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Numero do processo: 10825.902507/2009-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO.
Indefere-se o pedido de compensação quando o contribuinte teve oportunidade de demonstrar a apuração do tributo e o pagamento indevido através de sua escrita contábil, todavia limitou-se a apresentar declarações (DIPJ, DCTF, DCOMP) e comprovantes de pagamento, documentos estes relevantes, mas insuficientes para comprovar a existência do crédito.
Numero da decisão: 1301-003.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10825.906642/2009-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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NÃO HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Indeferese o pedido de compensação quando o contribuinte teve oportunidade de demonstrar a apuração do tributo e o pagamento indevido através de sua escrita contábil, todavia limitouse a apresentar declarações (DIPJ, DCTF, DCOMP) e comprovantes de pagamento, documentos estes relevantes, mas insuficientes para comprovar a existência do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10825.906642/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 25 07 /2 00 9- 04 Fl. 725DF CARF MF Processo nº 10825.902507/200904 Acórdão n.º 1301003.867 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Compensação protocolado através da DCOMP nº 05878.23514.190805.1.3.040014, que pleiteia compensação crédito de IRPJ Estimativa Mensal, com débito também de IRPJEstimativa mensal. O pedido de compensação foi indeferido através de Despacho Decisório Eletrônico, sob o argumento de que o crédito informado no PER/DCOMP, por tratar se de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, somente poderia ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Cientificada do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi considerada improcedente pela 5ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto ao fundamento de não ter sido comprovada a liquidez e certeza do alegado crédito, nos termos do art. 170 do CTN. O contribuinte apresentou recurso voluntário, que foi provido em parte, para determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de Primeira Instância, nos termos do voto da Relatora, que admitiu a possibilidade de compensação de pagamento a maior de estimativa mensal e reconheceu o cerceamento do direito de defesa do contribuinte, anulando a decisão da DRJ, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, corrigido na forma da lei, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP . Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação fundamentouse na impossibilidade de restituição de estimativa de tributo. É necessário que a autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte analise o pedido de restituição/compensação (Per/Dcomp) á luz da existência, suficiência e disponibilidade do crédito. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO. Fl. 726DF CARF MF Processo nº 10825.902507/200904 Acórdão n.º 1301003.867 S1C3T1 Fl. 4 3 O indeferimento da Per/Dcomp por razões diversas daquelas que constaram como fundamento do despacho decisório, sem que a contribuinte seja cientificada e instada a manifestarse sobre a análise sumária do crédito pleiteado, realizada em sede de julgamento, caracteriza cerceamento de defesa e provoca a nulidade de decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos á Turma Julgadora de Primeira Instância, nos termos do voto da Relatora. Ante o teor Acórdão nº 1801001.333, proferido pelo CARF, a Turma da DRJ encaminhou os autos em diligência para ciência da contribuinte acerca do teor do referido Acórdão e notificação da mesma para apresentação de elementos probatórios de modo a comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado, por meio dos elementos de prova previstos na legislação tributária. Cientificada, a contribuinte apresentou nova manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que o "mencionado crédito é legítimo, fundamentado em lei, tendo ocorrido somente erro de preenchimento na declaração de compensação, o que não é fundamento para a não homologação do crédito pleiteado";que "vislumbrase claramente a ocorrência de simples erro formal, uma vez que ao lugar de imputar o crédito decorrente de diferença positiva entre a estimativa recolhida e a efetivamente apurada pelo lucro real como saldo negativo de IRPJ, a ora impugnante o fez alocando o valor como decorrente de pagamento indevido ou a maior". Discorreu acerca dos valores considerados indevidos considerando os débitos declarados em DIPJ e DCTF em face dos pagamentos efetuados via DARF, mas não demonstrou a apuração dos tributos. Ao final requereu: "(i) o recebimento e processamento da presente MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, em seus regulares efeitos, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário sob análise, nos termos do artigo151, inciso III, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/65);e (ii) a homologação da compensação pretendida, uma vez que como demonstrado, o crédito é legítimo, expedindo, ao final, o despacho decisório do ato homologatório da compensação enviada, declarando assim a extinção total do crédito tributário e posterior arquivamento do processo em referência". Por despacho, foram os autos devolvidos à DRJ/Ribeirão PretoSP para prosseguimento. A 6ª Turma da DRJ/RPO proferiu novo acórdão, que julgou a manifestação de inconformidade improcedente. O Colegiado concluiu que o indébito não continha os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública. Transcrevese a ementa do acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. Fl. 727DF CARF MF Processo nº 10825.902507/200904 Acórdão n.º 1301003.867 S1C3T1 Fl. 5 4 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência e composição do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Do 2º Recurso Voluntário Em 02/04/2014, o contribuinte tomou ciência da decisão da DRJ, conforme Termo de Ciência por Decurso de Prazo. Ainda inconformado, em 17/04/2014 a empresa apresentou Recurso Voluntário, no qual: Argumenta que é possível a compensação de pagamento indevido de estimativa mensal; Declara que a DIPJ e DCTF comprovam que não ocorreu aproveitamento do crédito em duplicidade; Defende que em sua manifestação de inconformidade fez juntada de elementos probatórios de que o crédito é legítimo e afirma que restou comprovado que o valor a ser recolhido no mês de maio seria de R$ 11.335,20, embora a Recorrente tenha recolhido R$ 18.725,14; Por fim, requereu o recebimento e processamento do recurso, e ao final a homologação da compensação pretendida. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.864, de 18/04/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10825.906642/2009 11, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.864): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 728DF CARF MF Processo nº 10825.902507/200904 Acórdão n.º 1301003.867 S1C3T1 Fl. 6 5 Após ter seu pedido de compensação indeferido sob o fundamento de que pagamento a titulo de estimativa mensal, somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devidos ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ/CSLL do período, a empresa apresentou manifestação de inconformidade invocando seu direito à compensação de estimativas mensais. Neste momento apresentou DIPJ e DCTF informando os valores apurados. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, e o contribuinte apresentou recurso voluntário onde reiterou seu direito à compensação de pagamentos indevidos de estimativa mensal. O acórdão da 1ª Turma Especial do CARF deu provimento parcial ao recurso, posto que considerou ser possível a compensação/restituição de pagamento indevido de estimativa mensal, mas que se fazia imprescindível a comprovação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito. E, considerando que não havia sido dado oportunidade para que o contribuinte se manifestasse sob a existência do crédito, anulou a decisão de 1ª Instância e determinou o proferimento de nova decisão, após pronunciamento do contribuinte sobre a existência de crédito. Destaquese que no presente processo, o pedido de compensação foi indeferido liminarmente através de Despacho Decisório Eletrônico, sob o fundamento de se tratar de pagamento de estimativa mensal, sem que o contribuinte tivesse sido intimado para apresentar documentos que comprovassem o recolhimento indevido a título de estimativa mensal. A Turma da DRJ, ao receber o processo, determinou a realização de diligência nos seguintes termos: Ante o teor Acórdão n.º 1801001.335, proferido pelo CARF, nos termos acima descritos, VOTO por encaminhar o processo em diligência com solicitação à Unidade de origem para que a contribuinte tenha ciência do referido Acórdão e seja notificada a, querendo, apresentar elementos probatórios de modo a comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado, nos termos do art. 170 do CTN, observado o disposto nos artigos 7º e 9º do Decretolei nº 1.598, de 1977, bem como as formalidades previstas art. 5º, § 2º, do DecretoLei nº 486, de 1969, e no art. 6º do Decreto nº 64.567, de 1969, a seguir transcritos (termos e abertura e encerramento dos Livros Contábeis e Fiscais, e, no caso de Livro Diário, autenticação). Código Tributário Nacional – CTN (Lei n.º 5.172, de 1966) Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (g.n.) Decretolei nº 1.598, de 1977 Fl. 729DF CARF MF Processo nº 10825.902507/200904 Acórdão n.º 1301003.867 S1C3T1 Fl. 7 6 Art 7º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. [...] Art 9º A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita a verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos da sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. § 1º A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (g.n.) DecretoLei nº 486, de 1969 Art. 5º Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de livro Diário, encadernado com folhas numeradas, seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade mercantil, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial do comerciante. [...] § 2º Os livros ou fichas do Diário deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação do órgão competente do Registro do Comercio. [...] Decreto nº 64.567, de 1969 Art. 6º Os livros deverão conter, respectivamente, na primeira e na última página, tipograficamente numeradas, os termos de abertura e de encerramento. [...] À Unidade da RFB de origem para as providências de sua alçada.(grifei) Ou seja, o teor da Resolução da DRJ deixa claro que o contribuinte deveria comprovar a certeza e liquidez do seu crédito com a apresentação de sua escrituração contábil. Entretanto, apesar de regularmente intimado, o contribuinte mais uma vez limitouse a trazer aos autos cópias de declarações DIPJ, DCOMP e DCTF, sem contudo apresentar sua escrituração contábil. Não apresentou a apuração do tributo, constante das declarações apresentadas, nem tampouco demonstrou que os valores constantes das declarações foram devidamente contabilizados em sua escrita fiscal. Dessarte, restou acertada a decisão da DRJ que novamente considerou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento deu que cabendo o ônus da prova ao sujeito Fl. 730DF CARF MF Processo nº 10825.902507/200904 Acórdão n.º 1301003.867 S1C3T1 Fl. 8 7 passivo, este não comprovou a existência de crédito passível de compensação. A decisão de piso ressalta que o contribuinte não fez juntar aos autos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar a origem e forma de aproveitamento do suposto crédito, e evidenciar recolhimento indevido ou a maior no período informado para o crédito, resultante do confronto entre pagamentos alocados e/ou compensações realizadas naquele período de apuração, e o débito apurado. Também deixa consignado que as declarações prestadas à RFB (DIPJ, DCTF, DCOMP) e DARFs mostramse insuficientes à adequada instrução probatória. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reitera o seu direito a compensar pagamento indevido de estimativas mensais e reafirma a existência de crédito. Em relação ao direito à compensação de pagamento indevido de estimativas mensais, entendo ser possível a caracterização do indébito, nos termos da Súmula CARF nº 84, in verbis: Súmula CARF nº 84:É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Veja que o direito a compensar pagamento indevido de estimativa mensal restou reconhecido acórdão da Turma Especial do CARF que determinou o retorno dos autos à DRJ para dar oportunidade de o contribuinte apresentar sua escrituração contábil para comprovar o valor do tributo apurado e, por conseguinte, o indébito. Para fins de homologação da DCOMP, fazse mister a comprovação por parte do contribuinte de que o pagamento foi calculado e efetivado em valores acima daqueles prescritos em lei. Todavia, apesar das várias oportunidades para apresentar documentos, seja durante a diligência, seja na manifestação de inconformidade ou no recurso voluntário, de ter restado clara a necessidade de comprovar o indébito através da sua escrituração contábil, a Recorrente limitouse a apresentar cópias de declarações, DARF e contrato social e não demonstrou a apuração do tributo devido em face do pagamento realizado, nem a regular escrituração dos valores. Nesse sentido, ratifico o entendimento do Colegiado a quo, que entendeu ser imprescindível a apresentação de elementos probatórios, tais como: os registros contábeis de conta no ativo do IRPJ a recuperar, a expressão deste direito em Balanços ou Balancetes, regularmente transcritos no livro “Diário”, principalmente porque, para se antecipar ao ajuste anual (tributação pelo lucro real anual) e não ter que recolher tributo a maior durante o ano, a contribuinte dever levantar balanços ou balancetes mensais de suspensão ou redução; a Demonstração do Resultado do Exercício, a contabilização (oferecimento à tributação) das receitas que ensejaram as retenções, os Livros Diário e Razão, etc., Fl. 731DF CARF MF Processo nº 10825.902507/200904 Acórdão n.º 1301003.867 S1C3T1 Fl. 9 8 e ainda os registros no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), de modo a dar sustentação à veracidade do saldo negativo. Portanto, ainda que seja possível a restituição/compensação de recolhimento de estimativa mensal, a Recorrente não logrou êxito em comprovar a existência de crédito líquido e certo, nos termos do art. 170 do CTN. A Recorrente limitouse a apresentar declarações e comprovantes de pagamento, mas eximiuse da obrigação de demonstrar a apuração do imposto em sua escrita contábil, apesar de devidamente intimada para tal. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 732DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13736.001890/2008-80
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF Nº 68.
A Lei nº 8.852 de 1994 não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Numero da decisão: 2002-001.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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SÚMULA CARF Nº 68. A Lei nº 8.852 de 1994 não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 10/16) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 6. 00 18 90 /2 00 8- 80 Fl. 92DF CARF MF 2 de Ajuste Anual Retificadora do exercício 2006 (efls. 66/72), onde se apurou a Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica no valor de R$ 14.646,75. O contribuinte formulou Solicitação de Retificação de Lançamento – SRL, a qual foi indeferida pela autoridade fiscal (efls. 08). Inconformado, apresentou Impugnação (efls. 04/06), cujas alegações foram resumidas no relatório do acórdão recorrido (efls. 75): Cientificado, o impugnante insurgiuse contra o lançamento, focando primordialmente o inciso III do art 1° da Lei 8.852/94, o qual, segundo alega, enumera hipóteses que excluiriam rendimentos do campo de incidência do imposto de renda sobre a pessoa física e, assim, a Secretaria da Receita Federal deveria rever o lançamento. O lançamento foi julgado procedente pela 1ª Turma da DRJ/RJOII em decisão assim ementada (efls. 74/78): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Cientificado do acórdão de primeira instância em 11/08/2009 (efls. 83), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 25/08/2009 (efls. 84/86) com exatamente os mesmos argumentos apresentados em sua Impugnação. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Extraise da Notificação de Lançamento que a autoridade fiscal constatou a omissão de rendimentos recebidos do Comando da Marinha com base na DIRF apresentada pela fonte pagadora (efls. 12). O Colegiado a quo manteve a infração apurada conforme excertos seguir reproduzidos (efls. 75/77): O Código Tributário Nacional, Lei 5.172/66, define no artigo 43 o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13736.001890/200880 Acórdão n.º 2002001.008 S2C0T2 Fl. 93 3 A Lei 7.713/88, em seu art 3°, § 1°, dispõe que o imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, sobre todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos (renda), os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, ressalvadas as disposições dos artigos 9° a 14 desta mesma Lei. Ademais, o § 4° do art 3° da Lei 7.713/88 define que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Todavia, normas legais determinam a exclusão do rendimento bruto, para fins de incidência do imposto de renda da pessoa física, por serem isentos ou não tributáveis. Estas exclusões estão elencadas no artigo 39 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). A Lei 8.852/94 dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1°, da Constituição Federal, além de dar outras providências, mas não contempla em seu artigo 1°, III, hipóteses de isenção ou de não incidência do imposto de renda da pessoa física. O artigo 1° da Lei 8.852/94 define meramente aquilo que seja vencimento básico, vencimentos e remuneração para aplicação dos seus dispositivos. Com efeito, não outorga isenção ou enumera hipóteses de não incidência de imposto, mesmo porque, lei que concede isenção deve ser específica, nos termos do § 6° do artigo 150 da CF/88, ou seja, deve tratar exclusivamente da matéria isentiva ou de determinada espécie tributária. As alíneas de “a” até “r” no inciso III do art 1° da Lei 8.852/94 são exclusões do conceito de remuneração, mas não são hipóteses de isenção ou não incidência de imposto de renda da pessoa física, em outras palavras, não determinam sua exclusão do rendimento bruto para fins de não incidência do imposto sobre a pessoa física, mas sim, repitase, de sua exclusão do conceito de remuneração para os objetivos da Lei 8.852/94. [...] Cumpre esclarecer que, no que tange à isenção, a legislação tributária deve ser interpretada literalmente, por força do art 111 do Código Tributário Nacional [...] Não merece reforma a decisão recorrida, haja vista a publicação da Súmula CARF n° 68, com efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal, nos termos da Portaria MF nº 277 de 07/06/2018: Fl. 94DF CARF MF 4 A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Em vista do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11444.000817/2009-21
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
Deve ser cancelada a glosa das deduções efetuadas na Declaração de Ajuste Anual a título de despesas médicas, quando os documentos de prova constantes dos autos suprem a irregularidade apontada na decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2003-000.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes- Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.
Nome do relator: SHEILA AIRES CARTAXO GOMES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003, 2004 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Deve ser cancelada a glosa das deduções efetuadas na Declaração de Ajuste Anual a título de despesas médicas, quando os documentos de prova constantes dos autos suprem a irregularidade apontada na decisão de primeira instância.
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DESPESAS MÉDICAS. Deve ser cancelada a glosa das deduções efetuadas na Declaração de Ajuste Anual a título de despesas médicas, quando os documentos de prova constantes dos autos suprem a irregularidade apontada na decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 08 17 /2 00 9- 21 Fl. 184DF CARF MF 2 Relatório Autuação e Impugnação Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física (auto de infração fls. 1 a 11), acrescido de multa de ofício qualificada e juros de mora, nos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005. Por bem descreverem os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância, o qual transcrevo a seguir: Contra o contribuinte, acima identificado, foi lavrado Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, fls. 02/10, relativo aos anoscalendário de 2003 e 2004, exercício de 2004 e 2005, para formalização de exigência e cobrança de crédito tributário no valor total de R$ 15.835,60, conforme abaixo: A infração apurada pela Fiscalização, relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais, fls. 03/06, foi dedução indevida de despesas médicas. A fiscalização glosou despesas médicas do anocalendário 2004, no valor de R$ 8.379,89, por irregularidades no preenchimento dos recibos e pela falta de comprovação do desembolso dos recursos para satisfação dos pagamentos. Faltaram nos recibos apresentados: local e nome do paciente, registro no conselho profissional do Estado de São Paulo e a especificação dos serviços na magnitude dos valores. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 11444.000817/200921 Acórdão n.º 2003000.055 S2C0T3 Fl. 185 3 Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz Foram glosadas as despesas médicas declaradas relativas ao profissional Sandro Luciano de Arruda, dentista, de acordo com os valores apresentados na tabela abaixo: A autoridade fiscal qualificou a multa de ofício aplicada, tendo em vista que os recibos utilizados para comprovar as despesas médicas glosadas foram considerados inidôneos, mediante Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, processo 11634000651/200825, fls. 32/53. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação em 10.09.2009, fls. 110/125, alegando que o objeto de sua defesa é apenas com relação à glosa dos valores relativos aos profissionais: Sérgio Tadeu Rosa (R$ 120,00), Ivan Torres Natividade (R$ 1.264,00) e Unimed (R$ 1.995,89). Quanto aos profissionais Sandro Luciano de Arruda e Elaine Maria de Oliveira Antunes, uma vez que não conseguiu comprovar o pagamento nem a efetividade da prestação dos serviços, o Impugnante afirma que irá protocolar pedido de parcelamento. Em relação às despesas médicas objeto da impugnação, o contribuinte afirma que não as comprovou anteriormente, durante a ação fiscal, porque entendeu, erroneamente, que as intimações referiamse apenas aos profissionais Sandro e Elaine. Apresenta, portanto, com a impugnação, os documentos comprobatórios das despesas médicas relativas a estes profissionais. Requer, ante o exposto, seja julgada procedente a defesa apresentada. Transferência Parcial do Crédito Tributário Tendo em vista a impugnação parcial do lançamento foram transferidos os valores dos créditos tributários, abaixo apresentados, deste para o Processo n° 13831000342/200935, remanescendo neste processo apenas as infrações no montante de R$ 3.379,89, correspondentes ao imposto apurado de R$ 929,47. Fl. 186DF CARF MF 4 Acórdão de Primeira Instância Os membros da Décima Primeira Turma da DRJSPOII, por unanimidade de votos, consideraram procedente em parte a Impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário, na forma do relatório e voto, conforme transcrição a seguir: Ementa ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004 IRPF. DEDUÇÕES. PROVAS. Para fazer jus as deduções pleiteadas na declaração de ajuste, deve o contribuinte comprovar as despesas médicas com documentos que atendam ao disposto na legislação do Imposto de Renda Pessoa Física. GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Comprovado, nos autos, o pagamento parcial das despesas médicas informadas na declaração de rendimentos do exercício fiscalizado, deve ser restabelecida a dedução relativa à despesa comprovada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte (...) Conclusão Sendo assim, com base no exposto, voto pela procedência em parte da impugnação apresentada e pela MANUTENÇÃO PARCIAL DO CREDITO TRIBUTÁRIO constituído na presente Notificação de Lançamento de acordo com os quadros abaixo: Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11444.000817/200921 Acórdão n.º 2003000.055 S2C0T3 Fl. 186 5 Recurso Voluntário Cientificado dessa decisão em 11/01/2010 (fl.167), o contribuinte interpôs em 10/02/2010 recurso voluntário (fls. 168 e 181), e apresenta os seguintes argumentos: DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Tendo o contribuinte ora reclamante apresenta defesa, teve acolhido parcialmente sua defesa, conforme Acórdão 1736.091 11 Turma da DRJ/SP2. Diante da análise dos documentos comprobatórios das despesas médicas apresentados pelo contribuinte, foram mantidas as seguintes glosas: 1) no valor de R$ 120,00 (cento e vinte reais), referente ao recibo emitido por SÉRGIO TADEU ROSA, por não atender os requisitos exigidos pela legislação do imposto de renda uma vez que não indica o endereço do profissional. 2) no valor de R$1.995,89 declarado à Unimed Paulistana, uma vez que os documentos apresentados não indicam que são os beneficiários do referido plano, não atendem ao art. 8°, § 2°, Il da Lei 9.250/95. DO RECURSO Precipitam, mais uma vez, as autoridades na ânsia de manter um lançamento natimorto, visto que no processo foram juntadas provas exigidas pela legislação, mais do que suficientes, da regularidade das operações acima. Os demais esclarecimentos que entendessem necessários poderiam e deveriam ter sido solicitados pelas autoridades, que possuem a competência necessária para tal, com vista a solucionar qualquer dúvida que pudesse restar, antes de lavrar auto de infração precipitado que só ira acarretar mais trabalho, mais perda de tempo, tanto para o contribuinte como também Fl. 188DF CARF MF 6 para a própria fiscalização que terá um processo tramitando desnecessariamente, inclusive para instância superior, pois, com muito pouco tempo dedicado pela fiscalização, poderia ter sido solucionado essas pequenas dúvidas como: endereço do emitente do recibo (Sérgio Tadeu Rosa) e a comprovação dos beneficiários do plano da Unimed. Com essa simples medida poderia ter o processo já concluído evitando acarretar transtornos, até mesmo prejuízos para o erário público. Com relação à glosa do valor de R$120,00 relativos a despesas médica pago ao sr. Sérgio Tadeu Rosa, pelo simples fato do recibo não indicar o endereço do profissional é surpreendente. Isso é apenas uma mera formalidade. O mais importante é que consta no recibo o nome e o CPF do profissional que dão a Receita os requisitos necessários para tributar o referido profissional. Quantos brasileiros, que em sua maioria desconhecem a necessidade de se exigir do emitente do recibo, o endereço do profissional? Caberia sim, à Receita, de posse do documento emitido pelo profissional em desacordo com a legislação, notificálo para cumprir as exigências legais, até mesmo multando o, porque ele sim tem o dever, a obrigação de saber que em seu recibo deve constar o endereço de seu consultório.` Não há que se exigir que o reclamante fiscalize se o profissional está cumprindo as formalidades com relação à emissão de recibos. O reclamante está provando que pagou mediante recibo assinado pelo profissional, inclusive com o seu CPF, o restante é problema da Receita e o profissional, em especial verificando se o mesmo pagou o correspondente imposto devido. Mas, para dirimir qualquer dúvida, estou anexando cópia do mesmo recibo com o respectivo endereço do profissional no verso do mesmo. Estou anexando ainda comprovação da filiação do profissional junto ao seu órgão de classe onde consta também o seu endereço. Antigamente era Av. Pedro Catalano, 361, hoje, rua Pedro Catalano, 381. Em relação à glosa ao valor de R$1.995,89 declarados à Unimed Paulistana pelo fato que os documentos apresentados não indicam quem são os beneficiários do referido plano, é ainda mais absurda, mais surpreendente. Até o presente momento, após ler e reler o motivo da glosa, não entendi qual é o motivo da glosa. Foram anexados 2 (dois) documentos: 1 O documento denominado “Informações para Imposto de Renda Ano Base 2004” no valor de R8 1.301,68, emitida pela UNIMED PAULISTANA SOCIEDADE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO em nome de LUIS Henrique da Silva, cpf 141.237.81845, que é exatamente o contribuinte que teve sua despesa médica glosada. O reclamante é o titular do referido plano de saúde. Daí não entender a alegação da Receita: “...os documentos apresentados não indicam que são os beneficiários do referido plano”. O reclamante ê o principal beneficiário, vindo a seguir sua esposa Regina Claudia Tinto Zeca Silva e seus filhos Luis Guilherme Zeca da Silva e Pedro Henrique Zeca Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11444.000817/200921 Acórdão n.º 2003000.055 S2C0T3 Fl. 187 7 da Silva, conforme comprova a “Proposta de Adesão CREASP” n° 224272 anexados ao presente (2° via verde usuário). Neste documento datado de 06/09/2004 verificase ainda o início da vigência: 01/10/2004. Anexamos, ainda, o documento “MENSALIDADE DO PLANO DE SAÚDE”, referente ao mês de 06/2005, onde podemos constatar as datas em que foram pagos as mensalidades de outubro, novembro, dezembro de 2004 e janeiro de 2005, (18/10/2004, 01/11/2004, 01/12/2004 e 30/12/2004, respectivamente) no valor mensal de R$325,42 perfazendo o total pago durante o ano de 2004, R$1.301,68 (um mil trezentos e um reais e sessenta e oito centavos). Assim, entendemos que está totalmente comprovada a despesa declarada com o plano de saúde. 2 COMPROVANTE DE RENDIMENTOS PAGOS E DE RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE ANO CALENDÁRIO 2004 emitido por Procornp Industria Eletrônica Ltda., referente ao desconto no valor de R$ 694,21. É o formulário instituído pela Receita Federal para as empresas declararem os rendimentos pagos e da retenção do imposto de renda na fonte num determinado ano calendário. No quadro l temos a Fonte Pagadora: Procomp Industria Eletrônica Ltda. Quadro 2 Pessoa Física Beneficiária dos Rendimentos: Luiz Henrique Silva. Quadro 3 Rendimentos Tributáveis, Ded. e Imposto Retido na Fonte. Quadro 4 Rendimentos Isentos e Não Tributáveis. Quadro 5 Rendimentos Sujeitos a Tributação Exclusiva na Fonte. Quadro 6 Informações Complementares. Neste quadro a empresa informou o seguinte: 1) Despesas MédicoOdontoHospitalares valor RS 694,21. Concluise do documento que foi descontado do salário do funcionário o valor de R$694,21 referente a despesas Médico OdontoHospitalares. O contribuinte apenas utilizouse de uma despesa dedutível declarado pela fonte pagadora. Para sanar qualquer dúvida quanto ao documento, estamos anexando declaração fornecida pela fonte pagadora PROCOMP INDUSTRIA ELETRÔNICA LTDA., onde consta que foi descontado em folha o valor de R$694,00 referente ao beneficio no período mencionado. Fl. 190DF CARF MF 8 DO PEDIDO Diante dos fatos e das comprovações apresentadas, o autuado requer a esse douto Conselho que julgue procedente o recurso apresentado, com a impugnação dos valores contestados, nos termos previstos na legislação, para que seja feita IUSTIÇA. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações. É o relatório. Voto Conselheira Sheila Aires Cartaxo Gomes Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Preliminares Não foram alegadas questões preliminares no recurso voluntário. Mérito O recorrente insurgese contra a decisão de primeiro grau, alegando ter direito à dedução das despesas de saúde referentes ao profissional SÉRGIO TADEU ROSA R$ 120,00 e à UNIMED PAULISTANA R$ 1.995,89, por considerar ter apresentado documentação comprobatória suficiente dos serviços prestados. Para fazer jus a deduções na Declaração de Ajuste Anual, tornase indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas médicas, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. Por oportuno, confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a propósito de dedução de despesas médicas: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: Fl. 191DF CARF MF Processo nº 11444.000817/200921 Acórdão n.º 2003000.055 S2C0T3 Fl. 188 9 a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Verificase, portanto, que a dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, sim, condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais. Observese que a dedução exige a efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente, e que o pagamento tenha se realizado pelo próprio contribuinte. Assim, havendo qualquer dúvida em um desses requisitos, é direito e dever da Fiscalização exigir provas adicionais da efetividade do serviço, do beneficiário deste e do pagamento efetuado. E é dever do contribuinte apresentar comprovação ou justificação idônea, sob pena de ter suas deduções não admitidas pela autoridade fiscal. Não se pode ignorar, no entanto, que é bastante comum o expediente de se declarar despesas médicas inexistentes, ou majorar o valor das ocorridas, com o objetivo de diminuir o imposto devido. Contando com a ineficiência da Administração Pública, e com a nefasta idéia, corrente em nosso país, de que a sonegação é um crime aceitável devido à alta carga tributária, alguns contribuintes declaram deduções expressivas, e buscam justificálas com recibos que não refletem o realmente ocorrido. Situação inaceitável que precisa ser coibida pela Administração Pública. Diante desse quadro, os julgamentos administrativos neste CARF são bastante diversos. Existem aqueles que julgam que, uma vez comprovada a despesa mediante recibos, é dever do Fisco provar que a informação é falsa. Por outro lado, é forte a corrente que pensa que, caso a autoridade fiscal exija comprovação adicional do contribuinte, invertese o ônus da prova, sendo função do sujeito passivo produzir a comprovação exigida. Fl. 192DF CARF MF 10 Filiome ao segundo grupo, tanto pelas determinações do art. 73 do RIR/99, acima transcrito, que exige que as deduções sejam justificadas a juízo da autoridade lançadora, quanto pelo disposto no art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil, que atribui a quem declara o ônus de demonstrar fato constitutivo do seu direito. No caso em tela, a fiscalização exigiu a comprovação da prestação de serviço e do efetivo pagamento das despesas efetuadas pelo recorrente referentes a SÉRGIO TADEU ROSA e à UNIMED PAULISTANA, motivada pela existência de outras despesas consideradas inidôneas no procedimento fiscal, e pela Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz relativa às despesas odontológicas de Sandro Luciano de Arruda. Cabe destacar que, durante o procedimento fiscal não foi apresentada documentação comprobatória das despesas efetuadas à Sérgio Tadeu e à Unimed Paulistana. Inconformado com a exigência do crédito tributário, o contribuinte apresentou impugnação em 10.09.2009, alegando que o objeto de sua defesa seria apenas com relação à glosa dos valores relativos aos profissionais: Sérgio Tadeu Rosa (R$ 120,00), Ivan Torres Natividade (R$ 1.264,00) e Unimed (R$ 1.995,89). Em relação às despesas médicas objeto da impugnação, o contribuinte afirma que não as comprovou anteriormente, durante a ação fiscal, porque entendeu, erroneamente, que as intimações referiamse apenas aos profissionais Sandro e Elaine. Apresentou, portanto, com a impugnação, os documentos comprobatórios das despesas médicas relativas a estes profissionais (fls. 137 a 148). 1. SERGIO TADEU ROSA R$ 120,00 .recibo no valor de R$ 120,00 firmado por Sergio Tadeu Rosa e três laudos do Instituto de Radiologia e Ultrasson Dr. José da Luz, onde consta o nome.do médico solicitante e o nome do paciente. 2. IVAN TORRES NATIVIDADE R$ 1.264,00 4 (quatro)` recibos de R$ 316,00 cada um, emitidos por Ivan Torres Natividade, cujos pagamentos foram efetuados com os cheques de n°s 141, 142, 143 e 144, contra o Banco Bradesco, e descontados nos dias 19/02, 18/03, 15/04 e 19/05/2004, respectivamente, conforme cópias dos extratos bancários em anexo. 3. UNIMED R$ 1.995,89 Informações para Imposto de Renda Ano Base 2004 no valor de R$ 1.301,68, emitida pela UNIMED PAULISTANA SOCIEDADE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO e um COMPROVANTE DE RENDIMENTOS PAGOS E DE RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE ANO CALENDÁRIO 2004 emitido por Procomp Indústria Eletrônica Ltda, referente ao desconto no valor de R$ 694,21. A decisão de piso acolheu parcialmente os argumentos apresentados em sede de impugnação e manteve as seguintes glosas: 1. SÉRGIO TADEU ROSA, por não atender os requisitos exigidos pela legislação do imposto de renda, uma vez que não indica o endereço do profissional. ' Fl. 193DF CARF MF Processo nº 11444.000817/200921 Acórdão n.º 2003000.055 S2C0T3 Fl. 189 11 2. Unimed Paulistana, uma vez que os documentos apresentados não indicam quem são os beneficiários do referido plano e não atendem ao art. 8°, § 2°, Il da Lei 9.250/95. Diante do resultado do julgamento da primeira instância, para melhor comprovação do alegado, o recorrente apresenta em sede de recurso de voluntário fls.174 a 175, outros documentos para fazer prova do alegado. Em análise detalhada do procedimento fiscal e das provas dos autos, considero que o recorrente trouxe elementos de prova suficientes da efetividade da prestação do serviço referente ao profissional SÉRGIO TADEU ROSA, pois os laudos dos exames apresentados contém a indicação do profissional que os solicitou, e a data de realização dos mesmos (04/10/2004) é bem próxima da data de emissão do recibo (23/09/2004),o que sugere que houve uma consulta prévia pelo profissional e este solicitou exames complementares. Notase também no recibo, que os serviços médicos foram prestados ao dependente Pedro Henrique Zica da Silva, nome este coincidente com o informado no campo "paciente" dos laudos dos exames complementares apresentados. Em consulta ao site https://www.doctoralia.com.br/sergiotadeu rosa/ortopedistatraumatologista/santacruzdoriopardo, verificase que o endereço do profissional indicado na impugnação é coincidente, e que, a especialidade do mesmo, é ortopedia e traumatologia, o que está de acordo com a natureza dos exames de imagem solicitados. Face ao exposto, entendo que os serviços médicos prestados por Sérgio Tadeu Rosa foram efetivamente comprovados e a dedução as eles correspondente deve ser restabelecida ao recorrente. Fl. 194DF CARF MF 12 Sobre os Serviços prestados pela UNIMED PAULISTANA, pela análise da documentação apresentada, entendo que restou comprovada a prestação do serviço, os beneficiários dos mesmos e o seu efetivo pagamento. Com a devida vênia ao Ilustre Julgador de Primeira Instância, a alegação do de que os documentos apresentados não indicam quem são os beneficiários do referido plano e não atendem ao art. 8°, § 2°, II da Lei 9.250/95 não merece prosperar, pois, verificase que em sede de recurso voluntário, o recorrente apresenta Proposta de Adesão (fl 177), que traz de forma detalhada os usuários dependentes beneficiários do plano de saúde, quais sejam: Desta forma, entendo que a documentação acostada aos autos comprova que os serviços foram efetivamente prestados ao recorrente e seus dependentes, sendo, portanto, passíveis de dedução em IRPF. Sobre o assunto em comento, colaciono alguns julgados do CARF: Acórdão nº 2002000.214 – Turma Extraordinária / 2ª Turma DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Deve ser cancelada a glosa das deduções efetuadas na Declaração de Ajuste Anual a título de despesas médicas, quando os documentos de prova constantes dos autos suprem a irregularidade apontada na decisão de primeira instância. Acórdão nº 2101001.308 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Nesse caso, a apresentação tão somente de recibos é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. Apesar da comprovação do pagamento, por meio de cheque ou de saque com valor e data compatíveis, ser a melhor forma de prova, ela não é a única possível. No caso, o conjunto Fl. 195DF CARF MF Processo nº 11444.000817/200921 Acórdão n.º 2003000.055 S2C0T3 Fl. 190 13 probatório, composto pelos recibos, declaração da profissional, fichas clínicas, motivação do lançamento, respostas do contribuinte, e pelo valor significativo das receitas auferidas frente às despesas glosadas, foi suficientemente forte para comprovar a prestação dos serviços e a efetividade do pagamento. Recurso Voluntário Provido. Assim, diante do conjunto probatório constante dos autos, julgo comprovada as despesas de saúde referentes ao profissional Sérgio Tadeu Rosa (R$ 120,00) e à Unimed Paulistana (R$ 1.995,89), devendo ser restabelecida as deduções a elas referentes e exoneradas as multas correspondentes. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe total provimento. É como voto (assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Fl. 196DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.690067/2009-64
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/06/2004
DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DE PIS/COFINS.
O direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostra-se fundamental para a efetivação da compensação.
DO ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO.
Para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente declarações retificadoras, mas a escrituração contábil e apontar em cada conta/subconta o recolhimento indevido, apresentar demonstrativo de apuração das contribuições sociais contrastando o cálculo original com o retificado, identificando as rubricas de despesas que foram alteradas para reduzir o tributo devido.
Numero da decisão: 3003-000.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Marcos Antônio Borges - Presidente.
(assinado digitalmente)
Müller Nonato Cavalcanti Silva - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MULLER NONATO CAVALCANTI SILVA
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O direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostrase fundamental para a efetivação da compensação. DO ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO. Para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente declarações retificadoras, mas a escrituração contábil e apontar em cada conta/subconta o recolhimento indevido, apresentar demonstrativo de apuração das contribuições sociais contrastando o cálculo original com o retificado, identificando as rubricas de despesas que foram alteradas para reduzir o tributo devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antônio Borges Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 00 67 /2 00 9- 64 Fl. 177DF CARF MF 2 Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão de Manifestação de Inconformidade prolatado pela 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo DRJ/SP1. A controvérsia gravita sobre a discussão da existência de crédito da contribuição COFINS a ser compensado por erro de preenchimento na DCTF no período de julho/2004. A Recorrente transmitiu DCOMP, porém ser a retificação da DCTF. O Despacho Homologatório negou a compensação, oportunidade em que a Recorrente deu início ao contencioso administrativo por meio do protocolo de sua Manifestação de Inconformidade. Juntou como documentação: DARF, DCTF, DIPJ, , notas fiscais de entrada do período apurado e Livro Diário. Por bem retratar os fatos, adoto o relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade: 1. O interessado transmitiu em 27/07/2006 o PER/DCOMP 02877.75224.270706.1.3.040082, visando compensar o valor declarado ali e, informado o Tipo de crédito: Pagamento Indevido ou a Maior; o período de apuração: 31/05/2004; data de arrecadação: 15/06/2004, código de receita: 5856, com débitos do Grupo de Tributo: IRPJ código de receita: 236201; período de apuração Dez/2003; data do vencimento: 31/01/2004; e do Grupo de Tributo: CSLL código de receita: 248401; período de apuração Dez/2003; data do vencimento: 31/01/2004. 1.1. A DCOMP foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu Despacho Decisório, Número de Rastreamento:849816520, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada. 1.2. O Despacho Decisório atesta que: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP foram localizados pagamentos relacionados 4494436118 mas, integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10880.690067/200964 Acórdão n.º 3003000.233 S3C0T3 Fl. 3 3 2. No prazo regulamentar, o sujeito passivo apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 10/12, apresenta breve relato acerca da não homologação pleiteada, fazendo anexar os documentos de fls. 13/57, alegando em síntese que: 2.1. Apresenta MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE contra o Despacho Decisório conforme lhe faculta o art. 203 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda n° 259, de 24 de agosto de 2001. 2.2. A compensação não foi homologada, porem, o ato administrativo não deve prosperar, tendo e vista que a impugnante na compensação realizada, agiu de acordo com a legislação pertinente e com a boa fé, ocorrendo no caso em concreto ERRO DE FATO MATERIAL no preenchimento do pedido. 2.3. Houve erro material de preenchimento na PER/DCOMP 02877.75224.270706.1.3.040082, uma vez que os débitos nela informados são objetos de pedidos de compensação na PER/DCOMP n° 36026340073.2101051.3.04859. Por não ter observado o equivoco, o contribuinte no preenchimento da PER/DCOMP ainda informou o PERÍODO DE APURAÇÃO incorreto, quando deveria mencionar 12/2004, equivocadamente informou 12/2003, causando novo erro material de preenchimento, vez que para o período (12/2003) já havia recolhido os impostos no prazo legal, conforme documento que anexa. 2.4. Entende que restou demonstrado, que o contribuinte cometeu 02 erros materiais de preenchimentos na referida PER/DCOMP, a qual não deverá prosperar e ser considerada sem efeito tributário uma vez que o prosseguimento da mesma da causa a bitributação do mesmo fato gerador, uma vez que o tributo correspondente ao período de apuração informado encontrase totalmente quitado. 2.5. Em síntese, são os pontos de discordância que aponta na sua Manifestação de Inconformidade, e arrola documentos. Do Pedido 3. Requer o acolhimento de sua manifestação de inconformidade para que seja cancelado o PER/DCOMP, sem prejuízo aos cofres públicos e ao contribuinte. Não satisfeita a Recorrente socorrese a este Conselho, e reitera suas razões com a firme alegação de que é detentora do crédito. Alega que houve equívoco no preenchimento do PER/DCOMP e que seu crédito deve ser homologado. Em síntese, são os fatos. Fl. 179DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator. O Presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos formais de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. SOBRE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS A compensação tributária uma das modalidades de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional pressupõe a existência de créditos e débitos tributários de titularidade do contribuinte. Conforme o art. 170 do CTN, a lei poderá atribuir, em certas condições e sob garantias determinadas, à autoridade administrativa autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Nesse contexto, o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostrase fundamental para a efetivação da compensação. Vale mencionar que foi verificado tanto no despacho decisório tanto quanto no acórdão de manifestação de inconformidade que o Darf indicado no Per/Dcomp onde o sujeito passivo declarou: Darf COFINS; período de apuração: 31/05/2004; Código de Receita: 5856; Data de vencimento: 15/06/2004; Data de Arrecadação 15/06/2004, Valor Total da Darf: R$ 32.304,11, que consta nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB), foi integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte, não restando, portanto, crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp. Apesar das alegações da Recorrente de erro de preenchimento da DCOMP de n. 02877.75224.270706.1.3.040082, o valor de R$ 32.304,11 referente ao DARF que corresponderia ao recolhimento indevido foi objeto de compensação integral, e homologada, no da DCOMP de n. 36026340073.2101051.3.04859, referente ao PAF de n. 10880.909552/200917. Restou, portanto, cabalmente demonstrado pela instância de piso que a Recorrente não tem crédito a compensar e, igualmente, não apresentou provas suficientes para consubstanciar a homologação do pedido formulado neste PAF. Como se pacificou a jurisprudência neste Tribunal Administrativo, o ônus da prova é devido àquele que pleiteia seu direito. Portanto, para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do crédito ou, em situações extremas, demonstrar indícios convergentes que levem ao entendimento de que as alegações são verossímeis. Sobre ônus da prova em compensação de créditos transcrevo entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, a qual me curvo para adotála neste voto: Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10880.690067/200964 Acórdão n.º 3003000.233 S3C0T3 Fl. 4 5 "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." No caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a Recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido. Pela avaliação probatória que faço dos autos, deve ser mantido o acórdão proferido pelo tribunal de piso.. Por fim, vale atestar que em fase recursal a Recorrente trouxe aos autos documentos novos, que poderiam ser apresentados na Manifestação de Inconformidade. Deste modo, há de se observar o que leciona o art. 16, §4º do Decreto 70.235/1972 e declarar a preclusão para produção de provas neste momento processual, razão pela qual delas não conheço. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito negarlhe provimento. Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator. (assinado digitalmente) Fl. 181DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.721298/2016-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2011 a 31/03/2015
PROCEDIMENTO HOMOLOGATÓRIO DE COMPENSAÇÃO. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF N.º 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois de iniciado o processo administrativo fiscal, com o mesmo objeto ou com maior objeto, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
PRESSUPOSTO PROCESSUAL. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. CAPÍTULO ESPECÍFICO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE SUCUMBÊNCIA DO RECORRENTE. MATÉRIA NÃO CONSTANTE NA LIDE ADMINISTRATIVA.
Não se conhece de específico capítulo do recurso voluntário que objetiva afastar matéria que não é objeto dos autos. O interesse recursal é composto pelo binômio necessidade e adequação. Não há dúvida de que o recurso voluntário é adequado a pretensão recursal no que se refere a conteúdo de acórdão de manifestação de inconformidade quando lhe é desfavorável, no entanto não sendo observada a sucumbência do recorrente a demonstrar necessidade do recurso não se conhece do capítulo recursal estranho a matéria em litígio.
NULIDADE DO ACÓRDÃO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não é nulo o acórdão de primeira instância que deixa de julgar o mérito de matéria constante da manifestação de inconformidade quando declara, corretamente, a concomitância entre as esferas judicial e administrativa para a questão não apreciada.
Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2011 a 31/03/2015
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REGIMENTO INTERNO DO CARF. VINCULAÇÃO AS DECISÕES DEFINITIVAS EM RECURSOS REPETITIVOS. OBRIGATORIEDADE APENAS PARA OS CASOS TRANSITADOS EM JULGADO.
O modal deôntico de conduta obrigatória a ser adotada pelo Conselheiro do CARF, no sentido de aplicar rigorosamente entendimento do STJ, firmado em "decisão definitiva" em Recurso Repetitivo, restando afastada a liberdade de decidir do julgador administrativo conforme o seu livre convencimento, previsto no art. 62, § 2.º, do Anexo II, do RICARF, exsurge apenas quando houver decisão transitada em julgado da Colenda Corte Superior.
COMPENSAÇÃO EFETIVADA EM GFIP. DIREITO CREDITÓRIO CONTROVERSO. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA RESPECTIVA DECISÃO JUDICIAL. ART. 170-A DO CTN. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. O procedimento de compensação é uma faculdade conferida ao contribuinte que deve comprovar de forma inequívoca ter dela se utilizado nos termos da lei. Nos termos do art. 170-A do Código Tributário Nacional, é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
Numero da decisão: 2202-005.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Thiago Duca Amoni.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2011 a 31/03/2015 PROCEDIMENTO HOMOLOGATÓRIO DE COMPENSAÇÃO. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF N.º 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois de iniciado o processo administrativo fiscal, com o mesmo objeto ou com maior objeto, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. PRESSUPOSTO PROCESSUAL. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. CAPÍTULO ESPECÍFICO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE SUCUMBÊNCIA DO RECORRENTE. MATÉRIA NÃO CONSTANTE NA LIDE ADMINISTRATIVA. Não se conhece de específico capítulo do recurso voluntário que objetiva afastar matéria que não é objeto dos autos. O interesse recursal é composto pelo binômio necessidade e adequação. Não há dúvida de que o recurso voluntário é adequado a pretensão recursal no que se refere a conteúdo de acórdão de manifestação de inconformidade quando lhe é desfavorável, no entanto não sendo observada a sucumbência do recorrente a demonstrar necessidade do recurso não se conhece do capítulo recursal estranho a matéria em litígio. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o acórdão de primeira instância que deixa de julgar o mérito de matéria constante da manifestação de inconformidade quando declara, corretamente, a concomitância entre as esferas judicial e administrativa para a questão não apreciada. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2011 a 31/03/2015 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REGIMENTO INTERNO DO CARF. VINCULAÇÃO AS DECISÕES DEFINITIVAS EM RECURSOS REPETITIVOS. OBRIGATORIEDADE APENAS PARA OS CASOS TRANSITADOS EM JULGADO. O modal deôntico de conduta obrigatória a ser adotada pelo Conselheiro do CARF, no sentido de aplicar rigorosamente entendimento do STJ, firmado em "decisão definitiva" em Recurso Repetitivo, restando afastada a liberdade de decidir do julgador administrativo conforme o seu livre convencimento, previsto no art. 62, § 2.º, do Anexo II, do RICARF, exsurge apenas quando houver decisão transitada em julgado da Colenda Corte Superior. COMPENSAÇÃO EFETIVADA EM GFIP. DIREITO CREDITÓRIO CONTROVERSO. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA RESPECTIVA DECISÃO JUDICIAL. ART. 170-A DO CTN. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. O procedimento de compensação é uma faculdade conferida ao contribuinte que deve comprovar de forma inequívoca ter dela se utilizado nos termos da lei. Nos termos do art. 170-A do Código Tributário Nacional, é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
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CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF N.º 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois de iniciado o processo administrativo fiscal, com o mesmo objeto ou com maior objeto, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. PRESSUPOSTO PROCESSUAL. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. CAPÍTULO ESPECÍFICO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE SUCUMBÊNCIA DO RECORRENTE. MATÉRIA NÃO CONSTANTE NA LIDE ADMINISTRATIVA. Não se conhece de específico capítulo do recurso voluntário que objetiva afastar matéria que não é objeto dos autos. O interesse recursal é composto pelo binômio necessidade e adequação. Não há dúvida de que o recurso voluntário é adequado a pretensão recursal no que se refere a conteúdo de acórdão de manifestação de inconformidade quando lhe é desfavorável, no entanto não sendo observada a sucumbência do recorrente a demonstrar necessidade do recurso não se conhece do capítulo recursal estranho a matéria em litígio. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o acórdão de primeira instância que deixa de julgar o mérito de matéria constante da manifestação de inconformidade quando declara, corretamente, a concomitância entre as esferas judicial e administrativa para a questão não apreciada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 12 98 /2 01 6- 92 Fl. 492DF CARF MF Processo nº 10410.721298/201692 Acórdão n.º 2202005.094 S2C2T2 Fl. 493 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2011 a 31/03/2015 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REGIMENTO INTERNO DO CARF. VINCULAÇÃO AS DECISÕES DEFINITIVAS EM RECURSOS REPETITIVOS. OBRIGATORIEDADE APENAS PARA OS CASOS TRANSITADOS EM JULGADO. O modal deôntico de conduta obrigatória a ser adotada pelo Conselheiro do CARF, no sentido de aplicar rigorosamente entendimento do STJ, firmado em "decisão definitiva" em Recurso Repetitivo, restando afastada a liberdade de decidir do julgador administrativo conforme o seu livre convencimento, previsto no art. 62, § 2.º, do Anexo II, do RICARF, exsurge apenas quando houver decisão transitada em julgado da Colenda Corte Superior. COMPENSAÇÃO EFETIVADA EM GFIP. DIREITO CREDITÓRIO CONTROVERSO. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA RESPECTIVA DECISÃO JUDICIAL. ART. 170A DO CTN. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. O procedimento de compensação é uma faculdade conferida ao contribuinte que deve comprovar de forma inequívoca ter dela se utilizado nos termos da lei. Nos termos do art. 170A do Código Tributário Nacional, é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, negarlhe provimento. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Thiago Duca Amoni. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Fl. 493DF CARF MF Processo nº 10410.721298/201692 Acórdão n.º 2202005.094 S2C2T2 Fl. 494 3 Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 464/488), com efeito suspensivo e devolutivo ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal ―, interposto pelo recorrente, devidamente qualificado nos fólios processuais, relativo ao seu inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 440/460), proferida em sessão de 26/10/2017, consubstanciada no Acórdão n.º 0964.888, da 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG (DRJ/JFA), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente à manifestação de inconformidade (efls. 140/184), para manter os termos do DespachoDecisório n.º 087/2016 – DRF Maceió/AL (efls. 116/125), que não homologou as compensações realizadas pelo contribuinte nas competências 01/06/2011 a 31/03/2015, vez que não reconheceu a certeza e a liquidez dos direitos creditórios vindicados, sendo glosado o montante originário de R$ 5.769.510,27 (cinco milhões e setecentos e sessenta e nove mil e quinhentos e dez reais e vinte e sete centavos), cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2011 a 31/03/2015 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. Para haver compensação é necessário que exista o direito líquido e certo ao crédito apto a extinguir a obrigação tributária. No caso de compensações realizadas sem a comprovação do direito os valores devem ser glosados. GFIP. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. NÃO NECESSIDADE DE LANÇAMENTO FISCAL. Declarado o fato gerador em GFIP e compensações indevidas, não há necessidade de uma nova constituição do crédito através de lançamento, os créditos tributários voltaram à situação de exigíveis. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO (CND). FORO INCOMPETENTE. Não se insere no âmbito do processo administrativo fiscal disciplinado pelo Decreto 70.235/1972, descabendo sua apreciação pelas Delegacias Regionais da Receita Federal do Brasil de Julgamento a apreciação de pedido de CND. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA INDEFERIMENTO. As diligências e perícias devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos. PROVA DOCUMENTAL. OPORTUNIDADE. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento Fl. 494DF CARF MF Processo nº 10410.721298/201692 Acórdão n.º 2202005.094 S2C2T2 Fl. 495 4 processual, ressalvados os casos específicos descritos no § 4.º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/72. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito Não Reconhecido Do Processo de Compensação e Despacho Decisório A essência e as circunstâncias acerca do procedimento de análise da compensação declarada de per si pelo sujeito passivo, que foi objeto de averiguação quanto a certeza e a liquidez do direito creditório vindicado para fins de homologação, ou não, pela autoridade da Administração Tributária, resultando na prolação do Despacho Decisório, foram bem delineadas no relatório do acórdão objeto da irresignação, pelo que passo a adotálo: O presente processo tratase de glosas de compensações efetuadas indevidamente em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP nas competências de 06/2011 a 03/2015, totalizando R$ 5.769.510,27 (cinco milhões, setecentos e sessenta e nove mil e quinhentos e dez reais e vinte e sete centavos). O Auditor Fiscal relata que após a Ação Fiscal para verificar as compensações em contribuições previdenciárias e após encerramento do procedimento foi elaborada a Representação Fiscal para Fins Internos na qual foi informada que: a) o contribuinte informou que os créditos utilizados para as compensações teriam advindo das contribuições indevidamente recolhidas e incidentes sobre os 15 primeiros dias do auxílio doença/acidente, férias, adicional de 1/3 de férias, salário maternidade, 13.º salário, valetransporte pago em dinheiro, horasextras, adicional noturno, de insalubridade, de periculosidade, adicional de transferência e aviso prévio indenizado e respectiva parcela do 13.º salário; b) o contribuinte não apresentou qualquer ação/medida judicial autorizando as compensações, uma vez que as certidões e acórdãos das ações judiciais apresentadas (0003123 37.2010.4.05.8000, 000654061.2011.4.05.8000 e 0006334 47.2011.4.05.8000) trataram de autorização para compensação, apenas, após o trânsito em julgado das mesmas, o que não se observou. A Autoridade Tributária argui que solicitou ao manifestante "que apresentasse as demonstrações das origens dos créditos utilizados nas referidas compensações nas GFIP do período 01/2014 a 03/2015", entretanto não foi apresentado a origem dos créditos utilizados na compensação. Afirma que o contribuinte apresentou Ações Judiciais que embasariam as compensações, porém "as ações judiciais apontadas pelo contribuinte como supedâneo para tanto ainda não transitaram em julgado". O Auditor Fiscal esclarece, com base na legislação vigente, que o contribuinte só poderia efetuar a compensação após o trânsito em julgado do processo em que o seu direito de crédito é discutido, sendo, portanto, pressuposto inafastável ao exercício da compensação. Argumenta ainda que: 4.8 No momento em que o contribuinte decidiu submeter ao crivo Poder Judiciário a sua pretensão de natureza tributária, a fim de que o mesmo editasse a norma concreta destinada a reger a lide sob o manto da coisa julgada material, ficou automaticamente adstrito ao resultado final do processo, no que tange a todas as Fl. 495DF CARF MF Processo nº 10410.721298/201692 Acórdão n.º 2202005.094 S2C2T2 Fl. 496 5 questões nele deduzidas. Exceto, obviamente, se decidisse pela desistência da ação proposta, o que não ocorreu. 4.9 Portanto, em face das considerações supramencionadas, não é possível a utilização de créditos sem amparo no processo judicial mencionado, como quer o contribuinte, pois, conforme constatou a Autoridade Fiscal quando do procedimento fiscal in loco, não ocorreu o trânsito em julgado das ações apresentadas. Não resta, pois, à autoridade administrativa outra decisão senão a de considerar indevidas as compensações em GFIP e glosar os respectivos valores. Destaca ainda que o contribuinte, foi intimado regularmente para apresentar a origem das compensações, entretanto não apresentou a documentação solicitada, portanto, as compensações realizadas em GFIP não esclarecidas não foram consideradas homologadas. O Auditor Fiscal esclarece que o contribuinte não detém crédito passível de compensação, sendo os valores glosados, visto que erroneamente utilizados e declarados em GFIP. Afirma que a "GFIP constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, constituindose em termo de confissão de dívida, na hipótese de não recolhimento, conforme dispõe o art. 32 da Lei n.º 8.212, de 1991, c/c o art. 225 do Decreto n.º 3.048, de 6 de maio de 1999, e com os arts. 47, 456 e 460, da IN RFB n.º 971, de 13 de novembro de 2009". Relata que a "exemplo da DCTF, a GFIP constitui instrumento de confissão de dívida, podendose proceder à sua imediata inscrição em Dívida Ativa da União (DAU) em caso de não pagamento no prazo estipulado na legislação. É o que se depreende da leitura do DecretoLei n.º 2.124, de 13 de junho de 1984, da Lei n.º 8.212, de 1991, e do Decreto n.º 3.048, de 1999". Conclui que: (...) a entrega da GFIP tanto formaliza o cumprimento de obrigação acessória, quanto comunica a existência de crédito tributário, enquadrandose perfeitamente nas prescrições dos §§ 1.º e 2.º do art. 5.º do DecretoLei n.º 2.124, de 1984 (transcritos acima). O descumprimento da obrigação de apresentála no prazo fixado ou sua apresentação com incorreções ou omissões enseja a aplicação de multa isolada". 6.4 Desta feita, tratase de documento que registra a concordância ou qualquer outra manifestação do contribuinte quanto aos elementos necessários à constituição do crédito tributário, quais sejam, os fatos geradores de contribuição previdenciária, sua base de cálculo, alíquota, competência, identificação do sujeito passivo e outras ocorrências que podem afastar seu pagamento ou lhe diminuir o valor devido, dispensando o lançamento de ofício. ... 6.6 Em suma, quando a lei ordinária reconhece como constituído o crédito tributário pela informação, declaração ou confissão do montante devido, fruto de apuração pelo próprio sujeito passivo, nada mais faz que confirmar uma situação de fato, concedendo ao crédito o status de liquidez e certeza, sem prejuízo de eventual discordância por parte do Fisco. ... 7. Do acima exposto resta claro que as compensações realizadas em GFIP pelo contribuinte não encontram arrimo na legislação tributária vigente e devem ser consideradas indevidas e os créditos tributários que foram supostamente assim liquidados devem retornar a condição de exigíveis nos sistemas de controle da RFB, desde os respectivos vencimentos, com os acréscimos legais previsto na legislação tributária vigente. Em tal hipótese pode sujeitarse o postulante à incidência das penalidades constantes do Fl. 496DF CARF MF Processo nº 10410.721298/201692 Acórdão n.º 2202005.094 S2C2T2 Fl. 497 6 § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212/91 e dos arts. 57 e 58 da IN RFB n.º 1.300, de 2012 (...). O Auditor Fiscal, decidiu, portanto, pela não homologação das compensações realizadas. Da Manifestação de Inconformidade O contencioso administrativo teve início com a manifestação de inconformidade efetivada pelo recorrente, em 13/05/2016 (efls. 140/184), a qual delimitou os contornos da lide. Em suma, controverteuse na forma apresentada nas razões de inconformismo, conforme bem relatado na decisão vergastada, pelo que replico, litteris: A Defesa apresenta um arrazoado a respeito do direito da apresentação da Manifestação de Inconformidade e do seu conhecimento, sendo a DRJ o órgão competente para julgála, em primeira instância. Argui que a Manifestação de Inconformidade está prevista no art. 74, da Lei n.º 9.430/96, e está enquadrada no inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional, instaurando portanto a fase litigiosa do procedimento, nos termos do art. 14 do Decreto n.º 70.235/72. Portanto, a exigibilidade dos supostos débitos em questão estão suspensas em razão da MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. A defesa argumenta que: O regimento interno do CARF (ART. 62A) e a Lei n.º 10.522/02 (Art. 19), alterada pela Lei n.º 12.844/2013, estabelecem, em suma, que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo STJ e STF em matéria infraconstitucional e constitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543C e 543B, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros do CARF, e que os lançamentos já efetuados deverão ser revisados e/ou retificados de ofício quando a mesma matéria já tiver sido julgada pelo STF e STJ, na forma dos artigos 543B e 543C do CPC. No caso em tela, conforme se pode observar no relatório fiscal e nos documentos que acompanham a presente MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, a matéria discutida NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL SOBRE ALGUMAS VERBAS (TERÇO/SALÁRIO MATERNIDADE/OUTRAS) E MULTA CONFISCATÓRIA está sendo ou já foi analisada pelo STF e STJ, através dos recursos extraordinários e especiais nos RE 565.160, RE 576.967, RE 640.452, REsp. 1.230.957 e REsp. 1.358.281, respectivamente, cuja a REPERCUSSÃO GERAL (Art. 543B) e SUBMISSÃO A SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS (Art. 543C) já foram reconhecidas. Entende, portanto neste caso que o processo deve ser devolvido para a análise e então proceder a anulação, revisão e/ou retificação da COBRANÇA combatida. Destaca que o Recurso Especial 1.230.957RS "consolidou o entendimento quanto à não incidência da contribuição previdenciária patronal sobre os valores pagos a título de (i) 15 (quinze) primeiros dias de afastamento dos funcionários doentes ou acidentados, (ii) 1/3 (terço) de férias gozadas e (iii) aviso prévio indenizado". Argui que em razão da citada decisão do "STJ em sede de recurso repetitivo, fazse necessário que o referido lançamento seja anulado, retificado e/ou revisado, após manifestação da PGFN". Fl. 497DF CARF MF Processo nº 10410.721298/201692 Acórdão n.º 2202005.094 S2C2T2 Fl. 498 7 DO VÍCIO DA COBRANÇA. NULIDADE. A defesa argumenta que o Auditor Fiscal negou a compensação com base no art. 170A do CTN, entretanto não afastou a existência de créditos em decorrência de pagamento de Contribuição Previdenciária sobre verbas indevidas. Afirma que a compensação só poderia ser efetuada por GFIP, nos termos do art. 56 da IN 1.300/2012, que trata dos procedimentos da compensação de Contribuição Previdenciária. O contribuinte afirma que possui ações judiciais n.º 000312337.2010.4.05.8000, 000654061.2011.4.05.8000 e 000633447.2011.4.05.8000, que tem como objeto o afastamento da incidência da Contribuição Previdenciária sobre verbas pagas a título de 15 dias de afastamento de empregados doentes e sobre o valor pago a título de 1/3 constitucional de férias, férias gozadas, salário maternidade, aviso prévio indenizado e 13.º proporcional ao aviso prévio indenizado. Argumenta que: Veja que a aplicação do art. 170A do CTN em ações de Mandado de Segurança é uma atecnia. Vejamos o entendimento da 8.ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região nos autos do Mandado de Segurança n.º 2008.33.00.0102227: 5. A restrição à compensação, prevista no art. 170A do CTN, não se aplica aos autos, por ter o mandado de segurança, como garantia constitucional, caráter mandamental, que impõe à Administração uma prestação específica, material e in natura, a ser satisfeita de plano, maxime porque o direito vindicado, no plano infraconstitucional, está reconhecido por jurisprudência dominante do STJ. Portanto, a rigor, não se pode afirmar que há tributo contestado se o tribunal superior competente já reconheceu a tese do contribuinte. Argui que a Autoridade Administrativa não analisa o procedimento em si, apenas o enquadra como FALSO, indo inclusive de encontro ao entendimento do CARF. Entende, o contribuinte, que o "limitador do 170A do CTN poderia ser levantado no máximo para não homologar a compensação realizada, e não para enquadrar como declaração falsa. Há uma diferença no que tange ao MOMENTO da análise da Contribuição Previdenciária compensada. Primeiro, necessário analisar o crivo da formalidade. Segundo, necessário analisar o crivo da materialidade (existência ou não do crédito, para homologar ou não)". Complementa: No que tange ao primeiro crivo, FORMA, a EMPRESA cumpriu o quanto disposto no art. 56 da IN 1.300/2012 c/c art. 66 da Lei 8.383. No que tange ao segundo crivo, MATÉRIA, a EMPRESA, conforme será demonstrado em momento oportuno, também cumpriu. A aplicação do art. 170A do CTN poderia ser suscitado apenas para não admitir a utilização do crédito apurado decorrente de pagamento indevido, fato este já declarado nas ações judiciais. Ou seja, no presente caso, a compensação jamais poderia ter sido enquadrada como "Compensação Indevida". A defesa entende que falsidade de declaração decorre da divergência entre o apurado e o declarado, sendo que toda a documentação solicitada foi apresentada e os valores levantados e glosados foram apurados nas GFIP's. O procedimento realizado pela empresa está em conformidade com o disposto no art. 66 da Lei 8.383, cabendo o Fisco homologar ou não a compensação realizada. Fl. 498DF CARF MF Processo nº 10410.721298/201692 Acórdão n.º 2202005.094 S2C2T2 Fl. 499 8 Conclui que a COBRANÇA está viciada e NULA de pleno direito, devendo ser declarada improcedente. DOS FATOS O contribuinte apresenta um resumo dos fatos e destaca que as compensações se originaram nos créditos dos autos dos Mandados de Segurança n.º 000312337.2010.4.05.8000, 000654061.2011.4.05.8000 e 000633447.2011.4.05.8000, nas quais obteve êxito, portanto tendo direito de não mais pagar sobre estas verbas discutidas, bem como compensar os créditos apurados decorrentes dos pagamentos indevidos, da forma como realizou em GFIP. Argui que a fiscalização realizou o lançamento sem analisar os documentos apresentados que seriam suficientes para homologar os créditos. DA AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO ENTRE OS VALORES LANÇADOS E A BASE DE CÁLCULO A Impugnante, afirma que cumpriu todas as obrigações fiscais, "apresentou a cópia das decisões judiciais proferidas nos autos dos Mandados de Segurança impetrado, planilhas de memória de cálculo e GFIP's, todos demonstraram os recolhimentos no período lançado na COBRANÇA, referentes às contribuições previdenciárias, os quais ratificam que a Peticionante está adimplente para com o Fisco Previdenciário, tendo assim, cumprindo com os seus deveres principais e instrumentais." Destaca, que os valores compensados decorrem de contribuições sociais previdenciárias incidentes sobre os valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado (antes da obtenção do auxílio doença ou do auxílioacidente), bem como, a título de salário maternidade, férias e adicional de férias de 1/3 (um terço) e entre outras. Entende que não pode ser obrigada a efetuar o pagamento sobre as contribuições em debate ou deixar de efetuar a compensação das respectivas quantias pretéritas indevidamente pagas. O contribuinte apresenta um arrazoado a respeito das contribuições previdenciárias, que incidem sobre os valores pagos destinados a retribuir o trabalho efetivo ou potencial, consagrado pelo STF. Entende que é uma ofensa ao princípio da legalidade estrita (CF, 150, inc. I), ao histórico legislativo e jurisprudencial a exigência de recolhimento de contribuição social previdenciária pretensamente incidente sobre valores pagos em situações em que não há remuneração por serviços prestados, ou seja, hipóteses que desbordam do fato gerador in abstracto: i) Importâncias pagas nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado (antes da obtenção do auxíliodoença ou auxílioacidente); ii) valores pagos a título de saláriomaternidade; iii) importâncias pagas a título de férias gozadas e adicional de férias de 1/3 (um terço); iv) Aviso prévio e o respectivo 13.º proporcional. O contribuinte apresentada as fls. 158/168 as citadas verbas apresentando as razões e jurisprudência que indicam a não Fl. 499DF CARF MF Processo nº 10410.721298/201692 Acórdão n.º 2202005.094 S2C2T2 Fl. 500 9 incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas pagas pela empresa. DA LEGALIDADE DA COMPENSAÇÃO A defesa argui que o "artigo 66 da Lei n.º 8.383/91, faculta ao contribuinte a possibilidade de utilizar os créditos com a Fazenda Pública, cujos tributos pagos a maior ou indevidamente podem ser compensados com débitos vincendos, independentemente de autorização da Administração Pública". Argumenta que os valores a compensar foram apurados e registrados pelo contribuinte e a compensação independe de prévia autorização. Complementa que o "art. 170 do Código Tributário e seu apêndice, o artigo 170A , cuidam de outra modalidade de compensação, realizada diretamente pelos agentes fiscais a pedido do contribuinte, e que extingue o crédito tributário (já constituído, portanto), nos termos do art. 156, II, do CTN". Conclui que: "não pode a administração vincular aquele procedimento de compensação ao trânsito em julgado daquela decisão, por não ser aplicável ao procedimento aqui defendido". DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A defesa entende que "o lançamento tributário é ato administrativo vinculado e obrigatório e, quer de tributos lançados de ofício, quer daqueles lançados por homologação, deve ser ato oriundo de uma autoridade administrativa competente, e não do próprio contribuinte", nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. Argumenta que informar em GFIP é uma obrigação acessória, portanto verificando qualquer irregularidades deve ser realizada a fiscalização e então efetuar o lançamento, não podendo constituir o crédito na forma estabelecida na COBRANÇA. Argumenta que, "ao informar por via de GFIP a suspensão do pagamento com fundamento em processos judiciais, não pratica o sujeito passivo qualquer ato tendente a constituir o crédito tributário, não havendo razão para que o Fisco proceda a inscrição na dívida ativa e a respectiva cobrança de seus créditos". Cita a defesa jurisprudência para ratificar o seu entendimento. DA INCOERÊNCIA DA MULTA ISOLADA O sujeito passivo questiona a multa isolada, afirmando que deve ser anulada, visto que não houve fraude no procedimento de compensação, por ter sido baseado "em decisões judiciais proferidas no Mandados de Segurança impetrados pela peticionante, bem como nas decisões proferidas pelos Tribunais Superiores, STJ (REPETITIVO), e, ainda, em decisão proferida pelo CARF. Ademais, ainda que as decisões mencionem o Art. 170A do CTN, também não justificaria a aplicação da referida multa. Nesse sentido é o entendimento do CARF". Entende que "o limitador do 170A do CTN poderia ser levantado no máximo para não homologar a compensação realizada, e não para enquadrar como declaração falsa. Há uma diferença no que tange ao MOMENTO da análise da Contribuição Previdenciária compensada. Primeiro, necessário Fl. 500DF CARF MF Processo nº 10410.721298/201692 Acórdão n.º 2202005.094 S2C2T2 Fl. 501 10 analisar o crivo da formalidade. Segundo, necessário analisar o crivo da materialidade (existência ou não do crédito, para homologar ou não)". Complementa afirmando que a falsidade decorre quando a apresentação das justificativas da declaração de compensação são umas e o apurado foi outro, entretanto argui que apresentou todas as justificativas solicitadas. Argumenta que a multa isolada de 150% (cento e cinquenta por cento) e os acréscimos legais, representam um verdadeiro confisco, violando o art. 150, inciso IV, da Constituição de 1988. Nesse mesmo sentido, apresenta decisões do STF e do CARF. O contribuinte entende que não há como considerar falsas as GFIP's apresentadas nas competências 06/2011 a 03/2015, visto que tinha direito ao ressarcimento dos valores recolhidos a maior, independentemente de autorização judicial, conforme artigo 66 da Lei n.º 8.383/1991 e artigo 165 do CTN. Destaca que a fiscalização não poderia imputar falsidade as declarações apresentadas, sendo que o Auditor Fiscal se limitou a condicionar a "restituição DE VALORES PAGOS INDEVIDAMENTE PELA CONTRIBUINTE (!) ao trânsito em julgado de ação judicial correlata, o que resta superado nos tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação como é o caso da contribuição previdenciária patronal que podem e devem ser compensados pelo contribuinte independentemente de autorização administrativa ou de decisão judicial". Afirma que considerou apenas as rubricas as quais já existem diversas decisões dos Tribunais Superiores considerando indevidos aqueles pagamentos, havendo respaldo legal. Podendo a única multa a ser aplicada ser a moratória. Conclui que não há dolo, não havendo justificativa para a aplicação de multa tão elevada. "Desta forma, encontrase tipificado de forma errônea a presente COBRANÇA, o que enseja sua NULIDADE DE PLENO DIREITO, devendo ser cancelada". DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA. A defesa apresenta um pedido de diligência com base no artigo 16, IV, do Decreto n.º 70.235/72, para que se verifique os requisitos apresentado a fl. 182. Por fim requer: a) seja a presente MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE recebida nos termos do artigo 74, §§ 9.º e 11 da Lei n.º 9.430/96, e artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional, suspendose a exigibilidade dos supostos débitos aqui discutidos, devendo a autoridade competente tomar as medidas cabíveis para que os débitos não constem como restrição à expedição de Certidão Negativa de Débitos ou outra com o mesmo efeito, assim como para que não sejam inscritos no CADIN. b) seja o julgamento convertido em DILIGÊNCIA, principalmente para verificar se a Autoridade administrativa obedeceu a legislação que regulamenta a matéria, no caso a Lei 10.522/02, Art. 19, haja vista a existência de decisão judicial proferida em sede de RECURSO REPETITIVO pelo Superior Tribunal de Justiça REsp 1.230.957/RS, cujo objeto é idêntico ao discutido na presente COBRANÇA, pois, nesse sentido é o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, vejamos: ... Fl. 501DF CARF MF Processo nº 10410.721298/201692 Acórdão n.º 2202005.094 S2C2T2 Fl. 502 11 c) seja a presente MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE acolhida em todos seus termos, homologandose as informações declaradas nas GFIPS com base em processo judicial, para que seja desconsiderado o Processo de Cobrança n.º 10410.721298/201692. d) sucessivamente, caso se entenda pela subsistência do suposto crédito tributário objeto da cobrança o que se admite apenas a título de argumentação , requerse, ante a presente MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, seja a exigibilidade deste suposto crédito imediatamente suspensa, nos termos do artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional, e determinandose, nos termos do artigo 5.º da Lei n.º 9.784/99, seja iniciado regular processo administrativo. Por fim, protesta pela juntada da documentação anexa, a fim de que se apure que não houve as divergências apontadas pela Receita Federal do Brasil. Do Acórdão de Manifestação de Inconformidade A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, primeira instância do contencioso tributário, eis, em síntese, nas palavras do juízo a quo, as razões de decidir do meritum causae: DO PROCESSO JUDICIAL Durante a Ação Fiscal verificouse a existência dos seguintes processos: 000312337.2010.4.05.8000, 0006540 61.2011.4.05.8000 e 000633447.2011.4.05.8000, nos quais se discute a incidência da contribuição previdenciária sobre as rubricas: sobre os 15 primeiros dias de auxílio doença, férias e o terço constitucional, salário maternidade, auxílio transporte, décimo terceiro salário, horas extras, adicionais noturno e insalubridade, aviso prévio indenizado e décimo terceiro proporcional indenizado. O contribuinte na Manifestação de Inconformidade apresenta um extenso arrazoado a respeito das importâncias pagas nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado; valores pagos a título de saláriomaternidade; importâncias pagas a título de férias gozadas e adicional de férias de 1/3 (um terço) e Aviso prévio e o respectivo 13.º proporcional; afirmando que não são passíveis de incidência de contribuição previdenciária como já vem sendo decidido nos Tribunais. Nas citadas ações houve reconhecimento parcial do pleito, como se destaca a seguir: Processo n.º 000312337.2010.4.05.8000 MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FÉRIAS. TERÇO DE FÉRIAS. SALÁRIO MATERNIDADE. AUXÍLIODOENÇA. COMPENSAÇÃO: ART. 26, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI N.º 11.457/2007. ... As verbas relativas ao saláriomaternidade e às férias propriamente ditas possuem caráter remuneratório, impondose a sua consideração no cálculo das contribuições previdenciárias devidas pela empresa. O pagamento, a cargo do empregador, da remuneração do empregado durante os primeiros quinze dias de seu afastamento, por força do art. 60, § 3.º, da Lei 8.213/91, ostenta caráter previdenciário, não incidindo contribuição previdenciária sobre tal parcela. Considerando que o terço constitucional de férias não integra o salário de contribuição (cf. art. 28, § 9.º, Lei n.º 8.212/91), não Fl. 502DF CARF MF Processo nº 10410.721298/201692 Acórdão n.º 2202005.094 S2C2T2 Fl. 503 12 sendo incorporado ao cálculo da aposentadoria do trabalhador, e tendo em vista, sobretudo, o seu caráter indenizatório, seguese que a referida parcela não se expõe à incidência de contribuição previdenciária. ... Parcial provimento à remessa oficial e às apelações do particular e da União (Fazenda Nacional) para declarar a inexigibilidade da contribuição previdenciária sobre o adicional de 1/3 de férias e os primeiros 15 dias de afastamento do empregado por acidente ou doença, devendo a compensação obedecer às diretrizes traçadas pela Lei n.º 11.457/2007, após o trânsito em julgado (ART. 170A, CTN), corrigidos pela taxa SELIC. Processo nº 000654061.2011.4.05.8000 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. DECLARAÇÃO DE DIREITO À COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS EM MANDADO DE SEGURANÇA. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 213 DO STJ. PRESCRIÇÃO. LC 118/2005. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL. AUXÍLIOTRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. ENTENDIMENTO DO PLENO DO PRETÓRIO EXCELSO. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. PRECEDENTES. COMPENSAÇÃO. ... 3. O Plenário do Supremo Tribunal Federal firmou o entendimento de que os valores pagos pelo empregador ao empregado a título de valetransporte, ainda que em pecúnia, não possui natureza jurídica salarial, de modo que sobre tal verba não deve incidir contribuição previdenciária. 4. "A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa". (STF RE n.º 478.410/SP Órgão Julgador: Tribunal Pleno Relator: Min. Eros Grau DJE de 14/05/2010 Decisão: Unânime), 5. Por outro lado, é devida a contribuição previdenciária sobre os valores pagos ao segurado empregado a título de 13.º salário (gratificação natalina), considerando que esta verba possui natureza salarial, e, portanto, sujeitase à incidência tributária. Precedentes do colendo STJ e desta egrégia Primeira Turma. 6. É de ser reconhecido o direito do impetrante à compensação dos valores pagos a título de valetransporte. A compensação deve ser relativa apenas aos valores recolhidos pela empresa impetrante e não aos valores recolhidos pelos seus funcionários, eis que não possui legitimidade para pleitear direito alheio, ex vi art. 6.º do CPC. 7. Considerando que a prova na via mandamental deve vir pré constituída, não comportando comprovação posterior, assiste ao impetrante direito à compensação das quantias recolhidas indevidamente a título de contribuição previdenciária, desde que devidamente comprovadas nos autos. 8. A compensação deve observar a ressalva do parágrafo único do art. 26 da Lei n.º 11.457/2007. Processo nº 000633447.2011.4.05.8000 TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. HORAS EXTRAS. ADICIONAIS NOTURNO, DE INSALUBRIDADE, DE PERICULOSIDADE E DE TRANSFERÊNCIA. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. 13.º SALÁRIO PROPORCIONAL AO AVISO PRÉVIO INDENIZADO. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. Pedido de reconhecimento da ilegalidade da cobrança da contribuição previdenciária sobre as horas extras, o adicional noturno, de insalubridade, de periculosidade, de transferência, aviso prévio indenizado e o 13.º salário proporcional ao aviso prévio indenizado. Sentença que reconheceu ser indevido o recolhimento sobre as rubricas aviso prévio indenizado e 13.º salário proporcional ao aviso prévio indenizado. ... Fl. 503DF CARF MF Processo nº 10410.721298/201692 Acórdão n.º 2202005.094 S2C2T2 Fl. 504 13 Relativamente às horas extras de empregado vinculado ao Regime Geral da Previdência Social reconheço que tal verba integra o salário de contribuição, configurando verba de natureza eminentemente remuneratória, paga ao empregado em virtude de trabalho desempenhado além da jornada normal, não figurando entre as hipóteses de exclusão de verbas integrantes do salário preconizadas no art. 28, § 9.º, da Lei n.º 8.212/91, restando, assim, cabível a incidência da referida exação. Incide contribuição previdenciária sobre adicionais noturno (Enunciado 60/TST), de insalubridade, de periculosidade e de transferência por possuírem caráter salarial. Precedentes: ADREsp 1.098.218 (STJ, Rel. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJE 09/11/2009); Reg. AC 387.041 (TRF5, Rel. Des. Federal Paulo Gadelha, Segunda Turma, DJE 13/05/2010); AC 200534000170940 (Des. Federal Maria do Carmo Cardoso, TRF1 Oitava Turma, 11/12/2009) O aviso prévio indenizado e seu 13.º salário proporcional têm caráter eminentemente indenizatório, não integrando a base de cálculo da contribuição previdenciária. Precedentes: AC 482.721/PE (Rel. Des. Fed. Margarida Cantarelli, DJ 12/11/2009, pág. 943, unânime); APELREEX 16.117/RN (Rel. Des. Fed. Luís Alberto Gurgel, DJ 02/06/2011, unânime). Entretanto, não foi apresentado o trânsito em julgado das referidas ações até a presente data. A propositura de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e/ou desistência do recurso interposto. Nesse sentido dispõem o artigo 1.º, parágrafo 2.º, do DecretoLei n.º 1.737/79, e o artigo 38, parágrafo único, da Lei n.º 6.830/80, a propositura, pelo contribuinte, de mandado de segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de Crédito da Fazenda Nacional, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa, e desistência do recurso acaso interposto. Foi então expedido o Parecer Normativo COSIT n.º 7 de 2014, esclarecendo que: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ementa: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. PREVALÊNCIA DO PROCESSO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. DESISTÊNCIA DO RECURSO ACASO INTERPOSTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto. Quando contenha objeto mais abrangente do que o judicial, o processo administrativo fiscal deve ter seguimento em relação à parte que não esteja sendo discutida judicialmente. A decisão judicial transitada em julgado, ainda que posterior ao término do contencioso administrativo, prevalece sobre a decisão administrativa, mesmo quando aquela tenha sido desfavorável ao contribuinte e esta lhe tenha sido favorável. A renúncia tácita às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal a seus procedimentos, devendo proferir decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida. É irrelevante que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é insuscetível de retratação. Fl. 504DF CARF MF Processo nº 10410.721298/201692 Acórdão n.º 2202005.094 S2C2T2 Fl. 505 14 A definitividade da renúncia às instâncias administrativas independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação. Dispositivos Legais: Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), art. 145, c/c art. 149, art. 151, incisos II, IV e V; Decreto Lei n.º 147, de 3 de fevereiro de 1967, art. 20, § 3.º; Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, arts. 16, 28 e 62; Lei n.º 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC), arts. 219, 267, 268, 269 e 301, § 2.º; DecretoLei n.º 1.737, de 20 de dezembro de 1979, art. 1.º; Lei n.º 6.830, de 22 de setembro de 1980, art. 38; Constituição Federal, art. 5.º, inciso XXXV; Lei n.º 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 53; Lei n.º 12.016, de 7 de agosto de 2009, art. 22; Portaria CARF n.º 52, de 21 de dezembro de 2010; Portaria MF n.º 341, de 12 de julho de 2011, art. 26; art. 77 da IN RFB n.º 1.300, de 20 de novembro de 2012. A matéria também é contemplada na Súmula CARF 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Sendo assim, esta autoridade administrativa se encontra impedida de se pronunciar a respeito, por força da unidade jurisdicional prevista constitucionalmente e que implica a predominância do Poder Judicial sobre as matérias colocadas sob sua apreciação. Portanto, este Órgão Julgador não se pronunciará se a tributação incide sobre as importâncias pagas nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado; valores pagos a título de salário maternidade; importâncias pagas a título de férias gozadas e adicional de férias de 1/3 (um terço) e Aviso prévio e o respectivo 13.º proporcional. DA COMPENSAÇÃO – IMPOSSIBILIDADE A compensação não necessita de autorização judicial/administrativa para ser realizada, prescinde apenas de um direito líquido e certo ao crédito, nos termos do art. 170 da Lei n.º 5.172/1966 CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto n.º 7.212, de 2010) No caso em análise, verificase que não foi comprovada a existência do direito ao crédito declarado em GFIP, conforme Despacho Decisório: “4. No âmbito da Ação Fiscal vinculada ao MPF n.º 0440100.2015.00030 a Autoridade Fiscal constatou, após a análise da documentação colacionada junto ao contribuinte, que as compensações em GFIP no período de 06/2011 a 12/2011, 01/2012 a 03/2012, 09/2012, 12/2012 a 01/2013, 03/2013, 04/2013 e 12/2013 não têm lastro, vez que as ações judiciais apontadas pelo contribuinte como supedâneo para tanto ainda não transitaram em julgado.” A defesa confirma que efetuou a compensação com base em decisões judiciais: Conforme informado durante a fiscalização, a Peticionante obteve êxito na ação, tendo seu direito de não mais pagar sobre estas verbas discutidas, bem como compensar os créditos apurados decorrentes dos pagamentos indevidos. Fl. 505DF CARF MF Processo nº 10410.721298/201692 Acórdão n.º 2202005.094 S2C2T2 Fl. 506 15 Assim, tendo havido recolhimentos indevidos a título da contribuição social previdenciária incidente sobre os valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado (antes da obtenção do auxílio doença ou do auxílioacidente), bem como da incidência da contribuição previdenciária sobre o abono constitucional de terço de férias, do salário maternidade, das férias e outras (aviso prévio indenizado e 13.º proporcional ao aviso prévio indenizado), por exemplo, a Peticionante faz jus à compensação desses valores, na forma declarada em suas GFIP's pertinentes aos débitos e os períodos em questão. O contribuinte não comprovou o trânsito em julgado das referidas ações conforme determinado pelo art. 170A da Lei n.º 5.172/1966 CTN: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela Lcp n.º 104, de 2001) Se houvesse qualquer dúvida a respeito da aplicabilidade do citado artigo, as decisões judiciais dirimiram essa questão, pois determinam a observância da regra nele contida para efetuar as compensações, como se verifica: Processo n.º 000312337.2010.4.05.8000 Proposta a ação na vigência do artigo 170A do CTN, impõese a observância da regra nele contida, que veda a compensação antes do trânsito em julgado. (Precedente deste Tribunal: APELREEX 9.838/CE Rel. Des. Federal Geraldo Apoliano Julg. 08/04/2010). Processo n.º 000654061.2011.4.05.8000 10. A compensação tributária somente pode ser levada a efeito com o trânsito em julgado da sentença, em obediência ao disposto no art. 170A do CTN, resguardandose ao Fisco a conferência e a correção dos valores a compensar. Processo n.º 000633447.2011.4.05.8000 Cabível a compensação do que fora recolhido indevidamente com parcelas referentes à própria contribuição, nos moldes do art. 66, § 1.º, da Lei n.º 8.383/91 (Sentença reformada nesse ponto). Observada a limitação legal do art. 170A do CTN. Correção monetária do montante a ser compensado nos termos do Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos na Justiça Federal. Portanto, não cabe a autoridade fiscal homologar as compensações, visto que são inexistentes os créditos utilizados pelo contribuinte, pois enquanto não houver uma decisão final das ações judiciais os créditos não são líquidos e certos. Observase que a situação promovida pelo contribuinte não se coaduna na hipótese de pagamento indevido ou maior que o devido, mas de extinção de obrigação tributária, mediante uso não comprovado de supostos créditos, os quais foram inclusos indevidamente a título de compensação na GFIP. O fato do Auditor Fiscal não ter tecido qualquer comentário a respeito do valor compensado está vinculado ao entendimento já expresso no Despacho Decisório de que os valores compensados decorreram de decisões judiciais não transitadas em julgado. Portanto, não havia créditos a serem compensados. Desta forma, não haveria motivo para o Auditor fiscal se manifestar a respeito do valor compensado, visto que o direito líquido e certo não existia. Em face a todos estes elementos fáticos e jurídicos, agiu corretamente a Autoridade Fiscal ao efetuar a glosa das Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10410.721298/201692 Acórdão n.º 2202005.094 S2C2T2 Fl. 507 16 compensações efetuadas, consubstanciado por meio do Despacho Decisório emitido. DA GFIP. NÃO NECESSIDADE DE LANÇAMENTO FISCAL. Destacase que as informações contidas na GFIP são de inteira responsabilidade da empresa conforme Lei n.º 8.212/1991, art. 32, inciso IV, combinado com o art. 225, inciso IV, e parágrafos 2.º, 3.º e 4.º do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06/05/99, abaixo transcritos: Art. 32. A empresa é também obrigada a: [...] IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei n.º 11.941, de 2009) Art. 225. A empresa é também obrigada a: [...] IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; [...] § 2.º A entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social deverá ser efetuada na rede bancária, conforme estabelecido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, até o dia sete do mês seguinte àquele a que se referirem as informações. (Redação dada pelo Decreto n.º 3.265, de 1999) § 3.º A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social é exigida relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999. § 4.º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. No presente caso, observase que o fato gerador foi declarado em GFIP e o crédito tributário foi extinto a partir das compensações declaradas no mesmo documento. Entretanto, tais compensações, como já tratado, foram consideradas indevidas. Neste caso, já foi constada pela Autoridade Fiscal a compensação indevida e a contribuição social já confessada em GFIP, portanto não há que se falar em necessidade de um novo lançamento. Mas sim, como ocorreu, o sujeito passivo foi comunicado da não homologação da compensação e intimado a efetuar o pagamento em 30 (trinta) dias, como detalhado no Despacho Decisório. A legislação prevê tal procedimento no art. 32, inciso IV, § 2.º, da Lei n.º 8.212 de 1991, combinado com o art. 225, IV, § 1.º, do Decreto n.º 3.048 de 1999: Lei 8.212/1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) § 2.º A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10410.721298/201692 Acórdão n.º 2202005.094 S2C2T2 Fl. 508 17 tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Lei n.º 11.941, de 2009) Decreto 3.048 de 1999 Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) § 1.º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituirseão em termo de confissão de dívida, na hipótese do nãorecolhimento. A apresentação da GFIP representa uma obrigação acessória e se trata de documento onde são declarados os fatos geradores de contribuições sociais e valores devidos das contribuições previdenciárias. Deve ser cumprida mensalmente pelos contribuintes. A partir da análise dos §§ 1.º e 2.º do artigo 5.º do Decreto Lei n.º 2.124 de 1984, o artigo 33, caput, e § 7.º e o artigo 39, caput, e § 3.º da Lei n.º 8.212 de 1991, combinado com o artigo 242, caput, e § 1.º do Decreto n.º 3.048 de 1999: DecretoLei n.º 2.124 de 1984 Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1.º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2.º Não pago no prazo estabelecido pela legislação o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2.º do artigo 7.º do DecretoLei n.º 2.065, de 26 de outubro de 1983. Lei n.º 8.212 de 1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei n.º 11.941, de 2009). (...) § 7.º O crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de lançamento, de auto de infração e de confissão de valores devidos e não recolhidos pelo contribuinte. (Redação dada pela Lei n.º 11.941, de 2009). Decreto n.º 3.048 de 1999 Art. 242. Os valores das contribuições incluídos em notificação fiscal de lançamento e os acréscimos legais, observada a legislação de regência, serão expressos em moeda corrente. § 1.º Os valores das contribuições incluídos na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, não recolhidos ou não parcelados, serão inscritos na Dívida Ativa do Instituto Nacional do Seguro Social, dispensandose o processo administrativo de natureza contenciosa. Pela leitura do artigo 37 da Lei n.º 8.212 de 1991, a seguir transcrito, verificase que a necessidade de lançamento fiscal somente ocorre quando não houver declaração em GFIP do fato gerador: Fl. 508DF CARF MF Processo nº 10410.721298/201692 Acórdão n.º 2202005.094 S2C2T2 Fl. 509 18 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei n.º 11.941, de 2009). Portanto, não restam dúvidas de que tendo havido declaração do fato gerador em GFIP e ocorridas compensações indevidas, não há necessidade de uma nova constituição do crédito através de lançamento. A GFIP, apesar de ser uma obrigação acessória, ela também é uma declaração prestada pelo próprio contribuinte, agiu corretamente a Autoridade Fiscal, ao emitir o Despacho Decisório, informando ao sujeito passivo que os créditos tributários voltaram à situação de exigíveis, abrindo prazo para pagamento ou apresentação de manifestação de inconformidade. DA MULTA ISOLADA A defesa contesta a aplicação da multa isolada afirmando que não houve dolo/fraude. Tal assunto não será tratado no presente caso visto a inexistência de multa isolada no processo. DA CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. O impugnante pede que seja reconhecido o direito a obtenção de CND, não havendo como ser exigido o tributo, visto que houve suspensão da exigibilidade do tributo após a apresentação do recurso. De fato a exigibilidade do crédito constituído encontrase suspensa por força da contestação apresentada, a teor do inciso III do artigo 151 da Lei n.º 5.172, de 1996, CTN. As atribuições das Delegacias de Julgamento DRJ encontramse relacionadas no artigo 233 do Regulamento da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n.º 203, de 14 de maio de 2012, transcrito a seguir, e nesta, não está relacionada a apreciação de motivos para concessão ou negativa de emissão de CND. Portaria MF n.º 203, de 14 de maio de 2012 Aprova o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. Art. 233. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, com jurisdição nacional, compete conhecer e julgar em primeira instância, após instaurado o litígio, especificamente, impugnações e manifestações de inconformidade em processos administrativos fiscais: I de determinação e exigência de créditos tributários, inclusive devidos a outras entidades e fundos, e de penalidades; II de infrações à legislação tributária das quais não resulte exigência do crédito tributário; III relativos a exigência de direitos antidumping, compensatórios e de salvaguardas comerciais; e IV contra apreciações das autoridades competentes em processos relativos a restituição, compensação, ressarcimento, reembolso, imunidade, suspensão, isenção e redução de alíquotas de tributos, Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), indeferimento de opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), e exclusão do Simples e do Simples Nacional. § 1.º O julgamento de impugnação de penalidade aplicada isoladamente em razão de descumprimento de obrigação principal Fl. 509DF CARF MF Processo nº 10410.721298/201692 Acórdão n.º 2202005.094 S2C2T2 Fl. 510 19 ou acessória será realizado pela DRJ competente para o julgamento de litígios que envolvam o correspondente tributo. § 2.º O julgamento de manifestação de inconformidade contra o indeferimento de pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso, ou a nãohomologação de compensação, será realizado pela DRJ competente para o julgamento de litígios que envolvam o tributo ao qual o crédito se refere. § 3.º Às DRJ compete, ainda, promover a educação fiscal. Nesse mesmo sentido, o artigo 25 do Decreto 70.235, de 1972, trata da competência das Delegacias de Julgamento que assim dispõe: Art.25.O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: I em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal. O pedido formulado pela contribuinte tem caráter meramente preventivo, e não cabe a esta Delegacia de Julgamento e, conforme legislação transcrita anteriormente, restringese ao julgamento “do processo de exigência de tributos ou contribuições” administrados pela RFB, não lhes cabendo decidir acerca da emissão de Certidão Negativa de Débito. DO PEDIDO DILIGÊNCIAS Acerca do pedido para que seja realizada diligência, no caso, mostrase prescindível para o deslinde da questão. No tocante à realização de diligencia, cabe esclarecer que a realização de diligências ou perícias condicionamse à análise da sua imprescindibilidade e viabilidade, cabendo à autoridade julgadora solicitála quando entender necessária, conforme o art. 18 do Decreto n.º 70.235/72: Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) No presente caso não se verificou a necessidade da realização de diligência, visto que consta nos autos todos os elementos necessários para o julgamento administrativo. Assim, o pedido de diligência está indeferido. DAS PROVAS No pertinente à solicitação do contribuinte de juntada de provas novas ou aditamento da impugnação, o Decreto n.º 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal relativo às contribuições de que tratam os arts. 2.º e 3.º da Lei n.º 11.457/07, estabelece em seu art. 16 que a impugnação deverá mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em complemento, o § 4.º do citado artigo é manifesto ao prescrever que a prova documental deverá ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, ressalvados os casos específicos descritos. Dessa forma, considerandose que a Impugnante não demonstrou a necessidade de apresentar novas provas com base nos dispositivos normativos mencionados, em especial as exceções previstas nas alíneas “a”, “b” ou “c” do § 4.º do art. Fl. 510DF CARF MF Processo nº 10410.721298/201692 Acórdão n.º 2202005.094 S2C2T2 Fl. 511 20 16 do Decreto 70.235/72, não há razões para deferir a solicitação de juntada de provas. VOTO no sentido de julgar IMPROCEDENTE A MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE mantendo a decisão recorrida. Do Recurso Voluntário No recurso voluntário, interposto em 27/02/2018 (efls. 464/488), o sujeito passivo postula a manutenção da suspensão da exigibilidade dos débitos em discussão, na forma do art. 151, III, do CTN, bem como que seja reformado o Acórdão recorrido, reconhecendose a ausência de identidade de objeto entre as ações judiciais e este processo administrativo e, portanto, reconhecendose a ausência de renúncia à instância administrativa, determinando que a DRJ se manifeste sobre a questão da existência dos créditos em virtude dos recolhimentos indevidos. Superada a preliminar, requer que seja reconhecida a necessidade de aplicação do Recurso Especial n.º 1.230.957/RS, em virtude do artigo 62, § 2.º, do RICARF, reformandose o Acórdão hostilizado para que se reconheça a improcedência da glosa quanto às verbas para as quais o STJ já se manifestou em sede de Recurso Especial repetitivo no sentido de excluílas da incidência da contribuição previdenciária, reconhecendose a existência dos créditos utilizados no que se refere a tais verbas, reconhecendose, ainda, a existência dos créditos relativos as outras verbas em discussão, julgandose improcedente a glosa, a multa isolada de 150%, bem como que não seja imposta multa em qualquer outro patamar. Para tanto, objetivando a devolução da matéria para esse Egrégio Colegiado, em síntese, o recorrente alega em suas razões recursais as seguintes questões: a) Não ocorreu renúncia às instâncias administrativas; b) Os créditos utilizados nas operações de compensação existem; c) Necessidade de aplicação do REsp 1.230.957; d) Existência dos créditos à época da entrega das GFIPs (operação de compensação teve como fundamento decisão de caráter mandamental proferida em Mandado de Segurança, afastandose a incidência do art. 170A do CTN. Entendimento do CARF); e) Ausência de falsidade da declaração prestada (erro na tipificação da suposta infração); f) Improcedência da multa isolada de 150% (necessidade de comprovação do dolo ou fraude); e g) Impossibilidade de aplicação de multa em patamar diverso em sendo descaracterizada a multa isolada (proibição de alteração do critério jurídico). Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído por sorteio público para este relator, em data de 12/02/2019. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando, primeiramente, o juízo de admissibilidade e, se superado este, o juízo de mérito para, posteriormente, finalizar com o dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade Fl. 511DF CARF MF Processo nº 10410.721298/201692 Acórdão n.º 2202005.094 S2C2T2 Fl. 512 21 De início, afirmo que o Recurso Voluntário não atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos, relativos ao direito de recorrer, sendo caso de conhecimento parcial, de toda sorte, antes de analisálos, antecipo que os pressupostos de admissibilidade extrínsecos, relativos ao exercício do direito de recorrer, estão atendidos. Pois bem. Neste ponto, observo que o recurso se apresenta tempestivo (notificação em 14/02/2018, efl. 461, e protocolo recursal em 27/02/2018, efls. 462/464, além do despacho de encaminhamento, efl. 490), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal, bem como resta adequada a representação processual, inclusive contando com advogado regularmente habilitado, de toda sorte, anoto que, conforme a Súmula CARF n.º 110, no processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo, sendo a intimação destinada ao contribuinte. Porém, quanto aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, reconheço fato impeditivo e mesmo extintivo do direito de recorrer para algumas matérias veiculadas no recurso, bem como reconheço falta de interesse recursal para capítulos específicos da peça recursal, o que enseja o conhecimento apenas parcial. Explico. a) Da Concomitância com ação judicial Os elementos dos autos apontam como incontroverso que o recorrente judicializou a temática da não incidência de contribuições previdenciárias sobre os primeiros quinze (15) dias de auxíliodoença ou sobre o auxílioacidente (absenteísmo), sobre férias, sobre o salário maternidade, sobre o 13.º salário, sobre o vale transporte fornecido em dinheiro, sobre as horas extras, sobre o adicional noturno, sobre o adicional de insalubridade, sobre o adicional de periculosidade, sobre o adicional de transferência, sobre o aviso prévio indenizado e sobre a respectiva parcela do 13.º salário. Deveras, a certidão narrativa do Processo judicial n.º 0003123 37.2010.4.05.8000 informa o debate sobre a não incidência da contribuição previdenciária sobre os primeiros quinze (15) dias de auxíliodoença/auxílioacidente (absenteísmo), sobre férias, sobre o adicional do terço de férias e sobre o salário maternidade. Por sua vez, a certidão narrativa do Processo judicial n.º 000654061.2011.4.05.8000 atesta o debate sobre a não incidência da contribuição previdenciária sobre o 13.º salário e sobre o vale transporte fornecido em dinheiro. Por último, o Processo judicial n.º 0006334 47.2011.4.05.8000 traz o debate referente a não incidência sobre as verbas relativas às horas extras, adicional noturno, de insalubridade, de periculosidade, de transferência, o aviso prévio indenizado e respectiva parcela de 13.º salário. Deste modo, a discussão deste processo administrativo fica limitada, uma vez que não se pode adentrar na análise da não incidência das contribuições sociais previdenciárias sobre tais verbas. A concomitância caracteriza fato impeditivo e mesmo extintivo do direito de recorrer. Registro, para fins de aclaramento, que pesquisando sobre os processos judiciais no site da Justiça Federal de Alagoas observo que os Processos ns.º 0003123 37.2010.4.05.8000, 000654061.2011.4.05.8000 e 000633447.2011.4.05.8000 não transitaram em julgado. Quanto ao não conhecimento da matéria concomitante, aplicase o disposto no art. 87 do Decreto n.º 7.574, de 2011, que, dentre outras temáticas, regulamenta Fl. 512DF CARF MF Processo nº 10410.721298/201692 Acórdão n.º 2202005.094 S2C2T2 Fl. 513 22 o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União, e de outros processos que especifica, sobre matérias administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, consolidando normas do Processo Administrativo Fiscal regulado no Decreto n.º 70.235, de 1972, bem como o parágrafo único do art. 38 da Lei n.º 6.830, de 1981, e, de igual modo, o art. 126, § 3.º, da Lei n.º 8.213, de 1991. No mesmo sentido, também, o art. 78, § 2.º, do Anexo II, do RICARF, e a Súmula CARF (vinculante) n.º 1, está dispondo, verbo ad verbum: Súmula CARF n.º 01: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Importa anotar que, apesar do recorrente negar a concomitância, alegando que os objetos são distintos, tratando os judiciais da declaração de não incidência da contribuição previdenciária patronal sobre as mencionadas verbas, enquanto o administrativo cuidaria do reconhecimento dos créditos que embasaram os pedidos de compensação veiculados em GFIP, tenho que, respeitosamente, discordar desta tese, haja vista que reconhecer o vindicado direito creditório exige a análise da não incidência. Logo, temse que o objeto do processo administrativo ao focar na homologação das compensações, obrigatoriamente, passa pelo reconhecimento da não incidência da contribuição previdenciária patronal sobre as mencionadas verbas. Ademais, o art. 62, § 2.º, do RICARF, ao falar em "decisões definitivas", referese àquelas transitadas em julgado, o que não é o caso do REsp n.º 1.230.957, o que abordarei no mérito deste recurso. De mais a mais, mister apresentar a conclusão do Parecer Normativo da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação (COSIT) n.º 7, de 2014, que trata da concomitância entre processo administrativo fiscal e processo judicial com o mesmo objeto, sendo bem ilustrativo, verbo ad verbum: 21. Por todo o exposto, concluise que: a) a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, exceto quando a adoção da via judicial tenha por escopo a correção de procedimentos adjetivos ou processuais da Administração Tributária, tais como questões sobre rito, prazo e competência; b) por conseguinte, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que concerne à matéria distinta; c) a renúncia às instâncias administrativas abrange os processos de constituição de crédito tributário, de reconhecimento de direito creditório do contribuinte (restituição, ressarcimento e compensação), de aplicação de Fl. 513DF CARF MF Processo nº 10410.721298/201692 Acórdão n.º 2202005.094 S2C2T2 Fl. 514 23 pena de perdimento e qualquer outro processo que envolva a aplicação da legislação tributária ou aduaneira; d) a decisão judicial transitada em julgado, seja esta anterior ou posterior ao término do contencioso administrativo, prevalece sobre a decisão administrativa, mesmo quando aquela tenha sido desfavorável ao contribuinte e esta lhe tenha sido favorável; e) a renúncia às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal aos seus procedimentos, a despeito do ingresso do sujeito passivo em juízo; proferirá, assim, decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, e deixará de apreciar suas razões e de conhecer de eventual petição por ele apresentada, encaminhando o processo para a inscrição em DAU do débito, quando existente, salvo a ocorrência de hipótese que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, nos termos dos incisos II, IV e V do art. 151 do CTN; f) o mesmo raciocínio se aplica, no que couber, aos processos administrativos em que não se discuta a exigibilidade do crédito tributário lançado de ofício, mas envolvam quaisquer outras matérias de interesse do sujeito passivo, que ele opte por submeter ao exame do Poder Judiciário (nestes casos, de igual modo, o curso do processo administrativo não será suspenso, ressalvada decisão judicial incidental determinando sua suspensão); g) a competência para declarar a concomitância de instâncias e seus efeitos é da autoridade competente para decidir sobre a matéria na fase processual em que se encontra o processo administrativo, qualquer que seja o rito a que esteja submetido; h) se, no ato da impugnação do lançamento, da manifestação de inconformidade ou da interposição de qualquer espécie de recurso, o interessado não informar que a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, em desobediência ao disposto no inciso V do art. 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972, e ficar constatada a concomitância total ou parcial com processo judicial, deverá o Delegado ou o InspetorChefe da RFB negar o seguimento da impugnação ou da manifestação quanto ao objeto coincidente; i) é irrelevante, na espécie, que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é definitiva, insuscetível de retratação; j) a definitividade da renúncia às instâncias administrativas independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação; k) o disposto neste Parecer aplicase de igual modo a qualquer modalidade de processo administrativo no âmbito da RFB, ainda que sujeito a rito processual diverso do Decreto n.º 70.235, de 1972; Fl. 514DF CARF MF Processo nº 10410.721298/201692 Acórdão n.º 2202005.094 S2C2T2 Fl. 515 24 l) a configuração da concomitância entre as esferas administrativa e judicial não impede a aplicação do disposto no art. 19 da Lei n.º 10.522, de 19 de julho de 2002, c/c a Portaria Conjunta PGFN/RFB n.º 1, de 12 de fevereiro de 2014; m) ficam revogados o Parecer MF/SRF/COSIT/GAB n.º 27, de 13 de fevereiro de 1996, e o ADN Cosit n.º 3, de 14 de fevereiro de 1996. Por tais razões, resta evidente que a invocação do Poder Judiciário para a apreciação judicialjurisdicional de matéria tributária ceifa a competência deste Egrégio Conselho para a solução estatal nãojurisdicional de conflitos tributários de mesmo objeto. Sendo assim, declaro a concomitância, pontuo que os efeitos da concomitância se estendem sobre a discussão quanto a temática da não incidência de contribuições sociais previdenciárias patronais sobre os primeiros quinze (15) dias de auxíliodoença ou sobre o auxílioacidente (absenteísmo), sobre férias, sobre o terço constitucional de férias, sobre o salário maternidade, sobre o 13.º salário, sobre o vale transporte fornecido em dinheiro, sobre as horas extras, sobre o adicional noturno, sobre o adicional de insalubridade, sobre o adicional de periculosidade, sobre o adicional de transferência, sobre o aviso prévio indenizado e sobre a respectiva parcela do 13.º salário. b) Falta de interesse recursal quanto ao capítulo da multa isolada de 150% (e falsidade da declaração) e do pedido subsidiário de impossibilidade de aplicação de multa em patamar diverso por vedação a mudança de critério jurídico. O interesse recursal é composto pelo binômio necessidade e adequação. Não há dúvida de que o recurso voluntário é adequado a pretensão recursal no que se refere a conteúdo de acórdão de manifestação de inconformidade quando lhe é desfavorável, no entanto não observo sucumbência do recorrente a demonstrar necessidade de recurso quanto ao capítulo constante do recurso que objetiva discutir a suposta multa isolada de 150% (e falsidade da declaração) ou subsidiariamente, se vencido no dito capítulo, a impossibilidade de aplicação de multa em patamar diverso por vedação de mudança de critério jurídico. Isto porque, simplesmente, não houve imposição de multa isolada nestes autos! O caso destes autos trata de procedimento homologatório de compensação declarada em GFIP, tendo por objeto atestar, ou não, o direito creditório declarado, o qual daria lastro a compensação informada. É fato que não foi homologada a compensação, posto que não foram reconhecidos os créditos vindicados, sob o especial argumento de que não são líquidos e certos, de modo que os débitos próprios confessados (Lei 8.212, art. 32, IV, § 2.º, 33, § 7.º) não restaram extintos (CTN, art. 156, II). Mas, nestes autos, não consta lançamento de ofício quanto a multa isolada, que decorreria de falsidade de declaração. Este caderno processual trata tãosomente da não homologação das compensações declaradas, face ao não reconhecimento dos créditos vindicados. Não consta nestes autos que tenha havia lançamento de ofício de multa isolada e, se eventualmente ocorreu, não será aqui tratado, por estar fora do objeto em litígio. Logo, se não há multa isolada no âmbito do objeto deste processo, não tem o que se decidir, inclusive a decisão de piso já havia se pronunciado no mesmo sentido. Fl. 515DF CARF MF Processo nº 10410.721298/201692 Acórdão n.º 2202005.094 S2C2T2 Fl. 516 25 Sendo assim, não conheço do capítulo constante do recurso que objetiva discutir a suposta multa isolada de 150% (e falsidade da declaração) ou, subsidiariamente, se vencido no dito capítulo, a impossibilidade de aplicação de multa em patamar diverso por vedação de mudança de critério jurídico. Apreciação de preliminar antecedente a análise do mérito Nulidade da decisão hostilizada Antes de adentrar no mérito, analiso, também, o pedido de nulidade. A defesa advoga que a decisão de piso é nula e requer que se determine à DRJ a análise da questão relativa à existência dos créditos por conta dos recolhimentos pretéritos indevidos sobre as verbas elencadas na Manifestação de Inconformidade. Pois bem. Não verifico a alegada nulidade. Como afirmado acima, temos concomitância entre ação judicial e processo administrativo, de modo que não sendo conhecida a matéria em concomitância pela primeira instância, como também o é nesta, relativa a não incidência de contribuições sociais previdenciárias sobre verbas discutidas no Poder Judiciário, não havia autorização para a instância a quo se manifestar sobre os referidos créditos, uma vez que para sobre eles se manifestar precisaria adentrar na análise da não incidência de contribuições sociais previdenciárias sobre as ditas verbas. De mais a mais, o art. 62, § 2.º, do RICARF, ao falar em "decisões definitivas", referese àquelas transitadas em julgado, o que não é o caso do REsp n.º 1.230.957, conforme abordarei no mérito deste recurso. Sendo assim, rejeito a preliminar de nulidade. Mérito Quanto ao juízo de mérito, para as matérias que são conhecidas, não assiste razão ao recorrente. Passo a expor. Os autos tratam do que se convencionou denominar de processo de compensação, o qual se encontra no âmbito do processo de reconhecimento de direito creditório. Importante registrar que não estamos diante de um lançamento fiscal, mas sim de um procedimento homologatório, tendo por objeto reconhecer, ou não, o vindicado direito creditório, alegado como sendo líquido e certo pelo contribuinte, para, então, a depender da conclusão quanto ao reconhecimento, homologar, ou não, as compensações efetivadas de per si pelo administrado. Neste procedimento iniciado pelo próprio sujeito passivo, quando da efetivação da compensação declarada em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), temse uma presunção relativa inicial de que o contribuinte possui crédito líquido e certo (direito creditório) contra a Administração Tributária e, por isso, ao mesmo tempo em que confessa seus débitos próprios e independentes (Lei 8.212, art. 32, IV, § 2.º, 33, § 7.º), efetua a quitação destes com a efetivação do encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal, buscando a extinção dos confessados créditos tributários (CTN, art. 156, II). Como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). Fl. 516DF CARF MF Processo nº 10410.721298/201692 Acórdão n.º 2202005.094 S2C2T2 Fl. 517 26 O regime jurídico da compensação tributária tem fundamento no art. 170 do CTN dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte para com o Fisco) com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (débitos do Fisco para com o contribuinte). No âmbito previdenciário a compensação está embasada no art. 89 da Lei 8.212, de 1991, quando reza que as contribuições sociais previdenciárias poderão ser compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. No mais, as normas regulamentares apontam para a necessidade do contribuinte apresentar a documentação solicitada pela autoridade fiscal, inclusive em arquivos magnéticos, aptas a comprovação de direito creditório. Para que se homologue a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu alegado crédito é líquido e certo, que seu crédito efetivamente existe e é oponível ao Fisco. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a homologação da compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e a certeza de seu direito creditório. Diferentemente do lançamento fiscal, o qual compete ao Fisco comprovar os motivos da autuação, apresentando as razões para a constituição de ofício do crédito tributário, no processo de compensação, cujo objeto do litígio é, em verdade, a verificação do direito creditório, a sua demonstração, o ônus probatório é essencialmente do sujeito passivo, haja vista que relacionado especialmente a demonstração da liquidez e da certeza do direito creditório por ele vindicado, do qual se diz titular. A homologação da compensação é apenas um ato conclusivo do reconhecimento do direito creditório, o qual precisa ser provado pelo contribuinte. Por isso mesmo, o efetivo objeto deste processo é analisar e decidir acerca do crédito alegado pelo contribuinte, se ele existe, se é líquido e certo, se resta demonstrado por meio das provas trazidas aos autos pelo sujeito passivo e através de outras colacionadas durante a instrução por quaisquer das partes. Pois bem. No mérito, sustenta o recorrente que é necessário aplicar, de forma cogente, o entendimento do REsp n.º 1.230.957, inclusive por mandamento regimental do RICARF (art. 62, § 2.º) ao qual o Conselheiro está obrigado. Dito isto, afirmo que o alegado Recurso Especial representativo de controvérsia, tido como definitivo pelo contribuinte, em realidade, ainda não fez coisa julgada, tendo sido, inicialmente, sobrestado em razão do Recurso Extraordinário n.º 593.068 com repercussão geral, Tema 163/STF, prescindindo de atos finais. É importante que se registre que o mencionado RE n.º 593.068, Tema 163/STF, foi julgado em 11/10/2018, pela Excelsa Corte Constitucional. Todavia, é de igual modo salutar consignar que, em 03/04/2019 (com disponibilização de andamento processual no site do STJ em 08/04/2019), a Insigne VicePresidência do STJ proferiu nova decisão no REsp n.º 1.230.957 mantendo o seu sobrestamento. Agora, invocouse o Recurso Extraordinário n.º 1.072.485 (Tema 985/STF), nestes termos: "Ante o exposto, com fundamento no artigo 1.030, inciso III, do Código de Processo Civil, determino a Fl. 517DF CARF MF Processo nº 10410.721298/201692 Acórdão n.º 2202005.094 S2C2T2 Fl. 518 27 manutenção do sobrestamento deste recurso extraordinário até a publicação da decisão de mérito a ser proferida pelo Supremo Tribunal Federal a respeito do Tema 985/STF (Recurso Extraordinário 1.072.485/PR) da sistemática da repercussão geral." Portanto, o certo é que, ainda hoje, não se materializou o trânsito em julgado do REsp n.º 1.230.957. A movimentação desta fase final do referido representativo de controvérsia consta do site do STJ (https://ww2.stj.jus.br/processo/pesquisa/). O recurso extraordinário da Fazenda Nacional nos mencionados autos objetiva a reforma da decisão do repetitivo do STJ, com fundamentos constitucionais. Em complemento, tornando a questão ainda mais polêmica, na Nota PGFN/CRJ/N.º 981/2017, a Procuradoria Fazendária alega que o Recurso Extraordinário n.º 565.160 (Tema 20/STF) trouxe novo contexto normativo para a discussão aduzindo a caracterização de um overruling, no que tange a eventual superação parcial do quanto decidido no sobrestado REsp n.º 1.230.957, ao menos no que pertine ao entendimento relativo ao terço de férias. Tratase, neste contexto, de outro elemento a se somar no debate que tem postergado e prolongado o trânsito em julgado daquele repetitivo. Outrossim, cabe anotar, em conclusão, que é entendimento majoritário no CARF que o art. 62, § 2.º, do Anexo II, do RICARF, com redação dada pela Portaria MF n.º 152, de 2016, ao falar em "decisões definitivas", referese àquelas transitadas em julgado1, o que, como visto, não é o caso do REsp n.º 1.230.957. Sendo assim, tenho que, eventualmente, o Conselheiro do CARF pode até aplicar um precedente com tese fixada pelo STJ ainda não transitado em julgado, no entanto o fará por livre convencimento na análise da questão infraconstitucional, inclusive, dentro deste âmbito do livre convencimento, pode até entender que o repetitivo, por se tratar de um leading case, deve ser observado, desde logo, com base em seus próprios fundamentos infraconstitucionais, mesmo antes do trânsito em julgado, por se cuidar de paradigma firmado em sede de recurso repetitivo com o qual o Conselheiro concorda. A questão é que não estará adotando o precedente sob modal deôntico de conduta obrigatória, afastado do seu livre convencimento, pois o art. 62, § 2.º, do Anexo II, do RICARF, não impõe essa obrigação cogente antes do trânsito em julgado. Aplicando o precedente antes do trânsito em julgado, estará, em verdade, aplicando o paradigma por livremente concordar com a tese jurídica objeto daquele ou por adotar, por livre liberalidade, a jurisprudência majoritária da Colenda Corte Superior. De qualquer sorte, registro que não me pronunciarei sobre a natureza das referidas rubricas, se são tributadas ou não, pois, conforme constou na admissibilidade, não posso conhecer de temas em concomitância com ação judicial não transitada em julgado. Aqui, sim, temos norma cogente de observância obrigatória pelo Conselheiro do CARF, tratase da Súmula 1 deste Egrégio Conselho, vinculante, ceifando o livre convencimento 1 Em ato normativo interno, a Administração do CARF aprovou o denominado "Manual do Conselheiro", o qual objetiva consolidar orientações gerais para o exercício das atividades desenvolvidas pelos integrantes dos colegiados de julgamento, nele constando quanto a obrigação do art. 62, § 2.º: "Essa obrigatoriedade somente se aplica após o trânsito em julgado do recurso afetado para julgamento como representativo da controvérsia. Assim, enquanto o STJ e/ou o STF não proferirem a respectiva decisão, os recursos administrativos que tramitam no CARF cujas matérias foram afetadas para julgamento, na forma dos artigos 543B e 543C do antigo CPC, ou arts. 1.036 a 1.041, do novo CPC, não sofrem qualquer repercussão, tampouco são objeto de sobrestamento" (página 20, versão 1.0). Fl. 518DF CARF MF Processo nº 10410.721298/201692 Acórdão n.º 2202005.094 S2C2T2 Fl. 519 28 do julgador administrativo para externar o seu posicionamento pessoal sobre o tema concomitante. Além disto, o REsp n.º 1.230.957 cuida apenas de algumas, dentre tantas outras, verbas consubstanciadas nestes autos, e, mais, só deferiu, a despeito de ainda não transitado em julgado, a não incidência sobre os primeiros quinze (15) dias de auxílio doença (absenteísmo), sobre o adicional do terço de férias e sobre o aviso prévio indenizado. E, como visto acima, a Procuradoria, com base no Recurso Extraordinário n.º 565.160 (Tema 20/STF), sustenta que o STF, em repercussão geral, entendeu que há, sim, incidência previdenciária sobre o adicional do terço de férias por força da habitualidade. Pondero, em continuidade, que as decisões judiciais que apontaram a concomitância, citadas no capítulo de admissibilidade deste recurso, informam que, para as verbas nas quais o sujeito passivo vem tendo sucesso judicialmente, a compensação só está autorizada após o trânsito em julgado dos próprios processos, na forma do art. 170A do CTN, que reza: "É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial." Essa foi a ordem judicial pelo que se lê das ações judicializadas e reflete o disposto em norma legal. Também, não assiste razão ao recorrente no que se refere ao argumento recursal no sentido de que em se tratando de sentença em mandado de segurança, de natureza mandamental, caberia a execução imediata antes mesmo do trânsito em julgado, com efetivação do pedido de compensação administrativa de indébitos, aplicandose, inclusive, o art. 14, § 3.º, da Lei n.º 12.016, de 2009. Isto porque, o citado § 3.º do art. 14 possui ressalva que remete para o § 2.º do art. 7.º, do mesmo diploma legal, no qual consta que a dita execução provisória não pode ter por objeto a compensação de créditos tributários. Neste diapasão, não se pode reconhecer, por ora, que tais verbas estejam revestidas de certeza e liquidez. Por conseguinte, cabe afirmar que a compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Deste modo, não há que se falar em compensação. O procedimento de compensação é uma faculdade conferida ao contribuinte que deve comprovar de forma inequívoca ter dela se utilizado nos termos da lei, não se confundindo com o lançamento fiscal. Sendo assim, igualmente, sem razão o recorrente neste capítulo. Conclusão quanto ao Recurso Voluntário Não há, portanto, motivos que justifiquem a reforma da decisão proferida pela primeira instância, dentro do controle de legalidade que foi efetivado conforme matéria devolvida para apreciação, deste modo, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, considerando o até aqui esposado, entendo por manter íntegra a decisão recorrida, conhecendo em parte do recurso voluntário, rejeitando a preliminar de nulidade e, na parte conhecida, negando provimento ao recurso. Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10410.721298/201692 Acórdão n.º 2202005.094 S2C2T2 Fl. 520 29 Dispositivo Ante o exposto, conheço em parte do recurso voluntário, para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 520DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.903976/2009-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO NEGADO.
Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior.
Numero da decisão: 2201-004.963
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO NEGADO. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra – Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.962, de 12 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.903975/200923, paradigma deste julgamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 39 76 /2 00 9- 78 Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10880.903976/200978 Acórdão n.º 2201004.963 S2C2T1 Fl. 3 2 "Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo negando o direito ao crédito do IRRF recolhido a ser compensado com outro tributo administrado pela Receita Federal. De acordo com o despacho decisório, o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. O contribuinte alega que efetuou a retenção de forma equivocada de IRRF, tendo em vista o preenchimento indevido da DCTF. Diante do equívoco a Recorrente efetuou a retificação da DCTF, informando os valores corretos e a existência do crédito tributário a que teria direito. Em primeiro grau a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o entendimento de que a Recorrente deveria ter apresentado cálculos a fim de demonstrar a composição do erro com as respectivas explicações, se o valor errado foi descontado na folha de salários e constou no Informe de Rendimentos. Considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário." Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.962, de 12 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.903975/200923, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.962, de 12 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2201004.962 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo mantendo integralmente os termos do despacho decisório que não homologou o crédito de IRRF para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Não verifico razões para a reforma do julgado, que se baseou nos elementos de prova juntados pelo contribuinte que teve assegurado o devido processo legal e Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10880.903976/200978 Acórdão n.º 2201004.963 S2C2T1 Fl. 4 3 contraditório, inclusive podendo ter juntado novos documentos na época para comprovar a existência do direito creditório. No presente caso, o Despacho Decisório não homologou a compensação em razão de o crédito a ser compensado estar alocado como pagamento de débito confessado na DCTF original. Após a emissão do Despacho Decisório, a DCTF foi retificada para se excluir tal débito e se caracterizar o recolhimento em questão como indevido/a maior. A apresentação de DCTF constituise em obrigação acessória. Entretanto, uma vez apresentada, o contribuinte comunica a existência de crédito tributário, confessando a dívida (DecretoLei n° 2.124, de 1984, art. 5°, § 1°). Destarte, o Despacho Decisório foi validamente emitido, eis que havia débito confessado correspondente ao valor recolhido em DARF. Resta perquirir se sua eficácia permanece, em face da posterior retificação da DCTF. A simples apresentação das DCTFs original e retificadora, ainda que acompanhadas de DARF, não se constitui em prova do alegado erro de fato. A retificação da DCTF é ineficaz, pois cabe ao contribuinte o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame das DCTFs (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II2; e IN RFB n° 903, de 2008, art. 11, §2°, III). Nesse ponto, adoto como razões de decidir excerto dessa Turma da lavra do I. Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim AC. 2201 004.437 j. 04/04/18, verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2004 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (...) omissis Ora, não pode a autoridade administrativa proceder com a homologação quando existe, de fato, vinculação do crédito a valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência. Sobre o tema, adoto como razões de decidir as palavras do Ilustríssimo Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, proferida no acórdão nº 2201004.311: Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10880.903976/200978 Acórdão n.º 2201004.963 S2C2T1 Fl. 5 4 A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. (...) Portanto, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Portanto, não basta alegar a ocorrência de erro material, é necessário prová lo. Quanto ao ônus da prova, o Código de Processo Civil dispõe o seguinte: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Apesar do procedimento de constituição do crédito tributário não ser regido pelo CPC, a adoção dos critérios principiológicos criados por tal norma em aplicação analógica ao presente caso oferece diretrizes de suma importância para resolução da demanda. Assim, uma vez em curso o procedimento de análise de compensação de crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. (...) Sendo assim, ante a falta de comprovação dos créditos a que alega ter direito, não há como concluir pela legitimidade do crédito. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso e negolhe provimento." Diante do exposto, conheço do recurso e negolhe provimento. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10880.903976/200978 Acórdão n.º 2201004.963 S2C2T1 Fl. 6 5 Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.979378/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
CRÉDITO DE IPI. ART. 11 DA LEI N° 9.779/99. PRODUTO FINAL IMUNE OU NT. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Apenas os créditos do imposto relativos às aquisições de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, que se destinem a emprego na industrialização de produtos tributados ou com alíquota zero e isentos, podem compor o saldo credor do IPI apurado em cada período pelo estabelecimento industrial e, por conseguinte, compor o saldo credor acumulado a cada trimestre-calendário destes estabelecimentos. Os produtos finais imunes são enquadráveis como "Não Tributados", o que atrai a incidência da Súmula CARF n° 20.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
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ART. 11 DA LEI N° 9.779/99. PRODUTO FINAL IMUNE OU NT. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Apenas os créditos do imposto relativos às aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, que se destinem a emprego na industrialização de produtos tributados ou com alíquota zero e isentos, podem compor o saldo credor do IPI apurado em cada período pelo estabelecimento industrial e, por conseguinte, compor o saldo credor acumulado a cada trimestrecalendário destes estabelecimentos. Os produtos finais imunes são enquadráveis como "Não Tributados", o que atrai a incidência da Súmula CARF n° 20. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 93 78 /2 01 0- 11 Fl. 1292DF CARF MF Processo nº 10880.979378/201011 Acórdão n.º 3301005.941 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento de IPI formulado pela recorrente, que restou indeferido pela unidade de origem, consoante Despacho Decisório carreado aos autos. No Relatório de Ação Fiscal que serviu de fundamento à decisão, a autoridade fiscal expõe os motivos e fundamentos das glosas efetuadas, relatando, em síntese: A fiscalizada comercializa água mineral, produto imune ao imposto devido ao art. 155, § 3º, da Constituição Federal, e classificada na TIPI pelo código 2201.10.00 ex. 01 – NT. No que toca ao aproveitamento dos créditos de IPI, a empresa justifica se com o art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999. O Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5, de 17 de abril de 2006, esclarece que não dá direito ao crédito a saída de produtos, do estabelecimento industrial, com classificação “NT” na TIPI. Apenas a imunidade em decorrência de exportação para o exterior é que propicia o aproveitamento dos créditos de insumos empregados nesses produtos. O art. 190, § 1º, RIPI/2002, dispõe que não devem ser escriturados créditos relativos a MP, PI e ME que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, ou saídos com suspensão cujo estorno seja determinado por disposição legal. Em razão da impossibilidade de aproveitamento, foram glosados todos os créditos de insumos empregados nos produtos classificados como 2201.10.00 ex.01. As notas fiscais glosadas estão relacionadas no Anexo ao Relatório de Ação Fiscal Com base nas glosas efetivadas, o despacho decisório foi emitido, indeferindose o pedido de ressarcimento e não se homologando a compensação vinculada ao pedido. Cientificada da decisão, a interessada manifestou a sua inconformidade, aduzindo as seguintes razões: Primeiramente, em detalhada explanação, intenta comprovar que o produto industrializado pelo estabelecimento tratase de produto amparado pela imunidade constitucional. Com citações doutrinárias, conclui que pouco importa se não há expressa menção à possibilidade de crédito na hipótese de imunidade. Se mesmo nos casos de isenção ou alíquota zero, há a manutenção do crédito, é evidente que, na hipótese da imunidade, originária em previsão da Constituição Federal, também haverá o direito ao crédito. A Instrução Normativa SRF nº 33, de 1999, reconheceu aos contribuintes do IPI, que industrializam produtos sujeitos à Fl. 1293DF CARF MF Processo nº 10880.979378/201011 Acórdão n.º 3301005.941 S3C3T1 Fl. 4 3 alíquota zero, isenção e imunidade, o direito de manter os créditos destacados nas notas fiscais referentes às matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem empregados na etapa de industrialização de tais produtos. As determinações do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5, de 2006, conflitam frontalmente com as interpretações até então adotadas pela própria Receita Federal. Há também uma grande incoerência no reconhecimento de crédito, nas hipóteses de alíquota zero ou isenção, com a negativa quando há saídas desoneradas pela regra da imunidade. O extinto Conselho de Contribuintes, atual CARF, em caso que tratou da mesma questão discutida nos presentes autos, confirmou a possibilidade do creditamento. Trazendo à colação decisões judiciais, observa que a jurisprudência se posiciona no mesmo sentido sobre o assunto. Ao final requer seja julgada procedente a manifestação de inconformidade e que todos os avisos e intimações sejam dirigidos aos procuradores que a subscrevem. O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 14045.572. Em recurso voluntário, a empresa reitera os termos de sua manifestação de inconformidade, para, ao final, requerer o provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.937, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.979374/201025, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.937): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. O art. 11 da Lei nº 9.779/1999 dispõe: Art. 11 O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre Fl. 1294DF CARF MF Processo nº 10880.979378/201011 Acórdão n.º 3301005.941 S3C3T1 Fl. 5 4 calendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Do dispositivo legal transcrito, temse que o saldo credor do IPI acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização de produtos tributados e isentos ou tributados à alíquota zero, poderá ser utilizado nos termos da Lei. Contudo, na regulamentação do art. 11, foi publicada a IN SRF nº 033/1999, para dispor sobre a apuração e utilização do crédito do IPI, cujos art. 2º e art. 4º prescrevem: Art. 2º Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: (...) § 3º Deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT). (...) Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1º de janeiro de 1999. Ressaltese que a referida Instrução Normativa, em seu art. 4°, dispõe sobre benefício fiscal sem o correspondente suporte na Lei n° 9.779/99, uma vez que não se confundem os institutos – alíquota zero, isenção e imunidade. Sobre esse aspecto, confirase o voto do Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, no acórdão n° 9303006.516: A questão se complica, um pouco, em razão do contido no art. 4º da instrução normativa acima reproduzido, em que se altera a dicção da lei, prevendose, também, o aproveitamento do imposto relativamente a insumos aplicados em produtos imunes, podendo levar a entender Fl. 1295DF CARF MF Processo nº 10880.979378/201011 Acórdão n.º 3301005.941 S3C3T1 Fl. 6 5 que o benefício se estenderia a todas as hipóteses constitucionais de imunidade. Contudo, a leitura que se deve fazer do art. 4º da IN SRF nº 33/1999 não pode ser isolada de sua matriz legal (art. 11 da Lei nº 9.779/1999) e do ordenamento jurídico como um todo, pois às normas complementares das leis, como o são as instruções normativas, não é dado poder para criar incentivo fiscal, tarefa essa reservada à lei específica, conforme preceitua a própria Constituição Federal, no § 6º do art. 1.502. A IN SRF nº 33/1999, ao incluir a expressão "imune" no rol das hipóteses passíveis de ressarcimento de crédito de IPI, requer uma interpretação no sentido de que se autoriza a manutenção do crédito do imposto mas somente em relação a produtos cuja exportação goza de imunidade tributária, produtos esses que, se comercializados no mercado interno, em regra, seriam tributados pelo IPI. A instrução normativa não tem poder para estender, sem base legal, o benefício fiscal para os produtos NT e/ ou imunes, como o são os derivados de petróleo. Foi nesse sentido que se posicionou a SRF ao editar o ADI nº 5/2006: Art. 1º Os produtos a que se refere o art. 4° da Instrução Normativa SRF n°33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais ao legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2º O disposto no art. 11 da Lei n° 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5º do Decreto lei n° 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4° da Instrução Normativa SRF n° 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação 'NT' (não tributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto n° 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5º do Decreto n°4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. Apenas os créditos do imposto relativos às aquisições de matériaprima, produto intermediário, e material de embalagem que se destinem a emprego na industrialização de produtos tributados ou com alíquota zero e isentos podem compor o saldo Fl. 1296DF CARF MF Processo nº 10880.979378/201011 Acórdão n.º 3301005.941 S3C3T1 Fl. 7 6 credor do IPI apurado em cada período pelo estabelecimento industrial e, por conseguinte, compor o saldo credor acumulado a cada trimestrecalendário destes estabelecimentos. Os produtos da Recorrente (água mineral) são imunes por força do art. 155, §3° da CF/88. Logo, são enquadráveis como "Não Tributados", o que atrai a incidência da Súmula CARF n° 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1297DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.902451/2015-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2013
PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE.
Constatando-se dos documentos acostados ao processo que o contribuinte apresentou equivocadamente PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido quando seu crédito deveria ser manejado como saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, refaz-se a análise do crédito sob a forma de Saldo Negativo, e, apurando-se crédito disponível, aplica-se ao mesmo a sistemática de atualização aplicável aos saldos negativos para fins de compensação com os débitos declarados nos PER/DCOMP.
Numero da decisão: 1401-003.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2013, no valor de R$ 217.754,18, determinando que o mesmo seja atualizado pela taxa SELIC a partir de 01/01/2014, e homologando as compensações efetuadas no âmbito deste processo até o limite do valor reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10680.902443/2015-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2013 PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Constatando-se dos documentos acostados ao processo que o contribuinte apresentou equivocadamente PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido quando seu crédito deveria ser manejado como saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, refaz-se a análise do crédito sob a forma de Saldo Negativo, e, apurando-se crédito disponível, aplica-se ao mesmo a sistemática de atualização aplicável aos saldos negativos para fins de compensação com os débitos declarados nos PER/DCOMP.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2013 PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Constatandose dos documentos acostados ao processo que o contribuinte apresentou equivocadamente PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido quando seu crédito deveria ser manejado como saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, refazse a análise do crédito sob a forma de Saldo Negativo, e, apurandose crédito disponível, aplicase ao mesmo a sistemática de atualização aplicável aos saldos negativos para fins de compensação com os débitos declarados nos PER/DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2013, no valor de R$ 217.754,18, determinando que o mesmo seja atualizado pela taxa SELIC a partir de 01/01/2014, e homologando as compensações efetuadas no âmbito deste processo até o limite do valor reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10680.902443/201573, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 24 51 /2 01 5- 10 Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10680.902451/201510 Acórdão n.º 1401003.196 S1C4T1 Fl. 3 2 Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Iniciemos com a transcrição de trechos do relatório da Decisão de Piso. Versa o presente processo sobre a controvérsia instaurada, em razão do indeferimento pela Administração Tributária do pleito compensatório apresentado pelo interessado através de PER/DCOMP, alegando que o DARF foi integralmente utilizado para a compensação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Devidamente intimado, o interessado apresentou, manifestação de inconformidade, alegando que: Houve uma antecipação de IRPJ e CSLL que, ao final do exercício, verificouse que foi maior que o tributo devido, uma vez que o contribuinte encerrou o exercício com prejuízo; O pedido foi indeferido sob o argumento de inexistência de crédito. Foi, no entanto, em razão de mudança legislativa acerca do instituto dos pagamentos por estimativa, utilizado o teor do Parecer Normativo COSIT nº 08/2014 (atualmente Parecer Normativo Cosit nº 02/2016) para afastar o motivo e realizar a análise do mérito, o que ocorreu, entendendo a administração tributária que, efetivamente, no caso dos autos inexistia crédito disponibilizado nas estimativas recolhidas, eis que, foram utilizadas integralmente para compor o saldo negativo, não havendo recolhimentos efetuados de forma indevida ou a maior. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que poderia compensar estimativas pagas a maior ou indevida independentemente do final do período de apuração, fato esse que, antes era pautado na Instruções Normativas vigentes, mas a partir da IN RFB nº 900/2008, tal situação deixou de existir, requerendo, ainda a nulidade do despacho decisório. A Delegacia de Julgamento, na análise da manifestação de inconformidade julgou pela sua improcedência em razão de não ser possível a modificação do tipo de crédito após a emissão do despacho decisório e que analisando os pedidos de pagamento a maior e que os valores devidos de estimativa são idênticos inexiste o crédito pretendido. Cientificada de decisão a interessada apresentou recurso voluntário no qual repisa os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade, junta precedentes deste CARF e pleiteia que lhe seja reconhecido o direito de crédito. É o breve relatório. Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10680.902451/201510 Acórdão n.º 1401003.196 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401003.188, de 19/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº10680.902443/201573, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1401003.188): O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. O caso em análise no presente processo diz respeito á possibilidade de o contribuinte, que apresentou declaração de compensação pretendendo créditos de pagamento indevido por estimativa de IRPJ/CSLL, possa ter reconhecido o direito de crédito relativo a Saldo Negativo de IRPJ/CSLL no exercício. Verificase, no presente caso que o contribuinte, optante pelo lucro real, recolheu IRPJ e CSLL por estimativa em diversos meses do ano de 2013. Apresentou regularmente as DCTFs destes períodos informando os débitos e a sua quitação por DARF que, posteriormente, entendeu se referirem a pagamentos indevidos. Em sua DIPJ apresentou informações de que apurou o IRPJ e CSLL devidos por estimativa com base na receita bruta, e que, no final do exercício, inexistindo lucro a ser tributado, os valores dos pagamentos realizados a título de estimativa transformaram se em crédito em benefício da empresa. Na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário pretende que, em razão da apuração de prejuízo no exercício, seja reconhecido o crédito como saldo negativo de IRPJ e CSLL no exercício. Diante dos fatos acima narrados e da confirmação da existência dos pagamentos realizados temos a seguinte decisão a tomar: O contribuinte cometeu os seguintes equívocos: 1 – Optou pelo lucro real e pela apuração das estimativas no ano de 2013, recolheu os valores e os confessou em DCTF tendo, posteriormente, solicitado o crédito destes mesmos pagamentos sem retificar suas DCTF e DIPJ; 2 – Apresentou a DIPJ informando a correta apuração dos saldos negativos de IRPJ e CSLL a que faria jus; Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10680.902451/201510 Acórdão n.º 1401003.196 S1C4T1 Fl. 5 4 3 Ao requer os créditos que entendia fazer jus o fez por meio de PER/DCOMP relativo a pagamento indevido ou a maior em vez de saldo negativo; Por sua vez a decisão que não reconheceu o crédito está juridicamente correta vez que analisou o pedido de pagamento indevido a partir das informações da DCTF e DARF da empresa. Constatamos, no entanto, com base nos documentos acostados ao processo, que efetivamente o contribuinte faz jus aos saldos negativos de CSLL do anocalendário 2013 no montante equivalente aos pagamentos realizados por estimativa, visto inexistir saldo de devido de CSLL. Com base nestas informações a nossa análise prendese ao fato de considerar que, no presente caso, o contribuinte incidiu apenas em erro de fato ao preencher a PER/DCOMP ou se houve um erro de direito ao pleitear crédito diferente do que deveria ter sido solicitado. A este respeito entende este relator que não se trata de simples erro de fato. Ora, errarse o período de apuração, o exercício ou mesmo o tipo de tributo solicitado no PER/DCOMP pode se considerar um erro de fato. Neste caso o problema não é tão simples. Aqui o contribuinte solicitou crédito absolutamente diverso do crédito que efetivamente lhe assistia direito. Tratase, claramente de erro material que, digase de passagem, sequer é escusável, haja vista o porte da empresa, a apuração pelo lucro real e o período de tempo decorrido entre a instituição dos PER/DCOMP eletrônicos (2003) e os pedidos do contribuinte (2012). Ocorre, entretanto, que por mais que este relator entenda que o erro cometido na empresa não se adequa aos precedentes apresentados em sede recursal, sou firme na corrente que entende no sentido de que a verdade material deve prevalecer como fundamento de decidir em todos os processos, sejam administrativos, sejam judiciais. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. (Acórdão nº 3401 003.096, de 23/02/2016) DCOMP. CRÉDITO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. RECONHECIMENTO Na hipótese de mero equívoco no preenchimento da DCTF, contrastando com as informações acertadas da DIPJ e com a comprovação do recolhimento a maior através de DARF juntado aos autos, não há razão para penalizar o contribuinte, sendo medida certa o reconhecimento do crédito pleiteado. (Acórdão nº 1201002.106, de 16/03/2018) Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10680.902451/201510 Acórdão n.º 1401003.196 S1C4T1 Fl. 6 5 COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. (Acórdão nº 1302002.031, de 26/01/2017) Neste sentido é que não pode este relator se furtar a decidir contra a verdade apresentada nos autos. A verdade é que, com base na apuração do lucro do exercício, não existiu lucro tributável e, assim, não era devido, ao final do exercício a apuração do IRPJ e CSLL devidos. Em razão deste fatos os recolhimentos abaixo realizados, relativos aos pagamentos de CSLL por estimativa, tornaramse saldo negativo de CSLL ao final do exercício. À vista do exposto e em atenção ao princípio da informalidade e da fungibilidade, precedentes abaixo, que rege o processo administrativo fiscal, constatandose que, no mérito, assiste razão ao contribuinte quanto à existência de créditos, mesmo que não da espécie originalmente pleiteada, entendo que deve ser reconhecido o direito de crédito da empresa, não em relação aos pagamentos indevidos da forma por ela solicitada, mas sim em razão da existência de saldos negativos de CSLL que se formaram a partir destes mesmos pagamentos. Registro, para bem deixar delineado meu entendimento, que não entendo que o princípio da informalidade e da fungibilidade sejam aplicáveis de qualquer forma e em qualquer situação. Esta aplicação deve ser casuística e se adequar à realidade de cada processo. Neste processo, em específico, a utilização da informalidade prendese a um fato singelo. Para a aferição da existência do crédito, a partir das informações apresentadas em petição simples de duas páginas, se daria apenas pela análise da ficha de apuração do IRPJ e CSLL a pagar, nas quais resta demonstrada a inexistência de saldos dos tributos a serem pagos. Em razão da facilidade de conhecimento do verdadeiro direito da empresa é que entendo poder ser aplicada a informalidade e a fungibilidade neste processo de modo a garantir um direito que, de fato, sempre assistiu ao contribuinte. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RESSARCIMENTO DE IPI. DEFERIMENTO PARCIAL. INCONFORMIDADE POSTERIOR A PARECER DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA E ANTERIOR A DESPACHO DECISÓRIO QUE O HOMOLOGA. APRECIAÇÃO PELA DRJ. CABIMENTO. Contra indeferimento de ressarcimento do IPI cabe manifestação de inconformidade, a ser apreciada pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento nos termos do Decreto n° 70.235/72. Tendo o contribuinte tomado ciência de parecer da administração tributária que propõe o deferimento parcial do seu pedido, e ingressado com manifestação de inconformidade antes do Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10680.902451/201510 Acórdão n.º 1401003.196 S1C4T1 Fl. 7 6 despacho decisório que homologa tal parecer, considerase instaurado o litígio e, por isso, deve a primeira instância analisar a inconformidade, sob pena de ofensa à ampla defesa e ao contraditório e desprezo pelos princípios da informalidade moderada e da fungibilidade, que norteiam o processo administrativo fiscal. Por não ter sido conhecida pela DRJ a inconformidade, anulase a decisão a quo para que outra seja produzida com apreciação das razões de inconformismo. (Acórdão nº 3102001.572, de 19/07/2012) PAGAMENTO A MAIOR. SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade devese permitir a retificação da Dcomp quando se trata de erro material no seu preenchimento. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez admitida que outra é a natureza do crédito, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte, como foi o caso.(Acórdão nº 1401001.655, de 09/06/2016) Ementa: PAGAMENTO A MAIOR. SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade devese permitir a retificação da Dcomp quando é patente o erro material no seu preenchimento e que tenha ficado bem configurada a divergência, facilmente perceptível, entre o que foi apresentado e o que queria ser apresentado, revelado no próprio contexto em que foi feita a declaração. (Acórdão nº 1401000.737, de 15/03/2012) NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO E DA DECISÃO RECORRIDA. Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito de defesa. A competência das DRJ pode ser alterada por ato interno da RFB, para melhor distribuição de quantidade de processos ou concentração de assuntos, sem que isso fira, de plano, qualquer direito do Contribuinte. As formalidades não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial, verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. (Acórdão nº 2202003.053, de 08/12/2015) Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10680.902451/201510 Acórdão n.º 1401003.196 S1C4T1 Fl. 8 7 NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. Padece de nulidade o Auto de Infração com inobservância ao art. 10, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72, não contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais individualizados por infração, em diferentes fatos geradores do imposto de renda retido na fonte, levando o contribuinte a equivocadas interpretações que confundiram a impugnação. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa. As formalidades não são um fim em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. (Acórdão nº 2202003.671, de 07/02/2017) Por isso, entendo que assiste razão ao recorrente quanto à existência de saldo negativo de CSLL do exercício 2014, ano calendário 2013, no montante de R$ 217.754,18 , formados a partir dos recolhimentos das estimativas destes tributos realizados durante o ano. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, em obediência ao Princípio da Verdade Material, a fim de: Reconhecer, em atenção ao princípio da informalidade e da fungibilidade, o direito do contribuinte de crédito relativo a saldo negativo de CSLL do exercício 2014, anocalendário 2013, no valor original de R$ 217.754,18; Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10680.902451/201510 Acórdão n.º 1401003.196 S1C4T1 Fl. 9 8 Determinar que estes valores devem ser acrescidos pela taxa SELIC apenas a partir de 01/01/2014, haja vista se tratar se saldo negativo que, desta forma deve ser atualizado e, Determinar que os créditos, agora reconhecidos, podem ser utilizados na compensação dos débitos informados nos PER/DCOMP de pagamento indevido de CSLL relativos aos recolhimentos que formaram o saldo acima e que foram requeridos sob a forma de PER/DCOMP de pagamento a maior, cobrandose as diferenças ao final apuradas após a realização dos procedimentos de compensação Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento ao recurso, em obediência ao Princípio da Verdade Material, a fim de: a) Reconhecer, em atenção ao princípio da informalidade e da fungibilidade, o direito do contribuinte de crédito relativo a saldo negativo de CSLL do exercício 2014, anocalendário 2013, no valor original de R$ 217.754,18; b) Determinar que estes valores devem ser acrescidos pela taxa SELIC apenas a partir de 01/01/2014, haja vista se tratar se saldo negativo que, desta forma deve ser atualizado e, c) Determinar que os créditos, agora reconhecidos, podem ser utilizados na compensação dos débitos informados nos PER/DCOMP de pagamento indevido de CSLL relativos aos recolhimentos que formaram o saldo acima e que foram requeridos sob a forma de PER/DCOMP de pagamento a maior, cobrandose as diferenças ao final apuradas após a realização dos procedimentos de compensação (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 418DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.903780/2009-63
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
INOVAÇÃO DO PEDIDO EM GRAU DE RECURSO.IMPOSSIBILIDADE.
A matéria não contestada na manifestação de inconformidade resta preclusa. O contribuinte não pode inovar no pedido em grau de recurso voluntário.
Numero da decisão: 1003-000.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal. INOVAÇÃO DO PEDIDO EM GRAU DE RECURSO.IMPOSSIBILIDADE. A matéria não contestada na manifestação de inconformidade resta preclusa. O contribuinte não pode inovar no pedido em grau de recurso voluntário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal. INOVAÇÃO DO PEDIDO EM GRAU DE RECURSO.IMPOSSIBILIDADE. A matéria não contestada na manifestação de inconformidade resta preclusa. O contribuinte não pode inovar no pedido em grau de recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 37 80 /2 00 9- 63 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10882.903780/200963 Acórdão n.º 1003000.575 S1C0T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1269.403, de 20 de outubro de 2014, da 15ª Turma da DRJ/RJO, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo do direito creditório. Aos 28/05/2009, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório, nº de rastreamento 831697795, emitido em 20/04/2009, que não homologou a compensação declarada em razão de inexistência de crédito PER/DCOMP nº 08196.77964.220906.1.3.047801, na qual declarou ter apontado como o "tipo de crédito" no PER/DECOMP Pagamento Indevido ou a Maior", contudo o correto deveria ter sido "Saldo Negativo de IRPJ". Requerendo, ao final, o CANCELAMENTO do PER/DCOMP 08196.77964.220906.1.3.047801 e o CANCELAMENTO da cobrança do débito no valor original de R$ 3.110,74. A DRJ/RJO julgou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconhecei o direito creditório, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Não sendo comprovado o direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior, há de se decidir pela não homologação da compensação declarada. DCOMP. CANCELAMENTO. O Pedido de Cancelamento de Declaração de Compensação (DCOMP) obedece a rito específico, e seu exame cabe às unidades de jurisdição e somente é admitido enquanto pendente de decisão administrativa à data do envio do pedido de cancelamento. DCOMP. DÉBITO CONFESSADO. CANCELAMENTO. A manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo não constitui meio adequado para veicular o cancelamento do débito indicado na Declaração de Compensação (DCOMP). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário que, em síntese, destacou: Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10882.903780/200963 Acórdão n.º 1003000.575 S1C0T3 Fl. 4 3 (i) que, na sua manifestação de inconformidade, a Recorrente reconheceu ter havido erro formal (erro de nomenclatura) ao identificar o crédito da PER/DCOMP como "Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL", quando na realidade se tratava de "saldo negativo de CSLL", referente ao ano calendário 2003, no valor de R$ 24.808,97. Que o crédito se tratava de adiantamento de CSLL devida; (ii) que o r. acórdão não homologou o crédito por entender que o objeto de análise originária era avaliar se o crédito era efetivamente decorrente de "pagamento indevido ou a maior" e que a IN RFB 1.300/2012 não prevê tal procedimento, já que a manifestação de inconformidade não é meio adequado para o cancelamento do débito. Esse posicionamento da DRJ demonstra formalismo excessivo, o qual é incondizente com a recente regulamentação da Receita Federal, que deve ser regido pelos princípios da verdade material e da economia processual; (iii) que a Receita Federal argumenta inexistir previsão legal para cancelamento do PER/DCOMP, porém, independente da possibilidade de cancelamento, pode o julgador corrigir erro formal de ofício (atr. 149, III, CTN). Aterse a questões formais para negar o crédito declarado equivocadamente vai de encontro aos princípios acima citados. Apresenta trecho de parecer da COSIT e doutrina sobre essa matéria; (iv) que manter a não homologação na presente situação em que existe crédito de saldo negativo para realizar a compensação, já que ocorreu mero erro formal, representa violação às regras e princípios citados; Por fim, requereu a reforma da r. decisão a quo para reconhecimento do direito da Recorrente a ver homologada a PER/DCOMP nº 08196.77964.220906.1.3.047801, para que seja reconhecido o crédito de saldo negativo de CSLL no exercício de 2004 que totalizam R$ 24.808,97 como suficiente para quitar os débitos posteriores de COFINS no montante original de R$ 3.110,74, referente a março e abril de 2005. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. Inicialmente, importante destacar que, na manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, esse, após informar ter havido erro no preenchimento do PER/ DCOMP e não o ter regularizado, requereu o cancelamento da declaração de compensação. Ou seja, a Recorrente, na manifestação de inconformidade, pediu unicamente o cancelamento do PER/DCOMP 08196.77964.220906.1.3.047801e do débito no valor original de R$ 3.110,74. Concluise pela análise da manifestação de inconformidade da Recorrente que a mesma, embora tenha informado a origem do equívoco e seu suposto direito ao crédito, não requereu a análise do crédito com base em saldo negativo, mas sim solicitou o cancelamento do PER/DCOMP, haja vista ter reconhecido erro que inviabilizou a análise correta do crédito discriminado na DCOMP. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10882.903780/200963 Acórdão n.º 1003000.575 S1C0T3 Fl. 5 4 Ora, a matéria objeto deste processo suposto erro formal não foi, em verdade, impugnada, não se instaurando o litígio em relação à análise do crédito propriamente. Isso porque a análise realizada pela DRJ no r.acórdão restringiuse a verificar a possibilidade de cancelamento do PER/DCOMP na fase processual na qual se encontrava o processo. Eis o Relatório da DRJ em relação à manifestação de inconformidade: Cientificado da decisão em 29/04/2009, conforme documento de fls. 30, o interessado apresentou, em 28/05/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 6/8, alegando, em síntese: a) que informara equivocadamente no PER/DCOMP que se tratava de crédito de “pagamento indevido ou a maior”; b) que, efetivamente, não tem mesmo crédito a titulo de “pagamento indevido ou a maior"; entretanto, o valor do DARF quitado faz parte do conjunto do saldo negativo da DIPJ/2004; c) que, nesse sentido, tem crédito tributário suficiente para efetuar a compensação; mas deveria ter informado na PER/DCOMP que se tratava não de “pagamento indevido ou a maior”, mas, sim, de saldo negativo de tributo apurado anualmente; d) que equivocadamente não cancelou o PER/DCOMP; e) que os débitos compensados não foram utilizados nem declarados nas DCTF; f) que, percebendo o erro cometido, pede cancelamento do PER/DCOMP em tela, pela sua não utilização em nenhuma compensação de débitos, e, por conseguinte, pede ainda o cancelamento da cobrança do débito compensados. Contrariamente ao que faz crer a Recorrente nas suas razões recursais, o que fundamentou toda a decisão recorrida foi o pedido de cancelamento do PER/DCOMP. Nesta senda, merece trazer a baila a norma contida no Decreto nº 70.235 de 06 de Março de 1972, o qual dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências, deixando muito claro no seu art 17 a questão da preclusão. Vejamos: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Ou seja, quando não impugnada a matéria no momento devido, ocorre a preclusão, que pode ser definida como a extinção da faculdade de se praticar determinado ato processual devido já haver ocorrido a oportunidade para realizálo. No Recurso Voluntário, contudo, o pedido da Recorrente é no sentido de que seja reconhecido tratarse de mero erro formal a indicação do tipo do crédito (saldo negativo e não pagamento indevido ou a maior) e requerer o reconhecimento do crédito. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10882.903780/200963 Acórdão n.º 1003000.575 S1C0T3 Fl. 6 5 Claramente, a Recorrente inova o pedido no recurso voluntário, provocando pedido de uma nova análise do crédito. A fase processual para tal pedido, como já visto, deveria ter sido realizada desde a manifestação de inconformidade, o que, como demonstrado, não ocorreu. Em razão disso, entendo que está preclusa a análise quanto à liquidez e certeza do crédito, haja vista que esse não foi o motivo da impugnação apresentada pelo contribuinte, o qual se limitou a informar o equívoco e requerer o cancelamento da declaração de compensação e do débito. Não obstante a clara preclusão existente nos presentes autos, é oportuno tecer alguns comentários acerca das razões opostas no recurso voluntário. Alega a Recorrente, em síntese, que o erro cometido no preenchimento da DCOMP, qual seja, a indicação errada do tipo de crédito, é mero erro de fato e que, em razão da verdade material e economia processual, deve ser feita a alteração de ofício por parte da autoridade administrativa. O art. 170 do CTN, que rege a matéria, destaca como condição para realização da compensação a existência de direito líquido e certo, senão vejamos: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 destaca em seu artigo 74, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1oA compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2oA compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Vêse, conforme declaração da Recorrente, que a mesma errou quanto à informação em relação ao tipo de crédito. Em que pese seu argumento de se tratar de erro de fato, o equívoco apontado impede a análise do crédito. A Declaração de Compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de débitos tributários. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10882.903780/200963 Acórdão n.º 1003000.575 S1C0T3 Fl. 7 6 Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos existentes no pedido podem ser corrigidos de ofício ou a requerimento da Requerente, como determina o art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. O equívoco que impede a autoridade julgadora de analisar a liquidez e certeza do crédito não pode ser considerado mero erro de fato ou material. Se o contribuinte informa tratarse de pagamento indevido ou a maior é em cima dessa declaração que a análise quanto ao crédito será realizada. O erro de preenchimento indicado impediu a análise do requerimento, isso porque os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação da Declaração de Compensação, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. A informação de que o direito creditório era de saldo negativo de IRPJ e não pagamento indevido ou a maior na Declaração de compensação revestese, pois, de inovação da matéria, porque a autoridade administrativa deverá analisar, obrigatoriamente, a regularidade da apuração do lucro real e os pagamentos realizados para identificar a liquidez e certeza do crédito. Não se acolhe a alegação de celeridade e economia processual, visto que a competência para a análise da regularidade do crédito apontado não é do CARF, mas da DRF respectiva. Outrossim, a regra é de que a declaração de compensação somente pode ser retificado pela Recorrente caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador, em conformidade com o art. 6º da Instrução Normativa RFB nº 432/2004. Por essa razão, entendo que não se trata de erro material passível de correção de ofício. Isto posto, voto em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão da DRJ/RJO. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000434/2010-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1301-000.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Relatório
Inicialmente, adota-se parte do relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então:
Trata-se de impugnação de fls. 539/581, apresentada contra o auto de infração de IRRF no montante de R$ 8.880.896,90, aí incluídos juros de mora, calculados até a data da autuação e multa de ofício de 75%; e do auto de infração de multa regulamentar de R$ 500,00 pela apresentação da DIPJ com incorreções e/ou omissões.
A exigência do IRRF está fundamentada no Art. 674 do RIR/99 e a multa regulamentar pela inexatidão na DIPJ nos art. 7°, inciso IV, da Lei n° 10.426/2002, com a redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051/2004.
O Termo de Verificação e Constatação Fiscal, de fls. 364/379 assim descreve a ação fiscal, que culminou com a presente autuação:
ANO-CALENDÁRIO DE 2006 1. PAGAMENTOS SEM COMPROVAÇÃO DA CAUSA E/OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO A ação fiscal foi iniciada em 28/07/2009, tendo sido o contribuinte intimado a apresentar os livros e documentos contábeis e fiscais do ano-calendário de 2006.
Mesmo tendo optado pela tributação com base no lucro presumido, o contribuinte manteve escrituração dos livros Diário e Razão, como pode ser verificado nas cópias das folhas abaixo indicadas, as quais foram juntadas ao presente processo:
Livro Diário (registrado na JUCESP em 25/07/2008):
-Termos de Abertura e de Encerramento;
-Balanço Patrimonial encerrado em 31/12/2006;
-Demonstração do Resultado do Exercício em 31/12/2006.
Livro Razão:
-Termo de Abertura e de Encerramento;
-Folhas 0002 a 0020, contendo a escrituração da conta "1.1.1.01.001 Caixa Geral", do período de janeiro a dezembro de 2006.
Nos exames realizados nos supracitados livros, verificamos diversos lançamentos de valores expressivos, relativos a saídas de recursos de contas bancárias, contabilizados como "suprimentos de caixa", valores esses que não guardam relação com os pagamentos escriturados na conta Caixa Geral e, em consequência, o Caixa Geral apresentou saldo progressivo durante todo o ano, encerrando o exercício com saldo escriturado de R$ 2.185.064,86.
Em virtude dessa incompatibilidade entre as entradas e as saídas de recursos no Caixa Geral, o contribuinte foi intimado, em 30/11/2009, a apresentar os extratos de suas contas bancárias, bem como demonstrar e comprovar a origem dos recursos depositados/creditados nas referidas contas.
Atendendo à referida intimação, o contribuinte apresentou os extratos bancários, bem como demonstrativo resumido da origem dos recursos por ele recebidos (documentos juntados ao processo).
Quanto aos pagamentos feitos com os recursos creditados/depositados nas contas bancárias, esta fiscalização realizou exame e confronto entre os extratos bancários, a escrituração e os documentos disponibilizados pelo contribuinte.
Desses exames, foram relacionadas, de forma individualizada, 240 (duzentas e quarenta) operações bancárias de saques e pagamentos, e, em 18/01/2010 o contribuinte foi intimado a demonstrar e comprovar a causa e o beneficiário de cada um dos pagamentos relacionados por esta fiscalização.
Em resposta, foram apresentados demonstrativo e cópia de documentos (juntados ao processo).
Nos exames realizados tanto no demonstrativo como nas cópias de documentos, constatamos que, do total de 240 pagamentos, o contribuinte logrou comprovar a causa e o beneficiário de apenas 57, restando sem comprovação satisfatória os demais 183 (cento e oitenta e três) pagamentos, pelos seguintes motivos:
1. Transações bancárias indicadas como "suprimento para caixa":
Foi apresentada apenas cópia das folhas do livro Razão, onde constam os supostos "suprimentos para caixa".
A simples escrituração a titulo de suprimento de caixa, sem qualquer documento hábil, idôneo, coincidente em data e valor, não é suficiente para comprovar a veracidade e o efetivo ingresso desses recursos no caixa da empresa.
Ainda que se tratasse de saques em dinheiro para pagamento de compromissos, deveriam ser apresentados os comprovantes de tais pagamentos, assim como a indicação do respectivo lançamento de saída dos recursos do Caixa Geral, o que não ocorreu.
Portanto, a simples apresentação do livro Razão, no qual os ingressos de recursos são absolutamente desproporcionais às saídas, sem qualquer outro elemento de prova, não podem ser aceitos como comprobatórios da causa e/ou do beneficiário dos pagamentos.
2. Transações bancárias indicadas como "pagamento de títulos" ou "pagamento de fornecedor" Para comprovação dessas operações, o contribuinte apresentou cópias simples de boletos de cobrança bancária, de notas fiscais e de duplicatas, sem qualquer autenticação bancária e/ou desacompanhadas de comprovantes de pagamento emitidos pela instituição financeira.
Documentos sem autenticação bancária, desacompanhados de qualquer comprovante hábil, idôneo, coincidente em data e valor, também não são suficientes para comprovar a causa e/ou beneficiário dos pagamentos.
Por se tratarem de saques e/ou pagamentos bancários de valores expressivos (operações que variam de R$ 5.000,00 até R$ 560.441,84), o contribuinte deveria apresentar, entre outros elementos, os comprovantes bancários com a indicação do portador, do beneficiário (favorecido) e da autorização bancária relativa à operação.
A escrituração de pagamentos feitos pela empresa, desacompanhada de documentação hábil, idônea, coincidente em datas e valores, não é suficiente para comprovar a veracidade da causa e do beneficiário.
No caso em questão, a jurisprudência firmada também é clara nesse sentido, conforme se verifica na ementa de Acórdãos, abaixo transcritas:
Portanto, conforme acima exposto, durante a presente ação fiscal o contribuinte não logrou comprovar, com documentação hábil, idônea, coincidente em datas e valores, a causa e o beneficiário dos 183 (cento e oitenta e três) pagamentos relacionados no demonstrativo anexo ao presente termo, os quais estão sujeitos à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, nos termos do supracitado artigo 674 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 (RIR199).
A base de cálculo reajustada também se encontra demonstrada no anexo ao presente termo.
Em virtude disso, o Imposto de Renda Exclusivamente na Fonte será exigido de oficio, com a lavratura do respectivo Auto de Infração, com fundamento no supracitado artigo 674 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 (RIR/99).
2. MULTA ISOLADA DECLARAÇÃO INEXATA Durante a presente ação fiscal, constatamos que, apesar de ter exercido atividades operacionais no ano-calendário de 2006, com escrituração de receitas e, inclusive, recolhimento de tributos e contribuições federais, o contribuinte apresentou a Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), sem preenchimento dessas informações.
Não foram preenchidas as informações das seguintes fichas da DIPJ: Ficha 14A Apuração do Imposto de Renda sobre o Lucro Presumido; Ficha 18A Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido; Ficha 58B Outras Informações.
Por esse motivo, será aplicada a multa isolada mínima de R$ 500,00, conforme previsto no artigo 7°, § 3°, da Lei n° 10.426/2002.
Cientificado, em 16/03/2010, por via postal, conforme AR de fls. 418, o contribuinte apresentou, em 15/04/2010, a presente impugnação, com as alegações abaixo sintetizadas.
NULIDADE POR CERCEAMENTO DE DEFESA. Os documentos que teriam sido efetivamente juntados ao processo, teriam sido juntados de forma incompleta, sem que tivesse sido anexado, por exemplo, o comprovante de pagamento dos boletos bancários. Requereu seja reconhecido o cerceamento ao direito de defesa, em decorrência da falta de anexação de todos os documentos que teriam sido apresentados por ocasião da fiscalização.
DA IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO, PELO IMPOSTO DE RENDA, DE FATOS QUE GERAM DECRÉSCIMO PATRIMONIAL / IMPOSSIBILIDADE DE PENALIDADE SER INSTITUÍDA COM CARÁTER DE TRIBUTO. A exigência posta no art. 61 da Lei n° 8.981/1995 seria ilegal, pois pagamento não seria fato gerador do IR por absoluta ausência de materialidade de incidência, pois pagamento não traduziria acréscimo patrimonial e sim decréscimo patrimonial.
DA PRECARIEDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO: ABSOLUTA AUSÊNCIA DA CARACTERIZAÇÃO, NA AUTUAÇÃO, DO FATO GERADOR DO TRIBUTO EXIGIDO. A fiscalização teria desconsiderado a documentação apresentada pelo contribuinte e não teria demonstrado a ocorrência do fato gerador.
AUSÊNCIA DE CARACTERIZAÇÃO DO FATO GERADOR EM RELAÇÃO AOS SAQUES E TRANSFERÊNCIAS REALIZADAS ENTRE CONTAS DA PRÓPRIA EMPRESA. Na planilha que fundamentou a autuação o Sr. Fiscal teria indicado, ao todo, 94 (noventa e quatro) saques. Todos estes 94 saques teriam sido descritos como "saque sem comprovação do efetivo ingresso no Caixa da empresa". A par do fato de que o mero saque não configuraria fato gerador, a verdade é que teria havido a demonstração do ingresso destes valores no caixa da empresa. Isto teria sido demonstrado durante a autuação, mediante exibição das folhas especificas do livro Razão.
INAPLICABILIDADE DA NORMA DO § 1° DO ART. 61 As EMPRESAS QUE, COMO A IMPUGNANTE, ADOTAM REGIME DE TRIBUTAÇÃO POR LUCRO PRESUMIDO. A hipótese mencionada no §1° do art. 61 da Lei 8.981/95 não seria aplicável às empresas que adotam regime de tributação por lucro presumido. A regra do § 10 do art. 61 da Lei 8.981/95 somente seria aplicável ás empresas que adotam o regime de tributação por lucro real, o que não ocorre no caso da Impugnante.
AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO DO FATO A NORMA COMPROVAÇÃO DE CAUSA E BENEFICIÁRIO DOS DÉBITOS AUTUADOS PELO SR. OFICIAL. Os saques e as transferências bancárias realizadas entre contas bancárias da própria lmpugnante, não caracterizariam o fato gerador da exação ora sob discussão, na medida em que não demonstrariam que teria havido algum pagamento ou efetiva entrega dos valores a sócios ou terceiros.
IMPOSSIBILIDADE DE SE EXIGIR, CONCOMITANTEMENTE, A PENALIDADE PREVISTA NO ART. 61 DA LEI 8.981/95 E A MULTA DE 75% PREVISTA NO ART. 44, I, DA LEI 9.430/96. A regra prevista no art. 61 da Lei 8.981/95 não veicularia hipótese de incidência de um tributo, mas sim uma penalidade pelo não cumprimento de uma obrigação já existente no ordenamento jurídico. Seria absolutamente ilegal a exigência concomitante da multa de 35% prevista no art. 61 da Lei 8.981/95 e a multa de 75% prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96, ambas as exações possuiriam a mesma finalidade: punir a prática do ato desconforme ao direito.
O CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA DE OFÍCIO PREVISTA NO ART. 44, I, DA LEI 9.430/96. Caso se entendesse que seria o caso de aplicar a multa de oficio prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96, deveria a mesma ser reduzida para, no máximo, 30% do tributo supostamente não recolhido, única forma de adequar o necessário caráter punitivo da penalidade com o principio constitucional do não-confisco.
A INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC. Os critérios para aferição da correção monetária e dos juros deveriam ser definidos com clareza pela lei, e não por circular do Banco Central.
Pela impossibilidade de firmar-se convicção a respeito dos comprovantes, juntados pelo contribuinte ao tempo da impugnação, os autos foram baixados em diligência, por esta turma de julgamento, conforme despacho de fls. 1851, abaixo transcrito:
Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 364/379 foram relacionados, de forma individualizada 240 (duzentas e quarenta) operações bancárias de saques e pagamentos, dos quais o contribuinte teria logrado comprovar a causa e o beneficiário de apenas 57, restando sem comprovação satisfatória os demais 183 (cento e oitenta e três) pagamentos, pelos seguintes motivos:
1.Transações bancárias indicadas como "suprimentopara caixa", 2.Transações bancárias indicadas como "pagamento de títulos" ou "pagamento de fornecedor".
Aduziu a fiscalização que para a comprovação das operações bancárias indicadas como pagamento, o contribuinte teria apresentado cópias simples de boletos de cobrança bancária, de notas fiscais e de duplicatas, sem qualquer autenticação bancária e/ou desacompanhadas de comprovantes de pagamento emitidos pela instituição financeira.
O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 432/467, acompanhada dos documentos de fls. 468/1.840. Dentre as várias alegações arroladas aduziu que algumas notas fiscais de pagamentos a fornecedores, foram pagas mediante a quitação de boletos bancários diretamente das contas correntes do impugnante.
Sustentou sua argumentação com documentos que se encontram anexos à impugnação (Doc. 5), e que se constituem das notas fiscais já apresentadas à fiscalização e agora acompanhadas do respectivo comprovante de pagamento ou de relação emitida pela instituição bancária assumindo a responsabilidade pela efetiva ocorrência dos pagamentos. Tais comprovantes foram apresentados nas folhas indicadas na tabela a seguir e foram relacionados pelo impugnante como alguns pagamentos tidos como a beneficiários não identificados ou sem causa pela fiscalização:
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. Relatório Inicialmente, adota-se parte do relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Trata-se de impugnação de fls. 539/581, apresentada contra o auto de infração de IRRF no montante de R$ 8.880.896,90, aí incluídos juros de mora, calculados até a data da autuação e multa de ofício de 75%; e do auto de infração de multa regulamentar de R$ 500,00 pela apresentação da DIPJ com incorreções e/ou omissões. A exigência do IRRF está fundamentada no Art. 674 do RIR/99 e a multa regulamentar pela inexatidão na DIPJ nos art. 7°, inciso IV, da Lei n° 10.426/2002, com a redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051/2004. O Termo de Verificação e Constatação Fiscal, de fls. 364/379 assim descreve a ação fiscal, que culminou com a presente autuação: ANO-CALENDÁRIO DE 2006 1. PAGAMENTOS SEM COMPROVAÇÃO DA CAUSA E/OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO A ação fiscal foi iniciada em 28/07/2009, tendo sido o contribuinte intimado a apresentar os livros e documentos contábeis e fiscais do ano-calendário de 2006. Mesmo tendo optado pela tributação com base no lucro presumido, o contribuinte manteve escrituração dos livros Diário e Razão, como pode ser verificado nas cópias das folhas abaixo indicadas, as quais foram juntadas ao presente processo: Livro Diário (registrado na JUCESP em 25/07/2008): -Termos de Abertura e de Encerramento; -Balanço Patrimonial encerrado em 31/12/2006; -Demonstração do Resultado do Exercício em 31/12/2006. Livro Razão: -Termo de Abertura e de Encerramento; -Folhas 0002 a 0020, contendo a escrituração da conta "1.1.1.01.001 Caixa Geral", do período de janeiro a dezembro de 2006. Nos exames realizados nos supracitados livros, verificamos diversos lançamentos de valores expressivos, relativos a saídas de recursos de contas bancárias, contabilizados como "suprimentos de caixa", valores esses que não guardam relação com os pagamentos escriturados na conta Caixa Geral e, em consequência, o Caixa Geral apresentou saldo progressivo durante todo o ano, encerrando o exercício com saldo escriturado de R$ 2.185.064,86. Em virtude dessa incompatibilidade entre as entradas e as saídas de recursos no Caixa Geral, o contribuinte foi intimado, em 30/11/2009, a apresentar os extratos de suas contas bancárias, bem como demonstrar e comprovar a origem dos recursos depositados/creditados nas referidas contas. Atendendo à referida intimação, o contribuinte apresentou os extratos bancários, bem como demonstrativo resumido da origem dos recursos por ele recebidos (documentos juntados ao processo). Quanto aos pagamentos feitos com os recursos creditados/depositados nas contas bancárias, esta fiscalização realizou exame e confronto entre os extratos bancários, a escrituração e os documentos disponibilizados pelo contribuinte. Desses exames, foram relacionadas, de forma individualizada, 240 (duzentas e quarenta) operações bancárias de saques e pagamentos, e, em 18/01/2010 o contribuinte foi intimado a demonstrar e comprovar a causa e o beneficiário de cada um dos pagamentos relacionados por esta fiscalização. Em resposta, foram apresentados demonstrativo e cópia de documentos (juntados ao processo). Nos exames realizados tanto no demonstrativo como nas cópias de documentos, constatamos que, do total de 240 pagamentos, o contribuinte logrou comprovar a causa e o beneficiário de apenas 57, restando sem comprovação satisfatória os demais 183 (cento e oitenta e três) pagamentos, pelos seguintes motivos: 1. Transações bancárias indicadas como "suprimento para caixa": Foi apresentada apenas cópia das folhas do livro Razão, onde constam os supostos "suprimentos para caixa". A simples escrituração a titulo de suprimento de caixa, sem qualquer documento hábil, idôneo, coincidente em data e valor, não é suficiente para comprovar a veracidade e o efetivo ingresso desses recursos no caixa da empresa. Ainda que se tratasse de saques em dinheiro para pagamento de compromissos, deveriam ser apresentados os comprovantes de tais pagamentos, assim como a indicação do respectivo lançamento de saída dos recursos do Caixa Geral, o que não ocorreu. Portanto, a simples apresentação do livro Razão, no qual os ingressos de recursos são absolutamente desproporcionais às saídas, sem qualquer outro elemento de prova, não podem ser aceitos como comprobatórios da causa e/ou do beneficiário dos pagamentos. 2. Transações bancárias indicadas como "pagamento de títulos" ou "pagamento de fornecedor" Para comprovação dessas operações, o contribuinte apresentou cópias simples de boletos de cobrança bancária, de notas fiscais e de duplicatas, sem qualquer autenticação bancária e/ou desacompanhadas de comprovantes de pagamento emitidos pela instituição financeira. Documentos sem autenticação bancária, desacompanhados de qualquer comprovante hábil, idôneo, coincidente em data e valor, também não são suficientes para comprovar a causa e/ou beneficiário dos pagamentos. Por se tratarem de saques e/ou pagamentos bancários de valores expressivos (operações que variam de R$ 5.000,00 até R$ 560.441,84), o contribuinte deveria apresentar, entre outros elementos, os comprovantes bancários com a indicação do portador, do beneficiário (favorecido) e da autorização bancária relativa à operação. A escrituração de pagamentos feitos pela empresa, desacompanhada de documentação hábil, idônea, coincidente em datas e valores, não é suficiente para comprovar a veracidade da causa e do beneficiário. No caso em questão, a jurisprudência firmada também é clara nesse sentido, conforme se verifica na ementa de Acórdãos, abaixo transcritas: Portanto, conforme acima exposto, durante a presente ação fiscal o contribuinte não logrou comprovar, com documentação hábil, idônea, coincidente em datas e valores, a causa e o beneficiário dos 183 (cento e oitenta e três) pagamentos relacionados no demonstrativo anexo ao presente termo, os quais estão sujeitos à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, nos termos do supracitado artigo 674 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 (RIR199). A base de cálculo reajustada também se encontra demonstrada no anexo ao presente termo. Em virtude disso, o Imposto de Renda Exclusivamente na Fonte será exigido de oficio, com a lavratura do respectivo Auto de Infração, com fundamento no supracitado artigo 674 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 (RIR/99). 2. MULTA ISOLADA DECLARAÇÃO INEXATA Durante a presente ação fiscal, constatamos que, apesar de ter exercido atividades operacionais no ano-calendário de 2006, com escrituração de receitas e, inclusive, recolhimento de tributos e contribuições federais, o contribuinte apresentou a Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), sem preenchimento dessas informações. Não foram preenchidas as informações das seguintes fichas da DIPJ: Ficha 14A Apuração do Imposto de Renda sobre o Lucro Presumido; Ficha 18A Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido; Ficha 58B Outras Informações. Por esse motivo, será aplicada a multa isolada mínima de R$ 500,00, conforme previsto no artigo 7°, § 3°, da Lei n° 10.426/2002. Cientificado, em 16/03/2010, por via postal, conforme AR de fls. 418, o contribuinte apresentou, em 15/04/2010, a presente impugnação, com as alegações abaixo sintetizadas. NULIDADE POR CERCEAMENTO DE DEFESA. Os documentos que teriam sido efetivamente juntados ao processo, teriam sido juntados de forma incompleta, sem que tivesse sido anexado, por exemplo, o comprovante de pagamento dos boletos bancários. Requereu seja reconhecido o cerceamento ao direito de defesa, em decorrência da falta de anexação de todos os documentos que teriam sido apresentados por ocasião da fiscalização. DA IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO, PELO IMPOSTO DE RENDA, DE FATOS QUE GERAM DECRÉSCIMO PATRIMONIAL / IMPOSSIBILIDADE DE PENALIDADE SER INSTITUÍDA COM CARÁTER DE TRIBUTO. A exigência posta no art. 61 da Lei n° 8.981/1995 seria ilegal, pois pagamento não seria fato gerador do IR por absoluta ausência de materialidade de incidência, pois pagamento não traduziria acréscimo patrimonial e sim decréscimo patrimonial. DA PRECARIEDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO: ABSOLUTA AUSÊNCIA DA CARACTERIZAÇÃO, NA AUTUAÇÃO, DO FATO GERADOR DO TRIBUTO EXIGIDO. A fiscalização teria desconsiderado a documentação apresentada pelo contribuinte e não teria demonstrado a ocorrência do fato gerador. AUSÊNCIA DE CARACTERIZAÇÃO DO FATO GERADOR EM RELAÇÃO AOS SAQUES E TRANSFERÊNCIAS REALIZADAS ENTRE CONTAS DA PRÓPRIA EMPRESA. Na planilha que fundamentou a autuação o Sr. Fiscal teria indicado, ao todo, 94 (noventa e quatro) saques. Todos estes 94 saques teriam sido descritos como "saque sem comprovação do efetivo ingresso no Caixa da empresa". A par do fato de que o mero saque não configuraria fato gerador, a verdade é que teria havido a demonstração do ingresso destes valores no caixa da empresa. Isto teria sido demonstrado durante a autuação, mediante exibição das folhas especificas do livro Razão. INAPLICABILIDADE DA NORMA DO § 1° DO ART. 61 As EMPRESAS QUE, COMO A IMPUGNANTE, ADOTAM REGIME DE TRIBUTAÇÃO POR LUCRO PRESUMIDO. A hipótese mencionada no §1° do art. 61 da Lei 8.981/95 não seria aplicável às empresas que adotam regime de tributação por lucro presumido. A regra do § 10 do art. 61 da Lei 8.981/95 somente seria aplicável ás empresas que adotam o regime de tributação por lucro real, o que não ocorre no caso da Impugnante. AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO DO FATO A NORMA COMPROVAÇÃO DE CAUSA E BENEFICIÁRIO DOS DÉBITOS AUTUADOS PELO SR. OFICIAL. Os saques e as transferências bancárias realizadas entre contas bancárias da própria lmpugnante, não caracterizariam o fato gerador da exação ora sob discussão, na medida em que não demonstrariam que teria havido algum pagamento ou efetiva entrega dos valores a sócios ou terceiros. IMPOSSIBILIDADE DE SE EXIGIR, CONCOMITANTEMENTE, A PENALIDADE PREVISTA NO ART. 61 DA LEI 8.981/95 E A MULTA DE 75% PREVISTA NO ART. 44, I, DA LEI 9.430/96. A regra prevista no art. 61 da Lei 8.981/95 não veicularia hipótese de incidência de um tributo, mas sim uma penalidade pelo não cumprimento de uma obrigação já existente no ordenamento jurídico. Seria absolutamente ilegal a exigência concomitante da multa de 35% prevista no art. 61 da Lei 8.981/95 e a multa de 75% prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96, ambas as exações possuiriam a mesma finalidade: punir a prática do ato desconforme ao direito. O CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA DE OFÍCIO PREVISTA NO ART. 44, I, DA LEI 9.430/96. Caso se entendesse que seria o caso de aplicar a multa de oficio prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96, deveria a mesma ser reduzida para, no máximo, 30% do tributo supostamente não recolhido, única forma de adequar o necessário caráter punitivo da penalidade com o principio constitucional do não-confisco. A INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC. Os critérios para aferição da correção monetária e dos juros deveriam ser definidos com clareza pela lei, e não por circular do Banco Central. Pela impossibilidade de firmar-se convicção a respeito dos comprovantes, juntados pelo contribuinte ao tempo da impugnação, os autos foram baixados em diligência, por esta turma de julgamento, conforme despacho de fls. 1851, abaixo transcrito: Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 364/379 foram relacionados, de forma individualizada 240 (duzentas e quarenta) operações bancárias de saques e pagamentos, dos quais o contribuinte teria logrado comprovar a causa e o beneficiário de apenas 57, restando sem comprovação satisfatória os demais 183 (cento e oitenta e três) pagamentos, pelos seguintes motivos: 1.Transações bancárias indicadas como "suprimentopara caixa", 2.Transações bancárias indicadas como "pagamento de títulos" ou "pagamento de fornecedor". Aduziu a fiscalização que para a comprovação das operações bancárias indicadas como pagamento, o contribuinte teria apresentado cópias simples de boletos de cobrança bancária, de notas fiscais e de duplicatas, sem qualquer autenticação bancária e/ou desacompanhadas de comprovantes de pagamento emitidos pela instituição financeira. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 432/467, acompanhada dos documentos de fls. 468/1.840. Dentre as várias alegações arroladas aduziu que algumas notas fiscais de pagamentos a fornecedores, foram pagas mediante a quitação de boletos bancários diretamente das contas correntes do impugnante. Sustentou sua argumentação com documentos que se encontram anexos à impugnação (Doc. 5), e que se constituem das notas fiscais já apresentadas à fiscalização e agora acompanhadas do respectivo comprovante de pagamento ou de relação emitida pela instituição bancária assumindo a responsabilidade pela efetiva ocorrência dos pagamentos. Tais comprovantes foram apresentados nas folhas indicadas na tabela a seguir e foram relacionados pelo impugnante como alguns pagamentos tidos como a beneficiários não identificados ou sem causa pela fiscalização:
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REPRES. E IMP. DE MAT. MÉD. HOSP. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 00 43 4/ 20 10 -1 8 Fl. 2350DF CARF MF Processo nº 19515.000434/201018 Resolução nº 1301000.684 S1C3T1 Fl. 2.351 2 Relatório Inicialmente, adotase parte do relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Tratase de impugnação de fls. 539/581, apresentada contra o auto de infração de IRRF no montante de R$ 8.880.896,90, aí incluídos juros de mora, calculados até a data da autuação e multa de ofício de 75%; e do auto de infração de multa regulamentar de R$ 500,00 pela apresentação da DIPJ com incorreções e/ou omissões. A exigência do IRRF está fundamentada no Art. 674 do RIR/99 e a multa regulamentar pela inexatidão na DIPJ nos art. 7°, inciso IV, da Lei n° 10.426/2002, com a redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051/2004. O Termo de Verificação e Constatação Fiscal, de fls. 364/379 assim descreve a ação fiscal, que culminou com a presente autuação: ANOCALENDÁRIO DE 2006 1. PAGAMENTOS SEM COMPROVAÇÃO DA CAUSA E/OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO A ação fiscal foi iniciada em 28/07/2009, tendo sido o contribuinte intimado a apresentar os livros e documentos contábeis e fiscais do anocalendário de 2006. Mesmo tendo optado pela tributação com base no lucro presumido, o contribuinte manteve escrituração dos livros Diário e Razão, como pode ser verificado nas cópias das folhas abaixo indicadas, as quais foram juntadas ao presente processo: Livro Diário (registrado na JUCESP em 25/07/2008): Termos de Abertura e de Encerramento; Balanço Patrimonial encerrado em 31/12/2006; Demonstração do Resultado do Exercício em 31/12/2006. Livro Razão: Termo de Abertura e de Encerramento; Folhas 0002 a 0020, contendo a escrituração da conta "1.1.1.01.001 — Caixa Geral", do período de janeiro a dezembro de 2006. Nos exames realizados nos supracitados livros, verificamos diversos lançamentos de valores expressivos, relativos a saídas de recursos de contas bancárias, contabilizados como "suprimentos de caixa", valores esses que não guardam relação com os pagamentos escriturados na conta Caixa Geral e, em consequência, o Caixa Geral apresentou saldo progressivo durante todo o ano, encerrando o exercício com saldo escriturado de R$ 2.185.064,86. Em virtude dessa incompatibilidade entre as entradas e as saídas de recursos no Caixa Geral, o contribuinte foi intimado, em 30/11/2009, a apresentar os extratos de suas contas bancárias, bem como demonstrar e comprovar a origem dos recursos depositados/creditados nas referidas contas. Fl. 2351DF CARF MF Processo nº 19515.000434/201018 Resolução nº 1301000.684 S1C3T1 Fl. 2.352 3 Atendendo à referida intimação, o contribuinte apresentou os extratos bancários, bem como demonstrativo resumido da origem dos recursos por ele recebidos (documentos juntados ao processo). Quanto aos pagamentos feitos com os recursos creditados/depositados nas contas bancárias, esta fiscalização realizou exame e confronto entre os extratos bancários, a escrituração e os documentos disponibilizados pelo contribuinte. Desses exames, foram relacionadas, de forma individualizada, 240 (duzentas e quarenta) operações bancárias de saques e pagamentos, e, em 18/01/2010 o contribuinte foi intimado a demonstrar e comprovar a causa e o beneficiário de cada um dos pagamentos relacionados por esta fiscalização. Em resposta, foram apresentados demonstrativo e cópia de documentos (juntados ao processo). Nos exames realizados tanto no demonstrativo como nas cópias de documentos, constatamos que, do total de 240 pagamentos, o contribuinte logrou comprovar a causa e o beneficiário de apenas 57, restando sem comprovação satisfatória os demais 183 (cento e oitenta e três) pagamentos, pelos seguintes motivos: 1. Transações bancárias indicadas como "suprimento para caixa": Foi apresentada apenas cópia das folhas do livro Razão, onde constam os supostos "suprimentos para caixa". A simples escrituração a titulo de suprimento de caixa, sem qualquer documento hábil, idôneo, coincidente em data e valor, não é suficiente para comprovar a veracidade e o efetivo ingresso desses recursos no caixa da empresa. Ainda que se tratasse de saques em dinheiro para pagamento de compromissos, deveriam ser apresentados os comprovantes de tais pagamentos, assim como a indicação do respectivo lançamento de saída dos recursos do Caixa Geral, o que não ocorreu. Portanto, a simples apresentação do livro Razão, no qual os ingressos de recursos são absolutamente desproporcionais às saídas, sem qualquer outro elemento de prova, não podem ser aceitos como comprobatórios da causa e/ou do beneficiário dos pagamentos. 2. Transações bancárias indicadas como "pagamento de títulos" ou "pagamento de fornecedor" Para comprovação dessas operações, o contribuinte apresentou cópias simples de boletos de cobrança bancária, de notas fiscais e de duplicatas, sem qualquer autenticação bancária e/ou desacompanhadas de comprovantes de pagamento emitidos pela instituição financeira. Documentos sem autenticação bancária, desacompanhados de qualquer comprovante hábil, idôneo, coincidente em data e valor, também não são suficientes para comprovar a causa e/ou beneficiário dos pagamentos. Por se tratarem de saques e/ou pagamentos bancários de valores expressivos (operações que variam de R$ 5.000,00 até R$ 560.441,84), o contribuinte deveria apresentar, entre outros elementos, os comprovantes bancários com a indicação do portador, do beneficiário (favorecido) e da autorização bancária relativa à operação. Fl. 2352DF CARF MF Processo nº 19515.000434/201018 Resolução nº 1301000.684 S1C3T1 Fl. 2.353 4 A escrituração de pagamentos feitos pela empresa, desacompanhada de documentação hábil, idônea, coincidente em datas e valores, não é suficiente para comprovar a veracidade da causa e do beneficiário. No caso em questão, a jurisprudência firmada também é clara nesse sentido, conforme se verifica na ementa de Acórdãos, abaixo transcritas: Portanto, conforme acima exposto, durante a presente ação fiscal o contribuinte não logrou comprovar, com documentação hábil, idônea, coincidente em datas e valores, a causa e o beneficiário dos 183 (cento e oitenta e três) pagamentos relacionados no demonstrativo anexo ao presente termo, os quais estão sujeitos à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, nos termos do supracitado artigo 674 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 (RIR199). A base de cálculo reajustada também se encontra demonstrada no anexo ao presente termo. Em virtude disso, o Imposto de Renda Exclusivamente na Fonte será exigido de oficio, com a lavratura do respectivo Auto de Infração, com fundamento no supracitado artigo 674 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 (RIR/99). 2. MULTA ISOLADA — DECLARAÇÃO INEXATA Durante a presente ação fiscal, constatamos que, apesar de ter exercido atividades operacionais no ano calendário de 2006, com escrituração de receitas e, inclusive, recolhimento de tributos e contribuições federais, o contribuinte apresentou a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), sem preenchimento dessas informações. Não foram preenchidas as informações das seguintes fichas da DIPJ: Ficha 14A — Apuração do Imposto de Renda sobre o Lucro Presumido; Ficha 18A — Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido; Ficha 58B — Outras Informações. Por esse motivo, será aplicada a multa isolada mínima de R$ 500,00, conforme previsto no artigo 7°, § 3°, da Lei n° 10.426/2002. Cientificado, em 16/03/2010, por via postal, conforme AR de fls. 418, o contribuinte apresentou, em 15/04/2010, a presente impugnação, com as alegações abaixo sintetizadas. NULIDADE POR CERCEAMENTO DE DEFESA. Os documentos que teriam sido efetivamente juntados ao processo, teriam sido juntados de forma incompleta, sem que tivesse sido anexado, por exemplo, o comprovante de pagamento dos boletos bancários. Requereu seja reconhecido o cerceamento ao direito de defesa, em decorrência da falta de anexação de todos os documentos que teriam sido apresentados por ocasião da fiscalização. DA IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO, PELO IMPOSTO DE RENDA, DE FATOS QUE GERAM DECRÉSCIMO PATRIMONIAL / IMPOSSIBILIDADE DE PENALIDADE SER INSTITUÍDA COM CARÁTER DE TRIBUTO. A exigência posta no art. 61 da Lei n° 8.981/1995 seria ilegal, pois pagamento não seria fato gerador do IR por absoluta ausência de materialidade de incidência, pois pagamento não traduziria acréscimo patrimonial e sim decréscimo patrimonial. DA PRECARIEDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO: ABSOLUTA AUSÊNCIA DA CARACTERIZAÇÃO, NA AUTUAÇÃO, DO FATO GERADOR DO TRIBUTO Fl. 2353DF CARF MF Processo nº 19515.000434/201018 Resolução nº 1301000.684 S1C3T1 Fl. 2.354 5 EXIGIDO. A fiscalização teria desconsiderado a documentação apresentada pelo contribuinte e não teria demonstrado a ocorrência do fato gerador. AUSÊNCIA DE CARACTERIZAÇÃO DO FATO GERADOR EM RELAÇÃO AOS SAQUES E TRANSFERÊNCIAS REALIZADAS ENTRE CONTAS DA PRÓPRIA EMPRESA. Na planilha que fundamentou a autuação o Sr. Fiscal teria indicado, ao todo, 94 (noventa e quatro) saques. Todos estes 94 saques teriam sido descritos como "saque sem comprovação do efetivo ingresso no Caixa da empresa". A par do fato de que o mero saque não configuraria fato gerador, a verdade é que teria havido a demonstração do ingresso destes valores no caixa da empresa. Isto teria sido demonstrado durante a autuação, mediante exibição das folhas especificas do livro Razão. INAPLICABILIDADE DA NORMA DO § 1° DO ART. 61 As EMPRESAS QUE, COMO A IMPUGNANTE, ADOTAM REGIME DE TRIBUTAÇÃO POR LUCRO PRESUMIDO. A hipótese mencionada no §1° do art. 61 da Lei 8.981/95 não seria aplicável às empresas que adotam regime de tributação por lucro presumido. A regra do § 10 do art. 61 da Lei 8.981/95 somente seria aplicável ás empresas que adotam o regime de tributação por lucro real, o que não ocorre no caso da Impugnante. AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO DO FATO A NORMA COMPROVAÇÃO DE CAUSA E BENEFICIÁRIO DOS DÉBITOS AUTUADOS PELO SR. OFICIAL. Os saques e as transferências bancárias realizadas entre contas bancárias da própria lmpugnante, não caracterizariam o fato gerador da exação ora sob discussão, na medida em que não demonstrariam que teria havido algum pagamento ou efetiva entrega dos valores a sócios ou terceiros. IMPOSSIBILIDADE DE SE EXIGIR, CONCOMITANTEMENTE, A PENALIDADE PREVISTA NO ART. 61 DA LEI 8.981/95 E A MULTA DE 75% PREVISTA NO ART. 44, I, DA LEI 9.430/96. A regra prevista no art. 61 da Lei 8.981/95 não veicularia hipótese de incidência de um tributo, mas sim uma penalidade pelo não cumprimento de uma obrigação já existente no ordenamento jurídico. Seria absolutamente ilegal a exigência concomitante da multa de 35% prevista no art. 61 da Lei 8.981/95 e a multa de 75% prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96, ambas as exações possuiriam a mesma finalidade: punir a prática do ato desconforme ao direito. O CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA DE OFÍCIO PREVISTA NO ART. 44, I, DA LEI 9.430/96. Caso se entendesse que seria o caso de aplicar a multa de oficio prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96, deveria a mesma ser reduzida para, no máximo, 30% do tributo supostamente não recolhido, única forma de adequar o necessário caráter punitivo da penalidade com o principio constitucional do não confisco. A INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC. Os critérios para aferição da correção monetária e dos juros deveriam ser definidos com clareza pela lei, e não por circular do Banco Central. Pela impossibilidade de firmarse convicção a respeito dos comprovantes, juntados pelo contribuinte ao tempo da impugnação, os autos foram baixados em diligência, por esta turma de julgamento, conforme despacho de fls. 1851, abaixo transcrito: Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 364/379 foram relacionados, de forma individualizada 240 (duzentas e quarenta) operações bancárias de saques e pagamentos, dos quais o contribuinte teria logrado comprovar a causa e o Fl. 2354DF CARF MF Processo nº 19515.000434/201018 Resolução nº 1301000.684 S1C3T1 Fl. 2.355 6 beneficiário de apenas 57, restando sem comprovação satisfatória os demais 183 (cento e oitenta e três) pagamentos, pelos seguintes motivos: 1.Transações bancárias indicadas como "suprimentopara caixa", 2.Transações bancárias indicadas como "pagamento de títulos" ou "pagamento de fornecedor". Aduziu a fiscalização que para a comprovação das operações bancárias indicadas como pagamento, o contribuinte teria apresentado cópias simples de boletos de cobrança bancária, de notas fiscais e de duplicatas, sem qualquer autenticação bancária e/ou desacompanhadas de comprovantes de pagamento emitidos pela instituição financeira. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 432/467, acompanhada dos documentos de fls. 468/1.840. Dentre as várias alegações arroladas aduziu que algumas notas fiscais de pagamentos a fornecedores, foram pagas mediante a quitação de boletos bancários diretamente das contas correntes do impugnante. Sustentou sua argumentação com documentos que se encontram anexos à impugnação (Doc. 5), e que se constituem das notas fiscais já apresentadas à fiscalização e agora acompanhadas do respectivo comprovante de pagamento ou de relação emitida pela instituição bancária assumindo a responsabilidade pela efetiva ocorrência dos pagamentos. Tais comprovantes foram apresentados nas folhas indicadas na tabela a seguir e foram relacionados pelo impugnante como alguns pagamentos tidos como a beneficiários não identificados ou sem causa pela fiscalização: Fl. 2355DF CARF MF Processo nº 19515.000434/201018 Resolução nº 1301000.684 S1C3T1 Fl. 2.356 7 Por não ser possível, com os elementos constantes nos autos, firmarse convicção a respeito de tais comprovantes, juntados em fls. 494, 491, 503, 508, 523, 526, 531, 554, 557, 562, 568, 590, 612, 625, 630, 635, 665, 678, 681, 684, 695, 712, 725, 733, 740, 745, 756 e 763, solicitase ao autuante diligenciar junto ao contribuinte e/ou junto aos fornecedores e mesmo junto à instituição financeira, de forma a atestar o pagamento e/ou o respectivo recebimento de tais valores. A fiscalização diligenciou junto ao contribuinte e produziu o RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA FISCAL de fls. 2241, nos seguintes termos: Tratase de baixa em diligência da 2a Turma da DRJ/SP1. Para atendimento desta feita foi programado o Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD) n°08.1.90.002013051589, atualmente TDPF n° 08.1.90.002013051589. Em atendimento a essa determinação, elaborei o Termo de Início de Ação Fiscal, datado de 10/12/2013, cuja ciência se deu em 18/12/2013 por via postal com aviso de recebimento (AR). Nesse Termo o contribuinte foi intimado a: "elaborar planilha, no formato Excel, relacionando cada Nota Fiscal apresentada na impugnação com o número da folha do livro Diário que registra o lançamento de cada NF e citando as datas de quitação dos pagamentos. Apresentar também cópias dos documentos (comprovantes de pagamento) que lastreiam a planilha supra." Em 16/01/2014 o contribuinte protocolizou na CAC/LUZ um pedido de dilação de prazo de 20 dias, que foi concedida, em razão dos feriados e recessos de final de ano, o que teria atrasado a obtenção de cópia de seus livros contábeis, que ficariam arquivados em empresa terceirizada. Tendo em vista o fato do contribuinte não ter atendido diretamente na DEFIS/SP ao Termo de Início, compareci pessoalmente em 24/02/2014 à sede da empresa e apresentei o Termo de Intimação n° 01, o qual reintimava o contribuinte a apresentar os mesmos elementos solicitados no Termo de Início, cuja ciência pessoal se deu na mesma data. Em resposta, o contribuinte informou que já tinha apresentado as informações por meio de petição, a qual foi protocolizada na CAC/LUZ em 07/02/2014 (que de fato foi apresentada e anexada ao processo), mas que novamente apresentava os documentos já anteriormente fornecidos. Informou também que desta feita estaria apresentando a via original da declaração de quitação fornecida pela empresa LABORATÓRIOS B. BRAUN S/A, porém tal documento jamais foi entregue. Analisando as informações apresentadas verifiquei que o contribuinte elaborou a planilha conforme solicitado, porém não apresentou nenhuma comprovação de pagamento aos fornecedores, tais como TED, DOC, cheque ou extrato bancário indicando o valor transferido. Apresentou tão somente cópias simples de declarações de seus fornecedores MEDTRONIC COMERCIAL LTDA. e LABORATÓRIOS B. BRAUN S/A, dando quitação aos pagamentos referidos nas Notas Fiscais. Posteriormente, em 04/04/2014 elaborei o Termo de Intimação n° 02 e encaminhei para a empresa, cuja ciência por via postal com AR (aviso de recebimento) Fl. 2356DF CARF MF Processo nº 19515.000434/201018 Resolução nº 1301000.684 S1C3T1 Fl. 2.357 8 deuse em 10/04/2014. Tal intimação foi preparada tendo em vista que em meu entendimento faltavam subsídios para análise da solicitação da DRJ/SP1. O contribuinte foi intimado a apresentar os seguintes documentos: "1) Contrato Social e alterações, de 2006 até a presente data; 2)Livros Diário e Razão ou Livro Caixa, referentes ao ano calendário de 2006, em papel e em meio magnético; 3)Livro Registro de Entradas de mercadorias, referente ao ano calendário de 2006; 4)Livro de Apuração do ICMS, referente ao ano calendário de 2006; 5)Notas Fiscais originais, acompanhadas dos respectivos documentos originais de quitação (boletos e/ou recibos), conforme relação anexa, constante da resposta datada de 10/03/2014, indicando as folhas do Livro Registro de Entradas de mercadorias onde forma efetuados os respectivos lançamentos." Em resposta o contribuinte solicitou prorrogação de prazo de 30 dias, alegando que não conseguiu reunir toda a documentação no prazo, em razão do volume de informações solicitadas. A prorrogação solicitada foi concedida. Em 25/06/2014 a empresa apresentou nova resposta, desta feita fora do prazo da intimação, mas que mesmo estando extemporânea, foi analisada. Apresentou cópias do contrato social e alterações, Livros Registro de Entradas de 2005 e 2006, Livro de Apuração do ICMS de 2006 (informou que tinha encaminha também o livro de 2005 mas esse livro não veio), planilha com informação sobre o pagamento das Notas Fiscais constantes nos autos e as Notas Fiscais originais cujas cópias já constam dos autos. Informa também que deixou de apresentar os Livros Diário e razão Analítico pois tais Livros teriam sido entregues à época da lavratura do Auto de Infração e não teriam sido devolvidos. Em relação à essa alegação, cumpre ressaltar que consta dos autos um documento, de fls. 162 (numeração original do processo, fls. 159), atestando a retirada pela empresa dos referidos livros. Cumpre ressaltar que deixamos de diligenciar nos fornecedores e nas instituições financeiras pelo fato do contribuinte não ter apresentado nenhum comprovante de pagamento ou Nota Fiscal de devolução de mercadorias, impossibilitando o trabalho de circularização. Portanto, considerando o artigo 3°, inciso II da Portaria RFB n° 1.687, de 17/09/2014, que dispõe sobre os procedimentos fiscais de diligência (coleta de informações), entendemos que, para apreciação da DRJ/SP1, todos os documentos e esclarecimentos disponibilizados foram juntados ao processo. Tais documentos não lograram êxito em comprovar os pagamentos efetuados, bem como as devoluções de compras por ele mesmo alegadas. (grifo nosso) O contribuinte foi devidamente notificado e apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 2249, reiterando as razões de defesas já apresentadas e acrescentando que caso as provas acostadas aos autos não sejam suficientes para comprovar o alegado que se proceda a nova diligência junto aos bancos e fornecedores. A decisão da autoridade de primeira instância julgou improcedente a impugnação da contribuinte, cuja ementa encontrase abaixo transcrita: Fl. 2357DF CARF MF Processo nº 19515.000434/201018 Resolução nº 1301000.684 S1C3T1 Fl. 2.358 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário: 2006 Ementa: NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. LUCRO PRESUMIDO. Os pagamentos efetuados por empresas optantes pelo Lucro Presumido, que não identifiquem o real beneficiário dos rendimentos ou a causa da operação, sujeitamse ao Imposto de Renda na Fonte nos termos do art. 61 da Lei n° 8.981/95. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicála nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. TAXA SELIC BASE LEGAL SÚMULA n° 4 CARF CABIMENTO. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos nos períodos de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. DOUTRINA. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, excetuandose as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. A doutrina transcrita não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Inteligência do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instancia, o contribuinte apresentou recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de impugnação, acrescentando razões para reforma na decisão recorrida. É o relatório. Fl. 2358DF CARF MF Processo nº 19515.000434/201018 Resolução nº 1301000.684 S1C3T1 Fl. 2.359 10 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora Recurso Voluntário O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Diligência O contribuinte acima identificado foi autuado, em 16 de março de 2010, sendo lhe exigido o IRRF, referente ao ano calendário de 2006, sobre pagamentos considerados sem comprovação da causa e/ou a beneficiários não identificados. Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 364/379 foram relacionados, de forma individualizada 240 (duzentas e quarenta) operações bancárias de saques e pagamentos, dos quais o contribuinte teria logrado comprovar a causa e o beneficiário de 57, restando sem comprovação satisfatória os demais 183 (cento e oitenta e três) pagamentos, pelos seguintes motivos: 1. Transações bancárias indicadas como "suprimento para caixa", 2. Transações bancárias indicadas como "pagamento de títulos" ou "pagamento de fornecedor". Aduziu a fiscalização que para a comprovação das operações bancárias indicadas como pagamento, o contribuinte teria apresentado cópias simples de boletos de cobrança bancária, de notas fiscais e de duplicatas, sem qualquer autenticação bancária e/ou desacompanhadas de comprovantes de pagamento emitidos pela instituição financeira. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 432/467, acompanhada dos documentos de fls. 468/1.840. Dentre as várias alegações arroladas aduziu que as notas fiscais de pagamentos a fornecedores, foram pagas mediante a quitação de boletos bancários diretamente das contas correntes de sua titularidade. Sustentou sua argumentação com documentos que se encontram anexos à impugnação, e que se constituem das notas fiscais já apresentadas à fiscalização e agora acompanhadas do respectivo comprovante de pagamento ou de relação emitida pela instituição bancária assumindo a responsabilidade pela efetiva ocorrência dos pagamentos. Tais comprovantes foram apresentados nas folhas indicadas na tabela a seguir e foram relacionados pelo contribuinte como alguns dos pagamentos tidos como a beneficiários não identificados ou sem causa pela fiscalização, nos seguintes itens relacionados no Termo de Verificação Fiscal: Fl. 2359DF CARF MF Processo nº 19515.000434/201018 Resolução nº 1301000.684 S1C3T1 Fl. 2.360 11 Em despacho de diligencia (fls. 1851 e segs), a 2ª Turma da DRJ/SP1, em 24/07/2013, entendeu que os documentos juntados aos autos não lhe permitiram firmar convicção sobre sua legitimidade, solicitando ao autuante diligenciar junto ao contribuinte, fornecedores e instituições financeiras de forma a atestar o pagamento e/ou o respectivo recebimento de tais valores. Vejamos: Por não ser possível, com os elementos constantes nos autos, firmarse convicção a respeito de tais comprovantes, juntados em fls. 494, 491, 503, 508, 523, 526, 531, 554, 557, 562, 568, 590, 612, 625, 630, 635, 665, 678, 681, 684, 695, 712, 725, 733, 740, 745, 756 e 763, solicitase ao autuante diligenciar junto ao contribuinte e/ou junto aos fornecedores e mesmo junto à instituição financeira, de forma a atestar o pagamento e/ou o respectivo recebimento de tais valores. Na hipótese de alteração de quaisquer dos valores indicados no Anexo ao Termo de Verificação, solicitase a reelaboração da referida tabela, bem assim a apuração do respectivo tributo. Pelo exposto, pedese a fiscalização que elabore relatório conc1usivo a respeito das solicitações desta diligência, dando ciência ao contribuinte e concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestarse, conforme determinado na legislação de regência. Em relatório de diligência fiscal (fls. 2241 e segs), a autoridade autuante afirma que a contribuinte não apresentou nenhuma comprovação de pagamento aos fornecedores, tais como TED, DOC, cheque ou extrato bancário indicando o valor transferido. Segundo a fiscalização, teria apresentado tão somente cópias simples de declarações de seus fornecedores MEDTRONIC COMERCIAL LTDA. e LABORATÓRIOS B. BRAUN S/A, dando quitação aos pagamentos referidos nas Notas Fiscais. Fl. 2360DF CARF MF Processo nº 19515.000434/201018 Resolução nº 1301000.684 S1C3T1 Fl. 2.361 12 Afirma ainda que apesar da contribuinte ter elaborado a planilha solicitada, a fiscalização entendeu que poderia deixar de diligenciar nos fornecedores e nas instituições financeiras pelo fato do contribuinte não ter apresentado nenhum comprovante de pagamento ou Nota Fiscal de devolução de mercadorias, impossibilitando o trabalho de circularização. Acerca do entendimento do fiscal de que poderia deixar de diligenciar fornecedores e instituições financeira, vale ressaltar que segundo o art. 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora, na apreciação da prova, formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Longe de se discutir questões de ordem hierárquica, fica evidente que o legislador deixou suficientemente claro que uma vez decidido pelos órgãos julgadores a necessidade de diligência, deveria a autoridade fiscal incumbida de sua realização proceder conforme a decisão. É possível que o Auditor Fiscal responsável pela diligência, ou melhor, pela não realização da diligência, não tenha ciência da legislação mencionada. Esclarecese que não se solicitou qualquer decisão em matéria de direito, mas simplesmente a análise dos elementos de fato trazidos aos autos pela recorrente a fim de esclarecer pontos importantes ao convencimento dos julgadores. Esperavase, portanto, que a autoridade de origem procedesse conforme determinado pela turma julgadora, determinação essa que emana de poder advindo de lei (art. 29 do Decreto nº 70.235/72). Dito o acima, compulsandose aos autos, verificase de forma distinta da Fiscalização, que a contribuinte atendeu ao pedido da diligencia mediante disponibilização do nome do fornecedor, copia da nota fiscal, valor e data de pagamento, numero da folha de registro de entradas, comprovante de pagamento e folha do livro diário em que o lançamento foi lançado. Vejamos uma página da planilha apresentada a título ilustrativo (fl. 1913) : Fl. 2361DF CARF MF Processo nº 19515.000434/201018 Resolução nº 1301000.684 S1C3T1 Fl. 2.362 13 Reafirmase que a contribuinte apresentou copia da comprovação dos pagamentos conforme ateste do banco. Vejamos o exemplo do pagamento à Medtronic de R$ 32.600, nota fiscal 98787, que na folha 491 do processo, a contribuinte apresenta o seguinte documento : Ou seja, em uma simples analise documentos do processo notase que foi apresentada documento de comprovação dos pagamentos pela contribuinte e que caso tais documentos não fossem satisfatórios à Fiscalização deveria ter ocorrido diligencia juntos às instituições bancárias mencionadas para que fossem atestado a veracidade de tais documentos. Desta forma, entendo que a diligencia fiscal deve ter refeita nos exatos termos do respectivo despacho, qual seja: Por não ser possível, com os elementos constantes nos autos, firmarse convicção a respeito de tais comprovantes, juntados em fls. 494, 491, 503, 508, 523, 526, 531, 554, 557, 562, 568, 590, 612, 625, 630, 635, 665, 678, 681, 684, 695, 712, 725, 733, Fl. 2362DF CARF MF Processo nº 19515.000434/201018 Resolução nº 1301000.684 S1C3T1 Fl. 2.363 14 740, 745, 756 e 763, solicitase ao autuante diligenciar junto ao contribuinte e/ou junto aos fornecedores e mesmo junto à instituição financeira, de forma a atestar o pagamento e/ou o respectivo recebimento de tais valores. Na hipótese de alteração de quaisquer dos valores indicados no Anexo ao Termo de Verificação, solicitase a reelaboração da referida tabela, bem assim a apuração do respectivo tributo. Pelo exposto, pedese a fiscalização que elabore relatório conc1usivo a respeito das solicitações desta diligência, dando ciência ao contribuinte e concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestarse, conforme determinado na legislação de regência. Ressaltase que a presente diligencia atende ao requerido em sede recursal (recurso voluntário às fls. 2280 e segs), posto que a maioria dos itens de defesa da peça fazem menção à falta de atendimento da diligencia original. Por fim, vale mencionar que uma vez que o contribuinte atendeu ao pedido de apresentação de provas identificando os pagamentos e indicando sua causa ocorre a inversão do ônus da prova ao Fisco para que justifique individualmente porque considerou os documentos apresentados como inválidos sob pena de, mediante atendimento precário, imputar a conclusão de que a comprovação foi legítima, nos termos do artigo 845, parágrafo 1o e 924 do RIR/99. Diligencia especifica Por todo o acima, voto por converter o presente processo em diligencia para que os autos retornem à unidade de origem de forma a emitir novo Relatório de Diligência Fiscal em que a autoridade elabore planilha detalhada e individual contendo os seguintes dados: (i) data, (ii) valor, (iii) documentação relativa apresentada pelo contribuinte, (iv) folha dos autos em que se encontra o documento apresentado, (v) causa de pagar e (vi) beneficiário do pagamento acerca de cada pagamento questionado no auto de infração e, por fim, (vii) indicar o motivo se houver verificação de que algum documento apresentado é ilegítimo, falso, inválido, inexato ou inidôneo para fins de comprovação da causa e/ou indicação do beneficiário indicar o motivo. Caso seja necessário solicito que a unidade de origem intime a Recorrente à apresentação de documentos adicionais necessários para que os quesitos sejam respondidos de forma a dar conforto aos conselheiros deste colegiado em seus posicionamentos. Ao final, os recorrentes deverão ser cientificados do relatório final da diligência, fornecendose cópia dos documentos em questão e abrindose prazo de 30 dias para que, querendo, manifestemse sobre seu conteúdo, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011. Após, retornemse os autos ao CARF para seguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 2363DF CARF MF
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