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Numero do processo: 10380.019960/2008-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.
O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91, e à multa moratória, artigo 35 da mesma Lei.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2302-002.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Liege Lacroix Thomasi Presidente
Adriana Sato - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo Da Costa E Silva, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos De Carvalho Cruz, Paulo Roberto Lara Dos Santos
Nome do relator: ADRIANA SATO
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RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91, e à multa moratória, artigo 35 da mesma Lei. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 99 60 /2 00 8- 35 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Liege Lacroix Thomasi – Presidente Adriana Sato Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo Da Costa E Silva, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos De Carvalho Cruz, Paulo Roberto Lara Dos Santos Fl. 256DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.019960/200835 Acórdão n.º 2302002.186 S2C3T2 Fl. 256 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal DEBCAD n°37.206.7743 emitido em 31/12/2008 no valor total de R$18.698,59, referente às contribuições sociais devidas à Seguridade Social, apuradas através de folhas de pagamento entregues pelo Recorrente e não declaradas em Guia de Recolhimento ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP, cujos recolhimentos não foram comprovados pela empresa, bem como não constam do banco de dados do Sistema de Informação de Arrecadação e Débito DATAPREV, abrangendo competências entre 10/2004 a 11/2006. Conforme Relatório Fiscal, fls. 40/46 dos autos, referese à contribuição patronal, incidente sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais; às destinadas ao financiamento da complementação das prestações por acidentes do trabalhador / financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT). O ITS Instituto Terra Social é uma associação qualificada pelo Ministério da Justiça como OSCIP Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, figura jurídica introduzida pela Lei n° 9.790/99 (Resultado de pesquisa junto ao Ministério da Justiça em anexo). As OSCIPs devem estar voltadas para o alcance de objetivos sociais que tenham pelo menos uma das finalidades arroladas no art. 3 o da Lei n° 9.790/99. À luz da legislação previdenciária, as OSCIPs não gozam de nenhum tipo de renúncia ou benefício fiscal. A qualificação como OSCIP, conforme Lei n° 9.790/99, não substitui a Declaração de Utilidade Pública Federal, fornecida pelo Ministério da Justiça, e o Certificado de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social/CNAS. A empresa em questão não possui Certificado de Fins Filantrópicos, sujeitandose normalmente às obrigações principais e acessórias previstas na Lei n° 8.212/91 e que. para a execução dos objetivos previstos em lei e em seu Estatuto, contrata trabalhadores, tanto segurados empregados como contribuintes individuais, conforme declarado em GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social e demais documentos analisados. Foi entregue a fiscalização, exceto pelo Livro de Inspeção do Trabalho, apenas cópias dos documentos, abaixo relacionados e uma declaração, onde estão citados documentos que não seriam entregues por não serem pertinentes às atividades da empresa. RAIS 2004 negativa; Livro de Inspeção do Trabalho (original); GFIP incompleta para o período fiscalizado em meio papel; Guias de Previdência Social GPS; Registros de Empregados (01, 02, 03, 31 e 34); Folhas de Pagamento em meio papel das competências 01 a 12/2005, I a parcela do 13° Sal/2005 e 01 a 12/2006, I a e 2 a parcelas 13° Fl. 257DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 sal/2006 (referente apenas à administração e às instituições tomadoras de serviço SECON Secretaria da Controladoria e Ouvidoria Geral do Estado do Ceará e DNOCS). Ao questionar sobre os Livros contábeis de 2004 a 2006, folhas de pagamento de 2004 e os demais documentos solicitados, a auditoria fiscal foi informada que não existia mais nada relacionado à empresa. Até a data da emissão do presente auto, apesar das intimações, nada mais foi entregue. Por não ter a empresa apresentado todos os documentos solicitados, a fiscalização, no intuito de verificar a correção dos dados declarados em GFIP, utilizou além das cópias de documentos acima relacionados, as informações sobre a empresa nas seguintes fontes: DIRF existente no sistema da RFB (anocalendário 2005 e 2006); Estatuto Social e alterações (6o Ofício de Notas — Cartório Melo Júnior); Relatórios do Sistema de Informações Municipais — SIM, enviados pelo Tribunal de Contas dos Municípios — TCM por solicitação desta fiscalização; GFIP e GPS existentes no sistema da RFB e Relatórios gerados pelo sistema DATAPREV. Da análise desses documentos constatouse fatos geradores não declarados^em GFIP, abaixo descritos Contribuição de segurados não declarados em GFIP: Foi constatada a existência de valores pagos a contribuintes individuais declarados em GFIP sem que as contribuições dos segurados estivessem declaradas. Devido à empresa não ter apresentado a documentação solicitada e prevista na legislação, a fiscalização entendeu que a obrigação de realizar os descontos dos segurados era devida e, de acordo com a legislação, presumese que tenha sido realizada oportuna e regularmente pela empresa; a obrigação de declarar tais descontos em GFIP não foi cumprida pela empresa; o recolhimento dos valores relativos aos descontos é obrigação da empresa fiscalizada. Assim, foram calculados os valores das contribuições dos segurados devidas e não declaradas em GFIP, sendo lançados em levantamento, denominado DNG Desconto das contribuições dos segurados contribuintes individuais não declaradas em GFIP. Valores pagos a segurados empregados (folha de pagamento): Constatouse que as folhas de pagamento entregues não abrangem todo o período fiscalizado, nem todas as competências em que auferiu receita por serviços prestados e existência de segurados empregados que não constam em GFIP. Devido a empresa não ter apresentado a documentação prevista na legislação referente ao benefício do pagamento do salário família, foi considerado tal rubrica salário de contribuição dos segurados. Os valores do salário família declarados em GFIP e utilizados para a compensação das contribuições previdenciárias devidas pela empresa foram glosados. Os fatos geradores foram lançados nos levantamentos denominado DPT Diferença da remuneração em folha de pagamento não declarada em GFIP e RSF – Diferença da remuneração paga a título de salário família não declarada em GFIP. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.019960/200835 Acórdão n.º 2302002.186 S2C3T2 Fl. 257 5 Esclarece que através de pesquisa no sistema DATAPREV, não ficou comprovado o benefício de salário maternidade que a empresa declara em GFIP ter sido pago a segurada empregada com NIT que identifica. Assim, os valores declarados em GFIP como deduções pelo pagamento de salário maternidade foram glosados. Elabora demonstrativos anexo I e II. Observa que para o correto cálculo do débito, foi realizada apropriação dos valores recolhidos pela empresa em GPS frente aos valores declarados em GFIP. O saldo restante foi apropriado frente aos levantamentos DNG, DRP e RSF. Toda a fundamentação legal referente ao crédito apurado encontrase no relatório "Fundamentos Legais do Débito FLD". Sobre o crédito apurado incidiram juros e multa nos valores demonstrados no anexo '"Discriminativo Sintético de Débito — DSD, que encontram amparo legal detalhado no relatório "Fundamentos Legais do Débito FLD. A relação de representantes legais foram apresentados no "Relatório de Representantes Legais — REPLEG. Relaciona os diversos relatórios deste auto de infração e os diversos documentos lavrados durante a ação fiscal. O recorrente interpôs impugnação e a 5ª Turma da DRFBJ de Juiz de Fora julgou procedente o lançamento, e, inconformado, interpôs recurso voluntário, alegando em sintese: que o Auto de Infração n° 37.206.7743 é insubsistente, por absoluta falta de fundamentação, de vez que inexistiu o detalhamento devido e necessário no relatório fiscal, com prejuízo ao oferecimento da defesa; acaso não se acolha a pretensão anterior, reconheçase, a absoluta impossibilidade de incidência de contribuição previdenciárias sobre os contratos de parcerias com as empresas e órgãos públicos, excluindoos do lançamento entelado; excluir a taxa SELIC da composição da dívida, fazendose substituir pelo INPC mais j u r o s de 1 % ; que sejam compensados os valores recolhidos, incidentes sobre as remunerações relativas aos primeiros quinze dias de auxílio doença; que sejam excluídas as deduções legais das bases de cálculo aferidas; requer, por f i m , a produção no decorrer processual de todas as demais provas possíveis e permitidas em direito, inclusive juntadas de documentos novos e, principalmente, perícia, no sentido de aferir se os cálculos estão corretos. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Voto Conselheiro Adriana Sato Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo a análise das questões suscitadas. O Recorrente não trouxe argumentos suficientes para a nulidade ou alteração da autuação como requer, como também não apresentou documentos que comprovassem o que alega. Quanto ao procedimento realizado pela fiscalização de formalização do lançamento não observo qualquer vício que venha causar lesão ao contribuinte, uma vez que foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, notadamente a correta descrição do fato gerador da contribuição previdenciária. A notificação das partes interessadas foi devidamente realizada, de modo que não se verifica quaisquer vícios. A fiscalização especificou no Relatório Fiscal (fls. 40/46) com elaboração de anexos, de forma clara, os fatos geradores da obrigação principal, a técnica utilizada na apuração da base de cálculo, os fundamentos legais da exação exigida, bem como documentos comprobatórios da ocorrência do fato gerador, juntamente com os anexos que fazem parte do Auto de Infração, que, de acordo com as orientações normativas vigentes, são necessários e suficientes para apresentar ao sujeito passivo as informações pertinentes aos procedimentos realizados no decorrer da ação fiscal, bem como sobre a origem das contribuições previdenciárias lançadas e fundamentação legal.. Assim vêse nestes relatórios e discriminativos anexos, informações dos dispositivos legais que fundamentam o lançamento efetuado (FLD Fundamentos Legais do Débito); demonstrações como os recolhimentos foram apropriados em procedimento fiscal (RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados); relação das parcelas que foram deduzidas das contribuições apuradas, constituídas por recolhimentos, os valores das GPS Guias de Previdência Social pagas (RDA Relatório de Documentos Apresentados); relação dos lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo, permitindo ao contribuinte compreender o lançamento efetuado pela fiscalização, vislumbrando os fatos geradores discriminados (RL — Relatório de Lançamentos); competências, levantamentos, as bases de cálculo, as rubricas, os valores das contribuições apuradas (DAD Discriminativo Analítico de Débito); discriminação sintética das contribuições objeto da apuração, atualização monetária, multa e juros devidos (DSD Discriminativo Sintético de Débito); e, a relação de representantes legais (REPLEG Relatório de Representantes Legais). Nesse sentido, verificase que a auditoria fiscal executou os procedimentos fiscais de maneira a assegurar ao sujeito passivo o exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. As folhas de pagamentos foram preparadas pelo próprio recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.019960/200835 Acórdão n.º 2302002.186 S2C3T2 Fl. 258 7 Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. Melhor dizendo, a base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com o montante de salários informado pelo recorrente. Acrescentase, ainda, que a partir de 01/01/99, com a implantação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP, os valores nela declarados são tratados como confissão de dívida fiscal, nos termos do artigo 225, §1° do Decreto n° 3.048, de 06/05/99: Art.225. (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Quanto às alegações da contribuição incidente sobre valor relativo ao pagamento dos primeiros quinze dias de afastamento de seus empregados, por doença ou acidente, mesmo não constando dos autos elementos/documentos que comprovem a sua ocorrência, cabe destacar que, nos termos dos arts. 59 e 60 da Lei n° 8.213/91, o direito ao auxílio doença surge quando da incapacidade para o trabalho por mais de 15 dias consecutivos, sendo devido a partir do 16° dia. Até então, tem a empresa a obrigação de prosseguir pagamento ao salário do empregado. Notese, de fato, que o montante pago pela empresa não o é a título de benefício previdenciário, mas de salário, ainda que o empregado não tenha trabalhado efetivamente. Aliás, na relação empregatícia, há, de fato, a garantia ao pagamento do salário em várias situações específicas de repouso e de licenças sem que reste descaracterizada tal verba. Basta, aliás, atentar para as férias remuneradas e para o décimo terceiro salário. Neste sentido, podem ser observados vários precedentes. Art. 60. O uxíliodoença será devido ao segurado empregado a contar do décimo sexto dia do afastamento da atividade, e, no caso dos demais segurados, a contar da data do inicio da incapacidade e enquanto ele permanecer incapaz. (Redação dada pela Lei n°9.876, de 26.11.99) § 3a Durante os primeiros quinze dias consecutivos ao do afastamento da atividade por motivo de doença, incumbirá à empresa pagar ao segurado empregado o seu salário integral. (Redação dada pela Lei n° 9.876, de 26.11.99) Assim, considerando que nos primeiros quinze dias da incapacidade o empregador é obrigado a manter o pagamento do salário e que não tem ele a natureza previdenciária própria do benefício de auxílio doença concedido posteriormente pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, não vislumbro a procedência da pretensão do Recorrente de compensação do valor relativo ao pagamento dos primeiros quinze dias de afastamento de seus empregados por doença ou acidente. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n° 3, nestas palavras: Súmula N º 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais Quanto à prova pericial a mesma tem que ser requerida na peça inaugural da defesa, conforme disposição expressa no regulamento do Processo Administrativo. De acordo com o disposto no art. 9º, IV da Portaria MPAS n ° 520/2004, são requisitos da perícia, nestas palavras: Art. 9º A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. § 1º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 3º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. § 4º A matéria de fato, se impertinente, será apreciada pela autoridade competente por meio de Despacho ou nas contra razões, se houver recurso. § 5º A decisão deverá ser reformada quando a matéria de fato for pertinente. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.019960/200835 Acórdão n.º 2302002.186 S2C3T2 Fl. 259 9 § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. § 7º As provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório. § 8º Em caso de discussão judicial que tenha relação com os fatos geradores incluídos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ou Auto de Infração, o contribuinte deverá juntar cópia da petição inicial, do agravo, da liminar, da tutela antecipada, da sentença e do acórdão proferidos. No presente caso, não houve o preenchimento dos requisitos exigidos para realização da perícia, assim considerase não formulado tal pedido. Desse modo, pode a autoridade julgadora indeferir o pleito da recorrente, sem ferir o princípio da ampla defesa. Nesse sentido, segue o teor do art. 11º da Portaria MPAS n ° 520/2004: Art. 11 A autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva DecisãoNotificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 9º. § 2º O interessado será cientificado da determinação para realização da perícia por meio de Despacho, que indicará o procedimento a ser observado. No mesmo sentido dispõe o Decreto n ° 70.235/1972 sobre o processo administrativo fiscal, nestas palavras: Art. 17. A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligência, inclusive perícias quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Parágrafo único. O sujeito passivo apresentará os pontos de discordância e as razões e provas que tiver e indicará, no caso de perícia, o nome e o endereço do seu perito. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93) (...) Fl. 263DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 A necessidade de o requerimento da perícia ter que constar na peça de impugnação não fere a ampla defesa, pois no processo judicial, rito sumário, os quesitos da perícia tem que constar na petição inicial, bem como na contestação. Por todo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Adriana Sato Relator Fl. 264DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 18471.003156/2008-27
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
Não compete à esfera administrativa apreciar arguição de inconstitucionalidade de lei vigente, conforme dispõe a legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal.
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.
Consiste em descumprimento de obrigação acessória, portanto, passível de incidência de multa, a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE.
Não há o que se falar em realização de diligência para se averiguar parcelas integrantes do lançamento, exigidas com base em legislação supostamente inconstitucional, por ser o CARF incompetente para apreciar a matéria, nos termos da Súmula nº. 2, expedida pelo referido órgão.
Ainda, não se vislumbra a necessidade de diligência quando os autos trazem dados suficientes para a convicção do julgador, podendo este indeferir quando entendê-la desnecessária.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa e ao contraditório quando a autoridade fiscal realiza o lançamento com observância ao art. 142 do CTN, demonstrando os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, portanto, a decadência das contribuições previdenciárias deve-se operar em cinco anos, de acordo com as regras do Código Tributário Nacional - CTN.
No presente caso aplica-se a regra do artigo 173, I, do CTN, por se tratar do não cumprimento de obrigações acessórias exigíveis pela legislação previdenciária.
ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE AO MOMENTO DA INFRAÇÃO.
Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.046
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA - Presidente.
(assinado digitalmente)
NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Não compete à esfera administrativa apreciar arguição de inconstitucionalidade de lei vigente, conforme dispõe a legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória, portanto, passível de incidência de multa, a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Não há o que se falar em realização de diligência para se averiguar parcelas integrantes do lançamento, exigidas com base em legislação supostamente inconstitucional, por ser o CARF incompetente para apreciar a matéria, nos termos da Súmula nº. 2, expedida pelo referido órgão. Ainda, não se vislumbra a necessidade de diligência quando os autos trazem dados suficientes para a convicção do julgador, podendo este indeferir quando entendêla desnecessária. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa e ao contraditório quando a autoridade fiscal realiza o lançamento com observância ao art. 142 do CTN, demonstrando os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 31 56 /2 00 8- 27 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003156/200827 Acórdão n.º 2803002.046 S2TE03 Fl. 198 2 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, portanto, a decadência das contribuições previdenciárias devese operar em cinco anos, de acordo com as regras do Código Tributário Nacional CTN. No presente caso aplicase a regra do artigo 173, I, do CTN, por se tratar do não cumprimento de obrigações acessórias exigíveis pela legislação previdenciária. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE AO MOMENTO DA INFRAÇÃO. Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, devese aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Presidente. (assinado digitalmente) NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003156/200827 Acórdão n.º 2803002.046 S2TE03 Fl. 199 3 Relatório 1. Tratase de Auto de Infração lavrado contra a empresa LUAU DA PRAIA BIQUINIS LTDA., por ter deixado esta de cumprir obrigação acessória prevista no art. 33, §§ 2º e 3º, da Lei n° 8.212/1991, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº. 3.048/1999, que consiste em a empresa deixar de exibir qualquer documento ou livros relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, ou que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, para as competências 01/2003 a 12/2004 (DEBCAD nº. 37.176.8330). 2. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, a empresa, embora devidamente intimada, deixou de apresentar a autoridade fiscal Livro Diário, Livro Razão, folha de pagamento, Guia de Recolhimento de FGTS e declaração a Previdência Social GFIP (fls. 8/13). 3. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 13) informa que, além de ter ficado configurada a circunstância agravante de reincidência, prevista no art. 290, V, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº. 3.048/99, foi aplicada a multa prevista nos arts. 92 e 102, ambos da Lei nº. 8.212/1991, c/c o art. 283, inciso I, alínea "b" e art. 373, prevista no artigo 283, inciso I, alínea "g", do RPS, no valor de R$12.548,77 e atualizada pela Portaria Interministerial MPS/MF nº. 77, de 12 de março de 2008. 4. A autuada tomou ciência do lançamento fiscal, em 06/11/2008, conforme consignado no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF e correspondência postal com Aviso de Recebimento AR SX620872604BR (fl. 16/17). 5. Após devidamente intimada, a contribuinte, apresentou impugnação tempestiva as fls. 19/37, e ao julgar a peça impugnatória apresentada, o Colegiado de primeira instância considerou a impugnação improcedente, e, por conseqüência, manteve o crédito tributário em sua totalidade. 6. A decisão a quo restou ementada nos termos que hora transcrevo: “INFRAÇÃO. NÃO EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS E LIVROS RELACIONADOS A CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas na lei 8.212/91. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA QUINQUENAL. INOCORRÊNCIA. Sendo o auto de infração um lançamento de ofício por verificação do descumprimento de obrigação acessória, a contagem do período decadencial de cinco anos declarado pelo Fl. 199DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003156/200827 Acórdão n.º 2803002.046 S2TE03 Fl. 200 4 STF deverá ser iniciada nos termos do art. 173, I do Código Tributário Nacional, inocorrendo a decadência se a exigência consubstanciada no auto de infração está dentro dos cinco anos previsto na legislação. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). EMISSÃO REVOGADA. TERMO DE INÍCIO DA AÇÃO FISCAL (TIAF). CIÊNCIA E INTIMAÇÃO AO SUJEITO PASSIVO DO PROCEDIMENTO FISCAL EM CURSO. O TIAF emitido privativamente pelo AFPS, no pleno exercício de suas funções, tem por finalidades cientificar o sujeito passivo de que ele se encontra sob ação fiscal e intimálo a apresentar os documentos necessários à verificação do regular cumprimento das obrigações previdenciárias principais e acessórias. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Incabível a nulidade pela alegação de cerceamento de defesa quando o crédito tributário apurado foi devidamente motivado, apresentandose o documento lavrado dentro das determinações legais vigentes. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. COMPETÊNCIA. A autoridade administrativa é incompetente para declarar a inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei. Cabe a mesma a aplicação da legislação vigente em função do previsto no artigo 142 do Código Tributário Nacional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. (fls.118/125). 7. Cientificada em 15/07/2011 (fl.129) da decisão proferida em primeira instância e demonstrando seu inconformismo com o julgamento a contribuinte, basicamente, com os mesmos argumentos constantes na impugnação, apresentou recurso voluntário (fls. 155/174), no qual, em síntese, aduz que: a) é inconstitucional a Lei nº. 8.212/1991, no que tange ao conceito de salário, ao ampliar a base de cálculo da contribuição afronta o previsto no inciso I, art. 195, da Constituição Federal de 1988, e, que também a cobrança relativa aos riscos ambientais do trabalho é ilegal, bem como é inconstitucional a cobrança da contribuição para o SEBRAE; b) há ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório cerceamento de defesa haja vista ausência de descrição minuciosa dos valores integrantes da base de cálculo das contribuições; c) os pretensos créditos relativos ao exercício de 2003 foram atingidos pela decadência porque a eles se aplicam a regra inserta no art. 150, § 4º do CTN; Fl. 200DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003156/200827 Acórdão n.º 2803002.046 S2TE03 Fl. 201 5 d) pugna pela realização de diligências, com a finalidade de identificar os percentuais não sujeitos à incidência, uma vez que se trata de inconstitucional a legislação em que se fundamenta tal exigência; e) deve ser aplicada a lei mais benéfica, como preconiza o art. 106, II, “c”, do CTN; 8. O fisco não apresentou contrarrazões e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003156/200827 Acórdão n.º 2803002.046 S2TE03 Fl. 202 6 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS 2. Em relação à alegação de que é ilegal ou inconstitucional a legislação que deu suporte à cobrança relativa aos riscos ambientais do trabalho e a cobrança da contribuição para o SEBRAE, ou mesmo a que tenha definido determinadas verbas como fatos geradores da contribuição previdenciária, estou de acordo com a posição do julgador de primeira instância, no sentido de que, no presente caso, por se tratar o lançamento de atividade vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142 do CTN, coube a autoridade administrativa apenas observar o que determina a lei, sem adentrar ao mérito quanto a sua validade. 3. De igual modo, o Dec. nº. 70.235/72 que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, em seu art. 26A, determina que: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” 4. Assim, os eventuais aspectos relativos à ilegalidade ou inconstitucional da legislação que tenha instituído as cobranças referentes aos riscos ambientais, contribuição para o SEBRAE ou definido a hipótese de incidência da contribuição previdenciária, não tem competência este Colegiado para apreciar tal matéria, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, a seguir transcrita: “Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA 5. Narra o Relatório Fiscal da Infração (fl. 9) que, de acordo com o Termo de Início de Ação Fiscal, datado de 12/09/2008, a empresa foi notificada por duas ocasiões, para apresentar documentação, prestar esclarecimentos e informações a Receita Federal do Brasil, não tendo, contudo, a contribuinte exibido os documentos solicitados Livro Diário, Livro Razão, folha de pagamento, GFIP (Guia de Recolhimento de FGTS e declaração a Previdência Social), tendo motivado a presente autuação. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003156/200827 Acórdão n.º 2803002.046 S2TE03 Fl. 203 7 6. A recorrente em sede recursal, basicamente, traz os mesmos argumentos apresentados na impugnação, onde reitera que os créditos lançados, correspondentes ao exercício de 2003, estão extintos pela decadência e que devem ser excluídos da dívida previdenciária os valores calculados sobre o montante que não integra a noção de salário, inclusive, a contribuição relativa aos riscos ambientais de trabalho, por serem inconstitucionais. 7. Salientese que as alegações acima são irrelevantes e sem pertinência, portanto, com o presente lançamento, até porque a autoridade fiscal, no caso, apenas fez cumprir a legislação de regência, impondo a penalidade cabível a Recorrente por esta ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessórias, nos termos do art. 33, §§ 2º e 3º, da Lei n° 8.212/1991, in verbis: “Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº. 11.941, de 2009). (...). § 2º A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). (g.n.) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009)” . O Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, dispõe no mesmo sentido, conforme transcrito a seguir: “Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003156/200827 Acórdão n.º 2803002.046 S2TE03 Fl. 204 8 Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira.(g.n).” 8. Assim, de acordo com os dispositivos acima transcritos, fica evidente de que a contribuinte, ao não apresentar ao Fisco os documentos solicitados Livro Diário, Livro Razão, folha de pagamento, GFIP (Guia de Recolhimento de FGTS e declaração a Previdência Social), incorreu na infração disposta no art. 33, §§ 2º e 3º, da Lei nº. 8.212/1991, c/c os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social (RPS). 9. Temse, portanto, como correta a autuação fiscal, visto que houve o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme estabelece os dispositivos acima transcritos, resultando, assim, na imposição de multa pela fiscalização por descumprimento de obrigação acessória da exibição de documentos e livros, relacionados com as contribuições sociais previdenciárias, obrigação acessórias esta que independe da existência ou cumprimento da obrigação principal. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA 10. A contribuinte requer que se determine diligência, objetivando a eventual exclusão de valores que serviram de base para o lançamento tributário, por entender que parte dos valores lançados tem por fundamento legislação inconstitucional, notadamente no que diz respeito à contribuição destinada ao SEBRAE. 11. No entanto, na fase de impugnação, nos termos do art. 16, IV, do Dec. nº. 70.235/72, deve o impugnante expor os motivos que justifiquem o pedido de diligência, o que foi feito pela contribuinte no recurso sob análise, tendo o pleito como fundamento a inconstitucionalidade de leis, e, por esta razão, peremptoriamente, rechaço essa pretensão, haja vista incompetência deste Colegiado para o exame da matéria, conforme já exposto, e, por ter firme o entendimento de ser desnecessária essa diligência para a convicção acerca da regularidade do lançamento. DO CERCEAMENTO DE DEFESA 12. Neste ponto nenhuma razão tem a contribuinte, inclusive ela mesma alega que “não obstante ter sido apresentado discriminativo analítico e sintético de débito, não restou detalhado o valor do débito previdenciário, motivo pelo qual nulo é o lançamento efetuado na Notificação Fiscal objeto do presente recurso”, haja vista a impossibilidade do seu exercício do direito a ampla defesa e do contraditório, constitucionalmente assegurados. 13. Ocorre que a própria contribuinte é taxativa quando menciona existir “discriminativo analítico e sintético de débito” no auto de infração, para em seguida, indevidamente, apontar que “não restou detalhado o valor do débito previdenciário” (fl. 158). 14. Nesse ponto nenhuma razão tem a recorrente, primeiro porque ela mesma afirma quanto à existência de discriminativo analítico do débito, segundo por se referir o presente lançamento à imputação de pena por descumprimento de obrigação acessória que independente de ocorrência do fato gerador de obrigação principal, qual seja multa por não exibição de documentos e livros relacionados com a contribuição social previdenciária, nos Fl. 204DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003156/200827 Acórdão n.º 2803002.046 S2TE03 Fl. 205 9 termos já delineados, de modo que a infração se caracteriza, no caso, apenas pela não entrega do solicitado pelo Fisco. 15. Esclareçase que a autuada, ao longo de seu recurso, em nenhum momento faz menção ou justifica o não fornecimento dos documentos e livros solicitados pela fiscalização, como não fez na impugnação, considerado assim como ponto incontroverso, o que justifica plenamente a autuação lavrada pela autoridade fiscal. 16. Portanto, verificase que o lançamento foi realizado com observância da legislação, bem como foi a infração capitulada e descrita com precisão pela fiscalização, não procedendo, assim, as alegações da autuada de que foi cerceada no seu direito a ampla defesa e ao contraditório, pois, permitiuse a ela averiguar as motivações e os fundamentos da presente autuação, de sorte que não se detecta qualquer transgressão a norma legal em vigor e por essa razão não há o que se falar em nulidade do lançamento. DA DECADÊNCIA 17. Considerados os argumentos trazidos aos autos, primeiramente é importante que seja feita a análise da decadência, conforme requerido pela contribuinte, tendo em vista que parte do crédito tributário constituído já se encontraria decaída, segundo o prazo qüinqüenal, previsto no Código Tributário Nacional, para só a partir dessas reflexões verificar se o referido instituto repercute no lançamento sob análise. 18. Sobre essa questão, cumpre ressaltar que, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: “(...) Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº. 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto.” ............................................................. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003156/200827 Acórdão n.º 2803002.046 S2TE03 Fl. 206 10 “Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” 19. A instituição da denominada Súmula Vinculante e seus efeitos estão previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 20. Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 21. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. 22. Acerca das regras de verificação da decadência, frisese, posto que importante, que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidouse no seguinte sentido: “(...) 1. Está assentado na jurisprudência desta Corte que, nos casos em que não tiver havido o pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, é de se aplicar o art. 173, inc. I, do Código Tributário Nacional (CTN). Isso porque a disciplina do art. 150, § 4º, do CTN estabelece a necessidade de antecipação do pagamento para fins de contagem Fl. 206DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003156/200827 Acórdão n.º 2803002.046 S2TE03 Fl. 207 11 do prazo decadencial. Precedente em recurso representativo de controvérsia (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009). [...] 3. Recurso especial parcialmente provido”. (REsp 1015907/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 10/09/2010) “(...) 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, ‘Decadência e Prescrição no Direito Tributário’, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro Fl. 207DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003156/200827 Acórdão n.º 2803002.046 S2TE03 Fl. 208 12 de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008”. (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 18/09/2009). 23. No caso dos autos em questão, no entanto, devido à natureza jurídica da constituição desse tipo de crédito (Inc.IV, do art. 225, combinados com o Inc. II, do art. 284 e art. 373, do Dec. nº. 3.048/99) – Multa por descumprimento de obrigação acessória regra geral, a definição do termo inicial do prazo de decadência há de ser o artigo 173, inciso I, do CTN. 24. A NOTA de no PGFN/CAT nº. 856, de 2008, editada para explicitação do Parecer PGFNC/CAT nº. 1617 de 2008, em seu item 10, concluiu nos seguintes termos: “Ipso facto, nada obstante tenhase determinação legal para que a documentação seja disponibilizada ao longo de uma década, a decisão da Suprema Corte fora clara, no sentido de que os prazos de prescrição e decadência se esgotam ao longo de um lustro. Por isso, às obrigações acessórias exigíveis pela legislação previdenciária aplicase a regra do inciso I, do art. 173, do CTN, para fins de sua constituição. Em outras palavras, o fato de que lei ainda constitucional (ainda, porque até o presente não explicitamente fulminada) determine que documentos sejam mantidos por 10 anos não é substancialmente necessário e suficiente para que não se aplique a determinação do Supremo Tribunal Federal, quanto aos prazos de prescrição e decadência. A Corte determina a aplicação do CTN. Na hipótese, e objetivamente, reportase ao inciso I, do art. 173, com o objetivo de fixação de dies a quo do prazo de decadência”. 25. Isso posto, o dispositivo legal a ser aplicado no presente caso, no tocante à decadência, não é o que estabelece o art. 150, § 4º, como sustentado pela contribuinte, e sim o previsto no artigo 173, inciso I, ambos do CTN. Neste ponto assiste razão ao julgador a quo ao concluir que: “Os fatos geradores relativos à infração capitulada nesta autuação são verificados por competência. No caso concreto, o crédito tributário foi constituído em 03/11/2008, data da lavratura da autuação, com ciência do contribuinte em 08/11/2008, relativo aos fatos geradores do período de 01/2003 a 12/2004. Portanto, considerandose o prazo previsto no art. 173, I do CTN, para o presente crédito não se aplica o instituto da decadência.” Assim, não há como prosperar as alegações (fls. 174 e ss.) da contribuinte no sentido de que parte do lançamento teria sido atingido pela decadência qüinqüenal. DA RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO APLICÁVEL A MULTA 26. A retroatividade da Lei, quando benigna, se constitui em direito da recorrente, assegurado pelo inciso II, do art. 106, do CTN, em relação a ato não definitivamente julgado, de sorte que deve ser aplicada a lei mais favorável ao agente no Fl. 208DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003156/200827 Acórdão n.º 2803002.046 S2TE03 Fl. 209 13 tocante à definição da infração tributária, bem como à cominação da respectiva penalidade pecuniária, nos expressos termos do mencionado dispositivo, pois, a retroatividade é a regra. 27. Assim, no que tange à multa aplicada na presente autuação fiscal, considerando a legislação superveniente à época dos fatos, em regra, deve ser observada a retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, do CTN, o qual determina que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado e quando imputada ao infrator penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, in verbis: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” 28. No entanto, a penalidade imposta no presente caso, tratase de valor fixo que independe da quantidade irregularidade praticada, e por essa razão não há o que se falar em aplicação de legislação mais benigna, não se aplicando o previsto no art. 106, inciso II do CTN. CONCLUSÃO 29. Ante ao exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo inalterado o valor da multa em razão desta não variar em função do número de irregularidade. É como voto. (assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos – Relator Fl. 209DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003156/200827 Acórdão n.º 2803002.046 S2TE03 Fl. 210 14 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13687.000536/2008-61
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2803-000.147
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) relator(a), para que a Secretaria da 3ª Câmara da 2ª. Seção de Julgamento solicite à Secretaria 3ª Câmara da 1ª Primeira Seção de Julgamento o fornecimento de cópia (digital) do Acórdão n. 1302-000.581 com declaração de andamento do respectivo processo.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) relator(a), para que a Secretaria da 3a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento solicite à Secretaria 3ª Câmara da 1ª Primeira Seção de Julgamento o fornecimento de cópia (digital) do Acórdão n. 1302-000.581 com declaração de andamento do respectivo processo. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato , André Luis Marisco Lombardi, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior. RE SO LU ÇÃ O GE RA DA N O PG D- CA RF PR OC ES SO 13 68 7.0 00 53 6/2 00 8- 61 RE SO LU ÇÃ O GE RA DA N O PG D- CA RF PR OC ES SO 13 68 7.0 00 53 6/2 00 8- 61 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 13.687.000536200861Voluntário 13.687.000536200861Voluntário 3ª Turma Especial3ª Turma Especial 21 de novembro de 2012 21 de novembro de 2012 SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA TERMO ELETRO LTDA EPP. TERMO ELETRO LTDA EPP. FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) relator(a), para que a Secretaria da 3a. julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) relator(a), para que a Secretaria da 3a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento solicite à Secretaria 3ª Câmara da 1ª Primeira Seção de Câmara da 2a. Seção de Julgamento solicite à Secretaria 3ª Câmara da 1ª Primeira Seção de Julgamento o fornecimento de cópia (digital) do Acórdão n. 1302-000.581 com declaração de Fl. 309DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13687.000536/2008-61 Resolução nº 2803-000.147 S2-TE03 Fl. 308 2 Relatório Trata Recurso Voluntário que busca reforma da decisão da DRJ que manteve a negativa ao pedido do Requerimento de Reembolso (RR) de salário-família pagos entre 08/2004 e 11/2007, nas competências identificadas em epígrafe, protocolado em 03/09/2008. A negativa deu-se em razão da alteração do Regime de Apuração da recorrente, que teria sido excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES FEDERAL), a partir 01/01/2004, e do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES NACIONAL), a partir de 01/07/2007, mediante Ato Declaratório Executivo DRF/UBE n° 002/2009, de 28 de janeiro de 2009 e Ato Declaratório Executivo DRF/UBE n° 004, de 02 de fevereiro de 2009, respectivamente, em virtude de ter desempenhado atividades vedadas pelo inciso XIII, do art. 9°, da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e pelo inciso XI do art. 17 da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006. Logo, o pedido de reembolso deveria enquadrar-se no regime de apuração e tributação ao qual a requerente deveria estar enquadrada. E mesmo que ela estivesse impugnando ou recorrendo das decisões de exclusão, estas não teriam efeito suspensivo, tendo sido mantidas em julgamento da mesma DRJ (Processo nº 10970.000610/2008-55, Acórdão n° 09-26-064 de 09/09/2009 da 2 a. Turma de Julgamento). Inconformada com a manutenção da negativa, apresentou Recurso Voluntário, reforçando o dever de suspensão dos efeitos das decisões de exclusão em razão da Recorrente ainda estar questionando administrativamente as mesmas, bem como outros argumentos. Os autos vieram para apreciação desta Turma Especial do CARF. É o relatório. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13687.000536/2008-61 Resolução nº 2803-000.147 S2-TE03 Fl. 309 3 Voto O recurso voluntário da Recorrente é tempestivo, devendo ser conhecido. Em que pese a orientação da presente turma especial de que as decisões de exclusão do SIMPLES FEDERAL e SIMPLES NACIONAL, quando objetos de impugnação ou recurso administrativos, não suspendem os seus efeitos, o presente contém um elemento de diverso. As indicadas decisões de exclusões que haviam sido mantidas na primeira instância do contencioso administrativo foram objeto de Recurso Voluntário da contribuinte, que recebera provimento da Segunda Turma, da Terceira Câmara, Primeira Seção de Julgamento do CARF, em 25.05.2012, Acórdão n. 1302-000.581, conforme extrato do andamento processual consultado pelo sitio do CARF/MF, no dia 20.11.2012, anexo a este voto. Contudo, o sitio não forneceu acesso ao inteiro teor da decisão. Considerando as competências das respectivas Turmas e Sessões de Julgamento do CARF, conforme o art. do RICARF, a decisão tomada naquela turma sobre a não exclusão da Recorrente do Simples afetará diretamente o resultado da presente decisão, pois definirá novo pressuposto de análise. Assim, em nome da celeridade e economia processual, faz-se necessário o conhecimento daquela decisão da 1ª Seção de Julgamento do CARF/MF. Isso posto, voto por converter o presente julgamento em solicitação de diligência à Secretaria da 3a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento solicite à Secretaria 3ª Câmara da 1ª Primeira Seção de Julgamento o fornecimento de cópia (digital) do Acórdão n. 1302-000.581 com declaração de andamento do respectivo processo. Sala de Sessões, 21 de novembro de 2012. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator Fl. 311DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10530.723914/2009-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 30/04/2007 a 30/06/2007
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR ORIGINADO DE OPERAÇÕES VINCULADAS À VENDAS EFETUADAS COM INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O saldo credor da Cofins obtido com base em créditos relacionados às operações vinculadas às vendas tributadas, regra geral, só pode ser aproveitado diminuindo o valor devido da contribuição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-002.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Odassi Guerzoni Filho - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 30/04/2007 a 30/06/2007 COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR ORIGINADO DE OPERAÇÕES VINCULADAS À VENDAS EFETUADAS COM INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O saldo credor da Cofins obtido com base em créditos relacionados às operações vinculadas às vendas tributadas, regra geral, só pode ser aproveitado diminuindo o valor devido da contribuição. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Júlio César Alves Ramos - Presidente Odassi Guerzoni Filho - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/04/2007 a 30/06/2007 COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR ORIGINADO DE OPERAÇÕES VINCULADAS À VENDAS EFETUADAS COM INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O saldo credor da Cofins obtido com base em créditos relacionados às operações vinculadas às vendas tributadas, regra geral, só pode ser aproveitado diminuindo o valor devido da contribuição. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 39 14 /2 00 9- 54 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Por meio de Pedido Eletrônico de Ressarcimento transmitido eletronicamente em 31/07/2007, a interessada, que atua no ramo de venda, no varejo, de combustíveis e lubrificantes, postulou o ressarcimento de saldo credor da Cofins apurado ao final do 2º trimestre de 2007 após a dedução, da soma dos créditos, do valor devido da contribuição em cada um dos períodos de apuração que compõem o referido trimestre. A DRF em Feira de SantanaBA indeferiu o pedido de ressarcimento sob o argumento de que os créditos em questão não se encaixam na norma prevista pelo artigo 16 da Lei nº 11.116, de 18 de maio de 2005, podendo ensejar apenas sua utilização na diminuição do valor da contribuição devida. Na Manifestação de Inconformidade a interessada defendeu a utilização do crédito em compensação (sic), citando como base legal o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; os incisos I e II do artigo 16 da Lei nº 11.116, de 2005; o art. 34 da IN SRF nº 900, de 2008; e o art. 26 da IN SRF nº 460, de 2004. Reproduziu ementa de decisão do STJ sobre compensação de débitos, entendendo lhe socorrer, e, ao final, pediu o reconhecimento do crédito e a “extinção da dívida” (sic). A 4a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em SalvadorBA manteve o indeferimento, na linha do entendimento da DRF. No Recurso Voluntário a interessada repetiu as mesmas argumentações de sua manifestação de inconformidade. É o Relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10530.723914/200954 Acórdão n.º 3401002.170 S3C4T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho Despacho da DRF em Feira de SantanaBA dá conta da tempestividade do Recurso Voluntário, que, preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. Inicialmente, de afastar da análise a aplicação dos dispositivos legais e infralegais, bem como decisão do STJ colacionada, equivocadamente invocados pela Recorrente em seu auxílio, porquanto não relacionados à matéria em julgamento. Refirome aqui ao artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; ao art. 34 da IN SRF nº 900, de 2008; e ao art. 26 da IN SRF nº 460, de 2004, visto que tratam eles de compensação de débitos, enquanto que o que está em julgamento é o ressarcimento de créditos da Cofins apurados sob o regime da nãocumulatividade. Créditos esses que, de acordo com as fichas do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon) anexadas ao processo, tiveram como origem as aquisições no mercado interno e vinculadas à receita tributada no mercado interno, mais especificamente, sobre as rubricas Bens Adquiridos para Revenda, Despesas com Energia Elétrica, Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica, Despesas de Contraprestação de Arrendamento Mercantil, e Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado. Ou seja, os créditos em discussão não têm origem em operações que possuam vinculação com vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Cofins. Mas, a Recorrente entende que seu direito está lastreado nos seguintes dispositivos: à No art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. à Combinandoo com o art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3 o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou Fl. 92DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Ora, da leitura desses dois artigos, depreendese que o pedido de ressarcimento a que alude o inciso II do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, é para aquele saldo credor que cumpre duas condições cumulativas, quais sejam, a primeira, que tenha sido apurado na forma do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, e, a segunda, que esse saldo credor tenha se acumulado em virtude da existência de créditos vinculados a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Cofins. E, como dito acima, a segunda das condições não foi atendida neste caso, já que os créditos que ensejaram o saldo credor objeto do pedido de ressarcimento estão vinculados apenas às operações de vendas tributadas. Ou, dito de outra forma, a interessada, acertadamente, não postula créditos calculados sobre as aquisições vinculadas às operações de venda efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, pelo simples fato de que, referindose elas a gasolina, óleo diesel e álcool, há vedação expressa nesse sentido, a teor do contido no inciso I, alínea “a”, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. Vejamos de que tratam tais dispositivos: [...] Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: [...] III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda dos produtos de que tratam as Leis nos 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, Fl. 93DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10530.723914/200954 Acórdão n.º 3401002.170 S3C4T1 Fl. 4 5 de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; [...] Vêse, pois, que o saldo credor em discussão submetese à regra geral de aproveitamento dos créditos do regime da nãocumulatividade, qual seja, o da diminuição da contribuição devida, consoante, aliás, preceitua o caput do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29/12/2003. Pelo exposto, nego provimento ao recurso. Odassi Guerzoni Filho Relator Fl. 94DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 13748.000314/2003-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/02/1998 a 31/08/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. AUDITORIA EM DCTF. Nulo é o processo que não atende às formalidades prescritas em lei. Processo anulado ab initio.
Numero da decisão: 3301-001.500
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. AUDITORIA EM DCTF. Nulo é o processo que não atende às formalidades prescritas em lei. Processo anulado ab initio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Amauri Amora Câmara Júnior, Andréa Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Fl. 89DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Relatório Cuidase de recurso em face de acórdão da DRJ do Rio de janeiro (II), que julgou procedente em parte o auto de infração nº 0003203, com data de ciência em 23/07/1998, relativamente à Cofins do período de apuração de 01/02/98 a 31/08/98, decorrente de auditoria nas DCTF´s do segundo trimestre do anocalendário de 1998, tendo em vista que a medida judicial – ação ordinária nº 93.00057596, com vistas ao reconhecimento da inconstitucionalidade da majoração da alíquota superior a 0,5%, do FINSOCIAL, com trânsito em julgado em 19/10/1995, visto que o decisum era tãosomente para a repetição dos pagamentos efetuados a maior, logo, não estava autorizada a promover as compensações pleiteadas. O recurso foi parcialmente favorável à Recorrente, apenas para excluir a multa de ofício de 75% , indeferindo as compensações, conforme inferese da ementa a seguir reproduzida: Cientificada em 11/07/2011 (fl. 57, do processo digitalizado), foi interposto o recurso voluntário de fls. 58/85, em 01/08/2011, aduzindo em síntese, que o direito à compensação de indébito tributário encontrase devidamente pacificado, inclusive junto ao Superior Tribunal de Justiça, conforme inferese da Súmula nº 461 (DJ de 08/09/2010), com o seguinte enunciado: No âmbito administrativo a própria União Federal reconheceu essa possibilidade através da IN SRF nº 21, de 1997 (DOU 11.03.97), independentemente de prévia autorização, nos termos do art. 14 da referida IN abaixo transcrito: Fl. 90DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13748.000314/200371 Acórdão n.º 330101.500 S3C3T1 Fl. 90 3 É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades necessárias à sua admissibilidade, por isso dele conheço. No presente recurso se refere às compensações levadas a efeito pela Recorrente, utilizando o indébito de Finsocial, recolhido à alíquota superior a 0,5%, reconhecido por sentença, nos autos da Ação Ordinária nº 93.00057596, com o devido trânsito em julgado em 19/10/1995, compensandose débito de Cofins, via DCTF nº 000100199800396183 (retificadora), do primeiro trimestre de 1998 (entregue em 01/06/1998), nº 00001001998000033404, do segundo trimestre de 1998 (entregue em 04/08/1998), e 000100199800548696, do terceiro trimestre de 1998 (entregue em 04/11/1998). Logo, a decisão recorrida julgou improcedente a impugnação sustentando que o crédito tributário não se encontrava com a exigibilidade suspensa, visto que não houve a comprovação do processo (“proc jud não comprova”), todavia, o processo não só existe como está devidamente comprovado nos autos, a saber o processo nº 93.00057596, que tramitou pela 16ª Vara Federal do Distrito Federal, conforme certidão de fls. 02. Encontrado o processo, porque juntado aos autos pela Recorrente, a decisão recorrida sustenta que o decisum era tãosomente para a repetição dos pagamentos efetuados a maior, logo, não estava autorizada a promover as compensações pleiteadas. Portanto, a contribuinte apresentou impugnação com argumentos generalistas juntando documentos comprobatórios da existência de ação judicial. Em nenhum momento anterior ao auto de infração houve notificação à contribuinte sobre as divergências inicialmente apuradas, conforme exige o art. 142 do Código Tributário Nacional, que assim estabelece: Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo Fl. 91DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível”, acrescentando o seu parágrafo único que “A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A ausência desses elementos ou de algum deles, inquestionavelmente, dá causa à nulidade do lançamento por defeito de estrutura e não apenas por vício formal, caracterizado pela inobservância de uma formalidade exterior ou extrínseca necessária para a correta configuração desse ato jurídico. É lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Sob o pretexto de corrigir o vício detectado no auto de infração, não pode o Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem necessárias, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. A realização de diligências após o lançamento, em primeiro lugar deveria estar consubstanciada em determinação da autoridade superior, o que não se encontra nos autos. Outrossim, uma vez pronto e impugnado o auto de infração, a autoridade lançadora não tem mais competência para alterálo, como tentou fazer, ainda que em decorrência das razões trazidas pela impugnante que, para se defender daquilo que não tinha conhecimento, obrigouse a apresentar argumentos genéricos e não correspondentes à fundamentação legal e descrição contidas no auto de infração. Contudo, há que se lembrar que é vedado por lei a alteração do lançamento anterior, a título de “revisão”, só para mudar o critério jurídico adotado no lançamento primitivo. O que vejo na decisão proferida pela DRJ é que ao invés de anular o auto de infração a partir do momento que ficou comprovada a existência da ação judicial indicada pela contribuinte em sua DCTF, para, então, proceder ao lançamento pelos fundamentos jurídicos corretos, na tentativa de “validar” o auto de infração, simplesmente modificouse o critério jurídico. Relativamente à mudança de critério jurídico, peço vênia para introduzir parte do voto proferido pelo I. Conselheiro Neicyr de Almeida, (Ac. 10320.441) que assim dispõe: “Ainda sobre a temática, importa trazer à lume as lições sempre atuais do ínclito tributarista Rubens Gomes de Souza, na percepção aguda do ilustrado mestre Souto Maior Borges, in Lei Complementar Tributária, São Paulo, Ed. Rev. dos Tribs., 1975, acerca da melhor exegese do artigo 146 do C.T.N.: Antecipandose à vigência do CTN, Rubens Gomes de Souza ensinou que se o fisco, mesmo sem erro, tiver adotado uma conceituação jurídica e depois pretender substituíla por outra, não mais poderá fazêlo. E não o poderá porque, se fosse admissível que o fisco pudesse variar de critério em seu favor, para cobrar diferença de tributo, ou seja, se à Fazenda Pública fosse lícito variar de critério jurídico na valorização do “fato Fl. 92DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13748.000314/200371 Acórdão n.º 330101.500 S3C3T1 Fl. 91 5 gerador”, por simples oportunidade, estarseia convertendo a atividade do lançamento em discricionária, e não vinculada.” Outrossim, somente para complementar o raciocínio, ao modificar o critério jurídico estaria a DRJ a constituir um novo auto de infração com outra motivação. Em face do exposto, e diante da manifesta omissão quanto às formalidades legais ou pela mudança de critério jurídico, voto no sentido de declarar a NULIDADE do auto de infração ab initio. Sala das Sessões, em 26 de junho de 2012 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 93DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10865.903805/2009-37
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Cabem Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Numero da decisão: 3803-004.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Cabem Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira.
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Cabem Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interposto pelo Conselheiro Alexandre Kern, designado para a elaboração do voto vencedor do julgamento ocorrido em 17 de julho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 38 05 /2 00 9- 37 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 10/04/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI 2 nesta Turma, que por sua vez negou provimento ao recurso em epígrafe, por maioria de votos, tendo sido ele designado para elaboração do voto vencedor. Todavia, no momento da elaboração do voto, o embargante constatou que embora o Recurso Voluntário tivesse sido apresentado dentro do prazo estabelecido na legislação, a Manifestação de Inconformidade seria intempestiva e por este motivo interpôs os Embargos de Declaração com o objetivo de alertar que o colegiado não poderia ter adentrado ao mérito da demanda, sob o pressuposto de que o acórdão foi omisso na medida em que deixou de apreciar pressuposto de admissibilidade do processo administrativo em epígrafe, especificamente em relação a intempestividade da Manifestação de Inconformidade. Comenta ainda, nos embargos, que talvez o equívoco possa ser atribuído ao servidor Reinaldo Brigatto que ignorou a informação de postagem e por isso sugeriu que a Manifestação de Inconformidade fosse conhecida pela DRJ. Agora, resta analisar se os embargos preenchem os pressupostos de admissibilidade, bem como se cabe reformar o acórdão. É o Relatório Voto Conselheiro Juliano Eduardo Lirani, Relator De acordo com o art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver omissão, contradição ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Primeiramente é preciso dizer que os embargos são tempestivos, visto que foram apresentados no prazo de 5 (cinco) dias contados da ciência do acórdão, pelo que conheço do recurso, no termos do § 1º do art. 65 do Regimento Interno do CARF. Tendo em vista tal dispositivo regulamentar, será possível concluir que os embargos não preenchem os requisitos de admissibilidade, uma vez que o pressuposto de intempestividade da Manifestação de Inconformidade alegado não se encontra peremptoriamente atestado nos autos, conforme será demonstrado a seguir. Conforme se verifica do despacho da repartição de origem que encaminhou a Manifestação de Inconformidade à Delegacia de Julgamento, o agente consignou que não era possível constatar nos elementos presentes nos autos a data da ciência do despacho decisório por parte do contribuinte, o que, em princípio, fragiliza, de pronto, o argumento do Embargante. Além disso, as telas em que o Embargante se embasa para afirmar a ocorrência da intempestividade da Manifestação de Inconformidade não são originadas da Empresa Brasileira de Correios – ECT, mas de sistemas do Serpro, em que não se tem a imagem do Aviso de Recebimento (AR), elemento esse primordial à verificação da tempestividade. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 10/04/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10865.903805/200937 Acórdão n.º 3803004.005 S3TE03 Fl. 112 3 Não bastassem tais constatações, temse que o relator a quo afirmou que a Manifestação de Inconformidade atendia todos os pressupostos de admissibilidade, dentre os quais se inclui a tempestividade. Considerando que o relator a quo tem acesso às informações dos sistemas internos da Receita Federal, essa sua afirmativa, para ser afastada, dependeria de elemento de prova inequívoco, o que não ocorre no presente caso. Conforme este Colegiado já decidiu em outras ocasiões, havendo dúvida quanto à tempestividade de uma peça recursal, concluise pela regularidade processual, com fundamento nos princípios da eficiência, da oficialidade e formalidade mitigada. O Embargante, valendose da alegação de ocorrência de omissão desta Turma quanto à não constatação do erro no acórdão de primeira instância – erro esse não demonstrado, conforme acima apontado –, quis fazer uso dos embargos para provocar a prolação de nova decisão, de forma não consentânea com a previsão do Regulamento do CARF. Por fim, embora o Embargante tenha manifestado opinião de que este relator desconhece as rudimentares regras processuais e que ignora o prazo de 30 dias para a interposição da Manifestação de Inconformidade, cumpre esclarecer que tal alegação não procede, conforme acima demonstrado. Nesse sentido, voto por rejeitar os embargos de declaração. Sala das sessões, 28 de fevereiro de 2013 (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Fl. 121DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 10/04/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI
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Numero do processo: 10640.004377/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário: 2006
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Falece competência à autoridade administrativa para se manifestar quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa
prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário.
PRINCÍPIO DA ISONOMIA. APLICABILIDADE. O princípio da isonomia
tributária tem como finalidade assegurar a igualdade entre os sujeitos passivos da obrigação tributária que se encontrem em situações equivalentes, vedando distinção de qualquer natureza. Não há que se exigir a sua aplicação para empresas que se encontram em situação distinta.
PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO. ATIVIDADE DO LEGISLADOR.
IMPERTINÊNCIA. É impertinente a invocação do princípio do não confisco, que incide sobre a exigência de tributos, e não guarda relação com a opção ao regime simplificado.
ATIVIDADE DA EMPRESA. REVENDA DE CARTÕES TELEFÔNICOS.
A base de cálculo para fins de apuração dos tributos pelo SIMPLES é a receita bruta auferida nas operações de venda de cartões telefônicos aos consumidores finais, não admitida qualquer dedução além daquelas previstas na norma.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.949
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, pelo voto de qualidade negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Falece competência à autoridade administrativa para se manifestar quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. APLICABILIDADE. O princípio da isonomia tributária tem como finalidade assegurar a igualdade entre os sujeitos passivos da obrigação tributária que se encontrem em situações equivalentes, vedando distinção de qualquer natureza. Não há que se exigir a sua aplicação para empresas que se encontram em situação distinta. PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO. ATIVIDADE DO LEGISLADOR. IMPERTINÊNCIA. É impertinente a invocação do princípio do não confisco, que incide sobre a exigência de tributos, e não guarda relação com a opção ao regime simplificado. ATIVIDADE DA EMPRESA. REVENDA DE CARTÕES TELEFÔNICOS. A base de cálculo para fins de apuração dos tributos pelo SIMPLES é a receita bruta auferida nas operações de venda de cartões telefônicos aos consumidores finais, não admitida qualquer dedução além daquelas previstas na norma. Recurso Voluntário Negado. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10640.004377/200901 Acórdão n.º 140200.949 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, pelo voto de qualidade negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório FELIZ CARD COMERCIO DE CARTOES TELEFONICOS LTDA recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Tratase de processo de lançamento de oficio para exigência de crédito tributário no valor de R$ 312.079,24 (fls. 01/02), com acréscimos legais calculados até 30/11/2009, relativamente ao mês de janeiro do anocalendário de 2006, documentado em Autos de Infração (AI) de tributo e contribuições pagos sob a sistemática do Simples, relacionados a seguir: a) Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) – SIMPLES ― R$ 21.654,47 (fls. 03/11); b) Contribuição para o PIS/Pasep (PIS) ― SIMPLES R$ 16.240,86 (fls. 12/17); c) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) – SIMPLES – R$ 21.654,47 (fls. 18/23); d) Contribuição p/ Financiamento da Seguridade Social (COFINS) ― SIMPLES R$ 65.281,89 (fls. 24/29); e) Contribuição para a Seguridade Social (INSS) ―SIMPLES R$ 187.247,56 (fls. 30/35). A autuação foi motivada por: Fl. 344DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10640.004377/200901 Acórdão n.º 140200.949 S1C4T2 Fl. 0 3 a) Diferença de base de cálculo, com fundamento no art. 2º, §2º, 3º, §1º, alínea “a”, 5º e 7º, §1º, da Lei nº 9.317/96; art. 3º da Lei nº 9.732/98; arts. 186 e 188, do RIR/99; b) Insuficiência de recolhimento, com fundamento no art. 1º da Lei nº 7.689/88; art. 5º da Lei nº 9.317/96; art. 3º da Lei nº 9.732/98. O fiscal autuante esclarece no Relatório Fiscal de fl. 36/46 que a receita omitida é decorrente da divergência entre a base de cálculo do mês de janeiro/2006, apurada pela fiscalização no Livro de Registro de Saídas e aquela informada pela contribuinte na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – SIMPLES do exercício de 2007. A insuficiência de recolhimento, por sua vez, é proveniente da diferença entre o percentual utilizado pela fiscalização (9,80%) e aquele aplicado pela contribuinte (8,10%) para apurar o total do simples devido do mês de janeiro de 2006. Ciente do feito em 21/01/2010 (AR de fls. 287), a autuada, por meio de seu procurador, devidamente constituído pelo instrumento de fls. 302, apresentou impugnação em 19/02/2010 (fls. 288/300), alegando, “verbis”: 1DOS FATOS: I Em 25 de maio de 2009, a Contribuinte tomou ciência do início da Ação Fiscal determinada pelo Mandado de Procedimento Fiscal n.° 06.1.04.00 200900294. Segundo consta no Auto de Infração, a elevada movimentação bancária da Empresa não seria compatível com a receita oriunda da sua atividade. II Transcorridos mais de 6 meses, em 18 de dezembro de 2009, foi lavrado Auto de Infração. Nas suas razões, extraise que a sua principal fundamentação foi a alegação de que a receita bruta da Contribuinte seria o valor total das saídas dos cartões telefônicos supostamente comercializados, e não sua margem de participação neles —descontos obtidos sobre o seu valor de face. Assim, encontrouse uma divergência total entre as receitas declaradas e o valor de saída dos cartões telefônicos, que totalizam o montante de R$ 13.155.012,48 (receita submetida à apuração pelo lucro presumido) e de R$ 1.371.873,30 (receita submetida à apuração pelo SIMPLES). III No entanto, conforme se comprovará adiante, a base tributável da Contribuinte deve ser a prevista nas hipóteses de exceção à regra geral, tais quais as factoring’s e revenda de automóveis usados. 2 DO PRINCÍPIO DA IGUALDADE TRIBUTÁRIA: (...) VI. Sustentado em robustos alicerces principiológicos, constatase que a tributação da Contribuinte nos termos preconizados no auto de infração ora contestado ofende o princípio da igualdade tributária, uma vez que em atividades de natureza análoga, a base legal para incidência dos tributos federais é a diferença entre a receita bruta e o custo para aquisição da mercadoria a ser vendida e/ou direito creditório adquirido: (...) 3 DA VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA: Fl. 345DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10640.004377/200901 Acórdão n.º 140200.949 S1C4T2 Fl. 0 4 X. Em virtude da violação ao princípio da igualdade tributária, o princípio da capacidade contributiva restou também vilipendiado. De fato, a carga tributária imposta pela atividade fiscalizadora desta respeitável Receita Federal do Brasil é absolutamente incompatível com a atividade desenvolvida pela Contribuinte, e ofende, portanto, o art. 145, §1.° da Constituição Federal: (...) XIV. Ademais, a situação para o mês de janeiro de 2006, cuja tributação se dava pelo SIMPLES, era ainda mais grave, pois a Receita Real da Contribuinte foi de R$73.534,00 e o imposto supostamente devido era de R$ 142.900,00, ou seja, quase o dobro do montante efetivamente percebido. XV. De posse desses dados, concluise, com clareza meridional, que a tributação aplicável nos termos do auto de infração é inviável para as atividades desempenhadas pela Contribuinte, e possui nítido e hialino caráter confiscatório, o que é vedado expressamente pelo Sistema Constitucional Tributário vigente. 4 DA GARANTIA FUNDAMENTAL CONTRA OS TRIBUTOS DE CARÁTER CONFISCATÓRIO: XVI Quando o Estado não observa os limites da capacidade contributiva dos seus contribuintes, via de regra, acaba por afrontar o princípio do não confisco tributário. Em verdade, cumpre mencionar que a garantia ao não confisco, embora intimamente ligada ao princípio da capacidade contributiva, é um desdobramento direto do direito fundamental à propriedade, que, sob a ótica tributária, impõe limites ao legislador para definir normas e alíquotas. (...) XVIII. Ora, não há como contestar que tributos superiores a 70% sobre a Receita Real de qualquer contribuinte apresentam flagrante caráter confiscatório. XIX. Aliás, ressalte que este problema já fora identificado pelo limo. Sr. Deputado Federal Júlio Lopes, que apresentou o Requerimento n.° 190D348547 de 2006 (íntegra em anexo) para que o lImo Sr. Deputado Presidente da Câmara do Deputados o encaminhasse para o lImo Sr. Ministro das Comunicações. As principais razões deste Requerimento a Contribuinte toma a liberdade de transcrever: (...) Por estas razões, Senhor Ministro, estamos sugerindo que, por meio de proposta legislativa que altere as Leis n° 10.833/03 e n° 10.637/02, ou por gestões Junto ao Ministério da Fazenda, (1) seja definida como receita auferida pela comercialização de cartões sob qualquer de suas formas, para fins dos tributos federais, a diferença verificada entre os respectivos valores de aquisição e revenda; (2) se passe a considerar como única ocorrência de fato gerador da COFINS e do PIS a primeira operação de comercialização, cabendo às prestadoras de serviços de telecomunicações calcular e recolher tais tributos sobre os valores de face ou de tabela dos cartões, tudo conforme já ocorre com o ICMS (Convênios ICMS 126/98 e 55/05, do Confaz). (...) 5DO PEDIDO: Fl. 346DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10640.004377/200901 Acórdão n.º 140200.949 S1C4T2 Fl. 0 5 XXI. Pelo exposto, requer a nulidade do presente Auto de infração, em função de ausência de validade jurídica das normas impositivas dos tributos denominados Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Programa Integração Social (PIS), Contribuição Social s/Lucro Líquido (CSLL) e Contribuição p/Financiamento da Seguridade Social (COFINS), e seus consectários moratórios (juros e multa), ante à inconstitucionalidade das suas bases de cálculo. Pela eventualidade, apenas, seja declarada a nulidade dos encargos moratórios, haja vista a total inexistência de máfé da Contribuinte na falta de recolhimento dos tributos mencionados. A decisão recorrida está assim ementada: INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Falece competência à autoridade administrativa para se manifestar quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. APLICABILIDADE. O princípio da isonomia tributária tem como finalidade assegurar a igualdade entre os sujeitos passivos da obrigação tributária que se encontrem em situações equivalentes, vedando distinção de qualquer natureza. Não há que se exigir a sua aplicação para empresas que se encontram em situação distinta. PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO. ATIVIDADE DO LEGISLADOR. IMPERTINÊNCIA. É impertinente a invocação do princípio do não confisco, que incide sobre a exigência de tributos, e não guarda relação com a opção ao regime simplificado. ATIVIDADE DA EMPRESA. REVENDA DE CARTÕES TELEFÔNICOS. A base de cálculo para fins de apuração dos tributos pelo SIMPLES é a receita bruta auferida nas operações de venda de cartões telefônicos aos consumidores finais, não admitida qualquer dedução além daquelas previstas na norma. Impugnação Improcedente. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento nos seguintes termos (verbis): É o relatório. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10640.004377/200901 Acórdão n.º 140200.949 S1C4T2 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Inicialmente, cumpre esclarecer que à autoridade administrativa no desempenho da atividade lançadora, que é vinculada e obrigatória, cabe exigir o crédito tributário com observância da legislação vigente à data da ocorrência do fato gerador da obrigação, segundo o artigo 144, caput, do Código Tributário Nacional, sem imiscuirse no aspecto da validade da lei sob o ponto de vista de qualquer princípio constitucional, mormente os da capacidade contributiva, igualdade tributária e do não confisco tributário, porquanto a norma legal presumese válida e de acordo com os princípios da Constituição da República, assegurado o direito de quem, porventura, julgarse prejudicado argüir a pretensa inconstitucionalidade na órbita competente, que é o Poder Judiciário. Aliás, acerca do argumento de possível ofensa a princípios constitucionais, não cabe efetivamente a esta autoridade julgadora manifestarse a respeito, por lhe faltar competência para fazêlo, repisese, conforme o art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.491/2009 (DOU de 28 de maio de 2009). Portanto, não obstante o que a defesa traz em sua impugnação, por falta de competência não será feito aqui o exame da constitucionalidade de leis ou da legalidade de normas tributárias que fundamentaram o presente lançamento, estando este julgador administrativo adstrito aos estreitos limites da apreciação da matéria tributável. Reitera a recorrente que a carga tributária imposta pela atividade fiscalizadora da RFB é absolutamente incompatível com a atividade desenvolvida pela contribuinte, e ofende, portanto, o art. 145, §1º da Constituição Federal. Nesse quesito, registrese que o lançamento tributário é rigidamente regrado pela lei, ou, no dizer do art. 3º do CTN, é “atividade administrativa plenamente vinculada” . O que é determinante para a efetivação do lançamento é a ocorrência do fato gerador, e não a repercussão da exigência no patrimônio do contribuinte. Conforme o art. 142 do CTN, ocorrido o fato gerador, a autoridade fiscal deve constituir o crédito tributário, calculando a exigência de acordo com a lei vigente à época do fato, sendo irrelevante sua repercussão na situação econômicofinanceira do sujeito passivo. Afirma a requerente que a tributação da contribuinte nos termos preconizados no auto de infração ofende o princípio da igualdade tributária, uma vez que em atividades de natureza análoga, a base legal para incidência dos tributos federais é a diferença entre a receita bruta e o custo para aquisição da mercadoria a ser vendida e/ou direito creditório adquirido. Acrescenta que a base tributável da contribuinte deve ser a prevista nas hipóteses de exceção á regra geral, tais quais as factoring’s e revenda de automóveis usados. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10640.004377/200901 Acórdão n.º 140200.949 S1C4T2 Fl. 0 7 Esclareçase, no que compete ao princípio da isonomia tributária previsto no art. 150, inciso II, da Constituição Federal, que o dispositivo constitucional tem como finalidade assegurar a igualdade entre os sujeitos passivos da obrigação tributária que se encontrem em situações equivalentes, vedando distinção de qualquer natureza. Não há que se exigir a sua aplicação para empresas que se encontram em situação distinta. No que se relaciona à afirmação de que o art. 150, inciso IV, da CF/1988, veda a tributação com efeito de confisco, assinalese que a questão relacionase à instituição de tributos, e dirigese à atividade do legislador, sendo, portanto, impertinente à presente causa. No mérito, cabe ressaltar que a recorrente volta a contestar a base de cálculo dos tributos das empresas que se dedicam à comercialização de cartões telefônicos. Sustenta que os cartões de telefonia móvel são comprados e vendidos pelos mesmos valores e que sua receita bruta seria tão somente os descontos obtidos nas notas fiscais de entrada onde a empresa obtém a sua receita que é a base para a tributação. Assim, segundo a defesa, não haveria diferenças a serem tributadas. Reiterese que a questão relacionada ao tratamento tributário a ser dado às receitas decorrentes da revenda de cartões telefônicos foi objeto de análise pela Superintendência Regional da Receita Federal da 7ª Região Fiscal, na Decisão SRRF/7a RF/Disit nº 35, de 09/02/2000 e também pela Superintendência Regional da Receita Federal da 2ª Região Fiscal, na Solução de Consulta SRRF/2a RF/Disit nº 36, de 05/04/2004, cujos fundamentos novamente transcrevese: “RELATÓRIO A consulente acima qualificada afirma pretender constituir pessoa jurídica que irá atuar na revenda de cartões telefônicos, os quais são adquiridos de companhias de telecomunicações já com desconto percentual sobre o valor dos cartões, desconto esse que representará o ganho da futura empresa, tendo em vista o preço de venda dos produtos ser prefixado. Informa que com relação ao imposto estadual não terá problemas, “pois na Nota de compra já vem tributado até o consumidor final, assim não preciso emitir Notas de vendas”. (...) FUNDAMENTOS LEGAIS 4. Todo o problema se resume em verificar se os valores que serão recebidos pela consulente, a título de venda dos cartões, significam ou não receita sua, já que a interessada entende que sua remuneração se restringe ao valor do desconto obtido na compra dos cartões. 5. Em primeiro lugar, devese ter em mente que, tanto do aspecto econômico como do aspecto jurídico, receita e lucro são realidades distintas. A primeira significa valores obtidos por alguém na consecução de certa atividade. Já o segundo, significa o resultado líquido, positivo, conseqüente desta mesma operação; é o resultado algébrico do confronto entre receitas e custos (e despesas também). 6. Se determinada pessoa adquire um bem e, por contingências quaisquer, o revende por valor inferior, não obterá lucro ; mas, ainda sim, terá receita . 7. Em raríssimas hipóteses, o valor da receita corresponde exatamente ao lucro da atividade. Isto é, dificilmente haverá uma atividade isenta de custos e despesas. No Fl. 349DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10640.004377/200901 Acórdão n.º 140200.949 S1C4T2 Fl. 0 8 comércio de mercadorias, por exemplo, o custo da mercadoria vendida representa imensa proporção do preço cobrado do consumidor; na prestação de serviços, o custo deste (mãodeobra, materiais usados, royalties pelo uso da marca ou tecnologia, etc.) corresponde, da mesma forma, a parcela considerável do preço cobrado do tomador. É lógico que certas atividades possuem margens de lucratividade maior ou menor que outras; no entanto, custos e despesas existirão para a consecução do empreendimento, o que faz com que lucro e receita sejam, repisese, elementos distintos. 8. No caso ora oferecido, muito embora a margem de lucro operacional seja um percentual preestabelecido, a receita da consulente é composta pela totalidade dos valores recebidos dos consumidores. A consulente, quanto à circulação dos cartões – fonte das receitas em estudo –, não é uma consignatária ou procuradora da concessionária. A interessada os adquire, tornandoos seus, e os revende por conta própria. Entre a consulente e a concessionária existe típico contrato de compra e venda dos cartões, o mesmo acontecendo entre a consulente e seus clientes.(g.n.) 9. Ao receber os valores de seus clientes, a consulente não o faz em nome ou por conta de outrem, mas sim em nome e por conta próprios. A receita é, na integridade, sua, muito embora o lucro da operação signifique apenas uma fração do valor recebido, o que, aliás, acontece com praticamente todas as atividades, sejam comerciais, sejam civis. 10. É obvio que, na situação apresentada, a prestadora dos serviços de telefonia é a concessionária, e não a consulente. No entanto, a esta cabe a comercialização dos títulos (cartões) que darão direito à referida prestação. 11. As contribuições sociais sobre o faturamento (PIS/Pasep e Cofins) incidem sobre os valores totais percebidos pela consulente, sem prejuízo da incidência também sobre as receitas da concessionária, conforme se pode inferir da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: “ Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (...)” (grifouse) 12. Já o imposto sobre a renda e a contribuição social sobre o lucro (CSLL) são tributos incidentes sobre o lucro das empresas, havendo, em regra, a possibilidade de os custos e as despesas serem abatidos na apuração de seus montantes devidos. Tal observação é válida, obviamente, na apuração feita com base no lucro real. Em se tratando de lucro presumido, tal sistemática, por natureza, não leva em conta os efetivos custos e despesas da empresa, mas apenas os presume, através de coeficientes elencados na lei, que, por sua vez, são aplicados sobre a receita bruta. 13. De qualquer forma, a totalidade dos valores recebidos pela consulente de seus clientes significa receita, para que haja a apuração do lucro, seja pela sistemática real, seja pela sistemática presumida. Vale dizer, tratandose de operação por conta Fl. 350DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10640.004377/200901 Acórdão n.º 140200.949 S1C4T2 Fl. 0 9 própria, a receita envolve todo o montante recebido. É o que regula o art. 279 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), de aplicação subsidiária em relação à CSLL: “Art. 279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei n º 4.506, de 1964, art. 44, e Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 12). (...)” (grifouse) CONCLUSÃO Posto isso e no uso da competência estabelecida no art. 48, § 1º, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, solucionase a presente consulta, em instância única, esclarecendo que na revenda de cartões telefônicos constitui receita da revendedora a totalidade dos valores recebidos de seus clientes, e, por conseguinte, tal receita sofre a incidência das contribuições sociais sobre o faturamento – PIS/Pasep e Cofins –, bem como entra no cômputo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro.” O mesmo entendimento deve ser aplicado ao Simples, posto que adota o mesmo conceito de receita bruta acima transcrito. Portanto, é de se concluir que, na sistemática do Simples, a atividade exercida a revenda de cartões telefônicos deve considerar como receita a totalidade dos valores recebidos de seus clientes. Por fim, frisese que tanto a adesão ao Simples, quanto a adoção do Lucro Presumido são prerrogativas do contribuinte que poderia ter adotado a tributação pelo Lucro Real que é a sistemática primária para qualquer empresa apurar o lucro tributável no IRPJ e CSLL. Ao optar pelo Simples, a contribuinte está sujeita a regra geral, qual seja aplicar o percentual de presunção do lucro sobre o valor das receitas operacionais e apurar a base de cálculo tributável. Diante do exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 351DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10880.692177/2009-61
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.446
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e votos que integram a presente resolução
Flavio de Castro Pontes, Presidente
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes, (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Bordignon, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl, Relator
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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A DCOMP foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento de dados da Receita Federal do Brasil RFB, que emitiu em 23/10/2009 o Despacho Decisório (N° de Rastreamento) 849856965 (fl. 01), assinado pelo titular da unidade de jurisdição do contribuinte. De acordo com o Despacho Decisório, a compensação não foi homologada, uma vez que o pagamento indicado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Cientificada do Despacho Decisório a contribuinte apresentou em 07/12/2009 Manifestação de Inconformidade, acompanhada de documentos. A DRJ de São Paulo negou o pedido da contribuinte consubstanciada a decisão na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/09/2006 CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. A mera alegação da existencia do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do ddbito decorrente de compensação não homologada. DCOMP. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DCTF. ERRO NO PREENCHIMENTO. VALORES CORRETOS. COMPROVAÇÃO. Consideramse confissões de dívida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento, cuja correção resulte em crédito ao sujeito passivo, precisa ser comprovada mediante documentos contábeis e fiscais que justifiquem as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. ÔNUS DA PROVA. Compete ao interessado ônus da prova a respeito de suposto crédito perante a Fazenda Pública. São os livros fiscais e contábeis mantidos pela contribuinte elementos capazes de fomecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.692177/200961 Resolução nº 3801000.446 S3TE01 Fl. 128 3 Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente não homologação das compensações pleiteadas. DA OFENSA À VERDADE MATERIAL, AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE, PROPORCIONALIDADE E EFICIÊNCIA. INOCORRÊNCIA. É atribuição do julgador, antes de proferir decisão em processo administrativo fiscal, buscar a verdade material não se contentando apenas com os dados trazidos aos autos pelos sujeitos envolvidos na lide. Não há que se falar em ofensa aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e eficiência quando o ato administrativo encontra se revestido das formalidades legais, tendo sido emitido de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. A apresentação de provas no contencioso administrativo deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada apresentou o presente recurso voluntário que se vale das seguintes alegações: Que o presente requerimento administrativo foi apresentado pela Requerente com o objetivo de ter compensado "valor pago a maior" a título de COFINS no mês 08/2006. Que, mesmo tendo a Requerente retificado a DCTF antes da apresentação do pedido de compensação eis que a DCTF retificadora foi apresentada em 28/07/2009 (doc. 02) e o PER/DCOMP em 18/08/2009, esta não teve homologado seu crédito. Que houve uma evidente distorção frente à situação contábil da Requerente, a qual está scndo compelida, por meio da presente decisão, a efetuar o recolhimento de tributo que, em verdade, foi regularmente compensado em créditos existentes em seu favor, tendo havido sua competente extinção, nos termos do artigo 156, II, do CTN, fato este que impõe ofensa ao Princípio da Verdade Material. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.692177/200961 Resolução nº 3801000.446 S3TE01 Fl. 129 4 Que a manutenção da decisão recorrida não leva em conta a verdade material dos fatos, eis que se apega às formalidades para desconsiderar os dados reais da contabilidade da Requerente, culminando numa cobrança desconexa à sua realidade fática e contábil. Que o seu crédito está comprovado no Termo de Verificação Fiscal que anexa aos autos. À final, requer seja homologada a compensação. É o que importa relatar. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.692177/200961 Resolução nº 3801000.446 S3TE01 Fl. 130 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. Como se pode abstrair do relatório a Recorrente pretende compensar crédito decorrente de recolhimento a maior ou indevido de COFINS (Código de Receita 5856), que teria ocorrido em 15/09/2006, para quitação de débito próprio de IRRF (Códigos de Receita 0561) e para isso apresentou, como prova de seu direito dois documentos: o um DCTF retificadora de fls. 28 e um termo de verificação fiscal juntado com o Recurso Voluntário às fls. 94/107. Ambos os documentos estão juntados parcialmente, entretanto demonstram que existe diferença paga a maior. O que é certo é que, do mesmo modo que não existe meia grávida, não existe meia prova, ou se prova, ou não se prova. Não há no presente processo prova adequada quanto ao crédito da contribuinte , nem prova quanto à negativa da fazenda. A verificação fiscal é indício da existência do direito, entretanto em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constata se que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar o valor correto da contribuição. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem faça o levantamento dos valores dos créditos da contribuinte, com base na escrituração fiscal e contábil cientificandose a Recorrente do resultado da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de trinta dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. É como voto, (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11634.720114/2011-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DIRETA. RECEITA BRUTA ESCRITURADA NO LIVRO REGISTRO DE APURAÇÃO DO ICMS. INSUFICIÊNCIA DE DECLARAÇÃO À RECEITA FEDERAL. Constitui prova direta de omissão de receitas a constatação de receita bruta escriturada no Livro Registro de Apuração do ICMS, mas não declarada em DCTF à Receita Federal, sendo insuficiente a declaração em DIPJ, que não constitui instrumento de confissão de dívida.
AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DAS MULTAS POR LANÇAMENTO DE OFICIO E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. ARTIGOS 44 E 61 DA LEI 9.430/1996. Verificadas infrações à legislação tributária, correto a exigência dos tributos devidos mediante auto de infração, aplicando-se a pertinente multa de ofício, incidindo, ainda, juros de mora à taxa Selic.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DIRETA. RECEITA BRUTA ESCRITURADA NO LIVRO REGISTRO DE APURAÇÃO DO ICMS. INSUFICIÊNCIA DE DECLARAÇÃO À RECEITA FEDERAL. Constitui prova direta de omissão de receitas a constatação de receita bruta escriturada no Livro Registro de Apuração do ICMS, mas não declarada em DCTF à Receita Federal, sendo insuficiente a declaração em DIPJ, que não constitui instrumento de confissão de dívida. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DAS MULTAS POR LANÇAMENTO DE OFICIO E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. ARTIGOS 44 E 61 DA LEI 9.430/1996. Verificadas infrações à legislação tributária, correto a exigência dos tributos devidos mediante auto de infração, aplicando-se a pertinente multa de ofício, incidindo, ainda, juros de mora à taxa Selic. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
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PROVA DIRETA. RECEITA BRUTA ESCRITURADA NO LIVRO REGISTRO DE APURAÇÃO DO ICMS. INSUFICIÊNCIA DE DECLARAÇÃO À RECEITA FEDERAL. Constitui prova direta de omissão de receitas a constatação de receita bruta escriturada no Livro Registro de Apuração do ICMS, mas não declarada em DCTF à Receita Federal, sendo insuficiente a declaração em DIPJ, que não constitui instrumento de confissão de dívida. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DAS MULTAS POR LANÇAMENTO DE OFICIO E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. ARTIGOS 44 E 61 DA LEI 9.430/1996. Verificadas infrações à legislação tributária, correto a exigência dos tributos devidos mediante auto de infração, aplicandose a pertinente multa de ofício, incidindo, ainda, juros de mora à taxa Selic. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 01 14 /2 01 1- 09 Fl. 659DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11634.720114/201109 Acórdão n.º 1402001.324 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório VEGA QUIMICA INDUSTRIAL LTDA recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada, autorizada pelo Mandado de Procedimento FiscalFiscalização nº 09.1.02.002010019112, foram lavrados, em 26/04/2011, autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido. Auto de Infração de IRPJ O auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 233242) exige o recolhimento de R$ 117.679,68 a título de imposto e R$ 88.259,73 a título de multa de lançamento de ofício de 75%, prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, além dos acréscimos legais. O lançamento fiscal, com base no lucro presumido, decorre da insuficiência de declaração à Receita Federal da receita bruta escriturada no Livro Registro de Apuração do ICMS, conforme descrito no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal (fls. 224231), com infração ao disposto no art. 528 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999): . anocalendário de 2007 – 3º trimestre R$ 899.534,18 . anocalendário de 2007 – 4º trimestre R$ 1.300.568,27 . anocalendário de 2008 – 1º trimestre R$ 1.320.955,55 . anocalendário de 2008 – 2º trimestre R$ 1.418.999,93 . anocalendário de 2008 – 3º trimestre R$ 1.237.097,21 . anocalendário de 2008 – 4º trimestre R$ 1.506.833,30 Auto de Infração de CSLL O auto de infração de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 243252) exige o recolhimento de R$ 82.987,02 a título de contribuição e R$ 62.240,25 a título de multa de lançamento de ofício de 75%, prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, além dos acréscimos legais. O lançamento referese à mesma matéria tributável que deu causa ao lançamento de IRPJ, com infração ao disposto no art. 2º e §§ da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 29 da Lei nº 9.430, de 1996, e art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, com as alterações introduzidas pelo art. 17 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11634.720114/201109 Acórdão n.º 1402001.324 S1C4T2 Fl. 0 3 Impugnação Regularmente intimada por via postal em 29/04/2011 (AR à fl. 257), a interessada, por intermédio de seu representante legal (mandato à fl. 278) apresentou, em 27/05/2011, a tempestiva impugnação de fls. 260277, instruída com os documentos de fls. 281604, cujo teor é sintetizado a seguir. argúi que o presente processo é decorrente única e exclusivamente da movimentação bancária da empresa; que a autuação padece de vício insanável em face de o sigilo bancário ter sido quebrado sem a devida autorização judicial, conforme entendimento adotado pelo STF; que é descabida a acusação de a conduta da contribuinte configurar “em tese” crime, uma vez que houve erro escusável praticado pelo seu contador na retificação das DCTFs, pois os valores foram corretamente informados na DIPJ; que este auto deverá ser declarado nulo ab initio; denota haver uma questão de cunho particular por parte da auditorafiscal autuante que, se sentido ofendida pela espontaneidade adquirida pela empresa, perseguiu pretensas falhas, incriminando “em tese” até o coitado do contador por não identificar quem mandou entregar a declaração retificadora; alega cerceamento do direito de defesa em face de não lhe ter sido oportunizada a retificação dos valores não lançados em DCTF, porquanto a fiscalização deixou de intimála, conforme previsto no art. 149, III, do CTN, a apresentar esclarecimentos acerca da entrega das DCTFs sem inclusão dos valores constantes da DIPJ; requer, com fundamento no art. 32 do PAF, a retificação do procedimento fiscal, pois as inexatidões materiais devidas a lapsos manifestos são corrigíveis a qualquer tempo, destacando que nem toda revisão de ofício implica imposição de penalidade ao sujeito passivo, principalmente quando da leitura do inciso VIII do art. 149 do CTN; aduz que não houve falsidade, pois procedeu corretamente ao preenchimento da DIPJ, reproduzindo os exatos valores apurados pela fiscalização, e que erro formal de preenchimento da declaração não pode levar a recorrente a ter seu direito prejudicado; que junta aos autos o Livro Diário e as declarações de DIPJ para que fique evidenciado que estavam corretos os livros contábeis, devidamente autenticados nas datas próprias; que o art. 112 do CTN traz o ensinamento da interpretação benigna da legislação tributária; argumenta que a multa que excede a 75% do suposto e fictício imposto apurado tem caráter confiscatório por ser extremamente elevada e desarrazoada; argúi que é ilegal e inconstitucional a aplicação da taxa Selic porquanto não foi criada para fins tributários, os critérios para aferição da correção monetária e dos juros devem ser definidos com clareza pela lei, essa taxa tem natureza remuneratória de aplicações financeiras, cria a anômala figura de tributo rentável, provoca enorme discrepância com o que se obteria se fossem aplicados os índices de correção monetária e juros legais de 12% ao ano, há aumento de tributo sem lei específica a respeito, o art. 161 do CTN apenas autoriza a lei ordinária a fixar juros iguais ou inferiores a 1% ao mês, há imperiosa necessidade de lei estabelecendo os critérios para exteriorização dessa taxa, o § 3º do art. 193 da Constituição Federal dita que a taxa de juros reais não pode ser superior a 12%, há incidência bis in idem com o índice de correção monetária, contém embutida fator de neutralização da inflação, há Fl. 661DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11634.720114/201109 Acórdão n.º 1402001.324 S1C4T2 Fl. 0 4 inconstitucional delegação de competência tributária para o Bacen fixar o seu percentual, é fixada depois da ocorrência do fato gerador e por ato unilateral do Executivo. quanto ao sócio solidário, assevera que o sr. Germano não aceita o fato de lhe ser atribuído pela fiscalização o título de sócio solidário, pois não é e não foi no período fiscalizado o responsável perante a RFB; ao final requer seja recebida a presente impugnação, bem como seja a mesma acatada in totum, para o fim de se cancelar o lançamento fiscal; que seja cancelada a representação fiscal para fins penais, uma vez que o lançamento está eivado de vícios e falhas que o tornam insubsistente; que seja considerada a boa fé, o erro escusável e o erro de preenchimento, tudo pelo fatos e fundamentos já relatados; protesta alegar os fatos por todos os meios de prova admitidos em direito e a juntada de mais elementos probantes em momento oportuno. A Representação Fiscal Para Fins Penais encontrase formalizada nos autos do processo nº 11634.720116/201190. A decisão recorrida está assim ementada: NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se tratar de caso de inobservância dos pressupostos legais para lavratura do auto de infração, é incabível falar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal. PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO. A apresentação de prova documental deve ser feita durante a fase de impugnação, precluindo o direito de a interessada fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DIRETA. RECEITA BRUTA ESCRITURADA NO LIVRO REGISTRO DE APURAÇÃO DO ICMS. INSUFICIÊNCIA DE DECLARAÇÃO À RECEITA FEDERAL. Constitui prova direta de omissão de receitas a constatação de receita bruta escriturada no Livro Registro de Apuração do ICMS, mas não declarada em DCTF à Receita Federal, sendo insuficiente a declaração em DIPJ, que não constitui instrumento de confissão de dívida. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. Legítima a aplicação da multa de ofício de 75% sobre a diferença de imposto apurada em procedimento de ofício, porquanto em conformidade com a legislação de regência. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os tributos e contribuições sociais não pagos até o seu vencimento serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic para títulos federais. DECORRÊNCIA. CSLL. Tratandose de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento à CSLL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM COM A SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11634.720114/201109 Acórdão n.º 1402001.324 S1C4T2 Fl. 0 5 São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Impugnação Improcedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento nos seguintes termos: (...) (...) É o relatório. Fl. 663DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11634.720114/201109 Acórdão n.º 1402001.324 S1C4T2 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de exigências de IRPJ e CSLL decorrentes da insuficiência de declaração à Receita Federal da receita bruta escriturada no Livro Registro de Apuração do ICMS no 2º semestre/2007 e no anocalendário de 2008, conforme descrito no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal (fls. 224231). A recorrente reitera a preliminar de nulidade do lançamento fiscal, ao argumento de cerceamento do direito de defesa em face de não lhe ter sido oportunizada a retificação dos valores não lançados em DCTF, porquanto a fiscalização deixou de intimála a apresentar esclarecimentos acerca da entrega das DCTFs sem inclusão dos valores constantes da DIPJ, conforme previsto no art. 149, III, do CTN. Tal qual asseverado na decisão recorrida, os pressupostos legais para a validade do auto de infração são determinados pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, cujo art. 10 dispõe: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” O art. 142 do CTN fornece a definição legal de lançamento, estabelecendo como requisitos indispensáveis a sua constituição a verificação da ocorrência do fato gerador, a identificação do sujeito passivo, a determinação da matéria tributável e o cálculo do montante do crédito a favor da Fazenda Pública, nos seguintes termos: “Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito Tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 664DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11634.720114/201109 Acórdão n.º 1402001.324 S1C4T2 Fl. 0 7 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” (Grifouse). O reproduzido parágrafo único dispõe sobre a vinculação e a obrigatoriedade do lançamento. Aquela consiste na cerrada observância dos ditames legais quando da Reafirmo que, no presente caso, os autos de infração de IRPJ e lançamento reflexo em exame foram lavrados por auditorfiscal em pleno exercício de suas funções e contêm todos os requisitos indispensáveis a sua validade, não havendo que se cogitar, assim, na sua nulidade. Na fase litigiosa do procedimento foram observadas as normas e os princípios processuais do contraditório e da ampla defesa, sendo que o enfrentamento das questões pela impugnante denota perfeita compreensão da infração apurada de ofício. Quanto à alegação de não ter sido intimada a apresentar esclarecimentos acerca da entrega das DCTFs sem inclusão dos valores constantes da DIPJ, corretos os fundamentos da decisão recorrida a seguir reproduzidos (verbis): “(...) além de o citado inciso III do artigo 149 do CTN não exigir tal procedimento, a autoridade fiscal tem liberdade de interpretar os elementos disponíveis para apurar eventual descumprimento das obrigações tributárias. 2. Acrescentese que os artigos 904 e 911 do RIR de 1999 conferem competência ao auditorfiscal para verificar o cumprimento das obrigações fiscais, mediante exame de livros e documentos de contabilidade dos contribuintes, realização de diligências e investigações necessárias para apurar a exatidão das declarações, balanços e documentos apresentados e das informações prestadas, tendo o artigo 926 determinado a lavratura do competente auto de infração sempre que for apurada infração às disposições desse regulamento. 3. Portanto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade apresentada. Receita bruta escriturada nos livros comerciais e fiscais, mas não declarada à Receita Federal 4. A contribuinte estava enquadrada no Simples Federal (Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996) até 30/06/2007 – tendo apresentado declaração PJSI 2008 Simples para o 1º semestre/2007 em 30/05/2008, que foi retificada em 09/06/2009 e 08/12/2010 – e não optou pelo Simples Nacional (Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006) a partir de 01/07/2007. 5. Apresentou as DIPJs 2008 (às fls. 104113, entregue em 27/06/2008) e 2009 originais (às fls. 114116, entregue em 24/11/2009), com base no lucro presumido, nelas informando receita bruta de R$ 220.010,25 no 2º semestre/2007 e R$ 627.250,55 no anocalendário de 2008, correspondentes a cerca de 11% da receita então escriturada no Livro Registro de Apuração do ICMS (fls. 62103 e 130148). 6. Em 08/12/2010 – após tomar conhecimento das improfícuas tentativas de ciência pessoal do Termo de Início de Ação Fiscal (fl. 002), em 02 e 06/12/2010, e antes da ciência por via postal, em 20/12/2010 (fls. 0304) – apresentou DIPJ 2008 (fls. 151 160) e 2009 retificadoras (fls. 161174 e 190) para informar a receita bruta escriturada no Livro Registro de Apuração do ICMS (na verdade, 99% do seu valor). 7. O valor tributável em análise corresponde à receita bruta escriturada nesse livro fiscal porquanto os débitos de IRPJ e CSLL informados nas DIPJs 2008 e 2009 originais e retificadoras não foram confessados nas DCTF originais do 2º semestre/2007 (fls. 175186 e 187189 e 221) e 1º e 2º semestres/2008 (fls. 191220 Fl. 665DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11634.720114/201109 Acórdão n.º 1402001.324 S1C4T2 Fl. 0 8 e 222223), apresentadas em 08/12/2010, e nem incluídos no parcelamento previsto na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 (fls. 5254): RECEITA BRUTA ESCRITURADA/DECLARADA (R$) PERÍODO Reg.Apuração ICMS DIPJ Original DIPJ Retificadora Lançamento Fiscal 2007 – 3º trimestre 899.534,18 89.953,42 894.971,98 899.534,18 4º trimestre 1.300.568,27 130.056,83 1.249.477,11 1.300.568,27 2008 – 1º trimestre 1.320.955,55 134.222,20 1.312.693,55 1.320.955,55 2º trimestre 1.418.999,93 155.180,55 1.404.599,93 1.418.999,93 3º trimestre 1.237.097,21 170.897,50 1.214.914,71 1.237.097,21 4º trimestre 1.506.833,30 166.950,30 1.506.833,30 1.506.833,30 Total 7.683.988,44 847.260,80 7.583.490,58 7.683.988,44 8. A autoridade fiscal assim descreveu o início do procedimento fiscal realizado: “Em 02/12/2010, comparecemos no endereço cadastral da empresa, Rodovia BR 369, s/n Km 04, Parque Industrial Zona Norte, na cidade de ApucaranaPr, com o objetivo de cientificála do início do procedimento de fiscalização. Entretanto, a empresa não foi localizada no referido endereço. Comparecemos também no endereço da empresa no cadastro de contribuintes do ICMS, na Av. Zilda Seixas Amaral, nª 610 – Parque Industrial Zona Norte, na cidade de ApucaranaPr. No local, fomos atendidas pelo Sr. Marcel Eduardo Viccioli Medina, funcionário da empresa Jundiá Sorvetes, que nos informou que a empresa Judiá está ali estabelecida desde maio/2010. Diante disso, entramos em contato telefônico (43 34226441) com o contador da empresa, Sr. Cezar Antonio dos Santos Farinácio – CPF 580.550.45968, que nos informou o endereço correta da empresa – Rodovia BR 369, s/n Km 205,9, Parque Industrial Zona Norte, na cidade de ApucaranaPr. Em 06/12/2010, comparecemos por volta das 15:00 hs no endereço da empresa, Rodovia BR 369, s/n Km 205,9, Parque Industrial Zona Norte, na cidade de ApucaranaPr, com o objetivo de cientificála do início do procedimento de fiscalização. No local fomos informadas de que os responsáveis pela empresa não se encontravam e que chegariam às 16:00 hs. Nesse horário, retornamos à empresa e fomos informadas de que os responsáveis não voltariam mais naquele dia. A empresa foi cientificada do procedimento de fiscalização, via postal, em 20/12/2010, intimada a apresentar: cópia dos atos constitutivos e alterações posteriores (últimos cinco anos); livros caixa e/ou livros diário e razão dos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009; livro registro de apuração do ICMS/ISS dos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009; livros registros de entradas e registro de saídas dos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009 e; talões de notas fiscais emitidas nos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009, fls. 02 e 03. Em 10/01/2011, a empresa apresentou os documentos de fls. 05 a 30. Em 28/01/2011, a empresa foi intimada a manifestarse sobre as diferenças entre os montantes de receitas declaradas ao Fisco Estadual (conforme GIA/ICMS) e ao Fisco Federal (conforme declarações PJSI/2008 e DIPJ 2008, 2009 e 2010), apresentando os devidos esclarecimentos/justificativas e, se fosse o caso, juntar os elementos comprobatórios que justificassem o fato, fls. 31 e 32. A empresa não atendeu à intimação. Ocorre que, em 08/12/2010, de acordo com os nossos sistemas, a empresa retificou as seguintes declarações, incluindo os valores anteriormente não informados ao Fisco Federal: Fl. 666DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11634.720114/201109 Acórdão n.º 1402001.324 S1C4T2 Fl. 0 9 Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (janeiro a julho do ano calendário de 2007) e; Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (julho a dezembro do anocalendário de 2007 e anocalendário de 2008). Em 08 e 09/12/2010, de acordo com os nossos sistemas, apresentou as seguintes declarações, incluindo os valores anteriormente não informados ao Fisco Federal: Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (2º semestre do ano calendário de 2007, 1º e 2º semestres do anocalendário de 2008 e, 1º e 2º semestres do anocalendário de 2009).” (Grifouse) 9. Portanto, correto está o procedimento fiscal em análise, pois desde a instituição da Declaração de Débitos e Créditos Tributários FederaisDCTF pela IN SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998 (cujos termos básicos foram mantidos pelas diversas instruções normativas que a sucederam), a declaração de rendimentos da pessoa jurídica – que passou a denominarse Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa JurídicaDIPJ (instituída pela Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998) – não constitui mais instrumento de confissão de dívida, passando a ser apenas uma obrigação acessória, razão pela qual os valores do IRPJ e contribuições nela informados não mais podem ser enviados para a inscrição em Dívida Ativa da União. 10. Como a DCTF é desde então o instrumento hábil para inscrição de débitos em dívida ativa e cobrança judicial, os saldos a pagar de IRPJ e CSLL relativos aos fatos geradores ocorridos no 2º semestre/2007 e no anocalendário de 2008 deveriam obrigatoriamente ter sido assim confessados, mas não o foram. 11. Dessa forma, constitui prova direta de omissão de receitas a constatação de receita bruta escriturada no Livro Registro de Apuração do ICMS, mas não declarada em DCTF à Receita Federal, razão pela qual voto por manter a exigência em litígio. (..) Logo, a exigência fiscal não merece mesmo reparos. Reiterese também que a exigência da multa de oficio e juros de mora a taxa Selic estão de acordo com a legislação. A apuração de infrações em auditoria fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante lavratura do auto de infração e, por conseguinte, aplicar a multa de ofício de 75%, 112,5%, 150% ou 225%, nos termos do artigo 44, inciso I ou II, da Lei nº 9.430/1996. Essa multa é devida quando houver lançamento de ofício, como é o caso. De qualquer forma, convém esclarecer, que o princípio do não confisco insculpido na Constituição, em seu art. 150, IV, dirigese ao legislador infraconstitucional e não à Administração Tributária, que não pode furtarse à aplicação da norma, baseada em juízo subjetivo sobre a natureza confiscatória da exigência prevista em lei. Ademais, tal princípio não se aplica às multas, conforme entendimento já consagrado na jurisprudência administrativa, como exemplificam as ementas transcritas na decisão recorrida e que ora reproduzo: Fl. 667DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11634.720114/201109 Acórdão n.º 1402001.324 S1C4T2 Fl. 0 10 "CONFISCO – A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal (Ac. 102 42741, sessão de 20/02/1998). MULTA DE OFÍCIO – A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, restringese ao valor do tributo, não extravasando para o percentual aplicável às multas por infrações à legislação tributária. A multa deve, no entanto, ser reduzida aos limites impostos pela Lei nº 9.430/96, conforme preconiza o art. 112 do CTN (Ac. 20171102, sessão de 15/10/1997)." Por sua vez, a aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros de mora também está prevista em normas legais em pleno vigor, regularmente citada no auto de infração (artigo 61, § 3º da Lei 9.430 de 1996), portanto, deve ser mantida. Nesse sentido dispõe a Súmula nº 4 do CARF: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 668DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 11020.001836/2004-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 29/04/2004 Ementa: Embargos de Declaração. Omissão Cabem embargos de declaração quando verificada obscuridade, contradição ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se o Colegiado. Demonstrado que o voto condutor deixa dúvida acerca dos fundamentos da decisão, forçoso é ajustá-lo. Embargos Acolhidos em Parte.
Numero da decisão: 3102-001.394
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em retificar o voto-condutor e ratificar o acórdão 3102-00.520.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 29/04/2004 Ementa: Embargos de Declaração. Omissão Cabem embargos de declaração quando verificada obscuridade, contradição ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse o Colegiado. Demonstrado que o voto condutor deixa dúvida acerca dos fundamentos da decisão, forçoso é ajustálo. Embargos Acolhidos em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em retificar o votocondutor e ratificar o acórdão 310200.520. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mara Sifuentes, Luciano Pontes de Maya Gomes, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro.. Relatório Tratamse de embargos de declaração, manejados pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em desfavor do Acórdão 310200.520, de 12 de outubro de 2009, assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Fl. 511DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.001836/200441 Acórdão n.º 3102001.394 S3C1T2 Fl. 2 2 Data do fato gerador: 18/03/2003 Classificação Fiscal. O produto denominado "depurador" de ar, de uso doméstico, com dimensão horizontal máxima não superior a 120 cm, classificase no código NCM 8414.60.00. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A partir de 2001, nos casos de classificação tarifária incorreta, mesmo que a mercadoria se encontre corretamente descrita na declaração de importação da contribuinte, é cabível a aplicação de multa de oficio sobre o valor dos tributos exigidos (MP n° 2.15835/2001). . MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA NA NCM. Aplicase a multa de 1 % (um por cento) sobre o Valor Aduaneiro da mercadoria classificada de maneira incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aponta a embargante que o acórdão encontrarseia vazado de contradição, na medida em que a ementa faria alusão à manutenção das multas de 75%, por declaração inexata, e de 1%, por erro na classificação, enquanto que a parte dispositiva do voto condutor descreveria exclusivamente a manutenção da multa por classificação errônea, destacando exclusivamente a sua inaplicabilidade a fatos geradores anteriores ao início da vigência da legislação que a instituiu. Em face da determinação no sentido de que a Conselheira Nanci Gama, relatora original, não mais se dedicasse à relatoria dos processos deste Colegiado promovi a autodistribuição dos embargos. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Como é cediço, a avaliação da admissibilidade dos embargos de declaração, até certo ponto, confundese com o seu mérito. Vejase o que diz o art. 65 do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.001836/200441 Acórdão n.º 3102001.394 S3C1T2 Fl. 3 3 Na busca da delimitação das hipóteses regimentais, sirvome da lição de Candido Rangel Dinamarco1, que com precisão conceitua: Contradição é a colisão de dois pensamentos que se repelem (p.ex., negar a medida principal pedida e conceder a acessória, que dela depende; julgar improcedente a reintegração de posse e procedente o pedido de indenização etc.). Omissão é a falta de exame de algum fundamento da demanda ou da defesa, ou de alguma prova, ou de algum pedido etc. (decidir sobre a demanda principal sem se pronunciar sobre a acessória, deixar de indicar o nome de algum dos litisconsortes ativos ou passivos etc.). Tomando tais conceitos como referência, analisando as razões de embargo, juntamente com o acórdão embargado, forçoso é concluir que o acórdão merece reparos, posto que o voto condutor, penso, encontrase maculado de obscuridade.. Com efeito, o litígio envolve três matérias distintas(classificação fiscal, multa de ofício de 75% e multa regulamentar de 1%, por erro de classificação) e o voto condutor do acórdão embargado, quando da exposição de seus fundamentos, adotou voto que caminhou no sentido de manter, ao menos parcialmente, essas três frações. Confirase: Importante frisar que a aplicação do mencionado ADN COSIT n° 10/97 se encontra prejudicada desde o advento do art. 84 da Medida Provisória (MP) n° 2.15835, de 24.08.2001, devido à previsão de multa específica para os casos de classificação tarifária incorreta, mesmo que a mercadoria esteja perfeitamente descrita na declaração do contribuinte. Nos termos do referido dispositivo, quando esses erros acarretarem a falta ou a insuficiência de pagamento dos tributos devidos, além da multa especifica, cabe a aplicação da multa de que trata o art. 44 da Lei n° 9.430/96 sobre o valor dos tributos exigidos. Conseqüentemente, em relação ao ato administrativo citado, após a edição da MP n° 2.15835/01, subsistiu apenas a orientação de que não constitui infração punível com a multa de que trata o art. 44 da Lei n° 9.430/96 a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque "Ex", não mais havendo previsão para a nãoaplicabilidade da multa de oficio no caso de classificação tarifária incorreta, quando o produto esteja adequadamente descrito. (...) Cabe salientar que o ADI SRF n° 13/02, revogou o ADN COSIT n° 10/1997. Analisando o teor do aludido ADI, verificase que ele praticamente repetiu todos os casos previstos no ato revogado para a não imposição da multa de oficio, desde que o produto esteja corretamente descrito, excluindo apenas a 1 Instituições de Direito Processual Civil. São Paulo, Malheiros, 2005, 5ª ed., pp. 687/688. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.001836/200441 Acórdão n.º 3102001.394 S3C1T2 Fl. 4 4 hipótese de classificação tarifária errônea, em consonância com o raciocínio anteriormente expendido. Destarte, no caso vertente, independentemente da descrição dos equipamentos consignada nas DI's, comprovada a incorreção do enquadramento tarifário adotado pela importadora declarante e a conseqüente falta de recolhimento dos tributos devidos, resta configurada infração punível com multa de oficio, não cabendo qualquer reparo ao feito fiscal também quanto a este aspecto. Por fim, cumpre observar que a Medida Provisória ns 2.15835, com vigência a partir de 27.08.2001, em seu artigo 84, inciso 1, prevê a exigência de multa por classificação incorreta: Ou seja, partindo da premissa de que o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 10, de 1997 teria sido tacitamente revogado pelo art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835, que entrou em vigor em 27/08/2001 e que a descrição dos produtos consignada nas declarações de importação seria suficiente para que se promovesse a sua classificação fiscal, decidiu este Colegiado por afastar a incidência dessa penalidade a fatos geradores anteriores a 27/08/2001. De se destacar que o fundamento para aplicação da multa de ofício de 75% é a declaração inexata da classificação fiscal. Ocorre, entretanto, que a parte dispositiva do voto condutor não foi suficientemente clara, pois não fixou que a única multa afastada parcialmente seria a de 75%, por aplicação do ADN Cosit nº 10, tacitamente revogado em 27/08/2001. Notar que não haveria margem para interpretação diferente, uma vez que o Fisco não aplicou a multa de 1% a fatos geradores anteriores a 27/08/2001, pelo simples fato de que, até esta data, a penalidade ainda não havia sido criada. .Nessa linha, impõese ajustar o voto condutor, a fim de que reste claro que o Colegiado afastou exclusivamente a multa de 75% e ainda assim, relativamente a fatos geradores ocorridos até 26/08/2001. Sala das Sessões, em 15 de fevereiro de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 514DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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