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Numero do processo: 10880.917123/2013-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2013
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO
É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório.
ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO.
É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.366
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente em exercício e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2013 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO. É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente em exercício e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2013 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO. É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 71 23 /2 01 3- 08 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.917123/201308 Acórdão n.º 3302006.366 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de homologação apenas parcial da compensação declarada, pelo fato de que os pagamentos informados já haviam sido parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não trouxe aos autos qualquer alegação de mérito ou qualquer documento que pudesse corroborar o seu alegado direito ao crédito, limitandose a alegar a nulidade da decisão, sob o argumento de ausência de fundamentação. Questionou o então Manifestante a validade da decisão eletrônica, não submetida ao crivo de um Auditor Fiscal, e discorreu acerca do instituto da nulidade dos atos administrativos, trazendo aos autos farta doutrina e jurisprudência. Pugnou, também, pela posterior produção de provas, considerando a ausência de motivação da decisão a impossibilitar o conhecimento prévio da prova a ser produzida. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1451.415, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, declarando a validade do Despacho Decisório, sob o argumento de que o documento, ainda que eletrônico, possuía todos os elementos legalmente exigidos, proferido por autoridade competente e motivado pela verificação dos valores objeto de outras declarações. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.361, de 13/12/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.917118/201397, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.361): Sinteticamente, a Recorrente questiona a validade do Despacho Decisório por meio do qual foi denegado o pedido de compensação de tributos, sob o argumento de que ele limitouse a afirmar. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.917123/201308 Acórdão n.º 3302006.366 S3C3T2 Fl. 4 3 "A análise do direito creditório está limitada ao "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, no valor de 1.248,99 Valor do crédito original reconhecido: 114,34 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante do exposto, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/05/2013. (...) Para detalhamento da compensação efetuada, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereçowww.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório". Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 1996. Art. 36 da IN RFB nº 900, de 2008." Em sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente não traz aos autos qualquer prova documental e para a dilação de sua entrega invoca o artigo 16, § 4º, a), do Dec. 70235 sob o argumento de que "... demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por força maior." eis que ao seu ver "... a autoridade administrativa quedouse inerte em expor os motivos pelos quais entendeu por não reconhecer o direito creditório e, por conseguinte, não homologar as compensações realizadas." Já no Recurso Voluntário também sustenta tratarse de um ato vinculado que, portanto, necessita ser realizado em conformidade com o ordenamento jurídico. Inicialmente, pela análise do Despacho Decisório é possível aferir que, data venia, ao contrário do que afirma a Recorrente, foi redigido de forma a permitir o exercício do devido processo legal, inclusive com expressa menção à legislação atinente e ao motivo do deferimento parcial. Este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião em que o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. O que não se pode admitir é que a Recorrente apresente alegações genéricas, sob o argumento de que não compreendeu o perfeito sentido e alcance do Despacho Decisório. Em relação à interpretação do artigo 16 do Dec. 70.235, vale destacar que ele permite a ulterior apresentação de provas em caso de força maior, e não a posterior alegação de argumentos por incompreensão do Despacho Decisório. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.917123/201308 Acórdão n.º 3302006.366 S3C3T2 Fl. 5 4 Quanto aos elementos essenciais ao ato administrativo, temse que encontramse presentes todos eles, quais sejam a autoridade competente, motivo, finalidade, objeto e forma. Especificamente no que diz respeito à motivação, a própria Recorrente reconhece que o ato foi motivado pela verificação da inexistência de crédito disponível a ser aproveitado, apresentando cálculos, cabendo a ela, interessada na compensação do crédito, demonstrar a existência do referido crédito, com documentação idônea. No caso concreto a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação ou qualquer indício de crédito, limitandose a afirmar que não lhe foi indicado quais teriam sido os pagamentos localizados, eis que lhe foi informado haver "... um ou mais pagamentos..." Desta forma, diante do fato de que o Contribuinte, ora Recorrente, não se desincumbiu do seu ônus processual de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito, não havendo trazido aos autos qualquer documento, indício ou mesmo argumento de liquidez e certeza de seu crédito, e não vislumbrando qualquer ilegalidade no despacho por tratarse de não desincumbência do ônus de demonstrar a origem do direito, é de se negar provimento ao Recurso Voluntário. Por estes motivos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.911681/2009-77
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO CERTO.
De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária:
Numero da decisão: 3002-000.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade, e em rejeitar a preliminar suscitada. No mérito, acordam, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que lhe deu provimento parcial para fins de reconhecer o direito creditório, condicionado à confirmação do montante quando da execução do julgado. A conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões suscitou proposta de diligência, rejeitada pelos demais conselheiros.
(assinado digitalmente).
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente).
Alan Tavora Nem - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO CERTO. De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária:
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade, e em rejeitar a preliminar suscitada. No mérito, acordam, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que lhe deu provimento parcial para fins de reconhecer o direito creditório, condicionado à confirmação do montante quando da execução do julgado. A conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões suscitou proposta de diligência, rejeitada pelos demais conselheiros. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
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DIREITO LÍQUIDO CERTO. De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade, e em rejeitar a preliminar suscitada. No mérito, acordam, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que lhe deu provimento parcial para fins de reconhecer o direito creditório, condicionado à confirmação do montante quando da execução do julgado. A conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões suscitou proposta de diligência, rejeitada pelos demais conselheiros. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 91 16 81 /2 00 9- 77 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10120.911681/200977 Acórdão n.º 3002000.561 S3C0T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 42/46 dos autos: "Tratam os autos da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 15765.50486.200807.1.3.049792, transmitida eletronicamente em 20/8/2007, com base em créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: A partir das características do DARF foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Assim, em 7/10/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 22), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 16.232,82. Cientificado dessa decisão em 20/10/2009, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 16/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2 e 3, acrescida de documentação anexa. A contribuinte esclarece que os sistemas da Receita Federal teriam considerado as informações constantes na DCTF original e que, teria sido transmitida uma DCTF retificadora, que já constava nos sistemas “na data da auditoria”. Argumenta que o Dspacho Decisório deveria ser cancelado, uma vez que nos próprios sistemas da RFB a DCTF original já teria sido substituída pela DCTF retificadora. Apresenta, em síntese, os seguintes pontos de discordância: PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 30/9/2006 5856 39.678,14 13/10/2006 Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10120.911681/200977 Acórdão n.º 3002000.561 S3C0T2 Fl. 4 3 a) não foi levado em consideração a análise da DCTF retificadora que permanecia como atual na data da análise; b) não foi observado que a DCTF original já se encontrava cancelada no sistema da Receita Federal; c) o processamento da auditoria foi feito somente por meio eletrônico, não sendo analisado o caso fisicamente através dos documentos. Ao final, entendendo ter demonstrado a insubsistência e improcedência do indeferimento do pleito, requer que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade". Resumindo, o contribuinte em 20/08/2007 protocolou pedido de compensação em razão de suposto pagamento indevido de COFINS (15765.50486.200807.1.3.049792) (fls. 30/34) no valor de R$ 40.139,15. O contribuinte teve negado sua homologação em razão "das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." (fls. 22 Despacho Decisório). O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 02/03) requerendo em preliminar que "diante do fato exposto, solicitamos o cancelamento do despacho decisório nº 848534160, referente ao pedido de compensação através da PER/DCOMP supracitada, uma vez que com nova apreciação da auditoria fiscal, levando cm consideração os dados constantes na DCTF RETIFICADORA. demonstra claramente a existência do crédito compensado" e no mérito "de acordo com a os Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 4 da Lei 9.430 de 27 de dezembro de 1996. os valores pagos indevidamente ou a maior, torna objeto de compensação por parte do contribuinte, uma vez demonstrado claramente, através dos demonstrativos (DCTF), respalda o direito do crédito". A DRJ/BSB proferiu o Acórdão nº 0349.263 (fls. 42/46) por meio do qual decidiu pela improcedência em relação às alegações na manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte, no mérito, não conheceu do direito creditório postulado, bem como deixou de homologar a compensação do pedido apresentado. O acórdão foi assim ementado: "APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10120.911681/200977 Acórdão n.º 3002000.561 S3C0T2 Fl. 5 4 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente." Cientificado da decisão, o contribuinte, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 55/62) requerendo a reforma do Acórdão recorrido, tendo em vista: a) a nulidade da decisão, concluindo que "não é lícito à autoridade fiscal desconsiderar o crédito fiscal que tem como origem apuração de pagamentos indevidos devidamente escriturados/fundamentados ao singelo argumento de falta de idônea comprovação". É o relatório Voto Conselheiro Alan Tavora Nem Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A discussão em análise consiste em saber se o contribuinte em razão de suposto pagamento indevido ou a maior de COFINS tinha ou não crédito para realizar compensação com tributo da mesma espécie. Preliminar Nulidade Importante ressaltar que no processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, que não prevê a hipótese em comento, in verbis: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10120.911681/200977 Acórdão n.º 3002000.561 S3C0T2 Fl. 6 5 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir lhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 1993.). Sendo assim, ao meu ver, não assiste razão o contribuinte em sua alegação de nulidade alegando que a "decisão imotivada é decisão nula, viciada em sua forma, nulidade que consiste "na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato" (Art. 2°, parágrafo único, „b" da Lei no 4.717/65, que regula a Ação Popular)". Dessa forma, rejeito a preliminar apresentada pelo contribuinte. Mérito Ventiladas as considerações preliminares, passo à analise do tema em si. O Acórdão da DRJ aduz que "para comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração". Sendo assim, o contribuinte deixou de apresentar nos autos a prova dos fatos alegados. Importante esclarecer que, o ônus da prova quanto à existência do crédito no caso de pedido de compensação é do contribuinte. Dispõe o art. 373 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, que o ônus da prova incumbe ao autor (no caso em tela ao contribuinte que iniciou o processo de compensação), quanto ao fato constitutivo do seu direito (correspondente à comprovação do direito ao crédito tributário que pretende ter reconhecido para fins de homologação da compensação). É o que se infere da transcrição a seguir: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Portanto, como é condição indispensável para a homologação da compensação pretendida, que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública seja líquido e certo, é evidente a indispensabilidade da demonstração da liquidez e certeza do suposto crédito restituendo (origem e quantificação) que, como demonstrado e expressamente dispõe o art. 373, I da lei adjetiva (aplicável subsidiariamente ao PAF), incumbe ao autor do PER, assim como as respectivas retificações dos auto lançamentos e dos respectivos registros fiscais (DCTF, Dacon etc), razões pelas quais, entendo que não merece reparo a decisão recorrida, cuja fundamentação se baseia na inexistência do suposto crédito exatamente pela ausência da demonstração ou comprovação do direito creditório alegado. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10120.911681/200977 Acórdão n.º 3002000.561 S3C0T2 Fl. 7 6 Princípio da Razoabilidade Quanto ao afastamento da legislação aplicada por ferimento ao Princípio da Razoabilidade, deixo de apreciar, em razão da Súmula nº 2, do CARF, que assim dispõe: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Pelo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Fl. 99DF CARF MF
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Numero do processo: 18490.720142/2015-72
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. SEM NOVOS ARGUMENTOS OU PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO.
A verificação da liquidez e a certeza do crédito são indispensáveis para a homologação da Declaração de Compensação. A Ausência desses requisitos impede a compensação. Cabe ao contribuinte produzir provas de liquidez e certeza do crédito.
Numero da decisão: 1003-000.368
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. SEM NOVOS ARGUMENTOS OU PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. A verificação da liquidez e a certeza do crédito são indispensáveis para a homologação da Declaração de Compensação. A Ausência desses requisitos impede a compensação. Cabe ao contribuinte produzir provas de liquidez e certeza do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 49 0. 72 01 42 /2 01 5- 72 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 18490.720142/201572 Acórdão n.º 1003000.368 S1C0T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1152.792, de 29 de abril de 2016, da 4ª Turma da DRJ/REC, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não reconhecendo o direito creditório. A Recorrente apresentou pedido de compensação, PER/DCOMP inicial nº 32222.20418.170510.1.3.049827, PER/DCOMP nºs 15675.55279.170610.1.3.040141 e 14635.57308.210610.1.3.040003, em razão de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior oriundo da CSLL paga por estimativa, código 2484. O crédito informado, no valor original na data da transmissão de R$ 5.227,84, seria decorrente de pagamento indevido relativo ao DARF de valor R$ 5.964,59, recolhido em 23/10/2009. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico nº 225, de 02/04/2015, às fls. 19 e 20, a Autoridade Competente decidiu não homologar a compensação fundamentando o seguinte: O presente processo trata da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 32222.20418.170510.1.3.049827 (fls. 02/06), que solicita crédito proveniente de Pagamento Indevido ou a Maior, efetuado sob o código de receita 2484, período de apuração 08/08/1980, discriminado à fl. 04; e das DCOMPs nos 15675.55279.170610.1.3.040141 e 14635.57308.210610.1.3.04 0003(fls. 07/14), vinculadas à DCOMP nº 32222.20418.170510.1.3.049827. À fl. 15, constatase que a partir das características do DARF discriminado na DCOMP nº 32222.20418.170510.1.3.049827, foi localizado o pagamento, mas integralmente utilizado para amortização de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados nas DCOMPs, (...): Diante do exposto, com base nas informações e documentos constantes deste processo e no uso da competência estabelecida pelo art. 302, inciso VI, da Portaria MF nº 203/2012, DOU de 17/5/2012, c/c a delegação prevista no art. 3°, III da Portaria DRF/BEL nº 107/2012, DOU de 22/8/2012 resolvo: a) NÃO RECONHECER o direito creditório solicitado mediante a DCOMP nº 32222.20418.170510.1.3.049827, correspondente a pagamento indevido ou a maior, código de receita 2484, período de apuração 08/08/1980, no valor original de R$ 5.227,84, por inexistência de crédito; b) NÃO HOMOLOGAR as compensações pretendidas nas DCOMPs nos 32222.20418.170510.1.3.049827, 15675.55279.170610.1.3.040141 e 14635.57308.210610.1.3.04 0003; c) DETERMINAR A COBRANÇA dos débitos confessados nas DCOMPs acima mencionadas, uma vez que a DCOMP constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para Fl. 105DF CARF MF Processo nº 18490.720142/201572 Acórdão n.º 1003000.368 S1C0T3 Fl. 4 3 cobrança dos débitos nela declarados, nos termos do art. 74, § 6º da Lei nº 9.430/1996. A contribuinte apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade e defendeu o seguinte: (i) que a empresa apurou CSLEstimativa (2484), referente ao mês de Agosto/2004, no valor original de R$ 5.227,84. Informa que, devido ao parcelamento PEPAR (processo 1028090129553) e posteriormente sendo quitado pela Lei nº 11.941/2009, no dia 22/10/2009, via DARF, no valor de R$ 5.964,59, sendo esse pagamento indevido compensado através do PER/DCOMP nº 32222.20418.170510.1.3.049827; 15675.55279.170610.1.3.04 0141 e 14635.57308.210610.1.3.040003; (ii) pelo exposto, requereu a improcedência da cobrança e a homologação da compensação pleiteada. A DRJ/REC analisou a impugnação e julgou o pedido da Recorrente improcedente, nos moldes da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO EXISTENTE Comprovada a existência de direito creditório, referente a pagamento indevido ou a maior, é permitida a sua utilização na extinção de débitos mediante apresentação de Declaração de Compensação. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário que repetiu os argumentos e provas acostados na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. A Recorrente fundamenta seu recurso sob a alegação de que o crédito em análise foi gerado em razão de pagamento indevido, visto que a empresa apurou CSLL Estimativa, referente ao mês de agosto/2004, no valor de R$ 5.227,84. Contudo, afirma que Fl. 106DF CARF MF Processo nº 18490.720142/201572 Acórdão n.º 1003000.368 S1C0T3 Fl. 5 4 devido ao parcelamento PEPAR (processo 1028090129553) e posteriormente sendo quitado pela Lei nº 11.941/2009, no dia 22/10/2009, a Recorrente teria pago indevidamente, via DARF, o valor de R$ 5.964,59, sendo esse pagamento indevido compensado através do PER/DCOMP nº 32222.20418.170510.1.3.049827; 15675.55279.170610.1.3.040141 e 14635.57308.210610.1.3.040003. As PER/DCOMPs apresentadas pela Recorrente de nº 32222.20418.170510.1.3.049827 (original); 15675.55279.170610.1.3.040141 e 14635.57308.210610.1.3.040003 (fls. 2 a 14), informam ser o crédito originado a partir do DARF, CSLL, código de receita 2484, com vencimento em 30/10/2009, no valor de R$ 5.964,59. A Autoridade administrativa, ao analisar a liquidez e certeza do crédito, identificou, através do Despacho Decisório (fls. 19), que o DARF informado nos PER/DCOMPs como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débito do processo nº 10280.901.295/200853, não restando crédito disponível para compensação do débito informado nas DCOMPs. A DRJ, ao analisar as informações da manifestação de inconformidade e confrontar com as informações constantes nos sistemas da RFB, verificou o seguinte: a contribuinte apresentou, em 08/04/2008, a Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2005 –, relativa ao anocalendário de 2004, onde consta, no período de Agosto/2004, na FICHA 16 CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO MENSAL POR ESTIMATIVA , CSLL a pagar no valor apurado de R$ 8.342,99: a contribuinte apresentou, em 02/09/2008, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF Retificadora relativa a Agosto/2004, onde consta no período CSLL cód. 2484 no valor apurado de R$ 8.342,99, com saldo a pagar de R$ 5.227,85: Por essa razão, a contribuinte formalizou o Processo nº 10280.901295/200853 com pedido de parcelamento, por meio do qual quitou o débito de CSLL, cód. 2484, do período de apuração agosto/2004, no valor originário de R$ 5.227,84 (mesmo valor informado na DCTF), conforme telas abaixo. Verificase que tanto a Impugnante quanto a Autoridade Fiscal somente se referiram ao Processo nº 10280.901295/200853, sendo justamente nesse processo onde se encontra vinculado o DARF no valor de 5.964,59, recolhido em 23/10/2009. A Impugnante reconheceu a existência desse processo e não apresentou outros dados que supostamente caracterizassem pagamento em duplicidade de CSLL, cód. 2484, no período de apuração agosto/2004. Constatase, portanto, que a Autoridade Fiscal procedeu corretamente ao não reconhecer o direito creditório pleiteado. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 18490.720142/201572 Acórdão n.º 1003000.368 S1C0T3 Fl. 6 5 Assiste razão à DRJ. Não há nos autos informações ou provas que pudessem corroborar as alegações de pagamento em duplicidade realizado pela contribuinte. Pelas informações constantes no processo, o DARF está alocado no processo de nº 10280.901295/200853 e o parcelamento informado foi realizado para quitar o débito de CSLL do período. Não há outros documentos nos autos que suportem a alegação de pagamento em duplicidade. Ademais, todos os argumentos de defesa e as provas devem ser colacionadas na Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão do direito, nos moldes determinados pelo Decreto nº 70.235/1972, art.16. No presente caso, nem a manifestação de inconformidade nem o recurso voluntário esclarecem como foi realizado o pagamento em duplicidade e nem traz documentos que possam corroborar a tese ventilada nas defesas. A Lei nº 11.941/2009 alterou a legislação tributária federal relativa ao parcelamento ordinário de débitos tributários e concedeu remissão nos casos em que especificados na citada norma. A Recorrente, contudo, não informou se estava enquadrada nos requisitos da Lei, nem juntou qualquer documento que comprovasse ter havido a remissão no caso concreto, fato que também não foi identificado pelas autoridades administrativas que instruíram o processo. Isto posto, voto pela improcedência do recurso voluntário, mantendo a decisão da DRJ/REC. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.902042/2014-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
BENS PARA REVENDA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. CREDITAMENTO.
A aquisição de bens sujeitos à alíquota zero não dá direito a crédito das Contribuições não cumulativas sob qualquer título.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. PROVA
Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma não-cumulativa os gastos com serviços para os quais o contribuinte não comprova ou demonstra a aplicação em etapas essenciais ao processo produtivo.
CREDITAMENTO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. REQUISITOS. ÔNUS DA PROVA
A tomada de créditos calculados sobre as despesas de depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado está condicionada à sua utilização na produção de bens destinados à venda. É do contribuinte o ônus de comprovar o atendimento de tal requisito.
Numero da decisão: 3201-004.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo). Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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CREDITAMENTO Recorrente NORDISK TIMBER LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 BENS PARA REVENDA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. CREDITAMENTO. A aquisição de bens sujeitos à alíquota zero não dá direito a crédito das Contribuições não cumulativas sob qualquer título. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. PROVA Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma nãocumulativa os gastos com serviços para os quais o contribuinte não comprova ou demonstra a aplicação em etapas essenciais ao processo produtivo. CREDITAMENTO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. REQUISITOS. ÔNUS DA PROVA A tomada de créditos calculados sobre as despesas de depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado está condicionada à sua utilização na produção de bens destinados à venda. É do contribuinte o ônus de comprovar o atendimento de tal requisito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 20 42 /2 01 4- 45 Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10280.902042/201445 Acórdão n.º 3201004.481 S3C2T1 Fl. 175 2 (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo). Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em sede de Manifestação de Inconformidade, o qual está consignado nos seguintes termos: "Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório (fl. 20) relativo ao Pedido de RessarcimentoPER nº 09065.01040.201210.1.1.088065. Referido Despacho informa que com base nas informações relacionadas no pedido de ressarcimento não há direito ao crédito pleiteado e que em razão disto não foram homologadas as compensações apresentadas nas DCOMP nºs 21027.04952.110411.1.3.080109 14441.70055.150411.1.3.08 6607 42019.41603.200411.1.3.082106. A Delegacia da Receita Federal em Belém, em 16/09/2014 emitiu o Parecer SEORT nº 807 (fls. 55 a 63) onde analisou pedido de ressarcimento apresentado pelo contribuinte através do PER/DCOMP nº 09065.01040.201210.1.1.088065, no montante de R$ 151.279,86. Após várias intimações e análise da documentação apresentada, efetuou a glosa de notas fiscais, informando que: • A aquisição de madeira para fins específico de exportação não gera direito ao crédito pretendido, conforme estabelecido pelos artigos da Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003; • Não há incidência da contribuição quando da aquisição de produtos com o fim específico de exportação, conforme o art. 5º, III, da Lei nº 10.637/2002, sendo vedada a apuração de créditos referentes às operações de exportação desses produtos, nos termos do art. 15, III da Lei nº 10.833/2003; • Para ser considerado insumo o bem ou serviço deve atuar diretamente sobre o produto em fabricação; • “Assim, foram glosados os bens/serviços que atuam indiretamente sobre o produto, bem como os bens e materiais de Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10280.902042/201445 Acórdão n.º 3201004.481 S3C2T1 Fl. 176 3 embalagem utilizados apenas para o transporte do bem produzido;” • Várias notas fiscais, relativas a encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado foram glosadas por estarem em desacordo com a definição prevista no art. 3º da lei 10.637/2002; • Após a reconstrução do DACON apresentado pelo contribuinte restou saldo a pagar de contribuição para o trimestre analisado, ao invés de direito creditório a ser ressarcido. Ciente do indeferimento seu pedido de ressarcimento, em 16/10/2014 (fl. 84), o contribuinte, em 14/11/2014, apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 85 a 94) alegando em síntese, que: • Preliminarmente, deve ser nulo o Despacho Decisório por ter deixado de observar o disposto no Decreto nº 70.235/72 e as demais disposições da legislação; • O Despacho Decisório, emitido após a fiscalização, indeferiu o pedido de ressarcimento bem como glosou o valor de R$ 151.279,86. Isso vem a ferir os preceitos legais do contribuinte uma vez que este cumpriu rigorosamente todos os procedimentos da legislação em vigente. DA GLOSA DO CRÉDITO BENS PARA REVENDA • a Lei 11.033 de 21 de Dezembro de 2004 em seu art 17, diz que “As vendas efetuadas com suspensão isenção, alíquota O (zero) não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor dos créditos vinculados a essas operações”. • “Então é razoável a afirmar que a diligencia fiscal que deu origem a glosa fiscal e suas justificativas não têm fundamentos, isto porque quando esta afirma que compra com fim especifico de exportação não gera credito por não haver a incidência da contribuição o dispositivo acima a luz da legislação diz que sim, no caso para o vendedor ou seja quem compra”. • Para as notas fiscais e seus devidos conhecimentos de frete com fim específico de exportação não se justifica a glosa, uma vez que a empresa beneficiava a madeira serrada comprada e a vendia no mercado externo na forma de deck, piso e madeiras aplanadas, tendo inclusive no seu pátio industrial maquinas para este tipo de serviço. Quando se fala em compra com fim especifico de exportação este não pode sofrer qualquer alteração ou modificação sendo inclusive colocado em local aduaneiro, o que não é o caso. • Ora, o fato de tal aquisição estar submetida à alíquota zero, não obsta que os contribuintes mantenham os créditos de todas as aquisições por eles efetuadas, como expressamente assegura o art. 17 da Lei 11.033/04. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10280.902042/201445 Acórdão n.º 3201004.481 S3C2T1 Fl. 177 4 DA GLOSA DO CRÉDITO DE BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS • a Lei n° 10.637/2002 em seus Art. 2º e 3º diz que do valor apurado a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes”. Por sua vez o § 4º do art. 8º da Instrução Normativa 404/2004, entende como insumos os bens utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, ou seja: “a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo Imobilizado”. • nosso entender é um pouco mais amplo, pois para se definir "insumos" um bem ou serviço tem que levar em consideração, todos os gastos que contribuíram para a consecução dos objetivos comercias deste, assim sendo é razoável afirmar que devemos afastar a idéia de que insumos é somente o que é aplicável diretamente e imediatamente, na utilização de um processo produtivo de um bem a ser comercializado. • o conceito que mais se aproxima para fins tributário da questão do "insumos" é o disposto no Art. 290 e 299 do RIR ( Decreto 3.000/1999). Um bem ou serviço tem que levar em consideração, todos os gastos que contribuíram para a consecução dos objetivos comercias deste, assim sendo é razoável afirmar que devemos afastar a idéia de que insumos é somente o que é aplicável diretamente e imediatamente, na utilização de um processo produtivo de um bem a ser comercializado. DA GLOSA DO CRÉDITO DE ENCARGOS COM DEPRECIAÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO • Discorda da fiscalização porque a Autoridade Fiscal é taxativa na sua interpretação legal, seguindo em tudo o disposto na Lei 10.637/2002 Art.2° e Art. 3o, parágrafo l°e inciso III, bem como a IN 404/2004 em seus Art.7° e Art. 8o Inciso III, letras a e b, que no entender da Fazenda Nacional deve estar ligada diretamente, a produção de um bem ou serviço. • a glosa fiscal do combatido despacho decisório foi sobre Equipamentos de informática, Moveis e Utensílios e Pallets, no entanto para fins de credito e dentro da celeridade jurídica, este bens fazem parte do processo produtivo, no caso em questão "madeira Serrada". • Com relação a equipamento de informática as Estufas e Silos eram controlados de uma sala próxima a estes maquinários e equipamentos via computadores, pois as estufas eram todas informatizadas, onde se controlava a temperaturas destas e o Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10280.902042/201445 Acórdão n.º 3201004.481 S3C2T1 Fl. 178 5 tempo de secagem da madeira ou seja totalmente programada, e a "depreciação" em questão, fazia parte do processo de produção da madeira. • Também há de se abraçar que os moveis e utensílios bem como as Palletts eram parte deste processo produtivo, uma vez que os moveis e utensílios faziam parte da sala de controle das estufas e silo, caso contrario o funcionário ficaria em pé uma vez que as estufas e silos rodavam 24 horas, com relação aos pallets podemos afirmar que este serviam de base para a madeira serrada , piso e deck sendo estes dois últimos , considerado produtos acabado. • Portanto concluímos que a glosa por parte do fisco não levou em consideração a forma de utilização destes bens na produção de um processo de um bem, neste caso madeira. QUANTO AO MÉRITO • o Despacho Decisório (eletrônico) fere o direito de ressarcimento e compensação, do contribuinte. Não há como sustentarse a pretensão do Despacho Decisório combatido diante do montante originalmente requerido e do montante reconhecido no Despacho Decisório ora impugnado. • A estes argumentos juntase o fato de que o não reconhecimento do crédito a que faz jus o contribuinte, pela não manutenção do Despacho Decisório combatido, nos moldes em que se apresenta, caracteriza inegável cerceamento do direito de credito do contribuinte. • Isso porque sem que se possa vislumbrar entre os motivos consignados no Despacho Decisório qualquer elemento (legal ou fático) que ampare a divergência que ocorre em detrimento do contribuinte. • não pode o Despacho Decisório, baseado em interpretações equivocada por parte da diligencia fiscal, alterar o montante apurado, especialmente em detrimento do contribuinte sem que seja ferido de morte o devido processo legal. Eis que em assim sendo incorreu aquele Despacho em afronta ao devido processo. • Ora, ao deixar de apontar e comprovar os dispositivos e motivos que levaram ao não reconhecimento de crédito diferente daquele apurado pelo contribuinte em sua ação o Despacho Decisório afrontou o devido processo legal colocando o contribuinte, ora Impugnante, em ilegal e inadmissível condição de ignorância quanto aos fatos que levaram ao indeferimento de parcela de sua direito liquido e certo. • Ao final requer que seja, já em sede de preliminar, considerado homologado o Pedido de Ressarcimento de 20/12/2010 de Pis não Cumulativo Exportação, referente ao 2° trimestre de 2007 com homologação do credito glosado, nos termos da legislação vigente no valor de R$ 151.279,86. Em Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10280.902042/201445 Acórdão n.º 3201004.481 S3C2T1 Fl. 179 6 sede de mérito seja considerado homologado o Pedido de Ressarcimento de Pis não Cumulativo Exportação de 20/12/2010, do 2o Trimestre de 2007 no valor de 151.279,86." A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente e a decisão apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. Somente podem ser considerados insumos, os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente no seu processo produtivo, não podendo ser interpretados como todo e qualquer bem ou serviço que gere despesas, mas tão somente os que efetivamente se relacionem com a atividadefim da empresa. CREDITAMENTO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. REQUISITOS. A tomada de créditos calculados sobre as despesas de depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado está condicionada à sua utilização na produção de bens destinados à venda. BENS PARA REVENDA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. CREDITAMENTO. A aquisição de bens sujeitos à alíquota zero não dá direito a crédito das Contribuições não cumulativas sob qualquer título. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) o crédito glosado é um direito do sujeito passivo que apurou crédito passível de restituição ou de ressarcimento, o qual pode ser utilizado em compensação; (ii) o Fisco possui 5 (cinco) anos da data da protocolização do pedido para a análise do direito creditório e posterior compensação com os débitos declarados pelo sujeito passivo, bem como o ressarcimento em espécie de eventual saldo apurado após a compensação; (iii) é empresa industrial que adquire madeira a industrializa e destina seus produtos para exportação, fazendo jus aos créditos pelas aquisições; (iv) o fato de as aquisições estarem submetidas à alíquota zero, não obsta que os contribuintes mantenham os créditos de todas as aquisições por eles efetuadas, como expressamente assegura o art 17 da Lei 11.033/2004; Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10280.902042/201445 Acórdão n.º 3201004.481 S3C2T1 Fl. 180 7 (v) que possui direito ao creditamento de bens utilizados como insumos em seu processo produtivo; (vi) o conceito de insumos para fins tributários é o previsto nos arts. 290 e 299 do RIR (Decreto 3000/99); (vii) cita jurisprudência favorável a sua tese; (viii) que a glosa se refere a material de embalagem e despesas de frete; (ix) possui direito ao crédito com depreciação do ativo imobilizado; (x) possui direito ao creditamento em relação a equipamentos de informática, pois as estufas e silos eram controlados por tais equipamentos (temperatura e tempo de secagem da madeira) e a "depreciação" fazia parte do processo de produção; (xi) os móveis, utensílios e pallets faziam parte do processo de produção; (xii) a quantificação do montante do crédito que ampara o contribuinte nos termos em que postos pelo Despacho Decisório guerreado está equivocada e não encontra fundamento fático para sustentála; (xiii) o despacho decisório incorreu em flagrante ilegalidade; e (xiv) foi ferido o devido processo legal. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator Para melhor compreensão das matérias em debate, passase a análise de acordo com os tópicos postos na peça recursal. Do crédito bens para revenda e do direito creditório não reconhecido O fundamento legal para a glosa efetuada pela fiscalização se encontra no art. 3º da Lei nº 10.637/2002: "Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10280.902042/201445 Acórdão n.º 3201004.481 S3C2T1 Fl. 181 8 serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição." Correta a decisão recorrida quando aduz que: "A planilha com as notas fiscais glosadas se referem a bens para revenda, (conforme arquivos digitais fls. 47 a 52). A leitura combinada dos arts. 3º e 5º, aplicados à questão específica dos autos, deixa claro que se não houve a incidência de PIS/PASEP quando da aquisição de madeira para fim específico de exportação e, se a sua saída também é isenta desta contribuição, não há direito ao crédito informado pelo contribuinte em seu DACON. Em síntese, se não houve o pagamento da contribuição na aquisição e a saída (exportação) do produto também era isenta, não há porque o contribuinte se creditar de um encargo que não sofreu. O creditamento pretendido pelo contribuinte equivale a um benefício fiscal que somente pode ser aplicado mediante Lei específica que o autorize." Este tem sido o entendimento do CARF: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CREDITAMENTO. PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. Não dá direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição." (Processo nº 13016.000092/200785; Acórdão nº 3803003.152; Relator Conselheiro Hélcio Lafetá Reis; sessão de 28/06/2012) Do voto condutor transcrevo: "Há a previsão de apuração de créditos somente em relação a bens e serviços sujeitos ao pagamento da contribuição. O art. 17 da Lei nº 11.033/2004 a que o Recorrente faz menção não se refere à apropriação de créditos nas aquisições de produtos isentos, submetidos à alíquota zero, vendidos com suspensão ou não tributados, mas à manutenção de créditos decorrentes da incidência da contribuição na etapa anterior do processo produtivo, do qual resulte produto não tributado." "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 (...) INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE DE GERAR CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10280.902042/201445 Acórdão n.º 3201004.481 S3C2T1 Fl. 182 9 A aquisição de insumos tributados à alíquota zero não gera direito a crédito da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do artigo 3º, §2º, inciso II das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003." (Processo nº 10909.720242/2009 90; Acórdão nº 3302002.471; Relator Conselheiro Gileno Gurjão Barreto; sessão de 26/02/2014) Do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, temse o seguinte precedente: "TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE.INSUMOS e bens adquiridos para venda à alíquota zero. impossibilidade. Por expressa disposição legal, não há direito a crédito pelo regime não cumulativo de PIS e COFINS, disciplinado nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 (artigo 3º, parágrafo 2º, inciso II), na hipótese de aquisição de insumos e bens para revenda à alíquota zero. Circunstância em que é inaplicável o artigo 17 da Lei 11.033/2004,por serrestrito ao REPORTO." (TRF4, AC 500129870.2013.4.04.7005, PRIMEIRA TURMA, Relator AMAURY CHAVES DE ATHAYDE, juntado aos autos em 29/07/2016) Do voto, ressalto: "Diante disso, a expressão 'não sujeitos ao pagamento dessas contribuições', abrange, obviamente, os produtos adquiridos tributados à alíquota zero, pois, nessa hipótese, também não há pagamento das referidas contribuições. (...) Todavia, se a mercadoria adquirida pela parte autora não sofreu a incidência do tributo, não há como admitir que tenha direito à apropriação de crédito algum. Se assim fosse, haveria duplo benefício não previsto em lei. Pelo regime da nãocumulatividade apenas é cabível o desconto do tributo efetivamente incidente nas operações anteriores. Ora, a isenção, a alíquota zero, a nãoincidência ou a suspensão da incidência não diferem na natureza, mas apenas na técnica legislativa. Estão todas no campo da nãoincidência em sentido lato, de modo que nenhuma delas gera crédito de PIS/COFINS, pelo simples fato de que nenhum tributo foi pago, cobrado, devido ou incidente. Logo, o reconhecimento do crédito pretendido acarretaria o enriquecimento ilícito da parte autora, na medida em que importaria em permissão para o aproveitamento de crédito inexistente. Sob o enfoque tributário, haveria benefício fiscal não previsto. E não há falar em incidência de contribuição com efeito 'cascata', pois, se não houve recolhimento da contribuição em operações anteriores, inexiste valor a ser creditado na operação seguinte. Inexiste superposição de incidência. Para existir direito a creditamento, é imprescindível que tenha havido cobrança e pagamento anteriores. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10280.902042/201445 Acórdão n.º 3201004.481 S3C2T1 Fl. 183 10 Em conclusão, inexiste previsão legal ou constitucional que ampare o pedido da autora, não havendo qualquer afronta aos princípios constitucionais da nãocumulatividade, da legalidade tributária, da segurança jurídica, da razoabilidade e da isonomia." Não é diferente o posicionamento do Tribunal Regional Federal da 5ª Região: PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. "TRIBUTÁRIO. COFINS E CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS. INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO AO CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA NÃOCUMULATIVIDADE. LEIS N.ºS 10.637/2002, 10.833/2003 E 10.865/2004. 1. Cuidase a espécie de mandado de segurança impetrado por Industria de Alimentos Bomgosto Ltda que atua na industrialização de produtos alimentícios, cujo desiderato precípuo é obter o reconhecimento do direito de creditarse das contribuições ao PIS e da COFINS em relação a aquisição de insumo adquirido a alíquota zero, utilizado na fabricação de produto tributado na saída. Para tanto, embasa sua pretensão no art. 15 da Lei n.º 10.865/2004 e no princípio da não cumulatividade. 2. O direito ao creditamento não é decorrência necessária do regime não cumulativo de um tributo. A não cumulatividade se expressa basicamente pela impossibilidade de o tributo incidente na etapa anterior de produção permanecer na base de cálculo da contribuição que será devida pelo próximo agente da cadeia produtiva, a fim de não permitir a oneração demasiada do produto final. De outra parte, o creditamento é um dos mecanismos contábeis utilizados para reverter o possível efeito de incidência em cascata quando as diversas operações são sujeitas a recolhimento efetivo dos tributos. Não é, porém, o único meio adotado pelo legislador para corrigir eventuais distorções. 3. Prova disso é precisamente a incidência monofásica da COFINS e da contribuição para o PIS. Com efeito, a partir do momento em que a tributação é concentrada em uma das etapas do mercado (produtor) e desoneradas as demais pela adoção de alíquota zero (distribuidores e revendedores), é evidente que as contribuições não decorreram de imposição cumulativa. Portanto, o preceito constitucional estaria atendido já por este raciocínio. 4. Ainda sob essa perspectiva, consolidouse o entendimento de que, nas hipóteses de desoneração (alíquota zero), o contribuinte somente pode escriturar o crédito de COFINS e de contribuição para o PIS não cumulativos quando a lei expressamente assegurar esse direito, dada a feição de benefício fiscal. (...) Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10280.902042/201445 Acórdão n.º 3201004.481 S3C2T1 Fl. 184 11 6. Assim, se a empresa comprou um insumo tributado na origem com alíquota zero, seu crédito de PIS e COFINS será zero, pois o fabricante do insumo não pagou nenhum imposto, não havendo, portanto, valores a serem compensados. Apelação desprovida." (PROCESSO: 00069904020124058300, DESEMBARGADOR FEDERAL MARCOS MAIRTON DA SILVA, Primeira Turma, JULGAMENTO: 23/01/2014, PUBLICAÇÃO: DJE Data::30/01/2014 Página::77) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso em referida matéria. Do crédito bens utilizados como insumos e do direito creditório não reconhecido No tópico em questão, em relação aos insumos que pretende o creditamento, limitase a Recorrente a afirmar o que segue: "Portanto, tanto material de embalagem como produto intermediário são considerados insumos, mas este julgador através de se acórdão, resolveu glosar as Notas Fiscais e seus devidos conhecimento de frete apresentados por este contribuinte, temse portanto, situação que deve seguir princípios basilares, como o devido processo legal, da legalidade, que é o princípio que norteiam o direito do contribuinte em fazer os devidos créditos, este princípio foi ignorado, como o devido respeito, no procedimento adotado por este julgador." A Recorrente não trouxe aos autos nenhum elemento probatório a confirmar que os gastos incorridos com insumos que pretende se creditar estão atrelados ao seu processo de produção, ou seja, se são necessários. Não trouxe, também, elementos para se confirmar que efetivamente se tratam de material de embalagem e fretes. Ademais, em nenhuma manifestação da Recorrente constam razões específicas pelas quais teria defendido de modo justificado que o material de embalagem e frete constituiriam insumos em sua atividade, havendo apenas a argumentação antes reproduzida, não sendo possível, com precisão, enquadrar tais itens como insumos. Assim, ante a ausência de prova não há como se deferir o pleito recursal em tal matéria. Sobre a necessidade de o contribuinte provar ou demonstrar que os insumos ou os serviços são aplicados em etapas essenciais no processo produtivo, esta Turma, por unanimidade de votos, recentemente assim decidiu: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 03/06/2008 Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10280.902042/201445 Acórdão n.º 3201004.481 S3C2T1 Fl. 185 12 (...) NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS. O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa. Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma nãocumulativa os gastos com serviços para os quais o contribuinte não comprova ou demonstra a aplicação em etapas essenciais ao processo produtivo." (Processo nº 10783.914097/201194; Acórdão nº 3201004.245; Relator Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira; sessão de 26/09/2018) Do voto do Conselheiro Relator Paulo Roberto Duarte Moreira, destaco: "Dessa forma, não comprovado pelo contribuinte a essencialidade dos serviços glosados em atividades produtivas da fabricação dos produtos destinados à venda, e tampouco se enquadrarem no conceito de insumos previsto nos dispositivos do art. 3º da Lei nº 10.8333/2003, não há permissivo para o creditamento." Ainda do CARF: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012PIS NÃOCUMULATIVIDADE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INSUMOS. CRÉDITOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E NECESSIDADE. legislação do PIS e da COFINS nãocumulativos estabelecem critérios próprios para a conceituação de “insumos” para fins de tomada de créditos, não se adotando os critérios do IPI e do IRPJ.“Insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS nãocumulativos é todo o custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda (critério da essencialidade), e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada segmento econômico. (...)" (destaque nosso) (Processo nº 19311.720352/201411; Acórdão nº 3401005.291; Relator Conselheiro André Henrique Lemos; sessão de 29/08/2018) Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10280.902042/201445 Acórdão n.º 3201004.481 S3C2T1 Fl. 186 13 "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 (...) NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. PROVA. DISPÊNDIOS COM MANUTENÇÃO DE SOFTWARE. Na apuração de COFINS nãocumulativa, a prova da existência do direito ao crédito pleiteado incumbe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração, deve a Fiscalização efetuar as glosas e lançar de ofício com os dados que se encontram ao seu alcance. Cabe ao contribuinte comprovar a existência de elemento modificativo ou extintivo da autuação, no caso, a legitimidade do crédito alegado em contraposição ao lançamento." (Processo nº 11080.015203/200759; Acórdão nº 3301004.982; Relatora Conselheira Semíramis de Oliveira Duro; sessão de 27/07/2018) Assim, ante os argumentos genéricos produzidos pela Recorrente, sem qualquer fundamentação específica e elemento probatório que justifique a tomada dos créditos, não há como se dar provimento ao Recurso em tal matéria. Do crédito de encargos com depreciação do ativo imobilizado e do direito creditório não reconhecido Consigna a Recorrente em seu recurso: "Se não vejamos, a glosa fiscal do combatido despacho decisório foi sobre Equipamentos de informática, Móveis e Utensílios e Pallets, no entanto para fins de crédito e dentro da celeridade jurídica, estes bens fazem parte do processo produtivo, no caso em questão "madeira serrada" Com relação a equipamento de informática as Estufas e Silos eram controlados de uma sala próxima a estes maquinários e equipamentos via computadores, pois as estufas eram todas informatizadas, onde se controlava a temperatura destas e o tempo de secagem da madeira ou seja totalmente programada, e a "depreciação" em questão, fazia parte do processo de produção da madeira. Também há de se abarcar que os móveis e utensílios bem como as Pallets eram parte deste processo produtivo, uma vez que os móveis e utensílios faziam parte da sala de controle das estufas e silo, que visava proporcionar um ambiente de trabalho digno e seguro a seus operadores uma vez que as estufas e silos rodavam 24 horas, com relação aos pallets podemos afirmar que estes serviam da base para a madeira serrada, piso e deck sendo estes dois últimos, considerados produtos acabados." Da decisão recorrida temse que: Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10280.902042/201445 Acórdão n.º 3201004.481 S3C2T1 Fl. 187 14 "Caso os equipamentos de informática tenham sido utilizados para manter as condições da estufa para beneficiamento da madeira a ser exportada, há a necessidade de fazer distinção entre equipamentos de informática utilizados nas unidades administrativas e os equipamentos utilizados na produção. Não houve tal distinção nem trouxe o contribuinte elementos que permitam concluir que tais equipamentos foram utilizados especificamente na produção de bens destinados à venda." Nos termos do inciso VI, do art. 3º, da Lei nº 10.637/2002, somente geram direito ao crédito os bens utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Vejamos: "Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços;" Novamente, entendo que a pretensão da Recorrente esbarra na ausência de prova do seu direito. Como visto, os argumentos tecidos, aliado à ausência de prova não são suficientes para prover o seu recurso, pois não atestado que os bens indicados foram utilizados na fabricação dos produtos destinados à venda. O CARF entende que somente geram crédito as máquinas e equipamentos, incorporados ao ativo imobilizado, utilizados na fabricação dos produtos destinados à venda sendo do contribuinte o ônus de comprovar o atendimento de tal requisito. Neste sentido: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 (...) ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. FALTA DE PROVAS DA UTILIZAÇÃO DIRETA NO PROCESSO PRODUTIVO E DA AQUISIÇÃO NO PAÍS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Somente geram crédito as máquinas e equipamentos, incorporados ao ativo imobilizado, utilizados na fabricação dos produtos destinados à venda e, se e somente se, forem adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País. É do contribuinte o ônus de comprovar o atendimento de tais requisitos." (Processo nº 13502.000431/200580; Acórdão nº 3002000.374; Relator Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves; sessão de 14/08/2018) Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10280.902042/201445 Acórdão n.º 3201004.481 S3C2T1 Fl. 188 15 Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 188DF CARF MF
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Numero do processo: 13707.001953/2003-31
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1998
PAGAMENTO A MENOR DE CSLL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE PROVAS A CORROBORAR O RECHAÇO AO AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO.
Para que se rechace o Auto de Infração, lavrado em função de elementos probatórios não apresentados pelo Contribuinte, torna-se mister a apresentação de elementos suficientes a apontar o equívoco da Autoridade Fiscal. Alegações genéricas de quitação desacompanhadas de seus respectivos comprovantes não são suficientes para mitigar a autuação.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO.
Havendo transcurso do lustro quinquenal, torna-se inafastável o reconhecimento da decadência e mister o reconhecimento da homologação tácita do crédito tributário
RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO.
Advindo lei posterior na qual se exonera a punibilidade do Contribuinte, faz-se mister seu reconhecimento de ofício.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 1002-000.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer a decadência para os fatos geradores ocorridos até agosto de 1998 e exonerar a multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE PROVAS A CORROBORAR O RECHAÇO AO AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO. Para que se rechace o Auto de Infração, lavrado em função de elementos probatórios não apresentados pelo Contribuinte, tornase mister a apresentação de elementos suficientes a apontar o equívoco da Autoridade Fiscal. Alegações genéricas de quitação desacompanhadas de seus respectivos comprovantes não são suficientes para mitigar a autuação. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. Havendo transcurso do lustro quinquenal, tornase inafastável o reconhecimento da decadência e mister o reconhecimento da homologação tácita do crédito tributário RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. Advindo lei posterior na qual se exonera a punibilidade do Contribuinte, faz se mister seu reconhecimento de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 7. 00 19 53 /2 00 3- 31 Fl. 183DF CARF MF 2 reconhecer a decadência para os fatos geradores ocorridos até agosto de 1998 e exonerar a multa de ofício. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 134 e 175) interposto contra o Acórdão n° 1284.022, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (efls. 127 à 229), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente em parte a Impugnação, tocante à exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, convalidando parcialmente as alocações efetuadas pela DRF de origem quanto aos débitos dos 3 primeiros trimestres de 1998, mantendo, ainda, a multa, remanescendo o crédito tributário referente ao pagamento não encontrado de R$ 5.550,55, com os respectivos acréscimos da multa de ofício e juros de mora lançados. Na exordial defensiva, o Contribuinte alega essencialmente o que segue, verbis: · Em 18/11/1998 retificou as DCTF(s) do 1º, 2º e 3º trimestres de 1998, modificando o regime de apuração da CSLL do Lucro Presumido para o regime do Lucro Real (procedimento admitido para o anocalendário de 1998), conforme o processo nº 13707.002470/9871, cópia em anexo, convertendo, assim, os códigos 2372 para 6012; · Em 28/08/1999 encontrou divergências, em favor do fisco, nas DCTF(s) retificadoras, cujas informações sobre a CSLL ficaram omissas; · Em consulta ao CAC – Madureira foi informada para juntar as novas DCTF(s) retificadoras ao processo supradito, para sem processadas de forma correta; · Assim, foram feitas as reretificações das DCTF(s) dos 2º e 3º trimestres de 1998, incluindo se, na mesma remessa, a retificação da DCTF do 4º trimestre, conforme demonstrativo, que se reproduz abaixo: Fl. 184DF CARF MF Processo nº 13707.001953/200331 Acórdão n.º 1002000.519 S1C0T2 Fl. 184 3 · O processo de retificação, de acordo com os sistemas da SRF, encontrase sob análise, cópia anexa, motivo das divergências das DCTF(s) originais informadas e a sua real situação; · Destarte, face as informações prestadas solicitamos a deferência da impugnação Em sequência, a DRFB – RJ II, em análise do pedido da interessada em sua impugnação apresentou o RECÁLCULO de efls.124 e 125 , do auto de infração nº 0031063, emitindo o seguinte parecer: O Lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior (art. 149, VIII, CTN). 1. Trata o presente processo de Auto de Infração nº 0031063 (fls.04 a 17), lavrado contra o contribuinte acima identificado, em decorrência de “inexatidão / falta de recolhimento” de valores declarados por meio de DCTF, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal. 2. Cientificado do lançamento e não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01 e 02, apresentando pagamentos. 3. Da análise da documentação apresentada, verificase a existência de pagamentos, referentes aos débitos constantes do Anexo III, que foram utilizados (alocados), resultando na quitação PARCIAL dos créditos tributários referentes aos Períodos de Apuração 01/97, 02/97, 03/97, 04/97, conforme Demonstrativo do Recálculo (fls. 118 a 121). 4. Quanto ao saldo remanescente, havendo pendência de julgamento para a impugnação de fls. 01 a 04, que não pode ser apreciada em sede de revisão de lançamento, deverá ser apreciado pela DRJ. 5. Diante do exposto nos termos dos artigos 145, inciso III, e 149, inciso VIII, ambos da lei 5.172/66 (CTN), PROPONHO o cancelamento dos créditos tributários improcedentes constantes dos demonstrativos de fls. 118 a 121 e posterior encaminhamento à DRJ. (...) Fl. 185DF CARF MF 4 6. De acordo. Diante do acima exposto, nos termos dos artigos 145, inciso III, e 149, inciso VIII, ambos da lei 5.172/66 (CTN), REVEJO o lançamento e determino o CANCELAMENTO dos créditos tributários considerados improcedentes. Encaminhese à DRJ, para apreciação. Tais aspectos pela DRFB – RJ II foram devidamente considerados no teor do Acórdão da DRJ, conforme se lê à efl. 129: (...) DO MÉRITO DAS CONSIDERAÇÕES INICIAIS Tratase de auto de infração com origem em auditoria interna de DCTF, onde foram detectadas inconsistências nos quatro trimestres do anocalendário de 1998 quanto aos valores declarados e recolhidos. A interessada, em sua peça de defesa de fls.03/04, assevera ter retificado as DCTF(s) do 1º, 2º e 3º trimestres de 1998, modificando o regime de apuração da CSLL do Lucro Presumido para o regime do Lucro Real, adianta que tal procedimento era admitido à época, conforme o processo nº 13707.002470/9871, cópia em anexo. A posteriori, tendo encontrado divergências nas DCTF(s), procedeu à reretificação dos 2º e 3º trimestres, aproveitando o ensejo para retificar, também, o 4º trimestre de 1998. Alega, outrossim, que o processo, em questão, encontrase sob análise, daí originando a divergência das DCTF(s). O trabalho de revisão fiscal levado a efeito pela DRFB – RJ II, em recálculo do crédito tributário, se manifestou, informando que os pagamentos por meio de DARF, do 1º, 2º 3º e 4º trimestres foram alocados, quitando, de forma parcial, os débitos do período (fls.30/32). Quanto às compensações com Darf (fls.60/115), igualmente, não lograram elidir a totalidade dos créditos tributários imputados no auto de infração, em apreço, resultando, em ambas situações, em um saldo remanescente que se encontra resumido em recálculos de fls.118/121. DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS Do exposto, entendo que o parecer exarado pela DRFB – RJ II deva ser ratificado, no intuito de ser expurgado do cômputo total do auto de infração nº 0031063, de fl.06/17, cujo valor Principal da Contribuição é de R$ 6.780,28, os valores comprovados de R$ 456,19 + R$ 770,54 = R$ 1.229,73, resultando no saldo remanescente de R$ 5.550,55 (fl.121). DA CONCLUSÃO Dessa forma, DECIDO pela MANUTENÇÃO do débito remanescente de R$ 5.550,55, uma vez que a interessada não logrou elidilo, sobre os quais deverão incidir a multa de ofício de 75% e os juros moratórios cabíveis. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 13707.001953/200331 Acórdão n.º 1002000.519 S1C0T2 Fl. 185 5 Já em sede de Recurso Voluntário, o Recorrente acrescenta novos argumentos em longa peça, pelo que cumpre transcrevêlos em parte: Preliminares Conforme já pronunciado anteriormente por esse contribuinte, não houve ausência ou insuficiência de quaisquer pagamentos à RFB, nem no tocante à CSLL nem ao IRPJ, ou qualquer outro tributo declarado em DCTF. Na verdade, DOUTO JULGADOR, é incompreensível a manutenção, pela RFB desta cobrança POR UM SIMPLES MOTIVO: AS DCTF´S RETIFICADORAS NÃO FORAM USADAS PARA A AUDITORIA, ELAS SEQUER TINHAM SIDO PROCESSADAS!!!!. A auditoria feita pela RFB se baseou nas DCTF´s ORIGINAIS, EXATAMENTE AS QUE SE PRETENDIA RETIFICAR!!! Temos certeza dessa afirmação pois a própria RFB elucidou a questão num ofício enviado a pedido do juízo da 23ª vara federal da seção judiciária do rio de janeiro, (vide folhas 8 a 14 deste recurso). (...) Na mesma folha nº 13A constam valores menores de CSLL do 3º e 4º trimestres de 1998, com o código correto 6012. Mas novamente valores são indevidos, SEQUER CONSEGUIMOS DESCOBRIR COMO A RFB APUROU OS RESPECTIVOS, POIS, NÃO COINCIDEM COM NADA DE DECLARADO. (...) Com efeito, tratouse, na verdade, de uma questão de ordem técnica em que a própria RFB DEIXOU DE ANALISAR AS RETIFICAÇÕES DAS DCTF´s que por tratarse de retificação para mudança de regime de tributação, deveriam ser analisadas manualmente, até que a resolução 255/2002 veio em socorro e determinou, retroativamente, vários procedimentos para a regularização dessas retificações . DOS FATOS 1) DO NÃO PROCESSAMENTO PELA RFB DAS DCTF´S ORIGINALMENTE ACOSTADAS AO PROCESSO 13707.002470/9871 INDEPENDENTEMENTE do fato de não haver débito algum, o que provaremos documentalmente mais adiante, é CEDIÇO que a própria RFB, no processo de cobrança em tela, não observou as contingências prejudiciais por ela mesma causadas, que de plano, invalida a presente cobrança. Em processo judicial nº 2007.51.01.0191992, que ao nosso ver tem total pertinência e conexão com este, a pedido daquele juízo a RFB foi instada a se manifestar a cerca da situação fiscal deste Fl. 187DF CARF MF 6 contribuinte, no tocante às retificações das DCTF´s do ano de 1998, que geraram créditos tributários passíveis de compensação, compensações essas que não foram consideradas pela RFB por ERRO DESTA. Veja Sr Julgador que nas páginas anteriores o Sr. José Lima dos Santos, diligentemente foi mais longe e analisou os anos seguintes de 1999, 2000 e 2001, ainda relatando que apesar de não serem objeto deste processo foram descritos, analisados e comprovouse também que as compensações estavam corretas e que, POR ERRO A RFB INSCREVEU O PRESENTE CONTRIBUINTE EM DAU – DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. 2) DAS DECLARAÇÕES EFETIVAMENTE ENTREGUES, DCTF´s E DIPJ, DOCUMENTAÇÃO LEGAL, PROBATÓRIA DA CONDIÇÃO FISCAL DO CONTRIBUINTE Com efeito, apesar do detalhado e perfeccionista relatório advindo da mesma RFB no processo judicial já citado, persistem em face desse contribuinte a exação indevida. Sendo assim, demonstraremos adiante, que apesar da grande ajuda probatória dos documentos ACIMA ACOSTADOS, temos ainda as declarações entregues pela empresa, tais como as referidas DCTF´s entregues eletronicamente, a própria DIPJ, onde se poderá verificar que os valores declarados daquelas coincidem com esta, não deixando dúvidas sobre a veracidade do alegado por nós. Numa visão mais ampla, podemos considerar que a entrega eletrônica das DCTF´s retificadoras FINALIZOU toda a sistemática processual em curso. Mesmo considerando que nas etapas anteriores ocorreram erros materiais, por parte do contribuinte, que solicitou a retificação em processo, depois re retificou dentro do mesmo processo, e mesmo considerando que essa reretificação ainda continha erros, a entrega eletrônica, autorizada por IN e ACEITA PELA RFB substituiu as demais DCTF`s contidas no processo e deveria ter sido considerada para a analise do processo administrativo em tela. É impossível considerarse que o processo existe por si só quando na verdade ele não espelha mais a situação fática da vida fiscal do contribuinte que foi autorizado a regularizar eletronicamente sua situação. (...) 3) DOS CRÉDITOS ORIUNDOS DAS RETIFICAÇÕES (SALDO CREDOR DE DARF´S) E SUA RESPECTIVA ADMINISTRAÇÃO Inobstante à documentação apresentada, trazemos à luz ainda a questão relevantíssima dos saldos credores dos pagamentos efetuados, que foram efetivamente compensados com os valores devidos. Primeiramente, vale destacar que apesar de autorizado pela legislação a atualização dos valores a compensar pela SELIC, §4º do artigo 39 da Lei 9.250/95, não havia no ano de 1998, o Fl. 188DF CARF MF Processo nº 13707.001953/200331 Acórdão n.º 1002000.519 S1C0T2 Fl. 186 7 hábil instrumento que hoje chamase PERDCOMP para realizar o feito. Sendo assim, naquela época, muitos contribuintes, sem saber como proceder, acabavam por desprezar o direito à atualização e compensava somente o valor nominal do DARF. (...) 4) DO JULGAMENTO DA DRJ/RJ1 O Acórdão ora desafiado, que manteve a cobrança dos valores obtidos através de auditoria interna nas DCTF´s não observou os procedimentos contidos na IN SRF 255/2002 e as instruções da nota CORAT/TEDAT/DIPEJ. Ademais, tratandose de impostos declarados em DCTF, lançados por homologação e CONSIDERANDO TAMBÉM que as DCTF´s foram entregues eletronicamente, e aceitas nos sistemas da RFB e até serviram para autoria/levantamento pela própria RFB no processo judicial já citado, a manutenção da cobrança é totalmente ilegal. É necessário atentarse para a existência de inúmeros princípios que devem nortear a atuação da administração pública no tocante ao processo tributário, sobretudo o Princípio da Economia Processual e o da Verdade Material. (...) Essa cobrança CADUCOU no momento em que foi autorizada e recepcionada a entrega eletrônica das DCTF´s do 1º, 2º, 3º e 4º Trimestres do ano de 1998 para atendimento à resolução 255/2002 . Sem prejuízo da análise da DIPJ entregue em conformidade com as mesmas DCTF´s citadas!!! Em que pese o fato de ter havido NO MEIO DO CAMINHO idas e vindas, retificações e reretificações e mais tarde uma terceira retificação, dessa vez entregue por meio eletrônico, mudanças na legislação e etc, a verdade é que OS FATOS CONTÁBEIS E FISCAIS NÃO MUDARAM. QUAIS SEJAM: NÃO HÁ PENDÊNCIA DE PAGAMENTO!!! (...) DO PEDIDO Com base nos argumentos, provas e legislação apresentados, REQUER: A PROCEDÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO PARA ANULAÇÃO TOTAL DOS DÉBITOS COBRADOS, oriundos do processo administrativo 13707.001953/200331 considerando que: a) Todos os pagamentos foram efetuados e as retificações objeto do processo 13707.002470/9871 foram entregues eletronicamente e aceitas pela RFB Fl. 189DF CARF MF 8 b) Todas as provas de situação regular e quitação total dos débitos do período cobrado estão fartamente comprovadas tanto por documentos e declarações produzidas pelo próprio contribuinte (DCTF´s, DIPJ, LALUR, DARF´s e etc) quanto produzidas pela própria RFB em auditoria requisitada em processo judicial para tratar de assunto conexo à essa malsinada cobrança c) Houve inobservância procedimental da própria RFB que encaminhou cobrança baseada em informações desatualizadas do próprio contribuinte, que já sanou, há tempos todas as pendências das obrigações acessórias e principais; d) Que a RFB se baseou nas informações das DCTF´s originais, que se pretendia retificar, para levantar os valores a serem cobrados, tornando assim completamente insubsistente a presente cobrança É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos e extrínsecos, razão pela qual merece ser conhecido. Preliminar O Recorrente alega, em preliminar, que suas DCTFs Retificadoras não foram consideradas pela Fiscalização, quando da análise de seus valores. Contudo, tais argumentos não encontram amparo no que se observou no deslinde do presente PAF. Este seguiu a estreita lisura em sua fluidez, de modo que tanto o parecer da DRFB – RJ II, quanto o Acórdão da DRJ foram categóricos em afirmar que consideraram em sua análise as retificações perpetradas pelo Contribuinte. Portanto, o panorama fático está em absoluta consonância com as providências que foram perpetradas ao longo do processo. Logo, rejeito a preliminar. Mérito Da decadência No que cinge ao crédito cobrado até parte do segundo trimestre de 1998, há de se reconhecer de ofício sua decadência. Isso porque que restou incontroverso que houve pagamento naquela oportunidade (efls. 30 à 43), ainda que o Fisco tenha compreendido a quitação como parcial. De tal sorte, a contar dessa data inaugurase o lustro quinquenal, na forma do art. 150, §4°, do CTN. Noutro giro, o Auto de Infração foi recebido pelo Recorrente em 18 de agosto de 2003 (efl. 123); portanto, até esta data quedouse exaurido o prazo decadencial. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 13707.001953/200331 Acórdão n.º 1002000.519 S1C0T2 Fl. 187 9 Aliás, essa percepção é consentânea com a jurisprudência do CARF, conforme se extrai do Acórdão n° 2201003.496, de lavra do i. Cons. Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, na sessão de 15 de março de 2017: Para o bom emprego do instituto da decadência previsto no CTN é preciso verificar o dies a quo do prazo decadencial de 5 (cinco) anos aplicável ao caso: se é o estabelecido pelo art. 150, §4º ou pelo art. 173, I, ambos do CTN. Em 12 de agosto de 2009, o Superior Tribunal de Justiça – STJ julgou o Recurso Especial nº 973.733SC (2007/01769940), com acórdão submetido ao regime do art. 543C do antigo CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), da relatoria do Ministro Luiz Fux, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 191DF CARF MF 10 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Portanto, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial se encerra depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra do art. 150, § 4º, CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, CTN. Por ter sido sob a sistemática do art. 543C do antigo CPC, a decisão acima deve ser observada por este CARF, nos termos do art. 61, §2º, do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015): § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 13707.001953/200331 Acórdão n.º 1002000.519 S1C0T2 Fl. 188 11 Portanto, por se tratar de matéria de ordem pública, de forçoso reconhecimento nesta instância recursal, reconheço a decadência dos valores cobrados no indigitado auto de infração, referentes ao primeiro trimestre de 1998. Da quantia residual Quanto à quantia residual, de parte do segundo e terceiro semestre de 1998, não tem razão o Recorrente, haja vista a ausência de provas aptas a chancelar seu pedido. Em que pese a juntada da DCTF e livros contábeis, esses não são suficientes para embasar o pleito, pois não comprovam o efetivo recolhimento do tributo. Impende ressaltar que aqueles são documentos produzidos unilateralmente pelo Contribuinte, razão pela qual este CARF não entende como hábeis a apontar a quitação dos valores. Noutro giro, naquelas circunstâncias em que o Recorrente apresentou seu DARF, os montantes foram devidamente expurgados pela Autoridade Fiscal de piso. Aliás, tais aspectos foram detalhadamente expostos em sede de Acórdão a quo, os quais utilizo como parte integrante do presente decisum, em homenagem ao §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999, e no § 3° do artigo 57 do Anexo II do RICARF: A interessada, em sua peça de defesa de fls.03/04, assevera ter retificado as DCTF(s) do 1º, 2º e 3º trimestres de 1998, modificando o regime de apuração da CSLL do Lucro Presumido para o regime do Lucro Real, adianta que tal procedimento era admitido à época, conforme o processo nº 13707.002470/9871, cópia em anexo. A posteriori, tendo encontrado divergências nas DCTF(s), procedeu à reretificação dos 2º e 3º trimestres, aproveitando o ensejo para retificar, também, o 4º trimestre de 1998. Alega, outrossim, que o processo, em questão, encontrase sob análise, daí originando a divergência das DCTF(s). O trabalho de revisão fiscal levado a efeito pela DRFB – RJ II, em recálculo do crédito tributário, se manifestou, informando que os pagamentos por meio de DARF, do 1º, 2º 3º e 4º trimestres foram alocados, quitando, de forma parcial, os débitos do período (fls.30/32). Quanto às compensações com Darf (fls.60/115), igualmente, não lograram elidir a totalidade dos créditos tributários imputados no auto de infração, em apreço, resultando, em ambas situações, em um saldo remanescente que se encontra resumido em recálculos de fls.118/121. Portanto, em respeito à verdade material e à escorreita instrução carreada neste Processo Administrativo Fiscal, tornase mister desacatar o pleito do Contribuinte, pois não há qualquer comprovação de erro de fato, e tampouco elementos probatórios aptos a lastrear a improcedência do Auto de Infração. Da multa de ofício Fl. 193DF CARF MF 12 Outrossim, há de se reconhecer o afastamento da multa de ofício, com fulcro no princípio da retroatividade benigna, consignado no art. 106 do CTN. Conforme se examina na análise intertemporal, a legislação vigente à época do lançamento era a Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, cujo teor do art. 90 continha a seguinte redação: Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Contudo, tal panorama legislativo foi alterado pela Lei n° 10.833/2003 (com redação dada pela Lei n° 11.051/04), retirando a exigibilidade da multa para as circunstâncias diversas daquelas insculpidas em seu art. 18, leiase: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964. (...) § 4oA multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996. (GN) Logo, tornase imperativo reconhecer o beneplácito decorrente da modificação legal, exonerando o Contribuinte da multa de ofício que lhe foi aplicada. Dispositivo Ante o exposto, voto para conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, darlhe parcial provimento, para declarar a decadência ocorrida até agosto de 1998 e exonerar a multa de ofício. É como Voto. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 194DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.903883/2013-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2012
RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA.
É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
Numero da decisão: 3402-005.630
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: Relator Diego Diniz Ribeiro
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
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INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decretolei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento de pedido de restituição de PIS formulado pela recorrente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 38 83 /2 01 3- 47 Fl. 153DF CARF MF 2 Aludida restituição restou indeferida pela DRF de origem, posto que: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição” Regularmente cientificada, apresentou, a interessada, manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do acórdão nº01033.560.: Cientificado desta decisão apresentou o recurso voluntário ora em apreço. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.626, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10935.903869/201343, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.626): "I. Da intempestividade do recurso voluntário interposto 5. Como é sabido, o prazo para interposição de Recurso Voluntário no âmbito do processo administrativo federal é de 30 (trinta) dias, conforme prevê o art. 33, caput do Decretolei n. 70.235/72. 6. Não obstante, segundo o disposto no art. 5o. do sobredito Decretolei, os prazos no processo administrativo federal são contínuos e deverão ser contados excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Este também é o teor do art. 66 da lei n. 9.784/991. 7. Pois bem. No presente caso o fecorrente foi cientificado via eletrônica da decisão guerreada, sendo a correspondente mensagem aberta em 24 (vinte e quatro) de fevereiro de 2017 (sextafeira) (fl. 142). Logo, levando em consideração as disposições legais acima mencionadas, o termo inicial para a contagem do prazo recursal teve início em 27 (vinte e sete) de fevereiro de 2017 (segundafeira), vencendo, por sua vez, no dia 28 (vinte e oito) de março de 2017 (terçafeira). Acontece que o recurso em apreço só foi interposto em 30 (trinta) de março de 2017 (fl. 145), ou seja, quando já transcorrido o prazo legal. 8. Patente está, portanto, a intempestividade do recurso voluntário interposto, motivo pelo qual não o conheço. Dispositivo 1 "Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento." Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10935.903883/201347 Acórdão n.º 3402005.630 S3C4T2 Fl. 3 3 9. Diante do exposto, em razão da intempestividade do recurso voluntário interposto, deixo de conhecêlo. 10. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.732369/2012-53
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DEDUÇÃO INDEVIDA - DESPESA MÉDICA - NÃO COMPROVAÇÃO
As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
Numero da decisão: 2002-000.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 DEDUÇÃO INDEVIDA - DESPESA MÉDICA - NÃO COMPROVAÇÃO As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 73 23 69 /2 01 2- 53 Fl. 57DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 13 a 18), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$6.086,56, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 12 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, em 04/12/12, mediante as alegações relatadas a seguir: Esclarece o grau de parentesco que tem com cada um dos beneficiários cujas despesas com plano de saúde foram glosadas. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, em 12/11/2014, no acórdão 0364.643, às efls. 33 a 35, julgou a impugnação improcedente. Recurso Voluntário Ainda inconformado, o contribuinte, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 40 a 53 alegando, que Francisco Capistrano de Freitas, Rita de Cássia Araújo Freitas e Teresa Júlia Araújo são seus dependentes há mais de 20 anos. Suscita a aplicação do princípio da verdade material, da razoabilidade e proporcionalidade. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 31/12/2014, efls. 38, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 20/01/2015, efls. 40, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A autuação consiste na glosa de despesas médicas com diversos dependentes, conforme consta o relatório. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10380.732369/201253 Acórdão n.º 2002000.641 S2C0T2 Fl. 58 3 A DRJ manteve a autuação sob o fundamento de que o contribuinte não declarou quaisquer dependentes em sua DAA: Somente são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda despesas médicas do próprio contribuinte e as realizadas com dependentes relacionados na declaração de ajuste anual. O impugnante não informou dependentes, de modo que não há como deduzir despesas médicas realizadas por terceiros, ainda que sejam parentes do contribuinte e que este tenha arcado com as despesas. Há que se esclarecer que, caso o interessado informe a existência de dependentes, os rendimentos deles devem ser adicionados aos rendimentos do sujeito passivo na apuração do imposto de renda. Desse modo, ainda que o contribuinte esclareça que os beneficiários do plano de saúde são seus parentes e alguns deles poderiam ser considerados dependentes, estes não constam da declaração de ajuste do contribuinte nem tiveram seus rendimentos adicionados aos do impugnante. . As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com Fl. 59DF CARF MF 4 exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10380.732369/201253 Acórdão n.º 2002000.641 S2C0T2 Fl. 59 5 comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de Fl. 61DF CARF MF 6 prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10380.732369/201253 Acórdão n.º 2002000.641 S2C0T2 Fl. 60 7 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Conforme DAA do contribuinte às efls. 21, de fato não constam nenhum dependente elencado, motivo pelo qual mantenho a decisão de piso por seus próprios fundamenteos, Feitas estas considerações, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19679.002115/2003-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INTERPRETAÇÃO LITERAL
Deve ser interpretado literalmente o §5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96. Assim sendo, aplica-se o instituto da homologação tácita tão somente a compensações.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
SOCIEDADES CIVIS. REVOGAÇÃO DA ISENÇÃO DA COFINS
O STF, em repercussão geral, decidiu que a Lei n° 9.430/96 podia revogar a isenção prevista no inciso II do art. 6° da LC n° 70/91.
Numero da decisão: 3301-005.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INTERPRETAÇÃO LITERAL Deve ser interpretado literalmente o §5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96. Assim sendo, aplica-se o instituto da homologação tácita tão somente a compensações. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 SOCIEDADES CIVIS. REVOGAÇÃO DA ISENÇÃO DA COFINS O STF, em repercussão geral, decidiu que a Lei n° 9.430/96 podia revogar a isenção prevista no inciso II do art. 6° da LC n° 70/91.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INTERPRETAÇÃO LITERAL Deve ser interpretado literalmente o §5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96. Assim sendo, aplicase o instituto da homologação tácita tão somente a compensações. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 SOCIEDADES CIVIS. REVOGAÇÃO DA ISENÇÃO DA COFINS O STF, em repercussão geral, decidiu que a Lei n° 9.430/96 podia revogar a isenção prevista no inciso II do art. 6° da LC n° 70/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 21 15 /2 00 3- 45 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 19679.002115/200345 Acórdão n.º 3301005.571 S3C3T1 Fl. 245 2 Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Cuida o presente processo de pedido de restituição de R$1.387.105,62, protocolizado em 25/8/2003, consoante consta A fl. 1, acompanhado dos documentos as fls. 2 a 85. Consta as fls. 20 a 41 cópias de Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) relativamente a eventuais pagamentos de contribuição para o financiamento da Seguridade Social (COFINS), código Receita 2172, realizados no período de 10/7/98 a 15/7/2003. Ademais, a interessada informou a ocorrência de pagamento, fundamentado no disposto no inciso II do art. 6° da Lei Complementar (LC) n.° 70/91 (fl. 52), para fins de motivar seu pedido de restituição (fls. 1 e 89). 2. Consta no Despacho Decisório às fls. 88 a 100 da Divisão de Orientação e Análise Tributária (Diort) da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat) em São Paulo, que Autoridades Tributárias Federais, no exercício de competência legal, pois conferida pelo disposto na alínea "b" do inciso I do art. 6° da Lei n.° 10.593/2002, com nova redação dada pela Lei n.° 11.457/2007, decidiram à fl. 99 pelo [...] indeferimento do pedido de restituição de COFINS e pela não homologa Declarações de Compensação [apresentadas pela interessada a partir de 14/10/2 relacionadas no relatório [...] [do] despacho decisório [às fls. 89 a 92] [negrejouse]. Eis a fundamentação legal desse documento oficial: 2.1. Invocando o disposto nos art. 165, 168 e 170 da Lei n.° 5.172/66, é dizer, o Código Tributário Nacional (CTN), o Ato Declaratório SRF n.° 96/99, bem como o Parecer PGFN/CAT n.° 1.538/99, foi proferido o que segue (fls. 95 e 96): [...] [quanto] ao pedido de restituição, como se demonstrará, parte não pode prosperar, uma vez que na data da formalização do pedido em 25/08/2003, o direito de solicitar eventual restituição de parte do suposto indébito já tinha sido extinto, pois alcançado pela decadência, que se operou corn o decurso do prazo de cinco anos contados da data da e xtinção do crédito tributário pelo pagamento. Prejudicada, em conseqüência, parte da compensação com débitos tributários. [negrejouse] Evidentemente, esses pagamentos, antecipados pelo contribuinte, relativos aos períodos de apuração de 06/98 a 07/98, efetuados até 10/08/98, conforme cópias de Darfs juntados ao processo, nos termos da legislação de regência, extinguiram sob condição resolutória os créditos tributário desde as respectivas datas em que foram efetuados, e a partir das quais começou a fluir o prazo de decadência para o contribuinte pleitear a restituição (arts. 150, 0'1° e 40, 156, VII e 168, I do CT7V). Vale dizer, o ato jurídico sob condição resolutória vigora e produz todos os efeitos imediatamente, enquanto a condição não se realizar (vide art. 127 combinado como o art. 185 do CC, Lei 10.406 de 10/01/02). 2.2. Considerando o disposto no DecretoLei n° 2.397/87, A vista do que dispunha o inciso II do art. 6° da LC n.° 70/91; valendose do que prescreve o Parecer Normativo da CoordençãoGeral do Sistema de Tributação (Cosit) n.° 3/94, foi registrado o seguinte: (fl. 98): Fl. 171DF CARF MF Processo nº 19679.002115/200345 Acórdão n.º 3301005.571 S3C3T1 Fl. 246 3 [...] concluise que a opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido ou real implica abdicação do regime de tributação do Imposto de Renda na pessoa fisica dos sócios, próprio da sociedade civil de profissão regulamentada, razão pela qual incide a Cofins. No caso em tela, o contribuinte fez opção pelo Lucro Real nos anos calendário de 1998 a 2003, conforme consulta ao sistema IBM de fl. 87. Logo, não faz jus 6 isenção concedida pelo art. 6° da Lei Complementar n° 70, de 1991. 2.3. Invocando o art. 56 da Lei n.° 9.430/96, eis o que foi proferido (fls. 98 e 99): [...] verificase que corn a revogação dos arts. 1° e 2° do DecretoLei no 2.397, de 1987, pelo art. 88 da Lei 9.430, de 1996, o regime de tributação pelo imposto de renda diferenciado, aplicável as sociedades civis enquadradas no DecretoLei n° 2.397, de 1987, que lhes permitiam tributar o lucro integralmente nas pessoas fisicas dos sócios, deixou de existir, passando estas sociedades, em relação aos resultados auferidos a partir de 1° de janeiro de 1997, a serem tributadas pelo imposto de renda de conformidade com as normas aplicáveis as demais pessoas jurídicas. Por conseguinte, a isenção prevista no inciso II do art. 6° da Lei Complementar n° 70, de 1991, também deixou de existir, uma vez que era concedida ás sociedades amparadas por aquele regime. 3. liresignada com a decisão a que se refere o item 2 deste Relatório, de que teve ciência em 25/9/2008 (fls. 101 e 102), a interessada apresentou, em 23/10/2008 (fl. 106), manifestação de inconformidade que consta as fls. 106 a 122, por meio da qual se ateve aos seguintes assuntos: 3.1. Opõese a interessada contra o fato de que, segundo alega à fl. 108, estaria o [...] despacho decisório [...] eivado de vicio insanável, que consiste na prescrição do direito da Fazenda de, APÓS TRANSCORRIDOS MAIS DE 5 ANOS [desde a protocolização do pedido de restituição a fl. 1], PRETENDER INDEFERIR 0 PEDIDO DA REQUERENTE. HA alegação à fl. 109 de que o prazo para a Fazenda Nacional pronunciarse sobre restituição findaria em agosto de 2008, bem como que exerceu a interessada o direito de pleitear a restituição no prazo estabelecido no art. 168 do CTN. Reconhece a interessada a fl. 111 que, ainda que não houvesse prazo legal para que administração pública se manifestasse em processos de pedido de restituição, tal prazo deveria ser o mesmo contido no caput do art. 174 do CTN, por aplicação da analogia a que se refere o inciso I do art. 108 do mesmo Código. Demanda à fl. 113 a aplicação ao caso do principio da igualdade, [...] segundo o qual as partes em litígio devem receber tratamento igualitário, destacando que, [...] se ao sujeito passivo é imposto prazo para praticar todos os seus atos, esta regra também há de ser aplicada administração pública, e afirma à fl. 115 que [...] a omissão e a inércia da autoridade julgadora, sem justificativa, tal como ocorreu no presente caso, é condição suficiente para que sejam reconhecidos e aplicados os efeitos da prescrição, como forma de responsabilização por sua paralisação. Afirma, ainda, a fl. 116 que, no que toca ao prazo para apreciação deste processo, não teria sido observado o disposto no art. 49 da Lei n.° 9.784/99. 3.2. Afirma à fl. 117 que o [...] objeto do pedido de restituição [...] é o pagamento indevido de Cofins, tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, nos termos do disposto no artigo 150 do CTN. Alega, ainda, que [...] todos os atos a serem praticados pela administração pública estão submetidos a determinado prazo, cuja regra geral é de 5 (cinco) anos a contar da declaração/ solicitação enviada. Logo, segundo a interessada, não [...] se pronunciando dentro deste prazo, restando inerte diante da declaração/ solicitação do sujeito passivo, Fl. 172DF CARF MF Processo nº 19679.002115/200345 Acórdão n.º 3301005.571 S3C3T1 Fl. 247 4 deverá suportar [a administração pública] os efeitos decorrentes, que é a decadência do direito de não concordar com o postulado pelo contribuinte. Por fim, pretende a interessada que, com fundamento em seu arrazoado, sejam homologadas e convalidadas as compensações (fl. 118). 3.3. Destaca a fl. 121 que, diante da negativa das Autoridades Tributárias em reconhecer a validade do disposto no inciso II do art. 6° da LC n.° 70/91, face a vigência do art. 56 da Lei n.° 9.430/96, invoca o parágrafo 2° da Lei de Introdução do Código afirmar que [...] a Lei n.° 9.430/96 L.] que trata de matéria geral [...] não tem o conda revogar as disposições de lei especifica n.° 70/91, como pretende a administração. 3.4. Por fim, requer as fls. 121 e 122 a interessada que o Despacho Decisório seja reformado, [...] reconhecendose a prescrição do direito da autoridade administrativa em não concordar com o crédito postulado, por ter transcorrido o prazo de 5 (cinco) anos a que dispunha para fazêlo, acrescido do fato de que o direito da Requerente encontravase revestido de legalidade, pois amparado na súmula n.° 276 do Superior Tribunal de Justiça; bem como [...] seja declarada a decadência do direito da Fazenda, homologando o crédito da Requerente em sua integralidade, assim como convalidando todas as compensações realizadas com este crédito. Ademais, requer [...] a produção de todos os meios de prova admitidos em direito, principalmente, documental e pericial, bem como, a apresentação de novos documentos e que sejam abertos novos prazos para que a Impugnante se manifeste sobre documentos juntados pela Impugnada. 4. O presente processo foi encaminhado a esta Delegacia por conta do disposto no despacho A. fl. 129. 5. É o relatório." Em 07/07/10, a DRJ em São Paulo (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade e o Acórdão n° 1625.962 foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Reservase a perícia à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde do litígio, não se justificando, quando o fato puder ser demonstrado pela mera juntada de documentos. E prescindível a perícia quando presentes, nos autos, os elementos necessários e suficientes à formação da convicção do julgador para proferir sua decisão. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. 0 instituto da prescrição, assim como tratado pelo art. 174 do CTN, é dirigida à Fazenda Nacional, para estabelecer prazo para interposição de ação judicial para a cobrança do crédito tributário definitivamente constituído. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Havendo observado as Autoridades competentes o prazo legal de cinco anos para apreciar as Fl. 173DF CARF MF Processo nº 19679.002115/200345 Acórdão n.º 3301005.571 S3C3T1 Fl. 248 5 declarações de compensação encaminhadas pelo contribuinte, não há que se falar em ocorrência de nenhuma irregularidade no caso em tela em relação ao previsto no parágrafo 5° do art. 74 da Lei n.° 9.430/96 e alterações posteriores. SOCIEDADE CIVIL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS NO EXERCÍCIO DE PROFISSÃO LEGALMENTE REGULAMENTADA. COFINS. PERÍODO POSTERIOR A ABRIL DE 1997. ISENÇÃO. INOCORRÊNCIA. No que toca às sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada, não cabe mais falar em isenção da COFINS para os fatos geradores ocorridos a partir do mês de abril de 1997, em observância ao disposto no art. 56 da Lei n.° 9.430/96. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que contesta o Despacho Decisório, quando consignou que teria decaído ou estaria prescrito o direito de pleitear a restituição dos pagamentos da COFINS efetuados antes de 25/08/98, e protesta pela declaração da preclusão administrativa do direito de a Fazenda Pública revisar o pedido de restituição, haja vista terem transcorrido mais de cinco anos entre a data do pleito (25/08/03) e a ciência do Despacho Decisório (25/09/08). É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Em 25/08/03, a recorrente protocolizou pedido de restituição da COFINS paga no período de 10/08/98 a 15/07/03, pois se dizia isenta desta exigência, com base no inciso II do art. 6° da LC n° 70/91. De 14/10/03 a 29/08/08, transmitiu diversas declarações de compensação vinculadas ao crédito. Na data de 25/09/08, o contribuinte teve ciência do Despacho Decisório (fls. 91 a 103) que indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações, por duas razões: a) já havia decaído o direito de o contribuinte pleitear restituição de pagamentos a maior referente aos períodos de apuração de junho e julho de 1998; e b) a isenção da COFINS prevista no inciso II do art. 6° da LC n° 70/91 foi revogada pelo inciso XIV do art. 88 da Lei n° 9.430/96, que produziu efeitos a partir de março de 1997, isto é, abrangendo a totalidade do período ao longo do qual foram efetuados os pagamentos. Passemos aos argumentos de defesa. "Da preclusão/prescrição administrativa nos autos do pedido de repetição de indébito" Fl. 174DF CARF MF Processo nº 19679.002115/200345 Acórdão n.º 3301005.571 S3C3T1 Fl. 249 6 Relembra que o pedido de restituição foi protocolizado em 25/08/03 e a ciência do despacho decisório em 25/09/08. Passados mais de cinco anos entre os eventos, teria sido então tacitamente deferida a restituição. Alega que ocorreu a preclusão administrativa, dada a inércia da autoridade administrativa, invocando o inciso LXVIII e o art. 37 da CF, que dispõem, respectivamente, sobre a duração razoável do processo administrativo e o princípio da eficiência no exercício da atividade pública. Uma vez instruído o processo, a RFB teria trinta dias para concluílo, nos termos do art. 49 da Lei n° 9.784/99. Protesta contra eventual argumento de que não haveria prazo legal para exame de pedido de restituição. Deve ser adotada a analogia (inciso I do art. 108 do CTN) e aplicado o prazo de cinco anos, indicado no §5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, válido determinação da homologação tácita de compensação. Cita doutrina no sentido de que, na ausência de prazo, a prescrição administrativa darseá em cinco anos. Traz o art 1° da Lei n° 9.873/99, que estabelece em cinco anos, contados da data da infração, o prazo de prescrição da ação punitiva da Administração Pública Federal. Por fim, menciona o art. 54 da Lei n° 9.784/99, que dispõe que decai em cinco anos o direito de a Administração anular os atos administrativos que produzam efeitos favoráveis a terceiros. Com o fito de robustecer seu argumento acerca da preclusão administrativa, a recorrente levanta a questão acerca da isenção da COFINS para sociedades civis, outrora concedida pelo inciso II do art. 6° da LC n° 70/91. Menciona que agiu de acordo com o citado dispositivo legal e com a Súmula STJ 276, que confirmou a isenção. Destaca que tem conhecimento de que, posteriormente, o STF decidiu que era possível a revogação da isenção pela Lei n° 9.430/96. Contudo, após terem se passado cinco anos do pedido de restituição. Não assiste razão à recorrente. De fato, não se me parece em linha com o princípio da segurança jurídica não estabelecer prazo para a revisão fiscal de pedidos de restituição e ressarcimento. Contudo, realmente, não há dispositivo legal que imponha limite temporal. E, tal qual pretendeu a recorrente, não se pode adotar para restituições e ressarcimentos, "por analogia (inciso I do art. 108 do CTN)", o prazo de cinco anos do § 5° do art. 74 da Lei n° 9430/96 "§ 5o O prazo para homologação da compensação declarada pela sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação." , porque dispositivo desta natureza deve ser interpretado literalmente. Também não ocorreu a homologação tácita das compensações (§ 5° do art. 74 da Lei n° 9430/96), uma vez que a ciência do despacho decisório se deu em 25/09/08 e as declarações foram transmitidas a partir de 14/10/03. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 19679.002115/200345 Acórdão n.º 3301005.571 S3C3T1 Fl. 250 7 Por fim, cumpre mencionar que a isenção da COFINS, concedida pelo inciso II do art. 6° da LC n° 70/91, foi revogada pelo art. 56 da Lei n° 9.430/96, que entrou em vigor a partir de abril de 1997, o que abrange todos os supostos pagamentos a maior. E o STF, em sede do RE n° 377.4573/PR, com repercussão geral, decidiu que era possível a revogação da citada isenção, concedida por lei complementar, pela Lei n° 9.430/96. Em suma: a alegada preclusão administrativa não tem fundamento legal, não cabendo aplicar, por analogia, o instituto da homologação tácita (§ 5° do art. 74 da Lei n° 9430/96) a pedidos de restituição; não se deu a homologação tácita das compensações (§ 5° do art. 74 da Lei n° 9430/96); e não havia direito ao crédito, propriamente dito, pois o mesmo se fundava na isenção prevista no inciso II do art. 6° da LC n° 70/91, o qual já se encontrava revogada, quando da efetivação dos pagamentos. Nego provimento aos argumentos. "Da não ocorrência da prescrição do direito do direito de repetição do indébito" Defende o direito à restituição dos pagamentos a maior de 06/98 e 07/98, negado pela DRF, cujo pleito foi registrado em 25/08/03. Sob o ponto de vista conceitual, está correto o contribuinte por meio da Súmula CARF n° 91, restou decidido que o prazo para pleitear a restituição é de dez anos, nos casos em que o pedido foi protocolizado até 09/06/05. Contudo, nego provimento aos argumentos, posto que, no tópico anterior, concluí que não havia créditos a restituir/compensar. Conclusão Nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 176DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.908238/2009-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.646
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10983.908242/2009-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente); ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10983.908242/200927, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente); ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 08 23 8/ 20 09 -6 9 Fl. 152DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório Trata o processo de Declaração(ões) de Compensação PER/DComp transmitidas, em que o contribuinte requer o crédito de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, para compensação de débitos. O Despacho Decisório DD não homologou a compensação declarada porque: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. E exige o total de débitos não compensados, com juros e multa de mora. O contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, em relação à qual a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC DRJ/FNS emitiu o Acórdão, considerandoa improcedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005 RECOLHIMENTO MENSAL POR ESTIMATIVA. UTILIZAÇÃO COMO CRÉDITO EM COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor pago no âmbito do regime de tributação pelo lucro real anual, a título de estimativa mensal de IR ou de CSLL, não pode ser utilizado como crédito em compensação, pois esse valor só pode ser deduzido do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração a que se referir a estimativa, para fins de determinação do saldo a pagar ou do valor de eventual saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do mesmo período. Cientificado, o contribuinte apresentou tempestivo recurso voluntário resumido a seguir. Reclama que a negativa deuse com fundamento a restrição imposta por uma Instrução Normativa, norma secundária, que traz limitações indevidas ao direito do contribuinte, caracterizando injustiça fiscal e ferindo o Princípio da Razoabilidade. Relata que, na opção de tributação no regime do lucro real anual com recolhimentos de estimativas mensais, pode ocorrer de o contribuinte efetuar pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda ou de CSLL a título de estimativa mensal. O artigo 74, da Lei n° 9.430/96, com suas posteriores alterações, confere ao sujeito passivo o direito de efetuar a compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela RFB e no rol do § 3º do art. 74 não consta a Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10983.908238/200969 Resolução nº 1201000.646 S1C2T1 Fl. 4 3 limitação específica ao direito de compensar sustentada pela autoridade, portanto, não há óbice legal à compensação realizada. Assim, uma vez comprovado o recolhimento a maior, o direito à compensação é garantido pelo art. 74 mencionado. Anexa cópias das DIPJ's 2006/2005 e 2007/2006, que comprovam que no ano calendário 2005, ao final do período de apuração, com todas as compensações realizadas, ainda assim apresentava saldo negativo de () R$ 924.660,86 e de CSLL de () R$ 494.344,45; o mesmo ocorrendo em boa parte do anocalendário 2006. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.642, de 20/11/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10983.908242/200927, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.642): "2.1 Paradigma de lote. 12. Este processo nº 10983.908242/200927 foi distribuído à Relatora, visando que sua análise e conclusões sirvam como paradigma para os Acórdãos a serem proferidos aos demais processos do lote; são eles, conforme pesquisa no sistema eprocesso: nº processo nº PER/Dcomp Data transmissão Crédito de Pagamento Indevido ou a Maior Per Apur Data da arrecadaçã o 10983.903703/200975 37869.76998 28/10/2005 2484 31/03/2005 29/04/2005 10983.903848/200976 14576.04096 28/10/2005 (*) 10983.903847/200921 34936.56232 29/05/2006 (**) 10983.908238/200969 12079.09231 29/05/2006 2484 31/05/2005 30/06/2005 10983.908245/200961 23031.44220 29/05/2006 2362 28/02/2006 31/03/2006 10983.908399/200952 25266.25812 29/05/2006 (***) 2484 31/03/2005 29/04/2005 10983.908240/200938 05270.28894 29/05/2006 2484 31/01/2006 24/02/2006 10983.908242/200927 30111.93607 29/05/2006 2362 31/05/2005 30/06/2005 10983.908241/200982 23984.18321 29/05/2006 2484 28/02/2006 31/03/2006 10983.908239/200911 01348.47168 29/05/2006 2484 30/06/2005 29/07/2005 (*) crédito na PER/Dcomp (PER/Dcomp inicial): 15069.24782, de 28/09/2005 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10983.908238/200969 Resolução nº 1201000.646 S1C2T1 Fl. 5 4 (**) crédito na PER/Dcomp (PER/Dcomp inicial): 38158.77039, de 31/08/2005 (***) crédito na PER/Dcomp (PER/Dcomp inicial): 37869.76998, de 28/10/2005 13. Verificouse que os DD destes processos que compõem o lote são de teor idêntico; e o motivo para os Acórdãos DRJ considerarem as manifestações de inconformidade foi o mesmo. 2.2 Restituição/compensação. Estimativa mensal. Valor indevido ou a maior. 14. As IN SRF nº 460, de 2004 e nº 600, de 28 de dezembro de 2005, determinavam que: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (Grifouse.) 15. A IN SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, revogou a IN SRF nº 600, de 2005: Art. 4º Os saldos negativos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: I na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração; e III na hipótese de apuração especial decorrente de cisão, fusão, incorporação ou encerramento de atividade, a partir do 1º (primeiro) dia útil subseqüente ao do encerramento do período de apuração. (...) Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (...) Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10983.908238/200969 Resolução nº 1201000.646 S1C2T1 Fl. 6 5 Art. 100. Ficam revogadas a Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, a Instrução Normativa SRF nº 728, de 20 de março de 2007, a Instrução Normativa RFB nº 831, de 18 de março de 2008, e os arts. 192 a 239B da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3, de 14 de julho de 2005. 16. E a Solução de Consulta Interna Cosit nº 19 de 5 de dezembro de 2011, explicitou que: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. 17. Foi editada a Súmula CARF nº 84 (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018) Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 1201000.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 1101 00.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006.: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. 18. Reproduzse a seguir excertos do Acórdão nº 9101 00.406, de 02/10/2009, um dos que foram paradigma para a Súmula: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial do Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10983.908238/200969 Resolução nº 1201000.646 S1C2T1 Fl. 7 6 contribuinte para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir valores recolhidos a maior daqueles estabelecidos por lei a titulo de antecipação (estimativas) e, por conseguinte, determinar que sejam examinadas as demais questões de mérito inerente ao pedido de compensação formulada pelo contribuinte, inclusive no que se refere a correção das retificações de declaração e ao eventual aproveitamento do citado credito ao final do ano calendário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (...) No caso, entendo não ser possível homologar, desde já, a compensação declarada pelo Contribuinte, urna vez que a única questão submetida ao contraditório nos autos foi a da restituibilidade (ou não) da estimativa recolhida a maior . Tendo em vista que o Recorrente em um primeiro momento calculou em R$ 4.668.087,16 o valor de sua obrigação de antecipar a CSLL, no mês de junho de 2002 e, depois, informou que, por novo cálculo, referido valor seria de R$ 2.559.397,53, entendo que os referidos valores devem ser confirmados ou infirmados pela Fiscalização, para, somente após, haver a homologação do pleito do Contribuinte. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso especial do contribuinte para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir valores recolhidos a maior daqueles estabelecidos por lei a titulo de antecipação (estimativas) e, por conseguinte, determinar que sejam examinadas as demais questões de mérito inerentes ao pedido de Compensação formulado pelo Contribuinte, no que se refere à correção das retificações de declaração e ao (eventual) aproveitamento do citado credito no ajuste do anocalendário. (Grifouse.) 19. À vista do exposto, evidenciase pacificada a questão quanto à possibilidade de restituição/compensação de valor recolhido indevidamente ou a maior de estimativas mensal. 2.3 Direito creditório. 20. O valor requerido se refere a estimativa mensal recolhida, mas que não foi objeto de verificação/confirmação pela Autoridade Administrativa; como a discussão se ateve ao direito ou não ao valor do crédito referente a estimativa recolhida a maior ou indevidamente, tampouco houve a análise visando confirmar o direito creditório requerido. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10983.908238/200969 Resolução nº 1201000.646 S1C2T1 Fl. 8 7 21. O contribuinte apresentou cópias das DIPJ referentes aos anoscalendário 2005 e 2006, págs. 77/149, originais, entregues em 27/06/2006 e 25/06/2007, respectivamente. 22. Consta das DIPJ na Ficha 11 Cálculo do Imposto de Renda mensal por Estimativa, que a forma de determinação da base de cálculo foi em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução; eis que neste caso, na apuração da estimativa de cada mês, se deduzem os valores de IRPJ /CSLL, respectivamente, devidos nos meses anteriores do mesmo ano, assim como os valores de IRPJ/CSLL, respectivamente, retidos na fonte. 23. Verificase no sistema eprocesso que constam para relatar 10 (dez) processos do contribuinte distribuídos para esta Turma, que requerem créditos de estimativas de recolhimento indevido ou a maior de estimativas de IRPJ e de CSLL, dos anoscalendário 2005 e 2006. 24. É necessário que sejam analisados todos os PER/Dcomp destes processos (sendo que pode haver ainda outros processos de teor análogo distribuídos a outras Turmas do CARF ou ainda nas DRJ's; assim como algumas das PER/Dcomp se referem a crédito objeto de PER/Dcomps referentes a ainda outros processos), que tratem dos mesmos créditos ou não, mas que sejam referentes a estes anoscalendário. 25. Há necessidade de: a) analisar os valores confessados e pagos e/ou objetos de compensação das estimativas tidas como recolhidas indevidamente ou a maior, informados nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF; b) confirmar os recolhimentos das estimativas que o contribuinte considera recolhidas a maior ou indevidamente, sendo que parte delas pode ter sido objeto de compensações que devem ser verificadas, se foram homologadas ou não; c) refazer as apurações das estimativas mensais dos anos calendário em pauta, para verificar se as estimativas a maior quitadas foram ou não computadas nas apurações dos meses subsequentes e na apuração anual; d) consta da DIPJ que a determinação da base de cálculo foi em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução, cabe portanto verificar, ao menos por amostragem, se os dados da DIPJ efetivamente se baseiam em Balanços/Balancetes constantes da contabilidade do contribuinte; e) verificar se os saldos negativos anuais resultantes já não foram requeridos como direitos creditórios por meio de Per/Dcomps; f) emitir Parecer acerca do pedido constante dos PER/Dcomp em epígrafe, informando se e qual o valor do recolhimento indevido ou a maior da estimativa efetivamente recolhida ou Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10983.908238/200969 Resolução nº 1201000.646 S1C2T1 Fl. 9 8 compensada caracteriza crédito de recolhimento indevido ou a maior, passível de ser reconhecido para compensação, em que a data do direito creditório deva ser computada a partir da respectiva data do recolhimento. g) cientificar o contribuinte, facultandolhe a apresentação de contestação. h) Devolver o processo ao CARF, em seguida. 3 Conclusão. Voto pela realização da diligência descrita no voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 159DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.001125/2008-26
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. DESATENDIMENTO DE PRESSUPOSTO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
Numero da decisão: 9202-007.498
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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RECURSO ESPECIAL. DESATENDIMENTO DE PRESSUPOSTO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 11 25 /2 00 8- 26 Fl. 215DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD (Debcad nº 37.142.0849) relativa a contribuições sociais, correspondente à parte dos empregados e parte da empresa, inclusive a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, além das destinadas aos terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE), incidente sobre bolsas de estudo e cestas básicas distribuídas aos segurados empregados. Em sessão plenária de 19/04/2012, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 280301.517 (fls. 131 a 137), assim ementado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 02/2004 a 12/2004 FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO IN NATURA SEM ADESÃO AO PAT – NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO O valor referente ao fornecimento de alimentação in natura aos empregados, sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho PAT, não integra o salário de contribuição por possuir natureza indenizatória, conforme parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 aprovado pelo Exmo Sr Ministro da Fazenda. BOLSAS DE ESTUDO DE GRADUAÇÃO E PÓS GRADUAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE O pagamento de bolsas de estudo de graduação e pósgraduação enquadrase na exceção legal prevista na alínea “t”do § 9° do art. 28 da lei 8.212/91, não se constituindo em salário de contribuição. Recurso Voluntário Provido O processo foi encaminhado à PGFN em 28/05/2012 (Despacho de Encaminhamento de fl. 139) e, em 28/05/2012, foi interposto o Recurso Especial de fls. 140/154 (Despacho de Encaminhamento de fl. 191), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, visando rediscutir a matéria “fornecimento de alimentação in natura, sem adesão ao PAT”. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2300 610/2013, datado de 18/09/2013 (fls. 193 a 195). A Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos: o presente apelo objetiva esclarecer que os valores fornecidos em pecúnia aos empregados a título de auxílioalimentação integram o saláriode contribuição, já que pagos em desacordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT); de acordo com o previsto no art. 28 da Lei nº 8.212/91, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades; Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13888.001125/200826 Acórdão n.º 9202007.498 CSRFT2 Fl. 3 3 a recompensa em virtude de um contrato de trabalho está no campo de incidência de contribuições sociais. Porém, existem parcelas que, apesar de estarem no campo de incidência, não se sujeitam às contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991; conforme disposto na alínea “c”, do § 9º, do art. 28, da Lei nº 8.212/91, o legislador ordinário expressamente excluiu do saláriodecontribuição a parcela “in natura” recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321/1976; para fins de beneficiarse da não incidência da contribuição previdenciária, deve o contribuinte satisfazer determinados requisitos exigidos na legislação de regência, dentre eles a comprovação da participação em programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho, mediante a sua inscrição no PAT, o que não foi cumprido pelo contribuinte; inexistindo comprovação de participação do contribuinte no PAT, é inequívoco que a verba paga a título de auxílioalimentação não está incluída na hipótese legal de isenção, prevista na alínea “c”, § 9º, art. 28, da Lei nº 8.212/1991; ainda que o contribuinte estivesse regularmente inscrito no PAT, outro requisito que deve ser observado: que o auxílioalimentação seja pago “in natura”, de acordo com a expressa disposição do art. 28, da Lei nº 8.212/1991 e 3º, da Lei nº 6.321/76; o PAT não admite o fornecimento do auxílioalimentação em pecúnia, consoante se depreende do art. 4º, do Decreto nº 5/1991 que regulamenta o programa; a alimentação em pecúnia não constitui qualquer das modalidades de fornecimento estabelecida no PAT; a isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e dessa forma, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I; ao se admitir a não incidência da contribuição previdenciária sobre tal verba, paga aos segurados empregados em afronta aos dispositivos legais que regulam a matéria, teria que ser dada interpretação extensiva ao art. 28, § 9º, e seus incisos, da Lei nº 8.212/1991, o que vai de encontro com a legislação tributária; onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de se violar os princípios da reserva legal e da isonomia; caso o legislador tivesse desejado excluir da incidência de contribuições previdenciárias a parcela paga em pecúnia referente ao auxílioalimentação teria feito menção expressa na legislação previdenciária, mas, ao contrário, fez menção expressa de que apenas a parcela paga “in natura” não integra o saláriodecontribuição; a Lei n ° 10.243/01 alterou a CLT, mas não interferiu na legislação previdenciária, pois esta é específica; Fl. 217DF CARF MF 4 o art. 458 da CLT referese ao salário para efeitos trabalhistas, para incidência de contribuições previdenciárias há o conceito de saláriode contribuição, com definição própria e possuindo parcelas integrantes e não integrantes; as parcelas não integrantes estão elencadas exaustivamente no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/91; a prova mais robusta de que a verba para efeito previdenciário não coincide com a verba para incidência de direitos trabalhistas, é fornecida pela própria Constituição Federal; conforme o art. 195, § 11 da Carta Magna, os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei; pela singela leitura do texto constitucional é possível afirmar que para efeitos previdenciários foi alargado o conceito de salário; não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, deve persistir o lançamento; Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 18/03/2015 (Aviso de Recebimento AR de fl. 215), o Contribuinte, em 23/03/2015 ofereceu as Contrarrazões de fls. 200 a 210, alegando, em síntese, o que segue: o número do processo referido no Recurso Especial da Fazenda Nacional é diferente daquele atribuído aos presentes auto; o recurso é interposto contra a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal e, no presente feito, a requerida é a empresa Harpex Artfatos de Madeira LTDA; a recorrente sustenta que não se conforma com o acórdão que foi prolatado as fls. 295/300 dos presentes autos. Ocorre que este processo não tem as folhas apontadas, sendo que o acórdão foi prolatado as fls. 131/137; o recurso é parcialmente equivocado no que se refere a duas informações que são passadas para os julgadores: · sustenta a recorrente que somente a entrega de produtos in natura é que autoriza a isenção pretendida (junta inclusive decisões do Superior Tribunal de Justiça neste sentido); · sustenta ainda que a requerida não era inscrita no PAT; salientase que a empresa autuada, entrega aos empregados exatamente os alimentos in natura, no caso cestas básicas, então a informação passada pela recorrente está totalmente equivocada e divorciada das provas dos autos; a empresa autuada era sim anteriormente inscrita no PAT, mas por falha dos departamentos daquela quando da fiscalização tinham esquecido de renovar a inscrição, que foi obrigatório até o ano de 2000, quando a inscrição passou a ser feita uma única vez; no recurso da fazenda Nacional argumentase que, conforme decisões reiteradas e pacificas do STJ, somente no caso de entrega de alimento in natura é que seria passível de isenção a empresa autuada e junta uma série de decisões do STJ; Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13888.001125/200826 Acórdão n.º 9202007.498 CSRFT2 Fl. 4 5 o posicionamento da recorrente converge exatamente para a realidade dos fatos, pois como dito anteriormente a empresa autuada entregava exatamente alimentos in natura aos empregados; a tese apresentada pela recorrente ó favorável à empresa autuada, afastando o interesse da fazenda em recorrer em face dos argumentos apresentados; A lei n° 6.321/1976 instituiu o PAT, sendo que tal norma foi regulamentada pelo Decreto n° 05 de 14/01/1991; pela ausência de cadastro junto ao PAT por um determinado período, entendeu a agente fiscalizadora que a cestas básicas entregues sempre in natura aos trabalhadores, passariam a ter natureza tributável, circunstância não autorizada pela lei; a norma acima determina que poderá ocorrer a perda do incentivo fiscal e a aplicação das penalidades cabíveis, assim as multas já foram aplicadas na DEBCAD 37.142.0857, e a perda do incentivo fiscal, se refere ao direito de dedução no imposto de renda, não quanto a eventual alteração da natureza jurídica e tributária dos alimentos in natura fornecidos ao empregado; A grande diferença é que existem empresas que nunca forma filiadas ao PAT e outras que eram filiadas e por falha administrativa não efetuaram a renovação anualmente; esta segunda condição é a que se enquadra a empresa autuada, ou seja, estava devidamente inscrita no PAT já há muitos anos e por uma falha administrativa de seus empregados esqueceu de renovar a inscrição, o que para a justiça é uma falha administrativa passível de reparo, que não importa na isenção do benefício; neste sentido os tribunais têm decidido que o pagamento de cesta básica in natura ao empregado, não importa em aplicação de contribuição previdenciária sobre tais parcelas; somente poderíamos debater a possibilidade de integração de tal verba na contribuição previdenciária, se ocorresse a ausência de filiação/cadastro ao PAT e o pagamento de tal verba fosse efetuada em dinheiro o que não é o caso. Reproduz jurisprudência; conforme pode ser verificado na normalização vigente desde 1999 a exigência de renovação anual acabou por força da Portaria Interministerial n° 5, de 30 de novembro de 1999, alterada pela portaria ministerial n°. 70 de 22/07/2008; a própria norma administrativa entendeu que a renovação anual era uma exigência despropositada, revendo seu posicionamento anterior, a recorrida foi beneficiada pela norma revista que isentava a empresa de renovar a inscrição no PAT novamente; Requer, por fim, a manutenção da decisão a quo. Fl. 219DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Conforme relatado, temse NFLD relativa a exigência de contribuições sociais, correspondente à parte dos empregados e da empresa, inclusive a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, além das destinadas aos terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE), incidente sobre bolsas de estudo e cestas básicas distribuídas aos segurados empregados. Contudo, a matéria trazida à apreciação deste Colegiado cingese à incidência de referidas contribuições, quando descumprido o requisito legal de inscrição do sujeito passivo no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Primeiramente, importa salientar que erros meramente formais identificados no apelo (número do processo, nome da empresa, número das folhas do acórdão recorrido ou outros do gênero) por não importar em prejuízo ao contribuinte ou mesmo ao exame das alegações recursais, a meu ver, não constituem óbice a seu conhecimento. De outra parte, no acórdão recorrido, deuse provimento ao Recurso Voluntário ao argumento de que o valor referente ao fornecimento de alimentação in natura aos empregados, sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho, não integra o salário de contribuição por possuir natureza indenizatória, conforme Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda. A Fazenda Nacional, por sua vez, requer seja conhecido e provido o presente Recurso Especial, para reformar o acórdão recorrido e restaurar o inteiro teor da decisão de primeira instância administrativa, visto que os valores fornecidos em pecúnia aos empregados, a título de auxílioalimentação, integram o saláriodecontribuição, já que pagos em desacordo com o PAT. Em sede de Contrarrazões, oferecidas tempestivamente, a contribuinte recorre a jurisprudência STJ que entende não incidir contribuições previdenciárias em relação ao auxílio alimentação pago in natura. Antes de proceder à análise dos paradigmas, importa salientar que estamos diante de Recurso Especial de Divergência, e que esta somente se caracteriza quando, perante situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, em face do mesmo arcabouço jurídiconormativo. Feitas essa breves considerações, afigurase necessário esclarecer que, no caso do acórdão recorrido, o recurso voluntário foi provido tendo em vista que, mesmo sem adesão ao PAT, a empresa forneceu aos segurados empregados alimentação in natura, ou seja, cestas básicas. Esse fato é corroborado pelo Relatório Fiscal (fls. 33/35) o qual esclarece: 5.2. Contribuições devidas sobre o salário in natura, cestas básicas, fornecidas aos empregados no período 09/2004 a Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13888.001125/200826 Acórdão n.º 9202007.498 CSRFT2 Fl. 5 7 12/2004, sem que a empresa estivesse devidamente inscrita no PAT — Programa de Alimentação do Trabalhador, conforme Notas Fiscais lançadas na conta "3500200134 — PROGRAMA DE ALIM. TRABALHO", Levantamento CB. 5.2.1. O valor das cestas básicas, sem a devida inscrição da empresa no PAT , integra o saláriodecontribuição, para todos os fins e efeitos, conforme artigo 28, § 9% letra "c", da Lei n° 8.212/91, c/c art. 214, § 9% inciso III, e § 10 do RPS — Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. (Grifouse) Vejase que, a despeito do que afirma a Fazenda Nacional, não há nos autos qualquer evidência de que o pagamento tenha sido feito em dinheiro. O Relatório Fiscal e claro no sentido de que a empresa forneceu cestas básicas a seus empregados. Nesse contexto, o paradigma apto a demonstrar a alegada divergência seria representado por julgado em que, diante de situação fática similar – fornecimento de alimentação in natura (cestas básicas ou mesmo refeições preparadas) se entendesse pela incidência das contribuições devidas à Seguridade Social em vista da não inscrição da empresa no PAT. Entretanto, analisando o inteiro teor do primeiro paradigma Acórdão nº 20601.313 verificase que a decisão ali adotada foi motivada pelo fato de a parcela intitulada “ajuda alimentação” ter sido paga em pecúnia. Confirase: No que tange aos auxílios alimentação e transporte, os dispositivos que tratam dos mesmos são as alíneas "c" e "f' do § 9° do art. 28 da Lei n°8.212/1991, respectivamente, abaixo transcritos: [...] A alimentação em pecúnia não constitui qualquer das modalidades de fornecimento estabelecida no PAT, as quais podem se dar pelas seguintes modalidades: [...] Portanto, o fornecimento de alimentação em pecúnia paga junto com a folha de salários integra o salário de contribuição. (Grifouse) Com efeito, a leitura dos excertos colacionados, permite concluir pela inexistência de qualquer dissídio interpretativo, uma vez que as diferentes soluções a que chegaram os acórdãos recorrido e paradigma não decorreram de divergência jurisprudencial, mas sim do conjunto fático específico de cada processo. No recorrido, verificouse que a empresa fornecia cestas básicas aos trabalhadores, contudo sem a devida inscrição no PAT. Diferentemente disso, no paradigma o que motivou o lançamento foi o pagamento de ajuda alimentação em pecúnia que, segundo consta, não se constitui em qualquer das modalidades de fornecimento estabelecida no Programa de Alimentação administrado pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Nestas circunstâncias, em virtude da ausência de similitude fática, não se verificou caracterizada a divergência. Fl. 221DF CARF MF 8 Quanto ao segundo paradigma Acórdão 20601.462 percebese mais uma vez que as circunstâncias descritas em referida decisão não guardam a necessária identidade com aquela retratada no decisum atacado. É que no aresto paradigmático, conquanto a contribuinte não esteja regularmente inscrita no PAT, a concessão do benefício é feita por meio de vale alimentação/refeição e não com o fornecimento de cestas básicas, como, repisese, verificase no caso em questão. Senão vejamos trechos do Acórdão 20601.462: Afora as demais discussões a respeito da matéria, o certo é que nos termos do artigo 28, § 9°, da Lei n° 8.212/91, não integram o salário de contribuição as importâncias recebidas pelo empregado ali elencadas, sendo defeso a interpretação de referida previsão legal extensivamente, de forma a incluir outras verbas, senão aquela (s) constante (s) da norma disciplinadora do "beneficio" em comento, a pretexto de meras ilações desprovidas de qualquer amparo legal ou fático, sobretudo quando os pagamentos foram efetuados aos funcionários da empresa sem qualquer observância às normas legais. Nessa toada, tendo a contribuinte concedido a seus segurados empregados Vale Alimentação/Refeição e Indenização do labor em intervalo para descanso e/ou alimentação (intervalo intrajomada), sem levar em consideração os preceitos legais que disciplinam o tema, não há que se falar em não incidência de contribuições previdenciárias sobre referidas verbas, por se caracterizarem como salário de contribuição, impondo a manutenção do feito. (Grifouse) Forçoso concluir mais uma vez pela inexistência de dissídio interpretativo, tendo em vista que as diferentes soluções a que chegaram os acórdãos recorrido e paradigma não decorreram de divergência jurisprudencial, mas sim das especificidades fáticas de cada um dos casos. Em razão da dessemelhança entre situação retratada nos autos e os casos trazidos a cotejo, não há como se afirmar que os colegiados prolatores de tais decisões chegariam a conclusão análoga, caso estivessem diante do cenário aqui refletido. Em razão do exposto, tendo em vista que os paradigmas indicados não lograram caracterizar a divergência alegada, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 222DF CARF MF
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