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Numero do processo: 13502.720072/2015-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
APURAÇÃO DA COFINS COM BASE NA FORMA CUMULATIVA ESTABELECIDA PELO INC. XX DO ART. 10 DA LEI Nº 10.833/2003.
As receitas decorrentes de execução por administração, empreitada ou subempreitada de serviços de montagem e desmontagem mecânica, de montagem elétrica e de montagem de instrumentação/automação, dentre outros serviços a eles semelhantes, a serem executados juntamente com os serviços de construção civil, enquadram-se no conceito de atividades auxiliares e complementares da construção civil no termos delineados pelo Ato Declaratório Normativo Cosit nº 30, de 1999.
EMPRESA EM PLENA ATIVIDADE. RECEITA BRUTA ANUAL DE ELEVADA MONTA. DCTFs SEM INDICAÇÃO DO PIS/PASEP E DA COFINS DEVIDOS. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO.
A apresentação, relativamente a todos os 12 (doze) meses do ano-calendário, de DCTFs com a indicação de que nada era devido a título de PIS/Pasep e de Cofins, quando na realidade a pessoa jurídica se encontrava em plena atividade, auferindo significativos valores de receita bruta, denota o evidente intuito de fraude em seu procedimento, o que legitima a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150% (cento e cinquenta por cento).
ATO ABUSIVO OU ILEGAL. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA DOS SÓCIOS. ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE.
A responsabilização tributária exige que as pessoas arroladas pela autoridade fiscal tenham diretamente praticado, determinado a execução, ou até mesmo tolerado a prática de ato abusivo e ilegal, estando em posição de influir para a sua não ocorrência e não o fazendo. Constitui prova para a imputação o fato de o agente encontrar-se na direção da sociedade empresarial na data do cumprimento da obrigação lastreada por DCTFs de conteúdo falseado e que se mostrou inadimplida, possuindo poderes de decisão, relativamente ao recolhimento dos tributos.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
APURAÇÃO DA COFINS COM BASE NA FORMA CUMULATIVA ESTABELECIDA PELO INC. XX DO ART. 10 DA LEI Nº 10.833/2003.
As receitas decorrentes de execução por administração, empreitada ou subempreitada de serviços de montagem e desmontagem mecânica, de montagem elétrica e de montagem de instrumentação/automação, dentre outros serviços a eles semelhantes, a serem executados juntamente com os serviços de construção civil, enquadram-se no conceito de atividades auxiliares e complementares da construção civil no termos delineados pelo Ato Declaratório Normativo Cosit nº 30, de 1999.
EMPRESA EM PLENA ATIVIDADE. RECEITA BRUTA ANUAL DE ELEVADA MONTA. DCTFs SEM INDICAÇÃO DO PIS/PASEP E DA COFINS DEVIDOS. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO.
A apresentação, relativamente a todos os 12 (doze) meses do ano-calendário, de DCTFs com a indicação de que nada era devido a título de PIS/Pasep e de Cofins, quando na realidade a pessoa jurídica se encontrava em plena atividade, auferindo significativos valores de receita bruta, denota o evidente intuito de fraude em seu procedimento, o que legitima a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150% (cento e cinquenta por cento).
ATO ABUSIVO OU ILEGAL. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA DOS SÓCIOS. ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE.
A responsabilização tributária exige que as pessoas arroladas pela autoridade fiscal tenham diretamente praticado, determinado a execução, ou até mesmo tolerado a prática de ato abusivo e ilegal, estando em posição de influir para a sua não ocorrência e não o fazendo. Constitui prova para a imputação o fato de o agente encontrar-se na direção da sociedade empresarial na data do cumprimento da obrigação lastreada por DCTFs de conteúdo falseado e que se mostrou inadimplida, possuindo poderes de decisão, relativamente ao recolhimento dos tributos.
Recurso voluntário não conhecido e recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 3402-004.984
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e não conhecer do Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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XX DO ART. 10 DA LEI Nº 10.833/2003. As receitas decorrentes de execução por administração, empreitada ou subempreitada de serviços de montagem e desmontagem mecânica, de montagem elétrica e de montagem de instrumentação/automação, dentre outros serviços a eles semelhantes, a serem executados juntamente com os serviços de construção civil, enquadramse no conceito de atividades auxiliares e complementares da construção civil no termos delineados pelo Ato Declaratório Normativo Cosit nº 30, de 1999. EMPRESA EM PLENA ATIVIDADE. RECEITA BRUTA ANUAL DE ELEVADA MONTA. DCTFs SEM INDICAÇÃO DO PIS/PASEP E DA COFINS DEVIDOS. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. A apresentação, relativamente a todos os 12 (doze) meses do anocalendário, de DCTFs com a indicação de que nada era devido a título de PIS/Pasep e de Cofins, quando na realidade a pessoa jurídica se encontrava em plena atividade, auferindo significativos valores de receita bruta, denota o evidente intuito de fraude em seu procedimento, o que legitima a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150% (cento e cinquenta por cento). ATO ABUSIVO OU ILEGAL. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA DOS SÓCIOS. ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE. A responsabilização tributária exige que as pessoas arroladas pela autoridade fiscal tenham diretamente praticado, determinado a execução, ou até mesmo tolerado a prática de ato abusivo e ilegal, estando em posição de influir para a sua não ocorrência e não o fazendo. Constitui prova para a imputação o fato de o agente encontrarse na direção da sociedade empresarial na data do cumprimento da obrigação lastreada por DCTFs de conteúdo falseado e que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 72 00 72 /2 01 5- 52 Fl. 4336DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 3 2 se mostrou inadimplida, possuindo poderes de decisão, relativamente ao recolhimento dos tributos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 APURAÇÃO DA COFINS COM BASE NA FORMA CUMULATIVA ESTABELECIDA PELO INC. XX DO ART. 10 DA LEI Nº 10.833/2003. As receitas decorrentes de execução por administração, empreitada ou subempreitada de serviços de montagem e desmontagem mecânica, de montagem elétrica e de montagem de instrumentação/automação, dentre outros serviços a eles semelhantes, a serem executados juntamente com os serviços de construção civil, enquadramse no conceito de atividades auxiliares e complementares da construção civil no termos delineados pelo Ato Declaratório Normativo Cosit nº 30, de 1999. EMPRESA EM PLENA ATIVIDADE. RECEITA BRUTA ANUAL DE ELEVADA MONTA. DCTFs SEM INDICAÇÃO DO PIS/PASEP E DA COFINS DEVIDOS. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. A apresentação, relativamente a todos os 12 (doze) meses do anocalendário, de DCTFs com a indicação de que nada era devido a título de PIS/Pasep e de Cofins, quando na realidade a pessoa jurídica se encontrava em plena atividade, auferindo significativos valores de receita bruta, denota o evidente intuito de fraude em seu procedimento, o que legitima a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150% (cento e cinquenta por cento). ATO ABUSIVO OU ILEGAL. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA DOS SÓCIOS. ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE. A responsabilização tributária exige que as pessoas arroladas pela autoridade fiscal tenham diretamente praticado, determinado a execução, ou até mesmo tolerado a prática de ato abusivo e ilegal, estando em posição de influir para a sua não ocorrência e não o fazendo. 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Fl. 4337DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 4 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Versam os autos lançamento de ofício de PIS e COFINS em relação ao exercício 2010. Em suma, a fiscalização, após análise dos contratos apresentados, entendeu que nem todos os serviços prestados pela empresa poderiam ser enquadrados como serviços de construção civil, reenquadrando alguns, especificamente, na sistemática nãocumulativa, daí a origem do crédito tributário em cobrança. No Termo de Início de Fiscalização, dentre outros documentos solicitados, a empresa foi intimada (item "e") a prestar "esclarecimentos sobre as atividades por ela exercidas", ao que respondeu, consoante consta do TVF (fls. 32/46): “A G & E MANUTENÇÃO E SERVIÇOS LTDA, exerce como atividades: a Prestação de Serviços de Construção Civil e seus serviços auxiliares e complementares. Tem como principal cliente a PETROBRÁS e empresas do Grupo, e através de processos licitatórios vencedores é contratada, para execução dos serviços de construção civil e auxiliares e complementares, com preços predeterminados, em regime de empreitada Global ou Parcial, para a realização dos mesmos. Estamos anexando os contratos de prestação de serviços com a PETROBRÁS e suas controladas, que representaram mais de 90% do faturamento anual da empresa. Portanto, a empresa está enquadrada no Regime de Tributação CUMULATIVO para o PIS E COFINS, à luz do inciso XX do artigo 10º da Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003”. Consoante Termo de Intimação nº 1 (fl. 1902), de 04/12/2014, já no curso do procedimento fiscalizatório, averba o Fisco: Com respeito ao demonstrativo de apuração dos créditos das contribuições solicitado na referida intimação, respondeu o contribuinte que não iria apresentar, pois “... ao permanecer no Regime Cumulativo de tributação do PIS e COFINS, a empresa não tomou créditos fiscais sobre as aquisições de insumos (bens, serviços ou materiais de revenda) nem sobre aquisição de ativo imobilizado ou a sua depreciação”, e que, “A empresa, ao adotar o Regime de Tributação Cumulativo para o PIS e COFINS, entende estar cumprindo o que Fl. 4338DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 5 4 determina a Lei 10833/2003 artigo 10º inciso XX, e as orientações dadas pela própria Receita Federal através de Soluções de Consultas...”. Foi oportunizado ao contribuinte em duas ocasiões, diante da análise dos contratos entregues com foco na investigação do tipo de serviços prestados (se construção civil ou não), para que fosse apresentado "o demonstrativo de apuração dos créditos de PIS/COFINS, tendo sido informado que parte das receitas sujeitavase à incidência não cumulativa das contribuições". Todavia, consigna a fiscalização, "o contribuinte eximiuse de apresentar o demonstrativo de créditos solicitados, alegando serem suas receitas sujeitas ao regime cumulativo nos termos do art. 10, XX, da Lei 10.833/2003 XX ("as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, até 31 de dezembro de 2015" redação dada pela Lei nº 12.375, de 2010). Afirmou, ainda, estar cumprindo o que determina o preceito acima, bem como supostas orientações dadas pela própria Receita Federal, através da Solução de Consulta SRRF 7ª RF/Disit nº 6, de 27 de janeiro de 2011, da SC COSIT nº 5, de 31 de agosto de 2005, e da SC COSIT nº 2, de 3 de maio de 2010, todas com as suas interpretações, segundo o contribuinte, confirmadas através da Solução de Divergência COSIT nº 11, de 27 de agosto de 2014. Sobre tais atos, manifestouse a fiscalização no TVF: Conquanto esteja clara a posição da Cosit em se alinhar com a tendência de adoção de conceito ampliativo de construção civil, tendo o ramo econômico como gênero, permitindose a inclusão das atividades auxiliares e complementares às obras propriamente ditas, adotando a interpretação constante do ADN Cosit nº 30/99, esta abrangência não pode ser ilimitada e deve ser analisada caso a caso para os serviços não elencados no ADN Cosit nº 30/99. Na situação anteriormente descrita ficou claro, por exemplo, que os serviços de manutenção de máquinas não se encaixam no conceito de obras de construção civil, ficando as receitas deles decorrentes submetidas ao regime não cumulativo das contribuições. Foram verificados os seguintes contratos: O Fisco analisou contrato a contrato, como repiso na sequência: Fl. 4339DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 6 5 Contrato 7000.0052362.09.2 CLÁUSULA PRIMEIRA OBJETO 1.1 O presente Contrato tem por objeto a execução, pela CONTRATADA, sob regime de empreitada por preços unitários, dos serviços de suprimento, construção, montagem e instalação para a Drenagem Fechada no Terminal Aquaviário de Guamaré, em conformidade com os termos e condições nele estipulados e no seu Memorial Descritivo. ANÁLISE: 49. Em seu Anexo N° 1 Memorial Descritivo, no Escopo Geral dos Serviços (Item 3) consta a informação de que os serviços envolverão as disciplinas: Civil, Tubulação, Elétrica e Instrumentação, desde já sinalizando que parte das receitas auferidas neste contrato devem estar submetidas ao regime cumulativo e parte sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das contribuições. 50. Os serviços da área civil são descritos como demolição; escavação; reaterro; remoção; lançamento de concreto; recomposição de piso, revestimento e canaletas em concreto; pintura e montagem de estrutura metálica; montagem de cobertura com telhas de alumínio. Tais serviços estão elencados no ADN Cosit n° 30/99. 51. No entanto, receitas decorrentes dos demais serviços deste contrato estariam sujeitas à não cumulatividade. São eles: na área de Mecânica desmontagem e montagem de conjunto motobomba; na área de Tubulação desmontagem e montagem de tubulação e válvulas; na área de Elétrica desconexão e remoção de cabos e eletrodutos, lançamento e montagem de eletroduto, montagem de caixas de passagem, luminárias, interruptores, tomadas, botoeira ligadesliga, barra de aterramento; na área de instrumentação montagem de eletroduto, teste de cabo eletrônico para sinal analógico, montagem e instalação de indicadores de pressão e de transmissores de nível. Contrato 0802.0000259.10.2 CLÁUSULA PRIMEIRA OBJETO 1.1 O presente Contrato tem por objeto a execução, pela CONTRATADA, sob o regime de preços unitários, com parcelas a preços globais e parcelas a preços unitários, dos serviços de construção e montagem, com fornecimento de materiais e equipamentos, para inversão do fluxo do SCOMP Macaíba, localizado no Município de Macaíba, Estado do Rio Grande do Norte, de conformidade com os termos e condições nele estipulados e em seus anexos. 1.2 O objeto do presente Contrato compreende o seguinte escopo: análise de consistência e consolidação do projeto executivo, Data Book e As Built, obras de construção civil e montagem eletromecânica. Fl. 4340DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 7 6 ANÁLISE: 52. Em seu Anexo I Memorial Descritivo MD4450.206521 940PIG001, cujo objetivo, dentre outros, é descrever os serviços, encontrase o Detalhamento do Escopo dos Serviços (Item 4). 53. No item 4.2 Obras de Construção Civil estão detalhados todos os serviços de construção civil que a contratada deverá executar, tais como: instalação do canteiro de obras, escavação, construção de bases e suportes em concreto armado, construção de infraestrutura destinada às instalações elétricas e de instrumentação da área da Estação, execução de reaterro compactado, recomposição de pisos e passeios em concreto, realização de pintura de acabamento dos suportes e das passarelas, realização de demolições de bases, passeios e escadas. 54. Não há dúvidas de que os itens descritos no parágrafo anterior encaixamse no conceito de obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, muitos deles elencados no ADN Cosit n° 30/99. No entanto, neste contrato, ainda há outros serviços. 55. No item 4.3.3 Serviços de Montagem e Desmontagem Mecânica, do Anexo I, estão detalhados os serviços de pré fabricação de "spools" (trechos de tubulações); montagem e interligação mecânica; pintura de tubulações, acessórios, suportes e equipamentos; testes de tubulações e acessórios; identificação de tubulação e de equipamentos; alimentação provisória do Ponto de Entrega existente; intervenção no gasoduto Nordestão com parada para instalação de Spool e válvulas de bloqueio. 56. Neste item encontramse serviços de montagem mecânica industrial relacionados a outras áreas da engenharia que não a de construção civil especificamente. Um fato que evidencia isto é que para a intervenção no Gasoduto acima citada exigiase a elaboração e execução de um plano de montagem para esta interligação, conforme especificado no item 4.3.3.1.7.1 do Anexo I, cujo conjunto de operações deveria ser planejado por Engenheiro Mecânico responsável técnico da obra. 57. No item 4.3.4 Serviços de Montagem Elétrica, do Anexo I, estão detalhados os serviços de interligação dos cabos de alimentação elétrica do Painel da UIP; interligação elétrica de todos os flanges das linhas de gás natural; aterramento de todos os suportes e carcaças da instrumentação eletrônica, dos atuadores pneumáticos, dos eletrodutos metálicos, das passarelas metálicas, das caixas de junção e caixas PullBoxes (PullPoints). 58. No item 4.3.5 Serviços de Montagem de Instrumentação/Automação, do Anexo I, estão detalhados os ser» os de operacionalização do Sítio de Testes do CTGÁS; Fl. 4341DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 8 7 demais serviços para inversão e interligação das instalações existentes. 59. Nestes dois últimos itens analisados encontramse serviços de montagem elétrica industrial e montagem pneumática de instrumentação relacionados a outras áreas da engenharia que não a de construção civil especificamente. 60. Outro fato que evidencia a existência, neste contrato, de serviços de outras áreas que não podem ser caracterizados como "obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil" é a formação profissional dos técnicos que devem ser disponibilizados pela contratada para a consecução dos serviços contratados, conforme item 7 Recursos de Mão deObra e Qualificação, do Anexo I, a saber: Técnico em Tubulação ou Mecânica com experiência em montagem e caldeiraria em obras industriais; Inspetor de Elétrica e Instrumentação/Automação com experiência em montagem de sistemas elétricos, sistemas de instrumentação e automação industrial; Técnico em Instrumentação, Eletrônica ou Automação com experiência em instrumentação ou elétrica industrial; além de um Técnico em Mecânica, Civil ou Elétrica para Supervisor da Obra e um Engenheiro Civil, Mecânico ou Elétrico para Gerente da Obra. Contrato 0802.0000272.10.2 CLÁUSULA PRIMEIRA – OBJETO 1.1 O presente CONTRATO tem por objeto a execução, pela CONTRATADA, sob o regime de empreitada por preços unitários, com parcelas a preços globais e parcelas a preços unitários, dos serviços de substituição dos scrapers das estações de Guamaré/RN e Macaíba/RN, em conformidade com os termos e condições nele estipulados e em seus anexos. 1.2 O objeto do presente Contrato compreende o seguinte escopo: análise de consistência e consolidação do projeto executivo, Data Book e As Built, obras de construção civil e montagem eletromecânica. ANÁLISE: 61. Em seu Anexo I Memorial Descritivo, cujo objetivo, dentre outros, é descrever os serviços, encontrase o Detalhamento do Escopo dos Serviços (Item 4). 62. No item 4.2 Obras de Construção Civil estão detalhados todos os serviços de construção civil que a contratada deverá executar, tais como: instalação do canteiro de obras, escavação, demolição e remoção, construção de encaminhamentos subterrâneos em envelopes em concreto, construção de infra estrutura destinada às instalações elétricas e de instrumentação da Estação de Guamaré, execução de reaterro compactado, recomposição de áreas e trechos atingidos pelas escavações, realização de pintura de acabamento dos suportes e das Fl. 4342DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 9 8 passarelas, realização de demolições de bases, passeios e escadas. 63. Não há dúvidas de que os itens descritos no parágrafo anterior encaixamse no conceito de obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, muitos deles elencados no ADN Cosit n° 30/99. No entanto, neste contrato, ainda há outros serviços. 64. No item 4.3.3 Serviços de Montagem e Desmontagem Mecânica, do Anexo I, estão detalhados os serviços de pré fabricação de "spools" (trechos de tubulações); montagem e interligação mecânica; pintura de tubulações, acessórios, suportes e equipamentos; testes de tubulações e acessórios; identificação de tubulação e de equipamentos; alimentação provisória dos Pontos de Entrega; intervenção no gasoduto Nordestão com parada para instalação de Spool e válvulas de bloqueio. 65. Neste item encontramse serviços de montagem mecânica industrial relacionados a outras áreas da engenharia que não a de construção civil especificamente. Um fato que evidencia isto é que para a intervenção no Gasoduto acima citada exigiase a elaboração e execução de um plano de montagem para esta interligação, conforme especificado no item 4.3.3.1.7.1 do Anexo I, cujo conjunto de operações deveria ser planejado por Engenheiro Mecânico responsável técnico da obra. 66. No item 4.3.4 – Serviços de Montagem Elétrica, do Anexo I, estão detalhados os serviços de interligação dos cabos de alimentação elétrica do Painel da UIP; interligação elétrica de todos os flanges das linhas de gás natural; aterramento de todos os suportes e carcaças da instrumentação eletrônica, dos atuadores pneumáticos, dos eletrodutos metálicos, das passarelas metálicas, das caixas de junção e caixas PullBoxes (PullPoints). 67. No item 4.3.5 – Serviços de Montagem de Instrumentação/Automação, do Anexo I, estão detalhados os serviços de instalação de transmissores/transdutores, manômetros, transmissores de pressão manométrica, detectores de passagem de PIG nas estações de Guamaré e Macaíba;instalações, elétrica e pneumática, para o acionamento de válvulas nas estações de Guamaré e Macaíba; lançamento, testes e interligação de todos os cabos e multicabos elétricos; realização de integração de software de toda a instrumentação destinada aos novos Scrapers da cada estação 68. Nestes dois últimos itens analisados encontramse serviços de montagem elétrica industrial e montagem pneumática de instrumentação relacionados a outras áreas da engenharia que não a de construção civil especificamente. 69. Outro fato que evidencia a existência, neste contrato, de serviços de outras áreas que não podem ser caracterizados como “obras e serviços auxiliares e complementares da construção Fl. 4343DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 10 9 civil” é a formação profissional dos técnicos que devem ser disponibilizados pela contratada para a consecução dos serviços contratados, conforme item 7 – Recursos de MãodeObra e Qualificação, do Anexo I, a saber: Técnico em Tubulação ou Mecânica com experiência em montagem e caldeiraria em obras industriais; Inspetor de Elétrica e Instrumentação/Automação com experiência em montagem de sistemas elétricos, sistemas de instrumentação e automação industrial; Técnico em Instrumentação, Eletrônica ou Automação com experiência em instrumentação ou elétrica industrial; além de um Técnico em Mecânica, Civil ou Elétrica para Supervisor da Obra e um Engenheiro Civil, Mecânico ou Elétrico para Gerente da Obra. Contrato 0802.0000098.08.2 CLÁUSULA PRIMEIRA – OBJETO 1.1 – O presente Contrato tem por objeto a execução, pela CONTRATADA, sob o regime de empreitada por preço global, dos serviços de construção e montagem da Estação de Distribuição de Gás (EDG) Atalaia e suas interligações, localizado no município de Aracaju, no estado de Sergipe, de conformidade com os termos e condições nele estipulados e em seus anexos. 1.2 – O objeto do presente Contrato compreende o seguinte escopo: elaboração do projeto executivo, construção civil, construção e montagem mecânica, montagem elétrica, montagem e interligação de instrumentação/automação, elaboração do GIS (Geografic Information System), condicionamento, comissionamento e PréTAC (Teste Prelimiar à Aceitação de Campo), apoio ao TAC (Teste de Aceitação de Campo), apoio à préoperação e operação assistida, elaboração do Data Book e As Built e fornecimento de materiais. ANÁLISE: 70. Em seu Anexo I Memorial Descritivo, cujo objetivo, dentre outros, é descrever os serviços, encontrase o Detalhamento do Escopo dos Serviços (Item 3). 71. No item 3.5 C&M Serviços de Construção Civil estão detalhados todos os serviços de construção civil que a contratada deverá executar, tais como: raspagem superficial do terreno, remoção de britas, aterro parcial de lagoa, escavação, descarte adequado de resíduos e posterior recomposição de pisos, construção de abrigo para cromatógrafo, avaliação topográfica e identificação de instalações subterrâneas, construção de bases em concreto estrutural armado, construção de pavimento em concreto simples, execução de serviço de drenagem pluvial e contaminada, construção de bacias diques, construção de cercas, realização de pintura das bases e pisos de concreto e dos pilares e vigas do abrigo. 72. Não há dúvidas de que os itens descritos no parágrafo anterior encaixamse no conceito de obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, muitos deles elencados no Fl. 4344DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 11 10 ADN Cosit n° 30/99. No entanto, neste contrato, ainda há outros serviços. 73. No item 3.6 C&M Serviços de Construção e Montagem Mecânica, do Anexo I, estão detalhados os serviços de pré fabricação de "spools" (trechos de tubulações); movimentação e montagem dos skids, scrapers, vasos, filtros e válvulas na base de concreto; instalação de novos lançadores, recebedores, lançador/recebedor de pig; construção de linhas enterradas de gás natural processado ou gás rico; construção de linha aérea com gás natural processado ou gás rico; interligação de gasoduto com o PE; montagem do PE; interligação de gasodutos; instalação dos vasos separadores e dos filtros coalescedores; instalação de skids e silenciadores; pintura de tubulações, acessórios, suportes e equipamentos; testes de tubulações e acessórios; identificação de tubulações, válvulas e equipamentos. 74. No item 3.7 C&M Serviços de Montagem Elétrica, do Anexo I, estão detalhados os serviços de infraestrutura para encaminhamento e interligação de cabos elétricos; interligação do quadro de distribuição de força a UPS; instalação e interligação do painel de distribuição de energia estabilizada a nova UPS; instalação elétrica do novo abrigo do cromatógrafo; instalação e substituição de postes; aterramento geral. 75. No item 3.8 Serviços de Montagem de Instrumentação/Automação, do Anexo I, estão detalhados os serviços de construção e montagem de todo sistema de instrumentação. 76. Nestes dois últimos itens analisados encontramse serviços de montagem elétrica industrial e montagem pneumática de instrumentação relacionados a outras áreas da engenharia que não a de construção civil especificamente. 77. Outro fato que evidencia a existência, neste contrato, de serviços de outras áreas que não podem ser caracterizados como "obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil" é a formação profissional dos técnicos que devem ser disponibilizados pela contratada para a consecução dos serviços contratados, conforme item 4.19 Recursos de MãodeObra e Qualificação, do Anexo I, a saber: Inspetor de Tubulação ou Mecânico com experiência em montagem e caldeiraria em obras industriais; Inspetor em Elétrica com experiência em montagem de sistemas elétricos e de proteção elétrica na indústria de Petróleo; Inspetor de Instrumentação com experiência em montagem de sistemas de instrumentação/automação na indústria de Petróleo ou Petroquímica; Técnico de Instrumentação/Automação; Técnico de Dutos; além de um Engenheiro Mecânico, Civil ou Elétrico para Coordenador de Projetos e um Engenheiro Civil, Mecânico ou Elétrico para Gerente da Obra. 78. Corroborando a análise dos contratos acima realizada estão as informações constantes do sítio da empresa na internet e do Fl. 4345DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 12 11 contrato social. Em sua página na rede mundial de computadores a empresa definese como "uma empresa de montagem e manutenção industrial, sediada na Bahia, com atuação nacional nas áreas de petróleo&gás, petroquímica, energia, siderurgia e celulose” e destaca como suas principais linhas de serviço a Construção e Montagem e Paradas de Manutenção. Na Cláusula 2ª do seu Contrato Social destaca como seu objetivo social, dentre outros, Prestação de Serviços Especializados de Engenharia e Manutenção Industrial. Com bases nessas análises, concluiu a fiscalização que "a maior parte dos serviços contratados não se enquadram no conceito de obras de construção civil, por estarem relacionados a outras áreas da engenharia (elétrica e mecânica) que não a de construção civil especificamente, e por não se caracterizarem como obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, tais como os exemplificados no ADN Cosit nº 30/1999". E concluiu a fiscalização: 80. Tal fato enseja que a tributação das receitas auferidas na realização dessas atividades seja feita pela sistemática não cumulativa de apuração do PIS/COFINS. 81. Então, temos o caso da coexistência dos dois regimes. A empresa está submetida ao regime de incidência não cumulativa para a maior parte de suas receitas, enquanto que as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, estão excluídas desse regime. 82. Em função desta constatação, para a correta aplicação dos dois regimes (cumulatividade e não cumulatividade), foi intimado o contribuinte, por meio do TIF nº 1, a apresentar: a. Planilha segregando os valores de receita por tipo de serviço executado; e b. Demonstrativo de apuração dos créditos das respectivas contribuições, conforme opção dada pela legislação vigente, apresentando notas fiscais referentes a aquisições de insumos e de bens do ativo imobilizado e documentos comprobatórios de despesas. 83. Em sua resposta, o contribuinte apresentou demonstrativo de faturamento por contrato, mas informou não ser possível a separação do faturamento por tipo de serviço executado, além de se eximir de apresentar o demonstrativo de apuração de créditos, conforme explicitado nos parágrafos 13, 14 e 24 a 27 deste Termo de Verificação Fiscal. 84. Em função da omissão da empresa fiscalizada, todas as receitas serão consideradas sob o regime da não cumulatividade. Ademais, foi aplicada a multa de ofício qualificada, assim motivada pelo Fisco: Fl. 4346DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 13 12 93. A empresa fiscalizada informou, em sua DIPJ, ter auferido receitas de prestação de serviços/revenda de mercadorias tributáveis, no anocalendário de 2010, no valor de R$ 23.216.148,00. No entanto, embora tenha apresentado os DACON, referentes aos períodos de apuração de janeiro a dezembro, com as informações de apuração do PIS e da COFINS e tenha escriturado valores de PIS e COFINS a pagar (nas contas contábeis do passivo circulante 2.01.02.01.002 – PIS a Recolher e 2.01.02.01.003 – COFINS a Recolher), não confessou os débitos de PIS e COFINS nas DCTF. 94. Vale ressaltar que, inicialmente, a empresa havia entregue os DACON e a DIPJ zeradas e, após intimação específica para este fim, apresentou as declarações retificadoras. 95. Não é razoável supor que tal discrepância entre as informações prestadas ocorreu por um simples “erro material”. Não se trata de um erro de cálculo, de uma transcrição errônea de um valor da escrita fiscal para as declarações, mas sim da entrega de 12 (doze) DCTF sem qualquer informação/confissão de débitos de PIS/COFINS. A grande quantidade de declarações apresentadas contendo informações falsas forma um conjunto de circunstâncias que demonstra, de forma clara e evidente, a intenção, o propósito do fiscalizado de não submeter suas receitas à tributação. 96. A prática reiterada de apresentar declarações fiscais contendo informações falsas só leva a fortalecer as conclusões sobre a sua deliberada intenção de tentar impedir ou retardar, ao menos parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. ... 98. Não há dúvidas de que a RFB não tem condições de fiscalizar todos os contribuintes. Ao prestar declarações falsas, tornando o levantamento de indícios para uma fiscalização mais difícil, a empresa pode ludibriar o Fisco, desviando a atenção deste para outros contribuintes. 99. Diante de todo o exposto, concluise que o contribuinte, dolosamente, tentou impedir o conhecimento, por parte do Fisco Federal, da ocorrência do fato gerador, em virtude do mesmo escriturar valores de PIS e COFINS a pagar, e não confessar esses débitos em DCTF, infringindo o disposto no artigo 71 da Lei nº 4.502/64, que caracteriza tal prática como sonegação fiscal. 100. Esta infração enseja a qualificação da multa de ofício, nos termos do artigo 44, inciso I e § 1º da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo artigo 14 da Medida provisória nº 351/07, convertida na Lei nº 11.488/07, a seguir transcrito. Desta forma, será aplicada a multa de ofício no percentual de 150%. Fl. 4347DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 14 13 Por fim, a fiscalização imputou responsabilização solidária aos sócio da autuada, Srs. JOSÉ ANTÔNIO TEIXEIRA DOS SANTOS, CPF 202.153.55415, FRANCISCO SOLANO MOREIRA, CPF 033.799.65391, e ROGÉRIO COSTA FERNANDES TORRES, CPF 105.095.00382. Impugnado o lançamento pela pessoa jurídica (fls. 1.957/1.987) e pelos responsáveis tributários, a DRJ/FOR, em 02/05/2016, julgou (fls. 4.234/4.280) o lançamento parcialmente procedente, considerando, em relação aos contratos que não foram objeto de análise pelo TVF, que deve ser aplicado o regime cumulativo "na forma adotada pela empresa e constante das DACON retificadoras apresentadas". Também entendeu a decisão a quo, que os contratos "7000.0052362.09.2, 0802.0000098.08.2 referemse à prestação de um serviço de execução de obra de construção civil e de atividades auxiliares ou complementares da construção civil, com acessório fornecimento de equipamentos, cabendo a aplicação do inciso. XX do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003". Em relação aos contratos 0802.0000259.10.2 e 0802.0000272.10.2, foram analisados em conjunto, uma vez que a descaracterização feita pela fiscalização foi a de serviço de montagem e desmontagem mecânica, serviços de montagem elétrica e serviços de montagem instrumentação/automação, igualmente foram considerados como prestação de serviço de construção civil. Assim, o lançamento foi mantido em relação ao valor declarado inicialmente em DCTF, da forma como contabilizado, as quais foram retificadas com valores zerados das indigitadas contribuições, restando mantida a exigência dos valores constantes no quadro à fl. 4.279. Igualmente, foi mantida a multa qualificada e a responsabilização dos sóciosolidários. Exonerado o lançamento em valor acima da alçada, foi interposto recurso de ofício. Intimados dessa decisão, foi apresentado recurso voluntário, em peça única, da empresa e dos sócios responsáveis solidários (fls. 4303/4304), no qual, em suma, alegam os recorrentes: 1 Que a decisão recorrida ao acolher a modalidade da base de cálculo na forma cumulativa, como vinha fazendo a empresa, teria desnaturado o auto de infração, entendendo que tal fato seria suficiente para afastar a multa qualificada, o que não foi feito. Averba que o agente fiscal não teria logrado demonstrar a atitude comissiva ou omissiva dolosa a que alude o art 71 da Lei 4.502/64, com a finalidade de impedir ou retardar total ou parcialmente o conhecimento por parte da autoridade fazendária (sonegação). Sua assertiva tem como fundamento o fato de o agente fiscal no item 99 do TVF, não ter descrito em qual dos incisos do art. 71 a conduta dos recorrentes se enquadraria, embora concorde que no item 96 daquele Termo, tenha a autoridade fiscal motivado nos seguintes termos: Entende que o fato de ter apresentado as DACON e DCTF com saldo zero não se amolda ao inciso do art. 71 da Lei 4.502/64, concluindo que "não houve nem impedimento, nem retardamento do conhecimento da ocorrência do fato gerador pela autoridade fazendária". Consigna que "ao não se apurar omissões de receita na escrituração contábil, não houve impedimento ou retardamento do conhecimento da ocorrência do fato gerador pela autoridade fazendária, pois o que aconteceu é que sua obrigação tributária escriturada no livro razão não foi lançada". Na sequência, defende que não houve ocorrência da infração penal a que alude o art. 1º, I, da Lei 8.137/90, alegando novamente que "somente Fl. 4348DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 15 14 poderia ter ocorrido supressão ou redução dolosa se a base de cálculo houvesse sido reduzida dolosamente, o que entende ter inocorrido"; 2 Que presta serviço exclusivamente à PETROBRÁS e suas coligadas e, como tal, tais empresas na qualidade de substitutas tributária estão obrigadas a fazerem retenção e recolhimento das contribuições, conforme IN RFB 1.234/2012, cujo art. 2º transcreve. Faz tal colocação para afirmar, ao depois, que se as contribuições foram retidas pelas contratantes na sua época própria "onde estaria a intenção deliberada da recorrente, ou dos recorrentes em retardar, fraudar ou sonegar impostos?"; 3 Por fim, pugna pela ausência de responsabilidade tributária dos sócios, pois entende que nos termos do art. 135, III, do CTN, só haveria de falarse em infração à lei se "houvesse vedação legal para tal na hipótese de obras de construção civil". Contudo, afirma, esse não é o caso, porquanto os recorrentes ao optar pelo regime cumulativo o fez com respaldo da legislação de regência da questão, pelo que, igualmente, não há que se falar em prática de ato excesso de poder. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire RECURSO VOLUNTÁRIO Tendo em vista a petição de fls. 4.328, constatase que houve desistência do recurso voluntário tendo em vista a adesão ao PERT, IN RFB 1711/2017. Dessa forma, não conheço do mesmo. RECURSO DE OFÍCIO O valor exonerado ultrapassou o valor de alçada, pelo que conheço do recurso de ofício. Emerge do relatado que a r. decisão exonerou o contribuinte em relação a dois fatos, a saber: a) primeiramente o valor tributado pela fiscalização considerou o valor de todos os contratos que foram objeto de pagamento no ano de 2010 (a totalidade das receitas auferidas nesse anocalendário), enquanto o objeto da fiscalização deuse pela análise de somente cinco contratos. Daí a diferença de R$ 11.185.860,14 entre o escriturado e o apurado pela fiscalização. Da mesma forma, restou aclarado que em relação ao contrato 0802.0047281.08.2, não foi emitida nenhuma notafiscal em 2010, período objeto da auditoria. A r. decisão fez um proficiente análise desses fatos. Vejase o seguinte excerto: Lembrandose que os contratos de prestação de serviço analisados no TVF foram os de números 0802.0047281.08.2, 7000.0052362.09.2, 0802.0000259.10.2, 0802.0000272.10.2 e 0802.0000098.08.2, constatase que a despeito de a autoridade fiscalizadora haver discorrido sobre o de nº 0802.0047281.08.2, Fl. 4349DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 16 15 nenhum faturamento em relação a ele foi verificado no ano de 2010, de modo que neste julgado as considerações do AFRFB a serem sopesadas são somente aquelas relacionadas aos contratos de números 7000.0052362.09.2, 0802.0000098.08.2, 0802.0000259.10.2 e 0802.0000272.10.2. Além disso, com base no demonstrativo supra é possível se afirmar que os 4 (quatro) contratos analisados representam pouco mais de 50% da receita bruta da pessoa jurídica no período fiscalizado. Em relação a elas, entendeu o agente fazendário estarem presentes receitas sujeitas aos dois regimes de apuração do PIS/Pasep e da Cofins. Como o contribuinte não segregou as receitas e não mensurou os créditos pertinentes à parcela sujeita à não cumulatividade, aplicou o regime não cumulativo para a integralidade dos contratos. Além disso, estendeu a não cumulatividade para todos os demais contratos, em relação aos quais nenhuma análise efetivou em seu TVF, procedimento com o qual não comungo. Assim, nesse ponto há de ser negado provimento ao recurso de ofício porque, de fato, houve um flagrante equívoco da fiscalização. b) a outra questão que foi objeto da exoneração foi a análise feita pela r. decisão em relação a cada um dos contratos analisados pelo Fisco. Foram analisados os quatro contratos, considerando que em relação aquele que fiz menção alhures sequer foram emitidas notas fiscais no período fiscalizados, pelo que não foi sequer objeto de verificação. A r. decisão fez uma minudente e aprofundada análise, concluindo, em síntese, em relação a todos eles, que subsumiamse à hipótese prevista no inciso XX da Lei 10.833/2003, ou seja, deveriam os valores decorrentes nos contratos analisados serem tributados na modalidade cumulativa, ao contrário do que concluiu o Fisco. Porém, antes de adentrar em cada um dos contratos o r. decisum fez um apanhado da legislação e o entendimento da Administração acerca da matéria. Detenhome nos fundamentos que entendo mais pertinentes, até para que formemos nosso juízo, vez que a matéria vem se repetindo nos julgados desta Turma. A leitura combinada do inc. XX do art. 10 com o inc. V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833, de 2003, permite entendamos que, no que tange à apuração do PIS/Pasep e da Cofins, as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil permanecem sujeitas à apuração cumulativa, não se lhes aplicando os comandos legais pertinentes à apuração não cumulativa dessas duas contribuições sociais. Acontece que a exata delimitação do que pode ser compreendido como obra de construção civil não é encontrada nas normas que regulam o exercício da profissão, tampouco na legislação tributária, o que tem gerado insegurança no meio jurídico, em especial na seara tributária, resultando em entendimentos divergentes para uma mesma situação. Foi o que ocorreu, por exemplo, com uma empresa dedicada às atividades de instalações elétricas, hidráulicas, de sistemas de ar condicionado, ventilação, refrigeração e de prevenção contra incêndio, que formulou consulta sobre o enquadramento dessas Fl. 4350DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 17 16 atividades como obras de construção civil e cuja resposta foi pela impossibilidade de assim proceder, como verificado na ementa abaixo reproduzida: Solução de Consulta SRRF08 nº 248, de 2012 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. REGIME DE APURAÇÃO. As atividades de instalações elétricas, hidráulicas, de sistemas de ar condicionado, ventilação, refrigeração e de prevenção contra incêndio não se enquadram no conceito de “obras de construção civil” e, portanto, as receitas decorrentes de seu exercício estão sujeitas ao regime não cumulativo da Cofins. Dispositivos Legais: Lei nº 10.833, de 2003, art. 10, XX; Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, art. 322, I e X, e anexo VII. Diferente, contudo, foi o entendimento manifestado pela SRRF da 7ª Região Fiscal para uma situação semelhante à anterior: Solução de Consulta SRRF07 nº 06, de 2011 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Obras de Construção Civil. Alcance da expressão na legislação relativa à sistemática não cumulativa. As atividades de construção, ampliação e reformas prediais preventivas e corretivas em sistemas elétricos, hidráulicos, hidrossanitários e de refrigeração, por estarem expressamente citadas no ADN Cosit nº 30, de 1999 ou por terem a mesma natureza daquelas nele incluídas, enquadramse na expressão “obras de construção civil”, estando, portanto, até 31/12/2010, as receitas auferidas com sua exploração sujeitas a apuração da Cofins no regime cumulativo. Dispositivos Legais: Lei no 10.833, de 2003, inciso XX do art. 10; Ato Declaratório Normativo Cosit no 30, de 1999. Enquanto a Divisão de Tributação da SRRF da 8ª Região Fiscal, situada em São Paulo, entendeu que as atividades de “instalações elétricas, hidráulicas, de sistemas de ar condicionado, ventilação, refrigeração e de prevenção contra incêndio” não se enquadravam no conceito de obras de construção civil, a Divisão de Tributação da SRRF da 7ª Região Fiscal, localizada no Rio de Janeiro, deliberou que atividades relacionadas com “sistemas elétricos, hidráulicos, hidrossanitários e de refrigeração” dizem respeito a obras de construção civil. A decisão favorável à pretensão da consulente, formulada pela SRRF da 7ª RF, teve por substrato o disposto em Ato Declaratório Normativo editado pela Coordenação do Sistema de Tributação (Cosit), a seguir transcrito: Ato Declaratório Normativo Cosit nº 30, de 1999 O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 199, inciso IV, do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF Nº 227, de 3 de setembro de 1998, e tendo em vista as disposições do inciso V do Fl. 4351DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 18 17 art. 9º da Lei Nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 , com as alterações promovidas pelo art. 4º da Lei Nº 9.528, de 10 de dezembro de 1997. Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que a vedação ao exercício da opção pelo SIMPLES, aplicável à atividade de construção de imóveis, abrange as obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, tais como: 1. a construção, demolição, reforma e ampliação de edificações; 2. sondagens, fundações e escavações; 3. construção de estradas e logradouros públicos; 4. construção de pontes, viadutos e monumentos; 5. terraplenagem e pavimentação; 6. pintura, carpintaria, instalações elétricas e hidráulicas, aplicação de tacos e azulejos, colocação de vidros e esquadrias; e 7. quaisquer outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. Não obstante o dispositivo legal apresentado haver sido emitido em razão do Simples Federal, Lei nº 9.137, de 1996, o certo é que foi utilizado com balizamento para que se estabeleça o que pode ser considerado como obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil e, em assim sendo, as receitas das obras e serviços decorrentes serem tributados na forma cumulativa de apuração do PIS/Pasep e da Cofins. O mencionado ADE, convém registrar, mencionou de forma expressa algumas atividades que podem ser consideradas como obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, ou seja, as atividades de “sondagens, fundações e escavações”; de “construção de estradas e logradouros públicos”; de “construção de pontes, viadutos e monumentos”; de “terraplenagem e pavimentação”; e de “pintura, carpintaria, instalações elétricas e hidráulicas, aplicação de tacos e azulejos, colocação de vidros e esquadrias”. Todavia, referidas atividades não estão relacionadas de forma exaustiva, em numeros clausus, ou de forma fechada. Ao contrário disso, seu último item contém a afirmação de que “quaisquer outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo” também podem ser consideradas obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil. Assim, algumas regiões fiscais vinham dando uma interpretação mais restritiva para o que pode ser considerado como obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, como verificado na Solução de Consulta SRRF08 nº 248, de 2012. Outras, atentas à forma abrangente como foi redigido o Ato Declaratório Executivo nº 30, de 1999, acharam por bem adotar uma conceituação acentuadamente ampliativa para a temática em abordagem, como foi o caso da Solução de Consulta SRRF07 nº 06, de 2011. A questão foi levada à apreciação do órgão central da RFB, o que resultou na edição da Solução de Divergência Cosit nº 11, de 2014. Fl. 4352DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 19 18 Solução de Divergência Cosit nº 11, de 27 de agosto de 2014 EXPRESSÃO "OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL". SIGNIFICADO NA LEGISLAÇÃO REFERENTE AO REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA DA COFINS. Para efeito de aplicação do disposto no inciso XX do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, enquadramse, no conceito de obras de construção civil, as obras e os serviços auxiliares e complementares, tais como aqueles exemplificados no Ato Declaratório Normativo Cosit nº 30, de 14 de outubro de 1999. Após o responsável pela elaboração da Solução de Divergência em análise fazer constar inexistir na legislação do PIS/Pasep e da Cofins a delimitação do conceito do que deva ser entendido como obra de construção civil, teceu comentários relacionados à motivação do tratamento dado à matéria pelo Decreto nº 3.048, de 1999, e pela Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009. O Decreto nº 3.048, de 1999, é bastante restritivo quanto ao tema em questão, o que é justificável por razões práticas, pois as regras relativas à construção civil culminam em responsabilidade tributária para os sócios das empresas responsáveis pelas obras, cominação que é necessária para dar mais efetividade ao crédito tributário mas que demanda intensa atividade da Administração Tributária em sua fiscalização. Evitando expandir por demasia as hipóteses de responsabilidade tributária, o legislador optou por restringir, para esse fim, o conceito de obra de construção civil à determinadas atividades estritamente relacionadas a este ramo econômico, sem prejuízo da existência de diversas outras atividades a ele afetas. Como não poderia deixar de ser, o conceito de obra de construção civil constante do inciso I do art. 322 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, é exatamente igual ao constante do § 13 do art. 257 do Decreto nº 3.048, de 1999. Adicionalmente, a Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, diferenciou os conceitos de “obra de construção civil” e de “serviço de construção civil”. Para as pessoas jurídicas que executam “obra de construção civil” foi determinada a responsabilidade tributária sobre as contribuições previdenciárias devidas, enquanto para aquelas que realizam “serviço de construção civil” seguem as prescrições previstas para os contribuintes em geral. Concluiu o representante do órgão central que a classificação de atividades de construção civil que emerge da legislação previdenciária é meramente instrumental, com alcance adstrito ao campo das contribuições previdenciárias, não dando azo a qualquer aplicabilidade no cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. O dispositivo legal observado na sequência foi a Lei Complementar nº 116, de 2003, que trata do Imposto sobre Serviços (ISS), e que descreveu no item 7.02 de seu Anexo Único o alcance a ser dado às obras de construção civil: Lei Complementar nº 116, de 2003 – Anexo Único Lista de Serviços 7.02 – Execução, por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, hidráulica ou elétrica e de outras obras semelhantes, inclusive sondagem, perfuração de poços, escavação, drenagem e irrigação, Fl. 4353DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 20 19 terraplanagem, pavimentação, concretagem e a instalação e montagem de produtos, peças e equipamentos; Prosseguindo, apresentou a norma que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços (NBS), que especificou os serviços de construção nos seguintes moldes: Decreto nº 7.708, de 2012 Seção I – Serviços de Construção NBS – Descrição do Serviço 1.0101 – Serviços de construção de edificações residenciais 1.0126 – Serviços de instalação elétrica 1.0127 – Serviços de tubulação para fornecimento e escoamento de águas 1.0128 – Serviços de instalação de aquecimento, ventilação e ar condicionado A partir das normas apresentadas, inferiu a autoridade responsável pela Solução de Divergência ora comentada ser notória a tendência da adoção de um conceito ampliativo para a construção civil, muito provavelmente em razão da enorme diversidade de atividades e funcionalidades que se encontram atreladas às modernas construções humanas sobre o solo. Por se encontrar alinhada com essa tendência é que o órgão central da RFB adotou a interpretação constante do já transcrito Ato Declaratório Interpretativo Cosit nº 30, de 1999, que, como visto, estatuiu que a atividade de construção civil abrange os seus serviços auxiliares e complementares, tais como a construção, demolição, reforma e ampliação de edificações; sondagens, fundações e escavações; construção de estradas e logradouros públicos; construção de pontes, viadutos e monumentos; terraplenagem e pavimentação; pintura, carpintaria, instalações elétricas e hidráulicas, aplicação de tacos e azulejos, colocação de vidros e esquadrias; e quaisquer outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. E na referida Solução de Divergência restou assentado que: 42. Assim, mantendose o entendimento desta Cosit acerca da matéria, concluise que as atividades da consulente de instalação de redes hidráulicas e elétricas, de instalação de sistemas centrais de ar condicionado, de refrigeração, de ventilação e de prevenção contra incêndio enquadramse como serviços prestados no âmbito da execução de obras de construção civil. Consequentemente, as receitas advindas dessas prestações submetemse à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sob a sistemática de apuração cumulativa dessas exações, por aplicação do citado inciso XX do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003. Assinalou, ademais, que “tal preceptivo alcança apenas as receitas decorrentes das prestações dos serviços que menciona, e, como não estabelece ressalva, alcança também as receitas decorrentes de eventual fornecimento de bens na prestação de tais Fl. 4354DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 21 20 serviços”. Por outro lado, “não alcança a venda de bens, ainda que haja alguma prestação de serviços acessória, bem como a prestação de serviços diversos dos arrolados por ele”. Quanto à preliminar de nulidade do lançamento e da r. decisão, hão de ser rechaçadas. O minudente Termo de Verificação Fiscal (TVF) deixa perfeitamente delimitada a matéria tributável, quer quanto ao mérito quer quanto à sua liquidez. Com o objetivo de melhor esclarecer seu ponto de vista, efetuou a seguinte comparação: a) contratação de uma pessoa jurídica para preparação da estrutura e instalação de arcondicionado central em um edifício. Nessa hipótese, o contrato é preponderantemente de prestação de serviço auxiliar em obra de construção, sendo o fornecimento de bens etapa necessária para a prestação. Destarte, aplicável às receitas auferidas com a prestação de tal serviço o regime de apuração cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, conforme inciso XX do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003; b) aquisição de arcondicionado a ser entregue instalado na parede do edifício. Nessa hipótese, o contrato é preponderantemente de compra e venda de bens, sendo o serviço de instalação apenas acessório. Assim, não são aplicáveis à espécie as disposições do mencionado dispositivo legal, sendo o regime de apuração das contribuições relativas à receita de venda estabelecido conforme as regras gerais. Do exposto até aqui concluo que será necessário, portanto, que seja verificada a preponderância da relação econômica estabelecida caso a caso, sem podermos fazer uma análise linear da matéria, pois tratandose de uma prestação de serviço de “execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil”, com acessório fornecimento de bens, mostrase aplicável o inc. XX do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, o que remete o caso para a apuração cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins. Esse é o entendimento da Administração. Ao revés, tratandose de fornecimento de bens com acessória prestação de serviços de construção civil, não há como se aplicar a regra do inc. XX do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, devendo o PIS/Pasep e a Cofins serem calculados pelo regime não cumulativo. Como observação final, destacou a referida Solução de Divergência que “na hipótese de a pessoa jurídica apresentar tanto receitas sujeitas ao regime de apuração cumulativa, como receitas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devem ser observadas as disposições constantes dos §§ 7º a 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e dos §§ 7º a 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que, em síntese, somente permitem a apuração de créditos da não cumulatividade das aludidas contribuições em relação aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa”. E conclui: Fl. 4355DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 22 21 48. Diante do exposto, solucionase a presente divergência respondendo ao autor do recurso que as receitas decorrentes de instalações hidráulicas, elétricas, de sistemas centrais de ar condicionado, de refrigeração, de ventilação e de prevenção contra incêndio se subsumem ao conceito de execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil de que trata o inciso XX do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003. Sintetizando, tratandose de prestação de serviços de construção civil, ainda que auxiliares e complementares desta atividade, com acessório fornecimento de materiais, será o caso de aplicação do inc. XX do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, remetendo a situação para a apuração cumulativa. Caso tenhamos uma operação comercial de venda de produtos, acoplada a uma prestação acessória de serviços de construção civil, a apuração das contribuições sociais se dará na forma não cumulativa. E com base nesse raciocínio, a bem lançada decisão recorrida analisou minuciosamente um a um dos contratos, chegando a conclusão, em síntese, que a prestação de um serviço de execução de obra de construção civil e de atividades auxiliares ou complementares da construção civil, com acessório fornecimento de equipamentos, cabendo a aplicação do inc. XX do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003. Assim, com base no exposto e também com arrimo na bem lançada fundamentação da r. decisão, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO. CONCLUSÃO Forte em todo exposto, não conheço do recurso voluntário e nego provimento ao recurso de ofício. É como voto. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Relator Fl. 4356DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004214/2010-63
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 42 14 /2 01 0- 63 Fl. 356DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de ação fiscal que originou os seguintes procedimentos: PROCESSO DEBCAD TIPO FASE 19515.004215/201016 37.309.5112 (Emp. e SAT) Obrig. Principal Recurso Especial 19515.004214/201063 37.309.5139 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Especial 19515.004216/201052 37.252.5334 (AI 78) Obrig. Acessória Recurso Especial 19515.004217/201005 37.309.5074 (AI34) Obrig. Acessória Sem interposição de Recurso Especial 19515.004218/201041 37.309.5120 (AI 68) Obrig. Acessória Recurso Especial O presente processo trata do Auto de Infração de Obrigação Principal, Debcad 37.309.5139, referente às Contribuições Previdenciárias a cargo da empresa destinadas a terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, no período de 01/2005 a 13/2005, conforme Relatório Fiscal de fls. 30 a 42. Em sessão plenária de 16/07/2013, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2403002.141 (efls. 302 a 313), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PRIVADA. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de previdência complementar privada quando não extensivo a todos os empregados e dirigentes da empresa. DESPESAS MÉDICAS. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 19515.004214/201063 Acórdão n.º 9202006.424 CSRFT2 Fl. 357 3 A assistência médica seja a título de seguro saúde, seja a título de reembolso de despesas médicas, é saláriodecontribuição quando não ofertados a todos os empregados e dirigentes da empresa. Recurso Voluntário Provido em Parte." A decisão foi assim resumida: “ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial para reconhecer a decadência no período de 01/2005 a 11/2005, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN, bem como para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora." O processo foi encaminhado à PGFN em 13/09/2013 (Despacho de Encaminhamento de efls. 494 do processo principal) e, em 01/10/2013, foi interposto o Recurso Especial de efls. 314 a 331 (Despacho de Encaminhamento de efls. 513 do processo principal). O apelo está fundamentado nos arts. 64, II, e 67, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visava rediscutir as seguintes matérias: decadência; e aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, apenas quanto à aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, conforme Despacho nº 2400243/2014, de 24/02/2014 (efls. 332 a 335), o que foi mantido pelo Despacho de Reexame nº 2400347R/2014, de 07/05/2014 (efls. 336). Quanto à matéria que obteve seguimento, a Fazenda Nacional pede que se verifique, na execução do julgado, qual a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento parcial em 02/02/2015 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de efls. 342), a Contribuinte ofereceu, em 13/02/2015, as Contrarrazões de efls. 344 a 353 (carimbo de efls. 344), contendo os seguintes argumentos, relativamente à matéria que obteve seguimento: conforme muito bem observado no acórdão recorrido, antes da Medida Provisória n° 449 não havia a previsão de aplicação da multa de ofício mas sim a multa de mora aplicada em duas modalidades distintas: (i) uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea e (ii) outra decorrente da notificação fiscal de lançamento; Fl. 358DF CARF MF 4 posteriormente, com o advento da referida MP, que passou a vigorar a partir de 04/12/2008 e foi convertida na Lei n° 11.941, de 2009, surgiu a previsão da multa de ofício com a nova redação dada ao artigo 35 da Lei n° 8.212, de 1991, e com a inclusão do artigo 35 A no dispositivo legal mencionado acima; neste sentido, nos termos do artigo 144, do CTN, o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, de modo que em relação aos fatos geradores ocorridos antes de dezembro de 2008, aplicase apenas a multa de mora e, em relação aos fatos geradores ocorridos após dezembro de 2008, aplicase apenas a multa de ofício; deste modo, também quanto à aplicação da multa, não poderá ser admitido ou provido o Recurso Especial, e, por conseguinte, deverá ser feito o recálculo da multa com base no artigo 61, da Lei n° 9.430, de 1996, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212, de 1991. Ao final, a Contribuinte pede que seja negado provimento ao recurso, mantendose integralmente o acórdão recorrido. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e, relativamente à matéria que obteve seguimento aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009 atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, nesta parte. Embora a Contribuinte, em sede de Contrarrazões, alegue que o Recurso Especial não poderia ser admitido, uma vez que o acórdão recorrido teria aplicado o entendimento da súmula nº 99 do CARF, verificase que a citada súmula referese à matéria da decadência, cujo seguimento foi negado ainda na fase de admissibilidade, conforme os despachos de efls. 515 a 519. Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal, Debcad 37.309.5139, referente às Contribuições Previdenciárias a cargo da empresa destinadas a terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, no período de 01/2005 a 13/2005, conforme Relatório Fiscal de fls. 30 a 42. No que tange à penalidade, no caso do acórdão recorrido determinouse o recálculo da multa de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96). A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que se verifique, na execução do julgado, qual a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991. A retroatividade benigna encontrase prevista no Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), conforme a seguir: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) Fl. 359DF CARF MF Processo nº 19515.004214/201063 Acórdão n.º 9202006.424 CSRFT2 Fl. 358 5 II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." No presente caso, os fatos geradores ocorreram à luz de legislação posteriormente alterada, de sorte que a aferição acerca de eventual retroatividade benigna deve ser levada a cabo mediante comparação da redação original da Lei nº 8.212, de 1991, com a sua nova redação, conferida pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009: Redação da Lei nº 8.212, de 1991, à época dos fatos geradores “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 360DF CARF MF 6 b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento.” (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (grifei) Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” (grifei) Fl. 361DF CARF MF Processo nº 19515.004214/201063 Acórdão n.º 9202006.424 CSRFT2 Fl. 359 7 Destarte, independentemente da denominação que se dê à penalidade, há que se perquirir acerca do seu caráter material, e nesse sentido não há dúvida de que, mesmo na antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, estavam ali descritas multas de mora e multas de ofício. As primeiras, cobradas com o tributo recolhido após o vencimento, porém espontaneamente. As últimas, cobradas quando do pagamento por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais, nos lançamentos de ofício. Além disso, tanto os demais tributos como as contribuições previdenciárias têm seu regramento básico estabelecido pelo Código Tributário Nacional, que não só determina que a exigência tributária tem de ser formalizada por meio de lançamento, como também especifica as respectivas modalidades: lançamento por homologação, lançamento por declaração e lançamento de ofício. Cada uma dessas modalidades está ligada ao grau de colaboração verificado por parte do sujeito passivo. No caso dos tributos e contribuições federais, foi adotado de forma genérica o lançamento por homologação, que atribui ao sujeito passivo o dever de calcular o valor devido e efetuar o seu recolhimento, independentemente de prévia ação por parte da Autoridade Administrativa. Por outro lado, se o sujeito passivo deixa de cumprir com essas obrigações, o Fisco pode exigir o tributo por meio de lançamento de ofício. Nesta sistemática, qualquer que seja o tributo ou contribuição, e independentemente da denominação atribuída ao lançamento, claramente são visualizadas duas formas de recolhimento fora do prazo estabelecido: aquele efetuado espontaneamente, passível de aplicação de multa de mora; e aquele efetuado por força de ação fiscal, aplicável aí a multa de ofício, mais onerosa. Assim, embora a antiga redação do artigo 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora” para as contribuições previdenciárias, não há dúvida de que os incisos componentes do dispositivo legal já continham a descrição das duas condutas tipificadas nos dispositivos legais que regulavam os demais tributos federais: pagamento espontâneo e pagamento efetuado por força de ação fiscal, conforme os ditames do CTN. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, determinando que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 362DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.720313/2011-22
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 03 13 /2 01 1- 22 Fl. 72DF CARF MF 2 Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0733.313, da 3ª Turma da DRJ/FNS, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, face à existência de débitos fiscais, sem exigibilidade suspensa, bem como pela existência de atividade econômica vedada (consultoria) consoante o artigo 17, incisos V e XIII, da Lei Complementar nº 123, de 2006. A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido termo. cuja decisão da DRJ foi contrária à manifestação de inconformidade, a qual reproduzo o voto: Voto A impugnação é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dela conheço. Cumpreme registrar – para o melhor entendimento da lide – que a solicitação da opção pelo Simples Nacional se deu em 1212010e que o registro do Termo de Indeferimento da Opção se deu somente em 2122011. Inicialmente, acerca do prazo de que dispõe a interessada para realizar aopção pelo Simples Nacional, o parágrafo 2º do artigo 16 da Lei Complementar nº 123/2006 assim dispõe: Art. 16 – A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o anocalendário. ....................... § 2º – A opção de que trata o caput deste artigo deverá ser realizada no mês de janeiro, até o seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário de opção, ressalvado o disposto no parágrafo terceiro deste artigo. O Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN) dispôs sobre a forma de ingresso no regime especial na Resolução CGSN nº 04, de 3052007, cujo artigo 7º assim estabelece: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009)(grifei) De acordo com o Termo de Indeferimento, de fls. 4, as pendências que impediram o sujeito passivo de efetuar a opção Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10865.720313/201122 Acórdão n.º 1001000.271 S1C0T1 Fl. 3 3 pelo Simples Nacional, para o anocalendário 2010, foram a existência de débito de natureza previdenciária e não previdenciária, além praticar atividade econômica vedada para optante pelo Simples Nacional, qual seja: CONSULTORIA EM TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO [CNAE 64040/ 00] Sobre o tema, o artigo 17, inciso V da Lei Complementar nº 123, de 2006, assim estabelece: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: ... V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; [...] XIII – que realize atividade de consultoria; [...] Em sua impugnação, fls. 2 e 3, a interessada afirma que o ramo de atividade da empresa “NÃO É MAIS a atividade de ‘consultoria em tecnologia da informação’, conforme pode ser verificado pela cópia do comprovante de inscrição no CNPJ da empresa.” Está nos autos, fls. 6, o Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral do CNPJ, onde consta o Código e descrição da atividade econômica principal: 85.99604 Treinamento em desenvolvimento profissional e gerencial e como atividades econômicas secundárias: 85.99604 – Treinamento em desenvolvimento profissional e gerencial e 85.99699 – Outras atividade de ensino não especificadas anteriormente. Vê se também nos autos às fls. 20 a 23, a Segunda Alteração Contratual da empresa, onde consta a alteração de seus objetivos sociais, como se lê abaixo: (omiti). De se dizer que tal alteração contratual foi protocolada no Registro Civil das Pessoas Jurídicas de São João da Boa Vista – SP, em 10/3/2010, como provam as anotações contidas no corpo do documento:(omiti) A Interessada informou esta situação à RFB em 17/3/2010, onde foi considerada a data do evento [alteração contratual] o dia 10/3/2010. Esta situação contraria frontalmente o que dispõe o art. 7º, inciso I, da Resolução do CGSN nº 4, já citada, onde há a determinação de que as pendências impeditivas à opção pelo Simples Nacional devam ser regularizadas até o último dia útil do mês de janeiro do ano da solicitação da opção. No presente caso a regularização quanto que diz respeito à atividade Fl. 74DF CARF MF 4 econômica se deu 10/3/2010, situação que por si só seria suficiente para a manutenção do indeferimento. Quanto aos débitos previdenciários – anotados no termo de indeferimento – a Interessada afirma em sua impugnação que “OS DÉBITOS PARA COM A SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE NATUREZA PREVIDENCIÁRIA CUJA EXIGIBILIDADE NÃO ESTÁ SUSPENSA, FOI PARCELADA E OS PAGAMENTOS ESTÃO EM DIA”. Em consulta a sistema corporativo da RFB constatase que o pedido de parcelamento foi transmitido pela Interessada somente em 21/12/2010: Em consulta a sistema corporativo da RFB constatase que o pedido de parcelamento foi transmitido pela Interessada somente em 21/12/2010: Outra vez contrariando a orientação da já citada Resolução do CGSN nº 4. Quanto aos débitos não previdenciários – anotados no termo de indeferimento – interessa afirma que foram integralmente pagos em 30/12/2010. Em consulta a sistema de pagamentos da RFB constataseque foram arrecadados em 23/12/2010: Pelo exposto, constatase que a empresa não regularizou as pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, até o prazo estipulado pelo inciso I do §1ºA, do artigo 7º da Resolução CGSN nº 04, de 30/05/2007 Assim, diante do exposto, concluise que a Impugnante não atendeu a todas as determinações da legislação para poder ser incluída no Simples Nacional, pelo que mantenho o Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, para o ano calendário de 2010. A Interessada requer que seja inserida no Simples Nacional para o anocalendário de 2011, o que não se pode apreciar nestes autos uma vez que tratase de indeferimento para a opção para 2010. A apreciação de sua entrada – em 2011 – no sistema do Simples Nacional por este órgão julgador dependeria de indeferimento à solicitação de opção por este regime para o anocalendário de 2011, o que não ocorreu. Se houvesse ocorrido, tudo se passaria em outro processo administrativo, que não neste.. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10865.720313/201122 Acórdão n.º 1001000.271 S1C0T1 Fl. 4 5 A recorrente fez a opção pelo Simples Nacional em 12/01/2010, em relação ao anocalendário de 2010, portanto, dentro do prazo estabelecido pela legislação. Conforme apontado pela própria DRJ: "o registro do Termo de Indeferimento da Opção se deu somente em 21/2/2011" (sic). A Recorrente confundiuse em seu Recurso Voluntário, assim como o fizera quando da impugnação, sobre o ano calendário em discussão. Em seu recurso alega o direito à opção no anocalendário de 2011,quando, na realidade deveria ser o de 2010. Quanto a este, nada há o que acrescentar à decisão da DRJ posto que as irregularidades apontadas no Termo de Indeferimento foram devidamente comprovadas e regularizadas pela Recorrente, só que após o prazo legal. Portanto, em relação ao anocalendário de 2010, a Recorrente não tinha o direito à opção pelo Simples Nacional, nos termos dos incisos V e XIII, do art. 17, da LC 123/2006. Recurso voluntário negado, sem crédito em litígio. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11618.003150/2006-37
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
COFINS. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE COMPENSAR COM DÉBITOS DO SIMPLES. PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DO TRATAMENTO DIFERENCIADO E NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE .
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme inteligência da súmula 02.
Numero da decisão: 3001-000.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 COFINS. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE COMPENSAR COM DÉBITOS DO SIMPLES. PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DO TRATAMENTO DIFERENCIADO E NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE . O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme inteligência da súmula 02.
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COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE COMPENSAR COM DÉBITOS DO SIMPLES. PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DO TRATAMENTO DIFERENCIADO E NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE . O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme inteligência da súmula 02. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 8. 00 31 50 /2 00 6- 37 Fl. 558DF CARF MF 2 Relatório Despacho Decisório O mencionado Despacho Decisório houve por bem deferir os Pedidos constantes dos PER/DCOMP e deferir parcialmente o Pedido de Restituição no valor de R$ 235,02 (duzentos e trinta e cinco reais e dois centavos) , em virtude do reconhecimento parcial do direito creditório em que se fundamenta. Ainda, não homologou a Declaração de Compensação DCOMP, constante do PER/DCOMP rl° 17282.41132 .250505 .1.3.04 9054 em virtude de inexistência de crédito. Manifestação de Inconformidade Em sua defesa a Recorrente insurgese contra a negativa da homologação de seus créditos tributários relativos a PIS, COFINS e IMPOSTO DE RENDA recolhidos antecipadamente. Não cumulatividade Segundo consta a Recorrente, à época, sendo optante pelo SIMPLES, argumenta que qualquer recolhimento de tributo em desacordo com a Lei n° 9.317/96, transgride as normas gerais de direito tributário e afronta o princípio constitucional da NÃO CUMULATIVIDADE, de que trata o artigo 153, § 3°, II, da Constituição Federal Tratamento diferenciado Na seqüência de argumentos tecidas em sua defesa, argumentou também, que as empresas de pequeno porte, estão albergadas pelo disposto no artigo 179 da Carta Magna. Em decorrência, foi sancionada a Lei n° 9.317/96, e a Lei Complementar n° 123/2007, a qual regulamenta, definitivamente, o assunto ao estabelecer normas gerais relativas ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas. Substituiçao Tributária Por fim, insurgese em face do recolhimento do PIS e da COFINS sobre a aquisição de mercadorias para revenda relativamente à substituição tributária. Arguiu que tal imposição produz ônus para as microempresas e empresas de pequeno porte, sendo que, em sua ótica, estaria albergada por entendimento do Superior Tribunal de Justiça a não fazêlo. Em seu Pedido, requereu seja reformado o despacho decisório para permitir a compensação, decorrente de valores pagos nas aquisições de mercadoria e produtos para revenda, conforme consta dos documentos fiscais anexos DRJ/REC A manifestação de inconformidade foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 1125.780 4” Turma Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTARIA. ' Os comerciantes varejistas de veículos sujeitos ao regime de Fl. 559DF CARF MF Processo nº 11618.003150/200637 Acórdão n.º 3001000.198 S3C0T1 Fl. 559 3 substituição, quando optantes pelo SIMPLES não podem excluir da receita bruta o valor das vendas desses produtos para efeito da apuração da base de cálculo das contribuições. Não são considerados créditos líquidos e certos, do comerciante varejista optante pelo SIMPLES, passíveis de ressarcimento ou compensação, os valores recolhidos pelos fabricantes ou importadores de veículos a título de PIS e COFINS na condição de substituto. `Solicitação Indeferida O relatório do mencionado acórdão, por bem retratar a situação fática, será aproveitado conforme a transcrição a seguir: A interessada acima qualificada apresentou Pedido de Restituição à fl. 01 alegando retenção indevida de PIS, COFINS e IRRF nos anos calendários de 2003 e 2004 no valor original de R$ 20.321,32, e respectiva Declaração de Compensação em formulário, às fls.02/03 do citado crédito com débitos do SIMPLES (código 6106) relativos aos anos calendários de 2003; 2004 e 2005 no valor original de R$ 20.011,27. De acordo com o Parecer DRF/JPA/SAORT N° 364/2007 (fls. 495/498), a homologação parcial da compensação, consoante discriminado a seguir: a) quanto às retenções no código 1708, foi verificado que a contribuinte havia compensado, de maneira incorreta, o montante de R$ 20.322,69 com débitos referentes ao SIMPLES dos anos calendários de 2003 e 2004. Posteriormente, a contribuinte apresentou PER/DCOMP às fis.69 a 419. Após análises e intimações, a contribuinte efetuou as seguintes correções necessárias, quais sejam: i) pedidos de cancelamento das DCOMP apresentadas (fls.425 a 490 e 492 a 494; ii) retificação das PJSI referentes aos anos calendários de 2003 e 2004, substituindo o número das DCOMP pelo do presente processo (fls. 422 a 424). Realizada a análise, o citado parecer propôs o deferimento das solicitações de cancelamento das DCOMP (fls. 425 a 490 e 492 a 494), acatando a compensação do valor de R$ 235,02, originário da retenção do Consórcio Nacional Suzuki Motos Ltda cujo beneficiário é a interessada. b) quanto às retenções nos códigos 8645 e 8496 apresentadas às fls. 16 a 18 não conferem qualquer direito creditório à interessada tendo em vista se relacionarem com o CNPJ n° 84.447.804/000123. c) relativamente à PER/DCOMP n° 17282.41l32.250505.l.3.049054 (fls. 372 a 377), a qual se refere a um pagamento supostamente efetuado a maior Fl. 560DF CARF MF 4 (fl.494) no mês de setembro/2004, após análise foi constatado não se tratar de pagamento efetuado a maior, visto que o valor informado da PJ SI também estava incorreto. Aprovando o citado parecer, o Delegado da Receita Federal do Brasil em João Pessoa exarou o Despacho Decisório de fls. 499, através do qual resolveu: I) Deferir os pedidos de cancelamento constantes das PER/DCOMP às fls. 425 a 490 e 492 a 494; II) Deferir parcialmente o Pedido de Restituição (Íl. 01) no valor de R$ 235,02; III) Homologar parcialmente a DCOMP fls. 02 a 03 no valor de R$ 235,02; IV) Não Homologar a “Declaração de Compensação” constante da PEIUDCOMP n° 17282.41l32.250505.l.3.04 9054 (fls. 373 a 377), em virtude de inexistência de crédito. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls.503 a 514), na qual se insurge contra o indeferimento do pedido de homologação de compensação de crédito de PIS, COFINS e IR recolhidos através de substituição tributária de confonnidade com o disposto na IN SRF n° 54 de 19/05/2000, quando da aquisição de produtos para revenda. Em sua petição (fls. 505 a 509) transcreve artigos da Constituição Federal, bem como da Lei Complementar n° 123 de 14/12/2006, com vigência a partir de 01/07/2007, acerca do tratamento diferenciado da microempresa e empresas de pequeno porte. Relativamente à substituição tributária que produz ônus para as microempresa e empresas de pequeno porte transcreve, às fls. 510 a 5 13, ementas de decisões do STJ. Concluindo a contribuinte afirma que 'foi compelida, coagida a efetuar o recolhimento do PIS e da COFINS sobre aquisição de mercadorias para revenda cujo pagamento representa sangria na suas atividades, proporcionando irremediável prejuízo provocado pelas importâncias exigidas pela legislação atinente à substituição tributária que o Delegado da Receita Federal de João Pessoa entende indevidos ” No voto, a autoridade julgadora de primeira instância firma seu entendimento no sentido de delimitar o tema a ser enfrentado, qual seja, ao pedido de compensação de créditos decorrentes dos seguintes valores: a) relativos ao IR fonte recolhido no código 1708; b) relativos à COFINS Substituição tributária e PIS Substituição tributária códigos 8645 e 8496 respectivamente; c) valor de R$ 319,00 relativo ao recolhimento do Darf Simples relativo ao mês de setembro de 2004. Os créditos questionados portanto, dizem respeito apenas aos valores recolhidos a título de substituição tributária relativas à COFINS e ao PIS. substituição tributária e SIMPLES Fl. 561DF CARF MF Processo nº 11618.003150/200637 Acórdão n.º 3001000.198 S3C0T1 Fl. 560 5 não consta da legislação aplicável previsão legal para ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de substituição tributária sofrida pelo comerciante varejista que seja tributado pelo regime simplificado (SIMPLES). Matéria não impugnada PER/DCOMP n° 17282.41l32.250505.l.3.049054, tendo em vista que a interessada não se insurgiu contra a não homologação da mesma, considerarseá não impugnada, Recurso Voluntário Em sua peça de defesa a Recorrente repisa seus argumentos expostos na Manifestação de Inconformidade. Tratamento Diferenciado Pugnou pelo tratamento diferenciado e por seu direito ao ressarcimento e à compensação dos valores pagos a titulo de PIS e COFINS quando da aquisição de mercadorias que revende, mencionando que o Judiciário tem decidido favoravelmente às pretensões da Recorrente, no sentido de compensar os recolhimentos efetuados relativos a PIS e COFINS, qualquer que seja a forma de pagamento extra tributação pelo SIMPLES É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de Pedido de Restituição alegando retenção indevida de PIS, COFINS e IRRF, e respectiva Declaração de Compensação em formulário, às fls.02/03 do citado crédito com débitos do SIMPLES. Em breve síntese, a Recorrente sustenta haver crédito seu em favor graças ao princípio da não cumulatividade, tratado no artigo 153, § 3°, II, da Constituição Federal, e, também, o tratamento diferenciado albergado pelo disposto no artigo 179 da Carta Magna. Tais temas, entretanto, não são tratados em sede de contencioso administrativo, haja vista a previsão contida na Súmula 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso e negolhe provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 562DF CARF MF 6 Fl. 563DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13607.000736/2004-32
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003
EXCLUSÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. ATIVIDADE VEDADA. ARTIGO 9º, XIII, DA LEI Nº 9.317/1996. PROVA.
Não há fundamento para a exclusão da pessoa jurídica do regime do SIMPLES por desrespeito ao inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, se não restar provada a efetiva prestação de serviços constante da acusação, que se baseara apenas na previsão do contrato social.
Numero da decisão: 9101-003.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Re^go - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2003 EXCLUSÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. ATIVIDADE VEDADA. ARTIGO 9º, XIII, DA LEI Nº 9.317/1996. PROVA. Não há fundamento para a exclusão da pessoa jurídica do regime do SIMPLES por desrespeito ao inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, se não restar provada a efetiva prestação de serviços constante da acusação, que se baseara apenas na previsão do contrato social.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Re^go - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. ATIVIDADE VEDADA. ARTIGO 9º, XIII, DA LEI Nº 9.317/1996. PROVA. Não há fundamento para a exclusão da pessoa jurídica do regime do SIMPLES por desrespeito ao inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, se não restar provada a efetiva prestação de serviços constante da acusação, que se baseara apenas na previsão do contrato social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 7. 00 07 36 /2 00 4- 32 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 13607.000736/200432 Acórdão n.º 9101003.383 CSRFT1 Fl. 171 2 Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela PGFN, em face do acórdão nº 110100.599, da 1ªTurma Ordinária da 1ª Câmara, assim ementado: “SIMPLES. EXCLUSÃO INDEVIDA. SERVIÇOS DE REBOBINAGEM DE MOTORES ELÉTRICOS, CONSTRUÇÃO, REPARAÇÃO E MANUTENÇÃO DE REDE ELÉTRICA. SERVIÇOS AUXILIARES E COMPLEMENTARES DA CONSTRUÇÃO CIVIL. ÔNUS DA PROVA. A atividade de prestação de serviços de montagem e reparação de instalações elétricas, não está vedada à opção pelo SIMPLES. No procedimento de exclusão do regime cabe à Administração Tributária provar que a pessoa jurídica exercia atividade vedada à opção pelo sistema. Não é cabível a exclusão do SIMPLES sem a efetiva demonstração do exercício de atividade não permitida.” De acordo com o voto condutor do aresto recorrido: a) a Fiscalização não comprovou que as atividades então exercidas pela Recorrida exigiam a interferência de engenheiro mecânico ou assemelhados; b) o artigo 4º da Lei nº 10.964/2004, com a redação dada pela Lei nº 11.051/2004, retroage ao tempo da opção pelo Simples para excluir a restrição do inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, em benefício das pessoas jurídicas prestadoras de serviços de manutenção e reparação de automóveis, caminhões, ônibus e outros veículos pesados, bem como serviços de manutenção e reparação de aparelhos eletrodomésticos, desde que não enquadradas em outras hipóteses de vedação; c) a jurisprudência do antigo 3º Conselho de Contribuintes acolhia aplicação retroativa da Lei Complementar nº 123/2006. Nesse sentido, as pessoas jurídicas dedicadas às atividades de reparação e manutenção de máquinas e equipamentos agrícolas, antes excluídas do Simples federal em razão da equiparação com prestadoras de serviços de engenharia, tornaramse inseridas no mencionado regime. Tendo em conta que os autos físicos chegaram à PGFN no dia 13/03/2012 (fl. 141), considerase efetivada a intimação do órgão de defesa fazendário no dia 12/04/2012. Recurso Especial remetido ao CARF no dia 26/04/2012, à fl. 142. Nessa oportunidade, a Recorrente ataca o acórdão recorrido no ponto em que este sustenta que o ônus da prova da realização da atividade vedada é da Fiscalização, e não do contribuinte. Para tanto, expõe o acórdão nº 30239613, da 2ª Câmara do extinto 3º Conselho de Contribuintes, oferecido como paradigma na defesa da tese de que o ônus da prova cabe ao contribuinte: “SIMPLES. PRESENÇA DE ATIVIDADE VEDADA NO CONTRATO SOCIAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO EM CONTRÁRIO. A exclusão do Simples em razão da presença de atividade vedada no contrato social da empresa pode ser revertida, desde que a empresa comprove que nunca exerceu a atividade vedada.” Fl. 171DF CARF MF Processo nº 13607.000736/200432 Acórdão n.º 9101003.383 CSRFT1 Fl. 172 3 A Recorrente também apresenta o acórdão nº 20212341, da 2ª Câmara do extinto 2º Conselho de Contribuintes, que, adotando interpretação divergente sobre o dispositivo legal que emprestou fundamento ao acórdão recorrido, perfilhou o entendimento de que a previsão no contrato social é suficiente para excluir a pessoa jurídica do Simples, ainda que não esteja exercendo efetivamente a atividade vedada, verbis: “SIMPLES EXCLUSÃO ATIVIDADE ECONÔMICA NÃO PERMITIDA I A caracterização da atividade econômica da pessoa jurídica, primordialmente, dáse pela verificação do registro de seu objeto social. II A previsão no objeto social da pessoa jurídica ou o exercício das atividades de publicidade e propaganda, ou de atividades assemelhadas a uma delas, ainda que não esteja ela exercendo, efetivamente, por estarem relacionadas no art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96, constituem impedimento à opção ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. Recurso que se nega provimento.” A defesa da Fazenda Nacional salienta que a exclusão do Simples decorreu da constatação da existência de previsão contratual e, mais além, da prestação de serviços de rebobinagem de motores elétricos; construção, reparação e manutenção de rede elétrica; elaboração de projetos elétricos e comércio varejista de peças e material elétrico. Nessa linha, manifesta que tais atividades só podem ser exercidas por engenheiros ou assemelhados, destacando, ainda, que, quando intimada a entregar as notas fiscais de prestação de serviços, a Recorrida intencionalmente optou por deixar de apresentar a totalidade das notas fiscais de serviços relativos ao período de 2002 a 2004. Ao final, requer que o Recurso Especial seja conhecido e provido, restaurandose a decisão de primeira instância. Ciência da Recorrida para apresentação de contrarrazões no dia 06/09/2015. Prazo transcorrido in albis. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. Na interposição do presente Recurso Especial, foram atendidos os requisitos de recorribilidade. Dele conheço. Consta no Ato Declaratório Executivo DRF/STL nº 510.803, de 2 de agosto de 2004, que a Recorrida foi excluída do Simples, a partir de 01/01/2002, em razão de atividade econômica vedada: 31127/02 – instalação, reparação e manutenção de transformadores, indutores, conversores, sincronizadores e semelhantes – ocorrida em 21/11/2000, o que configuraria infração ao inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996. Com a impugnação do feito, a DRJ/Belo Horizonte indeferiu a solicitação de revisão do ato de exclusão, escorandose nos seguintes argumentos: “[...] A hipótese de exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES com fundamento no exercício de atividade econômica vedada para o sistema, Fl. 172DF CARF MF Processo nº 13607.000736/200432 Acórdão n.º 9101003.383 CSRFT1 Fl. 173 4 pressupõe a obtenção de receita oriunda de atividade vedada. O referido diploma legal impede a opção pelo Simples por parte das pessoas jurídicas: que prestem os serviços profissionais expressamente listados; que prestem os serviços profissionais assemelhados àqueles expressamente listados; que prestem serviços profissionais não expressamente listados, cujo exercício dependa de habilitação legalmente exigida. Em conformidade com a Primeira Alteração de Contrato, fls. 10/12, a descrição do objeto social é: [...] prestação de serviços de rebobinagem de motores elétricos; construção, reparação e manutenção de rede elétrica; elaboração de projetos elétricos e comércio varejista de material elétrico. A requerente afirma na SRS. fl. 14. que a atividade que explora é a: [...] Fabricação de subestações, quadro de comando, reguladores de alta voltagem e outros aparelhos e equipamentos para distribuição e controle de energia, comércio varejista de peças e material elétrico, e eventualmente reparação de aparelhos de distribuição de energia (rebobinagem) bem como em número muito pequeno serviços de instalação elétrica. [...] A empresa esclarece ainda que até a presente data não prestou quaisquer serviços de elaboração de projetos elétricos. Verificase a obtenção de receita oriunda da prestação de serviço profissional de engenheiro caracterizada pela "reparação de aparelhos de distribuição de energia" e pelos "serviços de instalação elétrica". Logo, o ato de exclusão não contém incorreções. (grifei) Pelo fato das alegações referentes à exclusão e seus efeitos, cabe ressaltar que a Lei n° 9.317, de 1996, determina: Art. 12. A exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de oficio. Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: I por opção; II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; [...] Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13607.000736/200432 Acórdão n.º 9101003.383 CSRFT1 Fl. 174 5 § 1° A exclusão na forma deste artigo será formalizada mediante alteração cadastral. [...] Art. 14. A exclusão darseá de oficio quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; [...] Art. 16. A. pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Ainda a Instrução Normativa SRF n° 355, de 2003, que vigorava à época, previa: Art. 24. [...] Parágrafo único. Para as pessoas jurídicas enquadradas nas hipóteses dos incisos III a XVII do art. 20, que tenham optado pelo Simples até 27 de julho de 2001, o efeito da exclusão darseá a partir: [...] II de 1º de janeiro de 2002. quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. No presente caso a pessoa jurídica incorreu em situação excludente e por esta razão estava obrigada a preceder à exclusão mediante comunicação à Secretaria da Receita Federal. Como este procedimento não foi adotado voluntariamente, foi efetuada de forma regular a exclusão de ofício pelo Delegado da Receita Federal em Sete Lagoas/MG, no estrito cumprimento do dever legal (art. 116 da Lei n° 8.112. de 11 de dezembro de 1990). Além disso, a partir dos efeitos da exclusão, ou seja, 01/01/2002, a requerente fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive às obrigações tributárias principais e acessórias. Logo os efeitos do ato de exclusão devem prevalecer.” Com o indeferimento da manifestação de inconformidade, a Recorrida interpôs recurso voluntário ao 3º Conselho de Contribuintes. No primeiro momento, a 1ª Turma Especial do 3º Conselho de Contribuintes expediu resolução para a realização de diligência destinada a apurar, “através (sic) do exame de notas fiscais, recibos, faturas ou documentos assemelhados, a real atividade exercida pelo [então] Recorrente.” No desempenho da diligência, o agente fiscal designado intimou o próprio recorrido a entregar à Fiscalização: Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13607.000736/200432 Acórdão n.º 9101003.383 CSRFT1 Fl. 175 6 “todos os Blocos de Notas Fiscais de Saída/Prestação de Serviços para o período de 01/01/2002 a 31/12/2004, bem como Contratos de Prestação de Serviços e Livros Caixas relativos ao mesmo período”; “todos os Livros de Registros de Empregados, bem como contratos de prestação de serviços por profissionais autônomos – anos de 2002 a 2004”. No relatório denominado Informação Fiscal, o agente fiscal assim resumiu o que pôde coletar na realização do trabalho, afora suas conclusões: “Em função da não apresentação da totalidade dos blocos de Notas Fiscais de Prestação de Serviços relativos ao período de 2002 a 2004 não é possível afirmar se a empresa prestou ou não serviços de Elaboração de Projetos Elétricos. Contudo se constata, na especificação dos serviços executados constantes das Notas Fiscais apresentadas, que ora citamos por amostragem, a prestação dos serviços de construção, reparação e manutenção de rede elétrica fls 85 a 117. (grifei) [...] Ainda, os segurados empregados, em quase sua totalidade, foram contratados pela empresa para exercer as funções de Eletricista de Bobinagem, Auxiliar de Eletricista, Eletricista Industrial I, Gerente de Planejamento Elétrico, Eletricista Instalador, Eletricista, ½ Oficial Eletricista, Eletricista Montador e Eletricista de Manutenção conforme LRE Livro de Registro de Empregados fls 62 a 84. [...] A interessada exerce a atividade de prestação de serviços de rebobinagem de motores elétricos, construção, reparação e manutenção de rede elétrica e comércio varejista de material elétrico. A Lei n° 5.194, de 24/12/1966, que regula o exercício das profissões de Engenheiro, Arquiteto e Engenheiro Agrônomo, no seu art. 27, determina: Art. 27 São atribuições do Conselho Federal: (...) f) baixar e fazer publicar as resoluções previstas para regulamentação e execução da presente Lei, e ouvidos os Conselhos Regionais, resolver os casos omissos; A Resolução CONFEA n° 218, de 29/06/1973, assim dispõe: O Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, usando das atribuições que lhe conferem as letras "d" e "f, parágrafo único do artigo 27 da Lei n° 5.194, de 24 Dez 1966, CONSIDERANDO que o art.7° da Lei n° 5.194/66 refere se às atividades profissionais do engenheiro, do arquiteto e do engenheiro agrônomo, em termos genéricos; (...) RESOLVE: Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13607.000736/200432 Acórdão n.º 9101003.383 CSRFT1 Fl. 176 7 art. 1o Para efeito de fiscalização do exercício profissional correspondente às diferentes modalidades da engenharia, arquitetura e agronomia em nível superior e em nível médio, ficam designadas as seguintes atividades: (...) Atividade 11 Execução de obra e serviço técnico; (...) Atividade 14 Condução de trabalho técnico; Atividade 15 Condução de equipe de instalação, montagem, operação, reparo ou manutenção; Atividade 16 Execução de instalação, montagem, e reparo; Atividade 17 Operação e manutenção de equipamento e instalação; art. 9o Compete ao ENGENHEIRO ELETRÔNICO ou ao ENGENHEIRO ELETRICISTA, MODALIDADE ELETRÔNICA ou ao ENGENHEIRO DE COMUNICAÇÃO I o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo 1o desta Resolução, referentes a materiais elétricos e eletrônicos; equipamentos eletrônicos em geral; sistemas de comunicação e telecomunicações; sistemas de medição e controle elétrico e eletrônico; seus serviços afins e correlatos. (...) art. 23 Compete ao TÉCNICO DE NÍVEL SUPERIOR OU TECNÓLOGO: I o desempenho das atividades 09 a 18 do artigo 1° desta Resolução, circunscritas ao âmbito das respectivas modalidades profissionais; (...) art. 24 Compete ao TÉCNICO DE GRAU MÉDIO: I o desempenho das atividades 14 a 18 do artigo 1° desta Resolução, circunscritas ao âmbito das respectivas modalidades profissionais; (grifo nosso). IV CONCLUSÃO O exercício de qualquer atividade impeditiva, independentemente da participação percentual das receitas dela provenientes no resultado total da pessoa jurídica, veda a adesão ao Simples, uma vez que não há previsão legal para o pagamento de tributos da forma que poderíamos denominar mista, isto é, parte segundo as regras do sistema tradicional e parte consoante as normas do Simples. De todo o exposto, concluímos que o Contribuinte desenvolveu, no período de 2002 a 2004, atividades atinentes à profissão de engenheiro, tecnólogo ou técnico de grau médio, profissões que dependem de habilitação profissional legalmente exigida.” (grifei) Verificase, no exame dos autos, que a Turma recorrida não deu a menor importância à citada Informação Fiscal, além de demonstrar discordância em relação aos fundamentos do acórdão da DRJ, ao ressaltar que não há qualquer evidência de que as Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13607.000736/200432 Acórdão n.º 9101003.383 CSRFT1 Fl. 177 8 atividades exercidas pela recorrida exijam a interferência de engenheiro, “ou que nela se desempenham atividades de competência primordial de profissionais legalmente habilitados na área de engenharia.” Também impende dar o devido relevo ao voto condutor do acórdão recorrido quando este pronuncia que o ônus da prova da realização da atividade vedada é da Fiscalização. Seguindo essa linha de raciocínio, o aresto recorrido concluiu que a Fiscalização eximiuse do encargo de comprovar o exercício de atividade vedada. Cabe frisar, ainda, que o voto condutor encerra o juízo segundo o qual dever seia aplicar a Lei Complementar nº 123/2006 retroativamente, em benefício da Recorrida. Com efeito, a diligência empreendida extrapolou do objeto da acusação, que se concentrara em ocorrência do anocalendário de 2000, ao passo que o diligenciante buscou evidências relativas a fatos dos anoscalendário de 2002 a 2004. Considerando a necessária sujeição ao princípio que impõe a correlação entre a acusação e a decisão a ser tomada, não se deve acolher, em fase recursal, a exclusão do regime do Simples, requerida pela PGFN, pela realização de atividades, no período de 2002 a 2004, relacionadas à “profissão de engenheiro, tecnólogo ou técnico de grau médio, profissões que dependem de habilitação profissional legalmente exigida.” Ademais, é preciso fixar a atenção no verbo “prestar”, ao qual se associa o objeto "serviços profissionais", ambos inscritos no tipo legal do inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, os quais deslocam o ônus da prova para a Fiscalização. Ou seja, só a efetiva prestação de serviços vedados dá causa à exclusão do Simples com base no inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996. Nesses termos, devese reconhecer que a Administração Tributária fracassou na produção da prova da efetiva prestação de serviço interditado ao Simples, pois restringiuse à mera previsão no objeto social, que apenas demarca as atividades que os sócios da pessoa jurídica se propõem a empreender, o que não significa que se obrigam a exercêlas ou que tenham sido exercidas. Portanto, em face do exposto, conheço do Recurso Especial da PGFN para, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 177DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10611.000771/2007-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/12/2006, 22/02/2006, 23/02/2007
Ementa:
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL
De acordo com a Súmula CARF nº 1 implica na renúncia às instâncias administrativas. a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3301-004.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em face de concomitância entre a via administrativa e judicial.
José Henrique Mauri - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/12/2006, 22/02/2006, 23/02/2007 Ementa: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL De acordo com a Súmula CARF nº 1 implica na renúncia às instâncias administrativas. a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em face de concomitância entre a via administrativa e judicial. José Henrique Mauri Presidente. Valcir Gassen Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 00 07 71 /2 00 7- 47 Fl. 456DF CARF MF Processo nº 10611.000771/200747 Acórdão n.º 3301004.226 S3C3T1 Fl. 457 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 444 a 454) interposto pelo Contribuinte, em 11 de setembro de 2013, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 0825.195 (fls. 426 a 434), de 28 de março de 2013, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE), que julgou, por unanimidade de votos: 1) declarar definitivo o crédito tributário na esfera administrativa por concomitância de discussão na esfera judicial, relacionado à DI nº 06/15670959, 1.1) equivalente ao principal dos tributos e respectivas multas de ofício, ao qual deverão ser acrescentados os juros de mora, observados a decisão judicial exarada no processo nº 2007.38.00.0039230 e o pagamento alegado pelo Contribuinte; 1.2) equivalente às multas de ofício e juros de mora lançados para as DI nº 07/02269179 e nº 07/02328825, que fica subordinado ao que for decidido no processo judicial nº 2007.38.00.0092620; 2) e conhecer de forma parcial a Impugnação, afastando a arguição preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, considerando não impugnada a matéria referente ao lançamento do principal dos tributos relacionado às DIs nº 07/02269179 e 07/02328825, observandose os pagamentos alegados pelo Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 02/15 constituídos para cobrança da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços (Pis/PasepImportação) e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior (CofinsImportação), acrescidas das multas de ofício e dos juros de mora, perfazendo na data da autuação um valor de R$ 740.411,62 (setecentos e quarenta mil, quatrocentos e onze reais e sessenta e dois centavos). Na descrição dos fatos a fiscalização consignou, em resumo, que: em 26/12/06, 22/02/07 e 23/02/07 o contribuinte registrou, respectivamente, as Declarações de Importação (DI) no 06/15670959, 07/02269179 e 07/02328825, relativas a importações de equipamentos médicos, que, segundo informação consignada nos despachos, se deram através de operações de arrendamento mercantil e, por essa razão, foram objeto de processo de consulta, protocolizado em 03/10/06, junto à Superintendência da Receita Federal da 8a Região Fiscal, antes, portanto, do registro das DI. A consulta procurava abrigo ao entendimento de que a edição da Lei no 10.925/04, sucedânea da Lei no 10.865/04, teria reduzido a zero as alíquotas da CofinsImportação e Pis/Pasep Importação, no tipo de operação em questão; antes que o processo de consulta fosse solucionado, o importador registrou as três DI, sem o recolhimento das contribuições, como se, no caso em espécie, tivessem suas alíquotas reduzidas a zero e, ao assim proceder, infringiu os artigos 4° e 13 da Lei no 10.865/04 (lançamento inexato desacompanhado de recolhimento); Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10611.000771/200747 Acórdão n.º 3301004.226 S3C3T1 Fl. 458 3 a alegação constante das DI sobre o processo de consulta é improcedente “haja vista que os processos de consulta, smj, não possuem competência para provocar a suspensão da exigibilidade do tributo conforme depreendese da leitura dos artigos 151 da Lei 5.172/66 combinado com os artigos 48 e 49 do Decreto 70.235/72”. constatada a infração no curso do despacho, registrouse na DI no 06/15670950, parametrizada para o canal vermelho, a exigência no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) para o recolhimento das contribuições e respectiva multa de oficio. Nas demais DI, como foram parametrizadas para o canal verde, efetuouse a mesma exigência por meio dos termos de intimação Sapea de n° 07031503 e 07030101 (fls. 18/19); decorridos mais de quinze dias da ciência, prazo concedido nas intimações e, não atendidas as exigências na forma determinada, foi lavrado o auto de infração para constituir o crédito tributário não lançado nem recolhido, e para lançar a penalidade determinada para a infração cometida constante dos artigos 44 e 61 da Lei no 9.430/96. Cientificado dos autos de infração em 09/04/07 (fls. 4 e 10), o interessado, em 08/05/07, apresentou a impugnação de fls. 115/127, onde alega, em síntese, que: em 03/10/06, antes do registro das DI, protocolou consulta, processo no 13896.001533/200617, junto à Delegacia da Receita Federal de São Paulo, por meio da qual indagou se as importações poderiam se beneficiar da alíquota zero da Pis/PasepImportação e da CofinsImportação, por se tratarem de operações de arrendamento mercantil, de acordo com o previsto no § 14, art. 8o, da Lei n° 10.865/04, incluído pela Lei n° 10.925/04; visando o desembaraço das DI e recebimento dos equipamentos importados, informou no campo “Dados Complementares” que estava em trâmite consulta para a qual, até aquele momento, não havia obtido resposta; é sabido que, nessa situação, não poderia sofrer nenhuma restrição ao seu desembaraço e entrega, e ainda, não poderia lhe ser cobrado os tributos, muito menos acrescidos de multa e juros, conforme expressamente determina o caput do art. 48 do Decreto 70.235/72, que regula o Processo Tributário Administrativo em âmbito federal e é norma geral de observância obrigatória em tal esfera; ademais, em 23/02/07 [sic], visando o desembaraço e liberação das mercadorias importadas, efetuou o recolhimento das contribuições supostamente incidentes, eis que, até aquela data ainda não havia sido solucionada a consulta, o que veio a ocorrer apenas no dia 19/04/07, passado bastante tempo após os registros das DI; apesar do recolhimento, agora, é surpreendida com um auto de infração onde é cobrado, além dos tributos, como se ainda não tivessem sido pagos, os juros e multas, que, como manda a legislação, não são devidos enquanto não for solucionada a consulta; é absurdo e totalmente inválido o auto de infração lavrado, pois bem antes da solução da consulta (17/04/2007), os tributos já haviam sido recolhidos (DARF's em anexo), ou seja, o auto de infração além de cobrar indevidamente os juros e multas, ainda está a cobrar o principal que já foi devidamente recolhido; não poderia ter sido formalizado o presente auto de infração, pois até a data da sua lavratura, 05/04/2007, ainda não havia transcorrido o prazo legal do art. 48 do Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10611.000771/200747 Acórdão n.º 3301004.226 S3C3T1 Fl. 459 4 Decreto n° 70.235/72, qual seja, 30 dias da ciência da solução da consulta formulada, prazo esse que, durante seu transcurso é vedada qualquer ação fiscal visando cobrar o tributo. Em seguida, o impugnante requer que preliminarmente o auto de infração seja declarado nulo por ter sido lavrado em 05/04/07, “antes mesmo da ciência, por parte da Autuada, da solução da Consulta Formulada (19/04/2007)”, e, ainda, em razão dos tributos já terem sido pagos/recolhidos aos cofres públicos “não havendo o menor amparo em nosso ordenamento jurídico para a cobrança de dívida paga”. Acrescenta que “tanto o PIS quanto a COFINS Importação, ou seja, o principal, nunca poderiam ter sido alvo do presente Auto de infração, mas, mesmo os juros e multas cobrados, estão em desacordo com o ordenamento jurídico que regula o Processo Administrativo Fiscal sob o qual estavam as mercadorias importadas” (art. 48, do Decreto no 70.235/72). Que o Código Tributário Nacional (art. 161, § 2o) e o Decreto no 4.543/02 Regulamento Aduaneiro (art. 665), que possuem redações idênticas, são expressos em excetuar a incidência de juros e multas de mora em casos onde haja consulta formulada. Após a instauração da lide o processo foi encaminhado a esta DRJ/FOR que, em 21/12/10, recepcionou correspondência eletrônica oriunda da unidade de origem (fl. 214), por meio da qual era informado que a matéria aqui tratada estava sendo objeto de discussão na esfera judicial por meio do processo no 2007.38.00.0039230. Diante dessa informação, foi realizada, nesta DRJ/FOR, consulta ao processo judicial, disponível na internet no sítio da Seção Judiciária de Minas Gerais (fls. 215/218), verificandose que no campo “Observação” se fazia referência à DI no 06/15670959, mas não às DI no 07/02269179 e 07/02328825, que também são objeto deste processo administrativo. Além disso, não havia elementos neste processo, como, por exemplo, a petição inicial, que permitissem a delimitação com segurança da abrangência da matéria que estava sendo (ou fora) discutida no Judiciário. De modo que este processo, por meio do Despacho no 1, da 2a Turma da DRJ/FOR, de 11/03/11 (fls. 220/222), foi devolvido à Inspetoria da Receita Federal do Brasil, em Belo Horizonte/MG, “para a anexação da Petição Inicial, Sentença e demais decisões acaso proferidas no Mandado de Segurança no 2007.38.00.0039230”. Como resultado da diligência foi anexada cópia do Processo Administrativo de Acompanhamento Judicial (PAJ) no 10611.000409/200776 que segue a tramitação na justiça do processo no 2007.38.00.0039230 (fls. 230/359), sendo o interessado cientificado dessa providência em 25/11/11 (fls. 373/374). Em 19/12/11, a Sociedade Anônima compareceu aos autos para, basicamente, ratificar os argumentos apresentados por ocasião da impugnação e esclarecer que a DI no 06/1560959 referese ao Mandado de Segurança no 2007.38.00.0039230, que transitou em julgado no dia 17/05/07 e as outras DI são correlatas à ação mandamental no 2007.38.00.0092620, em tramitação na 1a Região. Foram apresentados juntamente com essa última manifestação do autuado os doc. 01 a 04: inicial do mandado de segurança no 2007.38.00.0039230 (fls. 380/394); inicial do mandado de segurança no 2007.38.00.0092620 (fls. 395/416) e os documentos de fls. 417/423, por meio dos quais o autuado almeja comprovar o pagamento dos tributos referentes às DI em questão. Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10611.000771/200747 Acórdão n.º 3301004.226 S3C3T1 Fl. 460 5 Tendo em vista a decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, para que seja anulado o referido Acórdão ou, ainda, que seja reformada a decisão julgando improcedente o Lançamento Fiscal consubstanciado no Auto de Infração nº 01251100. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0825.195, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/12/2006, 22/02/2006, 23/02/2007 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA PARCIAL ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. OCORRÊNCIA. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, diante de fato no qual interpreta que a legislação impõe a constituição do crédito tributário, está obrigado a fazer o lançamento, sob pena de vir a responder funcionalmente pela sua omissão. Se no processo administrativo fiscal de determinação e exigência dos créditos tributários da União são observados os requisitos formais e materiais exigidos pelo Código Tributário Nacional e pelo Decreto no 70.235/72 não há que se falar em nulidade. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OCORRÊNCIA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Impugnação Improcedente O ora analisado Recurso Voluntário visa anular o referido Acórdão ou, se for o caso, reformar a decisão, julgando improcedente o lançamento fiscal consubstanciado no Auto de Infração nº 01.251100. Os argumentos trazidos pelo Contribuinte sobre o mérito da lide dizem respeito a: Nulidade do Auto de Infração por lançamento do crédito tributário objeto de consulta fiscal; Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10611.000771/200747 Acórdão n.º 3301004.226 S3C3T1 Fl. 461 6 Improcedência do Auto de Infração por lançamento de crédito tributário extinto pelo pagamento. Nesse contexto, o Contribuinte aduz que o referido Auto de Infração deve ser anulado uma vez que já havia sido formulada Consulta, por parte do próprio Contribuinte, antes do vencimento do crédito tributário, o que inviabilizaria, segundo ele, a instauração de procedimento fiscal e o lançamento do crédito tributário. Em que pese os argumentos trazidos pelo Contribuinte em seu Recurso Voluntário, insta observar que deve ser mantido o entendimento da decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido, uma vez que o Contribuinte buscou na esfera judicial a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, o que tem por consequência a renúncia à esfera administrativa, como se verifica no seguinte trecho da decisão e que serve como razões para decidir (fls. 430 a 432): Tendo sido constatado que, sob o aspecto tributário, as operações das DI no 06/15670959, 07/02269179 e 07/02328825 foram submetidas ao Judiciário, por meio dos processos no 2007.38.00.0039230 e 2007.38.00.009260, resta realizar o cotejo entre o que lá foi pedido e o que foi impugnado no âmbito administrativo, para, no que se refere à matéria coincidente, não conhecer da impugnação, declarando aqui a definitividade da respectiva parcela do crédito tributário e a sua subordinação ao que for decidido na esfera judicial e, ainda, verificar se subsiste ou não matéria diferenciada a ser analisada por esta instância julgadora, tudo nos termos do art. 87, do Decreto no 7.574 de 29 de setembro de 2011 e Ato Declaratório Normativo (ADN) no 3, de 14 de fevereiro de 1996, da Coordenação Geral do Sistema de Tributação (Cosit) desta Secretaria. Da matéria submetida ao Judiciário No caso da DI no 06/15670959, o importador procurou guarida no mandado de segurança no 2007.38.00.0039230 para que a autoridade administrativa liberasse o equipamento médico importado sem fazer qualquer exigência fiscal no curso do despacho aduaneiro, fosse em relação ao principal dos tributos, fosse em relação à multa de ofício e juros, pois entendia encontrarse amparado em razão da consulta que havia protocolado junto à Delegacia da Receita Federal de São Paulo, até então ainda não solucionada. Naquele processo judicial, que transitou em julgado em 17/05/07, o juiz decidiu que: 1) a importação não fazia jus à alíquota zero da Pis/PasepImportação e da Cofins Importação (vide fl. 327): Na hipótese sob exame, conforme foi ressaltado pela autoridade administrativa a redução a zero da alíquota prevista disposto [sic] no § 14º, do art. 8º, da Lei 10865/2004 não se destina a isentar a importação via leasing da COFINS/PIS Importação, mas tão somente de evitar que a operação de arrendamento mercantil seja tributada duas vezes – (...). [...]. Desta forma, a redução de alíquota prevista no art. 8º, § 14º, da Lei 10865 de 30/04/2004, somente incide na hipótese prevista no art. 3º, II, do mesmo diploma legal (pagamento de serviços prestados) razão pela qual ela não incide na primeira hipótese (entrada de bens estrangeiros no território Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10611.000771/200747 Acórdão n.º 3301004.226 S3C3T1 Fl. 462 7 nacional) mediante o desembaraço aduaneiro que é a hipótese dos presentes autos. 2) a consulta apresentada não produzia os efeitos previstos no art. 48, do Decreto no 70.235/72, nem suspendia a exigibilidade do crédito tributário (vide fls. 328 e 330/331): Ora, para que a consulta produza os efeitos previstos no art. 48 do Decreto 70235/1972 especialmente impedir a instauração de procedimento fiscal contra a consulente, relativamente à matéria objeto da consulta, a partir de sua apresentação até o trigésimo dia subseqüente à data da decisão definitiva, é necessário que a consulta satisfaça os requisitos de validade previstos em lei. [...]. Mesmo que assim não se entenda, no caso concreto, a despeito da alegada morosidade da Administração Tributária Federal no Estado de São Paulo em examinar o conteúdo da consultada que lhe foi dirigida e respondêla prontamente fazse pertinente observar que a referida consulta não suspende a exigibilidade do crédito por força do disposto no art. 49, do Decreto 70235, de 06/03/1972 (...). [...]. Assim sendo, tendo presentes as razões expostas e, pelo que mais dos autos constam, denego a segurança impetrada porque para que a consulta fiscal produza os efeitos previstos no art. 48 do Decreto 70235/1972 especialmente impedir a instauração de procedimento fiscal contra o consulente, relativamente à matéria objeto da consulta, a partir de sua apresentação até o trigésimo dia subseqüente à data da decisão definitiva, é necessário que a consulta satisfaça os requisitos de validade previstos em lei – entre eles não estar o fato objeto da consulta definido ou declarado em disposição literal de lei – (art. 52, VI, do Decreto 70235/72), tal como ocorre no caso sob apreciação, conjugada com a circunstância de tratarse de tributo autolançado (art. 49, do Decreto 70235/72) de sorte que a consulta formulada pela contribuinte no caso examinado não suspende a exigibilidade do crédito. (...). Assim, está plenamente caracterizada a renúncia à discussão na esfera administrativa de todo o crédito tributário relacionado à DI no 06/15670959. Quanto às DI no 07/02269179 e 07/02328825, a ação judicial no 2007.38.00.0092620, em tramitação na 12ª Vara da Justiça Federal – Seção Judiciária de Minas Gerais, tem como pedido que seja determinado à autoridade administrativa “que se abstenha de cobrar multa de ofício e juros de mora, eis que o principal, o PIS e a COFINSImportação, supostamente incidentes sobre os equipamentos descritos nas D.I.’s no 07/02269179 e 07/02328825 (doc. 02), já foram devidamente recolhidos” (vide fl. 415). Temse, assim, caracterizada a renúncia à discussão na esfera administrativa da parcela do crédito tributário referente à multa de ofício e aos juros de mora relacionados às DI no 07/02269179 e 07/02328825. Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10611.000771/200747 Acórdão n.º 3301004.226 S3C3T1 Fl. 463 8 Portanto, resta claro a concomitância entre a esfera administrativa e judicial, o que não contesta o Contribuinte em seu Recurso Voluntário. O que alega em seu recurso, e que não é objeto da medida judicial no entendimento da decisão ora recorrida, diz respeito a duas questões como acima salientado, 1) nulidade do Auto de Infração por lançamento do crédito tributário objeto de consulta fiscal; e, 2) Improcedência do Auto de Infração por lançamento de crédito tributário extinto pelo pagamento. Em que pese os argumentos da decisão ora recorrida, de que não há concomitância quanto a discussão da nulidade do auto de infração, visto que o lançamento do crédito tributário é objeto de consulta fiscal, e, que esse crédito tributário estaria extinto pelo pagamento, fica patente que essa discussão está compreendida nos processos judiciais nºs 2007.38.00.0039230 e 2007.38.00.009260, tanto que o que for decidido em relação a essas duas questões ficam dependentes do que for decidido na via judicial. Neste sentido, cabe lembra a aplicação da Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, de acordo com a legislação aplicável e os autos do processo, voto por não conhecer do Recurso Voluntário devido a concomitância entre a via judicial e a administrativa. Valcir Gassen Relator Fl. 463DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002781/2007-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Tratando-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida.
ALIENAÇÃO DE BENS. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AUSÊNCIA. CRITÉRIOS PARA APURAÇÃO. INAPLICABILIDADE.
Na ausência do custo de aquisição para fins de apuração do ganho de capital obtido na alienação de bens, a legislação estabelece métodos para a sua apuração vinculantes para a autoridade fiscal, com a consequente atribuição de valor zero ao custo de aquisição.
Numero da decisão: 2201-004.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
EDITADO EM: 16/03/2018
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratando-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. ALIENAÇÃO DE BENS. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AUSÊNCIA. CRITÉRIOS PARA APURAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Na ausência do custo de aquisição para fins de apuração do ganho de capital obtido na alienação de bens, a legislação estabelece métodos para a sua apuração vinculantes para a autoridade fiscal, com a consequente atribuição de valor zero ao custo de aquisição.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator EDITADO EM: 16/03/2018 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizamse como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. ALIENAÇÃO DE BENS. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AUSÊNCIA. CRITÉRIOS PARA APURAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Na ausência do custo de aquisição para fins de apuração do ganho de capital obtido na alienação de bens, a legislação estabelece métodos para a sua apuração vinculantes para a autoridade fiscal, com a consequente atribuição de valor zero ao custo de aquisição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 27 81 /2 00 7- 80 Fl. 735DF CARF MF Processo nº 19515.002781/200780 Acórdão n.º 2201004.137 S2C2T1 Fl. 736 2 Carlos Henrique de Oliveira Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator EDITADO EM: 16/03/2018 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1733.446 5ª Turma da DRJ/SPO II, o qual julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração pelo qual se exige Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF incidente sobre ganho de capital e omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários não identificados. Contra o contribuinte supra qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls.426/434, relativo ao imposto sobre a renda de pessoas físicas dos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, em decorrência de ação fiscal que teve por objeto o exame do cumprimento das obrigações tributárias relativas a esse período (fl.0l). Das verificações realizadas resultou a apuração do crédito tributário no valor total de R$ 912.509,08 (novecentos e doze mil, quinhentos e nove reais e oito centavos), na seguinte composição: Imposto R$ 409.919,69 Juros de mora (calc. Até 31 /08/2007) R$ 195.149,63 Multa proporcional R$ 307.439,76 O crédito tributário constituído referese a irregularidades assim descritas no Auto de Infração: Omissão de Ganhos de Capital na alienação de bens e direitos; Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Os valores tributáveis e o enquadramento legal encontramse discriminados no corpo do auto de infração. Fl. 736DF CARF MF Processo nº 19515.002781/200780 Acórdão n.º 2201004.137 S2C2T1 Fl. 737 3 No Termo de Verificação e Constatação Fiscal TVCF de fls. 391/401, que faz parte integrante do Auto de Infração, a auditora fiscal responsável pelo procedimento dá conta dos fatos que originaram a autuação. Consta que em relação aos depósitos bancários, o fiscalizado foi instado por diversas vezes a apresentar documentos hábeis e idôneos para comprovação da origem dos recursos depositados nas suas contas bancárias mantidas junto às instituições Banco Itaú S/A e Banco Santander S/A, nos períodos examinados. Após análise dos documentos e esclarecimentos prestados, foram os depósitos considerados sem origem comprovada lançados como omissão de rendimentos nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/1996. Já os ganhos de capital na alienação de bens e direitos foram apurados com base nas escrituras apresentadas pelo 23° Tabelião de Notas da Capital e pelo Cartório de Registro Civil e anexos de Bertioga, em atendimento a ofícios expedidos pela fiscalização. A multa de ofício foi aplicada no percentual de 75,00% (setenta e cinco por cento), com fundamento no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. Foi apresentada impugnação. Levada a julgamento, foram os autos baixados em diligência, por Resolução da 5ª Turma da DRJ/SPO II, com vistas a intimar os compradores do imóvel situado em Bertioga (Riviera de São Lourenço), à confirmar as datas, valores e forma de pagamento, uma vez que o impugnante pretendia justificar origens de recursos de alguns depósitos bancários com as quantias recebidas na alienação. Em atendimento, a fiscalização anexou aos autos os documentos de fls.659/668. Foi prolatado o Acórdão nº 1733.446 5ª Turma da DRJ/SPO II (fls. 669/686), que a julgou improcedente, mantendo integralmente o Auto de Infração, nos termos da seguinte ementa: NULIDADES Tendo o auto de infração sido lavrado por servidor competente, com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e, existentes no instrumento todas as formalidades necessárias para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, não há que se falar em nulidade, devendo os erros apontados pelo sujeito passivo ser analisados e, se for o caso, retificados. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas que justifiquem individualmente as origens dos depósitos perquiridos pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Saldos e valores globais de rendimentos, ainda que declarados, não se constituem em provas hábeis para comprovar depósitos Fl. 737DF CARF MF Processo nº 19515.002781/200780 Acórdão n.º 2201004.137 S2C2T1 Fl. 738 4 bancários, se não encontrarem correspondência individualizada com estes. Excluídos do lançamento os depósitos comprovadamente incluídos sem observância das normas aplicáveis e os que tiveram a origem comprovada em documentação hábil e idônea. GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS Retificase a apuração do ganho de capital sobre alienação de imóvel para considerar seu custo de aquisição, equivocadamente considerado omitido pela autoridade fiscal. A ciência dessa decisão ocorreu em 13/11/2009 (fl.696) e o recurso voluntário foi tempestivamente apresentado em 11/12/2009 (fls. 697/729). Em suas razões de recorrer, o contribuinte alega, em síntese, que: 1) O Agente Fiscal ao lavrar o auto está amparado em meras suposições ao simplesmente considerar omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento. Não é admissível o lançamento efetuado com base em extratos bancários. Os valores constantes dos extratos bancários, embora possam refletir sinais exteriores de riqueza, não caracterizam por si só rendimentos tributáveis; 2) A autuação fiscal não pode se basear em meras presunções; 3) As inconsistências verificadas culminam na nulidade do Auto de Infração; 3) Não são tributáveis, como omissão de rendimentos, os rendimentos oriundos da atividade rural, bem como, os ganhos de capital na alienação de bens e direitos, constantes das Declarações de Ajuste Anual. Nesse sentido é o entendimento do Conselho de Contribuintes. Transcreve jurisprudência administrativa; 4) Os valores declarados pelo contribuinte em suas Declarações de Ajuste Anual, como dinheiro em espécie, "dinheiro em caixa" numerário em cofre" e outras rubricas semelhantes, devem ser aceitos para acobertar acréscimos patrimoniais, salvo prova inconteste de sua inexistência no término do anobase em que tal disponibilidade for declarada. Portanto, não há como prosperar o auto de infração lavrado. 5) A autoridade deve provar que o contribuinte realizou gastos em montante superior a renda disponível. Ilegítimo é o lançamento quando a autoridade lançadora deixe de comprovar o sinal exterior de riqueza. Tendo o contribuinte declarado que os valores foram recebidos de determinada fonte, cabe ao Fisco, de posse das informações constantes de seus registros, demonstrar a alegada omissão. Por outro lado, nada há na legislação que obrigue que a comprovação dos valores ocorra mediante a coincidência de datas e de valores. 6) Se o contribuinte somente declara rendimentos provenientes da atividade rural e o Fisco não prova que a omissão apurada tem origem em outra atividade, não procede a pretensão de deslocar o rendimento apurado para a tributação normal, devendo o valor tributado limitarse a vinte por cento da omissão apurada. Fl. 738DF CARF MF Processo nº 19515.002781/200780 Acórdão n.º 2201004.137 S2C2T1 Fl. 739 5 7) Os valores decorrentes das alienações de bens imóveis, conforme já mencionados na defesa foram depositados através de dinheiro na conta do contribuinte, situação esta que justifica a origem dos valores depositados a esse título. 8) Quando da venda do imóvel localizado no “Edifício Veredas da Cantareira”, também se verificam inconsistências: O Agente Fiscal deixou de observar que o valor decorrente da venda foi depositado na conta do contribuinte no Banco Santander, nos valores de R$ 157.000,00 e R$ 37.800,00, conforme se comprova dos extratos e escritura anexos ao processo administrativo. 9) O Agente Fiscal ao imputar o valor devido ao contribuinte a título de ganho de capital restou por não observar que consta de sua Declaração de Ajuste Anual o custo de aquisição do bem, cujo valor foi declarado no montante de R$ 90.717,70, que resulta em nova inconsistência no auto lavrado. 10) Há valores que foram depositados na conta do contribuinte e que são decorrentes de transações efetuadas com a Cooperativa de Laticínios São José dos Campos, sendo certo que tais valores são originários em função de atividades realizadas na Fazenda da qual o contribuinte é titular, conforme já exposto. 11) O Agente Fiscal lançou em nome do contribuinte valores por ele considerados decorrentes de omissões. Entretanto, ao lavrar o auto de infração, restou por laborar novamente em erro ao deixar de observar que existem valores que foram originários de transferências entre os bancos Itaú e Santander, conforme se observa dos extratos bancários anexos. 12) Há valores que são decorrentes de depósito de resgate de valores a título de operação denominada POUP MAX, ou seja, os valores foram sacados e posteriormente depositados em conta do contribuinte, conforme se comprova dos extratos anexos. 13) Há também valores decorrentes de operações realizadas com factoring que foram desconsiderados pelo Fiscal e que devem ser excluídos do auto lavrado. Por fim, requer o recebimento do presente Recurso para, julgar improcedente o Auto de Infração, cancelandoo integralmente, bem como anulandose todas e quaisquer penalidades impostas ao contribuinte. É relatório. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra – Relator Admissibilidade O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Preliminarmente Fl. 739DF CARF MF Processo nº 19515.002781/200780 Acórdão n.º 2201004.137 S2C2T1 Fl. 740 6 Nulidade Sustenta o recorrente que o Auto de Infração possui inconsistências que levariam a sua nulidade. Todavia, as razões apresentadas confundemse com o mérito, não tendo sido arguido nenhum aspecto formal que maculasse o lançamento ou o próprio processo administrativo fiscal. De pronto, afasto a preliminar de nulidade aventada no recurso voluntário, tendo em vista que não se verificam nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, verbis: “Art. 59. São nulos; I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” A autoridade fiscal que presidiu o procedimento é ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, sendo competente, no exercício de suas atribuições, para lavrar todos os termos necessários para o correto desempenho de suas funções. Os atos e termos lavrados por pessoa competente, dentro da estrita legalidade e garantido o mais absoluto direito de defesa, mediante abertura do prazo legal de impugnação, não há que se cogitar de nulidade dos autos de infração. Igualmente foram atendidos os preceitos do artigo 10 do PAF (Decreto n° 70.235, de 1972), ratificando a inexistência da nulidade pretendida, pelo que se indefere o pleito em relação a vícios de natureza formal. Mérito Omissão de Rendimentos O recorrente alega que não se pode tributar omissão de rendimentos baseada em mera presunção e que todos esses rendimentos foram oferecidos à tributação em sua Declaração de Ajuste Anual. Fazse necessário esclarecer que o que se tributa, no presente processo, não são os depósitos bancários, como tais considerados, mas a omissão de rendimentos por eles representada. Os depósitos bancários são apenas a forma, o sinal de exteriorização, pelos quais se manifesta a omissão de rendimentos objeto de tributação. Os depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício da existência de omissão de rendimentos. Entretanto, esse indício se transforma na prova da omissão de rendimentos, quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, se nega a fazêlo, ou não o faz satisfatoriamente. Fl. 740DF CARF MF Processo nº 19515.002781/200780 Acórdão n.º 2201004.137 S2C2T1 Fl. 741 7 Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o dever/poder de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a administração pública, cabendo ao agente tãosomente a inquestionável observância do diploma legal. A decisão de piso considerou como suficientemente comprovada a origem dos depósitos no montante de R$ 170.700,00, os quais foram provenientes da alienação do apartamento localizado no Condomínio Sea Star. Em relação ao apartamento localizado no condomínio Veredas da Cantareira, alega o recorrente que não foram considerados os valores depositados de R$ 157.000,00 e R$ 37.800,00 originários de sua alienação. Todavia, acertadamente a decisão de piso pontuou que a soma desses valores não coincide com o valor da venda do imóvel, nos termos da escritura acostada aos autos. Referido documento atesta que o apartamento foi vendido por R$ 220.000,00, recebidos no ato de sua lavratura, ou seja, 24/09/2004. Não há nos autos prova do recebimento desses valores, ainda que em datas próximas. O recorrente, por sua vez, não trouxe novos elementos de fato e de direito capazes de refutar a decisão recorrida, limitandose a reproduzir os mesmos argumentos utilizados quando do protocolo da peça impugnatória. O acórdão da DRJ, mais uma vez, de maneira acertada, promoveu a exclusão da base de cálculo por comprovação da origem, o depósito do valor de R$ 2.000,00 efetuado no Banco Itaú S/A, em 07/01/2002, justificado pela compensação de cheque do Banco Santander S/A, na mesma data. Houve a exclusão, ainda, do valor depositado de R$ 5.600,00, em março/2002, em que houve a comprovação do estorno no mesmo dia, bem como do valor de R$ 5,23, correspondente a crédito de CPMF, em dezembro/2004. A insurgência do recorrente quanto ao cômputo dos valores movimentados na operação POUP MAX é improcedente, uma vez que estes valores já foram excluídos pela própria autoridade lançadora, conforme se depreende das planilhas de fls. 259/270 e 347/369. A alegação de que os valores omitidos em sua integralidade são originários de atividade rural, da mesma forma, não merecem prosperar. O sujeito passivo sustenta que foram depositados valores em sua conta corrente decorrentes de transações efetuadas com a Cooperativa de Laticínios São José dos Campos, reforçando que tais valores são originários do exercício de atividades realizadas na Fazenda da qual o contribuinte é titular. Em que pese o esforço argumentativo do recorrente, para afastar a presunção de omissão de rendimentos estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/1996, a alegação tem que ser comprovada de maneira individualizada, o que não ocorreu no presente caso. O mesmo raciocínio deve ser aplicado em relação a alegação de que parte dos valores que transitaram em sua contacorrente se deram através de operações de factoring e que foi beneficiário de distribuição de lucros. De outro lado, o recorrente requer que os valores em espécie declarados se prestem para a comprovação da origem dos valores. Referida pretensão não guarda liame lógico, posto que não estamos a tratar dos bens declarados ou de sua variação patrimonial, mas Fl. 741DF CARF MF Processo nº 19515.002781/200780 Acórdão n.º 2201004.137 S2C2T1 Fl. 742 8 sim da presunção de renda dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento estabelecida pela lei. Os valores tributados são os que carecem de comprovação e que, nos termos do artigo 42, da Lei 9.430/96, presumemse como omissão de rendimentos: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Como já mencionado, de acordo com disposto no art. 42 da Lei n° 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos ou não tributáveis. Cabe ao recorrente comprovar a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo suficiente alegações e indícios de prova sem correspondência com os valores lançados. Destarte, a tese do recorrente não merece prosperar. A presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96 só poderá ser afastada através de documentos hábeis e idôneos, não bastando a mera alegação ou apresentação de documentos, que não se prestam para comprovar a origem dos valores depositados na conta corrente do sujeito passivo. Fl. 742DF CARF MF Processo nº 19515.002781/200780 Acórdão n.º 2201004.137 S2C2T1 Fl. 743 9 Assim, em razão da ausência de comprovação das origens dos valores que transitaram na conta do sujeito passivo, não merece reforma a decisão recorrida. Ganho de Capital Em relação ao lançamento por ganho de capital na alienação de imóveis urbano, o ponto fulcral da controvérsia diz respeito ao seu custo de aquisição, notadamente os apartamento do condomínio Veredas da Cantareira, em que a autoridade fiscal atribuiulhe custo de aquisição zero, pela inércia do sujeito passivo em informar tais valores. A decisão de piso alterou o custo de aquisição do apartamento localizado no condomínio Sea Star, que foi considerado pelo valor constante da Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, na importância de R$ 30.717,70. Todavia, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fl. 396) esse imóvel não gerou a lavratura de Auto de Infração para o lançamento de ganho de capital. No que concerne à apuração do ganho de capital do apartamento do condomínio Veredas da Cantareira, em que a autoridade fiscal atribuiu custo de aquisição zero, mais uma vez, agiu com acerto a Fiscalização. De acordo com a Instrução Normativa SRF n° 84, de 11 de outubro de 2001, que dispõe sobre a apuração e tributação de ganhos de capital nas alienações de bens e direitos por pessoas físicas, na ausência do valor pago devem ser adotados os seguintes critérios: Custo na ausência do valor pago Art. 18. Na ausência do valor pago, o custo de aquisição é: I o valor que tenha servido de base para o cálculo do imposto de importação, acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; II o valor de transmissão utilizado, na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante anterior; III o valor corrente na data da aquisição; IV igual a zero, quando não possa ser determinado nos termos dos incisos I, II e III. Esta previsão tem base no art. 16 da Lei n° 7.713, de 1988: Art. 16. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago, e, na ausência deste, conforme o caso: I o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; II o valor que tenha servido de base para o cálculo do Imposto de Importação acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; II o valor da avaliação do inventário ou arrolamento; Fl. 743DF CARF MF Processo nº 19515.002781/200780 Acórdão n.º 2201004.137 S2C2T1 Fl. 744 10 IV o valor de transmissão, utilizado na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante; V seu valor corrente, na data da aquisição. § 1° O valor da contribuição de melhoria integra o custo do imóvel. § 2° O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e dos bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens. § 3° No caso de participação societária resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. § 4° O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previsto neste artigo. Assim, entendo que a autoridade lançadora não teve meios de apurar o custo de aquisição do imóvel em comento, segundo os critérios delineados pela legislação de regência. Não o fazendo, outra solução não poderá ser adotada, senão apurar o custo de aquisisição com valor zero. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado para, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negarlhe provimento. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 744DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.905797/2008-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
DCOMP. COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO.
Diligência fiscal que constatou ausência de créditos remanescentes, à compensar débitos deste processo.
DCOMP. COMPENSAÇÃO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA DEVIDA.
O afastamento da multa moratória, em face do benefício da denúncia espontânea, do art. 138, do CTN, exige o atendimento dos requisitos de existência de pagamento do tributo com os respectivos juros de mora e da inexistência de procedimento fiscal anterior ao pagamento.
A compensação é forma distinta de extinção do crédito tributário, sujeita à condição resolutória da sua homologação, estando restrito ao pagamento o gozo do benefício conferido pelo sobredito art. 138, do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3401-004.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicando-se integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 DCOMP. COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Diligência fiscal que constatou ausência de créditos remanescentes, à compensar débitos deste processo. DCOMP. COMPENSAÇÃO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA DEVIDA. O afastamento da multa moratória, em face do benefício da denúncia espontânea, do art. 138, do CTN, exige o atendimento dos requisitos de existência de pagamento do tributo com os respectivos juros de mora e da inexistência de procedimento fiscal anterior ao pagamento. A compensação é forma distinta de extinção do crédito tributário, sujeita à condição resolutória da sua homologação, estando restrito ao pagamento o gozo do benefício conferido pelo sobredito art. 138, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicando-se integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada. ROSALDO TREVISAN - Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Diligência fiscal que constatou ausência de créditos remanescentes, à compensar débitos deste processo. DCOMP. COMPENSAÇÃO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA DEVIDA. O afastamento da multa moratória, em face do benefício da denúncia espontânea, do art. 138, do CTN, exige o atendimento dos requisitos de existência de pagamento do tributo com os respectivos juros de mora e da inexistência de procedimento fiscal anterior ao pagamento. A compensação é forma distinta de extinção do crédito tributário, sujeita à condição resolutória da sua homologação, estando restrito ao pagamento o gozo do benefício conferido pelo sobredito art. 138, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicandose integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada. ROSALDO TREVISAN Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 57 97 /2 00 8- 66 Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10980.905797/200866 Acórdão n.º 3401004.330 S3C4T1 Fl. 182 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto os relatórios das Resoluções que converteram os feitos em diligências, os quais, por economia, reservome o direito de não transcrever. Considerando que o processo não se encontrava em condições de julgamento, foi resolvida sua conversão em diligência para que fosse apurado o valor que é devido em cada um dos códigos, o valor que fora efetivamente pago e, sendo assim, se a contribuinte possui direito creditório em caso de pagamento a maior. A informação fiscal proferida confirmou a homologação parcial da compensação declarada, "...isto porque o contribuinte não compensou a multa de mora a que o débito estava sujeito, dado que compensado quando já se encontrava vencido." Após ciência sobre a informação fiscal, apresentase manifestação, contestando as conclusões alcançadas pela diligência fiscal, em essência, alegando estar amparada pelo art. 138, da Lei n° 5.172/66 (CTN), que excluiria a responsabilidade pela denúncia espontânea, quanto à multa de mora. Voto O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase de DCOMP, transmitida para a compensação de créditos tributários relativos às contribuições sociais para o PIS. Notar que, inicialmente, o despacho decisório eletrônico de não homologação das compensações declaradas, deuse pelo fato de que o DARF discriminado na DCOMP estava integralmente utilizado. Na manifestação de inconformidade, passa o interessado a justificar que o crédito pleiteado tem origem no recálculo da contribuição em razão da redução à alíquota a zero (%) por centro para o PIS no período. Em resposta, concluiu o acórdão DRJ, não ter sido trazido aos autos a comprovação da existência do direito creditório alegado. Diante destas razões, posteriormente trazidas, via decisão recorrida, contrapõe a recorrente, por meio do recurso voluntário, provas documentais, em planilhas e cópias de razões analíticos. Presente a hipótese prevista na alínea "c", §4º, art. 16, do PAF, no caso em discussão, os autos foram e retornaram de diligência com a confirmação da homologação parcial da compensação declarada, restando saldo devedor, em razão da não compensação da multa de mora a que o débito estava sujeito, dado que compensado quando já se encontrava vencido. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10980.905797/200866 Acórdão n.º 3401004.330 S3C4T1 Fl. 183 3 Entendo, no mesmo sentido da decisão recorrida, que o art. 138, da Lei n° 5.172/66, exclui a responsabilidade pela denúncia espontânea, mas, quando acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora. Pagamento. Não compensação como é o caso. Aplicase ao caso, o teor do julgamento do REsp 1.149.022/SP, submetido ao rito dos recursos repetitivos, do art. 543C, do CPC/1973, determinandose que a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente; decisão judicial de reprodução obrigatória pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do §2º, do art. 62, do RICARF/2015 (Portaria MF nº 343, de 09/06/15). PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10980.905797/200866 Acórdão n.º 3401004.330 S3C4T1 Fl. 184 4 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. SÚMULA STJ nº. 360 O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Aplicando o instituto da denuncia espontânea, à caso concreto semelhante, sob o aspecto da existência de compensação, ao invés de pagamento, o voto vencedor da Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, no Acórdão nº 3302002.772, de 13/11/2014, abaixo transcrito, adotadas suas razões de decidir para o presente processo: "Denúncia Espontânea O CTN somente excluiu, em seu art. 138, a responsabilidade tributária em razão de denúncia espontânea quando esta for acompanhada do pagamento do tributo devido com os respectivos juros moratórios. O comando do art. 138, do CTN, visa incentivar a regularização fiscal e o incremento da arrecadação, por meio da concessão de incentivo (qual seja, a exclusão da responsabilidade por infração) pelo pagamento de tributos em atraso espontaneamente denunciados. E como a compensação seja aos moldes pretéritos (em que era objeto de pedido e era passível de eventual Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10980.905797/200866 Acórdão n.º 3401004.330 S3C4T1 Fl. 185 5 posterior indeferimento), seja aos moldes atuais (em que é declarada e está sujeita, dentro do prazo de 5 anos, a ser fortuitamente não homologada na forma do art. 74, §1º, da Lei nº 9.430/96) –, trata de forma precária (não definitiva) da extinção do crédito tributário, não goza do benefício conferido por sobredito art. 138. O entendimento acima se afina com a jurisprudência do STJ a respeito desta questão peculiar, conforme patenteia a ementa do acórdão, recentemente publicado no DJE de 26/08/2010, proferido AgRg no Agravo de Instrumento nº 1.303.103/RS, no qual foi Relatora a Exma. Sra. Ministra Eliana Calmon: “TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL DENÚNCIA ESPONTÂNEA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DO PRINCIPAL E DOS JUROS DE MORA DEVIDOS NÃO CONFIGURAÇÃO. 1. A configuração da denúncia espontânea pressupõe o pagamento do principal da dívida acompanhado dos juros de mora devidos antes de qualquer procedimento fiscal, o que não ocorreu na espécie, na qual houve mero pedido de compensação. 2. Agravo regimental não provido.” (g.n.) De se ver que a jurisprudência colacionada pela contribuinte em suas peças de defesa atestam como requisitos para a não incidência de multa moratória em face da denúncia espontânea o atendimento de dois requisitos: a existência de pagamento do tributo com os respectivos juros de mora e a inexistência de procedimento fiscal anterior ao pagamento. A contribuinte não atendeu ao primeiro dos requisitos mencionados. (grifei/sublinhei) No mesmo sentido, o voto condutor do Conselheiro Luiz Roberto Domingo, no Acórdão nº 3101001.631, de 27/03/2014, abaixo transcrito, por unanimidade, entendo não ser cabível a exclusão da penalidade, nos termos do art. 138 do CTN, no casos de mera compensação: "É pacífica a jurisprudência, inclusive com diversos precedentes do E. STJ, no sentido de que é possível ao contribuinte sanar o inadimplemento de crédito tributário, ainda que a destempo, sem que haja aplicação da sanção legal, desde que mediante PAGAMENTO. Está assim pacificada a jurisprudência no âmbito do STJ: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. PRETENSÃO QUE ENCONTRA ÓBICE NA SÚMULA N. 7 DO STJ. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. 1. A revisão da conclusão do acórdão recorrido, no sentido da ausência de direito líquido e certo a ser amparado pelo mandamus, importaria em novo exame do conjunto fáticoprobatório dos autos. Precedentes: AgRg no AREsp 144.012/MA, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 15/05/2012; AgRg no AREsp 98.066/MG, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 23/04/2012; REsp 1206178/DF, Rel. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10980.905797/200866 Acórdão n.º 3401004.330 S3C4T1 Fl. 186 6 Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/11/2011; AgRg no Ag 1378589/DF, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 13/09/2011. 2. A extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 174.514, Rel. Min. Benedito Gonçalves, 1A T, julg. 04/09/2012) Como no presente caso, diferentemente dos demais que foram por mim analisado, a Recorrente realizou a compensação dos débitos liquidados em atraso, conforme se verifica da planilha transcrita no relatório acima, entendo não ser cabível a exclusão da penalidade nos termos do art. 138 do CTN." (grifei) Portanto, no presente caso, inaplicável o instituto da denuncia espontânea, nos termos do art. 138, do CTN, e indevida a exclusão da penalidade da multa de mora. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicandose integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 186DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.923156/2012-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do Fato Gerador: 19/10/2007
CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE.
No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento.
AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa.
COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA
Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.856
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 19/10/2007 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado.
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador: 19/10/2007 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèrouléde Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 31 56 /2 01 2- 06 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.923156/201206 Acórdão n.º 3302004.856 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio de Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada não foi homologada na sua totalidade, tendo em vista que o valor do pagamento tido como origem do crédito pretendido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Na Manifestação de Inconformidade apresentada, a contribuinte salienta que sempre cumpriu com suas obrigações tributárias, recolhendoas nos seus devidos prazos ou por força maior, com os devidos encargos legais, por isso discorda do débito cobrado no Despacho Decisório. Diz ser detentora de crédito decorrente de pagamento supostamente indevido ou a maior, que foi utilizado para compensar débito no mesmo valor, cuja data de vencimento é a mesma do recolhimento. Lembra que não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados em Per/Dcomp e não imputou multa e juros sobre os débitos compensados porque são do mesmo período de apuração. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06045.320. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da Declaração de Compensação, na forma da legislação de regência. Cientificada daquela decisão a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese que: · existe nulidade do despacho decisório e do acórdão recorrido por ausência de motivação, dada a generalidade da fundamentação sem aferir o real motivo do indeferimento ou o equívoco cometido pela recorrente, com consequente cerceamento do direito de defesa; · o despacho que não homologa o pedido de compensação deve conter, tal qual o auto de infração, a descrição do fato, disposição legal infringida e multa aplicável; · não houve prejuízo para o Erário, pois apenas houve erro na rubrica no DARF, e não atraso no recolhimento; · a cobrança de multa de mora sem atraso no recolhimento constitui enriquecimento sem causa Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.923156/201206 Acórdão n.º 3302004.856 S3C3T2 Fl. 4 3 · não há que se falar em juros de mora uma vez que, no caso, o período de apuração é o mesmo para o crédito e o débito. · subsidiariamente solicita diligência para reexame dos documentos; · reitera a necessidade de suspensão da exigibilidade do crédito tributário em análise , finalmente · solicita que a advogada da causa seja intimada e informada de todas as publicações sob pena de arguição de nulidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.825, de 25 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.923119/201290, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.825): "O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Do pedido do subscritor do recurso (advogada) para recebimento de futuras publicações/intimações no endereço por ela indicado. No Processo Administrativo Fiscal PAF o artigo 10 do Decreto nº 7.574 estabelece as formas de intimação sempre direcionadas ao próprio contribuinte. Por sua vez o artigo 26 e seguintes da Lei nº 9.784, de 1999 Processo Administrativo Federal também não prevê que o advogado possa ser comunicado dos atos de interesse do administrado que em última instância é quem sofrerá seus efeitos. Atentese, ainda, que a intimação em sede de PAF é de competência da RFB não havendo pronunciamento normativo do CARF amparando a pretensão, assim sendo, indefiro o pedido. Do alegado cerceamento ao direito de defesa Sem razão a Recorrente. O Despacho Decisório de fl, 17, assim como a Decisão recorrida estão perfeitamente fundamentados, com enquadramento legal, descrição dos fatos e cálculo da valoração (detalhamento da compensação, valores devedores e Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.923156/201206 Acórdão n.º 3302004.856 S3C3T2 Fl. 5 4 emissão de DARF, fl. 11), portanto não há que se falar em nulidade de atos ou cerceamento ao direito de defesa. Mérito Cuida o presente processo de erro cometido pela Recorrente no preenchimento de código em DARF pago, cujo valor a Recorrente deseja aproveitar para pagamento do débito correspondente ao código/tributo correto sem, entretanto, sofrer os acréscimos legais da multa de mora. A recorrente não alega qualquer tipo de erro nos débitos nem há notícia de que os mesmos não tenham sido informados nas correspondentes declarações entregues antes do PerDcomp, assim sendo, os fatos mostramse incontroversos e dispensam diligência. Não se vislumbra incorreção no procedimento da RFB na análise do PerDcomp que culminou com cobrança de débitos indevidamente compensados em virtude do contribuinte não ter considerado a multa de mora no pagamento/compensação dos débitos. Pois bem, um tributo só é considerado efetivamente pago, total ou parcialmente, quando o sistema de dados da Fazenda Nacional compara o código informado no DARF com o correspondente código do débito informado em declaração específica e faz a vinculação entre ambos. Caso contrário o valor recolhido equivocadamente permanece "em aberto" como crédito e não como pagamento, podendo por isso ser restituído acrescido dos juros compensatórios. Por outro lado o débito formalmente declarado, que não corresponde ao código informado equivocadamente no DARF, continua sem quitação e a sofrer os acréscimos de juros e multa de mora. Optando ou não a contribuinte pela compensação, sempre haverá cobrança de mora se o débito não foi formalmente liquidado na data do vencimento, independente de quando tenha sido realizado o pagamento indevido. A sistemática de análise de PerDcomp não altera essas duas situações distintas e independentes (pagamento indevido e pagamento em atraso), pois ela apenas faz o encontro de contas na data da entrega do PerdComp, momento da valoração do crédito para restituição e automática conversão em pagamento do débito em aberto, total ou parcialmente, mediante compensação. Repitase que este encontro de contas sempre será desfavorável ao contribuinte tendo em vista que o código do débito1, 1 Lei 9.430, de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.923156/201206 Acórdão n.º 3302004.856 S3C3T2 Fl. 6 5 correspondente ao código correto que deveria constar no DARF, não foi encontrado pelo sistema e assim o débito em aberto sofre acréscimos da multa de mora diária mais juros de mora mensais até a data a entrega do Perdcomp, enquanto que (ii) o crédito2 a ser restituído e compensando sofre somente os juros compensatórios mensais, calculados também até a data da entrega do PerDcomp. Em resumo, se no momento da valoração, ou seja na data da transmissão da PerDcomp, o débito que se buscou compensar já estava sujeito a acréscimos moratórios, e o crédito com seus acréscimos não foram suficientes para quitálos, então a compensação é homologada parcialmente e o saldo residual do débito considerado indevidamente compensado, exigindose, em consequência, seu pagamento com os acréscimos legais3. A mesma sistemática se repete em sucessivos PerDcomp quando existe saldo residual de crédito na compensação homologada a ser aproveitado em outro(s) PerdComp. A situação parece injusta mormente porque o pagamento indevido ou a maior decorre em regra de um erro do contribuinte que não pretendia ficar em mora, porém não é o caso de se aplicar o art. 108 do CTN, pois verificase que não foi a RFB que deu causa ao erro. Ademais, mesmo sem levar em consideração os transtornos e custos que os erros causam à administração, há de se observar ainda que o julgador administrativo está vinculado à lei, ainda na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 2 Art. 72. O crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou reembolso, será restituído, reembolsado ou compensado com o acréscimo de juros Selic para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: II houver a entrega da Declaração de Compensação ...; § 1º No cálculo dos juros de que trata o caput, observarseá, como termo inicial da incidência: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) III na hipótese de pagamento indevido ou a maior: c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; 3 Lei nº 9.430 /1996 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito... § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) IN 900/2009 Art. 38. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.923156/201206 Acórdão n.º 3302004.856 S3C3T2 Fl. 7 6 que esta reflita apenas aspectos sobre cumprimento dos prazos e forma de apuração dos valores, e assim não pode deixar de reconhecer a aplicação destas formalidades legais utilizadas para cálculo da restituição de pagamentos indevidos e para cobrança de débitos vencidos, independente deste tipo de erro cometido pela contribuinte que o deixou em mora. Não se vislumbra ilegalidade no procedimento da Receita Federal e tampouco enriquecimento ilícito da União, pois decorrente da lei. Conclusão Diante de tudo que foi exposto, rejeito a preliminar arguida, e no mérito nego provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o(s) débito(s) que se procuravam compensar já se encontravam vencidos na data em que foi transmitida a DCOMP inicial. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 145DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.902492/2008-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do indébito tributário são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, constitui fundamento válido para a não homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-001.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Leonam Rocha de Medeiros. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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REQUISITOS. A certeza e liquidez do indébito tributário são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, constitui fundamento válido para a não homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Leonam Rocha de Medeiros. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 24 92 /2 00 8- 04 Fl. 145DF CARF MF 2 A Recorrente transmitiu DCOMP, por meio do qual busca compensar crédito a título de estimativa de CSLL relativa ao mês de dezembro de 1999, de R$ 1.674,20, com débitos tributários de sua responsabilidade, no montante de R$ 2.610,41. O Despacho Decisório (fl.55) não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de que, embora localizado o Darf de pagamento indicado na DCOMP, o crédito já teria sido integralmente utilizado para quitação de outro débito, não restando crédito disponível. Irresignada com a exigência, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 1/3). Sustenta que sua DIPJ (fls. 5/51) indica que houve recolhimentos de IRPJ apurados no 2º trimestre de 1999, de R$ 1.499,83, e no 4º trimestre, de R$1.111,91, devidamente compensados com 1/3 da COFINS efetivamente paga, conforme permitias a Lei nº 9.718/98. Aduz que o valor pago de COFINS (de R$ 113.861,26) seria suficiente para compensar toda a apuração da CSLL, razão pela qual toda a CSLL recolhida (R$ 39.450,72), incluído aí o referido crédito de R$ 1.674,20, constitui pagamento a maior passível de compensação. Em Sessão de 10 de junho de 2011, a 2ª Turma da DRJ/BSB, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 0343.546 (fls. 89/95), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: LEI Nº 9.718/98, ART. 8º, § 1º. COMPENSAÇÃO. CSLL E 1/3 DA COFINS EFETIVAMENTE PAGA. A compensação da CSLL com até 1/3 da Cofins efetivamente paga, em vigor de fevereiro a dezembro de 1999, está autorizada pelos §§ 1º a 3º do art. 8º da Lei nº 9.718, de 1998. ESTIMATIVA. IRRETRATABILIDADE DA OPÇÃO DE PAGAMENTO DO IRPJ OU DA CSLL POR ESTIMATIVA. A forma de pagamento do IRPJ ou da CSLL por estimativa será irretratável para todo o anocalendário. DIREITO CREDITÓRIO. NÃO COMPROVAÇÃO. Não se admitem no processo administrativo fiscal, para efeitos de impugnação, meras alegações desprovidas de fundamentos. Intimada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 99/103). Informa a competência correta do crédito (dezembro de 1999, e não janeiro de 2000). Diz existir tremenda contradição da DRJ, uma vez que a mesma 2ª Turma já teria reconhecido o direito creditório em outro processo que indica e transcreve no item 06, fls. 102. Após encaminhamento dos autos ao E. CARF, o julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência por meio da Resolução nº 1801000.081 (fls. 110/112), a qual determinou o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em face da sua contabilidade, registros no Sapli, outros pedidos de restituição/compensação com origem no mesmo crédito, vinculação a outros processos administrativos fiscais, formação do saldo negativo no final do ano calendário etc. Em atendimento à diligência, a autoridade fiscal responsável emitiu Termo de Informação Fiscal (fls. 124/128), manifestandose pela insuficiência do crédito solicitado pelo contribuinte. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10166.902492/200804 Acórdão n.º 1201001.964 S1C2T1 Fl. 3 3 Já o contribuinte apresentou Contestação (fls. 132/135). Afirma que a autoridade administrativa, na verdade, julgou a lide; que ela se esqueceu de que, no julgamento anterior, o pagamento da CSLL por estimativa foi considerado erro de fato e que o crédito referente a um terço (1/3) da Cofins pode ser aproveitado também em outra competência. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli O recurso é tempestivo e cumpre os requisitos legais, razão pela qual dele tomo conhecimento. De acordo com o despacho decisório, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar débitos lançados em DCTF no mesmo montante, não havendo pagamento a maior ou indevido passível de compensação. Após a diligência requerida, a autoridade fiscal responsável ratificou a insuficiência do crédito, conforme atesta o seguinte trecho de sua conclusão: 11. Nessa linha, o valor do débito de CSLL para o 4° Trimestre/1999, num total de R$ 21.603,91, apurado em tabela 01 abaixo, são os valores declarados em DCTF (fl.118), que é documento de confissão de dívida e instrumento hábil para a exigência do crédito, consoante preconiza o art. 5° e §§ do DecretoLei n° 2.124/84, diferentemente da DIPJ, que é declaração de natureza informativa à administração tributária. Código Receita Período de Apuração Vencimento Valor (reais) 2484 10/1999 30/11/1999 5.357,71 2484 11/1999 30/12/1999 8.176,94 2484 12/1999 31/01/2001 8.069,11 Total: 21.603,76 TABELA 01 12. Por outro lado, os pagamentos recolhidos a título de COFINS para o 4° Trimestre/1999, extraídos do sistema SIEF (fl. 119), estão relacionados em tabela 02 abaixo: Código Receita Período de Apuração Vencimento Data de Arrecadação Valor (reais) 2171 11/1999 15/12/1999 15/12/1999 11.835,85 2172 11/1999 15/12/1999 15/12/1999 1.765,12 2172 11/1999 15/12/1999 15/12/1999 3.434,30 2172 12/1999 14/01/2000 17/01/2000 3.487,91 2172 12/1999 14/01/2000 17/01/2000 1.205,65 2172 12/1999 14/01/2000 17/01/2000 12.117,09 Total: 33.845,92 TABELA 02 Fl. 147DF CARF MF 4 13. Assim, para o 4° Trimestre/1999, nos termos da Lei 9.718/98, que possibilitou a compensação da CSLL com 1/3 do valor total de COFINS recolhido para o mesmo período de apuração, verificase que 1/3 da COFINS, R$ 11.281,97 (33.845,92/3), poderá ser compensada com os débitos de CSLL. Nesse contexto, como os débitos de CSLL somam um valor total de R$ 21.603,76 (conforme tabela 01), concluise que deve haver um recolhimento efetivo de CSLL, após a dedução de 1/3 de COFINS, no valor de R$ 10.321,79 (21.603,76 11.281,97). Logo, o valor pago a título de CSLL acima de R$ 10.321,79 deve ser considerado pagamento a maior, passível de restituição/compensação. 14. Partese então para verificação dos pagamentos recolhidos sob a rubrica de CSLL. De acordo com o sistema Sief, fl. 120, foram recolhidos, para o 4° Trimestre/1999, R$ 15.481,55, conforme tabela 03 abaixo. Assim, como o valor total de CSLL recolhido para esse período foi de R$ 15.481,55, verificase que R$ 5.159,76 (15.481,5510.321,79) foram recolhidos a maior, e que esse é o valor que a contribuinte tem como direito creditório de pagamento indevido ou a maior de CSLL. Pagamento Código Receita Período de Apuração Vencimento Data de Arrecadação Valor (reais) 01 2484 10/1999 29/10/1999 29/10/1999 411,16 02 2484 10/1999 29/10/1999 29/10/1999 250,31 03 2484 11/1999 30/12/1999 30/12/1999 5.681,21 04 2484 11/1999 30/12/1999 30/12/1999 1.648,47 05 2484 11/1999 30/12/1999 30/12/1999 847,26 06 2484 12/1999 31/01/2000 31/01/2000 5.816,20 07 2484 12/1999 31/01/2000 31/01/2000 1.674,20 15.481,55 TABELA 03 15. Ainda de acordo com o sistema Sief, dos sete pagamentos listados em tabela 03 acima, cinco pagamentos, números 03, 04, 05, 06 e 07, foram utilizados em DCOMPs, conforme tabela 04 abaixo. Em consulta ao sistema Sief, verificouse que o pagamento de número 04, no valor de R$ 1.648,47, já foi totalmente utilizado em compensação, conforme tela de fl.117. Como o crédito a que a contribuinte tem direito é no valor de R$ 5.159,76, resta um saldo credor de R$ 3.511,29. Pagamento Período de Apuração Data de Arrecadação Valor (reais) DCOMP Processo 03 11/1999 30/12/1999 5.681,21 03551.71916.181104.1.3.047449 10166.902486/200849 04 11/1999 30/12/1999 1.648,47 17226.91720.181104.1.3.046478 10166.902505/200837 05 11/1999 30/12/1999 847,26 35300.05293.181104.1.3.043098 10166.902478/200801 06 12/1999 31/01/2000 5.816,20 10902.30899.181104.1.3.040625 10166.902462/200890 07 12/1999 31/01/2000 1.674,20 06546.22682.181104.1.3.049008 10166.902492/200804 TABELA 04 16 Esse saldo credor, no valor de R$ 3.511,29, será vinculado à DCOMP 03551.71916.181104.1.3.047449, referente ao pagamento de n. 03, cujo valor é de R$ 5.681,21. Logo, essa DCOMP possui um crédito parcial de R$ 3.511,29 e as demais DCOMPs, referentes aos pagamentos de n° 05, 06 e 07, não possuem crédito passível de compensação. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10166.902492/200804 Acórdão n.º 1201001.964 S1C2T1 Fl. 4 5 17. Pelo exposto, em razão do direito creditório de pagamento a maior de CSLL, apurado para o 4° Trimestre/1999, no valor de R$ 5.159,76, ter sido totalmente utilizado em DCOMP de n° 03551.71916.181104.1.3.047449 e em DCOMP de n. 17226.91720.181104.1.3.046478, resta comprovada a inexistência de saldo credor referente ao pagamento de R$ 1.674,20 (data de arrecadação 31/01/2000), DCOMP 06546.22682.181104.1.3.049008, que é o objeto de análise deste processo de compensação. A autoridade fiscal demonstrou que realmente o alegado direito creditório não procede. Isso porque o crédito que a contribuinte diz que possui foi alocado para outras compensações, não restando saldo suficiente para liquidar o débito ora exigido. A fiscalização procedeu com uma apuração rigorosa e explicou no detalhe os motivos da insuficiência do crédito. Considerou corretamente os valores declarados em DCTF (instrumento de confissão de dívida) e, a partir daí, evidenciou todo o "passo a passo" dos créditos e débitos compensados, indicando as respectivas fontes de análise. Já a contribuinte, no seu recurso voluntário, faz menção apenas a alguns argumentos genéricos, sem identificar precisamente sua vinculação direta com a metodologia que foi adotada e sem explicar as razões concretas de onde e como o fiscal teria se equivocado. Alegações genéricas sobre a origem do direito creditório, desacompanhadas de documentos hábeis e idôneos acerca de sua natureza e efetiva origem, são incapazes de fazer prova acerca da liquidez e certeza do crédito. Conforme restou sedimentado no STJ: "allegare nihil et allegatum non probare paria sunt nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais" ou, ainda, "alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada". Em se tratando de compensação, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme interpretase do 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Nesse caso concreto, a Recorrente não apresentou sua escrituração contábil, apurações fiscais, planilhas demonstrativas ou qualquer outro documento pertinente a fazer prova do crédito que pleiteia. O que se tem no caso, pois, é uma compensação cujo crédito não restou efetivamente comprovado, prejudicando o direito correlato de compensação. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF, conforme atestam as ementas dos julgados abaixo, admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado, o que não ocorreu. “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não Fl. 149DF CARF MF 6 homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383.. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). À falta, então, da demonstração cabal e comprovação do crédito informado na DCOMP analisada, o direito alegado milita contra a Recorrente. Nesse sentido, NEGO PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 150DF CARF MF
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