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Numero do processo: 13603.901695/2008-67
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO A QUE CORRESPONDE, NA TIPI, A NOTAÇÃO NT. DERIVADO DE PETRÓLEO. PRODUTO IMUNE. CABIMENTO.
O chamado crédito presumido de IPI, concedido e disciplinado pelas Leis nos 9.363/96 e 10.276/01, alcança a exportação de produto submetido a processo industrial que, em razão da imunidade prevista pela CF/88, artigo 155, § 3o, corresponder à notação NT na TIPI.
Numero da decisão: 3403-001.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan (relator) e Antonio Carlos Atulim. Designado o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Marcos Tranchesi Ortiz - Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO A QUE CORRESPONDE, NA TIPI, A NOTAÇÃO “NT”. DERIVADO DE PETRÓLEO. PRODUTO IMUNE. CABIMENTO. O chamado “crédito presumido de IPI”, concedido e disciplinado pelas Leis nos 9.363/96 e 10.276/01, alcança a exportação de produto submetido a processo industrial que, em razão da imunidade prevista pela CF/88, artigo 155, § 3o, corresponder à notação “NT” na TIPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan (relator) e Antonio Carlos Atulim. Designado o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Marcos Tranchesi Ortiz Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 16 95 /2 00 8- 67 Fl. 419DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente sobre a DCOMP de fls. 9 a 2261, buscando compensar saldo credor de IPI (R$ 450.189,77) apurado no 4o trimestre de 2003. Na composição do saldo credor, há créditos básicos e crédito presumido de IPI (fls. 39 e 162). Por meio do Termo de Verificação Fiscal de fls. 303 a 311, concluise que: (a) a empresa adquire lacres para manter invioláveis os tambores que acondicionam seus produtos, que não podem ser considerados como material de embalagem, glosandose o crédito correspondente (R$ 145,00); e (b) no que se refere ao crédito presumido, parte dos produtos exportados (óleos lubrificantes) eram NT (nãotributados), devendo ser excluídos do cômputo, ocasionando glosa de R$ 61.445,69. A autoridade local da RFB acata o Termo de Verificação Fiscal e indefere parcialmente o pleito (fls. 282), reconhecendo direito creditório de R$ 388.599,08. Em sua manifestação de inconformidade (fls. 269 a 281), a empresa não questiona a glosa referente aos lacres, informando que efetuaria o correspondente pagamento, mas solicita reconhecimento total do crédito presumido, pois o art. 1o da Lei no 9.363/1996 não exige que as mercadorias sejam tributadas pelo IPI. Em 18/3/2011, no julgamento de primeira instância (fls. 372 a 377), analisa se exclusivamente a questão do crédito presumido (tendo a empresa pago o imposto relativo à matéria não contestada, referente à aquisição de lacres), acordandose: (a) pela falta de amparo legal para o reconhecimento do crédito de IPI para produtos exportados classificados na TIPI como “NT”; e (b) pelo reconhecimento de crédito presumido no valor de R$ 13.014,54, referente a créditos acumulados no segundo e no terceiro trimestres de 2003, segundo dados apurados pela fiscalização (demonstrativo de fl. 359), reduzindose a glosa a R$ 48.431,15. Cientificada da decisão em 2/5/2011 (fl. 382), a empresa apresenta recurso voluntário em 30/5/2011 (fls. 383 a 393), no qual argumenta que: (a) o objetivo do benefício estabelecido pela Lei no 9.363/1996, que tem origem na Medida Provisória no 948/1995, é desonerar as exportações, aumentando a competitividade dos produtos brasileiros, não exigindo a lei que as mercadorias sejam tributadas pelo IPI, mas apenas que sejam mercadorias nacionais destinadas a exportação; (b) o ressarcimento é de “PIS” e COFINS e o mecanismo para tal ressarcimento é o crédito presumido de IPI, sendo irrelevante o fato de o produto exportado ser classificado como “NT” na TIPI; e (c) a inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI das receitas decorrentes de exportação de produtos classificados na TIPI como “NT” é tema pacificado no âmbito do CARF. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 420DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 13603.901695/200867 Acórdão n.º 3403001.907 S3C4T3 Fl. 420 3 Voto Vencido Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. A matéria controversa em sede de Recurso Voluntário restringese à oposição à glosa do crédito presumido pela autoridade fiscal, em virtude da exclusão das exportações de produtos “NT” da apuração do benefício. O crédito presumido em comento é estabelecido na Lei no 9.363/19962, que dispõe, nos arts. 1o, 2o, 3o e 6o que: “Art. 1o A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art.2oA base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. Art.3o (...) Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. (...) Art.6oO Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais 2 A Lei no 10.276/2001 estabelece forma alternativa de creditamento, reconhecendo a aplicação subsidiária da Lei 9.363/96 em seu art. 1o, parágrafo 5o. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador.” (grifo nosso) Não há dúvidas de que o benefício criado pela Lei no 9.363/1996 objetivava desonerar as exportações, aumentando a competitividade dos produtos brasileiros, como afirmado no Recurso Voluntário. Mas a simples leitura dos comandos legais já mostra que tal benefício não é amplo a ponto de abarcar quaisquer produtos nacionais exportados. Vejase que o caput do art. 1o fala em ressarcimento à empresa “produtora e exportadora” relativo a aquisições no mercado interno de bens para “utilização no processo produtivo”. Como se destaca na informação fiscal e no julgamento de piso, extraindose conceito da Lei do IPI (Lei no 4.502/64), com autorização expressa do parágrafo único do art. 3o da Lei no 9.363/1996, estabelecimento produtor é aquele que industrializa produtos sujeitos ao imposto. Não é, assim, irrelevante o fato de o produto exportado ser não industrializado ou classificado como “NT” na TIPI. A Portaria MF no 64, de 24/3/20033, com autorização expressa da lei (art. 6o da Lei no 9.363/1996) estabeleceu, no inciso II do § 12 de seu art. 3o: “§ 12. Para os efeitos deste artigo, considerase: (...) II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de produtos industrializados nacionais;” (grifos nossos) É de se destacar, aqui, que o pedido que dá ensejo a este processo (DCOMP transmitida em 14/1/2004, e referente ao 4o trimestre de 2003) ocorre sob a égide da referida Portaria MF, na qual o Ministro da Fazenda usa regularmente da competência legalmente atribuída. Assim, não se pode admitir a inclusão dos produtos “NT” e não industrializados no cômputo da receita bruta de exportação. E percebase que não se está a violar o art. 111 do CTN, seja porque tal comando trata especificamente de isenções, ou simplesmente porque a interpretação apontada como restritiva ao benefício é expressamente autorizada pelo legislador ordinário. Aliás, esse é o entendimento explicitado pelo STJ, em julgados recentes: “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVOS REGIMENTAIS NOS RECURSOS ESPECIAIS. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. FORMA DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES REFERENTES A AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS E PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. TAXA SELIC. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 993.164/MG. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NÃO TRIBUTADO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. 1. O STJ já se manifestou pela legalidade da limitação imposta pelas IN SRF 313/2003 e 419/2004, de cômputo dos valores referentes a exportação de produtos não tributados na base de 3 Disciplinada pelas IN SRF 313/2003 (Lei 9.363/96) e 315/2003 (alternativaLei 10.276/2001). Fl. 422DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 13603.901695/200867 Acórdão n.º 3403001.907 S3C4T3 Fl. 421 5 cálculo do crédito presumido do IPI, na medida em que, a própria Lei 9.363/96 admitiu a possibilidade de ampliação ou restrição do conceito de "receitas de exportação" por norma de hierarquia inferior. Precedentes: REsp 982.020/PE, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 14/02/2011 e AgRg no REsp 1236305/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 16/05/2011. 2. Tendo em vista que, além do reconhecimento do direito da contribuinte a computar, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, os valores referentes aos insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, houve o deferimento da pretensão de correção monetária de tais valores, concluise que houve o decaimento da Fazenda em maior proporção.” 4 (grifo nosso) O STJ notoriamente comunga do entendimento pela regularidade da definição infralegal de “receita de exportação”: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS. ARTS 1º, 2º E 6º, DA LEI N. 9.363/96. (...). ILEGALIDADE DO ART. 2º, §2º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA 23/97. LEGALIDADE DO ART. 17, §1º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 313/2003. CORREÇÃO MONETÁRIA. (...). (...) 2. O art. 2º, § 2º, da Instrução Normativa n. 23/97, impôs limitação ilegal ao art. 1º da Lei n. 9.363/96, quando condicionou gozo do benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. Tema já julgado pelo recurso representativo da controvérsia REsp. n.993.164/MG, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 13.12.2010. 3. O art. 17, §1º, da IN SRF n. 313/2003, não viola o art. 2º, da Lei n. 9.363/96, pois encontra guarida no art. 6º, da mesma lei, que admitiu que o conceito de "receita de exportação" (componente da base de cálculo do benefício fiscal) ficaria submetido a normatização inferior, podendo, inclusive, ser restringido ou ampliado, conforme a teleologia do benefício e razões de política fiscal. 4. O tema da correção monetária dos créditos escriturais de IPI é matéria sumulada neste STJ (Súmula 411/STJ: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco") e já foi objeto de julgamento pela sistemática para recursos repetitivos prevista no artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, no REsp. Nº 1.035.847 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009. 4 AgRg no REsp 1239952/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, unânime, julgado em 08/05/2012, DJe 14/05/2012. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 5. A compensação tributária submetese ao regime em vigor na data do ajuizamento da demanda. Tema que já foi objeto de julgamento no recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.137.738 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 9.12.2009.” 5 (grifo nosso) Improcedente, então, o pleito de inclusão dos produtos NT e não industrializados no cômputo da receita bruta de exportação. Por fim, em relação à afirmação de que a inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI das receitas decorrentes de exportação de produtos classificados na TIPI como “NT” é tema pacificado no âmbito do CARF, inclusive na CSRF, incumbe ressaltar que os julgados apresentados se referem a apreciações feitas pelo tribunal na década passada (de 2002 a 2008), em grande parte sob a influência de normas como a Portaria MF no 38, de 27/2/1997 (revogada pela retrocitada Portaria MF no 64, de 24/3/2003), que contemplava de forma alargada o benefício. Em julgados mais recentes (e que se referem a períodos em que a Portaria MF no 64, de 24/3/2003 já estava vigente), verificase que a jurisprudência majoritária é no sentido oposto ao apontado pela recorrente (seja no que se refere a produtos “NT” ou a produtos não industrializados). Em que pese o fato de tais julgamentos (assim como os trazidos no Recurso Voluntário) não vincularem a presente decisão, é de se transcrever abaixo excertos de acórdãos recentes (inclusive desta Turma), que demonstram o exposto: “Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EXCLUSÃO. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, o montante correspondente à exportação de produtos não tributados (NT) deve ser excluído no cálculo do incentivo, tanto no valor da receita de exportação quanto no da receita operacional bruta. (...)” 6 “Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003. (...) CRÉDITO PRESUMIDO. IPI. DEFINIÇÃO DE RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. RESTRIÇÃO A BENS NÃO INDUSTRIALIZADOS. PROCEDÊNCIA. A definição de “receita de exportação” estabelecida nas Portarias do MF encontra expresso amparo no art. 6o da Lei n o 9.363/1996. (...)”7 “IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃOTRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE DE GOZO DO INCENTIVO. O caput do art. 1º da Lei 9.363/96, ao dispor que “a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados [...]” revela, de antemão, que o direito a aludido crédito se restringe a pessoa jurídica que, 5 REsp 982.020/PE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, unânime, julgado em 03/02/2011, DJe 14/02/2011. 6 Acórdão 3803003.586, CARF, 3a Turma Especial, Quarta Câmara, Terceira Seção, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânime, Sessão de 23.out.2012. 7 Acórdãos 3403001.735, 736, 737 e 738, CARF, Terceira Turma Ordinária, Quarta Câmara, Terceira Seção, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, maioria, Sessão de 26.set.2012. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 13603.901695/200867 Acórdão n.º 3403001.907 S3C4T3 Fl. 422 7 cumulativamente, satisfaça às seguintes condições: seja produtora e exportadora de mercadorias nacionais. O alcance conceitual do termo “empresa produtora”, por expressa disposição legal contida no parágrafo único do artigo 3° da Lei n° 9.363/96, deverá ser aquele objeto da legislação do IPI, aplicável para a definição “[...] de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem”. Nesse âmbito, o artigo 6o da Lei no 10.451/02 exclui do campo de incidência do IPI os produtos relacionados na TIPI com a notação “NT” (nãotributado). Ainda, o artigo 3o da Lei no 4.502/64 considera “estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto”. Como os produtos gravados na TIPI como “NT” estão fora do campo de incidência do IPI, tais produtos, portanto, para fins do referido imposto, não podem ser considerados como advindos de um processo de industrialização, não sendo, pois, abrangidos, pelo incentivo de que trata o crédito presumido do IPI.” 8 “IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS NÃO SUBMETIDAS A PROCESSO INDUSTRIAL. DESCABIMENTO. O chamado “crédito presumido de IPI”, concedido e disciplinado pelas Leis nºs 9.363/96 e 10.276/01, beneficia tãosomente o produtor exportador, assim compreendida a pessoa jurídica que realiza operação de industrialização segundo os conceitos definidos pela legislação do IPI.” 9 “IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício, os produtos nãotributados (NT).” 10 8 Acórdão 3802000.739, CARF, 2a Turma Especial, Quarta Câmara, Terceira Seção, Rel. Cons. Francisco José Barroso Rios, unânime, Sessão de 21.nov.2011. 9 Acórdão 3403001.295, CARF, Terceira Turma Ordinária, Quarta Câmara, Terceira Seção, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, Sessão de 9.nov.2011. 10 Acórdão 9303001.450, CSRF, Rel. Cons. Gilson Macedo Rosenburg Filho, qualidade, Sessão de 30.mai.2011. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 8 Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado, mantendo a decisão de piso. Rosaldo Trevisan Fl. 426DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 13603.901695/200867 Acórdão n.º 3403001.907 S3C4T3 Fl. 423 9 Voto Vencedor Segundo depreendo do voto do ilustre relator, Conselheiro Rosaldo Trevisan, o crédito presumido do IPI a que se referem as Leis nos 9.363/96 e 10.276/01 não alcançaria a exportação de produtos quaisquer produtos, enfatizese aos quais corresponda, na TIPI, a notação “NT”. De minha parte, tenho orientado meus posicionamentos a respeito em sentido distinto. Parcialmente distinto, para ser mais exato. É o que procurarei expor a seguir. Realmente, as Leis nos 9.363/96 e 10.276/01, nas quais o incentivo foi instituído e disciplinado, impõem ao beneficiário o desempenho de “produção”. Confirase: “Art. 1o. A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos. 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo.” “Art. 1o. Alternativamente ao disposto na Lei no. 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento.” A mesma Lei no 9.363/96 circunscreve o que se há de compreender por “produção”, para fins de determinação dos beneficiários do direito por ela outorgado. É o que se lê do seu artigo 3o, parágrafo único, segundo o qual o sentido do vocábulo coincide com aquele definido pela “legislação” do IPI. Vejase: “Art. 3o. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem.” Sendo este o contexto normativo em que se insere a pretensão, peço vênia para reproduzir aqui as considerações externadas pelo Conselheiro Júlio César Alves Ramos, lançadas ao ensejo do julgamento de recurso voluntário interposto nos autos do processo no 13909.000124/200283, sob o qual se instalou controvérsia análoga à presente. Vejamos: Fl. 427DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 10 “Com isso, pareceme fora de qualquer discussão que o beneficiário do instituto criado em 1996 tem de ser um estabelecimento produtor na forma do que preceitua a legislação do imposto. (...) Ora, a legislação do IPI referida na norma tem como âncora a Lei no. 4.502 que, desde 1964, define o que seja produção para efeitos do IPI em seu artigo 3o: ‘Art. 3o. Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: I – o conserto de máquinas, aparelhos e objetos pertencentes a terceiros; II – o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto; III – o preparo de medicamentos oficiais ou magistrais, manipulados em farmácias, para venda no varejo, diretamente a consumidor, assim como a montagem de óculos, mediante receita médica; IV – a mistura de tintas entre si, ou com concentrados de pigmentos, sob encomenda do consumidor ou usuário, realizada em estabelecimento varejista, efetuada por máquina automática ou manual, desde que fabricante e varejista não sejam empresas interdependentes, controladora, controlada ou coligadas.’ Mas nesse contexto original, cabia sim interpretar o alcance das expressões ‘alterar o acabamento ou a apresentação do produto’. Os diversos decretos que aprovaram regulamentos do IPI (RIPI) delimitaram o alcance das expressões contidas na lei ao definir, com precisão, cinco modalidades de industrialização. No período das exportações promovidas pela recorrente, o que vigia era ainda o RIPI baixado pelo decreto de no. 87.981, de 1982. Seu artigo 4o. assim regulamentava a definição de industrialização (disposição repetida em todos os regulamentos posteriores): ‘Art. 4o Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei no. 4.502, de 1964, art. 3o, parágrafo único, e Lei no. 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I – a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II – a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); Fl. 428DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 13603.901695/200867 Acórdão n.º 3403001.907 S3C4T3 Fl. 424 11 III – a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV – a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo qual a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V – a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados.’ Como se observa, a regulamentação, embora aprofundasse o alcance das expressões originais, ainda deixava aberto o campo de interpretação quanto aos limites das alterações que devem ser promovidas pelo ‘produtor’ sobre o produto para que se configure uma industrialização. Por este motivo, esta Câmara, por maioria, tem entendido possível ao contribuinte demonstrar o cumprimento dos requisitos previstos nesse dispositivo para enquadrarse como ‘produtor’, ainda que o seu produto esteja indicado na TIPI como NT. Dentre as modalidades ali definidas ressalvese que de modo exemplificativo duas parecem cogitáveis ao caso concreto: o beneficiamento e o acondicionamento. (...) Divirjo desse entendimento, embora deixando registrado que não concordo com o simples argumento de que basta o produto ser NT na TIPI para que o beneficio se torne incogitável. Cumpre esclarecer esse meu posicionamento. É que entendo que aquela tabela, igualmente baixada por meio de decreto regulamentar expedido pela Presidência da República, vem exatamente para impedir interpretações divergentes, no âmbito administrativo, acerca do que seja industrialização para efeito do IPI. (...) vêse que o que seja industrialização, mesmo com a definição que lhe deram tanto a Lei quanto o Decreto, pode ainda, em muitos casos, ser objeto de interpretações diversas. Para efeito de IPI, porém, toda discussão cessa diante da TIPI, pois é exatamente para dirimir qualquer dúvida nesse aspecto que ela é baixada. Não cabe, pois, ao agente administrativo considerar que o produto que ali esteja definido como não industrializado seja industrializado, ou viceversa. Trocando em miúdos, sempre que uma dada operação aparentemente puder enquadrarse como industrialização é aquela norma regulamentar que dirimirá, no âmbito das Fl. 429DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 12 obrigações atinentes ao IPI, o correto entendimento (ao menos, o correto na visão do Poder Executivo, de onde provém), e de forma vinculante a todos os aplicadores do direito integrantes de sua estrutura administrativa. E é claro que esse entendimento pode ser contestado pelos contribuintes, mas então há de ser objeto de apreciação pela instância constitucionalmente capaz: o Poder Judiciário. Nessa esteira é que entendo que não podem os aplicadores do direito não integrantes do Poder Judiciário ultrapassar as definições emanadas da TIPI no que se refere ao alcance do conceito de industrialização para efeito do IPI. Mas, como disse, esse posicionamento tampouco autoriza que se remeta automática e acriticamente à TIPI para desconfigurar o direito do postulante ao crédito presumido de que trata a Lei no. 9.363/96, apenas porque na TIPI o produto apareça como NT. E isso porque nem todos os produtos que ali aparecem com tal expressão o fazem por serem produtos não industrializados. De fato, muitos, sem dúvida a maioria, o são. Mas ao lado deles há também os casos da imunidade conferida a alguns produtos. Para eles também a TIPI reserva a expressão NT, desde que aquela não incidência não dependa de qualquer condição. No que respeita apenas à aplicação do IPI não faz qualquer diferença o motivo: sendo NT, o produto está fora do campo de incidência daquele imposto e quem o produz nenhuma obrigação tem com respeito ao tributo. Mas, quando se examina a TIPI com olhos no benefício da Lei no. 9.363/96, isso faz sim diferença, pois ela não exigiu, e nisso a recorrente tem inteira razão, que os produtos exportados estejam no campo de incidência do IPI. O que ela exige é que eles tenham sido submetidos a uma operação de industrialização. E, como espero ter deixado claro, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.”. A notação “NT” da TIPI é, portanto, polissêmica. Designa prioritariamente mercadorias que, ao menos sob a perspectiva do Executivo Federal, não resultem de processo industrial. Mas designa residualmente também produtos que, conquanto industrializados, tenham sido postos à margem da competência impositiva em matéria de IPI por obra de regra imunizante. Digo, aliás, que a norma de imunidade, nestes casos, tem razão de ser justamente porque são industrializados os produtos nela mencionados. Fossem produtos in natura ou obtidos de processos não industriais, não teria cabimento imunizálos, já que por obra de pura e simples nãoincidência ficaram a salvo da imposição tributária. Pois é disso que se trata nestes autos. Os produtos a que a ora recorrente dá saída para exportação são óleos lubrificantes, derivados de petróleo que, embora originados de processo industrial, recebem a notação “NT” na TIPI justamente porque o artigo 155, § 3o da CF/88 lhes confere imunidade frente ao IPI. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 13603.901695/200867 Acórdão n.º 3403001.907 S3C4T3 Fl. 425 13 Com estas considerações, peço vênia ao ilustre relator para dele divergir neste particular, a fim de reconhecer o direito ao crédito presumido vindicado pela ora recorrente e de dar provimento a seu recurso voluntário. É como voto. Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 431DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 12259.001103/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2301-000.195
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Redator(a) Designado(a). Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Leonardo Henrique Pires Lopes, que votaram em
dar provimento ao recurso. Redator Designado: Adriano Gonzáles Silvério.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Resolvem os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Redator(a) Designado(a). Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Leonardo Henrique Pires Lopes, que votaram em dar provimento ao recurso. Redator Designado: Adriano Gonzáles Silvério. Marcelo Oliveira Presidente Damião Cordeiro de Moraes Relator Adriano Gonzales Silvério – Redator Designado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL (CBF), em face de decisão prolatada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro (DRJ/RJ01), que julgou procedente o lançamento fiscal. 2. Segundo o relatório fiscal, o lançamento de débito referese às contribuições sociais, equivalentes à retenção para a seguridade social, no percentual de 11% (onze por cento) sobre o valor bruto das notas fiscais/faturas emitidas por diversas empresas prestadoras de serviço, com cessão de mãodeobra, no período de 01/2002 a 01/2003 – 04/2003 a 01/2004 – 03/2004 a 06/2005 e 09/2005, cujos serviços encontramse elencados no artigo 219, § 2º (I, II, XII e XXII), do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 (ff. 48 a 53). 3. O acórdão recorrido restou ementado nos termos que se transcreve: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 30/09/2005 CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL. CESSÃO DE MÃODEOBRA OU EMPREITADA. RESPONSABILIDADE PRINCIPAL DA EMPRESA CONTRATANTE PELA RETENÇÃO DE 11% E RESPECTIVO RECOLHIMENTO. É devida a contribuição à Seguridade Social incidente sobre a renumeração paga aos segurados empregados das empresas contratadas (art. 20 e art. 22, I, II, III da Lei 8.212/91). O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra responde pela retenção de 11% sobre os valores pagos às empresas contratadas e pelo repasse à Seguridade Social, a título de antecipação de recolhimento das contribuições das empresas contratadas. (Artigo 31, caput, da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 9.711/98). Lançamento Procedente” 4. Inconformada, a recorrente apresentou recurso voluntário aduzindo em síntese o seguinte: a) que somente a Fazenda Previdenciária possui legitimidade para exigir da recorrente às contribuições devidas pelas empresas prestadoras de serviços, caso haja a anterior verificação do não recolhimento por parte dessas empresas, sob pena de cobrança em duplicidade, e, consequentemente, enriquecimento ilícito do Fisco; b) que o regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) não se coaduna com a retenção dos 11%, estabelecida em norma geral aplicável a todos os contribuintes. Dessa forma, seria inexigível a referida retenção em relação às empresas optantes por essa sistemática de recolhimento de tributos; c) indevida exigência da retenção dos 11%, a título de contribuição previdenciária, sobre os serviços que não foram prestados de forma contínua, não caracterizando cessão de mãodeobra. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12259.001103/200991 Resolução n.º 2301000.195 S2C4T2 Fl. 503 3 5. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados a esta Câmara para apreciação do recurso voluntário. É o relatório Fl. 524DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Voto Vencido Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, Relator DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DO LANÇAMENTO 2. A controvérsia central dos autos envolve a incidência de contribuição previdenciária no percentual de 11% sobre o valor bruto dos serviços prestado mediante cessão de mãodeobra, contidos em Nota Fiscal, Fatura ou Contrato, não retida e não recolhida pela contratante, no período 01/01/2002 a 30/09/2005. 3. Como é cediço, a prestação de serviços, com a cessão de mãodeobra, ocorre quando a empresa prestadora de serviços (cedente) cede sua a mãodeobra de seus trabalhadores à empresa contratante (tomador). 4. A propósito, sobre essa matéria tanto o Decreto 3.048/99, em seu artigo 219, parágrafo 1º, quanto a Lei de Custeio, em seu artigo 31, §2º, conceituam a cessão de mão de obra da seguinte forma: Art. 219 (...) § 1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros.” Art. 31 (...) § 2º Exclusivamente para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.1997). 5. Do conceito de cessão de mãodeobra, destacase a necessidade do preenchimento dos seguintes requisitos cumulativos: a) os prestadores devem ficar à disposição do tomador, submetidos a seu poder de comando, o qual gerencia a realização do serviço; b) a execução das atividades ocorrerá no estabelecimento comercial do tomador de serviços ou de terceiros. 6. Além do mais, destaco ainda a ‘continuidade dos serviços’ como outro requisito previsto em lei, ou seja, o serviço em si deve ser contínuo, independentemente da Fl. 525DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12259.001103/200991 Resolução n.º 2301000.195 S2C4T2 Fl. 504 5 rotatividade de prestadores de serviços que a empresa tomadora contrate. É dizer: não importa se o prestador ou o trabalhador será o mesmo, e sim que o serviço seja contínuo. 7. E considerando que no caso em questão, o lançamento foi fundamentado no artigo 31, da Lei no 8.212, de 1991, exigese, assim, a caracterização dos serviços mediante cessão de mão de obra no bojo do relato fiscal. 8. No entanto, o relatório fiscal não mencionou em nenhum momento se os prestadores estavam submetidos ao poder de comando da empresa recorrente (tomadora), se a natureza do serviço era contínuo, se o serviço realmente envolvia mão de obra. Enfim, constatase que não houve, por parte do fisco, qualquer embasamento fático e jurídico para a constituição do lançamento, vez que ausente a motivação necessária para fundamentar a lavratura da notificação. 9. É importante esclarecer que o contribuinte foi intimado a apresentar vários documentos listados no termo de intimação para apresentação de documentos (TIAD) (ff. 41 e 42). De acordo com o termo de encerramento da ação fiscal (TEAF), constatase que foram analisadas as folha de pagamento, Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), comprovantes de recolhimento e outros elementos. (f. 43) 10. Desta forma, descabe o argumento fazendário de que o fisco poderia caracterizar a cessão de mão de obra em face da não apresentação de documentação pela empresa, pois foi constatado no TEAF que o fisco examinou diversos documentos entregues pela empresa recorrente. 11. Além disso, da leitura do relatório fiscal depreendese que os serviços apontados pelo fisco mediante cessão de mão de obra não foram devidamente caracterizados, apenas foi feita uma referência indeterminada, como por exemplo: “Manutenção Granja Comari”, “Credenciamento” e “Treinamento” (f. 49). Outrossim, a fiscalização apenas juntou aos autos um dos contratos com as prestadoras de serviço (ff. 62 a 65). 12. Dessa forma, verificase que não há qualquer menção, nos contratos juntados ao processo, sobre a cessão de mão de obra. Assim, as prestações de serviço contratadas pela recorrente tiveram a referências genéricas dos seus objetos no lançamento fiscal. 13. Considerando que cumpre à administração tributária apontar todos os elementos necessários à configuração do fato gerador, não há como deixar de considerar o lançamento insubsistente por não comprovar a materialidade da regra matriz de incidência da contribuição. 4 Até mesmo os critérios utilizados pelo fisco para chegar aos valores do débito não foram devidamente esclarecidos pela autoridade lançadora. 15. A doutrina sustenta o seguinte: “O lançamento é ato singular que se faz proceder de procedimentos preparatórios e que se faz suceder de procedimentos revisionais, podendo ser declarado, ao cabo, subsistente ou insubsistente, no todo ou em parte, em decorrência do controle do ato administrativo pela própria administração” (Sacha Calmon Navarro Coelho. Liminares e Fl. 526DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 Depósitos Antes do lançamento por Homologação – Decadência e Prescrição. 2 ed. Dialética. p. 68) 16. Com efeito, cumpre destacar que o art. 50 da Lei n.º 9.784/99 sustenta a necessidade de os atos administrativos, que neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses, serem motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos. 17. A propósito, a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, trata em seu art. 2º que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, ao princípio da motivação. 18. Isto porque, a atividade administrativa de lançamento requer a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como preceitua o CTN, em seu art. 142. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 19. Nesse sentido, o próprio art. 37, da Lei 8.212/91, dispõe que a fiscalização deverá lavrar notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores: “constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.” [g.n.] 20. Acrescento ainda que o relatório fiscal é a peça essencial para propiciar o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo da obrigação tributária, assim como a adequada análise do crédito. 21. Nesse aspecto, é cediço que não se pode vincular a recorrente a uma determinada obrigação tributária, sem que haja comprovação da ocorrência do fato gerador que ensejou tal cobrança, vez que o onus probandi cabe ao fisco. 22. Feitas essas considerações, dou provimento ao recurso voluntário nos termos acima delineados. CONCLUSÃO 23 Por todo o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, tendo em vista a ausência de caracterização de cessão de mão de obra ou empreitada. Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 527DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12259.001103/200991 Resolução n.º 2301000.195 S2C4T2 Fl. 505 7 Voto Vencedor Conselheiro Adriano Gonzales Silvério, Redator Designado Pedi vista desses autos para melhor examinar a alegação do recorrente no sentido de que algumas empresas prestadoras de serviços estavam enquadradas no SIMPLES e, por isso, os serviços por estas efetuados não poderiam estar sujeitos à retenção de 11%. A argumentação tecida no recurso voluntário toma importância na medida em que o Colendo Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o Recurso Especial nº 1.112.467, em regime de recurso repetitivo, decidiu que dado o enquadramento em regime especial de tributação, não deveria haver a proclamada retenção previdenciária. Ressalto, outrossim, que o acórdão proferido nos autos do recurso especial transitou em julgado em 28/09/2009, como aponta o sítio daquele Egrégio Tribunal Superior, razão pela qual esse Colegiado Administrativo, por força do previsto no artigo 62A do seu Regimento Interno deve aplicar o entendimento sufragado pelo Poder Judiciário. Analisando a documentação carreada aos autos, bem como em consulta ao sitio do Simples Nacional, em especial na Consulta de Optantes verifiquei o seguinte: i) há indícios de que a empresa Vigma era optante do Simples no período lançado, haja vista constar exclusões entre os períodos 01/07/2007 a 31/12/2008 e 01/01/2009 a 31/12/2010; ii) a empresa Casa Service Teresópolis declara às fls. 72 dos autos de que é optante do Simples. Porém na consulta ao sitio do Simples Nacional não há registros de opção em períodos anteriores; e iii) em relação à empresa Condo Service Teresópolis, a fiscalização aponta, às fsl.18, que a empresa é optante do Simples, porém na consulta ao sitio do Simples Nacional não há registros de opção em períodos anteriores. Diante das divergências constatadas e no intuito de bem cumprir o quanto fixado no artigo 62A do Regimento Interno do CARF, bem como garantir a ampla defesa e o contraditório prestigiado pela Carta Magna no artigo 5º, inciso LV, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que o Fisco aponte, mediante prova documental, quais das empresas arroladas pela fiscalização como prestadoras de serviços estavam enquadradas no Simples no período da autuação e, em caso de exclusão, comprove os efeitos dos atos emanados pela autoridade competente, dando ciência da diligência ao contribuinte. Adriano Gonzales Silvério Fl. 528DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 13609.900580/2008-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2003 Ementa: PAGAMENTO A MAIOR. SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade deve-se permitir a retificação da Dcomp quando é patente o erro material no seu preenchimento e que tenha ficado bem configurada a divergência entre o que foi apresentado e o que queria ser apresentado, revelado pelo próprio contexto em que foi feita a declaração. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. O sujeito passivo que apurar crédito tributário líquido, certo e passível de restituição ou de ressarcimento poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF, respeitadas as normas vigentes para a sua utilização.
Numero da decisão: 1401-000.735
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade devese permitir a retificação da Dcomp quando é patente o erro material no seu preenchimento e que tenha ficado bem configurada a divergência entre o que foi apresentado e o que queria ser apresentado, revelado pelo próprio contexto em que foi feita a declaração. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. O sujeito passivo que apurar crédito tributário líquido, certo e passível de restituição ou de ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF, respeitadas as normas vigentes para a sua utilização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente Fl. 118DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13609.900580/200803 Acórdão n.º 1401000.735 S1C4T1 Fl. 119 2 (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, João Carlos de Figueiredo Neto e Jorge Celso Freire da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 0223.053, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo HorizonteMG. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante na decisão de primeira instância: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório n° rastreamento 757724371 emitido eletronicamente em 24/04/2008 (fl. 08), referente ao PER/DCOMP n° 10999.91612.300304.1.3.048977 (fls. 01/05). DO DESPACHO DECISÓRIO O Despacho Decisório proferido pela DRF Sete Lagoas não homologou a compensação declarada, nos seguintes termos: ' Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$246.025,55. A partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida em 30/03/2004 com o objetivo de compensar o débito código receita: 24841 CSLL Demais PJ que apuram o IRPJ com base em estimativa mensal, do mês de fevereiro de 2004/ vencimento em 31/03/2004, no valor de R$200.000,00 (fl. 05), com crédito de pagamento indevido ou a maior de CSLL, data de arrecadação 30/01/2004 (fl. 02). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Fl. 119DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13609.900580/200803 Acórdão n.º 1401000.735 S1C4T1 Fl. 120 3 Cientificado do Despacho Decisório, em 06 de maio de 2008 (fl. 09), protocolou a Manifestação de Inconformidade de fls. 13/21, documentação de fls. 22/42 e 55/104, com as argumentações a seguir sintetizadas: apurou crédito relativo a tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), passível de restituição ou ressarcimento. Solicitou à SRF a compensaçaão de tais valores por meio de PER/DCOMP, no valor de R$200.000,00, nos termos da Instrução Normativa nº 376, de 23 dezembro de 2004. Das razões para a Reforma do Despacho Decisório equivocouse a autoridade, uma vez que verificando os documentos anexados (DARFs, PER/DCOMP e a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), percebese que a empresa faz jus à homologação do crédito, não por se tratar de pagamento indevido, mas por tratar de se saldo negativo de CSLL. ressalta que cometeu erro no preenchimento do PER/DCOMP, ao informar como crédito Pagamento Indevido ou a Maior e o correto era crédito de saldo negativo sobre a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. não pode ser prejudicada na compensação de saldo negativo de tributos por causa de simples erro material no preenchimento do PER/DCOMP. diz que, a jurisprudência do Conselho de Contribuintes demonstra indubitavelmente que simples erro ao preencher qualquer tipo de obrigação acessória não pode acarretar no ‘perdimento do direito’, transcrevendo ementas neste sentido. erro material não afeta em nada o direito em ter o crédito declarado devidamente homologado, uma vez que o próprio Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966) – art. 170, autoriza o contribuinte a compensar créditos tributários. ressalta que a legislação aplicável ao caso deve ser aquela que era utilizada na época da realização da Declaração de Compensação. tanto na lei ordinária (art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996) quanto na Instrução Normativa nº 210, de 2002, que à época disciplinava sobre a restituição e a compensação de tributos federais, não havia regra quanto a não homologação do crédito tributário por simples hipótese de erro material. o PER/DCOMP utilizado foi aprovado pela Instrução Normativa nº 376, de 2003, sendo que a referida instrução pode tãosomente fazer com que seja aplicada corretamente a lei em seu sentido estrito. ilustra o entendimento com texto do professor Antônio Carlos Rodrigues do Amaral, que diz que as instruções normativas são vinculantes para os agentes públicos, mas não podem criar obrigações para os contribuintes que já não estejam prevista na lei ou no decreto dela decorrente. aos processo tributários administrativos são aplicados inúmeros princípios constitucionais e legais que condicionam toda a atividade estatal, coibindo os procedimentos fiscais que porventura, ao exigir tributos e penalidades, não são desenvolvidos dentro dos limites legais e de acordo com os princípios inerentes do ordenamento jurídico. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13609.900580/200803 Acórdão n.º 1401000.735 S1C4T1 Fl. 121 4 a Lei nº 9.784, de 1999 que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, em seu art. 2º, dispõe sobre a obrigatoriedade de obediência aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, ampla defesa, contraditório, dentre outros. um dos princípios primordiais para melhor decisão da presente lide é o princípio da verdade material. Ressalta que a autoridade julgadora é obrigada a decidir com base nos fatos que representam a realidade vivenciada pelo contribuinte, sempre partindo dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Reforça, citando entendimento do Conselho de Contribuintes. Diante de todo o exposto, requer o recebimento e provimento in totum da Manifestação de Inconformidade, para que seja reformado o Despacho Decisório, no sentido de reconhecer integralmente os créditos declarados pelo contribuinte. É o Relatório. A DRJ, por unanimidade de votos, INDEFERIU a solicitação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2004. Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da origem do crédito tem a mesma natureza de uma Declaração de Compensação de débitos não homologados o que não é permitido pela legislação. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na manifestação de inconformidade. Esta Quarta Câmara baixou o julgamento em diligência para verificar a liquidez e certeza do Crédito. Às fls. 112/113, consta pronunciamento da Fiscalização em sentido quase totalmente favorável à Recorrente. A Recorrente foi cientificada do Relatório Final de Diligência concordando parcialmente com o mesmo (fls. 111/115), insurgindose apenas quanto a falta de execução imediata do encontro de contas entre crédito e débitos. É o relatório. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13609.900580/200803 Acórdão n.º 1401000.735 S1C4T1 Fl. 122 5 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Em apertada síntese, a Recorrente alega que cometera erro material no preenchimento da DCOMP, uma vez que indicou equivocadamente Crédito de Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL ao invés de saldo negativo de CSLL, do Exercício de 2004, ano calendário2003. Por bem descrever os fatos, reproduzo abaixo trecho do voto da DRJ: Ao indicar Crédito de Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL, no processamento do PER/DCOMP n° 10999.91612.300304.1.3.048977 de fls. 01/05, objeto do presente processo, fezse eletronicamente, o batimento do DARF (indicado no PER/DCOMP fl. 03) com a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF (fls. 55/56). Nesta análise automática de créditos informados em PER/DCOMP, considerase: pagamento a maior, a diferença entre o pagamento efetuado em Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) e o valor alocado, nos sistemas de cobrança, ao respectivo débito confessado pelo sujeito passivo (DCTF). Na DCTF do 4o trimestre de 2003 (fl. 56) foi declarado, um débito de CSLL, para o mês de dezembro, no valor de R$4.597.374,37. Daí, a conclusão do Despacho Decisório n° rastreamento 757724371 emitido eletronicamente em 24/04/2008, que não existia crédito, não homologando a compensação declarada (valor do DARF é exatamente igual ao valor declarado em DCTF como débito de CSLL do mês de dezembro de 2003 fl. 56). . No caso de saldo negativo de IRPJ ou de CSLL, o processamento eletrônico da declaração de compensação, a partir do período'de apuração do saldo negativo informado pelo contribuinte no PER/DCOMP, consulta a DIPJ correspondente para confirmação da forma de tributação e de apuração no período,bem como a exatidão do saldo negativo apurado, para sua validação : A validação do saldo negativo informado pelo sujeito passivo na DIPJ e pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada pela análise das parcelas que compõem o crédito informadas no PER/DCOMP. As antecipações referentes a retenções na fonte, pagamentos por estimativa ou renda variável e estimativas compensadas são validadas mediante confronto com informações constantes nos sistemas da RFB. Percebese, que a estimativa do mês de fevereiro de 2003, parte foi efetivada por DARF (no valor de R$1.166,05 fl. 62) e parte por meio de PER/DCOMP n° 09444.54877.040603.1.3.049736 (processo n° 10620.900186/200659), no valor de R$ 120.000,00, não homologada (fl. 63). Uma vez que, não foi indicado corretamente a origem do crédito tributário, no caso saldo negativo de CSLL do Exercício de 2004, não houve a validação e a verificação da exatidão do referido saldo e consequentemente não houve o Fl. 122DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13609.900580/200803 Acórdão n.º 1401000.735 S1C4T1 Fl. 123 6 reconhecimento do direito creditório, competência do Delegado da Receita Federal do Brasil de origem do contribuinte. A DRJ, por seu turno, colocando ênfase no aspecto formal inadequado pelo qual a recorrente produziu o seu pedido, negou a solicitação nos seguintes termos: Assim, a alegação de erro de preenchimento da DCOMP não pode ser admitida, eis que, a retificação da origem do crédito tem a mesma natureza de uma Declaração de Compensação de débitos não homologados o que não é permitido pela legislação (artigo 56 da IN SRF nº 460 de 18/10/2004, 57 da IN SRF nº 600 de 28/12/2005 e 77 da IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que admitem a retificação da DCOMP apenas quando a mesma ainda se encontrar pendente de decisão administrativa). De fato, restou configurado que não existe pagamento a maior das estimativas pagas da CSLL (Cod. 2484), podendo existir porém em tese, saldo negativo da CSLL, situação esta que envolve inúmeras outras variáveis que devem ser levadas em conta para que se dê ou não a restituição/compensação. A recorrente se por um lado confundiu esses conceitos, por outro deixou inequívoco que sua intenção era mesma aproveitar o saldo negativo da CSLL do ano calendário de 2003. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade, devese permitir a retificação da Dcomp quando é patente o erro material no seu preenchimento, o que ficou configurado no caso concreto em que há divergência facilmente perceptível entre o que foi apresentado e o que queria ser apresentado, revelado no próprio contexto em que foi feita a declaração. É que o campo “Valor Original do Crédito Inicial” no contexto da Ficha de Pagamento Indevido, no valor de R$ 246.025,55 (fl. 02) coincidente com o valor do Saldo Negativo da CSLL também neste mesmo valor revela (fl.61) essa intenção e o conseqüente erro material. Nesse contexto, inclineime pela realização de uma diligência específica para que se transmutasse a situação de pagamento indevido para compensação de saldo negativo da CSLL para o anocalendário de 2003, levando a PER/Dcomp a tratamento manual e validasse o saldo negativo informado pelo sujeito passivo na DIPJ através da análise das parcelas que compõem o crédito informadas no PER/DCOMP. Às fls. 103 e 104 do presente processo consta retorno de diligência favorável à Recorrente, nos seguintes termos: Assim, s.m.j., iremos atender em parte aos diversos quesitos uma vez que entendemos não ser possível pelo menos no presente momento, o atendimento em sua totalidade. Desta forma realizamos o nosso trabalho de modo a validar o saldo negativo informado pelo sujeito passivo na DIPJ por meio da análise das parcelas que compõem o crédito informado no PER/DCOMP e verificar a certeza e liquidez do crédito tributário. Por conseguinte, os débitos remanescentes por ventura existentes bem como a transmutação da situação de pagamento indevido para compensação de saldo negativo da CSLL será feita em momento próprio após a decisão administrativo exarada por esse CARF. A validação do saldo negativo informado pelo sujeito passivo em DIPJ deve ser feita pela análise das parcelas que compõem o crédito informadas no Fl. 123DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13609.900580/200803 Acórdão n.º 1401000.735 S1C4T1 Fl. 124 7 PER/DCOMP em confronto com a totalidade das deduções informadas à ficha 17 da DIPJ, que se constituem entre outras, das antecipações referentes a CSLL mensal paga por estimativa e retenções na fonte. No caso concreto, o contribuinte informou na PER/DCOMP n.° 10999.91612.300304.1.3.048977 apenas uma parcela de pagamento da CSLL mensal por estimativa como formadora do saldo negativo da CSLL no valor de R$ 4.597.374,37 (folha 03), correspondente ao mês de dezembro de 2003. Em que pese tal procedimento, o contribuinte informou na DIPJ como única dedução a ser feita da CSLL devida, a parcela de CSLL mensal paga por estimativa no valor total de R$ 7.258.400,09 (folha 61), obtendo com isto como valor de CSLL a pagar, um saldo negativo de R$ 246.025,55. Um detalhe deve ser explanado. Na composição do valor total de R$ 7.258.400,09 o contribuinte declarou como débitos dos meses de janeiro (243.100,71), fevereiro (121.166,05), março (863.150,41), abril (1.433.608,55) e dezembro (4.597.374,37), conforme extrato da DCTF às folhas 94/95, os mesmos valores informados em DIPJ às folhas 57/60. No que se refere aos pagamentos, os mesmos foram confirmados nos sistemas da RFB conforme folha 62 acostados aos autos. Quanto ao total que compõe o mês de fevereiro, a parte declarada em DCTF (folha 63) como compensação por meio da DCOMP n.° 09444.54877.040603.1.3.049736 no valor de R$ 120.000,00, está sendo discutida administrativamente (processo de crédito n.° 10620.900186/200659 folha 96/97), sendo que R$ 18.679,67 já foram extintos por pagamento no processo de cobrança n.° 13609.720066/200888 (folhas 99/101), restando ainda um débito de R$ 101.320,33, que está sendo controlado noSIEF por meio do processo de cobrança n.° 13609.720175/200714 (folhas 98/99). Assim, podemos considerar como pago o valor total de R$ 7.258.400,09, ainda que, em tese, falte o pagamento de R$ 101.320,33, que se não foi ainda pago será cobrado, caso haja débito, após a solução da lide no processo n.° 10620.900186/200659. Do acima exposto, consideramos como correto o valor do saldo negativo informado pelo contribuinte na DIPJ do anocalendário de 2003, no valor de R$ 246.025,55. Em relação ao pedido de diligência de que nossa análise seja feita em conjunto com o processo n.° 13609.900282/200807, podemos dizer unicamente que o crédito de saldo negativo d eR$ 246.025,55 na verdade se trata do mesmo crédito. Este é inclusive o valor original do crédito inicial em ambas as declarações de compensação dos respectivos processos (folhas 02 e 102). Após a decisão exarada por esse* CARF e na eventual possibilidade de utilização de tal crédito para compensação do débito declarado na DCOMP deste processo, a compensação será feita e o saldo restante, por ventura existente, poderá ser utilizado na compensação do débito daquele processo ou viceversa. Este mesmo parágrafo consta do processo n.° 13609.900282/200807 com as alterações pertinentes. Como se vê a diligência apenas evidenciou o patente erro de fato cometido pela recorrente ao indicar a situação de pagamento a maior quando na verdade desejava aproveitar o saldo negativo, no caso da CSLL. A insurgência da Recorrente quanto ao procedimento da DRF não tem também razão de ser, pois em primeiro lugar o que ficou faltando é um procedimento apenas de execução por parte da DRF que será feita em momento oportuno após este julgamento e, por último, o presente voto já indicou desde o início a necessidade de se fazer essa “transmutação” e o subseqüente compensação dos débitos. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13609.900580/200803 Acórdão n.º 1401000.735 S1C4T1 Fl. 125 8 Por todo o exposto, dou provimento ao recurso para considerar o resultado de diligência que deu como líquido e certo o saldo negativo de CSLL de R$ 246.025,55, bem assim homologar as compensações nos limites dos créditos concedidos. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 125DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 10735.902257/2008-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA PESSOA JURÍDICA/IRPJ Ano calendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO SALDO NEGATIVO. Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, liquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional). Não restando comprovado, pelo interessado, o saldo negativo de IRPJ informado na DIPJ, não está comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado e, portanto, não deve ser reconhecido o direito creditório e não devem ser homologadas as compensações efetuadas. DIPJ RETIFICADORAS. PERDA DA ESPONTANEIDADE. Não se consideram espontâneas as DIPJ retificadoras apresentadas após ciência do Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas.
Numero da decisão: 1301-000.845
Decisão: Acordam os membros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao
recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA PESSOA JURÍDICA/IRPJ Ano calendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO SALDO NEGATIVO. Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, liquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional). Não restando comprovado, pelo interessado, o saldo negativo de IRPJ informado na DIPJ, não está comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado e, portanto, não deve ser reconhecido o direito creditório e não devem ser homologadas as compensações efetuadas. DIPJ RETIFICADORAS. PERDA DA ESPONTANEIDADE. Não se consideram espontâneas as DIPJ retificadoras apresentadas após ciência do Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma acordam, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10735.902257/200822 Acórdão n.º 1301000.845 S1C3T1 Fl. 2 3 Relatório 0 presente processo referese a Despacho Decisório emitido pela DRF/Nova Iguaçu, em que não é homologada a compensação declarada por meio do PER/DCOMP, mediante a seguinte fundamentação: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatase que não foi apurado saldo negativo, uma vez que na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ correspondente ao período de apuração do crédito informado no PER/DCOMP, consta imposta a pagar. Valor original do saldo negativo informada no PER/DCOMP com demonstrativo do credito: R$ 73.780,94. Valor do imposto a pagar na DIPJ: R$ 28.902,34. O indeferimento à compensação pleiteada foi mantida pela autoridade julgadora de primeira instancia sustentada com os seguintes argumentos: 1) A contribuinte deveria ter retificado a DIPJ ou a Dcomp antes da emissão do Despacho Decisório, tendo sido, inclusive, intimada para tal fim em 09/03/2007 (doc. fls. 105/106). 2) Os recolhimentos antecipados do IRPJ (estimativas) e as retenções na fonte constituem antecipações. Somente após encerrado o período de apuração e na hipótese de vir a ser apurado saldo negativo de IRPJ é que pode restar caracterizado direito liquido e certo possível de utilização para fins de restituição ou compensação com outros débitos. Em sede de recurso a interessada alega, em síntese: “não há qualquer fundamento legal que mande apresentar a retificadora antes dos despachos decisórios, e sim que apresente no prazo de cinco anos. Aduz, mais, “Se a página 14 (ficha 12A) da DIPJ original for verificada, observará valor a ser pago a titulo de IRPJ (como o sistema da Receita Federal acusou), porem, caso a Declaração fosse analisada por uma pessoa e não uma máquina (fato este que ocorreu no julgamento da Manifestação de Inconformidade), verificaria que nas páginas 07 e 10 (Ficha 11) constam pagamentos por estimativas, assim, como a empresa efetuou pagamento a maior do que deveria, tendo a mesma o saldo negativo para o exercício seguinte.” Afirma ainda, no recurso apresentado (fl. 122): “As argumentações da Receita Federal de que a empresa não apurou o saldo negativo, em conferencia com a DIPJ/2003 são inválidas, pois houve uma retificação na Declaração antes mesma da empresa ser notificada da decisão de não homologação da compensação, como segue em anexo.” Fl. 135DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 É o relatório. Passo ao voto. Voto Fl. 136DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10735.902257/200822 Acórdão n.º 1301000.845 S1C3T1 Fl. 3 5 Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Inicialmente ressalto que encontro nos autos (fl.01)o Despacho Decisório e documento que comprova a ciência do mesmo em 25/08/2008. A DIPJ retificadora encontrase anexada às fls. 26/97 com registro de entrega em 12/09/2008, portanto, ao contrário do afirmado pela recorrente, após a notificação da decisão da não homologação da compensação pretendida. Tal procedimento deixa de ser admissível, pois após a decisão denegatória da compensação equivaleria a alterar um lançamento. Mesmo admitindo tratarse de erro substancial, sua retificação significaria algo como alterar o "critério jurídico da compensação", ou seja, alterar sua própria essência. Como bem assentado no voto combatido, a teor do art. 170 do CTN (Lei 5.172, de 1966), na compensação de tributos o direito creditório alegado deve preencher dois requisitos: o da liquidez, concernente ao aspecto do montante do crédito; e, o da certeza, que diz respeito à prova incontestável do direito alegado. O ato de verificação da certeza e liquidez do indébito tributário, relativo ao saldo negativo, em sede de analise, pela DRF de origem, da declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo, não está limitado aos valores das antecipações recolhidas no curso do ano calendário, podendo atingir, também, a verificação da regularidade da determinação da base de calculo apurada pela contribuinte. Com efeito, o que a legislação tributária permite é a utilização, para compensação ou restituição, do valor do saldo negativo apurado no encerramento do ano calendário, de ocorrência do fato gerador do imposto devido, o qual pode ser influenciado pela incidência do IRFonte, estimativas pagas, etc., mas, substancialmente, é saldo credor ou negativo de IRPJ e CSLL. Enfim, conforme inicialmente disposto, a interessada, cientificada em 25/08/2008, (doc. de fl. 01), deixou de atender intimação com a finalidade de sanear as inconsistências apontadas pela DRF de origem, na época oportuna, ou seja, antes do Despacho Decisório. Por pertinente transcrevo o texto do Termo de Intimação: “Solicitase retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PERDCOMP retificador indicando corretamente o período de apuração do saldo negativo e, se for o caso, corrigindo o detalhamento do credito utilizado na sua composição. Outras divergências entre as informações do PERDCOMP, da DIPJ e da DCTF do período deverão ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido nesta intimação.” Na realidade, a recorrente pretende retificar o valor do crédito de saldo negativo de IRPJ informado na DIPJ após ciência do ato administrativo. Nesse caso, à luz do art. 7°, I, do Decreto n° 70.235/72, a espontaneidade fiscal do contribuinte restou afastada pela ciência do primeiro ato de ofício. Desta maneira, tornase irrelevante se o contribuinte possuía ou não créditos passíveis de ser compensados, é que a forma de utilização desses créditos, se existentes, deve obedecer aos procedimentos legais, ou seja, apresentação de DIPJ e PER/DCOMP tempestivamente e dentro das hipóteses legalmente admitidas para sua retificação, e não, como aqui se pretendeu, após a decisão denegatória da compensação pleiteada, apresentar DIPJ retificadora. Sem entrar no mérito de estar ou não comprovado o erro, no caso concreto, nos termos do art. 147 do CTN a retificação de declaração somente é admitida antes de notificado o lançamento. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Feitas essas considerações, em que pese os argumentos da recorrente, concluise que a decisão da autoridade administrativa proferida no despacho decisório questionado, bem como, o julgado em primeira instancia, atendeu as disposições administrativas que tratam do tema, estando correta em sua plenitude, nada devendo ser acrescentado ou alterado o que ali foi disposto, porquanto corretamente analisada a questão, tendo sido abordados pontos que mereceriam verificação, considerandose a plausibilidade ou não da restituição/compensação pleiteada. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 138DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10920.003085/2003-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA.
Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº9.250, de 1995, art. 4º, inciso II).
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-002.252
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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COMPROVAÇÃO. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 28/08/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Abaixo se transcreve o relatório da decisão recorrida, que bem espelha a motivação da autuação e as razões deduzidas na impugnação, verbis: Por intermédio do Auto de Infração de fls. 2 a 4, exigese do interessado o Imposto de Renda Pessoa Física — IRPF Suplementar de R$20.413,93, em razão de a autoridade revisora haver efetuado a glosa da dedução pleiteada a título de pensão alimentícia judicial (R$80.000,00), na declaração de ajuste apresentada para o exercício de 2001, anocalendário 2000. Os dispositivos legais que embasaram o lançamento constam do referido auto de Infração e no Demonstrativo das Infrações, à fl. 5, consta: "Dedução indevida a título de pensão alimentícia judicial. Devidamente intimado não apresentou a documentação solicitada". Inconformado com a exigência, o contribuinte apresenta a impugnação de fl. 1, nos seguintes termos: Venho por meio desta, solicitar o cancelamento imediato da cobrança do auto de infração IRPF, recebido em 01/10/2003, no valor de R$44.937,17, pela simples razão de que foram realizados depósitos no valor de R$80.000,00, conforme acordo judicial entre as partes. Segue anexo cópia, dos comprovantes bancários autenticados e do acordo judicial firmado pelo juiz Jaber Farh Filho. Compulsando os autos, vêse que o contribuinte juntou cópias dos pagamentos em favor de Márcia Otília Moritz (fl. 6) e petição de acordo nos autos de execução provisória de alimentos nº 38950024752, em seu nome e de Ana Carolina Maffezzolli e Camila Maffezzolli, ajustando pagar parcelas que montavam R$ 80.000,00 no anocalendário 2000 (fls. 7 a 9). Concluindo, vêse que o contribuinte declarou o montante de R$ 95.250,41 a título de rendimentos tributáveis (fl. 3). A 4ª Turma da DRJ/FNS, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0710.311, de 27 de julho de 2007, com a seguinte fundamentação (fl. 14), verbis: (...) Assim, as importâncias pagas a título de pensão alimentícia somente são dedutíveis do rendimento bruto quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. É o que determina a lei. O documento anexado às fls. 7 a 9 tratase de petição efetuada pelo impugnante, Ana Carolina Maffezzolli e Camila Maffezzolli, na qual expõem o que foi por eles deliberado para o deslinde de litígio em "ações de alimentos, execuções de alimentos, embargos do devedor e recursos pendentes ajuizados", dirigida ao Juízo de Direito da Vara de Família e Órfãos de Joinville, e não documento expedido pelo Juiz, como argüido na peça impugnatória. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10920.003085/200319 Acórdão n.º 2102002.252 S2C1T2 Fl. 2 3 Não há nos autos sentença/decisão homologada pelo Juiz determinando pensão alimentícia a ser paga. Assim, os depósitos bancários anexados pelo impugnante à fl. 6, em nome de Márcia Otília Moritz, não podem ser aceitos como dedução, sem que estejam estabelecidos em acordo ou decisão homologada judicialmente. Manifestome, assim, pela procedência do lançamento. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 13/09/2007. Irresignado, interpôs recurso voluntário em 28/09/2007. No voluntário, o recorrente alega, em síntese, pagou judicialmente a pensão alimentícia glosada, a partir de acordo celebrado em juízo, nos Autos de Execução Provisória de Alimentos nº 038950024752. Juntou cópia do termo de homologação da transação judicial (fl. 20), decreto de extinção de dívida na execução citada (fl. 24) e novamente a petição contendo o acordo homologado judicialmente (fls. 21 a 23). É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 13/09/2007, quintafeira (fl. 17), e interpôs o recurso voluntário em 28/09/2007 (fl. 18), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 15/10/2007, segundafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Apesar da precariedade da instrução processual, na qual sequer a autoridade preparadora juntou cópia da DIRPF do exercício auditado, a documentação juntada aos autos comprova claramente que o recorrente assumiu um compromisso a título de pensão alimentícia, no anocalendário 2000, no importe de R$ 80.000,00, em prol de suas filhas, encerrando litígio que envolveria diversas ações de alimentos, execuções de alimentos, embargos do devedor e recursos pendentes, como se vê na sentença homologatória de fl. 20, tudo secundado por cópia do acordo homologado (fls. 7 e seguintes). Considerando que a pensão alimentícia paga em decorrência das normas do direito de família são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física do alimentante (art. 78 do Decreto nº 3.000/99. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II)), entendo que se deve deferir a dedução do importe de R$ 80.000,00 da base de cálculo do IRPF. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 37DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 19515.001791/2007-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ e
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL
Anocalendário:
2002, 2003, 2004, 2005, 2006
DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ. MULTA DE OFÍCIO –
CABIMENTO A
Câmara Superior de Recursos Fiscais uniformizou a
jurisprudência no sentido de que, com o advento da DCTF, a partir do anocalendário
de 1998, o valor dos tributos informado na Declaração de
Rendimentos da Pessoa Jurídica passou a não mais representar confissão de
dívida passível de inscrição em Dívida Ativa, sendo correta a imputação da
multa de oficio sobre diferença de tributos não informada em DCTF.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA – DESCABIMENTO Conforme
Súmula 360
do STJ, o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos
a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a
destempo.
Numero da decisão: 1301-001.018
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Recorrida 4ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ. MULTA DE OFÍCIO – CABIMENTO A Câmara Superior de Recursos Fiscais uniformizou a jurisprudência no sentido de que, com o advento da DCTF, a partir do ano calendário de 1998, o valor dos tributos informado na Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica passou a não mais representar confissão de dívida passível de inscrição em Dívida Ativa, sendo correta a imputação da multa de oficio sobre diferença de tributos não informada em DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA – DESCABIMENTO Conforme Súmula 360 do STJ, o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (documento assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JÚNIOR Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.001791/200706 Acórdão n.º 1301001.018 S1C3T1 Fl. 2 3 Relatório Contra a pessoa jurídica Comercial e Distribuidora 5 de Agosto Ltda. foram lavrados autos de infração relativos ao IRPJ e à CSLL dos anos calendário de 2002 a 2006, em razão de os tributos informados nas respectivas DIPJs não haverem sido recolhidos nem declarados em DCTFs. Conforme noticia a autoridade autuante, em 20/06/2007, no curso da ação fiscal (que se iniciara em 18/12/2006)) a empresa encaminhou, via internet, Declarações de Débitos e Créditos. Não mais estando ao abrigo da espontaneidade, a autoridade fiscal encaminhou representação fiscal para o setor competente para as providências cabíveis, no sentido de evitar que os valores declarados nas DCTFs acima referidas alimente os sistemas de cobrança da SRF, evitando a cobrança em duplicidade, pois os valores constantes da mesma já estavam sendo constituídos por lançamento de ofício. Em impugnação tempestiva a contribuinte se insurge contra a multa lançada de ofício, alegandoa abusiva, confiscatória e caracterizadora de enriquecimento sem causa. Invoca, também, a denúncia espontânea. A autoridade preparadora apartou deste processo a parte não impugnada (principal e juros), mediante formalização de novo processo n° 16151.000476/200812, para possibilitar a sua cobrança em separado, prosseguindo o litígio apenas quanto à multa. A 4ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo julgou procedente a ação fiscal. Sobre a alegação de denúnica espontânea, assenta o voto condutor: Todavia, a Impugnante em nenhum momento comprova a confissão dos valores lançados, que, conforme provas e Termo de Verificação Fiscal de fls. 1071/1077, foram informados em DIPJ, mas não constam das DCTFs correspondentes. Como a DIPJ não é meio legal de confissão de dívida, e sim a DCTF, devese afastar de pronto as alegações da Impugnante, no que tange a aplicação, in casu, art. 138 do CTN. É de se acrescentar, a guisa de esclarecimento, que o instituto da denúncia espontânea prevê, ainda, o recolhimento do tributo e contribuição devidos com os acréscimos legais, o que, em se tratando de autuação por falta de recolhimento, obviamente, não ocorreu. Caso a empresa tivesse declarado em DCTF, antes do início do procedimento fiscal e da lavratura do Auto de Infração respectivo, os valores devidos, e se estes não fossem quitados, iriam ser encaminhados para cobrança, juntamente com os acréscimos legais. Ciente da decisão em 02 de outubro de 2009, a interessada ingressou com recurso em 23 do mesmo mês. Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI 4 Refuta o entedimento de que os valores lançados na DIPJ não autorizam a aplicação do art. 138 do CTN, porque aquela declaração não caracteriza meio legal de confissão de dívida, mas apenas a DCTF. Diz haver entendimento diverso a respeito desta matéria. Expõe que a DIPJ, até 1998, anocalendário 1999, era considerada como instrumento de declaração de dívida, modificada pelo art. 6º da IN SRF 127, de 30/10/998, e com a criação da DCTF (art. 1° da IN SRF n° 126 de 30/10/98). Aduz que a DIPJ continua a manter em seu bojo, todas as informações necessárias para se constatar a existência de dívida, propiciando ao Fisco a medida judicial executória. Menciona o Acórdão n° 10196.464, cuja ementa reproduz: MULTA DE OFÍCIO DIPJ CONFISSÃO DE DIVIDA – A DIPJ, comunicando a existência do crédito tributário não informado na DCTF, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito, devendo, assim, ser afastada a multa de ofício aplicada pela falta de declaração, na DCTF, dos mesmos valores, se já confessados na DIPJ, anteriormente ao lançamento. Pondera que o programa gerador da DIPJ, aprovado pela Instrução Normativa nº 642 de 31 de Março de 2.006, é destinado a informações econômicas e fiscais relativas ao IRPJ e a CSLL, além de inovações relativas à distribuição de lucro e à exclusão das fichas referentes às informações do PIS e da COFINS. E que, além disso, a Secretaria da Receita Federal do Brasil possui sistema de fiscalização à distância, pelos mais atuais como o SINTEGRA, SPED, RTT e FComp, que permite o cruzamento de dados informados na DIPJ, apontando as eventuais divergências no auto de infração ou solicitação de esclarecimentos por parte da SRF. Por isso, afirma que “a nomenclatura” de que somente a DCTF possui o condão de dívida confessada não espelha a realidade fática, pois a DIPJ contém por si, a mesma declaração de dívida que constaria na DCTF, o que permite a apropriação pela SRF de apurar o quantum devido, tanto assim que o auto de infração em comento cuidou do valor devido informado na DIPJ. Requer seja anulado o auto de infração, afastandose a multa de ofício aplicada pela falta de declaração na DCTF, dos mesmos valores, se já confessados na DIPJ, anteriormente ao lançamento, aplicandose o disposto no art. 138 do CTN. É o relatório. Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.001791/200706 Acórdão n.º 1301001.018 S1C3T1 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Os argumentos invocados pela Recorrente para cancelar a exigência da multa de ofício são, em síntese, que há divergência de entendimento quanto ao fato de a DIPJ não representar confissão de dívida e que, estando o débito informado na DIPJ deve ser aplicado o instituto da denúncia espontânea. A questão de a DIPJ constituir ou não confissão de dívida, foi muito discutida no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, não sendo uniforme a jurisprudência. Predominava o entendimento de que: (i) a partir do exercício 2000, anocalendário 1999, a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não mais se constitui em meio próprio para confissão de dívida; (ii) a partir do período de apuração de janeiro de 1999, somente por meio da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) é que os débitos tributários são confessados; (iii) os valores não informados como saldos a pagar em DCTF devem ser lançados de ofício, mesmo que constem de DIPJ. Essa não era a interpretação abraçada pela antiga Primeira Câmara (a exemplo do acórdão mencionado pela Recorrente). Os argumentos que respaldavam a interpretação divergente eram, em resumo, que: (i) Os §§ 1º e 2º do art. 5º do Decretolei nº 2.124/84 dispõem que o documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória informando o crédito constitui confissão de dívida, e o crédito tributário confessado poderá ser inscrito na dívida ativa da União; (ii). Como a entrega da DIPJ é uma obrigação acessória que informa o crédito apurado, não resta dúvida de que a DIPJ é instrumento de confissão de dívida, e os saldos a pagar dela constantes podem ser inscritos na dívida ativa. Esse dissídio jurisprudencial foi uniformizado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais por meio do Acórdão nº 910100.503, Sessão de 25 de janeiro de 2010, que dispôs: Acórdão n° 910100.503 — Primeira Turma CSRF ASSUNTO: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2003, 2004 DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ. MULTA DE OFICIO. CABIMENTO. Com o advento da DCTF, a partir do ano calendário de 1998 o valor dos tributos informado na Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica passou não mais representa confissão de dívida passível de inscrição em Dívida Ativa. Sob esse prisma, correta a imputação da multa de oficio sobre diferença de tributos não informada em DCTF. A Recorrente invoca o instituto da denúncia espontânea, alegando que os débitos já estavam declarados em DIPJ. Contudo, a dispensa de penalidade prevista no art. 138 do CTN só se consuma se a denúncia for acompanhada pelo pagamento. Há muito a Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI 6 jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido de que "o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" (Súmula 360/STJ). Referido entendimento foi reiterado no julgamento do REsp 962.379/ES, relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, submetido ao regime dos recursos repetitivos (art. 543C do Código de Processo Civil). Pelas razões expostas, NEGO provimento ao recurso. É como voto. Sala das Sessões, em 09 de agosto de 2012de agosto de 2012. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 11060.720506/2008-14
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMUNICAÇÃO TEMPESTIVA AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE.
A partir do exercício de 2001, para fins de redução no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, por expressa previsão legal, em se tratando de áreas de preservação permanente, é indispensável que se comprove que houve a comunicação, tempestivamente, ao órgão de fiscalização ambiental, por meio de documento hábil.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO.
O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.890
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua - VTN declarado. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre, Luiz Claudio Farina Ventrilho e Sandro Machado dos Reis. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em Exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcao Lima e Luiz Claudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMUNICAÇÃO TEMPESTIVA AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. A partir do exercício de 2001, para fins de redução no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, por expressa previsão legal, em se tratando de áreas de preservação permanente, é indispensável que se comprove que houve a comunicação, tempestivamente, ao órgão de fiscalização ambiental, por meio de documento hábil. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua VTN declarado. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre, Luiz Claudio Farina Ventrilho e Sandro Machado dos Reis. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 05 06 /2 00 8- 14 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11060.720506/200814 Acórdão n.º 2801002.890 S2TE01 Fl. 119 2 Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em Exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcao Lima e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/CGE/MS. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Trata o presente processo de Notificação de Lançamento (f.01/05), mediante a qual se exige a diferença de Imposto Territorial Rural — ITR, Exercício 2005, no valor total de R$ 31.868,00, do imóvel rural inscrito na Receita Federal sob o n° 1.031.0282, localizado no município de São Gabriel RS. Na descrição dos fatos, o fiscal autuante relata que foi apurada a falta de recolhimento do ITR, decorrente de glosa da área declarada como de preservação permanente. Houve alteração do valor da terra nua, em adequação aos valores constantes do SIPT. Em conseqüência, houve aumento da base de cálculo, da alíquota e do valor devido do tributo. A interessada apresentou a impugnação de f.28/35. Preliminarmente, levanta preliminar de nulidade do lançamento. Argumenta que as áreas de preservação permanente existem, de fato, no imóvel, conforme comprovado em Laudo. Alega que a legislação não obriga que o contribuinte comprove previamente o que foi declarado como área isenta. Aduz que a maior parte do imóvel não pode ser explorada economicamente. Alega que apresentou o ADA junto ao IBAMA. Anexa cópia de ADA protocolado em 29 de outubro de 2007. Questiona o valor da terra nua atribuído no lançamento, que afirma não corresponder As características do imóvel e a realidade de mercado da região. Afirma que deve ser aceito o valor veiculado por Laudo de Avaliação que apresentou. Solicita a realização de perícia.” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 71/79, que restou assim ementado: ÁREAS ISENTAS. PRESERVAÇÃO PERMANENTE. RESERVA LEGAL. REQUISITOS. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11060.720506/200814 Acórdão n.º 2801002.890 S2TE01 Fl. 120 3 Por exigência de Lei, para ser considerada isenta, a área de reserva legal deve estar averbada na Matricula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis e ser reconhecida mediante Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado dentro do prazo estipulado. O ADA é igualmente exigido para a comprovação das áreas de preservação permanente. VALOR DA TERRA NUA. O valor da terra nua, apurado pela fiscalização, em procedimento de oficio nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração, quando o contribuinte não apresentar elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. Regularmente cientificada daquele Acórdão em 02/03/2010 (AR fl. 82), a interessada, representada por seus advogados (fl. 36), interpôs o recurso de fls. 83/93, em 31/03/2010. Em sua defesa, pretende seja considerada a área de preservação permanente declarada na DITR sob exame, tendo em vista o Cadastro Técnico Federal, o Certificado de Regularidade e o Recibo do Ato Declaratório Ambiental ADA, relativo ao período de 2001 a 2007, que foi protocolado em 29 de outubro de 2007, bem como o Laudo Técnico contendo as coordenadas dos vértices definidores dos limites do imóvel rural georreferenciadas ao Sistema Geodésico Brasileiro e o Memorial Descrito da área em questão. Também aduz, que o Laudo Técnico apresentado, apesar de não ter sido realizado de acordo com a NBR 14.6533, e sim de acordo com a NBR 8.79985, exibe uma tabela com mais de cinco valores de mercado, coletados na data da base de cálculo do ITR, onde resta demonstrado vários valores de terra nua (hectares) de propriedades localizadas na mesma região do imóvel rural em questão. Conforme Resolução nº 2801000.129 (fls. 97/99), o julgamento foi convertido em diligência à Repartição de Origem para que a autoridade competente anexasse aos autos as informações do SIPT, para o exercício em análise e o município de localização do imóvel que embasaram o procedimento fiscal em apreço. Atendida a referida resolução, conforme documentos de fls. 113/114, os autos retornaram ao atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O lançamento cuida de glosa da Área de Preservação Permanente e alteração do Valor da Terra Nua (VTN) declarado. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11060.720506/200814 Acórdão n.º 2801002.890 S2TE01 Fl. 121 4 De plano, no que se refere à necessidade de Ato Declaratório Ambiental – ADA, para a exclusão da Área de Preservação Permanente da área tributável do imóvel, vale fazer uma recapitulação de parte da legislação referente ao ADA. Sua exigência, inicialmente, foi estabelecida no §4º, art. 10, da Instrução Normativa SRF nº 43, de 08 de maio de 1997, com a redação dada pela IN SRF nº 67, de 1º de setembro de 1997: “Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas: I de preservação permanente; II de utilização limitada. (...) § 4º As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR, observado o seguinte: (Redação dada pela IN SRF nº 67/97, de 01/09/1997) (...) II o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; (Incluído pela IN SRF nº 67/97, de 01/09/1997) (...)” (Grifos acrescidos). O Ibama, por sua vez, por meio da Portaria nº 162, de 18 de dezembro de 1997, cuidou, entre outras providências, de estabelecer o modelo do ADA, bem como instruções para preenchimento (pelos solicitantes) e recepção dos correspondentes formulários. Estabeleceu, em seu art. 1º: “Art. 1º. O Ato Declaratório Ambiental ADA, conforme modelo apresentado no anexo I da presente Portaria, representa a declaração indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de apuração do ITR.” (Grifos acrescidos) Posteriormente, a Lei 10.165, de 27 de dezembro de 2000, alterou a redação do §1º, art. 17O, da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, determinando a obrigatoriedade de utilização do ADA para fins de redução do valor a pagar do ITR: "Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n° 10.165. de 2000) § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do Fl. 121DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11060.720506/200814 Acórdão n.º 2801002.890 S2TE01 Fl. 122 5 imposto proporcionada pelo ADA (incluído nela Lei n° 10.165. de 2000) §1º. A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n°10.165, de 2000)" (grifos acrescidos) O § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, incluído pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, por sua vez, apenas estabelece que não se exige do declarante a prévia comprovação das informações prestadas na DITR em relação às áreas de preservação permanente e de utilização limitada: “§ 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis." (grifos acrescidos) Observese que o modelo do ADA não sofreu alteração desde a edição da Portaria Ibama nº 162, de 1997, até o advento da IN Ibama nº 76, de 31 de outubro de 2005, que expressamente revogou a mencionada Portaria e estabeleceu: “Art. 1º O Ato Declaratório Ambiental ADA representa o cadastro indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de isenção do Imposto Territorial Rural ITR. Parágrafo único. O ADA deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis obrigados a apresentação da Declaração de Imposto Territorial Rural DITR, que tenham informado: I a área de preservação permanente e/ou de utilização limitada, objetivando a isenção do lTR; e II a área de reflorestamento com essências exóticas ou nativas e a área extrativa no DIAT Documento de Informação e Apuração do ITR, conforme Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996; (...) Art 7º O declarante deverá apresentar o ADA em uma das modalidades que segue: I pela apresentação por meio eletrônico ADAWeb; II pela apresentação do formulário padrão conforme anexo I. (...) Art 9º O prazo de entrega do ADA será de 1º de janeiro a 31 de setembro do ano em exercício. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11060.720506/200814 Acórdão n.º 2801002.890 S2TE01 Fl. 123 6 Parágrafo único. Excepcionalmente, o prazo de entrega do ADA relativo a DITR2005 será até 31 de março de 2006 e para a DITR 2006 o prazo será de 1º de abril a 30 de setembro de 2006. Art 10. A apresentação do ADA se fará uma única vez, devendo ser apresentada uma declaração retificadora apenas quando houver alguma alteração dos dados informados na DITR. Parágrafo único. A Declaração Retificadora deverá ser feita em casos de alteração da dimensão de quaisquer das áreas, alteração de endereço ou alienação de parte ou toda a propriedade rural, dentre outras.” (Grifos acrescidos) Finalmente, a IN Ibama nº 76, de 2005 foi expressamente revogada pela IN Ibama nº 5, de 25 de março de 2009, a qual, entre outras determinações, definiu modelo de laudo técnico de vistoria de campo um dos documentos comprobatórios das declarações prestadas no ADA, passível de ser exigido em momento posterior à apresentação do ADA , deixou de contemplar o formulário padrão como um dos modelos de apresentação do ADA e determinou o prazo para a apresentação do ADA bem como de sua retificação: “Art. 1º O Ato Declaratório AmbientalADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial RuralITR, sobre estas últimas. (...) Art. 6º O declarante deverá apresentar o ADA por meio eletrônico formulário ADAWeb, e as respectivas orientações de preenchimento estarão à disposição no site do IBAMA na rede internacional de computadores www.ibama.gov.br ("Serviços online"). (...) § 3o O ADA deverá ser entregue de 1º de janeiro a 30 de setembro de cada exercício, podendo ser retificado até 31 de dezembro do exercício referenciado. (...) Art. 9º. Não será exigida apresentação de quaisquer documentos comprobatórios à declaração, sendo que a comprovação dos dados declarados poderá ser exigida posteriormente, por meio de mapas vetoriais digitais, documentos de registro de propriedade e respectivas averbações e laudo técnico de vistoria de campo, conforme Anexo desta Instrução Normativa, permitida a inclusão, no ADAWeb, das informações obtidas em campo, quando couber.” (Grifos acrescidos) Diante da legislação acima transcrita, que inclusive avança no tempo além do exercício em exame, verificase que a partir do exercício 2001 a Lei estabeleceu a utilização do ADA como um dos requisitos para que algumas áreas não sejam tributadas pelo ITR. Entre tais Fl. 123DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11060.720506/200814 Acórdão n.º 2801002.890 S2TE01 Fl. 124 7 áreas, sempre previstas na legislação, se incluem as de utilização limitada (Reserva Legal, Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN ou área declarada de Interesse Ecológico), de Preservação Permanente ou, mais recentemente, as de Servidão Florestal ou Ambiental (prevista nas Leis nos 4.771, de 1965, e 11.284, de 2 de março de 2006, averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente), as Coberta por Florestas Nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração (Lei no. 11.428, de 22 de dezembro de 2006) ou as Alagadas para Fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas, autorizada pelo poder público (Lei no 11.727, de 23 de junho de 2008). Inferese que essa foi a forma escolhida pela Administração Pública para evitar distorções e assegurar que a exclusão do crédito tributário está em consonância com a realidade material do imóvel. Importante destacar que a protocolização do ADA marca a data em que o interessado comunica ao órgão oficial de fiscalização ambiental a existência de áreas de interesse ambiental em seu imóvel rural e, em última análise, solicita que tais áreas sejam reconhecidas como tal pelo Poder Público inclusive para fins de redução do valor do ITR. Nesse contexto, por óbvio, deve haver prazo para a protocolização do formulário do ADA. Se tal prazo não for expressamente estabelecido em Lei, a rigor, ele expiraria na data de ocorrência do fato gerador, no caso do ITR, 1º de janeiro de cada exercício. Ocorre que o Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002, Regulamento do ITR, determina: “Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente (...); (...) § 2º A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e (...)”. (grifos acrescidos) Ora, para o exercício em questão, além do disposto nos atos já mencionados anteriormente, tal prazo estava estabelecido na IN SRF nº 256, de 11 de dezembro de 2002, art. 9º, § 3º, incs. I e II, sendo de seis meses, contado a partir da data final da entrega da DITR. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11060.720506/200814 Acórdão n.º 2801002.890 S2TE01 Fl. 125 8 Não obstante as considerações acima, não se pode esquecer que o formulário ADA apresentado pelo contribuinte ao Ibama ou órgão conveniado – até que haja uma vistoria pelo órgão competente e a ratificação ou retificação das declarações ali prestadas – restringese a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência, em seu imóvel, de áreas que têm, em última análise, algum interesse ecológico. Assim, no exame do caso concreto, se o principal fundamento do lançamento foi a protocolização intempestiva do ADA, como aqui se verifica, se faz necessário investigar se o contribuinte, até a data de ocorrência do fato gerador, já havia informado a órgão ambiental estadual ou federal a existência das áreas de interesse ecológico incluídas na DITR e se tais áreas estão devidamente identificadas e passíveis de serem ratificadas pelos órgãos competentes. Na espécie, ao contrário do afirma a peticionaria, o ADA com registro da Área de Preservação Permanente somente foi apresentado em 29/10/2007 (fl. 53). Ademais, nada há nos autos que comprove a comunicação a órgão de fiscalização ambiental acerca da existência da Área de Preservação Permanente informada na DITR em tela. Ressaltese que o Cadastro Técnico Federal (fl. 52), o Certificado de Regularidade (fl. 54) e o Relatório de Atividades referentes aos períodos de 2001 a 2006 (fls. 55/60), além de terem sido emitidos/apresentados em 2007, não fazem qualquer referência à Área de Preservação Permanente reclamada. Portanto, os argumentos apresentados não são hábeis a afastarem o acerto do lançamento e da decisão recorrida, mormente considerando que o que se busca nos autos é a comprovação do reconhecimento da referida área como de interesse ambiental, por intermédio de Ato Declaratório Ambiental ADA, emitido pelo IBAMA/órgão conveniado, ou, pelo menos, da comprovação do cumprimento, tempestivo, da solicitação deste requerimento, nos termos da legislação de regência. Quanto à alteração procedida pela fiscalização do VTN, importante trazer à colação o disposto na Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, art. 14: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Por sua vez, na época da edição da Lei nº 9.393, de 1996, a Lei nº 8.629, de 1993, art. 12, §1º, inciso II estabelecia: Fl. 125DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11060.720506/200814 Acórdão n.º 2801002.890 S2TE01 Fl. 126 9 “Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado. “ (grifos acrescidos) Registrese que a partir de 2001, a redação do art. 12 da Lei nº 8.629, passou a ser a seguinte: “Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Ilocalização do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IIaptidão agrícola; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) IIIdimensão do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IVárea ocupada e ancianidade das posses; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Vfuncionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) §1oVerificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) Fl. 126DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11060.720506/200814 Acórdão n.º 2801002.890 S2TE01 Fl. 127 10 §2oIntegram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §3oO Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela super avaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001)” Ante a legislação acima transcrita, depreendese que, nos casos de subavaliação do VTN, o lançamento de ofício deve considerar as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Ocorre que, no caso, conforme ficou constatado em procedimento de diligência, as informações disponíveis no SIPT, para o exercício em análise e o município de localização do imóvel, não decorrem de levantamentos efetuados pelas Secretarias de Agriculturas. Limitamse ao VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas, haja vista a consulta reproduzida no extrato de fl. 113. Ora, o VTN médio das declarações de ITR apresentadas referentes ao município de localização do imóvel, não permitem a generalização no tocante ao critério da capacidade potencial da terra, não sendo apto a justificar o arbitramento. Portanto, neste tocante, não pode prevalecer o lançamento, devendo ser restabelecido o VTN declarado. Na mesma linha dos fundamentos expostos, como razões de decidir, cito a ementa correspondente ao seguinte precedente: VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. (Ac. nº 280100.571, julgado em 17.06.2010, Rel. Cons. Amarylles Reinaldi e Henriques Resende) Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua VTN declarado. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11060.720506/200814 Acórdão n.º 2801002.890 S2TE01 Fl. 128 11 Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 128DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10880.000348/98-89
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997
LITÍGIO DECIDIDO EM ÚLTIMA INSTÂNCIA. NOVAS DECISÕES.
São nulas novas decisões prolatadas sobre matérias já decididas de forma definitiva, em última instância administrativa, cabendo à autoridade administrativa competente cumprir a decisão já proferida.
Processo Anulado
Numero da decisão: 3301-001.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para anular o processo a partir do segundo Despacho Decisório às fls. 1.566/1.570 (fls. 651/653), datado de 30/6/2008, em diante, inclusive a decisão recorrida, para que seja cumprido o Acórdão CSRF/02-02.181, às fls. 1.528/1.532 (fls. 614/618), datado de 23 de janeiro de 2006, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Anete Mair Maciel Medeiros, OAB/DF 15.787.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997 LITÍGIO DECIDIDO EM ÚLTIMA INSTÂNCIA. NOVAS DECISÕES. São nulas novas decisões prolatadas sobre matérias já decididas de forma definitiva, em última instância administrativa, cabendo à autoridade administrativa competente cumprir a decisão já proferida. Processo Anulado
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NOVAS DECISÕES. São nulas novas decisões prolatadas sobre matérias já decididas de forma definitiva, em última instância administrativa, cabendo à autoridade administrativa competente cumprir a decisão já proferida. Processo Anulado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para anular o processo a partir do segundo Despacho Decisório às fls. 1.566/1.570 (fls. 651/653), datado de 30/6/2008, em diante, inclusive a decisão recorrida, para que seja cumprido o Acórdão CSRF/0202.181, às fls. 1.528/1.532 (fls. 614/618), datado de 23 de janeiro de 2006, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Anete Mair Maciel Medeiros, OAB/DF 15.787. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 03 48 /9 8- 89 Fl. 4357DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que indeferiu pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI, apurado para o 3º trimestre de 1997, e não homologou as compensações dos débitos tributários declarados nos pedidos de compensação, juntados a este processo. Por meio do Despacho Decisório às fls. 1.566/1.570 (fls. 651/653), datado de 30/6/2008, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat) em São Paulo indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as compensações dos débitos fiscais declarados, sob o argumento de que, intimada, a recorrente não apresentou a documentação necessária para apuração da certeza e liquidez do ressarcimento do crédito presumido do IPI utilizado nas compensações. Inconformada com o indeferimento do seu pedido e a não homologação das compensações dos débitos declarados, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 1.585/1.606), alegando razões que foram assim sintetizadas por aquela DRJ: “a) o fato da contribuinte ter apresentado, equivocadamente o Livro de Apuração do IPI em vez do Livro Registro de Saídas não é motivo para indeferimento do pedido de ressarcimento de fls. 01, vez que a receita de exportação (informada no Demonstrativo da Receitas de Exportação) foi apurada pela conversão, em reais, de seu valor expresso em moeda estrangeira à taxa de câmbio fixada pelo Banco Central do Brasil, para compra, em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior, conforme disposto na Portaria MF n° 356/88, e não por ocasião da emissão da nota fiscal de exportação; b) para que não se alegue que a recorrente não apresentou os documentos solicitados, junta cópia do Livro Registro de Saídas relativo ao 2º trimestre de 1997; c) ocorreu homologação tácita das compensações pleiteadas às fls. 42 e 137, uma vez que, quando da ciência do despacho, já havia transcorrido o prazo de 5 anos da protocolização dos pedidos.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme acórdão nº 1432.764, datado de 2 de março de 2011, às fls. 4.242/4.247 (fls. 1.975/1.980), sob as seguintes ementas: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Somente é permitida a compensação de débitos tributários, com créditos líquidos e certos. Constatado que a empresa não possui crédito suficiente para cobrir seus débitos na compensação declarada, esta não pode ser homologada. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO.CONVERSÃO EM DCOMP. Somente os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, até 30/09/2002, serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo. PRECLUSÃO. Sujeitandose os atos processuais ao princípio da preclusão, inexiste possibilidade jurídica de manejar o processo administrativo fiscal para recorrer de atos praticados pela Fl. 4358DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10880.000348/9889 Acórdão n.º 3301001.759 S3C3T1 Fl. 4.358 3 autoridade administrativa na fase de execução de acórdão do Conselho de Contribuintes.” Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 4.256/4.286, requerendo, em preliminar, as nulidades do Despacho Decisório às fls. 1.566/1.570 (fls. 651/653) e da decisão recorrida, e, caso assim não se entenda, no mérito, seja dado provimento ao recurso voluntário a fim de que se reconheça seu direito ao ressarcimento dos créditos presumidos de IPI. Para fundamentar seu recurso, expendeu extenso arrazoado sobre: I – Dos Fatos; II – Da R. Decisão Recorrida; III – Da Impossibilidade de Nova Análise do Crédito em Sede de Execução de Julgado – Nulidade do Despacho Decisório de fls. 651653, Objeto do Manifesto de Inconformidade; IV – Da Impossibilidade de Indeferimento do Pedido de Ressarcimento e da Não Homologação das Compensações por Conta de Falta de Documentação Constante nos Autos – Nulidade do Despacho Decisório de fls. 651653, Objeto do Manifesto de Inconformidade; V – Do Cabimento da Manifestação de Inconformidade – Nulidade do R. Acórdão Recorrido; VI – Da Improcedência do R. Acórdão Recorrido; e VII – Da Verdade Material – Necessidade de Análise dos Documentos e da Realização de Cálculo do Crédito Presumido de IPI. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. Questão preliminar de nulidade do Despacho Decisório às fls. 1.566/1.570 (fls. 651/653), datado de 30/6/2008, e da decisão recorrida, Acórdão DRJ/RPO nº 1432.764, às fls. 4.242/4.247 (fls. 1.975/1.980), datado de 2/3/2011, prejudica a análise e julgamento do presente recurso voluntário, quanto às matérias de mérito. Do exame dos autos, verificamos que o litígio instaurado neste processo administrativo possui decisão administrativa definitiva, favorável à recorrente, proferida pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, Acórdão CSRF/0202.181, às fls. 1.528/1.532 (fls. 614/618), datado de 23 de janeiro de 2006. Assim sendo, as matérias litigiosas, objeto do presente processo administrativo, não comportam novo julgamento, em nenhum das instâncias administrativas, o que implica nulidades do segundo Despacho Decisório às fls. 1.566/1.570 (fls. 651/653), datado de 30/6/2008, proferido pela Derat em São Paulo e da decisão recorrida, Acórdão DRJ/RPO nº 1432.764, às fls. 4.242/4.247 (fls. 1.975/1.980), datado de 2/3/2011, proferido pela DRJ Ribeirão Preto. Fl. 4359DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário para anular o processo a partir do segundo Despacho Decisório às fls. 1.566/1.570 (fls. 651/653), datado de 30/6/2008, proferido pela Derat em São Paulo, inclusive a decisão recorrida, Acórdão DRJ/RPO nº 1432.764, datado de 2/3/2011, proferido pela DRJ Ribeirão Preto, para que a autoridade administrativa competente, Delegado da Derat em São Paulo, cumpra a decisão da CSRF do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, Acórdão CSRF/0202.181, às fls. 1.528/1.532 (fls. 614/618), datado de 23 de janeiro de 2006. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 4360DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10976.000654/2008-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3302-000.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Walber José da Silva Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria da Conceição Arnaldo Jacó Relator
Editado em 30/11/2012
Participaram da presente resolução os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) Maria da Conceição Arnaldo Jacó Relator Editado em 30/11/2012 Participaram da presente resolução os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas.
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(Assinado digitalmente) Walber José da Silva – Presidente (Assinado digitalmente) Maria da Conceição Arnaldo Jacó – Relator Editado em 30/11/2012 Participaram da presente resolução os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas. RELATÓRIO Em decorrência de diversos pedidos de ressarcimentos de IPI formulados eletronicamente pela contribuinte, os quais foram baixados para análise manual, foi expedido Mandado de Procedimento Fiscal — Fiscalização MPF nº 06.1.10.00.2008.005329, para dar início a procedimento de auditoria do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 76 .0 00 65 4/ 20 08 -2 5 Fl. 1525DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 15/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por MARIA DA CONCEICAO ARN ALDO JACO Processo nº 10976.000654/200825 Resolução nº 3302000.261 S3C3T2 Fl. 547 2 período de abril de 2003 a setembro de 2004, conforme Termo de Início da Ação Fiscal lavrado em 30/09/2008 (fl.81). O presente processo referese à lançamento de ofício do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no período de abril de 2003 a setembro de 2004, haja vista a apuração decorrente do referido procedimento de auditoria. Por bem descrever os fatos, transcrevese a seguir o relatório proferido no Acórdão 0929.695 – 3ª Turma da DRJ/JFA, ora recorrido, ressalvando, porém, que em face de o processo ter sido formalizado inicialmente em papel e, posteriormente, digitalizado para inserção no sistema eprocesso, as referências feitas pela relatora daquele acórdão às folhas do processo são relativas à numeração feita no processo físico e, portanto, podem diferir da numeração eletrônica: “Tratase de autos de infração lavrados para exigência de crédito tributário no montante de R$ 1.889.934,43, a titulo de Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, multa de oficio (75%, passível de redução) e juros de mora (calculados até 28/11/2008). De se esclarecer que em razão da mudança dos períodos de apuração do IPI (decendial até dezembro/2003 e quinzenal de janeiro a setembro/2004) e visando possibilitar a reconstituição da escrita fiscal do contribuinte foram lavrados 2 (dois) autos de infração para constituição do crédito tributário. Assim, os valores acima se encontram discriminados em dois autos de infração, da seguinte forma: AUT0 DE INFRAÇÃO FLS. PERÍODO DE APURAÇÃO IPI JUROS DE MORA (ATÉ 28/11/2008) MULTA PROPORCIONAL TOTAL 02 a 16 04/2003 a 12/2003 165.445,10 130.195,61 124.083,79 419.724,50 18 a 30 01/2004 a 05/2004 612.153,01 398.942,19 459.114,73 1.470.209,93 TOTAL 777.598,11 529.137,80 583.198,52 1.889.934,43 Decorreu a autuação, segundo a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal constante dos respectivos autos de infração, da glosa de créditos básicos indevidos. A exigência fiscal foi fundamentada nos arts. 34inciso II, 122, 127, 130, 164 inciso I, 199, 200inciso IV e 202inciso III, do Decreto n° 4.544/2002 (RIPI/2002). A multa de oficio no inciso I do art. 80 da Lei n° 4.502/64 (com a redação dada pelo art. 45 da Lei n°9.430/96) e os juros de mora no art. 61, § 3° da Lei n°9.430/96. Os fatos que culminaram na presente autuação encontramse descritos no Termo de Verificação Fiscal de fls. 31/39, do qual se extrai, em síntese: => o objetivo da empresa é ‘explorar os ramos de atividades de produção, comercialização, importação e a exploração de ligas de alumínio, peças em alumínio, industrialização de ligas de metais para terceiros com entrega em estado liquido ou sólido, metalurgia dos metais não ferrosos em formas primárias, comércio atacadista de artigos usados e sucatas de metais ferrosos e não ferrosos, importação e exportação de matérias primas, auxiliares e bens de capital’; Fl. 1526DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 15/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por MARIA DA CONCEICAO ARN ALDO JACO Processo nº 10976.000654/200825 Resolução nº 3302000.261 S3C3T2 Fl. 548 3 => da análise da documentação apresentada pela empresa em atendimento ao Termo de Inicio da Ação Fiscal constatouse as seguintes infrações da legislação do IPI: • Crédito Indevido do IPI, relativo à aquisição de sucatas: 1°) os créditos utilizados no período são oriundos da aquisição de sucata (matériaprima) junto a fornecedores que não destacaram o referido tributo em suas notas fiscais de saída; 2°) tais créditos foram calculados pela fiscalizada a partir da aplicação da alíquota de 5% sobre uma base de cálculo equivalente a 50% ou 100% do valor de aquisição da sucata; 3°) a Nota n° 8a da Seção XV da TIPI aprovada pelo Decreto n° 4.542, de 26 de dezembro de 2002, enquadra a sucata como "os desperdícios e resíduos metálicos provenientes da fabricação ou do trabalho mecânico de metais, bem como as obras metálicas definitivamente inservíveis como tais (sucata), em conseqüência de quebra, corte, desgaste ou outro motivo"; 4°) os desperdícios e resíduos de alumínio (sucata de alumínio) apresentam classificação fiscal 7602.00.00 e notação NT na TIPI/2002; 5°) sendo a sucata um produto não tributado pelo IPI não poderiam os fornecedores dessa matériaprima terem destacado o IPI na saída, como não o fizeram, e nem caberia à Fundiligas se creditar do IPI calculado sobre o valor da sucata adquirida, não se aplicando, no caso, o art. 165 do RIPI12002, em razão de a sucata não estar sujeita a qualquer alíquota de IPI, por ser NT. • Crédito Indevido do IPI, relativo à aquisição de empresas optantes pelo Simples: a inscrição no Simples veda a apropriação ou a transferência de créditos do IPI, conforme disposto no §5° do art. 5° da Lei n° 9.317/96 (regulamentado pelo art. 166 do RIPI/2002); • Crédito Indevido, relativo a gastos com energia elétrica, transporte e refratários: não se admite o crédito de energia elétrica quando utilizada como fonte de energia motriz, eletromagnética, térmica ou combustível e nem transporte de mercadorias, pois não se enquadram no conceito de MP ou ME dado pelo PN 65/79 e 181/74; => o demonstrativo das glosas efetuadas, por período de apuração, com indicação das notas fiscais de aquisição e do motivo da glosa encontrase As fls. 50/73 dos autos; => foram glosados, ainda, os créditos do IPI relativos As aquisições da empresa Plantão Comércio de Equipamentos Eletrônicos, CNPJ 04.812.044/000177, por falta de apresentação das notas fiscais; => em decorrência das glosas (fls. 50/73) necessária se fez a reconstituição da escrita fiscal (fls. 40/49), procedendose, ainda, aos ajustes necessários na escrita fiscal, em decorrência dos pedidos de ressarcimento e PER/DCOMPs apresentados pela Fiscalizada relativos aos períodos sob ação fiscal; => os saldos devedores apurados após a reconstituição estão sendo exigidos mediante lavratura de 2(dois) autos de infração, um relativo ao ano de 2003 (apuração decendial) e outro do ano de 2004 (apuração quinzenal); => a empresa apresentou os Pedidos de Ressarcimento de IPI a seguir discriminados; todavia, em função da reconstituição da escrita os saldos apurados ao Fl. 1527DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 15/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por MARIA DA CONCEICAO ARN ALDO JACO Processo nº 10976.000654/200825 Resolução nº 3302000.261 S3C3T2 Fl. 549 4 final dos trimestres foram alterados, tendo o contribuinte o direito de se ressarcir dos seguintes valores: PER PERÍODO VALOR SOLICITADO SALDO RECONSTITUÍDO (D/C) VALOR A RESSARCIR 33607.88465.071103.1.1.010740 2° TRIM/2003 634.515,38 8.162,71 D 35796.24012.031006.1.5.013231 3° TRIM/2003 915.949,71 342.584,02 C 342.584,02 11717.03570.170104.1.1.012070 4° TRIM/2003 586.711,08 69.511,50 C 69.511,50 09793.21475.161205.1.5.010853 1° TRIM/2004 654.853,26 30.353,92 D 24914.38299.271205.1.1.017233 2° TRIM/2004 93.299,36 10.712,65 C 10.712,65 15985.88922.271205.1.5.010268 3° TRIM/2004 30.000,00 103.392,49 C 30.000,00 Cientificada dos autos de infração em 19/12/2008 (fls. 03 e 19), apresentou a autuada, em 14/01/2009 (data da postagem, fl. 1029, Vol. VI) a impugnação de fls. 1030/1046), na qual, em síntese: 1 argumenta que a matériaprima utilizada na consecução de sua atividade, a sucata de alumínio, advém de produto industrializado, onerado pelo IPI (dai a razão pela qual a Impugnante distingue a origem e a classificação fiscal de toda a sucata que adquire, de modo que possa verificar a aliquota do IPI incidente sobre cada um desses produtos), ou seja, já vem acrescida do IPI que incidiu quando da industrialização do produto a ser utilizado como sucata e transformado pela requerente para venda como lingote de alumínio, produto tributado na sua saída; 2 acrescenta que o seu direito de crédito advém do principio da não cumulatividade do IPI (CF, art. 153, §3°, inciso II) que assegura ao contribuinte o direito subjetivo de proceder, em cada operação que realizar, A compensação do imposto sobre ela incidente (débitos) com o valor do imposto devido nas operações anteriores; 3 alega que os seus fornecedores são comerciantes atacadistas, cumprindo, pois, o requisito do art. 165 do RIPI/2002, que reconhece o direito de aproveitar o crédito correspondente a 50% do valor do IPI que incidiria sobre o material adquirido se não fosse sucata (não tributada) e se o fornecedor fosse contribuinte; 4 pondera que, apesar de a sucata não estar sujeita A. incidência do IPI (não há destaque de IPI na nota fiscal de entrada), em seu preço, na verdade, está embutida toda a carga tributária incidente sobre o produto industrializado do qual origina a sucata, de modo que, o não reconhecimento ao direito de crédito implica franca ofensa ao principio da nãocumulatividade que rege o IPI; 5 menciona o caráter extrafiscal, social e ambiental, das atividades da impugnante, salientando os benefícios proporcionados à sociedade pela reciclagem de produtos não biodegradáveis e danosos aos meio ambiente, e, acrescenta que, em razão disso, deveria ser reconhecido não apenas 50% mas 100 % do crédito sobre as aquisições de sucatas; 6 afirma a possibilidade de ressarcimento decorrente da aquisição de insumos aplicados na industrialização de produtos registrados na TIPI com a notação NT, sob o amparo do art. 11 da Lei n° 9.779/99, que, ao possibilitar o creditamento relativo as Fl. 1528DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 15/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por MARIA DA CONCEICAO ARN ALDO JACO Processo nº 10976.000654/200825 Resolução nº 3302000.261 S3C3T2 Fl. 550 5 aquisições de insumos aplicados na industrialização e destacar, "inclusive de produtos isentos ou tributados aliquota zero", assim o fez com a proposta de incluir os produtos inseridos nestas condições e não com o intuito de excluir os demais produtos (os imunes e os não tributados); 7 desenvolve longo arrazoado acerca da sua tese de impossibilidade jurídica da aplicação da taxa selic como juros moratórios sobre tributos; 8 argumenta que a multa estampada na peça fiscal além de ter efeito confiscatório atropela a garantia ao direito de propriedade, insculpidos nos arts. 5° XXII e 170 II da Constituição e acrescenta que o Código de Defesa do Consumidor repele a multa superior a 10% (dez por cento) do valor da obrigação; 9 requer, na eventualidade de não ser desconstituída a multa em tela, em face de seu caráter confiscatório, seja a mesma reduzida em 50% (cinqüenta por cento); 10 requer, ao final, seja acolhida a impugnação, declarandose nula a autuação fiscal.” A DRJ em Juiz de Fora/MG, em 28/05/2010, por meio do Acórdão 0929.695 – 3ª Turma da DRJ/JFA julga improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, consoante a ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 15/05/2004 CRÉDITO DO IMPOSTO. AQUISIÇÕES DESONERADAS. SUCATAS. Nos termos da própria Constituição Federal de 1988, a nãocumulatividade é exercida pelo aproveitamento do montante cobrado na operação anterior, ou seja, do imposto incidente e pago sobre insumos adquiridos, o que não ocorre quando tais insumos são desonerados do tributo. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de supostos créditos do imposto alusivos a insumos desonerados (isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero), uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. CRÉDITO DO IMPOSTO. AQUISIÇÕES DE COMERCIANTE ATACADISTA. 0 direito de crédito conferido pelo art. 165 do RIPI/2002 (art. 6° do DL n° 400, de 1968) é calculado mediante aplicação da alíquota a que estiver sujeito o produto sobre 50% de seu valor, sendo cabível, portanto, somente quando o produto adquirido apresentar alíquota positiva na TIPI, ou seja, não conste da Tabela do IPI como ‘não tributado’, isento ou alíquota zero. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” O voto da relatora, que serviu de base para o Acórdão proferido e que foi seguido por unanimidade pelos os seus pares foi redigido nos seguintes termos: “II Considerações Iniciais e Jurisprudência Apresentada Mencionese, de inicio, que a análise de processos fiscais no âmbito administrativo obedece de forma irrestrita aos atos legais que comandam as disciplinas em discussão, assim como o manifesto entendimento da Secretaria da Receita Federal, tal qual estipula o artigo 7° da Portaria MF n° 58, de 17/03/2006, in verbis: "Art. 70 0 julgador deve observar o disposto no Fl. 1529DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 15/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por MARIA DA CONCEICAO ARN ALDO JACO Processo nº 10976.000654/200825 Resolução nº 3302000.261 S3C3T2 Fl. 551 6 art. 116, III, da Lei n° 8.112, de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos". E sob a ótica das normas em vigor à época da ocorrência dos fatos, presumidamente legais e constitucionais enquanto sua validade não é afastada pelas instâncias competentes, independentemente de posições doutrinárias e de decisões judiciais que não atendam aos requisitos do Decreto n° 2.346, de 10/10/1997, que se procederá ao exame da presente lide. Sobre os julgados dos Tribunais favoráveis as suas teses, lembrese aqui que os limites subjetivos dos seus efeitos jurídicos atemse às partes envoltas na contenda, consoante o disposto no artigo 472 do Código de Processo Civil Brasileiro, fonte subsidiária do Direito Tributário, a seguir transcrito: 'Art. 472. A sentença faz coisa julgada as partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros" (Código de Processo Civil). E mesmo que se tratem de decisões emanadas do Supremo Tribunal Federal, elas somente alcançariam terceiros, não participantes da lide, nas hipóteses previstas no Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, ou, no art. 26A, § 6°, inciso I, do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, incluído pela Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, o que não se configurou na espécie. Sobre a jurisprudência administrativa trazida à colação pela requerente para fundamentar seu entendimento, devese contrapor que são decisões cujos efeitos não são vinculantes, ante a inexistência de lei que lhes atribua eficácia normativa (art. 100 do CTN), podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Alertese, mais uma vez, para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único do artigo 142 do CTN, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Acrescentese, por fim, que as glosas atinentes a gastos com energia elétrica, transporte e refratários e a notas fiscais não apresentadas, não foram objeto de contestação, tornandose as mesmas, portanto, definitivas na esfera administrativa. III NãoCumulatividade e Créditos Relativos a Insumos Desonerados (Não Tributados) Inicialmente há de se consignar que o insumo sobre o qual se refere a maior parte das glosas é a sucata de alumínio, classificação fiscal 7602.00.00 e notação NT na TIPI/2002 adquirida, segundo a defendente, de comerciantes atacadistas, sem o destaque do IPI na nota fiscal de entrada. A impugnante calculou os supostos créditos de IPI segundo critério particular que adotou (aplicação, sobre o valor da aquisição desonerada, da aliquotas de 5%, segundo a Fiscalização), considerando legitimo apurálos sobre a aquisição de insumos (sucatas de alumínio) que não sofreram a incidência do imposto — por serem NT —, calculandoos a razão de 50% ou 100% sobre o valor de aquisição constante das notas fiscais sem destaque do imposto, sob o argumento de amparo no principio constitucional da nãocumulatividade e no art. 165 do RIPI/2002. Não obstante a extensa argumentação expendida é incabível reconhecerlhe o direito de crédito no âmbito administrativo. Decerto, a legislação tributária brasileira não permite a apropriação de crédito de IPI na aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem não tributados ou isentos ou tributados à aliquota zero aplicados na industrialização, em conformidade com o exposto a seguir. Fl. 1530DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 15/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por MARIA DA CONCEICAO ARN ALDO JACO Processo nº 10976.000654/200825 Resolução nº 3302000.261 S3C3T2 Fl. 552 7 É sabido que o IPI regese pelo principio da nãocumulatividade, previsto constitucionalmente no art. 153, § 3 0, II, da Carta Magna de 1988, normatizado por disposições constantes do art. 49 do Código Tributário Nacional (CTN — Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966) e exercido por meio de uma sistemática de apuração denominada ‘sistema de créditos’, disciplinada pelo Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI). Nos termos do art. 21, § 3 0, da Constituição Federal anterior 6. vigente, havia a seguinte disposição: ‘Art. 21 (.)§3º 0 imposto sobre produtos industrializados será seletivo em função da essencialidade dos produtos, e não cumulativo abatendose, em cada operação, o montante cobrado nas anteriores.’ Pelo exposto, verificase que o dispositivo constitucional anterior não estabelecia a maneira pela qual deveria ser apurada a diferença a mais a ser recolhida em um determinado período, cabendo então esta tarefa ao legislador ordinário, conforme estabelecido no art. 49 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro 1966 (Código Tributário Nacional — CTN), que preceitua: ‘Art. 49 0 imposto é não cumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados’.(negritos acrescidos) Dessa forma, o principio constitucional da nãocumulatividade teve sua sistemática regulada por lei ordinária, qual seja, o art. 25 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, e alterações posteriores, que assim estabelecia: ‘Art. 25 A importância a recolher semi o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuído do imposto relativo aos produtos nele entrados, no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer. § 1° 0 direito de dedução só é aplicável aos casos em que os produtos entrados se destinem à comercialização, industrialização ou acondicionamento e desde que os mesmos produtos ou os que resultarem do processo industrial sejam tributados na saída do estabelecimento.’ (negritos acrescidos) Do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados aprovado pelo Decreto n° 87.981, de 23 de dezembro de 1982 — RIPI/1982, artigo 81 (correspondente ao art. 146 do RIPI/98 e art. 163 RIPI12002), se extrai o seguinte preceito acerca do mencionado principio: ‘Art. 81 A nãocumulatividade do imposto é exercida pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste capitulo.’ (negrito acrescido) A CF/88 manteve o principio da nãocumulatividade nos mesmos moldes da Constituição anterior, porém com pequena diferença na redação: ‘Art. 153(..) §3º 0 imposto previsto no inciso IV (IP1): (.) Fl. 1531DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 15/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por MARIA DA CONCEICAO ARN ALDO JACO Processo nº 10976.000654/200825 Resolução nº 3302000.261 S3C3T2 Fl. 553 8 II será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores.’ (em negrito, inserção ao texto original) A nova ordem constitucional, em vigor desde 1988, recepcionou a legislação que trata da espécie tributária em debate, em especial sobre o sistema de créditos e débitos. E o caso da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, matriz legal dos sucessivos regulamentos do IPI, vigendo atualmente aquele aprovado pelo Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIPI12002). Ainda acerca da nãocumulatividade, assim se pronuncia o eminente tributarista Hugo de Brito Machado, em seu livro "Curso de Direito Tributário", 12 Edição, Malheiros Editores: ‘Por força de dispositivo constitucional (CF, art. 153, sS' 3°, inc. II), o IPI será não cumulativo, compensadose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores'. Nos termos do CTN, 'o imposto é não cumulativo; dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente a produtos nele entrados' (art. 49). Explicita, outrossim, o Código que 'o saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes' (CTN, art. 49, parágrafo único). Em uma empresa industrial, por exemplo, isto significa dizer o seguinte: a) fazse o registro, como crédito, do valor do IPI relativo as entradas de matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem, e outros insumos, que tenham sofrido a incidência do imposto ao saírem do estabelecimento de onde vieram; b) faz se o registro, como débito, do valor do IPI calculado sobre os produtos que sairem. No fim do mês é feita a apuração. Se o débito é maior, o saldo devedor corresponde ao valor a ser recolhido. Se o crédito é maior, o saldo é transferido para o mês seguinte’. (negritos acrescidos) Do exposto, deduzse o seguinte: se nada foi pago de imposto pelo industrial na aquisição, não haverá o que diminuir, deduzir ou abater do imposto a ser pago na saída do produto final. Mesmo em se tratando de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem ensejadores, via de regra, de creditamento, não se tem como pretendêlo no caso de a sua entrada não ser onerada pelo IPI seja por isenção, por alíquota zero, por imunidade ou por simples nãoincidência. Implicando a nãocumulatividade, por força do disposto no art. 153, §3°, inciso II da CF, a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, mostrase imprescindível a incidência do imposto gerando ônus tributário. Do contrário, não há se falar em cumulatividade e, portanto, em direito a crédito para evitála. Se, para argumentar, fosse admitido o crédito referente a esses insumos, qual seria a aliquota admitida: a do produto final resultante da industrialização ou qualquer outra aliquota à escolha do contribuinte? Admitindose a hipótese que alguns tributaristas defendem de calcular o crédito nessas aquisições atrelado à aliquota dos produtos industrializados, chegarseia ao cúmulo de termos um mesmo insumo, NT (ou tributado A. aliquota zero, ou isento), gerando créditos proporcionalmente distintos para distintos contribuintes que industrializassem com a mesma matériaprima diferentes produtos sujeitos a diferentes aliquotas de IPI. E mais, essa sistemática implicaria tratamento desigual em relação àqueles que adquirem insumos tributados cuja aliquota seja inferior A. do produto final. E sabido que nas operações tributadas o Fl. 1532DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 15/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por MARIA DA CONCEICAO ARN ALDO JACO Processo nº 10976.000654/200825 Resolução nº 3302000.261 S3C3T2 Fl. 554 9 crédito do IPI atinente aos insumos limitase ao valor (percentual, aliquota) pago na operação de aquisição, ainda que o débito pela saída se dê em aliquota superior. Se possível fosse a apropriação de créditos do IPI incidentes sobre insumos adquiridos sob regime de isenção, nãotributação ou redução à aliquota zero, terseia, por parte do contribuinte, um duplo beneficio: uma vez, quando da aquisição desses insumos desonerados do IPI; outra vez, no recolhimento, ao deduzir do valor do imposto a recolher uma parcela, a titulo de crédito, como se tivesse sido paga pela indústria ao adquirir os insumos desonerados, quando, na verdade, tal _parcela não foi 'pap', não foi suportada, nem pelo fornecedor dos insumos, muito menos pelo adquirente. A propósito, e apenas a titulo ilustrativo, mencionese que o CARF/Conselho de Contribuintes, em muitos julgamentos negou o direito ao crédito do IN em casos da espécie, todos com base no mesmo entendimento sustentado neste voto: não gera crédito de IPI a utilização de insumo cuja aquisição se fez sem pagamento do imposto, como se vê pelo teor dos Acórdãos cujas ementas a seguir se transcreve, em parte: Acórdãos CARF/Conselhos N°20313038 de 2008 Imposto sobre Produtos Industrializados IPICRÉDITOS RELATIVOS ÀS AQUISIÇÕES DE INSUMOS ISENTOS, IMUNES, NÃO TRIBUTADOS OU TRIBUTADOS À ALiQUOTA ZERO. 0 principio da nãocumulatividade do IPI é implementado pelo sistema de compensação do débito ocorrido na saída de produtos do estabelecimento do contribuinte com o crédito relativo ao imposto que fora cobrado na operação anterior referente entrada de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Não havendo exação de IPI nas aquisições desses insumos, por serem eles isentos, imunes, não tributados ou tributados à aliquota zero, não há valor algum a ser creditado. (..) . Recurso Voluntário Negado. Acórdãos CARF/Conselhos N°20313217 de 2008 Imposto sobre Produtos Industrializados — (.).IPI PEDIDO DE RESSARCIMENTO. INSUMOS RECEBIDOS COM SUSPENSÃO DO IMPOSTO.INEXISTÊNCIA DE DIREITO AO CRÉDITO. Não geram direito a créditos do IPI os insumos recebidos com suspensão do imposto, bem como insumos sujeitos finais tributados. Recurso negado. Registrese, ainda, por oportuno, que parte das aquisições de sucata ocorreu de empresas optantes pelo Simples, conforme se verifica do Demonstrativo das Glosas de Crédito (fls. 50/73), motivo por que, não se prolongará, no presente voto, acerca das aquisições de optantes pelo Simples, haja vista que, o fato de se tratar de aquisição desonerada (a sucata de alumínio é produto NT, frisese) constitui motivo suficiente para o não reconhecimento do direito de crédito, como visto. E ainda que alguma aquisição não se trate de sucata, a inscrição no Simples veda a apropriação ou a transferência de créditos do IPI, conforme disposto no §5° do art. 5° da Lei n° 9.317/96 (regulamentado pelo art. 166 do RIPI/2002), razão por que tais glosas devem ser mantidas. IV Do Direito de Crédito Relativo a Aquisições de Comerciantes Atacadistas Sobre a argumentação da defendente no sentido de que, por se tratarem seus fornecedores de comerciantes atacadistas estaria cumprido o requisito do art. 165 do RIPI/2002 para aproveitamento do crédito correspondente a 50% do valor do IPI que Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 15/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por MARIA DA CONCEICAO ARN ALDO JACO Processo nº 10976.000654/200825 Resolução nº 3302000.261 S3C3T2 Fl. 555 10 incidiria sobre o material adquirido caso não se tratasse de sucata (não tributada) e de fornecedor não contribuinte, também não merece acato. Assim dispõe o citado dispositivo regulamentar: Artigo 165. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão, ainda, creditarse do imposto relativo a MP, PI e ME, adquiridos de comerciante atacadista nãocontribuinte, calculado pelo adquirente, mediante aplicação da aliquota a gue estiver sujeito o produto, sobre cinqüenta por centodo seu valor, constante da respectiva nota fiscal (DecretoLei n° 400, de 1968,Artigo 6°). (negrito e grifos acrescidos) Vejase que a norma legal confere o direito de crédito sobre 50% do valor do produto, calculado mediante aplicação da aliquota a que estiver sujeito o produto. Tal produto, por obvio é o adquirido, o insumo. E se o insumo adquirido (sucata de alumínio) encontrase definido na TIPI com a notação NT — Não Tributado, qual a aliquota a ser aplicada para apuração do crédito a ser conferido na hipótese? A resposta, por obvio, é nenhuma, pois, os produtos constantes da TIPI com a sigla NT não estão alcançados pela incidência do IPI. E assim sendo, não há de se falar em aplicação do art. 165 do RIPI/2002 ao caso concreto em análise. Nesse mesmo sentido merecem destaque os itens 3 e 4 do Parecer Normativo CST n° 125/71 cujo entendimento, como visto, há que ser adotado por essa julgadora, na forma no artigo 7° da Portaria MF n° 58, de 17/03/2006. Vejamos o Parecer: 3. Reiterese o que foi dito no item 9 do Parecer Normativo n°534, citado, sobre o direito de crédito dos estabelecimentos industriais, em relação aos produtos adquiridos de não contribuintes. Esse crédito será de 50% do imposto, conforme autoriza o artigo 6° do Decretolei n°400, de 30.12.68. Embora esse imposto não conste da nota relativa à aquisição, o seu cálculo é feito mediante aplicação da aliquota a que estiver sujeito o imposto, sobre 50% do seu valor. 4. Conseqüentemente esse direito só é cabível quando se tratar de produtos que tenham sido tributados na origem. Em outras palavras, se o produto adquirido constar da Tabela do IPI (Decreto n°61.514/67) como "não tributado", ou esteja acobertado por isenção, não há direito ao crédito a que nos referimos no item precedente. Assim são os casos de sucatas, aparas e resíduos. Muitos deles, conforme sua natureza, figuram como "não tributados", outros esteio sujeitos ao tributo. No primeiro caso, incabível o crédito. Vale este item como orientação complementar o item 16 do já referido Parecer Normativo n° 296/70. (grifos acrescidos)V Consideracões Finais Acerca das Glosas de Créditos De se acrescentar, ainda — quanto à argumentação da defesa no sentido de que a sucata de alumínio advinda de produto industrializado onerado pelo IPI já vem acrescida do IPI que incidiu quando da industrialização do produto do qual resultou a sucata adquirida —, que o fato gerador do IPI definido no inciso II do art. 34 do RIPI/2002 (cuja matriz legal é o art. 2° da Lei no 4.502, de 1964), é a saída de produto do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial e não a industrialização do produto (tributado na TIPI) que gerou a sucata, como afirmado pela defesa. Assim, se o produto industrializado apresenta classificação especifica e aliquota positiva na TIPI haverá incidência do IPI na saída, gerando para o adquirente industrial ou equiparado, daquele produto, o direito de crédito. Por outro lado, se o produto saído é possuidor de posição especifica à qual corresponde a notação NT na TIPI, como é o caso da sucata de alumínio, não haverá incidência do IPI. Se o produto é nãotributado ele está fora do campo de incidência do imposto, não havendo se cogitar em atuação do principio da nãocumulatividade e, conseqüentemente, não há de se falar em direito de crédito na escrita fiscal. Fl. 1534DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 15/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por MARIA DA CONCEICAO ARN ALDO JACO Processo nº 10976.000654/200825 Resolução nº 3302000.261 S3C3T2 Fl. 556 11 Sobre os benefícios proporcionados à sociedade pela reciclagem de produtos não biodegradáveis e danosos ao meio ambiente no desempenho da atividade industrial da defendente, há de se mencionar que em nada favorecem a demanda, cuja análise deverá observar de forma irrestrita os atos legais e normativos que comandam as matérias em discussão. Esclareçase, por fim, que a argumentação da defesa no sentido de possibilidade de ressarcimento decorrente da aquisição de insumos aplicados na industrialização de produtos registrados na TIPI com a notação NT, não será objeto de majores considerações no presente voto, haja vista tratarse de matéria dissociada da presente ação fiscal. Frisese que não se está aqui a tratar de glosa de créditos de insumos onerados aplicados na industrialização de produtos não tributados (como alegado pela contribuinte) mas, de glosa de créditos de insumos desonerados (no caso, a sucata de alumínio, posição 7602.00.00 e notação NT — Não Tributado na TIPI/2002, e, portanto, adquirida sem o destaque do IN na nota fiscal do fornecedor) utilizados, pela contribuinte, na industrialização de seus produtos (onerados na saída). E ainda que fosse o caso, é de se informar à impugnante que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARP editou a Súmula CARF Nº 20, acerca da matéria, nos seguintes termos: ‘Não há direito aos créditos de IPI em relação ás aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT’. aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT". VI Do Efeito Confiscatório da Multa de Oficio Toda a argumentação posta pela Recorrente contra a aplicação da multa de oficio de 75% versou única e exclusivamente sobre a suposta inconstitucionalidade do referido percentual, por ferir, no seu entendimento, o principio constitucional da vedação ao confisco e atropelar a garantia ao direito de propriedade. A respeito do caráter confiscatório da multa lançada, o que a tornaria inconstitucional, devese ter presente, antes de qualquer coisa, que a penalidade em questão possui o devido embasamento legal, consignado no demonstrativo de multa e juros de mora anexo aos autos de infração, e que o processo fiscal não se presta à discussão acerca de alegada inconstitucionalidade, porque a autoridade administrativa não tem competência para tanto, motivo suficiente para que não se tome conhecimento dessa alegação. Estando a lei que instituiu a penalidade em vigor, como é o caso o art. 80, I, da Lei n2 4.502, de 1964, com a redação dada pelo art. 45 da Lei nº 2 9.430, de 1996, a autoridade administrativa deve cumprila e fazer com que seja cumprida. Ressaltese que os princípios constitucionais destinamse ao legislador. Ao aplicador e intérprete cumpre tãosomente aplicar a lei no mundo jurídico vigente. Essa discussão passaria, necessariamente, por um juizo de constitucionalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional, matéria essa de exclusiva competência do Poder Judiciário. Ademais é de se registrar que, a partir da edição da Súmula n° 2, aprovada nas sessões do Pleno e das Turmas da CSRF realizadas em 8.12.2009, e divulgada por meio da publicação da Portaria CARF n° 106, de 21/12/2009, no DOU de 22/12/2009, pág. 00070, o assunto restou pacificado no âmbito do CARF, conforme se vê em seu enunciado, transcrito abaixo: Súmula CARF N 22 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto ao pleito de redução de 50% do valor da multa, em caso de pagamento, cabe informar à impugnante o seu não cabimento nesta fase processual, sendo possível, Fl. 1535DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 15/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por MARIA DA CONCEICAO ARN ALDO JACO Processo nº 10976.000654/200825 Resolução nº 3302000.261 S3C3T2 Fl. 557 12 tãosomente, a redução de 30 ou 20%, caso se proceda ao pagamento ou parcelamento, respectivamente, do débito lançado, no prazo de 30 dias da ciência da presente decisão.Vejamos os dispositivos legais acerca da matéria: Lei 9.430/96 "Art. 46. 5S 2° Aplicamse Oa multas de que trata o art. 80 da Lei n°4.502, de 30de novembro de 1964, o disposto nos §§ 3° e 40 do art. 44. Art. 44 § 3°Aplicamse as multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6° da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei n°8.383, de 30 de dezembro de 1991". Lei 8.218/91 "Art. 6° Será concedida redução de cinqüenta por cento da multa de lançamento de oficio, ao contribuinte que, notificado, efetuar o pagamento do débito no prazo legal de impugnação. Parágrafo único. Se houver impugnação tempestiva, a redução será de trinta por cento se o pagamento do débito for efetuado dentro de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância".(grifos acrescidos)Lei 8.383/91 "Art. 60. Sera concedida redução de quarenta por cento da multa de lançamento de oficio ao contribuinte que, notificado, requerer o parcelamento do débito no prazo legal de impugnação §" I° Havendo impugnação tempestiva, a redução sera de vinte por cento, se o parcelamento for requerido dentro de trinta dias da ciência da d ecisão da primeira instância". (grifos acrescidos) VII Dos Juros Selic Sobre a Selic incidente a titulo de juros de mora sobre os débitos lançados, no entendimento da impugnante, abusiva e inconstitucional, esclareçase que sua aplicação encontrase em consonância com a legislação que rege a matéria. Registrese, por oportuno, que, no caso de dividas tributárias não pagas no vencimento legal, o fato jurídico é a mora, que decorre de disposição literal da lei tributária. Ou seja, nascida a obrigação tributária principal com a concretização da hipótese de incidência, a lei fixa um termo para o cumprimento da obrigação. A conjugação do advento do vencimento com a nãoefetivação do pagamento dá ensejo ao surgimento da mora, condição sine qua non para a incidência dos encargos. Caso o imposto tivesse sido pago no vencimento legal, não existiria nem a mora nem os acréscimos dela decorrentes. nesse sentido que a lei estabelece a incidência dos juros de mora equivalentes à taxa Selic, sobre os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação especifica. E como os dispositivos legais relativos aos acréscimos moratórios objeto da presente lide não foram julgados inconstitucionais, tampouco tiveram sua execução suspensa pelo STF, não se pode negarlhes vigência. Portanto, a exigência de juros de mora equivalentes h Taxa Referencial do Sistema de Liquidação e Custódia — SELIC tem amparo legal no art. 13 da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, que determinou sua cobrança a partir de 1° de abril de 1995. E de se concluir, por conseqüência, que a impugnante, ao insurgirse contra a cobrança dos juros pela taxa SELIC, pretende que a administração tributária negue validade à norma que a estatuiu, sob a argüição de inconstitucionalidade e de inaplicabilidade as relações tributárias, o que não se faz possível, em face da estrita subordinação ao principio da legalidade a que se submetem as autoridades administrativas, dentre elas esta julgadora e, ainda, tendo em vista que, por força do próprio texto constitucional, o Poder Judiciário é o foro exclusivamente competente para análise desse tipo de matéria. Ademais é de se registrar que, a partir da edição da Súmula n° 4, aprovada nas sessões do Pleno e das Turmas da CSRF realizadas em 8.12.2009, e divulgada por meio da publicação da Portaria CARF no 106, de 21/12/2009, no DOU de 22/12/2009, pág. Fl. 1536DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 15/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por MARIA DA CONCEICAO ARN ALDO JACO Processo nº 10976.000654/200825 Resolução nº 3302000.261 S3C3T2 Fl. 558 13 00070, o assunto restou pacificado no âmbito do CARF, conforme se vê em seu enunciado, transcrito a seguir: Súmula CARF Nº 4 A partir de 12 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre dibitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por todo o exposto, voto por se considerar PROCEDENTE 0 LANÇAMENTO consubstanciado nos autos de infração de fls. 02/16 e 18/30, para: I Exigir o IPI no montante de R$ 165.445,10 acrescido da multa de R$ 124.083,79 correspondente a 75% desse imposto e dos juros de mora devidos pertinentes; II Exigir o IPI no montante de R$ 612.153,01 acrescido da multa de R$ 459.114,73 equivalente a 75% do valor do imposto e dos juros de mora devidos por ocasião do recolhimento.” Devidamente cientificado do Acórdão 0929.695 – 3ª Turma da DRJ/JFA, por meio da Intimação nº 014/2010 (fl.1.498), em 06/07/2010, conforme Aviso de Recebimento – AR de fl. 1.499, a contribuinte, irresignada, encaminha em 04/08/2010, por SEDEX (fl. 1.500) o seu Recurso Voluntário, anexado às fls.1.502 a 1.517, por meio do qual contesta o referido Acórdão, que, segundo o seu entendimento, merece ser integralmente reformado, posto que colide com a legislação pátria aplicável ao caso. Para demonstrar o fundamento de seu entendimento, apresenta as suas razões de recurso, segundo os títulos e subtítulos postos a seguir, nos quais utilizase dos mesmos argumentos já apresentados na peça impugnatória, alegando, em síntese, ofensa ao princípio da não cumulatividade, à regra do art. 6°, do DecretoLei 400, de 1968, repetido no art. 165 do Decreto 4.544/2002 (RIPI/2002), à regra do art. 11 da Lei nº 9.779/1999, bem como a inconstitucionalidade da multa confiscatória e a impossibilidade de se cobrar juros com base na taxa SELIC: I BREVE RELATO; II DAS RAZÕES PARA A REFORMA DO ACÓRDÃO RECORRIDO II.1 — DA ONERAÇÃO DA SUCATA COM 0 IPI INCIDENTE QUANDO DA INDUSTRALIZAÇÃO DO EQUIPAMENTO — NÃO CUMULATIVIDADE; II.2 — DO CARÁTER EXTRAFISCAL (SOCIAL E AMBIENTAL) DAS ATIVIDADES DA RECORRENTE; II.3 DA POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DECORRENTES DA AQUISIÇÃO DE INSUM.OS APLICADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS REGISTRADOS .NA "TIPI" COM A ANOTAÇÃO "NT" II.4— DO EFEITO CONFISCATORIO DA MULTA DE OFICIO; II.5 DA IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC RELATIVAMENTE A JUROS MORATÒRIOS SOBRE TRIBUTOS. Para finalizar, a recorrente apresenta o seu pedido: Fl. 1537DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 15/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por MARIA DA CONCEICAO ARN ALDO JACO Processo nº 10976.000654/200825 Resolução nº 3302000.261 S3C3T2 Fl. 559 14 “III DO PEDIDO 70. Diante .de todo o exposto, entende a Recorrente que merece ser reformada a decisão de primeira instância administrativa. 71. Sendo assim, requer, verificando a improcedência dos argumentos suscitados na decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora/MG, seja esta reformada em sua integralidade, de modo que seja 'acolhido o presente recurso, declarandose nula a autuação,fiscal.” É o relatório. VOTO Conselheiro Maria da Conceição Arnaldo Jacó O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Conforme se verifica do relatório, entre as infrações que levaram ao lançamento do Crédito Tributário consta a relativa ao “Crédito Indevido do IPI, referente à aquisição de sucatas de alumínio, que apresentam classificação fiscal 7602.00.00 e notação NT na TIPI/2002”. Fazse necessário efetuar análise preliminar de sobrestamento. INCIDENTE DE SOBRESTAMENTO Preliminarmente, esclareçase que, durante as sessões de julgamento do mês de setembro de 2012, a Turma tomou conhecimento dos Recursos Extraordinários (RE) 596.614, 593.615, 587.502, 585.663, que se referiram ao caso de repercussão geral reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal no RE 592.891. A ementa da decisão de sobrestamento nos processos acima mencionados dizia o seguinte: DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SOBRESTAMENTO. 1. A União, no extraordinário de folha 414 a 420 articula com a impossibilidade de creditamento do Imposto sobre Produtos Industrializados na aquisição de produtos isentos, não tributados, ou sujeitos à alíquota zero, quando provenientes da Zona Franca de Manaus. 2. O Tribunal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 592.891/SP, da relatoria da Ministra Ellen Gracie, reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional relativa à tese do direito de creditamento de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI na entrada de insumos provenientes da Zona Franca de Manaus. Fl. 1538DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 15/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por MARIA DA CONCEICAO ARN ALDO JACO Processo nº 10976.000654/200825 Resolução nº 3302000.261 S3C3T2 Fl. 560 15 3. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento deste processo. 4. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 5. Publiquem. Brasília, 9 de novembro de 2010. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (RE 596.614) Portanto, o julgamento do RE foi sobrestado, demonstrandose a condição prevista na Portaria Carf n. 1, de 2012, art. 2º, § 2: § 2°. Sendo suscitada a hipótese de sobrestamento durante a sessão de julgamento do processo, o incidente deverá ser julgado pela Turma, que poderá: 1 decidir pelo sobrestamento do processo do julgamento do recurso, mediante resolução; ou II recusar o sobrestamento e realizar o julgamento do recurso. A mencionada Portaria determina que, demonstrado o sobrestamento de recursos extraordinários no âmbito do STF, à vista de declaração de repercussão geral, os processos que tratem da mesma matéria no âmbito do CARF deverão ser sobrestados também. No caso dos autos, os RE citados demonstram que o STF suspende os RE que se refiram a direito de crédito de IPI no caso de insumos isentos originários da Zona Franca de Manaus. O caso dos autos trata da mesma matéria, uma vez que a Recorrente alega o direito de crédito, à vista do princípio constitucional da nãocumulatividade, de insumos referente à sucatas de alumínio, que apresentam classificação fiscal 7602.00.00 e notação NT na TIPI/2002. Superadas as questões anteriores e sendo determinante para o julgamento a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o direito de crédito relativo a insumos adquiridos da ZFM, voto por sobrestar o julgamento do presente recurso. (Assinado digitalmente) Maria da Conceição Arnaldo Jacó Fl. 1539DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 15/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por MARIA DA CONCEICAO ARN ALDO JACO
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Numero do processo: 19647.000850/2004-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/12/1993 a 28/02/1999 RECEITAS OPERACIONAIS. LOCAÇÃO DE MÓVEIS No julgamento do RESP 929.521, sob o regime do art. 543-C da Lei nº 8.869, de 11/01/1973 (CPC), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a legalidade da exigência da Cofins sobre receitas de locação de bens móveis; assim, em face do disposto no art. 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Ricarf), aplica-se ao presente julgamento, aquela decisão. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 3301-001.441
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/1993 a 28/02/1999 RECEITAS OPERACIONAIS. LOCAÇÃO DE MÓVEIS No julgamento do RESP 929.521, sob o regime do art. 543C da Lei nº 8.869, de 11/01/1973 (CPC), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a legalidade da exigência da Cofins sobre receitas de locação de bens móveis; assim, em face do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Ricarf), aplicase ao presente julgamento, aquela decisão. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Sérgio Celani, Andréa Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Recife que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição de indébitos de Cofins correspondente aos fatos geradores ocorridos nos períodos mensais de competência de dezembro de 1993 a fevereiro de 1999, recolhidos entre as datas de 07 de janeiro de 1994 e 10 de fevereiro de 1999, conforme planilha de apuração às fls. 35/36. A DRF em Recife indeferiu a restituição sob o fundamento que os valores pagos a título de Cofins eram devidos, nos termos da legislação tributária vigente, e não constituem indébitos passíveis de restituição, conforme Despacho Decisório às fls. 111/122. Inconformada com aquele despacho decisório, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 125/144), insistindo no deferimento do seu pedido de restituição, alegando razões assim resumidas por aquela DRF: “1. a Impugnante é pessoa jurídica de direito privado que atua no ramo de locação de bens móveis e como tal efetuou o recolhimento da Cofins sob a alíquota de 2% (dois por cento) incidente sobre o faturamento; 2. posteriormente percebeu que não devia ter recolhido a Cofins incidente sobre os valores auferidos em face da locação de bens móveis próprios, tendo em vista que, conforme jurisprudência do STJ e STF, as ‘locações de bens móveis próprios’ não configuram venda de mercadorias, nem tampouco prestação de serviços, únicos fatos geradores da contribuição em questão, conforme prescreve a Lei Complementar nº 70/91, por tal motivo, a Impugnante entende que todos os valores recolhidos a titulo de Cofins incidentes sobre os valores auferidos em face das locações de bens móveis próprios, até a entrada em vigor da Lei no 9.718/98, sejam passíveis de restituição; 3. a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife, em 08/10/2004, indeferiu o pedido de restituição, razão pela qual vem requerer a reforma da proferida decisão por esta respeitável Delegacia de Julgamento, pelos fundamentos que passa a expor: 4. da previsão constitucional da Cofins, art. 195 da CF e a instituição pela Lei Complementar nº 70/91, da contribuição social incidente sobre o faturamento. Entendendo a Impugnante que está tipificado em uma situação sui generis e desta forma não seria contribuinte da Cofins pelos motivos que passa a demonstrar; 5. pela natureza jurídica da atividade de locação de bens móveis, uma vez que, o item 79 da Lista de Serviços anexa ao Decretolei nº. 406 de 31.12.68, com a redação dada pela Lei Complementar nº. 56 de 15.12.87, que determinou expressamente que a atividade de locação de bens móveis para fins fiscais é enquadrada como prestação de serviços e, como tal, sujeita à tributação de Imposto sobre Serviços – ISS; 6. nos termos do Código Civil Brasileiro, vêse que a atividade de locação de bens é uma atividade distinta da atividade de prestação de serviços, porque locação nos termos do CCB é uma obrigação de dar, enquanto a atividade de prestação de serviços é uma obrigação de fazer; 7. a atividade de locação de bens móveis não se enquadra como fato gerador da Cofins, nos termos da Lei Complementar nº 70/91, visto que, tal atividade não se Fl. 188DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19647.000850/200472 Acórdão n.º 330101.441 S3C3T1 Fl. 188 3 confunde com a atividade de venda de mercadorias, segundo o art. 1.122 do antigo Código Civil. Nos termos também do art. 481 do novo Código Civil, não haveria razão jurídica de dizerse que a atividade jurídica exercida pela Impugnante se confunde com a atividade de venda de mercadorias e como tal, não estaria enquadrada como fato gerador da Cofins; 8. acontece que, o Supremo Tribunal Federal – STF declarou a inconstitucionalidade do item nº. 79 da Lista de Serviços do ISSQN, ou seja, atividade de ‘locação de bens móveis’ nos termos do RE nº 116.121 – 3/SP, publicado no D. J. de 25.05.01, dando a devida interpretação de que a atividade de locação de bens móveis não se enquadra no conceito de prestação de serviços, por isso, não poderia ser considerado fato gerador da Cofins; 9. a Impugnante quer deixar evidenciado que não está discutindo a inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 70/91, mesmo porque esta já foi devidamente declarada constitucional pelo STF. O que está intentando comprovar é que sua atividade não serviu de hipótese de incidência da Cofins; 10. além de diversas afrontas à Carta Política, a Impugnante encontra respaldo do seu pedido de restituição, em perfeita consonância com o Código Tributário Nacional, art. 97. A cobrança efetuada da Cofins sobre a atividade de locação de bens móveis feriu o Principio da Legalidade, previsto no art. 9º, I do CTN, desrespeitando não só a CF/88, mas também o CTN. Posição reiterada pela jurisprudência do Conselho de Contribuintes no sentido de que os valores recebidos pela pessoa jurídica em decorrência dos contratos de locação de bens imóveis não sofriam incidência da Cofins, até o advento da Lei no 9.718/98, conforme julgados transcritos; 10. do direito à restituição dos valores recolhidos indevidamente. No presente caso, o tributo, que se pleiteia a restituição, está sujeito à homologação da entidade tributante, ou seja, a extinção do crédito tributário não ocorre com o pagamento, assim sendo, os artigos utilizados pela DRF para indeferir o pleito, deveria ser combinado com o art. 150, § 4º do CTN, que trata do lançamento por homologação; 11. a DRF desconsiderou que o lançamento do tributo em questão é feito por homologação, ou seja, o contribuinte apura o montante devido e efetua o pagamento (retenção), devendo o sujeito ativo da obrigação tributária homologar o lançamento. Só após a homologação é que há a extinção do crédito tributário, que, conforme o CTN, art. 150, § 4º, pode ser expressa, ou tácita, quando decorridos cinco (5) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, sem que haja qualquer reivindicação em torno do montante recolhido; 12. com a homologação é que efetivamente extinguese o crédito tributário e a partir dai, contarseá o prazo prescricional de cinco (5) anos para se pleitear a restituição, por esse motivo, teria a Impugnante o prazo de dez (10) anos, contados a partir do pagamento da Cofins sobre o faturamento, para propor o pedido de restituição, consoante decisões transcritas dos tribunais superiores; 13. assim é evidente que a Receita Federal não poderia alegar a prescrição no presente caso, Ficando claro o direito da Impugnante de ter assegurado a restituição dos valores, pagos indevidamente a titulo de Cofins sobre locação de bens móveis; 14. no que se refere à correção monetária pelas variações da UFIR, instituída pela Lei nº 8.383, DOU de 31/12/91, é sabido que tal índice é utilizado na correção monetária dos tributos e contribuições federais a partir do exercício de Fl. 189DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 1992, não restando dúvidas de que os valores pagos indevidamente até 31.12.95 deverão ser atualizados pelas variações da UFIR; 15. a partir de 01.01.96, o crédito da impugnante sofrerá a incidência dos juros calculados com base na taxa Selic, como previsto no art. 39, § 4º da Lei no 9.250 de 26.12.95 e art. 73 da Lei nº 9.532.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme Acórdão nº 11 19.415, datado de 28/06/2007, às fls. 146/156, sob as seguintes ementas: “COFINS LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS INCIDÊNCIA – As receitas decorrentes da locação de bens móveis estão sujeitas ao recolhimento da contribuição para financiamento da seguridade social, incidente sobre a receita bruta decorrente da locação. BASE DE CALCULO. RECEITA COM LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS. Os valores recebidos a titulo de locação de bens de móveis, próprios e de terceiros, integram a receita bruta na determinação da base de cálculo da contribuição para financiamento da seguridade social, não caracterizando pagamento indevido. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes envolvidas no processo.” Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário (166/171), requerendo a sua reforma a fim de que se reconheça seu direito à repetição dos valores reclamados e defira seu pedido de restituição, alegando, em síntese, que sua atividade, locação de bens móveis, não é prestação de serviços e, portanto, não constitui fato gerador da Cofins nos termos da LC nº 70, de 30/12/1991; como recolheu essa contribuição sobre as receitas de locação de bens móveis, tem direito à restituição dos valores pagos indevidamente. Contestou, ainda, a prescrição qüinqüenal do seu direito à restituição dos valores reclamados, nos termos do art. 173, do CTN, defendendo a tese dos “cinco mais cinco”. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. Recorrente pleiteia a restituição de valores apurados e pagos a título de Cofins sobre receitas de locação de bens móveis, recolhidas entre as data de 07/01/1994 e 10/02/1999, conforme planilha às fls. 35/36. Ressaltese que as receitas decorrentes de locação de bens móveis constituem receitas habituais da recorrente, auferidas mensalmente no período de janeiro de 1994 a fevereiro de 1999, conforme consta do seu pedido e, portanto, constituem receitas operacionais. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19647.000850/200472 Acórdão n.º 330101.441 S3C3T1 Fl. 189 5 Também, seu recurso voluntário (fls. 167), informou que atua no ramo de locação de bens móveis de sua propriedade. As suscitadas razões, em relação à decadência/prescrição do seu direito à repetição dos valores reclamados ficaram prejudicadas, tendo em vista que os valores reclamados por ela, ao contrário do seu entendimento, não constituem indébitos tributários e sim contribuição devida nos termos da legislação vigente. No julgamento do RESP 929.521, decidido sob o regime do art. 543C da Lei nº 5.869, de 11/01/1973 (CPC), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que as receitas de locação de móveis estão sujeitas à Cofins, nos seguintes termos: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. COFINS. LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS. INCIDÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS incide sobre as receitas provenientes das operações de locação de bens móveis, uma vez que ‘o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais’ (Precedente do STF que versou sobre receitas decorrentes da locação de bens imóveis: RE 371.258 AgR, Relator (a): Min. Cezar Peluso, Segunda Turma, julgado em 03.10.2006, DJ 27.10.2006). Precedentes das Turmas de Direito Público do STJ acerca de receitas decorrentes da locação de bens móveis: AgRg no Ag 1.136.371/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 04.08.2009, DJe 27.08.2009; AgRg no Ag 1.067.748/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.05.2009, DJe 01.06.2009; REsp 1.010.388/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.02.2009, DJe 11.02.2009; e AgRg no Ag 846.958/MG, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 05.06.2007, DJ 29.06.2007. 2. Deveras, "a base de incidência da COFINS é o faturamento, assim entendido o conjunto de receitas decorrentes da execução da atividade empresarial e (b) no conceito de mercadoria da LC 70/91 estão compreendidos até mesmo os bens imóveis, com mais razão se há de reconhecer a sujeição das receitas auferidas com as operações de locação de bens móveis à mencionada contribuição" (REsp 1.010.388/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.02.2009, DJe 11.02.2009; e EDcl no REsp 534.190/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 19.08.2004, DJ 06.09.2004). 3. Conseqüentemente, a definição de faturamento/receita bruta engloba as receitas advindas das operações de locação de bens móveis, que constituem resultado mesmo da atividade econômica empreendida pela empresa. 4. O artigo 535, do CPC, resta incólume quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o Fl. 191DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 5. A ofensa a princípios e preceitos da Carta Magna não é passível de apreciação em sede de recurso especial. 6. A ausência de similitude fática entre os arestos confrontados obsta o conhecimento do recurso especial pela alínea c, do permissivo constitucional. 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Ricarf), art. 62A, determina a adoção, em seus julgados, das decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Superior Tribunal de Justiça, assim dispondo: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (...).” Assim, em relação à incidência da Cofins sobre as receitas de locação de bens móveis, aplicase a este caso, a decisão do STJ no RESP 929.521, que reconheceu a sua incidência naquelas receitas. Portanto, reconhecida a incidência da Cofins sobre aquelas receitas, os valores apurados e pagos sobre elas, ao contrário do entendimento da recorrente, não constituem indébitos tributários passíveis de repetição, mas contribuições devidas. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, nego provimento ao presente recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 192DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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