Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,275)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,621)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,034)
- Primeira Turma Ordinária (15,998)
- Primeira Turma Ordinária (15,960)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,348)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,399)
- Quarta Câmara (84,588)
- Terceira Câmara (66,999)
- Segunda Câmara (55,305)
- Primeira Câmara (19,845)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,258)
- 1ª SEÇÃO (6,816)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (123,995)
- Segunda Seção de Julgamen (114,032)
- Primeira Seção de Julgame (76,215)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,956)
- Câmara Superior de Recurs (37,845)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,019)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,619)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,373)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,717)
- HELCIO LAFETA REIS (3,595)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,216)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,679)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,468)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10945.900428/2008-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO CONSTANTES NA IMPUGNAÇÃO/MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.
Matéria que não tenha sido indicada ao debate via impugnação ou manifestação de inconformidade, excetuada a de ordem pública, representa inovação recursal e considera-se preclusa, não se admitindo apreciação em grau de recurso, nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72. Verifica-se a preclusão consumativa, com efeitos que incluem a preservação das instâncias do processo administrativo fiscal, evitando-se a supressão de alguma destas.
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO CONTESTADO JUDICIALMENTE.
É vedada a compensação tributária de débitos com direito creditório objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão judicial por falta de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1002-000.584
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO CONSTANTES NA IMPUGNAÇÃO/MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Matéria que não tenha sido indicada ao debate via impugnação ou manifestação de inconformidade, excetuada a de ordem pública, representa inovação recursal e considera-se preclusa, não se admitindo apreciação em grau de recurso, nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72. Verifica-se a preclusão consumativa, com efeitos que incluem a preservação das instâncias do processo administrativo fiscal, evitando-se a supressão de alguma destas. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO CONTESTADO JUDICIALMENTE. É vedada a compensação tributária de débitos com direito creditório objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão judicial por falta de liquidez e certeza.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10945.900428/2008-11
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5960998
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Feb 09 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1002-000.584
nome_arquivo_s : Decisao_10945900428200811.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10945900428200811_5960998.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
id : 7604485
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:37:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418837909504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1691; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 63 1 62 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10945.900428/200811 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.584 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 17 de janeiro de 2019 Matéria PER/DCOMP Recorrente UNIMED DE FOZ DO IGUACU COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO CONSTANTES NA IMPUGNAÇÃO/MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Matéria que não tenha sido indicada ao debate via impugnação ou manifestação de inconformidade, excetuada a de ordem pública, representa inovação recursal e considerase preclusa, não se admitindo apreciação em grau de recurso, nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72. Verificase a preclusão consumativa, com efeitos que incluem a preservação das instâncias do processo administrativo fiscal, evitandose a supressão de alguma destas. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO CONTESTADO JUDICIALMENTE. É vedada a compensação tributária de débitos com direito creditório objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão judicial por falta de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 04 28 /2 00 8- 11 Fl. 63DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 55 à 61) interposto contra o Acórdão n° 0625.597, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (efls. 44 à 47), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo não homologação da compensação pretendida. Por representar acurácia na análise dos fatos, faço uso do Relatório do Acórdão a quo: Por meio da Declaração de Compensação Dcomp de fl. 1 e ss., o interessado compensou crédito próprio relativo a saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica apurado no exercício 2006, anocalendário de 2005, com débito também próprio administrado por esta Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. Em Despacho Decisório proferido em 24 de abril de 2008 (fl. 10), do qual o contribuinte foi cientificado em 5 de maio daquele mesmo ano (fl. 36), a Delegacia da Receita Federal do Brasil DRF em Foz do Iguaçu/PR não homologou a compensação objeto da Dcomp em tela, sob o argumento de que o saldo negativo de IRPJ informado não correspondia ao registrado na respectiva DIPJ. Por sua vez, o interessado apresentou, em 16 de maio de 2008, a manifestação de inconformidade de fl. 14. Nesse documento, sustenta que o crédito se refere a saldo negativo de IRPJ originado de retenções sobre rendimentos de aplicações em fundos de renda fixa, o que, uma vez que tais valores não foram utilizados dentro do períodobase, lhe dá o direito a compensação, conforme prevê a legislação que cita. Dessa forma, requer cancelamento da exigência. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10945.900428/200811 Acórdão n.º 1002000.584 S1C0T2 Fl. 64 3 Em virtude do poder de síntese manifestado em Recurso Voluntário, transcrevo suas razões de mérito: Conforme se depreende do Ato Declaratório SRF n°. 003, de 07/01/2000, os saldos negativos do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou contribuição social sobre o lucro líquido devido a partir de janeiro do anocalendário subseqüente ao ato encerrado do período de apuração. (...) No caso sob análise, a ora recorrente vem realizando o depósito judicial do valor que a receita entende devido a título de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica. Por essa razão necessária se mostra a análise da legislação sobre o tema. Vejamos: (...) Uma vez ausente caso análogo, bem como, não se aplicando ao caso sob análise nenhum principio geral de direito tributário, utilizase para a solução da controvérsia os princípios gerais de Direito Público, especialmente os princípios da finalidade e da razoabilidade.Uma vez ausente caso análogo, bem como, não se aplicando ao caso sob análise nenhum principio geral de direito tributário, utiliza~se para a solução da controvérsia os princípios gerais de Direito Público, especialmente os princípios da finalidade e da razoabilidade. (...) Assim, facilmente podese concluir que e possível o aproveitamento dos valores depositados em juízo a maior, referente a um período, para suspender a exigibilidade de créditos tributários de períodos subseqüentes, ou até mesmo de períodos anteriores, conforme determina a legislação vigente. (...) Portanto, podese concluir que havendo depósito excessivo, este poderá ser utilizado para a suspensão de outro crédito até seu valor, desde que corresponda ao mesmo contribuinte. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos e intrínsecos. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23 Fl. 65DF CARF MF 4 B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, opino por seu conhecimento. Da impugnação ao crédito No entanto, quanto à compensação pretendida, não assiste razão ao Recorrente. Alega o Contribuinte possuir crédito contra a Administração Tributária, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal, para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo Contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. No entanto, o Recorrente não adimpliu tal mister documental. Portanto, assiste razão o Acórdão a quo, o qual analisou com louvável detalhamento o pleito do Recorrente, pelo que transcrevo suas passagens relevantes, utilizando destas como fundamento para a presente decisão, em homenagem ao §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999, e no § 3° do artigo 57 do Anexo II do RICARF: No caso aqui tratado, o contribuinte informou, por meio da Dcomp antes citada, a utilização de crédito em seu nome relativo a saldo negativo de IRPJ apurado no encerramento do ano calendário de 2005. Inicialmente, devese lembrar que a apuração de saldo negativo de IRPJ pode ocorrer na hipótese do contribuinte ser optante pelo lucro real. Para sua formação, no caso de optantes pelo lucro real anual, situação do contribuinte em questão, o valor desse imposto calculado sobre o lucro obtido no anocalendário sofre diversas deduções, entre elas a das retenções de imposto de renda efetuadas pelas suas fontes pagadoras c a do imposto de renda extinto por estimativa, operação que resulta em apuração de saldo negativo ou saldo de imposto a pagar. Adentrandose ao caso tratado nestes autos, no cotejo entre as DIPJ apresentadas pelo contribuinte, ambas processadas e liberadas sem retenção em malha fiscal, verificase que, em sua DIPJ 2005 retificadora, o interessado informou o mesmo Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10945.900428/200811 Acórdão n.º 1002000.584 S1C0T2 Fl. 65 5 resultado registrado em sua declaração original, utilizando, dessa última vez, as Linhas I3 e l7 da Ficha l2A, as quais deixaram de ser preenchidas na DIPJ original e ocasionaram a inexistência de apuração de saldo negativo (fls. 23 a 25). Porem, ainda que a tal retificação tenha sido realizada após a ciência do Despacho Decisório em questão, Dcomp e DIPJ permaneceram incongruentes no que se refere ao saldo negativo de IRPJ apurado no período. Na Dcomp apresentada somente foram indicadas as retenções de IR na fonte que perfazem o valor registrado na DIPJ, qual seja, R$255.454,84, deixando de ser informados os valores relativos às estimativas formadoras do saldo negativo. Já na DIPJ, o saldo negativo apurado foi demonstrado da seguinte forma: Dessa forma, facilmente se verifica que a Dcomp em questão demonstrou apenas parcialmente a apuração registrada da DIPJ, porém, em nada a contrariando. Dessa forma, adotando procedimento que, com base em documentos por ele mesmo fornecidos ao Fisco, apenas complementa as informações fornecidas pelo litigante em sua Dcomp, tomamos por base a DIPJ retificadora apresentada pelo interessado. Assim, no intuito único de verificar a existência do crédito utilizado na compensação, passamos a aferir a veracidade dos dados utilizados pelo contribuinte na apuração de saldo negativo de IRPJ relativo ao exercício 2006. Quanto ao Imposto de Renda Retido na Fonte z IRRF declarado pelo contribuinte, a consulta às Dirf apresentadas pelas fontes pagadoras confirmou totalmente as informações fornecidas, conforme relatórios acostadas aos autos ã fl. 26. Desse modo, reputase como corretas as informações prestadas pelo litigante com relação a esses contribuintes. Todavia, com relação às estimativas há que se ressaltar que o total informado pelo interessado em DIPJ, ainda que mensalmente os valores não coincidam, foi objeto de depósito judicial vinculado aos autos de n. 2005.70.0 2.0025750. Por meio das consultas de fls. 29 a 34, verificase que, até a presente data, tal ação judicial não transitou em julgado, motivo pelo qual os depósitos judiciais não foram transformados em pagamento definitivo e, por conseqüência, não extinguiram os respectivos débitos. Cabe aqui, em aparte, lembrar que os depósitos judiciais, a teor do que prevê o art. 151, inciso Il, do CTN, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. Por sua vez, o art. 170 desse mesmo CTN, ao inserir a figura da compensação no ordenamento jurídico brasileiro, definiu que somente podem ser Fl. 67DF CARF MF 6 utilizados em compensação créditos líquidos e certos perante a Fazenda Nacional. Vale aqui destacar que o CTN traz a previsão de mais alta hierarquia do ordenamento jurídico pátrio, não se podendo alegar em seu desfavor qualquer disposição hierarquieamente inferior. No caso em comento, uma vez que a ação judicial antes mencionada não teve seu trânsito em julgado, nenhuma certeza ou liquidez paira sobre os valores depositados em conta vinculada a esse processo, até mesmo porque, caso seja a Fazenda derrotada nessa disputa, esses valores serão levantados em favor do interessado. Também por esse motivo, não poderiam ser esses depósitos judiciais reconhecidos como crédito perante a Fazenda Nacional e, assim, restituídos ao litigante ou utilizados em compensações, como no caso do presente processo; em resumo, podese afirmar que valores não extintos não perfazem crédito do interessado perante a Fazenda Nacional, não podendo, desse modo, ser objeto de restituição ou compensação. Pelo exposto, há que se considerar totalmente plausível a previsão estampada em nosso Código Tributário. Assim, uma vez que não há valores de estimativa que possam compor crédito de saldo negativo de IRPJ relativo ao exercício 2006, fica a apuração, para fins de compensação, reduzida aos seguintes termos: Ante todo o exposto, demonstrado não haver crédito de saldo negativo de IRPJ relativo ao exercício 2006 passível de reconhecimento, VOTO por se considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, mantendo a não homologação da compensação objeto do Despacho Decisório contestado. No que cinge à compensação dos créditos decorrentes de depósitos judiciais, o Recorrente aduz que: 13. Neste sentido, tanto os valores de depósito efetuados a maior relativos às estimativas mensais podem ser utilizados para suspensão de estimativas posteriores quando os saldos de depósito de ano anterior podem ser aproveitados para suspender a exigibilidade de estimativas dos meses seguintes, desde que o depósito corresponda ao montante integral do credito tributário. 14. Entendimento diverso seria criar desproposital embaraço ao depósito judicial, que foi instituído para garantir tanto o contribuinte, que elide a exigência do crédito tributário, quanto a Fazenda, que ao restar vencedora, tem quitado os valores discutidos. 15. Portanto, podese concluir que havendo depósito excessivo, este poderá ser utilizado para a suspensão de outro crédito até seu valor, desde que corresponda ao mesmo contribuinte. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10945.900428/200811 Acórdão n.º 1002000.584 S1C0T2 Fl. 66 7 16. Desta forma, deve ser revista a decisão de primeiro grau, que desconsiderou os princípios gerais de direito público e autuou a Cooperativa ora recorrente. No entanto, este c. CARF tem entendimento consolidado no sentido da impossibilidade de utilização de créditos de depósitos judiciais, decorrentes de ações sem trânsito em julgado favorável ao Contribuinte (vide Acórdãos 1301002.840, 3001000.023 e 3301003.452). Assevero que, neste mister, não restou comprovado o deslinde final do processo judicial aduzido no Recurso Voluntário, de modo que, por consectário lógico, ficam afastadas a liquidez e certeza dos créditos pleiteados, nos termos demandados pelo art. 74 da Lei n° 9.430/96 e art. 170 do CTN. Aliás, em rápida consulta ao sítio eletrônico do TRF da 4ª Região foi possível constatar que os pagamentos quedaram convertidos em renda em favor da União, o que evidencia o insucesso da ação manejada pelo Recorrente. Por fim, esta Turma Extraordinária já firmou entendimento que não cumpre ao Julgador proceder com uma análise contábil ou de auditoria nos pleitos efetuados pelo Recorrente, de modo que este deve apresentar seu direito de forma clara, objetiva e precisa. Para tanto, cito o precedente o i. Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, no Acórdão n° 1002000.405, de 13/09/2018: O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação com a extinção do crédito tributário que o próprio contribuinte confessa e indica para ser objeto da quitação via compensação. No caso dos autos, a Administração Tributária não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o pagamento indevido ou a maior, negando a restituição, vale dizer, por não reconhecer o crédito. Para a análise que foi efetivada não se comprovou crédito líquido e certo, incontroverso, inclusive sendo apontada a alocação do DARF para extinção de débitos próprios do sujeito passivo. Logo, se havia alocação do DARF, assistiu razão ao conteúdo do despacho decisório, pelo que, quando a DRJ atestou correção naquele ato administrativo, agiu corretamente a primeira instância ao efetivar o controle de legalidade, não havendo razões para reformar o decisum vergastado. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito vindicado com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração da sua efetiva alocação, de modo a não restar saldo residual como pretendido para restituição. Por isso, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância. A despeito das alegações do contribuinte quanto a retificação e a alegada surgência do crédito a partir da retificadora, ao meu ver não se desincumbiu o sujeito passivo de demonstrar a contento o referido crédito, isto porque, com os Fl. 69DF CARF MF 8 elementos que constam dos autos, inexiste qualquer materialidade probatória para que se possa dar certeza e liquidez ao apontado crédito. Não houve a demonstração cabal de elementos documentais, de prova da escrita contábil e fiscal, que possibilitem efetivar de forma inconteste e transparente a respectiva comprovação, inclusive para justificar e validar a retificação invocada. E mais, não caberia ao julgador, em segunda instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventuais provas documentais não poderia ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e fundamentação, a fim de demonstrar o fato jurídico a ser provado. Ressaltese, neste aspecto, que existindo controvérsia quanto ao crédito a demonstração de sua efetiva existência, inclusive com a prova da escrituração contábil e fiscal, integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte. Dessa forma, não cumpre ao presente Relator, sequer a este Colegiado, na condição de instância recursal, suprir o ônus do contribuinte, realizando uma verdadeira auditoria nos livros contábeis, que sequer foram apresentados, para, em substituição ao seu ônus, comprovar a certeza de liquidez do crédito perseguido no seu exclusivo interesse. Nesse sentido: Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Relator: Orlando Rutigliani Berri – Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Saliente se que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10945.900428/200811 Acórdão n.º 1002000.584 S1C0T2 Fl. 67 9 manutenção do julgamento da DRJ por não merecer quaisquer reparos. Dispositivo Ante o exposto, voto para conhecer do Recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. É como Voto. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10945.015078/2003-73
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1998 a 30/11/1998
COFINS. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO E DECLARAÇÃO PRÉVIA DO DÉBITO. CINCO ANOS, CONTADOS DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO.
Conforme jurisprudência vinculante do STJ (REsp nº 993.164/MG, julgado na sistemática do art 543-C do antigo CPC - Recursos Repetitivos), para tributos sujeitos ao lançamento por homologação, na ausência de pagamento antecipado e prévia declaração do débito, não se aplica a regra de contagem do art. 150, § 4º do CTN (cinco anos do fato gerador), mas sim a do art. 173, I (cinco anos, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado).
Numero da decisão: 9303-007.820
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1998 a 30/11/1998 COFINS. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO E DECLARAÇÃO PRÉVIA DO DÉBITO. CINCO ANOS, CONTADOS DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. Conforme jurisprudência vinculante do STJ (REsp nº 993.164/MG, julgado na sistemática do art 543-C do antigo CPC - Recursos Repetitivos), para tributos sujeitos ao lançamento por homologação, na ausência de pagamento antecipado e prévia declaração do débito, não se aplica a regra de contagem do art. 150, § 4º do CTN (cinco anos do fato gerador), mas sim a do art. 173, I (cinco anos, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado).
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10945.015078/2003-73
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5961593
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-007.820
nome_arquivo_s : Decisao_10945015078200373.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10945015078200373_5961593.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7607479
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:37:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418869366784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1771; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 744 1 743 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10945.015078/200373 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303007.820 – 3ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2018 Matéria Cofins Decadência Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado AEI ENSINO SUPERIOR DE IGUAÇU S/S LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1998 a 30/11/1998 COFINS. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO E DECLARAÇÃO PRÉVIA DO DÉBITO. CINCO ANOS, CONTADOS DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. Conforme jurisprudência vinculante do STJ (REsp nº 993.164/MG, julgado na sistemática do art 543C do antigo CPC Recursos Repetitivos), para tributos sujeitos ao lançamento por homologação, na ausência de pagamento antecipado e prévia declaração do débito, não se aplica a regra de contagem do art. 150, § 4º do CTN (cinco anos do fato gerador), mas sim a do art. 173, I (cinco anos, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 01 50 78 /2 00 3- 73 Fl. 744DF CARF MF Processo nº 10945.015078/200373 Acórdão n.º 9303007.820 CSRFT3 Fl. 745 2 Tratase de Recursos Especiais de Divergência, interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 514 a 529) e pelo contribuinte (fls. 564 a 590), contra o Acórdão 10323.641, proferido pela Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 501 a 509), sob a seguinte ementa, no que interessa à discussão: COFINS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Independentemente de haver ou não pagamento, excetuandose os casos de dolo, fraude ou simulação, a Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade de lançamento por homologação. No seu Recurso Especial – ao qual, após alguns trâmites, foi dado seguimento (fls. 534 a 537) –, a PGFN contesta o reconhecimento da decadência para os períodos de apuração de janeiro a novembro de 1998 (a ciência do Auto de Infração deuse em 30/12/2003 – AR às fls. 289), pois, não tendo havido pagamento antecipado, não seria aplicável, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a regra de contagem do prazo decadencial do art. 150, § 4º, do CTN (cinco anos do fato gerador), mas sim a do art. 173, I (cinco anos, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). O contribuinte apresentou Contrarrazões (fls. 543 a 550). Ao seu Recurso Especial, não foi dado seguimento, em Exame (fls. 706 a 710) e Reexame (fls. 711) de Admissibilidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Preenchidos todos os requisitos e respeitadas as formalidades regimentais, conheço do recurso Especial da Fazenda Nacional. No mérito, a discussão cingese à contagem do prazo decadencial para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como é o caso da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF, a teor do art. 62, § 2º, do RICARF, pois há decisão vinculante do STJ, em Acórdão submetido ao regime do art. 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no julgamento do REsp nº 973.733/SC, cuja Ementa transcrevo parcialmente a seguir: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O Fl. 745DF CARF MF Processo nº 10945.015078/200373 Acórdão n.º 9303007.820 CSRFT3 Fl. 746 3 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção ...) (REsp nº 973.733/SC, Relator Min. Luiz Fux, Dje: 18/09/2009) Existe inclusive Súmula do mesmo STJ a respeito: Súmula 555: Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Para a solução do litígio, resta então unicamente saber o que efetivamente ocorreu no caso concreto, no que se refere (i) ao pagamento antecipado e (ii) à prévia declaração do débito. Não houve o pagamento antecipado e nem declaração com efeitos de confissão de dívida (o que dispensaria o lançamento), pois o contribuinte entendia que era imune à contribuição no período de interesse (conforme se vê na DIPJ/1999, às fls. 154 a 181), e esta imunidade foi suspensa pelos Atos Declaratórios Executivos da DRF/Foz do Iguaçu nos 65 e 66/2003 (fls. 031 e 034), com efeitos de 01/01/1997 a 31/12/2002. Como a ciência do Auto de Infração deuse, como já dito, por via postal, em 30 de dezembro de 2003 (AR às fls. 289), dentro dos cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado – regra do art. 173, I, do CTN, não estão albergados pela decadência os períodos de apuração de janeiro a novembro de 1998. À vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 746DF CARF MF Processo nº 10945.015078/200373 Acórdão n.º 9303007.820 CSRFT3 Fl. 747 4 Fl. 747DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.914882/2009-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO.
Cabe ao sujeito passivo a comprovação, por meio do documentação hábil e idônea, de seu direito creditório reclamado.
Numero da decisão: 2402-006.924
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta de conversão do julgamento em diligência, sendo vencidos os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima (autor da proposta) e Gregório Rechmann Junior, e, também por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Gregório Rechmann Junior que deu provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. Cabe ao sujeito passivo a comprovação, por meio do documentação hábil e idônea, de seu direito creditório reclamado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.914882/2009-24
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5967474
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2402-006.924
nome_arquivo_s : Decisao_10880914882200924.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
nome_arquivo_pdf_s : 10880914882200924_5967474.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta de conversão do julgamento em diligência, sendo vencidos os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima (autor da proposta) e Gregório Rechmann Junior, e, também por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Gregório Rechmann Junior que deu provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
id : 7629332
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418929135616
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1536; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 200 1 199 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.914882/200924 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.924 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de fevereiro de 2019 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente DOW BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. Cabe ao sujeito passivo a comprovação, por meio do documentação hábil e idônea, de seu direito creditório reclamado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta de conversão do julgamento em diligência, sendo vencidos os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima (autor da proposta) e Gregório Rechmann Junior, e, também por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Gregório Rechmann Junior que deu provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 48 82 /2 00 9- 24 Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10880.914882/200924 Acórdão n.º 2402006.924 S2C4T2 Fl. 201 2 Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, contra o Despacho Decisório Eletrônico nº 849871755 proferido pela DERAT/SP, que não reconheceu o direito creditório do recorrente e, por conseguinte, não homologou as compensações promovidas e controladas nestes autos. O contribuinte transmitiu, em 24.3.09, Declaração de Compensação (DCOMP) com as seguintes características: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO CRÉDITO nº data valor CÓD REC pa vencimento dt recolhimento 04444.68173.240309.1.3.043439 24.03.2009 833.793,54 0473 30.04.2004 30.04.2004 30.04.2004 Em 3.12.09, o sujeito passivo apresentou sua Manifestação de Inconformidade sustentando, em suma (11/13), que seu crédito derivaria de um recolhimento a maior de IRRF (IRRF Renda e Proventos de Qualquer Natureza Residentes no Exterior). Como já dito, a DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 69/71). Em seu Recurso Voluntário de fls 74/91, a recorrente aduz: Que a natureza de "Confissão de Dívida" atribuída à DCTF deve ser relativizada em prestígio à verdade material, notadamente quando se verifica erro em seu preenchimento. Que teria havido erro de fato no preenchimento de sua DCTF. Subsidiariamente, que deve haver a relevação da multa, com base no artigo 4º, incisos I e II do DL 1.042/69. É, em síntese, o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator A recorrente tomou ciência do acórdão de piso em 20.1.11, consoante se denota de fls. 76 e apresentou, tempestivamente, seu Recurso Voluntário em 21.2.11 (fls. 77). Preenchido os demais requisitos, dele passo a conhecer. A fundamentação para a não homologação do crédito foi no sentido de que a integralidade do DARF no valor de R$ 833.793,54 havia sido utilizada no respectivo débito. Já em sua Manifestação de Inconformidade, o sujeito passivo procurou esclarecer o intento em utilizar desse mesmo crédito em compensação anterior, sem, todavia, ter sido objetivo quanto à efetiva existência desse crédito. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10880.914882/200924 Acórdão n.º 2402006.924 S2C4T2 Fl. 202 3 Explico: começou explicando que havia compensado débito de CIDE de 03/2005 com referido crédito e que, após revisão interna de sua contabilidade, chegouse à conclusão que tal compensação seria desnecessária e, assim sendo, esse crédito estaria disponível para a compensação em questão. Ato contínuo, informou que teria apresentado um Pedido de Restituição relacionado a esse mesmo crédito, sendo que sua não análise pela Administração Tributária fizera com que apresentasse referida DCOMP. Em função dessas razões de defesa, a DRJ centrou sua análise na questão atinente à natureza de instrumento de Confissão de Dívida da DCTF, bem como no fato de não ter sido comprovado o porque teria havido pagamento a maior do IRRF. Confirase: O cerne da questão reside na demonstração da real existência do direito creditório consubstanciado em parte do DARF no valor de R$ 833.793,54. É dizer, sustenta a recorrente que apenas R$ 500.276,12 deveria ter sido apropriado ao respectivo débito, restandolhe, a seu turno, R$ 333.517,42 como crédito, consoante procurou demonstrar por meio de sua DCTF de fls. 43. A DCTF acostada às fls 43/44, por meio da qual se pretende demonstrar a sobra do valor de R$ 333.517,42 na apropriação do DARF, teria sido, supostamente, apresentada em 13.1.09, consoante quis fazer crer a recorrente às fls. 46. Logo, anteriormente ao Despacho Decisório emitido em 23.10.09. Ocorre que a julgar pelo espelho dos débitos na folha de seu recibo, sou levado a concluir que referido protocolo não se refere ao débito de IRRF da monta de R$ 12.381.986,67, no qual teria sido alocado apenas parte daquele DARF de R$ 833.793,54. Vejase: Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10880.914882/200924 Acórdão n.º 2402006.924 S2C4T2 Fl. 203 4 Nesse contexto, penso que à época da emissão do Despacho Decisório, o débito apurado de IRRF 0473 apresentava valor significativamente superior ao que constou naquela DCTF de fls. 42/43, o que se coaduna com os excertos a seguir, extraídos do Recurso voluntário, no sentido de que teria havido uma redução no valor declarado após uma revisão interna. Pois bem. O que pretende a recorrente é que seja promovida a retificação e aceitação de sua DCTF retificadora, com vistas a evidenciar a sobra que pretende utilizar nesta compensação. Não há impedimento na legislação para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 482/2004. 1 Todavia, há de ser demonstrado o erro que dera azo à pretendida retificação. 1 PARECER NORMATIVO COSIT Nº 2, DE 28 DE AGOSTO DE 2015 Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10880.914882/200924 Acórdão n.º 2402006.924 S2C4T2 Fl. 204 5 No caso em tela, a recorrente não é objetiva a demonstrar tal erro de fato, mas tão somente uma memória de cálculo que me faz crer que sobre algumas remessas aos exterior teria recolhido IRRF sob a alíquota de 25%, quando, em verdade, segundo noticia, o correto seria IRRF à alíquota de 15% e CIDE de 10%. Vale destacar que não houve a apresentação de sua escrita fiscal/contábil com a apuração levada a efeito à época dos fatos geradores, tão pouco dos contratos de prestação de serviços que teriam dado azo às remessas ao exterior, bem como o regular recolhimento da correspondente CIDE. Cumpre destacar que o artigo 8 da IN 900/2008, vigente à época da transmissão da DCOMP, assim dispunha acerca das condições para se pleitear a restituição de retenções indevidas: Art. 8º O sujeito passivo que promoveu retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB no pagamento ou crédito a pessoa física ou jurídica, efetuou o recolhimento do valor retido e devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior, poderá pleitear sua restituição na forma do § 1º ou do § 2º do art. 3º, ressalvadas as retenções das contribuições previdenciárias de que trata o art. 18. § 1º A devolução a que se refere o caput deverá ser acompanhada: I do estorno, pela fonte pagadora e pelo beneficiário do pagamento ou crédito, dos lançamentos contábeis relativos à retenção indevida ou a maior; II da retificação, pela fonte pagadora, das declarações já apresentadas à RFB e dos demonstrativos já entregues à pessoa física ou jurídica que sofreu a retenção, nos quais referida retenção tenha sido informada; III da retificação, pelo beneficiário do pagamento ou crédito, das declarações já apresentadas à RFB nas quais a referida retenção tenha sido informada ou utilizada na dedução de tributo. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10880.914882/200924 Acórdão n.º 2402006.924 S2C4T2 Fl. 205 6 § 2º O sujeito passivo poderá utilizar o crédito correspondente à quantia devolvida na compensação de débitos relativos aos tributos administrados pela RFB na forma do art. 34. Percebase que além de outras exigências, há de se demonstrar que o contribuinte, que retivera valor a maior, devolvera esse excedente ao beneficiário dos rendimentos, caracterizando ter arcado, assim sendo, com o ônus dessa retenção a maior a legitimálo ao pleito de restituição, o que não foi demonstrado nestes autos. Para que se comprove a existência do crédito líquido e certo não basta, necessariamente, que se evidencie matematicamente valor recolhido maior do que aquele declarado em DCTF, máxime nos casos em que tal circunstância passa a se mostrar aparente somente após a retificação da DCTF na qual houvera a redução e/ou o cancelamento do débito anteriormente declarado/confessado. Como já dito, trata o caso de compensação promovida pelo recorrente valendose de direito creditório que alega possuir. Por sua vez, o artigo 170 do CTN é textual ao prescreve que "a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública." Em outras palavras, o crédito oferecido em compensação precisa ostentar indubitavelmente os prérequisitos de liquidez e certeza, cabendo ao titular desse direito, o ônus de sua comprovação, 2 o que, digase, não foi feito. No que toca à temática da multa aplicada no Despacho Decisório, cumpre destacar que a mesma decorreu de expressa disposição legal (art. 61 da lei 9.430/96 3), de observância obrigatória pelos Conselheiros deste Colegiado. Ademais, a relevação requerida, ao suposto amparo do artigo 4º do DL 1.042/69, foge ao âmbito da competência deste Colegiado, consoante se observa da literalidade do dispositivo invocado. Verbis. Art 4º O Ministro da Fazenda, em despacho fundamentado, poderá relevar penalidades relativas a infrações de que não tenha resultado falta ou insuficiência no recolhimento de tributos federais atendendo: I A êrro ou ignorância escusável do infrator, quanto a matéria de fato; Il A eqüidade, em relação às características pessoais ou materiais do caso, inclusive ausência de intuito doloso. 2 Art 333 do CPC/73 Art 373 do NCPC 3 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10880.914882/200924 Acórdão n.º 2402006.924 S2C4T2 Fl. 206 7 § 1º A relevação da penalidade pode ser condicionada à correção prévia das irregularidades que tenham dado origem ao processo fiscal. § 2º O Ministro da Fazenda poderá delegar a competência que êste artigo lhe atribui. Quanto ao pleito de conversão do julgamento em diligência com vistas a realização de fiscalização específica para análise do presente caso concreto, em prol da observância do princípio da verdade material, tenhoo por inoportuno, na medida em que caberia ao recorrente a apresentação, ainda em sua impugnação, de toda a documentação que tendesse a demonstrar indevido o recolhimento de R$ R$ 333.517,42, por supostamente relacionarse a pagamento fundado em erro de fato no preenchimento de sua DCTF. Indefiro o, pois. Face ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER do recurso apresentado, INDEFERIR o pleito de diligência e, no mérito, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 206DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.003389/2002-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/1992 a 30/11/1996
MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO
Não deve ser conhecido o recurso, na parte que traz discussões estranhas ao objeto da lide.
CRÉDITOS NÃO RECONHECIDOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA
Não deve ser admitida a compensação, uma vez que não foram reconhecidos os créditos correspondentes, em sede de processo administrativo específico, já transitado em julgado.
Numero da decisão: 3301-005.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/1992 a 30/11/1996 MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO Não deve ser conhecido o recurso, na parte que traz discussões estranhas ao objeto da lide. CRÉDITOS NÃO RECONHECIDOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Não deve ser admitida a compensação, uma vez que não foram reconhecidos os créditos correspondentes, em sede de processo administrativo específico, já transitado em julgado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13839.003389/2002-12
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5953675
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3301-005.569
nome_arquivo_s : Decisao_13839003389200212.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13839003389200212_5953675.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7582805
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418942767104
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1534; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 194 1 193 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.003389/200212 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301005.569 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de dezembro de 2018 Matéria COFINS Recorrente SIGMA EMPREENDIMENTOS EDUCACIONAIS S/C LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1992 a 30/11/1996 MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO Não deve ser conhecido o recurso, na parte que traz discussões estranhas ao objeto da lide. CRÉDITOS NÃO RECONHECIDOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Não deve ser admitida a compensação, uma vez que não foram reconhecidos os créditos correspondentes, em sede de processo administrativo específico, já transitado em julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 33 89 /2 00 2- 12 Fl. 194DF CARF MF Processo nº 13839.003389/200212 Acórdão n.º 3301005.569 S3C3T1 Fl. 195 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instãncia: "Tratase de Declaração de Compensação, fl.01, datada de 18/10/2002 e atrelada a Pedido de Restituição formalizado no Processo Administrativo Fiscal n° 13839.001036/2002 70. Outras declarações, vinculadas ao mesmo processo, foram apresentadas e encontramse juntadas às fls. 04, 06, 40, 42, 44, 46, 48. Examinado o pedido, a autoridade jurisdicionante emitiu o Despacho Decisório de fls. 63/65, em cujo relatório a autoridade administrativa narra a transferência de débitos compensados em outros processos cujos créditos têm como origem o mesmo Pedido de Restituição. Prossegue o relatório: À fl. 50 foi anexada tela do sistema DecisõesW, com registro do Acórdão DRJ/CPS n° 054003 de 2003, que ratificou o Despacho Decisório da DRF Jundiaí, que indeferiu o pedido de restituição no processo administrativo 13839.001036/200270, que encontrase atualmente na Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, conf tela anexada àfl. 61. Por conta do nãoreconhecimento do direito creditório pleiteado, a autoridade jurisdicionante não homologou as compensações declaradas. Cientificada em 31/07/2007, a interessada apresentou em 22/08/2007, Manifestação de Inconformidade, fls. 69/90, alegando, em síntese, que: a) a autoridade fiscal não homologou tais compensações, alegando que o crédito utilizado decorreria de pedido de restituição já indeferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, estando o processo ainda pendente de decisão na Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. Em que pese o respeitado entendimento do Órgão Fiscal, não merece o mesmo prosperar, uma vez que o pedido de restituição não foi julgado em última instância administrativa, estando pendente de análise de recurso perante a Delegacia de Julgamento. b) Data máxima vênia, a decisão emanada da Seção de Orientação e Análise Tributária — SAORT encontrase em perfeita contramão legal, pois não cabia a este órgão decidir em primeira instância, cujo órgão competente para decidir é desta delegacia especializada em julgamento, conforme prescreve a legislação vigente. Outra estranheza referese ao artigo 126, da Portaria n° 259, de 24.08.2001 — Regime Interno da Secretaria da Receita Federal, a qual jamais concebeu competência à Divisão de Orientação e Análise Tributária de julgar qualquer processo administrativo tributário, muito pelo contrário, o inciso III apenas lhe confere—o dever de manifestase em processos administrativos referentes à restituição, à compensação, ao ressarcimento, à imunidade, à suspensão, à isenção e à redução de tributos e contribuições administrados pela SRF, executar os procedimentos e controlar os valores a eles relativos; c) as sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos a profissão legalmente regulamentada foram isentadas da COFINS pelo art. 6° da Lei Complementar n° 70, de 1991. A Lei n° 9.430, de 1996, pretendeu revogar tal isenção, pretensão que não pode prosperar por ofensa ao princípio da hierarquia das leis; d) também o regime de tributação adotado pela sociedade é indiferente para o gozo da isenção, nos termos da Súmula 276 do Superior Tribunal de Justiça; Fl. 195DF CARF MF Processo nº 13839.003389/200212 Acórdão n.º 3301005.569 S3C3T1 Fl. 196 3 e) o prazo para repetição de indébito nos casos dos tributos lançados por homologação, como é o caso da COFINS, é de dez anos. A aplicação retroativa do disposto no art. 30 da Lei Complementar n° 118, de 2005, a pretexto de ter natureza de norma interpretativa, é ilegal e inconstitucional. f) a interposição da Manifestação de Inconformidade suspende a exigibilidade dos débitos compensados. Ao fim, a interessada requer o deferimento da restituição e a homologação das compensações efetuadas com fundamento no Pedido de Restituição n°13839.001036/200270." Em 08/10/07, a DRJ em Campinas (SP) julgou a manifestação de inconformidade improcedente e o Acórdão n° 0519.629 foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARAOFINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1992 a 30/11/1996 ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO. A isenção da Cofins que beneficiava as sociedades civis de profissão legalmente regulamentada, prevista na Lei Complementar 70/1991, deixou de vigorar com a publicação da Lei 9.430/1996. A norma revogada embora inserida em lei formalmente complementar concedia isenção de tributo federal e, portanto, submetiase à disposição de lei federal ordinária, que outra lei ordinária da União, validamente, poderia revogar, como efetivamente revogou. COMPENSAÇÃO.CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. AUSÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Constatado que os créditos que servem de suporte para as compensações declaradas não foram reconhecidos administrativamente, não se homologam as compensações pela ausência de crédito líquido e certo. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. DCOMP VINCULADAS. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não se homologam as compensações formalizadas em DCOMPs vinculadas a direito creditório já indeferido pela administração tributária, ainda que pendente de decisão definitiva. Compensação não Homologada" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, contendo as seguintes alegações: i) Está suspensa a exigibilidade dos débitos liquidados por meio das compensações em discussão, nos termos do art. 17 da Lei n° 9.430/96 c/c 151 do CTN. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 13839.003389/200212 Acórdão n.º 3301005.569 S3C3T1 Fl. 197 4 ii) O Conselho de Contribuintes entende que as sociedades civis são isentas da COFINS. Cita o Acórdão n° 20308206, 20307281, 20373849, 20175051, 20213928, demonstrando que o órgão administrativo não deve furtarse de julgar questões relativas à constitucionalidade e legalidade. iii) O STJ editou a Súmula 276, dispondo que as sociedades civis são isentas da COFINS, o que confirmou o entendimento de que o art. 56 da Lei n° 9.430/96 não podia revogar a isenção prevista no inciso II do art. 6° da LC n° 70/91 (princípio da hierarquia das leis). iv) A opção pela tributação pelo IRPJ com base no lucro presumido não faz com que a sociedade civil perca o direito de gozar da isenção da COFINS. Cita o AgRg no REsp n° 253.984/RS. v) Menciona decisões judiciais que corroboram com os posicionamentos descritos nos itens "ii" ao "iv". vi) O prazo para pleitear restituição de tributos pagos a maior é de dez anos, conforme entendimento pacificado no âmbito do STJ. vii) Tem o direito de compensar os indébitos com outros tributos e contribuições federais, nos termos dos artigos 165 do CTN, 66 da Lei n° 8.383/91e 49 da Lei n° 10.637/02. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira Tratase de Despacho Decisório (fls. 68 a 70) que não homologou compensações de supostos créditos de COFINS com débitos tributários federais, porque os créditos não foram acatados, em sede do processo administrativo n° 13839.001036/200270. Este processo administrativo já foi concluído e de forma desfavorável ao contribuinte. No recurso voluntário, há argumentos cujos objetivos são os de sustentar estarem suspensas as exigibilidades dos débitos liquidados por meio das compensações em discussão e a legitimidade e o direito à compensação dos supostos pagamentos a maior de COFINS. A única alegação pertinente à presente lide é a que diz respeito ao direito à compensação. Contudo, tornouse inócua, em razão da conclusão desfavorável do citado processo administrativo. Sendo assim, conheço parcialmente do recurso e, em relação à parte conhecida, nego provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 197DF CARF MF Processo nº 13839.003389/200212 Acórdão n.º 3301005.569 S3C3T1 Fl. 198 5 Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 198DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11070.002359/2009-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/09/2004
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL.
A pessoa jurídica sujeita à cobrança não-cumulativa do PIS que aufira receitas submetidas a diversas fontes (vinculadas a operações de mercado interno; mercado interno não tributadas - isenção, alíquota zero e não incidência - e exportação), no caso de custos, despesas e encargos vinculados a todas as espécies de receitas, calculará os créditos correspondentes a cada espécie de receita pelo método de apropriação direta ou de rateio proporcional, a seu critério. No método de rateio proporcional, aplica-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta de cada espécie de receita e a receita bruta total, auferidas em cada mês, considerados todos os estabelecimentos da pessoa jurídica.
Numero da decisão: 9303-007.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2004 a 30/09/2004 REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. A pessoa jurídica sujeita à cobrança não-cumulativa do PIS que aufira receitas submetidas a diversas fontes (vinculadas a operações de mercado interno; mercado interno não tributadas - isenção, alíquota zero e não incidência - e exportação), no caso de custos, despesas e encargos vinculados a todas as espécies de receitas, calculará os créditos correspondentes a cada espécie de receita pelo método de apropriação direta ou de rateio proporcional, a seu critério. No método de rateio proporcional, aplica-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta de cada espécie de receita e a receita bruta total, auferidas em cada mês, considerados todos os estabelecimentos da pessoa jurídica.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11070.002359/2009-51
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5953505
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-007.641
nome_arquivo_s : Decisao_11070002359200951.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 11070002359200951_5953505.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7580800
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418984710144
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2111; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11070.002359/200951 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9303007.641 – 3ª Turma Sessão de 20 de novembro de 2018 Matéria PIS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA TRITÍCOLA REGIONAL SANTO ÂNGELO LTDA EM LIQUIDAÇÃO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/09/2004 REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. A pessoa jurídica sujeita à cobrança nãocumulativa do PIS que aufira receitas submetidas a diversas fontes (vinculadas a operações de mercado interno; mercado interno não tributadas isenção, alíquota zero e não incidência e exportação), no caso de custos, despesas e encargos vinculados a todas as espécies de receitas, calculará os créditos correspondentes a cada espécie de receita pelo método de apropriação direta ou de rateio proporcional, a seu critério. No método de rateio proporcional, aplicase aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta de cada espécie de receita e a receita bruta total, auferidas em cada mês, considerados todos os estabelecimentos da pessoa jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 23 59 /2 00 9- 51 Fl. 616DF CARF MF Processo nº 11070.002359/200951 Acórdão n.º 9303007.641 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de ressarcimento de créditos do PIS oriundos da incidência não cumulativa em operações do mercado interno não tributada (isenção alíquota zero e não incidência). Despacho Decisório do SEORT/DRF/CPS reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado. Intimada do despacho, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. Em resumo, apresentou os seguintes argumentos: · o método de rateio para a apropriação dos créditos está legalmente previsto, enquanto a metodologia híbrida adotada agente fiscal neste processo foi realizada sem embasamento legal. · não tendo resultado base de cálculo tributável, o crédito apurado não pode ser rateado com a receita do mercado interno tributada, devendo, portanto, ser mantido o rateio dos créditos de acordo com a proporcionalidade apurada pela cooperativa. · o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 possibilitou, a partir de 1º/08/2004, que as vendas de produtos relacionados no art. 8º daquela Lei fossem realizadas com suspensão do PIS e da Cofins. Posteriormente foram editadas as Leis nºs 11.033/2004 e 11.116/2005, onde ficou autorizado expressamente o ressarcimento/compensação dos créditos acumulados; · a cooperativa tem direito ao crédito presumido, eis que: desempenha atividades agroindustriais na produção das mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM; adquire de pessoas físicas e jurídicas que desempenham atividade rural, insumos utilizados no processo produtivo, em conformidade com o inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e art. 7º da IN SRF 660; bem como realiza o beneficiamento das mercadorias (grãos) através de procedimentos próprios e necessários para obtenção do Padrão Oficial; · o estoque de abertura é formado pelo custo de aquisição nos bens relacionados no art. 3º daquelas Leis, cuja possibilidade de ressarcimento do crédito apurado é reconhecida pela própria RFB, conforme disciplinado nos arts. 27 e 29 da IN SRF nº 900/2008, razão pela qual a cooperativa requer o ressarcimento integral do crédito presumido sobre o estoque de abertura na proporção das receitas de exportação, suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. · devem ser consideradas as exclusões da base de cálculo referente aos valores repassados aos associados, às vendas Fl. 617DF CARF MF Processo nº 11070.002359/200951 Acórdão n.º 9303007.641 CSRFT3 Fl. 4 3 efetuadas a associados, à receita da industrialização da produção do associado e ao custo agregado ao produto agropecuário do associado; · a autoridade fiscal violou o art. 2º da Lei nº 9.784/1999, não observando os princípios que devem nortear a administração pública; · os créditos da cooperativa devem ser corrigidos pela Selic, nos termos do § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/1995 a partir do fato gerador, correspondendo, no presente caso, a partir de cada período de apuração, ou seja, a partir do momento que o crédito poderia ter sido aproveitado. A DRJ julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, reconhecendo mais uma parcela do direito creditório. Intimada do acórdão de piso, a contribuinte interpôs recurso voluntário, onde retomou os argumentos da manifestação de inconformidade e acrescentou outros, sob os seguintes tópicos: 1) Do critério de rateio para apropriação dos créditos apurados proporcionais às receitas de exportações, receitas no mercado interno tributadas e não tributadas; 2) Das vendas com suspensão do PIS e Cofins Ilegítima restrição ao aproveitamento de créditos; 3) Crédito presumido Atividade agroindustrial Produção das mercadorias de origem vegetal classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM; 4) Da apuração da base tributável do PIS e Cofins Exclusões permitidas às sociedades cooperativas; e 5) Previsão legal para incidência da Selic O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em 29/03/2017, resultando no acórdão nº 3402003.983, que, na parte de interesse ao presente julgamento, tem a seguinte ementa: RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITO VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. INCLUSÃO NO CÁLCULO. Todos os créditos normais do contribuinte devem integrar a base de cálculo do rateio proporcional para fins de ressarcimento das exportações, independente de ser ou não o mesmo vinculado ao mercado externo. Intimada para ciência do acórdão a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência. O acórdão paradigma nº 330201.184 afirma que somente os custos, despesas e encargos comuns às receitas de exportação e às receitas do mercado interno podem compor o método do rateio proporcional utilizado para o cálculo dos créditos previstos no art. 6º, § 3, da Lei nº 10.833/2003. O acórdão a quo, por sua vez, autoriza que custos, despesas e encargos vinculados exclusivamente ao mercado interno componham o cálculo dos créditos previstos no art. 6º, § 3º da mesma lei. Fl. 618DF CARF MF Processo nº 11070.002359/200951 Acórdão n.º 9303007.641 CSRFT3 Fl. 5 4 O Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência do Procurador, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, dandolhe seguimento. Intimada do acórdão recorrido, do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional e do despacho de admissibilidade deste recurso, a contribuinte não apresentou contrarrazões no prazo regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.631, de 20/11/2018, proferido no julgamento do processo 11070.002343/200948, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.631): "O recurso especial de divergência da Fazenda é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e por isso dele conheço. Restou o litígio apenas em relação ao critério de rateio para apropriação dos créditos apurados proporcionais às receitas de exportações, receitas do mercado interno tributadas e receitas do mercado interno não tributadas (alíquota zero, isenção ou não incidência). Interessante salientar que tanto o acórdão recorrido, quanto a decisão da DRJ que manteve o critério de rateio utilizado pela fiscalização se estribaram na mesma legislação e instruções da RFB para a chegar a conclusões opostas. O acórdão a quo afirma que se deveria adotar exclusivamente o método de rateio proporcional, independentemente de haverem custos identificáveis como vinculados tanto às receitas de exportação (por não incidir a Cofins sobre elas) como às do mercado interno. Entendeu que haveria uma distinção pela fiscalização que a lei não autorizaria. A situação discutida no recorrido se vincula às receitas do mercado interno não tributadas (alíquota zero, isenção ou não incidência), que geravam direito a crédito, tendo estas o rateio pelo mesmo tratamento das receitas de exportação. Por outro lado, o acórdão paradigma é expresso em restringir o rateio aos custos comuns, não havendo falar em rateio de custos específicos. Esse tema foi recentemente enfrentado pela Solução de Consulta Cosit n° 293, de 2017, que é expressa em seu item 2.1, restringindo o rateio aos custos comuns, nos seguintes termos: Fl. 619DF CARF MF Processo nº 11070.002359/200951 Acórdão n.º 9303007.641 CSRFT3 Fl. 6 5 21. Como já mencionado, a interessada opta pelo método de rateio proporcional para calcular seus créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins vinculados à exportação. 21.1. O método de rateio proporcional, na literalidade do inciso II do § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, deve ser aplicado naquelas hipóteses em que existam custos, despesas e encargos que sejam vinculados de forma comum a receitas brutas sujeitas a incidência cumulativa e não cumulativa dessas contribuições. 21.2. E sobre o valor daqueles custos, despesas e encargos comuns, a pessoa jurídica sujeita à incidência parcial da não cumulatividade das contribuições em epígrafe, deve aplicar o seguinte percentual para obter os montantes dos créditos de tais contribuições relativos àqueles dispêndios: Receita Bruta Sujeita à Não Cumulatividade Receita Bruta Total (grifos na transcrição) Para exemplificar numericamente a linha de raciocínio aqui traçada, peço vênia para apresentar didaticamente uma situação muito simples, de: receitas de exportação, no mercado internas tributadas e no mercado interno não tributadas, cada uma delas no valor de R$ 1.000,00 e custos totais de R$ 1.400,00, distribuídos conforme tabela abaixo: Custos Valor Vinculados à Exportação 200,00 Vinculados a operações no mercado interno tributadas 800,00 Vinculados a operações no mercado interno não tributadas 200,00 Comuns 200,00 Total 1.400,00 A memória de Cálculo a seguir ilustra a diferença entre o rateio dos custos comuns e do total de custos. Receitas Custos Valor % Valor Rateio ‐ Total Rateio ‐ Custos Comuns Exportação 1.000,00 0,33 200,00 466,67 266,67 Internas tributadas 1.000,00 0,33 800,00 466,67 866,67 Internas não tributadas 1.000,00 0,33 200,00 466,67 266,67 Custos comuns n/a n/a 200,00 n/a n/a Total 3.000,00 1.400,00 Repare que, em se considerando o rateio do total de custos, os custos atribuídos à exportação passariam a ser de R$ 466,00, ou seja, superiores ao somatório dos custos próprios e dos custos comuns (R$ 200,00 + R$ 200,00), que somente alcançariam o valor de R$ 400,00. Em outras palavras, créditos inequivocamente relativos a operações internas tributadas seriam tratados como vinculados à exportação. Penso que esse seja o ponto que remanesce sob questão no aresto ora contestado e entendo que a lógica da apuração da decisão de primeira instância esteja escorreita. Fl. 620DF CARF MF Processo nº 11070.002359/200951 Acórdão n.º 9303007.641 CSRFT3 Fl. 7 6 Dessarte, deve ser provido o recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, para darlhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 621DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.902365/2009-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2008
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei.
Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. O ônus probatório no pedido de indébito compete ao contribuinte.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.598
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2008 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. O ônus probatório no pedido de indébito compete ao contribuinte. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13116.902365/2009-61
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5961045
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Feb 09 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1002-000.598
nome_arquivo_s : Decisao_13116902365200961.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
nome_arquivo_pdf_s : 13116902365200961_5961045.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
dt_sessao_tdt : Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
id : 7604830
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:37:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418991001600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1607; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 53 1 52 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13116.902365/200961 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.598 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 18 de janeiro de 2019 Matéria IRPJ PER/DCOMP Recorrente A M C C ENGENHARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. O ônus probatório no pedido de indébito compete ao contribuinte. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 23 65 /2 00 9- 61 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13116.902365/200961 Acórdão n.º 1002000.598 S1C0T2 Fl. 54 2 (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 37/38) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo, apenso ao Processo n.º 13116.002668200982 ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 29/32), proferida em sessão de 09 de junho de 2016, consubstanciada no Acórdão n.º , da 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE (DRJ/REC), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efl. 03) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido 23/10/2009 (efl. 05), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 18548.14499.270409.1.3.047080 (efls. 23/27), transmitido em 27/04/2009, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/06/2008 PAGAMENTO A MAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não tendo sido trazida na manifestação de inconformidade nenhuma prova documental que dê suporte à alegada ocorrência de pagamento a maior, não há reparos a fazer no despacho decisório recorrido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Consoante Despacho Decisório reproduzido à fl. 02, emitido eletronicamente em 23/10/2009, a autoridade competente não homologou a compensação efetuada pela contribuinte acima identificada por meio do PER/DCOMP n.º 18548.14499.270409.1.3.047080, transmitido em 27/04/2009, tendo em vista que não foi confirmado o crédito utilizado, no valor original de R$ 23.805,63, atribuído a pagamento a maior relativo ao período de apuração de 30/06/2008, efetuado através de DARF no importe de R$ 49.562,27, recolhido em 15/08/2008, sob o código de receita 2089 (IRPJ Lucro Presumido), cujo valor foi utilizado para extinguir débito confessado em DCTF. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13116.902365/200961 Acórdão n.º 1002000.598 S1C0T2 Fl. 55 3 Cientificada do despacho denegatório por via postal em 10/11/2009 (fl. 19), a interessada apresentou em 04/12/2009 a manifestação de inconformidade acostada à fl. 01, alegando, em síntese, que efetuou o recolhimento a maior identificado no PER/DCOMP, em razão de ter tomado como base de cálculo de IRPJ/CSLL o valor do faturamento, e não a receita recebida, que é a forma de tributação adotada pela empresa. Como prova de sua afirmação anexa planilha de cálculo, e informa que apresentou DCTF retificadora. O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 23.805,63, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi extinto, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 30/06/2008 2089 R$ 49.562,27 15/08/2008 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado 4929709841 R$ 49.562,27 DB: Cód. 2089 PA 30/06/2008 R$ 49.562,27 Valor Total R$ 49.562,27 Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/10/2009 Principal: R$ 25.781,50 Multa: R$ 5.156,30 Juros: R$ 1.211,73 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose a decisão quanto a parte não reconhecida do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação até referido montante, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Quanto à possibilidade de retificação da DCTF, quando cabível, tal procedimento deveria ter sido adotado, por iniciativa da interessada, antes de ser cientificado o despacho decisório. No caso concreto, o despacho decisório foi cientificado em 10/11/2009 (fl. 19) e a DCTF retificadora transmitida posteriormente, em 01/12/2009. Após a ciência, discordando o sujeito passivo da decisão proferida, não é ocioso lembrar que, de acordo com o art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, os parágrafos que regulam o contraditório ao despacho decisório que não homologar a compensação, incluídos pela Lei n.º 10.833, de 2003, determinam que: Art. 74. (...) Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13116.902365/200961 Acórdão n.º 1002000.598 S1C0T2 Fl. 56 4 § 9.º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7.º apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9.º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. Em outras palavras, à manifestação de inconformidade interposta à DRJ, são aplicáveis, mutadis mutandis, as mesmas condicionantes legais estabelecidas pelo precitado Dec. n.º 70.235, de 1972, em relação à impugnação interposta contra a formalização de exigência de crédito tributário, disciplinadas no art. 16 do mencionado diploma, a saber: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) § 4.º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No caso sob enfoque, na hipótese de ter ocorrido erro no valor do débito confessado na DCTF primitiva, esta circunstância deveria ter sido documentalmente provada ao julgador pela interessada, por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade, o que não aconteceu em concreto, pois a simples planilha de cálculo apresentada às fls. 07/08, de lavra da interessada, não é suficiente para dar suporte à afirmação. A partir da redação da peça da reclamante, depreendese que esta alega que apurou e recolheu o valor do débito pelo regime de competência, quando deveria têlo feito adotando o regime de caixa, o que, em princípio, é admitido na sistemática de tributação pelo lucro presumido, desde que observados pelo contribuinte os procedimentos determinados pela Instrução Normativa SRF n.º 247, de 2002, cujo art. 85 tem a seguinte dicção: Art. 85. A pessoa jurídica, optante pelo regime de tributação do Imposto de Renda com base no lucro presumido, que tenha adotado o regime de caixa na forma do disposto no art. 14, deverá: I emitir documento fiscal idôneo, quando da entrega do bem ou direito ou da conclusão do serviço; e II indicar, no livro Caixa, em registro individualizado, o documento fiscal a que corresponder cada recebimento. § 1.º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica que mantiver escrituração contábil, na forma da legislação comercial, deverá controlar os recebimentos de suas receitas em conta específica, na qual, em cada Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13116.902365/200961 Acórdão n.º 1002000.598 S1C0T2 Fl. 57 5 lançamento, será indicado o documento fiscal a que corresponder o recebimento. . § 2.º Os valores recebidos antecipadamente, por conta de venda de bens ou direitos ou da prestação de serviços, serão computados como receita do mês em que se der o faturamento, a entrega do bem ou do direito ou a conclusão dos serviços, o que primeiro ocorrer. § 3.º Na hipótese deste artigo, os valores recebidos, a qualquer título, do adquirente do bem ou direito ou do contratante dos serviços serão considerados como recebimento do preço ou de parte deste, até 0 seu limite. Neste caso, para comprovar a exatidão dos elementos contidos na planilha de cálculo anexada à manifestação de inconformidade, a interessada deveria carrear para os autos a sua escrituração contábil, ou, pelo menos, o livro Caixa, contendo os registros efetuados em consonância com os ditames da precitada Instrução Normativa, com a respectiva documentação fiscal de suporte. Apenas para esclarecer, do mesmo modo que na constituição do crédito tributário mediante lançamento de oficio, o ônus da prova é da administração tributária, a contrario sensu, no pedido de restituição de indébito, o ônus da prova do crédito pleiteado é do administrado. Ex positis, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade interposta pela interessada. No recurso voluntário, em outras palavras, o contribuinte reitera os argumentos suscitados na sua manifestação de inconformidade e junta documentos (efls. 39/40) relativos as receitas de serviços, sendo o objetivo demonstrar as receitas do período de abril a junho de 2008. Sustenta o contribuinte: O contribuinte apresentou PER/DCOMP referente ao período de ABR/MAI/JUN de 2008 objetivando compensar pagamento efetivado em valor superior ao devido referente ao IRPJ e CSLL, vez que, por engano, se valeu dos valores do faturamento do período e não do recebimento para o cálculo dos tributos devidos, insta salientar que o contribuinte optou pelo regime de caixa para a incidência dos tributos devidos. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho, sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando o juízo de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade Inicialmente, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017, Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13116.902365/200961 Acórdão n.º 1002000.598 S1C0T2 Fl. 58 6 haja vista que as turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário. Outrossim, a Portaria CARF n.º 111, de 20 de julho de 2018, que estabelece o momento da verificação do valor em litígio para fins de definição da competência das Turmas Extraordinárias (TE's), disciplina que a verificação do valor em litígio, para fins de definição da competência das TE's, será realizada pela Divisão de Sorteio e Distribuição da Coordenação de Gestão do Acervo de Processos (Disor/Cegap) no momento do sorteio do processo administrativo fiscal para a turma de julgamento, bem como define que permanecerá na competência das referidas turmas o recurso voluntário cujo processo administrativo fiscal sofra atualização de valor após o sorteio para a turma ou para o conselheiro relator, desde que a partir dessa atualização o valor em litígio não exceda a 120 (cento e vinte) salários mínimos. Neste caso cabe informar que o valor constante no sistema do eprocesso para o direito creditório que a contribuinte busca reconhecer está registrado como sendo de R$ 23.805,63. Observo, ainda, que o Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 28/03/2012, efls. 34/35, protocolo recursal em 27/04/2012, e fl. 37), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13116.902365/200961 Acórdão n.º 1002000.598 S1C0T2 Fl. 59 7 para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele. No caso em comento, entendendo possuir crédito, decorrente de pagamento indevido ou a maior, bem como confessando débito próprio, o contribuinte transmitiu PER/DCOMP objetivando a extinção da obrigação por força do instituto da compensação. No entanto, o despacho decisório negou o direito creditório, sob o fundamento de que o DARF que corroboraria o indébito estava completamente alocado, não restando saldo a ser aproveitado. O débito cujo DARF teria dado baixa, estando extinto, estaria lastreado e confessado em DCTF. Pois bem. Para impugnar a decisão de piso e em última análise o despacho decisório denegatório da homologação do PER/DCOMP o contribuinte afirma que retificou as DACON de abril, de maio e de junho de 2008 (efls. 06/08) e a DCTF do primeiro semestre de 2008 (efl. 09), reduzindo o débito, de modo a gerar, inclusive, o crédito. Entretanto, a decisão vergastada é correra ao fundamentar falta de comprovação do motivo da retificação e falta de provas da efetiva demonstração do direito creditório. Deveras, é fato concreto que não consta dos autos elementos probantes capazes de atestarem o direito creditório vindicado de forma líquida e certa, especialmente por falta de instrução diligente do contribuinte, a quem compete o ônus probatório do pedido de indébito. Destaco, por exemplo, que a íntegra das referidas declarações (DACON e DCTF) e os documentos de suporte da escrita contábil e mesmo da fiscal que dariam base a retificação não constam dos autos. O que consta dos autos é apenas o recibo de protocolo das retificadoras. Também, não consta nos autos a DIPJ, tampouco a cópia do livro razão e do livro diário, inclusive com autenticações da Junta Comercial, para conferência das alegações. No recurso o contribuinte reafirma a sua tese inicial de defesa e junta a conta analítica do razão que traz as receitas registradas para o segundo trimestre, isto é, de abril, de maio e de junho de 2008 (efls. 39/40). Nele vêse um valor total de receitas para o trimestre referido na ordem de R$ 7.316.838,15 (valor próximo ao apontado na planilha do efl. 10, cujo somatório indicado é de R$ 7.316.841,15), mas não consta dos autos os efetivos recebimentos destas receitas reconhecidas na escrita contábilfiscal, não consta uma prova contábil, por exemplo, do que efetivamente entrou no disponível, no caixa da empresa, lembrandose que a tese de defesa é ponderar que não teria que recolher a tributação pelo faturamento, mas sim pelo regime de caixa. Não consta dos autos sequer a comprovação de que efetivamente estivesse enquadrada no regime de caixa. Desta forma, não há como comprovar de modo incontroverso, de forma líquida e certa, o direito creditório vindicado. Aliás, as planilhas que foram elaboradas unilateralmente (efls. 10/11) estão sem suporte em documentação contábil e fiscal que lhe respaldem, inclusive há divergência nos números, ainda que aproximados. Por todo este contexto, não vislumbro sequer verossimilhança nas alegações. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13116.902365/200961 Acórdão n.º 1002000.598 S1C0T2 Fl. 60 8 Logo, não há crédito líquido e certo comprovado, então assiste razão ao indeferimento da compensação, eis que não se reconhece o direito creditório, não se comprovou o indicado crédito líquido e certo, incontroverso. Não existe error in procedendo ou erro in iudicando no julgamento de primeira instância, de modo que não se pode falar em reforma do julgado. Importante frisar que o julgamento destes autos se limita ao controle de legalidade do ato administrativo de não homologação da compensação por não reconhecimento nestes autos com as provas que nele se contém do vindicado direito creditório. Por conseguinte, como não ocorreu erro de julgamento, tampouco erro de procedimento, inexiste reforma a ser efetivada no acórdão vergastado. Não há, portanto, motivos que justifiquem uma eventual reforma da decisão proferida pela DRJ, que não homologou a compensação por não reconhecer o crédito nestes autos, principalmente por ser atribuição deste Colegiado o controle da legalidade, e não o saneamento de supostos erros imputados aos próprios contribuintes, notadamente quando de pedidos de compensação eletrônicos e não comprovado o crédito. Logo, verificandose correção no julgamento a quo, bem como observando que a Administração Tributária não agiu em desconformidade com a lei, nada há que se reparar no procedimento adotado na análise do pedido transmitido pelo contribuinte. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer reparos. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe negar provimento para manter íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.902633/2016-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato Gerador: 30/09/2013
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.908
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do Fato Gerador: 30/09/2013 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13851.902633/2016-51
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5955669
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-005.908
nome_arquivo_s : Decisao_13851902633201651.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 13851902633201651_5955669.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
id : 7585628
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051419016167424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1336; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13851.902633/201651 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402005.908 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de novembro de 2018 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Recorrente ROMANOVA PRODUTOS E ALIMENTOS LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 30/09/2013 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 26 33 /2 01 6- 51 Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13851.902633/201651 Acórdão n.º 3402005.908 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER), indeferido em decorrência do crédito alegado não estar disponível, por se encontrar o valor do DARF recolhido vinculado a um débito declarado. Cientificada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade em que solicitou a revisão do despacho decisório, tendo em vista que retificou a DCTF do respectivo período de apuração. Alega que diversos pagamentos de PIS/Pasep e de Cofins “foram recolhidos indevidamente, de acordo com a Lei n° 10.925, de 2004, artigo 1o, inciso XVIII – Solução de Consulta Cosit de 29/06/2016, na qual determina a redução para zero das alíquotas incidentes”. Ato contínuo, a DRJCURITIBA (PR) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.377. Neste Recurso, a Empresa repisou os mesmos argumentos apresentados na sua Impugnação e juntou aos autos as notas fiscais eletrônicas de vendas. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.906, de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13851.902629/201692, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402005.906): "O recurso em análise não atende a todos os requisitos de admissibilidade, pois, no que se refere especificamente à tempestividade, quando da interposição do recurso, já havia transcorrido o prazo legal. Extraise do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), dentre outros comandos, que o prazo para a interposição de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias da ciência da decisão de 1ª instância. Segue transcrito os excertos normativos que importam ao presente exame: Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13851.902633/201651 Acórdão n.º 3402005.908 S3C4T2 Fl. 4 3 (...) Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser aplicado o ato Art.23 Farseá a intimação:. (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelosujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº9.532/97) (...) §2º Considerase feita a intimação : (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº11.196/2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº11.196, de 2005) (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (...) Temse que a data ciência do acórdão por meio eletrônico foi realizada em 27/04/2017 (fls.26). No caso sob exame, segundo a legislação de regência anteriormente transcrita, o termo final do prazo em questão ocorreu em 27/05/2017 (sábado), que por não ser dia útil, transferese o prazo para o dia 29/05/2017. Na folha 27 é demonstrado que o Recurso Voluntário somente foi apresentado no dia 31/05/2017. Portanto, o presente recurso é extemporâneo, pois foi apresentado fora do prazo legal. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13851.902633/201651 Acórdão n.º 3402005.908 S3C4T2 Fl. 5 4 Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, assim como no paradigma, a ciência do acórdão da DRJ e a interposição do Recurso Voluntário ocorreram, respectivamente, em 27/04/2017 e 31/05/2017. Desta sorte, por absoluta identidade fática e jurídica, a decisão lá esposada pode ser perfeitamente aqui aplicada. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 219DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16098.000064/2009-55
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS. AUSENTE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assenta-se em mais de um fundamento, todos autônomos e suficientes para manutenção do acórdão recorrido e a parte não traz divergência jurisprudencial com relação a todos eles.
Além disso, igualmente não se pode conhecer do recurso especial quando, com relação ao fundamento atacado, a Recorrente não traz acórdão paradigma apto a comprovar a divergência jurisprudencial em razão da ausência de similitude fática.
Numero da decisão: 9303-007.810
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS. AUSENTE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assenta-se em mais de um fundamento, todos autônomos e suficientes para manutenção do acórdão recorrido e a parte não traz divergência jurisprudencial com relação a todos eles. Além disso, igualmente não se pode conhecer do recurso especial quando, com relação ao fundamento atacado, a Recorrente não traz acórdão paradigma apto a comprovar a divergência jurisprudencial em razão da ausência de similitude fática.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16098.000064/2009-55
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5954569
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-007.810
nome_arquivo_s : Decisao_16098000064200955.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : VANESSA MARINI CECCONELLO
nome_arquivo_pdf_s : 16098000064200955_5954569.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7584397
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051419022458880
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1424; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1.489 1 1.488 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16098.000064/200955 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303007.810 – 3ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2018 Matéria PIS Declaração de compensação Recorrente VISTEON SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS. AUSENTE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assentase em mais de um fundamento, todos autônomos e suficientes para manutenção do acórdão recorrido e a parte não traz divergência jurisprudencial com relação a todos eles. Além disso, igualmente não se pode conhecer do recurso especial quando, com relação ao fundamento atacado, a Recorrente não traz acórdão paradigma apto a comprovar a divergência jurisprudencial em razão da ausência de similitude fática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 8. 00 00 64 /2 00 9- 55 Fl. 1489DF CARF MF Processo nº 16098.000064/200955 Acórdão n.º 9303007.810 CSRFT3 Fl. 1.490 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte VISTEON SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3302002.897 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 08 de dezembro de 2015, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito sem os documentos fiscais comprobatórios de suas alegações. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido A Turma a quo entendeu por negar provimento ao recurso voluntário da Contribuinte pois, em síntese, não teria ela se desincumbido do ônus de comprovar o seu direito creditório, bem como em razão da impossibilidade de apreciação dos argumentos trazidos pela Recorrente somente na via recursal e cujo litígio não foi instaurado desde a primeira instância. Além disso, no acórdão recorrido, foi consignado ter ocorrido a juntada de documentos pelo Sujeito Passivo em data posterior ao próprio julgamento do recurso voluntário, corroborando a afirmação contida no decisum de não insurgência da Contribuinte, Fl. 1490DF CARF MF Processo nº 16098.000064/200955 Acórdão n.º 9303007.810 CSRFT3 Fl. 1.491 3 por meio de manifestação de inconformidade, quanto ao segundo Termo de Constatação Fiscal, deixando transcorrer in albis o prazo para a sua defesa. Em face da referida decisão, a Contribuinte opôs embargos de declaração, os quais foram rejeitados conforme despacho s/n.º, por inexistir quaisquer vícios de omissão, obscuridade ou contradição no julgado. Não resignada, a empresa interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto à (a) apreciação de provas trazidas em sede recursal, nos termos do art. 16 do Decreto n.º 70.235/72; e (b) aplicação da regra da preclusão, consoante art. 17 do Decreto n.º 70.235/72, com relação à possibilidade de apreciação dos argumentos suscitados apenas em sede de recurso voluntário e cuja controvérsia não foi instaurada em primeira instância administrativa. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigmas os acórdãos n.ºs 9303001.842 e 910100.514, respectivamente. Inicialmente, foi negado seguimento ao recurso especial, por se entender como não comprovada a divergência jurisprudencial. O despacho foi reformado em sede de exame de agravo interposto pela Contribuinte, que entendeu por dar seguimento ao apelo especial com relação aos dois pontos atacados (efls. 1456 a 1460). A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões postulando, preliminarmente, o não conhecimento do recurso especial, por ausência de cotejo analítico e de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas, e, no mérito, a sua negativa de provimento. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anterior Portaria MF n.º 256/09). Depreendese da análise do acórdão recorrido ter o mesmo fundamento em dois pontos: (a) não ter a Contribuinte se desincumbido do seu ônus probatório com relação ao crédito pleiteado, bem como (b) ausência de apresentação de defesa com relação ao segundo Termo de Constatação Fiscal no prazo legal estabelecido, o que foi corroborado pela juntada de documentos após o julgamento do recurso voluntário, impossibilitando a sua apreciação. Fl. 1491DF CARF MF Processo nº 16098.000064/200955 Acórdão n.º 9303007.810 CSRFT3 Fl. 1.492 4 Para elucidar a assertiva, pertinente a transcrição de trechos do acórdão recorrido, in verbis: [...] No presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, incumbindo ao autor a prova quanto ao fato constitutivo do seu direito. No caso em exame, a interessada declarou à Administração Tributária possuir um montante de crédito, utilizado para extinguir os débitos compensados. Nesses termos, cabe à interessada a prova da existência de seu direito, demonstrando a liquidez e certeza dos créditos alegados, utilizados para extinção do crédito tributário sob condição resolutória, através da apresentação ao fisco, quando solicitado, dos livros e documentos estabelecidos pela legislação para a comprovação da exatidão de suas informações. [...] Conforme relatado, a DCOMP apresentada foi submetida a análise pela autoridade competente para decidir acerca do direito pleiteado: ∙ Seort da DRF/Guarulhos emitiu o Despacho Decisório n° 536/2009, por meio do qual não homologou a compensação, sob o fundamento de que a documentação apresentada pela contribuinte em resposta às diversas intimações seria insuficiente para reconhecimento do crédito pleiteado, registrando ainda que o contribuinte não atendeu integralmente as intimações nos prazos fixados, deixando de apresentar elementos essenciais ao exame do pleito, Restando não homologados os créditos pleiteados, demonstrase a seguir de forma sumarizada os desdobramentos e tramitação processual respectivos. Uma vez nãohomologada a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), é facultada ao sujeito passivo a apresentação de manifestação de inconformidade às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ contra a nãohomologação da compensação pela autoridade competente para decidir o pleito (no prazo de trinta dias da ciência da nãohomologação), assim como a apresentação de recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF contra o acórdão das DRJ que manteve a não homologação da compensação (no prazo de trinta dias da ciência do acórdão), conforme previsão dos §§ 7º a 10 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Usando da faculdade que lhe o confere o referenciado dispositivo legal, o contribuinte ingressou com a Manifestação de Inconformidade acompanhada dos documentos de fls. 273/554. Na sequência, a 3ª Turma da DRJ/Campinas decidiu converter o julgamento em diligência, por meio da Resolução nº 2.961, de 14/06/2010. [...] Fl. 1492DF CARF MF Processo nº 16098.000064/200955 Acórdão n.º 9303007.810 CSRFT3 Fl. 1.493 5 Ante o exposto constatase que foram feitas várias intimações, antes de ser exarado o Despacho Decisório não homologatório de fls. n° 536/2009 e ainda, após instaurado o litígio, a instância julgadora a quo, diante da novel documentação apresentada na Manifestação de Inconformidade converteu o julgamento em diligência, em razão de sua competência regimental, nos termos do 1art.233, inciso IV, da Portaria MF nº 203, de 2012, DOU de 17/05/2012, que aprova o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB para julgamento de litígio instaurando em decorrência de apresentação de inconformidade contra apreciações das autoridades em processos relativos a compensação, para que a autoridade jurisdicionante, competente para decidir o pleito procedesse a análise da documentação apresentada, ensejando em decorrência os dois termos de constatação fiscal acima mencionados, sendo importante ressaltar que ao exarar o primeiro Termo de Constatação, após cientificado, o contribuinte solicitou prazo adicional para apresentação de documentos, sendo acolhido, se não expressamente, de maneira tácita, já que novos documentos foram apreciados, resultando no segundo Termo de Constatação Fiscal, fls. 713/717. Verificase assim que quanto ao aspecto material, visando conferir a liquidez e certeza do crédito alegado, foi procedida a verificação junto ao contribuinte do suporte probatório que lhe competia demonstrar, conforme dispõe a legislação de regência, quantos às operações que ensejariam referido crédito, no entanto como já sobejamente explicitado, o contribuinte ofereceu apenas parte da documentação, que se mostrou insuficiente para homologar totalmente o crédito pleiteado. Digno de nota que embora regularmente cientificado do segundo Termo de Constatação Fiscal, declinou o contribuinte de exercer o seu direito de defesa, já que não houve a contestação na Manifestação de Inconformidade quanto ao referido termo. Inferese portanto que o contribuinte não desincumbiu do ônus probatório que lhe competia para demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito. Inexistindo contestação acerca do segundo termo de contestação a instância a quo procedeu ao julgamento com a apreciação das matérias litigadas na Manifestação de Inconformidade apresentada e o resultado da diligência solicitada, cujo conteúdo decisório se demonstra a seguir, por alguns excertos: [...] Do ponto de vista formal, com fulcro no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação da Lei nº 9.532, de 1997, [Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997), assim os argumentos de mera presunção quanto ao direito à via recursal, ainda que silente em relação à primeira instância, não podem ser acolhidos, uma vez que as matérias submetidas à primeira instância determinam os limites do litígio na via contenciosa administrativa, de modo que a matéria não contestada em primeira instância administrativa, suscitada pela recorrente somente na peça recursal, tornase preclusa, visto que não instaurado o litígio quanto à essa matéria, condição, segundo a norma que rege o processo administrativo fiscal para submeterse ao duplo grau de jurisdição. Fl. 1493DF CARF MF Processo nº 16098.000064/200955 Acórdão n.º 9303007.810 CSRFT3 Fl. 1.494 6 [...] Digno ainda de nota que a solicitação de juntada de documentos em 15/12/2015, conforme relatado foi efetuada após o julgamento do presente processo, corroborando a fundamentação já delineada quanto a não apresentação de manifestação de inconformidade relativa ao segundo Termo de Constatação no prazo legal estabelecido com os motivos de fato e de direito para fundamentar sua contestação, bem como os pontos de discordância, as razões e provas que visassem infirmar o referido termo. Assim os documentos apresentados somente em 15/12/2015 não encontram respaldo nas disposições excepcionais previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações respectivas: [...] Nesse mister, ante os fundamentos acima expostos deixo de conhecer a contestação somente em sede recursal quanto ao segundo Termo de Constatação Fiscal, fls. 713/717, mantendo in totum a decisão de piso, bem como os documentos cuja solicitação de juntada foi posterior ao julgamento do presente processo. [...] A Contribuinte, ao apresentar o seu recurso especial, insurgiuse tão somente quanto ao argumento da análise de provas apresentadas posteriormente à manifestação de inconformidade e à preclusão, não tendo realizado a comprovação da divergência com relação à atribuição do ônus probatório. Assentandose a decisão em mais de um fundamento, sendo eles autônomos entre si para a manutenção do julgado, é necessário que a parte se insurja quanto a todos eles para que tenha prosseguimento o recurso especial. Nesse sentido é a Súmula do STF n.º 283: " É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". Além disso, com relação ao tema de insurgência análise de provas juntadas aos autos após a manifestação de inconformidade e preclusão não houve a devida comprovação da divergência jurisprudencial por meio dos paradigmas apresentados, conforme despacho de exame de admissibilidade originalmente exarado neste processo pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, reformado em sede de agravo, tendo se dado a negativa de seguimento ao apelo especial em razão da ausência de comprovação do dissenso interpretativo, com base nos seguintes argumentos, que passam a integrar o presente julgado: [...] 1 – COFINS – PROVA – APRECIAÇÃO DE PROVAS APRESENTADAS EXTEMPORANEAMENTE – ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235/72 Fl. 1494DF CARF MF Processo nº 16098.000064/200955 Acórdão n.º 9303007.810 CSRFT3 Fl. 1.495 7 Para comprovar o dissenso foi colacionado, como paradigma, o Acórdão nº CSRF/9303001.842. Vejamos sua ementa: [...] Inicialmente importa ressaltar que o recurso especial é remédio para solução de divergências na interpretação da legislação tributária. Não cabe à Instância Especial a reapreciação do conjunto probatório. A recorrente parte da premissa equivocada de que o acórdão recorrido teria rechaçado a possibilidade de apreciar provas apresentadas extemporaneamente. Tal não se deu. Não há decisão, no acórdão recorrido, que negue a apreciação das provas apresentadas a destempo, em tese. A rejeição às provas juntadas extemporaneamente, no presente caso, fundamentase no fato material de terem sido apresentadas, conforme a exposição da relatora, depois da data julgamento do acórdão recorrido. Sustenta a recorrente que o acórdão recorrido teria cometido equívoco, ao considerar a data da apresentação das provas em 15/12/2015, quando, alega, foram apresentadas em 01/12/2015. Alega ainda que tal circunstância foi objeto de sustentação oral, porém não acatada pela Turma (folha 1.177 e 1.178). Tais alegações foram rebatidas, em despacho de admissibilidade de embargos, em outros processos da empresa julgados na mesma sessão pela Turma. Neste presente processo os embargos foram rejeitados porque intempestivos. De qualquer modo, o que resta é que o fundamento do acórdão recorrido, neste aspecto, é a ausência das provas quando do julgamento, portanto, decorre a incomparabilidade com o paradigma apresentado. Assim, sendo diversos os fundamentos dos arestos comparados, não há demonstração de divergência jurisprudencial quanto a esta matéria. 2 – COFINS – MATÉRIA PRECLUSA ART. 17 DO DECRETO Nº 70.235/72 Para comprovar o dissenso foi colacionado, como paradigma, o Acórdão nº CSRF/910100.514. Vejamos sua ementa, transcrita na parte de interesse ao presente exame: [...] O paradigma expressa a tese de que, no contexto da apreciação do instituto da preclusão, previsto no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, devese diferenciar a “defesa” dos “fundamentos de defesa”. A primeira não poderia ser inovada, enquanto os segundos, sim. Em outras palavras, a preclusão incidiria sobre as infrações cometidas e não defendidas, isto é, se todas as infrações tiverem sido contestadas em recurso inicial, eventual recurso a instância superior poderia apresentar novas teses jurídicas. Porém, o acórdão recorrido considerou que o contribuinte não apresentou nenhuma defesa nem defesa, nem fundamentos de defesa perante as infrações apontadas no resultado da diligência fiscal, resultado da diligência fiscal que restou convalidado pela DRJ. Com efeito, o acórdão recorrido relata que o contribuinte foi intimado a manifestarse acerca dos resultados da diligência fiscal que calculou o crédito afinal acatado pela instância Fl. 1495DF CARF MF Processo nº 16098.000064/200955 Acórdão n.º 9303007.810 CSRFT3 Fl. 1.496 8 julgadora a quo e não o tendo feito, não remanesceu qualquer litígio. Confirase trecho (folha 966): [...] Ressalto que fato de o cálculo ter sido feito apenas em sede de diligência fiscal solicitada pela DRJ foi responsabilidade do contribuinte, posto que não apresentou, na fase anterior, os documentos solicitados. Portanto, a responsabilidade para que a oportunidade de defesa sobre as infrações apontadas tenha se dado após a manifestação de inconformidade também é do contribuinte. [...] Portanto, nenhuma das infrações e diferenças de cálculo apontadas na referida diligência fiscal final foi objeto de “defesa” ou “fundamentos de defesa” por parte do contribuinte, na primeira instância administrativa. Desse modo, a distinção vazada pelo paradigma se revela inócua no presente caso, razão pela qual concluise que não foi demonstrada a divergência quanto a esta matéria. [...] Diante do exposto, não se conhece do recurso especial da Contribuinte. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 1496DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.721307/2013-35
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 30/09/2011
COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA.
O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos decorrentes de recolhimentos de contribuições sem efetivamente desincumbir-se de demonstrar o efetivo recolhimento.
Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da lei 8212/91, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte.
Numero da decisão: 9202-007.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 30/09/2011 COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos decorrentes de recolhimentos de contribuições sem efetivamente desincumbir-se de demonstrar o efetivo recolhimento. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da lei 8212/91, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13971.721307/2013-35
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5948237
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9202-007.361
nome_arquivo_s : Decisao_13971721307201335.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 13971721307201335_5948237.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
id : 7570747
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:35:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051419053916160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1686; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13971.721307/201335 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.361 – 2ª Turma Sessão de 27 de novembro de 2018 Matéria Multa Isolada compensação indevida. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MALHARIA DIANA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 30/09/2011 COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos decorrentes de recolhimentos de contribuições sem efetivamente desincumbirse de demonstrar o efetivo recolhimento. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da lei 8212/91, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 13 07 /2 01 3- 35 Fl. 1228DF CARF MF 2 Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2201003.570, proferido na sessão de 05/04/2017, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 30/09/2012 NULIDADE. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO. Não procedem as argüições de nulidade do lançamento, quando a Autoridade Lançadora procedeu a Auditoria Fiscal, consoante o procedimento previsto na legislação tributária. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Havendo fundamentos judiciais e pagamentos indevidos, as compensações são devidas nas GFIP’s Guias de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social, mas a origem dos pagamentos indevidos devem ser comprovados por documentos hábeis. MULTA ISOLADA COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Ausência de comprovação da falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a aplicação da multa isolada; e excluir da responsabilidade pessoal de Romilda Blaese e Marcelo Mauro Blaese. O recurso visa rediscutir a seguinte matéria: multa isolada por compensação indevida. Em exame preliminar de admissibilidade, a Presidente da Segunda Câmara, da Segunda Seção do CARF, deu seguimento ao apelo da Fazenda Nacional, nos termos do Despacho de efls. 1.212 a 1.219. Em suas razões recursais, a Fazenda Nacional aduz, em síntese, que a aplicação da penalidade em questão tem amparo no art. 89, §10 da Lei nº 8.212/91 c/c art. 44, I da Lei nº. Fl. 1229DF CARF MF Processo nº 13971.721307/201335 Acórdão n.º 9202007.361 CSRFT2 Fl. 3 3 9.430/96; que, da análise desses dispositivos, nos casos de compensação indevida, impõese a aplicação da multa isolada de 150%; que, no caso, o contribuinte compensou créditos que, dada sua natureza controvertida, não cumprem os requisitos legais de liquidez e certeza; que a compensação em apreço fundamentouse em declaração falsa; que, uma vez configurada a falsidade, temse configurada a hipótese do § 10 do art. 89, da Lei nº 8.212, de 1991; que tal incidência não exige a comprovação de fraude. A contribuinte foi cientificada do Acórdão de Recuso Voluntário, do Recurso Especial da Procuradoria e do Despacho que lhe deu seguimento em 28/07/2017 (efls. 1224) e não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Quanto ao mérito, como se depreende do próprio acórdão recorrido, a contribuinte fez compensações de valores alegadamente indevidos de verbas indenizatórias e de direitos creditórios de retenção de Fundo de Participação dos Municípios. O acórdão recorrido considerou indevidas as compensações e manteve as glosas dos valores compensados. Quanto à multa isolada, todavia, o acórdão recorrido considerou indevida a exação sob o fundamento de que o art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991 prevê duas possibilidades de penalidades, a multa de mora, limitada a 20%, no caso de ausência de dolo, e a multa isolada, no percentual de 150%, no caso de declaração falsa, caracterizado o dolo, e que, no caso, não se identificou elementos caracterizadores do dolo, conforme o seguinte fragmento do voto condutor do julgado: Verificase que o citado art. 89 carreia dois tratamentos diversos para os casos de compensação indevida, (a) quando não se comprove falsidade na declaração, a incidência de multa de mora, o qual é limitado ao percentual de 20% pelo art. 61 da Lei 9.430, de 1996, por expressa remissão do art. 35 da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009, e (b) quando se comprove falsidade na declaração, a incidência de multa isolada, no percentual de 150%, face ao disposto no inciso I do caput do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro. Uma vez que ambos os casos tratam de compensação indevida e, não havendo previsão para a aplicação conjunta das duas multas, é evidente que deve existir um critério diferenciador para a aplicação das aludidas multas; a meu juízo, tal critério é a existência, ou não, do dolo de praticar uma declaração falsa. [...] Fl. 1230DF CARF MF 4 No caso concreto, face à análise do conjunto probatório, não me convenci da existência do dolo; as justificativas apresentadas pela recorrente foram por mim rechaçadas, manteve as glosa das compensações mas penso que a compensação indevida em análise mais provavelmente se deve à falta de assessoramento capacitado do que ao dolo de apresentar declaração falsa. Cumpre, portanto, mediante a interpretação do art. 89, da Lei nº 8.212, de 1991, a seguir reproduzido, decidir sobre a(s) multa(s) aplicável(eis) no caso de redução do pagamento de contribuições em GFIP mediante compensação indevida. Reza o art. 89, da lei nº 8.212, de 1991: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. [...] § 4o O valor a ser restituído ou compensado será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subsequente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. [...] § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. § 11. Aplicase aos processos de restituição das contribuições de que trata este artigo e de reembolso de saláriofamília e salário maternidade o rito previsto no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. § 12. O disposto no § 10 deste artigo não se aplica à compensação efetuada nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Como se vê, o art. 89, caput, da Lei n° 8.212/1991, prevê que as contribuições somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Já o § 9º prevê que sobre o valor da compensação indevida deve incidir os acréscimos moratórios previstos no art. 35 da mesma lei, e que tem a seguinte redação: Fl. 1231DF CARF MF Processo nº 13971.721307/201335 Acórdão n.º 9202007.361 CSRFT2 Fl. 4 5 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, prescreve: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Já o § 10, do art. 89, da Lei nº 8.212, de 1991 prevê a incidência da multa prevista no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430, aplicada em dobro, no caso de declaração falsa. Confirase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Pois bem, antes de examinar o caso concreto, convém analisar a possibilidade jurídica da incidência cumulativa das multas previstas no § 9º, do art. 89, da Lei nº 8.212, de 1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996 e no § 10 da Lei nº 8.212, de 1991 c/c o art. 44, I, da Lei nº 9.320, de 1.996. Da leitura dos §§ 9º e 10, do art. 89, da Lei nº 8.212, de 1991, constatase facilmente que o primeiro cuida de acréscimos legais pela mora em relação às contribuições que deixaram de ser pagas tempestivamente em decorrência da compensação indevida. Tais acréscimos seriam os mesmos devidos em qualquer circunstância em que houvesse pagamento de tributo com atraso. Já o § 10º referese a uma multa punitiva em razão da prática de apresentar declaração falsa. São duas penalidades distintas para duas infrações distintas: multa Fl. 1232DF CARF MF 6 de mora pelo pagamento do tributo a destempo e multa punitiva pela apresentação de declaração falsa. Notese que essa situação não se compara à da aplicação da multa moratória em razão do pagamento espontâneo fora do prazo versus a multa de ofício no caso de lançamento de ofício. Tratase aqui de lançamento de ofício, mas não do tributo que deixou de ser pago, posto que este já fora declarado, mas das penalidades. Fique claro também que não se trata no caso de aplicação da penalidade prevista no inciso I, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996. O § 10, do art. 89, da Lei 8.212, de 1991 referese a esse dispositivo apenas para determinar o percentual da multa aplicável, vale dizer, apenas diz que a multa deverá ser aplicada no percentual ali mencionado. Poderia, inclusive, apenas ter se referido ao percentual de 75%, sem referirse à Lei nº 9.430, de 1996. Portanto, diferentemente do que concluiu o acórdão recorrido, não é o caso de aplicação de uma ou de outra penalidade, da multa de mora ou da multa isolada, mas de, verificadose que, além da falta de pagamento da contribuição no prazo em razão de compensação indevida situação que enseja a incidência da multa e dos juros de mora – houve a prática de apresentação de declaração falsa, exigir, em razão desta conduta, também da multa isolada. Superada essa questão cumpre, então, verificar o cabimento, no caso, da multa prevista no § 10, do art. 89, da Lei nº 8.212, de 1991. O relatório Fiscal (fls. 18 a 22) assim justifica as glosas das compensações: 3. Da análise da documentação solicitada, verificouse que o contribuinte apresenta divergências entre os valores das remunerações declaradas em GFIP e os constantes das Folhas de Pagamento (competências 10/2010, 12/2010 e 13/2010). 4. Verificouse também que o contribuinte efetuou INDEVIDAMENTE compensação de contribuições previdenciárias, informando em GFIP valores os quais o mesmo não tem o direito previsto em lei, tampouco obteve autorização judicial para tal, uma vez que não houve propositura de ação judicial com este objetivo. 5. Intimado a prestar esclarecimentos quanto às compensações efetuadas, o contribuinte apresentou o Ofício nº 2127/2010, o qual é o mesmo documento apresentado em 25/11/2010 em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 06/2010 (ambos em anexo), no qual esclarece que o fez com base, simplesmente, em decisões judiciais que favorecem terceiros interessados, as quais definiam a não incidência de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos a título de 1/3 constitucional de férias e sobre horas extras. 6. Verificase que as decisões referentes ao 1/3 de férias não são para o Regime Geral de Previdência Social. 7. Registrese que não consta nas Folhas de Pagamento da Prefeitura pagamento na rubrica Horas Extras. 8. Observese que a legislação em vigor reza que incide contribuição previdenciária tanto sobre 1/3 de férias quanto sobre as horas extras. Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 13971.721307/201335 Acórdão n.º 9202007.361 CSRFT2 Fl. 5 7 9. Portanto, por falta total de respaldo legal e/ou judicial, a compensação efetivada é, incontestavelmente, indevida, sendo a mesma GLOSADA integralmente. 10. Tais fatos acima descritos caracterizam a falsidade nas declarações apresentadas por meio das GFIPs. Por sua vez, a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, vigente à época dos fatos, trazia as seguintes orientações sobre a compensação: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VII, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 2º A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o crédito que: a) seja de terceiros; b) se refira a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1º do Decreto Lei nº 491, de 5 de março de 1969; c) se refira a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; e) não se refira a tributos administrados pela RFB; ou f) tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei que não tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade, nem tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; [...] XI o crédito que não seja passível de restituição ou de ressarcimento; Fl. 1234DF CARF MF 8 Como se vê, a Instrução Normativa vedava expressamente a compensação de créditos que não fossem passíveis de restituição ou de ressarcimento, e, no caso, os créditos pleiteados não eram passíveis de restituição ou ressarcimento. Isso não significa que o contribuinte não poderia pleitear a restituição desses créditos. O que não poderia era, sem ter pleiteado a restituição e sem ter o direito reconhecido, lançar mão dos valores para reduzir o valor das contribuições a pagar. Assim, ao pleitear a compensação desses créditos, que, repitase, a Contribuinte sabia indevidas, incorreu sim em prestação de declaração falsa. Declaração falsa é aquela que, conscientemente, não corresponde à verdade. É diferente do erro, do mero engano, em que o agente insere informação inverídica, porém, pensando estar inserindo informação verdadeira. Informar em declaração entregue ao Fisco que detém um crédito passivo de restituição ou ressarcimento quando não tem o reconhecimento de que esse crédito é passível de restituição, configura efetivamente falsidade da declaração. E não cabe, em sede de simples pedido de compensação, analisar o mérito quanto a eventuais questionamentos sobre a incidência dos tributos anteriormente pagos com os quais se pretende subtrair valores a pagar. No pedido de compensação devem ser informados créditos restituíveis, portanto, com direito creditório reconhecido. Se o contribuinte entendia indevidos certos pagamentos, poderia pleitear a restituição mediante procedimento próprio. Nesse ponto é importante distinguir a condição de prestar declaração falsa, prevista no § 10 , do art. 89, da lei nº 8.212, de 1991 da exigência de demonstração do evidente intuito de fraude, prevista no § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996. Conforme referido acima, a Lei nº 8.212, de 1991 reportase ao inciso I, do art. 44 da lei nº 9.430, de 1996 apenas para indicar o percentual da multa, logo, também não atrai a aplicação do § 1º do mesmo artigo. Aliás, quisesse o legislador que a multa fosse devida apenas nos casos de evidente intuito de fraude, teria dito isso, ou apenas invocado o § 1º do artigo 44, como vez em relação ao inciso I do mesmo artigo. Portanto, não se cogita aqui de demonstração de evidente intuito de fraude, mas apenas de falsidade de declaração, conforme referido linhas acima. Conclusão Pelo exposto, conheço do Recurso e, no mérito, doulhe provimento, para restabelecer a multa isolada. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 13971.721307/201335 Acórdão n.º 9202007.361 CSRFT2 Fl. 6 9 Fl. 1236DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10976.720025/2014-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE PARCIAL.
A ausência de apreciação, pela autoridade julgadora de primeira instância, de Impugnação apresentada pelo responsável solidário configura cerceamento do direito de defesa e implica a nulidade da decisão proferida.
Todavia, a nulidade parcial não vicia inteiramente o acórdão, cabendo o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para que profira decisão complementar sobre as matérias não apreciadas.
Numero da decisão: 1302-003.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade parcial do acórdão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira decisão complementar sobre a Impugnação apresentada pelo responsável solidário Eustáquio Soares Maia, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE PARCIAL. A ausência de apreciação, pela autoridade julgadora de primeira instância, de Impugnação apresentada pelo responsável solidário configura cerceamento do direito de defesa e implica a nulidade da decisão proferida. Todavia, a nulidade parcial não vicia inteiramente o acórdão, cabendo o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para que profira decisão complementar sobre as matérias não apreciadas.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10976.720025/2014-63
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5964026
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1302-003.383
nome_arquivo_s : Decisao_10976720025201463.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
nome_arquivo_pdf_s : 10976720025201463_5964026.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade parcial do acórdão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira decisão complementar sobre a Impugnação apresentada pelo responsável solidário Eustáquio Soares Maia, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
id : 7618121
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051419061256192
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1908; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 3.491 1 3.490 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10976.720025/201463 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1302003.383 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de janeiro de 2019 Matéria NULIDADE AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO Recorrentes DHF PRODUTOS ALIMENTICIOS LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE PARCIAL. A ausência de apreciação, pela autoridade julgadora de primeira instância, de Impugnação apresentada pelo responsável solidário configura cerceamento do direito de defesa e implica a nulidade da decisão proferida. Todavia, a nulidade parcial não vicia inteiramente o acórdão, cabendo o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para que profira decisão complementar sobre as matérias não apreciadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade parcial do acórdão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira decisão complementar sobre a Impugnação apresentada pelo responsável solidário Eustáquio Soares Maia, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 72 00 25 /2 01 4- 63 Fl. 3491DF CARF MF Processo nº 10976.720025/201463 Acórdão n.º 1302003.383 S1C3T2 Fl. 3.492 2 Relatório Tratamse de Recursos Voluntário e de Ofício em relação ao Acórdão nº 03 69.586, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (fls. 3.213 a 3.242), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: " ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 OMISSÃO DE RECEITA. SALDO CREDOR DE CAIXA. Os cheques liquidados por compensação bancária, por não constituírem ingresso efetivo de recursos, somente podem ser registrados a débito da conta caixa se esta conta, na mesma data ou em dia próximo, registrar as saídas a que se destinaram os cheques emitidos. A emissão de cheques lançados a débito da conta caixa, ainda que destinados a pagamento de encargos da empresa, mas não lançados a crédito desta, configura a hipótese de omissão de receitas, precisamente porque tais pagamentos foram feitos com recursos ficticiamente acrescidos ao caixa. Não comprovadas as saídas, o caixa deve ser reconstituído e ajustado, tributandose, como omissão de receita, os eventuais saldos credores. OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO DE SÓCIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A não comprovação da origem e da efetividade dos recursos de caixa fornecidos à empresa pelo sócio, caracterizase como omissão de receita, não bastando para ilidir a presunção fiscal a capacidade financeira do supridor. Os suprimentos de caixa efetuados pelo sócio da empresa devem ser comprovados com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, de forma tal que comprovem a transferência dos numerários das contas dos sócios para as contas das empresas. À falta destes documentos é lícito ao fisco tributar referidos ingressos como receitas omitidas. PASSIVO FICTÍCIO. OMISSÃO DE RECEITAS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A manutenção no passivo de obrigações já pagas caracterizase como omissão no registro de receita, presumindose que o pagamento foi feito com recursos à margem da escrituração contábil, cabendo ao contribuinte comprovar a improcedência do mecanismo presuntivo, mediante apresentação de documentação idônea e hábil. Fl. 3492DF CARF MF Processo nº 10976.720025/201463 Acórdão n.º 1302003.383 S1C3T2 Fl. 3.493 3 OMISSÃO DE RECEITAS. FORMA DE APURAÇÃO. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. O arbitramento somente será cabível se a escrituração da interessada apresentar vícios e deficiências que impliquem na imprestabilidade da escrituração para as necessárias apurações QUALIFICAÇÃO DA MULTA. DOLO. A simples apuração de omissão de receita, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício. Para a qualificação da multa é necessário que o procedimento do contribuinte ultrapasse a conduta objetiva descrita no tipo tributário e caracterize o dolo, situação demonstrada em relação à omissão de receita capitulada como suprimento de caixa. No caso dos autos, a “negociata” perpetrada entre a Impugnante e a SCP (constituída artificialmente) criou instrumentos utilizados para encobrir o negócio efetivamente realizado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA Aplicase ao lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido o decidido em relação ao IRPJ lançado a partir da mesma matéria fática. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO E PRORROGAÇÕES. CIÊNCIA. Nos termos do ato administrativo que rege a matéria, a notificação do MPF e suas alterações considerase feita com a disponibilização desses instrumentos na internet, na página da RFB. ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MENOR. MULTA ISOLADA. Em função das infrações apuradas, a autoridade fiscal, considerando a opção do contribuinte pela apuração do lucro real anual, deve proceder à recomposição dos balancetes mensais de suspensão/redução elaborados pela empresa fiscalizada, para fins de apuração dos valores que seriam devidos a título de diferenças de estimativas mensais de IRPJ, que resultarão nas bases de cálculo das multas isoladas, devidas com fundamento no art. 44, inciso II, letra “b”, da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 3493DF CARF MF Processo nº 10976.720025/201463 Acórdão n.º 1302003.383 S1C3T2 Fl. 3.494 4 AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTO. ATIVIDADE ADMINISTRATIVA VINCULADA. No que se refere ao Auto de Infração não cabe avaliação quanto à conveniência e à oportunidade da prática do ato, pois, identificado o ilícito, é obrigatória a autuação, que deve seguir os estritos limites das normas que disciplinam as etapas do procedimento fiscal." A decisão recorrida, assim, resumiu os autos: "Tratase de autos de infração (fls. 03/68) lavrados contra a pessoa jurídica DHF PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA, referentes ao ano de 2010, para a exigência de IRPJ, CSLL, Cofins, contribuição para o PIS e multa isolada, no valor total de R$ 19.374.406,58 (dezenove milhões trezentos e setenta e quatro mil quatrocentos e seis reais e cinquenta e oito centavos), em razão de a Fiscalização ter apurado omissão de receitas. Nos referidos lançamentos, a autoridade fiscal imputou à contribuinte a prática de omissão de receitas, por presunção legal, em razão de a sua escrituração ter evidenciado: (1) saldo credor de caixa; (2) manutenção, no passivo, de obrigação já paga e/ou não comprovada (passivo fictício); e pela não comprovação da origem e da efetividade da entrega do numerário (suprimento de caixa). A auditoria fiscal resultou também no lançamento de multa isolada pela falta de recolhimento do IRPJ e CSLL sobre base de cálculo estimada. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 70/134 e anexos) foram efetuados 4 infrações, a saber: 1. Suprimento de Numerário: Ausência de comprovação, quer da origem dos recursos utilizados na transferência de valores financeiros do sócio quotista, Sr. Eustáquio Soares Maia, para o Caixa da empresa fiscalizada, quer da efetividade da entrega desses valores à empresa; 2. Saldo Credor de Caixa: Da análise da conta caixa constatou se a existência de saldo credor de caixa, para o qual, mesmo intimada, a fiscalizada não logrou êxito em justificar o porque de tais saldos; 3. Passivo Fictício: Identificouse omissão de receita ao confrontarse as informações prestadas pela fiscalizada (razão conta fornecedor Cossisa, livro registro de entrada fls. 06/07) com as informações prestadas pelo fornecedor Cossisa (NF, comprovante de pagamento e etc). Algumas Notas Fiscais permaneciam em aberto em 31/12/2010, mesmo tendo sido liquidadas anteriormente conforme informação prestada pelo fornecedor; e; Fl. 3494DF CARF MF Processo nº 10976.720025/201463 Acórdão n.º 1302003.383 S1C3T2 Fl. 3.495 5 4. Multa Isolada – Falta de Recolhimento da Estimativa: Tendo em vista a existência de receitas omitidas verificouse a ausência de recolhimentos de estimativas nos meses 01, 03 e 09. Informa a fiscalização que foram deduzidos os valores já declarados pela fiscalizada em DCTF a título de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. No caso do PIS e da Cofins foi aproveitado o crédito remanescente de dezembro de 2009, bem como os valores de crédito apurados pelo contribuinte no decorrer do ano de 2010 e após aproveitamento dos aludidos créditos não restou valor de PIS e Cofins a ser lançado. DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA Para a fiscalização os fatos descritos no Termo de Verificação Fiscal evidenciam a prática, por parte do mandatário da empresa fiscalizada, de crime contra a ordem tributária, previsto nos artigos 1º, incisos I, II e III e 2º, inciso I da Lei no 8.137 de 27 de dezembro de 1990, pela prestação de informações falsas à autoridade fazendária e por fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos e omitindo operações em documento e livro exigido pela lei fiscal, saldo credor de caixa, passivo fictício, criação fictícia de Sociedade em Conta de Participação, suprimento de numerário pelo sócio, manipulação de valores e datas dos registros contábeis revelando a total desorganização bem como a falta de credibilidade da contabilidade apresentada, tais fatos que caracterizam, também, a sonegação e a fraude, previstos nos artigos 71 e 72 da Lei no. 4.502 de 30 de novembro de 1964, razão porque se qualificou a multa de ofício lançada (150%), conforme artigo 44, da Lei nº. 9.430/96 e artigo 957 do RIR/99. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA A fiscalização imputou a responsabilidade ao Eustáquio Soares Maia, CPF 134.376.74668,CI M624.955, sócio administrador e quotista majoritário, conforme prevista no art. 124 do CTN, inciso I, bem como pela aplicação do art. 135, III, do mesmo CTN. Reitera o entendimento de que houve a prática de fraude, configurandose, inclusive, a ativa participação do sócio nos fatos que deram origem ao surgimento dos fatos geradores que redundaram na constituição do crédito tributário. Sendo o objetivo maior das operações relatadas a sonegação de tributos. DA IMPUGNAÇÃO DA EMPRESA Cientificado das exigências, conforme assinatura oposta às fl. 241, em 28/11/2014, a empresa autuada apresentou, em 30/12/2014, a petição impugnativa, acostada às fls. 3120/3205, contrapondose ao procedimento fiscal com os seguintes argumentos. Fl. 3495DF CARF MF Processo nº 10976.720025/201463 Acórdão n.º 1302003.383 S1C3T2 Fl. 3.496 6 DAS PRELIMINARES DAS NULIDADES a) Falta de confecção de Mandado de Procedimento Fiscal A empresa alega que não identificou a presença do MPF ao longo de todo o PTA; e, sendo o mesmo requisito indispensável para o inicio da fiscalização, sua ausência leva à nulidade absoluta do feito fiscal. b) Prazo para conclusão dos trabalhos – dilação Neste ponto aduz a empresa que os prazos precisam ser observados, assim, a fiscalização deve ser finalizada no prazo de 60 dias, que poderá ser renovado por igual período, desde que haja ato administrativo justificante, isto é, vinculado e motivado, de modo a trazer as razões que amparam a necessidade de sua prorrogação, que, no caso em tela, inexiste. Assim, a fiscalização teria perdurado injustificadamente por período superior ao previsto em lei, sem que houvesse plausibilidade para tanto. Não houve apresentação de nenhum ato formal, de acordo com os documentos digitais disponibilizados pela fiscalização, salientando a necessidade de dilação de prazo e, muito menos, justificativa motivada para tanto. c) Falta de motivação Aduz a empresa que a fiscalização entendeu por bem concluir que houve omissão de receita, nos termos dos arts. 281 e ss. do RIR/99, e, por conseguinte, efetuou o lançamento tributário sob a sistemática do lucro real, contudo a fiscalização equivocouse ao concluir o lançamento tributário que neste caso deveria ser o lançamento por arbitramento. Ou seja, se a fiscalização sustenta que a contabilidade é (i) desorganizada, (ii) faltalhe credibilidade contábil, (iii) há divergências de informações etc, o art. 47 da Lei nº 8.981/95 é imperativo asseverando que “o lucro da pessoa jurídica será arbitrado”. Logo, em sendo assim, considerando que a fiscalização não fez a correta adequação da situação fática ao dispositivo normativo compatível, não se pode olvidar que existe vício de motivação do ato administrativo, razão pela qual o Auto de Infração deverá ser anulado. Outro ponto defendido pela empresa reside no fato de que caso o fiscal entenda que houve omissão de receita, deverá, por mandamento legal expresso, proceder ao arbitramento na forma e modo consubstanciado no art. 284 do RIR. Assim, entende a Impugnante que, no caso de estar presente o instituto da omissão de receita no lucro real, conforme arts. 281 e ss. do RIR/99, o cálculo/base de cálculo a ser aferida será de duas, uma: (i) nos termos do art. 284 do RIR ou (ii) de acordo com art. 532 do RIR. Segundo a Impugnante ausente a caracterização e comprovação da ocorrência do fato gerador demonstradas pela autoridade administrativa, seria nulo o lançamento tributário. Fl. 3496DF CARF MF Processo nº 10976.720025/201463 Acórdão n.º 1302003.383 S1C3T2 Fl. 3.497 7 No caso em tela, o Fisco não teria observado a estrita legalidade para formatação do ato administrativo e/ou composição da base de cálculo dos tributos (IRPJ e CSLL), tendo em vista que o lançamento não se deu por arbitramento e/ou o critério para aferir suposta omissão de receita não possui correspondente sustentáculo legal. Portanto, restaria evidente a violação ao art. 142 do CTN, posto que, no processo tributarioadministrativo, o ônus da prova é exclusivamente do Fisco quando do exercício da fiscalização. Ademais, segundo a empresa, o entendimento adotado pelo fiscal é totalmente contrário à “Teoria dos Motivos Determinantes”. Assim, o lançamento tributário ora combatido está vinculado, tão somente, a ilações e presunções, sem qualquer outra comprovação e em contradição com todas as provas carreadas nos autos que demonstram a inocorrência do suposto fato gerador tributário, sendo certo a fiscalização tem o dever de proceder a uma efetiva investigação fiscal e observar a legalidade estrita, para a apuração e comprovação dos fatos tributáveis a ensejar a sua intervenção. Ao final, pugna pela decretação da nulidade do AI indevidamente lavrado pelo Fisco, em razão de seu patente vício/falta de motivação. d) Falta de fundamentação legal para o lançamento da multa isolada Segundo a defendente, nos termos do relatório fiscal, os pontos que fundaram a autuação tiveram indicação dos correspondentes dispositivos legais, com exceção da multa isolada (falta de recolhimento da estimativa de IRPJ e CSLL), violando o disposto no art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada Código Tributário Nacional – CTN, ensejando a sua nulidade. DO MÉRITO a) Da Existência de fato e de direito da Sociedade de Conta de Participação O primeiro argumento da fiscalização cai por terra, pois, inexiste impedimento legal para que a SCP seja formada entre a DHF e Eustáquio Maia, ainda que a primeira tenha como sócios o próprio Eustáquio Maia e a empresa RPL (que tem Eustáquio Maia como sócio também). Tendo em vista que a DHF estava em situação financeira complicada no ano de 2010 e precisava de recursos, os quais teriam sido supridos via SCP. A Impugnante imagina que seja de prévio conhecimento da RFB de que o Sr. Eustáquio tinha patrimônio suficiente para fazer o referido investimento. Para tanto, basta fazer simples análise comparativa da DIRPF 09/10 (doc. 05) para DIRPF 10/11 (doc. 06), que inclusive já sofreu homologação, ainda que tácita. Considerando a variação patrimonial entre 2008 a 2010, é inconteste que, de acordo com as operações praticadas no Fl. 3497DF CARF MF Processo nº 10976.720025/201463 Acórdão n.º 1302003.383 S1C3T2 Fl. 3.498 8 período, resta evidenciado que Eustáquio Maia teve disponível, até 31/12/2010, a importância de R$ 4.518.712.43 gado, valores em espécie, retornos de SCPs, Empréstimo. Isso sem levar em conta a riqueza nova (rendimentos tributáveis) nos anos de 2009 e 2010, respectivamente, R$ 114.747.04 e R$ 1.062.678.17. Houve aplicação de recursos em bens e direitos no total de R$ 3.845.228,10, sendo certo que R$ 3.200.000,00 foram destinados à SCP DHF. Assim, não pode a fiscalização alegar a falta de demonstração patrimonial do sócio oculto da SCP a partir tão somente das operações de compra e venda de gado em 2009. É importante visualizar a questão narrada num contexto macro, isto é, além dos documentos inerentes às operações de gado apresentados durante o procedimento, verificar as demais informações inerentes à formação de patrimônio entre 2008 e 2010, sendo certo que tal informação já era e sempre foi de conhecimento do fisco. Ademais, é totalmente desarrazoado alegar que os documentos de 2009 não servem de indício ou prova de parte da operação sob o fundamento de que a SCP foi formatada em 2010. Isso porque, em nenhum momento, a Impugnante ou o sócio Eustáquio Maia assinalou que vendeu gado para inserir numa SCP a ser criada. O propósito não era vender gado para investir na DHF; o propósito era investir na DHF, tendo em vista a necessidade evidenciada. Enfim, a venda de gado um ano antes é demonstrativo de parte da riqueza PREexistente que subsidiou a concretização de tal possibilidade. A tese sustentada pela abre margem para alto grau de subjetivismo, que não tem espaço na legalidade tributária. É claro e evidente que o objeto societário pretendido era de investir recursos na DHF. Como toda e qualquer operação da espécie, a vantagem deve ser para os dois lados. Em sendo assim, a DHF, com a percepção de recursos, poderia dar continuidade às suas atividades; a SCP, por outro lado, receberia os valores investidos/repassados com juros de 1%, o que evidentemente É um ótimo negócio, considerando a situação atual de mercado financeiro. Com ênfase, registrese que a legislação societária restou totalmente omissa quanto ao objeto que deve ter uma SCP, o que, por conseguinte, abre espaço para que toda e qualquer finalidade seja adotada, desde que legal. Houve o ingresso de recursos não tributáveis no ano de 2010 na DHF a partir da SPC, que foi devidamente registrado Fl. 3498DF CARF MF Processo nº 10976.720025/201463 Acórdão n.º 1302003.383 S1C3T2 Fl. 3.499 9 contabilmente. Além disso, o lastro do recurso foi devidamente provado acima. As duas parcelas de recurso foram aplicadas em 26/09/2010 e 27/12/2010, sendo certo que, até mesmo por estar próximo ao término do ano fiscal, o retorno de recursos com os juros previstos não ocorreu no período fiscalizado (2010), mas tão somente nos anos subsequentes (2012 e 2013). Logo, não há que se falar em cálculo e demonstrativo segregados da SCP e DHF, pelo simples fato de não se ter nada a ser contabilizado e aferição de resultado. Em adição, nos termos visualizados pela própria Receita Federal do Brasil, o retorno parcial da quantia aplicada via SCP somente ocorreu nos anos posteriores, tendo em vista a grande dificuldade financeira vivenciada pela Autuada. b) Do fechamento de contas na conta caixa e inexistência de passivo fictício Neste ponto a empresa entende perfeitamente o que a fiscalização desejaria que fosse escriturado. Contudo, tal procedimento aumentaria sobremaneira a complexidade da operacionalização contábil, sendo certo que a mera inserção de informações na conta caixa seria suficiente para dar lastro completo às operações praticadas. Ou seja, em vez de abrir contas e subcontas contábeis, tornase suficiente, para alcançar a verdade material, ter ampla visualização da conta caixa. Assim, uma vez tendo saída de recursos na conta banco (C/Conta Banco), a sua contrapartida é vista na conta caixa (D/Conta Caixa). E, passo seguinte existe um novo lançamento quando do pagamento de despesas gerais e fornecedores (C/Conta Caixa). Eventual devolução de cheques era registrada como débito na conta caixa em vez de ser lançado como débito na conta banco, demonstrando o real interesse de os lançamentos contábeis serem efetivados quase que exclusivamente na conta caixa, o que, digase de passagem, também demonstra a realidade e verdade, inexistindo qualquer prejuízo ao fisco. Por seu turno, os cheques emitidos não estão vinculados necessariamente ao pagamento de despesas individualizadas. Pelo contrário, em muitas das vezes, um cheque emitido pode ser utilizado para honrar várias obrigações do período. Propõese que, em vez de análise individualizada, fosse adotada análise em grupos de períodos. Por essa razão, o ideal seria uma visualização restritiva da conta caixa, posto que a partir dela poderá se identificar: (i) a entrada de recursos oriundos da conta banco, (ii) pagamentos efetuados saídas e (iii) outras entradas, como estorno, devoluções etc. E, caso tal situação fosse visualizada, restaria Fl. 3499DF CARF MF Processo nº 10976.720025/201463 Acórdão n.º 1302003.383 S1C3T2 Fl. 3.500 10 plenamente factível que os recursos da conta caixa (D) foram utilizados para honrar obrigações (C), sendo certo que, em determinadas situações seria possível identificar um só débito na conta caixa que seria suficiente para honrar alguns créditos na conta caixa. Ressalta ser no mínimo precipitada a conclusão da fiscalização de que a Autuada teria passivo fictício. Tendo em vista milhares de notas fiscais emitidas durante o exercício de 2010, identificar eventual equívoco o que não existe em menos de 10 (dez) operações/notas fiscais, é quase insignificante e, portanto, não pode servir de parâmetro para arrematar a existência de passivo fictício. É impossível sustentar a presença de passivo fictício por mera amostragem que não chega a 1% do movimento. Mais uma vez, reportase à sistemática adotada no que se refere à movimentação financeira, ocasião em que se observando restritivamente Contas Banco e Caixa, o fluxo financeiro e a operação contábil a conclusão é de que estão corretas. DA MULTA QUALIFICADA A multa de 150% foi aplicada sob o fundamento de que teria ocorrido sonegação, fraude ou conluio, ocorre que, conforme relatório da fiscalização, a autuação teve fundamento no art. 281 e ss. do RIR/99, ou seja, a partir do instituto da presunção de omissão de receita. Nesta seara, os institutos da sonegação, fraude, e conluio precisam ser necessariamente provados, e jamais serão presumidos. É indispensável a presença de dolo específico. Ora, o indispensável passo para dar sustentáculo à aplicação da multa qualificada seria a fiscalização ser firme e contundente ao afirmar que houve fraude. Não foi o que ocorreu. A fiscalização, legalmente, se valeu do instituto da presunção da omissão de receita, o que gera, como consequência, o dever de pagar tributo, com juros, correção e multa de ofício. A multa qualificada somente terá vez quando a fiscalização afirmar e não presumir que houve fraude e provar individualmente e não de forma genérica , os motivos que a levaram a chegar a tal conclusão, acompanhada da indispensável prova. Cita sumulas do CARF. A rigor, é assente, na doutrina e na jurisprudência deste eg. Conselho, que se afigura indispensável a demonstração exaustiva de que o autuado agiu com fraude de sorte a lhe imputar a qualificação da multa. DA IMPUGNAÇÃO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO Fl. 3500DF CARF MF Processo nº 10976.720025/201463 Acórdão n.º 1302003.383 S1C3T2 Fl. 3.501 11 A empresa na sua impugnação expressamente manifeste que a defesa do Responsável Solidário, Sr. Eustáquio Maia, seria apresentada em peça apartada (fl. 3129), tal petição não foi trazida aos autos." Os julgadores a quo rejeitaram as preliminares de nulidade relativas à ausência de ciência do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e do excesso de prazo para conclusão do procedimento fiscal, a partir da própria regulamentação do MPF. Refutaram, ainda, a alegação de que o lançamento deveria ter sido realizado por arbitramento, já que, apesar de equívoco e imperfeições na escrituração da pessoa jurídica, esta não se encontra eivada de irregularidades materiais insanáveis que impliquem sua imprestabilidade. Por fim, rejeitaram as alegações de vício na imputação da multa isolada pelo nãorecolhimento das estimativas. No mérito, a decisão referendou a constatação de que a sociedade em conta de participação (SCP) foi artificialmente constituída, para justificar transferências de recursos do Sr. Eustáquio Maia para a Impugnante; e entendeu integralmente correto o lançamento com base no art. 282 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99). Manteve, ainda, o lançamento sobre o saldo credor da conta Caixa e passivo fictício apurados pela Fiscalização e de passivo, mas reduziu a multa de ofício para o patamar de 75%, por ausência de comprovação de dolo específico. A decisão declarou, por fim, definitivamente o crédito tributário em relação ao responsável Eustáquio Soares Maia, por ausência de apresentação de Impugnação. Após a ciência, o sujeito passivo principal apresentou o Recurso Voluntário de fls. 3.260 a 3.328, por meio do qual repetiu, basicamente, o teor da Impugnação apresentada, acrescentando a alegação de que a multa de ofício relativa à infrações de saldo credor da conta Caixa e passivo fictício deveria ser anulada, e não reduzida. Requereu, ainda, a juntada de Parecer Técnico Contábil. Mesmo sem comprovação, nos autos, de intimação, o responsável Eustáquio Soares Maia apresentou Recurso Voluntário (fls. 3.385 a 3.470), no qual sustentou que, apesar de haver apresentado Impugnação ao lançamento, o referido documento não foi juntado ao processo e as suas alegações não foram apreciadas pela autoridade julgadora de primeira instância. Juntou cópia da peça impugnatória e requereu a devolução do processo, para apreciação, pelos julgadores a quo, ou, subsidiariamente, a apreciação pelo CARF, com o afastamento da responsabilidade solidária, em relação a todo o lançamento, ou, subsidiariamente, às multas impostas. Por meio do Despacho de fls. 3.474/3.475, o processo foi remetido à autoridade preparadora, para fins de pronunciamento acerca da autenticidade do carimbo e assinatura apostos na Impugnação apresentada pelo responsável solidário, bem como para que informasse as razões pelas quais o referido documento (caso autêntico) não foi juntado aos autos. Fl. 3501DF CARF MF Processo nº 10976.720025/201463 Acórdão n.º 1302003.383 S1C3T2 Fl. 3.502 12 A resposta da autoridade preparadora foi juntada à fl. 3.484, concluindo pela autenticidade do carimbo e assinatura em questão, e imputando a ausência de juntada a equívoco no procedimento de recepção/digitalização da Unidade. O sujeito passivo principal foi cientificado da citada manifestação, mas não se pronunciou (fls. 3.485/3.486). O processo retornou para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator I DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS I.1. Do conhecimento dos Recursos O sujeito passivo principal foi cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 26 de junho de 2017 (fl. 3.257), tendo apresentado o seu Recurso em 21/07/2017, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O responsável Eustáquio Soares Maia, por sua vez, apresentou Recurso Voluntário, em 25/07/2017. Apesar de não constar do processo qualquer comprovação de intimação do referido responsável tributário, o próprio se considera cientificado por meio do documento enviado à pessoa jurídica, razão pela qual se conclui pela tempestividade do Recurso. Ambos recursos são assinados por Procuradores, devidamente constituídos nos autos. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, incisos I e IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. À primeira vista, o Recurso apresentado pelo responsável solidário não mereceria ser conhecido, uma vez que ele não teria apresentado Impugnação, de modo que o lançamento teria se tornado definitivo em relação a ele, como, inclusive, chegou a declarar o julgador de primeira instância. Conforme relatado, porém, ficou esclarecido que o responsável havia, sim, apresentado Impugnação, mas que esta não havia sido juntada ao processo. Isto posto, os Recursos preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto, deles tomo conhecimento. I.2. Da nulidade da decisão de primeira instância Fl. 3502DF CARF MF Processo nº 10976.720025/201463 Acórdão n.º 1302003.383 S1C3T2 Fl. 3.503 13 Antes de iniciar a apreciação do Recurso apresentado pelo sujeito passivo principal, cabe acatar a preliminar de nulidade do Acórdão recorrido, suscitada pelo responsável solidário, uma vez que a falha processual cometida pela autoridade preparadora ao não apensar ao processo a Impugnação apresentada pelo Sr. Eustáquio Soares Maia (fls. 3.423 a 3.464), resultou na ausência de apreciação pelo julgador de primeira instância das alegações contidas na referida peça impugnatória. Tal fato, obviamente, configura a hipótese de nulidade de que trata o art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)" (Destacouse) Observase, contudo, que a referida nulidade não alcança toda a decisão, uma vez que, em primeiro lugar, parte da Impugnação apresentada pelo responsável tributário já foi objeto de deliberação pela instância a quo, quando da apreciação da Impugnação referente ao sujeito passivo principal. Todo o item 4.1 das Impugnações repete as mesmas alegações referente a nulidades do processo administrativo tributário. Tendo a matéria já sido apreciada pela decisão recorrida, não há sentido em obrigar os julgadores a reapreciarem as alegações. No mesmo sentido, todas as demais alegações da Impugnação apresentada pelo responsável tributário se restringem à questão da responsabilidade a ele atribuída; enquanto as demais matérias trazidas na Impugnação da pessoa jurídica se referem ao mérito da autuação e multa de ofício qualificada. Não há vício, portanto, na decisão de primeira instância em relação ao julgamento proferido quanto a tais matérias trazidas exclusivamente pelo sujeito passivo principal. Deste modo, constatase que a nulidade da decisão proferida se limita à ausência de apreciação das questões relacionadas à responsabilidade do Sr. Eustáquio Maia (item 4.2 da Impugnação). Fl. 3503DF CARF MF Processo nº 10976.720025/201463 Acórdão n.º 1302003.383 S1C3T2 Fl. 3.504 14 Diante do princípio utile per inutile non vitiatur, esta turma tem recorrentemente decidido, em casos semelhantes, e com base em precedentes do Supremo Tribunal Federal, pela anulação parcial do Acórdão, devolvendo à autoridade julgadora de primeira instância apenas a apreciação da matéria sobre a qual não se pronunciou. É o que se observa nos seguintes julgados: Acórdão nº 1302002.041 (Rel. Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, sessão de 15 de fevereiro de 2017), Acórdão nº 1302001.948 (Rel. Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, sessão de 09 de agosto de 2016), Acórdão nº 1302002.562 (de relatoria deste Conselheiro, sessão de julgamento de 21 de fevereiro de 2018) e Acórdão nº 1302002.267 (também de relatoria deste Conselheiro, sessão de 13 de março de 2018). Transcrevo trecho do voto do Relator Alberto Pinto no citado Acórdão de sua relatoria: "Em situações processuais parecidas com a ora posta em julgamento, o Supremo Tribunal Federal tem decidido pela nulidade parcial da sentença, se não vejamos o seguinte Acórdão: “Processo: HC 94888 SP Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Órgão Julgador: Segunda Turma PENAL. HABEAS CORPUS. DOSIMETRIA DA PENA. NULIDADE PARCIAL DA SENTENÇA. PRECEDENTES STF. ORDEM DENEGADA. 1. A presente impetração visa ao reconhecimento de nulidade da sentença condenatória prolatada em desfavor do paciente, sob o fundamento de ausência de fundamentação na dosimetria da pena aplicada. 2. O Supremo Tribunal Federal tem entendimento de que nulidade quanto à dosimetria da pena "não vicia inteiramente a sentença e o acórdão das instâncias inferiores, mas diz respeito, apenas ao critério adotado para a fixação da pena. Tudo o mais neles decidido é válido, em face do princípio utile per inutile non vitiatur." (HC 59.950/RJ, Rel. Min. Moreira Alves, DJ 01.11.1982). 3. Habeas corpus denegado.”. Mutatis mutandi, por mais que me cause espécie a declaração parcial de nulidade de sentença, sustento que seja essa a melhor solução processual para o presente caso. Destarte, há que se obstar o julgamento deste litígio e devolvêlo para a complementação da sentença a quo com a devida apreciação da matéria suscitada pela impugnante." Isto posto, voto por declarar a nulidade parcial da decisão de primeira instância, determinando, então, o retorno dos autos à DRJ/Brasília, para que aprecie a Fl. 3504DF CARF MF Processo nº 10976.720025/201463 Acórdão n.º 1302003.383 S1C3T2 Fl. 3.505 15 Impugnação apresentada pelo responsável Eustáquio Soares Maia, em relação às alegações concernentes à responsabilidade tributária. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 3505DF CARF MF
score : 1.0
