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Numero do processo: 11080.731160/2016-43
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2002-000.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à unidade de origem, para que a unidade preparadora (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre) requeira: 1. À fonte pagadora Vlademir Junior dos Reis Pacheco - ME, CNPJ 13.004,738/0001-79 que: a) informe a qual imóvel se refere o rendimento de aluguel de R$ 66.000,00 informado na DIRF do ano-calendário 2013 como pago ao Sr. Isaac Alster, CPF 112.263.580-04; b) apresente os comprovantes dos pagamentos efetuados ao Sr. Isaac Alster relativo a informação declarada em DIRF mencionada no item 1. 2. Ao Sr. Ângelo Bessa de Sousa, CPF 002.023.630-15 que: a) informe se comprou o imóvel loja térrea externa, situado à rua General Andrade Neve, 141, Edifício Itapirú, apresentando a respectiva documentação comprobatória; b) e em caso afirmativo, informe ainda se recebeu aluguéis relativo a este imóvel no ano de 2013 e qual foi o valor recebido, apresentando a respectiva documentação comprobatória. Após a diligência, cientificar o contribuinte, abrindo-lhe prazo para manifestação, caso entenda necessário. Em seguida, retornem-se os autos.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil.
Nome do relator: FABIA MARCILIA FERREIRA CAMPELO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à unidade de origem, para que a unidade preparadora (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre) requeira: 1. À fonte pagadora Vlademir Junior dos Reis Pacheco ME, CNPJ 13.004,738/000179 que: a) informe a qual imóvel se refere o rendimento de aluguel de R$ 66.000,00 informado na DIRF do ano calendário 2013 como pago ao Sr. Isaac Alster, CPF 112.263.58004; b) apresente os comprovantes dos pagamentos efetuados ao Sr. Isaac Alster relativo a informação declarada em DIRF mencionada no item 1. 2. Ao Sr. Ângelo Bessa de Sousa, CPF 002.023.63015 que: a) informe se comprou o imóvel loja térrea externa, situado à rua General Andrade Neve, 141, Edifício Itapirú, apresentando a respectiva documentação comprobatória; b) e em caso afirmativo, informe ainda se recebeu aluguéis relativo a este imóvel no ano de 2013 e qual foi o valor recebido, apresentando a respectiva documentação comprobatória. Após a diligência, cientificar o contribuinte, abrindolhe prazo para manifestação, caso entenda necessário. Em seguida, retornemse os autos. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 31 16 0/ 20 16 -4 3 Fl. 112DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 113 ___________ Relatório Lançamento Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física nos seguintes valores (fl. 7): Rubrica Valor em reais Imposto 9.486,96 Multa de ofício 7.115,22 Juros de mora 3.012,10 Total à época 19.614,28 A fiscalização identificou a seguinte omissão de rendimentos de aluguéis (fl. 9): Fonte pagadora CNPJ Rendimento Omitido (R$) IRRF Retido (R$) Vlademir Junior dos Reis Pacheco ME 13.004.738/000179 66.000,00 8.663,04 No mais, a fiscalização relata que o contribuinte alegou venda do imóvel, mas os aluguéis não foram declarados pelo comprador (fl. 9). Tempestividade da impugnação O prazo para impugnar é de 30 dias1. Considerando que o contribuinte tomou ciência do lançamento no dia 06/12/2016 (fl. 62) e protocolou sua peça no dia 30/12/2016 (fl. 2), verificase que a impugnação é tempestiva. Impugnação Em sua impugnação o contribuinte alega, em síntese, que (fl. 3 e ss): Não recebeu o valor de R$ 66.000,00 informado pela fonte pagadora. O contribuinte era proprietário do imóvel loja térrea externa, à rua General Andrade Neves, 141 em Porto Alegre/RS, a qual foi alienada em 29/03/2012 para Ângelo Bessa de Sousa, conforme escritura em anexo. Este imóvel até antes da alienação estava locado pelo contribuinte desde 05/11/2010, para C.R.R PACHECO, tendo como fiadores e principais pagadores, entre outros, a pessoa física do Sr. Vlademir Junior dos Reis Pacheco, conforme contrato de locação anexo. Reitera a lisura de seu procedimento, à vista de ter, à época da solicitação antecipada de análise em jun/16, anexado escritura e comprovantes de transferências (três), através de TEDs bancários ao Sr. Ângelo Bessa de Sousa, novo proprietário do imóvel, como referido antes, e responsável pela tributação dos aluguéis omitidos, segundo notificado pela Receita, procedimentos estes que se referem ao exercício de 2013, anocalendário 2012, ou seja, não pertencem a impugnação. 1 Art. 15 do Decreto 70.235/72 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 11080.731160/201643 Resolução nº 2002000.002 S2C0T2 Fl. 114 3 As ponderações da Receita Federal não dizem respeito ao exercício de 2014, anocalendário 2013, mas, sim ao exercício de 2013, anocalendário 2012. Anexa matrícula do imóvel 78.508, contrato de locação, escritura pública de compra e venda, 3 comprovantes de transferências via TED bancário ao Sr. Ângelo. À vista do exposto, requer a extinção do lançamento. Documentos impugnação Após a impugnação constam os seguinte documentos: Notificação de lançamento (fl. 7 e ss); Matrícula do imóvel (fl. 12 e ss); Contrato de locação (fl. 14 e ss); Escritura pública de compra e venda (fl. 18 e ss); Procuração (fl. 21); Documento de identidade do procurador (fl. 22); Decisão de 1ª instância A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) julgou a impugnação improcedente, em síntese, sob o argumento de que não há como afirmar que os valores constantes na Declaração de Imposto de Renda na Fonte (DIRF) entregue em nome da empresa Vlademir Junior dos Reis Pacheco ME referese ao aluguel da loja situada na Rua Andrade Neve, 141, Edifício Itapiru. O impugnante é proprietário de inúmeros imóveis, portanto, pode ele ter recebido rendimentos de aluguéis da empresa Vlademir, referente a outro imóvel. Quanto a alegação de anexação de comprovantes de transferências bancárias, estes não constam dos autos. Tempestividade do recurso voluntário O prazo para recorrer é de 30 dias2. Considerando que o contribuinte tomou ciência do acórdão de impugnação no dia 09/05/2017 (fl. 79) e protocolou sua peça no dia 01/06/2017 (fl. 82), verificase que o recurso voluntário é tempestivo. Recurso voluntário Em seu recurso voluntário a contribuinte alega, em síntese, que (fl. 28): Efetuou retificações da DIRPF corrigindo o CNPJ do Banco do Brasil. O valor de R$ 16.396,92 na verdade não é IRRF retido pela pessoa jurídica Jeito Chic By Vivare Ltda, mas sim recolhimento feito pelo próprio contribuinte, cujo DARF segue anexo. 2 art. 33 do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11080.731160/201643 Resolução nº 2002000.002 S2C0T2 Fl. 115 4 Em relação ao rendimento produzido por Vlademir Junior do Reis Pacheco (R$ 66.000,00 rendimentos e R$ 8.663,04 IRRF) o contribuinte informa que tal rendimento bem como o IRRF nunca ocorreram porque: o imóvel locado pela fonte pagadora (na rua Gal. Andrade Neves, 141, Porto Alegre/RS) foi alienado em 29/03/2012 para Ângelo Bessa de Sousa, cpf 002.023.63015, tendo anexado a respectiva escritura de compra e venda. O referido imóvel, quando de propriedade do contribuinte até 2012, esteve locado desde 2010 para C.R.R. Pacheco (CNPJ 92.311.703/000159), cujo contrato de locação segue anexo, indicando, deste modo, que não poderia ter havido qualquer recebimento de rendimentos de aluguéis em 2013 sobre este bem, porque, repetese o mesmo já havia sido alienado pelo contribuinte em 2012. Se for o caso, a Receita dirijase ao comprador do imóvel, Ângelo Bessa de Sousa e solicite esclarecimentos dele, porque os aluguéis não foram declarados, porquanto o contribuinte, em relação a esta operação, na condição de vendedor, fez a sua parte, ao elaborar o Demonstrativo de Ganho de Capital, anexando à DIRPF e mencionando a alienação na Declaração de Bens desta mesma DIRPF. Foi argumentado que não há como afirmar que os valores constantes na DIRPF entregue em nome da empresa Vlademir Junior dos Reis Pacheco, referemse ao aluguel da loja situada na rua Andrade Neves, 141, Edifício Itapiru, pois o impugnante é proprietário de inúmeros imóveis e portanto pode ter recebido rendimentos de aluguéis da empresa Vlademir referente a outro imóvel. Quanto a este argumento, a Receita buscou o caminho mais fácil para si desincumbir do imbróglio que criou: intimar o contribuinte a pagar um imposto sobre um valor que o mesmo, em duas ocasiões já apresentou, mostrando a legalidade dos procedimentos adotados, em vez de oficiar o inquilino do imóvel, Vlademir, e o comprador do imóvel, Ângelo, a apresentarem os registros aqui tratados e que a eles se referem e dizem respeito e responsabilidade. Por fim, requer a extinção do lançamento. Documentos recurso voluntário Após o recurso voluntário constam os seguinte documentos: Procuração (fl. 84); Identidade e CPF do contribuinte (fl. 85); Identidade do procurador (fl. 86); Intimação do acórdão de impugnação (fl. 87); Demonstrativo de débito (fl. 88); DARF (fl. 89); Acórdão de impugnação (fl. 91 e ss); Escritura pública de compra e venda (fl. 97 e ss); Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11080.731160/201643 Resolução nº 2002000.002 S2C0T2 Fl. 116 5 Matrícula 78.508 do Registro de Imóveis (fl. 101 e ss); Contrato de locação comercial (fl. 103 e ss); Recibo de 62.500,00 da Jeito Chique (fl. 107 e ss); DARF de R$ 16.396,92 e comprovante de pagamento (fl. 108); Voto Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Admissibilidade O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 83 e 84) e tempestividade, conforme acima demonstrado. Contudo, conheço dele tãosomente na parte que trata da omissão de rendimentos de aluguéis de R$ 66.000,00 informados pela fonte pagadora Vlademir Junior dos Reis Pacheco ME, haja vista que os demais temas são alheios à lide objeto deste processo. Mérito O contribuinte alega que não recebeu os valores de aluguéis informados na DIRPF pela fonte pagadora, pois na data do fato gerador já havia vendido o imóvel que alugava. Para comprovar suas alegações apresenta escritura de compra e venda do imóvel em questão datada de 29/03/2012 e matrícula do imóvel com registro da referida alienação. O contrato de locação do imóvel dispõe que sua vigência foi de 5/11/2010 a 5/11/2013, portanto, dentro do período do lançamento. O contribuinte é o locatário e o Sr. Vlademir consta como um dos fiadores e principais pagadores. O valor do aluguel é R$ 5.500,00, valor este que coincide com o da DIRF de fl. 68 informado em todos os meses do ano de 2013. No mais, o contribuinte menciona transferências bancárias realizadas ao novo proprietário Ângelo Bessa, mas não especifica de que se tratam, nem anexa os comprovantes. O lançamento, por sua vez, apesar de tratar de rendimento de aluguéis, não é vinculado a um imóvel específico, baseandose tãosomente no batimento entre a informação da fonte pagadora e da declaração do contribuinte, o que inviabiliza a comparação da documentação do contribuinte com a do Fisco para fins de análise da lide. Como se pode ver, há várias lacunas que a documentação que consta dos autos não esclarece. A DIRF em questão, a princípio, parece ser compatível com o contrato de locação, mas não com a escritura de compra e venda. Além disso, o contribuinte informa que transferiu valores ao comprador do imóvel, mas não explicou do que se trata. A venda comprovada do imóvel, contudo, é um ponto importante que precisa ser considerado. Assim, entendo que é preciso esclarecer os fatos que envolvem o caso para que a análise do lançamento e do recurso voluntário por ser realizada. Conclusão Ante o exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre) requeira: Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11080.731160/201643 Resolução nº 2002000.002 S2C0T2 Fl. 117 6 1. À fonte pagadora Vlademir Junior dos Reis Pacheco ME, CNPJ 13.004,738/000179 que: a) informe a qual imóvel se refere o rendimento de aluguel de R$ 66.000,00 informado na DIRF do anocalendário 2013 como pago ao Sr. Isaac Alster, CPF 112.263.580 04; b) apresente os comprovantes dos pagamentos efetuados ao Sr. Isaac Alster relativo a informação declarada em DIRF mencionada no item 1. 2. Ao Sr. Ângelo Bessa de Sousa, CPF 002.023.63015 que: a) informe se comprou o imóvel loja térrea externa, situado à rua General Andrade Neve, 141, Edifício Itapirú, apresentando a respectiva documentação comprobatória; b) e em caso afirmativo, informe ainda se recebeu aluguéis relativo a este imóvel no ano de 2013 e qual foi o valor recebido, apresentando a respectiva documentação comprobatória. A seguir, cientifiquese o contribuinte para, querendo, manifestarse no prazo de 30 dias3, e retornemse os autos ao Carf para prosseguimento do feito. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo 3 Art. 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Fl. 117DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.906679/2009-53
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2005
COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. PROVAS DO ERRO COMETIDO..
A retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original (§ 1º do art. 147 do CTN).
Numero da decisão: 9303-006.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
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REQUISITOS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado KALOKA REPRESENTACOES LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2005 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. PROVAS DO ERRO COMETIDO.. A retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original (§ 1º do art. 147 do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 66 79 /2 00 9- 53 Fl. 90DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contribuinte contra o Acórdão nº 3301001.875, de 23/05/2013, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2005 COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior de PIS é cabível o reconhecimento do direito creditório. A apresentação da DCTF retificadora somente após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação requerida, não é suficiente, por si só, para descaracterizar o direito creditório. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o entendimento de que é possível a retificação de DCTF após a decisão que denegou a compensação. Alega divergência com relação ao que decidido no Acórdão nº 10517.143. O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 82/84. Intimada, a contribuinte não apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Conforme assentado no exame de sua admissibilidade, enquanto o acórdão recorrido decidiu que a retificação da DCTF após o despacho decisório não pode impedir a apreciação da compensação declarada, o paradigma adotou o entendimento contrário. A divergência, portanto, é manifesta. E, a nosso juízo, deve ser solucionada em desfavor da tese encartada no recurso especial. Em casos semelhantes, esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impediria o deferimento do Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13971.906679/200953 Acórdão n.º 9303006.272 CSRFT3 Fl. 91 3 pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, tal como preconiza o § 1º do art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. E, segundo o acórdão recorrido, é como procedeu a contribuinte, conforme registrado no seguinte parágrafo do seu voto condutor: Vale ressaltar que o simples erro no preenchimento da DCTF não é elemento suficiente para afastar o direito à restituição de tributo pago a maior indevidamente, assim como não pode resultar em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Desta forma, o direito à repetição do indébito não está vinculado à apresentação ou não de DCTF retificadora. De sorte que não há óbice legal para a retificação da DCTF antes ou após a emissão do despacho decisório, sendo relevante a comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, como ocorreu nestes autos administrativos, nos termos do caput do art. 170 do CTN, abaixo transcrito. (g.n.) Ante o exposto, e sem maiores delongas, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 92DF CARF MF 4 Fl. 93DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.724538/2015-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL NO ENDEREÇO INDICADO PELO CONTRIBUINTE. PRECLUSÃO. REVELIA.
É válida e eficaz a intimação por via postal encaminhada para endereço indicado pelo próprio contribuinte. Não havendo interposição de recurso voluntário dentro do prazo legal de 30 (trinta) dias da data de recebimento da decisão constante do AR, considera-se preclusa a discussão em face da revelia.
PERDAS EM OPERAÇÕES DAY-TRADE. GLOSA.
As perdas em operações day-trade somente poderão ser compensadas com os ganhos auferidos em operações desta mesma espécie. O mero erro na DIPJ, confirmado por meio da comprovação de que as perdas foram adicionadas no LALUR, enseja o cancelamento da glosa.
DESPESAS FINANCEIRAS. GLOSA.
Apenas os dispêndios efetivamente comprovados a título de pagamento de juros são dedutíveis como despesa operacional. Os valores deduzidos a este título, mas que não foram comprovados, ensejam a manutenção da glosa.
OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. PRESUNÇÃO LEGAL. A manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada caracteriza omissão de receitas, ensejando a cobrança dos tributos incidentes.
CRÉDITOS DE PIS/COFINS. GLOSA. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao fisco o ônus da prova quanto ao aproveitamento indevido de créditos gerados em aquisições pretensamente tributadas pelo regime de alíquotas concentradas.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
O decidido para o lançamento principal (ou matriz) de IRPJ estende-se aos lançamentos reflexos (CSLL, PIS e COFINS).
Numero da decisão: 1201-001.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
EDITADO EM: 15/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Leonam Rocha de Medeiros. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL NO ENDEREÇO INDICADO PELO CONTRIBUINTE. PRECLUSÃO. REVELIA. É válida e eficaz a intimação por via postal encaminhada para endereço indicado pelo próprio contribuinte. Não havendo interposição de recurso voluntário dentro do prazo legal de 30 (trinta) dias da data de recebimento da decisão constante do AR, considera-se preclusa a discussão em face da revelia. PERDAS EM OPERAÇÕES DAY-TRADE. GLOSA. As perdas em operações day-trade somente poderão ser compensadas com os ganhos auferidos em operações desta mesma espécie. O mero erro na DIPJ, confirmado por meio da comprovação de que as perdas foram adicionadas no LALUR, enseja o cancelamento da glosa. DESPESAS FINANCEIRAS. GLOSA. Apenas os dispêndios efetivamente comprovados a título de pagamento de juros são dedutíveis como despesa operacional. Os valores deduzidos a este título, mas que não foram comprovados, ensejam a manutenção da glosa. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. PRESUNÇÃO LEGAL. A manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada caracteriza omissão de receitas, ensejando a cobrança dos tributos incidentes. CRÉDITOS DE PIS/COFINS. GLOSA. ÔNUS DA PROVA. Compete ao fisco o ônus da prova quanto ao aproveitamento indevido de créditos gerados em aquisições pretensamente tributadas pelo regime de alíquotas concentradas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido para o lançamento principal (ou matriz) de IRPJ estende-se aos lançamentos reflexos (CSLL, PIS e COFINS).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Relator. EDITADO EM: 15/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Leonam Rocha de Medeiros. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
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PRECLUSÃO. REVELIA. É válida e eficaz a intimação por via postal encaminhada para endereço indicado pelo próprio contribuinte. Não havendo interposição de recurso voluntário dentro do prazo legal de 30 (trinta) dias da data de recebimento da decisão constante do AR, considerase preclusa a discussão em face da revelia. PERDAS EM OPERAÇÕES DAYTRADE. GLOSA. As perdas em operações daytrade somente poderão ser compensadas com os ganhos auferidos em operações desta mesma espécie. O mero erro na DIPJ, confirmado por meio da comprovação de que as perdas foram adicionadas no LALUR, enseja o cancelamento da glosa. DESPESAS FINANCEIRAS. GLOSA. Apenas os dispêndios efetivamente comprovados a título de pagamento de juros são dedutíveis como despesa operacional. Os valores deduzidos a este título, mas que não foram comprovados, ensejam a manutenção da glosa. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. PRESUNÇÃO LEGAL. A manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada caracteriza omissão de receitas, ensejando a cobrança dos tributos incidentes. CRÉDITOS DE PIS/COFINS. GLOSA. ÔNUS DA PROVA. Compete ao fisco o ônus da prova quanto ao aproveitamento indevido de créditos gerados em aquisições pretensamente tributadas pelo regime de alíquotas concentradas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 45 38 /2 01 5- 63 Fl. 1765DF CARF MF 2 O decidido para o lançamento principal (ou matriz) de IRPJ estendese aos lançamentos reflexos (CSLL, PIS e COFINS). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. EDITADO EM: 15/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Leonam Rocha de Medeiros. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Relatório O presente processo é decorrente de Autos de Infração de IRPJ e Reflexos (CSLL, PIS e COFINS Autos de Infração fls. 2/65), referentes aos anos calendário de 2011, resultante das seguintes infrações (cf. TVF de fls. 67/74): (i) glosa de despesas não comprovadas a título de perdas em operações day trade; (ii) glosa pela falta de não comprovação de valores declarados como “outras despesas financeiras”; (iii) glosa de custos em razão da não comprovação da aquisição de produtos para revendas; (iv) compensação de saldo inexistente de prejuízos fiscais; (v) omissão de receitas por passivo fictício; e (vi) glosa de créditos de PIS e COFINS NãoCumulativos em determinadas aquisições de produtos. Após intimada, a empresa apresentou impugnação (fls. 325/351). Quanto às operações de daytrade, informa que a Autoridade Fiscal teve uma visão unilateral da operação, uma vez que despesas e receitas foram declaradas em DIPJ, item 47 “Perdas em Operações DayTrade”, ficha 06A e item 21 “Ganhos em Operações Day Trade” da mesma ficha, respectivamente. Para facilitar a demonstração o contribuinte apresenta quadros resumo para cada trimestre. Aduz que mesmo quando as perdas superaram Fl. 1766DF CARF MF Processo nº 10530.724538/201563 Acórdão n.º 1201001.951 S1C2T1 Fl. 3 3 os ganhos, casos do 2º e 3º trimestres, o resultado foi adicionado na parte “A” do Lalur, alegando também a existência de erro ao preencher a DIPJ. Já para comprovar as despesas financeiras, compostas de (i) despesas de taxas bancárias; (ii) juros bancários de empréstimos; (iii) taxa de custodia de recebíveis e contratos; e (iv) outras despesas bancárias, apresenta cópia de extratos bancários e outros documentos. No que diz respeito à compra de insumos, sustenta que não foi intimado a apresentar documentos e esclarecimentos para comprovar as compras, e sim intimado a apresentar extratos bancários. Logo, há uma incoerência no embasamento do Auto de Infração, contrariando o art. 5, LV da CF/88, o art. 142 do CTN e as próprias normas do PIS e COFINS NãoCumulativos, que expressamente determinam o rateio proporcional no caso do contribuinte também se valer da sistemática monofásica ou concentrada. Salienta, ainda, que as empresas citadas possuem quadro societário divergente do seu e que para comprovar a efetiva compra, juntou ao processo Notas Fiscais de entrada e comprovantes de entrega da mercadoria e respectivos pagamentos. Em Sessão de 28 de junho de 2016, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, julgou a impugnação parcialmente procedente, mantendo os créditos tributários de IRPJ e CSLL de forma parcial e cancelando os créditos tributários de PIS e COFINS. A ementa da decisão possui a seguinte redação: OPERAÇÕES DE DAYTRADE. Para efeito de apuração e pagamento do imposto mensal sobre ganhos líquidos, as perdas em operações daytrade somente poderão ser compensadas com os ganhos auferidos em operações da mesma espécie. Confirmados que os valores deduzidos na DIPJ foram adicionados na apuração do lucro real não há que se falar em glosa. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS INEXISTENTE. Cabível a exigência em Auto de Infração quando a contribuinte compensa prejuízo fiscal inexistente. GLOSA DE VALORES REGISTRADOS COMO CUSTO. O registro de custo em livros contábeis e fiscais, por si só, não convalida o direito de dedutibilidade dos valores contabilizados, devendo ser apresentados os respectivos documentos, hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores. Não tendo sido comprovada a efetiva compra de insumos contabilizados como custos/despesa, é pertinente a glosa das notas fiscais representativas destes valores. DESPESA FINANCEIRA. Os juros pagos ou incorridos pelo contribuinte são dedutíveis, como custo ou despesa operacional, desde que comprovados por documentos hábeis e idôneos. Fl. 1767DF CARF MF 4 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. GLOSA CRÉDITO COFINS. ÔNUS DA PROVA. NÃO CABIMENTO. Cabe a Autoridade Fiscal o ônus da prova quanto ao aproveitamento indevido de créditos gerados com compras tributadas pelo regime de alíquotas concentradas. GLOSA CRÉDITO PIS/PASEP. ÔNUS DA PROVA. NÃO CABIMENTO. Cabe a Autoridade Fiscal o ônus da prova quanto ao aproveitamento indevido de créditos gerados com compras tributadas pelo regime de alíquotas concentradas. Dessa decisão, considerando que o valor exonerado supera o limite de alçada, houve interposição de recurso de ofício. O contribuinte, mesmo tendo sido intimado da decisão no seu endereço (cf. AR de fls.1.763), não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli Da preclusão A interessada foi intimada da decisão de primeira instância, por via postal, no seguinte endereço: Rua Teodoro Dias Barreto, 730, Andaia, CEP 44572500, Santo Antônio de Jesus, BA. Houve recebimento da correspondência em 18 de junho de 2016, conforme acusa o AR de fls. 1.763. De acordo com o artigo 23, do Decreto n. 70.235/1972: Art. 23. Farseá a intimação: [...] II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo Nesse caso concreto, ressaltese que o endereço em questão corresponde ao domicílio fiscal indicado pelo próprio contribuinte e é exatamente o mesmo daquele constante dos Autos de Infração, Contrato Social (fls. 353) e do cadastro do CNPJ da empresa. A intimação, portanto, é regular e deve produzir efeitos, nos termos do que determina a Súmula CARF nº 9, verbis: Fl. 1768DF CARF MF Processo nº 10530.724538/201563 Acórdão n.º 1201001.951 S1C2T1 Fl. 4 5 É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Mesmo tendo sido regularmente intimado, o contribuinte não apresentou recurso voluntário no prazo legal de 30 (trinta) dias, fato este que enseja o reconhecimento de sua revelia, na linha do que determina o artigo 21 do regramento do PAF, Veja: Art. 21. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável. Nesses termos, considero preclusa a discussão quanto à exigência mantida pela decisão de primeira instância. Do recurso de ofício O recurso de ofício foi interposto em face da redução promovida no lançamento originário, mais precisamente em relação aos seguintes itens: (i) afastamento integral da glosa relativa às perdas em operações daytrade; (ii) afastamento parcial da glosa relativa às demais despesas financeiras; (iii) afastamento parcial da omissão de receitas por passivo fictício; e (iv) afastamento integral da glosa de créditos de PIS e COFINS Não Cumulativos. Perdas em operações daytrade De acordo com a DRJ: [...] Não obstante a todos os erros de escrituração e apuração mencionados, da análise da DIPJ e Lalur, verificamos que o valor que deduziu o lucro contábil sem comprovação na DIPJ, ficha 06A, linha 47, foi novamente adicionado ao lucro real em sua apuração, ficha 9A, linha 05, "despesas operacionais soma parcelas não dedutíveis" para todos os trimestres no ano calendário de 2011. Sendo assim, a adição anulou a dedução de despesas, inexistindo a infração autuada no Auto de Infração em epígrafe. Diante da anulação do efeito da dedução, não cabe discussão adicional sobre a glosa de despesas indedutíveis lançadas como dedutíveis. Assim, julgo procedente a impugnação para exonerar o crédito tributário quanto a glosa das despesas referentes às operações daytrade. Fl. 1769DF CARF MF 6 Notase, assim, que as autoridades julgadoras se certificaram de que realmente havia erro na DIPJ, bem como que as deduções das perdas apuradas nas operações daytrade foram anuladas por meio de adições no LALUR. Correto, portanto, o afastamento da glosa. Despesas financeiras Para esse item da autuação o contribuinte, apenas por ocasião da defesa, trouxe vasta documentação (essencialmente os registros contábeis e extratos bancários) na tentativa de comprovar a dedutibilidade dos dispêndios. A DRJ, apos analisar essa documentação, assim concluiu: Pelo exposto acima, voto por julgar parcialmente procedente a impugnação no que se refere a glosa de despesas financeiras, conforme quadro abaixo: Glosa Auto de Infração Valores Comprovados Glosa após Voto 10 Trimestre RS 738.326,05 RS 495.736,27 RS 242.589,78 20 Trimestre RS 531.217,19 RS 320.785,89 RS 210.431,30 30 Trimestre RS 460.344,74 RS 228.249,97 RS 232.094,77 40 Trimestre RS 666.241,14 RS 310.599,64 RS 355.641,50 Total RS 2.396.129,12 RS 1.355.371,77 RS 1.040.757,35 O quadro acima, na verdade, é resultado do cotejo entre a contabilidade e os extratos, sendo que a decisão de piso afastou a glosa apenas dos valores dos juros efetivamente comprovados, mantendo a dos demais. A meu ver a decisão, também nesse tópico, não merece nenhum reparo. Passivo Fictício No decorrer do procedimento fiscalizatório, a autoridade fiscal solicitou que fossem apresentados "os documentos que comprovem os empréstimos contabilizados na conta 'caixa' e na 'bancos c/ movimento', relacionados ao sócio Edvaldo e à Comercial Recôncavo. Dentre esses documentos devem constar necessariamente extratos bancários das origens e das aplicações dos recursos." Essa documentação foi entregue de forma parcial na impugnação e mereceu os seguintes comentários por parte da decisão recorrida: Diante dos documentos apresentados, é evidente a falta de apresentação de documentos que comprovem a origem e a aplicação da maioria dos recursos. No entanto, há recursos que localizamos a saída do numerário da uma das contas bancárias de propriedade do Sr. Edvaldo e a entrada do mesmo recurso na conta bancária de propriedade da empresa impugnante, em valores e datas coincidentes com os dados listados no Anexo IV do Termo de Verificação Fiscal, fls. 236 e 237, cumprindo, assim, a exigência fiscal. Fl. 1770DF CARF MF Processo nº 10530.724538/201563 Acórdão n.º 1201001.951 S1C2T1 Fl. 5 7 Sem a comprovação, minuciosa, de parte da origem dos recursos e da prova efetiva dessas aplicações é incabível o cancelamento da autuação omissão de receitasrelativa ao passivo fictício, previsto no art. 281 do inciso III do RIR/99. Assim, mantenho a glosa conforme quadro abaixo: Meses Auto de Infração (R$) Voto (R$) Janeiro 2.644.000,00 2.644.000,00 Fevereiro 3.351.208,02 543.708,02 Março 3.230.000,00 3.230.000,00 Abril 1.470.000,00 843.000,00 Maio 1.799.000,00 1.059.000,00 Junho 1.080.000,00 1.080.000,00 Julho 2.041.000,00 2.041.000,00 Agosto 2.124.000,00 2.124.000,00 Setembro 670.000,00 412.000,00 Outubro 155.000,00 0,00 Novembro 386.000,00 260.000,00 Dezembro 1.878.000,00 1.175.000,00 Total 20.828.208,02 15.411.708,02 Como se percebe, apenas os valores cuja transferência foi comprovada, levandose em conta a coincidência de datas e valores, foram considerados despesas dedutíveis, o que levou ao afastamento parcial do total glosado nesse item da autuação. A meu ver esse entendimento está em consonância com a jurisprudência do CARF, razão pela qual deve prevalecer. Créditos de PIS/COFINS NãoCumulativos Nesse item da autuação, o fisco questiona o aproveitamento de créditos de PIS e COFINS na sistemática nãocumulativa, sob o entendimento de que a aquisição de produtos pela interessada não geraria direito ao crédito, uma vez que ela estaria sujeita ao regime monofásico (ou concentrado). O contribuinte, por sua vez, demonstrou, por meio de demonstrativos e Dacon, que não existiu nenhuma apropriação de crédito em relação às operações tomadas como parâmetro pelo fisco. Ao enfrentar a questão, a DRJ assim se pronunciou: [...] Em relação ao Dacon, verificamos que o contribuinte não aproveita os créditos relativos a uma parte expressiva de aquisições (créditos vinculados à receita não tributada no mercado interno) e, ainda, por meio dessa declaração, é impossível verificar a quais mercadorias se referem os créditos aproveitados lá lançados. Cabe ainda ressaltar que, no curso da ação fiscal, o contribuinte não foi regularmente intimado a prestar esclarecimentos quanto a esse quesito. Fl. 1771DF CARF MF 8 Pelo exposto, como não foi explicitado ao longo do processo administrativo, a relação dos créditos com as compras descritas no Anexo V do Termo de Verificação Fiscal, voto por julgar improcedente o Auto de Infração em relação a esse quesito. De fato, a autoridade fiscal responsável pelo lançamento não motivou e não comprovou a relação de créditos gerados com as compras de mercadorias que incluiu como Anexo V do TVF. Tal como estruturado, o lançamento neste particular é incerto e impreciso, devendo ser considerado improcedente na linha do que decidiu a DRJ. Conclusão Em face de todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao RECURSO DE OFÍCIO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 1772DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.905413/2008-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
Ementa:
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.070
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP invocando créditos referentes a pagamento indevido ou maior de CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Não tendo sido localizado tal pagamento nos sistemas da RFB, a empresa foi intimada a se manifestar, e, diante de seu silêncio, o crédito foi indeferido e a compensação não homologada, por Despacho Decisório Eletrônico, tendo a empresa apresentado Manifestação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 54 13 /2 00 8- 35 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10120.905413/200835 Acórdão n.º 3401004.070 S3C4T1 Fl. 3 2 de Inconformidade, na qual alegou, em síntese, que: (a) é inconstitucional a majoração de alíquota promovida pelos Decretos no 2.445/1988 e no 2.449/1998, já reconhecida pelo Poder Judiciário e declarada por ato do Senado (Resolução no 49, de 9/10/1995), e a aplicação retroativa (sistemática da semestralidade) do art. 18 da Lei no 9.715/1998 (conforme ADIn no 1.4170, publicada em 23/03/2011 e também reconhecida por ato do Senado – Resolução no 10, de 08/06/2005); e (b) o prazo para pedir a restituição é fixado a partir da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa / judicial / Resolução do Senado. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) a empresa não alegou nem comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido que teria efetuado, a despeito de ter sido intimada para tanto; (b) em pesquisa aos sistemas da RFB, verificouse a existência de DARF de recolhimento com a data de arrecadação diversa da indicada no pedido, parecendo a empresa buscar com a data incorreta em seu pedido frustrar eventual extinção de prazo para pedir restituição, que ocorre após cinco anos do pagamento indevido, com vem decidindo o STJ na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.110.578/SP) e o CARF. Ciente da decisão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, basicamente repisando o argumento de que não poderia o artigo 18 da norma legal (hoje Lei no 9.715/1998) ter retroagido, como decidiu o STF na ADIn no 1.417 (e Resolução no 10/2005), e reconheceu a própria Receita Federal, na IN SRF no 6/2000; e acrescentando que a Lei no 9.715/1998 revogou a Lei Complementar no 7/70, e que a cobrança também estaria com prazo decaído. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.025, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.901000/200962, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.025): "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Diante da imputação fiscal e das defesas apresentadas, há pouco a discutir no presente processo. Isso porque em nenhuma das peças de defesa a empresa informa, objetivamente, aquilo que foi intimada a esclarecer desde antes do início do contencioso: qual foi exatamente o recolhimento indevido e qual o motivo para que especificamente essa quantia seja considerada de fato indevida. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10120.905413/200835 Acórdão n.º 3401004.070 S3C4T1 Fl. 4 3 Enquanto a defesa se alonga em discussões de direito que, em geral, já estão pacificadas administrativa e judicialmente, não dedica uma linha sequer a informar como os valores que entende indevidos o são pela ocorrência, no caso concreto, de tais situações jurídicas genericamente descritas. Como bem destacou a instância de piso, a empresa jamais comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido, mesmo tendo sido intimada a tanto, na fase précontenciosa. Persiste, assim, a ausência de liquidez e certeza sobre o débito, ainda antes de se iniciar a discussão jurídica, que deixa de ser relevante, por não se saber, de forma peremptória, se é relacionada ao caso concreto aqui narrado. Não se desincumbe, assim, a postulante ao crédito, de seu ônus probatório, acreditando que as alegações de direito genéricas socorrem sua demanda, sem realizar qualquer esforço para vincular tais discussões jurídicas ao caso em análise, dotando de certeza e de liquidez o crédito. Em relação a alegação de decadência para cobrança, cabe destacar que não se está aqui a analisar lançamento, mas pedido de restituição, cumulado com compensação. E, como destacou a DRJ, a existência de Resolução do Senado reconhecendo eventual inconstitucionalidade é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional (REsp no 1.110.578SP, julgado na sistemática dos recursos repetitivos). Poderseia agregar aos argumentos de defesa, de ofício, o tratamento reconhecido aos pedidos administrativos pelo STF (RE no 566.621/RS) e pelo CARF (Súmula CARF no 91). No entanto, como destacado de início, a discussão sobre haver ou não expirado o prazo para pedir restituição se afigura secundária, diante da ausência de liquidez e certeza do crédito. E a comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.720120/2017-23
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
DEDUÇÃO. PREVIDÊNCIA PRIVADA.
Cabe o cancelamento da glosa efetuada quando o contribuinte apresenta documentação hábil e idônea que desqualifica as informações prestadas em DIRF pela fonte pagadora.
DEDUÇÃO. PENSÃO JUDICIAL.
É imprescindível para a validade do lançamento que a infração esteja adequadamente descrita e comprovada. Não pode subsistir a infração se o contribuinte não pode exercer plenamente seu direito de defesa.
DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. COMPROVAÇÃO PARCIAL
Todas as deduções pleiteadas na declaração de ajuste estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Comprovada documentalmente parte das deduções glosadas cabe o seu restabelecimento parcial.
Somente são dedutíveis as despesas médicas próprias do contribuinte, dos dependentes informados em sua Declaração de Ajuste e dos alimentandos, quando decorrentes de determinação/acordo judicial. Assim, cabe ao contribuinte comprovar quem são os beneficiários das despesas declaradas.
Numero da decisão: 2002-000.047
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento parcial, para cancelar integralmente as glosas das deduções de contribuição à previdência e de pensão alimentícia judicial e parcialmente a das despesas médicas (restabelece-se o montante de R$19.021,01, mantendo-se a glosa do valor de R$1.094,08).
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2015 DEDUÇÃO. PREVIDÊNCIA PRIVADA. Cabe o cancelamento da glosa efetuada quando o contribuinte apresenta documentação hábil e idônea que desqualifica as informações prestadas em DIRF pela fonte pagadora. DEDUÇÃO. PENSÃO JUDICIAL. É imprescindível para a validade do lançamento que a infração esteja adequadamente descrita e comprovada. Não pode subsistir a infração se o contribuinte não pode exercer plenamente seu direito de defesa. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. COMPROVAÇÃO PARCIAL Todas as deduções pleiteadas na declaração de ajuste estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Comprovada documentalmente parte das deduções glosadas cabe o seu restabelecimento parcial. Somente são dedutíveis as despesas médicas próprias do contribuinte, dos dependentes informados em sua Declaração de Ajuste e dos alimentandos, quando decorrentes de determinação/acordo judicial. Assim, cabe ao contribuinte comprovar quem são os beneficiários das despesas declaradas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento parcial, para cancelar integralmente as glosas das deduções de contribuição à previdência e de pensão alimentícia judicial e parcialmente a das despesas médicas (restabelece-se o montante de R$19.021,01, mantendo-se a glosa do valor de R$1.094,08). Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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DEDUÇÕES LEGAIS. PREVIDÊNCIA PRIVADA. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente VICENTE SACCO NETTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2015 DEDUÇÃO. PREVIDÊNCIA PRIVADA. Cabe o cancelamento da glosa efetuada quando o contribuinte apresenta documentação hábil e idônea que desqualifica as informações prestadas em DIRF pela fonte pagadora. DEDUÇÃO. PENSÃO JUDICIAL. É imprescindível para a validade do lançamento que a infração esteja adequadamente descrita e comprovada. Não pode subsistir a infração se o contribuinte não pode exercer plenamente seu direito de defesa. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. COMPROVAÇÃO PARCIAL Todas as deduções pleiteadas na declaração de ajuste estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Comprovada documentalmente parte das deduções glosadas cabe o seu restabelecimento parcial. Somente são dedutíveis as despesas médicas próprias do contribuinte, dos dependentes informados em sua Declaração de Ajuste e dos alimentandos, quando decorrentes de determinação/acordo judicial. Assim, cabe ao contribuinte comprovar quem são os beneficiários das despesas declaradas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 01 20 /2 01 7- 23 Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11040.720120/201723 Acórdão n.º 2002000.047 S2C0T2 Fl. 127 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento parcial, para cancelar integralmente as glosas das deduções de contribuição à previdência e de pensão alimentícia judicial e parcialmente a das despesas médicas (restabelecese o montante de R$19.021,01, mantendose a glosa do valor de R$1.094,08). Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 11040.720120/201723 Acórdão n.º 2002000.047 S2C0T2 Fl. 128 3 Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2015, ano calendário 2014, tendo em vista a apuração de deduções indevidas de despesas médicas, contribuição à previdência privada e pensão alimentícia judicial. O contribuinte apresentou impugnação (fls.2/30), alegando, em síntese: o comprovante de rendimentos juntado a sua defesa consigna o valor declarado por ele a título de contribuição à previdência privada; em relação à pensão judicial, indica a juntada de comprovante de rendimentos, bem como de decisão anterior da RFB, a qual reconheceu seu direito a dedução da pensão judicial para a filha até 3/12/2014; no tocante às despesas médicas, alega que o relatório de pagamentos emitido pela Unimed Pelotas comprova o pagamento do montante de R$12.154,27 em benefício de Noemi de Castro Gomes, excônjuge. o comprovante de rendimentos consigna o pagamento a Cassi do montante de R$7.960,82, relativo à plano de saúde e participação em consultas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) negou provimento à Impugnação (fls. 88/92). Cientificado dessa decisão em 7/11/2017 (fl.96), o contribuinte formalizou, em 16/11/2017 (fl.99), Recurso Voluntário (fls. 99/120), no qual apresenta as seguintes alegações: I) Previdência Privada Os contracheques juntados a sua defesa consignam a dedução da verba "PREVI CONT PESSOAL MENSAL", com valor de R$769,51. O somatório dessas verbas corresponde ao valor constante do comprovante de rendimentos, perfazendo o total de R$9.234,12, fazendo jus à dedução. Entende que seu direito não pode ser elidido pelo fato de a fonte pagadora ter apresentado uma DIRF retificadora dezoito meses após o encerramento do prazo para a entrega da Declaração de Ajuste, sem ter incluído essa informação. Reitera que os documentos juntados corroboram suas alegações e demonstram seu direito a deduzir o valor declarado. II) Pensão Alimentícia Diante da afirmação constante da decisão recorrida de que o comprovante juntado por ele fora superado pela apresentação da DIRF retificadora, acessou o sítio da fonte Fl. 128DF CARF MF Processo nº 11040.720120/201723 Acórdão n.º 2002000.047 S2C0T2 Fl. 129 4 pagadora e imprimiu novo comprovante, o qual corrobora o valor declarado, de R$41.659,19. Afirma que esse valor pode ser verificado também nos contracheques juntados. Ressalta que a divergência pode ser explicada pelo fato de a DIRF apresentada não incluir os valores de sua aposentadoria pagos pelo INSS. III) Despesas Médicas Defende que o comprovante de rendimentos por si só se revela hábil para lhe proporcionar a dedução dos valores ali consignados, relativos a plano de saúde e a parte de despesas com consultas não reembolsadas pelo plano. Cita a Solução de Consulta COSIT nº 173/2015, que esclareceu que os pagamentos à operadora de plano de saúde podem ser deduzidos da base de cálculo se comprovados por documentação hábil e idônea. Acrescenta que é de se presumir que a Cassi apresentou à RFB a Declaração de Serviços Médicos e de Saúde DMED, instituída pela IN RFB nº 985/2009. Em relação à Unimed, indica a juntada de documento complementar, contendo data, carimbo e assinatura do responsável pela sua emissão. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.122). É o relatório. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 11040.720120/201723 Acórdão n.º 2002000.047 S2C0T2 Fl. 130 5 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Contribuição à Previdência Privada A legislação tributária em vigor permite ao contribuinte deduzir, em sua declaração de ajuste anual, pagamentos efetuados a entidades de previdência privada destinados a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social, limitada essa dedução a 12% (doze por cento) do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos (Leis n.º 9.250/1995 e n.º 9.477/1997). No caso, a glosa do valor declarado foi justificada da seguinte forma (fl. 9): Em sua impugnação, o contribuinte indicou a juntada do comprovante de rendimentos à fl.15, consignando o valor deduzido por ele. A DRJ/SPO, nesse tocante, decidiu: O impugnante alega que não houve dedução indevida nem da previdência privada, e nem da pensão alimentícia judicial, conforme demonstraria o comprovante de rendimentos de fls.15, Fl. 130DF CARF MF Processo nº 11040.720120/201723 Acórdão n.º 2002000.047 S2C0T2 Fl. 131 6 emitido em 30/01/2015, pela fonte pagadora Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil. Todavia, o comprovante de rendimentos em questão foi superado pela apresentação de DIRF retificadora por parte da fonte pagadora, em 17/10/2016, conforme consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal, às fls.84/87. A partir da DIRF retificadora em questão, observase que: a) Não consta desconto de previdência privada e Fapi; b) Os valores de deduções de pensão alimentícia sobre os rendimentos tributáveis foram de R$5.787,73 (fls.85), e R$24.211,11 (fls.86), cujo somatório é R$29.998,84, ou seja, o valor reconhecido pela notificação de lançamento. Sendo assim, não há reparos a fazer às glosas de dedução indevida de previdência privada e de pensão alimentícia judicial. (destaques acrescidos) Agora, em seu Recurso, o contribuinte junta os contracheques mensais (fls.102/107) e novo comprovante de rendimentos (fl.108). Conforme apontado pelo contribuinte, consta de seus contracheques mensais a rubrica "PREVI CONT. PESSOAL MENSAL", com valor de R$769,51 para os doze meses, perfazendo o montante de R$9.234,12, valor que coincide com o consignado no comprovante de rendimentos de fl.108 (e também no de fl.15). Observase que o comprovante de rendimentos ora anexado foi obtido pelo contribuinte junto a sua fonte pagadora em 13/11/2017, ou seja, posteriormente à apresentação da DIRF retificadora. É certo que, a teor do artigo 73 do Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999 (RIR – Regulamento do Imposto de Renda), “ todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora”. Entretanto, diante das provas apresentadas pelo contribuinte e das informações conflitantes (DIRF retificadora x comprovante de rendimentos), entendo que caberia à autoridade fiscal diligenciar junto à fonte pagadora do contribuinte e dirimir as dúvidas existentes. Por que considerar que a DIRF tem maior força probante do que o comprovante juntado? Fato é que, no caso, os contracheques mensais corroboram as alegações do contribuinte e confirmam que ele sofreu desconto de contribuição à previdência mensalmente e, consequentemente, faz jus a compensar o valor declarado. Dessa feita, a glosa dessa dedução deve ser cancelada. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 11040.720120/201723 Acórdão n.º 2002000.047 S2C0T2 Fl. 132 7 Pensão Judicial Nos termos do art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999 e demais normas e suas alterações, indicadas na notificação de lançamento, a dedutibilidade do valor pago a título de pensão alimentícia está subordinada à comprovação da obrigação decorrente de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou mesmo de escritura pública (art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil) e também à comprovação dos pagamentos efetuados. Nesse tocante, a autuação registra: A DRJ/SPO decidiu: O impugnante alega que não houve dedução indevida nem da previdência privada, e nem da pensão alimentícia judicial, conforme demonstraria o comprovante de rendimentos de fls.15, emitido em 30/01/2015, pela fonte pagadora Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil. Todavia, o comprovante de rendimentos em questão foi superado pela apresentação de DIRF retificadora por parte da fonte pagadora, em 17/10/2016, conforme consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal, às fls.84/87. A partir da DIRF retificadora em questão, observase que: a) Não consta desconto de previdência privada e Fapi; b) Os valores de deduções de pensão alimentícia sobre os rendimentos tributáveis foram de R$5.787,73 (fls.85), e R$24.211,11 (fls.86), cujo somatório é R$29.998,84, ou seja, o valor reconhecido pela notificação de lançamento. Sendo assim, não há reparos a fazer às glosas de dedução indevida de previdência privada e de pensão alimentícia judicial. Do exame dos contracheques juntados pelo sujeito passivo (fls.102/107), verificase o desconto das rubricas "INSS P.A. FORA CONVENIO" E PENSÃO ALIMENTÍCIA S/ PREVI", que, somadas, totalizam R$41.658,60, uma diferença de R$0,58 para o valor consignado nos comprovantes juntados, de R$41.659,19 (fls.15 e 108), e deduzido pelo contribuinte. Do confronto entre as informações da DIRF e do comprovante de rendimento, constatase que a diferença entre o valor deduzido pelo sujeito passivo e aquele acatado pela autoridade fiscal decorre da pensão judicial paga sobre rendimentos com a tributação com a exigibilidade suspensa (fl.86). Fl. 132DF CARF MF Processo nº 11040.720120/201723 Acórdão n.º 2002000.047 S2C0T2 Fl. 133 8 Entretanto, a autoridade autuante não fez menção a tal fato e nem a decisão de piso, de tal forma que o contribuinte não apresentou defesa quanto a dedutibilidade da pensão paga sobre esses rendimentos. O sujeito passivo demonstra que foi descontado dos valores deduzidos por ele, contrapondose à acusação fiscal que limitouse a apontar o valor dedutível. A motivação do lançamento deve ser explícita e clara de modo a permitir a identificação da suposta irregularidade que acarretou a exigência imputada ao sujeito passivo, propiciando a ele a possibilidade de exercer na plenitude o seu direito constitucional de defesa e suprir as lacunas observadas pela autoridade fiscal nos documentos apresentados. Portanto, a glosa da pensão judicial deve ser cancelada. Despesas Médicas No tocante às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados (art. 73, do RIR/1999). A autuação consigna: Após reproduzir a legislação de regência, a decisão de piso aponta: No caso em tela, compulsandose os documentos trazidos pelo impugnante, observase que, às fls.15, consta um comprovante de rendimentos com as seguintes informações complementares: (i) CASSI – Caixa Assistência Funcionários BB –CNPJ 33.719.485/000127: R$6.866,74; e (ii) CASSI – Participação em consultas: R$1.094,08. Cumpre ressaltar que não houve a discriminação dos beneficiários dos pagamentos ao plano de saúde em questão, o que inclusive já havia sido solicitado pelo Termo de Intimação de fls.55, razão pela qual não se comprovou que as despesas médicas, no valores de R$6.866,74 e R$1.094,08, seriam relativas ao próprio tratamento do interessado e ao de seus dependentes. Acerca do documento de fls.27/28, intitulado “Relatório de Pagamentos –Exercício 2014”, com carimbo da UNIMED Fl. 133DF CARF MF Processo nº 11040.720120/201723 Acórdão n.º 2002000.047 S2C0T2 Fl. 134 9 Pelotas/RS, tratase de uma simples impressão, sem nenhuma assinatura de responsável, ou data de emissão, que não discrimina sequer o CPF do cliente e do beneficiário, e que veio desacompanhada de qualquer comprovante de efetivo pagamento por parte do contribuinte, como cheques, extratos bancários, ou recibos. Ademais, há uma contradição de valores entre os documentos trazidos pelo impugnante: enquanto que o relatório de pagamentos de fls.27/28 traz um valor total de R$11.983,97, por outro lado o relatório de pagamentos de fls.29 traz o valor de R$12.154,27. Sendo assim, não há elementos hábeis e suficientes para comprovar a despesa médica no valor de R$12.154,27. Em seu recurso, além dos contracheques mensais, o sujeito passivo apresentou partes do regulamento do plano de saúde Cassi (fls. 112/117). Em pesquisa ao sítio da instituição, confirmase que as disposições trazidas pelo contribuinte encontramse em vigor. Segundo esse documento, a contribuição é de 3% sobre o valor total dos benefícios de aposentadoria (artigo 35, inciso II`, à fl.116), o que confere com o valor descontado mensalmente do sujeito passivo. Constatase ainda que o plano não estabelece contribuição adicional por dependente. Assim sendo, entendo que o contribuinte faz jus a deduzir o valor de R$6.866,74, uma vez que esse seria o valor a ser pago por ele em seu benefício independentemente da existência de dependentes. Já quanto ao valor de R$1.094,08, consignado em seu comprovante de rendimentos como Cassi Participação em consultas, entendo que a glosa deve ser mantida. Tratase de valor pago em decorrência de atendimentos/procedimentos que, pela descrição desse documento, não se pode inferir quem são seus beneficiários e se são despesas passíveis de dedução. Nesse sentido, o contribuinte tinha a seu alcance os documentos pertinentes a comprovar a natureza e os beneficiários desses pagamentos e que foram solicitados desde o início da ação fiscal. Sem essa prova, a glosa deve ser mantida. No tocante à Unimed, o sujeito passivo já comprovara que estava obrigado ao pagamento do plano de saúde do excônjuge por força de decisão judicial. No documento de fl. 27, emitido por Unimed Pelotas/RS, consta que ele é o contratante e o beneficiário, o ex cônjuge. Considerando às divergências e falha da documentação apresentada na impugnação, o contribuinte juntou ao seu recurso o relatório de fl. 118, o qual noticia o pagamento ao plano de saúde do montante de R$12.154,27, em benefício do excônjuge. Assim, a glosa dessa despesa também deve ser cancelada. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 11040.720120/201723 Acórdão n.º 2002000.047 S2C0T2 Fl. 135 10 Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, no sentido de cancelar integralmente as glosas das deduções de contribuição à previdência e de pensão alimentícia judicial e parcialmente a das despesas médicas (restabelecese o montante de R$19.021,01, mantendose a glosa do valor de R$1.094,08). (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.723980/2011-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO PRESCRICIONAL.
O termo inicial do prazo prescricional para a ação de cobrança do crédito tributário dá-se a partir da data da sua constituição definitiva.
GANHO DE CAPITAL. IMÓVEIS.
As despesas de construção, ampliação ou reforma apenas podem ser incorporadas ao custo de aquisição do imóvel quando comprovadas com documentação hábil e idônea.
GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO.
Para fins de apuração do ganho de capital, o custo de aquisição do imóvel adquirido a partir do ano de 1996 não está sujeito à atualização ou correção monetária.
GANHO DE CAPITAL. BASE DE CÁLCULO.
Considera-se ganho de capital a diferença positiva entre o valor de alienação do imóvel e o respectivo custo de aquisição, observado a sistemática de cálculo da legislação tributária.
Numero da decisão: 2401-005.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS Recorrente MARIA FRANCISCA ÁVILA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007, 2008 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO PRESCRICIONAL. O termo inicial do prazo prescricional para a ação de cobrança do crédito tributário dáse a partir da data da sua constituição definitiva. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEIS. As despesas de construção, ampliação ou reforma apenas podem ser incorporadas ao custo de aquisição do imóvel quando comprovadas com documentação hábil e idônea. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Para fins de apuração do ganho de capital, o custo de aquisição do imóvel adquirido a partir do ano de 1996 não está sujeito à atualização ou correção monetária. GANHO DE CAPITAL. BASE DE CÁLCULO. Considerase ganho de capital a diferença positiva entre o valor de alienação do imóvel e o respectivo custo de aquisição, observado a sistemática de cálculo da legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 39 80 /2 01 1- 36 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 13603.723980/201136 Acórdão n.º 2401005.243 S2C4T1 Fl. 161 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 13603.723980/201136 Acórdão n.º 2401005.243 S2C4T1 Fl. 162 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS), por meio do Acórdão nº 0737.139, de 30/04/2015, cujo dispositivo tratou de considerar improcedente a impugnação da contribuinte, mantendo o crédito tributário exigido no processo administrativo (fls. 126/132): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007,2008 MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. No âmbito do Direito Tributário, vigora o instituto da responsabilidade objetiva por infrações à legislação tributária, segundo o qual não é permitida, exceto disposição legal em contrário, a perquirição acerca de elementos subjetivos da conduta, a fim de reduzir o montante da penalidade aplicável. CUSTO DE AQUISIÇÃO. VALORES INTEGRANTES. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Compete ao alienante comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, os elementos que compõe o custo de aquisição dos imóveis vendidos, sob pena de não serem a ele integrados. Impugnação Improcedente 2. Extraise do Termo de Verificação Fiscal, acostado às fls. 11/20, que o processo administrativo é composto, na origem, da exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF), relativamente aos anoscalendário de 2007 e 2008, acrescido de juros de mora e da multa de ofício proporcional de 75%, decorrente de ganho de capital em alienações imobiliárias a seguir discriminadas: (i) apartamento 101 do Edifício Leones, situado à Rua Leonis, nº 75, Bairro Jardim Riacho das Pedras, cidade de Contagem (MG), no mês de out/2007; (ii) apartamento 201 do Residencial Tanyso, situado à Rua São Paulo, nº 375, e Rua Goiás, nº 255, Bairro Espírito Santo, cidade de Betim (MG), no mês de abr/2007; (iii) lote 27, quadra 13 do Bairro Jardim Riacho das Pedras, cidade de Contagem (MG), no mês de mar/2007; e (iv) casa na Rua Artur Vilaça, nº 303, cidade de Crucilândia (MG), no mês de fev/2008. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 13603.723980/201136 Acórdão n.º 2401005.243 S2C4T1 Fl. 163 4 2.1 De acordo com os autos, a contribuinte é casada com Geraldo José Ávila, pelo regime de comunhão de bens, tendo os cônjuges efetuados a alienação dos imóveis sem apuração de ganho de capital. 2.2 Tratandose de alienação de bens comuns do casal, a fiscalização apurou os rendimentos produzidos na venda dos terrenos e construções na proporção de 50%, isto é, os valores tributáveis restaram divididos igualmente entre os cônjuges. O Auto de Infração encontrase juntado às fls. 02/10. 3. Com ciência pessoal do auto de infração no dia 28/10/2011, a contribuinte impugnou, em 25/11/2011, a exigência fiscal (fls. 03 e 113/115). 4. Intimada em 26/06/2015, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 133/136, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 27/07/2015, em que alega as seguintes questões de fato e direito contra a decisão de piso (fls. 138/141): (i) a cobrança do crédito tributário foi atingida pela prescrição, eis que proferida a decisão recorrida em abril de 2015, relativamente a fatos geradores dos anos de 2007 e 2008; (ii) os imóveis vendidos sofreram reforma e construção, cujos dispêndios do contribuinte foram ignorados na determinação do custo de aquisição para fins de ganho de capital; (iii) o custo de aquisição utilizado pela fiscalização não foi corrigido ou atualizado, além de que caberia observar no cálculo a metodologia do Custo Unitário Básico (CUB), adotado na determinação das contribuições previdenciárias incidentes nas obras de construção civil; e (iv) ainda que imóvel usado, cabe a aplicação da depreciação para a apuração do ganho de capital devido na alienação. É o relatório. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 13603.723980/201136 Acórdão n.º 2401005.243 S2C4T1 Fl. 164 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Preliminar 6. Em preliminar, o recorrente alega a ocorrência da prescrição do crédito tributário lançado. Sem razão, contudo. 7. De acordo com o art. 174 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN), é de cinco anos o prazo prescricional que atinge a ação de cobrança do crédito tributário, iniciando a contagem, porém, da data da sua constituição definitiva: Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. (...) 8. O auto de infração diz respeito a fatos geradores ocorridos nos meses de mar/2007, abr/2007, ago/2007 e fev/2008. O crédito tributário foi constituído quando da ciência do lançamento de ofício pelo sujeito passivo, que se deu em 28/10/2011, não havendo mais que se falar, a partir de então, em decadência, na medida em que a Fazenda Pública exerceu seu direito potestativo antes de escoado o lapso temporal de cinco anos a que alude o CTN (art. 150, § 4º, ou art. 173, inciso I). 9. Impugnado tempestivamente o lançamento pelo contribuinte, por meio da petição protocolada no dia 25/11/2011, instaurouse a fase litigiosa do procedimento, em que houve a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, podendo resultar, ao final, na alteração do lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo. Nesse sentido, o inciso I do art. 145 e o inciso III do art. 151, ambos do CTN: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; (...) Fl. 164DF CARF MF Processo nº 13603.723980/201136 Acórdão n.º 2401005.243 S2C4T1 Fl. 165 6 Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; (...) 10. Durante a fase contenciosa do processo administrativo fiscal, a Administração Tributária está impedida de exercer atos de cobrança, não fluindo, por consequência, o prazo prescricional. Somente após o término do processo administrativo fiscal, em que o crédito tributário estará definitivamente constituído, o que ainda não aconteceu no presente caso, começará a transcorrer o prazo prescricional de cinco anos para a Fazenda Pública buscar a satisfação do crédito na via judicial. 11. De mais a mais, não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal, consoante enunciado da Súmula nº 11 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Mérito 12. As despesas de construção, ampliação ou reforma do imóvel apenas podem ser incorporadas ao custo de aquisição do bem quando comprovadas com documentação hábil e idônea. 12.1 Todavia, em que pese oportunizado pela fiscalização a comprovação dos gastos e/ou investimentos nos imóveis, a contribuinte nada apresentou, nem mesmo um único recibo, nota fiscal ou declaração séria. 12.2 No curso do contencioso administrativo a situação mantevese inalterada. Os autos permanecem desprovidos de qualquer documentação comprobatória dos fatos que o interessado pretende fazer prevalecer no processo fiscal. 13. O custo dos imóveis adquiridos a partir do ano de 1996, como é a hipótese dos autos, não está sujeito à atualização ou correção monetária (art. 17, inciso II, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995). 14. Por sua vez, o agente lançador observou de modo escorreito a sistemática de cálculo do ganho de capital na alienação dos imóveis retromencionados, inexistindo previsão na legislação relativa ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Física para avaliar o custo de aquisição dos imóveis com base nas tabelas do CUB, divulgadas pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil, tampouco para aplicação de taxas de depreciação sobre os bens alienados pelo recorrente. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 13603.723980/201136 Acórdão n.º 2401005.243 S2C4T1 Fl. 166 7 15. Acertado o critério utilizado pela fiscalização, que considerou o ganho de capital como o resultado da diferença positiva entre o valor da alienação do imóvel, individualmente considerado, e o respectivo custo de aquisição (art. 3º, § 2º, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988). 16. Por derradeiro, identifico que para a apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda devido por ocasião das alienações dos bens imóveis, ocorridas posteriormente a 1º de dezembro de 2005, a autoridade lançadora atentou à aplicação de fatores de redução sobre o ganho de capital apurado (FR1 e FR2), na forma prevista na legislação tributária (art. 40 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, e Instrução Normativa SRF nº 599, de 28 de dezembro de 2005). 17. Em suma, o acórdão recorrido, proferido em primeira instância, não merece reforma. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, REJEITO a preliminar e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 166DF CARF MF
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Numero do processo: 13558.720813/2009-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL.
Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação.
Numero da decisão: 9202-006.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe deram provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões, quanto ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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DIFERENÇAS DE URV. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL. Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe deram provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões, quanto ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 72 08 13 /2 00 9- 10 Fl. 347DF CARF MF 2 Ana Paula Fernandes – Relatora (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício). Relatório Os presentes Recursos Especiais tratam de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte e pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2802001.733, proferido pela 2ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 139.460,18, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. O Contribuinte apresentou impugnação, de fls. 34/73. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, às fls. 80/86. O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, fls. 99 e ss., arguindo, em síntese: a) inexistência de conduta hábil à aplicação de multa de ofício, face à responsabilidade exclusiva da fonte pagadora e diante do efeito vinculante de Consulta Administrativa realizada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia; b) nulidade do lançamento, motivada pela forma inadequada de apuração da base de calculo do tributo lançado; c) não incidência do Imposto de Renda sobre os juros moratórios e/ou compensatórios; d) natureza indenizatória dos valores (diferenças de URV) pagos em atraso; e)da ilegitimidade da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado; e f) violação ao princípio constitucional da isonomia (art. 150, inciso II, da Constituição Federal). A 2ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 140/147, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para excluir dos rendimentos tributáveis a parcela de R$ 37.666,17 (trinta e sete mil, seiscentos sessenta e seis reais, dezessete centavos) Fl. 348DF CARF MF Processo nº 13558.720813/200910 Acórdão n.º 9202006.392 CSRFT2 Fl. 10 3 em cada anocalendário (tabela de fls. 20) e excluir do lançamento a multa de ofício. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006,2007 ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº. 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. IRPF. ABONO PERCEBIDO PELOS INTEGRANTES DA MAGISTRATURA DO ESTADO DA BAHIA (LEI ESTADUAL nº. 8.730, de 08 de setembro de 2003) As verbas percebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real, ainda que recebidas em virtude de decisão judicial, têm natureza salarial e, portanto, estão sujeitas à incidência de Imposto de Renda. Precedentes do C. STJ e deste E. Sodalício. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Por ocasião do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp. n.º 1.227.133 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel. para acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011, não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte. Às fls. 152 e ss., a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência, alegando divergência jurisprudencial em relação à Incidência de IR sobre os Juros Moratórios/Compensatórios. Enquanto a Turma “a quo” concluiu pela não incidência do IRPF sobre os valores correspondentes aos juros de mora aplicáveis sobre as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios URV” com amparo no REsp. Repetitivo n. 1.227.133, os acórdãos paradigmas entenderam diversamente, afirmando que esse recurso Fl. 349DF CARF MF 4 repetitivo que excluiu a exigência do IRPF sobre os juros de mora se aplica tão somente aos pagamentos efetuados em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista – devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho –, sendo, por conseguinte, perfeitamente cabível o IRPF sobre os juros devidos em virtude do pagamento em atraso das diferenças de remuneração ocorridas em razão da conversão de Cruzeiro Real para a URV. Às fls. 199/202, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à Incidência de IR sobre os Juros Moratórios/Compensatórios. Intimado à fl. 212, o Contribuinte, às fls. 217 e ss., apresentou Contrarrazões tecendo breve argumentação, requerendo, em síntese a inadmissão ou improvimento do Recurso Especial. Na sequencia, às fls. 228 e ss., o Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência, alegando divergência jurisprudencial em relação às seguintes matérias: 1. Violação à Súmula 02 do CARF e ao art. 62 do Regimento Interno – Afastamento de Legislação Tributária fundada em incompatibilidade com artigo da Constituição Federal. Alegou o Contribuinte em nenhum momento ter suscitado a inconstitucionalidade de lei. Arguiu que a irresignação consistiu, efetivamente, em não ser observada pela Fiscalização autuante a existência de Lei válida, que se encontra dotada de eficácia plena, pois até hoje não foi formalmente declarada qualquer inconstitucionalidade sobre a mesma. Apresentou acórdão paradigma em contrariedade ao acórdão recorrido e observou que em ambos os casos os Recorrentes não suscitaram ou requereram a declaração de inconstitucionalidade por parte do Conselho de Contribuintes. Entretanto, o acórdão recorrido afastou aplicação de Lei válida e eficaz por incompatibilidade com artigo da Carta Magna, ao passo que o acórdão paradigma deixou de apreciar a incompatibilidade suscitada em virtude de sua incompatibilidade. 2. Ilegitimidade da União Federal para figurar no pólo ativo da relação jurídicotributária. Arguiu o Contribuinte que a própria Procuradoria, por meio do Parecer da PGFN/CAT/Nº 1925/2008, mais especificamente no seu parágrafo 91, reconheceu sua total falta de interesse de agir. 3. Imprestabilidade da Base de Cálculo na forma em que se encontra – Lançamento que desconsiderou possíveis deduções e apresentou erro na sua construção. Após longa argumentação, o Recorrente observou que, para efeito de admissibilidade e para comprovar que este ilustre Conselho vem anulando autuações que tenha “erro de construção do lançamento”, trouxe o paradigma, no qual buscou demonstrar que, no caso em exame, o lançamento foi revisado após ter sido constituído e notificado o Contribuinte, ao passo que no paradigma a conclusão foi no sentido de nulidade justamente pela existência de erro na construção do lançamento. 4. URV – Parcelas de Natureza Indenizatória. Divergindo do acórdão recorrido, os paradigmas, em caso idêntico, concluíram pelo caráter indenizatório da parcela percebida a título de URV. 5. Não Incidência de Juros de Mora sobre o IR Cobrado. Arguiu que, caso seja decidido pela incidência do Imposto de Renda sobre Juros Moratórios, não deve incidir sobre aquele os juros de mora (tal qual foi excluída a multa de ofício), nos termos do art. 722 e conforme decisão juntada do Superior Tribunal de Justiça. Às fls. 318 e ss., a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO PARCIAL SEGUIMENTO ao recurso apenas em relação à terceira divergência arguida: URV – Parcelas de Natureza Indenizatória. Do Despacho de Exame de Admissibilidade, o Contribuinte foi intimado, conforme fl. 327. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 13558.720813/200910 Acórdão n.º 9202006.392 CSRFT2 Fl. 11 5 Às fls. 330 e ss., à Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões, requerendo, em síntese, o improvimento do Recurso Especial do Contribuinte, mantendose o acórdão proferido pela e. Turma a quo, nos quesitos objeto da presente insurgência. Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora Os Recursos Especiais interpostos pelo Contribuinte e pela Fazenda Nacional são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merecem ser conhecidos. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 139.460,18, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial em relação à Incidência de IR sobre os Juros Moratórios/Compensatórios. O Contribuinte igualmente insurgiuse, alegando divergência jurisprudencial no tocante à matéria: URV – Parcelas de Natureza Indenizatória. RECURSO DO CONTRIBUINTE IMPOSTO SOBRE A RENDA E INDENIZAÇÕES Pois bem, como dito a problemática consiste na questão da natureza atribuída a verba recebida pelo contribuinte, e para melhor deslinde da questão mister se faz analisar o enquadramento das indenizações perante a legislação do imposto sobre a renda. A interpretação dada pela Fazenda Nacional é a de que na medida em que a legislação federal, prevê expressamente a isenção ou nãotributação de certas verbas indenizatórias ( como as contempladas nos incisos IV e V do artigo 6° da Lei federal n. 7.713/88 ), então só estariam excluídas da incidência estas verbas; e por consequência, todas as demais verbas de caráter indenizatório não expressamente contempladas estariam sujeitas à tributação pelo imposto sobre a renda. Para os doutrinadores esta afirmação é incompatível com os dispositivos constitucionais e também as disposições do Código Tributário Nacional. Fl. 351DF CARF MF 6 Para Aliomar Baleeiro, " a renda se destaca da fonte sem empobrecêla", e Marco Aurélio Greco complementa: "indenizar é tornar" sem dano" aquele patrimônio; não é acrescêlo, é recompôlo ao que era antes do evento. Portanto, nestes casos, a indenização não é produto do capital e/ou do trabalho, nem acréscimo patrimonial, razão pela. qual está fora do âmbito de incidência do imposto sobre a renda". Isto significa que o fato de não haver na legislação federal regra expressa prevendo a não incidência de determinada indenização (com o perfil acima) não implica na sua tributação. Ao contrário, não há necessidade de regra neste sentido, pela singela razão de esta indenização não estar alcançada pela norma constitucional (art. 153, Ill). Por definição, está fora do âmbito material de incidência; logo, não precisa haver previsão neste sentido e as que existirem terão caráter explicitador, por vezes, resultantes de dúvidas surgidas quanto à natureza jurídica de determinada verba. O jurista citado ainda ensina que, "indenização que implique recomposição de patrimônio passado economicamente identificável (ou seja, sem haver acréscimo patrimonial), não configura hipótese de incidência do imposto sobre a renda. A verba paga é evento do mundo dos fatos que pode receber mais de uma qualificação jurídica a depender das circunstâncias que a cercam". A questão primordial a ser debatida aqui é saber a quem cabe afirmar a natureza jurídica de determinada verba para fins de enquadramento na legislação do imposto sobre a renda. Três situações podem ser identificadas: a) partes privadas (contratualmente ou por outro instrumento) qualificam determinada verba como de caráter indenizatório; b) o Poder Judiciário, no bojo da prestação jurisdicional, qualifica a verba como indenizatória; e c) a Lei qualifica a verba como indenizatória. Na medida em que a natureza jurídica é que determina a incidência ou não do imposto sobre a renda, importante compreender em quais hipóteses o Fisco Federal pode recusar a qualificação oriunda de qualquer das situações acima e afirmar a natureza não indenizatória da verba, de modo a deflagrar a incidência das regras do imposto. A terceira hipótese é a que nos importa no caso em tela, uma vez que o contribuinte em questão teve a natureza de sua verba declarada como indenizatória por meio de Lei Estadual. É de se destacar o fato de a qualificação indenizatória dada a verba foi editada pelo legislador através de uma lei específica. Toda lei goza de presunção de constitucionalidade. Caso se tratasse de uma lei federal, o Fisco também federal, não teria competência para afastar sua aplicabilidade, pois não lhe é dado substituirse ao legislador, nem tem competência para declarar a inconstitucionalidade de uma norma. Tratandose de lei estadual abrese o debate, pois a qualificação jurídica por ela veiculada tem o efeito de atribuir ao fato subjacente uma qualidade que por decorrência e em função do caráter de Direito de superposição de que se reveste o Direito Tributário repercute na aplicação da lei tributária federal, ao afastáIa no caso de indenizações (que não impliquem acréscimo patrimonial). Fl. 352DF CARF MF Processo nº 13558.720813/200910 Acórdão n.º 9202006.392 CSRFT2 Fl. 12 7 Daí a pergunta, que responde toda a problemática aqui veiculada,: pode a lei estadual interferir com a interpretação e aplicação da lei tributária federal? Embora pareça questão de fácil resolução, e a resposta pareça ser a simples alegação realizada pelo Fisco, de que não cabe a Lei estadual interferir nas hipóteses de incidência|(fato gerador) de tributo federal, penso que a questão envolve outros institutos jurídicos e concepções tributárias. Para alguns juristas, nos quais novamente cito Marco Aurélio Greco, a pergunta envolve um falso problema. Pois a questão efetiva não é esta, obviamente os Estados não têm competência para legislar sobre imposto sobre a renda. A questão legítima aqui discutida é, se o Fisco Federal pode afastar a qualificação jurídica de determinada verba que tenha sido atribuída por lei estadual válida no ordenamento jurídico. E aqui neste ponto, sem dúvida a resposta é não, por força da presunção de constitucionalidade de que se reveste toda lei. Portanto, enquanto subsistir o preceito normativo, o Fisco federal não possui competência para afastar a qualificação jurídica ali contida. Para afastála é preciso, previamente, buscar a declaração da sua inconstitucionalidade, o que não pode ser realizado pelo Poder Executivo, sem a chancela do Poder Judiciário. Ainda que a alegação do fisco fosse de que o preceito nela contido é manifestamente inconstitucional. por dispor sobre matéria que não cabe ao Estado regular ou se seu conteúdo contiver disciplina inequivocamente conflitante com o ordenamento, a ponto de configurar aquilo que a jurisprudência denomina de "ato teratológico", não é o que ocorre no caso em tela, pois a disposição sobre a verba submetida ao regime estatutário é de plena competência do ente estadual. Assim, não há que se falar que a Lei Complementar n. 20/2003 ou a Lei n. 8.730/2003, possua qualificação jurídica teratológica que possa afastar de plano sua aplicabilidade. Assim, além da presunção de constitucionalidade de que se revestem as leis em referência, elas dispõem sobre matéria que compete aos Estados regular, por dizer respeito ao funcionamento das respectivas Instituições. Portanto, não é estranho que seja a lei a reconhecer a natureza jurídica de determinada verba, à luz do contexto do respectivo regime estatutário, conforme previsão expressa do § 11 do artigo 37, CF, que é explícito ao prever que: “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) XI a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicandose como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Fl. 353DF CARF MF 8 Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (...) § 11. Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios de que trata o inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei." (grifo nosso) Ou seja, podem existir pagamentos a agentes públicos que tenham caráter indenizatório, desde que as respectivas parcelas estejam previstas em lei. Ora, se tais parcelas podem existir, a própria lei também pode afirmar esse caráter, "especialmente" em relação a verba submetida ao regime estatutário. Ad argumentandum tantum, ainda há que se salientar que, sendo da competência dos Estados definir a natureza de tais verbas, ainda é também de sua competência a responsabilidade pela retenção do imposto na fonte e consequentemente é de sua titularidade o direito de cobrála. Contudo até o presente momento não vemos no Estado da Bahia nenhuma menção neste sentido. Assevera, Marco Aurélio Grecco, que a CF/88, a titularidade não é sobre o resultado material da atividade de reter, mas é sobre todo aquele imposto que de acordo com a legislação pertinente deva ser submetido ao regime de retenção na fonte. Esta titularidade é atribuída em caráter exclusivo ao Estado o que afasta qualquer interesse ou pretensão por parte da União. Vale dizer, se determinada verba, pela sua natureza, deve submeterse à retenção, o simples fato de esta ser a respectiva qualificação, afasta por si só a titularidade da União. Ou seja, a União não tem titularidade sobre a parcela do imposto sobre a renda na fonte que incidir (juridicamente) na fonte. A circunstância de haver ou não no plano fático a retenção não modifica esta qualificação jurídica da titularidade sobre esse montante, posto que a qualificação advém diretamente da CF/88 e a eventual inação do Estado em reter não configura transferência de titularidade à União; nem doação a seu favor de verba que pertence ao Estado, Daí a conclusão de que, em relação ao imposto incidente na fonte, a relação jurídica que se instaura é entre o contribuinte e Estado, diretamente, sem qualquer mediação da União. A União editou a lei que dispõe sobre o tratamento tributário das diversas verbas que o contribuinte pode auferir. Mas, em relação àquelas que, por sua natureza, devam se submeter à retenção na fonte, o respectivo imposto pertence integral e exclusivamente ao Estado. Por fim o julgamento do caso em tela implica na aplicação de princípio basilar do Direito Administrativo, qual seja o respeito a legalidade. Assim, enquanto a Administração Pública só pode fazer o que está previsto em lei, ao Administrado, no caso em tela Contribuinte, é possível fazer tudo aquilo que não é proibido. Ainda, para Hely Lopes Meirelles: Na Administração Pública não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza” (MIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 30. Ed. São Paulo: Malheiros, 2005). A Legalidade é intrínseca a ideia de Estado de Direito, pensamento este que faz que ele próprio se submeta ao direito, fruto de sua criação, portanto esse é o motivo desse princípio ser tão importante, um dos pilares do ordenamento. É na legalidade que cada Fl. 354DF CARF MF Processo nº 13558.720813/200910 Acórdão n.º 9202006.392 CSRFT2 Fl. 13 9 indivíduo encontra o fundamento das suas prerrogativas, assim como a fonte de seus deveres. A administração não tem fins próprios, mas busca na lei, assim como, em regra não tem liberdade, escrava que é do ordenamento. O Princípio da Legalidade é uma das maiores garantias para os gestores frente o Poder Público. Ele representa total subordinação do Poder Público à previsão legal, visto que, os agentes da Administração Pública devem atuar sempre conforme a lei. Assim, o administrador público não pode, mediante mero ato administrativo, conceder direitos, estabelecer obrigações ou impor proibições aos cidadãos. A criação de um novo tributo, por exemplo, dependerá de lei. Do mesmo modo, a limitação de direitos não poderá ser feita por via de interpretação mais gravosa que aquela propriamente estabelecida na norma. Na fiscalização, o Princípio da Legalidade possui atividade totalmente vinculada, ou seja, a falta de liberdade para a autoridade administrativa. A lei define as condições da atuação dos Agentes Administrativos, determinando as tarefas e impondo condições excludentes de escolhas pessoais ou subjetivas. Por fim, esse princípio é vital para o bom andamento da Administração Pública, sendo que ele coíbe a possibilidade do gestor público agir por conta própria, tendo sua eficácia através da execução jurídica dos atos de improbidade, evitando a falta de vinculação à norma e, principalmente, a corrupção no sistema. Essa preocupação se faz constante para que seja atingido o objetivo maior para o país, o interesse público, através da ordem e da justiça. No caso em tela, entendo que não houve por parte do Estado da Bahia uma intromissão quanto ao tributo federal de competência da União imposto de renda pessoa física. Mas que houve sim, uma natureza indenizatória dada a verbas oriundas do regime estatutário daquele Estado, as quais são de competência exclusiva do mesmo, responsável por gerir e organizar seu Regime Próprio de Trabalho e Previdência. A existência destas leis legitimou o agir do contribuinte, que exerceu direito que lhe foi conferido por lei. Lei esta emitida por Ente participante da Administração Pública, face ao pacto federativo constitucionalmente imposto. Desse modo, por melhor que seja a construção jurídica utilizada pela Receita Federal, afastar a legalidade ou a constitucionalidade de norma válida no ordenamento jurídico prescinde de um conjunto de medidas dispostas na Constituição Federal, as quais não contemplam a possibilidade do Fisco, ou até mesmo do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, negar validade ou aplicabilidade. Observo que o controle de constitucionalidade pode ser realizado de modo preventivo (antes de a lei entrar em vigor) pelo Poder Legislativo ou de modo repressivo (a lei já está em vigência e deve ser expulsa do ordenamento), em regra, no Brasil, é jurisdicional, logo pelo Poder Judiciário na modalidade concentrado ou difuso. Assim resume Zeno Veloso: (...) O controle jurisdicional da constitucionalidade, no Brasil, utiliza o método concentrado, sendo o controle abstrato, em tese, através de ação direta, a ser julgada pelo Supremo Tribunal Federa, tendo por objeto leis e atos normativos federais e estaduais, em confronto com a Constituição Federal, que nos Estadosmembros, compete aos Tribunais de Justiça, tendo por objeto leis e atos normativos estaduais e municipais, em face da Constituição estadual. Servimonos, também, do controle difuso, concreto, incidenter tantum, exercido por qualquer órgão, singular ou coletivo, do Poder Judiciário.(VELOSO, Zeno. p. 35) Fl. 355DF CARF MF 10 Assim, resta evidente que no caso em apreço, ainda que fosse caso de não aplicar a natureza jurídica dada a verba por lei, esta seria de exclusiva competência do Poder Judiciário, pois por uma questão de competência constitucional, legal e regimental, este Tribunal Administrativo não pode afastar a constitucionalidade de Lei. Ressaltese aqui, a clara diferenciação entre o poder dever dos julgadores no âmbito judicial e administrativo. Enquanto o juiz é dotado de equidade, o conselheiro do Tribunal Administrativo é dotado de obediência ao princípio da legalidade. Contudo, compreendo que a melhor solução da questão não prescinde de Juízos de constitucionalidade, vez que conforme explanado acima, a natureza das verbas percebidas pelo contribuinte foram legitimamente declaradas indenizatórias por força de lei estadual, sendo que conforme previsão constitucional é da competência do Ente Federado responsável pelo Regime estatutário fazêlo, não usurpando assim competência da União para declarar as hipóteses de incidência do imposto de renda pessoa física, a quem coube determinar que o imposto era devido sobre verbas remuneratórias, excluindo as indenizatórias, sem no entanto, ser responsável por determinar quais verbas são de uma natureza ou de outra. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte para afastar a incidência do imposto de renda sobre as parcelas pagas a Agentes Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV, as quais tem natureza claramente indenizatória. RECURSO DA FAZENDA NACIONAL O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial em relação à Incidência de Imposto de Renda sobre juros de mora. A questão merece debate, pois está longe de ter entendimento unânime no Tribunal Administrativo. A Fazenda Nacional sustenta a regularidade do auto de infração, pois defende que a interpretação correta do Repetitivo de Controvérsia RE 1227.133/RS, é a de que imposto de renda não incide sobre os juros de mora em apenas duas hipóteses. A primeira é condenação judicial no contexto de perda de emprego ou rescisão contratual. A segunda hipótese ocorre quando a verba principal for isenta ou estiver fora do campo de incidência do imposto de renda. Sustenta assim que no caso em análise, a verba principal tem nítido caráter salarial, uma vez que corresponde a diferenças de remuneração ocorridas na conversão de Cruzeiro Real para URV. Se os valores recebidos têm natureza salarial, os juros moratórios, necessariamente, terão a mesma natureza, conforme dispõe o art. 92 do novo Código Civil (Lei nº 10.406, de 10/02/2002). Por sua vez a Contribuinte defende a não incidência do Imposto de Renda sobre os valores recebidos a título de juros. Segundo o entendimento do Recorrente, invariavelmente, os juros de mora possuem natureza indenizatória, pois sua função é a de recompor dano ao patrimônio do beneficiário que deixou de receber no tempo certo valor que lhe seria devido. Sendo assim, insurgese contra o auto de infração, pois partindo do pressuposto de que a verba é isenta, estaria esta fora do campo de incidência do imposto de renda. O acórdão recorrido seguiu neste sentido: Fl. 356DF CARF MF Processo nº 13558.720813/200910 Acórdão n.º 9202006.392 CSRFT2 Fl. 14 11 "Os juros moratórios em questão não são destinados à recomposição de um dano emergente, mas sim à compensação por algo que se deixou de ganhar, em razão do atraso do pagamento da parcela principal. Têm, pois, natureza de indenização por lucros cessantes, ou seja, indenização com caráter de compensação. É, portanto, evidente o acréscimo patrimonial deles decorrente, já que não se destinam a reparar nenhum dano emergente, mas sim lucros cessantes. Dessa forma, constatado que os valores decorrentes da incidência dos juros moratórios se subsumem à hipótese descrita no artigo 43 do CTN (acréscimo patrimonial), não pode haver dúvidas a respeito da incidência do IR.” Tratase de entendimento compartilhado pelos mais renomados juristas, valendo citar parte do artigo publicado pelo Professor Hugo de Brito Machado, na Revista Dialética de Direito Tributário nº 215 (p. 115/116): Não há dúvida quanto à natureza indenizatória dos juros de mora. A expressão juros moratórios, que é própria do Direito Civil, designa a indenização pelo atraso no pagamento da divida. O Código Civil de 1916 estabelecia que as perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, consistem nos juros de mora e custas, sem prejuízo das pena convencional. E o Código Civil vigente estabelece: "Art. 404. As perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, serão pagas com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, abrangendo juros, custas e honorários de advogados, sem prejuízo da penas convencional. Parágrafo único: Provado que os juros de mora não cobrem o prejuízo, e não havendo pena convencional, pode o juiz concede ao credor indenização complementar." Com se vê, o legislador previu que o não recebimento nas datas correspondentes dos valores me dinheiro aos quais se tem direito implica prejuízo. (...) Não se trata de lucro cessante, nem de dano simplesmente moral, que evidentemente também podem ocorrer. Tratase de perda patrimonial efetiva, decorrente do não recebimento, nas datas correspondentes, dos valores aos quais tinha direito. Perda que o legislador presumiu e tratou como presunção absoluta que não admite prova em contrário, e cuja indenização com juros de mora independe de pedido do interessado. Sendo assim, os valores recebidos a título de juros moratórios não estariam sujeitos ao imposto, afinal o conceito de renda e proventos pressupostos pela Constituição Federal, exigem a ocorrência de um acréscimo patrimonial experimentado ao longo de um Fl. 357DF CARF MF 12 determinado período de tempo, o que conforme anteriormente exposto não ocorre no presente caso concreto. Cito aqui posicionamento adotado pelo Conselheiro Gerson Guerra, em relação à incidência do IRPF sobre juros moratórios "é importante destacar, que o acessório segue o principal. Nesse contexto, aplicase o que decidido pelo STJ (NUMÉRO DO RESP), fundamentado no artigo 543C, do antigo Código de Processo Civil", no seguinte sentido: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido. Ressalto aqui que não desconheço a existência de Repercussão Geral sobre o tema, conforme esposado pela conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri: Destaco que o Supremo Tribunal Federal ainda não firmou sua posição em relação ao assunto, haja vista estar pendente de julgamento o Recurso Extraordinário nº 855.091, recebido sob o rito da Repercussão Geral sob o Tema 808 Incidência de imposto de renda sobre juros de mora recebidos por pessoa física, processo por meio do qual questionase a constitucionalidade dos dispositivos acima descrito. Em que pese concordar com os argumentos acima, entendo que a norma regimental prevista no art. 62 do RICARF me impede de deixar de aplicar o que determina o art. 6 da Lei 4.506/1964: “Art. 16. serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado tôdas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções referidos no artigo 5º do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: (...) Parágrafo único. Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo.” (Grifamos) Tal dispositivo está reproduzido no art. 43, § 3º do Decreto 3.000/99 (RIR): “Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como Fl. 358DF CARF MF Processo nº 13558.720813/200910 Acórdão n.º 9202006.392 CSRFT2 Fl. 15 13 (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): (...) § 3º Serão também considerados rendimentos tributáveis a atualização monetária, os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, parágrafo único).” Contudo a meu ver acredito que o encaminhamento a essa questão deva ser dado de modo diverso. Considerando a existência de Repetitivo de controvérsia atinente a questão, e que, este não foi sobrestado ao tema 808 admitido em sede de repercussão geral, por se tratar de julgado anterior a admissão deste é caso de se aplicar o repetitivo até posterior julgamento da repercussão geral. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional para no mérito quanto a incidência de IRPF sobre juros moratórios negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada Em julgamento os Recursos Especiais do Contribuinte e da Fazenda Nacional. Peço vênia para divergir do voto da Ilustre Conselheira Relatora, no que tange ao mérito de ambos os apelos. Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em trinta e seis parcelas, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003. A matéria não é nova neste Colegiado. Quanto ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, este visa rediscutir a não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória. Fl. 359DF CARF MF 14 As verbas ora analisadas constituem diferenças salariais verificadas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real, portanto tais valores referemse a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, o objetivo da ação judicial e/ou da lei do estado da Bahia foi simplesmente pagar ao Contribuinte aquilo que antes deixou de ser pago, que nada mais é que salário, portanto de natureza tributável. Assim, o recebimento da verba ora tratada configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeitase à incidência do Imposto de Renda, consoante dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. O dispositivo legal acima não deixa dúvidas acerca da abrangência da tributação do Imposto de Renda, abarcando qualquer evento que se traduza em aumento patrimonial, independentemente da denominação que seja dada ao ganho. Seguindo esta linha, a Lei nº 7.713, de 1988, assim dispõe: "Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (...) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...)” (grifei) Fl. 360DF CARF MF Processo nº 13558.720813/200910 Acórdão n.º 9202006.392 CSRFT2 Fl. 16 15 Quanto à alegação de violação ao princípio da isonomia, o Contribuinte traz à baila o fato de que o Supremo Tribunal Federal, em sessão administrativa, atribuiu natureza indenizatória ao Abono Variável concedido aos membros da Magistratura da União pela Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN nº 529, de 2003, manifestou entendimento no sentido de que a verba em tela não estaria sujeita à tributação. Entretanto, a Resolução nº 245, do STF, bem como o Parecer da PGFN, se referem especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União pela Lei nº 10.474, de 2002; e o que se discute no presente processo é se tal entendimento deve ser aplicado à verba recebida pelos membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Primeiramente, verificase que a posição do Supremo Tribunal Federal – STF sobre a natureza do Abono Variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, assim, não se trata de uma decisão judicial, cujos efeitos são bem distintos dos de uma resolução administrativa. Destarte, obviamente que a Resolução do STF nunca vinculou a Administração Tributária da União. Com o advento do Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, portanto com força vinculante em relação aos Órgãos da Administração Tributária, concluiuse que o Abono Variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, teria natureza indenizatória. Entretanto, dito parecer é claro quanto aos limites desse entendimento, conforme será demonstrado na sequência. O parecer destaca que o Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do Imposto de Renda. Após, faz a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direito, ele tem natureza indenizatória. Ainda segundo o parecer da PGFN, seria este o entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de 2002, relativamente ao abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Assim, claro está que o Parecer da PGFN somente reconheceu a natureza indenizatória do Abono Variável, previsto nas Leis nºs 9.655, de 1998, e 10.474, de 2002, acolhendo entendimento do STF, no sentido de que tal verba destinarseia a reparar direito. Destarte, a Resolução nº 245, do STF, não possui efeitos de decisão judicial, e o Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, apenas reconhece a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF quanto à natureza reparatória, especificamente para esse abono. Portanto, ambos os atos alcançam apenas o abono previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a Resolução nº 245, do STF, excluiu do abono a verba referente à diferença de URV, o que evidencia que esta não tem natureza indenizatória, mas sim de recomposição salarial. Confirase a manifestação Superior Tribunal de Justiça, por meio de voto da Ministra Eliana Calmon, reconhecendo a falta e identidade entre o abono salarial tratado na Resolução e as diferenças de URV: Fl. 361DF CARF MF 16 “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E também o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão no Recurso Extraordinário n.º 471.115: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Assim, não há como estenderse o alcance dos atos legais acima referidos para verbas distintas, concedidas para outro grupo de servidores, por meio de ato específico, diverso daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Com efeito, a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II, do art. 111, do CTN. Ademais, o mesmo código veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação supostamente semelhante, o que implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º, do art. 150, da Constituição Federal, e o art. 176, do CTN. Destarte, a verba em exame deve ser efetivamente tributada. Quanto ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, este visa rediscutir a incidência de Imposto de Renda sobre a verba recebida a título de juros de mora. A esse respeito, a decisão do Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C, do CPC, é no sentido de que tal exoneração estaria restrita aos casos de pagamento a destempo de verbas trabalhistas, recebidas no contexto de rescisão do contrato de trabalho ou quando a verba principal for isenta ou encontrarse fora do campo de incidência do Imposto de Renda. Confirase: "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidou se o entendimento no sentido de que 'não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla.' Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, Fl. 362DF CARF MF Processo nº 13558.720813/200910 Acórdão n.º 9202006.392 CSRFT2 Fl. 17 17 esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que 'os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei'. 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido.(AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg nos REsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012) Da análise do julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, verificase que são isentos do imposto de renda os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”. (grifei) Assim, uma vez que as verbas ora tratadas diferenças de URV não foram recebidas no contexto de rescisão de contrato de trabalho, tampouco foram consideradas isentas de Imposto de Renda, não há que se falar que os juros de mora sobre elas incidentes estariam livres de tributação. Destarte, tratandose de verba principal tributável diferenças de URV obviamente que a verba paga a título de juros de mora segue a mesma natureza da verba principal a que os acessórios se referem. É o que determina o art. 55, inciso XIV, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000, de 1999): “Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): Fl. 363DF CARF MF 18 (...) XIV. os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis;” Assim, a verba recebida a título de juros de mora, tal como a verba principal, deve efetivamente sofrer a incidência do Imposto de Renda. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e, no mérito, negolhe provimento. Quanto ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, dele conheço e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 364DF CARF MF
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Numero do processo: 13804.004033/99-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1996, 1997, 1998
DECADÊNCIA. PRAZO. DIES A QUO. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O prazo decadencial do direito ao pleito da restituição de indébito tributário ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito tributário pelo pagamento, inclusive, na hipótese de o indébito ter origem em declaração de inconstitucionalidade.
PREJUDICIAIS AFASTADAS. ANÁLISE DE MÉRITO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.
Afastadas as prejudiciais à análise de mérito suscitadas pelo julgador a quo e aceita excepcionalmente a alteração da causa de pedir do pleito de compensação, determina-se à autoridade administrativa que analise o mérito do direito creditório alegado.
Recurso Voluntário provido em parte
Numero da decisão: 3402-004.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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AGRO MERCANTIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1996, 1997, 1998 DECADÊNCIA. PRAZO. DIES A QUO. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O prazo decadencial do direito ao pleito da restituição de indébito tributário ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito tributário pelo pagamento, inclusive, na hipótese de o indébito ter origem em declaração de inconstitucionalidade. PREJUDICIAIS AFASTADAS. ANÁLISE DE MÉRITO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Afastadas as prejudiciais à análise de mérito suscitadas pelo julgador a quo e aceita excepcionalmente a alteração da causa de pedir do pleito de compensação, determinase à autoridade administrativa que analise o mérito do direito creditório alegado. Recurso Voluntário provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 40 33 /9 9- 83 Fl. 1727DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em São Paulo (SP), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, não homologando os encontros de contas assinalados nas declarações de compensação, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1996, 1997, 1998 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DECISÃO CIENTIFICADA AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Decidido o pleito em declaração de compensação e disto dado ciência ao Contribuinte, não se admite aproveitar daquele processado para, por via de nova declaração de compensação e de modo indireto, lá pleitear alteração/retificação de aspecto que seja. D’outra ainda, visto tal segundo pleito autonomamente, contra este continuam a correr os prazos preclusivos do direito (na espécie, o prazo decadencial como previsto nos arts. 165 e 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, c/c art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005), de ordem que não aproveita ao Contribuinte na segunda oportunidade, repitase a situação que lhe ficou assegurada contra o transcurso do prazo decadencial, isso quando do processado compensatório original. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Originalmente versavam os autos sobre pedidos de restituições do IR sobre receitas financeiras retido no anocalendário de 1998, bem como de compensações desses valores com outros débitos. Os pleitos da contribuinte foram indeferidos mediante o Despacho Decisório das efls. 382/384, vez que os valores eventualmente devidos mensalmente por estimativa não foram corroborados por documentação fiscal comprobatória, não restando confirmado se o IR retido na Fonte seria efetivamente superior ao IR devido. No entanto, tal Despacho decisório foi declarado nulo pelo ACÓRDÃO DRJ/SPOI N° 5.853, de 09 de setembro de 2004. Posteriormente foi proferido novo Despacho Decisório (efls. 679/682) com o deferimento parcial do pedido de restituição e homologação das compensações até o limite do valor do direito creditório reconhecido, do qual a contribuinte foi cientificada em 02/02/2005. Posteriormente, a autoridade administrativa intimou a contribuinte a quitar os débitos em cobrança final no processo 13807.010353/200254, no prazo de 15 (quinze) dias, findo o qual, caso não houvesse manifestação, o crédito apurado seria utilizado para compensação de ofício com os débitos em aberto, conforme dispunha a IN SRF nº 460/04, sem prejuízo da continuidade da cobrança de eventual saldo devedor a ser quitado. A contribuinte foi cientificada dessa intimação em 18/01/2006 e declarou a aquiescência com o procedimento de compensação de ofício (efl. 721). Na sequência, a DRF efetuou o despacho de arquivamento do processo. Fl. 1728DF CARF MF Processo nº 13804.004033/9983 Acórdão n.º 3402004.975 S3C4T2 Fl. 1.728 3 Ocorre que, a partir de 09/12/2005, a contribuinte transmitiu várias declarações de compensação, nas quais alega direito creditório decorrente dos presentes autos, razão pela qual foi proferido outro Despacho Decisório (efls. 986/990), nos seguintes termos: (...) 3. Em novo Despacho Decisório às fls. 630 a 633, foi reconhecido direito creditório acumulado de 1993 a 1998. Esse crédito foi empregado na compensação de diversos débitos conforme informação do Sincor/Profisc (extrato às fls. 667 a 670). Entretanto, como foi constatada a existência de outros débitos da interessada, esta foi intimada a se manifestar quanto ao emprego de saldo existente para a liquidação destes débitos (fls. 672). 4. Desta forma, o saldo remanescente foi empregado nos débitos ainda em aberto ligados ao processo n° 13807.010.353/200254, com a aquiescência do contribuinte em 18/01/2006 (fls. 672), fato que exauriu todo crédito reconhecido, conforme se verifica em pesquisas no sistema Sief às fls. 662 a 685, cujos extratos registram a inexistência de qualquer crédito que possa ser empregado em compensações. Desta forma, constatase que todo crédito possível apurado neste processo já foi exaurido em compensações, por conseguinte, proponho que NÃO SEJAM HOMOLOGADAS as compensações informadas nos Per/Dcomps de números: (...) A partir da ciência deste despacho fica o contribuinte intimado a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, o pagamento dos débitos indevidamente compensados, facultada a apresentação de Manifestação de Inconformidade no prazo referido. Caso não haja pagamento nem apresentação da Manifestação de Inconformidade no prazo acima, os débitos serão encaminhados à PFN, para inscrição em Divida Ativa da União, conforme artigo 17 da Lei n° 10.833/03. (...) A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em face deste último Despacho Decisório, alegando, em síntese: Deveria ser reconsiderada a extinção por compensação de débitos de sua responsabilidade e pertinentes à Contribuição ao PIS e à Cofins, para os períodos de apuração compreendidos entre e inclusive 11/2000 a 08/2001, tendo em vista que, no cálculo dos referidos débitos, fizera incluir em suas bases de cálculo “receitas financeiras e variações ativas”, as quais não se compreenderiam no conceito de receita bruta e/ou faturamento, conforme veio de firmar o Supremo Tribunal Federal quando decidiu pela inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Com isso, no momento em que se implementam as compensações pleiteadas, haveria um equívoco: terseia gasto mais crédito da contribuinte – do que o necessário, certo que os débitos de Contribuição ao PIS e de Cofins, excluído o efeito do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, não se apresentariam na monta que originalmente indicados nos pedidos de compensação. Fl. 1729DF CARF MF 4 Assim, a partir de 09/12/2005, sabendo que o Supremo Tribunal Federal já reconheceu a inconstitucionalidade do art. 3° da Lei n° 9.718/98 para determinar que a base de cálculo do PIS e da COFINS não incidiria sobre as receitas financeiras e variações monetárias ativas, a contribuinte transmitiu declarações de compensação baseados nos valores recolhidos a maior de PIS e COFINS referentes aos períodos de dezembro de 2005, março de 2006, abril a setembro, novembro e dezembro de 2009 e fevereiro e março de 2010, para serem compensados com débitos de sua titularidade. A Delegacia de Julgamento não acatou os argumentos da manifestante, sob os seguinte fundamentos: O fundamento de direito colacionado pelo Contribuinte é procedente: não tem espaço no ordenamento jurídico brasileiro o que disposto no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, mas desde que ainda não consolidada a situação decorrente de sua aplicação, isso em função das formas preclusivas do Direito. Decidido o pleito compensatório e disto cientificado o Contribuinte, sobre ele não cabe mais tencionar qualquer retificação, ainda que pela via indireta, como ora se intenta. De novo: as declarações de compensação transmitidas (via programa PER/DCOMP) em 09/12/2005, 10/03/2006, 20/04/2009, 20/05/2009, 26/05/2009, 29/05/2009, 15/06/2009 e 30/06/2009 (como listadas à fl. 984; referidas pelo despacho recorrido de fls. 986/990; mencionadas pelo Contribuinte às fls. 1024/1025), tencionam, indiretamente, modificar o que já analisado, decidido e cientificado, em 02/02/2005, ao Contribuinte em pregresso pleito compensatório (aquele de fls. 111, 132/134, 136, 142/143 e 158/159, formalizado em 13/03/2001, 10/08/2001 e 25/09/2001). Além disso, não é possível pleitear, a partir de 09/12/2005 (datas das transmissões das últimas PER/DCOMP's), ainda que indiretamente e em autos distintos daqueles em que processado o primeiro pleito compensatório, qualquer alteração/retificação sobre este, isso porque já transcorrido o prazo decadencial, tomado por referência os anos de formação do alegado direito creditório, isto é, anoscalendário de 1996 a 1998. Mais que ultrapassado o prazo dos arts. 165 e 168 do CTN, c/c art. 3º da LC nº 118, de 2005, considerados, numa ponta, os anoscalendário de 1996/1998 e, n’outra extremidade, a data em que formalizada a primeira das declarações de compensação como listadas à fl. 984, referidas pelo despacho recorrido de fls. 986/990, mencionadas pelo Contribuinte às fls. 1024/1025, isto é, 09/12/2005. E, observese ainda mais, que na presente vertente a decadência é ocorrente mesmo considerado o julgado que ganha corpo (ainda não há trânsito em julgado) nos autos do RE sob nº 566.621, no âmbito do qual o STF reconheceu a repercussão geral da matéria ali tratada. Até então vem de se decidir pela inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC nº 118, de 2005, mas considerandose válida a fixação do termo a quo como previsto pelo seu art. 3º às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 28/05/2012, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 27/06/2012, aduzindo, em síntese, que: Os débitos de PIS e COFINS foram declarados nas DCTF's referentes ao 4° trimestres de 2000 e ao 1º , 2° e 3° trimestres de 2001 (de 11/2000 a 08/2001). Ocorre que, após a extinção desses débitos pela compensação, a recorrente notou que esses tributos foram recolhidos a maior, uma vez que a base de cálculo de referidas exações incluiu as receitas financeiras e variações ativas. Ou seja, da compensação homologada em 02/02/2005 originouse um pagamento indevido, nascendo a pretensão de compensação ou restituição desse valor pago a maior, nos termos do artigo 168, I do Código Tributário Nacional. Os pedidos de compensação não se tratam de uma retificação/alteração do pedido de compensação homologado em 02/02/2005. Tais pleitos, apresentados a partir de 09/12/2005, são novos pedidos de compensação que têm por base o pagamento a maior de PIS e de COFINS extintos pelas compensações homologadas referentes aos períodos de 11/2000 a 08/2001. Fl. 1730DF CARF MF Processo nº 13804.004033/9983 Acórdão n.º 3402004.975 S3C4T2 Fl. 1.729 5 Em 02/02/2005 houve a extinção do crédito tributário de COFINS e PIS relativo ao período de 11/2000 a 08/2001, por meio de compensação. Portanto, essa a data inicial da contagem do prazo decadencial, pois nesse momento caracterizouse o "pagamento a maior" das contribuições mencionadas (por meio de compensação), uma vez que na base de cálculo delas incluiuse as receitas financeiras e as variações monetárias ativas, nos termos do § 1°, do artigo 3° da Lei n° 9.718/98, declarado inconstitucional pelo C. Supremo Tribunal Federal. Conforme se verifica do artigo 168 do Código Tributário Nacional, o prazo para requerer a restituição/compensação de 5 anos contados da data da extinção do crédito tributário. Desse modo, como a data da extinção do crédito tributário foi em 02/02/2005, data correspondente a homologação das compensações realizadas, essa é a data para inicio da contagem do prazo decadencial. Em sendo assim, como as per/dcomp foram entregues em 09/12/2005, 10/03/2006, 20/04/2009, 26/05/2009, 29/05/2009, 15/06/2009 e 30/06/2009, não se operou a decadência suscitada pelo v. acórdão recorrido. A Lei n ° 9.718/98 ampliou a base de cálculo das contribuições PIS e da COFINS, distanciandose do conceito de "faturamento" invocado no texto constitucional, violando o art. 195, em sua redação original, bem como o art. 239, ambos da Constituição de 1988. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar a questão, nos autos dos recursos extraordinários nºs 346.0846, 358.273, 357.950 e 390.8405, declarou a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3° da Lei n° 9.718/98, por entender que o conceito de faturamento está limitado a receita obtida com a venda de mercadorias e serviços, não se enquadrando, portanto, na definição de receita bruta. Demonstrada a obrigatoriedade de reconhecimento pela Administração da inaplicabilidade do art. 3°, §1° da Lei n° 9.718/98, deve, pois, ser aplicada a regra da prescrição quinquenal do Código Tributário Nacional. Equivocase o julgador a quo, entendendo que a compensação estaria relacionada ao pedido inicial do processo, que se refere à utilização de saldo negativo de IRPJ. Na verdade, o direito creditório utilizado nessa fase processual nasce de outra relação jurídica, qual seja: após o pagamento do PIS e da COFINS com o saldo negativo, um novo recolhimento a maior surge, pois na base de cálculo dessas contribuições está inserida a receita financeira da sociedade. Nas planilhas acostadas é possível verificar o recolhimento a maior do PIS e da COFINS, uma vez que foram incluídas na base de cálculo dos referidos tributos as receitas financeiras, as variações monetárias ativas e outras receitas operacionais. Em sendo assim, esse é o direito creditório que está sendo pleiteado no presente processo, cuja origem se deu em 02.02.2005, pois essa a data da extinção do crédito tributário e do recolhimento a maior. Mediante a Resolução nº 1802000.503, a 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento deste CARF, de 6 de maio de 2014, apresentou suas considerações em relação ao pleito de compensação e declinou da competência em favor desta 3ª Seção, vez que a matéria em análise diz respeito a crédito de Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins). O processo foi sorteado e distribuído a esta Relatora em 26/01/2017. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Fl. 1731DF CARF MF 6 Atendidos aos requisitos de admissibilidade tomase conhecimento do recurso voluntário. A presente lide trata tão somente das declarações de compensação apresentadas pela contribuinte a partir de 09/12/2005, tendo em vista que os pedidos de restituição/compensação, apresentados no início do processo, dos créditos relativos a IRPJ com outros débitos, já foram definitivamente resolvidos no âmbito administrativo. Como se observa nas declarações de compensação apresentadas a partir 09/12/2005, vide exemplo abaixo, elas tiveram como fundamento pretenso crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior informado no processo administrativo nº 13804.004033/99 83, ora sob análise: Dessa forma, andou bem a autoridade administrativa quando decidiu por não homologar estas últimas declarações de compensação tendo em vista a ausência de saldo de créditos no presente processo em favor da contribuinte, eis que esse havia se exaurido com a homologação das primeiras compensações declaradas pela contribuinte e com a compensação de ofício com débitos do processo nº 13807.010353/200254 com concordância expressa da contribuinte (efl. 721). Na manifestação de inconformidade veio a contribuinte informar que, na verdade, o crédito informado nestas últimas PER/DCOMP's seria a título de PIS e Cofins incidente sobre as receitas financeiras e variações monetárias ativas nos períodos de 12/2005 a 03/2010, em face da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, sendo que tais valores, declarados nas DCTF's referentes ao 4º trimestre de 2000 e ao 1º, 2° e 3° trimestres de 2001, constaram como débitos nas primeiras declarações de compensação do presente processo, tendo sido extintos pela homologação das primeiras compensações em 02/02/2005, originandose, assim, a pretensão da contribuinte de compensação ou restituição desse valor pago a maior com base no art. 168, I do Código Tributário Nacional. A questão da impossibilidade de inovação do pedido original de reconhecimento de direito creditório já foi tratada por esta Relatora no Acórdão nº 3402 004.3131, de 25 de julho de 2017, na esteira dos entendimentos constantes nos Acórdãos nºs 3201001.794 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária e 1803000.676 – 3ª Turma Especial. 1 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004, 2005 COMPENSAÇÃO. PEDIDO ORIGINAL. MODIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 1732DF CARF MF Processo nº 13804.004033/9983 Acórdão n.º 3402004.975 S3C4T2 Fl. 1.730 7 Na situação sob análise, embora os esclarecimentos apresentados na manifestação de inconformidade acabem acarretando a alteração da causa de pedir da restituição/compensação solicitada a partir de 09/12/2005, entendo que a questão merece ser relevada considerandose que o PER/DCOMP é um formulário eletrônico cujo pedido de restituição/compensação se efetua com o preenchimento de campos específicos e determinados, sendo de difícil enquadramento a peculiar causa de pedir da recorrente, relativa a "pagamento a maior" em face de declaração de inconstitucionalidade do dispositivo de lei que fundamentava a exigência do débito, que foi extinto pela compensação (art. 156, II do CTN). Quanto à questão da supressão de instância, ela pode ser superada com a autorização para correção da causa de pedir na forma apontada pela então manifestante, sem a análise da certeza e liquidez do crédito neste momento processual, o que ficaria a cargo da autoridade administrativa. Ademais, a questão da alteração da causa de pedir nas declarações de compensação transmitidas a partir de 09/12/2005 não foi suscitada pelo julgador a quo, que deixou de analisar o mérito do pedido sob os fundamentos da decadência e da impossibilidade de retificação, pela via indireta, das primeiras compensações. Não se trata de retificação pela via indireta das primeiras compensações, como afirmado na decisão recorrida, mas de pedido de restituição/compensação relativo a "pagamento" a maior do que o devido com fundamento em declaração de inconstitucionalidade de dispositivo de lei. No que concerne à decadência, decidiu recentemente este Colegiado, sob o voto condutor da Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, no Acórdão nº 3402004.908– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 1º de fevereiro de 2018, que: "O prazo decadencial do direito ao pleito da restituição de indébito tributário ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito tributário pelo pagamento (artigo 165, inciso I, c/c artigo 168, inciso I, c/c artigo 156, inciso I do CTN), inclusive, na hipótese de o indébito ter origem em declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal e com a sua execução suspensa por Resolução do Senado Federal, atribuindo efeito erga omnes ao julgamento". Portanto, assiste razão à recorrente quanto a não incidência da decadência nas declarações de compensação apresentadas a partir de 09/12/2005, eis que somente em 02/02/2005 foi efetuada a ciência do despacho decisório que homologou as primeiras compensações que teriam gerado o alegado "pagamento a maior" do que o devido. Dessa forma, entendo que não prosperam as prejudiciais à análise de mérito suscitadas pelo julgador de primeira instância. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar à Unidade de Origem que, considerando o detalhamento, na Além da vedação, disposta na legislação tributária, de retificação da declaração de compensação após o despacho decisório, não se poderia admitir, por meio do recurso voluntário, a alteração do pedido original ou da sua causa de pedir, por questões relativas à própria delimitação da lide com o pedido, do devido processo legal e da segurança jurídica, mormente quando a modificação pleiteada pela recorrente está desacompanhada da documentação que lhe sustentaria. Recurso Voluntário Negado Fl. 1733DF CARF MF 8 manifestação de inconformidade, da causa de pedir das declarações de compensação transmitidas a partir de 09/12/2005, analise o direito creditório alegado sob fundamento da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3° da Lei n° 9.718/98 e proceda, se for o caso, à homologação das compensações na medida correspondente. É como voto. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 1734DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13859.000279/00-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2201-004.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em face de sua intempestividade.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
EDITADO EM: 16/03/2018
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em face de sua intempestividade. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator EDITADO EM: 16/03/2018 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em face de sua intempestividade. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator EDITADO EM: 16/03/2018 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 9. 00 02 79 /0 0- 83 Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13859.000279/0083 Acórdão n.º 2201004.130 S2C2T1 Fl. 122 2 Tratase de Pededido de Reconsideração interposto contra a decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte ofertada em face da lavratura de Notificação de Lançamento de IRPF que é objeto do presente processo. Os aspectos principais do lançamento estão delineados no excerto do relatório da decisão de primeira instância, nos seguintes termos: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração de fls. 05 a 07, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 1995, que lhe exige crédito tributário no montante de R$ 17.476,97 dos quais R$ 5.925,00 referemse a imposto, 4.443,75 correspondem à multa proporcional e R$ 7.108,22 a juros de mora calculados até 29 de setembro de 2000. Em procedimento de ofício para a verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, foi efetuado o lançamento de ofício tendo em vista a apuração das seguintes infrações: OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS. O contribuinte deixou de levar à tributação os ganhos de capital incidentes sobre a alienação ocorrida em 13/07/1995 ao dar em pagamento de imóvel, um caminhão Mercedes Benz, ano de fabricação e modelo 1979, vermelho por R$ 30.000,00, e um automóvel GM Kadett, ano de fabricação 1993, cor prata, por R$ 9.500,00. Os dados foram extraídos da declaração de ajuste anual (fls. 44 a 50) e do Contrato Particular de Compromisso de Cessão e Transferência de Direito Aquisitivo por Compra e Venda (fls. 39 a 43). Os valores, datas e enquadramentos legais das infrações encontramse descritas no corpo do Auto de Infração (fl.07). A DRJ julgou procedente em parte a impugnação da contribuinte sob o argumento principal de que: Não há nulidade em Auto de Infração lavrado em repartição pública, nos termos do artigo 10 do Decreto 70.235/72; Há divergência entre as datas da declaração de ajuste anual e dos instrumentos particulares de compra e venda, devendo prevalecer as datas constantes nos intrumentos particulares e esclarecimentos prestados pelo contribuinte, constantes nas fls. 39 a 43, 34 a 38 e 13 a 18; Não houve o cumprimento do disposto no artigo 16, IV, §1º e §4°, alíneas “a” a “c”. Portanto, negados os pedidos de perícia e de produção de novas provas; A aplicação da taxa SELIC e multa estão respaldadas na lei, inexistindo qualquer motivo para rever a suas aplicações. Cientificado do acórdão da DRJ em 08/01/2009, o contribuinte apresentou Pedido de Reconsideração encaminhado ao Delegado da Receita Federal em 20/02/2009, alegando em síntese que: Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13859.000279/0083 Acórdão n.º 2201004.130 S2C2T1 Fl. 123 3 O valor remanescente deve ser baixado dos cadastros do fisco, uma vez que preenche os requisitos da MP 449/08. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade De acordo com o relatado, o Pedido de Reconsideração recebido como Recurso Voluntário fora interposto após os 30 (trinta) dias previstos na legislação, sem qualquer justificativa plausível que leve a relativização do referido prazo. Preceitua o artigo 33 do Decreto 70.235/72: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Acerca do tema, trago à baila o acórdão 1202000.298, desse CARF, de relatoria do Conselheiro Carlos Alberto Donassolo: RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de recurso voluntário apresentado após o prazo de 30 dias da ciência da decisão de primeira instância. Todavia, em face do valor envolvido deve a Unidade Preparadora verificar se não se aplica ao caso o instituto da remisão. Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário em face de sua intempestividade. Daniel Melo Mendes Bezerra – Relator Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.932222/2009-05
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004
CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo.
Numero da decisão: 3002-000.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior - Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 22 22 /2 00 9- 05 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10980.932222/200905 Acórdão n.º 3002000.036 S3C0T2 Fl. 87 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por Construtora Patrão Ltda contra acórdão de nº 1447.935 da r. 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP DRJ/RPO, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/09/2004 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos pela interessada elemento que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Em 18.06.2009 o sujeito passivo transmitiu Declaração de Compensação de nº 24543.18595.180609.1.7.041194 (fls 44 a 48), declarando a compensação de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de COFINS, relativo ao período de apuração de agosto/2004, proveniente de adequação do valor devido de tal tributo em decorrência da declaração, pelo STF, da inconstitucionalidade do § 1º o do artigo 3ºo da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Em 12.02.2010, depois de várias tentativas de frustradas de cientificar o contribuinte por meio de correspondência registrada, foi afixado, na unidade da Delegacia da Receita Federal do domicílio do sujeito passivo, edital para cientificação da emissão de Despacho Decisório (fls 06 a 43) sobre a Declaração de Compensação transmitida. O Despacho Decisório concluiu pela NÃO HOMOLOGAÇÃO da compensação declarada, sob o fundamento de que o pagamento mencionado havia sido "integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Foi protocolada MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE (fls. 49 a 54), cuja síntese dos argumentos foi: a) Que o contribuinte apurou crédito tributário de PIS e COFINS em razão da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/98, proferida pelo STF no RE 357950; b) Que o valor das receitas financeiras auferidas no período de apuração em comento foi de R$9.658,61, que submetido a alíquota de 3%, resultou em um recolhimento a maior de COFINS no valor de R$289,76; Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10980.932222/200905 Acórdão n.º 3002000.036 S3C0T2 Fl. 88 3 c) Que no processamento do referido PER/DECOMP o sistema da RFB não localizou o crédito porque na DCTF o débito foi declarado integralmente, inclusive com a parcela inconstitucional incidente sobre as receitas financeiras, no valor de R$289,76; d) Que segundo o disposto no art. 170 do CTN, art. 74 da Lei nº 9.430/96 e também segundo a jurisprudência do CARF (acórdão 20402819) e do TRF da 4 região (Apelação em MS 2006.71.08.0007709/RS), a compensação com crédito legítimo é uma das formas de extinção do crédito tributário; e) Ao fim, requer a homologação da compensação efetuada. Por meio do Acórdão nº 1447.935, a 14ª Turma da DRJ/RPO decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório, sob a alegação de que: ... a contribuinte não apresenta qualquer razão ou documento que comprove que seu recolhimento foi indevido ou a maior. Nenhuma apuração, documentação ou outro indício que desse suporte às suas alegações. Cientificado desta decisão em 19.01.2015, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao CARF em 12.02.2015, alegando em sua defesa que: a) O direito creditório em comento pode ser verificado pelas declarações apresentadas regularmente para a Receita Federal (DIPJ), onde se pode verificar a existência de "outras receitas" contabilizadas pelo contribuinte, bem como pela cópia do Livro Razão Analítico da recorrente presente no Anexo II; b) Houve afronta ao princípio da verdade material e cerceamento do direito de defesa; c) Seja homologada a declaração de compensação em litígio, tendo em vista a inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. d) Anexou Planilha de Cálculo da COFINS e Página de Razão Contábil da Conta Rendas de Aplicações Financeiras. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O Valor do Crédito tributário é inferior a (60) sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10980.932222/200905 Acórdão n.º 3002000.036 S3C0T2 Fl. 89 4 I Do ônus probatório e da preclusão. A compensação enquanto modalidade de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do CTN, operase mediante a existência de crédito líquido e certo oponível à fazenda pública, sem o que não há como efetivar o encontro de contas pretendido pelo contribuinte. Assim, têmse que o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do contribuinte. Não restando comprovadas a certeza e liquidez do crédito do contribuinte, não há como operacionalizar a compensação. Atualmente, a compensação pode ser declarada pelo próprio contribuinte, em meio eletrônico, mediante preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação DCOMP, na qual se indicará em detalhes o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose a ulterior homologação por verificação fiscal. A verificação fiscal das compensações declaradas pelos contribuintes se opera em dois momentos distintos, a saber: 1) Verificação Eletrônica: Consiste no cruzamento de informações fiscais do contribuinte, disponíveis na base de dados dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil, objetivando verificar a consistência e coerência da compensação declarada. Detectada, nesta fase de verificação, qualquer inconsistência ou divergência entre valores e informações do contribuinte, não homologase a compensação realizada, oportunizando ao interessado o contraditório e ampla defesa em processo administrativo fiscal específico. 2) Verificação Documental: Uma vez instaurado o processo administrativo fiscal, pela apresentação de Manifestação de Inconformidade à não homologação decorrente da verificação eletrônica, tem início a nova etapa de análise do direito creditório, que passa a se operar mediante verificação de documentos hábeis e idôneos que comprovem a existência do crédito utilizado pelo contribuinte. Neste segundo momento de verificação, devem ser observadas todas as regras e princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Em outras palavras, na etapa de verificação eletrônica antes de instaurado o contencioso administrativo são consideradas somente as informações e dados constantes dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil. Contudo, uma vez constatada a inconsistência/divergência das informações existentes nos sistemas informatizados, não homologase a compensação declarada e iniciase a etapa de verificação documental, nos autos de processo administrativo fiscal, onde incumbe ao contribuinte comprovar a existência de certeza e liquidez do crédito que pretende utilizar. Resta evidente que todas as contendas que chegam para julgamento a este Conselho Administrativo de Recurso Fiscais se enquadram na etapa de verificação documental, sujeitas, portanto, a todas as regras e princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Importante destacar ainda que o início da etapa de verificação documental faz com que as informações anteriormente prestadas pelo contribuinte, nas declarações eletrônicas Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10980.932222/200905 Acórdão n.º 3002000.036 S3C0T2 Fl. 90 5 transmitidas ao fisco, precisem ser comprovadas por outros meios no processo administrativo fiscal. Ou seja, uma vez que as declarações anteriormente apresentadas pelo contribuinte ao fisco não foram suficientes para a homologação da compensação na etapa de verificação eletrônica, não terão elas, quando desacompanhadas de outros documentos que as ratifiquem, força probatória suficiente para atestar a certeza e liquidez do crédito na etapa de verificação documental. No caso em estudo, ao declarar que o sistema da RFB não localizou o crédito porque na DCTF o débito foi declarado integralmente, inclusive com a parcela inconstitucional incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ 289,761, o contribuinte reconhece ter emitido declarações contraditórias ao fisco, dando azo à não homologação da compensação durante a etapa de verificação eletrônica. Ocorre, contudo, que até a decisão de primeira instância o contribuinte não apresentou qualquer prova documental que evidencie a efetiva inclusão de receitas financeiras na apuração da COFINS referente ao mês de agosto/2004, comprometendo a análise do direito ao crédito utilizado na compensação e prejudicando o andamento processual. Nos termos do §4º do art. 16 do Decreto Lei nº 70.235/1972, a prova documental deve ser trazida aos autos juntamente com a impugnação. No presente caso, deveria o contribuinte ter produzido suas provas por ocasião da apresentação da Manifestação de Inconformidade. A desobediência a este comando enseja a preclusão do direito de produção das provas documentais em outro momento processual. Nessa senda, a divergência entre as declarações apresentadas pelo contribuinte ao fisco (DCTF e DCOMP), combinada com a falta de apresentação de provas documentais da certeza e liquidez do crédito tributário no momento oportuno, dificultou a análise da autoridade fiscal, ofendendo, ainda, aos princípios da celeridade e da economicidade processual. Não há comprovação do atendimento a qualquer dos requisitos previstos nas alíneas a) a c) do §4º do art. 16 do DEL 70.235/72, que permitiriam justificar a admissão de novas provas documentais neste momento processual. Não pode o princípio da verdade material ser utilizado como argumento para o afastamento injustificado das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, de modo a acobertar a inércia do contribuinte em comprovar as suas alegações. Nesse sentido entendeu a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226. "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode 1 Trecho extraído da Manifestação de Inconformidade, folha 51. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10980.932222/200905 Acórdão n.º 3002000.036 S3C0T2 Fl. 91 6 o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações. Pelo exposto, não pode prosperar a alegação do recorrente, de que caberia ao fisco o impulso para a produção de provas da certeza e liquidez do direito creditório pretendido. Isso porque, por ocasião da manifestação de inconformidade, o interessado sequer apresentou indícios da efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS, tendo se limitado a fazer a alegações de direito. Tivesse o contribuinte apresentado alguma prova de liquidez e certeza do direito alegado junto à manifestação de inconformidade, ainda que insuficiente por si só, admitirseia, em homenagem ao princípio da verdade material, a juntada de novas provas no mesmo sentido em fase recursal. Portanto, não se pode conhecer de provas trazidas ao processo somente em fase recursal, sob pena de afronta aos demais princípios e normas que regem o processo administrativo fiscal. II Da Não Comprovação da Certeza e Liquidez do Crédito Pleiteado nos autos do PAF. Tendo em vista que a preclusão do direito de produção de novas provas, em momento posterior à manifestação de inconformidade, ainda é objeto de divergência entre conselheiros, a fim de evitar a interposição de novos recursos, comprometendo ainda mais a celeridade e a eficiência do processo administrativo, este julgador analisou os documentos trazidos pelo contribuinte junto ao Recurso Voluntário. No presente caso, ainda que admitida fosse a apresentação de provas documentais juntamente com o Recurso Voluntário, deixou o contribuinte de anexar documentos que comprovem que as receitas financeiras relativas ao período de agosto/2004 foram efetivamente incluídas na base de cálculo da COFINS do mesmo período. Vejamos. Foram apresentados, juntamente com o Recurso Voluntário: a) Planilha de Cálculo da COFINS; b) Razão Analítico da Conta "RENDAS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS". Destacase que planilhas, declarações ou demonstrativos elaborados ou preenchidos pelo próprio contribuinte, quando desacompanhados de outros elementos que ratifiquem o seu conteúdo e confirmem a sua exatidão, não possuem força probatória para constituir direito creditório oponível à fazenda pública. Ocorre, contudo, que valor do recolhimento da COFINS, referente ao período de agosto/2004, declarado na Planilha de Cálculo da COFINS (R$15.618,77, fl. 81), diverge daquele informado na DCOMP em relação ao mesmo período (R$15.908,53, fl. 46), materializando a inexatidão da planilha apresentada e comprometendo sua força probatória. Ademais, não foi apresentado nenhum outro documento que detalhe quais os valores que efetivamente compuseram a base de cálculo da apuração de COFINS relativa ao período em comento. Assim, não ficou provado nos autos que as receitas financeiras relativas ao período de agosto/2004 foram efetivamente incluídas na base de cálculo da COFINS do mesmo Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10980.932222/200905 Acórdão n.º 3002000.036 S3C0T2 Fl. 92 7 período, razão pela qual não foram comprovadas a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o NÃO RECONHECIMENTO do direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 92DF CARF MF
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