ nº 33.066.408/000115), no anocalendário de 2006, mas foram registrados contabilmente e declarados em DIPJ do Embargante apenas no anocalendário de 2007, como sucessor do Banco ABN Amro Real S/A (CNPJ nº 33.066.408/000115). Assim, esclareceuse no Recurso Voluntário que as glosas sobre tais valores deveriam ser canceladas, já que houve a (i) efetiva retenção, conforme informes de rendimentos às fls. dos autos, bem como o (ii) oferecimento à tributação desses rendimentos no anocalendário de 2007. Além disso, demonstrouse que não poderia prevalecer as alegações inovadoras da DRJ no sentido de que o IR/Fonte sobre tais rendimentos somente poderia ter sido contabilizado e deduzido no próprio anocalendário de 2006, seja pela ausência de vedação legal (tópico 3.1.1), seja em razão da ausência de prejuízo ao Fisco (tópico 3.1.2). Não obstante, em que pesem ter sido desenvolvidos esses argumentos, que, vale frisar, são suficientes para o cancelamento dessas glosas, notase que o acórdão recorrido deixou de enfrentalos, caracterizando, assim, uma nítida omissão. Nesse contexto, requerse o acolhimento dos presentes Embargos de Declaração por essa C. Turma Julgadora, para que seja sanada a omissão apontada, reformandose o acórdão recorrido e cancelandose as glosas relativa ao IR/Fonte incidente sobre o JCP. II.3 – Da Obscuridade / Contradição Quanto ao Reconhecimento do IR/Fonte sobre Operações no Exterior Além da desconsideração de parte do IR/Fonte incidente sobre operações dentro do Brasil, a Autoridade Fiscal entendeu por glosar, em sua totalidade, os impostos devidamente recolhidos em operações no exterior, sob o fundamento de que o pagamento no exterior não teria sido comprovado. Vejase: Fl. 2677DF CARF MF Processo nº 16327.906328/201079 Acórdão n.º 1401002.966 S1C4T1 Fl. 2.675 7 Desse modo, o Embargante, ao longo desse processo administrativo, esclareceu que tais valores são referentes ao IR//Fonte sobre as seguintes operações realizadas por intermédio de controladas sediadas no Paraguai e nas Ilhas Cayman: (i) Venda das ações que possuía da controlada Real Paraguaya de Seguros S/A, para a Mapfre América; (ii) Reconhecimento do lucro da controlada Banco ABN Amro Real S/A – Grand Cayman, estabelecida nas Ilhas Cayman a qual recebeu, no anocalendário de 2007, dentre outros rendimentos, os decorrentes da aquisição de títulos de valores mobiliários no exterior, sobre os quais foi retido o IR pelas fontes pagadoras; e (iii) Remessa de juros em favor da controlada do Embargante, estabelecida nas Ilhas Cayman. Além disso, o Embargante acostou aos autos amplo conjunto probatório, demonstrando o efetivamente recolhimento de tributo nessas operações e a, consequente, necessidade de cancelamento também dessas glosas. Ainda, apenas com o objetivo de reforçar a impossibilidade de desconsideração desses valores, o Embargante juntou, adicionalmente, documentos que comprovam a tributação das receitas correspondentes às retenções. Nesse contexto, ao analisar os esclarecimentos e documentos acostados aos autos pelo Embargante, entendeu essa E. Turma Julgadora que, ao contrário do que constou no Despacho Decisório, houve a comprovação das retenções na fonte relativas a essas operações no exterior. Contudo, decidiuse no acórdão recorrido pela manutenção das glosas desses montantes, sob a alegação de que não teria sido possível visualizar se as receitas correspondentes teriam sido oferecidas à tributação. Vejase: Fl. 2678DF CARF MF 8 Ocorre que ao decidir dessa forma, o acórdão recorrido incorreu em nítida obscuridade, já que, de forma similar ao relatado no tópico III.1., não ficou claro como as glosas fundamentadas na falta de comprovação do pagamento do imposto poderiam ser mantidas em razão de, supostamente, não ter sido comprovado o oferecimento à tributação das receitas correspondentes. De fato, uma vez que o critério jurídico eleito pela Autoridade Fiscal foi o de que não teria sido comprovado o recolhimento do imposto referente a essas operações, a manutenção dessas glosas somente poderia ser pelo mesmo motivo e não por fundamento inovador. Fl. 2679DF CARF MF Processo nº 16327.906328/201079 Acórdão n.º 1401002.966 S1C4T1 Fl. 2.676 9 Sendo assim, uma vez que foi confirmado o pagamento no exterior e que as glosas foram fundamentadas na alegação de que o “pagamento no exterior” não teria sido comprovado (conforme detalhamento do Despacho Decisório), requerse que sejam acolhidos os presentes Embargos de Declaração, para que seja sanada a obscuridade / contradição apontada e canceladas também essas glosas. Nesse sentido, vieram aos autos para que fosse complementada a decisão, conforme razões acima arguida e aceita. Esse é o relatório do essencial. Voto 1 Admissibilidade O recurso foi admitido e deve ser julgado conforme omissão acima apontada. 2 Mérito Com relação ao IR fonte nas operações no exterior (item I.1), realmente assiste razão à embargante quanto à contradição apontada. É que realmente alguns créditos não foram reconhecidos por falta de tributação na fonte e outros por falta de oferecimento à tributação. Os embargos admitidos estão claríssimos e demonstraram a contradição do julgado. Realmente, conforme tabela exposta abaixo, restaram sem comprovação de retenção na fonte os seguintes valores: CNPJ da Fonte Pagadora Código da Receita Valor Não Confirmado Fundamento da Glosa Fundamento do Acórdão 01) 00.854.426/000102 1708 R$ 113,90 Retenção na fonte não comprovada Não Comprovação da tributação da receita correspondente 02) 00.854.428/000100 1708 R$ 591,35 Retenção na fonte não comprovada Não Comprovação da tributação da receita correspondente 03) 02.340.278/000133 1708 R$ 7.129,22 Retenção na fonte não comprovada Não Comprovação da tributação da receita correspondente 04) 02.814.094/000168 1708 R$ 26.787,23 Retenção na fonte não comprovada Não Comprovação da tributação da receita correspondente 05) 06.215.483/000128 8045 R$ 1.423,44 Retenção na fonte não comprovada Não Comprovação da tributação da receita correspondente 06) 07.358.761/000169 5706 R$ 58.231,65 Retenção na fonte não comprovada Não Comprovação da tributação da receita correspondente Fl. 2680DF CARF MF 10 07) 07.359.641/000186 5706 R$ 10.918,43 Retenção na fonte não comprovada Não Comprovação da tributação da receita correspondente 08) 07.369.685/000197 5706 R$ 4.852,63 Retenção na fonte não comprovada Não Comprovação da tributação da receita correspondente 09) 07.684.413/000181 1708 R$ 642,30 Retenção na fonte não comprovada Não Comprovação da tributação da receita correspondente 10) 08.508.718/000103 1708 R$ 1.973,30 Retenção na fonte não comprovada Não Comprovação da tributação da receita correspondente 11) 08.944.184/000150 8045 R$ 958,83 Retenção na fonte não comprovada Não Comprovação da tributação da receita correspondente 12) 32.206.435/00115 1708 R$ 11.106,31 Retenção na fonte não comprovada Não Comprovação da tributação da receita correspondente 13) 33.066.408/000115 8045 R$ 3.579.919,00 Retenção na fonte não comprovada Não Comprovação da tributação da receita correspondente 14) 62.307.848/000115 1708 R$ 998,89 Retenção na fonte não comprovada Não Comprovação da tributação da receita correspondente R$ 3.705.646,48 Portanto, a fundamentação dessa relatora esta equivocada e o acórdão deverá ter a seguinte redação quanto às 14 parcelas acima: Nesse sentido, não há novamente prova de retenção na fonte dessas parcelas sendo impossível reconhecer o crédito pleiteado.” Por outro lado, argui a embargante que está devidamente comprovado a retenção realizada. Para tanto, junta novamente os documentos que pretendem comprovar seu direito. Esses documentos foram juntado aos autos como doc. 04, de fls. 2.060 a 2.515, ou seja, 455 folhas para a comprovação de 14 rubricas. Ademais, os documentos juntados tem todos o mesmo formato de uma das fls coladas abaixo (fls 2.313 dos autos): Fl. 2681DF CARF MF Processo nº 16327.906328/201079 Acórdão n.º 1401002.966 S1C4T1 Fl. 2.677 11 Ou seja, pretende a embargante, comprovar seu direto à 14 rubricas, juntando aos autos quase 500 documentos que não dizem absolutamente nada e em letras liliputianas. Se fosse tão clara a documentação quanto os embargos oposto seria possível a concessão do crédito. Contudo a documentação juntada não permite qualquer comprovação, pelo contrário, apenas tumultua os autos sem gerar qualquer direito. Assim, dou provimento aos embargos tão somente para que conste que em relação às 14 parcelas acima, não há prova de retenção na fonte sendo impossível reconhecer o crédito pleiteado.” Com relação ao item I.2, que faz referência à omissão do aproveitamento do IRRF sobre JCP, também nesse ponto, razão assiste à Embargante. Restando devidamente comprovado que os valores tiveram recolhimento na fonte e, ainda, que estes foram levados à tributação pela Embargante, mesmo que em ano posterior ao anocalendário da distribuição, deve ser reconhecido o crédito para que não ocorra enriquecimento ilícito do Estado. Assim, conforme tabela abaixo, deve ser reconhecido o crédito: Fl. 2682DF CARF MF 12 CNPJ da Fonte Pagadora Código da Receita Valor Não Confirmado Fundamento da Glosa 02.105.040/000123 5706 R$ 5.722,42 Receita Correspondente Oferecida Parcialmente à tributação 07.358.761/000169 5706 R$ 58.231,65Retenção na fonte 07.359.641/000186 5706 R$ 10.918,43Retenção na fonte 07.369.685/000197 5706 R$ 4.852,63Retenção na fonte 17.227.422/000105 5706 R$ 94.626,43 Receita Correspondente Oferecida Parcialmente à tributação R$ 174.351,56 De fato, a busca da verdade material, em contraponto ao apego a formalismos, deve pautar o julgador sob pena de não se descobrirem corretamente a verdade dos fatos. Assim, para que não seja causado prejuízo à recorrente, e ainda para que não ocorra o enriquecimento ilícito do Estado, não pode a formalidade impedir a tomada do crédito da contribuinte. Nesse sentido, entendo estar devidamente comprovado o crédito da recorrente, devendo ser reconhecida as compensações de tributos tratadas nas Declarações de Compensação que são objeto do presente processo Nesse ponto, dou provimento aos embargos, com efeitos infrigentes para reconhecer o crédito de R$174.351,56. Com relação ao último tópico, qual seja o direito ao reconhecimento de crédito das operações realizadas por intermédio das controladas sediadas no Paraguai e nas ilhas Cayman, razão assiste à recorrente. Mais uma vez o correto seria fazer constar no acórdão embargado que não foram devidamente comprovadas as retenções na fonte das seguintes operações: (i) Venda das ações que possuía da controlada Real Paraguaya de Seguros S/A, para a Mapfre América; (ii) Reconhecimento do lucro da controlada Banco ABN Amro Real S/A – Grand Cayman, estabelecida nas Ilhas Cayman a qual recebeu, no anocalendário de 2007, dentre outros rendimentos, os decorrentes da aquisição de títulos de valores mobiliários no exterior, sobre os quais foi retido o IR pelas fontes pagadoras; e (iii) Remessa de juros em favor da controlada do Embargante, estabelecida nas Ilhas Cayman. Contudo, a documentação não é suficiente para comprovar o direito da embargante, sendo que mantenho a decisão com o novo fundamento, qual seja, de que não há Fl. 2683DF CARF MF Processo nº 16327.906328/201079 Acórdão n.º 1401002.966 S1C4T1 Fl. 2.678 13 comprovação da retenção na fonte das operações realizadas por intermédio das controladas na embargante sediadas no Paraguai e nas ilhas Cayman. 3. Conclusão Pelos motivos expendidos, voto para conhecer dos embargos declaratórios e darlhes provimento, para alterar a decisão retificando as razões e concedendo efeitos infringentes para reconhecer o crédito de da embargante de JCP no montante de R$174.351,56. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Fl. 2684DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.003979/2005-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
RELATOR. DILIGÊNCIA DE OFÍCIO. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Rejeita-se a diligência proposta pelo Relator, de ofício, quando o Colegiado decide, por voto de qualidade, pela sua imprescindibilidade, impraticabilidade ou irrazoabilidade para o correto prosseguimento do feito e solução da lide, por ausência dos desígnios necessários a sua realização.
Numero da decisão: 3001-000.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência, suscitada pelos conselheiros Renato Vieira de Avila (relator) e Francisco Martins Leite Cavalcante, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
1.0 = *:*
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DILIGÊNCIA DE OFÍCIO. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Rejeitase a diligência proposta pelo Relator, de ofício, quando o Colegiado decide, por voto de qualidade, pela sua imprescindibilidade, impraticabilidade ou irrazoabilidade para o correto prosseguimento do feito e solução da lide, por ausência dos desígnios necessários a sua realização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência, suscitada pelos conselheiros Renato Vieira de Avila (relator) e Francisco Martins Leite Cavalcante, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. Orlando Rutigliani Berri Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 39 79 /2 00 5- 11 Fl. 1621DF CARF MF 2 Relatório Pedido de Ressarcimento Tratase de pedido de ressarcimento de créditos (PER/DCOMP) de PIS/Pasep Exportação de incidência não cumulativa, relativo ao 1º trimestre do ano calendário de 2005, no valor de R$ 19.599,15 (dezenove mil quinhentos e noventa e nove reais e quinze centavos). Termo de Início de Fiscalização Foi dado inicio à diligência no contribuinte para realizar verificação para fins de ressarcimento do PIS/Pasep Exportação nãocumulativo (Lei n° 10.637/2002) do 1º trimestre de 2005, onde o mesmo foi intimado para apresentar ou disponibilizar, no prazo de 20 dias, inúmeros documentos relativos ao período mencionado. Despacho Decisório A autoridade fiscal afirma que a contribuinte deixou de apresentar livros contábeis, arquivos digitais, notas fiscais e outros documentos exigidos, a despeito do longo tempo decorrido desde a primeira intimação, destacando que a sua boafé não é o suficiente para afastar a responsabilidade por infrações tributárias. Em decorrência da não apresentação dos documentos solicitados e com base no art. 530 do RIR/1999, entendeuse ser o caso de arbitramento do lucro da pessoa jurídica, tendo em vista que a ausência dos livros impede a apuração do lucro real. Ademais, argumentou que o fato de a contribuinte ter apresentado DIPJ, DCTF e Dacon não substitui a necessidade da escrituração fiscal e contábil. Ainda, por força do art. 8º, inciso II da Lei n. 10.637/2008, o mencionado arbitramento resulta na apuração do PIS pelo regime cumulativo, nos moldes prescritos pela Lei n. 9.718/1998. Nessa medida, pelo fato de a apuração do PIS no regime não cumulativo estar atrelada aos resultados obtidos terem como base o lucro real, não seria possível avaliar o pedido de ressarcimento dos valores da referida contribuição. Igualmente, a autoridade fiscal também questionou o valor probatório dos documentos apresentados pela contribuinte, haja vista não estarem lastreados por documentos hábeis e de natureza idônea, tais como notas fiscais e os livros contábeis originais. Com isso, o presente despacho decisório concluiu por não estar comprovado o direito creditório de PIS/Pasep Exportação no regime não cumulativo relativo ao 1º trimestre de 2005 por falta de comprovação documental contábil e fiscal válida, portanto, indeferiu o pedido de ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Em sede de sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega, em suma, que houve equívoco na conclusão da autoridade fiscal, principalmente quanto ao direito creditório do PIS/Pasep e o ressarcimento pleiteado. Atividades da empresa equiparadas à exportação Fl. 1622DF CARF MF Processo nº 10909.003979/200511 Acórdão n.º 3001000.617 S3C0T1 Fl. 1.622 3 Alega a manifestante que suas atividades de construção, conservação, modernização e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro (REB) são equiparadas à exportação, por força do art. 11, §9º da Lei n. 9.432/1997, de modo que teria direito ao creditamento do PIS/Pasep – Exportação. Aplicação equivocada do art. 530 do RIR/1999 A manifestante aduz ser indevida a utilização da regra do art. 530 do RIR/1999, que confere a possibilidade do Fisco arbitrar o lucro da pessoa jurídica quando esta não apresentar a escrituração fiscal, por conta de tal previsão ser permitida apenas para apuração do Imposto de Renda, não podendo ser utilizada para o PIS/Pasep. Outrossim, alega que deixou de apresentar a totalidade da documentação exigida por conta de caso fortuito ou de força maior, qual seja a enchente ocorrida na data de 22/11/2008, ocasião em que teria perdido grande parte de seu acervo escritural. Regularização da escrita fiscal e contábil A manifestante argumenta que, diferentemente do entendimento da autoridade administrativa, teria empreendido todos os esforços possíveis para refazer sua escrita fiscal e contábil e obtido êxito com relação aos livros registro de entradas, saídas, razão, diário e de apuração de IPI, restando, apenas, as notas fiscais de aquisição de insumos, que poderiam ter sido solicitados pela fiscalização através de intimação dos fornecedores da manifestante. Princípios da razoabilidade, proporcionalidade e verdade material Por fim, a manifestante alega ofensa aos princípios da razoabilidade, pela suposta dissonância entre a conduta prescritiva da legislação e aplicação da mesma pela autoridade fiscal, além de violação ao princípio da verdade material, por entender que não foram empreendidos todos os meios possíveis para a busca do esclarecimento da realidade dos fatos. DRJ/FNS A manifestação de inconformidade foi julgada e recebeu a seguinte ementa: Acórdão 0721.294 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. As diligências, passíveis de serem promovidas em sede apreciação administrativa, não se destinam a suprir a omissão na produção da prova por parte daquele a Fl. 1623DF CARF MF 4 quem tal ônus incumbia, mas apenas à dirimição de dúvidas pontuais acerca dos elementos de prova trazidos aos autos. O relatório, por bem retratar a realidade fática dos autos, merece ser transcrito. Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos relativos à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) Exportação. Em análise do pleito repetitório apresentado, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Itajaí/SC entendeu de indeferilo. em razão de a contribuinte não ter comprovado o alegado direito creditório. É que a contribuinte, intimada e reintimada a apresentar os comprovantes respectivos, não o fez, limitandose a alegar a impossibilidade de apresentálos em face: (a) de a escrituração digital ter sido terceirizada no período exigido, somado à incapacidade de geração dos arquivos pelo sistema eletrônico de processamento de dados, o que teria resultado na impossibilidade de gerar os arquivos digitais padronizados; e (b) da enchente ocorrida em 22/11/2008, que destruiu grande parte dos documentos fiscais relativos ao período (livros originais e notas fiscais). Irresignada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte, por meio de seu procurador legal, manifestação de inconformidade na qual expõe suas razões. Depois de fazer digressões acerca de seu direito ao ressarcimento de créditos vinculados a operações equiparadas à exportação (operações de construção, conservação, modernização e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro — REB), argumenta a contribuinte que seu direito creditório teria sido denegado pela DRF/Itajaí/SC em razão de que, na ausência de escrituração contábilfiscal. estaria a pleiteante sujeita à apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica pelo lucro arbitrado e, portanto, à apuração das contribuições sociais (PIS e Cofins) pelo regime da cumulatividade, o que resultaria na inexistência de créditos a serem ressarcidos. Entende que tal medida é ilegal, pois extrapola os limites da questão objeto do presente processo. Na seqüência, afirma a contribuinte que a falta de apresentação dos documentos solicitados "não se deu por mera deliberação da Contribuinte, e sim pela ocorrência de um caso fortuito ou de força maior, qual seja, a enchente ocorrida na data de 22/11/2008, a qual assolou toda a região do médio vale catarinense. Na oportunidade. toda a documentação contábil e comercial foi afetada, não restando documentação qualquer que pudesse ser aproveitada. A seguir, alega a contribuinte que, depois das intimações fiscais, recompôs sua escrituração fiscal, e que só restaram não apresentadas "as notas fiscais de aquisições de insumos. que realmente se perderam em sua totalidade na enchente de novembro/2008". Fl. 1624DF CARF MF Processo nº 10909.003979/200511 Acórdão n.º 3001000.617 S3C0T1 Fl. 1.623 5 Argumenta a contribuinte, ainda, "que a DRF Itajaí não cumpriu com todos os meios possíveis para se verificar a legitimidade do crédito pleiteado. Dizse isso, pois poderia o órgão físcalizador ter intimado os fornecedores da Manifestante, de modo que restaria comprovado as aquisições efetuadas, e conseqüentemente o crédito solicitado". Alega a contribuinte, também, que o entendimento fiscal afronta o princípio da razoabilidade. por não ter estabelecido uma relação racional entre a finalidade normativa e a conduta administrativa. Por fim, afirma que em razão do princípio da verdade material, teria a autoridade fiscal o dever de buscar a verdade real, garantindo a legalidade da atuação administrativa. Demanda a contribuinte, assim, pelo deferimento integral de seu pedido de ressarcimento. Quanto ao argumento da manifestante de que a autoridade fiscal teria utilizado a regra apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica pelo lucro arbitrado e, consequentemente, do PIS/COFINS pelo regime cumulativo, como principal razão de decidir, a DRJ/FNS rejeitouo, esclarecendo que tal circunstância foi utilizada de forma subsidiária, sendo o motivo principal do indeferimento do pedido de ressarcimento a falta de apresentação de documentação fiscal e contábil válida para possibilitar a averiguação do direito de crédito do tributo, assim como do cálculo dos valores pleiteados. Acrescentou que o ônus probatório para comprovar o pedido de ressarcimento é da manifestante, que não foi capaz de embasar o suposto direito aos créditos de PIS/Pasep – Exportação que ensejariam o recebimento dos valores pleiteados, não sendo possível, desse modo, a alegação de destruição dos livros contábeis e das notas fiscais por conta da enchente sofrida. Além disso, careceria de base legal o argumento acerca da obrigação da administração tributária de intimar os fornecedores para apresentarem as notas fiscais de insumos, posto que elas deveriam ter sido trazidas pela manifestante. Já em relação à suposta ofensa aos princípios da razoabilidade e da busca pela verdade material, a DRJ/FNS entendeu que os referidos postulados não são capazes de atribuir ao Fisco ou ao julgador o ônus probatório, o qual remanesce com a manifestante, que deixou de comprovar o alegado direito creditório. Isso posto, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o despacho decisório. Recurso Voluntário Após relatar brevemente os eventos fáticos transcorridos, a recorrente repete os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, quais sejam: Atividades da empresa equiparadas à exportação A recorrente aduz que suas atividades de construção, conservação, modernização e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Fl. 1625DF CARF MF 6 Brasileiro (REB) equiparamse à exportação, por força do art. 11, §9º da Lei n. 9.432/1997, de modo que seria detentora do direito de créditos do PIS/Pasep – Exportação. Aplicação equivocada do art. 530 do RIR/1999 Argumenta que a utilização da regra do art. 530 do RIR/1999, que confere a possibilidade do Fisco arbitrar o lucro da pessoa jurídica quando esta não apresentar a escrituração fiscal, seria equivocada, tendo em vista a tal entendimento ser possível apenas para apuração do Imposto de Renda, não se permitindo a sua utilização para o PIS/Pasep. Ademais, alega que deixou de apresentar a totalidade da documentação exigida pela RFB por conta do caso fortuito ou de força maior caracterizado pela enchente ocorrida na data de 22/11/2008, momento em que teria perdido grande parte de seus livros fiscais e contábeis, além das notas fiscais de aquisição de insumos. Regularização da escrita fiscal e contábil A recorrente defende que, ao contrário do que entendeu a autoridade fiscal e do que decidiu a DRJ/FNS, teria empreendido todos os esforços possíveis para refazer sua escrita fiscal e contábil, sendo bem sucedida em recuperar o conteúdo dos livros de registro de entradas, saídas, razão, diário e de apuração de IPI, faltando, tão somente, as notas fiscais de aquisição de insumos, as quais poderiam ter sido solicitados pela fiscalização através de intimação dos fornecedores da recorrente. Princípios da razoabilidade, proporcionalidade e verdade material Finalmente, a recorrente alega ter havido violação aos princípios da razoabilidade, pela suposta incoerência entre a conduta prescritiva da legislação e a aplicação da mesma pela autoridade fiscal, além de ofensa ao princípio da verdade material, em decorrência de não terem sido utilizados todos os meios possíveis para a busca da averiguação da exatidão dos fatos. Aditamento ao Recurso Voluntário Por fim, a recorrente apresentou aditamento ao recurso voluntário na data de 13/10/2011, tendo realizado a juntada de documentos. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou improcedente o Pedido de Ressarcimento de PIS/Pasep Exportação de incidência não cumulativa. Admissibilidade do Recurso A contribuinte teve ciência do acórdão de manifestação de inconformidade em 01.11.2010, conforme Aviso de Recebimento AR, fl. 217, nos termos do inciso II do Fl. 1626DF CARF MF Processo nº 10909.003979/200511 Acórdão n.º 3001000.617 S3C0T1 Fl. 1.624 7 parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subsequente, conforme artigo 5º, também do PAF. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Verificase, pois, que a recorrente apresentou o competente Recurso Voluntário em 01.12.2010, conforme comprova o carimbo da DRF JOIVILLE, logo, o recurso apresentado é tempestivo ao prazo legal estabelecido no artigo 56 do PAF: Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. Por fim, observo que, em conformidade com o art. 23B do Anexo II da Portaria MF n° 343 de 2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF), este colegiado é competente para apreciar o feito, tendo em vista que o valor do litígio está dentro do limite estabelecido pelo dispositivo. DOS FATOS Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS Exportação de incidência não cumulativa, referente ao período de apuração 07 a 09/2005 (3° trimestre de 2005). O pedido está lastreado em créditos obtidos na aquisição de insumos e prestação de serviços de construção, conservação, modernização e reparo de embarcações pré registradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro (REB), equiparadas à exportação, por força do art. 11, §9º da Lei n. 9.432/1997. O direito creditório foi negado pelos órgãos “a quo”, que indeferiram o pedido de ressarcimento pelos argumentos tratados no Relatório acima. Diante disso, a recorrente busca o reconhecimento de créditos na monta de R$ 29.705,43. Argumentos trazidos neste Recurso Voluntário As atividades da empresa equiparadas à exportação, Aplicação equivocada do art. 530 do RIR/1999, Regularização da escrita fiscal e contábil Princípios da razoabilidade, proporcionalidade, caso fortuito e verdade material Análise dos Fundamentos legais invocados Atividades da empresa equiparadas à exportação Acerca de todo o exposto, é de se concluir pelo incontestável direito da contribuinte ao ressarcimento dos valores oriundos de créditos decorrentes da aquisição de insumos para utilização em operações equiparadas à exportação. Tal é o que ocorre com a contribuinte, pois efetivamente subsume suas atividades, que são voltadas ao reparo e construções de embarcações inscritas no REB, equiparadas à exportaçao, conforme se verifica na legislação. Fl. 1627DF CARF MF 8 Foram acostados aos autos, Certificados de Registro Especial Brasileiro em fls. 152 e ss, que comprovam a regular inscrição da recorrente, fazendo jus à equiparação. Registro Especial Brasileiro REB Lei 9.432/97: Art. 11. É instituído o Registro Especial Brasileiro REB, no qual poderão ser registradas embarcações brasileiras, operadas por empresas brasileiras de navegação. (...) § 9 A construção, a conservação, a modernização e o reparo de embarcações préregistradas ou registradas no REB serão, para todos os efeitos legais e fiscais, equiparadas à operação de exportação. O tratamento tributário concedido às exportações, no que tange à legislação da Cofins, está expresso abaixo, e leva à inarredável conclusão pela não incidência da contribuição sobre as receitas da recorrente. Seguese: COFINS Exportação Lei 10 833/03 Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (Produção de efeito) I exportação de mercadorias para o exterior; Caso Fortuito Decorrência da Enchente Assim procedeu ao depararse com a peculiar situação da contribuinte, a qual fora vítima de evento climático, conforme se comprova do documento anexo em fls. 129 destes autos, produzido pela SECRETARIA DE ESTADO DA SEGURANÇA PÚBLICA E DEFESA DO CIDADAO, denominado PERDA DE DOCUMENTO OU OBJETO, com os seguintes dizeres no campo OBJETOS ENVOLVIDOS: Documento diverso (Nota Fiscal); e, por fim, no campo RELATO, os seguintes dizeres: Relata nos a comunicante que a empresa citada acima foi atingida pela enchente na data pré citada cornprovante que houve perdas de documentos, Livros Fiscais Movimentos Financeiros_Notas fiscais. Documentos I 1mportação, Notas Fiscais de Saída Notas de Serviços, Dec1arações de Impostos Fichas de Registro de Fú|ncionários, Re1ação de Folha de Pagamentos,Contra Cheques,Caged, Sefip, Recisões de Compra. e Documentos Diversos,e1a relata que somente restou a documentação em anexo. Este é o Relato. Em fls. 131, existe relação dos documentos que permaneceram intactos. E, em relação à ausência de documento, a decisão de primeira instância houve por bem indeferir o pleito por ausência de comprovação. Reparese os fundamentos do voto condutor do aresto: É importante ressaltar, igualmente, que não se exime a contribuinte da comprovação da existência dos créditos em face da comprovada ocorrência de eventos como o por ela citado. qual seja a destruição de documentos em razão de enchente que atingiu seu estabelecimento. Em verdade, o sinistro pode atenuar a responsabilidade da contribuinte no âmbito de questões tributárias que envolvam a aferição do componente subjetivo (que via de regra se associam a qualificação de penalidades), mas não é meio de supressão da responsabilidade de comprovar, por exemplo, a existência de direito creditório. Fl. 1628DF CARF MF Processo nº 10909.003979/200511 Acórdão n.º 3001000.617 S3C0T1 Fl. 1.625 9 De outro lado, o sinistro também não exime a responsabilidade de apurar e recolher os tributos devidos; por exemplo. a destruição da escrituração, em regra, demanda a tributação por meio do lucro arbitrado, e não a dispensa da obrigação de tributar por impossibilidade de justificar operações com terceiros, por exemplo. Deste modo, repitase. que justifica o indeferimento do direito creditório é, acima de qualquer outra coisa, aquilo que, justamente a contribuinte, afirma ter ocorrido: a não apresentação das “notas fiscais de aquisições de insumos, que realmente se perderam em sua totalidade na enchente de novembro/2008”. Não existindo justamente os documentos fiscais que dão fundamento aos creditos pleiteados, não ha mesmo como deferirse o ressarcimento. A princípio, correto o entendimento da autoridade julgadora em primeira instância, uma vez que o ônus probatória da existência do crédito, como amplamente noticiado pelas decisões deste CARF, cabem ao contribuinte. Observese a seguinte decisão proferida sobre o tema em debate: Acórdão nº 1803000.688 ARBITRAMENTO DOS LUCROS. DETERIORAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. CASO FORTUITO. FORÇA MAIOR. A alegação de deterioração dos livros e documentos, devido a caso fortuito ou força maior, não afasta a tributação com base em arbitramento do lucro, uma vez que, nessa situação, quando não efetivamente comprovado o extravio ou tentada a reconstituição da escrita, esta é a forma legal que permite, ao fisco, aferir o montante tributável. Contudo, a recorrente, em seu Recurso Voluntário, expressamente assevera que empreendeu a atividade de reconstrução e recuperação de parte considerável de sua escrita contábil e fiscal, conforme se denota do excerto abaixo: teria empreendido todos os esforços possíveis para refazer sua escrita fiscal e contábil, sendo bem sucedida em recuperar o conteúdo dos livros de registro de entradas, saídas, razão, diário e de apuração de IPI, faltando, tão somente, as notas fiscais de aquisição de insumos, as quais poderiam ter sido solicitados pela fiscalização através de intimação dos fornecedores da recorrente Desta forma, a fim de satisfazer a verdade material perseguida neste PAF Ainda, destacou em seu Recurso Voluntário, que logrou obter o refazimento dos seguintes documentos: Livro Registro de Entradas; Livro Registro de Saídas; Livro Razão; Livro Diario; Livro Apuração de IPI. Fl. 1629DF CARF MF 10 Diante do exposto, ou seja, da configuração das atividades da recorrente conforme o regramento trazido pelo REB e sua equiparação, para fins tributários, à atividade de exportação, e , as recentes notícias sobre a possibilidade de averiguação probatória a fim de legitimar a tomada de crédito por parte da contribuinte, razoável se faz a conversão em diligência, a fim de tornar possível a elucidação e quantificação dos valores tomados. Momento da Apresentação da Prova O tema de instrução probatória, em especial, o momento da apresentação da documentação para comprovação dos eventos ocorridos, é assunto controverso, com critérios em definição, atentando, assim, à necessária segurança jurídica que deve tornear a relação fisco contribuinte. Este CARF tem encaminhado a juntada posterior de provas de acordo com o padrão dos indicativos e evidências postas ao longo do processo administrativo. A seguir, exemplo de decisão na qual o rigorismo temporal fora relativizado em razão de documento obtido em momento posterior, caso portanto, análogo ao presente, no qual existe a intenção da recorrente, em comprovar seus créditos levados à compensação, com os documentos acima mencionados. Seguese: Acórdão 3402003.196 PARECER TÉCNICO. JUNTADA APÓS APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE A juntada de parecer pelo contribuinte após a interposição de Recurso Voluntário é admissível. O disposto nos artigos 16, §4º e 17, ambos do Decreto nº 70.235/1972 não pode ser interpretado de forma literal, mas, ao contrário, deve ser lido de forma sistêmica e de modo a contextualizar tais disposições no universo do processo administrativo tributário, onde vige a busca pela verdade material, a qual é aqui entendida como flexibilização procedimental probatória. Ademais, consoante menciona do ilustre Conselheiro Diego Diniz, relator aqui homenageado, por determina que a juntada a posterior, está em perfeita sintonia com o princípio da cooperação, capitulado no art. 6o do novo CPC, o qual se aplica subsidiariamente no processo administrativo tributário. Em havendo, portanto, desconexão entre os critérios interpretativos, e, em momento processual administrativo recursal, se faz possível, como se tem entendido aqui, abrir a possibilidade de o contribuinte, corretamente e de acordo com os critérios aceitos pela autoridade fazendária, comprovar a existência do crédito, tal alternativa deve ser posta em prática. Em sendo assim, deve o Estado aceitar esta complementação da prova, a fim de satisfazer aos seus próprios critérios. Vejase, não há oportunização para apresentação de prova; mas sim, oportunização para complementação de prova, haja vista, pela percepção do contribuinte, ter havido entendido que, com a disponibilização dos documentos conforme o fez, estaria sanada a exigência. Confirase a lição do Conselheiro Cássio Schappo: Ressaltese, ademais, que a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, através do Acórdão 9303005.065, de 16 de maio de 2017 (fls. 654/664), deu provimento ao Recurso Fl. 1630DF CARF MF Processo nº 10909.003979/200511 Acórdão n.º 3001000.617 S3C0T1 Fl. 1.626 11 Especial do contribuinte, "com o retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo" (fls. 655), e para determinar "o envio dos autos à câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de Recurso voluntário" (fls. 659), pelos argumentos sintetizados na seguinte ementa (fls. 654), verbis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Data do fato gerador: 24.04.2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso especial do contribuinte provido Dos meios aptos à comprovação Os meios aptos à comprovação do crédito pleiteado, vem sendo delineado pela jurisprudência administrativa. Segue a orientação: Acórdão 3301001.985 DCTF RETIFICAÇÃO LIVRO APURAÇÃO DE ICMS E DIPJ PROVA A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam, ainda que na forma resumida para os contribuintes que optam pela apuração do lucro na forma presumida, não sendo admitida a mera apresentação de DIPJ, cuja natureza é meramente informativa, entretanto, uma vez apresentado o Livro Apuração de ICMS verificase a possibilidade de comprovação Do momento da para a apresentação dos documentos Uma vez definidos os meios de Fl. 1631DF CARF MF 12 comprovação do Erro material, urge delimitar os aspectos temporais para a aceitação de documentos. Para o bem da relação fisco contribuinte, o rigor formal da primeira leitura do critério temporal, no qual o momento adequado, esgotariase com o transcurso do prazo da apresentação da manifestação de inconformidade, estaria sendo abrandado, conforme entendimento abaixo exposto, no qual documentos acostados após a apresentação de recurso voluntário seriam ainda aceitos. Das Conversões em Diligência A práxis processual administrativa considerada como apta à comprovação da existência do crédito tributário, vem sofrendo, conforme se demonstrou, diverso tratamento ao longo do tema, variando desde posições mais formalistas, na qual não há a possibilidade de apreciação de documentos após o protocolo da manifestação de inconformidade, da qual, repitase, este conselheiro já fora adepto. Em evolução, demonstrouse que, além de polêmico, o tema vem se alterando para a aceitação de documentos após o Recurso Voluntário, até o entendimento atual, cuja compreensão se encontra na Resolução 3001000.020, de relatoria do Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, que converteu o julgamento do caso em diligência nos seguintes termos: O recorrente apresentou DCTF e Dacon retificadora, informando este fato quando da apresentação da manifestação de inconformidade. No seu entender, com a apresentação dessas declarações retificadora estaria sanada a irregularidade apontada no despacho decisório. Entretanto, o acórdão recorrido manteve o indeferimento do pedido de compensação sob o argumento de que o interessado não apresentou qualquer elemento contábil que demonstrasse ter havido pagamento a maior ou indevido e, deste modo, o recorrente não comprovou a liquidez e certeza do crédito informado na DComp em questão. Portanto, em síntese, o fundamento da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante satisfatória (escrituração contábilfiscal) que corroborasse as informações apresentadas, notadamente, na DCTF retificadora. O interessado, quando da apresentação do recurso voluntário, afirma, com suas próprias palavras, que houve erro quando do preenchimento da DCTF, razão pela qual apresentou a retificadora da DCTF, juntamente com a Dacon, e, no seu entender, seria suficiente para a solução do litígio uma vez que o fundamento do despacho decisório seria apenas a inexistência de débito. Como o acórdão recorrido proferido pela 1ª Turma da DRJ/JFA indeferiu sua manifestação de inconformidade, agora pela falta de apresentação de documentação probante que demonstrasse o seu direito, o recorrente apresentou esses documentos, que entende serem suficientes para a devida comprovação do direito à compensação solicitada. Requer a realização de diligência para o esclarecimento acerca do crédito compensado, caso entendase necessário. Fl. 1632DF CARF MF Processo nº 10909.003979/200511 Acórdão n.º 3001000.617 S3C0T1 Fl. 1.627 13 Assim, tem se encaminhado, nestes casos, oportunizar, ao recorrente, a apresentação dos documentos necessários à demonstração da origem do crédito, pois, conforme descrito na resolução de conversão em diligência: Pois bem. Entendo que há razoável dúvida quanto à certeza e liquidez dos alegados direitos ao crédito que o recorrente pretende compensar. É certo que é condição indispensável à compensação de tributos a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170A da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). Necessário, neste sentido, a comprovação cabal da existência desses supostos créditos, o que pode ser demonstrados com base na análise da documentação contábil fiscal do contribuinte. Deste modo, visando propiciar a ampla oportunidade para o recorrente esclarecer e comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, concluo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência Desta Proposta de Conversão em Diligência O tema trazido aos autos referese ao julgamento da validade dos créditos solicitados em razão da atividade da requerente equiparar se à exportação. Entretanto, há, no caso, tópico fático peculiar, qual seja, a ocorrência de evento climático cujo resultado fora a perda de grande parte da documentação da empresa ora recorrente. Portanto, com base no artigo 29 do Decreto 70.235/72, proponho a conversão deste processo em diligência para oportunizar a juntada e análise da documentação em comento: Decreto 70.235/72 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Sustentase, também, esta proposta de diligência na Decreto 7.475, vez que os artigos abaixo colacionados ressaltam o dever de diligência da autoridade julgadora no tocante ao exame das provas. Decreto 7.475 DO EXAME DE LIVROS E DE DOCUMENTOS Art. 17. Para o efeito da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos empresários e das sociedades, ou da obrigação destes de exibi los CAPÍTULO V DAS PROVAS Art. 24. São hábeis para comprovar a verdade dos fatos todos os meios de prova admitidos em direito Por este motivo, ante a Fl. 1633DF CARF MF 14 alegada existência de recuperação dos documentos que comprovem, ou que possam auxiliar na evidência de elementos indevidos acrescidos à base de cálculo ora em formação, ou seja, valores equiparados à exportação, justificase a conversão em diligência. Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36). Art. 29. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias Como expresso em votos anteriores, alterei meu entendimento pela preclusão da juntada de documentos fora dos limites temporais da impugnação. Neste caso, o tema tornase mais evidente, haja vista que a recorrente não obteu êxito na juntada de provas a seu favor, em decorrência de grave enchente que notoriamente assolou a região de domicílio da contribuinte. Neste sentido, trazse à colação, o disposto no artigo 435 do NCPC/15 Art. 435. É lícito às partes, em qualquer tempo, juntar aos autos documentos novos, quando destinados a fazer prova de fatos ocorridos depois dos articulados ou para contrapôlos aos que foram produzidos nos autos. Parágrafo único. Admitese também a juntada posterior de documentos formados após a petição inicial ou a contestação, bem como dos que se tornaram conhecidos, acessíveis ou disponíveis após esses atos, cabendo à parte que os produzir comprovar o motivo que a impediu de juntálos anteriormente e incumbindo ao juiz, em qualquer caso, avaliar a conduta da parte de acordo com o art. 5o. Portanto, ante a tema que, por um lado, indica a existência de crédito por parte do contribuinte, mas por alegado motivo de força maior, esbarra a análise da dificuldade em construir o lastro probatório, fazse justiça ao pleito em perfazimento à orientação acima exposta, e por entender que este PAF não se encontra em condições de julgamento, propor sua conversão em diligência para intimar a recorrente a apresentar o refazimento dos livros de registro de entradas, saídas, razão, diário e de apuração de IPI. Sobre as notas fiscais de aquisição de insumos, proceda a intimação aos fornecedores da recorrente, para que estas apresentem as respectivas notas fiscais de venda acompanhadas dos competentes comprovantes de entrega dos insumos para, assim, proceder ao refazimento de sua sua escrita fiscal e contábil, recuperando o conteúdo dos livros de registro de entradas, saídas, razão, diário e de apuração de IPI, para fins de determinar os valores equiparados a exportação e, assim, demonstrar a legitimidade de seu crédito. Após a autoridade preparadora deverá preparar relatório, minudente e concludente, acerca da formação do crédito decorrente da equiparação das atividades à exportação. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Fl. 1634DF CARF MF Processo nº 10909.003979/200511 Acórdão n.º 3001000.617 S3C0T1 Fl. 1.628 15 Vencida a proposta de conversão em diligência, no mérito, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Voto Vencedor Conselheiro Orlando Rutigliani Berri Redator Designado Preâmbulo Com a devida licença aos I. Conselheiros Relator e Francisco Martins Leite Cavalcante, que entenderam que o caso sob exame é passível de conversão do julgamento do recurso voluntário em diligência, tanto que a propuseram de ofício, posto que não tal intento não foi suscitado pelo recorrente, passo a seguir e resumidamente esclarecer meu entendimento contrário. Da desnecessidade da diligência De plano, entendo que todos os elementos necessários à formação da convicção deste Colegiado encontramse presentes nos autos; neste sentido cabe citar o artigo 18 do Decreto 70.235 de 06.03.1972, que dispõe que a "autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis". Esclareço que, não obstante referido dispositivo faz referência ao colegiado de primeira instância, entendo também aplicável a esta instância recursal diante de eventual necessidade de esclarecimento de fatos necessários ao julgamento da lide, o que, como já mencionei, não ocorre no presente caso. Da fundamentação O caso sob exame perpassa a questão que diz respeito à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas, cuja delimitação do respectivo ônus depende a definição da maior parcela das responsabilidades na relação jurídicotributária. Nesse contexto, é fato que a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, tratam do princípio fundamental do direito probatório, segundo o qual "quem acusa e/ou alega deve provar", obrigação, digase, que abarca tanto a autoridade fiscal, relativamente à demonstração da infração ensejadora do ilícito tributário, a teor do prescrito na parte final do caput do artigo 9º do Decreto nº 70.235 de 1972, quando determina que os autos de infração e notificações de lançamento “deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”, quanto o contribuinte, cuja mesma legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, conforme dispõe o inciso III do artigo 16 do referido diploma legal, ao determinar que a impugnação conterá "os motivos de Fl. 1635DF CARF MF 16 fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Porém, o caso sob exame é de repetição de indébito, impondose, entretanto, algumas modificações, como a veremos a seguir. É entendimento comezinho que nos casos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é dever do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito, exigindose deste a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prérequisito ao conhecimento do pleito. Ou seja, por óbvio, documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito; pois sem referida evidenciação, o pedido repetitório resta prejudicado na sua origem. Não se duvide que as normas acima mencionadas, prevêem a realização de diligências e mesmo perícias, por parte da autoridade fiscal, destinadas à verificação da exatidão das informações trazidas pelos sujeitos passivos, mas é preciso deixar evidenciado que referida previsão não se presta para suprir o ônus da prova que incumbe as partes, posto que seu escopo é de ver elucidadas questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/recorrente; em outros termos, as diligências servem para esclarecer dúvidas específicas, e não para determinar que a autoridade fiscal competente, diante da falta de comprovação da existência de determinado crédito, venha suprir obrigação que cabia ao contribuinte. Em regra, no caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, ao contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, muitas vezes está associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que o respaldem. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar seu registro (escrituração formal e legal), mas também indicar a que documentos este está associado; bem como é de fundamental importância, neste contexto, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja objetiva e clara suficiente para possibilitar a perfeita caracterização do negócio que pretende demonstrar como existente de fato. Logo, me filio àqueles que entende que não é tarefa do julgador, ainda mais de instância recursal, contextualizar os elementos de prova trazidos pelo contribuinte no caso de um pedido de restituição, compensação ou ressarcimento, tanto quanto não é contextualizar os elementos de prova trazidos pela autoridade fiscal no âmbito de um lançamento de oficio; pois como já explanado, quem acusa deve provar, contextualizando os elementos de prova que evidenciam a infração; da mesma forma, quem pleiteia repetição deve provar a existência do direito creditório, contextualizando os elementos e prova que evidenciam o indébito. Respaldado no entendimento acima expresso que convém salientar que não deve, diante de um pleito repetitório apresentado, a autoridade fiscal diligenciar para fins de verificar, de oficio, a existência do crédito pleiteado; pois as normas regulamentares de regência da matéria faculta é a situação segundo a qual apresentado o pedido e constatado que o contribuinte, por exemplo, demonstrou, por documentos e registros contábeis individualmente associados, a origem dos créditos pleiteados, pode a autoridade fiscal, se dúvidas remanescerem em relação a questões pontuais, demandar por diligências para dirimir tais questões duvidosas, e não transferir para a autoridade fiscal ou para o julgador administrativo a responsabilidade pela produção probatória atribuída originariamente ao sujeito passivo no caso dos pedidos de repetição de indébito. E é, com a devida vênia, isso que ocorreria nestes autos, se fosse acatada e, por consequência, promovida a diligência proposta; pois, a meu ver, tal promoção, da forma como pretendida, serviria para suprir irregularmente a Fl. 1636DF CARF MF Processo nº 10909.003979/200511 Acórdão n.º 3001000.617 S3C0T1 Fl. 1.629 17 omissão do contribuinte, o que não é processualmente admissível, na medida em que o contribuinte é quem deveria ter envidado esforço para comprovar/demonstrar/evidenciar que seu pleito é factível. Dito isto, convém também trazer à discussão o recorrente tema que povoa as peças recursais, qual seja, o da verdade material. É "lugar comum" as assertivas defensivas pautadas no chamado "princípio da verdade material", segundo o qual é dever da autoridade fiscal a busca da verdade real; nesse passo, cabe elucidar que não obstante o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada prejudica o que se expôs alhures. É dizer, referido princípio a busca da verdade que ultrapassa a "verdade" dos fatos alegados pelas partes, mas para obter êxito em tal desiderato impõese que referida "busca" ocorra num ambiente em que, efetivamente, as partes atuem proativamente no sentido do cumprimento do seu onus probundi. De outra forma dizendo, este princípio dirigese mais especificamente ao julgador administrativo, autorizandoo a ir para além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando estes elementos induzem à suspeição segundo a qual determinados fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte alega, mas de uma outra qualquer, na medida em que, como sabese, o julgador não está vinculado às versões das partes. Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar, in casu, ao sujeito passivo recorrente, que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de transferir para a autoridade fiscal que analisa seu pleito repetitório, a obrigação por produzir prova que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pedido desde sua formalização inicial. Ainda de outro modo dizendo, da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é razoável se aceitar que um pleito, in casu, repetitório, seja proposto sem a minuciosa demonstração e comprovação da existência do indébito. Por fim, cabeme evidenciar, relativamente quanto aos documentos e feitos que o nobre Relator visa obter com sua proposta de diligência à autoridade fiscal competente, que a teor da legislação tributária, o que faz prova a favor do sujeito é, ex vi do artigo 923 do RIR de 1999, a escrituração mantida com observância das disposições legais, acompanhada dos documentos hábeis que atestem a ocorrência dos fatos nelas registrados; pois, eventual escrituração contábilfiscal, efetuada sem base nos documentos que lhe dão suporte, é incapaz de atestar o que quer que seja, o que, por si só, torna impossível a aferição da existência de quaisquer créditos. É como penso. Da conclusão Com base em tais considerações, relativamente ao presente voto vencedor, decidiu o Colegiado, por voto de qualidade, por rejeitar a proposta de diligência aventada, de ofício, pelo Relator. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 1637DF CARF MF 18 Fl. 1638DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.914765/2008-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.523
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.158-35/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste-se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifeste-se em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 14 76 5/ 20 08 -8 0 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10880.914765/200880 Resolução nº 3401001.523 S3C4T1 Fl. 121 2 Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP), invocando crédito de COFINS, indeferido por meio de Despacho Decisório Eletrônico (DDE), por estar o pagamento indicado como indevido sendo utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Na Manifestação de Inconformidade, alega a empresa que: (a) realizou exportação de serviços que resultaram em ingresso de divisas para o Brasil, classificadas como receitas decorrentes de exportação, documentadas em nota fiscal, amparada em contrato de câmbio (não incidindo PIS e COFINS sobre tal rubrica, conforme art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e art. 6o, II da Lei no 10.833/2003); (b) realizou apuração mensal da COFINS sobre o total de suas receitas, ou seja, incluiu indevidamente na base de cálculo as referidas receitas de exportação; (c) o erro foi verificado pela empresa posteriormente, o que ensejou o pedido, tendo sido retificada a DCTF após o Despacho Decisório, o que ensejou o não reconhecimento do crédito e a não homologação da compensação; e (d) em nome da verdade material, requer que seja reconhecido o crédito. Como prova do direito ao crédito, junta Nota Fiscal, Contrato de Câmbio e DCTF retificadora e DCOMP. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) os valores declarados em DCTF constituem confissão de dívida, conforme art. 5o do DecretoLei no 2.124/1984; e (b) a compensação com utilização de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito, impondose a apresentação de documentação hábil e idônea, bem como da escrituração contábil e/ou fiscal, do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário, não bastando a documentação apresentada. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta Recurso Voluntário, basicamente reiterando as razões externadas em sua manifestação de inconformidade, e agregando que o simples indeferimento, pela DRJ, ao invés da conversão em diligência, afrontou a verdade material, principio prestigiado pelo CARF, e que juntou ao recurso ainda o Livro Diário do Exercício correspondente ao período (cópia ilegível com algumas folhas de pontacabeça), para comprovar a entrada das divisas oriundas da exportação e serviços, única receita do período de apuração, comprovando seu direito. É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10880.914765/200880 Resolução nº 3401001.523 S3C4T1 Fl. 122 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.521, de 22 de outubro de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.914766/200824, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.521 "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Resta verificar se as alegações de defesa são aptas a comprovar o direito de crédito da empresa. Isso porque nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, como reiteradamente decidindo, de forma unânime, este CARF: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403 002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.914765/200880 Resolução nº 3401001.523 S3C4T1 Fl. 123 4 “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos relativos a ressarcimento tributário, incumbe ao postulante ao crédito o dever de comprovar efetivamente seu direito.” (Acórdãos 3401004.450 a 452, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes, sessão de 22.mar.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado”. (Acórdão 3401004.923 – paradigma, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, unânime, sessão de 21.mai.2018) No presente processo, a recorrente alega, ainda em sua manifestação de inconformidade, que, por lapso seu, não houve a correção da DCTF para constar o valor efetivamente devido, mas que o crédito efetivamente existe, e deriva de cômputo incorreto de receita de exportação de serviços, documentadas em nota fiscal, e amparadas em contrato de câmbio. E junta, além de nota fiscal e contrato de câmbio, a DCTF retificadora do primeiro trimestre de 2000, transmitida em 02/09/2008, e DCOMP correspondente. Observando a nota fiscal de serviços (fl. 23), percebese trata de “serviço de representação comercial prestado no mês”, a empresa estrangeira, e que o valor corresponde ao do contrato de câmbio (R$ 12.369,00 – US$ 7.000,00). A DRJ, entendendo ser a documentação apresentada insuficiente para provar o alegado pela postulante ao crédito, indefere o pleito, chegando a aclarar, exemplificativamente, quais seriam as possíveis provas de amparo ao crédito: “...nos pedidos de repetição de indébitos e de compensação é do contribuinte o ônus de demonstrar de forma cabal e específica seu direito creditório. A compensação com utilização de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito, impondose a apresentação de documentação hábil e idônea, bem como da escrituração contábil e/ou fiscal, do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário (...) Portanto, diante desta situação, não basta o contribuinte anexar aos autos apenas a cópia da Nota Fiscal de Serviços e o Contrato de Câmbio alegando que tais documentos comprovam o erro ocorrido no preenchimento da DCTF, ou seja, que realizou a apuração mensal do COFINS sobre o Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10880.914765/200880 Resolução nº 3401001.523 S3C4T1 Fl. 124 5 total de suas receitas, incluindo indevidamente na base de cálculo desta contribuição os valores recebidos a título de serviços prestados a pessoa jurídica domiciliada no exterior (...). Para que se faça valer o princípio da verdade material, no caso em tela, é imprescindível que se prove que o que foi anteriormente declarado, confessado e recolhido não condiz com a realidade, e mais, que o novo valor traduz fielmente o que seja verdadeiramente devido ante a legislação tributária aplicável, acompanhado, no caso, da correspondente documentação hábil e idônea com a devida escrituração fiscal e/ou contábil, o que não restou demonstrado nos autos. Portanto, os documentos por ela juntados e a apresentação de DCTF retificadora, neste momento do rito processual, após o despacho decisório, não são suficientes para fazer prova em favor do contribuinte, existindo a necessidade da apresentação da escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, e dos documentos que lhe dão sustentação, (...)” Entendemos que poderia a empresa, em sede de recurso voluntário, agregar a documentação suscitada pelo julgador de piso, em nome da verdade material, e com fundamento no próprio comando do art. 16, § 4o, “c”, do Decreto no 70.235/1972, principalmente pelo fato de até o julgamento de piso não ter havido efetiva análise fiscal humana da documentação, mas mero cotejo massivo e eletrônico de informações, por sistema informatizado. E a empresa, em seu recurso voluntário, apesar de considerar que a documentação apresentada à instância de piso era suficiente para o deferimento do crédito, e a consequente homologação da compensação, porque as divisas oriundas da exportação foram suas únicas receitas no período, parece mover esforço, ainda que mínimo, para juntar aos autos o Livro Diário do Exercício de 2000 (ao menos cópia ilegível com algumas folhas de pontacabeça, às fls. 86 a 93). O fato de a exportação de serviços espelhar a única receita no período, e de terem sido apresentados nota fiscal e contrato de câmbio em valores compatíveis, aliado à juntada de Livro Diário (ainda que ilegível e com páginas de pontacabeça, provavelmente por problemas de digitalização), e à inexistência de análise humana do direito de crédito nas instâncias anteriores, faz com que tenhamos cautela na análise do contencioso, movida pela dúvida em relação ao tema principal em discussão. Sobre a verdade material, bem ensina James MARINS que envolve não só o dever de investigação, por parte do fisco, mas o dever de colaboração, do sujeito passivo: “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10880.914765/200880 Resolução nº 3401001.523 S3C4T1 Fl. 125 6 aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.”1 Ao que tudo aponta, resta clara, ainda que tímida, nos autos, a vontade de colaborar por parte da empresa, que, por mais que entendesse suficientes os documentos apresentados na instância de piso, curvouse ao que entendeu julgador de piso também como importante, embora não tenha sido bem sucedida a digitalização do documento juntado (Livro Diário). Portanto, entendo que se faz necessária análise, em sede de diligência, da documentação apresentada, à luz da argumentação da recorrente, de que as referidas receitas, amparadas em nota fiscal e contrato de câmbio, seriam efetivamente decorrentes de exportação de serviços, para verificar se os valores correspondentes são compatíveis com a retificação efetuada (ainda que a destempo) da DCTF. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifestese, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, , para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva 1 Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial, 8. Ed., São Paulo: Dialética, p. 174. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10880.914765/200880 Resolução nº 3401001.523 S3C4T1 Fl. 126 7 existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 111DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.720167/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/02/2008
PRELIMINAR. NULIDADE DA GLOSA E DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade da glosa perpetrada nem da decisão atacada quando ambas são claras em precisar as circunstâncias fáticas e os fundamentos jurídicos que motivaram tais manifestações.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PIS E COFINS. PLANILHA COM VÁRIAS GLOSAS DE DIFERENTES PERÍODOS. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA.
Não há prejuízo à defesa se, diante de vários pedidos de compensação, a glosa é feita com base em um único documento que englobe todas as glosas, desde que o contribuinte possa, em cada processo individual, precisar qual o período do crédito em discussão e que deverá ser objeto de específica impugnação, exatamente como ocorre no presente caso.
Numero da decisão: 3402-005.842
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/02/2008 PRELIMINAR. NULIDADE DA GLOSA E DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade da glosa perpetrada nem da decisão atacada quando ambas são claras em precisar as circunstâncias fáticas e os fundamentos jurídicos que motivaram tais manifestações. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PIS E COFINS. PLANILHA COM VÁRIAS GLOSAS DE DIFERENTES PERÍODOS. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. Não há prejuízo à defesa se, diante de vários pedidos de compensação, a glosa é feita com base em um único documento que englobe todas as glosas, desde que o contribuinte possa, em cada processo individual, precisar qual o período do crédito em discussão e que deverá ser objeto de específica impugnação, exatamente como ocorre no presente caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 01 67 /2 00 9- 18 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10830.720167/200918 Acórdão n.º 3402005.842 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório A interessada transmitiu PER visando ressarcimento de crédito de contribuição não cumulativa na exportação, em razão de pagamento indevido ou a maior. Posteriormente apresentou DCOMP para compensar o crédito pleiteado com débitos próprios. A unidade de origem reconheceu parcialmente o crédito e homologou as compensações até o limite reconhecido. Diante da homologação parcial da compensação perpetrada, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, oportunidade em que alegou o que segue: (i) nulidade do procedimento administrativo; (ii) direito à compensação do crédito extemporâneo; e (iii) direito à apropriação do crédito sobre valores de aquisição de combustíveis (querosene) no período compreendido entre 10/2008 a 12/2008. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, conforme acórdão nº 09056.359. Diante deste quadro o contribuinte interpôs o recurso voluntário, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em sua manifestação de inconformidade, além de vindicar a nulidade da decisão proferida pela instância a quo. É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10830.720167/200918 Acórdão n.º 3402005.842 S3C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.825, de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.720143/200969, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.825): "I. Dos pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche parcialmente os demais pressupostos de admissibilidade, haja vista a sua falta de interesse de agir. 7. Isso porque o contribuinte se insurge contra a glosa aqui realizada fundamentandose nos seguintes termos: (i) direito a crédito na compra de combustível para aviação anteriores a lei n. 11.787/2008 e (ii) direito de usar créditos, ainda que extemporâneos. 8. Acontece que, no presente caso em particular, as glosas perpetradas não tocam tais questões. Aliás, no que tange à discussão dos créditos extemporâneos, assim se manifestou a decisão atacada: (...). Destaquese que, no tocante ao mérito, a contribuinte discute tão somente a glosa de crédito extemporâneo, específica para o período de apuração 03/2007, e a apropriação de crédito sobre valores de aquisição de combustíveis no período de 10/2008 à 12/2008. Assim, as glosas realizadas para períodos de apuração diferentes dos acima mencionados não foram contestadas, no tocante ao mérito. Como o período de apuração do crédito informado no PER aqui analisado se reporta ao 2º tri/2005 não houve, quanto ao mérito, instauração de litígio. (...). 9. O mesmo vale para a questão quanto à discussão de uma pretensa glosa de crédito na compra de combustível para aviação anteriores a lei n. 11.787/2008, o que demonstra a Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10830.720167/200918 Acórdão n.º 3402005.842 S3C4T2 Fl. 5 4 ausência de interesse recursal do contribuinte nos específicos tópicos aqui destacados. 10. Neste diapasão, deixo de conhecer parte do recurso voluntário interposto, mais precisamente o item III das suas razões recursais. II. Da pretensa nulidade parcial da decisão recorrida 11. Conforme se observa do recurso voluntário, um dos fundamentos trazidos pelo contribuinte em sua peça recursal é a nulidade parcial da decisão proferida pela instância a quo. 12. Antes, todavia, de tratar da sobredita preliminar processual, mister se faz, neste instante, detalhar ainda mais as circunstâncias fáticas que gravitam em torno do presente caso. 13. Nesse sentido, ao se observar os documentos de fls. 03/14, é possível observar que, no presente caso decidendo, o contribuinte alegou possuir um saldo credor de PIS e COFINS, nos termos do art. 16, parágrafo único da lei 11.116/051, o que o motivou a pedir o ressarcimento de tal crédito, ulteriormente convertido em compensação com débitos de agosto e setembro de 2006. 14. Ao glosar tais créditos, a fiscalização deixa clara a fundamentação para tanto, qual seja, a divergência entre as informações fiscais prestadas pelo contribuinte, conforme se observa do seguinte trecho da manifestação de fl. 22: Frisese que os valores divergentes estão de acordo com aqueles informados pelo contribuinte nos DACON's de 01/2005 a 12/2008. Esclarecemos que é facultado ao contribuinte, nos termos da lei, creditarse de valor de contribuições incidentes sobre bens e serviços adquiridos. Ressaltamos que, no período de 01/2006 a 12/2006, não houve informação de créditos de insumos nos DACON's. 15. Ressaltese, todavia, que além do presente pedido de ressarcimento convertido em compensação, a contribuinte apresentou outros inúmeros pedidos no mesmo diapasão, tanto que o presente caso em julgamento é paradigma de outros a ele vinculados e que tramitam neste Tribunal. Essa é a razão, portanto, de a fiscalização trazer as fls. 23/26 uma tabela com a discriminação não só da glosa para o período aqui debatido, mas também para outros períodos que, provavelmente, são 1 " Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: (...). Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre calendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei." Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10830.720167/200918 Acórdão n.º 3402005.842 S3C4T2 Fl. 6 5 discutidos nos demais pedidos de ressarcimento/compensação apresentados pelo contribuinte. 16. A metodologia alhures indicada não prejudica em precisar quais foram os créditos glosados no presente processo administrativo (2o trimestre de 2005), bem como o motivo de tal glosa, o que afasta uma pretensa nulidade do trabalho fiscal, bem como da decisão atacada. Dispositivo 17. Diante do exposto, deixo de conhecer parte do recurso voluntário interposto e, na parte conhecida, voto por negarlhe provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 141DF CARF MF
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