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Numero do processo: 16682.722324/2017-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Relatório Reproduzo o relatório da primeira instância administrativa: Tratase de impugnação a lançamentos de créditos tributários abrangendo períodos de janeiro a dezembro de 2013, formalizados por meio de Autos de Infração referentes a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS fls. 445) e a Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS fls. 438), RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 22 32 4/ 20 17 -6 7 Fl. 917DF CARF MF Processo nº 16682.722324/201767 Resolução nº 3201001.534 S3C2T1 Fl. 3 2 nos valores, respectivamente, de R$ 36.032.871,37 e R$ 5.855.341,48, totalizando R$ R$ 41.888.212,85 (fls. 452), aí incluídos os valores principais, multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora calculados até janeiro de 2018. A Fiscalização descreve ter constatado insuficiência de recolhimento das contribuições (PIS E COFINS), com incidência cumulativa padrão, em razão dos fatos consubstanciados no Termo de Verificação Fiscal de fls. 420/434. No referido Termo inicia a Fiscalização identificando a contribuinte como: uma sociedade anônima de capital aberto, regida pelo Estatuto Social de fls. 08 a 42 e pela legislação vigente que lhe for aplicável. que tem por objetivo efetuar operações de resseguro e retrocessão no País e no exterior, não podendo explorar qualquer outro ramo de atividade empresarial, nem subscrever seguros diretos, e participa do Sistema Nacional de Seguros Privados e exerce suas atribuições de acordo com as diretrizes gerais emanadas do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) e da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP). Informa que o procedimento fiscal tem por finalidade verificar a não inclusão na apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS dos rendimentos auferidos no período compreendido entre janeiro a dezembro de 2013, oriundos dos bens garantidores das provisões técnicas. Reportase à legislação aplicável, esclarecendo que : O IRBBRASIL RESSEGUROS S/A. incluise entre as entidades relacionadas no § 1º do art. 22 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, as quais apuram as Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) segundo legislação específica. O PIS/PASEP e a COFINS incidem sobre o faturamento, entendido como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente da sua classificação contábil ou da atividade social exercida. A legislação prevê diversas exclusões/deduções da receita bruta, para fins de determinação da base de cálculo, sendo algumas gerais, e outras específicas para cada tipo de atividade. No período objeto da presente fiscalização, a base de cálculo das seguradoras é definida pela Lei 9.701/98, art. 1º, e Lei 9.718/98, artigos 2º e 3º, com redações alteradas pelas Medidas Provisórias 1.99114/2000, 2.03725/2000, 2.15835/2001 e suas reedições, transcrevendo trechos pertinentes. Descreve o procedimento fiscal, reportandose: ao Termo de Início cientificado em 09/03/2017 com intimação para apresentar, entre outros documentos: estatuto social e eventuais alterações posteriores; demonstrativo detalhado de apuração mensal de PIS e COFINS, na forma de planilha impressa e em meio magnético, Fl. 918DF CARF MF Processo nº 16682.722324/201767 Resolução nº 3201001.534 S3C2T1 Fl. 4 3 referente ao período compreendido entre janeiro a dezembro de 2013, especificando as contas contábeis que compõem as bases de cálculo das referidas contribuições; plano de contas e balancetes mensais analíticos, em meio magnético, referentes ao mesmo período. Ressalta a Autoridade Fiscal que a resposta foi encaminhada com apresentação de: 1 Atos Societários (fls. 08 a 42); 2 Demonstrativo detalhado de apuração mensal de PIS e COFINS, referentes aos meses de janeiro a dezembro de 2013 (fls. 43 a 48); 3 Plano de contas da Instituição (fls. 49 a 111); 4 Balancetes mensais analíticos, referentes aos meses de janeiro a dezembro de 2013 (fls. 112 a 293). E expõe que: A partir da análise efetuada em seus demonstrativos de apuração de PIS e COFINS, com auxílio dos balancetes mensais apresentados, verificase que o contribuinte deixou de incluir na apuração da base de cálculo das contribuições os rendimentos financeiros oriundos dos ativos garantidores das provisões técnicas, tendo em vista que, de acordo com entendimento desta Fiscalização, baseado no PARECER SUSEP/DECOM/GEACO/ DIMES/ Nº 32/09, de 23 de julho de 2009, (fls. 326 a 328), as receitas financeiras oriundas de investimentos compulsórios (relativas aos ativos garantidores das provisões técnicas), no caso das sociedades que operam com seguros, integram o seu faturamento, sendo, com isso, o resultado direto de sua atividade principal. Portanto, são receitas operacionais, pois advém de sua atividadefim, devendo, desta forma, compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. Todavia, não se trata de ampliação do conceito de faturamento ou tributação de receitas que não correspondam à receita bruta. Tratase aqui de receita advinda de investimentos que são operações inerentes às atividades das sociedades seguradoras, partes constituintes de seu objeto social, conforme fica claro na Solução de Consulta nº 91 – SRRF08/Disit, de 02 de abril de 2012, de onde foi extraído o trecho abaixo: ... Na mesma linha de entendimento estão as Soluções de Consulta Cosit nº 84, de 08 de junho de 2016, e nº 83, de 24 de janeiro de 2017. Desta forma, dando prosseguimento à Fiscalização, em 04/05/2017, intimamos o contribuinte (fls. 295 e 296) a apresentar, em relação às planilhas de apuração da base de cálculo de PIS e COFINS, encaminhadas a esta Fiscalização em 27/03/2017, os seguintes documentos e informações, referentes ao período compreendido entre janeiro a dezembro de 2013: 1 – Composição mensal detalhada dos bens garantidores das provisões técnicas; 2 – Composição mensal detalhada dos rendimentos financeiros auferidos sobre os bens garantidores das provisões técnicas; Fl. 919DF CARF MF Processo nº 16682.722324/201767 Resolução nº 3201001.534 S3C2T1 Fl. 5 4 3 – Comprovação através de folhas do livro razão dos lançamentos contábeis relativos aos rendimentos financeiros auferidos sobre os bens garantidores das provisões técnicas noperíodo em questão; e 4 – Demonstrações Financeiras Auditadas. Em resposta encaminhada em 18/05/2017 (fls. 297 e 298) o contribuinte apresentou os seguintes documentos: 1. Composição mensal dos bens garantidores das provisões técnicas (fls. 303 a 314; 2. Composição mensal dos rendimentos financeiros auferidos sobre os bens garantidores das provisões técnicas (fls.315 e 316); Em relação ao item 3 do Termo de Intimação, onde solicitamos a apresentação das folhas do livro razão que demonstrassem os lançamentos contábeis relativos aos rendimentos financeiros auferidos sobre os bens garantidores das provisões técnicas, o contribuinte ao invés de fornecer o razão contábil conforme solicitado, apresentou uma planilha onde detalha os valores dos rendimentos financeiros auferidos, especificando as contas de receita e despesa registradas contabilmente no período de janeiro a dezembro de 2013. Entretanto, de acordo com o razão extraído da escrituração contábil da fiscalizada, obtida junto ao Sistema Público de Escrituração Digital SPED, em conformidade com o disposto nos artigos 7º e 8º da Instrução Normativa RFB 1.420/2013, verificase que, diferente das informações contidas na planilha apresentada pelo contribuinte, a contabilização dos rendimentos financeiros auferidos sobre os bens garantidores das provisões técnicas, referentes aos meses de janeiro a outubro de 2013, foram registradas contabilmente nos meses de novembro e dezembro de 2013, juntamente com os lançamentos próprios de competência desses meses, conforme detalhado em planilha de fls. 405 a 408. Além das inconsistências citadas anteriormente, foram também por nós constatado, através de análise realizada no Demonstrativo de Apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS do período em tela, que, embora não tenha incluído na apuração as receitas relativas à emissão de prêmios de resseguro no exterior, amparado pelo § 1º e o inciso III do art. 14 da MP nº 2.15835, de 2001, o contribuinte se beneficiou indevidamente das deduções/exclusões atreladas a tais receitas. De acordo com o § 1º e o inciso III do art. 14 da MP nº 2.15835, de 2001, são isentas de PIS e COFINS as receitas decorrentes das operações de prestação de serviços a residente ou domiciliado no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, conforme fica claro na Solução de Consulta nº 62 – Cosit, de 20 de janeiro de 2017, ....: ... Desta forma, dando prosseguimento à ação fiscal, em 25/08/2017, intimamos o contribuinte a apresentar justificativas por ter considerado na apuração da base de cálculo de PIS e COFINS as Fl. 920DF CARF MF Processo nº 16682.722324/201767 Resolução nº 3201001.534 S3C2T1 Fl. 6 5 deduções/exclusões relativas a resseguro no exterior, especificadas abaixo, sem, contudo, ter incluído na apuração as receitas correlatas de prêmios de resseguro auferidos no exterior. Em resposta encaminhada em 15/09/2017, o contribuinte alega que, “considerando a especificidade da sistemática cumulativa do PIS/COFINS a qual se submete a Peticionária, a mesma se submete exclusivamente às exclusões e deduções previstas nas normas legais, sendo certo, inclusive, que algumas das despesas apontadas pela Fiscalização se referem a despesas acessórias vinculadas ao exercício de sua atividade, sendo, portanto, dedutíveis da base de cálculo de PIS/COFINS”. Entretanto, esta Fiscalização entende que as deduções e exclusões previstas em lei foram opções criadas pelo legislador no intuito de atender alguns setores específicos da economia através de várias alterações do texto original das Leis nº 9.701/98 e 9.718/98, por meio das Medidas Provisórias nº 1.99114/2000, 2.03725/2000, 2.158 35/2001 e suas reedições (no caso das Seguradoras e Resseguradoras a legislação está citada no item 3 deste Termo). Desta forma, conclui se que a dedução de custos e despesas na apuração do PIS e da COFINS só será permitida quando tiver correlação direta com as receitas oferecidas à tributação. No caso em tela, as receitas relativas a prêmio de resseguro no exterior, com base no § 1º e o inciso III do art. 14 da MP nº 2.15835, de 2001, não foram oferecidas pelo contribuinte à tributação, portanto, por questão de coerência, as despesas correlacionadas a essas receitas não deverão ser consideradas na apuração da base de cálculo de PIS e COFINS a título de dedução/exclusão. Esclarece, então, a Fiscalização quanto à Apuração do Crédito Tributário, que foi realizada a partir dos Demonstrativos de Apuração do PIS e da COFINS preparados pelo contribuinte, (fls. 43 a 48), baseada em sua escrituração contábil, referentes ao período de janeiro a dezembro de 2013, cujas respectivas bases de cálculo foram ajustadas pelos seguintes assuntos: I) De acordo com o princípio da competência do exercício, foram incluídas na apuração os valores mensais informados pelo contribuinte, relativos aos rendimentos financeiros auferidos sobre os ativos garantidores das provisões técnicas, sendo considerados por esta fiscalização somente aqueles registrados em contas de receita (Planilha de fls. 405 a 408); Fl. 921DF CARF MF Processo nº 16682.722324/201767 Resolução nº 3201001.534 S3C2T1 Fl. 7 6 II) Glosa de despesa deduzida indevidamente no período sem a devida previsão legal: Conta nº 3242811100 – Outras Despesas Operacionais de Resseguro no País; e III) Glosa de deduções/exclusões relativas a resseguro no exterior (fls. 418):Contas nº 3212171110, 3212171120, 3212171151, 3212171160, 3221171110, 3221171120, 3221311300 e 3223111300. Diante do exposto, foram utilizadas no lançamento do crédito tributário as bases de cálculo do PIS e da COFINS preparadas pela fiscalizada, cujos valores foram conferidos com os razões contábeis, gerados através das informações disponibilizadas no Sistema Público de Escrituração Digital – Escrituração Contábil (SPED Contábil), ajustados pelos eventos descritos no parágrafo anterior, conforme apuração resumida para os meses que apresentaram diferenças positivas refletidas na planilha intitulada “Demonstrativo de Apuração do PIS e da COFINS – Diferenças a Lançar”, de fls. 419, por nós preparada, que é parte integrante do presente Auto de Infração. Na sequência, a Fiscalização também fundamenta a aplicação da multa de ofício de 75% (no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996) e a incidência de juros de mora (citando o art. 953 do RIR/99, com base legal na Lei nº 8.981, de 1995, art. 84, inciso I, e § 1º, Lei nº 9.065, de 1995, art. 13, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 3º. Dada ciência da autuação em 11/01/2018 (fls. 453/455), foi apresentada em 09/02/2018, impugnação de fls. 484/513, acompanhada de documentos de fls. 461/483 e 515/607, com as razões de defesa a seguir sintetizadas. A Interessada registra a tempestividade de sua defesa e, ao expor os fatos, afirma serem insubsistentes as conclusões fiscais. No mérito, a título de esclarecimentos iniciais, expõe que a Impugnante tem por objeto efetuar operações de resseguro e retrocessão no País e no exterior, não podendo explorar qualquer outro ramo de atividade empresarial, nem subscrever seguros diretos, conforme artigo 2º do seu Estatuto Social, estando suas atividades sob controle e fiscalização da Superintendência de Seguros Privados (“SUSEP”) . Reportase à obrigatoriedade de constituição pelas sociedades seguradoras de reservas técnicas, fundos especiais e provisões técnicas, com o objetivo de garantir todas as suas operações, de acordo com o art. 84 do DecretoLei nº 73/1966. Cita Resoluções da CMN acerca do disciplinamento da aplicação dos recursos das reservas, provisões e fundos, alegando rigidez dos critérios de aplicação de tais recursos. Na sequência, defende a não incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre as receitas não operacionais auferidas pela Impugnante, argumentando que está sujeita ao regime cumulativo de apuração de PIS e COFINS previsto na Lei nº 9.718, de 1998 e regulamentado na IN RFB nº 1.285, de 2012. Invoca o Recurso Extraordinário nº 585.235, expondo ter o STF, em repercussão geral, decidido pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo promovido pelo § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. Fl. 922DF CARF MF Processo nº 16682.722324/201767 Resolução nº 3201001.534 S3C2T1 Fl. 8 7 Assevera que, a esse respeito, inclusive, a Impugnante obteve provimento jurisdicional favorável nos autos da Ação Ordinária nº 2006.51.01.0104963, oportunidade em que foi assegurado à Impugnante o direito de recolher o PIS e a COFINS incidentes sobre seu faturamento (entendido como a receita bruta oriunda do desenvolvimento de suas atividades empresariais), sendo indevida a exigência de tais contribuições sobre receitas não operacionais. Cita emenda e excerto de voto. Reportase à Lei nº 12.973, de 2014 (que alterou o artigo 3º da Lei nº 9.718 e o art. 12 do DecretoLei nº 1.598/1977) e à exposição de motivos da Medida Provisória que a antecedeu (MP nº 627) para alegar que a alteração teria como objetivo apenas incluir os valores decorrentes do ajuste a valor presente decorrente da adoção das novas regras contábeis (IRFS) e, ainda, que não seria aplicável a fatos geradores ocorridos no ano de 2013 discutidos na impugnação. Defende a natureza não operacional das receitas financeiras (rendimentos financeiros) decorrentes de seus investimentos legalmente obrigatórios em ativos garantidores e a impossibilidade de serem tributadas por PIS e COFINS, reprisando a menção aos arts. 73 e 84 do Decretolei 73/1966, e alegando que: a Impugnante é obrigada a registrar os denominados ativos garantidores perante a SUSEP e, não pode deles dispor livremente, salvo se previamente autorizada; as receitas financeiras (rendimentos financeiros) ora questionadas pela fiscalização, não são decorrentes da execução do objeto social da Impugnante, mas sim relacionados à natureza e aos riscos envolvidos na atividade por ela desenvolvida; não está incluída no objeto social da Impugnante a atividade de intermediação de recursos financeiros próprios ou de terceiros desenvolvida (estritamente) por instituições financeiras; sendo o investimento em ativos garantidores decorrente de imposição legal, as receitas financeiras auferidas não podem ser consideradas como receita operacional. Menciona a Súmula Vinculante nº 32 do STF acerca da não incidência de ICMS na alienação de salvados de sinistro pelas seguradoras para alegar que se em caso de mera disposição contratual – na qual está presente a autonomia da vontade , o STF já se manifestou pela restrição da atividade operacional à atividade de seguro, não faz qualquer sentido que, transações compulsórias decorrentes de imposição legal (que em nada se identifique com a atividade de resseguro desempenhada pela Impugnante), a administração Tributária interprete de forma diversa. Reportase a decisão da DRJ Ribeirão Preto, alegando que, em julgamento de caso análogo do mesmo contribuinte, entendeuse, por unanimidade, pela não incidência de PIS e COFINS sobre as receitas financeiras de investimentos legalmente obrigatórios, transcrevendo ementa e trechos do voto. Fl. 923DF CARF MF Processo nº 16682.722324/201767 Resolução nº 3201001.534 S3C2T1 Fl. 9 8 Menciona também julgados do CARF (um de interesse de outra pessoa jurídica que identifica como Caso Azul Seguros Gerais e outro em que figura como Interessada a própria contribuinte ora Impugnante), Nota Técnica COSIT nº 21/2006, Parecer PGFN/CAT nº 2773/2007, Parecer SUSEP/DITEC/GEACO/COASO/DIREF/nº 64/2013, outro julgado do CARF em processo de interesse de Companhia de Seguros Minas Brasil e, ainda, sentença judicial da 14ª Vara Federal de São Paulo em Mandado de Segurança. Acrescenta que o resseguro representa a assunção, pela resseguradora, mediante o pagamento do prêmio, de um interesse legítimo do ressegurado, relativo a pessoa ou coisa, contra riscos predeterminados, como elucida o artigo 757 do Código Civil. Também defende a possibilidade de deduções/exclusões de despesas operacionais de resseguro no país e no exterior, opondose às glosas procedidas pela Fiscalização, mediante as alegações seguintes: Assevera que não oferece à tributação os valores relativos aos resseguros efetuados no exterior em razão de expressa previsão legal. Invoca o art. 1º, inciso IV, da Lei nº 9701, de 1998, e artigo 3º, § 5º, da Lei nº 9718, de 1998, bem como o art. 27 do Decreto 4.524, de 2002 e art. 28 da IN SRF 247, de 2002, e expõe que: De igual forma, e considerando a especificidade da sistemática cumulativa do PIS/COFINS a qual se submete a Peticionária, a mesma se submete exclusivamente às exclusões e deduções previstas nas normas legais, sendo certo, inclusive, que algumas das despesas apontadas pela Fiscalização se referem a despesas acessórias vinculadas ao exercício de sua atividade, sendo, portanto, dedutíveis da base de cálculo de PIS/COFINS. Cita ementa de Acórdão do CARF e requer que devem ser afastadas as glosas das despesas operacionais de resseguro no País, bem como as despesas com resseguros no exterior. Finaliza formulando pedido de cancelamento dos autos de infração e, caso mantida qualquer parcela dos lançamentos, requer que seja reconhecida a impossibilidade de exigência de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, em razão do disposto no artigo 161, do CTN, e conforme decisão da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no julgamento do Recurso Especial interposto nos autos do processo administrativo nº 10680.002472/200723, de 09.11.2010. Relaciona como anexos à Impugnação os seguintes documentos: Fl. 924DF CARF MF Processo nº 16682.722324/201767 Resolução nº 3201001.534 S3C2T1 Fl. 10 9 A 11ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto/SP, por meio do Acórdão 14 85.879, de 10/05/2018, decidiu pela improcedência da Impugnação, mantendo integralmente o lançamento. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os artigos 96 e 100 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADESOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO JUDICIAL. A declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que ensejou a posterior extirpação desse parágrafo por efeito da Lei nº 11.941, de 2009, não alterou, em particular, o critério definidor da base de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, que continua a ser o faturamento. Pelo contrário, apenas firmou o entendimento de que não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência dessas contribuições sociais, mas apenas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da empresa, afastando a incidência sobre receitas não operacionais. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. ATIVIDADE EMPRESARIAL. SEGURADORAS. As receitas financeiras oriundas das atividades empresariais (econômicas) da pessoa jurídica, obtidas a partir de investimentos necessários para o exercício da atividade fim, integram o seu faturamento e, portanto, compõem a base de cálculo. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. As exclusões da base de cálculo da contribuição são apenas aquelas legalmente previstas. A previsão legal de dedução/exclusão pressupõe que a receita correlata tenha sido oferecida à tributação. Fl. 925DF CARF MF Processo nº 16682.722324/201767 Resolução nº 3201001.534 S3C2T1 Fl. 11 10 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 LEGISLAÇÃO CORRELATA. APLICAÇÃO. Dada a correlação entre as normas que regem as contribuições, aplicamse na íntegra as mesmas ementas e conclusões da COFINS à contribuição ao PIS. No Recurso Voluntário, a empresa reforça os argumentos da Impugnação. Reitera seu entendimento: as receitas financeiras não são decorrentes da execução do seu objeto social, mas sim relacionados à natureza e aos riscos envolvidos na atividade desenvolvida; ressalta que atividades financeiras não estão incluídas em seu objeto social. Colaciona precedente do STF para dizer que o “o objeto das operações das seguradoras é o seguro. A alienação de salvados não os torna mercadorias”; colaciona precedentes do Carf (ac.3401002.708, 3302002.841, 3302002.071) e jurisprudência (Processo 0003315 88.2016.4.03.6100, 4ª Vara da Justiça Federal/SP); reafirma a interpretação da Nota Técnica Cosit 21/2006 em conjunto com o Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007, no sentido de que as receitas das seguradoras são advindas do recebimento dos prêmios; sustenta que a Susep teria dado alcance restritivo à expressão “receita bruta”, por não estarem diretamente relacionadas ao seu objeto social; reitera a possilidade legal de dedução/exclusão relativa a despesas operacionais de resseguro no país, bem como com as despesas com resseguros no exterior. É o relatório. Voto Conforme relatado, a recorrente impetrou ação judicial para discutir a base de cálculo do Pis e da Cofins, em vista da ampliação do conceito de faturamento contida no §1º do art. 3º da Lei 9.718/98. No Recurso Voluntário, a recorrente noticia que a Ação Ordinária 2006.51.01.0104963, teve a seguinte ementa, no TRF 2ª Região: “PIS E COFINS. PRESCRIÇÃO. LC 118/2005. ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. PESSOA JURÍDICA ENQUADRADA NO REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. 1. Quanto à aplicação do prazo prescricional previsto na Lei Complementar nº 118/2005, o Superior Tribunal de Justiça assim se manifestou: “Assim, na hipótese em exame, com o advento da LC 118/05, a prescrição, do ponto de vista prático, deve ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a ação de repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo Fl. 926DF CARF MF Processo nº 16682.722324/201767 Resolução nº 3201001.534 S3C2T1 Fl. 12 11 de cinco anos a contar da vigência da lei nova” (AI nos EREsp 644736/PE, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, CORTE ESPECIAL, julgado em 06.06.2007, DJ 27.08.2007 p. 170). 2. O § 1º do art. 3º da lei nº 9718/98, que alterou a base de cálculo da COFINS e do PIS, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. 3. A empresa autora deve recolher o PIS e a Cofins incidentes sobre seu faturamento, este entendido como a receita bruta oriunda do desenvolvimento de suas atividades empresariais. Apenas a eventual incidência dessas contribuições sobre receitas nãooperacionais é que será indevida, ensejando a compensação dos valores que eventualmente tenham sido recolhidos a esse título. 4. A correção do indébito observará a disposição da Lei nº 9.250/95, que criou a Taxa SELIC, excluindose qualquer índice de correção monetária ou juros de mora (art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95). 5. Remessa necessária e apelação da parte autora parcialmente providas. Apelação da União Federal improvida.” Todavia, não encontrei nos autos cópias das peças judiciais ou certidão de objeto e pé. Portanto, é preciso converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora providencie, por si ou por intimação à recorrente, as cópias das peças judiciais e certidão de objeto e pé da Ação Ordinária 2006.51.01.0104963. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 927DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001658/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DA GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES. RESULTADO DOS JULGAMENTOS DOS PROCESSOS RELATIVOS ÀS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS PRINCIPAIS. APLICAÇÃO. RICARF.
1. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo.
2. Devem ser replicados ao julgamento relativo ao descumprimento de obrigação acessória os resultados dos julgamentos dos processos atinentes ao descumprimento das obrigações tributárias principais, que se constituem em questão antecedente ao dever instrumental.
Numero da decisão: 2402-006.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sergio da Silva.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ARBITRAMENTO. GFIP Recorrente SANTAMÁLIA SAÚDE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DA GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES. RESULTADO DOS JULGAMENTOS DOS PROCESSOS RELATIVOS ÀS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS PRINCIPAIS. APLICAÇÃO. RICARF. 1. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo. 2. Devem ser replicados ao julgamento relativo ao descumprimento de obrigação acessória os resultados dos julgamentos dos processos atinentes ao descumprimento das obrigações tributárias principais, que se constituem em questão antecedente ao dever instrumental. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 58 /2 00 9- 11 Fl. 389DF CARF MF Processo nº 19515.001658/200911 Acórdão n.º 2402006.905 S2C4T2 Fl. 390 2 (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sergio da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da DRJ, que julgou improcedente a impugnação apresentada em face de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, lavrado por ter a empresa deixado de informar, em GFIP, os fatos geradores de contribuições previdenciárias, incidentes sobre remunerações de empregados. Segue acórdão e ementa da decisão: Acórdão: Acordam os membros da 14” Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Ementa: [...] Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA GFIP. INFRAÇÃO. Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. INDEFERIMENTO. O pedido de juntada de documentos e outras provas admitidas em direito após a impugnação deve ser indeferido quando não tenha sido demonstrada a impossibilidade de apresentação oportuna da prova documental por motivo de força maior, não se refira esta a fato ou direito superveniente, e nem se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, e quando os elementos do processo forem suficientes para o convencimento do julgador. Fl. 390DF CARF MF Processo nº 19515.001658/200911 Acórdão n.º 2402006.905 S2C4T2 Fl. 391 3 Relatou a acusação fiscal que a empresa teria lançado em sua contabilidade, como despesa de serviços médicos, valores que declarou em DIPJ como sendo de remuneração de empregado, contudo sem considerálos como base de cálculo das contribuições. O sujeito passivo foi intimado da decisão em 08/02/2011 e interpôs recurso voluntário em 01/03/2011, no qual basicamente reiterou os mesmos termos de sua impugnação, mais especificamente a alegação de que não haveria necessidade de apresentação da GFIP, pois os valores que supostamente deveriam ser declarados seriam relativos a outro tributo, o que seria comprovado nas impugnações relativas aos autos de infração lavrados por descumprimento das obrigações principais. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 No mérito Este lançamento decorre do descumprimento de obrigação acessória vinculada ao descumprimento de obrigação tributária principal (o pagamento de remuneração declarada em DIPJ, conforme processos administrativos fiscais 19515.001660/200982, 19515.001659/200958 e 19515.001661/200927), inclusive o valor lançado corresponde, em parte, ao valor das contribuições devidas à seguridade social. Expressandose de outra forma, caso fossem insubsistentes as contribuições lançadas, seria igualmente insubsistente a multa aplicada neste Auto de Infração, tanto porque não haveria fatos geradores a serem informados em GFIP, quanto porque não haveria base de cálculo para a aplicação da sanção pecuniária, a qual incide sobre o valor relativo à contribuição. Pois bem. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o RICARF preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo. Entre os processos reflexos incluemse os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies (vide § 8º do art. 6º do Regimento), como é o caso sob apreço. Dentro desse espírito condutor, deve ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do PAF principal, no qual houve o lançamento das contribuições. Deve ser assinalado, aliás, que o recurso voluntário Fl. 391DF CARF MF Processo nº 19515.001658/200911 Acórdão n.º 2402006.905 S2C4T2 Fl. 392 4 interposto neste processo não tem matéria distinta daquela constante do recurso interposto no PAF principal. No PAF principal, este colegiado votou por negar provimento ao recurso voluntário. Desta forma, este mesmo resultado deve ser replicado para o presente julgamento. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 392DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.732877/2012-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 9101-000.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que essa se manifeste sobre a questão relacionada à suspensão da imunidade tributária.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Caio César Nader Quintella (suplente convocado), Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que essa se manifeste sobre a questão relacionada à suspensão da imunidade tributária. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Caio César Nader Quintella (suplente convocado), Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto ao que se decidiu sobre a necessidade de arbitramento dos lucros para fins de apuração de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 32 87 7/ 20 12 -3 1 Fl. 2087DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 3 2 IRPJ/CSLL, e sobre a possibilidade de exigência das contribuições PIS/COFINS com base no faturamento. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 1401001.712, de 13/09/2016, por meio do qual a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF decidiu, entre outras questões, manter o lançamento de IRPJ/CSLL com base no lucro real (entendendo que não era caso de arbitramento), e também manter a incidência de PIS e COFINS sobre o faturamento. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento da parte, a realização de perícias desde que entendida como necessária ao deslinde da situação posta em consideração, indeferindo motivadamente a que for considerada prescindível ou impraticável. PRELIMINAR DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DOS FATOS QUE MOTIVARAM A AUTUAÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS PARA A IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. MATÉRIA PRECLUSA. Descabe a alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa quando a questão relacionada à suspensão da imunidade, que implicou no lançamento de ofício, foi devidamente apreciada e deliberada em processo administrativo fiscal específico, tratandose de matéria preclusa, pelo que não cabe nova apreciação. IRPJ. APURAÇÃO COM BASE NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. AUSÊNCIA DO LALUR. TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO REAL. POSSIBILIDADE. Reiterada e incontroversa é a jurisprudência administrativa no sentido de que o arbitramento do lucro, em razão das consequências tributáveis a que conduz, é medida excepcional, somente aplicável quando no exame de escrita a Fiscalização comprova que as falhas apontadas se constituem em fatos que, camuflando expressivos fatos tributáveis, indiscutivelmente, impedem a quantificação do resultado do exercício. A simples falta de escrituração do LALUR, sem demonstrar a ocorrência do efetivo prejuízo para o Fisco, não é suficiente para sustentar a desclassificação da escrituração contábil e o consequente arbitramento dos lucros. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratandose de exigência reflexa, que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes, mormente quando as bases de cálculo são corretamente explicitadas. A alegada obediência aos preceitos das Leis n° 8.212, de 1991, e n° 12.101, de 2009, não ampara a pretensão da litigante, tendo em vista o artigo 55 da Lei n° 8.212, de 1991, haver sido expressamente revogado pela Lei n° 12.101, de 2009, que Fl. 2088DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 4 3 estabelece a necessidade de a entidade dita imune obter uma certificação, documento que não foi apresentado pela Recorrente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS/PASEP. Tratandose de exigência reflexa, que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes, mormente quando as bases de cálculo são corretamente explicitadas. Estando a Recorrente com a imunidade suspensa para os anoscalendário em questão, incabível a apuração do PIS/PASEP tomando por base a folha de pagamento, devendo a tributação se pautar nos preceitos determinados para as demais pessoas jurídicas em geral. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. COFINS. Tratandose de exigência reflexa, que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes, mormente quando as bases de cálculo são corretamente explicitadas. Estando a Recorrente com a imunidade suspensa para os anoscalendário em questão, deve a tributação da COFINS se pautar nos preceitos determinados para as demais pessoas jurídicas em geral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NÃO CONHECER de matéria ligada aos juros por ser considerada matéria preclusa, Vencidas as Conselheiras Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Lívia De Carli Germano e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos seguintes termos: I) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento mantendo integralmente os lançamentos do IRPJ/CSLL; e II) Pelo voto de qualidade, NEGARAM provimento em relação PIS e COFINS. Vencidos os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Julio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini de Carvalho e Lívia De Carli Germano que davam provimento parcial para considerar o recolhimento pelo Pis pela folha de salário e a isenção da Cofins sobre receitas próprias para a Fundação. No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, relativamente às matérias acima mencionadas. Em relação às divergências jurisprudenciais suscitadas, a contribuinte desenvolve os seguintes argumentos: tratase de recurso especial interposto face ao Acórdão que não conheceu de matéria de ordem pública por equivocadamente considerar matéria preclusa e, no mérito, negou provimento ao recurso voluntário ao argumento de que: (a) Em razão de supostas particularidades da demanda, o IRPJ seria apurado pelo “lucro real” mesmo inexistindo LALUR, não cabendo arbitramento; possibilidade de apuração do o PIS/Pasep e COFINS – supostamente reflexos – sob o “regime nãocumulativo; e Fl. 2089DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 5 4 (b) Possibilidade de tributação reflexiva de PIS/Pasep e COFINS, com base no IRPJ. em relação ao tópico (a), embora o Acórdão recorrido não mencione expressamente a violação ao inciso III, do art. 14, do CTN (sobretudo por tal matéria equivocadamente constar no outro PAF, autos nº 10380.729113/201269, conforme mencionado), percebese claramente, tanto na ementa quanto nas razões de decidir, os fundamentos da decisão pela ‘validade da apuração por “lucro real”, inobstante não tenha sido apresentado LALUR ou livros revestidos de formalidades capazes de auferir receitas e despesas contabilizadas’, em enfrentamento ao argumento suscitado pela obrigatoriedade de apuração via “lucro arbitrado”; não obstante a notória incoerência, com o devido acatamento, a conclusão adotada pelo Acórdão ora desafiado pelo presente Recurso Especial findou por inequivocamente divergir de julgados desse Colendo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, especificamente quanto ao fato de que é absolutamente ilegítima e ilegal a fixação do regime de apuração do lucro, em desfavor desta recorrente, a par da modalidade “lucro real”, posto aplicável/impositivo ao caso dos autos a modalidade “lucro arbitrado”; a propósito, eis os trechos seccionados das ementas dos acórdãos que apontam e corroboram a divergência ora suscitada para fins de admissibilidade do presente Recurso Especial (acórdãos na íntegra seguem anexos): “PRIMEIRO PARADIGMA” Acórdão nº 1202001.201 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 IRPJ. IMUNIDADE. ENTIDADE BENEFICENTE. Caracterizado o descumprimento de requisito previsto no CTN, art. 14, inciso III, suspendese a imunidade ao IRPJ, prevista no art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal. [...] ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ IRPJ E CSLL. LUCRO REAL. REQUISITOS. ESCRITURAÇÃO DO LALUR. Não tendo o sujeito passivo apresentado Lalur, descabe a apuração de resultados com base no lucro real. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DO LUCRO REAL. REGIME NÃO CUMULATIVO. INAPLICABILIDADE. A aplicabilidade do regime nãocumulativo é condicionada à apuração do IRPJ com base no lucro real. “SEGUNDO PARADIGMA” Fl. 2090DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 6 5 Acórdão nº 1201001010 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 LUCRO ARBITRADO. A falta de apresentação do livro registro de inventário e do LALUR à fiscalização, quando regularmente intimado o sujeito passivo, dá ensejo à apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social segundo as regras do lucro arbitrado. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2006 IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. SUSPENSÃO. A distribuição, a qualquer título, de parte do patrimônio ou da renda da pessoa jurídica imune dá ensejo à suspensão do benefício. em relação ao tópico (b), é flagrantemente nulo, por absoluta inexistência de verificação dos motivos determinantes e respectiva motivação, o lançamento pertinente ao PIS e COFINS a título de “efeito reflexo” da suspensão da imunidade tributária, perpetrada em relação ao IRPJ; eis os Acórdãos paradigmáticos: “TERCEIRO PARADIGMA Acórdão nº 3401001.945 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/11/2003 a 31/05/2008 INSTITUIÇÃO RECREATIVA E CULTURAL, SEM FINS LUCRATIVOS. AUTUAÇÃO FUNDAMENTADA NA LEGISLAÇÃO DO IRPJ E CSLL. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE. É nulo, por ausência de motivação, o auto de infração da Cofins que desconsiderou alegada isenção de entidade sem fins lucrativos com base na legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por aplicar àquela normas jurídicas próprias destes dois tributos, quando ambas são inconfundíveis. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/07/2003 a 31/12/2005 INSTITUIÇÕES DE CARÁTER RECREATIVO E CULTURAL, SEM FINALIDADE LUCRATIVA. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A isenção preconizada pelo artigo 15 da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, para as instituições de caráter recreativo e cultural, sem fins lucrativos, aplicase, consoante expressamente determinado no seu § 1º, exclusivamente em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre Fl. 2091DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 7 6 o lucro líquido. Em relação ao PIS/Pasep, referidas instituições não estão isentas e devem submeterse à regra do inciso IV, do art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, isto é, recolher a contribuição mediante a aplicação da alíquota de 1% sobre a sua folha de salários. No caso, de se cancelar a autuação para a exigência da contribuição com base no faturamento sob a alegação de que a “isenção” fora suspensa. “QUARTO PARADIGMA” Acórdão nº 310201.333 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. COFINS. ISENÇÃO. São isentas da Cofins apenas as receitas relativas às atividades próprias das instituições de educação, sem fins lucrativos, que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado. ATIVIDADES PRÓPRIAS. DEFINIÇÃO. ESTATUTO. Consideramse atividades próprias da entidade aquelas para as quais as mesmas foram criadas e que tenham sido previstas em seu Estatuto, independentemente da sua fonte de financiamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. A contribuição para o PIS/PASEP das entidades educacionais é determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento. neste panorama e a par das considerações que se seguem, resta plenamente demonstrado o cumprimento dos requisitos formais para a interposição do presente Recurso Especial, haja vista que a decisão da 1ª Turma Ordinária dessa 4ª Câmara, ora recorrida, deu à lei tributária interpretação divergente das que foram dadas por outras Turmas desse CARF, conforme trechos de acórdãos supradescritos (na íntegra em arquivos anexos), razão pela qual resta evidente o cumprimento do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; DAS RAZÕES DE REFORMA DO JULGADO A QUO. DA IMPOSSIBILIDADE DE ARBITRAMENTO POR “LUCRO REAL”. no presente caso, um dos motivos que deram ensejo à suspensão da imunidade da recorrente foi a violação ao inciso III, do art. 14, do CTN, que expressamente dispõe: “a falta de manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão”; Fl. 2092DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 8 7 isto é, para a Fiscalização, a contabilidade apresentada pela Fundação Edson Queiroz foi imprestável a auferir as receitas e despesas contabilizadas; em ululante contradição, a apuração dos tributos se deu pela modalidade “lucro real” utilizandose a própria contabilidade apresentada (tida como imprestável), preterindose a impositiva apuração na modalidade “lucro arbitrado”; é absolutamente ilegítima e ilegal a fixação do regime de apuração do lucro, em desfavor desta recorrente, pela modalidade “lucro real”, posto aplicável/impositivo ao caso dos autos a modalidade “lucro arbitrado”, uma vez que os seus livros contábeis foram declaradamente tidos como imprestáveis aos fins de aferição de receita e despesa, o que enseja inexoravelmente a apuração via lucro arbitrado; ora, por decorrência lógica, se os livros contábeis são imprestáveis ao seu fim (ao ensejo do afastamento da imunidade – inc. III, art. 14, CTN), aqueles livros não podem, em hipótese alguma, servir de base para apuração de tributos, a se impor apuração via “lucro arbitrado”, conforme constam nos acórdãos apontados; portanto, o lançamento de origem é nulo/improcedente de pleno direito; importa consignar que a aplicabilidade do regime nãocumulativo é condicionado à apuração do IRPJ com base no lucro real, devendo assim consequentemente ser anulada; DA IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO REFLEXIVA DE PIS/PASEP E COFINS, COM BASE NA APURAÇÃO DO IRPJ DECORRENTE DE SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. o Ato Declaratório Executivo nº 80, de 26 de outubro de 2012, que suspendeu a imunidade tributária da recorrente, anoscalendário 2008, 2009 e 2010, tratou de afastar a imunidade acerca do IRPJ e CSLL; o PIS/Pasep e a Cofins não podem ser tributados reflexamente. A suspensão da imunidade feita por conta de supostas irregularidades e desvios de finalidade não podem afetar a situação da Fundação em relação às suas obrigações com o PIS/Pasep e com a Cofins; o art. 13, da Medida Provisória 215835, de 2001, é claro neste sentido: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; não consta na norma que define a forma de pagamento do PIS/Pasep pelas fundações que elas devem atender ou deixar de atender outros requisitos, por exemplo aqueles da Lei 9.532/97, conforme insinuado pelo Acórdão recorrido. Quem deve obedecer aquelas disposição são instituições isentas de IRPJ e CSLL; Fl. 2093DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 9 8 portanto, a tributação com base na suspensão da imunidade para fins de IRPJ não pode ser invocado para modificar a forma de sujeição de uma Fundação ao recolhimento do PIS/Pasep; a Fundação não estava imune ao recolhimento de PIS/Pasep, mas estava submetida a uma forma de recolhimento que a diferenciava. Ou seja, em vez de recolher tal contribuição sobre o faturamento, o faz com base na folha de salários; igualmente se dá em relação a Cofins; os fundamentos tratados no Acórdão recorrido cuidam da imunidade específica dos impostos prevista no art. 150, V, “c”, da CF/88, que não se confunde com a imunidade para contribuições vide a Cofins; descartada a imunidade de impostos, conforme aduzido no Acórdão, com efeitos para IRPJ, caberia averiguar as circunstâncias acerca da isenção própria das contribuições para seguridade social. A imunidade própria das contribuições para a seguridade social está no §7º, do art. 195, da CF/88; na situação dos autos, o Acórdão ratifica a fiscalização, que em vez de se guiar pela legislação própria da Cofins, buscou amparo na legislação do IRPJ e da CSLL, como se fosse possível aplicar as normas atinentes a estes dois tributos; portanto, deve ser cancelada a exigência de PIS em relação aos lançamentos efetuados com base no faturamento da recorrente, bem como cancelado o lançamento acerca da COFINS ante a isenção sobre receitas próprias da Fundação, conforme dispõe a legislação aplicável à espécie; desta forma, imperiosa se faz a conclusão de que o lançamento originário mostrase flagrantemente nulo, porquanto levado a efeito em contrariedade às normas aplicáveis. Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, o Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 19/04/2017, deu seguimento ao recurso para as divergências suscitadas, nos seguintes termos: a) Regime de Tributação com Base no Lucro Arbitrado Examinando os acórdãos paradigmas verificase que trazem o entendimento de que não tendo o sujeito passivo apresentado Lalur, descabe a apuração de resultados com base no lucro real. Ademais, a falta de apresentação do livro registro de inventário e do LALUR à fiscalização, quando regularmente intimado o sujeito passivo, dá ensejo à apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social segundo as regras do lucro arbitrado. [...] O acórdão recorrido, por seu turno, vem considerar que reiterada e incontroversa é a jurisprudência administrativa no sentido de que o arbitramento do lucro, em razão das consequências tributáveis a que conduz, é medida excepcional, somente aplicável quando no exame de escrita a Fiscalização comprova que as falhas apontadas se constituem em fatos que, Fl. 2094DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 10 9 camuflando expressivos fatos tributáveis, indiscutivelmente, impedem a quantificação do resultado do exercício. A simples falta de escrituração do LALUR, sem demonstrar a ocorrência do efetivo prejuízo para o Fisco, não é suficiente para sustentar a desclassificação da escrituração contábil e o consequente arbitramento dos lucros. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, demonstrando qual a legislação tributária que está sendo interpretada de forma divergente, qual seja, art. 530 do RIR, de 1999, referente aos critérios do regime de tributação do lucro arbitrado. b) Bases de Cálculo do Pis e da Cofins Folha de Pagamento Examinando os acórdãos paradigmas verificase que trazem o entendimento de que a isenção preconizada pelo artigo 15 da Lei nº 9.532, de 10.12.1997, para as instituições de caráter recreativo e cultural, sem fins lucrativos, aplicase, consoante expressamente determinado no seu § 1º, exclusivamente em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido. Em relação ao PIS/Pasep, referidas instituições não estão isentas e devem submeterse à regra do inciso IV, do art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24.08.2001, isto é, recolher a contribuição mediante a aplicação da alíquota de 1% sobre a sua folha de salários. No caso, de se cancelar a autuação para a exigência da contribuição com base no faturamento sob a alegação de que a “isenção” fora suspensa. De se manter o lançamento realizado para constituir valores do PIS/Pasep na modalidade “folha de salários”, recolhidos a menor. Ademais, são isentas da Cofins apenas as receitas relativas às atividades próprias das instituições de educação, sem fins lucrativos, que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado. Consideramse atividades próprias da entidade aquelas para as quais as mesmas foram criadas e que tenham sido previstas em seu Estatuto, independentemente da sua fonte de financiamento. A contribuição para o PIS/PASEP das entidades educacionais é determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento. [...] O acórdão recorrido, por seu turno, vem considerar que tratandose de exigência reflexa, que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes, mormente quando as bases de cálculo são corretamente explicitadas. Estando a Recorrente com a imunidade suspensa para os anoscalendário em questão, incabível a apuração do PIS/PASEP e da COFINS tomando por base a folha de pagamento, devendo a tributação se pautar nos preceitos determinados para as demais pessoas jurídicas em geral. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, demonstrando qual a legislação tributária que está sendo interpretada de forma divergente, quais sejam, a Leis n° 8.212, de 1991, e a Lei n° 12.101, de 2009, que tratam da base de cálculo do PIS e da Cofins sobre a folha de pagamento. Vale registrar que a contribuinte, no contexto do recurso especial, trouxe também questionamentos sobre a fixação do termo inicial para incidência dos juros de mora, Fl. 2095DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 11 10 defendendo a ideia de que esta matéria deveria ser examinada, ainda que inexistente expresso préquestionamento, por se tratar de questão de ordem pública. Todavia, tanto a questão sobre a obrigatoriedade de apreciação de matéria de ordem pública quanto a questão relativa ao seu próprio conteúdo (forma de incidência dos juros) não foram admitidas em razão da absoluta falta de indicação de acórdão paradigma. Na verdade, não houve alegação de divergência jurisprudencial em relação a essas matérias no âmbito do CARF, e a negativa de seguimento no despacho de exame de admissibilidade foi proferida em caráter definitivo. A contribuinte ainda apresentou agravo contra o exame de admissibilidade, mas esse recurso não foi conhecido pelo Presidente da CSRF, porque "nos termos do art. 69, §3º do Anexo II do Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, é definitivo o despacho que negar seguimento ao recurso especial por absoluta falta de indicação de acórdão paradigma proferido pelos Conselhos de Contribuintes ou pelo CARF". No mesmo despacho, o Presidente da CSRF também indeferiu o pedido da contribuinte para que o agravo fosse ao menos recepcionado e acolhido com amparo legal no seu constitucional direito de petição, com supedâneo legal no artigo 5º, inciso XXXIV, alínea "a", da Constituição Federal de 1988. De acordo com o Presidente da CSRF, "inexiste qualquer erro no despacho questionado, ou mesmo inexatidão material devida a lapso manifesto ou erros de escrita ou de cálculo existentes no despacho, cujo saneamento se imporia em razão do art. 60 do Decreto nº 70.235/72". Desse modo, o seguimento do recurso abrangeu apenas as matérias para as quais houve alegação e comprovação de divergência jurisprudencial no âmbito do CARF. Em 08/05/2017, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que deu seguimento ao recurso especial da contribuinte, relativamente às divergências suscitadas, e em 17/05/2017, o referido órgão apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: DAS RAZÕES PARA MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. DO REGIME DE TRIBUTAÇÃO COM BASE NO LUCRO ARBITRADO. como visto, o acórdão recorrido entendeu como correta a apuração de resultados com base no lucro real, mesmo quando o contribuinte não apresenta o Lalur; sobre a inaplicabilidade do arbitramento do lucro apenas por falta de apresentação do Lalur, vale destacar o didático voto do Conselheiro Paulo Roberto Cortez, aprovado por unanimidade pela antiga Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, e consolidado na Ementa do Acórdão n° 10196.469, de Sessão em 05/12/2007: "O sistema contábil de uma empresa deve ser constituído de uma estrutura que atenda a todos os requisitos inseridos nas Normas Brasileiras de Contabilidade, de acordo com os Princípios Fundamentais de Contabilidade, cujo resultado deve ser a correta demonstração do patrimônio da entidade, com o registro de todas as suas transformações e apuração das causas que Fl. 2096DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 12 11 resultem em modificações no resultado do período e que possibilite o exame de todos os registros nele inseridos, bem como a aferição do resultado tributável. (...) Como é cediço, a desclassificação de escrita com o consequente arbitramento de lucros é uma salvaguarda do crédito tributário cujo exercício somente se justifica em caso extremo quando a contaminação seja de tal monta que inviabilize a apuração do lucro real da pessoa jurídica. (...) A jurisprudência administrativa e a judicial é pacífica no sentido de somente aceitar a desclassificação da escrita quando as deficiências apresentadas na escrituração sejam de tal monta que as tornam insanáveis, apesar dos esforços envidados pela fiscalização para o seu aproveitamento. Aos acórdãos citados e transcritos pela defesa inúmeros outros podem ser acrescentados, sempre nessa direção. O arbitramento somente pode ser acolhido quando as falhas e vícios encontrados e devidamente demonstrado pela fiscalização, levam à imprestabilidade do conjunto da escrituração é que podem determinar desclassificação da escrita. (. ..) Destarte, resta claro e cristalino que a escrituração contábil da interessada está revestida de todas as formalidades legais, a qual comprova a real margem de lucro da empresa, deverá prevalecer como prova, mesmo que no momento da fiscalização tenha ocorrido a falta de apresentação do LALUR, posto que, por se tratar de um livro cujo preenchimento depende dos dados inseridos na escrituração regular, nada impede que a qualquer momento o mesmo seja regularizado e apurado o lucro real com os elementos extraídos da própria escrituração." no caso presente, a falta de apresentação do Lalur, assim como as inexatidões contábeis detectadas pela fiscalização, consideradas pontuais e perfeitamente sanáveis, não justificaram o arbitramento do lucro, bem como foi informado que o arbitramento do lucro da entidade no período abrangido pela suspensão da imunidade tributária seria cabível apenas nos casos da contabilidade conter deficiências que pudessem caracterizála como imprestável para a apuração do lucro real; neste sentido, o CARF tem reiteradamente decidido que a modalidade de arbitramento é excepcional e deve ser aplicada apenas quando esgotadas, de fato, as possibilidades de apuração do lucro real da pessoa jurídica, como mostram as ementas abaixo: [...]; o fato do recorrente manter escrituração regular, com a observância dos Princípios Fundamentais de Contabilidade (PFCs), onde seu resultado, tido inicialmente como Fl. 2097DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 13 12 SUPERAVIT, passa a ser considerado LUCRO LÍQUIDO DO PERÍODO, impôs a necessidade dessa fiscalização apurar o IRPJ e a CSLL com base lucro real; salientamos que o Item 10.19.1.3 da Norma Brasileira de Contabilidade (NBC) no. T 10.19, aprovada pela Resolução do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) n2. 877, de 18/04/2000, dispõe que as entidades sem finalidade de lucros são aquelas em que o resultado positivo não é destinado aos detentores do patrimônio líquido, e o LUCRO ou prejuízo é denominado, respectivamente, de superávit ou déficit; além disso, os Itens 10.19.1.6 e 10.19.3.1 dispõem que aplicamse às entidades sem finalidade de lucros os Princípios Fundamentais de Contabilidade válidos para todas as pessoas jurídicas, e que a metodologia de apuração das demonstrações contábeis consiste em utilizar a norma contábil geral divulgada pela NBC T 3, a qual foi aprovada pela Resolução CFC n9 686, de 14/12/1990, e que vigorou até a edição da Resolução CFC IV 1.283, de 28/5/2010, com a adoção de pequenas alterações de denominação para adaptála â finalidade nãolucrativa, tais como "Lucros ou Prejuízos Acumulados" para "Superávits ou Déficits Acumulados", "Demonstração do Resultado" para "Demonstração do Superávit ou Déficit", e "Resultado" para "Superávit ou Déficit"; assim, é cabível a apuração de ofício do IRPJ com base no lucro real, quando a entidade que teve a imunidade suspensa mantém escrituração regular, com a observância dos Princípios Fundamentais de Contabilidade e das Normas Brasileiras de Contabilidade (NBCs) e suas Interpretações Técnicas e Comunicados Técnicos, editados pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), onde o resultado da mesma, tido inicialmente como superávit, passa a ser considerado lucro líquido do período e apto a servir de elemento para a composição do lucro real; ademais, suspensa a imunidade da entidade e não ocorrendo uma das situações autorizadoras do arbitramento, a forma de tributação a ser aplicada e o lucro real, uma vez que não foi feita a opção pelo lucro presumido; o entendimento utilizado pela fiscalização, de que a falta de apresentação do Lalur não impede que o lucro real seja apurado a partir de elementos extraídos da própria escrituração contábil, uma vez que o Lalur e livro fiscal que depende dos dados inseridos na escrituração regular, a qual deve ser revestida de todas as formalidades legais, foi compartilhado por procedimentos de fiscalização que resultaram em diversos Acórdãos do CARF, cujas Ementas foram colacionadas alhures; por todas essas razões, concluise que a simples não apresentação do Lalur não é suficiente para se utilizar o arbitramento do lucro, que, de acordo com a legislação tributária, só deve ser aplicado em casos extremos de imprestabilidade da contabilidade da empresa; BASES DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS FOLHA DE PAGAMENTO. também no que concerne a este tópico, o acórdão ora recorrido não merece quaisquer reparos; o contribuinte sustenta que não pode ser tributado pelo PIS e a COFINS de forma reflexa pois a suspensão da sua imunidade se deu unicamente com base nos artigos 9°, § 1° e 14, incisos I a III do CTN, que seriam aplicáveis apenas ao IRPJ e à CSLL. Entende que a Fl. 2098DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 14 13 imunidade própria das contribuições para a seguridade social está no §7º, do art. 195, da CF/88 e que cumpriu os requisitos estabelecidos nas Leis n° 8.212, de 1991, e Lei n° 12.101, de 2009; o processo de n° 10380.729113/201269, que tratou da suspensão da imunidade da autuada, onde a fiscalização descreveu uma série de irregularidades praticadas pela interessada a implicar na subsunção dos fatos às hipóteses estabelecidas pelos artigos 9°, § 1° e 14, incisos I a III do CTN, e que teve por consequência a suspensão da imunidade do sujeito passivo concretizada através da edição do Ato Declaratório Executivo n° 80, de 26 de outubro de 2012, foi julgado recentemente pelo CARF, tendo o colegiado mantido a suspensão da imunidade para o IRPJ e seus reflexos. É a ementa do julgado: Acórdão nº 1401001.713 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009, 2010 INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. FISCALIZAÇÃO. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. IMPUGNAÇÃO. Representa desatendimento aos requisitos necessários ao gozo da imunidade destinada às instituições de educação e de assistência social a constatação de que a beneficiária adotou as condutas a seguir elencadas: o oferecimento de publicidade em equipe esportiva da entidade para empresa do mesmo grupo econômico, sem a devida cobrança pelo serviço prestado; a concessão pela entidade de bolsas de estudo a empregados das empresas que compõem o grupo econômico em que se encontra inserida, sem qualquer contrapartida por parte das empregadoras; o pagamento de anúncios publicitários em empresas pertencentes ao grupo econômico de seus dirigentes em valores superiores aos preços praticados para os demais anunciantes; e a participação da interessada em grupo econômico com fins lucrativos. importante consignar que o argumento de que a suspensão da imunidade seria válida apenas em relação ao IRPJ e a CSLL não foi suscitado no processo que julgava a referida suspensão; assim, o acórdão proferido naqueles autos julgou procedente a suspensão da imunidade em relação ao IRPJ e também em relação aos seus reflexos, que no caso são a CSLL, o PIS e a COFINS; a despeito de tais argumentos terem sido trazidos somente no processo que versa sobre os autos de infração, tratemos deles mesmo assim; como muito bem salientado pela decisão proferida em primeira instância e reiterado pelo colegiado a quo, o artigo 55 da Lei n° 8.212/91 estabelecia os requisitos para o gozo da isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da mesma norma para a entidade de assistência social que atendesse os requisitos ali estipulados; acontece que, no processo n° 10380.729113/201269, reconhecese expressamente que houve frontal infringência do inc. V do art. 55 da Lei n° 8.212/91, que determina que a entidade aplique integralmente o eventual resultado operacional positivo obtido na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; Fl. 2099DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 15 14 também naqueles autos, ficou claro que a contribuinte não é detentora do CEBAS Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social e que a mesma aplica em bolsas de estudos valores muito aquém daquele determinado pela norma e do que seria esperado para uma instituição sem fins lucrativos (aplica 2,55% quando a lei exige 20%). Portanto, como restou consignado no acórdão proferido nos autos do processo nº 10380.729113/201269, a autuada não cumpre os requisitos estabelecidos nas Leis n° 8.212/91 e Lei n° 12.101/2009; a sua insurgência tem como pretensão rediscutir a suspensão da imunidade tributária já julgada nos autos do processo n° 10380.729113/201269; alega, ainda, a autuada que a base de cálculo do PIS e da COFINS estaria incorreta, haja vista que, para a referida apuração, deve ser aplicado o art. 13, III, da MP n° 2.15835/2001, aplicável às instituições de educação e de assistência social, ou seja, com base na folha de salários à alíquota de 1% e não sobre o faturamento; a autoridade fiscal entendeu, com total propriedade, que o inciso III do artigo 13 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, não se aplica à Fundação em decorrência do desvio de finalidade da entidade que restou evidenciado no processo n° 10380.729113/2012 69; como muito bem salientado pelo colegiado a quo, estando “a Recorrente com a imunidade suspensa para os anoscalendário em questão, incabível a apuração do PIS/PASEP tomando por base a folha de pagamento, devendo a tributação se pautar nos preceitos determinados para as demais pessoas jurídicas em geral”. Constatado desvio de finalidade, que imponha a apuração de lucro tributável pelo imposto de renda, em determinado período, incidirá o PIS sobre o faturamento; portanto, não merece quaisquer reparos a decisão ora recorrida; DO PEDIDO. ante todo o exposto, requer a União (Fazenda Nacional) que seja negado provimento ao recurso especial interposto, mantendose o acórdão proferido pela eg. Turma a quo por seus próprios fundamentos. Finalmente, cabe registrar que a contribuinte desistiu do litígio em relação aos débitos de IRPJ, e que esses débitos foram transferidos para o processo nº 10380 727.472/201796. É o relatório. Fl. 2100DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 16 15 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O presente processo tem por objeto lançamento para a constituição de crédito tributário a título de IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS e COFINS) sobre fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2008, 2009 e 2010. A autuação fiscal é decorrente da edição do Ato Declaratório Executivo n° 80, de 26 de outubro de 2012, fl. 607, que suspendeu a imunidade tributária da Fundação Edson Queiroz nos anoscalendário 2008, 2009 e 2010, com repercussão no Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e nas contribuições sociais reflexas (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o PIS/Pasep e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins). As questões referentes à suspensão da imunidade tributária foram objeto do processo nº 10380.729113/201269, enquanto que as questões sobre a forma de constituição dos créditos tributários são objeto do presente processo. As exigências fiscais foram mantidas no julgamento de primeira instância administrativa. O lançamento também foi mantido pela decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido). E nesta fase de recurso especial, a contribuinte suscita divergência jurisprudencial em relação à manutenção do lançamento de CSLL com base no lucro real, e também à manutenção da incidência de PIS e COFINS sobre o faturamento. Conforme já esclarecido no relatório, a contribuinte desistiu do litígio em relação aos débitos de IRPJ, e esses débitos foram transferidos para o processo nº 10380 727.472/201796. É importante mencionar que a contribuinte também interpôs recurso especial no processo nº 10380.729113/201269 (que trata das questões referentes à suspensão da imunidade tributária), e que esse recurso especial não foi admitido. Considerando que teria sido confirmada a suspensão da imunidade naquele outro processo (questão da qual o presente processo é dependente), caberia, via de regra, apenas prosseguir no julgamento do recuso especial sob exame, dirimindo as divergências que tratam de questões sobre o lançamento em si, sem espaço para novos questionamentos ou considerações a respeito do ato de suspensão da imunidade. Entretanto, em razão da petição apresentada pela contribuinte, juntada às efls. 2068/2086 dos presentes autos, surgiram dúvidas durante a sessão de julgamento, sobre a definitividade ou não da decisão proferida no processo de suspensão de imunidade. O colegiado entendeu, então, que este processo deveria ser enviado à Delegacia de origem, para que ela: se pronuncie sobre a existência ou não de Agravo no processo principal (processo nº 10380.729113/201269); explique a razão pela qual a efl. 1025 não Fl. 2101DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 17 16 aparece no eprocesso do processo principal; e forneça ou se pronuncie sobre a tela do Ecac mencionada na fl. 3 da referida petição da contribuinte, que está ilegível. Desse modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que sejam prestadas as informações acima solicitas. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 2102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.005812/2001-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO
O prazo legal para interposição de Recurso Voluntário é de 30 dias. O Recurso apresentado após o prazo não pode ser conhecido, nos termos dos artigos 33 e 42, I, do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-004.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em vista de sua intempestividade.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO O prazo legal para interposição de Recurso Voluntário é de 30 dias. O Recurso apresentado após o prazo não pode ser conhecido, nos termos dos artigos 33 e 42, I, do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em vista de sua intempestividade. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
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score : 1.0
Numero do processo: 10783.916367/2009-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
INCONSTITUCIONALIDADE.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3302-006.162
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1130; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.916367/200987 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302006.162 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente AZ PNEUS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 INCONSTITUCIONALIDADE. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 63 67 /2 00 9- 87 Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10783.916367/200987 Acórdão n.º 3302006.162 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada, por não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude do fato de que o pagamento informado já havia sido utilizado para quitar débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte argumentou que, considerando a alteração do regime constitucional das contribuições (PIS/Cofins) por meio da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, eram inconstitucionais as Medidas Provisórias n° 66/2002 e nº 135/2003 que alteraram as suas base de cálculo e alíquota, carecendo de validade, por conseguinte, as Leis nº 10.637/2002 e n° 10.833/2003 delas decorrentes. Arguiu, também, o então Manifestante a inexigência da multa moratória, em razão da denúncia espontânea. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1331.920, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de não comprovação do indébito fiscal e da incompetência da autoridade administrativa para apreciar arguições de inconstitucionalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito, reproduzindo seus argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.147, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10783.912698/200948, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.147): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10783.916367/200987 Acórdão n.º 3302006.162 S3C3T2 Fl. 4 3 Conforme exposto anteriormente, as alegações da Recorrente se restringem a inconstitucionalidade da MP 135/2003, a saber: l. Considerando que o regime constitucional da COFINS foi alterado pela Emenda Constitucional n” 20, de 15 de dezembro de 1998, concluise ser inconstitucional a Medida Provisória n° 135/2003 que alterou a base de cálculo e alíquota da COFINS; 2. Nesse sentido, carece de validade a Lei n° 10.833/2003, pois decorre de medida provisória inconstitucionalmente editada; 3. Sendo assim, restam indevidos recolhimentos efetuados pela contribuinte com à alíquota majorada de 7,6%, pois deveria ter sido aplicada à alíquota de 3,0%. Neste cenário, impõese observar e aplicar a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir apenas à Cofins, à Medida Provisória nº 135/2003 e à Lei nº 10.833/2003, a decisão ali tomada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS, à Medida Provisória nº 66/2002 e à Lei nº 10.637/2002. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 40DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16403.000375/2008-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
NULIDADE. PRAZO PARA DECISÃO ADMINISTRATIVA PREVISTO NA LEI Nº 9.784/99. INAPLICABILIDADE
O processo administrativo tributário encontra-se regulado pelo Decreto 70.235/72 - Lei do Processo Administrativo Fiscal -, o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte.
REQUISITOS PARA COMPENSAÇÃO. DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO. ASSUNÇÃO DE ÔNUS.
Na vigência da IN SRF nº 210/02, na hipótese de título judicial em fase de execução, a restituição ou o ressarcimento somente será efetuado pela SRF se o requerente comprovar a desistência da execução do título judicial perante o Poder Judiciário e a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios.
Numero da decisão: 1402-003.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 NULIDADE. PRAZO PARA DECISÃO ADMINISTRATIVA PREVISTO NA LEI Nº 9.784/99. INAPLICABILIDADE O processo administrativo tributário encontra-se regulado pelo Decreto 70.235/72 - Lei do Processo Administrativo Fiscal -, o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. REQUISITOS PARA COMPENSAÇÃO. DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO. ASSUNÇÃO DE ÔNUS. Na vigência da IN SRF nº 210/02, na hipótese de título judicial em fase de execução, a restituição ou o ressarcimento somente será efetuado pela SRF se o requerente comprovar a desistência da execução do título judicial perante o Poder Judiciário e a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios.
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PRAZO PARA DECISÃO ADMINISTRATIVA PREVISTO NA LEI Nº 9.784/99. INAPLICABILIDADE O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal , o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. REQUISITOS PARA COMPENSAÇÃO. DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO. ASSUNÇÃO DE ÔNUS. Na vigência da IN SRF nº 210/02, na hipótese de título judicial em fase de execução, a restituição ou o ressarcimento somente será efetuado pela SRF se o requerente comprovar a desistência da execução do título judicial perante o Poder Judiciário e a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 40 3. 00 03 75 /2 00 8- 32 Fl. 125DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade (fls. 47/) contra o Despacho Decisório (fls. 47/48 ) que não homologou a compensação formalizada por meio dos PER/DCOMP´s nº 40937.88179.051004.1.543483 e 41936.94901.121103.1.3.54 5186 com base nos seguintes fundamentos: a) A ação judicial que originou o direito a crédito transitou em julgado em 27/11/1991, já tendo caducado o direito à restituição na data da entrega das DCOMPs. b) O contribuinte promoveu a execução do julgado e, concomitantemente ao deslinde do processo, transmitiu as DCOMPs em 12/11/2003 e 05/10/2004, por meio das quais, utilizouse do crédito reconhecido na ação judicial. Conforme legislação vigente à época (art. 37, §2º, da IN SRF nº 210/02) caberia ao contribuinte desistir da execução na esfera judicial antes de lançar mão dos procedimentos administrativos necessários a sua pretensão de compensação. Cientificado em 16/05/2008 (AR fls. 49), o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls.50/52 na qual alegou o seguinte a) A afirmação de que sentença teria transitado em julgado em 27/11/1991 é incorreta porque referese apenas à primeira sentença prolatada no processo original nº 00.01.054732 (PR). Ocorre que esse processo tem vários desdobramentos, a saber: Apelação Cível nos Autos 89.04.010098; Apelação Cível Autos 93.04.415535; Embargos à Execução Autos 97.00165311 e Precatória Autos 2003.04.02.0084354, nos quais foram prolatados váris despachos, sentenças e acórdãos. Após o ganho de causa da compensação, interpôs ação declaratória incidental da diferença de correção monetária/IPC que também teve ganho de causa, sendo que sentença embasadora dos valores compensados foi prolatada em 15 de janeiro de 2001; Em 22 de junho de 2011, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) negou provimento à Manifestação de Inconformidade com base nos seguintes fundamentos: a) Decadência do direito à compensação uma vez que o transito em julgado da ação relativa ao crédito e as DECOMP´s foram transmitidas em 12/11/2003 e 05/10/2004; b) Descumprimento na norma do art. 37, §2º, da IN SRF nº 210/02, vigente à época em que foram apresentadas as DCOMP´s Cientificado do teor da referida decisão (AR fls. 199), o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 112/122, no qual alega o seguinte: a) Quanto à decadência, repete ipisis litteris as alegações constantes da manifestação de inconformidade; Fl. 126DF CARF MF Processo nº 16403.000375/200832 Acórdão n.º 1402003.710 S1C4T2 Fl. 126 3 b) Nulidade do processo administrativo, uma vez que não teria sido observado o prazo de 60 (sessenta) dias previsto no artigo 49 da Lei nº 9.784/99 para a prolação do Acórdão recorrido. c) em relação a exigência prevista no artigo 37, §2º, da IN SRF nº 210/02 alegou que "Como os créditos compensáveis advieram de créditos de expurgos inflacionários não admitidos "ex officio" pela RFB e decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, a renúncia ao Processo equivaleria a renúncia ao Direito, destarte esta condição foi e é impossível de ser atendida. É o relatório. Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. 1) PRELIMINAR NULIDADE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO POR EXTRAPOLAÇÃO LEGAL DO PRAZO PARA DECISÃO. Preliminarmente, alega o Recorrente que o presente processo é nulo, uma vez que "como o interstício entre o protocolo da Impugnação, que deuse em 03/06/2008 e a prolação do Acórdão em 22/06/2011, transcorreu (sic) mais de 720 dias, qual seja, NÃO foi observado o prazo de 60 (sessenta) dias expressamente previsto no art. 49 da Lei nº 9.784, de 29/01/1999." O processo administrativo fiscal é disciplinado por lei específica Decreto nº 70.325/72, o qual prevê em seu art. 59 as seguintes hipóteses de nulidade: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não há, portanto, que se falar em nulidade na hipótese dos autos, uma vez que todos atos foram proferidos pelas autoridades competentes e sem qualquer preterição de direito de defesa. O máximo que a Recorrente poderia alegar é a mora da administração pública em decidir e, assim, peticionar (em sede administrativa ou judicial) requerendo a decisão em tempo hábil. De todo modo, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou quanto à inaplicabilidade do prazo previsto no artigo 49 da Lei nº 9.784/99 aos processos administrativos fiscais. Tal decisão foi proferida no julgamento do RESP nº 1.138.206/RS submetido à sistemática dos recursos repetitivos prevista no artigo 543C do Código de Processo Civil de 1973: Fl. 127DF CARF MF 4 TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. (...) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal , o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. Em face do exposto, rejeito a preliminar suscitada. 2) MÉRITO 2.1) DA DECADÊNCIA DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO Quanto à alegação de decadência constante do despacho decisório, o contribuinte reproduz as alegações já suscitadas quando da manifestação de inconformidade e rejeitadas pela DRJ de origem com base nos seguintes fundamentos: 14. As apelações cíveis nº 89.04.01.0098 e 93.04.4155535 referemse, respectivamente: 15. Apelação Cível nº 89.04.010098: à apelação contra a decisão de primeira instância, versando sobre a exigibilidade de correção monetária do IR/PIS, conforme fls. 24, à qual foi negado provimento por unanimidade. Após, foi inadmitido recurso especial interposto pela União, fls. 26, vindo, então, a transitar em julgado a decisão em 27/11/1991, conforme fls. 27 16. Apelação Cível nº 93.04.0415535: apelação contra a decisão de primeiro grau em sede de liquidação de sentença, promovida pela União Federal, em que esta resultou vencedora, após a subida do Recurso Especial ao STJ (nº 85.715), logrando reduzir o percentual da correção monetária de 70,28%, originalmente fixado, para 42,72%. O acórdão do STJ data de 23/05/1996, conforme fls. 44. 17. Já com relação ao que o contribuinte designou de "Ação Declaratória Incidental", conforme pesquisa feita no site do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, a ação foi recebida como Ação Ordinária, o que se pode subentender que tenha acontecido em razão de a ação declaratória incidental ser procedimento necessariamente incidental a outra ação, principal, com o objetivo de conferir a qualidade de coisa Fl. 128DF CARF MF Processo nº 16403.000375/200832 Acórdão n.º 1402003.710 S1C4T2 Fl. 127 5 julgada à questão meramente prejudicial ao mérito da ação principal e que, não fosse a ação declaratória incidental, manterseia forma do dispositivo da sentença, compondo apenas sua fundamentação. 18. Finalmente, o contribuinte alega que o termo a quo do prazo decadencial seria 15/01/01, data da prolação da sentença que junta às fls. 775/85. Tratase de sentença proferida em outro procedimento de conhecimento Embargos à Execução de sentença ação essa que foi promovida pela União Federal para questionar a execução. Nesta ação, a autora obteve provimento parcial do seu pedido, reduzindo o valor objeto da execução. 19. Ora, o prazo para que o contribuinte exerça administrativamente o direito de compensar, de cinco anos, contase a partir do trânsito em julgado da ação de conhecimento que reconheceu o direito creditório. Quando muito, poderseia cogitar da hipótese de deslocar o momento inicial da contagem do quinquídio para o trânsito em julgado da fase de liquidação de sentença, que, no caso da espécie, aconteceu em 1996. O prazo não pode ser contado a partir da data da decisão em sede de Embargos à Execução, que é ação de conhecimento interposta pela Fazenda Nacional objetivando reduzir o valor que já está sendo objeto de uma Ação de Execução em curso, proposta pelo contribuinte. E, além de tudo, resta claríssimo que o contribuinte não satisfez os requisitos do art. 37, §2º, IN SRF nº 210/02. Além do mais, conforme sentença prolatada em 24/08/2006, fls. 45, houve a extinção da execução promovida pelo contribuinte, tendo a União efetuado o depósito dos valores em favor dos credores. Em face do exposto, decaído o direito à compensação tendo em vista o disposto no artigo 57, § 3º do RICARF. 2.2) DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS PREVISTOS NO ART. 37, §2º, IN SRF Nº 210/02 Por fim, alega o contribuinte que a condição estabelecida no artigo 37, §2º da IN SRF nº 210/02 era impossível de ser atendida, uma vez que os créditos compensáveis decorreram de expurgos inflacionários não admitidos "ex officio" pela RFB. Dessa forma, a renúncia ao processo equivaleria renúncia ao seu direito. Conforme disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional a compensação, em matéria tributária, não é um direito do contribuinte. Está sujeita a expressa previsão legal e aos condicionantes estabelecidos pelas autoridades administrativas: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifamos) Na época em que foi realizado o presente pedido de compensação esta era disciplinada pela IN 210/02, a qual estabeleceu, em seu artigo 37, §2º as seguintes condições: Fl. 129DF CARF MF 6 Art. 37 (...) §2º Na hipóteses de título judicial em fase de execução, a restituição ou o ressarcimento somente será efetuado pela SRF se o requerente comprovar a desistência da execução do título judicial perante o Poder Judiciário e a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive honorários advocatícios. Não faz sentido a alegação do contribuinte no sentido de que estaria renunciando o seu direito ao crédito, uma vez que este foi reconhecido em ação de conhecimento. Uma vez definido o direito, o contribuinte tem o direito de requerer a restituição dos valores indevidamente recolhidos pela via judicial ou administrativa. Todavia, ao optar pela compensação deve se submeter as condicionantes impostas pela administração pública. 3) CONCLUSÃO Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.901201/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003
COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS.
Restando infrutífera a diligência para que o contribuinte comprovasse a ocorrência do fato gerador da restituição do tributo pleiteado, e a consequente validade da compensação empreendida, cumpre indeferir o pleito de restituição da recorrente, bem como a homologação das compensações declaradas
Numero da decisão: 3302-006.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araújo, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em Exercício).
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS. Restando infrutífera a diligência para que o contribuinte comprovasse a ocorrência do fato gerador da restituição do tributo pleiteado, e a consequente validade da compensação empreendida, cumpre indeferir o pleito de restituição da recorrente, bem como a homologação das compensações declaradas Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araújo, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 12 01 /2 00 8- 61 Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10580.901201/200861 Acórdão n.º 3302006.352 S3C3T2 Fl. 367 2 Relatório Por bem descrever os fatos do contencioso, adoto e transcrevo o relatório da Resolução nº 3302000.179, de 25/01/2012: No dia 10/08/2004 a empresa TELEDATA SOLUÇÕES INTEGRADAS DE COMUNICAÇÃO LTDA. apresentou PER/DCOMP pleiteando a restituição de Cofins pago a maior no dia 14/11/2003 (PA 10/2003) por erro de apuração. A RFB indeferiu o pleito da recorrente, e não homologou as compensações declaradas, sob a alegação de que o pagamento indicado no PER/DCOMP fora integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo credor disponível para compensação dos débitos informados na PER/DCOMP, conforme Despacho Decisório emitido no dia 24/04/2008 (fl. 68). Ciente, a empresa interessada apresenta manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que errou no cálculo da Cofins, conforme DIPJ/2004 e livro Razão. A DRJ em Salvador BA indeferiu a manifestação de inconformidade sob a alegação de que a DIPJ não tem caráter de confissão de dívida, não modificando os efeitos advindos da DCTF, nos termos do Acórdão nº 1525.249, de 28/10/2010 fls. 83/84. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 15/02/2011 e, não se conformando, apresentou recurso voluntário no dia 16/03/2011 (fls. 86/87), no qual reitera as razões da manifestação de inconformidade, demonstra a base de cálculo da Cofins de 10/03 e a necessidade de retificar a DCTF para sanar a razão do indeferimento do seu pleito. No dia 15/06/2011, a empresa recorrente solicita a “juntada do pedido da DCTF período 2003 juntamente com o pedido de retificação de ofício em virtude da impossibilidade de envio pelo programa disponibilizado pela Receita da DCTF do período de 2003”. A Resolução nº 3302000.179, de 25/01/2012 foi para que a d. autoridade administradora executora da decisão intimasse a contribuinte, concedendolhe o prazo de 30 dias. para que apresentasse as provas necessárias para comprovar a existência do crédito tributário pleiteado. Nesse sentido, o dispositivo contou com mais detalhes: (...) Neste aspecto, apenas o livro razão não é suficiente, sendo necessário que se comprove a diferença da base de cálculo do tributo que transformou o valor recolhido em indébito. A título de exemplificação deverão ser apresentados os elementos que compuseram o faturamento, os contratos Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10580.901201/200861 Acórdão n.º 3302006.352 S3C3T2 Fl. 368 3 referentes às operações canceladas (se o caso); os estornos financeiros respectivos; planilha demonstrativa e relatório circunstanciado das diferenças, etc, etc. A autoridade administrativa deverá analisar as informações apresentadas e elaborar parecer conclusivo sobre a existência (ou não) do crédito tributário, indicando valores e esclarecimentos. Deste parecer, a Recorrente deverá ser intimada para apresentar manifestação em 30 dias. Após, os autos deverão ser encaminhados a este E. Conselho para julgamento. A i. relatora assim fundamentou a necessidade de diligência: (...) Conforme relatado, tratase de restituição de pagamento indevido de valores que não constam como crédito na DCTF. Em virtude deste fato não são reconhecidos como crédito pela Receita Federal e, consequentemente, não podem ser restituídos. O contribuinte esclareceu que tentou fazer a retificação da DCTF, mas não teve sucesso em virtude de já haver transcorrido o prazo decadencial de 5 anos. Para comprovar seu direito traz documento contábil com claro indício de existência do crédito pleiteado. Conforme tenho me manifestado em outros julgamentos, entendo que mais relevante do que o acerto do instrumento acessório (DCTF) é a substância do ato praticado, a realidade dos fatos. Neste sentido, se o contribuinte comprovar a ocorrência do fato gerador da restituição do tributo pleiteado, o valor restituível não pode lhe ser negado. Registro que com isso não estou validando o comportamento de não apresentar DCTF (ou DCTF Retificadora), esta obrigação é do Contribuinte e deve ser cumprida com o costumeiro zelo. Todavia, excepcionalmente, entendo que a análise deve ser realizada in casu, principalmente em situações nas quais o contribuinte é impedido de apresentar a retificação do instrumento. Após intimação e reintimação da recorrente, veio aos autos a Informação fiscal em atendimento à Resolução nº 3302000.179, de 25/01/2012, com o seguinte conteúdo, em síntese: (...) Objetivando acatar ao referido Despacho, e com fundamento no artigo 23 do Decreto 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal) c/c o artigo 835, § 3º do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), foram emitidos documentos de intimação e reintimação, a fim de que fosse apresentada comprovação da existência do crédito pleiteado, ressaltando não Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10580.901201/200861 Acórdão n.º 3302006.352 S3C3T2 Fl. 369 4 ser suficiente somente o Livro Razão, sendo necessária a elucidação da diferença da base de cálculo do tributo que teria transformado o valor recolhido em indébito. Os avisos de Recepção AR encontramse anexos aos autos, com datas de ciência em 13/07/2017 e 26/10/2017, respectivamente – fls.348/355. O Contribuinte, contudo, não atendeu às intimações. (...) Em razão do não atendimento, inviabilizamse as condições para elaboração de relatório circunstanciado acerca do assunto, motivo pelo qual determinamos pela ciência da presente Informação ao Interessado, com posterior retorno dos Autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF Terceira Seção de Julgamento. Cientificada da informação acima, para se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias, a recorrente deixou fluir o prazo in albis, e retornou o processo. Após, o expediente retornou a este Conselho, para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em não havendo preliminares, passase de plano à questão de fundo da lide. Como se viu, o contribuinte teve mais uma chance para comprovar a ocorrência do fato gerador da restituição do tributo pleiteado, e a consequente validade da compensação empreendida, todavia, o que se observou foi o silêncio às intimações para tanto. Corolário disso, é possível pronunciarse, conclusiva e fundamentadamente, pelo indeferimento do pleito de restituição da recorrente, e bem assim pela não homologação das compensações declaradas. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10580.901201/200861 Acórdão n.º 3302006.352 S3C3T2 Fl. 370 5 Fl. 371DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.901865/2012-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO
Ao se constatar a existência de omissão, os embargos devem ser acolhidos para saná-la.
PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril e "aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte." (RESP nº 1.221.170/PR)
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. COMBUSTÍVEIS. ÓLEO DIESEL LUBRIFICANTES. GRAXAS
Os gastos com combustíveis, óleo diesel, lubrificantes e graxas geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
Numero da decisão: 3201-004.595
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para afastar a glosa em relação aos (i) lubrificantes e graxas; (ii) óleos combustíveis e (iii) aos produtos elencados no Anexo citado pela Embargante (doc. 4 - Embargos de Declaração - planilhas da Fiscalização). Vencida a conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada), que rejeitava os embargos.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira ). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO Ao se constatar a existência de omissão, os embargos devem ser acolhidos para saná-la. PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril e "aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte." (RESP nº 1.221.170/PR) NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. COMBUSTÍVEIS. ÓLEO DIESEL LUBRIFICANTES. GRAXAS Os gastos com combustíveis, óleo diesel, lubrificantes e graxas geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para afastar a glosa em relação aos (i) lubrificantes e graxas; (ii) óleos combustíveis e (iii) aos produtos elencados no Anexo citado pela Embargante (doc. 4 - Embargos de Declaração - planilhas da Fiscalização). Vencida a conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada), que rejeitava os embargos. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira ). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2091; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.901865/201289 Recurso nº 1 Embargos Acórdão nº 3201004.595 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de dezembro de 2018 Matéria EMBARGOS. OMISSÃO. Embargante SAMARCO MINERAÇÃO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO Ao se constatar a existência de omissão, os embargos devem ser acolhidos para sanála. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril e "aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte." (RESP nº 1.221.170/PR) NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. COMBUSTÍVEIS. ÓLEO DIESEL LUBRIFICANTES. GRAXAS Os gastos com combustíveis, óleo diesel, lubrificantes e graxas geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para afastar a glosa em relação aos (i) lubrificantes e graxas; (ii) óleos combustíveis e (iii) aos produtos elencados no Anexo citado pela Embargante (doc. 4 Embargos de Declaração planilhas da Fiscalização). Vencida a conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada), que rejeitava os embargos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 18 65 /2 01 2- 89 Fl. 2492DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201004.595 S3C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira ). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira. Relatório Tratamse de tempestivos Embargos de Declaração opostos por Samarco Mineração S/A, em face do Acórdão nº 3201003.321, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, proferido em sessão de 31/01/2018, cuja Ementa abaixo se transcreve: "ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 PRELIMINARES. NULIDADES. INOCORRÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA REALIZADA. Não há que se falar em nulidade da autuação pelo ausência de diligência in loco. Os princípios do contraditório, devido processo legal foram respeitados durante o transcurso processual. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa na atividade exercida pela recorrente os gastos incorridos com (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. Fl. 2493DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201004.595 S3C2T1 Fl. 4 3 Aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos concedese, respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003." Alega a Embargante a ocorrência de omissão parcial pela não apreciação, em sua íntegra, quanto ao item da glosa "BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS NÃO AÇÃO DIRETA SOBRE O PRODUTO", aduzindo ser necessária a análise dos demais produtos atingidos além dos combustíveis. A Embargante anexa aos autos as planilhas da fiscalização relativa a este tópico da glosa (doc. 04) onde está assinalada a listagem completa de produtos envolvidos na glosa fiscal, o que comprova que: a) além dos combustíveis, muitos outros produtos foram atingidos neste tópico e; b) o critério adotado pela fiscalização é, em todos os casos, exatamente o mesmo: produto sem contato direto, ainda que essencial ao processo produtivo, deve ter seu crédito inadmitido. Defende a Embargante que tais produtos são absolutamente essenciais ao seu processo produtivo e todo o item deve ser excluído. Um dos itens mais evidentes são os lubrificantes, pois seguem os mesmos fundamentos e, portanto, deve seguir o mesmo caminho dos combustíveis. Prossegue, afirmando que tal fato é admitido pela própria Fiscalização (relatório fiscal), mas de forma contraditória, negou o direito ao crédito dos lubrificantes que não entram em contato direto com o produto. Entende a Embargante que merece ser reestabelecido o crédito sobre todos os lubrificantes e graxas que atuam diretamente no processo produtivo, a fim de manter a coerência da decisão embargada. Continua a Embargante, asseverando que a fiscalização glosou óleos combustíveis (óleo diesel tipo B) utilizados nos “fora de estrada” na Unidade de Germano. De novo, no âmbito do ICMS já se reconhece tais créditos há muito, inclusive é o entendimento da Receita Federal do Brasil, consubstanciado por meio das Soluções de Consulta 85/12 e 91/12, emitida pela SRRF da 10ª Região, devendo a decisão embargada reconhecer expressamente o direito ao creditamento. Traz a Embargante, alguns exemplos da planilha anexa, para clamar que a decisão recorrida abarque todos os produtos encartados em referido documento. Que devidamente abordou e comprovou a existência de diversos outros produtos glosados sob o tópico “BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS”, os quais infelizmente não podem ser destrinchados itemaitem no recurso, pois tratamse de milhares de produtos glosados. A premissa da fiscalização para o tópico indicado é uma só em quaisquer dos casos a serem analisados: glosar todos os produtos em que não verificado contato direto com o minério sob produção. Requer a Embargante o provimento dos Embargos de Declaração, para sanar a omissão apontada, atribuindo o efeito modificativo necessário, para esclarecer que o mesmo tratamento conferido aos Combustíveis e aos Serviços analisados no acórdão recorrido Fl. 2494DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201004.595 S3C2T1 Fl. 5 4 (afastamento do critério restritivo de IPI e adoção da essencialidade), deverá ser empregado aos demais bens glosados no tópico “BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS – NÃO AÇÃO DIRETA SOBRE O PRODUTO”. Os embargos foram devidamente admitidos pelo Sr. Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, conforme a seguir: "A meu pensar, a omissão alegada reclama a apreciação da Turma Julgadora, a quem caberá decidir quanto à necessidade de saneamento. Apresentase possível a ocorrência de vício passível de saneamento pelo colegiado, lastreada em argumentação específica e suficiente para a admissibilidade dos Embargos. Convém notar que o presente despacho não determina se efetivamente ocorreram os vícios. Nesse sentido, o exame de admissibilidade não se confunde com a apreciação do mérito dos embargos, que é tarefa a ser empreendida subsequentemente pelo Colegiado. Diante do exposto, com base nas razões acima expostas e com fundamento no art. 65, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 2015, DOU SEGUIMENTO os Embargos de Declaração opostos pelo sujeito passivo." É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.590, de 11/12/2018, proferido no julgamento do processo 10680.901861/201209, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.590): Assiste razão ao pleito da Embargante. Realmente, a decisão embargada deixou de apreciar a íntegra dos produtos constantes no tópico “BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS – NÃO AÇÃO DIRETA SOBRE O PRODUTO”, tendo sido induzido ao lapso em razão do contido nas manifestações da Fiscalização e na decisão proferida em 1ª Instância. No caso, deve ser adotado, como defendido pela Embargante, o mesmo critério adotado na decisão embargada para os combustíveis. O anexo juntado pela Embargante, realmente, contém uma infinidade de produtos, sendo praticamente impossível sua análise individualizada. Fl. 2495DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201004.595 S3C2T1 Fl. 6 5 Ao caso chamo atenção aos produtos especificamente mencionados pela Embargante, quais sejam, (i) lubrificantes e graxas e (ii) óleos combustíveis (óleo diesel tipo B) utilizados nos “fora de estrada”. Em relação a tais itens, é pacífica a jurisprudência da CARF. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 28/03/2009 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. (...) COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. (...)" (Processo nº 11516.724153/201385; Acórdão nº 3301005.016; Relator Conselheiro Winderley Morais Pereira; sessão de 28/08/2018) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes." (Processo nº 10768.004787/201041; Acórdão nº 3302 005.927; Relator Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède; sessão de 25/09/2018) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofin Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica Fl. 2496DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201004.595 S3C2T1 Fl. 7 6 desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). (...) NÃO CUMULATIVIDADE. ÓLEO DIESEL, LUBRIFICANTES E GRAXAS UTILIZADOS EM VEÍCULOS E MÁQUINAS NA FASE AGRÍCOLA. PRODUÇÃO DA CANA. DIREITO AO CREDITAMENTO. Dá direito a crédito a aquisição de graxas, lubrificantes e óleo diesel utilizados em maquinários e veículos empregados na fase agrícola da produção do açúcar e álcool." (Processo nº 10880.953116/201361; Acórdão nº 3201004.161; Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; sessão de 28/08/2018) Com relação aos demais produtos elencados no Anexo (doc. 4 Embargos de Declaração) juntado pela Embargante, entendo que lhe assiste razão, devendo a glosa ser revertida. A Fiscalização para glosar os créditos de tais produtos, adotou o critério de que tais itens não possuem contato direto, ainda que essencial ao processo produtivo, ou seja, um conceito restritivo já afastado pela decisão embargada proferida por esse Colegiado. Imperioso esclarecer que por ocasião do recente julgamento do RESP nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo a Corte Superior assim se posicionou sobre a matéria: "TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. Fl. 2497DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201004.595 S3C2T1 Fl. 8 7 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte." (REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018) No caso, tanto a Fiscalização quanto a decisão recorrida proferida pela DRJ foram, de certo modo, genéricas e não adentraram com minúcias ao caso concreto. Aqui importante trazer as ponderações proferidas pelo Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza no Acórdão nº 3201004.279, in verbis: "Não obstante ausente, nos autos, maiores detalhes sobre o que são as tais "ferramentas operacionais", a razão para o indeferimento, juntamente com o indeferimento dos materiais de manutenção, foi a de que não se enquadrariam no conceito de insumo. A Recorrente, porém, sustenta a sua utilização no processo produtivo, o que o só adjetivo que acompanha o termo "ferramentas" parece, com efeito, indicar. Assim, na falta de maiores detalhes, máxime por parte da fiscalização, entendemos que as ferramentas operacionais e os materiais de manutenção utilizados na mecanização industrial, no tratamento do caldo, na balança de canadeaçúcar e na destilaria de álcool devem ser considerados insumos para o efeito de creditamento do PIS/Cofins." (nosso destaque) Do aludido documento 4 (planilhas da fiscalização) anexado com os Embargos tem se inúmeros itens que, ao meu sentir, são insumos necessários e indispensáveis ao processo produtivo e se adequam ao decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (essencialidade ou relevância). A título ilustrativo transcrevo: Fl. 2498DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201004.595 S3C2T1 Fl. 9 8 Dos embargos declaratórios, reproduzo os itens exemplificativos colacionados pela Embargante: Fl. 2499DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201004.595 S3C2T1 Fl. 10 9 Fl. 2500DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201004.595 S3C2T1 Fl. 11 10 Denotase, então, a plena aderência de tais insumos na complexa atividade produtiva desenvolvida pela Embargante. Diante do exposto, conheço dos Embargos de Declaração interpostos e voto por acolhêlos, com efeitos infringentes, para afastar a glosa em relação aos (i) lubrificantes e graxas; (ii) óleos combustíveis e (iii) aos produtos elencados no Anexo citado pela Embargante (doc. 4 Embargos de Declaração planilhas da Fiscalização). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado conheceu e acolheu os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para afastar a glosa em relação aos (i) lubrificantes e graxas; (ii) óleos combustíveis e (iii) aos produtos elencados no Anexo citado pela Embargante (doc. 4 Embargos de Declaração planilhas da Fiscalização). (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 2501DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.675378/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/08/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO.
O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.251
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/08/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO. O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 53 78 /2 00 9- 01 Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10880.675378/200901 Acórdão n.º 3302006.251 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da Declaração de Compensação, relativa a alegado crédito da contribuição (PIS/Cofins), em razão da inexistência do crédito declarado. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte juntou documentos e alegou que o crédito pleiteado não havia sido considerado em razão da declaração errônea de débitos efetuada em DCTF não retificada. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1630.453, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o crédito sob o argumento de inexistência de documentos que justificassem a alteração dos valores originalmente registrados em DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade e arguindo que recolhera tributo a maior e que a mera ausência de DCTF retificadora não teria o condão de eclipsar todas as demais provas trazidas aos autos. Afirmou que o crédito da contribuição decorria de pagamento a maior relativo a receitas de licenciamento de programas de computador importados (regime não cumulativo) e às demais receitas de serviços de informática (regime cumulativo). Argumentou, ainda, que, considerando o recolhimento da contribuição somente no regime não cumulativo, apurara crédito relativo à diferença entre o valor recolhido e o valor devido, utilizandose parcela desse crédito para compensar débito de sua titularidade (com a devida inclusão de juros e multa de mora). O Recorrente trouxe ainda aos autos as notas fiscais acompanhadas de relatório vinculandoas aos serviços prestados. É o Relatório. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10880.675378/200901 Acórdão n.º 3302006.251 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.249, de 28/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.675384/200951, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.249): 1. DA ADMISSIBILIDADE O presente Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva (efls. 62), revestese dos demais requisitos legais, razão pela qual dele conheço. 2. DO MÉRITO RECURSAL A Recorrente insurgese contra o ato (Despacho Decisório efls. 02, de 23.10.2009) que não homologou a compensação declarada. Em sua Manifestação de Inconformidade de uma folha (efls. 13) e acompanhado apenas do contrato social da empresa e da DCTF, a Contribuinte se limitou a afirmar que: Do Mérito A empresa solicita que o PER/DCOMP n°. 32391.03401.230207.1.3.049499 de 23/02/2007 seja homologado. Senhor julgador, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados nesta Manifestação de Inconformidade: a) A empresa possui crédito de Pagamento indevido ou a maior b) Os débitos foram compensados corretamente c) Alterar o lançamento na DCTF Dezembro/2005 do valor incorreto de R$ 1.237.221,85 para o valor correto devido de R$ 1.117.672,58, no código 5856 referente a Cofins na pagina 22. III Documentos Anexados Estão anexados a esta Manifestação de Inconformidade os seguintes documentos: (DCTF DEZEMBRO/2005; DARF no valor de R$ 1.237.221,85, Despacho Decisório n°8498606506 de 23/10/2009, CNPJ, Contrato Social e Documentos do representante legal). A Recorrente não trouxe à Manifestação de Inconformidade qualquer outro documento que pudesse minimamente demonstrar o seu direito ou mesmo a mera plausibilidade de sua alegação, sua verossimilhança, também chamada fumaça de direito. Assim, ao prolatar o Acórdão 1630.679, a DRJ admitiu que "... não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF." Entendeu a DRJ que "... o prazo para apresentação de provas documentais visando esclarecer o eventual equivoco cometido no Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10880.675378/200901 Acórdão n.º 3302006.251 S3C3T2 Fl. 5 4 preenchimento de DCTF finda na data da apresentação da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito do Contribuinte fazêlo em outra oportunidade. (...) Nessas circunstâncias, não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada, pelo que se mantém procedente a não homologação da compensação requerida." Este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que o momento para a apresentação da documentação demonstrativa do seu direito a crédito é o da apresentação da Manifestação de Inconformidade. CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido, se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza, por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis. (Acórdão n. 3301004.857 prolatado no bojo do processo 15582.000109/201009, publicado no dia 25.07.2018, Rel. Marcelo Costa Marques D. Oliveira.) A retificação das DCTF e DCOMP após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não é suficiente para a demonstração do direito creditório invocado. É ônus do interessado demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, apresentando os documentos e elementos de sua contabilidade que demonstram referido direito. Se é verdade que o princípio da verdade material norteia o processo administrativo fiscal, também é certo que existem outros princípios em colisão como a duração razoável do processo, a certeza da aplicação do direito e a eficiência da administração pública que, cotejados em conjunto pelo rito do processo administrativo fiscal, estabelecem momentos e prazos para a prática dos atos, sob pena da perpetuação do processo administro pois, a todo momento cada uma das partes poderia reiniciar o procedimento desde o início. Por este motivo, voto no sentido de negar provimento ao presente Recurso Voluntário. Ressaltese que, não obstante o processo paradigma se referir apenas à Cofins, a decisão ali tomada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 188DF CARF MF
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Numero do processo: 11060.002300/2006-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004
PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. EXCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS DECORRENTES DOS ATOS PRATICADOS COM SEUS ASSOCIADOS, DESIGNADOS ATOS TÍPICOS, PRÓPRIOS. LANÇAMENTO PELA SUA INCLUSÃO. IMPROCEDÊNCIA. EMBARGOS DA PROCURADORIA. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não há contradição no julgado por conta de ser citado um Recurso Extraordinário sem julgamento de mérito, ao passo que outros o foram.
Numero da decisão: 3401-005.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Ad Hoc.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. EXCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS DECORRENTES DOS ATOS PRATICADOS COM SEUS ASSOCIADOS, DESIGNADOS ATOS TÍPICOS, PRÓPRIOS. LANÇAMENTO PELA SUA INCLUSÃO. IMPROCEDÊNCIA. EMBARGOS DA PROCURADORIA. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não há contradição no julgado por conta de ser citado um Recurso Extraordinário sem julgamento de mérito, ao passo que outros o foram.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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COOPERATIVAS DE CRÉDITO. EXCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS DECORRENTES DOS ATOS PRATICADOS COM SEUS ASSOCIADOS, DESIGNADOS ATOS TÍPICOS, PRÓPRIOS. LANÇAMENTO PELA SUA INCLUSÃO. IMPROCEDÊNCIA. EMBARGOS DA PROCURADORIA. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não há contradição no julgado por conta de ser citado um Recurso Extraordinário sem julgamento de mérito, ao passo que outros o foram. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 23 00 /2 00 6- 39 Fl. 536DF CARF MF 2 Relatório (cf. relatório constante na pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros) Tratase de embargos de declaração opostos pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, entendendo que houve contradição no julgado, o qual afastou a incidência de PIS/COFINS sobre o ato cooperativo, sem decisão definitiva de mérito sobre a questão pelo STF em sede de repercussão geral no RE 672.215/CE e por tal razão merecendo que o referido julgamento seja integrado nos embargos que opôs, pugnando, ao final, sejam recebidos e providos seus declaratórios para sanar o vício apontado. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator Ad Hoc O voto a seguir reproduzido entre aspas é de lavra do Conselheiro André Henrique Lemos, relator original do processo, que, conforme Portaria CARF no 143, de 30/11/2018, teve o mandato extinto antes da formalização do resultado do presente julgamento. O texto do voto, in verbis, foi retirado da pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros. “O julgado colacionou os RE 598.085/RJ e 599.362/RJ, ambos com votação unânime, afetados à repercussão geral (temas 177 e 323, respectivamente), e como ficou consignado no acórdão ora embargado: .... entenderam de maneira pacificada que os atos praticados por cooperativa com terceiros não se inserem no conceito de atos cooperativos, revelandose uma atividade empresarial típica (escusas pela repetição desta expressão, também usada para ato cooperativo, porém, de toda proposital, convencido que são atividades típicas, contudo, diversas, cada qual para seus respectivos segmentos), cuja receita auferida está no campo de incidência do PIS e da COFINS. Logo, por exclusão, não há incidência das contribuições nos atos cooperativos. Ambos precedentes também foram colacionados, como se disse acima, inclusive por força do artigo 62, § 2° do RICARF, diante de decisões de definitivas de mérito em repercussão geral proferidas pelo STF. Fl. 537DF CARF MF Processo nº 11060.002300/200639 Acórdão n.º 3401005.422 S3C4T1 Fl. 537 3 O mesmo procedimento adotado aos aludidos RE, também foram feitos nos casos dos REsp. 1.141.667/RS e 1.164.716/MG, ambos unânimes e afetados ao rito de recursos representativos de controvérsia (recursos repetitivos). Fixouse que a prestação de serviços da cooperativa para terceiros não associados não é ato cooperativo, é uma atividade empresarial, portanto, receita tributável para fins das citadas contribuições. Por outra viseira, ato cooperativo é aquele prestado pela cooperativa em prol de seus associados, por conseguinte, não mercancia, logo, nãoincidência de PIS e da COFINS. Pelo Estatuto Social, Balencete e DIPJ apresentados, ficou claro se tratar de atos praticados em prol de seus associados, típico ato cooperativo, logo, em consonância com os julgados citados. Não há contradição no julgado pelo fato de não ter sido citado o RE 672.215/CE, vez que todos os demais o foram. Ademais, a CSRF, corrobora o entendimento fixado no acórdão embargado (9303 005.043, v. u. em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional). Com essas considerações, rejeito os embargos apresentados.” (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan (Ad Hoc) Fl. 538DF CARF MF
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