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Numero do processo: 15761.720006/2017-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2301-000.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que seja sobrestado o julgamento até o retorno da diligência determinada nos autos do processo 15761.720004/2017-20.
(assinado digitalmente)
João Mauricio Vital Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Reginaldo Paixão Emos), Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada para substituir o conselheiro João Bellini Junior), Marcelo Freitas de Souza Costa Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente em Exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros João Bellini Junior e Reginaldo Paixão Emos.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que seja sobrestado o julgamento até o retorno da diligência determinada nos autos do processo 15761.720004/2017-20. (assinado digitalmente) João Mauricio Vital Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Reginaldo Paixão Emos), Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada para substituir o conselheiro João Bellini Junior), Marcelo Freitas de Souza Costa Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente em Exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros João Bellini Junior e Reginaldo Paixão Emos.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que seja sobrestado o julgamento até o retorno da diligência determinada nos autos do processo 15761.720004/201720. (assinado digitalmente) João Mauricio Vital – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Reginaldo Paixão Emos), Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada para substituir o conselheiro João Bellini Junior), Marcelo Freitas de Souza Costa Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente em Exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros João Bellini Junior e Reginaldo Paixão Emos. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado em face do Acórdão n. 0445.572 da DRJ (fls. 51695), que julgou a impugnação improcedente, recebendo a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 57 61 .7 20 00 6/ 20 17 -1 9 Fl. 51808DF CARF MF Processo nº 15761.720006/201719 Resolução nº 2301000.747 S2C3T1 Fl. 3 2 Período de apuração: 01/06/2012 a 31/12/2016 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA A compensação efetuada sem amparo na legislação que cuida do assunto é indevida. É legítima a glosa quando indevida a compensação. MULTA ISOLADA.COMPENSAÇÃO INDEVIDA.FALSIDADE Informação falsa prestada em GFIP acerca de compensação indevida de débitos previdenciários é causa para o lançamento de multa isolada prevista na legislação tributária. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. O pedido de Perícia ou Diligência, quando desnecessário ao convencimento da autoridade julgadora, deve ser indeferido. Vale ressaltar que a impugnação havia sido apresentada em face do Auto de Infração relativo ao lançamento da multa isolada decorrente da não homologação de compensações de contribuições previdenciárias declaradas pela interessada em GFIP, relativamente às competências 07/2012 a 13/2016. Os argumentos trazidos na Impugnação, fls. 73/131, eram, em síntese, os seguintes: 1 É indevida a glosa parcial das compensações realizadas relativamente às competências 07/2012 a 13/2016 e o não reconhecimento do saldo de créditos positivo, sendo injusta e imprópria aplicação de multa isolada de que trata o §10 do art. 89 da Lei Federal n.º 8.212/91 c/c o art. 44, I, da Lei Federal n.º 9.430/96; 2 o seu saldo de retenções acumuladas até o ano 2012, decorrentes de compensações realizadas com base em retenções de períodos anteriores (créditos de 2005 em diante), foi ignorado pela autoridade fiscalizadora; 3 é incabível multa isolada, sem que a Contribuinte tenha realizado qualquer compensação indevida; 4 os saldos de retenção utilizados para as compensações em questão são decorrentes de competências anteriores que, pela sua não utilização no curso do mês de retenção, (bjeto de fiscalização e reconhecimento pela Receita Federal) foram convertidas em créditos à disposição da contribuinte, os quais foram contabilmente escriturados em 2012, declarados e legitimamente usados em competências posteriores; 5 a contribuinte possui créditos de retenção previdenciária de períodos anteriores aptos ao pagamento por compensação, comprovados por diversos documentos e já objeto de certificação pela Receita Federal em 2012; 6 não houve, em nenhum momento, a comunicação, por parte da Receita Federal, sobre a existência da distribuição do procedimento por intermédio de Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal – TDPF, estipulado pela legislação como requisito prévio e necessário à abertura e execução, por parte dos auditores fiscais, de todo e qualquer Fl. 51809DF CARF MF Processo nº 15761.720006/201719 Resolução nº 2301000.747 S2C3T1 Fl. 4 3 procedimento fiscalizatório, conforme inteligência e determinação do art. 2º do Decreto Federal n.º 3.724/01, com redação dada pelo Decreto Federal n.º 8.303/14. 7 o Dossiê/Processo de n.º 10010.020255/041723 e todos os termos assinados pela Autoridade Fiscalizadora, Sr. Eduardo Cerqueira Leite, sejam os termos de intimação ou o Despacho Decisório, são carentes de legitimidade e legalidade, posto que não houve regular distribuição do procedimento fiscal para tal autoridade, o que feriu de nulidade insanável todo o Processo Administrativo 15761.720004/201720; 8 a assinatura do Auto de Infração deuse por auditor sem competência para exercer suas funções no procedimento fiscal de fiscalização, o que somente seria regular se devidamente precedida de TDPF, que lhe atribuísse tal legitimidade para execução da específica fiscalização. Ademais, termo esse expedido com data inexistente (31/04/2017), juntado ao Processo na data de 12 de abril de 2017, o que trouxe legítima e grave dúvida à contribuinte sobre sua real existência e confiabilidade sobre a lisura de sua origem; 9 consta do Despacho Decisório assinatura do relatório fiscal por autoridade não designada e, ainda, afastada do exercício regular de suas funções na data da publicação da notificação de lançamento, em razão da decretação de sua prisão preventiva no âmbito da “Operação Zelotes” e, por força da qual, ainda se encontra recluso; 10 o Despacho Decisório foi concluído na data de 30/08/2017, embora, da assinatura do último auditor fiscal interveniente, o Delegado da Delegacia Regional de Santo André, Sr. Rubens Fernando Ribas, conste a data eletrônica de 38/07/2017 (?). O Sr. Eduardo Cerqueira Leite, autoridade supostamente responsável pela execução da fiscalização da Contribuinte, foi preso preventivamente em 26/07/2017, durante fase da “Operação Zelotes”. Concluise que o Despacho Decisório seria eficaz tão somente no dia 30/08/2017, ocasião na qual a Autoridade responsável pela execução do procedimento fiscal já se encontrava presa, afastada de suas funções, havia mais de um mês. Assim, o despacho decisório foi tingido pela nulidade, por ter sido lavrado por AuditorFiscal fora do exercício de suas atribuições legais; 11 o Despacho Decisório revelouse inócuo, além de nulo, ao lhe atribuir débitos que não lhe cabem; 12 Para fundamentar o Despacho Decisório foi utilizada norma revogada, qual seja, a Instrução Normativa nº 900/08. A motivação eivada de vício determina a nulidade do Despacho Decisório, posto que, para a sua defesa, somente restaria à Contribuinte fazer uso de legislação também revogada, o que não se admite; (“29. Por conseguinte, em respeito ao que estabelece o art. 89, caput, da Lei nº 8.212/91 c/c art. 48 da Instrução Normativa nº 900/08 e alterações, restaria à autoridade administrativa, em face das glosas indicadas no item 11 e do não) 13 Na fiscalização anterior, finalizada em 11/2012, restou comprovado que os saldos de retenção dos períodos 2010, 2011 e 2012 não foram utilizados, em sua integralidade, na própria competência, haja vista que tais períodos tiveram pagamento por compensação com saldo de retenções de períodos anteriores, igualmente não utilizadas no próprio período; 14 O Fiscal, à época (09/2012 a 11/2012), examinou todos os documentos, que solicitou, e certificou a regularidade das compensações fiscalizadas, da existência do lastro creditório e do saldo de crédito remanescente a ser usado em competências subsequentes pela Contribuinte; Fl. 51810DF CARF MF Processo nº 15761.720006/201719 Resolução nº 2301000.747 S2C3T1 Fl. 5 4 15 não se poderia glosar o crédito alcançado pela homologação e, consequentemente, pela prescrição. Ademais, em razão da homologação de tudo quanto realizado pela contribuinte até 11/2012 ou, em último caso, 09/2012, forçoso reconhecer que o novo auditor glosou as compensações ignorando a coisa julgada administrativa que homologou as compensações realizadas; 16 em razão da certificação havida em 2012, o saldo de crédito de retenções foi devidamente escriturado pela Contribuinte na Conta de Longo Prazo de nº 12100700001, no valor de R$ 9.308.359,30, registrado como débito em 31/12/2012, correspondente a créditos de retenções sobre notas fiscais de acordo com a Lei n.º 9.711/98, pertinentes a períodos anteriores, registro que não podia ter sido desconsiderado pela Autoridade Fiscalizadora, pois, inequívoca e inevitavelmente faz prova em procedimentos fiscais fiscalizatórios; 17 houve dupla fiscalização empreendida pela Receita Federal sobre o ano de 2012 e períodos anteriores já homologados. Quando da primeira fiscalização, restou comprovado que os saldos de retenção dos períodos 2010, 2011 e 2012 não foram utilizados em sua integralidade na própria competência, haja vista que tais períodos tiveram pagamento por compensação com saldo de retenções de períodos anteriores, igualmente não utilizadas no próprio período; 18 A segunda fiscalização adotou critério diferente para análise das compensações, utilizando cada retenção no próprio mês de referência, desconsiderando a planilha de compensações e comprovante de retenções apresentados pela contribuinte, que prova a existência de créditos decorrentes de períodos anteriores não utilizados; 19 os lançamentos de créditos contabilizados na conta de resultado 51300800001 – Recuperação de Despesas Tributárias no montante de R$ 3.384.960,48, foram ignorados pela autoridade fiscalizadora, que no entanto, em nenhum momento, apontou qualquer irregularidade na contabilidade da contribuinte. Portanto, a contabilidade da contribuinte se revelou absolutamente correta, não se entendendo a razão da desconsideração dos lançamentos dos créditos por ela registrados; 20 a falta de motivação consubstanciada na falta de observância de critérios prevalecentes na legislação de regência leva à nulidade do ato; 21 O Sistema de Declaração das Contribuições Previdenciárias – SEFIP obriga que a contribuinte declare como crédito para pagamento da competência (ainda que parcial) o valor de retenção previdenciária do mês, mesmo que tenha crédito de retenções de períodos anteriores suficientes e aptos ao pagamento da integralidade do débito daquela competência; 22 a Autoridade Fiscal ignorou as diferenças recolhidas a maior, assim como falhou ao justificar o intrincado valor a que se refere o crédito tributário de R$ 15.767.109,09; 23 a autoridade fiscalizadora não comprovou a ocorrência de qualquer falsidade de declaração ou fraude por parte da contribuinte, que pudesse ensejar a incidência de multa isolada, a não ser fazer constar suposta “compensação indevida”; 24 não há fraude ou desígnio da contribuinte em praticar qualquer infração, sobretudo, por ter esta sempre se pautado em conduta transparente, clara, linear e colaborativa, com suas práticas todas escrituradas contabilmente, como determina a legislação de regência, e declaradas à Receita Federal, o que se extrai de todo o seu histórico nos processos de Fl. 51811DF CARF MF Processo nº 15761.720006/201719 Resolução nº 2301000.747 S2C3T1 Fl. 6 5 fiscalização havidos. Assim, a multa isolada aplicada padece de razoabilidade e, principalmente, legalidade; Nos termos do Despacho de fls.51.638/51.639, foram os autos baixados em diligência, para manifestação da autoridade lançadora. Em resposta, foi proferido o Despacho de Diligência de fls.51.653/51.664. Ciente do teor do Despacho de Diligência proferido pela autoridade lançadora, o contribuinte manifestouse conforme petição de fls.51.681/51.694. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos trazidos na impugnação, dentre os quais: (i) falta de manifestação no Acórdão recorrido sobre as nulidades apontadas na impugnação; (ii) da regularidade das compensações efetuadas pela Recorrente; (iii) do indevido não reconhecimento do duplo pagamento por meio de retenção em nota fiscal e recolhimento em GPS; (iv) da suposta obrigatoriedade de realização de pedido de restituição do saldo de crédito remanescente; (v) da desconsideração da fiscalização ocorrida no ano de 2012 e da homologação das compensações, com consequente reconhecimento do saldo de crédito; (vi) da indevida aplicação da multa isolada; (vii) necessidade de comprovação de dolo ou fraude; (viii) da necessidade de diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, de forma que dele conheço. Tendo em vista que o presente processo trata de multa isolada decorrente do processo n. 15761.720004/201720, no qual decidiuse pela conversão do julgamento em diligência para que sejam analisados os documentos juntados pela Recorrente, não há como julgar o presente processo antes que tenha a conclusão daquele pedido de diligência. Desse modo, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que o presente julgamento seja sobrestado até que haja o retorno da diligência solicitada no processo n. 15761.720004/201720. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 51812DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.720237/2010-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
Numero da decisão: 9202-007.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa (relator), que conheceu do recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo- Presidente em Exercício e Redatora Designada
(assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa (relator), que conheceu do recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo- Presidente em Exercício e Redatora Designada (assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1633; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10166.720237/201051 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.419 – 2ª Turma Sessão de 11 de dezembro de 2018 Matéria Nulidade Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MAX EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa (relator), que conheceu do recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Redatora Designada (assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 02 37 /2 01 0- 51 Fl. 519DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto peça Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 240201.929, proferido na Sessão de 23 de agosto de 2011, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA FALTA DE CLAREZA. FATO GERADOR E BASE CÁLCULO. NULIDADE. A auditoria fiscal deve lançar a obrigação tributária com a discriminação clara e precisa dos seus valores, sob pena de cerceamento de defesa e consequentemente nulidade. É nulo o lançamento efetuado se a base de cálculo do fato gerador da obrigação principal não for devidamente delineada de forma clara e precisa nos autos. Processo Anulado. A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular o lançamento, vencidos os conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e Ana Maria Bandeira que não reconheceram a existência de vício, mas que se deve dar provimento parcial para que a alíquota seja reduzida para 11%. Em seguida, por voto de qualidade, vencidos os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, Ana Maria Bandeira e Lourenço Ferreiro do Prado, reconheceu se que se tratava de vício material. Apresentará voto vencedor relativo a essa segunda parte o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. O recurso visa rediscutir a seguinte matéria: Ausência de nulidade do lançamento. Em exame preliminar de admissibilidade, o Presidente da Quarta Câmara, da Segunda Seção do CARF deu seguimento ao apelo da Fazenda Nacional, nos termos do Despacho de efls. 509 a 510. Em suas razões recursais a Fazenda Nacional aduz, em síntese, que o art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1.972 deve ser interpretado à luz do princípio da instrumentalidade processual, aplicável ao processo administrativo tributário; que somente importarão em nulidade as irregularidades ali apontadas, o que não é a hipótese dos autos; que a anulação do lançamento é desnecessária e ilegal, bastando sua revisão pela autoridade julgadora, excluindo se os valores indevidos. Cientificada do Acórdão de Recurso Voluntário, do Recurso Especial da Procuradoria e do Despacho que lhe deu seguimento em 26/06/2012 (AR, efls. 512) a Contribuinte apresentou as Contrarrazões de efls. 514 a 516 na qual aduz, em síntese, que o recurso não atende ao requisito do prequestionamento; que não houve o confronto analítico entre o acórdão recorrido e o paradigma e, ainda, que o paradigma não atende ao requisito de contemporaneidade, pois é de novembro de 2000. Quanto ao mérito sustenta a nulidade do lançamento, nos termos do Acórdão Recorrido. Fl. 520DF CARF MF Processo nº 10166.720237/201051 Acórdão n.º 9202007.419 CSRFT2 Fl. 3 3 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O recurso foi interposto tempestivamente. Quanto aos demais pressupostos de admissibilidade, diante da razões aduzidas pela Contribuinte em sede de contrarrazões, examino detidamente a questão. Sobre a alegada ausência de cotejo analítico, tal não procede. O Recurso indica pontual e claramente onde se localiza a divergência. Notese que fazer o cotejo analítico não significa, necessariamente, a transcrição de excerto dos julgados recorrido e paradigma, bastando para tanto que o recurso indique com clareza onde se situa a divergência entre os julgados, e isso foi feito. Quanto ao prequestionamento não se exige da Fazenda Nacional a observância desse requisito da mesma forma que se exige do Contribuinte, pois quem elege as matérias para o litígio é o sujeito passivo, mediante impugnação, bastando, assim, que a matéria tenha sido discutida no processo, e isso é inequívoco. E quanto à alegação de ausência de contemporaneidade do paradigma, tal alegação não encontra respaldo nas normas regimentais. A data da prolação do acórdão paradigma é irrelevante, salvo se proferido em contexto normativo diverso daquele do paradigma, o que não é o caso. Por fim, quanto à divergência de interpretação, entendo, da mesma forma, que a peça recursal logrou demonstrála. Com a devida vênia dos que pensam de modo diverso, penso que o fato de os acórdão recorrido e paradigma versarem sobre tributos distintos é irrelevante. É que a divergência é em relação a norma processual e não material. O que importa é que, embora em ambos os casos se tenha identificado suposto erro na determinação da matéria tributável, que poderiam, em tese, ser sanados com a supressão dos valores exigidos em excesso, os julgados oferecem soluções distintas: num caso, declarouse a nulidade, noutro, se retirou os valores exigidos a maior. Ante o exposto, conheço do recurso. Vencido quanto ao conhecimento, deixo de apreciar o mérito. (assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada Discordo do Ilustre Conselheiro Relator, no que tange ao conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 521DF CARF MF 4 No caso do acórdão recorrido, foi declarada a nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. A Fazenda Nacional, por sua vez, pugna pelo restabelecimento do lançamento, defendendo que equívoco na determinação da matéria tributável não geraria nulidade. Assim, tratandose de discussão acerca da existência de vício em lançamento de tributo, é imprescindível que se verifique a motivação da declaração de nulidade em cada um dos julgados em confronto, a ver se haveria similitude entre elas. No caso do acórdão recorrido, foi declarada a nulidade do lançamento por vício material, considerandose que a Fiscalização aplicou uma alíquota equivocada e apurou a base de cálculo sem a observância dos limites legais, o que teria acarretado o cerceamento do direito de defesa do Contribuinte. Confirase os respectivos trechos do acórdão recorrido: "Preliminarmente, em decorrência dos princípios da autotutela administrativa e da legalidade objetiva, verificase que o lançamento fiscal deverá ser declarado nulo, eis que os elementos fáticos probatórios, que o compõem, não registram de forma clara e precisa a base de cálculo (salário de contribuição) dos valores lançados, nem a alíquota aplicada. Ou melhor, pelos fundamentos a seguir delineados, a alíquota aplicada e base de cálculo do fato gerador não estão em conformidade com a legislação previdenciária. Os motivos para a aplicação da alíquota e base de cálculo foram descritos noRelatório Fiscal da Infração nos seguintes termos: (...) Contudo, entendo que o procedimento de auditoria fiscal, acima descrito (item 6 e subitens 6.1/6.2), não está em conformidade com a legislação previdenciária que disciplina tal conteúdo, pelas seguintes razões: 1. a alíquota aplicada, para os dois levantamentos (“PF1” e “SP”), foi de 20%, mas deveria ser aplicada a alíquota de 11%; 2. a base de cálculo do fato gerador foi estimada sem obedecer os limites mínimo e máximo do salário de contribuição. Tais limites estão estabelecidos pelo art. 28, §§ 3o e 5o, da Lei no 8.212/1991. (...) Diante desse contexto de vícios constatados, seja na aplicação de alíquota equivocada (20% quando deveria ser 11%), seja na apuração de uma base de cálculo sem a observância dos limites legais, isso ensejou um lançamento fiscal com valores que englobou o valor concernente ao fato gerador devido pela Recorrente e o valor não devido pela Recorrente, que são: os valores decorrentes da alíquota de 9% (20% 11%) e do excedente da base de cálculo (100% das receitas obtidas base de cálculo com observância dos limites). Ao proceder dessa maneira para a apuração dos valores lançados, a auditoria fiscal incorreu em um vício de motivo, este consubstanciado na inadequação do fato com o pressuposto jurídico da legislação previdenciária. Essa Fl. 522DF CARF MF Processo nº 10166.720237/201051 Acórdão n.º 9202007.419 CSRFT2 Fl. 4 5 inadequação do motivo do lançamento fiscal, ocasionada pela falsidade do pressuposto no mundo fático com a previsão legal, é um desvio de finalidade do estabelecido pela legislação tributária que gera a nulidade pelo cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo. O lançamento fiscal deve ser convincentemente motivado – de forma concisa, clara e congruente –, indicando, com base nos elementos da escrituração contábil ou outros elementos fáticos, a existência da materialidade das contribuições previdenciárias. A auditoria fiscal não deverá se basear em raciocínio jurídico incorreto para realizar o lançamento fiscal, mas resultar de fatos concretos encontrados durante a auditoria fiscal e aplicação da legislação pertinente. O trabalho de auditoria fiscal deverá demonstrar, com clareza e precisão, os motivos da lavratura da exigência tributária. Isso está em consonância com o art. 50 da Lei nº 9.784/1999, que estabelece a exigência de motivação como condição de validade do ato, bem como §1º do mesmo artigo que exige motivação clara, explícita e congruente." (grifei) Nesse contexto, o paradigma apto a demonstrar a alegada divergência seria representado por julgado em que, diante de situação fática similar aplicação de alíquota equivocada (20%, quando a legislação de regência determinava 11%) e apuração de uma base de cálculo sem a observância dos limites legais a nulidade fosse afastada. Visando demonstrar a alegada divergência, a Fazenda Nacional indica como paradigma o Acórdão nº 10320.451, limitandose a colacionar a respectiva ementa, conforme a seguir: “IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA OMISSÃO DE RECEITA OPERACIONAL ERRO NA DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL Comprovado, por meio de diligência fiscal, equívocos na determinação da matéria tributável, sua revisão pela autoridade julgadora é medida que se impõe. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF/ILL CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL A decisão proferida no processo relativo ao imposto de renda pessoa jurídica estende seus efeitos aos processos decorrentes, tendo em vista a estreita correlação entre os procedimentos principal e decorrentes. Recurso de ofício negado" (destaques da Recorrente) De plano, a ementa acima permite concluir que o paradigma é um Recurso de Ofício ao qual se negou provimento, tendo em vista a ocorrência de equívocos na determinação da matéria tributável, apurados por meio de diligência, o que não se verificou no caso do acórdão recorrido. Compulsandose o inteiro teor do paradigma, confirmase que a situação nele tratada não guarda similitude com a do recorrido. Já no relatório do paradigma estão descritos Fl. 523DF CARF MF 6 os citados equívocos, que não passaram de erros de fato quando da elaboração do Demonstrativo de Fluxo Financeiro, corrigidos por meio de diligência solicitada pela própria DRJ, abrindose oportunidade para que o Contribuinte apresentasse impugnação complementar. Com efeito, não se tratou de aplicação equivocada da legislação de regência, acarretando majoração de alíquota e fixação de base de cálculo sem respeito aos limites legais, como se verificou no recorrido. Confirase o paradigma: "A decisão recorrida não merece reparos. A diligência requerida pela autoridade a quo foi oportuna e esclarecedora, retificando equívocos ocorridos na elaboração do Demonstrativo de Fluxo Financeiro, como se pode ver no Relatório de fls 180/185. Deve ser rejeitada a alegação de falta de indicação do dispositivo infringido no Auto de Infração, tendo em vista que, às fls. 09, encontrase discriminado os dispositivos legais que fundamentaram o lançamento. O demonstrativo do fluxo financeiro é instrumento legítimo para demonstrar eventual omissão de receitas das pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido, conforme consagrado na jurisprudência administrativa. A existência de escrituração contábil não impede a reconstituição do fluxo financeiro, para verificar a movimentação de ingressos e saídas de recursos. Tal procedimento, bem como, a indicação dos artigos do RIR/94 que embasaram o lançamento, não ensejaram qualquer óbice à ampla defesa do contribuinte, que em sua impugnação demonstrou perfeito entendimento da infração imputada. Examinadas as alegações da interessada em confronto com as cópias das folhas do Livro Razão n° 7, que foram anexadas ao processo na diligência fiscal e no recurso, bem como, o relatório de diligência de lis. 180/185, verificamos que resta comprovada a ocorrência de equívocos no levantamento fiscal e na confecção do demonstrativo do fluxo financeiro. A autoridade julgadora de primeira instância acatou as conclusões da diligência e, à vista das alegações apresentadas no aditivo à impugnação de fls. 86/87, comprovada pelos lançamentos do Livro Razão, bem como, dos documentos anexados pela contribuinte, concluiu (...) Os documentos e a escrituração anexados pelo contribuinte em sua defesa, bem como, a diligência realizada por solicitação da autoridade julgadora comprovam a ocorrência de erros na apuração de excesso de dispêndios que embasa imputação de omissão de receitas. Retificado o Demonstrativo do Fluxo Financeiro pelas razões e montantes detalhados na fundamentação da r. decisão, reproduzida no relatório deste acórdão restou demonstrado que não ocorreu excesso de dispêndios nos meses de fevereiro, outubro e novembro e nos meses de março, maio, setembro e dezembro tiveram seus valores reduzidos conforme quadros demonstrativos também transcritos no relatório." Com efeito, no caso deste paradigma, o que se verificou foi a ocorrência de erros de fato na elaboração de fluxo financeiro, o que foi corrigido por iniciativa da própria DRJ, que determinou a realização de diligência, oportunizando a apresentação de aditivo à Fl. 524DF CARF MF Processo nº 10166.720237/201051 Acórdão n.º 9202007.419 CSRFT2 Fl. 5 7 impugnação, sendo que em momento algum se menciona que teria havido a aplicação equivocada da legislação de regência, acarretando majoração indevida de alíquota e base de cálculo. Destarte, ausente a similitude fática entre os julgados em confronto, não há que se falar em divergência jurisprudencial. Diante do exposto, tendo em vista que o paradigma indicado efetivamente não logra caracterizar a divergência alegada, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 525DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13973.000001/2005-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
RELATOR. DILIGÊNCIA DE OFÍCIO. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Rejeita-se a diligência proposta pelo Relator, de ofício, quando o Colegiado decide, por voto de qualidade, pela sua imprescindibilidade, impraticabilidade ou irrazoabilidade para o correto prosseguimento do feito e solução da lide, por ausência dos desígnios necessários a sua realização.
Numero da decisão: 3001-000.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência, suscitada pelos conselheiros Renato Vieira de Avila (relator) e Francisco Martins Leite Cavalcante, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 RELATOR. DILIGÊNCIA DE OFÍCIO. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Rejeita-se a diligência proposta pelo Relator, de ofício, quando o Colegiado decide, por voto de qualidade, pela sua imprescindibilidade, impraticabilidade ou irrazoabilidade para o correto prosseguimento do feito e solução da lide, por ausência dos desígnios necessários a sua realização.
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DILIGÊNCIA DE OFÍCIO. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Rejeitase a diligência proposta pelo Relator, de ofício, quando o Colegiado decide, por voto de qualidade, pela sua imprescindibilidade, impraticabilidade ou irrazoabilidade para o correto prosseguimento do feito e solução da lide, por ausência dos desígnios necessários a sua realização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência, suscitada pelos conselheiros Renato Vieira de Avila (relator) e Francisco Martins Leite Cavalcante, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. Orlando Rutigliani Berri Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 3. 00 00 01 /2 00 5- 11 Fl. 307DF CARF MF 2 Relatório Pedido de Compensação Tratase de pedido de compensação de créditos (PER/DCOMP) de PIS — Mercado Externo, relativo ao 1º trimestre do ano calendário de 2004, no valor de R$ 34.245,90 (trinta e quatro mil e duzentos e quarenta e cinco reais e noventa centavos), a ser utilizado para quitar débito fiscal do código de tributo "1097", relativo ao período de apuração 30/11/2004. Intimação Receita Federal nº 1351/2007 A fim de instruir o processo, a Receita Federal intimou a contribuinte a apresentar os seguintes documentos: 1. Apresentar arquivos digitais de notas fiscais LRE e LRS, elaborados conforme disposições da Portaria DRF/J01 n.° 35, de 18 de julho de 2005(1), referentes a todos os estabelecimentos do contribuinte, matriz e filiais, relativos ao período entre o 4.° trimestre/2002 ao 4.0 trimestre/2004 ; 2. Apresentar memória de cálculo dos créditos de PIS/PASEP do 4.° trimestre/2002; 3. Apresentar os Balancetes mensais que demonstrem as receitas e despesas declaradas nos DACONs do período; 4. Apresentar demonstrativo das Despesas Financeiras de Empréstimos e Financiamentos Obtidos Junto a Pessoas Jurídicas utilizadas no cálculo dos créditos do período; 5. Apresentar demqnstrativo dos Despachos de Exportações Diretas e Indiretas desse trimestre, relacionando as respectivas notas fiscais de venda; 6. Apresentar Pedida de Ressarcimento de créditos de COFINS do 4.° trimestre/2004 via PGD PERDCOMP; 7. Apresentar cópia do Contrato Social de Sasse Alimentos Ltda.; 8. Apresentar cópia de documento de identidade do Sr. Errol Sasse, que subscreve os pedidos. O contribuinte apresentou os documentos dentro prazo estabelecido. Intimação Receita Federal n° 1459/2007 e n° 47/2008 Posteriormente, o contribuinte foi intimado novamente para apresentar cópias simples de diversas notas fiscais de saída e entrada do ano de 2003 a 2004, sob pena de ter seu pedido de ressarcimento indeferido. Atendendo a solicitação do fisco, o contribuinte apresentou as notas conforme solicitado. Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal Fl. 308DF CARF MF Processo nº 13973.000001/200511 Acórdão n.º 3001000.622 S3C0T1 Fl. 308 3 Em suma, o fisco considerou que, sob a rubrica empréstimos financeiros e financiamentos, não poderiam ser aproveitados créditos decorrentes de "atraso no pagamento de títulos, em cartório ou diretamente aos fornecedores, as despesas sobre contratos de câmbio e a faturização (a cessão de crédito na modalidade pro soluto, ou seja, sem responsabilização do cedente dos créditos, ou mera "compra e venda" de créditos, como se deduz claramente da leitura do art. 15, § 1°, inciso III, alínea 'd', da Lei n. 9.249/95, que define serviço de factoring)", na medida em que não configurariam "empréstimos nem financiamentos". Além disso, entendeu que os valores pagos "a título de COSIP, multas, correção monetária e juros de mora", não poderiam compor a base de cálculo do crédito nas faturas de energia elétrica, na medida em que "estranhos ao fornecimento e consumo" do estabelecimento. Por fim, entendeu que "despesas indiretas com pessoal — entre essas: alimentação, transporte para o local de trabalho, cestas básicas, despesas com viagens, remédios, uniformes e equipamentos de segurança — e despesas administrativas indiretas como projetos de produtos, assessoria empresarial, honorários advocatícios, disposição final de resíduos da produção, serviços e telefonia fixa e móvel e vigilância de seus estabelecimentos, evidentemente não se enquadram no conceito de insumo e não podem ser considerados para fins de apuração dos créditos de PIS/PASEP e COFINS não cumulativos". Encerrouse a análise do Pedido de Compensação, de R$ 34.245,90, de que trata o processo do contribuinte. Por ela, dado todo o exposto e em decorrência das verificações executadas, concluiuse que é de se reconhecer ao interessado o direito creditório na monta de R$ 26.119,53 (vinte e seis mil e cento e dezenove reais e cinquenta e três centavos). Despacho Decisório Desta sorte, o presente despacho decisório, houve por bem, reconhecer PARCIALMENTE o direito creditório postulado, para considerar o valor de R$ 26.119,53 (vinte e seis mil e cento e dezenove reais e cinquenta e três centavos) como o saldo dos créditos de PIS, remanescente ao final do 1º trimestre de 2004, passível de ressarcimento sem a incidência de juros moratórios, nos termos do art. 52, §5.°, da IN SRF n.° 600/2005, homologamse as compensações até o limite do crédito reconhecido. Efetuadas as compensações, remanesce saldo devedor no valor original de R$ 8.126,37. Manifestação de Inconformidade Em sede de sua manifestação de inconformidade, a recorrente traz, em suma, os seguintes argumentos: Créditos decorrentes de financiamento Primeiramente, a manifestante rechaça a fundamentação do Despacho Decisório, que não poderia a Impugnante deduzir créditos relativos aos juros pagos pelo atraso de pagamento de títulos ou pela cessão de crédito. Fl. 309DF CARF MF 4 Aduz que, a norma que autorizou o crédito se referiu a empréstimos e financiamentos da pessoa jurídica, conceito no qual, sem dúvida alguma, incluemse os valores em questão, pagos a título de juros, os quais implicaram em custo das atividades operacionais da empresa. Acrescenta que, a lei, em sua redação original, não estabeleceu a distinção pretendida pelo Auditor Fiscal. Contribuição incidente sobre o custo total da energia elétrica consumida Por seu turno, alega que, da mesma forma, os valores pagos a título energia elétrica não poderiam ter sido restringidos à base de cálculo do ICMS, e que a lei não fez tal distinção, permitindo ao contribuinte creditarse da contribuição incidente sobre o custo total da energia elétrica consumida. A manifestante assevera que multas, juros e parcela COSIP são custos indissociáveis da fatura de energia elétrica, integrando o preço pago pelo contribuinte, e, portanto, custo empregado da sua produção. Bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda Ademais, alega que as demais despesas, consideradas indiretas pelo Auditor Fiscal, igualmente, consistem em "bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda" e que conceito de insumo não poderia ser restringido àqueles produtos e serviços que irão, efetivamente, compor o produto final. Tratase, no caso, como bem destacou o Auditor Fiscal, de despesas relativas à uniformes e equipamentos de segurança, ao custo de desenvolvimento de produtos, assessoria empresarial, entre outras, as quais, sem dúvida alguma, consistem em custos necessários ao desenvolvimento das atividades da Impugnante. Por fim, aduz que se o objetivo da concessão ao crédito da contribuição era o de dar efetividade ao princípio da nãocumulatividade, desonerando o custo da produção, não restam dúvidas de que a base de cálculo empregada pela Impugnante não poderia ter sido desconsiderada, visto referirse a despesas integralmente relacionadas à sua atividadefim, por isso, requer que seja deferido o crédito requerido. DRJ/CTA A manifestação de inconformidade foi julgada parcialmente procedente e recebeu a seguinte ementa: Acórdão 0621.070 – 3ª Turma da DRJ/CTA ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 PIS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS PERMITIDOS. Dão direito ao crédito do PIS, no regime de incidência não cumulativa, os insumos que, comprovadamente, forem aplicados diretamente no produto, consumidos e/ou alterados no processo produtivo, podendo os créditos correspondentes energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica serem descontados a partir de 1" de fevereiro de 2003. RESSARCIMENTO. NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS FINANCEIRAS. FACTORING. ATRASO PAGAMENTO DE Fl. 310DF CARF MF Processo nº 13973.000001/200511 Acórdão n.º 3001000.622 S3C0T1 Fl. 309 5 TÍTULOS. DESPESAS E DESÁGIOS EM CONTRATOS DE CÂMBIO. No sistema de nãocumulatividade, não geram créditos a serem descontados do Pis, as despesas financeiras decorrentes de .factoring, de atraso no pagamento de títulos, em cartório ou diretamente aos fornecedores, e as despesas e deságios verificados em contratos de câmbio suportados pelo contribuinte, por não se caracterizarem como despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica. Solicitação Deferida em Parte Entendeu a DRJ, quanto às despesas decorrentes de empréstimos e financiamentos, que o atraso no pagamento de títulos, em cartório ou diretamente aos fornecedores, não configura empréstimo (tampouco financiamento, como verseá adiante), por isso, as despesas disso decorrentes não podem ser creditadas. Acrescenta que não há, no factoring, a rigor, empréstimo ou financiamento, mas mera "compra e venda" dos créditos. Inexiste, então, empréstimo ou financiamento nesse tipo de contrato, sendo descabido a contribuinte creditarse das despesas financeiras decorrentes. Quanto aos alegados créditos de energia elétrica, contrariando o que afirma a autoridade a quo à fl. 100, a DRJ aduz que os valores informados no Dacon não correspondem aos valores totais das faturas de energia elétrica, sendo que para os períodos de apuração fevereiro e março de 2004 são até inferiores. Dessa forma, concuiu que a glosa feita pela Saort/DRF/JoinvilleSC é indevida. Por fim, entendeu por manter a glosa de aquisições em itens de bens/serviços utilizados como insumos, no sentido de que os valores glosados dizem respeito a aquisições que não se enquadram no conceito de insumos utilizados na produção (dizem respeito à aquisição de material de expediente e a peças de vestuário de trabalhadores), não podendo servir para o creditamento do PIS. Destacou também, que a interessada não apresentou argumentos específicos contra essa glosa, fazendo alegações genéricas sobre o conceito de insumo. Conclusão do voto Isso posto, deu parcial provimento à manifestação de inconformidade, para considerar indevidas as glosas das bases de cálculo de créditos do PIS, relativas às despesas com energia elétrica no valor adicional de R$ 1.092,76 (mil e noventa e dois reais e setenta e seis centavos). Recurso Voluntário Após relatar brevemente os eventos fáticos transcorridos, a recorrente repisa os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, quais sejam: Despesas decorrentes de empréstimos e financiamentos Fl. 311DF CARF MF 6 A recorrente discorda da DRJ, no sentido que, as despesas financeiras não se restringem àquelas pagas a instituições financeiras ou relativas a contratos de mútuo, formalmente realizados nos termos do Código Civil. Aduz que a norma que autorizou o crédito se referiu a empréstimos e financiamentos da pessoa jurídica, conceito no qual, segundo a mesma, sem dúvida alguma, incluemse os valores em questão, pagos a título de juros, os quais implicaram em custo das atividades operacionais da empresa Bens e serviços utilizados como insumo A recorrente acrescenta que as demais despesas, consideradas indiretas pelo Auditor Fiscal, igualmente consistem em "bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda", de modo que legítimo o crédito aproveitado pela Recorrente. Complementa que o conceito de insumo não necessariamente compõe o produto final, mas vale, também, para despesas com o pessoal (transporte e alimentação, relativas a uniformes e equipamentos de segurança, ao custo de desenvolvimento de produtos, assessoria empresarial e entre outras), ou seja, aquelas que consistem em custos necessários ao desenvolvimento das atividades da recorrente. Por fim, requereu que seja recebido o presente Recurso Voluntário, dandolhe integral provimento, para o fim de que seja reformada a r. Decisão recorrida, com o deferimento do crédito não autorizado pela Turma julgadora “a quo”. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou parcialmente procedente o Pedido de Compensação de PIS/PASEP, apurados sob o regime da nãocumulatividade, decorrentes das operações de exportação. Admissibilidade do Recurso A contribuinte teve ciência do acórdão de manifestação de inconformidade em 16.03.2009, conforme Aviso de Recebimento AR, nos termos do inciso II do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subsequente, conforme artigo 5º, também do PAF. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Verificase, pois, que a recorrente apresentou o competente Recurso Voluntário em 14.04.2009, conforme comprova o carimbo da DRF JOIVILLE, logo, o recurso apresentado é tempestivo ao prazo legal estabelecido no artigo 56 do PAF: Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. Fl. 312DF CARF MF Processo nº 13973.000001/200511 Acórdão n.º 3001000.622 S3C0T1 Fl. 310 7 Por fim, observo que, em conformidade com o art. 23B do Anexo II da Portaria MF n° 343 de 2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF), este colegiado é competente para apreciar o feito, tendo em vista que o valor do litígio está dentro do limite estabelecido pelo dispositivo. Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos: despesas decorrentes de empréstimos e financiamentos e bens e serviços utilizados como insumos. Despesas decorrentes de empréstimos e financiamentos A questão meritória relativa ao argumento da utilização das despesas decorrentes como empréstimo e financiamento será analisada em momento processual adequado, vez que, conforme a narrativa dos fatos a seguir, o encaminhamento a ser proposto será a conversão em diligência para verificar a existência de insumos, alegados em narrativa a parte deste argumento. Bens e serviços utilizados como insumos A seguir, tratarse das justificativas para a conversão em diligência, cujo objetivo será a comprovação da existência de créditos advindos da aquisição de bens e serviços classificáveis como insumos. DOS FATOS Trata o presente processo de Pedido de Compensação relativo ao PIS, referente ao período de apuração 1° trimestre de 2004, decorrentes das operações de exportação, no qual consta a indicação de um crédito de R$ 34.245,90. O ilustre Auditor Fiscal responsável pela análise dos créditos e respectivas compensações realizadas entendeu que, do valor de R$ 34.245,90, requerido pela Impugnante, somente R$ 26.119,53 seriam legítimos. A 3ª Turma da DRJ/CTA apreciou a contenda, emitindo o Acórdão n.° 06 21.070, que deferiu em parte a solicitação do contribuinte, reconhecendo o erro de fato na glosa efetuada na rubrica Despesas de Energia Elétrica do DACON nos períodos 02/2004 e 03/2004, abrindose crédito complementar da diferença em favor do interessado no valor de R$ 1.092,76, totalizando o crédito reconhecido na monta de R$ 27.212,29. Como demonstrado, o direito creditório foi parcialmente provido pelos órgãos “a quo”, argumentos tratados no Relatório acima. Diante disso, a recorrente busca o reconhecimento de créditos na monta de R$ 7.033,61. Da Conversão em Diligência A recorrente está submetida a Cofins não cumulativa e alega haver, em seu favor, créditos decorrentes de insumos, consoante prevê o artigo 3.º da Lei 10.833/03. Fl. 313DF CARF MF 8 Por este motivo, ante a alegada existência de documentos que comprovem haver insumos não considerados na formação da base de cálculo, justificase a conversão em diligência. Como expresso em votos anteriores, alterei meu entendimento pela preclusão da juntada de documentos fora dos limites temporais da impugnação. Isto porque, o tema de instrução probatória, em especial, o momento da apresentação da documentação para comprovação dos eventos ocorridos, é assunto controverso, com critérios em definição, atentando, assim, à necessária segurança jurídica que deve tornear a relação fisco contribuinte. Ocorre que, em havendo desconexão entre os critérios interpretativos, e, em momento processual administrativo recursal, se faz possível, como se tem entendido aqui, abrir a possibilidade de o contribuinte, corretamente e de acordo com os critérios aceitos pela autoridade fazendária, comprovar a existência do pagamento indevido, e, por consequência, da existência do crédito, tal alternativa deve ser posta em prática. Em sendo assim, deve o Estado aceitar esta complementação da prova, a fim de satisfazer aos seus próprios critérios. Vejase, não há oportunização para apresentação de prova; mas sim, oportunização para complementação de prova, haja vista, pela percepção do contribuinte, ter havido entendido que, com a disponibilização dos documentos conforme o fez, estaria sanada a exigência. Confirase a lição do Conselheiro Cássio Schappo: Ressaltese, ademais, que a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, através do Acórdão 9303005.065, de 16 de maio de 2017 (fls. 654/664), deu provimento ao Recurso Especial do contribuinte, "com o retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo" (fls. 655), e para determinar "o envio dos autos à câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de Recurso voluntário" (fls. 659), pelos argumentos sintetizados na seguinte ementa (fls. 654), verbis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Data do fato gerador: 24.04.2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. Fl. 314DF CARF MF Processo nº 13973.000001/200511 Acórdão n.º 3001000.622 S3C0T1 Fl. 311 9 PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso especial do contribuinte provido Dos meios aptos à comprovação Os meios aptos à comprovação do crédito pleiteado, vem sendo delineado pela jurisprudência administrativa. Segue a orientação: Acórdão 3301001.985 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária DCTF RETIFICAÇÃO LIVRO APURAÇÃO DE ICMS E DIPJ PROVA A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam, ainda que na forma resumida para os contribuintes que optam pela apuração do lucro na forma presumida, não sendo admitida a mera apresentação de DIPJ, cuja natureza é meramente informativa, entretanto, uma vez apresentado o Livro Apuração de ICMS verificase a possibilidade de comprovação Do momento da para a apresentação dos documentos Uma vez definidos os meios de comprovação do Erro material, urge delimitar os aspectos temporais para a aceitação de documentos. Para o bem da relação fisco contribuinte, o rigor formal da primeira leitura do critério temporal, no qual o momento adequado, esgotariase com o transcurso do prazo da apresentação da manifestação de inconformidade, estaria sendo abrandado, conforme entendimento abaixo exposto, no qual documentos acostados após a apresentação de recurso voluntário seriam ainda aceitos, confirase a decisão abaixo transcrita: Acórdão 3402003.196 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária PARECER TÉCNICO. JUNTADA APÓS APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE A juntada de parecer pelo contribuinte após a interposição de Recurso Voluntário é admissível. O disposto nos artigos 16, §4º e 17, ambos do Decreto nº 70.235/1972 não pode ser interpretado de forma literal, mas, ao contrário, deve ser lido de forma sistêmica e de modo a contextualizar tais disposições no universo do processo administrativo tributário, onde vige a busca pela verdade material, a qual é aqui entendida como flexibilização procedimental probatória. Ademais, referida juntada está em perfeita sintonia com o princípio da cooperação, capitulado no art. 6o do novo CPC, o qual se aplica subsidiariamente no processo administrativo tributário. Fl. 315DF CARF MF 10 Dos meios aptos à comprovação Os meios aptos à comprovação do crédito pleiteado, vem sendo delineado pela jurisprudência administrativa. Segue a orientação: Acórdão 3301001.985 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária DCTF RETIFICAÇÃO LIVRO APURAÇÃO DE ICMS E DIPJ PROVA A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam, ainda que na forma resumida para os contribuintes que optam pela apuração do lucro na forma presumida, não sendo admitida a mera apresentação de DIPJ, cuja natureza é meramente informativa, entretanto, uma vez apresentado o Livro Apuração de ICMS verificase a possibilidade de comprovação Do momento da para a apresentação dos documentos Uma vez definidos os meios de comprovação do Erro material, urge delimitar os aspectos temporais para a aceitação de documentos. Para o bem da relação fisco contribuinte, o rigor formal da primeira leitura do critério temporal, no qual o momento adequado, esgotariase com o transcurso do prazo da apresentação da manifestação de inconformidade, estaria sendo abrandado, conforme entendimento abaixo exposto, no qual documentos acostados após a apresentação de recurso voluntário seriam ainda aceitos, confirase a decisão abaixo transcrita: Das Conversões em Diligência A práxis processual administrativa considerada como apta à comprovação da existência do crédito tributário, vem sofrendo, conforme se demonstrou, diverso tratamento ao longo do tema, variando desde posições mais formalistas, na qual não há a possibilidade de apreciação de documentos após o protocolo da manifestação de inconformidade, da qual, repitase, este conselheiro já fora adepto. Precedente Análogo ao Caso Em evolução, demonstrouse que, além de polêmico, o tema vem se alterando para a aceitação de documentos após o Recurso Voluntário, até o entendimento atual, cuja compreensão se encontra na Resolução 3001000.020, de relatoria do Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, que converteu o julgamento do caso em diligência nos seguintes termos: O recorrente apresentou DCTF e Dacon retificadora, informando este fato quando da apresentação da manifestação de inconformidade. No seu entender, com a apresentação dessas declarações retificadora estaria sanada a irregularidade apontada no despacho decisório. Entretanto, o acórdão recorrido manteve o indeferimento do pedido de compensação sob o argumento de que o interessado não apresentou qualquer elemento contábil que demonstrasse ter havido pagamento a maior ou indevido e, deste modo, o recorrente não comprovou a liquidez e certeza do crédito informado na DComp em questão. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 13973.000001/200511 Acórdão n.º 3001000.622 S3C0T1 Fl. 312 11 Portanto, em síntese, o fundamento da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante satisfatória (escrituração contábilfiscal) que corroborasse as informações apresentadas, notadamente, na DCTF retificadora. O interessado, quando da apresentação do recurso voluntário, afirma, com suas próprias palavras, que houve erro quando do preenchimento da DCTF, razão pela qual apresentou a retificadora da DCTF, juntamente com a Dacon, e, no seu entender, seria suficiente para a solução do litígio uma vez que o fundamento do despacho decisório seria apenas a inexistência de débito. Como o acórdão recorrido proferido pela 1ª Turma da DRJ/JFA indeferiu sua manifestação de inconformidade, agora pela falta de apresentação de documentação probante que demonstrasse o seu direito, o recorrente apresentou esses documentos, que entende serem suficientes para a devida comprovação do direito à compensação solicitada. Requer a realização de diligência para o esclarecimento acerca do crédito compensado, caso entendase necessário. Assim, tem se encaminhado, nestes casos, oportunizar, ao recorrente, a apresentação dos documentos necessários à demonstração da origem do crédito, pois, conforme descrito na resolução de conversão em diligência: Pois bem. Entendo que há razoável dúvida quanto à certeza e liquidez dos alegados direitos ao crédito que o recorrente pretende compensar. É certo que é condição indispensável à compensação de tributos a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170A da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). Necessário, neste sentido, a comprovação cabal da existência desses supostos créditos, o que pode ser demonstrados com base na análise da documentação contábil fiscal do contribuinte. Deste modo, visando propiciar a ampla oportunidade para o recorrente esclarecer e comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, concluo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência. Desta forma, por entender que a mencionada retificação (DCTF e Dacon) levada a efeito pelo recorrente, sinaliza com a possibilidade de acerto quanto ao correto valor do indébito de Cofins, e, com isto, o reconhecimento da extinção do débito tributário objeto da compensação, nos termos do inciso II do artigo 156 do CTN.. Proposta de Conversão em Diligência Portanto, ante a tema que, por um lado, indica a existência de crédito por parte do contribuinte, mas que, por desapego, até inconsciente, no que tange aos critérios utilizados pelo fisco, a fim de aceitar a legitimidade dos créditos postos pela recorrente, e, por Fl. 317DF CARF MF 12 outro lado, a possibilidade de o Estado negar crédito regular, fazse justiça ao pleito em perfazimento à orientação acima exposta, e por entender que este PAF não se encontra em condições de julgamento, proponho sua conversão em diligência para: intimar a recorrente a apresentar planilha explicativa da formação da base de cálculo da contribuição, com a especificação segregada de quais bens e serviços são considerados insumos. Ainda, que traga aos autos documentos comprovantes da tomada destes serviços, tais quais notas fiscais, contratos, etc. Em complementação, que junte também, a contabilização da tomada destes bens e serviços, apontando os respectivos lançamentos em seus livros Razão e Diário. Após a autoridade preparadora deverá preparar relatório, minudente e concludente, acerca da formação da base de cálculo da contribuição, apontando todos os valores incluídos em sua base de cálculo, segregando os insumos acima discriminados. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Voto Vencedor Conselheiro Orlando Rutigliani Berri Redator Designado Preâmbulo Com a devida licença aos I. Conselheiros Relator e Francisco Martins Leite Cavalcante, que entenderam que o caso sob exame é passível de conversão do julgamento do recurso voluntário em diligência, tanto que a propuseram de ofício, posto que não tal intento não foi suscitado pelo recorrente, passo a seguir e resumidamente esclarecer meu entendimento contrário. Da desnecessidade da diligência De plano, entendo que todos os elementos necessários à formação da convicção deste Colegiado encontramse presentes nos autos; neste sentido cabe citar o artigo 18 do Decreto 70.235 de 06.03.1972, que dispõe que a "autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis". Esclareço que, não obstante referido dispositivo faz referência ao colegiado de primeira instância, entendo também aplicável a esta instância recursal diante de eventual necessidade de esclarecimento de fatos necessários ao julgamento da lide, o que, como já mencionei, não ocorre no presente caso. Da fundamentação O caso sob exame perpassa a questão que diz respeito à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas, cuja delimitação do respectivo ônus depende a definição da maior parcela das responsabilidades na relação jurídicotributária. Fl. 318DF CARF MF Processo nº 13973.000001/200511 Acórdão n.º 3001000.622 S3C0T1 Fl. 313 13 Nesse contexto, é fato que a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, tratam do princípio fundamental do direito probatório, segundo o qual "quem acusa e/ou alega deve provar", obrigação, digase, que abarca tanto a autoridade fiscal, relativamente à demonstração da infração ensejadora do ilícito tributário, a teor do prescrito na parte final do caput do artigo 9º do Decreto nº 70.235 de 1972, quando determina que os autos de infração e notificações de lançamento “deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”, quanto o contribuinte, cuja mesma legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, conforme dispõe o inciso III do artigo 16 do referido diploma legal, ao determinar que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Porém, o caso sob exame é de repetição de indébito, impondose, entretanto, algumas modificações, como a veremos a seguir. É entendimento comezinho que nos casos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é dever do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito, exigindose deste a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prérequisito ao conhecimento do pleito. Ou seja, por óbvio, documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito; pois sem referida evidenciação, o pedido repetitório resta prejudicado na sua origem. Não se duvide que as normas acima mencionadas, prevêem a realização de diligências e mesmo perícias, por parte da autoridade fiscal, destinadas à verificação da exatidão das informações trazidas pelos sujeitos passivos, mas é preciso deixar evidenciado que referida previsão não se presta para suprir o ônus da prova que incumbe as partes, posto que seu escopo é de ver elucidadas questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/recorrente; em outros termos, as diligências servem para esclarecer dúvidas específicas, e não para determinar que a autoridade fiscal competente, diante da falta de comprovação da existência de determinado crédito, venha suprir obrigação que cabia ao contribuinte. Em regra, no caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, ao contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, muitas vezes está associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que o respaldem. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar seu registro (escrituração formal e legal), mas também indicar a que documentos este está associado; bem como é de fundamental importância, neste contexto, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja objetiva e clara suficiente para possibilitar a perfeita caracterização do negócio que pretende demonstrar como existente de fato. Logo, me filio àqueles que entende que não é tarefa do julgador, ainda mais de instância recursal, contextualizar os elementos de prova trazidos pelo contribuinte no caso de um pedido de restituição, compensação ou ressarcimento, tanto quanto não é contextualizar os elementos de prova trazidos pela autoridade fiscal no âmbito de um lançamento de oficio; pois como já explanado, quem acusa deve provar, contextualizando os elementos de prova que evidenciam a infração; da mesma forma, quem pleiteia repetição deve provar a existência do direito creditório, contextualizando os elementos e prova que evidenciam o indébito. Fl. 319DF CARF MF 14 Respaldado no entendimento acima expresso que convém salientar que não deve, diante de um pleito repetitório apresentado, a autoridade fiscal diligenciar para fins de verificar, de oficio, a existência do crédito pleiteado; pois as normas regulamentares de regência da matéria faculta é a situação segundo a qual apresentado o pedido e constatado que o contribuinte, por exemplo, demonstrou, por documentos e registros contábeis individualmente associados, a origem dos créditos pleiteados, pode a autoridade fiscal, se dúvidas remanescerem em relação a questões pontuais, demandar por diligências para dirimir tais questões duvidosas, e não transferir para a autoridade fiscal ou para o julgador administrativo a responsabilidade pela produção probatória atribuída originariamente ao sujeito passivo no caso dos pedidos de repetição de indébito. E é, com a devida vênia, isso que ocorreria nestes autos, se fosse acatada e, por consequência, promovida a diligência proposta; pois, a meu ver, tal promoção, da forma como pretendida, serviria para suprir irregularmente a omissão do contribuinte, o que não é processualmente admissível, na medida em que o contribuinte é quem deveria ter envidado esforço para comprovar/demonstrar/evidenciar que seu pleito é factível. Dito isto, convém também trazer à discussão o recorrente tema que povoa as peças recursais, qual seja, o da verdade material. É "lugar comum" as assertivas defensivas pautadas no chamado "princípio da verdade material", segundo o qual é dever da autoridade fiscal a busca da verdade real; nesse passo, cabe elucidar que não obstante o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada prejudica o que se expôs alhures. É dizer, referido princípio a busca da verdade que ultrapassa a "verdade" dos fatos alegados pelas partes, mas para obter êxito em tal desiderato impõese que referida "busca" ocorra num ambiente em que, efetivamente, as partes atuem proativamente no sentido do cumprimento do seu onus probundi. De outra forma dizendo, este princípio dirigese mais especificamente ao julgador administrativo, autorizandoo a ir para além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando estes elementos induzem à suspeição segundo a qual determinados fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte alega, mas de uma outra qualquer, na medida em que, como sabese, o julgador não está vinculado às versões das partes. Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar, in casu, ao sujeito passivo recorrente, que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de transferir para a autoridade fiscal que analisa seu pleito repetitório, a obrigação por produzir prova que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pedido desde sua formalização inicial. Ainda de outro modo dizendo, da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é razoável se aceitar que um pleito, in casu, repetitório, seja proposto sem a minuciosa demonstração e comprovação da existência do indébito. Por fim, cabeme evidenciar, relativamente quanto aos documentos e feitos que o nobre Relator visa obter com sua proposta de diligência à autoridade fiscal competente, que a teor da legislação tributária, o que faz prova a favor do sujeito é, ex vi do artigo 923 do RIR de 1999, a escrituração mantida com observância das disposições legais, acompanhada dos documentos hábeis que atestem a ocorrência dos fatos nelas registrados; pois, eventual escrituração contábilfiscal, efetuada sem base nos documentos que lhe dão suporte, é incapaz de atestar o que quer que seja, o que, por si só, torna impossível a aferição da existência de quaisquer créditos. É como penso. Da conclusão Fl. 320DF CARF MF Processo nº 13973.000001/200511 Acórdão n.º 3001000.622 S3C0T1 Fl. 314 15 Com base em tais considerações, relativamente ao presente voto vencedor, decidiu o Colegiado, por voto de qualidade, por rejeitar a proposta de diligência aventada, de ofício, pelo Relator. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 321DF CARF MF
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Numero do processo: 19395.900908/2014-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/06/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO.?
Não restando comprovado, pelo interessado, o Pagamento Indevido ou Maior, não está comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado e, portanto, não deve homologada a compensação efetuada.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.?
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.?
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170, do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/06/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO.? Não restando comprovado, pelo interessado, o Pagamento Indevido ou Maior, não está comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado e, portanto, não deve homologada a compensação efetuada. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.? Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.? Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado.
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FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Não restando comprovado, pelo interessado, o Pagamento Indevido ou Maior, não está comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado e, portanto, não deve homologada a compensação efetuada. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 39 5. 90 09 08 /2 01 4- 61 Fl. 425DF CARF MF Processo nº 19395.900908/201461 Acórdão n.º 3301005.666 S3C3T1 Fl. 426 2 Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 361 a 372) interposto pelo Contribuinte, em 27 de abril de 2018, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1482.783 (fls. 344 a 350), de 22 de março de 2018, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) – DRJ/RPO – que decidiu, por unanimidade de votos julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 4 e 13) apresentada pelo Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Trata o presente, de Declaração de Compensação transmitida pelo Sistema PER/DCOMP sob no 30734.27283.090910.1.3.047364, data da transmissão 09/09/2010, com a utilização de créditos oriundos de Pagamento Indevido ou a Maior do tributo PIS/PASEP, código da receita 6912, referente ao período de apuração 31/05/2004, no valor de R$ 342.171,58, contido em pagamento efetuado em 15/06/2004, no valor de R$ 1.118.006,32. O interessado acima qualificado é sucessora por incorporação da Companhia Petrolífera Marlim S/A, inscrita no CNPJ sob no 02.854.397/000104 e sucessora por incorporação de Marlim Participações CNPJ no 03.301.811/000110. O PER/DCOMP acima descrito foi apresentado pela sucedida CNPJ no 02.854.397/000104. Despacho Decisório eletrônico da Delegacia da Receita Federal do Brasil, no Rio de Janeiro – RJ, datado de 09/03/2015, doc. de fls. 296, homologou parcialmente a compensação declarada sob o argumento de que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O Interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando em síntese: Fl. 426DF CARF MF Processo nº 19395.900908/201461 Acórdão n.º 3301005.666 S3C3T1 Fl. 427 3 1. Que foi recolhida a quantia de R$ 1.118.006,32, quando, na verdade, o valor devido era de R$ 725.728,34, resultando num indébito de R$ 392.277,78, cuja razão pode ser identificada pelo fato de ajuste na receita de Prestação de Serviços da sucedida (Companhia Petrolífera Marlim CPM) para menor, em relação aos meses dos anos de 2004 e anteriores, até o ano 2000, situação originada pela forma como foi modelado o consórcio celebrado em 1998 entre a Petrobras e a Companhia Marlim; 2. Também verificouse o preenchimento incorreto da DACON e DCTF, entretanto cabe mencionar o entendimento do CARF sobre a matéria; 3. Segundo o contrato firmado a Petrobras tinha a obrigação de repassar à Marlim o valor correspondente às despesas suportadas pela mesma com o pagamento de empréstimos. Logo a receita da Marlim tinha em sua composição a recuperação de suas despesas, sendo elas constituídas, inclusive, por despesas financeiras com empréstimos; 4. Que a prestadora de serviços contábeis provisionou os juros sobre o valor do principal do empréstimo sem considerar as amortizações havidas no montante principal. Assim dessa redução da despesa de juros nos termos do contrato demandou o ajustamento respectivo, para menor, da receita da Marlim para todo o período de empréstimo, conforme se comprova pelo livro razão de 2004; 5. Para corroborar ao alegado consta um demonstrativo da situação, antes e depois, do recálculo dessas despesas de juros, através dos quais podem ser confirmados os lançamentos no livro Razão de 2004. Diante do exposto, requer o acolhimento da presente manifestação de inconformidade para reformar o despacho decisório homologando a compensação declarada, protesta pela ulterior juntada de prova que venha ser útil, e que todas as intimações pertinentes sejam feitas na pessoa do Dr. Hélio Siqueira Junior, procurador da requerente. Foram juntados os seguintes documentos: a) Cópia do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON Retificador; b) Cópia da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF Retificadora; c) Cópia do Contrato de suporte firmado entre Petróleo Brasileiro SA Petrobras e Cia. Petrolífera Marlim, datado de 14/12/1998; d) Cópia do Livro Razão; e) Cópia de Demonstrativo de Apuração da Contribuição "Situação: ANTIGA e NOVA"; f) Cópia da Memória de Cálculo do Ajuste ref. Juros MTN Program diferença entre a situação atual e a nova; Fl. 427DF CARF MF Processo nº 19395.900908/201461 Acórdão n.º 3301005.666 S3C3T1 Fl. 428 4 g) Cópia do Livro Diário referente aos lançamentos de compensação da Contribuição pela contabilidade; h) Cópia do Balancete demonstrando a Conta de Compensação pela contabilidade; Diante da decisão desfavorável ao Contribuinte, este apresentou Recurso Voluntário agora em análise. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1482.783 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/06/2004 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Em regra, não se admite a juntada posterior de documentos, salvo nas hipóteses expressamente previstas em lei. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Dada à existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo, no domicílio fiscal eleito por ele. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/06/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Não restando comprovado, pelo interessado, o Pagamento Indevido ou Maior, não está comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado e, portanto, não deve homologada a compensação efetuada. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170, do Código Tributário Nacional. Fl. 428DF CARF MF Processo nº 19395.900908/201461 Acórdão n.º 3301005.666 S3C3T1 Fl. 429 5 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O entendimento da autoridade administrativa fiscal e da DRJ no que tange a matéria principal foi de que sem a comprovação do pagamento indevido ou a maior não está comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado, não sendo possível homologar a compensação efetuada. Salientando que a compensação declarada foi homologada parcialmente pela autoridade administrativa, no valor de R$ 50.106,40, e que a Manifestação de Inconformidade, bem como agora da análise do Recurso Voluntário, trata da parte não homologada. O Contribuinte requer preliminarmente a reunião do processo nº 19395.900201/201705, referente a pedidos de restituição (PER 30513.74231.230108.1.2.04 8765 e PER 15723.92668.200409.1.2.043856), com o presente processo referente a DCOMP 30734.27283.090910.3.047364, para julgamento em conjunto com o intuito de evitar decisões contraditórias. Atendendo a preliminar, o julgamento do presente processo e do processo nº 19395.900203/201796 serão julgados na mesma sessão por ser pertinente e importante a solicitação. Em seguida o Contribuinte apresenta em seu recurso quadro demonstrativo da composição do indébito e apresenta os pontos controversos acerca da retificação da DCTF e DACON. Cito trechos para bem ilustrar o entendimento do Contribuinte acerca da questão: Conforme já demonstrado, a Recorrente ficara responsável por gerir as despesas de consórcio, com o qual assumiu, por exemplo, a responsabilidade por pagar os empréstimos contratados por ele para a execução da sua atividade. Por óbvio que, em razão do rateio das despesas entre as parceiras, cumpria a Recorrente exigir o ressarcimento daquilo que foi obrigada a dispender para o pagamento dos referidos empréstimos. Aludidos valores, quando retornavam, eram oferecidos à tributação pela Recorrente. Entretanto, em dezembro de 2004 as empresas parceiras identificaram equívocos, de janeiro a agosto de 2004, que determinaram a majoração indevida no cálculo, ocasião em que exigiram a devolução do respectivo valor. Aludida situação determinou, por óbvio, a redução das depesas com juros contabilizada pela Recorrente e, paralelamente, na também da sua contabilidade, a redução da parcela relativa à receita de devolução dos aludidos juros que lhe eram reembolsados mês a mês. (...) Superada a questão, notase que outra, relativa a erro material cometido pela Contribuinte, houve por prejudicar a análise correta do indébito. Isto porque, em que pese as informações constantes na DACON retificadora ativa, notase que a linha 09 da Ficha 04 do DACON especifica a base de cálculo do crédito sobre ativo imobilizado, enquanto a linha 13 da Ficha 04 do DACON especifica a base de cálculo de outras operações com direito a crédito, configurando um crédito relativo à apuração do período no valor de R$ 545.703,81. Ocorre que na mesma ficha (linha 30), o valor levado para fins de apuração do crédito, se restringiu ao valor correspondente a linha 13 da Ficha 04 do DACON, deixando de considerar, por conta do equívoco quando do preenchimento do DACON retificador ativo o crédito constante da linha 09 da referida Ficha, fato que Fl. 429DF CARF MF Processo nº 19395.900908/201461 Acórdão n.º 3301005.666 S3C3T1 Fl. 430 6 proporcionou uma redução do indébito perseguido pela Contribuinte que já havia sido identificado na primeira retificação do DACON (DOCUMENTO COMPROBATÓRIO 01): (...) Ante a todo exposto, resta configurada a certeza e liquidez do indébito de R$ 392.277,98 (trezentos e noventa e dois mil, duzentos e setenta e sete reais e noventa e oito centavos), onde se busca o aproveitamento de R$ 50.106,40 (cinquenta mil, cento e seis reais e quarenta centavos) a título de valor histórico de restituição e R$ 342.171,58 (trezentos e quarenta e dois mil, cento e setenta e um reais e cinquenta e oito centavos) para fins de valor histórico de compensação. Na análise do requerido pelo Contribuinte entendo que a este não assiste razão. Neste sentido, por bem expressar o entendimento deste Conselheiro, cito trechos da decisão ora recorrida como razões para decidir: Mérito. A contestação do contribuinte se resume em alegar que o indébito é decorrente de ajuste na receita de prestação de serviços entre a sucedida (Marlim) e sucessora (Petrobras), abrangendo em relação aos anos anteriores de 2000 a 2004, nos termos do consórcio modelado entre a Petrobrás e a Marlim, bem como por erro de preenchimento da DCTF e DACON. Há que se consignar, nos termos do art. 156, inciso II, do Código Tributário Nacional CTN, que a compensação tributária é uma modalidade de extinção do crédito tributário, mediante a qual se promove o encontro de duas relações jurídicas: (i) a relação jurídica de indébito tributário, na qual o contribuinte tem o direito de exigir, e o Estado tem o dever de restituir determinada quantia ao contribuinte; e (ii) a relação jurídica tributária, na qual o Estado tem o direito de exigir, e o contribuinte o dever de recolher determinada quantia aos cofres públicos (crédito tributário). O art. 170 do CTN, por seu turno, dispõe que “a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional”. Portanto, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional, exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, cujo ônus probatório recai sobre o contribuinte interessado. A respeito do tema, dispõe o Código de Processo Civil, em seu art. 333: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse sentido, cabe perquirir, à luz do disposto na legislação de regência, se o pedido de restituição/compensação, ora em exame, encontrase devidamente instruído, especialmente no que concerne à comprovação de liquidez e certeza dos créditos pleiteados. Fl. 430DF CARF MF Processo nº 19395.900908/201461 Acórdão n.º 3301005.666 S3C3T1 Fl. 431 7 Relativamente à DCTF verificouse que a empresa não apresentou DCTF Retificadora, conforme apurado pela pesquisa nos sistemas informatizados da Receita Federal. Ocorre que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5o, § 1o do Decretolei no 2.124, de 1984, e Instruções Normativas da RFB que dispõem sobre a DCTF). Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. §1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Assim, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o valor do crédito não existia, pois o pagamento estava integralmente alocado ao débito refletindo as informações declaradas pelo contribuinte. Reconhecese, portanto, que o ato administrativo da autoridade jurisdicionante foi legítimo e pautado em declaração e em documentos formulados pelo próprio interessado. De fato, o débito do PIS/PASEP, no valor total de R$ 1.067.899,92 e com crédito vinculado por pagamento no valor de R$ 1.118.006,32 encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo artigo 5º do Decretolei nº 2.124, de 1984. De forma que, restou um saldo original disponível a favor do interessado no valor de R$ 50.106,40, conforme apontado no despacho decisório. Esta Turma de Julgamento tem reiteradamente consignado que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Em que pese argumentações do interessado e independentemente da apresentação da DCTF verificase que, foi juntado ao presente cópia de parte dos Livros Razão, Diário e Balancetes demonstrando isoladamente suposto valor que denominou ajustes na receita de Prestação de Serviços, sem entretanto apresentar livros contábeis e fiscais que abrangem a totalidade do débito apurado. Verificouse que pelos documentos acostados ao presente não ficou comprovada a razão da redução na receita, apenas explica que houve a necessidade de ajustar os juros a pagar de um empréstimo e que em função disso houve a necessidade de reduzir a receita. Importante destacar que conforme o alegado as divergências na Prestação de Serviços vinham ocorrendo no período do ano de 2000 até 2004 e somente em 2010, foram efetuados tais ajustes receita de prestação de serviços. Nesse prisma para comprovar o indébito pleiteado é imprescindível a apuração total do débito apurado. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 19395.900908/201461 Acórdão n.º 3301005.666 S3C3T1 Fl. 432 8 Destarte, os demonstrativos e cópias de parte dos livros apresentados são consideradas insuficientes para comprovação liquida e certa do crédito do suposto crédito pleiteado. Portanto, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional, exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, cujo ônus probatório recai sobre o contribuinte interessado. Não ficando demonstrada a liquidez do crédito tributário pleiteado para fins de restituição ou compensação, não há como conceder direitos creditórios, nem homologar a compensação, sob pena de afrontar o art. 170 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Nesse sentido, concluise não ter sido comprovada, nos autos, a existência integral do direito creditório, líquido e certo, do interessado contra a Fazenda Pública, passível de restituição ou compensação, nos termos do art. 170 do CTN. Diante do exposto, VOTO para julgar a manifestação de inconformidade como improcedente. Portanto, de acordo com a legislação aplicável e os autos do processo,voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 432DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.720329/2017-27
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 27/01/2014
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO COLETIVA. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA.
A existência de Medida Judicial Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3002-000.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, afastando a concomitância e determinando o retorno dos autos à DRJ para que profira novo julgamento analisando todas as alegações da Impugnação.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 27/01/2014 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO COLETIVA. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A existência de Medida Judicial Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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AÇÃO COLETIVA. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A existência de Medida Judicial Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, afastando a concomitância e determinando o retorno dos autos à DRJ para que profira novo julgamento analisando todas as alegações da Impugnação. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 03 29 /2 01 7- 27 Fl. 215DF CARF MF Processo nº 11128.720329/201727 Acórdão n.º 3002000.512 S3C0T2 Fl. 216 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão 16080.609 da DRJ/SPO, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre a desconsolidação de carga, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. A partir desse ponto, transcrevo o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "Tratase de auto de infração, lavrado contra a empresa TOP MARINE LOGISTICA EIRELI, CNPJ 09.346.210/000100 , doravante denominada impugnante, no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais), onde foi lançada a multa prevista no artigo 107, Inciso IV – alínea “e” do Decreto 37/66 , “ por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal” . O prazo que não foi obedecido e gerou a aplicação da multa é o previsto no artigo 22, Inciso III da IN SRF 800/2007. Descrição da Infração Consta do auto de infração que a impugnante concluiu a desconsolidação relativa a dois conhecimentos eletrônicos a destempo, conforme quadro que segue; Ocorrência MHBL DATA DA ATRACAÇÃO HBL (AGREGADO) DATA DE REGISTRO ocorrência 1 151405015628070 29/01/2014 07:34 hs 151405017636835 27/01/2014 15:50 hs ocorrência 2 151405015627936 29/01/2014 07:34 hs 151405017650749 27/01/2014 16:06hs Ocorrência 1 A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada no(s) container(es) SZLU9005670 IPXU3841860, pelo Navio M/V VALUE, em sua viagem 1049003W, com atracação registrada em 29/01/2014 07:34. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são: Escala 14000017825, Manifesto Eletrônico 1514500181940, Conhecimento Eletrônico Fl. 216DF CARF MF Processo nº 11128.720329/201727 Acórdão n.º 3002000.512 S3C0T2 Fl. 217 3 (CE) MBL 151405015199608, Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) MHBL 151405015628070 e Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) Agregado(s) HBL/MHBL 151405017636835. Ocorrência 2 A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada no(s) container(es) SZLU9005670 IPXU3841860, pelo Navio M/V VALUE, em sua viagem 1049003W, com atracação registrada em 29/01/2014 07:34. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são: Escala 14000017825, Manifesto Eletrônico 1514500181940, Conhecimento Eletrônico (CE) MBL 151405015199608, Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) MHBL 151405015627936 e Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) Agregado(s) HBL/MHBL 151405017650749. A ciência da impugnante se deu de forma tácita, no dia 10/03/2017, conforme consta do despacho da a fl. 126, sendo a impugnação apresentada neste mesmo dia. A Impugnação Preliminares Quanto ao mérito, a impugnante inicialmente informa que é associada da ACTC ASSOCIAÇÃO NACIONAL DAS EMPRESAS TRANSITÁRIAS, AGENTES DE CARGA AÉREA, COMISSÁRIAS E DESPACHOS E OPERADORES INTERMODAIS, que move em nome de seus associados a Ação n° 000523886.2015.4.03.6100 em trâmite na 14a Vara Federal da Subseção de São Paulo, Seção Judiciária de São Paulo, na qual foi concedida a tutela antecipada nos seguintes termos: “(...) Ante o exposto, defiro parcialmente a antecipação da tutela para determinar que a Ré se abstenha de exigir das associadas da Autora as penalidades em discussão nestes autos, independentemente do depósito judicial, sempre que as empresas tenham prestado ou retificado as informações no exercício de seu legítimo direito de denúncia espontânea, nos termos do artigo 102 do Decretolei 37/66." Alega que devido a referida decisão liminar, o auto de infração em comento deve ser anulado, pois sua lavratura não obedece a referida decisão. Prosseguindo em sua defesa, a impugnante dispõe sobre o que para ela tratamse de causas para nulidade do auto de infração. A primeira destas causas seria o descumprimento do disposto no Artigo 9 do Decreto 70235/1972, que dispõe sobre a individualização da conduta, quando da lavratura do auto de infração. Sobre o tema ainda alega que caberia no caso a lavratura de dois autos de infração. A segunda seria o fato de que jamais deixou de prestar as informações no siscomex; Fl. 217DF CARF MF Processo nº 11128.720329/201727 Acórdão n.º 3002000.512 S3C0T2 Fl. 218 4 Questões de Direito Nas questões de direito, inicia observando que ocorreram modificações recentes na IN RFB 800/2007, trazida pela IN RFB 1473/2014, entendimento este expresso no artigo 22 Inciso III, que somente ao armador caberia a prestação das informações de que trata este processo, uma vez que o inciso citado referese à desconsolidação do conhecimento genérico, que é emitido pelo transportadorarmador. Na sequência fala da afronta/ ferimento dos princípios constitucionais, como (i) da proporcionalidade e isonomia, (ii) da não tipificação da penalidade, (iii) da motivação e (iv) da razoabilidade. Sobre a proporcionalidade, alega que: a pena tem caráter confiscatório, nitidamente desproporcional, seja em relação à infração seja em relação ao negócio que ele é aplicada; trata estas infrações de forma mais grave do que as relacionadas à prestação de informação sobre tripulantes e passageiros. Cita que nesses casos, o Artigo 729 do Decreto 6759/2009 estabelece um teto de R$ 5.000.00 (cinco mil reais) por veículo. o atraso na prestação de informações por parte do contribuinte, não causa qualquer dano à fiscalização, que atua por mero formalismo (princípio da legalidade); Sobre a não tipificação da penalidade alega que a alínea "c" do Inciso IV do Artigo 107 do Decreto 37/66 pretende punir quem embarace ou impeça a fiscalização, fato que não ocorreu no caso em análise. Para o caso deveria ser aplicada a multa prevista na alíenea "e" do referido Inciso IV, qual seja NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES; Sobre o princípio da MOTIVAÇÃO, alega que não cabe o motivo adotado pela fiscalização uma vez que a impugnante de forma alguma deixou de prestar toda e qualquer informação obrigatória para a consolidação dos atos de fiscalização e de controle da Receita Federal, fato que infringe o disposto no artigo 50 da Lei 9784/1999; Sobre o princípio da razoabilidade, inicialmente alega que o Instrução Normativa RFB 1473/2014, ratificou o entendimento de que o eventual atraso na prestação de informações, previsto pelo artigo 22 seria imputável somente ao ARMADOR TRANSPORTADOR. Cita no caso o Artigo 28 do ADE COREP 03/2008 que justificaria a não aplicação da multa em comento. Alega que no caso ocorreu a denúncia espontânea, pois prestou informações no sistema Siscomex Carga anteriormente à qualquer procedimento da fiscalização." Fl. 218DF CARF MF Processo nº 11128.720329/201727 Acórdão n.º 3002000.512 S3C0T2 Fl. 219 5 Analisando as argumentações da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPO) julgou a Impugnação de modo a não conhecêla, quanto à matéria objeto de ação judicial, e julgála improcedente, quanto à matéria diferenciada, por Acórdão que restou dispensado de ementa, de acordo com a Portaria RFB nº 2.724/2017. Em seqüência, após ser cientificada dessa decisão, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário (156/180), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando e reforçando argumentos jurídicos já apresentados e acrescentando que não existe concomitância entre o processo judicial e o administrativo. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Primeiramente, há que se reconhecer que a principal controvérsia posta sob análise cingese à existência ou não de concomitância entre o processo administrativo e o judicial em casos de ações coletivas propostas por associações de classe, da qual o contribuinte faça parte. Essa matéria se mostra, atualmente, pacificada no âmbito desta Corte, como demonstram os recentes Acórdãos: Acórdão 1402001.629: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. PROCESSO TRIBUTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. INOCORRÊNCIA. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 11128.720329/201727 Acórdão n.º 3002000.512 S3C0T2 Fl. 220 6 A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. A renúncia à instância administrativa de que trata o art. 38 da Lei n. 6.830/80 pressupõe ato de vontade do contribuinte expressado mediante litisconsórcio com a associação na ação coletiva ou propositura de ação individual de objeto análogo ao processo administrativo, o que não se verifica na hipótese. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA. NÃO ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Afastadas a concomitância e a renúncia à discussão administrativa, é de se reconhecer a nulidade da decisão de primeira instância que deixou de apreciar todos os argumentos de impugnação. Nova decisão deve ser proferida, em atenção ao duplo grau de jurisdição previsto nas regras de regência do processo administrativo fiscal. Acórdão 9303005.472: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1999 a 30/09/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa. Recurso Especial do Procurador negado. Acórdão 9303005.057 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/10/1995 a 31/10/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 11128.720329/201727 Acórdão n.º 3002000.512 S3C0T2 Fl. 221 7 A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. Ainda que haja alcance dos efeitos jurídicos da decisão para os representados da entidade, não se materializa a identidade entre os sujeitos dos processos, ou seja, autor da medida judicial e recorrente no âmbito administrativo, diante da qual é possível aferir a manifestação de vontade (critério subjetivo) que exige a renúncia. Assim, a existência de Medida Judicial Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância. Embora seja certo que as entidades de classe, quando propõem ações coletivas, estão agindo no interesse de seus filiados, também é correto supor que estes podem não ter manifestado sua concordância com a propositura daquelas ações. Mesmo quando assembléias aprovam o caminho judicial a ser seguido pela entidade, ainda assim, devemos ter em conta que a decisão da maioria não reflete, necessariamente, a vontade de todos os filiados. Creio oportuno trazer a colação as Súmulas do Supremo Tribunal Federal que ratificam a independência das entidades de classe, quanto à propositura de ações coletivas: Súmula STF nº 629 A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados independe da autorização destes. Súmula STF nº 630 A entidade de classe tem legitimação para o mandado de segurança ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria. (grifos nossos) Assim, pareceme não ser razoável o reconhecimento da concomitância somente pela existência de uma ação coletiva movida por entidade de classe, da qual o contribuinte faça parte, sem que esteja clara a vontade deste, pois diferentemente das ações individuais, nas quais resta cristalina a intenção de o contribuinte optar pela via judicial, nas coletivas, isto, em princípio, não ocorre. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 11128.720329/201727 Acórdão n.º 3002000.512 S3C0T2 Fl. 222 8 Ademais, quando o sujeito passivo impetra uma ação individual versando sobre a mesma matéria discutida em processo administrativo, ocorre uma presunção legal absoluta da desistência tácita ao contencioso administrativo. Contudo, em ações coletivas, ajuizadas por substitutos processuais, não se aplica tal presunção, pois do contrário, estaria se violando os Direitos Constitucionais ao Contraditório e à Ampla Defesa. Desta forma, como já tive oportunidade de me manifestar em outros julgados semelhantes, entendo não existir concomitância no presente caso. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, afastando a concomitância e determinando a devolução do processo à instância a quo para que profira novo julgamento analisando todas as alegações da Impugnação. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 222DF CARF MF
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Numero do processo: 19395.900202/2017-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/03/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COFINS. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO.
Comprovada nos autos a inexistência de crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional, relativamente a pagamento a maior ou indevido, pois o mesmo foi integralmente utilizado em outros PER/DCOMP.
Cabível o indeferimento do Pedido de Restituição, por inexistir o crédito nele vinculado.
RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.?
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170, do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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COFINS. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Comprovada nos autos a inexistência de crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional, relativamente a pagamento a maior ou indevido, pois o mesmo foi integralmente utilizado em outros PER/DCOMP. Cabível o indeferimento do Pedido de Restituição, por inexistir o crédito nele vinculado. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 39 5. 90 02 02 /2 01 7- 41 Fl. 216DF CARF MF Processo nº 19395.900202/201741 Acórdão n.º 3301005.654 S3C3T1 Fl. 217 2 Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 90 a 102) interposto pelo Contribuinte, em 27 de abril de 2018, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1482.787 (fls. 75 a 79), de 22 de março de 2018, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) – DRJ/RPO – que decidiu, por unanimidade de votos julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 5 a 15) apresentada pelo Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Trata o presente, de Pedido de Restituição transmitido pelo Sistema PER/DCOMP sob no 21230.73361.230108.1.2.040323, data da transmissão 23/01/2008, com a utilização de créditos oriundos de Pagamento Indevido ou a Maior do tributo COFINS, código da receita 5856, referente ao período de apuração 29/02/2004, no valor de R$ 971.690,50, contido em pagamento efetuado em 15/03/2004, no valor de R$ 721.179,67. O interessado acima qualificado é sucessora por incorporação da Companhia Petrolífera Marlim S/A, inscrita no CNPJ sob no 02.854.397/000104. Despacho Decisório eletrônico da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes DEMAC, no Rio de Janeiro – RJ, datado de 05/04/2017, doc. de fls. 69, indeferiu o pedido de restituição sob o argumento de que o crédito associado ao DARF foi objeto de análise em PER/DCOMP anteriores que referenciam o mesmo pagamento, cuja decisão concluiu pela inexistência de crédito remanescente para utilização em novas compensações ou atendimento de pedidos de restituição. Também foi indeferido o PER/DCOMP no 33359.18764.020309.1.2.04 4850, pelos mesmos motivos. O Interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando em síntese: 1. O presente processo tem por objeto o mesmo crédito discutido no PAF no 19395.900740/201311, o qual se encontra, atualmente, em trâmite perante a Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil. Assim requer que ambos os processos sejam apensados para julgamento simultâneo, evitando se assim, a possibilidade de se proferirem decisões administrativas conflitantes sobre o mesmo fato; Fl. 217DF CARF MF Processo nº 19395.900202/201741 Acórdão n.º 3301005.654 S3C3T1 Fl. 218 3 2. Discorreu sobre as mesmas razões constantes na manifestação de inconformidade juntada ao PAF no 19395.900740/201311, alegando que seu crédito decorre da situação originada pela forma como foi modelado o consórcio celebrado em 1998 entre a Petrobrás e a Companhia Marlim; 3. Que seu crédito não foi reconhecido conforme fundamentação contida no processo de guarda de no 16682.720804/201106, vez que a fiscalização entendeu que a razão do ajuste que causara a redução da receita não restou esclarecida no processo. Além disso, ressaltou que, há uma divergência entre os valores da receita de prestação de serviços oferecida à tributação, constantes da DIPJ e da DIRF apresentada pela fonte pagadora declarante desse tipo de receita (no caso, a própria Petrobras); 4. Segundo o contrato firmado a Petrobras tinha a obrigação de repassar à Marlim o valor correspondente às despesas suportadas pela mesma com o pagamento de empréstimos. Logo a receita da Marlim tinha em sua composição a recuperação de suas despesas, sendo elas constituídas, inclusive, por despesas financeiras com empréstimos; 5. Segundo o contrato firmado em dezembro de 1998, entre a Petrobras e a Companhia Petrolífera Marlim, por meio do qual a Petrobras tinha a obrigação de repassar à Marlim o valor correspondente às despesas suportadas pela Marlim com o pagamento de empréstimos. Assim a Marlim contabilizava como despesas os valores que pagava às instituições financeiras a título de empréstimo contraído em prol do Contrato Anexo 1 e quando do repasse dos respectivos valores pela Petrobras, a Marlim contabilizava como receita (reproduz cláusulas do contrato); 6. Entretanto, no período de fevereiro de 2004, houve um erro na contabilização das despesas de juros pagos a título de empréstimo, e tais juros foram provisionados sobre o valor principal do empréstimo, sem considerar as amortizações havidas no montante do principal, para o período de janeiro a agosto de 2004. Assim com a redução das despesas de juros contabilizada, houve a necessidade de se ajustar a receita da Companhia Marlim, conforme demonstrado no livro razão, de forma que para o período de janeiro a agosto de 2004, houve recolhimento a maior da contribuição, em função da receita supervalorizada; 7. Por meio de planilhas em anexo, demonstramse os valores de receita da Companhia Marlim antes e depois do ajuste nas despesas de juros, bem como das receitas mensais apuradas antes e depois dos ajustes; 8. No que tange a divergência de valores informados em DIPJ e DIRF, ressalta que tais declarações não podem ser comparadas para efeito validação de uma pela outra, eis que tais documentos são elaborados com base em critérios diferentes e para finalidades diversas, pois somente serão compatíveis no caso de uma empresa que receba toda a sua receita à vista, e na qual a emissão das notas fiscais das receitas apuradas pelo regime de competência sejam emitidas dentro do mês correspondente. Nesse sentido o CARF já se manifestou conforme citação de ementas proferidas pelo aludido Órgão. Diante do exposto, requer o acolhimento da presente manifestação de inconformidade para reformar o despacho decisório, requer ainda a apensação Fl. 218DF CARF MF Processo nº 19395.900202/201741 Acórdão n.º 3301005.654 S3C3T1 Fl. 219 4 do presente processo e a análise da documentação já juntada ao PAF no 19395.900740/201311, por corresponderem à prova do mesmo fato, requer por fim a juntada posterior de documentos. Foram juntados os seguintes documentos: a) Cópia da tela do Comprot Comunicação e Protocolo Consulta de Processo no 19395.900740/201311 e localização atual; Diante da decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1482.787 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/03/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COFINS. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Comprovada nos autos a inexistência de crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional, relativamente a pagamento a maior ou indevido, pois o mesmo foi integralmente utilizado em outros PER/DCOMP. Cabível o indeferimento do Pedido de Restituição, por inexistir o crédito nele vinculado. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Em regra, não se admite a juntada posterior de documentos, salvo nas hipóteses expressamente previstas em lei. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170, do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 219DF CARF MF Processo nº 19395.900202/201741 Acórdão n.º 3301005.654 S3C3T1 Fl. 220 5 O entendimento da autoridade administrativa fiscal e da DRJ no que tange a matéria principal foi de que não há saldo disponível, uma vez que o crédito pleiteado já foi utilizado integralmente em outros PER/DCOMP. O Contribuinte requer preliminarmente a reunião do processo nº 19395.900740/201311, referente a pedidos de restituição (DCOMP 26372.98223.100910.1.3.049802), com o presente processo referente a PER 21230.73361.230108.1.2.040323 e PER 33359.18764.020309.1.2.044850, para julgamento em conjunto com o intuito de evitar decisões contraditórias. Atendendo a preliminar o julgamento do presente processo e do processo nº 19395.900740/201311, serão julgados na mesma sessão por ser pertinente e importante a solicitação. Em seguida o Contribuinte apresenta em seu recurso quadro demonstrativo da composição do indébito e os pontos controversos acerca da (i) retificação da DCTF e DACON e (ii) Divergência entre a DIRF e a DIPJ. A questão primeira envolve, no entender do Contribuinte, ajustes de contas de despesas de juros e que promoveram efeitos nas contas de receitas, em que o Contribuinte (fls. 96): Conforme já demonstrado, a Recorrente ficara responsável por gerir as despesas de consórcio, com o qual assumiu, por exemplo, a responsabilidade por pagar os empréstimos contratados por ele para a execução da sua atividade. Por óbvio que, em razão do rateio das despesas entre as parceiras, cumpria a Recorrente exigir o ressarcimento daquilo que foi obrigada a dispender para o pagamento dos referidos empréstimos. Aludidos valores, quando retornavam, eram oferecidos à tributação pela Recorrente. Entretanto, em dezembro de 2004 as empresas parceiras identificaram equívocos, de janeiro a agosto de 2004, que determinaram a majoração indevida no cálculo, ocasião em que exigiram a devolução do respectivo valor. Aludidas situação determinou, por óbvio, a redução das despesas com juros contabilizada pela Recorrente e, paralelamente, na também da sua contabilidade, a redução da parcela relativa à receita de devolução dos aludidos juros que lhe eram reembolsado mês a mês. (...) Esta circunstância, conforme exposto, levou ao ajuste de receita, com base nos instrumentos contratuais, anexados com a manifestação de inconformidade, os quais justificaram a redução da despesa de juros contabilizada, necessitando ajustar, mês a mês, a receita da Companhia Petrolífera Marlim nos períodos e valores respectivos que foram oferecidos à tributação. A contabilização de tais ajustes está devidamente demonstrada no Livro Razão de 2004 (DOCUMENTO_COMPROBATORIO 003 da Manifestação de Inconformidade). (...) Já em relação a divergência entre a DIRF e DIPJ assim se pronuncia o Contribuinte: Superada a questão acima, em relação a divergência apontada no relatório fiscal e no acórdão da DRJ, verificase que a Fiscalização parte de equivocada premissa de que os valores constantes na DIRF tem que corresponder ao valor constante na DIPJ. Contudo aludida premissa não se aplica ao caso concreto, posto que a receita Fl. 220DF CARF MF Processo nº 19395.900202/201741 Acórdão n.º 3301005.654 S3C3T1 Fl. 221 6 informada na DIPJ corresponde ao valor da receita auferida no ano (pelo princípio da competência), o que pode ser constatado na conta 3.1.01.02.0001 – Participações em Consórcio do razão analítico e o valor informado na DIRF se refere ao valor efetivamente recebido no ano (regime de caixa), conforme se depreende da conta 1.1.02.01.0001 – Valores a receber – PETROBRAS do razão analítico (DOCUMENTO_COMPROBATORIO 03). (…) Dito isto fica demonstrada essa pseuda diferença, em que nada interfere no pedido ora em análise, posto que aludida diferença não configura receita a ser levada à tributação, imprestável, portanto, como fundamento para a glosa ora questionada. Na análise do requerido pelo Contribuinte entendo que a este não assiste razão. Neste sentido, por bem expressar o entendimento deste Conselheiro, cito trechos da decisão ora recorrida como razões para decidir: Mérito A contestação do contribuinte se resume em alegar que o indébito é decorrente de erro de contabilização das despesas de juros que após os ajustes elaborados refletiu na receita de prestação de serviços entre a sucedida (Marlim) e sucessora (Petrobras), abrangendo o período de janeiro a agosto de 2004, nos termos do consórcio modelado entre a Petrobras e a Marlim. Também alega que as divergências dos valores da receita informada na DIPJ em confronto com a receita da DIRF não deve ser comparada, pois tais documentos são elaborados com base em diversas finalidades e diferentes critérios e com apuração pelo regime de competência. Destaquese que a declaração de compensação nº 26372.98223.100910.1.3.049802 vinculada ao processo nº 19395.900740/201311, está sendo julgada na mesma Sessão de Julgamento do presente processo. Nesse prisma, ficou apurado que as provas juntadas ao 19395.900740/201311, foram consideradas insuficientes para comprovar o suposto crédito pleiteado de forma cabal, que a apuração dos fatos correspondem ao suposto crédito pleiteado, afrontando a liquidez e certeza exigida para concessão de direitos creditórios descrita no art. 170 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Relativamente a solicitação de reunião de processos com o mesmo crédito (pedido de restituição e declaração de compensação), não deve ser acolhida, pois os despachos decisórios da declaração de compensação e do pedido de restituição foram proferidos em momentos processuais diferentes, ou seja, a declaração de compensação em 2014 e o pedido de restituição em 2017. Há que se consignar, nos termos do art. 156, inciso II, do Código Tributário Nacional CTN, que a compensação tributária é uma modalidade de extinção do crédito tributário, mediante a qual se promove o encontro de duas relações jurídicas: (i) a relação jurídica de indébito tributário, na qual o contribuinte tem o direito de exigir, e o Estado tem o dever de restituir determinada quantia ao contribuinte; e (ii) Fl. 221DF CARF MF Processo nº 19395.900202/201741 Acórdão n.º 3301005.654 S3C3T1 Fl. 222 7 a relação jurídica tributária, na qual o Estado tem o direito de exigir, e o contribuinte o dever de recolher determinada quantia aos cofres públicos (crédito tributário). Ficou patente que o suposto crédito pleiteado foi integralmente utilizado por meio de outra Declaração de Compensação, não restando saldo disponível a favor do interessado. Portanto, assiste razão à Autoridade Fiscal ao indeferir o pedido de restituição, pois todo o crédito que ora alega possuir o inconformado, de fato, já fora integralmente utilizado conforme despacho decisório anterior. Diante do exposto, VOTO para julgar a manifestação de inconformidade como improcedente. Portanto, de acordo com a legislação aplicável e os autos do processo, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 222DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.720605/2008-50
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. INDÉBITOS A TÍTULO DE RETENÇÕES NA FONTE. IMPOSSIBILIDADE.
A legislação não autoriza que as retenções na fonte sejam utilizadas diretamente para a compensação de outros tributos, e nem para a compensação do mesmo imposto referente a outros períodos (Lei 9.430/1996, art. 2º, § 4º, III, c/c art. 6º, § 1º, II). O que se restitui ou compensa é sempre o saldo negativo de IRPJ, e não retenções de IR-fonte ocorridas ao longo de um determinado ano.
FORMAÇÃO DO ALEGADO INDÉBITO POR COMPENSAÇÃO ANTERIOR. APRESENTAÇÃO DE PER/DCOMP. EXIGÊNCIA LEGAL.
A partir de 1º de outubro de 2002, em razão das modificações introduzidas pela Lei 10.637/2002 no art. 74 da Lei 9.430/1996, não há que se falar em realização de compensação se não for apresentada a correspondente declaração prevista no § 1º do art. 74 da Lei 9.430/1996 (PER/DCOMP). Além de não haver previsão legal para a compensação direta com retenções de outro período, a contribuinte também não apresentou PER/DCOMP para deslocar esses alegados indébitos no tempo.
Numero da decisão: 9101-003.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demetrius Nichele Macei.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. INDÉBITOS A TÍTULO DE RETENÇÕES NA FONTE. IMPOSSIBILIDADE. A legislação não autoriza que as retenções na fonte sejam utilizadas diretamente para a compensação de outros tributos, e nem para a compensação do mesmo imposto referente a outros períodos (Lei 9.430/1996, art. 2º, § 4º, III, c/c art. 6º, § 1º, II). O que se restitui ou compensa é sempre o saldo negativo de IRPJ, e não retenções de IRfonte ocorridas ao longo de um determinado ano. FORMAÇÃO DO ALEGADO INDÉBITO POR COMPENSAÇÃO ANTERIOR. APRESENTAÇÃO DE PER/DCOMP. EXIGÊNCIA LEGAL. A partir de 1º de outubro de 2002, em razão das modificações introduzidas pela Lei 10.637/2002 no art. 74 da Lei 9.430/1996, não há que se falar em realização de compensação se não for apresentada a correspondente declaração prevista no § 1º do art. 74 da Lei 9.430/1996 (PER/DCOMP). Além de não haver previsão legal para a compensação direta com retenções de outro período, a contribuinte também não apresentou PER/DCOMP para deslocar esses alegados indébitos no tempo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demetrius Nichele Macei. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 06 05 /2 00 8- 50 Fl. 274DF CARF MF Processo nº 11080.720605/200850 Acórdão n.º 9101003.992 CSRFT1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto às seguintes matérias: 1) revisão de créditos tributários de períodos alcançados pela decadência no momento em que se efetua a análise de compensações realizadas pelo contribuinte, e 2) possibilidade de consideração de créditos de IRRF na apuração do IRPJ devido de período diferente daquele em que ocorreram as retenções. No exame de admissibilidade, foi negado seguimento ao recurso para as duas matérias acima mencionadas, conforme o despacho exarado em 12/08/2016 pelo Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF. Na sequência, a contribuinte apresentou agravo contra o exame de admissibilidade, e o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais acolheu parcialmente esse agravo, para fins de dar seguimento ao recurso em relação à matéria indicada no item "2" acima, mantendo, contudo, a negativa de seguimento para a matéria tratada no item "1", conforme despacho decisório exarado em 11/04/2017. A contribuinte insurgese contra o Acórdão nº 1802002.363, de 21/10/2014, por meio do qual a 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF decidiu, por unanimidade de votos, entre outras questões, que o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) é passível de aproveitamento no período de apuração em que houve a retenção. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003. INOCORRÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Tendo o Fisco verificado e contestado a compensação declarada, mediante o primeiro despacho decisório cientificado ao interessado, antes do decurso Fl. 275DF CARF MF Processo nº 11080.720605/200850 Acórdão n.º 9101003.992 CSRFT1 Fl. 4 3 do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação, resta afastada a homologação tácita alegada pela Recorrente. COMPENSAÇÃO DE IRRF DE PERÍODOS ANTERIORES AO DA APURAÇÃO DO IRPJ. Em decorrência da sistemática de tributação adotada, o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre as receitas que integram o lucro tributável e constitui antecipação do IRPJ é passível de dedução na apuração do valor a pagar ou para compor o saldo negativo do imposto do período de apuração em que houve a retenção. MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO COMPOSTO POR IRRF DE PERÍODOS ANTERIORES. DECADÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. O fato de o Fisco desconsiderar suposto crédito decorrente de IRRF de 2001 e 2002 para compor alegado pagamento indevido ou a maior de IRPJ relativo ao período de apuração de 31/03/2003, sem que tenha havido a entrega de PERDCOMP, não constitui lançamento tributário nos termos do artigo 142 do CTN. Ultrapassado o prazo previsto legalmente, não cabe ao Fisco Federal lançar eventuais diferenças encontradas em relação aos anos calendário de 2001, 2002 e 2003 mas o fato não impede o exame para apuração e constatação da veracidade do alegado direito creditório, uma vez que a decadência do direito de lançar não gera créditos a favor do contribuinte. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 11080.720605/200850 Acórdão n.º 9101003.992 CSRFT1 Fl. 5 4 No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, relativamente às matérias acima mencionadas. Quanto à matéria admitida do recurso (possibilidade de consideração de créditos de IRRF na apuração do IRPJ devido de período diferente daquele em que ocorreram as retenções), a contribuinte apresenta os seguintes argumentos: DA POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS DE IRRF DE PERÍODOS ANTERIORES AO DA DEDUÇÃO REALIZADA VIOLAÇÕES AOS ART. 165, I, DO CTN, AOS ARTS. 2º, §4º, III, E 74, DA LEI N° 9.430/1996, E AOS ARTS. 145, §1°, 153, III, 146, III, A 150, II DA CF/1988. conforme se verifica pela decisão recorrida, adotouse o entendimento de que os créditos de IRRF relativos aos anos de 2001 e 2002 não poderiam ter sido utilizados pela Recorrente no 1º Trimestre de 2003, pois a utilização de tais créditos, na apuração do imposto devido, deveria, supostamente, ser realizada com a respectiva dedução no encerramento de cada período de apuração, exclusivamente, em razão do que dispõe o art. 773 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). À vista disso, fazse necessário analisar o teor deste dispositivo, in verbis: Art. 773. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável ou pago sobre os ganhos líquidos mensais será: I deduzido do devido no encerramento de cada período de apuração ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, presumido ou arbitrado; ora, com a devida vênia, diversamente do que concluiu o acórdão recorrido, a correta interpretação do dispositivo transcrito estabelece a norma de que o contribuinte tem a faculdade de deduzir o montante retido ao longo do ano calendário do valor devido a título de IRPJ daquele mesmo ano; esta norma infralegal permissiva concretiza normas de hierarquia legal que estabelecem que o contribuinte tem o direito à restituição do tributo que pagou indevidamente regra geral do art. 165, I, do Código Tributário Nacional e que essa restituição pode ser concretizada por meio da dedução do IRRF do imposto devido regra específica do art. 2º, § 4º, III, da Lei n° 9.430/1996: [...]; assim, exercitando seu direito à restituição quanto ao IRRF recolhido em períodos em que apurou prejuízo fiscal, a Recorrente deduziu do imposto devido em março de 2003, não só o IRRF desse período de apuração (exercendo a faculdade prevista no art. 773 do RIR/99), como também dos créditos de que detinha de períodos anteriores (exercendo o direito previsto no art. 165, I, do CTN e no art. 2º, §4º, III, da Lei n° 9.430/1996); por conta disso, verificou que recolheu em excesso o IRPJ devido para março de 2003, e, desta feita, exerceu seu direito à restituição (art. 165, I, do CTN), por meio da presente compensação, esta decorrente do direito estabelecido pelo art. 74 da Lei 9.430/96, uma outra regra específica que concretiza a regra geral do direito à restituição, tal qual aquela prevista no art. 2º, §4º, III, da Lei n° 9.430/1996; Fl. 277DF CARF MF Processo nº 11080.720605/200850 Acórdão n.º 9101003.992 CSRFT1 Fl. 6 5 com efeito, o direito à restituição, por sua vez, decorre, principalmente, de dois direitos fundamentais do contribuinte: o de somente ser tributado nas hipóteses expressamente previstas em lei formal (art. 151, II, da CF/88) e o direito à propriedade privada (art. 5º, XXII, da CF/88), que só cede à necessidade ou utilidade públicas ou ao interesse social e desde que justa e previamente indenizada (art. 5º, XXIV, da CF/88); ocorre que, equivocadamente, a decisão recorrida encontrou no texto do art. 773 do RIR/99 uma regra proibitiva, a de que seria vedado ao contribuinte deduzir as retenções de um exercício em exercícios seguintes, e, de uma só vez acabou por reduziu o alcance de todas as regras que outorgam o direito do contribuinte à restituição, decorrentes dos citados dispositivos da Constituição Federal e previstas no CTN, de forma geral, e na Lei n° 9.430/1996, de forma específica. Evidentemente, uma tal interpretação do art. 773 do RIR/99 não será mantida por esta Colenda Turma; ademais, mesmo que a Constituição Federal, o CTN e Lei n° 9.430/1996 não impedissem a pretendida limitação do direito à restituição, a própria literalidade do art. 773 do RIR/99 não permitiria o entendimento adotado no acórdão recorrido. Isso porque a conclusão de que seria vedado ao contribuinte deduzir o IRRF de um exercício no exercício seguinte dependia de que o art. 773 do RIR/99 previsse que a dedução da retenção no encerramento de cada período de apuração de forma impositiva, pois somente o ato contrário a uma norma impositiva é considerado proibido; como já adiantado, uma norma contendo tal proibição não está prevista no RIR/99 e nem poderia estar, pois contrariaria normas de hierarquia superior, como a que prevê o direito à restituição (art. 165, do CTN), a que prevê o direito à restituição mediante dedução e compensação (arts. 2º, §4º, III, e 74 da Lei 9.430/96), a que prevê a legalidade tributária (art. 151, II, da CF/88) e a que prevê que a propriedade privada somente poderá ser restringida para o bem público e mediante indenização (art. 5º, XXII, combinado com XXIV, da CF/88); em sentido contrário do decidido no acórdão recorrido, sustentase que não pode ser considerada proibida uma conduta que não concretiza uma mera faculdade estabelecida em uma norma permissiva, como é o caso da norma que faculta ao contribuinte de deduzir o imposto retido na apuração do imposto devido no mesmo período de apuração, na medida em que é ínsito a uma faculdade legal a opção pelo seu exercício ou não; não há, portanto, no art. 773 do RIR/99 uma norma impositiva, que obrigue o contribuinte a deduzir o imposto retido na fonte do imposto devido neste mesmo período de apuração, e esta proibição também não é encontrada em qualquer outro dispositivo da lei tributária, até porque lhe faltaria amparo constitucional. A vedação em questão foi criada pelo arbítrio dos julgadores ao interpretarem este dispositivo, em flagrante contrariedade à Lei n° 9.430/1996, ao Código Tributário Nacional e à Constituição Federal; nesse sentido, o acórdão recorrido pretende criar condições à possibilidade de aproveitamento de créditos de IRRF que não só não estão previstas na legislação (art. 773 do RIR/99) como também não foram contempladas no entendimento fixado por meio da Súmula n° 80 do CARF, a qual exige somente que na apuração do IRPJ, para a pessoa jurídica possa deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, basta que comprove a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto; com efeito, o asseverado no acórdão recorrido vai no sentido de que para que os créditos de IRRF pudessem ser aproveitados na compensação do imposto de renda Fl. 278DF CARF MF Processo nº 11080.720605/200850 Acórdão n.º 9101003.992 CSRFT1 Fl. 7 6 apurado no final do período, deveria a Recorrente não só demonstrar que as receitas sobre as quais incidiram as retenções integraram à base de cálculo do imposto de renda em cada trimestre o que estaria em conformidade com a Súmula n° 80 do CARF como também que tais retenções fossem consideradas na apuração do saldo negativo do respectivo exercício, exclusivamente exigência não contemplada pela Súmula n° 80 do CARF; ora, como bem definido pelo enunciado sumular em análise, a dedução do IRRF depende (i) do cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto e (ii) da prova da retenção e tais condições foram plenamente atendidas pela Recorrente; vejamos, nesse sentido, a página 19 de sua DIPJ 2004 (fl. 457): [...]; demonstrado, portanto, que as retenções foram consideradas na base de cálculo do IRPJ do anocalendário de 2003 e, por conseguinte, atendido o primeiro requisito estabelecido pela Súmula n° 80 do CARF; de outra banda, nas DIPJs 2002 e 2003 (fls. 231238 e 331334, respectivamente) foram devidamente declaradas as retenções na fonte do imposto de renda, que foram consideradas na apuração do imposto devido em março de 2003, cujo pagamento a maior deu origem aos créditos utilizados na presente compensação; e, não por acaso, a soma das retenções sofridas em 2001 e 2002 com as retenções sofridas no 1º trimestre de 2003 resulta no valor declarado a título de IRRF nos períodos respectivos; portanto, pretendesse o acórdão recorrido dar cumprimento à legislação tributária, que somente faculta ao contribuinte deduzir as retenções no próprio período de apuração, sem impedir que isso seja realizado em momento posterior, bem como seguir o entendimento objeto do enunciado sumular n° 80 do CARF, que condiciona a dedução do IRRF do imposto devido à comprovação da retenção e do cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto, teria chegado à conclusão diametralmente oposta àquela externada no seu dispositivo, reconhecendo, então, a regularidade da compensação realizada e a extinção dos débito pela compensação; ademais, a aplicação do Princípio da Verdade Material conduz à conclusão de que a Administração Pública está obrigada a verificar a integralidade dos elementos constitutivos dos tributos. Dessa forma, tendo o contribuinte pago determinado tributo em excesso não é possível conceber a perda do direito de restituir ou compensar o valor pago a maior, exercido dentro do prazo legal para restituição. Qualquer argumento de ordem formal deverá ser superado em razão da busca pela Verdade Material, qual seja, a do efetivo recolhimento de imposto que não era devido, seja em 2001 e 2002, quando realizadas as retenções de imposto que, posteriormente se revelou indevido em razão do resultado auferido pela empresa naqueles exercícios, seja em março 2003, quando recolhido o IRPJ sem deduzir os valores das retenções sofridas nos anos anteriores e que não foram consideradas nos saldos negativos respectivos; por essa razão, na ausência de dispositivo de lei que preveja a perda do direito de compensar ou restituir créditos de IRRF em ano calendário posterior ao da retenção, deve ser adotado o posicionamento que permite a dedução do IRPJ devido de retenções sofridas no passado, pelo simples fato de que a legislação que regula a restituição de valores Fl. 279DF CARF MF Processo nº 11080.720605/200850 Acórdão n.º 9101003.992 CSRFT1 Fl. 8 7 recolhidos indevidamente contém regra expressa autorizando a compensação de tributos pagos a maior contra débitos do mesmo tributo ou de outros administrados pela Fazenda Nacional; assim, existindo créditos de IRRF, créditos esses devidamente comprovados e que não foram contestados no presente processo, existe automaticamente a constatação de que o Estado está de posse de dinheiro que não lhe pertence, o que enseja invariavelmente sua obrigação de devolver tal valor, através da restituição, que pode ser realizada na modalidade compensação. O fato de a Recorrente não ter incluído tal retenção na apuração de ajuste do imposto no ano calendário no qual houve a retenção é fator meramente formal, que não deve obstar o reconhecimento do direito à compensação; além disso, o Princípio da Capacidade Contributiva obriga o Estado a tributar de modo equânime e proporcional, dividindo os encargos tributários entre aqueles que expressem maior ou menor riqueza em determinado período. Admitirse a manutenção da decisão recorrida significa chancelar a tributação do que não corresponde à renda da Recorrente, em manifesta violação ao princípio da capacidade contributiva, uma vez que ela não apresentou lucro tributável nos anos de 2001 e 2002; essa situação, outrossim, é incompatível com o Princípio da Isonomia Tributária na medida em que a perda do direito de compensação de IRRF pela Recorrente é mais gravosa do que as penalidades previstas para os descumpridores de obrigações tributárias, o que demonstra, mais uma vez, a necessidade de reforma por esta Câmara Superior de Recursos Fiscais; ademais, em linha com o que vem sendo demonstrado, a decisão recorrida pretende justificar a não homologação da compensação a partir do não atendimento da Recorrente ao Regime de Competência. No entanto, o Acórdão n.° 1802002.363 esquece de um detalhe essencial. Na legislação tributária, a não observância do regime de competência somente implica penalização do contribuinte quando há a constatação de efetivo dano ao erário, o que não ocorre no presente caso. Esse posicionamento está em diversas disposições legais, como o §5° do artigo 6º do Decretolei n° 1.598/77, o artigo 26 da Instrução Normativa n° 51 de 1995 e o artigo 34 da Instrução Normativa n° 11 de 1996; assim, a legislação tributária assenta de maneira clara e expressa que o transporte do IRRF para períodos subsequentes só pode ser vedado caso acarrete uma consequência ilícita, qual seja, o prejuízo ao erário pela alteração do pagamento da obrigação principal. Quando não há dano ao erário e consequente modificação das obrigações tributárias em sua substância, não há razão para impedir a utilização dos créditos de IRRF no período seguinte; nesse sentido, o CARF vem reconhecendo que pouco importa o regime de competência ao exercício do direito do contribuinte à restituição dos valores que recolheu indevidamente. A título de exemplo, citamse ementas de acórdão que admitem a compensação do IRRF com imposto devido tanto em período anterior quanto posterior: [...]; portanto, resta evidente que não há óbice na legislação ao aproveitamento de créditos de IRRF em período diverso daquele em que ocorrida a retenção, tanto que assim decidiram as próprias instâncias administrativas de julgamento em reiteradas oportunidades, conforme acima exemplificado. CONTRARRAZÕES DA PGFN Fl. 280DF CARF MF Processo nº 11080.720605/200850 Acórdão n.º 9101003.992 CSRFT1 Fl. 9 8 Em 05/07/2017, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu parcialmente o recurso especial da contribuinte, e em 17/07/2017, o referido órgão apresentou tempestivamente contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: DAS RAZÕES PARA MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. a Recorrente alega a possibilidade de utilização de créditos de IRRF dos períodos anteriores (2001 e 2002) ao da compensação realizada; a respeito do tema, o voto condutor do acórdão ora recorrido foi categórico em consignar que o processo adotado pelo contribuinte ao incluir o IRRF de períodos anteriores a 2003 no montante do IRRF declarado na DIPJ/2004 não possui amparo legal. Vejase: [...]; por estas razões, não merece reparo o acórdão recorrido; ante todo o exposto, pugna a Fazenda Nacional para que seja negado provimento ao Recurso Especial interposto. É o relatório. Fl. 281DF CARF MF Processo nº 11080.720605/200850 Acórdão n.º 9101003.992 CSRFT1 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto declaração de compensação (PER/DCOMP) em que a contribuinte utilizou direito creditório decorrente de alegado pagamento a maior de IRPJ referente ao 1º trimestre de 2003. O acórdão recorrido reproduz o relatório contido na decisão de primeira instância administrativa, que explicita bem o contexto da controvérsia que se instaurou nestes autos: O Despacho Decisório Eletrônico (DDE) n° 757799803 não homologou as compensações declaradas no PER/Dcomp 11264.04308.290104.1.3. 040506, cujo crédito seria originário de suposto pagamento a maior do que o devido de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), realizado por Darf em 30/04/03, sob o código de arrecadação 0220, no valor total de R$ 364.847,65, porque o pagamento informado estaria integralmente utilizado na quitação de débito de IRPJ do período apuração 31/03/03. A interessada não apresentou manifestação de inconformidade contra tal decisão, entregou DCTF retificadora com a pretensão de regularizar a situação e ingressou com a ação ordinária n° 2008.71.00.0179970/RS, pleiteando certidão de regularidade fiscal cuja emissão foi obstada em função do débito resultante da não homologação da compensação. Em decisão exarada nos autos da ação judicial ajuizada foi suspensa a exigibilidade do crédito tributário decorrente do DDE n° 757799803 para permitir a expedição de certidão positiva com efeitos de negativa em favor da demandante até que a Receita Federal do Brasil pudesse proceder a uma nova análise do procedimento de compensação tendo em conta a retificação da DCTF. Em atendimento à decisão judicial, o Despacho Decisório DRF/POA n° 606/2008 revisou de oficio o DDE n° 757799803 e concluiu pelo não reconhecimento do direito creditório, com a consequente não homologação da compensação indicada no PER/Dcomp 11264.04308.290104.1.3.040506, em virtude de ter sido apurado imposto a pagar de IRPJ no primeiro trimestre/2003 em valor maior do que o recolhido, visto não terem sido confirmados valores retidos de IRPJ. A interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório DRF/POA n° 606/2008 na qual alega ter entendido que a retificação da DCTF seria suficiente para evitar a não homologação da compensação e que a revisão da compensação pela Receita Federal resultou no reconhecimento da procedência do crédito decorrente do recolhimento a maior de IRPJ, mas trouxe outra razão para a não homologação da compensação, consubstanciada no não reconhecimento Fl. 282DF CARF MF Processo nº 11080.720605/200850 Acórdão n.º 9101003.992 CSRFT1 Fl. 11 10 dos créditos de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), ocasionando o reajuste do valor devido a título de IRPJ. A manifestante se indispõe contra o não reconhecimento de valores retidos de IRPJ porque entende que a revisão dos créditos por ela declarados já teria sido atingida pela decadência e que a compensação realizada já estaria homologada tacitamente, eis que transcorridos mais de cinco anos desde a apresentação do PER/DComp até a sua intimação da decisão. A empresa alega que parte das retenções de IRPJ utilizada na redução do IRPJ devido é relativa aos anos calendário 2001 e 2002, quando apurou prejuízos fiscais, e defende que a utilização dessas retenções em anos posteriores é um direito que lhe assiste, que a vedação ao seu uso viola o princípio da capacidade contributiva, que os dispositivos legais que regulam o art. 773 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR) não vedam a utilização do crédito do IRRF nos períodos posteriores e menciona o Acórdão n° 10708.073, do Primeiro Conselho de Contribuintes. A contribuinte defende que a impossibilidade de aproveitar os valores retidos na fonte sobre rendimentos resultantes de aplicações financeiras nos períodos em que apresentou prejuízo fiscal em anos posteriores à retenção resultaria na tributação daquilo que não corresponde ao conceito de “renda”. Por fim, a empresa torna a invocar o instituto da decadência em relação ao “direito do fisco de revisar os lançamentos relativos aos anos calendário de 2001, 2002 e 2003” e torna a sustentar a ocorrência de homologação tácita da compensação realizada, reafirmando que, não tendo a fiscalização se manifestado em relação à utilização dos créditos de IRRF na primeira análise da compensação, não poderia se manifestar posteriormente. O litígio deste processo corresponde à compensação formalizada no PER/Dcomp 11264.04308.290104.1.3.040506, cujo crédito equivale a R$ 207.410,55. Tanto a decisão de primeira instância, quanto a decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido), mantiveram a negativa em relação à compensação, conforme havia decidido a Delegacia de origem. Nesta fase de recurso especial, a contribuinte busca reverter essas decisões, para que a compensação seja homologada. A divergência a ser examinada abrange o debate sobre a possibilidade de a contribuinte utilizar retenções na fonte (IRRF) para gerar indébito em período diferente daquele em que as retenções ocorreram. A contribuinte defende o entendimento de que poderia utilizar retenções sofridas em 2001 e 2002 para caracterizar pagamento a maior de IRPJ no primeiro trimestre de 2003, alegando que não apresentou lucro tributável nos anos de 2001 e 2002. A decisão monocrática do Presidente da CSRF, que examinou o agravo contra o despacho de admissibilidade do recurso, decidiu bem quando admitiu a caracterização da divergência em relação à referida matéria. Fl. 283DF CARF MF Processo nº 11080.720605/200850 Acórdão n.º 9101003.992 CSRFT1 Fl. 12 11 A divergência suscitada realmente extrapola o entendimento consolidado na Súmula CARF nº 80, de modo que ela não pode mesmo ser usada como fundamento para a negativa de seguimento do recurso, conforme entendeu o Presidente da CSRF, em sua decisão monocrática: Tem razão a agravante quando firma o entendimento de que a Súmula CARF nº 80 somente exige, para dedução das retenções, a sua prova, bem como do cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Os paradigmas que sustentam a Súmula não autorizam a conclusão de que ela fixa a obrigatoriedade de que tal cômputo se dê no ano correspondente à retenção na fonte. Este aspecto não foi debatido nos paradigmas e a Súmula, em consequência, não expõe esta restrição. Diante da divergência admitida, então, é preciso averiguar se a contribuinte pode ou não utilizar retenções na fonte (IRRF) para gerar indébito em período diferente daquele em que as retenções ocorreram. Nesse passo, cabe esclarecer que a negativa do acórdão recorrido não está fundamentada apenas em uma violação específica ao art. 773 do RIR/99, ou na Súmula CARF nº 80 (citada como reforço dos argumentos lá desenvolvidos), e nem no simples desrespeito ao regime de competência. Vale transcrever os fundamentos do voto que orientou o acórdão recorrido, relativamente à matéria em questão: A Recorrente diz expressamente no Recurso Voluntário que “o objeto do presente processo são os créditos utilizados nessa compensação, mais especificamente a possibilidade de composição desses créditos com a utilização de IRRF decorrente de retenções feitas em 2001 e 2002”. No entendimento do novo despacho decisório bem como da decisão recorrida, o IRRF na fonte dos anos de 2001 e 2002 somente pode ser deduzido como antecipação do imposto de renda devido do respectivo período de apuração. Eis, a conclusão do acórdão recorrido, verbis: ... A lei permite a dedução desses valores no final do respectivo período de apuração para diminuir o imposto devido ou aumentar o saldo negativo. Isto posto, é o saldo negativo, regularmente apurado pela contribuinte de acordo com a legislação vigente, que é passível de utilização em períodos posteriores. A contribuinte confirma que a maior parte do valor declarado como retido na fonte é relativa a anos calendário anteriores e não questiona o valor confirmado pela DRF/POA referente ao IRRF no ano calendário 2003. Não há base legal para a utilização de fontes retidas em outros anos calendário para compor o saldo negativo de anos posteriores. A forma de aproveitamento dessas fontes seria através da retificação das DIPJs referentes aos anos calendário de retenção, com a consequente apuração de saldos negativos naqueles períodos, no caso concreto, 2001 e 2002. Não merece reparos à decisão recorrida. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 11080.720605/200850 Acórdão n.º 9101003.992 CSRFT1 Fl. 13 12 Indubitavelmente o procedimento adotado pelo contribuinte em incluir no montante do IRRF declarado na DIPJ/ 2004 o IRRF de anoscalendário anteriores a 2003 não tem amparo na legislação tributária. As alegações da Recorrente no sentido de utilizar supostos "créditos de IRRF decorrentes de retenções feitas em 2001 e 2002" para compensar o débito de CSLL do período de apuração de 31/03/2003, conforme tratado nos presentes autos, não se sustentam como será visto a seguir. É induvidoso que o contribuinte no ano calendário de 2003, adotou a forma de apuração do IRPJ com base no lucro real trimestral, conforme se verifica na DIPJ/2004, fl.13 (processo apenso). Assim, ao fim de cada período de apuração trimestral, a pessoa jurídica deverá determinar o lucro líquido mediante a elaboração, com observância, das leis comerciais e fiscais (art. 251 do RIR/99), do Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Período de Apuração, transcritos no Diário ou no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR). São de uso obrigatório, os livros, Diário e Razão (arts. 258 e 259 do RIR/99). No tocante às demonstrações financeiras o art. 274 do RIR/99, assim dispõe: Art. 274. Ao fim de cada período de incidência do imposto, o contribuinte deverá apurar o lucro líquido mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do período de apuração e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º, §4º, e Lei nº 7.450, de 1985, art. 18). E, para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a Lei nº 9.430/96 determina que a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido, o valor do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real do período de apuração, vejamos: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. ... §3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; Fl. 285DF CARF MF Processo nº 11080.720605/200850 Acórdão n.º 9101003.992 CSRFT1 Fl. 14 13 III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. ... Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. ... GRIFEI Portanto, à luz da legislação acima, não pode o contribuinte ao seu talante deduzir do IRPJ apurado em 31/03/2003, valores de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) de períodos anteriores (2001 e 2002) como pretende a Recorrente. Ao contrário dos argumentos da Recorrente, entendo que não basta ao interessado comprovar a retenção do imposto de renda na fonte, mas também deve comprovar a efetiva apuração de saldo negativo de IRPJ ao final de cada período e, para tanto, deve demonstrar que as receitas sobre as quais incidiram as retenções integraram à base de cálculo do imposto de renda em cada trimestre, condição indispensável para que o IRRF possa ser aproveitado na compensação do imposto de renda apurado no final do período, originando, se for o caso, o saldo negativo de IRPJ. Em decorrência da sistemática de tributação adotada, o Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre as receitas que integram o lucro tributável e constitui antecipação do IRPJ do período de apuração – é passível de dedução na apuração do valor a pagar ou para compor o saldo negativo do imposto do período de apuração em que houve a retenção. A matéria encontrase pacificada no âmbito desse Conselho Administrativo sendo inclusive objeto da seguinte súmula: Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. A DIPJ/2004, fl.15 processo apenso, demonstra IRPJ a pagar no período de apuração de 31/03/2003, como a seguir: IRPJ devido R$ 2.430.840,08 () IRRF: R$ 2.273.402,98 = IRPJ a pagar de R$ 157.437,10. Todavia, de acordo com a decisão recorrida confirmouse apenas o valor de R$ 308.306,89 a título de IRRF, sob o fundamento de que os demais valores se referiam à retenções ocorridas em anos anteriores a Fl. 286DF CARF MF Processo nº 11080.720605/200850 Acórdão n.º 9101003.992 CSRFT1 Fl. 15 14 2003. Assim, chegouse ao IRPJ a pagar no valor de R$ 2.122.533,19 em vez de R$ 157.437,10 como declarado na DIPJ/2004. No presente caso, para o contribuinte extinguir o IRPJ apurado em 31/03/2003 com supostos créditos decorrentes de 2001 e 2002 somente poderia fazêlo por compensação mediante a entrega de um PERDCOMP no qual fizesse constar informações relativas aos supostos créditos de 2001 e/ou 2002 para compensar com o débito do IRPJ a pagar apurado em 31/03/2003, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Nesse sentido, o art. 74 da Lei nº 9.430/96, com nova redação dada pelo artigo 49 da Medida Provisória n° 66/2002 (publicada no D.O.U. de 30/08/2002), com vigência a partir do dia 1° de outubro de 2002, passou a exigir para formalização de compensação a respectiva declaração de compensação, nos seguintes termos, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. §1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. ... Pela nova redação do dispositivo legal citado, restou legalmente autorizada a compensação tributária, sempre mediante declaração de iniciativa do contribuinte, inclusive para tributos e contribuições de mesma espécie e/ou espécies distintas. Assim, a partir de outubro de 2002, a empresa, necessariamente, ficou obrigada a entregar a declaração de compensação para exercer essa modalidade de extinção do crédito tributário. Logo, o IRPJ apurado em 30/03/2003 somente poderia ser compensado com os supostos saldos negativos de 2001 e/ou 2002 com a OBRIGATÓRIA entrega de PERDCOMP para exercer essa modalidade de extinção do crédito tributário. No caso de haver homologação expressa ou tácita desse hipotético PERDCOMP é que poderia resultar no suposto pagamento indevido ou a maior do DARF: R$ 364.847,65, período de apuração: 31/03/2003, Arrecadação: 30/04/2003 indicado no PERDCOMP. A Recorrente não alega e nem se encontra nos autos qualquer PER/DCOMP no sentido de extinguir o pagamento do IRPJ apurado em 31/03/2003 utilizando o saldo negativo de 2001 e/ou 2002 para restar o pagamento indevido ou a maior indicado pelo contribuinte no PERDCOMP n.° 11264.04308.290104.1.3.040506 (fls. 01/05 do processo nº 11080.901355/200857, apenso) a ser compensado com débito de CSLL 1º trimestre, PERÍODO DE APURAÇÃO: 31/03/2003 e VENCIMENTO: 30/04/2003. Desse modo, não há falar em pagamento indevido ou a maior em relação ao DARF: R$ 364.847,65, período de apuração: 31/03/2003, Arrecadação: 30/04/2003 indicado no PERDCOMP n.° 11264.04308. 290104.1.3.040506 (fls. 01/05 do processo nº 11080.901355/200857, apenso), tratado nos presentes autos. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 11080.720605/200850 Acórdão n.º 9101003.992 CSRFT1 Fl. 16 15 Realmente, o que se restitui ou compensa é sempre o saldo negativo de IRPJ, e não retenções de IRfonte ocorridas ao longo de um determinado ano. Com efeito, as retenções são aproveitadas como “dedução” do tributo devido no ajuste anual, servindo para reduzir o seu montante, ou para a formação de saldo negativo, este sim passível de ser restituído ou compensado em momento posterior. A legislação não autoriza que as retenções na fonte sejam utilizadas diretamente para a compensação de outros tributos, e nem para a compensação do mesmo imposto referente a outros períodos (Lei 9.430/1996, art. 2º, § 4º, III, c/c art. 6º, § 1º, II). Relativamente ao argumento de que o caput do § 4º do art. 2º da Lei nº 9.430/1996 traz a expressão "poderá" e não "deverá"; e, em sendo uma faculdade, ela poderá ser exercido em outros períodos; respondese que: o inciso III do mesmo parágrafo traz a expressão "do IRRF, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real"; essa parte final é clara ao criar uma vinculação com as receitas do período. Mas há ainda outro ponto fundamental apontado pelo acórdão recorrido, e que também justifica a negativa em relação ao pleito da contribuinte. A Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional CTN), ao tratar da compensação como uma das hipóteses de extinção do crédito tributário, estabeleceu em seu art. 170 que "a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". E é nesse contexto que se insere o art. 74 da Lei 9.430/1996 (com as alterações promovidas pela Lei 10.637/2002), dispositivo que trata das regras para a realização de compensação tributária. Importante registrar que a Lei 10.637/2002 introduziu no art. 74 da Lei 9.430/1996 profundas modificações para os procedimentos de compensação realizados a partir de 1º de outubro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 288DF CARF MF Processo nº 11080.720605/200850 Acórdão n.º 9101003.992 CSRFT1 Fl. 17 16 (...) §4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) Com as referidas modificações na Lei 9.430/1996, a Declaração de Compensação – PER/DCOMP configurou um instrumento totalmente novo no Direito Tributário, porque a ela foi conferido o efeito de extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (§2º do art. 74 da Lei 9.430/1996). A compensação deixou de ser um mero procedimento de encontro de contas a ser homologado pelo Fisco, e se tornou equivalente à quitação por moeda, com efeitos semelhantes àqueles previstos no art. 150 do Código Tributário Nacional (lançamento por homologação). Não há dúvidas de que até setembro de 2002, os contribuintes podiam realizar alguns tipos de compensação na sua própria contabilidade, a chamada auto compensação, independentemente de apresentação de pedido de compensação, de instauração de processo administrativo, etc., enfim, independentemente de maiores formalidades, com base no art. 66 da Lei 8.383/1991. Esse, inclusive, era o contexto normativo que vigia à época da compensação examinada pelo paradigma (indébito de 1994 compensado em 1995), o que deve ter influído na decisão de permitir o deslocamento das retenções, de permitir a compensação direta das retenções em período diferente daquele em que elas ocorreram (flexibilizandose a regra de que a compensação sempre deve ser realizada com o saldo negativo do período anterior, e não diretamente com as retenções daquele período). Contudo, como já mencionado, as regras para a compensação tributária foram bastante alteradas a partir de 1º de outubro de 2002. Desde então, todos os procedimentos de compensação junto à Receita Federal devem seguir as regras introduzidas no art. 74 da Lei 9.430/1996 (acima transcritas), especialmente aquela prevista em seu §1º, segundo a qual, a compensação “deverá ser efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados”. A Declaração mencionada no referido dispositivo legal é justamente o PER/DCOMP, que, conforme registrado no acórdão recorrido, não foi apresentado para que o IRPJ do primeiro trimestre de 2003 pudesse ser quitado com os alegados indébitos de 2001 e 2002. Ou seja, além de não haver previsão legal para a compensação direta com retenções de outro período, a contribuinte também não apresentou PER/DCOMP para deslocar esses alegados indébitos no tempo. O atual contexto legal (já vigente à época dos fatos em questão) não mais admite a compensação sem a devida formalidade legal, ainda que existente um suposto direito creditório. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 11080.720605/200850 Acórdão n.º 9101003.992 CSRFT1 Fl. 18 17 O contribuinte não pode informar indébito de um período (no caso, do 1º trimestre de 2003), e, uma vez constatada a inexistência desse indébito, pleitear ao longo do processo que esse indébito seja reconhecido porque equivale em valor a indébito de outros períodos (anoscalendário 2001 e 2002). A lei não admite esse tipo de situação, nem mesmo em nome da verdade material. Indicado o indébito de um determinado período no PER/DCOMP, não cabe ao Fisco sair fazendo levantamentos em períodos distintos, para verificar se houve retenções nesses outros períodos, se as receitas correspondentes foram oferecidas à tributação, se a base de cálculo foi apurada corretamente, etc., visando apurar um eventual saldo negativo que o próprio contribuinte não apurou na DIPJ que apresentou para os períodos anteriores. Não é essa a forma que a lei estabeleceu para as compensações. Desse modo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da contribuinte. Em síntese, voto por CONHECER do recurso e NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 290DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.917156/2013-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2013
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO
É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório.
ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO.
É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.399
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente em exercício e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2013 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO. É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2013 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO. É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 71 56 /2 01 3- 40 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.917156/201340 Acórdão n.º 3302006.399 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de homologação apenas parcial da compensação declarada, pelo fato de que os pagamentos informados já haviam sido parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não trouxe aos autos qualquer alegação de mérito ou qualquer documento que pudesse corroborar o seu alegado direito ao crédito, limitandose a alegar a nulidade da decisão, sob o argumento de ausência de fundamentação. Questionou o então Manifestante a validade da decisão eletrônica, não submetida ao crivo de um Auditor Fiscal, e discorreu acerca do instituto da nulidade dos atos administrativos, trazendo aos autos farta doutrina e jurisprudência. Pugnou, também, pela posterior produção de provas, considerando a ausência de motivação da decisão a impossibilitar o conhecimento prévio da prova a ser produzida. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1451.448, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, declarando a validade do Despacho Decisório, sob o argumento de que o documento, ainda que eletrônico, possuía todos os elementos legalmente exigidos, proferido por autoridade competente e motivado pela verificação dos valores objeto de outras declarações. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.361, de 13/12/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.917118/201397, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.361): Sinteticamente, a Recorrente questiona a validade do Despacho Decisório por meio do qual foi denegado o pedido de compensação de tributos, sob o argumento de que ele limitouse a afirmar. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.917156/201340 Acórdão n.º 3302006.399 S3C3T2 Fl. 4 3 "A análise do direito creditório está limitada ao "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, no valor de 1.248,99 Valor do crédito original reconhecido: 114,34 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante do exposto, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/05/2013. (...) Para detalhamento da compensação efetuada, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereçowww.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório". Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 1996. Art. 36 da IN RFB nº 900, de 2008." Em sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente não traz aos autos qualquer prova documental e para a dilação de sua entrega invoca o artigo 16, § 4º, a), do Dec. 70235 sob o argumento de que "... demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por força maior." eis que ao seu ver "... a autoridade administrativa quedouse inerte em expor os motivos pelos quais entendeu por não reconhecer o direito creditório e, por conseguinte, não homologar as compensações realizadas." Já no Recurso Voluntário também sustenta tratarse de um ato vinculado que, portanto, necessita ser realizado em conformidade com o ordenamento jurídico. Inicialmente, pela análise do Despacho Decisório é possível aferir que, data venia, ao contrário do que afirma a Recorrente, foi redigido de forma a permitir o exercício do devido processo legal, inclusive com expressa menção à legislação atinente e ao motivo do deferimento parcial. Este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião em que o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. O que não se pode admitir é que a Recorrente apresente alegações genéricas, sob o argumento de que não compreendeu o perfeito sentido e alcance do Despacho Decisório. Em relação à interpretação do artigo 16 do Dec. 70.235, vale destacar que ele permite a ulterior apresentação de provas em caso de força maior, e não a posterior alegação de argumentos por incompreensão do Despacho Decisório. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.917156/201340 Acórdão n.º 3302006.399 S3C3T2 Fl. 5 4 Quanto aos elementos essenciais ao ato administrativo, temse que encontramse presentes todos eles, quais sejam a autoridade competente, motivo, finalidade, objeto e forma. Especificamente no que diz respeito à motivação, a própria Recorrente reconhece que o ato foi motivado pela verificação da inexistência de crédito disponível a ser aproveitado, apresentando cálculos, cabendo a ela, interessada na compensação do crédito, demonstrar a existência do referido crédito, com documentação idônea. No caso concreto a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação ou qualquer indício de crédito, limitandose a afirmar que não lhe foi indicado quais teriam sido os pagamentos localizados, eis que lhe foi informado haver "... um ou mais pagamentos..." Desta forma, diante do fato de que o Contribuinte, ora Recorrente, não se desincumbiu do seu ônus processual de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito, não havendo trazido aos autos qualquer documento, indício ou mesmo argumento de liquidez e certeza de seu crédito, e não vislumbrando qualquer ilegalidade no despacho por tratarse de não desincumbência do ônus de demonstrar a origem do direito, é de se negar provimento ao Recurso Voluntário. Por estes motivos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 82DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.901625/2013-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 31/12/2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.
É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito.
Numero da decisão: 3401-005.613
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 31/12/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 16 25 /2 01 3- 78 Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10280.901625/201378 Acórdão n.º 3401005.613 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de Pedido de Restituição de contribuição para o PIS realizado através de PER/DCOMP, referente pagamento à maior que o devido, incidente sobre base de cálculo definida pelo art. 3º, §1º da Lei nº 9.718,98, declarada inconstitucional pelo STF em sede de repercussão geral. Inicialmente cabe esclarecer que houve evolução na empresa titular do crédito, na época dos fatos (junho/1999) a empresa denominavase SANDIESEL S/A, que foi incorporada em 17/12/2002 pela BELÉM DIESEL S.A. e que por sua vez foi incorporada em 31/01/2007 pela RODOBENS CAMINHÕES CIRASA S.A. A DRF São José do Rio Preto proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período. Não satisfeito com a resposta do fisco, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, sob as seguintes razões: (i) por economia processual pede para que seja reunidos todos os processos que relaciona, por conterem o mesmo objeto; (ii) que o Despacho Decisório está equivocado pois não foi examinado o real motivo que sustenta o pedido, que foi o recolhimento de PIS com base de cálculo alargada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, vigente à época dos fatos; (iii) sendo inconstitucional o dispositivo legal mencionado, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, matéria já superada pelo STF com repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008, dá validade ao pedido por pagamento a maior ou indevido; (iv) por força do inciso I do §6º do art. 26A, incluído no Decreto nº 70.325 de 06/03/1972 pela Lei nº 11.941/2009, os órgãos administrativos deverão seguir as decisões com repercussão geral do STF, como aliás, já prevalece nas decisões das CSRF conforme acórdãos que menciona; (v) requer ao final, provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, produção de perícia, realização de diligência e a juntada de documentos. Em Primeiro Grau a DRJ/RPO ratificou inteiramente o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição, nos termos do Acórdão nº 14062.270. O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau, reafirmando: (i) que a base de cálculo para o PIS e COFINS deverá ser composta tão somente do valor do faturamento da empresa; (ii) que o montante que compõe o crédito pleiteado se refere a inclusão indevida, na base de cálculo daquela contribuição, de receitas estranhas do conceito de faturamento, o que implicou em pagamento a maior que o devido, efetuado com base no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98; (iii) que a controvérsia centrase única e exclusivamente na comprovação do direito creditório, porém, entende que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos, a teor do art. 142 do CTN; (iv) que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, tal formalidade não pode se sobrepor ao direito substantivo e destaca jurisprudência do CARF sobre o caso; (v) da mesma forma, amparada em jurisprudência do CARF apela pela busca da verdade material no processo administrativo tributário, realizando uma análise ampla de todas as minúcias da situação para descobrir toda a situação fática e aplicar a norma de forma correta e eficaz; (vi) entende que o conjunto probatório é suficiente para lastrear o crédito por ela pleiteado, com a juntada de balancete devidamente transcrito no Livro Diário, Livro Razão e planilha com memória de cálculo; (vii) salienta, também, que a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, conforme previsto no art. 18 do Decreto nº 70.235, em atenção ao princípio da Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10280.901625/201378 Acórdão n.º 3401005.613 S3C4T1 Fl. 4 3 verdade material; (viii) ao final reforça seu pedido de reforma da decisão recorrida e a restituição do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.560, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.901573/201330, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401005.560): "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Destacase, primeiramente, que a Recorrente fez constar do pedido de sua Manifestação de Inconformidade que: “Em atendimento ao disposto no inciso V, do art. 16, do Decreto n. 70235, de 6.3.1972, a requerente informa que a matéria objeto desta manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial”, caso contrário deveria juntar cópia da petição, já que o assunto diz respeito à declaração de inconstitucionalidade de Lei (§1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98). Quanto a inconstitucionalidade do dispositivo legal mencionado, é tema já superado em face da revogação do mesmo pela Lei nº 11.941, de 2009. Enquanto não alterado a redação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, foi expedido Nota Explicativa pela PGFN/CRJ nº 1.114 de 30/08/2012, delimitando o julgado pelo STF no RE nº 585.235, nos seguintes termos: DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: O PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Repetese aqui o que já firmado pela decisão de piso, em que “chegase à conclusão que a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, implementada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, é inconstitucional e deve ser afastada também no âmbito administrativo”. Vêse, portanto, que em termos teóricos convergem para o mesmo ponto, tanto o entendimento do Fisco quanto ao alegado fato que sustenta a tese da Recorrente, de que não cabe Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10280.901625/201378 Acórdão n.º 3401005.613 S3C4T1 Fl. 5 4 incidência da Contribuição para o PIS sobre receitas que estão fora do conceito de faturamento. Com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, do §1º do art.3º da Lei 9.718/98, sob o regime previsto pelo art. 543B do CPC, assentado como repercussão geral, abriu espaço para os contribuintes reverem suas bases de contribuição para o PIS e a COFINS e pleitearem junto ao fisco o ressarcimento de eventuais valores pagos a maior ou indevidamente. Pelo que ficou demonstrado no processo ora analisado, a Recorrente deu início com Pedido de Ressarcimento de contribuição para o PIS, do período de apuração 30/06/1999, alegando a existência de indébito fiscal pelo pagamento de valor a maior que o devido, pela inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a receitas que não integram o conceito de faturamento, compreendido exclusivamente pelo produto das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. A causa do pedido de ressarcimento é plausível, a controversa reside nas provas que o caso exige. Não basta que existam hipotéticos pagamentos da contribuição para o PIS sobre base de cálculo fora do alcance do conceito de faturamento, é preciso que exista a certeza do pagamento e seja líquido o valor requerido. A repetição de indébito fundase no princípio da legalidade, sob a premissa da existência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Não basta alegar, deverá ser provado àquilo que se requer. De acordo com o art. 170 do CTN, a compensação de débitos tributários só é autorizada com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, da mesa forma deve ser tratado o pedido de ressarcimento. O Despacho Decisório respondeu ao interessado que o valor do indébito fiscal requerido não existe, pois o pagamento que lhe deu suporte (DARF) foi totalmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF. A requerente em sua manifestação de inconformidade esclarece a razão de seu pedido, cujo crédito estaria respaldado por pagamento a maior que o devido por ter sido incluído na base de cálculo da contribuição para o PIS, valores que estariam fora do alcance do conceito de faturamento, conforme declaração de inconstitucionalidade pelo STF do §1º do art.3º da Lei nº 9.718/98. Mas deixa de proceder a retificação da DCTF para que nos sistemas da SRFB fique registrado o crédito reivindicado. As provas trazidas aos autos com a manifestação de inconformidade, são o balancete e folhas do Razão do período de 01 a 30/06/1999, além de uma relação de contas e valores de receitas financeiras, cujo valor atribuído ao PIS S/ Receita Financeira diverge do valor do crédito pleiteado. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10280.901625/201378 Acórdão n.º 3401005.613 S3C4T1 Fl. 6 5 A decisão de piso confirma a posição da unidade de origem, atestando que incumbe a requerente demonstrar com provas hábeis, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fundamenta o voto proferido pela DRJ/POR: Para que existisse algum saldo a restituir, seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/Dcomp, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. (...) Ocorre que para se aferir qual o valor exato da base de cálculo do PIS e da Cofins que deve ser afastado, é necessário que o contribuinte informe e comprove qual o montante total das receitas, para se apartar o faturamento das demais receitas. Mesmo diante das colocações feitas pela decisão de primeiro grau, a Recorrente nada de novo trouxe em seu Recurso Voluntário, insiste que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos e quanto ao conjunto probatório ser insuficiente, a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, em atenção ao princípio da verdade material. Ora, quem alega deve provar e esse compromisso é do interessado que declarou existir indébito fiscal pelo pagamento a maior que o devido. As provas juntadas com o Recurso, praticamente são as mesmas que foram apresentadas com a Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10280.901625/201378 Acórdão n.º 3401005.613 S3C4T1 Fl. 7 6 manifestação de inconformidade, o que diverge é a planilha (e fls.340): Insiste a Recorrente em inverter o ônus da prova, querendo que o Fisco faça o papel de demonstrar qual a receita que deu causa ao recolhimento do PIS no valor do DARF apresentado e qual a receita que deve ser excluída por motivo de ampliação indevida de sua base de cálculo. Outro ponto que depõe contra a Recorrente é a ausência de DCTF retificadora. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada, inclusive há previsão normativa para isso, vide INRFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. A apresentação de DCTF Retificadora poderá ser acatada, inclusive, quando apresentada depois do despacho decisório, porém, sendo tempestiva a apresentação da manifestação de inconformidade contra o indeferimento do PER/DCOMP, situação em que a Delegacia da Receita Federal Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10280.901625/201378 Acórdão n.º 3401005.613 S3C4T1 Fl. 8 7 do Brasil de Julgamento (DRJ) poderá baixar em diligência à Delegacia da Receita Federal (DRF). A administração tributária orienta sobre o tema através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. (...) É lamentável o fato de a Recorrente pleitear a restituição de um crédito que teoricamente lhe assiste razão, com direito assegurado, mas que de fato não consegue fazer prova de sua existência. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 341DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.723259/2016-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DA PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
A decisão de piso enfrentou e afastou todos os argumentos feitos pelo sujeito passivo em sede de impugnação, ainda que de forma objetiva, não tendo havido omissão.
Ademais, o julgador somente está obrigado a enfrentar os argumentos capazes de, em tese, infirmar a conclusão por ele adotada, de acordo com o disposto no inciso IV do § 1º do art. 489 do CPC, combinado com o seu art. 1022, parágrafo único, inciso II.
PRELIMINAR. NULIDADE. PROVA EMPRESTADA.
Admite-se como fundamento do lançamento e no julgamento administrativo a prova produzida em outro órgão administrativo ou na esfera judicial, desde que utilizada com observância das normas que regulam o processo administrativo fiscal.
RECEITA DA PESSOA JURÍDICA. RECLASSIFICAÇÃO PARA RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DA PESSOA FÍSICA. PRIMAZIA DA REALIDADE DOS FATOS.
Sob o prisma da primazia da realidade sobre a formalidade dos atos, cabe à fiscalização lançar de ofício o crédito correspondente à relação tributária efetivamente existente. Nesse escopo, é cabível a reclassificação da receita e sua imputação à pessoa física quando demonstrado que não houve prestação de serviços pela pessoa jurídica e que a pessoa física, revestida da condição de contribuinte, é a efetiva beneficiária dos rendimentos recebidos através da pessoa jurídica interposta.
MULTA QUALIFICADA. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Cabível a multa de ofício qualificada quando comprovado que o contribuinte deslocou de forma dolosa a tributação da pessoa física para a pessoa jurídica, utilizando de estrutura artificial criada pela interposição de escritório de advocacia, conduta que resultou na modificação das características do fato gerador da obrigação tributária, de maneira a ocultar o verdadeiro beneficiário dos rendimentos e reduzir o montante do imposto de renda devido.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que fixa o patamar da multa de ofício sobre o tributo devido.
(Súmula CARF nº 2)
RECEITA DA PESSOA JURÍDICA. RECLASSIFICAÇÃO PARA RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DA PESSOA FÍSICA. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTO RECOLHIDO NA PESSOA JURÍDICA. MESMA NATUREZA. POSSIBILIDADE.
Cabível a dedução no lançamento de ofício do imposto de renda da pessoa física, antes da inclusão dos acréscimos legais, com relação aos valores arrecadados de mesma natureza a título de imposto de renda da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e considerada rendimentos tributáveis auferidos pela pessoa física.
Numero da decisão: 2401-005.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja deduzido do lançamento o imposto de renda recolhido pelas pessoas jurídicas sobre os valores que foram considerados rendimentos da pessoa física. Vencido o conselheiro Rayd Santana Ferreira (relator), que dava provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada) e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. O colegiado deliberou pelo julgamento a portas fechadas por envolver a mesma matéria do processo nº 11060.722991/2016-62, julgado nesta sessão, o qual possuía determinação judicial para que houvesse sigilo preservado.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DA PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. A decisão de piso enfrentou e afastou todos os argumentos feitos pelo sujeito passivo em sede de impugnação, ainda que de forma objetiva, não tendo havido omissão. Ademais, o julgador somente está obrigado a enfrentar os argumentos capazes de, em tese, infirmar a conclusão por ele adotada, de acordo com o disposto no inciso IV do § 1º do art. 489 do CPC, combinado com o seu art. 1022, parágrafo único, inciso II. PRELIMINAR. NULIDADE. PROVA EMPRESTADA. Admite-se como fundamento do lançamento e no julgamento administrativo a prova produzida em outro órgão administrativo ou na esfera judicial, desde que utilizada com observância das normas que regulam o processo administrativo fiscal. RECEITA DA PESSOA JURÍDICA. RECLASSIFICAÇÃO PARA RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DA PESSOA FÍSICA. PRIMAZIA DA REALIDADE DOS FATOS. Sob o prisma da primazia da realidade sobre a formalidade dos atos, cabe à fiscalização lançar de ofício o crédito correspondente à relação tributária efetivamente existente. Nesse escopo, é cabível a reclassificação da receita e sua imputação à pessoa física quando demonstrado que não houve prestação de serviços pela pessoa jurídica e que a pessoa física, revestida da condição de contribuinte, é a efetiva beneficiária dos rendimentos recebidos através da pessoa jurídica interposta. MULTA QUALIFICADA. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Cabível a multa de ofício qualificada quando comprovado que o contribuinte deslocou de forma dolosa a tributação da pessoa física para a pessoa jurídica, utilizando de estrutura artificial criada pela interposição de escritório de advocacia, conduta que resultou na modificação das características do fato gerador da obrigação tributária, de maneira a ocultar o verdadeiro beneficiário dos rendimentos e reduzir o montante do imposto de renda devido. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que fixa o patamar da multa de ofício sobre o tributo devido. (Súmula CARF nº 2) RECEITA DA PESSOA JURÍDICA. RECLASSIFICAÇÃO PARA RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DA PESSOA FÍSICA. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTO RECOLHIDO NA PESSOA JURÍDICA. MESMA NATUREZA. POSSIBILIDADE. Cabível a dedução no lançamento de ofício do imposto de renda da pessoa física, antes da inclusão dos acréscimos legais, com relação aos valores arrecadados de mesma natureza a título de imposto de renda da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e considerada rendimentos tributáveis auferidos pela pessoa física.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja deduzido do lançamento o imposto de renda recolhido pelas pessoas jurídicas sobre os valores que foram considerados rendimentos da pessoa física. Vencido o conselheiro Rayd Santana Ferreira (relator), que dava provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada) e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. O colegiado deliberou pelo julgamento a portas fechadas por envolver a mesma matéria do processo nº 11060.722991/2016-62, julgado nesta sessão, o qual possuía determinação judicial para que houvesse sigilo preservado. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 35; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1943; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11060.723259/201618 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.827 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de novembro de 2018 Matéria IRPF Recorrente LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DA PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. A decisão de piso enfrentou e afastou todos os argumentos feitos pelo sujeito passivo em sede de impugnação, ainda que de forma objetiva, não tendo havido omissão. Ademais, o julgador somente está obrigado a enfrentar os argumentos capazes de, em tese, infirmar a conclusão por ele adotada, de acordo com o disposto no inciso IV do § 1º do art. 489 do CPC, combinado com o seu art. 1022, parágrafo único, inciso II. PRELIMINAR. NULIDADE. PROVA EMPRESTADA. Admitese como fundamento do lançamento e no julgamento administrativo a prova produzida em outro órgão administrativo ou na esfera judicial, desde que utilizada com observância das normas que regulam o processo administrativo fiscal. RECEITA DA PESSOA JURÍDICA. RECLASSIFICAÇÃO PARA RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DA PESSOA FÍSICA. PRIMAZIA DA REALIDADE DOS FATOS. Sob o prisma da primazia da realidade sobre a formalidade dos atos, cabe à fiscalização lançar de ofício o crédito correspondente à relação tributária efetivamente existente. Nesse escopo, é cabível a reclassificação da receita e sua imputação à pessoa física quando demonstrado que não houve prestação de serviços pela pessoa jurídica e que a pessoa física, revestida da condição de contribuinte, é a efetiva beneficiária dos rendimentos recebidos através da pessoa jurídica interposta. MULTA QUALIFICADA. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. COMPROVAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 32 59 /2 01 6- 18 Fl. 5935DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 3 2 Cabível a multa de ofício qualificada quando comprovado que o contribuinte deslocou de forma dolosa a tributação da pessoa física para a pessoa jurídica, utilizando de estrutura artificial criada pela interposição de escritório de advocacia, conduta que resultou na modificação das características do fato gerador da obrigação tributária, de maneira a ocultar o verdadeiro beneficiário dos rendimentos e reduzir o montante do imposto de renda devido. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que fixa o patamar da multa de ofício sobre o tributo devido. (Súmula CARF nº 2) RECEITA DA PESSOA JURÍDICA. RECLASSIFICAÇÃO PARA RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DA PESSOA FÍSICA. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTO RECOLHIDO NA PESSOA JURÍDICA. MESMA NATUREZA. POSSIBILIDADE. Cabível a dedução no lançamento de ofício do imposto de renda da pessoa física, antes da inclusão dos acréscimos legais, com relação aos valores arrecadados de mesma natureza a título de imposto de renda da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e considerada rendimentos tributáveis auferidos pela pessoa física. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja deduzido do lançamento o imposto de renda recolhido pelas pessoas jurídicas sobre os valores que foram considerados rendimentos da pessoa física. Vencido o conselheiro Rayd Santana Ferreira (relator), que dava provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada) e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. O colegiado deliberou pelo julgamento a portas fechadas por envolver a mesma matéria do processo nº 11060.722991/201662, julgado nesta sessão, o qual possuía determinação judicial para que houvesse sigilo preservado. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente Fl. 5936DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 4 3 (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 11a Turma da DRJ em São Paulo/SP, Acórdão nº 1679.861/2018, às efls. 5.706/5.789, que julgou procedente o Auto de Infração concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, em relação aos anocalendário 2011, conforme peça inaugural do feito, às efls. 5.037/5.164, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 13/12/2016 (AR efl. 5.174), nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes do Auto de Infração e do Termo de Verificação Fiscal (que acompanha e é parte integrante do AI), foram apuradas infrações tributárias cometidas pelo contribuinte em razão da prática de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Extraise do TVF que: Verificouse que naquele ano o Fiscalizado recebeu rendimentos da empresa RBS ADMINISTRAÇÃO E COBRANÇAS LTDA, mediante interposição fraudulenta da pessoa jurídica MACEIRA ADVOGADOS ASSOCIADOS, totalizando R$ 6.533.984,00 (seis Fl. 5937DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 5 4 milhões quinhentos e trinta e três mil novecentos e oitenta e quatro reais). A contratação da MACEIRA ADVOGADOS ASSOCIADOS pela RBS teria como aparente objeto a defesa dos interesses da contratante na discussão administrativa de Autos de Infração lavrados contra si em cerca de R$ 258 milhões, contidos no processo de exigência fiscal de nº 11080.008088/200171. Verseá, todavia, que a despeito do expressivo benefício financeiro auferido pelo Fiscalizado, nem ele, nem sua pessoa jurídica de fachada, nada produziram, situação que se assemelha a de outros pretensos escritórios de advocacia e de consultoria investigados. (...) Ocorre que a OPERAÇÃO ZELOTES, deflagrada conjuntamente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, pelo Departamento da Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal e pela Corregedoria Geral do Ministério da Fazenda, em 26 de março de 2015, descortinou um ardiloso esquema montado no CARF para manipulação de julgamentos de processos administrativos fiscais. Dentre os casos investigados, destacase o da RBS ADMINISTRAÇÃO E COBRANÇAS LTDA LTDA (processo 11080.008088/200171, “CASO RBS”), posto que, como demonstraremos ao longo deste Relatório, a discussão administrativa restou contaminada pela atuação ilícita de toda sorte de agentes. O papel do Fiscalizado no Caso RBS, cuja participação foi sugerida a integrante da SGR CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA, organização tida por criminosa em circunstâncias semelhantes, ainda segue sob investigação. Entretanto, percebeuse que movimentou elevadas cifras recebidas da RBS, de destino indeterminado, sem prestar serviço lícito algum. Assim, no exercício das atribuições do cargo de Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, passamos a relatar os aspectos que apresentam contrariedade ao ordenamento jurídico e à legislação tributária vigentes, fatos que ensejaram a lavratura de AUTO DE INFRAÇÃO do IRPF do anocalendário 2011, dos quais o presente Relatório é parte integrante, contido no processo eletrônico de exigência fiscal de nº 11060.723259/201618. (...) 4.1 – MACEIRA ADVOGADOS ASSOCIADOS A pessoa jurídica foi constituída em julho de 2000. As quotas representativas de seu capital social eram assim distribuídas8: De acordo com a Primeira Alteração de Contrato Social9, PATRICIA retirouse da sociedade em 04 de maio de 2004, Fl. 5938DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 6 5 alienando suas quotas a LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA a valor nominal. Na mesma data, ingressa como sócio, MILTON CAVA CORREA, adquirindo 50 quotas pelo valor nominal de R$ 50,00. Por deliberação unânime, os sócios LUIZ ALBERTO e MILTON, resolvem dissolver a sociedade e dividir o patrimônio apurado no balanço Patrimonial de encerramento levantado em 30/11/2014. A averbação do Distrato Social junto à Ordem dos Advogados do Brasil, bem como a baixa do CNPJ, se deu na data de 26/01/201510. A ação fiscal que se encerra pelo lançamento de ofício ora realizado que teve início nesta pessoa jurídica, quando em diligências coletamos elementos que, além de ratificar as provas compartilhadas no bojo da ZELOTES trouxeram luz acerca do indevido deslocamento de rendimentos tributáveis da pessoa física para a MACEIRA ADVOGADOS ASSOCIADOS. (...) 6.2.1 – DO PAGAMENTO À MACEIRA ADVOGADOS ASSOCIADOS: O pagamento efetuado, pela RBS ADMINISTRAÇÃO E COBRANÇA à MACEIRA ADVOGADOS ASSOCIADOS e os eventos que se sucederam, serão, além de outros fatos, abordados adiante. (...) 7.1 – DILIGÊNCIA FISCAL NA RBS ADMINISTRAÇÃO E COBRANÇAS LTDA RBS ADMINISTRAÇÃO E COBRANÇAS LTDA declarado em DIRF46, o que foi posteriormente confirmado em procedimento fiscal, ter efetuado pagamentos, em 2011 e 2012, aos beneficiários indicados a seguir, em razão de seus envolvimentos no caso tramitado na esfera administrativa: (...) Em diligência fiscal, RBS ADMINISTRAÇÃO E COBRANÇAS LTDA apresentou cópia das notas fiscais emitidas pelos beneficiários dos pagamentos apontados em Dirf e os comprovantes de quitação de honorários, além de cópia de contratos e de propostas de honorários47. Nenhuma comprovação de serviços efetivamente prestados apresentou no que concerne às pessoas jurídicas SGR, MACEIRA e QUEIROZ, apesar de reiteradamente intimada48. Vamos aos Termos expedidos e as respectivas respostas da diligenciada. (...) Fl. 5939DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 7 6 7.7 – DILIGÊNCIA FISCAL MACEIRA ADVOGADOS ASSOCIADOS Adentremos, agora, em informações e documentos colhidos especificamente junto à beneficiária de rendimentos pagos pela RBS ADMINISTRAÇÃO E COBRANÇA, MACEIRA ADVOGADOS ASSOCIADOS, de titularidade do Fiscalizado, LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, à época dos fatos. O escritório de advocacia MACEIRA ADVOGADOS ASSOCIADOS foi contratado pela RBS ADMINISTRAÇÃO E COBRANÇAS LTDA84, em 12 de setembro de 2006, para a prestação de serviços profissionais advocatícios consistentes na defesa na esfera administrativa dos direitos da contratante em relação aos autos de infração objeto do processo nº 11080.008088/200171 lavrados por AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, relativos às exigências de IRPJ e CSLL, pactuandose exclusivamente cláusula de êxito de 0,966%, livre de tributos. Estabeleceuse que os honorários seriam atualizados com base em “índice fixado pela autoridade governamental que melhor reflita a real desvalorização da moeda”. Pactuado tão somente para o acompanhamento processual e assessoramento quanto ao respectivo processo, a empresa de LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, a MACEIRA ADVOGADOS ASSOCIADOS, recebeu da RBS o valor bruto de R$ 6.533.984,00, o que, de pronto, já denota uma total desproporção entre o serviço a ser prestado e o benefício auferido, uma vez que o escritório foi contratado quando o processo administrativo já se encontrava há mais de um ano na Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF (3ª instância administrativa), após a apresentação do Recurso Especial pela Fazenda Nacional. A despeito do percentual apresentado na proposta de honorários, RBS remunerou MACEIRA ADVOGADOS em 1,05% do crédito tributário exonerado (provavelmente em razão da cláusula “livre de tributos”, atualizado com base nos índices aplicados pela Receita Federal do Brasil (os mesmos levados a cálculo pela SGR)85, Taxa Referencial Selic. Convém reprisar que Luiz Alberto Cava MACEIRA encaminhou, a integrantes da SGR, memória de cálculo dos valores a serem levados a conta de honorários (descrito no item 6.2),que foram revistos por GRUGINSKI e pagos tal qual por esse elaborados. Embora o escritório MACEIRA ADVOGADOS ASSOCIADOS tenha sido supostamente contratado pela RBS ADMINISTRAÇÃO E COBRANÇA LTDA para efetivamente atuar na defesa administrativa do processo nº 11080.008088/200171, não se encontra no processo administrativo em questão qualquer material técnico produzido por MACEIRA ADVOGADOS, nem qualquer atuação formal desta. Em verdade, quem apresentou todas as peças do início ao Fl. 5940DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 8 7 fim do curso processual, para o mesmo serviço de acompanhamento processual e assessoramento foi a banca de advogados já constituída para a defesa do processo, DIAS DE SOUZA ADVOGADOS ASSOCIADOS. As receitas auferidas em 2011 por MACEIRA ADVOGADOS, declaradas no montante de R$ 6.536.264,00, estão condizentes com os pagamentos efetuados pela RBS ADM E COBR (R$ 6.533.984,00) e em muito se distanciam dos valores dos demais anos. Em relação ao anocalendário 2010, não declarou receitas. Para 2012, apenas R$ 22.278,00. No intervalo dos anoscalendário 2006 a 2013, somente em 2008 (ano de julgamento do recurso especial da RBS ADM E COBR) e em 2009 teria auferido receitas em valores significativos (R$ 968 mil e R$ 416 mil, respectivamente), mas mesmo assim nada que se compare ao ano de 201186. 7.7.1 – TERMO DE INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MACEIRA ADVOGADOS ASSOCIADOS Assim, em 19 de abril 2016, iniciouse procedimento fiscal com o objetivo de coletar documentos e esclarecimentos acerca dos serviços prestados pela pessoa jurídica MACEIRA ADVOGADOS ASSOCIADOS, inscrita no Cnpj sob o nº 03.930.598/000106, nos anoscalendário 2011 e 2012, bem como de outros fatos pertinentes com as respectivas operações, a fim de verificar a regularidade da sua apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. (...) 9 – LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA Em, 17 de novembro de 2016, LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA foi notificado103 de que a ação fiscal relativa ao Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal – Diligência de n° 10.1.01.002016001385, código de acesso 39712160 estava sendo encerrada, com a consequente abertura de procedimento de fiscalização, mediante a expedição do Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal – Fiscalização de n° 10.1.01.002016 005801, código de acesso 10529790: (...) Face ao exposto e considerando que: LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA foi citado por EIVANY, sócio/exsócio da SGR e pai de José Ricardo da Silva, sócio da SGR, em registro pessoal como sendo a pessoa recomendada e certa a ser procurada naquele momento (junho de 2006), sendo contratada a sua “pessoa jurídica” em setembro daquele ano, com aceite da RBS ADMINSITRAÇÃO E COBRANÇAS, representada pelo seu Diretor Jurídico AFONSO MOTTA; Fl. 5941DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 9 8 LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA encaminhou, a integrantes da SGR, memória de cálculo dos valores a serem levados a conta de honorários, em virtude da participação fracionada de todos os agentes no deslinde do processo da RBS (descrito no item 6.2), que foram revistos por GRUGINSKI e pagos tal qual por esse elaborados; MACEIRA ADVOGADOS ASSOCIADOS não logrou comprovar a prestação de serviço lícito algum, à RBS ADMINSITRAÇÃO E COBRANÇAS em defesa dos interesses dessa no processo administrativo n.º 11080.008088/200171, embora o contrato previsse que “ os serviços acima referidos compreenderão o acompanhamento processual e assessoramento quanto aos respectivo processo, na esfera administrativa, através da formulação de pareceres, elaboração de memoriais, podendo tais serviços serem prestados em conjunto com outros escritórios de advocacia já contratados pelo cliente em outras situações, bem como qualquer outra medida que, a critério do ESCRITÓRIO, seja necessária à defesa dos direitos do CLIENTE”(grifado), tendo, assim, sua atuação se dado por qualquer outro meio estranho ao processo; DIAS DE SOUZA, patrono da causa, intimado a apresentar esclarecimentos e documentação comprobatória acerca da colaboração de estranhos ao escritório na confecção de peças que constam, ou não, do processo 11080.008088/200171 (recursos, embargos, contrarrazões, memoriais etc), aludiu somente a OUTERELO FERNANDEZ ADVOGADOS ASSOCIADOS e a AFONSO ANTUNES DA MOTTA; Diligenciada, a RBS ADMINSITRAÇÃO E COBRANÇA LTDA, também não apresentou nenhum documento comprobatório da atuação da MACEIRA ADVOGADOS ASSOCIADOS, na defesa do processo administrativo nº 11080.008088/200171; A quantia de R$ 2.063.000,00 (dois milhões e sessenta e três mil reais) recebida por MACEIRA ADVOGADOS da RBS ADMINISTRAÇÃO E COBRANÇAS LTDA simplesmente evaporou entre novembro de 2011 e fevereiro de 2012; LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA sustenta que os valores (mais de R4 2 milhões) foram aplicados principalmente em seu ativo imobiliário, mas nenhuma comprovação apresentou; A despeito da não comprovação, em documentação hábil e idônea, da aplicação e consumo de R$ 2.063.000,00, forneceu uma nota fiscal de prestação serviço prestado por arquiteto no valor de outros R$ 17.432,14. Ou seja, LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA manteve consigo nota de R$ 17 mil, mas nenhum documento possui no que toca aos R$ 2,063 milhões; e Dado o que dispõe o artigo 845 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), o lançamento se efetua com base nos documentos/informações disponíveis. Fl. 5942DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 10 9 CONCLUISE que o valor bruto de R$ 6.533.984,00 (seis milhões quinhentos e trinta e três mil novecentos e oitenta e quatro reais), pago pela RBS ADMINISTRAÇÃO E COBRANÇA LTDA, no ano de 2011, à LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, através da interposta MACEIRA ADVOGADOS ASSOCIADOS, representa rendimento da pessoa física do Fiscalizado, sujeitandose à tributação na Declaração de Ajuste Anual. Na sequência, o AuditorFiscal qualificou a multa de ofício e lavrou representação fiscal para fins penais. O contribuinte, regularmente intimado, apresentou impugnação, requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo/SP entendeu por bem julgar procedente o lançamento, conforme relato acima. Regularmente intimado e inconformado com a Decisão recorrida, o autuado, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 5.798/5.875, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa às alegações da impugnação, preliminarmente pugnando pela nulidade da decisão de piso por não ter confrontado todas as matérias trazidas pela impugnação. Alega ter demonstrado na sua impugnação que não era um profissional aventureiro com atuação forjada em delitos de qualquer espécie. Ao contrário, tem e teve atuação profissional bastante destacada, com dupla formação de nível superior, e anos de experiência tanto em empresas privadas, escritórios de advocacia e Tribunal Administrativo. Afirma ter o acórdão recorrido mantido o lançamento fundado em suposições desprovidas de qualquer prova material, em especial no que tange a atuação do recorrente no "Caso RBS", sem sequer ao menos existir outro procedimento conta ele. Restando o lançamento esvaziado de materialidade. Também preliminarmente, pleiteia a nulidade do lançamento porquanto, calcado em prova emprestada, desprovida do devido contraditório. Alega que não basta permitir ao contribuinte manifestarse sobre a prova que foi produzida, sem que tenha tido oportunidade de poder verificar se a prova foi obtida no outro processo de forma lícita, justamente por não participar daquele outro feito. Ainda em caráter preliminar, invoca a nulidade face a desconsideração da personalidade e negócio jurídicos, pois o verdadeiro sujeito passivo tributário, a sociedade de advogados, ofereceu valores à tributação e os recolheu em favor da fazenda Nacional, inexistindo outra obrigação principal a ser satisfeita. Em relação ao mérito, novamente assinala que a autuação e autoridade julgadora de primeira instância ignoraram a atividade profissional realizada por sociedade de advogados legalmente constituída e estabelecida muito antes da contratação para o "caso RBS". Fl. 5943DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 11 10 Repisa que o lançamento teve como base a desconstituição da personalidade jurídica da empresa; e que a autoridade fiscal teria desrespeitado o art. 129, da Lei 11.196/2005. Esclarece que o escritório Maceira Advogados Associados S/C atuou pelo longo período no qual tramitou o caso, podendo cobrar mais ou menos do que outros escritórios cobraram pelo caso, já que se trata de tipo d sociedade que não conforma o denominado elemento de empresa, sendo a relação com os clientes de ordem pessoal e a sociedade uma expressão das competências intelectuais dos sócios, e não da sociedade em si. Por tudo, resta claro que a Meceira Advogados não se tratava de suposta pessoa jurídica, nem de interposta sociedade, bem como o trabalho intelectual restou desenvolvido pelo recorrente de forma mais do que satisfatória à RBS. Considera indevida a aplicação da multa de ofício de 150%, pois agiu de acordo com a legislação, não restando comprovado qualquer intuito doloso, fraude ou simulação. Além de pleitear a inconstitucionalidade, uma vez exagerado o montante devido, que ultrapassa o limite do razoável, e, portanto, deve ser reduzida. Pugna também pela compensação dos valores pagos na pessoa jurídica, referentes aos fatos geradores reclassificados. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoos sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (efls 19.471/19.503) aos Recursos Voluntários, aduzindo o que segue: a) Da inexistência de qualquer nulidade no compartilhamento de provas; b) O lançamento foi baseado em fatos concretos e não em presunções; c) Inocorrência de nulidade do acórdão recorrido por não enfrentar as matérias deduzidas pela defesa; d) Inocorrência de nulidade do lançamento por ausência de norma que autorize a desconsideração da personalidade jurídica de Maceira Advogados Associados; e) Da adequada identificação do fato gerador do tributo; f) Da necessidade de reclassificação dos rendimentos; g) Descabimento da desqualificação da multa de ofício pela existência de prova de dolo; h) Incabível a compensação dos valores pagos pela pessoa jurídica; Por fim, requer a Fazenda Nacional seja negado provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. É o relatório. Fl. 5944DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 12 11 Voto Vencido Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINARES DA NULIDADE DA DECISÃO DE 1° INSTÂNCIA O contribuinte preliminarmente pugna pela nulidade da decisão de piso por não ter confrontado todas as matérias trazidas pela impugnação. Sem razão o recorrente! Ao analisarmos a decisão de piso, a autoridade julgadora é bastante clara e objetiva do caso concreto, senão vejamos: [...] O lançamento em questão baseouse unicamente na correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária. A desconsideração da personalidade jurídica é empregada quando o ato praticado pela pessoa jurídica tem aparência de legalidade, mas o sócio ou o administrador abusa de seu poder, prejudicando terceiros por desviarse dos objetivos da empresa ou misturando seus negócios pessoais com os da pessoa jurídica (confusão patrimonial). [...] No lançamento em questão, a D. Autoridade Fiscal não aplicou a teoria da desconsideração da pessoa jurídica. Apenas identificou o contribuinte segundo a regra do art. 121, I, do Código Tributário Nacional, ou seja, atribuiuse a responsabilidade pela obrigação principal àquele que de fato teve relação pessoal e direta com a situação que constituiu o fato gerador do imposto de renda. [...] Não houve desconsideração do negócio jurídico. Houve a comprovação de fraude tributária perpetrada por pessoas físicas, com a finalidade de reduzir ou suprimir tributo. [...] Não cabe ao Auditor Fiscal impor aos fiscalizados uma vedação ao exercício do direito de livre condução de seus negócios, mas compete apurar a ocorrência de eventuais situações de ilicitude, as quais devem ser devidamente levadas em consideração Fl. 5945DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 13 12 quando da aplicação da legislação e do lançamento do crédito tributário. [...] A partir do relatório, parcialmente reproduzido acima, peça integrante da presente autuação, foram propostas ações e diligências pela fiscalização responsável pela autuação a empresas, dentre as quais encontravase inserta a Maceira Advogados Associados. Com as diligências, restou cristalino que o Impugnante recebeu valores da da RBS pela interposta pessoa jurídica (Maceira Advogados Associados) sem a devida comprovação da prestação de serviços lícitos, em razão do deslinde do caso “RBS” no CARF, conforme quadro extraído do TVF: [...] Feitas as constatações, a D Autoridade Fiscal, acertadamente, concluiu pela autuação fiscal, considerados os valores percebidos pela interposta pessoa jurídica, por serviços prestados (o que não foi minimamente afastado pelo contribuinte no curso da fiscalização) pela pessoa física. [...] Uma das principais questões levantadas pelo Impugnante refere se à legalidade na constituição da pessoa jurídica com o fim de prestar serviço intelectual, o que motivaria à tributação da sociedade prestadora desse tipo de serviço conforme legislação aplicável às pessoas jurídicas, previsão essa expressa no art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005: [...] Pois bem, há previsão e o Impugnante poderia prestar serviços personalíssimos de advocacia utilizandose de pessoa jurídica. Não obstante, a questão de fundo e que nos importa nos presentes autos é a relativa a efetiva prestação de serviço. Qual o serviço de advocacia efetivamente prestado, e comprovado nos presentes autos? O Impugnante não trouxe à instrução qualquer elemento de prova da prestação de serviços, peças judiciais e administrativas subscritas por ele, atas de reuniões, outorgas de poderes, dentre outras. Ao contrário, os elementos juntados ao processo mostramse suficientes para comprovar a utilização de uma interposta pessoa (a sociedade de advogados) para a sonegação ou redução tributária, de forma intencional. [...] Fl. 5946DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 14 13 Ao observar a transcrição acima, não merece prosperar o argumento do contribuinte, pois resta claro que a autoridade julgadora de primeira instância entendeu como não comprovado a prestação de serviços. Depreendese da leitura da decisão vergastada, constatase que o Colegiado a quo se pronunciou de forma adequada e suficiente sobre todas as razões de defesa suscitadas pelo recorrente na Impugnação. Portanto, tratase de decisão adequadamente motivada e fundamentada. Além disso, de acordo com a peça recursal ora em análise, a recorrente demonstrou pleno conhecimento dos fundamentos fáticos e jurídicos aduzidos no voto condutor da questionada decisão. Dessa forma, a decisão de primeira instância, além de analisar a documentação acostada aos autos pelo contribuinte, explicitou as razões pelas quais não acatou as razões de defesa apresentadas, motivo pelo qual, não há que se falar em nulidade da decisão de piso quando o julgador profere decisão fundamentada explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Destarte, a despeito da apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente a sua convicção, conforme determina o Decreto 70.235/1972, ao dispor na Seção VI acerca do julgamento de primeira instância: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. De qualquer forma, não se pode olvidar que, no âmbito do processo administrativo fiscal, o órgão de julgador deve analisar todas as razões de defesa suscitados pela impugnante/manifestante, porém, sem a obrigatoriedade de rebater, um a um, todos argumentos aduzidos na peça defensiva. No mesmo sentido, tem se pronunciado a jurisprudência do STF, conforme se infere do enunciado da ementa do julgado, analisado sob regime de repercussão geral, que segue transcrito: Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3° e 4°). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (BRASIL. STF. AI 791292 QORG, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, julgado em 23/06/2010, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe149 DIVULG 12082010 PUBLIC 13082010 EMENT VOL0241006 PP01289 RDECTRAB v. 18, n. 203, 2011, p. 113118). Fl. 5947DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 15 14 Assim, com base nessas considerações, rejeito a preliminar arguida. NULIDADE COMPARTILHAMENTO DE PROVAS CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Também preliminarmente, pleiteia a nulidade do lançamento porquanto, calcado em prova emprestada, desprovida do devido contraditório. Alega que não basta permitir ao contribuinte manifestarse sobre a prova que foi produzida, sem que tenha tido oportunidade de poder verificar se a prova foi obtida no outro processo de forma lícita, justamente por não participar daquele outro feito. Sem razão o recorrente. Primeiramente é de se observar que o procedimento fiscal é uma fase oficiosa em que a fiscalização atua com poderes amplos de investigação, tendo liberdade para interpretar os elementos de que dispõe para efetuar o lançamento. Nessa fase, o Fisco submete se à regra geral do ônus da prova prevista no Processo Civil – que serve como fonte subsidiária ao processo administrativo fiscal. Como, ainda, não há processo instaurado, mas tãosomente procedimento, não cabe falar em direito de defesa. Antes da impugnação não há litígio, não há contraditório e o procedimento é levado a efeito, de ofício, pelo Fisco. Já sob o aspecto da legalidade, a possibilidade de utilização da prova emprestada encontrase, há muito, pacificada no âmbito dos Tribunais Superiores. Acostamse os seguintes precedentes, a título ilustrativo: PROVAS PRODUZIDAS A PARTIR DE LAUDO PERICIAL CONFECCIONADO PELA POLÍCIA FEDERAL DOCUMENTAÇÃO TRAZIDA DO EXTERIOR COM AUTORIZAÇÃO DA JUSTIÇA FEDERAL PROVA EMPRESTADA POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO PELO FISCO DOCUMENTOS INCIDENTAIS EM LÍNGUA ESTRANGEIRA DESNECESSIDADE DE TRADUÇÃO PARA O VERNÁCULO O fisco pode se valer de prova emprestada, produzida em outro processo administrativo fiscal ou mesmo processo judicial, inclusive em processo criminal. Não há necessidade de que a prova do Processo Administrativo Fiscal seja produzida por AuditorFiscal da Receita Federal. Peças incidentais em língua estrangeira, as quais não criaram qualquer dificuldade para a defesa do recorrente, estando, ressaltese, nos pontos que interessam à solução da presente lide, traduzidas para vernáculo nos ofícios e laudos da Polícia Federal, não inquinam de nulidade o lançamento em debate. 1º CC. / 6a. Câmara / ACÓRDÃO 10617.029 em 07.08.2008. Publicado no DOU: 18.11.2008. IMPOSTO DE RENDA. LANÇAMENTO. PROVA EMPRESTADA. FISCO ESTADUAL. ARTIGO 199 DO CTN. ART. 658 DO REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA (ART. 936 DO RIR VIGENTE) 1. O artigo 199 do Código Tributário Nacional prevê a mútua assistência entre as entidades da Federação em matéria de fiscalização de tributos, Fl. 5948DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 16 15 autorizando a permuta de informações, desde que observada a forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio 2. O art. 658 do Regulamento do Imposto de renda então vigente (Decreto nº 85.450/80, atualmente art. 936 do Decreto nº 3.000/99) estabelecia que "são obrigados a auxiliar a fiscalização, prestando informações e esclarecimentos que lhe forem solicitados, cumprindo ou fazendo cumprir as disposições deste Regulamento e permitindo aos fiscais de tributos federais colher quaisquer elementos necessários à repartição, todos os órgãos da Administração Federal, Estadual e Municipal, bem como as entidades autárquicas, paraestatais e de economia mista" 3. Consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal, não se pode negar valor probante à prova emprestada, coligida mediante a garantia do contraditório. (RTJ 559/265) 4. STJ RESP RECURSO ESPECIAL 199500631385 05/08/2004 SEGUNDA TURMA Espécie: RESP RECURSO ESPECIAL 81094. Data da Decisão: 05/08/2004. Data da Publicação: 06/09/2004.(grifos nossos) Assim, com base no entendimento unânime dos Tribunais Superiores, judiciais e administrativos, e com amparo no princípio da verdade material, são válidos os procedimentos com base em provas emprestadas de outro processo judicial, ainda mais se respeitado o contraditório, como no presente caso. No mesmo sentido versa a jurisprudência administrativa, vejamos: Acórdão n. 20181083 de 2008 “Contribuição para o PIS/Pasep. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. REVENDA DE CARTÕES TELEFÔNICOS. O produto da revenda de cartões telefônicos, adquiridos por contrato de compra e venda de empresa de telefonia, integra a base de cálculo da contribuição como receita de vendas. COFINS. OMISSÃO DE RECEITA. PROVA. INFORMAÇÕES FORNECIDAS POR SECRETARIA DE ESTADO. A omissão de receita apurada com base em informações fornecidas por Secretaria de Estado, referentes a declarações prestadas pelo contribuinte ao Fisco Estadual, faz PROVA das operações comerciais e financeiras do contribuinte, mormente quando, na fase impugnatória, o interessado não apresentar provas suficientes para descaracterizar a autuação, devendo ser mantida a exigência tributária. Não se pode negar valor probante à PROVA EMPRESTADA, coligida mediante a garantia do contraditório. Precedentes. Recursos de ofício e voluntário negados. Cumpre frisar, ainda, que a alegação do recorrente de que seria essencial que figurasse como parte na ação criminal para que o contraditório fosse respeitado não encontra respaldo legal. A tese foi expressamente rejeitada pelo Superior Tribunal de Justiça em mais de uma oportunidade: HC 292.800/SC 3. Esta Corte Superior manifesta entendimento no sentido de que “a prova emprestada não pode se restringir a processos em que Fl. 5949DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 17 16 figurem partes idênticas, sob pena de se reduzir excessivamente sua aplicabilidade, sem justificativa razoável para tanto. Independentemente de haver identidade de partes, o contraditório é o requisito primordial para o aproveitamento da prova emprestada, de maneira que, assegurado às partes o contraditório sobre a prova, isto é, o direito de se insurgir contra a prova e de refutála adequadamente, afigurase válido o empréstimo” (EREsp 617.428/SP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, Corte Especial, DJe 17/6/2014). […] (HC 292.800/SC, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 02/02/2017, DJe 10/02/2017) Ora, no presente caso, o recorrente que teve pleno conhecimento da infração tributária e pode exercer o direito ao contraditório, através da impugnação e Recurso Voluntário do Auto de Infração. Aliás, sua robusta manifestação é bastante para evidenciar a ausência de cerceamento à defesa. Assim, uma vez que todos os atos que ampararam a ação fiscal ocorreram em conformidade com as disposições normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e tendo a ação fiscal sido conduzida por servidor competente, em obediência aos requisitos do Decreto nº 70.235/1972, e inexistindo prejuízo à defesa, não se há de falar em nulidade do auto de infração. Logo não procede a preliminar de nulidade. NULIDADE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA Ainda em caráter preliminar, invoca a nulidade face a desconsideração da personalidade e negócio jurídicos, pois o verdadeiro sujeito passivo tributário, a sociedade de advogados, ofereceu valores à tributação e os recolheu em favor da fazenda Nacional, inexistindo outra obrigação principal a ser satisfeita. Em que pesem as razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que os lançamentos, corroborados pela decisão recorrida, apresentamse formalmente incensuráveis, devendo ser mantidos em sua plenitude. Os casos que acarretam a nulidade do lançamento encontramse previstos no art. 59, do Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 5950DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 18 17 § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo.(...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Da leitura dos dispositivos legais transcritos, depreendese que ensejam a nulidade do lançamento os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Analisando o tema nulidades, a Professora Ada Pellegrini Grinover (As Nulidades do Processo Penal, 6° ed., RT, São Paulo, 1997, pp.26/27) afirma que o “princípio do prejuízo constitui, seguramente, a viga mestra do sistema de nulidades e decorre da idéia geral de que as formas processuais representam tão somente um instrumento para correta aplicação do direito”. No mesmo sentido, Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa M. Lopez (Processo Administrativo Federal Comentado, Dialética, São Paulo, 2002, pp. 413, 426) afirmam que “é inútil, do ponto de vista prático, anularse ou decretar a nulidade de um ato, não tendo havido prejuízo da parte”. E, ao examinar este dispositivo do Decreto 70.235/72, continuam: “É preciso (...) examinar, no caso concreto, se o vício defensivo prejudica a ampla defesa como um todo, ou não. Para Ada Pellegrini Grinover (na obra citada), “há nulidade absoluta quando for afetada a defesa como um todo; nulidade relativa com prova de prejuízo (para a defesa) quando o vício do ato defensivo não tiver esta conseqüência”. Neste caso, o vício pode ser sanado. Segundo a autora, “o vício ou inexistência do ato defensivo pode não levar, como conseqüência necessária, à vulneração do direito de defesa, em sua inteireza, dependendo a declaração de nulidade da demonstração do prejuízo à atividade defensiva como um todo.”(obra citada, pp 425). O recorrente bem compreendeu o teor da autuação, e sua robusta manifestação é bastante para evidenciar a ausência de cerceamento à defesa. Assim, uma vez que todos os atos que ampararam a ação fiscal ocorreram em conformidade com as disposições normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e tendo a ação fiscal sido conduzida por servidor competente, em obediência aos requisitos do Decreto nº 70.235/1972, e inexistindo prejuízo à defesa, não se há de falar em nulidade do auto de infração. Fl. 5951DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 19 18 Resta evidenciada a legitimidade da ação fiscal que deu ensejo ao presente lançamento, cabendo ressaltar que tratase de procedimento de natureza indeclinável para o Agente Fiscalizador, dado o caráter de que se reveste a atividade administrativa do lançamento, que é vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação de penalidade cabível. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com os presentes lançamentos. A simples leitura dos anexos das autuações, especialmente o “Fundamentos Legais do Débito – FLD”, o "Discriminativo do Débito DD", o Relatório Fiscal e demais informações fiscais, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção do lançamento. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover os lançamentos demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhes suportaram, ou melhor, os fatos geradores do crédito tributário, não se cogitando na nulidade dos procedimentos. Destarte, é direito do contribuinte discordar com a imputação fiscal que lhe está sendo atribuída, sobretudo em seu mérito, mas não podemos concluir, por conta desse fato, isoladamente, que o lançamento não fora devidamente fundamentado na legislação de regência. O argumento de erro do fato gerador, na desconsideração indevida da pessoa jurídica, na erro na sujeição passiva e demais, se confundem com o mérito que iremos tratar posteriormente, não ensejando em nulidade Dito isto, afasto a preliminar suscitada. MÉRITO DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS No curso da investigação denominada Operação Zelotes, apurouse a atuação ilícita de pessoas físicas e jurídicas, que trabalhavam para influir no resultado do julgamento de processos administrativos em julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda. Houve o compartilhamento das informações e provas constantes em processos judiciais para a COGER/MF e COPEI/RFB. A partir de então, foram apurados fatos, descritos nos relatórios acostados no presente processo. Fl. 5952DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 20 19 A autoridade autuante entendeu ter o contribuinte recebido valores da RBS pela interposta pessoa jurídica (Maceira Advogados Associados) sem a devida comprovação da prestação de serviços lícitos, em razão do deslinde do caso “RBS” no CARF. Feito esse breve resumo, passaremos a análise do mérito, propriamente dito. O contribuinte assinala que a autuação e autoridade julgadora de primeira instância ignoraram a atividade profissional realizada por sociedade de advogados legalmente constituída e estabelecida muito antes da contratação para o "caso RBS". Repisa que o lançamento teve como base a desconstituição da personalidade jurídica da empresa; e que a autoridade fiscal teria desrespeitado o art. 129, da Lei 11.196/2005. Esclarece que o escritório Maceira Advogados Associados S/C atuou pelo longo período no qual tramitou o caso, podendo cobrar mais ou menos do que outros escritórios cobraram pelo caso, já que se trata de tipo d sociedade que não conforma o denominado elemento de empresa, sendo a relação com os clientes de ordem pessoal e a sociedade uma expressão das competências intelectuais dos sócios, e não da sociedade em si. Por tudo, resta claro que a Meceira Advogados não se tratava de suposta pessoa jurídica, nem de interposta sociedade, bem como o trabalho intelectual restou desenvolvido pelo recorrente de forma mais do que satisfatória à RBS. Pois bem! A personalidade jurídica pode ser definida como a aptidão para aquisição de direitos e deveres na ordem civil. Noutras palavras, em regra, a pessoa jurídica é criada para que seus sócios não respondam com seus bens pessoais, uma vez que esta possui personalidade distinta da de seus membros. Há, contudo, algumas hipóteses excepcionais por meio das quais o legislador admite uma exceção a essa regra para responsabilizar os sócios, desde que comprovada existência de abuso da personalidade, o qual é caracterizado pelo desvio de finalidade ou confusão patrimonial. Esta é a redação do art. 50 do Código Civil: Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. Especificamente na seara tributária, o sujeito passivo da relação jurídica tributária é aquele de quem se exige o cumprimento da obrigação, geralmente sendo aquele sujeito que produz o fato gerador: o contribuinte. Ocorre, no entanto, que outra pessoa, que não aquela que praticou o fato gerador, pode também ser alçada à posição de sujeito passivo da obrigação tributária. A esta pessoa dáse o nome de responsável tributário. A responsabilidade pode ser imputada ao terceiro de três formas diferentes: pessoalmente, subsidiariamente ou solidariamente. Fl. 5953DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 21 20 A responsabilidade será pessoal quando competir exclusivamente ao terceiro adimplir a obrigação desde o nascimento desta. Ou seja, o responsável figurará como único sujeito passivo da obrigação e o contribuinte será, por conseguinte, afastado da obrigação de pagar o tributo. Com relação à responsabilidade subsidiária, nesta o terceiro será chamado para o pagamento somente se restar constatado a impossibilidade de pagamento pelo contribuinte, devedor originário/principal. Ou seja, se determinada responsabilidade for subsidiária, primeiro se cobrará do contribuinte e, somente no caso deste não cumprir com a obrigação tributária devida, se chamará o responsável subsidiário para efetuar o respectivo pagamento. Por fim, a responsabilidade será solidária quando mais de uma pessoa integra o polo passivo da obrigação tributária, sendo todos responsáveis ao mesmo tempo pela integralidade da dívida tributária. O Código Tributário Nacional trata da responsabilidade tributária por meio dos seguintes dispositivos: Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: I os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; II os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados; III os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; IV o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; V o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário; VI os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício; VII os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; Fl. 5954DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 22 21 III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Tratandose, portanto, de atos praticados por pessoas jurídicas, a responsabilidade recairá sobre o patrimônio do sócio e/ou administrador apenas quando se verificar a ocorrência das condições previstas no art. 50 do Código Civil ou daquelas inscritas nos arts. 134 e 135 do Código Tributário Nacional. No presente caso, embora não tenha apontado a ocorrência de nenhum dos requisitos acima previstos, o Fiscal Autuante responsabiliza o recorrente pelo pagamento de impostos incidente sobre receitas inegavelmente recebidas pela pessoa jurídica. Tal fato é afirmado no próprio Termo de Verificação Fiscal: (...) 10.2 – DA AUTUAÇÃO Os artigos 43 e 118 do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/1966) estabelecem preceitos importantes acerca do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. ......................................................................................................... ................. Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; Logo, salvo as exceções previstas em lei, o Irpf incide sobre a universalidade dos rendimentos, sendo irrelevantes a sua denominação, sua localização, sua condição jurídica e outras características, como expressamente disposto no artigo 3º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, bastando o benefício do contribuinte, por qualquer forma e a qualquer título Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) Fl. 5955DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 23 22 § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º omissis. § 3º omissis. § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Em adição, reproduzimos o artigo 26 da Lei nº 4.506, de 1964, cujo teor encontra respaldo no princípio de Direito Tributário pecunia non olet (“o dinheiro não tem cheiro”), espelhado no art. 118 do CTN: Art. 26. Os rendimentos derivados de atividades ou transações ilícitas, ou percebidos com infração à lei, são sujeitos à tributação, sem prejuízo das sanções que couberem. Apesar de irrelevante, digase ser inaplicável ao caso concreto o disposto no art. 129 da Lei n° 11.196/2005. Importante ressaltarmos, porém, ser vedado o exercício de atividade ilícita por pessoa jurídica, nos termos do art. 104 do Código Civil (Lei nº 10.406 de 10 de janeiro de 2002). Art. 104. A validade do negócio jurídico requer: I agente capaz; II objeto lícito, possível, determinado ou determinável; III forma prescrita ou não defesa em lei. (...) Ocorre, contudo, que essa conduta não encontra amparo na legislação brasileira. As únicas formas de se imputar responsabilidade aos sócios seriam em decorrência do cumprimento dos requisitos do Código Civil ou do CTN. Dessa forma, com a devida vênia ao ilustre fiscal autuante, não vislumbramos em seus argumentos fundamento suficientemente capaz de amparar o procedimento excepcional de desconsideração da personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços advocatícios, cujo autuado é sócio. Como se sabe, a livre iniciativa, a liberdade negocial e de contratação são direitos do contribuinte, não cabendo à autoridade fiscal rechaçála tão somente porque considera (entende) fora de propósito às contratações. Fl. 5956DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 24 23 Tratandose de procedimento excepcional, a desconsideração da personalidade jurídica de empresas, deve ser devidamente fundamentado em fatos e documentos suscetíveis de comprovação. Não basta a fiscalização simplesmente inferir que não concorda com as condutas do contribuinte, imputando crimes a partir de uma operação da polícia federal, e por conta disso desconsiderálas, sem o devido fundamento legal (tributário). Para que o lançamento tivesse o devido amparo legal e fático, caberia ao fiscal autuante demonstrar que a contribuinte praticou atos simulados objetivando suprimir e/ou diminuir a CARGA TRIBUTÁRIA, ou mesmo suprimir ou maquiar a ocorrência do fato gerador do tributo. Impõese alegar e comprovar qual fora o benefício atingido pelo contribuinte nos seus atos praticados, bem como a conduta dolosa em simular contratações, para se esquivar da tributação. Isso não logrou o Fisco a comprovar na hipótese dos autos. Como se observa, mister se fazer à autoridade lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação de regência em casos de desconsideração da personalidade jurídica de empresas, que somente poderá ser levada a efeito quando àquela estiver convencida do cometimento do crime (dolo, fraude ou simulação TRIBUTÁRIOS), devendo, ainda, relatar todos os fatos de forma pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a devida análise da conduta que lhe está sendo atribuída e, bem assim, ao procurador de que o delito fora efetivamente praticado. Em outras palavras, não basta à indicação da eventual conduta dolosa, fraudulenta ou simulatória (nos autos de processo crime), a partir de meras presunções e/ou subjetividades, impondo a devida comprovação por parte da autoridade fiscal da intenção pré determinada do contribuinte, demonstrada de modo concreto, sem deixar margem a qualquer dúvida, visando impedir/retardar o recolhimento do tributo devido. Aliás, o fato de existir inquérito/processo criminal, denúncia, etc em face do contribuinte, a partir de operação da Polícia Federal, in casu, Zelotes, não implica dizer, por si só, que sonegou tributos. Ora, devemos “separar o joio do trigo”. Com efeito, uma coisa são os reflexos do eventual processo criminal conduzido em face do contribuinte, onde serão apurados suas eventuais condutas criminosas, com as respectivas penas a serem aplicadas, inclusive, reparação ao erário, se restarem comprovadas as condutas atribuídas ao autuado. Outra coisa é o reflexo tributário de tais condutas, apuradas a partir de aludida operação da Polícia Federal, não bastando, basicamente, adotar o relatório da PF em relação à operação para concluir que houve sonegação tributária. Mesmo porque, se assim o fosse, estaríamos diante de uma verdadeira concomitância e impedidos de julgar na esfera administrativa, uma vez que os crimes atribuídos aos contribuinte no processo crime estariam, igualmente, sendo analisados nos autos do processo administrativo fiscal. Daí porque, importante que a fiscalização, nos autos do lançamento, demonstre qual crime de SONEGAÇÃO FISCAL o contribuinte incorreu de maneira a ensejar a desconsideração da personalidade jurídica de seu escritório com o desclassificação de auferimento de receitas para omissão de rendimentos. Em alguns casos, no decorrer da operação da Polícia Federal, comprovase a ocorrência da conduta conhecida como “Nota calçada”, Subfaturamento, Caixa 2, ocultação de patrimônio com utilização e movimentação financeira ou empresarial de terceiros (laranjas), etc. Nestas hipóteses, a própria conduta do contribuinte já tem um indicativo ou comprovação Fl. 5957DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 25 24 forte de sonegação tributária, o que justificaria a autuação fiscal, com multa qualificada, ou mesmo responsabilização solidária de terceiros interessados no fato gerador do tributo, ou reais sujeitos passivos da relação tributária. Não é o que se vislumbra no caso vertente, onde a fiscalização simplesmente considerou que os valores pagos pela contratante de serviços se destinou aos sócios pessoas físicas das empresas prestadoras de serviços advocatícios, com a respectiva desconsideração da personalidade jurídica dos escritórios, para atribuir ao autuado omissão de rendimentos, adotando basicamente os fundamentos do relatório da Polícia Federal a respeito da Operação Zelotes, o qual apura infrações na esfera criminal e não tributária. Com a devida vênia, o fato de o contribuinte, eventualmente, não ter comprovado a prestação de serviços, ter recebido valores ilegalmente, etc, não é capaz de deslocar a tributação da pessoa jurídica para a física. Aliás, qual seria a diferença? O que o contribuinte estaria pretendendo esconder ou simular ao receber valores em sua pessoa jurídica e não na física? Por que o fato gerador nesta hipótese ocorreria na pessoa física e não na jurídica, como entendeu o Fisco? Qual a conduta do contribuinte com o fito de sonegar tributos ao receber tais importâncias na pessoa jurídica? Aliás, tratandose de prestação de serviços de natureza personalíssima, a atividade desenvolvida pela pessoa jurídica, em verdade, é conduzida pelo sócio pessoa física, havendo uma verdadeira “confusão” de pessoas, razão pela qual dizer que não houve a comprovação dos serviços prestados pela pessoa jurídica implica concluir que a pessoa física, igualmente, não comprovou a sua realização, o que rechaça de pronto a própria ocorrência do fato gerador do tributo. Em outras palavras se não há, eventualmente, a comprovação dos serviços prestados pela pessoa jurídica, igualmente, não ocorre aludida demonstração por parte do sócio pessoa física, fatos que não tem o condão de justificar, motivar e/ou fundamentar a desconsideração da personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços e, conseqüentemente, a própria tributação ora contestada. Com todo respeito ao nobre fiscal autuante, não há sentido lógico nesta desconsideração. Em verdade, o que se percebe, é que a fiscalização pretende penalizar o contribuinte pelo fato de (em tese) ter recebido propina. No entanto, não cabe ao Fisco tributar com espeque em fatos criminais, mas, sim, em fatos tributários. Não tivesse a empresa tributado aludidos valores, aí sim poderia ser objeto de autuação, na PJ, para se exigir os tributos devidos, mas nunca, em nosso entendimento, desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, com base em fatos da seara criminal, para fins de deslocar a sujeição passiva. Como se observa, estamos diante de uma verdadeira ausência de comprovação da ocorrência do fato gerador do tributo ora lançado, qual seja, omissão de rendimentos, considerando os fatos acima elencados e, especialmente, que os valores ora tributados foram recebidos na própria pessoa jurídica prestadora de serviços advocatícios do autuado. Traçando um paralelo com as contribuições previdenciárias, nas hipóteses de desconsideração de personalidade jurídica (PJtização), o ônus tributário de tal procedimento excepcional recai, via de regra, sobre a empresa contratante de serviços, a qual se beneficiou Fl. 5958DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 26 25 com a contratação de pessoas físicas, por meio de jurídicas, simplesmente para não pagar as contribuições devidas. No caso dos autos, repitase, não conseguimos vislumbrar qual teria sido o benefício tributário, causando supressão de tributos indevidamente, com a conduta do contribuinte de receber as importâncias sob análise em sua pessoa jurídica, independentemente da questão criminal, que está sendo analisada em autos judiciais próprios. Em tese, em nosso entendimento, o ônus de tal conduta do contribuinte, especialmente o fato de não comprovar a prestação de serviços, na forma que o fiscal propôs e fundamentou a presente autuação, deveria dar margem à tributação da empresa contratante sob a roupagem de “IRF Pagamento sem Causa”, com tributação, inclusive, mais elevada que a presente. Ou seja, tal qual na desconsideração da personalidade jurídica no âmbito das contribuições previdenciárias, nos casos de “PJtização”, o ônus tributário do procedimento engendrado pelas partes seria da empresa contratante, por existir fundamento legal próprio ao efetuar despesas sem a comprovação da prestação de serviços, qual seja, IRF – Pagamento sem causa. Destarte, a prevalecer a conduta do Fiscal, chegarseia ao cenário de se imputar responsabilidade às pessoas físicas sempre que a Receita Federal do Brasil entender, sem respaldo judicial pelo Juízo Criminal competente, que houve ilícitos praticados por pessoas jurídicas – o que não é o caso. A meu ver, incabível tal entendimento. DAS DEMAIS QUESTÕES AVENTADAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO Na hipótese de restar vencido quanto ao mérito, mister adentrar as demais alegações suscitadas pelo contribuinte em seu recurso voluntário, as quais passamos a contemplar. DA MULTA QUALIFICADA Preambularmente, cumpre transcrever a legislação que fundamentou a exigência da multa no presente lançamento de ofício: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 5959DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 27 26 Como se vê, a multa de 75%, prevista no inciso I, acima transcrito, é objetiva e independe da culpa ou dolo do agente. O artigo 136 do Código Tributário Nacional assim diz: Art. 136 Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Contudo, a multa qualificada de 150%, em atendimento ao que disciplina o §1º, art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, poderá ser aplicada somente nos casos previstos nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, 1964, que têm a seguinte redação: Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão, dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou deferir o seu pagamento. Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no art. 71 e 72. A sonegação pode se dar em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à fazenda pública, um propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Na sonegação sempre existe o dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública. Para ser enquadrado neste conceito, basta o contribuinte agir com dolo na desobediência da lei fiscal. A sonegação impede a apuração da obrigação tributária principal diante da ocultação de bens ou de fatos jurídicos à incidência fiscal (fato gerador já realizado) enquanto na figura da fraude a ação ou omissão visa escamotear o pagamento do imposto devido reduzilo, evitálo ou retardálo. Depreendese dos dispositivos acima transcritos que para aplicação da multa qualificada deve existir o elemento fundamental de caracterização que é o evidente intuito de fraudar ou de sonegar. Ainda de acordo com os dispositivos legais acima transcritos, impõese à autoridade lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação de regência em casos de imputação da multa qualificada, que somente poderá ser levada a efeito quando àquela estiver convencida do cometimento do crime (dolo, fraude ou sonegação), devendo, ainda, relatar todos os fatos de forma pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a Fl. 5960DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 28 27 devida análise da conduta que lhe está sendo atribuída e, bem assim, ao procurador de que o delito efetivamente praticado. Em outras palavras, não basta a indicação da conduta dolosa, fraudulenta, a partir de meras presunções e/ou subjetividades, impondo a devida comprovação por parte da autoridade fiscal da intenção prédeterminada do contribuinte, demonstrada de modo concreto, sem deixar margem a qualquer dúvida, visando impedir/retardar o recolhimento do tributo devido. Este entendimento, aliás, encontrase sedimentado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: MULTA AGRAVADA – Fraude – Não pode ser presumida ou alicerçada em indícios. A penalidade qualificada somente é admissível quando factualmente constatada as hipóteses de fraude, dolo ou simulação. (8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10807.561, Sessão de 16/10/2003) (grifamos) MULTA QUALIFICADA – NÃO CARACTERIZAÇÃO – Não tendo sido comprovada de forma objetiva o resultado do dolo, da fraude ou da simulação, descabe a qualificação da penalidade de ofício agravada. (2ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10245.625, Sessão de 21/08/2002) MULTA DE OFÍCIO – AGRAVAMENTO – APLICABILIDADE – REDUÇÃO DO PERCENTUAL – Somente deve ser aplicada a multa agravada quando presentes os fatos caracterizadores de evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, fazendose a sua redução ao percentual normal de 75%, para os demais casos, especialmente quando se referem à infrações apuradas por presunção. (8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10807.356, Sessão de 16/04/2003) (grifamos) Na esteira desse raciocínio, ratificando posicionamento pacífico do então 1º Conselho de Contribuintes, o CARF consagrou de uma vez por todas o entendimento acima alinhavado, editando a Súmula nº 14, determinando que: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a QUALIFICAÇÃO da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo Não é o que se vislumbra na hipótese dos autos, onde o fiscal autuante fundamentou sua pretensão (tanto a tributação como a qualificação da multa), basicamente, no Relatório da Operação Zelotes, deflagrada pela Polícia Federal, no intuito de investigar crimes incorridos em julgamentos no âmbito do CARF. E, como explicitado alhures, o fato de ocorrer apuração de infrações criminais por parte dos envolvidos, um dos quais o contribuinte autuado, por si só, não tem o condão de ensejar a tributação na forma proposta e, igualmente, a aplicação de multa qualificada. Fl. 5961DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 29 28 Destarte, ao meu ver, para aplicar a multa qualificada é necessária a prova da evidente intenção de sonegar ou fraudar, condição imposta pela lei. A prova deve ser material, pois o evidente intuito de sonegação não pode ser presumido. Não basta a prova da falta de recolhimento do tributo devido, tampouco meros indícios na esfera criminal; é necessária que estejam perfeitamente identificadas e comprovadas a circunstância material do fato, com vistas a configurar o evidente intuito de sonegar, relativamente a cada fato gerador do imposto. No caso em concreto, a autoridade lançadora fundamentou a exigência da multa de ofício no patamar de 150% nos seguintes termos: A conduta deliberada e reiterada do sujeito passivo, como largamente demonstrado neste Trabalho, denota evidente intuito de fraude, sendo que, nessa hipótese, a multa de ofício que acompanha os tributos constituídos pelos lançamentos (Irpf) é qualificada, nos termos do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 Como se observa, a fundamentação para a qualificação da multa de ofício foi exclusivamente ao fato da "conduta deliberada e reiterada", porquanto da suposta prestação de serviços ilícitos apurados no âmbito da Operação Zelotes. Observese, do trecho do Relatório Fiscal acima transcrito, que o nobre fiscal autuante se utilizou de apenas três linhas para imputar o crime de sonegação fiscal ao autuado, sob o argumento da existência de conduta deliberada e reiterada. Não havendo por parte do auditor fiscal a devida subsunção do fato a norma, porquanto qual seria essa conduta deliberada e reiterada? No entanto, em momento algum a fiscalização logrou comprovar o alegado, repousando sua tese no Relatório da Operação Zelotes da Polícia Federal que, em nosso entendimento, sequer se presta a justificar a presente tributação, como acima explicitado, quiçá justificar a qualificação da multa. Em que pese a validade das provas decorrentes da operação, o presente auto trata do lançamento de imposto de renda da pessoa física, o que não foi objeto específico da investigação. Os fatos relatados no procedimento junto ao Ministério Público não repercutiram em sonegação do imposto de renda da pessoa física, mediante sonegação ou fraude, especificamente com relação aos fatos geradores apurados no lançamento em epígrafe, mas sim, uma investigação acerca da atuação ilícita de pessoas físicas junto ao CARF no julgamento de alguns processos administrativos fiscais. Por sua vez, a interpretação do caso concreto deve ser levada a efeito de forma objetiva, nos limites da legislação específica. Em outras palavras, a autoridade fiscal e, bem assim, o julgador não poderão deixar de observar os pressupostos legais de caracterização da multa qualificada, a partir de suas especificidades conceituais, sendo defeso, igualmente, a atribuição de requisitos/condições que não estejam contidos nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, a partir de meras subjetividades. Na hipótese dos autos, inobstante o esforço da autoridade lançadora, não conseguimos vislumbrar a existência de dolo e/ou fraude. Pelo menos na forma proposta pelo fiscal autuante. Fl. 5962DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 30 29 Não obstante a autoridade lançadora colacionar aos autos alguns indícios da existência de suposta fraude com base em informações e documentos decorrentes da Operação Zelotes, não contempla com especificidade esse dolo. Em verdade, no Relatório Fiscal, a autoridade autuante simplesmente aduz haver fraude pelo deslocamento da tributação da pessoa física para a pessoa jurídica, o que, ao meu ver, por si só, não tem o condão de demonstrar a existência de dolo capaz de ensejar a qualificação da multa de ofício. Mais a mais, escora sua pretensão em presunção, a qual, igualmente, no máximo, se prestaria a comprovação indiciária, mas nunca efetiva da qualificadora. Bom que se diga que não estamos aqui afirmando com toda segurança inexistir ato ilícito, até porque a autoridade responsável por este juízo de valor é a Esfera Criminal. Sustentamos, na verdade, que o fiscal autuante não se desincumbiu do ônus de comprovar com especificidade a existência do dolo, fraude e sonegação. Com a devida vênia, o nobre fiscal autuante, em seu Relatório Fiscal, fora por demais superficial, mais precisamente, um parágrafo para contemplar o crime imputado. Devemos considerar que a fiscalização não logrou comprovar ter o recorrente agido com dolo, através de atos ilícitos (tributários), já que toda a fundamentação da autuação se deu apenas e tão somente com base no conteúdo do relatório do MP sobre a Operação Zelotes, o qual se vincular a infrações na esfera criminal e não tributário, incumbindo, portanto, ao fiscal autuante proceder a devida subsunção dos fatos às normas que regulam os requisitos da qualificadora da multa, lastreado em infração tributária de sonegação fiscal, o que não se vislumbra na hipótese dos autos. Ademais, como já dito anteriormente, somente a Justiça poderá dispor sobre os supostos atos ilícitos na seara criminal. Neste diapasão, afasto a qualificação da multa. DA COMPENSAÇÃO DOS TRIBUTOS RECOLHIDOS PELA PESSOA JURÍDICA DESCONSIDERADA Na hipótese de restar vencido no mérito, igualmente, há que se suscitar a necessidade de compensar os eventuais tributos pagos pelas pessoas jurídicas desconsideradas EM RELAÇÃO ÀS NOTAS FISCAIS objeto da presente autuação, sob pena de bis in idem. Em relação a matéria, a jurisprudência deste Tribunal é no sentindo da obrigatoriedade da compensação, conforme Acórdãos abaixo ementados: (...) RECLASSIFICAÇÃO DE RECEITA TRIBUTADA NA PESSOA JURÍDICA PARA RENDIMENTOS DE PESSOA FÍSICA. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS NA PESSOA JURÍDICA.Devem ser compensados na apuração de crédito tributário os valores arrecadados sob o código de tributos exigidos da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e convertida em rendimentos de pessoa física, base de cálculo do lançamento de oficio.(...) (Acórdão n° 2201003.302, Rel Ana Cecília Lustosa da Cruz, 17/08/2016) Fl. 5963DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 31 30 (...) TRIBUTOS FEDERAIS RECOLHIDOS NA PESSOA JURÍDICA, APROVEITAMENTO.Em face da declaração de ineficácia dos atos ou negócios celebrados em nome da pessoa jurídica, os valores de tributos federais por ela recolhidos devem ser compensados com o imposto apurado na pessoa física, antes da inclusão dos acréscimos legais.(...) (Acórdão n° 2801 002.733, Rel. Marcelo Vasconcelos de Almeida, 17/10/2002) Isto porque, se a desconsideração da personalidade jurídica de aludidas empresas prosperar, o reflexo deste procedimento deve atingir tanto o bônus quanto o ônus, de maneira que deslocandose a sujeição passiva da obrigação tributária ao sócio, ora autuado, impõese, da mesma forma, retirar da base de cálculo do tributo ora lançado o imposto pago por ocasião da entrada de tais importâncias, relativas as NF’s das contratantes encimadas. Por todo o exposto, por esse motivo resta evidente a improcedência do lançamento, especialmente porque não cumpridos os requisitos legais para imputação de responsabilidade a terceiros. Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO para afastar as preliminares pleiteadas e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia ao I. Relator para discordar do seu voto no que tange ao mérito do recurso voluntário. Tratase, como visto, de auto de infração de Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) lavrado em razão de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, relativamente ao anocalendário de 2011. Depreendese da acusação fiscal que o lançamento está pautado na reclassificação de rendimentos e imputação deles à pessoa física, visto que não houve prestação de serviços pelas pessoas jurídicas e o efetivo beneficiário dos rendimentos recebidos através de interposição de escritório de advocacia foi a pessoa física de Luiz Alberto Cava Maceira (fls. 5.044/5.165). Inicialmente, é importante assinalar que o arcabouço probatório tem origem nas investigações realizadas por intermédio da Operação Zelotes, em que se descobriu condutas ilícitas na manipulação de julgamentos no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), mediante influência e/ou cooptação de conselheiros e ex conselheiros. Fl. 5964DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 32 31 A atividade de fiscalização tributária, contudo, não ficou restrita ao procedimento de natureza criminal, pois foram realizadas pesquisas e inúmeras diligências fiscais para fins de elucidação dos fatos e reunião de elementos de convicção sobre a matéria tributária. Mesmo que tenha havido compartilhamento do material coletado na Operação Zelotes com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, após autorização da Justiça Federal do Distrito Federal, não haverá, necessariamente, dependência do resultado do procedimento fiscal ao que decidido na esfera penal. Evidentemente, a apuração de prática criminosa compete à esfera penal, porém a esfera tributária, que tem por incumbência a identificação do fato gerador e do sujeito passivo responsável pelo cumprimento da obrigação tributária, apenas utilizouse de prova emprestada para instruir o lançamento fiscal, não havendo que se falar em ilegalidade ou limitação ao seu valor probante. Segundo as fls. dos autos, apurouse que empresas que já contavam com profissionais contratados para defesa técnica em processos de auto de infração em tramitação no CARF também celebravam acordos, em algum momento posterior, com determinados escritórios de advocacia e/ou consultorias, cujos pagamentos representavam valores elevados, devidos tão somente na hipótese de sucesso no contencioso administrativo, através do provimento parcial ou total do recurso. Contudo, no que tange aos escritórios e consultorias contratados adicionalmente, o conjunto fáticoprobatório revela a falta de comprovação material da prestação de serviços lícitos, cujas pessoas jurídicas eram empregadas, nessas operações, apenas como subterfúgio para o recebimento pelas pessoas físicas do pagamento convencionado com as empresas autuadas. Ao contrário do afirmado no recurso voluntário, a autoridade tributária não conduz o lançamento fiscal com base em presunções, mas em farto material probatório colacionado aos autos, que se constituem elementos indiciários sérios e convergentes que, ao final, são dotados de força probante para justificar o auto de infração em nome de Luiz Alberto Cava Maceira. A fiscalização juntou aos autos um universo de documentos, tais como mensagens eletrônicas, memórias de cálculo, anotações sobre reuniões e divisão de valores, comprovantes de pagamento e transferências bancárias, além do material coletado nas diligências fiscais, de maneira a fundamentar a colocação da pessoa física no polo passivo da relação tributária. Por outro lado, o apelo recursal, via de regra, contém alegações de caráter genérico, além de não produzir prova para desconstituir os fatos trazidos pela equipe de fiscalização (fls. 5.797/5.875). A atuação ilícita da pessoa física para obtenção de vantagem financeira, conforme descrição pela fiscalização, deuse com respeito a RBS Administração e Cobranças Ltda, pessoa jurídica com pendências de julgamento em relação a auto de infração em tramitação no âmbito do CARF. Fl. 5965DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 33 32 Observase com base no Termo de Verificação Fiscal que, ao longo dos anos, para fins de defesa da RBS Administração e Cobranças Ltda, foram contratados diversos escritórios para atuar no processo administrativo sob o nº 11080.008088/200171(fls. 5.047/5.056). Todavia, a fiscalização conseguiu confirmar apenas a prestação de serviços pelo escritório de advocacia Dias e Souza, contratado inicialmente e que subscreveu as peças apresentadas no âmbito do CARF, recebendo um total de R$ 8,8 milhões pela elaboração da defesa administrativa em todas as fases processuais. Por sua vez, evidenciando a desproporcionalidade de pagamentos, o escritório Maceira Advogados Associados, que tinha como sócio administrador o ora recorrente, também foi contratado pela RBS Administração e Cobranças Ltda, quando o processo administrativo já se encontrava na Câmara Superior de Recursos Fiscais, recebendo um total de R$ 6,5 milhões, após a decisão final, porém sem nenhuma comprovação da efetividade de qualquer serviço lícito executado. Tendo em conta a ausência de comprovação da prestação de serviços pela Maceira Advogados Associados, a fiscalização promoveu diligência junto ao sócio Luiz Alberto Cava Maceira, já que a sociedade havia sido extinta no início do ano de 2015. Na oportunidade, a pessoa física declarou que a prestação de serviços tinha ocorrido ao longo de cinco anos, mediante assessoramento jurídico, realização de reuniões, avaliação processual e apresentação de sugestões para o desfecho favorável do processo administrativo à RBS Administração e Cobranças Ltda (fls. 5.141/5.149). Acontece que, inexplicavelmente, nenhuma prova material da efetividade da prestação de serviços foi apresentada à autoridade tributária ou juntada posteriormente ao contencioso administrativo, nem mesmo uma mensagem eletrônica ou cópia de petição, memorial ou parecer correlacionados à específica atuação no referido processo administrativo fiscal, que tivesse o condão de justificar, ao final, o elevado montante pago ao escritório de advocacia. Na sequência, a pessoa física foi intimada a comprovar a aplicação das expressivas saídas de recursos financeiros em contas de titularidade da extinta pessoa jurídica, da qual era sócia. Todavia, não conseguiu mostrar a existência de lastro documental com respeito a mais de R$ 2 milhões em saques efetuados das contas do escritório Maceira Advogados Associados, a título de distribuição de lucros. Os indícios de que tais valores foram recebidos no contexto da participação na manipulação do julgamento no CARF, mediante pagamento de vantagens indevidas a terceiros, é reforçado pela narrativa fiscal na qual transparece a relação próxima entre o autuado, Luiz Alberto Cava Maceira, e Edison Pereira Rodrigues, sócio da SGR Consultoria Empresarial Ltda, detentor de papel central no esquema criminoso. Segundo a documentação acostada aos autos, Edison Pereira Rodrigues tinha participação ativa no concluo de manipulação de votos, que incluía a cooperação de diversas pessoas, mantendo parceria comercial com o autuado em alguns contratos de valores expressivos (fls. 5.149/5.155). Fl. 5966DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 34 33 Em contraponto ao I. Relator, entendo que não se trata de hipótese de imputação de responsabilidade tributária a sócios, nem o procedimento fiscal significou a desconsideração da personalidade jurídica da sociedade interposta. Sob a ótica da primazia da realidade e da verdade material, cabe à fiscalização lançar de ofício o crédito correspondente à relação tributária efetivamente existente, segundo sua natureza jurídica. No procedimento de verificar o cumprimento das obrigações tributárias, estritamente conforme as prerrogativas e competências estabelecidas em lei, não está a fiscalização refém da forma jurídica adotada pelo particular, nem daquilo que consta em documentos, acordos e instrumentos de controle. Mais que um ônus, é dever do Fisco, em face da legalidade, tipicidade e indisponibilidade do interesse público, investigar e verificar a ocorrência do fato jurídico tributário segundo sucedese no mundo fático. Prevalecerá a realidade dos fatos em detrimento da formalidade dos atos, cabendo à autoridade lançadora demonstrar em qualquer caso, apoiado na linguagem de provas, a ocorrência dos fatos jurídicos que servem de suporte à exigência fiscal. Por sua vez, segundo o ordenamento jurídico, é inadmissível implementar a prática criminosa mediante a utilização de pessoa jurídica para influenciar decisões administrativas e, como tal, os rendimentos percebidos, nessas hipóteses, pertencem efetivamente às pessoas físicas que realizam as condutas ilícitas. O fato gerador da obrigação tributária independe da validade dos atos jurídicos praticados, porém o objeto da sociedade deve ser lícito, sob pena de invalidade do negócio, não produzindo efeitos perante a autoridade fiscal. A pessoa física Luiz Alberto Cava Maceira é a verdadeira beneficiária dos rendimentos, na proporção dos valores recebidos, mantendo relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, caracterizado pelo acréscimo patrimonial resultado do auferimento de renda mediante a simulação de prestação de serviços por pessoa jurídica. O art. 129 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, estabelece que a prestação de serviços intelectuais estará submetida tão somente à legislação aplicável às pessoas jurídicas quando realizada pela sociedade prestadora de serviços, não tendo finalidade de encobrir práticas simulatórias. Por tal motivo, o caso em apreço não se amolda à previsão em lei, uma vez que os serviços contratados são ilícitos, cujo trabalho restou executado pelas pessoas físicas participantes do arranjo delituoso, e não pelas pessoas jurídicas. Não se cuida também, como sugere o I. Relator, de hipótese de pagamento sem causa, que possa atrair a incidência do art. 61 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Com efeito, a tributação do imposto de renda à alíquota de 35% é excepcional e pressupõe a sujeição passiva da pessoa jurídica pela entrega de recursos financeiros que lhe pertençam, quando não comprovada a natureza da operação realizada ou a causa do pagamento ou desembolso. Diferentemente, a quantia reservada à pessoa física, desde o nascedouro, decorrente de retribuição pelo negócio de índole criminosa, independentemente da forma de Fl. 5967DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 35 34 percepção, deve sofrer a tributação do imposto de renda na pessoa física, segundo a legislação específica (art. 3º, § 4º, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988). Em vista do que foi exteriorizado, não há dúvidas da existência de conduta intencional e consciente do recorrente, através de fraude, no sentido de modificar as características do fato gerador da tributária principal, de maneira a reduzir o montante do imposto de renda devido. O contribuinte deslocou de forma dolosa a tributação da pessoa física para a pessoa jurídica, utilizandose de estrutura artificial criada com a interposição do escritório Maceira Advogados Associados, para esconder o negócio ilícito ajustado em conluio com outras pessoas físicas. Em tais circunstâncias, em que comprovada a utilização de interposta pessoa, é bastante para evidenciar o intuito doloso e justificar a manutenção da qualificação da multa de ofício no importe de 150%. Conforme assentado pela decisão de primeira instância, a graduação da penalidade é matéria alheia à vontade do julgador administrativo, não havendo margem para redução, porque determinado o percentual em lei. Tampouco prospera alegações sobre um caráter manifestamente confiscatório da multa de ofício lançada. A eventual ausência de compatibilidade do dispositivo de lei que estabelece a penalidade com a Constituição da República de 1988 é questão inoponível na esfera administrativa. Nesse sentido, não só o "caput" do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, como também o enunciado da Súmula nº 2, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que toca à compensação de valores pagos na pessoa jurídica, é cabível a dedução do lançamento fiscal tão somente em relação aos valores arrecadados a título de imposto de renda das pessoas jurídicas, cuja receita foi desclassificada e considerada rendimentos auferidos pela pessoa física. De fato, é razoável a dedução dos eventuais recolhimentos de mesma natureza efetuados a título de imposto sobre a renda pelo escritório Maceira Advogados Associados, do qual o autuado era sócio, tendo em conta, nesse raciocínio, o tributo exigido da pessoa física no presente auto de infração, reconhecendose que parte dele foi efetivamente pago, ainda que por outrem. O aproveitamento do imposto de renda comprovadamente recolhido no ajuste da pessoa jurídica ou retido pela fonte pagadora, previamente ao início do procedimento de fiscalização, é apto a operar efeitos na base de cálculo da multa de ofício, ou seja, antes da inclusão dos acréscimos legais. Fl. 5968DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 36 35 No presente caso, cabe deixar consignado que a fiscalização já deduziu as retenções do imposto de renda sofridas na fonte, calculadas a 1,5% do rendimento bruto, tal como destacadas nas notas fiscais (fls. 5.158). Quanto aos demais tributos pagos, distintos do imposto de renda, o aproveitamento entre pessoas distintas, em qualquer hipótese, dependeria de previsão em lei específica autorizadora de sua realização. Como regra, a compensação no âmbito tributário implica a existência de duas pessoas, simultaneamente credoras e devedoras uma da outra desde a origem, havendo obrigações recíprocas entre as partes (art. 170 do CTN). À vista disso, não se deve transmudar o processo fiscal de controle do lançamento em procedimento de compensação. A via adequada é, portanto, o pedido de restituição, sem prejuízo da observância do prazo para repetição do indébito e do cumprimento dos demais requisitos estipulados na legislação. Conclusão Ante o exposto, rejeitadas as preliminares de nulidade, conforme voto do I. Relator, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para que sejam deduzidos do lançamento o imposto de renda recolhido pelas pessoas jurídicas sobre os valores que foram considerados rendimentos da pessoa física. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 5969DF CARF MF
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