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Numero do processo: 15374.903174/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2001
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO NÃO INTEGRANTE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Não integra o contencioso administrativo direito creditório que não consta de Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), cuja homologação está sendo discutida administrativamente.
DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. SALDO NEGATIVO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO.
O saldo negativo na Declaração de Imposto da Renda Pessoa Jurídica será pago independente de pedido de restituição ou de compensação, exceto nas situações em que será compensado de oficio pela Fazenda pública.
DCOMP. RETIFICAÇÃO DE ERRO QUANTO À ESPÉCIE DE CRÉDITO. NÃO CABIMENTO EM SEDE RECURSAL.
Incabível a retificação, em sede recursal, de erro quanto à espécie de crédito a compensar que tiver implicado procedimento de verificação diverso do devido.
Numero da decisão: 2402-006.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2001 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO NÃO INTEGRANTE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Não integra o contencioso administrativo direito creditório que não consta de Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), cuja homologação está sendo discutida administrativamente. DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. SALDO NEGATIVO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. O saldo negativo na Declaração de Imposto da Renda Pessoa Jurídica será pago independente de pedido de restituição ou de compensação, exceto nas situações em que será compensado de oficio pela Fazenda pública. DCOMP. RETIFICAÇÃO DE ERRO QUANTO À ESPÉCIE DE CRÉDITO. NÃO CABIMENTO EM SEDE RECURSAL. Incabível a retificação, em sede recursal, de erro quanto à espécie de crédito a compensar que tiver implicado procedimento de verificação diverso do devido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2001 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO NÃO INTEGRANTE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Não integra o contencioso administrativo direito creditório que não consta de Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), cuja homologação está sendo discutida administrativamente. DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. SALDO NEGATIVO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. O saldo negativo na Declaração de Imposto da Renda Pessoa Jurídica será pago independente de pedido de restituição ou de compensação, exceto nas situações em que será compensado de oficio pela Fazenda pública. DCOMP. RETIFICAÇÃO DE ERRO QUANTO À ESPÉCIE DE CRÉDITO. NÃO CABIMENTO EM SEDE RECURSAL. Incabível a retificação, em sede recursal, de erro quanto à espécie de crédito a compensar que tiver implicado procedimento de verificação diverso do devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 31 74 /2 00 8- 11 Fl. 340DF CARF MF Processo nº 15374.903174/200811 Acórdão n.º 2402006.886 S2C4T2 Fl. 341 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, transcreveremos o relatório constante do Acórdão nº 1225.673, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro I/RJ, fls. 130 a 132: Versa este processo sobre o PER/DCOMP n° 29937.11526.071 103.13.048561 (fls. 2/6). Através do Despacho Decisório n° 757794718 (fl. 8), diante da inexistência do crédito, não foi homologada a compensação declarada. O interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 10/17. Nesta peça, alega, em síntese, que: apresentou PER/DCOMP pleiteando a utilização de créditos relativos a supostos pagamentos indevidos ou a maior; ao ser intimado para apresentar darf comprobatório do recolhimento efetuado de forma indevida, verificou que cometera um erro formal ao informar que os créditos seriam decorrentes de recolhimentos indevidos, quando se tratavam de créditos de IRRF sobre aplicações financeiras, que deveriam ser restituídos, por ter sido apurado saldo negativo na DIPJ/2002; ` como o PER/DCOMP não permite alteração no campo “Origem das Receitas”, apresentou petição informando o erro cometido; não pode ser apenado por mero erro formal, devendo prevalecer a verdade material. Ao julgar a manifestação de inconformidade, a 6ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro I/RJ, por unanimidade de votos, conclui pela sua improcedência, sob o argumento de que a mudança pretendida no Per/Dcomp “não representa erro formal, conforme alegado”, mas sim representa “direito creditório novo”, que não integrou a “lide” referente ao Per/Dcomp analisado. Dessa forma, a análise desse direito creditório novo, em sede de manifestação de inconformidade, “suprimiria uma instância de julgamento”. Cientificada da decisão de primeira instância, em 16/4/10, segundo o Aviso de Recebimento (AR) de fl. 202, a Contribuinte, por meio de seus advogados (procuração de fls. 57, 58 e 87 a 91), interpôs o recurso voluntário de fls. 204 a 212, em 17/5/10, alegando, em síntese, que: [...] a partir do recebimento da indigitada Intimação [para apresentar o DARF do suposto recolhimento indevido], a Recorrente verificou que cometera um mero erro formal ao imputar no campo da PER/DCOMP denominado “Origem dos Créditos" que os créditos que seriam utilizados na compensação Fl. 341DF CARF MF Processo nº 15374.903174/200811 Acórdão n.º 2402006.886 S2C4T2 Fl. 342 3 seriam decorrentes de recolhimentos efetuados de forma indevida, quando na verdade, tratavamse de IRRF sobre aplicações financeiras que deveriam ser restituídos uma vez que o contribuinte apurou saldo negativo na DIPJ relativa ao ano de 2002. Desta forma, considerando que a PER/DCOMP não permite alterações no campo denominado “Origem das Receitas”, bem como em cumprimento à referida intimação, a Recorrente apresentou petição na data de 26.09.06 informando o erro formal cometido, bem como demonstrando de forma clara e precisa a existência dos créditos de IRRF que seriam utilizados na compensação requerida, conforme podese verificar pela própria DIPJ 2002, pelo informe de rendimentos financeiros expedido pelo BANCO BANESPA GRUPO SANTANDER BANESPA e pela planilha de atualização do crédito. [...] Alega a D. Autoridade julgadora, como premissa para o desprovimento da Manifestação de Inconformidade, que a alteração na origem do crédito "não representa mero erro forme conforme alegado”, e sim “direto creditório novo”. Em seguida assevera a D. Autoridade que “não íntegra a lide direito creditório que não consta do PER/DCOMP analisado, porquanto a análise suprimiria uma instância de julgamento”. Pois bem. Com efeito, equivocase a D. Autoridade Julgadora ao entender que a alteração da origem do crédito macularia o pedido de compensação formulado, e que tal alteração não poderia ser apreciada em sede de Manifestação de Inconformidade uma vez que supriria a análise preliminar da DERAT. Isso porque, conforme esclarecido pela Recorrente em sua Manifestação de Inconformidade e devidamente constante dos autos, a Recorrente cuidou de elucidar, ANTES DA ANÁLISE INICIAL REALIZADA PELA DERAT E ANTES DA PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO que havia se equivocado quando da indicação do crédito no PER/DCOMP, tendo esclarecido todo o ocorrido por meio da petição protocolada em 26 de setembro de 2006. [...] Assim sendo, não há que se falar em supressão de instância, uma vez que à DERAT foi conferida a oportunidade de manifestarse acerca das informações prestada pela Recorrente. [...] No caso em tela, verificase que dúvidas não pairam sobre o fato da empresa deter os créditos de IRRF que serão utilizados na compensação pleiteada. [...] Fl. 342DF CARF MF Processo nº 15374.903174/200811 Acórdão n.º 2402006.886 S2C4T2 Fl. 343 4 Em casos como estes, verificase que a verdade material deve prevalecer, quando demonstrado o mero erro formal no documento entregue à Secretaria da Receita Federal. É o relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Relator. Da admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6/3/72. Assim, dele tomo conhecimento. Das alegações recursais Em seu recurso voluntário, a Recorrente alega que ao ser solicitada a apresentar o DARF com suposto recolhimento indevido, verificou que cometera um mero erro formal ao informar no Per/Dcomp, no campo denominado “Origem dos Créditos" que os créditos a serem utilizados na compensação seriam decorrentes de recolhimento indevido, quando na verdade, tratavase de IRRF sobre aplicações financeiras que deveria ser restituído, uma vez que o contribuinte apurou saldo negativo na DIPJ relativa ao ano de 2002. A Recorrente aduz, ainda, que avisou a Derat sobre o erro formal na Per/Dcomp antes da prolação do despacho decisório. Pois bem, em que pese a defesa, não há como se homologar tal pedido de compensação. Segundo se observa no extrato do Banco do Estado de São Paulo S/A (BANESPA) de fl. 334, a Recorrente sofreu retenção de R$ 11.034,02 (aparentemente devida) sobre rendimento de aplicação financeira de R$ 55.170,11, tendo informado tais valores na DIPJ 2002, fls.119 a 121. Logo, se a DIRJ em questão resultou em saldo negativo (Imposto de Renda a Pagar = R$ 34.201,57, segundo o cálculo de fl. 197), ou seja, se resultou em crédito de imposto a restituir, é esse crédito que deve ser restituído, caso a empresa não apresente outros débitos passiveis de serem compensados com esse crédito, segundo determinava a o art. 34 da Instrução Normativa (IN) SRF nº 600, de 26/12/05. Não há, portanto, como substituir, no Per/Dcomp, o crédito supostamente informado erroneamente com parcela do saldo de imposto a restituir na DIPJ 2002, pois são coisas absolutamente diferentes. Nesse ponto, insta trazermos à baila o seguinte esclarecimento da decisão de primeira instância com o qual concordamos: O IRRF contribui para a apuração de eventual saldo negativo de IRPJ, mas com ele não se confunde. O saldo negativo desse Fl. 343DF CARF MF Processo nº 15374.903174/200811 Acórdão n.º 2402006.886 S2C4T2 Fl. 344 5 imposto, calculado ao final do período de apuração, é que se mostra passível de restituição e/ou compensação posterior. Também entendemos, como bem apontado pela decisão a quo, que a Recorrente poderia ter retificado o seu Per/DComp (por meio eletrônico ou mediante formulário em meio papel), no caso de inexatidão material nos dados informados, ou ter apresentado um novo Per/DComp, no caso de o crédito ter uma outra origem, porém, não o fez. De qualquer modo, não se observa qualquer prejuízo à Recorrente, pois, se a DIPJ de 2002 resultou em saldo negativo, o valor recolhido a maior de imposto no ano é passível de restituição, sendo o valor restituído atualizado pela Taxa Selic, quando do seu pagamento ou compensação, observados os limites temporais. Conclusão Sendo assim, diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 344DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19615.000890/2007-34
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
null
Aplica-se multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, à intimação em procedimento fiscal.
No caso concreto aqui analisado, restou verificada a inexistência de subsunção do fato à norma, visto que foi a própria fiscalização quem deu causa ao não atendimento à intimação enviada, em razão da imprecisão/incorreção quanto ao seu conteúdo.
Numero da decisão: 3002-000.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária null Aplica-se multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, à intimação em procedimento fiscal. No caso concreto aqui analisado, restou verificada a inexistência de subsunção do fato à norma, visto que foi a própria fiscalização quem deu causa ao não atendimento à intimação enviada, em razão da imprecisão/incorreção quanto ao seu conteúdo.
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Recorrente MARIA MARLUCIA MENEZES DE SOUZA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 16/08/2007 MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA. AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO DO FATO À NORMA. Aplicase multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, à intimação em procedimento fiscal. No caso concreto aqui analisado, restou verificada a inexistência de subsunção do fato à norma, visto que foi a própria fiscalização quem deu causa ao não atendimento à intimação enviada, em razão da imprecisão/incorreção quanto ao seu conteúdo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 61 5. 00 08 90 /2 00 7- 34 Fl. 231DF CARF MF 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 54/55 dos autos: Do Auto de Infração Tratase de auto de infração lavrado em desfavor Maria Marlucia Menezes de Souza, já qualificada nos autos, do qual resultou a exigência fiscal de R$ 5.000,00, relativa à multa por descumprimento de obrigação acessória, relacionada com constatação de embaraço ou impedimento à ação da fiscalização, inclusive não atendimento à intimação. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 02 a 03), em 27 de fevereiro de 2007, foi realizada retenção de mercadoria de origem estrangeira, desacompanhada de nota fiscal, para que fosse efetuada uma verificação da regular importação do produto retido. Tudo conforme Termo de Abertura / Retenção n° CO2/07, de fl. 08. Tratase de 01 (um) Facsimile Sharp Modelo UxP200 N° De Série 67151098, Made In Tailândia, desacompanhado de Nota Fiscal. A mercadoria foi enviada pela Sra. Célia Victorino, AV. Santo Amaro, 1817/13, Moema, São Paulo SP, tendo como destinatária a Sra. Maria Marlucia Menezes de Souza, Rua. Dr. José Mariano, 1163, apto 302, PetrolinaPE. Intimada, a Contribuinte respondeu, laconicamente, que a compra foi processada pela sua filha, com pagamento através do seu cartão e a entrega foi endereçada para sua residência. Reintimada, solicitouse à Interessada maiores detalhes acerca da aquisição da citada mercadoria. Esta intimação foi recebida e, 16 de março de 2007, conforme AR, de fl. 24, não tendo a Contribuinte se manifestado a respeito. O volume retido encontravase em trânsito, Via Correios, postados conforme o número de registro dos Correios correspondente. A conduta adotada pelo sujeito passivo, segundo o fisco, configura infração prevista no art. 107, inciso IV, alínea "c", do DL n° 37/66, com redação dada pela Lei 10.833/03. Logo, foi imputada a multa de R$ 5.000,00, prevista no citado dispositivo legal. Da Impugnação Devidamente cientificado, em 24/09/2007, fl. 28, comparece o sujeito passivo ao processo para impugnar o lançamento, em 01/10/2007, as fl. 31/33, alegando, em síntese: 1) ter encaminhado toda a documentação solicitada no Termo de Intimação inicial, acompanhada de resposta simples manuscrita, referente a documentação e ao procedimento em questão; 2) foi reiterada a intimação, em março de 2007, sob n.° CO2/07. A partir daí, contactou a RFB, falando com uma servidora, sendo dito que os documentos já se encontravam em posse do órgão, e que sua situação estava regularizada, fato que acarretaria a desconsideração da segunda intimação; 3) Para sua surpresa, recebeu, no mês de setembro, uma nova intimação, trazendo a obrigatoriedade do pagamento de uma multa no valor de R$ 5.000,00 Fl. 232DF CARF MF Processo nº 19615.000890/200734 Acórdão n.º 3002000.539 S3C0T2 Fl. 232 3 (cinco mil reais). Alerta para o desequilíbrio existente entre o valor do produto (R$ 300,00) e o montante da multa aplicada; 4) por ter agido de boa fé, ter atendido o que lhe foi solicitado, não ter desrespeitado a Lei, solicita o cancelamento da multa, que foi aplicada de forma injusta, com a liberação do produto. O contribuinte juntou, com sua impugnação, documento de identificação, termos de intimação, AR e comprovantes de endereço (fls. 38/46). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, conforme decisão (fls. 53/57) que restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 16/08/2007 ALEGAÇÃO. ONUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ELEMENTO SUBJETIVO. A responsabilidade pelas infrações é objetiva, não dependendo da aferição da existência de culpa ou dolo do agente. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/08/2007 MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA. INCIDÊNCIA. Aplicase multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, A. intimação em procedimento fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi intimado da decisão em 10/11/2011 (vide AR à fl. 62 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor interpôs, em 28/11/11, Recurso Voluntário (fls. 192/194). Consta nos autos termo de perempção por decurso de prazo sem apresentação de recurso (fl. 64) e despacho para inscrição do débito em dívida ativa (fls. 65/66). No entanto, foi emitida solicitação de retirada da inscrição do valor em dívida ativa, tendo em vista ter sido detectada a interposição tempestiva de recurso anteriormente à referida inscrição (fl. 154). Em seu recurso, o contribuinte reiterou os esclarecimentos prestados em sua impugnação, acerca do contexto da compra do produto em questão, informando ter sido adquirido por sua filha, o modo de pagamento e o vendedor. Afirmou que prestou as informações que entendeu devidas e que deixou de atender à segunda intimação por entender se tratar da mesma solicitação anteriormente enviada. Afirmou, por fim, que a obrigação de emitir os documentos que devem acompanhar a mercadoria é do vendedor, não do comprador, razão pela qual não imaginou que o produto seria enviado da forma ocorrida. Fl. 233DF CARF MF 4 Pediu, ao fim, o cancelamento do débito fiscal e a responsabilização do devido sujeito passivo. Juntou os documentos de fls. 195/222. À fl. 226 consta informação de cancelamento da inscrição do débito em dívida ativa. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima narrado, o não atendimento à segunda intimação enviada à Recorrente é fato incontroverso nos autos. Em sua defesa, a Recorrente alega que este não atendimento se deu em decorrência de orientação recebida de uma servidora da Receita Federal no sentido de que esta segunda intimação poderia ser desconsiderada. Argumenta, ainda, que deixou de atender à segunda intimação por entender se tratar da mesma solicitação anteriormente enviada. Ao tratar sobre esta segunda notificação, o auto de infração assim dispôs: Com base nas informações até então disponíveis, foi encaminhado o Termo de IntimaçãoDestinatárioTAR n° CO2/07 a Sra. Maria Marlucia as fls. ( 03/70), solicitando que a mesma apresentasse 6 Direp/SRRF04, dentre outros elementos, maiores detalhes sobre a aquisição da mercadoria retida. Em resposta a IntimaçãoDestinatário TAR n° CO2/07 As fls.(»), a Sra. Maria Marlucia respondeu, laconicamente, que a compra foi processada pela sua filha com pagamento através do seu cartão e a entrega foi endereçada para sua residência. Em virtude da intimação anteriormente enviada não ter sido respondido por escrito, conforme solicitado, foi encaminhado o Termo de Intimação 2Destinatário TAR n° CO2/07 a Sra. Maria Marlucia as fls. (1Tfl3), solicitando que a mesma apresentasse à Direp/SRRF04, dentre outros elementos, maiores detalhes sobre a aquisição da mercadoria retida. Ao analisar o presente caso concreto, entendo que assiste razão à Recorrente, por entender que não houve embaraço à fiscalização apto a ensejar a aplicação da penalidade disposta no art. 107, IV, alínea c do Decretolei nº 37/1966. É o que será devidamente esclarecido em sucessivo. A primeira intimação enviada à Recorrente (fls. 12/13 dos autos), intimava o contribuinte para apresentação, no prazo de 10 (dez) dias de informações relacionadas à mercadoria apreendida. Conforme reconhece a própria fiscalização no auto de infração lavrado, essa intimação foi atendida pelo contribuinte (vide resposta e documentos às fls. 15/24 dos autos). Fl. 234DF CARF MF Processo nº 19615.000890/200734 Acórdão n.º 3002000.539 S3C0T2 Fl. 233 5 Em seguida, fora enviada uma segunda notificação (fls. 25/26), a qual, conforme acima narrado, não fora atendida pela Recorrente (fato incontroverso nos autos). Essa segunda notificação assim dispôs: No exercício das atribuições do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal AFRF, conferidas pela Lei n2 10.593, de 06 de dezembro de 2002, em especial a allnea "c" do inciso I do artigo 6 2, com fundamento no artigo 8 2 do Decretolei n 2 399/68, artigos 94, 95 e 97 da Lei nº 4.502/64, artigo 7 2 da Lei n2 2.354/54, regulamentado pelos artigos 9b4, 905, 911 e 927 do _ Decreto n2 3.000/99, com amparo no Mandado de Procedimento Fiscal n 2 04.1.51.002007000149, tendo em vista que V. Sra. não respondeu por escrito a Intimação, conforme solicitado, fica o contribuinte supra qualificado, INTIMADO a apresentar a esta Divisão no endereço abaixo mencionado, no prazo de 10 (dez) dias, os documentos/esclarecimentos abaixo especificados: (...) (Grifos apostos). Em seguida, a notificação enumerou os mesmos documentos/esclarecimentos constantes da primeira notificação enviada. Como se vê, relata a auditora fiscal que esta segunda intimação estava sendo lavrada em razão da ausência de resposta por escrito à primeira intimação realizada. Acontece que, da análise dos autos, é possível constatar que esta informação não procede, visto que a Recorrente havia sim apresentado resposta à primeira intimação enviada. Por outro lado, da análise do conteúdo da segunda intimação enviada, extraise que foram solicitadas as mesmas informações constantes da primeira notificação enviada, não tendo a fiscalização, nesta segunda intimação, feito qualquer referência acerca da documentação já apresentada pela Recorrente nos autos. Ou seja, ao contrário do que entendeu a DRJ, penso que, da análise desta segunda intimação, não é possível concluir que esta fora expedida em decorrência de a fiscalização ter entendido que a primeira intimação não teria sido atendida de forma satisfatória. Caso tivesse sido esta a intenção/conclusão da fiscalização, deveria ter se pronunciado expressamente nesse sentido, indicando, ao menos, ter conhecimento dos esclarecimentos/documentos já apresentados nos autos. Ao contrário, a intimação limitouse a dispor que a Recorrente não teria respondido por escrito à primeira intimação enviada, o que não corresponde à realidade. Nesse contexto, entendo plausível tanto o esclarecimento apresentado pela Recorrente no sentido de que acreditava que se tratava da mesma solicitação anteriormente enviada, quanto a informação de que teria sido orientada por servidora da Receita Federal no sentido de que desconsiderasse a intimação recebido, visto que os esclarecimentos e documentos apresentados pela Recorrente já se encontravam acostados aos autos. Neste particular, entendo que não se faz necessária a comprovação por parte da Recorrente de que a servidora, de fato, o teria orientado conforme descrito acima, pois penso que esta conclusão decorre de uma simples leitura da segunda notificação enviada. Ou seja, no meu entender, foi a imprecisão/incorreção da informação constante da segunda notificação enviada que findou por levar a contribuinte a erro no que concerne à necessidade de responder a esta segunda intimação. Nesse contexto, foi a própria fiscalização quem deu causa ao não atendimento da intimação, em razão do conteúdo impreciso/incorreto ali posto. Fl. 235DF CARF MF 6 Sendo assim, entendo que não houve subsunção do fato à norma, diante da ausência de embaraço à ação de fiscalização aduaneira. A Recorrente trouxe aos autos os elementos que entendia necessários ao atendimento da primeira intimação enviada, e a ausência de resposta à segunda intimação, no meu entender, decorreu da imprecisão/incorreção constante do seu conteúdo, falha esta que não pode ser imputada à Recorrente. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto, para fins de cancelar o auto de infração combatido em sua integralidade. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 236DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.973572/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/03/2003
NULIDADE ACÓRDÃO. FALTA DE ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO DO CONTRIBUINTE.
É nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que analisa o direito creditório do contribuinte com base em argumento diverso do que constou no despacho decisório combatido.
COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. POSSIBILIDADE.
Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
Numero da decisão: 1302-003.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a nulidade do acórdão de primeiro grau, determinando o seu retorno à DRJ para que profira novo julgamento, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado- Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2003 NULIDADE ACÓRDÃO. FALTA DE ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO DO CONTRIBUINTE. É nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que analisa o direito creditório do contribuinte com base em argumento diverso do que constou no despacho decisório combatido. COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. POSSIBILIDADE. Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a nulidade do acórdão de primeiro grau, determinando o seu retorno à DRJ para que profira novo julgamento, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 35 72 /2 00 9- 41 Fl. 118DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase processo administrativo decorrente de Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte DESIM Desenvolvimento Imobiliário Ltda., ora Recorrente, em face de despacho decisório que não homologou pedido de compensação administrativa, na qual foi indicado como direito creditório pagamento indevido ou a maior de estimativas do IRPJ referente ao período de apuração de 03/2003. Como se depreende dos autos, o litígio que envolve o presente processo decorre da análise da possibilidade legal de restituição e posterior compensação de recolhimentos a maior de estimativas mensais do IRPJ, uma vez que o contribuinte alega que recolheu, a título de estimativas mensais, valor superior ao devido no período, como se observa da Manifestação de Inconformidade que deu origem ao procedimento administrativo em questão. Contudo, em que pese os argumentos apresentados pelo contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) entendeu por bem julgar como improcedente o apelo do contribuinte, sob o argumento de que o pagamento indevido ou a maior de estimativa deve ser deduzido do IRPJ apurado ao final daquele período ou compor o saldo negativo, não podendo ser objeto de restituição/compensação, como pretendido. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/06/2003 ESTIMATIVA. PAGAMENTO INDEVIDO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. A partir de 29/10/2004, na hipótese de ter sido efetuado pagamento indevido ou maior que o devido de IRPJ calculado por estimativa, este valor somente poderia ter sido utilizado na dedução do IRPJ apurado ao final daquele período de apuração, ou para compor o saldo negativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente intimado, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual, em síntese, requer o reconhecimento do seu direito creditório e, por consequência, a homologação da compensação apresentada. Este é o relatório. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10880.973572/200941 Acórdão n.º 1302003.379 S1C3T2 Fl. 119 3 Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Relator DA TEMPESTIVIDADE Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimado do teor do acórdão recorrido em 17/02/2011 (fl. 111), apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 17/03/2011 (fl. 112 e seguintes), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, sem maiores delongas, é tempestivo o Recurso Voluntário apresentado pelo Recorrente e, por isso, uma vez cumpridos os demais pressupostos para a sua admissibilidade, deve ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DA NULIDADE DO ACÓRDÃO PROFERIDO PELA DRJ. DA POSSIBILIDADE DE SE VER RESTITUÍDO/COMPENSADOS OS PAGAMENTOS INDEVIDOS OU A MAIOR RELATIVOS ÀS ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ. Como demonstrado no relatório acima, o Despacho Decisório não homologou a compensação pretendida, uma vez que os créditos teriam sido "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". O contribuinte, por sua vez, demonstrou que houve o recolhimento a maior das estimativas e que, por isso, estava caracterizado o indébito tributário, passível de compensação. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP), contudo, sem analisar o direito creditório do contribuinte, fundamentou o seu voto com o argumento de que o "não era possível à Recorrente à época da transmissão da DCOMP sob análise — pleitear restituição/compensação de IRPJ calculado por estimativa eventualmente pago a maior como 'pagamento indevido ou maior que o devido'". Com esse entendimento, entendeu, aquela DRJ, que a Manifestação de Inconformidade do contribuinte deveria ser julgada como improcedente. Entretanto, é fato que aquele acórdão deixou de analisar o direito creditório do contribuinte, nos termos invocados pelo Despacho Decisório e que foram contrapostos, inclusive via documentação, pelo Recorrente. Assim, de ofício, reconhecese a nulidade do acórdão proferido pela DRJ de São Paulo, devendo os autos retornarem à instância a quo, para nova análise do direito creditório do contribuinte e se este é passível de liquidar os débitos, nos termos do pedido de compensação apresentado. Devese ressaltar, ainda, que a douta DRJ de São Paulo proferiu voto indeferindo o pleito do contribuinte, como mencionado, sob o argumento de que o crédito das estimativas pagas a maior deve ser deduzido do IRPJ apurado ao final daquele período ou Fl. 120DF CARF MF 4 compor o saldo negativo, não podendo ser objeto de restituição/compensação. Assim, como houve pedido de restituição/compensação, entendeu, aquela Delegacia de Julgamento, que o pleito do Recorrente deveria ser indeferido. Contudo, ao contrário do que restou decidido pela Turma a quo, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu diversos julgados em sentido diametralmente oposto ao que foi colocado no acórdão recorrido, sendo a discussão encerrada com a edição da súmula CARF nº 84, que tem a seguinte redação: Súmula CARF nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Ademais, em que pese o entendimento já sumulado no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, não se pode olvidar que a própria Receita Federal do Brasil alterou o posicionamento, quando da publicação da Solução de Consulta Interna COSIT Nº 19, de 05 de dezembro de 2011, que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIOESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO.O art. 11 da IN RFB nº900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1ºde janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa.Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº460, de 2004, e IN SRF nº600, de 2005.A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1ºde janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº460, de 2004, e IN SRF nº600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2ºe 74; IN SRF nº460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº900, de 30 de dezembro de 2008. Assim, o entendimento exarado pela DRJ não pode prevalecer, devendo o direito creditório ser analisado nos limites do que já restou consolidado pelo CARF e externado através da súmula acima citada. Por todo exposto, votase por DECLARAR A NULIDADE do acórdão proferido pela DRJ de São Paulo I (SP), determinandose o retorno dos autos para que a Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.973572/200941 Acórdão n.º 1302003.379 S1C3T2 Fl. 120 5 instância a quo profira novo julgamento, com a análise do direito creditório do contribuinte, com base no entendimento de que é possível, para fins de restituição e compensação, caracterizar como indébito o pagamento indevido ou a maior, pelo contribuinte, das estimativas. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator Fl. 122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13161.001938/2007-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte.
É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO.
A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de PIS.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO.
Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação.
PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125.
No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte.
É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO.
A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO.
Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação.
COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125.
No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 9303-007.610
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reformar o Acórdão recorrido reconhecendo os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITO. FRETES. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. SELIC. Recorrente COOPERATIVA AGROPECUÁRIA INDUSTRIAL EM LIQUIDAÇÃO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 19 38 /2 00 7- 21 Fl. 698DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 3 2 A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de PIS. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. Fl. 699DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 4 3 A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para reformar o Acórdão recorrido reconhecendo os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3302003.307, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Fl. 700DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 5 4 Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelecese o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANOCALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir anocalendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do anocalendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. Fl. 701DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 6 5 COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.15835/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.” Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, insurgindose com as seguintes discussões: (i) dos fretes sobre operações de transferências de mercadorias; (ii) dos fretes sobre compras de fertilizantes e sementes; (iii) do crédito presumido – atividade agroindustrial – produção das mercadorias de origem vegetal classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM; (iv) possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS e Cofins (v) previsão legal para a incidência da Selic. Efetuado o exame de admissibilidade pelo Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, e, após a apresentação de Agravo pelo contribuinte, mediante reexame da admissibilidade pelo Presidente da CSRF, foi dado seguimento ao recurso especial relativamente às matérias “possibilidade de tomada de créditos de PIS/Cofins sobre despesas com fretes relativos a transferência de insumos e Fl. 702DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 7 6 mercadorias entre estabelecimentos (61.697.4499 e 61.697.4352)”, “possibilidade de tomada de créditos de PIS/Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes – 61.697.999)”; “enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/Cofins (61.697.4350) e “correção dos créditos pela taxa Selic (61.697.4353)”. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que apresentou, dentre outros, os seguintes argumentos: · Permitir que o contribuinte se credite de despesas necessárias, nos termos da legislação do imposto de renda redundaria em um aumento na distorção na base de cálculo dos tributos; · Como visto, na busca pela definição do que deva ser considerado insumo, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, devese adotar um conceito que esteja situado entre a noção de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem do IPI e a ideia de despesas necessárias do IRPJ, compatibilizandose, assim, a não cumulatividade com a materialidade daquelas contribuições; · Há vedação expressa quanto a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos de PIS e de Cofins nãocumulativos; · A autorização para ressarcir ou compensar o crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 conforme o inc. I e inc. e II do art. 36 opera efeitos para pedidos de compensação/ressarcimento realizados a partir do primeiro dia do mês subsequente ao da publicação da lei, isto é, a partir de 01/11/2009, tendo em vista que a publicação da Lei 12.058/2009 ocorreu em 14/10/2009; · Uma vez que a própria Lei estipulou expressamente que a compensação na forma do art. 36 não pode ser aplicada para pedidos de compensação anteriores ao mês subsequente à publicação da lei (novembro de 2009), deve ser negado provimento ao recurso especial do contribuinte neste ponto; · Os artigos 13 e 15 da Lei n° 10.833, de 2003, vedam expressamente a incidência da taxa Selic sobre crédito oriundo de ressarcimento de PIS e Cofins nãocumulativa, na medida em que estabelecem que o aproveitamento dessa modalidade de crédito não ensejará atualização monetária ou incidência de juros. É o relatório. Fl. 703DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.593, de 20/11/2018, proferido no julgamento do processo 13161.001374/200726, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.593): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os requisitos de conhecimento constantes do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/15 com alterações posteriores. O que concordo com o exame de admissibilidade constante do Despacho de agravo. Eis o que diz o Despacho de agravo (Grifos meus): “[...] O escopo do agravo, nestes termos, é avaliar a adequação do despacho questionado ao recurso especial originalmente formulado pelo interessado, sendo inadmissível inovação destinada a suprir deficiência na demonstração inicial da divergência. O despacho agravado, comum a todos eles, concluiu pelo não seguimento nos seguintes termos: (...) Demonstração da legislação interpretada divergentemente [...] Essa fundamentação alcança as cinco matérias que o recorrente queria levar ao colegiado superior, a saber, a: 1) possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre 1.1 despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos (61.697.4499 e 61.697.4352); 1.2) despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas a alíquota zero: fertilizantes e sementes (61.697.9999); 2) Enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350); 3) Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350); 4) correção dos créditos pela taxa SELIC (61.697.4353) O agravo apresentado procura demonstrar que o recurso especial cumpriu todos os requisitos regimentais, em especial, a indicação da legislação contrariada. Pede, ao final, que seja dado seguimento a ele na íntegra. Fl. 704DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 9 8 Com respeito às duas primeiras matérias, afirma que o recurso teria apontado que a legislação contrastada nos acórdãos seria o art. 3º, incisos II e IX das leis instituidoras da nãocumulatividade das contribuições (10.637 e 10.833); quanto à terceira, seria o art. 13 da mesma Lei 10.833, já que o paradigma entendeu que ele não se aplicaria quando houvesse impedimento por parte da Administração. Esses os fatos. Para começar, deve ser enfatizado que os recursos foram apresentados quando já estava em vigor a Portaria MF 39, de fevereiro de 2016, que alterou a redação do § 1º do art. 67 do RICARF para: §1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. Vejase que, com essa alteração, que retirou a expressão "de forma objetiva" antes presente e que vinha levando à interpretação, aqui repetida, de que o parágrafo estaria a impor a indicação precisa e expressa do dispositivo legal interpretado divergentemente, apenas se exige que haja demonstração da legislação tributária que teria sido interpretada de forma divergente. Não se exige, de modo algum, que haja indicação expressa de algum dispositivo legal específico. Essa interpretação menos rigorosa já foi mesmo adotada pela própria Câmara Superior de Recursos Fiscais1: [...] Demais disso, é mesmo fato, como apontado no agravo, que o recurso especial apresentado trazia sim menções às legislações contrariadas. É certo que ele não está estruturado do modo exemplar que caracteriza o despacho que o examinou. Em especial, não destaca ele tópico específico para demonstrar o cumprimento, um a um, dos requisitos previstos no art. 67 do RICARF. Ele principia pela enunciação da matéria que entende ter sido analisada divergentemente, seguida de imediata indicação e transcrição da ementa do pretendido paradigma, passando, ato contínuo, a demonstrar a divergência em si. Isso, não obstante, é igualmente certo que o RICARF, e antes dele o próprio Decreto 70.235, não estabelecem forma rígida para apresentação dos recursos neles previstos. Por isso, ainda que a menção aos atos legais não seja bem ordenada, há de ser reconhecida, e superado, portanto, o óbice apontado. E, por economia processual, vêse desnecessário o retorno dos autos à Câmara recorrida para o exame do cumprimento do requisito material de demonstração da divergência em relação às cinco matérias. Ela é manifesta. Com efeito, a primeira, exatamente na forma como enfrentada no recorrido, o foi no primeiro paradigma arrolado. Lá, contrariamente ao que se decidiu aqui, entendeuse possível a tomada de créditos sobre fretes pagos para o transporte de mercadorias entre estabelecimentos. O mesmo se passa com as outras duas, bastando a leitura de suas ementas para se ver que se trata da mesma matéria com conclusões opostas. Constatase, assim, a presença dos pressupostos de conhecimento do agravo e a necessidade de reforma do despacho questionado. Por tais razões, propõese que o agravo seja ACOLHIDO para DAR seguimento ao recurso especial relativamente às matérias "possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos (61.697.4499 e 61.697.4352)"; "possibilidade de tomada Fl. 705DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 10 9 de créditos de PIS/COFINS sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas a alíquota zero: fertilizantes e sementes (61.697.9999)"; "enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350)"; "possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350)" e "correção dos créditos pela taxa SELIC (61.697.4353)". Vêse que, relativamente ao item: · Créditos de fretes sobre operação de transferência de mercadorias, houve demonstração de divergência entre os arestos, vez que o aresto recorrido interpretou de uma forma o inciso IX das Leis 10.637/02 e 10.833/03, diferentemente dos indicados como paradigmas que reconheceram o direito ao crédito sobre o mesmo item; · Créditos de fretes sobre compras de fertilizantes e sementes. O aresto recorrido entendeu pela impossibilidade de se constituir crédito sobre o custo de transporte, vez que a mercadoria importada transportada não teria sido onerada pelas contribuições. E os paradigmas se direcionam pelo reconhecimento dos mesmos créditos, vez que o custo do transporte não se vincula ao tratamento tributário dada às mercadorias objeto desse transporte. · Enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS Da mesma forma, houve a divergência, vez que o aresto paradigma reconhece o direito a apuração e ressarcimento do crédito sobre essas mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12 do NCM. · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS Vide item acima. · Taxa Selic, da mesma forma houve a divergência. Em vista de todo o exposto, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo na parte admitida em despacho de agravo – ou seja, das seguintes matérias: · Possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos; · Possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes); e · Enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS · Correção dos créditos pela taxa Selic. Ventiladas tais considerações, quanto às duas primeiras matérias trazidas e que envolvem a constituição de crédito de PIS e Cofins, passo a discorrer. Fl. 706DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 11 10 No que tange à discussão envolvendo a possibilidade ou não de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre os custos de fretes nas transferências internas de mercadorias, recordase que essa discussão já foi apreciada por nossa turma, tendo sido firmado posicionamento de que os custos de frete de mercadorias entre estabelecimentos gerariam o direito à constituição e crédito. Frisese a ementa do acórdão 9303005.156: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAS PRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matérias primas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto.” Nesse ínterim, proveitoso citar os acórdãos 9303005.155, 9303005.154, 9303 005.153, 9303005.152, 9303005.151, 9303005.150, 9303005.116, 9303006.136, 9303 006.135, 9303006.134, 9303006.133, 9303006.132, 9303006.131, 9303006.130, 9303 006.129, 9303006.128, 9303006.127, 9303006.126, 9303006.125, 9303006.124, 9303 006.123, 9303006.122, 9303006.121, 9303006.120, 9303006.119, 9303006.118, 9303 006.117, 9303006.116, 9303006.115, 9303006.114, 9303006.113, 9303006.112, 9303 006.111, 9303005.135, 9303005.134, 9303005.133, 9303005.132, 9303005.131, 9303 005.130, 9303005.129, 9303005.128, 9303005.127, 9303005.126, 9303005.125, 9303 005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.127, 9303005.126, 9303 005.125, 9303005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.120, 9303 005.119, 9303005.118, 9303005.117, 9303006.110, 9303004.311, etc. Não obstante, para melhor elucidar meu entendimento, passo a discorrer a priori sobre o conceito de insumos, vez que influenciará na questão da segmentação das atividades da recorrente. Fl. 707DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 12 11 Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se tratava de matéria controvérsia – pois em fevereiro de 2018 o STJ, em sede de recurso repetitivo, definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.. Definiu, ainda, ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas IN SRF 247 e 404 que, por sua vez, traz um entendimento mais restritivo que descrita na lei. Nessa linha, efetivamente a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, ainda que o acórdão do STJ não tenha sido publicado, tal como já entendia, expresso que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pela contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante recordar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Fl. 708DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 13 12 Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Fl. 709DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 14 13 Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. Tal como expressou o STJ em recente decisão. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Fl. 710DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 15 14 Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Fl. 711DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 16 15 Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E Fl. 712DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 17 16 COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição Fl. 713DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 18 17 essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Nessa linha, aguardamos o transito em julgado da decisão do STJ proferida após apreciação, em sede de repetitivo, do REsp1.221.170 – e que trouxe, pelas discussões e votos proferidos, o mesmo entendimento já aplicável pelas suas turmas e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Privilegiando, assim, a segurança jurídica que tanto merece a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Passadas tais considerações, tenho que os custos de fretes de mercadorias entre estabelecimentos são essenciais e pertinentes à sua atividade. O que geraria crédito de PIS e Cofins. Proveitoso ainda trazer que, recentemente, a PGFN publicou a Nota SEI 63/18 – dispondo sobre o conceito de insumo para fins de constituição de crédito de PIS e Cofins não cumulativo, considerando o decidido, em sede de repetitivo, pelo STJ que, por sua vez, entendeu ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas INs SRF 247/2002 e 404/2004. Traz, em síntese, que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. E que para constatarmos que tal item seria essencial e pertinente à atividade do sujeito passivo, seria importante fazer o “teste de subtração”. Eis a parte que traduz esse teste: “[...] Fl. 714DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 19 18 41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. [...]” Ou seja, se aplicarmos o teste de subtração para tal custo – a atividade do sujeito passivo seria efetivamente prejudicada. Em vista do exposto e, considerando o entendimento que esse Colegiado tem proferido, voto por dar provimento ao recurso nessa parte, reconhecendo o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de mercadorias entre estabelecimentos. Continuando, relativamente à outra discussão, qual seja, possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes), entendo que tais fretes são essenciais e pertinentes à atividade do sujeito passivo – o que geraria crédito de PIS e Cofins. Ora, é de se atentar que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição – art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Não há vedação legal e tais custos são essenciais à sua atividade. É de se clarificar que a constituição do crédito observou tão somente os valores referentes às despesas de fretes dos produtos, e não os valores de aquisição dos insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições. Em vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo nessa parte. Fl. 715DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 20 19 (...)1 Direcionandome para a última matéria trazida em recurso, qual seja, se há ou não correção pela taxa Selic sobre os créditos da Contribuição para o PIS e Cofins, decorrentes da aplicação do regime da não cumulatividade, independentemente da forma de aproveitamento, curvome à Súmula CARF 125, recémpublicada – que já definiu entendimento no âmbito administrativo: “Súmula CARF nº 125 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Sendo assim, nessa parte, nego provimento ao recurso do contribuinte. Diante do exposto, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo e dou provimento parcial ao seu recurso." (...) "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, discordo de sua conclusão, quanto ao enquadramento da atividade de cerealista, como atividade industrial, para efeito de gozo do crédito presumido da agroindústria do PIS e da Cofins, e, consequentemente, quanto ao ressarcimento/compensação do seu saldo credor trimestral. O contribuinte pleiteia créditos presumidos da agroindústria, a título de PIS e da Cofins, calculados sobre os custos das aquisições de produtos agrícolas in natura (soja e milho), beneficiados e vendidos por ele também in natura. No entanto, somente faz jus a esse crédito as pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal e vegetal, conforme estabelece a Lei nº 10.925, de 23 de junho de 2004, que assim dispõe: "Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: 1 Não se transcreveu, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que tratou do enquadramento da atividade de cerealista como atividade industrial e do consequente direito ao aproveitamento do crédito presumido da agroindústria (a título de PIS e Cofins), por manifestar entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, à solução do litígio do presente processo. Contudo, a íntegra do voto consta do Acórdão 9303007.593 (processo 13161.001374/200723). Fl. 716DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 21 20 I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (...); III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...). § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; (destaques não originais) (...)." No presente caso, conforme demonstrados nos autos, o contribuinte não utilizou os produtos agrícolas, soja e milho, como matériasprimas para a fabricação de produtos derivados desses cereais. Não houve industrialização alguma. Os cereais foram adquiridos, beneficiados e comercializados in natura nos mercados interno e externo. De fato, o contribuinte exerceu apenas e tão somente as atividades de limpar, secar, padronizar, armazenar e comercializar os cereais, soja e milho, in natura, ou seja, exerceu atividade agrícola que se enquadra no § 4º, inciso I, do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, citado e transcrito anteriormente, que veda, de forma expressa, o aproveitamento de crédito presumido da agroindústria para tal atividade. Além disto, segundo o disposto no art. 8º, citado e transcrito anteriormente, a pessoa jurídica para ter direito ao crédito presumido da agroindústria deve produzir mercadorias classificadas nos capítulos e códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul elencados no caput do artigo. As mercadorias produzidas industrialmente devem ser destinadas à alimentação humana ou animal e as pessoas jurídicas produtoras devem adquirir as matériasprimas de pessoas físicas, de cerealista ou de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e/ ou de cerealista, conforme previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de junho de 2004. Quanto ao ressarcimento/compensação do saldo credor do crédito presumido da agroindústria, ora reclamado, embora o julgamento desta matéria tenha ficado prejudicado, em virtude do não reconhecimento do direito de o contribuinte aproveitar tais créditos, demonstrase, a seguir, a falta de amparo legal para o seu ressarcimento/compensação. O crédito presumido da agroindústria referente ao PIS e à Cofins foi inicialmente instituído pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003, art. 3º, § 11, foi extinto pela Lei nº 10.925, de 23/07/2004, art. 16, convertida da MP nº 183, de 30/4/2004. Contudo, esta mesma lei o reinstituiu, nos termos do art. 8º, já citado e transcrito anteriormente, e art. 15, que assim dispõe: Fl. 717DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 22 21 "Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (destaque não original) [...]." Ora, segundo o disposto nos art. 8º e 15, citados e transcritos anteriormente, o crédito presumido da agroindústria somente pode ser utilizado para a dedução da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, inexistindo previsão legal para o ressarcimento/compensação. Com efeito, não é despiciendo reiterar que a compensação e o ressarcimento admitidos pelo art. 6º da Lei n° 10.833, de 2003, contemplam unicamente aos créditos apurados na forma do art. 3º daquela lei, assim dispondo: "Art. 6º A Cofins não incidirá sobre as receias decorrentes das operações de: [...]; § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art 3º, para fins de: (destaque não original) [...]." Neste diapasão, a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, dispõe em seu art. 21: “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637. de 30 de dezembro de 2002. e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: (destaque não original) [...].” Segundo, estes dispositivos legais, apenas os créditos apurados na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, podem ser objeto de pedido de restituição/compensação, ou seja, os créditos sobre insumos adquiridos com incidência da contribuição cujo ônus do pagamento efetivo é do adquirente. Os créditos presumidos da agroindústria não são apurados na forma daquele artigo, mas sim nos termos do art. 8º, § 3º da Lei nº 10.925, de 23/07/2004. Já suas utilizações estão previstas no próprio art. 8º e no art. 15, desta mesma lei, citados e transcritos anteriormente, ou seja, podem ser utilizados apenas e tão somente para dedução da contribuição devida em cada período de apuração. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte, quanto ao aproveitamento de crédito presumido da agroindústria, a título de PIS e Cofins, e, consequentemente, não reconhecer o seu direito ao ressarcimento/compensação de tais créditos." Fl. 718DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 23 22 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para reconhecer os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes relativos ao transporte de insumos adquiridos com alíquota zero. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 719DF CARF MF
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Numero do processo: 13161.001370/2007-48
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte.
É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125.
No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte.
É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125.
No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 9303-007.563
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reformar o Acórdão recorrido reconhecendo os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reformar o Acórdão recorrido reconhecendo os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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DIREITO DE CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES NO TRANSPORTE DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. Recorrente COOPERATIVA AGROPECUÁRIA INDUSTRIAL EM LIQUIDAÇÃO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 13 70 /2 00 7- 48 Fl. 672DF CARF MF Processo nº 13161.001370/200748 Acórdão n.º 9303007.563 CSRFT3 Fl. 3 2 PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para reformar o Acórdão recorrido reconhecendo os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento. Fl. 673DF CARF MF Processo nº 13161.001370/200748 Acórdão n.º 9303007.563 CSRFT3 Fl. 4 3 (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3302003.262, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelecese o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. Fl. 674DF CARF MF Processo nº 13161.001370/200748 Acórdão n.º 9303007.563 CSRFT3 Fl. 5 4 COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANOCALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir anocalendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do anocalendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.158 35/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos Fl. 675DF CARF MF Processo nº 13161.001370/200748 Acórdão n.º 9303007.563 CSRFT3 Fl. 6 5 julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, insurgindose com as seguintes discussões: (i) dos fretes sobre operações de transferências de mercadorias; (ii) dos fretes sobre compras de adubos, fertilizantes, corretivos e sementes; (iii) previsão legal para a incidência da Selic. Em Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, foi negado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Irresignado com o exame de admissibilidade, o sujeito passivo interpôs Agravo, expondo as divergências dos arestos recorrido e indicados como paradigma por matéria, requerendo a admissibilidade de todos os pontos do Recurso Especial propostos. Em Despacho do Presidente da CSRF o agravo foi acolhido para dar seguimento ao Recurso Especial relativamente às matérias “possibilidade de tomada de créditos de PIS/Cofins sobre despesas com fretes relativos a transferência de insumos e mercadorias entre estabelecimentos”, “possibilidade de tomada de créditos de PIS/Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes)” e “correção dos créditos pela taxa Selic”. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que apresentou, dentre outros, os seguintes argumentos: · Permitir que o contribuinte se credite de despesas necessárias, nos termos da legislação do imposto de renda redundaria em um aumento na distorção na base de cálculo dos tributos; · Como visto, na busca pela definição do que deva ser considerado insumo, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, devese adotar um conceito que esteja situado entre a noção de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem do IPI e a ideia de despesas necessárias do IRPJ, compatibilizandose, assim, a não cumulatividade com a materialidade daquelas contribuições; Fl. 676DF CARF MF Processo nº 13161.001370/200748 Acórdão n.º 9303007.563 CSRFT3 Fl. 7 6 · Há vedação expressa quanto a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos de PIS e de Cofins nãocumulativos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.562, de 20/11/2018, proferido no julgamento do processo 13161.001369/200713, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.562): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os requisitos de conhecimento constantes do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/15 com alterações posteriores. O que concordo com o exame de admissibilidade constante do Despacho de agravo. Eis o que diz o Despacho de agravo (Grifos meus): “[...] O escopo do agravo, nestes termos, é avaliar a adequação do despacho questionado ao recurso especial originalmente formulado pelo interessado, sendo inadmissível inovação destinada a suprir deficiência na demonstração inicial da divergência. O despacho agravado, comum a todos eles, concluiu pelo não seguimento nos seguintes termos: (...) Demonstração da legislação interpretada divergentemente [...] Essa fundamentação alcança as três matérias que o recorrente queria levar ao colegiado superior, a saber, a: 1) possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre 1.1 despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos; 1.2) despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas a alíquota zero (fertilizantes e sementes); 2) correção dos créditos pela taxa SELIC Fl. 677DF CARF MF Processo nº 13161.001370/200748 Acórdão n.º 9303007.563 CSRFT3 Fl. 8 7 O agravo apresentado procura demonstrar que o recurso especial cumpriu todos os requisitos regimentais, em especial, a indicação da legislação contrariada. Pede, ao final, que seja dado seguimento a ele na íntegra. Com respeito às duas primeiras matérias, afirma que o recurso teria apontado que a legislação contrastada nos acórdãos seria o art. 3º, incisos II e IX das leis instituidoras da nãocumulatividade das contribuições (10.637 e 10.833); quanto à terceira, seria o art. 13 da mesma Lei 10.833, já que o paradigma entendeu que ele não se aplicaria quando houvesse impedimento por parte da Administração. Esses os fatos. Para começar, deve ser enfatizado que os recursos foram apresentados quando já estava em vigor a Portaria MF 39, de fevereiro de 2016, que alterou a redação do § 1º do art. 67 do RICARF para: §1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. Vejase que, com essa alteração, que retirou a expressão "de forma objetiva" antes presente e que vinha levando à interpretação, aqui repetida, de que o parágrafo estaria a impor a indicação precisa e expressa do dispositivo legal interpretado divergentemente, apenas se exige que haja demonstração da legislação tributária que teria sido interpretada de forma divergente. Não se exige, de modo algum, que haja indicação expressa de algum dispositivo legal específico. [...] Demais disso, é mesmo fato, como apontado no agravo, que o recurso especial apresentado trazia sim menções às legislações contrariadas. É certo que ele não está estruturado do modo exemplar que caracteriza o despacho que o examinou. Em especial, não destaca ele tópico específico para demonstrar o cumprimento, um a um, dos requisitos previstos no art. 67 do RICARF. Ele principia pela enunciação da matéria que entende ter sido analisada divergentemente, seguida de imediata indicação e transcrição da ementa do pretendido paradigma, passando, ato contínuo, a demonstrar a divergência em si. Isso, não obstante, é igualmente certo que o RICARF, e antes dele o próprio Decreto 70.235, não estabelecem forma rígida para apresentação dos recursos neles previstos. Por isso, ainda que a menção aos atos legais não seja bem ordenada, há de ser reconhecida, e superado, portanto, o óbice apontado. E, por economia processual, vêse desnecessário o retorno dos autos à Câmara recorrida para o exame do cumprimento do requisito material de demonstração da divergência em relação às três matérias. Ela é manifesta. Com efeito, a primeira, exatamente na forma como enfrentada no recorrido, o foi no primeiro paradigma arrolado. Lá, contrariamente ao que se decidiu aqui, entendeuse possível a tomada de créditos sobre fretes pagos para o transporte de mercadorias entre estabelecimentos. O mesmo se passa com as outras duas, bastando a leitura de suas ementas para se ver que se trata da mesma matéria com conclusões opostas. Fl. 678DF CARF MF Processo nº 13161.001370/200748 Acórdão n.º 9303007.563 CSRFT3 Fl. 9 8 Vale o registro de que a essa mesma conclusão, de comprovação da divergência com respeito a essas três matérias, chegou o mesmo Presidente da Terceira Câmara ao analisar diversos outros dentre aqueles 56 processos da empresa acima mencionados, cujos recursos especiais traziam, quanto a elas, os mesmos paradigmas e tinham a mesma redação. Constatase, assim, a presença dos pressupostos de conhecimento do agravo e a necessidade de reforma do despacho questionado. Por tais razões, propõese que o agravo seja ACOLHIDO para DAR seguimento ao recurso especial relativamente às matérias "possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos"; "possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas a alíquota zero (fertilizantes e sementes)" e "correção dos créditos pela taxa SELIC." Vêse que, relativamente ao item: · Créditos de fretes sobre operação de transferência de mercadorias, houve demonstração de divergência entre os arestos, vez que o aresto recorrido interpretou de uma forma o inciso IX das Leis 10.637/02 e 10.833/03, diferentemente dos indicados como paradigmas que reconheceram o direito ao crédito sobre o mesmo item; · Créditos de fretes sobre compras de fertilizantes e sementes. O aresto recorrido entendeu pela impossibilidade de se constituir crédito sobre o custo de transporte, vez que a mercadoria importada transportada não teria sido onerada pelas contribuições. E os paradigmas se direcionam pelo reconhecimento dos mesmos créditos, vez que o custo do transporte não se vincula ao tratamento tributário dada às mercadorias objeto desse transporte. · Taxa Selic, da mesma forma houve a divergência. Em vista de todo o exposto, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo na parte admitida em despacho de agravo – ou seja, das seguintes matérias: · Possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos a transferências de mercadorias entre estabelecimentos; · Possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes); e · Correção dos créditos pela taxa Selic. Ventiladas tais considerações, quanto às duas primeiras matérias trazidas e que envolvem a constituição de crédito de PIS e Cofins, passo a discorrer. No que tange à discussão envolvendo a possibilidade ou não de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre os custos de fretes nas transferências internas de mercadorias, recordase que essa Fl. 679DF CARF MF Processo nº 13161.001370/200748 Acórdão n.º 9303007.563 CSRFT3 Fl. 10 9 discussão já foi apreciada por nossa turma, tendo sido firmado posicionamento de que os custos de frete de mercadorias entre estabelecimentos gerariam o direito à constituição e crédito. Frisese a ementa do acórdão 9303005.156: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAS PRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matérias primas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto.” Nesse ínterim, proveitoso citar os acórdãos 9303005.155, 9303005.154, 9303005.153, 9303005.152, 9303005.151, 9303005.150, 9303005.116, 9303 006.136, 9303006.135, 9303006.134, 9303006.133, 9303006.132, 9303 006.131, 9303006.130, 9303006.129, 9303006.128, 9303006.127, 9303 006.126, 9303006.125, 9303006.124, 9303006.123, 9303006.122, 9303 006.121, 9303006.120, 9303006.119, 9303006.118, 9303006.117, 9303 006.116, 9303006.115, 9303006.114, 9303006.113, 9303006.112, 9303 006.111, 9303005.135, 9303005.134, 9303005.133, 9303005.132, 9303 005.131, 9303005.130, 9303005.129, 9303005.128, 9303005.127, 9303 005.126, 9303005.125, 9303005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303 005.121, 9303005.127, 9303005.126, 9303005.125, 9303005.124, 9303 005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.120, 9303005.119, 9303 005.118, 9303005.117, 9303006.110, 9303004.311, etc. Fl. 680DF CARF MF Processo nº 13161.001370/200748 Acórdão n.º 9303007.563 CSRFT3 Fl. 11 10 Não obstante, para melhor elucidar meu entendimento, passo a discorrer a priori sobre o conceito de insumos, vez que influenciará na questão da segmentação das atividades da recorrente. Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se tratava de matéria controvérsia – pois em fevereiro de 2018 o STJ, em sede de recurso repetitivo, definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.. Definiu, ainda, ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas IN SRF 247 e 404 que, por sua vez, traz um entendimento mais restritivo que descrita na lei. Nessa linha, efetivamente a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, ainda que o acórdão do STJ não tenha sido publicado, tal como já entendia, expresso que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pela contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante recordar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais Fl. 681DF CARF MF Processo nº 13161.001370/200748 Acórdão n.º 9303007.563 CSRFT3 Fl. 12 11 restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: Fl. 682DF CARF MF Processo nº 13161.001370/200748 Acórdão n.º 9303007.563 CSRFT3 Fl. 13 12 “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. Fl. 683DF CARF MF Processo nº 13161.001370/200748 Acórdão n.º 9303007.563 CSRFT3 Fl. 14 13 O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. Tal como expressou o STJ em recente decisão. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: Fl. 684DF CARF MF Processo nº 13161.001370/200748 Acórdão n.º 9303007.563 CSRFT3 Fl. 15 14 a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. Fl. 685DF CARF MF Processo nº 13161.001370/200748 Acórdão n.º 9303007.563 CSRFT3 Fl. 16 15 O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que Fl. 686DF CARF MF Processo nº 13161.001370/200748 Acórdão n.º 9303007.563 CSRFT3 Fl. 17 16 excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Fl. 687DF CARF MF Processo nº 13161.001370/200748 Acórdão n.º 9303007.563 CSRFT3 Fl. 18 17 Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Nessa linha, aguardamos o transito em julgado da decisão do STJ proferida após apreciação, em sede de repetitivo, do REsp1.221.170 – e que trouxe, pelas discussões e votos proferidos, o mesmo entendimento já aplicável pelas suas turmas e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Privilegiando, assim, a segurança jurídica que tanto merece a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Passadas tais considerações, tenho que os custos de fretes de mercadorias entre estabelecimentos são essenciais e pertinentes à sua atividade. O que geraria crédito de PIS e Cofins. Proveitoso ainda trazer que, recentemente, a PGFN publicou a Nota SEI 63/18 – dispondo sobre o conceito de insumo para fins de constituição de crédito de PIS e Cofins não cumulativo, considerando o decidido, em sede de repetitivo, pelo STJ que, por sua vez, entendeu ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas INs SRF 247/2002 e 404/2004. Traz, em síntese, que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. E que para constatarmos que tal item seria essencial e pertinente à atividade do sujeito passivo, seria importante fazer o “teste de subtração”. Eis a parte que traduz esse teste: “[...] 41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Fl. 688DF CARF MF Processo nº 13161.001370/200748 Acórdão n.º 9303007.563 CSRFT3 Fl. 19 18 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. [...]” Ou seja, se aplicarmos o teste de subtração para tal custo – a atividade do sujeito passivo seria efetivamente prejudicada. Em vista do exposto e, considerando o entendimento que esse Colegiado tem proferido, voto por dar provimento ao recurso nessa parte, reconhecendo o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de mercadorias entre estabelecimentos. Continuando, relativamente à outra discussão, qual seja, possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes), entendo que tais fretes são essenciais e pertinentes à atividade do sujeito passivo – o que geraria crédito de PIS e Cofins. Ora, é de se atentar que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição – art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Não há vedação legal e tais custos são essenciais à sua atividade. É de se clarificar que a constituição do crédito observou tão somente os valores referentes às despesas de fretes dos produtos, e não os valores de aquisição dos insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições. Em vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo nessa parte. Direcionandome para a última matéria trazida em recurso, qual seja, se há ou não correção pela taxa Selic sobre os créditos da Contribuição para o PIS e Cofins, decorrentes da aplicação do regime da não cumulatividade, independentemente da forma de aproveitamento, curvome à Súmula CARF 125, recémpublicada – que já definiu entendimento no âmbito administrativo: “Súmula CARF nº 125 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Sendo assim, nessa parte, nego provimento ao recurso do contribuinte. Fl. 689DF CARF MF Processo nº 13161.001370/200748 Acórdão n.º 9303007.563 CSRFT3 Fl. 20 19 Diante do exposto, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo e dou provimento parcial ao seu recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para reconhecer os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes relativos ao transporte de insumos adquiridos com alíquota zero. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 690DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.721091/2009-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS. AUSENTE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assenta-se em mais de um fundamento, todos autônomos e suficientes para manutenção do acórdão recorrido e a parte não traz divergência jurisprudencial com relação a todos eles.
Além disso, igualmente não se pode conhecer do recurso especial quando, com relação ao fundamento atacado, a Recorrente não traz acórdão paradigma apto a comprovar a divergência jurisprudencial em razão da ausência de similitude fática.
Numero da decisão: 9303-007.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS. AUSENTE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assentase em mais de um fundamento, todos autônomos e suficientes para manutenção do acórdão recorrido e a parte não traz divergência jurisprudencial com relação a todos eles. Além disso, igualmente não se pode conhecer do recurso especial quando, com relação ao fundamento atacado, a Recorrente não traz acórdão paradigma apto a comprovar a divergência jurisprudencial em razão da ausência de similitude fática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 72 10 91 /2 00 9- 21 Fl. 36135DF CARF MF Processo nº 10875.721091/200921 Acórdão n.º 9303007.807 CSRFT3 Fl. 36.136 2 Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte VISTEON SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3302002.895 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 08 de dezembro de 2015, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito sem os documentos fiscais comprobatórios de suas alegações. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido A Turma a quo entendeu por negar provimento ao recurso voluntário da Contribuinte pois, em síntese, não teria ela se desincumbido do ônus de comprovar o seu direito creditório, bem como em razão da impossibilidade de apreciação dos argumentos trazidos pela Recorrente somente na via recursal e cujo litígio não foi instaurado desde a primeira instância. Além disso, no acórdão recorrido, foi consignado ter ocorrido a juntada de documentos pelo Sujeito Passivo em data posterior ao próprio julgamento do recurso voluntário, corroborando a afirmação contida no decisum de não insurgência da Contribuinte, por meio de manifestação de inconformidade, quanto ao segundo Termo de Constatação Fiscal, deixando transcorrer in albis o prazo para a sua defesa. Fl. 36136DF CARF MF Processo nº 10875.721091/200921 Acórdão n.º 9303007.807 CSRFT3 Fl. 36.137 3 Em face da referida decisão, a Contribuinte opôs embargos de declaração, os quais foram rejeitados conforme despacho s/n.º, por inexistir quaisquer vícios de omissão, obscuridade ou contradição no julgado. Não resignada, a empresa interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto à (a) apreciação de provas trazidas em sede recursal, nos termos do art. 16 do Decreto n.º 70.235/72; e (b) aplicação da regra da preclusão, consoante art. 17 do Decreto n.º 70.235/72, com relação à possibilidade de apreciação dos argumentos suscitados apenas em sede de recurso voluntário e cuja controvérsia não foi instaurada em primeira instância administrativa. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigmas os acórdãos n.ºs 9303001.842 e 910100.514, respectivamente. Foi admitido o recurso especial do Sujeito Passivo por meio do despacho S/Nº, de 18 de janeiro de 2017, proferido pelo ilustre Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por entender comprovada a divergência jurisprudencial quanto à apresentação extemporânea de documentos e à aplicação da regra da preclusão. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões postulando, preliminarmente, o não conhecimento do recurso especial, por ausência de cotejo analítico e de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas, e, no mérito, a sua negativa de provimento. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anterior Portaria MF n.º 256/09). Depreendese da análise do acórdão recorrido ter o mesmo fundamento em dois pontos: (a) não ter a Contribuinte se desincumbido do seu ônus probatório com relação ao crédito pleiteado, bem como (b) ausência de apresentação de defesa com relação ao segundo Termo de Constatação Fiscal no prazo legal estabelecido, o que foi corroborado pela juntada de documentos após o julgamento do recurso voluntário, impossibilitando a sua apreciação. Para elucidar a assertiva, pertinente a transcrição de trechos do acórdão recorrido, in verbis: Fl. 36137DF CARF MF Processo nº 10875.721091/200921 Acórdão n.º 9303007.807 CSRFT3 Fl. 36.138 4 [...] No presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, incumbindo ao autor a prova quanto ao fato constitutivo do seu direito. No caso em exame, a interessada declarou à Administração Tributária possuir um montante de crédito, utilizado para extinguir os débitos compensados. Nesses termos, cabe à interessada a prova da existência de seu direito, demonstrando a liquidez e certeza dos créditos alegados, utilizados para extinção do crédito tributário sob condição resolutória, através da apresentação ao fisco, quando solicitado, dos livros e documentos estabelecidos pela legislação para a comprovação da exatidão de suas informações. [...] Conforme relatado, a DCOMP apresentada foi submetida a análise pela autoridade competente para decidir acerca do direito pleiteado: ∙ Seort da DRF/Guarulhos emitiu o Despacho Decisório n° 536/2009, por meio do qual não homologou a compensação, sob o fundamento de que a documentação apresentada pela contribuinte em resposta às diversas intimações seria insuficiente para reconhecimento do crédito pleiteado, registrando ainda que o contribuinte não atendeu integralmente as intimações nos prazos fixados, deixando de apresentar elementos essenciais ao exame do pleito, Restando não homologados os créditos pleiteados, demonstrase a seguir de forma sumarizada os desdobramentos e tramitação processual respectivos. Uma vez nãohomologada a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), é facultada ao sujeito passivo a apresentação de manifestação de inconformidade às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ contra a nãohomologação da compensação pela autoridade competente para decidir o pleito (no prazo de trinta dias da ciência da nãohomologação), assim como a apresentação de recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF contra o acórdão das DRJ que manteve a não homologação da compensação (no prazo de trinta dias da ciência do acórdão), conforme previsão dos §§ 7º a 10 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Usando da faculdade que lhe o confere o referenciado dispositivo legal, o contribuinte ingressou com a Manifestação de Inconformidade acompanhada dos documentos de fls. 273/554. Na sequência, a 3ª Turma da DRJ/Campinas decidiu converter o julgamento em diligência, por meio da Resolução nº 2.961, de 14/06/2010. [...] Ante o exposto constatase que foram feitas várias intimações, antes de ser exarado o Despacho Decisório não homologatório de fls. n° 536/2009 e ainda, após instaurado o litígio, a instância julgadora a quo, diante da novel documentação apresentada na Manifestação de Inconformidade converteu o julgamento em diligência, em razão de sua competência regimental, nos termos do 1art.233, inciso IV, da Portaria MF nº 203, de 2012, DOU de Fl. 36138DF CARF MF Processo nº 10875.721091/200921 Acórdão n.º 9303007.807 CSRFT3 Fl. 36.139 5 17/05/2012, que aprova o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB para julgamento de litígio instaurando em decorrência de apresentação de inconformidade contra apreciações das autoridades em processos relativos a compensação, para que a autoridade jurisdicionante, competente para decidir o pleito procedesse a análise da documentação apresentada, ensejando em decorrência os dois termos de constatação fiscal acima mencionados, sendo importante ressaltar que ao exarar o primeiro Termo de Constatação, após cientificado, o contribuinte solicitou prazo adicional para apresentação de documentos, sendo acolhido, se não expressamente, de maneira tácita, já que novos documentos foram apreciados, resultando no segundo Termo de Constatação Fiscal, fls. 713/717. Verificase assim que quanto ao aspecto material, visando conferir a liquidez e certeza do crédito alegado, foi procedida a verificação junto ao contribuinte do suporte probatório que lhe competia demonstrar, conforme dispõe a legislação de regência, quantos às operações que ensejariam referido crédito, no entanto como já sobejamente explicitado, o contribuinte ofereceu apenas parte da documentação, que se mostrou insuficiente para homologar totalmente o crédito pleiteado. Digno de nota que embora regularmente cientificado do segundo Termo de Constatação Fiscal, declinou o contribuinte de exercer o seu direito de defesa, já que não houve a contestação na Manifestação de Inconformidade quanto ao referido termo. Inferese portanto que o contribuinte não desincumbiu do ônus probatório que lhe competia para demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito. Inexistindo contestação acerca do segundo termo de contestação a instância a quo procedeu ao julgamento com a apreciação das matérias litigadas na Manifestação de Inconformidade apresentada e o resultado da diligência solicitada, cujo conteúdo decisório se demonstra a seguir, por alguns excertos: [...] Do ponto de vista formal, com fulcro no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação da Lei nº 9.532, de 1997, [Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997), assim os argumentos de mera presunção quanto ao direito à via recursal, ainda que silente em relação à primeira instância, não podem ser acolhidos, uma vez que as matérias submetidas à primeira instância determinam os limites do litígio na via contenciosa administrativa, de modo que a matéria não contestada em primeira instância administrativa, suscitada pela recorrente somente na peça recursal, tornase preclusa, visto que não instaurado o litígio quanto à essa matéria, condição, segundo a norma que rege o processo administrativo fiscal para submeterse ao duplo grau de jurisdição. [...] Digno ainda de nota que a solicitação de juntada de documentos em 15/12/2015, conforme relatado foi efetuada após o julgamento do presente processo, corroborando a fundamentação já delineada quanto a não Fl. 36139DF CARF MF Processo nº 10875.721091/200921 Acórdão n.º 9303007.807 CSRFT3 Fl. 36.140 6 apresentação de manifestação de inconformidade relativa ao segundo Termo de Constatação no prazo legal estabelecido com os motivos de fato e de direito para fundamentar sua contestação, bem como os pontos de discordância, as razões e provas que visassem infirmar o referido termo. Assim os documentos apresentados somente em 15/12/2015 não encontram respaldo nas disposições excepcionais previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações respectivas: [...] Nesse mister, ante os fundamentos acima expostos deixo de conhecer a contestação somente em sede recursal quanto ao segundo Termo de Constatação Fiscal, fls. 713/717, mantendo in totum a decisão de piso, bem como os documentos cuja solicitação de juntada foi posterior ao julgamento do presente processo. [...] A Contribuinte, ao apresentar o seu recurso especial, insurgiuse tão somente quanto ao argumento da análise de provas apresentadas posteriormente à manifestação de inconformidade e à preclusão, não tendo realizado a comprovação da divergência com relação à atribuição do ônus probatório. Assentandose a decisão em mais de um fundamento, sendo eles autônomos entre si para a manutenção do julgado, é necessário que a parte se insurja quanto a todos eles para que tenha prosseguimento o recurso especial. Nesse sentido é a Súmula do STF n.º 283: " É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". Além disso, com relação ao tema de insurgência análise de provas juntadas aos autos após a manifestação de inconformidade e preclusão não houve a devida comprovação da divergência jurisprudencial por meio dos paradigmas apresentados, conforme despacho de exame de admissibilidade exarado no processo n.º 16098.000064/200955, do mesmo Contribuinte, o qual tem idênticos acórdãos recorrido e paradigmas. Naqueles autos, a negativa de seguimento ao apelo especial deuse em razão da ausência de comprovação do dissenso interpretativo, com base nos seguintes argumentos, que passam a integrar o presente julgado: [...] 1 – COFINS – PROVA – APRECIAÇÃO DE PROVAS APRESENTADAS EXTEMPORANEAMENTE – ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235/72 Para comprovar o dissenso foi colacionado, como paradigma, o Acórdão nº CSRF/9303001.842. Vejamos sua ementa: [...] Fl. 36140DF CARF MF Processo nº 10875.721091/200921 Acórdão n.º 9303007.807 CSRFT3 Fl. 36.141 7 Inicialmente importa ressaltar que o recurso especial é remédio para solução de divergências na interpretação da legislação tributária. Não cabe à Instância Especial a reapreciação do conjunto probatório. A recorrente parte da premissa equivocada de que o acórdão recorrido teria rechaçado a possibilidade de apreciar provas apresentadas extemporaneamente. Tal não se deu. Não há decisão, no acórdão recorrido, que negue a apreciação das provas apresentadas a destempo, em tese. A rejeição às provas juntadas extemporaneamente, no presente caso, fundamentase no fato material de terem sido apresentadas, conforme a exposição da relatora, depois da data julgamento do acórdão recorrido. Sustenta a recorrente que o acórdão recorrido teria cometido equívoco, ao considerar a data da apresentação das provas em 15/12/2015, quando, alega, foram apresentadas em 01/12/2015. Alega ainda que tal circunstância foi objeto de sustentação oral, porém não acatada pela Turma (folha 1.177 e 1.178). Tais alegações foram rebatidas, em despacho de admissibilidade de embargos, em outros processos da empresa julgados na mesma sessão pela Turma. Neste presente processo os embargos foram rejeitados porque intempestivos. De qualquer modo, o que resta é que o fundamento do acórdão recorrido, neste aspecto, é a ausência das provas quando do julgamento, portanto, decorre a incomparabilidade com o paradigma apresentado. Assim, sendo diversos os fundamentos dos arestos comparados, não há demonstração de divergência jurisprudencial quanto a esta matéria. 2 – COFINS – MATÉRIA PRECLUSA ART. 17 DO DECRETO Nº 70.235/72 Para comprovar o dissenso foi colacionado, como paradigma, o Acórdão nº CSRF/910100.514. Vejamos sua ementa, transcrita na parte de interesse ao presente exame: [...] O paradigma expressa a tese de que, no contexto da apreciação do instituto da preclusão, previsto no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, devese diferenciar a “defesa” dos “fundamentos de defesa”. A primeira não poderia ser inovada, enquanto os segundos, sim. Em outras palavras, a preclusão incidiria sobre as infrações cometidas e não defendidas, isto é, se todas as infrações tiverem sido contestadas em recurso inicial, eventual recurso a instância superior poderia apresentar novas teses jurídicas. Porém, o acórdão recorrido considerou que o contribuinte não apresentou nenhuma defesa nem defesa, nem fundamentos de defesa perante as infrações apontadas no resultado da diligência fiscal, resultado da diligência fiscal que restou convalidado pela DRJ. Com efeito, o acórdão recorrido relata que o contribuinte foi intimado a manifestarse acerca dos resultados da diligência fiscal que calculou o crédito afinal acatado pela instância julgadora a quo e não o tendo feito, não remanesceu qualquer litígio. Confirase trecho (folha 966): [...] Fl. 36141DF CARF MF Processo nº 10875.721091/200921 Acórdão n.º 9303007.807 CSRFT3 Fl. 36.142 8 Ressalto que fato de o cálculo ter sido feito apenas em sede de diligência fiscal solicitada pela DRJ foi responsabilidade do contribuinte, posto que não apresentou, na fase anterior, os documentos solicitados. Portanto, a responsabilidade para que a oportunidade de defesa sobre as infrações apontadas tenha se dado após a manifestação de inconformidade também é do contribuinte. [...] Portanto, nenhuma das infrações e diferenças de cálculo apontadas na referida diligência fiscal final foi objeto de “defesa” ou “fundamentos de defesa” por parte do contribuinte, na primeira instância administrativa. Desse modo, a distinção vazada pelo paradigma se revela inócua no presente caso, razão pela qual concluise que não foi demonstrada a divergência quanto a esta matéria. [...] Diante do exposto, não se conhece do recurso especial da Contribuinte. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 36142DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13161.720796/2012-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
Numero da decisão: 2002-000.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni (relator) e Virgílio Cansino Gil, que lhe deram provimento parcial, afastando a glosa das despesas médicas dos profissionais Eduardo Mineo Yamasaki - R$3.500,00, Martha Elisa - R$2.500,00 e Adriana da Silva Alencar - R$3.000,00. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Redatora Designada
Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni (relator) e Virgílio Cansino Gil, que lhe deram provimento parcial, afastando a glosa das despesas médicas dos profissionais Eduardo Mineo Yamasaki - R$3.500,00, Martha Elisa - R$2.500,00 e Adriana da Silva Alencar - R$3.000,00. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Redatora Designada Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
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COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni (relator) e Virgílio Cansino Gil, que lhe deram provimento parcial, afastando a glosa das despesas médicas dos profissionais Eduardo Mineo Yamasaki R$3.500,00, Martha Elisa R$2.500,00 e Adriana da Silva Alencar R$3.000,00. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll – Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 07 96 /2 01 2- 61 Fl. 146DF CARF MF 2 Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 78 a 52), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 4.349,90, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 25 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, em 25/06/12, mediante as alegações relatadas a seguir: Acredita ter atendido aos ditames legais, que exigem a comprovação das despesas médicas por meio de recibos ou notas fiscais, considerando indevida a cobrança por já ter apresentado os comprovantes. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, em 17/09/2014, no acórdão 0363.570 às efls. 57 a 61, julgou a impugnação improcedente. Recurso Voluntário Ainda inconformada, a inventariante da contribuinte, Senhora Elza Maria Jorge Fernandes Rosa apresentou Recurso Voluntário, às efls. 64 e 144, no qual alega, em resumo, que as despesas médicas objeto da lide estão comprovadas pelos recibos emitidos pelos profissionais. Voto Vencido Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 02/02/2015, efls. 63, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 02/03/2015, efls. 64, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 13161.720796/201261 Acórdão n.º 2002000.642 S2C0T2 Fl. 147 3 A contribuinte foi autuada pela dedução indevida das seguintes despesas médicas: · Eduardo Mineo Yamasaki R$3.500,00; · Martha Elisa R$2.500,00; · Adriana da Silva Alencar R$3.000,00; · Ellen Maricia Lpoes R$3.000,00; · Emanuelle Campos de Menezes R$4.900,00. A DRJ manteve as glosas, sob fundamento que a contribuinte não comprovou o efetivo pagamento das despesas médicas: O termo de intimação de fl.33 deixa claro que a fiscalização entendeu ser necessária a apresentação de comprovantes do efetivo pagamento, exigindo que fossem trazidos aos autos, cópias de cheques, extratos bancários, cartões de crédito, ou outros meios de provas, entretanto, a contribuinte se limita a trazer recibos e declarações. Entendo que o lançamento deve ser mantido por falta de comprovação do efetivo pagamento. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Fl. 148DF CARF MF 4 : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o Fl. 149DF CARF MF Processo nº 13161.720796/201261 Acórdão n.º 2002000.642 S2C0T2 Fl. 148 5 rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. Fl. 150DF CARF MF 6 O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Fl. 151DF CARF MF Processo nº 13161.720796/201261 Acórdão n.º 2002000.642 S2C0T2 Fl. 149 7 Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Feitas estas explanações, passo a análise das despesas médicas declaradas pela contribuinte: · Eduardo Mineo Yamasaki R$3.500,00 há declaração do profissional às efls. 94 e recibos às efls. 95 a 98; · Martha Elisa R$2.500,00 há declaração da profissional às efls. 87, bem como recibos às efls. 88 a 93; · Adriana da Silva Alencar R$3.000,00 há declaração às efls. 84 e recibos às efls. 85 e 86 recibos; · Ellen Maricia Lopes R$3.000,00 os recibos apresentados pela profissional não possuem carimbo, às efls. 82 e 83, requisito legal essencial que confere credibilidade ao documento, por apontar o órgão regulamentador da atividade; · Emanuelle Campos de Menezes R$4.900,00. os recibos apresentados pela profissional não possuem carimbo, às efls. 75 a 80, requisito legal essencial que confere ao credibilidade ao documento, por apontar o órgão regulamentador da atividade. Mesmo com os extratos de movimentação bancária apresentada pela contribuinte, a falta dos requisitos legais essenciais dos recibos apresentados não os conferem credibilidade, nos casos apontados Feitas estas considerações, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe parcial provimento, afastando a glosa das despesas médicas dos profissionais Eduardo Mineo Yamasaki R$3.500,00, Martha Elisa R$2.500,00 e Adriana da Silva Alencar R$3.000,00. Fl. 152DF CARF MF 8 (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Voto Vencedor Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll – Redatora Designada. Com a devida vênia, divirjo do Relator quanto à comprovação das despesas médicas em litígio. Extraise da Notificação de Lançamento (efls. 47/52) que a autoridade fiscal procedeu à glosa das despesas declaradas para Eduardo Mineo Yamasaki, Martha Elisa Trad, Adriana da Silva Alencar, Ellen Maricia Lopes e Emanuelle Campos de Menezes por não ter a contribuinte comprovado o seu efetivo pagamento, conforme solicitado no Termo de Intimação Fiscal nº 2010/348940078440657 (efls. 33). A decisão recorrida manteve o lançamento, corroborando as razões apontadas pela fiscalização (efls. 60): O termo de intimação de fl.33 deixa claro que a fiscalização entendeu ser necessária a apresentação de comprovantes do efetivo pagamento, exigindo que fossem trazidos aos autos, cópias de cheques, extratos bancários, cartões de crédito, ou outros meios de provas, entretanto, a contribuinte se limita a trazer recibos e declarações. Entendo que o lançamento deve ser mantido por falta de comprovação do efetivo pagamento. Em seu Recurso Voluntário a interessada apresenta cópias de extratos bancários sem apontar qualquer correspondência de datas e valores entre as movimentações realizadas e os recibos de despesas médicas já apresentados, permanecendo sem comprovação o efetivo pagamento das despesas. Cumpre esclarecer que a dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está sujeita à comprovação por documentação hábil e idônea a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Dessa forma, ainda que o contribuinte tenha apresentado recibos emitidos pelos profissionais, é licito a autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de prova caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao sujeito passivo o ônus de comproválas de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas. As decisões a seguir, proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF e pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, corroboram esse entendimento: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua Fl. 153DF CARF MF Processo nº 13161.720796/201261 Acórdão n.º 2002000.642 S2C0T2 Fl. 150 9 efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) O contribuinte deve levar em consideração que o pagamento de despesas médicas não envolve apenas ele e o profissional, mas também o Fisco, caso haja intenção de se beneficiar da dedução correspondente em sua Declaração de Ajuste Anual. Por esse motivo, deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. É possível que o sujeito passivo tenha feito seus pagamentos em espécie, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe que se faça pagamentos de uma forma em detrimento de outra. Não obstante, ao optar por pagamento em dinheiro, o contribuinte abre mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a sua comprovação. Importa salientar que não é o Fisco quem precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte quem deve apresentar as devidas Fl. 154DF CARF MF 10 comprovações quando solicitado. Isto porque, sendo a inclusão de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual nada mais do que um benefício concedido pela legislação, incumbe ao interessado provar que faz jus ao direito pleiteado. Em vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720891/2012-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
Glosa de Despesa. Fretes - Gerenciamento. Falta de Comprovação do Pagamento.
Quando não questionada a idoneidade das notas fiscais apresentadas, e nem a efetividade da prestação dos serviços, devidamente discriminados nos documentos fiscais, não se mantêm as glosas de despesas, baseadas unicamente na falta de comprovação dos pagamentos escriturados.
Glosa de Despesa. Despesas de Seguro. Rateio.
Deve ser admitida a dedutibilidade das despesas com seguros dos armazéns que se configuram como (i) necessárias, normais e usuais à atividade da pessoa jurídica, (ii) comprovadas pelos contratos apresentados, que apesar de celebrados por outra empresa do grupo empresarial, os estabelecimentos da fiscalizada constam designados entre os locais de riscos abrangidos pela cobertura dos seguros, e (iii) é razoável o critério de rateio demonstrado.
Glosa de Despesa. Despesas de Aluguel de Armazém.
Devem ser admitidas como dedutíveis as despesas com os aluguéis pagos pelos imóveis em que funcionam a sede e as filiais da empresa, devidamente comprovadas nos contratos de locação apresentados. Entretanto, não comprovada a vinculação com a atividade da empresa do imóvel locado, mantém-se a glosa da despesa.
Glosa de Despesa. Despesas de Vigilância e Pessoal Temporário.
Admite-se a dedutibilidade das despesas de vigilância comprovadas nas notas fiscais de serviços apresentadas, mantendo-se a exigência em relação aos lançamentos contábeis sem suporte documental hábil.
Glosa de Despesa. Rodoviário. Subcontração de Serviço de Transporte. Comprovação.
As Notas de Débito são documentos desprovidos das formalidades necessárias a comprovar as operações, e configuram meros instrumentos de controle interno, com validade restrita entre as partes envolvidas, principalmente quando os conhecimentos de transporte porventura nelas abrangidos sequer foram ali mencionados, pelo que as operações ficaram completamente sem substância.
Tributação Reflexa. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL.
Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão do auto de infração decorrente.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
Nulidade. Falta de Motivação. Glosa das Despesas Contabilizadas nas Contas Aluguel de Armazém, Vigilância e Pessoal Temporário.
Na verificação da regular comprovação dos custos e/ou despesas escriturados, quando a contribuinte não traz durante o procedimento qualquer documento a respaldar a escrituração, o fundamento fático e jurídico é simplesmente a falta de comprovação dos custos e/ou despesas escriturados.
Notas de Débito. Documentação Inábil.
Como as notas de débito não são hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos na legislação a comprovar as operações de prestação de serviços de transporte, prescindível outra motivação para a recusa de aceitação pela autoridade fiscal.
Numero da decisão: 1402-003.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício, e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a dedução das despesas no montante de R$ 28.833.596,17, no ano-calendário de 2007, conforme apurado em diligência.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 Glosa de Despesa. Fretes - Gerenciamento. Falta de Comprovação do Pagamento. Quando não questionada a idoneidade das notas fiscais apresentadas, e nem a efetividade da prestação dos serviços, devidamente discriminados nos documentos fiscais, não se mantêm as glosas de despesas, baseadas unicamente na falta de comprovação dos pagamentos escriturados. Glosa de Despesa. Despesas de Seguro. Rateio. Deve ser admitida a dedutibilidade das despesas com seguros dos armazéns que se configuram como (i) necessárias, normais e usuais à atividade da pessoa jurídica, (ii) comprovadas pelos contratos apresentados, que apesar de celebrados por outra empresa do grupo empresarial, os estabelecimentos da fiscalizada constam designados entre os locais de riscos abrangidos pela cobertura dos seguros, e (iii) é razoável o critério de rateio demonstrado. Glosa de Despesa. Despesas de Aluguel de Armazém. Devem ser admitidas como dedutíveis as despesas com os aluguéis pagos pelos imóveis em que funcionam a sede e as filiais da empresa, devidamente comprovadas nos contratos de locação apresentados. Entretanto, não comprovada a vinculação com a atividade da empresa do imóvel locado, mantém-se a glosa da despesa. Glosa de Despesa. Despesas de Vigilância e Pessoal Temporário. Admite-se a dedutibilidade das despesas de vigilância comprovadas nas notas fiscais de serviços apresentadas, mantendo-se a exigência em relação aos lançamentos contábeis sem suporte documental hábil. Glosa de Despesa. Rodoviário. Subcontração de Serviço de Transporte. Comprovação. As Notas de Débito são documentos desprovidos das formalidades necessárias a comprovar as operações, e configuram meros instrumentos de controle interno, com validade restrita entre as partes envolvidas, principalmente quando os conhecimentos de transporte porventura nelas abrangidos sequer foram ali mencionados, pelo que as operações ficaram completamente sem substância. Tributação Reflexa. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão do auto de infração decorrente. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 Nulidade. Falta de Motivação. Glosa das Despesas Contabilizadas nas Contas Aluguel de Armazém, Vigilância e Pessoal Temporário. Na verificação da regular comprovação dos custos e/ou despesas escriturados, quando a contribuinte não traz durante o procedimento qualquer documento a respaldar a escrituração, o fundamento fático e jurídico é simplesmente a falta de comprovação dos custos e/ou despesas escriturados. Notas de Débito. Documentação Inábil. Como as notas de débito não são hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos na legislação a comprovar as operações de prestação de serviços de transporte, prescindível outra motivação para a recusa de aceitação pela autoridade fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício, e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a dedução das despesas no montante de R$ 28.833.596,17, no ano-calendário de 2007, conforme apurado em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
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FRETES GERENCIAMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO. Quando não questionada a idoneidade das notas fiscais apresentadas, e nem a efetividade da prestação dos serviços, devidamente discriminados nos documentos fiscais, não se mantêm as glosas de despesas, baseadas unicamente na falta de comprovação dos pagamentos escriturados. GLOSA DE DESPESA. DESPESAS DE SEGURO. RATEIO. Deve ser admitida a dedutibilidade das despesas com seguros dos armazéns que se configuram como (i) necessárias, normais e usuais à atividade da pessoa jurídica, (ii) comprovadas pelos contratos apresentados, que apesar de celebrados por outra empresa do grupo empresarial, os estabelecimentos da fiscalizada constam designados entre os locais de riscos abrangidos pela cobertura dos seguros, e (iii) é razoável o critério de rateio demonstrado. GLOSA DE DESPESA. DESPESAS DE ALUGUEL DE ARMAZÉM. Devem ser admitidas como dedutíveis as despesas com os aluguéis pagos pelos imóveis em que funcionam a sede e as filiais da empresa, devidamente comprovadas nos contratos de locação apresentados. Entretanto, não comprovada a vinculação com a atividade da empresa do imóvel locado, mantémse a glosa da despesa. GLOSA DE DESPESA. DESPESAS DE VIGILÂNCIA E PESSOAL TEMPORÁRIO. Admitese a dedutibilidade das despesas de vigilância comprovadas nas notas fiscais de serviços apresentadas, mantendose a exigência em relação aos lançamentos contábeis sem suporte documental hábil. GLOSA DE DESPESA. RODOVIÁRIO. SUBCONTRAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSPORTE. COMPROVAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 08 91 /2 01 2- 94 Fl. 5748DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Acórdão n.º 1402003.579 S1C4T2 Fl. 5.749 2 As Notas de Débito são documentos desprovidos das formalidades necessárias a comprovar as operações, e configuram meros instrumentos de controle interno, com validade restrita entre as partes envolvidas, principalmente quando os conhecimentos de transporte porventura nelas abrangidos sequer foram ali mencionados, pelo que as operações ficaram completamente sem substância. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão do auto de infração decorrente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO. GLOSA DAS DESPESAS CONTABILIZADAS NAS CONTAS “ALUGUEL DE ARMAZÉM”, “VIGILÂNCIA” E “PESSOAL TEMPORÁRIO. Na verificação da regular comprovação dos custos e/ou despesas escriturados, quando a contribuinte não traz durante o procedimento qualquer documento a respaldar a escrituração, o fundamento fático e jurídico é simplesmente a falta de comprovação dos custos e/ou despesas escriturados. NOTAS DE DÉBITO. DOCUMENTAÇÃO INÁBIL. Como as notas de débito não são hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos na legislação a comprovar as operações de prestação de serviços de transporte, prescindível outra motivação para a recusa de aceitação pela autoridade fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício, e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a dedução das despesas no montante de R$ 28.833.596,17, no anocalendário de 2007, conforme apurado em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator Fl. 5749DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Acórdão n.º 1402003.579 S1C4T2 Fl. 5.750 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 5750DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Acórdão n.º 1402003.579 S1C4T2 Fl. 5.751 4 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP). Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Recurso Voluntário nº 1646.144 7ª Turma da DRJ/SP1, complementandoo, ao final, com as pertinentes atualizações processuais. " Tratase de autos de infração à legislação do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas –IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, lavrados em 23/04/2012, Delegacia de Fiscalização de São Paulo/SP, para constituir o crédito tributário no montante de R$ 33.330.824,25, incluídos o principal, a multa de ofício de 75% e os juros de mora devidos até a data da lavratura, tendo em conta as irregularidades apuradas, no ano calendário 2007, e descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 271 e seguintes, parte integrante da peça acusatória. Segundo o autor do procedimento, a pessoa jurídica teria sido intimada a discriminar os valores informados na DIPJ 2008 (anocalendário 2007), Ficha 04a – “Custos dos Bens e Serviços Vendidos”, Linha 29 “Serviços Prestados por Pessoas Jurídicas”, e Linha 37 – “Outros Custos”, nos valores de R$ 52.360.685,29 e R$ 9.480.210,26, representativo de 84% dos custos da atividade. Em resposta, foram discriminados os lançamentos contábeis de despesas que teriam sido informados nas linhas da DIPJ (fls. 98/99), tendo a fiscalização destacado os mais expressivos a serem regularmente comprovados, mediante documentação hábil e idônea: Conta Nome Valor Serviços Prestados por Pessoas Jurídicas 52.360.685,29 3.01.01.00.0.00.003 Pessoal Temporário e Assess 842.822,59 3.01.01.00.0.00.040 Rodoviário 40.617.862,70 3.10.29.84.0.00.001 Frete Gerenciamento 10.900.000,00 Outros Custos 9.480.210,26 3.01.01.00.0.00.003 Aluguel de Armazéns 4.445.898,78 3.01.01.00.0.00.023 Vigilância 1.334.979,45 3.01.01.00.0.00.033 Manut. Aluguel Equipamentos 831.380,40 3.01.01.00.0.00.028 Material de Limpeza 466.142,68 3.01.01.00.0.00.043 Seguro de Armazéns 440.143,13 Fl. 5751DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Acórdão n.º 1402003.579 S1C4T2 Fl. 5.752 5 Por intermédio do Termo de Intimação Fiscal nº 5, de 23/02/2012, a pessoa jurídica foi instada a comprovar os lançamentos discriminados em planilha anexa, por meio de documentação idônea, coincidente em datas e valores. Segundo a fiscalização, em 20/03/2012, a contribuinte teria entregado uma caixa de documentos com a comprovação de pagamentos a três empresas (MATRA, STYROCORTE, SPRYNT e INTEC), sem outra identificação, em valores menores, e sem correspondência com os lançamentos contábeis, fato acerca do qual a empresa foi notificada. A reintimação teria sido formalizada no Termo de Intimação nº 6, de 27/03/2012, e em 02/04/2012 teria sido entregue outra caixa com documentos, acompanhados de uma planilha com a relação dos documentos apresentados, e que foram objeto da seguinte apreciação pela autoridade fiscal: Algumas observações devem ser feitas por esta fiscalização: 1. Conta Rodoviário – Os documentos comprobatórios dos lançamentos na Conta Rodoviário referemse a faturas da Intec – Integração Nacional de Transportes de Encomendas e Cargas Ltda, CNPJ 52.134.798/000168 e é empresa do mesmo grupo do contribuinte. Não foram reconhecidos alguns lançamentos referentes a Notas de Débito e que não constituem custo e nem despesa para o contribuinte. 2. A comprovação apresentada referente a cinco lançamentos na conta Fretes e Gerenciamento não serão reconhecidas por esta fiscalização. O contribuinte apresentou faturas de números 1, 5, 6, 7 e 8 de uma empresa Bonagura Consultoria Empresarial, CNPJ 03.017.592/000142, sem contudo apresentar nenhuma comprovação de pagamento. 3. Não apresentou nenhuma comprovação relativa à planilha Seguro de Armazém . Todas as outras comprovações apresentadas foram reconhecidas pela fiscalização e os lançamentos comprovados foram eliminados das planilhas acima. Os lançamentos não comprovados foram ordenados por conta e reunidos na planilha “Custos e Serviços de Terceiros Não Comprovados”. Para apurar a matéria tributável, os lançamentos não comprovados foram ordenados por data e totalizados mensalmente na planilha “Custos e Serviços de Terceiros Não Comprovados Totalizados por Mês e resumidos abaixo. Fl. 5752DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Acórdão n.º 1402003.579 S1C4T2 Fl. 5.753 6 2007 Matéria Tributável Janeiro 4.904.050,11 Fevereiro 2.276.089,74 Março 3.975.002,82 Abril 2.955.482,62 Maio 5.474.083,84 Junho 5.214.200,86 Julho 4.798.044,51 Agosto 4.674.209,25 Setembro 4.930.132,92 Outubro 4.393.677,78 Novembro 4.786.785,46 Dezembro 5.533.871,32 No mesmo procedimento fiscal, foram apuradas ainda infrações relativas ao PIS e Cofins não cumulativos, cujos lançamentos foram autuados no processo administrativo nº 19515.720892/201239. A pessoa jurídica foi cientificada dos lançamentos, por via postal, em 27/04/2012(cópia de AR de fls. 298). Em 17/05/2012, a Defis São Paulo/SP procedeu ao encaminhamento do processo à DRF Osasco/SP (fls. 303), para aguardar prazo regulamentar para pagamento ou impugnação do lançamento constituído. Em 18/05/2012, o processo foi encaminhado à ARF Cotia/SP (fls. 304), que procedeu à lavratura de Termo de Revelia (fls. 305), em 13/06/2012. Em 14/06/2012, foi encaminhada pela CAC/DRF Barueri para ARF/Cotia (cf. Memo nº 1735/2012 – fls. 310), a impugnação de fls. 311 e seguintes, protocolizada pela pessoa jurídica, em 28/05/2012, por intermédio de seu advogado e bastante procurador (cf. instrumento de mandato de fls.329), com base nas seguintes razões de fato e de direito. Afirma a tempestividade da impugnação, e que a autoridade fiscal teria deixado de motivar a glosa das despesas lançadas nas contas “Aluguel de Armazém”, “Vigilância” e “Pessoal Temporário”, apesar de têlas incluído na Planilha “Custos e Serviços de Terceiros Não Comprovados”. Questiona com base em doutrina a referência feita pela fiscalização a custos, quando todos os valores glosados se referem a despesas. Quanto ao mérito, passa a abordar cada uma das contas contábeis. No caso das glosas da despesas contabilizadas na Conta “Fretes – Gerenciamento”, a autoridade fiscal teria procedido à glosa porque a contribuinte não comprovou os pagamentos das despesas registradas nessa conta e relacionadas na planilha “Custos e Serviços de Terceiros Não Comprovados”. Fl. 5753DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Acórdão n.º 1402003.579 S1C4T2 Fl. 5.754 7 Afirma que em observância ao regime de competência, desnecessária a prova da quitação para que a despesa seja dedutível, bastando que se trate de despesas necessárias e incorridas. Observa que não teria sido questionada a necessidade destas despesas para a manutenção da atividade empresarial. Faz referência ao art. 299 do RIR/99 e à Solução de Consulta nº 229, de 2010, de seguinte ementa: ASSUNTO: Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ EMENTA: DESPESAS. REGIME DE COMPETÊNCIA. RETIFICAÇÃO. As despesas devem ser registradas na contabilidade no período em que incorridas, entretanto, a despesa não lançada no período de competência poderá ser objeto de exclusão do lucro líquido para fins de apuração do lucro real ou poderá ser registrada em período posterior, desde que isso não cause redução indevida do lucro real. Erros na apuração do imposto devido devem ser corrigidos pela entrega de declaração retificadora, o que poderá ser feito enquanto não extinto o direito de o contribuinte pleitear a restituição”. Colaciona também as lições de Ricardo Mariz de Oliveira e de Hiromi Higuchi, no sentido de que a comprovação do pagamento não seria condição de dedutibilidade das despesas. Quanto às despesas contabilizadas na conta “Seguro de Armazém”, nota que a glosa se refere a dois lançamentos mensais de janeiro a dezembro de 2007 (um no valor de R$ 5.182,28 e outro no valor de R$ 20.729,12), a totalizar R$ 310.936,80. Conforme comprovariam as Apólices de Seguro que instruem a impugnação (ANEXO 1 – fls. 598/669), a contribuinte mantinha com a MAPFRE SEGUROS dois contratos destinados a cobrir riscos em seus estabelecimentos: (a) contra incêndio/raio/explosão, queda de aeronave, vendaval, danos elétricos e lucros cessantes decorrentes (Apólice nº 0096/109/2001/0000069/01) e (b) responsabilidade civil – operador portuário – roubo (Apólice nº 0033/331/2001/0000012/01). O valor dos prêmios contratados para os dois seguros (despesas incorridas) teria sido de R$ 1.111.510,53 e R$ 725.771,82, respectivamente, e como tais seguros teriam sido contratados em conjunto com as demais empresas do Grupo Luft, e tendo sido discriminados nas apólices cada “Local de Risco”, sendo que cada um deles pertencia a uma determinada empresa do grupo, o valor do prêmio devido à seguradora teria sido rateado entre as empresas titulares dos estabelecimentos segurados. No caso da fiscalizada, os locais segurados seriam: (a) Av. Piracema, 1605; (b) Av. Tamboré, 1180; e (c) Rod. Presidente Castelo Branco, 11100. Fl. 5754DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Acórdão n.º 1402003.579 S1C4T2 Fl. 5.755 8 O valor do prêmio relativo ao seguro contra incêndio e outros teria sido rateado para a contribuinte no valor de R$ 260.567,09, pelo critério da proporcionalidade entre o valor da cobertura total da Apólice, conforme “Cláusula 3 – Valores em Risco” e a soma dos valores das coberturas de suas unidades, conforme demonstrado em planilha de fls. 319/320. Já o valor do prêmio relativo ao seguro de responsabilidade civil, por conta de a apólice estabelecer um valor máximo de cobertura, válido para todos os estabelecimentos segurados, teria sido utilizado como critério de rateio o valor médio das mercadorias armazenadas em cada uma das unidades, cabendo à fiscalizada suportar o valor de R$ 171.121,80, conforme demonstrado em planilha de fls. 320/321. Defende assim a comprovação das despesas com seguros incorridas no ano calendário de 2007 da ordem de R$ 431.688,89. Já no que se refere aos valores contabilizados na conta “Rodoviário”, explica que, sendo uma operadora logística, a atividade da empresa envolveria a armazenagem e o gerenciamento do transporte de mercadorias de seus clientes até o destino final. É prática no mercado que o operador logístico não disponha de frota própria, mas apenas gerencie o transporte das mercadorias, mediante subcontratação de transportadoras, pelo que a maior parte de suas despesas é de subcontratação de transporte de carga. No caso, a contribuinte teria subcontratado a INTEC – Integração Nacional de Transportes de Encomendas e Cargas Ltda., e por força do Convênio ICMS nº 25, de 1990 e do art. 205 do Regulamento do ICMS, o conhecimento de transporte teria sido emitido exclusivamente pela subcontratante (FARMA LOGÍSTICA), apesar de a INTEC ter sido subcontratada para realizar o transporte das mercadorias. Isso porque, no caso de subcontratação de prestação de serviço de transporte de carga, competiria exclusivamente ao subcontratante a responsabilidade pelo pagamento do ICMS devido. Assim, como a lei não teria definido um documento fiscal específico para suportar o pagamento dos serviços prestados pela INTEC, a contribuinte realizava os pagamentos com base nas Notas de Débito ou Fatura/Duplicata (ANEXO 2 – fls. 673/1474), emitidas pela subcontratada. Assevera que na ausência de documento fiscal próprio definido em lei, tanto as duplicatas, como as notas de débito, emitidas pela INTEC, deveriam ser consideradas documentos hábeis a suportar o registro das despesas incorridas pela contribuinte, conforme relatório de notas fiscais das mercadorias transportadas (CD – 01 em anexo). Destaca ainda que praticamente todos os pagamentos efetuados à INTEC teriam sido realizados mediante depósitos bancários, conforme comprovado pelos extratos que instruem a impugnação (ANEXO 3 – fls. 375/539). Consigna que a autoridade fiscal não teria fundamentado a recusa em aceitar as Notas de Débito como documentos hábeis para o registro das despesas incorridas, o que tornaria nula essa parte da autuação, por ausência de motivação, requisito indispensável a todos os atos administrativos. Fl. 5755DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Acórdão n.º 1402003.579 S1C4T2 Fl. 5.756 9 De outro lado, reafirma que a subcontratação do transporte é despesa operacional necessária para a realização das transações e operações exigidas pela atividade da empresa, pois que seria remunerada justamente para prestar serviços de armazenagem e transporte de mercadorias. Anotou ainda a defesa a contradição no termo de verificação fiscal: para fins de crédito de PIS e Cofins não cumulativos, teriam sido considerados válidos todos os pagamentos efetuados à INTEC, documentados por Faturas/Duplicatas; todavia, para fins de apuração do IRPJ e CSLL, teria sido mantida a glosa de várias despesas documentadas por Faturas/Duplicatas emitidas pela INTEC. Por sua vez, com relação às despesas contabilizadas na conta “Aluguel de Armazém”, os valores glosados se referem a pagamentos efetuados à Jubran Engenharia S.A., CA Frare Adm, e Part. Ltda., Baltimore S.A., San Michele Emp. Comerciais Ltda. e Oscar Kuzniec, na qualidade de procurador dos locadores Felipe Wroblewski e Hilda Belia Frischmann Wroblewski. Apresenta juntamente com a impugnação os contratos de locação, em vigor na data da ocorrência dos fatos geradores em discussão, e os respectivos instrumentos de quitação (ANEXO 4 – fls. 540/576 ). Diz que a própria autoridade fiscal, no termo de verificação fiscal teria constatado a existência de DIMOB apresentada por Jubran Eng. S.A. e San Michele Emp. Comerciais Ltda., o que demonstra a efetividade da despesa contabilizada, tanto que teria considerado os valores declarados na DIMOB para fins de crédito de PIS e Cofins não cumulativo, mas manteve a glosa das despesas para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Anota que eventual irregularidade dos locadores de omissão na apresentação de DIMOB não lhe pode ser imputada. Quanto às despesas contabilizadas nas contas “Vigilância” e “Pessoal Temporário Ass”, traz a documentação correspondente nos ANEXOS 5 (fls. 577/590) e 6 (fls. 591/597). Requer o cancelamento dos lançamentos e protesta pela juntada posterior dos extratos bancários do período de janeiro a março de 2007, já solicitados mas ainda não fornecidos pela instituição financeira. Em 04/07/2012 (fls. 1477/1478), a contribuinte intimada em Carta Cobrança a pagamento do crédito tributário, informou que teria apresentado a impugnação em 28/05/2012 na CAC da DRF Barueri/SP, e que por conseguinte o crédito tributário estaria com a exigibilidade suspensa. Na mesma data, protocolizou petição (fls. 1515/1516) na qual consigna que, na impugnação, por motivo de força maior, em razão do não fornecimento pela instituição financeira, teria requerido a juntada posterior dos extratos bancários do período de janeiro a abril de 2007, ora juntados ao processo (fls. 1517/1568). Fl. 5756DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Acórdão n.º 1402003.579 S1C4T2 Fl. 5.757 10 Em 16/07/2012 (fls. 1511) foi providenciada a juntada pela contribuinte de cópia do documento de identificação do advogado que teria subscrito a impugnação (fls. 1513). Em 17/07/2012 (fls. 1514), a autoridade preparadora reconheceu o equívoco na emissão do Termo de Revelia e da Carta de Cobrança, haja vista a protocolização tempestiva de impugnação, e encaminhou o processo a julgamento. Em 13/12/2012, a contribuinte solicitou cópia do processo (fls. 1588), o que lhe foi entregue em 17/12/2012 (fls. 1603/1604). Conforme informação do SIEF/Processos, o crédito tributário se encontra regularmente suspenso até a ciência da presente decisão." Passase a complementar o relatório acima transcrito. A impugnação da Recorrente foi julgada procedente em parte, conforme a seguinte ementa do Acórdão da DRJ: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 Nulidade. Falta de Motivação. Glosa das Despesas Contabilizadas nas Contas “Aluguel de Armazém”, “Vigilância” e “Pessoal Temporário. Na verificação da regular comprovação dos custos e/ou despesas escriturados, quando a contribuinte não traz durante o procedimento qualquer documento a respaldar a escrituração, o fundamento fático e jurídico é simplesmente a falta de comprovação dos custos e/ou despesas escriturados. Notas de Débito. Documentação Inábil. Como as notas de débito não são hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos na legislação a comprovar as operações de prestação de serviços de transporte, prescindível outra motivação para a recusa de aceitação pela autoridade fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 Glosa de Despesa. Fretes Gerenciamento. Falta de Comprovação do Pagamento. Quando não questionada a idoneidade das notas fiscais apresentadas, e nem a efetividade da prestação dos serviços, devidamente discriminados nos documentos fiscais, não se mantêm as glosas de despesas, baseadas unicamente na falta de comprovação dos pagamentos escriturados. Fl. 5757DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Acórdão n.º 1402003.579 S1C4T2 Fl. 5.758 11 Glosa de Despesa. Despesas de Seguro. Rateio. Deve ser admitida a dedutibilidade das despesas com seguros dos armazéns que se configuram como (i) necessárias, normais e usuais à atividade da pessoa jurídica, (ii) comprovadas pelos contratos apresentados, que apesar de celebrados por outra empresa do grupo empresarial, os estabelecimentos da fiscalizada constam designados entre os locais de riscos abrangidos pela cobertura dos seguros, e (iii) é razoável o critério de rateio demonstrado. Glosa de Despesa. Despesas de Aluguel de Armazém. Devem ser admitidas como dedutíveis as despesas com os aluguéis pagos pelos imóveis em que funcionam a sede e as filiais da empresa, devidamente comprovadas nos contratos de locação apresentados. Entretanto, não comprovada a vinculação com a atividade da empresa do imóvel locado, mantémse a glosa da despesa. Glosa de Despesa. Despesas de Vigilância e Pessoal Temporário. Admitese a dedutibilidade das despesas de vigilância comprovadas nas notas fiscais de serviços apresentadas, mantendose a exigência em relação aos lançamentos contábeis sem suporte documental hábil. Glosa de Despesa. Rodoviário. Subcontração de Serviço de Transporte. Comprovação. As Notas de Débito são documentos desprovidos das formalidades necessárias a comprovar as operações, e configuram meros instrumentos de controle interno, com validade restrita entre as partes envolvidas, principalmente quando os conhecimentos de transporte porventura nelas abrangidos sequer foram ali mencionados, pelo que as operações ficaram completamente sem substância. Tributação Reflexa. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão do auto de infração decorrente." Quanto ao crédito tributário exonerado, cabível RECURSO DE OFÍCIO ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, de forma que a exoneração da exigência, procedida por aquele acórdão, só será definitiva após o julgamento na segunda instância. Fl. 5758DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Acórdão n.º 1402003.579 S1C4T2 Fl. 5.759 12 Para esclarecimentos dos valores exonerados, transcrevese excertos do voto condutor do Acórdão de 1ª Instância que trata da redução das exigências de IRPJ e CSLL: DA GLOSA DE DESPESAS CONTABILIZADAS NA CONTA “FRETES –GERENCIAMENTO” Nesses termos, frágil é a glosa do custo/despesa baseada unicamente na falta de comprovação do pagamento, quando não questionada a idoneidade da documentação hábil apresentada e a efetividade da prestação do serviço, devidamente discriminado no documento fiscal. Para que a imputação se sustente, necessária é a desconstituição da validade das faturas e dos contratos apresentados. Concluise assim pela improcedência da glosa dos custos/despesas escriturados na conta FRETES –GERENCIAMENTO. DA GLOSA DAS DESPESAS CONTABILIZADAS NA CONTA “SEGURO DE ARMAZÉM” No que diz respeito ao rateio de despesas entre empresas do mesmo grupo econômico, já houve diversas manifestações administrativas em que foram considerados relevantes, para a regular dedutibilidade dos gastos, a comprovação da despesa, a necessidade, normalidade e usualidade, e a demonstração de um critério de rateio razoável. Diante de tais requisitos, deve ser admitida a dedutibilidade das despesas com seguros dos armazéns, comprovadas pelos contratos apresentados, nos quais seus estabelecimentos são designados entre os locais de riscos abrangidos pela cobertura dos seguros; que se configuram como necessárias, normais e usuais à atividade empresarial, e é razoável o critério de rateio demonstrado. DA GLOSA DAS DESPESAS CONTABILIZADAS NA CONTA “ALUGUEL DE ARMAZÉM” Cumpre também reconhecer a contradição no procedimento adotado pela autoridade fiscal, de admitir, para fins de crédito de PIS e Cofins não cumulativo, os valores declarados nas DIMOB pela JUBRAN ENG. S.A. e SAN MICHELE EMP. COMERCIAIS LTDA, e não admitilos para fins de comprovação da despesa contabilizada, na apuração do IRPJ e da CSLL. Foram apresentados juntamente com a impugnação (ANEXO 4 – fls. 540/576), os contratos de locação, em vigor na data da ocorrência dos fatos geradores em discussão, e os respectivos instrumentos de quitação, conforme designados abaixo: [...] Fl. 5759DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Acórdão n.º 1402003.579 S1C4T2 Fl. 5.760 13 Tem razão também a defesa quando anota que eventual irregularidade dos locadores na apresentação de DIMOB não lhe pode ser imputada, desde que a despesa esteja regularmente comprovada, por documentação hábil. Diante disso, devem ser admitidas como dedutíveis as despesas com os aluguéis pagos a JUBRAN ENGENHARIA S.A. (CNPJ nº 61.575.437/000148), C.A. FRARE ADM. E PART. LTDA. (CNPJ nº 80.178.023/000120) e BALTIMORE S.A. (CNPJ nº 80.805.450/000190), assim como à SAN MICHELE EMP. COMERCIAIS LTDA. (CNPJ nº 04.640.541/000135). Entretanto, as despesas contabilizadas com base no contrato celebrado FELIPE WROBLEWSKI e cônjuge, e pagas a OSCAR KUZNIEC, não se encontram regularmente comprovadas, porque não comprovada a vinculação do imóvel objeto do contrato à atividade empresarial. DA GLOSA DAS DESPESAS CONTABILIZADAS NA CONTA “VIGILÂNCIA” Diante da documentação comprobatória hábil das operações, cumpre validar a dedutibilidade das despesas com vigilância no valor de R$ 196.069,60, devendo ser mantida a glosa em relação às demais rubricas contabilizadas e não comprovadas. DA GLOSA DAS DESPESAS CONTABILIZADAS NA CONTA “PESSOAL TEMPORÁRIO E ASSESSORIA EM RH” Entretanto, a única nota fiscal – fatura de serviços apresentada foi a de nº 1166, emitida em 04/12/2007, pela SRM Terceirização de Serviços e Recursos Humanos Ltda., CNPJ nº 02.798.885/000141, em favor da autuada, na qualidade de tomadora dos serviços, no valor total da nota fiscal de R$ 28.647,97, valor no qual estariam incluídas as retenções de tributos e contribuições de R$ 4.824,39, a redundar numa despesa de serviços de R$ 23.823,58, valor esse a ser considerado como comprovado. Com relação aos demais documentos não são hábeis a comprovar a contabilização das despesas pelos motivos abaixo: 1. os boletos bancários, apesar de demonstrarem a existência de uma relação obrigacional entre a fiscalizada e a SRM, não permitem identificar a operação que deu causa à emissão da cobrança, essencial para a apreciação da dedutibilidade da despesa; 2. as correspondências entre as empresas e os documentos internos, também não são suficientes a respaldar a contabilização das operações. Fl. 5760DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Acórdão n.º 1402003.579 S1C4T2 Fl. 5.761 14 DA GLOSA DAS DESPESAS CONTABILIZADAS NA CONTA “RODOVIÁRIO” Na fundamentação adotada pela a fiscalização, consta que os documentos comprobatórios dos lançamentos na Conta Rodoviário referemse a faturas da Intec – Integração Nacional de Transportes de Encomendas e Cargas Ltda, CNPJ 52.134.798/000168, empresa do mesmo grupo do contribuinte. Os lançamentos referentes a Notas de Débito não foram admitidos como hábeis a comprovar as despesas contabilizadas. A fiscalização aceitou todas as faturas, apresentadas no curso do procedimento, emitidas pela INTEC contra a fiscalizada, para a cobrança dos serviços de transporte de carga devidamente identificados pelos conhecimentos de transporte ali discriminados. Já as Notas de Débito não foram consideradas como hábeis a comprovar as operações, por configurar meros documentos de controle interno, com validade restrita entre as partes envolvidas, e assim desprovidas das formalidades necessárias aos documentos comprobatórios de operações a serem contabilmente registradas. Oportuno mencionar que sequer houve o cuidado de mencionar os conhecimentos de transporte abrangidos pelas referidas notas de débito, pelo que as operações porventura nelas incluídas ficaram completamente sem substância. Por outro lado, ainda que comprovadas as transferências de recursos entre a INTEC e a fiscalizada, a discussão se refere à comprovação das despesas contabilizadas, fato a requerer que sejam elucidadas as operações que deram causa às referidas transferências, de forma que seja possível apreciar se tratam de despesas necessárias, usuais e normais à atividade da empresa. Por fim, tem razão a defesa em relação às despesas abaixo e que estão devidamente comprovadas por Faturas/Duplicatas, a serem por isso excluídas da autuação: Glosa Data Valor Faturas Fls. Mantida Cancelada 12/01/2007 21.048,21 21.048,21 31/01/2007 612.910,00 612.910,00 31/01/2007 1.544.180,50 1.544.180,50 Soma 2.178.138,71 2.178.138,71 21/02/2007 23.520,00 675 23.520,00 28/02/2007 2.058.105,68 2.058.105,68 Soma 2.081.625,68 2.058.105,68 23.520,00 29/03/2007 3.575.658,13 3.575.658,13 Soma 3.575.658,13 3.575.658,13 30/04/2007 2.873.387,00 2.873.387,00 Fl. 5761DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Acórdão n.º 1402003.579 S1C4T2 Fl. 5.762 15 Glosa Data Valor Faturas Fls. Mantida Cancelada 31/05/2007 3.130.923,37 3.130.923,37 18/06/2007 10.269,08 689 10.269,08 18/06/2007 25.758,78 690 25.758,78 30/06/2007 3.765.328,31 3.765.328,31 Soma 3.801.356,17 3.765.328,31 36.027,86 20/07/2007 201.914,31 705/706 201.914,31 31/07/2007 3.238.132,73 3.238.132,73 Soma 3.440.047,04 3.238.132,73 201.914,31 14/08/2007 68.023,74 68.023,74 20/08/2007 15.728,98 691 15.728,98 24/08/2007 20.262,78 692 20.262,78 24/08/2007 92.822,92 693 92.822,92 27/08/2007 11.698,72 694 11.698,72 27/08/2007 12.575,32 695 12.575,32 31/08/2007 3.138.915,10 3.138.915,10 Soma 3.360.027,56 3.206.938,84 153.088,72 18/09/2007 27.265,50 27.265,50 19/09/2007 13.977,00 13.977,00 30/09/2007 3.717.754,58 3.717.754,58 Soma 3.758.997,08 3.758.997,08 09/10/2007 21.545,49 697 21.545,49 23/10/2007 12.858,28 698 12.858,28 23/10/2007 12.880,00 701 12.880,00 23/10/2007 23.005,29 702 23.005,29 24/10/2007 14.142,00 14.142,00 31/10/2007 3.106.619,74 3.106.619,74 Soma 3.191.050,80 3.120.761,74 70.289,06 19/11/2007 16.747,50 703 16.747,50 30/11/2007 3.550.941,30 3.550.941,30 Soma 3.567.688,80 3.550.941,30 16.747,50 31/12/2007 4.667.900,34 4.667.900,34 Soma 4.667.900,34 4.667.900,34 0,00 Glosa Mantida Cancelada Totais 39.626.800,68 39.125.213,23 501.587,45 Fl. 5762DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Acórdão n.º 1402003.579 S1C4T2 Fl. 5.763 16 No que tange ao auto de infração à legislação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, destaquese que se trata de exigência reflexa que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, e assim sendo, a decisão de mérito prolatada em relação àquele constitui prejulgado na decisão do lançamento dele decorrente. Por todo o exposto, VOTO por JULGAR PROCEDENTE EM PARTE a impugnação, conforme demonstrativos em anexo. DEMONSTRATIVO DA BASE DE CÁLCULO APURADA NO LANÇAMENTO Per. Apur. Rodoviário Frete Gerenc. Seguro Armazém Aluguel Armazém Vigilancia Pessoal Temp Total jan/07 2.178.138,71 2.700.000,00 25.911,40 4.904.050,11 fev/07 2.081.625,68 25.911,40 168.552,66 2.276.089,74 mar/07 3.575.658,13 25.911,40 318.586,07 54.847,22 3.975.002,82 abr/07 2.873.387,00 25.911,40 56.184,22 2.955.482,62 mai/07 3.130.923,37 2.000.000,00 25.911,40 262.401,85 54.847,22 5.474.083,84 jun/07 3.801.356,17 1.000.000,00 25.911,40 332.086,07 54.847,22 5.214.200,86 jul/07 3.440.047,04 1.000.000,00 25.911,40 332.086,07 4.798.044,51 ago/07 3.360.027,56 900.000,00 25.911,40 388.270,29 4.674.209,25 set/07 3.758.997,08 900.000,00 25.911,40 125.868,44 86.375,16 32.980,84 4.930.132,92 out/07 3.191.050,80 800.000,00 25.911,40 332.086,07 44.629,51 4.393.677,78 nov/07 3.567.688,80 800.000,00 25.911,40 393.185,26 4.786.785,46 dez/07 4.667.900,34 800.000,00 25.911,40 13.500,00 26.559,58 5.533.871,32 Totais 39.626.800,68 10.900.000,00 310.936,80 2.722.807,00 250.916,82 104.169,93 53.915.631,23 DEMONSTRATIVO DA BASE DE CÁLCULO MANTIDA PELA DRJ Per. Apur. Rodoviário Frete Gerenc. Seguro Armazém Aluguel Armazém Vigilancia Pessoal Temp Total jan/07 2.178.138,71 2.178.138,71 fev/07 2.058.105,68 2.058.105,68 mar/07 3.575.658,13 3.575.658,13 abr/07 2.873.387,00 2.873.387,00 mai/07 3.130.923,37 54.847,22 3.185.770,59 jun/07 3.765.328,31 13.500,00 3.778.828,31 jul/07 3.238.132,73 13.500,00 3.251.632,73 ago/07 3.206.938,84 13.500,00 3.220.438,84 set/07 3.758.997,08 13.500,00 32.980,84 3.805.477,92 out/07 3.191.050,80 13.500,00 44.629,51 3.249.180,31 nov/07 3.567.688,80 13.500,00 3.581.188,80 dez/07 4.667.900,34 13.500,00 2.736,00 4.684.136,34 Totais 39.212.249,79 94.500,00 54.847,22 80.346,35 39.441.943,36 Fl. 5763DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Acórdão n.º 1402003.579 S1C4T2 Fl. 5.764 17 Recurso Voluntário Inconformada com a decisão proferida em primeira instância administrativa, FARMA LOGISTICA E ARMAZENS GERAIS LTDA apresentou Recurso Voluntário pelos motivos de fato e de direito a seguir expostos de forma resumida. 1.) GLOSA DAS DESPESAS DA CONTA "RODOVIÁRIO" 1.1.) FATURAS/DUPLICATAS E O ERRO MATERIAL DA DECISÃO · Verificase a existência de erro material na decisão recorrida, no que se refere à quantificação do valor das despesas comprovadas pela FARMA por ocasião da apresentação da impugnação, através de juntada das Faturas/Duplicata emitidas pela INTEC, e que restaram admitidas como válidas pela referida decisão de Primeira Instância. · Isto porque, no quadroresumo inserido ao final da fl. 1674 e na fl. 1675, a decisão recorrida quantifica em apenas R$ 501.587,45 (glosa cancelada) o total das Faturas/Duplicata emitidas pela INTEC que teriam sido apresentadas pela Contribuinte por ocasião de sua impugnação quando, na verdade, este valor é bem maior. · Conforme se pode constatar pela análise dos referidos documentos e tabelas, juntamente com a Impugnação foram juntados aos autos documentos no valor total de R$38.919.241,20, sendo que deste valor R$29.555.202,65 se referem a Faturas/Duplicatas emitidas pela INTEC contra a FARMA, e apenas R$9.364.038,55 a Notas de Débito. · Logo, deve ser corrigido o erro material apontado, para que seja cancelado o valor total de RS29.555.202.65, correspondente ao total das Faturas/Duplicatas comprovadamente emitidas pela INTEC contra a FARMA. que foram glosadas no Auto de Infração impugnado e. posteriormente, tiveram a sua dedutibilidade reconhecida pela decisão de Primeira Instância. Fl. 5764DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Acórdão n.º 1402003.579 S1C4T2 Fl. 5.765 18 1.2.) PAGAMENTOS REALIZADOS COM BASE EM NOTAS DE DÉBITO · No ano de 2007 a Contribuinte subcontratou principalmente a empresa INTEC Integração Nacional de Transportes de Encomendas e Cargas Ltda. para prestar o serviço de transporte das mercadorias. · Por força do disposto no Convênio ICMS nº 25/1990 e do art. 2051 do Regulamento do ICMS do Estado de São Paulo, o Conhecimento de Transporte relativo a estas mercadorias transportadas era emitido exclusivamente pela FARMA LOGÍSTICA E ARMAZÉNS GERAIS LTDA., apesar de a INTEC Integração Nacional de Transportes de Encomendas e Cargas Ltda. ter sido subcontratada para realizar o transporte das mercadorias. · Logo, a INTEC não emitia Conhecimento de Transporte nas operações em que figurava como subcontratada pela FARMA. E foi por esta razão que a INTEC emitiu as notas de débito, a fim de identificar a cobrança pelos serviços prestados. · Ocorre que, ao lavrar o Auto de Infração ora impugnado, a Autoridade Fiscal entendeu por glosar as despesas lançadas com base em Nota de Débito sob o argumento de que "Não foram reconhecidos alguns lançamentos referentes a Notas de Débito e que não constituem custo e nem despesa para o contribuinte" (sublinhamos). · Inicialmente cabe referir que, em sua autuação, a Autoridade Fiscal não fundamentou sua recusa em aceitar a "NOTA DE DÉBITO" como documento hábil para o registro das despesas incorridas pela Contribuinte, o que torna nula a autuação neste ponto por ausência da devida motivação, requisito indispensável a todos os atos administrativos, dentre os quais se insere o lançamento fiscal. · Neste sentido, a decisão de Primeira Instância também não remete a qualquer prova no sentido de que tais gastos não seriam necessários à atividade da empresa ou à manutenção da fonte produtora dos rendimentos. Argumenta simplesmente que as Notas de Débito não podem ser aceitas porque não constituem documentação hábil a suportar a escrituração da despesa. · Neste caso, o correto seria anular o Auto de Lançamento, por ausência de fundamentação, permitindo que outro fosse lavrado em seu lugar, atendendo aos requisitos legais. · A decisão de Primeira Instância também reconhece a dispensa de emissão do referido Conhecimento de Transporte pela INTEC, com base na legislação do ICMS. Todavia, afirma que a INTEC deveria estar identificada nos Conhecimentos de Transporte emitidos pela Fl. 5765DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Acórdão n.º 1402003.579 S1C4T2 Fl. 5.766 19 FARMA, sempre que houvesse subcontratação, no campo "Observações" daquele documento. · Ocorre que mesmo se admitindo, para argumentar, que o nome da INTEC tivesse de constar dos Conhecimentos de Transporte emitidos pela FARMA, e que eventualmente o mesmo não tenha constado, a questão central aqui é que, uma vez prestado o serviço de transporte pela INTEC e efetivamente pago seu preço pela FARMA, esta seria uma despesa dedutível mesmo que a documentação não cumprisse com todas as formalidades legais, não podendo persistir a glosa realizada pela Autoridade Fiscal. · Isto porque a própria decisão de Primeira Instância colaciona extensa Jurisprudência Administrativa afirmando que, na hipótese de ser desconstituído o valor probante do documento apresentado pelo Contribuinte, caberá a este o ônus da prova de que efetivamente pagou pelos serviços ou mercadorias adquiridos. · No presente caso, resta comprovado que todas as despesas deduzidas pela FARMA, com base em Nota de Débito emitida pela INTEC, foram devidamente pagas mediante remessa bancária. Isto está cabalmente demonstrado pela Contribuinte nos extratos bancários juntados às fls. 375/539 e 1515/1568. · Em razão disso, resta evidente a boafé da Contribuinte e a ausência de qualquer prejuízo ao Fisco, eis que tais valores, pagos via Nota de Débito, foram integralmente tributados pela INTEC e correspondem a despesa operacional necessária para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa, nos termos do art. 299 e respectivo §1 do Decreto 3.000/1999 RIR. 2.) GLOSA DAS DESPESAS DA CONTA "PESSOAL TEMPORÁRIO E ASSESSORIA EM RH": As despesas registradas nesta conta, e que foram objeto de glosa conforme tabela anexa ao Auto de Infração, denominada "Custos e Serviços de Terceiros Não Comprovados", foram efetivamente incorridas pela Contribuinte, conforme se verifica claramente pelos documentos de fls. 592/596. · A decisão de Primeira Instância, todavia, somente afastou a glosa da notafiscal no valor de R$ 28.647,97 (fl. 596), deixando de admitir as demais comprovações de despesas sob o argumento de que "não são hábeis a comprovar a contabilização das despesas. · Este entendimento, todavia, não pode prevalecer. Fl. 5766DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Acórdão n.º 1402003.579 S1C4T2 Fl. 5.767 20 · Isto porque a Contribuinte comprovou o efetivo pagamento destes valores, conforme boletos bancários acostados aos autos do Processo Administrativo às fls. 591/597. · Destarte, deve ser cancelado o lançamento objeto da presente impugnação também neste aspecto. 3.) GLOSA DAS DESPESAS DA CONTA "ALUGUEL DE ARMAZÉM": · A decisão de Primeira Instância manteve a glosa realizada pela Autoridade Fiscal relativamente aos alugueis pagos a Oscar Kuzniec (Procurador dos tocadores Felipe Wroblewski e Hilda Belia Frischmann Wroblewski), sob o argumento de que não foi devidamente "comprovada a vinculação do imóvel objeto do contrato à atividade empresarial". · Ocorre que o Auto de Infração em momento algum fundamentou a referida glosa na ausência de prova da vinculação do imóvel, resumindose a afirmar que "o contribuinte não apresentou nenhuma comprovação dos lançamentos destas contas". · Com base nisso a Contribuinte, às fls. 561/576 dos autos, apresentou juntamente com a sua Impugnação cópias do contrato de locação, bem como o Termo de Quitação firmado pelo locador após o encerramento da locação. · Com isso restou provada a existência da despesa lançada e o seu respectivo pagamento, aspectos apontados pelo Auto de Infração para realizar a glosa. · Não é possível, pois, que a decisão de Primeira Instância invoque, para justificar a manutenção da glosa, questão não suscitada pela Autoridade Fiscal por ocasião da lavratura do Auto de Infração, pois desta forma estará inovando no feito e prejudicando o direito à ampla defesa, constitucionalmente assegurado ao contribuinte. · Neste sentido é a posição consolidada do Conselho de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda. Fl. 5767DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Acórdão n.º 1402003.579 S1C4T2 Fl. 5.768 21 Resolução No voto condutor da aludida Resolução, da lavra do ilustre conselheiro Leonardo de Andrade Couto, que me antecedeu na relatoria deste processo, extraise: O recurso foi tempestivo e interposto por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual dele conheço. Após a decisão de primeira instância, remanesceu na exigência uma parcela dos valores glosados a título de "aluguel de armazém", "Vigilância", "Pessoal Temporário e Assessoria em RH" e a maior parte dos valores glosados contabilizados na conta "Rodoviário". Nesse último caso, de acordo com a autoridade lançadora, no que foi corroborado pela decisão recorrida, não foram aceitos os valores que não estivessem acobertados por Faturas/Duplicatas. No recurso voluntário, a interessada questiona a decisão recorrida que acolheu uma pequena parcela da impugnação nesse item pois, sustenta, mesmo que se considere demonstrados apenas os valores albergados por nota fiscal/ fatura, o acórdão questionado teria incorrido em erro material ao não considerar todas as faturas apresentadas. Para corroborar os argumentos, traz aos autos extensa documentação denominada laudo técnico que, sustenta, demonstraria o alegado. Levandose em consideração que este colegiado acata a juntada de documentos antes que o processo seja pautado, e tendo em vista que no presente caso a atividade julgadora envolve fundamentalmente um juízo de valoração probante, penso ser razoável que a documentação seja verificada. Sendo assim, proponho a conversão do julgamento do recurso em diligência a fim de que a Unidade Local designe Auditor Fiscal para examinar os documentos e, com base no critério de acatar como demonstrados os valores lançados na conta "Rodoviário" sustentados por fatura/ nota fiscal, atestar ou não se alguma fatura não foi considerada, parcial ou integralmente, pelo acórdão questionado. Após, formalizar relatório circunstanciado tendo como ponto de partida a tabela constante do voto condutor da decisão recorrida, relatório este que deverá ser cientificado à interessada com prazo para manifestação. Fl. 5768DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Acórdão n.º 1402003.579 S1C4T2 Fl. 5.769 22 Conclusões da Diligência A AuditoraFiscal Bruna Camara Lamego Moizes foi encarregada da diligência e na conclusão dos trabalhos lavrou o relatório de fls. 5730 a 5735, no qual apresentou as seguintes conclusões: 21. Realizadas as análises cabíveis, verificamos que foram apresentadas faturas, as quais não foram consideradas na decisão de primeira instância, no valor total de R$ 28.833.596,17. 22. Ressaltamos que o valor acima representa o total das faturas apresentadas pelo contribuinte, inclusive aquelas sobre as quais foram feitas observações durante a realização desta diligência – cabendo ao órgão julgador a decisão a respeito de sua aceitação para fins de comprovação das despesas escrituradas. A Recorrente, embora regularmente intimada, não apresentou manifestação quanto às conclusões do relatório de diligência. Fl. 5769DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Acórdão n.º 1402003.579 S1C4T2 Fl. 5.770 23 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. Os recursos voluntário e de ofício atendem aos pressuposto de admissibilidade, pelo que deles se toma conhecimento. Recurso Voluntário A decisão da Instância a quo manteve as glosas das seguintes contas: Aluguel de Armazém, no valor de R$ 94.500, Pessoal Temporário e Assessoria em RH, no valor de R$ 80.346,35, e Rodoviário, no valor de R$ 39.212.249,79. A glosa da conta de Aluguel de armazém foi mantida com base no entendimento que "as despesas contabilizadas com base no contrato celebrado com FELIPE WROBLEWSKI e cônjuge, e pagas a OSCAR KUZNIEC, não se encontram regularmente comprovadas, porque não comprovada a vinculação do imóvel objeto do contrato à atividade empresarial.". A glosa da conta de Pessoal Temporário e Assessoria em RH foi mantida, porque não estariam comprovadas essas despesas nos documentos que acompanharam a impugnação da contribuinte, pois teriam sido apresentados apenas boletos bancários, documentos internos e correspondências entre as empresas. A glosa da conta Rodoviário foi mantida devido à ausência de apresentação de documentação hábil à escrituração da despesa. A decisão reconheceu a dedutibilidade das despesas com base em faturas/duplicatas emitidas pela INTEC, contudo não admitiu a dedução das despesas com base em Notas de Débito. A recorrente em seu recurso voluntário, apresenta argumentos de fato e de direito, insurgindose contra o Acórdão da DRJ. Fl. 5770DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Acórdão n.º 1402003.579 S1C4T2 Fl. 5.771 24 Da Glosa das despesas da conta "RODOVIÁRIO" A recorrente, em síntese, quanto à glosa das despesas da conta Rodoviário alega erro material na decisão recorrida que não considerou Faturas/Duplicatas no valor de R$29.555.202,65. Quanto às despesas com base em notas de débito alega que foram devidamente pagas mediante remessa bancária. Das Faturas/Duplicatas e o erro material da decisão A recorrente alega a existência de erro material na decisão recorrida, no que se refere à quantificação do valor das despesas comprovadas pela FARMA por ocasião da apresentação da impugnação, através de juntada das Faturas/Duplicata emitidas pela INTEC, e que restaram admitidas como válidas pela referida decisão de Primeira Instância. Alega que, conforme se pode constatar pela análise dos referidos documentos e tabelas, juntamente com a Impugnação foram juntados aos autos documentos no valor total de R$38.919.241,20, sendo que deste valor R$29.555.202,65 se referem a Faturas/Duplicatas emitidas pela INTEC contra a FARMA, e apenas R$9.364.038,55 a Notas de Débito. Conclui que deve ser corrigido o erro material apontado, para que seja cancelado o valor total de RS 29.555.202.65, correspondente ao total das Faturas/Duplicatas comprovadamente emitidas pela INTEC contra a FARMA. que foram glosadas no Auto de Infração impugnado e. posteriormente, tiveram a sua dedutibilidade reconhecida pela decisão de Primeira Instância. Verificase que o julgamento foi convertido em diligência por esse colegiado para que a Autoridade Fiscal examinasse os documentos e, com base no critério de acatar como demonstrados os valores lançados na conta "Rodoviário" sustentados por fatura/nota fiscal, atestasse ou não se alguma fatura não foi considerada, parcial ou integralmente, pelo acórdão questionado. Realizadas as análises cabíveis, conforme relatório de diligência, verificouse que foram apresentadas faturas, as quais não foram consideradas na decisão de primeira instância, no valor total de R$ 28.833.596,17. O Auditor Fiscal, responsável pela diligência, observou ainda que em algumas faturas os campos destinados às informações sobre os conhecimentos de transporte estão “em branco”. Essas notas fiscais totalizam o valor de R$ 46.290,80. Nessa questão, mantémse o critério de apresentação de nota fiscal para comprovar as despesas da conta "Rodoviário", que foi o adotado pela Autoridade Fiscal que realizou os lançamentos. Concluise que devem ser consideradas como despesas dedutíveis da conta "Rodoviário", as faturas, que não foram consideradas na decisão de primeira instância, no valor total de R$ 28.833.596,17. Fl. 5771DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Acórdão n.º 1402003.579 S1C4T2 Fl. 5.772 25 Dos pagamentos realizados com base em notas de débito A recorrente alega que a INTEC não emitia Conhecimento de Transporte nas operações em que figurava como subcontratada pela FARMA. E foi por esta razão que a INTEC emitiu as notas de débito, a fim de identificar a cobrança pelos serviços prestados. Descreve que ao lavrar o Auto de Infração ora impugnado, a Autoridade Fiscal entendeu por glosar as despesas lançadas com base em Nota de Débito sob o argumento de que "Não foram reconhecidos alguns lançamentos referentes a Notas de Débito e que não constituem custo e nem despesa para o contribuinte. Infere que a Autoridade Fiscal não fundamentou sua recusa em aceitar a "NOTA DE DÉBITO" como documento hábil para o registro das despesas incorridas pela Contribuinte, o que torna nula a autuação neste ponto por ausência da devida motivação, requisito indispensável a todos os atos administrativos, dentre os quais se insere o lançamento fiscal. Argumenta que a decisão de Primeira Instância também não remete a qualquer prova no sentido de que tais gastos não seriam necessários à atividade da empresa ou à manutenção da fonte produtora dos rendimentos. Argumenta simplesmente que as Notas de Débito não podem ser aceitas porque não constituem documentação hábil a suportar a escrituração da despesa. Conclui que, nesse caso, o correto seria anular o Auto de Lançamento, por ausência de fundamentação, permitindo que outro fosse lavrado em seu lugar, atendendo aos requisitos legais. A recorrente alega ainda que, mesmo se admitindo, para argumentar, que o nome da INTEC tivesse de constar dos Conhecimentos de Transporte emitidos pela FARMA, e que eventualmente o mesmo não tenha constado, a questão central aqui é que, uma vez prestado o serviço de transporte pela INTEC e efetivamente pago seu preço pela FARMA, esta seria uma despesa dedutível mesmo que a documentação não cumprisse com todas as formalidades legais, não podendo persistir a glosa realizada pela Autoridade Fiscal. Afirma que, no presente caso, resta comprovado que todas as despesas deduzidas pela FARMA, com base em Nota de Débito emitida pela INTEC, foram devidamente pagas mediante remessa bancária. Isto está cabalmente demonstrado pela Contribuinte nos extratos bancários juntados às fls. 375/539 e 1515/1568. Deduz que, resta evidente a boafé da Contribuinte e a ausência de qualquer prejuízo ao Fisco, eis que tais valores, pagos via Nota de Débito, foram integralmente tributados pela INTEC e correspondem a despesa operacional necessária para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa, nos termos do art. 299 e respectivo §1 do Decreto 3.000/1999 RIR. Constatase que a recorrente foi intimada a comprovar, por meio de documentação idônea, coincidente em data e valor, os lançamentos referentes a 2007 (Prestação de Serviços por PJ) nas seguintes planilhas: Fl. 5772DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Acórdão n.º 1402003.579 S1C4T2 Fl. 5.773 26 · Lançamentos a comprovar Conta Rodoviário 2007 · [...] Verificase que tendo a recorrente apresentado faturas e notas de débito, essas não foram aceitas pela Autoridade Fiscal para comprovação das despesas, porque, tais documentos não são hábeis segundo sua natureza, ou assim definidos na legislação, a comprovar as operações de prestação de serviços de transporte, sendo prescindível qualquer outra motivação para a recusa da autoridade fiscal. Notase que a decisão de 1ª Instância não remete a qualquer prova no sentido de que tais gastos seriam ou não necessários à atividade da empresa, pois esta argumentação é irrelevante, posto que não fez parte da acusação da Autoridade Fiscal. Mostrase correto a argumentação da Autoridade Julgadora no sentido que "as notas de débito não podem ser aceitas porque não constituem documentação hábil a suportar a escrituração da despesas". Notase que não foram comprovadas de forma individualizada que as despesas deduzidas pela FARMA, com base em Notas de Débito emitida pela INTEC, foram devidamente pagas mediante remessa bancária. Ainda que comprovadas as transferências de recursos entre a INTEC e a recorrente, estas deveriam ter como suporte documentos hábeis, idôneos e coincidentes em datas e valores para a efetiva comprovação das despesas. Ressaltase que as Notas de Débito não são documentos hábeis a comprovar as operações, por configurar meros documentos de controle interno, com validade restrita entre as partes envolvidas, e assim desprovidas das formalidades necessárias aos documentos comprobatórios de operações a serem contabilmente registradas. Verificase que sequer houve o cuidado de mencionar os conhecimentos de transporte abrangidos pelas referidas notas de débito. Logo, rejeitase a alegação de nulidade da autuação por ausência de fundamentação e o argumento de que uma despesa dedutível mesmo que a documentação não cumprisse com todas as formalidades legais, não podendo persistir a glosa realizada pela Autoridade Fiscal. Fl. 5773DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Acórdão n.º 1402003.579 S1C4T2 Fl. 5.774 27 Da Glosa das despesas da conta "PESSOAL TEMPORÁRIO E ASSESSORIA EM RH" A recorrente alega que as despesas registradas nesta conta, e que foram objeto de glosa conforme tabela anexa ao Auto de Infração, denominada "Custos e Serviços de Terceiros Não Comprovados", foram efetivamente incorridas pela Contribuinte, conforme se verifica claramente pelos documentos de fls. 592/596. A partir da análise dos documentos apresentados, verificase correta a decisão de Primeira Instância, que afastou, somente, a glosa da notafiscal no valor de R$ 28.647,97 (fl. 596), deixando de admitir as demais comprovações de despesas sob o argumento de que "não são hábeis a comprovar a contabilização das despesas. Notase ainda que foram apresentados dois boletos nos valores de R$ 32.908,50 e R$ 25.010,31. O primeiro encontrase autenticado pela instituição financeira, enquanto que o segundo boleto não há autenticação de pagamento. Portanto o segundo boleto não se presta para demonstrar que houve algum pagamento à empresa SRM Terceirização de Serviços e Recursos Humanos Ltda. Ressaltase que mesmo que houvesse a comprovação dos pagamentos, não haveria como comprovar a que título estes foram efetuados, pois não foram apresentados documentos hábeis e coincidentes em data e valor que comprovassem as despesas de pessoal temporário e assessoria em RH. Concluise que não dedutíveis os valores de R$ 32.908,50 e R$ 25.010,31 referentes a boletos bancários apresentados pela recorrente. Fl. 5774DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Acórdão n.º 1402003.579 S1C4T2 Fl. 5.775 28 Da Glosa das despesas da conta "ALUGUEL DE ARMAZÉM " A recorrente alega que houve inovação na decisão de 1ª Instância, que manteve a glosa realizada pela Autoridade Fiscal relativamente aos alugueis pagos a Oscar Kuzniec (Procurador dos tocadores Felipe Wroblewski e Hilda Belia Frischmann Wroblewski), sob o argumento de que não foi devidamente "comprovada a vinculação do imóvel objeto do contrato à atividade empresarial". Argumenta que o Auto de Infração em momento algum fundamentou a referida glosa na ausência de prova da vinculação do imóvel, resumindose a afirmar que "o contribuinte não apresentou nenhuma comprovação dos lançamentos destas contas". Deduz que não é possível, pois, que a decisão de Primeira Instância invoque, para justificar a manutenção da glosa, questão não suscitada pela Autoridade Fiscal por ocasião da lavratura do Auto de Infração, pois desta forma estará inovando no feito e prejudicando o direito à ampla defesa, constitucionalmente assegurado ao contribuinte. Entendese que não houve inovação por parte da decisão de 1ª Instância, pois tendo sido apresentados documentos somente em sede de impugnação, é necessário verificar se o documento é hábil e idôneo a comprovar as despesas de Aluguel de Armazém. Verificase que não tendo sido devidamente "comprovada a vinculação do imóvel objeto do contrato à atividade empresarial" os documentos não são hábeis a comprovar as referidas despesas. Portanto, não dedutíveis os valores referentes aos alugueis pagos a Oscar Kuzniec (Procurador dos tocadores Felipe Wroblewski e Hilda Belia Frischmann Wroblewski). Fl. 5775DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Acórdão n.º 1402003.579 S1C4T2 Fl. 5.776 29 Recurso de Ofício O Acórdão de 1ª instância exonerou da base de cálculo do lançamento os valores referentes a despesas que entendeu comprovadas com base em documentos e critérios utilizados para aceitação da dedutibilidade. Elaborouse quadro resumo dos documentos apresentados e dos critérios de dedutibilidade. Despesas/Contas Documentos Comprobatórios Critérios Fretes Gerenciamento Faturas Bonagura Consultoria Empresarial Glosa de despesa não se sustenta apenas na falta de comprovação de pagamentos. Dedutibilidade no valor de R$ 10.900.000,00 Seguro de Armazém Apólices de Seguro emitidos pela MAPFRE, contratadas pela LUFT TRANSP LTDA. Admitida a dedutibilidade, despesas comprovadas pelos contratos, estabelecimentos designadas entre os locais abrangidos pela cobertura, razoabilidade do critério de rateteio. Dedutibilidade no valor de R$ 310.936,80. Aluguel de Armazém Contratos de locação, instrumentos de quitação Contradição do procedimento que admitiu para fins de crédito de PIS e Cofins e não admitiu para comprovação de despesas na apuração do IRPJ e CSLL. Admitida a dedutibilidade, quando comprovado a vinculação do imóvel objeto do contrato à atividade empresarial. Vigilância Notas Fiscais Eletrônicas, referidas na escrituração comercial dedutibilidade das despesas com vigilância no valor de R$ 196.069,60 Pessoal Temporário e Assessoria em RH Nota fiscal fatura de serviços Não são documentos hábeis a comprovar a contabilização os boletos bancários, pois não permitem identificar a operação. Rodoviário Faturas da Intec As Notas de Débito não foram admitidos como hábeis a comprovar as despesas contabilizadas. Subcontratação, conhecimento emitido pelo contratante, deve constar do documento a anotação da subcontratação, a identificação do Fl. 5776DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Acórdão n.º 1402003.579 S1C4T2 Fl. 5.777 30 subcontratado. Ainda que comprovadas as transferência de recursos entre a INTEC e a fiscalizada, a dedutibilidade requer que sejam elucidadas as operações que deram causas as referidas transferências. Verificase que a exoneração dos valores da base de cálculo do lançamento ocorrido devido a apresentação de documentos na impugnação (faturas, apólices de seguro, contrato de locação, notas fiscais eletrônicas, notas fiscais/faturas de serviço. Com base nesses documentos foram considerados dedutíveis valores das contas Rodoviário, Seguro Armazém, Aluguel de Armazém, Vigilância, Pessoal Temporário. Contatase que não foram aceitas a dedutibilidade com base em notas de débito (Rodoviário) , ainda que comprovado a transferência de recursos entre a INTEC e a fiscalizada. Ressaltase que não foram mantidas as glosas (Fretes Gerenciamento), que se sustentavam apenas na falta de comprovação de pagamento. Entendese que os documentos aceitos pela Acórdão da DRJ são hábeis a comprovar a dedutibilidade das referidas despesas. Quantos aos critérios adotados, esses são razoáveis, com base legal e de acordo com a jurisprudência colacionados na decisão a quo. Portanto, não merece reparos as conclusões e análises realizadas quanto aos documentos apresentados com base nos critérios para a regular dedutibilidade das despesas contabilizadas nas contas Seguro de Armazém, Rodoviário, Seguro Armazém, Aluguel de Armazém, Vigilância e Pessoal Temporário. Fl. 5777DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Acórdão n.º 1402003.579 S1C4T2 Fl. 5.778 31 Da glosa de despesas contabilizadas na conta "FRETESGERENCIAMENTO" A turma julgadora da instância a quo entendeu que, é frágil a glosa do custo/despesa baseada unicamente na falta de comprovação do pagamento, quando não questionada a idoneidade da documentação hábil apresentada e a efetividade da prestação do serviço, devidamente discriminado no documento fiscal. Para que a imputação se sustente, necessária é a desconstituição da validade das faturas e dos contratos apresentados. Em seguida concluiu pela improcedência da glosa dos custos/despesas escriturados na conta FRETES – GERENCIAMENTO. Transcrevese excertos do acórdão da instancia a quo a respeito do tema: Em regra, não há suporte fático a amparar a glosa das despesas, se intimada a comprovar os custos/despesas contabilizados, a contribuinte apresenta as faturas/duplicatas ou contratos, emitidos e subscritos por empresas, cuja idoneidade não é questionada, nos quais os serviços prestados ou a causa dos pagamentos se encontram regulamente discriminados. Por conta da natureza dialética do ônus da prova, em face da apresentação da documentação hábil, para que o ônus da prova dos custos/despesas volte regularmente a pesar sobre a contribuinte, com a exigência de comprovação também dos pagamentos escriturados, é imprescindível que a fiscalização proceda à desconstituição da validade da prova apresentada, com a adoção das providências porventura cabíveis, dentre os quais se pode destacar a intimação dos prestadores de serviços ou das partes contratantes para atestar a veracidade das operações, inclusive com as devidas repercussões fiscais em sua própria escrituração comercial e fiscal, o que não foi feito. Conforme jurisprudência administrativa abaixo colacionada, o pagamento somente se torna prova subsidiária da operação, quando desconstituído o valor probante do documento hábil apresentado (fatura ou contrato). É o que se conclui das ementas dos acórdãos do Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, abaixo transcritas: [...] Reiterese: em todos os casos acima, somente se desconstituído o valor probante da documentação hábil a comprovar a operação, é que se pode exigir, subsidiariamente, para comprovar a operação, a prova do pagamento, sob pena de glosa dos(as) custos/despesas escriturados(as). Na mesma linha, segue a jurisprudência administrativa sobre as circunstâncias capazes de retirar o valor probante dos recibos, emitidos pelos profissionais da saúde, como documentos hábeis e suficientes, para a comprovação das despesas médicas deduzidas na Declaração de Ajuste Anual da Pessoa Física – DIRPF, quando se impõe a comprovação dos pagamentos: [...] Fl. 5778DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Acórdão n.º 1402003.579 S1C4T2 Fl. 5.779 32 Observese, novamente que, em todos os casos, a exigência da comprovação dos pagamentos, para a admissão da dedutibilidade das despesas, não se fez sem que circunstancias fossem devidamente invocadas, para afastar o valor probante da documentação, em princípio, considerada hábil a dar suporte à operação. Constatase que no Termo de Verificação Fiscal (fls. 271 a 279) os documentos dos lançamentos na conta "Fretes e Gerenciamento" não foram reconhecidos pela fiscalização, pois apesar do contribuinte apresentar faturas referentes aos lançamentos, não houve a apresentação da comprovação de pagamento, in verbis: "Conta 3.10.25.05.0.00.002 Frete Gerenciamento A comprovação apresentada referente a cinco lançamentos na conta Fretes e Gerenciamento não serão reconhecidas por esta fiscalização. O contribuinte apresentou faturas de números 1, 5, 6, 7 e 8 de uma empresa Bonagura Consultoria Empresarial, CNPJ 03.017.592/000142, sem contudo apresentar nenhuma comprovação de pagamento." Verificase que no caso dos autos, não trouxe a fiscalização qualquer elemento que pudesse colocar em dúvida a efetiva prestação dos serviços. No presente caso a acusação fiscal limitase a afirmar que não houve a comprovação de pagamento. Nessa questão acompanhase o entendimento da decisão a quo no sentido que "é frágil a glosa do custo/despesa baseada unicamente na falta de comprovação do pagamento, quando não questionada a idoneidade da documentação hábil apresentada e a efetividade da prestação do serviço, devidamente discriminado no documento fiscal". Para que a imputação se sustente, entendese necessária a desconstituição da validade das faturas e dos contratos apresentados e/ou dos serviços prestados. Entendese que não é lícito ao Fisco proceder à glosa de despesas de serviços suficientemente descritos em notas fiscais , se a fiscalização deixa de reunir provas, ou mesmo indícios, de que os serviços não foram ou não poderiam ter sido prestados. Fl. 5779DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Acórdão n.º 1402003.579 S1C4T2 Fl. 5.780 33 Da glosa de despesas contabilizadas na conta "SEGURO DE ARMAZÉM" A glosa de despesas contabilizadas na conta "Seguro de Armazém" referese a dois lançamentos mensais, no período de janeiro a dezembro de 2007, um no valor de R$ 5.182,28, e outro de R$ 20.729,12, a totalizar R$ 310.936,80. A Recorrente apresentou os seguintes documentos para comprovar as referidas despesas: As Apólices de Seguro nº 0033/331/2001/0000012/01 (fls. 599/619) e 0096/109/2001/0000069/01 (fls. 620/669), emitidas pela MAPFRE SEGUROS, e contratadas pela LUFT LOG ARM e TRANSP LTDA., CNPJ nº 01.506.086/000191, sediada na Alameda Mamoré, 535 Barueri/SP, vigentes de 30/11/2006 a 30/11/2007, nos valores respectivamente de R$ 725.771,82 e R$ 1.111.510,53, a cobrir os riscos ali designados de diversos estabelecimentos, entre os quais do estabelecimento em que sediada a FARMA LOGÍSTICA, Av. Piracema, 1065, Barueri/SP. No voto condutor da decisão a quo, constam as seguintes verificações a respeitos dos locais segurados e das apólices apresentadas: Confirmase no CNPJ e na Ficha Cadastral da JUCESP (fls. 1625/1631 e 1635/1642) que outros dos locais segurados seriam filiais da FARMA LOGÍSTICA Av. Tamboré, 1180 e Rod. Presidente Castelo Branco, 11100. Como tais seguros teriam sido contratados em conjunto com as demais empresas do Grupo Luft, e tendo sido discriminados nas apólices cada “Local de Risco”, sendo que cada um deles pertencia a uma determinada empresa do grupo, o valor do prêmio devido à seguradora teria sido rateado entre as empresas titulares dos estabelecimentos segurados. O valor do prêmio relativo ao seguro contra incêndio e outros teria sido rateado para a contribuinte no valor de R$ 260.567,09, pelo critério da proporcionalidade entre o valor da cobertura total da Apólice, conforme “Cláusula 3 – Valores em Risco” e a soma dos valores das coberturas de suas unidades, conforme demonstrado em planilha de fls. 319/320. Já o valor do prêmio relativo ao seguro de responsabilidade civil, por conta de a apólice estabelecer um valor máximo de cobertura, válido para todos os estabelecimentos segurados, teria sido utilizado como critério de rateio o valor médio das mercadorias armazenadas em cada uma das unidades, cabendo à fiscalizada suportar o valor de R$ 171.121,80, conforme demonstrado em planilha de fls. 320/321. No que diz respeito ao rateio de despesas entre empresas do mesmo grupo econômico, já houve diversas manifestações administrativas em que foram considerados relevantes, para a regular dedutibilidade dos gastos, a comprovação da despesa, a necessidade, normalidade e usualidade, e a demonstração de um critério de rateio razoável. Diante de tais requisitos, o entendimento do colegiado do órgão julgador a quo foi que "deve ser admitida a dedutibilidade das despesas com seguros dos armazéns, comprovadas pelos contratos apresentados, nos quais seus estabelecimentos são designados entre os locais de riscos abrangidos pela cobertura dos seguros; que se configuram como Fl. 5780DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Acórdão n.º 1402003.579 S1C4T2 Fl. 5.781 34 necessárias, normais e usuais à atividade empresarial, e é razoável o critério de rateio demonstrado. Verificase acertada a análise realizada quanto aos documentos apresentados com base nos critérios para a regular dedutibilidade das despesas contabilizadas na conta "Seguro de Armazém. Da glosa de despesas contabilizadas na conta "ALUGUEL DE ARMAZÉM" O contribuinte alegou que a glosa das despesas contabilizadas na conta “Aluguel de Armazém”, referemse a pagamentos efetuados à Jubran Engenharia S.A., CA Frare Adm,e Part. Ltda., Baltimore S.A., San Michele Emp. Comerciais Ltda. e Oscar Kuzniec, na qualidade de procurador dos locadores Felipe Wroblewski e Hilda Belia Frischmann Wroblewski. Foram apresentados juntamente com a impugnação (ANEXO 4 – fls. 540/576), os contratos de locação, em vigor na data da ocorrência dos fatos geradores em discussão, e os respectivos instrumentos de quitação, conforme designados abaixo: 1. contrato de locação celebrado, em 28/09/2005, entre JUBRAN ENGENHARIA S.A. (CNPJ nº 61.575.437/000148), C.A. FRARE ADM. E PART. LTDA. (CNPJ nº 80.178.023/000120) e BALTIMORE S.A. (CNPJ nº 80.805.450/000190), na qualidade de locadoras, e a autuada, na qualidade de locatária, de um armazém industrial, localizado na Avenida Piracema nº 1605, Barueri/SP (sede da empresa fiscalizada entre 25/10/2002 e 13/05/2008 – cf. Ficha Cadatral da JUCESP), pelo valor mensal de aluguel de R$ 163.200,00, com pagamento parcelado entre as locadoras; 2. termo de quitação e entrega das chaves do referido imóvel datado de 1º de abril de 2008; 3. contrato de locação celebrado, em 20/05/2005, entre SAN MICHELE EMP. COMERCIAIS LTDA. (CNPJ nº 04.640.541/000135), na qualidade de locadora, e a autuada, na qualidade de locatária, de um imóvel industrial, localizado na Rodovia Presidente Castelo Branco, 11370, Barueri/SP (filial da empresa fiscalizada, aberta 14/06/2005 – cf. Ficha Cadatral da JUCESP), pelo valor mensal de aluguel de R$ 261.134,37; 4. contrato de locação celebrado, em 29/04/2005, entre FELIPE WROBLEWSKI e cônjuge (CPF nº 003.632.60897), na qualidade de locadores, e a autuada, na qualidade de locatária, de um imóvel comercial, localizado na Alameda Araguaia, 3858 – Armazém 3, Centro Empresarial Tamboré, Barueri/SP (endereço não mencionado no CNPJ ou Ficha Cadastral), pelo valor mensal de aluguel de R$ 9.500,00, com um abono de R$ 500,00, durante os Fl. 5781DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Acórdão n.º 1402003.579 S1C4T2 Fl. 5.782 35 primeiros doze meses, pagos mediante depósito em conta corrente em favor de OSCAR KUZNIEC; 5. termo de quitação e entrega das chaves do referido imóvel datado de 1º de abril de 2008. Na decisão a quo houve o reconhecimento da contradição no procedimento adotado pela autoridade fiscal, de admitir, para fins de crédito de PIS e Cofins não cumulativo, os valores declarados nas DIMOB pela JUBRAN ENG. S.A. e SAN MICHELE EMP. COMERCIAIS LTDA, e não admitilos para fins de comprovação da despesa contabilizada, na apuração do IRPJ e da CSLL. Deuse razão ao contribuinte quando anota que eventual irregularidade dos locadores na apresentação de DIMOB não lhe pode ser imputada, desde que a despesa esteja regularmente comprovada, por documentação hábil. Diante disso, o Colegiado da turma julgadora a quo decidiu que "devem ser admitidas como dedutíveis as despesas com os aluguéis pagos a JUBRAN ENGENHARIA S.A. (CNPJ nº 61.575.437/000148), C.A. FRARE ADM. E PART. LTDA. (CNPJ nº 80.178.023/000120) e BALTIMORE S.A. (CNPJ nº 80.805.450/000190), assim como à SAN MICHELE EMP. COMERCIAIS LTDA. (CNPJ nº 04.640.541/000135). Entretanto, as despesas contabilizadas com base no contrato celebrado FELIPE WROBLEWSKI e cônjuge, e pagas a OSCAR KUZNIEC, não se encontram regularmente comprovadas, porque não comprovada a vinculação do imóvel objeto do contrato à atividade empresarial." Ocorrendo a apresentação de documentos hábeis a comprovar as referidas despesas e reconhecendo a contradição no procedimento fiscal, concordase com decido pelo acórdão de 1ª Instância. Fl. 5782DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Acórdão n.º 1402003.579 S1C4T2 Fl. 5.783 36 Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício, e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para restabelecer a dedução das despesas no montante de R$ 28.833.596,17, no anocalendário de 2007. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 5783DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.003249/2007-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.705
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Presidente
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo-Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra –Presidente (assinado digitalmente) Pedro Sousa BispoRelator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. RELATÓRIO Por bem relatar os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido com os devidos acréscimos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .0 03 24 9/ 20 07 -0 2 Fl. 2145DF CARF MF Processo nº 10850.003249/200702 Resolução nº 3402001.705 S3C4T2 Fl. 2.146 2 O presente processo administrativo foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta pela contribuinte por meio de seus representantes legais, conforme instrumento de mandato a fl. 071/072, em face do Despacho Decisório resultante da apreciação do Pedido de Restituição em papel e não numerado (fls. 003), protocolado em 26/12/2007, por meio do qual a contribuinte pretende ter restituído o valor total de R$ 2.280,67. A solicitante esclarece em seu pedido que se utilizou do formulário em papel devido à impossibilidade de se utilizar do programa PER/DCOMP (art. 3º, §1º, da IN SRF nº 600/2005), por este não possuir os campos adequados. Conforme informado pela contribuinte em seu pedido, o valor a ser restituído seria correspondente à compensação a maior de valor de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins por meio da Declaração de Compensação original (fls. 006/010) entregue em 14/02/2003 utilizando crédito oriundo de restituição solicitada no processo nº 13804.000950/200110, que teria sido indevidamente apurado a maior sob o fundamento de inconstitucionalidade da parcela da receita que não se enquadra no conceito de faturamento incluída na base de cálculo. A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto, que, em 15/04/2009, emitiu Despacho Decisório em papel (fls. 053/059), no qual a autoridade competente indeferiu o Pedido de Restituição, com base nos seguintes fundamentos: não confirmação da existência do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior e impossibilidade de considerar exclusão da base de cálculo além das expressamente previstas nas normas aplicáveis, apenas em face de inconstitucionalidade não ampliável à contribuinte. Cientificada do Despacho Decisório, em 30/04/2009 (fl. 060), a contribuinte ingressou, em 01/06/2009, com a manifestação de inconformidade de fls. 061/070 e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. 1. Preliminarmente pede a suspensão do presente processo até o julgamento do processo administrativo nº 13804.000950/200110, cujo objeto é a compensação que daria causa à presente restituição. Esclarece que aquele processo já teve o indeferimento proferido em Despacho Decisório, e que tal indeferimento foi parcialmente revertido em resultado de manifestação de inconformidade julgada por DRJ e atualmente encontrase pendente de julgamento de recurso apresentado ao CARF. Em face dessa pendência de decisão definitiva em relação àquele processo, cuja matéria seria prejudicial em relação à presente, é que a contribuinte solicita a suspensão do presente processo, com fundamento no art. 265, inciso IV, alínea a, do Código de Processo Civil. Acrescenta ainda que não poderia aguardar o desfecho daquele processo para apresentar novo pedido de restituição, em virtude do prazo decadencial para apresentação desse novo pedido, estabelecido pela Lei Complementar nº 118, que seria de cinco anos a partir da extinção do crédito tributário. 2. Quanto ao mérito, sustenta que o art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, ampliou significativamente a base de cálculo da contribuição de forma inconstitucional, ao prescrever que nela fosse considerada a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e não simplesmente seu faturamento, ofendendo frontalmente o art. 195, inciso I, da Constituição Federal, que se restringia somente ao faturamento, e o art. 110, do Código Tributário Nacional, que proíbe a alteração, pela lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal para definir ou limitar Fl. 2146DF CARF MF Processo nº 10850.003249/200702 Resolução nº 3402001.705 S3C4T2 Fl. 2.147 3 competências tributárias. Nesse sentido, referese à jurisprudência do STF, citando julgados, e à posição da 2ª instância administrativa, trazendo exemplos de decisões dessa instância, ressaltando em especial o entendimento daquele órgão de que a posição do STF nos recursos extraordinários deve ser aplicada pelas autoridades fazendárias em suas decisões. Argumenta, ainda, que a matéria já foi considerada pelo STF de repercussão geral e será objeto de sumula vinculante, conforme voto que transcreve. Em conseqüência, a base de cálculo da contribuição somente deveria incluir valores correspondentes ao faturamento. Portanto, no caso específico do presente processo, o débito total de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins apurado no período de Jjaneiro de 2003, no valor de R$ 5.775,19, conforme cópia da DCTF do 1ºT/2003 anexada aos autos, seria indevido o valor de R$ 2.280,67, que corresponde à parcela da contribuição calculada sobre receitas financeiras, conforme comprovado por cópias do balancete, do Livro Razão e de planilha de cálculos, o qual deve ser restituído. Conclui requerendo o acolhimento e provimento da presente manifestação de inconformidade, com o reconhecimento do direito da requerente à restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, informa que a matéria objeto da manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial e protesta prova o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos. Ato contínuo, a DRJRIBEIRÃO PRETO (SP) julgou a Manifestação de Inconformidade do Contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 PAF. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste a figura do sobrestamento do processo administrativo. O princípio da oficialidade obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis e somente pode afastar as normas declaradas inconstitucionais nos casos expressamente previstos no ordenamento jurídico. RESTITUIÇÃO. QUITAÇÃO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTO ESSENCIAL. A préexistência inequívoca de quitação líquida e certa é pressuposto essencial à restituição do valor eventualmente quitado indevidamente ou a maior e a ausência ou incerteza dessa quitação torna improcedente o pedido nela fundado. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado tem seu valor totalmente vinculado à quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. Fl. 2147DF CARF MF Processo nº 10850.003249/200702 Resolução nº 3402001.705 S3C4T2 Fl. 2.148 4 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Em seguida, devidamente notificada, a Empresa interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. No Recurso Voluntário, a Empresa suscitou as mesmas questões preliminares e de mérito, repetindo as argumentações apresentadas na manifestação de inconformidade. Este Colegiado, em sessão realizado no dia 21 de fevereiro de 2017, resolveu converter o julgamento em diligência por entender que o processo não se encontrava maduro para julgamento pois necessitava dos esclarecimentos quanto a natureza das receitas auferidas pela empresa, bem como que fosse informado quais delas deveriam ser excluídas da base de cálculo das contribuições por força do RE 585.235, julgado sob sistemática de Repercussão Geral. Cumprida a solicitação do Colegiado, o processo foi a mim distribuído por sorteio, tendo em vista que o Conselheiro Relator originário, (Carlos Daniel) neste ínterim, foi nomeado Conselheiro de outra Seção de julgamento do CARF. É o relatório. VOTO O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. A matéria aqui discutida é costumeira neste Colegiado, visto que todos aqueles que recolheram contribuições sociais ao PIS e a COFINS com a base de cálculo ampliada pelo §1º do artigo 3º da Lei nº 9718/98 passaram a ingressar administrativamente, dentro do interregno legal do direito à restituição, buscando reaver os valores pagos indevidamente. Visando comprovar o seu direito creditório, o contribuinte juntou ao seu Recurso Voluntário planilhas que indicam, supostamente, a existência de receitas financeiras na apuração da base de cálculo das contribuições sociais. Este Colegiado, em sessão realizado no dia 21 de fevereiro de 2017, resolveu converter o julgamento em diligência por entender que o processo não se encontrava maduro para julgamento pois necessitava dos esclarecimentos a seguir indicados: I) Que a DRF intime o contribuinte a apresentar os livros contábeis e a documentação fiscal necessária à identificação da natureza das receitas que compuseram a base de cálculo das contribuições sociais do período cuja restituição pleiteia o Recorrente. II) Após o recebimento e análise da documentação a ser entregue pelo Recorrente, a autoridade fiscalizadora deverá elaborar relatório Fl. 2148DF CARF MF Processo nº 10850.003249/200702 Resolução nº 3402001.705 S3C4T2 Fl. 2.149 5 discriminando a parcela da base de cálculo correspondente às receitas excluídas por força do Recurso Extraordinário RE 585.235, julgado sob sistemática de Repercussão Geral, calculando o valor do tributo correspondente. A DRF de origem analisou detalhadamente cada rubrica contábil reivindicada pela Recorrente que supostamente não comporia a base de cálculo das contribuições por força da declaração de inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9718/98. Em suma, concluiu que dentre todas as rubricas analisadas, as referentes as contas contábeis 37201.00002 – ENTRADA DE PEÇAS P/ ESTOQUE, 37201.00003 – VENDA INTERNA, 3620100014 – REMUNERAÇÃO S/ CONSÓRCIO, 37201.00006 – RECEITAS DE INVEST. EM CONSÓRCIO e 37201.00007 – OUTRAS RECEITAS deveriam compor o faturamento para efeito de incidência das contribuições. Em seguida, foram refeitos os cálculos do período em análise, com base no demonstrativo e registros contábeis que lhes foram apresentados, incluindo na base de cálculo todas as receitas operacionais e excluindo as receitas financeiras, estranhas ao conceito de faturamento, onde apurouse Cofins a pagar do período de apuração de janeiro/03 no valor de R$ 3.853,56, fls. 2013. Por fim, concluiu que houve compensação a maior no montante de R$ 1.921,63, fls.2.014 e 2.015, na comparação entre a Cofins a pagar apurada na diligência com a compensação apontada como pagamento a maior, no Pedido de Restituição em análise. No entanto, a Recorrente, em sua manifestação sobre os resultados da diligência fiscal, afirma que, por equívoco seu e da Fiscalização, não foram considerados na apuração da COFINS devida a dedução dos custos dos veículos usados vendidos (planilha de apuração de apuração da COFINS, fls. 2.013), nos termos da IN SRF nº247/2002. Informa, ainda, que os documentos contábeis comprovantes dos custos de veículos usados foram juntados anteriormente ao processo. Como se sabe, a determinação da receita tributável na venda de veículos usados adquiridos para revenda se dá pela diferença entre o valor de venda e o valor de aquisição, de acordo com os §§ 4º e 5º do art.10, da IN SRF nº247/02, in verbis: Art.10. As pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, observado o disposto no art. 9º, têm como base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins o valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas. (...) § 4º A pessoa jurídica que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores deve apurar o valor da base de cálculo nas operações de venda de veículos usados adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 5º Na determinação da base de cálculo de que trata o § 4º será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. Fl. 2149DF CARF MF Processo nº 10850.003249/200702 Resolução nº 3402001.705 S3C4T2 Fl. 2.150 6 Tendo em vista a legislação citada e uma vez que constam nos autos documentos que sugerem a existência do direito a dedução dos custos de veículos usados na apuração da COFINS devida, com reflexos no pedido de restituição ora analisado, entendo que há necessidade de conversão do processo em diligência para que a Autoridade Fiscal de origem confirme a procedência da dedução proposta na apuração da COFINS. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a Autoridade Fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto/SP) realize os seguintes procedimentos: I) Que a DRF analise a documentação contábil já juntada aos autos para verificar se é suficiente para comprovar os custos na aquisição de veículos usados revendidos. Caso a referida documentação não seja suficiente, intimar a empresa a apresentar outros elementos necessários a comprovação dos referidos custos. II) Após a análise da documentação, a Autoridade Fiscalizadora deverá elaborar relatório e refazer as planilhas constantes das fls.2013 a 2015, levando em consideração a dedução do custo na aquisição dos veículos usados revendidos, por ventura apurados; e III) Elaborado o relatório, devese dar ciência ao contribuinte para manifestação sobre o teor do relatório da diligência, retornando então o processo a este Colegiado para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 2150DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.725741/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2201-000.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do processo em diligência, determinando a retirada de pauta dos autos e que estes fiquem sobrestados no âmbito da própria 2ª Câmara, pelo tempo em que perdurar a determinação exarada pelo Supremo Tribunal Federal, em que o Ministro Dias Toffoli, nos autos do RE 855.091, decidiu "suspender o processamento de todos os procedimentos administrativos tributários da Secretaria Receita Federal do Brasil pendentes que tramitem no território nacional" que versem sobre "a incidência, ou não, de imposto de renda sobre os juros moratórios recebidos por pessoa física (tema 808 da Gestão por Temas da Repercussão Geral)", vencido o Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso (Relator), que entendeu que a determinação de suspensão não alcança valores recebidos administrativamente. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Redator designado
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do processo em diligência, determinando a retirada de pauta dos autos e que estes fiquem sobrestados no âmbito da própria 2ª Câmara, pelo tempo em que perdurar a determinação exarada pelo Supremo Tribunal Federal, em que o Ministro Dias Toffoli, nos autos do RE 855.091, decidiu "suspender o processamento de todos os procedimentos administrativos tributários da Secretaria Receita Federal do Brasil pendentes que tramitem no território nacional" que versem sobre "a incidência, ou não, de imposto de renda sobre os juros moratórios recebidos por pessoa física (tema 808 da Gestão por Temas da Repercussão Geral)", vencido o Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso (Relator), que entendeu que a determinação de suspensão não alcança valores recebidos administrativamente. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Redator designado (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). RELATÓRIO RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 25 74 1/ 20 09 -1 3 Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10580.725741/200913 Resolução nº 2201000.333 S2C2T1 Fl. 335 2 1 Tratase de Recurso Voluntário (fls. 141/225) interposto pelo contribuinte em face da decisão da DRJ/SDR questionando o auto de infração sobre IRPF ano calendário de 2004 a 2006 no valor total de R$ 70.714,60 de acordo com fls. 3/11. 2 – Adoto inicialmente como relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 131/138) por sua precisão: Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 70.714,60, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) o lançamento fiscal teve como objeto verbas recebidas pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não representaram qualquer acréscimo patrimonial, mas sim o ressarcimento por erro cometido pela fonte pagadora no cálculo da remuneração paga no período de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001; b) o referido erro ocorreu no procedimento de conversão de cruzeiro real para URV a que eram submetidos os salários pagos aos membros do Ministério Público Estadual. Tal procedimento tinha o intuito de preservar o ganho mensal, compensando as perdas em face dos altos índices de inflação, o que evidencia a feição indenizatória da URV; Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10580.725741/200913 Resolução nº 2201000.333 S2C2T1 Fl. 336 3 c) o acordo para o pagamento das diferenças de URV se deu através da Lei Estadual Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, tendo o impugnante recebido tais valores ao longo dos anos de 2004, 2005 e 2006; d) a referida diferença consistiu apenas em correção do capital, ou seja, recomposição de quantias que deveriam integrar a remuneração ao longo do tempo passado. Não correspondeu a qualquer permuta do trabalho/serviço por moeda que configurasse a natureza salarial. Assim, por ser mera atualização do principal, e por não ter sido implementada em tempo certo, não deveria ser levada à tributação, haja vista o entendimento doutrinário e jurisprudencial, que veda a tributação da correção monetária; e) a mera correção monetária não aumenta ou acresce patrimônio do contribuinte, apenas lhe torna indene das perdas inflacionárias, portanto, não integra a base de cálculo do imposto de renda; f) havia um evidente caráter compensatório da URV desde sua gênese, e as diferenças recebidas representaram uma reparação por danos, tendo clara natureza de indenização, e não de salário. Dessa maneira, por não caracterizar aumento patrimonial, a verba recebida não subsume nos conceitos de renda e proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; g) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo está isento da contribuição previdenciária e do imposto de renda; h) apesar da citada resolução ter sido dirigida à magistratura federal, é impositiva e legítima a equiparação do tema por analogia às verbas recebidas pelos magistrados estaduais, conforme preceitua o art. 108 do CTN. Negar o caráter indenizatório destas verbas é afrontar o princípio constitucional da isonomia, não só na sua concepção geral, mas, também, no que tange a tratamento diferenciado entre membros do Ministério Público Federal da União e Estadual. Viola, também, o disposto no inciso II do art. 150 da Constituição Federal que proíbe o tratamento desigual entre os contribuintes que se encontrem em situação equivalente; i) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do imposto ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga. Implementou todos os pagamentos sem qualquer retenção de IR e informou aos beneficiários dos rendimentos a natureza desta parcela como indenizatória; j) o sujeito passivo da obrigação de tributária, na condição de responsável, era a fonte pagadora, que estava obrigada a reter o imposto. Desta forma, a discussão acerca da classificação dos rendimentos pagos deveria ser travada entre o fisco federal e a fonte pagadora. Entretanto, não se instaurou qualquer procedimento fiscal contra a fonte pagadora, mas sim contra o impugnante, que sofreu os dissabores e ônus da ação fiscal, inclusive com a imposição de multa de ofício e juros moratórios.; Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10580.725741/200913 Resolução nº 2201000.333 S2C2T1 Fl. 337 4 l) de forma transversa o Estado Membro devedor da obrigação mensal de retenção não exauriu sua obrigação e gerou para o contribuinte o dever de pagar mais imposto; conseqüentemente o Estado se beneficia com os acréscimos que sua inação causou. Assim, ao lançar o tributo nos termos da autuação gera quebra da capacidade contributiva do signatário; m) o impugnante não agiu com intuito de fraude, simulação ou conluio, simplesmente seguiu a informação prestada pela fonte pagadora, e fez constar em suas declarações de rendimentos relativas aos períodos bases de 2004 a 2006 as parcelas recebidas como isentas de tributação. Isto posto, mantida a exigência fiscal, devese observar o princípio da boafé, da qual estava imbuído o impugnante, e afastar a exigência da multa de ofício e juros de mora; n) a informação prestada pela fonte pagadora estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Portanto, os valores declarados pelo impugnante tratase de informação lastreada em ato normativo expedido por autoridade administrativa, que se enquadra na hipótese do inciso I do art. 100 do CTN. Assim, de acordo com o parágrafo único do mesmo artigo, devem ser afastados a multa de ofício e os juros de mora; o) o lançamento fiscal tributou isoladamente os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar os rendimentos e deduções já declarados, conforme determina o art. 837 do RIR/1999. Caso fosse mantida a tributação das verbas recebidas, caberia sujeitálas ao ajuste anual, o que resultaria em um imposto devido menor; p) nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; q) parte dos valores recebidos a título de URV se referia à correção incidente sobre 13º salários e férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isentas, conseqüentemente, mesmo que prevalecesse o entendimento do órgão fiscalizador, caberia a exclusão de tais parcelas na apuração da base de cálculo sujeita ao lançamento fiscal; r) os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV representam um indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio. Assim, os juros de mora têm natureza distinta da originária do principal ao qual incidiu acessoriamente, porque não se constituíram em aquisição de disponibilidade de renda, produto do trabalho remunerado pelo Estado da Bahia; 4 A impugnação do contribuinte foi julgada improcedente de acordo com decisão da DRJ: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10580.725741/200913 Resolução nº 2201000.333 S2C2T1 Fl. 338 5 As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 5 Interposto recurso voluntário da decisão de primeira instância, na sessão de 08/06/2011 a extinta 2ª Turma da 1ª Câmara desse E. Sodalício deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei complementar baiana nº 20/2003 pagou as diferenças de URV aos Membros do Ministério Público local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2ª da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003. Recurso provido. 5 – Através do julgamento do Recurso Especial a C. 2ª Turma da CSRF deu provimento ao recurso especial da PGFN em decisão assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido. 06 – No dispositivo do V. Acórdão a 2ª Turma da CSRF assim decidiu: Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10580.725741/200913 Resolução nº 2201000.333 S2C2T1 Fl. 339 6 Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. 07 – Redistribuído os autos a esse Relator. É o relatório do necessário. VOTO VENCIDO Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 08 – Conheço do recurso. Os autos retornaram a esta C. Turma após redistribuição para análise e julgamento de outros pontos não enfrentados no Recurso Especial. Pela análise do V. Acórdão nº 9202003.585 houve o reconhecimento da natureza salarial, ou seja, remuneratória da correção da URV. 9 Existem preliminares de mérito suscitadas pelo contribuinte em tribuna que serão abordadas nesse momento. DA APLICAÇÃO DO TEMA 808 DO E. STF REPERCUSSÃO GERAL 10 Aduz o contribuinte a aplicação do tema 808 ao referido processo e portanto a suspensão no julgamento do presente caso com base na decisão do I. Ministro Dias Toffoli. 11 Sobre o tema 808 segue sua ementa que será julgado no RE 855091: Incidência de imposto de renda sobre juros de mora recebidos por pessoa física. 12 O I. Ministro Dias Toffoli ao despachar em 29/08/2018 petição do I. Ministério Público de Goiás petição nº 53.053/18 decidiu o seguinte, ocasião em que tal decisão pode ser acessada através do link:file:///C:/Users/29029823801/Downloads/texto_315088414%20(1).pdf, sem grifos no original: Decisão: Vistos. O Ministério Público do Estado de Goiás pugna por sua admissão no feito na qualidade de amicus curiae (petição nº 53.046/18). Requer também o seguinte (petição nº 53.053/18): “02. A suspensão, em caráter liminar, do curso de qualquer procedimento administrativo tributário que esteja em andamento na Receita Federal do Brasil, a respeito da matéria de fundo discutida no RE 855.091/RS (incidência ou não do imposto de renda sobre os juros Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10580.725741/200913 Resolução nº 2201000.333 S2C2T1 Fl. 340 7 de mora pelo atraso no pagamento de verba devida), até que seja definitivamente julgado o mencionado, nos termos do § 5º, do art. 1.035, do Código de Processo Civil; 03. Se vossa Excelência entender mais pertinente, que a suspensão requerida no item anterior abranja apenas os procedimentos administrativos tributários da Receita Federal do Brasil que tenham por objeto decisões administrativas proferidas antes da publicação do acórdão do STJ, relativo ao REsp 1.089.720/RS, que se deu em 28.11.2012, nas quais assegurado o direito de percepção de juros de mora sem a incidência do imposto de renda, independentemente da data do efetivo pagamento, justamento porque estavam amparadas em consolidado entendimento dos Tribunais Superiores, no sentido de que tais juros tinham mesmo o caráter indenizatório, o que impossibilitava a incidência do imposto de renda.” (...) omissis Ante o exposto: defiro o ingresso do Ministério Público do Estado de Goiás na qualidade de amicus curiae; determino, de ofício, nos termos do art. 1.035, § 5º, do CPC, a suspensão do processamento de todos os processos judiciais pendentes, individuais ou coletivos, que tramitem no território nacional e versem sobre a incidência, ou não, de imposto de renda sobre os juros moratórios recebidos por pessoa física (tema 808 da Gestão por Temas da Repercussão Geral do Poder do STF na internet); defiro, com base no poder geral de cautela, o pedido formulado na petição nº 53.053/18, a fim de também suspender o processamento de todos os procedimentos administrativos tributários da Secretaria Receita Federal do Brasil pendentes que tramitem no território nacional e versem sobre a mesma matéria indicada no item 2) desta decisão, até ulterior ordem; 13 Esse acima foi a decisão que determinou a suspensão dos processos no âmbito tanto judicial quanto administrativo, contudo, verifico que o caso não é aplicável ao presente, pois analisando os termos do próprio parecer da PGR no RE 855091 que tratou desse assunto, o membro do Ministério Público Federal é cirúrgico ao delimitar a matéria que está sendo discutida naqueles autos, vejamos, tal parecer pode ser obtido no link file:///C:/Users/29029823801/Downloads/texto_310552928.pdf, sem grifos no original: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. CONDENAÇÃO TRABALHISTA. JUROS MORATÓRIOS. IMPOSTO SOBRE A RENDA. PESSOA FÍSICA. CARÁTER INDENIZATÓRIO. 1 – Tema de Repercussão Geral – Tema 808: Incide imposto de renda sobre os juros moratórios decorrentes do atraso no pagamento das verbas remuneratórias pelo empregador, no âmbito de condenação trabalhista, por constituírem efetivo acréscimo patrimonial. 2 – Parecer pelo provimento do recurso extraordinário Tratase de recurso extraordinário interposto pela União, cuja repercussão geral foi reconhecida quanto à incidência do imposto de renda sobre valores correspondentes a juros de mora auferidos por pessoa física em Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10580.725741/200913 Resolução nº 2201000.333 S2C2T1 Fl. 341 8 condenação trabalhista. Na origem, o recorrido propôs ação de repetição de indébito contra a União em razão da retenção aos cofres federais, a título de recolhimento do imposto de renda retido na fonte, de valores atinentes aos juros de mora incidentes sobre o valor da condenação paga por seu órgão empregador em reclamação trabalhista previamente ajuizada. 14 Entendo que o próprio parecer da Procuradoria Geral da República acima indicado nos autos do RE 855091 delimita a matéria objeto de suspensão decidida pelo I Ministro Dias Toffoli, não sendo aplicável ao presente caso pois estamos diante de caso diverso, por mais que a ementa do Tema 808 descrito tenha sido descrito de forma genérica o assunto. 15 No caso concreto estamos diante de lançamento que reclassificou a natureza jurídica de valores recebidos a título de indenização concedidos diretamente pelo Ministério Público da Bahia, em decorrência de legislação estadual, ou seja, não estamos diante de verbas devidas a título de condenação judicial imposta ao Ministério Público, mas de Lei Estadual, cuja matéria já decidida pela CSRF reconheceu a natureza remuneratória de tais valores, pagos via administrativa aos servidores desses órgãos com base em Lei Estadual e não condenação judicial. 16 Portanto, em vista do exposto acima e da delimitação da matéria que foi objeto da Repercussão Geral no STF, entendo que deve ser afasta a preliminar de suspensão do processo com base na decisão do E. STF sobre o tema 808 e o processo julgado quanto as demais matérias por essa C. Turma. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso VOTO VENCEDOR Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Redator designado Em que pese a pertinência das razões e dos fundamentos legais que amparam o entendimento do Ilustre Relator, que considera a lide administrativa instaurada nos autos apta ao julgamento por este Colegiado administrativo, com a devida vênia, ouso divergir de suas conclusões, nos termos da fundamentação abaixo. Notase que, em item específico da peça recursal, o autuado insurgese contra a incidência de tributação sobre valores de juros que compõem parte do montante recebido. Embora os argumentos recursais possam evidenciar uma aparente confusão entre institutos, é certo que seu objeto foi bem delimitado no voto condutor do Acórdão 2201 003.749, de 06 de julho de 2017, acatado pela unanimidade dos membros desta 1ª Turma Ordinária, nos seguintes termos: Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10580.725741/200913 Resolução nº 2201000.333 S2C2T1 Fl. 342 9 “Neste tópico, embora a peça recursal apresente alguma impropriedade por misturar seus argumentos com os do tema anterior, fica evidente que a insurgência do contribuinte decorre do seu entendimento de que os valores recebidos que correspondam a juros e a atualização monetária sobre as diferenças da conversão da URV não deveriam sofrer tributação, em razão de sua natureza indenizatória, não constituindo acréscimo patrimonial. Considerando que, nos termos do art. 144 do CTN, o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, não merece reparos a decisão recorrida, que fundamentou o indeferimento do pleito no texto então vigente do art. 12 da Lei 7.713/88, o qual previa expressamente que, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária. Portanto, nego provimento ao Recurso neste tema.” Assim, resta claro que, no presente processo, discutese a incidência do imposto sobre a renda sobre valores recebidos a título de juros compensatórios recebidos por pessoa física. No julgamento da celeuma tratada pelo citado Acórdão 2201003.749, a decisão deste Colegiado foi pela negativa de provimento, em razão de previsão legal expressa com vigência na data da ocorrência do fato gerador. Não obstante, fato superveniente aponta para a necessidade de que, pelo menos por ora, outro caminho seja trilhado por esta Corte, já que, a partir de demanda formulada, junto ao Supremo Tribunal Federal, pelo Ministério Público do Estado de Goiás, admitido na qualidade de amicus curiae nos autos o RE 855.091/RS, restou determinada, pelo Exmo Sr. Ministro Dias Toffoli, a suspensão nacional dos processos judiciais e administrativos que versem sobre a incidência de imposto de renda sobre juros de mora recebido pela pessoa física, nos seguintes termos: “(...)2) determino, de ofício, nos termos do art. 1.035, § 5º, do CPC, suspensão do processamento de todos os processos judiciais pendentes, individuais ou coletivos, que tramitem no território nacional e versem sobre a incidência, ou não, de imposto de renda sobre os juros moratórios recebidos por pessoa física (tema 808 da Gestão por Temas da Repercussão Geral do Poder do STF na internet); 3) defiro, com base no poder geral de cautela, o pedido formulado na petição nº 53.053/18, a fim de também suspender o processamento de todos os procedimentos administrativos tributários da Secretaria Receita Federal do Brasil pendentes que tramitem no território nacional e versem sobre a mesma matéria indicada no item 2) desta decisão, até ulterior ordem; 4) defiro os pedidos constantes das petições nºs 53.066/18 e 53.163/18. Consigno que não corre a prescrição dos créditos tributários discutidos nos aludidos processos judiciais e procedimentos administrativos tributários durante o período da suspensão. Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10580.725741/200913 Resolução nº 2201000.333 S2C2T1 Fl. 343 10 (...)”Ainda que, a partir do objeto do processo piloto em que se assenta o citado Tema 808 da Gestão por Temas da Repercussão Geral do STF, em uma avaliação mais apressada, seja possível compreender que a determinação de suspensão alcança apenas valores trabalhistas recebidos pela via judicial, há de se analisar a questão de forma mais abrangente, em particular em razão de que o próprio Código de Processo Civil, lei 13.105/2015, assim estabelece: Art. 1.035. O Supremo Tribunal Federal, em decisão irrecorrível, não conhecerá do recurso extraordinário quando a questão constitucional nele versada não tiver repercussão geral, nos termos deste artigo. § 1o Para efeito de repercussão geral, será considerada a existência ou não de questões relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico que ultrapassem os interesses subjetivos do processo. Como se vê, o reconhecimento de repercussão geral pressupõe a existência de questões relevantes que ultrapassem os interesses subjetivos do processo. Como bem pontuou o Ministério Público de Goiás na Petição nº 53.053/18, que resultou na Decisão do Ministro Dias Toffoli supracitada, a matéria de fundo que se discute no RE 855.091/RS é a incidência ou não de imposto de renda sobre juros de mora pelo atraso de pagamento de verba devida, estando absolutamente clara a definição do Tema 808 Incidência de imposto de renda sobre juros de mora recebidos por pessoa física. Notase que o próprio Ministério Público de Goiás, beneficiário primário da ordem de suspensão exarada pelo Ministro Dias Toffoli, questiona a não incidência de tributação sobre valores recebidos administrativamente, a título de juros de mora, relacionado a pagamento retroativo de Parcela Autônoma de Equivalência (PAE), amoldandose de forma inequívoca com a situação discutida no presente processo administrativo. Não reconhecer que o presente processo esteja alcançado pela determinação de suspensão do STF, simplesmente com amparo na interpretação de que apenas os valores dos juros compensatórios, incidentes sobre verbas trabalhistas, recebidos judicialmente deveriam estar suspensos, s.m.j, resultaria em uma afronta à determinação do STF, além de evidenciar uma impensável definição da natureza de um rendimento a partir de sua fonte pagadora, em descompasso com os termos do próprio Código Tributário Nacional, que, no § 1º do seu art. 43, estabelece que a incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. Por fim, há de se ressaltar que a interpretação que limita o alcance do Tema 808 apenas aos valores de juros compensatórios recebidos ações trabalhistas não se mostra razoável, já que esta matéria foi especificamente decidida pelo Superior Tribunal de Justiça, nos autos do Resp. nº 1.089.720/RS, que permanece vinculante, e que afastou a incidência do imposto sobre a renda sobre os juros de mora relacionado às verbas principais pagas no contexto de rescisão de contrato de trabalho em reclamatória trabalhista. Por todo o exposto, em sede preliminar, voto pela conversão do julgamento em diligência, determinando a retirada de pauta dos autos e que estes fiquem sobrestados no âmbito da própria 2ª Câmara, pelo tempo em que perdurar a determinação exarada pelo Supremo Tribunal Federal, em que o Ministro Dias Toffoli, nos autos do RE 855.091, decidiu Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10580.725741/200913 Resolução nº 2201000.333 S2C2T1 Fl. 344 11 "suspender o processamento de todos os procedimentos administrativos tributários da Secretaria Receita Federal do Brasil pendentes que tramitem no território nacional" que versem sobre "a incidência, ou não, de imposto de renda sobre os juros moratórios recebidos por pessoa física(tema 808 da Gestão por Temas da Repercussão Geral)". (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 348DF CARF MF
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