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Numero do processo: 10680.013185/2005-87
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
INTEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO NA INSTÂNCIA A QUO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE MERITÓRIA DOS PEDIDOS FORMULADOS EM RECURSO VOLUNTÁRIO.
Caracterizada a intempestividade da impugnação apresentada na DRJ, a análise meritória do Recurso Voluntário não pode ser feita por esta instância recursal, eis que ausente requisito intrínseco de admissibilidade.
Numero da decisão: 1002-000.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Aílton Neves da Silva, e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 INTEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO NA INSTÂNCIA A QUO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE MERITÓRIA DOS PEDIDOS FORMULADOS EM RECURSO VOLUNTÁRIO. Caracterizada a intempestividade da impugnação apresentada na DRJ, a análise meritória do Recurso Voluntário não pode ser feita por esta instância recursal, eis que ausente requisito intrínseco de admissibilidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins - Presidente. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Aílton Neves da Silva, e Leonam Rocha de Medeiros.
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DCTF. INTEMPESTIVIDADE Recorrente ADRIANA ROCHA ACADEMIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 INTEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO NA INSTÂNCIA A QUO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE MERITÓRIA DOS PEDIDOS FORMULADOS EM RECURSO VOLUNTÁRIO. Caracterizada a intempestividade da impugnação apresentada na DRJ, a análise meritória do Recurso Voluntário não pode ser feita por esta instância recursal, eis que ausente requisito intrínseco de admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Aílton Neves da Silva, e Leonam Rocha de Medeiros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 31 85 /2 00 5- 87 Fl. 37DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 25 a 26) interposto contra o Acórdão n° 0214.408, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (fls. 19), que, por unanimidade de votos, não conheceu da impugnação da Contribuinte, em razão de sua intempestividade. Cumpre transcrever a ementa atinente ao caso: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓR1AS Anocalendário: 2003 Multa por Atraso na Entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância. Haja vista a precisão no resumo dos fatos, peço vênia para transcrever o trecho do Acórdão impugnado, o qual identificou a intempestividade na instância a quo: A manifestação da autuada é intempestiva. Conforme AR de fl. 13, a ciência do lançamento se deu em 05/08/2005. Assim sendo, o prazo regulamentar de 30 dias para impugnação, previsto no art. 15 do Dec. 70.235, de 1972, se encerrou em 06/09/2005. O documento constante nas fls. 01 a 03 só foi apresentado em 15/09/2005 (fl. 01, verso), após o encerramento do prazo. Ainda que se considere a data de vencimento da multa constante no auto de infração, a manifestação é intempestiva. Conforme fl. 04, o prazo para pagamento da exigência formalizada se encerrou em O5/09/2005. A pretensa impugnação só foi entregue em 15/09/2005. (...) Em face do exposto, voto no sentido de Não Conhecer da Impugnação apresentada e declarar impossibilitado o julgamento do mérito do Auto de Infração de fl. 04." (fls. 19 a 21) A Contribuinte, por seu turno, apresentou o Recurso Voluntário, no qual objetiva as seguintes providências: a) o reconhecimento da denúncia espontânea (art. 138 do CTN), haja vista a entrega da Declaração ao Órgão Fazendário; b) o cancelamento da multa aplicada em decorrência do atraso da entrega da DCTF; e c) a redução de 50% da multa, caso seja mantida a pecúnia punitiva, haja vista a espontaneidade da entrega da Declaração. É o relatório. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10680.013185/200587 Acórdão n.º 1002000.020 S1C0T2 Fl. 3 3 O presente Recurso Voluntário é tempestivo, contudo, descumpre requisitos de admissibilidade, portanto não o conheço. Sigo à análise do Recuso. 1. Do motivo para o não conhecimento do Recurso Voluntário Notase, de plano, que a decisão da DRJ atestou a intempestividade da impugnação com hialina clareza. Nesse espeque, forçoso reconhecer que não houve a instauração da fase litigiosa do processo, haja vista o nãoconhecimento da exordial defensiva. Em outras palavras: como não houve impugnação válida, sequer foi dado início à fase litigiosa do procedimento (arts. 14 e 15, do Dec. 70.235/72). Por assim ser, resta manifestamente incabível a via do Recurso Voluntário. Nessa trilha, o conhecimento do instrumento recursal acaba por ser inviável, e manifestaria claro descompasso com os ditames do Processo Administrativo Fiscal. 2. Da impugnação aos argumentos do Acórdão na instância a quo Ainda que fosse conhecido o presente Recurso Voluntário, e apenas para corroborar sua improcedência, não seria possível adentrar em seu mérito, pois lhe carece o cumprimento de requisitos intrínsecos. Conforme mencionado alhures, a impugnação da Recorrente foi apresentada a destempo, ou seja, restou manifestamente intempestiva. Ressalto, ainda, que este fato sequer foi mencionado pela Recorrente em seu Recurso Voluntário, nem mesmo em sede de preliminar. Portanto, foi possível notar que os fundamentos do Recurso Voluntário representaram o mesmo teor da Impugnação, sem tecer qualquer ataque ao estrito teor do Acórdão da DRJ. Quanto ao mais, o Acórdão proferido pela DRJ resta irretocável. A intempestividade flagrante obstou a análise meritória per se, o que impede que tal exame ocorra nessa instância recursal. Nesse espeque, o teor do Acórdão impugnado acaba por representar unicamente o objeto da tempestividade, o qual a Recorrente deveria ter abordado em suas razões de defesa. Assim, somente na eventualidade de ter sido atacada e afastada a pecha da intempestividade, é que seria possível adentrarse à quaestio juris da DCTF quando do julgamento deste indigitado Recurso. Por fim, cumpre colacionar o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, o qual já se debruçou sobre o tema, no sentido de inviabilizar a análise de Recurso Voluntário, quando caracterizada a intempestividade da Impugnação na instância a quo: TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. ARTS. 14 E 15 DO DECRETO N. 70.235/72. REVELIA. IMPOSSIBILIDADE DE INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. ART. 35 DO DECRETO N. 70.235/72. APLICABILIDADE AOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS PEREMPTOS E NÃO ÀS IMPUGNAÇÕES INTEMPESTIVAS. 1. Discutese nos autos a possibilidade de interposição de recurso voluntário em processo administrativo contra decisão que não conhece da impugnação à notificação de infração, por intempestividade. Fl. 39DF CARF MF 4 2. O Tribunal de origem, soberano das circunstâncias fáticas e probatórias da causa, confirmou a intempestividade da impugnação à notificação da infração, bem como corroborou o entendimento de que a não apresentação da impugnação no prazo legal configura revelia e impede a instauração da fase litigiosa do processo administrativo, o que justifica o não cabimento do recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes 3. Depreendese da interpretação do arts. 14 e 15 do Decreto n. 70.235/72 que a falta da impugnação da exigência, no prazo preconizado de trinta dias, obsta a instauração da fase litigiosa do procedimento administrativo, de maneira a autorizar a constituição definitiva do crédito tributário. 4. Aplicase o art. 35 do Decreto n. 70.235/72 aos casos em que o próprio recurso voluntário é considerado perempto, e não quando a impugnação da exigência não é conhecida em face da intempestividade. Recurso especial improvido. (RESP n. 1.240.018SC, Relatoria do Min. Humberto Martins) 3. Conclusão Ante as razões expostas acima, com fulcro nos arts. 14 e 15, do Dec. n° 70.235/72, VOTO pelo NÃO CONHECIMENTO do presente Recurso Voluntário, com a conseqüente manutenção da decisão de origem. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 40DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.720782/2012-99
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 07 82 /2 01 2- 99 Fl. 553DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra o contribuinte acima identificado, referente ao seguinte Auto de Infração: AI DEBCAD nº 37.351.4484 – no valor de R$ 1.055.439,67 (um milhão, cinqüenta e cinco mil, quatrocentos e trinta e nove reais e sessenta e sete centavos), consolidado em 21/05/2012, referente às contribuições previdenciárias a cargo da empresa, destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais, nas competências 01/2008 a 12/2008. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 12/16, os fatos geradores das contribuições lançadas ocorreram em razão da remuneração de serviços prestados por transportadores rodoviários autônomos, de honorários, prólabore e outros valores pagos a segurados contribuintes individuais. Ainda de acordo com o Relatório Fiscal, a base de cálculo das contribuições apuradas corresponde a 20% (vinte por cento) sobre os valores pagos aos transportadores rodoviários autônomos e aos pagamentos feitos a outros contribuintes individuais, identificados nos lançamentos registrados no Livro Caixa de 2008. Segundo esse mesmo Relatório, os valores pagos aos transportadores autônomos foram lançados juntamente com os valores pagos a pessoas jurídicas, motivo pelo qual a empresa foi intimada a separálos; e todas as bases de cálculo e alíquotas aplicadas estão discriminadas no Discriminativo de Débito – DD anexo. Foi demonstrada a forma de aplicação da multa; identificado os levantamentos dos valores lançados, os créditos constituídos, os documentos examinados e documentos anexados. Os dispositivos legais que fundamentam o lançamento foram discriminados no Relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, de acordo com a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, e foi elaborada Representação Fiscal Para Fins Penais, tendo em vista a ocorrência, em tese, do crime previsto no art. 337A, inciso I, II do Código Penal – DecretoLei nº 2.848, de 07/12/1940. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Fl. 554DF CARF MF Processo nº 11040.720782/201299 Acórdão n.º 9202006.437 CSRFT2 Fl. 3 3 Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 19/06/2013, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2402003.633 (fls. 471/488), com o seguinte resultado: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para que a contribuição previdenciária do condutor autônomo de veículo rodoviário incida sobre 20% do rendimento do bruto e que em relação à multa seja aplicada a regra do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, caso mais benéfica, limitada ao percentual de 75% previsto no artigo 44, inciso I da Lei n° 9.430, de 27/12/1996”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Prescinde de perícia a verificação de quesitos examinados durante o procedimento fiscal e consignado em relatório do lançamento. CONDUTOR DE VEÍCULOS. AUTÔNOMOS. FRETES. O salário de contribuição do condutor autônomo de veículo rodoviário, conforme estabelecido no §4º do art. 201 do RPS corresponde a 20% do valor bruto auferido pelo frete, carreto ou transporte. MULTA DE MORA. Aplicase aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores. Recurso Voluntário Provido em Parte O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 18/07/2013 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 18/08/2013, Recurso Especial (fls. 490/499). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação ao cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte retroatividade benigna Obrigação Acessória. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400 1018/2013, da 4ª Câmara, de 01/10/2013 (fls. 502/503). O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Lei ny 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008. Fl. 555DF CARF MF 4 Cientificado do Acórdão nº 2402003.633, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN em 14/04/2014, o contribuinte interpôs Recurso Especial (fls. 515/529) da parte que lhe foi desfavorável no acórdão recorrido e contrarrazões (fls. 509/512) em 22/04/2014, portanto, tempestivamente. Ao Recurso Especial do Contribuinte foi negado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 4ª Câmara, de 12/05/2017 (fls. 542/547). Em suas contrarrazões, o contribuinte argumenta que está correta a reclassificação da multa para de natureza moratória, e que, portanto, não há motivação para gerar a imposição da multa de ofício no patamar de 75%, uma vez que a recorrente, de forma zelosa, registrou na sua contabilidade todos os ingressos financeiros, bem como os repasses de valores a terceiros por conta dos fretes por estes realizados mediante agenciamento, dando ao Ente Tributário pleno conhecimento do procedimento por ela adotado. Ressalta que a pena administrativa deve ser orientada pelos mesmos princípios que regem a aplicabilidade da lei penal. Alega que o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 c/c o artigo 61 da Lei nº 9.430/96 determinam que as multas decorrentes de débitos oriundos de contribuições terão natureza moratória e que o percentual a ser aplicado será limitado a 20%, porém o Fisco quer a aplicação do somatório da multa citada e da multa prevista no artigo 32, parágrafos 4º, 5º e 6º da Lei nº 8.212/91, atualmente revogadas, que consignam multas em valores variáveis e no valor de 100% do valor devido. Assim, diz que “resta claramente demonstrado que a regra prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212/91 denota punição mais benigna”, e como no nosso ordenamento jurídico impera a regra da retroatividade da lei mais benigna, como dispõe o CTN em seu artigo 106, o acórdão prolatado deve ser mantido pela Câmara. Acrescenta que a jurisprudência do CARF é dominante no sentido da aplicabilidade do art. 35 da Lei nº 8.212/91, devendo a multa ser reduzida e ajustada a tal legislação, mais benéfica ao contribuinte É o relatório. Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Fl. 556DF CARF MF Processo nº 11040.720782/201299 Acórdão n.º 9202006.437 CSRFT2 Fl. 4 5 Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 502. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito Para se contrapor ao Recurso especial, traz o sujeito passivo em sede de contrarrazões: Alega que o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 c/c o artigo 61 da Lei nº 9.430/96 determinam que as multas decorrentes de débitos oriundos de contribuições terão natureza moratória e que o percentual a ser aplicado será limitado a 20%, porém o Fisco quer a aplicação do somatório da multa citada e da multa prevista no artigo 32, parágrafos 4º, 5º e 6º da Lei nº 8.212/91, atualmente revogadas, que consignam multas em valores variáveis e no valor de 100% do valor devido. Assim, diz que “resta claramente demonstrado que a regra prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212/91 denota punição mais benigna”, e como no nosso ordenamento jurídico impera a regra da retroatividade da lei mais benigna, como dispõe o CTN em seu artigo 106, o acórdão prolatado deve ser mantido pela Câmara. Acrescenta que a jurisprudência do CARF é dominante no sentido da aplicabilidade do art. 35 da Lei nº 8.212/91, devendo a multa ser reduzida e ajustada a tal legislação, mais benéfica ao contribuinte Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Embora o recorrente entenda ter a turma a quo acertado na decisão proferida, colacionando outros argumentos para reforçar a tese, entendo que não seja a interpretação mais acertada. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 557DF CARF MF 6 a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 558DF CARF MF Processo nº 11040.720782/201299 Acórdão n.º 9202006.437 CSRFT2 Fl. 5 7 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia Fl. 559DF CARF MF 8 seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) Fl. 560DF CARF MF Processo nº 11040.720782/201299 Acórdão n.º 9202006.437 CSRFT2 Fl. 6 9 cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº Fl. 561DF CARF MF 10 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Fl. 562DF CARF MF Processo nº 11040.720782/201299 Acórdão n.º 9202006.437 CSRFT2 Fl. 7 11 Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referir se a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Fl. 563DF CARF MF 12 Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 564DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.720450/2011-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2006
PRODUTO NÃO TRIBUTADO (NT). APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO DO IPI. IMPOSSIBILIDADE.
Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT (Súmula CARF nº 20).
GLOSA DE CRÉDITOS DO IPI. INEXISTÊNCIA DE PRAZO DECADENCIAL. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173 DO CTN. IMPOSSIBILIDADE.
Os prazos decadenciais previstos nos artigos 150, §4º e 173 do CTN aplicam-se somente ao direito de constituir o crédito tributário e não ao direito de glosar o crédito do IPI escriturado, para o qual não existe determinação legal a respeito da matéria.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a prejudicial de decadência e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2006 PRODUTO NÃO TRIBUTADO (“NT”). APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO DO IPI. IMPOSSIBILIDADE. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT (Súmula CARF nº 20). GLOSA DE CRÉDITOS DO IPI. INEXISTÊNCIA DE PRAZO DECADENCIAL. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173 DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. Os prazos decadenciais previstos nos artigos 150, §4º e 173 do CTN aplicam se somente ao direito de constituir o crédito tributário e não ao direito de glosar o crédito do IPI escriturado, para o qual não existe determinação legal a respeito da matéria. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a prejudicial de decadência e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 04 50 /2 01 1- 33 Fl. 351DF CARF MF 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório que integra o acórdão recorrido, que segue transcrito: Tratase de impugnação ao Auto de Infração das fls. 44/54, lavrado pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru/SP para formalizar a exigência da multa sobre o IPI não lançado com cobertura de créditos, no percentual de 75%, importando o crédito tributário em R$ 95.244,55, à época da autuação. Segundo o Termo de Verificação e Constatação Fiscal das fls. 80/86, o procedimento fiscal objetivou apurar a legitimidade dos créditos do IPI objeto de pedidos de ressarcimento, sendo apuradas em seu curso as seguintes infrações: a) falta de lançamento do imposto nas saídas de águas gaseificadas classificadas no código 2201.10.00 da TIPI, aprovada pelo Decreto n° 4.542, de 2002, que a fiscalização entendeu como não se enquadrarem na notação “NT” e sim estarem sujeitas à incidência do IPI por unidade nos termos da Nota Complementar [NC(222)] do respectivo capítulo; b) créditos básicos indevidos referentes a: i) aquisição de insumos para a fabricação de produtos “NT”; ii) aquisição de produtos diversos que não se enquadram como MP, PI e ME; e iii) aquisição de insumos utilizados em comum em produtos “NT” e tributados, que foram rateados de acordo com tabela de utilização fornecida pelo contribuinte. A fiscalização elaborou demonstrativos dos valores que deixaram de ser lançados por produto e por decêndio, das glosas de créditos, dos saldos da escrita fiscal antes da reconstituição e da reconstituição da mesma, conforme anexos das fls. 77/79 e 89/232 que compõe o presente auto de infração. O enquadramento legal das infrações se deu com base nos arts. 24, incisos II e III, 34, inciso II, 122, 123, inciso I, alínea "b" e inciso II, alínea "c", 127, 139, §§ 1° e 2°, 140, 142, 143, 149, 150, 199 e parágrafo único, 200, inciso IV, 202, inciso II, do Decreto nº 4.544, de 2002 (RIPI/2002). A multa de ofício está sendo exigida com arrimo no art. 80, inciso I, da Lei n° 4.502/64, com a redação dada pelo art. 45 da Lei n° 9.430/96. Devidamente cientificada, a autuada vem, tempestivamente, por intermédio de seus procuradores credenciados pelos documentos das fls. 261/264, defenderse da imputação pelo arrazoado das fls. 238/260, cujas alegações, em síntese se transcreve: (...) Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10825.720450/201133 Acórdão n.º 3302005.327 S3C3T2 Fl. 352 3 a) em relação aos valores da MULTA ISOLADA e dos débitos de IPI apurados, relativos ao período de abril a dezembro de 2006, o presente AUTO é improcedente, porque: a.i) a AUTORIDADE decaiu do direito de lavrar o AUTO para exigir tanto a MULTA ISOLADA quanto os débitos de IPI (pouco importando a absorção destes pelos créditos escriturais que a AUTORIDADE reconheceu ter a IMPUGNANTE), com relação ao período de abril de 2006, ante NÃO ter efetuado o respectivo lançamento no prazo de cinco anos contados do respectivo fato gerador (art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional CTN); a.ii) o produto comercializado pela IMPUGNANTE, qual seja , água mineral natural gaseificada, não é tributado pelo IPI , uma vez que o fato desse produto ser gaseificado artificialmente não descaracteriza a sua condição de água mineral natural, sendo também abrangido pela Ex 01 da subposição 2201.10.00 da TIPI , cuja notação é NT e b) em relação à glosa dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos empregados tanto na fabricação de água mineral natural quanto da água mineral natural gaseificada, relativos ao período de abril a dezembro de 2006, o presente AUTO é improcedente, porque: b.i) prescreveu o direito de a AUTORIDADE realizar a glosa dos créditos escriturais relativos ao período de abril de 2006, porque a referida glosa foi realizada após vencido o prazo de cinco anos (aplicação, a contrario senso, do art. 1° do Decreto n° 2.0910, de 06. 01.1932); b.ii) a IMPUGNANTE tem direito ao crédito de IPI incidente na aquisição de insumos empregados na fabricação da água mineral natural e da água mineral natural gaseificada, em razão do princípio constitucional da não cumulatividade; e c) ainda que seja mantido o auto de infração, o que se admite apenas para argumentar, deve ser mantido o crédito de IPI relativo à aquisição de insumos empregados na água mineral natural gaseificada, porque admitida a sua tributação pelo IPI. (...) Alega, ainda, que, em relação à exigência da multa isolada, a mesma é improcedente porque não houve descumprimento de obrigação acessória – falta de lançamento do imposto na nota fiscal, como também não houve cometimento de infração já que indicou que a operação de venda de água mineral natural gaseificada era e é não tributável pelo IPI. Aduz que a absorção do suposto débito que incidiria sobre a água mineral natural gaseificada impossibilita a cobrança da multa isolada por não ser admissível imposição de penalidade quando não há imposto devido. Por fim, pede que seja cancelado o auto de infração e a ordem de estorno dos respectivos créditos. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, foi declarada definitiva na esfera administrativa a glosa não expressamente impugnada e Fl. 353DF CARF MF 4 julgada procedente em parte a impugnação, para cancelar integralmente a exigência da multa de ofício sobre o IPI não lançado com cobertura de créditos e manter parcialmente a determinação do estorno dos créditos glosados, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2006 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. O IPI é tributo sujeito à sistemática do lançamento por homologação, Em tendo havido pagamento antecipado, flui o prazo decadencial em cinco anos da ocorrência do fato gerador. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. As águas minerais naturais, com ou sem gás, classificamse no código 2201.10.00, “ex” 01, da TIPI (RGI/SH 1 e 6 e RGC), que corresponde à notação NT na TIPI. CRÉDITOS DO IPI. PRODUTOS NT. IMPOSSIBILIDADE. Os estabelecimentos industriais ou equiparados somente podem creditarse de insumos (MP, PI e ME) a serem aplicados em produtos tributados. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Considerase não impugnada a matéria não expressamente contestada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Exonerado Em 20/12/2013, a recorrente foi cientificada da decisão. Inconformada com o provimento parcial da impugnação, em 26/12/2013, a recorrente juntou aos autos o recurso voluntário de fls. 300/308, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória quanto (i) a decadência do direito de a autoridade fiscal glosar parte dos créditos do IPI do mês de abril de 2006, e (ii) ao direito de creditarse do IPI pago na aquisição de insumos empregados na fabricação de produtos não tributados (“NT”). É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10825.720450/201133 Acórdão n.º 3302005.327 S3C3T2 Fl. 353 5 O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A matéria litigiosa remanescente cingese a dois pontos: a) decadência do direito de glosar parte dos créditos do IPI do mês de abril de 2006, e (ii) o direito de creditarse do IPI pago na aquisição de insumos empregados na fabricação de produtos não tributados (“NT”). Da decadência do direito de glosar créditos do IPI Em relação a esse ponto do dissenso, a recorrente alegou que, “se o Fisco tem o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador para lançar eventual débito de IPI não recolhido em razão da apuração de crédito escriturais, o prazo do Fisco para realizar a glosa desse mesmo crédito também tem de ser de 5 (cinco) anos.” No caso, o que a recorrente pleiteia é a extensão da regra sobre a decadência do direito de constituir o crédito tributário, fixada no art. 150, § 4º, do CTN para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, também para o direito de a fiscalização proceder a glosa de créditos escriturais do IPI. A matéria não é nova neste Colegiado. Com efeito, na Sessão de 24 de agosto de 2016, no julgamento dos embargos de declaração interpostos nos autos do processo nº 16095.720120/201388, por meio Acórdão nº 3302003.346, com base no bem fundamentado voto do nobre Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, este Colegiado decidiu, por unanimidade, que os “prazos decadenciais previstos nos artigos 150, § 4º e 173 do CTN se referem ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito de IPI escriturado”. O enunciado das ementas do referido julgado ficaram assim redigidos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008, 01/06/2008 a 30/06/2008, 01/09/2008 a 30/09/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão do colegiado em ponto sobre o qual deveria pronunciar. DECADÊNCIA. GLOSA DE CRÉDITOS DE IPI. INAPLICABILIDADE DOS ARTIGOS 150, §4º E 173 DO CTN. Os prazos decadenciais previstos nos artigos 150, §4º e 173 do CTN se referem ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito de IPI escriturado. Embargos acolhidos em parte. Fl. 355DF CARF MF 6 Crédito Tributário Mantido em parte. E por refletir o entendimento deste Conselheiro, com respaldo no art. 50, § 1º, da Lei 9.784/1999, aqui adotase como razão de decidir os mesmos fundamentos exarados no voto condutor do referido julgado da lavra do i. Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, cujos excertos pertinentes sequem transcritos: Relativamente ao prazo decadencial para a constituição de crédito tributário, a matéria encontrase pacificada no STJ, com o julgamento do REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543C do CPC (recursos repetitivos), cuja decisão definitiva deve ser reproduzida nos julgamentos deste Conselho, por força da aplicação do artigo 62A do Anexo II do RICARF. Nos termos do julgamento do REsp 973.733/SC, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário dos tributos sujeitos a pagamento antecipado (lançamento por homologação) regese pelo art. 150, §4º do CTN, quando ocorre pagamento antecipado, ainda que inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em dolo, fraude ou simulação. Inexistindo pagamento ou ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo passa a ser regido pelo art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), ou seu parágrafo único, se verificada a existência de medidas preparatórias indispensáveis ao lançamento. Assim, a tese defendida pela recorrente de que a homologação do pagamento se refere à atividade exercida não encontra guarida no Superior Tribunal de Justiça. Entretanto, razão assiste à recorrente quanto à equiparação a pagamento homologável da dedução dos débitos escriturados com créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher, nos termos do artigo 124 do RIPI/2002, vigente à época dos fatos: Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Neste sentido, citase Acórdão nº 3403003.172, proferido pela Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento: DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DEDUÇÃO DE CRÉDITOS. SALDO CREDOR Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10825.720450/201133 Acórdão n.º 3302005.327 S3C3T2 Fl. 354 7 A dedução dos débitos, no período de apuração do IPI, dos créditos admitidos, de que resulta saldo credor equivale a pagamento e é hábil para deslocar a contagem do prazo decadencial para a regra do § 4º do art. 150 do CTN. Embora correta, esta tese defendida pela recorrente não se aplica ao caso presente, pois os prazos decadenciais previstos nos artigos 150, § 4º e 173 do CTN se referem ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito escriturado. A glosa repercute na apuração do IPI quando o contribuinte o utiliza para dedução de débitos, gerando saldos devedores de IPI, estes sim sujeitos ao prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. Pelos mesmos fundamentos apresentados no voto transcrito, este Relator também entende que o regramento sobre decadência, em especial, os prazos decadenciais previstos tanto no art. 150, § 4º, quanto no art. 173, ambos do CTN, aplicase apenas ao direito de constituir o crédito tributário, mediante lançamento, mas não se aplica ao direito de glosar créditos escriturais do IPI, por se tratar de situação distinta não alcançada pelos citados preceitos legais. Com base nessas considerações e por falta de previsão legal, não se acata a alegada decadência suscitada pela recorrente. Do crédito do IPI referente ao insumo aplicado em produto “NT” Nos presentes autos, embora o Colegiado de julgamento de primeiro grau tenha reconhecido e decidido, em caráter definitivo, que “às águas minerais naturais, com e sem gás, aplicase o ‘Ex’ 01 Águas minerais naturais”, que tem a anotação Não Tributado (“NT”) na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), a glosa em apreço referese apenas aos créditos relativos às águas minerais naturais sem gás. E em relação à este último produto não há qualquer dissenso de que ele seja produto com anotação “NT” na TIPI. Sabese que o direito de apropriação de créditos do IPI na aquisição de insumos aplicados nos produtos classificados na TIPI como “NT” é matéria que se encontra pacificada no âmbito da jurisprudência deste Conselho. Aliás, a matéria foi objeto da Súmula CARF nº 20, que transcrita: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. O texto da referida Súmula não faz qualquer diferença entre os produtos classificados na TIPI como “NT”, logo significa que, diferentemente do alegado pela recorrente, com base no art. 195, II, do RIPI/2002, ela alcança todos os produtos com a anotação “NT” na citada Tabela, incluindo, os produtos imunes ao citado imposto. E diferentemente do que alegou a recorrente, os julgados paradigmas, que respaldaram a edição da referida súmula, induvidosamente, confirmam o entendimento aqui esposado de que o enunciado da citada súmula contempla, sem exceção, todos os produtos com a anotação “NT” na TIPI. A título de exemplo, mencionase o Acórdão nº 20216.141, que trata do aproveitamento de créditos do IPI destacados nas notas fiscais de aquisição de insumos utilizados na produção de água mineral natural com ou sem gás, classificada no código 2201.10.00 Fl. 357DF CARF MF 8 da NCM, e incluída no “Ex” 01 da TIPI com a anotação “NT”, o mesmo produto fabricado pela recorrente. Para que não reste qualquer dúvida a respeito, leiase o trecho extraído do voto condutor julgado que segue transcrito: Primeiramente registrase que não há controvérsia em relação a que o produto em relação ao qual postulase o ressarcimento de crédito dos insumos nele embutidos e classificado como não tributado (NT) na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), sendo sua classificação fiscal, quer com relação à água natural ou gaseificada (água mineral natural adicionada de dioxido de carbono) 2201.10.00, EX 01. Esse entendimento está em consonância com o disposto no art. 6º da Lei 10.451/2002, a seguir reproduzido: Art. 6º O campo de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (não tributado). (grifos não originais) A simples leitura do citado preceito legal revela que todos os produtos com a anotação “NT” na TIPI estão fora do campo de incidência do imposto. E como a norma não fez qualquer exceção, certamente, não cabe ao intérprete fazêlo, especialmente, para fins de obtenção de benefício fiscal, que exige lei específica, nos termos do art. 150, § 6º, da Constituição Federal de 1988. No mesmo sentido, o entendimento manifestado no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5, de 17 de abril de 2006, que segue transcrito: Art. 1º Os produtos a que se refere o art. 4º da Instrução Normativa SRF nº33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais ao legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2º O disposto no art. 11 da Lei nº 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5ºdo Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na TIPI que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10825.720450/201133 Acórdão n.º 3302005.327 S3C3T2 Fl. 355 9 De acordo com o citado ADI, em relação aos produtos amparados pela imunidade, o direito de apropriação de créditos do IPI, assegurado no art. 11 da Lei 9.779/1999 (matriz legal do art. 195, II, do RIPI/2002, citado pela recorrente) restringese aos produtos tributados na TIPI, que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. Esse entendimento exposto no referido ADI está em conformidade com o disposto no art. 6º da Lei 10.451/2002 e reflete a firme jurisprudência deste Conselho, explicitada por meio da Súmula CARF nº 20, de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, nos termos do art. 45, VI, do Anexo II do RICARF/2015. Da conclusão Por todo o exposto, votase por negar provimento ao recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 359DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.723240/2014-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral o patrono Dr. Marco Alexandre Soares Silva, OAB/SC 17.420, escritório Eberhardt, Carrascoza & Advogados Associados.
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral o patrono Dr. Marco Alexandre Soares Silva, OAB/SC 17.420, escritório Eberhardt, Carrascoza & Advogados Associados. Winderley Morais Pereira - Presidente. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral o patrono Dr. Marco Alexandre Soares Silva, OAB/SC 17.420, escritório Eberhardt, Carrascoza & Advogados Associados. Winderley Morais Pereira Presidente. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Trata o presente processo de Autos de Infração da COFINS (fls.18) e PIS (fl.03), lavrados em nome do contribuinte em epígrafe pertinente à RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .7 23 24 0/ 20 14 -5 4 Fl. 966DF CARF MF Processo nº 13971.723240/201454 Resolução nº 3201001.142 S3C2T1 Fl. 3 2 insuficiência do recolhimento das contribuições, nos períodos de apuração de 09/2009 a 12/2013, conforme abaixo discriminado: No Relatório Fiscal fl.33 e ss, consta que: 1. Analisando os DACON apresentados, verificouse que a contribuinte informou valores expressivos na linha “13. Outras Operações com Direito a Crédito” das fichas 06A e 16A, fichas estas que refletem as aquisições da contribuinte passíveis de aproveitamento de créditos na apuração das contribuições ao PIS e COFINS, respectivamente. Verificouse ainda que, invariavelmente, não foram apurados valores de contribuições a pagar, e nem houve excedentes de créditos, ou seja, o total de créditos informados em cada mês de apuração foi exatamente igual ao valor das contribuições apuradas; 2. Em atendimento da intimação formulada, a contribuinte apresentou a planilha “Item 2.9 Contas contábeis e valores linha 13.xls”, que contém não só a indicação das contas contábeis, mas informações relativas a todos os lançamentos relacionados aos créditos pretendidos pela contribuinte. A análise desta planilha demonstrou que os créditos informados se referem a períodos de apuração antigos, abrangendo o período de outubro de 2004 a dezembro de 2013. Além disso, as contas contábeis foram indicadas apenas pelo seu código, sem apresentar a respectiva descrição da conta contábil. Como se trata de créditos extemporâneos, contabilizados desde outubro de 2004, muitas das contas citadas não estão presentes na contabilidade do período sob auditoria; 3. Mesmo para as contas cujos códigos puderam ser identificados na contabilidade, não há certeza sobre a sua identificação, pois o plano de contas da contribuinte pode ter sofrido alterações no decorrer do período; 4. O que se percebe é que a contribuinte pretende um alargamento do conceito de insumo, indo muito além do previsto na legislação do PIS e COFINS, adiante comentada. Para pautar seu procedimento, se socorre de acórdão emanado pelo CARF, e afirma que "a esmagadora maioria da doutrina e da jurisprudência, inclusive administrativa" reconhece que o conceito de insumo, para fins da apuração não cumulativa das contribuições, abrange os custos e despesas operacionais necessários para que as receitas operacionais sejam auferida; 5. O argumento da contribuinte não pode prosperar. Diversos acórdãos mais recentes emanados pelo CARF abordam o tema, e Fl. 967DF CARF MF Processo nº 13971.723240/201454 Resolução nº 3201001.142 S3C2T1 Fl. 4 3 restringem sobremaneira o entendimento que a contribuinte pretende adotar; 6. A justificativa apresentada para os valores informados nos DACON como “outras operações com direito a crédito” foi o alargamento do conceito de insumo; 7. Questionada sobre o fato de não ter aproveitado estes créditos no correspondente período de apuração das contribuições, aproveitando os de forma extemporânea, a contribuinte asseverou que, a partir do momento em que encampou a tese do alargamento do conceito de insumos, fez um levantamento dos últimos cinco anos, retroagindo a 2004, apurando as operações que originalmente não foram consideradas como insumos para apuração destas contribuições (resposta ao quarto quesito do Termo de Intimação Fiscal 02); 8. Assim, os insumos incontroversos quanto ao creditamento das contribuições já haviam sido considerados nos próprios períodos de apuração de sua competência, enquanto os ora analisados só foram considerados como “insumos” devido ao alargamento indevido deste conceito; 9. É de se esperar, portanto, que as “demais operações com direito a crédito” assim classificadas pela RENAUXVIEW, possuam características que impeçam, à luz da legislação das contribuições, o aproveitamento de créditos para a sua apuração; 10. Ao observar a legislação de regência, verificase que, de modo geral, os créditos que podem ser descontados na apuração das contribuições são calculados em relação às seguintes operações: Aquisição de bens para revenda; Aquisição de insumos; Aluguéis pagos; Arrendamentos mercantis pagos; Despesas de depreciação de máquinas, equipamentos, edificações e benfeitorias; Devoluções de bens; e Energia elétrica; 11. Tal relação, entretanto, é apenas ilustrativa e não exaustiva, sendo importante destacar que mesmo nas operações citadas existem restrições e condições específicas para o aproveitamento de créditos, que devem ser analisadas em cada caso concreto. Uma destas restrições, por exemplo, referese ao fato de que as aquisições de bens e serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições não geram direito ao crédito; 12. Conforme se verifica na argumentação da contribuinte, durante o procedimento fiscal, o ponto crucial de sua pretensão compreende a definição dos insumos que podem ser considerados como crédito no regime de incidência não cumulativa das contribuições PIS e COFINS, de que trata o art. 3º da Lei 10.833/2003; 13. Apesar da redação do dispositivo legal ser suficientemente clara ao vincular a utilização dos insumos com a fabricação de bens ou produtos destinados à venda, a Instrução Normativa SRF 404/2004 aborda novamente a questão, em relação à apuração da COFINS. Quanto ao PIS, disposição idêntica encontrase na INSRF nº Fl. 968DF CARF MF Processo nº 13971.723240/201454 Resolução nº 3201001.142 S3C2T1 Fl. 5 4 247/2002, especificamente em seu artigo 66, com as alterações efetuadas pela INSRF nº 358, de 2003; 14. Das planilhas apresentadas pelo contribuinte, identificando as contas contábeis e as agrupando conforme as operações que, em sua visão, geram direito ao creditamento na apuração do PIS e da COFINS, cabem as observações a seguir: A) Despesas Financeiras Em relação a valores pertinentes a despesas bancárias, despesas c/abertura carta de crédito, juros de empréstimos, correção monetária de empréstimos, juros de mora, despesas debêntures, entre outras, cuja própria denominação já é suficientemente clara para identificar a natureza de tais despesas, como tipicamente financeiras, é mister esclarecer que, apenas por um curto período foi permitido o aproveitamento de créditos sobre determinadas despesas financeiras, especificamente enquanto vigeu a redação original do inciso V do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, alterados em 2004 pela Lei 10.865; Assim, no período sob análise, não há permissão para o creditamento pretendido. B) Despesas com Vendas As Despesas com Vendas consideradas pelo contribuinte, tais como Material de Expediente, Despesas Postais, Propaganda e Publicidade, Royalites, Amostras, Serviço de Manutenção e Reparo, Feiras e Eventos, Gratificações, Brindes Promocionais, Serviços de Terceiros, entre outros, não se enquadram nas operações que geram direito ao crédito de PIS e COFINS; C) Matériasprimas, materiais de embalagens e peças de manutenção A denominação dada a este grupo pela contribuinte, “Matériasprimas, materiais de embalagens, peças de manutenção”, dá a impressão de tratarse de insumos que podem ter sido efetivamente consumidos no processo produtivo, ou seja, passíveis de creditamento na apuração do PIS e COFINS não cumulativos; No entanto, devemos recordar que as operações sob análise só foram consideradas pela contribuinte como passíveis de creditamento a partir do momento em que foi adotado o alargamento do conceito de insumo. Assim, tais operações não foram originalmente consideradas como insumos para apuração destas contribuições, sendo previsível que contenham características que, de fato, impeçam o creditamento à luz da legislação das contribuições; Dentre as contas contábeis classificadas neste grupo a mais expressiva é a denominada “116806 Materiais Diversos”, com um total de R$ 4.208.616,56. Com apoio na planilha anexa a este termo (Lançamentos contábeis relacionados a Outras Operações com Direito a Crédito.xlsx) foram identificados os lançamentos contábeis mais representativos desta conta; O maior lançamento se refere a uma aquisição feita junto a um restaurante, denominado MANA do Brasil Restaurante Ltda, contabilizada em 25/08/2010, no valor de R$ 54.402,67. Além deste, pelo menos outros dois lançamentos dentre os 12 mais expressivos Fl. 969DF CARF MF Processo nº 13971.723240/201454 Resolução nº 3201001.142 S3C2T1 Fl. 6 5 estão vinculados a aquisição de alimentos, como denuncia o nome dos fornecedores, a saber : 18/12/2010 SEARA Alimentos S/A, no valor de R$ 16.785,40, e 18/12/2009: Atacadão Brusquense de Alimentos Ltda, no valor de RS 12.475,00; Tal constatação é suficiente para afastar a pretensão da contribuinte, pois despesas com alimentação não se enquadram no conceito de insumo para fins do regime não cumulativo de apuração das contribuições. Outras contas contábeis agrupadas pela contribuinte como “Matérias primas, materiais de embalagens, peças de manutenção” denotam, pela própria nomenclatura, não se tratar de insumos hábeis para o creditamento. É o caso da conta “116802 Material para escritório” (valor total de R$ 1.842.681,42), cuja denominação torna evidente o seu uso no setor administrativo, fugindo do conceito de insumo hábil a gerar crédito na apuração das contribuições. Há ainda neste grupo as contas “116805 Vasilhames/Embalagens de processo” e “116604 Material de Embalagem”, com valores totais de R$ 565.765,78 e R$ 394.588,93, respectivamente; A este respeito, a jurisprudência administrativa tem acatado o creditamento apenas das embalagens que são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização, as chamadas embalagens de apresentação. Tais embalagens tem como finalidade a apresentação do produto ao consumidor final, em quantidades compatíveis com sua venda no varejo; Já as embalagens para transporte, incorporadas apenas depois de concluído o processo produtivo, não podem gerar direito ao creditamento relativo às suas aquisições; No caso da empresa fiscalizada, sua produção consiste de tecidos, a serem vendidos para outras indústrias têxteis, ou para empresas varejistas, que os vendem ao consumidor final. Tais produtos não comportam embalagens de apresentação, mas apenas para viabilizar o transporte; Por tal motivo, a contribuinte não se creditou originalmente de tais valores, mas apenas após rever e alargar, indevidamente, o conceito de “insumo” para apuração das contribuições no regime não cumulativo. D) Diversos Custos de Produção Neste grupo foram considerados lançamentos que totalizam R$ 21.345.761,93. A expressiva maioria está vinculado à conta contábil “411510 Serviços de Terceiros P.J.”, alcançando R$ 14.590.941,73; Analisando os lançamentos contábeis relacionados pela contribuinte, verificase que a maciça maioria deste valor referese ao fornecedor RIO VIVO ENGENHARIA AMBIENTAL LTDA, com diversos lançamentos alcançando o valor total de R$ 9.879.560,40 de 2004 a 2013. Conforme consulta ao sítio eletrônico da empresa (http://www.riovivo.com.br/), ela está habilitada a executar projetos, construir, gerenciar e operar Sistemas de Tratamento de Efluentes Fl. 970DF CARF MF Processo nº 13971.723240/201454 Resolução nº 3201001.142 S3C2T1 Fl. 7 6 Industriais e Sanitários,o que indica a natureza dos serviços prestados à contribuinte fiscalizada; Além deste prestador, outros identificados nos lançamentos contábeis permitem identificar a natureza dos serviços prestados, que seriam de assessoria, treinamento ou vinculados a tratamento de resíduos, tais como os seguintes: DJN ASSESSORIA E CONSULTORIA LTDA; FUNDAÇÃO BLUMENAUENSE DE ESTUDOS TÊXTEIS; RECICLE CATARINENSE DE RESÍDUOS LTDA; SENAI SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL; CATARINENSE ENGENHARIA AMBIENTAL S/A; e CAÇAMBA CIDADE LIMPA LTDA; Apesar de relevantes e necessários, tais serviços são auxiliares ou complementares ao processo produtivo, não podendo ser considerados como insumos para fins de creditamento para apuração das contribuições. E) Despesas Operacionais Diversas contas integrantes de tal grupo já evidenciam, pela sua descrição, o motivo da contribuinte não ter se creditado das contribuições nos períodos originais de tais aquisições, tais como Assinatura de Jornais e Revistas, Seguros, Benfeitorias, Associação de Classe, Assinaturas e Publicações, Despesas Postais, entre outras..São operações manifestamente impróprias para a geração de créditos para apuração das contribuições; A conta principal deste grupo, com lançamentos que remontam a R$ 12.921.077,56 no período, é a denominada “440319 Serviços de Terceiros Pessoa Jurídica”. Analisando os lançamentos contábeis correspondentes, verificase que englobam despesas com advogados, serviços contábeis e de auditoria, serviços de informática, de segurança privada, dentre outros. Evidentemente não se tratam de serviços utilizados diretamente no processo produtivo das mercadorias sujeitas às contribuições PIS e COFINS; F) Gastos com Pessoal A descrição das contas contábeis e dos fornecedores indicados nos lançamentos contábeis demonstram que os gastos mais representativos se referem à alimentação, plano de saúde, bolsas de estudo, valetransporte e treinamento, que não permitem o creditamento para apuração das contribuições. G) Imobilizado A mera descrição deste grupo, e das contas contábeis que o compõem, já demonstra tratarse de instalações e equipamentos do imobilizado, sendo que apenas as respectivas despesas de depreciação podem gerar créditos na apuração das contribuições; Esta breve análise confirmou que, de fato, as operações sob análise contêm características que impedem o creditamento sobre o valor de tais aquisições, justificando o fato da contribuinte não ter aproveitado os respectivos créditos nos períodos originais de apuração das contribuições, mas apenas após rever e expandir, de maneira indevida, o conceito de insumo; Fl. 971DF CARF MF Processo nº 13971.723240/201454 Resolução nº 3201001.142 S3C2T1 Fl. 8 7 E justamente este aproveitamento de créditos a destempo caracteriza outro óbice para a pretensão da contribuinte. 15. Conforme a contribuinte afirma textualmente em sua resposta ao Termo de Intimação Fiscal 02, a partir do momento que a empresa resolveu adotar o conceito mais amplo de insumo para fins de apuração das contribuições, promoveu o "levantamento e a consequente tomada dos créditos dos cinco anos anteriores a essa tomada de decisão,a partir do que, esses créditos levantados foram sendo lançados em “outros créditos no DACON”; 16. De fato, a planilha “Item 2.9 Contas contábeis e valores linha 13.xls” apresentada em atendimento ao Termo de Início de Procedimento Fiscal demonstra que a contribuinte apurou tais créditos desde outubro de 2004 até dezembro de 2013, e os aproveitou nos períodos de apuração de setembro de 2009 a dezembro de 2013; 17. Nem mesmo ao final de 2013 o aproveitamento de créditos pretendidos pela contribuinte foi feito nos meses de apuração corretos. Somente parte do valor informado no DACON de dezembro de 2013, e apenas no caso do PIS, são originários de operações daquele mês; 18. Assim, tais créditos relativos a períodos anteriores ao fato gerador da contribuição serão aqui doravante denominados como créditos extemporâneos; 19. Tais créditos extemporâneos sujeitamse à glosa integral, independentemente da eventual procedência do direito da contribuinte caso tivessem sido informados tempestivamente (procedência que, como já visto, não encontra amparo legal). Dispondo sobre o DACON encontravase em vigor em 2009 a IN RFB n° 940, de 19/05/2009 que, no caput de seu art. 14, e em específico o seu parágrafo primeiro, aborda a retificação de demonstrativos.Tal normativa foi substituída pela IN RFB n°. 1.015, de 05/03/2010 que tratou de idêntica forma o assunto, conforme seu artigo 10; 20. Com base em tais artigos, importa concluir que o aproveitamento dos créditos sob análise deveria ter sido feito mediante a retificação dos demonstrativos dos períodos próprios dos créditos. Ademais das prescrições normativas acima indicadas, ressaltese que a posição aqui adotada, quanto ao não acatamento desses créditos extemporâneos, não se fundamenta simplesmente em excessivo rigor formal para obstaculizar o direito em questão, mas sim da inarredável constatação de que o gozo do benefício fiscal em questão cingese à existência de controles mínimos por parte do fisco, em observância ao princípio da indisponibilidade do interesse público. Não se tem como apreciar créditos de 2004 no bojo da análise dos períodos de 2009, por exemplo. Os direitos daqueles anos pretéritos haveriam de ser apreciados em conjunto com as informações pertinentes àqueles períodos, até mesmo para se verificar se tais créditos, de fato, não foram utilizados em seus períodos próprios, condição indispensável para a pretensão da contribuinte, de os aproveitar extemporaneamente; Fl. 972DF CARF MF Processo nº 13971.723240/201454 Resolução nº 3201001.142 S3C2T1 Fl. 9 8 21 Além disso, o mecanismo da nãocumulatividade insculpido nas leis de regência requer que o débito e o total dos créditos apurados sejam confrontados no mesmo período de apuração. Assim, da mesma forma que não seria cabível um eventual acréscimo de débitos de 2004 ser agora informado como compondo débitos de 2009, também não é pertinente que o débito de 2009 seja confrontado com créditos de 2004, senão com saldos remanescentes deles, para obter a contribuição devida nesses períodos de apuração de 2009; 22. Mesmo a norma do parágrafo 4o do artigo 3o das leis 10.637 e 10.833, de que o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes, não pode ser invocada pela contribuinte, uma vez que não devem caber dúvidas quanto ao seu alcance. Tal disposição trata de crédito excedente de um determinado mês, após o desconto com os débitos do mesmo período, ou seja, referese a valores devidamente informados nos DACON próprios e não aproveitados, por serem superiores ao débito apurado. Logo tal disposição não significa autorização para que se aproveite direitos de períodos anteriores da forma como pretendeu a contribuinte; 23. Assim, restou comprovado à exaustão que não é permitido o aproveitamento de créditos relativos a operações de períodos anteriores, que deve ser feito exclusivamente pela retificação dos demonstrativos dos competentes períodos de apuração. Devidamente cientificada em 19/09/2014 fl.76, a interessada apresentou, em 20/10/2014 fl.79 e ss, impugnação, alegando em resumo que: 1. De imediato, temos que o entendimento da autoridade fazendária, de exigir a retificação dos DACONs anteriores, para apropriação de créditos extemporâneos, não encontra eco na norma de regência do PIS/COFINS. Afinal, a partir do momento em que se adota tal procedimento não há extemporaneidade, na medida em que os créditos e débitos são confrontados dentro dos respectivos períodos de apuração; 2. Com o devido respeito, causa espécie a posição adotada no caso concreto pela autoridade fazendária, pois na sua visão os trabalhos investigativos teriam validade para desconsiderar informações dos DACONs apenas naquilo que prejudica a empresa. Já nos pontos em que isso beneficia a empresa, vem a alegação de que prevalecem as informações prestadas originariamente; 3. Não se olvide, jamais, da natureza rígida e exaustiva do sistema jurídico tributário, lastreado nos princípios da legalidade e da tipicidade (CF/88, arts. 5o, caput, II; e 150, I; e CTN, arts. 3º e 97), dos quais decorrem a exigência da formalização do crédito tributário via ato administrativo de lançamento, cujo ônus da prova da ocorrência do fato gerador e da identificação do montante tributável por determinada exação é do fisco; 4. Originandose o crédito tributário da correspondente obrigação tributária e esta da ocorrência, no mundo dos fatos, da prática de algum ato que implique no dever de pagar tributo, concluise que, diferentemente das prestações contratuais, que são obrigatórias por Fl. 973DF CARF MF Processo nº 13971.723240/201454 Resolução nº 3201001.142 S3C2T1 Fl. 10 9 força da vontade das partes contratantes, na relação tributária a obrigação de prestar não é volitiva, pois se impõe diretamente da lei, independentemente da manifestação de vontade daquele a quem a lei vincula a obrigação. Isso é o que se dessume, dentre outros, dos arts. 150, I, da Constituição Federal de 1988, e dos arts. 3o e 97, do Código Tributário Nacional; 5. Ao contrário do que restou assentado no relatório fiscal, no caso o ônus da prova não é apenas do contribuinte, mas compartilhado com o fisco, e a partir do momento em que a empresa aponta a origem dos créditos compensados, a fiscalização deverá realizar os trabalhos investigativos a seu encargo, isto é, auditar as informações correspondentes. É sob este aspecto que se invoca a verdade material; 6. No que interessa ao caso dos autos, os créditos utilizados pela empresa são reais, estando materialmente incólume a sua conduta. Não será, pois, o não cumprimento de mera formalidade que terá o condão de infirmar créditos ilegítimos. O que ocorre é que estamos diante de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, em que o contribuinte, internamente, na sua própria contabilidade, apura os valores devidos e os declara ao fisco; 7. Assim, se o DACON está em descompasso com a realidade da escrita da empresa, o que deve prevalecer é a realidade dos fatos, seja em prol do fisco (no caso de lançamento suplementar), seja a favor do contribuinte (para reconhecer crédito não acusado pelo sistema); 8. Enfim, sempre com o devido respeito, não há condições de subsistir a premissa adotada na fiscalização, no sentido de que a ausência de retificação prévia dos DACONs justificaria a glosa levada a cabo. Tratase de medida desnecessária, cabendo à autoridade fazendária adotar as medidas pertinentes à quantificação dos créditos apontados pelo contribuinte; 9. Ao tratar dos créditos extemporâneos apontados pela empresa, a fiscalização se apegou a alguns casos específicos, em torno dos quais existe certa controvérsia, sem observar, contudo, que em muitas hipóteses o crédito se sustenta mesmo diante da (incorreta) interpretação restritiva defendida pela fazenda; 10. Para todas as hipóteses levantadas pela fiscalização, com efeito, é muito claro o direito de crédito, ante o disposto no art. 3o, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, devendo ser provida a presente impugnação neste aspecto igualmente. Como informado ao longo do procedimento fiscalizatório, a empresa entende que o seu direito aos créditos das contribuições em destaque é muito mais amplo do que vem reconhecendo a Receita Federal e a incorreção deste ponto demonstra a impropriedade das glosas levadas a efeito; 11. Em verdade, o rol de créditos contido nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, art. 3o, é meramente exemplificativo, não se limitando às hipóteses nele previstas textualmente; 12. Para que bem se possa desvendar a matéria posta sob exame, não se pode prescindir da análise do conteúdo e alcance do princípio constitucional da nãocumulatividade tributária; Fl. 974DF CARF MF Processo nº 13971.723240/201454 Resolução nº 3201001.142 S3C2T1 Fl. 11 10 13. De fato, com a edição da Emenda Constitucional nº 42/2003, a aplicabilidade deste princípio às contribuições sociais de que se está a tratar ganhou contornos constitucionais. Assim sendo, em que pese as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, decorrentes da conversão de medidas provisórias prévias, serem anteriores à mencionada previsão constitucional da nãocumulatividade, resta evidente que toda sua regulamentação deve ser harmonizada e compatibilizada com a sistemática constitucional vigente para esse primado tributário; 14. Nesse sentido, devese ter em mente que a tributação não cumulativa tem por finalidade neutralizar os efeitos da repercussão tributária dentro da cadeia de fabricação e circulação de produtos, impedindo que o repasse do ônus econômico da incidência do tributo ao preço do produto tributado (repercussão tributária) venha a onerar o empresário, que poderá compensar o tributo previamente incidente com o por ele devido; 15. Com isso, sob o ponto de vista econômico, tributase apenas o valor adicionado ou agregado ao produto fabricado por cada empresário e, como dito, neutralhizase o fenômeno da repercussão tributária ao longo da cadeia produtiva. Apenas o consumidor final, que não tem direito ao crédito do tributo, arcará economicamente com o ônus da imposição tributária; 16. Vale dizer, na sistemática da incidência tributária nãocumulativa, a regra é que o tributo incidente na etapa anterior seja sempre aproveitado pelo contribuinte empresário na etapa subsequente, vindo a onerar única e exclusivamente o consumidor final. Portanto, a vedação ao crédito do tributo incidente na etapa anterior, por qualquer motivo que seja, é exceção à regra, não podendo prevalecer acaso não esteja constitucionalmente autorizada; 17. Para a máxima e efetiva aplicação do princípio da não cumulatividade, todas as despesas e custos pagos ou incorridos pelos contribuintes, onerados pelo PIS/COFINS, haverão de gerar, necessariamente, créditos para o abatimento do valor devido a título de essas contribuições, sob pena de tornar sua cobrança cumulativa; 18. Especificamente em relação às despesas financeiras, cuja negativa ao crédito reside nos arts. 21 e 37, da Lei n.° 10.865/2004, tais regras apresentamse eivadas de inconstitucionalidade, pois ofensivas ao primado da nãocumulatividade tributária, de observância obrigatória também para a cobrança das contribuições a COFINS e ao PIS, tal como exigido pelo § 12 do art. 195 da Magna Carta de 1988, acrescentado pela Emenda Constitucional n. 42/2003; 19. Com efeito, citado preceito constitucional, ao impor a observância do princípio da nãocumulatividade tributária sobre essas exações, facultou a legislação infraconstitucional, única e exclusivamente, definir os setores da economia para os quais haveria a sua incidência, não lhe outorgando competência para disciplinar quais as despesas e custos pagos ou incorridos pelos contribuintes seriam ou não passíveis de gerar crédito dessas exações; Fl. 975DF CARF MF Processo nº 13971.723240/201454 Resolução nº 3201001.142 S3C2T1 Fl. 12 11 20. Dessa forma, sem prejuízo do amplo direito de crédito defendido no tópico precedente, nos casos em tela, relativos a coleta de resíduos sólidos, tratamento de efluentes, cavaco, embalagens de transporte e peças de reposição, a empresa defende pontualmente o direito de crédito, com amparo nos precedentes supra; 21. Temse ainda que a glosa de créditos deu lugar à exigência de PIS/COFINS supostamente devidos, em cuja base de cálculo, é sabido, a fazenda insiste defender a inclusão do ICMS, destinado aos Estados. Segundo o artigo 110 do CTN, os conceitos de direito privado, utilizados pelo legislador constitucional, expressa ou implicitamente, não poderão ser alterados pelo legislador e muito menos pelo aplicador da norma. Tratase de dispositivo de conteúdo meramente didático, pois, evidentemente, a Constituição prevalece sobre as demais regras do ordenamento em vigor, independentemente de qualquer disposição ordinária em tal sentido; 22. De outro lado, na hipótese de a Constituição nao lançar mão de conceito de direito privado, o legislador ordinário poderá alterar institutos, equiparando relações que não encontram correspondência direta na vida civil (artigo 109, CTN). Poderá estatuir, que a doação equivale à compra e venda, para fins de exigência de determinado tributo; 23. Destarte, inequívoco se apresenta que está consagrado na ordem jurídica vigente, como barreira intransponível para a válida e legítima incidência das contribuições sociais previdenciárias (ou de seguridade social) denominadas PIS/COFINS, a percepção de faturamento e/ou receita, sendo esse o núcleo da hipótese de incidência autorizada para a cobrança dessas exações. Ou seja, a base de cálculo das mesmas está constitucionalmente prevista; 24. Nessa direação há de se atentar que somente poderão ser tidos por faturamento/receita os valores que representarem o ingresso de recursos financeiros que se aderem definitivamente ao patrimônio e à propriedade da pessoa que os auferiu, traduzindose, pois, em riquezas novas; 25. O ICMS não representa faturamento, mas sim ônus fiscal, razão pela qual não pode ser a ele equiparado. Por tal razão, é indene de dúvidas que não pode compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. De fato, o ICMS não constitui receita própria, mas sim receita alheia, no caso, do Estado credor. Tratase, na realidade, de ingresso de numerário que não integra o patrimônio da empresa, pois apenas transita pelos cofres e pela contabilidade desta para depois serem repassados ao Fisco Estadual sujeito ativo do referido tributo; 26. Logo, natural é que não se tribute valores que não pertencem à empresa e nem que não se refiram ao seu acréscimo patrimonial, porquanto resultaria numa tributação com efeito confiscatório, nos termos do inciso IV, do art, 150 da CF/88; 27. Outra questão a ser debatida na presente defesa circunda a impossibilidade de os juros Selic incidirem sobre a multa de ofício. O art. 161 do CTN, regra com status de lei complementar, apenas autoriza a incidência de juros sobre o principal não pago; Fl. 976DF CARF MF Processo nº 13971.723240/201454 Resolução nº 3201001.142 S3C2T1 Fl. 13 12 28. Em uma simples análise da norma, concluise que ela está a se referir ao principal, pois incidente sobre o valor não pago no vencimento, momento em que não existem acréscimos de multa ou juros; 29. Somente depois do vencimento se afigura cabível a incidência de tais acréscimos, e se a norma fala em valor devido no vencimento, ela está a se referir ao principal, e não aos seus acessórios. Entendimento diverso ao ora defendido implica em locuplemento ilícito do Estado, ante o abandono de suas funções públicas, para assumir papel de entidade privada, como se instituição bancária fosse, incorrendo em verdadeiro confisco, ao arrepio do disposto nos arts. 5º, caput, e 150, IV, da CF/88; 30. Tanto é procedente a tese ora levantada, que a própria legislação ordinária, Lei nº 9.430/96, prevê a incidência da taxa SELIC sobre os débitos relativos a tributos e contribuições, ou seja, sem qualquer menção de incidência de juros sobre multa; 31. Enfim, não colhe a conhecida prática adotada pela RFB de onerar a multa de ofício com a indevida incidência da taxa SELIC, devendo ser expurgada tal cobrança; 32. Em face do exposto, requer seja recebida e regularmente processada a presente impugnação, suspendendo a exigibilidade de todo o crédito tributário impugnado e, ao final, julgada integralmente procedente a defesa e por consequência cancelar os autos de infração combatidos, ou, quando menos, o seu cancelamento parcial, mediante expurgo das parcelas indevidas e cômputo de créditos extemporâneos legítimos, bem como exclusão dos juros de mora sobre a multa de ofício. Junto com a impugnação, o contribuinte carreou aos autos Procuração, documentos de identidade, Estatuto Social, além de cópias de diversas Notas Fiscais." A decisão recorrida julgou improcedente a impugnação e apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2013 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da COFINS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário, o que não consta ser o caso da interessada. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. Fl. 977DF CARF MF Processo nº 13971.723240/201454 Resolução nº 3201001.142 S3C2T1 Fl. 14 13 É exigida a entrega de Dacon e DCTF retificadoras quando houver aproveitamento extemporâneo de créditos da Cofins. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. Os bens e serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da nãocumulatividade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2013 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário, o que não consta ser o caso da interessada. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. É exigida a entrega de Dacon e DCTF retificadoras quando houver aproveitamento extemporâneo de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. Os bens e serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da nãocumulatividade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2013 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" O recurso voluntário foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) desnecessidade de retificação de declarações anteriores (DCTF e DACON); Fl. 978DF CARF MF Processo nº 13971.723240/201454 Resolução nº 3201001.142 S3C2T1 Fl. 15 14 (ii) que o art. 3°, §4°, das Leis 10637/2002 e 10833/2003 dispõe que o crédito (nãocumulativo de PIS/COFINS) não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes; (iii) não há amparo legal para exigir a retificação de DACONS's e DCTF's anteriores, para apropriação de créditos extemporâneos; (iv) que ao caso deve se aplicar o princípio de verdade material; (v) que não é o descumprimento de mera formalidade que possui o condão de infirmar créditos legítimos; (vi) são incontroversos os créditos pleiteados (insumos), e cita como exemplo: a) algodão utilizado na fabricação de tecidos; b) fio 40/1, utilizado na fabricação de tecidos; c) DEVEKOT RN, produto químico utilizado no beneficiamento do tecido; d) combustíveis, inclusive gás natural industrial, e lubtificantes, todos utilizados no processo produtivo; e) aluguéis de máquinas e equipamentos; f) serviços prestados por terceiros ao longo do ciclo produtivo, tais como tingimento de fios/tecidos, calandragem, estamparia; g) serviços de transporte de insumos. (vii) o rol de créditos contido nas Leis 10637/2002 e 10833/2003 é meramente exemplificativo, sendo amplo; (viii) deve ser respeitado o princípio da nãocumulatividade, devendo todas as despesas e custos incorridos gerar crédito; (ix) com relação as despesas financeiras, cuja negativa de crédito se deu em função dos arts. 21 a 37 da Lei 10865/2004, que tal regramento legal está eivado de inconstitucionalidade; (x) cita outras hipóteses de créditos, tais como, a) coleta de resíduos sólidos e tratamento de efluentes; b) cavaco; c) embalagens de transporte e d) peças de reposição, que nestas situações pontuais, a jurisprudência do CARF vem reconhecendo o direito ao crédito de PIS e COFINS; (xi) que o ICMS não compõe a base de cálculo do PIS e da COFINS, por não representar faturamento; (xii) não podem incidir juros sobre a multa de ofício, sendo que os juros somente podem incidir sobre o principal de acordo com o art. 161 do CTN; Fl. 979DF CARF MF Processo nº 13971.723240/201454 Resolução nº 3201001.142 S3C2T1 Fl. 16 15 (xiii) que a Lei 9430/1996 prevê a incidência da taxa SELIC sobre os débitos relativos a tributos e contribuições, sem fazer menção de incidência de juros sobre multa, e (xiv) o lançamento é ilíquido e incerto. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Denotase que parcela significativa do recurso referese ao direito de a recorrente se creditar do PIS e da COFINS (nãocumulatividade) sobre valores incorridos na aquisição de bens e serviços caracterizados como insumos. A recorrente cita como exemplos de insumos: a) algodão utilizado na fabricação de tecidos; b) fio 40/1, utilizado na fabricação de tecidos; c) DEVEKOT RN, produto químico utilizado no beneficiamento do tecido; d) combustíveis, inclusive gás natural industrial, e lubrificantes, todos utilizados no processo produtivo; e) aluguéis de máquinas e equipamentos; f) serviços prestados por terceiros ao longo do ciclo produtivo, tais como tingimento de fios/tecidos, calandragem, estamparia; g) serviços de transporte de insumos. Cita outras hipóteses de créditos, tais como, a) coleta de resíduos sólidos e tratamento de efluentes; b) cavaco; c) embalagens de transporte e d) peças de reposição Aqui, merece ser salientado o entendimento do Conselheiro Winderley Morais Pereira, externado no processo 10940.903774/201199 in verbis: "Estáse as voltas novamente com a discussão sobre o creditamento de insumos para apuração das contribuições sobre o PIS e a COFINS. Matéria que tem sido objeto de julgamento em diversas turmas desta terceira seção. É cediço que a situação atual do julgamento no CARF é de aplicar o conceito de insumos em relação ao processo produtivo do contribuinte, adotando uma posição intermediária entre aquela considerada pela Receita Federal, com base na IN SRF 247/02 e IN SRF 404/04 e aquela defendida por muitos contribuintes em que todas as despesas e aquisições realizadas estariam incluídas no conceito de insumo. Em razão destes posicionamentos, nos deparamos com situações distintas no processo. A Fiscalização ao auditar a empresa, utilizando as regras constantes das instruções normativas da Receita Federal, não se atem ao exame detalhado da situação das aquisições e despesas Fl. 980DF CARF MF Processo nº 13971.723240/201454 Resolução nº 3201001.142 S3C2T1 Fl. 17 16 incorridas no processo produtivo, utilizando critérios que ao sentir da Fiscalização são suficientes para afastar tais despesas do conceito de insumo, procedendo assim, as glosas aos créditos informados pelo contribuinte. De outro giro, o contribuinte ao se deparar com a posição adotada pelo Fisco e considerando o seu próprio entendimento sobre o conceito de insumo. Apresenta os seus recursos administrativos alegando que as aquisições de bens e serviços informados como insumo em sua totalidade são procedentes, aplicando um conceito amplo em que todas as despesas seriam aptas a serem consideradas para fruição dos créditos das contribuições. Conforme dito alhures, as turmas do CARF vem entendendo que para a definição das despesas com aquisição de bens e serviços que possam ser consideradas insumos para aproveitamento de créditos é necessária uma definição clara de quais produtos e serviços estão sendo pleiteados, além de identificar em qual momento e fase da processo produtivo eles estão vinculados. Assim, em muitas situações, tanto os relatórios e trabalhos de auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federal, quanto os documentos e argumentos apresentados pelos contribuintes em seus recursos, não são suficientes para a definição de quais despesas estariam incluídas no conceito de insumo a serem consideradas possíveis de gerar créditos no cálculo das contribuições do PIS e da COFINS não cumulativos." Pala análise dos documentos e informações constantes dos autos, entendo que não são suficientes para definir com exatidão quais são os insumos (bens e serviços) glosados pela Fiscalização que integram o processo produtivo da recorrente e quais deles fariam jus a recorrente terem como mantidos para fins de creditamento. Sendo assim, em vista de todo o exposto, em homenagem ao princípio da verdade material que norteia o processo administrativo fiscal, bem como para fins de se ter efetiva noção do processo produtivo, serviços e produtos utilizados pela recorrente, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: (i) Intime a Recorrente a apresentar, no prazo de 90 (noventa) dias, prorrogável uma vez por igual período, laudo que descreva detalhadamente o seu processo produtivo, apontando a utilização dos insumos, serviços, despesas, custos ora glosados na sua produção, ou na prestação de serviços vinculados ao processo produtivo e ao seu objeto social; O laudo deverá, entre outros: a) demonstrar a função de cada bem e serviço que pretende o reconhecimento como insumo e o motivo pelo qual ele é indispensável ao processo produtivo; b) esclarecer o teor de cada uma das atividades exercidas pela recorrente vinculando ao processo produtivo ou ao seu objeto social; (ii) Cientifique a fiscalização para se manifestar sobre o resultado da diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário, com a elaboração de relatório; (iii) Cientifique a recorrente sobre o resultado do relatório da fiscalização, para que, se assim desejar, apresente no prazo legal de 30 (trinta) dias, manifestação. Fl. 981DF CARF MF Processo nº 13971.723240/201454 Resolução nº 3201001.142 S3C2T1 Fl. 18 17 Cumpridas as providências indicadas, deve o processo retornar ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF para julgamento. É como voto. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 982DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.900906/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. TRIBUTOS REGULARMENTE DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Nos termos da Súmula 360/STJ, e dos REsp n. 962.379/RS e n. 1.149.022/SP, ambos na sistemática do art. 543-C do antigo CPC (artigo 1036 do novo Código de Processo Civil), o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados (v.g. em DCTF), mas pagos a destempo.
Numero da decisão: 3401-004.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes), Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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INAPLICABILIDADE. TRIBUTOS REGULARMENTE DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos termos da Súmula 360/STJ, e dos REsp n. 962.379/RS e n. 1.149.022/SP, ambos na sistemática do art. 543C do antigo CPC (artigo 1036 do novo Código de Processo Civil), o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados (v.g. em DCTF), mas pagos a destempo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes), Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 09 06 /2 00 9- 12 Fl. 90DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 2 a 61, transmitido em 31/08/2004, buscando compensar crédito de COFINS com débitos de IRPJ, no valor de R$ 121.68. No Despacho Decisório Eletrônico de fls. 7/9, informase que o pagamento foi localizado, mas utilizado integralmente para quitar débitos da empresa, não restando saldo disponível para a compensação. Ciente do despacho em 06/04/2009 (fl. 10), a empresa interpôs Manifestação de Inconformidade em 29/04/2009 (fls. 11 a 23), alegando, em síntese, que: (a) antes de qualquer notificação por parte do fisco, pagou o equivalente a R$ 6.381,31, sendo R$ 1.044,15 a título de multa de mora, quando do recolhimento em atraso de débitos de COFINS; (b) por ter havido denúncia espontânea, a multa de mora, que tem caráter sancionatório (como atesta a Súmula no 565 do STF), é indevida, tendo sido objeto de pedido de compensação com débito de IRPJ; e (c) o STJ, no REsp no 111.470/SC, entre outros, assentou que é inexigível a multa de mora em casos como o presente . A decisão de primeira instância, proferida em 03/09/2009 (fls. 41 a 43) foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os fundamentos de que: (a) a empresa apresentou declaração de compensação alegando a existência de direito creditório oriundo do recolhimento de multa de mora pelo pagamento a destempo de COFINS do período de apuração 01/06/2004 a 30/06/2004, argumentando que não seria devida a multa de mora, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea; e (b) é pacífico, administrativa e judicialmente, o entendimento de que não se configura a denúncia espontânea em relação a valores declarados em DCTF, tendo em vista já ser o débito de conhecimento do fisco. Após ciência da decisão da DRJ, em 28/09/2009 (AR de fl. 46), a empresa apresentou o Recurso Voluntário de fls. 48 a 61, em 19/10/2009, reiterando os argumentos expressos na peça inicial de defesa, e acrescentando que é equivocado o entendimento da DRJ de que valores declarados em DCTF não configuram denúncia espontânea, pois em alguns casos, como o presente, o pagamento sucede a denúncia espontânea. Em 10/08/2011, o julgamento foi convertido em diligência, por meio da Resolução no 3401001.292, para que a unidade local informasse se o débito a que o recolhimento foi vinculado consta em DCTF, e, em caso afirmativo, se ela foi entregue antes do recolhimento (ou, em caso negativo, qual o instrumento que permitiu a sua vinculação ao pagamento realizado, indicando no caso de “processo” a sua natureza, isto é, se o processo referese a parcelamento, lançamento de ofício ou outro). Em resposta, a unidade preparadora da RFB anexou os documentos de fls. 69 a 73 (excerto de DCTF e consulta de pagamento), informando que houve, efetivamente, declaração em DCTF, anterior ao recolhimento (fls. 74/75), tendo a empresa tomado ciência do resultado da diligência em 19/06/2017 (fl. 85), sem emitir considerações adicionais. No CARF, o processo foi distribuído a este relator, por sorteio, em julho de 2017. Em janeiro e fevereiro de 2018, o processo foi pautado e retirado de pauta por falta de tempo hábil para julgamento. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 91DF CARF MF Processo nº 11040.900906/200912 Acórdão n.º 3401004.449 S3C4T1 Fl. 91 3 É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Há apenas uma discussão no presente processo, referente à incidência de multa de mora em recolhimentos espontâneos. E, sobre a matéria, já se posicionou o Superior Tribunal de Justiça (STJ), na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do antigo CPC, artigo 1036 do novo Código de Processo Civil), afirmando que a apresentação de DCTF ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do fisco: “TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, “O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo”. É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08.” (grifo nosso) 2 Adicionese ainda outro precedente do STJ sobre o tema, em caráter complementar, igualmente na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.149.022/SP): “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. 2 STJ, REsp n. 962.379RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, unânime, 22.out.2008. Fl. 92DF CARF MF 4 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que “a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte” (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. (...) 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” 3 (grifo nosso) E as decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos são de acolhida obrigatória por este tribunal administrativo, por força do art. 62 do Regimento Interno do CARF (em verdade, depois da Lei no 12.844/2013, que deu nova redação ao art. 19, V e § 5o da Lei no 10.522/2002, passaram a ser de acolhida obrigatória por toda a RFB). Há, inclusive, Súmula do STJ, relacionada ao primeiro precedente do STJ aqui citado, afirmando que “o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos 3 STJ, REsp n. 1.149.022SP, Rel. Min. Luiz Fux, unânime, 9.jun.2010. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 11040.900906/200912 Acórdão n.º 3401004.449 S3C4T1 Fl. 92 5 sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo” (Súmula no 360/STJ). No presente caso, como atesta o resultado da diligência, o débito em questão, correspondente à COFINS de março/2004, código de receita 58561 – valor de R$ 5.220,74, foi declarado em DCTF, ND 1000.000.2004.1720067122, entregue em 14/05/2004, e o pagamento objeto da controvérsia foi realizado em 14/06/2004. Assim, é inequívoco que o débito estava declarado em DCTF, e que foi pago a destempo, aplicandose ao caso a citada Súmula STJ e os precedentes julgados na sistemática dos recursos repetitivos, que vinculam este tribunal administrativo. Não há, então, que se falar em denúncia espontânea, no presente caso, não remetendo o presente contencioso ao artigo 138 do Código Tributário Nacional, como demandava a recorrente. E, por consequência, inexiste crédito resultante de pagamento indevido. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 94DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.900730/2013-88
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que aprecie os documentos apresentados pela recorrente no Recurso Voluntário, para que a autoridade fiscal da repartição de origem analise as Dacon's, bem como intime o recorrente para apresentar a respectiva escrita contábil e fiscal e os documentos a ela inerentes e, a critério da fiscalização, outros elementos de prova e/ou esclarecimentos que entenda necessários para comprovar a pertinência das informações contidas na Dacon e DCTF retificadora.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que aprecie os documentos apresentados pela recorrente no Recurso Voluntário, para que a autoridade fiscal da repartição de origem analise as Dacon's, bem como intime o recorrente para apresentar a respectiva escrita contábil e fiscal e os documentos a ela inerentes e, a critério da fiscalização, outros elementos de prova e/ou esclarecimentos que entenda necessários para comprovar a pertinência das informações contidas na Dacon e DCTF retificadora. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto com o fim de guerrear a decisão de piso cujo enredo a ser tratado, cingese à manutenção de negativa de homologação de compensação sob fundamento de ausência de entrega de DCTF retificadora anteriormente à entrega da DCOMP. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 00 73 0/ 20 13 -8 8 Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10850.900730/201388 Resolução nº 3001000.051 S3C0T1 Fl. 141 2 Despacho Decisório Em decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp na qual, houve reconhecimento de direito creditório que foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual foi homologado parcialmente a compensação declarada não havendo valor a ser restituído/ressarcido. Manifestação de Inconformidade A recorrente, em breve síntese, alega ter ocorrido pagamento a maior de Cofins, motivo pelo qual compensou com débito posterior. Em sua defesa, socorrese ao argumento de haver enviado DCTF retificadora, inserindo, portanto, a informação sobre a operação tributária efetuada, ressaltando, ter sido entregue anteriormente à emissão do Despacho Decisório. DRJ/FNS A manifestação de inconformidade teve a seguinte ementa: Acórdão 0737.347 4ª Turma COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório, por bem retratar a formação probatória nos autos, e, de maneira fidedigna, reproduzir o narrado, merece ser reproduzido em íntegra: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp) eletrônica nº 28512.44809.070313.1.3.040152, transmitida em 07 de março de 2013, por meio da qual a contribuinte solicita compensação de débito com crédito, no valor de R$ 4.316,83, que teria sido indevidamente recolhido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, mediante Darf código 2172, em 23 de abril de 2010, no valor de R$ 44.517,99, relativo ao período de apuração de 31 de março de 2010. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto SP pela homologação parcial da compensação declarada, mediante Despacho Decisório, à folha 7, emitido em 04 de abril de 2013, reconhecendo somente o valor de R$ 17,23, uma vez que o valor recolhido já havia sido parcialmente utilizado para extinção de (a) débito relativo ao período de apuração a que se referia, no valor de R$ 41.789,07, e (b) no PER/Dcomp nº 08187.99631.070313.1.7.040300, restando crédito disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados na Dcomp. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10850.900730/201388 Resolução nº 3001000.051 S3C0T1 Fl. 142 3 Inconformada com a homologação parcial da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que transmitiu a Dcomp em 07 de março de 2013 e a DCTF retificadora, com o valor correto do débito de Cofins, relativo ao período de apuração de 31 de março de 2010, em 28 de março de 2013. Ressalta a interessada que a transmissão da Dcomp e da DCTF retificadora ocorreram antes da emissão do Despacho Decisório, em 04 de abril de 2013. Após as necessárias informações fáticas, buscase nas razões de voto, a argumentação tecida para destacar o cerne discutido nestes autos e motivos de decisão, transcritos a seguir: No caso concreto que aqui se tem, a contribuinte, na data de apresentação da Dcomp (em 07 de março de 2013), não havia retificado a DCTF, documento no qual, como é sabido, são declarados, com força de confissão de dívida, os valores dos tributos devidos. Assim, não se pode dizer que, naquele momento, tivesse existência jurídica o crédito contra a Fazenda Nacional alegado pela contribuinte, motivo pelo qual a não homologação promovida pela DRF foi correta. Ainda que a contribuinte, posteriormente à entrega da Dcomp, tenha tratado de retificar formalmente a DCTF (em 28 de março de 2013), esta não teria o efeito de validar retroativamente a compensação instrumentada por Dcomp Recurso Voluntário O que se afirma, e isto sim, é que só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passa a ter crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei. Assim, a retificação efetuada pode produzir efeitos em relação a Dcomp apresentada posteriormente a esta retificação, mas não para validar compensações anteriores. Recurso Voluntário Em sede de seu peça recursal, a recorrente narra o histórico processual destacando tratarse o tema, de compensação de pagamento a maior de Cofins, cuja decisão de piso considerou legítima, sob o argumento: só se pode homologar a compensação, independentemente de outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da Dcomp, retifica regularmente a DCTF. Neste sentido, contrapõe a decisão sob vergasta sob o fundamento de ter efetivado retificação de DCTF, posteriormente à Dcomp, mas anteriormente ao Despacho Decisório. DCTF Retificadora Alega a recorrente que, mesmo tendo ocorrido a mencionada retificação, mediante transmissão da DCTF retificadora, alega não ter sido reconhecido pelo sistema da Receita Federal, incitando, em seu favor, a IN 1.110/2010, cujo parágrafo primeiro traz conteúdo normativo autorizando à retificadora, ter a mesma natureza da declaração enviada. Traz jurisprudência desta casa em seu benefício. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10850.900730/201388 Resolução nº 3001000.051 S3C0T1 Fl. 143 4 É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de Recurso Voluntário no qual foram satisfeitos todos os pressupostos de admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento. O cerne discutido relacionase com o tema da possibilidade de alterarse a DCTF, para fins de corrigir o montante apurado, mediante transmissão de retificadora, após a prolação do despacho decisório. Ainda, de entenderse como legítimos os valores lançados anteriormente em DACON. Com o brilhantismo que lhe é peculiar, o presidente desta Turma Extraordinária vem sustentando corrente, na qual compreende em profundidade, a necessária oportunização, ao contribuinte, de momentos adequados à formação probatória, nos casos em que, consistentemente, descreveu na proposta de Resolução 3001000.043: Da justificativa para a proposta de diligência Como relatado, o caso sob exame referese ao inconformismo do contribuinte, em razão da decisão contida em despacho decisório que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento da contribuição pleiteada com a apresentação do Per/Dcomp, homologando em parte a compensação nele declarada, ao argumento de o crédito apurado ser inferior ao requerido, consequentemente o montante reconhecido pela autoridade fiscal ser insuficiente para extinguir a totalidade do débito declarado pelo interessado. O contribuinte, desde a sua manifestação de inconformidade, sustenta que equivocouse quando do preenchimento do demonstrativo anexo ao Per/Dcomp em questão, posto que indicou que o crédito solicitado seria oriundo de aquisições no mercado interno vinculadas a receitas não tributadas no mercado interno, quando, em verdade, parcela deste crédito decorreria de receitas de exportação; bem assim quando preencheu o respectivo Dacon, pois deixou de segregar os valores dos créditos vinculados às receitas internas daqueles originários das vendas para o mercado externo. Entretanto, o acórdão vergastado manteve o indeferimento do pedido de compensação. Tal indeferimento do pleito está fundamentado em duas premissas. A primeira, porque o colegiado a quo entendeu que o Per/Dcomp não é instrumento adequado para pleitear créditos de natureza distintas. A segunda, porque a decisão recorrida concluiu que o interessado não apresentou prova hábil suficiente para demonstrar a efetiva existência do crédito adicional, a fim de comprovar os alegados erros cometidos quando do preenchimento do Dacon e do Per/Dcomp, como, por exemplo, os demonstrativos contábeis, conferindo liquidez e certeza do crédito informado na declaração de compensação. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10850.900730/201388 Resolução nº 3001000.051 S3C0T1 Fl. 144 5 Portanto, em síntese, o fundamento que norteou a conclusão da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante satisfatória, como, por exemplo, a escrituração contábilfiscal que corroborasse as informações apresentadas, notadamente, no Dacon retificador. O interessado, quando da apresentação do recurso voluntário, reafirma o cometimento dos equívocos apontados já na sua manifestação de inconformidade, qual seja erro no preenchimento dos respectivos Dacon e Per/Dcomp, razão pela qual apresentou o Dacon, referente ao mês de janeiro de 2006, em substituição do Dacon original, referente ao terceiro trimestre de 2005, salientando que na "Ficha 28B" consta a informação, de forma segregada, do crédito da contribuições ao PIS vinculado a receita nãotributada no mercado interno e proveniente de exportação e, no seu entender, seria suficiente para a solução do litígio uma vez que o fundamento do despacho decisório é a insuficiência de crédito reconhecido para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo. Como o acórdão recorrido proferido pela 4ª Turma da DRJ/FOR indeferiu sua manifestação de inconformidade, agora pela falta de apresentação de documentação probante que demonstrasse o seu direito, o recorrente reapresentou os elementos de prova que entendeu ser suficiente para a comprovar a compensação declarada no Per/Dcomp 27809.10301.300508.1.3.118906, no Per/Dcomp 29057.71509.300508.1.3.117985, no Per/Dcomp 19492.01379.130809.1.7.116941 e no Per/Dcomp 11873.46918.120809.1.7.118359. Pois bem, creio que estarmos diante de um fato jurídico cuja aferição é direta e imediata, haja vista o que expressam as Dacon's em apreço referente ao mês de janeiro de 2006 e ao terceiro trimestre de 2005, dada a singeleza do pedido aliada à objetividade das informações coligidas aos presentes autos, para, neste sentido, considerar que existe dúvida razoável quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Por fim, arremata no sentido de haver a possibilidade de o contribuinte instruir os autos nesta fase recursal: É certo que é condição indispensável à compensação de tributos, a liquidez e certeza do crédito declarado, nos termos do que dispõe o art. 170A da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), o que impõe sua efetiva comprovação, mediante o oferecimento da pertinente escrita contábil fiscal do interessado. Deste modo, com vista a propiciar ao recorrente a oportunidade de comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10850.900730/201388 Resolução nº 3001000.051 S3C0T1 Fl. 145 6 da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, firmo a necessidade de o presente julgamento ser convertido em diligência. Da conclusão Do exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235 de 1972, proponho a realização de diligência para que a autoridade fiscal da repartição de origem analise as Dacon's referentes ao mês de janeiro de 2006 e ao terceiro trimestre de 2005, bem como intime o recorrente para apresentar a respectiva escrita contábilfiscal e os documentos a ela inerente e, a critério da fiscalização, outros elementos de prova e/ou esclarecimentos que entenda necessários para comprovar a pertinência das informações contidas na Dacon retificadora. Tal entendimento, exposto pelo ilustre conselheiro Orlando Rutigliani, encontra larga aceitação na jurisprudência desta Conselho, a exemplo, do acórdão abaixo transcrito, ao qual acato e cuja ementa espelha caso análogo: Acórdão 380201.111 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). CRÉDITO PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO NA DATA DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ APENAS NA FASE RECURSAL. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Homologase a compensação declarada quando, na fase recursal, forem comprovados os requisitos da certeza e liquidez do crédito utilizado no respectivo procedimento compensatório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2002 PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO NA FASE RECURSAL. CONTRAPOSIÇÃO DE ARGUMENTO NOVO SUSCITADO NA DECISÃO RECORRIDA. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. Nos termos do art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235, de 1972, não está alcançada pela preclusão, a prova documental apresentada na fase recursal, destinada a contrapor argumento novo suscitado somente na decisão recorrida. PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS A EMISSÃO E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. COMPROVAÇÃO DA REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. ORIGEM DO CRÉDITO COMPENSADO. ADMISSIBILIDADE. No âmbito do processo de compensação, inaugurado com a prolação do Despacho Decisório, uma vez comprovada, com documentação adequada, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do citado Despacho, a parcela do Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10850.900730/201388 Resolução nº 3001000.051 S3C0T1 Fl. 146 7 débito reduzida deve ser Conclusão Diante do exposto, alinhado aos princípios da ampla defesa e do contraditório, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar o despacho decisório por vício material. Conclusão Do exposto, proponho a realização de diligência para que a autoridade fiscal da repartição de origem analise as Dacon's, bem como intime o recorrente para apresentar a respectiva escrita contábilfiscal e os documentos a ela inerente e, a critério da fiscalização, outros elementos de prova e/ou esclarecimentos que entenda necessários para comprovar a pertinência das informações contidas na Dacon e DCTF retificadora. Desta forma, os autos devem retornar para a unidade de origem. Ao término dos trabalhos, a autoridade fiscal diligenciante deverá elaborar relatório conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestandose sobre a existência de crédito líquido e certo suscetível de ser utilizado pelo recorrente. Encerrada a instrução processual o recorrente deverá ser intimado para, em assim desejando, manifestarse quanto aos novos elementos carreados aos presentes autos, no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para este CARF, para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.903073/2008-00
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/04/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO.
O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Admite-se a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/04/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/04/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Admite-se a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/04/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PIS Recorrente PETROVIARIO TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/04/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Admitese a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/04/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comproválo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 30 73 /2 00 8- 00 Fl. 465DF CARF MF Processo nº 10830.903073/200800 Acórdão n.º 3002000.021 S3C0T2 Fl. 465 2 (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP (fl. 14/19), transmitido em 30/07/2004, cujo crédito teria origem em recolhimento do PIS efetuado a maior. A compensação declarada não foi homologada, conforme despacho decisório (fl. 120), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Após ser intimada da decisão em 20/08/2008, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade (fl. 2/4), na qual informou que, primeiramente, no anocalendário de 2003, havia recolhido a contribuição para o PIS/Pasep pelo regime cumulativo, contudo, posteriormente, no início de 2004, fez uma revisão interna e optou por adotar o regime da não cumulatividade, inclusive, em relação ao ano anterior. Essa mudança de critério, segundo ela, teria gerado pagamentos a maior, os quais foram objeto de pedidos de compensação com outros tributos. Informou, ainda, que deixou de retificar suas declarações em época própria: Dacon, DIPJ e DCTF, apresentadoas juntamente com sua manifestação. A DRJ/CPS converteu o julgamento em diligência (fl. 125/126) para que a autoridade fiscal cumprisse os seguintes quesitos: "a) verifique, com exame da documentação contábilfiscal da contribuinte, a efetividade e a regularidade dos créditos da não cumulatividade apurados pela interessada. Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10830.903073/200800 Acórdão n.º 3002000.021 S3C0T2 Fl. 466 3 b) examine a apuração da contribuição na sistemática não cumulativa, incluindo o eventual aproveitamento futuro dos créditos apurados em 2003; c) elabore relatório circunstanciado destacando a contribuição efetivamente devida." Assim, em 24/11/2011, o Serviço de Orientação e Análise Tributária da DRF/Campinas intimou o sujeito passivo (fl 128/129) a apresentar, no prazo de 20 dias, a seguinte documentação: "Apresentar documentação contábilfiscal que comprove a efetividade e a regularidade dos créditos da não cumulatividade listados na tabela acima e utilizados no DACON; Apresentar fotocópia do livro Razão relativamente à conta “PIS a pagar”, Código de Arrecadação 6912, Período de Apuração Março de 2003." Após essa data, ocorreram pedidos de dilação de prazo e reintimações. A seqüência fática encontrase bem evidenciada na Informação Fiscal (fl. 304/305) e, por isso, transcrevese excerto: "Em 24/11/2011, através da INTIMAÇÃO SEORT/DRF CPS/1669/2011 a interessada foi chamada a apresentar documentação contábilfiscal que comprovasse a efetividade e a regularidade dos créditos da não cumulatividade listados na tabela e utilizados no DACON, bem como fotocópia do livro Razão relativamente à conta “PIS a pagar”, Código de Arrecadação 6912, Período de Apuração Fevereiro de 2003 Em 14/12/2011 a interessada protocolou pedido solicitando mais 20 dias para atendimento à intimação SEORT/DRF CPS/1669/2011. A interessada teve ciência do deferimento de seu pedido em 29/12/2011. Entretanto, em 25/01/2012, através do protocolo do dossiê eletrônico nº 10010.008343/011254 (documentos juntados às folhas 156/288), a interessada apresentou documento alegando já ter prestado os esclarecimentos solicitados, anexou cópia das manifestações de inconformidade já apresentadas e pediu ainda o cancelamento da intimação. Através da intimação SEORT/DRFCPS/232/2012 este SEORT esclareceu à interessada que os documentos estavam sendo requeridos a pedido da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas e que estes eram necessários para Fl. 467DF CARF MF Processo nº 10830.903073/200800 Acórdão n.º 3002000.021 S3C0T2 Fl. 467 4 análise do crédito em discussão (folhas 158/290). Assim, em 09/04/2012, a interessada novamente solicitou mais 20 dias para a apresentação dos documentos. Concedido prazo de 20 dias contados da ciência da intimação SEORT/DRFCPS/ 502/2012 (ciência em 26/06/2012) a interessada não se manifestou até 15/08/2012. Por todo o exposto, considerando as diversas tentativas improfícuas deste SEORT em receber os documentos necessários ao cálculo do crédito de PIS do período de apuração Mar/2003, informamos que não foi possível preceder à análise/cálculo do crédito em questão." (grifo nosso) Após ser cientificada da Informação Fiscal, a contribuinte apresentou Complementação à Manifestação de Inconformidade e outros documentos. Em seqüência, analisando as argumentações da contribuinte e os documentos juntados, a DRJ/CPS julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/04/2003 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos pela interessada elemento que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 417/422), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos já apresentados e juntando os seguintes documentos: a) cópia do livro de registro de entrada nº 2; b) cópia do livro de registro de entradas nº 5; c) nova planilha de apuração de demonstrativo de base de cálculo do PIS não cumulativo e d) planilha das diferenças dos valores a compensar e a recolher. Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10830.903073/200800 Acórdão n.º 3002000.021 S3C0T2 Fl. 468 5 É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Entendo que a questão fundamental a ser decidida no presente julgamento se refere ao direito probatório em processos administrativos fiscais. O art. 173 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao autor, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis ......................................................................................................... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) ......................................................................................................... § 1° omissis ......................................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 469DF CARF MF Processo nº 10830.903073/200800 Acórdão n.º 3002000.021 S3C0T2 Fl. 469 6 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ......................................................................................................... Como se percebe dos dispositivos transcritos, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Por certo, não se pode olvidar do Princípio da Verdade Material, que norteia o processo administrativo, devendo o julgador buscar o esclarecimento dos fatos, adotando as providências necessárias no sentido de firmar sua convicção quanto a verdade real. Contudo, a atuação do julgador somente pode ocorrer de forma subsidiária à atividade probatória, que deve ser desempenhada pelas partes. Assim, não pode o julgador usurpar a competência da autoridade fiscal e intentar produzir provas, que validem um lançamento fiscal fracamente instruído, assim como, lhe é vedado desincumbir, pela sua atuação ativa no processo, o sujeito passivo de trazer aos autos o conjunto probatório mínimo necessário para comprovar o seu direito creditório. Dessa forma, a busca pela verdade material não pode ser entendida como ilimitada. Em realidade, nenhum Princípio é soberano e outros também regem o processo administrativo, tais como: os Princípios da Celeridade, Imparcialidade, Eficiência, Moralidade, Legalidade, Segurança Jurídica, dentre outros. Por conseguinte, será lastreado nas circunstâncias fáticas do caso concreto, que o julgador deverá ponderar e sopesar a influência de cada um dos diversos Princípios, visando a maior justeza em seu julgamento. Outro ponto nodal sobre a mesma matéria referese ao momento para a apresentação de provas. Como é cediço, a autoridade fiscal tem como limite temporal para a juntada de provas, usualmente, a lavratura do Auto de Infração. Em contrapartida, o sujeito passivo está limitado, em regra, ao momento de instauração da fase litigiosa do processo, isto é, quando da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, conforme o § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72. Entretanto, o próprio dispositivo citado enumera três circunstâncias , as quais permitiriam ao contribuinte carrear provas aos autos em outro momento processual: a) fique demonstrado a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente e c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 470DF CARF MF Processo nº 10830.903073/200800 Acórdão n.º 3002000.021 S3C0T2 Fl. 470 7 Considerandose os Princípios da Igualdade, Moralidade, Imparcialidade e o da Verdade Material, entendo, data venia, que as exceções dispostas só podem ser validamente consideradas se estendidas a ambas as partes. A jurisprudência desse Conselho mostra que, em várias ocasiões, temse admitido a juntada de provas em fase posterior àquela definida na legislação e em circunstâncias diversas daquelas exceções legais, que afastam a preclusão. Tudo em nome do Princípio da Verdade Material. Creio que isso é possível, legal, justo e desejável. Entretanto, somente em condições bastante específicas. Entendo que somente devese admitir tais provas, quando no momento oportuno, o sujeito passivo já tenha carreado aos autos provas mínimas do que alega. Importante frisar que não basta ter apresentado documentos, que não guardam nenhum valor probatório no caso concreto analisado, há que ter sido juntado na Impugnação/Manifestação de Inconformidade um conjunto probatório mínimo. Assim, as provas excepcionalmente juntadas de forma extemporâneas são aceitáveis, quando apenas reforçam o valor probatório do material já anteriormente apresentado. Agir de forma diversa, aceitando qualquer tipo de prova, em qualquer circunstância, sem que tenha sido apresentado um conjunto probatório no momento fatal definido em lei, a fim de privilegiar a verdade material, significaria, data venia, se emprestar uma força absoluta e soberana a um Princípio em detrimento aniquilar dos outros. Ademais, estariase diante de uma verdadeira derrogação do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235, realizada pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, o seu disposto não seria aplicado em hipótese alguma, excluindoo do ordenamento jurídico, fato que somente poderia ser realizado por lei. Ainda sobre o mesmo tema, devese tecer alguns comentários sobre o valor probatório do material eventualmente apresentado. Como consignei acima, não basta a juntada de documentos, estes devem possuir valor probatório, mínimo que seja, considerandose as vicissitude do caso concreto posto em análise. Assim, determinado documento pode guardar conteúdo probatório das alegações em um processo e, em outro, não se configurar prova. Por certo, em regra, as declarações fiscais transmitidas pelo contribuinte, assim como, seus registros contábeis, fazem prova em seu favor. Contudo, esses elementos, para possuírem algum valor probatório, devem ter sido elaborados segundo os ditames legais e em época apropriada. Vejamos, por exemplo, a DCTF retificadora. Como vem se manifestando, reiteradamente, este Conselho, a apresentação da DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de compensação, em casos de pagamento indevido ou a maior, ou mesmo antes da ciência do Despacho Decisório, não é condição para a homologação da compensação pleiteada, pois o direito creditório não surge com a declaração, mas com o efetivo pagamento indevido ou a maior. Entretanto, a mera apresentação da DCTF retificadora não tem o condão de, por si só, comproválo. Nessa linha, outras declarações prestadas à RFB, tais como DIPJ e Dacon, poderiam fazer prova da veracidade dos dados registrados na DCTF retificadora, desde que transmitidas antes do Despacho Decisório e possuíssem informações compatíveis com o conteúdo da retificadora. Então, nesse caso, a juntada de outras declarações ao processo se constituiria num conjunto com força probatória, ainda que relativa e, por isso mesmo, não Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10830.903073/200800 Acórdão n.º 3002000.021 S3C0T2 Fl. 471 8 afastaria a discricionariedade do julgador perquirir sobre outros elementos, visando firmar sua convicção. De forma diversa, deveriam ser consideradas essas mesmas declarações se fossem transmitidas extemporaneamente, pois não passariam de documentos sem nenhum valor probatório. Assim, registros contábeis, que não estejam revestidos das formalidades legais ou que não se possa confirmar tais requisitos, não se constituem prova. Essas considerações são de crucial importância para avaliação da caracterização de determinada prova como reforço da anteriormente apresentada e, conseqüentemente, da possibilidade de sua aceitação. Mormente, a análise das especificidades de cada caso concreto é o que deve pautar o julgador nesse desiderato, não obstante, sem se afastar do norte lógicojurídico que deve alicerçar sua decisão. No presente caso em análise, a ora recorrente restringiuse apenas a fazer alegações sobre seu suposto crédito, juntar planilha e cópia de declarações retificadoras, DCTF, DIPJ e Dacon, em sua Manifestação de Inconformidade. Ressaltese, por fundamental, que todas as declarações apresentadas foram transmitidas após a ciência do Despacho Decisório. Em seu texto, a própria recorrente reconhece sua falha: "A mudança de critério foi feita corretamente, todavia, incorreu o contribuinte no erro de deixar de retificar os documentos informativos de tais alterações referentes ao exercício de 2003, como por exemplo: DCTF, Dacom e DIPJ." Assim, seguindo o raciocínio lógicojurídico exposto anteriormente, o sujeito passivo não se desincumbiu do seu ônus de comprovar a liquidez e a certeza do suposto crédito pleiteado, pois o material apresentado não se constitui em um conjunto probatório, mas, são, apenas, meros documentos. A despeito disso, a DRJCampinas resolveu, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência e, na prática, oportunizar à contribuinte nova chance para apresentar as provas da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Data venia, creio que essa medida não era necessária, obrigatória, nem mesmo conveniente, tendo em vista que nenhuma prova havia sido juntada aos autos no momento oportuno. De qualquer forma, o Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal em Campinas, em atendimento à diligência requisitada, intimou, por diversas vezes, a contribuinte a apresentar sua escrituração contábil e os documentos fiscais que a embasavam. Todavia, a maior interessada não cumpriu as intimações e, conseqüentemente, inviabilizou a auditoria que poderia comprovar a existência do suposto crédito. Em realidade, somente após tomar ciência da Informação Fiscal, que noticiava o término da diligência, a contribuinte apresentou peça denominada "complementação à Manifestação de Inconformidade", repisando alegações já formuladas e sem adentrar no teor das informações prestadas pelo SEORT, e juntando documentos já Fl. 472DF CARF MF Processo nº 10830.903073/200800 Acórdão n.º 3002000.021 S3C0T2 Fl. 472 9 apresentados e outros novos. Contudo, mais uma vez, esses documentos não se configuravam como prova. Do voto condutor do Acórdão guerreado, transcrevese: "A falha da contribuinte em atender às seguidas intimações para submeter aqueles elementos à verificação fiscal fragiliza, ao ponto de inviabilizar, os argumentos que apresentou para contestar o ato de não homologação. Mesmo a apresentação do que seria seu Razão Analítico Contábil, no contexto em que o foi, ou seja, após ter sido reiteradamente intimado a fazêlo no âmbito da diligência, não tem o poder de socorrêlo. Concorre para comprometer seu valor probatório o fato de que o documento não apresenta os requisitos intrínsecos e extrínsecos que permitam aferir sua regularidade e, mais importante, está desacompanhado dos documentos contábeis e fiscais que permitiriam a aferição da correção dos valores e operações que dele constam. Diante de tudo isso, concluise pela inexistência de prova, nos autos, que permita acatar a nova apuração da contribuição realizada pela contribuinte e, por conseguinte, os créditos utilizados na compensação e que nela teriam origem." (grifo nosso) Após ciência da decisão da instância a quo, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário e juntou novos documentos aos autos. Por oportuno, frisese que documentos fiscais continuaram a não ser anexados. Embasado em todo o raciocínio lógicojurídico sobre o direito probatório, desenvolvido ao longo do presente voto, e nas circunstâncias do caso concreto, entendo não ser possível a aceitação de provas apresentadas somente em sede de Voluntário, tendo em vista que estas só poderiam ser validamente consideradas, caso reforçassem um conjunto probatório já presente nos autos. Fato que, como largamente demonstrado, não ocorre neste processo. Dessa forma, tal direito encontrase fulminado pela preclusão, conforme o disposto no § 4º do art. 16 do Decreto 70.235. Assim sendo, não tomo conhecimento dos novos documentos apresentados. Quanto ao suposto crédito, a recorrente não se desincumbiu do ônus de proválo, seja por seus erros anteriores ao Despacho Decisório, seja pela sua inércia em atender às diversas intimações, seja pela ausência da apresentação de provas válidas da sua liquidez e certeza. Desse modo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. Fl. 473DF CARF MF Processo nº 10830.903073/200800 Acórdão n.º 3002000.021 S3C0T2 Fl. 473 10 (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 474DF CARF MF
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Numero do processo: 18470.722334/2012-17
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO LEGAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência o prazo para apresentação de Recurso Voluntário. Não podendo se conhecer de recurso apresentado fora do prazo legalmente estipulado, sem justificativa válida. Recurso Não Conhecido.
Numero da decisão: 1001-000.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Brangaça Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues,José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO LEGAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência o prazo para apresentação de Recurso Voluntário. Não podendo se conhecer de recurso apresentado fora do prazo legalmente estipulado, sem justificativa válida. Recurso Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Brangaça Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues,José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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PRAZO LEGAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência o prazo para apresentação de Recurso Voluntário. Não podendo se conhecer de recurso apresentado fora do prazo legalmente estipulado, sem justificativa válida. Recurso Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Brangaça Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 23 34 /2 01 2- 17 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 18470.722334/201217 Acórdão n.º 1001000.337 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 49 a 50) interposto contra o Acórdão nº 1254.069, proferido pela 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro/RJ (fls. 26 a 29), que, por unanimidade, julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. REGULARIZAÇÃO APÓS O PRAZO. INCLUSÃO NÃO ADMITIDA. A regularização das pendências, quando realizada após a expiração do prazo fatal de que trata a legislação de regência, impede a opção pelo Simples Nacional no mesmo anocalendário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Tratase de manifestação de inconformidade oposta pelo interessado acima qualificado contra ato de indeferimento de opção pelo regime de tributação especial denominado Simples Nacional, de que trata o artigo 12 da Lei Complementar nº 123/2006, para o anocalendário 2012, pelo fato de constar nos arquivos eletrônicos da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, débitos de natureza previdenciária decorrentes de divergências no batimento GFIPxGPS, nas competências 02/2010, 12/2010 e 05/2011, bem como pendência cadastral relativa ao exercício de atividade econômica vedada (CNAE 66193/99). 2. Em suas razões de impugnação, o interessado alega ter promovido alteração contratual, deferida pelo RCPJ em 17/01/2012, na qual houve alteração da atividade econômica, embora a alteração junto ao CNPJ tenha demorado a ser concluída, não ficando pronta até 31/01/2012. Além disso, as GPS foram pagas, conforme cópias em anexo. 3. Protesta pela sua inclusão no Simples Nacional." O Contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância na data de 18/04/2013, conforme declarou no AR de fl. 31. Somente em data de 05/09/2013 (conforme carimbo de protocolo) protocolou o presente Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 18470.722334/201217 Acórdão n.º 1001000.337 S1C0T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Conforme se abstrai do relatório, a ora Recorrente apresentou o presente Recurso Voluntário mais de 04 meses após o termo final do prazo de 30 dias legalmente estabelecido pelo art. 33 do Decreto 70.235/72. Desta forma, não tendo a Recorrente apresentado qualquer argumento que justifique este atraso, não resta outra possibilidade que não reconhecimento da intempestividade do recurso. Diante disto, VOTO pelo NÃO CONHECIMENTO do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.000088/2006-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/01/2006
CIGARRO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. INTRODUÇÃO CLANDESTINA NO PAÍS. AUTORIA DA INFRAÇÃO NÃO COMPROVADA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
É insubsistente a autuação em que não provado, nos autos, que a autuado foi quem adquiriu, transportou, vendeu, expôs à venda, teve em depósito, possuiu ou consumiu cigarro de procedência estrangeira, introduzido clandestinamente no País.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-005.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/01/2006 CIGARRO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. INTRODUÇÃO CLANDESTINA NO PAÍS. AUTORIA DA INFRAÇÃO NÃO COMPROVADA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. É insubsistente a autuação em que não provado, nos autos, que a autuado foi quem adquiriu, transportou, vendeu, expôs à venda, teve em depósito, possuiu ou consumiu cigarro de procedência estrangeira, introduzido clandestinamente no País. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
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INTRODUÇÃO CLANDESTINA NO PAÍS. AUTORIA DA INFRAÇÃO NÃO COMPROVADA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. É insubsistente a autuação em que não provado, nos autos, que a autuado foi quem adquiriu, transportou, vendeu, expôs à venda, teve em depósito, possuiu ou consumiu cigarro de procedência estrangeira, introduzido clandestinamente no País. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 00 00 88 /2 00 6- 01 Fl. 62DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório que integra o acórdão recorrido, que segue integralmente transcrito: O interessado foi autuado em face da “infração às medidas de controle fiscal relativas a fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de procedência estrangeira”, tendo sido aplicada a multa capitulada no Artigo 3º, § único, do Decretolei nº 399/1968, com redação dada pelo Artigo 78 da Lei nº 10.833/2003, no valor de R$ 12.160,00. A autoridade aduaneira aduziu que 6.080 (seis mil e oitenta) maços de cigarro paraguaio, de procedência desconhecida, desacompanhados de documentação comprobatória de sua importação regular, foram encontrados em poder do interessado, PEDRO IVO PEREIRA GOMES, [...], conforme consta do Auto de Apresentação e Apreensão de fl. 08 (e processo), lavrado em 01/06/2005, pela Polícia Federal no estado de Tocantins TO. Intimado em 02/02/2006 (fl. 14 do eprocesso), o interessado apresentou impugnação em 22/02/2006, juntada às fls. 18 a 36 (eprocesso). Alegou que: 1. De início, apresentou um breve relato dos fatos que ensejaram a autuação; 2. Entende que não pode ser responsabilizado por questões de legalidade; 3. É motorista empregado de empresa transportadora, conforme descrito no Relatório da Polícia Federal anexo, assim sendo, não responde pelos riscos da empresa, conforme institui o artigo 2.º da CLT. Cita legislação; 4. Ainda conforme o Termo de Depoimento junto à Superintendência da Policia Federal em Palmas, não tinha acesso às mercadorias que estavam sendo transportadas lacradas em seu caminhão, já que é apenas o motorista da empresa, podendo apenas verificar o que consta das notas fiscais a ele entregues; 5. Tanto ele quanto a sua empresa foram surpreendidos com a apreensão das mercadorias descritas no presente auto de infração; 6. Conforme assegura a Constituição Federal e prescreve a Lei 6.580/78, em seu artigo 10, II, somente o Fisco pode violar as mercadorias que as transportadoras carregam, pois se a transportadora o fizessem caracterizaria violação de correspondência; 7. Diante disso, a empregadora é obrigada a confiar no teor das notas fiscais que lhe são entregues pelos clientes. No caso em tela, a empresa acreditava que estava transportando confecções, e não maços de cigarro; Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10746.000088/200601 Acórdão n.º 3302005.241 S3C3T2 Fl. 63 3 8. Tanto é verdade, que a empresa responsável pelo transporte, assim que solicitado pela Polícia Federal, forneceu o nome do proprietário da mercadoria; 9. No relatório final de inquérito e na denúncia formulada pelo Ministério Publico Federal consta que a mercadoria apreendida é de propriedade do Sr. José Aparecido Silva Sousa; 10. Por derradeiro, nos termos do inciso XXII, do artigo 618, do Decreto 4.543/02, a única hipótese do transportador ser responsabilizado pela multa pretendida seria no caso de ser ocultado o sujeito passivo, o proprietário, o que, conforme se demonstrou, não é o caso; 11. Por fim, requer o reconhecimento da ilegitimidade da autuação, para que seja declarada a sua improcedência. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 42/50), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada improcedente e o crédito tributário integralmente mantido, com base no fundamento resumido no enunciado da ementa que segue transcrito: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/01/2006 Cigarros estrangeiros sem comprovação de importação irregular. Posse e transporte. Multa fiscal. Conforme peças lavradas pela autoridade policial, cigarros estrangeiros, sem comprovação da regular importação, estavam sendo transportados pelo autuado. Nesse caso, procedente o lançamento da multa prevista no Artigo 3º, § único, do DecretoLei n.º 399/1968. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 7/2/2014, o recorrente foi cientificado da decisão. Inconformado, em 25/2/2014, protocolou o recurso voluntário de fls. 55/60, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Fl. 64DF CARF MF 4 Não há dissenso quanto a materialização da infração capitulada no art. 3º do Decretolei 399/1968, com a redação dada pelo art. 78 da Lei 10.833/2003, que segue transcrito juntamente com o art. 2º do mesmo diploma legal, ao qual faz referência: Art 2º O Ministro da Fazenda estabelecerá medidas especiais de contrôle fiscal para o desembaraço aduaneiro, a circulação, a posse e o consumo de fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de procedência estrangeira. Art 3º Ficam incursos nas penas previstas no artigo 334 do Código Penal os que, em infração às medidas a serem baixadas na forma do artigo anterior adquirirem, transportarem, venderem, expuserem à venda, tiverem em depósito, possuirem ou consumirem qualquer dos produtos nêle mencionados. Parágrafo único. Sem prejuízo da sanção penal referida neste artigo, será aplicada, além da pena de perdimento da respectiva mercadoria, a multa de R$ 2,00 (dois reais) por maço de cigarro ou por unidade dos demais produtos apreendidos. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) grifos não originais. A controvérsia cingese à autoria do fato infracional, ou seja, à legitimidade do recorrente para integrar o polo passivo da presente autuação. No presente recurso, o recorrente reiterou o argumento suscitado na peça impugnatória de que, na condição de simples motorista, empregado da empresa transportadora proprietária do veículo condutor do cigarro apreendido, não era autor da infração objeto da presente autuação, logo, não podia ser responsabilizado pela multa aplicada. Como empregado, asseverou o recorrente que, segundo o disposto no art. 2º da CLT, ele não podia responder pelos riscos da empresa empregadora. A leitura do Relatório do IPL 085105SR/DPF/TO (fls. 31/33) confirma que o recorrente era motorista da empresa transportadora e que atuara apenas como condutor do caminhão transportador dos cigarros apreendidos. Para melhor compreensão, reproduz o relevante excerto extraído do citado Relatório, que segue transcrito: Inicialmente foram reduzidas a termo as declarações prestadas por Pedro Ivo Pereira Borges, motorista da empresa TRANSBURRINHO (Mesquita e Mesquita Ltda), responsável pelo transporte da mercadoria apreendida nestes autos (fls. 03/04), que afirmou, em síntese, que “quem faz o carregamento são três ajudantes que trabalham no depósito da empresa sito à Rua Francisca Costa Cunha, nº 687, Qd 676, Setor Aeroporto, Goiânia/GO; QUE, o caminhão sai da sede empresa em Goiania com lacre, que só é rompido em Gurupi/T0, em um depósito da empresa; QUE, de Gurupi/TO a Palmas/TO o caminhão vem sem lacre; QUE, só tomou conhecimento da mercadoria ora apreendida durante a fiscalização realizada pela Secretaria da Receita Estadual, no Posto do Município de Fátima/TO.” Além de ser mero motorista do veículo transportador, nas declarações prestadas perante à autoridade policial federal, não infirmadas, o recorrente confirmou que: a) não fora o responsável pelo carregamento do veículo; b) o caminhão saíra lacrado da sede da empresa em Goiânia/GO; c) só tomara conhecimento do tipo da mercadoria transportada no Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10746.000088/200601 Acórdão n.º 3302005.241 S3C3T2 Fl. 64 5 momento da fiscalização e apreensão pelas autoridades fiscais da Secretaria da Receita do Estado do Tocantins. E as declarações do recorrente foram confirmadas pelas declarações do Sr. Cléber João Fernandes Mesquita, que afirmou que fora ele quem recebera a mercadoria na sede da empresa transportadora em Goiânia/GO e passara para o empregado colocar no caminhão, conforme consignado no texto extraído do citado relatório, que segue transcrito: Cléber João Fernandes de Mesquita em suas declarações afirma “QUE, foi o Declarante quem recebeu a mercadoria na sede da empresa em Goiânia/GO, passando par um empregado colocar no caminhão; QUE, a pessoa que mandou a mercadoria apresentouse como JOSÉ CARLOS DA SILVA, telefone 62 8143.8919, conforme consta na Minuta, mas o Declarante não confirmou sua identidade; QUE, quem preencheu a Minuta de Despacho foi a secretária da empresa, passando ao Declarante que a assinou, após o pagamento do frete; QUE após ficar sabendo da abordagem do caminhão da empresa, no Posto Fiscal deste Estado, o Declarante tentou contatar a remetente, mas a ligação caía na caixa de mensagens do celular; QUE, não possui nenhum outro registro de informações que possa auxiliar na identificação do proprietário da mercadoria;...” Além disso, segundo o referido relatório, no correspondente Inquérito Policial, a única pessoa que foi indiciada foi o Sr. José Aparecido da Silva Sousa, na condição de destinatário da mercadoria, conforme se lê no excerto que segue reproduzido: Em razão das mercadorias apreendidas e do conteúdo do interrogatório, procedeuse ao indiciamento de José .Aparecido da Silva Sousa, como incurso nas sanções do artigo 334, § 1º, alínea "d", como se vê do Auto de Qualificação e Interrogatório constante às fls. 29/30. Da mesma forma, segundo da Denúncia do MPF de fls. 34/36, a única pessoa denunciada foi o Sr. José Aparecido da Silva Sousa. Eis as razões que motivaram a denúncia do acusado: Os autos anexos do Inquérito Policial n° 085/05, instaurado pela Superintendência da Policia Federal no Estado do Tocantins, noticiam que o Denunciado, em maio de 2005, pediu a seu amigo PAULO DA SILVA SOUSA que comprasse em Goiânia maços de cigarros de origem paraguaia, para que o Denunciado os revendesse em Guarai TO. Os cigarros foram efetivamente adquiridos e enviados ao Denunciado por meio da empresa de transporte MESQUITA E MESQUITA LTDA., tendo sido apreendidos em operação da Secretaria da Receita Estadual do Tocantins. Além desses fatos demonstrarem, cabalmente, que o recorrente atuara apenas como motorista do veículo da carga transportada, no auto de infração em apreço (fls. 2/5), bem como no auto de infração e termo de apreensão e guarda fiscal de fls. 9/13, não fora apresentado o motivo da inclusão do recorrente no polo passivo da autuação nem indicado qual o fato infracional fora cometido pelo recorrente. Fl. 66DF CARF MF 6 Por todas essas razões, com base nos elementos coligidos aos autos, chegase a conclusão inexorável de que, além de não haver indicação no auto de infração do fato infracional cometido pelo recorrente, tampouco há comprovação de que o recorrente cometera qualquer das condutas infracionais às medidas de controle fiscal descritas no art. 3º do Decreto lei 399/1968, com a redação dada pelo art. 78 da Lei 10.833/2003. Em decorrência, por ausência de prova da autoria da infração, o recorrente foi indevida e ilegitimamente incluído no polo passivo da presente autuação. Por todo o exposto, votase pelo provimento do recurso, para cancelar integralmente a autuação, por ilegitimidade passiva do autuado. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10872.000323/2010-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
PROCESSUAL - NULIDADE - INOCORRÊNCIA
Declinados os motivos de fato de direito a consubstanciar o lançamento, não que se cogitar de nulidade, mormente por não se identificar, aí, as hipótese do art. 59 do Decreto 70.235. A discordância do contribuinte quanto os motivos deduzidos encerra discussão de mérito e não de preliminar.
REVISÃO DO LANÇAMENTO PELA INSTÂNCIA INFERIOR - INOCORRÊNCIA DE NOVO LANÇAMENTO.
A revisão parcial do lançamento para manter parte do crédito tributário constituído sem que se inove os critérios adotados pela Auditoria não importa em novo lançamento, não encerrando a nulidade desta decisão.
SIMPLES FEDERAL - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS - AUTORIZAÇÃO LEGAL
A presunção de omissão de receitas assumida a partir do confronto entre a escrita fiscal do contribuinte e dados fornecidos por terceiros, administradoras de cartão de crédito, é expressamente autorizada pela Lei 9.713, art. 18, IN 34/01, art 34 e pelo CTN, art. 197.
Numero da decisão: 1302-002.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente justificadamente o conselheiro Carlos César Candal Moreira Filho, que foi substituído no colegiado pelo Conselheiro Julio Lima Souza Martins (suplente convocado).
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 PROCESSUAL - NULIDADE - INOCORRÊNCIA Declinados os motivos de fato de direito a consubstanciar o lançamento, não que se cogitar de nulidade, mormente por não se identificar, aí, as hipótese do art. 59 do Decreto 70.235. A discordância do contribuinte quanto os motivos deduzidos encerra discussão de mérito e não de preliminar. REVISÃO DO LANÇAMENTO PELA INSTÂNCIA INFERIOR - INOCORRÊNCIA DE NOVO LANÇAMENTO. A revisão parcial do lançamento para manter parte do crédito tributário constituído sem que se inove os critérios adotados pela Auditoria não importa em novo lançamento, não encerrando a nulidade desta decisão. SIMPLES FEDERAL - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS - AUTORIZAÇÃO LEGAL A presunção de omissão de receitas assumida a partir do confronto entre a escrita fiscal do contribuinte e dados fornecidos por terceiros, administradoras de cartão de crédito, é expressamente autorizada pela Lei 9.713, art. 18, IN 34/01, art 34 e pelo CTN, art. 197.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente justificadamente o conselheiro Carlos César Candal Moreira Filho, que foi substituído no colegiado pelo Conselheiro Julio Lima Souza Martins (suplente convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 PROCESSUAL NULIDADE INOCORRÊNCIA Declinados os motivos de fato de direito a consubstanciar o lançamento, não que se cogitar de nulidade, mormente por não se identificar, aí, as hipótese do art. 59 do Decreto 70.235. A discordância do contribuinte quanto os motivos deduzidos encerra discussão de mérito e não de preliminar. REVISÃO DO LANÇAMENTO PELA INSTÂNCIA INFERIOR INOCORRÊNCIA DE NOVO LANÇAMENTO. A revisão parcial do lançamento para manter parte do crédito tributário constituído sem que se inove os critérios adotados pela Auditoria não importa em novo lançamento, não encerrando a nulidade desta decisão. SIMPLES FEDERAL PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS AUTORIZAÇÃO LEGAL A presunção de omissão de receitas assumida a partir do confronto entre a escrita fiscal do contribuinte e dados fornecidos por terceiros, administradoras de cartão de crédito, é expressamente autorizada pela Lei 9.713, art. 18, IN 34/01, art 34 e pelo CTN, art. 197. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 2. 00 03 23 /2 01 0- 78 Fl. 470DF CARF MF Processo nº 10872.000323/201078 Acórdão n.º 1302002.689 S1C3T2 Fl. 471 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente justificadamente o conselheiro Carlos César Candal Moreira Filho, que foi substituído no colegiado pelo Conselheiro Julio Lima Souza Martins (suplente convocado). Relatório Cuida o processo de autos de infração lavrados em face do recorrente, para a exigência do IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e CPP (INSS), calculados sob a sistemática da Lei 9.317/96 (Simples Federal), em razão da constatação de pretensa omissão de receitas. Tal omissão digase, decorreria da diferença entre as receitas informadas pelo contribuintes através de sua "PJSI 2007" e aquelas verificadas pela D. Fiscalização a partir das informações prestadas pelas Administradoras de Cartão de Crédito REDCARD e VISA (Visanet). Ainda de acordo com o TVF, a apuração dos valores apontados nos autos de infração se deu pelo somatório das diferenças entre os valores declarados pelo contribuinte e aqueles informados pela administradora de cartão de crédito no anocalendário de 2006, conforme fórmula declarada pela D. Auditoria em seu relatório: 6. 0 Valor autuado mensal, foi obtido pela diferença entre o total repassado, em 2006, pelas administradoras de cartões de crédito, vide item 7 acima, e o valor declarado pelo contribuinte (...). Cientificados dos autos de infração, o contribuinte opôs a sua impugnação sustentando, em apertada síntese, que: a) o autos de infração seriam nulos a míngua de, a seu ver, existir fundamentação fático/jurídica a apontar, de forma precisa, "os fatos" e "dispositivo legal que a lmpugnante teria infringido"de sorte a lhe negar saber "se o Fisco pretendeu considerar os valores referentes as vendas informadas nos extratos dos cartões de crédito ou os valores referentes aos repasses financeiros, ou os dois"; ato contínuo, afirma ter ocorrido cerceamento de defesa; b) no mérito, que ao dar aos valores percebidos pela Visa (valores efetivamente repassados ao contribuinte caixa) e pela REDCARD (valores creditados em decorrência de vendas realizadas competência) o mesmo tratamento, desconsiderou o regime de tributação efetivamente adotado (competência), equivocandose, pois, quanto a base de cálculo adotada. Uma vez optante pelo regime de competência, o fisco não poderia ter somado Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10872.000323/201078 Acórdão n.º 1302002.689 S1C3T2 Fl. 472 3 as receitas percebidas pela empresa aos valores faturados no mesmo período, havendo, nesta hipótese, um descasamento entre o fato imponível e os valores declinados no TVF; c) finalmente, inexistiria "previsão legal para presunção de omissão de receita decorrente de diferença entre os valores repassados pelas operadoras de cartões de créditos e a receita declarada". Recebidos os autos, a DRJ do Rio de Janeiro, por maioria de votos, deu parcial provimento à impugnação para excluir do cômputo dos tributos devidos, as receitas concernentes aos valores declinados pela Visanet, mantendose a autuação apenas em relação aos montantes concernentes às vendas noticiadas pela REDCARD. O relator, digase, julgava integralmente improcedente a impugnação por entender não ter trazido, o contribuinte, documentos hábeis a refutar a presunção contida no TVF; o voto vencedor, de outra monta, sustenta que, uma vez sujeita ao regime de competência, não poderia a fiscalização ter procedido ao simples somatório dos valores efetivamente recebidos (Visa caixa) àqueles somente creditados em decorrência das vendas realizadas (REDCARD valores meramente faturados mais ainda não percebidos competência), assim pontificando: No presente caso, foram somadas receitas obtidas pelo regime de caixa (extratos do VISA) e receitas obtidas segundo o regime de competência (extratos do Redecard) e deste total foram subtraídas as vendas informadas em DIPJ conforme o regime de competência (....) Diante de tal fato, concluo que a exigência deve prosseguir tão somente no que diz respeito às receitas oriundas dos extratos da Administradora Redecard, já que a própria interessada confirma que esta parcela da base tributável foi corretamente apurada segundo o regime de competência. Vale destacar que, como o valor exonerado não atingiu o limite de alçada, a DRJ/RJ não recorreu de ofício. O contribuinte teve ciência do resultado do julgamento em 17/10/2014 (AR de fl. 440), tendo interposto o seu recurso voluntário em 17 de dezembro daquele mesmo ano (carimbo de fl. 443), por meio do qual, além de reiterar as alegações de sua impugnação, sustentou que, ao reconhecer o erro na apuração dos tributos exigidos nos autos de infração, caberia a instância inferior reconhecer a imprestabilidade de todo o procedimento fiscal; a exclusão de parte das receitas consideradas pela Auditoria Fiscal, neste particular, representaria modificação/renovação do próprio lançamento, conduta vedada à instância julgadora. O feito foi, então, encaminhado à este Colegiado para análise e julgamento. Este, o relatório. Voto Conselheiro Relator Gustavo Guimarães da Fonseca Relator Fl. 472DF CARF MF Processo nº 10872.000323/201078 Acórdão n.º 1302002.689 S1C3T2 Fl. 473 4 O recurso é tempestivo e preenche os requisitos extrínsecos e intrínsecos de cabimento e, por isso, dele conheço. I. Preliminar de nulidade por pretensa ausência de motivação. Tanto em sua impugnação, como em seu recurso, o contribuinte sustenta a nulidade dos autos de infração ante uma alegada ausência de motivação fáticojurídica a fim de viabilizar o entendimento correto, pelo recorrente, do objeto da autuação. Em linhas gerais, alega que ao não declinar se se teria considerado o regime de caixa ou o regime de competência para proceder ao cálculo dos tributos pretensamente devidos, teria a fiscalização lhe cerceado o direito de defesa. De fato, o ato administrativo, como concretização da ação estatal jungida ao princípio da legalidade, pressupõe, por isso mesmo, a declinação exata, precisa e minudente dos motivos que justificam a sua prática, justamente para permitir ao sujeito passivo, e, frise se, à Administração Pública (em exercício do seu poder/dever de revisão de seus próprios atos), verificar a sua legalidade. Em especial, em atos que cominam penalidades ou que imponham obrigações ou, mais, que tenham reflexos patrimoniais, a identificação dos motivos que fundamentam a sua concretização, mormente pela tipificação dos motivos de fato nele declinados à norma legal autorizativa, é da essência deste mesmo ato. A mingua da exposição dos motivos de fato e de direito, o sujeito passivo se vê incapacitado de saber, justamente, porque, e em razão de que norma, a imposição, a pena ou o vilipêndio de seu patrimônio, por vontade do Estado, se sucedeu; e ato contínuo, em tais casos, vê limitado o seu direito à ampla defesa. A motivação, pois, além de decorrer de determinações constitucionais explicitas (v.g., o art. 37 da CF), é decorrência da garantia da ampla defesa. Notem, todavia, que, declinados os pressupostos fáticos e jurídicos que embasaram o ato, não mais se estará diante de vício por falta de descrição de seus motivos determinantes (salvo se houver, entre eles, manifesta incompatibilidade)... a partir dai, quaisquer questionamos sobre os efeitos deste ato, perpassam pela interpretação do motivo jurídico e a sua adequação ou não fato concreto, deixandose, evidente, nesta hipótese, que ao destinatário do ato foi garantido saber porque, quando e decorrência de qual norma terseia operado a prática de determinado ato; nesta hipótese, não se observa, mais, qualquer mácula à ampla defesa. No caso em testilha, vejam bem, os autos de infração foram suficientemente instruídos, tendo a D. Auditoria justificado as suas conclusões, faticamente, na divergência entre os valores declarados pelo recorrente em sua declaração anual e aqueles obtidos diretamente junto às empresas administradoras de cartão de crédito. Neste passo, peço vênia para reproduzir o seguinte trecho do TVF: Em atenção ao Registro de Procedimento Fiscal n° 2009.01856 0, foi realizada a fiscalização do IRPJ referente a o ano calendário 2006, tendo sido lavrado o presente auto, uma vez que foi constatado que a receita repassada pelas administradoras de cartões de crédito Redecard S/A, CNPJ 01.425.787/000104 e Cia. Brasileira de Meios de Pagamento, CNPJ01.027.058/000191, foi superior a Receita declarada pelo contribuinte (...). Fl. 473DF CARF MF Processo nº 10872.000323/201078 Acórdão n.º 1302002.689 S1C3T2 Fl. 474 5 Ou seja, o fundamento fático é a divergência entre os valores declarados e os valores detectados pela Auditoria; como o fisco partiu da premissa de que todas as receitas do contribuinte se sujeitavam ao regime de caixa (e isso se dessume pela própria exposição aposta pelo recorrente), cabe ao contribuinte, tão só, sustentar a sua discordância (como de fato o fez); não cabia, nem era imposto à fiscalização, esclarecer, explicitamente, o regime que considerou, bastando apresentar os cálculos que dariam azo à suas conclusões e, ao fim e ao cabo, autorizar a inferência quanto ao regime efetivamente considerado. Quanto ao fundamento jurídico, este também se encontra satisfatoriamente apontado no relatório fiscal, senão vejamos: (...) tendo sido cometida infração do artigo 199 do Regulamento do Imposto de Renda, baixado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, e do artigo 34 da Instrução Normativa SRF n° 34, de 30 de março de 2001, os quais transcrevo abaixo: 'Art. 199 (RIR199) — Aplicamse a microempresa e a empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existente nas legislações de regência dos impostos e contribuições referidos na Lei n° 9.317, de 1996, desde que apuráveis com base nos livros e;documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas (Lei n°9.317, de 1996, art. 18). Art. 34 (IN SRF n. 34/01) — Aplicamse à microempresa e a empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata a Lei n°9.317, de 1996, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas ainda que fundamentadas em elementos comprobatórios obtidos junto a terceiros. Impende frisar que, como bem pontuado tanto no voto do relator, como no voto vencedor do acórdão recorrido, que o contribuinte não teve dificuldades de entender a origem e extensão da autuação, tendo declinado a sua defesa sem obstáculos (não por outra razão, inclusive, teve reconhecida a procedência de parte de suas alegações). E, lembremse, não há nulidade sem prejuízos... Diante disto, voto por afastar a preliminar aventada. II. Mérito. II.1 Da alegada modificação do critério do lançamento e da insuficiência de recolhimento. Vale destacar desde logo que o recorrente não cuidou de demonstrar a inocorrência de omissão de receitas. Não trouxe aos autos qualquer documento, ou mesmo argumento, que pudesse, de qualquer forma, ao menos em relação aos valores de venda informados pela REDCARD, afastar as conclusões fiscais pertinentes ao não oferecimento destes valores à tributação. Fl. 474DF CARF MF Processo nº 10872.000323/201078 Acórdão n.º 1302002.689 S1C3T2 Fl. 475 6 Ou seja, a "omissão de receitas" caracterizada pela falta de declaração, em sua DSPJ/2007 (juntada à fls. 2 a 17), dos valores acusados pela REDCARD, não foi oposta pelo contribuinte, restando incontroverso tal fato. O contribuinte, notem, limitase a sustentar que, uma vez reconhecido pelo órgão julgador de primeiro grau que parte das receitas consideradas pela fiscalização referiam se a valores efetivamente percebidos pela empresa e que, portanto, não poderiam compor as mesmas competências dos montantes concernentes às vendas (faturas) informadas pela REDCARD, cabialhe anular integralmente os lançamentos, e não refazêlo mediante decote daqueles montantes do cálculo engendrado pela fiscalização. Neste particular, entendo, permissa venia, que a DRJ, através do voto vencedor, não modificou os critérios do lançamento. O citado órgão julgador, considerando o regime que a que se sujeitava o recorrente (competência), apenas excluiu do cômputo das receitas tributáveis os valores que já haviam ingressado no caixa do contribuinte, mantendo a tributação, sem modificação de critérios fáticos ou jurídicos, tão só das vendas noticiadas pela REDCARD. Tivesse a DRJ refeito o lançamento para alocar as receitas efetivamente percebidas em outros períodos de competência (correspondentes à aqueles em que a empresa tivesse, v.g., emitido cupons ou notas fiscais), aí sim estaríamos diante de um novo lançamento realizado por quem não detém competência para tanto. Como dito, todavia, não foi isso que o fez o voto vencedor da DRJ, tendo mantido a exigência apenas em relação à parte do lançamento que respeitava o regime de competência a que estava sujeito o contribuinte. Peço atenção, neste particular, ao seguinte trecho do voto vencedor que expõe de forma substancialmente clara os motivos daquela decisão: Assim, salvo melhor juízo, equivocase a relatora original quando ultrapassa a alegação da defesa, relativa à inexatidão das receitas apuradas, com base no argumento de que a interessada deveria ter apresentado, juntamente com os extratos das Administradoras, os documentos e livros que permitiriam a discriminação das vendas segundo o regime de competência. Primeiro, por que não consta dos autos que tenha sido formalizada intimação específica, com vistas a tal objetivo. Segundo porque, ainda que constasse e ainda que a empresa não a tivesse atendido, não poderia o Fisco proceder ao lançamento de quantias sabidamente inexatas sob o pretexto de não ter sido possível proceder à apuração correta. Soluções alternativas, previstas na própria legislação tributária, deveriam ter sido buscadas. Ou seja o voto vencedor apontou corretamente que as receitas efetivamente percebidas que não podiam compor o lançamento sem que houvesse uma apuração exaustiva e conclusiva não só sobre a omissão das preditas receitas mas, principalmente, a sua correta alocação, insistase, nas competências respectivas mediante análise de documentos fiscais que permitissem tal conclusão. A premissa adotada pela fiscalização, não se pode olvidar, estava correta quanto às receitas informadas pela REDCARD; também não se pode discutir que a empresa, Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10872.000323/201078 Acórdão n.º 1302002.689 S1C3T2 Fl. 476 7 provavelmente, omitiu as receitas relativas às movimentações noticiadas pela VISA mas, como a fiscalização não cuidou de observar, quanto as estas últimas, o regime de tributação que se sujeitava o contribuinte, o lançamento não podia ser mantido, mas apenas quanto a esta parte. Enfim... não se está diante de um novo lançamento, nem tampouco de readequação do lançamento realizado; decotouse deste, apenas, parte dos valores apurados porque, nesta porção, o lançamento desrespeitou o regime de competência, estando correta a decisão quanto a parte do crédito tributário mantido. Como consequência lógica, correta, também a decisão recorrida quanto a constatação da insuficiência de recolhimento de parcelas do Simples Federal (questão abordada no último tópico do recurso vonluntário). II.2 Da ausência de autorização legal para a realização do lançamento por presunção de receitas Com o devido respeito, não me alongarei sobre este argumento, já que do TVF extraise, como já alertado no tópico I, deste voto, a fundamentação jurídica para a prática do ato. O art. 199 do RIR é claro, a não mais poder, ao permitir a presunção de receitas, TAMBÉM EM RELAÇÃO ÀS EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES; semelhante previsão consta também da IN 34/01 (também invocada pela D. Auditoria Fiscal) que, inclusive de forma mais evidente, destaca a viabilidade de tal presunção de receitas "sempre que "desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas ainda que fundamentadas em elementos comprobatórios obtidos junto a terceiros quanto verificada". Ou seja, a IN em testilha, vai até mais além que a Lei 9.713 (cujos ditames são reproduzidos pelo citado art. 199 do RIR) e autoriza a presunção também a partir do confronto entre os documentos fiscais do contribuinte e elementos comprobatórios provenientes de terceiros (tais como DIRFs, extratos bancários e, por certo, as informações prestadas pelas administradoras de cartão de crédito). E que nem se diga, no caso, que a IN teria ultrapassado os limites legais a permitir tal confronto; primeiramente porque o contribuinte não arguiu semelhante "ilegalidade"; segundo, porque tal faculdade se encontra expressamente contemplada no próprio Código Tributário Nacional, em seu art. 197, cujo teor reproduzo a seguir: Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: I os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício; II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; III as empresas de administração de bens; IV os corretores, leiloeiros e despachantes oficiais; Fl. 476DF CARF MF Processo nº 10872.000323/201078 Acórdão n.º 1302002.689 S1C3T2 Fl. 477 8 V os inventariantes; VI os síndicos, comissários e liquidatários; VII quaisquer outras entidades ou pessoas que a lei designe, em razão de seu cargo, ofício, função, ministério, atividade ou profissão. Não há, pois, dúvidas razoáveis acerca da autorização legal tanto para o procedimento fiscal, como para a assunção da presunção de receitas tipificadas a partir do confronto entre os "livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas" e "elementos comprobatórios obtidos junto a terceiros". III Conclusão. A luz do anteriormente exposto, voto por afastar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 477DF CARF MF
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