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Numero do processo: 16327.720552/2014-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2009
IRRF. EMPRÉSTIMO OBTIDO NO EXTERIOR. REGISTRO CONTÁBIL DOS JUROS. DISPONIBILIDADE ECONÔMICA OU JURÍDICA DE RENDAS OU PROVENTOS PELO CREDOR. INEXISTÊNCIA.
O mero registro contábil dos juros pelo devedor não implica a disponibilidade econômica ou jurídica de rendas ou proventos pelo credor, devendo ser afastada a incidência do imposto de renda na fonte.
Numero da decisão: 2402-005.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso de ofício e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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REGISTRO CONTÁBIL DE JUROS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SCF COMPANHIA SECURITIZADORA DE CRÉDITOS FINANCEIROS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2009 IRRF. EMPRÉSTIMO OBTIDO NO EXTERIOR. REGISTRO CONTÁBIL DOS JUROS. DISPONIBILIDADE ECONÔMICA OU JURÍDICA DE RENDAS OU PROVENTOS PELO CREDOR. INEXISTÊNCIA. O mero registro contábil dos juros pelo devedor não implica a disponibilidade econômica ou jurídica de rendas ou proventos pelo credor, devendo ser afastada a incidência do imposto de renda na fonte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 05 52 /2 01 4- 07 Fl. 2398DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso de ofício e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente em Exercício (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 2399DF CARF MF Processo nº 16327.720552/201407 Acórdão n.º 2402005.720 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos e os fundamentos do lançamento, da impugnação e dos incidentes ocorridos até então: Por meio dos autos de infração, fls. 1.509 a 1.522, são exigidas da contribuinte acima identificada as importâncias relacionadas na seguinte tabela, referente ao anocalendário 2009, acrescidas de multa de ofício de 75 % e de juros de mora. 1. DA DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL Da descrição dos fatos e enquadramento legal, às folhas 1.510; 1.514 e 1.519, verificase que a autuação se deu em razão de: 1.1 Infração nº 01 – PIS e COFINS Não inclusão na base de cálculo do PIS e da COFINS da receita proveniente do perdão de juros de empréstimos obtidos com empresa vinculada no exterior que, pelos princípios contábeis, se caracteriza por receita nova e por ter sido despesa de captação redutora da base de cálculo dessas contribuições, deveria ter sido considerada para fins de cálculo dessas exações tributárias Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: art. 3º , §8º, II da Lei nº 9.718/98. 1.2 Infração nº 02 – IRRF Não recolhimento do IRRF sobre obrigações relativas a juros de empréstimos obtidos no exterior. O fato gerador do IRRF é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda por parte da credora, caracterizada com o crédito reconhecido pela devedora. Perdão de dívida de juros incorridos e vencidos caracteriza hipótese prevista no art. 685 do RIR/99. Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 30/01/2009 e 31/12/2009: Arts. 674; 675; 682; 685; 702; 703 e 725 do RIR/99. 2. DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL Fl. 2400DF CARF MF 4 Assim se manifestou a autoridade autuante, fls. 1.525/1.548, em síntese: [...] Dos Fatos · Através do Termo de Início, com ciência no dia 13/02/2014 , intimei a contribuinte a detalhar e esclarecer as informações prestadas na DIPJ 2010, anocalendário de 2009, referente a ficha 06A, linha 23, "Outras Receitas Financeiras de R$ 70.487.463,76; e linha 37, "Outras Receitas Operacionais de R$ 32.606.194,09, uma vez que os recolhimentos de PIS e da COFINS estavam bem abaixo do valor declarado de receitas operacionais. · Em resposta, apresentou o razão contábil das contas de apuração do PIS e da COFINS, memória de cálculo mensal dessas contribuições, que colamos abaixo, e razão contábil das contas "Outras Receitas Operacionais" compostas pelos grupos identificados pelos códigos: 3.1.10.31.0001 a 3.1.10.31.0005 e 3.1.10.32.0001 e 3.1.10.32.0002, referente ao valor lançado na Ficha 06A, linha 23; e razão contábil das contas "Outras Receitas Financeiras" compostas pelos grupos: 3.1.10.35.0001, 3.2.10.11.0002 a 3.2.10.11.0004, 3.2.20.11.0003 a 3.2.20.11.0004 e 3.3.20.33.0001, referente ao valor lançado na Ficha 06A, linha 23. Apresentou também balancete de dezembro de 2009 com os saldos anuais das contas relacionadas acima. · A contribuinte fundamenta a dedução da sua despesa de captação no art. 3o, § 8o, II, da Lei 9.718/98. · Por intermédio da Intimação Fiscal 0001, verificouse que as contas que compõem a rubrica de despesas de captação, "Outras Exclusões" do DACON, estão identificadas contabilmente como: código 3.3.20.31.0007 Juros sobre Empréstimo R$ 22. 942.876,45 anual; e código 3.3.20.31.0008 Juros sobre Empréstimo 2 R$14.742.208,97 anual. · Analisandose a escrituração contábil digital SPED da contribuinte, tais débitos nas contas de juros têm como contrapartida os créditos em conta de passivo exigível a longo prazo: o débito na conta 3.3.20.31.0007 Juros Sobre Empréstimos credita a conta de passivo n° 2.2.20.12.0001 LBI Group Inc.; e a conta 3.3.20.31.0008 Juros sobre Empréstimo 2, credita a conta 2.2.20.12.0002 Lehman Brothers Special Financing Inc.. A contribuinte não faz lançamentos individualizados, segregando no passivo o que é referente a juros a pagar e IRRF a recolher do que é de valor principal tomado como empréstimo. · A contribuinte vem desde o início do empréstimo creditando em mesma conta de passivo: código 2.2.20.12.0001 LBI Group Inc, os juros a pagar e o IRRF a recolher. E, em contrapartida, debitando mensalmente pro rata tempore as despesas de juros e acréscimos (nesse caso os acréscimos são os valores de IRRF retidos e não recolhidos aos cofres da Fazenda Nacional), deduzindo essas despesas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL Fl. 2401DF CARF MF Processo nº 16327.720552/201407 Acórdão n.º 2402005.720 S2C4T2 Fl. 4 5 e da base do PIS e da COFINS, como despesas de captação. As despesas financeiras de juros, não efetivamente pagos, e as despesas de IRRF, calculadas com base reajustada conforme o art. 725 do RIR/99, foram contabilizadas em obediência ao regime da competência. · Foi perdoado um total de R$ 66.707.074,00, referente aos dois empréstimos, esse perdão gerou uma receita contabilizada no grupo de Outras Receitas Operacionais, conta cód. 3.1.10.35.0001 Receita de Perdão de Dívida (juros). Essa receita foi considerada nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL no ano de 2009, mas não foi considerada nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. No tópico 5, “Do Direito”, esclareceremos que deveria ter sido tributado esse valor para fins do PIS e da COFINS, uma vez que se trata de receita nova e de uma reversão de despesa que fora redutora das bases dessas contribuições nos períodos anteriores. Do Direito em relação à infração de n° 01 PIS/COFINS · A contribuinte, quando questionada na Intimação Fiscal 0002 a apresentar justificativa legal para a não consideração na base de cálculo do PIS e da COFINS da Receita de Perdão de Dívida (juros), conta 3.1.10.35.0001, no valor de R$ 66.707.704,00, argumentou que o resultado financeiro decorrente da renegociação não foi incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS por que não se subsume ao artigo 3o da Lei 9.718/98. Esta Fiscalização diverge do entendimento da contribuinte como a seguir será demonstrado. · Os juros transcorridos contabilizados por competência, quando não pagos, são passivos genuínos, devendo ser registrado no passivo a título de juros a pagar. · O perdão de uma dívida de juros por empresa coligada no exterior consubstanciase em uma extinção de um passivo sem o desaparecimento concomitante de um ativo, tratandose, portanto, de uma realização de uma nova receita ocorrida na data do perdão. · As despesas de juros transcorridos e não pagos, os juros a pagar, bem como, o IRRF a recolher, sobre empréstimos no exterior, serviram para deduzir as bases de cálculo do PIS e da COFINS como despesas de captação. · A despesa de captação é considerada operacional, porque é da operação da securitizadora captar recursos no mercado e remunerar o investidor pelo recurso financeiro aplicado que, no caso em questão, a captação foi através dos juros contratados. Tanto é típico da atividade da securitizadora, do seu objeto social, que tais despesas foram incluídas na legislação como redutora das bases do PIS e da COFINS. · A captação de remuneração é essencial a execução do objeto social das securitizadoras, logo a receita de perdão de dívida, Fl. 2402DF CARF MF 6 resultante de despesa de captação, tratase de receita operacional típica da atividade. · Sendo assim, a sua reversão através do perdão da dívida de juros, seria uma nova receita a ser adicionada na base dessas contribuições, uma vez que elas, quando despesas de captação, reduziram anteriormente essas bases, tendo a mesma natureza operacional da sua contrapartida. · Se não fosse esse o entendimento, teríamos aqui um verdadeiro descompasso na legislação tributária, dando margem a planejamentos tributários entre partes relacionadas, por exemplo: a empresa vinculada, devedora do empréstimo, após vários exercícios não efetuaria o pagamento dos juros transcorridos à sua credora vinculada, contabilizando no passivo as contrapartidas de despesa, reduzindo por anos as bases do PIS e da COFINS; depois, ao final de 5 anos das obrigações contabilizadas no passivo, receberia um perdão dos juros, finalizando o planejamento, com a não consideração da receita nova nas bases das contribuições. Situação essa, que seria um planejamento tributário digamos "perfeito", totalmente prejudicial ao Fisco, pois, mesmo que consiga descaracterizálo não poderia atuar para lançar as exações inadimplidas, uma vez que estas já estariam decaídas. · A depender do tipo de atividade empresarial constante do objeto social das instituições financeiras e suas equiparadas, determinadas receitas financeiras se enquadram no conceito de faturamento ou receita bruta para fins da exação das contribuições do PIS e da COFINS. · A base de cálculo da contribuição é o faturamento mensal, entendido como o valor da receita bruta da pessoa jurídica decorrente da venda de bens ou da prestação de serviços (art. 3o da Lei nº 9.718/98). · O art. 79, inciso XII, da Lei no 11.941/2009 revogou o §1° do art. 3o da Lei no 9.718/98, restringindo assim o conceito de receita bruta para fins de incidência da contribuição cumulativa. · As despesas financeiras de captação nas securitizadoras são operacionais, são da atividade empresarial típica constante do seu objeto social, concluindose que as correspondentes reversões dessas despesas, através do perdão de juros, também terão a mesma natureza de receitas financeiras de captação operacionais que se sujeitam às exações do PIS e da COFINS. Do Direito em Relação à Infração de n° 02 IRRF · Como relatado na descrição dos fatos, a contribuinte, embora tenha creditado no passivo os juros incorridos, vencidos : não pagos, não efetuou o recolhimento dos impostos retidos nos momentos da apropriação das despesas de juros relativo a empréstimos obtidos no exterior. · A hipótese de ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda na Fonte sobre a remessa de juros ao exterior tem situação prevista em lei para identificar o momento do fato gerador do Fl. 2403DF CARF MF Processo nº 16327.720552/201407 Acórdão n.º 2402005.720 S2C4T2 Fl. 5 7 IRRF no caso de remessa de juros para o exterior, in casu o art. 685 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999: Art. 685. Os rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, por fonte situada no País, a pessoa física ou jurídica residente no exterior, estão sujeitos à incidência na fonte (DecretoLei n 5.844, de 1943, art. 100, Lei nº 3.470, de 1958, art. 77, Lei nº 9.249, de 1995, art. 23, e Lei nº 9.779, de 1999, arts. 7ºe8º): (grifos nossos) I à alíquota de quinze por cento, quando não tiverem tributação específica neste Capítulo, inclusive: a)os ganhos de capital relativos a investimentos em moeda estrangeira; · Grifamos "creditados", uma vez que, se os juros vencidos forem creditados como obrigação no passivo, na data de vencimento contratual, mesmo não pagos, configurase a ocorrência do fato gerador do IRRF. · No art. 725 do RIR/99 é tratado a situação em que a base de rendimentos é reajustada em função do responsável pela retenção assumir o ônus do imposto, como é nesse caso: Art. 725. Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto, ressalvadas as hipóteses a que se referem os arts. 677 e 703, parágrafo único (Lei nº 4.154, de 1962, art.5º e Lei nº 8.981, de 1995, art. 63, §2º). · Quanto aos juros vencidos e não pagos, não resta dúvida da concretização da hipótese da ocorrência do fato gerador, definidas legalmente, bem como as relações advindas desta hipótese. · Em 2009, conforme descrição dos fatos acima, a fiscalizada mensalmente creditava no passivo os juros incorridos, vencidos e não pagos, portanto, sendo obrigada ao pagamento do Imposto de Renda na Fonte sobre os juros creditados, remetidos ou não. · O que caracteriza a incidência do IRRF é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica da renda por parte da credora, caracterizada com o crédito reconhecido pela devedora, a Libro, atualmente SCF, conforme disposto no art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador à aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; Fl. 2404DF CARF MF 8 de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. · Verificase que a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda na Fonte não está necessariamente vinculada á remessa dos rendimentos ao exterior, bastando que haja o crédito, conforme previsto no art.702 do RIR: Art. 702. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de quinze por cento, as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, por fonte situada no País, a título de juros, comissões, descontos, despesas financeiras e assemelhadas (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 100, Lei nº 3.470, de 1958, art. 77, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 28). · A Lei Ordinária enumerou uma tipologia de atos que geram a incidência do tributo (pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa), para definir, cada um deles como a aquisição da disponibilidade de renda, conforme previsto no art. 43 do CTN. · Pelo exposto, não restam dúvidas quanto à ocorrência do fato gerador do IRRF, cód. 0481, dos juros incorridos, vencidos e não pagos nos finais de trimestres de 2009, no contrato de empréstimo com a LBI Group Inc., e nos finais dos meses de 2009, no contrato de empréstimo junto a LBSF. [...] A contribuinte apresentou sua impugnação às folhas 1.553 a 1.608, acompanhada dos documentos de fls. 1.609 a 2.203, na qual, após uma síntese dos fatos, expõe suas razões de irresignação, [...] A DRJ, contudo, julgou a impugnação procedente em parte, conforme decisão acima ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 30/01/2009 a 31/12/2009 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. REMESSAS PARA O EXTERIOR. IMPOSTO CALCULADO TENDO COMO DATA DO FATO GERADOR A DATA DOS CRÉDITOS CONTÁBEIS. IMPOSSIBILIDADE. O fato gerador do imposto de renda na fonte, pelo crédito dos rendimentos, relacionase, necessariamente, com a aquisição da respectiva disponibilidade econômica ou jurídica. A hipótese de incidência exige que as importâncias sejam pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a beneficiários domiciliados no exterior, por fonte situada no País. Assim, para que ocorra o fato gerador do imposto de renda é necessário que exista renda e que esta esteja disponível, seja no sentido econômico ou jurídico. Por sua vez, Fl. 2405DF CARF MF Processo nº 16327.720552/201407 Acórdão n.º 2402005.720 S2C4T2 Fl. 6 9 disponibilidade significa que o dinheiro (disponibilidade econômica) ou o crédito (disponibilidade jurídica) esteja a disposição do credor, isto é, que estejam livres, sem condicionantes ou reservas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 17/12/2009 PIS. REGIME CUMULATIVO. REVERSÃO DE DESPESA DE CAPTAÇÃO. PERDÃO DE JUROS PASSIVOS. ART. 3º, §8º, DA LEI Nº 9.718/98. Para as pessoas jurídicas que tenham por objeto a securitização de crédito financeiro, cuja legislação autoriza a dedução da base de cálculo das despesas de captação, a reversão desta despesa, por ocasião do perdão da dívida, deve ser acrescida à receita bruta, no mês de sua reversão, para apurar a base de cálculo da contribuição para o PIS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 17/12/2009 COFINS. REGIME CUMULATIVO. REVERSÃO DE DESPESA DE CAPTAÇÃO. PERDÃO DE JUROS PASSIVOS. ART. 3º, §8º, DA LEI Nº 9.718/98. Para as pessoas jurídicas que tenham por objeto a securitização de crédito financeiro, cuja legislação autoriza a dedução da base de cálculo das despesas de captação, a reversão desta despesa, por ocasião do perdão da dívida, deve ser acrescida à receita bruta, no mês de sua reversão, para apurar a base de cálculo da contribuição para a COFINS. Diante do montante exonerado, a DRJ recorreu de ofício a este Conselho. A contribuinte foi intimada da decisão em 04 de março de 2015 (fl. 2230) e interpôs recurso voluntário em 02 de abril de 2015, o qual está fundamentado, basicamente, nas seguintes teses: 1. Ilegitimidade da cobrança referente ao PIS/COFINS; 2. Análise do fato gerador do PIS e COFINS: o perdão da dívida não é faturamento ou receita bruta, nos termos da Lei 9718/1998; 3. O posicionamento da jurisprudência de que perdão de dívida não integra a base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS: a jurisprudência administrativa é no sentido de que os valores registrados a título de perdão de dívida não integram a base de cálculo do PIS e COFINS; Fl. 2406DF CARF MF 10 4. A receita operacional típica das securitizadoras: o perdão de dívida não é receita operacional ou receita típica da recorrente; 5. Ausência de previsão legal para a tributação da reversão/recuperação de despesa de juros (perdão de dívida) impossibilidade de equiparar a tributação pelo IRPJ/CSLL à tributação do PIS/COFINS no presente caso: o fato gerador do IRPJ e da CSLL em nada se assemelha ao fato gerador do PIS e da COFINS; 6. Excesso na constituição do crédito tributário: deve ser excluída a incidência de juros sobre a parcela da multa aplicada. Em sessão realizada em 17 de agosto de 2016 (v. fls. 2362/2372), o julgamento do feito foi convertido em diligência, para que fossem tomadas as providências necessárias para desmembrar o presente processo administrativo, a fim de remanescer nesta Seção apenas o recurso de ofício (IRRF), remetendose à Seção competente o recurso voluntário (PIS/COFINS). Em 02/12/2016, foi efetuado o desmembramento (fl. 2379), mediante transferência dos débitos de PIS e COFINS para o processo nº 6151720.199/201678. Em 07/12/2016, a recorrente teve vistas dos autos (fl. 2396) e não apresentou manifestação. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 2407DF CARF MF Processo nº 16327.720552/201407 Acórdão n.º 2402005.720 S2C4T2 Fl. 7 11 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento Conforme relatado anteriormente, remanesce nestes autos apenas o recurso de ofício, interposto pela DRJ com base no art. 1º da Portaria MF nº 3/2008, mais precisamente porque a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo de crédito tributário superior a R$ 1.000.000,00. Em primeiro lugar, cumpre observar que a Portaria MF nº 63/2017 estabeleceu um novo limite para a interposição de tal recurso, elevando o aludido limite para R$ 2.500.000,00. Vejase: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Em segundo lugar, cabe destacar que a Súmula CARF nº 103 preleciona que o limite de alçada deve ser aferido na data de apreciação do recurso em segunda instância. Verbis: Súmula CARF nº 103 : Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Neste caso, observase que o crédito tributário alusivo ao IRRF, exonerado pela decisão a quo, ultrapassa a citada monta de R$ 2.500.000,00, de tal maneira que o recurso de ofício deve ser conhecido. 2 Do IRRF A controvérsia se restringe em saber se o registro contábil de juros devidos em empréstimo obtido no exterior, pelo sujeito passivo, caracteriza a disponibilidade econômica ou jurídica de rendas ou proventos, pelo credor, a fim de atrair a incidência do imposto de renda na fonte, ex vi do art. 685 do Regulamento do Imposto de Renda. Fl. 2408DF CARF MF 12 No entender da autoridade autuante, como o citado artigo emprega o vocábulo "creditados", o registro contábil dos juros caracterizaria a disponibilidade, de tal forma que deveria haver a incidência na fonte. Pois bem. O art. 153, inc. III, da Constituição Federal, ao outorgar à União a competência para instituir o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, indiretamente definiu a sua hipótese de incidência como sendo a ocorrência de um acréscimo patrimonial, resultante da obtenção de riqueza nova. Também definiu, indiretamente, o sujeito passivo como sendo o titular dessa riqueza. Singrando essa determinação Constitucional, o art. 43 do Código Tributário Nacional prevê a incidência do imposto de renda quando houver um efetivo acréscimo patrimonial, em decorrência da disponibilidade econômica ou jurídica de rendas (inc. I) ou proventos de qualquer natureza (inc. II). Da leitura da norma do art. 153, inc. III, da Constituição Federal, e do art. 43 do Código, facilmente se percebe que o imposto de renda somente pode incidir sobre a obtenção de uma riqueza nova. Quanto à incidência do imposto na fonte sobre a remessa de valores, por fonte situada no país, a pessoa física ou jurídica residente no exterior, o art. 685 do Regulamento do Imposto de Renda preleciona a sua ocorrência em caso de rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos. Vejase: Art. 685. Os rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, por fonte situada no País, a pessoa física ou jurídica residente no exterior, estão sujeitos à incidência na fonte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 100, Lei nº 3.470, de 1958, art. 77, Lei nº 9.249, de 1995, art. 23, e Lei nº 9.779, de 1999, arts. 7º e 8º): [...] Ora, é intuitivo que o mero registro contábil dos juros pelo devedor não implica a disponibilidade econômica ou jurídica pelo credor. Tal registro, aliás, pode ser feito à revelia da parte interessada. Expressandose de outra forma, o registro dessa despesa na contabilidade não quer dizer que os valores tenham sido realmente creditados, muito menos que haja renda efetiva e que ela esteja disponível ao credor. Por concordar com estes fundamentos da decisão recorrida (fls. 2225/2226), vale transcrevêlos, adotandoos como razões de decidir: Temse, a partir de uma interpretação sistêmica do ordenamento jurídico, que o significado dos verbos “pagos”, “creditados”, “entregues”, “empregados” ou “remetidos”, são atos (ação positiva) praticados pelo devedor (fonte pagadora dos rendimentos) em benefício do credor, de tal forma que os valores se tornem disponíveis ao credor, isto é, prontos para uso imediato, sem a necessidade da prática por terceiro de nenhum outro ato. Assim, na interpretação jurídica do termo “creditados”, devese levar em conta o disposto no art. 43 do Código Tributário Nacional, in verbis: Fl. 2409DF CARF MF Processo nº 16327.720552/201407 Acórdão n.º 2402005.720 S2C4T2 Fl. 8 13 [...] Destarte, para que ocorra o fato gerador do imposto de renda é necessário que exista renda e que esta esteja disponível, seja no sentido econômico ou jurídico. Por sua vez, disponibilidade significa que o dinheiro (disponibilidade econômica) ou o crédito (disponibilidade jurídica) esteja a disposição do credor, isto é, que estejam livres, sem condicionantes ou reservas. Diante da exposição acima, é notório que o registro de uma obrigação na contabilidade do devedor não faz nascer o fato gerador da obrigação de pagar o IRRF sobre rendimentos de juros de empréstimos contraídos no exterior. Para tal desiderato, fazse necessário que os valores se encontrem a disposição do credor, o que, no caso em concreto, não ocorreu. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, nos termos da fundamentação. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 2410DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 36266.007293/2005-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTOS. INEXISTÊNCIA OU NÃO. DEMONSTRAÇÃO.
Os embargos de declaração se prestam ao questionamento de omissão, contradição ou obscuridade em acórdão proferido pelo CARF. Ausentes esses pressupostos, os embargos de declaração devem ser rejeitados.
Numero da decisão: 2302-003.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar os Embargos de Declaração opostos para manter o Acórdão embargado, que pugnou pelo provimento parcial do recurso voluntário, para reconhecer a homologação tácita do crédito tributário, com fulcro no artigo 150 §4º, do Código Tributário Nacional.
João Bellini Júnior Presidente e redator ad hoc na data de formalização do acórdão.
EDITADO EM: 25/04/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Leo Meirelles do Amaral, Arlindo da Costa e Silva, Andre Luis Marsico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTOS. INEXISTÊNCIA OU NÃO. DEMONSTRAÇÃO. Os embargos de declaração se prestam ao questionamento de omissão, contradição ou obscuridade em acórdão proferido pelo CARF. Ausentes esses pressupostos, os embargos de declaração devem ser rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar os Embargos de Declaração opostos para manter o Acórdão embargado, que pugnou pelo provimento parcial do recurso voluntário, para reconhecer a homologação tácita do crédito tributário, com fulcro no artigo 150 §4º, do Código Tributário Nacional. João Bellini Júnior – Presidente e redator ad hoc na data de formalização do acórdão. EDITADO EM: 25/04/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Leo Meirelles do Amaral, Arlindo da Costa e Silva, Andre Luis Marsico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 26 6. 00 72 93 /2 00 5- 03 Fl. 405DF CARF MF 2 Relatório Conselheiro João Bellini Júnior Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato do conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, relator original, ter deixado os quadros do CARF antes da formalização do acórdão, estou procedendo à formalização na condição de redator ad hoc. Esclareço que em virtude de não ter sido localizada a minuta de voto do conselheiro originário, utilizo como base o registro da ata e/ou votos do mesmo conselheiro em processos similares. Feito o registro. Tratase de embargos de declaração da União, representada pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), que alegou: Analisando o inteiro teor da decisão, constatase que a e. Turma possui o entendimento de que a regra de contagem do prazo decadencial constante do art. 150, §4º do CTN é aplicada tão somente diante da existência de pagamento parcial das contribuições devidas. Por outro lado, a inexistência de pagamento parcial implica na utilização da regra de contagem constante do art. 173, I, do CTN. Contudo, o Colegiado não aplicou o prazo previsto no art. 173, I do CTN para as rubricas Ad rat 25 anos das competências 02, 03, 06 e 08 de 2000, onde não houve nem um ínfimo recolhimento, conforme aponta o discriminativo de fls. 13/15. Desse modo, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento do presente recurso para sanar a contradição acima exposta. É o relatório, Voto Conselheiro João Bellini Júnior Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato do conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, relator original, ter deixado os quadros do CARF antes da formalização do acórdão, estou procedendo à formalização na condição de redator ad hoc. Esclareço que em virtude de não ter sido localizada a minuta de voto do conselheiro originário, utilizo como base o registro da ata e/ou votos do mesmo conselheiro em processos similares. Feito o registro Os embargos devem ser rejeitados. A teor da Súmula CARF 99, “Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza Fl. 406DF CARF MF Processo nº 36266.007293/200503 Acórdão n.º 2302003.557 S2C3T2 Fl. 3 3 pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração”. Pois bem, o Relatório de Documentos Apresentados (RDA) registra a existência de guias da previdência social (GPS) para as competências 03, 06 e 08 de 2000 (e fls. 67 e 68). Os próprios demonstrativos citados pela embargante (efls. 14 a 16) também demonstram o pagamento de contribuições previdenciárias nos períodos considerados. Assim sendo, não há qualquer contradição, omissão ou obscuridade no acórdão embargado a possibilitar o acolhimento dos embargos de declaração. Conclusão Pelas razões retro, voto por rejeitar os Embargos de Declaração opostos para manter o Acórdão embargado, que pugnou pelo provimento parcial do recurso voluntário, para reconhecer a homologação tácita do crédito tributário, com fulcro no artigo 150 §4º, do Código Tributário Nacional. ASSIM VOTOU O CONSELHEIRO NA SESSÃO DE JULGAMENTO. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Redator ad hoc Fl. 407DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15956.720016/2014-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETOS. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF Nº 1.
1. A submissão da matéria ao órgão do Judiciário impede a sua apreciação pelo órgão judicante administrativo.
2. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTERESSE RECURSAL. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Não há interesse recursal do sujeito passivo em relação à multa, a qual não foi lançada pela fiscalização.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
A ação fiscal foi conduzida por servidor competente, que concedeu à recorrente os prazos legais para a apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos; o Auto de Infração foi devidamente motivado e foi concedido ao sujeito passivo o prazo legal para a formulação de impugnação; o Auto ainda contém clara descrição do fato gerador da obrigação, da matéria tributável, do montante do tributo devido, da identificação da contribuinte e das verbas aplicáveis; não houve nenhum prejuízo para os direitos de defesa e do contraditório da recorrente, que puderam ser exercidos na forma e no prazo legal.
LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. JUROS MORATÓRIOS. CABIMENTO.
É cabível a inclusão de juros moratórios nos lançamentos preventivos da decadência, sendo vedado apenas a incidência de multa de ofício.
Numero da decisão: 2402-005.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETOS. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF Nº 1. 1. A submissão da matéria ao órgão do Judiciário impede a sua apreciação pelo órgão judicante administrativo. 2. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTERESSE RECURSAL. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não há interesse recursal do sujeito passivo em relação à multa, a qual não foi lançada pela fiscalização. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A ação fiscal foi conduzida por servidor competente, que concedeu à recorrente os prazos legais para a apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos; o Auto de Infração foi devidamente motivado e foi concedido ao sujeito passivo o prazo legal para a formulação de impugnação; o Auto ainda contém clara descrição do fato gerador da obrigação, da matéria tributável, do montante do tributo devido, da identificação da contribuinte e das verbas aplicáveis; não houve nenhum prejuízo para os direitos de defesa e do contraditório da recorrente, que puderam ser exercidos na forma e no prazo legal. LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. JUROS MORATÓRIOS. CABIMENTO. É cabível a inclusão de juros moratórios nos lançamentos preventivos da decadência, sendo vedado apenas a incidência de multa de ofício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETOS. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF Nº 1. 1. A submissão da matéria ao órgão do Judiciário impede a sua apreciação pelo órgão judicante administrativo. 2. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTERESSE RECURSAL. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não há interesse recursal do sujeito passivo em relação à multa, a qual não foi lançada pela fiscalização. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A ação fiscal foi conduzida por servidor competente, que concedeu à recorrente os prazos legais para a apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos; o Auto de Infração foi devidamente motivado e foi concedido ao sujeito passivo o prazo legal para a formulação de impugnação; o Auto ainda contém clara descrição do fato gerador da obrigação, da matéria tributável, do montante do tributo devido, da identificação da contribuinte e das verbas aplicáveis; não houve nenhum prejuízo para os direitos de defesa e do contraditório da recorrente, que puderam ser exercidos na forma e no prazo legal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 72 00 16 /2 01 4- 24 Fl. 508DF CARF MF 2 LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. JUROS MORATÓRIOS. CABIMENTO. É cabível a inclusão de juros moratórios nos lançamentos preventivos da decadência, sendo vedado apenas a incidência de multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 509DF CARF MF Processo nº 15956.720016/201424 Acórdão n.º 2402005.765 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Inicialmente, adotase parte do relatório da decisão recorrida: Tratase de Impugnação em resistência ao Auto de Infração – AI DEBCAD: 51.052.8031, no valor total de R$ 9.729.004,11 – referente às Contribuições devidas pela empresa (2%) e às Contribuições para o financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa decorrentes dos Riscos Ambientais do Trabalho (0,1%), lançadas a partir de três Levantamentos: 1 RURAL PF 0008, 2 RURAL PF 0010 e 3 RURAL PF 0011. Noticia, em síntese, o Relatório Fiscal, fls. 21/22, que: “Tratase de empresa cuja atividade econômica se enquadra como frigorífico (abate de bovinos e suínos) e comércio atacadista de carnes bovinas, suínas e derivados. A produção rural (bovinos e suínos) foi adquirida de produtores rurais pessoas físicas para a industrialização” “A base de cálculo das contribuições sociais devidas pelo produtor rural é o valor da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção”. “A responsabilidade pelo recolhimento das contribuições incidentes sobre a comercialização da produção rural é da empresa adquirente, na condição de subrogada nas obrigações do produtor rural pessoa física. Na condição de subrogada a empresa é diretamente responsável pelo recolhimento das contribuições devidas pelo produtor rural pessoa física. Estas contribuições devidas não foram recolhidas e não foram arrecadadas pela empresa mediante descontos nos pagamentos referentes aos valores dos fornecimentos da produção rural”. A receita bruta da comercialização da produção rural foi verificada “na empresa fiscalizada, através de seus ‘Lançamento Contábeis’ e apurados através de suas ‘Notas Fiscais de Entradas, Próprias e Não Canceladas”. Segundo a peça fiscal as Contribuições devidas pela “Comercialização da Produção – Pessoa Física” não foram informadas em GFIP. Em sua Impugnação, fls. 426/441, a Interessada, por meio de seu advogado, fl. 443, alega, em síntese, que: “Entende o impugnante que o auto de infração apresenta vício insanável o que determina seja decretada sua nulidade em observância ao art. 37 da Lei 8.212/81 c/c inciso III, do art. 11 do Decreto nº 70.235/72”. Fl. 510DF CARF MF 4 Defende a inconstitucionalidade dos incisos I e II, do artigo 25 da Lei 8.212/91 e da Lei 10.256/2001, conforme julgamento do STF no Recurso Extraordinário 363.852/MG. Informa também que “o Impugnante ajuizou Ação Declaratória em face da União, distribuída sob nº 000274905.2013.4.01.3901, com trâmite perante a 2ª Vara Federal de Marabá/PA, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos incisos I e II, do art. 25 da Lei 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal”. “Na ação supracitada foi proferida sentença de mérito que julgou procedente o pedido do impugnante”. Reafirma que “o fato gerador e a base de cálculo do FUNRURAL continuaram inconstitucionais, mesmo após a vigência da Lei 10.256/01”, já que nesta Lei não há previsão de qual seria a base de cálculo, a alíquota ou o fato gerador do tributo. Portanto, também é inconstitucional a subrogação dos adquirentes de produtos comercializados pelos produtores rurais pessoas físicas, com base no artigo 30, IV da Lei 8.212/91. Assevera que, no presente caso, a aplicação da multa e dos juros de mora são incabíveis, em razão da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do inciso V do art. 151 do Código Tributário Nacional – CTN. Requer o cancelamento da autuação fiscal, a nulidade do Auto de Infração e a insubsistência da cobrança da multa e juros. A DRJ julgou a impugnação improcedente, conforme decisão que pode ser resumida nos seguintes termos: Preambularmente, observase a inexistência de nulidade do Auto de Infração que compõe o presente processo, pois o procedimento fiscal foi realizado por agente competente, AuditorFiscal da Receita Federal, e sem preterição do direito de defesa da Impugnante art. 59, Decreto 70.235/72. [...] Observase a identidade de partes e de objeto, pois tanto no processo judicial como no administrativo o debate gira em torno dos mesmos dispositivos legais art. 25, I e II c/c art. 30, IV, da Lei nº 8.212/91. [...] Chamase atenção para o fato de que no Auto de Infração, DEBCAD 51.052.8031, não foi lançada nenhuma multa, apenas juros. Este procedimento se reputa correto, pois no caso sob exame, tratase de lançamento para prevenir a decadência, relativo a tributo cuja exigibilidade esteja suspensa por antecipação de tutela. A contribuinte foi intimada da decisão por meio eletrônico em 22/12/2015 (fl. 493) e interpôs recurso voluntário em 21/01/2016 (fls. 496/502), no qual deduziu as seguintes teses: Fl. 511DF CARF MF Processo nº 15956.720016/201424 Acórdão n.º 2402005.765 S2C4T2 Fl. 4 5 a) Nulidade do Auto de Infração: a fundamentação legal foi genérica, não sendo possível ao contribuinte identificar qual o dispositivo legal infringido; b) Impossibilidade de aplicação da multa e dos juros de mora: (i) em razão do disposto no inc. V do art. 151 do CTN, não é possível a aplicação de multa moratória; (ii) se o tributo não pode ser cobrado, não se pode dizer que o contribuinte se encontra em mora; (iii) sendo a cobrança do Funrural inconstitucional, não podem ser cobrados os juros respectivos. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 512DF CARF MF 6 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento Farseá a apreciação do recurso voluntário, visto que interposto no prazo legal, o que não significa que será totalmente conhecido. 1.1 DA CONCOMITÂNCIA, DA ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E DO QUESTIONAMENTO ACERCA DA MULTA A argumentação segundo a qual o Funrural é inconstitucional, de forma que não podem ser cobrados os juros respectivos, não deve ser conhecida. Como bem frisado pela decisão a quo, o sujeito passivo ajuizou em face da União Fazenda Nacional ação ordinária para declarar a inexistência de relação jurídico tributária que o obrigasse ao recolhimento das contribuições em referência, sendo inteiramente aplicável o verbete sumular CARF nº 1: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Acrescentese, como razões de decidir, os seguintes fundamentos da decisão atacada: Observase a identidade de partes e de objeto, pois tanto no processo judicial como no administrativo o debate gira em torno dos mesmos dispositivos legais art. 25, I e II c/c art. 30, IV, da Lei nº 8.212/91. Logo, não deve ser conhecida a alegação de que o Funrural é inconstitucional e de que não são devidos juros por esse fundamento. Outra fundamentação que não deve ser conhecida é aquela atinente à multa. Com efeito, e conforme se vê à fl. 2, a fiscalização lançou apenas o principal e os juros, já que o lançamento foi meramente preventivo da decadência (v. fl. 21), tendo se afirmado, de forma categórica, o não "lançamento da multa de ofício" (fl. 21). Em sendo assim, a recorrente não tem interesse recursal nesse tocante, não devendo ser conhecida tal alegação. Fl. 513DF CARF MF Processo nº 15956.720016/201424 Acórdão n.º 2402005.765 S2C4T2 Fl. 5 7 2 Da nulidade do Auto de Infração Ao contrário do que alegou a recorrente, a fundamentação legal do Auto de Infração não foi genérica. Isso porque a ação fiscal foi conduzida por servidor competente, que concedeu à recorrente os prazos legais para a apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos; o Auto de Infração foi devidamente motivado e foi concedido ao sujeito passivo o prazo legal para a formulação de impugnação; o Auto ainda contém clara descrição do fato gerador da obrigação, da matéria tributável, do montante do tributo devido, da identificação da contribuinte e dos juros aplicáveis; não houve nenhum prejuízo para os direitos de defesa e do contraditório da recorrente, que puderam ser exercidos na forma e no prazo legal. Dito de outra forma, negase provimento ao recurso neste ponto. 3 Da impossibilidade de aplicação de multa e juros Diferentemente do que sustenta a recorrente, são cabíveis os juros moratórios no presente lançamento. Conforme já decidido pelo colendo Superior Tribunal de Justiça, "o art. 63, caput e § 2º, da Lei 9.430/96 afasta tão somente a incidência de multa de ofício no lançamento tributário destinado a prevenir a decadência na hipótese em que o crédito tributário estiver com sua exigibilidade suspensa por força de medida liminar concedida em mandado de segurança ou em outra ação ou de tutela antecipada"1. Isto é, a lei veda a incidência da multa de ofício, mas não dos juros moratórios, o mesmo se podendo afirmar em relação à Súmula CARF nº 17: Súmula CARF n° 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Com apoio na doutrina, cabe acrescentar que: A liminar tem natureza precária, por conta e risco do Impetrante, garantindo os atos praticados enquanto em vigor, apenas no caso de ser confirmada, ao final, pela decisão meritória de última instância. A sua revogação é, pois, dotada de eficácia ex tunc, sempre projetando efeitos retroativos à data em que foi deferida. 2 Tais observações, atinentes à liminar em mandado de segurança, são aplicáveis, mutatis mutandis, às liminares ou tutelas antecipadas concedidas em outras espécies de ações judiciais. 1 EREsp 839.962/MG, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27/02/2013, DJe 24/04/2013 2 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10. ed. rev. atual. Porto Alegre: Livraria do Advogado; ESMAFE, 2008, p. 1035. Fl. 514DF CARF MF 8 Logo, o recurso deve ser desprovido neste ponto. 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER PARCIALMENTE do recurso voluntário para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 515DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.903915/2009-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Exercício: 2006
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL DE CSLL. PROVA.
Restou comprovado nos autos o equívoco na determinação do valor devido de estimativa mensal de CSLL, que as retificações de DIPJ e DCTF ocorreram antes do despacho decisório que analisou a compensação declarada, e que o contribuinte não buscou duplo benefício por ocasião do ajuste anual do tributo. Em tais condições, deve ser reconhecido o direito creditório por pagamento a maior, correspondente à diferença entre o recolhimento em DARF e o valor de estimativa efetivamente devido.
Numero da decisão: 1301-002.253
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Exercício: 2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL DE CSLL. PROVA. Restou comprovado nos autos o equívoco na determinação do valor devido de estimativa mensal de CSLL, que as retificações de DIPJ e DCTF ocorreram antes do despacho decisório que analisou a compensação declarada, e que o contribuinte não buscou duplo benefício por ocasião do ajuste anual do tributo. Em tais condições, deve ser reconhecido o direito creditório por pagamento a maior, correspondente à diferença entre o recolhimento em DARF e o valor de estimativa efetivamente devido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
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ARRENDAMENTO MERCANTIL) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL DE CSLL. PROVA. Restou comprovado nos autos o equívoco na determinação do valor devido de estimativa mensal de CSLL, que as retificações de DIPJ e DCTF ocorreram antes do despacho decisório que analisou a compensação declarada, e que o contribuinte não buscou duplo benefício por ocasião do ajuste anual do tributo. Em tais condições, deve ser reconhecido o direito creditório por pagamento a maior, correspondente à diferença entre o recolhimento em DARF e o valor de estimativa efetivamente devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 39 15 /2 00 9- 72 Fl. 233DF CARF MF Processo nº 16327.903915/200972 Acórdão n.º 1301002.253 S1C3T1 Fl. 234 2 Relatório SANTANDER LEASING S/A ARRENDAMENTO MERCANTIL (nova denominação de REAL LEASING S.A. ARRENDAMENTO MERCANTIL), já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito, em parte. Trata o presente processo da declaração de compensação nº 22215.82774.120106.1.3.04.9384, de pagamento de CSLL, código de receita 2469, relativo a fevereiro de 2005, no valor de R$ 712.747,72, com débito de Cofins. Em 20/04/2009 (fls. 16) foi emitido despacho decisório que não homologou a compensação declarada com base nos seguintes fundamentos: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 288.881,11 Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (1RPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.” Reproduzo quadro do despacho decisório em que são demonstradas as características do pagamento utilizado como direito creditório e sua utilização: A contribuinte protocolou manifestação de inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, o seguinte: [...] Em resposta à intimação1 a impugnante alega o seguinte: 1 Diligência determinada pelo Julgador em primeira instância Resolução nº 16.000.324, fls. 36/39. Nota do Relator de segunda instância. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 16327.903915/200972 Acórdão n.º 1301002.253 S1C3T1 Fl. 235 3 a) Na sistemática de apuração da base de cálculo da CSLL via balanço/balancete suspensão ou redução, as pessoas jurídicas referidas no art. 1º da MP nº 2.15835/2001, poderiam optar por escriturar em seu ativo, como crédito compensável com débitos de CSLL, o valor de 18% sobre a soma da base de cálculo negativa e de valores adicionados temporariamente ao Lucro Líquido. b) A matéria crédito de CSLL 18% art. 8º da MP 2.15835/2001, foi auditada pela Receita Federal, por intermédio do RPF nº 08.1.66.00.2008.0005080, conduzido pelo AFRFB Dorival Bertaglia (SIPE nº 27.942), que foi concluído sem qualquer apontamento quanto à constituição do crédito e sua amortização/consumo. c) A justificativa para o erro de fato cometido, que ensejou o recolhimento a maior de DARF, competência março/2005, foi a ausência do cômputo da dedução mensal do crédito de CSLL a 18% MP 2.15835/2001, na apuração da base de cálculo da CSLL, conforme ficha 16 da DIPJ 2006/2005. d) Analisando a DIPJ e o relatório gerencial “Demonstração da Contribuição Social – 2005, verificase que não há inconsistência na apuração da base de cálculo da CSLL, mas tão somente a ausência de dedução mensal de R$ 156.380,15, que totalizado no período de janeiro a fevereiro/2005 corresponde a R$ 411.997,10.. e) Com o objetivo de demonstrar a liquidez e certeza do crédito tributário anexamos o balancete CADOC Bacen 4010 de fev/2005. Salientamos que assim que recebermos o razão contábil juntaremos no presente processo. A 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 1654.023, de 09/01/2014 (fls. 73/79), indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/03/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Ciente da decisão de primeira instância em 28/02/2014, conforme documento de fl. 87, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 18/03/2014 (registro de recepção à fl. 89, razões de recurso às fls. 90/106). Após historiar os fatos, sob sua ótica, a interessada aduz argumentos que podem ser sintetizados como segue, conforme os tópicos da peça recursal: · Da possibilidade de compensação do recolhimento a maior ou indevido no próprio ano calendário. A recorrente aduz razões sobre essa matéria (embora já superada pela decisão de primeira instância). · Do crédito tributário apurado conforme o artigo 8º da MP nº 1.807/1999 (reeditada pela MP nº 2.15835/2001) e de sua contabilização pela recorrente. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 16327.903915/200972 Acórdão n.º 1301002.253 S1C3T1 Fl. 236 4 A recorrente reafirma seu direito ao crédito em referência; sustenta ser exatamente essa a origem da diferença entre a base de cálculo que deu origem ao recolhimento original (sem o cômputo do crédito) e a base de cálculo do valor efetivamente devido (com o cômputo do crédito); afirma que contabilizou o crédito em seu ativo na conta 1.8.8.25.208 (conforme razão contábil, que anexa); lembra que a Receita Federal possui o controle dos créditos recuperáveis no SAPLI e que essa matéria teria sido auditada pela Receita Federal (RPF nº 08.1.66.00.2008.0005080) e homologada sem qualquer apontamento de sua utilização. Conclui este tópico como segue (grifo no original): Com efeito, agiu corretamente a Recorrente ao deduzir o crédito recuperável de que trata o artigo 8º da MP nº 2.15835/2001, no percentual máximo de 30%, do valor a título de CSLL apurado para o mês de fevereiro de 2005, com base em balancetes de suspensão e redução. A este propósito, insta esclarecer que a Recorrente apurou em fevereiro de 2005 um saldo devedor de CSLL correspondente a R$ 1.373.323,66 conforme evidencia a DIPJ do anocalendário de 2005 (Doc. 05) e demais documentos contábeis acostados aos autos (balancete e descritivo contábil). E, para promover a recuperação do crédito de CSLL a que alude a MP nº 2.15835/2001 ela aplicou sobre este saldo devedor o percentual de 30%, do que resultou o valor a ser deduzido de R$ 411.997,09, o qual foi devidamente imputado pela Recorrente em sua DIPJ retificadora do anocalendário de 2005. · Da correta apuração da estimativa mensal de CSLL de fevereiro de 2005 e da dedução da parcela do crédito de CSLL a 18% MP 2.158/35/2001. A recorrente busca comprovar a correção do valor de estimativa de CSLL de fevereiro/2005, R$ 364.887,02, e não o valor inicialmente declarado de R$ 712.747,72. Para tanto, faz referência aos documentos dos autos e à decisão recorrida. Demonstra os cálculos no quadro à fl. 104. Ao final, afirma que colacionou aos autos a “íntegra do Razão do Ativo onde se pode apurar o crédito e a baixa do valor utilizado para compensar a CSLL de Fevereiro de 2005 no montante de R$ 411.997,09”. Tem, assim, por comprovada a regularidade de seus procedimentos e a existência de recolhimento a maior, conforme consta da DCOMP. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Gira a lide em torno do alegado direito creditório, a ser utilizado em compensação tributária, no montante de R$ 411.997,09, correspondente à diferença entre o Fl. 236DF CARF MF Processo nº 16327.903915/200972 Acórdão n.º 1301002.253 S1C3T1 Fl. 237 5 valor recolhido em DARF (R$ 712.747,72) e o valor da estimativa mensal de CSLL do mês de fevereiro de 2005. Sustenta a recorrente que o valor correto da estimativa seria R$ 364.887,02. Por outro lado, o total originalmente declarado em DCTF foi de exatos R$ 712.747,72, posteriormente retificado para R$ 364.887,02. A questão em discussão, como se vê, é qual seria o correto valor da estimativa de CSLL de fevereiro de 2005. Inicialmente, foi negada homologação à compensação declarada, ao fundamento de que estimativas somente poderiam ser objeto de aproveitamento ao final do anocalendário, por ocasião do ajuste anual. Não se procedeu, naquele momento, a qualquer análise mais aprofundada do direito creditório, sendo a preliminar suficiente para a decisão então tomada. Essa preliminar foi superada já em primeira instância. A questão é atualmente pacífica, tanto no âmbito da Receita Federal quanto neste CARF, cabendo lembrar a Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Nesta fase processual, não há mais qualquer litígio a esse respeito. No entanto, superada a questão preliminar ainda em primeira instância, a autoridade julgadora a quo avançou na análise do direito creditório, o que entendo correto. O reconhecimento do direito creditório para fins de homologação impõe o exame minucioso por parte da autoridade administrativa, não residindo aí qualquer nulidade. A realização de diligência evidenciou a origem da diferença entre o valor da CSLL originalmente apurado pela contribuinte (R$ 712.747,72) e aquele a seguir tido por ela própria como correto (R$ 364.887,02). Tratase, supostamente, do abatimento de crédito com base no art. 8º da Medida Provisória nº 2.15835/2001, a seguir transcrito. Art.1o A alíquota da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor PúblicoPIS/PASEP, devida pelas pessoas jurídicas a que se refere o § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, fica reduzida para sessenta e cinco centésimos por cento em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999. [...] Art.8o As pessoas jurídicas referidas no art. 1o, que tiverem base de cálculo negativa e valores adicionados, temporariamente, ao lucro líquido, para efeito de apuração da base de cálculo da CSLL, correspondentes a períodos de apuração encerrados até 31 de dezembro de 1998, poderão optar por escriturar, em seu ativo, como crédito compensável com débitos da mesma contribuição, o valor equivalente a dezoito por cento da soma daquelas parcelas. §1o A pessoa jurídica que optar pela forma prevista neste artigo não poderá computar os valores que serviram de base de cálculo do referido crédito na determinação da base de cálculo da CSLL Fl. 237DF CARF MF Processo nº 16327.903915/200972 Acórdão n.º 1301002.253 S1C3T1 Fl. 238 6 correspondente a qualquer período de apuração posterior a 31 de dezembro de 1998. §2o A compensação do crédito a que se refere este artigo somente poderá ser efetuada com até trinta por cento do saldo da CSLL remanescente, em cada período de apuração, após a compensação de que trata o art. 8o da Lei no 9.718, de 1998, não sendo admitida, em qualquer hipótese, a restituição de seu valor ou sua compensação com outros tributos ou contribuições, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. §3o O direito à compensação de que trata o § 2o limitase, exclusivamente, ao valor original do crédito, não sendo admitido o acréscimo de qualquer valor a título de atualização monetária ou de juros. O art. 1º, acima, faz menção ao § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212/1991: eis o referido § 1º (grifo não consta do original): § 1o No caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições referidas neste artigo e no art. 23, é devida a contribuição adicional de dois vírgula cinco por cento sobre a base de cálculo definida nos incisos I e III deste artigo.(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).(Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). A interessada, de fato, exerce atividade de arrendamento mercantil, encaixandose, hipoteticamente, na situação acima. E digo hipoteticamente porque há que se comprovar que possuía bases negativas de CSLL e valores adicionados, temporariamente, à base de cálculo dessa contribuição em períodos de apuração até 31/12/1998, e que, além disso, optou pelo crédito do art. 8º da MP 2.15835/2001, escriturandoo em seu ativo. A Turma Julgadora em primeira instância considerou insuficientes os esclarecimentos e os documentos acostados aos autos, afirmando ainda faltarem “elementos da escrituração contábil e fiscal da contribuinte para demonstrar claramente a existência do direito creditório pleiteado”. Em sede recursal, a interessada reafirma seus argumentos e pleiteia o reconhecimento do alegado indébito. Cabe aqui um parêntese. O presente processo discute direito creditório por alegado pagamento a maior de estimativa de CSLL de fevereiro de 2005, no valor de R$ 411.997,09. Esses são rigorosamente os mesmos direito creditório e valor discutidos nos autos do processo administrativo nº 16327.903765/200905, julgado por este Colegiado nesta mesma sessão de julgamento. É comum, em tais casos, que as declarações de compensação sejam reunidas em um único processo administrativo. Por razões que não cabe aqui perquirir, isso não Fl. 238DF CARF MF Processo nº 16327.903915/200972 Acórdão n.º 1301002.253 S1C3T1 Fl. 239 7 ocorreu neste caso. Ademais, houve uma diferença na instrução processual, fazendo com que no processo nº 16327.903765/200905 tenham sido juntados pela unidade preparadora documentos às fls. 75/118 relevantes para a decisão, como se há de verificar, documentos esses que deixaram de ser juntados a este processo. Por se tratar do mesmo crédito, não há como proferir decisões diferentes, muito menos se há de ignorar documentos que constam do outro processo recémjulgado e são, portanto, do conhecimento deste Colegiado. Nos parágrafos seguintes farei referência a documentos de ambos os processos, especificando, quando for o caso, tratarse do processo nº 16327.903765/200905. Em primeiro lugar, devese ressaltar que se cuida, aqui, de estimativa mensal da CSLL. As estimativas são valores cujo recolhimento é obrigatório, nos termos e limites estabelecidos em lei, mas que não são, ainda, a expressão do tributo efetivamente devido ao final do período de apuração anual. Os valores de estimativas efetivamente pagos serão levados ao ajuste anual, a reduzir o valor devido apurado nesse ajuste. Tendo isso em mente, é de se verificar qual foi o valor de estimativa da CSLL de fevereiro/2005 levado ao ajuste pela interessada. O exame da DIPJ (fls. 752 e segs., ND 1397384, entregue em 25/08/2007) revela que o valor de CSLL mensal paga por estimativa foi de R$ 4.158.337,97 (Ficha 17, Linha 52, fl. 803). Esse valor corresponde (a menos de centavos) ao somatório dos débitos declarados em DCTF a cada mês, conforme DCTFs retificadoras às fls. 81/994. Ademais, para o mês de fevereiro/2005, o débito de R$ 364.887,02 também corresponde ao valor da Linha 11, Ficha 16, à fl. 765. Com isso, é possível concluir que a interessada não buscou se beneficiar, no ajuste anual, da diferença aqui pleiteada como indébito de estimativa mensal. Em outras palavras, não ocorreu a tentativa de duplo benefício. Essa constatação também foi esposada pelo AuditorFiscal que empreendeu a diligência determinada pelo julgador a quo, no despacho de fl. 1186, verbis: [...] Ademais, conforme informações extraídas dos sistemas da RFB, constatase que o direito creditório em questão, decorrente da estimativa paga a maior, não foi utilizado para formação do Saldo Negativo da CSLL do ano calendário de 2005, [...] Indo adiante, constatase que a declaração de compensação sob exame foi transmitida em 12/01/2006 (fl. 18), que a DIPJ retificadora do anocalendário 2005 foi transmitida em 25/08/2007 (fl. 757) e que a DCTF retificadora de fevereiro/2005 foi transmitida em 09/04/2007 (fl. 26). Em todos esses documentos o valor da estimativa mensal de CSLL de fevereiro é de R$ 364.887,02. Todos esses documentos são anteriores ao Despacho Decisório, prolatado em 20/04/2009 (fl. 16) que negou homologação à compensação. Avançando quanto ao mérito da questão, propriamente, não há qualquer litígio acerca da base de cálculo da estimativa de CSLL em fevereiro/2005, nem sobre o valor da CSLL apurada, conforme Linhas 01 e 02 da Ficha 16 da DIPJ (fl. 768). A diferença aqui pleiteada como pagamento a maior (R$ 411.997,09) está discriminada na linha 03 como 2 Processo nº 16327.903765/200905. 3 Processo nº 16327.903765/200905. 4 Processo nº 16327.903765/200905. 5 Processo nº 16327.903765/200905. 6 Processo nº 16327.903765/200905. 7 Processo nº 16327.903765/200905. 8 Processo nº 16327.903765/200905. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 16327.903915/200972 Acórdão n.º 1301002.253 S1C3T1 Fl. 240 8 Recuperação de Crédito de CSLL (MP nº 1.807/1999, art. 8º). E também aqui as evidências são favoráveis à recorrente. Ressaltese que no despacho de fl. 1189, o AuditorFiscal é expresso ao declarar que: Ademais, [...] , assim como a parcela referente à recuperação de crédito da CSLL a que alude o art. 8º da MP nº 1.807/99 encontrase controlada no SAPLI Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da CSLL. O mencionado demonstrativo do SAPLI está às fls. 114/11610, restando claro o registro do crédito em questão desde o anocalendário 1999, com a recuperação ano a ano de partes do total, inclusive no ano de 2005. Observo, por relevante, que não se trata neste processo de validar a existência do crédito, o que demandaria procedimento específico de auditoria fiscal. Aqui, o relevante é a constatação de que a interessada não alterou a base de cálculo nem a CSLL apurada em fevereiro/2005. No entanto, em um primeiro momento, deixou de considerar o crédito do art. 8º. Em um segundo momento revisou seus cálculos, abatendo da CSLL apurada a parcela do crédito que considerava cabível, caracterizando, desta forma, um pagamento a maior de estimativa, objeto da declaração de compensação. Ressalto, por relevante, que as DIPJ e DCTF retificadoras foram apresentadas muito antes do Despacho Decisório sobre a DCOMP. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório declarado na DCOMP, devendo ser homologados os débitos declarados até o limite do direito creditório reconhecido. Registro que se trata do mesmo direito creditório objeto do processo administrativo nº 16327.903765/200905. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha 9 Processo nº 16327.903765/200905. 10 Processo nº 16327.903765/200905. Fl. 240DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.722701/2010-25
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2006 a 31/12/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 27 01 /2 01 0- 25 Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10680.722701/201025 Acórdão n.º 9202004.834 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10680.722701/201025 Acórdão n.º 9202004.834 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10680.722701/201025 Acórdão n.º 9202004.834 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10680.722701/201025 Acórdão n.º 9202004.834 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10680.722701/201025 Acórdão n.º 9202004.834 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10680.722701/201025 Acórdão n.º 9202004.834 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10680.722701/201025 Acórdão n.º 9202004.834 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10680.722701/201025 Acórdão n.º 9202004.834 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10680.722701/201025 Acórdão n.º 9202004.834 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 251DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.002916/2003-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2802-000.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 16/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 16/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2002, anocalendário 2001, decorrente da apuração de omissão de rendimentos representada pela alteração dos rendimentos tributáveis de R$12.050,00 para R$65.202,20 e computo do desconto simplificado pelo valor máximo (R$8.000,00). A autoridade fiscal descreveu que os rendimentos foram considerados tributáveis porque não são rendimentos de aposentadoria ou pensão, tendo sido deduzidos os honorários advocatícios. Na impugnação foi alegada a nulidade do lançamento por não ter sido demonstrada a origem da alteração da base de cálculo no valor de R$53.152,20, e , no mérito, a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .0 02 91 6/ 20 03 -8 4 Fl. 506DF CARF MF Processo nº 15374.002916/200384 Resolução nº 2802000.166 S2TE02 Fl. 438 2 improcedência do lançamento porque o imposto deve ser calculado segundo as alíquotas vigentes nas épocas em que os rendimentos deveriam ter sido pagos, assim como reconhecido na ação trabalhista que deu origem aos rendimentos, e não sobre o valor total pago no momento da efetiva disponibilidade. A Delegacia de Julgamento rejeitou a preliminar sob o fundamento de que, embora não expressa em planilha de cálculos, a importância apurada pela fiscalização fora extraída dos documentos oferecidos pela própria interessada no decorrer da ação fiscal, sendo possível inferir o valor da omissão de rendimentos, tal como demonstrado no acórdão recorrido às fls. 392, e que os autos demonstram que pela razões despendidas pela impugnante não houve qualquer prejuízo à defesa. No mérito, o acórdão recorrido considerou que a forma de cálculo do valor da retenção foi uma ordem à fonte pagadora e não obriga a União que sequer foi cientificada ou chamada a intervir, sendo correta a tributação dos rendimentos pagos de forma acumulada com base no art. 12 da Lei 7.713/1988 (art. 56 do RIR1999). Ciência do acórdão em 05/11/2007. A peça recursal apresentada em 26/11/2007 amparase na alegação de que o imposto de renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de ação trabalhista devem ser calculados com observação dos valores históricos e das tabelas e alíquotas vigentes na épocas a que tais rendimentos se referem, o que encontra apoio no art. 116, I e art. 144 do CTN e em jurisprudência trabalhista. É o relatório. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Da leitura do fundamento do acórdão recorrido e da peça recursal, verificase que o litígio está restrito à forma de tributação dos rendimentos recebidos de forma acumulada em virtude de ação trabalhista. A planilha que discrimina as competências trabalhistas encontrase às fls. 296 e ss. Considerando que o Supremo Tribunal Federal admitiu a existência de repercussão geral quanto a essa matéria, e que o mérito será julgado nos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406, ainda pendentes de julgamento e com expressa decisão do e. STF de sobrestar os demais julgamento, é o caso de sobrestar o presente julgamento, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 586/2010 c/c Portaria CARF nº 01/2012. Vejamos: RE 614406 AgRQORG / RS RIO GRANDE DO SULREPERCUSSÃO GERAL NA QUESTÃO DE ORDEM NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 20/10/2010 Ementa TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS Fl. 507DF CARF MF Processo nº 15374.002916/200384 Resolução nº 2802000.166 S2TE02 Fl. 439 3 ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. (grifos acrescidos). Diante do exposto, suscito o sobrestamento do julgamento até julgamento da matéria pelo Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 508DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.724147/2011-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2009
COFINS. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO PREVISTA NO PARÁGRAFO 1º DO ARTIGO 3º DA LEI 9718/98. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO EM CASO CONCRETO DO CONTRIBUINTE. INTERPRETAÇÃO DO ENTENDIMENTO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
O conjunto das decisões existentes, proferidas pelo STF, evidencia que a Corte Constitucional não se pronunciou quanto ao alcance concreto, em relação às instituições financeiras, da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e que, diante do impasse de definir se tal entendimento implicaria em retirar do conceito de faturamento das instituições financeiras as receitas financeiras auferidas por estas instituições, o Plenário entendeu pela necessidade de reconhecer a Repercussão Geral da questão, em recurso que ainda aguarda julgamento de mérito (RE 346084, DJ 01/09/2006; RE 585235 QO-RG, DJe-227 28/11/2008; RE 527602, DJe-213 13/11/2009; RE 609096 RG, DJe-080 02/05/2011).
Resta claro que ainda será definido pelo STF qual o alcance concreto da referida declaração de inconstitucionalidade em relação às instituições financeiras, de maneira que não configura violação da coisa julgada a tarefa empreendida pela Administração Tributária de pesquisar e definir qual deve ser o alcance do conceito de receita da venda de bens e serviços em relação aos bancos.
Diante, pois, da falta de definição pelo próprio STF, é plausível a interpretação de que a receita da venda de bens e serviços em relação aos bancos deve abranger as receitas financeiras decorrentes das atividades desenvolvidas por estas instituições no mercado financeiro, na qualidade ampla de serviços financeiros.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3403-003.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Antonio Carlos Atulim acompanharam o Relator pelas conclusões, invocando os mesmos fundamentos de mérito lançados no Acórdão 3403-003.375. Sustentou pela recorrente o Dr. Ewerton Azevedo, OAB/DF nº 15.317.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Jorge Freire.
Nome do relator: Relator
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INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO PREVISTA NO PARÁGRAFO 1º DO ARTIGO 3º DA LEI 9718/98. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO EM CASO CONCRETO DO CONTRIBUINTE. INTERPRETAÇÃO DO ENTENDIMENTO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O conjunto das decisões existentes, proferidas pelo STF, evidencia que a Corte Constitucional não se pronunciou quanto ao alcance concreto, em relação às instituições financeiras, da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e que, diante do impasse de definir se tal entendimento implicaria em retirar do conceito de faturamento das instituições financeiras as receitas financeiras auferidas por estas instituições, o Plenário entendeu pela necessidade de reconhecer a Repercussão Geral da questão, em recurso que ainda aguarda julgamento de mérito (RE 346084, DJ 01/09/2006; RE 585235 QORG, DJe227 28/11/2008; RE 527602, DJe213 13/11/2009; RE 609096 RG, DJe080 02/05/2011). Resta claro que ainda será definido pelo STF qual o alcance concreto da referida declaração de inconstitucionalidade em relação às instituições financeiras, de maneira que não configura violação da coisa julgada a tarefa empreendida pela Administração Tributária de pesquisar e definir qual deve ser o alcance do conceito de “receita da venda de bens e serviços” em relação aos bancos. Diante, pois, da falta de definição pelo próprio STF, é plausível a interpretação de que a receita da venda de bens e serviços em relação aos bancos deve abranger as receitas financeiras decorrentes das atividades desenvolvidas por estas instituições no mercado financeiro, na qualidade ampla de serviços financeiros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 41 47 /2 01 1- 00 Fl. 1230DF CARF MF 2 Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Antonio Carlos Atulim acompanharam o Relator pelas conclusões, invocando os mesmos fundamentos de mérito lançados no Acórdão 3403003.375. Sustentou pela recorrente o Dr. Ewerton Azevedo, OAB/DF nº 15.317. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Jorge Freire. Relatório Tratase de Declarações de Compensações (fls. 619/622) nas quais o contribuinte apresenta como crédito valores que teriam sido recolhidos a maior a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. Sustenta que tal crédito decorreria do direito que lhe foi reconhecido, em decisão judicial transitada em julgado, na Ação Ordinária nº 2005.38.00.0459615 (petição inicial às fls. 2/27; acórdão às fls. 41/67; certidão de objeto e pé às fls. 33; andamentos de 1ª e 2ª Instâncias às fls. 34/40). As compensações forma homologadas em parte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte/MG (DRF), em decisão (fls. 803/814) cuja ementa é a seguinte: Assunto: Contribuição para o Financiamento Social(Cofins) Ação Judicial Anocalendário: 1999 a 2009. Ementa: O contribuinte poderá utilizar crédito de tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal(SRF) reconhecido judicialmente, após o trânsito em julgado da ação respectiva, na compensação com débitos de sua responsabilidade. Base Legal: Lei 5.172(CTN), Lei nº 9.430/96, IN SRF no 900/2005. Declaração de Compensação Homologada em Parte Fl. 1231DF CARF MF Processo nº 10680.724147/201100 Acórdão n.º 3403003.572 S3C4T3 Fl. 1.206 3 Direito Creditório Reconhecido em Parte Em síntese, tal decisão verificou e entendeu o seguinte: Verificase, pelas planilhas apresentadas, que a quase totalidade das receitas que compuseram inicialmente a base de cálculo da Cofins devida pertencem a 5 rubricas, todas dentro do grupo Receitas Operacionais : Rendas de operações de créditos Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez Rendas de Títulos e Valores Mobiliários Rendas de Prestação de Serviços Outras Receitas Operacionais Em seu pleito, o contribuinte entende como devido apenas a Cofins incidente sobre as Rendas de Prestação de Serviços. Seus créditos decorreriam da diferença entre os valores recolhidos com base na receita bruta total e os débitos apurados com base nas chamadas “Rendas de Prestação de Serviçosconta contábil 7.1.7.00.009” Entretanto, no que diz respeito à natureza jurídica das receitas operacionais das instituições financeiras, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), mediante o Parecer PGFN/CAT no 2.773/2007, firmou entendimento diverso deste assumido pelo interessado, a ser adotado em todas as manifestações administrativas e judiciais do órgão, nas demandas de instituições financeiras relativas à exigência de PIS e Cofins com base na Lei no 9.718/98. Referido Parecer foi resultado de consulta formulada mediante a Nota Técnica Cosit/SRF no 21, de 28/08/2006, sobre a natureza jurídica das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros, quanto ao que seria considerado faturamento para esses setores, e ao que foi afastado pelo STF, relativamente a estas atividades econo micas, para fins de apuração e recolhimento do PIS e Cofins, após o julgamento do RE/357.9509/RS (DJ 15/08/2006), em que foi declarado inconstitucional o § 1o do art. 3o da Lei 9.718/98 (parágrafo este que determinou a ampliação da base de cálculo das referidas contribuições, ou seja, incluiu também as receitas não operacionais). (...) 7)“têmse, então, que a natureza das receitas decorrente das atividades do setor financeiro e de seguros pode ser classificada como serviços para fins tributaŕios, estando sujeita à incidência das contribuições em causa (PIS/Cofins), na forma do disposto nos artigos 2º e 3º, caput e nos §§ 5º e 6º do mesmo artigo, exceto no que diz respeito ao “plus” contido no § 1º do artigo 3º da Lei no 9.718/98, considerado inconstitucional por meio do Fl. 1232DF CARF MF 4 Recurso Extraordinário 357.9509/RS e dos demais recursos que foram julgados na mesma assentada”. Assim, o referido parecer PGFN/CAT está em conformidade com a jurisprudência do STF relativa à abrangência e determinação da base de cálculo do PIS/Cofins devido pelas Instituições Financeiras e Seguradoras e, por decorrência, aplicase ao presente processo. Resumindo, para a PGFN, a base de cálculo da Cofins devida pelas instituições financeiras, segundo as decisões judiciais sobre a matéria e a jurisprudência do STF, é a receita bruta da pessoa jurídica, excluídas as receitas não operacionais e as demais exclusões previstas na legislação de regência, vale dizer, as que constam dos parágrafos 2o, 4o, 6o e 8o do art. 3o da Lei 9.718/98, além daquelas admitidas para o PIS, nos termos do § 5o desse mesmo artigo, combinado com o art. 1o e incisos da Lei nº 9.701/98. (grifos editados) A descrição dos fatos pode ser ainda complementada pela transcrição do seguinte trecho do relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte/MG (DRJ), que também descreve os fundamentos da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte (fls. 991/1020): Transitou em julgado, em 01/12/2009, a Ação Ordinária nº 2005.38.00.0459615, na qual o TRF, por maioria, deu provimento à apelação do autor, para afastar a preliminar de coisa julgada e, por unanimidade, julgou parcialmente procedente o pedido inicial, admitindo tão somente que seja afastada a ampliação da base de cálculo do PIS/Cofins, nos termos do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/98, até a eficácia das alterações promovidas pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833, de 29/12/2003, bem como reconheceu o direito à compensação das importâncias que comprovadamente tenham sido recolhidas a maior por força da aplicação do referido dispositivo legal, com a incidência da taxa Selic, com outros tributos/contribuições. O contribuinte entende que seus créditos decorreriam da apuração da contribuição levandose em conta, como base de cálculo, as chamadas “Rendas de Prestação de Serviços” (conta Cosif nº 7.1.700.00.9). No entanto, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, conforme as conclusões do Parecer PGFN/CAT nº 2.773, de 2007, elaborado em decorrência de consulta formulada mediante a Nota Técnica Cosit/SRF nº 21, de 2006, firmou entendimento diverso, a ser adotado em todas as manifestações administrativas e judiciais do órgão, nas demandas de instituições financeiras relativas à exigência de PIS e Cofins com base na Lei nº 9.718/98. Para a PGFN, a base de cálculo da Cofins devida pelas instituições financeiras, segundo as decisões judiciais sobre a matéria e a jurisprudência do STF, é a receita bruta da pessoa jurídica, excluídas as receitas não operacionais e as demais exclusões previstas na legislação de regência, vale dizer, as que constam dos parágrafos 2º, 4º, 6º e 8º do art. 3º da Lei nº Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 10680.724147/201100 Acórdão n.º 3403003.572 S3C4T3 Fl. 1.207 5 9.718/98, além daquelas admitidas para o PIS, nos termos do §5º desse mesmo artigo, combinado com o art. 1º e incisos da Lei nº 9.701/98. Dessa forma, são exigíveis os valores da Cofins apurados com base no faturamento mensal tal como definido pelo art. 2º da LC nº 70/91, ou seja, “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, permitidas as exclusões determinadas pela legislação não atingida pela inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Ademais, a decisão judicial transitada em julgado restringiu o período do crédito, sem que o contribuinte tenha interposto qualquer recurso, até a eficácia das alterações promovidas pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833, de 29/12/2003. Portanto, o contribuinte tem direito somente aos créditos apurados até o período de apuração janeiro/2004 (vencimento em fevereiro/2004), relativos à parcela dos recolhimentos que dizem respeito ao tributo pago incidente sobre as receitas totais, excluídas as receitas não operacionais, cujo valor em 19/03/2010 totaliza R$ 863.592,25. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 15/06/2011 (fl. 816), o contribuinte apresentou, em 14/07/2011, a manifestação de inconformidade de fls. 819/856, com os argumentos a seguir sintetizados, fazendo anexar os documentos de fls. 857/989. Aduz, inicialmente, que o Despacho Decisório foi proferido em franco desrespeito à eficácia preclusiva da coisa julgada formada na Ação Ordinária nº 2005.38.00.0459615, ignorando por completo a norma individual ditada pelo Poder Judiciário para regular a relação jurídicotributária entre o recorrente e a União Federal, quanto à Cofins. A coisa julgada deve ser interpretada à luz do Código de Processo Civil para se estabelecer o limite de sua eficácia, sob pena de se adentrar em terreno cuja jurisdição foi exercida com exclusividade e soberania pelo Poder Judiciário. A autoridade da coisa julgada impede qualquer juízo diferente sobre a mesma relação submetida à apreciação do Poder Judiciário. Assim, é desimportante o Parecer PGFN/CAT nº 2.773, de 2007, já que o entendimento a ser adotado é aquele decorrente da coisa julgada formada na ação judicial, sempre quando estiver em debate a exigência da Cofins com base na Lei nº 9.718/98, porque essa matéria já foi deduzida em juízo. Explica todo o trâmite da Ação Ordinária nº 2005.38.00.0459615, que foi aforada, em 19/12/2005, com o objetivo principal de se eximir do recolhimento da Cofins nos moldes do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. A causa de pedir estava assentada na inconstitucionalidade da exigência da Cofins sobre receitas que extrapolavam o conceito de faturamento, entendido com os ingressos decorrentes da venda Fl. 1234DF CARF MF 6 de mercadorias e/ou da prestação de serviços. A União apresentou contestação defendendo o argumento de que o faturamento é a totalidade dos ingressos que constituem o objeto social da pessoa jurídica. A sentença exarada em 07/01/2008 acolheu a preliminar de coisa julgada e declarou extinto o processo. A apelação ao TRF da 1ª Região foi acolhida para afastar os fundamentos que foram tomados pelo sentenciante para extinguir a ação sem julgamento do mérito, sendo declarada a inconstitucionalidade incidental do §1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98 e reconhecido o direito à compensação do indébito tributário recolhido nos 10 anos anteriores à propositura da demanda. A Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração para que fosse aplicado o prazo de 5 anos para a repetição do indébito e para que a Turma julgadora se manifestasse sobre a interpretação diferente a ser dada à declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98 daquela conferida pelo STF para as pessoas jurídicas em geral, por se tratar de instituição financeira. Os Embargos de Declaração foram rejeitados, afastandose a pretensão da União quanto ao conceito de faturamento para as instituições financeiras. No julgamento do TRF cristalizouse, portanto, que a base de cálculo da Cofins encontrase definida no art. 2º da LC n° 70/91 e corresponde à receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, até a eficácia das alterações promovidas pela Medida Provisória n° 135/03 (convertida na Lei n° 10.833/03); se o entendimento da Fazenda Nacional é no sentido de que a receita operacional integra o conceito de faturamento para as instituições financeiras, ao contrário do que definido pelo Tribunal, devia ter se valido, então, dos recursos processuais próprios para a alteração do julgado; e prevalece a tese da prescrição decenal para a repetição do indébito relativo à Cofins. Contra os acórdãos da Apelação e dos Embargos de Declaração, a Fazenda Nacional não manejou Recurso Especial e/ou Recurso Extraordinário, deixandoos transitar livremente em julgado. A base de cálculo da Cofins foi fixada como sendo a receita bruta decorrente das vendas de mercadorias e/ou de serviços de qualquer natureza, não correspondendo à receita operacional, como pretendeu a União com seus Embargos Declaratórios, e nem à totalidade das atividades desenvolvidas em torno de seu metier social, como igualmente pretendeu a União por ocasião da contestação apresentada em primeira instância. Em fiel cumprimento ao que restou decidido pelo TRF, fez incidir a Cofins, única e exclusivamente, sobre as “Rendas de Prestação de Serviços”, calculando seu crédito a partir dos valores que foram indevidamente recolhidos sobre as demais contas do grupo de receitas operacionais. No entanto, ignorando completamente todos os efeitos decorrentes da Ação Ordinária, o Despacho Decisório se agarrou ao Parecer PGFN/CAT n° 2.773/07 e à Nota COSIT/SRF n° 21/06 para dizer que todas as receitas auferidas deverão ser tributadas pela Cofins, com exceção das receitas não operacionais. O Delegado da DRF se arvorou na posição do TRF para, ele próprio, decidir os Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 10680.724147/201100 Acórdão n.º 3403003.572 S3C4T3 Fl. 1.208 7 Embargos de Declaração que foram opostos pela União contra o acórdão da Apelação proferido na Ação Ordinária, acolhendo os e dando a eles provimento, ao contrário do que fez a Corte Regional. Para a DRF, a base de cálculo da Cofins é a receita operacional, tal como pedido pela União em seus Embargos Declaratórios. Informa que pretendeu, com a demanda judicial, fosse declarada a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98, para que a base de cálculo da Cofins se limitasse à receita bruta decorrente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. A resistência apresentada pela União Federal teve o condão de redefinir os contornos da lide. Isso porque, tanto na contestação quanto nos Embargos Declaratórios opostos, a União se insurgiu não apenas quanto à declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98, mas, também, encetou nos autos a discussão referente ao que seria ou deveria ser considerado faturamento para as instituições financeiras e entidades assemelhadas, pleiteando que, acaso reconhecida a referida inconstitucionalidade, o faturamento, para as instituições financeiras e entidades equiparadas, deveria equivaler a sua receita operacional total ou à totalidade das atividades desenvolvidas em torno de seu metier social. Citando o CPC, entendimento doutrinário, e discorrendo acerca dos conceitos de causa petendi (causa de pedir) e causa excipiendi (contradireito), afirma que o litígio se formou não somente quanto à constitucionalidade do §1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, como também no que se refere à extensão da base de cálculo da Cofins para as instituições financeiras e assemelhadas. Estabelecido o objeto do litígio, devidamente delimitado tanto na causa petendi do autor como na causa excipiendi do réu, o TRF da 1ª Região selou, em definitivo, a controvérsia. A norma individual criada pelo Poder Judiciário pode ser dissecada em duas partes: (a) é inconstitucional o §1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98; (b) prevalece o disposto no art. 2º da Lei Complementar nº 70/91 para a determinação da base de cálculo da Cofins. Os julgadores acolheram a causa de pedir articulada pelo autor, afastando o “contradireito” argüido pelo réu, ou seja, nenhuma das exceções opostas pelo réu foi agasalhada pelos julgadores, o que significa que o Tribunal não acolheu a resistência da União Federal no sentido de que, para as instituições financeiras e equiparadas, o faturamento equivale a sua receita operacional total, limitandose a dizer que, havendo divergência de interpretação ou discordância da análise, haveria o ente público de buscar outro caminho processual. Proferido o acórdão, caberia ao litigante que se sentiu prejudicado a interposição dos recursos cabíveis (Recurso Especial e/ou Recurso Extraordinário) e a ausência deles corresponde à aceitação do que restou resolvido pela Corte Regional, revelando seu conformismo com a solução dada à lide. Está Fl. 1236DF CARF MF 8 sepultada, definitivamente, a controvérsia acerca do conceito de faturamento, pairando a inafastável eficácia preclusiva da coisa julgada, nos termos do art. 474 do CPC. Sobre o assunto, traz entendimentos doutrinários. Na ação judicial petrificouse o entendimento de que a base de cálculo da Cofins é o faturamento decorrente “das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza”, que não corresponde (ou equivale) à receita operacional, tampouco à totalidade das atividades desenvolvidas em torno do metier social, porque essas questões, efetivamente suscitadas/argüidas no processo pelo réu, foram repelidas pelo Tribunal, direta ou indiretamente, e o réu não as levou adiante. Não cabe ao réu, agora, no curso da execução do julgado, reabrir a discussão atinente à base de cálculo da Cofins para as instituições financeiras, porque já preclusa e, portanto, absolutamente irrelevante para o desfecho da controvérsia. Em resumo, faturamento, para o manifestante, não corresponde a sua receita bruta operacional auferida no mês, porque a Corte Regional fixou a base de cálculo da Cofins no art. 2° da LC n° 70/91 e porque o ente público, na tentativa de convencer o Tribunal, submeteu expressamente tal questão à apreciação do Órgão Colegiado (via Embargos Declaratórios), tendo sido repelida, pelos julgadores, a sua pretensão. Agora, a eficácia preclusiva da coisa julgada impede o conhecimento desta matéria. Entende ter cumprido, à risca, o comando judicial transitado em julgado, segundo o qual a base de cálculo da Cofins é “o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza”, ou seja, é devida a Cofins apenas e tão somente sobre as Rendas de Prestação de Serviços. A DRF fechou completamente os olhos para a ação judicial e se socorreu em elementos absolutamente estranhos à lide instaurada, ancorandose no Parecer PGFN/CAT n° 2.773/07 e na Nota Técnica COSIT/SRF n° 21/06, para estabelecer que faturamento engloba a atividade principal da empresa e, no caso das instituições financeiras e assemelhadas, corresponde à totalidade das receitas operacionais da entidade, exatamente aquilo que a União Federal sustentou em sua contestação ou em seus Embargos Declaratórios. Esqueceuse a autoridade, no entanto, de que a pretensão da União foi repelida pelo Poder Judiciário, pelo que não tem qualquer valia nem o Parecer nem a Nota Técnica. Aliás, foi exatamente com base neles que a União Federal construiu sua defesa em juízo, o que só aumenta a impertinência de invocálos para negar as compensações. Apresenta o confronto entre o que foi dito no processo judicial e no presente processo administrativo, para mostrar que a DRF está repetindo os mesmos fundamentos que foram deduzidos pela União no Poder Judiciário, em manifesta afronta ao art. 474 do CPC. Não está reaberta a discussão sobre a base de cálculo da Cofins a ser adotada e em nenhum momento a autoridade administrativa reputou aplicável, ao presente processo, a decisão transitada em julgado, no que a ela não interessava. Afirma que em nada importa tanto o Parecer quanto as manifestações Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 10680.724147/201100 Acórdão n.º 3403003.572 S3C4T3 Fl. 1.209 9 posteriores da Suprema Corte acerca do assunto, pois o que deve ser aplicado, aqui, sem qualquer discussão, sob pena de afronta à eficácia preclusiva da coisa julgada, é a decisão final proferida pelo TRF 1ª região. A autoridade administrativa resolveu fazer justiça com as próprias mãos, arvorandose na função que é imanente do Poder Judiciário para ditar, no caso concreto, que o faturamento corresponde a sua receita operacional, ignorando o que se deve entender por princípio da unicidade de jurisdição. O Poder Judiciário, provocado, já editou uma norma individual para o caso concreto, a qual ganhou a definitividade de coisa julgada e não pode ser desconstituída por medidas extraprocessuais. Argumenta que, em relação à eficácia da MP nº 135/03, convertida na Lei nº 10.833/03, a DRF apegouse à literalidade da decisão judicial proferida, equivocandose quanto à qualificação jurídica de seu conteúdo. O TRF não limitou o seu direito até o dia 1º de janeiro de 2004, pois, nessa data, a lei de fato entrou em vigor, mas não teve qualquer tipo de eficácia contra o recorrente, diante do que estabelece, textualmente, o seu art. 10, inciso I, que submeteu à legislação anterior da Cofins todas as instituições financeiras e entidades equiparadas. Vigor e eficácia são conceitos distintos que não devem ser confundidos. As “alterações promovidas pela Medida Provisória n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833, de 29/12/2003” não são eficazes com relação ao recorrente, porque, até o momento, o legislador não determinou sua submissão a este normativo. O que fez o Tribunal foi limitar os efeitos de sua declaração até o dia em que a Lei n° 10.833/03 for eficaz para o recorrente como já o é para a maior parte das empresas industriais ou comerciais, por exemplo , ou seja, até o dia em que a norma começar a produzir efeitos concretos. Até lá, prevalecerá a base de cálculo prevista no art. 2º da LC n° 70/91. Conclui que o Despacho Decisório ofendeu gravemente não apenas a coisa julgada formada na Ação Ordinária como, também, a eficácia preclusiva dela emergente, ao reabrir o debate de questão já sepultada pelo Poder Judiciário. Caso os argumentos anteriores sejam afastados, ou seja, considerando ser possível reabrir a discussão sobre a base de cálculo da Cofins para as instituições financeiras e assemelhadas, o conceito de faturamento utilizado no Despacho Decisório ainda não há de prevalecer. Não há como concordar com a conclusão da PGFN no citado Parecer, quando equiparou a receita operacional da instituição financeira à receita decorrente da prestação de serviços. O conteúdo do conceito de faturamento já foi delimitado, primeiro pela doutrina, depois pelos tribunais, sendo que a legislação brasileira só prevê como ato passível de fatura a venda de mercadorias e/ou prestação de serviços. Demais operações, como, por exemplo, operações de crédito, nos termos da legislação pátria, não são documentadas por fatura, mas por títulos outros, como a duplicata. Em consequência, essas Fl. 1238DF CARF MF 10 operações não irão compor o conceito de faturamento, porque a legislação não lhes determinou o registro por meio de fatura. A expressão faturamento significa que a contribuição será calculada sobre a receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. A tentativa de alargamento da base de cálculo da Cofins pela Lei nº 9.718/98 foi declarada inconstitucional pelo STF, que enalteceu o conceito restrito de faturamento. Portanto, faturamento não é a receita operacional da pessoa jurídica. Sobre o tema, transcreve entendimentos doutrinários e jurisprudência dos Tribunais e traz a posição de juristas em resposta a consulta formulada pela Febraban. O conceito de faturamento é uno e não varia por razões ligadas à pessoa que o aufere, não havendo motivos para a inclusão das receitas operacionais (especificamente as de intermediação financeira) na base de cálculo da Cofins devida pelas instituições financeiras e entidades assemelhadas. Nesse contexto, não restam dúvidas de que os serviços das instituições financeiras, enquanto as receitas financeiras decorrentes de operações bancárias (empréstimos, financiamentos, etc.) estão fora do conceito de “faturamento”, que é a base de cálculo do Cofins. A lista de serviços tributáveis pelo ISSQN trazida na Lei Complementar n° 116/2003 (item 15) não faz qualquer menção às receitas financeiras, exatamente por não se constituírem como serviços, havendo previsão de tributação apenas das atividades como abertura de contas, administração de fundos, fornecimento de atestados, consulta a contas bancárias, etc. Assim, a taxa, tarifa ou comissão que remunera o serviço da instituição financeira é passível de tributação tanto pelo ISS quanto pela Cofins, mas os juros decorrentes da remuneração do capital disponibilizado ao cliente não constituem receitas de serviços, mas sim receita financeira, não alcançada pelo “faturamento”. Os Ministros do STF também não deixaram abertura para questionamentos acerca do conceito de faturamento, tendo havido a reformulação do texto da proposta de Súmula Vinculante n° 22 para: “é inconstitucional o §1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98, que ampliou a base de cálculo do PIS e da Cofins”. Não há discrepâncias entre os demais Ministros da Suprema Corte, que propuseram redação semelhante. Portanto, renomados juristas e Ministros do STF estão acordes em não permitir a diferenciação do conceito de faturamento conforme o tipo de atividade exercida pela pessoa jurídica. Cita também a posição do STJ, cujos Ministros decidiram que o precedente do STF (que declarou a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins) se aplica às instituições financeiras e que o conceito de faturamento deve compreender apenas as receitas decorrentes da venda de mercadorias e/ou serviços, não abrangendo a totalidade das receitas operacionais da pessoa jurídica. Assim, restou demonstrado que a doutrina e a jurisprudência, tanto do STJ quanto do STF, corroboram o entendimento de que a base de incidência da Cofins não é abrangente a ponto de colher a totalidade das receitas operacionais da pessoa jurídica, não sendo verdadeira a afirmação contida no Despacho Decisório de que “o referido Parecer PGFN/CAT está em Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 10680.724147/201100 Acórdão n.º 3403003.572 S3C4T3 Fl. 1.210 11 conformidade com a jurisprudência do STF relativa à abrangência e determinação da base de cálculo do PIS/Cofins devido pelas Instituições Financeiras e Seguradoras”. (...) Mesmo que superados todos os argumentos acima, o Despacho Decisório merece ser anulado, já que maculado de diversos erros conceituais de cálculo. Isso porque tomouse como fundamentação normativa de validade o Parecer PGFN CAT n° 2.773/07, o qual determina a tributação das receitas de intermediação financeira, ao argumento de que estas decorrem do exercício de sua atividade fim (de seu objeto social). Contudo, ao proceder ao recálculo do crédito, a autoridade fiscal não observou essa premissa (de apenas considerar como indevido o crédito correspondente às receitas de intermediação financeira). Foi reconhecido o crédito em relação às receitas registradas na conta “Receitas Não Operacionais” e negado o crédito em relação a todas as parcelas registradas como “Receitas Operacionais”. Ocorre que, de acordo com o Plano de Contas Cosif, são registradas como “Receitas Operacionais” várias parcelas que não correspondem a intermediação financeira, como, por exemplo: 7.1.9.30.00.6.1 Recuperação de encargos e despesas (na qual estão registradas verbas que possuem a seguinte natureza: ressarcimento do plano de saúde, Vale Transporte e Programa de Alimentação cobrados dos empregados; ressarcimento de despesas com telefone e transporte de valores, entre outras); e 7.1.9.99.00.9.1 Outras Rendas Operacionais (na qual estão registradas verbas que possuem, a título exemplificativo, a seguinte natureza: Variações Monetárias Ativas (que referemse a juros sobre depósitos judiciais fiscais, cíveis e trabalhistas e correção de créditos de tributos a recuperar) e rendas de Juros sobre Capital Próprio (JCP), entre outras). Verificase que o crédito foi negado inclusive em relação a receitas que não representam intermediação financeira, enquanto o Parecer PGFN CAT n° 2.773/07 apenas o excluiria em relação a estas (receitas financeiras). Por tal motivo podese concluir que o Despacho Decisório merece ser anulado, já os cálculos dele decorrentes não guardam coerência sequer com seu fundamento de validade. Caso não seja acatado tal argumento, requer seja recalculado o crédito, de modo que ele seja reconhecido em relação a todas as outras receitas diferentes daquelas relativas a intermediação financeira. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte/MG (DRJ), por meio do Acórdão nº 0245.437, de 24 de junho de 2013 (fls. 991/1020), decidiu pela manutenção da decisão da DRF, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2009 Fl. 1240DF CARF MF 12 DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. EFEITOS. Em relação à matéria levada ao Poder Judiciário, cujo processo transitou em julgado, é soberana a decisão judicial, que deve ser prontamente observada pela Administração Pública Federal. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da Cofins para as instituições financeiras e assemelhadas, ainda que entendida como a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, compõese da receita bruta operacional auferida no mês proveniente de sua atividadefim, o que inclui as receitas advindas de intermediações financeiras. ALEGAÇÕES. PROVAS. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 1135/1162), reeditando os mesmos fundamentos da sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado em 05/08/2013 (fl. 1135), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, que aconteceu em 05/07/2013 (Termo de Abertura de Documento; fl. 1063). Quanto à preliminar de nulidade, entendo que deve ser rejeitada pois a realização de diligência é medida que se presta a proporcionar os elementos necessários para a formação da convicção do julgador. Como também porque a diligência pode propor critérios diferentes daquele que o contribuinte pretende ver aplicado, de maneira que a adoção de critérios distintos e a realização de cálculos diferentes daqueles esperados pelo contribuinte não ofende o seu direito à ampla defesa e o princípio da verdade material. Passo à análise do mérito. O ponto central do debate consiste em definir o alcance da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 em relação ao contribuinte em questão, que é uma instituição financeira. O itinerário desta questão jurídica começa com a declaração de inconstitucionalidade deste dispositivo pelo STF no julgamento do Recurso Extraordinário nº Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 10680.724147/201100 Acórdão n.º 3403003.572 S3C4T3 Fl. 1.211 13 346.084, passando pelo subseqüente debate a respeito da súmula vinculante que deveria ser baseada neste julgamento do Plenário, mas que acabou não sendo editada, e então, pelo julgamento em Repercussão Geral do Recurso Extraordinário nº 585.235 e, em seguida, pelo início do julgamento do Recurso Extraordinário nº 400.479, que até o momento apenas recebeu voto do Ministro Cezar Peluso, e, enfim, pelo reconhecimento de Repercussão Geral no Recurso Extraordinário nº 609.092 (Tema nº 372), que ainda aguarda julgamento. Entendo ser indispensável, com efeito, ter consciência do itinerário e do atual contexto em que se encontra a discussão da questão no STF, para que se possa dar uma solução adequada ao presente caso, sem descuidar do fato de que se trata de contribuinte em relação ao qual houve decisão em ação judicial de sua autoria. Para preparar o julgamento, faço a seguir uma breve, mas circunstanciada, síntese do referido itinerário e, em seguida, da decisão proferida no caso concreto do contribuinte, para então decidir. 1) A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Em 2006 foi publicado o acórdão do julgamento em que o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º, da Lei nº 9.718/981, cuja ementa sintetiza o seguinte entendimento: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. 1 Embora o julgamento do Recurso Extraordinário nº 346.084 tenha sido concluído em 09/11/2005, o acórdão apenas foi publicado em 01/09/2006 Fl. 1242DF CARF MF 14 (RE 346084, Relator(a): Min. ILMAR GALVÃO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 01092006 PP00019 EMENT VOL0224506 PP01170; grifo editado) O Plenário entendeu que, por ter sido editada antes da alteração do texto constitucional pela EC nº 20, a Lei nº 9.718/98 não poderia alargar a base de cálculo de PIS/Cofins para alcançar toda e qualquer receita, devendose restringir o seu alcance aos moldes anteriores, nos quais já se encontrava definido o conceito de faturamento, o qual seria equivalente ao de receita bruta, assim compreendendo apenas a receita da venda de mercadorias e serviços. As discussões travadas no referido acórdão já revelavam a preocupação dos Ministros a respeito de qual viria a ser o tratamento das receitas financeiras, conforme fica claro no seguinte trecho: O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO – Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído no RE 150.755, sob a expressão ‘receita bruta de venda e mercadorias e prestação de serviço’, quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de ‘receita bruta igual a faturamento’. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Mas, ministro, seria interessante, em primeiro lugar, esperar a chegada de um conflito de interesses, envolvendo uma dúvida quanto ao conceito que, por ora, não passa pela nossa cabeça. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO – Mas passa pela cabeça de outros. Já não temos poucas causas, Sr. Ministro, para julgar. Quanto mais claro seja o pensamento da Corte, melhor para a Corte e para a sociedade. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Não pretendo, neste julgamento, resolver todos os problemas que possam surgir, mesmo porque a atividade do homem é muito grande sobre a base de incidência desses tributos. E, de qualquer forma, estamos julgando um processo subjetivo e não objetivo e a única controvérsia é está: o alcance do vocábulo ‘faturamento’. E, a respeito desse alcance, temos já, na Corte, reiterados pronunciamentos. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO – É o que estou fazendo: esclarecendo meu pensamento sobre o alcance desse conceito. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Senão, em vez de julgarmos as demandas que estão em Mesa, provocaremos até o surgimento de outras demandas, cogitando de situações diversas. Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 10680.724147/201100 Acórdão n.º 3403003.572 S3C4T3 Fl. 1.212 15 (fls. 1254/1255 do acórdão; grifos editados) No julgamento ficaram vencidos, parcialmente, os Ministros Ilmar Galvão (Relator), Cezar Peluso e Celso de Mello e, integralmente, os Ministros Gilmar Mendes, Maurício Corrêa, Joaquim Barbosa e Nelson Jobim. Como visto, embora o Ministro Cezar Peluso tenha se considerado vencido ao pretender a utilizar o conceito de receita empresarial típica, o fato é que não houve, conscientemente, deliberação pelo Plenário a respeito de qual deveria ser o tratamento para o caso de “determinadas instituições” que “prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras”. Ou seja, houve o reconhecimento de que, em relação aos contribuintes em geral, o âmbito da incidência de PIS/Cofins deveria circunscreverse às receitas da venda de bens e de serviços, mas sem adiantar a definição, mas deixando expressamente em aberto, de como deve ser o alcance de tal conceito em relação às instituições financeiras. Esta situação é reafirmada pelos passos que seguiram. 2) O julgamento da Repercussão Geral no RE 585.235 e do RE 527.602. No intuito de estender o entendimento aos demais recursos existentes, o STF realizou em 10/09/2008 o julgamento da mesma questão em regime de Repercussão Geral (art. 543B do CPC) nos autos do Recurso Extraordinário nº 585.235, cujo acórdão recebeu a seguinte ementa: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL02343 10 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Nada obstante, a mesma questão voltou ao Plenário em 05/08/2009, quando foi reafirmado o mesmo entendimento, no julgamento do RE 527.602: PIS E COFINS LEI Nº 9.718/98 ENQUADRAMENTO NO INCISO I DO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, NA REDAÇÃO PRIMITIVA. Enquadrado o tributo no inciso I do artigo 195 da Constituição Federal, é dispensável a disciplina mediante lei complementar. RECEITA BRUTA E FATURAMENTO A sinonímia dos vocábulos Ação Declaratória nº 1, Pleno, relator Ministro Moreira Alves conduz à exclusão de aportes financeiros estranhos à atividade Fl. 1244DF CARF MF 16 desenvolvida Recurso Extraordinário nº 357.9509/RS, Pleno, de minha relatoria. (RE 527602, Relator(a): Min. EROS GRAU, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 05/08/2009, DJe213 DIVULG 12112009 PUBLIC 13112009 EMENT VOL0238205 PP00928 LEXSTF v. 31, n. 372, 2009, p. 209226) Estes dois julgamentos limitaramse a ratificar o entendimento já consolidado no julgamento anterior do Plenário, de que a ampliação apenas seria válida se tivesse sido encartada em lei complementar, ou se a lei ordinária tivesse sido editada depois da alteração do texto constitucional pela EC nº 20, reiterando, assim, a inconstitucionalidade do mesmo dispositivo da Lei nº 9.718/98. Não houve nenhuma consideração específica a respeito do alcance da declaração de inconstitucionalidade em relação às entidades financeiras. 3) A súmula vinculante que não foi editada. Os meios de comunicação noticiavam já em 2006 que os Ministros do STF deliberariam em breve a aprovação de súmula vinculante a propósito da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo de PIS/Cofins2, o que chegou a ser previsto para a sessão plenária de 02/05/20073, e depois em 10/09/20084. Mas apenas em 2009 o STF publicou Edital eletrônico, datado de 13 de maio, por meio do qual levava a público como poderia vir a ser o texto da súmula. O Edital tinha o seguinte conteúdo: (...) FAZ SABER aos que este edital virem ou dele tiverem conhecimento que neste Tribunal se processam os autos da Proposta de Súmula Vinculante nº 22, em que é proponente o Supremo Tribunal Federal, que visa à edição de súmula vinculante com as seguintes sugestões de verbetes: Assunto: TRIBUTO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE RECEITA BRUTA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9718/98: “É inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS.” ou “A alteração da base de cálculo da COFINS, pelo art. 3º, § 1º, da Lei 9718/98, mediante a ampliação do conceito de faturamento, violou o art. 195, I e § 4º, da CF, vício que a subseqüente edição da Emenda Constitucional 20/98 não convalidou.” ou “É inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, que ampliou o conceito de receita bruta, a qual deve ser entendida como a proveniente das vendas das mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza.” ou 2 Valor Online, 07/08/2006, “Cofins pode ter súmula vinculante”, Fernando Teixeira 3 Valor Online, 25/04/2007, “Votação no STF pode afetar caixa da União”, Jossete Goulart 4 Revista Consultor Jurídico, 11/09/2008, “STF resolve fazer Súmula sobre base de cálculo da Cofins” Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 10680.724147/201100 Acórdão n.º 3403003.572 S3C4T3 Fl. 1.213 17 “É inconstitucional o parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, a qual deve ser entendida como a proveniente das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.” (tabulação editada) Em sessão plenária de 04/02/2010, depois de debates, o STF decidiu pelo adiamento da votação, para dar oportunidade de que houvesse antes o julgamento de casos específicos a respeito das instituições financeiras. Ou seja, não chegou a haver consenso a respeito de nenhuma da redações sugeridas, por se entender pela conveniência de apreciar antes a situação específicas das instituições financeiras. 4) O voto do Ministro Cezar Peluso no RE 400.479. Em 19/08/2009 foi iniciado em Plenário o julgamento do Recurso Extraordinário nº 400.479, no qual se discute a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo em relação a uma seguradora. Neste julgamento apenas foi proferido voto pelo Relator, o Ministro Cezar Peluso, do que se seguiu o pedido de vista do Ministro Marco Aurélio, aguardandose a retomada do julgamento até hoje. Do entendimento do Ministro Cezar Peluso apenas se conhece o que foi divulgado no Informativo STF nº 556, não havendo ainda acesso ao seu exato teor. O texto do referido Informativo revela que o Ministro Cezar Peluso proferiu voto partindo daquela mesma consideração que já havia feito no julgamento do caso líder, o RE 346.084, baseada no conceito de “receita da atividade empresarial típica”, aprofundando o detalhamento do conceito. Fica claro, porém, que o Ministro pretendeu ir além de apenas de conferir um tratamento específico às instituições financeiras em relação ao entendimento já firmado, mas que pretendeu rejulgar a questão jurídica em toda a sua amplitude, ou seja, que seu voto tem a finalidade de revisar o entendimento do STF a respeito da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo em relação a todos os contribuintes, propondo novos critérios jurídicos para delimitar o alcance das contribuições. Isto pode ser conferido nos seguintes trechos, extraídos do referido Informativo: (...) PIS/COFINS: Base de Cálculo e Seguradoras 2 O Min. Cezar Peluso afirmou que o Tribunal estaria sendo instado a definir, de uma vez por todas, o que seria a noção de faturamento constante do art. 195, I, da CF, na redação que precedeu a EC 20/98. (...) PIS/COFINS: Base de Cálculo e Seguradoras 7 Fl. 1246DF CARF MF 18 Prosseguindo, o relator salientou ser óbvio que as seguradoras ou os bancos não emitem faturas e que a emissão destas não constituiria critério válido suficiente para configurar faturamento. Para ele, esse fato, consistente em emitir faturas, seria mera decorrência de outro acontecimento, este sim economicamente importante e correspondente à realização de operações ou atividades da qual esse faturamento adviria. (...) PIS/COFINS: Base de Cálculo e Seguradoras 8 Observou que, ao elaborar suas demonstrações de resultado, as instituições financeiras partiriam, para chegar à conta de resultado operacional, da rubrica receitas da intermediação financeira, que seria precisamente o seu ramo de atuação principal. (...) PIS/COFINS: Base de Cálculo e Seguradoras 9 Concluiu o relator que a proposta que submetia à Corte seria a de reconhecer que se devesse tributar tãosomente e de modo preciso aquilo que cada empresa auferisse em razão do exercício das atividades que lhe fossem próprias e típicas enquanto conferissem o seu propósito e a sua razão de ser. Dessa forma, escapariam à incidência do tributo as chamadas receitas não operacionais em geral, as receitas financeiras atípicas e outras do mesmo gênero, desde que, não constituíssem elemento principal da atividade. Não fugiriam à noção de faturamento, pois, as receitas tipicamente empresariais colhidas por bancos, seguradoras e demais empresas, que, pela peculiaridade do ramo de atuação, não se devotassem, contratual e estritamente, à venda de mercadorias ou à prestação de serviço. Salientou, por fim, não ser necessário desenvolver um rol exaustivo que correlacionasse todas as espécies possíveis de receitas aos variados tipos de atividades e objetos sociais e empresariais, bastando que se estabelecesse, com segurança, o critério jurídico, afirmandose a tese de que a expressão faturamento corresponderia à soma das receitas oriundas das atividades empresariais típicas. Esta grandeza compreenderia, além das receitas de venda de mercadorias e serviços, as receitas decorrentes do exercício efetivo do objeto social da empresa, independentemente do seu ramo de atividade, sendo que tudo o que desbordasse dessa definição específica não poderia ser tributado. Após, pediu vista dos autos o Min. Marco Aurélio. RE 400479 EDAgR/RJ, rel. Min. Cezar Peluso, 19.8.2009. (RE 400479) Este julgamento, enfim, apenas recebeu o voto do Ministro Cezar Peluso, sendo que o entendimento do Ministro não consiste em definir o que seriam a receita da venda de bens e serviços para a seguradora, mas de revisar o alcance das contribuições utilizando outro conceito: o de receita empresarial da atividade típica. 5) A Repercussão Geral no RE 609.096. Em 03/03/2011 foi reconhecida pelo STF a Repercussão Geral no Recurso Extraordinário 609.096, em acórdão com a seguinte ementa: Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 10680.724147/201100 Acórdão n.º 3403003.572 S3C4T3 Fl. 1.214 19 EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. INCIDÊNCIA. RECEITAS FINANCEIRAS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONCEITO DE FATURAMENTO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 609096 RG, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 03/03/2011, DJe080 DIVULG 29042011 PUBLIC 02052011 EMENT VOL0251201 PP00128; grifo editado) Esta Repercussão Geral foi registrada pelo STF como Tema nº 372, com a seguinte descrição: 372 a) Exigibilidade do PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras das instituições financeiras; b) Exigência de reserva de plenário para as situações em que se afasta a incidência do disposto no art. 3º, §§ 5º e 6º, da Lei nº 9.718/1998. (grifo editado) Em seu voto, o Ministro Relator concluiu o seguinte: Entendo que a controvérsia possui repercussão geral. Com efeito, o tema apresenta relevância do ponto de vista jurídico, uma vez que a definição sobre o enquadramento das receitas financeiras das instituições financeiras no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS norteará o julgamento de inúmeros processos similares, que tramitam neste e nos demais tribunais brasileiros. Ademais, a discussão também apresenta repercussão econômica porquanto a solução da questão em exame poderá ensejar relevante impacto financeiro no orçamento das referidas instituições, bem como no da Seguridade Social e no do PIS. Além disso, a matéria em debate guarda similitude com a questão tratada no RE 400.479AgRED/RJ, Rei. Min. Cezar Peluso, submetido ao julgamento do Plenário desta Corte em 18/8/2009, mas suspenso, na mesma data, em razão do pedido de vista do Min. Marco Aurélio. Destarte, com base nos motivos já expostos, verifico que a questão constitucional trazida aos autos ultrapassa o interesse subjetivo das partes que atuam neste feito, recomendando sua análise por esta Corte. Fica claro, portanto, que o próprio STF entende que ainda não existe definição a respeito de como deve acontecer – ou seja, de qual deve ser o alcance específico – da aplicação da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 em relação às instituições financeiras. Fl. 1248DF CARF MF 20 6) Síntese da questão no STF. Considerandose o itinerário e o panorama atual da questão perante o STF, constatamse os seguintes fatos: a) o Plenário do STF firmou e reiterou em regime de Repercussão Geral o entendimento pela inconstitucionalidade do alargamento pretendido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reconhecendo que tal entendimento tem a implicação prática de circunscrever a incidência da contribuição às receitas decorrentes da venda de bens e de serviços; b) as decisões existentes, proferidas pelo STF, não se baseiam na distinção entre os conceitos de receita operacional e nãooperacional, nem utilizam o conceito de “receita da atividade empresarial típica” como conceito delimitador do âmbito de incidência de PIS/Cofins; c) o STF entende que ainda é necessário promover julgamento especificamente a respeito do alcance do conceito de faturamento em relação às instituições financeiras, questão que ainda aguarda julgamento. Estes fatos, por sua vez, permitem concluir que o STF não avalizou o entendimento de que a aplicação da declaração de inconstitucionalidade em relação às instituições financeiras implicaria forçosamente em que as receitas financeiras obtidas por estas instituições estariam excluídas do conceito de venda de bens e de serviços. Esperase, com efeito, que o julgamento da Repercussão Geral no RE 609.096 promova a aplicação da declaração de inconstitucionalidade em relação às instituições financeiras, delimitando com precisão os seus efeitos em relação a estas instituições. Contudo, repisese, não se pode dizer que exista definição pelo STF de qual é o alcance do conceito de receita da venda de bens e de serviços para as instituições financeiras e equiparadas. 7) O caso concreto. Em relação à Cofins, conforme relatado, o contribuinte propôs ação judicial específica, na qual foi proferida decisão final pelo próprio pelo STF, com trânsito em julgado, reconhecendo a inconstitucionalidade e afastando em relação ao contribuinte o alargamento da base de cálculo prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. A decisão no caso concreto do contribuinte foi proferida em termos idênticos aquele primeiro julgamento do Plenário do STF, que afastou o alargamento da base de cálculo em relação aos contribuintes em geral. Estáse diante da tarefa, portanto, de buscar os contornos concretos para a aplicação da decisão judicial proferida no caso concreto do contribuinte, cujo comando é pela inconstitucionalidade do alargamento previsto no art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, por entender que tal ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição, com isso limitando o seu alcance à receita da venda de mercadorias e serviços. A tarefa, pois, consiste em delimitar o alcance do conceito de receita da venda de mercadorias e de serviços em relação ao contribuinte em questão, que é um banco. Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 10680.724147/201100 Acórdão n.º 3403003.572 S3C4T3 Fl. 1.215 21 O plano de contas das instituições financeiras apresenta a seguinte discriminação de rubricas: 7.1.0.00.008 RECEITAS OPERACIONAIS RECEITAS FINANCEIRAS 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito 7.1.4.00.000 Rendas Aplicação Interf. Liquidez 7.1.5.00.003 Rendas D/Tit. E Valores Mobiliários Outras Receitas Operacionais RECEITAS PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS 7.1.7.00.009 Rendas da Prestação Serviços RECEITAS NÃO OPERACIONAIS 7.3.9.00.003 Outras Receitas n/ Operacionais Como visto, as receitas operacionais são divididas entre receitas financeiras e receitas de prestação de serviços. Não há dúvida de que a contribuição incide sobre as receitas da conta 7.1.7.00.009 Rendas da Prestação Serviços, com o que concordam o contribuinte e a Fiscalização, desejando o contribuinte, no entanto, que o alcance das contribuições seja confinado única e exclusivamente a esta conta. A questão, ao ver deste Relator, consistiria em saber se as receitas financeiras podem ser alcançadas pelo conceito de receita de serviço, para assim aferir se foi respeitada a decisão judicial proferida no caso concreto do contribuinte. A decisão judicial proferida no caso concreto do contribuinte não diz que a contribuição deve alcançar a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresarias. O conceito de “receitas oriundas do exercício das atividades empresarias” é categoricamente distinto do conceito de “receita da venda de bens e da prestação de serviços”. Tanto é diferente, que o voto proferido pelo Ministro Cezar Peluso no Recurso Extraordinário nº 400.479 adotou este novo conceito com a expressa intenção de alterar o entendimento esposado pelo Plenário do STF nos julgamentos anteriores, cuja origem remonta ao Recurso Extraordinário nº 346.084. Ocorre que a decisão judicial proferida no caso concreto do contribuinte aplica o mesmo entendimento firmado no Recurso Extraordinário nº 346.084, delimitando a incidência da contribuição à receita da venda de bens e de serviços. Cumpre delimitar, portanto, qual poderia ser o alcance deste conceito em relação às instituições financeiras. Fl. 1250DF CARF MF 22 O Recorrente argumenta que “O conceito de faturamento é uno e não varia por razões ligadas à pessoa que o aufere, não havendo motivos para a inclusão das receitas operacionais (especificamente as de intermediação financeira) na base de cálculo da Cofins devida pelas instituições financeiras e entidades assemelhadas. Nesse contexto, não restam dúvidas de que os serviços das instituições financeiras, enquanto as receitas financeiras decorrentes de operações bancárias (empréstimos, financiamentos, etc.) estão fora do conceito de “faturamento”, que é a base de cálculo do Cofins”. De fato o critério de delimitação da incidência não é a receita operacional, mas a receita da venda de bens e serviços. Ocorre que desde o Despacho Decisório, baseandose em Parecer da PGFN, sustenta o Fisco que o conceito de venda de serviços, no caso das instituições financeiras, alcançam as receitas financeiras, porquanto representativas de serviços financeiros. De fato, não parece legítimo apoiarse na distinção entre obrigação de fazer e obrigação de dar, para confinar o conceito de receita de serviços aos ingressos obtidos por atividades que envolvessem exclusivamente uma obrigação de fazer, ou expurgando atividades que envolvessem a obrigação de dar, tal como se fosse possível, diante da complexidade do feixe de obrigações envolvidas, categorizar os contratos e isolar as atividades econômicas hermeticamente em tais classes de obrigação. O Código Civil – CC (Lei nº 10.406/01, arts. 593 a 604) define prestação de serviços como “toda a espécie de serviço ou trabalho lícito, material ou imaterial”, “contratado mediante retribuição” para “execução de certa e determinada obra ou serviço”, que seja “prestado por quem possua título de habilitação, ou satisfaça requisitos outros estabelecidos em lei, e não estiver sujeito às leis trabalhistas ou a lei especial”, do que resta claro que não se resume à atividade em si mesma considerada, mas também ao resultado obtido de tal atividade. O Código de Defesa do Consumidor – CDC (Lei nº 8.078/90, art. 3º, §2º), por sua vez, define serviço como “qualquer atividade” de pessoa física ou jurídica “fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, abrangendo inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, excepcionando apenas as decorrentes das relações de caráter trabalhista. Diante destes textos legais, ainda que se levasse ao extremo a referida classificação entre obrigação de dar e fazer, para dizer que uma pura obrigação de dar não configuraria prestação de serviço, ainda assim não parece possível dizer que o feixe de obrigações e atividades que envolvem a atividade financeira dos bancos poderia ser qualificada como uma pura e exclusiva obrigação de dar. Mais: o conceito decisivo para o caso é o de “receita da venda” de bens e serviços, o que revela que seu alcance primário parte do conceito de receita, e não do pinçamento e isolamento do conceito estrito de venda de bens e do conceito estrito de prestação de serviço. O que se quer dizer com isso é que ao se referir à receita da venda de serviços, buscouse alcançar toda a gama de atividades econômicas que envolvem o setor terciário da economia. Como se sabe a atividade de serviços inserese no setor terciário da economia, distinguindose das atividades dos setores primário (atividades de extração e Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 10680.724147/201100 Acórdão n.º 3403003.572 S3C4T3 Fl. 1.216 23 produção de matériaprima) e secundário (atividades de transformação de matéria prima em produtos manufaturados para o consumo e construção civil). O setor terciário, com efeito, envolve a comercialização de mercadorias em geral e a prestação de serviços em geral. Pela mesmo motivo, não assiste razão ao Recorrente quando sustenta que o fato de determinadas atividades não figurarem na lista anexa à Lei Complementar nº 116/2003 – que lista os serviços que podem ser submetidos à incidência do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) – exigiria reconhecer que tais atividades não configurariam um serviço. O inverso pode ser verdade: uma atividade listada no referida Lei Complementar deve ser tratada como serviço, inclusive para o reconhecimento de que as receitas obtidas como retribuição pela referida atividade configuram receita de venda de serviços. Mas não se pode dizer, como quer o Recorrente, que o simples fato de não ser prevista na lista exigiria negar à atividade a qualidade de serviço, ou recusar aos pagamentos recebidos por tal atividade a qualidade de receita pela venda de serviços. Mesmo porque, a Constituição outorga aos Municípios a competência para instituir “serviços de qualquer natureza, não compreendidos no art. 155, II, definidos em lei complementar”, de maneira que nem a lei complementar fica obrigada a abranger todos os tipos de serviços existentes, nem o Município fica obrigado a instituir o impostos em relação a todos os serviços previstos na lei complementar. Ou seja, fica claro que pode haver serviços que, não estando listados na lei municipal ou na lei complementar, não estarão sujeitos ao ISS, não significando isto, contudo, que deixe de ser um serviço, nem que os pagamentos realizados por tal atividade possam deixar de ser tratadas, por que recebe, como receita da venda de serviços. 8) Conclusão Considerando que o STF não se pronunciou no sentido de que a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 implicaria em retirar do conceito de faturamento das instituições financeiras as receitas financeiras auferidas por estas instituições, mas justamente que o Plenário entendeu pela necessidade de reconhecer a Repercussão Geral deste tema, ficando expresso que ainda será definido pelo STF qual o alcance concreto da referida declaração de inconstitucionalidade em relação às instituições financeiras, entendo que não se configura violação da coisa julgada na tarefa empreendida de pesquisar e definir qual deve ser o alcance do conceito de “receita da venda de bens e serviços” em relação à Recorrente. Diante, pois, da falta de definição pelo próprio STF – seja no caso concreto do Recorrente, seja em relação às instituições financeiras em geral – quanto ao alcance da declaração de inconstitucionalidade em relação às instituições financeiras, tornase plausível e adequado adotar em âmbito administrativo a interpretação de que a receita da venda de bens e serviços em relação aos bancos deve abranger as receitas financeiras decorrentes das atividades desenvolvidas no mercado financeiro, por configurarem serviços financeiros. Fl. 1252DF CARF MF 24 Pelas razões expostas, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 1253DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10740.720002/2014-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
CRÉDITOS BÁSICOS. OPERAÇÕES SIMULADAS. GLOSAS. Comprovado que as operações de compras dos bens que geraram os créditos aproveitados foram simuladas, glosam-se os valores indevidamente creditados, exigindo-se de ofício as diferenças apuradas, decorrentes dessas glosas.
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. SIMULAÇÃO. FRAUDE DEMONSTRADA. O aproveitamento de créditos básicos, mediante a simulação de operações que não correspondem à realidade da transação comercial, inclusive, com compras de notas fiscais e/ ou emitidas com o fim específico de gerar os créditos fictícios, implica no agravamento da multa.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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OPERAÇÕES SIMULADAS. GLOSAS. Comprovado que as operações de compras dos bens que geraram os créditos aproveitados foram simuladas, glosamse os valores indevidamente creditados, exigindose de ofício as diferenças apuradas, decorrentes dessas glosas. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. SIMULAÇÃO. FRAUDE DEMONSTRADA. O aproveitamento de créditos básicos, mediante a simulação de operações que não correspondem à realidade da transação comercial, inclusive, com compras de notas fiscais e/ ou emitidas com o fim específico de gerar os créditos fictícios, implica no agravamento da multa. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 0. 72 00 02 /2 01 4- 12 Fl. 636DF CARF MF Processo nº 10740.720002/201412 Acórdão n.º 3301003.226 S3C3T1 Fl. 11 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da 17ª Turma da DRJ/RJ1 que julgou improcedente a impugnação interposta contra os lançamentos das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), referentes aos fatos geradores ocorridos nos períodos 01/01/2010 a 31/12/2010. Os lançamentos decorreram da glosa dos créditos do PIS e da Cofins aproveitados indevidamente sobre notas fiscais fraudadas, emitidas por pseudoatacadistas de café, conforme demonstrado no Termo de Encerramento da Ação Fiscal às fls. 341/448, parte integrante de ambos os autos de infração. As principais controvérsias destes autos são a existência de um esquema fraudulento de constituição de empresas visando às vantagens tributárias indevidas, consistentes em creditamento ilícito de PIS e Cofins e a participação da Recorrente nesse esquema. Acolho o relatório da decisão recorrida para análise dos pormenores do caso em comento: Trata o presente processo de Auto de Infração relativo ao PIS, períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2010 (fls. 433/439), no valor total de R$ 1.169.986,39, incluindo principal, juros de mora e multa de ofício de 150%. Foi também lavrado Auto de Infração relativo à COFINS, abrangendo os mesmos períodos de apuração (fls. 440/447), no valor total de R$ 5.389.028,48, incluindo principal, juros de mora e multa de ofício de 150%. Os valores apurados como devidos decorrem da glosa de créditos considerados indevidos e fictícios, derivados da aplicação do regime da incidência nãocumulativa das referidas contribuições. No Termo de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 341/431), parte integrante e comum dos autos de infração, constituído de 91 folhas, a Fiscalização buscou fundamentar o alegado, acima resumido, mediante um conjunto de depoimentos reduzidos a termo, prova documental, e documentos encaminhados pela Polícia Federal e Ministério Público. Cabe sintetizar, neste relatório, parte do referido Termo, cujo conteúdo foi decisivo para lavratura dos Autos de Infração, ora sob análise. Na peça, os AFRFB autuantes aduzem que: a) A fiscalização teve como escopo a verificação de pretensos créditos deduzidos dos valores devidos das contribuições não cumulativas para o PIS/COFINS, bem como utilizados nos pedidos de ressarcimento/compensação por meio de PER/DCOMP; b) As provas arregimentadas na presente ação fiscal, provenientes das investigações originadas na operação fiscal TEMPO DE COLHEITA Fl. 637DF CARF MF Processo nº 10740.720002/201412 Acórdão n.º 3301003.226 S3C3T1 Fl. 12 3 deflagrada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES, em outubro de 2007, e da operação BROCA, fruto da parceria entre o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal, comprovaram que os sócios da EXPORTADORA DE CAFÉ ASTOLPHO S/A, principalmente MARCOS ALEXANDRINO MARTINS ASTOLPHO, detinham sólido conhecimento a respeito do esquema da interposição fraudulenta de pseudo atacadistas na cadeia de comercialização de café, quer indicandoas para documentar falsamente as compras de café de produtores rurais/maquinistas, quer valendose das notas fiscais das mesmas em operações intermediadas por corretores; c) Nesta ação fiscal, verificouse que a EXPORTADORA DE CAFÉ ASTOLPHO S/A lançou mão de outras pseudoatacadistas, além daquelas já identificadas em ação fiscal anterior, anoscalendário de 2006 a 2009, visando dissimular compras de café de pessoas físicas (produtores rurais/maquinistas), e assim se apropriar fraudulentamente dos créditos PIS/COFINS; d) Os fatos apurados no decorrer da ação fiscal evidenciaram, em tese, crime contra a ordem tributária tipificado no art. 1º, inciso I, II e IV da Lei nº 8.137, de 27/12/1990, pela supressão dolosa de tributos devidos, bem como no art. 2º, inciso I, da precitada lei, por eximirse mediante fraude de pagamentos de tributos; e) A ação fiscal anterior, realizada em face da EXPORTADORA DE CAFÉ ASTOLPHO S/A, relativamente aos anoscalendário de 2006 a 2009, encontrase consubstanciada no processo administrativo nº 10783.725179 201166. O citado processo foi objeto de análise por parte da 17ª Turma da DRJ/RJ1 em face da apresentação de impugnação e, nos termos do Acórdão nº 1248.363, de 19/07/2012, por unanimidade de votos, julgouse improcedente a impugnação. OCARF, também por unanimidade de votos, negoulhe provimento; f) A existência de empresas pseudoatacadistas e o modo delas operarem é de pleno conhecimento por parte da EXPORTADORA DE CAFÉ ASTOLPHO S/A, quer se omitindo em relação a umas, quer operando com outras. Conforme demonstram os documentos e esclarecimentos coletados no curso das investigações patrocinadas pela DRF VIT/ES, bem como os apreendidos na OPERAÇÃO BROCA, a EXPORTADORA DE CAFÉ ASTOLPHO S/A utilizouse de meios ilícitos para a obtenção de crédito tributário, o que afasta os limites impostos pela boafé; g) A fraude visou diminuir a carga tributária da empresa na comercialização no mercado interno. Pior: nas vendas ao mercado externo, cujas operações estão isentas da incidência do PIS/COFINS, o esquema gerou créditos ilícitos de 9,25% sobre o valor das compras, o que representa um ganho financeiro extraordinário; h) Na primeira ação fiscal, período de 2006 a 2009, o volume de notas fiscais de empresas de fachada apropriadas ilicitamente pela EXPORTADORA DE Fl. 638DF CARF MF Processo nº 10740.720002/201412 Acórdão n.º 3301003.226 S3C3T1 Fl. 13 4 CAFÉ ASTOLPHO S/A alcançou a cifra de aproximadamente R$ 132.000.000,00. Somente em relação às pseudoatacadistas COLÚMBIA, L&L, DO GRÃO e V. MUNALDI foram quase R$ 18 milhões em notas fiscais apropriadas ilicitamente; i) A DRF/VTA/ES recebeu, por meio do Ofício OF/GETPOT/Nº 91/2008, de 1º/04/2008, do MPES CD’s contendo documentos digitalizados decorrentes da busca e apreensão. Planilhas de controle de compras e outros documentos apreendidos fazem clara distinção entre o vendedor do café e o emissor da nota fiscal; j) Repetemse no período analisado algumas empresas laranjas envolvidas nas operações do período analisado anteriormente, a saber: YPIRANGA, CONILON NORTE. P.A. DE CRISTO e WR DA SILVA; k) A essas se juntaram outras novas empresas laranjas, por exemplo, NORTE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS, RODRIGO SIQUEIRA, R. ARAÚJO CAFECOL MERCANTIL, W.R. DA SILVA, CAPARAÓ COMÉRCIO DE CEREAIS, NOVA BRASÍLIA, PRINCESA DO NORTE, CAFEEIRA ARRUDA e outras; l) Com base no valor dos BENS PARA REVENDA constantes dos DACON´S e nas Planilhas de Memória de Cálculo encaminhadas à fiscalização, foi possível identificar os supostos fornecedores utilizados pela EXPORTADORA ASTOLPHO como forma de dissimular compras de café de produtor e assim creditarse ilicitamente dos créditos do PIS/COFINS, relacionados em fl. 413; m) Com relação ao mês 08/2010, o contribuinte informou de forma equivocada, e em duplicidade, o valor de R$ 2.224.415,00 referente às aquisições de café provenientes de PESSOAS FÍSICAS como sendo de PESSOA JURÍDICA. Tal quantia foi expurgada do cálculo do rateio do crédito integral. Estas aquisições já estavam rateadas para fins de apuração do crédito presumido – atividade agroindustrial; n) Sendo as aquisições de café realizadas de pessoas físicas, efetuouse a glosa dos créditos integrais indevidos e compensados pela fiscalizada. Nos termos da legislação pertinente, a EXPORTADORA DE CAFÉ ASTOLPHO S/A tem direito ao respectivo crédito presumido; o) Efetuouse a RECOMPOSIÇÃO dos saldos dos créditos decorrentes de operações do mercado interno. Ao final, lançouse de ofício as contribuições do PIS e da COFINS devidas em razão da dedução indevida de supostos créditos pautados em notas fiscais de empresas laranjas; p) A fiscalização elaborou o DEMONSTRATIVO DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS NÃO CUMULATIVOS, anexo ao Termo; q) Conforme mostrado no DEMONSTRATIVO citado, a recomposição dos créditos a descontar do PIS/COFINS nãocumulativos resultou em saldo a Fl. 639DF CARF MF Processo nº 10740.720002/201412 Acórdão n.º 3301003.226 S3C3T1 Fl. 14 5 pagar dessas contribuições, objeto de lançamento de ofício e principalmente no NÃO RECONHECIMENTO INTEGRAL dos créditos pleiteados nos PEDIDOS DE RESSARCIMENTO; r) Procedeuse o lançamento de ofício para constituição do crédito tributário relativo às seguintes multas isoladas: (a) sobre o valor total do débito indevidamente compensado, nos termos do art. 18 da Lei nº 10.833/2003; (b) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido/indevido, de acordo com o parágrafo 16 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010, c/c art. 139; s) Dos fatos narrados e considerando a atitude dolosa da fiscalizada de reduzir o montante devido das contribuições sociais, foi aplicada a multa de ofício de 150% sobre os valores das contribuições PIS/Cofins lançados em decorrência da falta/insuficiência de recolhimento do PIS e Cofins. O “Termo de Encerramento da Ação Fiscal” contém cópias de provas documentais, relatos detalhados e demonstrativos dos cálculos efetuados. A base legal dos lançamentos de PIS/Cofins encontrase descrita no corpo dos autos de infração, às fls. 435 (PIS) e 442 (COFINS). A base do lançamento da multa de ofício e dos juros de mora encontrase às fls. 439 (PIS) e 446 (COFINS). Devidamente cientificada, a autuada apresentou a Impugnação anexada às fls. 454/490, na qual alegou, em síntese, que: a) o Decreto nº 70.235/72 possibilita ao impugnante, instaurada a litigiosa do processo administrativo, pugnar pela produção de provas, requerendo assim, diligência e perícias; b) os Auditores fizeram uso de prova emprestada das Operações Tempo de Colheita e Broca, sendo que a impugnante não foi alvo de nenhuma destas duas ações fiscais; c) não teve acesso ao processo físico, tendo recebido um CD com toda a documentação que os Auditores ‘acharam’ necessária para a confecção da defesa; d) transcorrera mais de 60 dias entre a primeira intimação, expedida em 12/07/2013 e a segunda solicitação de esclarecimentos, em 12/11/2013, sem que fosse feita nova prorrogação, assim, é nula autuação; e) não está comprovada a máfé da impugnante, mas a de outros, em especial, a de comerciantes de café do norte do ES; f) a impugnante foi vítima de armação criada no norte do estado, razão pela qual os documentos que comprovam a fraude praticada por outras empresas, Fl. 640DF CARF MF Processo nº 10740.720002/201412 Acórdão n.º 3301003.226 S3C3T1 Fl. 15 6 em conluio com corretores, produtores rurais e maquinistas não pode ser lhe imputada; g) estamos diante do uso de prova emprestada onde na maioria delas sequer é citado o nome da empresa impugnante, seus dirigentes ou funcionários; h) o fato de veículos da família e empregados da impugnante estarem vinculados ao transporte de mercadorias que eram destinadas ao Armazém Geral Astolpho nada denuncia senão a prestação de um serviço agregado a outro; i) não há que se falar de glosa de créditos de PIS/Cofins, quando não existe a declaração de inidoneidade formalizada; e, ainda que exista, deve ser observada a delimitação de espaço, tempo e as excludentes do art. 82 da Lei nº 9.430/96; j) buscou, periodicamente, junto à RFB e a SEFAZ a certeza de que os CNPJ e as Inscrições Estaduais estavam ativas e regulares, como também verificou saber se havia certidões negativas, além disso, comprou, recebeu e pagou pelas mercadorias, assim, não há que se falar em máfé da impugnante; k) inegável a necessidade de ser decretada a nulidade integral dos autos de infração, ante os erros e omissões de apuração, gerando assim valores imprecisos do PIS e Cofins, multa e juros de mora; l) também se evidencia um erro prejudicial à impugnante o indeferimento de todos os pedidos de compensação e/ou ressarcimento, uma vez demonstrado que várias empresas fornecedoras da impugnante não tiveram sua inaptidão declarada; m) o Fisco não aponta a efetiva participação da impugnante no suposto esquema de fraude à Fazenda; n) a Impugnante não pode ser responsabilizada por atos de terceiros, descabendo a imputação de máfé; o) comprovado que inexistiu máfé não há que se falar em multas de ofício, juros de mora, negativa de pedidos de ressarcimento ou compensação, devendo ser decretada a nulidade dos autos, com o cancelamento das multas e o deferimento dos pedidos de compensação e ressarcimento; p) não há que se falar em imputação penal, posto que não inclusa a impugnante e seus dirigentes nas práticas delituosas tipificadas na lei. A impugnante junta documentos e, com base na argumentação expendida, requer que: a) sejam apreciadas e deferidas as preliminares, como também deferidas as diligências; Fl. 641DF CARF MF Processo nº 10740.720002/201412 Acórdão n.º 3301003.226 S3C3T1 Fl. 16 7 b) seja deferida a reprodução integral do feito, com prazo de 30 dias para emenda da impugnação e juntada de novos documentos; c) prazo para os auditores apresentarem sua contraposição; d) sejam apreciados e analisados todos os pedidos e pontos da impugnação; e) seja julgada procedente a impugnação, anulando o auto de infração, isentando a impugnante de toda a imputação atribuída; f) seja admitida a produção de novas provas especialmente por diligências e perícias; g) sejam juntados os documentos anexos e sejam anotados os dados dos advogados na capa do processo. Em 24 de julho de 2014, a 17ª Turma da DRJ/RJ1, no Acórdão nº 1267.119, julgou improcedente a impugnação, com decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos. USO DE INTERPOSTA PESSOA. INEXISTÊNCIA DE FINALIDADE COMERCIAL. DANO AO ERÁRIO. CARACTERIZADO. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública. MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE. QUALIFICAÇÃO. A multa de ofício qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada, consistente de ato destinado a iludir a Administração Fiscal quanto aos efeitos do fato gerador da obrigação tributária, mormente em situação fraudulenta, planejada e executada mediante ajuste doloso. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 NULIDADE. Não padece de nulidade a decisão, lavrada por autoridade competente, contra a qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSÁRIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência (ou perícia) quando a sua realização revelese prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ELEMENTOS DE PROVA. A prova deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10740.720002/201412 Acórdão n.º 3301003.226 S3C3T1 Fl. 17 8 direito de fazêlo em outro momento processual, por força do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Inconformada, a Recorrente intentou tempestivamente o seu recurso voluntário, oportunidade em que repisou os exatos termos de sua impugnação, com exceção da colocação do anexo I. Este anexo I, que constou na peça impugnatória ao lançamento, requeria diligência para acesso irrestrito a toda a prova emprestada das operações Tempo de Colheita e Broca, bem como coleta de informações junto a todas as empresas citadas nas operações. Consta que o processo nº 10740.720004/201410 destinase à constituição e exigência de multas isoladas, o qual se encontra distribuído para esta relatora e é objeto de julgamento nesta mesma oportunidade. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Preliminar Alega a Recorrente que os elementos utilizados para construção do quadro fáctico geral do auto de infração são ilícitos, por serem provas emprestadas resultado de processos fiscalizatórios dos quais a empresa não figurava como parte. As provas colacionadas aos autos são provenientes das investigações originadas na operação fiscal TEMPO DE COLHEITA deflagrada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES, em outubro de 2007, e da operação BROCA, fruto da parceria entre o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal. A decisão recorrida explica os procedimentos de coleta da prova documental: Quanto à prova, inicialmente registrese que os depoimentos amealhados na fase de investigação estão convertidos em Termos de Declaração juntados aos autos, devidamente assinados pelos depoentes, onde não se vislumbra traço de coação, inclusive muitos acompanhados de advogados, por isto mesmo lícitos. Não há elementos nos autos para imputar a nenhum dos depoentes a qualidade de interessado no julgamento contra o autuado, ou a existência de alguma relação (exceto de natureza comercial ou negocial) entre a impugnante e os depoentes (ou de seus parentes) que implique interesse no resultado da decisão administrativa negativa da perspectiva do autuado. Ao contrário, a decisão administrativa favorável ao recorrente seria de maior interesse para muitos dos depoentes, que de algum modo podem ser responsabilizados na medida de participação, em tese, no esquema de simulação/dissimulação Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10740.720002/201412 Acórdão n.º 3301003.226 S3C3T1 Fl. 18 9 dos atos comerciais sub examine. Assim, a acusação de que foi vítima de armação criada no norte do estado perde substância. Acrescentese que não há vício na coleta dos elementos probatórios documentais, porquanto foram obtidos no bojo da Operação Broca que deflagrada como desdobramento da Operação Tempo de Colheita decorreu de ação conjunta da Receita Federal, do Ministério Público Federal e da Polícia Federal. A partir do resultado obtido desse esforço conjunto, cada instituição atuou com os elementos que são pertinentes às suas funções legais e constitucionais. Assim, entendese como desarrazoada a alegação de que a Receita Federal não poderia utilizar elementos colhidos nas citadas operações, pois da ação participou. Além disso, o Ministério Público do Espírito Santo – Grupo GETPOT – encaminhou, por meio do Ofício OF/GETPOT/Nº 91/2008, de 1º/04/2008, à Receita Federal documentos apreendidos na operação deflagrada (fl. 103). O Ministério Público Federal, titular da ação penal, encaminhou, mediante autorização judicial, à Receita Federal documentos relativos à Operação Broca por entender haver neles nítido interesse. Portanto, não há falar nesta quadra de ‘prova emprestada’, muito menos de documentos obtidos ilicitamente, e, em consequência, não há falar de mácula no procedimento fiscal. Consta nos autos, que a empresa teve acesso a todos os depoimentos e documentos, bem como foi exercido o amplo direito de defesa mediante contraditório regularmente instaurado, tendo sido ofertada a impugnação ao lançamento e apresentado o presente recurso voluntário, nessas oportunidades a Recorrente até citou trechos dos depoimentos, o que demonstram o seu amplo conhecimento dos fatos. Quanto ao MPF, este tem tripla função: a) materializa a decisão da administração, trazendo implícita a fundamentação requerida para a execução do trabalho de auditoria fiscal; b) atende ao princípio constitucional da cientificação e define o escopo da fiscalização; e, c) reverencia o princípio da pessoalidade. Não há nulidade do MPF por prorrogação dos prazos, que pode ser realizada por quantas vezes for necessário, observado, em cada caso, o prazo máximo de 120 dias, conforme os art. 12, 13 e 14 da Portaria RFB nº 4.066, de 02/05/2007. Ademais, a autuação está exaustivamente fundamentada nos dispositivos legais que a regem e a descrição dos fatos já conduz às situações jurídicas que desencadearam o lançamento, pois a narração é clara, não deixando qualquer dúvida quanto ao fato imputado, o que permitiu à Recorrente identificar o fundamento da exigência fiscal. Por outro lado, também não vislumbro outras nulidades no auto de infração, por ausência de violação às prescrições dos artigos 142 do CTN, 10 e 59 do Decreto nº 70.235/1972, pois restando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, e estando presentes nos autos todos os documentos que serviram de base para a autuação sob exame, não há que se falar em cerceamento de defesa. Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10740.720002/201412 Acórdão n.º 3301003.226 S3C3T1 Fl. 19 10 Desse modo, devem ser afastadas com veemência as alegações da Recorrente de nulidade do auto de infração, pois são retóricas, genéricas e desprovidas de qualquer elemento de prova. Mérito Glosa dos Créditos de PIS e Cofins nas Aquisições de PseudoAtacadistas As glosas dos créditos básicos de PIS e Cofins tiveram como fundamento a simulação de operações de compra de café de produtores rurais (pessoas físicas), mediante a utilização de pessoas jurídicas fictícias e/ ou criadas com o fim específico de simular as compras como se fossem destas, com vistas a gerar créditos destas contribuições. Do exame do Termo de Encerramento da Ação Fiscal, efls. 341/448, verificase que as operações simuladas foram provadas por meio de documentos, depoimentos e declarações das pessoas físicas e jurídicas que participaram do esquema fraudulento. A fiscalização demonstrou que as pessoas jurídicas que emitiram as notas fiscais, em valores elevados, não tinham capacidades financeiras nem espaços físicos que permitissem tais operações, sendo que a maioria delas eram inativas perante a Secretaria da Receita Federal. As notas fiscais, a documentação contábil, os depoimentos, todo o material anexado aos autos comprovam a operação simulada na compra do café, ou seja, foram colocadas fraudulentamente entre o produtor rural e os verdadeiros adquirentes do café, as empresas atacadistas que só existiam para emissão de nota fiscal intermediária para permitir o aproveitamento indevido de créditos de PIS e Cofins em sua integralidade. Por isso, transcrevese parte do relatório da autoridade fiscal, que descreve o modus operandi do esquema, sintetizando todo o volume de documentos arrolados: No início das investigações no Espírito Santo, ANTÔNIO GAVA, sócio da COLÚMBIA, situada em COLATINA/ES, em breve palavras contidas nas declarações prestadas em 30/11/2007, apontou para o esquema de venda de notas fiscais da COLÚMBIA para guiar café de produtor: 4) Que a COLUMBIA funciona como recebedora da nota fiscal do produtor e emissora da nota fiscal de saída, que vai para o real proprietário do café, ou melhor, o verdadeiro comprador do café; 5) O real comprador do café adquire o produto do produtor rural por intermédio de corretores de café; 6) Que os compradores de café efetuam depósitos nas contas correntes da COLUMBIA, e esta efetua o pagamento aos produtores rurais. Em seguida, a V. MUNALDI surgiu como mais uma “firma” vendedora de nota. Em 28/02/2008, ALTAIR BRÁZ ALVES, da V. MUNALDI, revelou o esquema: 13) Que a empresa V. MUNALDIME nunca foi atacadista de café; que sequer atuou no seguimento de compra e venda de café; 14) Que a V.MUNALDIME foi criada unicamente com o objetivo de fornecer notas fiscais para os verdadeiros compradores (destinatários finais) de café; que o adquiriam diretamente dos produtores rurais; Fl. 645DF CARF MF Processo nº 10740.720002/201412 Acórdão n.º 3301003.226 S3C3T1 Fl. 20 11 15) Que a V.MUNALDIME recebia a nota fiscal do produtor rural por intermédio de um Officeboy do verdadeiro comprador de café, e, em seguida, emitia uma nota fiscal de entrada, e na, mesma data, emitia uma nota fiscal de saída para o verdadeiro comprador de café; 16) Que, em regra, antes de receber a via original da nota fiscal do produtor rural, a própria empresa compradora do café encaminhava, via fax, a referida nota à V.MUNALDIME, para fins de emissão de notas fiscais de entrada e de saída; 17) Que, em regra, as notas fiscais de entrada e de saída da V.MUNALDIME eram emitidas na mesma data da nota fiscal do produtor rural; 18) A nota fiscal de saída emitida pela V.MUNALDIME era entregue ao Office boy da real empresa compradora do café; 19) Que, na verdade, a operação de compra de café se dava diretamente entre o comprador final de café e o produtor rural, sendo que a V. MUNALDIME funcionava exclusivamente como repassadora de recursos financeiros das empresas compradoras de café para os produtores rurais; os quais recebiam os valores mediante depósitos em suas contas bancárias; 20) Os verdadeiros compradores de café remetiam os recursos financeiros para as contas correntes titularizadas em nome da V.MUNALDIME, que eram utilizadas para pagamento aos produtores rurais; 21) Quando os compradores eram de outros estados estes incluíam nos recursos depositados na conta corrente da V.MUNALDIME o valor referente ao ICMS que era, posteriormente, recolhido em nome da empresa V.MUNALDIME; 22) Que o declarante nunca teve qualquer contato com os produtores rurais no que tange às operações descritas nas notas fiscais do produtor, recebidas pela V.MUNALDIME; 24) Que o declarante informou que a V.MUNALDIME recebia em torno de R$ 0,35 (trinta e cinco centavos) a R$ 0,50 (cinquenta centavos), por saca de café, a título de comissão; 25) O declarante informa que quando o café era destinado à armazenagem era emitida uma nota fiscal de produtor rural na qual constava como local de descarga um armazém geral do próprio comprador; e a V.MUNALDI, por sua vez, emitia uma nota fiscal de saída de simples remessa para o armazém. Posteriormente, o armazém emitia uma nota fiscal de devolução do café para a V.MUNALDIME e esta emitia uma nota fiscal de saída (venda) para a real compradora do café; 26) Em outros casos constava, ficticiamente, na nota fiscal do produtor rural como local de descarga a própria V.MUNALDIME; e esta por sua vez emitia uma nota fiscal de saída (venda fictícia) para o verdadeiro adquirente do produtor rural. Em 06/03/2008, em resposta às indagações fiscais, COLÚMBIA, ACÁDIA, DO GRÃO e L & L, todas de COLATINA/ES, manifestaramse de igual teor. Fl. 646DF CARF MF Processo nº 10740.720002/201412 Acórdão n.º 3301003.226 S3C3T1 Fl. 21 12 Relataram à época que não possuíam imóveis, veículos, tampouco funcionários, e que, quando havia necessidade, contratavam serviços terceirizados de motoboy para entrega de documentos. Quanto à origem dos recursos creditados nas contascorrentes, afirmaram categoricamente que eram recursos que pertenciam a terceiros compradores do café: Os recursos transitados pela conta da (...) [COLÚMBIA, ACÁDIA, DO GRÃO e L & L] são dos compradores do café, sejam estes corretoras de contratos futuros, especuladores de mercado, indústrias, torrefadores, cerealistas, atacadistas ou exportadores. Asseveraram que NÃO são e NUNCA foram empresas COMERCIALIZADORAS ou ATACADISTAS de café: (...) [COLÚMBIA, ACÁDIA, DO GRÃO e L & L], assim, afirma que, na verdade, não é e nunca foi uma COMERCIALIZADORA ou ATACADISTA de café e sim, sempre foi uma simples agente de comércio, ou seja, um corretor pessoa física, transformado por imposição dos compradores (que são poucos e poderosos) em pessoa jurídica. Esclareceram que, em alguns casos, os compradores entravam em contato com a COLÚMBIA, ACÁDIA, DO GRÃO e L & L informando que estavam no mercado comprando café e elas localizavam os vendedores (produtores rurais/maquinistas) e retornavam a informação às compradoras. Em alguns casos, o destinatário final entrava em contato com (...) [COLÚMBIA, ACÁDIA, DO GRÃO e L & L] informando que está precisando de um determinado número de sacas de café; especificando a qualidade, quantidade, tipo de embalagem, preço ofertado por saca, prazo de pagamento, etc. De posse desta informação (...) [COLÚMBIA, ACÁDIA, DO GRÃO e L & L] localizava produtores interessados na venda do produto. Encontrando o vendedor, (...) [COLÚMBIA, ACÁDIA, DO GRÃO e L & L] entrava em contato com o Comprador e informava que já tinha localizado a sua encomenda. Recebida a informação de quem era o vendedor, o comprador poderia ou não fazer contato com o mesmo. Certo é que o comprador depositava o valor na conta da COLÚMBIA, ACÁDIA, DO GRÃO e L & L e “exigia que o produtor ‘guiasse’ o produto com nota de produtor para a fiscalizada”. E prosseguem relatando que: recebendo a nota fiscal do produtor, liberavam para este o valor da venda e emitiam em seguida uma nota fiscal própria de venda para a Compradora e: (...) retendo em favor da (...) [COLÚMBIA, ACÁDIA, DO GRÃO e L & L] apenas sua parte do negócio, ou seja, de R$0,15 a R$0,30 por saca. Este valor poderia chegar a R$0,50 por saca, caso (...) [COLÚMBIA, ACÁDIA, DO GRÃO e L & L] fosse também contratada para acompanhar a contratação de caminhão para fazer o frete, etc. Esta operação se dava tanto para as chamadas ”vendas à vista" (com entrega imediata do produto) bem como nas vendas futuras (Bolsa do Café/Contratos de entrega futura). Desta forma, muitas vezes, (...) [COLÚMBIA, ACÁDIA, DO GRÃO e L & L] poderia receber recursos não só de indústrias, torrefadores, exportadores; mas também de corretoras de valores, corretores de café, especuladores do mercado financeiro (pessoas físicas ou jurídicas), etc. Fl. 647DF CARF MF Processo nº 10740.720002/201412 Acórdão n.º 3301003.226 S3C3T1 Fl. 22 13 Certo é que no momento da entrega do produto, ou seja, no momento em que há a necessidade de guiar a mercadoria com a Nota Fiscal do Produtor Rural para a (...) [COLÚMBIA, ACÁDIA, DO GRÃO e L & L], a figura do corretor de café, corretoras de valores, especuladores do mercado financeiro desaparecem, posto que a nota fiscal de venda (viagem do produto) emitida pela Fiscalizada será emitida em favor do verdadeiro comprador e tomador final da mercadoria. Em outros casos, alegaram que desempenhavam a função de meras intermediárias financeiras: recebia a encomenda do comprador, localizava o vendedor e no fechamento do negócio, somente operava o dinheiro. Recebia o recurso do comprador e repassava o dinheiro ao vendedor, sendo que o Comprador podia informar outra empresa, que não à (...) [COLÚMBIA, ACÁDIA, DO GRÃO e L & L], para receber a nota fiscal do produtor e, via de consequência, emitir a nota fiscal de viagem/venda. (grifo nosso) Para piorar, afirmaram que em certas ocasiões o comprador (indústria, exportador ou corretora), “depois de fazer a negociação direta com o produtor ou com a corretora de mercado futuro, apenas informava a (...) [COLÚMBIA, ACÁDIA, DO GRÃO e L & L] que iria precisar de seus serviços, quais sejam receber a Nota do Produtor, receber o dinheiro, pagar o produtor e emitir a Nota fiscal de Venda /Viagem”. (negrito e grifo nosso) A ressaltar ainda das respostas das diligenciadas que o comprador “EXIGIA QUE O PRODUTOR ‘GUIASSE’ O PRODUTO COM NOTA DE PRODUTOR PARA A FISCALIZADA” E ELAS, EM CONTRAPARTIDA, EMITIAM UMA NOTA FISCAL DE SAÍDA PARA O COMPRADOR. Assim, não operam como atacadistas de café, mas, sim, são usadas como uma ponte de repasse de recursos dos compradores para produtores rurais/maquinistas. Agem desta forma “POR IMPOSIÇÃO DOS COMPRADORES (QUE SÃO POUCOS E PODEROSOS)”. Revelaram, ainda, que em hipótese alguma teriam “recursos para operar da forma como operaram nos últimos anos, mormente considerando a pesada carga tributária imposta por lei na operação, em especial da forma como exigida pelos compradores, qual seja com incidência integral de PIS/COFINS”. (grifamos e negritamos). De fato, a margem de lucro combinada com a atual carga tributária inviabiliza a intercalação de outra empresa na cadeia de comercialização de café entre o produtor e as atacadistas. Pelo princípio da nãocumulatividade ora vigente cada etapa na cadeia de comercialização paga exatamente sobre o valor agregado. A mudança de tributação cumulativa para nãocumulativa para o PIS (12/2002) e para a COFINS (02/2004) trouxe a majoração das alíquotas em aproximadamente 153%. Portanto, para não suportar um aumento significativo da carga tributária a atividade tem que ser tal que nas etapas de comercialização possa se beneficiar de créditos. Isso não acontece logo na primeira etapa da comercialização do café. Pois, compra de produtor rural (pessoa física) para revenda não gera crédito de PIS/COFINS. Exceto nos casos para produção especificados na legislação que dá direito ao crédito presumido (atualmente 35% da alíquota). Ou ainda na hipótese da saída de cerealista (pessoa jurídica que exerça Fl. 648DF CARF MF Processo nº 10740.720002/201412 Acórdão n.º 3301003.226 S3C3T1 Fl. 23 14 cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar) com suspensão do PIS e da COFINS. Então, como dissimular a compra de café de produtor pela EXPORTADORA DE CAFÉ ASTOLPHO S/A e, por conseguinte, possibilitar o creditamento dos 9,25% sobre as compras? Criouse um impasse. A solução: A INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PSEUDO ATACADISTA DE CAFÉ. Formouse, então, o mercado paralelo de pseudoatacadistas com objetivo de fornecer nota fiscal, tal como será mostrado adiante. A existência e o modo delas operarem é de pleno conhecimento por parte da EXPORTADORA DE CAFÉ ASTOLPHO S/A, quer se omitindo em relação a umas, quer operando com outras. Os documentos e esclarecimentos coletados no curso das investigações patrocinadas pela DRF VIT/ES, bem como os apreendidos na OPERAÇÃO BROCA, são hialinos para demonstrar que a EXPORTADORA DE CAFÉ ASTOLPHO S/A detinha pleno conhecimento de que o café adquirido junto aos produtores rurais/maquinistas era falsamente documentado com nota fiscal de empresa de fachada. EXPORTADORA DE CAFÉ ASTOLPHO S/A utilizouse de meios ilícitos para a obtenção de crédito tributário, o que afasta os limites impostos pela boafé. Portanto, não há que dizer que a EXPORTADORA DE CAFÉ ASTOLPHO S/A agiu de boafé, pois na ocasião em que se deram as operações tinha ciência da inidoneidade dos fornecedores, ainda que as informações cadastrais da Receita Federal noticiassem que não tinham pendências de ordem fiscal. É sabido que a regularidade fiscal contemplada nessas informações da Receita Federal são baseadas nas declarações de débitos apresentadas pelas empresas. Como essas pseudoatacadistas não apresentaram declarações tanto de IRPJ quanto DCTF (Declaração de Contribuições e Tributos Federais) ou apresentaram a primeira na situação de inativas, figuram no cadastro como ativas e eventuais certidões emitidas, por óbvio, não acusam a existência de débitos. A fraude visou diminuir a carga tributária da empresa na comercialização no mercado interno. Pior: nas vendas ao mercado externo, cujas operações estão isentas da incidência do PIS/COFINS, o esquema gerou créditos ilícitos de 9,25% sobre o valor das compras, o que representa um ganho financeiro extraordinário. Ainda mais considerando a competitividade no mercado internacional de café, que com os preços praticados pelo Vietnã nas bolsas de mercadorias internacionais, não aparenta operarem com grandes margens de lucro. Esses créditos ilícitos foram utilizados para dedução da contribuição devida na venda no mercado interno, bem como compensação com outros tributos e contribuições. Além, é claro, dos créditos remanescentes serem objetos de pedidos de ressarcimento. Na primeira ação fiscal, 2006 a 2009, o volume de notas fiscais de empresas de fachada apropriadas ilicitamente pela EXPORTADORA DE CAFÉ ASTOLPHO S/A alcançou a cifra de aproximadamente R$132.000.000,00 (cento e trinta e dois milhões) de reais. Somente em relação às pseudoatacadistas COLÚMBIA, L&L, DO GRÃO e V. MUNALDI foram quase R$18 milhões em notas fiscais apropriadas ilicitamente. Fl. 649DF CARF MF Processo nº 10740.720002/201412 Acórdão n.º 3301003.226 S3C3T1 Fl. 24 15 Encerrando suas respostas, COLÚMBIA, ACÁDIA, DO GRÃO e L&L mencionaram que na cidade de COLATINA e outros municípios existem “mais de 80 (oitenta) empresas que ainda não foram atingidas pela presente Fiscalização e que continuam a operar como acima exposto”. E ainda acrescentaram: “muitas destas empresas foram constituídas depois que a presente fiscalização teve início, uma vez que os verdadeiros compradores do café não mais querem operar com as empresas ‘antigas’, exigindo assim que fossem constituídas novas empresas, visando principalmente a comercialização da safra 2007/08 que iniciarseá em abril/maio próximo”. Os fatos narrados, as declarações prestadas pelos representantes das pessoas jurídicas fiscalizadas e os documentos até então acostados não deixam dúvidas: COLÚMBIA, ACÁDIA, DO GRÃO, L&L e V. MUNALDI – ME não compram e, portanto, não vendem café. Não passam de meros escritórios de venda de notas fiscais. Ressaltese que sobre a matéria em comento nestes autos, esta turma já se pronunciou no Acórdão 3301002.773, de 28/01/2016, de relatoria do Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Não há que se falar em nulidade da decisão de primeira instância quando ela foi proferida por autoridade competente, sem preterição do direito de defesa e elaborada com observância do disposto no art. 31 do Decreto 70.235/72. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos da Súmula CARF nº 2, de 2009, este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária, pelo que não se conhece de argumentos como o de suposto caráter confiscatório da multa de ofício. PIS E COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE PESSOA FÍSICA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOA JURÍDICA. SIMULAÇÃO. GLOSA DE CRÉDITO. Constatado que o negócio jurídico efetivo foi celebrado com fornecedor pessoa física, devese glosar o crédito de PIS e COFINS apropriado na operação, em conformidade com o art. 3º, §3º, I da Lei nº 10.833/03. Fl. 650DF CARF MF Processo nº 10740.720002/201412 Acórdão n.º 3301003.226 S3C3T1 Fl. 25 16 INTERPOSIÇÃO DE TERCEIRO. SIMULAÇÃO. FRAUDE E CONLUIO. MULTA QUALIFICADA. A interposição simulada de terceiro alheio ao negócio jurídico, com o escopo de reduzir o montante do tributo configura fraude e conluio (Lei nº 4.502/64, arts. 72 e 73), justificando aplicação de multa qualificada (Lei nº 9.430/96, art. 44, §1º). MULTA ISOLADA. ART. 74, § 15 E 16 DA LEI 9.430/96. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Deve se afastar a exigência das multas isoladas aplicadas com base nos §15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 em face da aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, "a" do CTN, tendo em vista sua revogação pelo art. 27, inc. II, da Lei nº13.137/2015. Recurso Voluntário Negado. Entendo ter a autoridade fiscal demonstrado que as aquisições de pessoas jurídicas por parte da Recorrente em nome das comprovadas empresas de fachada serviram para dissimular as reais aquisições de café em grãos diretamente de pessoas físicas (produtores rurais/maquinistas), por isso acertadamente, foram glosados os créditos integrais de PIS (1,65%) e COFINS (7,6%), calculados sobre os valores das notas fiscais de aquisição de café em grãos; pois o correto seria a apropriação dos créditos presumidos. Por isso, sendo as aquisições de café realizadas de pessoas físicas, deve ser mantida a glosa dos créditos integrais indevidos e compensados pela Recorrente. Nos termos da legislação pertinente (Lei nº 10.637/2002, art. 3º, §§ 10º e 11; Lei nº 10.833/2003, art. 3º, §§ 5º e 6º e Lei 10.925/2004, art. 8º), a Exportadora de Café Astolpho S/A tem direito ao respectivo crédito presumido, vez que o café destinado à revenda é beneficiado, padronizado, preparado e separado por densidade dos grãos com redução dos tipos da classificação e posteriormente vendido para o mercado interno e externo. Por conseguinte, foi necessária e obrigatória a recomposição dos saldos dos créditos decorrentes das operações fiscalizadas, o que resultou no lançamento de ofício das contribuições do PIS e da COFINS devidas em razão da dedução indevida de supostos créditos pautados em notas fiscais fraudadas. Não há reparo, portanto, a ser feito nesta oportunidade. Exigência de Multa de Ofício Qualificada O agravamento da multa de ofício, como no presente caso, em que ficou comprovada a participação da Recorrente no esquema de fraude com o objetivo de gerar créditos fictícios de PIS e Cofins, passíveis de desconto dos valores das contribuições apuradas sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento do saldo credor apurado no trimestre, está previsto na Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que assim dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 651DF CARF MF Processo nº 10740.720002/201412 Acórdão n.º 3301003.226 S3C3T1 Fl. 26 17 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A Lei nº 4.502, de 30/11/1964, assim define fraude e conluio: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. O que se observa da análise dos depoimentos e demais documentos acostados aos autos, bem como da motivação da autoridade fiscal é: EXPORTADORA DE CAFÉ ASTOLPHO S/A lançou mão de créditos fictícios no período ora analisado. Com o uso desse expediente, a fiscalizada lograria êxito em se abster do pagamento do PIS e da COFINS e, em especial o ressarcimento de créditos indevidos e a homologação das compensações indevidas de débitos, caso não fosse a atuação da administração tributária que, oportuna e tempestivamente, apurou a fraude e constituiu, de ofício, o crédito tributário suprimido/reduzido, e não reconheceu o crédito pleiteado e tampouco homologou as compensações indevidas. Em razão da convicção firmada pela fiscalização quanto à intenção da fiscalizada em reduzir contribuições devidas e se eximir dos tributos devidos por meios defesos em lei contra a ordem tributária, a Lei n° 8.137/90, de forma inequívoca, evidencia que a prestação de declaração falsa, a inserção de elementos inexatos em livro exigido pela lei fiscal, a utilização de documento que saiba ou deva saber falso ou inexato por si só, bem como empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo, inseremse no contexto de fraude à fiscalização tributária, sendo o tipo doloso. Apropriação dos créditos sabidamente indevidos, não são meros erros, mas sim uma fraude de efeitos relevantes para a fiscalizada e para a Fazenda Nacional, com participação dos sócios, em especial, Marcos Alerxandrino Martins Astolpho, que não só indicou as empresas de fachada como fez uso das notas Fl. 652DF CARF MF Processo nº 10740.720002/201412 Acórdão n.º 3301003.226 S3C3T1 Fl. 27 18 fiscais das mesmas. Isso está devidamente registrado nas declarações prestadas pelos produtores rurais/maquinistas e corretores, assim como nos documentos amealhados. EXPORTADORA DE CAFÉ ASTOLPHO S/A apropriouse de créditos da nãocumulatividade sabidamente inexistentes, fictícios, que resultaram em significativa redução das contribuições de PIS e Cofins devidas. EXPORTADORA DE CAFÉ ASTOLPHO S/A utilizou pseudo empresas, figuras apenas formais, para dissimular suas aquisições de café dos produtores rurais, com o único propósito de “fabricar” créditos integrais da nãocumulatividade para as contribuições PIS e Cofins. Em resumo, na EXPORTADORA DE CAFÉ ASTOLPHO S/A apuraramse as seguintes condutas por parte dos seus responsáveis: a) prestar declaração falsa às autoridades fazendárias e fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos em documento ou livro exigido pela lei fiscal: informou nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais créditos integrais fictícios decorrentes da aquisição de bens para revenda; b) Utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato: as notas fiscais emitidas pelas pseudoempresas atacadistas são ideologicamente falsas e foram utilizadas pela EXPORTADORA DE CAFÉ ASTOLPHO S/A nas operações de compra de café; c) Empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo: Esses créditos ilícitos geraram pedidos de ressarcimento e compensação com outros tributos. Considerando, em tese, a presença de crime contra ordem tributária e ainda a figura da sonegação, está demonstrado o intuito fraudulento do contribuinte em reduzir o montante devido das contribuições sociais e eximirse do pagamento de tributos, o que enseja a exasperação da multa. Do exposto, restaram caracterizados tanto a fraude como o conluio: a fraude ficou demonstrada na emissão de notas fiscais de empresas pseudoatacadistas criadas com o fim específico de gerar créditos fictícios de PIS e Cofins, na compra de notas fiscais e na simulação de operações de compras de café de produtores rurais, como se fossem de atacadistas. Já o conluio se deu pelo acerto entre as partes envolvidas, pois o esquema fraudulento deu ganhos a todos os envolvidos: a Recorrente se apropriou de créditos fictos, os pseudoatacadistas lucraram com a venda da nota fiscal e os corretores/corretoras ganharam comissão na corretagem. Assim, a aplicação da multa qualificada decorre estritamente das prescrições do artigo 71, I da Lei 4.502/1964 e artigo 44, II, da Lei 9.430/1996. Ademais, o lançamento tributário é atividade administrativa plenamente vinculada, consoante dispõem os arts. 3° e 142, parágrafo único, do CTN, a autoridade fiscal deve obrigatoriamente observar a legislação Fl. 653DF CARF MF Processo nº 10740.720002/201412 Acórdão n.º 3301003.226 S3C3T1 Fl. 28 19 específica ao apurar os valores que compõem o crédito tributário, não podendo negar aplicação à lei ou ato normativo em vigor. Conclusão Entendo que os elementos dos autos permitem a afirmação de que a Exportadora de Café Astolpho S/A utilizou pseudoatacadistas para dissimular compras de café de pessoas físicas (produtores rurais/maquinistas) e com isso se apropriar fraudulentamente dos créditos básicos PIS/COFINS, motivo pelo qual voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a integralidade do auto de infração. Sala de Sessões, em 22 de fevereiro de 2017. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro – Relatora Fl. 654DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.000521/2005-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2004
Ementa:
Recurso Especial de Divergência. Admissibilidade.
A admissibilidade de Recurso Especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Recurso Especial Não Conhecido
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98 DECLARADA PELO STF. IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS.
O crédito presumido de IPI corresponde a parcela relacionada a redução de custos e não à obtenção de receita nova oriunda do exercício da atividade empresarial. Por decisão definitiva do proferida pelo STF, deve ser afastada a inclusão na base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, das parcelas relativas ao crédito presumido de IPI, por não se constituírem em receitas decorrentes da venda de mercadorias e serviços.
Numero da decisão: 9303-004.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional quanto à natureza do ressarcimento de crédito presumido do IPI e, no mérito, por maioria de votos, na parte conhecida, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos que lhe deu provimento e, também, Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2004 Ementa: Recurso Especial de Divergência. Admissibilidade. A admissibilidade de Recurso Especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial Não Conhecido CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98 DECLARADA PELO STF. IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. O crédito presumido de IPI corresponde a parcela relacionada a redução de custos e não à obtenção de receita nova oriunda do exercício da atividade empresarial. Por decisão definitiva do proferida pelo STF, deve ser afastada a inclusão na base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, das parcelas relativas ao crédito presumido de IPI, por não se constituírem em receitas decorrentes da venda de mercadorias e serviços.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional quanto à natureza do ressarcimento de crédito presumido do IPI e, no mérito, por maioria de votos, na parte conhecida, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos que lhe deu provimento e, também, Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento parcial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
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Admissibilidade. A admissibilidade de Recurso Especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial Não Conhecido CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98 DECLARADA PELO STF. IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. O crédito presumido de IPI corresponde a parcela relacionada a redução de custos e não à obtenção de receita nova oriunda do exercício da atividade empresarial. Por decisão definitiva do proferida pelo STF, deve ser afastada a inclusão na base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, das parcelas relativas ao crédito presumido de IPI, por não se constituírem em receitas decorrentes da venda de mercadorias e serviços. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 05 21 /2 00 5- 81 Fl. 513DF CARF MF Processo nº 13005.000521/200581 Acórdão n.º 9303004.663 CSRFT3 Fl. 514 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional quanto à natureza do ressarcimento de crédito presumido do IPI e, no mérito, por maioria de votos, na parte conhecida, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos que lhe deu provimento e, também, Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento parcial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no art. 7, I, c/c art. 15, ambos do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF n.° 147, de 25 de junho de 2007, a época da interposição do Recurso, contra ao acórdão nº 20216.615, proferido pela 2º Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que decidiu em dar provimento ao Recurso Voluntário, para excluir da base de calculo da COFINS as receitas oriundas de subvenções estaduais (ICMS) destinadas a Contribuinte pelo Estado do Rio Grande do Sul e as receitas oriundas do credito presumido de IPI. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Contra a contribuinte retromencionada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 03/08, com exigência de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, nos períodos de apuração compreendidos entre os meses de janeiro de 2001 e dezembro de 2004. As irregularidades fiscais constante do auto de infração estão discriminadas no Relatório de Ação Fiscal, fls. 09/11, nas planilhas, fls. 12/15 e nos demonstrativos, fis. 16/24, que as relatam como falta de recolhimento da contribuição, sendo os valores apurados em decorrência da não adição h. base de cálculo da contribuição de valores referentes ao crédito presumido de IPI e cessão de créditos de ICMS, tendo como base legal os arts. 1 2 e 39 da Lei Complementar nº 07/70; art. 2 2, inciso I, art. 82, inciso I, e art. 92 da Lei n2 9.715/98; arts. 22 e 32 da Lei n2 9.718/98; arts. 1 2, 32 e 42 da Lei n2 10.637/2002; art. 6 2 da NE Corat/Cofis/Cosit n 2 4/2004". Fl. 514DF CARF MF Processo nº 13005.000521/200581 Acórdão n.º 9303004.663 CSRFT3 Fl. 515 3 Na Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais (fl. 05) a autoridade lançadora registra que em procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados. Cientificada da autuação em 07/11/2001, conforme fl. 04. O Acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2004 CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS E IPI. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98 DECLARADA PELO STF. IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO NA BASE DE CALCULO DA COFINS. O crédito presumido do ICMS e do IPI são parcelas relacionadas A. redução de custos e não à obtenção de receita nova oriunda do exercício da atividade empresarial. Por decisão definitiva proferida pelo STF, deve ser afastada a inclusão na base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins, das parcelas relativas ao crédito presumido do ICMS e do IPI, por não se constituírem em receitas decorrentes da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Recurso provido. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, sustentando que o acórdão recorrido ao dar provimento ao Recurso para excluir da base de calculo da COFINS, receitas oriundas de subvenções estaduais (ICMS) e as receitas oriundas do credito presumido de IPI, segundo a fundamentação do acórdão, tais receitas não estariam enquadradas no conceito de faturamento (acepção restrita) conforme preconizado nas recentes decisões do STF (RE 390.840). Por isso, valendose da declaração de inconstitucionalidade proferida, ainda que na via difusa, pelo Pretório Excelso, a Câmara a quo exclui da base de cálculo da COFINS as referidas rubricas. E que não é esta a melhor solução, pois, mesmo depois das decisões do STF, as receitas em questão podem ser consideradas receitas operacionais insertas no conceito restrito de faturamento. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foi apontado, como paradigmas, os Acórdãos nºs 20179.494, 20179.596 e 20401.911. No despacho de admissibilidade, o Presidente da Câmara admitiu parcialmente do Recurso. fls 459/461, somente quanto a discussão da extensão administrativa da declaração de inconstitucionalidade do art. 30, § 1º, da Lei n° 9.718/98 e à natureza do ressarcimento de crédito presumido do IPI. Vejamos: As controvérsias suscitadas cingemse às questões da natureza jurídica dos créditos presumidos de ICMS e de IPI (se são ou não enquadrados no conceito de receita) e quanto a possibilidade de os órgãos administrativos de julgamento estenderem a aplicação aos demais contribuintes de decisão definitiva sobre a inconstitucionalidade de lei proferida pelo STF em sede de controle difuso. Fl. 515DF CARF MF Processo nº 13005.000521/200581 Acórdão n.º 9303004.663 CSRFT3 Fl. 516 4 Inicialmente, cumpre registrar que, para configuração de hipótese capaz de ensejar a subida dos autos a instancia superior, o recurso especial de divergência deve se apresentar absolutamente revestido dos requisitos de admissibilidade previstos no Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais. Do exame dos elementos constitutivos dos autos, verificase que restou comprovada a divergência relativa à extensão administrativa dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade do art. 3°, § 1 0, da Lei n°9.718/98. Enquanto o Acórdão recorrido aplicou a interpretação do STF, que restringiu o conceito de faturamento a receita proveniente das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, para excluir da base de cálculo da contribuição os valores auferidos com a alienação de créditos do ICMS e com o ressarcimento de crédito presumido de IPI; o Acórdão paradigma n°20401.911 decidiu tal questão em sentido diametralmente oposto, ou seja, considerou que a declaração da inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/98 não pode ser estendida aos demais contribuintes antes da publicação da Resolução do Senado, nos termos do art. 52, X, da Constituição. Relativamente a questão da natureza do crédito presumido de IPI, o paradigma 20179.494 comprova divergência de entendimento em relação ao acórdão recorrido, quanto ao tratamento a ser dado ao crédito presumido de IPI. Enquanto o Acórdão recorrido considerou que o ressarcimento do crédito presumido de IPI se consubstancia em mera recuperação de custo, não sendo passível de tributação; o Acórdão paradigma julgou no sentido de que este beneficio é uma receita, pois aumenta o patrimônio do beneficiário, devendo, portanto, ser incluído na base de cálculo da contribuição. No que tange à questão do ICMS, verificase que conquanto a ementa do acórdão recorrido tenha feito menção a "crédito presumido do ICMS e do IPI", parte dos valores objeto do lançamento de oficio albergado neste processo se referem a cessão de créditos de ICMS por parte da empresa autuada, conforme se pode verificar pela leitura do seguinte excerto extraído do relatório do Acórdão recorrido (ti. 374), in verbis: "(..) As irregularidades fiscais constante do auto de infração estão discriminadas no Relatório de Ação Fiscal, fis. 09/11, nos planilhas. Ils. 12/15 e nos demonstrativos fls. 16/24, que as relatam cam a falta de recolhimento da contribuição, sendo os valores apurados em decorrência da não adição ã base de calculo da contribuição de valores referentes ao crédito presumido de IN e cessão de créditos de ICMS,tendo como base leal (..)" Analisandose o inteiro teor dos paradigmas colacionados pela Procuradoria da Fazenda Nacional verificase que nenhum deles julgou questão do ICMS semelhante a dos autos. Em nenhum dos casos trazidos a colação foi mantida a exigência da contribuição sobre valores provenientes Fl. 516DF CARF MF Processo nº 13005.000521/200581 Acórdão n.º 9303004.663 CSRFT3 Fl. 517 5 da comercialização de créditos de ICMS. Com efeito, o paradigma 201 79.494 (fis. 355/400) não tratou da tributação da venda créditos de ICMS, mas sim da natureza do ICMS registrado extemporaneamente na escrita fiscal, matéria que nada tem a ver com a questão decidida no acórdão recorrido. Já o paradigma 20179.596 (fis. 401/406) tratou da questão da natureza do crédito presumido de ICMS, tendo sido decido que ele integra a base de cálculo da contribuição. Entretanto, no caso concreto, já foi visto que não se tratou de crédito presumido de ICMS, mas sim da pura e simples venda de créditos do ICMS. E, finalmente, quanto ao paradigma 20401.911, também se verifica que não divergiu do acórdão recorrido quanto ao ICMS, uma vez que a questão lá resolvida versou sobre a natureza jurídica de um incentivo fiscal especifico concedido pelo Estado do Ceara, denominado PROVIM e não sobre a venda de créditos do ICMS, como se deu no caso concreto. Inconformada, a Fazenda Nacional maneja agravo contra o despacho de admissibilidade, e no Reexame foi admitido integralmente o Recurso fls. 477/479, utilizando se para tanto, os seguintes fundamentos: Analisandose o voto condutor do Acórdão recorrido, verificase que no mérito foi discutida a inclusão do crédito presumido do ICMS na base de cálculo da COFINS, mais especificamente, se os valores oriundos de venda de créditos de ICMS a terceiros integram a base de cálculo da citada contribuição. Vejamos a seguinte transcrição de trecho do Acórdão 202 18.615 (folha 376): "Quanto ao mérito, no caso do crédito presumido de ICMS, não cabe a sua inclusão na base de cálculo da Cofins, pois o mesmo configurase como mero registro contábil redutor em conta de custos, não podendo ser tratado como receita para fins de ser tributado pela contribuição, por não se tratar de ingresso de recursos, seja por Regime de Caixa ou por Regime de Competência, uma vez que não houve ingresso de recursos financeiros na empresa e tampouco houve qualquer redução na base de cálculo da Cofins por força do beneficio fiscal estadual." Por sua vez, o exame da ementa do paradigma 20179.596 revela que neste julgado também foi discutida a inclusão dos créditos do ICMS na base de cálculo da contribuição, in verbis: "Normas processuais, Ação judicial. A propositura, contra a Fazenda Nacional, da ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente a autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia ás instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. INCIDÊNCIA. A partir de 01/02/1999 os créditos presumidos do ICMS integram a base de cálculo da Cofins. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Fl. 517DF CARF MF Processo nº 13005.000521/200581 Acórdão n.º 9303004.663 CSRFT3 Fl. 518 6 Procede a cobrança de encargos de juros com base de taxa Selic, porque se encontra amparada em lei, cuja constitucionalidade não pode ser aferida na esfera administrativa. Recurso negado." (grifei) Assim, entendo que para as situações fáticas muito similares, em decorrência de interpretações jurídicas divergentes, resultaram decisões distintas, merecendo, assim, uma nova apreciação pela CSRF para se buscar uma uniformidade na jurisprudência. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou petição de que estava ciente do despacho de admissibilidade da Fazenda Nacional. fls. 484/485. É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame de admissibilidade do Recurso Especial. Conforme exposto no exame de admissibilidade, os acórdãos paradigmas acostados pela Fazenda Nacional não se prestam a comprovar divergência jurisprudencial referente a comercialização de créditos de ICMS. Verificase que nenhum deles julgou questão do ICMS semelhante a dos autos. Em nenhum dos casos trazidos a colação foi mantida a exigência da contribuição sobre valores provenientes da comercialização de créditos de ICMS. Fl. 518DF CARF MF Processo nº 13005.000521/200581 Acórdão n.º 9303004.663 CSRFT3 Fl. 519 7 Neste sentido, não conheço do Recurso. Quanto a discussão da extensão administrativa da declaração de inconstitucionalidade do art. 30, § 1º, da Lei n° 9.718/98, referente à natureza do ressarcimento de crédito presumido do IPI, o Recurso deve ser conhecido. Com efeito, o ressarcimento do tributo anteriormente pago não é passível de ser considerado receita, tratase de uma parcela do imposto que compõe o custo de insumos adquiridos, mesmo de que modo presumido. Portanto, não se trata de receita e não deve ser tributado. Neste mesmo sentido, o Supremo Tribunal Federal STF, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 358.273, definiu que: "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindo as à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É como voto é como penso. Demes Brito. Fl. 519DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.727100/2012-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
CANCELAMENTO DA GLOSA PELA DRJ. AUSÊNCIA DE INTERESSE. NÃO CONHECIMENTO DO PLEITO.
Já havendo sido atendido o pedido do contribuinte quando do julgamento de primeiro grau, não cabe o conhecimento do pleito, dada a evidente inexistência de interesse.
DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. INDICAÇÃO DOS BENEFICIÁRIOS.
Restando comprovado ser o contribuinte e seus dependentes os beneficiários do plano de saúde, deve ser restabelecida a dedução de despesas a ele correspondente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer parcialmente do recurso, para, na parte conhecida, dar-lhe provimento, para fins de restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$ 8.076,36, vinculada à Sul América Saúde.
(Assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente em Exercício.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 CANCELAMENTO DA GLOSA PELA DRJ. AUSÊNCIA DE INTERESSE. NÃO CONHECIMENTO DO PLEITO. Já havendo sido atendido o pedido do contribuinte quando do julgamento de primeiro grau, não cabe o conhecimento do pleito, dada a evidente inexistência de interesse. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. INDICAÇÃO DOS BENEFICIÁRIOS. Restando comprovado ser o contribuinte e seus dependentes os beneficiários do plano de saúde, deve ser restabelecida a dedução de despesas a ele correspondente. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
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secao_s : Segunda Seção de Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer parcialmente do recurso, para, na parte conhecida, dar-lhe provimento, para fins de restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$ 8.076,36, vinculada à Sul América Saúde. (Assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente em Exercício. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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AUSÊNCIA DE INTERESSE. NÃO CONHECIMENTO DO PLEITO. Já havendo sido atendido o pedido do contribuinte quando do julgamento de primeiro grau, não cabe o conhecimento do pleito, dada a evidente inexistência de interesse. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. INDICAÇÃO DOS BENEFICIÁRIOS. Restando comprovado ser o contribuinte e seus dependentes os beneficiários do plano de saúde, deve ser restabelecida a dedução de despesas a ele correspondente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 71 00 /2 01 2- 07 Fl. 90DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer parcialmente do recurso, para, na parte conhecida, darlhe provimento, para fins de restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$ 8.076,36, vinculada à Sul América Saúde. (Assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente em Exercício. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10580.727100/201207 Acórdão n.º 2402005.707 S2C4T2 Fl. 102 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA) DRJ/SDR, que julgou procedente em parte Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativa ao ano calendário 2009 (fls. 37/46). O lançamento decorreu da glosa de dedução à contribuição à previdência privada e Fapi, de dedução com dependentes, de despesas com instrução, despesas médicas e de compensação indevida a título de IRRF. Examinada a impugnação (fls. 33/34), a instância de primeiro grau (fls. 60/65) cancelou em sua totalidade as glosas de dedução à contribuição à previdência privada e Fapi, de despesas com instrução e de compensação indevida a título de IRRF. Foi mantida parcialmente a glosa da dedução com dependentes, e integralmente a glosa de despesas médicas. O contribuinte interpôs recurso voluntário em 13/12/2013 (fls. 69/83), afirmando discordar da mencionada decisão, no tocante às glosas correspondentes à previdência privada e despesas médicas junto à Sul América Companhia de Seguro Saúde, tendo em vista os documentos que acosta. É o relatório. Fl. 92DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser apenas parcialmente conhecido, entretanto. A mera leitura dos termos do item "Dedução Indevida de Previdência Privada e Fapi" da decisão vergastada (fl. 63), revela que a correspondente glosa efetuada pela fiscalização (fl. 39) já foi extirpada do lançamento "deve ser excluída a glosa do valor de R$ 4.203,13". Nessa esteira, resta evidente que não há interesse recursal do contribuinte remanescente, no particular. Por sua vez, a dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como supedâneo legal os seguintes dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250/95, abaixo transcritos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10580.727100/201207 Acórdão n.º 2402005.707 S2C4T2 Fl. 103 5 IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário.(grifei) Na espécie, temse que a decisão não acatou as despesas médicas vinculadas ao plano Sul América Companhia de Seguro Saúde, sob a seguinte alegação: Para comprovar despesas médicas referentes à Sul América companhia de seguro, o contribuinte juntou ao processo comprovante de pagamento feitos a essa entidade sem informar quem são os beneficiários do plano (fls.23/25), formalidade exigida pela legislação para que se identifique se o beneficiário é o contribuinte ou dependente seu. Sem embargo, nos documentos referidos às fls. 23/25, bem como nos carreados no recurso voluntário às fls. 78/83, está explicitado que os beneficiários do dito plano são, além do recorrente, seus dependentes Marcelo Fontes Monteiro e Matheus Fontes Monteiro. Por essa razão, deve ser restabelecida a dedução de R$ 8.076,36. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso, para, na parte conhecida, darlhe provimento, para fins de restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$ 8.076,36, vinculada à Sul América Saúde. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 94DF CARF MF
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