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Numero do processo: 19515.720506/2017-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2012, 2013
INTIMAÇÃO POR EDITAL.
No âmbito do processo administrativo fiscal, para cada ato ou termo processual de que deva ser intimado o sujeito passivo deve-se proceder à intimação pessoal ou por via postal e, somente depois, não logrando êxito essa intimação, será efetuada a intimação por edital.
INTIMAÇÃO VIA POSTAL. ERRO DE INDICAÇÃO DE ENDEREÇO. ERRO DA FISCALIZAÇÃO QUE NÃO PODE PREJUDICAR O DIREITO DE DEFESA DO CONTRIBUINTE..
Considera-se inválida a intimação, enviada a endereço incorreto. Erro da fiscalização.
NULIDADE. INTIMAÇÃO IRREGULAR. COMPARECIMENTO AO PROCESSO. SANEAMENTO DO VÍCIO.
O comparecimento do contribuinte supre as faltas ou irregularidades ocorridas nas intimações feitas sem observância das prescrições legais. Restou comprovada a ciência através do termo de vistas, sendo apresentada impugnação dentro do trintídio legal, razão pela qual a mesma é tempestiva.
NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO ADMINISTRATIVA.
Tendo em vista que a impugnação apresentada foi tempestiva, e não sendo a mesma analisada pela DRJ, é nula a decisão proferida por cerceamento do direito de defesa, nulidade que não pode ser superada sob pena de ferir o duplo grau de jurisdição administrativa.
Numero da decisão: 1401-003.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pr unanimidade de votos, acatar a arguição de nulidade da decisão recorrida manifestada no recurso do Sr. André Lira da Silva, determinando o retorno dos autos à Turma a quo para que profira nova decisão, desta feita considerando como tempestiva a irresignação da parte. Por força da declaração de nulidade da decisão recorrida, os recursos de ofício não foram conhecidos.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Abel Nunes de Oliveira Neto Carlos André Soares Nogueira, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (Conselheira Suplente convocada), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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No âmbito do processo administrativo fiscal, para cada ato ou termo processual de que deva ser intimado o sujeito passivo devese proceder à intimação pessoal ou por via postal e, somente depois, não logrando êxito essa intimação, será efetuada a intimação por edital. INTIMAÇÃO VIA POSTAL. ERRO DE INDICAÇÃO DE ENDEREÇO. ERRO DA FISCALIZAÇÃO QUE NÃO PODE PREJUDICAR O DIREITO DE DEFESA DO CONTRIBUINTE.. Considerase inválida a intimação, enviada a endereço incorreto. Erro da fiscalização. NULIDADE. INTIMAÇÃO IRREGULAR. COMPARECIMENTO AO PROCESSO. SANEAMENTO DO VÍCIO. O comparecimento do contribuinte supre as faltas ou irregularidades ocorridas nas intimações feitas sem observância das prescrições legais. Restou comprovada a ciência através do termo de vistas, sendo apresentada impugnação dentro do trintídio legal, razão pela qual a mesma é tempestiva. NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO ADMINISTRATIVA. Tendo em vista que a impugnação apresentada foi tempestiva, e não sendo a mesma analisada pela DRJ, é nula a decisão proferida por cerceamento do direito de defesa, nulidade que não pode ser superada sob pena de ferir o duplo grau de jurisdição administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 05 06 /2 01 7- 13 Fl. 4535DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, pr unanimidade de votos, acatar a arguição de nulidade da decisão recorrida manifestada no recurso do Sr. André Lira da Silva, determinando o retorno dos autos à Turma a quo para que profira nova decisão, desta feita considerando como tempestiva a irresignação da parte. Por força da declaração de nulidade da decisão recorrida, os recursos de ofício não foram conhecidos. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (VicePresidente), Abel Nunes de Oliveira Neto Carlos André Soares Nogueira, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (Conselheira Suplente convocada), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Brasília (DF), que julgou procedente em parte a impugnação administrativa apresentada pelo contribuinte em virtude de supostas infrações a legislação tributária, exigindose o Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, Contribuição para o PIS e COFINS, lavrado para formalização e exigência de crédito tributário, conforme tabela abaixo indicada: No Termo de Verificações Fiscais – TV, “consta que em virtude da não localização da CPA no seu endereço cadastral, bem como pelo não atendimento das intimações por parte de seu sócio, BENEDITO ANTONIO DE OLIVEIRA, a Fiscalização não teve acesso Fl. 4536DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201713 Acórdão n.º 1401003.115 S1C4T1 Fl. 4.536 3 aos documentos que deram origem à escrituração comercial da empresa, de forma que foram analisados documentos e informações disponíveis e que deram origem aos valores que compõem as bases de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e reflexos e do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, anoscalendário 2012 e 2013, tais como DIPJ, DCTF, DIMOB, DOI, DIMOF, DARF, SPED Contábil, SPED NFe e extratos bancários, bem como informações e documentos levantados junto a terceiros, que se relacionaram direta ou indiretamente com a fiscalizada e, ainda, documentos requisitados à JUCESP, ARISP, Cartórios de Títulos e Documentos”. Conforme informações da Fiscalização, “a empresa CPA apresentou a DIPJ, anocalendário 2012, adotando a forma de apuração do imposto de renda com base no Lucro Real Trimestral e que essa forma de tributação obriga a empresa a apuração dos valores devidos de Contribuição Social nos mesmos moldes e do PIS e COFINS no regime não cumulativo. No entanto, a empresa não comprovou as condições necessárias para apuração de seus resultados com base no Lucro Real, tendo enviado os arquivos digitais correspondentes ao SPED Contábil do anocalendário 2012”. Aduzindo que as transações que envolvem as empresas CPA, KOLOVEC, JP, SON, FEMAR, VALESP, SYNTHESE, VALEBRASIL, PNE e LIMA & PERGHER vão além de operações comerciais de compra e venda de mercadorias e serviços, pois ocorreram transferências de recursos e pagamentos/recebimentos entre as empresas que não se justificariam, pois serviram apenas para atender aos interesses dos responsáveis tributários”. Afirmou que “tais empresas se encaixariam perfeitamente na caracterização de GRUPO ECONÔMICO DE FATO, cuja expressão, inclusive, consta na Ficha Cadastral da empresa CPA junto ao Banco ABC Brasil, como “Grupo Econômico: JP DISTRIBUIDORA”.” (...) Acrescentou que “as mencionadas empresas movimentaram recursos, efetuaram pagamentos e recebimentos, dos mais variados possíveis (muitos de forma escusa), sob a tutela de seu representado, LUIZ OTÁVIO PATERNOSTRO, executados por dois de seus maiores representantes, GUILHERME CARVALHO COSTA e JASON PAULO DE OLIVEIRA”. Imputouse RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA das seguintes pessoas em virtude de práticas e atos com excesso de poder ou infração de lei e contrato social, pois planejaram, coordenaram e executaram os negócios escusos discriminados conforme o (art. 124, incisos I e II, e art. 135, inciso III, da Lei nº 5.172/66): Benedito Antonio de Oliveira; Luiz Otávio Paternostro; Jason Paulo de Oliveira; Guilherme Carvalho Costa; André Lira da Silva; Edmundo José Fernandes Priante; Femar Rest. Recup. Recomp. Predial Ltda; João Paulo de Oliveira; José Paulo de Oliveira; Josimar Gomes da Silva; JP Distribuidora de Insumos Agroindustriais; Kolovec do Brasil Distrib. Prods. Químicos Ltda; Kolovec Trading Sociedade Anonima; Lima & Pergher Ind. Com. Repres. S/A; Luiz Gustavo Paternostro; Marco Roberto do Carmo; Maria José Fernandes Priante;. PNE Negócios Esportivos e Repres. Eireli; Renata Paternostro; Sérgio Luiz Battaglin; Son Servicos Administrativos Eireli; Sonia Maria Ribeiro da Silva Oliveira; Synthese Particip. e Empreend. Ltda; Valebrasil Empreend. Imobil. Particip. Assesos. Empresarial Ltda; Valesp Serviços Administrativos Eireli; Valezan Overseas Corp. Ciente da autuação, o interessado/ contribuinte e os responsáveis, apresentam IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA, alegando em síntese: Fl. 4537DF CARF MF 4 A) Impugnação apresentada por CPA Distribuidora de Produtos Industriais Eirele – apresentada em 06/09/2017 fls. 3.763/3.781: 1. Da Decadência: Suscitou que “os tributos, cujos fatos geradores ocorreram entre janeiro e julho de 2012, teriam sido alcançados pela decadência, uma vez que possuem apuração mensal e a empresa teria recolhido os respectivos tributos. Portanto, submeterseiam, ao regime de lançamento por homologação, por terem apuração mensal. Ressaltou que apresentou suas declarações no prazo regulamentar, recolhendo tributos no período objeto da decadência, portanto, a apuração, o lançamento e o pagamento do imposto ocorreram mensalmente, devendo a decadência ser calculada da ocorrência do fato gerador, como estabeleceria expressamente o § 4° do artigo 150 e inciso V do artigo 156do Código Tributário Nacional. Citou entendimento doutrinário e julgado do STJ”. 2. Da Prova Ilícita. Argumentou que “a fiscalização apresentou os dados dados bancários tirados sem qualquer formalidade, trazendo aos autos informações de pessoas e empresas que não compõem o presente processo, bem como arrastando por meio desses documentos ilícitos dezenas de pessoas jurídicas para o pólo passivo da obrigação tributária, o que teria provocado a eventual prática de crime (quebra de sigilo bancário) previsto nos artigos 10 e 11 da Lei Complementar nº 105/2001. Segundo a impugnante, tais provas foram obtidas ilegalmente, quando a autoridade fiscal oficiou às instituições financeiras para que informassem para quem foram depositados valores sacados nas contas correntes da impugnante, porquanto tal beneficiário não teve o seu sigilo afastado por nenhum procedimento fiscal específico. Além disso, assevera que, nos termos do inciso XII da Constituição Federal, o sigilo somente pode ser quebrado por ordem judicial”. (...) Portanto, “requer que os documentos fiscais e os demais que se refiram a sigilo e estejam no presente processo, sem observância da lei, devam ser reconhecidos como prova ilícita e serem excluídos do processo”. 3. Da ilegalidade do arbitramento da base de cálculo do IRPJ: (i) Sustentou que “em virtude de ser conhecida a movimentação comercial da empresa, as quais coincidiriam com as declarações da empresa, bem como os documentos já fornecidos em outros períodos de fiscalização, teria comprovado a sua movimentação fiscal, tanto pelas notas de compra e venda, quanto pela respectiva conciliação bancária com os extratos obtidos pela fiscalização”. Salientou a impugnante que “a auditoria fiscal deveria ter buscado a verdade material e não apenas penalizar o contribuinte, observando o que dispõe o artigo 3º do Código Tributário Nacional, uma vez que o arbitramento do lucro não poderia servir de penalização em virtude de a empresa ter deixado de entregar algum documento e, além disso, haver à disposição do fisco elementos suficientes para comprovação de sua movimentação fiscal. (ii) Dessa forma, acredita que, “em virtude do fisco ter conhecimento da base tributável exata da impugnante, teria ocorrido excesso de exação ao imputar o lucro Fl. 4538DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201713 Acórdão n.º 1401003.115 S1C4T1 Fl. 4.537 5 arbitrado sobre o faturamento da empresa. Solicitou que fosse determinado o refazimento do trabalho fiscal, com a exclusão de todas as operações comerciais devidamente comprovadas nos autos (97%) da base de cálculo do imposto, as quais em conjunto com as vendas informadas pela impugnante demonstrariam que a empresa não auferiu o correspondente ao lucro arbitrado. Após citar entendimento doutrinários, argumentou que o fisco não pode agir fora das limitações legais devido a sua atividade vinculada, nos termos do artigo 37 da Constituição Federal, de forma que as presunções que foram levadas a efeito no presente processo teriam sido tiradas de premissa mais desfavorável ao contribuinte, o que os preceitos contidos no artigo 112 do Código Tributário Nacional”. 4. Dos lançamento dos reflexos. Em virtude do que suscitou no julgamento do Imposto de Renda, arguiu que “as demais contribuições estariam maculadas pelas nulidades, devido aos questionamentos sobre a indevida utilização da base de calcula presumida e à tributação arbitrada”. 5. Da multa qualificada e agravada. (i) Argumentou que “não houve nenhuma manobra por parte do contribuinte com intuito de bular o fisco, uma vez que a empresa teria apresentado todos os documentos que possuía e as declarações necessárias para a sua verificação e que o próprio fisco baseouse nas declarações da empresa para arbitrar os tributos lançados, de forma que não teria restado caraterizado o intuito de fraude, o que tornaria incabível a multa qualificada. Citou julgados e súmula 14 do CARF”. (ii) Acrescentou que “também seria improcedente o agravamento da multa pelo não atendimento da intimação, pois considera que não houve qualquer prejuízo à fiscalização e a lavratura do auto se deu em razão das Próprias Notas Fiscais fornecidas pela impugnante. Arguiu que a falta de apresentação de livros e documentos de escrituração não justificariam, por si só, o agravamento da multa de ofício, quando essa omissão tiver motivado o arbitramento dos lucros, de forma que solicita, em caso de remanescer crédito fiscal a ser exigido, que a multa não seja qualificada, nem agravada”. Cita julgados do CARF e das DRJ. B) Da impugnação apresentada por Luiz Otávio Paternostro em 26/07/2017 – fls. 3.655/3.679: 1. Da alegação de que Benedito Antônio De Oliveira, Sócio Administrador da Cpa, não seria "Testa De Ferro" de Terceiros. Suscitou o impugnante que “a premissa inicial da autoridade fiscal, de que o seu sócioadministrador, Sr. Benedito Antônio de Oliveira, seria um "testa de ferro” não possui motivação e tampouco provas. Ademais, argumentou que, no Termo de Constatação Fiscal, a prova dos autos apontaria para Benedito como uma pessoa que se Fl. 4539DF CARF MF 6 relacionava diretamente com o contador de sua empresa, uma vez que ele era o próprio destinatário das quantias sacadas em espécie da conta corrente da empresa, as quais ocorriam conforme a sua determinação e que ele também administrava sua vida pessoal, emprestando e contraindo empréstimo conforme suas necessidades”. 2. Da alegação de que as empresas de Luiz Otávio Paternostro não integram o "Grupo Econômico JP", nem foram incluídas como responsáveis solidárias conjuntamente com a CPA. Asseverou que “o impugnante era um empresário que matinha relações comerciais legítimas de compra e venda de mercadorias com a CPA em 2012, principalmente por meio de suas empresas PATER TRADING e MPA COMERCIAL. Ponderou que a fiscalização evidenciou que BENEDITO não declarava ao Fisco 100% daquilo que a CPA faturava e essa forma de gerir o negócio, a qual não era adotada pelo Impugnante em relação as suas empresas, o que seria comprovado pela exclusão das empresas PATER TRADING, MPA COMÉRCIO e TREVI do rol de responsáveis solidários, acarretou uma confusão entre os negócios da CPA e os negócios pessoais de BENEDITO, daí resultando pagamentos da CPA em favor de um conjunto de pessoas físicas e jurídicas, muitas das quais terminaram sendo arroladas como devedoras solidárias daquela empresa, sem qualquer relação demonstrada entre elas e os fatos geradores”. 3. Dos comentários acerca do Termo De Verificação Fiscal. Asseverou que “a CPA efetuou pagamentos expressivos a diversas pessoas que não tem qualquer relação com o Impugnante, como por exemplo, no valor de R$ 1.017.880,00 (fls. 21), pois ele era um empresário cujas empresas tinham negócios regulares com a CPA e que poderia, em razão disso, receber da CPA valores que não fossem desproporcionais ao porte da relação comercial existente. No entanto, a fiscalização não empreendeu nenhum esforço para desvendar qual a relação dessa pessoa com o BENEDITO ou a CPA (fls. 5 do Termo de Constatação). Quanto ao destaque dado no TVF, fl 28, ao elevado quantitativo de cheques da CPA pagos em dinheiro pelo Banco Itaú (R$ 7,6milhões), indicou como resposta a leitura do depoimento do motoboy, colhido pela fiscalização e referido às fls. 35 do referido Termo. Argumentou que em agosto de 2012, razoável volume de negócios LEGÍTIMOS, por meio das empresas PATER TRADING e MPA, a CPA presenteou o Impugnante com uma viagem ao Chile, cortesia comum mundo empresarial (fls. 31 do TVF) Relatou que o Impugnante sofreu um acidente sério ao escorregar em um caminho coberto de neve, bateu a cabeça e ficou desacordado por cerca de dois dias, tendo como conseqüência fratura na coluna cervical e três convulsões cerebrais, tendo sido proibido pelo neurologista a submissão à pressurização parcial de aviões comerciais. Dessa feita, a remoção de urgência para o Brasil, precisou ser feita por avião fretado, que voa em menor altitude, a qual foi paga por Benedito, num ato de extremo cavalheirismo, o qual enviou às suas expensas um avião para resgatar o Impgnante no montante de R$ 84.500,00, relacionada às fls. 29 e referidas ás fls. 30 do TVF. Fl. 4540DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201713 Acórdão n.º 1401003.115 S1C4T1 Fl. 4.538 7 4. Da inclusão indevida da empresa PNE no rol de responsável solidários da CPA. Argumentou que “a inclusão da empresa PNE no denominado "Grupo Econômico JP" em razão de uma movimentação mínima de recursos (inferior a R$ 30.000,00), destoa do critério de exclusão que o AFRFB autuante utilizou no auto de infração, pois Charlene Laura Hirt Coltro recebeu R$ 155.000,00 da CPA sem causa conhecida, e nem por isso foi alçada à condição de devedora solidária da CPA (fls. 32 do termo de verificação). 5. Da ausência de participação do impugnante na elaboração dos fatos Geradores. Pontuou que “somente foram demonstrados pela autoridade fiscal pagamento de pequeno volume se comparados à responsabilização solidária almejada (crédito tributário total da CPA de R$ 87.669.736,32)”. Citou julgados STJ. Asseverou que “ a responsabilização solidária guerreada baseiase apenas interesse econômico e, mesmo assim, em um interesse econômico ínfimo em relação ao crédito tributário do devedor principal: R$ 113.798,00 apontados nas fls. 07/09 do TVF contra um crédito tributário total da CPA de R$ 87.669.736,32”. 6. Argumentou que “não há uma única evidencia nos autos de que o Impugnante dirigisse ou interferisse na gestão da CPA. Aduz que a afirmação de que BENEDITO seria um testa de ferro carece de provas e contrária à prova dos autos. Ademais as empresas do Impugnante, PATER TRADING, MPA e TREVI mantiveram em 2012 operações LEGÍTIMAS coma CPA, o que poderia ser constatado pela sua não inclusão "GRUPO ECONÔMICO JP", ao menos como devedoras solidárias”. 7. Das considerações jurídicas não caracterização da solidariedade tributária: Ressalta que “seria um absurdo a utilizar o artigo 124, I, do CTN para fundamentar a autuação, porque as empresas do Impugnante fizeram negócios legítimos com a CPA, com conteúdo econômico real, pois a PATER TRADING, a MPA COMERCIAL a TREVI não foram incluídas como solidárias da exação principal. Entretanto, argumentou que conforme tal dispositivo, a configuração do interesse comum depende de requisito específico, qual seja, "situação que constitua o fato gerador da obrigação principal", pois seria imprescindível que a responsável solidária tenha contribuído para a geração da obrigação de recolhimento do tributo, o que não restou comprovado no auto de infração”. 8. Citou entendimento doutrinário e julgados de DRJ. Acrescenta que “caberia ao Fisco o ônus de demonstrar que o Impugnante teria efetivamente participado da realização do fato gerador, uma vez que a sujeição passiva tributária subordinarseia ao princípio da legalidade estrita, devendo respeitar as condições contidas no artigos 124, I c/c 121 do CTN. Aduz que as declarações da autoridade fiscal não gozam de presunção de legalidade e que o artigo 90, caput, do Decreto 70.235/19729 determina que a autoridade fiscal produza provas contra Fl. 4541DF CARF MF 8 o administrado, para exigir crédito tributário ou para penalizálo, não existindo fé pública em sua declaração. Cita precedente do CARF, no qual restaria evidente que a autuação de um contribuinte como devedor solidário dependeria da inequívoca demonstração probatória de que ele exerceria o controle operacional de todas as transações comerciais efetuadas pela sociedade empresária autuada”. C) Da impugnação apresentada por Luiz Gustavo Paternostro em 12/07/2017 – fls. 3.129/3.149: 1. Da nulidade do auto de infração ante a ausência de motivação. Argumentou que “a fiscalização não teceu sequer uma linha para explicar a motivação que levou a imputação da conduta ilícita ao impugnante, de forma que o Termo de Responsabilidade Tributária carece de demonstração de vinculo e relação entre as partes, não tendo sido apontada qual seria a ilegalidade de fato de Luiz Gustavo, somente que seria filho do Luiz Otávio. Salienta que seria necessário indicar a participação do lmpugnante nos fatos que deram ensejo aos tributos exigidos, de modo a se aplicar o artigo 124 do CTN”. Quanto ao artigo 135, “seria necessário que se explicasse se o Impugnante seria sócio ou dirigente da CPA, o que o TVF claramente afirma não ser. Acrescenta que o valor de R$ 20.000,00 de fato existiu em 2012 e que, se esse seria o motivo pra se exigir imposto de R$ 87 milhões, não haveria motivação para o ano de 2013, violando o artigo 142 do Código Tributário Nacional e artigos 59 do Decreto 70.235/1972: Suscita que sem a Fiscalização indicar qual seria o ilícito praticado ou qual seria a conduta ilegal que justifica a imputação da responsabilidade solidária não seria possível a elaboração de defesa, incorrendo em expressa nulidade, conforme se depreende do art. 50, I, da Lei 9.784/99”. Cita entendimentos doutrinários. 2. Assevera que “seria incontroverso nos autos o Impugnante não ocupa e nem nunca ocupou cargo algum na empresa autuada, dessa forma não haveria como ser sujeito passivo de uma relação que não fez parte ou não praticou qualquer ato. Portanto, não poderia ser responsabilizado solidariamente com base no artigo 124, I ou 135, III do CTN, uma vez que seria necessário comprovar interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, bem como a ação com excesso de poderes ou infração à lei ou estatuto. No entanto, deveria ocupar cargo de diretor, gerente ou representante da empresa”. D) Da impugnação apresentada por Renata Paternostro em 12/07/2017 – fls. 3.160/3.179: Produziu a impugnante alegações idênticas a Luiz Gustavo Paternostro. E) Da impugnação apresentada por Synthese Particip. e Empreend. Ltda em 12/07/2017 – fls. 3.081/3.102: Produziu a impugnante alegações idênticas a Luiz Gustavo Paternostro. Fl. 4542DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201713 Acórdão n.º 1401003.115 S1C4T1 Fl. 4.539 9 F) Da Impugnação apresentada por Jason Paulo de Oliveira em 11/07/2017 – fls. 3.004/3.019: 1. Ponderou o impugnante que “por corretor de mercadorias que transaciona com uma diversidade grande de empresas, realiza contratações comerciais e contatos negociais, exerce sua função em todo território nacional e até internacional. Asseverou que fiscalização afirmou que ele seria um dos beneficiários dos tributos lançados em face da fiscalizada CPA, apurados por arbitramento nos anos de 2012 e 2013. No entanto, teria utilizado argumentos que se referem ao ano de 2010, fatos que já teriam sido analisados em outro processo administrativo fiscal, no qual a Delegacia de Julgamento teria afastado a responsabilidade dele por não entender provado o interesse comum e a prática de atos ilícitos”. 2. Acrescentou que todos “os pagamentos realizados teriam sido devidamente escriturados nos livros fiscais da empresa fiscalizada, não havendo qualquer omissão fiscal ou ato simulado a acobertar a legítima relação jurídica. Ressaltou que no ano de 2012, consta em sua declaração o valor de R$ 9.200,00 declarado por ele como recebido da empresa fiscalizada CPA. 3. Quanto à afirmação da fiscalização de que houve pagamentos de despesas pessoais dele e familiares, dentre outros, efetuados com recursos provenientes da empresa CPA no decorrer do ano 2012, argumentou que “esta informação estaria desacompanhada de provas. Argumentou que a teoria do abuso da personalidade jurídica autorizadora da desconsideração (art. 50 CC) não se aplica ao Impugnante, uma vez que não era sócio da empresa CPA, muito menos se apropriou de qualquer patrimônio daquela empresa”. 4. Apresentou entendimento doutrinário, decisão do CARF e julgado do STJ. G) Da Impugnação apresentada por PNE Negócios Esportivos e Repres. Eireli em 12/07/2017 – fls. 3.472/3.528: 1. Argumentou a Impugnante que “ainda não teve acesso aos documentos anexos ao auto de infração (somente ao texto do auto de infração), dentre os quais estariam aqueles que comprovariam as afirmações neles inseridas pela autoridade fiscal, de forma que necessitará complementar esta impugnação no prazo de até trinta dias, contado da data em que puder acessálos. Asseverou que o fato de a Impugnante ser estabelecida em imóvel locado pela empresa FEMAR, e sublocado a ela, em nada atesta sua responsabilidade tributária solidária para com uma terceira empresa (CPA), uma vez que tal sublocação se deu de forma regular, conforme contrato de sublocação (Anexo I). Ademais acrescentou que tal sublocação, além de não contribuir em nada para a demonstração de alguma vinculação da Fl. 4543DF CARF MF 10 PNE aos fatos geradores dos créditos tributários lançados contra a devedora principal (CPA), ocorreu no segundo semestre de 2014, muito depois do período fiscalizado (2012)”. 2. Aduziu que “mesmo que a PNE tenha sido beneficiada por esses pagamentos (valor total de R$ 24.823,00), isso não conduziria à conclusão de que a empresa tenha participado da elaboração dos fatos geradores do crédito tributário de R$ 87.669.736,32 lançado contra a devedora principal”. 3. Citou julgado do STJ quanto ao tema. 4. Argumenta que “cai por terra qualquer tentativa de caracterizar uma "confusão patrimonial" entre a devedora principal e a Impugnante, dada a disparidade de números, onde aquilo que se atribui de benefício à Impugnante representa menos de 0,03%. Ressalta que a conclusão do capítulo dedicado à PNE no Termo de Responsabilidade Tributária, às fls. 46, está ERRADA, pois a PNE não teria efetuado crédito algum em favor da CPA e não pode ser considerada devedora tributária solidária em relação aos tributos cujos fatos geradores foram esses créditos”. 5. Ressaltou que “a Impugnante não figurou em nenhuma das listas apresentadas pelas instituições financeiras, em resposta aos ofícios enviados pela Fiscalização, como beneficiária dos recursos omitidos e desviados para outras empresas pela CPA (fls. 14, 17 e 27)”. 6. Ponderou que “a PNE também não teve seu nome anotado no cartão de assinaturas para abertura de conta corrente da CPA (fl. 12 do TVF), restando demonstrado, pelas informações prestadas pelas instituições financeiras, que a PNE não participou da cadeiade movimentação financeira referente as receitas omitidas pela CPA, inexistindo qualquer relação ou nexo de causalidade entre a Impugnante e a sonegação de tributos atribuída à devedora principal”. 7. Acrescentou que “pelos depoimentos do contador da CPA, o contato com aquela empresa se dava diretamente por meio do Sr. Benedito, o que reforçaria a inexistência de justa causa para atribuir a terceiros a responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados”. 8. Considerações Jurídicas Não Caracterização da Solidariedade Tributária. Neste item o impugnante suscitou alegações idênticas a Luiz Otavio Paternostro. H) Da Impugnação apresentada por JP Distribuidora de Insumos Agroindustriais em 11/08/2017 – fls. 3.710/3.718: 1. Aduz o impugnante “em virtude da interrupção de suas atividades em 2013, bem como de seria situação econômicofinanceira, de maneira que se encontra sem condições de contratar profissionais”. Fl. 4544DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201713 Acórdão n.º 1401003.115 S1C4T1 Fl. 4.540 11 2. Aduz que “o acesso digital aos autos dos processos administrativos 19515.720506/201713 e 19515.720509/201757, bem como aos documentos que são referidos nos Relatórios Fiscais, especialmente aqueles que se referem a sua pessoa e à da pessoa jurídica de que é sócio e serviram de fundamento para a imputação de responsabilidade administrativa solidária”. 3. No mérito, argüiu: “Que em 2012 e 2013 não era mais sócio da empresa CPA, nem direta nem indiretamente, razão pela qual não tem responsabilidade sobre fatos geradores de tal período”; 4. “Que nega ter participado, direta ou indiretamente, de qualquer atividade conjunta com a CPA, a não ser regulares negócios de venda e compra de mercadorias que circularam, foram entregues e pagas, como de direito”; 5. “Que não praticou qualquer ato em colaboração com a empresa CPA, nem com o respectivo administrador, Benedito Oliveira, que pudesse ser causa da imputação de responsabilidade solidária que lhe foi atribuída” 6. “Que não tem com a empresa lançada qualquer relação, de fato ou de direito, sequer é integrante de grupo de fato ou de direito como alega a fiscalização, devendo ser excluído dos autos de infração”. I) Da Conjunta Impugnação Administrativa apresentada por de KOLOVEC DO BRASIL DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS QUÍMICOS LTDA, SÉRGIO LUIZ BATTAGLIN, KOLOVEC TRADING SOCIEDADE ANÔNIMA e JOÃO PAULO DE OLIVEIRA em 11/07/2017 – fls. 3.532/3.549: 1. Suscitou que “a fiscalização considerou responsabilidade tributária todo tipo de relação pessoal ou profissional com a empresa autuada ou mesmo sem relação nenhuma, criando um alargamento da via de responsabilização tributária infinita. Considerando que o lançamento fiscal se refere a falta de apresentação de documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos fiscais na escrituração da autuada CPA, relativamente aos anos de 2012 e 2103, argúem os impugnantes que estes não são responsáveis pela guarda ou controle do acervo fiscal da autuada”. 2. Asseverou que “a fiscalização não trouxe nenhuma nota fiscal emitida pela autuada em favor da KOLOVEC do BRASIL demonstrando que a mesma tenha se beneficiado dos tributos lançado (interesse comum)”; 3. Aduziu que “a alegação de confusão patrimonial e abuso de personalidade jurídica está colocada nos presentes autos em desacordo com as provas, pois não há a indicação nos autos de qual o Fl. 4545DF CARF MF 12 patrimônio da autuada foi desviado para a KOLOVEC DO BRASIL a ponto de caracterizar tal confusão patrimonial”. 4. Argüiu que” a transferência de cerca de R$ 41 mil reais para um suposto empregado da KOLOVEC DO BRASIL não teria nenhuma relação com o IRPJ, PIS, COFINS e CSLL lançados, nem tampouco com os impugnantes, por se tratar de uma relação entre pessoas distintas da obrigação tributária”. 5. Pontuou que, “além de o fisco não descrever nenhuma operação entre a autuada CPA e a KOLOVEC do BRASIL no período da autuação, as faltas de apresentação de documentos identificadas se referem ao ano de 2010, Conforme destaque no TVF”. 6. Afirmou que “o fato de João Paulo ter recebido R$ 9.000,00 da CPA não o vincularia a uma obrigação tributária de R$ 87 milhões. Argumentou que a autoridade fiscal pretendeu criar uma figura jurídica contrária a Lei, a responsabilidade das pessoas jurídicas por atos praticados por seus sócios em outras empresas, o que não existiria na legislação. 7. Afirmou que “o impugnante SÉRGIO BATTAGLIN não participou da administração da autuada CPA e tampouco estaria em seu contrato social, nem exerceu poder que pudesse contrariar a lei, sendo sócio legítimo da KOLOVEC do BRASIL, cuja argumentação da fiscalização de simulação, estaria desacompanha de provas”. 8. Informou que “esse último somente entrou na sociedade em 2011, em contrapartida às pessoas ouvidas, as quais reportaram fatos ocorridos até 2010. 9. Quanto à impugnante KOLOVEC TRADING, essa é sócia da empresa KOLOVEC do BRASIL desde 2004 e não participa da administração autuada e não teve nenhuma relação empresarial ou pessoal com ela”. 10. Quanto ao impugnante “JOÃO PAULO DE OLIVEIRA, argumentou que esse não recebeu nenhum valor da autuada CPA, sendo que sua atividade se restringe à representação da empresa estrangeira, não participando da administração da KOLOVEC DO BRASIL e que o fisco teria utilizado a procuração como fundamento de responsabilização”. 11. No Mérito suscitou que “o lançamento teria sido efetuado contra parte ilegítima para figurar no polo passivo da obrigação tributária, porque não participou da regra matriz de incidência tributária, sendo, a presunção fiscal desvinculada das provas produzidas no presente processo, uma vez que não haveria qualquer comprovação de dano ao erário nos exatos termos descritos na peça acusatória, pois não teria havido proveito da impugnante que ensejasse a aplicação do artigo 124, l do CTN”. Fl. 4546DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201713 Acórdão n.º 1401003.115 S1C4T1 Fl. 4.541 13 J) DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA APRESENTADA POR VALEBRASIL EMPREEND. IMOBIL. PARTICIP. ASSESSO. EMPRESARIAL LTDA e JOSE PAULO DE OLIVEIRA em 12/07/2017 – fls. 3.299/3.305: 1. Argumentaram os impugnantes que “o método utilizado pela fiscalização para impor responsabilidade a 26 (vinte e seis) pessoas, além da autuada, foi relatar fatos regulares, descritos no contrato social da VALEBRASIL, registrado na JUCESP e de conhecimento público, mesclados com presunções. Asseverou que o relatório fiscal afirma que a empresa VALEBRASIL foi verificada em processo de fiscalização de outra empresa, a FEMAR, fls. 58, fatos que reportariam aos anos de 2011 e 2014, portanto, sem correlação com os lançamentos referentes aos anos de 2012 e 2013”. 2. Acrescentou que “os demais fatos enumerados pela fiscalização procuraram colocar em dúvida a titularidade da empresa por parte do impugnante JOSÉ PAULO, fazendo referências a contadores que seriam os mesmos de outras empresas fiscalizadas, e relações familiares, argumentos que não seriam suficientes para fundamentar uma responsabilização tributária quando as pessoas não têm conexão com a titularidade da empresa autuada, sua administração, ou com os tributos lançados”. 3. Ressaltou que “a única argumentação existente no processo se refere ao fato de JOSÉ PAULO ter recebido o valor de R$ 18.00000 da empresa CPA, valor que a fiscalização acredita que tenha sido com o intuito de integralizar as cotas sócias da empresa VALEBRASIL. No entanto, tais fatos seriam desvinculados da empresa autuada, da sua atividade e dos tributos lançados. Pondera que haveria uma contradição de raciocínios esposada pela fiscalização, pois em um ponto destaca que a condição de sócio do impugnante JOSÉ PAULO seria uma ficção jurídica, um ato simulado, em outro momento alega que ele seria responsável porque administraria a empresa VALEBRASIL e, assim, os atos seriam de sua responsabilidade”. 4. Afirmam que JOSÉ PAULO “é administrador da VALEBRASIL, uma vez a fiscalização tem efetuado várias intimações e recebido os documentos legítimos e regulares, tendo inclusive visitado a sede da VALEBRASIL e entregue documentos nas mãos de seu sócio administrador JOSÉ PAULO”. 5. Concluiu que “não haveria fundamentos nos fatos relatados pela fiscalização para aplicação dos artigos 124, I e 135, III do CTN, pois seria necessário que as partes tivessem concorrido para a consecução do fato gerador, uma vez que a caracterização da solidariedade por interesse comum na situação que constitui o fato gerador exige ademonstração de que os sujeitos passivos praticaram conjuntamente o fato jurídico tributário ou desfrutaram de seus resultados”. 6. Quanto à transferência de responsabilidade nos termos do inciso III, do artigo 35 do CTN, salienta que “os impugnantes não exercem Fl. 4547DF CARF MF 14 nenhum cargo ou função na empresa autuada, não alteraram seu estatuto social, muito menos desrespeitaram a lei, não havendo como fundamentar a aplicação do referido artigo”. K) DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA APRESENTADA POR GUILHERME CARVALHO COSTA EM 11/07/2017 – FLS. 3.3317/3.327: 1. Argumentou o impugnante que, “conforme informado pela fiscalização, declarou regularmente suas declarações de IRPF, nas competências de 2008 a 2013, suas movimentações patrimoniais realizadas nas competências respectivas, bem como os rendimentos percebidos”. 2. Asseverou que “tais valores não foram pagos ao ele, tampouco depositados em sua conta corrente e sua resposta não foi a declarada pela Fiscalização, mas sim que os saques foram feitos por conta e ordem de Benedito. De fato, como constante da contabilidade da empresa, tais valores destinaramse a pagamento de fornecedores da própria empresa e não do impugnante. Requereu a apresentação dos mencionados cheques a fim de demonstrar que não houve qualquer depósito na contacorrente do Contribuinte como declarado no relatório da Fiscalização”. 3. Assevera que o impugnante “é tio de RENATA PATERNOSTRO e, de fato, na ocasião, por solicitação de sua sobrinha, que mantinha residência no Rio de Janeiro, mas em virtude de atividades profissionais em São Paulo desejava uma residência alternativa nesta Capital, verificou quem prestava serviços de segurança na rua da casa que fora alugada e contribuiu na contratação de tal profissional autônomo”. 4. Ressaltou que não há nenhuma relação de Guilherme com a CPA, pois os seus atos quando era sócio da FEMAR são lícitos e regulares, as declarações fiscais são regulares e aceitas pela RFB e o fato de ser tio de Renata Paternostro seria igualmente lícito”. 5. Em respeito ao contraditório e ampla defesa do Impugnante, requereu “que a apresentação de todos os documentos em que a Fiscalização fez referencia a ele, especialmente os documentos bancários, termos de intimação, comprovantes de entrega e respectivas respostas, sob pena de caracterizarse a hipótese do art. 59, inc. II, do Decreto 70.235/72”; 6. Solicitou sua exclusão da responsabilização solidária em virtude de falta de fundamento, uma vez que não haveria qualquer beneficio, abuso ou ilegalidade que o justifique”. L) DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA APRESENTADA POR DE ANDRÉ LIRA DA SILVA EM 03/08/2017 – FLS 3.649/3.651: Produziu o impugnante alegações idênticas a JP Distribuidora de Insumos Agroindustriais EIRELI. Fl. 4548DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201713 Acórdão n.º 1401003.115 S1C4T1 Fl. 4.542 15 M) DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA APRESENTADA POR EDMUNDO JOSÉ FERNANDES PRIANTE E MARIA JOSÉ FERNANDES PRIANTE EM 11/07/2017 – FLS. 3.217/3.228: 1. Preliminar de matéria processual administrativa. Asseverou que “em virtude de a intimação ter sido realizada por correio e que na correspondência recebida constava Compact Disc, no qual não constava nenhum documento dos mencionados nos relatórios fiscais, em específico aqueles nos quais a fiscalização se baseou para atribuir responsabilidade ao impugnante, em respeito ao direito à ampla defesa e ao contraditório, solicitou que fossem apresentados tais documentos de maneira a possibilitar a específica defesa, sem o que o presente processo remanesceria com grave nulidade”. 2. Da matéria de Ordem Pública – nulidade formal. Considerando que “a atividade fiscal é plenamente vinculada, inexistindo espaço para atuações sem base legal, Constituição Federal (art. 37) e Código Tributário Nacional (art. 147a imputação de responsabilidade teria ocorrido ao arrepio da lei, pois nada fizeram ou praticaram os Impugnantes, ou deixaram de praticar quando legalmente obrigados, que os vinculasse e/ou relacionasse com o fato gerador do lançado contra a empresa CPA, devendo o Auto de Infração ser considerado formalmente nulo, bem como improcedente quanto à imputação de responsabilidade de terceira pessoa. 3. Do erro de capitulação legal do ato Administrativo. Considerando que “nenhum interesse dos Impugnantes há no fato gerador dos tributos lançados, não haveria fato narrado que se subsumisse à hipótese legal do art. 124, o que redunda na nulidade e improcedência do auto. Quanto à hipótese do art. 135 do CTN, também não seria cabível, uma vez que se trata de hipótese de direta responsabilidade do terceiro, de caráter pessoal, sujeita à condicionante fática constante do caput e que recai sobre pessoa com vínculo societário com a contribuinte originária. 4. Asseverou que “não praticou o ato omissivo que gerou o lançamento tributário, pois não haveria qualquer descrição fática que implicasse a Impugnante em relação à contribuinte autuada FEMAR, nem descrição de ato ou omissão da Impugnante que tenha sido ilícito, nem liame, direto ou indireto, que atribua pessoal responsabilidade desta quanto ao fato considerado no lançamento”. 5. Citou julgado do STF. 6. Quanto à impugnante “Maria José, essa teria sido sócia efetivamente da empresa FEMAR depois de adquirir cotas, retirandose após transferir tais cotas, nada havendo de ilegal ou simulado”. 7. No mérito, alegaram conjuntamente, que “se defendem com relação a divida tributária de terceira empresa, a qual desconhecem, nunca fizeram parte, nem participaram indiretamente, de maneira que são Fl. 4549DF CARF MF 16 estranhos à relação tributária que originou o lançamento, uma vez que não praticaram qualquer ato relacionado ao fato gerador dos tributos lançados, nem fazem parte do alegado grupo de fato, tanto porque desconhecem a empresa lançada e seus sócios e, tampouco, não haveria descrição fática que fundamentasse sua responsabilização”. N) DA IMPUGNAÇAO ADMINISTRATIVA APRESENTADA POR JOSIMAR GOMES DA SILVA EM 11/07/2017 fls. 3.023/3.031: 1. Pontuou o impugnante que “ele é procurador perante a Receita Federal do Brasil da empresa VALEZAN desde dezembro de 2014, pessoa jurídica domiciliada no exterior, tendo recebido procuração exclusivamente para os termos do que dispõe a Instrução Normativa RFB n° 1183/2011 (alterado pela IN/RFB n° 1634/2016)”. 2. Asseverou que “a própria fiscalização sepulta sua imputação, quando relatou que Josimar seria o atual representante e procurador da empresa VALEZAN, nos termos da Cláusula I, da Alteração Contratual registrada na JUCESP em 19 de dezembro de 2014, uma vez que a autuação se refere a fatos jurídicos tributários relativos aos anos de 2012 e 2013”. 3. Destacou que “o mandato de procuração que foi "citado" na JUCESP não atribuiu ao impugnante nenhum poder de gerência, administração ou mando perante a empresa VALEBRASIL da qual a empresa estrangeira é sócia, não existindo "interesse comum" a caracterizar a imputação descrita no art. 124, I do CTN”. 4. Portanto, “a responsabilização do impugnante seria ilegal, pois não teria praticado nenhum ato contrário à lei, tampouco tinha interesse nos fatos jurídicos tributários apurados nos anos de 2012 E 2013”. 5. Nas Razões de Direto , produziu mesmas alegações de Valezan Overseas Corp. O) DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA APRESENTADA POR LIMA & PERGHER IND. COM. REPRES. S/A EM 12/07/2017 – FLS. 3.334/3.353: 1. Da decadência parcial dos créditos tributários. Neste tópico produziu mesmos argumentos apresentados pela CPA. 2. Da nulidade do termo de responsabilidade tributária erro de capitulação legal. Ressaltou que para “a qualificação da existência do grupo econômico de fato, a longa descrição menciona, entre outros indícios, a coincidência de sócios de mais de uma pessoa jurídica; relações de parentesco entre sócios de várias pessoas jurídicas; indícios de existência de interpostas pessoas; realização de constantes transações entre essas várias pessoas jurídicas; não localização de Fl. 4550DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201713 Acórdão n.º 1401003.115 S1C4T1 Fl. 4.543 17 estabelecimentos nos endereços cadastrais indicados; e não cumprimento de obrigações tributárias acessórias”. 3. Entretanto, ressaltou que nenhum dos fatos relatados no Termo de Constatação diz respeito à Impugnante, a qual sequer é mencionada como possível integrante do suposto grupo econômico de fato. Suscita que estão ausentes quaisquer provas de envolvimento da Impugnante em negócios escusos supostamente conduzidos pela CPA e demais pessoas físicas e jurídicas mencionadas no item "1.1" do TRT, valeu se a Fiscalização do emprego de presunção não prevista em lei para sustentar a responsabilização tributária solidária da Impugnante. 4. Do mérito. Afirmou que “a mera leitura do dispositivo (art. 135, III, do CTN) revelaria sua inaplicabilidade ao caso da Impugnante, pois esta não seria diretora, gerente ou representante da CPA, muito menos haveria nos autos do procedimento administrativo qualquer indício ou prova de que tenha exercido poderes nesse sentido ou simples alegação fundamentada de que teria atuado tomando decisões ou influindo na gerência e administração da CPA, menos ainda que os créditos tributários de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS decorreriam de atos praticados pela Impugnante”. 5. Citou entendimentos doutrinários e jurisprudência do STF e do CARF. Ressaltou que não poderia ser possível justificar a imposição de responsabilidade à Impugnante por créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos também em 2013, quando a própria Fiscalização somente alega ter a Impugnante recebido pagamentos da CPA ao longo do ano de 2012. 6. Citou jurisprudência do STJ. 7. Asseverou que “Doutrina e jurisprudência pátrias dissecaram e delimitaram a extensão possível do conceito de "interesse comum", como pressuposto da coobrigação e solidariedade passivas, traduzindoo na coincidência de interesses voltados à concretização do fato que desencadeia a incidência tributária, mas não apenas o interesse coincidente, e, sim, o interesse efetivamente comum entre sujeitos que integram um mesmo polo da relação obrigacional”. 8. Dessa forma, suscita que “a única alegação que faz a Fiscalização contra a Impugnante é de que teria recebido recursos provenientes da CPA, o que, por si só, é incapaz de revelar qualquer relação de "interesse comum" nas situações que constituíram fatos geradores de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Aliás, se qualquer pagamento houvesse sido efetuado da CPA para a Impugnante, estas estariam em posições jurídicas evidentemente antagônicas. Seus interesses jurídicos seriam contrapostos, e não comuns”. Fl. 4551DF CARF MF 18 P) DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA APRESENTADA POR MARCO ROBERTO DO CARMO EM 11/07/2017 – FLS. 3.190/3.206: 1. Preliminar cerceamento de defesa. O Impugnante “não teve acesso à prova definitiva que teria havido depósito em sua conta corrente de valores provenientes da autuada, nem mesmo o acesso ao link SPLASH inserido no CD dá acesso ao referido documento, o que o fez concluir que restou cerceado do Impugnante documento fundamentador de sua responsabilização, havendo fundado receio que represente prova ilícita, imprestável no presente processo, motivo pelo qual requereu o conhecimento para o fim anular a imputação fiscal de responsabilização”. 2. Asseverou que “não haveria nenhum ato praticado pelo Impugnante na gestão da empresa autuada, tampouco algum ato praticado em interesse comum, que fundamentasse a responsabilidade descrita no art. 124, I do CTN”. Q) DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA APRESENTADA POR SON SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS EIRELI E SONIA MARIA RIBEIRO DA SILVA OLIVEIRA EM 11/07/2017 – FLS. 3.037/3.3046: 1. Argumentaram que “a fiscalização trouxe fatos ocorridos no ano de 2010, desvinculados do período da presente imputação, sendo irrelevante o que aconteceu. Asseveraram que a empresa SON prestou serviços financeiros à empresa CPA, tudo devidamente documentado em sua responsabilidade e de acordo com as notas fiscais emitidas, como demonstram as notas fiscais exemplificativas em anexo”. 2. “As transações financeiras entre a empresa CPA e a SON estão embasadas em documentos fiscais (notas fiscais e lançamentos contábeis) e se referem a prestação de serviços financeiros, nenhum serviço de cunho administrativo ou contábil foi prestado pela impugnante SON ou sua administradora”. 3. Ressaltou que “a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife através do Acórdão n° 11.56.197 ao analisar esse mesmo relatório efetuado pela mesma equipe fiscal entendeu que não haveria nos autos provas suficientes para a inclusão da Impugnante no rol de responsáveis relativamente a fatos do anocalendário autuado (2010) que poderiam caracterizar interesse comum ou ação com excesso de poderes ou infração a lei, contrato social ou estatutos”. R) DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA APRESENTADA POR VALESP SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS EIRELI EM 11/07/2017 – FLS 2.982 /3.994: 1. Argumentou a impugnante que “apresentou documentos para a fiscalização, sendo as suas prestações de serviços todas comprovadas em seus lançamentos fiscais e que o fisco informa que ela recebeu valores da empresa CPA, mas não diz quanto nem quando, em virtude de haver prova dessa alegação”. Fl. 4552DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201713 Acórdão n.º 1401003.115 S1C4T1 Fl. 4.544 19 2. Acrescentou que “pela assertiva fiscal a empresa foi fundada no ano de 2012, mas só começou a operar no ano de 2013 e que ela está sendo responsabilizada por tributos exigidos em período que sequer existia”. 3. Asseverou que “a escrituração contábil da impugnante não foi em nenhum momento rechaçada pela fiscalização e que a acusação seria que o sócio da Impugnante seria também sócio de fato de outras empresas, mas este fato não teria o condão de atrair a responsabilidade tributária em virtude de ausência de fundamento para o interesse comum ou ato ilícito”. 4. Ponderou que “os fatos tributários objeto do lançamento ocorreram até mesmo antes do início das atividades (e existência) da empresa Impugnante, criando a autoridadefiscal a figura da retroatividade fiscal. Argumentou que responsabilidade tributária seria vinculada à lei – não haveria responsabilidade tributária por presunção, ela sempre deveria ser comprovada pelo ente tributante”. 5. Asseverou que “os argumentos trazidos pela fiscalização não se alinham com os fundamentos destacados, inexistindo prova que a Impugnante tivesse qualquer participação societária na empresa autuada. Portanto, o fisco deveria ter perquirido e demonstrado qual ato comissivo foi praticado pela Impugnante em "interesse comum" (não pelo seu sócio em atos que atraem a responsabilidade pessoal)”. 6. Citou entendimentos doutrinários e decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 7. Quanto à teoria do abuso da personalidade jurídica, “esta não se aplicaria ao caso, pois a impugnante não era sócio da empresa, muito menos se apropriou de qualquer patrimônio da mesma”. S) DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA APRESENTADA POR VALEZAN OVERSEAS CORP EM 10/07/2017 – FLS. 3.372/3.379: 1. Ponderou o impugnante que “os fatos descritos pela fiscalização são alheios à empresa autuada, se referem a período distinto e não se enquadram nos fundamentos jurídicos para a responsabilização tributária”. 2. Alegou “falta de nexo causal ou jurídico entre a existência da impugnante no quadro societário da VALEBRASIL e falta de apresentação de documentos da contabilidade da autuada”. 3. Observa que “a legislação tributária que trata da responsabilização de terceiros só é possível quando haja interesse na obrigação principal, que não é o caso dos presentes autos, porquanto não houve nenhuma relação empresarial entre a impugnante e a autuada, ou que haja a Fl. 4553DF CARF MF 20 prática de um ato ilícito diretamente ligado a obrigação principal, quer seja com excesso de poderes, infração a lei ou contrato social”. 4. Asseverou que “na responsabilidade solidária de que cuida o art. 124, I do CTN, não basta o fato de as empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico, sendo indispensável à configuração do interesse comum na situação constitutiva do fato gerador da obrigação principal”. 5. Ressaltou que “para a configuração da solidariedade entre empresas coligadas ou do mesmo grupo econômico seria preciso não confundir interesse jurídico comum na situação que constitua o fato gerador de que cuida o inciso I do art. 124 do CTN, com o interesse econômico no resultado que constitui o fato gerador da obrigação tributária”. 6. Argumentou, por fim, “que o fundamento trazido pela fiscalização para imputar solidariedade ao impugnante é improcedente, não havendo qualquer interesse comprovado e que a acusação fiscal se daria por ela SER sócia de empresa e não de fazer algo, conforme descrito na fundamentação, onde consta unicamente a informação de que ela é quotista, não que tenha contribuído por qualquer ato ilícito”. O Acórdão ora Recorrido (0379.041 8ª Turma da DRJ/BSB) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anoscalendário: 2012, 2013 QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. O fornecimento de extratos bancários de contribuintes sob fiscalização à administração tributária é mera transferência de sigilo bancário. ARBITRAMENTO DO LUCRO. CABIMENTO. Sujeitase ao arbitramento de lucro o contribuinte que não possuir escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase na hipótese tipificada no art. 71, da Lei nº 4.502/64. MULTA AGRAVADA. A falta de apresentação de livros e documentos de escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anoscalendário: 2012, 2013. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente aplicada no julgamento dos autos de infração decorrentes ou reflexos, uma vez que o Fl. 4554DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201713 Acórdão n.º 1401003.115 S1C4T1 Fl. 4.545 21 lançamento matriz e reflexos estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anoscalendário: 2012, 2013. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. A caracterização da responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados pressupõe a comprovação pela Fiscalização da existência de interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal (art. 124, I, do CTN). SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE PESSOAL Os sócios de fato de pessoa jurídica de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (art. 135, III, do CTN). Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Conforme entendimento da turma julgadora, verificouse “a correção do procedimento adotado, à vista da ocorrência de uma das hipóteses as quais autorizam a adoção da referida determinação do lucro, qual seja, de que deixou a contribuinte de apresentar a documentação solicitada para a verificação da real receita de serviços havida, mormente os registros contábeis, pois, além de não ter apresentado os documentos que compuseram a sua escrituração comercial e fiscal, do anocalendário 2012, também não apresentou a DIPJ e a escrituração comercial com os respectivos documentos referentes ao anocalendário 2013, a despeito de ter sido intimada para tanto”. E que “a legislação é clara ao enquadrar a presente hipótese como omissão de receitas, uma vez que, apesar de intimada, a interessada não apresentou os esclarecimentos e documentos solicitados pelo Fisco, cabendo o arbitramento sobre a receita bruta conhecida, no caso, as informações referentes às Notas Fiscais Eletrônicas emitidas pelo próprio contribuinte constantes do SPED NFe”. E que “ao contrario do que defendem os impugnantes, constatase que os fatos descritos e a documentação constante dos autos compõem um conjunto probatório não desconstruído pelas Impugnações apresentadas, pois identificase claramente a atuação dos Impugnantes no contexto da confusão patrimonial indicada pela Autoridade Fiscal, uma vez que ficou evidenciado a utilização de recursos da empresa CPA em seus próprios proveitos, inclusive com pagamento de suas despesas pessoais, fato que de demonstra que os impugnantes seriam os gestores de fato daquela empresa autuada (“donos da empresa”), agindo inclusive com excesso de poderes”. Considerou ainda, que “a fiscalização procurou, por meio da identificação dos pagamentos realizados direta ou indiretamente aos impugnantes, correlacionar os pagamentos realizados pela empresa CPA, a partir da hipótese de existência de um grupo econômico, com alguma relação pessoal ou profissional com aquela empresa autuada, com intuito de demonstrar que haveria um vinculo possível de solidariedade tributária com relação aos créditos tributários constituídos por meio de arbitramento. Ocorre que o simples recebimento de tais pagamentos não teria o condão de colocar tais pessoas físicas e jurídicas Fl. 4555DF CARF MF 22 (impugnantes) no mesmo polo passivo da obrigação tributária, uma vez que não restou demonstrada a participação delas na regra matriz de incidência tributária discutida nos presentes autos (arbitramento)”. Em resumo, decidiu a DRJ (1) Declarar definitiva na esfera administrativa a responsabilidade solidária, em virtude de não apresentação de impugnação, dos responsáveis solidários Benedito Antonio de Oliveira e Femar Rest. Recup. Recomp. Predial Ltda; (2) Declarar definitiva na esfera administrativa a responsabilidade solidária, em virtude de apresentação de impugnação intempestiva, do responsável solidário André Lira da Silva; (3) rejeitar as questões preliminares suscitadas e, no mérito, julgar procedente, em parte, a impugnação apresentada por CPA Distribuidora de Produtos Industriais Eirele, a fim de tão somente afastar a multa agravada, mantendose o crédito tributário lançado. (4) rejeitar as questões preliminares suscitadas e, no mérito, julgar improcedentes as impugnações apresentadas pelos administradores da pessoa jurídica Luiz Otávio Paternostro e Jason Paulo de Oliveira; (5) Julgar procedentes as impugnações apresentadas por Guilherme Carvalho Costa, Edmundo José Fernandes Priante, João Paulo de Oliveira, José Paulo de Oliveira, Josimar Gomes da Silva, JP Distribuidora de Insumos Agroindustriais, Kolovec do Brasil Distrib. Prods. Químicos Ltda, Kolovec Trading Sociedad Anonima, Lima & Pergher Ind. Com. Repres. S/A, Luiz Gustavo Paternostro, Marco Roberto do Carmo, Maria José Fernandes Priante, PNE Negócios Esportivos e Repres. Eireli, Renata Paternostro, Sérgio Luiz Battaglin, Son Servicos Administrativos Eireli, Sonia Maria Ribeiro da Silva Oliveira, Synthese Particip. e Empreend. Ltda, Valebrasil Empreend. Imobil. Particip. Assesos. Empresarial Ltda, Valesp Serviços Administrativos Eireli, Valezan Overseas Corp., excluindoos da condição de responsáveis solidários pelo crédito tributário remanescente. Ciente da decisão do Acórdão os interessados apresentam Recursos Voluntários, trazendo em seu bojo as seguintes razões: A) RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO POR JASON PAULO DE OLIVEIRA EM 20/04/2018 FLS. 3996/ 4015. Apresentou RECURSO VOLUNTÁRIO idêntico à impugnação Administrativa às fls. 3004/3019. B) RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO POR CPA DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS INDUSTRIAIS EIRELE EM 24/04/2018 FLS. 4029/4054.Apresentou RECURSO VOLUNTÁRIO idêntico à impugnação Administrativa às fls. 3763/3781. C) RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO POR FEMAR RESTAURAÇÃO, RECUPERAÇÃO E RECOMPOSIÇÃO PREDIAL LTDA EM 22/04/2018 FLS. 4057/4074, TRAZENDO EM SEU BOJO AS SEGUINTES RAZÔES: 1. DA NULIDADE DA INTIMAÇÃO: Afirma que “a Recorrente ou sua representante legal há época da lavratura do auto de infração não foram notificadas”. Assim, “com efeito, o lançamento tributário só nasce com a legítima notificação do contribuinte, nos temos do artigo 145 do CTN, não existe intimação por aproximação ou tácita. A notificação do lançamento ao administrado é condição de nascimento da obrigação tributária, como já fixou entendimento nossos Tribunais Superiores”. “Não notificar o responsabilizado solidariamente representa não fazer nascer o tributo em relação a ele, e pior, cercear o seu direito à defesa”. Requereuse preliminarmente “a nulidade da intimação por edital, tendo em vista a falta de intimação do sócio administrador da sociedade há época da lavratura do auto de infração”. Fl. 4556DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201713 Acórdão n.º 1401003.115 S1C4T1 Fl. 4.546 23 2. O AUTO DE INFRAÇÃO E O TERMO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA: “A empresa FEMAR foi objeto de ação fiscal sob responsabilidade do AFRF13 que aqui subscreve (TDPF ri° 2015 025348). Portanto, a Fiscalização teve acesso aos extratos bancários da empresa FEMAR e constatou que os valores que lhe foram "pagos/atribuídos" pela aquisição de dois imóveis localizados na cidade de Diadema SP, locais onde está estabelecida a empresa KOLOVEC, mesmo sem comprovar ter recursos próprios para tais aquisições. Num curto espaço de tempo, a empresa FEMAR alienou esses imóveis para as empresas VALEBRASIL e SYNTHESE”. 3. A IMPROCEDÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO: Afirma que “esta limitação acerca da imputação da responsabilidade tributária tem fundamento na Constituição Federal e se aplica para assegurar que a cobrança do tributo atenda ao requisito da capacidade contributiva”. (...) Aduz que “não se pode responsabilizar qualquer pessoa pela obrigação tributária, e também não é qualquer tipo de vínculo com o fato gerador que pode gerar a responsabilidade, é preciso que esse vínculo permita a esse terceiro responsável fazer com que o tributo seja recolhido sem onerar a si próprio”. 4. Diz que “o interesse comum na hipótese que configura a ocorrência do fato gerador da obrigação, cuja existência dá ensejo à solidariedade, não é um interesse meramente de fato, mas jurídico, isto é, o interesse que decorre de uma situação jurídica, o que não poderia ocorrer no caso concreto, em virtude da completa inexistência de vínculo entre a Recorrente e a empresa fiscalizada”. 5. Entendem que “a sujeição passiva solidária prevista no artigo 124, I, do CTN, depende da prova inequívoca da efetiva participação do contribuinte solidário nas operações que resultaram a autuação ora combatida”. (...) “Isto é, não basta alegar a existência de interesse comum entre os contribuintes, tal alegação deve vir precedida de provas, o que não ocorreu no caso concreto, até mesmo por impossibilidade material em virtude da inexistência de vínculo entre a Recorrente e a empresa fiscalizada”. 6. Destacouse “acerca do suposto pagamento que o sócio, ora Recorrente, tivesse recebido cheques da empresa fiscalizada, o que se admite de forma estritamente hipotética, que isto não seria o suficiente para responsabilizálo por todo o auto de infração por dois fundamentos”. 7. Afirma que “seria totalmente desproporcional afirmar que a Recorrente teria interesse comum com a empresa fiscalizada em toda a extensão do crédito tributário, de mais de setenta e oito milhões de reais, em virtude de suposto porém inexistente recebimento de cheques pelo sócio, que somam apenas cento e trinta e oito mil reais”. 8. Requereu o acolhimento do Recurso Voluntário interposto para: (i) Reconhecer “a nulidade da intimação por edital, tendo em vista a falta Fl. 4557DF CARF MF 24 de intimação do sócio administrador da sociedade à época da lavratura do auto de infração, com retorno dos autos a DRJ/BSB para que a Recorrente possa exercer o seu direito de defesa”; (ii) Caso este não seja o entendimento, “que seja excluída a responsabilidade solidária da Recorrente, como aconteceu com os demais coobrigados, tendo em vista não ter sido comprovado qualquer benefício com suposto ato ilícito praticado pela contribuinte CPA, bem como por não haver qualquer relação civil, comercial ou societária que se enquadre na hipótese do art. 135, do CTN”. D) RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO POR LUIZ OTÁVIO PATERNOSTRO EM 27/04/2018 FLS. 4082/4166, TRAZENDO EM SEU BOJO AS SEGUINTES RÃZOES: 1. Preliminarmente — Da Descrição da Relação Comercial entre o Recorrente e a CPA Distribuidora: 2. Afirma que “em razão do grande volume de negócios com esse tipo de produto, a CPA possuía grandes clientes (como os identificados no Anexo IV do Termo de Constatação — fls. 2670), que adquiriam óleos para produção de produtos de limpeza por exemplo, o qual por sua vez era adquirido de pequenos e médios frigoríficos/graxarias e pequenos e médios produtores de óleo de palma (agroindústrias de pequeno e médio porte). E que, “como responsável pela área comercial, o Recorrente possuía grande conhecimento sobre as características de qualidade de cada fornecedor que atuava no mercado, como aspectos relacionados à acidez, cor e pureza, o que lhe permitia identificar qual fornecedor era o mais adequado cada para cada tipo de indústria (por exemplo, as indústrias de alimentos exigem padrão superior de qualidade do que as de limpeza em geral)”. 3. E que “o Recorrente não ofereceu valores à tributação na época, motivo pelo qual o pagamento de tal comissão não foi declarado às autoridades fiscais. A comissão foi paga por diversas formas, tais como as que foram objeto de exposição no Termo de Responsabilidade Tributária (em dinheiro diretamente ao Recorrente ou por meio de pagamento de despesas pessoais)”. 4. CPA Distribuidora de Produtos Industriais: Diz que “a Recorrente não nega o pagamento de parte das despesas acima relacionadas pela Fiscalização com os recursos da CPA, mas nega peremptoriamente a distorcida interpretação feita pela Fiscalização de que o Recorrente (i) seria "sócio de fato" da CPA, por ter recebido recursos desta empresa e (ii) seria o maior beneficiado pelo não pagamento de tributos e contribuições federais. E que “ o Recorrente não ofereceu à tributação os relativos à comissão pactuada com a CPA. Como exposto anteriormente, a comissão foi paga por diversas formas, tais como as que foram objeto de exposição no Termo de Responsabilidade Tributária (em dinheiro diretamente ao Recorrente ou por meio de pagamento de despesas pessoais)”. Fl. 4558DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201713 Acórdão n.º 1401003.115 S1C4T1 Fl. 4.547 25 5. Da Análise dos Pagamentos Feitos ao Recorrente pela CPA — Necessária Delimitação dos Valores Envolvidos: Diz que “a Fiscalização não comprovou, como seria de rigor, que parte dos valores recebidos pelas pessoas físicas e jurídicas acima identificadas (em amarelo) decorrem dos pagamentos efetuados ao Recorrente pela CPA, fato este que fragiliza, por completo, o trabalho fiscal”. 6. Da Inexistência do Recorrente com as Demais Empresas Envolvidas (31›, KOLOVEC e FEMAR): Afirma que “o Fisco desincumbiu de provar a sua alegação de que o Recorrente seria também "sócio de fato" da KOLOVEC, pois (i) não expôs, no Termo de Constatação ou no Termo Responsabilidade Tributária, os motivos para chegar a esta conclusão; (ii) sequer cita a KOLOVEC no Termo Responsabilidade Tributária ou (iii) aponta algum valor pago pelo Recorrente à esta empresa com recursos da CPA”. Logo, é totalmente descabida e irresponsável a afirmação de que o Recorrente seria "sócio de fato" desta empresa ou teria se beneficiado do não recolhimento dos tributos com base nas provas e informações de pessoas (físicas ou jurídicas) que transacionaram com a KOLOVEC. Não há, repitase, qualquer afirmação ou prova neste sentido”. (...) Não “há qualquer alegação e muito menos prova/informação nos autos que permita concluir que o Recorrente seria "sócio de fato" da FEMAR ou teria sido, de alguma forma, beneficiado com o não recolhimento dos tributos por parte da CPA, como alegou, inadvertidamente, a Fiscalização”. 7. Da CONCLUSÃO: Inexistência de Provas para Suportar as Acusações Fiscais: Diz que “de acordo com o princípio da segurança jurídica, o tributo só pode ser validamente exigido quando um fato se ajusta rigorosamente à hipótese de incidência tributária. Não se pode considerar ocorrido o fato jurídico tributário por mera ficção ou presunção, isto é, independentemente da efetiva verificação, no mundo fenomênico, dos fatos abstratamente descritos na hipótese de incidência tributária”. Além disso, restou também demonstrado a inexistência de qualquer prova para amparar a desmotivada alegação da Fiscalização de que o Recorrente (i) seria "sócio de fato" das empresas KOLOVEC, FEMAR; (ii) teria algum tipo de envolvimento com a empresa 3P ou (iii) teria se beneficiado com o não pagamento de impostos e contribuições com base em provas ou informações de pessoas físicas ou jurídicas que transacionaram com essas empresas”. 8. a Inexistência de Critério Uniforme por Parte da DRJ para Exclusão dos Devedores Solidários e a Manutenção do Recorrente: Afirma que “restou demonstrado, ao longo deste tópico, (i) a impropriedade da indevida presunção fiscal de que o Recorrente seria "sócio de fato" da CPA; (H) a inexistência de provas para subsidiar as alegações da Fiscalização e (iii) a falta de critério da DR] para a exclusão dos devedores solidários e a manutenção do Recorrente, razão pela qual deve este E. Conselho, também por este motivo, reformar a decisão recorrida e excluir a responsabilidade tributária do Recorrente”. Fl. 4559DF CARF MF 26 9. Da Genérica Alegação de Responsabilidade Tributária por parte da Fiscalização / Da Inexistência de Fundamentação Adequada para a Manutenção do Recorrente no Polo Passivo das Autuações Fiscais / Da Falta de Provas de "Atos de Gestão": Notase, assim, que a Fiscalização, se valeu, mais uma vez, de uma afirmação genérica para culpar todos por tudo, como se todos fossem igualmente responsáveis e na mesma medida. Porém, esta lamentável tentativa de atirar para "todos os lados" não foi tão bemsucedida, pois a própria DR] excluiu 21 solidários" (de um total de 23) do polo passivo das autuações, por entender que não havia um vínculo possível de solidariedade tributária com relação aos créditos tributários constituídos por meio do arbitramento”. 10. “Se as provas fossem realmente contundentes, como faz crer a Turma Julgadora, porque nada foi dito sobre elas? A resposta a esta indagação apenas confirma o quanto exposto pelo Recorrente ao longo deste recurso: PORQUE NÃO EXISTEM PROVAS NOS AUTOS DE QUE O RECORRENTE EXERCEU ALGUM TIPO DE GESTÃO NA EMPRESA AUTUADA PARA SER QUALIFICADO COMO "SÓCIO DE FATO". O que existe é apenas uma presunção de que ele ostentaria esta condição por ter recebido pagamentos direta ou indiretamente da CPA! NADA MAIS!”. 11. Da Inexistência de Confusão Patrimonial (Art. 50 da Lei 10.466/2002): Afirma que “o elemento dolo é indispensável para a sua caracterização. O desvio de finalidade e a confusão patrimonial somente ficarão caracterizados se ficar comprovado aue os sócios praticaram atos dessa natureza com a estrita finalidade de causar danos aos credores da pessoa jurídica. Diante disso, fica claro que, para terse como possível a desconsideração da pessoa jurídica, exige se comprovação de que os sócios das empresas integrantes agiram de maneira dolosa, com a finalidade de prejudicar seus credores”. 12. No presente caso, “não se pode admitir a responsabilização solidária do Recorrente. Isso porque, como já amplamente demonstrado, o Recorrente nunca foi sócio de direito e muito menos "de fato" da CPA", já que não há qualquer prova nos autos que comprove a prática de algum ato de gestão por parte dele. Dessa forma, é totalmente presuntiva a afirmação da Fiscalização de que houve confusão entre o patrimônio da CPA e o patrimônio do Recorrente, já que o pressuposto para a incidência da norma veiculada pelo art. 50 do Código Civil (ser sócio) não existe e não foi comprovado o contrário pela Fiscalização”. 13. Inexistência de Solidariedade (art.124, inciso I do CTN): Afirma que “a única acusação que recai sobre ele diz respeito aos pagamentos feitos direta ou indiretamente ao Recorrente pela CPA! Nada mais! Este fato, entretanto, não guarda qualquer conexão com a prática de atos planejados, coordenados e executados com os demais responsáveis tributários, como inadvertidamente mencionou, mas não comprovou, a Fiscalização. A incongruência desta alegação é tamanha e não resiste a uma análise mais aprofundada. Ora, se todos os solidários agiram de forma coordenada e planejada, na visão da Fl. 4560DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201713 Acórdão n.º 1401003.115 S1C4T1 Fl. 4.548 27 Fiscalização, como é possível que 21 deles tenham sido excluídos do polo passivo pela DR] e apenas 02 deles mantidos? Com quem o Recorrente planejou todos os negócios escusos? Que atos foram esses? Mais uma vez, essas perguntas ficam sem resposta”. 14. Ad argumentandum Da Inexistência de Interesse Jurídico do Recorrente: Afirma que “enquanto na hipótese de responsabilidade tributária existe a possibilidade de se atribuir a terceiro o cumprimento da obrigação tributária, por outro lado, no campo da solidariedade por interesse comum (situação pretendida pelo Sr. Agente Fiscal), os tributos somente podem ser cobrados daqueles que praticarem o fato gerador, ou seja, dos contribuintes propriamente ditos, nos casos de pluralidade no campo da sujeição passiva. Vejase, neste mesmo diapasão, o entendimento do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF") a respeito da necessidade de existência da pluralidade de contribuintes, praticando a conduta lícita descrita na regramatriz de incidência tributária (hipótese de incidência ou fato gerador), para a caracterização do artigo 124, inciso I, do CTN”. (...) Que no caso concreto, “a Fiscalização e a DRJ se equivocaram ao estender ao Recorrente, uma "responsabilidade tributária" com base no artigo 124, inciso I, do CTN, que trata de "solidariedade" e somente pode ser aventado nos casos em que o sujeito passivo incorre na prática do fato gerador como contribuinte da obrigação tributária. Por esta razão, a solidariedade deve ser prontamente afastada por este E. CARF”. 15. Da Inexistência de Atos Praticados com Excesso de Poderes ou Infração de Lei, Contrato Social ou Estatutos: Diz que “como é sabido, configurase o excesso de poder quando o administrador, investido dos poderes de gestão da sociedade, vier a praticar algum ato, ainda que em nome da sociedade, mas extrapolando os limites contidos no contrato social. No presente caso, é impossível que o Recorrente tenha excedido o poder da pessoa jurídica (CPA), justamente porque ele nunca deteve poder algum sobre esta sociedade. Como demonstrado ao longo desta peça recursal, o Recorrente nunca assumiu a posição de sócio (seja de direito, seja de fato), pois não há prova alguma nos autos que comprova a existência de atos de gestão dele, mas apenas a acusação rasa de que ele foi beneficiado com os recursos da CPA, o qual não é indício suficiente para supor que ele seria gestor dessa empresa”. 16. Da Nulidade da Modalidade de Arbitramento Realizado em Face dos Fatos Alegados: Diz que “os autos de infração lavrados padecem de outro vício insanável, decorrente da total contradição entre (i) os fundamentos aduzidos para configurar a suposta infração tributária ("pagamentos e recebimentos entre as empresas não possuem justificativa) e (ii) o critério jurídico para apuração da base de cálculo dos tributos (arbitramento com base na "receita bruta conhecida"), devendo ser declarado nulo por este E. Conselho Administrativo também por este ângulo”. Fl. 4561DF CARF MF 28 17. Da inexistência de Fraude / Da Inaplicabilidade da Multa Qualificada: Aduz que “não restou comprovadas condutas e omissões dolosas dos representantes do contribuinte no sentido que preconiza o artigo 71, da Lei 4.502/64, no intuito de impedir o conhecimento, pela autoridade fazendária, do nascimento da obrigação tributária, devendo ser afastada a qualificação da multa”. 18. Da Decadência Parcial do Crédito Tributário: Diz que “com efeito, caso mantida a responsabilidade do Recorrente em face dos autos de infração ora em anáilse, o que se admite apenas a título argumentativo, bem como (i) comprovandose a ocorrência de pagamentos antecipados a título de IRRI, CSLL PIS e COFINS referentes ao anocalendário de 2012; e que (ii) que não foi verificado o dolo na suposta conduta de simulação; requerse a contagem do prazo decadencial nos termos do artigo 150, parágrafo 4° do CTN, com o consequente reconhecimento da decadência para cobrança dos períodos encerrados até 11/08/2012”. 19. Da Ilegalidade da Incidência dos Juros sobre a Multa: Afirma que “os juros calculados com base na taxa Selic não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal”. 20. Requereu que seja conhecido e provido o presente Recurso Voluntário, “reformandose a decisão recorrida para determinar o cancelamento do Termo de Responsabilidade Tributária lavrado contra o Recorrente, para que seja excluído do polo passivo do presente processo”. 21. Caso assim não se entenda, requereuse que “os autos sejam baixados em diligência para que seja juntado aos autos o Termo de Intimação no. 0638 e respectiva resposta da empresa RHODIA POLIAMIDA E ESPECIALIDADES LTDA., para que o Recorrente tenha conhecimento de seu conteúdo”. 22. Caso não seja cancelada a responsabilidade tributária do Recorrente, requereuse a reforma da decisão recorrida para que (i) seja declara a consequente nulidade dos autos de infração lavrados, em razão dos vícios materiais apontados pelo Recorrente; ou, caso assim não se entenda, ao menos (H) seja cancelada a multa qualificada exigida de 150%, reconhecida a decadência para os períodos encerrados até 11/08/2012 e a ilegalidade da exigência de juros sobre a multa”. E) RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO POR ANDRÉ LIRA DA SILVA EM 07/05/2018 FLS. 4490 /4501, TRAZENDO EM SEU BOJO AS SEGUINTES RÃZOES: 1. Preliminarmente Cerceamento à Defesa: Aduz que “só será realizada a intimação por Edital quando forem impraticáveis as intimações pessoais ou por meio de registro postal”. E que, “essas condições não foram observadas no presente processo, quando se observa que o Fl. 4562DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201713 Acórdão n.º 1401003.115 S1C4T1 Fl. 4.549 29 Recorrente já havia sido intimado em seu domicílio por via postal às fls. 1287/1289, sendo do conhecimento da autoridade fiscal que procedeu a intimação ou seja, Rua dos Pacus, 16 Parque do Lago, São Paulo SP. CEP: 04.944.080”. 2. Afirma que “o erro na intimação fica explicito quando se observa que no TERMO DE CIÊNCIA DE LANÇAMENTOS E ENCERRAMENTO TOTAL DO PROCEDIMENTO FISCAL – RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA, a autoridade fazendária destaca o endereço correto do Recorrente, ou seja, Rua Pacus, 16: fls. 2918”. 3. Das Razões de mérito: Aduz “que não há nos autos qualquer prova que autorize a imputação de responsabilidade tributária, nos temos do art. 124 ou 135 do CTN, e, caso seja apresentada alguma prova nesse sentido que lhe seja possibilitado o acesso digital, através de Certificado Digital de Pessoa Física (CPF aos autos dos processos administrativos 19515.720506/201713 e 19515.720509/201757, bem como aos documentos que são referidos nos Relatórios Fiscais, especialmente aqueles que se referem a sua pessoa e à da pessoa jurídica de que é sócio e serviram de fundamento para a imputação de responsabilidade administrativa solidária”. 4. “Nega, peremptoriamente, ter participado, direta ou indiretamente, de qualquer atividade conjunta com a CPA, a não ser regulares negócios de venda e compra de mercadorias que circularam, foram entregues e pagas, como de direito”. 5. Afirma que “não praticou qualquer ato em colaboração com a empresa CPA, nem com o respectivo administrador, Benedito Oliveira, que possa ser causa da imputação de responsabilidade solidária que lhe foi atribuída nos PAs já referenciados, não havendo qualquer prova nesse sentido”. 6. Diz que “não mantém relações pessoais ou profissionais com qualquer das outras pessoas físicas ou jurídicas também imputadas nos processos administrativos em questão, pelo que reitera que formula, neste ato, negativa geral quanto aos fatos considerados pela fiscalização como causas da imputação administrativa ora atacada, fatos tais que ficam contraditados, ficando declarado, em definitivo, que discorda completamente com a imputação de responsabilidade solidária a sua pessoa por dívida de responsabilidade de terceira empresa, uma vez que não tem com a empresa lançada qualquer relação, de fato ou de direito, sequer é integrante de grupo de fato ou de direito como alega a fiscalização, devendo ser excluído dos Autos de Infração”. 7. Requereu “o conhecimento do presente Recurso, com a reforma da decisão recorrida, para o fim de afastar a intempestividade indicada, e no mérito requer a exclusão de sua responsabilidade, por não estarem presentes os requisitos dos art. 124 ou 135 do CTN”. Fl. 4563DF CARF MF 30 É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator Os recursos preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto devem ser conhecidos. Inicio a análise pelo Recurso apresentado pela Femar Restauração, Recuperação e Recomposição Predial, ressaltando que a decisão recorrida julgou definitivo o lançamento contra o referido solidário em razão da ausência de impugnação. Em seu Recurso, a Femar aduz em sede de preliminar ter sido nula a intimação do lançamento, realizada exclusivamente através de Edital. O agente fiscal aduz em seu TVF que a referida empresa é inexistente de fato, e teve o seu CNPJ baixado de ofício, sendo esta a motivação da intimação por Edital. Outrossim, ressaltese que, a sócia de direito da Femar, a Sra. Maria Priante, foi devidamente intimada a apresentou impugnação, a qual foi acolhida pela DRJ. Em seu Recurso, dentre os fundamentos de sua irresignação, a Femar alega em resumo que: Fl. 4564DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201713 Acórdão n.º 1401003.115 S1C4T1 Fl. 4.550 31 Assim, tendo em vista que a Recorrente não apresentou impugnação e, a princípio, o lançamento se tornou, contra ela, definitivo, faz se necessário analisar inicialmente a preliminar de nulidade da intimação do lançamento, a qual se resume, basicamente, à folha de seu recurso acima reproduzida. Da análise do lançamento e das razões de recurso, entendo não assistir razão à Recorrente. Fl. 4565DF CARF MF 32 Com a devida vênia, a Recorrente aduz razões que podem ser classificadas, no mínimo, como absurdas. Aduz que é contribuinte regular e que, de fato, funciona no endereço cadastral indicado. Diz ainda que as condições do imóvel são condizentes com a atividade por ela desenvolvida. Ocorre que, como muito bem instruído no processo, o agente fiscal foi absolutamente diligente e procurou localizar a empresa mas, no local por ela indicado como estabelecimento, encontrou uma casa em ruínas e sem qualquer condição de habitabilidade ou exercício de atividade administrativa. O estabelecimento empresarial é o conjunto dos bens indispensáveis à atividade principal e ao desenvolvimento da empresa; tais como mercadorias em estoque, máquinas, veículos, marca e outros sinais distintivos, tecnologia etc., de sorte que este conjunto de elementos constitui parte essencial e indissociável à empresa. Para o exercício do objeto social da Recorrente é necessário que a mesma possua um mínimo de estrutura administrativa e maquinário, vez que é construtora e realiza reformas e restaurações. O imóvel indicado como endereço, e que a Recorrente insiste ser de fato sua sede, pode até fazer parte do patrimônio da empresa, mas jamais ser considerado como sede de suas atividades empresariais. Para tanto, basta verificar algumas das fotos (fls. 1475 a 1478) do termo de diligência para chegar a tal conclusão, e defender o contrário, como faz a Recorrente é, no mínimo, duvidar da inteligência destes julgadores. Apenas para exemplo, segue foto do imóvel indicado como sede da empresa: Fl. 4566DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201713 Acórdão n.º 1401003.115 S1C4T1 Fl. 4.551 33 Ademais, em uma consulta através do Google Maps, cujas imagens foram capturadas já no ano de 2018, é possível confirmar que o referido imóvel continua nas mesmas condições: Assim é que, não são críveis as alegações da Recorrente. Outrossim, o agente fiscal também promoveu diligências no endereço da Sra. Maria José Priante, sócia à época dos fatos geradores, tendo encontrado uma Sra. de 83 anos à época, que nenhum conhecimento tinha sobre as atividades da empresa. Na referida diligência ficou claro que a mesma era uma sócia meramente de direito, que emprestou o nome a pedido de seu filho Edmundo Priante, sócio da Synthese. Todos estes imputados como responsáveis solidários, sendo devidamente cientificados do lançamento e, apresentaram impugnações que foram providas pela DRJ. Desta feita, sendo incerto o endereço da Recorrente, outra medida não poderia ter adotado o agente fiscal a não ser a intimação através de edital, razão pela qual entendo restar absolutamente válida. Nestes termos, entendendo válida a intimação da Femar, e não tendo a empresa apresentado a impugnação, contra ela não se instaurou litígio administrativo, razão pela qual não acolho a preliminar arguída, restando prejudicadas as demais razões recursais. Assim, nego provimento à preliminar de nulidade da intimação e não conheço das demais razões de defesa, sendo definitivo o lançamento contra a referida empresa. Passo à análise do Recurso Voluntário apresentado por André Lira da Silva. Ressaltese que a DRJ deixou de apreciar a impugnação por ele apresentada em razão da sua intempestividade. Fl. 4567DF CARF MF 34 Por sua vez, em sede recursal o contribuinte aduz, em primeiro momento, preliminar de cerceamento do direito de defesa. Defende que “só será realizada a intimação por Edital quando forem impraticáveis as intimações pessoais ou por meio de registro postal”. E que, “essas condições não foram observadas no presente processo, quando se observa que o Recorrente já havia sido intimado em seu domicílio por via postal às fls. 1287/1289, sendo do conhecimento da autoridade fiscal que procedeu a intimação ou seja, Rua dos Pacus, 16 Parque do Lago, São Paulo SP. CEP: 04.944.080”. Afirma que “o erro na intimação fica explicito quando se observa que no TERMO DE CIÊNCIA DE LANÇAMENTOS E ENCERRAMENTO TOTAL DO PROCEDIMENTO FISCAL – RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA, a autoridade fazendária destaca o endereço correto do Recorrente, ou seja, Rua Pacus, 16: fls. 2918”. Da análise dos autos entendo assistir razão ao Recorrente nesse particular. A jurisprudência é uníssona no sentido de que a intimação por Edital deve ser a última via. No caso do RPAF, este CARF também possui sólida jurisprudência no sentido de que a intimação por Edital apenas deve ser realizada caso a intimação pessoal ou postal seja infrutífera, senão vejamos: CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. VIA POSTAL IMPROFÍCUA. UTILIZAÇÃO DE EDITAL VÁLIDA. Com base no art. art. 23, § 1º, do Decreto nº 70.235/1972, a intimação improfícua por via postal, autoriza a ciência pela utilização de edital. Não sendo a contribuinte capaz de comprovar erro dos Correios na tentativa de entrega de intimação para ciência de decisões e despachos do processo fiscal, é válida a ciência pro meio de edital. CIÊNCIA DO SUJEITO PASSIVO SOLIDÁRIO. INEXISTÊNCIA. NULIDADE. A inexistência de intimação para ciência do sujeito passivo solidário, com relação à notificação de lançamento, inquina de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, todos os atos posteriores a essa notificação. (Acórdão CSRF n. 9202006.232 Sessão de 28/11/2017) INTIMAÇÃO POR EDITAL. No âmbito do processo administrativo fiscal, para cada ato ou termo processual de que deva ser intimado o sujeito passivo devese proceder à intimação pessoal ou por via postal e, somente depois, não logrando êxito essa intimação, será efetuada a intimação por edital. INTIMAÇÃO VIA POSTAL. MUDANÇA DE ENDEREÇO. Considerase inválida a intimação, enviada a endereço constante do cadastro CPF, quando restar comprovado nos autos que o contribuinte já havia informado na Declaração de Ajuste Anual a mudança de domicílio. NULIDADE. INTIMAÇÃO IRREGULAR. COMPARECIMENTO AO PROCESSO. SANEAMENTO DO VÍCIO. Fl. 4568DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201713 Acórdão n.º 1401003.115 S1C4T1 Fl. 4.552 35 O comparecimento do contribuinte supre as faltas ou irregularidades ocorridas nas intimações feitas sem observância das prescrições legais. (Acórdão n. 2002000.353 Sessão de 26/09/2018) No caso concreto, entendo ter sido inválida a intimação editalícia do recorrente vez que, os atos de intimação postal ao contribuinte apenas passaram a ser infrutíferos após o agente fiscal passar a intimálo em endereço incorreto. Senão vejamos. Desde o ingresso do Recorrente no quadro societário da empresa JP, ele sempre indicou como endereço de residência a Rua Pacus, 40264, apt. n. 16: Este também é o endereço indicado pela autoridade fiscal no termo de sujeição passiva lavrado contra o recorrente, assim como o indicado no auto de infração: Outrossim, durante o procedimento fiscalizatório o agente fiscal logrou êxito em intimar o Recorrente no endereço indicado, senão vejamos: Fl. 4569DF CARF MF 36 A devolução das intimações por via postal apenas passaram a ocorrer depois que o agente fiscal passou a encaminhar as intimações para endereço com numeração incorreta, que retornavam com a informação de número inexistente: Ao meu ver, tratase de claro erro cometido pelo agente fiscal, em que pese toda a qualidade do trabalho fiscalizatório por ele desenvolvido. Entretanto, tratandose de equívoco cometido pela fiscalização, não há como ser válida a intimação editalícia, vez que nos termos da jurisprudência deste conselho, não foram tentadas, de maneira válida, a realização de intimação pessoal ou postal. Ademais, em que pese o Recorrente seja sócio da outra solidária JP Distribuidora, também intimada por edital, mas que apresentou tempestivamente a sua impugnação, o fato é que o Recorrente logrou êxito em comprovar que apenas teve ciência inequívoca do lançamento e, da sua solidariedade, ao obter vistas do presente PAF em 20/07/2017: Fl. 4570DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201713 Acórdão n.º 1401003.115 S1C4T1 Fl. 4.553 37 Assim é que, a impugnação apresentada pelo recorrente em 03/08/2017 é tempestiva, e não tendo sido analisada pela DRJ, restou cerceado o direito de defesa do Recorrente. Desta forma, sob pena de ferir o duplo grau de jurisdição, bem como diante do claro cerceamento do direito de defesa, entendo restar nula a decisão da DRJ, nos termos do que dispõe o inc. II do art. 59 do Decreto 70.235/72. Neste espeque, a DRJ deverá realizar novo julgamento apreciando as razões de impugnação apresentadas pelos contribuintes e responsáveis, considerando a impugnação apresentada pelo Sr. André Lira como tempestiva. Fl. 4571DF CARF MF 38 Por conseqüência, restam prejudicados as demais razões de mérito, bem como os demais Recursos Voluntários e de Ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 4572DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.721063/2011-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
RATEIO DE DESPESAS. EMPRESAS INTERLIGADAS.
Os valores recebidos de empresas interligadas, em virtude do uso compartilhado de serviços operacionais e administrativos, representam receitas de serviços e integram a base de cálculo da COFINS.
Para que os valores movimentados sejam aceitos em razão do rateio de custos e despesas exige-se que correspondam a custos e despesas necessárias, normais e usuais, devidamente comprovadas e pagas; que sejam calculados com base em critérios de rateio razoáveis e objetivos.
Conforme comprova-se pela própria comunicação da pessoa jurídica diligenciada, os referidos itens não foram apresentados, tornando assim impossível ao fisco verificar, por meio das contabilidades, as receitas líquidas de cada empresa, as despesas próprias e rateadas, tanto da centralizadora quanto das beneficiárias.
Numero da decisão: 3302-006.358
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus e Raphael Madeira Abad, que davam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araújo, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto).
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. INSUMOS. Recorrente BRASIL NORTE BEBIDAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 RATEIO DE DESPESAS. EMPRESAS INTERLIGADAS. Os valores recebidos de empresas interligadas, em virtude do uso compartilhado de serviços operacionais e administrativos, representam receitas de serviços e integram a base de cálculo da COFINS. Para que os valores movimentados sejam aceitos em razão do rateio de custos e despesas exigese que correspondam a custos e despesas necessárias, normais e usuais, devidamente comprovadas e pagas; que sejam calculados com base em critérios de rateio razoáveis e objetivos. Conforme comprovase pela própria comunicação da pessoa jurídica diligenciada, os referidos itens não foram apresentados, tornando assim impossível ao fisco verificar, por meio das contabilidades, as receitas líquidas de cada empresa, as despesas próprias e rateadas, tanto da centralizadora quanto das beneficiárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus e Raphael Madeira Abad, que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 10 63 /2 01 1- 99 Fl. 6015DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araújo, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto). Relatório Aproveitase o Relatório do Acórdão de Impugnação. Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a empresa acima identificada, gerando créditos de Cofins e PIS/Pasep nos valores respectivos de R$ 8.416.228,76 e R$ 1.827.207,70 (incluídos nesses valores o principal, multa de ofício e juros de mora). 2. Segundo a descrição dos fatos constante do auto, a empresa deixou de recolher as contribuições incidentes sobre os serviços prestados a outras pessoas jurídicas. Quando requisitada a apresentar os contratos de prestação de serviços e dos respectivos tomadores, a fiscalizada informou que, por não prestar serviços, não tinha como disponibilizar os aludidos contratos, assim como o rol dos beneficiários dos serviços por ela prestados. Reiterou ainda que os valores recebidos das outras pessoas jurídicas do grupo de empresas, referiamse tão somente a reembolso de despesas. Acrescentou que, pelo mesmo motivo, não emitia notas fiscais de serviços, e que os documentos comprobatórios dos reembolsos das despesas, seriam notas de débitos expedidas em desfavor das pessoas jurídica ligadas, integrantes do grupo empresarial. 3. Foram feitas as seguintes observações pela fiscalização: “Examinando com mais acuidade a escrita contábil da fiscalizada e a documentação pertinente disponibilizada por ela, a fiscalização constatou que, pelo menos em relação a algumas das contas examinadas e envolvidas nas operações dos serviços prestados, o contribuinte não observou as mais comezinhas regras contábeis no registro das transações comerciais, envolvendo as outras pessoas jurídicas do grupo empresarial.”; Cita como exemplo “os lançamentos relativos às transações envolvendo a conta contábil ItaúNAA, cód. 11010200903, que deveria espelhar a movimentação bancária do contribuinte junto ao banco Itaú, mas que na verdade mostramse dissonantes em relação aos valores registrados nos extratos bancários da instituição financeira anexos.” Informa a fiscalização que “Instada a se manifestar sobre o fato, por meio do termo de Fl. 6016DF CARF MF Processo nº 10283.721063/201199 Acórdão n.º 3302006.358 S3C3T2 Fl. 3 3 intimação de 19/01/2011, item 6, a pessoa jurídica limitouse a responder, laconicamente, que a incompatibilidade decorre da contabilização efetuada com base nas informações da conta caixa. Como se observa, uma justificativa sem sentido .”; Prossegue: “A fiscalização concluiu, não após um demorado esforço, que pareceu querer dizer o contribuinte, que as operações expressas nos extratos bancários do banco Itaú, estariam registradas na conta caixa. Fato esse, de per si, uma verdadeira anomalia contábil, caso fosse verdade, visto que fere os princípios e as regras elementares da ciência contábil. Ora, se existe no plano de contas da pessoa jurídica, uma conta referente às operações da conta banco Itaú, por quê utilizar se de uma outra conta, no caso a conta Caixa? Mas isso não é tudo. Seguindo a informação da pessoa jurídica, examinouse a conta Caixa Geral, cód: 11010100208, e restou comprovado que esta conta, também não apresenta concordância com os registros dos extratos bancários do banco ITAÚ, como declarado pelo contribuinte. Vejamos alguns exemplos. No dia 02/01/2006, o extrato do ITAÚ, apresenta um registro no valor de R$ 182.490,48, e o histórico se refere a DI DIN, que seria um depósito identificado em dinheiro, todavia não existe lançamento algum neste valor, nem conta caixa nem na conta banco Itaú. O mesmo acontece em relação ao valor de R$ 446.123,81, de 22/12/2006, o de R$ 453.832,00, do dia 28/06/2007, o de R$ 296.774,00, do dia 19/12/2007, e vários outros expressos nos extratos dos períodos. Restou assim constatado, sem embargo, que a movimentação financeira, do banco ITAÚ, não encontra correspondência na escrita contábil da fiscalizada.”; d) Cita outro exemplo, referente a uma conta no Unibanco cujos extratos não teriam sido disponibilizados pelo banco, mesmo após repetidas tentativas. Estranhando o fato a fiscalização assim procedeu, segundo seu relato: “Diante da recalcitrância em atender a requisição do fisco, o auditor responsável pelo feito, examinou os controle internos da Receita Federal do Brasil e constatou não existir, nos anos calendário de 2006 e 2007, referência nas DCPMFS Declarações da Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira, à conta alguma de titularidade da fiscalizada junto ao UNIBANCO. Por conseguinte, foi lavrado o termo de intimação de 28/04/2011, onde solicitou se que o contribuinte apresentasse justificativas, com base na legislação e em documentação hábil e idônea, sobre o fato apurado pela fiscalização, além dos documentos que embasaram os registros na conta BANCO UNIBANCONAA, cód: 11010201004. Fl. 6017DF CARF MF 4 A pessoa jurídica respondeu que os lançamentos na conta retro citada, decorreram do lapso na parametrização do sistema da empresa e informou que estava disponibilizando os resumos mensais dos lançamentos na conta contábil em questão. Notase assim que o contribuinte não levou a sério as requisições do fisco federal. Primeiro afirmou, por duas vezes, estar em contato com o UNIBANCO, para conseguir os extratos bancários solicitados. Em seguida, só após ser confrontado com a prova, alegou que os registros da conta foram conseqüência do lapso de parametrização do sistema. Uma explicação totalmente sem sentido que não foi, nem poderia ser considerada pela autoridade fiscal. Pode ser verificado também que a documentação mencionada pelo sujeito passivo, na sua justificativa infundada referente aos lançamentos na conta do UNIBANCO, resumese, basicamente, às notas de débitos e créditos que teriam lastreado as operações dos serviços prestados às ligadas. Asseverese que grande parte da documentação mencionada, não foi apresentada ao fisco.” e) Sobre o fato, assim concluiu a fiscalização: “Inferese assim que o sujeito passivo fiscalizado, criou irregularmente a conta BANCO UNIBANCONAA, cód: 11010201004, visando uma forma a mais de controlar as transações suspeitas com suas ligadas. Reputase suspeitas estas operações em virtude de alguns aspectos a seguir listados. Primeiramente, os documentos utilizados para registrar na contabilidade, as operações entre a fiscalizada e as pessoas jurídicas ligadas, foram, como já mencionado, as notas de débito e crédito. As primeiras (notas de débito) eram emitidas quando havia uma prestação de serviço pela fiscalizada, as segundas (notas de crédito) quando havia um registro de uma contrapartida dos serviços prestados (pagamentos). Ora, tanto as notas de débito como as de crédito, que foram preenchidas todas no NAA NÚCLEO DE APOIO ADMINISTRATIVO, localizado no estabelecimento da fiscalizada, até pelo fato de não serem notas fiscais, foram emitidas graciosamente, de acordo com as necessidades e conveniência das pessoas jurídicas envolvidas nestas operações de prestações de serviços, visto que, a fiscalizada não pagava nada das contribuições sociais incidentes sobre as receitas e as beneficiárias dos serviços, por sua vez, utilizaram os valores desses serviços para diminuir os seus resultados, implicando assim em diminuição nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL nos períodos.”; Cita exemplo das irregularidades na escrita da empresa: “Tomese como exemplo, o valor de R$ 418.864,24, lançado na conta 101010102 Caixa Geral, da fiscalizada REFRIGERANTES DA AMAZÔNIA LTDA, no dia 28/06/2007, e que seria relativo aos serviços prestados por ela à MANAUS REFRIGERANTES LTDA, mas que não encontra correspondência na escrita contábil desta última. E isso acontece com todos os outros valores lançados nesta conta. Fl. 6018DF CARF MF Processo nº 10283.721063/201199 Acórdão n.º 3302006.358 S3C3T2 Fl. 4 5 Por seu turno os valores lançados na conta 32990199990 NÚCLEO DE APOIO ADMINISTRATIVO, da MANAUS REFRIGERANTES LTDA, representativa das despesas relativas aos serviços prestados, também não encontra harmonia com os montantes registrados na conta da fiscalizada () APROP DESPESAS OPERACIONAIS, CÓD: 32999999905, dos períodos em exame.”; “Cumpre destacar que estes fatos, por estarem mais afetos a auditoria do IRPJ, não são objeto do presente lançamento de ofício. Apenas foram narrados, para que se entenda a contextualização que levou e reforçou o convencimento da fiscalização, de estar diante de um quadro de ilicitude tributária total, sanável apenas em parte neste procedimento fiscal, porquanto o feito presente restringese à cobrança de ofício do PIS e da COFINS. Podese então concluir, em resumo, que a fiscalizada não pagou e nem paga ainda, as contribuições incidentes sobre as receitas da prestação dos serviços, e ao mesmo tempo produz para as outras pessoas jurídicas ligadas, despesas que afetaram e ainda atingem, diretamente, o IRPJ e a CSLL devidos por estas.”; Com referência às contribuições afirma a fiscalização ser “pacífico na legislação, na doutrina e na jurisprudência que os valores recebidos pela fiscalizada das outras pessoas jurídicas ligadas, conforme a situação em tela, são tributáveis pelo PIS e pela COFINS. Consoante o estipulado nos art. 1°. das Lei n° 10.637/2002 e 10.833/2003. As mencionadas contribuições incidem sobre o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Significa dizer que os valores recebidos pela fiscalizada deveriam ter integrado as bases de cálculo das retro aludidas exações fiscais. Mas tal não aconteceu, conforme se verifica nos dados expressos nas DACONS dos períodos examinados.”; Cita doutrina e jurisprudência nesse sentido; Justifica a majoração da multa de ofício: “Cumpre assinalar que em decorrência da pessoa jurídica fiscalizada não ter atendido a requisição do fisco (item 5, do termo de intimação de 16/11/2010), para apresentar os arquivos digitais referentes as notas fiscais de entradas e saídas, nem justificou sua falta, procedese ao agravamento da multa de ofício, nos termos do art. 44, parágrafo 2o , inciso II, da Lei n° 9.430/96.” 4. Cientificada em 29.09.2011, a interessada apresentou, tempestivamente, em 31.10.2011, impugnação (fls. 1361/1386) na qual apresenta as seguintes alegações: “(...) os valores identificados como suposta receita na escrita da Impugnante pela fiscalização nada mais são do que o movimento financeiro entre as empresas pertencentes ao Grupo Empresarial Fl. 6019DF CARF MF 6 denominado GRUPO SIMÕES , decorrente de prática muito comum no meio empresarial, qual seja o rateio de despesas relacionadas ao compartilhamento e centralização de estrutura administrativa. No presente caso, estas despesas são custeadas pelas empresas beneficiárias e pagas pela Impugnante.”; “Por esta razão, tendo em conta que as empresas que compõem o Grupo Simões não mantêm em sua estrutura departamentos de assessoria administrativa, pois, todas essas atividades são realizadas pelo Núcleo de Apoio Administrativo (NAA) sediado na Impugnante, e que a forma de reembolso dos custos do NAA ocorre em função de rateio total dos mesmos de modo diretamente proporcional ao faturamento líquido de cada empresas, firmaramse contratos7 entre a Impugnante e as demais empresas do Grupo, regulando: i) a centralização das atividades de assessoramento administrativo em um único setor, o Núcleo de Apoio Administrativo (NAA), e; ii) o procedimento de reembolso de despesas decorrentes desta centralização.”; “Não há que se falar, portanto, em prestação de serviços propriamente dita, mas, apenas e tão somente, em compartilhamento de despesas, custos, estruturas administrativas e operacionais, não podendo os valores repassados à Impugnante serem caracterizados como RECEITAS desta, para fins de incidência do PIS/COFINS.”; “Nessa esteira, os valores recebidos pela Impugnante NADA MAIS SÃO DO QUE O EFETIVO RESSARCIMENTO DAS DESPESAS ARCADAS POR ESTA ENQUANTO CENTRALIZADORA DO RATEIO DE DESPESAS DO GRUPO, não havendo que se falar em receita e, por conseguinte, inclusão dos valores na base de cálculo da PIS.”; Cita doutrina e jurisprudência acerca do conceito de receita; Reclama do fato da fiscalização não haver avaliado os critérios utilizados no rateio das despesas e se aprofundado nos procedimentos contábeis e financeiros realizados pela impugnante e empresas do grupo; Argumenta: “Apegandose apenas a pequenos equívocos nos lançamentos contábeis incorridos pela Impugnante, PRETENDE A AUTORIDADE FISCAL DESCONSIDERAR TODA UMA GAMA DE PROCEDIMENTOS, que, data máxima vénia, na opinião da impugnante, NÃO FORAM DE FATO COMPREENDIDOS. Afirmar que alguns lançamentos contábeis que deveriam ser idênticos em 7 (sete) ou mais empresas não batem exatamente, num período de 2 (dois) anos, É DESCONSIDERAR QUE LANÇAMENTOS CONTÁBEIS SÃO FEITOS POR PESSOAS, E, PORTANTO, SUJEITOS À ERROS. Todavia, houvesse a fiscalização aprofundado sua análise, buscando entender como ocorria o registro e fluxo dos pagamentos no Rateio de Despesas levado a efeito no Grupo Simões, teria constatado que de fato há critérios definidos e contabilização das transferências.”; Fl. 6020DF CARF MF Processo nº 10283.721063/201199 Acórdão n.º 3302006.358 S3C3T2 Fl. 5 7 Descreve os procedimentos realizados para pagamentos das despesas, exemplificando o mês de janeiro de 2006 e informando a anexação dos documentos comprobatórios das operações; Entende que “não EXISTINDO UMA AVALIAÇÃO EFETIVA QUANTO AOS PROCEDIMENTOS E À REGULARIDADE DO RATEIO DE DESPESAS LEVADO A EFEITO PELA IMPUGNANTE E AS EMPRESAS PERTENCENTES AO MESMO GRUPO EMPRESARIAL, NECESSÁRIO É O CANCELAMENTO INTEGRAL DO LANÇAMENTO. PELA AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO FATO IMPONÍVEL”; Cita doutrina e decisões administrativas, concluindo que “que OS VALORES RECEBIDOS PELA IMPUGNANTE PROVENIENTES DE DESPESAS COMPARTILHADAS ENTRE ESTA E AS DEMAIS EMPRESAS DO GRUPO EMPRESARIAL CORRESPONDEM A EFETIVO RESSARCIMENTO EM RATEIO DE DESPESAS, não constituindo receita, motivo pelo qual, não deve haver a incidência do PIS/COFINS.” Contesta o agravamento da multa em função do não atendimento da requisição do fisco, argumentando haver informado à fiscalização que não dispunha das notas por não haver prestado nenhum tipo de serviço e que para os valores envolvidos foram feitas notas de débitos. Assim não se trataria de “não cumprimento” da intimação, mas de impossibilidade de cumprimento frente à inexistência dos documentos solicitados; Além disso, aduz que a multa aplicada possui caráter confiscatório, devendo ser reduzida em observância dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade; Ao final, requer: “Por todo o exposto a Impugnante comparece perante este justo órgão julgador administrativo para requerer o recebimento e processamento da presente Impugnação, para, julgandoa, seja reconhecida a IMPROCEDÊNCIA TOTAL do lançamento ora impugnado. Não sendo acolhido o pedido de cancelamento integral supra referido, seja cancelada a aplicação da multa agravada para o caso, visto que, conforme descrito, inexistindo o documento solicitado pela fiscalização, não há que se falar em enquadramento da conduta da Impugnante no artigo 44, §2° inciso II da Lei 9.430/96. Tendo em vista e grande quantidade do conjunto probatório a ser produzido, requer desde já seja autorizada a juntada a posterior, nos termos da alínea "a", §4° do art. 16 do Dec. 70.235/72, da documentação suplementar que está sendo levantada”. Em 13 de maio de 2013, através do Acórdão de Impugnação n° 0126.285, a 3ª Turma da DRJ/BEL, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, Fl. 6021DF CARF MF 8 sendo mantidos os créditos lançados nos valores de: Cofins: R$ 7.206.742,42 e PIS/Pasep : R$ 1.564.622,42, incluídos nesses valores as contribuições, multa de ofício e juros de mora. A empresa BRASIL NORTE BEBIDAS LTDA foi intimada do Acórdão de Impugnação, via Aviso de Recebimento, em 17 de junho de 2013 (folhas 3.904). A empresa BRASIL NORTE BEBIDAS LTDA ingressou com Recurso Voluntário, folhas 3.905, em 05 de junho de 2013, de folhas 3.906 à 3.934. Foi alegado em resumo que: ü Rateio de Despesas Não Incidência de PIS E COFINS SOBRE VALORES QUE NÃO CONFIGURAM RECEITAS DA ENTIDADE; ü O Rateio de Despesas levado a efeito pela Recorrente e as empresas integrantes do Grupo Simões Regularidade formal e MATERIAL SISTEMÁTICA DE PAGAMENTOS DESCONSIDERADA PELA FISCALIZAÇÃO. PEDIDO: Por todo o exposto, a Recorrente comparece perante este Conselho Julgador Administrativo para requerer o recebimento do presente recurso em seu efeito suspensivo, bem como o seu devido processamento para que, julgandoo procedente, seja reconhecida a IMPROCEDENCIA TOTAL do lançamento, reformando a decisão de primeira instância em sua integralidade. Em 28 de fevereiro de 2018, a 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF baixou os autos em diligência, através a Resolução n° 3302 000.692 para que a autoridade preparadora informasse: a) O rateio das despesas administrativas entre as empresas se procedeu através de critérios razoáveis e objetivos? Que critérios foram esses? b) O rateio das despesas administrativas entre as empresas foi devidamente formalizado por instrumento firmado entre os intervenientes? Juntar cópia desse instrumento. c) O critério de rateio das despesas administrativas entre as empresas está de acordo com o efetivo gasto de cada empresa e com o preço global pago pelos bens e serviços? Fazer uma breve explanação sobre o critério de rateio utilizado. d) O rateio das despesas administrativas entre as empresas está em observância aos princípios técnicos ditados pela Contabilidade? e) A empresa centralizadora da operação de aquisição de bens e serviços apropriou como despesa tãosomente a parcela que lhe cabia de acordo com o critério de rateio utilizado? f) As empresas descentralizadas beneficiárias dos bens e serviços apropriaram como despesa tãosomente a parcela que lhes cabiam de acordo com o critério de rateio utilizado? Fl. 6022DF CARF MF Processo nº 10283.721063/201199 Acórdão n.º 3302006.358 S3C3T2 Fl. 6 9 g) As empresas descentralizadas beneficiárias dos bens e serviços contabilizaram as parcelas a serem ressarcidas como direitos de créditos a recuperar, orientando a operação conforme os princípios técnicos ditados pela Contabilidade? h) A empresa centralizadora da operação de aquisição de bens e serviços, assim como as empresas descentralizadas, mantiveram escrituração destacada de todos os atos diretamente relacionados com o rateio das despesas administrativas? Após a prestação das informações, que a autoridade preparadora abra prazo de trinta dias para manifestação do contribuinte e depois retorne para decisão final. O destinatário teve ciência dos documentos relacionados abaixo por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, na data de 04/09/2018 (folhas 4.922). O interessado apresentou manifestação de folhas 4.956 à 4.959, em 05/10/2018. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância, via Aviso de Recebimento, em 17 de junho de 2013 (folhas 3.904). A empresa BRASIL NORTE BEBIDAS LTDA ingressou com Recurso Voluntário, folhas 3.905, em 05 de junho de 2013. O Recurso é tempestivo. Da controvérsia. No Recurso Voluntário foram alegados os seguintes pontos: ü Rateio de Despesas Não Incidência de PIS e COFINS sobre valores que não configuram receitas da entidade; ü O Rateio de Despesas levado a efeito pela Recorrente e as empresas integrantes do Grupo Simões Regularidade formal e material sistemática de pagamentos desconsiderada pela fiscalização. Fl. 6023DF CARF MF 10 Passase à análise. O caso em análise encontra ressonância na aplicação da Solução de Divergência n° 23, de 23/09/2013, cuja Ementa assim dispõe: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO EMENTA: É possível a concentração, em uma única empresa, do controle dos gastos referentes a departamentos de apoio administrativo centralizados, para posterior rateio dos custos e despesas administrativos comuns entre empresas que não a mantenedora da estrutura administrativa concentrada. Para que os valores movimentados em razão do citado rateio de custos e despesas sejam dedutíveis do IRPJ, exigese que correspondam a custos e despesas necessárias, normais e usuais, devidamente comprovadas e pagas; que sejam calculados com base em critérios de rateio razoáveis e objetivos, previamente ajustados, formalizados por instrumento firmado entre os intervenientes; que correspondam ao efetivo gasto de cada empresa e ao preço global pago pelos bens e serviços; que a empresa centralizadora da operação aproprie como despesa tãosomente a parcela que lhe cabe de acordo com o critério de rateio, assim como devem proceder de forma idêntica as empresas descentralizadas beneficiárias dos bens e serviços, e contabilize as parcelas a serem ressarcidas como direitos de créditos a recuperar; e, finalmente, que seja mantida escrituração destacada de todos os atos diretamente relacionados com o rateio das despesas administrativas. Relativamente à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, observadas as exigências estabelecidas no item anterior para regularidade do rateio de dispêndios em estudo: a) os valores auferidos pela pessoa jurídica centralizadora das atividades compartilhadas como reembolso das demais pessoas jurídicas integrantes do grupo econômico pelo pagamento dos dispêndios comuns não integram a base de cálculo das contribuições em lume apurada pela pessoa jurídica centralizadora; b) a apuração de eventuais créditos da não cumulatividade das mencionadas contribuições deve ser efetuada individualizadamente em cada pessoa jurídica integrante do grupo econômico, com base na parcela do rateio de dispêndios que lhe foi imputada; c) o rateio de dispêndios comuns deve discriminar os itens integrantes da parcela imputada a cada pessoa jurídica integrante do grupo econômico para permitir a identificação dos itens de dispêndio que geram para a pessoa jurídica que os suporta direito de creditamento, nos termos da legislação correlata. DISPOSITIVOS LEGAIS: arts. 251 e 299, 'Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999; art. 123 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 2° e 3° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998; art. 1° da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002; e art. 1° da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Informação Fiscal de 27 de agosto de 2018, de folhas 4.919, oriunda da autoridade reparadora esclareceu que: Para fins de cumprir o determinado no despacho do CARF, de 28/02/2018, nos autos do processo em epígrafe, temos a informar o que segue: 1. Após ser devidamente intimada a apresentar os elementos necessários ao atendimento da requisição do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a pessoa jurídica interessada apresentou comunicações Fl. 6024DF CARF MF Processo nº 10283.721063/201199 Acórdão n.º 3302006.358 S3C3T2 Fl. 7 11 recebidas no SEFIS Serviço de Fiscalização da DRF/MNS, em 30/07/2018 e 14/08/2018. 2. Junto com o primeiro documento apresentou, cópia de contratos denominados “Instrumento Particular de Contrato Específico de Reembolso de Despesas Firmado Entre as Parte Abaixo”, firmado com as empresas do grupo, SANTASANTARÉM REFRIGERANTES S/A, CNPJ: 05.035.324/000189, COMPAR CIA. PARAENSE DE REFRIGERANTES, CNPJ: 04.928.297/000100, RONDÔNIA REFIGERANTES S/A, CNPJ: 04.777.678/000136, REFRIGERANTES DO AMAPÁ S/A, CNPJ: 05.878.442/0001 59, MANAUS REFRIGERANTES LTDA, CNPJ: 34.590.315/000158, RORAIMA REFRIGERANTES S/A, CNPJ: 04.650.248/000159, CACOAL REFRIGERANTES S/A, CNPJ: 05.966.627/000115, RIO BRANCO REFRIGERANTES LTDA, CNPJ: 34.709.287/000145, MARABÁ REFRIGERANTES S/A, CNPJ: 04.318.556/000181, BENEVIDES ÁGUAS S/A, CNPJ: 15.887.193/000111, GÁS CARBÔNICO DO PARÁ, CNPJ: 83.834.952/000138, onde vislumbramse, conforme os parágrafos únicos das cláusulas terceira, de todas as avenças, que o critério de rateio das despesas teria sido efetuado levando em consideração os custos totais dispendido pela empresa centralizadora em proporção direta ao faturamento líquido de cada empresa beneficiária do grupo. 3. Junto com a segunda comunicação, a interessada apresentou diversos documentos relativos a encargos previdenciários e trabalhistas (GFIP, FGTS, GPS, DARFs etc), mas continuou sem apresentar os elementos fundamentais para o deslinde da questão. 4. Estes elementos, no entendimento da fiscalização, seria os solicitados nos itens 3 a 6, do Termo de Intimação Fiscal, pois só com o auxílio daquela documentação seria possível constatar a efetiva subsunção das medidas adotadas pela empresa centralizadora e pelas beneficiárias, ao estabelecido na Solução de Divergência n° 23 COSIT, de 23/09/2013 5. Apenas com a identificação das contas contábeis que foram utilizadas para registro das despesas de cada uma das empresas beneficiárias e da empresa centralizadora, assim como a entrega dos arquivos digitais com as contabilidades das empresas mencionadas, poderia se avaliar com exatidão se foram observados os critérios estabelecidos no item 17, do ato administrativo supramencionado, para efeito de consideração do rateio das despesas. 6. Contudo, conforme comprovase pela própria comunicação da pessoa jurídica diligenciada, os Fl. 6025DF CARF MF 12 referidos itens não foram apresentados, tornando assim impossível ao fisco verificar, por meio das contabilidades, as receitas líquidas de cada empresa, as despesas próprias e rateadas, tanto da centralizadora quanto das beneficiárias, restando assim prejudicado o atendimento integral do requisitado na Resolução do CARF. 7. Por fim, considerando o comando estipulado ao final da supracitada Resolução, fica estabelecido o prazo de 30 dias, a contar da ciência desta Informação, para a manifestação do contribuinte a respeito dos fatos aqui relatados ou para apresentar quaisquer outros elementos que entender cabíveis. 8. É o que tem a ser informado. (Grifo e negrito nossos) A empresa BRASIL NORTE BEBIDAS LTDA assim se manifestou sobre o retorno da diligência, às folhas 4.958. O que se verifica é, nesta ordem: 1. a entrega de grande volume de documentos de uma década atrás, o despacho da Auditoria indicando que a Contribuinte não cumpriu a diligência; 2. a manifestação da Contribuinte de ontem (04102018) para chamar a atenção quanto as juntadas dos documentos e informações solicitadas pelo Mandado Fiscal (inclusive com a repetição da juntada de todos os documentos); 3. a completa desconsideração destas informações pela RFB e, na presente data dois despachos que entendem por cumprida a diligência solicitada pelo CARF e determinam a devolução do processo àquele órgão julgador. A Intimada presume haver algum tipo de problema interno (na RFB) após a entrega dos documentos diretamente na RFB (verificados no momento da entrega pelo SVA, com recebimento firmado pela servidora da RFB), assim como no protocolo da petição de ontem (04/10/2018) que esclarecia estes fatos. Diante da comprovação documental da entrega dos documentos pela Intimada, salvo melhor juízo, para que a diligência solicitada pelo D. Relator do Respeitável Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) seja cumprida, a R. fiscalização pode verificar a real localização dos arquivos após a entrega destes na RFB em 30/07/2018, 14/08/2018 e 04/10/2018. Ou ainda, caso tenha ocorrido qualquer espécie de problema sistêmico dos arquivos (tamanho, formato, versão, etc.) a R. fiscalização pode intimar a Contribuinte para que entregue novamente os arquivos. A empresa BRASIL NORTE BEBIDAS LTDA em sua manifestação não trouxe qualquer fato capaz de ilidir o resultado da Resolução n° 3302000.692. Fl. 6026DF CARF MF Processo nº 10283.721063/201199 Acórdão n.º 3302006.358 S3C3T2 Fl. 8 13 Consoante a Solução de Divergência n° 23, de 23/09/2013, uma vez que não foi apresentada a identificação das contas contábeis que foram utilizadas para registro das despesas de cada uma das empresas beneficiárias e da empresa centralizadora, assim como a entrega dos arquivos digitais com as contabilidades das empresas mencionadas tornase impossível ao fisco verificar, por meio das contabilidades, as receitas líquidas de cada empresa, as despesas próprias e rateadas, tanto da centralizadora quanto das beneficiárias Diante de tudo que foi exposto, conheço do RECURSO VOLUNTÁRIO e voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso do Contribuinte. É como voto. Jorge Lima Abud Relator. Fl. 6027DF CARF MF
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Numero do processo: 19647.016189/2008-41
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 61 89 /2 00 8- 41 Fl. 112DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2004, anocalendário de 2003, que lhe exige o recolhimento de um crédito tributário no montante de R$ 23.347,80. Foi constatada a seguinte irregularidade, conforme a Descrição dos Fatos, às fls. 6/7: dedução indevida de despesas médicas, especialmente pela falta de comprovação do efetivo pagamento no valor de R$34.500,00. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação argumentando que o valor referese a despesas médicas odontológicas do próprio contribuinte, e que foram pagas em espécie ou cheques. A DRJ Recife, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pelo Contribuinte não seriam suficientes para comprovar as despesas, devendo, por essa razão, ser mantida a glosa das despesas médicas. Em sede de Recurso Voluntário, alega o contribuinte que não é possível manterse a glosa de despesa com tratamento de despesas médicas, sob o fundamento da falta de comprovação da prestação de serviço, quando se apresenta recibos completos. Colaciona doutrina e traz argumentos jurídicos para buscar sustentar suas despesas. Salientese que em sede de Recurso Voluntário junta o contribuinte declaração para fins fiscais, emitida e assinada por cada profissional de saúde que prestou serviço a ele, corroborando o valor recebido, a forma de pagamento, o serviço executado e detalhamento do tratamento. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 113DF CARF MF Processo nº 19647.016189/200841 Acórdão n.º 2001000.986 S2C0T1 Fl. 3 3 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou recibos que geraram dúvidas na autoridade fiscal, a qual pediu maiores detalhes da comprovação da despesa, como o pagamento, a qual não foi apresentada pelo Contribuinte. No entanto, em sede de Recurso Voluntário junta o contribuinte declaração para fins fiscais, emitida e assinada por cada profissional de saúde que prestou serviço a ele, corroborando o valor recebido, a forma de pagamento, o serviço executado e detalhamento do tratamento. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] Do exposto se depreende que as declarações e recibos, por si sós, podem ser frágeis, principalmente se estão desacompanhadas da prova da efetiva transferência dos numerários, não eximindo nestes casos, portanto, os seus interessados do ônus de provar a veracidade das informações neles contidas quando sobre os mesmos possa pairar alguma dúvida, pois unicamente as informações contidas em declarações e recibos podem se mostrar insuficientes ao convencimento do julgador, nos termos permitidos no art. 29 do Decreto n° 70.235/72, já supra transcrito, o que ocorreu no caso pela falta, entre outros, de comprovação da efetivação do pagamento através de extratos, cópias de cheques nominativos compensados ou outros documentos bancários. 23. ln casu, não há, no processo, qualquer outro meio de prova das deduções declaradas, além de recibos e documentos de lavra dos emitentes dos recibos. Fl. 114DF CARF MF 4 29. É preciso esclarecer que o responsável pelas informações prestadas na declaração de ajuste anual é o declarante, que, assim, deve adotar as cautelas necessárias ao perfeito cumprimento da obrigação acessória e que, de conformidade com o disposto no art. 136 do Código Tributário Nacional, “salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato 30. Assim, deve ser mantida a glosa efetuada pela fiscalização. 31. Diante do exposto, voto pela procedência da Notificação de Lançamento fls. 09 a 16.. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal ficou com muitas dúvidas acerca da existência de tais despesas. No entanto o contribuinte, ora Recorrente, demonstrou boa fé e disponibilidade para esclarecer as duvidas e comprovar a existência das despesas. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade Fl. 115DF CARF MF Processo nº 19647.016189/200841 Acórdão n.º 2001000.986 S2C0T1 Fl. 4 5 material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na prova documental do Recorrente, bem como sua postura colaborativa e visivelmente de boa fé, entendo, que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário para serem acatadas as despesas médicas anteriormente glosadas. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acatar as despesas médicas glosadas anteriormente. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.905218/2009-79
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei.
Os serviços médicos de atendimento em consultórios, prestados em clínicas médicas, não podem ser considerados como serviços hospitalares para fins de aplicação do coeficiente de presunção do lucro presumido de 8%. O ônus da prova para comprovação da prestação de serviços com estrutura equiparada ao serviço hospitalar é do contribuinte. Na falta de comprovação de equiparação, não há que se falar de direito creditório baseado em suposto recolhimento a maior baseado na aplicação do coeficiente de presunção do lucro presumido de 32%, principalmente quando o contribuinte modifica o objetivo social para acrescentar a prestação de serviço ambulatorial anos após os recolhimentos efetivados.
Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.546
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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MARCELO G. REIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Os serviços médicos de atendimento em consultórios, prestados em clínicas médicas, não podem ser considerados como serviços hospitalares para fins de aplicação do coeficiente de presunção do lucro presumido de 8%. O ônus da prova para comprovação da prestação de serviços com estrutura equiparada ao serviço hospitalar é do contribuinte. 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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 109/115) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo, apenso ao Processo n.º 10580.905930/200978 ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 102/105), proferida em sessão de 30 de agosto de 2013, consubstanciada no Acórdão n.º 1142.467, da 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE (DRJ/REC), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 33/35) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 09/04/2009 (efl. 29), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 32299.86346.140706.1.3.044235 (efls. 02/06), transmitido em 14/07/2006, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10580.905218/200979 Acórdão n.º 1002000.546 S1C0T2 Fl. 134 3 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE ERRO MATERIAL. O erro do valor do débito apontado na DCTF, de cuja retificação resulte crédito ao sujeito passivo, precisa ser comprovado mediante apresentação de documentos hábeis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação – DCOMP, por meio da qual compensou crédito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ com débito de sua responsabilidade. O crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior do imposto. Através de despacho emitido eletronicamente, a Delegacia da Receita Federal identificou integral utilização anterior do pagamento, em face do que não homologou a compensação declarada. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que apurou o imposto a pagar com o percentual de presunção de 32%, enquanto o correto seria de 8%. Diz que, por equívoco, deixou de retificar a DCTF oportunamente. O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 10.573,17, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi quitado, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 30/09/2001 2089 R$ 10.573,17 31/10/2001 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado 3180141388 R$ 10.573,17 DB: cód 2089 PA 30/09/2001 R$ 10.573,17 Valor Total R$ 10.573,17 Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/04/2009 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10580.905218/200979 Acórdão n.º 1002000.546 S1C0T2 Fl. 135 4 Principal: R$ 191,73 Multa: R$ 38,34 Juros: R$ 62,06 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito objeto da irresignação e, por conseguinte, não homologando a compensação no limite do crédito objeto do inconformismo, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Conforme relatado, a DRF constatou a existência do pagamento, todavia observou que o recolhimento fora integralmente vinculado a débito confessado em DCTF. Assim, restou inexistente o crédito reclamado na DCOMP, razão pela qual não foi homologada a compensação nela declarada. Como se sabe, nos termos da legislação de regência (Instruções Normativas SRF n.º 077, de 24 de julho de 1998; 016, de 14 de fevereiro de 2000, e posteriores), a DCTF constitui instrumento de confissão de dívida quanto aos débitos nela declarados. Alega a inconformada que se equivocou no percentual de presunção do lucro, pois desenvolve serviços hospitalares, aduzindo que retificou a DCTF posteriormente à decisão denegatória. A Solução de Divergência Cosit n.º 10, de 14 de setembro de 2007, traz as seguintes conclusões acerca do tema: (...) Isto posto, concluise que, para ser considerado prestador de serviços hospitalares, sobre cuja receita caberá a aplicação do percentual de 8% (oito por cento), para fins de determinação da base de cálculo do lucro presumido, e do percentual de 12% (doze por cento), para fins de determinação da base de cálculo da CSLL, o estabelecimento assistencial de saúde deverá atender cumulativamente aos seguintes requisitos, previstos no art. 27 da IN SRF n.º 480, de 2004, com a alteração introduzida pelo art. 1.º da IN SRF n.º 539, de 2005: a) desempenhar uma ou mais das atribuições do inciso I, do art. 27 da IN SRF n.º 480, de 2004, com a alteração introduzida pelo art. 1.º da IN SRF n.º 539, de 2005, ou, no caso da atribuição “Prestação de Atendimento de Apoio ao Diagnóstico e Terapia”, exercer uma ou mais das atividades descritas nos itens 4.1 a 4.14, da RDC n.º 50, de 2002, da Anvisa; b) prestar os serviços em ambientes desenvolvidos de acordo com a Parte II Programação Físico Funcional dos Estabelecimentos de Saúde, item 3 Dimensionamento, Quantificação e Instalações Prediais dos Ambientes, da RDC n.º 50, de 2002, da Anvisa, com a alteração introduzida pela RDC n.º 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC n.º 189, de 18 de julho de 2003, cuja comprovação deve ser feita por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; e c) ser empresário ou pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF n.º 18, de 23 de outubro de 2003, e do Novo Código Civil. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10580.905218/200979 Acórdão n.º 1002000.546 S1C0T2 Fl. 136 5 Relevese que a disponibilidade do crédito pleiteado é examinada no momento do despacho proferido pela autoridade a quo. Se a retificação somente foi promovida após exarado o despacho, como admite a interessada, cabialhe o ônus de provar o erro em que fundada a modificação. Entretanto, não há, nos autos, comprovação de que a interessada efetivamente seja prestadora de serviços hospitalares, nas condições da legislação regente. Como a simples retificação da DCTF, desacompanhada de documentos que demonstrem a ocorrência de erro de fato, não tem o condão de comprovar as alegações trazidas na manifestação de inconformidade, temse que quando da transmissão do PER/DCOMP em análise o crédito não existia, já que o pagamento estava integralmente vinculado a débito declarado pela contribuinte em DCTF. Assim, não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a interessada, dado que o valor recolhido já fora, ao tempo do decisório, integralmente alocado a débito regularmente confessado pelo sujeito passivo. E, não sendo líquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua compensação para extinguir débitos do sujeito passivo (art. 170 do CTN). Ante o exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade. No recurso voluntário (efls. 109/115), em apertada síntese, invocando os princípios da legalidade objetiva e da verdade material, o contribuinte argumenta que exerce a atividade de prestação de serviço médico ambulatorial, com recursos para realização de procedimentos cirúrgicos serviços hospitalares. Por isso, diz que se equivocou no recolhimento tributário, pois ao invés de imputar o percentual de 8% do Lucro Presumido o fez em base maior (32%), pelo que teria crédito a restituir passível de posterior compensação. Sustenta que retificou a DIPJ e a DCTF por se enquadrar no conceito de "serviços hospitalares". Pondera, também, que a decisão de primeira instância não reformou o despacho decisório com base na premissa de que a DCTF retificadora foi posterior ao despacho decisório e pelo fato de não terem sido apresentadas provas para satisfazer a comprovação da aplicação do percentual reduzido do lucro presumido. Neste prisma, alega que a retificação da DCTF e da DIPJ são permitidas, face a verdade material e jurisprudência administrativa. Por sua vez, a exigência de provas para comprovação da aplicação do percentual reduzido do lucro presumido não poderia ser levada em consideração, pois o cerne da questão que motivou o despacho decisório era a inexistência do direito ao crédito por não ter sido identificado o mesmo considerando o contexto da DCTF original ao se confrontar créditos e débitos. Por fim, defende que presta serviço equiparado ao hospitalar, inclusive argui que teria apresentado Consulta na RFB da 5.ª Região Fiscal, cuja resposta teria sido objeto da Solução de Consulta n.º 9, de 31 de março de 2008. Juntou contrato social, com data no ano de 2005, no qual consta como objetivo social "a prestação de serviços médicos em geral e especializado" (efls. 121/125). Juntou, outrossim, alteração social, com data no ano de 2006, no qual consta modificação do Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10580.905218/200979 Acórdão n.º 1002000.546 S1C0T2 Fl. 137 6 objetivo social para "prestação de serviços clínica médica (clínicas, consultórios e ambulatórios)" (efls. 126/127). Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade Inicialmente, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017, haja vista que as turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário. Outrossim, a Portaria CARF n.º 111, de 20 de julho de 2018, que estabelece o momento da verificação do valor em litígio para fins de definição da competência das Turmas Extraordinárias (TE's), disciplina que a verificação do valor em litígio, para fins de definição da competência das TE's, será realizada pela Divisão de Sorteio e Distribuição da Coordenação de Gestão do Acervo de Processos (Disor/Cegap) no momento do sorteio do processo administrativo fiscal para a turma de julgamento, bem como define que permanecerá na competência das referidas turmas o recurso voluntário cujo processo administrativo fiscal sofra atualização de valor após o sorteio para a turma ou para o conselheiro relator, desde que a partir dessa atualização o valor em litígio não exceda a 120 (cento e vinte) salários mínimos. Neste caso cabe informar que o valor constante no sistema do eprocesso para o direito creditório que a contribuinte busca reconhecer está registrado como sendo de R$ 10.573,17. Observo, ainda, que o Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 18/10/2013, sextafeira, efls. 106/107, e protocolo recursal em 19/11/2013, efl. 109), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10580.905218/200979 Acórdão n.º 1002000.546 S1C0T2 Fl. 138 7 Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação do débito confessado com a extinção do crédito tributário que o próprio contribuinte confessa e indica para ser objeto da quitação via compensação. No caso dos autos, a Administração Tributária não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o pagamento indevido ou a maior vindicado, negando a restituição do crédito requerido. Observase que, na primeira análise, pelos sistemas informatizados da Receita Federal, o suposto crédito, proveniente do DARF indicado no PER/DCOMP, estava integralmente alocado, não havendo saldo disponível, razão pela qual do indeferimento da compensação no despacho decisório, eis que não se reconheceu o direito creditório; naquela ocasião ainda não havia sido retificada a DIPJ e a DCTF. A fim de refutar tal constatação, o contribuinte retificou a DCTF e afirma que a DIPJ corroboraria a informação e também foi apresentada a retificadora. Ocorre que, após analisar os autos, constato que não há provas, sequer verossimilhança, quanto a alegação da redução do valor devido a título do tributo que estava inicialmente alocado no DARF objeto do crédito anotado no PER/DCOMP, de forma que inexiste comprovação, pelo contribuinte, de certeza e liquidez para o crédito vindicado. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10580.905218/200979 Acórdão n.º 1002000.546 S1C0T2 Fl. 139 8 Fato é que quando o despacho decisório analisou o PER/DCOMP o crédito estava integralmente alocado face ao conteúdo da DCTF e DIPJ, inexistindo saldo disponível, inexistindo crédito apto a restituição. Quando do recurso para a primeira instância, sobreveio argumentos no sentido de que o saldo passou a estar disponível, pois ocorrera a retificação da DCTF e da DIPJ, no entanto, observo que a liquidez e certeza do crédito não foram demonstradas, haja vista que a mera retificação, apesar de possível, face a verdade material, por si só não dá certeza e liquidez ao crédito vindicado. Aliás, a DCTF e a DIPJ foram retificadas após o prazo legal de 5 anos, o que lhes retira o valor probante para o efeito de gerar direito creditório, a não ser que estivessem acompanhadas de documentos contábeis e fiscais, o que não é o caso dos autos. A questão é que o crédito é bastante controvertido. Vejase. A despeito do contribuinte alegar que exerceu a atividade de prestação de serviço médico ambulatorial, procedimentos cirúrgicos, supostamente tendo se equiparado a serviços hospitalares, o que lhe daria permissão ao recolhimento tributário com base no percentual de 8% do Lucro Presumido, quando o fez em base de cálculo maior (32%), não se comprovou que efetivamente tenha exercido as supostas atividades de "serviços hospitalares" na época do recolhimento. Aliás, no contrato social, datado do ano de 2005, consta como objetivo social "a prestação de serviços médicos em geral e especializado" (efls. 121/125), não havendo verossimilhança de que se equiparou a serviços hospitalares por ocasião do recolhimento. Por sua vez, somente na alteração social datada do ano de 2006 constou a modificação do objetivo social para "prestação de serviços clínica médica (clínicas, consultórios e ambulatórios)" (efls. 126/127), sendo que esta modificação é posterior ao período em litígio. Logo, inexistindo provas do efetivo serviço prestado equiparado ao serviço hospitalar, bem como diante destas observações dos atos constitutivos, não visualizo certeza e liquide no crédito. Importante ponderar, ainda, que tendo o contribuinte constituído nova linguagem competente com a apresentação da DIPJ e da DCTF retificadas, dando nova roupagem a lide tributária, entendo que agiu corretamente a primeira instância quando manteve a não homologação do PER/DCOMP após efetivar uma adequada análise da matéria de prova presente nos autos, quando julgou a contenda. A retificação efetivada pelo contribuinte constituiu nova situação fáticojurídico que prescinde da análise probatória, não sendo, portanto, correta a afirmativa da defesa no sentido de que a exigência de provas para comprovação da aplicação do percentual reduzido do lucro presumido não poderia ser levada em consideração, pois o cerne da questão que motivou o despacho decisório era a inexistência do direito ao crédito por não ter sido identificado o mesmo. Ora, aceitar tal conclusão seria permitir o "Tu quoque" (a categoria está intimamente ligada a teoria dos atos próprios), isto é, uma prática que estimularia uma ofensa a boafé objetiva; o contribuinte poderia se valer de sua própria torpeza, o que é vedado pelo direito em sua função de controle, que impõe o dever de agir conforme a boafé. Por fim, o Decreto n.º 70.235, de 1972, que disciplina o processo administrativo fiscal no âmbito Federal, bem enuncia que na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção (art. 29). Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10580.905218/200979 Acórdão n.º 1002000.546 S1C0T2 Fl. 140 9 De mais a mais, uma suposta consulta apresentada não foi anexada nos autos para eventual análise, mas, de toda forma, o contrato social e a alteração efetivada no ato constitutivo foram colacionados e não apontam para uma eventual certeza e liquidez do vindicado crédito, como explanado em linhas pretéritas, uma vez que somente após o recolhimento alegado como indevido exsurgiu no contrato social a "prestação de serviços clínica médica (clínicas, consultórios e ambulatórios)" (efls. 126/127). Logo, em suma, para a análise que foi efetivada no PER/DCOMP em comento não se comprovou o indicado crédito líquido e certo, incontroverso. Em verdade, foi apontada a alocação do DARF em extinção de débito próprio do sujeito passivo. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de alocação do DARF, de modo a não restar saldo na forma pretendida pelo contribuinte. A despeito da retificação da DCTF, inexistiu provas, mínimas que fossem, a fim de atestar, ao menos, verossimilhança das alegações. As conclusões da DRJ não foram infirmadas de modo apto a justificar uma eventual reforma ou nulidade. Por conseguinte, não havendo verossimilhança nas alegações, entendo por não dar razão ao sujeito passivo. Logo, a questão é que no recurso voluntário o contribuinte não logra êxito de comprovar, de modo incontroverso, a existência do seu direito a crédito, especialmente sob a ótica da natureza do crédito vindicado, qual seja, pagamento indevido ou a maior. Demais disto, a retificadora desprovida de outros elementos não corrobora com a certeza e liquidez necessárias para autorizar o reconhecimento do crédito. Da forma como este é vindicado apresentase controverso, inexistindo certeza e liquidez. Desprovidos de outros elementos, não resta comprovado o crédito. A esse respeito, cito o seguinte precedente: Acórdão n.º 3402004.103 – Recurso Voluntário Data da sessão: 27/04/2017 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2008 APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. (...) Ressaltese, neste aspecto, que a demonstração da comprovação inconteste do eventual direito creditório integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte, notadamente quando se discute crédito objeto de pedido de compensação. Nesse sentido entendo por bem trazer aos autos o resumo da conclusão do seguinte precedente que entendo reforçar o presente fundamento: Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10580.905218/200979 Acórdão n.º 1002000.546 S1C0T2 Fl. 141 10 Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Ressaltese, não caberia ao julgador, em instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventual documentação não pode ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e de devida fundamentação com análise circunstanciada das conclusões que se extrairiam dos documentos. Não há, portanto, motivos que justifiquem uma eventual reforma da decisão proferida pela DRJ, principalmente por ser atribuição deste Colegiado o controle da legalidade, e não o saneamento de erros imputados aos próprios contribuintes, notadamente quando de pedidos de compensação eletrônicos. Outrossim, não compete a este julgador sanear os autos para colacionar provas ao processo, quando sequer está convencido quanto a verossimilhança das alegações. Logo, verificandose correção no julgamento a quo, bem como observando que a Administração Tributária e a primeira instância não agiram em desconformidade com a lei, nada há que se reparar no procedimento adotado na análise do pedido transmitido pelo contribuinte. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer reparos. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe negar provimento para manter íntegra a decisão recorrida. É como Voto. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10580.905218/200979 Acórdão n.º 1002000.546 S1C0T2 Fl. 142 11 (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 142DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.908018/2009-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE COFINS. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. NULIDADE.
Observadas as normas inerentes ao procedimento administrativo, havendo a oportunidade para esclarecer os fatos controvertidos, garante-se, assim, o exercício da ampla defesa e ao contraditório.
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DO PIS/COFINS. APLICAÇÃO DO PARADIGMA POSTERIOR SUA PUBLICAÇÃO. ART. 1.040. CPC.
O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS.
O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o no 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS.
A sistemática prevista no artigo 1.040 do Código de Processo Civil sinaliza, a partir da publicação do acórdão paradigma, a observância do entendimento do Plenário, formalizado sob o ângulo da repercussão geral. (AI 523706 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 10/04/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-109 DIVULG 01-06-2018 PUBLIC 04-06-2018)
Numero da decisão: 3201-004.861
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora exclua o ICMS da base de cálculo da Cofins, apurando o valor do crédito pleiteado, vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE COFINS. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. NULIDADE. Observadas as normas inerentes ao procedimento administrativo, havendo a oportunidade para esclarecer os fatos controvertidos, garante-se, assim, o exercício da ampla defesa e ao contraditório. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DO PIS/COFINS. APLICAÇÃO DO PARADIGMA POSTERIOR SUA PUBLICAÇÃO. ART. 1.040. CPC. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o no 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. A sistemática prevista no artigo 1.040 do Código de Processo Civil sinaliza, a partir da publicação do acórdão paradigma, a observância do entendimento do Plenário, formalizado sob o ângulo da repercussão geral. (AI 523706 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 10/04/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-109 DIVULG 01-06-2018 PUBLIC 04-06-2018)
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente SATURNIA SISTEMAS DE ENERGIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE COFINS. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. NULIDADE. Observadas as normas inerentes ao procedimento administrativo, havendo a oportunidade para esclarecer os fatos controvertidos, garantese, assim, o exercício da ampla defesa e ao contraditório. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DO PIS/COFINS. APLICAÇÃO DO PARADIGMA POSTERIOR SUA PUBLICAÇÃO. ART. 1.040. CPC. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o no 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. “A sistemática prevista no artigo 1.040 do Código de Processo Civil sinaliza, a partir da publicação do acórdão paradigma, a observância do entendimento do Plenário, formalizado sob o ângulo da repercussão geral.” (AI 523706 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 10/04/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe109 DIVULG 01 062018 PUBLIC 04062018) Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora exclua o ICMS da base de cálculo da Cofins, apurando o valor do crédito pleiteado, vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negaram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 80 18 /2 00 9- 09 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10855.908018/200909 Acórdão n.º 3201004.861 S3C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de pedido de compensação lastreado em crédito de COFINS paga a maior, em razão de o ICMS ter sido incluído na base de cálculo da contribuição. Por bem relatar os fatos, transcrevese trechos do relatório da instância a quo: (...) Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (Cofins, código de arrecadação 5856), (...). Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando o seguinte: “II. DO DIREITO A. PRELIMINARMENTE A. 1. 1a PRELIMINAR DO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DO CONTRADITÓRIO Dispõe o artigo 5o, LV da Constituição Federal o seguinte: "aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e amola defesa, com os meios e recursos a ela inerentes". Ora, no caso em tela, em decorrência de obrigação legal, a Defendente efetuou a sua declaração de crédito e de compensação via PER/DCOMP com base na internet, instrumento ágil e eficiente, que, entretanto, deveria ser apreciado com mais atenção por parte do fisco, o que não aconteceu no caso em tela. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10855.908018/200909 Acórdão n.º 3201004.861 S3C2T1 Fl. 4 3 Antes de indeferir de imediato, sem qualquer contraditório, o pedido da Defendente alegando a inexistência de crédito, deveria o fisco intimar a empresa a explicar a origem do crédito, quando então tudo seria provado através de documentos, uma vez que é impossível enviar qualquer informação quando a compensação é feita via internet. Tivesse a Receita Federal intimado a Defendente certamente ter seia iniciado o contraditório, a Receita Federal saberia exatamente como o crédito nasceu e o direito à ampla defesa ficaria assegurado, o que não ocorreu. A fim de combater a r. decisão, no mérito, a Defendente apresenta todos os documentos que justificam a origem do crédito e os respectivos fundamentos de ordem jurídica. Merece assim a preliminar merece ser acatada para julgar nulo o decisório e determinar que os autos retornem à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba, a fim de que todos os documentos sejam apreciados e nova decisão seja proferida. A. 2. 2ª PRELIMINAR DA SUSPENSÃO DO PRESENTE PROCESSO ADMINISTRATIVO NOS TERMOS DO ARTIGO 265. IV. "a" DO CPC ATÉ JULGAMENTO DA ADC 18 PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL O crédito utilizado pela ora Defendente referese ao PIS/COFINS pago indevidamente sobre o ICMS e a matéria já se encontra em fase de julgamento perante o STF, nos autos da ADC 18, que terá efeito "erga omnes", em que inclusive foi concedida liminar objetivando paralisar todos os processos em andamento, nos seguintes termos: "EMENTA: Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3o, § 2o, inciso I, da Lei 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3o,§ 2o, inciso I, da Lei 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal". Vêse, portanto, que o STF determinou a suspensão de todos os processos, uma vez que se tratando ação direta de constitucionalidade, o resultado do seu julgamento terá efeito "erga omnes". Assim, requer a ora Defendente que o presente processo também permaneça em suspenso, nos termos do artigo 265, IV, "a" até julgamento final da ADC 18 por parte do STF, quando então a mencionada decisão favorável ou desfavorável será aplicada no caso em tela. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10855.908018/200909 Acórdão n.º 3201004.861 S3C2T1 Fl. 5 4 A. 3. 3ª PRELIMINAR DA UNIÃO DOS PROCESSOS De forma indevida, ou seja, antes que tivesse ocorrido o trânsito em julgado pela via administrativa, a Receita Federal do Brasil em Sorocaba abriu outro Processo Administrativo de número 10855908.304/200966, relacionado com o débito para iniciar de imediato a cobrança, uma vez que até o DARF já foi emitido. Entretanto, tal procedimento não tem amparo legal, uma vez que não se pode separar o débito em um processo e o crédito em outro, pois o processo administrativo é único e tal procedimento só poderia ser feito após decisão final do processo administrativo. Tal procedimento além de ilegal, ainda prejudicou a Defendente que foi obrigada a apresentar duas defesas praticamente idênticas, ou seja, uma para o processo relacionado com o débito e outra relacionada com o crédito, havendo necessidade, portanto, que ambos os Processos sejam juntados, a fim de que as decisões sejam proferidas simultaneamente. B.QUANTO AO MÉRITO Entende a ora Defendente que os autos retornarão á Delegacia de origem, sem apreciação do mérito, a fim de que nova decisão seja proferida, agora com a apreciação dos documentos juntados e que nunca foram pedidos pelo fisco. Caso, entretanto, os dignos julgadores entenderem de forma diferente, no mérito razão também assiste à Defendente, uma vez que o crédito utilizado é legítimo e por conseqüência, legítima também é a compensação efetuada, como a seguir exposto: B.l. O CRÉDITO UTILIZADO PELA DEPENDENTE É LEGÍTIMO. UMA VEZ QUE SE TRATA DO TRIBUTO COFINS/PIS PAGO INDEVIDAMENTE SOBRE O ICMS QUE SE ENCONTRA EM JULGAMENTO PERANTE O STF O Artigo 195, § 45 assim dispõe: "Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 4o A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no artigo 154,1." Por sua vez, o Artigo 154, I da Carta Magna assim dispõe: "A União poderá instituir: I mediante lei complementar, impostos não previstos no Artigo anterior, desde que sejam nãocumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição;". Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10855.908018/200909 Acórdão n.º 3201004.861 S3C2T1 Fl. 6 5 Ora, apesar de todas as fontes de custeio previstas na Constituição Federal, mesmo assim o legislador constituinte ainda deixou um cheque em branco para a União criar a qualquer momento uma nova fonte de custeio, condicionando, entretanto, sua criação, apenas mediante lei complementar, o que não aconteceu no caso em tela, pois a incidência do PIS/COFINS a partir da Carta de 1988 foi introduzida pela Lei ordinária 9.718/99 e sucessivas alterações sempre através de Medidas Provisórias e Leis Ordinárias, havendo assim patente ofensa ao Artigo 195, § 4o, cominado com o Artigo 154, I da Constituição Federal. B. 2. DOS MOTIVOS PELOS QUAIS O ICMS IMPOSTO SOBRE CIRCULAÇÃO DE MERCADORIAS NÃO FAZ PARTE DO FATURAMENTO. SOB PENA DE OFENSA DIRETA AO ARTIGO 195.1. ALÍNEA "h" DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL O Artigo 195 da Constituição Federal, assim ensina: "Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, deforma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da Unido, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: Seguindo a ordem processual, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14041.425, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. O valor do ICMS compõe a base de cálculo da Cofins não cumulativa. DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Inconformada com r. julgado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário requerendo reforma da decisão a quo por entender que: Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10855.908018/200909 Acórdão n.º 3201004.861 S3C2T1 Fl. 7 6 a) houve cerceamento do direito de defesa – ausência do contraditório; b) deve ser suspenso o processo administrativo até o julgamento da ADC 18, pelo Supremo Tribunal Federal; c) o ICMS não compõe a base de cálculo da COFINS; d) o valor pleiteado para utilização do crédito seria a diferença paga a maior por conta do ICMS estar na base de cálculo da COFINS. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.717, de 29/01/2019, proferido no julgamento do processo 10855.908014/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.717): O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Inicialmente não há de se falar em cerceamento de defesa e ausência ao contraditório, uma vez, que tratase de regra, que previamente ao despacho decisório devese intimar o contribuinte para apresentar qualquer defesa. Ao ser intimado, podendo o Contribuinte apresentar sua defesa, não há qualquer supressão ao seu direito, sendo que o crédito apontado pelo contribuinte é decorrente da exclusão do ICMS. Ademais, a matéria ventilada é meramente de direito em sua primeira fase, pois, o Contribuinte alega ter direito ao crédito COFINS, diante da inclusão do ICMS na base de cálculo. Pois bem! O Supremo Tribunal Federal em repercussão geral, firmou o seguinte entendimento: "RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10855.908018/200909 Acórdão n.º 3201004.861 S3C2T1 Fl. 8 7 contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2o, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3o, § 2o, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe223 DIVULG 29092017 PUBLIC 02102017) Ressaltase que o Pretório Excelso tem aplicado o entendimento em que não é necessário aguardar o julgamento dos Embargos de Declaração do RE 574706, vejamos: COFINS E PIS – BASE DE CÁLCULO – ICMS – EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços – ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. Precedentes: recurso extraordinário 240.785/MG, relator ministro Marco Aurélio, Pleno, acórdão publicado no Diário da Justiça de 8 de outubro de 2014 e recurso extraordinário nº 574.706/PR, julgado sob o ângulo da repercussão geral, relatora ministra Cármen Lúcia, Pleno, acórdão veiculado no Diário da Justiça de 2 de outubro de 2017. REPERCUSSÃO GERAL – ACÓRDÃO – PUBLICAÇÃO – EFEITOS – ARTIGO 1.040 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. A sistemática prevista no artigo 1.040 do Código de Processo Civil sinaliza, a partir da publicação do acórdão paradigma, a observância do entendimento do Plenário, formalizado sob o ângulo da repercussão geral. (AI 523706 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 10/04/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe109 DIVULG 01062018 PUBLIC 04062018) Finalmente, essa Turma tem adotado o posicionamento de que deve ser excluído o ICMS da base de Cálculo do PIS/COFINS, vejamos: Acórdão: 3201004.124 Número do Processo: 10880.674237/201188 Data de Publicação: 12/09/2018 Contribuinte: RHODIA POLIAMIDA E ESPECIALIDADES SA Relator(a): LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/09/2001 PIS BASE DE CÁLCULO ICMS EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exc Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negavam provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andr Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10855.908018/200909 Acórdão n.º 3201004.861 S3C2T1 Fl. 9 8 Diante disso, resta prejudicado o pleito de sobrestamento do feito, concluo, o voto é no sentido de CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora exclua o ICMS da base de cálculo da COFINS, apurando o valor do crédito." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado deu PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a unidade preparadora exclua o ICMS da base de cálculo da COFINS, apurando o valor do crédito. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.725113/2016-95
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR.
São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Há de ser reconhecida a isenção quando o recorrente apresenta nos Autos documentação suficiente para suprir as falhas apontadas no lançamento e/ou decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2001-001.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Há de ser reconhecida a isenção quando o recorrente apresenta nos Autos documentação suficiente para suprir as falhas apontadas no lançamento e/ou decisão de primeira instância.
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Há de ser reconhecida a isenção quando o recorrente apresenta nos Autos documentação suficiente para suprir as falhas apontadas no lançamento e/ou decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 51 13 /2 01 6- 95 Fl. 62DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2013, anocalendário de 2012, em que foi apurada omissão de rendimentos. A contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ Salvador. Cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário de f. 43. Em síntese, informa que apresenta Laudo, subscrito por médico pertencente ao Serviço Oficial de Saúde, comprovando a moléstia grave. Solicita que seja reconhecida a isenção. É o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Temos que, em cumprimento à regra geral prevista no art. 176 do Código Tributário Nacional CTN, especificando o tributo a que se aplica, as condições e requisitos exigidos para sua concessão, a isenção do IRPF sobre os rendimentos, no caso do contribuinte ser portador de determinadas espécies de doenças, foi instituída pela Lei n° 7.713, de 1988, mais especificamente no inciso XIV do artigo 6º, com redação dada pelo artigo 47 da Lei nº 8.541, de 23/12/92 e artigo 30, § 2º da Lei nº 9.250/95, e pela Lei nº 11.052, de 2004, in verbis: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente sem serviços e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;” (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) Referida disposição encontrase regulamentada no Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, art. 39, XXXI, que estabelece: Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10480.725113/201695 Acórdão n.º 2001001.022 S2C0T1 Fl. 3 3 “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Proventos de aposentadoria por Doença Grave XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);” (...) § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II – do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III – da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. Importa destacar que o art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995, veio estabelecer que, a partir de 1996, a moléstia deveria ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, assim: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.” Com o recurso voluntário, foi apresentado Laudo Médico Oficial e documentação complementar que atestam a moléstia grave (f. 50/54), atestando a moléstia grave e suprindo falhas apontadas pelas autoridades lançadoras e julgadora. de primeira instância. Fl. 64DF CARF MF 4 Com base nestes fundamentos, devese reconhecer o direito à isenção pleiteado pela recorrente, haja vista que foi feita prova neste processo. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11817.000179/2005-30
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 05/05/2005
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
Não deve ser conhecido o recurso voluntário interposto após o prazo legal.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3002-000.537
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o recurso voluntário interposto após o prazo legal. Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 126 dos autos: Trata o presente processo de Auto de infração, de fls. 01/06, referente à multa de R$ 5.000,00, prevista no art. 107, inc. IV, alinea “c”, do Decretolei n° 37, de 18 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 81 7. 00 01 79 /2 00 5- 30 Fl. 157DF CARF MF 2 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Da autuação Na descrição dos fatos, de fls. 02/03 a fiscalização narra, em resumo, que após o trânsito em julgado na esfera judicial de Mandado de Segurança, ocorrido no inicio do ano de 1999, que ao final negou a regularização de veículo estrangeiro usado, a então Secretaria da Receita Federal passou a diligenciar no sentido de buscar apreender o bem em questão, em face da irregularidade definida como Dano ao Erário, já declarada na inicial no mês de abril de 1988, quando o requerimento original foi apresentado na esfera administrativa. O autuante informa que “vencidas as diligências promovidas pela Receita Federal em São Paulo e após, ficar conhecido pelo Sistema Renavam o paradeiro do veiculo procurado foi o assunto encaminhado a esta Seção no mês de maio de 2004, quando passamos q tomar conhecimento dos fatos e, por conseguinte, buscar a apreensão do veículo”. Por meio da Intimação Safia n° 057/2004 (fls. 50/52) foi constatada a transferência de propriedade e identificado o Sr. João Carlos Montenegro como proprietário do veículo desde o dia 12/06/02, conforme Documento Único de Transferência do Detran que foi apresentado (fl. 55). Tal fato levou a fiscalização a proceder à nova intimação (Intimação Safia n° 071/2004 fls. 57/59), que compelia o interessado a “apresentar o veículo discriminado (..) no prazo de 5 (cinco) dias, a partir da data do recebimento desta intimação, ou, no mesmo interregno, prestar esclarecimentos, por escrito, se houver impossibilidade de cumprimento desta exigência, relacionada com a localização, posse ou detenção do referido bem” (fl. 57, negrito do original). O fiscal continua a expor que: diante da intimação, o Sr. João Carlos Montenegro, passou a promover a sua defesa judicial impetrando Mandado de Segurança na Justiça Federal. A liminar foi indeferida no dia 22/06/04 pelo Juiz Federal Substituto da 13” Vara Seção Judiciária do DF. De tal decisão o Sr. João Carlos Montenegro apresentou Agravo, tendo o desembargador decidido mantêlo na posse do veiculo até a decisão de mérito; no mérito foi denegada a segurança, fato ocorrido em 07/03/05, assim procedeuse a reintimação do Sr. João Carlos Montenegro para apresentar o veiculo, no prazo de cinco dias, a contar do recebimento da reintimação Safia n° 44/2005 (fl. 103), datada de 15/04/05. O Aviso de Recebimento retomou devidamente carimbado pelos Correios e Telégrafos indicando ter o mesmo sido entregue, no dia 20/04/05, no endereço constante dos registros cadastrais da Receita Federal e declarado pelo intimado. Conclui a autoridade autuante: Assim já transcorridos 15 dias da ciência da intimação e não cumprida a mesma na forma e no prazo estabelecidos (05 dias a contar do recebimento da reintimação para proceder à entrega do veículo a Receita Federal), tendo já o nominado proprietário tido ciência por duas vezes na área administrativa de que deveria proceder a entrega do veículo, e por estar ciente inclusive em razão dos procedimentos judiciais que encaminhou junto ao judiciário de que o Mandado de Segurança foi denegado e não tendo apresentado a Receita Federal qualquer justificativa escrita no sentido de responder a reintimação, restou proceder com o Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11817.000179/200530 Acórdão n.º 3002000.537 S3C0T2 Fl. 158 3 presente Auto de Infração, uma vez que, diante do silêncio do intimado, fica caracterizado o ato de embaraço à fiscalização. Além disso, cabe registrar o duplo ato de desobediência o primeiro a não responder na forma e no prazo com a reintimacão e o segundo a não proceder à entrega do veículo, em conformidade com a reintimação já citada. Da impugnação Cientificado, em 23/05/05, por meio do Aviso de Recebimento (AR) de fl. 112, o interessado apresentou, em 10/06/05, a impugnação de fls. 114/121, onde alega, em síntese, que: é o 6° proprietário na cadeia dominial do automóvel e o adquiriu cercando se de todos os cuidados necessários junto ao Departamento de Trânsito Detran, onde não constava qualquer pendência, restrição ou irregularidade. Além disso, 4 anteriores proprietários do veículo, constantes da documentação fornecida por aquele Departamento, renovaram por mais de 10 anos seguidos o licenciamento do carro sem que esse órgão acusasse qualquer irregularidade; após receber, em 14/06/04, a notificação da Safia, determinando a entrega de veículo de sua propriedade em 5 dias, houve por bem o Impugnante, a fim de assegurar seu direito liquido e certo à propriedade e a manutenção na posse do bem, impetrar Mandado de Segurança com Pedido Liminar, processo n° 2004.34.00.0200477; indeferida a liminar pleiteada, o Impugnante agravou de Instrumento para o Tribunal Regional Federal da 1” Região, processo n° 2004.01.00.0319007, onde a decisão foi reformada, autorizando que ele permanecesse na posse do veiculo, até decisão final de mérito; posteriormente, por ocasião da sentença de mérito publicada no Diário Oficial de 19/04/05, foi denegada a segurança pleiteada pelo ora Impugnante, tendo sido interposto recurso de apelação em face da sentença. entretanto, durante o interregno entre a prolação da sentença (07/03/05) e sua publicação no Diário de Justiça (19/04/05), a Seção de Fiscalização Aduaneira (SAF IA), partindo de premissa equivocada de que a sentença de lª instância se tratava de decisão final de mérito, em 15/04/05, reintimou o Contribuinte (reintimação Safia n° 44/2005), para que, em 05 (cinco) dias entregasse o veículo, sob pena de multa; todavia, enquanto não publicada a sentença de mérito, ela não produzirá efeitos (artigo 463 do CPC). Portanto, a liminar concedida pela Eminente Desembargadora Federal Maria Isabel Gallotti Rodrigues encontravase em pleno vigor; deste modo, é nula de pleno direito a reintimação' SAFIA n° 44/2005. porque a liminar que assegurava ao Impugnante manterse na posse do veículo ainda estava em pleno vigor, posto que não havia sido publicada a sentença denegatória da segurança no órgão oficial, o que afasta qualquer pretensão de aplicação de pena pecuniária, mas também porque a SAFIA ao reintimar o Contribuinte incorreu em gritante descumprimento de ordem judicial; ressaltase, mais uma vez, que não se tratava de decisão final de mérito, eis que da sentença cabia recurso, e esta faculdade foi exercitada pelo Contribuinte; Fl. 159DF CARF MF 4 com efeito, inconformado com a decisão denegatória da segurança, o Contribuinte interpôs, em 29/04/05, recurso de apelação com pedido de recebimento em duplo efeito, contudo, o recurso foi recebido apenas no efeito devolutivo; assim, mais uma vez irresignado com a decisão que recebeu a apelação apenas no efeito devolutivo, em 29/04/2005, o Contribuinte interpôs agravo de instrumento com pedido de tutela antecipada, processo n° 2005.01.00.0280642, com fito a emprestar efeito suspensivo à apelação interposta contra a sentença denegatória da segurança, a fim de manter o Impugnante na posse do veículo, ou seja, de forma coerente com a liminar anteriomiente concedida pelo Egrégio Tribunal naquele Agravo de Instrumento de n° 2004.01.00.031900 7/DF. em 05/05/05, por decisão liminar foi concedido efeito suspensivo à apelação interposta. Desse modo, foram restabelecidos os efeitos da liminar anteriormente concedida, mantendo, assim, o Impugnante na posse do bem, afastando a pretensão da Safia em apreender o referido veículo ou.de.aplicar qualquer. penalidade pecuniária. Cumpre frisar que a Procuradoria da Fazenda Nacional já foi devidamente intimada dessa decisão; o presente auto de infração foi lavrado consubstanciado em pretenso embaraço ou impedimento à ação da fiscalização, inclusive não atendimento à intimação. Consta do referido auto de infração que a data do suposto fato gerador (embaraço ou impedimento à fiscalização), 05/05/05 se deu em virtude de "...transcorridos l5 dias da ciência da intimação e não cumprida a mesma na forrma e no prazo estabelecido..."; porém, por cautela, há que se lembrar que o caso em exame está sub judice, e diferentemente do que arguido pela SAFIA, ainda não há decisão judicial definitiva, em prestígio ao duplo grau de jurisdição; portanto, não há como conceber que a Safia, em 05/05/05, mesma data da concessão do efeito suspensivo à apelação pelo MM Desembargador Federal Carlos Fernando Mathias, que restabeleceu a liminar anteriormente concedida, mantendo, assim, o Impugnante na posse do veículo, possa aplicar multa conta o Contribuinte em favor da Fazenda Nacional; a Safia, mais uma vez, ao lavrar o auto de infração contrariou decisão judicial que afastou qualquer pretensão de aplicação de penalidade até o julgamento final da apelação interposta no Mandado de Segurança. Resta claro, por conseguinte, que se houve "duplo ato de desobediência", se deu por parte da Safia, que vem sistematicamente descumprindo as duas liminares obtidas pelo Impugnante perante o Tribunal Regional Federal da 1” Região. Por fim, requer o impugnante que “seja julgado INSUBSISTENTE o auto de infração ora impugnado, quer pela nulidade da reintimação supostamente não atendida, quer pelo descumprimento de ordem judicial”. Registrese que em face da mudança de jurisdição instituída pela Portaria SRF n° 179, de 13/02/07, DOU de 14/02/07, o presente processo foi encaminhado pela DRJ/São Paulo II para esta DRJ/FOR. Com sua impugnação, o contribuinte juntou a procuração de fl. 123. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 05/05/2005 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11817.000179/200530 Acórdão n.º 3002000.537 S3C0T2 Fl. 159 5 NULIDADE DA INTIMAÇÃO. INOCORRÊNCIA A apreciação de matéria no Judiciário não e motivo de impedimento da expedição de intimações pela fiscalização. A intimação exarada por autoridade competente, nos termos da lei, e regularmente notificada ao sujeito passivo é plenamente válida. Assumo: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 05/05/2005 EMBARAÇO A AÇAO FISCAL. NAO ATENDIMENTO A INTIMAÇAO. MULTA. Aplicase a multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi intimado da decisão em 07/10/10 (vide AR à fl. 137 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor interpôs, em 16/12/2010, Recurso Voluntário (fls. 142/150). Em seu recurso, o contribuinte argumentou, preliminarmente, a nulidade da intimação acerca do acórdão, por ter sido enviada para endereço onde não mais residia, apesar do mesmo ter informado seu endereço correto desde a impugnação. Requereu a devolução do prazo ou o recebimento do recurso, bem como informou endereço para envio de comunicações. Segue, então, narrando que, tendo adquirido o veículo objeto da discussão, dirigiuse ao Detran, onde se certificou da regularidade do automóvel, não tendo sido constatado qualquer problema. Recebida a notificação fiscal com a determinação de entrega do bem sob pena de multa, impetrou mandado de segurança tendo obtido decisão liminar através de agravo de instrumento autorizandoo a permanecer na posse do bem até decisão final. Na decisão final do processo, narra o contribuinte que obteve, em sede de apelação, decisão favorável, tendo ocorrido seu trânsito em julgado. No mérito, frisou que foi reconhecida judicialmente a decadência do direito da Administração de impor a pena de perdimento sobre seu veículo, e que foi reconhecida sua boafé por ter buscado verificar a regularidade do veículo no órgão público competente e confiado nas informações obtidas. Argumentou que tal confiança nos órgãos da Administração resta mais uma vez abalada, pois o acórdão, na tentativa de manter a aplicação da multa, teria chegado a entrar em contradição em relação ao objeto da reintimação enviada ao contribuinte. Teria, ainda, a decisão, adotado premissa equivocada, ao entender que, com a prolação da sentença, o mandado de segurança teria recebido decisão negativa definitiva, quando, na realidade, ainda cabia recurso, o qual foi manejado e provido. Considera que houve por parte das autoridades fiscais, assim, desrespeito a decisão judicial que afastou a possibilidade de aplicação de penalidade, tanto a de perdimento, quando a de multa. Fl. 161DF CARF MF 6 O contribuinte argumentou, ainda, que não houve qualquer omissão de sua parte em relação às intimações que lhes foram enviadas, pois em sua impugnação teria restado justificada a não entrega do veículo, quando informou acerca do processo judicial em trâmite, de modo que o que teria ocorrido no presente processo administrativo teriam sido sucessivos descumprimentos de decisão judicial. Argumentou, ao fim, que, sendo insubsistente a penalidade principal (perdimento de bens), também o é a acessória (multa), principalmente por ter sido aplicada em razão de reintimação contrária a decisão judicial. Requereu, ao fim, o reconhecimento da nulidade da intimação acerca do acórdão para que lhe seja devolvido o prazo ou recebido o presente recurso. No mérito, requereu a declaração de insubsistência do auto de infração e da multa aplicada. Juntou os documentos de fls. 151/154, quais sejam: procuração e comprovantes de endereço. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Do argumento preliminar de nulidade da intimação acerca do acórdão Consoante acima narrado, o contribuinte apresenta em seu Recurso Voluntário argumento preliminar no sentido de que a intimação acerca do acórdão seria nula, visto que fora encaminhada para endereço onde não mais residia (SQS 208, Bloco C, apto 403, 70254030, Asa Sul, Brasília/DF), apesar do mesmo ter informado seu endereço correto desde a sua impugnação (SQS, Bloco R, apto. 110, Asa Sul, Brasília/DF). Requereu, então, a devolução do prazo ou o recebimento do recurso, bem como informou um terceiro endereço para envio de comunicações (SHIS QL 14, Conjunto 06, Casa 16, Lago Sul, CEP: 71.640065, Brasília/DF). No intuito de comprovar o seu domicílio atual (SHIS QL 14, Conjunto 06, Casa 16, Lago Sul, CEP: 71.640065, Brasília/DF), para onde requer que as novas intimações sejam enviadas, anexou aos autos contas da TIM e do Extra, direcionadas para este endereço (vide fls. 153/154 dos autos). Foi anexada aos autos, ainda, consulta à base do "CPF" do contribuinte, realizada em 17/12/2010, em que consta como endereço cadastrado o mesmo para o qual fora enviada a notificação do acórdão recorrido, qual seja, SQS 208, Bloco C, apto 403, 70254030, Asa Sul, Brasília (vide fl. 155). Ao analisar o pleito do contribuinte, penso que, para que seja reconhecida a nulidade da intimação realizada no presente caso, não basta que o contribuinte tenha indicado outro endereço em sua impugnação. Isso porque, como é cediço, o endereço que deverá ser considerado pela Receita Federal para fins de envio de notificações é o endereço eleito pelo Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11817.000179/200530 Acórdão n.º 3002000.537 S3C0T2 Fl. 160 7 próprio contribuinte, conforme cadastro realizado perante este órgão. Esse entendimento, inclusive, encontrase sedimentado por meio da súmula CARF nº 09, in verbis: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Acontece que, em consulta à base do "CPF" do contribuinte, realizada em 17/12/2010, ou seja, pouco tempo após o envio da notificação, concretizada em 07/10/2010, foi constatado que o endereço registrado permanecia na SQS 208, Bloco C, apto 403, 70254030, Asa Sul, Brasília/DF. Nesse contexto, há de se reputar válida a notificação enviada a este endereço. Afasto, portanto, a preliminar de nulidade suscitada pelo Recorrente. 2. Da intempestividade do Recurso Voluntário interposto Sendo assim, considerando que o contribuinte fora intimado da decisão em 07/10/10 (vide AR à fl. 137 dos autos) e que o Recurso Voluntário fora interposto tão somente em 16/12/2010 (fls. 142/150), não restam dúvidas acerca da sua intempestividade. 3. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário, em razão da sua intempestividade. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000925/2009-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
DIREITO AO CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INSUMOS.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os valores relativos a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, considerando tais itens serem essenciais à atividade do sujeito passivo.
Numero da decisão: 9303-007.785
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer o direito ao crédito referente a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. DIREITO AO CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INSUMOS. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os valores relativos a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, considerando tais itens serem essenciais à atividade do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 09 25 /2 00 9- 11 Fl. 586DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 3 2 lhe provimento parcial, para reconhecer o direito ao crédito referente a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratamse de recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo contra o acórdão nº 3803003.874, da 3ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2008 COFINS NÃO CUMULATIVO. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS. Os pagamentos referentes às aquisições de serviços de terraplanagem e destinação final de resíduos sólidos, monitoramento do ar e outros serviços necessários a recuperação do meio ambiente, conferem direito a Fl. 587DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 4 3 créditos da COFINS, porque esses serviços são aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens destinados à venda, em consonância com o disposto na legislação de regência. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Insumo dedutível para efeito de Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e afetem as receitas tributadas pela contribuição social. E quando o cumprimento das obrigações ambientais impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, gerem despesas, estas devem ser consideradas insumos. ” Embargos de Declaração foram opostos pelo Conselheiro Alexandre Kern, alegando que o voto condutor do acórdão não se declinou sobre o conceito de insumo, para fins de creditamento das contribuições. O Colegiado a quo apreciando os Embargos de Declaração, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso, para retificar a ementa do acórdão, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 ACÓRDÃO. PARTE EXPOSITIVA E EMENTA. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e visam a sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento e motivação do julgado. São parcialmente cabíveis quando oportunizem o aperfeiçoamento do acórdão em ponto não conexo com a obscuridade apontada entre a ementa e os fundamentos.” Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que, para efeito de crédito do tributo, a legislação citada esclarece que se incluem no conceito de insumo, além das matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, itens que se incorporam ao bem produzido, os bens Fl. 588DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 5 4 que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto. Em Despacho às fls. 341 a 344, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Irresignado, o sujeito passivo opôs Embargos de Declaração, alegando contradição e obscuridade para fins de pronunciamento acerca dos concretos e corretos itens passíveis de aproveitamento do crédito. Contrarrazões ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foram apresentados pelo sujeito passivo, que trouxe que não se deve considerar o creditamento na apuração não cumulativa das contribuições PIS e Cofins restrito aos princípios aplicáveis à apuração do IPI e do ICMS. Em Despacho às fls. 466 a 471, os embargos de declaração foram rejeitados por ausência de omissão, obscuridade ou contradição na decisão embargada. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o acórdão na parte e nos itens em que assim não proveu o recurso voluntário – gastos com pessoal, de natureza remuneratória aos respectivos funcionários pessoas físicas, mas com fornecedores pessoas jurídicas, transporte, alimentação, lanches, leite, exames clínicos e laboratoriais, uniformes a empregados, portaria, vigilância e motoristas no transporte de pessoal a trabalhos da empresa. Em Despacho às fls. 560 a 564, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, admitindo a rediscussão da questão relativa ao conceito de insumo que deve ser adotado no âmbito das contribuições ao PIS e Cofins não cumulativos. Contrarrazões ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, trazendo, em síntese, que não há como se admitir a adoção da legislação do IRPJ para se conceituar o insumo para fins de constituição de crédito de PIS e Cofins não cumulativo. Fl. 589DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 6 5 É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise dos recursos interpostos pelo sujeito passivo e pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que em relação às matérias trazidas foram comprovadas as divergências, conforme preceitua o art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. O que concordo com os exames constantes dos Despachos de Admissibilidade. Em vista do exposto, conheço os recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo. Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se tratava de matéria controvérsia – pois, em fevereiro de 2018, o STJ, em sede de recurso repetitivo, ao apreciar o REsp 1.221.170, definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo sujeito passivo. Em 24.4.2018, foi publicado o acórdão do STJ, que trouxe em sua ementa: “TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. Fl. 590DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 7 6 RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte.” Fl. 591DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 8 7 Definiu ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas IN SRF 247 e 404 que, por sua vez, traz um entendimento mais restritivo que a descrita na lei. Nessa linha, efetivamente a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, tal como já entendia, expresso que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pela contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante recordar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Fl. 592DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 9 8 Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, era de se constatar que o entendimento predominante considerava o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não Fl. 593DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 10 9 cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto Fl. 594DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 11 10 na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Fl. 595DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 12 11 Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. Tal como expressou o STJ em recente decisão. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, Fl. 596DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 13 12 tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Fl. 597DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 14 13 Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. Fl. 598DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 15 14 O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça Fl. 599DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 16 15 considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No Fl. 600DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 17 16 ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão Fl. 601DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 18 17 ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Nessa linha, o STJ, que apreciou, em sede de repetitivo, o REsp1.221.170 –trouxe, pelas discussões e votos proferidos, o mesmo entendimento já aplicável pelas suas turmas e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Privilegiando, assim, a segurança jurídica que tanto merece a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Ademais, importante trazer ainda a NOTA SEI PGFN/MF 63/2018: "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014." Tal Nota contempla em seus itens 41 a 43: “41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão Fl. 602DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 19 18 do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo." Sendo assim, fica firmado pela PGFN o seguinte conceito de insumos: “Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.” Fl. 603DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 20 19 Após superada a conceituação de insumos para fins de constituição de crédito de PIS e Cofins, passo a analisar os itens trazidos pelo sujeito passivo que, por sua vez, tem como atividade a exploração e produção do carvão mineral. Para tanto, importante recordar o voto constante do acórdão recorrido: “[...] Não é possível reconhecer o direito creditório em relação às despesas com o transporte de funcionários, fornecimento de água, leite, pintura de banheiro, material de limpeza, material de escritório, refeição, vigilância, limpeza, encadernação, controle e prevenção de pneumoconiose, fornecer equipamento de proteção individual etc, pois estas despesas não podem ser consideradas insumo para efeito de creditamento, ainda que o Acordo Coletivo de Trabalho tenha obrigado a empresa a fornecer, equipamento de proteção aos funcionários, aquisição de caixas de papelão, bem como o fornecimento de água e leite aos seus funcionários. Por certo que estes 2 (dois) últimos produtos, dentre outros, não apresentam nenhuma relação com o processo produtivo de uma mina de extração de carvão mineral e por isso agiu bem a fiscalização em glosálos. [...] A mesma sorte ocorre em relação às despesas resultantes das aquisições com correias transportadoras, os cabos elétricos e mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão e aquisição de caixas de papelão, pois penso que aqui falhou a interessada ao não ter demonstrado se estes produtos foram efetivamente aplicados na atividade de extração mineral. Ainda não deve ser concedido crédito em relação as despesas com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, uma vez que as notas fiscais anexas às fls. 498/499 do PAF n.º 13963.000565/200573, referentes a serviços de conserto de motor, não provam que estes serviços tenham sido realizados em equipamentos relacionados com o processo produtivo da empresa, ainda mais quando estas notas fiscais não são coincidentes com nenhuma das Fl. 604DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 21 20 notas fiscais glosas e citadas na planilha elaborada pelo agente fazendário. Cumpre ainda observar que embora a empresa tenha juntado aos autos as notas fiscais anexas às fls. 498/499 do PAF n.º 13963.000565/200573, referentes a serviços de conserto de motor, por outro lado não há provas de que estes serviços tenham sido realizado em equipamentos relacionados com o processo produtivo da empresa, ainda mais quando estas notas fiscais não são coincidentes com nenhuma das notas fiscais glosas e citadas na planilha elaborada pelo agente fazendário. Quanto às despesas com aquisições de explosivos e cursos em relação aos mesmos, penso que estas despesas estão relacionadas com o processo produtivo. Entretanto, o contribuinte não instruiu os autos com notas fiscais de aquisição e nem mesmo contratos de prestação de serviços em relação aos cursos de operacionalização destes explosivos, razão pela qual não demonstrando o seu direito não há fundamento para o reconhecimento dos créditos neste particular. O mesmo digase em relação às despesas com embalagens e etiquetas.” Após breve recordação, considerando que o acórdão de recurso voluntário não trouxe especificamente os diversos itens constantes do recurso voluntário, ainda que tenha sido apreciado pelo colegiado a quo ao adotar o termo “etc.” no voto recorrido, passarei a analisar os diversos itens questionados em recurso voluntário, com exceção daqueles que o contribuinte logrou êxito no acórdão recorrido (custos relacionados às obrigações ambientais e aos custos de serviços de terraplanagem e destinação final de resíduos, monitoramento do ar e serviços necessários para a recuperação do meio ambiente): 1. Despesas com o transporte de funcionários em trajetos específicos, por não conseguir identificar se referia a trajeto interno (na produção) ou externo (do domicílio do trabalhador para a produção), entendo que não há como reconhecer o crédito das contribuições; Fl. 605DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 22 21 2. Fornecimento de água potável, leite, marmitas, lanches, entendo serem itens passíveis de geração de crédito das contribuições, vez que, pela atividade do contribuinte, o trabalho em minas de carvão traz uma particularidade crítica na movimentação dos trabalhadores – inclusive para sair desse ambiente à procura de estabelecimentos de comércio alimentar e, adotando o teste de subtração da Nota PGFN, entendo que tal item é essencial para a sua atividade; 3. Exames e tratamentos médicos e assistência ao trabalhador acidentado, ainda que necessários, não há como se reconhecer o direito ao crédito das contribuições, pois não entendo que há como se vincular direta ou indiretamente à produção do carvão, por exemplo; 4. Uniformes e Equipamentos de Proteção Individual, entendo que tais custos geram o direito ao crédito das contribuições, inclusive por ser obrigatório nessa atividade. Recordo que essa turma já apreciou esse item – o que peço licença para transcrever parte das ementas dos seguintes acórdãos: · Acórdão 9303006.222 – Conselheiro Demes Brito “[...] COFINS NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. UNIFORME/VESTUÁRIO. EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. LUBRIFICANTES E COMBUSTÍVEIS. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS uniforme, vestuário, equipamento de proteção individual, combustíveis e lubrificantes.[...]” · Acórdão 9303005.526 – Charles Mayer de Castro Souza Fl. 606DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 23 22 “[...] No caso julgado, são exemplos de insumos: a) os materiais de segurança ou proteção individual, tais como: avental, bota, botina, capacete, creme protetor, máscaras, meia, protetor auricular, protetor facial e botas sete léguas; b) materiais de uso geral: arruela, mangueira, rodinho, chave allen, chave boca, chave fenda, lâmpadas, parafuso allen, parafuso bucha, parafuso sextavado, porca inox, retentor, rolamento, tubo galvanizado e tubo PVC [...]” · Acórdão 9303005.912 – Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas “[...] PIS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de uniformes/vestimentas, cuja aplicação não seja em decorrência de exigências legais, além da necessária comprovação de sua utilização diretamente no processo produtivo. Da mesma forma os combustíveis e lubrificantes só dão direito ao crédito se utilizados diretamente no processo produtivo. Acatase os créditos da aquisição de equipamentos de proteção individual em razão de seu necessário consumo, com o tempo, durante o uso no processo produtivo. [...]” 5. Controle e Prevenção de Pneumoconiose, tal como os custos com exames e tratamentos médicos, ainda que necessários, não há como se reconhecer o direito ao crédito das contribuições; 6. Auditorias de certificação de qualidade e de procedimento como as ISO, ainda que necessários, não há como se gerar crédito pois não vinculada diretamente ou indiretamente à produção do carvão; Fl. 607DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 24 23 7. Caixas de Papelão e Sacos BIG Bag, entendo que geram direito ao crédito, pois essenciais para o acondicionamento do carvão produzido; ademais as etiquetas decorrem de exigência obrigatória, por se tratar de produtos perigosos; 8. Correias de Transporte, entendo ser essencial à atividade na exploração da mina, o que entendo ser gerador de crédito; 9. Gastos com explosivos e cursos técnicos relativos à operação da mina, entendo serem essenciais à sua atividade de exploração, bem como o curso atrelado a esses gastos, para se prevenir a segurança; 10. Sondagens, entendo que serem geradores de crédito, pois essencial à sua atividade; 11. Pintura de banheiro, material de limpeza, material de escritório, vigilância, limpeza, encadernação, entendo que não há como se reconhecer o crédito, vez que são meros custos administrativos. Quanto à limpeza, não há comprovação da vinculação à sua atividade fim; 12. Custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, entendo que tais itens são essenciais à sua atividade. Em vista do exposto, dou provimento parcial ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Quanto aos itens trazidos em Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, importante recordar o voto do acórdão recorrido: “[...] Assim, considerando a planilha anexa aos autos em que estão relacionados os serviços e produtos glosados pela fiscalização, ou seja, excluídos do creditamento da contribuição, reconheço do pleito do contribuinte em relação todas as despesas ocorridas em razão das Fl. 608DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 25 24 prestações de serviços vinculados ao meio ambiente, dado que estas despesas somente ocorreram em função das imposições decorrentes do Acordo Judicial de Conduta e dos Termos de Ajuste de Conduta celebrados com Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual e FÁTMA. Assim, partindo da planilha elaborada pelo agente fazendário, concedo créditos em relação às aquisições de serviços e produtos mencionados na tabela abaixo, por compreender que estes são essenciais para o processo produtivo da empresa e ainda por estas despesas terem decorrido de imposição do Poder Público: [...] Logo, compreendo que deve ser reconhecido o direito aos créditos pleiteados para todas as despesas relacionadas de alguma forma com a recuperação do meio ambiente, ainda que não estejam relacionadas na planilha elaborada pela repartição de origem, uma vez que esses serviços são essenciais ao funcionamento da empresa, ou seja: risco ambiental, recuperação ambiental, auditorias ambiental, terraplanagem para recuperação ambiental, prestação de serviços com o objetivo de obtenção da Licença Ambiental Prévia, prestação de serviços de monitoramento do ar na área de influência das minas, serviços de acompanhamento das etapas de elaboração de diagnóstico ambiental, serviços de estudos hidrológicos, locação de máquinas e equipamentos para aterro com o intuito de recuperação ambiental, de ensaio técnico, serviços de elaboração de Estudos de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente (FIA/RIMA), prestação de serviços de diagnóstico ambiental nas áreas impactadas pela mineração por meio de avaliação da flora e fauna visando a avaliação da reabilitação de áreas degradadas, prestação de serviços de geomecânica e avaliação dos parâmetros de qualidade das camadas que foram o teto e o piso da mina, prestação de serviços de dimencionamento de pilares de minas, prestação de serviços planialtimétricos, anteprojeto de recuperação de área ambiental e drenagem, serviços de coleta de resíduos sólidos. Fl. 609DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 26 25 Ainda assiste razão ao contribuinte quando requer os créditos em relação a depreciação dos bens do ativo imobilizado, principalmente quando o fiscal nada comenda a respeito, bem mesmo o julgador de primeiro grau, uma vez que os contribuintes sujeitos a incidência não cumulativa do PIS/COFINS, em relação aos bens adquiridos, podem descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação, nos termos da legislação aplicável. Assim, podem gerar direito a estes créditos as depreciações das empilhadeiras, bombas hidráulicas, motores etc, desde que registrados no ativo imobilizado.[...]” Em relação aos itens descritos no voto do acórdão recorrido, manifesto minha concordância, pois entendo que todos são essenciais à atividade do sujeito passivo, o que, fazendo o teste de subtração, impossível a operacionalização de sua atividade. Em vista do exposto, voto por: · Dar provimento parcial ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo; · Negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 610DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 27 26 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo parcialmente de suas conclusões quanto aos itens que são possíveis de creditamento à luz do novo conceito de insumos introduzidos pela decisão do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos. Importante esclarecer, que parte desse colegiado, nas sessões de julgamento precedentes, inclusive eu, não compartilhava do entendimento de que a legislação da não cumulatividade do PIS e da Cofins dava margem para compreender o conceito de insumos no sentido de sua relevância e essencialidade às atividades da empresa como um todo. No nosso entender a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. Embora não aplicável a legislação restritiva do IPI, o insumo era restrito ao item aplicado e consumido diretamente no processo produtivo, não se admitindo bens ou serviços que, embora relevantes, fossem aplicados nas etapas préindustriais ou pósindustriais, a exemplo dos conhecidos insumos de insumos, como é o caso do adubo utilizado na plantação da canadeaçúcar, quando o produto final colocado à venda é o açúcar ou o álcool. Porém, como bem esclareceu a relatora em seu voto, o STJ, no julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, submetido à sistemática dos recursos repetitivos de que tratam os arts. 1036 e seguintes do NCPC, trouxe um novo delineamento ao trazer a interpretação do conceito de insumos que entende deve ser dada pela leitura do inciso II dos art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. A própria Fazenda Nacional, editou a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, na qual traz que o STJ em referido julgamento teria assentado as seguintes teses: “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de Fl. 611DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 28 27 nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte". Portanto, a partir desta sessão de julgamento, por força do efeito vinculante da citada decisão do STJ, esse conselheiro passará a adotar o entendimento muito bem explanado pela relatora e também pela citada nota da PGFN. Para que o conceito doravante adotado seja bem esclarecido, transcrevo abaixo excertos da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, os quais considero esclarecedores dos critérios a serem adotados. (...) 15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observase que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividadefim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques. 18. (...) Destarte, entendeu o STJ que o conceito de insumos, para fins da não cumulatividade aplicável às referidas contribuições, não corresponde exatamente aos conceitos de “custos e despesas operacionais” utilizados na legislação do Imposto de Renda. (...) 36. Com a edição das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, o legislador infraconstitucional elencou vários elementos que como regra integram cadeias produtivas, considerandoos, de forma expressa, como ensejadores de créditos de PIS e COFINS, dentro da sistemática da nãocumulatividade. Há, pois, itens dentro do processo produtivo cuja indispensabilidade material os faz essenciais ou relevantes, de forma que a atividadefim da empresa não é possível de ser mantida sem a presença deles, existindo outros cuja essencialidade decorre por Fl. 612DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 29 28 imposição legal, não se podendo conceber a realização da atividade produtiva em descumprimento do comando legal. São itens que, se hipoteticamente subtraídos, não obstante não impeçam a consecução dos objetivos da empresa, são exigidos pela lei, devendo, assim, ser considerados insumos. (...) 38. Não devem ser consideradas insumos as despesas com as quais a empresa precisa arcar para o exercício das suas atividades que não estejam intrinsicamente relacionadas ao exercício de sua atividadefim e que seriam mero custo operacional. Isso porque há bens e serviços que possuem papel importante para as atividades da empresa, inclusive para obtenção de vantagem concorrencial, mas cujo nexo de causalidade não está atrelado à sua atividade precípua, ou seja, ao processo produtivo relacionado ao produto ou serviço. 39. Vale dizer que embora a decisão do STJ não tenha discutido especificamente sobre as atividades realizadas pela empresa que ensejariam a existência de insumos para fins de creditamento, na medida em que a tese firmada referese apenas à atividade econômica do contribuinte, é certo, a partir dos fundamentos constantes no Acórdão, que somente haveria insumos nas atividades de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. Desse modo, é inegável que inexistem insumos em atividades administrativas, jurídicas, contábeis, comerciais, ainda que realizadas pelo contribuinte, se tais atividades não configurarem a sua atividadefim. (...) 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindo se mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. (...) 50. Outro aspecto que pode ser destacado na decisão do STJ é que, ao entender que insumo é um conceito jurídico indeterminado, permitiuse uma conceituação diferenciada, de modo que é possível que seja adotada definição diferente a depender da situação, o que não configuraria confusão, diferentemente do que alegava o contribuinte no Recurso Especial. 51. O STJ entendeu que deve ser analisado, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou relevante para o processo produtivo ou à atividade principal desenvolvida pela empresa. Vale ressaltar que o STJ não adentrou em tal análise casuística já que seria incompatível com a via especial. 52. Determinouse, pois, o retorno dos autos, para que observadas as balizas estabelecidas no julgado, fosse apreciada a possibilidade de dedução dos créditos relativos aos custos e despesas pleiteados pelo contribuinte à luz do objeto social daquela empresa, ressaltandose as limitações do exame na via mandamental, considerando as restrições atinentes aos aspectos probatórios. Fl. 613DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 30 29 (...) Portanto, partindo dessas premissas é que iremos analisar, em cada caso, o direito ao crédito de PIS e Cofins de que tratam o inc. II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Passemos então à análise dos itens específicos do presente processo, dos quais discordamos da ilustre relatora. No caso específico nossa discordância é em relação a fornecimento de água potável, leite, marmitas, lanches e cursos técnicos relativos à operação da mina. Apesar de tanto a relatora quanto eu estarmos em sintonia em relação ao conceito de insumos trazidos pela decisão do STJ, não tenho a mesma conclusão que ela que tais itens possam ser considerados insumos e serem relevantes e pertinentes para a atividade produtiva exercida pelo contribuinte. Com a devida venia, não considero que sejam itens, cuja subtração possa obstar a atividade produtiva do contribuinte. Não há como considerálos como insumos da atividade produtiva do contribuinte. Veja como dispõe a legislação do PIS e da Cofins quanto à possibilidade de creditamento: Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (...) Creio que a atenta leitura do dispositivo legal é suficiente para afastar o crédito da nãocumulatividade em relação a itens estranhos ao processo produtivo do contribuinte. Portanto, deixo de acompanhar a relatora em relação aos itens: fornecimento de água potável, leite, marmitas, lanches e cursos técnicos relativos à operação da mina. Em Fl. 614DF CARF MF Processo nº 11516.000925/200911 Acórdão n.º 9303007.785 CSRFT3 Fl. 31 30 conclusão, nego o aproveitamento de créditos da nãocumulatividade de PIS/Cofins sobre esses itens. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 615DF CARF MF
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Numero do processo: 15563.720056/2016-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
PROVAS.DILIGÊNCIAS E PERÍCIAS.
Nos termos das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, a prova deve ser apresentada pela contribuinte no momento da impugnação, não competindo à Administração Tributária a iniciativa da adoção de eventual procedimento de diligência, a fim de suprir o encargo que cabe ao sujeito passivo da relação tributária processual, quanto à formação da sua demonstração probatória na defesa ofertada. O procedimento de diligência e/ou perícia, na esfera de julgamento, presta-se a solucionar dúvidas eventualmente levantadas na análise da documentação probatória já acostada ao processo, sujeitando-se, ainda, à observância dos requisitos legais para sua formulação.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Cumpre à Administração Tributária aplicar a Lei de ofício. No âmbito administrativo, não se afasta a aplicação de Lei, nem se declara a sua inconstitucionalidade. Entendimento já consolidado, inclusive, no enunciado nº 02 da Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
OMISSÃO DE RECEITAS. SUBFATURAMENTO. EMPRESA DE FACHADA. MESMO GRUPO ECONÔMICO
Fica caracterizada a omissão de receitas quando restar comprovado que a pessoa jurídica se utiliza de empresa de fachada, do mesmo grupo econômico, constituída por interpostas pessoas, para realizar suas operações de vendas a preço subfaturado, para posterior emissão de novo documento fiscal pela empresa de fachada, com o valor real da mercadoria, destinada ao efetivo cliente.
OPERAÇÕES REALIZADAS EM NOME DE EMPRESA DE FACHADA. ATRIBUIÇÃO DA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE AO VERDADEIRO EMPREENDEDOR DOS NEGÓCIOS.
Procede o lançamento fiscal que, com base em evidências inequívocas, desconsidera operações formalmente realizadas em nome de empresa de fachada (pessoa jurídica constituída em nome de interpostas pessoas) e atribui a condição de contribuinte ao verdadeiro empreendedor dos negócios.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA DE FACHADA CONSTITUÍDA POR INTERPOSTAS PESSOAS.
A multa de ofício será qualificada, no percentual de 150%, conforme estabelece a lei, sempre que houver o intuito de fraude, devidamente caracterizado em procedimento fiscal, com a utilização de empresa de fachada, constituída por interpostas pessoas, e da reiterada conduta de omitir a receita efetivamente auferida, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.
CSLL. PIS. COFINS. REFLEXOS.
Por decorrerem dos mesmos elementos de fato e de direito, aplica-se às contribuições sociais em destaque o quanto decidido em relação ao IRPJ.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2012
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. SÓCIO-ADMINISTRADOR. EXCESSO DE PODERES E INFRAÇÃO DE LEI.
São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes e infração de lei os sócios-administradores de pessoas jurídicas de direito privado.
Numero da decisão: 1401-003.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de perícia e, no mérito, negar provimento aos recursos voluntários, tanto da Contribuinte quanto do apontado como responsável solidário, o Sr. Paulo Roberto Paschoalino Machado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano (Vice-Presidente), Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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Nos termos das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, a prova deve ser apresentada pela contribuinte no momento da impugnação, não competindo à Administração Tributária a iniciativa da adoção de eventual procedimento de diligência, a fim de suprir o encargo que cabe ao sujeito passivo da relação tributária processual, quanto à formação da sua demonstração probatória na defesa ofertada. O procedimento de diligência e/ou perícia, na esfera de julgamento, prestase a solucionar dúvidas eventualmente levantadas na análise da documentação probatória já acostada ao processo, sujeitandose, ainda, à observância dos requisitos legais para sua formulação. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Cumpre à Administração Tributária aplicar a Lei de ofício. No âmbito administrativo, não se afasta a aplicação de Lei, nem se declara a sua inconstitucionalidade. Entendimento já consolidado, inclusive, no enunciado nº 02 da Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 OMISSÃO DE RECEITAS. SUBFATURAMENTO. EMPRESA DE FACHADA. MESMO GRUPO ECONÔMICO Fica caracterizada a omissão de receitas quando restar comprovado que a pessoa jurídica se utiliza de empresa de fachada, do mesmo grupo econômico, constituída por interpostas pessoas, para realizar suas operações de vendas a preço subfaturado, para posterior emissão de novo documento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 00 56 /2 01 6- 51 Fl. 1829DF CARF MF 2 fiscal pela empresa de fachada, com o valor real da mercadoria, destinada ao efetivo cliente. OPERAÇÕES REALIZADAS EM NOME DE EMPRESA DE FACHADA. ATRIBUIÇÃO DA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE AO VERDADEIRO EMPREENDEDOR DOS NEGÓCIOS. Procede o lançamento fiscal que, com base em evidências inequívocas, desconsidera operações formalmente realizadas em nome de empresa de fachada (pessoa jurídica constituída em nome de interpostas pessoas) e atribui a condição de contribuinte ao verdadeiro empreendedor dos negócios. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA DE FACHADA CONSTITUÍDA POR INTERPOSTAS PESSOAS. A multa de ofício será qualificada, no percentual de 150%, conforme estabelece a lei, sempre que houver o intuito de fraude, devidamente caracterizado em procedimento fiscal, com a utilização de empresa de fachada, constituída por interpostas pessoas, e da reiterada conduta de omitir a receita efetivamente auferida, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. CSLL. PIS. COFINS. REFLEXOS. Por decorrerem dos mesmos elementos de fato e de direito, aplicase às contribuições sociais em destaque o quanto decidido em relação ao IRPJ. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. EXCESSO DE PODERES E INFRAÇÃO DE LEI. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes e infração de lei os sóciosadministradores de pessoas jurídicas de direito privado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de perícia e, no mérito, negar provimento aos recursos voluntários, tanto da Contribuinte quanto do apontado como responsável solidário, o Sr. Paulo Roberto Paschoalino Machado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano (VicePresidente), Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Fl. 1830DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.830 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), que, por meio do Acórdão 1464.763, de 16 de março de 2017, julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Da Exigência Fiscal Tratase de autos de infração lavrados contra o sujeito passivo, em 9/5/2016, a título de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ (fls. 1.548 a 1.556), com reflexos na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL fls. 1.557 a 1.565), na Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins fls. 1.566 a 1.575) e na Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep fls. 1.576 a 1.585), anocalendário 2012, acrescidos de multa de ofício qualificada (150%), além de juros de mora, no montante de R$ 19.361.509,44, assim discriminado: IRPJ CSLL COFINS Fl. 1831DF CARF MF 4 PIS Do Relatório Fiscal Do Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.518 a 1.547), relativamente à constituição do quadro societário da impugnante e de empresa a ela relacionada, destacamse os seguintes trechos, abaixo transcritos: [...] Conforme atos constitutivos arquivados na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, a fiscalizada foi constituída em 08/08/2003, sob a forma de sociedade por quotas de responsabilidade limitada, tendo por objeto social a "industrialização e comércio de embalagens plásticas, podendo ser estendido ou modificado, a critério dos sócios e mediante alteração contratual devidamente registrada no Órgão competente”, e figurando como sócios ROSÂNGELA MARIA MARTINS THEES, CPF 604.546.44604, SÃO BARTOLOMEU EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ 05.663.472/000148, e PAULO ROBERTO PASCHOALINO MACHADO, CPF 464.797.75600, este último com poderes exclusivos para administrar a empresa. À sociedade deuse o nome empresarial de HIPERROLL EMBALAGENS LTDA, com sede na Rua Ambrosina Nunes Lima, nº 114, Jóquei Clube, CEP 36.083710, Juiz de Fora / MG [...] [...]em 25/02/2004, alterouse o endereço da Rua Ambrosina Nunes Lima, nº 114, Jóquei Clube, CEP 36.083710, Juiz de Fora / MG, para a Rua José Basílio da Costa, nº 05, Jóquei Clube, CEP 36.083720, Juiz de Fora / MG. [...] em 16/03/2004, alterouse o endereço da na Rua José Basílio da Costa, nº 05, Jóquei Clube, CEP 36.083720, Juiz de Fora / MG, para a Avenida Antônio Simão Firjam, nº 140, Distrito Industrial, Bairro Benfica, CEP 36.092000, Juiz de Fora / MG. Em 16/01/2007 (data de registro), através da 6ª Alteração do Contrato Social, retiraramse da sociedade os sócios ROSÂNGELA MARIA MARTINS Fl. 1832DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.831 5 THEES e SÃO BARTOLOMEU EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., sendo admitidos PEDRO PAULO DE ALMEIDA, CPF 093.170.58604, e JOSE VENICIO ALMEIDA DOS REIS, CPF 757.777.62620, este último com poderes para administrar a sociedade juntamente com o sócio PAULO ROBERTO PASCHOALINO MACHADO. Ainda, transferiuse a filial situada na Rua Silva Vidal Lage, nº 115, bairro Jóquei Clube, Juiz de Fora / MG, para a Rua João Henrique Vila Real, nº 376, Galpão 102 A, Bairro Jardim São José – Vitorino Braga, Juiz de Fora / MG, CEP 36.060 280. [...] em 12/09/2007, efetuouse a transferência da Matriz, estabelecida na Avenida Antônio Simão Firjam, nº 140, Distrito Industrial, Bairro Benfica, CEP 36.092000, Juiz de Fora / MG, para a Avenida Arthur Sebastião de Toledo Ribas, nº 1719, CEP 25.803060, Cantagalo, Três Rios / RJ. [...] Também em 12/09/2007 (data de registro), alterouse o endereço da Matriz para a Rua Manuel Vieira, nº 74, Box 207, Duque de Caxias / RJ, CEP 25.020210. Na data de 29/04/2009 (data de registro da alteração contratual), retirouse da sociedade o sócio PEDRO PAULO DE ALMEIDA, transferindo suas cotas aos sócios PAULO ROBERTO PASCHOALINO MACHADO e JOSÉ VENICIO ALMEIDA DOS REIS. Em 23/09/2009, (data de registro da alteração contratual), retirase da sociedade JOSÉ VENICIO ALMEIDA DOS REIS, transferindo suas cotas a PAULO ROBERTO PASCHOALINO MACHADO. Por Alteração Contratual registrada em 06/01/2010, é admitido na sociedade IVAN MELLO DA SILVEIRA, CPF 859.484.97704, sem poderes de administração. Também, são criadas a Filial 02, estabelecida na Rua Belo Horizonte, nº 414, Vila Isabel, Três Rios –RJ, CEP 25.815140, e a Filial 03, estabelecida na Av. Antonio Simão Firjam, nº 240, galpão 11, Distrito Industrial, Juiz de Fora – MG, CEP 36.092000. Conforme Alteração Contratual registrada em 16/04/2010, o sócio IVAN MELLO DA SILVEIRA transfere todas as suas cotas ao sócio PAULO ROBERTO PASCHOALINO MACHADO. É admitido na sociedade, em 18/10/2010 (data de registro da alteração contratual), RENATO CESAR DE ALMEIDA, CPF 283.950.00600, sem poderes de administração. Ainda, extinguese a Filial 03, que estava estabelecida na Avenida Antonio Simão Firjam, nº 240, galpão 11, bairro Distrito Industrial, Juiz de Fora – MG. Em 22/10/2012 (data de registro), retificase o endereço da Filial 01, CNPJ 05.937.109/000254, para Avenida Antonio Simão Firjam, nº 140, bairro Distrito Industrial, Juiz de Fora – MG, CEP 36.092000. A Filial 02, CNPJ 05.937.109/000335, é transferida para a Estrada União Industria, nº 40, Km 122, Anexo III, Bairro do Cantagalo, Três Rios – RJ, CEP 25.805335, conforme Alteração Contratual registrada em 16/10/2015. [...] no ano fiscalizado a sociedade era sediada na Rua Manuel Vieira, nº 74, Box 207, Duque de Caxias / RJ, CEP 25.020 210, com uma das filiais, com o CNPJ sob o nº CNPJ 05.937.109/000254, estabelecida na Avenida Antonio Simão Firjam, nº 240 (retificado para 140), bairro Distrito Industrial, Juiz de Fora – MG, figurando sócios RENATO CESAR DE ALMEIDA, CPF 283.950.00600, e PAULO Fl. 1833DF CARF MF 6 ROBERTO PASCHOALINO MACHADO, CPF 464.797.75600, este último com poderes para administrar a sociedade. Tal situação permanece até a presente data. [...] Em ação fiscal junto à empresa REPLASTIC INDÚSTRIA COMÉRCIO E RECICLAGEM DE PLÁSTICOS LTDA., desenvolvida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora, esta, por meio do Ofício nº 86/2013/SAFIS/DRF/JFAMG, obteve junto à Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais (SEF/MG) – Delegacia Fiscal de Juiz de Fora um relatório vinculado à denominada “Operação Sudeste”, deflagrada pelo Fisco em parceria com o Ministério Público, que consistiu em ações de investigação e apreensão de documentos em empresas do grupo empresarial denominado “Papelplastic”, estando dentre os investigados HIPERROLL EMBALAGENS LTDA. e HWR COMERCIO ATACADISTA DE EMBALAGENS LTDA. A Delegacia Fiscal de Juiz de Fora da SEF/MG descreve no “Relatório de Apuração” de 26/07/2012, cuja cópia segue anexa, os fatos que ensejaram a investigação, como segue: "[...] indício de simulação de venda de mercadoria da empresa mineira HIPERROL para a empresa HWR, em Três Rios RJ, pela metade do valor real da operação. A HWR estaria revendendo a mesma carga, pelo dobro do valor da entrada, para outro contribuinte do Rio de Janeiro, aproveitandose de benefício fiscal do Fisco fluminense" [...] Nesse sentido, identificou a seguinte fraude nas operações da fiscalizada relacionada às operações da HWR, então relatada: "[...] ficou evidenciada a fraude que demonstra que as empresas HWR e HRROLL são intimamente ligadas à HIPERROLL [...]" “Foi encontrado um pedido de compra emitido pela HIPERROLL em 15/08/2011. Em 19/08 é recebida a mercadoria encomendada por meio de uma NFe da empresa HWR. Por sua vez, a HIPERROLL emite NFe da mesma mercadoria, na mesma data, para a HWR, porém com valor cerca de 43% menor. Em data de 16/08/2011, verificase um depósito no Banco Bradesco do valor total da operação, numa conta da HRROLL.” Concluiu, ainda, que os verdadeiros proprietários do “Grupo Papelplastic” e das empresas HRROLL e HWR são PAULO ROBERTO PASCHOALINO MACHADO, CPF 464.797.75600, e FERNANDO ANTÔNIO SILVA ITAGIBA, CPF 605.821.38604 [...] As conclusões do fisco estadual de Minas Gerais estão abaixo transcritas: “As informações contidas neste relatório são suficientes para provar que a empresa que se autodenomina PAPELPLASTIC, que atua na fabricação e comércio de embalagens, composta por uma matriz e quatro filiais, é, na verdade, um grupo de treze empresas distintas, que neste relatório denominamos Grupo Papelplastic, cujos proprietários, de fato, são Paulo Roberto Paschoalino Machado e Fernando Antônio Silva Itagiba. [...] Na formação dos quadros societários dessas empresas são interpostas pessoas, tais como “laranjas” ou “testasdeferro”, para tanto utilizandose de parentes dos reais proprietários ou pessoas diversas. [...] HIPERROLL EMBALAGENS LTDA, uma das empresas do Grupo Papelplastic, vem se utilizando de empresas fictícias, criadas no Estado do Rio de Janeiro, com intuito de auferir reduções de impostos, se aproveitando de benefícios fiscais concedidos naquele estado, agindo por meio de triangulação de suas operações. A HIPERROLL vende mercadoria subfaturada para tais empresas fictícias, e estas, por sua vez, repassam a mesma Fl. 1834DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.832 7 mercadoria pelo dobro do valor para os destinatários reais, aproveitandose de benefícios fiscais do Rio de Janeiro, tais como a Lei 4533/2005, que autoriza o recolhimento de 2% sobre o valor do faturamento. [...]" [...] Procedeuse à diligência junto à empresa HWR COMÉRCIO ATACADISTA DE EMBALAGENS LTDA., CNPJ nº 07.628.008/000146, amparada no RPFD 07.1.03.002014006269. [...] [...]constatouse que HWR COMÉRCIO ATACADISTA DE EMBALAGENS LTDA é empresa inexistente de fato. Tal conclusão encontra amparo, ainda, nas apurações do fisco estadual mineiro, que assim se manifestou em seu “Relatório de Apuração”: “O estabelecimento matriz da HWR INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE EMBALAGENS LTDA, tinha endereço comercial no município de Cabo Frio – RJ, consoante dados da Receita Federal. Descoberta a inexistência física do estabelecimento, foi publicado Ato Declaratório em 10/8/2007, tornando falsas todas as notas fiscais emitidas pela empresa, autorizadas ou não. Em dezembro de 2007, esta empresa, que de fato não existia, altera seu contrato social, mudando o endereço para Duque de Caxias – RJ. Em maio de 2009, mudase novamente, desta vez para o município de Três Rios – RJ.” [...] Face ao que foi constatado pelas diversas autoridades fiscais e uma vez que improfícuas as mencionadas tentativas de entrega do Termo de Diligência, verifica se que a empresa HWR COMERCIO ATACADISTA DE EMBALAGENS LTDA., CNPJ nº 07.628.008/000146, enquadrase na situação prevista no inciso II do art. 37, combinado com o inciso II do art. 39, da Instrução Normativa RFB nº 1.470, de 30 de maio de 2014, o que dá ensejo à declaração de sua inaptidão. A HWR Comércio Atacadista de Embalagens Ltda. (HWR) foi constituída em 21/9/2005, tendo por objeto indústria e comércio de embalagens, com sede na cidade de Cabo Frio/RJ, bairro Braga. Figuravam como sócios JOÃO LUCIO MATOS DE OLIVEIRA, CPF nº 969.913.64649, e IVAN MELLO DA SILVEIRA, CPF nº 859.464.97704, a quem cabia a administração da sociedade. O Relatório Fiscal destaca diversas alterações contratuais que foram realizadas na HWR, além de outros fatos, indicando a estreita relação dela com a Hiperroll, a saber: 1. Em 31/8/2006, mudança da sede para o Centro da cidade de Cabo Frio/RJ; 2. Em 7/12/2007, alteração da sede para Rua Manoel Vieira, nº 74, box 203, Centro, Duque de Caxias/RJ. No Box 207 do mesmo edifício era a sede da Hiperroll; 3. Em 29/8/2008, a HWR aprova a assunção de obrigação em favor da Hiperroll, para garantir operação de crédito no valor de R$ 3.500.000,00, junto ao Banco Industrial e Comercial S/A, conforme registro arquivado na JUCERJA; 4. Em 26/5/2009, a sede da HWR passa para a Avenida Arthur Sebastião de Toledo Ribas, nº 1719, Cantagalo, Três Rios/RJ. Este endereço constou como sede da Hiperroll, conforme alteração contratual de 1/8/2007, registrada na JUCERJA em 12/9/2007; Fl. 1835DF CARF MF 8 5. Em 6/1/2010, IVAN MELLO DA SILVEIRA retirase da sociedade e é admitido LICERIO RIBEIRO DE OLIVEIRA JUNIOR, CPF 012.601.49650. A administração da empresa passa para JOÃO LUCIO MATOS DE OLIVEIRA; 6. Em 16/4/2010, IVAN MELLO DA SILVEIRA, cerca de 3 (três) meses depois de ter saído da HWR, ingressou como sócio da Hiperroll. 7. Em 17/12/2010, a HWR autoriza prestação de garantia de cessão fiduciária relativa a obrigações assumidas por Hiperroll, em face de contratação de empréstimos junto ao Banco BVA S/A, conforme registro na JUCERJA; 8. Em 20/12/2010, o nome empresarial passa para HWR Comércio Atacadista de Embalagens Ltda.; A autoridade autuante registra que 95,58% das vendas da Hiperroll eram destinadas à HWR, o que, por sua vez, correspondia a 98,25% das compras desta última. O Auditor Fiscal destaca que os códigos internos dos produtos vendidos pela impugnante, indicados nos documentos fiscais, eram os mesmos adotados pela HWR. A HWR foi caracterizada como inexistente de fato, a partir de várias evidências identificadas pelo Fisco Mineiro. Os sócios dessa empresa possuíam baixa capacidade econômica, incompatível com a condição de uma empresa que movimenta milhões de reais. Especificamente em relação ao sócio LICERIO RIBEIRO DE OLIVEIRA JUNIOR, foi apurado o seguinte: 1. ele reside a 360km da sede da HWR; 2. participa do como sócio na empresa Comércio de Produtos Alimentícios Itapeva Ltda., suspensa no cadastro da Secretaria de Estado da Fazenda do Estado de Minas Gerais (SEF/MG); 3. integra como sócio a Ferluz Comércio de Sucatas Ltda., sita em Itaquaquecetuba, Estado de São Paulo, distante 430 km de seu domicílio; 4. possui dois veículos, um Volkswagen Gol, ano 2000, e um Fiat Pálio, ano 2007; 5. nos anos de 2006 e 2007 foi empregado da Center Serviços Postais e Comerciais Ltda. ME, sita em Campo Belo/MG, com remuneração média de 1,16 Salários Mínimos, e de 2008 a 2010 trabalhou na Farmácia Equilibrium Ltda. ME, também de Campo Belo/MG, com média salarial de R$ 510,00. Licério ingressou na HWR em janeiro de 2009; 6. atualmente, além de sócio da HWR e Ferluz, Licério era empregado da Café Itaú Ltda., sita em Perdões/MG, com salário contratual de R$ 939,87, na função de vendedor pracista; 7. na última DIRPF entregue por Licério, anocalendário 2012, constam como bens e direitos quotas da empresa Comércio de Produtos Alimentícios Itupeva e da HWR, da qual teria recebido R$ 40.000,00 de rendimentos tributáveis, sendo estes os únicos rendimentos informados em sua Declaração de Rendimentos. Com relação a JOÃO LÚCIO MATOS DE OLIVEIRA, a autoridade fiscal transcreve o seguinte relato do Fisco Mineiro: “João Lucio Matos de Oliveira, mineiro de Jequitinhonha, que tem endereço cadastrado na concessionária VIVO em ContagemMG, situado a mais de 600 Km da sede da empresa HWR. Além disso, sua residência, segundo e cadastro da Receita Federal, localizase em Cabo FrioRJ. Além de sócio da empresa HWR de Três RiosRJ, faz parte do Fl. 1836DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.833 9 quadro societário da Fundição Nacional de Metais Ltda., em Cabo FrioRJ, e da Duvalle Comércio de Cosméticos Ltda. ME, em BrasíliaDF, cujas distâncias podem superar os 700 Km de sua residência em Cabo Frio ou Contagem, conforme cadastros. Curiosamente, tendo tantas participações em empresas, possui um automóvel Ford Escort ano 1986.” Na Declaração de Rendimentos de João Lúcio, anocalendário de 2013, os únicos bens e direitos informados são as quotas da HWR, da qual teria recebido rendimentos de R$ 24.000,00, e dois veículos: Ford/Escort L, ano 1986, e VW/Apolo GL, ano 1992. No Termo de Verificação Fiscal o Auditor Fiscal também registra a existência de processo no Tribunal de Justiça de São Paulo, onde figura como requerente um empresa paulista e como requerido "Hiperroll HWR Indústria e Comércio de Embalagens Ltda. Acerca do exsócio da HWR IVAN MELLO DA SILVEIRA, o Relatório Fiscal informa que, por meio de pesquisa na internet (Google), verificou que ele foi preso em fevereiro de 2013, por formação de quadrilha especializada em sonegação, com utilização de empresas de fachada, que valiase de notas fiscais frias. Ainda no tocante à HWR, a autoridade autuante traz as seguintes informações: De acordo com consulta à Inscrição Estadual, em anexo, a empresa HWR está com sua situação cadastral enquadrada como “IMPEDIDO”, estando sua inscrição estadual (nº 78.001.593) desativada de ofício desde 27/10/2005. [...] constatouse que seu cadastro está na situação “NÃO HABILITADO”, desde de 27/10/2005, data também da concessão da inscrição, o que indica que a empresa nunca esteve apta a comercializar produtos ou realizar operações com incidência de ICMS no estado do Rio de Janeiro. Corroborando os dados cadastrais, há a informação do fisco mineiro, já transcrita anteriormente, informando que, uma vez descoberta a inexistência física da empresa, foi publicado Ato Declaratório em 10/8/2007, que tornou falsas todas as notas fiscais emitidas pela empresa, autorizadas ou não. Também, a Inscrição Estadual da fiscalizada HIPERROLL, sob o nº 78.419.768, encontrase na situação cadastral “IMPEDIDO”, desativada de ofício a partir de 17/04/2013. No período fiscalizado, a empresa HWR possuía apenas um funcionário, conforme dados da GFIP, situação incompatível com uma empresa que no aludido ano possuía mais de 1.300 clientes (estabelecimentos destinatários de notas fiscais por ela emitidas, relativas a vendas), tendo emitido mais de 7.000 notas fiscais. Verificouse que a empresa HWR é devedora contumaz, tendo declarado em DCTF, desde sua constituição, débitos no total de R$ 10.598.071,06, relativos a IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (2008 a 2012), e recolhido irrisórios R$ 3.294,21 de tributos federais, o que reforça o entendimento de que se trata de empresa de fachada. Em relação ao período fiscalizado (AC 2012), não apresentou DIPJ. Face à robustez dos fatos e indícios levantados pelas diversas autoridades do fisco, tanto estadual quanto federal, os quais estão relatados no presente Termo, concluise que a HWR COMÉRCIO ATACADISTA DE EMBALAGENS LTDA é na verdade empresa de fachada, “Sociedade Inexistente de Fato”, constituída por sócios “laranjas”, interpostas pessoas, com objetivo de permitir a sonegação de tributos, protegendo a fiscalizada de responsabilidade legal, e que, portanto, seus atos constitutivos estão eivados de falsidade ideológica. Fl. 1837DF CARF MF 10 Com base nas evidências acima, o Auditor Fiscal concluiu que a Hiperroll, no anocalendário de 2012, subfaturava documentos fiscais destinados para a HWR, que emitia um segundo documento fiscal para o destinatário final, por valor superior de 14% a 60% A fiscalização apurou itens de notas fiscais coincidentes em "Data de Emissão da NF", "Código da Mercadoria" e "Quantidade", e a partir dessas informações identificou vendas destinadas à HWR com valores subfaturados. A autoridade fiscal também registra que foram identificadas coincidências com relação aos transportadores, que apesar de não serem os mesmos, existiam correlações entre eles que evidenciavam ter havido uma única movimentação de mercadorias. A autoridade fiscal cita como exemplo a Transportadora Chuá Ltda. e Washington Souza Silva, sócioadministrador desta empresa, cujas operações, somadas, envolveram mais de R$ 17 milhões de notas fiscais emitidas por HWR. Também são citados como transportadores, ou do emitente ou do destinatário, Nelson Gomes Rodrigues, empregado da Papelplastic Transportes e Distribuição Ltda., e Sérgio Luiz Reis, sócio da Distribuidora Papelplastic de Embalagens e Descartáveis Ltda. Ambas as empresas pertencem ao Grupo Papelplastic. As receitas omitidas da contribuinte, para fins de exigência do IRPJ e tributos reflexos, foram apuradas pelas diferenças entre as notas fiscais emitidas pela Hiperroll e pela HWR, considerando as saídas com CFOP representativos de "receita bruta" (CFOP 6101, 6401 e 6910, da HIPERROL, e CFOP 5102, 5405, 6101, 6102, e 6404, da HWR). Tais receitas encontramse discriminadas, por mês de apuração, no "Demonstrativo de Apuração de Omissão de Receitas HWR X HIPERROLL" (fls 818 a 1.517). Com relação à Contribuição para o Pis/Pasep e à Cofins, considerando que a impugnante apurou o IRPJ pelo Lucro Real, a autoridade autuante apurou as correspondentes exigências pelo regime não cumulativo, salientando que, conforme informações na Dacon e na DCTF, não havia apuração/declaração de débitos a pagar a título dessa contribuições. No tocante aos créditos de Pis e Cofins, o Auditor Fiscal informa que os créditos remanescentes do anocalendário de 2012 foram aproveitados em períodos de apuração subsequentes, motivo pelo qual nos os considerou nos lançamentos formalizados neste processo. Em face da inexistência de fato da HWR, conforme relato da fiscalização a omissão de receitas foi direcionada integralmente para a Hiperroll, considerada como verdadeira dona e beneficiária do negócio, com base nos artigos 116, 118, 121 e 124 do da Lei 5.172/1966 (CTN) e nos artigos 104, 107, 166, 167, 168, 171 e 172 da Lei nº 10.406/2002 (Código Civil). A autoridade fiscal identificou a caracterização de dolo, conduta fraudulenta, para os fins de formalização de Representação Fiscal para Fins Penais e aplicação de multa de ofício qualificada. Eis as conclusões da fiscalização: 36. Considerando tudo o que foi até aqui exposto, o conjunto fático resumido a seguir aponta, prima facie, para a ocorrência de dolo específico por parte do sujeito passivo, objetivando suprimir ou reduzir tributo mediante conduta fraudulenta, e indício de crimes contra a ordem tributária tipificados nos artigos Io e 2o da Lei n° 8.137/90, o que obriga a Representação Fiscal para Fins Penais, formalizada nos autos digitais do Processo Administrativo nº. 15563.720061/2016 64, em cumprimento ao disposto no art. 1º do Decreto nº 2.730/98, nos artigos 1º, 3º a 7º da Portaria RFB nº 2.439/10, com as alterações trazidas pela Portaria RFB nº 3.182/11, no art. 116, incisos VI e XII, da Lei nº 8.112/90 (Regime Jurídico Único) e no art. 16 da Lei n° 8.137/90. Segue, abaixo, exposição abreviada do conjunto dos fatos apurados: · A Delegacia Fiscal de Juiz de Fora da SEF/MG identificou que a fiscalizada HIPERROLL, com outras empresas do "Grupo Fl. 1838DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.834 11 Papelplastic", agia em conjunto com a HWR COMERCIO ATACADISTA DE EMBALAGENS LTDA, por meio de operações simuladas, de maneira a se eximir do valor integral do imposto devido ao Estado de Minas Gerais. Na presente ação| fiscal, chegou se à conclusão que o mesmo era feito com o intuito de suprimir tributos federais. · O fisco mineiro concluiu, ainda, que os verdadeiros proprietários do "Grupo Papelplastic" São FERNANDO ANTÔNIO SILVA ITAGIBA, CPF 605.821.38604, e PAULO ROBERTO PASCHOALINO MACHADO, CPF 464.797.75600, este último sócio administrador da fiscalizada desde sua constituição. · Não foi possível localizar a empresa HWR, tanto no endereço do estabelecimento matriz, como nos de suas filiais. Foram efetuadas diligências no curso da presente ação fiscal, em procedimentos anteriores desenvolvidos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora / MG e pelo fisco mineiro, esta última relatada no "Anexo 3" do "Relatório de Apuração" datado de 26/07/2012, ano objeto da presente fiscalização. Em nenhuma das oportunidades se logrou localizar a empresa. · O Sr. IVAN MELLO DA SILVEIRA figurou no quadro social da HWR e por um curto período no quadro social da fiscalizada HIPERROLL. Segundo informações extraídas da internet pela DRF em Juiz de Fora MG, IVAN MELLO DA SILVEIRA foi preso por formação de quadrilha especializada em sonegação, na denominada "Operação Sudeste". · Conforme Atos Constitutivos e alterações, a fiscalizada já teve sede na Avenida Arthur Sebastião de Toledo Ribas, n° 1719, CEP 25.803 060, Cantagalo, Três Rios / RJ, mesmo endereço da sede atual da HWR COMERCIO ATACADISTA DE EMBALAGENS LTDA. · Ambas as empresas, HIPERROLL e HWR, já tiveram sede no mesmo edifício, situado Rua Manoel Vieira, Centro, Duque de Caxias RJ, diferindo apenas o box. · Os sócios da HWR COMÉRCIO ATACADISTA DE EMBALAGENS LTDA, por Ata de Reunião de Sócios registrada na JUCERJA, aprovaram a assunção de obrigação em favor da HIPERROLL, para garantir operação de crédito celebrada junto ao BANCO INDUSTRIAL E COMERCIAL SA., no valor R$ 3.500.000,00 (três milhões e quinhentos mil reais). Também, em outro ato, autorizaram a prestação de garantia de cessão fiduciária relativas a obrigações assumidas por HIPERROLL pela contratação de empréstimos junto ao BANCO BVA SA. · A HIPERROL vendia quase toda a sua produção para a HWR (95,58%), o que, por sua vez, correspondia a 98,25% das compras desta última, consideradas as notas fiscais eletrônicas a ela destinadas. · Os códigos internos dos produtos vendidos pela fiscalizada, indicados nos documentos fiscais, são os mesmos adotados pela HWR, o que demonstra a relação íntima entre as empresas. Fl. 1839DF CARF MF 12 · Há elementos que demonstram que os sócios de direito da HWR COMÉRCIO ATACADISTA DE EMBALAGENS LTDA possuem baixa capacidade econômica, incompatível com a condição de sócios de empresa que movimenta milhões de reais. · Tramitou na Justiça de São Paulo processo sob o n° 142.01.2011.000005 em que figurou como requerido "HIPERROLL HWR INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE EMBALAGENS LTDA". · De acordo com consulta à Inscrição Estadual, a empresa HWR COMERCIO ATACADISTA DE EMBALAGENS LTDA está com sua situação cadastral enquadrada como "IMPEDIDO", estando sua inscrição estadual (nº 78.001.593) desativada de ofício desde 27/10/2005. Outrossim, em consulta ao Sintegra, constatouse que seu cadastro está na situação "NÃO HABILITADO", desde de 27/10/2005, data também da concessão da inscrição, o que indica que a empresa nunca esteve apta a comercializar produtos ou realizar operações com incidência de ICMS no estado do Rio de Janeiro. · A Inscrição Estadual da fiscalizada HIPERROLL, sob o n° 78.419.768, encontrase na situação cadastral "IMPEDIDO", desativada de ofício a partir de 17/04/2013. · A emprega HWR é devedora contumaz, tendo declarado em DCTF, desde sua constituição, débitos no total de R$ 10.598.071,06, relativos a IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (2008 a 2012), e recolhido irrisórios R$ 3.294,21 de tributos federais, o que reforça o entendimento de q e se trata de "Sociedade Inexistente de Fato". Em relação ao período fiscalizado (AC 2012), não apresentou DIPJ. · Os fatos e indícios levantados levam à conclusão de que a HWR COMÉRCIO ATACADISTA DE EMBALAGENS LTDA é na verdade empresa de fachada, "Sociedade Inexistente de Fato", constituída por sócios "laranjas", interpostas pessoas, estando seus atos constitutivos eivados de falsidade ideológica. A conduta evidencia o objetivo de permitir a sonegação de tributos, protegendo a empresa fiscalizada de responsabilidade legal e prejudicando os interesses da Fazenda Pública, quando da realização financeira do crédito tributário devido. 37. Ademais, o conjunto fático relatado denota que o sujeito passivo e seu responsável agiram com o objetivo de impedir ou retardar o conhecimento ou a ocorrência dos fatos geradores dos tributos devidos no AnoCalendário 2012, mediante conduta fraudulenta nos moldes dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, o que impõe a qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 44, §1°, da Lei n° 9.430/96, portanto, a aplicação de multa qualificada de 150%. Com relação à responsabilidade solidária, a autoridade fiscal concluiu que pelo conjunto dos fatos relatados houve flagrante violação, dolosa ou culposa, comissiva ou omissiva, da lei civil, comercial e tributária, praticadas pelo sócio administrador Paulo Roberto Paschoalino Machado. Trouxe como enquadramento legal os arts. 121, 124 e 135, caput, II e III, do CTN, art. 10, in fine, do Decreto nº 3.708/19 e Portaria RFB nº 2.284/2010. Os autos de infração foram cientificados à contribuinte, pessoalmente, por meio de seu representante legal (Procuração fls.1.590), em 12/5/2016 (fls. 1.588/1.589), e ao responsável solidário em 31/5/2016, via Postal (AR fls. 1.595) Fl. 1840DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.835 13 Da Impugnação Irresignada, a contribuinte apresentou, em 8/6/2016 (fls. 1.650), a impugnação de fls. 1.598 a 1.649, alegando as razões de fato e de direito a seguir sintetizadas: 1) Não pode ser ventilada a hipótese de ter havido simulação. Esclarece que seu principal produto industrializado consiste na fabricação de artefatos plásticos, tendo como consumidores finais mercados, supermercados e redes atacadistas; 2) Por conveniência comercial, vende seus produtos para intermediários, empresas distribuidoras, por entender que não compensa o risco de vender diretamente para seus consumidores finais. Enumera os seguintes motivos para justificar essa alegação: 2.1) Risco do Transporte: todos os custos dos transportes eram suportados pela empresa distribuidora, inclusive pela HWR, quando dos produtos por ela adquiridos, não necessitando, assim, suportar os ônus com manutenção de frota própria, encargos trabalhistas de motoristas e outras despesas. Além disso, não necessitava variar os preços finais de seus produtos, ficando refém do aumento ou diminuição do valor do frete; 2.2) Departamento Comercial Reduzido: ao vender para distribuidora, não necessitava de um grande número de vendedores ou representantes comerciais, economizando encargos trabalhistas. Esta explicação é confirmada e justificada pelo grande número de clientes que a HWR possuía; 2.3) Inadimplência e Outros Custos: vendendo para as empresas distribuidoras, reduzia os riscos com a inadimplência e não gerava um grande número de duplicatas, já que as vendas eram mais concentradas; 3) Possuía, em média, um lucro no patamar de 10%, valor este condizente com os riscos das atividades desenvolvidas. Demonstra essa afirmação com base em planilha com os custos dos produtos industrializados no período, não se opondo à realização de prova pericial para apurar os lucros; 4) Pode até parecer estranho o fato de uma mercadoria ser vendida para a HWR, no mesmo dia ou em dias seguintes, com um ágio de 20%, 30% ou até 30%, quando da venda para consumidores finais, mas a fiscalização não avaliou os custos que as empresas distribuidoras possuem quando da revenda dos produtos industrializados (transportes, departamento comercial, comissões, inadimplência etc), custos estes que inviabilizaram a impugnante vender diretamente para os consumidores finais; 5) Diferentemente do que alega o ente fiscalizatório, Paulo Roberto Paschoalino Machado, sócio da impugnante, não é dono, controlador, sócio de fato da HWR, pois as únicas tratativas que ele mantinha com a HWR eram estritamente comerciais, advindas de um contrato de distribuição de produtos. As tratativas se davam com o Sr. João Lúcio Matos de Oliveira, que se passava como sendo dono da empresa HWR, mediante contrato social apresentado quando da formalização do contrato de representação; 6) Se o Sr. Paulo fosse "proprietário de fato" da empresa HWR, não justificaria a emissão de uma infinidade de documentos envolvendo as tratativas comerciais com a impugnante; 7) Corroborando o acima defendido, vemos as declarações do Sr. João Lúcio Matos de Oliveira, sócio da HWR, prestadas junto a Polícia Civil do Estado do Rio Fl. 1841DF CARF MF 14 de Janeiro, onde afirma que as tratativas com a impugnante eram tão somente de natureza comercial, sendo que a Cláusula 10ª , Inciso 1º, do Contrato de Distribuição firmado faz menção a isenção de responsabilidade fiscal e tributária (Hiperroll) em face das negociações advindas do contrato firmado; 8) Não se encontram presentes nenhuma justificativa de formação de Grupo Econômico, estando a impugnante e a HWR vinculadas apenas por questões comerciais. A impugnante traz fundamentos doutrinários e jurisprudênciais sobre o tema para sustentar suas alegações e afirma que nos autos não há provas da ocorrência de Grupo Econômico; 9) Era de responsabilidade da HWR o transporte de todas as transações efetivadas com esta empresa, de modo que a responsabilidade da impugnante sobre as mercadorias comercializadas se exauria quando a empresa HWR as retirava do seu complexo industrial. O frete era do tipo Free on Board (FOB), onde o vendedor não tem nenhuma responsabilidade sobre o destino das mercadorias a partir do momento que elas saem de seu estabelecimento; 10) Sobre as vendas feitas para a HWR, a impugnante apurou e pagou todos os tributos devidos e, com relação. Provavelmente a HWR também apurou e recolheu os tributos por ela devidos nas vendas efetuadas posteriormente. 11) A transação original ocorreu de maneira lícita, com o recolhimento dos tributos devidos, e, não tendo a impugnante nenhuma relação com as transações efetivadas entre HWR e seus clientes, não pode responsabilizada por irregularidades eventualmente praticadas pela empresa compradora; 12) A impugnante é vendedora de boafé, não podendo ser responsabilizada por qualquer ato praticado na operação posterior. Sobre a presunção de boafé da empresa vendedora colaciona ementa de decisão do STJ; 13) Todos os valores recebidos pela impugnante (ingressos no caixa) refletem tão somente as vendas efetuadas para a HWR, não havendo que se falar em simulação, com venda de mercadorias subfaturadas, como defendido pela fiscalização, já que não houve benefícios obtidos pelas vendas; 14) O Fisco não conseguiu demonstrar o recebimento de nenhum valor, por parte da impugnante, de transações realizadas pela HWR para seus clientes, pelo simples fato de que a impugnante nunca se beneficiou de tais valores, haja vista a total independência entre as empresas; 15) É caluniosa e leviana a afirmação de que a impugnante vende mercadorias subfaturadas para a HWR, visando pagar menos tributos, pois o simples fato de vender mercadorias com valores inferiores para a distribuidora não pode presumir ter ocorrido subfaturamento, nem que as operações seriam simuladas. Configura ônus exclusivo do acusador a prova de venda de produtos subfaturados; 16) Requer, se necessário, realização de prova pericial contábil para a demonstração de que os produtos comercializados não eram subfaturados; 17) Estamos diante de uma elisão fiscal lícita, e não de uma evasão fiscal, pois a mera separação das atividades de industrialização e de distribuição de produtos não tem o condão de configurar atos dissimulados; 18) As operações realizadas pela impugnante não se enquadra como conduta abusiva ou dissimulada para atrair a aplicação do art. 116 do CTN. O próprio CARF vem legitimando a separação das atividades de industrialização e distribuição. Traz excertos de entendimentos doutrinários acerca de elisão fiscal e planejamento tributário; Fl. 1842DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.836 15 19) Caso alguma empresa distribuidora não tenha apurado ou recolhido os tributos devidos nas operações por ela praticadas, em especial a HWR, estaríamos diante tãosomente de uma inadimplência fiscal e não sonegação fiscal, não possuindo a impugnante responsabilidade por tais fatos; 20) As transações realizadas com as empresas distribuidoras sempre foram feitas às claras, tendo como único objetivo comercializar os produtos por ela industrializados, dentro de uma margem de lucro que se pretendia obter, com o pagamento dos tributos inerentes à operação. Descreve conceitos doutrinários de simulação e cita o art. 102 do Código Civil Brasileiro; 21) Pelas razões acima, pugna pelo cancelamento dos autos de infração e, em sede alternativa, o seguinte: 21.1) Prevalecendo a desclassificação das notas fiscais das operações praticadas pela HWR a seus clientes e a tributação desses valores, se impõe o abatimento dos valores dos tributos pagos pela impugnante, bem como pela HWR, sob pena de bis in idem; 21.2) Redução da multa de 150% por configurar verdadeiro desvio de finalidade e violar a Constituição Federal e os princípios jurídicos e legais que devem reger tais procedimentos, sobretudo os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; 21.3.) Há que se impor a limitação do percentual de multa decorrente do inadimplemento de obrigações, que não poderão ser superiores a 2% do valor da prestação, conforme Código de Defesa do Consumidor; 21.4.) Caso não seja reconsiderado o pedido de redução da multa para 2%, requer a aplicação do art. 61, § 2º, da Lei nº 9.430/96, que disciplina a aplicação da multa de 20%; 22) Não é possível o redirecionamento do débito fiscal para o sócio da impugnante, pois não houve a incidência de nenhum dos requisitos do art. 135, III, do CTN, pelo que se impõe a exclusão do Sr. Paulo Roberto Paschoalino Machado do presente auto de infração. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), que, por meio do Acórdão 1464.763, de 16 de março de 2017, julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 OMISSÃO DE RECEITAS. SUBFATURAMENTO. EMPRESA DE FACHADA. MESMO GRUPO ECONÔMICO. Fica caracterizada a omissão de receitas quando restar comprovado que a pessoa jurídica se utiliza de empresa de fachada, do mesmo grupo econômico, constituída por interpostas pessoas, para realizar suas operações de vendas a preço subfaturado, para posterior emissão de novo documento Fl. 1843DF CARF MF 16 fiscal pela empresa de fachada, com o valor real da mercadoria, destinada ao efetivo cliente. OPERAÇÕES REALIZADAS EM NOME DE EMPRESA DE FACHADA. ATRIBUIÇÃO DA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE AO VERDADEIRO EMPREENDEDOR DOS NEGÓCIOS. Procede o lançamento fiscal que, com base em evidências inequívocas, desconsidera operações formalmente realizadas em nome de empresa de fachada (pessoa jurídica constituída em nome de interpostas pessoas) e atribui a condição de contribuinte ao verdadeiro empreendedor dos negócios. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA DE FACHADA CONSTITUÍDA POR INTERPOSTAS PESSOAS A multa de ofício será qualificada, no percentual de 150%, conforme estabelece a lei, sempre que houver o intuito de fraude, devidamente caracterizado em procedimento fiscal, com a utilização de empresa de fachada, constituída por interpostas pessoas, e da reiterada conduta de omitir a receita efetivamente auferida, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 PROVAS.DILIGÊNCIAS E PERÍCIAS. Nos termos das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, a prova deve ser apresentada pela contribuinte no momento da impugnação, não competindo à Administração Tributária a iniciativa da adoção de eventual procedimento de diligência, a fim de suprir o encargo que cabe ao sujeito passivo da relação tributária processual, quanto à formação da sua demonstração probatória na defesa ofertada. O procedimento de diligência e/ou perícia, na esfera de julgamento, prestase a solucionar dúvidas eventualmente levantadas na análise da documentação probatória já acostada ao processo, sujeitandose, ainda, à observância dos requisitos legais para sua formulação. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Cumpre à Administração Tributária aplicar a Lei de ofício. No âmbito administrativo, não se afasta a aplicação de Lei, nem se declara a sua inconstitucionalidade. Entendimento já consolidado, inclusive, no enunciado nº 02 da Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. EXCESSO DE PODERES E INFRAÇÃO DE LEI. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes e infração de lei os sóciosadministradores de pessoas jurídicas de direito privado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 1844DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.837 17 Cientificada, eletronicamente, da decisão de DRJ em 29/03/2017 (efl. 1.709) e insatisfeita com a decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário (efls. 1.524 a 1.579) em 11/04/2017 (efl. 1.711), em que repete às vezes ipsis litteris os argumentos trazidos na impugnação. Na peça de recurso voluntário, percebese que somente a empresa autuada apresentou o recurso. Veja nos trechos do recurso voluntário (efls. 1.712 a 1.714): EXCELENTÍSSIMO SENHOR DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 15563.720056/201651. HIPERROL EMBALAGENS LTDA., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas sob o número 05.937.109/0001 73, situada na Rua Manuel Vieira, nº 74, Box 207, Vila Meriti, Duque de Caxias, RJ, inconformado, com r. Acórdão nº 1464.763 – 13ª Turma da DRJ/RPO, de 16 de março de 2017, proferida na espécie pela I. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), nos autos do feito administrativo em epígrafe, o qual decidiu pela manutenção da exigência e prosseguimento da cobrança, razão pela qual foi mantido o crédito tributário exigido, tendo sido da mesma intimada, vem à presença de V. Sa., no aprazamento legal, interpor o seu RECURSO ADMINISTRATIVO ao Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, com fincas nos cânones do processo administrativo próprio. Ex positis, requer a V. Exa. que se digne recebêlo e processálo, encaminhandoo para o competente julgamento na instância ad quem, colimando, ao final, restar anulada a decisão apontada, ora recorrida. Termos em que, Pede Deferimento. Minas Gerais, 07 de abril de 2017. HIPERROLL EMBALAGENS LTDA PAULO ROBERTO PASCHOALINO MACHADO EGRÉGIO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS FISCAIS CARF Fl. 1845DF CARF MF 18 HIPERROL EMBALAGENS LTDA., DA TEMPESTIVIDADE A ora Recorrente foi cientificada do acórdão proferido pela 13ª Turma da DRJ/RPO em de 28 de março de 2017, terçafeira, pelo que o prazo para apresentação do presente Recurso Administrativo, principiou a fluir em 29 de março de 2017, quartafeira nos termos do artigo 5º do Decreto nº 70.235/72. (...) Como se pode perceber, consta o nome do responsável solidário no recurso voluntário, mas percebese que ele não figura como um dos recorrentes, além da empresa autuada. E isso se confirma durante a peça recursal. Somente há pedido elaborado pela recorrente, inclusive quando se trata do afastamento da própria responsabilidade solidária. Nesse ponto (solidariedade), a empresa pede que não seja feito o redirecionamento da ação para o sócioadministrador por entender que não houve conduta praticada, por ele, com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatuto, que pudesse enquadrálo no art. 135, III, do CTN. Entretanto, compulsando os autos, verificouse que o referido responsável solidário não foi intimado da decisão da DRJ. No processo, somente constava a ciência efetuada pela empresa autuada, mas não de seu sócioadministrador. Desta forma, nos termos da Resolução nº 1401000.520, de 11/04/2018, esta turma resolveu baixar o processo em diligência para fins de dar ciência ao responsável solidário Paulo Roberto Paschoalino Machado,CPF 464.797.75600, da decisão da DRJ. Cientificado regularmente da referida decisão de piso, o responsável solidário apresentou sua peça recursal (efls. 1.789 a 1.817) dentro do prazo legal para tanto. No retorno do processo ao CARF, fui sorteado como novo relator do processo, tendo em vista que o relator originário não mais pertence ao quadro de conselheiros do CARF. É o Relatório. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator Os recursos preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto devem ser conhecidos. Como dito no relatório deste acórdão, a recorrente repetiu na literalidade as razões constantes na impugnação. Em razão disso e por concordar com os fundamentos da Fl. 1846DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.838 19 DRJ, reproduzirei trechos do voto da delegacia de piso, nos termos do § 3º c/c § 1º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017, abaixo transcrito, acrescentando algumas observações que este julgador entender pertinentes: § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. (...) § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) MÉRITO O cerne da celeuma imposta cingese a analisar se a empresa HWR Comércio Atacadista de Embalagens Ltda existiu de fato. Em um segundo momento, devese averiguar se dita empresa pertencia ao mesmo grupo econômico da ora recorrente, o que daria azo à manutenção do lançamento fiscal. A recorrente inicia sua peça recursal traçando os motivos pelos quais comercializava seus produtos para uma empresa distribuidora, no caso a HWR, e não diretamente ao cliente final. Alegou economia de frete, otimização de funcionários e outras questões que viabilizaram seu negócio. Correto o pensamento da recorrente, se tudo fosse tão verdadeiro quanto declara. É que pelos elementos levantados pela fiscalização, vêse que na prática não foi o que ocorreu; e tal esclarecimento foi muito bem trazido pela delegacia de piso. Eis suas ponderações: (início da transcrição de trecho do voto da DRJ) Inicialmente, cumpre registrar que a impugnante e o sócio Paulo Roberto Paschoalino Machado foram indicados como responsáveis solidários por crédito tributário constituído contra a pessoa jurídica Replastic Indústria Comércio e Reciclagem de Plásticos Ltda (Replastic), CNPJ nº 04.563.266/000101, ano calendário 2010. Referido crédito tributário foi formalizado no Processo Administrativo nº 10640.723529/201427, tendo sido impugnado e mantido em sua integralidade, por esta 13ª Turma de Julgamento, em Sessão de 22/2/2017, Acórdão nº 1464.292. No que interessa ao presente processo, importa transcrever as seguintes ementas do citado acórdão: [...] Fl. 1847DF CARF MF 20 OMISSÃO DE RECEITAS. SUBFATURAMENTO. EMPRESA DE FACHADA. MESMO GRUPO ECONÔMICO. Fica caracterizada a omissão de receitas quando restar comprovado que a pessoa jurídica se utiliza de empresa de fachada, do mesmo grupo econômico, constituída por interpostas pessoas, para realizar suas operações de vendas a preço subfaturado, para posterior emissão de novo documento fiscal pela empresa de fachada, com o valor real da mercadoria, destinada ao efetivo cliente. [...] RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Atribuise a responsabilidade solidária a terceira pessoa quando comprovado o nexo existente entre os fatos geradores e a pessoa a quem se imputa a solidariedade passiva, nos termos do art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. Na decisão que julgou improcedente a impugnação da Replastic e dos responsáveis solidários, restou sedimentado entendimento pela existência da ligação entre a HWR, a Replastic e a impugnante, cujo modus operandi, relativamente às vendas subfaturadas, era o mesmo. Assim, considerando a íntima relação entre a impugnante e a Replastic, pertencentes ao mesmo grupo de empresas, muitos dos fundamentos que sustentaram a decisão do colegiado da Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto/SP serão aproveitados no presente voto, mesmo porque as infrações aqui apuradas têm origem na mesma investigação iniciada pelas autoridades fiscais do Estado de Minas Gerais. A contribuinte alega, em diversas passagens de sua peça de defesa, que sua relação com a HWR era apenas de natureza comercial, não tendo nenhuma ingerência nas ações dessa empresa, que diz ser apenas distribuidora dos produtos que fabricava. Sustenta que não há nenhum óbice na utilização de distribuidoras, enumerando diversas vantagens, principalmente financeiras, na venda de seus produtos diretamente para a HWR. Os fatos narrados e as provas trazidas aos autos pela autoridade fiscal, formando um sólido e robusto conjunto probatório, desmontam os argumentos da impugnante. De se ver. Relata a autoridade fiscal que em ação fiscal junto à empresa Replastic, foi obtido junto à Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais (SEF/MG) relatório vinculado à denominada "Operação Sudeste", realizada em conjunto com o Ministério Público. Referida operação consistiu em ações de investigação e apreensão de documentos em empresas do grupo identificado como "Papelplastic", estando dentre os investigados a Hiperroll (impugnante) e a HWR. O AuditorFiscal descreve as constatações e transcreve alguns trechos do documento elaborado pelo Fisco Mineiro, cuja cópia encontrase anexa a este processo (fls. 673 a 704). Em seu relato a autoridade fiscal evidencia a existência de vendas de mercadorias da Hiperroll (situada no Estado de Minas Gerais) para a HWR (situada no Estado do Rio de Janeiro) por valor muito inferior ao da venda para o real adquirente, dentro do Estado do Rio de Janeiro. Fl. 1848DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.839 21 O Fisco Mineiro constatou que a HWR tratavase de uma empresa inexistente de fato, pois seu estabelecimento, então cadastrado na cidade de Cabo Frio/RJ, não fora localizado, culminando com a edição de ato declaratório, em 10/8/2007, tornando falsas todas as notas fiscais emitidas pela empresa inexistente. Mesmo depois da edição de tal ato declaratório pela SEF/MG, a HWR promoveu duas alterações em seu contrato social, mudando o endereço para a cidade de Duque de Caxias/RJ, em dezembro de 2007, e depois para a cidade de Três Rios/RJ, em maio de 2009. O Relatório elaborado pela SEF/MG destaca que o indício de simulação foi descoberto por um Auditor Estadual que trabalhava no Posto Fiscal de Antônio Reimão de Melo, que ao conferir uma carga transportada pela Hiperroll localizou no interior do veículo um segundo DANFE, emitido em nome da HWR, onde constavam as mesmas mercadorias com o dobro do valor, destinadas ao real adquirente. Eis o relato do Fisco Mineiro (fls.674 e 675): O ilícito foi descoberto por um colega auditor, que trabalhava no citado posto fiscal, na pista sentido MG/RJ. De posse ao DANFE objeto da NFe 1796 da empresa HIPERROLL EMBALAGENS LTD saiu para conferir a carga e localizou, no interior do veiculo, um segundo DANFE além daquele apresentado para a conferência. Tratavase de um DANFE emitido pela empresa HWR IND. E COM. DE EMBALAGENS LTDA localizada em Três Rios (DANFE 2013). Por meio deste segundo documento a mesma mercadoria já estaria sendo revendida para um terceiro estabelecimento comercial na cidade de Três Rios, só que pelo dobro do preço. Observouse que os códigos internos dos produtos das duas empresas, curiosamente, eram os mesmos. Vide documentos abaixo. Fl. 1849DF CARF MF 22 Fl. 1850DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.840 23 A operação identificada no Posto Fiscal Mineiro foi confirmada por ocasião de auditoria da SEF/MG junto ao Mercado Fortaleza, de Juiz de Fora/MG. Ficou evidenciada a ligação entre a Hiperroll, a HWR e a HRROL (outra empresa do mesmo Grupo, que teria a mesma função da HWR). O Fisco Mineiro assim se manifesta: Foi encontrado um pedido de compra emitido pela HIPERROLL em 15/08/2011. Em 19/08 é recebida a mercadoria encomendada por meio de uma NFe da empresa HWR. Por sua vez, a HIPERROLL emite NFe da mesma mercadoria, na mesma data, para a HWR, porém com valor cerca de 43% menor. Em data de 16/08/2011, verificase um depósito no Banco Bradesco do valor total da operação, numa conta da HRROLL. A documentação abaixo mostra a transação. Os retângulos na cor laranja nos dois DANFEs abaixo mostram que a HWR deu saída aos produtos para a Mercearia Fortaleza e apenas 7 minutos após deu entrada aos mesmos produtos em seu fictício estoque, advindos da HIPERROLL. Observase que os códigos internos dos produtos são os mesmos nas empresas HIPERROLL. Fl. 1851DF CARF MF 24 Fl. 1852DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.841 25 Outros indícios da estreita ligação entre a impugnante e a HWR referemse a supostos empréstimos obtidos, exemplificados pelos documentos abaixo, apreendidos pelo Fisco Mineiro (fls. 690 e 691): Fl. 1853DF CARF MF 26 Fl. 1854DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.842 27 No intento de confirmar as informações coletadas junto ao Fisco do Estado de Minas Gerais, a autoridade autuante formalizou Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência, mas as tentativas de cientificar a HWR do Termo de Diligência foram frustradas, dando ensejo à Declaração de Inaptidão da empresa. Por ocasião da constituição da HWR, em 21/9/2005, figuravam como sócios João Lúcio Matos de Oliveira e Ivan Mello da Silveira, a quem cabia a administração da sociedade. Além das evidências descritas e comprovadas pelo Fisco Mineiro, diversos outros fatos evidenciam a estreita relação entre a impugnante e a HWR, a saber: i. em 7/12/2007, mudança do endereço cadastral da HWR para o mesmo edifício sede da Hiperrol; ii. em 29/8/2008, a HWR assume obrigação em favor da Hiperroll, para garantir crédito no valor de R$ 3.500.000,00, junto ao Banco Industrial e Comercial; iii. em 26/5/2009, a HWR promove alteração contratual alterando seu endereço para local que fora sede da Hiperroll, na cidade de Três Rios/RJ; iv. Ivan Mello da Silveira retirase da sociedade em 6/1/2010, mas em 16/4/2010 tornase sócio da Hiperroll. Com a saída de Ivan da HWR ingressa Licério Ribeiro de Oliveira, ficando a administração sob responsabilidade de João Lúcio Matos de Oliveira; v. Em 17/12/2010, a HWR autoriza prestação de garantia de cessão fiduciária relativa a obrigações assumidas pela Hiperroll, em face de contratos de empréstimos junto ao Banco BVA S/A. Outro fato a ser considerado, que relaciona a impugnante e a HWR, referese a processo do Tribunal de Justiça de São Paulo (Processo nº 142.01.2011.000005 Sustação de Protesto), onde consta como requerente uma empresa paulista e, como requerido "HIPERROLL HWR INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE EMBALAGENS LTDA". Como se depreende, a relação entre a Hiperroll e a HWR não era meramente comercial. Aliás, a HWR era, em verdade, uma extensão da Hiperroll, e tinha como propósito omitir, de forma deliberada, grande parte das receitas da impugnante, já que a transferência de parcela significativa do faturamento da Hiperroll para a HWR significava, no plano arquitetado pela impugnante, a transferência de possível exigência fiscal para uma empresa de fachada, constituída por interpostas pessoas. De fato, os argumentos que a impugnante trouxe acerca dos benefícios de vendas para distribuidoras são factíveis, e certamente propiciam economia de diversos custos e despesas. Contudo, no caso em concreto, estamos tratando de uma empresa de fachada, e não de uma real distribuidora. O conjunto de evidências não deixa dúvidas sobre a caracterização da HWR como empresa inexistente de fato, podendo ser destacada, além da inexistência de estabelecimento físico ou de estabelecimento físico incompatível com o volume de mercadorias movimentadas, constatada pelos Fiscos Estadual e Federal (fls. 705, 706, 758 e 759), a baixa capacidade econômica dos sócios que figuram em Contrato Social, Licério Ribeiro de Oliveira Junior e João Lúcio Matos de Oliveira. O primeiro: (i) faz parte do quadro societário de outras empresas, uma das quais sita na cidade de Itaquaquecetuba/SP, distante 430 km de sua residência; (ii) reside a 360 km da suposta sede da HWR; (iii) de 2007 a 2010 foi empregado de empresas Fl. 1855DF CARF MF 28 localizadas em cidades mineiras, com remunerações inferiores a 1,2 salários mínimos; (iv) possui dois veículos de baixo valor; e (v) declarou, em 2012, como únicos rendimentos tributáveis o valor de R$ 40.000,00, que teria recebido da HWR. O segundo: (i) conforme cadastro na concessionária Vivo, reside na cidade de Contagem/MG; distante 600 km da HWR, apesar de nos cadastros da Receita Federal constar como residência a cidade de Cabo Frio/RJ; (ii) integra o quadro societário de outras duas empresas, uma situada em Cabo Frio/RJ e outra em Brasília/DF, sendo esta última distante mais de 700 km de quaisquer dos endereços considerados como residência (Cabo Frio/RJ ou Contagem/MG); (iii) em sua Declaração de Ajuste Anual do anocalendário de 2013 constam apenas rendimentos de R$ 24.000,00, recebidos da HWR, e dois veículos de pequeno valor (Ford/Escort L, ano 1986, e VW Apolo GL, ano 1992). Causa estranheza a HWR possuir, no ano fiscalizado, mais de 1.300 clientes, destinatários de notas fiscais por ela emitidas, e possuir apenas um funcionário, conforme dados da GFIP. A autoridade fiscal apurou a emissão de mais de 7.000 notas fiscais! Verificouse, ainda, que a HWR havia declarado em DCTF, no período de 2008 a 2012, débitos tributários em montante superior a R$ 10 milhões, mas recolheu somente R$ 3,3 mil em tributos federais. A vultosa importância declarada em DCTF servia como cortina para desviar a atenção da Fisco Federal, ocultando o verdadeiro devedor: a Hiperroll. Declarando os débitos tributários em nome da HWR, a impugnante pretendia se esquivar de suas obrigações tributárias, simulando operações em nome da empresa de fachada quando, em verdade, era ela a responsável pelos tributos originados das vendas da HWR. O fato de a HWR declarar em DCTF seus débitos tributários em nada a aproveita, pois essa conduta fazia parte do esquema de sonegação arquitetado pelos efetivos administradores, já que restaria inviabilizada a execução fiscal promovida contra uma empresa de fachada, constituída por interpostas pessoas. A dívida tributária superior a R$ 10 milhões da HWR, declarada em DCTF, no período de 2008 a 2012, não poderá ser contra ela executada, nem contra seus sócios laranjas, eis que não possuem patrimônio capaz de responder por vultosa dívida fiscal, prejudicando, sobremaneira, o Erário Público e, por conseguinte, a sociedade. Por outro lado, o fato de João Lúcio Matos de Oliveira ter declarado à Delegacia Fazendária da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, na condição de testemunha, que a ligação da HWR com a Hiperroll era apenas na condição de distribuidora e representante, em nada aproveita a impugnante, já que é induvidoso o interesse de João Lúcio, como sócio contratual, na ocultação do administrador de fato da HWR. Aliás, chama a atenção a referência que João Lúcio faz, na declaração prestada à Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, do conteúdo da Cláusula 10ª, Inciso 1º do Contrato de Distribuição e Representação celebrado entre HWR e Hiperroll, segundo a qual haveria isenção de responsabilidades fiscais e tributárias da representada (Hiperroll) em face de negociações do contrato firmado. Por óbvio, esse acordo particular, ainda que, de fato e de direito, a HWR fosse distribuidora da Hiperroll, não poderia ser oponível à Fazenda Pública para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes, salvo disposição de lei em contrário. É a disciplina do art. 123 do Código Tributário Nacional (CTN). Os diversos documentos apresentados pela impugnante, na tentativa de provar que a HWR realizou diversos pedidos de produtos no anocalendário de 2012, juntados aos autos em arquivo nãopaginável, se a eles fosse atribuído algum valor probante, o seria em desfavor da contribuinte, pois neles constam que a HWR teria Fl. 1856DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.843 29 adquirido milhares de toneladas de produtos. Ora, além de a HWR estar inabilitada para a comercialização de mercadorias desde a data de sua constituição, o endereço para o qual seriam destinados os produtos não existia, conforme Termo de Constatação lavrado pela autoridade autuante às fls. 758 a 760. Não é crível que a Hiperroll destinasse milhares de toneladas de produtos para um estabelecimento inexistente! Não se está, aqui a admitir que os "pedidos de compras" apresentados pela impugnante, tendo a HWR como adquirente, sejam idôneos, tampouco hábeis para fins fiscais, já que os fatos e provas dos autos convergem para veementes indícios de práticas fraudulentas, servindo esses documentos apresentados tãosomente para dar uma aparência de legalidade e licitude às operações realizadas, mesmo porque foram produzidos pela própria defendente, o que não lhes confere, salvo prova em contrário, credibilidade para o fim almejado. Com relação à alegação de que o Fisco Federal sustentou a existência de operação simulada, esclareçase que a única referência expressa que o Auditor Fiscal faz em relação à simulação, em seu relatório, é quando afirma que essa foi a conclusão do Fisco Mineiro com relação à Hiperroll, nas operações dela com as empresas Hrroll e HWR. Nessa referência à simulação, que foi a conclusão a que chegou o Fisco de Minas Gerais, a autoridade federal descreve um exemplo do modus operandi da Hiperroll, que serviu como ponto de partida para aprofundamento das verificações junto à impugnante, confirmando a identidade na prática das transações, que considerou fraudulentas. Isso é o que importa no presente caso! Com efeito, embora não tenha expressamente citado a ocorrência de simulação, a autoridade autuante comprovou a prática fraudulenta, envolvendo supostas vendas de mercadorias para a HWR, com preço subfaturado, quando, de fato, a efetiva operação era realizada com terceiros, clientes da Hiperroll, ao preço normal contratado. O esquema engendrado pela impugnante, além implicações no ICMS do Estado de Minas Gerais, visava, também, ludibriar o Fisco Federal quanto aos tributos incidentes sobre o lucro e sobre o faturamento. (término da transcrição de trecho do voto da DRJ) Como visto, há clara e percuciente comprovação de que as empresas HWR e Hiperroll pertenciam ao mesmo grupo econômico, que ora era comandado por Paulo Roberto Paschoalino Machado. Não há o que se acrescentar ou modificar na decisão da DRJ. Quanto à responsabilidade pela configuração do grupo econômico, assim se descreveu na decisão da instância a quo: (início da transcrição de trecho do voto da DRJ) Do Grupo Econômico e da Responsabilidade Solidária Para o deslinde das questões relacionadas à formação de Grupo Econômico, cumpre transcrever, para melhor contextualização, alguns trechos do voto que sustentou o Acórdão nº 1464.292, de 22/2/2017, já citado neste voto: Fl. 1857DF CARF MF 30 A empresa Papel Plastic Distribuidora de Embalagens Ltda. foi, conforme Relato Fiscal, o início do denominado Grupo Papelplastic, em março de 1997, figurando como um dos sócios Paulo Roberto Paschoalino Machado. Em fevereiro de 2002 o razão social foi alterado para Papelplastic Transporte e Distribuição Ltda., cujo único sócio, por ocasião do encerramento da ação fiscal, era Fernando Antônio Silva Itagiba, que ingressara na sociedade no ano de 2000. Três filhos de Fernando Itagiba transitaram pelo quadro societário da Papelplastic. (fl. 67) Em julho de 2001 foi criada a Replastic, que teve como sócia Elen Soares Marques, cônjuge de Paulo Roberto Paschoalino Machado, de setembro de 2001 a maio de 2003. Em agosto de 2002, quando ainda era sócia da Replastic, Elen Soares criou a E.S. Marques, cuja atividade era o transporte rodoviário de cargas, tendo como nome fantasia Papelplastic. Em outubro de 2005, Elen Soares concedeu, por procuração, amplos poderes para Fernando Antônio Silva Itagiba gerir sua empresa. No ano de 2003 foi criada a São Bartolomeu Empreendimentos e Participações Ltda., tendo como um dos sócios Paulo Roberto Paschoalino Machado. À época do encerramento da auditoria, a já citada Elen Soares Marques, esposa de Paulo Roberto, era a única sócia da empresa. Importa registrar, aqui, que também foram sócios da São Bartolomeu: Rosângela Maria Martins Thees e Pedro Paulo de Almeida, irmãos, respectivamente, de Margarida Maria Thees Gouvêa e de Renato César de Almeida, ambos sócios atuais da Replastic. A Hiperroll Embalagens Ltda. foi constituída em junho de 2003, em nome de Rosangela Maria Thees e de São Bartolomeu Empreendimentos e Participações Ltda. para explorar a atividade de fabricação de embalagens. Recordese que a São Bartolomeu fora criada também em 2003, com a participação de Paulo Roberto Paschoalino Machado e, posteriormente, de sua esposa Elen Soares Marques. Em setembro de 2005 surge a HWR Comércio Atacadista de Embalagens Ltda. (já citada neste voto), na cidade de Cabo Frio/RJ. Um dos sócios da HWR, Ivan Mello da Silveira, também foi sócio da Hiperroll Embalagens Ltda. A HWR, relembrese, era uma empresa “não habilitada” e não apta a realizar operações comerciais, desde a data de seu cadastro inicial, utilizada como falsa intermediária nas transações da Hiperroll. Como já registrado neste voto, a Hiperroll, nas palavras do Fisco Mineiro, simulava vendas para a HWR. Eis as transcrições do Relatório Fiscal acerca dessa prática: "A irregularidade apurada neste caso deu inicio a uma investigação mais aprofundada nas operações de saída da Hiperroll, por parte do fisco mineiro. A conclusão foi que era prática comum por parte da Hiperroll a simulação de vendas para as empresas Hrroll e HWR [...] [...] Fl. 1858DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.844 31 Verificouse que o pedido era sempre emitido pela Hiperroll, fabricante dos produtos. A nota fiscal para o cliente final era emitida pela HWR ou pela Hrroll no valor total da transação. A Hiperroll emitia nota fiscal para a HWR ou para a Hrroll com valor subfaturado. O pagamento do valor total era efetuado por meio de depósito na conta da HWR, da Hrroll ou da matriz da Hiperroll em Duque de Caxias. A operação de saída para as duas empresas de Três Rios de fato não acontecia. Era uma ficção criada para diminuir a base de cálculo do ICMS a ser recolhido para Minas Gerais." Ivan Mello da Silveira, além de ter sido sócio da HWR, de set/2005 a nov/2009, da Hiperroll, de mar/2010 a ago/2012, também integrou o quadro societário de outras 5 (cinco) empresas, conforme descreve o Relatório Fiscal (destaques acrescidos): "[...] O sócio Ivan Mello da Silveira, além de ter sido sócio da HWR de set/2005 a jan/2009 e da Hiperroll Embalagens Ltda de mar/2010 a ago/2012, também foi, ou ainda é, sócio das seguintes empresas: Plaspack Indústria e Comércio Ltda (CNPJ 04.446.923/000122) de nov/2003 ao presente, localizada em Cariacica ES; Lidei Car Comércio e Serviços de Recarga de Cilindros em Geral Ltda (CNPJ 09.562.994/000104) de dez/2008 a ago/2009, de São Pedro da Aldeia RJ; TGC Comércio de Peças e Serviços Ltda (CNPJ 10.488.008/000100) de nov/2008 ao presente, de São Pedro da Aldeia RJ; HIS Comércio de Peças e Serviços Ltda (CNPJ 10.727.205/000107) de mar/2009 a set/2010, também de São Pedro da Aldeia RJ; e Inah e Souza Supermercado Ltda (CNPJ 04.451.579/000160) de nov/2001 ao presente, de Iguaba Grande RJ. São sete empresas localizadas em cinco cidades (Três Rios RJ, Juiz de Fora MG, São Pedro da Aldeia RJ, eu* a Grande RJ e Cariacica ES) e com atuação em setores bastante diversificados." Por meio de pesquisa na internet, na página de busca do Google, a autoridade fiscal relata que Ivan Mello da Silveira na Internet foi preso em fevereiro de 2013, na “Operação Sudeste”, por formação de quadrilha especializada em sonegação de impostos que utilizava empresas de fachada, em nome de “laranjas”, e que emitia notas fiscais frias. [...] Em que pese ter o Fisco Federal identificado 13 (treze) pessoas jurídicas no denominado Grupo Papelplastic, estão no centro do debate a Replastic, Hiperroll e HWR. As duas primeiras, confundemse uma com a outra, e estão sob a mesma gestão de fato, comandadas por Paulo Roberto Paschoalino Machado e Fernando Antônio Silva Itagiba. A última, tratase de empresa de fachada, em cujo quadro societário figuravam interpostas pessoas (laranjas). Aliás, essa era uma característica das pessoas jurídicas relacionadas à Replastic e à Hiperroll: a interposição de pessoas, que chegavam a participar de mais de uma empresa do grupo. Fl. 1859DF CARF MF 32 [...] Como se depreende, à luz do que já foi discutido neste voto, em conjunto com as questões debatidas no voto condutor do acórdão relativo à Replastic, ainda que não esteja caracterizado Grupo Econômico de direito, não há como afastar a formação de Grupo Econômico de fato. Num grupo econômico há um conjunto de empresas subordinadas a um único centro de decisões que, por meio de ligações financeiras, pessoais e, sobretudo de propriedade acionária, é capaz de exercer o poder, no mínimo, em termos estratégicos (investimentos, estratégia financeiras e operacional etc). O conceito legal de grupo econômico não é novo, tendo surgido em 1943, com a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), que trouxe em seu art. 2º, § 2§, o seguinte enunciado: § 2º. Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. O conceito acima identifica como característica dos grupos econômicos a unicidade de controle, de direção ou de administração, deixando transparente, independente de formalização perante o órgão de registro comercial da coligação ou do controle, que a comprovação do exercício de direção unificado é suficiente para fins de atribuição de responsabilidade (trabalhista, no caso do dispositivo transcrito). A Lei das Sociedades Anônimas (LSA), ainda que não tenha tratado de questões relacionadas à responsabilidade civil ou subsidiária das empresas formadoras de conglomerados, identifica os dois objetos a que se refere o vocábulo Grupo Econômico: (i) um conjunto de sociedades empresariais e a (ii) unicidade de controle e direção a que todas elas estão submetidas e, assim, vinculadas, o que denominou como comando. Vejase a dicção dos arts. 265 e 266 da Lei nº 6.404/76: Art. 265. A sociedade controladora e suas controladas podem constituir, nos termos deste Capítulo, grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. § 1º A sociedade controladora, ou de comando do grupo, deve ser brasileira, e exercer, direta ou indiretamente, e de modo permanente, o controle das sociedades filiadas, como titular de direitos de sócio ou acionista, ou mediante acordo com outros sócios ou acionistas. § 2º (...) Art. 266. As relações entre as sociedades, a estrutura administrativa do grupo e a coordenação ou subordinação dos administradores das sociedades filiadas serão estabelecidas na convenção do grupo, mas cada sociedade conservará personalidade e patrimônios distintos. No Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078, de 1990) os grupos econômicos são lembrados em seu art. 28. Também a Lei nº 12.529, de 2011, denominada Nova Lei do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), Fl. 1860DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.845 33 tratou do tema, em seus arts. 33 e 34, imputando responsabilidade solidária às sociedades formadoras de Grupo Econômico, de Fato ou de Direito, pelas infrações à ordem econômica, fazendo expressa menção ao art. 50 do Novo Código Civil, que cuida da Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica. Não obstante, o simples fato de pertencer a um grupo de sociedades não pode levar, por si só, a uma tributação solidárias de outras empresas. A atribuição de responsabilidade solidária a uma sociedade por fatos geradores praticados por outras empresas do grupo é excepcional e restritiva. Com efeito, somente nos casos em que a pessoa (física ou jurídica) tem, comprovadamente, interesse comum na situação que constitua o fato gerador, será possível imposição de responsabilidade solidária com base no art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN). Este é o caso em apreço! O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), recentemente, considerou que somente é possível sustentar a responsabilidade solidária por interesse comum nos lançamentos fiscais se a autoridade fiscal demonstrar que os sujeitos passivos praticaram conjuntamente o fato gerador ou desfrutaram de seus resultados em caso de fraude. O Acórdão 1101001.239, julgado em 4 de fevereiro de 2015, restou assim ementado: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Responde pelo crédito tributário lançado a pessoa jurídica cuja criação integrou a reorganização societária promovida pelo grupo empresarial, e tem seu patrimônio foi formado a partir da execução dos objetivos daquelas operações, circunstâncias que revelam confusão patrimonial contemporânea à ocorrência do fato gerador, hábil a caracterizar o interesse comum que resulta na solidariedade pelo crédito tributário devido. No caso sob exame, restou comprovado não só o interesse de fato como também o interesse jurídico, surgido a partir dos direitos e deveres comuns entre as pessoas envolvidas na mesma relação jurídica privada que constitui o fato gerador dos tributos ora exigidos. A íntima ligação entre Hiperroll e HWR é induvidosa, chegando elas a se confundirem na mesma pessoa jurídica, geridas de fato pelas mesmas pessoas físicas, que utilizaram de interpostas pessoas para figurarem no contrato social da pessoa jurídica de fachada, como já demonstrado neste voto. Assim, sendo a impugnante e a HWR confundidas na mesma pessoa jurídica, dado que a segunda é uma empresa de fachada, não há como afastar a responsabilidade solidária do sócioadministrador da defendente, Paulo Roberto Paschoalino Machado. Não é crível que ele, Paulo Roberto, desconhecesse os ilícitos fiscais perpetrados pela pessoa jurídica da qual era sócio majoritário e administrador, tampouco se imaginar que não teria interesse nas situações que dariam causa ao surgimento dos fatos geradores das obrigações tributárias correspondentes. (término da transcrição de trecho do voto da DRJ) No caso concreto restou absolutamente comprovado que, em verdade, era uma única atividade empresarial, e as empresas inexistentes de fato tão somente serviam como instrumentos para melhorar o resultado econômico. Fl. 1861DF CARF MF 34 Havia clara confusão e unicidade empresarial, razão pela qual não há como se afastar a responsabilização solidária. (início da transcrição de trecho do voto da DRJ) Do Subfaturamento de Vendas Afirma a contribuinte que é caluniosa e leviana a afirmação de que vende mercadorias subfaturadas para a HWR, visando pagar menos tributos, pois o simples fato de vender mercadorias com valores inferiores para a distribuidora não pode presumir ter ocorrido subfaturamento, nem que as operações seriam simuladas. Configura ônus exclusivo do acusador a prova de venda de produtos subfaturados. Mais uma vez, as alegações da impugnante não merecem crédito. Senão vejamos. O trabalho realizado pelo Fisco Mineiro foi de fundamental importância para a realização da auditoria que resultou nos créditos tributários ora exigidos. A autoridade autuante, a partir dos indícios e provas coletados na fiscalização estadual realizou diligências, apurou fatos e obteve documentos que comprovaram que as práticas fraudulentas adotadas em anos anteriores se repetiram no anocalendário de 2012, que foi o período auditado. Comprovadamente, a HWR era empresa de fachada, constituída por interpostas pessoas. As operações eram realizadas, de fato, pela Hiperroll, que procurou se esconder na figura da pseudo sociedade, que de fato não existia. Nas diligências in loco, na tentativa de localizar a sede da HWR, nos endereços constantes nos cadastros dos órgãos de fiscalização, constatouse que um dos locais não possuía a menor condição de atender as supostas operações constantes das Notas Fiscais emitidas (Fisco Estadual), e outro endereço sequer foi encontrado (Fisco Federal). Os elementos que deram sustentação à autuação não foram unicamente aqueles coletados junto à SEF/MG, mas também, e principalmente, os que foram obtidos no curso da ação fiscal federal. O AuditorFiscal elaborou demonstrativo detalhado, com o cotejo entre milhares de Notas Fiscais emitidas pela impugnante e pela HWR, onde houve coincidência de "Data de Emissão da NF", "Código da Mercadoria" e "Quantidade", com o fim de mensurar as omissões de receitas nas operações de vendas de produtos. Representam provas diretas de omissão de receitas. Não se trata de mero inadimplemento, já que as operações realizadas pela HWR pertencem, efetivamente, à impugnante, e os débitos tributários declarados em DCTF pela empresa de fachada não têm o condão de constituir o crédito tributário. Aliás, o intento da impugnante era justamente se esconder, simulando um negócio jurídico para se eximir do pagamento dos tributos devidos. A autoridade tributária demonstrou tratarse da mesma empresa, não sendo possível identificar uma identidade própria, independente, autônoma, com efetiva capacidade operacional da pessoa jurídica denominada HWR, caracterizada como empresa de fachada. Quando há uma declaração enganosa, visando aparentar negócio diverso daquele efetivamente existente, estamos diante de uma simulação, nos termos do art. 167, § 1º, do Código Civil, que tem a seguinte dicção: Fl. 1862DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.846 35 Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. § 2º Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. No caso em questão, resta claro que havia uma confusão administrativa, patrimonial, operacional e gerencial, não sendo possível conferir nenhuma identidade à empresa HWR. É dizer, não existiam duas pessoas jurídicas distintas, com direitos e obrigações próprios, mas sim uma única personalidade: a da Hiperroll. A impugnante não logrou êxito em provar, também em sede de impugnação, que a HWR era, de fato e de direito, sua distribuidora ou representante comercial. A existência de um Contrato Social, de Contratos Comerciais, de Notas Fiscais emitidas, em nada traz proveito à contribuinte, já que a HWR, composta por pessoas físicas"laranjas", jamais realizou qualquer atividade por conta própria, eis que era inexistente de fato. Assim sendo, não acolho os argumentos da impugnante sobre a inexistência de subfaturamento de vendas. (término da transcrição de trecho do voto da DRJ) A HWR era empresa inexistente, então as referidas operações foram absolutamente simuladas com o objetivo de gerar resultado econômico para o grupo com a redução de tributos e aproveitamento indevido de benefícios fiscais. (início da transcrição de trecho do voto da DRJ) Da Multa Qualificada e Da Simulação Pelo o conjunto fático relatado, concluiu a autoridade fiscal que o sujeito passivo e seu responsável agiram com o objetivo de impedir ou retardar o conhecimento ou a ocorrência dos fatos geradores dos tributos devidos no Ano Calendário 2012, mediante conduta fraudulenta nos moldes dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, o que impõe a qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96. Em sua defesa, aduz a impugnante que sua conduta não se enquadra como abusiva ou dissimulada para atrair a aplicação do art. 116 do CTN. Afirma que Fl. 1863DF CARF MF 36 praticou elisão fiscal lícita e não uma evasão fiscal. Traz excertos de entendimentos doutrinários. Pleiteia a redução da multa de 150% ao patamar de 2% ou 20%, sob o argumento de violação à Constituição Federal e Código de Defesa do Consumidor. O direito tributário busca nos princípios gerais de direito privado a definição, o conteúdo e o alcance do instituto simulação; todavia, os efeitos tributários são estabelecidos por regras próprias (art. 109 do CTN), sem a necessidade de reconhecimento através de sentença judicial, como é possível verificarse em várias passagens do CTN, como no art. 149, VII; 150, § 4°; art. 154, parágrafo único; art. 155, I; e art. 180, I. A desnecessidade da intervenção do Judiciário decorre do alcance do instituto, que se daria tãosomente no plano da eficácia, e não no da validade (o que seria próprio do direito civil). No mesmo sentido, transcrevo excerto da obra de Marco Aurélio Greco1: É aceito com certa tranqüilidade que o Fisco não precisa aguardar o trânsito em julgado de uma ação de anulação do ato simulado para poder autuar o contribuinte. Ou seja, o Fisco pode afastar o negócio individual e tributar conforme o negócio real e não negócio aparente, invocando simulação e demonstrando que esta ocorreu, tudo independentemente da desconstituição formal do ato. Alberto Xavier colabora com o entendimento exposto2: A verdade, porém, é que o interesse pragmático do Fisco não vai ao ponto de exigir a declaração de invalidade do ato simulado, vez que tal invalidade respeita apenas às relações entre privados, que podem ter interesse ou não na argüição da nulidade ou até ter interesses divergentes, como sucede com os terceiros de boafé interessados na validade do ato simulado que, em nome da proteção da aparência jurídica, têm interesse na preservação dos seus efeitos: pensese nos credores ou sub adquirentes do simulado adquirente. O interesse do Fisco contentase com a ineficácia relativa de tais atos, ineficácia esta que se traduz na insuscetibilidade de os atos em causa lhe causarem prejuízo, atingindo a sua esfera jurídica, independentemente de tais atos serem considerados válidos ou nulos, eficazes ou ineficazes nas relações privadas entre os simuladores, nas relações entre simuladores e terceiros ou nas relações entre terceiros com interesses conflitantes. O art. 118 do CTN reforça a dicotomia entre os planos de validade e da eficácia, ressaltando que o direito tributário pode não se preocupar tãosomente com a validade dos atos, mas principalmente com os efeitos dentro de seu espectro de incidência: Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. 1 Planejamento fiscal e interpretação da lei tributária, São Paulo: Dialética, 1998. p.55 2 Tipicidade da tributação, simulação e norma antielisiva, São Paulo, Dialética, 2001, p. 69 Fl. 1864DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.847 37 Nessa hipótese, não necessita o Fisco de norma a regulamentar seu direito e/ou de autorização judicial para que se possa tributar a real operação ocorrida, até mesmo porque, no lançamento do crédito tributário, não se desconsidera a pessoa jurídica para atingir bens patrimoniais de seus sócios, nos termos do artigo 50 do Código Civil CC, mas apenas se verifica o fato tributável. Portanto, seja com base nos princípios do parágrafo único do artigo 116, ou do artigo118, ambos do CTN, o fisco não somente pode, mas deve efetuar o lançamento de ofício relativo ao real negócio jurídico celebrado. É o que impõe o referido Código, em seu artigo 142, parágrafo único, c/c o artigo 149, inciso VII. Conforme Francisco Ferrara, a comprovação da simulação nos negócios jurídicos, na maior parte das vezes, decorre da observação dos seguintes elementos: (i) a existência de motivo sério, (ii) a falta de execução material da vontade exteriorizada, (iii) a discrepância entre esses atos e a conduta das partes, e (iv) a divergência entre a natureza e a quantidade dos bens e direitos e o preço pelo qual são negociados. Outro fator relevante é a ligação entre as partes que operam a simulação. O Relatório Fiscal é substancioso na descrição dos fatos e indícios congruentes, que demonstram o ocorrência de simulação dos valores de vendas de produtos para a HWR a preços muito inferiores aos da real operação. A existência do intuito fraudulento foi detalhadamente explicada pela autoridade fiscal, restando claro que os documentos elaborados e as Notas Fiscais emitidas pela HWR tinham como objetivo a sonegação de tributos por parte da impugnante, que procurava desviar o foco da fiscalização para uma empresa de fachada, inexistente de fato, composta por interpostas pessoas físicas. Ficou comprovado que a impugnante pretendia transferir parcela significativa de seu faturamento para uma empresa que não possuía nenhuma capacidade financeira para liquidar suas obrigações tributárias. A defendente não trouxe aos autos nenhum elemento capaz de refutar as provas juntadas pela fiscalização, deixando de apresentar documentos hábeis e idôneos capazes de confirmar suas alegações. Diante do farto conjunto probatório, a conclusão não é outra senão a de que a Hiperroll evadiuse da tributação de forma dolosa, estabelecendo relações comerciais simuladas, valendose de empresa de fachada, constituída por interpostas pessoas, para ocultar o ocorrência dos fatos geradores tributários, justificando a aplicação da multa de ofício qualificada, incidente sobre os tributos devidos no percentual de 150%. No mais, há que se observar que a constitucionalidade das leis é vinculada para a Administração Pública, sendo defeso à autoridade julgadora administrativa afastar a sua aplicação, por inconstitucionalidade, ressalvados, somente, os casos previstos no parágrafo 6.º do artigo 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Restam, desta maneira, prejudicadas as questões postas pela impugnante, no tocante ao caráter constitucional da multa de 150%, que implicariam, necessariamente, no exame da constitucionalidade dos dispositivos legais que embasaram esse aspecto do lançamento. Com relação ao pedido para a redução da multa ao patamar de 2%, com base no Código de Defesa do Consumidor, não pode ele ser acatado, pois as multas em Fl. 1865DF CARF MF 38 matéria tributária são reguladas por legislação específica e, no caso em concreto, a multa incidente sobre os tributos lançados, está em consonância com o artigo 44, inciso I, e seu parágrafo 1º da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, na redação dada pela Lei nº 11.488, de 15/07/2007, os quais dispõem: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...]§ 1.º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, suprareferidos, a seu turno, estabelecem, in verbis: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Tampouco pode a multa ser reduzida ao patamar de 20% (art. 61, § 2º, da Lei nº 9.430/96), já que não se trata de simples inadimplemento da obrigação de pagar o tributo, mas sim de omissão de receitas (infração tributária), sujeita à multa de ofício. Por outro lado, relativamente aos os questionamentos trazidos pela contribuinte acerca da constitucionalidade da exigência das multas de ofício, não cabe à autoridade julgadora apreciar a validade de dispositivos legais validamente editados, segundo o processo legislativo constitucionalmente estabelecido. Longe de se admitir que os órgãos administrativos não devem respeito à Constituição Federal. O que se pretende é conferir concretude ao princípio constitucional da separação dos Poderes, com status de cláusula pétrea (art. 60, § 4º, da CF). Não pode a Administração Pública, por iniciativa própria, e sem intervenção do Poder Judiciário, negar validade e vigência à norma regularmente editada. Fl. 1866DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.848 39 Salientese que atualmente encontrase em vigor o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, introduzido pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, que dispõe, in verbis: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Decorre daí que, no âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, somente sendo possível tal provimento aos casos de lei ou ato normativo: que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, o que não se configura no presente caso. Esse entendimento encontrase consolidado no CARF, por meio da Súmula nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Correta, portanto, a aplicação da multa de ofício de 150%, incidente sobre os tributos exigidos. (término da transcrição de trecho do voto da DRJ) A simulação e fraude realizadas de forma dolosa com o intuito de obter vantagem econômica ilegal foi absolutamente comprovada pela autoridade fiscal, e a DRJ Fl. 1867DF CARF MF 40 analisou de forma exaustiva as razões defensivas, nada mais havendo o que acrescentar sobre a questão já que nada novo foi trazido pelas Recorrentes. (início da transcrição de trecho do voto da DRJ) Da Compensação de Tributos Pagos no Período da Exigência Prevalecendo a desclassificação das notas fiscais das operações praticadas pela HWR a seus clientes e a tributação desses valores, requer a impugnante o abatimento dos valores dos tributos pagos pela impugnante, bem como pela HWR, sob pena de bis in idem. Como se viu, os lançamentos tomaram por base as diferenças entre os valores das Notas Fiscais de saída emitidas pela contribuinte e pela HWR, no anocalendário de 2012, que foram consideradas como omissão de receitas. Ora, se os lançamentos se referem a valores que deixaram de ser oferecidos à tributação pela impugnante, não é crível que os correspondentes tributos tenham sido declarados em DCTF e recolhidos aos cofres públicos. É difícil acreditar que a contribuinte tenha apurado, declarado e recolhido tributos incidentes sobre as vendas informadas nas Notas Fiscais emitidas em nome da HWR! Se o fez, cabia e ela apresentar as provas dos pagamentos efetuados. Não basta alegar, tem que provar. Já do ponto de vista da HWR, no período de 2008 a 2012 foram recolhidos em tributos cerca de R$ 3,3 mil. Esta importância é irrisória se comparada aos débitos informados pela HWR no mesmo período, que somaram mais de R$ 10,5 milhões. Além disso, no anocalendário de 2012 não consta apresentação de DIPJ, de modo que não há nenhuma informação acerca dos tributos em nome da empresa de fachada. No Dacon apresentado pela contribuinte (fls. 55 a 366), anocalendário 2012, não foi apurado nenhum saldo de Pis/Pasep ou Cofins a pagar, e na DCTF, do mesmo anocalendário, foram declarados apenas débitos a título de estimativas mensais de IRPJ e CSLL, dos meses de novembro e dezembro (fls. 367 a 374), que foram compensados na apuração do IRPJ e CSLL devidos no próprio período, conforme DIPJ (fls. 22 e 28). Como o valor das estimativas pagas correspondeu exatamente ao IRPJ e à CSLL devidos no período, não restaram saldos desses tributos a pagar, tampouco saldos credores compensáveis em períodos futuros, por meio de Pedidos de Compensação Eletrônicos (PER/DComp), com os mesmos ou outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Resta, portanto, refutada a alegação de bin in idem. (término da transcrição de trecho do voto da DRJ) Como bem evidenciado, não foi feita prova dos recolhimentos e o lançamento se deu, exatamente sobre a parcela omitida. (início da transcrição de trecho do voto da DRJ) Do Requerimento de Diligências Fl. 1868DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.849 41 Ao final, a impugnante requer realização de diligências, especialmente perícia, para a qual protesta pela formulação de quesitos e suplementação de provas. E a respeito dos temas “prova” e “juntada de documentos”, dispõe especificamente o art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, nos seguintes termos: “Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das Fl. 1869DF CARF MF 42 condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)” (negrejouse e grifouse) Particularmente quanto à realização de diligências e perícias, ainda regulamenta referido diploma legal: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei nº 8.748/1993) § 1º. Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei nº 8.748/93) § 2º. Os prazos para realização de diligência ou perícia poderão ser prorrogados, a juízo da autoridade. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/1993) § 3º. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748/1993) (destaques acrescidos) Como visto, a legislação transcrita determina a apresentação da prova no momento da impugnação, não competindo à Administração Tributária a iniciativa da adoção de eventual procedimento de diligência, a fim de suprir o encargo que cabe ao sujeito passivo da relação tributária processual, quanto à formação da sua demonstração probatória na impugnação. O procedimento de diligência e/ou perícia, na esfera de julgamento, prestase a solucionar dúvidas eventualmente levantadas na análise da documentação probatória já acostada ao processo. Demais disso, devem ser observados os requisitos para sua formulação. (término da transcrição de trecho do voto da DRJ) Fl. 1870DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.850 43 No caso dos autos, assim como a DRJ, entendo restarem presentes todos os elementos necessários à convicção deste Relator, sendo desnecessária a realização de diligência ou perícias requeridas. (início da transcrição de trecho do voto da DRJ) Da Responsabilidade Solidário do Sócio Paulo Roberto Paschoalino Machado Relativamente à imputação de responsabilidade solidária ao sócio administrador Paulo Roberto Paschoalino Machado, alega a impugnante que não é possível o redirecionamento do débito fiscal, pois não houve nenhum dos requisitos do art. 135, III, do CTN. A autoridade fiscal, contudo, fundamentou a responsabilidade solidária de Paulo Roberto Paschoalino Machado nos seguintes dispositivos da legislação tributária: arts. 121, 124 e 135, caput, II e III, do CTN, art. 10, in fine, do Decreto nº 3.708/19 e Portaria RFB nº 2.284/2010. Em que pese a abrangência da capitulação legal da atribuição de responsabilidade tributária ao administrador, na descrição dos fatos a autoridade fiscal concluiu que, pelo conjunto dos fatos relatados, houve flagrante violação, dolosa ou culposa, comissiva ou omissiva, da lei civil, comercial e tributária. Importa consignar que Paulo Roberto Paschoalino Machado, como sócio administrador da Hiperroll, em contrato social, e administrador de fato da HWR, agiu intencional e reiteradamente em prejuízo dos interesses da autuada, pois conhecia os riscos resultantes das práticas por ele adotadas na condução dos negócios da empresa, especialmente no que diz respeito à abertura de pessoas jurídicas com interpostas pessoas, com o fim de ocultar a ocorrência dos fatos geradores relativos a vendas de produtos. A Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, aplicável subsidiariamente às Sociedades por Responsabilidade Limitada, dispõe sobre os deveres e responsabilidades dos administradores, in verbis (destaques acrescidos): Deveres e Responsabilidades Dever de Diligência Art. 153. O administrador da companhia deve empregar, no exercício de suas funções, o cuidado e diligência que todo homem ativo e probo costuma empregar na administração dos seus próprios negócios. Finalidade das Atribuições e Desvio de Poder Art. 154. O administrador deve exercer as atribuições que a lei e o estatuto lhe conferem para lograr os fins e no interesse da companhia, satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. § 1º O administrador eleito por grupo ou classe de acionistas tem, para com a companhia, os mesmos deveres que os demais, não podendo, ainda que para defesa do interesse dos que o elegeram, faltar a esses deveres. Fl. 1871DF CARF MF 44 § 2° É vedado ao administrador: a) praticar ato de liberalidade à custa da companhia; (...) Dever de Lealdade Art. 155. O administrador deve servir com lealdade à companhia e manter reserva sobre os seus negócios, sendolhe vedado: I usar, em benefício próprio ou de outrem, com ou sem prejuízo para a companhia, as oportunidades comerciais de que tenha conhecimento em razão do exercício de seu cargo; II omitirse no exercício ou proteção de direitos da companhia ou, visando à obtenção de vantagens, para si ou para outrem, deixar de aproveitar oportunidades de negócio de interesse da companhia; [...] Responsabilidade dos Administradores Art. 158. O administrador não é pessoalmente responsável pelas obrigações que contrair em nome da sociedade e em virtude de ato regular de gestão; responde, porém, civilmente, pelos prejuízos que causar, quando proceder: I dentro de suas atribuições ou poderes, com culpa ou dolo; II com violação da lei ou do estatuto. § 1º O administrador não é responsável por atos ilícitos de outros administradores, salvo se com eles for conivente, se negligenciar em descobrilos ou se, deles tendo conhecimento, deixar de agir para impedir a sua prática. [...] § 2º Os administradores são solidariamente responsáveis pelos prejuízos causados em virtude do não cumprimento dos deveres impostos por lei para assegurar o funcionamento normal da companhia, ainda que, pelo estatuto, tais deveres não caibam a todos eles. (...) § 5º Responderá solidariamente com o administrador quem, com o fim de obter vantagem para si ou para outrem, concorrer para a prática de ato com violação da lei ou do estatuto. Diante desses preceitos legais, configurado encontrase o exercício da administração da companhia com excesso de poder ou infração de lei, na medida em que fartamente demonstrado o desvio de poder/finalidade do administrador, que não atuou para lograr os fins e no interesse da empresa, ao permitir a emissão de documentos fiscais com valores subfaturados para empresa de fachada, inexistente de fato. Nos termos do art. 121 e seu parágrafo único do CTN, o sujeito passivo é a pessoa obrigada ao pagamento do tributo ou penalidade pecuniária, e dizse: contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o Fl. 1872DF CARF MF Processo nº 15563.720056/201651 Acórdão n.º 1401003.051 S1C4T1 Fl. 1.851 45 respectivo fato gerador; ou responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, a obrigação decorra de disposição expressa de lei. No art. 135, III do CTN, as hipóteses para a imputação de responsabilidade aos administradores pelo crédito tributário devido pela pessoa jurídica são obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Diante desse quadro normativo, inserese, sem sombras de dúvidas, na competência da autoridade administrativa verificar se a obrigação tributária é resultante de atos praticados pelos administradores, dentro de suas atribuições ou poderes, ou com excesso de poderes e infração de lei, contrato social ou estatutos. As obrigações tributárias ora constituídas exofficio nos lançamentos em apreço são flagrantemente resultantes de atos praticados pelo administrador com excesso de poderes e infração de lei societária e tributária (sonegação fiscal). Ao permitir que a Hiperroll se afastasse das práticas regulares e lícitas de operações de vendas, tendo competência para impedir, Paulo Roberto assumiu o risco de constituição de crédito tributário contra a impugnante, resultante de atos praticados com excesso de poder, infração de lei societária e infração de lei tributária. Agiu contra os interesses da pessoa jurídica, com desvio de poder/finalidade3, quando orientou a emissão de notas fiscais com valores inferiores aos das transações reais (causa do não pagamento dos tributos). Também infringiu as leis comercial e tributária ao deixar, como sócio administrador, de informar as bases de cálculo em sua escrita contábil, em DIPJ e em Dacon, e de constituir em DCTF o crédito tributário. Não se trata de mera inadimplência, como pretende fazer crer a impugnante, pois a declaração em DCTF dos débitos tributários em nome de empresa inexistente de fato não substitui o dever da pessoa jurídica que promoveu, efetivamente, a venda das mercadorias . Com efeito, o proveito próprio de Paulo Roberto é evidente, na medida em que como sócio majoritário da impugnante é o maior beneficiário dos resultados das atividades da sociedade. Diante do exposto, a imputação de responsabilidade tributária solidária a Paulo Roberto Paschoalino Machado deve ser mantida, por excesso de poder, infração de lei e contrato social, caracterizada pela conduta dolosa tendente à sonegação dos tributos devidos. (término da transcrição de trecho do voto da DRJ) Restou absolutamente comprovada a atuação dolosa com a intenção de sonegar tributos, e o Sr. Paulo Roberto Paschoalino Machado, como sócioadministrador da Hiperroll, em contrato social, e administrador de fato da HWR, agiu intencional e reiteradamente em prejuízo dos interesses da autuada, especialmente no que diz respeito à abertura de pessoas jurídicas com interpostas pessoas, com o fim de ocultar a ocorrência dos fatos geradores relativos a vendas de produtos. Fl. 1873DF CARF MF 46 Conclusão Diante do exposto, voto por NEGAR o pedido de perícia, e, no mérito, NEGAR provimento aos recursos voluntários, mantendo a responsabilidade solidária de Paulo Roberto Paschoalino Machado. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 1874DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.002179/2010-41
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS.
O conceito de insumos, no contexto das contribuições não-cumulativas, deve ser interpretado à luz dos critérios da essencialidade e relevância do bem ou serviço para o processo produtivo ou prestação de serviços realizados pelo contribuinte.
MATERIAIS DE EMBALAGEM. TRANSPORTE. CRÉDITO. POSSIBILIDADE. As despesas com materiais de embalagens utilizados para transporte de produtos, essenciais a sua proteção e integridade, geram direito a créditos no regime das contribuições não-cumulativas.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA RECORRENTE.
No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus da recorrente a comprovação precisa e minuciosa do direito alegado.
Numero da decisão: 3003-000.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer os créditos relativos a despesas com materiais de embalagem utilizados na conservação, armazenagem e preservação da integridade dos produtos.; II) por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário no tocante às despesas com frete, vencido o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva que lhe deu total provimento.
Marcos Antonio Borges - Presidente.
Vinícius Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. O conceito de insumos, no contexto das contribuições não-cumulativas, deve ser interpretado à luz dos critérios da essencialidade e relevância do bem ou serviço para o processo produtivo ou prestação de serviços realizados pelo contribuinte. MATERIAIS DE EMBALAGEM. TRANSPORTE. CRÉDITO. POSSIBILIDADE. As despesas com materiais de embalagens utilizados para transporte de produtos, essenciais a sua proteção e integridade, geram direito a créditos no regime das contribuições não-cumulativas. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA RECORRENTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus da recorrente a comprovação precisa e minuciosa do direito alegado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1755; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T3 Fl. 2 1 1 S3C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.002179/201041 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3003000.059 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 13 de dezembro de 2018 Matéria PEDIDO DE RESSARCIMENTO Recorrente RBR TRADING IMP. E EXP. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. O conceito de insumos, no contexto das contribuições nãocumulativas, deve ser interpretado à luz dos critérios da essencialidade e relevância do bem ou serviço para o processo produtivo ou prestação de serviços realizados pelo contribuinte. MATERIAIS DE EMBALAGEM. TRANSPORTE. CRÉDITO. POSSIBILIDADE. As despesas com materiais de embalagens utilizados para transporte de produtos, essenciais a sua proteção e integridade, geram direito a créditos no regime das contribuições nãocumulativas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA RECORRENTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus da recorrente a comprovação precisa e minuciosa do direito alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer os créditos relativos a despesas com materiais de embalagem utilizados na conservação, armazenagem e preservação da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 21 79 /2 01 0- 41 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10925.002179/201041 Acórdão n.º 3003000.059 S3C0T3 Fl. 3 2 integridade dos produtos.; II) por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário no tocante às despesas com frete, vencido o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva que lhe deu total provimento. Marcos Antonio Borges Presidente. Vinícius Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento, por meio de PER/DCOMP, de PIS/PASEP, apurado no regime nãocumulativo, relativo ao 4º. trimestre de 2009. Em verificação fiscal do PER/DCOMP, foram realizadas as seguintes glosas: 1) despesas com embalagens destinadas ao transporte de produtos industrializados e não caracterizados como embalagem de apresentação; 2) despesas com fretes nas operações de vendas dos produtos industrializados, tendo em vista que os referidos gastos não foram comprovados com a apresentação de notas fiscais de venda vinculadas aos respectivos conhecimentos de transporte. Em face de tais glosas, com o consequente não reconhecimento do direito creditório pleiteado, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, na qual alegou, em síntese, que há previsão legal para o creditamento das despesas com frete, acondicionamento e armazenagem, assim como das despesas com materiais de embalagem necessários para o acondicionamento de produtos e para a garantia de sua integridade até a entrega ao cliente. A 4ª Turma da DRJ em Florianópolis proferiu decisão cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. Para efeito da nãocumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelandoo à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo a sua aplicação direta ao produto fabricado. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens de apresentação geram direito a creditamento relativo às suas aquisições. São consideradas embalagens de apresentação, para fins de direito creditório da nãocumulatividade aquelas que: tem como finalidade a apresentação do produto ao consumidor final; contêm o produto em quantidades compatíveis com sua venda no varejo e apesar de Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10925.002179/201041 Acórdão n.º 3003000.059 S3C0T3 Fl. 4 3 conter quantidades maiores, contenham rótulos destinados exclusivamente ao propósito de promover ou valorizar o produto. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, sustentando o seguinte: 1. No tocante à glosa dos créditos atinentes a despesas com embalagens: sustenta a recorrente que as glosas foram realizadas em virtude das embalagens terem sido consideradas embalagens de transporte. Argumenta, porém, que os gastos com materiais de embalagem são necessários para o acondicionamento e integridade do produto. Nesse caso, sustenta a recorrente, que os materiais de embalagem caixas de papelão, etiquetas, pallets, etc. não se destinam meramente ao fim de transporte, mas de materiais necessários para que o produto chegue em ótimas condições no ponto de venda. Aduz, por fim, que as referidas despesas devem ser consideradas como insumo, uma vez que necessárias para a preservação da integridade dos produtos comercializados (frutas); 2. No tocante à glosa dos créditos atinentes a despesas com fretes: a recorrente afirma que a glosa de parte das despesas com frete se deu pela ausência se sua comprovação. A recorrente sustenta, então, que não seria necessária a comprovação das despesas com fretes, uma vez que "se a operação gera direito ao crédito, por conseguinte, seu transporte também". Por fim, a recorrente aduz que a decisão recorrida aplicou o conceito de insumos previsto na legislação do IPI, distanciandose, assim, do entendimento de diversas decisões, inclusive do CARF, que corroboram a sua tese. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10925.002179/201041 Acórdão n.º 3003000.059 S3C0T3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo à análise do mérito. I Do conceito de insumos Inicialmente, importa destacar que, no tocante ao conceito de insumos aplicável às contribuições apuradas no regime da nãocumulatividade, a jurisprudência recente do CARF tem afastado a interpretação restritiva consolidada no âmbito do IPI e rejeitado a aplicação do amplo conceito de insumos consagrado na legislação do Imposto sobre a Renda. Nesse contexto, afastando as correntes doutrinárias tradicionais, a jurisprudência majoritária do CARF tem assentado, de forma acertada, que o conceito de insumos, no âmbito do PIS/COFINS nãocumulativos, pressupõe que os bens ou serviços sejam consumidos durante o processo produtivo (ou de prestação de serviços) e dentro de seu espaço, salvo expressas disposições legais, como é o caso das despesas com frete e armazenagem nas operações de comercialização, as quais se dão após o término do processo produtivo, mas geram direito a crédito de PIS/COFINS por inequívoca previsão normativa: art. 3º, inciso IX, e art. 15, inciso II, ambos da Lei 10.833/03. A jurisprudência majoritária do CARF se orienta, portanto, no sentido de vincular o conceito de insumos à relação de pertinência ou inerência da despesa incorrida com o limite espaçotemporal do processo produtivo (ou de prestação de serviços). Na esteira de tal entendimento, os excertos da ementa e do voto vencedor do Acórdão nº 9303002.659, Processo nº 13204.000070/200455, sessão de 14/11/2013, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, transcritos abaixo, sublinham a necessidade de pertinência entre o gasto ao qual se busca aplicar o conceito de insumos e sua inerência ao processo produtivo (grifei algumas partes): EMENTA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Este colegiado fixou o entendimento de que a legislação do IPI que define, no âmbito daquele imposto, o que são matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem não se presta à definição de insumo no âmbito do PIS e da COFINS nãocumulativos, definição que tampouco deve ser buscada na legislação oriunda do imposto de renda. A corrente majoritária sustenta que insumos são todos os itens, inclusive serviços, consumidos durante o processo produtivo sem a necessidade de contato físico com o produto em Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10925.002179/201041 Acórdão n.º 3003000.059 S3C0T3 Fl. 6 5 elaboração. Mas apenas se enquadra como tal aquilo que se consuma durante a produção e em razão dessa produção. Assim, nada que se consuma antes de iniciado o processo ou depois que ele se tenha acabado é insumo, assim como também não são insumos bens e serviços que beneficiarão a empresa ao longo de vários ciclos produtivos, os quais devem ser depreciados ou amortizados; é a correspondente despesa de depreciação ou amortização, quando expressamente autorizada, que gera direito de crédito. Recurso Especial do Procurador Negado e Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. VOTO CONDUTOR (...)Para uma primeira corrente, que se formou concomitantemente à que a Fazenda mais uma vez pretende seja aplicada, e em antítese a ela, a demarcação deviase buscar nas normas atinentes ao imposto sobre a renda, equiparandose, assim, a expressão a tudo que fosse despendido, de forma necessária, seja como custo ou despesa. Essa posição também já se encontra superada, entendendo a maioria que nem tudo que é despendido, ainda que contabilmente até possa ser registrado como custo ou despesa, é verdadeiramente consumido no processo. Essa posição majoritária, portanto, acentua a necessidade de que o consumo ocorra durante a produção, isto é, que o bem (ou serviço) seja consumido enquanto perdura o processo produtivo, entendido este, obviamente, em sentido amplo para englobar até mesmo a “produção” de serviços. Afastam se, em conseqüência, os gastos ocorridos antes ou depois de iniciado aquele processo por mais que possam ser necessários à produção. E por esse mesmo critério também têm de ser rejeitados aqueles dispêndios em bens e serviços que produzirão efeito ao longo de diversos ciclos produtivos. Tais desembolsos ocorrem, no mais das vezes, em obras ou bens permanentes, hipótese em que devem, pela própria contabilidade, ser ativados. Deles apenas as correspondentes despesas de depreciação ou amortização podem ser deduzidas como créditos, mas apenas nas restritivas condições demarcadas pela própria norma legal específica. (...)Vale, por fim, o registro de que a própria lei expressamente autorizou o direito de crédito com relação a algumas despesas que ocorrem após o fim do processo (frete do produto final, armazenagem) ou relativas a gastos que beneficiam mais de um ciclo produtivo (depreciações e amortizações). Sua inclusão explícita confirma que em tais casos de insumos propriamente não se trata, sendo imprescindível a expressa referência no texto legal. Pela leitura dos excertos, podese observar que o conceito de insumos exige o consumo de bens ou serviços no contexto do processo produtivo, excluindose, de tal conceito, as despesas que não tenham pertinência com o processo produtivo salvo exceções legais explícitas. Em que pese o conceito de insumo sustentado pela corrente majoritária do CARF, há que se assinalar que tal matéria foi levada ao poder judiciário e, em decisão recente, o Superior Tribunal de Justiça, sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentou que o conceito de insumos no âmbito das contribuições nãocumulativas deve se pautar pelos critérios da essencialidade e relevância dos gastos em face à atividade econômica desenvolvida pela empresa. Eis a ementa da decisão: Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10925.002179/201041 Acórdão n.º 3003000.059 S3C0T3 Fl. 7 6 TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (Resp n.º 1.221.170 PR (2010/02091150), Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho). Do julgamento acima, restou decidido que o conceito de insumos, no âmbito do regime nãocumulativo, abarca todos os bens e serviços empregados no processo produtivo ou de prestação de serviços e que sejam essenciais ou relevantes à atividade econômica da empresa, afastandose, desse modo, aquele conceito restritivo de insumos enunciado pelas IN´s nº 247/2002 e 404/2004. Observase, portanto, que o STJ assimilou uma concepção de insumos que é intermediária, distinta daquelas albergadas pela legislação do IPI e do Imposto de Renda. Filiome ao conceito de insumos acima esposado, afastandome, desse modo, daquelas correntes que entendem como aplicável, no âmbito das contribuições não cumulativas, o conceito de insumos restritivo previsto na legislação do IPI ou o conceito de insumos ampliativo do Imposto de Renda. Da posição firmada pelo STJ, em especial da leitura de seu voto condutor, exsurge, de forma clara, a necessidade de aferição casuística da aplicação do conceito de insumos a determinado gasto, tendo sempre em vista a atividade desempenhada pelo contribuinte. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10925.002179/201041 Acórdão n.º 3003000.059 S3C0T3 Fl. 8 7 Em outras palavras, saber se determinado dispêndio integra o conceito de insumos para fins de direito creditório no regime das contribuições nãocumulativas passa pela análise de sua essencialidade ou relevância em face das particularidades da atividade que determinada empresa desempenha. Nesse contexto, a instrução probatória ganha sensível importância, pois, em cada caso e para cada despesa, deverão ser demonstradas a relevância e a essencialidade dos gastos para atividade empresarial desenvolvida. Em cada caso concreto, a subsunção de um determinado gasto ao conceito de insumos deverá ser pautada pela análise da sua essencialidade e/ou relevância para a atividade produtiva ou de prestação de serviços, levandose em consideração a natureza da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Passo à análise das glosas. II Da glosa dos créditos atinentes a despesas com embalagens No caso concreto, constatase que o colegiado a quo sustentou a glosa de despesas com material de embalagem, pois, segundo seu entendimento, construído a partir da interpretação das IN´s nº 247/2002 e 404/2004, as embalagens para transporte não dão direito a créditos no regime nãocumulativo: a decisão recorrida adota a distinção entre embalagens de transporte e embalagens de representação. No tocante ao creditamento das despesas com embalagens, cabe lembrar que a 3ª. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu sobre tal matéria recentemente, tendo assumido o conceito de insumos esposado na decisão do STJ acima exposta, exarando o Acórdão nº. 9303006.068, cujos excertos importantes para a presente análise, extraídos do voto condutor do Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, estão a seguir transcritos (grifamos algumas partes): A Contribuinte é pessoa jurídica que, nos termos do art. 2º do seu Estatuto Social (fls. 41 a 63), exerce atividade econômica na área de alimentos e tem por objetivos sociais: Art. 2º A Sociedade objetiva, com base na colaboração recíproca a que se obrigam seus associados, promover: I o estímulo, o desenvolvimento e a defesa de suas atividades econômicas de caráter comum; II A importação, a exportação, a industrialização e a comercialização em comum de sua produção agrícola, produção animal em geral, pecuária e de hortifrutigranjeiros, industrializada ou em espécie, tais como carnes, ovos, peixes, frutas, cereais, verduras, legumes, gorduras, condimentos em geral; café e ervas para infusão, laticínios, margarinas e derivados de soja, massas alimentícias, farinhas e fermentos em geral; doces, pós para fabricação de doces, açúcar e adoçantes em geral, bebidas alcoólicas e não alcoólicas, xaropes e sucos em geral; animais vivos e ovos para incubação; alimentos para animais; plantas e flores naturais, etc, nos mercados locais, nacionais ou internacionais; Em razão de sua atividade econômica, sujeitase a controles e exigências de diversos órgãos públicos, exemplificativamente: Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA, Ministério da Agricultura, Serviço de Inspeção Federal, Ministério da Saúde. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10925.002179/201041 Acórdão n.º 3003000.059 S3C0T3 Fl. 9 8 Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. No que concerne às embalagens utilizadas para transporte no processo produtivo da Contribuinte, uma vez essenciais, pertinentes e relevantes para obtenção do produto final, há de se considerarem as mesmas como insumos. As embalagens são realmente necessárias à armazenagem/conservação do produto nas diversas fases do processo produtivo. Considerandose a atividade própria da Contribuinte, temse que os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matériasprimas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, também devem ser considerados como insumos. Para atendimento das exigências sanitárias impostas pelos órgãos públicos responsáveis pelo controle e fiscalização, na movimentação e na armazenagem das matériasprimas e dos bens a serem utilizados na fabricação do produto final, e dos produtos finais em si, não pode haver contato com o chão, justamente para se evitar a contaminação por microorganismos, constituindose em mais uma das razões pelas quais é imprescindível a utilização dos “pallets” na cadeia produtiva. Levandose em conta a significativa quantidade de matériasprimas e produtos que serão empregados no processo produtivo e que precisam ser armazenados e transportados no ambiente fabril, é indispensável à Contribuinte utilizarse de mecanismos e ferramentas que, além de garantirem a observância das normas de higiene e limpeza, impostas pela ANVISA, otimizem o seu processo produtivo. Há de ser destacada, nesse aspecto, a desnecessidade do consumo do produto em contato direto com o bem produzido, admitindose o emprego indireto no processo de produção para caracterizarse determinado bem como insumo. Assim, os pallets guardam nítida relação de pertinência, relevância e essencialidade com a atividade produtiva do Sujeito Passivo, constituindose em insumos do processo produtivo e da fase de comercialização passíveis de creditamento de PIS e COFINS nãocumulativos. (...)Há, ainda, de se examinar a caracterização dos materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo “stretch” – como insumos passíveis de gerar crédito de PIS/Pasep. Na linha relacional traçada no presente voto, considerandose que as mercadorias para serem devidamente armazenadas e transportadas após a produção, até chegarem ao consumidor final, exigem a utilização do plástico de coberto e do filme plástico do tipo “stretch”, é nítida a relação de pertinência, relevância e essencialidade com o processo produtivo, sendo imprescindível o seu reconhecimento como insumo. Por fim, cumpre consignar que os itens, analisados no presente recurso especial, são empregados na “palletização” dos produtos a serem estocados e transportados pela Contribuinte, procedimento indispensável à correta armazenagem dos produtos face ao tamanho reduzido das embalagens individuais e, mais ainda, ao atendimento de exigências das normas de controle sanitário da área de alimentos, consoante Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326/1997. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10925.002179/201041 Acórdão n.º 3003000.059 S3C0T3 Fl. 10 9 Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, mantendose o reconhecimento ao direito creditório da Contribuinte. " Adoto os fundamentos e razões de decidir acima expostos, harmônicos com o conceito de insumos consubstanciado na decisão do STJ (Resp n.º 1.221.170 PR), afastando me, dessa maneira, do entendimento assumido na decisão recorrida, o qual está fincado em atos normativos superados. Analisando o caso concreto, e tendo em mente a atividade desenvolvida pela recorrente produção e comercialização de frutas, verificase que os materiais de embalagem utilizados pela recorrente são essenciais para a conservação e integridade de seus produtos. Dos autos, observase que a própria fiscalização reconheceu a essencialidade dos materiais de embalagens à garantia da integridade dos produtos da recorrente (fl. 21). Pois bem. Diante dessas considerações, há que se reconhecer que os materiais de embalagem utilizados pela recorrente na conservação, armazenagem e preservação da integridade de seus produtos devem integrar o conceito de insumos, de maneira que deve ser afastada a glosa das respectivas despesas. III Da glosa dos créditos atinentes a despesas com fretes Quanto aos créditos das despesas com fretes, observase que houve glosa de créditos em virtude da ausência de documentos que comprovassem que os respectivos fretes eram decorrentes de operações de venda. Ou seja, no caso dos autos, o afastamento dos supostos créditos das despesas com fretes não se deu por questão de direito, mas pela ausência de provas. A recorrente argumenta que não haveria necessidade de comprovação das referidas despesas, pois "se a operação gera direito ao crédito, por conseguinte, seu transporte também". Neste ponto, não assiste razão à recorrente. Analisando os autos, observase que, de fato, a recorrente não apresentou, nas fases de impugnação e de recurso voluntário, documentos que pudessem demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado, sobretudo para confirmar que os supostos fretes realmente se tratavam de fretes nas operações de venda, os quais são passíveis de creditamento. Não basta a alegação de um direito em tese. Fazse necessário que as alegações da recorrente sejam embasadas em escrituração contábilfiscal e documentação hábil e idônea que a lastreie. Incumbe à recorrente o ônus de comprovar, por provas hábeis e idôneas, o crédito alegado. É o que estabelece o Código de Processo Civil, em seu art. 373: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Tal é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10925.002179/201041 Acórdão n.º 3003000.059 S3C0T3 Fl. 11 10 atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Assim, no caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção de provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...)III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...)§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Não há, nos autos, provas que demonstrem a natureza e os valores concernentes às despesas de fretes glosadas. Para fazer jus ao crédito pleiteado, a recorrente deveria ter apresentado documentos hábeis e idôneos para comprovar a natureza e extensão dos gastos com fretes, demonstrando, em especial, se aqueles dispêndios são realmente atinentes a operações de venda. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo o direito creditório sobre os materiais de embalagem utilizados pela recorrente na conservação, armazenagem e preservação da integridade de seus produtos. Vinícius Guimarães Relator Fl. 107DF CARF MF
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