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Numero do processo: 35220.000306/2006-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Previdenciárias
Período de Apuração: 11/2002 A 03/2006.
RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em
que não foi contestado.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991
combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza.
Numero da decisão: 2301-002.872
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votam em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 671DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 35220.000306/200650 Acórdão n.º 2301 002.872 S2C3T1 Fl. 2 2 ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votam em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Tratase de ‘Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrado em face da PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE GRANITO/PE, referente às contribuições devidas à Seguridade Social incidentes sobre a remuneração paga aos segurados contribuintes individuais que prestaram serviço a esta municipalidade, no período correspondente ao lançamento – 11/2002 a 03/2006, conforme se infere do Relatório Fiscal às fls. 107/125. Apresentada impugnação às fls. 225/698, foi mantido o lançamento fiscal pela decisão ora recorrida (fls. 702/713), cuja ementa assim dispôs: EMENTA — NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. IRRELEVANCIA. ALEGAÇÕES DEFENSÓRIAS GENÉRICAS E SEM LASTRO PROBATÓRIO. REJEIÇÃO. i. O cumprimento de obrigações tributárias acessórias não afasta a obrigação de recolher as contribuições na sua integralidade. ii. Argumentos de defesa quando não se referirem a pontos específicos do lançamento e/ou estiverem desprovidos dos elementos de prova adequados não merecem conhecimento. Irresignada, interpôs o contribuinte Recurso Voluntário (fls. 717/731) contra a decisão acima transcrita, de modo que suas razões recursais podem ser resumidas às seguintes: 1) As GPS objeto da NFLD foram pagas, segundo os documentos acostados nos autos da NFLD nº 35.602.6426. 2) O agente fiscalizador se preocupou somente em analisar as notas Fl. 672DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 35220.000306/200650 Acórdão n.º 2301 002.872 S2C3T1 Fl. 3 3 de empenho e folhas de pagamentos, deixando de observar as GFIP de propriedade do município. Assim, vieram os autos a este Conselho de Contribuintes por meio de Recurso Voluntário. Sem Contrarrazões. É o relatório. Voto Do Mérito Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o Recurso tempestivo, passo ao seu exame. Do Recurso Genérico. Preclusão Processual Em suas razões recursais, a Recorrente alega que quando da apresentação da defesa ao DEBCAD nº 35.602.6442/2006, estava amparada pela legislação, pois enviou à previdência Social as GFIP, relativas às competências de 11/2003 a 03/2006 de forma integral, de acordo GPS anexa à DecisãoNotificação referente ao processo NFLD nº 35.602.6426, isto é, em autos diversos do presente. Afirmou ainda que o agente fiscalizador se preocupou apenas em analisar notas de empenho e folhas de pagamento, deixando de observar as GFIP de propriedade do Município. A fundamentação utilizada pela ora Recorrente não é apta a afastar a decisão fiscal recorrida, uma vez que a NFLD é o instrumento hábil a constituir o crédito oriundo da obrigação principal, que no presente caso, decorre da falta de recolhimento ou recolhimento a menor do tributo. Desta forma, o objeto da autuação em comento é o não recolhimento do tributo, que é a obrigação principal, e não a obrigação acessória, embora o Recorrente insista em trazer argumentos relativos a esta última (apresentação de GFIP, informações contidas em GFIP etc). Sendo assim, o fato de o Município Recorrente afirmar que cumpriu suas obrigações acessórias não é suficiente para afastar a sua obrigação principal, ou seja, a obrigação de recolher o tributo, objeto da NFLD recorrida. Fl. 673DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 35220.000306/200650 Acórdão n.º 2301 002.872 S2C3T1 Fl. 4 4 Em sua fundamentação, o recorrente utiliza diversos dispositivos de forma aleatória, isto é, sem nenhuma conexão com os argumentos alegados na decisão recorrida, bem como sem relacionálos com as afirmações feitas no relatório do presente recurso. Ademais as alegações presentes no Recurso dizem respeito apenas a matérias fáticas que não trazem consigo sua correspondente comprovação. O fato de as documentações comprobatórias dos fatos alegados constarem nos autos da NFLD nº 35.602.6426 não é bastante para afastar a presente NFLD, uma vez que os processos fiscais são autônomos e independentes, de modo que caberia ao interessado trazer aos autos cópia dos documentos necessários a comprovar o alegado. Nas razões recursais ora em apreço, a Recorrente sequer se defendeu quanto ao mérito da questão acima exposta, já que em nenhum momento afirma que os valores apontados pela fiscalização não correspondem a fatos geradores de contribuições previdenciárias, ou seja, apresentou uma defesa genérica, não se desincumbindo do ônus da prova em contrário do afirmado pela fiscalização. Pois bem. A despeito de tal discussão, imperioso trazer a baila o que preconiza o art. 9º, §6º da Portaria nº 520, de 19 de maio de 2004, in verbis: Art. 9º A impugnação mencionará: (...) § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Desta feita, concluise, do acima exposto, que reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. Notase, portanto, que houve a preclusão processual, uma vez que não houve insurgência da Recorrente quanto à pretensão externada no lançamento. Ademais, a despeito de tal instituto, importante citar os ensinamentos de Fredie Didier Júnior, in verbis: “Entendese que a preclusão está intimamente relacionada com o ônus, que, como se sabe, é situação jurídica consistente em um encargo do direito. A parte detentora de ônus deverá praticar ato processual em seu próprio benefício, no prazo legal, e de forma correta: se não o fizer, possivelmente este comportamento poderá acarretar consequências danosas para ela. (...) a preclusão decorre do não atendimento de um ônus, com a prática de atofato caducificante ou ato jurídico impeditivo, ambos lícitos, conformes com o direito. Com isso, entendo que, no caso em apreço, ocorreu a preclusão consumativa, que é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, ficando, portanto, o julgador impossibilitado de analisar a questão de mérito, posto que não contestada pela Recorrente. Da multa aplicada Fl. 674DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 35220.000306/200650 Acórdão n.º 2301 002.872 S2C3T1 Fl. 5 5 A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das Fl. 675DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 35220.000306/200650 Acórdão n.º 2301 002.872 S2C3T1 Fl. 6 6 contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº Fl. 676DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 35220.000306/200650 Acórdão n.º 2301 002.872 S2C3T1 Fl. 7 7 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando Fl. 677DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 35220.000306/200650 Acórdão n.º 2301 002.872 S2C3T1 Fl. 8 8 cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica. Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para que seja aplicada a penalidade prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, caso seja mais benéfica para o contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, em 20 de junho 2012 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 678DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 35220.000306/200650 Acórdão n.º 2301 002.872 S2C3T1 Fl. 9 9 Fl. 679DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 10665.000470/2009-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2007
Ementa: IRRF. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL.
COMPENSAÇÃO. O imposto de renda incidente na fonte sobre rendimentos sujeitos ao ajuste anual deve ser compensado com o imposto apurado na declaração de ajuste anual do beneficiário desses rendimentos, correspondente ao período de recebimento dos mesmos.
Recurso negado
Numero da decisão: 2201-001.735
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. COMPENSAÇÃO. O imposto de renda incidente na fonte sobre rendimentos sujeitos ao ajuste anual deve ser compensado com o imposto apurado na declaração de ajuste anual do beneficiário desses rendimentos, correspondente ao período de recebimento dos mesmos. Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 10/09/2012 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Rayana Alves de Oliveira França. Ausente momentaneamente o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/ 09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Relatório MARIANGELA SALGADO MACHADO interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJBELO HORIZONTE/MG que julgou procedente lançamento, formalizado por meio de notificação de lançamento, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPFsuplementar, referente ao exercício de 2007, no valor de R$ 4.701,21, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 6.632,16. A infração que ensejou o lançamento foi a compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF. Segundo o relatório fiscal a Contribuinte não atendeu intimação para prestar esclarecimentos, tendo sido glosada a compensação de IRRF no valor de R$ 6.819,33, da fonte pagadora UNIBANCO – União de Bancos Brasileiros S/A. A Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que recebeu a título de herança, do espólio de Maria Geralda Salgado Machado, rendimentos oriundos do processo trabalhista da 2ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte, na proporção de um quinto do valor total, cabendolhe o valor de R$ 13.730,31 de rendimentos, com IRRF de R$ 6.819,33. A DRJBELO HORIZONTE/MG julgou procedente o lançamento com base, em síntese, no fato de que, embora os elementos constantes dos autos comprovem que houve o pagamento dos rendimentos ao espólio de Maria Geralda Salgado Machado e o recolhimento do IRRF pela fonte pagadora referente a tais rendimentos, não constam elementos que comprovem que houve o recolhimento do IRRF em nome da Contribuinte ou do Espólio, ou que comprove que a Contribuinte era herdeira e beneficiária do espólio, uma vez que o depósito do valor correspondente foi feito em nome de Geraldo Magela S. Machado; que não consta documentos referentes ao inventário ou que indiquem que o valor em questão foi incluído no inventário; que, portanto, não foi comprovado o direito à compensação do crédito de IRRF. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 09/09/2011 e, em 05/10/2011, interpôs o recurso voluntário, que ora se examina, e no qual afirma que a Sra. Maria Geralda Salgado Machado era parte autora no processo trabalhista que tramitou perante a 2ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte/MG mas, ante do trânsito em julgado da sentença a Sra. Maria Geralda faleceu (em 23/07/2003) e, como era solteira e sem filhos todos os seus bens foram adjudicados por sua genitora Maria Luiza Salgado Machado, conforme carta de adjudicação anexa; como à época do falecimento, a ação trabalhista não havia transitado em julgado, os direitos a ela referentes não constaram do inventário, uma vez que havia apenas uma expectativa de direito; que, em 27/02/2005, a Sra. Maria Luiza Salgado Machado veio também a falecer, conforme certidão de óbito anexa, e os direitos referentes à ação trabalhista foram transferidos diretamente para os irmãos de Maria Geralda Salgado Machado; que não há dúvidas de que a Contribuinte é irmã da titular da ação trabalhista; que a ação trabalhista somente transitou em julgado em 2006, tendo sido os valores levantados em maio daquele ano e partilhados igualmente entre os irmãos; que o DARF referente ao IRRF, no valor de R$ 34.096,67 foi devidamente recolhido aos cofres da RFB pelo Unibanco. É o relatório. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/ 09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10665.000470/200950 Acórdão n.º 2201001.735 S2C2T1 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, o lançamento decorre da glosa de IRRF. Segundo relato da própria Recorrente, o IRRF declarado teria incidido originalmente sobre valor pago em decorrência de decisão judicial em ação trabalhista da qual era beneficiária Maria Geralda Salgado Machado, irmã da ora Recorrente, falecida em 23/07/2003 e que, sendo solteira e não tendo filhos à época do falecimento, seus bens e direitos foram adjudicados para Maria Luiz Salgado Machado, sua mãe e mãe da ora Recorrente. Porém, Maria Luiz também faleceu, em 27/02/2005, e a Recorrente e seus irmão herdaram seus bens e direitos. A ação judicial em questão teve seu desfecho em 2006, tendo sido pago ao espólio de Maria Geralda Salgado Machado a importância de R$ 48.739,95, com IRRF de R$ 34.096,67. Segundo a Contribuinte coube a cada um dos herdeiros um quinto desses valores, a saber, R$ 12.730,31 de rendimentos e R$ 6.819,22 de IRRF. O IRRF foi glosado porque não contava DIRF informando a ora Recorrente como beneficiária dos rendimentos, com a retenção do IRRF. Pois bem, considerando estes fatos como verdadeiros, e os elementos carreados aos autos parecem confirmálos, questionase se a Contribuinte poderia, como fez, declarar o valor acima referido como IRRF na sua declaração de rendimentos. E a resposta é negativa. É que, primeiramente, a retenção do imposto pela fonte pagadora é uma antecipação do imposto devido na declaração de rendimentos e esta deveria ser prestada, originalmente, por Maria Geralda Salgado Machado. Ocorre que, como relatada, esta veio a falecer antes do desfecho da ação, e os seus direitos foram adjudicados para sua mãe, Maria Luiza Salgado Machado. Assim, ainda que se considerasse esta como a beneficiária dos rendimentos, a declaração deveria ser feita em nome do seu espólio, já que não consta dos autos nenhuma peça ou mesmo referência ao inventário de Maria Luiza. Portanto, os rendimentos, vale repetir, deveriam ser integralmente declarados pelo espólio de Maria Luiz, com a compensação do respectivo IRRF. Os valores recebidos pela contribuinte neste caso não sofreram retenção do imposto de renda na fonte. O que a Contribuinte recebeu foi uma herança, uma parte de um crédito da qual sua mãe era beneficiária. O certo é que a Contribuinte não herdou, e nem poderia, o direito ao imposto de renda que fora retido. Este, como acima ressaltado, deveria ser compensado na declaração do espólio, na qual deveria ser informado os rendimentos e o IRRF. Assim, entendo corretos o lançamento e a decisão de primeira instância. Conclusão Fl. 51DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/ 09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 52DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/ 09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002684/2009-59
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. EXPEDIÇÃO DE ATO DECLARATÓRIO SEM EXAME DA CONTESTAÇÃO À NOTIFICAÇÃO FISCAL. NULIDADE. A contestação da notificação fiscal relativa à suspensão de imunidade tributária impõe à autoridade administrativa competente o exame das alegações e provas tempestivamente apresentadas pelo sujeito passivo. É nulo o ato declaratório suspensivo de imunidade
expedido sem exame da impugnação à notificação fiscal, por cerceamento do direito de defesa.
SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. REDUÇÃO DE PRAZO PARA DEFESA.
IMPOSSIBILIDADE. A impugnação relativa à suspensão da imunidade
tributária segue as demais normas reguladoras do processo administrativo tributário da União, devendo ser apresentada no prazo de 30 (trinta) dias, sendo descabida a sua redução.
RETORNO DE DILIGÊNCIA. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE CONTRARAZÕES.
O sujeito passivo tem assegurado prazo legal de 30 (trinta) dias para se manifestar a respeito do resultado de diligências ou
perícias.
ATO ABSOLUTAMENTE NULO. CONVALIDAÇÃO.
IMPOSSIBILIDADE. Os atos administrativos dotados de ilegalidades
caracterizadoras de nulidade absoluta não são passíveis de convalidação.
NULIDADE. ALCANCE. ATOS SUBSEQÜENTES. O ato nulo alcança os
subseqüentes dele dependentes, igualmente viciandoos
e, conseqüentemente, impedindo seus efeitos.
Numero da decisão: 1103-000.810
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do colegiado DECLARAR NULOS o ADE Defis/São Paulo nº 235/2009 e os autos de infração, por maioria, vencidos os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso e Eduardo Martins
Neiva Monteiro, e a decisão de primeira instância, por unanimidade, dispensada a repetição dos referidos atos em razão da superveniente ocorrência de decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário relativo ao ano-calendário 2004.
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. EXPEDIÇÃO DE ATO DECLARATÓRIO SEM EXAME DA CONTESTAÇÃO À NOTIFICAÇÃO FISCAL. NULIDADE. A contestação da notificação fiscal relativa à suspensão de imunidade tributária impõe à autoridade administrativa competente o exame das alegações e provas tempestivamente apresentadas pelo sujeito passivo. É nulo o ato declaratório suspensivo de imunidade expedido sem exame da impugnação à notificação fiscal, por cerceamento do direito de defesa. SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. REDUÇÃO DE PRAZO PARA DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. A impugnação relativa à suspensão da imunidade tributária segue as demais normas reguladoras do processo administrativo tributário da União, devendo ser apresentada no prazo de 30 (trinta) dias, sendo descabida a sua redução. RETORNO DE DILIGÊNCIA. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE CONTRARAZÕES. O sujeito passivo tem assegurado prazo legal de 30 (trinta) dias para se manifestar a respeito do resultado de diligências ou perícias. ATO ABSOLUTAMENTE NULO. CONVALIDAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os atos administrativos dotados de ilegalidades caracterizadoras de nulidade absoluta não são passíveis de convalidação. NULIDADE. ALCANCE. ATOS SUBSEQÜENTES. O ato nulo alcança os subseqüentes dele dependentes, igualmente viciandoos e, conseqüentemente, impedindo seus efeitos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2041; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 1 1 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.002684/200959 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1103000.810 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 5 de março de 2013 Matéria IRPJ e reflexos imunidade Recorrente Fundação Carlos Chagas Recorrida Fazenda Nacional Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. EXPEDIÇÃO DE ATO DECLARATÓRIO SEM EXAME DA CONTESTAÇÃO À NOTIFICAÇÃO FISCAL. NULIDADE. A contestação da notificação fiscal relativa à suspensão de imunidade tributária impõe à autoridade administrativa competente o exame das alegações e provas tempestivamente apresentadas pelo sujeito passivo. É nulo o ato declaratório suspensivo de imunidade expedido sem exame da impugnação à notificação fiscal, por cerceamento do direito de defesa. SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. REDUÇÃO DE PRAZO PARA DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. A impugnação relativa à suspensão da imunidade tributária segue as demais normas reguladoras do processo administrativo tributário da União, devendo ser apresentada no prazo de 30 (trinta) dias, sendo descabida a sua redução. RETORNO DE DILIGÊNCIA. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE CONTRARAZÕES. O sujeito passivo tem assegurado prazo legal de 30 (trinta) dias para se manifestar a respeito do resultado de diligências ou perícias. ATO ABSOLUTAMENTE NULO. CONVALIDAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os atos administrativos dotados de ilegalidades caracterizadoras de nulidade absoluta não são passíveis de convalidação. NULIDADE. ALCANCE. ATOS SUBSEQÜENTES. O ato nulo alcança os subseqüentes dele dependentes, igualmente viciandoos e, conseqüentemente, impedindo seus efeitos. Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002684/200959 Acórdão n.º 1103000.810 S1C1T3 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do colegiado DECLARAR NULOS o ADE Defis/São Paulo nº 235/2009 e os autos de infração, por maioria, vencidos os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso e Eduardo Martins Neiva Monteiro, e a decisão de primeira instância, por unanimidade, dispensada a repetição dos referidos atos em razão da superveniente ocorrência de decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário relativo ao anocalendário 2004. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 1517DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002684/200959 Acórdão n.º 1103000.810 S1C1T3 Fl. 3 3 Relatório O processo trata de suspensão de imunidade tributária da Fundação Carlos Chagas segundo o rito prescrito pelo art. 32 da Lei 9.430/1996, mediante o ADE – Ato Declaratório Executivo nº 235 (fls. 606), expedido pela Delegada da Receita Federal de Fiscalização de São Paulo em 17 de setembro de 2009, e de exigência de crédito tributário de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), conforme autos de infração de fls. 839, 846 e 855, respectivamente, relativos ao anocalendário 2004, com multa de ofício no percentual de 75% previsto no art. 44, I, do referido ato legal. A notificação fiscal (fls. 563) expedida segundo o art. 32, § 1º da Lei 9.430/1996 conteve indicação de descumprimento dos requisitos fixados pelo art. 14, I a III, do CTN – Código Tributário Nacional (Lei 5.172/1966), tendo em vista a constatação das seguintes irregularidades: a) destinação de recursos para fora do Brasil, inclusive paraíso fiscal, estranha aos fins institucionais de desenvolvimento de atividades primordialmente técnicas e científicas, abrangendo aplicação de aproximadamente 93,59% dos recursos do período no mercado financeiro e na construção de imóvel para futura locação; b) pagamento de passagens aéreas, faturas de cartões de créditos corporativos e planos de saúde do diretorpresidente da Fundação, sua esposa e sua enteada, sem comprovação de vinculação de tais dispêndios aos fins da entidade; c) distribuição disfarçada de lucros através de pessoa jurídica ligada na qual figura como sócia a cônjuge do presidente da Fundação. Constou também informação de que a entidade não possuía o Cebas – Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. A Fundação tomou ciência da notificação em 15/07/2009 (fls. 588) e apresentou contrarazões no dia 13 do mês seguinte (fls. 865), muito embora haja registro de ausência de manifestação da fiscalizada no parecer que embasou a expedição do ADE (fls. 595). Na impugnação do ADE (fls. 1.094), a Fundação requereu o reconhecimento da nulidade do ato de suspensão da imunidade, tendo em vista a omissão no exame da contestação da notificação fiscal, e o retorno dos autos à autoridade competente para apreciação das suas alegações. Segundo o termo de constatação fiscal (fls. 819), a entidade dispunha de escrituração contábil regular, sujeitandose à apuração ex officio do IRPJ e da CSLL pelo regime de tributação do lucro real trimestral. Fl. 1518DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002684/200959 Acórdão n.º 1103000.810 S1C1T3 Fl. 4 4 A autoridade fiscal relatou a ocorrência de (a) dedução indevida de provisão para perdas em investimentos, (b) despesas com cartão de crédito corporativo sem comprovação do vínculo com a atividade fim e (c) distribuição de lucro por intermédio de pessoa ligada. A Fundação impugnou o lançamento tributário suscitando preliminar de nulidade em razão da alegada irregularidade do ato de suspensão da imunidade e também o contestou no mérito (fls. 1.100). Por intermédio da Resolução nº 180 (fls. 1.214), de 29/04/2010, a 2ª Turma da DRJ/São Paulo I determinou o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo para exame da contestação à notificação fiscal. A Delegada da Defis/SP ratificou a decisão original de suporte à expedição do ato de suspensão da imunidade com base no parecer de fls. 1.219, de 08/07/2010, dando ciência à fiscalizada no dia 16 do mesmo mês (fls. 1.229) e intimandoa para se manifestar no prazo previsto no art. 44 da Lei 9.784/1999, de 10 dias, o que foi feito por meio da peça de fls. 1.235. Ao analisar as impugnações, a 2ª Turma da DRJ/São Paulo I julgou procedentes o ADE e os autos de infração, por unanimidade, nos termos do Acórdão nº 16 27.983/2010 (fls. 1.250), assim ementado: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PRELIMINAR DE NULIDADE. Rejeitase essa preliminar, uma vez que a ampla defesa do sujeito passivo não foi arranhada, e o ato declaratório executivo de suspensão de imunidade do sujeito passivo e tampouco o posterior lançamento padecem de quaisquer vícios capazes de tornálos nulos. ATO DECLARATÓRIO DE SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. COMPETÊNCIA. O Delegado da Receita Federal é competente para a edição de Ato Declaratório de suspensão de imunidade por expressa disposição da legislação tributária. IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NÃO APLICAÇÃO. Pelas atividades desempenhadas, a Fundação Carlos Chagas não se confunde com as entidades beneficentes de assistência social, não se lhes aplicando o benefício constitucional a essas restrito. ATO DECLARATÓRIO DE SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. IMPUGNAÇÃO. A impugnação contra o ato declaratório de suspensão de imunidade tributária não impede que o Fisco promova, logo após a expedição do ato contestado, o lançamento do imposto cuja suspensão da imunidade foi declarada pelo Fl. 1519DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002684/200959 Acórdão n.º 1103000.810 S1C1T3 Fl. 5 5 respectivo Delegado da Receita Federal titular na circunscrição do contribuinte. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. PESSOA LIGADA. Considerase pessoa ligada outra pessoa jurídica que, além de ser também representada pelo diretorpresidente da distribuidora dos lucros, pertence integralmente a este e seus parentes próximos. Configura distribuição disfarçada de lucros a quantia efetivamente paga ou creditada a pessoa ligada, em condições de favorecimento. DECADÊNCIA A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte apura montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de pagamento, não há que se falar em homologação, regendose a decadência pelos ditames do art. 173 do CTN, com início do lapso temporal no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 SUSPENSÃO DE IMUNIDADE E AUTOS DE INFRAÇÃO. Lavrados Autos de Infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra as exigências de crédito tributário são reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. LUCRO REAL TRIMESTRAL VERSUS ANUAL OU ARBITRADO. O lucro real base de cálculo do imposto sobre a renda da pessoa jurídica deve ser apurado trimestralmente, na forma do art. 220 do RIR/1999, a apuração anual é uma alternativa que, para seu exercício requer pagamentos mensais por estimativa, no termos das normas de regência. Tem o fisco a faculdade de arbitrar o lucro do sujeito passivo quando a sua escrita fiscal se mostra imprestável. APURAÇÃO DO LUCRO REAL. PROVISÕES. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. As perdas na realização de créditos podem ser consideradas como despesas dedutíveis para efeito de apuração do Lucro Real, desde que devidamente comprovadas, observadas as condições previstas na legislação de regência. À autoridade administrativa cabe cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas. Fl. 1520DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002684/200959 Acórdão n.º 1103000.810 S1C1T3 Fl. 6 6 É vedada a dedução na apuração do lucro real de qualquer provisão, exceto aquelas legalmente previstas. DESPESAS COM CARTÕES DE CRÉDITO. DEDUTIBILIDADE. Sem a prova cabal, nos autos, de que as despesas se realizaram em benefício da empresa, não se validam como dedutíveis. Tais gastos só são assim considerados quando comprovadas a sua efetividade e a obediência aos requisitos da necessidade e da vinculação aos objetivos da pessoa jurídica. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. Presumese distribuição disfarçada de lucros quando a pessoa jurídica realiza com pessoa ligada qualquer negócio em condições de favorecimento, assim entendidas condições mais vantajosas para a pessoa ligada do que as que prevaleçam no mercado ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão relativa ao lançamento principal se aplica, no que couber, às exigências dele decorrentes posto que fundamentados nos mesmos elementos de prova. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 COFINS. FUNDAÇÃO DE DIREITO PRIVADO. ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA. Estão isentas de COFINS somente as receitas relativas às atividades próprias das fundações de direito privado, assim entendidas as receitas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais, nas quais não se incluem, evidentemente, as receitas de prestação de serviços que têm caráter contraprestacional.” Cientificada da decisão em 22/12/2010 (fls. 1.294), a contribuinte interpôs recurso voluntário no dia 19 do mês seguinte (fls. 1.641). Suscitou preliminares de nulidade do ato de suspensão de imunidade e do lançamento tributário e indicou “vícios de construção” dos autos de infração, além de alegar decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário. No mérito, refutou os fundamentos apontados pela fiscalização e a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Fl. 1521DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002684/200959 Acórdão n.º 1103000.810 S1C1T3 Fl. 7 7 Na referência às folhas dos autos foi considerada a numeração escrita do processo físico (papel) até o recurso voluntário, quando a partir de então passouse a adotar a numeração do processo eletrônico atribuída pelo sistema "eprocesso". É o relatório. Fl. 1522DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002684/200959 Acórdão n.º 1103000.810 S1C1T3 Fl. 8 8 Voto Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva – Relator. O recurso foi tempestivamente apresentado por parte legítima e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. O art. 32 da Lei 9.430/1996 estabeleceu procedimento a ser cumprido pelo Fisco nos casos de suspensão de imunidade tributária e constituição do crédito tributário dela decorrente. Em síntese, quando constatada inobservância dos requisitos legais pela pessoa jurídica em gozo de imunidade, a fiscalização deverá expedir notificação fiscal contendo a descrição das infrações, a qual poderá ser contestada no prazo de 30 (trinta) dias. O Delegado ou Inspetor da Receita Federal do Brasil expedirá ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência da contestação ou da sua inexistência, passível de impugnação à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) segundo as normas reguladoras do processo administrativo tributário da União previstas no Decreto 70.235/1972. O ato declaratório será seguido da realização do lançamento tributário, quando cabível. As impugnações contra o ato declaratório e contra o lançamento tributário serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. No caso sob exame neste processo, a Fundação tomou ciência da notificação em 15/07/2009 (fls. 588) e apresentou tempestivamente contrarazões no dia 13 do mês seguinte (fls. 865). Contudo, o ADE nº 235/2009 (fls. 606) foi expedido sem exame da contestação apresentada, conforme registrado no parecer que embasou o referido ato administrativo (fls. 595). Extraise da parte conclusiva do parecer: "Ademais, a interessada foi devidamente cientificada da Notificação Fiscal em 15 de julho de 2009, que lhe informava do prazo regular de trinta dias para apresentação das alegações e provas que entendesse necessárias, nos termos do § 2º do artigo 32 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Mesmo assim, esgotado o referido prazo, a interessada não apresentou quaisquer alegações ou provas, o que, por si só, enseja a expedição do ato suspensivo do benefício, nos termos do § 4º do artigo 32 do retro citado diploma legal." O relatório da decisão recorrida descreveu o descompasso ocorrido entre a recepção da contestação apresentada pela Fundação e o repasse ao setor encarregado do exame, Fl. 1523DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002684/200959 Acórdão n.º 1103000.810 S1C1T3 Fl. 9 9 o que resultou em expedição do ato suspensivo como se contestação não houvesse (fls. 1.257 e 1.266). Na impugnação (fls. 1.094), a Fundação requereu o reconhecimento da nulidade do ato de suspensão da imunidade, tendo em vista a omissão no exame da contestação da notificação fiscal, e o retorno dos autos à autoridade competente para apreciação das suas alegações. No seu entendimento, o lançamento seria igualmente nulo em razão da omissão indicada. As alegações relativas às preliminares foram renovadas no recurso voluntário. Conforme relatado, a Delegada da Defis/SP, após retorno dos autos determinado pela Resolução nº 180/2012 (fls. 1.214), da 2ª Turma da DRJ/São Paulo I, enfrentou a contestação à notificação fiscal e ratificou a decisão original de suporte à expedição do ato de suspensão da imunidade com base no parecer de fls. 1.219, de 08/07/2010. Deu ciência à fiscalizada no dia 16 do mesmo mês (fls. 1.229), intimandoa para se manifestar no prazo previsto no art. 44 da Lei 9.784/1999, de 10 dias, o que foi feito por meio da peça de fls. 1.235. Na manifestação, a Fundação alegou que o prazo de 10 dias, quando deveria ser de 30 dias, teria acarretado cerceamento de direito de defesa, que o despacho ratificador seria nulo por incompetência do Delegado da Defis para a prática de atos relativos a suspensão de imunidade e que o vício da inobservância do rito prescrito pelo art. 32 da Lei 9.430/1996 não poderia ser posteriormente corrigido, aproveitandose o ato por convalidação. Para a turma recorrida, o ADE teria sido convalidado com base no art. 50, VIII, da Lei 9.784/1999. No enfrentamento da questão relativa à competência do Delegado da Receita Federal de Fiscalização para a prática de ato de suspensão de imunidade, adoto a fundamentação do voto condutor do acórdão recorrido, nos seguintes termos: "... a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, é clara ao instituir o procedimento de suspensão da imunidade, determinando em seu art. 32 que a competência para o seu afastamento definitivo é do Delegado da Receita Federal, in verbis: Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. ... § 3º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade. ... há ainda a Portaria da Secretaria da Receita Federal nº 125, de 2009, que em seus arts. 280 e 284, expressamente citados no Ato Declaratório (606 e 607) de forma mais específica ainda, determina que a competência para esse ato declaratório administrativo também o é do Delegado da Receita Federal de Fiscalização." Fl. 1524DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002684/200959 Acórdão n.º 1103000.810 S1C1T3 Fl. 10 10 A decisão atacada deve ser prestigiada nesse particular. A jurisprudência administrativa não recepciona a tese de possibilidade de ocorrência de cerceamento do direito de defesa durante a etapa investigatória, anterior à instauração da fase litigiosa inaugurada pela impugnação do sujeito passivo prevista no art. 14 do Decreto 70.235/1972. Considerase impróprio cogitarse de defesa anterior ao lançamento, tendo em vista que tal hipótese (defesa) decorre da possibilidade de impugnação da exigência tributária. Na fase de fiscalização (investigatória), reservase à fiscalizada não (ainda) o direito de defesa, mas um “dever de colaboração na instrução do procedimento”, segundo assim define Alberto Xavier1, mediante exibição de livros e documentos e prestação de esclarecimentos à autoridade fiscal. Entretanto, no caso de suspensão de imunidade tributária, resolveu o legislador facultar contraditório ao contribuinte antes mesmo da realização do lançamento tributário, nos termos do art. 32, § 2º, da Lei 9.430/1996, assim redigido: "Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. § 1º Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9º, § 1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. § 2º A entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias." A opção de contestação pela fiscalizada, quando exercida, impõe à autoridade administrativa competente o exame das alegações e provas apresentadas, conforme § 3º do artigo legal citado: "§ 3º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade." Percebese, assim, ser cabível cogitarse de cerceamento de defesa ainda na fase investigatória anterior ao lançamento tributário especificamente nos casos de suspensão de imunidade, podendose considerar a existência de uma "antecipação" da fase litigiosa. Com efeito, a falha na organização interna da repartição resultou na expedição do ato declaratório sem exame da contestação tempestivamente apresentada, caracterizando o cerceamento do direito de defesa da fiscalizada. A decisão dessa forma proferida é nula por expressa determinação contida no art. 59 do Decreto 70.235/1972: 1 "Do lançamento: teoria geral do ato, do procedimento e do processo tributário", Rio de Janeiro, Forense, 2ª edição, 2001, pág. 149/152. Fl. 1525DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002684/200959 Acórdão n.º 1103000.810 S1C1T3 Fl. 11 11 “Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Constatase que o ADE nº 235/2009 foi expedido com cerceamento de direito de defesa, padecendo de nulidade absoluta. A nulidade é absoluta quando decorrente da inobservância de requisito voltado à preservação de interesses de ordem pública no processo, por isso deve o julgador declarála até mesmo de ofício. Sobre o reconhecimento de nulidade de ato administrativo, observese a precisa lição de Hely Lopes Meireles2: "A Administração Pública, como instituição destinada a realizar o Direito e a propiciar o bem comum, não pode agir fora das normas jurídicas e da moral administrativa, nem relegar os fins sociais a que sua ação se dirige. Se, por erro, culpa, dolo, ou interesses escusos de seus agentes, a atividade do Poder Público desgarrase da lei, divorciase da moral ou desviase do bem comum, é dever da Administração invalidar, espontaneamente ou mediante provocação, o próprio ato, contrário à sua finalidade, por inoportuno, inconveniente, imoral ou legal." Tal entendimento foi recepcionado pelo art. 53 da Lei 9.784/1999, atribuindo à Administração o dever de anular seus próprios atos "quando eivados de vício de legalidade". A mencionada Lei 9.784/1999 estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta, visando, em especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração, segundo consta expressamente do seu art. 1º. Os seus preceitos se aplicam subsidiariamente aos processos administrativos específicos (art. 69), como ocorre no presente caso, de processo administrativo regulado pelo Decreto 70.235/1972, lei quanto ao aspecto material. O sentido de convalidar no âmbito do Direito Administrativo é o de tornar válido conjuntamente ou de validar por respaldo ato não válido, que passa a valer após ser ratificado por agente competente para tal. Na hipótese, são válidos e eficazes ambos os atos, o original e aquele que o ratifica. A convalidação opera eficácia retroativa (ex tunc), corrigindo o ato viciado e validando os seus efeitos desde a origem. Os estudiosos do Direito Administrativo adeptos da corrente dualista, hodiernamente majoritária, dividem os atos defeituosos em nulos ou anuláveis, assim classificados segundo a relevância da possibilidade de lesão ao ordenamento. São anuláveis aqueles dotados de vícios de legalidade de baixa gravidade, passíveis de saneamento e convalidação ao prudente critério da Administração. Ao contrário, nulos são aqueles viciados por ilegalidades insanáveis, assim caracterizadas em decorrência da grave lesão ao ordenamento. 2 "Direito Administrativo Brasileiro", São Paulo, Malheiros Editores, 22ª edição, 1997, pág. 183. Fl. 1526DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002684/200959 Acórdão n.º 1103000.810 S1C1T3 Fl. 12 12 Em princípio, um ato absolutamente nulo não pode ser convalidado. Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo3, discorrendo acerca da escola dualista, confirmam a possibilidade de convalidação apenas para os atos anuláveis ou sanáveis: "Essa corrente, hoje amplamente majoritária, admite, ao lado dos atos administrativos nulos, eivados de vícios insanáveis, a existência dos atos administrativos anuláveis, portadores de vícios sanáveis. Os atos administrativos anuláveis são exatamente os que podem ser objeto de convalidação (ou saneamento), dependendo das circunstâncias e do juízo de oportunidade e conveniência privativo da administração pública." A convalidação com base no art. 50, VIII, da Lei 9.784/1999 seria capaz de resgatar a eficácia do ADE desde a origem, 17 de setembro de 2009, segundo entendimento abraçado pela turma recorrida (DRJ). Prescreve o dispositivo legal: "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) VIII importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo." Observese que o dispositivo legal utilizado como embasamento na decisão (art. 50, VIII) não trata de permissão para convalidação de determinados atos administrativos ou mesmo de definição de hipóteses nas quais se aplicaria o instituto. Prescreve unicamente requisito de existência de motivação, princípio aplicável a todos os atos administrativos como corolário do princípio da transparência da Administração. Bem ao contrário da interpretação adotada na decisão recorrida é a orientação contida na mesma lei, excepcionando ao permitir convalidação em decisão que não venha acarretar lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, como se vê no comando do art. 55: "Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração." No caso concreto, é evidente a lesão ao interesse público, caracterizada pelo cerceamento do direito de defesa em razão da expedição do ADE sem o exame das alegações e provas tempestivamente apresentadas pela fiscalizada. O ato (decisão) que aprovou o parecer de exame da contestação à notificação fiscal (fls. 1.229), elaborado após o retorno dos autos ao órgão de origem determinado pela Resolução nº 180/2012, é, na verdade, um novo ato desvinculado do anterior, sem alcançar o ADE nulo, desprovido de força capaz de convalidálo, só produzindo efeitos prospectivos (ex nunc), a partir da ciência da interessada em 17/07/2010. 3 "Direito Administrativo descomplicado", São Paulo, Método, 18ª edição, 2010, pág. 485. Fl. 1527DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002684/200959 Acórdão n.º 1103000.810 S1C1T3 Fl. 13 13 O suprimento da causa da nulidade – cerceamento do direito de defesa – não pode resgatar a partir do nascedouro os efeitos do ato original "convalidado", ressuscitando os demais nele baseados, como "efeito dominó" às avessas, todos praticados num contexto de fato e de direito de ausência de apresentação de contestação pela fiscalizada. O novo ato decisório da Defis existe sozinho, desvinculado do original sem valor em razão do vício referido. Enfocandose o assunto de forma ampliada, a decisão citada fez as vezes do ato declaratório suspensivo da imunidade exigido pelo art. 32, § 3º, da Lei 9.430/1996. É bem verdade que não se observou a forma adequada, mas foi cumprida a sua finalidade. Muito embora seja imperfeita na aparência, a decisão é íntegra na substância. Segundo o princípio da instrumentalidade das formas, as formas processuais constituem meios para alcance de determinadas finalidades, não são fins em si mesmas. Conseqüentemente, são válidos os atos que atingem as suas finalidades ainda quando exteriorizados em forma diversa da apropriada. A respeito do tema, ensinam Ada Pellegrini Grinover, Antônio Carlos A. Cintra e Cândido Dinamarco4: "O princípio da instrumentalidade das formas, de que já se falou, quer que só sejam anulados os atos imperfeitos se o objetivo não tiver sido atingido (o que interessa, afinal, é o objetivo do ato, não o ato em si mesmo)" Conforme já exposto, a nova decisão da Defis não ressuscitou (convalidou) atos praticados sob a égide do ADE, inclusive os autos de infração, que deveriam ser refeitos ao amparo daquele que fez as vezes do ato declaratório exigido pelo art. 32, § 3º, da Lei 9.430/1996, já tratado acima. Padecem de igual vício os atos praticados na esteira do original nulo, por relação de causalidade. A declaração de nulidade deve alcançar os atos posteriores ao ato nulo que dele dependam. É o que determina o art. 248 do CPC Código de Processo Civil (Lei 5.869/1973): "Art. 248. Anulado o ato, reputamse de nenhum efeito todos os subseqüentes, que dele dependam; todavia, a nulidade de uma parte do ato não prejudicará as outras, que dela sejam independentes." A situação enfrentada neste processo guarda estreita semelhança com os casos nos quais este Conselho identifica decisões de primeira instância proferidas sem observância do pleno direito de defesa, declaraas nulas e devolve os autos às DRJ para que novas decisões sejam elaboradas na forma apropriada, retomandose o curso do processo a partir de então, com a repetição de todos os atos a partir das novas decisões (acórdãos) de primeiro grau substitutivas das anteriores nulas. Observese que não se determina a prolação de novo ato decisório que venha a ratificar o acórdão nulo e demais atos posteriores. 4 "Teoria Geral do Processo", São Paulo, Malheiros Editores, 10ª edição, 1994, pág. 342. Fl. 1528DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002684/200959 Acórdão n.º 1103000.810 S1C1T3 Fl. 14 14 Com efeito, a DRJ deveria ter declarado a nulidade do ADE nº 235/2009 e determinado a devolução dos autos ao órgão de origem para exame das alegações e provas da fiscalizada, além da expedição de novo ato declaratório e da repetição de todos os atos praticados ao amparo do ADE original, inclusive o lançamento tributário. Mas assim não foi feito, conforme detalhado acima. Em suma, o ADE nº 235/2009 é absolutamente nulo e também o são os autos de infração nele baseados. O segundo ato declaratório, válido apesar da imperfeição de forma, não foi acompanhado de novos autos de infração. Como já mencionado, foi concedido prazo de 10 dias para contestação do segundo ato declaratório, que teria convalidado o ADE nº 235/2009, com suporte no art. 44 da Lei 9.784/1999. A recorrente alegou que o prazo de 10 dias, quando deveria ser de 30 dias, teria acarretado cerceamento do seu direito de defesa além de refutar a aplicação da Lei 9.784/1999 ao caso. A questão foi assim abordada no voto condutor do acórdão combatido: "... cabe observar, primeiramente, que da leitura da decisão originária do gabinete da DEFIS/SPO de 17/09/2009, que deferiu a proposta de suspensão da imunidade, que a motivação para o deferimento não foi somente a mera suposta revelia do contribuinte, mas sim pelo a ausência de esclarecimentos prestados pelo interessado ao longo de todo o procedimento de fiscalização no tocante aos fatos relatados na Notificação Fiscal, quais sejam: (...) Foi aberto corretamente o prazo de 10 (dez) dias para o contribuinte tomar ciência do teor do relatório de diligência, nos termos do art. 9.784/1999, que regula o Processo Administrativo no âmbito da Administração Pública Federal e que se aplica subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, quando não há disposição expressa no Decreto nº 70.235/1972, como é o caso para apreciação de resultado de diligência. Ademais, entendo não ter havido cerceamento ao direito de defesa em razão do prazo, pois estando o contribuinte ciente de todos os elementos de que necessitava para elaborar suas contrarazões de mérito, fica de todo afastada a hipótese de nulidade do procedimento fiscal." O prazo deveria ser mesmo o de trinta dias como reclamado pela recorrente por se tratar de impugnação à decisão substitutiva do ato declaratório nulo. É descabida a aplicação da Lei 9.784/1999. O art. 32, § 7º, da Lei 9.430/1996 determina a submissão do processamento da impugnação de ato suspensivo de imunidade à disciplina do Decreto 70.235/1972: "§ 7º A impugnação relativa à suspensão da imunidade obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal." Fl. 1529DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002684/200959 Acórdão n.º 1103000.810 S1C1T3 Fl. 15 15 Segundo prescreve o art. 15 do Decreto 70.235/1972, a impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Tal prazo, de 30 dias, fora observado no termo de intimação relativo ao ADE nº 235/2009 (fls. 609): "O contribuinte poderá, no prazo improrrogável de 30 dias, apresentar impugnação ou recurso ao referido Ato Declaratório, contados a partir da data da sua ciência, o qual será objeto de decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, nos termos do inciso I do parágrafo 6º do artigo 32 da Lei n° 9.430/96." O suposto conhecimento dos fatos alegado na decisão de primeiro grau, acima transcrita, nunca poderia dar suporte à supressão de 2/3 do prazo para impugnação. Em termos de direito de defesa, é inadmissível qualquer redução de prazo, por mínima que seja. Resta caracterizado o cerceamento do direito de defesa e, conseqüentemente, a nulidade do acórdão de primeira instância proferido nesse contexto. Mesmo que se considere cabível a "convalidação" defendida pela turma a quo, o cerceamento do direito de defesa estaria igualmente caracterizado em razão do indevido prazo de 10 dias, pois ainda que se trate o caso como simples retorno de diligência, o prazo aplicável para contestação seria também de 30 dias, conforme o art. 35, parágrafo único, do Decreto 7.574/2011, que assim determina: "Art. 35. A realização de diligências e de perícias será determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, de ofício ou a pedido do impugnante, quando entendêlas necessárias para a apreciação da matéria litigada (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, art. 1º). Parágrafo único. O sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização de diligências e perícias, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese na qual deverá ser concedido prazo de trinta dias para manifestação (Lei nº 9.784, de 1999, art. 28)." Vêse, portanto, que estão marcados por nulidade absoluta o ADE Defis/São Paulo nº 235/2009, os autos de infração e o acórdão de primeira instância. A repetição dos atos nulos referidos deve ser dispensada em razão da superveniente ocorrência de decadência do direito de constituição do crédito tributário pelo Fisco quanto aos fatos geradores do ano calendário 2004, objeto do presente processo, nos termos do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Esclareçase que o ato (decisão) que aprovou o parecer de exame da tempestiva contestação à notificação fiscal (fls. 1.229), elaborado após o retorno dos autos ao órgão de origem determinado pela Resolução nº 180/2012 (fls. 1.214), permanece válido, conforme já demonstrado, porém inócuo, em razão da ausência de novo lançamento na época e da impossibilidade de realização agora, considerandose a ocorrência de decadência. Fl. 1530DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002684/200959 Acórdão n.º 1103000.810 S1C1T3 Fl. 16 16 Conclusão Pelo exposto, devem ser declarados nulos o ADE Defis/São Paulo nº 235/2009, os autos de infração e o acórdão de primeira instância, dispensandose a repetição dos referidos atos em razão da superveniente ocorrência de decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário relativo ao anocalendário 2004 (nesta data). Aloysio José Percínio da Silva (assinatura digital) Fl. 1531DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 15375.002347/2009-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/08/2004
AUTO DE INFRAÇÃO - APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM INFORMAÇÕES INEXATAS EM RELAÇÃO AOS DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS .
Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores.
LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA - APLICAÇÃO
Na superveniência de legislação que se revele mais favorável ao contribuinte, aplica-se o princípio da retroatividade benigna da lei, conforme estabelece o art. 106, II, c, do.CTN.
MULTA APLICADA
Os critérios estabelecidos pela MP 449/08, convertida na Lei 11.941/09, caso sejam mais benéficos ao contribuinte, se aplicam aos atos ainda não julgados definitivamente.
Numero da decisão: 2301-003.291
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, : I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, I, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antônio de Souza, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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OUTROS DADOS Recorrente TIM LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/08/2004 AUTO DE INFRAÇÃO APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM INFORMAÇÕES INEXATAS EM RELAÇÃO AOS DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS . Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA APLICAÇÃO Na superveniência de legislação que se revele mais favorável ao contribuinte, aplicase o princípio da retroatividade benigna da lei, conforme estabelece o art. 106, II, “c”, do.CTN. MULTA APLICADA Os critérios estabelecidos pela MP 449/08, convertida na Lei 11.941/09, caso sejam mais benéficos ao contribuinte, se aplicam aos atos ainda não julgados definitivamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, I, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a) MARCELO OLIVEIRA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 5. 00 23 47 /2 00 9- 52 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antônio de Souza, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes Fl. 185DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15375.002347/200952 Acórdão n.º 2301003.291 S2C3T1 Fl. 178 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 13/12/2004, por ter a empresa acima identificada apresentado GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, infringindo, dessa forma, o inciso IV e § 6º, do art. 32, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 225, IV e § 4o, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Segundo Relatório Fiscal da Infração (fls. 14), a empresa informou em GFIP, no período de 12/02 a 08/04, alguns dados inexatos, como código de PIS/PASEP de segurado incorreto, código de optante do SIMPLES incorreto, FPAS e alíquota de SAT incorretos, campo de salário família incorreto ou omisso, entre outros constantes da planilha anexa ao AI. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da DecisãoNotificação n° 11.401.4/0362/2005 (fls. 75), julgou o Auto de Infração procedente Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 86), repetindo as alegações trazidas na impugnação. Preliminarmente, discorre sobre a criação da Secretaria da Receita Previdenciária, trazendo a legislação pertinente para tentar demonstrar que o auto de infração deve ser declarado nulo por falta de competência legal para o ato, argumentando que cabe à Unidade Descentralizada da SRP em Belo Horizonte promover e executar a atividade de fiscalização que ora se verifica, e não a de Contagem. Reitera que o AI é nulo por inobservância dos requisitos formais para a constituição do auto de infração, especificamente o disposto no art. 10, incisos II e VI, do Decreto 70.235/72 Reafirma que o AI não foi claro quanto à dobra da pena nele contida, na medida em que a circunstância ensejadora de sua imposição não foi claramente explicitada No mérito, insiste que a penalidade não pode prevalecer porque a empresa corrigiu todas as informações inexatas, incompletas ou omissas, como se colhe dos documentos acostados aos autos, e requer que seja relevada a pena, tendo em vista que recolheu a GPS e FGTS da estagiária, apresentando as respectivas GFIP. Requer ainda que seja revisto o valor da multa, devendo ser aplicada ao caso aquela que estava em vigor quando da ocorrência do fato gerador, ou seja, multa de R$ 636,17, nos termos do art. 144, do CTN. Finaliza requerendo a reforma da decisão para determinar o cancelamento da Infração, ou, caso o pedido anterior não seja deferido, requer a reforma da decisão para decretar que a autuação seja reduzida aos patamares acima postos, uma vez que a legislação a ser aplicada deve ser aquela vigente à época do fato gerador, na media que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei vigente à época. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 É o relatório. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15375.002347/200952 Acórdão n.º 2301003.291 S2C3T1 Fl. 179 5 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a autuada alega nulidade do AI, entendendo ausência de competência legal para o ato, argumentando que cabe à Unidade Descentralizada da SRP em Belo Horizonte promover e executar a atividade de fiscalização que ora se verifica, e não a de Contagem. Entretanto, não se verifica a nulidade alegada pela recorrente, uma vez que o Auto de Infração foi lavrado por autoridade competente, qual seja, o então Auditor Fiscal da Previdência Social, devidamente designado no MPF que precede a autuação para executar a ação fiscal na empresa. Constatase, ainda, da folha de rosto do AI, que o auto foi emitido pela Unidade Descentralizada da SRP, e o fato de ter havido a alteração na estrutura do Ministério da Previdência Social em Minas Gerais não invalida o ato praticado por autoridade competente, e devidamente precedido de MPF. Quanto às alegações de que o AI é nulo por inobservância dos requisitos formais para a constituição do auto de infração, especificamente o disposto no art. 10, incisos II e VI, do Decreto 70.235/72, cumpre observar que, ao contrário do que afirma a recorrente, a folha de rosto traz a identificação do autuado, a hora em que o Auto foi lavrado, e contém, sim, a assinatura da autoridade autuante, com a indicação de seu cargo e matrícula. Assim, não houve descumprimento do disposto no Decreto 70.235/72. Dessa forma, ao contrário do que afirma a recorrente, o auto foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante identificado, de forma clara e precisa, a obrigação acessória descumprida e os fundamentos legais da autuação e da penalidade, bem como demonstrado, de forma discriminada, o cálculo da multa aplicada. Portanto, rejeito as preliminares de nulidade. No mérito, observase que a recorrente não nega que tenha apresentado as GFIPs com as incorreções apontadas pela fiscalização. Ela apenas requer a relevação da multa, ao argumento de sua correção, e insurgese contra o valor da penalidade aplicada. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 Todavia, as GFIPs acostadas aos autos pela recorrente não demonstram a correção da falta, o que impede a relevação da penalidade, e a multa aplicada é a prevista na legislação vigente à época. Assim, a infração foi cometida e a penalidade imposta não pode ser relevada, como quer a recorrente, por falta de amparo legal para tanto. Portanto, como é obrigação de toda empresa informar corretamente, em GFIP, dados de interesse do Fisco, relacionados ou não com os fatos geradores da contribuição previdenciária, e como não é facultado ao servidor público eximirse de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, em observância ao art. 33 da Lei 8212/99 e art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, na redação vigente à época: Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes.(grifei). O argumento de que deveria prevalecer a multa de R$ 636,17, não encontra respaldo na legislação vigente à época, uma vez que o § 2o, art. 284, do RPS, aprovado pelo Decreto 3.049/99 estabelecia que o valor mínimo a que se refere o inciso I, do mesmo dispositivo legal, será o vigente na data da lavratura do autodeinfração, e não o vigente quando da ocorrência da infração. Contudo, não obstante a correção do auditor fiscal em proceder ao lançamento nos termos do normativo vigente à época da lavratura do AI, foi editada a Medida Provisória MP 449/08, que revogou o art. 32, § 6o, da Lei 8.212/91. E, conforme disposto no art. 106, inciso II, alínea “c”: Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, tratandose o presente lançamento de ato ainda não julgado quando da edição da MP 449/08, concluise que os critérios por ela estabelecidos, caso sejam mais benéficos ao contribuinte, se aplicam ao AI em tela,. Dessa forma, caso se constate, no recálculo da multa com a observância do disposto no artigo 32 AI, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09, que o novo valor da penalidade aplicada é mais benéfico ao contribuinte, não há como se ignorar o disposto no art. 106, II, “c”, do CTN, privando a empresa do benefício legal. Nesse sentido e Fl. 189DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15375.002347/200952 Acórdão n.º 2301003.291 S2C3T1 Fl. 180 7 Considerando tudo o mais que dos autos consta; Voto no sentido de CONHECER DO RECURSO, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se aplique, caso seja mais benéfico para o contribuinte, o artigo 32 A I, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09. É como voto Bernadete de Oliveira Barros Relator Fl. 190DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10580.007982/2006-34
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OMISSÃO
A contradição entre a base legal constante da ementa do acórdão (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996) e a situação analisada nos autos (omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica), sem qualquer ressalva no voto vencedor do julgado, caracteriza omissão a ser sanada, acolhendo-se os Embargos de Declaração opostos pelo Contribuinte.
DEPÓSITO DE NUMERÁRIO NO EXTERIOR. E OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. INEXISTÊNCIA DE CONEXÃO AUTOMÁTICA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO
A existência de valor depositado em conta bancária no exterior não constitui automaticamente fato gerador do Imposto de Renda, tampouco caracteriza, por si só, omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, mormente quando não foi oportunizada ao Contribuinte a demonstração de todos os fatores modificativos de seu patrimônio (origens e aplicações de recursos) durante o respectivo ano-calendário.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 9202-002.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para rerratificar o acórdão embargado com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício)
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
EDITADO EM: 18/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (Vice-Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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CONTRADIÇÃO. OMISSÃO A contradição entre a base legal constante da ementa do acórdão (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996) e a situação analisada nos autos (omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica), sem qualquer ressalva no voto vencedor do julgado, caracteriza omissão a ser sanada, acolhendose os Embargos de Declaração opostos pelo Contribuinte. DEPÓSITO DE NUMERÁRIO NO EXTERIOR. E OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. INEXISTÊNCIA DE CONEXÃO AUTOMÁTICA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO A existência de valor depositado em conta bancária no exterior não constitui automaticamente fato gerador do Imposto de Renda, tampouco caracteriza, por si só, omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, mormente quando não foi oportunizada ao Contribuinte a demonstração de todos os fatores modificativos de seu patrimônio (origens e aplicações de recursos) durante o respectivo anocalendário. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 79 82 /2 00 6- 34 Fl. 330DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para rerratificar o acórdão embargado com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora EDITADO EM: 18/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire Relatório Em sessão plenária de 17/12/2008, a Segunda Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes julgou o Recurso Voluntário 159.609, exarandose o Acórdão 102 49.462 (fls. 219 a 227), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Exercício: 2003 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPROCEDÊNCIA Constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias e no correspondente Termo de Verificação Fiscal e que o contribuinte demonstra ter perfeita compreensão dos fatos, tendo exercido seu direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento por conta de suposto cerceamento de direito de defesa. NULIDADE. FALTA DE ENQUADRAMENTO LEGAL Rejeita se a preliminar de falta de enquadramento legal, quando os fatos descritos se subsumem a capitulação legal descrita no auto de infração. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXAME DA LEGALIDADE /CONSTITUCIONALIDADE Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da Fl. 331DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.007982/200634 Acórdão n.º 9202002.583 CSRFT2 Fl. 15 3 legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TRANSFERÊNCIA ILEGAL DE RECURSOS AO EXTERIOR. RECORRENTE IDENTIFICADO COMO "ULT BENE (BENEFICIÁRIO FINAL)" EM DOCUMENTO ANEXO A LAUDO DE EXAME ECONÔMICOFINANCEIRO. Tratandose o Recorrente de suposto beneficiário final de recursos remetidos no exterior, originariamente transferidos do Brasil, caberia à fiscalização comprovar de forma inequívoca não só a titularidade da conta do beneficiário final, mas também a entrega de numerário a doleiros no Brasil, a titularidade da conta remetente no exterior e a vinculação do Recorrente com o titular desta última conta e com os doleiros brasileiros. Hipótese em que o auto de infração não está amparado na presunção relativa de que trata o artigo 42 da Lei 9.430/96. Recurso provido.” Cientificada do acórdão em 06/05/2010 (fls. 227), a Fazenda Nacional interpôs, na mesma data (fls. 237), o Recurso Especial de fls. 229 a 236, com fundamento no art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007. Em sessão plenária de 29/11/2011, a Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais julgou o Recurso Especial da Fazenda Nacional, exarandose o Acórdão 920201.897 (fls. 264 a 267), assim ementado: “Assunto: Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA PRESUNÇÃO LEGAL CONSTRUÍDA PELO ART. 42 DA LEI N° 9.430/96. A não comprovação pelo sujeito passivo da origem de depósitos bancários transitados em conta de sua titularidade, autoriza o lançamento do imposto devido pela presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996”. A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Liana Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann.” Ao tomar ciência do acórdão em 03/05/2012 (fls. 291), o contribuinte opôs, em 08/05/2012, os Embargos de Declaração de fls. 270 a 280, com fundamento no art. 65 do Fl. 332DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. As alegações são as seguintes, constantes do despacho de fls. 292 a 295/verso: “Os presentes Embargos Declaratórios são tempestivos e apresentam as seguintes alegações de omissões/obscuridades: a) o acórdão não faz qualquer menção ao art.112 do CTN (in dubio pro reo), alegado em todas as peças processuais do embargante; b) o acórdão contém obscuridade, já que a matéria nele veiculada não foi prequestionada, tampouco foi objeto de Embargos Declatatórios da PFN, uma vez que somente restou o recurso administrativo especial por divergência, e não para reexame de provas; c) o acórdão é omisso quanto ao cerceamento do direito de defesa do contribuinte, já que lhe exige prova negativa, além do que não há menção aos princípios da segurança jurídica, legalidade, verdade material, ampla defesa e contraditório, que fundamentaram a decisão da antiga Segunda Câmara; d) o acórdão é omisso sobre a nulidade da autuação, que não suscitou o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, somente arguido, intempestivamente, no acórdão embargado, além do que nenhum dos dispositivos legais que ensejaram o lançamento trata de omissão de rendimentos de pessoas físicas, o que por si só evidencia a invalidade do lançamento, por violação ao art. 142 do CTN; e) o acórdão é obscuro, pois não revela os fundamentos que justificariam tão radical mudança de entendimento em relação ao acórdão do Primeiro Conselho de Contribuintes, além do que não houve descrição detalhada da suposta prova que justificaria a reforma integral daquela decisão; f) o acórdão é obscuro, pois o Relator menciona a autuação de outro executivo da empresa empregadora do embargante, porém não menciona que, naquele caso, a ação fiscal foi considerada improcedente por unanimidade, sem que tenha havido recurso por parte da Fazenda Nacional, encerrandose em definitivo tal procedimento (processo nº 10580.007983/200689); g) o acórdão é omisso, uma vez que não aplicou o princípio da verdade material, segundo o qual a autoridade fiscal deve esgotar todos os meios em direito admitidos a fim de demonstrar a imputação tributária; h) o acórdão é omisso quanto ao argumento suscitado em todas as peças do embargante, no sentido de que a autuação viola o princípio da razoabilidade, uma vez que, se tivesse havido intensificação das investigações, teriam vindo à tona fatos inerentes às atividades do embargante ou delas decorrentes, que lançariam por terra a presunção apontada, lançando dúvidas sobre a autenticidade da cópia que fundamentou a autuação. Os Embargos Declaratórios foram acolhidos em parte, com os seguintes fundamentos, conforme despacho de fls. 292 a 295/verso: Fl. 333DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.007982/200634 Acórdão n.º 9202002.583 CSRFT2 Fl. 16 5 “Antes de analisar cada um dos itens acima, importa salientar que se trata de Embargos de Declaração, remédio processual que se presta apenas ao saneamento de omissões, contradições ou obscuridades, porventura verificadas na decisão embargada. Nesse passo, constatase que, relativamente à alegação resumida no item “a” – o acórdão não teria feito qualquer menção ao art.112 do CTN (in dúbio pro reo), alegado em todas as peças processuais do embargante – não se trata de omissão, e sim de uma conseqüência lógica da própria fundamentação do acórdão embargado. Ora, não haveria qualquer sentido em pronunciar se sobre o “in dubio pro reo”, se o voto condutor do aresto embargado é claro no sentido da inexistência de dúvidas quanto à procedência da autuação. Relativamente ao item “b”, o contribuinte alega que o acórdão conteria obscuridade, já que a matéria nele veiculada não teria sido prequestionada, tampouco teria sido objeto de Embargos Declaratórios da PFN, uma vez que somente restaria o recurso administrativo especial por divergência, e não para reexame de provas. Em face de tal alegação, cabe asseverar que não se trata, em absoluto, de obscuridade, tendo em vista que o acórdão embargado esclarece perfeitamente acerca do permissivo regimental que autorizou o manejo do Recurso Especial por Contrariedade à Evidência de Prova, previsto no art. 7º, inciso I, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Confirase o início do voto condutor do acórdão embargado, às fls. 265: “Inicialmente, registro que, embora o recurso interposto não esteja previsto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, atualmente vigente, tendo em vista tratarse de hipótese de contrariedade à evidência das provas presentes nos autos, por se tratar de acórdão exarado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, conforme previsão do artigo 4º do atual RICARF, foi processado de acordo com rito previsto no Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria nº 147, de 25/06/2007. Neste sentido, afasto a preliminar de inadmissibilidade suscitada pelo contribuinte em sede de contrarazões, alegando impossibilidade de conhecimento, utilizando, para tanto, a data em que o acórdão foi formalizado, sendo certo que o art. 4º da Portaria MF nº 256, de 2009, estabelece como data limite o dia da sessão em que o acórdão e não sua formalização como alega o contribuinte.” Quanto ao item “c”, a alegação é no sentido de que o acórdão seria omisso quanto ao cerceamento do direito de defesa do contribuinte, já que lhe exigiria prova negativa, além do que não haveria menção aos princípios da segurança jurídica, legalidade, verdade material, ampla defesa e contraditório, que fundamentaram a decisão da antiga Segunda Câmara. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Entretanto, não se verifica a alegada omissão. O que ocorre é também uma conseqüência lógica da conclusão do julgado, já que, tal como se verificou relativamente ao item “a”, no voto condutor do acórdão embargado considerouse que, ao contrário do que havia sido decidido pela Segunda Câmara do antigo Primeiro Conselho, as provas dos autos eram suficientes para manter a autuação. Confirase a sua fundamentação (fls. 259/260): “Em que pese os sempre bem elaborados votos do redator do voto vencedor do acórdão recorrido, ouso, no presente caso, divergir de seu entendimento. Creio, conforme sustenta a Fazenda Nacional, que o acórdão recorrido contrariou a evidência das provas contidas nos autos, tendo em vista, ao contrário do que consta à fl. 225, há existência de provas robustas que permitem o convencimento de que o sujeito passivo em epígrafe omitiu rendimentos ao consentir no envio de divisas de maneira ilegal para o exterior. Ora, ao contrário do que afirma o voto vencedor, não há apenas um “único e solitário documento apresentado pela fiscalização para comprovar a titularidade da conta...”. Pelo contrário, conforme bem destacado no recurso manejado pela Fazenda Nacional, o conjunto de elementos capazes de fazer prova em favor da omissão de rendimentos perpetrado pelo sujeito passivo é amplo e deve ser analisado no contexto da operação Beacon Hill. Conforme se colhe do Termo de Verificação Fiscal, além do documento citado à fl. 18 que informa a sub conta MIDLER vinculada à conta Beacon Hill indicando como beneficiário final o sujeito passivo, temos ainda o Laudo Pericial Federal elaborado para cada subconta, bem como a relação transcrição das operações em que os contribuintes aparecem como beneficiários. Não fossem suficientes estas provas materiais, ainda consta no Termo de Verificação, fls. 9/11, o relato da autoridade fiscal que reporta singularidades relacionadas aos fatos que ensejaram a lavratura do auto de infração. Inicialmente, após ser intimado, o contribuinte afirmou não ser titular de qualquer conta no exterior, além daquelas que constavam de sua Declaração de Ajuste Anual. Em um segundo momento, o contribuinte informou que era diretor de uma empresa e, nesta condição, havia realizado diversas viagens à Nova Yorque no ano calendário indicado pelo auto de infração, 2002. Alegou que, no entanto, poderia ter ocorrido um erro na transferência dos valores de modo tal que o beneficiário final poderia ser um homônimo, fato este rechaçado pela autoridade fiscal, ao informar a inexistência de homônimo do contribuinte no Cadastro de Pessoas Físicas mantido pela Receita Federal. Ademais, ainda consta no Termo de Verificação Fiscal, a informação de que outro executivo da empresa para qual o sujeito passivo trabalhou, também foi beneficiário de ordem de pagamento na mesma subconta MIDLER da conta ônibus Fl. 335DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.007982/200634 Acórdão n.º 9202002.583 CSRFT2 Fl. 17 7 Beacon Hill, evidenciando um possível modus operandi similar no contexto da atuação profissional. (...) Dessa forma, diante de tais operações, não há como imaginar que o lançamento seja acompanhado de farta documentação e registros oficiais próprios de operações regulares. Em tais circunstâncias, a prova é formada pelo conjunto de elementos que convergem no sentido de esclarecer o que antes havia sido mantido em segredo. Ante o exposto, considerando que a decisão recorrida contrariou as provas contidas nos autos, na medida em que restou comprovado o rendimento omitido pelo contribuinte, haja vista não ter comprovado a causa da transferência a seu favor, voto no sentido de conhecer do recurso para no mérito dar provimento, mantendo o crédito tributário lançado.” Destarte, não se trata de omissão, mas sim da adoção, no acórdão embargado, de posicionamento diverso do adotado na decisão da antiga Segunda Câmara, em face do conjunto probatório constante dos autos, e tendo em vista o art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, segundo qual o Julgador tem o direito de formar livremente a sua convicção. Relativamente ao item “d”, o contribuinte alega que o acórdão seria omisso sobre a nulidade da autuação, que não teria suscitado o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, somente arguido, intempestivamente, no acórdão embargado, além do que nenhum dos dispositivos legais que ensejaram o lançamento trataria de omissão de rendimentos de pessoas físicas, o que por si só evidenciaria a invalidade do lançamento, por violação ao art. 142 do CTN. Analisandose o argumento acima, concluise que, em parte, assiste razão ao embargante, mais especificamente no que tange à aplicação do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, por parte do acórdão embargado, conforme evidencia sua ementa (fls. 256): “Assunto: Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA PRESUNÇÃO LEGAL CONSTRUÍDA PELO ART. 42 DA LEI N° 9.430/96. A não comprovação pelo sujeito passivo da origem de depósitos bancários transitados em conta de sua titularidade, autoriza o lançamento do imposto devido pela presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996.” Por outro lado, no acórdão da antiga Segunda Câmara, que fora reformado pelo acórdão da Câmara Superior, ora embargado, consta como um dos argumentos para o provimento do Recurso Fl. 336DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Voluntário do contribuinte exatamente o fato de a Fiscalização não ter utilizado a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, como fundamento para a autuação. Confirase trecho do voto vencedor do acórdão embargado, que evidencia esse posicionamento (fls. 226): “Assim, deveria a fiscalização comprovar que a conta referida era movimentada pelo Recorrente no exterior, ou mesmo apresentar documentos que demonstrassem, de forma patente, que a aludida conta havia sido aberta pelo Recorrente, por meio de cartão de autógrafos, ou qualquer outro documento que vinculasse o nome do Recorrente à conta. Não o tendo feito, não há como querer ver aplicada ao caso a presunção constante do art. 42 da Lei 9.430/96, por faltarlhe um pressuposto essencial, qual seja, a comprovação direta a cabal da titularidade da conta situada no exterior. Há que se ressaltar, por oportuno, que no presente caso sequer foi utilizado como fundamento legal da autuação a presunção contida no art. 42 da Lei 9.430/96, o que demonstra que nem mesmo a fiscalização tributária entendeu tratarse o caso em tela de uma hipótese subsumível àquela norma. Ora, se nem a fiscalização entendeu cabível a presunção da renda com base no referido dispositivo, por não haver prova suficiente acerca do fato indiciário, com maior razão não se pode aviltar de qualquer comprovação específica de acréscimo patrimonial do Recorrente. Por todas estas razões, em especial por entender que a ausência completa de prova no presente caso, insuficiente sequer a apontar para um indício de que o Recorrente teria, efetivamente, expatriado divisas de maneira ilícita ao exterior, acobertando, dessa forma, a aquisição de renda apta à tributação pelo IRPF, entendo que não deve subsistir o presente auto de infração, em especial por violar princípios básicos estabelecidos tanto pelo Decreto 70.235/72, como também pela Lei Federal n. 9.784/99, em especial no que atine aos princípios da ampla defesa, contraditório, legalidade e segurança jurídica, elencados pelo art. 2°, caput, deste último diploma legal.”(grifei) Assim, verificase que a discussão, tanto no acórdão proferido pelo antigo Conselho de Contribuintes, como no acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que o reformou, gira em torno do conjunto probatório que deu suporte à autuação, na validade das provas diretas e indiciárias, bem como sobre a quem caberia o ônus da prova. Nesse contexto, adquire especial relevância a sistemática utilizada na autuação, ou seja, se teria sido aplicada a tributação específica por omissão de rendimentos, ou se teria sido aplicada a tributação por presunção de omissão de rendimentos, representada pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Diante desse contexto, constatase efetivamente a existência de omissão no acórdão embargado, já que: no acórdão proferido pela antiga Segunda Câmara, conforme trecho acima transcrito, fica patente que o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não foi utilizado como fundamento da autuação; Fl. 337DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.007982/200634 Acórdão n.º 9202002.583 CSRFT2 Fl. 18 9 no acórdão da Câmara Superior que reformou o julgado acima, e que ora está sendo embargado, a ementa registra que “a não comprovação pelo sujeito passivo da origem de depósitos bancários transitados em conta de sua titularidade, autoriza o lançamento do imposto devido pela presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996”. Ressaltese que tal contradição, verificada entre o acórdão reformado e a ementa do acórdão reformador, ora embargado, não está acompanhada de qualquer fundamentação ou mesmo de ressalva, o que constitui efetivamente uma omissão, a demandar o retorno dos autos à Câmara Superior de Recursos Fiscais, para saneamento. Quanto ao item “e”, o contribuinte alega que o acórdão seria obscuro, pois não revelaria os fundamentos que justificariam tão radical mudança de entendimento em relação ao acórdão do Primeiro Conselho de Contribuintes, além do que não teria havido descrição detalhada da suposta prova que justificaria a reforma integral daquela decisão. Em face de tal afirmação, mais uma vez impende registrar que não se trata absolutamente de obscuridade, mas tãosomente da formação de convicção, por parte do Julgador, relativamente ao conjunto probatório dos autos. Nesse passo, devem ser reiterados os trechos do voto condutor do acórdão embargado, já colacionados quando da análise do item “c”, que comprovam a clareza verificada naquele julgado, quando da análise das provas, fundamentando assim a reforma do acórdão exarado pelo antigo Primeiro Conselho de Contribuintes. No que tange ao item “f”, o argumento é no sentido de que o acórdão seria obscuro, pois o Relator teria mencionado a autuação de outro executivo da empresa empregadora do embargante, porém não teria mencionado que, naquele caso, a ação fiscal teria sido considerada improcedente por unanimidade, sem que tivesse havido recurso por parte da Fazenda Nacional, encerrandose em definitivo tal procedimento (processo nº 10580.007983/200689). Entretanto, não há que se falar em obscuridade, já que, no contexto de análise do conjunto probatório constante dos autos, foi suficiente ao Relator mencionar a existência de outro Auto de Infração, semelhante ao caso dos autos, fato este que inclusive constou dos fundamentos da autuação. Com efeito, não seria obrigação do Relator acompanhar o trâmite do citado processo, a ver qual teria sido o seu desfecho, já que seu objetivo era apenas caracterizar um suposto modus operandi da fonte pagadora do contribuinte. Quanto ao item “g”, o contribuinte alega que o acórdão seria omisso, uma vez que não teria aplicado o princípio da verdade material, segundo o qual a autoridade fiscal deve esgotar todos os meios em direito admitidos a fim de demonstrar a imputação tributária. Mais adiante, argumenta no item “h”, que o acórdão seria omisso quanto ao argumento suscitado em todas as suas Fl. 338DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 peças, no sentido de que a autuação violaria o princípio da razoabilidade, uma vez que, se tivesse havido intensificação das investigações, teriam vindo à tona fatos inerentes às atividades do embargante ou delas decorrentes, que lançariam por terra a presunção apontada, lançando dúvidas sobre a autenticidade da cópia que fundamentou a autuação. Em face de tais alegações, cabe esclarecer mais uma vez que, tal como ocorreu relativamente aos itens “a”, “c” e “e”, não se trata de omissão, mas sim da livre convicção do Julgador, que considerou suficiente o conjunto probatório constante dos autos, daí a desnecessidade de invocação do princípio da verdade material, ou da razoabilidade, ou mesmo da intensificação das investigações. Diante do exposto, acolho parcialmente os Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte, apenas no que tange aos argumentos constantes do item “d”, para que seja sanada a omissão apontada no Acórdão 920201.897, de 29/11/2011 (fls. 264 a 267), relativamente à utilização do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, como fundamento para a reforma do Acórdão 102 49.462, de 17/12/2008 (fls. 219 a 227). Assim, os Embargos de Declaração foram acolhidos apenas para que fosse sanada a omissão apontada e a seguir resumida: no acórdão proferido pela antiga Segunda Câmara, ficou patente que o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não fora utilizado como fundamento da autuação; no acórdão da Câmara Superior que reformou o julgado acima, e que ora está sendo embargado, a ementa registra que “a não comprovação pelo sujeito passivo da origem de depósitos bancários transitados em conta de sua titularidade, autoriza o lançamento do imposto devido pela presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora Os presentes Embargos Declaratórios foram opostos pelo contribuinte e aceitos por esta Conselheira, tendo em vista a seguinte contradição: no acórdão proferido pela antiga Segunda Câmara, ficou patente que o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não fora utilizado como fundamento da autuação; no acórdão da Câmara Superior que reformou o julgado acima, e que ora está sendo embargado, a ementa registra que “a não comprovação pelo sujeito passivo da origem de depósitos bancários transitados em conta de sua titularidade, autoriza o lançamento do imposto devido pela presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996”. Trata o presente processo, de autuação com base em remessa ao exterior no valor de US$ 150.000,00, efetuada no contexto da “CPI do Banestado”, assunto por demais conhecido neste CARF. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.007982/200634 Acórdão n.º 9202002.583 CSRFT2 Fl. 19 11 Nesses casos, identificase nos procedimentos fiscais duas fases bem nítidas: vinculação da remessa ao autuado; tributação da remessa como omissão de rendimentos, momento em que se elege a modalidade da exigência, geralmente por meio de “depósito bancário de origem não identificada”, ou como “acréscimo patrimonial a descoberto”. No que tange à primeira fase – vinculação da remessa ao autuado – não há o que discutir no presente momento, uma vez que, relativamente a essa questão, os Embargos não foram acolhidos, portanto permanece incólume o que foi decidido no acórdão embargado. Quanto à segunda fase, constatase que a modalidade de autuação eleita está condicionada ao conjunto probatório e a formalidades específicas, não cabendo a fungibilidade destas modalidades, sob pena de tributarse algo que não seja efetivamente renda, ou que seja renda já tributada, ou não tributável. Portanto, no caso em apreço, a contradição apontada nos Embargos Declaratórios – atribuição, na ementa do acórdão embargado, de modalidade de exigência que não corresponde àquela que foi efetivamente utilizada – não constitui mera formalidade, mas sim pode trazer reflexos na própria manutenção do lançamento, já que para cada modalidade corresponde um procedimento. Compulsando os autos, verificase que a autuação não foi feita considerando se a remessa para o exterior como depósito bancário de origem não identificada – como erroneamente constou da ementa do acórdão embargado – mas sim como omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, pura e simplesmente, via adição do valor da remessa, convertido para reais, aos rendimento já declarados pelo contribuinte no anocalendário de 2002. Confirase o Termo de Verificação Fiscal de fls. 07 a 11: “Diante do exposto, restou comprovado que os recursos em moeda estrangeira objeto da ordem de pagamento, por vezes aqui citada, tiveram com beneficiário o contribuinte ora fiscalizado. Assim, com vistas a apurar o crédito tributário devido em face da omissão de rendimentos fezse necessário a conversão do valor em dólares americanos para reais com base na taxa de câmbio definida pelo Banco Central do Brasil no dia da ordem de.pagamento. Desta forma, procedeuse à conversão (doc 18) dos US$150.000,00 (cento.e cinqüenta mil dólares americanos), com base na taxa de câmbio do dia 30/07/2001 (US$1,00 equivalente a R$3,2684) extraída da_página_oficial do órgão_na Internet .o que resultou na quantia de R$ 490.260,00 (quatrocentos e noventa mil e duzentos e sessenta reais). Aos rendimentos informados na Declaração de Rendimentos do exercício de 2003 (doc 19) foi adicionada a omissão identificada (R$ 490.260,00 ) e assim apurada a diferença de imposto de renda a pagar conforme descrito no Demonstrativo de Apuração do Auto de Infração. Uma vez apurado o imposto devido, aplicouse a multa de oficio qualificada tipificada no inciso II do artigo 44 da Lei 9.430, de 27/12/1996 em face do evidente intuito de fraude definido nos artigos...” Fl. 340DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 Diante de tal procedimento – adição pura e simples do valor da remessa aos rendimentos já declarados, caracterizandoa como renda não tributada, sem qualquer tipo de comprovação nesse sentido – trago à colação o brilhante voto do Ilustre Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, proferido no Acórdão 220100.437, de 29/10/2009, que abordou caso semelhante, em que se formalizou a exigência como “acréscimo patrimonial a descoberto”, porém tributandose apenas as remessas, sem inserilas em um fluxo de caixa. Nesse julgado, as duas fases acima especificadas ficam bem delimitadas. Ademais, o voto ilustra sobre os diferentes procedimento a serem adotados, conforme a modalidade da exigência. Confirase: 1ª Fase “Não estou entre os que acham que o Lançamento com base nas informações repassadas à Secretaria da Receita Federal a respeito dos remetentes e beneficiários de remessas para o exterior nas contas ligadas ao Beacon Hill não são válidos por se tratar de simples indicação de nomes, sem outros elementos que corroborem a informação. Penso que se trata de situação específica em que os remetentes e beneficiários de tais remessas optaram por essa forma de realizar a operação exatamente para evitar o conhecimento por parte das autoridades de tais operações e, portanto, não se pode esperar que existam outros documentos que registrem as movimentações financeiras, bem como não se pode exigir do Fisco que reúna esses elementos para comprovar o fato. Portanto, penso ser legítima como prova da remessa dos recursos para o exterior a presença do nome na relação fornecida pela instituição financeira estrangeira e repassada às autoridades brasileiras, como neste caso.” 2ª Fase É certo, porém, que a remessa dos recursos não representa, por si só, a disponibilidade de renda, não se confunde com o fato gerador do imposto de renda. Para identificar o fato gerador e apurar a base de cálculo é preciso, a partir da informação obtida, realizar procedimentos adicionais de apuração. No caso de ser o Contribuinte beneficiário de depósito em conta no exterior, por exemplo, é possível, como sói acontecer, proceder se à apuração de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, para tanto, intimandose previamente o contribuinte a comprovar a origem dos recursos depositados, como determina o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. É possível, também, constatada a disponibilidade dos recursos no exterior, considerálo como aplicação na apuração de acréscimo patrimonial a descoberto. (...) o lançamento com base em acréscimo patrimonial a descoberto é perfeitamente possível, porém o ônus de comprovar essa situação é do Fisco. Acréscimo patrimonial não é outra coisa senão o resultado do balanço entre bens e direitos adquiridos e bens e direitos alienados num determinado período, considerandose ainda os valores correspondentes às dívidas, pagas e contraídas no mesmo período. A apuração do acréscimo patrimonial, portanto, deve, necessariamente, considerar esses eventos. Neste caso, como se verifica nas planilhas de apuração do acréscimo patrimonial, entretanto, os únicos dados que entraram na apuração foram as tais remessas de recurso ao exterior. O Fl. 341DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.007982/200634 Acórdão n.º 9202002.583 CSRFT2 Fl. 20 13 Contribuinte sequer foi intimado a indicar os outros possíveis eventos modificativos do seu patrimônio, como alienação de bens, empréstimos contraídos, etc. (...) Ora, além do ônus de comprovar o acréscimo patrimonial a descoberto ser do Fisco, como se demonstrou acima, a apuração da ocorrência do fato gerador e da base de cálculo do imposto pela verificação do acréscimo patrimonial a descoberto exige, tanto quanto na apuração da omissão de renda tributável, a precisa determinação da matéria tributável, conforme determina o art. 142 do CTN, a saber: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação de penalidade cabível. Se a infração imputada ao contribuinte foi a de ter tido acréscimo patrimonial não justificado, a autoridade lançadora não poderia ter se dispensado de tentar identificar todos os eventos modificadores do patrimônio do Contribuinte, podendo, para tanto, ter intimado o próprio Contribuinte a informar estes eventos: aquisição de bens e direitos, alienação de bens e direitos, contratação de operações de mútuos, etc. Mas isto não foi feito, assumindo a autoridade lançadora, sem nenhuma justificativa para tanto, que o único fato modificativo do patrimônio do contribuinte foi a aquisição da disponibilidade dos recursos remetidos ao exterior. Nessas condições, não há como aceitar como tendo sido demonstrada a ocorrência de acréscimo patrimonial a descoberto, razão pela qual o lançamento não merece prosperar.” No caso do acórdão embargado, toda a argumentação sobre o ônus da prova, somente teria sentido no contexto de autuação com base em depósitos bancários de origem não identificada, o que não ocorreu no presente caso. Ademais, sequer foi aplicada a sistemática de apuração de eventual acréscimo patrimonial a descoberto, intimandose o contribuinte a trazer aos autos todos os fatos modificativos de seu patrimônio, comprovando origens e aplicações de recursos. Ressaltese que a remessa tida como renda não tributada é no valor de US$ 150.000,00, quando o contribuinte recebeu, no anocalendário em apreço, quase um milhão de reais, declarados no Ajuste Anual. Entretanto, optouse por autuar a remessa simplesmente como renda não tributada (omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica), opção que imputa ao Fisco o ônus de comprovar tal característica, o que também não se verificou. A conclusão de que o valor da remessa automaticamente se converteria em renda não tributada fica clara na conclusão do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 12: Fl. 342DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 14 “Entretanto, como a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a.qualquer título (Lei n° 7.713, de 1988, art.. 3°,§4°) não há relevância se os recursos são frutos do trabalho assalariado ou não, a sonegação fiscal fica caracterizada tão somente com a redução do pagamento do_imposto_de renda decorrente_da omissão na Declaração de Rendimentos dos recursos recebidos no exterior. Esta conduta está tipificada no inciso I do artigo 1º da Lei 8.137 de 27/12/1990. Além disso, constitui crime contra o Sistema Financeiro Nacional a saída de moeda ou divisa para o exterior, sem autorização legal, ou mesmo a manutenção de depósitos não declarados à repartição federal competente (art 22 e seu parágrafo único da Lei 7.492 de 16/06/1986).” Como se pode constatar, a autuação partiu do pressuposto de que o valor da remessa constituiria automaticamente fato gerador do Imposto de Renda, sem a necessidade de comprovação de que se tratava efetivamente de renda ou acréscimo patrimonial não coberto por rendimentos já tributados, ou mesmo não tributáveis. É certo que a tributação da renda independe da sua denominação, localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, porém antes de tudo é necessário que se comprove que o numerário objeto da autuação constitui efetivamente fato gerador do Imposto de Renda, o que não foi feito no presente caso. Diante do exposto, acolho os Embargos Declaratórios e doulhes efeitos infringentes para, rerratificando o Acórdão 920201.897, de 29/11/2011, negar provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 343DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 11060.000476/2010-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA MOVIMENTAÇÃO DE CONTAS DE TERCEIROS EM PROVEITO PRÓPRIO
A Lei nº 9.430/1996, em seu artigo 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base em valores depositados em conta bancária que não tiveram sua origem comprovada, mediante documentação hábil e idônea..
EXCLUSÃO DO SIMPLES. EXCESSO DE RECEITA.
Identificada a omissão de receitas em montantes superiores aos limites estabelecidos pela legislação do Simples, deve ser feita a exclusão da opção para a sistemática
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.
A decisão de mérito prolatada no principal aplica-se à CSLL, à contribuição ao PIS e à COFINS pela íntima relação de causa e efeito.
COMPRA E VENDA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES. BASE DE CÁLCULO. DIFERENÇA ENTRE O VALOR DE VENDA E O DE AQUISIÇÃO. NECESSIDADE DE NOTAS FISCAIS DE ENTRADA E DE SAÍDA.
No caso de pessoa jurídica que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores, a base de cálculo nas operações de venda de veículos usados adquiridos para revenda é a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, e o seu custo de aquisição, desde que esses valores sejam comprovados mediante apresentação das notas fiscais de entrada e de venda.
Numero da decisão: 1202-000.900
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Nelson Losso Filho - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nereida de Miranda Finamore Horta - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Viviane Vidal Wagner.
Nome do relator: NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA
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DEPÓSITO BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA MOVIMENTAÇÃO DE CONTAS DE TERCEIROS EM PROVEITO PRÓPRIO A Lei nº 9.430/1996, em seu artigo 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base em valores depositados em conta bancária que não tiveram sua origem comprovada, mediante documentação hábil e idônea.. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EXCESSO DE RECEITA. Identificada a omissão de receitas em montantes superiores aos limites estabelecidos pela legislação do Simples, deve ser feita a exclusão da opção para a sistemática TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. A decisão de mérito prolatada no principal aplicase à CSLL, à contribuição ao PIS e à COFINS pela íntima relação de causa e efeito. COMPRA E VENDA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES. BASE DE CÁLCULO. DIFERENÇA ENTRE O VALOR DE VENDA E O DE AQUISIÇÃO. NECESSIDADE DE NOTAS FISCAIS DE ENTRADA E DE SAÍDA. No caso de pessoa jurídica que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores, a base de cálculo nas operações de venda de veículos usados adquiridos para revenda é a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, e o seu custo de aquisição, desde que esses valores sejam comprovados mediante apresentação das notas fiscais de entrada e de venda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 04 76 /2 01 0- 32 Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Losso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Viviane Vidal Wagner. Relatório Itacir Piccinin (CNPJ 00734.185/000168), após procedimento de auditoria, teve contra si lavrados autos de infração, referente aos tributos IRPJ, contribuição ao PIS, Cofins, CSLL e INSS. Dos termos do relatório do procedimento fiscal (fls. 1199/1252), datado de 12 de março de 2010, informa a autoridade que, após a contribuinte prestar esclarecimentos, algumas considerações foram tecidas. Inicialmente, foi verificada significativa divergência entre a escrita contábil e a movimentação financeira apresentada pela contribuinte, com o qual houve a intimação desse para comprovação dos depósitos bancários, o que não foi atendido em sua totalidade. Assim, em relação às receitas não comprovadas, nos termos do artigo 42 da Lei nº 9430/96, deuse a presunção de que referidos valores eram receitas omitidas à tributação. Ainda, em relação às receitas provenientes da venda de veículos automotores determina que estas integram a receita bruta da empresa. Informa que, tanto no regime do Simples, em que os tributos devidos são calculados mediante aplicação de percentuais sobre a receita bruta da empresa, quanto no do Lucro Arbitrado, cuja determinação da base de calculo é feita pela aplicação de percentuais sobre as receitas auferidas na atividade, não é possível submeter ao índice de onde se extrai o montante para estipular o valor da base de cálculo somente as margens de venda e, nem tampouco se pode permitir que sejam descontados os custos de aquisição. Com a fiscalização, também foi expedido o Ato Declaratório Executivo DRF/STM n. 11 de 04 de março de 2010 (fls.1198), que determinou a exclusão da contribuinte do Simples, devido ao excesso de receita bruta auferida no anocalendário de 2005, lastreado pelos dispositivos do artigo 9, I e II combinado com artigo 14, I da Lei nº 9317/96. A exclusão foi determinada com retroatividade à data de 1º de janeiro de 2006. Dada a exclusão do Simples, passouse a apurar os tributos devidos com base no Lucro Arbitrado, ante a apresentação somente dos Livros Diário e Razão. Como os livros registram apenas parcela ínfima da transação efetuada pela empresa no período analisado, tem Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA Processo nº 11060.000476/201032 Acórdão n.º 1202000.900 S1C2T2 Fl. 3 3 se a impossibilidade de sua utilização para apuração do lucro real. Assim, diante do contexto fático verificado pela fiscalização, aplicase o arbitramento do lucro com base no artigo 530, II do RIR/99. Ainda, estipula a aplicação de multa de ofício, determinada no patamar de 75%, conforme o artigo 44, I, da Lei nº 9430/96. Ato contínuo, lavrouse os autos de infração (fls. 1262/1308), referente aos tributos, aqui indicados com os valores já acrescidos dos juros moratórios e da multa de ofício no importe de 75%. IRPJ – Simples R$ 126.745,39 IRPJ – Lucro Arbitrado – R$ 593.370,26 Contribuição para o PIS/Pasep – Simples R$ 126.745,39 Contribuição ao PIS – Arbitrado R$ 193.770,27 CSLL – Simples R$ 199.955,06 CSLL Lucro arbitrado – R$ 319.668,16 Contribuição para o financiamento da Seguridade Social (COFINS) – Simples R$ 399.910,03 COFINS Arbitrado – R$894.325;85 Contribuição para Seguridade Social – INSS – Simples R$ 834.466,38 A contribuinte foi intimada em 25 de março de 2010, apresentando impugnação (fls. 1322/1330) em 23 de abril do mesmo ano. Ao expor os fatos, a contribuinte invoca a previsão legal para a tributação de venda de veículos usados, contida, segundo ele, no artigo 5º da Lei nº 9716/98, na Instrução Normativa da SRF nº 247/02, com análise na Solução de Consulta nº 31 de 07/04/2009. Assim, entende que deve ser considerada, como receita tributável, o valor relativo à diferença entre o valor da venda e o custo da aquisição. Ainda, informa que, nos casos de intermediação de negócios, a receita é o valor da intermediação e, não, o valor da operação que transitou pela conta bancária. Em sede de preliminar, informa ser importante guardar que, na maioria das vezes, os valores depositados ou creditados em suas contas bancárias eram originários de mais de uma operação. Segundo ele “Não teria como fazer uma guia de depósito para cada operação”, informando ainda que “Houve, ainda casos em que o valor recebido de determinadas operações era divido em depósitos em bancos diferentes”, dificultando a vinculação de cada movimentação com a documentação, o que não pode gerar prejuízo a ele. Informa que, em momento algum dos períodos de 2005, 2006 e 2007, teria ultrapassado o limite de enquadramento previsto no Simples, e posteriormente no Simples Fl. 1806DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA 4 Nacional, aduzindo ser incabível sua exclusão do Simples com efeitos retroativos a 1º de janeiro de 2006, bem como sua exclusão. Relaciona valores para os quais foram apresentados documentos comprobatórios, tentando afastar a autuação. Em relação ao mérito, informa que os tributos foram calculados de maneira indevida, eis que tomaram por base os valores que transitaram em suas contas bancárias, sem que se considerasse o conceito legal de receita tributável, gerando débitos irreais. Informa que é empresário individual, e que, em virtude do seu ramo de comércio – compra e venda de veículos novos e usados – circulam valores por suas contas correntes, mas que não há como a partir da aludida circulação gerar presunção absoluta da existência do fato gerador do imposto de renda. Ainda que, como reflexo da aludida circulação, recebe valores em sua conta corrente e, em momento posterior, repassaos aos fornecedores, e, assim, embora tenha a posse dos valores, não mantém a disponibilidade econômica ou jurídica dos mesmos, este sim, fato gerador do imposto de renda. Argumenta que não é possível utilizarse de extratos bancários para realizar o lançamento tributário, vez que, não evidenciado o acréscimo patrimonial, não há de se falar em renda tributável e os aludidos extratos referem valores que transitaram pelas contas bancárias, e não receitas. Nesse sentido, informa que o Poder Judiciário vem decidindo que valores que circulam pela conta corrente, embora estejam sujeitos à incidência de CPMF, não podem servir de base de cálculo para o IRPJ. Cita a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos, bem como jurisprudência administrativa que entende pertinentes. Aduz que a previsão trazida com o artigo 42 da Lei nº 9430/96 é impossível de ser aplicada no direito brasileiro. Em seu entender, ante o princípio da reserva legal, é descabido o lançamento com base em presunção não estipulada como lei complementar. Informa que entre depósitos bancários e a omissão de rendimentos imputada não há uma correlação lógica direta e segura, especialmente ante a natureza das operações realizadas pela contribuinte. Correlaciona jurisprudência administrativa que entende aplicável ao caso. Somente com o fulcro de argumentar, informa que “até poderia a SRF arbitrar IRPF com base na presunção. No entanto, a autoridade administrativa deveria esgotar sua investigação, o que, no caso da impugnante bastaria um simples levantamento dos bens em nome do mesmo, para se constatar a não ocorrência de acréscimo patrimonial desproporcional à renda declarada”, motivo pelo qual entende inconsistente o lançamento tributário. Para a contribuinte, a administração deveria fundamentar as imputações, através de variação patrimonial desproporcional em relação à renda declarada, mas que, não há por sua parte sinais exteriores de riqueza que evidenciem tal variação e o fato gerador do imposto de renda só se verifica quando da ocorrência do acréscimo patrimonial. Junta jurisprudência administrativa que entende amparar sua decisão. Requer e invoca a necessidade de realização de perícia por contabilista idôneo e imparcial, para que se busque a real origem e destino dos valores depositados. Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA Processo nº 11060.000476/201032 Acórdão n.º 1202000.900 S1C2T2 Fl. 4 5 Assim, ante a improcedência e a insubsistência da ação fiscal, requer o acolhimento da impugnação cancelando o débito fiscal. Em acréscimo, impugna a exclusão do Simples. A 1ª Turma da DRJ/POA ao julgar o feito no Acórdão 1035.225 (fls. 1341/1346), houve por bem julgar improcedente a impugnação. Ao analisar os autos, os julgadores iniciam sua manifestação pela análise do pedido de prova pericial, informando que desconhecem do pedido, nos termos do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Informa que não foi indicado o perito, nem tampouco se explicitou os quesitos a serem respondidos. Em relação à análise da constitucionalidade de leis, informa que referida análise ultrapassa a competência dos julgadores na seara administrativa, citando a Súmula nº 2 do CARF, motivo pelo qual desconhece referidas alegações. No que tange ao tópico da omissão de receitas de vendas de veículos, informa assistir razão ao autuado que, em determinadas operações de vendas de veículos usados, deve ser considerada como receita tributável, o valor relativo à diferença entre o valor da venda e o custo de aquisição, nos termos da Lei nº 9716/98 e da IN SRF nº 247 de 2002, mas que, nos termos do artigo 5º da aludida lei, exigese a existência de notas fiscais, tanto de entrada como de saída dos veículos para tanto. Ocorre que esse requisito não foi atendido, não podendo, então, a contribuinte se beneficiar desta tributação diferenciada, restando corretos os termos da autuação. Em relação à omissão de receitas vindos de depósitos bancários de origem não comprovada, informa ser o enquadramento legal o previsto no artigo 42 da Lei nº 9430/96. Ensina que o dispositivo em comento não criou nova hipótese de incidência, mas mera presunção de omissão de receitas, que pode ser afastada mediante a comprovação da origem dos depósitos. Ocorre que a contribuinte não trouxe a devida comprovação, motivo que leva a firmar a presunção de que os depósitos referemse a receitas omitidas. Ainda, em relação à adição das receitas omitidas às receitas conhecidas, ante a alegação da contribuinte de que as receitas determinadas com base nos documentos comprobatórios de vendas estariam incluídas nos depósitos bancários, entende que, ante a ausência de comprovação de tais fatos, a totalidade dos depósitos deve ser tomada como receita omitida. Por fim, esclarece que o ônus da prova na hipótese, ante o disposto na lei, cabe ao sujeito passivo. No que tange à exclusão do Simples, informa que, em 2005, a receita bruta anual do contribuinte superou os R$ 7.000.000,00, enquanto que, para o período, o limite para o enquadramento como empresa de pequeno porte fora de R$ 1.200.000,00 (conforme Lei nº 9732/98), sendo correto o fundamento utilizado no ato declaratório da exclusão. Fl. 1808DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA 6 Cientificado em 23 de novembro de 2011, não concordando com a decisão, apresentou Recurso Voluntário em 21 de dezembro do mesmo ano, onde reitera as alegações trazidas com sua impugnação. Com o recurso, vieram os autos a este Conselho, para julgamento. É o relatório Voto O recurso voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Como relatado, tratase de exigência de IRPJ, CSLL, contribuição ao PIS, COFINS e contribuição ao INSS decorrente de omissão de receitas, as quais foram verificadas mediante o cotejamento das informações constantes nas declarações entregues à Receita Federal e as informações dos depósitos bancários fornecidas pela recorrente mediante solicitação em Mandado de Procedimento Fiscal. As preliminares de pedido de perícia e inconstitucionalidade invocadas na Impugnação pela recorrente não foram aqui trazidas em sede do Recurso Voluntário. Quanto ao mérito, primeiramente, importante esclarecer que, a recorrente autorizou a Secretaria da Receita Federal a obter informações dos bancos que listou (fls 50), mas por fim entregou os extratos bancários à autoridade lançadora, como confirma protocolo às fls 55. Ademais, ficou vastamente demonstrado nos autos que a recorrente, intimada por diversas vezes, não procedeu à comprovação dos recursos oriundos de sua movimentação financeira, resultando esse seu procedimento, assim, na causa de lançar, isto é, na ocultação de receitas, relativos aos anoscalendários de 2005 a 2007. Nesse período, de 2005 a 2007, constatouse que foram movimentadas importâncias de aproximadamente R$16,5milhões, enquanto que as informações prestadas à Secretaria da Receita Federal, através das declarações enviadas, foram no total de R$300mil. Logo, representam valores bem distintos e distantes entre si. A recorrente alega que a autoridade lançadora não observou que, como se tratava de venda de automóveis, deveria ser considerada a dedução dos custos de aquisição desses carros. De fato, nos termos da Lei nº 9.716, de 1998, e na Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002, admitese que, em determinadas circunstâncias, nas operações de venda de veículos usados deve ser considerada “como receita tributável dessas operações o valor relativo à diferença entre o valor de venda e o custo de aquisição”. Todavia, a contribuinte não logrou apresentar as notas fiscais tanto de entrada como de saída, as quais são um dos requisitos exigidos no artigo 5º dessa mesma Lei, a saber: “Art. 5º As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Fl. 1809DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA Processo nº 11060.000476/201032 Acórdão n.º 1202000.900 S1C2T2 Fl. 5 7 Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação.” Como não logrou apresentar o documento exigido em lei, não há como observar essa dedução, portanto, não há o que reparar no lançamento ou nos critérios de apuração de receita adotados no auto de infração. A autoridade lançadora intimou a contribuinte a esclarecer em várias oportunidades, o que não ocorreu. A contribuinte não forneceu os esclarecimentos necessários dos fatos detectados na ação fiscal. Assim sendo, a autoridade fiscal fez o lançamento com base no artigo 42 da Lei nº 9430/1996, uma vez que ficou configurado que a contribuinte foi regularmente intimada e não comprovou por meio de documentação hábil e idônea a origem dos recursos, que indubitavelmente foram depositados em sua contacorrente. O disposto nesse normativo se coaduna com os fatos do mundo fenomênico, portanto, verificase a subsunção dessa norma aos fato. Com o cotejo dos valores declarados para o fisco federal e a movimentação financeira mantida à margem de qualquer registro oficial, em nome da pessoa jurídica, restou demonstrada, inequivocamente, a omissão de receita. Diante desse indício, a autoridade fiscalizadora suportada no normativo retromencionado, não pode simplesmente desprezálas, aliás, deve usálas para suportar o seu lançamento. Nesse sentido, temos o Acórdão nº 10809238, da contribuinte “C. VIMAR COMERCIAL DE VIDROS MARINGA LTDAEPP”, relatado pelo conselheiro dessa turma Sr. Orlando José Gonçalves Bueno, cuja ementa assim se apresenta: “IRPJ E OUTROS – SIMPLES OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS – APLICABILIDADE DA PRESUNÇÃO LEGAL A PARTIR DE 1996 Como se tratam de fatos geradores de 1997, 1998 e 1999, plenamente aplicável a presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, incumbindo ao contribuinte o ônus de comprovar o contrário, qual seja, de que a movimentação bancária de sua titularidade tem origem e justificase em não constituir hipótese de omissão de receitas. Todavia, nestes autos, o contribuinte não logrou afastar totalmente a presunção legal indigitada, por prova hábil e idônea, principalmente sobre movimentação bancária à margem da escrituração contábil e em valores superiores à média das receitas declaradas nos períodos fiscalizados, remanescendo, assim, valores injustificados, consubstanciando válida e eficaz a imputação legal de omissão de receitas na conduta sobre os mesmos. Recurso negado.” As decisões trazidas à colação pela recorrente ocorreram sob vigência da Lei nº 8.021/1990 e a Súmula 182 do antigo TRF, que não são mais aplicáveis aos dias atuais. A mudança se fez através da Lei nº 9430/1996, que concedeu aos depósitos bancários força jurídica para suportar o lançamento. Para afastar essa assertiva, a recorrente é que deveria apresentar, com propriedade, a verdade e as provas dos fatos, isto é, a recorrente deveria explicar que os créditos não são recebimento de vendas ou que não pertenciam à recorrente Fl. 1810DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA 8 motivo pelo qual não foram escriturados ou que foram devidamente tributados, mas nada disso foi feito. Temos a recorrente levantando suas alegações, todavia, sem comprovações. Outra questão que foi invocada pela recorrente é a exclusão do SIMPLES. Ora, uma vez caracterizada a omissão de receitas, a autoridade lançadora verificou o limite da receita bruta aplicável ao período em questão, e, também procedeu à exclusão da interessada do SIMPLES, com base no artigo 9°, inciso II e § 1° da Lei nº 9.317/1996. À época o limite era de R$ 1.200.000,00 (hum milhão e duzentos mil reais), sua receita bruta foi superior a esse montante, portanto, a autoridade lançadora formalizou sua exclusão se deu através do Ato Declaratório Executivo DRF/STM nº 11, de 4 de março de 2010, a partir de 1º de janeiro de 2006, fundamentado no artigo 15, IV, da Lei nº 9317/96. A exclusão num único processo é possível, consoante o artigo 1º , inciso III, da Portaria do MF nº 666, de 2008, a qual dispõe sobre a formalização de processos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, que transcrevo: “Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: ....................... III as exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Simples que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, a exclusão do Simples e o lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente;” Ainda, nos termos do artigo 9º, §1º, do Decreto nº 70.235/1972, temos que: “ Quando, na apuração dos fatos, for verificada a prática de infrações a dispositivos legais relativos a um imposto, que impliquem a exigência de outros impostos da mesma natureza ou de contribuições, e a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, as exigências relativas ao mesmo sujeito passivo serão objeto de um só processo, contendo todas as notificações de lançamentos e autos de infração.” Dessa forma, está correto o procedimento da autoridade fiscal em contemplar num só processo a exclusão da sistemática do SIMPLES por conta do excesso de receitas, as quais foram obtidas junto à movimentação financeira da interessada, em procedimento de fiscalização, e a exigência do IRPJ e seus reflexos por conta dessa omissão de receitas. Quanto aos lançamentos reflexos, por conta da vinculação existentes com o IRPJ, as mesmas conclusões são aplicáveis. Ou seja, dada a decisão de mérito prolatada para o IRPJ, em se tratando de tributação reflexa, mantémse o mesmo entendimento para a CSLL, as contribuições ao INSS, a Contribuição ao PIS e a COFINS, tendo em vista que o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a caracterização dos depósitos bancários de origem não comprovada como receitas da pessoa jurídica. A interessada, em nenhum momento, carreou aos autos qualquer elemento comprobatório da origem dos recursos depositados de forma a permitir a identificação de que tais valores não seriam receitas da recorrente ou que, em sendo receitas da atividade, foram regularmente oferecidas à tributação para elas prevista. Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso e manter o lançamento. (documento assinado digitalmente) Fl. 1811DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA Processo nº 11060.000476/201032 Acórdão n.º 1202000.900 S1C2T2 Fl. 6 9 Nereida de Miranda Finamore Horta relatora Fl. 1812DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.903651/2008-14
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/05/2004
NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE.
O Recurso Voluntário apresentado fora do prazo regulamentar, acarreta a preclusão do direito, impedindo ao julgador de conhecer as razões da defesa. O decurso do prazo para interposição do Recurso Voluntário consolida o crédito tributário na esfera administrativa (artigo 33, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972).
Numero da decisão: 3801-001.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Sthal - Relator.
EDITADO EM: 31/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator)
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/05/2004 NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. O Recurso Voluntário apresentado fora do prazo regulamentar, acarreta a preclusão do direito, impedindo ao julgador de conhecer as razões da defesa. O decurso do prazo para interposição do Recurso Voluntário consolida o crédito tributário na esfera administrativa (artigo 33, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Sthal - Relator. EDITADO EM: 31/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator)
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INTEMPESTIVIDADE. O Recurso Voluntário apresentado fora do prazo regulamentar, acarreta a preclusão do direito, impedindo ao julgador de conhecer as razões da defesa. O decurso do prazo para interposição do Recurso Voluntário consolida o crédito tributário na esfera administrativa (artigo 33, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Sthal Relator. EDITADO EM: 31/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 36 51 /2 00 8- 14 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de pedido de compensação realizado através de PER/DCOMP, transmitida em 10/11/2004 (fls. 13), com base em suposto pagamento a maior a título de PIS/PASEP do período de apuração de maio de 2004, por meio de guia DARF, cujo recolhimento se deu em 15/06/2004, com débitos de PIS/PASEP do mesmo período de apuração de janeiro de 2003, tendo sido objetivada compensação no montante total de R$ 2.401,10. A compensação não foi homologada pela DRF de Origem, conforme despacho decisório de fls. 18, o que ensejou a apresentação de Manifestação de Inconformidade pelo contribuinte às fls. 01, e que restou julgada improcedente pela DRJ de Origem, através do acórdão de fls. 26/30, cujo relatório é suficiente para o correto entendimento da questão em debate nesses autos, cumprindo a sua transcrição integral: “Tratase o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 32943.96917.101104.1.3.048718, transmitida eletronicamente em 23/09/2004, com base em créditos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: (...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP foi identificado pelos sistemas internos da RFB, que o referido DARF, na verdade, havia sido utilizado para pagamento de outro débito, conforme demonstrado no quadro a seguir, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada pela contribuinte no PER/DCOMP objeto da atual lide. Utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP: (...) Assim, em 12/08/2008, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 18), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 2.368,64. Cientificado, via postal, dessa decisão em 21/08/2008 (fl. 22), bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 19/09/2008, manifestação de inconformidade às fls. 1, acrescida de documentação anexa. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.903651/200814 Acórdão n.º 3801001.201 S3TE01 Fl. 75 3 A contribuinte contesta a decisão proferida no Despacho Decisório, alegando que teria deixado de retificar os valores reais do débito compensado no PER/DCOMP e informados a maior na DCTF original. Desse modo, não teria sido possível para os sistemas da RFB confirmarem a existência do crédito pleiteado, visto que os valores teriam sido informados indevidamente na DCTF. A contribuinte informa, ainda, que já teria retificado a DCTF que conteria informações sobre o crédito informado no PER/DCOMP e solicita nova revisão do Per/DCOMP objeto da lide. Ao final, requer que seja acolhida a presente a Manifestação de Inconformidade, cancelandose o débito fiscal reclamado e constante no Despacho Decisório emitido pela RFB.” O acórdão da DRJ cujo relatório está acima transcrito restou assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2003 ERRO NAS INFORMAÇÕES CONTIDAS NA DCTF. AUSÊNCIA DECOMPROVAÇÃO. Não foram apresentadas provas que demonstrassem a existência de erro no preenchimento das informações contidas na DCTF original. A simples entrega de DCTF retificadora não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O contribuinte, intimado do referido acórdão em 01/06/2011 (fls 34) insurge se contra o mesmo através do presente Recurso Voluntário de fls. 36/42 (protocolizado em 08/07/2011), através do qual apresenta essencialmente os mesmos argumentos de sua manifestação de inconformidade. Através do Memorando nº 146/2012/SECAT/DRFGOI/SRRF01/RFB/MF GO, endereçado a este Conselho, a procuradoria informa, ainda, a propositura de uma Ação Ordinária, distribuída sob o nº 2009.35.04.0004300 perante a Justiça Federal da Subseção de Aparecida GO, através da qual requer a contribuinte a homologação das compensações em discussão. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl Preliminarmente é dever do julgador apreciar os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário. O artigo 56 da Lei n° 9.784/99 confirma o direito constitucional de o contribuinte interpor recurso contra as decisões administrativas, determinando que “das decisões administrativas cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito”. Dai, concluise, que o sujeito passivo possui o direito de recorrer das decisões administrativas, proferidas pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, pois, somente assim, estará assegurado o seu direito à ampla defesa, consagrado pela Constituição Federal e pelas normas infraconstitucionais. Vislumbrase que tal fato busca, na verdade, o reexame da decisão por outra autoridade, a fim de obterse um aprimoramento dos julgados na fundamentação de suas decisões, propiciando, desta forma, maior segurança ao sistema. Pois bem, vencido em primeira instância, o contribuinte não está obrigado a recorrer, mas, se assim proceder, estará sujeito ao prazo de 30 dias, sob pena de preclusão, apresentar Recurso Voluntário, conforme preceitua o caput do artigo 33, do Decreto n° 70.235/72. Verificase, que se ultrapassado esse período, qual seja, 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da decisão, sem a apresentação pelo contribuinte do Recurso Voluntário, estará ele impedido de apresentar referido recurso em outro momento. O contribuinte, como pode ser visto, foi intimado do acórdão ao qual recorre em 01/06/2011 (fls 34) e insurgiuse contra o mesmo através do presente Recurso Voluntário somente em 08/07/2011, quando o trintídio já houvera se esgotado. Independentemente da existência de uma possível concomitância com a noticiada ação judicial – que deve ter sido promovida pelo patrono da Recorrente apenas para mascarar as impropriedades por ele cometidas nesse processo e que somente fez perder o tempo desse Conselho e do Judiciário, porque se esse processo fosse instruído com os documentos comprobatório do crédito, ninguém lhe negaria o direito – não há como se conhecer desse recurso por intempestivo. Nesse sentido voto por não conhecer do presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 77DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.903651/200814 Acórdão n.º 3801001.201 S3TE01 Fl. 76 5 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 12898.000061/2009-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 18 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1401-000.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente).
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1816; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12898.000061/200945 Recurso nº 0.01Voluntário Resolução nº 1401000.174 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 03 de outubro de 2012 Assunto IRPJ Recorrente Astromarítima Navegação S.A. Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra o acórdão recorrido, fls. 367: Do lançamento O presente processo tem origem no auto de infração de fls. 266/273, datado de 26/01/2009, por meio do qual está sendo exigido da interessada acima qualificada o crédito tributário de Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ, no valor de R$ 1.975.550,94, acrescido da multa de ofício, no percentual de 75% e demais encargos moratórios, decorrente de adição a menor ao lucro RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 28 98 .0 00 06 1/ 20 09 -4 5 Fl. 416DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 12898.000061/200945 Resolução nº 1401000.174 S1C4T1 Fl. 3 2 líquido, para obtenção do lucro real, da realização mínima de lucro inflacionário nos exercícios de 2004, 2005 e 2006, anoscalendário 2003, 2004 e 2005. A interessada deveria ter realizado o montante anual de R$ 2.749.974,58, equivalentes a dez por cento do saldo de Lucro Inflacionário Acumulado existente em 31 de dezembro de 1995, no valor de R$ 27.499.745,85 conforme o Sistema de Acompanhamento do Prejuízo e Lucro InflacionárioSAPLI (fls. 176/181), tendo realizado R$ 114.689,12 em cada um dos anoscalendário de 2003 e 2004 e R$ 118.341,65 no anocalendário de 2005, resultando nas diferenças anuais de R$ 2.635.285,46 nos anoscalendário de 2003 e 2004 e R$ R$ 2.631.632,93 no anocalendário de 2005. O lançamento teve como enquadramento legal os artigos 8o da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995; artigos 6o e 7o da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; e arts. 249, inciso I, e 449 do Regulamento para o Imposto de RendaRIR/1999, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999. Da Impugnação Inconformada com o lançamento, a interessada apresentou, em 20/02/2009, a peça impugnatória de fls. 278/284, juntando os documentos de fls. 285/299, onde argüi a tempestividade, descreve a autuação, discorre sobre as regras de diferimento e realização do lucro inflacionário e reafirma que seu saldo de lucro inflacionário acumulado em 31/12/1995 montava em R$ 1.475.696,23, conforme cópia do seu Livro de Apuração do Lucro RealLalur, saldo este que deveria ser realizado no prazo de dez anos. Alega que em 31/12/2002 já havia realizado R$ 1.127.976,34 daquele saldo de lucro inflacionário, restando R$ 347.719,89, que deveria ser realizado nos anos seguintes de 2003, 2004 e 2005 pelo montante anual de R$ 115.906.63. Reconhece que nos anos de 2003 e 2004 realizou somente R$ 114.906,63, que ensejou uma diferença de R$ 1.217,51 em cada ano calendário, totalizando R$ 2.435,02. Já no ano de 2005, tendo identificado tal diferença, realizou espontaneamente o montante de R$ 118.341,65, sanando as inconsistências dos anos de 2003 e 2004 e realizando integralmente o saldo de lucro inflacionário remanescente. Encerra pedindo seja julgado improcedente o auto de infração, cancelándose a exigência fiscal a título de IRPJ e penalidades aplicadas. A 5ª Turma da DRJ/RJOI, por unanimidade de votos, negou provimento à impugnação, por meio do Acórdão nº 1233.664, que recebeu a seguinte ementa (fls. 365): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004, 2005, 2006 LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO MÍNIMA OBRIGATÓRIA. A partir de 1º de janeiro de 1996, a pessoa jurídica deverá realizar, no mínimo, no caso de apuração anual de imposto de renda, dez por cento Fl. 417DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 12898.000061/200945 Resolução nº 1401000.174 S1C4T1 Fl. 4 3 do saldo de lucro inflacionário acumulado existente em 31 de dezembro de 1995. DIFERENÇA DE REALIZAÇÃO DE LUCRO INFLACIONÁRIO NÃO JUSTIFICADA PELA AUTUADA. PROCEDÊNCIA DE SUA EXIGÊNCIA. Há que se manter a autuação quando a interessada não justifica a diferença entre o saldo de lucro inflacionário acumulado em 31/12/1995 constante dos registros desta Secretaria e aqueles que alega constar de seu Lalur, cuja exigência da diferença de realização resultou na lavratura do auto de infração. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do referido Acórdão em 05/08/2011 (fls. 372), a contribuinte apresentou em 06/09/2011 o recurso voluntário de fls. 374391, com base nos seguintes argumentos: a) preliminarmente, arguiu a extinção do crédito tributário referente ao ano calendário de 2003, pela decadência, nos termos do art. 156, V do CTN, considerando que o presente lançamento somente foi constituído em 21/01/2009; b) no mérito, alegou ter efetuado o recolhimento integral (sic) do saldo credor complementar (diferença IPC/BTNF) por meio de realização de depósito judicial nos autos do Mandado de Segurança nº 93.00203681. c) No seu entender, a referida parcela encontrase com sua exigibilidade suspensa, não obstante haja sido proferida decisão judicial desfavorável à recorrente, pela 1ª Turma do TRF – 2ª Região. O Recurso Extraordinário interposto pela recorrente (RE 204.515) encontrase pendente de julgamento no STF; d) segundo jurisprudência pacífica do STJ, o lucro inflacionário não deve compor a base de cálculo do Imposto de Renda. É o relatório. Voto Em sua peça recursal, a contribuinte afirmou ter impetrado o Mandado de Segurança nº 93.00203681, com o objetivo de garantir o seu alegado direito líquido e certo de não reconhecer os efeitos da diferença de correçãomonetária complementar de 1990 pelo índices IPC x BTNF nos seus resultados, e tampouco a sua realização. Alegou, outrossim, ter efetuado o recolhimento integral (sic) do saldo credor complementar (diferença IPC/BTNF) por meio de realização de depósito judicial nos autos do Mandado de Segurança nº 93.00203681. Segundo a recorrente, muito embora haja sido proferida sentença desfavorável à Recorrente, em 10/10/97, foi interposto Recurso Extraordinário, visando a reforma integral do acórdão proferido pela 1 a Turma do Tribunal Regional Federal da 2a Região, o qual encontrase pendente de julgamento no Supremo Tribunal Federal (RE 204.515), permanecendo integralmente depositado o valor do débito questionado, que será levantado ou convertido em renda da União somente após o transito em julgado da ação . Fl. 418DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 12898.000061/200945 Resolução nº 1401000.174 S1C4T1 Fl. 5 4 Dispositivo Diante destas alegações, que não foram submetidas à apreciação do colegiado julgador a quo, considero necessária a realização de diligência, para que: a) seja a contribuinte intimada a apresentar certidão atualizadada de objeto e pé referente ao Mandado de Segurança 93.00203681, cópia autenticada dos comprovantes de depósito judicial efetuados no aludidos autos e comprovante de que os aludidos valores permanecem depositados em juízo; b) as autoridades diligenciantes elaborem relatório conclusivo, demonstrando se os valores exigidos por meio do presente processo efetivamente encontravamse depositados judicialmente, por ocasião da lavratura do auto de infração de fls 266273. Caso necessário, as autoridades diligenciantes devem intimar a contribuinte a prestar informações/apresentar elementos de prova complementares. Ao final, dê ciência a contribuinte concedendolhe o prazo de 10 dias para manifestação, conforme art.44 da Lei n° 9.784/99. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 419DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS
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Numero do processo: 10380.906783/2009-18
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2005
DESPACHO DECISÓRIO. PROCEDIMENTO ELETRÔNICO. SUPERFICIALIDADE. REEXAME DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADO.
Tratando-se de despacho decisório decorrente de procedimento meramente eletrônico, cuja análise da compensação pleiteada é efetuada superficialmente, deve ser reexaminado o pedido apresentado, quando logra o Recorrente pôr em dúvida os fundamentos da não homologação da compensação requerida.
Numero da decisão: 1803-001.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que o órgão de origem reexamine o pleito apresentado, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Selene Ferreira de Moraes - Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Rodrigues Mendes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Viviani Aparecida Bacchmi.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 DESPACHO DECISÓRIO. PROCEDIMENTO ELETRÔNICO. SUPERFICIALIDADE. REEXAME DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADO. Tratandose de despacho decisório decorrente de procedimento meramente eletrônico, cuja análise da compensação pleiteada é efetuada superficialmente, deve ser reexaminado o pedido apresentado, quando logra o Recorrente pôr em dúvida os fundamentos da não homologação da compensação requerida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 67 83 /2 00 9- 18 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/11/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10380.906783/200918 Acórdão n.º 1803001.579 S1TE03 Fl. 72 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que o órgão de origem reexamine o pleito apresentado, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Rodrigues Mendes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Viviani Aparecida Bacchmi. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/11/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10380.906783/200918 Acórdão n.º 1803001.579 S1TE03 Fl. 73 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 34): O interessado, supra qualificado, entregou via Internet a Declaração de Compensação, fls. 01/04, na qual pretende compensar o pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior (código de receita 2372) relativo ao período de apuração encerrado em 31/12/2004. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico de não homologação da compensação, com base no seguinte fundamento (fls. 01/04): A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificado desse despacho em 05/05/2009, o interessado apresentou sua manifestação de inconformidade em 02/06/2009, fls. 08, alegando que a inconsistência se deu devido ao preenchimento da DCTF, onde o débito relativo a esse período foi informado a maior, e o DARF foi totalmente vinculado a este débito. Para corrigir a situação, apresenta DCTF retificadora, relativa ao 4º trimestre de 2004, com o débito correto. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 33): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. A homologação da compensação declarada pelo contribuinte está condicionada ao reconhecimento do direito creditório pela autoridade administrativa, o que somente é possível mediante apresentação dos elementos que comprovem a liquidez e certeza do direito alegado. RETIFICAÇÃO DE DCTF. A retificação de declaração já apresentada à RFB somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 74DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/11/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10380.906783/200918 Acórdão n.º 1803001.579 S1TE03 Fl. 74 4 Direito Creditório Não Reconhecido 3. Cientificada da referida decisão em 07/01/2011 (fls. 39), a tempo, em 08/02/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 40 a 44, instruído com os documentos de fls. 45 a 69, nele argumentando, em síntese: a) que o despacho decisório, referido pela Turma julgadora como iniciador do procedimento fiscal, não representa um ato espontâneo, e, sim, provocado a partir do requerimento de compensação do crédito tributário da Recorrente; b) que resta claro ser ilegítimo que seja privada de seu direito à retificação da DCTF, em detrimento de sua própria iniciativa ao requerer a devida compensação tributária cabível; c) que, ainda que não homologada a compensação, como tolher da Recorrente o direito de justificar e sanar o erro cometido na DCTF originária, quando somente conhecedora desse, no momento da ciência do dito despacho decisório? e d) que é plena e legalmente admissível a referida apresentação da DCTF retificadora no momento em que o foi, sendo, consequentemente, cabível o reexame da requerida e agora atestada compensação tributária. 4. Consta, ainda, da petição recursória, nota do órgão jurisdicionante no seguinte sentido: “Observar a documentação anexada ao processo nº 10380.906782/200965 – livros/notas fiscais”. 5. É o que importa relatar. Em mesa para julgamento. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/11/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10380.906783/200918 Acórdão n.º 1803001.579 S1TE03 Fl. 75 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 6. A decisão recorrida assim concluiu, para julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada (fls. 36): Portanto, no presente caso, caberia ao contribuinte não só a juntada da DCTF retificadora, mas também dos elementos de prova (cópias de livros e documentos) capazes de demonstrar o erro supostamente cometido na DCTF original, que embasou o despacho decisório em referência. Com efeito, diante da ausência de provas sobre a liquidez e certeza do direito creditório informado na DCOMP, não há como acolher a pretensão da defesa, revelandose, pois, procedente o despacho decisório da autoridade local que originou o presente litígio. Em seu Recurso, anexa a Recorrente cópia da DCTF retificadora (fls. 48 a 65), cópia do respectivo recibo de entrega (fls. 66), planilha contendo relação de valores de notas fiscais relativas ao período de outubro a dezembro de 2004 (fls. 67 a 69) e o seguinte demonstrativo (fls. 69): Observase, desse demonstrativo, que a quantia de R$ 37.064,02 corresponde, basicamente, ao “valor original do crédito inicial” constante do Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) (fls. 2) e ao que tudo indica o montante de R$ 59.302,44, pago mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf), teria sido incorretamente informado na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) respectiva (original), como “débito apurado” (fls. 5), quando deveria nela constar o valor de R$ 22.238,42, como indicado na DCTF retificadora (fls. 21): Fl. 76DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/11/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10380.906783/200918 Acórdão n.º 1803001.579 S1TE03 Fl. 76 6 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/11/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10380.906783/200918 Acórdão n.º 1803001.579 S1TE03 Fl. 77 7 Assim, tendo em vista se tratar, no presente caso, de despacho decisório decorrente de procedimento meramente eletrônico (fls. 5), cuja análise da compensação requerida é efetuada superficialmente, entendo deva ser reexaminado o pleito apresentado, fundamentandose, o órgão de origem, para a homologação ou não do pedido de compensação, na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e nos assentamentos contábeis da Recorrente, entre outros documentos que entender pertinentes (“Observar a documentação anexada ao processo nº 10380.906782/200965”). Fl. 78DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/11/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10380.906783/200918 Acórdão n.º 1803001.579 S1TE03 Fl. 78 8 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que o órgão de origem reexamine o pleito apresentado, fundamentandose, para a homologação ou não do pedido de compensação, na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e nos assentamentos contábeis da Recorrente, entre outros documentos que entender pertinentes. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 79DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/11/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 16095.720187/2011-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
CERCEAMENTO DE DEFESA. DEVIDO PROCESSO LEGAL. A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o contribuinte foi regularmente cientificado dos autos de infração e de seus anexos, lavrados com observância das formalidades legais, e se lhe foi assegurado o direito de questionar as exigências nos termos das normas que regulam o processo administrativo fiscal, o qual foi plenamente exercido na peça de defesa apresentada.
INCORREÇÕES NA APURAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Questionamentos acerca da correção dos valores escriturados e tomados como base para o lançamento devem necessariamente ser acompanhados das respectivas provas.
OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA. ESCRITURAÇÃO FISCAL. DSPJ. Provada, com base na escrituração de notas fiscais no Livro de Registro de Saída nº11, a omissão de receitas na Declaração Simplificada PJ Simples PJSI, deve ser efetuado o lançamento de ofício para a exigência dos tributos não constituídos e recolhidos espontaneamente pela pessoa jurídica, observada a sistemática simplificada.
OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS. LIVROS CONTÁBEIS. PROVA DIRETA. Cabível o lançamento de ofício fundado na caracterização de receitas omitidas apuradas com base nos livros fiscais, os quais permitem a comprovação direta da base de cálculo, não havendo que se falar em autuação por presunção.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Justifica-se a aplicação da multa no percentual de 150% diante da constatação da prática reiterada de declarar à RFB valores de receita inferiores aos escriturados em livro de Registro de Saída nº 11, esquivando-se do pagamento dos tributos devidos e mantendo-se irregularmente na sistemática do SIMPLES.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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DEVIDO PROCESSO LEGAL. A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o contribuinte foi regularmente cientificado dos autos de infração e de seus anexos, lavrados com observância das formalidades legais, e se lhe foi assegurado o direito de questionar as exigências nos termos das normas que regulam o processo administrativo fiscal, o qual foi plenamente exercido na peça de defesa apresentada. INCORREÇÕES NA APURAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Questionamentos acerca da correção dos valores escriturados e tomados como base para o lançamento devem necessariamente ser acompanhados das respectivas provas. OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA. ESCRITURAÇÃO FISCAL. DSPJ. Provada, com base na escrituração de notas fiscais no Livro de Registro de Saída nº11, a omissão de receitas na Declaração Simplificada PJ Simples PJSI, deve ser efetuado o lançamento de ofício para a exigência dos tributos não constituídos e recolhidos espontaneamente pela pessoa jurídica, observada a sistemática simplificada. OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS. LIVROS CONTÁBEIS. PROVA DIRETA. Cabível o lançamento de ofício fundado na caracterização de receitas omitidas apuradas com base nos livros fiscais, os quais permitem a comprovação direta da base de cálculo, não havendo que se falar em autuação por presunção. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Justificase a aplicação da multa no percentual de 150% diante da constatação da prática reiterada de declarar à RFB valores de receita inferiores aos escriturados em livro de Registro de Saída nº 11, esquivandose do pagamento dos tributos devidos e mantendose irregularmente na sistemática do SIMPLES. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 01 87 /2 01 1- 51 Fl. 436DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.720187/201151 Acórdão n.º 1402001.205 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório GLOBO BORRACHAS ESPECIAIS LTDA recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Tratase de procedimento fiscal realizado pelo SEFIS DRF/Guarulhos/SP, amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 08.1.11.00/00231/10 e que foi concluído com a lavratura de Autos de Infração na Sistemática do SIMPLES, por irregularidades apuradas no anocalendário 2006, no total de R$ 2.020.341,59, abarcando os tributos e valores a seguir descritos, incluindose o principal, multa de ofício nos percentuais de 75% (sobre os valores recolhidos a menor) e 150% (receita omitida) e juros de mora calculados até 29/10/2010: (...) No Relatório Fiscal de fls. 67/71, a autoridade fiscal deixou consignado o que segue: "No exercício das funções de Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil, no curso da ação fiscal junto ao Contribuinte acima identificado e de acordo com o disposto nos artigos 904 , 905, 910, 911 e 927 do Decreto n°. 3.000, de 26 de março de 1.999 (RIR / 99), verifiquei e constatei os fatos e irregularidades a seguir descritas": IRPJSIMPLES Período 01/2006 a 12/2006 OMISSÃO DE RECEITAS INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS. DOS FATOS: Fl. 437DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.720187/201151 Acórdão n.º 1402001.205 S1C4T2 Fl. 0 3 1.1 A empresa sob ação fiscal é uma sociedade por quotas de responsabilidade limitada que tem como objetivo principal a indústria e o comércio de artefatos de borracha. 1.2 O procedimento fiscal teve início em 08/06/2010, quando foi dada ciência ao contribuinte do Termo de Início do Procedimento Fiscal, relativo ao IRPJ dos anoscalendário de 2006 e 2007, ocasião em que foi intimado a: apresentar Livros Diário e Razão. apresentar Livros de Registro de Entrada e de Saída. Apresentar Contrato Social e alterações. 1.3. 0 contribuinte apresentou apenas os Contratos Sociais e alterações e os Livros de Registro de Entrada, de Saída e de Apuração do ICMS. A empresa foi reintimada em 30/09/2010,em 17/01/2011, em 14/03/2011 e em 29/06/2011 a apresentar os Livros contábeis e intimada a apresentar o Livro Caixa, para o ano de 2006, em que era optante pelo SIMPLES. A empresa não apresentou os livros contábeis e o Livro Caixa, ao qual estava obrigado, nos termos do art.7°. § Io. alinea "a" da Lei 9.317/96, vigente à época de ocorrência dos fatos geradores da obrigação. 1.4 A fiscalização foi motivada pela discrepância entre a Receita apurada com base na GIA Guia de Informação e Apuração do ICMS e o montante declarado na DIPJSIMPLES. 1.5 Verificado o Livro de Saídas n. 11, cuja cópia integral segue anexa a este Termo, foi constatado que no ano de 2006 a empresa auferiu receita bruta no total de R$ 5.399.355,57, tendo portanto, ultrapassado o limite de receita bruta permitido para permanência no sistema SIMPLES. 1.6. Em razão do estouro de receita, foi feita representação para exclusão da empresa do sistema SIMPLES, com efeitos a partir de 01/2007. A empresa foi excluída através do ADE Ato Declaratório Executivo n°. 16 de 10/05/2011 (cópia da publicação no Diário Oficial da União, no processo). 2DA BASE DE CÁLCULO: 2.1. Foram consideradas como base de cálculo, mês a mês do AnoCalendário 2006, o valor correspondente às saídas de mercadorias, nos CFOP's 5101, 5124, 5949, 6101, 6107 e 6949. DEMONSTRATIVO DOS VALORES ESCRITURADOS NO LIVRO DE SAÍDAS Nº 11ANO 2006: (...) TOTAL ... 5.399.355,57 2.2. A empresa pagou DARF'S SIMPLES, em todo o ano de 2007, com base no valor de uma receita bruta de valor bastante inferior àquele apurado no Livro de Saidas n. 11, conforme demonstrado a seguir: (...) TOTAL ... 550.583,58 (...) 2.3. Para o cálculo do imposto SIMPLES devido, foi abatida a receita bruta informada pela empresa nesse documento, mês a mês. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.720187/201151 Acórdão n.º 1402001.205 S1C4T2 Fl. 0 4 2.4. A empresa foi autuada no SIMPLES por insuficiência de recolhimento em relação à receita declarada e por omissão de receita, em relação à receita apurada e não declarada. Para cálculo da insuficiência de recolhimento, foram abatidos os valores recolhidos através de DARF's. 2.5. Uma vez que o SIMPLES se constitui de vários impostos, IRPJ, IPI, PIS, CSLL, COFINS e INSS, ao calcular o imposto SIMPLES devido, o sistema demonstra o valor devido por tipo de imposto ou contribuição. 3DA MULTA APLICADA: 3.1. O procedimento de informar à Receita Federal, receita bruta em montante bastante inferior ao valor real, procedimento reiterado, uma vez que foi constatado nos dois anos fiscalizados, 2006 e 2007, configura evidente intuito de "sonegação", conforme diploma legal estampado nos arts. 71 e 72 da Lei 4.502/64, a seguir transcritos: (...) 3.2. Por essa razão, a multa foi aplicada com base no disposto no § Io. do art. 44 da Lei 9.430/96, resultando no percentual de 150%: (...) 3.3. Em vista da constatação, em tese, de crime contra a ordem tributária, previsto no inciso I dos arts. Io. e 2o. da Lei 8.137/90, será elaborada Representação Fiscal para Fins Penais ao Ministério Público Federal. 4 DA DECADÊNCIA 4.1. Diante do exposto, e nos termos do § 4o. do art. 150 do Código Tributário Nacional, não há que se falar em decadência: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) Cientificada dos lançamentos, em 15/09/2011, e inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte, por meio de seu representante legal, apresentou, em 14/10/2011, a impugnação de fls. 253/310, com as seguintes razões de fato e de direito. Em sede de preliminar, questiona a ocorrência de cerceamento de defesa, afirmando que não lhe teria sido dada vistas aos autos do procedimento fiscal, além de não lhe terem sido fornecidas cópias do referido processo. Afirma que seu procurador, seguindo orientação constante dos autos de infração cientificados, compareceu à DRF Guarulhos, visando ter acesso ao inteiro teor dos presentes autos, entretanto, lhe teria sido informado que os autos estariam em local diverso, sendolhe negada vistas ao mesmo. E continua: Como necessitava do inteiro teor da autuação, em data de 28/09/2011, retornou então àquela unidade de atendimento da RFB, com o impresso "SOLICITAÇÃO DE CÓPIA DE DOCUMENTOS" (DOC. 05). Por ocasião de seu protocolamento junto ao CAC da DRF/Guarulhos foi informado pelo atendente Fl. 439DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.720187/201151 Acórdão n.º 1402001.205 S1C4T2 Fl. 0 5 que a cópia do processo só poderia ser fornecida no prazo de 10 (dez) a 15 (quinze) dias. Isto é um absurdo, visto que, se tivesse que aguardar esse prazo, já teria transcorrido os 30 (trinta) dias para a apresentação da impugnação. A Autoridade Fiscal ao não conceder vistas do processo, como também, o fornecimento de cópias de documentos, sujeita a Administração Pública a anular o auto de infração, por estar eivado de vício de legalidade. Conforme dispõe os artigos 3o e 46, da Lei n° 9.784/99, a interessada, "têm direito à vista do processo e a obter certidões ou cópias reprográfícas dos dados e documentos que o integram e, conforme foi visto, teve o seu direito negado pela Repartição Tributária. Alega que após vinte dias da autuação os autos ainda não se encontravam disponíveis para consulta pela autuada, o que contrariaria o art. 4º do Decreto nº 70.235 de 1972, transcrevendo excertos de doutrina e jurisprudência que embasariam seu entendimento. Quanto ao relato da ilustre Auditora Fiscal de que: "verificado o Livro de Saídas n. 11, cuja cópia integral segue anexa a este Termo, foi constatado que no ano de 2006 a empresa auferiu receita bruta no total de R$ 5.399.355,57, tendo portanto, ultrapassado o limite de receita bruta permitido para permanência no sistema SIMPLES.", deve ser ressaltado que as cópias juntadas aos autos se referem á folhas de papel sulfite, impressas sem o timbre da empresa, como também a falta de identificação de quem as teria produzido. Assim sendo, a única prova do suposto cometimento de irregularidades trazida aos autos pelo Fisco, qual seja, o suposto Livro de Saídas n. 11, da forma que se encontra, tem suas folhas sem o timbre da empresa e a identificação de quem as teria produzido, deve ser considerada de origem duvidosa e, portanto, desentranhadas do processo administrativo, sob pena de viciar os autos. É certo de que esses "papéis", no estado que se encontram, serviram como prova para que a ilustre Auditora Fiscal considerasse "estouro de receita" ??? para a constituição do crédito tributário e a aplicação da multa qualificada, o que é um absurdo. Esclareça se ainda que a expressão "estouro de receita" usada pela zelosa Auditora Fiscal não é a usual no ordenamento jurídicotributário, uma vez que não se estoura receita e sim, excedese ultrapassase. Alega que o ônus da prova da existência material e fática dos pressupostos exigidos no Código Tributário Nacional, que embasam a cobrança de qualquer tributo, cabe única e exclusivamente ao fisco. Não se pode transferir ao contribuinte o dever de prova. Reproduz o art. 114 do CTN, ressaltando que, em caso de dúvida, a interpretação deve ocorrer de maneira mais favorável ao acusado. E complementa: Desconhecendo tais fatos, as informações prestadas pela exigente Auditora Fiscal em seu "Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades", foram baseadas em meras informações que sabese de onde vieram, conquanto nada trazem de concreto para elucidar os fatos, além de que, não comprovam com exatidão que a contribuinte em questão teria, efetivamente, omitida a receita. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.720187/201151 Acórdão n.º 1402001.205 S1C4T2 Fl. 0 6 Ainda assim, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal, por meio de simples indícios sem ter provas concretas e seguras arbitrariamente, por presunção de omissão de receita constituiu o crédito tributário. Após discorrer acerca dos princípios do Direito Administrativo e dos princípios constitucionais, defende a não observância, por parte da fiscalização, dos princípios da verdade material e da segurança jurídica. Em análise aos valores lançados, informa a Impugnante: Ao analisarmos os autos, verificase que a exigente Auditora Fiscal ao repetir o mês de OUTUBRO/2006 na apuração do Valor Tributável, aumentou indevidamente esse Valor Tributável, a saber: (...) A inserção de valores na Base de Cálculo do Imposto (Valor Tributável) deve ser feita estritamente de acordo com o fato gerador. A exigente Auditora Fiscal ao considerar dois valores num mesmo mês (fato gerador) criou dúvidas quanto à credibilidade do valor apurado, uma vez que a regra geral é que para cada mês (fato gerador) deve ser lançada individualmente a somatória desses valores dentro de cada mês sob análise. Caso tenha sido feito outro cálculo, a exigente Auditora Fiscal deveria ter demonstrado e explicado as razões para a sua separação nos autos, fato esse que causou dúvidas quanto à veracidade e credibilidade de tais cálculos e valores. Seguindo essa mesma linha, não ficou demonstrado nos autos de que forma a exigente Auditora Fiscal efetuou os cálculos do montante do tributo devido, causando dúvidas quanto ao lançamento de ofício efetuado, devendo este ser ANULADO por total insegurança jurídica. Questiona, então, erro no cálculo do Crédito Tributário lançado, nos seguintes termos: De outra forma, os cálculos do Crédito Tributário constituído por lançamento de ofício não foram feitos de acordo com o tratamento diferenciado simplificado aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte optantes do sistema SIMPLES. A empresa GLOBO BORRACHAS ESPECIAIS LTDA, por ser optante do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) sua tributação deveria ser feita de acordo com o disposto nas Leis n.° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, n.° 9.528, de 10 de dezembro de 1997, n.° 9.732, de 11 de dezembro de 1998, n.° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, n.° 10.034, de 24 de outubro de 2000 e n.° 10.194, de 14 de fevereiro de 2001, e nas Medidas Provisórias n.° 2.11329, de 27 de março de 2001, n.° 2.13243, de 27 de março de 2001. A Instrução Normativa SRF n.° 250, de 26 de novembro de 2002, ao regulamentar o tratamento tributário diferenciado, simplificado e favorecido aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), em seu artigo 5.° determina o seguinte: (...) Fl. 441DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.720187/201151 Acórdão n.º 1402001.205 S1C4T2 Fl. 0 7 Neste contexto, por ser a contribuinte optante do SIMPLES, implicaria tãosomente o pagamento mensal unificado dos impostos e contribuições (IMPOSTO SIMPLES CÓDIGO 6106), sendo, assim, INDEVIDA a constituição de crédito tributário do Imposto de Renda Pessoa Jurídica SIMPLES, das contribuições para o Programa de Integração Social Simples, Contribuição Social s/ Lucro Líquido Simples, Contribuição p/Financ. S. Social Simples, Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Simples e, Contribuição p/ Segur. Social INSSSimples. Defende que a constituição indevida dos referidos tributos teria infringido o inc. IV do art. 5º do decreto nº 70.235 de 1972, cumulado com o caput do art. 142 do CTN. Afirma que: Caso a empresa tivesse excedido ao limite de receita bruta acumulada prevista nesse dispositivo legal, deveria então ser aplicado o percentual de 10,32% (dez inteiros e trinta e dois centésimos por cento) correspondentes aos impostos e às contribuições e NUNCA tributados separadamente, o Imposto de Renda Pessoa Jurídica Simples, as contribuições para o Programa de Integração Social Simples, Contribuição Social s/Lucro Liquido Simples, Contribuição p/ Financ. S.Social Simples, Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e Contribuição p/ Segur. Social INSS Simples, como feito pelo Auditor Fiscal nos autos do processo, uma vez que o IRPJSIMPLES, PISSIMPLES, COFINSSIMPLES, CSLLSIMPLES, IPISIMPLES e Contr. p/Segur. SocialSIMPLES estão embutidos naquele percentual (10,32%). Nesse diapasão, os valores lançados, separadamente, devem ser excluídos do Crédito Tributário lançado, aplicandose, se for o caso, tão somente à alíquota correspondente prevista para empresas de pequeno porte optantes pelo SIMPLES. Encerra requerendo que sejam cancelados os autos de infração lavrados, protestando por provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos. A decisão recorrida está assim ementada: CERCEAMENTO DE DEFESA. DEVIDO PROCESSO LEGAL. A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o contribuinte foi regularmente cientificado dos autos de infração e de seus anexos, lavrados com observância das formalidades legais, e se lhe foi assegurado o direito de questionar as exigências nos termos das normas que regulam o processo administrativo fiscal, o qual foi plenamente exercido na peça de defesa apresentada. INCORREÇÕES NA APURAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Questionamentos acerca da correção dos valores escriturados e tomados como base para o lançamento devem necessariamente ser acompanhados das respectivas provas. OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA. ESCRITURAÇÃO FISCAL. DSPJ. Provada, com base na escrituração de notas fiscais no Livro de Registro de Saída nº11, a omissão de receitas na Declaração Simplificada PJ Simples PJSI, deve ser efetuado o lançamento de ofício para a exigência dos tributos não constituídos e recolhidos espontaneamente pela pessoa jurídica, observada a sistemática simplificada. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.720187/201151 Acórdão n.º 1402001.205 S1C4T2 Fl. 0 8 OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS. LIVROS CONTÁBEIS. PROVA DIRETA. Cabível o lançamento de ofício fundado na caracterização de receitas omitidas apuradas com base nos livros fiscais, os quais permitem a comprovação direta da base de cálculo, não havendo que se falar em autuação por presunção. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Justificase a aplicação da multa no percentual de 150% diante da constatação da prática reiterada de declarar à RFB valores de receita inferiores aos escriturados em livro de Registro de Saída nº 11, esquivandose do pagamento dos tributos devidos e mantendose irregularmente na sistemática do SIMPLES. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento nos seguintes termos: É o relatório. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.720187/201151 Acórdão n.º 1402001.205 S1C4T2 Fl. 0 9 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Em litigo, exigências fiscais consubstanciadas em autos de infração do SIMPLES, calcados em omissão de receitas apurada diretamente nos livros fiscais da contribuinte. A contribuinte não contesta as diferenças apuradas, tendo sistematicamente declarado em torno 10% de suas receitas efetivas, conforme enfatizado no Termo de verificação Fiscal: Auferiu o total de R$ 5.399.355,57 e efetuou recolhimentos/declaração sobre o total de 550.538,58. No recurso voluntário a contribuinte repisa as preliminares de nulidade e cerceamento do defesa que foram afastadas da decisão recorrida. Em verdade, não há qualquer falha de cálculo ou cerceamento nos autos. A infração é simples e de clareza solar. As provas dos autos são o próprio livro de registro de saídas do contribuinte e sua declaração do IRPJ do anocalendário de 2006, bem como os comprovantes de recolhimento. O auto de infração foi lavrado com absoluta observância dos artigos 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235/1972. Por sua vez, a condução do processo se deu nos termos PAF, tendo o contribuinte todas das oportunidade de defesa. Rejeito pois as preliminares. Sobre os tributos apurados em face das omissões foi aplicada a multa de 150% em face da pratica reiterada, o que evidencia o intuito doloso. Também nessa parte não merece reparos o lançamento conforme jurisprudência pacífica deste Conselho. Peço vênia para adotar os fundamentos da decisão de 1a. instância como razões adicionais de decidir, haja vista que não merecem reparos. Conclusão Diante o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade e cerceamento do direito de defesa e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 444DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.720187/201151 Acórdão n.º 1402001.205 S1C4T2 Fl. 0 10 Fl. 445DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/ 10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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