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Numero do processo: 10167.001233/2007-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002
RECURSO DE OFÍCIO. RETIFICAÇÃO DE NOTIFICAÇÃO FISCAL.
A retificação de uma Notificação de Lançamento para transferir para outro DEBCAD valores lançados não configura exoneração de crédito tributário a ensejar a propositura de Recurso de Ofício.
Numero da decisão: 2201-003.482
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso de ofício.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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RETIFICAÇÃO DE NOTIFICAÇÃO FISCAL. A retificação de uma Notificação de Lançamento para transferir para outro DEBCAD valores lançados não configura exoneração de crédito tributário a ensejar a propositura de Recurso de Ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 30/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório O presente processo trata de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, DEBCAD 35.546.347-4, referente às contribuições sociais patronais, destinadas à Seguridade Social. A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 01 67 .0 01 23 3/ 20 07 -6 5 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária março de 2017 março de 2017 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL MUNICIPIO DE SERRANÓPOLIS MUNICIPIO DE SERRANÓPOLIS AA Fl. 498DF CARF MF 2 Os valores lançados decorrem das diferenças apuradas sobre as remunerações pagas a Agentes Políticos (Levantamento APG), autônomos da Câmara e Prefeitura (Levantamento FAG) e de servidores da Câmara (Levantamento FPC), no período de janeiro/199 a dezembro de 2002. Ciente do lançamento em 25 de julho de 2003, o contribuinte formalizou a Impugnação de fl. 127/131, na qual apresentou as seguintes considerações: - que a Notificação não foi acompanhada do necessário Mandado de Procedimento fiscal; - que há decisão judicial que impede o INSS de exigir recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pelos agentes políticos da Prefeitura a partir de 5 de março de 2001; - que o Município, no ano de 2000, realizou parcelamento de todos os débitos fiscais relativos às contribuições previdenciárias não recolhidas ao INSS, razão pela qual entende que as competências anteriores não poderiam ser constituídas novamente. Em 31 de maio de 2004, os autos foram submetidos à Seção de Fiscalização para esclarecimento sobre a exclusão da Notificação em tela dos fator geradores inseridos no parcelamento, fl. 387. Em resposta, foi emitida a Informação Fiscal de fl. 389, atestando que os débitos lançados não estão inclusos no parcelamento. De tal Informação, foi dada ciência ao contribuinte, fl. 395. Em 10 de junho de 2005, os autos foram novamente encaminhados à Seção de Fiscalização, para retificação do débito com vista á exclusão dos valores relativos à Câmara Municipal, já que a Notificação em questão fora lavrada contra o Município de Serranópolis - Prefeitura Municipal, tudo em respeito ao teor da IN INSS/DC nº 65/2002, fl. 397. Em 14 de setembro de 2006, foi emitida a Informação Fiscal de fl. 401/403, na qual se verifica a retificação da NFLD controlada no presente processo para exclusão dos valores lançados em nova Notificação Fiscal, nº 35.932.010-4, que recebeu todos os débitos objeto dos levantamentos PPG - Folha de Agentes Políticos e PFC - Folha pgto Câmara Servidores e, ainda, parte dos débitos objeto do Levantamento FAG - Folha de Autônomos CAM/PREF. Do teor de tal Informação Fiscal, o contribuinte foi cientificado em 29 de setembro de 2006, fl. 413. Submetida ao Julgamento em 1ª Instância, em 5 de julho de 2007, a 7ª Turma da DRJ em Brasília/DF emitiu o Acórdão de fl. 417/425, cujas conclusões podem ser assim resumidas, as quais foram objeto de Recurso de Ofício: (...) A alegação preliminar de que o MPF-F não consta da NFLD não deve prosperar, uma vez que consta do presente processo, fls. 53, o Mandado de Procedimento Fiscal — F n. 09060378 devidamente assinado pelo contribuinte. (...), a NFLD foi baixada em diligencia fiscal para que fosse retirado o débito relativo à Câmara Municipal, e conforme Informação Fiscal os levantamentos APG — Folha de Agentes Politicos e FPC- Folha de Pagto Camara Servidores são relativos à Camara Municipal, devendo ambos os levantamentos serem excluídos do débito levantado em nome da Prefeitura Municipal. Fl. 499DF CARF MF Processo nº 10167.001233/2007-65 Acórdão n.º 2201-003.482 S2-C2T1 Fl. 499 3 Logo, a alegação do contribuinte de que os levantamentos oriundos da falta de recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pelos agentes políticos da Prefeitura e/ou da Câmara não podem ser cobrados perdeu relevância, uma vez que estão sendo excluídos os levantamentos APG E FPC, nesta decisão, conforme Discriminativo Analítico do Débito Retificado — DADR. (...) Não deve prosperar a alegação do contribuinte em relação aos parcelamentos efetuados pela Prefeitura no ano de 2000, uma vez que ficou devidamente provado no item 05 da Informação Fiscal que o parcelamento feito dos Lançamentos de Débitos Confessados tratam-se de créditos relativos aos servidores, não incluindo, então, os valores que estão sendo mantidos no presente débito em relação aos prestadores de serviço pessoas físicas (autônomos). Em relação ao levantamento "FAG — Folha de Autônomos CAM/PREF", conforme Informação Fiscal (198-201), refere-se aos pagamentos efetuados aos contribuintes individuais que prestaram serviços tanto a Câmara Municipal como a Prefeitura, sendo que está sendo excluído do presente débito os fatos geradores pertinentes a Câmara, conforme planilha retificadora (fls. 200 e 201). A retificação do débito pode ser verificada no Discriminativo Analítico do Débito Retificado — DADR. Submetido ao Colegiado de 2ª Instância, o julgamento foi convertido em diligência para que o contribuinte fosse cientificado do Acórdão da DRJ, já que não havia nos autos evidência da efetivação de tal procedimento, fl. 472/474. Promovida a ciência, conforme fl. 477/478, os autos retornaram a este Conselho para prosseguimento. É o relatório Necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Como se observa no relatório acima, o contribuinte não apresentou qualquer manifestação em relação à Decisão da DRJ, razão pela qual versa o presente exclusivamente sobre o julgamento do Recurso de Ofício. O teor da Decisão de Primeira Instância não evidencia exoneração efetiva de quaisquer débitos lançados, mas tão só a exclusão de débitos da NFLD ora em discussão com vistas ao atendimento aos termos do art. 14 da IN INSS/DC nº 65/2002: Art. 14. Os documentos de constituição do crédito previdenciário serão emitidos no Cadastro Nacional da Pessoa jurídica (CNPJ) da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios, quando a Auditoria-Fiscal se desenvolver nos órgãos públicos Fl. 500DF CARF MF 4 da administração direta (ministérios, assembléias legislativas, câmaras municipais, secretarias, órgãos do Poder Judiciário, etc), sendo obrigatória a lavratura de notificação fiscal distinta para cada órgão. Parágrafo único. No campo do documento da notificação fiscal destinado à identificação do sujeito passivo sob ação fiscal, deverá ser consignado o nome da União, do estado, do Distrito Federal ou do município, seguido da designação do órgão notificado. Os débitos excluídos foram transferidos para a Notificação Fiscal nº 35.932.010-4, que recebeu todos os débitos objeto dos levantamentos PPG - Folha de Agentes Políticos e PFC - Folha pgto Câmara Servidores e, ainda, parte dos débitos objeto do Levantamento FAG - Folha de Autônomos CAM/PREF. Tudo conforme Informação Fiscal de fl. 401/403. Sobre o Recurso de Ofício, vejamos o que prevê o Decreto 3.048, de 06 de maio de 1999: Art. 366. O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil recorrerá de ofício sempre que a decisão: (Redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 2007). I - declarar indevida contribuição ou outra importância apurada pela fiscalização; e (Redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 2007). II - relevar ou atenuar multa aplicada por infração a dispositivos deste Regulamento. (Redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 2007). Grifou-se. Assim, o Recurso de Recurso em tela não apresenta condições de admissibilidade, pois decorre de excesso de zelo da Autoridade Julgadora, já que nenhum débito lançado foi considerado indevido pela Decisão recorrida. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício. Carlos Alberto Do Amaral Azeredo - Relator Fl. 501DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.907661/2009-25
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 9101-002.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário.
[assinado digitalmente]
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 180100.982, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte acerca da possibilidade de compensação de créditos de pagamentos de estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 76 61 /2 00 9- 25 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10675.907661/200925 Acórdão n.º 9101002.642 CSRFT1 Fl. 3 2 O Acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, entendendo ser possível a compensação de créditos de pagamentos de estimativas. Em seguida, para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial de divergência, por entender que a decisão de reconhecer a possibilidade de compensação do valor indevidamente pago, ou pago a maior, de estimativa é fruto de interpretação da legislação tributária que conflita com a interpretação adotada no acórdão paradigma colacionado aos autos. O recurso foi admitido por meio do despacho do Presidente da Câmara. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.610, de 16/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.900603/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.610): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, na forma como foi admitido. O contribuinte apresentou DCOMP apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal não homologou a compensação, sob o fundamento de que o pagamento de estimativa não é passível de compensação, devendo compor a apuração anual do tributo. A decisão recorrida foi no sentido oposto, reconhecendo o direito de o contribuinte compensar o indébito de estimativa, devolvendo os autos para a unidade de origem, para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, vez que essa matéria ainda não sofreu apreciação pela Administração Tributária. O recurso especial veio para que esta Câmara Superior reforme a decisão recorrida, restabelecendo a declaração de impossibilidade de o contribuinte compensar crédito de estimativa, nos termos da legislação infralegal então em vigor. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10675.907661/200925 Acórdão n.º 9101002.642 CSRFT1 Fl. 4 3 Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 05/12/2011, assim ementada: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. No âmbito deste Tribunal Administrativo, a matéria foi pacificada por meio da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, negolhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. assinado digitalmente Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10675.907661/200925 Acórdão n.º 9101002.642 CSRFT1 Fl. 5 4 Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 115DF CARF MF
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Numero do processo: 10860.720965/2011-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212, DE 1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP Nº 449, DE 2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941, DE 2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212, DE 1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP Nº 449, DE 2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941, DE 2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 09 65 /2 01 1- 15 Fl. 586DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase exigência de multa por descumprimento de obrigação principal, referente às Contribuições Sociais Previdenciárias, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, relativas à parcela dos segurados não descontada e à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) e as contribuições destinadas a Terceiros, bem como os valores relativos à retenção de 11% sobre o valor bruto de notas fiscais/faturas de prestação de serviços realizados mediante cessão de mãodeobra, nas competências 01/2007 a 12/2008. Em sessão plenária de 20/02/2013, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 2402003.391 (fls. 530 a 555), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). DESACORDO COM A LEI. INCIDÊNCIA. A parcela paga aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados, em desacordo com as diretrizes fixadas pela legislação pertinente, integra o salário de contribuição. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÃO 11%. A empresa, como contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, fica obrigada a reter e recolher onze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço. VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃOINCIDÊNCIA. ALINHAMENTO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. Em decorrência de entendimento da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ), não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos em dinheiro a título de valetransporte. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora Fl. 587DF CARF MF Processo nº 10860.720965/201115 Acórdão n.º 9202005.246 CSRFT2 Fl. 587 3 nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991). DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte” A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão dos valores relativos ao auxíliotransporte pago em dinheiro, para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75% e para adequação ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91 da multa por omissão de fatos geradores em GFIP, caso mais benéfica. Vencido o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado que também excluía a parte relativa à participação nos lucros ou resultados." O processo foi encaminhado à PGFN em 15/03/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 556). Assim, conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a Fazenda Nacional poderia interpor Recurso Especial até 29/04/2013, o que foi feito em 23/04/2013 (fls. 557 a 569), conforme o Despacho de Encaminhamento de fls. 570. O apelo visa rediscutir a aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 15/09/2015 (fls. 572 a 578). Em seu apelo, a Fazenda Nacional pede que se verifique, na execução do julgado, qual a norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A, da MP 449/2008. Fl. 588DF CARF MF 4 Intimada, a Contribuinte quedouse silente (informação de fls. 584). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. O apelo visa rediscutir aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Tratase exigência de multa por descumprimento de obrigação principal, referente às Contribuições Sociais Previdenciárias, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, relativas à parcela dos segurados não descontada e à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) e as contribuições destinadas a Terceiros, bem como os valores relativos à retenção de 11% sobre o valor bruto de notas fiscais/faturas de prestação de serviços realizados mediante cessão de mãodeobra, nas competências 01/2007 a 12/2008. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n 9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL Fl. 589DF CARF MF Processo nº 10860.720965/201115 Acórdão n.º 9202005.246 CSRFT2 Fl. 588 5 RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 590DF CARF MF 6 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, Fl. 591DF CARF MF Processo nº 10860.720965/201115 Acórdão n.º 9202005.246 CSRFT2 Fl. 589 7 “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Fl. 592DF CARF MF 8 Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº Fl. 593DF CARF MF Processo nº 10860.720965/201115 Acórdão n.º 9202005.246 CSRFT2 Fl. 590 9 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3ºA análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme oart. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaLei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaLei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma doart. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pelaLei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaLei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pelaLei nº 11.941, de 2009. Fl. 594DF CARF MF 10 § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação daMedida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4ºO valor das multas aplicadas, na forma doart. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaLei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto noart. 35 Adaquela Lei, acrescido pelaLei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para determinar que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 595DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.905270/2012-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.027
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 05 27 0/ 20 12 -5 9 Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10480.905270/201259 Resolução nº 3401001.027 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.521. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10480.905270/201259 Resolução nº 3401001.027 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10480.905270/201259 Resolução nº 3401001.027 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 231DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.729549/2013-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE.
Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES.
A instalação de elevadores subsume-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3201-002.453
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente.
(assinado com certificado digital)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2007 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsume-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente. (assinado com certificado digital) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1767; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.729549/201386 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201000.453 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente THYSSENKRUPP ELEVADORES SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente. (assinado com certificado digital) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 95 49 /2 01 3- 86 Fl. 362DF CARF MF Processo nº 11080.729549/201386 Acórdão n.º 3201000.453 S3C2T1 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 09054.889, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), em apreciação de DCOMP eletrônica transmitida com objetivo de compensar débitos nela apontados com créditos oriundos de pagamento indevido. Por economia processual, utilizarseá o relatório da autoridade recorrida no que interessa ao exame dos autos em apreço: "A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório, no qual a Delegacia de origem, com base em informação fiscal resultante de diligência do Serviço de Fiscalização para apuração do direito creditório referente à DCOMP acima identificada, onde ficou constatada a improcedência do crédito original nela informado, revisou de ofício o reconhecimento do direito creditório automático para não reconhecimento do direito creditório por inexistência do crédito e também de ofício revisou a homologação total da compensação efetuada através da mencionada declaração para compensação não homologada. A autoridade fiscal que proferiu a referida informação tomou por base a Solução de Consulta 446 SRRF/8ª RF/Disit, de 18/08/2007, uma vez que a Solução de Consulta 104 SRRF/10ª RF/Disit, de 18/08/2008, foi anulada pelo Parecer 52 SRRF10/Disit, de 13/09/2011, sob o seguinte argumento: É vedada a coexistência de duas soluções de consulta vigentes e eficazes sobre o mesmo fato, relativas a um mesmo sujeito passivo(...). Por sua vez, a Solução de Consulta vigente tem a seguinte ementa para o PIS: ELEVADORES. NÃOCUMULATIVIDADE. A instalação de elevador por seu produtor não caracteriza obra de construção civil, descabendo a aplicação do art. 10, XX, da Lei nº 10.833, de 2003. Caracterizase como operação de industrialização, na modalidade montagem, a reunião de partes, peças e componentes da qual resulte elevador, inclusive quando realizada fora do estabelecimento do executor, no próprio prédio onde esse equipamento será utilizado. Sofre incidência da contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração nãocumulativo o total das receitas decorrentes do fornecimento de elevador por seu produtor, o qual se conclui ao final do processo de montagem. Para a Cofins foi proferida ementa com igual teor. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 11080.729549/201386 Acórdão n.º 3201000.453 S3C2T1 Fl. 0 3 Regularmente cientificada da não homologação, a contribuinte protocolou suas razões de defesa alegando, em resumo, que: (...) Como ficará exaustivamente demonstrado ao longo da presente manifestação de inconformidade, o direito creditório da REQUERENTE decorre do pagamento indevido do PIS/COFINS na modalidade nãocumulativa. A atividade de instalação de elevadores realizada REQUERENTE tem a natureza de obra de construção civil, o que já foi declarado pelo Poder Judiciário no passado, e as receitas decorrentes da mesma estão sujeitas ao PIS/COFINS na modalidade cumulativa, nos termos do inciso XX do artigo 10 da Lei n° 10.833/03, que se aplica às duas contribuições (cfr. inciso V do artigo 15). Qualquer pagamento realizado a outro título reputase indevido e, portanto, é passível de compensação nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430/96. (...) O direito creditório da REQUERENTE decorre (i) da natureza do serviço prestado (obra de construção civil), o que se verifica pela aplicação da legislação do PIS/COFINS combinada com a legislação do IPI; (ii) da sujeição das receitas decorrentes dessa atividade à sistemática cumulativa do PIS/COFINS; e (iii) do pagamento indevido do PIS/COFINS na modalidade não cumulativa. O Despacho Decisório, para não reconhecer o direito creditório em discussão, recorre à primeira consulta fiscal formulada pela REQUERENTE (Consulta SSRF08/Disit n° 446/2007) e invoca o conceito de industrialização presente na legislação do IPI para concluir que o serviço de instalação não tem a natureza de serviço de construção civil. Data máxima vênia, o Despacho Decisório não merece prosperar: · em preliminar, porque afronta e contradiz decisão judicial transitada em julgado na Ação Ordinária n° 88.00.03357 1, movida pela REQUERENTE, a qual declarou que o IPI não incide sobre o preço dos serviços decorrentes da realização de obras de instalação de elevadores, haja visto que tais serviços não consubstanciam operação de industrialização, na modalidade montagem, mas sim obra de construção civil; · no mérito, porque: (i) as atividades de instalação de elevadores não se caracterizam como operação de industrialização, na modalidade de montagem, mas sim como obra de construção civil; (ii) a legislação do PIS/COFINS é silente quanto à definição do que se deva compreender por "obras de construção civil"; (iii) o Código Civil considera bem imóvel tudo quanto se incorporar ao solo, natural ou artificialmente; (iv) a Instrução Normativa RFB N n° 971/093, "considera (... ) obra de construção civil, a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo"; (v) os elevadores fabricados e instalados pela REQUERENTE são incorporados às edificações, o que caracteriza o serviço de instalação como uma verdadeira obra de construção civil; (vi) a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito Fl. 364DF CARF MF Processo nº 11080.729549/201386 Acórdão n.º 3201000.453 S3C2T1 Fl. 0 4 privado, a teor do disposto pelos artigos 109 e 110 do Código Tributário Nacional. (...) O Despacho Decisório, ao não reconhecer o crédito compensado pela REQUERENTE e deixar de homologar a compensação declarada, com base nos mesmos fundamentos da Solução de Consulta SRRF08/DISIT n° 446/2007 (os serviços prestados pela REQUERENTE decorrentes da realização de obras de instalação de elevadores consistiriam em suposta industrialização, na modalidade montagem), vai de encontro à coisa julgada, devendo, por isso, ser reformado. Como há declaração judicial no sentido de que os serviços prestados pela REQUERENTE — de instalação de elevadores não consubstanciam operação de industrialização, na modalidade montagem, mas sim obra de construção civil, obviamente que a Administração Tributária Federal deve respeitar o julgado, interpretando a legislação de regência nos termos da decisão passada em julgado, levando em consideração o seu conteúdo. (...) Ao assim proceder, interpretando o conceito de industrialização (montagem) da legislação de IPI de forma diametralmente oposta àquela que lhe foi conferida pela decisão passada em julgado, a União Federal, por meio de seus agentes, adota comportamento nitidamente contraditório e incompatível com interpretação da legislação tributária. (...) Nesse passo, cumpre destacar que o "principio da moralidade obriga que a Administração Pública, no desempenho das atividades por meio de seus agentes, atue de forma ética", sob pena de ser considerado ilegítimo o ato administrativo que deixa de observar tal mandamento. O E. Supremo Tribunal Federal, a propósito, em diversas oportunidades confirmou que a Administração Pública está subordinada ao Princípio da Moralidade, como se pode verificar, exemplificativamente, do acórdão que segue (...) Assim sendo, independentemente da anulação da Solução de Consulta SRRF10/DISIT n° 104/2008, que se deu por questões formais, o reconhecimento do direito creditório da REQUERENTE e a homologação da compensação declarada decorrem da interpretação do inciso XX do artigo 10 da Lei n° 10.833/2003, que tem de ser harmoniosa com o que decidiu o Poder Judiciário nos autos Ação Ordinária n° 88.00.033571/RS, transitada em julgado desde 08/05/1997. (...)" Após exame da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: COMPENSAÇÃO. Fl. 365DF CARF MF Processo nº 11080.729549/201386 Acórdão n.º 3201000.453 S3C2T1 Fl. 0 5 A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo. NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra no despacho decisório qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. COISA JULGADA. A decisão judicial transitada em julgado é, na verdade, a lei aplicada ao caso concreto e, tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do direito creditório postulado. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.448, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 11080.729874/201349, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3201002.448): "O Recurso é próprio e tempestivo e dele tomo conhecimento. (...) A princípio, temse que o cerne da questão é definir qual a natureza da atividade exercida pela Recorrente (instalação de elevadores): se construção civil ou se industrialização. Tal definição determinará se a Recorrente deveria, à época dos fatos geradores, apurar o recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo ou pelo cumulativo. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 11080.729549/201386 Acórdão n.º 3201000.453 S3C2T1 Fl. 0 6 Há peculiar situação no feito, consistente no fato de que a Recorrente teria apresentado duas Consultas Fiscais acerca do tratamento tributário mais adequado, obtendo Soluções conflitantes. Na primeira delas, Solução de Consulta nº 446/2007, da 8ª Região Fiscal, concluiuse que se tratava de industrialização e que, portanto, as receitas estariam sujeitas ao regime não cumulativo das citadas contribuições. A segunda, Solução de Consulta nº 104/2008, da 10ª Região Fiscal, afirmou que as receitas estariam sob o regime cumulativo. No caso, o crédito postulado pela Recorrente origina da aplicação do segundo entendimento. Os créditos postulados, portando, decorrem da reapuração do PIS e da COFINS outrora calculados pelo regime não cumulativo e reajustados para o cumulativo. Idêntica questão já foi examinada por esta mesma Turma na sessão de 24 de fevereiro de 2016, em decisão por maioria proferida nos autos do Processo nº 11080.726628/201335, da mesma THYSSENKRUPP ELEVADORES S/A, no qual a Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi designada Relatora para o Voto Vencedor. O referido Acórdão nº 3201002.070 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 11080.729549/201386 Acórdão n.º 3201000.453 S3C2T1 Fl. 0 7 Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Como consta em ata, o voto da i. Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi por mim acompanhado integralmente. Por essa razão, peço vênia para transcrevêlo como fundamento do presente julgado: Como se depreende do voto do eminente relator, o mérito da presente demanda não foi conhecido, por se entender que havia solução de consulta, proferida para a situação específica dos autos e proposta pela própria Recorrente. Com efeito, no mérito a Recorrente alega que o regime jurídico de apuração das contribuições sociais, tome a sua atividades de instalação de elevadores como prestação de serviços de construção civil, o que determinaria a aplicação do regime cumulativo. A Recorrente obteve a solução de consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 446, de 18/09/2007, que ao analisar as atividades realizadas pela Recorrente de instalação de elevadores, decidiu não ser atividade de construção civil e portanto, estariam sujeita a apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Não obstante, a Recorrente protocolou nova consulta, na Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT nº 104, de 18 de agosto de 2008), que considerou a atividade da Recorrente como prestação de serviços de construção civil e portanto, enquadrada nas disposições do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, determinando a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo.(fls. 391 a 397). Fl. 368DF CARF MF Processo nº 11080.729549/201386 Acórdão n.º 3201000.453 S3C2T1 Fl. 0 8 O entendimento do eminente Conselheiro Winderley Morais Pereira foi no sentido de que, em sendo a solução de consulta instrumento de garantia do contribuinte para esclarecimentos quanto a aplicação da legislação, a possibilidade de consultas do mesmo contribuinte tratando da mesma matéria serem protocoladas em unidades diversas da RFB, poderia mitigar a força normativa das consultas. Por essa razão, a decisão anterior não produziria efeito, nos termos do art. 54, IV do Decreto nº 70.235/72. Contudo, a questão que se põe e da qual se diverge do ilustre relator, é precisamente sobre a possibilidade de a decisão proferida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, se sobrepor a decisão em solução de consulta, para o mesmo contribuinte. Ora, embora pelo processo de consulta possa se entender que o contribuinte recorra à Administração para buscar a correta exegese de determinada norma jurídica, verificase o que se busca, invariavelmente, é uma medida protetiva, de cunho preventivo, para a estruturação tributária de suas operações. O fato é que no âmbito do processo de consulta, o contribuinte não comparece na condição de mero consulente, até mesmo porque, já traz em seu pedido o posicionamento que entende cabível, com a respectiva fundamentação legal, o que aliás, é condição para o processamento de sua consulta, de acordo com a legislação em vigor, sob pena de sua ineficácia. Embora o procedimento de consulta não se equipare lógica e juridicamente ao processo administrativo fiscal, o fato é que este também possui conteúdo persuasivo, buscandose convencimento da Administração, acerca de determinada interpretação. E se assim for o caso, a solução em consulta conferelhe medida protetiva, um verdadeiro escudo contra eventuais futuros entendimentos administrativos contrários. Por essa razão, apenas a solução de consulta favorável ao contribuinte tem repercussões no contencioso administrativo fiscal, no sentido de coibir o lançamento. Observese que, nessa toada, dispõe o art. 100 do Decreto n. 7574/2011: Art.100. Se, após a resposta à consulta, a administração alterar o entendimento expresso na respectiva solução, a nova orientação atingirá apenas os fatos geradores que ocorrerem após ser dada ciência ao consulente ou após a sua publicação na imprensa oficial (Lei no 9.430, de 1996, art. 48, § 12). Parágrafo único. Na hipótese de alteração de entendimento expresso em solução de consulta, a nova orientação alcança apenas os fatos geradores que ocorrerem após a sua publicação na Imprensa Oficial ou após a ciência do consulente, exceto se a nova orientação lhe for mais favorável, caso em que esta atingirá, também, o período abrangido pela solução anteriormente dada. Acresçase, por fim, que as decisões proferidas em procedimentos de consulta e no processo administrativo fiscal são lógica e juridicamente distintas, de sorte que não se verifica quaisquer relações de hierarquia entre elas. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 11080.729549/201386 Acórdão n.º 3201000.453 S3C2T1 Fl. 0 9 Superadas a questão, partese para o conhecimento do mérito da lide. A atividade de instalação de elevadores deve ser caracterizada como serviço, e não como atividade de industrialização, frisandose que, na hipótese dos autos, a Recorrente aparta a atividade de fabricação dos elevadores, da de sua instalação. Além de todas os fundamentos jurídicos trazidos pela Recorrente, como o fato de que a instalação de elevadores sob encomenda ser complemento da obra de construção civil, esta, indubitavelmente subsumida ao conceito de serviço, por se agregarem ao solo, dentre outras, temse que, para efeitos da legislação federal, que passou a tributar os serviços pelas contribuições sociais, bem como instituir o instrumental necessário para o controle do comércio exterior de serviços, com a edição da Nomenclatura Brasileira de Serviços, Decreto n. 7708/2011, não há mais dúvidas quanto ao enquadramento. Destarte, de acordo com o art. 2o do decreto, a NBS será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados. Os serviços de instalação de elevadores estão assim dispostos: SEÇÃO ISERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1Serviços de construção 1.0131Outros serviços de instalação 1.0131.10.00Serviços de instalação de elevadores, esteiras e escadas rolantes O direito positivo brasileiro não traz um conceito conotativo de "serviço' nem mesmo para efeitos de incidência do ISSQN, operando sempre com definições denotativas, ou seja, com listas que arrolam o que são considerados os "serviços" para efeitos de tributação. Portanto, não se questiona a validade, vigência e eficácia da Nomenclatura Brasileira de Serviços, para esse fim. Não se olvide, finalmente, que os decretos são de aplicação obrigatória para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de maneira que considerada a atividade em questão como serviço, deve ser a aplicação do regime cumulativo das contribuições sociais. Por essas razões, entendo que há de ser dado provimento ao recurso voluntário.Com efeito, não vislumbro a possibilidade de uma Solução de Consulta expedida pela Receita Federal do Brasil vincular, ad eternum, uma exigência tributária que se mostre claramente ilegítima. Não se trata aqui de discutir se o contribuinte poderia ou não ter formulado uma segunda Consulta Fiscal, ou mesmo qual das respostas deveria prevalecer. Tratase aqui de reconhecer a legalidade ou ilegalidade de uma exigência tributária, ou, melhor dizendo, de definição acerca do alcance de uma norma tributária. Mesmo se admitisse que, de acordo com as normas procedimentais, a segunda Solução de Consulta deveria ser tida por inexistente, tal Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11080.729549/201386 Acórdão n.º 3201000.453 S3C2T1 Fl. 0 10 constatação, por óbvio, não chancela a legitimidade da primeira Solução de Consulta. Afinal, este não é o meio adequado para se definir fato gerador de obrigação tributária. E, nesse sentido, trago o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o serviço de instalação e montagem de elevadores como obra de engenharia, e não como industrialização (portanto, atraindo a incidência do regime cumulativo do PIS e da COFINS à época dos fatos geradores): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ELEVADORES. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A atividade de fornecimento de elevadores, que envolve a produção sob encomenda e a instalação no edifício, encerra, precipuamente, uma obra de engenharia que complementa o serviço de construção civil, não se enquadrando no conceito de montagem industrial, para fins de incidência do IPI. 2. Recurso especial provido. (REsp 1231669/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe 16/05/2014) Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário lançado." Apenas uma observação, que em nada afeta o resultado do julgamento do presente processo: não há que se falar em exonerar o crédito tributário lançado, uma vez que tanto o processo paradigma quanto o presente tratam de PER/DCOMP. Assim, a consequência do provimento ao recurso é o reconhecimento do direito creditório postulado pela Contribuinte, com a homologação da compensação declarada. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 371DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.008339/99-62
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/1989 a 29/02/1996
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS EFETUADOS SOB A ÉGIDE DOS DECRETOS-LEIS NS 2.445 E 2.449, DE 1988. PRAZO DECADENCIAL.
Nos termos do entendimento firmado pelo STF no RE nº 566.621/RS, e pelo STJ no REsp nº 1.269.570MG, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, formalizados antes da antes de 09/06/2005, é de dez anos o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação. O prazo de cinco anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado, aplica-se somente aos pedidos formulados após a vigência do art. 3º da LC nº118/2005. Aplicação da Súmula CARF nº 91 e do art. 62 do RICARF, para reconhecer a prescrição parcial do pedido de restituição.
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS.
A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n.º 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução do Conselho da Justiça Federal.
Numero da decisão: 9303-004.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para declarar prescrito o pedido de restituição/compensação quanto aos pagamentos efetuados relativos aos fatos geradores ocorridos antes de 30/04/1989, com retorno dos autos à Unidade de Origem para a análise do direito creditório com relação aos demais períodos pleiteados. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/1989 a 29/02/1996 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS EFETUADOS SOB A ÉGIDE DOS DECRETOS-LEIS NS 2.445 E 2.449, DE 1988. PRAZO DECADENCIAL. Nos termos do entendimento firmado pelo STF no RE nº 566.621/RS, e pelo STJ no REsp nº 1.269.570MG, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, formalizados antes da antes de 09/06/2005, é de dez anos o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação. O prazo de cinco anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado, aplica-se somente aos pedidos formulados após a vigência do art. 3º da LC nº118/2005. Aplicação da Súmula CARF nº 91 e do art. 62 do RICARF, para reconhecer a prescrição parcial do pedido de restituição. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n.º 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução do Conselho da Justiça Federal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para declarar prescrito o pedido de restituição/compensação quanto aos pagamentos efetuados relativos aos fatos geradores ocorridos antes de 30/04/1989, com retorno dos autos à Unidade de Origem para a análise do direito creditório com relação aos demais períodos pleiteados. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
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PAGAMENTOS EFETUADOS SOB A ÉGIDE DOS DECRETOSLEIS NS 2.445 E 2.449, DE 1988. PRAZO DECADENCIAL. Nos termos do entendimento firmado pelo STF no RE nº 566.621/RS, e pelo STJ no REsp nº 1.269.570MG, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, formalizados antes da antes de 09/06/2005, é de dez anos o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação. O prazo de cinco anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado, aplicase somente aos pedidos formulados após a vigência do art. 3º da LC nº118/2005. Aplicação da Súmula CARF nº 91 e do art. 62 do RICARF, para reconhecer a prescrição parcial do pedido de restituição. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n.º 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução do Conselho da Justiça Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 83 39 /9 9- 62 Fl. 1020DF CARF MF Processo nº 10880.008339/9962 Acórdão n.º 9303004.664 CSRFT3 Fl. 1.020 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento parcial para declarar prescrito o pedido de restituição/compensação quanto aos pagamentos efetuados relativos aos fatos geradores ocorridos antes de 30/04/1989, com retorno dos autos à Unidade de Origem para a análise do direito creditório com relação aos demais períodos pleiteados. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 20219.259, de 22 de 07 de agosto de 2008 (fls. 767 a 781) do processo eletrônico, proferido pela Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes do CARF, decisão que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a decadência em relação a todos os recolhimentos efetuados até fevereiro de 1996, reconhecendose o direito de apurar o indébito com base no critério da semestralidade da base de cálculo, nos termos da Súmula 11, do 2º CC, atualizado de acordo com a Norma de Execução Conjunta Cosit/Cosar n.º 8, de 27/06/1997, conforme ementado, in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1989 a 29/02/1996 Fl. 1021DF CARF MF Processo nº 10880.008339/9962 Acórdão n.º 9303004.664 CSRFT3 Fl. 1.021 3 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS EFETUADOS SOB A ÉGIDE DOS DECRETOSLEIS NS 2.445 E 2.449, DE 1988. PRAZO DECADENCIAL. 0 prazo para requerer a restituição/compensação dos pagamentos efetuados com base nos DecretosLeis n2s 2.445/88 e 2.449/88 é de 5 (cinco) anos, iniciandose no momento em que eles se tornaram indevidos com efeitos erga omnes, ou seja, na data da publicação da Resolução nº 49, do Senado Federal, em 10/10/1995. BASE DE CÁLCULO. Até o advento da Medida Provisória nº 1.212/95, a base de cálculo do PIS para as pessoas jurídicas prestadoras de serviços é o Imposto de Renda. Com a declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, de 1988, cabe a aferição de eventuais diferenças entre os valores efetivamente pagos e os devidos, de acordo com a sistemática do PIS Repique. CORREÇÃO MONETÁRIA. A atualização monetária até 31/12/95, dos valores recolhidos indevidamente, deve ser efetuada com base nos índices constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar nº 8, de 27/06/97, devendo incidir a taxa Selic a partir de 01/01/96, nos termos do art. 39, § 42, da Lei nº 9.250/95. Recurso provido em parte. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 797 a 809) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recuso do Contribuinte, sob a alegação de decisão contrária à lei no tocante ao entendimento firmado quanto ao prazo decadencial para pedido de repetição de indébito decorrente da declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis n.º 2.445/88 e 2.449/88. Segundo o recorrente, o aresto fustigado incorreu em afronta a regra prevista nos artigos 168 e 156 do Código Tributário Nacional. A Fazenda Nacional não juntou paradigma por entender tratarse de decisão não unânime contrária à lei, conforme o Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, constante do Anexo II da Portaria MF n.º 147/2007, estabelece, in verbis: "Art. 72. Compete a Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: I decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidencia da prova; (.) Art. 15. 0 recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do sujeito passivo, deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de quinze dias contados da data de ciência da decisão. Fl. 1022DF CARF MF Processo nº 10880.008339/9962 Acórdão n.º 9303004.664 CSRFT3 Fl. 1.022 4 § 1º. Na hipótese de que trata o inciso I do artigo 72 deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente a contrariedade à lei ou à evidência da prova e, havendo matérias autônomas, o recurso especial alcançará apenas a parte da decisão nãounânime contrária a Fazenda Nacional. (.) Art. 16. 0 despacho que admitir recurso especial terá o seguinte trâmite: quando se tratar de recurso especial interposto por Procurador da Fazenda Nacional, os autos serão encaminhados à unidade da administração tributária de jurisdição do sujeito passivo para ciência, assegurandoselhe o prazo de quinze dias para oferecer contrarazões ou recorrer da parte que lhe for desfavorável, em igual prazo." O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido conforme se depreende pelo despacho de fls. 815 a 817, por ter entendido que foram observados os pressupostos de admissibilidade exigidos pela legislação de regência: decisão nãounânime (artigo 72, I); tempestividade (artigo 15, caput), e demonstração da contrariedade à lei (artigo 15, § lº). O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 823 a 881, postulando pelo não provimento do recurso especial da fazenda, para manter a decisão v. Acórdão. O Contribuinte, também apresentou Recurso Especial de Divergência suscitando divergência em relação à atualização dos valores indevidamente recolhidos, entendendo inaplicável a Norma de Execução Conjunta n°. 08/97 e pleiteando a correção pelos índices dos expurgos inflacionários. Foram juntados como paradigmas os acórdãos de números CRSF/01 04.673, CRSF 0201.713, 10807.727 da 8ª Câmara do 1º Conselho, 10419.362 da 4ª Câmara do 1º Conselho (fls. 929 a 993). Entretanto, nos termos do disposto nos, § 2º, do art. 15, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, apenas os dois primeiros citados no recurso serão considerados para verificação da divergência. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido conforme se depreende pelo despacho de fls. 999 a 1003, por ter entendido que confrontando as decisões percebese a divergência. No recorrido, a Turma, expressamente, adotou a Norma de Execução Conjunta COSIT/COSAR n° 08/97 para a atualização do indébito, entendendo que não havia Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 10880.008339/9962 Acórdão n.º 9303004.664 CSRFT3 Fl. 1.023 5 autorização legal para correção monetária dos indébitos além desse limite. Por sua vez, no primeiro paradigma apresentado essa norma foi rechaçada, tendo sido adotados os índices plenos que refletiam os expurgos inflacionários para correção monetária do indébito tributário. Demonstrada a divergência mediante a análise do primeiro paradigma, tornouse dispensável o exame do segundo. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 1005 a 1010 postulando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte, para manter a decisão v. Acórdão. É o relatório. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Do Recurso da Fazenda Depreendendose da análise dos autos, o Recurso é tempestivo e deve ser admitido. O que concordo integralmente com a análise feita em Despacho de fls. 308/310, eis que se trata de decisão não unânime e restou demonstrada a contrariedade à lei. A controvérsia cingese, basicamente, em determinar o prazo para o contribuinte pleitear restituição dos valores de PIS/Pasep, recolhidos com base nas sistemáticas instituídas pelos DecretoLeis n.ºs 2.445/88 e 2.448/88, os quais tiveram suas execuções suspensas por força da Resolução do Senado Federal de n.º 49/95, publicada com base em decisão do STF que reconheceu as suas inconstitucionalidades. O acórdão recorrido entendeu que o prazo para pleitear restituição deve ser de 5 anos contados a partir da data da publicação de referida Resolução do Senado Federal. A Fazenda Nacional entende que o prazo para pleitear restituição é de 5 anos contados a partir da data de extinção do crédito tributário, nos termos dos arts. 165, 168, inc. I Fl. 1024DF CARF MF Processo nº 10880.008339/9962 Acórdão n.º 9303004.664 CSRFT3 Fl. 1.024 6 e 155, inc. I, ambos do CTN e do art. 3º da LC n.º 118/2005, e que, portanto, como o pedido de restituição foi formulado em 15/04/1999, deve ser considerado decaído o direito de reaver tudo quando foi pago antes de 15/04/1995. No que tange à discussão acerca do termo inicial a ser considerado para a contagem do prazo prescricional/decadencial, importante trazer que, com a alteração promovida pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, determinando que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n.º 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (dispositivo atual – art. 62, § 2º, Anexo I, do RICARF/15 – Portaria MF n.º 343, de 9 de junho de 2015)), essa questão não mais comportaria debates. Assim, aplicase ao presente caso o entendimento do STF consubstanciado no julgamento do RE n.º 566.621, bem como o entendimento do STJ objeto do julgamento do REsp nº 1.269.570. O acórdão do Supremo Tribunal Federal STF no julgamento do RE n.º 566.621, restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 10880.008339/9962 Acórdão n.º 9303004.664 CSRFT3 Fl. 1.025 7 independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permite se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” O acórdão do Superior Tribunal de Justiça STJ (REsp n.º 1.269.570), prolatado após a decisão do STF, tem a seguinte ementa: "CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 3º,DA LC 118/2005. POSICIONAMENTO DO STF. ALTERAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ SUPERADO ENTENDIMENTO FIRMADO ANTERIORMENTE TAMBÉM EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. 1. O acórdão proveniente da Corte Especial na AI nos Eresp nº 6 44.736/PE, Relator o Ministro Teori Albino Zavascki, DJ de 27.08.2007, e o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009, firmaram o entendimento no sentido de que o art. 3º da LC 118/2005 somente pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. Sendo assim, a jurisprudência deste STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e Fl. 1026DF CARF MF Processo nº 10880.008339/9962 Acórdão n.º 9303004.664 CSRFT3 Fl. 1.026 8 relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior. 2. No entanto, o mesmo tema recebeu julgamento pelo STF no RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011, onde foi fixado marco para a aplicação do regime novo de prazo prescricional levandose em consideração a data do ajuizamento da ação (e não mais a data do pagamento) em confronto com a data da vigência da lei nova (9.6.2005). 3. Tendo a jurisprudência deste STJ sido construída em interpretação de princípios constitucionais, urge inclinarse esta Casa ao decidido pela Corte Suprema competente para dar a palavra final em temas de tal jaez, notada mente em havendo julgamento de mérito em repercussão geral (arts. 543A e 543B, do CPC). Desse modo, para as ações ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplicase o art. 3º, da Lei Complementar n. 118/2005, contandose o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. 150, §1º, do CTN. 4. Superado o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009. 5. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008." (Grifos no original) O entendimento dos tribunais superiores foi consolidado em súmula por este Pleno, em 09/12/2013, Súmula CARF n.º 91, in verbis: "Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador." No caso vertente, a Fazenda requer que o pedido restituição, deve ser considerado decaído antes de 15/04/1995. No entanto, considerando o entendimento acima transcrito, entendo que, como o Contribuinte protocolizou em 15/04/1999 o pedido de restituição de valores indevidamente pagos a título de contribuições ao PIS/Pasep relativo à contribuição no que tange ao(s) período(s) de apuração compreendido(s) entre fevereiro de 1989 e fevereiro de 1996, e considerado o prazo de 10 anos (cinco mais cinco), contado da ocorrência do fato gerador, para pleitear a restituição, verificase que, na data do protocolo do pedido (15/04/1999), somente estavam prescritos os pedidos de indébitos relativos aos fatos geradores ocorridos até 30/04/1989, ou seja: fevereiro de 1989 a abril de 1989. Fl. 1027DF CARF MF Processo nº 10880.008339/9962 Acórdão n.º 9303004.664 CSRFT3 Fl. 1.027 9 Por outro lado, afigurase hígido o pleito de restituição/compensação com relação aos fatos geradores ocorridos após 30/04/1989. Em face de todo o exposto, dou provimento parcial ao Recurso Especial da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para declarar prescrito o pedido de restituição/compensação quanto aos pagamentos efetuados relativos aos fatos geradores ocorridos antes de 30/04/1989 e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para a análise do direito creditório com relação aos demais períodos pleiteados. Do Recurso do Contribuinte A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior, referese à aplicação de índices de correção monetária que contemplem os denominados expurgos inflacionários. Em virtude das decisões prolatadas no AgRg no RESP 935594/SP (DJ 23.04.2008); EDcl no REsp 773.265/SP (DJ 21.05.2008); EDcl nos EREsp 912.359/MG (DJ 27.22.2008); EREsp 912.359/MG (DJ 03.12.2007), foi pacificado o entendimento de que na repetição de indébito tributário, a correção monetária será calculada segundo os índices indicados para os Cálculos da Justiça Federal, aprovado pela Resolução n.º 561 do Conselho da Justiça Federal. Cumpre destacar que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional através do Parecer PGFN/CRJ n.º 2.601/2008 foi dispensada de interpor recursos nas ações que requeiram a inclusão dos índices expurgados de planos econômicos para atualização dos créditos tributários, conforme ementa e conclusão abaixo transcritas (grifos meus): "PARECER PGFN/CRJ/Nº 2601/2008 Tributário. Correção Monetária. Inclusão de índices expurgados de planos econômicos para atualização dos créditos tributários. Jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. I Fl. 1028DF CARF MF Processo nº 10880.008339/9962 Acórdão n.º 9303004.664 CSRFT3 Fl. 1.028 10 O escopo do presente Parecer é analisar a possibilidade de se promover, com base no inciso II do artigo 19 da Lei nº 10.522, de 19/07/2002, e no Decreto n.º 2.346, de 10.10.1997, a dispensa de interposição de recursos ou requerimento de desistência dos já interpostos, com relação às decisões judiciais que entendem pela inclusão dos índices expurgados de planos econômicos no cálculo da correção monetária de valores recolhidos indevidamente a serem compensados ou restituídos. 2. Tal Parecer, em face da alteração trazida pela Lei nº 11.033, de 2004, à Lei nº 10.522/2002, terá também o condão de dispensar a apresentação de contestação pelos Procuradores da Fazenda Nacional sobre a matéria. 3. Este estudo é feito em razão da existência de decisões reiteradas no Superior Tribunal de Justiça – STJ, no sentido de que é devida a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais, como fator de atualização monetária de débitos judiciais. II 4. O entendimento reiteradamente invocado pela Fazenda Nacional em sua defesa sempre foi no sentido de ser descabida a aplicação dos índices expurgados para fins de correção monetária de valores recolhidos indevidamente a serem compensados ou restituídos, somente sendo possível, para este fim, a aplicação dos índices legalmente estatuídos. 5. Ocorre que o Poder Judiciário entendeu diversamente, tendo sido pacificado no âmbito do STJ o entendimento no sentido de que devem ser incluídos, para cálculo da correção monetária de débitos judiciais, os percentuais dos expurgos inflacionários verificados na implantação dos planos governamentais, sendo esta incidência decorrente de lei (Lei 6.899/81), pelo que se faz desnecessária a expressa menção no pedido formulado em juízo, a teor do que dispõe o art 293 do CPC. 6. No que atine ao critério a ser utilizado para cálculo da correção monetária, firmouse orientação no sentido de que os índices a serem aplicados na compensação ou repetição do indébito tributário são os constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução n. 561 do Conselho da Justiça Federal, de 2.7.2007, a saber: (...)" Por fim, em vista a aprovação do parecer acima, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, através do Ato Declaratório n.º 10/2008 determina que é cabível a aplicação dos expurgos inflacionários constantes na Tabela Única da Justiça Federal aprovada pela Resolução n.º 561, de 02/07/2007, do Conselho da Justiça Federal, senão vejamos: “ATO DECLARATÓRIO Nº 10, DE 1º DE DEZEMBRO DE 2008 O PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 10880.008339/9962 Acórdão n.º 9303004.664 CSRFT3 Fl. 1.029 11 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2601/2008, desta Procuradoria –Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 8/12/2008, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem a obter declaração de que é devida, como fator de atualização monetária de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelo planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução nº 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007.” Portanto, cotejando os atos normativos acima transcritos, é possível afirmar que os índices a serem aplicados na compensação ou repetição do indébito tributário são os constantes na Tabela Única da Justiça Federal. Assim, voto no sentido dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Contribuinte para que sejam aplicados os índices do Conselho da Justiça Federal. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 1030DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.728905/2014-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2013
RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. DEVER DE DEMONSTRAÇÃO INDIVIDUALIZADA.
Quando há diversos sujeitos passivos na autuação, entende-se que é dever do autuante, ao arrolá-los sob tal condição, individualizar as condutas que ensejaram a aplicação das penalidades, explicando quais as atitudes de tais sujeitos que concorreram, por exemplo, para a prática das infrações detectadas.
Numero da decisão: 3401-003.426
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em tomar conhecimento apenas do recurso interposto pela Sra. Luciana Moreira Baptista, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que, ao conhecerem da peça recursal interposta por Walter Alves Cavalcante cabelos naturais - EIRELI, anulavam a decisão de piso, na análise da preliminar. Por unanimidade de votos, deu-se parcial provimento ao recurso da Sra. Luciana Moreira Baptista, apenas para excluí-la do polo passivo da autuação, tendo o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira propugnado ainda pela análise de mérito, em relação às infrações imputadas.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Orlando Rutigliani Berri (suplente), André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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DEVER DE DEMONSTRAÇÃO INDIVIDUALIZADA. Quando há diversos sujeitos passivos na autuação, entendese que é dever do autuante, ao arrolálos sob tal condição, individualizar as condutas que ensejaram a aplicação das penalidades, explicando quais as atitudes de tais sujeitos que concorreram, por exemplo, para a prática das infrações detectadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em tomar conhecimento apenas do recurso interposto pela Sra. Luciana Moreira Baptista, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que, ao conhecerem da peça recursal interposta por Walter Alves Cavalcante cabelos naturais EIRELI, anulavam a decisão de piso, na análise da preliminar. Por unanimidade de votos, deuse parcial provimento ao recurso da Sra. Luciana Moreira Baptista, apenas para excluíla do polo passivo da autuação, tendo o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira propugnado ainda pela análise de mérito, em relação às infrações imputadas. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 89 05 /2 01 4- 71 Fl. 2811DF CARF MF 2 Almeida, Orlando Rutigliani Berri (suplente), André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre Autos de Infração (fls. 4 a 33)1, lavrados em 07/12/2014, para exigência de imposto de importação, no valor original de R$ 4.071.100,44,, de multa por falta de licença de importação ou documento equivalente (R$ 6.033.454,24), de multa por prestação de informação inexata/incompleta em declaração de importação (R$ 260.896,36), e de multa substitutiva da pena de perdimento (R$ 26.089.660,96); de imposto sobre produtos industrializados devido na importação (IPIImportação), no valor original de R$ 4.496.361,22; de COFINSImportação, no valor original de R$ 2.727.887,30; e de Contribuição para o PIS/PASEPimportação, no valor original de R$ 592.238,87. A todos os tributos foram acrescidos juros de mora e multa de ofício qualificada (150%). No polo passivo da autuação figuram as pessoas jurídicas Walter Alves Cavalcante cabelos naturais EIRELI (que será aqui designada pela sigla WAC), e Shree Darshan International LTDA EPP (SDI), e as seguintes pessoas físicas: Walter Alves Cavalcanti (Walter), Harjet Singh (Harjeet), e Luciana Moreira Baptista (Luciana). As condutas imputadas são de ocultação do real adquirente em operações de comércio exterior, subfaturamento na importação de cabelos humanos de origem indiana, utilização de classificação fiscal incorreta para os cabelos humanos importados, importação sem licença e declaração de descrição inexata para as mercadorias importadas. No Relatório Fiscal anexo à autuação, de fls. 34 a 225, narrase que: (a) a ação fiscal teve por objetivo verificar o valor aduaneiro de cabelos humanos importados pela SDI no período de janeiro de 2011 a agosto de 2013 (lista de declarações de importação DI às fls. 36/37); (b) há necessidade de licença de importação, com anuência da ANVISA (não automática), para importação de cabelo humano (código NCM 6703.00.00, destaque no 030); (c) foram efetuadas diligências nas empresas SDI e WAC, no curso de procedimento especial de controle aduaneiro, previsto na IN SRF no 1.169/2011, que comprovaram a ocorrência de fraude no valor aduaneiro e prática de ocultação, na DI no 13/09787303, o que culminou na lavratura de Auto de Infração no processo administrativo no 10814.730655/201318; (d) a empresa individual WAC foi constituída em 1997, tem como responsável o Sr. Walter, possuía capital social de R$ 100.000,00, e teve sua habilitação no SISCOMEX suspensa em 12/04/2014; (e) a empresa SDI foi constituída em 2002, tem em seu quadro societário o Sr. Harjeet (98%) e a Sra. Luciana (25), ambos sóciosadministradores, e possuía capital social de R$ 200.000,00, sendo habilitada a operar no SISCOMEX; (f) no local onde funciona a SDI opera inda a empresa "Sun Rise Importadora e Exportadora EPP", dos mesmos sócios (foto da fachada às fls. 62/63), e tendo DI registradas pelo mesmo responsável, importando mercadorias dos mesmos fornecedores; (g) a empresa SDI realizou, no período fiscalizado, importações de mais de 66.000,00 Kg de cabelo humanos da empresa exportadora indiana "SHABANESA", inicialmente classificandoos no código NCM 0501.00.00, e depois, no código NCM 6703.00.00 (até 10/05/2012, a descrição das mercadorias importadas era "cabelo natural em bruto, para testes cosméticos", mas depois de tal data as mercadorias importadas passaram a ser descritas como "cabelo em bruto pára fabricação de perucas"); (h) o valor por quilograma, nas importações, teve poucas oscilações, e, nas descrições, não havia menção a comprimento, cor, textura ou qualidade dos cabelos importados (fatores determinantes dos preços dos cabelos, cf. exposição de fls. 66 a 73); (i) nas notas fiscais de saída verificouse que a maior parte dos cabelos importados foi diretamente repassada à WAC; (j) foi localizado no 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 2812DF CARF MF Processo nº 10314.728905/201471 Acórdão n.º 3401003.426 S3C4T1 Fl. 2.812 3 estabelecimento da WAC uma declaração de importação pertencente à SID, de 2005, do exportador "Karugman and Company", e contrato entre a SID e o exportador indiano "Gupta Enterprises", também de 2005; (k) as evidências indicam que a WAC e a SID atuam em conluio no mercado de cabelos humanos (ambas emitem nota fiscal de saída em valor inferior ao efetivamente praticado (tabela comparativa entre valores de notas de entrada e saída à fl. 75); (l) o repasse imediato e integral das mercadorias é característico de operações de importação por encomenda (tabela com declarações de importação que foram objeto de integral repasse da SID para a WAC, com nota fiscal de entrada emitida no dia anterior à nota de saída, muitas vezes com numeração sequencial, às fls. 76/78); (m) as margens de lucro em algumas operações de venda da SID para a WAC estão aquém das usualmente praticadas em operações normais de compra e venda de mercadorias importadas; (n) em vários conhecimentos de transporte terrestres (nacionais) coletados em diligência pela fiscalização, aparece o endereço da SID no campo próprio para o endereço de entrega, e o endereço da WAC no campo próprio para observações (exemplo à fl. 80); (o) na DI no 13/09787303, as mercadorias importadas, que ainda estavam fisicamente disponíveis para fiscalização (fotos às fls. 81/82) permitem visualizar que as mercadorias já chegam ao país segregadas por tamanho, o que estaria em desacordo com a alegação do Sr. Walter (fl. 83), de que negociaria as mercadorias por peso, sendo indiferente o tamanho (apesar de armazenálas, no estabelecimento da WAC, por tamanho); (p) documentos apreendidos em sede de diligência na WAC, como planilhas de compras e orçamentos (fl. 91), faturas (fl. 95) e DI de 2005 (fls. 96/97), demonstram que os preços eram escalonados conforme o tamanho dos cabelos, apesar de a SID jamais ter efetuado tal escalonamento nas DI, nas quais a mercadoria era genericamente descrita como "cabelo natural em bruto, para testes cosméticos", ou "cabelo em bruto pára fabricação de perucas"; (q) na DI no 14/11226676, registrada pela SID, para importação de cabelos humanos da empresa indiana "SHABANESA", e selecionada para o canal cinza de conferência aduaneira, a segregação dos cabelos humanos por faixa de comprimento foi observada no laudo técnico elaborado a pedido da fiscalização (fls. 98 a 100), e os preços foram objeto de cotação, tendo a "SHABANESA" apresentado a resposta de fls. 112/113; (r) documentos obtidos pela fiscalização (relativos a DI de 2005) dão conta de que o preço declarado pela SID (que varia entre 12 e 17 US$ /Kg) é substancialmente inferior ao praticado (que, ainda em 2005, iniciava em US$ 42,00/Kg de cabelo de 10 a 14 polegadas); (s) a planilha de compras encontrada no estabelecimento da WAC (fl. 105) permite evidenciar valores incompatíveis com os declarados na importação da SID, sendo o valor/Kg do menor cabelo é de R$ 210,00, e os orçamentos de fls. 106/107 igualmente dá conta dos preços praticados para os diferentes comprimentos de cabelo; (t) como há fraudes frequentes na importação de cabelos, relativas a preço e a classificação fiscal, não se considerou, na análise, as médias de preços declarados nas importações, mas cotações de preços feitas junto a fornecedores indianos, por email (fl. 115), obtendose preços bem superiores aos praticados nas importações analisadas; (u) foi encontrado modelo de fatura comercial em computador de funcionário da SID (fl. 117); (v) as cópias de faturas comerciais entregues à fiscalização pela SID não estavam assinadas (fls. 123 a 126) e são de modelo diferente da que instruiu a DI no 14/11226676, em canal cinza, e com as mercadorias ainda retidas pela fiscalização (fls. 127 a 131), sendo as faturas comercias que instruíram as DI ideologicamente falsas, com subfaturamento; (w) é ainda falso o preço constante das notas fiscais emitidas pela SID à WAC, e pela WAC a clientes finais (fls. 134 a 141); (x) a modalidade de pagamento informada (financiamento do fornecedor) também é indicativa de subfaturamento; (y) o Sr. Harjeet, sócioadministrador da SID, em entrevista, declarou que importa apenas cabelos do tipo "bulk hair", "remy", e , por isso, os preços são baixos, pois necessitariam passar por processamento antes da venda a consumidores finais, mas a justificativa é incompatível com o evidenciado pela fiscalização; (z) em diligência na empresa WAC, a fiscalização verificou que os cabelos são vendidos em mechas, por faixas de Fl. 2813DF CARF MF 4 comprimento, no mesmo estado em que importadas (tabela de vendas á fl. 159); (aa) o cabelo "remy", importado, não é classificado na posição 0501, reservada a cabelos dispostos em sentido natural (raízes com raízes e pontas com pontas), mas na posição 6703, no código NCM 6703.00.00; (bb) a classificação incorreta utilizada até julho de 2012 impactou na exigência dos tributos e na falta de licença de importação; (cc) a descrição das mercadorias nas DI foi incompleta, pois não detalhou a qualidade, o tipo ou comprimento do cabelo humano importado, necessário à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, e foi, até julho de 2012, também incorreta, porque informou que eram para testes de cosméticos, o que a própria empresa admite não ser correto; (dd) não sendo aceito o preço praticado, e não se aplicando o AVAGATT aos casos de fraude, o preço das mercadorias importadas foi arbitrado com base no art. 88, II, "b", da Medida Provisória no 2.15835/2001, recorrendose às cotações de preços obtidas de exportadores indianos, chegandose à tabela de fl. 181; (ee) com base na presunção constante do art. 68 da Lei no 10.833/2003, foram estendidos aos casos em análise os resultados (por tipo/comprimento de cabelo) da verificação da DI no 14/13634160, objeto de procedimentos especial, culminando nas bases de cálculo arbitradas na tabela de fls. 188 a 193, que, após conversão cambial, resultou na tabela de fls. 194 a 202; (ff) aplicouse, em autuação diversa (levada a cabo no processo administrativo no 10314.728901/201418), a multa por cessão de nome prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007; e (gg) a empresa WAC deve responder solidariamente com o contribuinte SID, e os sócios são responsáveis com fundamento no art. 135 do CTN, por terem realizado, individual ou conjuntamente, atos que resultaram nas situações que constituíram ou relacionaramse aos fatos geradores dos tributos sonegados, havendo ainda interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação (art. 124 do CTN). Os sujeitos passivos foram cientificados da autuação da seguinte forma: Sujeito Passivo Data de ciência Fls. Walter Alves Cavalcante cabelos naturais EIRELI (WAC) 16/12/2014 2018 Shree Darshan International LTDA EPP (SDI) 10/12/2014 1999 Walter Alves Cavalcanti (Walter) 16/12/2014 2024 Harjeet Singh (Harjeet) 10/12/2014 2002 Luciana Moreira Baptista (Luciana) 10/12/2014 2016 Apenas apresentaram impugnação a Sra. Luciana, em 08/01/2015 (fls. 2041 a 2057), e a empresa WAC, em 16/01/2015 (portanto, intempestivamente, como atesta a unidade local à fl. 2161). Na impugnação interposta pela Sra. Luciana, argumentase, basicamente, que: (a) o auto de infração decorre de alegações irreais de subfaturamento, classificação incorreta, ausência de licenciamento, descrição inexata/incorreta, e ocultação do real adquirente, não tendo a autoridade fiscal analisado os documentos a ela apresentados, devendo a cobrança ser suspensa, pois calcada em autuações que ainda estão sendo discutidas; (b) não há qualquer indício de fraude ou declaração falsa do preço praticado, nem de dolo; (c) a classificação fiscal estava correta; (d) a empresa possui licença da ANVISA para importar; (e) as descrições das mercadorias nas DI estão corretas e detalhadas, com "espécie, marca comercial, modelo e descrição geral"; (f) não ocorreu ocultação, e a empresa está regularmente Fl. 2814DF CARF MF Processo nº 10314.728905/201471 Acórdão n.º 3401003.426 S3C4T1 Fl. 2.813 5 cadastrada nos órgãos competentes; (g) "não há que se falar em provas indiciárias, pois suas classificações foram diretas e objetivas, possuem raciocínio e construção lógica resultante para todas as provas que forem necessárias"; (h) os cabelos importados se prestam a fabricação de perucas, sendo de vários tipos (fl. 2049), sendo que, na limpeza efetuada no estabelecimento da empresa, há perda mínima da ordem de 40%; (i) a empresa WAC é apenas um cliente, e os dados retirados da internet, pela fiscalização, e orçamentos diversos que não se constituem em vendas efetiva são incoerentes e não caracterizam ilícito algum; (j) a fatura em branco encontrada no computador da SID se presta a exportações, e a "SHABANESA" é fornecedor exclusivo da recorrente, estando preços em seu site para interessados; (k) foram atendidos todos os termos e intimações fiscais; e (l) os valores arbitrados como base de cálculo são incoerentes e absurdos, chegando a margem de resultado de 4450% sobre os impostos. Na impugnação intempestiva da empresa WAC (fls. 2067 a 2099), na qual não há consideração sobre a (in)tempestividade, figuram os seguintes argumentos: (a) é inadmissível a prova emprestada do processo administrativo no 10814.730655/201318, pendente de julgamento; (b) não podem ser apreendidos documentos protegidos pela decadência; (c) a perícia técnica realizada sem acompanhamento da empresa, em outras DI, que serviu de base para presunção, é nula; (d) a autuação é calcada em presunções, e em premissas equivocadas, não tendo havido subfaturamento ou ocultação; (e) a amostra de uma DI não é suficiente para determinar de maneira razoável o percentual de cabelos importados de cada comprimento, sendo o valor arbitrado fictício; e (f) as obrigações referentes a classificação fiscal e a licenciamento são aplicáveis ao importador, e não ao comprador, no mercado interno. Em 28/05/2015 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 2164 a 2263), no qual se decide unanimemente pela improcedência da impugnação tempestivamente apresentada, basicamente reproduzindo e endossando as conclusões do Relatório Fiscal, adicionando que a impugnante confundiu a licença da ANVISA, em geral, com aquela a ser obtida a cada importação, no caso concreto. Luciana (único sujeito passivo para o qual foi instaurado o contencioso, tendo em vista a declaração de revelia dos demais), Harjeet e a empresa SID , cientificados da decisão de piso em 03/07/2015 (cf. despacho de fl. 2807), apresentaram recurso voluntário conjunto em 16/07/2015 (fls. 2301 a 2351), alegando, em síntese, que: (a) houve bis in idem em relação ao processo administrativo no 10814.730655/201318, que englobou os mesmos períodos e as mesmas infrações; (b) há nulidade da decisão de piso, que deveria ter se pronunciado a respeito de matéria de ordem pública: a impossibilidade de as partes figurarem no polo passivo da autuação (invocando a súmula no 430, do STJ); (c) a autuação é nula, porque calcada em presunção; (d) caso os documentos colacionados aos autos fossem considerados pelo fisco restaria clara a regularidade da operação (fl. 2316); (e) não houve auditoria contábil, fiscal ou bancária, que justificasse a imputação de ocultação do real adquirente, nas importações; (f) a imputação de subfaturamento se baseia exclusivamente em consultas de internet, sem amparo probatório, e antagônicas aos elementos constantes nos autos, não havendo cotejo dos dados arbitrários com o mundo fenomênico, existindo ainda equívoco ao se entender como falsas as faturas; e (g) as multas aplicadas são confiscatórias e sem proporcionalidade/razoabilidade. A unidade local destaca ainda (fl. 2807) que Harjeet e a empresa SID não possuíam representação válida, no processo, no momento da apresentação do recurso voluntário. Fl. 2815DF CARF MF 6 Walter e a empresa WAC (em que pese ter sido declarada sua revelia) apresentaram, também de forma conjunta, recurso voluntário em 03/08/2015 (fls. 2701 a 2752), reproduzindo argumentos de sua defesa inicialmente apresentada (neste relatório indicados pelas letras "a" a "e"), e acrescentando que: (g) não houve apresentação à empresa de documentos imprescindíveis ao exercício do contraditório e da ampla defesa; (h) não restou caracterizada a revelia, pois, ao juntar sua impugnação no módulo eCAC, a empresa verificou que o sistema se encontrava indisponível, conforme impressão de tela anexa (fl. 2769), indisponibilidade que persistiu até o dia seguinte, impossibilitando a juntada pelo referido módulo, e, em caso de indisponibilidade do sistema, por motivo técnico, o prazo fica automaticamente prorrogado para o primeiro dia útil seguinte à resolução do problema, nos termos do artigo 10, § 2o da Lei no 11.419/2006 e "Manual Simplificado do eProcesso no Portal eCAC"; (i) ainda que se configure a revelia, a matéria de ordem pública deve ser analisada; (j) o fato de 80,34% das vendas da SDI serem à WAC demonstra fidelidade, credibilidade e honradez de compromissos, e não importação por encomenda; (k) a simples existência de planilha em computador não pode dar ensejo a presunção de falsidade em fatura comercial; e (l) somente a perícia técnica poderia determinar a classificação adequada das mercadorias importadas, e, por consequência, a necessidade de licença de importação. Em 17/03/2016 o processo foi distribuído a este relator, por sorteio, tendo sido retirado de pauta em setembro de 2016, por falta de tempo hábil para julgamento, e indicado para a pauta de outubro de 2016, em sessão suspensa por determinação do CARF, assim como em novembro e dezembro do mesmo ano. Em janeiro e fevereiro de 2017, o processo também foi indicado para pauta, e retirado por falta de tempo hábil para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso apresentado por Luciana Moreira Baptista preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. 1. Do não conhecimento dos recursos apresentados por Harjeet, SID e Walter Quanto aos recursos interpostos por Harjeet e SID, e por Walter Alves Cavalcante, resta claro que tais pessoas já não compõem o contencioso, pela caracterização de revelia na fase de impugnação, não sendo partes legítimas para discutir o acórdão proferido pela DRJ, não devendo este tribunal administrativo conhecer de tais recursos voluntários. Assim, ao se analisar, aqui, a peça recursal conjuntamente apresentada por Luciana, Harjeet e a empresa SID, estáse a tomar em conta tão somente as alegações em relação a Luciana. No que se refere ao recurso voluntário apresentado por WAC, cabem algumas considerações adicionais. Fl. 2816DF CARF MF Processo nº 10314.728905/201471 Acórdão n.º 3401003.426 S3C4T1 Fl. 2.814 7 2. Da peça recursal apresentada por WAC A autuação foi cientificada à empresa WAC, inicialmente, em 10/12/2014, na sede da empresa, a funcionário, como se percebe à fl. 1991. E a tal funcionário foi entregue cópia digital integral do processo, na mesma data, conforme fl. 1992. A mesma autuação, com a mesma documentação digital em anexo, foi cientificada pessoalmente ao Sr. Walter Alves Cavalcante, em 16/12/2014, na qualidade de proprietário da WAC, como se verifica às fls. 2018/2019, e na qualidade de autuado fls. 2024/2025. Consta nos autos (às fls. 2031/2032, com data de protocolo de 23/12/2014), petição subscrita por Orenir Antonieta Dolfi, informando que na documentação digital entregue pela fiscalização não constavam as fls. 1409 a 1440, e, que, não tendo condições de verificar a íntegra da autuação, demandava a cópia das citadas folhas e a devolução do prazo para apresentação de recurso. À fl. 2033 há cópia de procuração. À fl. 2036 há cópia da Intimação no 10/2015, dirigida à WAC, demandando documento de identificação do procurador que subscreve a o requerimento protocolado em 23/12/2014 (Orenir Antonieta Dolfi), que permita sua identificação e conferência da assinatura, com alerta de que os documentos deveriam ser entregues, preferencialmente, por meio do e CAC, ou, na impossibilidade, pessoalmente, implicando a negativa de apresentação no prazo de 15 dias o não conhecimento do requerimento. Tal intimação para regularização do requerimento foi cientificada à empresa em 14/01/2015, exatamente pela própria Orenir Antonieta Dolfi, cf. termo de fl. 2038: Considerase, aqui, que a unidade local da RFB entendeu regularizada a situação da procuração, seja porque a impugnação, assinada pela mesma Orenir Antonieta Dolfi, foi conhecida e considerada intempestiva (por ter sido apresentada em 16/01/2015, quando o prazo derradeiro era 15/01/2015), seja porque a unidade local expressamente tomou em conta o requerimento de devolução de prazo para recurso, como se percebe da mensagem de encaminhamento à DRJ (fls 2161/2162): Ainda que o interessado Walter Alves Cavalcante Cabelos Naturais EIRELI não tenha apresentado a preliminar de Fl. 2817DF CARF MF 8 tempestividade, apresentou requerimento para “devolução do prazo para apresentação de recurso” tendo em vista a ausência de alguns documentos do Auto de Infração na cópia entregue a ele, fls. 2031 a 2033. (...) Diante do exposto, proponho tornar REVEL os responsáveis solidários Walter Alves Cavalcante, Shree Darshan International Ltda. EPP e Harjeet Singh; tornar REVEL o interessado Walter Alves Cavalcante Cabelos Naturais EIRELI, caso a Delegacia da Receita Federal do Brasil não acate o requerimento de fls. 20312033 e, encaminhar o processo a DRJ para julgamento. (grifos nossos) Ou seja, quando o processo foi enviado à DRJ, houve a declaração de revelia apenas de Harjeet e SID, e de Walter Alves Cavalcante, aguardandose pronunciamento da DRJ sobre o citado requerimento para que a unidade declarasse a revelia da empresa WAC. A impugnação intempestiva, com protocolo de 16/01/2016, como destacou a unidade local da RFB, não discutiu a tempestividade. E, acrescentamos, sequer discutiu a ausência dos citados documentos de fls. 1409 a 1440, ou se isto ocasionou prejuízo à defesa, não havendo nenhuma menção ao requerimento de devolução de prazo para impugnação na peça impugnatória. A DRJ, ao tratar do processo, relata (fl. 2167) que: A empresa WALTER ALVES CAVALCANTE CABELOS NATURAIS EIRELI, CNPJ 01.947.835/000116, apresentou impugnação intempestiva, em 16/12/2014 (folhas 2022), portanto também sofre os efeitos da REVELIA, na forma do artigo 54 Decreto no 7.574/2011. No voto condutor do acórdão de piso, no entanto, não há vestígios da análise do requerimento de dilação de prazo para apresentação da impugnação, por falta de acesso aos documentos de fls. 1409 a 1440. Na peça recursal apresentada conjuntamente por WAC e Walter, o tema é tratado às fls. 2704 a 2708. Afirmase que, diante da intimação para regularizar a situação da procuração, foi agendada entrega de documentos, em 07/01/2015, com comparecimento à unidade da RFB em 08/01/2015, cumprindo a intimação. No entanto, como aqui já destacado, a unidade local não endossou a ausência de representação, mas, pelo contrário, enviou o requerimento de dilação do prazo de impugnação à DRJ. Houvesse, efetivamente, ausência de representação, a unidade local sequer teria enviado os autos à DRJ, para que apreciasse documento de parte ilegitimamente representada. O problema detectado pela unidade local foi outro: a intempestividade. Mas, considerando que a DRJ poderia entender prorrogável o prazo de impugnação, a unidade local deixou de pronunciar a revelia, aguardando a manifestação específica do julgador de piso sobre o tema, que não chegou a existir. Cabe, então, indagar se deveria a DRJ ter analisado o tema, e qual seria a consequência da ausência de análise, no processo. A nosso ver, a ausência de análise do tema pela DRJ, quer tenha sido deliberada ou não, foi correta. A uma, porque o pedido de cópia das folhas faltantes e de Fl. 2818DF CARF MF Processo nº 10314.728905/201471 Acórdão n.º 3401003.426 S3C4T1 Fl. 2.815 9 prorrogação do prazo não foi a ela dirigido (e nem poderia ser por ela atendido, até por impossibilidade de fornecimento de cópias), e, derradeiramente, porque o requerimento sequer demonstra a impossibilidade de acesso às citadas fls. 1409 a 1440, ou mesmo de que forma tal eventual ausência operou prejuízo à defesa, e tampouco foi mencionado na impugnação intempestiva. É a impugnação tempestiva que instaura a fase litigiosa do procedimento, conforme artigo 14 do Decreto no 70.235/1972, de estatura legal, que rege a determinação e exigência de crédito tributário. E, como estabelece seu regulamento, veiculado pelo Decreto no 7.574/2011, em seu art. 56, § 2o: §2o Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Como mencionado, no presente caso, não foi suscitada preliminar referente a tempestividade na peça apresentada após o prazo legal de impugnação. Em nome da verdade material, verificamos que o documento de fls. 1409 a 1440, intitulado "Livro de Registro de Saídas", contém apenas cópias de notas fiscais de venda emitidas pela SID, e não acrescenta nenhum conteúdo à autuação, nem constitui alicerce para nenhum de seus argumentos, e resulta tão somente do desejo do autuante de que os sujeitos passivos tivessem acesso à íntegra do processo, tanto no que se refere à autuação e o Relatório Fiscal a ela anexo (onde efetivamente estão as razões do lançamento, o enquadramento, a base de cálculo e os demais requisitos exigidos no art. 10 do Decreto no 70.235/1972). Aliás, no Relatório Fiscal, quando se faz referência a documentos, como notas fiscais, a versão digitalizada do documento é anexada no próprio corpo do relatório. Não se tem dúvidas de que a eventual falta de acesso a tais páginas (e a própria WAC deve ter chegado a idêntica conclusão, ao sequer mencionar o tema em sua impugnação intempestiva), que sequer necessitariam ter sido cientificadas à empresa. Assim as páginas que a empresa WAC reputa (sem justificar o porquê) indispensáveis a sua defesa, e afirma não ter acessado (também sem demonstração efetiva) e que sequer foram objeto de menção pela outra impugnante (Luciana), se referem a documentos absolutamente acessórios e que em nada prejudicam ou dificultam a defesa, porque sequer figuram como fundamento no Relatório Fiscal no qual são imputadas as infrações. Esses elementos, por si, aliados ao fato de que é incontroverso ter sido a ciência da autuação em 16/12/2014, e ter sido a impugnação da empresa WAC apresentada em 16/01/2015, um dia depois do prazo legalmente permitido, são suficientes para que se reconheça ter sido correta a atitude de DRJ em não conhecer de tal impugnação. E suficientes para que, verificada a revelia, também este CARF não conheça da peça da empresa WAC apresentada a título de recurso voluntário. Mas, ainda em nome da verdade material, incumbe trazer aos autos argumento da empresa WAC, trazido inauguralmente na peça que intitula de recurso voluntário, de que teria tentado anexar sua impugnação no módulo eCAC em 15/01/2015, mas Fl. 2819DF CARF MF 10 que o sistema estaria indisponível. Como prova do alegado, a empresa colaciona cópia de tela do referido sistema, com a seguinte mensagem (fl. 2769): Tal cópia de tela até nos tentaria a converter em diligência o processo, para verificação, não fosse a data e a hora do acesso, no canto inferior esquerdo, indicando 16/01/2015, 7:44 h. Não restou demonstrada, assim, a impossibilidade de acesso no dia 15/01/2015, último dia no qual ainda poderia ter sido apresentada tempestivamente a impugnação. Não há, assim, um mínimo de plausibilidade na afirmação da empresa de que o módulo estava indisponível em 15/01/2015. Pelo exposto, entendo que não se deve conhecer da peça recursal apresentada pela WAC. Passase a analisar, então, o único recurso voluntário apresentado, pelo sujeito passivo Luciana Moreira Baptista, pois esta não tem poderes para representar pessoas diversas regularmente cientificadas da autuação, e que incorreram em revelia. 3. Da análise do recurso voluntário apresentado Os argumentos externados pela recorrente são majoritariamente distintos daqueles apresentados em sede de impugnação. É de se recordar, em relação ao exposto, o teor dos arts. 16 e 17 do Decreto no 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) Art. 17.Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. " Assim, há que se focar a presente análise nos argumentos apresentados em sede de impugnação e reiterados, ou aclarados no recurso voluntário, a não ser que os argumentos recursais se destinem a contrapor outros inauguralmente trazidos na decisão de piso. Fl. 2820DF CARF MF Processo nº 10314.728905/201471 Acórdão n.º 3401003.426 S3C4T1 Fl. 2.816 11 3.1. Das Preliminares Alega a única recorrente, em sua defesa, que houve bis in idem em relação ao processo administrativo no 10814.730655/201318, que englobou os mesmos períodos e as mesmas infrações, que houve nulidade da decisão de piso, que deveria ter se pronunciado a respeito de matéria de ordem pública: a impossibilidade de as partes figurarem no polo passivo da autuação (invocando a súmula no 430, do STJ), e que a autuação é nula, porque calcada em presunção. Em relação ao processo no 10814.730655/201318, verificamos, em nome da verdade material, em consulta ao sistema "eprocessos", que trata de auto de infração, aplicando a pena de perdimento exclusivamente em relação às mercadorias constantes da DI no 13/09787303, tendo no polo passivo a empresa WAC e outras duas pessoas jurídicas não autuadas no presente processo. Assim, a recorrente sequer é parte naquele processo, que, também na matéria não coincide com o objeto em discussão no presente processo. Cabe, por fim, informar que o processo administrativo no 10814.730655/201318 foi baixado com a apreensão e destinação das mercadorias, e enviado a arquivo em 18/11/2015. A alegação de nulidade da decisão de piso por não ter esta se pronunciado a respeito da impossibilidade de a recorrente figurar no polo passivo, a nosso ver, merece mais análise mais detida. A decisão da DRJ menciona expressamente a recorrente (Luciana) apenas em quatro ocasiões, sendo três no relatório (fl. 2166): E a única ocasião em que o julgador de piso menciona a recorrente no voto é à fl. 2207, ao tratar da empresa SID: Fl. 2821DF CARF MF 12 Efetivamente não traz o julgador de piso nenhuma motivação explícita para a manutenção da recorrente no polo passivo, ainda que seja para mencionar que a qualidade de sócio administrador bastaria para que se configurasse a teoria do domínio do fato, sobre a qual o julgador discorre, em abstrato, às fls. 2188 a 2191. De fato, a DRJ, embora traga farta manifestação sobre a participação das demais pessoas autuadas, não trata especificamente de que forma teria a única recorrente (Luciana) contribuído ou participado da fraude imputada pela fiscalização. Identificada tal ausência de manifestação, que, a nosso ver, enseja a nulidade do acórdão de piso, por cerceamento do direito de defesa, como prevê o art. 59, II do Decreto no 70.235/1972, mister se faz, antes de eventualmente retornar os autos à DRJ para que profira nova decisão em relação à impugnação tempestivamente apresentada por Luciana, verificar se está presente a situação prevista no § 3o do mesmo art. 59 do Decreto no 70.235/1972, que, por celeridade, poupa o reenvio à instância de piso se o tribunal recursal administrativo puder decidir no mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade. Nesse sentido, passo a analisar a sujeição passiva, em relação a Luciana. 3.2. Da responsabilidade solidária da recorrente No Relatório Fiscal anexo à autuação, de fls. 34 a 225, é indiscutível que Luciana é o sujeito passivo menos mencionado. A recorrente é citada como sócia administradora da empresa SID (Shree Darshan International LTDA EPP) à fl. 59: Tal informação é confirmada na tela de fl. 374: Fl. 2822DF CARF MF Processo nº 10314.728905/201471 Acórdão n.º 3401003.426 S3C4T1 Fl. 2.817 13 No entanto, no tópico 9.8.2.7 do Relatório Fiscal, intitulado "Da entrevista com o sócio da empresa Shree e das intimações e ela realizadas", todas as menções são ao sócio administrador Harjeet (fls. 143 a 151). Em tal excerto chega a haver informação de que Harjeet teria tentado, inclusive, prestar informação falsa à fiscalização (fl. 145): E, ao longo do Relatório Fiscal, há imputações específicas expressas a todos os sujeitos passivos da autuação, exceto Luciana. No tópico 12 do referido relatório, intitulado "Da responsabilidade solidária dos sócios", tratase da responsabilidade solidária prevista no art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN), atrelada ao "interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária principal", e da responsabilidade de terceiros, prevista no art. 128 da mesma codificação tributária. Tal raciocínio culmina, pela imputação fiscal, na aplicação do art. 135 do CTN (fl. 224): Fl. 2823DF CARF MF 14 Não demonstra, no entanto, o fisco, um único ato específico de gestão fraudulento, ou declaração falsa, da sócia administradora Luciana. A nosso ver, não restou evidente, como entende a fiscalização, a participação de tal pessoa física nas fraudes imputadas. E não se debruçou a fiscalização, em nenhum momento do detalhado relatório fiscal, a analisar de que forma tal sujeito passivo, que acabou sendo o único recorrente nesta fase processual, teria contribuído ou participado na prática de qualquer das infrações imputadas. A afirmação fiscal de que os benefícios percebidos com o não pagamento de tributos contribuiriam para os resultados das empresas, e por extensão, beneficiarariam as pessoas físicas responsáveis e sóciosadministradores, caracterizando o interesse comum previsto no art. 124 do CTN, levaria à discutível conclusão de que toda e qualquer autuação de pessoa jurídica deveria manter no polo passivo também os sócios administradores e responsáveis, que seriam obviamente beneficiados economicamente, ainda que de forma indireta. Não nos parece ser esse o escopo do art. 124 do CTN, sendo necessário que se demonstre o interesse comum, e não que se afirme ser este óbvio, por decorrência direta ou indireta. Quando há diversos sujeitos passivos na autuação, entendese que é dever do autuante, ao arrolálos sob tal condição, individualizar as condutas que ensejaram a aplicação das penalidades, explicando quais as atitudes de tais sujeitos que concorreram, por exemplo, para a prática das infrações detectadas. Nesse aspecto, pecou a autuação em relação à autuada Luciana, não havendo, no Relatório Fiscal, indicação individualizada das condutas que teria esta praticado, a ensejarem a aplicação de penalidades, nem detalhamento da forma pela qual tal sujeito passivo tenha concorrido para a prática da infração imputada. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, para excluir do polo passivo a Sra. Luciana Moreira Baptista. Fl. 2824DF CARF MF Processo nº 10314.728905/201471 Acórdão n.º 3401003.426 S3C4T1 Fl. 2.818 15 Rosaldo Trevisan Fl. 2825DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.002949/2008-30
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 ARBITRAMENTO DO LUCRO.CABIMENTO. Na falta da apresentação de livros e documentos, cabível a figura do arbitramento. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ERROS, VÍCIOS E DEFICIÊNCIAS NA ESCRITURAÇÃO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DA RECEITA. Tendo a acusação fiscal indicado a ocorrência de erros, vícios e deficiências na escrituração do sujeito passivo, inclusive a não escrituração da receita do período, e não tendo a recorrente trazido aos autos provas que pudessem infirmar a acusação fiscal, cabível o arbitramento do lucro, pois tais fatos se subsumem ao disposto no art. 530 do RIR/99. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A legislação vigente autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEMAIS TRIBUTOS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção das exigências fiscais decorrentes dos mesmos fatos.
Numero da decisão: 1803-001.397
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2057; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 1 1 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.002949/200830 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180301.397 – 3ª Turma Especial Sessão de 4 de julho de 2012 Matéria IRPJ Recorrente URSIMAR CONSTRUTORA E INCORPORADORA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005 ARBITRAMENTO DO LUCRO.CABIMENTO. Na falta da apresentação de livros e documentos, cabível a figura do arbitramento. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ERROS, VÍCIOS E DEFICIÊNCIAS NA ESCRITURAÇÃO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DA RECEITA. Tendo a acusação fiscal indicado a ocorrência de erros, vícios e deficiências na escrituração do sujeito passivo, inclusive a não escrituração da receita do período, e não tendo a recorrente trazido aos autos provas que pudessem infirmar a acusação fiscal, cabível o arbitramento do lucro, pois tais fatos se subsumem ao disposto no art. 530 do RIR/99. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A legislação vigente autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEMAIS TRIBUTOS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção das exigências fiscais decorrentes dos mesmos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 2 (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Viviani Aparecida Bacchmi, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “No "Termo de Verificação Fiscal" TVF (f. 445 a 449), a fiscalização revela que a contribuinte opera no ramo da construção civil e, no período fiscalizado, submeteuse à tributação com base no lucro presumido nos anoscalendário de 2003 e 2004. No ano calendário de 2005 optou pelo lucro real trimestral. A ação fiscal teve início em 26/11/2007, ocasião em que a contribuinte foi intimada a apresentar seus livros fiscais e comerciais (f. 105). Em 22/01/2008, a fiscalizada solicitou adiamento da entrega dos livros e demais documentos para 31/01/2008, tendo entregado extratos da contacorrente 9.997X, mantida junto à agência 14893 do Banco do Brasil. Em 30/01/2008, a contribuinte entregou seu contrato social e alterações, boletim de ocorrência relatando o extravio dos livros e documentos que menciona (f. 156/173), e os livros diário e razão referentes aos anoscalendário de 2004 a 2006. Em 12/02/2008, a fiscalizada foi intimada a comprovar a origem dos recursos utilizados nos depósitos havidos em sua conta corrente. Em 22/02/2008, solicitou prorrogação do prazo para responder a intimação. Para justificar os citados créditos bancários, a fiscalizada apresentou documento em que declara que recebeu empréstimos de pessoas físicas nos anoscalendário 2003 e 2005 (f. 313). Apresentou ainda contratos de mútuo firmados entre as partes (f. 315/350) e respectivas procurações (f. 351/354). Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10909.002949/200830 Acórdão n.º 180301.397 S1TE03 Fl. 2 3 A fiscalização manifestouse pela insuficiência probatória dos documentos apresentados, de forma que considerou decorrente de receitas omitidas os depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, com fulcro no art. 42 da Lei n° 9.430/96. Além disso, a fiscalização identificou operações imobiliárias por meio de Declarações sobre Operações Imobiliárias — DOI, cujas receitas também foram levadas à tributação. Duas operações puderam ser associadas aos créditos bancários, de modo que as mesmas foram consideradas receitas apuradas materialmente e não por presunção legal de que trata o retro mencionado art. 42. Em relação aos três anoscalendário, a fiscalização promoveu o arbitramento do lucro. No que se refere ao ano de 2003, a fiscalização sustenta o entendimento de que a simples alegação de livros e documentos que ampara a escrituração contábil e fiscal não é suficiente para descaracterizar o arbitramento do lucro, principalmente quando o contribuinte não comunicou o fato, à época do ocorrido, à Receita e nem refez a escrituração. Ressalta que a declaração de rendimentos foi apresentada com informação de receita em branco. Enquadra o arbitramento do lucro, na hipótese prevista no inciso III do art. 530 do RIR/99. Relativamente ao ano de 2004, a escrituração representada pelos livros razão e diário seria imprópria para a apuração do lucro presumido, por não constar o registro da conta de receita 02001. Além disso, a escrituração da conta bancária não permite identificar o histórico dos lançamentos de cheques emitidos e saques com cartão. Deste modo, a fiscalizada não teria mantido a escrituração em boa ordem e segundo as normas contábeis, o que justificaria o arbitramento do lucro a teor do inciso VI do art. 530 do RIR199. Finalmente, com relação ao ano de 2005, foram apuradas as mesmas irregularidades relatadas para a escrituração do ano calendário de 2004, o que ensejaria o arbitramento do lucro, com base na alínea "h" do inciso II; do art:530 do RIR/99. Por entender que o procedimento adotado pela fiscalizada de apresentar declarações de rendimentos sem informações de receitas, bem como DCTF’s sem débito tributário, configura, em tese, crime contra a Ordem Tributária, como estabelecido na Lei n° 8.137/90, a fiscalização formalizou Representação Fiscal para Fins Penais, através do processo administrativo n° 10909.002950/200864. Além disso, a apresentação de documentação montada posteriormente à intimação, para justificar créditos ocorridos em conta bancária, configuraria falsidade ideológica, conforme art. 299 do Código Penal. Inconformada, a autuada apresentou a impugnação de f. 452 a 465, na qual apresenta, em síntese, os seguintes argumentos: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 4 Do arbitramento do lucro Com relação ao anocalendário de 2003, a empresa impugnante informou o extravio de toda a documentação referente àquele período (Boletim de ocorrência n°00132 200801793 anexo), razão pela qual a fiscalização determinou o imposto com base no lucro arbitrado; No que tange ao anocalendário de 2004, a fiscalização considerou a escrita imprópria para a apuração do lucro presumido. No entanto, tal situação é insustentável, pois, como é cediço, o arbitramento do lucro é medida excepcional que só deve ser aplicada quando a escrituração entregue para exame apresenta vícios e irregularidades que impedem a quantificação do resultado do exercício, o que não é o caso dos autos, eis que com a documentação apresentada (Livros Razão e Diário) é possível efetuar a apuração do lucro, refletindo exatamente a receita auferida pela empresa naquele período; Além disso, as deficiências apontadas pelo agente fiscal (ausência da conta receita 2001 e/ou falta de discriminação da finalidade dos cheques emitidos e saques com cartão) não possuem o condão de desclassificação da escrituração levada a exame, conforme entendimento consagrado pelo E. Conselho de Contribuintes nas ementas a seguir transcritas: RECURSO EX OFFICIO. ARBITRAMENTO DE LUCRO — FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE DEPÓSITOS E/OU CONTAS CORRENTES BANCÁRIAS INAPLICABILIDADE — Reiterada e incontroversa é a jurisprudência administrativa no sentido de que o arbitramento do lucro, em razão das conseqüências tributáveis a que conduz, é medida excepcional, somente aplicável quando no exame de escrita a Fiscalização comprova que as falhas apontadas se constituem em fatos que, camuflando expressivos fatos tributáveis, indiscutivelmente, impedem a quantificação do resultado do exercício. A falta de escrituração de depósitos bancários ou mesmo de contas correntes bancárias não são suficientes para sustentar a desclassificação da escrituração contábil e o conseqüente arbitramento dos lucros (Ac. 10196210, sessão de 14/06/2007). IRPJ — ARBITRAMENTO — FALTA DO LIVRO DIÁRIO — POSSIBILIDADE DE FISCALIZAÇÃO PELO LIVRO RAZÃO — O arbitramento deve ser aplicado apenas na hipótese da fiscalização não conseguir promover seus trabalhos, em razão da ausência de livros ou escrituração. Se o contribuinte mantém o Livro Razão devidamente escriturado e a documentação correspondente, é possível ao Agente Fiscal da Receita Federal efetuar a fiscalização da apuração do Lucro Real (Ac. 108 07265, sessão de 29/01/2003). Apenas a título de esclarecimento, oportuno informar que a impugnante supriu a omissão, procedendo à escrituração da conta receita 2001 que estava oculta nos livros Razão, conforme denotase da documentação anexa (livro Razão Analítico referente aos lançamentos de 01/01/04 até 31/12/04); Quanto ao anocalendário de 2005, constatase que a fiscalização adotou o mesmo procedimento que em relação a 2004, contudo, mais uma vez equivocouse a autoridade fiscal. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10909.002949/200830 Acórdão n.º 180301.397 S1TE03 Fl. 3 5 Como demonstrado no tópico anterior, a ausência de conta receita na qual eram lançados os créditos referentes às vendas de apartamentos efetivados no exercício, não é motivo para desclassificar a escrituração apresentada, uma vez que as operações estavam demonstradas nos livros Diário e Razão, bem como nas contas de Caixa e Bancos, sendo perfeitamente possível efetuar a apuração com base nas informações neles contidas; Além disso, a impugnante já sanou a deficiência procedendo a escrituração da referida conta receita, conforme denotase da documentação anexa (livro Razão Analítico referente aos lançamentos de 01/01/05 a 31/12/05); Por sua vez, no que tange a alegada ausência de entrega do LALUR, livro obrigatório para as empresas optantes pelo lucro real, é sabido que sua ausência também não gera a desclassificação da escrituração contábil, conforme denotase da jurisprudência do E.Conselho de Contribuintes: IRPJ – ARBITRAMENTO DE LUCRO – FALTA DE ESCIRUTAÇÃO DO LALUR – Reiterada e incontroversa é a jurisprudência administrativa no sentido de que o arbitramento do lucro, em razão das conseqüências tributáveis a que conduz, é medida excepcional, somente aplicável quando no exame de escrita a Fiscalização comprova que as falhas apontadas se constituem em fatos que, camuflando expressivos fatos tributáveis, indiscutivelmente, impedem a quantificação do resultado do exercício. A simples falta de escrituração do LALUR, sem demonstrar a ocorrência do efetivo prejuízo para o Fisco, não é suficiente para sustentar a desclassificação da escrituração contábil e o conseqüente arbitramento dos lucros (Ac. 10196969, sessão de 05/12/2007). Da apuração de receita omitida com base em depósito bancário A pretensa omissão de receitas é juridicamente insustentável, eis que afronta a legislação pertinente, bem como a jurisprudência administrativa e judicial que já consagraram o entendimento de que o depósito ou extrato bancário, por si só, não é fato gerador do imposto de renda; Neste contexto, no acórdão CSRF/011.898/95, da Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscal, extraise do voto condutor que "o depósito bancário não é fato gerador do imposto", diversamente, portanto, do procedimento adotado pela autoridade fiscal; Mesmo considerando as alterações introduzidas na legislação examinada no acórdão acima, quer através do § 5°, do art. 6° da Lei n° 8.021, de 1990, quer através do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, nenhuma das alterações admitem o lançamento com base, pura e simplesmente, no depósito bancário, consoante nos dão conta as ementas dos acórdão dos E.Primeiro Conselho de Contribuintes a seguir especificados: Fl. 5DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 6 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. — O saldo dos depósitos bancários por si só não é passível de tributação. Tributáveis seriam os valores para eles desviados se provado que estando eles sujeitos à incidência, o Fisco comprovasse não haverem transitado pela conta de resultados (1° CC ac. 10193.769, de 20/03/2002). IRPJ. SISTEMAS SIGA E SIAFI. VENDAS E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A ÓRGÃOS PÚBLICOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS.OMISSÃO DE RECEITA. INDÍCIO HOMINIS. INSUBSISTÊNCIA ACUSATÓRIA. Se o depósito bancário havido em conta corrente contemplada na escrituração não fora registrado, a hipótese remete o seu autor a questionar a contabilização da receita defluente de venda de bens ou serviços. Demonstrada a não escrituração dos ingressos, tributase estes e não aquele, por omissão de receita de venda. A tributação do indício não deve se materializar quando se está diante da inquestionável infração que para ele se conflui ou nele se abriga (1° CC ac. 10320.574, de 19/04/2001). DEPÓSITOS BANCÁRIOS — Os depósitos bancários, embora possam indicar auferimento de renda, não caracterizam, por si só, disponibilidade de rendimentos, cabendo à fiscalização demonstrar nexo causal para caracterizar omissão de rendimentos. Lançamento calcado em depósito bancário somente é admissivel quando provado o vínculo do valor depositado com a omissão de receita que o originou (Ac. CSRF/01.02689, de 10/05/1999). No mesmo sentido é o entendimento dos Egrégios Tribunais Pa'trios, conforme denotase das ementas a seguir transcritas: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. AUTUAÇÃO COM BASE APENAS EM EXTRATOS BANCÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE.SÚMULA 182/TFR É ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos bancários (Súmula 82/7'FR) — (STJ— Primeira Turma — Resp 238356/CE — Rei Min Humberto Gomes de Barros — set/2000) TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. AUTUAÇÃO COM BASE APENAS EM EXTRATOS BANCÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 182/TFR. É ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos bancários (Súmula 82/7'FR) — (STJ— Primeira Turma — Resp 238356/CE — Rel Min Humberto Gomes de Barros — Nem se diga que o procedimento adotado pela fiscalização tem respaldo no art.42 e §§ da Lei n° 9.430, de 1996, que instituiu presunção legal, pela qual atribuiu ao contribuinte o ônus de provar que os valores creditados não se referem a receitas omitidas, eis que, mesmo a presunção criada a favor do fisco, não afasta a tese de que, em princípio, os depósitos bancários não representam, por si só, disponibilidade econômica de rendimentos; Não obstante, caso mantida a exigência fiscal com base apenas na movimentação bancária da empresa, devese, no mínimo, levar em consideração os empréstimos recebidos pela empresa no anocalendário de 2003, para fins de abatimento da base de cálculo do imposto, tendo em vista que, a efetivação dos Fl. 6DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10909.002949/200830 Acórdão n.º 180301.397 S1TE03 Fl. 4 7 empréstimos encontrase regularmente demonstrada pelos depósitos bancários, corroborados pelos contratos de mútuos apresentados e pelas declarações retificadoras dos mutuantes; Também devem ser abatidos da apuração realizada pela fiscalização os pagamentos de tributos realizados pelo contribuinte, conforme denotase da relação de pagamentos fornecida pelo sistema de informações da própria Receita Federal; Da multa com caráter confiscatório A penalidade imputada revestese de ilegalidade por ultrapassar em muito os lindes do próprio tributo, o que enseja o enriquecimento ilícito do Estado em detrimento do contribuinte, ferindolhe o pleno direito de propriedade e a sua capacidade econômica pela via do confisco. A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, com base em decisão assim ementada: “ARBITRAMENTO DE LUCROS. INEXISTÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL.CABIMENTO. ANO CALENDÁRIO 2003. A inexistência de livros e documentos da escrituração comercial e fiscal impõe o arbitramento do lucro da pessoa jurídica. ARBITRAMENTO DE LUCROS. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL. CABIMENTO. ANOSCALENDÁRIO 2004/2005. Aplicável é o arbitramento do lucro quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte contiver vícios, erros ou deficiências que a tomem, imprestável para identificar a efetiva movimentação 'financeira, inclusive bancária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Reforça este entendimento o fato de a pessoa jurídica nem mesmo possuir regular escrituração contábil e fiscal, e utilizar se somente de provas inábeis. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS —ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes Fl. 7DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 8 para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS E COFINS. Sempre que o fato se enquadrar ao mesmo tempo na hipótese de incidência de mais de um tributo ou contribuição, as conclusões quanto a ele aplicarseão igualmente no julgamento de todas as exações.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, além de reiterar as alegações contidas na impugnação, acrescenta as seguintes considerações: a) Admitindose a não prevalência das teses sustentadas nos tópicos acima, o que realmente não se acredita, merece destaque, ainda, o não preenchimento dos pressupostos para enquadramento da multa na ordem fixada, bem como o caráter confiscatório da multa no patamar de 75% sobre o valor do crédito supostamente indevido. b) A penalidade imputada revestese de ilegalidade por ultrapassar em muito os lindes do próprio tributo, o que enseja o enriquecimento ilícito do Estado em detrimento do contribuinte, ferindolhe o pleno direito de propriedade e a sua capacidade econômica pela via do confisco. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 12/06/2009 (AR de fls. 487). O recurso foi protocolado em 07/07/2009, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. A recorrente praticamente reproduziu as alegações contidas na impugnação, tendo suprimido no recurso as considerações acerca do caráter confiscatório da multa de ofício, explicitadas no item II.6 da impugnação. No recurso não foram contestados os fundamentos da decisão recorrida, nem tampouco expostos os motivos pelos quais a recorrente entendeu que que o caso não foi analisado corretamente. Os fatos coligidos aos autos falam por si só: Ano calendário de 2003 • Não foram apresentados os livros diário e razão. • Depósitos bancários no valor de R$ 540.537,97, DIPJ/2004 com receitas zeradas (fls. 7) e DCTF’s zeradas (fls. 449). Fl. 8DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10909.002949/200830 Acórdão n.º 180301.397 S1TE03 Fl. 5 9 • Só em 18/01/2008 foi formalizado boletim de ocorrência. Nele não consta informação sobre a data do extravio. O boletim foi efetuado após o início da fiscalização. • O reconhecimento das firmas ns contratos de mútuo apresentados para justificar a origem do depósito bancário foram efetuados após a data da intimação para comprovação da origem dos recursos. • O credor no contrato de mútuo no valor de R$ 355.100,00 – Francisco Gregório Ledezma não declarou o empréstimo na DIRPF/2004. • O credor no contrato de mútuo no valor de R$ 153.600,00 – Alfredo Horácio Vargas – retificou sua declaração em 25/03/2008, para nela incluir os créditos com a Ursimar. • Não há como verificar se os empréstimos foram contabilizados, uma vez que a escrituração não foi apresentada. Ano calendário 2004 • Depósitos bancários no valor de R$ 216.000,00, DIPJ/2005 com receitas zeradas (fls. 45) e DCTF’s zeradas (fls. 449). • Foi apurado que o depósito no valor de R$ 155.000,00, em 07/04/2004 referiase a alienação à vista de apartamentos. Por isso, tal valor foi tributado como receita operacional omitida – receita de venda imóveis. • Não foi apresentada qualquer justificativa para a origem dos depósitos bancários. • Não foi contabilizada a conta de receita 02001, ou seja, a escrituração omite a receita auferida no período. • A recorrente apenas corrigiu a escrituração, incluindo a receita omitida, por ocasião da impugnação, ou seja, após a lavratura do auto de infração. Ano calendário 2005 • Depósitos bancários no valor de R$ 707.595,82, DIPJ/2005 com receitas zeradas (fls. 42) e DCTF’s zeradas (fls. 449). • Foi apurado que o depósito no valor de R$ 110.000,00, em 25/11/2005 referiase a alienação à vista de apartamentos. Por isso, tal valor foi tributado como receita operacional omitida – receita de venda imóveis. • O credor no contrato de mútuo no valor de R$ 215.000,00 – Francisco Gregório Ledezma não havia declarado o empréstimo na DIRPF/2006, tendo retificadoa apenas em 25/03/2008. • O credor no contrato de mútuo no valor de R$ 65.000,00 – Alfredo Horácio Vargas – não declarou o empréstimo na DIRPF/2006. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 10 • A sócia Giana Kaspareit apenas declarou empréstimo a Ursimar, no valor de R$ 110.000,00, em retificadora entregue em 24/03/2008. • Os empréstimos não foram contabilizados. • Não foi contabilizada a conta de receita 02001, ou seja, a escrituração omite a receita auferida no período. • A recorrente apenas corrigiu a escrituração, incluindo a receita omitida, por ocasião da impugnação, ou seja, após a lavratura do auto de infração. Tanto a fiscalização, como a decisão recorrida aplicaram corretamente os dispositivos legais pertinentes à matéria. A decisão de primeira instância deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos, a seguir reproduzidos como razões de decidir do presente voto: “No que pertine à escrituração do anocalendário de 2003, a impugnante apresentou o Boletim de Ocorrência de f. 173, registrado junto à Polícia Civil, dando conta de que extraviou "livros fiscais e contábeis, declarações e comprovantes da empresa Ursimar Construtora e Incorporadora Ltda. do ano de 2003 e anteriores". Referido documento só foi produzido em 18/01/2008, após o inicio da ação fiscal, de modo que a autuada não observou o previsto no § 1° do art. 264 do RIR/99, que prescreve o seguinte: (...) Como se vê, a manifestação da autuada foi totalmente intempestiva, deixando dúvida quanto à veracidade do que declarou. De qualquer forma, a falta de apresentação da escrituração contábil e fiscal, impõe o arbitramento do lucro, nos termos .do inciso III, do art.530 do RIR/99. Em relação aos anoscalendário de 2004 e 2005, embora a impugnante pretenda minimizar os efeitos da falta de escrituração da conta de receita e identificação de operações bancárias, essas deficiências são, sim, hipóteses que determinam o arbitramento do lucro. É de se reconhecer que o arbitramento do lucro é medida drástica, mas que, na situação encontrada, mostrase como única forma possível de apurar a matéria tributável. É de se atentar para o que está expresso no inciso II do citado art. 530, ou seja, a escrituração não poderá apresentar erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive a bancária. Este dispositivo foi amplamente desrespeitado pela autuada, posto que não identificou devidamente os cheques emitidos, saques, nem diversos depósitos bancários. Estes serão objeto de análise no item seguinte. A impugnante também não apresentou o LALUR, relativamente ao ano de 2005, denotando mais uma vez que não era hábito da Fl. 10DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10909.002949/200830 Acórdão n.º 180301.397 S1TE03 Fl. 6 11 contribuinte manter a escrituração em boa ordem, como determina a legislação comercial e fiscal. Percebese assim que a apresentação, em sede de impugnação, do livro Razão com o registro da conta receita, não tem o condão de modificar este entendimento, porque os motivos do arbitramento não se resumem à falta de escrituração desta conta, mas também à profusão de deficiências na escrituração da movimentação financeira e bancária. É de se ressaltar também que, nestas circunstâncias, a apresentação da documentação solicitada, posteriormente à autuação, não tem o condão de infirmar o regime de tributação adotado pela fiscalização, posto que o procedimento de arbitramento não é condicional, ou seja, não fica sujeito à apresentação intempestiva da documentação solicitada. Deste modo, ante a imprestabilidade da escrituração, não restava outra alternativa, senão proceder ao arbitramento do lucro também em relação aos anoscalendário de 2004 e 2005. (...) É que no período em que vigorou o disposto no art. 6°, § 5°, da Lei n° 8.021/90 (transcrito abaixo), de fato, se exigia do fisco a demonstração de que existia um nexo causal entre os depósitos bancários cuja origem não fosse comprovada e a ocorrência de omissão de receitas. Entretanto, essa norma foi expressamente revogada pelo art. 88 da Lei n° 9.430/96. (...) A partir da vigência do art. 42 da Lei n° 9.430/96, basta que o fisco apure a existência de depósitos bancários cuja origem não seja comprovada pelo contribuinte, para se estabelecer a presunção de que eles correspondem a receitas omitidas pelo titular da conta bancária. Nesta hipótese, cabe ao acusado demonstrar a improcedência da presunção. A figura da presunção legal é prevista na legislação em determinadas circunstâncias, em que o legislador reduz o ônus probatório a cargo do fisco. Assim, por exemplo, existe a presunção de ocorrência de receita omitida quando é apurada a falta de escrituração de pagamentos (RIR/99, art. 281, II); há presunção de pagamento de rendimento a pessoas ligadas quando o contribuinte não comprova o beneficiário ou a causa de pagamento (RIR199, art. 674). No caso do art. 42 em análise, o legislador procurou imputar maior carga probatória ao titular da conta bancária, que é afinal quem mais possui condições de esclarecer a que se devem os depósitos realizados em sua conta. Os precedentes administrativos e judiciais apontados pela impugnante referemse, em sua maioria, a períodos anteriores à Fl. 11DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 12 vigência da Lei n° 9.430, publicada em 30/12/1996, de modo que não podem ser aproveitados como pretende a impugnante. Quanto à hipótese aventada no precedente representado pela ementa que diz que a fiscalização teria que provar que os valores depositados não transitaram por conta de resultado, tal entendimento não se aplica ao caso em concreto, pois a escrituração mantida pela contribuinte foi desclassificada, por imprestável, determinando o arbitramento do lucro. No que respeita ao pretendido acolhimento dos contratos de mútuo para fins de comprovação da origem dos depósitos bancários, é oportuno mencionar o relatado pela fiscalização: (...) Como se vê do relatado, os contratos de mútuo apresentados não se prestam a comprovar a origem dos respectivos depósitos bancários, porque estão associados à mesma conduta indicativa de que foram produzidos posteriormente à intimação fiscal. À evidência, apresentam datas de reconhecimento de firma posteriores à intimação fiscal, mesma época em que foram realizadas retificações das declarações de rendimentos dos supostos mutuantes, para incluir os montantes envolvidos. Portanto, esses documentos carecem de força probante, ou seja, são inábeis para o que pretende a impugnante. Ainda que não houvesse o citado problema de datas, tais documentos não seriam suficientes para comprovação do efetivo desembolso pelos supostos mutuantes, caracterizando assim a ineficácia prob ante desses documentos. Por fim, no que se relaciona à dedução de valores pagos (extrato de f. 473),constatase que foram eles deduzidos dos valores apurados pela fiscalização, conforme demonstrativos de f. 402 — IRPJ, e 434 — CSSL. (...) Sempre que o fato se enquadrar ao mesmo tempo na hipótese de incidência de mais de um tributo ou contribuição, as conclusões quanto a ele aplicarseão igualmente no julgamento de todas as exações. Assim, quanto aos lançamentos decorrentes, aplicase a mesma conclusão em relação ao lançamento de IRPJ, ou seja, são procedentes.” Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 12DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10909.002949/200830 Acórdão n.º 180301.397 S1TE03 Fl. 7 13 Fl. 13DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 11516.722207/2011-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2007 a 30/11/2008
PREVIDENCIÁRIO. NORMAS PROCEDIMENTAIS. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS. NECESSIDADE.
A compensação levada a efeito pelo contribuinte extingue o crédito tributário, nos termos do artigo 156, inciso II, do CTN, conquanto que observados os limites impostos na sentença judicial que garantiu o crédito e o direito a compensar.
Somente as compensações procedidas pela contribuinte com estrita observância da legislação previdenciária, especialmente o artigo 89 da Lei n° 8.212/91, bem como pagamentos e/ou recolhimentos de contribuições efetivamente comprovados, deverão ser considerados pelo fisco quando da lavratura de Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos.
COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao sujeito passivo comprovar a liquidez e a certeza do seu direito creditório utilizado no procedimento de compensação de contribuições previdenciárias.
PROVA PERICIAL. CONVICÇÃO DO JULGADOR. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de perícia ou de diligência quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerá-las prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas
APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDO DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. PEDIDO INÓCUO.
Por ser um benefício concedido pela legislação processual tributária, não há necessidade de se pedir no recurso a suspensão da exigibilidade do crédito.
Numero da decisão: 2401-004.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Larceda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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NORMAS PROCEDIMENTAIS. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS. NECESSIDADE. A compensação levada a efeito pelo contribuinte extingue o crédito tributário, nos termos do artigo 156, inciso II, do CTN, conquanto que observados os limites impostos na sentença judicial que garantiu o crédito e o direito a compensar. Somente as compensações procedidas pela contribuinte com estrita observância da legislação previdenciária, especialmente o artigo 89 da Lei n° 8.212/91, bem como pagamentos e/ou recolhimentos de contribuições efetivamente comprovados, deverão ser considerados pelo fisco quando da lavratura de Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao sujeito passivo comprovar a liquidez e a certeza do seu direito creditório utilizado no procedimento de compensação de contribuições previdenciárias. PROVA PERICIAL. CONVICÇÃO DO JULGADOR. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia ou de diligência quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerálas prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDO DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. PEDIDO INÓCUO. Por ser um benefício concedido pela legislação processual tributária, não há necessidade de se pedir no recurso a suspensão da exigibilidade do crédito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 22 07 /2 01 1- 14 Fl. 356DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Larceda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 11516.722207/201114 Acórdão n.º 2401004.742 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório TUBARÃO PREFEITURA, contribuinte, pessoa jurídica de direito público, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 5a Turma da DRJ em Florianópolis/SC, Acórdão nº 0734.155/2014, às efls. 323/329, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente à glosa de compensação indevida, em relação ao período de 10/2007 a 11/2008, conforme Relatório Fiscal, às efls. 03/10, consubstanciado no seguinte Auto de Infração: AI DEBCAD 37.310.0760 – no valor de R$ 11.552.151,18 – correspondente à glosa de compensação indevida no período de 10/2007 a 11/2008. Em razão da sentença exarada na Ação Revisional – Processo Judicial nº 2001.72.07.0024622 o juiz determinou que a Autarquia procedesse à revisão dos parcelamentos relativamente às Notificações Fiscais de Lançamento de Débito NFLD nºs. 31.339.9948; 31.630.9079; 31.330.9956; 31.638.5487; 32.638.5495; 32.638.5525; 35.059.8932; 35.084.9838 e 55.702.0506, com o objetivo de excluir de seus montantes os valores referentes às contribuições previdenciárias dos servidores públicos municipais ocupantes de cargos de provimento efetivo, cargo em comissão até 15/12/1998 e exercentes de função temporária da Secretaria de educação a partir de 01/01/1994 até 15/12/1998. Em atendimento à determinação judicial, o INSS/Receita Federal comandou três diligências junto a Prefeitura Municipal de Tubarão que, segundo consta dos autos, restou sem sucesso porque não foi disponibilizada a documentação necessária para analise pretendida. Já em contrapartida o sujeito passivo acionou judicialmente a DRF para cumprimento da decisão judicial, o que levou a Procuradoria da Fazenda Nacional a solicitar esclarecimentos. Diante da informação de que a Prefeitura não havia atendido as solicitações para apresentação da documentação necessária, a PFN peticionou em juízo para que todos os documentos solicitados pela autoridade fiscal fossem juntados aos autos da ação judicial. Dado que as solicitações continuaram sendo não atendidas, a Prefeitura Municipal de Tubarão teve o processo arquivado em 20/01/2010. Verificado que a Prefeitura efetuou compensações no período de 10/2007 a 11/2008, no montante de R$ 7.815.466,58, foi aberto o presente MPF (nº 09.20100.2011.00085) para que fosse apresentado, dentre outros documentos, o demonstrativo analítico das compensações realizadas. O não atendimento às intimações impossibilitou a realização da analise nas contribuições patronais incidentes sobre a remuneração dos empregados, do contribuinte individual e do transportador rodoviário autônomo. Tal fato ensejou a emissão dos autos de infração pela glosa de compensações indevidas e por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 358DF CARF MF 4 Inconformada com a Decisão recorrida a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 331/340, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as alegações da impugnação, esclarecendo que a origem dos fatos foi o ajuizamento da Ação Revisional, no ano de 2001, ocorrendo o transito em julgado em 21/05/2003. Explicita ter o Município elaborado um Laudo Pericial Contábil, (por meio de consultoria especializada), documento constante no Procedimento de Fiscalização, nos termos da sentença e observando toda a documentação necessária para a liquidação, presentes no caderno processual, de vasto conhecimento do INSS/RECEITA FEDERAL, e concluiuse haver um crédito a seu favor no importe de R$ 7.240.236,26 em 15/07/2008, laudo este entregue ao Auditor Fiscal. Defende que realizou as compensações declaradas em GFIP em cada competência, no período de 10/2007 a 11/2008, tudo dentro da legalidade. Sustenta que a discussão sob análise está na via judicial sendo obrigação da Autarquia a revisão dos parcelamentos referentes aos autos de infração nºs. 31.339.9948; 31.630.9079; 31.330.9956; 31.638.5487; 32.638.5495; 32.638.5525; 35.059.8932; 35.084.9838 e 55.702.0506, e que, portanto, o presente processo deve ser julgado improcedente dado a prevalência da decisão judicial sobre administrativa. Infere servir o lançamento para desobrigar a Autarquia ao cumprimento da determinação judicial e que não há na Ação Judicial nº 2001.72.07.0024612 ordem determinando que o Município exiba qualquer documento, levandose a crer que os documentos constantes no processo judicial, juntamente com as informações das contribuições previdenciárias existentes nos cadastros da Autarquia são suficientes para precederse a liquidação. Prossegue apresentando razões contrárias aos autos de infração de obrigação acessória, relativamente ao processo nº 11.516.722208/201151. Por fim, requer a suspensão do crédito tributário até a decisão final administrativa; que seja declarado nulo o presente auto de infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 11516.722207/201114 Acórdão n.º 2401004.742 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. COMPENSAÇÃO Explicita ter o Município elaborado um Laudo Pericial Contábil, (por meio de consultoria especializada), documento constante no Procedimento de Fiscalização, nos termos da sentença e observando toda a documentação necessária para a liquidação, presentes no caderno processual, de vasto conhecimento do INSS/RECEITA FEDERAL, e concluiuse haver um crédito a seu favor no importe de R$ 7.240.236,26 em 15/07/2008, laudo este entregue ao Auditor Fiscal. Defende que realizou as compensações declaradas em GFIP em cada competência, no período de 10/2007 a 11/2008, tudo dentro da legalidade. Sustenta que a discussão sob análise está na via judicial sendo obrigação da Autarquia a revisão dos parcelamentos referentes aos autos de infração nºs. 31.339.9948; 31.630.9079; 31.330.9956; 31.638.5487; 32.638.5495; 32.638.5525; 35.059.8932; 35.084.9838 e 55.702.0506, e que, portanto, o presente processo deve ser julgado improcedente dado a prevalência da decisão judicial sobre administrativa. Infere servir o lançamento para desobrigar a Autarquia ao cumprimento da determinação judicial e que não há na Ação Judicial nº 2001.72.07.0024612 ordem determinando que o Município exiba qualquer documento, levandose a crer que os documentos constantes no processo judicial, juntamente com as informações das contribuições previdenciárias existentes nos cadastros da Autarquia são suficientes para precederse a liquidação. Em que pesem as alegações da contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que a decisão recorrida apresentase incensurável, devendo ser mantida em sua plenitude. De conformidade com o artigo 156, inciso II, do Códex Tributário, de fato, a compensação levada a efeito pelo contribuinte, conquanto que observados os requisitos legais, é modalidade de extinção do crédito tributário, senão vejamos: “Art. 156. Extinguem o crédito tributário: [...]II – a compensação; [...]” Com mais especificidade, o artigo 170, do mesmo Diploma Legal, ao tratar da matéria atribui à lei o poder de disciplinar referido procedimento, nos seguintes termos: Fl. 360DF CARF MF 6 “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Em atendimento aos preceitos contidos no dispositivo legal encimado, o artigo 89 da Lei nº 8.212/91, contemplou a compensação no âmbito do INSS, determinando que somente poderão ser compensados os débitos previdenciários com créditos relativos às contribuições para a Seguridade Social arrecadadas pelo INSS (as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço, as dos empregadores domésticos e as dos trabalhadores) recolhidas de forma indevida ou a maior, in verbis: “Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. § 1º Admitirseá apenas a restituição ou a compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. § 2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c", do parágrafo único do art. 11 desta lei. [...]” Após a unificação das Secretarias das Receitas Previdenciária e Federal, em Receita Federal do Brasil (“Super Receita”), as contribuições previdenciárias passaram a ser administradas pela RFB que, em curto lapso temporal, compatibilizou os procedimentos fiscalizatórios e, por conseguinte, de constituição de créditos tributários e pedidos de restituição e/ou compensação, conforme alterações na legislação introduzidas pela Lei nº 11.941/2009, uma das quais em relação ao dispositivo legal retro que passou assim estabelecer: “Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 4o O valor a ser restituído ou compensado será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subseqüente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês Fl. 361DF CARF MF Processo nº 11516.722207/201114 Acórdão n.º 2401004.742 S2C4T1 Fl. 5 7 anterior ao da compensação ou restituição e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 6o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 7o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 8o Verificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005). § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 11. Aplicase aos processos de restituição das contribuições de que trata este artigo e de reembolso de saláriofamília e salário maternidade o rito previsto no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).” Observese, que os dispositivos legais acima transcritos são bem claros, não deixando margem de dúvidas a respeito do tema. Com efeito, dentre outros requisitos a serem estabelecidos pela Receita Federal, é premissa básica que a compensação somente poderá ser levada a efeito quando devidamente comprovado o pagamento e/ou recolhimento indevido. Em outras palavras, exigese, portanto, que o direito creditório que a contribuinte teria utilizado para efetuar as compensações com débitos previdenciários seja líquido e certo, passível de aproveitamento. Não se pode partir de um pretenso crédito para se promover compensações, ainda que, em relação ao direito propriamente dito, o requerimento da contribuinte esteja devidamente amparado pela legislação ou mesmo por decisão judicial. Na hipótese dos autos, não se vislumbra essa condição para as compensações efetuadas pela contribuinte. Isto porque, consoante restou circunstanciadamente demonstrado na lide, a autuada intimada e reintimada a comprovar os valores compensados em sua GFIP, não o fez, impossibilitando, portanto, aferir a certeza e liquidez dos pretensos créditos cedidos, para a recorrente. A propósito da matéria, dissertou com muita propriedade o julgador de primeira instância, consoante Acórdão n° 0734.155/ 2014, de onde peço vênia para transcrever Fl. 362DF CARF MF 8 excerto e adotar como razões de decidir, mormente quando o recurso voluntário da contribuinte é praticamente reprodução da defesa inaugural, senão vejamos: "[...] Importante esclarecer que a discussão levada a efeito reside no fato de a Autuada ter sido intimada e reintimada a comprovar os valores compensados em sua GFIP, não o fez. Nem durante a ação fiscal nem em sede de defesa exibiu os documentos comprobatórios exigidos. Evidenciada a existência de recolhimento indevido ou a maior, cabível é, por parte do sujeito passivo, a opção de requer a repetição do indébito ou de promover encontro do crédito, com eventuais débitos de idêntica espécie tributária, configurandose, nesta última hipótese, em compensação. É cediço que o instituto é facultado ao sujeito passivo, que, ao promovêlo, subsumese ao exame posterior pela autoridade administrativa, a fim de se verificar a regularidade da operação. Assim sendo, uma vez efetuada a referida compensação, o Município em tela deve demonstrar a origem dos créditos a seu favor, bem como a forma de atualização dos valores, de modo a possibilitar a homologação da compensação entabulada. Portanto, o argumento de que não estar obrigada a exibição de quaisquer documentos comprobatórios é todo frágil e sem qualquer amparo legal, porquanto cabe à autoridade fiscal investigar a origem, natureza e exatidão dos valores envolvidos. Repitase, é indiscutível a faculdade que tem o Município de se compensar, por sua conta e risco isto é, sem prévia autorização da importância que bem entender que tenha sido indevidamente recolhido a título de contribuição social. No entanto, tal permissivo não exclui o poderdever de o Fisco confirmar, dentro do prazo de 5 (cinco) anos, o procedimento compensatório levado a efeito, homologandoo expressamente (art. 150, caput, e § 4º do CTN), caso tenha acesso aos elementos comprobatórios, ou, em caso contrário, cobrando aquilo que fora indevidamente compensado, mediante a formalização de lançamento de ofício substitutivo (art. 149, V do CTN), como ocorreu na espécie. Assim, havendo omissão injustificada para a apresentação da documentação necessária, não há como a autoridade fiscal cumprir o seu mister funcional, quer para confirmar a existência o direito creditório do contribuinte em face da Fazenda Pública (certeza do crédito), quer para verificar se o quantum compensado se deu no montante exato (liquidez do crédito). Em verdade, o ônus de demonstrar a regularidade da compensação é do Município, que, repitase, não trouxe, nem durante o procedimento fiscal e nem por ocasião da impugnação, elementos probatórios da certeza e liquidez do crédito que informou em GFIP. Nesses termos, sem a apresentação de demonstrativos da apuração dos créditos e compensações, com informação dos critérios utilizados, corroborados por escrituração contábil, não Fl. 363DF CARF MF Processo nº 11516.722207/201114 Acórdão n.º 2401004.742 S2C4T1 Fl. 6 9 há como atestar a regularidade da compensação, pelo que a glosa da compensação é legítima. Ademais, os argumentos de que o Laudo Pericial é documento hábil para comprovar um crédito a seu favor, no importe de R$ 7.240.236,26 em 15/07/2008, também não se sustenta. A autoridade fiscal apontou diversas irregularidades no Laudo Pericial Contábil apresentado, dentre as quais: extrapolação da finalidade (incluíram como autônomos trabalhadores que exerciam atividades de merendeira, vigia, motoristas e outros, enquadrados pela fiscalização como empregados); não apresentação dos volumes anexos I a IV; ausência de clareza nos critérios adotados e de fundamentos das suas conclusões, dado que os peritos abordaram de forma simplista e sem fundamentos a contratação dos servidores para exercer função temporária na Secretaria de Educação. Pelos fatos acima apontados, temse que, de fato, o Laudo Pericial se mostrou insuficiente para validar o valor apurado pela Prefeitura e se foi elaborado nos termos da sentença proferida judicialmente. [...]" Conforme depreende da transcrição encimada, a contribuinte não fez comprovação do seu direito creditório, pois o Laudo apresentado era eivado de diversas inconsistências. Vale salientar ter sido a recorrente intimada e reintimada a comprovar referidos valores compensados, o que não o fez até o presente momento. Diante de tais constatações, por ausência de documentação, restou prejudicada a analise de que, de fato, foram cumpridos todos os requisitos necessários à compensação administrativa de direito creditório reconhecido judicialmente e se foram respeitados os limites da decisão judicial. Com base no tradicional critério de distribuição do ônus da prova, cabe ao sujeito passivo, ora recorrente, comprovar o fato constitutivo do seu direito, isto é, competelhe a demonstração dos elementos exigidos para o nascimento da relação jurídica na condição de credor do Fisco e, desse modo, legitimar o encontro de contas entre débito e crédito por meio da compensação tributária. O Código de Processo Civil, veiculado pela Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015, aplicado em caráter subsidiário ao processo tributário federal, contém previsão expressa sobre a distribuição do ônus probatório: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 364DF CARF MF 10 É imprescindível que o contribuinte demonstre, por meio da linguagem de provas, as afirmações que alega, em especial a existência e a liquidez dos créditos compensáveis. Registrese, que ao admitir a compensação na forma pretendida pela contribuinte, estaríamos não só malferindo o disposto no artigo 89 da Lei nº 8.212/91, mas também interpretando àquela norma de forma extensiva, o que vai de encontro com a legislação de regência, como acima demonstrado. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento na forma ali decidida, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. PERÍCIA Quanto ao pedido de perícia, o exame pericial é um meio de prova, necessário apenas quando a elucidação de fato ou o exame de matéria demanda o auxílio de um especialista em determinado ramo específico do conhecimento. É dizer que a realização da perícia não constitui direito subjetivo do interessado. Compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica para a elucidação dos fatos e como instrumento de convicção para a solução da lide. Logo, prescindível a perícia não merece acolhimento o pleito da recorrente. SUSPENSÃO EXIGIBILIDADE O recorrente pugna pelo conhecimento e suspensão da exigibilidade do crédito tributário até decisão final administrativa. A respeito do tema, as normas da RFB já prevêem esse efeito nos casos de não reconhecimento dos créditos compensados, como se pode ver da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012: "Art. 77(...) § 5º. A manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, bem como o recurso contra a decisão que julgou improcedente essa manifestação de inconformidade, enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 do CTN relativamente ao débito objeto da compensação." Ou seja, as impugnações e os recursos apresentados contra decisões da Administração que não reconhecem direitos creditórios têm o efeito de suspender a exigibilidade das contribuições decorrentes das glosas. Nesse sentido, essas dívidas também não impedem a emissão de Certidão Negativa de Débito, se apenas for esse o impeditivo. De se concluir então que o pedido do sujeito é inócuo, haja vista que busca benefícios que a própria legislação tributária já lhe faculta. Fl. 365DF CARF MF Processo nº 11516.722207/201114 Acórdão n.º 2401004.742 S2C4T1 Fl. 7 11 Por todo o exposto, estando o Auto de Infração, sub examine, em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 366DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720152/2015-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010, 2011
DECADÊNCIA. HIPÓTESE DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO. PRECEDENTE DO STJ NO RECURSO ESPECIAL N° 973.733/SC.
A existência de dolo, fraude ou simulação, afasta a possibilidade de homologação do pagamento de que trata o § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional e remete a contagem do prazo decadencial para a regra geral prevista no art. 173, inc. I, do mesmo diploma legal, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Precedente do STJ no Recurso Especial n° 973.733/SC julgado nos termos do art. 543-C do CPC o que implica, em razão do disposto no art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015, vinculação dos membros deste Colegiado à tese vencedora no âmbito do STJ.
Em relação ao PIS e a Cofins, tratando-se de fato gerador mais longínquo relativo ao mês de janeiro do ano-calendário de 2010, o lançamento poderia ter sido feito nesse mesmo ano-calendário, e o primeiro dia para contagem do prazo decadencial iniciou-se em 01 de janeiro de 2011, tendo como data fatal para o lançamento o dia 31 de dezembro de 2015. Tendo o lançamento sido cientificado ao contribuinte em fevereiro de 2015, não há que se falar em decadência.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado.
Constatado que o sócio administrador continuava a atuar de fato nos negócios da empresa mesmo depois de formalmente excluído do seu quadro societário, é lícito à autoridade fiscal qualificá-lo como responsável solidário pelo crédito tributário constituído.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
A multa de ofício qualificada será aplicada quando o procedimento fiscal revelar a prática de sonegação definida na forma da lei, evidenciada pelo fato de o contribuinte, sistematicamente, deixar de levar às declarações obrigatórias da pessoa jurídica a indicação do valor integral das receitas auferidas, por meio de apresentação de declarações como empresa inativa, em descompasso com a receita omitida apurada no lançamento.
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA.
Constatado que o sócio, na condição de representante da empresa autuada, atendeu à intimação fiscal para prestar esclarecimentos, ainda que de forma incompleta ou insatisfatória sob o ponto de vista da fiscalização, não há justificativa para o aumento de metade da multa de ofício lançada nos autos de infração lavrados contra a pessoa jurídica, devendo o agravamento da exigência ser afastado.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
Incabível na esfera administrativa a discussão de que uma determinada norma legal não é aplicável por ferir princípios constitucionais, pois essa competência é atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário, na forma dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO.
A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso voluntário de contribuinte que não apresentou impugnação.
EDITAL. INTIMAÇÃO. EMPRESAS INAPTAS.
Se o cadastro da pessoa jurídica encontra-se na condição de inapta, nos termos do § 1º do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, a intimação pode ser realizada por meio de edital sem que se mostrem improfícuas as tentativas de intimação pessoalmente, por via postal ou por meio eletrônico.
Numero da decisão: 1402-002.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, i) negar provimento ao recurso de ofício; ii) rejeitar a arguição de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso da pessoa jurídica autuada; iii) negar provimento ao recurso do coobrigado Samir Assad Filho; e: iv) conhecer dos recursos voluntários dos coobrigados apenas no que se refere às razões interpostas referentes à regularidade da intimação para ciência do auto de infração e negar-lhes provimento.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausentes momentaneamente o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone e justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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HIPÓTESE DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO. PRECEDENTE DO STJ NO RECURSO ESPECIAL N° 973.733/SC. A existência de dolo, fraude ou simulação, afasta a possibilidade de homologação do pagamento de que trata o § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional e remete a contagem do prazo decadencial para a regra geral prevista no art. 173, inc. I, do mesmo diploma legal, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Precedente do STJ no Recurso Especial n° 973.733/SC julgado nos termos do art. 543C do CPC o que implica, em razão do disposto no art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015, vinculação dos membros deste Colegiado à tese vencedora no âmbito do STJ. Em relação ao PIS e a Cofins, tratandose de fato gerador mais longínquo relativo ao mês de janeiro do anocalendário de 2010, o lançamento poderia ter sido feito nesse mesmo anocalendário, e o primeiro dia para contagem do prazo decadencial iniciouse em 01 de janeiro de 2011, tendo como data fatal para o lançamento o dia 31 de dezembro de 2015. Tendo o lançamento sido cientificado ao contribuinte em fevereiro de 2015, não há que se falar em decadência. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. Constatado que o sócio administrador continuava a atuar de fato nos negócios da empresa mesmo depois de formalmente excluído do seu quadro societário, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 01 52 /2 01 5- 45 Fl. 914DF CARF MF Processo nº 19515.720152/201545 Acórdão n.º 1402002.466 S1C4T2 Fl. 915 2 é lícito à autoridade fiscal qualificálo como responsável solidário pelo crédito tributário constituído. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A multa de ofício qualificada será aplicada quando o procedimento fiscal revelar a prática de sonegação definida na forma da lei, evidenciada pelo fato de o contribuinte, sistematicamente, deixar de levar às declarações obrigatórias da pessoa jurídica a indicação do valor integral das receitas auferidas, por meio de apresentação de declarações como empresa inativa, em descompasso com a receita omitida apurada no lançamento. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Constatado que o sócio, na condição de representante da empresa autuada, atendeu à intimação fiscal para prestar esclarecimentos, ainda que de forma incompleta ou insatisfatória sob o ponto de vista da fiscalização, não há justificativa para o aumento de metade da multa de ofício lançada nos autos de infração lavrados contra a pessoa jurídica, devendo o agravamento da exigência ser afastado. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Incabível na esfera administrativa a discussão de que uma determinada norma legal não é aplicável por ferir princípios constitucionais, pois essa competência é atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário, na forma dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso voluntário de contribuinte que não apresentou impugnação. EDITAL. INTIMAÇÃO. EMPRESAS INAPTAS. Se o cadastro da pessoa jurídica encontrase na condição de “inapta”, nos termos do § 1º do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, a intimação pode ser realizada por meio de edital sem que se mostrem improfícuas as tentativas de intimação pessoalmente, por via postal ou por meio eletrônico. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, i) negar provimento ao recurso de ofício; ii) rejeitar a arguição de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso da pessoa jurídica autuada; iii) negar provimento ao recurso do Fl. 915DF CARF MF Processo nº 19515.720152/201545 Acórdão n.º 1402002.466 S1C4T2 Fl. 916 3 coobrigado Samir Assad Filho; e: iv) conhecer dos recursos voluntários dos coobrigados apenas no que se refere às razões interpostas referentes à regularidade da intimação para ciência do auto de infração e negarlhes provimento. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausentes momentaneamente o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone e justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Fl. 916DF CARF MF Processo nº 19515.720152/201545 Acórdão n.º 1402002.466 S1C4T2 Fl. 917 4 Relatório SAF GENESYS INDUSTRIA E COMERCIO DE ELETROELETRONICOS LTDA ME e SAMIR ASSAD FILHO recorrem a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 0267.180 proferido pela 2ª Turma da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte que julgou parcialmente procedentes as impugnações apresentadas, reduzindo a multa de ofício cominada de 225% para 150% em razão do desagravamento da penalidade. Tendo em vista a não apresentação de impugnação, considerouse definitivo o vínculo de responsabilidade atribuído a Marcos Parise Correa, Vantage Management Inc. Ltda. EPP, Brazil 8 Imóveis Ltda EPP e Alpha Importação e Exportação de Eletroeletrônicos Ltda, todos devidamente cientificados dos autos de infração lavrados e da decisão de primeira instância. Em razão da exoneração de crédito tributário, o Presidente do colegiado a quo recorre de ofício a este Conselho, com fulcro no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, c/c art. 1º da Portaria MF nº 63, 03 de janeiro de 2008, haja vista o acórdão de origem ter exonerado os sujeitos passivos do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 1.000.000,00. Por bem refletir o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: AUTOS DE INFRAÇÃO E CIÊNCIA DO LANÇAMENTO E DA RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA FLS. 521/617. Contra o contribuinte, pessoa jurídica já qualificada nos autos, foi lavrado o auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, no qual foram destacados os aspectos principais do lançamento e ainda caracterizada a responsabilidade solidária das pessoas físicas e jurídicas especificadas pelo crédito tributário constituído, conforme demonstram os seguintes excertos: [...] Fl. 917DF CARF MF Processo nº 19515.720152/201545 Acórdão n.º 1402002.466 S1C4T2 Fl. 918 5 Fl. 918DF CARF MF Processo nº 19515.720152/201545 Acórdão n.º 1402002.466 S1C4T2 Fl. 919 6 Em decorrência do procedimento fiscal, foram ainda lavrados os autos de infração pertinentes à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Contribuição para o PIS/Pasep e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), cujo crédito tributário foi assim consolidado: Fl. 919DF CARF MF Processo nº 19515.720152/201545 Acórdão n.º 1402002.466 S1C4T2 Fl. 920 7 A cientificação dos interessados foi feita por meio do Termo de Ciência de Lançamentos e Encerramento Parcial do Procedimento Fiscal e dos Termos de Ciência de Lançamentos e Encerramento Parcial do Procedimento Fiscal Responsabilidade Solidária, tendo sido anexado o Aviso de Recebimento (AR) ou Edital Eletrônico pertinente, conforme se segue: Sujeito passivo/Responsável solidário Documento ciência Data da ciência Samir Assad Filho AR fl. 612 27/02/2015 Marcos Parise Correa AR fl. 613 27/02/2015 SAF Genesys Indústria e Comércio de Eletroeletrônicos Ltda ME Edital fl. 614 12/03/2015 Alpha Importação e Exportação de Eletroeletrônicos Ltda. Edital fl. 615 12/03/2015 Brazil 8 Imóveis Ltda EPP Edital fl. 616 12/03/2015 Vantage Management Inc. Ltda. EPP Edital fl. 617 12/03/2015 TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL E RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA FLS. 494/520. 1. Dos Fatos. 1.1. Introdução. Fl. 920DF CARF MF Processo nº 19515.720152/201545 Acórdão n.º 1402002.466 S1C4T2 Fl. 921 8 A presente ação fiscal é decorrente de investigação criminal realizada pela POLÍCIA FEDERAL, conforme IP 0204/200911 DELEFIN/DRCOR/SR/DPF do processo 000392461.2012.403.6181 (2ª Vara Federal Criminal de São Paulo/SP), referente à denominada OPERAÇÃO ESTRADA REAL, onde foi desarticulado um esquema de descaminho de eletroeletrônicos (consoles de videogame e acessórios), perpetrado por diversas empresas, entre as quais empresas do grupo SAF GENESYS. O compartilhamento e a utilização das informações da investigação foram autorizados pela 2ª Vara Federal Criminal de São Paulo, em despacho de 19/04/2012. Conforme apurado na investigação policial, os consoles de videogame eram trazidos clandestinamente do Paraguai, por pessoas que são conhecidas como "freteiros", que cobravam cerca de 20% do valor da mercadoria por seu trabalho e eram responsáveis pela entrega da mercadoria no destino final. Os pagamentos para o fornecedor no Paraguai eram efetuados com depósitos em contas correntes de empresas de fachada que alugavam suas contas para doleiros. A investigação realizada pela Polícia Federal constatou que a empresa SAF GENESYS efetuava o pagamento das mercadorias importadas irregularmente, através de depósitos em favor de contas bancárias de várias empresas de fachada utilizadas por doleiros, sem que houvesse qualquer relação comercial entre tais empresas e a SAF GENESYS. Posteriormente, tais recursos eram remetidos para os fornecedores no Paraguai por vias ilegais, através de instrumentos alheios ao sistema financeiro oficial. Recebidas as mercadorias, a SAF GENESYS revendia os videogames no mercado interno para empresas do comércio varejista, com emissão das respectivas notas fiscais, sem, no entanto, o recolhimento dos tributos e contribuições federais devidos. No decorrer da investigação policial, ficou comprovado que, apesar de o sócio Samir Assad Filho ter se retirado da sociedade em 01/04/2010, continuou sendo o real sócio e administrador da SAF GENESYS, uma vez que autorizava e coordenava a compra e venda dos consoles de videogames. 1.2. Da Ação Fiscal. A presente ação fiscal abrange os anoscalendário 2010 e 2011, tendo por objeto o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e o IPI. Para estes anos calendário o contribuinte apresentou as respectivas DIPJ na condição "INATIVA". Foi ainda feito um relato sobre as alterações de contrato social. Em Diligência Fiscal realizada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba, constatouse que no endereço da Rua João Ferreira da Silva, 136, Além Ponte, SorocabaSP, constante da base CNPJ para a matriz de sequencial 0002, consta na base CPF como domicílio tributário pertencente a Robson Adriano Machado, CPF 164.394.63829, que figura como testemunha nas duas últimas alterações contratuais, e que aquele endereço é residencial, sem fins comerciais, pois não reúne as condições mínimas para ser caracterizada como sede da administração da empresa ou estabelecimento centralizador das suas operações. Assim, considerando que o estabelecimento situado em Sorocaba nunca emitiu qualquer nota fiscal, conforme pesquisas realizadas no SPEDNFe, sendo que todas as notas fiscais emitidas pela SAF GENESYS se deram através da filial 0001 de São Paulo, e que os sócios da empresa residem em São Paulo, a ação Fl. 921DF CARF MF Processo nº 19515.720152/201545 Acórdão n.º 1402002.466 S1C4T2 Fl. 922 9 fiscal foi desenvolvida nesta Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo. Na tentativa de localizar a empresa, a fiscalização compareceu no endereço da filial em São Paulo onde constatou que naquele local funciona a empresa PRANA EDITORA DE MARKETING LTDA.EPP, CNPJ n° 08.485.235/000122, que não tem qualquer relação com o grupo SAF GENESYS. Tanto os funcionários da PRANA, bem como os vizinhos, não souberam informar o paradeiro da empresa SAF GENESYS. Também, foi enviado pelo correio, com aviso de recebimento, o Termo de Início de Fiscalização para o endereço da filial em São Paulo que consta na Ficha Cadastral da SAF GENESYS arquivada na JUCESP; a correspondência foi devolvida pelo correio com a indicação "CASA DESABITADA". Portanto, uma vez que a SAF GENESYS não foi localizada em nenhum endereço de seus estabelecimentos, foram lavrados Termos de Intimação Fiscal para os atuais sócios da SAF GENESYS, MARCOS PARISE CORREA e CARLOS AUGUSTO SCHIAVINATTO, intimandoos a comparecer nesta Divisão de Fiscalização para tomar ciência do Termo de Início de Fiscalização relativo à SAF GENESYS. O sócio MARCOS PARISE CORREA apresentou uma declaração informando que toda a documentação da SAF GENESYS foi apreendida pela Polícia Federal e que em razão deste fato não teria como atender a fiscalização. Apresentou também cópia de Auto Circunstanciado de Busca e Arrecadação, no qual, porém, não consta a apreensão de documentos contábeis ou fiscais. O sócio CARLOS AUGUSTO SCHIAVINATTO não se manifestou. 2. Das Infrações Omissão de Receitas: IRPJ e Reflexos. A fiscalização, com base nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, especialmente no SPED Nota Fiscal Eletrônica, nos anoscalendário de 2010 e 2011, identificou as empresas para as quais a SAF GENESYS efetuou a revenda dos produtos importados. Foi constatado que a empresa apresentou as DIPJ com situação "INATIVA", omitindo a receita de vendas de mercadorias. Com base no SPED Nota fiscal Eletrônica, verificouse que a SAF GENESYS efetuou a revenda dos produtos importados irregularmente para as empresas especificadas, as quais foram intimadas, em procedimento de diligência, tendo sido obtidas cópias das notas fiscais de saída de mercadoria, relacionadas no Anexo I do presente termo. Aquelas notas fiscais são prova material que a SAF GENESYS obteve receita de vendas, que foram omitidas com a finalidade de não recolher os tributos e contribuições federais devidos, tendo sido levados a efeito os lançamentos de ofício do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins). 3. Do Arbitramento do Lucro. Intimado o contribuinte, não tendo sido apresentados os livros e documentos de sua escrituração comercial e fiscal, foi feito o arbitramento do lucro de ofício nos termos da legislação especificada, considerando como receita bruta conhecida os valores relacionados no item anterior. Fl. 922DF CARF MF Processo nº 19515.720152/201545 Acórdão n.º 1402002.466 S1C4T2 Fl. 923 10 4. Da Multa Qualificada. A autoridade fiscal discorreu acerca da legislação pertinente, tendo destacado que, no presente caso, o dolo está caracterizado pela reiterada conduta do contribuinte em impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador de tributos e contribuições federais, mediante a apresentação de DIPJ na situação "INATIVA" no período fiscalizado. Assim, foi aplicada a multa de ofício qualificada de 150%, nos termos da lei. Além disso, intimados a prestar esclarecimentos, os sócios (de fato e de direito) não atenderam à intimação, tendo ocorrido o aumento de metade da multa de ofício, conforme o art. 44, § 2º da Lei nº 9.430, de 1996, sendo aplicada a multa de ofício de 225%. 5. Da Responsabilidade Tributária Solidária. Nesse tópico, a fiscalização teceu considerações sobre a legislação aplicável, tendo tratado individualmente, em detalhes, os casos de solidariedade tributária nos itens seguintes, a saber: 5.1. Samir Assad Filho 5.2. Marcos Parise Correa 5.3. Vantage Management Inc. Ltda. EPP 5.4. Brazil 8 Imóveis Ltda EPP 5.5. Alpha Importação e Exportação de Eletroeletrônicos Ltda. 6. Conclusão. Concluiu a fiscalização pela lavratura dos competentes autos de infração para constituição do crédito tributário relativo ao IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins), nos anoscalendário de 2010 e 2011. IMPUGNAÇÃO SAMIR ASSAD FILHO – FLS. 621/635. Em 27/03/2015, Samir Assad Filho apresentou impugnação ao Termo de Sujeição Passiva Solidária, cujo resumo se passa a explicitar. I Da notificação para participação do julgamento de primeira instância administrativa. O impugnante requer seja notificado quanto ao dia, hora e o local da realização da sessão de julgamento desta defesa administrativa, de modo que lhe seja facultado a entrega de memoriais e sustentação oral dos termos de sua defesa. Tendo feito menção a dispositivos da Constituição Federal, à Lei nº 13.457, de 2009, e ao Decreto nº 54.486, de 2009, assevera que o princípio da moralidade e da boafé dos atos administrativos pressupõe a transparência da atividade administrativa e, como tal, a participação do administrado, especialmente, naqueles atos que lhe dizem respeito. Por certo, o julgamento de processo administrativo no qual figure como parte, enseja tal entendimento. Fl. 923DF CARF MF Processo nº 19515.720152/201545 Acórdão n.º 1402002.466 S1C4T2 Fl. 924 11 Cita ainda entendimentos doutrinários sobre o assunto, para enfatizar que, em suma, o julgamento administrativo de primeira instância, ocorrido sem notificação do impugnante, fere frontalmente o direito à ampla defesa e devido processo legal. II Da tempestividade. Nesse tópico, sustenta a tempestividade do contraditório apresentado. III Dos fatos. Relata que era sócio da empresa SAF Genesys, em face da qual foi lavrado auto de infração por suposta falta de pagamento de IRPJ e reflexos nos anos de 2010 e 2011. Entretanto, sem nenhuma justificativa plausível, optouse por estender a responsabilidade pela dívida ao impugnante, com base no art. 124, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN). Todavia, como se verá a seguir, a exegese destes dispositivos legais não permite a pretensa corresponsabilização do impugnante. IV Da impossibilidade de corresponsabilização do impugnante. O impugnante discorre acerca do art. 124, inciso I do CTN, para destacar que o interessado juridicamente deve ser partícipe da relação jurídica questionada. Quando uma sociedade realiza determinado fato gerador tributário, a relação jurídica existente se dá apenas entre ela e o fisco, uma vez que seus interesses são conflitantes. O sócio da referida empresa não possui participação nesta relação jurídica, uma vez que não se configura como sujeito de direitos e deveres dentro desta relação, estabelecida unicamente entre a sociedade e a Fazenda Pública. Desta forma, a ocorrência do fato gerador pela sociedade não atinge seu sócio em sua esfera de direitos ou obrigações, em razão disto, ele não integra a relação jurídicotributária de conformação do gravame. A responsabilidade tributária decorrente do art. 124, inciso I, do CTN apenas subsistirá quando todos os sujeitos passivos realizarem, conjuntamente, o fato gerador, uma vez que esta é a única hipótese em que todas as pessoas possuirão interesse jurídico comum no fato que originou a tributação. Cita ainda jurisprudência, para enfatizar que resta claro, no caso concreto, que o impugnante não pode ser considerado sujeito passivo solidário da dívida expressa no lançamento, pois não realizou o fato imponível da exação, juntamente com a pessoa jurídica autuada. Além disso, o impugnante não integra mais os quadros societários da empresa autuada, razão pela qual não pode ter a solidariedade da dívida estendida para si, como pretendeu o D. Agente Exator. Fl. 924DF CARF MF Processo nº 19515.720152/201545 Acórdão n.º 1402002.466 S1C4T2 Fl. 925 12 V Do pedido. Primeiramente, o impugnante requer notificado quanto ao dia, hora e o local da realização da sessão de julgamento desta defesa administrativa, de modo que lhe seja facultado a entrega de memoriais e sustentação oral dos termos de sua defesa. Ato contínuo, requer seja julgada integralmente procedente a presente impugnação, para que se afaste a sujeição passiva solidária lavrada em face do impugnante. IMPUGNAÇÃO SAF GENESYS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ELETROELETRÔNICOS LTDA ME – FLS. 638/672. Em 30/03/2015, a SAF Genesys apresentou impugnação aos autos de infração lavrados, cujo resumo se passa a explicitar. I Da notificação para participação do julgamento de primeira instância administrativa. O impugnante requer seja notificado quanto ao dia, hora e o local da realização da sessão de julgamento desta defesa administrativa, de modo que lhe seja facultado a entrega de memoriais e sustentação oral dos termos de sua defesa. Tendo feito menção a dispositivos da Constituição Federal, à Lei nº 13.457, de 2009, e ao Decreto nº 54.486, de 2009, assevera que o princípio da moralidade e da boafé dos atos administrativos pressupõe a transparência da atividade administrativa e, como tal, a participação do administrado, especialmente, naqueles atos que lhe dizem respeito. Por certo, o julgamento de processo administrativo no qual figure como parte, enseja tal entendimento. Cita ainda entendimentos doutrinários sobre o assunto, para enfatizar que, em suma, o julgamento administrativo de primeira instância, ocorrido sem notificação do impugnante, fere frontalmente o direito à ampla defesa e devido processo legal. II Da tempestividade. Nesse tópico, sustenta a tempestividade do contraditório apresentado. III Dos fatos. Ressalta que o impugnante é pessoa jurídica que atua na importação e exportação de eletrônicos, tendo sofrido procedimento fiscalizatório, do qual decorreu a autuação ora impugnada. Sustenta que as autuações não merecem prosperar, uma vez que incompatíveis com o ordenamento jurídicotributário vigente. IV Da decadência parcial do crédito tributário. O art. 150, § 4º, do CTN, prevê que a Autoridade Administrativa possui prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para homologar o lançamento efetuado pelo contribuinte, sob pena da perda do direito de lançar. Fl. 925DF CARF MF Processo nº 19515.720152/201545 Acórdão n.º 1402002.466 S1C4T2 Fl. 926 13 In casu, considerando que, conforme informação da própria autoridade lançadora, consignada no Termo de Verificação Fiscal, o Impugnante apresentou as Declarações de Informação EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ referentes aos anosexercício fiscalizados, é de se aplicar a regra da norma supra. No tocante aos tributos fiscalizados, é de se verificar que seu fato gerador ocorre no exercício em que percebido o lucro apurado. Assim, ocorrido o fato gerador do gravame, a Autoridade Fiscal dispunha de cinco anos para verificar a regularidade dos pagamentos dos tributos e impor o pagamento ao impugnante. Todavia, verificase da acusação fiscal que o D. Agente Exator inseriu na base de cálculo de apuração do Auto de Infração valores cujo fato gerador se deram em janeiro de 2010, ou seja, além do prazo decadencial de cinco anos, considerando a ciência do lançamento pela Impugnante em 27.02.2015. Assim, mister que os valores de base de cálculo atinentes ao período de janeiro de 2010 sejam excluídos da base de cálculo do Auto de Infração, uma vez que o direito do fisco de constituir o crédito tributário sobre essas importâncias se encontra decaído. V Do percentual de lucro arbitrado. Assevera que, ao efetuar os cálculos para composição da base de cálculo arbitrada, a fiscalização se utilizou do percentual de 9,6%, deveras excessivo e que não corresponde à realidade do setor de atuação exercido pela empresa. Fazendo referência às disposições do art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995, na redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014, ressalta que o percentual de lucro que se pode presumir percebido pelas sociedades que exercem atividade análoga ao impugnante é 8%. Além disso, a fiscalização não justificou a eleição do percentual de 9,6% de lucro arbitrado, o que, mais uma vez, mostra a ilegalidade da aplicação do referido índice, razão mais esta pela qual não deve ser mantido. VI Da incorreta aplicação da multa e o seu caráter confiscatório. Pelas razões apresentadas relativamente ao descabimento da presente autuação, inexiste fundamento para a imposição de multa, a qual deverá ser cancelada juntamente dos valores referentes ao principal. De outra parte, mister se faz salientar que a aplicação de multa em percentual tão elevado, qual seja, 225% do valor do tributo, segundo preconizam os dispositivos legais citados no presente Auto de Infração, acarreta manifesta afronta ao princípio do não confisco, previsto no artigo 150, inciso IV da Constituição Federal de 1988. Deste modo, ainda que exista algum débito, não poderiam ser aplicados os percentuais de multa de 225% do valor do imposto supostamente devido. Fl. 926DF CARF MF Processo nº 19515.720152/201545 Acórdão n.º 1402002.466 S1C4T2 Fl. 927 14 Aliás, nem mesmo a comprovação de fraude e dolo, práticas não ocorridas no presente caso, o que, frisese, admitese apenas por argumentação, seria capaz se legitimar a pretendida cobrança. É imprescindível, nesses casos, que haja uma nítida correlação entre a infração cometida e a penalidade imposta, sob pena de anulação da multa lavrada, dada a sua patente abusividade, além da evidente afronta ao princípio da vedação ao confisco, bem como o direito de propriedade, constitucionalmente previstos, conforme art. 150, inciso IV, e 5º, inciso XXII, da Constituição Federal. Cita jurisprudência e entendimentos doutrinários acerca do assunto em pauta. Diante do exposto, a multa imputada deve ser reduzida, inclusive em observância ao recente julgado do Supremo Tribunal Federal. VI Do pedido. Primeiramente, o impugnante requer notificado quanto ao dia, hora e o local da realização da sessão de julgamento desta defesa administrativa, de modo que lhe seja facultado a entrega de memoriais e sustentação oral dos termos de sua defesa. Ato contínuo, requer seja julgada integralmente procedente a presente impugnação, para que seja: (i) declarada a decadência dos tributos calculados em face dos fatos geradores supostamente ocorridos em janeiro de 2010; (ii) reduzido o percentual de lucro arbitrado utilizado para apuração da base de cálculo, e (iii) reduzido o percentual da multa aplicada, uma vez que nitidamente confiscatória, conforme decisões dos Tribunais Superiores. Analisando as impugnações apresentadas, a turma julgadora de primeira instância considerouas parcialmente procedentes, reduzindo a apenas a multa de ofício de 225% para 150% por entenderem não restarem comprovadas as hipóteses legais que permitem o agravamento da penalidade. SAMIR ASSAD FILHO foi cientificado da decisão em 26 de fevereiro de 2016 (fls. 745 e 749), apresentando o recurso voluntário de fls. 877883 em 29 de março de 2016, reafirmando, em síntese, os termos de sua impugnação quanto à suposta impossibilidade de lhe atribuir responsabilidade tributária pelo crédito tributário lançado de ofício. SAF GENESYS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE EELTRÔNICOS LTDA – ME foi cientificada da decisão por meio do edital de fl. 750, afixado em 23/02/2016, implicando a ciência ficta decisão em 09/03/2016, décimo quinto dia após a fixação do edital. Em 29/03/2016 (fl. 759) apresentou o recurso voluntário de fls. 760786. Em resumo, aduz o Recorrente: Fl. 927DF CARF MF Processo nº 19515.720152/201545 Acórdão n.º 1402002.466 S1C4T2 Fl. 928 15 decadência: tendo o lançamento sido cientificado ao Recorrente em 27/02/2015, haveria de se reconhecer a decadência referente ao crédito tributário do mês de janeiro de 2010; não haveria dolo que justificasse a aplicação da multa qualificada; a multa aplicada seria confiscatória. Conforme já relatado, em razão da não apresentação de impugnações, considerouse definitivo o vínculo de responsabilidade atribuído a Marcos Parise Correa, Vantage Management Inc. Ltda. EPP, Brazil 8 Imóveis Ltda EPP e Alpha Importação e Exportação de Eletroeletrônicos Ltda, todos cientificados dos autos de infração lavrados e da decisão de primeira instância. Em que pese a não apresentação de impugnação, foram apresentados recursos voluntários também pelos coobrigados a quem se aplicou os efeitos da revelia, nos seguintes termos: MARCOS PARISE CORREA (fls. 810815): o contribuinte revel poderia comparecer aos autos a qualquer tempo; na realidade, fazse uma defesa de SAMIR ASSAD FILHO, aduzindo que esse não mais era o administrador (ou sócio) da pessoa jurídica autuada, mas sim o próprio Marcos Parise Correa; VANTAGE MANAGEMENT INC. LTDA EPP (fls. 823828): argui a nulidade do processo administrativo, pois teria sido intimada do lançamento via edital sem a tentativa de intimação pessoal, por via postal ou meio eletrônico. Argumenta que nem mesmo sua situação de inaptidão poderia ensejar a intimação inicial via edital, isso porque, para ciência da decisão da DRJ utilizouse da via postal, meio que poderia ser utilizado também para ciência do lançamento. Tal procedimento teria implicado cerceamento do seu direito de defesa. Requereu, assim, o reconhecimento da nulidade da intimação por edital, com a devolução dos autos à primeira instância com a concessão de novo prazo para apresentação de impugnação; BRASIL 8 IMÓVEIS LTDA. EPP (fl. 841844): argui a nulidade do processo administrativo, pois teria sido intimada do lançamento via edital sem a tentativa de intimação pessoal, por via postal ou meio eletrônico. Argumenta que para ciência da decisão da DRJ utilizouse da via postal, meio que poderia ser utilizado também para ciência do lançamento. Por fim, afirma que a empresa teria operado normalmente até o dia 08/12/2015 (edital foi publicado em 25/02/2015 fl. 616). Tal procedimento teria implicado cerceamento do seu direito de defesa. Requereu, assim, o reconhecimento da nulidade da intimação por edital, com a devolução dos autos à primeira instância com a concessão de novo prazo para apresentação de impugnação; ALPHA IMP. E EXP. DE ELETROELETRÔNICOS LTDA (fl. 859862): argui a nulidade do processo administrativo, pois teria sido intimada do lançamento via edital sem a tentativa de intimação pessoal, por via postal ou meio eletrônico. Argumenta que para ciência da decisão da DRJ utilizouse da via postal, meio que poderia ser utilizado também para ciência do lançamento (edital foi publicado em 25/02/2015 fl. 615). Tal procedimento teria implicado cerceamento do seu direito de defesa. Requereu, assim, o reconhecimento da nulidade da intimação por edital, com a devolução dos autos à primeira instância com a concessão de novo prazo para apresentação de impugnação; Fl. 928DF CARF MF Processo nº 19515.720152/201545 Acórdão n.º 1402002.466 S1C4T2 Fl. 929 16 É o relatório. Fl. 929DF CARF MF Processo nº 19515.720152/201545 Acórdão n.º 1402002.466 S1C4T2 Fl. 930 17 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE 1.1 RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE SAF GENESYS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ELETRÔNICOS LTDA – ME foi intimado da decisão de primeira instância em 09 de de março de 2016, uma quarta feira, apresentando recurso voluntário em 29 de março de 2016. Tendo em vista a tempestividade do recurso inteposto, e estando a peça recursal subscrita por pessoa com poderes para tanto, dele tomo conhecimento. 1.2 RECURSO VOLUNTÁRIO DO COOBRIGADO QUE APRESENTOU IMPUGNAÇÃO SAMIR ASSAD FILHO foi cientificado da decisão de primeira instância em 26 de fevereiro de 2016, apresentando o recurso voluntário em 29 de março de 2016, uma sextafeira De acordo com o art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, o prazo para apresentação de recurso voluntário é de trinta dias após a ciência da decisão de primeira instância. O início da contagem do prazo recursal se deu no dia 29 de fevereiro de 2016, segundafeira, primeiro dia útil após a ciência da decisão da DRJ. O trigésimo dia do prazo para interposição de recurso voluntário recaiu em 29 de março de 2016, justamente a data da apresentação da peça recursal. Desse modo, dada a tempestividade do recurso voluntário apresentado pelo coobrigado, por ele mesmo subscrito, dele conheço. 1.3 RECURSO DE OFÍCIO No que diz respeito ao recurso de ofício, mesmo com o advento da Portaria MF nº 63, de 09 de janeiro de 2017, que fixou o valor de alçada para R$ 2.500.000,00, o montante de multa exonerado continua a ensejar a remessa de ofício. Logo, conheço do recurso de ofício. 1.4 RECURSOS VOLUNTÁRIOS DOS COOBRIGADOS REVÉIS Nos termos já relatados, em razão da não apresentação de impugnações, considerouse definitivo o vínculo de responsabilidade atribuído a Marcos Parise Correa, Vantage Management Inc. Ltda. EPP, Brazil 8 Imóveis Ltda EPP e Alpha Importação e Exportação de Eletroeletrônicos Ltda, todos cientificados dos autos de infração lavrados e da decisão de primeira instância. Em que pese a não apresentação de impugnação, foram apresentados recursos voluntários também pelos coobrigados a quem se aplicou os efeitos da revelia, todos com uma Fl. 930DF CARF MF Processo nº 19515.720152/201545 Acórdão n.º 1402002.466 S1C4T2 Fl. 931 18 característica em comum: todos não estão rubricados ou assinados, e não há qualquer outra documentação de representação juntada aos autos! Nesse cenário, poderseia considerar os recursos não existentes, e, por consequência, deixar de conhecêlos1, ou, moderandose o formalismo, determinar a intimação dos interessados para que confirmassem o teor dos recursos acostados aos autos. Contudo, como no mérito entendo não lhes assistir razão, entendo que os recursos devem ser conhecidos. Por oportuno, passo à análise dos recursos dos coobrigados considerados revéis pela DRJ. MARCOS PARISE CORREA (fls. 810815) Entende o Recorrente que o contribuinte revel poderia comparecer aos autos a qualquer tempo. Não lhe assiste razão. A preclusão é matéria de lei e seus efeitos ocorrem independentemente de pronunciamento da autoridade administrativa. Tais conclusões advêm do disposto no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Da ausência de impugnação, ou na falta de impugnação a uma ou mais infrações, decorre a exigibilidade imediata do crédito tributário correspondente, conforme dispõe o § 1º do art. 21 do Decreto nº 70.235, de 1972, transcrito a seguir: Art. 21. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável. § 1º No caso de impugnação parcial, não cumprida a exigência relativa à parte não litigiosa do crédito, o órgão preparador, antes da remessa dos autos a julgamento, providenciará a formação de autos apartados para a imediata cobrança da parte não contestada, consignando essa circunstância no processo original. Obviamente, tratandose de discussão quanto à responsabilidade tributária, estando o crédito tributário com exigibilidade suspensa em razão da contestação do crédito tributário por outro sujeito passivo, a definitividade limitase à discussão quanto à responsabilidade tributária do coobrigado revel. 1 Precedentes: AgRg no REsp nº 670.963/SC , 1ª Turma, Min. José Delgado, DJ de 13.6.2005; AgRg nos EREsp nº 690.603/PE Relator: Ministro Teori Albino Zavascki STJ Primeira Seção Unânime D.J. 26/3/2007 pág. 186. Fl. 931DF CARF MF Processo nº 19515.720152/201545 Acórdão n.º 1402002.466 S1C4T2 Fl. 932 19 Nesse sentido, não tendo sido apresentada impugnação, correta a decisão de primeira instância que considerou revel o coobrigado Marcos Parise Correa, não havendo que se falar em exame, pelo CARF, das razões do recurso apresentado. Saliento, contudo, que o teor do recurso apresentado, longe de defender os interesses do Recorrente, na realidade, faz uma defesa de SAMIR ASSAD FILHO (coobrigado não revel), aduzindo que esse não mais era o administrador (ou sócio) da pessoa jurídica autuada, mas sim o próprio Marcos Parise Correa, ou seja, tratase de recurso contrário aos interesses do próprio Recorrente, o que vem a pôr em dúvida se a falta de assinatura seria um mero equívoco formal ou de uma estratégia processual utilizada por outros interessados. De toda forma, mantenho meu entendimento no sentido de conhecer do recurso e negarlhe provimento em razão da preclusão. VANTAGE MANAGEMENT INC. LTDA EPP (fls. 823828) Argui o Recorrente que o processo administrativo seria nulo, pois o interessado teria sido intimado do lançamento via edital sem a tentativa de intimação pessoal, por via postal ou meio eletrônico, procedimento em desacordo com o disposto no § 1º do art. 23 do Decerto nº 70.235/72. Argumenta ainda que nem mesmo sua situação de inaptidão poderia ensejar a intimação inicial via edital, isso porque, para ciência da decisão da DRJ utilizouse da via postal, meio que poderia ser utilizado também para ciência do lançamento. Tal procedimento teria implicado cerceamento do seu direito de defesa. Requereu, ao final, o reconhecimento da nulidade da intimação por edital, com a devolução dos autos à primeira instância com a concessão de novo prazo para apresentação de impugnação. Razão não assiste ao Recorrente. Assim dispõe o art. 23, e seu § 1º, do Decreto nº 70.235/72: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 932DF CARF MF Processo nº 19515.720152/201545 Acórdão n.º 1402002.466 S1C4T2 Fl. 933 20 Convém ressaltar a seguinte passagem do Termo de Verificação Fiscal (fl. 508): Todos os termos lavrados no decorrer da ação fiscal na VANTAGE foram cientificados via edital, uma vez que a empresa não foi localizada em seu domicílio tributário, razão pela qual foi declarada INAPTA através do Ato Declaratório Executivo n° 171, de 28/06/2013. Portanto, resta evidente que VANTAGE MANAGEMENT INC. LTDA EPP se encontrava com o CNPJ na condição de “INATIVA”, aplicandose a literalidade do disposto no § 1º do art. 23 do Decreto nº 70.235/72: a ciência por edital pode ser utilizada quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput do artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal. Tratase de hipóteses alternativas, ou seja, se a inscrição no CNPJ for passada à condição de “INATIVA”, não há necessidade de tentativa de intimação prévia pessoalmente, ou por via postal, ou ainda por meio eletrônico, antes de lançarse mão da intimação por edital. Desse modo, a inscrição declarada inapta perante o cadastro do CNPJ é condição individual para que seja utilizado o edital. O fato de a intimação a respeito da decisão de primeira instância ter sido remetida ao endereço cadastral do representante legal do interessado não torna a utilização do edital, para ciência do lançamento, nulo. Em primeiro lugar porque essa alternativa utilizada pela administração demonstra tão somente extrema boa vontade da unidade local em possibilitar que a ciência da decisão pudesse ser efetivamente cientificada ao representante legal da empresa, abrindose mão da ciência ficta. Vejase que tal procedimento sequer é previsto em lei, e, certamente, caso não alcançasse seu objetivo, se utilizaria do edital para ciência ficta. Frisese que a intimação encaminhada por via postal foi remetida ao endereço do representante legal do interessado, não se tentando realizar a ciência no endereço cadastral do interessado, pois a administração tributária havia justamente declarado a “inaptidão da pessoa jurídica” em razão de não ter sido localizada em seu domicílio tributário. Ademais, essa ciência da decisão da DRJ não poderia, jamais, ter efeitos pretéritos, invalidando a ciência legalmente realizada por edital quando da lavratura dos autos de infração. Em relação à preclusão, reportome à fundamentação já tecida a respeito do tema no item anterior deste voto. Por essas razões, voto por rejeitar a arguição de nulidade do lançamento e negar provimento ao recurso voluntário em razão da preclusão. BRASIL 8 IMÓVEIS LTDA EPP (fl. 841844) Para o Recorrente, o processo administrativo seria nulo, pois o interessado teria sido intimado do lançamento via edital sem a tentativa de intimação pessoal, por via postal ou meio eletrônico, procedimento em desacordo com o disposto no § 1º do art. 23 do Decerto nº 70.235/72. Argumenta que para ciência da decisão da DRJ utilizouse da via postal, meio que poderia ser utilizado também para ciência do lançamento. Por fim, afirma que a empresa teria operado normalmente até o dia 08/12/2015 (edital foi publicado em 25/02/2015 fl. 616). Tal procedimento teria implicado cerceamento do seu direito de defesa. Requereu, Fl. 933DF CARF MF Processo nº 19515.720152/201545 Acórdão n.º 1402002.466 S1C4T2 Fl. 934 21 assim, o reconhecimento da nulidade da intimação por edital, com a devolução dos autos à primeira instância com a concessão de novo prazo para apresentação de impugnação. Ocorre que, conforme Termo de Constatação Fiscal lavrado em 12/11/2014 (processo 19515.720005/201575), a empresa não mais se encontrava em seu endereço cadastral, levando à baixa de ofício de sua inscrição junto ao CNPJ ante à inexistência de fato da pessoa jurídica (Ato Declaratório Executivo da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo nº 199/2015). Ora, se a Fiscalização já havia se dirigido ao endereço cadastral do Recorrente, não logrando êxito em localizálo em seu domicílio cadastral, não faria qualquer sentido novamente repetir tal rito para utilização de edital. Em relação à utilização do edital e a ciência por via postal da decisão da DRJ encaminhada ao endereço cadastral do representante legal do Recorrente, aplicamse as razões de decidir já expostas em relação ao recurso voluntário de Vantage Management Inc. Ltda – EPP. De igual forma, as conclusões já aventadas neste voto em relação à preclusão aplicamse ao recurso de Brasil 8 Imóveis Ltda – EPP. Desse modo, voto por rejeitar a arguição de nulidade do lançamento e negar provimento ao recurso voluntário em razão da preclusão. ALPHA IMP. E EXP. DE ELETROELETRÔNICOS LTDA (fl. 859862) O Recorrente argui a nulidade do processo administrativo, pois teria sido intimado do lançamento via edital sem a tentativa de intimação pessoal, por via postal ou meio eletrônico, ao arrepio do disposto no § 1º do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Argumenta que para ciência da decisão da DRJ utilizouse da via postal, meio que poderia ser utilizado também para ciência do lançamento (edital foi publicado em 25/02/2015 fl. 615). Tal procedimento teria implicado cerceamento do seu direito de defesa. Requereu, assim, o reconhecimento da nulidade da intimação por edital, com a devolução dos autos à primeira instância com a concessão de novo prazo para apresentação de impugnação. Contudo, conforme consta no processo 19515.720005/201575, o Recorrente não mais se encontrava em seu endereço cadastral ao menos desde março de 2014, levando à baixa de ofício de sua inscrição junto ao CNPJ ante à inexistência de fato da pessoa jurídica (Ato Declaratório Executivo da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo nº 192/2014). O fato de a intimação a respeito da decisão de primeira instância ter sido remetida ao endereço cadastral do representante legal do interessado não torna a utilização do edital, para ciência do lançamento, nulo. Em primeiro lugar porque essa alternativa utilizada pela administração demonstra tão somente extrema boa vontade da unidade local em possibilitar que a ciência da decisão pudesse ser efetivamente cientificada ao representante legal da empresa, abrindose mão da ciência ficta. Vejase que tal procedimento sequer é previsto em lei, e, certamente, caso não alcançasse seu objetivo, certamente se utilizaria do edital para ciência ficta. Frisase que a intimação encaminhada por via postal foi remetida ao endereço do representante legal do interessado, não se tentando realizar a ciência no endereço cadastral do interessado, pois a administração tributária havia justamente declarada a “inaptidão da pessoa jurídica” em razão de não ter sido localizada em seu domicílio tributário. Fl. 934DF CARF MF Processo nº 19515.720152/201545 Acórdão n.º 1402002.466 S1C4T2 Fl. 935 22 Ademais, essa ciência da decisão da DRJ não poderia, jamais, ter efeitos pretéritos, invalidando a ciência legalmente realizada por edital quando da lavratura dos autos de infração. No mais, válidas as considerações sobre a preclusão já detalhadas no bojo deste voto. Por essas razões, voto por rejeitar a arguição de nulidade do lançamento e negar provimento ao recurso voluntário em razão da preclusão. 2 RECURSOS VOLUNTÁRIOS DOS SUJEITOS PASSIVOS NÃO REVÉIS 2.1 RECURSO DE SAF GENESYS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE EELTRÔNICOS LTDA – ME São três os pontos atacados pelo Recorrente, a saber: decadência: tendo o lançamento sido cientificado ao Recorrente em 27/02/2015, haveria de se reconhecer a decadência referente ao crédito tributário do mês de janeiro de 2010; não haveria dolo que justificasse a aplicação da multa qualificada; a multa aplicada seria confiscatória. Por influenciar na contagem do prazo decadencial, inicio a análise a partir da cominação da multa qualificada. Segundo a autoridade fiscal autuante, o contribuinte teria agido dolosamente, caracterizando a hipótese de sonegação prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/64. Argumenta que o dolo estaria caracterizado pela reiterada conduta do contribuinte em impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador de tributos e contribuições federais, mediante a apresentação de DIPJ na situação "INATIVA" nos anos calendário fiscalizados. O Recorrente, por sua vez, aduz que a penalidade aplicada deveria ser de 75% ao invés da multa qualificada de 150%. Salienta que a entrega da DIPJ na situação de “INATIVA” se deu, em relação ao anocalendário de 2010, em razão de supostos “problemas internos da Recorrente”, e, no que se refere ao anocalendário de 2011, em função da apreensão de documentos realizada pela Polícia Federal. Pois bem, a multa de 150% sobre o imposto de renda e contribuições apuradas com base em provas diretas, prevista no art. 44, inciso I, §1º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, foi aplicada tendo em vista a suposta intenção dolosa do contribuinte de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador (sonegação). Para melhor entendimento, transcrevese, a seguir, o art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007: Fl. 935DF CARF MF Processo nº 19515.720152/201545 Acórdão n.º 1402002.466 S1C4T2 Fl. 936 23 Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. [...] Como visto, nos termos do § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, só é admitida a aplicação da multa no percentual de 150%, nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que assim dispõem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Fl. 936DF CARF MF Processo nº 19515.720152/201545 Acórdão n.º 1402002.466 S1C4T2 Fl. 937 24 Desse modo, a multa de 150% de que trata o parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 (redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007), terá aplicação sempre que em procedimento fiscal constatarse a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Vêse que, para enquadrar determinado ilícito fiscal nos dispositivos dessa lei, há necessidade que esteja caracterizado o dolo. O dolo, que se relaciona com a consciência e a vontade de agir, é elemento de todos os tipos penais de que trata a Lei nº 4.502, de 1964, ou seja, a vontade de praticar a conduta, para a subsequente obtenção do resultado. Deve ficar demonstrada que a conduta praticada teve o intuito consciente voltado a suprimir ou reduzir o pagamento do tributo ou contribuições devidos. Relembremos a infração detectada pela autoridade fiscal: o contribuinte auferiu receitas (comprovadas por meio de circularização junto a clientes do Recorrente), não confessando dívidas nas DCTFs mensais, tampouco realizando recolhimentos ao longo dos anoscalendário de 2010 e 2011. Nos exercícios seguintes à ocorrência dos fatos geradores transmitiu DIPJ se autodeclarando na condição de inatividade, embora de maneira insofismável, tenha auferido receitas em montante relevante, e em todos os meses do período. A esse respeito, destaco excerto da decisão recorrida: De fato, dentre as várias possibilidades de subtração de valores à tributação está a de, reiteradamente, deixar de levar às declarações obrigatórias da pessoa jurídica o valor integral das receitas auferidas pela empresa, por meio de apresentação de DIPJ como "inativa", quando provado nos autos que o contribuinte omitiu receitas da ordem de milhões de reais mensalmente, conforme revela a tabela abaixo extraída do Termo de Verificação Fiscal: Essa conduta reprovável do contribuinte pode manifestarse por várias formas, bastando para tal que fique identificada a intenção, consistente no tempo, de subtrair valores tributáveis por ele devidos. Notese que os chamados erros escusáveis se distinguem daqueles cometidos intencionalmente e de forma sistemática, abrangendo vários períodos e tributos, como evidenciado no presente caso, o que afasta a possibilidade de erro ou desatenção eventual e justifica a qualificação da multa. Entendo que a decisão recorrida deve ser mantida. Resta evidente que o Recorrente deixou de declarar a totalidade das receitas durante todos os meses de 2010 e 2011. Fl. 937DF CARF MF Processo nº 19515.720152/201545 Acórdão n.º 1402002.466 S1C4T2 Fl. 938 25 A quantificação das receitas realizada Fiscalização se deu a partir das notas fiscais emitidas pelo próprio contribuinte. Esses procedimentos configuram, sem dúvida, a intenção dolosa na sua conduta com o propósito de impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador, enquadrandose na hipótese prevista no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964 (sonegação). Esse "animus", vontade de querer o resultado, ou assumir o risco de produzilo, ficou evidenciado e demonstrado nos autos, não podendo ser considerado mero erro de ordem material, ou ainda a ocorrência de meros “problemas internos”, sem a caracterização de qualquer intuito doloso, posto que não se trata de atos isolados, mas reiteradamente praticados pelo contribuinte em todos os meses dos anoscalendário de 2010 e 2011, e em relação à totalidade das operações do Recorrente. Em relação ao argumento do Recorrente de que a DIPJ relativa ao ano calendário de 2011 na condição de inativa se deu em razão da apreensão da Polícia Federal, uma vez que a DIPJ foi transmitida em 19/03/2012 (fl. 16) e a apreensão mais de um mês após, em 23/04/2012 (fl. 477). Em relação ao suposto desejo de retificar as DIPJ, e sua impossibilidade ante à apreensão realizada, além de se tratar de mera hipótese, todos os atos praticados pelo Recorrente indicam caminho contrário, já que a empresa sequer operava em seus endereços cadastrais e no período não realizou qualquer recolhimento ou confissão de dívida para a Receita Federal. Chama ainda a atenção ainda o Termo de Depoimento de fl. 479 no qual o contador responsável pela transmissão das DIPJ informa que a transmissão das DIPJ foi solicitada por SAMIR ASSAD FILHO para regularização do cadastro do contribuinte, sendo que a condição de inatividade foi utilizada por orientação do próprio SAMIR ASSAD FILHO Em tais circunstâncias, não há que se falar em presunção de dolo. A intenção de sonegar, ocultando o fato gerador, é conclusão imediata e inequívoca. Portanto, correta a posição do Fisco em exasperar a penalidade. No que tange às questões que princípios constitucionais e inconstitucionalidade de leis apontadas pelo Recorrente, seu mérito não pode ser analisado por este Colegiado. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Devese observar que as supostas ofensas aos princípios constitucionais levam a discussão para além das possibilidades de juízo desta autoridade. No âmbito do procedimento administrativo tributário, cabe, tão somente, verificar se o ato praticado pelo agente do fisco está, ou não, conforme à lei, sem emitir juízo de constitucionalidade das normas jurídicas que embasam aquele ato. Ademais, o próprio Regimento Interno do CARF, em seu art. 62, dispõe que “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” O caso concreto não se enquadra nas exceções elencada no parágrafo único de tal dispositivo regimental, portanto, as normas atacadas são de aplicação cogente aos membros do CARF. Por fim, sobre a matéria este Conselho já pacificou seu entendimento por meio da Súmula nº 2, cujo teor é o seguinte: Fl. 938DF CARF MF Processo nº 19515.720152/201545 Acórdão n.º 1402002.466 S1C4T2 Fl. 939 26 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em relação aos argumentos sobre confisco, esclareçase, ainda, que a vedação à utilização de tributo com efeito de confisco, preceituada pelo art. 150, IV, da Constituição da República Federativa do Brasil não se destina aos aplicadores da Lei, mas sim ao Poder Legislativo, que deve tomar em consideração tal preceito quando da elaboração das leis. Passo a análise da preliminar de mérito suscitada (arguição de decadência). Em relação à contagem do prazo decadencial, não se pode ignorar que o STJ entendeu em caráter definitivo (julgamento de recurso representativo de controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC/1973) que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, a questão do pagamento antecipado é relevante para definição do prazo, assim como a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme se observa na ementa do REsp 973.733/SC, 1ª Seção, Dje 18/09/2009, de relatoria do Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA.ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre,sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 939DF CARF MF Processo nº 19515.720152/201545 Acórdão n.º 1402002.466 S1C4T2 Fl. 940 27 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, antea configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii)a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No caso concreto, compulsando os autos, de fato, entendo restar caracterizada a ocorrência de dolo conforme discorrido na análise da multa qualificada ou seja, o início da contagem do prazo decadencial deve se dar com base no disposto no art. 173, I, do CTN. Desse modo, tomandose por base os únicos fatos geradores ocorridos há mais de cinco anos da data de ciência do lançamento (fatos geradores relativos a janeiro de 2010 para o PIS e para a Cofins, e ciência do lançamento em fevereiro de 2015), o lançamento poderia ter sido realizado já no anocalendário de 2010. Assim, o início da contagem do prazo decadencial deve ser postergada para o primeiro dia do exercício seguinte, qual seja, dia 01/01/2011, tendo como data limite para formalização da exigência o dia 31/12/2015. Logo, não há que se falar em decadência em relação ao PIS e a Cofins. No que atine ao IRPJ e à CSLL, tratandose de períodos de apuração trimestrais, da data da ocorrência do fato gerador mais longínquo (primeiro trimestre de 2010) à data da ciência do lançamento sequer se passaram cinco anos. Desse modo, sequer pela contagem com base no art. 150, § 4º, do CTN há de se falar em decadência. Sendo aplicável o art. 173, I, do CTN para fins de determinação do prazo decadencial, partindose do mesmo raciocínio aplicado para o PIS e para a Cofins, o lançamento poderia ter sido realizado até 31/12/2015. Fl. 940DF CARF MF Processo nº 19515.720152/201545 Acórdão n.º 1402002.466 S1C4T2 Fl. 941 28 Assim sedo, rejeito a arguição de decadência e voto por negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte. 2.2 RECURSO DE SAMIR ASSAD FILHO SAMIR ASSAD FILHO contesta o vínculo de responsabilidade a ele atribuído no lançamento, aduzindo que a responsabilidade tributária decorrente do art. 124, inciso I, do CTN apenas subsistiria quando todos os sujeitos passivos realizarem, conjuntamente, o fato gerador, uma vez que esta é a única hipótese em que todas as pessoas possuirão interesse jurídico comum no fato que originou a tributação. Asseverou ainda que não mais integrava o quadro societário da empresa autuada à época dos fatos geradores, e, ainda que fosse o administrador da pessoa jurídica, o que admite somente para fins de argumentação, a autoridade fiscal deveria ter lhe cominado responsabilidade com base no art. 135, III, do CTN, e não com base no art. 124, I, do Estatuto Tributário. Em relação ao tema, assim consta no voto condutor do aresto recorrido: A base legal da responsabilização solidária, no caso de Samir Assad Filho, está nas disposições do art. 124, inciso I, do CTN, assim preceituam: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; [...] Em item específico do Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização discorreu sobre os motivos que a levaram a qualificar Samir Assad Filho como responsável solidário de fato da empresa autuada. Assim, relatou a autoridade fiscal que, conforme investigação da Polícia Federal, cujo acesso foi franqueado pela 2ª Vara Federal Criminal de São Paulo, Samir Assad Filho era quem coordenava as atividades de compra e venda de videogames, tendo sido destacados diversos trechos do relatório policial que confirmavam sua atuação direta na empresa autuada, mesmo após a saída formal do quadro societário em 01/04/2010. Além disso, ressaltou a fiscalização que foram apreendidas cópias de cheques da SAF Genesys emitidos após 01/04/2010, assinados por Samir Assad Filho, evidenciando o fato de que ele continuava como sócio e administrador mesmo após aquela data. Também é importante salientar que foi oportunizada a manifestação de Samir Assad Filho no curso da ação fiscal para prestar esclarecimentos, tendo sido anotado que ele jamais atendeu à intimação. Na impugnação, Samir Assad Filho restringiuse a tratar de aspectos jurídicos da responsabilização solidária, deixando sem respostas todos os questionamentos que surgiram do conjunto probatório formado pela fiscalização, que expôs o interesse comum a que alude o art. 124, I do CTN, na medida em que ficou demonstrado, conforme destacado no Termo de Verificação Fiscal que, conquanto excluído formalmente do quadro societário, ele de fato não se afastou da empresa, permanecendo à frente dos negócios da SAF Genesys no período objeto da autuação fiscal. Fl. 941DF CARF MF Processo nº 19515.720152/201545 Acórdão n.º 1402002.466 S1C4T2 Fl. 942 29 Portanto, foi correto o procedimento fiscal ao qualificar Samir Assad Filho como responsável solidário pelo crédito tributário lançado, nos termos previstos no art. 124, inciso I, do CTN. Reputo perfeitas tais considerações, até mesmo porque, no caso concreto, tratandose de interposição de pessoas, o simples fato de o Recorrente, embora cabalmente comprovada sua condição de verdadeiro titular da pessoa jurídica, não mais compor, formalmente, o quadro social da autuada, já implica a necessidade de sua inclusão no polo passivo da obrigação tributária. Além disso, ainda que a autoridade fiscal não tenha citado o art. 135, III, do CTN como fundamento da responsabilização de SAMIR ASSAD FILHO, atribuiu também sua responsabilidade por ser o verdadeiro administrador da autuada, possibilitando por completo o exercício de defesa por parte do coobrigado. Vejase a conclusão contida no Termo de Verificação Fiscal (fl. 505): Portanto, considerando que mesmo após sua saída do quadro social da SAF GENESYS, SAMIR ASSAD FILHO continuou sendo sócio e administrador de fato daquela empresa, praticando atos com infração de lei, ficou caracterizada a responsabilidade tributária do mesmo, nos termos do artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. [grifo nosso] Ademais, a jurisprudência majoritária deste Conselho aponta no sentido de que o contribuinte defendese dos fatos que lhes são imputados. E, quanto à administração da autuada, não há qualquer dúvida quanto ao seu exercício por SAMIR ASSAD FILHO à época dos fatos geradores: os inúmeros depoimentos colhidos pela Polícia Federal, as contas dos telefones utilizados pela pessoa formalmente responsável pela administração da autuada em nome de SAMIR ASSAD FILHO, as interceptações telefônicas que demonstram que SAMIR participa de diversos contatos com fornecedores, planilhas apreendidas da SAF GENESYS, datada de 20/04/2012, em anexo com diversos extratos bancários de contascorrentes da SAF (Bradesco, Itáu, HSBC, CEF, Safra e Banco do Brasil), em nome de SAMIR ASSAD FILHO, extratos bancários apreendidos no estabelecimento da autuada em nome de SAMIR, cópias de cheques da autuada emitidas após SAMIR ter se retirado formalmente da sociedade mas por ele assinadas. A respeito da aplicação do art. 135 do CTN, alguns comentários adicionais devem ser ressaltados. Não desconheço da jurisprudência do STJ que pode ser resumida com a transcrição do Enunciado nº 430 da Súmula do STJ: O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente. Mais recentemente, julgouse a matéria sob a égide do disposto no art. 543C do CPC/1973 (“recurso repetitivo”), sendo que a Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.101.728/SP, de Relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, consolidou entendimento segundo o qual “a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa”. Fl. 942DF CARF MF Processo nº 19515.720152/201545 Acórdão n.º 1402002.466 S1C4T2 Fl. 943 30 Saliento que o simples inadimplemento da obrigação não pode gerar, de per si, a responsabilidade do administrador da pessoa jurídica. Ao assim dispor, por outro lado, o STJ deixou transparecer que em hipóteses de um inadimplemento, digamos, “qualificado”, podese sim atribuir a responsabilidade de que trata o art. 135 do CTN. Com efeito, não comungo do entendimento daqueles que limitam a aplicação do caput do art. 135 do CTN às hipóteses de cometimento de infração à lei societária, excluindo infrações às leis tributárias. Não me parece ser crível que, em se tratando de uma norma tributária, excluase do rol de infrações, aptas a ensejar a corresponsabilidade, justamente as próprias leis aplicáveis aos tributos. E não se fala aqui de um simples inadimplemento de tributo, mas sim de inadimplemento doloso, penalizado administrativamente com multa de 150% que se aplica somente em casos de sonegação, fraude ou conluio (art. 44, inciso I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430/96 e arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64), dando ensejo à representação fiscal para fins penais por cometimento, em tese, de crime contra a ordem tributária a que alude o art. 1º da Lei nº 8.137/90. Doutrina, ainda em que franca minoria, e farta jurisprudência, endossam tal entendimento. O Juiz Federal, Zenildo Bodnar, assim se manifestou a respeito do inadimplemento tributário: Uma vez definido com precisão o que vem a ser “atos práticos com infração à lei”, é fácil concluir que o simples inadimplemento tributário da pessoa jurídica não autoriza a responsabilização do sóciogerente ou administrador, salvo, evidentemente, quando acompanhado de condutas dolosas ou culposas, a exemplo da sonegação fiscal e outras fraudes.2 [grifos nossos] No mesmo sentido, Emanuel Carlos Dantas de Assis dispôs: A diferenciação entre os arts. 134 e 135 do CTN pode ser resumida assim: Art. 134: exigência de culpa, restrição da responsabilidade à obrigação tributária principal e limitação do montante ao valor do tributo, acrescido de juros de multa de mora; Art. 135: exigência de dolo, abrangência da responsabilidade para abarcar as penalidades por descumprimento de obrigação acessória e ampliar o montante, com inclusão da multa de ofício. Como a culpa ou o dolo deve ser comprovado, carece uma interpretação casuística. A solução vai depender de cada situação em concreto. Assim, se por um lado é certo que o simples inadimplemento de tributo se constitui em infração de lei, somente a análise dos fatos e circunstâncias irá demonstrar se o sócio tinha razões ou não para deixar de efetuar o pagamento. O que não pode é a responsabilidade ser atribuída à pessoa física com supedâneo no art. 134 ou 135, sem qualquer investigação sobre a existência de 2 BODNAR, Zenildo. Responsabilidade Tributária do SócioAdministrador. Curitiba: Juruá, 2010, p. 128. Fl. 943DF CARF MF Processo nº 19515.720152/201545 Acórdão n.º 1402002.466 S1C4T2 Fl. 944 31 culpa ou dolo. Permitir que assim aconteça é substituir a responsabilidade subjetiva por outra, objetiva, sem guarida no ordenamento jurídico. Na caracterização do dolo reside a maior dificuldade para as administrações tributárias, na tentativa de responsabilizar os administradores e sócios de sociedades empresárias, por débitos tributários destas. Como demonstrar, afinal, a intenção da pessoa física? O dolo necessário à responsabilidade estatuída no art. 135 é o presente não só nos crimes contra a ordem tributária previstos na Lei nº 8.137/1990, no contrabando e descaminho (art. 334 do Código Penal, alterado pela Lei nº 4.729/1965), ou nas infrações tributárias dolosas como sonegação, fraude e conluio (Lei nº 4.502/1964, arts. 71 a 73, respectivamente). [...]3 [grifos nossos] Também em pronunciamentos da PGFN e da Receita Federal podese extrair a mesma exegese de tal dispositivo legal: PARECER/PGFN/CRJ/CAT/Nº 55/2009 [...] 60. Podemos enumerar aqui as conclusões gerais decorrentes da doutrina da responsabilidade subjetiva dos administradores, na forma da jurisprudência hoje pacificada do Superior Tribunal de Justiça: a) O sócio que não possui poderes de gerência não responde pelas obrigações tributárias da sociedade; b) O administrador não responde pelas obrigações tributárias surgidas em período em que não detinha os poderes de gerência; c) A mera ausência de recolhimento de tributos devidos pela pessoa jurídica não pode ser atribuída ao administrador, não respondendo este em razão desse mero inadimplemento da sociedade; d) O administrador só é responsável por atos seus que denotem infração à lei ou excesso de poderes, como, por exemplo, a sonegação fiscal (que é ilícito punível inclusive penalmente) ou a dissolução irregular da sociedade; [grifos nossos] NOTA GT RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA nº 1, de 17 de dezembro de 2010 (Ato conjunto entre ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e Secretaria da Receita Federal do Brasil. Grupo de Trabalho constituído pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 8 / 2010) 55. Em relação ao excesso de poder, infração à lei, ao contrato social ou estatuto, é oportuno destacar: 3 DANTAS DE ASSIS, Emanuel Carlos. Arts. 134 e 135 do CTN: Responsabilidade Culposa e Dolosa dos Sócios e Administradores de Empresas por Dívidas Tributárias da pessoa Jurídica. In.: NEDER, Marcos Vinicius; FERRAGUT, Maria Rita (Coord.). Responsabilidade Tributária. São Paulo: Dialética, 2007, p. 158159. Fl. 944DF CARF MF Processo nº 19515.720152/201545 Acórdão n.º 1402002.466 S1C4T2 Fl. 945 32 a) Infração ao contrato social ou estatuto – deve ser uma infração a texto expresso do contrato ou estatuto. Ex.: Desenvolver atividade expressamente proibida nos atos constitutivos e alterações. b) Excesso de poder – não precisa haver vedação. Basta não ter previsão no contrato. Ex. Sócio age como gerente, sem ser (a hipótese do art. 135 abrange inclusive o sócio de fato). c) Infração à lei – não precisa ser uma lei tributária, porém, deve ter conseqüências tributárias. 56. Observase que, se há multa qualificada, há responsabilidade pelo art. 135 do CTN, trazendo à responsabilidade os sócios do tempo do fato gerador. [grifos nossos] E a jurisprudência também caminho nesse mesmo sentido. Vejamos: Tribunal Regional Federal da 3ª Região: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OCORRÊNCIA DE OMISSÃO. INTELIGÊNCIA DO AR TIGO 535 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. ENCERRAMENTO DA FALÊNCIA DA EMPRESA EXECUTADA. REDIRECIONAMENTO AO SÓCIOGERENTE. DECRETO LEI Nº 1.736/79. POSSIBILIDADE. RECURSO PROVIDO PARA DAR PROVIMENTO À APELAÇÃO DA UNIÃO E JULGAR PREJUDICADA A APELAÇÃO INTERPOSTA PELO EXECUTADO. 1. Os embargos declaratórios somente podem ser utilizados quando houver no acórdão obscuridade, contradição ou omissão acerca de ponto sobre o qual deveria pronunciarse o Tribunal e não o fez, isso nos exatos termos do artigo 535 do Código de Processo Civil. 2. Assiste razão à embargante, pois efetivamente o acórdão embargado não apreciou detidamente a questão referente a aplicação do artigo 8º do Decreto lei nº 1.736, de 20/12/1979, sendo omissa nesta parte. 3. Os débitos em execução referemse a IRPJFonte, devendo ser aplicado o Artigo 8º do Decretolei nº 1.736/79, porque está autorizado pelo artigo 124, II, do Código Tributário Nacional (são solidariamente obrigadas... as pessoas expressamente designadas por lei... A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem). 4. É correto fixar a responsabilidade dos sóciosgerentes ou administradores nos casos de IPI e imposto de renda retido na fonte, pois nesses casos o não pagamento revela mais que inadimplemento, mas também o descumprimento do dever jurídico de repassar ao erário valores recebidos de outrem ou descontados de terceiros, tratandose de delito de sonegação fiscal previsto na Lei nº 8.137/90, o que atrai a responsabilidade prevista no artigo 135 do Código Tributário Nacional (infração a lei). 5. Recurso provido para dar provimento à apelação da União e julgar prejudicada a apelação interposta pelo executado. (Embargos de Declaração em Apelação Cível Nº 0509878 53.1997.4.03.6182/SP, Relator Desembargador Federal JOHONSOM DI SALVO, Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, sessão de 24/10/2013) [grifos nossos] Fl. 945DF CARF MF Processo nº 19515.720152/201545 Acórdão n.º 1402002.466 S1C4T2 Fl. 946 33 Tribunal Regional Federal da 4ª Região: EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. REDIRECIONAMENTO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA. 1. A jurisprudência da 1ª Seção desta Corte firmouse, em consonância com entendimento atual da 1ª e da 2ª Turmas do Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que o redirecionamento contra o sóciogerente somente tem lugar com início de prova de que o sócio agiu com excesso de mandato ou infringência à lei ou estatuto, não decorrendo da simples inadimplência no recolhimento de tributos. 2. Nos casos em que a empresa deixa de recolher aos cofres públicos as contribuições previdenciárias descontadas dos segurados empregados, é possível a responsabilização solidária dos sócios, pois configura infração expressa à lei, não em razão do mero inadimplemento, mas em virtude da prática, em tese, de infração penal (apropriação indébita de contribuições previdenciárias 168A do CP). (EMBARGOS INFRINGENTES Nº 2006.70.99.0020750/PR, Relatora Juíza VÂNIA HACK DE ALMEIDA, 1ª Seção do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, decisão unânime, sessão de 04 de junho de 2009) [grifos nossos] Superior Tribunal de Justiça – STJ – Primeira Turma: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. NOVO PEDIDO DE REDIRECIONAMENTO PARA O SÓCIO GERENTE. ART. 135 DO CTN. POSSIBILIDADE. EXISTÊNCIA DE SENTENÇA CONDENATÓRIA EM CRIME DE SONEGAÇÃO FISCAL. CONFIRMADO. 1. Os efeitos da decisão, já transitada em julgado, que indeferiu anterior pedido de redirecionamento, não irradia efeitos de coisa julgada apta a impedir novo pedido de redirecionamento na mesma execução fiscal em face da existência de sentença condenatória em crime de sonegação fiscal, confirmada pelo Tribunal de 2º grau e com Habeas Corpus pendente de julgamento no STJ, porquanto aquele pleito inicial está fulcrado apenas em mero inadimplemento fiscal. 2. O redirecionamento da execução fiscal, e seus consectários legais, para o sóciogerente da empresa, somente é cabível quando reste demonstrado que este agiu com excesso de poderes, infração à lei ou contra o estatuto, ou na hipótese de dissolução irregular da empresa. A condenação em crime de sonegação fiscal é prova irrefutável de infração à lei. 3. Recurso especial parcialmente provido. (REsp 935839/RS, Relator Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, decisão unânime, sessão de 05 de março de 2009) [grifos nossos] Conforme se observa, ao se tratar não de um simples inadimplemento, mas sim de um inadimplemento qualificado, doloso, caracterizado por conduta fraudulenta e com Fl. 946DF CARF MF Processo nº 19515.720152/201545 Acórdão n.º 1402002.466 S1C4T2 Fl. 947 34 repercussões na esfera criminal, incide o disposto no art. 135 do CTN, implicando que os administradores da pessoa jurídica (inciso III), os quais respondem, inclusive, na seara criminal, sejam também responsabilizados pela obrigação tributária. Entendo ser desarrazoado pensar que o responsável pela administração da pessoa jurídica possa vir a ser responsabilizado penalmente, inclusive com restrições ao seu direito de ir e vir, e não possa, diante dos mesmos fatos, responder também pela obrigação tributária correspondente. Portanto, nas hipóteses em que se mostra correta a qualificação da penalidade com esteio no art. 44, inciso I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430/96 e arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, incide, automaticamente, a responsabilidade tributária dos administradores da pessoa jurídica que, à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores, também poderão vir a ser responsabilizados pelo cometimento de crimes contra a ordem tributária. Por fim, tal implicação não possui correspondência biunívoca, ou seja, não se pode fazer o raciocínio inverso a ponto de se concluir que, na ausência de tal penalidade qualificada, não incidiria a responsabilidade tributária de que trata o art. 135, III, do CTN. Isso porque há hipóteses em que sequer é necessário o lançamento de ofício do crédito tributário para que o responsável legal da pessoa jurídica responda pelo crédito tributário, como, por exemplo, nos casos de apropriação indébita previdenciária (art. 168A do Código Penal) e na apropriação indébita de que trata como crime contra a ordem tributária pela art. 2º, inciso II, da Lei nº 8.137/90 (falta de recolhimento de imposto de renda retido na fonte e de IPI destacado na nota fiscal, por exemplo). Em tais hipóteses, basta o contribuinte declarar o débito e não recolhêlo para que o administrador da pessoa jurídica, ao lado da própria empresa, passe a responder pelo débito correspondente, sem que haja necessidade sequer da realização do lançamento de ofício, e, muito menos, de penalidade qualificada. Nesse mesmo sentido, este colegiado vem decidindo que nos lançamentos em que reste configurado que a pessoa jurídica autuada encontrase em nome de interpostas pessoas, mas o fato gerador correspondente não tem qualquer correlação com tal interposição (por exemplo, depósitos bancários, sem comprovação de origem, nas próprias contas da pessoa jurídica autuada – art. 42 da Lei nº 9.430/96), não há incidência de multa qualificada, mas os reais proprietários de tal pessoa jurídica devem responder pelo crédito tributário correspondente, quer por força do art. 124, I, do CTN, quer pelo disposto no art. 135, III, do CTN quando demonstrados que administravam tal pessoa jurídica.4 4 A esse respeito, vejase o Acórdão 1402002.120, por mim relatado e julgado por esta turma na sessão de 01 de março de 2016, cujo o seguinte excerto do voto condutor do aresto é elucidativo: “[...]A meu ver, os elementos apontados pela autoridade fiscal não permitem concluir ter o contribuinte tenha agido com dolo, de modo a caracterizar a fraude a que alude o artigo 72 da Lei nº 4.502/1964. Em primeiro lugar porque a autuação baseiase única e exclusivamente em presunção legal de omissão de receitas, sendo que as contas bancárias em que se apoia o lançamento estavam em nome da própria empresa. No mais, o fato de a fiscalização acusar o contribuinte de possuir interpostas pessoas, embora possa surtir efeitos no que atine à responsabilidade tributária de terceiros, em nada altera as características da ocorrência do fato gerador, este sim, elemento a ser levado em consideração para fins de dosimetria da penalidade a ser cominada. Vejase que o fato de a empresa estar em nome de terceiros em nada dificultou a seleção da pessoa jurídica para procedimento fiscal, ou seja, não impediu, dificultou ou retardou tanto o conhecimento da ocorrência do fato gerador por parte da autoridade fiscal (sonegação) quanto a própria ocorrência do fato gerador (fraude), uma vez que as contas bancárias a partir das quais se apurou a omissão de receita estavam em nome da própria RECORRENTE. Fl. 947DF CARF MF Processo nº 19515.720152/201545 Acórdão n.º 1402002.466 S1C4T2 Fl. 948 35 Assim sendo, voto por manter a imputação de responsabilidade tributária a SAMIR ASSAD FILHO. 3 RECURSO DE OFÍCIO A decisão recorrida afastou o agravamento da penalidade em 50% aplicado pela autoridade fiscal em razão de o não atendimento pelo sujeito passivo de intimação para prestar esclarecimentos. Entendeu a decisão recorrida que os sócios da pessoa jurídica passaram a atender às intimações da empresa autuada, já que SAF GENENYS não foi localizada em nenhum dos endereços de seus estabelecimentos, tendo o sócio MARCOS PARISE CORREA, inclusive, comparecido à unidade da RFB informando sobre a retenção de documentos realizada pela Polícia Federal. Ademais, a falta de apresentação dos documentos ensejou tão somente o arbitramento dos lucros, já que o restante da documentação (em especial cópia das notas fiscais de venda) foram obtidas junto aos fornecedores da autuada. A meu sentir, a decisão recorrida mostrase acertada, devendo ser confirmada em sua integralidade, razão pela qual peço vênia para transcrever suas conclusões sobre o tema: Ainda no tocante à multa de ofício, resta, por fim, analisar o agravamento da exigência em virtude do não atendimento pelo sujeito passivo de intimação para prestar esclarecimentos. Nesse ponto, consta do Termo de Verificação Fiscal que, intimados a prestar esclarecimentos, os sócios (de fato e de direito) não atenderam à intimação, tendo ocorrido o aumento de metade da multa de ofício, conforme determina o art. 44, § 2º da Lei nº 9.430, de 1996. Pela leitura do TVF, verificase que os sócios passaram a responder diretamente pela empresa autuada, uma vez que a SAF Genesys não foi localizada em nenhum dos endereços de seus estabelecimentos. Em outra parte do referido termo, foi ressaltado que, intimados os atuais sócios, o sócio Marcos Parise Correa compareceu à Divisão de Fiscalização e apresentou declaração informando que toda documentação da empresa teria sido apreendida pela Polícia Federal, tendo juntado cópia de Auto Circunstanciado de Busca e Arrecadação. Conquanto os esclarecimentos possam ter sido considerados insuficientes pela autoridade fiscal, que fez registrar que no documento apresentado pelo intimado não constou a apreensão de documentos contábeis e fiscais que haviam sido solicitados, não há como deixar de observar que o sócio, na condição de representante da empresa autuada, atendeu à intimação fiscal, ainda que de forma incompleta ou insatisfatória do ponto de vista da fiscalização, não ficando confirmado o registro que serviu de base para a justificação do agravamento da multa de ofício no caso em exame. A consequência disso pode ser o arbitramento do lucro devidamente circunstanciado no lançamento pela falta de apresentação de livros contábeis e fiscais, além da busca de outros meios para a apuração da base de cálculo dos Assim, concluo que a fraude detectada tem a ver com a cobrança do crédito tributário, e não com sua constituição.” Fl. 948DF CARF MF Processo nº 19515.720152/201545 Acórdão n.º 1402002.466 S1C4T2 Fl. 949 36 tributos lançados (SPED Nota Fiscal Eletrônica e intimações dirigidas aos clientes da SAF Genesys), procedimentos levados a efeito pela autoridade fiscal que, a rigor, não foram sequer contestados pelos impugnantes. Porém, não se pode dizer que o sócio não prestou esclarecimentos. Assim, o aumento de metade da multa de ofício exigida nos autos de infração lavrados contra a pessoa jurídica não encontra justificativa. Nestas condições, deve ser reduzido o percentual aplicado da multa de ofício de 225% para 150%. Desse modo, voto por negar provimento ao recurso de ofício. 4 CONCLUSÃO Isso posto, voto por negar provimento ao recurso de ofício, e, em relação aos recursos voluntários: (i) negar provimento ao recurso de ofício; ii) rejeitar a arguição de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso da pessoa jurídica autuada; iii) negar provimento ao recurso do coobrigado Samir Assad Filho; e: iv) conhecer dos recursos voluntários dos coobrigados apenas no que se refere às razões interpostas referentes à regularidade da intimação para ciência do auto de infração e negarlhes provimento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 949DF CARF MF
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