Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,275)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,598)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,091)
- Primeira Turma Ordinária (16,013)
- Primeira Turma Ordinária (15,954)
- Primeira Turma Ordinária (15,925)
- Segunda Turma Ordinária d (15,763)
- Segunda Turma Ordinária d (14,358)
- Primeira Turma Ordinária (12,992)
- Primeira Turma Ordinária (12,358)
- Segunda Turma Ordinária d (12,326)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,397)
- Quarta Câmara (84,499)
- Terceira Câmara (66,899)
- Segunda Câmara (55,190)
- Primeira Câmara (19,766)
- 3ª SEÇÃO (16,091)
- 2ª SEÇÃO (11,258)
- 1ª SEÇÃO (6,816)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (123,685)
- Segunda Seção de Julgamen (113,914)
- Primeira Seção de Julgame (76,113)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,956)
- Câmara Superior de Recurs (37,761)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,019)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,619)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,361)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,712)
- HELCIO LAFETA REIS (3,569)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,209)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,921)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,661)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,087)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,045)
- 2024 (25,916)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,470)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,442)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 15504.725305/2012-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. CONCEITO DE ALIENAÇÃO. RESTRIÇÃO. DESCABIMENTO.
Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins.
ISENÇÃO. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEIS RESIDENCIAIS. REQUISITOS
O artigo 39 da Lei nº 11.196/2005 prevê isenção para o ganho de capital obtido com a alienação de imóveis residenciais nos casos em que o alienante, no prazo de cento e oitenta dias, aplique o produto da alienação na aquisição de outros imóveis residenciais.
ISENÇÃO. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEIS RESIDENCIAIS. ALIENAÇÃO POSTERIOR
A isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital prevista no artigo 39 da Lei nº 11.196/2005 não se aplica quando a alienação do imóvel que gerou o ganho de capital for posterior à compra do imóvel na qual se pretende utilizar os recursos.
Numero da decisão: 2401-005.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. CONCEITO DE ALIENAÇÃO. RESTRIÇÃO. DESCABIMENTO. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. ISENÇÃO. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEIS RESIDENCIAIS. REQUISITOS O artigo 39 da Lei nº 11.196/2005 prevê isenção para o ganho de capital obtido com a alienação de imóveis residenciais nos casos em que o alienante, no prazo de cento e oitenta dias, aplique o produto da alienação na aquisição de outros imóveis residenciais. ISENÇÃO. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEIS RESIDENCIAIS. ALIENAÇÃO POSTERIOR A isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital prevista no artigo 39 da Lei nº 11.196/2005 não se aplica quando a alienação do imóvel que gerou o ganho de capital for posterior à compra do imóvel na qual se pretende utilizar os recursos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15504.725305/2012-76
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5849727
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-005.292
nome_arquivo_s : Decisao_15504725305201276.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RAYD SANTANA FERREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 15504725305201276_5849727.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7193765
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011344830464
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1847; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.725305/201276 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.292 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de março de 2018 Matéria IRPF Recorrente MARCELO SIGAUD FERREIRA FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009, 2010, 2011 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. CONCEITO DE ALIENAÇÃO. RESTRIÇÃO. DESCABIMENTO. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. ISENÇÃO. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEIS RESIDENCIAIS. REQUISITOS O artigo 39 da Lei nº 11.196/2005 prevê isenção para o ganho de capital obtido com a alienação de imóveis residenciais nos casos em que o alienante, no prazo de cento e oitenta dias, aplique o produto da alienação na aquisição de outros imóveis residenciais. ISENÇÃO. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEIS RESIDENCIAIS. ALIENAÇÃO POSTERIOR A isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital prevista no artigo 39 da Lei nº 11.196/2005 não se aplica quando a alienação do imóvel que gerou o ganho de capital for posterior à compra do imóvel na qual se pretende utilizar os recursos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 53 05 /2 01 2- 76 Fl. 657DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira. Fl. 658DF CARF MF Processo nº 15504.725305/201276 Acórdão n.º 2401005.292 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório MARCELO SIGAUD FERREIRA FILHO, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 7a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 0369.410/2015, às efls. 601/630, que julgou procedente o Auto de Infração concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoa física e omissão ganhos de capital na alienação de bens e direitos, em relação aos anoscalendário 2009 a 2011, conforme peça inaugural do feito, às efls. 02/13, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 22/01/2013 (AR efl. 539), nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrentes dos seguintes fatos geradores: a) RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. Omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício, sujeitos ao recolhimento mensal obrigatório, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal que é parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração. b) GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. OMISSÃO/APURAÇÃO INCORRETA DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS. Omissão de ganhos de capital auferidos na alienação de imóveis, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal que é parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração. Conforme o “Termo de Verificação Fiscal” de fls. 14 a 48, as infrações foram constatadas em fiscalização determinada no Mandado de Procedimento Fiscal nº 06.1.01.00 2012003557, cujo escopo era verificar o cumprimento pelo contribuinte de suas obrigações legais referentes ao imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF) dos anoscalendário 2009, 2010 e 2011, mediante conferência dos resultados auferidos nas operações de venda de imóveis realizadas. De posse de toda documentação apresentada pelo contribuinte ou pelas demais pessoas físicas e jurídicas intimadas no curso do procedimento fiscal, a Fiscalização efetuou a conferência da apuração dos ganhos de capital auferidos em 2009 e 2010 pelo contribuinte nas alienações dos seguintes imóveis: apartamento nº 502, situado à Rua Ernani Agrícola, 475, bairro Buritis, em Belo Horizonte, MG; e apartamento nº 1200, situado na Rua Lauro Ferreira, 163, bairro Buritis, em Belo Horizonte, MG. Assim, examinando todos os documentos e fatos relatados acima, concluiu a Fiscalização que: (i) muito embora o referido contrato, assinado em 10/12/2008 pelo contribuinte e seu cônjuge com a CA Cançado, permitisse à vendedora optar por permutar o apartamento 2.501 do Edifício Atlantic (prometido à venda no contrato) pelo apartamento 502 do Edifício Acácia e pelo apartamento 1.200 do Edifício Lourdes Rocha Pereira, essa opção Fl. 659DF CARF MF 4 não foi exercida; (ii) de fato, o cumprimento do aludido contrato não redundou em operação de permuta, com torna, do apartamento 502 do Edifício Acácia ou do apartamento 1.200 do Edifício Lourdes Rocha Pereira pelo apartamento 2.501 do Edifício Atlantic. e, caso se houvesse constituído juridicamente, tal operação deveria estar lastreada por escritura pública de permuta, em que figurassem como permutantes, em um pólo, o contribuinte e seu cônjuge, e, em outro, a CA Cançado; (iii) Diferentemente, o fiscalizado preferiu vender os imóveis constituídos pelo apartamento 502 do Edifício Acácia e pelo apartamento 1.200 do Edifício Lourdes Rocha Pereira a terceiros não envolvidos no contrato pertinente à compra do apartamento 2.501 do Edifício Atlantic, em datas posteriores à de assinatura desse contrato e, em seguida, entregar os recursos obtidos nas vendas à CA Cançado, para quitação de sua dívida decorrente do instrumento em tela. Destacou que o apartamento 502 do Edifício Acácia foi vendido nos termos do “Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda” assinado em 04/12/2009, pelo preço total de R$ 315.000,00 (trezentos e quinze mil reais), pago da seguinte forma: R$10.000,00 em espécie, em 04/12/2009; R$30.000,00 via transferência eletrônica, em 07/12/2009; R$110.000,00 via transferência eletrônica, em 21/12/2009; e R$165.849,15 via transferência eletrônica, em 21/01/2010 (perfazendo um total de R$315.849,15). Em relação ao apartamento 1.200 do Edifício Lourdes Rocha Pereira, ressaltou que este foi vendido nos termos do “Contrato de Promessa de Compra e Venda de Imóvel com Opção de Permuta com Torna e Outros Ajustes” assinado em 02/02/2010, pelo preço total de R$ 459.500,00 (quatrocentos e cinqüenta e nove mil e quinhentos reais), pago da seguinte forma: R$179.500,00 e R$80.000,00, mediante depósito em conta de titularidade da CA Cançado Engenharia e Edificações Ltda., em 02/08/2010; R$31.950,00 também mediante depósito em conta de titularidade da CA Cançado Engenharia e Edificações Ltda., em 05/07/2011; e R$168.050,00, mediante depósito em conta de titularidade da CA Cançado Engenharia e Edificações Ltda., em 01/08/2011. Ressaltou ainda que a entrega das chaves do aparamento nº 1.200 à CA Cançado, para que esta se responsabilizasse pela venda do imóvel em nome do contribuinte, amparada por procuração que lhe outorgou poderes para a prática de tal ato, representa mero acordo entre as partes, eis que a situação jurídica efetivamente que se constituiu foi a de venda do bem ao senhor José Góes Júnior e sua esposa, no ano de 2010, e não a de sua permuta com CA Cançado, “(...) como sinal de pagamento na compra da fração ideal da unidade na planta correspondente ao apartamento 2501 do Edifício Atlantic (...)”, como invocado pelo interessado. Diante do exposto, a Fiscalização procedeu à apuração do ganho de capital conforme já mencionado (data de Aquisição: 03/11/2003, custo de Aquisição: R$22.088,04, data da Alienação: 18/06/2010 e valor da Alienação: 459.500,00), chegando a um resultado tributável no valor de R$310.816,07 (fl. 52). Tendo em vista que se tratou de alienação a prazo, o imposto devido foi calculado de acordo com as parcelas recebidas, resultando em um imposto devido, referente ao ganho de capital auferido na alienação deste apartamento, no valor de R$26.328,87 no ano calendário de 2010 e R$20.291,99 no anocalendário de 2011, obedecidas as disposições expressas no art. 31 da Instrução Normativa SRF nº. 84, de 11 de outubro de 2001 e considerandose a alíquota de 15%, sob a forma de tributação definitiva, no mês de cada recebimento. Por fim, a Fiscalização ressaltou que a sujeição passiva solidária da Sra. Cássia Maria Rodrigues Pereira Sigaud Ferreira restou caracterizada, nos termos do artigo 124, Fl. 660DF CARF MF Processo nº 15504.725305/201276 Acórdão n.º 2401005.292 S2C4T1 Fl. 4 5 inciso I, da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), pelo fato de que eram comuns ao casal, porque adquiridos na constância do matrimônio civil, os imóveis cujas vendas geraram os rendimentos sujeitos à tributação exclusiva correspondentes aos ganhos de capital na alienação de imóveis. Regularmente intimado e inconformado com a Decisão recorrida, o autuado apresentou Recurso Voluntário, às efls. 635/654, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera todas as razões da impugnação, alegando em síntese que, em relação ao imóvel situado à Rua Lauro Ferreira, nº 163, apto. 1.200, Bairro Buritis, objeto da impugnação, informa que prestou os esclarecimentos solicitados no curso da fiscalização e a aquisição do referido imóvel deuse por permuta com o Lote 35 da quadra 7, em 03/11/2003. Esclarece que o imóvel foi dado como sinal de pagamento na compra do apartamento nº 2501 do Edifício Atlantic com a Construtora CA Cançado Engenharia e Edificações Ltda, em 10/12/2008, e que, quando da efetivação da operação de alienação do apartamento nº 1.200, outorgou procuração à Construtora mencionada para que esta efetuasse sua venda a terceiros. Afirma restar comprovada, de forma inequívoca, a operação de alienação do apartamento nº 1.200 na ocasião do “Contrato de Promessa de Compra e Venda de Fração Ideal e de Construção a Preço de Custo em Regime de Incorporação com Opção de Permuta por Imóvel Pronto com Torna e Outros Ajustes” firmado com a Construtora CA Cançado Engenharia e Edificações Ltda, no qual consta, como “unidade adquirida”, o apartamento 2.501, no valor de R$1.580.000,00, e cujo item 3.4, traz às condições e forma de pagamento. Aduz constar ainda, no referido contrato, que “Caso o imóvel descrito na letra “e” deste item não seja entregue à CA Cançado até o dia 30/03/2009, o adquirente está sujeito á multa à razão de R$1.100,00 mensais, ou a sua fração”. Para comprovar de forma inequívoca a efetivação da operação de alienação em 13/12/2008, junta recibo de entrega das chaves do apartamento nº 1200 à compradora, em cumprimento ao disposto nas cláusulas acima mencionadas, e ressalta que a entrega das chaves se deu em 20/05/2009, de modo que o contribuinte teve que arcar com as multas previstas, conforme transferências bancárias (DOCs) em favor da construtora, nos valores de R$1.100,00 e R$733,33. Destaca que o disposto no parágrafo 4º do item 3.4 do contrato acima mencionado demonstra que o impugnante, adquirente do apartamento 2501, outorgou procuração à Conartes Engenharia e Edificações Ltda. para, com poderes absolutos, alienar seu imóvel a terceiros e entregar os recursos à CA Cançado Engenharia e Edificações Ltda, independentemente de prestação de contas, o que significa dizer que a alienação do apartamento 1200 tornouse firma e valiosa, e a partir do referido contrato de promessa o impugnante passou a não ter absolutamente nenhum interesse em relação ao referido apartamento (1200), já que não detinha mais a propriedade do mesmo. A partir daí, se a venda foi feita a terceiros, resta evidente que a operação foi por conta e ordem da CA Cançado Engenharia e Edificações Ltda., que passou a ser proprietária do referido apartamento, independentemente do fato de porventura este ter sido transferido diretamente do impugnante para o terceiro adquirente. Ou seja, o ganho de capital Fl. 661DF CARF MF 6 apurado na alienação do apartamento 1200, objeto do presente recurso, foi amparado por isenção, conforme previsão legal. Em relação ao preço de custo utilizado pela fiscalização na apuração do ganho de capital relativo à alienação do apartamento 1200, o contribuinte não apresenta fundamentação, tendo em vista que este é irrelevante na medida em que o ganho de capital correspondente a essa operação encontrase amparado por isenção, conforme já mencionado. Refuta veementemente os fundamentos utilizados pela fiscalização e alega que não apurou quaisquer valores a título de IR incidentes sobre ganhos de capital porque efetivamente não realizou operação alguma de alienação do apartamento 1200 para o Sr. José Góes Júnior. Ao contrário do que afirma a fiscalização, referido apartamento já havia sido objeto de alienação por permuta com a CA Cançado em 10/12/2008, conforme inequivocamente se comprovou pela juntada do respectivo contrato de promessa. Alega que não haveria a incidência do IR, seja pela aplicação integral do produto da venda do apartamento 1.200 na aquisição de outro imóvel residencial no prazo previsto em lei, seja em função da ausência de ganho de capital na operação de permuta. Discorda das afirmações da fiscalização de que a opção de permuta do apartamento 2501 pelo apartamento 1200 não teria sido exercida, pois para que esta houvesse sido constituída juridicamente deveria estar lastreada por escritura pública de permuta, na qual figurassem como permutantes o contribuinte e a CA Cançado, e de que o impugnante preferiu vender o apartamento 1200 a terceiros em datas posteriores às da assinatura do contrato com a CA Cançado, para em seguida entregar a esta os recursos obtidos com a venda, devendo prevalecer a verdade material espelhada na operação regularmente celebrada pelo recorrente. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar o cancelamento do Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 662DF CARF MF Processo nº 15504.725305/201276 Acórdão n.º 2401005.292 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. DELIMITAÇÃO DA LIDE Primeiramente, ressaltase que o contribuinte não questiona a infração de Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Física, estando em litígio apenas o ganho de capital na alienação do apartamento n° 1200. MÉRITO GANHO DE CAPITAL O Sr. Fiscal em relação ao apartamento 1.200 do Edifício Lourdes Rocha Pereira, ressaltou que este foi vendido nos termos do “Contrato de Promessa de Compra e Venda de Imóvel com Opção de Permuta com Torna e Outros Ajustes” assinado em 02/02/2010, pelo preço total de R$ 459.500,00 (quatrocentos e cinqüenta e nove mil e quinhentos reais), pago da seguinte forma: R$179.500,00 e R$80.000,00, mediante depósito em conta de titularidade da CA Cançado Engenharia e Edificações Ltda., em 02/08/2010; R$31.950,00 também mediante depósito em conta de titularidade da CA Cançado Engenharia e Edificações Ltda., em 05/07/2011; e R$168.050,00, mediante depósito em conta de titularidade da CA Cançado Engenharia e Edificações Ltda., em 01/08/2011. Ressaltou ainda que a entrega das chaves do aparamento nº 1.200 à CA Cançado, para que esta se responsabilizasse pela venda do imóvel em nome do contribuinte, amparada por procuração que lhe outorgou poderes para a prática de tal ato, representa mero acordo entre as partes, eis que a situação jurídica efetivamente que se constituiu foi a de venda do bem ao senhor José Góes Júnior e sua esposa, no ano de 2010, e não a de sua permuta com CA Cançado, “(...) como sinal de pagamento na compra da fração ideal da unidade na planta correspondente ao apartamento 2501 do Edifício Atlantic (...)”, como invocado pelo interessado. Diante do exposto, a Fiscalização procedeu à apuração do ganho de capital conforme já mencionado (data de Aquisição: 03/11/2003, custo de Aquisição: R$22.088,04, data da Alienação: 18/06/2010 e valor da Alienação: 459.500,00), chegando a um resultado tributável no valor de R$310.816,07 (fl. 52). Tendo em vista que se tratou de alienação a prazo, o imposto devido foi calculado de acordo com as parcelas recebidas, resultando em um imposto devido, referente ao ganho de capital auferido na alienação deste apartamento, no valor de R$26.328,87 no ano calendário de 2010 e R$20.291,99 no anocalendário de 2011, obedecidas as disposições expressas no art. 31 da Instrução Normativa SRF nº. 84, de 11 de outubro de 2001 e considerandose a alíquota de 15%, sob a forma de tributação definitiva, no mês de cada recebimento. Fl. 663DF CARF MF 8 Por sua vez o contribuinte informa que prestou os esclarecimentos solicitados no curso da fiscalização e a aquisição do referido imóvel deuse por permuta com o Lote 35 da quadra 7, em 03/11/2003. Esclarece que o imóvel foi dado como sinal de pagamento na compra do apartamento nº 2501 do Edifício Atlantic com a Construtora CA Cançado Engenharia e Edificações Ltda, em 10/12/2008, e que, quando da efetivação da operação de alienação do apartamento nº 1.200, outorgou procuração à Construtora mencionada para que esta efetuasse sua venda a terceiros. Afirma restar comprovada, de forma inequívoca, a operação de alienação do apartamento nº 1.200 na ocasião do “Contrato de Promessa de Compra e Venda de Fração Ideal e de Construção a Preço de Custo em Regime de Incorporação com Opção de Permuta por Imóvel Pronto com Torna e Outros Ajustes” firmado com a Construtora CA Cançado Engenharia e Edificações Ltda, no qual consta, como “unidade adquirida”, o apartamento 2.501, no valor de R$1.580.000,00, e cujo item 3.4, traz às condições e forma de pagamento. Aduz constar ainda, no referido contrato, que “Caso o imóvel descrito na letra “e” deste item não seja entregue à CA Cançado até o dia 30/03/2009, o adquirente está sujeito á multa à razão de R$1.100,00 mensais, ou a sua fração”. Para comprovar de forma inequívoca a efetivação da operação de alienação em 13/12/2008, junta recibo de entrega das chaves do apartamento nº 1200 à compradora, em cumprimento ao disposto nas cláusulas acima mencionadas, e ressalta que a entrega das chaves se deu em 20/05/2009, de modo que o contribuinte teve que arcar com as multas previstas, conforme transferências bancárias (DOCs) em favor da construtora, nos valores de R$1.100,00 e R$733,33. Destaca que o disposto no parágrafo 4º do item 3.4 do contrato acima mencionado demonstra que o impugnante, adquirente do apartamento 2501, outorgou procuração à Conartes Engenharia e Edificações Ltda. para, com poderes absolutos, alienar seu imóvel a terceiros e entregar os recursos à CA Cançado Engenharia e Edificações Ltda, independentemente de prestação de contas, o que significa dizer que a alienação do apartamento 1200 tornouse firma e valiosa, e a partir do referido contrato de promessa o impugnante passou a não ter absolutamente nenhum interesse em relação ao referido apartamento (1200), já que não detinha mais a propriedade do mesmo. A partir daí, se a venda foi feita a terceiros, resta evidente que a operação foi por conta e ordem da CA Cançado Engenharia e Edificações Ltda., que passou a ser proprietária do referido apartamento, independentemente do fato de porventura este ter sido transferido diretamente do impugnante para o terceiro adquirente. Ou seja, o ganho de capital apurado na alienação do apartamento 1200, objeto do presente recurso, foi amparado por isenção, conforme previsão legal. Em relação ao preço de custo utilizado pela fiscalização na apuração do ganho de capital relativo à alienação do apartamento 1200, o contribuinte não apresenta fundamentação, tendo em vista que este é irrelevante na medida em que o ganho de capital correspondente a essa operação encontrase amparado por isenção, conforme já mencionado. Refuta veementemente os fundamentos utilizados pela fiscalização e alega que não apurou quaisquer valores a título de IR incidentes sobre ganhos de capital porque efetivamente não realizou operação alguma de alienação do apartamento 1200 para o Sr. José Góes Júnior. Ao contrário do que afirma a fiscalização, referido apartamento já havia sido objeto de alienação por permuta com a CA Cançado em 10/12/2008, conforme inequivocamente se comprovou pela juntada do respectivo contrato de promessa. Fl. 664DF CARF MF Processo nº 15504.725305/201276 Acórdão n.º 2401005.292 S2C4T1 Fl. 6 9 Alega que não haveria a incidência do IR, seja pela aplicação integral do produto da venda do apartamento 1.200 na aquisição de outro imóvel residencial no prazo previsto em lei, seja em função da ausência de ganho de capital na operação de permuta. Discorda das afirmações da fiscalização de que a opção de permuta do apartamento 2501 pelo apartamento 1200 não teria sido exercida, pois para que esta houvesse sido constituída juridicamente deveria estar lastreada por escritura pública de permuta, na qual figurassem como permutantes o contribuinte e a CA Cançado, e de que o impugnante preferiu vender o apartamento 1200 a terceiros em datas posteriores às da assinatura do contrato com a CA Cançado, para em seguida entregar a esta os recursos obtidos com a venda, devendo prevalecer a verdade material espelhada na operação regularmente celebrada pelo recorrente Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila alguns trechos da Lei n° 7.713/88 e da Lei n° 8.981/95, que regulamentam a matéria. Lei nº 7.713/88 Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) (...) § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. (...) Lei nº 8.981/de 1995 Art. 21. O ganho de capital percebido por pessoa física em decorrência da alienação de bens e direitos de qualquer natureza sujeitase à incidência do Imposto de Renda, à alíquota de quinze por cento. § 1º O imposto de que trata este artigo deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente ao da percepção dos ganhos. § 2º Os ganhos a que se refere este artigo serão apurados e tributados em separado e não integrarão a base de cálculo do Imposto de Renda na declaração de ajuste anual, e o imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. Fl. 665DF CARF MF 10 Vejase, portanto, que a legislação estabelece que o ganho de capital decorrente da alienação de bens e direitos de qualquer natureza sujeitase à incidência do Imposto de Renda, à alíquota de quinze por cento, devendo ser considerado como tal a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição. No caso em tela, como já relatado, o contribuinte alega que o ganho de capital apurado pela Fiscalização, relativo à alienação do apartamento nº 1.200, situado à Rua Lauro Ferreira, nº 163, Bairro Buritis (doravante denominado simplesmente “apartamento nº 1.200”), estaria isento de tributação porque teria sido entregue, por meio de permuta, como parcela do pagamento correspondente à aquisição do apartamento nº 2.501 do Edifício Atlantic, situado no Condomínio Green Garden Residence Park (doravante denominado simplesmente “apartamento nº 2.501”), em contrato firmado com a Construtora CA Cançado Engenharia e Edificações Ltda, em 10/12/2008. Tendo em vista a alegação do contribuinte, cumpre, primeiramente, transcrever o art. 39 da Lei n.º 11. 196/2005: Art. 39. Fica isento do imposto de renda o ganho auferido por pessoa física residente no País na venda de imóveis residenciais, desde que o alienante, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias contado da celebração do contrato, aplique o produto da venda na aquisição de imóveis residenciais localizados no País. § 1º No caso de venda de mais de 1 (um) imóvel, o prazo referido neste artigo será contado a partir da data de celebração do contrato relativo à 1a (primeira) operação. § 2º A aplicação parcial do produto da venda implicará tributação do ganho proporcionalmente ao valor da parcela não aplicada. § 3º No caso de aquisição de mais de um imóvel, a isenção de que trata este artigo aplicarseá ao ganho de capital correspondente apenas à parcela empregada na aquisição de imóveis residenciais. § 4º A inobservância das condições estabelecidas neste artigo importará em exigência do imposto com base no ganho de capital, acrescido de: I juros de mora, calculados a partir do 2º (segundo) mês subseqüente ao do recebimento do valor ou de parcela do valor do imóvel vendido; e II multa, de mora ou de ofício, calculada a partir do 2º (segundo) mês seguinte ao do recebimento do valor ou de parcela do valor do imóvel vendido, se o imposto não for pago até 30 (trinta) dias após o prazo de que trata o caput deste artigo. § 5º O contribuinte somente poderá usufruir do benefício de que trata este artigo 1 (uma) vez a cada 5 (cinco) anos. A aplicação do dispositivo acima transcrito foi disciplinada pelo o art. 2.º da Instrução Normativa SRF n.º 599, de 28 de dezembro de 2005, o qual enuncia que: Art. 2º Fica isento do imposto de renda o ganho auferido por pessoa física residente no País na venda de imóveis residenciais, Fl. 666DF CARF MF Processo nº 15504.725305/201276 Acórdão n.º 2401005.292 S2C4T1 Fl. 7 11 desde que o alienante, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias contados da celebração do contrato, aplique o produto da venda na aquisição, em seu nome, de imóveis residenciais localizados no País. § 1º No caso de venda de mais de um imóvel, o prazo de 180 (cento e oitenta) dias referido no caput deste artigo será contado a partir da data de celebração do contrato relativo à primeira operação. § 2º A aplicação parcial do produto da venda implicará tributação do ganho proporcionalmente ao valor da parcela não aplicada. § 3º No caso de aquisição de mais de um imóvel, a isenção de que trata este artigo aplicarseá ao ganho de capital correspondente apenas à parcela empregada na aquisição de imóveis residenciais. § 4º A opção pela isenção de que trata este artigo é irretratável e o contribuinte deverá informála no respectivo Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital da Declaração de Ajuste Anual. § 5º O contribuinte somente poderá usufruir do benefício de que trata este artigo uma vez a cada cinco anos, contados a partir da data da celebração do contrato relativo à operação de venda com o referido benefício ou, no caso de venda de mais de um imóvel residencial, à primeira operação de venda com o referido benefício. § 6º Na hipótese do § 1º, estarão isentos somente os ganhos de capital auferidos nas vendas de imóveis residenciais anteriores à primeira aquisição de imóvel residencial. § 7º Relativamente às operações realizadas a prestação, aplica se a isenção de que trata o caput, observado o disposto nos parágrafos precedentes: I nas vendas a prestação e nas aquisições à vista, à soma dos valores recebidos dentro do prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contado da data da celebração do primeiro contrato de venda e até a(s) data(s) da(s) aquisição(ões) do(s) imóvel(is) residencial(is); II nas vendas à vista e nas aquisições a prestação, aos valores recebidos à vista e utilizados nos pagamentos dentro do prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contado da data da celebração do primeiro contrato de venda; III nas vendas e aquisições a prestação, à soma dos valores recebidos e utilizados para o pagamento das prestações, ambos dentro do prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contado da data da celebração do primeiro contrato de venda. (...) Fl. 667DF CARF MF 12 § 10. O disposto neste artigo aplicase, inclusive: I aos contratos de permuta de imóveis residenciais; II à venda ou aquisição de imóvel residencial em construção ou na planta. § 11. O disposto neste artigo não se aplica, dentre outros: I à hipótese de venda de imóvel residencial com o objetivo de quitar, total ou parcialmente, débito remanescente de aquisição a prazo ou à prestação de imóvel residencial já possuído pelo alienante; (...) § 12. A inobservância das condições estabelecidas neste artigo importará em exigência do imposto com base no ganho de capital, acrescido de: I juros de mora, calculados a partir do segundo mês subseqüente ao do recebimento do valor ou de parcela do valor do imóvel vendido; e II multa de ofício ou de mora calculada a partir do primeiro dia útil do segundo mês seguinte ao do recebimento do valor ou de parcela do valor do imóvel vendido, se o imposto não for pago até trinta dias após o prazo de 180 (cento e oitenta) dias de que trata o caput deste artigo. (g.n) Como se depreende da legislação acima transcrita, é isento do imposto de renda o ganho auferido por pessoa física residente no Brasil na venda de imóveis residenciais desde que o alienante, no prazo de 180 dias contados da celebração do contrato, aplique o produto da venda na aquisição de imóveis residenciais localizados no País. Nesse ponto, e antes de se verificar a possibilidade de aplicação da norma isentiva acima transcrita ao caso em análise, é preciso destacar que as isenções previstas em lei devem ser interpretados de forma literal, a teor do que dispõe o artigo 111, inciso II, do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Nessa esteira, não podem, em qualquer hipótese, ser relativizadas as condições estabelecidas nos dispositivos anteriormente transcritos, com vistas à fruição da isenção do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital. Uma destas condições é que o produto da venda do imóvel residencial seja aplicado, total ou parcialmente, no prazo de 180 dias, na aquisição de outro imóvel residencial localizado no país, e, portanto, que a venda do imóvel seja anterior à compra do outro. É também o que explicita o parágrafo 11 do citado dispositivo, quando dispõe que a isenção em comento não se aplica à hipótese de venda de imóvel residencial com o Fl. 668DF CARF MF Processo nº 15504.725305/201276 Acórdão n.º 2401005.292 S2C4T1 Fl. 8 13 objetivo de quitar, total ou parcialmente, débito remanescente de aquisição a prazo ou à prestação de imóvel residencial já possuído pelo alienante. Portanto, a legislação somente autoriza a aplicação da isenção a vendas de imóveis que ocorram anteriormente à aquisição do outro imóvel residencial. Acrescentese que, nos termos do inciso I do §10 do mesmo dispositivo, a referida isenção também é aplicável no caso de permuta de imóveis residenciais. Feitos os esclarecimentos necessários, cumpre verificar se no caso em análise foram atendidos os requisitos exigidos pela legislação para fins de isenção do ganho de capital. Relembrando, no caso dos autos, o contribuinte afirma que a alienação do imóvel em relação ao qual foi apurado o ganho de capital objeto do auto de infração impugnado (apartamento nº 1.200) ocorreu em 10/12/2008, por ocasião da compra do apartamento nº 2.501 do Edifício Atlantic com a Construtora CA Cançado Engenharia e Edificações Ltda. Em que pesem as razões ofertadas pelo contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o lançamento, corroborado pela bem fundamentada decisão recorrida, apresentase formalmente incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, senão vejamos: Analisandose os documentos que constam nos autos, não é possível concluir que a alienação do apartamento nº 1.200 ocorreu por permuta, na ocasião de compra do apartamento nº 2.501, consubstanciada no “Contrato de Promessa de Compra e Venda de Fração Ideal e de Construção a Preço de Custo em Regime de Incorporação com Opção de Permuta por Imóvel Pronto com Torna e Outros Ajustes” (fls. 129 a 133). Referido contrato apenas prevê que parte do pagamento relativo à aquisição do imóvel nº 2.501 seria quitada com “o produto da venda do apartamento 1.200 do Edifício Lourdes Rocha Pereira, do empreendimento denominado Vila Graciosa, de propriedade dos adquirentes (...)”. Não significa, contudo, que o apartamento nº 1.200 tenha sido alienado nesta data, nem tampouco que tenha sido objeto de permuta com o apartamento nº 2.501, fato que autorizaria a aplicação da isenção em comento. Ressaltese que o §6º do mesmo contrato prevê a possibilidade de que a Promitente Vendedora (CA Cançado) opte por permutar o apartamento que prometeu a venda com os imóveis descritos nas letras “b”, “e” e “f” (entre eles o apartamento nº 1.200), esclarecendo ainda que, exercida esta opção, as demais parcelas pagas pela aquisição serão computadas como torna pela permuta, e que o contribuinte (adquirente) arcará integralmente com as despesas de ITBI – Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis, registro, escrituras e outras necessárias à transferência do imóvel permutado. A existência do parágrafo acima mencionado reforça a conclusão de que a permuta envolvendo o apartamento nº 1.200, por ocasião da compra do apartamento nº 2.501, era apenas uma opção, que poderia, ou não, ser exercida pela Construtora CA Cançado. Contudo, não consta nos autos do processo qualquer documento que demonstre que a opção de permuta acima referida tenha sido, de fato, exercida. Fl. 669DF CARF MF 14 Pelo contrário: os documentos que constam nos autos demonstram que o apartamento nº 1.200 foi alienado pelo contribuinte a José Góes da Silva, por intermédio da empresa Conartes Engenharia (mandatária), apenas em 2010, ou seja, posteriormente à aquisição do apartamento 2.501. De fato, o “Contrato de Promessa de Compra e Venda de Imóvel com Opção de Permita com Torna e Outros Ajustes” acostado às fls. 145 a 147, firmado em 02/02/2010, trata justamente da alienação do apartamento 1.200, tendo como promitente vendedor o contribuinte e sua esposa, representados pela Conartes Engenharia e Edificações Ltda., e como promitente comprador o Sr. José Góes Júnior e sua esposa. Da mesma forma, a certidão emitida pelo 1º Ofício de Registro de Imóveis de Belo Horizonte, acostada às fls. 140/141, demonstra que a propriedade do imóvel objeto do ganho de capital impugnado (apartamento nº 1.200) foi transmitida, em 06/07/2010, do contribuinte e sua esposa, para o adquirente José Goes Júnior e sua esposa, conforme instrumento particular datado de 18/06/2010, pelo preço de R$459.500,00. Ou seja, tais documentos corroboram a conclusão de que não houve permuta envolvendo o apartamento nº 1.200 na ocasião da aquisição do apartamento nº 2.501, e que o apartamento nº 1.200 continuou em propriedade do contribuinte até a sua efetiva alienação a José Góes Júnior. Do contrário, o contribuinte sequer poderia constar como “Promitente Vendedor” no contrato de Promessa de Compra e Venda firmado em 02/02/2010. Da mesma forma, o fato de o recorrente ter outorgado mandato por instrumento público à Conartes Engenharia e Edificações Ltda., e de ser por ela representado no contrato de Promessa de Compra e Venda do apartamento nº 1.200, firmado em 02/02/2010, não autoriza a conclusão de que, com a outorga do referido mandato, já havia ocorrido a alienação do imóvel. Referida alienação somente se consubstanciou por meio do Contrato de Promessa de Compra e Venda de fls. 145 a 147, firmado em 02/02/2010, e cuja Cláusula Primeira prevê a transferência da propriedade do apartamento nº 1.200 por meio da assinatura do contrato de financiamento imobiliário, o que ocorreu em 18/06/2010 (fls. 337 a 358), conforme confirmado também pela certidão do registro do imóvel acostada às fls. 140/141. Aliás, o próprio contribuinte continuou informando o apartamento nº 1.200 na relação de bens e direitos integrantes de suas declarações de ajuste até a DIRPF relativa ao exercício 2011, anocalendário de 2010, na qual ele próprio indica que referido imóvel, que estava em sua propriedade em 31/12/2009, foi “vendido em fevereiro de 2010 ao sr. Jose Goes Junior cpf 474.988.62620, pelo valor de 459.500,00 através da CA Cançado e Edificações Ltda, sendo o produto da venda utilizado para quitar a parcela de financiamento da compra do apartamento 2501 do ed. Atlantic.” Ou seja, todos os elementos dos autos demonstram que a alienação do apartamento nº 1.200 ocorreu posteriormente à aquisição do apartamento nº 2.501. Assim, tendo em vista que o §6º do art. 2º da IN nº 599/2005 esclarece que somente estarão isentos os ganhos de capital auferidos nas vendas de imóveis residenciais anteriores à primeira aquisição de imóvel residencial, e considerando que a venda do apartamento nº 1.200, à qual se pretende aplicar a isenção, ocorreu posteriormente à aquisição do apartamento nº 2.501, não é possível considerar isento o ganho de capital dela decorrente. Fl. 670DF CARF MF Processo nº 15504.725305/201276 Acórdão n.º 2401005.292 S2C4T1 Fl. 9 15 Da mesma forma, o fato de os recursos obtidos com a alienação acima mencionada terem sido utilizados como parte do pagamento da aquisição do apartamento nº 2.501 também não é suficiente para autorizar a aplicação da isenção em comento. Nesse ponto, é preciso destacar que a IN nº 599/2005 determina, expressamente, no §11, I, de seu art. 2º, que a isenção prevista neste dispositivo não se aplica à hipótese de venda de imóvel residencial com o objetivo de quitar, total ou parcialmente, débito remanescente de aquisição a prazo ou à prestação de imóvel residencial já possuído pelo alienante. Diante do exposto, concluise que a transação que originou o ganho de capital objeto do auto de infração recorrido não pode ser abarcada pela norma isentiva. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração, sub examine, em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 671DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10242.000019/2004-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES
Ano calendário: 2003, 2004
INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES. A inexistência do Ato Declaratório de exclusão do Simples, bem como de sua notificação ao contribuinte, acarretam a impossibilidade de produção de seus efeitos jurídicos.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 1402-000.674
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Carlos Pelá
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201108
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : SIMPLES Ano calendário: 2003, 2004 INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES. A inexistência do Ato Declaratório de exclusão do Simples, bem como de sua notificação ao contribuinte, acarretam a impossibilidade de produção de seus efeitos jurídicos. Recurso Voluntário provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10242.000019/2004-07
conteudo_id_s : 5846564
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-000.674
nome_arquivo_s : Decisao_10242000019200407.pdf
nome_relator_s : Carlos Pelá
nome_arquivo_pdf_s : 10242000019200407_5846564.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
id : 7182408
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011350073344
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1484; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10242.000019/200407 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 140200.674 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 4 de agosto de 2011 Matéria ENQUADRAMENTO NO SIMPLES Recorrente VERA LUCIA SILVA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES Anocalendário: 2003, 2004 INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES. A inexistência do Ato Declaratório de exclusão do Simples, bem como de sua notificação ao contribuinte, acarretam a impossibilidade de produção de seus efeitos jurídicos. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 221DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10242.000019/200407 Acórdão n.º 140200.674 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de requerimento para reinclusão no Simples Federal, apresentado espontaneamente pelo contribuinte às fls. 01/02. Contanos o relatório de fls. 131, que: a) Que fez opção pela forma de tributação denominada de Simples, na data de 26.03.1997 e que à época do enquadramento, encontravase em atraso com alguns tributos federais, e que por exigência legal, efetuou parcelamento do débito; b) Que por motivo de problemas de saúde de sua titular não conseguiu pagar rigorosamente em dia as parcelas, mas na medida do possível liquidou totalmente o parcelamento; c) Que desde o enquadramento até a presente data vem entregando normalmente suas declarações de Imposto de Renda nessa modalidade; d) Que ao tentar entregar a declaração do exercício de 2003, anocalendário de 2002, foi surpreendida pela rejeição da entrega da referida declaração pelo sistema eletrônico, quando foi informada de que havia sido excluída do Simples, pelo motivo de não ter pago o parcelamento realizado quando de seu enquadramento no sistema, e que se esse foi o motivo já se encontra resolvido; e) Salientou que se encontra nesta situação pelo fato da própria Receita Federal ter recebido suas declarações dos anos subseqüentes ao desenquadramento, pois conforme consta em documentos internos da Inspetoria da Receita Federal em Vilhena, a requerente foi desenquadrada no ano de 2001 e para comprovar anexou cópias dos recibos de entrega e respectivas declarações, inclusive a do exercício de 2003, anocalendário de 2002, fls. 12 a 29, confirmadas pela tela da fl. 56; f) Finalmente requereu o restabelecimento no enquadramento do Simples; g) Fez juntada de cópias de DARF's emitidos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com as respectivas consultas dos processos, fls. 30 a 48, confirmados no Sistema "Sinal", fls. 61 a 65. Após isso, constam dos autos o despacho SARAC nº 068/2008, que após pesquisa nos sistemas informatizados da RFB afirmou restar comprovado que a contribuinte regularizou sua situação em 11/06/2002 (f1.103), possuindo, ainda, inscrições em DAU (fls.91/98), que impediriam a sua permanência na referida sistemática. Assim, afirma que com base na Lei 9.317/96, o contribuinte deveria ser reenquadrado no Simples somente a partir de 01/01/2005, ano subseqüente ao da regularização de sua situação na PGFN. Fl. 222DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10242.000019/200407 Acórdão n.º 140200.674 S1C4T2 Fl. 3 3 Nesses contexto, sugere que o pedido do contribuinte seja deferido parcialmente, tomandose as seguintes ações: 1 — Inclusão do contribuinte no Simples Federal a partir de 01/01/2005, f1.102; 2 — Exclusão do contribuinte do Simples Federal a partir de 30/06/2007, f1.102. Acrescenta, ainda, que com a revogação da Lei 9.317/96 pela LC 123/2006, todas as empresas que eram integrantes do Simples Federal foram excluídas dessa sistemática em 30/06/2007 para que pudessem migrar para o Simples Nacional, caso não houvesse nenhum fator impeditivo. Diante do exposto, intima o contribuinte a apresentar as DIPJ's para os anos calendário 2003 e 2004 em outra forma de tributação (Lucro Presumido ou Real). O contribuinte contesta o despacho às fl. 118/121. Ato contínuo, a 2ª Turma da DRJ/BEL no acórdão nº 0112.497 (fl. 130/136) considerou, por maioria de votos, nulo por vício formal o despacho decisório SARAC nº 068/2008 (fl. 104) que exclui a contribuinte do Simples. Isso porque, referido despacho decisório havia sido fundamentado e assinado por autoridade legalmente incompetente. Com isso, nova decisão foi emitida (INFORMAÇÃO SARAC N° 002/2009, datada de 07.01.2009, ciência em 14.01.2009), com idêntico teor do despacho anterior (SARAC nº 068/2008 as mesmas conclusões do anterior, sanadas as incorreções formais. No prazo legal, a contribuinte apresentou nova manifestação de inconformidade (fls. 148/161), afirmando, em síntese, que: 1) Quitou todos os valores devidos, ainda que com atraso, não tendo reclamado do fato o órgão competente ao tempo do infortúnio. 2) Ainda que assistisse razão ao fisco para que fosse regularmente desenquadrada do sistema a contribuinte deveria ter sido notificada a sanar eventuais irregularidades se existente, o que não fora, bem como se houve equívoco nas baixas dos débitos a Receita deveria apenas corrigir as informações e restabelecer a condição da contribuinte e não simplesmente desenquadrála e exigirlhe formas diversas de declaração ou ainda rejeitar as ofertadas. 3) O desenquadramento, segundo informado pela Receita, ocorreu no ano de 2000, porém regularmente neste ano e nos subseqüentes a mesma colheu e aceitou as declarações e IRPJ da contribuinte, sem nunca terlhe informado dita condição, somente vindo a conhecer o fato a contribuinte em 2003. 4) Se a exclusão do contribuinte se dera por força de débito junto a União ou ao INSS, como dão conta os documentos de fls.58, 77, 80 e 91/98, o fisco deveria têla comunicado, na forma do artigo 13, II, 'a' c/c artigo 9º, XV, Lei 9.317/96. Fl. 223DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10242.000019/200407 Acórdão n.º 140200.674 S1C4T2 Fl. 4 4 5) O próprio fisco confessa (às fls. 85) que não houve remessa de comunicação de Vedação e Exclusão do sistema Simples, logo incontroversa a omissão e a existência de nulidade. 6) Se houve débito e quitação em todos os períodos e não houve comunicação formal do desenquadramento, ou pedido de regularização da situação pelo fisco, é nulo o ato de exclusão do Simples. 7) É necessária a notificação da empresa acerca da existência de fato conducente à sua exclusão do Simples para oferecimento de defesa prévia sob pena de ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório. Apresenta jurisprudência sobre o tema. 8) A inexistência do Ato Declaratório de exclusão do Simples, bem como de notificação ao contribuinte acarreta a impossibilidade de produção de seus efeitos jurídicos. 9) O voto vencido no acórdão de fls.130/136 havia apontado a ilegalidade da exclusão do contribuinte do Simples. Novo acórdão foi proferido (fls. 176/180), mantendo a decisão SARAC N° 002/2009, por entender que o contribuinte manteve pendências junto à PGFN que impediam sua permanência no Simples. Finalmente, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário (fl. 189/199) em que repisa os argumentos de suas peças impugnatórias, bem como alega aponta a falta de fundamentação do acórdão recorrido. É o Relatório. Fl. 224DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10242.000019/200407 Acórdão n.º 140200.674 S1C4T2 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Carlos Pelá, Relator O recurso atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. Merece reforma o acórdão recorrido. Peço vênia para transcrever as razões de decidir do voto vencido no acórdão nº 0112.497 (fl. 130/136): Analisando os documentos acostados ao processo verificou que a impugnante possuía débitos inscritos na Procuradoria da Fazenda Nacional até o dia 02.03.2004, quando procedeu ao recolhimento de débito tributário inscrito na data de 24.12.2003, conforme resultado de consulta acostado às fls 91 e92. Também foram juntadas ao processo as Certidões Negativas quanto à Dívida Ativa da União, emitida pela Procuradoria da Fazenda Nacional e da Previdência Social, nas datas de 08.04.2004 e 14.04.2004, respectivamente, fls 71 e 72. Com relação às declarações apresentadas a tela de consulta de declarações demonstra que foram apresentadas no prazo regulamentar todas as declarações a partir do anocalendário de 1997, na modalidade do Simples, inclusive do período de 01.01 a 30.06.2007, fl 89. Considerando que não se encontra no processo cópia do Ato Declaratório Executivo de Exclusão e nem a comprovação de ciência ao contribuinte, encaminho o meu voto no sentido de desconsiderar a exclusão e manter para todo o período a manutenção do sujeito passivo, na modalidade de tributação denominada de SIMPLES. De fato, não existe nos autos cópia do Ato Declaratório Executivo de Exclusão do contribuinte, tampouco de sua ciência. Pelo contrário, no documento de fl. 85 restou consignado que o "AR" não foi encontrado e que, no sistema informatizado Sucop, não havia meios de consultar a data de recebimento da vedação e exclusão do Simples. Com efeito, se o processo baseiase na suposta exclusão do contribuinte do Simples, por tudo quanto exposto nos autos, não está comprovado se efetivamente ocorreu essa exclusão, de que forma isso foi levado a cabo e, menos ainda, se foi dada ciência ao contribuinte. Logo, tornase inadmissível a exclusão do contribuinte do Simples, já que impedido de exercer os seus direitos à ampla defesa e ao contraditório. Fl. 225DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10242.000019/200407 Acórdão n.º 140200.674 S1C4T2 Fl. 6 6 Acolho os argumentos do contribuinte no sentido de que a inexistência do Ato Declaratório de exclusão do Simples, bem como de notificação ao contribuinte, acarretam a impossibilidade de produção de seus efeitos jurídicos. Posto isso, voto pelo provimento do recurso voluntário interposto, para reformar a decisão de primeira instância, desconsiderar a exclusão e manter a contribuinte na sistemática de recolhimento do Simples. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 226DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900058/2006-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2003
IRPJ.RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO DE DCOMP. COMPROVAÇÃO APRECIAÇÃO. CABIMENTO. Cumpre a autoridade administrativa apreciar alegações de defesa, no sentido de que incorreu em erros de preenchimento da Declaração Compensação – DCOMP, inexistindo amparo legal para essa negativa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-000.613
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para determinar o retorno dos autos à DRF de Origem, para que aprecie a DCOMP, levando em consideração o erro no preenchimento, adentrando no mérito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Carlos Pelá. Presente no julgamento, o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201106
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2003 IRPJ.RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO DE DCOMP. COMPROVAÇÃO APRECIAÇÃO. CABIMENTO. Cumpre a autoridade administrativa apreciar alegações de defesa, no sentido de que incorreu em erros de preenchimento da Declaração Compensação – DCOMP, inexistindo amparo legal para essa negativa. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10865.900058/2006-32
conteudo_id_s : 5843372
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-000.613
nome_arquivo_s : Decisao_10865900058200632.pdf
nome_relator_s : Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
nome_arquivo_pdf_s : 10865900058200632_5843372.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para determinar o retorno dos autos à DRF de Origem, para que aprecie a DCOMP, levando em consideração o erro no preenchimento, adentrando no mérito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Carlos Pelá. Presente no julgamento, o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
id : 7173412
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011355316224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1969; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 0 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.900058/200632 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 140200.613 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de junho de 2011 Matéria DCOMP ELETRONICO SALDO NEGATIVO DO IRPJ Recorrente TUBESP TUBOS ESPIRAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 IRPJ.RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO DE DCOMP. COMPROVAÇÃO APRECIAÇÃO. CABIMENTO. Cumpre a autoridade administrativa apreciar alegações de defesa, no sentido de que incorreu em erros de preenchimento da Declaração Compensação – DCOMP, inexistindo amparo legal para essa negativa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para determinar o retorno dos autos à DRF de Origem, para que aprecie a DCOMP, levando em consideração o erro no preenchimento, adentrando no mérito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Carlos Pelá. Presente no julgamento, o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 46DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10865.900058/200632 Acórdão n.º 140200.613 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório TUBESP TUBOS ESPIRAIS LTDA, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra o acórdão proferido pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal, em primeira instância administrativa, que julgou improcedente seu pleito. Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de Saldo Negativo de IRPJ, relativo ao período de 04 e 05/2003. Por meio de despacho decisório, foi indeferido o pedido, e declarada não homologada a compensação, ante constatação de que o valor do alegado saldo negativo do imposto, informado em PER/DCOMP, diverge daquele informado em DIPJ, em relação ao mesmo período de apuração. Cientificada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese: a) que “conforme documentos em anexo (ficha da DIPJ), a empresa tem crédito suficiente para quitação do débito, no qual a Receita pode constatar facilmente por acesso a seus arquivos no processamento”; b) que “em nenhum momento a Receita deu a chance para a empresa retificar a PER/DCOMP em referência, o que poderia e pode sanar a questão facilmente”. Ao final, requer seja acolhida a manifestação de inconformidade, por supostamente demonstrada a insubsistência do débito, e procedida a compensação de ofício ou dada nova oportunidade para apresentação de PER/DCOMP retificadora. A decisão recorrida está assim ementada: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA DAS DELEGACIAS DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO. A competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) para reexame de decisões sobre pedidos de restituição e compensação limitase à matéria objeto do pedido, apreciada pela autoridade competente, sob pena de supressão de instância processual administrativa. DCOMP. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Demonstrada nos autos a inexistência do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 47DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10865.900058/200632 Acórdão n.º 140200.613 S1C4T2 Fl. 0 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 48DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10865.900058/200632 Acórdão n.º 140200.613 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Consoante relatado, tratase de pedido de reconhecimento de direito creditório relativo a saldo negativo de recolhimentos do IRPJ do ano de 2002, tendo o contribuinte informado na DCOMP que seria do ano de 2003. O pleito do contribuinte foi indeferido pela DRF de origem sob o fundamento de que o valor originalmente pleiteado nas DCOMP, relativo ao ano 2003 seria inexistente. O contribuinte apresentou então manifestação de inconformidade, alegando erro no preenchimento da DCOMP, sendo que o direito creditório seria do ajuste anual de 2002. Vejamos os fundamentos da decisão de 1a. instância: Vale destacar que a possibilidade de retificação de informações prestadas na Declaração de Compensação, aventada pela recorrente, encontrase expressamente prevista na Instrução Normativa n.º 360, de 24 de setembro de 2003, e legislação posterior, nos termos seguintes: Art. 6º O Pedido Eletrônico de Restituição, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento e a Declaração de Compensação gerados a partir do Programa PER/DCOMP 1.1 (ou versão anterior) e transmitidos à SRF poderão ser retificados pelo sujeito passivo mediante o preenchimento e envio à SRF de documento retificador gerado a partir do Programa PER/DCOMP 1.1, desde que o pedido ou a declaração se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 7º e 8º. Verificase que o pleito da interessada tem por objeto compensação de Saldo Negativo de IRPJ, relativo ao período de 01/04/2003 a 30/06/2003, para quitação de débito(s) de IRPJestimativa, apurado(s) em 04 e 05/2003. Cabem aqui duas observações. Primeiramente, tendo a contribuinte optado, no anocalendário de 2003, por regime de apuração do IRPJ pelo lucro real anual, e considerando o regime legal de apuração do imposto, regulado pelo RIR/99, somente após o encerramento do anocalendário de 2003, em 31 de dezembro, estaria configurada a apuração de eventual saldo negativo (ou de imposto a pagar). Há que se considerar que, na realidade, o alegado indébito referese a saldo negativo anual supostamente apurado ao final do anocalendário de 2003, e não no período de 01/04/2003 a 30/06/2003, como indicado em PER/DCOMP. Em segundo lugar, verificase que o(s) débito(s) cuja compensação se pleiteia refere(m)se a estimativa mensal do imposto, concernente ao período de abril e maio do mesmo anocalendário (2003). Por tratarse de mera antecipação do imposto, que integra a própria apuração do valor devido ao final do anocalendário, como acima demonstrado, resta evidente a impossibilidade lógica do pedido em exame, já que o alegado indébito (saldo negativo de IRPJa/c 2003) comporta, em sua apuração, o(s) débito(s) que se pretende compensar (IRPJestimativa, 04 e 05/2003). De outra parte, na peça impugnatória em exame, a interessada indica crédito distinto daquele informado em PER/DCOMP, supostamente apurado no ano Fl. 49DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10865.900058/200632 Acórdão n.º 140200.613 S1C4T2 Fl. 0 5 calendário de 2002, conforme cópia de ficha de DIPJ juntada aos autos, o qual pretende seja considerado para compensação no presente processo. Resta assim evidenciado que o pleito da contribuinte, manifesto na defesa, não é outro senão o de obter o reconhecimento de direito creditório com fundamento diverso do inicialmente postulado, o que à evidência constitui inovação ao pedido inicial E, como novo pedido, não deve ser apreciado nesta instância julgadora, seja porque tal pedido não fora previamente dirigido à autoridade fiscal, seja porque é competência do Delegado da Receita Federal do Brasil manifestarse quanto ao mérito da questão, ou seja, quanto ao valor do direito creditório em discussão. Se assim o fizesse, estaria a autoridade julgadora avocando uma competência que não lhe é atribuída regimentalmente, pois não se trata apenas de examinar a presença do direito em tese, mas também de se verificar se o tributo reclamado originou efetivamente aquele crédito, bem como se referido indébito já não foi liquidado em autocompensações e se, até mesmo, já não decaiu o direito de a contribuinte pleitear a restituição do tributo em questão. Peço vênia para discordar do entendimento do nobre Relator do Acórdão Recorrido. Isso porque não há impedimento legal para reconhecimento de erro material cometido no preenchimento de declaração. De fato, o artigo 6o. da Instrução Normativa No. 360/2003, acima transcrito vedaria a retificação de erros dessa natureza, mas repito, não há vedação legal nesse sentido. Este Conselho já reconheceu a possibilidade da comprovação de erro no preenchimento de declarações no transcurso do processo administrativo. Vejamos alguns julgados que amparam esse entendimento. Acórdão 10808689, de 25/1/2006 IRPJ ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, e exigido o valor efetivamente devido conforme o lucro real. Acórdão 10194955, de 15/04/2005 IRPJ AUDITORIA EM DCTF FALTA DE PAGAMENTO. Comprovado que a diferença apurada na auditoria deveuse, exclusivamente, a erro no preenchimento da declaração, cancelase o auto de infração. Acórdão 10321472, de 5/12/2003 CSLL ERRO O PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL IMPRESCINDÍVEL COMPROVAÇÃO MATERIAL DO EQUÍVOCO OU DO ERRO DE FATO A ordem jurídica vigente não permite a cobrança de tributos sem que seja procedida a determinação da matéria tributável, consoante dispõe o artigo 142 do CTN. Entretanto, nos casos em que o contribuinte não logra comprovar, materialmente, os equívocos ou erros de fato que teria cometido quando do preenchimento da declaração não vejo como não prevalecer à tributação pretendida exclusivamente com base no procedimento sumário de revisão das declarações de ajuste (malhas fiscais). Fl. 50DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10865.900058/200632 Acórdão n.º 140200.613 S1C4T2 Fl. 0 6 No caso do autos o erro no preenchimento é patente: não é crível que o contribuinte pretendesse compensar débitos de estimativas do IRPJ de abril a junho de 2003, com saldo negativo de recolhimentos do mesmo tributo naquele periodo (fl. 17). Além disso, o contribuinte faz prova nos autos de que apurou saldo negativo de recolhimento do IRPJ no ajuste anual de 2002 (fl. 9) Portanto, cabível a apreciação do mérito pela autoridade administrativa, qual seja o erro no preenchimento da declaração. Diante do exposto, voto no sentido dar provimento parcial ao recurso e determinar o retorno dos autos à DRF de Origem, para que aprecie a DCOMP, levando em consideração o erro no preenchimento, adentrando ao mérito. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 51DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O
score : 1.0
Numero do processo: 15249.000937/2008-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003
DCOMP. CANCELAMENTO. COMPETÊNCIA
Não compete ao CARF a analise de pedido de cancelamento de Dcomp.
MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. OCORRÊNCIA.
Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3001-000.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleber Magalhães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: CLEBER MAGALHAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 DCOMP. CANCELAMENTO. COMPETÊNCIA Não compete ao CARF a analise de pedido de cancelamento de Dcomp. MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. OCORRÊNCIA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema. Recurso Voluntário Não Conhecido
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15249.000937/2008-13
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5839658
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3001-000.190
nome_arquivo_s : Decisao_15249000937200813.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CLEBER MAGALHAES
nome_arquivo_pdf_s : 15249000937200813_5839658.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
dt_sessao_tdt : Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7155741
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011375239168
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1365; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 2 1 1 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15249.000937/200813 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.190 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 26 de janeiro de 2018 Matéria Cancelamento de DCOMP Recorrente ALVARO DA SILVA CRISTINA & FILHOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 DCOMP. CANCELAMENTO. COMPETÊNCIA Não compete ao CARF a analise de pedido de cancelamento de Dcomp. MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. OCORRÊNCIA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificandose a preclusão consumativa em relação ao tema. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 24 9. 00 09 37 /2 00 8- 13 Fl. 273DF CARF MF 2 Por retratar com fidelidade os fatos, adoto o relatório produzido pela 2ª Turma da DRJ/Porto Alegre (efl. 243 e ss): O contribuinte em epígrafe encaminhou a Declaração de Compensação (DCOMP) nº 19528.98817.140404.1.3.040061, transmitida em 14/04/04, onde alegava um crédito de R$ 6.570,74 a título de PIS referente à competência de outubro de 2003 (data da arrecadação em 31/10/2003), conforme fls. 10 a 15 dos autos. O valor que estaria sendo compensado seria exatamente de R$ 6.570,74, correspondentes ao PIS de outubro de 2003, ou seja, mesma competência e contribuição que teria originado o crédito. O despacho decisório da DRF de origem homologou parcialmente a compensação, informando que foi constatada a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor pretendido, mas que, no entanto, tal crédito revelouse insuficiente para quitar os débitos informados na declaração de compensação (fl. 2). Ainda de acordo com essa decisão administrativa, diante da mencionada insuficiência de crédito estaria sendo cobrado do contribuinte o valor de R$ 1.042,15 a título de principal, mais R$ 208,43 como multa e R$ 707,09 como juros. A DCTF original correspondente a esse período de apuração trazia um valor devido de PIS (Código de Receita 69121) de R$ 7.163,30 (fl. 21), enviada em 05/02/2004, enquanto que a retificadora declarou um valor devido de R$ 592,56, enviada em 14/04/2004 (fl. 22). A DIPJ correspondente, entregue em 08/06/2004, também declarava um débito de PIS na importância de R$ 592,56 (fl. 24). A ciência do despacho decisório ocorreu em 18/09/2008 (fls. 26/27). A interessada apresentou manifestação de inconformidade em 29/09/2008, à fl. 1 dos autos. O contribuinte alega inconformidade com o Despacho Decisório, informando ter ocorrido um “erro de fato”, já corrigido. Solicita o cancelamento da DCOMP transmitida em 14/04/2004 19528.98817.140404.1.3.040061. A DRJ/Florianópolis ementou da seguinte forma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 DCOMP. CANCELAMENTO. COMPETÊNCIA. As Delegacias de Julgamento não têm competência para apreciar originariamente pedido de cancelamento de DCOMP. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Sem Crédito em Litígio Fl. 274DF CARF MF Processo nº 15249.000937/200813 Acórdão n.º 3001000.190 S3C0T1 Fl. 3 3 No Recurso Voluntário, a Recorrente (efl. 253 e ss) repete o pedido de cancelamento da Dcomp e apresenta novos argumentos e pedidos, relativamente a créditos controlados pelo processo administrativo nº 11080.910.760/200866. É o relatório. Voto Conselheiro Cleber Magalhães – Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. O limite da competência das Turmas Extraordinárias do CARF é de sessenta salários mínimos, segundo o 23B, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017. O valor do saláriomínimo nacional é de R$ 937,00, segundo a Lei nº 13.152, de 2015. Dessa forma, o limite de valor de litígio para processos a serem julgados pelas turmas extraordinárias é de R$ 56.220,00. Como o valor em litígio é de R$ 1.957,67 (efl. 8), a análise do p.p. está dentro da alçada das turmas extraordinárias. Relativamente aos argumentos relativos a créditos controlados pelo processo administrativo nº 11080.910.760/200866, deixo de analisálos por não tratarem de questões relativas à este processo em análise e inovarem em relação ao exposto na manifestação de inconformidade. Tratase de matéria não contestada em impugnação. Ocorre, assim, a preclusão, pois, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificandose a preclusão consumativa em relação ao tema. Quanto ao pedido de cancelamento de Dcomp, entendo, inicialmente, que não existe crédito em litígio. O art. 25 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que compete ao CARF, em segunda instância, o julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Assim, não cabe a esse tribunal a análise de pedido de cancelamento de Dcomp. Por outro lado, segundo o Parecer Normativo Cosit nº 8/2014 (item 48), a Portaria Conjunta SRF/PGFN nº 1/1999 estabelece que “qualquer débito encaminhado para inscrição em dívida Fl. 275DF CARF MF 4 ativa pode ser revisto de ofício pela autoridade administrativa da RFB quando o sujeito passivo apresentar provas inequívocas de cometimento de erro de fato”. Entendo que, no caso, já que o Contribuinte, em sede de Manifestação de Inconformidade, insurgiuse contra o não cancelamento da Dcomp, cabe revisão de ofício, a ser encaminhada à Unidade de origem da Receita Federal responsável pela análise da questão, ou seja, a DRF/Porto Alegre. Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER o Recurso Voluntário e encaminhar o presente processo à unidade de origem da Receita Federal do Brasil, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Fl. 276DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001586/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE.A LC 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Constitucionalidade da LC 105/2001 reconhecida pelo RE 601.314 (julgamento realizado nos termos do art. 543-B da Lei 5.869/73).
SÚMULA CARF nº 2.
Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme súmula CARF nº 2.
REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (RMF). NULIDADE
DO PROCEDIMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA
Preenchidos os requisitos legais trazidos pelo Decreto n° 3.724/2001 para obtenção das informações financeiras do contribuinte, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal por causa da existência de RMF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA .
As garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa só se manifestam com o processo administrativo, que se inicia com a impugnação do auto de infração.
Não existe cerceamento do direito de defesa durante o procedimento de fiscalização, procedimento inquisitório que não se admite o contraditório.
TAXA SELIC. SÚMULA CARF nº 4
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1301-002.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: Amélia Wakako Morishita Yamamoto
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE.A LC 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Constitucionalidade da LC 105/2001 reconhecida pelo RE 601.314 (julgamento realizado nos termos do art. 543-B da Lei 5.869/73). SÚMULA CARF nº 2. Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme súmula CARF nº 2. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (RMF). NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA Preenchidos os requisitos legais trazidos pelo Decreto n° 3.724/2001 para obtenção das informações financeiras do contribuinte, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal por causa da existência de RMF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA . As garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa só se manifestam com o processo administrativo, que se inicia com a impugnação do auto de infração. Não existe cerceamento do direito de defesa durante o procedimento de fiscalização, procedimento inquisitório que não se admite o contraditório. TAXA SELIC. SÚMULA CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11516.001586/2007-11
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5848865
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-002.772
nome_arquivo_s : Decisao_11516001586200711.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : Amélia Wakako Morishita Yamamoto
nome_arquivo_pdf_s : 11516001586200711_5848865.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
dt_sessao_tdt : Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
id : 7188590
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011377336320
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1948; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 741 1 740 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.001586/200711 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.772 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de fevereiro de 2018 Matéria SIMPLES OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente EXPRESSO ESTRELA CATARINENSE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE.A LC 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Constitucionalidade da LC 105/2001 reconhecida pelo RE 601.314 (julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei 5.869/73). SÚMULA CARF nº 2. Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme súmula CARF nº 2. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (RMF). NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA Preenchidos os requisitos legais trazidos pelo Decreto n° 3.724/2001 para obtenção das informações financeiras do contribuinte, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal por causa da existência de RMF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA . As garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa só se manifestam com o processo administrativo, que se inicia com a impugnação do auto de infração. Não existe cerceamento do direito de defesa durante o procedimento de fiscalização, procedimento inquisitório que não se admite o contraditório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 15 86 /2 00 7- 11 Fl. 741DF CARF MF Processo nº 11516.001586/200711 Acórdão n.º 1301002.772 S1C3T1 Fl. 742 2 TAXA SELIC. SÚMULA CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 742DF CARF MF Processo nº 11516.001586/200711 Acórdão n.º 1301002.772 S1C3T1 Fl. 743 3 Relatório EXPRESSO ESTRELA CATARINENSE LTDA, já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 3a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) DRJ/FNS (fls. 636 e ss), que, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade e manteve os lançamentos. Do Lançamento Segundo o Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, (fls. 134/145), e Relatório do acórdão recorrido, as razões do lançamento foram: Trata o presente processo de impugnação aos Autos de Infração de fls. 375/435, os quais exigem da interessada o recolhimento das seguintes importâncias, todas apuradas sob as regras do Simples, correspondentes ao ano calendário de 2003: IRPJ SIMPLES R$31.958,26 PIS/Pasep SIMPLES R$31.958,26 CSLL SIMPLES R$50.572,82 COFINS SIMPLES R$101.145,63 INSS SIMPLES R$204.553,88 Houve a incidência de multa de 75% e juros de mora. Como consta nos Autos de Infração, foi feito o lançamento de oficio a título de (i) omissão de receitas por conta de depósitos bancários origem não justificada, nos termos do art.42 da Lei n° 9.430/96 e, também, (ii) por insuficiência de recolhimento dos impostos e contribuições apurados então pelo Simples. Do Termo de Verificação Fiscal (fls.357 a 374) temse, resumidamente: Nos trabalhos de auditoriafiscal levado a efeito na contribuinte em epígrafe, os atos fiscais originaram os seguintes processos fiscais: 1) N° 11516.001586/200711 (AUTO DE INFRAÇÃO — IMPOSTO SIMPLES), relativo ao ano calendário de 2003, onde foi constatada OMISSÃO DE RECEITAS nas bases de cálculo para apuração dos tributos federais pelo SIMPLES; 2) N° 11516.001585/200776 (EXCLUSÃO DO SIMPLES), no qual após a expedição do Ato Declaratório Executivo DRFB/FNS n°23 a contribuinte foi excluída do SIMPLES a partir de 01/01/2004, tendo seus lucros arbitrados no ano calendário de 2004 e 2005, após a emissão do MPF Complementar constante da 11.385 deste processo, uma vez que não apresentou livros contábeis e fiscais obrigatórios para apuração do Lucro Real. Fl. 743DF CARF MF Processo nº 11516.001586/200711 Acórdão n.º 1301002.772 S1C3T1 Fl. 744 4 (...) 2— DOS PROCEDIMENTOS INICIAIS (TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO) Através do Termo de Início de Fiscalização, datado de 17/01/2007, cuja ciência ocorreu em 01/02/2007, inauguramos o procedimento fiscal solicitando à contribuinte a apresentação de livros fiscais, cópia do contrato social e alterações, extratos de contas bancárias e demais documentos contábeis que serviram de base para escrituração do período fiscalizado. 3— TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL N°001 Neste termo, a contribuinte foi cientificada, em 13/02/2007, de que seus livros fiscais, relativos a 2003 e 2004, NÃO continham a escrituração da movimentação financeira das contas correntes bancárias do período, ademais NÃO foram apresentados os livros fiscais de 2005 e também NÃO foram exibidos os extratos bancários do período fiscalizado. Assim, a empresa fiscalizada foi intimada a sanar as deficiências apontadas, bem como apresentar os extratos bancários e os documentos que comprovassem a origem dos depósitos efetuados nestas contas correntes. 6 — TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL 001 E TERMO DE REINTIMAÇÃO FISCAL datado de 30/04/2007 Os valores depositados nas contas correntes bancárias mantidas em nome da empresa durante o período fiscalizado foram listados individualmente em planilhas que compuseram os anexos 1, 2, 3 e 4 do Termo de Intimação Fiscal n° 001, um conjunto de 36 planilhas — 24 relativas a duas contas do Bradesco e 12 do Banco do Brasil. Foi solicitado que a contribuinte apresentasse documentos contábeis que revelassem a origem dos ingressos nas suas contas bancárias. Adicionalmente, foram fornecidas fotocópias dos extratos bancários de suas contas correntes, obtidas pela Fiscalização junto às instituições bancárias. 7— DAS DIFERENÇAS APURADAS NAS BASES DE CÁLCULO DO SIMPLES — OMISSÃO DE RECEITAS — ANO CALENDÁRIO 2003 Os valores depositados nas contas correntes da empresa fiscalizada devem ser justificados mediante apresentação de documentos contábeis conforme preconizado pelo artigo 42 da Lei 9.430, in verbis: (...) Relativamente ao ano calendário de 2003, após consideradas as ponderações trazidas pela contribuinte a aceitas pela Fiscalização nos termos descritos no item 6 acima, a partir das planilhas anexas ao termo de intimação N° 001/2007, foi feita a consolidação, por banco, de todos os ingressos das contas da contribuinte, conforme tabela a seguir: (...) A coluna "TOTAL MENSAL" da tabela acima, constituemse em ingressos nas contas bancárias da contribuinte, que por força do art.42 da Lei 9.430/96, serão considerados como receita auferida pela empresa. Verificase que a empresa fiscalizada, no decorrer do ano calendário de 2003, excedeu o limite estabelecido pela Lei 9.317 e suas alterações posteriores, devendo ser excluída do SIMPLES, conforme será abordado no item 8— DA EXCLUSÃO DO SIMPLES A PARTIR DE 01/01/2004. Fl. 744DF CARF MF Processo nº 11516.001586/200711 Acórdão n.º 1301002.772 S1C3T1 Fl. 745 5 A partir da declaração do SIMPLES — PSJI 2004 (fls.59 a 88 do proc. 11516.001586/200711) e a tabela acima foi apurada, mensalmente, a receita omitida, conforme a tabela a seguir: As diferenças apuradas, constantes da coluna 'OMISSÃO APURADA' da tabela acima, constituemse em valores omitidos nas bases de cálculo que serviram para apuração de impostos e contribuições federais no calendário de 2003, sendo objeto de lançamento de oficio em auto de infração, em atendimento ao disposto na legislação vigente, in verbis: (...) Da Impugnação Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação, de fls. 439/554, que aduziu os seguintes argumentos: (i) houve violação à Lei Complementar n° 105, de 11 de janeiro de 2001 e (ii) ao sigilo bancário, protegido pela Constituição Federal, que (iii) está se dando uma interpretação extensiva da Lei 9.311/96, que (iv) que com a Lei 10.174, de 09 de janeiro de 2001, a SRF dando uma maior amplitude ao seu poder de fiscalização, onde conclui (fl.449): Se foram feitas tantas ressalvas pela legislação complementar, como pode o legislador ordinário passar por cima de todas como que num passe de mágica, através de verdadeira interpretação legiferante, afim de efetivar o lançamento tributário com base nos depósitos efetivados pelos contribuintes como a Impetrante? Na verdade não pode, pois uma legislação ordinária não pode revogar uma legislação complementar! Vejase que a LC 105 (DOU de 11/01/2001) é ainda posterior à Lei Ordinária n. 10.174 (DOU de 10/01/2001) motivo pelo qual não se poderia, sequer, alegar que a legislação complementar seria "materialmente ordinária", como tem ocorrido em outros casos, vez que a lei posterior revoga a lei anterior. Em conclusão, em qualquer dos casos a LC 105/01 deve ser observada, de maneira que sua aplicação não pode ser mitigada pelas autoridades fiscalizadoras. Como vimos a nulidade dos atos praticados pelos Auditores da Secretaria da Receita Federal decorre da ausência de previsão legal para que se exija da Impugnante a apresentação de seus extratos bancários, assim como, lhes impede o acesso irrestrito às movimentações da Impugnante e por conseqüência a utilização destes dados para a cobrança de eventuais diferenças encontradas. Quanto à parte de sua impugnação, que identifica como sendo de mérito (item III, fis.449 a 453), discorre a Impugnante acerca da ilegalidade da imposição da Taxa SELIC sobre o débito cobrado. Em julgamento realizado em 09 de novembro de 2007, a 3ª Turma da DRJ/FNS, considerou improcedente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 0711 280, assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 745DF CARF MF Processo nº 11516.001586/200711 Acórdão n.º 1301002.772 S1C3T1 Fl. 746 6 Anocalendário: 2003 EXAME DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. Por força do inciso VII do art. 3o do Decreto n° 3.724, de 2001, que regulamenta o art. 6° da LC 105, de 2001, a prática de atos que caracterizam embaraço à fiscalização (não fornecimento de informações sobre movimentação financeira), devidamente conceituados no art. 33 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o exame de extratos e demais documentos bancários dos contribuintes. SIGILO BANCÁRIO. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. SOLICITAÇÃO REGULAR. Havendo procedimento de oficio instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, haja vista prestarse apenas a possível constituição de crédito tributário e eventual apuração de ilícito penal, havendo, na verdade, mera transferência da responsabilidade do sigilo, antes assegurado pela instituição financeira e agora mantido pelas autoridades administrativas. ALEGAÇÕES CONTRA JUROS PREVISTOS EM LEIS VIGENTES. Estando os juros lançados em absoluta conformidade com a legislação de regência, não podem ter seus percentuais reduzidos aleatoriamente pelo julgador administrativo, em virtude de alegada feição de inconstitucionalidade da exigência de juros com base na taxa Selic. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 Argüições de Inconstitucionalidade e Ilegalidade da Legislação Tributária. Limitação. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Lançamento Procedente Do Recurso Voluntário A contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 659 e ss, onde reforça os argumentos já apresentados em sede de impugnação, atendose aos seguintes pontos: Da Preliminar Cerceamento de Defesa Quebra do Sigilo Bancário; Do mérito Da ilegalidade da imposição da Taxa Selic; Por meio da Resolução n. 1202000.172, de 07 de março de 2013, a Turma decidiu por unanimidade, sobrestar o feito, em razão da discussão acerca da quebra do sigilo bancário, e aguardasse decisão nos autos do processo em razão de repercussão geral. Fl. 746DF CARF MF Processo nº 11516.001586/200711 Acórdão n.º 1301002.772 S1C3T1 Fl. 747 7 Recebi os autos, desta feia, por sorteio, em 18/10/2017. É o relatório. Fl. 747DF CARF MF Processo nº 11516.001586/200711 Acórdão n.º 1301002.772 S1C3T1 Fl. 748 8 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora A contribuinte foi autuada, em 15/06/2007, para o recolhimento de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS no regime simplificado SIMPLES, relativo ao período de 2003, totalizando o crédito tributário de R$420.263,85, incluindo multa de ofício de 75% e juros de mora. Ela foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/FNS e intimada ao recolhimento dos débitos em 10/12/2007 (AR de fl. 653), e apresentou em 09/01/2008, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 659 e ss. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. A ação fiscal identificou para o anocalendário em discussão, omissão de receitas nas bases de cálculo para apuração dos tributos federais pelo SIMPLES. 1 Preliminares 1.1 Cerceamento de Defesa Alega a recorrente que houve o cerceamento de defesa, já que a decisão recorrida deixou de analisar a alegação de inconstitucionalidade por ilegalidade de norma tributária, e em razão disso, teria deixado de analisar todos os argumentos de defesa. Primeiramente, a alegação de inconstitucionalidade, de fato, não é oponível na esfera administrativa, e nesse ponto, já existe a Súmula CARF n. 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, não vejo que tenha ocorrido cerceamento de defesa, já que todos os argumentos apresentados na impugnação foram analisados na decisão recorrida, apenas deixou de analisar questão sob o prisma da constitucionalidade da norma, o que lhe é vedado, assim como a este órgão. Assim, afasto a preliminar arguida. 1.2 Violação à Lei Complementar 105/01 quebra sigilo bancário A recorrente afirma não ser possível a quebra do sigilo bancário pelo Fisco, sem autorização judicial, e não há qualquer obrigatoriedade sua de apresentação de extratos bancários à Fiscalização. De fato, não há obrigatoriedade sua de apresentação dos extratos, porém ela foi intimada para que justificasse mostrasse o que foi registrado nos livros diário e razão, ou até alternativamente o Caixa, porém diante da negativa, foi emitido o respectivo RMF. Fl. 748DF CARF MF Processo nº 11516.001586/200711 Acórdão n.º 1301002.772 S1C3T1 Fl. 749 9 Razão pela qual, também, a infração, de omissão de receitas, foi realizada de forma presumida, nos termos do art. 42, da Lei 9.430/96. Obrigatoriedade de apresentação não há, mas então que justifique os créditos, por documentação hábil e idônea. Assim, entendo não ter razão a recorrente. Ademais, o Supremo Tribunal Federal julgou recentemente essa matéria em sede de Repercussão Geral. O julgamento se deu no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, na sessão plenária do dia 24.02.2016, publicada em no DJe nº 37/2016 (em 29.02.2016), e decidiu por maioria de votos a seguinte: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; e, quanto ao item “b”, a tese: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Ausente, justificadamente, a Ministra Cármen Lúcia. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 24.02.2016. ” Ademais, transcrevo o dispositivo legal que permite o acesso à movimentação financeira pela Fisco, o art 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Assim também o entendimento da Profa. Maria Rita Ferragut1: "O sigilo bancário não é absoluto, e, no que diz respeito ao aspecto fiscal, deve ceder ao interesse público de obter informações que possam se configurar relevantes a tipificar indícios de prática do fato jurídico tributário. A interpretação do direito à privacidade, na forma ora proposta, garante tanto a eficácia na produção de provas tributárias, quanto a concretização da legalidade e da igualdade. Os benefícios parecem, portanto, muito maiores que a prevalência cega e absoluta da privacidade." Dessa forma, correto o procedimento fiscal embasado em dispositivo legal em plena vigência. Alega, ainda, a Recorrente, em preliminar, matéria que se relaciona com o mérito, assim será analisado à frente. 1 As provas e o direito Tributário, pág. 110. Fl. 749DF CARF MF Processo nº 11516.001586/200711 Acórdão n.º 1301002.772 S1C3T1 Fl. 750 10 2 Mérito Os lançamentos apontam omissão de receitas em razão de depósitos bancários de origem não comprovada, e falta de recolhimento. A recorrente, devidamente intimada a apresentar informações acerca dos depósitos bancários em suas contas bancárias não o fez, conforme consta do TVF, fls. 362: 5 — DA REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA Decorridos vinte e dois dias após a ciência do Termo de Início de Fiscalização, sem que a contribuinte sequer respondesse por escrito ao solicitado pela fiscalização, tendo apresentado livros sem documentos contábeis que embasaram sua escrituração, foi providenciado junto às instituições bancárias a requisição de informações sobre movimentação financeira relativas ao período fiscalizado. Assim, ao invés de justificar a omissão de receitas detectada, preferiu arguir a impossibilidade da administração de requisitar informações relacionadas à movimentação financeira. A solicitação de emissão de RMF, conforme inciso VII, do art. 3º do Decreto 3.724/2001, embasada no art. 33, I, da Lei 9.430/96, Art. 33. A Secretaria da Receita Federal pode determinar regime especial para cumprimento de obrigações, pelo sujeito passivo, nas seguintes hipóteses: I embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição do auxilio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966;(grifei) Desta forma, vejo que devidamente embasada e justificada está a requisição de informações financeiras. Após isso, não houve por parte da recorrente nenhuma justificativa acerca da omissão em si, documentações para provar que a omissão não ocorreu ou a origem de tais receitas. Assim, de se manter o lançamento. Taxa Selic Alega ainda a recorrente a ilegalidade da imposição da Taxa Selic. Nesse ponto, cabe trazer a Súmula CARF n. 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de Fl. 750DF CARF MF Processo nº 11516.001586/200711 Acórdão n.º 1301002.772 S1C3T1 Fl. 751 11 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, de se afastar o argumento. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares arguidas e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 751DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001560/2008-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1997 a 31/10/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE QUE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS OCORREU MEDIANTE CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA
É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço mediante cessão de mão de obra, para que haja responsabilidade solidária entre o contratante e o prestador de serviços pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95.
Numero da decisão: 2201-004.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 05/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1997 a 31/10/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE QUE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS OCORREU MEDIANTE CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço mediante cessão de mão de obra, para que haja responsabilidade solidária entre o contratante e o prestador de serviços pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 18471.001560/2008-66
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5841120
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.081
nome_arquivo_s : Decisao_18471001560200866.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
nome_arquivo_pdf_s : 18471001560200866_5841120.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. EDITADO EM: 05/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
dt_sessao_tdt : Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7169926
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011381530624
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1485; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 1.511 1 1.510 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001560/200866 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.081 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de fevereiro de 2018 Matéria contribuição previdenciária Recorrente PETROLEO BRASILEIRO S A PETROBRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1997 a 31/10/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE QUE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS OCORREU MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço mediante cessão de mão de obra, para que haja responsabilidade solidária entre o contratante e o prestador de serviços pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 60 /2 00 8- 66 Fl. 1560DF CARF MF Processo nº 18471.001560/200866 Acórdão n.º 2201004.081 S2C2T1 Fl. 1.512 2 (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 05/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório 1 – Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte contra decisão da DRJ que manteve o lançamento em parte de contribuição previdenciária oriunda da NFLD nº 35.469.28924 (fls. 3/18) no valor de R$ 69.134,31 com data de cientificação do contribuinte em 25/09/2002 às fls. 3. 2 Adoto inicialmente como complemento ao relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 1.379/1.390) por sua clareza e precisão: “LANÇAMENTO Tratase de crédito lançado pela fiscalização (NFLD DEBCAD 35.496.28924 consolidado em 01/09/2002), no valor de R$ 35.284,62; acrescidos de juros e multa, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 32/35), referese às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, dos segurados, e às destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, referentes às competências 12/1997 a 10/1998. Fl. 1561DF CARF MF Processo nº 18471.001560/200866 Acórdão n.º 2201004.081 S2C2T1 Fl. 1.513 3 2. As contribuições foram apuradas com base no instituto da responsabilidade solidária, decorrente de serviços prestados mediante cessão de mão de obra, de acordo com o artigo 31 da Lei no 8.212/1991 (anterior à Lei nº 9.711 de 20/11/1998), com redação vigente à época dos fatos geradores, pela empresa I M COMÉRCIO E TERRAPLENAGEM LTDA CNPJ 08.288.581/000110 em cumprimento ao contrato 161.2.043.954. 2.1. A descrição dos serviços prestados, de acordo com o objeto do contrato encontrase no item 5 do Relatório Fiscal. DA IMPUGNAÇÃO DA PETROBRAS 3. A PETROBRAS, notificada do lançamento em 25/09/2002 apresentou impugnação em 10/10/2002, através do instrumento de fls. 40/45, alegando, em síntese: Da inexistência da “cessão de mão de obra” 3.1. que não houve serviço contínuo e nem os empregados ficaram à disposição da contratante, o contrato foi firmado para fins de realização de serviços determinados, jamais para fornecimento de mão de obra; portanto não ficou caracterizada a cessão de mão de obra; 3.2. o contrato em tela versou somente sobre uma prestação de serviços da empresa contratada para a impugnante, e ressaltese, pelo prazo necessário para a consecução do objeto contratado; 3.3. o escopo da lei é abranger aqueles serviços de trato sucessivo, de prestação permanente, a mando do tomador. A lei quer abarcar os contratos em que o próprio serviço seja o seu objeto, e não meio para obtenção de um resultado diverso, os quais contam apenas com a supervisão do tomador de serviços, mas não com seu comando (e é esta a hipótese vertente); 3.4. assim a conclusão a que se chega, é que não pode ser imputada uma responsabilização solidária, levandose em conta que o contrato que celebrou não foi de CESSÃO DE MÃO DE OBRA, de acordo com os termos da Lei; Fl. 1562DF CARF MF Processo nº 18471.001560/200866 Acórdão n.º 2201004.081 S2C2T1 Fl. 1.514 4 3.5. mesmo que a autarquia vislumbrasse a existência de cessão de mão de obra, deveria a mesma fazer consignar na notificação o serviço realizado pela empresa contratada, permitindo o exercício da ampla defesa; Da solidariedade 3.6. afirma o contribuinte que é inegável a previsão da solidariedade passiva na Lei, contudo, essa solidariedade pressupõe sempre a configuração da dívida ou da obrigação, a fim de que o credor possa imputála a um dos devedores solidários. Para que o devedor solidário seja cobrado, fazse necessário a declaração de existência da obrigação do devedor originário, e a constituição de sua liquidez; 3.7. devese proceder ao lançamento primeiro contra o contribuinte e, somente após, constituído o crédito contra o devedor principal é que, também o devedor solidário poderá ser cobrado; 3.8. inexistindo o lançamento contra a empresa devedora originária, capaz de conferir exigibilidade ao crédito tributário, não pode o INSS cobrar da Recorrente, pelo simples motivo de que a existência da obrigação dos devedores não se configurou; 3.9. certo é que o lançamento declara a obrigação, mas deve declarála em face de todos os devedores reputados solidários; 3.10. a autarquia não apurou e não lançou o tributo contra os devedores principais, mas está louvandose do direito de constituir o crédito apenas contra a impugnante, tomando uma atitude totalmente injurídica; 3.11. em relação à base de cálculo, cumpre destacar que a autarquia equivocadamente considerou o valor das notas fiscais como base de cálculo da contribuição, quando deveria fazêlo somente sobre o montante dos salários, uma vez que embutidos no valor das notas fiscais ou da faturas, encontramse diversos outros valores, que não se referem à folha de salários da empresa prestadora de serviços; Fl. 1563DF CARF MF Processo nº 18471.001560/200866 Acórdão n.º 2201004.081 S2C2T1 Fl. 1.515 5 3.12. invoca a sua qualidade de ente integrante da administração pública indireta para concluir que, na presente exação, o governo postula o recebimento de crédito do próprio governo; 3.13. por fim, requer o cancelamento da notificação e protesta pela juntada de documentação superveniente. DO ADITAMENTO 4. A PETROBRAS, apresentou aditamento em 03/09/2003, fls. 1.126, anexando a documentação de fls. 1.127/1.299. DA IMPUGNAÇÃO DA PRESTADORA DE SERVIÇOS 5. A I M COMÉRCIO E TERRAPLENAGEM, notificada do lançamento, em 09/12/2002, fls. 52, apresentou impugnação em 23/12/2002, fls. 54/55, anexando documentos de fls. 58/1008. DA DILIGÊNCIA 6. Diante da documentação apresentada, fls. 58/1008, os autos foram encaminhados à Junta Notificante, para apreciação, tendose concluído, em 23/06/2003, fl. 1.011, pela manutenção do débito: “1. Informamos que após análise dos documentos anexados às fls.49 a 970, concluímos pela não alteração do débito lavrado. 2. O débito em questão referese ao contrato 161.2.043.954, sendo o período do débito de 12/97 a 10/98. Anexaram ao processo GRPS's e Folhas de Pagamentos, porém estes documentos se encontram vinculados aos contratos 161.2.074.971 ou 161.2.088.968, abrangendo inclusive competências que não fazem parte do débito. 3. Pelo exposto, a documentação anexada nada tem haver com o contrato em questão e conseqüentemente com o débito, persistindo este integralmente. 4. Ao Serviço de Análise de Defesas e Recursos para prosseguimento.” Fl. 1564DF CARF MF Processo nº 18471.001560/200866 Acórdão n.º 2201004.081 S2C2T1 Fl. 1.516 6 DO JULGAMENTO E RECURSO 7. O Lançamento foi julgado PROCEDENTE através da DecisãoNotificação nº 17.401.4/0772/2003, de 26/08/2003, fls. 1.013/1.018. Devidamente notificada a PETROBRAS em 04/09/2003 (fl. 1.019) e a J M COMÉRCIO E TERRAPLENAGEM LTDA notificada em 19/09/2003 (fl. 1.020). 8. A PETROBRAS apresentou Recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, em 30/09/2003 (fls. 1.023/1.027). A empresa contratada não apresentou recurso. DAS CONTRARAZÕES 9. Após a elaboração das ContraRazões, às fls. 1.032/1.034, o processo foi encaminhado ao CRPS. 10. A 2ª Câmara de Julgamento do CRPS, através Acórdão 0001111, de 28/06/2004 (fls. 1.036/1.044), decidiu anular a Decisão Notificação – DN, por maioria, determinando que o INSS apresentasse elementos, com base na contabilidade do contribuinte, que justificasse o procedimento adotado, verificasse, portanto, a existência do crédito lançado na contabilidade do contribuinte prestador de serviços. 11. Inconformada com a Decisão, considerando que não houve vício insanável que acarretasse a nulidade da DN, O INSS interpôs Pedido de Revisão do Acórdão (fls. 1.046/1.050). 12. As empresas interessadas foram devidamente comunicadas do Acórdão assim como do Pedido de Revisão (fls. 1.051 e fls. 1.052), sendo concedido às mesmas, prazo para manifestação, o que acarretou o pronunciamento da PETROBRAS em 25/10/2004 (fls. 1.055/1.058). 13. O Pedido de Revisão NÃO FOI CONHECIDO pela 2ª Câmara de Julgamento, conforme Acórdão nº 0000690, de 27/05/2005, sob a alegação de que divergência de entendimento não é causa para revisão de julgados deste conselho (fls. 1.062/1.065). Fl. 1565DF CARF MF Processo nº 18471.001560/200866 Acórdão n.º 2201004.081 S2C2T1 Fl. 1.517 7 DO REINÍCIO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO 14. Primeiramente cumpre esclarecer que, no interregno do julgamento do pedido de revisão ao reinício do Contencioso Administrativo, o entendimento exarado pelo CRPS, à época, quanto à necessidade de exame da contabilidade do prestador do serviço a fim de constatar a existência ou não do crédito tributário, foi alterado pelo Conselho Pleno do CRPS, o qual exarou o Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007, passando a dispensar tal exigência: Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. 15. De acordo com a Resolução mencionada é necessária apenas a verificação acerca do prestador ter sido alvo de procedimento fiscal com exame da contabilidade no período de interesse. Caso positivo, incabível a lavratura do crédito, caso contrário, permanece a lavratura do mesmo. 16. Em atendimento ao determinado no Acórdão do CRPS 0001111, de 28/06/2004, o Auditor Fiscal efetuou pesquisas nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal SRFB, fls. 1.071, sendo analisadas as informações disponíveis relativas à empresa contratada, constatandose que não houve ação fiscal com exame de contabilidade englobando o período referente ao lançamento em pauta, e que a empresa não aderiu ao parcelamento especial da Lei nº 9.964/2000 – REFIS, fls. 1.093, assim como ao parcelamento especial da lei nº 10684/2003 – PAES. 17. Assim sendo, a Petrobras e a prestadora de serviços foram notificadas do Resultado da Diligência de 17/01/2008, fls. 1.094, assim como da reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, através da INTIMAÇÃO nº 1262/2010 (Petrobrás – fls. 1.100) em 07/12/2010, fls. 1.102 e, através do edital (J M Comércio e Terraplenagem) publicado no Diário Oficial da União em 28/05/2012, fls. 1.110, entretanto não se manifestaram.” Fl. 1566DF CARF MF Processo nº 18471.001560/200866 Acórdão n.º 2201004.081 S2C2T1 Fl. 1.518 8 3 – A decisão de piso manteve em parte o lançamento conforme ementa abaixo indicada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1997 a 31/10/1998 CESSÃO DE MÃODEOBRA. CARACTERIZAÇÃO. A previsão contratual de colocação, à disposição do contratante, de segurados que realizem serviços de necessidade permanente, ainda que de forma intermitente, é fator essencial à configuração da cessão de mãodeobra. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CESSÃO DE MÃODEOBRA. CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. A responsabilidade solidária não comporta benefício de ordem, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante, sem que haja apuração prévia no prestador de serviços artigo 220 do Decreto nº 3.048/99, c/c artigo 124, parágrafo único, do Código Tributário Nacional Enunciado 30 do CRPS. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 4 – A Petrobras e a prestadora IM Comércio de Terraplanagem Ltda., apresentaram Recurso Voluntário às fls. 1.398/1.412 e fls. 1.465/1.478 pugnando pelo cancelamento da autuação. 5 – É o relatório do necessário. Fl. 1567DF CARF MF Processo nº 18471.001560/200866 Acórdão n.º 2201004.081 S2C2T1 Fl. 1.519 9 Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso 6 – Ambos os recursos são tempestivos e preenchem os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deles conheço. 7 – No caso vou me ater ao reconhecimento da nulidade do presente lançamento baseado nos fundamentos do Voto no Ac. 2201003.412 ocasião em que votei pelo provimento de tal recurso do mesmo contribuinte em vista de serem casos similares com cessão de mão de obra. 8 – Em suas razões o I. Relator do voto vencedor assim discorre a respeito da matéria objeto do presente recurso no qual peço vênia para que suas razões incorporar como fundamento de decidir do presente julgado, verbis: “Aponta o ínclito Relator que, no curso do processo administrativo tributário em que se discute o lançamento, o antigo Conselho de Recursos da Previdência Social, proferiu, em sede de recurso voluntário, a seguinte decisão (fls 156): "PREVIDENCÁRIO CUSTEIO Solidariedade decorrente de cessão de mãodeobra. Da cessão de mãodeobra. É necessário que o INSS aponte, desde o Relatório Fiscal, a forma como evidenciou a existência da cessão de obra. Da Solidariedade. É necessário que o INSS constate a existência do crédito previdenciário junto ao contribuinte (prestador dos serviços). Somente diante da não apresentação ou apresentação deficiente (pelo prestador dos serviços) da documentação contábil e trabalhista necessária a comprovar a extinção da obrigação previdenciária, poderia o INSS arbitrar, junto ao responsável solidário, as contribuições que entender devidas. Anular a DN." Fl. 1568DF CARF MF Processo nº 18471.001560/200866 Acórdão n.º 2201004.081 S2C2T1 Fl. 1.520 10 Perquirindo o voto condutor da decisão unânime, encontramos a seguinte motivação (fls. 158): Em recentes decisões está CaJ vem exigindo que o INSS caracterize a existência da cessão de mãodeobra, mesmo naquelas atividades arroladas na legislação, sendo oportuno verificarmos "parte" de manifestação do Sr. Presidente da 2ª CaJ/CRPS, AFPS Mário Humberto Cabus Moreira: "Todavia, assim como os serviços relacionados nos incisos 1 a IV, do § 41, do art. 31, da Lei n° 8.212191 (na redação atual), aqueles previstos no art. 219 do RPS devem ser demonstrados e caracterizados pelo Fisco como enquadráveis na definição legal, porque somente serão alcançados pela obrigação tributária da retenção, em consonância com a lei, se tais serviços forem realizados mediante cessão. O mesmo darseá em relação ao período em que vigia a obrigação solidária, no que tange ao referido enquadramento. A meu ver, sem ofensa aos princípios constitucionais tributários e, em especial, ao princípio da legalidade (CF/88, art. 5 1, II e art. 150, 1), a norma do RPS deve ser entendida como tendo caráter indicativo, regulação interpretativa tendente à fiel execução da lei, devendo sempre ser confrontada em face do conceito legal de cessão de mãodeobra, pois, exigir o cumprimento de uma obrigação tributária sem passar pelo crivo da definição legal, seria admitir obrigação tributária que não seja ex lege. A propósito, a atividade administrativa de lançamento requer a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como preceitua o CTN, em seu art. 142." (...) O Relatório Fiscal é vago ao se reportar a existência da cessão de mão de obra, descrevendo apenas que o objeto do contrato, sem especificar os motivos que levaram o INSS a constatar a existência da cessão de mãodeobra." (destaques não constam da decisão) Observo o mesmo vício no lançamento. Vejamos o teor do lançamento fiscal (fls. 30): Fl. 1569DF CARF MF Processo nº 18471.001560/200866 Acórdão n.º 2201004.081 S2C2T1 Fl. 1.521 11 "1 Referese o presente relatório ao débito, lançado através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD n° 35.490.4232, relativo a valores apurados por responsabilidade solidária decorrente de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, prestados pela empresa PWR MISSION INDUSTRIA MECÂNICA LTDA, CNPJ: 42.409.2011000000, conforme contrato(s) n °:1110.2.002.979. 5 O débito compõese de: contribuição dos segurados empregados, calculada pela alíquota mínima à época de ocorrência do fato gerador, contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social; contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de 40 trabalho — SAT até 00!1997, e para o financiamento dos beneficias concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos, a partir de 0711997. (...) 5 — 0 débito referente ao presente contrato fora lançado, a menor, através da NFLD— Notificação Fiscal de Lançamento de Débito DEBCAD n ° 35.371.9145, de 0111112001, quando foi adotado erroneamente o parâmetro de quatorze por cento (14%) quando deveria ter sido aplicado o parâmetro de quarenta por cento ( 40%), conforme justifica o item 14 do presente relatório. Tal equívoco levou a que o débito lançado naquela ocasião, pela NFLD — 35.371.9145, espelhasse somente parte do valor que deveria ter sido lançado razão por que emitese a presente NFLD, retratando a diferença não lançada na época 6 — Assim, por ocasião da emissão da NFID original, de n ° 35.371.9145, fora verificado durante o desenvolvimento da ação fiscal que a empresa contratara com a empresa prestadora, identificada no item 1 deste, a execução de serviços mediante cessão de mãodeobra, em cumprimento ao(s) contratos) n °: 110.2.062.979, cujo(s) objeto(s) era(m): EXCUÇÃO DOS SERVIÇOS DE BOMBEAM.ENTO DE FLUIDOS DO INTERIOR DE POÇOS DE PETRÓLEO ATÉ A ESTAÇÃO COLETORA, EM 16 { POÇOS DE Fl. 1570DF CARF MF Processo nº 18471.001560/200866 Acórdão n.º 2201004.081 S2C2T1 Fl. 1.522 12 PETRÓLEO, UTILIZANDO BOMBEIO ELE! RICO CENTRIFUGO SUBMERSO, INCLUINDO DIMEZ~TSIONAlViENT0, ESPECIFICAÇÃO, FORNECIlir> 0, INSTALAÇÃO E REITRADA DOS CONJUNTOS DE BCS NOS POÇOS DE PETRÓLEO, BEM COMO A RESPONSABILIDADE TÉNCICA PELA. CONTINUIDADEOPERACIONAL DOA EQUIPAMENTOS INSTALADOS. Ocorre que a empresa contratante não comprovou o cumprimento das obrigaçóes da empresa contratada para com a Seguridade Social, ou seja, não houve a devida comprovação, através de guias de recolhimento específicas para o serviço contratado, nem a apresentação de folhas de pagamentos específicas dos segurados empregaáos alocados no serviço." (novamente os destaques não constam do original) Patente a ausência de comprovação da contratação da prestação de serviços, ensejadora da responsabilidade solidária, mediante cessão de mãodeobra. Como consequência da decisão do CRPS foi anulada a DN, decisão de primeiro grau, e recomeçado o processo administrativo com elaboração de novo relatório fiscal. Atentemos para o teor da decisão proferida pelo CRPS (fls. 158): "Assim entendo que o INSS, além de caracterizar a existência da cessão de mão deobra, desde o Relatório Fiscal (complementar), deve apresentar elementos, com base na contabilidade dos contribuintes, que justifique o procedimento adotado. Caso seja disponibilizada pelo contribuinte a documentação contábil referente às contribuições lançadas, deverá ela ser analisada com o intuito de se comprovar a existência do crédito lançado e seu real valor. CONCLUSÃO ` Face ao exposto voto no sentido de ANULAR A DECISAO NOTIFICAÇAO N.° 17.401.4/065512003, fls. 77184, determinando que se observe o que foi exposto no voto cima." (destaquei) Em que pese a total falta de técnica jurídica dos membros do Conselho de Recursos da Previdência Social posto que não houve nenhum vício na decisão recorrida e sim no lançamento tributário como sobejamente demonstrado pelos Fl. 1571DF CARF MF Processo nº 18471.001560/200866 Acórdão n.º 2201004.081 S2C2T1 Fl. 1.523 13 Conselheiros que se manifestaram resta claro que o comando do Colegiado foi no sentido da elaboração de novo relatório fiscal do qual constasse a comprovação da prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra além de elementos que permitissem a constituição do crédito por responsabilidade solidária do contratante. Forçoso reconhecer que tal decisão expressa, inequivocamente, a constatação de que o lançamento tributário padecia de vício em sua constituição. Qualquer outra inferência invalidaria o comando expresso, constante do decisum, do retorno do procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária ao passo inicial, ou seja, a busca pelo Fisco dos elementos comprobatórios e por isso constitutivos, da obrigação tributária decorrente da prática, pelo sujeito passivo, dos fatos eleitos pelo legislador como fato imponíveis. Imperioso ressaltar que embora este Conselheiro discorde totalmente da necessidade de comprovação pelo Fisco da existência de crédito, ou impossibilidade de constituição deste no devedor principal, posto que tal entendimento atingiria mortalmente o instituto da responsabilidade solidária como posta pelo artigo 31 da Lei nº 8.212/91, vigente à época do lançamento a questão do lançamento por responsabilidade solidária, por ser questão relativa ao mérito da discussão, não será por mim aqui enfrentada, vez que entendo que as questões relativas ao lançamento tributário são preliminares e prejudiciais à análise do mérito. Voltando a questão do lançamento, uma vez anulada a DN, foi iniciado novo procedimento fiscal visando a elaboração de relatório fiscal complementar consoante se observa do despacho do Serviço do Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária RJ Centro, fls. 190 e 195. 11 – Às fls. 1.311 encontrase o relatório da diligência da RFB em cumprimento com os termos determinados pela decisão da CRPS: Fl. 1572DF CARF MF Processo nº 18471.001560/200866 Acórdão n.º 2201004.081 S2C2T1 Fl. 1.524 14 1 Tratase o presente processo de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em 01/09/2002 contra o contribuinte acima identificado, referente às competências 12/1997 a 10/1998, no valor total de R$ 69.134,31 (fls. 02/37) e sendo atribuído à mesma o DEBCAD de nº 35.496.2892. Contra a referida NFLD foram apresentadas defesas (fls. 40/48 e 53/1008). O Serviço Análise de Defesas e Recursos ao analisar a documentação apresentada na defesa emitiu a DN – Decisão de Notificação nº 17.401.4/0772/2003 (fls. 1013 a 1020), que considerou o LANÇAMENTO PROCEDENTE. Contra esta Decisão de Notificação foi apresentado recurso (fls. 1023/1027), com a implementação de Depósito Recursal Extrajudicial por intermédio de Guia da Previdência Social, com código de pagamento nº 4995, recolhida em 30/09/2003, com valor de R$ 23.009,73 (fls. 1028), já confirmada nos sistemas da RFB (fls. 1029 e 1310). 2 A 2ª CAJ – Segunda Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, no ato de apreciar o recurso apresentado, decide por intermédio do Acórdão nº 0001111 (fls. 1036/1044), de 28/06/2004, ANULAR A DECISÃO DE NOTIFICAÇÃO, para que sejam adotadas as cautelas mínimas de auditoria fiscal previdenciária, para evitar a duplicidade de exação, tendo por base a mesma dívida, sob o fundamento de responsabilidade solidária. 3 – Medidas são tomadas em atenção ao solicitado pela 2ª CAJ – Segunda Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, sendo emitida a informação fiscal de fls. 1094, na qual consta que efetuouse pesquisas nos Sistemas de Informática da RFB (CNAF/CFE), em relação a empresa contratada e prestadora dos serviços, e constatouse que não houve ação fiscal com exame da contabilidade englobando o período referente ao lançamento em pauta. Procedeu se, também, a pesquisa no SISTEMA DE COBRANÇA – MF/RFB – verificandose que a empresa não aderiu ao parcelamento especial da Lei nº 9964/2000 – REFIS – assim como, ao parcelamento especial da Lei nº 10684/2003 PAES. 4 Paralelamente à discussão administrativa quanto a procedência do débito, a empresa notificada obteve uma decisão judicial para a devolução do Depósito Recursal de fls. 1028, conforme Mandado de Segurança nº 2007.51.01.0045501 (fls. 1300 /1309). Fl. 1573DF CARF MF Processo nº 18471.001560/200866 Acórdão n.º 2201004.081 S2C2T1 Fl. 1.525 15 12 – Prosseguindo com os fundamentos do Ac. 2201003.412: Patente a inovação do argumentos do Fisco no Relatório Fiscal Complementar. Tal inovação significa na prática a realização de novo lançamento tributário, posto que a comprovação da ocorrência do fato gerador ensejador da obrigação tributária no caso em tela a contratação de empresa prestadora de serviços mediante cessão de mãodeobra só restou comprovada por meio do mencionado relatório aditivo. Inegável o vício esculpido no lançamento original. Necessária a produção de novo procedimento administrativo para a constituição do crédito tributário. De fato, a decisão do CRPS, átecnica com visto, embora propugnasse pela nulidade da DN, motivouse pela nulidade do lançamento tributário por ausência de motivação, ou seja, falta de comprovação da ocorrência do fato gerador, da verificação da ocorrência deste. Tal conclusão decorre da mera leitura da decisão acostada às folhas 156, acima transcrita e isso, porque, como sabido, cabe ao Fisco, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, por meio de procedimento do lançamento de ofício, constituir o crédito tributário, revisando nos casos de auto lançamento, os procedimentos do sujeito passivo. Para tanto, ele deve, após verificar a ocorrência do fato gerador, identificar o sujeito passivo, determinar a matéria tributável, quantificar o tributo devido e, quando for o caso, aplicar a penalidade cabível. Por ser atividade vinculada e obrigatória, é dever da autoridade fiscal empreender esforços na determinação do critério material da regra matriz de incidência tributária, base de cálculo do tributo e alíquota aplicável, apropriandonos dos ensinamentos de Paulo de Barros Carvalho. A mensuração das grandezas tributárias já deveria ter sido corretamente efetuada quando da lavratura do auto de infração. Podese até compreender a Fl. 1574DF CARF MF Processo nº 18471.001560/200866 Acórdão n.º 2201004.081 S2C2T1 Fl. 1.526 16 impossibilidade do acerto em razão da ausência de comprovação por parte do contribuinte, o que, como dito, não se verificou no caso concreto. Ao reverso, o que se observa é a total ausência caracterização de que a a prestação de serviços contratada se deu mediante cessão de mãodeobra. Não obstante a omissão do Autoridade Lançadora no tocante a comprovação do fato escolhido pelo legislador para ser ensejador da obrigação tributária, mister ressaltar com tintas fortes que a Administração Tributária foi clara em determinar por meio de um ato que integra a legislação tributária como se deve realizar caracterizar a cessão de mãodeobra, posto que tal caracterização se encontram no Regulamento da Previdência Social e nos atos normativos do INSS. Tal rito foi simplesmente ignorado pelo Auditor Fiscal responsável pelo lançamento. O Fisco não cumpriu seu dever, ou seja, deixou de comprovar suas alegações, se absteve de demonstrar a exatidão do lançamento realizado. Mister recordar que o Decreto nº 70.235/72 é claro ao exigir em seu artigo 9º: "Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito" (destaques nossos) Forçoso reconhecer o vício no procedimento do lançamento tributário. Como ato administrativo que é, o auto de infração não pode ser irregular. Celso A Bandeira de Melo (Curso de Direito Administrativo, 29ª ed., p.478), assim comenta sobre a irregularidade dos atos administrativos: ATOS IRREGULARES SÃO AQUELES PADECENTES DE VÍCIOS MATERIAIS IRRELEVANTES, RECONHECÍVEIS DE PLANO, OU INCURSOS EM FORMALIZAÇÃO DEFEITUOSA CONSISTENTE EM TRANSGRESSÃO DE NORMAS CUJO REAL ALCANCE É MERAMENTE O DE IMPOR A PADRONIZAÇÃO INTERNA DOS INSTRUMENTOS PELOS QUAIS SE VEICULAM OS ATOS ADMINISTRATIVOS Fl. 1575DF CARF MF Processo nº 18471.001560/200866 Acórdão n.º 2201004.081 S2C2T1 Fl. 1.527 17 Verificando a irregularidade do ato administrativo, deve a Administração de ofício regularizálo, em face do princípio da autotutela. Nesse sentido, a Lei 9.784, de 1999, é clara ao determinar que: "Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. (...) Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração." (grifos nossos) Observase que a Lei que regula o processo administrativo federal cinde as irregularidades do ato segundo a gravidade do mesmo. Atos portadores de defeitos sanáveis, meras irregularidades, poderão ser convalidados. Já os atos produzidos com ofensa a legalidade devem ser anulados. Sobre o tema, a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro (Direito Administrativo, 14ª ed, p. 234), titular da inesquecível Faculdade de Direito do Largo São Francisco, leciona que convalidação ou saneamento "o ato administrativo pelo qual qual é suprido o vício existente em um ato ilegal, com efeitos retroativos à data em que este foi praticado". Além disso, a doutrinadora explicita que nem sempre é possível a convalidação, pois depende do tipo de vício que atinge o ato. Os defeitos atinentes à incompetência quanto à matéria, quanto ao motivo e finalidade, e ainda quanto ao objeto e conteúdo não são passíveis de convalidação. Especificamente quanto a impossibilidade de convalidação, esclarece a Professora: "O objeto ou conteúdo ilegal não pode ser objeto de convalidação." Fl. 1576DF CARF MF Processo nº 18471.001560/200866 Acórdão n.º 2201004.081 S2C2T1 Fl. 1.528 18 O remédio que deve ser tomado pela Administração é o previsto no artigo 53 da Lei nº 9.784/99, acima transcrito,: a anulação. Novamente, recordemos os ensinamentos de Maria Sylvia: "Quando o vício seja sanável ou convalidável, caracterizase hipótese de nulidade relativa; caso contrário, a nulidade é absoluta." Sobre o tema, devemos lembrar que as nulidades, absoluta ou relativa, produzem efeitos distintos para a Administração Tributária em razão do tempo que a lei determina para a correção do lançamento tributário viciado. Se este for convalidável, por eivado de vício formal, o saneamento deve ser realizado em 5 anos após o trânsito em julgado da decisão que anular o ato administrativo. Já o lançamento maculado por nulidade absoluta, deve ser refeito no prazo decadencial previsto no CTN, seja o do parágrafo 4º do artigo 150, seja o do inciso I do artigo 173. Tal distinção nos obriga a perquirir qual o vício existente no caso concreto. Para nós a distinção é simples e fundada no texto legal. Como ensina Maria Sylvia Zanela Di Pietro, lançamentos que contenham conteúdo ilegal não são passíveis de convalidação, pois a nulidade que ostentam é absoluta. Nesse sentido, qualquer ofensa às determinações do artigo 142 do CTN acima reproduzido, explicitados por meio do artigo 9ª do Decreto nº 70.235/72, viciam o conteúdo do ato, pois são requisitos do lançamento, atributos intrínsecos ao procedimento de constituição do crédito tributário. A lição de Paulo de Barros Carvalho corrobora a afirmação. Assevera o Professor Emérito (Curso de Direito Tributário, 14ª ed., p. 415): "O ato administrativo de lançamento será declarado nulo de pleno direito, se o motivo nele inscrito a ocorrência do fato jurídico tributário, por exemplo inexistiu. Nulo será, também, na hipótese de ser indicado sujeito passivo diferente daquele que deve integrar a obrigação tributária. Igualmente é nulo o lançamento de IR (pessoa física), lavrado antes do termo final do prazo legalmente Fl. 1577DF CARF MF Processo nº 18471.001560/200866 Acórdão n.º 2201004.081 S2C2T1 Fl. 1.529 19 estabelecido para que o contribuinte apresente sua declaração de rendimentos e bens. Para a nulidade se requer vício profundo, que comprometa viceralmente o ato administrativo. Seus efeitos, em decorrência, são 'ex tunc', retroagindo, linguisticamente, à data do correspondente evento. A anulação por outro lado, pressupõe invalidade iminente, que necessita de comprovação, a qual se objetiva em procedimento contraditório. Seus efeitos são 'ex nunc', começando a contar do ato que declara a nulidade" Continua o doutrinador: "(...) não importa que o ato administrativo haja sido celebrado e que nele conjuguem os elementos tidos como substanciais. Insta que seus requisitos estejam conformados às prescrições da lei" (grifamos) No caso em apreço, observamos que não comprovou o Fisco a existência da contratação de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra. Como visto é dever do Fisco anexar ao auto de infração o elementos de prova que embasam a constituição do crédito tributário. Tal comprovação não pode ser realizada a posteriori, consoante expressa vedação do parágrafo 3º do artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, o que impede de modo absoluto a conversão em diligência nos casos de novação do lançamento, explicitando se tratar de novo lançamento, complementar ao primeiro. Nesse sentido, forçoso reconhecer que o relatório fiscal complementar, por inovar no lançamento, ou seja, por de fato realizar novo lançamento posto que veio ao mundo jurídico para reparar vício material, ou seja, vício insanável, deve respeitar os prazos previstos em lei complementar para que o Estado possa constituir seu direito de crédito. Reafirmo. O lançamento representado pela NFLD constante de fls. 2, consubstancia pelo Relatório Fiscal de folhas 29, foi tacitamente reconhecido como nulo pelo CRPS que ao determinar a nulidade da DN e a elaboração de Fl. 1578DF CARF MF Processo nº 18471.001560/200866 Acórdão n.º 2201004.081 S2C2T1 Fl. 1.530 20 novo relatório fiscal que explicitasse a ocorrência do fato gerador ensejador da responsabilidade solidária prevista no artigo 31 da Lei nº 8.212/91, vigente à época ordenou que se elaborasse novo lançamento consubstanciado em provas da existência da contratação de serviços mediante cessão de mãodeobra. Ocorre que tal lançamento repito, consubstanciado no relatório fiscal aditivo relativo às competências 09/98 a 12/98 se aperfeiçoou com a ciência do devedor em 28 de junho de 2007, fora portanto do lustro permitido pelo artigo 173, inciso I do CTN. Logo, extinto o direito de crédito do Fisco quando do lançamento tributário representado pelo relatório fiscal aditivo. Por via de consequência, voto por dar provimento ao recurso voluntário reconhecendo a nulidade do lançamento tributário arguída, pela ocorrência de vício material, em face da ausência de comprovação da ocorrência do fato gerador ensejador da obrigação tributária.” 13 – Em vista da referida nulidade indicada alhures, entendo desnecessário a análise dos demais termos apresentados em ambos os recursos voluntários. Conclusão 14 Diante do exposto, conheço dos recursos e no mérito dou provimento para reconhecer a nulidade do lançamento tributário por vício material em face da ausência de comprovação da ocorrência do fato gerador. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 1579DF CARF MF Processo nº 18471.001560/200866 Acórdão n.º 2201004.081 S2C2T1 Fl. 1.531 21 Fl. 1580DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.015826/2007-15
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49.
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso.
ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE
Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 1002-000.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2005 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10980.015826/2007-15
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5855380
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Apr 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1002-000.127
nome_arquivo_s : Decisao_10980015826200715.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10980015826200715_5855380.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Julio Lima Souza Martins - Presidente. Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7237432
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:16:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011386773504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1393; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 2 1 1 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.015826/200715 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.127 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 03 de abril de 2018 Matéria IRPJ. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente MERCANTIL ROMANA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS ALIMENTICIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 58 26 /2 00 7- 15 Fl. 71DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Julio Lima Souza Martins Presidente. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 50 à 68) interposto contra o Acórdão n° 0623.181, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (efls. 38 à 41), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta ementada nos seguintes termos: Assunto: Obrigações acessórias Anocalendário: 2005 MULTA POR ATRASO NA DÉBITOS ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. DESCABIMENTO. O exame da legalidade e da constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional compete ao poder judiciário, restando inócua e incabível qualquer discussão, nesse sentido, na esfera administrativa. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. . O instituto da denúncia espontânea não 6 aplicável as obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais, embora sem relação direta com a ocorrência do lato gerador. Lançamento Procedente Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10980.015826/200715 Acórdão n.º 1002000.127 S1C0T2 Fl. 3 3 Os argumentos apresentados em sede de Recurso Voluntário giram em torno do pleito de afastamento da multa por descumprimento de obrigação acessória, por entender a Contribuinte a ocorrência de denuncia espontânea (art. 138 do CTN), quando da apresentação de sua DCTF, mesmo que a destempo. Aduz, também, a inexistência de dolo ou simulação (art. 155 do CTN), o que implica o afastamento da indigitada multa. De arremate, sustenta que a penalidade pecuniária acarreta malferimento aos preceitos constitucionais da garantia ao direito à propriedade e do nãoconfisco. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. Quanto ao mérito, observo inicialmente que não há discussão quanto ao atraso ter efetivamente ocorrido. Outrossim, não vejo como acolher os pleitos da Recorrente, pois a decisão da DRJ apresenta estreita sintonia com a jurisprudência do CARF. Os indigitados argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever abaixo os principais trechos do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoos desde já como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 e em atenção ao disposto no §3º do art. 57, do RICARF: De plano, registrese que, existindo dispositivos que estabelecem uma obrigação acessória por parte do sujeito passivo, e que impõem uma multa pelo seu descumprimento, sendo tais dispositivos integrantes da legislação tributária, conforme estabelecido nos art. 96 e 100, I, do CTN, a sua observância é obrigatória por parte das autoridades administrativas; portanto, em relação à legislação que fundamenta a autuação, arrolada no auto de infração, os agentes do fisco estão plenamente vinculados, e sua desobediência pode causar a responsabilização funcional, conforme previsão do parágrafo único do art. 142 do CTN. que tem a seguinte redação: "a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional". (...) Quanto as argüições de ilegalidade ou de inconstitucionalidade (confisco),convém esclarecer que a apreciação de tais argüições foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses que sugiram a ilegalidade ou a inconstitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Assim, qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, somente podem ser reconhecidos pela via competente, no caso o Poder Judiciário. Fl. 73DF CARF MF 4 (...) Contudo, entendese que, mesmo nos casos de entrega espontânea da DCTF, antes de qualquer procedimento por parte do Fisco (como aqui se verifica), a aplicação da multa permanece pertinente, uma vez que, em se tratando de obrigação acessória, a ela não se aplica o instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN. Ou seja, a exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea da infração se refere ã multa de ofício relativa ã obrigação principal, qual seja, aquela decorrente da falta de pagamento do tributo, não alcançando a obrigação acessória. A multa aplicada pela falta de entrega, ou entrega a destempo (após o prazo legalmente estabelecido), da DCTF, nada tem a ver com o fato gerador da obrigação tributária principal. Trata se, sim, de uma penalidade decorrente do descumprimento de uma obrigação acessória formal. Se a obrigação tributária principal não for adimplida, ai sim, a penalidade de ofício aplicada apresenta relação direta com o fato gerador da obrigação principal. (...) Ademais, a citação do art. 155 do CTN trazida na impugnação, em que se impõe penalidade nos casos de dolo ou simulação, diz respeito tãosomente à revogação de ofício de concessão de moratória em caráter individual, e não é extensivo, obviamente, ao caso de descumprimento de obrigação acessória, como o dos autos. 1. Da ausência da denúncia espontânea No que cinge às ilegalidades levantadas pela recorrente, tanto na instituição, quanto na aplicação da multa pelo não cumprimento da obrigação acessória, a base legal do lançamento consta no referido artigo 7º da Lei nº 10.426, de 2002, o qual criou uma regra específica de sanção para o descumprimento da obrigação relativa às declarações DIPJ, DCTF, DIRF e DACON. De arremate, em relação ao instituto da denúncia espontânea suscitado no Recurso Voluntário, fazse mister ressaltar que tal matéria também é respaldada por entendimento sumulado do CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. 2. Da impossibilidade de cotejo constitucional Reforço, ainda, que não cumpre ao CARF exercer qualquer forma de controle de constitucionalidade. Logo, não há que se arguir nessa instância o eventual efeito confiscatório da multa, ou sua suposta violação ao direito de propriedade. Há, inclusive, enunciado sumular a reger o tema: Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10980.015826/200715 Acórdão n.º 1002000.127 S1C0T2 Fl. 4 5 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 3. Da responsabilidade objetiva pelo descumprimento da obrigação acessória Destaco, ainda, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo cobrado. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, nasce um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, converte se em principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). Por fim, como se sabe, o caráter punitivo da reprimenda possui natureza objetiva. Ou seja, quedase alheia à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. Eis que a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional. Conclusão Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.905359/2012-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/01/2011
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. IMPOSSIBILIDADE.
A apresentação da manifestação de inconformidade fora do prazo de 30 (trinta dias), ainda que seja apenas 1 (um) dias, não instaura a fase litigiosa do processo e impede o conhecimento da matéria litigiosa pelas instâncias julgadoras.
PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE SUSCITADA. POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO PELAS INSTÂNCIAS JULGADORAS. NÃO COMPROVADO O CUMPRIMENTO DO PRAZO. CONHECIMENTO DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, é passível conhecimento pelas instâncias julgadoras apenas a preliminar de tempestividade da manifestação de inconformidade suscitada pelo sujeito passivo, porém, se referida preliminar não for superada, como ocorreu nos presentes, não se toma conhecimento das questões meritórias suscitadas em sede de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.944
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
PAULO GUILHERME DÉROULÈDE - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2011 a 31/01/2011 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. IMPOSSIBILIDADE. A apresentação da manifestação de inconformidade fora do prazo de 30 (trinta dias), ainda que seja apenas 1 (um) dias, não instaura a fase litigiosa do processo e impede o conhecimento da matéria litigiosa pelas instâncias julgadoras. PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE SUSCITADA. POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO PELAS INSTÂNCIAS JULGADORAS. NÃO COMPROVADO O CUMPRIMENTO DO PRAZO. CONHECIMENTO DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, é passível conhecimento pelas instâncias julgadoras apenas a preliminar de tempestividade da manifestação de inconformidade suscitada pelo sujeito passivo, porém, se referida preliminar não for superada, como ocorreu nos presentes, não se toma conhecimento das questões meritórias suscitadas em sede de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10283.905359/2012-41
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5833440
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-004.944
nome_arquivo_s : Decisao_10283905359201241.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10283905359201241_5833440.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) PAULO GUILHERME DÉROULÈDE - Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
dt_sessao_tdt : Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
id : 7133124
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011387822080
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1662; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.905359/201241 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302004.944 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2018 Matéria PIS/COFINS COMPENSAÇÃO Recorrente MASA DA AMAZÔNIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/01/2011 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. IMPOSSIBILIDADE. A apresentação da manifestação de inconformidade fora do prazo de 30 (trinta dias), ainda que seja apenas 1 (um) dias, não instaura a fase litigiosa do processo e impede o conhecimento da matéria litigiosa pelas instâncias julgadoras. PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE SUSCITADA. POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO PELAS INSTÂNCIAS JULGADORAS. NÃO COMPROVADO O CUMPRIMENTO DO PRAZO. CONHECIMENTO DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, é passível conhecimento pelas instâncias julgadoras apenas a preliminar de tempestividade da manifestação de inconformidade suscitada pelo sujeito passivo, porém, se referida preliminar não for superada, como ocorreu nos presentes, não se toma conhecimento das questões meritórias suscitadas em sede de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) PAULO GUILHERME DÉROULÈDE Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 53 59 /2 01 2- 41 Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10283.905359/201241 Acórdão n.º 3302004.944 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Contra o contribuinte acima identificado foi emitido o Despacho Decisório pela unidade de origem que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP sob a justificativa de que o pagamento referente ao DARF indicado foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ciente do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual alega em síntese que: • Sua manifestação de inconformidade era tempestiva e afirmou que recebeu a Intimação da Exigência em 23/01/2013 e apresentou a manifestação em 22/02/2013. • Ressalta, que “ainda que o recurso seja intempestivo, o que se admite apenas para fins de argumentação, a autoridade local encarregada da administração do tributo (Delegacia da Receita Federal em Manaus) não é competente para julgar a tempestividade do recurso, devendo este seguir para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, órgão competente para julgar tal fato, conforme previsão do art. 35 do Decreto nº 70.235/72.” • A legislação federal referente à restituição/compensação assegura em caso de não homologação da compensação o direito a interposição de manifestação de inconformidade; • O Despacho Decisório de não homologação foi demasiadamente sucinto e não esclareceu o porquê da decisão. • Os princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa não foram respeitados pela administração tributária. O Despacho Decisório deve ser considerado nulo uma vez que não expôs os motivos da não homologação prejudicando seu direito de defesa; • É “empresa industrial com projeto aprovado na SUFRAMA e detentora de incentivos fiscais próprios da Zona Franca de Manaus, instituídos pelo DecretoLei nº 288/1967, bem como sujeita ao regime de apuração pela sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, podendo descontar créditos que poderão ser deduzidos do montante devido de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil.” Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10283.905359/201241 Acórdão n.º 3302004.944 S3C3T2 Fl. 4 3 • Faz jus aos créditos de PIS e COFINS, com base nos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, especificamente com relação ao inciso III: “energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica.” • Levantou os créditos no mês de competência e utilizou parte do crédito oriundo de energia elétrica prevista no inciso III, conforme DACONs retificadoras para pagamento das contribuições vencidas no período; • “A manifestante, inclusive, providenciou a retificação da DCTF correspondente, regularizando qualquer pendência que ainda pudesse haver.” A defesa relaciona os Acórdãos nºs 1246124 de 10 de maio de 2012 da 17ª Turma e 1638673 de 11 de maio de 2012 da 3ª Turma. 17ª TURMA ACÓRDÃO N° 1246124 de 10 de Maio de 2012 ASSUNTO: Normas de Administração Tributária EMENTA: COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Em face das evidências de erro na apuração e recolhimento do tributo, e não se verificando outros impedimentos ao reconhecimento do direito creditório alegado, cumpre admitir a compensação promovida até o limite do crédito informado na DCOMP. 3ª TURMA ACÓRDÃO N° 1638673 de 11 de Maio de 2012 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DESPACHO DECISÓRIO. ERRO. SALDO UTILIZÁVEL. Verificado erro no despacho decisório, o qual afirmara equivocadamente ter sido o valor pago indevidamente totalmente utilizado em momento anterior, restabelecese o direito ao crédito contra o Fisco a ser utilizado nas compensações constantes da DCOMP. Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 • “é fato que a Declaração entregue à Receita Federal do Brasil pela Manifestante não nega seu direito à compensação e, mais, comprova a legitimidade de seu comportamento idôneo.” • Ao final requer que se julgue procedente a Manifestação de Inconformidade, para o efeito de reformar o Despacho Decisório exarado no processo e homologar integralmente a PER/DCOMP constante nos autos. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 08 033.523. O fundamento adotado foi o de que a manifestação de inconformidade havia sido apresentada após o decurso do prazo estabelecido na legislação que rege o processo administrativo fiscal, considerandose, portanto, intempestiva. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10283.905359/201241 Acórdão n.º 3302004.944 S3C3T2 Fl. 5 4 Cientificada, a requerente protocolou o recurso voluntário em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, em sede de preliminar, a recorrente alegou que a decisão do órgão julgador de primeiro grau de não analisar o mérito em razão da apresentação intempestiva da manifestação de inconformidade não merecia prosperar, pelas seguintes razões: a) a manifestação da inconformidade fora apresentada com apenas 1 (um) dia de atraso, porque não fora possível protocolar no dia 21/1/2015, mas somente no dia seguinte, por “questões impeditivas do próprio Centro de Atendimento ao Contribuinte CAC em Manaus/AM.”; e b) não era razoável que o mérito da manifestação de inconformidade fosse vilipendiado em razão de um fato totalmente alheio à vontade do contribuinte, “sendo uma afronta, inclusive aos Princípios da Razoabilidade, Ampla Defesa e do Contraditório.”; e c) a autoridade julgadora desconsiderou os princípios basilares do processo administrativo, a saber, os Princípios da Verdade Material, da Moralidade e do Informalismo Moderado É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.936, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10283.905335/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.936): "O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O litígio cingese à preliminar de intempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade, que foi apreciada no julgamento de primeiro grau, por força do que dispõe o art. 56, § 2º, do Decreto 7.574/2011, a seguir transcrito: Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no70.235, de 1972, arts. 14e15). [...] Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10283.905359/201241 Acórdão n.º 3302004.944 S3C3T2 Fl. 6 5 §2º Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. [...] (grifos não originais) Não há controvérsia nos autos quanto ao descumprimento do prazo de apresentação da manifestação de inconformidade. Nas próprias peças defensivas colacionadas aos autos, a recorrente, expressamente, reconhecera que a peça instauradora do litígio fora apresentada no dia seguinte ao vencimento do prazo de 30 (trinta) dias, fixado no art. 15 do Decreto 70.235/1972. Diante dessa constatação, não remanesce qualquer dúvida que, como não foi instaurado o litígio em relação ao mérito, nos termos do art. 14 do Decreto 70.235/1972, induvidosamente, este Colegiado não poderá se manifestar sobre as questões meritórias alegadas pela recorrente no recurso em apreço. Portanto, a presente análise limitarseá à preliminar de tempestividade da manifestação de inconformidade suscitada pela recorrente. E em relação a essa questão, no recurso em apreço, a recorrente alegou que a manifestação da inconformidade não fora apresentada dentro prazo legal, porque “questões impeditivas do próprio Centro de Atendimento ao Contribuinte CAC em Manaus/AM.” Acontece que a recorrente não trouxe à colação dos autos nenhum elemento probatório que confirmasse o alegado. Assim, em razão dessa omissão, por razão óbvia, não há ser acatada tal alegação. A recorrente alegou que não era razoável que o mérito da manifestação de inconformidade fosse vilipendiado em razão de um fato totalmente alheio à vontade do contribuinte, “sendo uma afronta, inclusive aos Princípios da Razoabilidade, Ampla Defesa e do Contraditório.” No âmbito do processo administrativo fiscal, por disposição expressa do caput do art. 26A do Decreto 70.235/1972, é expressamente vedado ao julgador afastar aplicação ou deixar de observar preceito legal dotado de plena vigência e eficácia, inclusive, em situações que, em tese, possa configurar conflito com os princípios constitucionais explícitos ou implícitos. Assim, ainda que se possa vislumbrar, no caso em tela, algum conflito com os princípios da razoabilidade, ampla defesa e do contraditório, há de prevalecer o disposto no art. 14, combinado com o disposto no art. 15, ambos do Decreto 70.235/1972. Portanto, não há como acatar a presente alegação suscitada pela recorrente. Com base no mesmo fundamento, também não merece acolhimento a alegação da recorrente de que a autoridade julgadora desconsiderou princípios basilares do processo administrativo, tais como os princípios da verdade material, da moralidade e do informalismo moderado. Aliás, no caso, não houve desconsideração dos referidos princípios no julgamento de primeiro grau, haja vista que as autoridades julgadoras Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10283.905359/201241 Acórdão n.º 3302004.944 S3C3T2 Fl. 7 6 não apreciaram as questões meritórias, por estrito cumprimento do disposto nos referidos preceitos legais. Com base nessas considerações, resta demonstrado que a decisão de primeiro foi proferida com estrita observância das normas legais que regem o processo administrativo fiscal, portanto, não há qualquer reparo a ser feito. Por todo o exposto, votase por negar provimento ao recurso voluntário, para manter na íntegra a decisão recorrida. Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo restou configurada a intempestividade da Manifestação de Inconformidade, não trazendo a recorrente à colação dos autos nenhum elemento probatório que infirmasse a decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 182DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.720507/2011-17
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
ementa_s :
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10875.720507/2011-17
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5830292
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-000.270
nome_arquivo_s : Decisao_10875720507201117.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10875720507201117_5830292.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
dt_sessao_tdt : Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
id : 7123363
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011392016384
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1415; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.720507/201117 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.270 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 17 de janeiro de 2018 Matéria INDEFERIMENTO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL Recorrente SPRITEC INDUSTRIA E COMERCIO DE MOLAS LTDA EPP ... Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO INDEFERIMENTO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL ANOCALENDÁRIO 2011 A existência de débitos, apontados no Termo de Indeferimento de Opção, é hipótese de indeferimento da inclusão no Simples Nacional, nos termos do inciso V, do artigo 17 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0434.569, da 3ª Turma da DRJ/CGE, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 72 05 07 /2 01 1- 17 Fl. 85DF CARF MF 2 Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, face à existência de débitos de natureza previdenciária, sem exigibilidade suspensa, consoante o artigo 17, incisos V, da Lei Complementar nº 123, de 2006. A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido termo. cuja decisão da DRJ foi contrária à manifestação de inconformidade, a qual reproduzo o voto: A manifestação de inconformidade é tempestiva e dela conheço. Foi indeferida a opção ao Simples Nacional porque a impugnante possuía débitos cuja exigibilidade não estava suspensa. A argumentação da contribuinte foi centrada no fato de que recolhera os tributos devidos no prazo legal, mas o fez incorretamente em guias de GPS, vez que deveria recolhêlos “em título para quitação do DEBCAD” (v. formulários, fls. 13 15). Assim, a regularização efetuada posteriormente não desqualificaria o pagamento que se efetivara dentro do prazo legal, anteriormente. Alegou, ainda, que as diferenças recolhidas em junho de 2011, no total de R$ 3.726,30, referiamse a custas judiciais e não a contribuições previdenciárias. No que tange ao recolhimento equivocado em guias de GPS, tem razão a impugnante, pois o que importa é o recolhimento dentro do prazo legal e eventual erronia ao recolher a contribuição não poderia justificar o indeferimento de sua opção ao Simples Nacional. Porém, na espécie, verificase que não procede a afirmativa de que os pagamentos suplementares em junho de 2011, no total de R$ 3.726,30 referemse a custas judiciais ou processuais. A própria GPS juntada pela contribuinte (fls. 34) demonstra que se trata de recolhimento da contribuição previdenciária (v. consulta, fls. 1920). Logo, tendo recolhido diferenças de contribuições bem depois do prazo de opção, sequer se pode aplicar por analogia o disposto no art. 31, § 2º, da LC nº 123/2006. Conclusão. Em face do exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, julgo improcedente a manifestação de inconformidade e mantenho o Termo de Indeferimento de Opção ao Simples Nacional por seus próprios fundamentos. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. Em seu recurso voluntário, a recorrente argumentou que: Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10875.720507/201117 Acórdão n.º 1001000.270 S1C0T1 Fl. 3 3 De fato, o código 6203, da Receita de Contribuição Previdenciária, é exclusivo para pagamento de Dívida Ativa Ação Judicial e de preenchimento exclusivo do órgão emissor. A recorrente afirma tratarse de recolhimento de custas judiciais, mas, a guia de recolhimento, anexada à impugnação, indica recolhimento da contribuição previdenciária. Fl. 87DF CARF MF 4 Por outro lado, a Recorrente não apresentou nenhum outro documento que pudesse corroborar o que afirmou. A própria DRJ considerou que os débitos existentes foram recolhidos dentro do prazo legal, porém, em guias de GPS e deveriam ter sido em DEBCAD, exceto o constante da guia de recolhimento. Assim, o débito remanescente, existente em 31 de janeiro de 2011, é fator impeditivo à opção pelo Simples Nacional, nos termos do inciso V, ao artigo 17, da LC 123/2006. Portanto, nego provimento ao presente Recurso Voluntário, sem crédito tributário em litígio. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.722306/2015-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1992 a 31/10/1994
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. EMPREGADOS.
A participação nos lucros ou resultados da empresa apenas não integra o salário de contribuição quando paga ou creditada de acordo com a lei específica, que à época dos fatos geradores não existia.
Numero da decisão: 2401-005.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1992 a 31/10/1994 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. EMPREGADOS. A participação nos lucros ou resultados da empresa apenas não integra o salário de contribuição quando paga ou creditada de acordo com a lei específica, que à época dos fatos geradores não existia.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11065.722306/2015-77
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5846403
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-005.373
nome_arquivo_s : Decisao_11065722306201577.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MIRIAM DENISE XAVIER
nome_arquivo_pdf_s : 11065722306201577_5846403.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
id : 7177635
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011399356416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1293; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 155 1 154 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.722306/201577 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.373 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de março de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. Recorrente ARTECOLA QUÍMICA SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1992 a 31/10/1994 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. EMPREGADOS. A participação nos lucros ou resultados da empresa apenas não integra o salário de contribuição quando paga ou creditada de acordo com a lei específica, que à época dos fatos geradores não existia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 23 06 /2 01 5- 77 Fl. 155DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD (Debcad 31.861.0248) lavrada contra o sujeito passivo em epígrafe, referente à contribuição previdenciária da empresa incidente sobre valores pagos a segurados empregados a título de Participação nos Lucros ou Resultados PLR. O contribuinte impugnou o lançamento, alegando que o dispositivo constitucional que autoriza o pagamento da PLR é autoaplicável. Conforme decisão de fl. 12, julgouse procedente o lançamento. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou recurso, fls. 13/16, que contém, em síntese: Alega que a CR/88, art. 7º, XI, prevê que sobre os valores pagos a título de PLR não integram a remuneração do empregado e, portanto, não estão passíveis de contribuição previdenciária. Afirma que as normas não autoaplicáveis são exceção no sistema constitucional e que a norma válida vige a partir de sua publicação. Cita doutrina. Acrescenta que a dependência da aplicação da norma constitucional à edição de lei inferior põe em perigo a eficácia do direito outorgado ou da obrigação imposta. Requer seja desconstituído o lançamento, tendo em vista a impossibilidade jurídica de se praticar ou exigir a prática de ato contrário à constituição. O texto explicativo de fls. 132/141, apresenta a situação da seguinte forma: A empresa ARTECOLA INDÚSTRIAS QUÍMICAS LTDA, CNPJ 44.699.346/000103 (à época do lançamento do crédito tributário em questão, o CNPJ da matriz era 89.907.497/0001 30 – evento de incorporação posterior – vide tela em anexo) alega estar aguardando o julgamento do recurso (administrativo) por ela interposto, ainda lá no ano de 1995, contra a decisão da Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social GRAF em Novo Hamburgo, RS, que, indeferindo a impugnação apresentada pela referida empresa, concluiu pela procedência do lançamento [...]. Apenas a título de esclarecimento contextual, informase que são 09 (nove) NFLD’s, no total, na mesma situação, emitidas na mesma ação fiscal, cada uma delas vinculada a um estabelecimento específico da (mesma) empresa recorrente (CNPJ’s da matriz e respectivos estabelecimentos filiais) e todas elas referentes ao mesmo caso/assunto (incidência de contribuições previdenciárias sobre distribuição de lucros aos segurados empregados relativa a período anterior à regulamentação da matéria por norma infraconstitucional), contendo competências de 03/1992 a 10/1994 [...]. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11065.722306/201577 Acórdão n.º 2401005.373 S2C4T1 Fl. 156 3 Nos Sistemas (eletrônicos) da Dataprev, [...], consta o registro de que, em 21/05/1996, tal crédito tributário passou para a "Fase 517", que corresponderia à situação de "CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO SUBJUDICE". Esse registro corresponde (ou deveria corresponder) a uma informação no sentido de que a empresa ARTECOLA INDÚSTRIAS QUÍMICAS LTDA, [...] teria ingressado com uma ação judicial para discutir o referido lançamento de crédito tributário previdenciário. [...] Em função disso, pesquisouse junto à Seção Judiciária da Justiça Federal no Rio Grande do Sul e, também, junto a algumas comarcas da Justiça Estadual do Rio Grande do Sul (Novo Hamburgo e Campo Bom, já que o sujeito passivo em questão, ao menos seu estabelecimento matriz/centralizador, tem seu domicílio tributário/fiscal no Município de Campo Bom, RS) acerca da existência de eventual ação judicial relativa ao lançamento constante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 318610248, porém não se encontrou nenhuma ação judicial proposta pela referida pessoa jurídica visando à discussão (anulação, desconstituição, modificação etc.) do referido lançamento de crédito tributário previdenciário. A mencionada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 318610248 referese à inclusão, no saláriode contribuição/base de cálculo das contribuições previdenciárias e daquelas destinadas a terceiros, dos valores distribuídos, pela recorrente, aos seus empregados, a título de participação deles nos lucros da empresa, relativos ao período de 03/1992 a 10/1994, ou seja, referente a período anterior à edição da Medida Provisória nº 794, de 30.12.94 e reedições posteriores (MP 1487, MP 1539 e MP 1619) e, obviamente anterior à MP 1.98277, de 23 de novembro de 2000 e da Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. A empresa ARTECOLA INDÚSTRIAS QUÍMICAS LTDA, CNPJ 44.699.346/000103 (à época do lançamento dos créditos tributários em questão, o CNPJ da matriz era 89.907.497/0001 30), por sua vez, tem afirmado, de forma reiterada, que não ajuizou nenhuma ação para discutir o lançamento de crédito tributário constante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 318610248 porque, segundo ela, ainda está aguardando o julgamento administrativo do recurso (administrativo) por ela interposto, no ano de 1995 (ano de mil, novecentos e noventa e cinco), contra a decisão da Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social GRAF em Novo Hamburgo, RS, dirigido à Junta de Recurso da Previdência Social JRPS, em Porto Alegre, RS (que, à época, era o órgão competente para julgamento do mencionado recurso), porém que ainda não teve notícia quanto a eventual ocorrência do julgamento dele, que Fl. 157DF CARF MF 4 não recebeu nenhuma resposta acerca disso, que nunca foi cientificada de nenhuma decisão sobre eventual julgamento do referido recurso administrativo. [...] Apenas a título de esclarecimento, até para fins de contraste, convém referir que a empresa ARTECOLA INDÚSTRIAS QUÍMICAS LTDA, CNPJ 44.699.346/000103 (à época, o CNPJ da matriz era 89.907.497/000130), teve outros lançamentos de créditos tributários previdenciários lavrados contra si, pela Fiscalização do INSS, referente à mesma matéria, isto é, de contribuições previdenciárias e aquelas destinadas a terceiros decorrentes dos valores por ela distribuídos, a título de participação dos lucros, aos seus empregados, relativos a períodos anteriores à regulamentação do art. 7º, XI, da Constituição Federal (inicialmente por meio da MP 794/94): tratase das Notificações Fiscais de Lançamento de Débito NFLD’s nº 31.537.3440, 31.537.3458, 31.537.3466, 31.537.3474, 31.537.3482 e 31.537.3490, porém, todas essas NFLDs dizem respeito a períodos de apuração (competências) anteriores àquelas competências constantes na NFLD à que se refere o presente recurso administrativo. Essas NFLDs (31.537.3440, 31.537.3458, 31.537.3466, 31.537.3474, 31.537.3482 e 31.537.3490), contêm o período relativo às competências de 10/1991 a 02/1992, enquanto a Notificação Fiscal de Lançamento de DébitoNFLD nº 318610248 abrange as competências 03/1992 a 10/1994, ou seja, esta última NFLD referese a períodos posteriores àqueloutras. Em relação às NFLDs nº 31.537.3440, 31.537.3458, 31.537.3466, 31.537.3474, 31.537.3482 e 31.537.3490, de fato, constatouse que, especificamente (e tão somente) quanto a elas, a referida empresa ajuizou uma ação ordinária visando à anulação dos correspondentes lançamentos de crédito tributário: tratase da Ação Ordinária nº 92.00.185142/RS (Subseção Judiciária da Justiça Federal em Porto Alegre RS), tendo sequência no Recurso de Apelação/Reexame Necessário Cível nº 1999.04.01.0816521 (TRF4), passando pelo Recurso Especial REsp nº 445.791 (STJ) terminando no Recurso Extraordinário nº 393.764 (STF), onde o respectivo trânsito em julgado ocorreu em 06/03/2009, com a conclusão, pelo STF, pela incidência das alíquotas das contribuições previdenciárias (e aquelas destinadas terceiros) sobre os lucros distribuídos aos empregados pela referida empresa. Juntouse, em anexo, cópia de partes dessa ação apenas para identificar que ela se refere especificamente, restritamente e tão somente às NFLDs nº 31.537.3440, 31.537.3458, 31.537.3466, 31.537.3474, 31.537.3482 e 31.537.3490, onde se pode verificar que essa ação não abrange a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 318610248. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11065.722306/201577 Acórdão n.º 2401005.373 S2C4T1 Fl. 157 5 Não parece de todo irrazoável cogitarse que a existência – à época em andamento –da Ação Ordinária nº 92.00.185142/RS, proposta pela empresa ARTECOLA INDÚSTRIAS QUÍMICAS LTDA, CNPJ 44.699.346/000103 (à época, o CNPJ da matriz era 89.907.497/000130), quiçá, pudesse ter gerado a presunção, no âmbito administrativo –da, então, à época, Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social GRAF em Novo Hamburgo, RS –, de que essa ação, de alguma forma, por se referir ao mesmo assunto, ou seja, inclusão, na base de cálculo das contribuições previdenciárias, dos valores distribuídos aos segurados empregados, a título de participação deles nos lucros da empresa, pudesse ter abrangido também o lançamento de crédito previdenciário relativo à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 318610248 e que, em função disso, e, ainda, pelo princípio constitucional da unicidade de jurisdição, pudesse ter ocorrido a consequente presunção de definitividade da discussão no âmbito administrativo. [...] Já – diferentemente das NFLDs nº 31.537.3440, 31.537.3458, 31.537.3466, 31.537.3474, 31.537.3482 e 31.537.3490 –, em relação à (presente) Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 318610248, conforme já se explicou acima, embora ela também diga respeito a crédito tributário previdenciário referente a incidências das alíquotas das contribuições previdenciárias e daquelas destinadas a terceiros sobre os valores entregues, pela empresa ARTECOLA INDÚSTRIAS QUÍMICAS LTDA, CNPJ 44.699.346/000103 (à época do lançamento dos créditos tributários em questão, o CNPJ da matriz era 89.907.497/000130), aos seus empregados a título de participação (deles) nos lucros da referida pessoa jurídica, não se encontrou nenhuma ação judicial buscando a anulação, ou modificação ou desconstituição do correspondente lançamento de crédito tributário. [...] A inexistência de ação judicial visando à anulação ou desconstituição desse lançamento é um fato categoricamente afirmado pela própria empresa (sujeito passivo em tela), pois que, declara ela, repetidamente, ter optado por discutir o referido lançamento na via administrativa, porém que até hoje não recebeu nenhuma resposta acerca do recurso administrativo por ela interposto ainda lá no ano de 1995, conforme descrito acima. [...] Embora, nos Sistemas da Dataprev, o débito referente à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 318610248 conste registrado na “fase 517 CREDITO PREVIDENCIARIO SUBJUDICE”, desde a data de “21/05/1996”, conforme já se esclareceu acima, não se encontrou nenhuma ação judicial proposta pelo respectivo Fl. 159DF CARF MF 6 sujeito passivo visando à anulação ou modificação do lançamento do correspondente crédito tributário previdenciário. [...] A referida empresa, inclusive, declarou em juízo, quando da impetração do mandado de segurança nº 5005416 76.2010.404.7108/RS (ajuizado com a exclusiva finalidade de obtenção de certificado de regularidade fiscal), no ano de 2010, na Subseção da Justiça Federal em Novo Hamburgo, RS, que o débito tributário previdenciário referente a essa NFLD não poderia ser óbice para obtenção de certificado de regularidade fiscal previdenciária, já que ele deveria estar com a exigibilidade suspensa por força do recurso administrativo interposto, ainda pendente de julgamento por parte da Administração Tributária Federal desde o ano de 1995. Juntaramse, em anexo, cópia da Sentença proferida no citado mandado de segurança nº 500541676.2010.404.7108/RS deferindo o pedido da empresa, da "capa" do referido mandado de segurança 5005416 76.2010.404.7108/RS, contendo a chave (394213033210), para acesso à integralidade do mencionado processo, no endereço https: //eproc.jfrs.jus.br/eprocV2/ > Consulta Pública > Justiça Comum/JEF (V2). [...] Considerandose que a empresa ARTECOLA INDÚSTRIAS QUÍMICAS LTDA, CNPJ 44.699.346/000103 (à época do lançamento do crédito tributário em questão, o CNPJ da matriz era 89.907.497/000130), aguarda um julgamento de seu recurso administrativo acima descrito, referente ao lançamento de crédito tributário relativo à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 318610248 e, considerandose, ainda, que, atualmente, em face das alterações ocorridas na legislação, agora, é do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF a competência legal e regimental para julgar recurso administrativo referente a contribuições previdenciárias devidas por pessoa jurídica, pedese que esse Órgão do Ministério da Fazenda dignese, enfim, proceder ao julgamento do mencionado recurso administrativo, por cuja decisão a recorrente afirma estar aguardando desde o ano de 1995, conforme acima descrito. Na denominada Ficha de Registro de Processo de Infração RPI da referida empresa junto ao exIAPAS/INSS, consta a anotação de que, de fato, ela apresentou Recursos Administrativos tempestivos insurgindose contra as decisões administrativas de 1º (primeiro) grau que julgou procedentes os respectivos lançamentos referentes às NFLD’s 318610175, 318610183, 318610191, 318610205, 318610213, 318610221, 31861023 0, 318610248 e 318610256, sendo que, em tal documento, porém, não consta que haja ocorrido julgamento deles nem que tenha sido dado uma resposta de eventual julgamento de tais recursos à referida empresa (ora recorrente). [...] É o relatório. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11065.722306/201577 Acórdão n.º 2401005.373 S2C4T1 Fl. 158 7 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. PLR Para o segurado do RGPS, qualquer parcela destinada a retribuir o seu trabalho integra o salário de contribuição, conforme Lei 8.212/1991, artigo 28, inciso I: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Entretanto, a Lei 8.212/91, no art. 28, § 9º, exclui algumas rubricas da base de incidência das contribuições previdenciárias, contudo para que tais rubricas sejam excluídas, elas devem estar previstas no citado dispositivo legal e devem ser pagas dentro dos ditames da lei. No caso da PLR, o art. 7o, XI da Constituição Federal de 1988, dispõe que: Art. 7o São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: [...] XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. (grifo nosso) E ainda, de fato, o art. 28, § 9º, prevê hipóteses de não incidência de contribuições sociais sobre participação nos lucros e resultados: Art. 28. [...] Fl. 161DF CARF MF 8 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (grifo nosso) [...] Vêse, portanto, que tais hipóteses de renúncia fiscal não são absolutas, mas sim condicionadas pelo próprio dispositivo legal que as prevê. No caso da PLR, a isenção apenas acontece se os pagamentos forem efetuados de acordo com a lei específica. À época dos fatos geradores apurados na NFLD em análise, não havia lei específica que tratasse da PLR. O próprio contribuinte ajuizou ação ordinária para que fossem anulados lançamentos contra ele efetuados, pelo mesmo motivo, mas em período anterior ao presente, que foi objeto de recurso extraordinário, tendo o STF, Relator Ministro Gilmar Mendes, julgado da seguinte forma: Nos termos do entendimento firmado por esta Corte no julgamento do Mandado de Injunção 102, Pleno, Redator para o acórdão Carlos Velloso DJ 25.10.02, é de se concluir que a regulamentação do art. 7º, XI, da Constituição somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, que implementou o direito dos trabalhadores na participação nos lucros da empresa. Desse modo, a participação nos lucros somente pode ser considerada "desvinculada da remuneração" (art. 7º, XI, da Constituição Federal) após a edição da citada Medida Provisória. Portanto, verificase ser possível a cobrança de contribuição previdenciária antes da regulamentação do dispositivo constitucional, pois integrava a remuneração. Nesse sentido, monocraticamente, o RE 351.506, Rel. Eros Grau, DJ 04.03.05. Assim, conheço e dou provimento ao recurso extraordinário (art. 557, § 1ºA, do CPC) para reconhecer a exigência da contribuição previdenciária sobre a parcela paga a título de participação nos lucros da empresa no período anterior à edição da Medida Provisória nº 794, de 1994. [...] Referida MP 794 é de 29/12/94, logo, qualquer valor pago a título de PLR em período anterior a esta data, o que engloba o período do presente lançamento, é considerado remuneração e sobre tais valores deve ser apurada a contribuição previdenciária. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11065.722306/201577 Acórdão n.º 2401005.373 S2C4T1 Fl. 159 9 CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
