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Numero do processo: 10880.970247/2011-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NÃO TRIBUTADO (NT).
A produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não-tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996 e 1º da Lei nº 10.276 de 2001
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. PREJUDICIALIDADE.
Tendo em vista que não foi reconhecido o direito ao ressarcimento dos créditos apurados a partir dos insumos adquiridos para fabricação e produtos não tributáveis exportados, em razão de estes não serem tributados, é despicienda a comprovação da apuração desses créditos.
Numero da decisão: 9303-007.914
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran,Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NÃO TRIBUTADO (NT). A produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "nãotributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996 e 1º da Lei nº 10.276 de 2001 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. PREJUDICIALIDADE. Tendo em vista que não foi reconhecido o direito ao ressarcimento dos créditos apurados a partir dos insumos adquiridos para fabricação e produtos não tributáveis exportados, em razão de estes não serem tributados, é despicienda a comprovação da apuração desses créditos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 02 47 /2 01 1- 41 Fl. 917DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran,Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento eletrônico de créditos de IPI (PER/DCOMP nº 24209.44478.051109.1.1.019078, às efls. 03 a 16), transmitido em 05/11/2009, no montante originário de R$ 12.915.975,24, referente ao terceiro trimestre do ano de 2008. O pedido foi denegado pelo despacho decisório eletrônico nº 031081755, da DERAT em São Paulo, que não reconheceu a integralidade do crédito, em 04/09/2012, à efl. 17. A denegação teve fulcro no Termo de Informação Fiscal de efls. 334 a 339, que concluiu que a empresa estava pleiteando ressarcimento de crédito presumido de IPI como créditos de PIS e Cofins em relação às receitas sujeitas ao regime da cumulatividade. Dessa forma deveria o sujeito passivo apresentar memória de cálculo que possibilitasse separar a parcela do crédito que se refere ao crédito presumido do IPI vinculado às receitas sujeitas ao regime não cumulativo daquela que se refere à receita submetida ao regime cumulativo. A contribuinte não logrou apresentar memória de cálculo ou controles contábeis que permitissem concluir inequivocamente a respeito do valor do crédito presumido,por isso foram glosados os valores solicitados em ressarcimento. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, às efls. 345 a 362, para que fosse anulado e refeito o despacho decisório para que se restituísse o valor pleiteado, acrescido da taxa Selic desde a data do protocolo do pedido até a do efetivo ressarcimento, em razão do óbice colocado pelo Fisco. A 4ª Turma da DRJ/SDR, em 13/11/2013, apreciou as manifestações da contribuinte, resultando o acórdão nº 1534.051, às efls. 659 a 669, considerando improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada do acórdão da DRJ a contribuinte, interpôs recurso voluntário, em 23/12/2013, às efls. 762 a 784. Em síntese, o recurso trouxe as seguintes alegações, reproduzidas a partir do relatório do acórdão sobre o qual aqui se controverte, à efl. 800: 1. Preliminarmente, o recebimento dos embargos de declaração protocolados, para anular a decisão recorrida e devolver prazo para interposição de recurso voluntário; 2. No mérito, que apresentou toda a documentação necessária para apuração do direito creditório na manifestação de inconformidade, que houve erro de preenchimento do Dacon, que os arquivos txt foram entregues completos, em oposição à afirmação da fiscalização de que tais arquivos estavam incompletos; 3. Que caberia à fiscalização aprofundar a auditoria; 4. A necessária correção monetária à taxa Selic sobre os créditos pleiteados, desde o protocolo do pedido administrativo; 5. A determinação de realização de diligência, caso entendase necessário. Fl. 918DF CARF MF Processo nº 10880.970247/201141 Acórdão n.º 9303007.914 CSRFT3 Fl. 918 3 O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em 28/07/2017, resultando no acórdão nº 3302004.637, que tem as seguintes ementas: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Cabe ao contribuinte o ônus de provar a existência e a qualidade do seu direito creditório, não cabendo transferir esse mister à atividade fiscalizatória. O princípio da verdade material implica a flexibilização do procedimento probante, mas não serve para suprimir o descuido do contribuinte em provar seu direito, em especial quando intimado na fase fiscalizatória para cumprir com este ônus. PRINCÍPIO DO LIVRE CONVENCIMENTO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DA DECISÃO. O julgador formará livremente sua convicção na apreciação das provas, devendo informar na decisão os motivos que levaram ao seu convencimento, podendo determinar diligências, se for o caso. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NÃO TRIBUTADO (NT). O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 10.276/2001, condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício, os produtos não tributados (NT), conforme entendimento pacífico consubstanciado na Súmula CARF n° 20. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Recurso especial da contribuinte Cientificada (efl. 811) do acórdão nº 3302004.637 em 09/10/2017 (efl. 817), a contribuinte interpôs recurso especial de divergência às efls. 821 a 840, em 19/10/2017 (efl. 819). O recurso especial da Procuradora estabeleceuse sobre duas matérias: a) o ônus da prova do contribuinte versus obrigação do Fisco em efetuar a análise do direito creditório; e b) a possibilidade de utilização das receitas de produtos NT no cálculo do crédito presumido de IPI da Lei 10.276/2001. No que concerne a matéria a), apresentou dois acórdãos paradigmas, de nº 3401003.754 e nº 1302002.083. O primeiro deles, para situação similar à deste processo entendeu que caberia ao Fisco a busca da verdade material e a produção de provas posteriormente ao acórdão da DRJ que informava a necessidade de mais provas, enquanto o segundo paradigma, para caso de lançamento de IRPJ, concluiu pela anulação do acórdão de primeira instância quando este não encaminhou diligência para apuração e compreensão das provas trazidas com a impugnação. No tocante à matéria b), novamente são apresentados dois arestos paradigmáticos, de nº 3402004.309 e nº 9303002.889. O primeiro paradigma afirma que beneficio do crédito presumido independe de efetiva tributação pelo IPI da entrada ou da saída dos produtos. Já o segundo trata da determinação da relação percentual entre a receita de Fl. 919DF CARF MF 4 exportação e a receita operacional bruta, para a qual incluise o valor correspondente à exportação de produtos NT. Com base nisso viu a divergência para com o recorrido que só considera possível o benefício para produtos que estejam dentro do campo de tributação pelo IPI. O Presidente da 2ª Câmara de Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência da contribuinte, no despacho de efls. 898 a 901, em 04/04/2018, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343 de 09/06/2015, dandolhe seguimento apenas em relação às duas matérias. Contrarrazões da contribuinte A Procuradoria da Fazenda Nacional foi cientificada (efl. 902) do despacho de admissibilidade do despacho de efls. 898 a 901, em 11/05/2018, e apresentou contrarrazões em 17/05/2018, às efls. 903 a 914. Em resumo, a Procuradora reafirma a posição do acórdão a quo, quanto ao ônus probatório do direito ao crédito a ser ressarcido e, quanto ao crédito presumido, afirma que a desoneração de parcela do PIS e da Cofins pretendida pela legislação visa apenas aos produtos industrializados buscando incentivar a exportação de produtos elaborados de maior valor agregado, logicamente por pessoas jurídicas submetidas à tributação pelo IPI. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e voto por conhecêlo. Mérito Da possibilidade de utilização das receitas de produtos NT no cálculo do crédito presumido de IPI da Lei 10.276/2001 Inicio a apreciação do recurso especial da contribuinte nessa matéria, considerando que a forma de cálculo adotada pela contribuinte foi aquela prevista na Lei nº 10.276/2001. O pleito da contribuinte era pelo reconhecimento de créditos presumidos sobre insumos vinculados às receitas de exportação de álcool para fins carburantes. O acórdão recorrido indicou, à efl. 807, que o álcool para fins carburantes, classificado no Ex 01 da posição 2207.10.00 da TIPI, tem notação NT, estando fora do campo de incidência do IPI. Os fundamentos legais sobre os quais a recorrente faz seu pleito são: Lei nº 9.363/1996: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das Fl. 920DF CARF MF Processo nº 10880.970247/201141 Acórdão n.º 9303007.914 CSRFT3 Fl. 919 5 contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. A forma de cálculo pela qual optou a contribuinte foi a da Lei nº 10.267/2001. Lei nº 10.276/2001: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. (...) A criação do crédito presumido ora em discussão se deu pela Medida Provisória nº 948 de 23/03/1995, convertida finalmente na Lei nº 9.363 de 13/12/1996. A Lei nº 10.276 de 10/09/2001, veio apenas a trazer forma alternativa de calcular o crédito presumido anteriormente estabelecido. Não há como ver na Lei nº 10.276/2001 a instituição do benefício. Também nesse sentido já se manifestou o Conselheiro Rodrigo Pôssas em argumentos para fundamentação de seu voto no acórdão nº 9303006.802: A Lei nº 10.276/2001, ao contrário do que alguns pensam, não criou um novo benefício,mas tãosomente: 1) Passou a admitir a inclusão na base de cálculo, além dos insumos para industrialização, no conceito da legislação do IPI (MP, PI e ME), gastos com energia elétrica, combustíveis e serviços de industrialização por encomenda; 2) Alterou a forma de cálculo. Fl. 921DF CARF MF 6 Em nada estas mudanças afetaram a“essência” do benefício, cujo objetivo é desonerar as exportações dos tributos incidentes na cadeia produtiva (no caso, PIS/Cofins), ainda que de forma presumida (pois cada produto exportado tem uma cadeia distinta, na qual incidem as contribuições com menor ou maior reflexo no custo), para aumentar a competitividade dos produtos nacionais no mercado globalizado – ou, ao menos, buscar uma maior equiparação (diminuindo o chamado“Custo Brasil”). O que aqui se discute é justamente se a empresa faria jus ao benefício, não mais se foi correta a apuração, uma vez que o acórdão recorrido negou o próprio direito e sobre essa matéria admitiuse o recurso especial de divergência da contribuinte. Por essas razões, entendo que a análise feita em relação às mercadorias a serem exportadas são aplicáveis tanto a uma quanto a outra das citadas Leis. As condições para a existência do direito (certeza) ao crédito presumido é a mesma, pois originária da Lei nº 9.363/1996, a forma de calcular (liquidez) é distinta e escolhida pela contribuinte. Assim, no que toca a análise do direito, toda a argumentação que se use para entendêlo aplicável na dicção da Lei 9.363/1996 é válida para a Lei nº 10.267/2001. Nesse sentido, o direito ao crédito presumido com relação a exportação de produtos classificados como NT com base na Lei nº 9.363/1996 foi diversas vezes apreciado no CARF e a partir de tais questionamentos chegouse à elaboração da Súmula CARF nº 124: Súmula CARF nº 124 A produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "nãotributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996. Logo, não se pode reconhecer o direito ao crédito pleiteado pela contribuinte em seu pedido de ressarcimento. Ônus da prova do contribuinte versus obrigação do Fisco em efetuar a análise do direito creditório Tendo em vista a conclusão que não há crédito gerado pelas aquisições de insumo para a exportação de produtos nãotributados, fica prejudicada a questão do ônus da prova para apuração dos pretendidos créditos. Logo, despicienda a análise do recurso especial da contribuinte nessa matéria. De qualquer sorte, penso que andou bem o acórdão a quo. Entendo que o ônus probatório em casos de ressarcimento ou restituição é claramente da contribuinte, o pleito é dela, o onus probandi também o é; isto está claramente disposto no voto condutor do aresto recorrido, às efls. 801 a 804, que me furtarei de reproduzir, tendo em vista a prejudicialidade deste ponto citada no parágrafo anterior. Dessarte, nessa matéria também não há que se dar provimento ao recurso especial da contribUinte. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da contribuinte para negarlhe provimento. Fl. 922DF CARF MF Processo nº 10880.970247/201141 Acórdão n.º 9303007.914 CSRFT3 Fl. 920 7 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 923DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.722689/2013-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
DEDUÇÃO INDEVIDA -DESPESA MÉDICA - DOCUMENTAÇÃO HÁBIL
As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
Numero da decisão: 2002-000.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 DEDUÇÃO INDEVIDA -DESPESA MÉDICA - DOCUMENTAÇÃO HÁBIL As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 26 89 /2 01 3- 11 Fl. 71DF CARF MF 2 Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 27 a 32), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 8.696,22, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 19 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: Cientificada da exigência em 04/04/2013 (fl. 33), a contribuinte apresentou, em 08/04/2013, impugnação acostada à fl. 3, em que discorda da glosa efetuada, sob a alegação de que se trata de despesa própria. Por fim, consigna a anexação dos documentos probatórios correspondentes e requer o acolhimento da impugnação. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, em 11/11/2014, no acórdão 0364.574, às efls. 37 a 41, julgou a impugnação parcialmente procedente. Recurso Voluntário Ainda inconformada, a contribuinte, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 55 a 66, no qual alega, em resumo, que as despesas com GEAP Autogestão em Saúde podem ser deduzidas da base de cálculo do Imposto de Renda a pagar. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 05/02/2015, efls. 52, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 04/03/2015, efls. 35, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A contribuinte foi autuada pela dedução indevida das seguintes despesas médicas: Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10166.722689/201311 Acórdão n.º 2002000.628 S2C0T2 Fl. 72 3 · Radio – Radiodiagnóstico em Odontologia Ltda: R$ 196,00 · GEAP Fundação de Seguridade Social: R$ 2.986,16 A decisão da DRJ afastou a glosa da primeira dedução acima apontada, mantendo a segunda. Segue excerto da decisão: Com efeito, a Nota Fiscal de Serviços emitida por Radio Radiodiagnótico em Odontologia S/S Ltda, à fl. 5, comprova a despesa realizada, no valor de R$ 196,00, motivo pelo qual a respectiva dedução deve ser restabelecida na Declaração de Ajuste Anual. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades Fl. 73DF CARF MF 4 que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10166.722689/201311 Acórdão n.º 2002000.628 S2C0T2 Fl. 73 5 (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo Fl. 75DF CARF MF 6 “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10166.722689/201311 Acórdão n.º 2002000.628 S2C0T2 Fl. 74 7 seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Às efls. 56 resta claro que a contribuinte é a beneficiária do plano de saúde contratado. Ja às efls. 57 a 66 há os extratos de participação com o detalhamento dos serviços utilizados. Tais documentos, juntamente com os comprovantes de pagamento de efls. 06 a 19, são provas suficientes para o afastamento da glosa pela dedução da despesa médica. Diante do exposto, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18108.000021/2008-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/01/2004
NULIDADE DO LANÇAMENTO. FALTA DE MOTIVAÇÃO INEXISTÊNCIA
No Relatório Fiscal estão descritos os fatos que ensejaram a emissão de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD em virtude do FNDE ter verificado irregularidades no recolhimento do salário educação.
Não há que se falar em nulidade quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e claramente descritos os motivos da autuação, o que permitiu a perfeita compreensão da apuração do crédito tributário e observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa.
SALÁRIO EDUCAÇÃO. SISTEMA DE MANUTENÇÃO DE ENSINO FUNDAMENTAL (SME). MODALIDADES ESCOLA PRÓPRIA E INDENIZAÇÃO DE DEPENDENTES. GLOSA DE DEDUÇÃO INDEVIDA.
Para fins de dedução da contribuição do salário-educação, a empresa optante do Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental (SME), nas modalidades de escola própria e indenização de dependentes, deverá observará as regras e condições estabelecidas nos atos normativos expedidos pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), sob pena de glosa das deduções efetivadas.
A recorrente não traz aos autos prova de que foi enviada ao FNDE a Relação de Alunos Indenizados - RAI, para atualização semestral do Sistema de Relação de Alunos Indenizados - RAT, cujo envio era obrigatório.
Numero da decisão: 2401-005.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/01/2004 NULIDADE DO LANÇAMENTO. FALTA DE MOTIVAÇÃO INEXISTÊNCIA No Relatório Fiscal estão descritos os fatos que ensejaram a emissão de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD em virtude do FNDE ter verificado irregularidades no recolhimento do salário educação. Não há que se falar em nulidade quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e claramente descritos os motivos da autuação, o que permitiu a perfeita compreensão da apuração do crédito tributário e observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa. SALÁRIO EDUCAÇÃO. SISTEMA DE MANUTENÇÃO DE ENSINO FUNDAMENTAL (SME). MODALIDADES ESCOLA PRÓPRIA E INDENIZAÇÃO DE DEPENDENTES. GLOSA DE DEDUÇÃO INDEVIDA. Para fins de dedução da contribuição do salário-educação, a empresa optante do Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental (SME), nas modalidades de escola própria e indenização de dependentes, deverá observará as regras e condições estabelecidas nos atos normativos expedidos pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), sob pena de glosa das deduções efetivadas. A recorrente não traz aos autos prova de que foi enviada ao FNDE a Relação de Alunos Indenizados - RAI, para atualização semestral do Sistema de Relação de Alunos Indenizados - RAT, cujo envio era obrigatório.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
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FALTA DE MOTIVAÇÃO INEXISTÊNCIA No Relatório Fiscal estão descritos os fatos que ensejaram a emissão de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD em virtude do FNDE ter verificado irregularidades no recolhimento do salário educação. Não há que se falar em nulidade quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e claramente descritos os motivos da autuação, o que permitiu a perfeita compreensão da apuração do crédito tributário e observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa. SALÁRIO EDUCAÇÃO. SISTEMA DE MANUTENÇÃO DE ENSINO FUNDAMENTAL (SME). MODALIDADES ESCOLA PRÓPRIA E INDENIZAÇÃO DE DEPENDENTES. GLOSA DE DEDUÇÃO INDEVIDA. Para fins de dedução da contribuição do salárioeducação, a empresa optante do Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental (SME), nas modalidades de escola própria e indenização de dependentes, deverá observará as regras e condições estabelecidas nos atos normativos expedidos pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), sob pena de glosa das deduções efetivadas. A recorrente não traz aos autos prova de que foi enviada ao FNDE a Relação de Alunos Indenizados RAI, para atualização semestral do Sistema de Relação de Alunos Indenizados RAT, cujo envio era obrigatório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 10 8. 00 00 21 /2 00 8- 58 Fl. 462DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I – SP (DRJ/SPOI) que julgou procedente em parte o lançamento, mantendo o Crédito Tributário no valor de R$ 4.275,35, conforme ementa do Acórdão nº 1619.617 (fls. 394/422): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/01/2004 Documento: NFLD n° 37.122.8190, de 24/10/2007 CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. SALÁRIO EDUCAÇÃO. O salárioeducação previsto no art. 212, § 5 0 da Constituição Federal, é devido pelas empresas, calculado sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer titulo aos segurados empregados, de acordo com a Lei 9.424/96. MOTIVAÇÃO. AUSÊNCIA DE NULIDADE. A notificação fiscal encontrase corretamente motivada, pois discrimina as deduções realizadas em desacordo com as informações prestadas ao FNDE, os períodos a que se referem e a fundamentação legal do débito. DIREITO DE DEFESA. FUNDAMENTOS DO LANÇAMENTO. Encontrandose presentes os suportes fáticos e jurídicos da notificação a alegação de cerceamento do exercício do direito de defesa não prospera. CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. Declarada pelo STF, por meio de súmula vinculante, a Fl. 463DF CARF MF Processo nº 18108.000021/200858 Acórdão n.º 2401005.981 S2C4T1 Fl. 3 3 inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos as contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário. Lançamento Procedente em Parte O presente processo trata de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD nº 37.122.8190 (fl. 03), referente às competências 01/1997 até 01/2004 (período descontinuo), no montante de R$ 110.225,61, consolidado em 22/10/2007, com o objetivo de constituir Créditos Tributários relativos a contribuições para o salárioeducação decorrentes de glosa de deduções realizadas a titulo de indenização de dependentes. De acordo com o Relatório de Notificação Fiscal (fls. 30/34): 1. O procedimento fiscal foi autorizado pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 09420386, emitido a partir de representação administrativa encaminhada pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE à Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, ao verificar irregularidade no recolhimento do salário educação; 2. O exame realizado pelo FNDE verificou a regularidade das deduções realizadas na modalidade "indenização de dependentes", baseandose nas informações constantes do Sistema de Gestão da Arrecadação SIGA da autarquia, analisando se o valor deduzido no documento de arrecadação do salário educação era equivalente ao número de alunos beneficiários informado pela empresa na Relação de Alunos Indenizados RAI; 3. Com base no cruzamento das informações da RAI com as deduções realizadas pela empresa no documento de arrecadação, foi emitido Demonstrativo de Divergência por Estabelecimento, anexado a representação administrativa encaminhada RFB para constituição do Crédito Tributário; 4. Nos casos em que não houver entrega da RAI, os valores apurados pelo FNDE serão integralmente os deduzidos pela empresa no Comprovante de Arrecadação Direta CAD; 5. Constatado que as deduções foram realizadas em desacordo com as informações prestadas ao FNDE, cabe lançar o crédito correspondente a glosa das deduções indevidas através da presente NFLD, cujos valores encontramse discriminados, nos relatórios integrantes desta NFLD, por estabelecimento centralizador que efetuou o recolhimento da contribuição, de acordo com o parágrafo único do art. 660 da IN SRP n° 03, de 14/07/2005, com a redação dada pela IN RFB n° 761, de 30/07/2007; Fl. 464DF CARF MF 4 6. A discriminação dos valores glosados por competência encontrase no Relatório de Lançamentos RL (fls. 14/16) e no Discriminativo Analítico do Débito DAD(fls. 06/10). Os fundamentos legais para a exigência da contribuição estão relacionados no relatório Fundamentos Legais do Débito FLD (fl. 17/20). Em 22/11/2007 o Contribuinte tomou ciência, via Correio, da NFLD (AR fl. 320) e, em 21/12/2007, tempestivamente, apresentou sua Impugnação de fls. 322 a 346, instruída com os documentos nas fls. 347 a 381. Diante da impugnação tempestiva o processo foi encaminhado à DRJ/SPOI para julgamento, onde, através do Acórdão nº 1619.617, em 26/11/2008 a 12ª Turma julgou PROCEDENTE EM PARTE o lançamento, mantendo integralmente os valores lançados nas competências de 12/2002 e 01/2004. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão, via Correio, em 10/06/2009 (AR fl. 425) e interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 427 a 438, instruída com os documentos nas fls. 439/453, em 30/06/2009. Em suas razões recursais traz uma síntese dos fatos para em seguida, preliminarmente, alegar a nulidade do lançamento em função da ausência de motivação do ato administrativo (Item II.1 fls. 429/433). Prossegue em seu RV asseverando acerca da contribuição destinada ao SalárioEducação (Item II.2 fls. 433/435); da regularidade das deduções efetuadas (Item II.3 fl. 436); e da irrelevância da atualização cadastros do FNDE para reconhecimento das deduções realizadas (fls. 436/438) por força de norma regulamentar. A autuação teve como base foram as informações e documentos não juntados aos autos. Evidentemente, sem juntar os documentos que supostamente dão fundamento às "divergências. Conclui requerendo que seja dado provimento integral ao recurso apresentado a fim de que seja anulado integralmente a NFLD combatida. É o relatório. Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Nulidade do lançamento Fl. 465DF CARF MF Processo nº 18108.000021/200858 Acórdão n.º 2401005.981 S2C4T1 Fl. 4 5 Aduz a Recorrente a ausência de motivação no ato administrativo de lançamento, pois a convicção da fiscalização foi embasada em informações e documentos não juntados aos autos. Segue aduzindo que a NFLD limitouse a apontar os anos e os valores apurados pelo FNDE, sem apresentar qualquer motivação sobre como foram calculados referidos valores e de que forma constataramse as divergências apontadas, o que carreou na nulidade do lançamento por falta de motivação. Não procede a argumentação do contribuinte. No Relatório Fiscal estão descritos os fatos que ensejaram a emissão de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD em virtude do FNDE ter verificado irregularidades no recolhimento do salário educação; descreve todo o exame realizado pelo FNDE, no que tange à regularidade das deduções realizadas na modalidade "indenização de dependentes", e traz a demonstração do cálculo realizado. Consta nos autos a Representação Administrativa do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE em que constata irregularidade no recolhimento do SalárioEducação; o DEMONSTRATIVO DE DIVERGÊNCIA POR ESTABELECIMENTO Comparativo entre deduções realizadas e informações dos alunos beneficiados na posição ATUAL (fls. 36 e seguintes), bem como a Relação de Alunos (fls. 48 e seguintes) e Demonstrativos de Recolhimentos RA (fls. 296 e seguintes). O contribuinte foi intimado do procedimento fiscalizatório, o qual foi emitido a partir de representação administrativa encaminhada pelo FNDE para a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. Após a lavratura do Auto de Infração, apresentou suas razões de defesa, tanto por ocasião da impugnação, como no Recurso Voluntário. O contraditório foi instaurado e a ampla defesa assegurada. Dessa forma, não há que se falar em nulidade quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e claramente descritos os motivos da autuação, o que permitiu a perfeita compreensão da apuração do crédito tributário e observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa. Assim, não procede as alegações de nulidade do auto de infração. Contribuição do Salário Educação Deduções Afirma a Recorrente que todas as deduções foram realizados de acordo com o regramento pertinente e, mesmo que assim não fosse, as meras resoluções do FNDE não se prestam para inviabilizar as desonerações pretendidas. O Sistema de Manutenção de Ensino (SME) consistia em um programa através do qual a empresa contribuinte do Salário Educação propiciava aos seus empregados e dependentes o ensino fundamental nas modalidades (i) rede de ensino particular (ii) escola própria; (iii) e indenização de dependentes, deduzindose da contribuição do salário educação devido os valores comprovadamente despendidos na manutenção da escola própria ou na Fl. 466DF CARF MF 6 indenização de dependentes, até os limites fixados em atos do FNDE (art. 10 do Decreto nº 3.142, de 1999). As empresas optantes do SME deveriam observar as regras estabelecidas pelo FNDE, e para tanto, prestar informações quanto à prova de que os alunos beneficiários preenchiam os requisitos normativos, sob pena de glosa das deduções da contribuição do Salário Educação, conforme se observa da Resolução FNDE nº 3, de 18 de dezembro de 2000, cujas regras já constavam dos atos normativos anteriores (Instrução FNDE nº 1/1998; Resolução FNDE nº 3/1999): Art. 8º A empresa deverá prestar contas ao FNDE, dos recursos financeiros aplicados nas modalidades Escola Própria e Indenização de Dependentes, respeitando os procedimentos e os prazos estabelecidos no art. 10 desta Resolução, sob pena de serem glosadas todas as deduções efetivadas no semestre, resultando em notificação para recolhimento de débito. Art. 9º A dedução na contribuição do SalárioEducação oriunda da aplicação na modalidade Escola Própria de que trata o inciso II do art. 6º desta Resolução, está condicionada ao credenciamento da escola, mantida pela empresa, junto ao FNDE nos prazos e de acordo com as normas estabelecidas em resolução específica. Art. 10. As informações das empresas para atualização do cadastro dos alunos beneficiários, mantido pelo FNDE, serão encaminhadas nos prazos fixados e de conformidade com as orientações fornecidas por esta Autarquia, da seguinte forma: [...] II na modalidade Indenização de Dependentes, por meio eletrônico disquete ou email para atualização semestral do sistema de Relação de Alunos Indenizados RAI, cujo envio deverá, obrigatoriamente, ocorrer até 31 de julho para os dados relativos ao 1º semestre, e 31 de janeiro do exercício seguinte para os dados relativos ao 2º semestre. No caso dos autos, embora a Recorrente alegue que a dedução apurada corresponde exatamente ao número de funcionários que possuíam dependentes cursando o ensino fundamental, não traz aos autos prova de que foi enviada ao FNDE a Relação de Alunos Indenizados RAI, para atualização semestral do Sistema de Relação de Alunos Indenizados RAT, cujo envio era obrigatório. Dessa forma, não restou demonstrado que os beneficiários com a indenização foram integralmente informados ao FNDE, em atendimento as Resoluções editadas pelo órgão, consoante se verifica no item 5.2 do Relatório Fiscal: 5.2. 0 exame realizado pelo FNDE consistiu em verificar a regularidade das deduções realizadas na modalidade "indenização de dependentes", baseandose nas informações constantes do Sistema de Gestão da Arrecadação SIGA da autarquia. Verificouse se o valor deduzido no documento de arrecadação do salário educação era equivalente ao número de alunos beneficiários informado pela empresa na Relação de Alunos Indenizados RAI. Fl. 467DF CARF MF Processo nº 18108.000021/200858 Acórdão n.º 2401005.981 S2C4T1 Fl. 5 7 Assim, não merece reparos a decisão de piso. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares apontadas e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 468DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.721243/2017-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anos-calendários anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês.
Numero da decisão: 2301-005.819
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das matérias não constantes da lide, e, por maioria, em DAR PARCIAL PROVIMENTO para determinar o cálculo do IRPF nos termos do voto do relator, vencidos os conselheiros Antônio Sávio Nastureles, Reginaldo Paixão Emos e João Maurício Vital, que negaram provimento.
(assinado digitalmente)
João Mauricio Vital - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Jorge Henrique Backes (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente).
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anoscalendários anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das matérias não constantes da lide, e, por maioria, em DAR PARCIAL PROVIMENTO para determinar o cálculo do IRPF nos termos do voto do relator, vencidos os conselheiros Antônio Sávio Nastureles, Reginaldo Paixão Emos e João Maurício Vital, que negaram provimento. (assinado digitalmente) João Mauricio Vital Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Jorge Henrique AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 12 43 /2 01 7- 91 Fl. 114DF CARF MF 2 Backes (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente). Relatório Tratase de processo decorrente de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física Exercício 2014, anocalendário de 2013, na qual se apurou crédito tributário no valor de R$ 114.139,40. De acordo com a Descrição dos Fatos de fls. 73/74 c/c os Demonstrativos de fls. 75/76, foram constatadas as seguintes infrações: (i) omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de Ação na Justiça Federal, no total de R$ 333.685,95, com compensação de R$ 10.010,57, a título de IRRF sobre os rendimentos omitidos; e (ii) compensação indevida de imposto complementar, no valor de R$ 10.010,57 (R$ 29.130,89 declarados menos R$ 19.120,32 comprovados). A correção se deu em razão do valor recolhido pela contribuinte. A fiscalização esclarece que, devidamente intimada a apresentar a sentença judicial ou acordo homologado judicialmente, planilha de verbas contendo os cálculos, atualização dos cálculos, alvará de levantamento com autenticação mecânica do banco ou extrato de honorários advocatícios, dentre outros documentos, a contribuinte apresentou apenas as informações do valor recebido e do IR descontado. Ainda, a autoridade fiscal narrou que os rendimentos considerados omitidos foram informados em DIRF pela fonte pagadora CAIXA ECONÔMICA FEDERAL como pagos à contribuinte, a título de rendimentos decorrentes de decisão da Justiça Federal, e não foram declarados. Cientificada do lançamento em 27/06/2017 (“tela” de fl. 77 e extrato do processo, à fl. 79), ingressou a contribuinte, por seu procurador (fls. 23 e 58), em 29/06/2017, com sua impugnação (fls. 04/05 e 07), alegando que: (i) quanto à omissão de rendimentos, alega que o valor contestado, de R$ 333.685,95, não deve ser tributado no ajuste anual, por corresponder a rendimentos recebidos acumuladamente após 28/07/2010, relativos a anos calendário anteriores ao do recebimento; (ii) o valor contestado é isento, por se tratar de indenização recebida a título de danos morais; (iii) quanto à infração compensação indevida de imposto complementar, no valor de R$ 10.010,57, argumenta que foi cometido erro no preenchimento da Declaração e que tal valor diz respeito a Imposto de Renda Retido na Fonte; (iv) informa que cometeu um monte de erros na apresentação de sua DIRPF 2014/2013, tendo apresentado quatro Retificadoras, sendo que a Declaração correta a ser apresentada estaria anexa à peça de defesa, entendendo que a mesma ser acatada, por ser a expressão da verdade; (v) ratifica que a natureza jurídica dos seus rendimentos seria a de rendimentos acumulados por 425 meses, de 10/1977 a 05/2013, sendo recebidos a título de danos morais e materiais, em ação judicial, com menção a peças anexadas junto com a impugnação; (vi) faz menção ao DARF pago em 29/04/2014, no valor de R$ 19.120,32, em decorrência de uma série de erros materiais cometidos em sua DIRPF/2014; e (vii) pede a anulação do imposto lançado, bem como a devolução do montante do IRRF de R$ 10.010,57, como também do DARF recolhido indevidamente em 29/04/2014, no valor de R$ 19.120,32. O Acórdão 1296.788 (fls. 82 e ss) julgou procedente em parte a impugnação, mantendose parcialmente o crédito tributário, com apuração de imposto suplementar R$ Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10140.721243/201791 Acórdão n.º 2301005.819 S2C3T1 Fl. 3 3 17.344,96, mais acréscimos legais cabíveis, de acordo com a legislação aplicável. Vale ressaltar que no referido Acórdão foi reconhecida a isenção dos montantes recebidos a título de dano morais e danos materiais. Irresignado, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 101) reiterando os argumentos trazidos na impugnação, no sentido de que todos os rendimentos por ela recebidos são isentos e solicitando o reembolso dos pagamentos efetuados (imposto retido na fonte e pagamento efetuado no ajuste anual). É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Considerando que o Acórdão da DRJ já reconheceu a isenção de parte dos rendimentos recebidos pela Recorrente como rendimentos decorrentes de danos morais e danos materiais, não conheço das alegações de isenção da parcela dos rendimentos que já foi reconhecida pelo Acórdão da DRJ, uma vez que para esta parcela não há lide. Ainda assim, com relação à parcela que não foi reconhecida como isenta, faço minhas as considerações do Acórdão da DRJ, no sentido, de que no art. 39, inciso XVI, do RIR/1999 estabelece que não entrarão no cômputo do rendimento bruto a indenização reparatória por danos físicos, invalidez ou morte, ou por bem material danificado ou destruído, em decorrência de acidente, até o limite fixado em condenação judicial, exceto no caso de pagamento de prestações continuadas. Ademais, concordo com o Acórdão da DRJ no tocante à proporcionalização dos honorários advocatícios, de modo que eles devem ser atribuídos em parte aos rendimentos isentos e em parte aos rendimentos tributáveis. Com relação ao pedido de que os rendimentos objeto do presente processo sejam julgados como rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica, destaco que a Recorrente fez jus a uma pensão vitalícia de 1 salário mínimo desde outubro de 1977 (fls. 24 e ss) segundo ação judicial 2007.6000.008219 perante a Justiça Federal do Estado do Mato Grosso do Sul, de modo que tratamse evidentemente de rendimentos recebidos acumuladamente, ainda que a Recorrente tenha declarado erroneamente como rendimentos isentos em sua DAA, bem como declarado erroneamente como imposto complementar o imposto retido na fonte. Tendo em vista que o anocalendário em questão é 2013, deve ser aplicado o artigo 12A da Lei n. 7.713/88, que dispõe sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, uma vez que a Recorrente pede tal tributação desde a sua impugnação, sendo Fl. 116DF CARF MF 4 que ela somente não fez a opção quando da entrega da DAA, pois entendia que tais rendimentos seriam isentos, visto que decorrentes de indenizações por danos materiais e morais. Com base no exposto, voto por conhecer parcialmente o Recurso Voluntário, não conhecendo da matéria que não está na lide e, parte conhecida, darlhe parcial provimento para que tais rendimentos sejam tributados como rendimentos recebidos acumuladamente nos termos do artigo 12A da Lei n. 7.713/88. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13771.000358/2007-38
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE.
Para fazer jus à isenção, o contribuinte deve preencher os dois requisitos obrigatórios. Inteligência da Súmula nº 63 deste Colendo CARF.
Numero da decisão: 2002-000.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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Para fazer jus à isenção, o contribuinte deve preencher os dois requisitos obrigatórios. Inteligência da Súmula nº 63 deste Colendo CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 1. 00 03 58 /2 00 7- 38 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13771.000358/200738 Acórdão n.º 2002000.739 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl. 59) contra decisão de primeira instância (fls. 49/53), que julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Contra o contribuinte foi lavrada notificação de lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (fls. 8 a 10), anocalendário 2004, para apurar crédito tributário no valor de R$18741,20. O lançamento originouse da revisão da DIRPF/2005, tendo sido apurada omissão de rendimentos das fontes pagadoras Tribunal Regional Federal (CPF 08851418730), FISTEL e INSS por falta de apresentação de laudo médico pericial emitido por serviço médico oficial. Inconformado, o interessado alega em síntese que declarou inadvertidamente sua filha como dependente e não utilizou qualquer beneficio com relação a esta opção, uma vez que apresentou declaração simplificada. Afirrna que sua filha apresentou declaração em separado tributando os valores considerados pela notificação. Quanto aos valores recebidos por ele, alega que seriam isentos por ser portador de moléstia grave confonne documentos apresentados. Ao final, menciona decisões administrativas com ementas relacionadas ao seu pleito. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, juntando novos documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13771.000358/200738 Acórdão n.º 2002000.739 S2C0T2 Fl. 4 3 O contribuinte foi cientificado em 02/10/2009 (fl. 58); Recurso Voluntário protocolado em 27/10/2009 (fl. 59), assinado pelo próprio contribuinte. Responde o contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave – Não Comprovação da Moléstia ou sua Condição de Aposentado, Pensionista ou Reformado. Relata o Sr. AFR, que “O CONTRIBUINTE NÃO APRESENTOU O LAUDO PERICIAL EMITIDO POR SERVIÇO MÉDICO OFICIAL DA UNIÃO, DOS ESTADOS, DO DISTRITO FEDERAL OU DOS MUNICÍPIOS, ONDE CONSTE A DATA DO INÍCIO DA DOENÇA, O NOME DA DOENÇA E O CID, PARA COMPROVAR A .ISENÇÃO” A r. decisão revisanda, julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte, não aceitando o laudo de fl. 27. Irresignado o recorrente maneja recurso próprio, apresentando novos documentos. O recorrente apresenta a “Carta de Concessão” do INSS, onde assevera que o mesmo foi considerado aposentado a partir de 13/11/1998. O Laudo Médico Pericial trazido aos autos, à fl. 77, elaborado pela Secretaria de Saúde do Espírito Santo, diz que o recorrente é portador de Neoplasia Maligna de Pele, CID10 – C44, desde 2001. Assim, nesta quadra, o recorrente faz jus à isenção pleiteada de acordo com a Súmula nº 63 deste Colendo CARF: “Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios”. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.003153/2004-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Exercício: 1999
PIS. BASE DE CÁLCULO. PRESTADORAS DE SERVIÇO. RE 585.235. INAPLICABILIDADE.
Compõe a base de cálculo das contribuições para o PIS a totalidade dos valores constantes das notas fiscais de prestação de serviços, inclusive o correspondente a salários e encargos. Inaplicável a jurisprudência do STF consubstanciada no RE 585.235, em sede de repercussão geral, relacionada a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei no 9.718/98 tendo em vista que a receita da prestação de serviços relaciona-se a atividade típica da sociedade empresária.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1999
DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 150, §4º DO CTN. PAGAMENTO PARCIAL.
As contribuições para o PIS são tributos sujeitos a lançamento por homologação. Em face do pagamento parcial antecipado por parte do contribuinte, aplica-se o disposto no art. 150, §4º do CTN para fins de contagem do prazo decadencial de cinco anos iniciando-se a partir da ocorrência do fato gerador.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Redator Designado
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Numero da decisão: 3001-000.608
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento de ofício, em face da decadência, o crédito tributário exigido para os fatos geradores anteriores a 28.07.1999, inclusive, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila (relator) e Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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BASE DE CÁLCULO. PRESTADORAS DE SERVIÇO. RE 585.235. INAPLICABILIDADE. Compõe a base de cálculo das contribuições para o PIS a totalidade dos valores constantes das notas fiscais de prestação de serviços, inclusive o correspondente a salários e encargos. Inaplicável a jurisprudência do STF consubstanciada no RE 585.235, em sede de repercussão geral, relacionada a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei no 9.718/98 tendo em vista que a receita da prestação de serviços relacionase a atividade típica da sociedade empresária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1999 DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 150, §4º DO CTN. PAGAMENTO PARCIAL. As contribuições para o PIS são tributos sujeitos a lançamento por homologação. Em face do pagamento parcial antecipado por parte do contribuinte, aplicase o disposto no art. 150, §4º do CTN para fins de contagem do prazo decadencial de cinco anos iniciandose a partir da ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 31 53 /2 00 4- 11 Fl. 347DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Redator Designado (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Francisco Martins Leite Cavalcante. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento de ofício, em face da decadência, o crédito tributário exigido para os fatos geradores anteriores a 28.07.1999, inclusive, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila (relator) e Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcos Roberto da Silva. Relatório Auto de Infração Tratase de Auto de Infração lavrado em virtude de falta de recolhimento da Contribuição para o PIS, no anocalendário de 1999, no valor total de R$14.858,13, incluído principal, multa proporcional e juros de mora calculados até 30/06/2004. Impugnação Em sede de impugnação, o contribuinte alegou, em suma: 1. A inconstitucionalidade da Lei n° 9.718/1998, tendo em vista a alteração efetuada na base de cálculo do PIS; 2. Que as empresas como a da autuada, que se dedicam à atividade de locação de mão de obra, estão sendo injustiçadas pela interpretação equivocada de dispositivos legais que regulam a matéria; 3. Que cabem às empresas tomadoras dos serviços o pagamento de salário e demais encargos pessoais para as pessoas selecionadas pela autuada; 4. Que apenas por força de Lei n° 6.784/1974 os empregados são pagos pela autuada; 5. Que o vínculo empregatício está entre a tomadora de serviço e seus empregados, com isso, a autuada repassa o valor recebido de seus clientes aos empregados e recolhe os encargos legais incidentes sobre aquela relação de emprego, no caso, a taxa de serviço ou honorários de administração; 6. Que a emissão de nota fiscal ou fatura de prestação de serviços de salários e demais encargos é uma imposição que levaria à tributação superior a da sua real capacidade econômica; Fl. 348DF CARF MF Processo nº 11065.003153/200411 Acórdão n.º 3001000.608 S3C0T1 Fl. 348 3 7. Que o legislador ordinário ao definir o conceito de faturamento não observou o disposto no art. 110 do CTN; 8. Que a tributação deveria recair apenas sobre a taxa de administração, pois essa parcela é a única que reverte em beneficio das empresas de trabalho temporário. DRJ/POA A impugnação foi julgada e recebeu a seguinte ementa: Acórdão n° 1017.382 – 2ª ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 PIS – BASE DE CÁLCULO – PRESTADORA DE SERVIÇOS CUSTOS – EXCLUSÃO FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Para fins de obtenção da base de cálculo da Cofins, não se excluem da receita de prestação de serviço de locação de mãodeobra custos salariais e demais encargos legais. Lançamento procedente. Inicialmente, a DRJ destacou que a autoridade administrativa não tem competência legal para decidir sobre a inconstitucionalidade de leis vigentes no país e que o contencioso administrativo não é o foro próprio para discussões dessa natureza. Quanto à alegação que sua receita tributável seria composta apenas pelo valor correspondente à comissão de serviço, aduz que o texto legal é claro, sendo que uma vez faturado, independentemente de ser repasse ou não, esses valores compõem o preço dos serviços prestados. Logo, devem integrar a receita bruta ou faturamento, base de cálculo da Cofins, conforme a Lei n° 9.715 de 1998. Ademais, que a lei dispôs que os salários e encargos são de responsabilidade da empresa prestadora de serviço de locação de mão de obra temporária, portanto os itens consoantes na nota fiscal de faturamento são valores cobrados pela prestadora de serviço de seus clientes, caracterizandose como receita. Por isso, julgou procedente o lançamento. Recurso Voluntário Após relatar brevemente os eventos fáticos transcorridos, a recorrente, visando a reforma da decisão da primeira instância administrativa, traz, em suma, os seguintes argumentos: Fl. 349DF CARF MF 4 Inicialmente, recorrente aduz que com a interposição do recurso voluntário, a exigibilidade do crédito tributário fica suspensa, ademais infere que o CTN não dispõe que para a interposição do mesmo, seja necessário a prestação de depósito, o que foi dispensado pela mesma. Da inconstitucionalidade da Lei n° 9.718/98 Por conseguinte, apresenta um breve histórico da COFINS e do PIS. Eis que, através da Lei n° 9.718/98 – conversão da MP n° 1724/98, o governo federal estabeleceu nova base de cálculo das contribuições da COFINS, que antes era regulado pela Lei Complementar n° 70/91, a receita bruta. Contudo, alega que exigência contida na edição da Lei 9.718/98 é manifestamente inconstitucional. Nesse sentido, assevera que a alteração da base de cálculo é uma afronta à constituição e à Lei Complementar n° 70/91. Alega a superioridade hierárquica das LC n° 70/91 e 7/70 sobre a Lei Ordinária n° 9.718/98. Pretendeu demonstrar que as bases de cálculo para o ISSQN, PIS e COFINS, assim como para o IRPJ e CSSL são as mesmas, e caso não se admita que incidam sobre o valor relativo aos honorários de administração, estaria se exigindo tributos confiscatórios, além de ser afronta ao principio da igualdade tributária, na medida em que outras empresas pagam apenas sobre suas receitas brutas próprias e não sobre o que se exige da autora. Competência da autoridade administrativa para decidir sobre a constitucionalidade A recorrente indaga como deveriam se portar os agentes administrativos diante de uma lei que entende ser inconstitucional. Alega não existir vedação expressa na Constituição Federal proibitiva desse tipo de controle. Ademais, que a obediência à norma inconstitucional poderia ser tipificada como crime de responsabilidade. Ratifica que o julgador administrativo também pode exercer o controle difuso de constitucionalidade, sob as mesmas condições e efeitos elencados ao Poder Judiciário, uma vez que os processos judiciais e administrativos são regidos pelos mesmos princípios constitucionais. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Renato Vieira de Avila, Relator Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada em face do referido Auto de Infração. Admissibilidade do Recurso Fl. 350DF CARF MF Processo nº 11065.003153/200411 Acórdão n.º 3001000.608 S3C0T1 Fl. 349 5 O contribuinte teve ciência do acórdão de impugnação em 07.11.2008, conforme Avisos de Recebimento AR, fls. 449, nos termos do inciso II do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subsequente, conforme artigo 5º, também do PAF. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Verificase, pois, que a recorrente apresentou o competente Recurso Voluntário em 03.12.2008, conforme comprova o comprovante de protocolo da DRF – CAMPOS RJ, logo, o recurso apresentado é tempestivo ao prazo legal estabelecido no artigo 56 do PAF: Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. Por fim, observo que, em conformidade com o art. 23B do Anexo II da Portaria MF n° 343 de 2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF), este colegiado é competente para apreciar o feito, tendo em vista que o valor do litígio está dentro do limite estabelecido pelo dispositivo. CONHECIMENTO DO RECURSO O recurso voluntário trouxe argumento apenas relativo à inconstitucionalidade do artigo 3.º da Lei 9.718/98 relativa ao alargamento da base de cálculo do PIS. Neste item, frisase que os argumentos direcionados à tentativa de exclusão da base de cálculo de determinados valores, julgados improcedentes pela primeira instância administrativa, sob o fundamento de ausência de previsão legal para concederlhe tal exclusão, tornouse matéria aceita e não litigada. Assim, portanto, tendo sido delimitada a matéria apresentada no recurso, relativa, tão somente, à inconstitucionalidade do artigo 3 da Lei 9.718/98, conheço totalmente da matéria devolvida. DOS FATOS A recorrente foi autuada sob a alegação de que teria deixado de recolher PIS. O presente de recurso voluntário foi apresentado em decorrência de decisão que julgou procedente o lançamento, que não acatou a tese da autuada que apenas parte de seu faturamento seria base de cálculo da contribuição. Com isso, requer a reforma da decisão, alegando a inconstitucionalidade da Lei n° 9.718/98 e aduzindo a possibilidade do julgador administrativo em reconhecer tal inconstitucionalidade. MÉRITO Fl. 351DF CARF MF 6 Sobre o tema do alargamento da base de cálculo, ou seja, do conceito de Receita, este Tribunal Administrativo vem decidindo que devem ser excluídos os valores pagos a maior, ou seja, quando se inclui na base de cálculo, as ditas outras receitas. Assim tem se manifestado esse tribunal administrativo: Acórdão nº 3301003.967 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/1999 a 31/05/2003 COFINS. REGIME CUMULATIVO. LEI 9718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. MANIFESTAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO OUTRAS RECEITAS. O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/1999 a 31/05/2003 PIS. REGIME CUMULATIVO. LEI 9718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. MANIFESTAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO OUTRAS RECEITAS. O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços. Recurso voluntário provido. Conclusão Diante do exposto, conheço totalmente do recurso para darlhe provimento, no sentido de determinar a exclusão de outras receitas da base de cálculo, restringindo o conceito ao produto de sua prestação de atividades. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 352DF CARF MF Processo nº 11065.003153/200411 Acórdão n.º 3001000.608 S3C0T1 Fl. 350 7 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Roberto da Silva – Redator Designado Considerando o bem redigido voto do ilustre Conselheiro Relator Renato Vieira de Avila, ouso divergir do seu entendimento. Corroboro com o entendimento esposado pela DRJ no qual manteve o lançamento tributário tendo em vista que a base de cálculo do PIS no presente caso é a totalidade dos valores constantes das notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela recorrente na qual engloba também os salários, os encargos, dentre outros, conforme o caso, e não somente a taxa de administração conforme alega em seu Recurso Voluntário. Portanto, base de cálculo da Cofins, conforme disposto no art. 3º da Lei n° 9.715 de 1998, será apurada com base no faturamento do mês, considerandose como faturamento a receita bruta proveniente do preço dos serviços prestados. A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei no 9.718/98 não afeta o presente caso, isto porque a jurisprudência do STF por meio do RE 585.235, em sede de repercussão geral, decidiu que o legislador não teria competência para alterar o conceito de receita bruta e, por conseguinte, afasta o alargamento da base de cálculo afirmando não caber a tributação do PIS e da COFINS sobre as receitas não operacionais. Diversamente deste entendimento, o lançamento tributário objeto da lide tem por base de cálculo a receita de prestação de serviços da atividade típica da sociedade empresária autuada, qual seja, cessão de mãodeobra, não importando se os valores constantes das notas fiscais de prestação de serviços referemse a repasse ou reembolso de despesas, visto que a responsabilidade pelo pagamento dos salários e respectivos encargos recai sobre a prestadora de serviço de locação de mãodeobra. As contribuições para o PIS são tributos sujeitos a lançamento por homologação. Portanto, havendo pagamento parcial antecipado por parte do contribuinte, aplicase o disposto no art. 150, §4º do CTN para fins de contagem do prazo decadencial de cinco anos iniciandose a partir da ocorrência do fato gerador. Os fatos geradores são referentes ao ano de 1999. A ciência do auto de infração ocorreu em 28/07/2004. Portanto, encontramse alcançados pelo instituto da decadência os lançamentos tributários correspondentes aos fatos geradores de 31/01/1999 a 30/06/1999. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento de ofício, em face da decadência, o crédito tributário exigido para os fatos geradores anteriores a 28.07.1999. (assinado digitalmente) Fl. 353DF CARF MF 8 Marcos Roberto da Silva Fl. 354DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.904960/2012-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL / NÃO HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE ELEMENTO MODIFICATIVO. DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO.
Incumbe à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99.
Na hipótese de apresentação de argumentações genéricas, desprovidas de fundamentos de fato e de direito relativamente à discordância da decisão recorrida, esta deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos.
O crédito disponível para compensação no PER/DCOMP é o valor original do crédito apontado subtraído das parcelas desse mesmo crédito já utilizadas em compensações anteriores.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 3402-006.021
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Alan Tavora Nem (Suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Cynthia Elena de Campos. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, substituída pelo conselheiro Alan Tavora Nem.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL / NÃO HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE ELEMENTO MODIFICATIVO. DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO. Incumbe à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99. Na hipótese de apresentação de argumentações genéricas, desprovidas de fundamentos de fato e de direito relativamente à discordância da decisão recorrida, esta deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. O crédito disponível para compensação no PER/DCOMP é o valor original do crédito apontado subtraído das parcelas desse mesmo crédito já utilizadas em compensações anteriores. Recurso voluntário negado
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Alan Tavora Nem (Suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Cynthia Elena de Campos. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, substituída pelo conselheiro Alan Tavora Nem.
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HOMOLOGAÇÃO PARCIAL / NÃO HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE ELEMENTO MODIFICATIVO. DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO. Incumbe à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99. Na hipótese de apresentação de argumentações genéricas, desprovidas de fundamentos de fato e de direito relativamente à discordância da decisão recorrida, esta deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. O crédito disponível para compensação no PER/DCOMP é o valor original do crédito apontado subtraído das parcelas desse mesmo crédito já utilizadas em compensações anteriores. Recurso voluntário negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Alan Tavora Nem (Suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Cynthia Elena de Campos. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, substituída pelo conselheiro Alan Tavora Nem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 49 60 /2 01 2- 45 Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10183.904960/201245 Acórdão n.º 3402006.021 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versam os autos sobre a declaração de compensação parcialmente homologada tendo em vista que o DARF apontado foi utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que, no despacho decisório, foi reconhecido crédito menor do que o valor do pagamento a maior no Darf mencionado. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação do contribuinte, nos termos do Acórdão nº 02050.658: Cientificada desta decisão, a interessada interpôs o recurso voluntário tempestivo, alegando o direito à compensação, eis que possuiria crédito oponível à Receita Federal, sendolhe facultado compensar diretamente o suposto indébito, fazendo apenas a exigida "Declaração de Compensação", sem necessidade de qualquer recurso ao Judiciário. Requer a recorrente que as publicações e intimações do feito sejam lançadas em nome das patronas. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.005, de 11 de dezembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10183.903448/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.005): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Indeferese o pedido da recorrente para intimação em nome das patronas, vez que inexiste previsão legal nesse sentido. No âmbito do processo administrativo fiscal, as regras sobre as intimações de atos processuais fiscal dizem respeito somente à ciência do próprio sujeito passivo no seu domicílio tributário. A matéria está pacificada nesse sentido neste CARF, conforme Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10183.904960/201245 Acórdão n.º 3402006.021 S3C4T2 Fl. 0 3 enunciado da Súmula CARF nº 110: "No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo". Não se discute que a recorrente, como qualquer outro contribuinte, tem o direito de efetuar administrativamente a compensação de débitos próprios administrados pela Receita Federal mediante a entrega de declaração de compensação, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, mesmo porque ela pode efetivamente fazêlo, obtendo, inclusive, o deferimento parcial de seu pleito. Também não há controvérsia nos autos acerca do fato de que o DARF especificado como origem do crédito tratase de um efetivo pagamento indevido. O fato que levou à homologação parcial da compensação declarada foi que a requerente já havia utilizado parte do crédito apontado para a compensação de débitos declarados em outras PER/DCOMP's, como já havida observado o julgador a quo: O despacho contestado já reconhece o pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF identificado no PER/DCOMP em questão. A razão da não homologação contestada é a insuficiência do pagamento a maior, considerando sua utilização em PER/DCOMP anteriores. Nos PER/DCOMP, há o campo intitulado "Crédito Original na Data da Transmissão". Conforme instruções de preenchimento do programa gerador do PER/DCOMP, o valor a ser informado nesse campo é o valor do pagamento indevido ou a maior subtraído das parcelas desse mesmo pagamento já utilizadas em compensações anteriores. Quando nenhuma parcela do pagamento indevido ou a maior tiver sido restituída ou utilizada em compensação anterior, ou seja, no primeiro PER/DCOMP em que o crédito for utilizado, o valor informado no campo "Crédito Original na Data da Transmissão" será igual ao do campo "Valor Original do Crédito Inicial". A cada novo PER/DCOMP que utiliza o mesmo pagamento, o valor do campo "Crédito Original na Data da Transmissão" deve ser menor do que o do PER/DCOMP anterior. Portanto, na análise da compensação em litígio, não se pode desconsiderar as compensações anteriores que utilizam o mesmo DARF, salvo as canceladas e as não homologadas. (...) Em que pese a então manifestante não ter contestado a parte do despacho decisório que discriminou as parcelas do crédito original que haviam sido utilizadas em compensações anteriores, a Delegacia de Julgamento explicou em detalhes como se deu o consumo do crédito nas outras PER/DCOMP's especificadas. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10183.904960/201245 Acórdão n.º 3402006.021 S3C4T2 Fl. 0 4 Como se sabe, incumbiria à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99. No entanto, a recorrente se ateve apenas a argumentações genéricas, sem a apresentação de fundamentos de fato e de direito relativamente à discordância da decisão recorrida, a qual deve, então, ser mantida. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19394.720355/2012-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento à exigência legal. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos.
Numero da decisão: 2001-000.996
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento à exigência legal. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos.
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O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento à exigência legal. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 39 4. 72 03 55 /2 01 2- 11 Fl. 150DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de dedução de pensão alimentícia judicial. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 736,49, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2008. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento definidor da lavratura do lançamento, o fato de que o Recorrente não poderia ter utilizado como dedução do imposto de renda a pagar o valor de pensão alimentícia em razão da inexistência de comprovação da decisão judicial que homologou o acordo referente à pensão alimentícia paga. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere à falta de comprovação da decisão judicial definidora da prestação alimentar ou homologatória de acordo, exigência da legislação vigorante, nos termos que segue: Para o sujeito passivo em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 35 39), referente ao(s) exercício(s) 2009, ano(s)calendário 2008, por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. Após a revisão da Declaração, foi apurado saldo de imposto a pagar de R$736,49, mais multa de ofício e juros de mora. O lançamento acima foi decorrente das seguintes infrações: Dedução Indevida de Dependentes; Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública. O presente processo foi devolvido a unidade lançadora para análise prevista no artigo 6°A da Instrução Normativa RFB n° 958, de 15 de julho de 2009, com redação dada pela IN RFB n° 1.061, de 04 de agosto de 2010. Da análise dos documentos apresentados e demais questões de fato alegadas, foi elaborado Termo Circunstanciado e Despacho Decisório de fls. 4345, onde foi restabelecida a Dedução de Dependentes e mantida a infração de Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial. Inicialmente, tendo em vista a Revisão de Ofício efetuada, da análise dos documentos apresentados e demais questões de fato alegadas, foi elaborado Termo Circunstanciado e Despacho Decisório de fls. 43 45, onde foi restabelecida a Dedução de Dependentes, no valor de R$1.655,88, e mantida a infração de Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial de R$14.800,00. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 19394.720355/201211 Acórdão n.º 2001000.996 S2C0T1 Fl. 148 3 De plano, cabe assentar que tendo em vista o resultado da Revisão de Ofício supracitada, o litígio versa tão somente sobre a Dedução Indevida de Pensão Alimentícia, vez que foi a única dedução não restabelecida no processo revisório supracitado. Considerado cientificado do Despacho Decisório e do Termo Circunstanciado, o interessado manifestouse, sustentando que faz jus à dedução e ratificando os termos de sua impugnação. Acrescentou que também juntou documento, onde a Sra. Vera Lúcia Cardoso de Oliveira diz ao Juiz que vem recebendo, desde a separação, o pagamento da pensão. Aduz que não tem como determinar ao INSS e à empresa em que trabalha um percentual de desconto, pois os valores da pensão seriam alterados em caso de ajuste da aposentadoria ou do salário. Sustenta ainda que, considerando que esta forma não tem representado prejuízos paras as partes, não vê a necessidade de prova documental, pois o Juízo também fixaria percentual e não valor fixo para a pensão (fls. 5082). Sem razão, no entanto. Acerca dessa dedução, cabe trazer inicialmente à colação excerto da legislação tributária regente (destaques acrescidos): (...) No caso de despesas com Pensão Alimentícia, pagas em face das normas do Direito de Família, a legislação tributária estabelece, com clareza meridiana, que se comprova a obrigação, simultaneamente: • com a apresentação da Decisão Judicial, do Acordo Homologado Judicialmente ou da Escritura Pública a que se refere o art. 1.124A da Lei n.º 5.869/1973, onde é possível conhecer os termos da obrigação, a exemplo do quantum a ser pago em dinheiro; data do início; nomes dos beneficiários e alimentante; etc; e • com a comprovação do pagamento, ou seja, a transferência efetiva dos recursos aos alimentandos. Compulsando os autos (fls. 0582), especialmente os documentos acostados às folhas 5969, verificase que não há qualquer Acordo Homologado Judicialmente, Decisão Judicial ou Escritura Pública determinando a obrigação do pagamento de pensão alimentícia para a Sra. Vera Lúcia Cardoso de Oliveira. O que há é a apresentação de cópia de ação de Divórcio Judicial com Base em Separação de Fato, onde aquela Sra. Menciona que o ora impugnante abandonou o lar e vem mantendo o seu sustento com uma pensão de R$1.500,00, requerendo, liminarmente, o restabelecimento do pagamento de plano de saúde e a decretação do divórcio. No documento seguinte (fl. 62), um Termo de Audiência, há apenas a decretação do divórcio direto, nada mais consignou o magistrado da causa. Em resumo, nenhum desses documentos corresponde à documentação requerida pela legislação tributária acima discriminada. A menção Fl. 152DF CARF MF 4 dos valores pagos pelo impugnante não produzem o efeito pretendido de autorizar o abatimento de sua base de cálculo do imposto de renda, vez que não foi determinada judicialmente, mas sim por mera liberalidade de sua parte para com o seu excônjuge. Como se prelecionou acima, somente é cabível a dedução se fundada em Decisão Judicial, Acordo Homologado Judicialmente ou Escritura Pública. Dessa forma, uma vez que não correspondem os documentos apresentados pelo impugnante aos exigidos pela legislação tributária para a comprovação da obrigação de pagamento de pensão alimentícia, independentemente da comprovação de eventuais retenções/transferências de valores, que serão tomadas como mera liberalidade, ou mesmo de Declaração de Imposto de Renda da recebedora, subsiste a infração lavrada. Ante o exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação, para manter o Lançamento. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para a glosa da dedução da pensão alimentícia no valor de R$ 736,49, como imposto suplementar e acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário juntando documentos que entende justificável o seu procedimento, nos termos que segue: Na realidade, o que ocorreu foi que na oportunidade do “Divórcio” eu era aposentado pelo INSS e prestava serviço como “Pessoa Jurídica” e ficava difícil fixar um percentual para pagamento da “pensão”. Considerando que minha aposentadoria era inferior a R$ 2.000,00 (Dois mil reais) e o valor pago a título de pensão era de R$ 1.500,00 (Hum mil e quinhentos reais). Considerando que a separação ocorreu em abril de 2000 e que, mensalmente, era feito o depósito na conta da Sra. Vera Lúcia Cardoso, as partes, sem atentarem para a situação da “Declaração de Renda”, concordaram em não registrarem a obrigação do pagamento. Principalmente pela forma como vinha sendo honrado, a saber: Nos períodos que além da aposentadoria eu prestasse algum tipo de serviço remunerado seria honrado o valor mensal de R$ 1.500,00 (Hum mil e quinhentos reais) e naqueles que a renda fosse apenas a da aposentadoria do INSS, R$ 700,00 (Setecentos reais), posteriormente reajustado para R$ 800,00 (Oitocentos reais). Por oportuno, declaro ser “Parkinsoriano” há mais de 10 (Dez) anos e por desconhecer que a lei isentame do pagamento de alguns impostos, não tomei as providências a mais tempo. Somente aos 21/03/2017, conforme Processo E12/023/443/2017DETRAN, solicitei avaliação de “Junta Médica” para reconhecimento dos benefícios a que tenho direito. Em anexo, seguem: Cópia das Declarações de 2008/2009 de Luiz Heleno Malva de Oliveira e Vera Lúcia Cardoso; Carta de Sentença – Divórcio; Escritura Declaratória – Translado; e Protocolo do DETRAN. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 19394.720355/201211 Acórdão n.º 2001000.996 S2C0T1 Fl. 149 5 Ante ao exposto, reafirmo não ser sonegador e declarante do “IRPF” há mais de 48 (Quarenta e oito), sempre com a maior lisura, espero seja acolhido o presente recurso, cancelandose o débito fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O Acórdão da DRJ nega a regularidade no pagamento da pesão alimentícia para a exesposa do Recorrente porque não reconhece o procedimento informal do acordo entre os cônjuges logo após a separação, afirmando tratarse de ato de liberalidade porque não há disposição expressa no documento homologado judicialmente. De outra banda o Recorrente afirma estar pagando regularmente a pensão alimentícia em razão do divórcio decretado pela autoridade judicial com base nos termos da inicial da ação de pedido de divórcio. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, art. 4º e alínea “f” inciso II, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados no art. 78 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, como segue: Lei nº 9.250/95. Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). III a quantia, por dependente, de: (Redação dada pela Lei nº 11.482, de 2007). (...) Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 154DF CARF MF 6 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) c) à quantia, por dependente, de: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (...) Decreto nº 3.000/99. Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). § 1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. A decisão da DRJ esta lastreada na manifestação da autoridade fiscal que fundamentou a recusa da dedução do valor da pensão alimentícia para a exesposa do Recorrente em razão da falta de apresentação de provas da inexistência de decisão judicial específica sobre eventual acordo entre as partes no momento da separação. A questão em pauta é meramente comprobatória da existência ou não de decisão judicial na homologação da pensão judicial, comprovadamente paga, no período abrangido pelo exame fiscal, para Vera Lúcia Cardoso de Oliveira. O Recorrente afirma e comprova que realizou os depósitos na conta da beneficiária e que esta os declarou em sua DAA do mesmo anocalendário da verificação fiscal procedida na DAA do Contribuinte. Constatase que foram juntadas aos autos cópias da Carta de Sentença judicial do divórcio que aduz a existência de bens a serem partilhados e que o cônjuge virago voltará a assinar o nome de solteira. Também foi anexada aos autos inicial de ação de divórcio judicial com base em separação de fato, em que a demandante requer o restabelecimento do plano de saúde e pede liminar com antecipação de tutela. A demandante da ação informa a autoridade judicial que o cônjuge varão, desde que abandonou o lar conjugal, vem mantendo o sustento da requerente com uma pensão de R$ 1.500,00 mensais, pagos através de depósito feito por quinzena, no valor de R$ 750,00, Fl. 155DF CARF MF Processo nº 19394.720355/201211 Acórdão n.º 2001000.996 S2C0T1 Fl. 150 7 na conta da requerente na Caixa Econômica Federal Agência 1507 – José Clemente cc 013 0006847. Ao fim pede a procedência da ação e decretação do divórcio do casal. Posteriormente, em 09 de abril de 2008, procedeuse a audiência para decisão judicial do divórcio em que o réu Luiz Heleno Malva de Oliveira, em virtude dos fatos narrados na inicial, concordou com o pedido e solicitou que o divórcio fosse convertido em consensual. A autoridade judicial decretou o divórcio do casal de forma consensual, de acordo com o que lá consta, inclusive com a confirmação da pensão alimentícia declarada pela ex esposa Sra. Vera Lúcia Cardoso de Oliveira. O Recorrente também juntou aos autos Escritura Declaratória registrada no 10º Ofício de Notas, portanto uma escritura pública, válida para todos os efeitos, em que os Outorgantes Luiz Heleno Malva de Oliveira e Vera Lucia Cardoso declaram que no processo de Divórcio Direto do casal finalizado pela carta de sentença de 03.07.2008, do Juízo de Direito da 1ª Vara de Família da Comarca de Niterói – RJ, processo nº 2006.002.0701653, contendo sentença de 09.04.2008, transitada em julgado, registrada no cartório de RCPN da 1ª Zona Judiciária de Niterói – RJ em 09.07.2008, no livro ED5, ás fls. 01, sob o nº 1261, e devidamente averbado, fica confirmado por esse ato, o pagamento de pensão alimentícia do cônjuge varão em favor da cônjuge virago no valor antes estipulado de R$ 1.500,00 no período em que o mesmo estiver empregado e R$ 700,00, posteriormente R$ 800,00, no período em que estiver desempregado. O 1º Outorgante declara que os valores supracitados estão sendo pagos regularmente desde a data do divórcio até a presente data, e a 2ª Outorgante afirma serem verdadeiras as informações aqui prestadas. Neste sentido, a pensão alimentícia considerase válida para todos os efeitos, inclusive o tributário. Assim que, no exame da documentação acostada ao processo, verifica se que o Recorrente apresentou elemento probante da existência material da pensão alimentícia com decisão judicial que se entende abrangendo a pensão alimentícia declarada na ação de divórcio de início litigioso e no final consensual definida em audiência pública em que a autoridade judicial decretou o divórcio nos termos da petição, tendo assim satisfeitas as condições para utilização daquele dispositivo legais permissivo da dedução pleiteada na DAA, por prestação de alimentos nos termos da legislação pertinente. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO, para exclusão do crédito tributário na sua integralidade. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 156DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.675384/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/07/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO.
O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido, se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza, por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis.
Numero da decisão: 3302-006.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
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Recorrente SAS INSTITUTE BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/07/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO. O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido, se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza, por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 53 84 /2 00 9- 51 Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10880.675384/200951 Acórdão n.º 3302006.249 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo no bojo do qual discutese o direito a um suposto crédito alegadamente oriundo de recolhimento a maior de COFINS, merecendo destaque o fato da Recorrente haver deixado de retificar a DCTF para informar a redução do débito. Sinteticamente, alega a Recorrente que recolheu o tributo a maior e que, posteriormente, ao perceber o equívoco, requereu a sua compensação. Em razão da sua precisão, adoto o relatório utilizado pela DRJ quando da apreciação do pleito. "1. Trata o presente processo de Declaração de Compensação apresentada em meio eletrônico (PER/DCOMP n°32391.03401.230207.1.3.049499) em 23/02/2007, cujos relatórios foram anexados ao presente processo administrativo (fls. 6 e seguintes). Nesta declaração, pretende o Contribuinte guitar os débitos declarados As fls. 9, no valor total de R$ 63.926,71, com supostos créditos (R$ 119.549,27) decorrentes de recolhimento indevido realizado por meio do DARF no valor de R$ 1.237.221,85 (código de receita: 5856), recolhido em 10/01/2006. 2. Apreciando o pedido formulado, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo (DERAT/SPO) emitiu o Despacho Decisório n° 849860506 (fls. 1), no qual pronunciouse pela não homologação da compensação diante da inexistência do crédito declarado pelo Contribuinte As fls. 7. 3. Cientificado em 04/11/2009 (fls. 5) da solução dada A declaração de compensação apresentada, o Contribuinte, por seu representante legal, interpôs, tempestivamente conforme fls. 60, a Manifestação de Inconformidade de 03/12/2009 (fls. 12), com a juntada de documentos de fls. 13/59 (cópia do Despacho Decisório; comprovante de inscrição e situação cadastral — CNPJ; cópias autenticadas de documentos da representante e da Alteração e Consolidação de Contrato Social da requerente; comprovante de documento de arrecadação; cópia da DCTF do período de apuração), apresentando, resumidamente, as seguintes alegações: 3.1. Afirma possuir crédito no valor de R$ 119.549,27, referente ao recolhimento realizado em 10/01/2006 no valor total de R$ 1.237.221,85. 3.2. Tal crédito não foi considerado em virtude da declaração errônea de débitos efetuada em DCTF. Dessa forma, solicita a alteração do valor incorreto lançado na DCTF da competência 12/2005, retificando o débito originariamente informado de R$ 1.237.221,85 para R$ 1.117.672,58. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10880.675384/200951 Acórdão n.º 3302006.249 S3C3T2 Fl. 4 3 3.3. Por fim, requer seja acolhida a Manifestação de Inconformidade e homologada a compensação declarada. É o relatório." Quando da análise da Manifestação de Inconformidade, a DRJ não reconheceu o crédito sob o argumento da inexistência de documentos que justificassem a alteração dos valores originalmente registrados em DCTF. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SOLICITAÇÃO DE ALTERAÇÃO IMOTIVADA. Considerase confissão de divida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF. DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para guitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário no bojo do qual alegou, em síntese, que recolheu tributo a maior, e que a mera ausência de DCTF retificadora não teria o condão de eclipsar todas as demais provas trazidas aos autos. Sinteticamente, afirma que "Como mencionado acima, o crédito de COFINS relativo ao período de dezembro de 2005 e discutido no presente processo administrativo decorre de pagamento a maior receitas de licenciamento de programas de computador importados (regime nãocumulativo) e para as demais receitas de serviços de informática (regime cumulativo). Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10880.675384/200951 Acórdão n.º 3302006.249 S3C3T2 Fl. 5 4 (...) Diante da clara e expressa previsão legal acima, a Recorrente recalculou o valor da COFINS devida no período mediante (a) a identificação de suas receitas de licenciamento de programas de computador importados, apurando a COFINS devida no regime nãocumulativo aliquota de 7,6%; e (b) a identificação de suas receitas de serviços de consultoria, suporte técnico, manutenção etc. de programas de computador, apurando a COFINS devida no regime cumulativo aliquota de 3,0%. Então, considerando que havia realizado recolhimento da COFINS somente no regime nãocumulativo, a Recorrente apurou o crédito relativo à diferença entre o valor recolhido e o valor devido a esse titulo e utilizou parcela desse crédito para compensar o débito de COFINS cumulativo (com a devida inclusão de juros e multa de mora). A Recorrente trouxe ainda aos autos as notas fiscais acompanhadas de relatório que as vincula com os serviços prestados. É o Relatório. Voto Conselheiro Raphael Madeira Abad Relator. 1. DA ADMISSIBILIDADE O presente Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva (efls. 62), revestese dos demais requisitos legais, razão pela qual dele conheço. 2. DO MÉRITO RECURSAL A Recorrente insurgese contra o ato (Despacho Decisório efls. 02, de 23.10.2009) que não homologou a compensação declarada. Em sua Manifestação de Inconformidade de uma folha (efls. 13) e acompanhado apenas do contrato social da empresa e da DCTF, a Contribuinte se limitou a afirmar que: Do Mérito A empresa solicita que o PER/DCOMP n°. 32391.03401.230207.1.3.049499 de 23/02/2007 seja homologado. Senhor julgador, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados nesta Manifestação de Inconformidade: a) A empresa possui crédito de Pagamento indevido ou a maior b) Os débitos foram compensados corretamente Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10880.675384/200951 Acórdão n.º 3302006.249 S3C3T2 Fl. 6 5 c) Alterar o lançamento na DCTF Dezembro/2005 do valor incorreto de R$ 1.237.221,85 para o valor correto devido de R$ 1.117.672,58, no código 5856 referente a Cofins na pagina 22. III Documentos Anexados Estão anexados a esta Manifestação de Inconformidade os seguintes documentos: (DCTF DEZEMBRO/2005; DARF no valor de R$ 1.237.221,85, Despacho Decisório n°8498606506 de 23/10/2009, CNPJ, Contrato Social e Documentos do representante legal). A Recorrente não trouxe à Manifestação de Inconformidade qualquer outro documento que pudesse minimamente demonstrar o seu direito ou mesmo a mera plausibilidade de sua alegação, sua verossimilhança, também chamada fumaça de direito. Assim, ao prolatar o Acórdão 1630.679, a DRJ admitiu que "... não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF." Entendeu a DRJ que "... o prazo para apresentação de provas documentais visando esclarecer o eventual equivoco cometido no preenchimento de DCTF finda na data da apresentação da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito do Contribuinte fazêlo em outra oportunidade. (...) Nessas circunstâncias, não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada, pelo que se mantém procedente a não homologação da compensação requerida." Este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que o momento para a apresentação da documentação demonstrativa do seu direito a crédito é o da apresentação da Manifestação de Inconformidade. CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido, se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza, por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis. (Acórdão n. 3301004.857 prolatado no bojo do processo 15582.000109/201009, publicado no dia 25.07.2018, Rel. Marcelo Costa Marques D. Oliveira.) A retificação das DCTF e DCOMP após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não é suficiente para a demonstração do direito creditório invocado. É ônus do interessado demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, apresentando os documentos e elementos de sua contabilidade que demonstram referido direito Se é verdade que o princípio da verdade material norteia o processo administrativo fiscal, também é certo que existem outros princípios em colisão como a duração razoável do processo, a certeza da aplicação do direito e a eficiência da administração pública que, cotejados em conjunto pelo rito do processo administrativo fiscal, estabelecem momentos Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10880.675384/200951 Acórdão n.º 3302006.249 S3C3T2 Fl. 7 6 e prazos para a prática dos atos, sob pena da perpetuação do processo administro pois, a todo momento cada uma das partes poderia reiniciar o procedimento desde o início. Por este motivo, voto no sentido de negar provimento ao presente Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad. Fl. 191DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720511/2015-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2010
EMBARGOS. OBSCURIDADE. ACOLHIMENTO SEM EFEITOS INFRINGENTES.
Acolhe-se os embargos quando visam ao esclarecimento de procedimentos a serem adotados em relação aos débitos do processo que foram revistos em recurso. Acolhimento sem efeitos infringentes apenas para fins de esclarecimento e orientação da delegacia de origem.
Numero da decisão: 1401-003.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, esclarecendo aos Recorrentes os pontos controvertidos, nos termos do voto do Relator
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2010 EMBARGOS. OBSCURIDADE. ACOLHIMENTO SEM EFEITOS INFRINGENTES. Acolhe-se os embargos quando visam ao esclarecimento de procedimentos a serem adotados em relação aos débitos do processo que foram revistos em recurso. Acolhimento sem efeitos infringentes apenas para fins de esclarecimento e orientação da delegacia de origem.
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Interessado BANCO VOTORANTIM S.A. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2010 EMBARGOS. OBSCURIDADE. ACOLHIMENTO SEM EFEITOS INFRINGENTES. Acolhese os embargos quando visam ao esclarecimento de procedimentos a serem adotados em relação aos débitos do processo que foram revistos em recurso. Acolhimento sem efeitos infringentes apenas para fins de esclarecimento e orientação da delegacia de origem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, esclarecendo aos Recorrentes os pontos controvertidos, nos termos do voto do Relator (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 05 11 /2 01 5- 93 Fl. 1442DF CARF MF Processo nº 16327.720511/201593 Acórdão n.º 1401003.109 S1C4T1 Fl. 1.442 2 Relatório Tratam o presente processo de embargos apresentados pela DEINF/SP e, depois acrescentados por embargos apresentados pelo contribuinte que versam sobre o valor a ser revertido relativo ao provimento do recurso de ofício que foi provido quando do julgamento dos recursos voluntários e de ofício. Apresentarei excertos dos despachos de admissibilidade dos dois embargos para situar os colegas de turma acerca das alegações de parte a parte. Após uma pequena introdução, passa a apresentar as alegações apresentadas pela DEINF/SP: Abaixo, fragmentos do texto dos embargos, no que interessa para a análise: [...] O Acórdão nº1401002.008 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária deu provimento integral ao Recurso de Ofício, determinando o reestabelecimento do auto de infração lavrado da CSLL às fls. 286 a 292, que diz respeito a Infração de Amortização de Ágio. Todavia, os valores exonerados pela DRJ não correspondem integralmente ao auto de infração em epígrafe. O processo administrativo nº 16327.720511/201593 contempla as infrações apuradas no anocalendário de 2010 de valores excluídos indevidamente da base de cálculo (Juros Auferidos com Títulos de Governo Externo) de CSLL e de multas isoladas (fls. 268 a 277) e de valores não adicionados na base de cálculo (Amortização de Ágio) de IRPJ (Auto de Infração das fls. 278 a 285) e de CSLL (Auto de Infração das fls. 286 a 292). O IRPJ e a CSLL foram calculados da seguinte forma: Conforme demonstrado na tabela acima toda a compensação de períodos anteriores da CSLL lançada, ocorreu no primeiro auto de infração. O valor de R$ 66.430.530,55, corresponde a somo de 30% do valor apurado de Juros Auferidos com Títulos de Governo externo (R$ 57.897.703,52) e 30% do valor apurado na Amortização do Ágio (R$ 8.532.827,03). Por essa razão, no auto das folhas 286 a 292 não há subtração da compensação de períodos anteriores. [...] Conforme a tabela, a DRJ exonerou o valor apurado de R$ 28.442756,76 da infração de valores excluídos indevidamente da base de cálculo (Juros Auferidos com Títulos de Governo Externo), do auto Fl. 1443DF CARF MF Processo nº 16327.720511/201593 Acórdão n.º 1401003.109 S1C4T1 Fl. 1.443 3 de infração de fls. 268 a 277, mantendo integralmente os valores lançados pelos outros autos de infração. Diante dessa decisão, a DRJ recorreu de ofício, conforme estabelecido no art. 35 do decreto 70.235, e o contribuinte apresentou Recurso Voluntário. Acórdão nº 1401002.008 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 26 de julho de 2017, de provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar o crédito tributário objeto do auto de infração de fls. 268 a 276 (infração de exclusão indevida da base de cálculo da CSLL dos juros Auferidos com Títulos de Governo Externo) e provimento integral ao recurso de ofício para restabelecer o crédito tributário lançado através do auto de infração de fls. 286 a 292. Conforme demonstrado no Relatório, o auto de infração das folhas 286 a 292 não foi exonerado pela decisão da DRJ. O valor exonerado pela DRJ é parte do auto de infração valores excluídos indevidamente da base de cálculo (Juros Auferidos com Títulos de Governo Externo), que, no entender da DRJ, era tributação em duplicidade com a Amortização de Ágio. O auto de infração das 286 a 292 contempla um valor total de R$ 4.266.413,51. O número é superior ao que foi exonerado pela DRJ (R$ 2.986.489,46). Assim, seguindo a risca a decisão do acórdão nº 1401002.008, o provimento do recurso de ofício reestabeleceria um valor maior do o que foi de fato exonerado pela DRJ. Embora o valor tributável exonerado pelo acórdão de impugnação seja o mesmo que provocou o lançamento do auto de infração, das fls. 286 a 292, de valores não adicionados na base de cálculo da CSLL – Amortização de Ágio – (R$ 28.442.756,76), a diferença ocorre porque a decisão de DRJ levou em consideração a compensação de 30% de prejuízos anteriores, enquanto o auto de infração não realizou essa compensação. [...] Diante do exposto, peço ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais esclarecimentos sobre qual valor da CSLL deve ser mantido pela decisão: • O valor exonerado pela DRJ, de R$ 2.986.489,46, que leva em consideração da compensação de 30% de prejuízos anteriores. E dessa forma, a compensação de períodos anteriores deverá ser alterada no Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativa da CSLL (Sapli) de R$ 66.430.530,55 para R$ 8.532.827,03. • Ou o valor do auto de infração das fls. 286 a 292, de R$ 4.266.413,51, que não subtraiu a compensação. E assim, a compensação de períodos anteriores deverá ser alterada no Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativa da CSLL (Sapli) de R$ 66.430.530,55 para R$ 0,00. [...] (grifos nossos). O que se denota em resumo, nos embargos da unidade, é que o acórdão embargado rematou equivocadamente quanto ao que entendeu restabelecimento de parcela exonerada pela DRJ no julgamento de 1.ª instância. Como bem descreve o embargante, a parcela exonerada pela DRJ dizia respeito à base de Fl. 1444DF CARF MF Processo nº 16327.720511/201593 Acórdão n.º 1401003.109 S1C4T1 Fl. 1.444 4 cálculo no valor de R$ 28.442.756,76 retirada da base de cálculo total da infração de fls. 268/276. Como os tributos lançados relativos a esta infração foram integralmente exonerados no julgamento do CARF, não faz qualquer sentido falar em restabelecimento parcial ou total na mesma decisão do CARF. Percebese no texto dos embargos que, a rigor, o Colegiado de 2.º grau concluiu pela manutenção da infração das fls. 286/293 (Glosa de dedução de ágio amortizado), mas referiuse de forma inexata a uma reversão de parte do crédito exonerado pela DRJ, a qual nem sequer havia expurgado qualquer valor correspondente à referida infração — reduziu somente a base de cálculo da infração de fls. 268/276, “Juros auferidos com títulos de governo externo”. O quadro a seguir, extraído do acórdão da DRJ, expõe melhor os dados numéricos sobre os quais se debruçou a decisão embargada, e ajuda a demonstrar a inexatidão contida na decisão embargada, resultante da leitura errada dos dados ali registrados. Assim concluir a admissibilidade dos embargos da DEINF/SP: Pois bem, com razão o embargante aponta lapso manifesto na análise desenvolvida com foco no recurso de ofício, e nas conclusões correspondentes. Em decorrência, ficou prejudicada a certeza acerca de qual valor da CSLL lançada de ofício pretende o CARF que seja mantido, já que a correta alocação do valor mantido ao campo da infração cujo lançamento a Turma Julgadora pretende preservar, além de corrigir a inexatidão, com o propósito, inclusive, de franquear o regular direito de interposição de recurso especial, permite a compensação sem indecisão da base de cálculo apurada/mantida com parte da Base de Cálculo negativa de períodos anteriores — um dos pedidos de esclarecimento contidos nos embargos. Tendo sido identificados os erros materiais de que tratam os embargos, estes devem ser admitidos para que tais erros sejam sanados na forma proposta. O recorrente tomando ciência destes embargos da DEINF/SP e do acórdão do recurso voluntário, apresentou também embargos de declaração que foram assim relatados e admitidos, apenas os excertos que interessam à discussão: Fl. 1445DF CARF MF Processo nº 16327.720511/201593 Acórdão n.º 1401003.109 S1C4T1 Fl. 1.445 5 Aduz a embargante que a decisão está eivada de vícios de omissão e contradição, os quais assim sintetiza, verbis: “(i) o acórdão recorrido é omisso na medida em que não analisou o item III.1 do Recurso Voluntário da Embargante, no qual foi alegada a inexistência de regra que preveja a indedutibilidade das despesas de amortização, tendo em vista inexistir regra que vincule a dedutibilidade de uma despesa à tributação do rendimento correlato (item II.1); (ii) o acórdão recorrido é contraditório por utilizar o argumento de que os TDT evitam a dupla tributação da renda obtida no exterior (receitas, ganhos e rendimentos oriundos do exterior menos despesas incorridas no exterior), mas fundamenta sua decisão a partir da impossibilidade de a despesa relativa a ativo localizado no exterior reduzir a tributação da renda obtida no país (receitas, ganhos e rendimentos oriundos do Brasil menos despesas incorridas no Brasil). Isto é, o acórdão parte da premissa de que há um "muro" entre a renda "nacional" e a "estrangeira", mas implode contraditoriamente esse muro para justificar a impossibilidade de amortização do ágio (item II.2); (iii) o acórdão é omisso com relação ao valor do crédito tributário de CSLL exigido sobre as despesas de amortização (auto de infração de fls. 286292) reestabelecido, pois, diferentemente da DRJ, não menciona se a integralidade do crédito deveria ser mantida ou se bases negativas de CSLL de anos anteriores deveriam ser consideradas para compensação do crédito (item II.3); e (iv) o acórdão é omisso na medida em que, em suas conclusões, não menciona o destino do auto de infração lavrado para constituição de IRPJ sobre as despesas de amortização de ágio, mencionando somente os autos de infração de CSLL (item II.4).” II.3 Omissão sobre o crédito de CSLL restabelecido objeto dos autos de infração de fls. 286292 Aduz a embargante que, ao negar a dedutibilidade de despesas com amortização do ágio e restabelecer o auto de infração de fls. 286292, que trata da CSLL exigida sobre esses encargos, o acórdão embargado não tratou dos valores restabelecidos, caracterizando omissão. Isto porque a DRJ havia exonerado o crédito tributário e determinado a utilização da base de cálculo negativa da CSLL acumulada de períodos anteriores para compensar 30% das supostas infrações (R$ 28.442.756,76), o que resultou no reajustamento da base de cálculo. Acrescenta que o tema “foi, inclusive, objeto de Pedido de Esclarecimentos sobre Inexatidões Materiais apresentado pela DEINF (fls. 1.2311.234), que questionou o CARF nos seguintes termos: (...)”, e que o referido requerimento “foi admitido pelo Presidente dessa 1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção e (...) [convertido] em Embargos Inominados”. Fl. 1446DF CARF MF Processo nº 16327.720511/201593 Acórdão n.º 1401003.109 S1C4T1 Fl. 1.446 6 Entende a embargante, portanto, que o CARF se omitiu ao não analisar a questão relativa à compensação de 30% das supostas infrações com as base de cálculo negativas da CSLL acumuladas. Em análise do arguido, constatase que, na verdade, se trata do mesmo ponto obscuro apontado pela unidade administrativa (DEINFSP), e que foi acolhido por esta Presidência — conforme, aliás, a própria embargante destacou — exatamente para que se determine, afinal, com precisão, qual o valor que o colegiado pretende que seja mantido, pronunciandose especificamente acerca desta questão afeta à compensação da base de cálculo negativa da CSLL acumulada de períodos anteriores. Neste aspecto, confirase o seguinte excerto do despacho de fls. 1238 e seguintes, em que o requerimento da DEINF foi analisado, verbis: “Em decorrência, ficou prejudicada a certeza acerca de qual valor da CSLL lançada de ofício pretende o CARF que seja mantido, já que a correta alocação do valor mantido ao campo da infração cujo lançamento a Turma Julgadora pretende preservar, além de corrigir a inexatidão, com o propósito, inclusive, de franquear o regular direito de interposição de recurso especial, permite a compensação sem indecisão da base de cálculo apurada/mantida com parte da Base de Cálculo negativa de períodos anteriores — um dos pedidos de esclarecimento contidos nos embargos.” Portanto, é procedente a alegação de omissão feita pela embargante. Quanto aos demais pontos apresentados nos embargos do contribuinte estes não foram admitidos. Desta forma a apreciação dos presentes embargos vai se resumir a entender o que foi efetivamente determinado pela decisão embargada em relação ao recurso de ofício. É o relatório. Fl. 1447DF CARF MF Processo nº 16327.720511/201593 Acórdão n.º 1401003.109 S1C4T1 Fl. 1.447 7 Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Os embargos são tempestivos e preenchem os requisitos legais por isso deles tomo conhecimento. Como já dito no relatório a análise dos embargos apresentados recairá unicamente sobre o conteúdo da decisão proferida no acórdão dos recursos voluntário e de ofício do presente processo no que toca a reversão da exoneração de parte da autuação realizada pela DRJ. Para tanto reproduziremos aqui o voto embargado na parte que trata do provimento do recurso de ofício. Do recurso de ofício A DRJ afastou a autuação relativamente à exclusão da amortização do ágio por causa de este item já estar incluído no lançamento da CSLL, de fls. 268 276, que adotou como fundamento a não aplicação dos tratados, pois havia adotado como base de cálculo o montante bruto dos juros e não o líquido já deduzida a amortização. Pois bem, uma vez que afastamos integramente a autuação de CSLL sobre os juros brutos, deixa de existir a dupla tributação que serviu de fundamento da decisão recorrida. Impõese, assim, que seja mantida a autuação relativa à exclusão indevida da amortização de ágio da base de cálculo da CSLL, ou seja, deve prosperar o auto de infração lavrado de CSLL às fls. 286292, pelos mesmos fundamentos da manutenção do alto de infração de IRPJ sobre a referida amortização do ágio. Tendo em vista que apenas da leitura do recurso de ofício e do voto completo do acórdão do recurso voluntário não conseguimos compreender o que foi lançado originalmente e a composição destes lançamentos, revimos o acórdão da impugnação para melhor situar o tema. Assim, conseguimos verificar a composição dos lançamentos a partir destes trechos do relatório e voto do acórdão da impugnação: ............. 7. Foi no lançamento fiscal adicionado à base de cálculo do IRPJ e da CSLL a despesa de R$ 28.442.756,76 com amortização do ágio pago por ocasião da aquisição de Títulos dos Governos da Dinamarca e da Espanha, conforme descrito no subitem 3.2 (Da amortização do ágio) do Termo de Verificação Fiscal, porquanto os encargos financeiros incorridos na captação de recursos Fl. 1448DF CARF MF Processo nº 16327.720511/201593 Acórdão n.º 1401003.109 S1C4T1 Fl. 1.448 8 junto a terceiros devem ser apropriados ao resultado em função da fluência do prazo do título, mas, no presente caso, acabaram sendo apropriados no anocalendário de 2010 em face de a interessada ter reconhecido em sua escrita contábil a receita líquida de R$ 164.549.588,30 (montante de R$ 192.992.345,06 dos juros deduzido do ágio de R$ 28.442.756,76) e ter excluído do Lalur e da base de cálculo da CSLL o valor total dos juros auferidos (R$ 192.992.345,06): ......... Composição Analítica – Juros Isentos – Títulos de Governos Soberanos Data Base: 2010 Ou seja, na apuração anual do lucro líquida da instituição financeira, a mesma reconheceu como Rendas de Juros com títulos de governos estrangeiros o montante de R$ 164.549.588,30. No entanto, ao efetuar o ajuste no Lucro Líquido para apuração da Base de Cálculo do IRPJ e da CSLL, o mesmo desconsiderou os lançamentos de amortização do ágio nas contas de Renda. Tal fato acarretou uma exclusão a maior do que efetivamente foi levado ao resultado, no anocalendário de 2010, como Rendas de Juros sobre Títulos no exterior, em R$ 28.442.756,76. A receita e as despesas relacionadas à mesma transação devem ser reconhecidos simultaneamente; esse processo está vinculado ao princípio da confrontação das despesas com as receitas (regime de competência). (...) A parcela do preço de aquisição de título excedente ao valor de reembolso de capital nele estipulado deve ser considerada, junto ao credor, para fins tributários, como um redutor do valor total dos juros previstos no título. Para uma melhor visualização da situação concreta, vamos supor que não existissem tratados internacionais com os referidos países, o valor de Juros com Títulos de Governos Estrangeiros oferecido à tributação seria o resultado contábil registrado em sua escrita (R$ 164.549.588,30) e não os R$ 192.992.345,06. Diante disto, adicionamos de ofício o valor referente à amortização do ágio, o qual o contribuinte indevidamente considerou como despesas dedutível quando ao realizar os ajustes nas Bases de Cálculos do IRPJ e da CSLL, excluiu as receitas de Juros com Títulos de Governos Estrangeiros sem considerar as amortizações de ágio registradas nas contas 71515000302063 – Juros Nota Dinamarquesa e 71515000302055 – Juros Nota Espanhola. (Grifouse) Fl. 1449DF CARF MF Processo nº 16327.720511/201593 Acórdão n.º 1401003.109 S1C4T1 Fl. 1.449 9 ............. Passando à parte do Voto da DRJ. 16. Trata o presente processo de lançamentos de IRPJ e CSLL decorrentes das seguintes infrações: . falta de adição ao lucro real e à base de cálculo da CSLL do valor correspondente à amortização do ágio pago na aquisição de títulos da dívida pública dos Governos da Dinamarca e Espanha, cujo encargo de R$ 28.442.756,76 deixou de ser deduzido da receita auferida com os juros produzidos por tais títulos, no anocalendário de 2010, para fins de apuração do valor a ser excluído do Lalur e da base de cálculo da CSLL com base nos tratados internacionais para evitar a dupla tributação firmados com os Governos da Dinamarca e Espanha; . falta de oferecimento à tributação pela CSLL dos juros produzidos por títulos da dívida pública emitidos pelos Governos da Dinamarca e Espanha (R$ 192.992.345,06), porquanto as disposições dos tratados internacionais para evitar a dupla tributação não alcançam essa contribuição. Assim votou a DRJ a respeito do ágio autuado separadamente dos juros: Tributação em duplicidade pela CSLL do valor correspondente à amortização do ágio 88. Cabe razão à impugnante no que se refere à alegação de tributação em duplicidade do valor correspondente à amortização do ágio pago na aquisição dos títulos da dívida pública dos Governos da Dinamarca e Espanha, pois além considerar que os tratados internacionais não são aplicáveis à CSLL e glosar a exclusão de R$ 192.992.345,06 da base de cálculo da CSLL, correspondente ao rendimento bruto dos juros das notas dinamarquesas e espanholas, a Autoridade Fiscal também tributou a diferença de R$ 28.442.756,76, correspondente à amortização desse ágio, cujo valor deixou de ser deduzido da receita produzida pelas notas dinamarquesas e espanholas para fins de apuração do valor a ser excluído da base de cálculo da CSLL. 89. Caso se considerasse que a CSLL estava abrangida pelos tratados internacionais para evitar a dupla tributação, caberia manter apenas a diferença de R$ 28.442.756,76 excluída a maior da base de cálculo da CSLL a título de rendimento dos títulos da dívida pública da Dinamarca e Espanha. Como restou decidido no presente voto que os rendimentos produzidos por tais títulos estão submetidos à incidência da CSLL, cabe a tributação apenas do rendimento líquido de R$ 164.549.588,30. Fl. 1450DF CARF MF Processo nº 16327.720511/201593 Acórdão n.º 1401003.109 S1C4T1 Fl. 1.450 10 90. Dessa forma, cabe excluir a exigência a diferença de R$ 28.442.756,76 tributada em duplicidade. Em relação aos juros a DRJ votou pela manutenção da autuação dos juros. Assim, ao final apresentou o seguinte cálculo dos valores exonerados: Na verdade, observandose com cuidado o que foi recalculado pela DRJ, entendemos ter havido um equívoco nos cálculos.Vejamos. A DRJ entendeu que deveria ser mantida a autuação relativa à exclusão dos juros só que, em relação a estes, deveria a autuação ser revisada para reduzir o valor dos juros brutos lançados a parte relativa ao ágio pago que era redutora das receitas. Assim, a autuação relativa à exclusão indevidas dos juros deveria ser reduzida para R$ 164.549.588,30 (resultado do valor total dos juros recebidos R$ 192.992.345,06 () o ágio pago na aquisição dos títulos R$ 28.443.756,76). Eis o trecho que trata, mesmo que por vias transversas da manutenção do item juros tit. div. pública excluídos a maior. 38. No que se refere à CSLL, tendo sido excluído de sua base de cálculo o rendimento bruto de R$ 192.992.345,06 das notas dinamarquesas e espanholas, quando deveria ter sido excluído o rendimento líquido de R$ 164.549.588,30 (na realidade, valor algum poderia ser excluído), é de se também manter a exigência sobre a diferença de R$ 28.442.756,76. Em relação à alegação de duplicidade quando a DRJ determinou o cancelamento, assim se pronunciou a delegacia. 89. Caso se considerasse que a CSLL estava abrangida pelos tratados internacionais para evitar a dupla tributação, caberia manter apenas a Fl. 1451DF CARF MF Processo nº 16327.720511/201593 Acórdão n.º 1401003.109 S1C4T1 Fl. 1.451 11 diferença de R$ 28.442.756,76 excluída a maior da base de cálculo da CSLL a título de rendimento dos títulos da dívida pública da Dinamarca e Espanha. Como restou decidido no presente voto que os rendimentos produzidos por tais títulos estão submetidos à incidência da CSLL, cabe a tributação apenas do rendimento líquido de R$ 164.549.588,30. 90. Dessa forma, cabe excluir a exigência a diferença de R$ 28.442.756,76 tributada em duplicidade. Na verdade lendo a decisão do voto da DRJ e a planilha elaborada restou confusa a descrição apresentada na tabela, pois pelo que entendemos a DRJ assim decidiu: 1) Manter a impossibilidade de exclusão dos juros pelo seu valor líquido, ou seja, deduzido o ágio de R$ 28.442.756,76. 2) Cancelar a alegada duplicidade da glosa de amortização do ágio que foi excluído do lucro real quando não poderia, mas, no entanto, os efeitos foram revertidos com a redução do item anterior. Deste entendimento passamos ao voto do acórdão do recurso voluntário. Neste o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes assim entendeu em relação às autuações: 1) Indevida exclusão dos juros. Que foi originalmente lançada no valor de R$ 192.992.345,06 e que foram reduzidos pela DRJ para R$ 164.549.588,30. Esta autuação deveria ser integralmente excluída conforme o voto apresentado. 2) Custo indedutível do ágio. Que foi originalmente lançado em R$ 28.442.756,76. Na verdade este valor lançado foi excluído em conformidade com o relatado pela DRJ (fls. 845/846) em razão de o ágio ter sido utilizado na redução do valor lançado anteriormente, apenas na realização dos cálculos da exoneração a decisão de Piso incorreu em erro ao colocar este item da autuação como mantido quando, na verdade, deveria têlo colocado como exonerado. Assim, neste item, o Conselheiro Guilherme entendendo corretamente a autuação e o que foi realizado no texto da decisão da DRJ, entendeu pela reversão da segunda exclusão do ágio determinada pela DRJ, haja vista que estava excluindo integralmente a infração relativa à exclusão indevida dos juros, já considerando pelo valor líquido, ou seja, com a utilização do ágio, para que o ágio não fosse utilizado duas vezes como dedução da CSLL devida. Ou seja, todo o problema apontado pela DEINF/SP e pelo próprio contribuinte embargante decorreu, em verdade, do erro no cálculo da exoneração apresentado pela DRJ em seu voto. Por isso, o único modo de suprir a aparente contradição/omissão no voto do acórdão do recurso voluntário é refazer todo o trajeto da autuação e das decisões da DRJ e deste CARF para podermos estabelecer efetivamente o que foi decidido e que deve ser cumprido ao final. Fl. 1452DF CARF MF Processo nº 16327.720511/201593 Acórdão n.º 1401003.109 S1C4T1 Fl. 1.452 12 Valores Valores excluídos Valores que constaram autuados pela DRJ conf. Decisão como excluídos na planilha Infração 1 exclusão indevida juros no exterior 192.992.345,06 Composto por juros líquidos 164.549.588,30 + ágio na compra dos títulos 28.442.756,76 28.442.756,76 28.442.756,76 Infração 2 Custos não dedutíveis 28.442.756,76 28.442.756,76 0 Valores mantidos Valores mantidos de pela DRJ pelo texto acordo com a planilha da decisão do voto Infração 1 exclusão indevida juros no exterior 164.549.588,30 164.549.588,30 Infração 2 Custos não dedutíveis 0,00 28.442.756,76 CONCLUSÃO: Valores utilizados pelo contribuinte e os mantidos pelo voto do Acórdão do RV Valores utilizados Valores mantidos pelo pelo contribuinte acórdão e autuados Infração 1 exclusão indevida juros no exterior 192.992.345,06 0,00 Infração 2 Custos não dedutíveis 28.442.756,76 28.442.756,76 Ou seja, demonstrase das tabelas acima que: 1) De início o contribuinte utilizou o benefício de dedução do ágio duas vezes: a primeira quando realizou a exclusão dos juros pelo valor total, sem considerar a dedução do ágio; a segunda quando, além de excluir os juros pelo valor bruto, ainda deduziu estes mesmos juros como custo. Assim, o valor de R$ 28 milhões foi utilizado duas vezes pela empresa. 2) A fiscalização, quando da autuação, glosou os juros também duas vezes: a primeira quando computou na infração 1 o valor total da exclusão indevida e a segunda quando também glosou os custos não dedutíveis 3) A DRJ, ao proferir o voto informou que o valor da infração 1 deveria ser reduzido em R$ 28 milhões relativo ao ágio e que, além disso, deveria exonerar a infração 2, ou seja ela beneficiou duplamente o contribuinte ao permitir que ele deduzisse da infração 1 o ágio e, ao mesmo tempo, retirou a infração 2 por alegar duplicidade. Ou seja, assim a DRJ aplicou duas vezes o benefício da redução dos juros. 4) Finalmente, por incrível que possa parecer depois de tantos equívocos de parte a parte, a decisão do acórdão do recurso voluntário corrigiu as falhas anteriores e acertadamente, agindo de acordo com seu entendimento acerca da possibilidade de exclusão dos juros recebidos no exterior estabeleceu que: Fl. 1453DF CARF MF Processo nº 16327.720511/201593 Acórdão n.º 1401003.109 S1C4T1 Fl. 1.453 13 a) Os juros poderiam ser excluídos pelo recorrente e, assim, deveria ser cancelada a infração de fls. 268/276 exclusão indevida de juros no exterior no montante de R$ 192.992.345,06, conforme o seguinte texto: Dessa forma, deve ser afasta a autuação de CSLL relativamente à exclusão de valores da base de cálculo ajustada da CSLL, conforme relatado no item 3.1 do Termo de Verificação Fiscal, bem como as multas isoladas correspondentes; vale dizer, deve ser integralmente afastado o auto de infração lavrado às fls. 268276 b) Em consequência deste entendimento, no qual juros poderiam ser excluídos da apuração do lucro real e considerando que o valor do ágio já estava computado nesta exclusão, houve por bem, e no meu entender corretamente, que deveria ser mantida a autuação de fls. 286292 em função de o benefício do ágio já ter sido utilizado integralmente pela empresa na infração do item 1. Pois bem, uma vez que afastamos integramente a autuação de CSLL sobre os juros brutos, deixa de existir a dupla tributação que serviu de fundamento da decisão recorrida. Impõese,assim, que seja mantida a autuação relativa à exclusão indevida da amortização de ágio da base de cálculo da CSLL, ou seja, deve prosperar o auto de infração lavrado de CSLL às fls. 286292, pelos mesmos fundamentos da manutenção do alto de infração de IRPJ sobre a referida amortização do ágio. Verificase à luz de todo o exposto acima, demonstrandose que, em verdade a decisão do acórdão proferido em recurso voluntário não contém erros, mas sim os erros adviram dos cálculos de exoneração apresentados pela DRJ que não seguiram de acordo com o voto daquela delegacia de julgamento. Em verdade, para o correto entendimento do julgado, a infração 1 foi exonerada por completo pelo acórdão do RV e RO, ou seja, excluiuse completamente o auto de infração de fls. 268277. Em consequência, como a DRJ havia exonerado a infração 2 por duplicidade, esta teve de ser revertida para evitar o benefício em duplicidade do contribuinte já que o mesmo havia utilizado da exclusão do ágio duas vezes, sendo assim, mantida na íntegra a infração 2, relativa ao auto de infração de fls. 286292. Assim, por todo o exposto, entendo ter restado esclarecidos todos os problemas que acarretaram as dúvidas, justificadas, tanto da DRJ quanto do embargante quando não conseguiram entender o conteúdo da decisão proferida no acórdão embargado quando confrontado com o texto da decisão da DRJ e a planilha de exoneração por ela elaborada. Por fim, há de se esclarecer que não há qualquer modificação no valor da autuação 2. O problema apontado pela DEINF/SP e o contribuinte em relação ao valor Fl. 1454DF CARF MF Processo nº 16327.720511/201593 Acórdão n.º 1401003.109 S1C4T1 Fl. 1.454 14 exonerado pela DRJ na verdade não existe. O valor do tributo devido da infração 2 original foi originalmente exonerado pela DRJ, juntamente com a alteração da infração 1, só que esta exoneração não constou da planilha de valores exonerados. Assim, com a decisão do RV e RO apenas reverteuse a decisão da DRJ no que cancelava essa infração, restaurandoa para evitar duplo benefício ao contribuinte. Devendo na apuração dos valores remanescentes ser considerados os saldos de bases negativas remanescentes considerandose os cancelamentos das autuações decididos nos recursos. Assim temos que devem ser adotadas as seguintes ações: 1 Cancelar o auto de infração 1 e restabelecer as bases negativas antes utilizadas em razão da autuação; 2 Restabelecer o auto 2 aproveitando os prejuízos existentes após a sua recomposição. Desta forma, voto no sentido de acolher os embargos da DEINF/SP e do contribuinte, sem efeitos infringentes, para apresentando e explicitando com mais detalhe as razões de decidir, esclarecer aos embargantes os motivos que levaram à prolação do acórdão naqueles termos e demonstrar que não houve falhas na apresentação do voto condutor da decisão, mas sim a correção . (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 1455DF CARF MF
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