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Numero do processo: 13161.001793/2008-49
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte.
É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO.
A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de PIS.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO.
Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação.
PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125.
No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte.
É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO.
A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO.
Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação.
COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125.
No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 9303-007.600
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reformar o Acórdão recorrido reconhecendo os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITO. FRETES. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. SELIC. Recorrente COOPERATIVA AGROPECUÁRIA INDUSTRIAL EM LIQUIDAÇÃO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 17 93 /2 00 8- 49 Fl. 698DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 3 2 A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de PIS. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. Fl. 699DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 4 3 A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para reformar o Acórdão recorrido reconhecendo os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3302003.297, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Fl. 700DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 5 4 Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelecese o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANOCALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir anocalendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do anocalendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. Fl. 701DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 6 5 COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.15835/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.” Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, insurgindose com as seguintes discussões: (i) dos fretes sobre operações de transferências de mercadorias; (ii) dos fretes sobre compras de fertilizantes e sementes; (iii) do crédito presumido – atividade agroindustrial – produção das mercadorias de origem vegetal classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM; (iv) possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS e Cofins (v) previsão legal para a incidência da Selic. Efetuado o exame de admissibilidade pelo Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, e, após a apresentação de Agravo pelo contribuinte, mediante reexame da admissibilidade pelo Presidente da CSRF, foi dado seguimento ao recurso especial relativamente às matérias “possibilidade de tomada de créditos de PIS/Cofins sobre despesas com fretes relativos a transferência de insumos e Fl. 702DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 7 6 mercadorias entre estabelecimentos (61.697.4499 e 61.697.4352)”, “possibilidade de tomada de créditos de PIS/Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes – 61.697.999)”; “enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/Cofins (61.697.4350) e “correção dos créditos pela taxa Selic (61.697.4353)”. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que apresentou, dentre outros, os seguintes argumentos: · Permitir que o contribuinte se credite de despesas necessárias, nos termos da legislação do imposto de renda redundaria em um aumento na distorção na base de cálculo dos tributos; · Como visto, na busca pela definição do que deva ser considerado insumo, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, devese adotar um conceito que esteja situado entre a noção de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem do IPI e a ideia de despesas necessárias do IRPJ, compatibilizandose, assim, a não cumulatividade com a materialidade daquelas contribuições; · Há vedação expressa quanto a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos de PIS e de Cofins nãocumulativos; · A autorização para ressarcir ou compensar o crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 conforme o inc. I e inc. e II do art. 36 opera efeitos para pedidos de compensação/ressarcimento realizados a partir do primeiro dia do mês subsequente ao da publicação da lei, isto é, a partir de 01/11/2009, tendo em vista que a publicação da Lei 12.058/2009 ocorreu em 14/10/2009; · Uma vez que a própria Lei estipulou expressamente que a compensação na forma do art. 36 não pode ser aplicada para pedidos de compensação anteriores ao mês subsequente à publicação da lei (novembro de 2009), deve ser negado provimento ao recurso especial do contribuinte neste ponto; · Os artigos 13 e 15 da Lei n° 10.833, de 2003, vedam expressamente a incidência da taxa Selic sobre crédito oriundo de ressarcimento de PIS e Cofins nãocumulativa, na medida em que estabelecem que o aproveitamento dessa modalidade de crédito não ensejará atualização monetária ou incidência de juros. É o relatório. Fl. 703DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.593, de 20/11/2018, proferido no julgamento do processo 13161.001374/200726, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.593): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os requisitos de conhecimento constantes do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/15 com alterações posteriores. O que concordo com o exame de admissibilidade constante do Despacho de agravo. Eis o que diz o Despacho de agravo (Grifos meus): “[...] O escopo do agravo, nestes termos, é avaliar a adequação do despacho questionado ao recurso especial originalmente formulado pelo interessado, sendo inadmissível inovação destinada a suprir deficiência na demonstração inicial da divergência. O despacho agravado, comum a todos eles, concluiu pelo não seguimento nos seguintes termos: (...) Demonstração da legislação interpretada divergentemente [...] Essa fundamentação alcança as cinco matérias que o recorrente queria levar ao colegiado superior, a saber, a: 1) possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre 1.1 despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos (61.697.4499 e 61.697.4352); 1.2) despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas a alíquota zero: fertilizantes e sementes (61.697.9999); 2) Enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350); 3) Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350); 4) correção dos créditos pela taxa SELIC (61.697.4353) O agravo apresentado procura demonstrar que o recurso especial cumpriu todos os requisitos regimentais, em especial, a indicação da legislação contrariada. Pede, ao final, que seja dado seguimento a ele na íntegra. Fl. 704DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 9 8 Com respeito às duas primeiras matérias, afirma que o recurso teria apontado que a legislação contrastada nos acórdãos seria o art. 3º, incisos II e IX das leis instituidoras da nãocumulatividade das contribuições (10.637 e 10.833); quanto à terceira, seria o art. 13 da mesma Lei 10.833, já que o paradigma entendeu que ele não se aplicaria quando houvesse impedimento por parte da Administração. Esses os fatos. Para começar, deve ser enfatizado que os recursos foram apresentados quando já estava em vigor a Portaria MF 39, de fevereiro de 2016, que alterou a redação do § 1º do art. 67 do RICARF para: §1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. Vejase que, com essa alteração, que retirou a expressão "de forma objetiva" antes presente e que vinha levando à interpretação, aqui repetida, de que o parágrafo estaria a impor a indicação precisa e expressa do dispositivo legal interpretado divergentemente, apenas se exige que haja demonstração da legislação tributária que teria sido interpretada de forma divergente. Não se exige, de modo algum, que haja indicação expressa de algum dispositivo legal específico. Essa interpretação menos rigorosa já foi mesmo adotada pela própria Câmara Superior de Recursos Fiscais1: [...] Demais disso, é mesmo fato, como apontado no agravo, que o recurso especial apresentado trazia sim menções às legislações contrariadas. É certo que ele não está estruturado do modo exemplar que caracteriza o despacho que o examinou. Em especial, não destaca ele tópico específico para demonstrar o cumprimento, um a um, dos requisitos previstos no art. 67 do RICARF. Ele principia pela enunciação da matéria que entende ter sido analisada divergentemente, seguida de imediata indicação e transcrição da ementa do pretendido paradigma, passando, ato contínuo, a demonstrar a divergência em si. Isso, não obstante, é igualmente certo que o RICARF, e antes dele o próprio Decreto 70.235, não estabelecem forma rígida para apresentação dos recursos neles previstos. Por isso, ainda que a menção aos atos legais não seja bem ordenada, há de ser reconhecida, e superado, portanto, o óbice apontado. E, por economia processual, vêse desnecessário o retorno dos autos à Câmara recorrida para o exame do cumprimento do requisito material de demonstração da divergência em relação às cinco matérias. Ela é manifesta. Com efeito, a primeira, exatamente na forma como enfrentada no recorrido, o foi no primeiro paradigma arrolado. Lá, contrariamente ao que se decidiu aqui, entendeuse possível a tomada de créditos sobre fretes pagos para o transporte de mercadorias entre estabelecimentos. O mesmo se passa com as outras duas, bastando a leitura de suas ementas para se ver que se trata da mesma matéria com conclusões opostas. Constatase, assim, a presença dos pressupostos de conhecimento do agravo e a necessidade de reforma do despacho questionado. Por tais razões, propõese que o agravo seja ACOLHIDO para DAR seguimento ao recurso especial relativamente às matérias "possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos (61.697.4499 e 61.697.4352)"; "possibilidade de tomada Fl. 705DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 10 9 de créditos de PIS/COFINS sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas a alíquota zero: fertilizantes e sementes (61.697.9999)"; "enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350)"; "possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350)" e "correção dos créditos pela taxa SELIC (61.697.4353)". Vêse que, relativamente ao item: · Créditos de fretes sobre operação de transferência de mercadorias, houve demonstração de divergência entre os arestos, vez que o aresto recorrido interpretou de uma forma o inciso IX das Leis 10.637/02 e 10.833/03, diferentemente dos indicados como paradigmas que reconheceram o direito ao crédito sobre o mesmo item; · Créditos de fretes sobre compras de fertilizantes e sementes. O aresto recorrido entendeu pela impossibilidade de se constituir crédito sobre o custo de transporte, vez que a mercadoria importada transportada não teria sido onerada pelas contribuições. E os paradigmas se direcionam pelo reconhecimento dos mesmos créditos, vez que o custo do transporte não se vincula ao tratamento tributário dada às mercadorias objeto desse transporte. · Enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS Da mesma forma, houve a divergência, vez que o aresto paradigma reconhece o direito a apuração e ressarcimento do crédito sobre essas mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12 do NCM. · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS Vide item acima. · Taxa Selic, da mesma forma houve a divergência. Em vista de todo o exposto, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo na parte admitida em despacho de agravo – ou seja, das seguintes matérias: · Possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos; · Possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes); e · Enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS · Correção dos créditos pela taxa Selic. Ventiladas tais considerações, quanto às duas primeiras matérias trazidas e que envolvem a constituição de crédito de PIS e Cofins, passo a discorrer. Fl. 706DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 11 10 No que tange à discussão envolvendo a possibilidade ou não de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre os custos de fretes nas transferências internas de mercadorias, recordase que essa discussão já foi apreciada por nossa turma, tendo sido firmado posicionamento de que os custos de frete de mercadorias entre estabelecimentos gerariam o direito à constituição e crédito. Frisese a ementa do acórdão 9303005.156: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAS PRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matérias primas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto.” Nesse ínterim, proveitoso citar os acórdãos 9303005.155, 9303005.154, 9303 005.153, 9303005.152, 9303005.151, 9303005.150, 9303005.116, 9303006.136, 9303 006.135, 9303006.134, 9303006.133, 9303006.132, 9303006.131, 9303006.130, 9303 006.129, 9303006.128, 9303006.127, 9303006.126, 9303006.125, 9303006.124, 9303 006.123, 9303006.122, 9303006.121, 9303006.120, 9303006.119, 9303006.118, 9303 006.117, 9303006.116, 9303006.115, 9303006.114, 9303006.113, 9303006.112, 9303 006.111, 9303005.135, 9303005.134, 9303005.133, 9303005.132, 9303005.131, 9303 005.130, 9303005.129, 9303005.128, 9303005.127, 9303005.126, 9303005.125, 9303 005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.127, 9303005.126, 9303 005.125, 9303005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.120, 9303 005.119, 9303005.118, 9303005.117, 9303006.110, 9303004.311, etc. Não obstante, para melhor elucidar meu entendimento, passo a discorrer a priori sobre o conceito de insumos, vez que influenciará na questão da segmentação das atividades da recorrente. Fl. 707DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 12 11 Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se tratava de matéria controvérsia – pois em fevereiro de 2018 o STJ, em sede de recurso repetitivo, definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.. Definiu, ainda, ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas IN SRF 247 e 404 que, por sua vez, traz um entendimento mais restritivo que descrita na lei. Nessa linha, efetivamente a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, ainda que o acórdão do STJ não tenha sido publicado, tal como já entendia, expresso que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pela contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante recordar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Fl. 708DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 13 12 Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Fl. 709DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 14 13 Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. Tal como expressou o STJ em recente decisão. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Fl. 710DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 15 14 Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Fl. 711DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 16 15 Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E Fl. 712DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 17 16 COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição Fl. 713DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 18 17 essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Nessa linha, aguardamos o transito em julgado da decisão do STJ proferida após apreciação, em sede de repetitivo, do REsp1.221.170 – e que trouxe, pelas discussões e votos proferidos, o mesmo entendimento já aplicável pelas suas turmas e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Privilegiando, assim, a segurança jurídica que tanto merece a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Passadas tais considerações, tenho que os custos de fretes de mercadorias entre estabelecimentos são essenciais e pertinentes à sua atividade. O que geraria crédito de PIS e Cofins. Proveitoso ainda trazer que, recentemente, a PGFN publicou a Nota SEI 63/18 – dispondo sobre o conceito de insumo para fins de constituição de crédito de PIS e Cofins não cumulativo, considerando o decidido, em sede de repetitivo, pelo STJ que, por sua vez, entendeu ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas INs SRF 247/2002 e 404/2004. Traz, em síntese, que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. E que para constatarmos que tal item seria essencial e pertinente à atividade do sujeito passivo, seria importante fazer o “teste de subtração”. Eis a parte que traduz esse teste: “[...] Fl. 714DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 19 18 41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. [...]” Ou seja, se aplicarmos o teste de subtração para tal custo – a atividade do sujeito passivo seria efetivamente prejudicada. Em vista do exposto e, considerando o entendimento que esse Colegiado tem proferido, voto por dar provimento ao recurso nessa parte, reconhecendo o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de mercadorias entre estabelecimentos. Continuando, relativamente à outra discussão, qual seja, possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes), entendo que tais fretes são essenciais e pertinentes à atividade do sujeito passivo – o que geraria crédito de PIS e Cofins. Ora, é de se atentar que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição – art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Não há vedação legal e tais custos são essenciais à sua atividade. É de se clarificar que a constituição do crédito observou tão somente os valores referentes às despesas de fretes dos produtos, e não os valores de aquisição dos insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições. Em vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo nessa parte. Fl. 715DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 20 19 (...)1 Direcionandome para a última matéria trazida em recurso, qual seja, se há ou não correção pela taxa Selic sobre os créditos da Contribuição para o PIS e Cofins, decorrentes da aplicação do regime da não cumulatividade, independentemente da forma de aproveitamento, curvome à Súmula CARF 125, recémpublicada – que já definiu entendimento no âmbito administrativo: “Súmula CARF nº 125 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Sendo assim, nessa parte, nego provimento ao recurso do contribuinte. Diante do exposto, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo e dou provimento parcial ao seu recurso." (...) "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, discordo de sua conclusão, quanto ao enquadramento da atividade de cerealista, como atividade industrial, para efeito de gozo do crédito presumido da agroindústria do PIS e da Cofins, e, consequentemente, quanto ao ressarcimento/compensação do seu saldo credor trimestral. O contribuinte pleiteia créditos presumidos da agroindústria, a título de PIS e da Cofins, calculados sobre os custos das aquisições de produtos agrícolas in natura (soja e milho), beneficiados e vendidos por ele também in natura. No entanto, somente faz jus a esse crédito as pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal e vegetal, conforme estabelece a Lei nº 10.925, de 23 de junho de 2004, que assim dispõe: "Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: 1 Não se transcreveu, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que tratou do enquadramento da atividade de cerealista como atividade industrial e do consequente direito ao aproveitamento do crédito presumido da agroindústria (a título de PIS e Cofins), por manifestar entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, à solução do litígio do presente processo. Contudo, a íntegra do voto consta do Acórdão 9303007.593 (processo 13161.001374/200723). Fl. 716DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 21 20 I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (...); III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...). § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; (destaques não originais) (...)." No presente caso, conforme demonstrados nos autos, o contribuinte não utilizou os produtos agrícolas, soja e milho, como matériasprimas para a fabricação de produtos derivados desses cereais. Não houve industrialização alguma. Os cereais foram adquiridos, beneficiados e comercializados in natura nos mercados interno e externo. De fato, o contribuinte exerceu apenas e tão somente as atividades de limpar, secar, padronizar, armazenar e comercializar os cereais, soja e milho, in natura, ou seja, exerceu atividade agrícola que se enquadra no § 4º, inciso I, do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, citado e transcrito anteriormente, que veda, de forma expressa, o aproveitamento de crédito presumido da agroindústria para tal atividade. Além disto, segundo o disposto no art. 8º, citado e transcrito anteriormente, a pessoa jurídica para ter direito ao crédito presumido da agroindústria deve produzir mercadorias classificadas nos capítulos e códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul elencados no caput do artigo. As mercadorias produzidas industrialmente devem ser destinadas à alimentação humana ou animal e as pessoas jurídicas produtoras devem adquirir as matériasprimas de pessoas físicas, de cerealista ou de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e/ ou de cerealista, conforme previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de junho de 2004. Quanto ao ressarcimento/compensação do saldo credor do crédito presumido da agroindústria, ora reclamado, embora o julgamento desta matéria tenha ficado prejudicado, em virtude do não reconhecimento do direito de o contribuinte aproveitar tais créditos, demonstrase, a seguir, a falta de amparo legal para o seu ressarcimento/compensação. O crédito presumido da agroindústria referente ao PIS e à Cofins foi inicialmente instituído pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003, art. 3º, § 11, foi extinto pela Lei nº 10.925, de 23/07/2004, art. 16, convertida da MP nº 183, de 30/4/2004. Contudo, esta mesma lei o reinstituiu, nos termos do art. 8º, já citado e transcrito anteriormente, e art. 15, que assim dispõe: Fl. 717DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 22 21 "Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (destaque não original) [...]." Ora, segundo o disposto nos art. 8º e 15, citados e transcritos anteriormente, o crédito presumido da agroindústria somente pode ser utilizado para a dedução da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, inexistindo previsão legal para o ressarcimento/compensação. Com efeito, não é despiciendo reiterar que a compensação e o ressarcimento admitidos pelo art. 6º da Lei n° 10.833, de 2003, contemplam unicamente aos créditos apurados na forma do art. 3º daquela lei, assim dispondo: "Art. 6º A Cofins não incidirá sobre as receias decorrentes das operações de: [...]; § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art 3º, para fins de: (destaque não original) [...]." Neste diapasão, a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, dispõe em seu art. 21: “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637. de 30 de dezembro de 2002. e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: (destaque não original) [...].” Segundo, estes dispositivos legais, apenas os créditos apurados na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, podem ser objeto de pedido de restituição/compensação, ou seja, os créditos sobre insumos adquiridos com incidência da contribuição cujo ônus do pagamento efetivo é do adquirente. Os créditos presumidos da agroindústria não são apurados na forma daquele artigo, mas sim nos termos do art. 8º, § 3º da Lei nº 10.925, de 23/07/2004. Já suas utilizações estão previstas no próprio art. 8º e no art. 15, desta mesma lei, citados e transcritos anteriormente, ou seja, podem ser utilizados apenas e tão somente para dedução da contribuição devida em cada período de apuração. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte, quanto ao aproveitamento de crédito presumido da agroindústria, a título de PIS e Cofins, e, consequentemente, não reconhecer o seu direito ao ressarcimento/compensação de tais créditos." Fl. 718DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 23 22 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para reconhecer os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes relativos ao transporte de insumos adquiridos com alíquota zero. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 719DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.721948/2015-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO.
As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. Recurso Especial negado.
LUCRO ARBITRADO.
Não se pode conferir credibilidade à contabilidade, só porque ela preenche os requisitos formais, quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade da empresa, se a fiscalização a partir de verificações, demonstra que a contabilidade não merece credibilidade, pois os valores das transações omitidas superam ao montante das operações registradas.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE.
Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. No caso concreto, porém, percebe-se que não se trata de uma situação isolada de omissão de receitas, de valor de pequena monta, não reincidente, que se poderia interpretar como mero erro material, ou seja, situada dentro do campo da inadimplência; trata-se de fatos que se enquadram de forma inequívoca na definição de sonegação e fraude fiscais, pois demonstram o desígnio deliberado, por parte da empresa recorrente, de impedir a ocorrência do fato gerador, assim como de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária de sua ocorrência, hipóteses suscetíveis à qualificação da multa de ofício.
CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade.
Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
Numero da decisão: 1401-003.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as argüições de nulidade e de decadência e, no mérito, negar provimento aos recursos voluntários da Contribuinte e dos apontados como responsáveis tributários. Votou pelas conclusões a Conselheira Lívia De Carli Germano. Acordam ainda, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício, vencido o Conselheiro Carlos André Soares Nogueira.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. Recurso Especial negado. LUCRO ARBITRADO. Não se pode conferir credibilidade à contabilidade, só porque ela preenche os requisitos formais, quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade da empresa, se a fiscalização a partir de verificações, demonstra que a contabilidade não merece credibilidade, pois os valores das transações omitidas superam ao montante das operações registradas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. No caso concreto, porém, percebese que não se trata de uma situação isolada de omissão de receitas, de valor de pequena monta, não reincidente, que se poderia interpretar como mero erro material, ou seja, situada dentro do campo da inadimplência; tratase de fatos que se enquadram de forma inequívoca na definição de sonegação e fraude fiscais, pois demonstram o desígnio deliberado, por parte da empresa recorrente, de impedir a ocorrência do fato gerador, assim como de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária de sua ocorrência, hipóteses suscetíveis à qualificação da multa de ofício. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 19 48 /2 01 5- 54 Fl. 28607DF CARF MF 2 À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade. Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as argüições de nulidade e de decadência e, no mérito, negar provimento aos recursos voluntários da Contribuinte e dos apontados como responsáveis tributários. Votou pelas conclusões a Conselheira Lívia De Carli Germano. Acordam ainda, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício, vencido o Conselheiro Carlos André Soares Nogueira. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Fl. 28608DF CARF MF Processo nº 10980.721948/201554 Acórdão n.º 1401003.056 S1C4T1 Fl. 28.608 3 Relatório Trata o presente processo de auto de infração de IRRF (fls. 27.802/27.844), relativo ao período de 01/2010 a 12/2011, sob a acusação de pagamento sem causa ou beneficiário não identificado imposto de renda na fonte sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada, com responsabilização dos solidários BAYONNE COSMETICOS LTDA (art. 124, I, CTN), LANGON COSMETICOS LTDA (art. 124, I, CTN), JOSE PAULO FRANZ (art. 135, III, CTN), ALCIMAR LUIZ DE BORTOLI (art. 135, III, CTN), TATHYA CAROLINE RAUEN GAFFKE FREITAS (art. 135, III, CTN), ETYANE GISELE RAUEN (art. 135, III, CTN) e GISELA PISSETTI RAUEN (art. 135, III, CTN). O Termo de Verificação e Encerramento parcial da ação fiscal (fls. 27.680/27.792) apurou que: O estatuto social da APROVE a define como uma associação civil que congrega promotores de venda de cosméticos, pessoas físicas ou jurídicas, visando a uma atuação conjunta em benefício comum da atividade comercial dos associados, nas áreas de treinamento, planejamento integrado de vendas, publicidade, assistência técnica, desenvolvimento de serviços comuns, dentre outras, além de objetivar, igualmente, finalidades recreativas; Intimada a comprovar alguns valores recebidos escriturados como recebimento de mensalidades a interessada esclareceu que se tratava a reembolso de associados referentes a despesas de hospedagem e alimentação em evento, sem contudo, apresentar qualquer comprovação dos valores relacionados; Quanto aos valores que afirma serem relativos a mensalidades, a interessada não identifica os novos associados, nem comprova a que meses se referem; Intimada a comprovar alguns valores relativos a cheques emitidos registrados na contabilidade como BÔNUS/PREMIAÇÕES, a interessada esclareceu tratarse de reembolsos de despesas com eventos e treinamentos e apresentou cópia dos cheques e de recibos emitidos por ela e não de terceiros para que pudesse haver ressarcimento de valores gastos. As notas fiscais apresentadas não possuem a identificação do cliente e algumas foram emitidas posteriormente à data de escrituração, portanto, não são considerados hábeis e idôneos para comprovação das despesas. Os demais documentos apresentados referemse a pessoa que não consta como associado, portanto, também não podem ser aceitos; Fazendo a auditoria por amostragem dos valores lançados no mês de fevereiro de 2010 no Razão da conta 3303110001 – BONUS/PREMIAÇÕES com os valores lançados no Livro Auxiliar da conta 3303110001 – BONUS/PREMIAÇÕES, constatamos que não estão lançados neste livro os valores escriturados no Razão acima de R$ 5.000,00 e que nele constam lançamentos do Banco Itaú (código 341), que não estão lançados no Razão. Portanto, os Livros Auxiliares da conta 3303110001 – BONUS/PREMIAÇÕES dos anoscalendário de 2010 e 2011 não estão revestidos das formalidades que assegurem a respectivaexatidão, não atendendo os requisitos para gozo da isenção conforme disposto no inciso III, do § 3º do artigo 170 do Decreto nº 3.000 de 26 de março de 1999; Fl. 28609DF CARF MF 4 A interessada foi intimada a comprovar os beneficiários de alguns cheques emitidos, sendo que há casos em que os associados informados pela interessada como beneficiário do cheque não são os que constam na fita de caixa (fl. 27.695), outros que alega pagamento a fornecedores, contudo registra o débito em bônus/premiação; Em algumas contas bancárias consta o endereço da BAYONNE e não da APROVE; Para comprovação do recebimento das mensalidades apresentou apenas planilha das mensalidades, sem apresentar qualquer documento que comprovasse o pagamento das mesmas; Intimadas a esclarecer os serviços prestados à APROVE, as pessoas que acessavam a conta bancária da Associação afirmaram que não são contratadas da APROVE e sim da LANGON e que receberam autorização da gerente Mariza para acessar as contas bancárias da APROVE; Na circularização de associados, o associado Adael Barreto de Barros Neto declarou que os cheques que recebeu da APROVE referem se a bonificação pelas vendas e que nunca teve reembolso de despesas, acrescentou que a APROVE controla, gerencia e processa o movimento e gera as comissões; Os demais circularizados afirmaram que os valores recebidos da APROVE referemse a reembolso de despesas com eventos e bonificação pelo ingresso de novos associados. Quanto aos comprovantes das despesas efetuadas, bem como a relação das pessoas que ingressaram na APROVE, responderam que foram enviados para a interessada para o processamento do reembolso; Intimada a comprovar os valores pagos às pessoas físicas selecionadas, esclarecendo a forma de cálculo do Bônus e apresentar os relatórios de vendas, a interessada apresentou a Resposta, sem assinatura; juntando os seus comprovantes para a realização dos pagamentos; que não apresentam condições de comprovar os valores pagos às pessoas físicas relacionadas, pois estão eivados de vícios como falta de identificação do recebedor do serviço/produtos e datas de emissão das Notas Fiscais, e esclarecendo em relação ao item 2 que o bônus era pago de acordo com a quantidade de participantes nos eventos, também não apresentou a relação das pessoas que compareceram nos eventos; A interessada foi intimada a apresentar os documentos que deram origem aos reembolsos de despesas e a relação das pessoas que compareceram aos eventos em relação a 5 associados selecionados com base nos documentos do arquivo apresentado por Adael Barreto; A interessada apresentou recibos e notas fiscais que não identificam o beneficiário dos mesmos, não tendo valor legal. Não foram apresentadas as relações das pessoas que compareceram aos eventos que dariam direito ao recebimento de “Bônus”; Alguns associados foram intimados a esclarecer o serviço prestado, a justificar a premiação e em resposta declararam que o valor do cheque nominal referese aganho de sistema pela compra de produtos Racco realizados pelas pessoas que fazem parte da sua equipe; Duas das intimadas afirmaram que o cheque referese a pagamento de despesas com eventos; Na fl. 17.365 dos documentos Pagamento a Fornecedores está a descrição da transferência via TED da interessada para a pessoa física LUIZ FELIPE RAUEN, Fl. 28610DF CARF MF Processo nº 10980.721948/201554 Acórdão n.º 1401003.056 S1C4T1 Fl. 28.609 5 CPF 186.846.61915, sócio da pessoa jurídica F & G PARTICIPACOES LTDA, CNPJ 07.449.131/000108, que era sócia da pessoa jurídica BAYONNE COSMETICOS LTDA CNPJ 85.040.103/000138, até julho de 2011, e que é sócia da pessoa jurídica LANGON COSMETICOS LTDA, CNPJ 01.515.050/000174; Intimada a justificar os cheques emitidos para a BAYONNE alega que adquiriu produtos para as Convenções Regionais, contudo, não apresenta as notas fiscais; Intimada a justificar cheques emitidos alega que se trata de pagamentos pela prestação de serviços de treinamentos e eventos sem apresentar qualquer comprovação; As procuradoras da APROVE: Maria Terezinha Bastos e Marjori de Oliveira Fernandes são funcionárias da LANGON e afirmaram que prestavam serviços para a APROVE. A Sra. Maria alegou que não se recorda de quem a solicitou para ser a procuradora, enquanto que a Sra. Marjori alegou que foi o chefe Luiz Felipe Rauen; Intimada a comprovar 18 cheques apresentou cópia de depósito de apenas 3 e alegou que os demais podem ter sido repassados a terceiros ou recebeu crédito de produtos, afirmou também que não possui relação das pessoas que participaram dos eventos e que teriam lhe rendido direito ao bônus; Os bancos foram intimados a apresentar relatório de composição de depósitos em cheque e dinheiro, sendo possível observar que o valor depositado é composto por vários cheques; No relatório do Banco do Brasil foi possível constatar que a maioria das operações são realizadas por pessoas jurídicas, A interessada foi intimada a comprovar a necessidade dos serviços de gráfica para impressão da REVISTA RACCO MANIA. Em resposta alegou de as revistas são impressas para alavancar os negócios dos associados e eram ressarcidos os seus custos pelos mesmos; A BAYONNE Cosméticos Ltda fabrica os produtos para limpeza, conservação e maquilagem da pele, mas a interessada arca com todo o custo de propaganda e divulgação dos mesmos e ainda paga bônus e despesas pelo ingresso de novos associados; A presente Auditoria Fiscal foi programada com base na “Denúncia Anônima” (fls. 26.263 a 26.344), endereçada ao Departamento da Polícia Federal, protocolada em 01 de fevereiro de 2010 sob o nº 08200.004303/201037, encaminhada ao Superintendente Regional da Receita Federal na 9ª Região Fiscal, via Ofício nº 0951/2011 – SR/DPF/PR, datado de 09 de fevereiro de 2011; O/A denunciante anônimo(a) relata (fls. 26.269/74), que nas notas fiscais, emitidas pela BAYONNE Cosméticos Ltda, é discriminado 1/3 do valor dos produtos vendidos; que o valor sonegado é depositado nas contas bancárias da APROVE; que junto com a Nota Fiscal e o boleto para pagamento da mesma vem um “lembrete de pagamento” com o valor que está sendo sonegado para depósito em conta bancária da APROVE; Fl. 28611DF CARF MF 6 A operação de venda de produtos pela BAYONNE conforme descrita na “Denúncia” foi realizada em julho/2009, portanto fora do período de fiscalização, para o qual foi programada, isto é 2010 e 2011; mas vários elementos da “Denúncia” não devem ser desconsiderados, já que demonstram a prática da sonegação fiscal realizada pela BAYONNE Cosméticos Ltda e pela APROVE; O processo nº 000230630.2014.8.16.0001 tem como promoventes as pessoas jurídicas Angela Rafaela dos Santos – ME, CNPJ 07.642.829/000137 e Cleodenira Angeli Cosméticos, CNPJ: 27.802.685/000146, e como promovida a pessoa jurídica BAYONNE Cosméticos Ltda, CNPJ: 85.040.103/000138, requerendo a Prestação de Contas pela promovida por terem as promoventes realizado pagamentos por fora no período de outubro de 2005 a outubro de 2012 por produtos adquiridos da promovida, discriminados nas Notas Fiscais de venda emitidas por ela, mas por valores inferiores aos realmente praticados; Intimada a comprovar a origem dos créditos, referente aos cheques nominais à ela, juntados ao processo nº 000230630.2014.8.16.0001 a interessada apenas esclareceu que se referem a depósitos de taxa de manutenção dos associados, ou valores cobrados de novos associados, ou reembolso com despesas em eventos, sem contudo, comproválos ou apresentar a escrituração dos valores; Quanto aos depósitos em sua conta corrente afirmou que os créditos em conta corrente se referem a depósitos para participação em convenções regionais e pelo ingresso de novos associados, não tendo juntado nenhum documento coincidente em data e valor, que comprove os respectivos depósitos; bem como apresenta esclarecimentos a respeito de alguns valores que não são depósitos de terceiros, mas operações bancárias de transferência de numerários da mesma titularidade e resgates de aplicações financeiras; Com base na auditoria feita nos ANEXOS AO TERMO DE INTIMAÇÃO, foram preenchidos os DEMONSTRATIVOS DA RECEITA OMITIDA COM BASE NOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS anoscalendário de 2010 e 2011, anexos, conforme disposto nos artigos 287 e 288 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999; Em virtude da publicação do AD de suspensão das isenções tributárias, a interessada foi intimada a apresentar os livros comerciais e fiscais; Apresentou o Livro LALUR, no entanto, não apresentou os demais livros, diante disso, a escrituração da interessada não atende ao disposto nos artigos 251 e Parágrafo Único, 258, 259 e 264 para que a tributação do imposto de renda seja feita pelo LUCRO REAL; A interessada fica sujeita ao LUCRO ARBITRADO, tendo sido aplicado o percentual de 9,6% sobre a receita conhecida por estar demonstrado que a interessada pratica a atividade de comércio de cosméticos; A interessada foi intimada a apresentar os documentos fiscais e a necessidade dos serviços que geraram as transferências, e os pagamentos a fornecedores. Em resposta (assinada por pessoa não identificada e sem procuração juntada aos autos) apresenta algumas notas fiscais e alguns boletos; esclarece que todas as despesas foram realizadas para locação de espaços, treinamentos, geração de vídeos, veiculação de matérias em revistas e comunicação, palestras feitas até pelo Presidente da Racco (Luiz Felipe Rauen) e impressão de catálogos de produtos (Revista RACCO impressa pela Gráfica e Editora Posigraf Ltda). Fazendo sempre a observação que faz parte do Estatuto da interessada a realização destes gastos para promoção da marca e que todos os gastos eram Fl. 28612DF CARF MF Processo nº 10980.721948/201554 Acórdão n.º 1401003.056 S1C4T1 Fl. 28.610 7 ressarcidos pelos “supostos associados”; Segundo afirma a interessada a responsabilidade pela promoção e divulgação dos produtos da marca “RACCO”, produzidos pela pessoa jurídica BAYONNE Cosméticos Ltda, era da sua responsabilidade e dos “supostos associados”, sendo que a interessada não apresentou contrato com a fabricante dos cosméticos e produtos de higiene pessoal, para realização dessas despesas, suportadas pelos “supostos associados”; não apresentou o Livro Auxiliar – Mensalidade de Associados, não comprovou com documentos hábeis e idôneos o recebimento das mensalidades nem os créditos em contas corrente das instituições financeiras; Apesar da interessada não ter atendido o item que solicitava a apresentação dos documentos fiscais e comprovação da necessidade do serviço prestado pelas pessoas que gerou os depósitos, mas apresentado planilha descrevendo o BENEFICIÁRIO e a FINALIDADE dos cheques emitidos, ficando evidente que os cheques emitidos foram depositados nas contas bancárias das pessoas jurídicas BAYONNE Cosméticos Ltda e LANGON Cosméticos Ltda, tendo como finalidade liberação de produtos a “supostos associados em eventos” e a várias pessoas físicas, tendo como finalidade treinamento em eventos e contratação em eventos; foi lavrada intimação para que a interessada apresentasse os documentos que pudessem comprovar a necessidade dos serviços prestados por estas pessoas jurídicas/ físicas, não tendo sido apresentado nenhum documento até a presente data; A interessada efetuou pagamentos aos supostos associados, que foram lançados na conta 3303110001 – BÔNUS PREMIAÇÕES (fls 2.683 a 5.194) , sem a comprovação das despesas efetuadas pelos supostos associados e sem a apresentação da relação dos supostos associados que participaram das reuniões, conforme relatado anteriormente; parte como reembolso de despesas e parte como bônus por ingresso de novos associados. Também não comprovou a necessidade e a efetiva prestação dos serviços referentes aos pagamentos aos fornecedores e às transferências bancárias, relacionadas nos Termos de Intimação Fiscal, lavrados em 04 de março (fls 26.959/26.963) e em 16 de março de 2015 (fls. 27.135/27.143), respectivamente. Infringindo o disposto no artigo 674, § 1º do Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999, ficando sujeito ao imposto de renda exclusivo na fonte à alíquota de 35%, reajustada conforme disposto no § 3º do mesmo artigo; Pelos fatos relatados acima ficou demonstrado a conduta dolosa de sonegar e fraudar tributos e contribuições conforme disposto nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, ficando sujeita a interessada à multa de ofício prevista no artigo 957, inciso II, do RIR/1999; Em consequência da omissão de receitas nos anos calendário de 2010 e 2011 foram lavrados os autos de infrações reflexos de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSL), Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Programa de Integração Social (PIS), por infração aos dispositivos legais, citada nos respectivos Autos de Infração; Com a ciência do Ato Declaratório Executivo DRF/CTA nº 32, de 26 de março de 2015 (fls. 22.422), realizada pela procuradora MARIZA TEREZINHA BASTOS em 28/04/2015 (fls. 22.428) , ficou suspensa a imunidade prevista no Fl. 28613DF CARF MF 8 artigo 150, VI, alínea “c” da Constituição Federal, e das isenções tributárias condicionadas relativas ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, previstas no artigo 15 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, da interessada no período de 01/01/2010 a 31/12/2011; Fazendo uso das suas competências o Presidente da interessada José Paulo Franz, CPF nº 385.112.31900, juntamente com o Tesoureiro Alcimar Luiz de Bortoli, CPF nº 473.140.01987, compareceram no 1º Tabelionato Giovanetti, localizado na Rua Barão do Serro Azul nº 384, Curitiba/PR, tendo sido lavrada em 17 de agosto de 2007 INSTRUMENTO DE PROCURAÇÃO PÚBLICO, nomeando e constituindo suas bastantes procuradoras as pessoas físicas Marjori de Oliveira Fernandes, CPF nº 617.348.29915, e Mariza Terezinha Bastos, CPF nº 382.338.27991, conferindolhes poderes amplos,gerais e ilimitados para sempre em conjunto, representálos junto a quaisquer estabelecimentos bancários, praticando todos os atos quanto a movimentação bancária, tendo sido alertado pelo escrevente sobre a responsabilidade civil e criminal pelos elementos declaratórios constantes do referido instrumento de procuração (fls 17.259/17.260); Pelos fatos relatados anteriormente, efetuados pelas suas bastantes procuradoras, e por terem permitido, por suas inteiras responsabilidades, os atos praticados nas contas bancárias da interessada, agiram com excesso de poderes e dolo específico conforme disposto no inciso III, do artigo 135, e alínea c, inciso III, do artigo 137, da Lei nº 5172, de 25 de outubro de 1966, respectivamente, sendo considerados RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS pelo crédito tributário: JOSÉ PAULO FRANZ CPF 385.112.31900 ALCIMAR LUIZ DE BORTOLLI CPF 473.140.01987 Considerando que as pessoas físicas Greici Kelli Florêncio Maiole Bartolomeu CPF 035.747.97931, Graziani Borges Silveira, CPF 042.377.25979, Andressa Maria Dierka, CPF 066.647.80909 e Gisele Ferreira, CPF 052.227.609 10, eram empregadas das pessoas jurídicas BAYONNE COSMETICOS LTDA (BAYONNE), CNPJ 85.040.103/000138, e LANGON COSMETICOS LTDA (LANGON), CNPJ 01.515.050/000174; Considerando que a gerente Mariza Terezinha Bastos trabalha no grupo Racco desde 1998, que é empregada da LANGON desde 2010, que autorizou o acesso das funcionárias acima citadas à conta da APROVE, é procuradora da interessada juntamente com Marjori de Oliveira Fernandes; Considerando que o endereço da LANGON era o mesmo da interessada; Considerando que no processo nº 000230630.2014.8.16.0001 está demonstrado que havia subfaturamento na emissão de notas fiscais de venda da BAYONNE; Considerando que a interessada não comprovou a origem dos cheques depositados; Considerando que o detalhamento das fitas de caixa mostram que grande parte dos destinatários dos cheques emitidos pela interessada é a BAYONNE e a LANGON; Diante de todo o exposto, fica comprovado que a BAYONNE e a LANGON tinham conhecimento e se beneficiaram dos valores que circularam pelas contas bancárias da interessada, sendo também consideradas responsáveis solidárias: BAYONNE COSMETICOS LTDA CNPJ 85.040.103/000138 Fl. 28614DF CARF MF Processo nº 10980.721948/201554 Acórdão n.º 1401003.056 S1C4T1 Fl. 28.611 9 LANGON COSMETICOS LTDA CNPJ 01.515.050/000174 As pessoas físicas TATHYA CAROLINE RAUEN GAFFKE FREITAS, CPF 007.223.80976, ETYANE GISELE RAUEN, CPF 034.522.92908 e GISELA PISSETI RAUEN, CPF 464.317.30925 são administradoras da LANGON e da BAYONNE; Em virtude de todas as considerações acima, fica demonstrado que os administradores das pessoas jurídicas, também agiram com excesso de poderes e dolo específico, permitindo que as suas empregadas movimentassem as contas bancárias da INTERESSADA e realizassem depósitos nas contas bancárias das empresas sob as suas administrações. Portanto, conforme disposto no inciso III, do artigo 135, e alínea c, inciso III, do artigo 137, da Lei nº 5172, de 25 de outubro de 1966, são consideradas RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS pelo crédito tributário as pessoas físicas: TATHYA CAROLINE RAUEN G. FREITAS CPF 007.223.80976 ETYANE GISELE RAUEN CPF 034.522.92908 GISELA PISSETI RAUEN CPF 464.317.30925 Cientificados do lançamento, os contribuintes responsabilizados apresentaram suas impugnações requerendo o cancelamento da autuação com base nos seguintes agumentos: IMPUGNAÇÃO APRESENTADA POR GISELA PISSETTI RAUEN A responsável solidária Gisela Pisseti Rauen foi cientificada do auto de infração (fl. 27.891) em 12/06/2015 e apresentou a impugnação (fls. 27.911/27.920) em 06/07/2015, alegando em síntese: não figura como empregada, diretora ou mesmo participante/associada da entidade em questão; é administradora da LANGON, no período em questão, pessoa jurídica esta que, no entender do Auditor Fiscal, tinha suposto interesse econômico comum com as atividades da Associação; no entender da fiscalização haveria responsabilidade pessoal da impugnante por ser administradora da LANGON que empregava as procuradoras da APROVE; a fiscalização tenta responsabilizar a impugnante, por atos de terceiros, sem sequer demonstrar que a impugnante tinha conhecimento de tais atos; não foi a impugnante quem outorgou poderes para os procuradores e prepostos da APROVE; em nenhum momento demonstrou como estaria configurado o dolo específico na conduta da impugnante, tampouco que teria permitido ou instruído seus funcionários para atuarem como supostamente atuaram na pratica de atos em nome da APROVE; o relato das funcionárias da BAYONNE e da LANGON não demonstram qualquer irregularidade que configure excesso de poder e/ou dolo específico da impugnante; o que a autoridade pretende é a Teoria do domínio do fato, sem qualquer permissão legal para fazêlo, imputando culpabilidade à impugnante pelo simples Fl. 28615DF CARF MF 10 fato de que supostamente teriam controle sobre os atos dos empregados das empresas que administram; em nenhum momento, verificase ter havido qualquer ordem por parte da impugnante determinando que fossem praticadas condutas em nome da APROVE, com a finalidade de beneficiar a LANGON; sequer se demonstra que a impugnante teria conhecimento de que as funcionárias em questão seriam procuradoras da APROVE; não há apontamento de condutas praticadas pelas pessoas jurídicas ou por suas administradoras, determinantes para utilizarse da responsabilização prevista nos artigos 135, III e 137, III, c do CTN; a responsabilização pessoal é incompatível com a responsabilidade solidária pretendida; houve uma responsabilização em cadeia sem que, em nenhum momento, sequer seja demonstrado a irregularidade praticada capaz de autorizar esta responsabilização às impugnantes; é evidente que a impugnante não pode responder pessoalmente pela suposta exacerbação da finalidade de um mandato por terceiras, que simplesmente eram empregadas de suas empresas à época da fiscalização; não se comprova qualquer responsabilidade subjetiva, cabendo ao fisco o ônus da prova da ocorrência das hipóteses de responsabilização previstas no artigo 135; ficam também impugnados, por negativa geral, todos os fatos geradores e os créditos tributários lançados pela fiscalização nos autos de infração; se a autoridade não se convencer da ausência de responsabilidade da impugnante, que, pelo menos, não responda pelas sanções moratórias e apenatórias dos débitos; a responsabilidade tributaria descrita no artigo 137 é pessoal e exclusiva, incidindo sobre a pessoa que praticou o ato infracional doloso, sem incidir sobre o sujeito passivo tributário que não tenha cometido a infração; é desarrazoado imputar multa qualificada a quem não praticou os atos; Encerra requerendo que seja apreciado o mérito para afastar integralmente a responsabilidade tributária, já que não possui legitimidade para figurar no pólo passivo, exonerando a impugnante de qualquer responsabilidade solidária sobre os créditos e sanções tributárias lançados nos autos, inclusive multas e demais sanções tributárias; IMPUGNAÇÃO APRESENTADA POR ETYANE GISELE RAUEN E TATHYA CAROLINE RAUEN GAFFKE FREITAS A contribuinte Tathya foi cientificada em 12/06/2015 (fl. 27.890), enquanto que a contribuinte Etyane foi cientificada, por edital, em 09/09/2015 ( fl. 27.892) e apresentaram impugnação em conjunto, em 09/07/2015 (fls. 27.927/27.936), com as mesmas alegações da impugnação da apresentada por Gisele Pisseti Rauen. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA POR BAYONNE COSMÉTICOS LTDA A interessada foi cientificada em 12/06/2015 (fls. 27.885) e apresentou impugnação em 10/07/2015 (fls. 27.944/27.965), alegando em síntese que: Fl. 28616DF CARF MF Processo nº 10980.721948/201554 Acórdão n.º 1401003.056 S1C4T1 Fl. 28.612 11 é empresa que tem como objeto social a fabricação e o comércio de cosméticos, produtos de perfumaria, artigo de toucador e suplementos alimentares; a responsabilização solidária imputada à impugnante, está sustentada em função de atos que não revelam a participação efetiva da impugnante em nenhuma das condutas que levaram à edição do ADE contra a APROVE (falta de manutenção regular de escrita) e tampouco na realização dos fatos geradores objeto dos lançamentos (obtenção de lucro, pagamentos não justificados sujeitos ao IRRF); em nenhum momento é argüido ou demonstrado que a BAYONNE teria participado na elaboração dos livros fiscais e contábeis da APROVE e limitase a alegar que a BAYONNE teria subfaturado a venda de produtos a terceiros (que não a APROVE) e recebido pagamentos da APROVE, o que tampouco tem o condão de tornar a impugnante responsável com relação aos tributos devidos pela APROVE; se eventualmente a BAYONNE promoveu o alegado subfaturamento da venda de produtos (o que desde já se impugna) isso deve ser apurado em procedimento administrativo fiscalizatório próprio, a ser instalado e conduzido, com a observância do devido processo legal, contra a própria BAYONNE, e não justifica sua inclusão como responsável por débitos de terceiro, situação absolutamente excepcional no direito tributário brasileiro; o fato de ter recebido pagamentos por parte da APROVE tampouco tem o condão de lhe tornar responsável pelos tributos devidos pela instituição; a BAYONNE promoveu a venda de produtos, adquiridos pela associação e que seriam distribuídos a seus associados, nos diversos eventos realizados pela entidade; pela leitura do Termo de Verificação o que se depreende é que tais eventos efetivamente ocorreram (como se comprova pela leitura do Termo, e pelos documentos agremiados relacionados ao Resort Costão do Santinho), e que efetivamente os associados recebiam produtos como bonificação (ver depoimentos e diligências em associados itens 48 a 64 do Termo); o mero recebimento de valores, como contraprestação pelo fornecimento de produtos não pode servir como justificativa para aplicação da responsabilização tributária pretendida; a APROVE é uma instituição com milhares de associados, pessoas físicas e jurídicas, que conta com corpo diretivo próprio, e a BAYONNE como terceiro, ainda que possua relacionamento mercantil com os associados da entidade, não possui o poder de conduzir as atividades da associação; Todos os fundamentos elencados pelo Auditor, além de representarem meras alegações e especulações, não tem qualquer relação, e tampouco foram elencados como motivação da edição do ADE, gênese dos lançamentos formalizados contra a APROVE; o STJ tem entendimento de que é imprescindível que todas as pessoas imputadas como responsáveis tributárias tenham realizado conjuntamente a situação configuradora do fato gerador Resp 83404/RS; o procedimento fiscal contra a BAYONNE conclui pela ocorrência de supostas irregularidades apenas para o período de janeiro a março de 2010; Fl. 28617DF CARF MF 12 as conclusões do procedimento contra a BAYONNE são discrepantes e contraditórias com as conclusões deste procedimento, concluem pela sonegação, por subfaturamento, ou seja, emissão de documento fiscal com preço abaixo do efetivamente cobrado; a fiscalização alega que os fatos informados na denúncia anônima estariam provados em juízo; não há comprovação dos fatos em juízo, e a ação nº 0002306 30.2014.8.16.0001 é um processo de prestação de contas, que não tem como objeto a análise de ocorrência ou não de sonegação e o processo foi extinto sem julgamento de mérito porque as autoras não lograram comprovar que dispunham de condições para prosseguimento da ação, que basicamente tinha por objeto a resolução de pendências comerciais entre as partes; A Sra. Cleodomira Angeli possui uma ação trabalhista conta a BAYONNE e perdeu a ação; os documentos apresentados a título de “orçamento detalhado” ou “pedido de orçamento”, entretanto, são APÓCRIFOS, não contém nenhuma assinatura e não foram obtidos pela autoridade fiscal junto ao estabelecimento da Impugnante, mas constam da “denúncia anônima” sendo que à exceção de um, todos os depoimentos colhidos negam a prática. Não servem como prova da materialidade da prática de sonegação imputada; se a tese espelhada fosse verdadeira, considerando o volume de vendas da impugnante no período, os repasses da APROVE deveriam ocorrer em maior volume e freqüência, e não limitados a poucas e específicas operações (vinculadas a venda efetiva de produtos); a prática de conduta delituosa, jamais poderá se dar baseada em presunção e em meros indícios; o lançamento se manifesta na constatação de maneira inequívoca, formalmente declarada, da ocorrência do fato gerador, tal como expressamente previsto em lei, o que não se verifica no presente caso; não está comprovado que a BAYONNE cometeu sonegação, tampouco que haveria de responder solidariamente, ainda que prevaleça a responsabilidade, a impugnante não poderá responder, pelas sanções moratórias e apenatórias dos débitos, já que a responsabilidade é subjetiva; a responsabilidade descrita no artigo 137 é pessoal e exclusiva, incidindo apenas sobre a pessoa que praticou o ato infracional doloso, sem incidir sobre o sujeito passivo tributário que não tenha cometido a infração; Impugna por negativa geral todos os fatos geradores e os créditos tributários lançados pela fiscalização nos autos; IMPUGNAÇÃO APRESENTADA POR JOSÉ PAULO FRAZ e ALCIMAR LUIZ DE BORTOLI O Sr. Alcimar foi cientificado em 19/06/2015 e o Sr. José Paulo foi cientificado em 04/08/2015, por edital, e apresentaram impugnação conjunta em 14/07/2015 (fls. 28.219/28.232), com as seguintes alegações: segundo entendimento do STJ, compete exclusivamente à PFN a análise quanto à imputação ou não da responsabilidade tributária a terceiros; Fl. 28618DF CARF MF Processo nº 10980.721948/201554 Acórdão n.º 1401003.056 S1C4T1 Fl. 28.613 13 no mesmo sentido cita Acórdão nº 10196.739 do antigo Conselho de Contribuintes; requer pela nulidade do Termo de Sujeição Passiva, por ter sido lavrado por pessoa incompetente; a responsabilização solidária é indevida porque não está configurado o dolo específico, limitandose a argüir sua ocorrência, sem qualquer tipo de apontamento quanto ao suposto “resultado” ou “vantagem pessoal” que os impugnantes estariam perseguindo, o que por si só descaracterizaria a ocorrência do dolo específico; no art. 137 a responsabilidade é pessoal do agente que praticou o ato e não solidária; a prática de ato de violação do estatuto da APROVE cometida pelos impugnantes estaria consubstanciada pela outorga de procuração a terceiros que teriam cometido atos elisivos, que sequer constam como imputados no presente procedimento; a outorga de procuração era prerrogativa dos impugnantes expressamente prevista nos estatutos da entidade, portanto, não configura qualquer violação ao estatuto; a procuração foi outorgada em 17 de agosto e os atos que ensejaram a fiscalização ocorreram nos exercícios de 2010 e 2011; cita decisões judiciais e administrativas no sentido da obrigatoriedade da comprovação da atuação dolosa para configuração da sujeição passiva; impugna por negativa geral todos os fatos geradores e os créditos tributários lançados pela fiscalização nos autos; ainda que prevaleça a responsabilidade, a impugnante não poderá responder, pelas sanções moratórias e apenatórias dos débitos, já que a responsabilidade é subjetiva; IMPUGNAÇÃO APRESENTADA POR LANGON COSMETICOS LTDA A interessada foi cientificada em 16/06/2015 (fls. 27.886) e apresentou impugnação em 14/07/2015 (fls. 28.244/28.253), alegando em síntese que: A autoridade fiscal não comprovou qual seria a efetiva participação e atuação da LANGON com relação aos fatos argüidos, limitandose a presumir que a LANGON tinha conhecimento e se beneficiou dos valores que circularam pelas contas bancárias da interessada; Não foi imputado à LANGON qualquer ato ou prática de subfaturamento ou mesmo gestão ou ingerência da LANGON na APROVE; O mero recebimento de valores, como contraprestação pelo fornecimento de produtos não serve como justificativa para aplicação da responsabilização tributária pretendida; Diversas foram as pessoas, físicas e jurídicas, que receberam vultosas quantias pagas pela APROVE na consecução de suas atividades associativas, de modo que a escolha da LANGON como responsável solidária é aleatória e arbitrária; Fl. 28619DF CARF MF 14 O STJ já firmou entendimento de que é imprescindível que todas as pessoas imputadas como responsáveis tributárias tenham realizado conjuntamente a situação configuradora do fato gerador; ainda que prevaleça a responsabilidade, a impugnante não poderá responder, pelas sanções moratórias e apenatórias dos débitos, já que a responsabilidade é subjetiva; a decadência, fulmina todos os lançamentos relacionados ao exercício de 2010, haja vista a lavratura dos autos apenas no segundo trimestre de 2015. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELA APROVE CONTRA O AUTO DE INFRAÇÃO A interessada foi cientificada em 10/06/2015 (fls. 27.656/27.657) e apresentou impugnação em 08/07/2015 (fls. 27.982/28.003), alegando em síntese: a impugnante foi autuada sob o fundamento de ter promovido pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados porque, segundo a fiscalização, não teria comprovado a “necessidade e efetiva prestação de serviços”; protesta desde logo pelo julgamento em conjunto do lançamento e da suspensão da imunidade e isenção tributária; reitera o pedido de revogação do ADE e anulação do auto de infração; a auditoria foi realizada com base em denúncia anônima e a operação de venda de produtos pela BAYONNE conforme descrita na denúncia foi realizada fora do período de fiscalização para o qual foi programada, isto é, 2010 e 2011; no procedimento fiscal nº 10980.720417/201544 a fiscalização conclui pela ocorrência das supostas irregularidades apenas para o período de janeiro a março de 2010 e apresentou conclusões absolutamente discrepantes e contraditórias com as conclusões apresentadas neste procedimento; as diligências foram realizadas com evidente dirigismo, buscando o resultado que corroborasse suas percepções, absolutamente contaminadas pelo conteúdo de denúncia anônima; Nas diligências em associados, dos cinco ouvidos, quatro ratificaram as justificativas apresentadas pela impugnante com relação aos valores que lhes foram pagos (reembolso de despesas e bonificações por ingresso de novos associados); Em nenhuma das diligências ou solicitações requisitou esclarecimentos sobre a suposta sonegação optando deliberadamente por construir o seu convencimento a partir exclusivamente dos fatos narrados na denúncia, que, no seu entender seriam corroborados pelos demais indícios coletados; Ao valorar de forma inadequada as provas, documentos e depoimentos tomados ao longo da fiscalização, apenas para corroborar seu entendimento subjetivo, o Agente Fiscal comprometeu o objetivo do procedimento fiscalizatório, violando o princípio da verdade material, configurando consumação do simulacro de procedimento administrativo, instaurado já com a predisposição de configuração do resultado final, razão pela qual a nulidade há de ser reconhecida; A APROVE foi constituída por vários vendedores de cosméticos que sentiram necessidade de maior fortalecimento e organização a fim de promover treinamentos e ações visando facilitar sua atuação coordenada, inclusive mediante iniciativas de promoção de produtos que beneficiariam todos seus associados; Fl. 28620DF CARF MF Processo nº 10980.721948/201554 Acórdão n.º 1401003.056 S1C4T1 Fl. 28.614 15 Assim sendo, o projeto de atuação da impugnante pressupunha que qualquer vendedor de cosméticos poderia usufruir destes benefícios comuns, e, para tanto, bastaria que se tornasse um associado, pagando à associação uma taxa que variaria de acordo com as ações e metas da associação a cada período; Esta ação foi iniciada para que os próprios consultores ou revendedores de qualquer natureza pudessem se fortalecer e criar novos mecanismos de vendas e controles, incluindo a publicidade dos produtos por eles vendidos, treinamentos e convenções; Todos os pagamentos realizados pela APROVE, sejam na conta 3303110001 – Bônus Premiações, sejam os relacionados nos Termos de Intimação foram realizados em estrita observância de seus objetivos estatutários, o que, por si só, teria o condão de demonstrar a improcedência dos lançamentos; Os depoimentos colhidos, os documentos apresentados e todas as demais manifestações e documentos apresentados pela impugnante em resposta às intimações apresentadas, demonstram que todos os valores movimentados na conta em referência dizem respeito ao pagamento de despesas havidas com a realização de eventos de treinamento, bem como a remuneração em virtude do ingresso de novos associados, agremiados pelos realizadores dos eventos; O auditor limitase a rejeitar os documentos apresentados, ora porque são recibos sem indicar nome, ora porque apresentados em manifestação assinada por contador “sem procuração” (embora seja a pessoa intimada pelo auditor, e inclusive quem recebeu a intimação do presente auto), ora porque os pagamentos de reembolsos foram realizados mediante apresentação de notas fiscais que não tem a APROVE mencionada em seu corpo; A autoridade optou por ignorar os documentos fiscais emitidos e confirmados por terceiros, em especial hotéis e centros de evento, que comprovam, de maneira inequívoca, a realização dos eventos organizados pela APROVE; Os valores pagos sequer estariam sujeitos à incidência do IRRF devido a sua pequena monta; Com relação aos valores relacionados nos TIF, apresenta a totalidade das notas fiscais e documentos que suportam os pagamentos e justificam sua necessidade para a consecução dos objetivos da associação, em especial no que diz respeito a realizações de treinamentos, eventos e ações de publicidade em favor das atividades realizadas por seus associados; São documentos emitidos e confirmados por terceiros que nada mais correspondem às medidas de promoção dos produtos comercializados pelos seus associados em exata correlação com seu estatuto social; A autoridade, sem qualquer fundamento, entende que associação não deveria promover tais pagamentos, que ele entende como desvinculados dos objetivos sociais e opta por classificálos como não necessários; Em momento algum a autoridade fiscal aponta que ditos documentos são falsos, ou que os serviços não teriam sido prestados pela POSIGRAF à associação, mesmo porque a entidade confirmou a edição da revista encomendada pela APROVE; Os valores individualmente considerados representam operações que, em sua maioria, não estão sujeitas à retenção de IRRF, além disso, os beneficiários estão devidamente identificados; Fl. 28621DF CARF MF 16 Segundo o TVF a interessada teria praticado a atividade de comércio de cosméticos nos anos calendários de 2010 e 2011, ora, se os pagamentos relacionados à aquisição de cosméticos, publicidade e produção de revista de divulgação de produtos são injustificados com relação às atividades da associação, são absolutamente necessários se considera a atividade de comércio de cosméticos, caindo por terra a alegação de pagamento sem causa; Cita decisões administrativas do CARF. A autoridade cometeu equivoco na determinação da base de cálculo, ao considerar valores em duplicidade. Ocorre que os valores (lista fls. 27.994/27.998) foram considerados tanto na planilha referente aos lançamentos da conta 3303110001, como na planilha referente aos pagamentos relacionados nos TIF e deve ser expurgada de uma ou outra planilha. A multa qualificada é inaplicável, pois, no caso tratase de mero não recolhimentos do IRRF. Não houve omissão ou ocultação de informações do Fisco, devendo ser afastadas as conseqüências agravantes da autuação com dolo ou fraude. Cita decisões administrativas. Jamais poderá o Fisco, sem fazer a prova contundente e cabal da suposta conduta fraudulenta, impor sanções qualificadas. Requer a realização de prova pericial, com a finalidade de exercer a prerrogativa de avaliação contraditória do arbitramento realizado, para fins de apuração do valor tributável a título de IRRF nos pagamentos por ela realizados. Ao final requer: a) que a presente impugnação seja julgada concomitantemente à impugnação apresentada ao ADE nº 32/2015; b) que o auto de infração seja julgado nulo, em razão dos vícios apontados; c) que o lançamento seja julgado improcedente; d) que os valores arbitrados sejam revistos, conforme prova pericial a ser produzida; e) que seja reconhecida a inaplicabilidade da multa qualificada; f) a produção de todas as provas em direito admitidas, em especial a juntada de novos documentos, protestando desde logo pela possibilidade de apresentação complementar de documentos. Apreciadas as impugnações, os membros da 12ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado: a) julgaram improcedente a impugnação de Associação Brasileira de Promotores de Venda de Cosméticas, BAYONNE Cosméticos Ltda, LANGON Cosméticos Ltda, José Paulo Franz e Alcimar Luiz de Bortoli, mantendo o crédito tributário exigido, e a responsabilidade tributária; b) julgaram procedente em parte a impugnação de Tathya Caroline Rauen Gaffke Freitas, Etyane Gisele Rauen, Gisela Pisseti Rauen para exclusão da responsabilidade tributária. Fl. 28622DF CARF MF Processo nº 10980.721948/201554 Acórdão n.º 1401003.056 S1C4T1 Fl. 28.615 17 Em relação à exclusão das responsáveis solidárias Tathya Caroline Rauen Gaffke Freitas, Etyane Gisele Rauen, Gisela Pisseti Rauen, houve RECURSO DE OFÍCIO. Apresentaram Recurso Voluntário tempestivo, somente os Responsáveis Solidários Langon e Bayonne Cosméticos questionando o procedimento fiscal, reproduzindo em suma os argumentos da impugnação. É o relatório do essencial. Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Interpuseram Recursos Voluntários a APROVE (fls. 28551); BAYONNE COSMETICOS LTDA (fls. 28445), LANGON COSMETICOS LTDA (fls. 28423), JOSE PAULO FRANZ (28478), ALCIMAR LUIZ DE BORTOLI (28478). Embora haja termo de perempção lavrado em desfavor da devedora principal APROVE, apontando suposta ausência de recurso por parte dela (fl. 28547), verificase que há nos autos Recurso Voluntário apresentado por ela tempestivamente (fl. 28551), os recursos dos demais solidários, são de igual maneira tempestivos. Em relação à exclusão das responsáveis solidárias Tathya Caroline Rauen Gaffke Freitas, Etyane Gisele Rauen, Gisela Pisseti Rauen, houve RECURSO DE OFÍCIO. Em preliminar a Recorrente pleiteia a reunião deste processo com o processo em que esta sendo discutida a descaracterização da imunidade da associação. Não entendo possível acolher este pedido, tendo em vista que como a acusação fiscal é de pagamento sem causa e sem a necessária retenção do imposto, independentemente do resultado do processo em que se discute a suspensão ou não da imunidade, qualquer pagamento que viesse ser efetuado pela Recorrente deveria sofrer a retenção do IRRF, vez que este tributo tem seu ônus suportado pelo o beneficiário do pagamento e não a fonte pagadora. Do Recurso Voluntário da APROVE. Reclama a devedora principal a nulidade do lançamento por cerceamento de defesa em razão do indeferimento da perícia por ela solicitada, ou que neste momento o colegiado converta o julgamento em diligência para melhor apreciação da prova juntada aos autos, o que segundo ela terá como conseguência o cancelamento da autuação em relação a recebimentos com origem comprovada. As questões atinente à nulidade do lançamento, principalmente no que diz respeito ao cerceamento de defesa em razão do indeferimento do pedido de diligência, ja haviam sido apreciadas pela DRJ, quando mencionou que a alegação de cerceamento do direito de defesa sem a apresentação de elemento que evidencie sua caracterização em termos materiais e não meramente formais carece de fundamento, pois há que ser identificado real Fl. 28623DF CARF MF 18 prejuízo ao contribuinte, bem como que questões atinentes à apuração em si (valoração da prova), como a reclamada pelo interessado, pertencem ao campo de análise de mérito e revisão do lançamento, e não implicam em nulidade, ao teor do art. 60 do PAF. Desta forma, não tendo a contribuinte logrado êxito em demonstrar prejuízo efetivo pela não realização da diligência através ao menos da apresentação de indícios que viessem a dar aparo a alegação de erro no convencimento fiscal, não verifico a ocorrência de cerceamento de defesa, e mantenho a decisão em relação a este ponto. Quanto as nulidade relativas ao MPF, sob o argumento de que a conclusão do trabalho fiscal teria ocorrido após a data prevista para encerramento da ação fiscal também não prosperam. Nos termos do Acórdão 9202003.956 datado de 12/04/2016, pela 2a. Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001 VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. Recurso Especial negado. A consequência da falta da lavratura do instrumento de prorrogação do processo de fiscalização ou ciente ensejaria a recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias, nos moldes da Súm, CARF 75, uma vez exercida a denúncia espontânea em tempo hábil, o que não é o caso dos autos, conforme será esclarecido adiante. Por outro lado, eventuais omissões ou incorreções afligindo o MPF não contaminam automaticamente a autuação, pois a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, a teor do art. 142 do CTN. Há a necessidade de o contribuinte provar que a presença do vício ocasionou prejuízo em sua defesa. Esse é o atual posicionamento da jurisprudência dominante no CARF: PROCEDIMENTO FISCAL. FALTA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO.O Mandado de Procedimento Fiscal visa o controle administrativo das ações fiscais da RFB, não podendo afastar a vinculação da autoridade tributária à Lei, nos exatos termos do art. 142 do CTN, sob pena de responsabilização funcional. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, no pleno gozo de suas funções, detém competência exclusiva para o lançamento, não podendo se esquivar do cumprimento do seu dever funcional em função de portaria administrativa e em detrimento das determinações superiores estabelecidas no CTN, por isso que a inexistência de MPF não implica nulidade do lançamento. Acórdão nº 9303003.876, de 19/05/2016 Fl. 28624DF CARF MF Processo nº 10980.721948/201554 Acórdão n.º 1401003.056 S1C4T1 Fl. 28.616 19 MPF NULIDADE. Não é nulo o lançamento por prorrogação de MPF além do prazo regulamentar, quando não comprovado o prejuízo à defesa do contribuinte. A falta de prorrogação do MPF no prazo correto, por si só, não configura cerceamento do direito de defesa e não se equipara à ausência de MPF. Acórdão nº 9101002.132, de 26/02/2015 Em relação ao mérito, aduz que a autoridade fiscal valora de forma inadquada os depoimentos colhidos durante a fase inquisitiva, pois eles seriam apenas relatos vazios sem amparo em qualquer documentação, mas também sem apresentar qualquer elemento que pudesse levar a conclusão diversa do entendimento da DRJ, no sentido de que: A interessada efetuou pagamentos aos supostos associados, que foram lançados na conta 3303110001 – BÔNUS PREMIAÇÕES (fls 2.683 a 5.194) , sem a comprovação das despesas efetuadas pelos supostos associados e sem a apresentação da relação dos supostos associados que participaram das reuniões, conforme relatado anteriormente; parte como reembolso de despesas e parte como bônus por ingresso de novos associados. Também não comprovou a necessidade e a efetiva prestação dos serviços referentes aos pagamentos aos fornecedores e às transferências bancárias, relacionadas nos Termos de Intimação Fiscal, lavrados em 04 de março (fls 26.959/63) e em 16 de março de 2015 (fls 27.135/43), respectivamente, ficando sujeita ao IRRF por ausência de comprovação da operação ou sua causa. Verificase ao longo de todo o processo que a interessada não consegue comprovar as despesas realizadas infringindo o disposto no art. 674, § 1º do Decreto nº 3.000 de 1999. A interessada alega ainda equívoco na determinação da base de cálculo, ao considerar valores em duplicidade, conforme lista de fls. 27.994/27.998. Analisando o livro auxiliar da conta 3303110001 – BÔNUS PREMIAÇÕES (fls 2.683 a 5.194), no qual se baseou a autuação conforme item 131 do TVF (fls. 27.776) não é possível identificar os valores dos cheques citados, nesta conta identificase apenas pequenos valores, não havendo coincidência de valores entre os cheques citados com aqueles registrados na conta Bônus. Exemplificando a interessada alega que os cheques do dia 04/01/2010 nos valores de R$ 49.941,20, R$ 49.982,13 e cheque R$ 22.022,00 estariam lançados também na conta Bônus. Ocorre que analisando a conta (fls. 2.683 a 5.194) não é possível identificar tais valores. Além disso, verificase que o cheque de R$ 49.982,13 foi depositado para BAYONNE (fl. 27.158) e o cheque de R$ 22.022,00 foi depositado para Salvador Petti (fl. 27.161) e não constam tais valores, nem beneficiários no livro auxiliar da conta 3303110001 – BÔNUS PREMIAÇÕES (fls 2.683 a 5.194). Diante disso, não foram identificadas as duplicidades alegadas. Alega ainda que a multa qualificada seria inaplicável, pois tratase de mero não recolhimento do IRRF. Em que pesem os argumentos acima expostos, deve ser observado que a infração de que trata os autos não é um mero não recolhimento do IRRF pois está acompanhada de indícios fortes e concordantes de que os atos da empresa revelam Fl. 28625DF CARF MF 20 uma conduta reiterada, no tempo, de sonegação fiscal tendente a impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador. Feitas essas considerações, não encontro razões para reforma do julgado, em relação a APROVE, por isso, nego provimento ao seu Recurso Voluntário. Do Recurso Voluntário da responsável solidária BAYONNE COSMETICOS LTDA. Reclama a sua exclusão do pólo passivo da autuação e a exclusão da multa qualificada, sob fundamento de que a responsabilidade por infrações seria pessoal do agente, no caso, da devedora principal, uma vez que ela não teria tido nenhuma participação na conduta infratora descrita objeto de autuação. A responsabilização da Recorrente se deu pelo art. 124, I do CTN, pelo fato de terem sido verificados em relação a ela a participação e a percepção de benefícios advindos da APROVE pela pratica dos atos de sonegação objeto da autuação. Isto porque, verificouse que a Associação Brasileira de Promotores de Venda de Cosméticos – APROVE é uma associação civil sem fins comerciais (TVE fl. 27.682). Seu estatuto social dispõe em seu parágrafo 1º que tem a finalidade na atuação conjunta em benefício comum da atividade comercial dos associados, nas áreas de treinamento, planejamento integrado de vendas, publicidade, assistência técnica, desenvolvimento de serviços comuns, dentre outras, além de objetivar, igualmente, finalidades recreativas, e em seu parágrafo 2º que não tem caráter mercantil. Enquanto que a empresa BAYONNE COSMÉTICOS LTDA, CNPJ: 85.040.103/000138 é estabelecimento industrial cuja atividade é a fabricação de cosméticos, produtos de perfumaria e de higiene pessoal da marca Racco. Então, se a APROVE não tem caráter mercantil, qual o motivo de efetuar depósitos nas contascorrentes bancárias da empresa BAYONNE COSMÉTICOS LTDA ? A APROVE, a principio, alegou que os depósitos foram efetuados para reembolso de despesas com eventos e treinamentos de associados e reuniões motivacionais. Mas conforme observado pela decisão recorrida: Somente com o termo lavrado em 13 de outubro de 2014, que intimou a entidade a comprovar com documentos hábeis e idôneos e esclarecer a causa das transferências é que se obteve a resposta de que tratavam de adiantamentos para futura aquisição de produtos para utilização em eventos; que os produtos foram enviados para os locais dos eventos e que foram fornecidos por meio de notas fiscais (não apresentando nota fiscal da BAYONNE Cosméticos Ltda), e que a entrega dos produtos era efetuada nos eventos citados. (fls 27.738 do TVF): “... Destinado a adiantamento a empresa BAYONNE COSMÉTICOS LTDA, para futura aquisição de produtos a serem utilizados nos eventos regionais denominados "CONVENÇÕES REGIONAIS". Para esta ação foram criados PACOTES BOAS VINDAS, onde os associados do mês que tiveram maior volume de indicações de novos associados, receberam seus ganhos por trazer novos sócios através de produtos denominados CLUBE PREMIUM e a oportunidade de participar do evento sem custos adicionais, os quais foram custeados pela associação. Fl. 28626DF CARF MF Processo nº 10980.721948/201554 Acórdão n.º 1401003.056 S1C4T1 Fl. 28.617 21 Os valores foram depositados de acordo com volume de associados vinculadas a cada região e datas dos eventos. Em cada evento a BAYONNE COSMÉTICOS LTDA, enviou os produtos para os representantes dos eventos, no caso os "palestrantes" que, além de realizarem o evento, apoiaram a divulgação dos produtos com técnicas de vendas e apresentação de abordagens aos clientes. Os produtos foram fornecidos através de notas fiscais enviadas diretamente aos locais dos eventos e foram distribuidores (sic) de acordo com controle de ganhos por associado. Evento 08/03/2010 R$ 9.994,45, Evento 09/03/2010 R$ 7.995,56 Evento 11/03/2010 R$ 8.995,00, Evento 12/03/2010 R$ 6.996,11 Evento 24/03/2010 R$ 6.496.39, Evento 25/03/2010 R$ 9.494.73 Evento 30/03/2010 R$ 9.998.83, Evento 29/03/2010 R$ 7.999,06 Evento 29/03/2010 Projeto novos associados R$ 8.998.95 Evento 02/04/2010 R$ 6.999.18, Evento 03/04/2010 R$ 6.499.24 Evento 05/04/2010 R$ 9.498.89” A entidade não apresentou as notas fiscais de aquisição dos produtos. De acordo com o TVF de fls 27.752/27.753 verificase que Auditoria Fiscal feita na APROVE foi programada com base na “Denúncia Anônima”, endereçada ao Departamento da Polícia Federal, protocolada em 01 de fevereiro de 2010 sob o nº 08200.004303/201037, encaminhada ao Superintendente Regional da Receita Federal na 9ª Região Fiscal, via Ofício nº 0951/2011 – SR/DPF/PR, datado de 09 de fevereiro de 2011, na qual o/a denunciante relata que nas notas fiscais, emitidas pela BAYONNE Cosméticos Ltda, é discriminado 1/3 do valor dos produtos vendidos; que o valor sonegado é depositado nas contas bancárias da APROVE; que junto com a Nota Fiscal e o boleto para pagamento da mesma vem um “lembrete de pagamento” com o valor que está sendo sonegado para depósito em conta bancária da APROVE. Das diligências efetuadas, chegouse a apuração de alguns fatos: 1. Constatações de que há controle das contas bancárias da APROVE por outra empresa ou pessoas, por meio de seus extratos bancários e emissão de cheques. As pessoas tinham vinculo empregatício com a BAYONNE ou com a LANGON e nunca trabalharam diretamente na interessada. 2. Nos extratos do Itaú e do Bradesco consta o endereço da BAYONNE Cosméticos Ltda “Rua Paul Garfunkel nº 455” e não da interessada. 3. Constatação de que a APROVE era quem fazia o pagamento das comissões pela venda de produtos da marca RACCO; 4. A entidade APROVE arcava com as despesas dos serviços de impressão da “REVISTA RACCO MANIA” catálogo de vendas dos produtos fabricados pela BAYONNE Cosméticos Ltda: Fl. 28627DF CARF MF 22 5. Evidências da existência de um grupo econômico formado pelas empresas BAYONNE Cosméticos Ltda; LANGON Cosméticos Ltda e APROVE; 6. Denúnica Anônima e documentos apresentados (“pedido de orçamento”, boletos bancários, “lembrete de pagamento”, notas fiscais, depósito, planilhas). Tal denúncia narra e apresenta documentos probatórios de esquema de subfaturamento cometido por meio da emissão de notas fiscais com valor falso (1/3 do valor real da mercadoria), e recebimento dos valores sonegados por meio da autuada. Assim, tem se, em síntese, que a infração era cometida por meio da emissão de nota fiscais de produtos da marca Racco, com valores de um terço do valor efetivamente praticado pela empresa na saída dos produtos do estabelecimento industrial e o recebimento em boleto bancário e o pagamento dos valores sonegados era efetuado por meio de depósitos efetuados para a APROVE, a qual posteriormente repassava tais valores à BAYONNE Cosméticos Ltda. A cobrança dos valores sonegados, como narrado, era chamada de “Lembrete de Pagamento” do seu orçamento faturado. 7. Ações judiciais (Ações de Prestação de Contas) e documentos apresentados– (“pedido de orçamento”, boletos bancários, “lembrete de pagamento” e depósitos bancários, alegações em juízo). Os fatos narrados e provados na mencionada denúncia encaminhada pelo Departamento da Polícia Federal são idênticos aos citados nas ações judiciais indicadas. Foram juntadas diversas notas fiscais emitidas pela BAYONNE Cosméticos Ltda., “Pedidos de Orçamentos”, “Lembretes de Pagamento” e cópias de cheques cujo favorecido é a APROVE, CNPJ nº 00.329.161/000123, comprovantes de pagamento de Boletos Bancários cujo favorecido é BAYONNE Cosméticos Ltda ano de 2010 (março). Tais Ações apresentam documentos probatórios de esquema de subfaturamento cometido por meio da emissão de notas fiscais com valor falso (1/3 do valor real da mercadoria), e recebimento dos valores sonegados por meio de terceiros (APROVE).Tais documentos apresentados em juízo fazem prova da existência de valores distintos para cada produto: primeiro, o valor de aquisição do produto, que é o valor efetivamente praticado, que consta no Pedido de Orçamento; segundo, o preço indicado na nota fiscal de emissão da BAYONNE, bem inferior ao primeiro (um terço do valor das mercadorias segundo o Pedido de Orçamento), fiel ao narrado na denúncia à Polícia Federal. Por outro lado, a interessada não comprova a realização dos eventos, os reembolsos, as bonificações, nem os depósitos à BAYONNE. A sua escrituração não informa a que se referem os depósitos e cheques emitidos. A meu ver, o conjunto de indícios apresentados pela fiscalização confirmam que havia um grupo econômico de fato formado entre a BAYONNE Cosméticos Ltda e APROVE, ficando com esta ultima a distribuição dos produtos Racco entre os promotores de vendas, o pagamento dos bônus e porcentagem para cada cadeia de distribuição e o marketing e com a primeira a fabricação e logística da entrega, tendo como objetivo sonegar parte da receita com a venda de produtos Racco. Todos estes indícios autorizam a qualificação da multa de ofício e comprovam as hipóteses do artigo 71 e 72 da Lei n° 4.502/64. Concordo com estas razões e mantenho incólume da decisão recorrida em relação à Recorrente. Do Recurso Voluntário da LANGON COSMETICOS LTDA. Reclama a sua exclusão do pólo passivo da autuação e a exclusão da multa qualificada, alegando não ter tido qualquer envolvimento nas situações que deram ensejo a lavratura da autuação e ainda requer o reconhecimento da decadência, considerando que os Fl. 28628DF CARF MF Processo nº 10980.721948/201554 Acórdão n.º 1401003.056 S1C4T1 Fl. 28.618 23 lançamentos referentes ao exercício fiscal de 2010, já estariam extintos em junho de 2015, ocasião da lavratura do lançamento. Da decadência. Não havendo pagamento, ou comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação, contase o prazo decadencial na forma determinada pelo art. 173, I, do CTN, isto é, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, não decaiu o direito de a Administração constituir o crédito tributário relativo a 2010, já que iniciase a contagem do prazo decadencial em 01/01/2011, e encerrase em 31/12/16, e a ciência do auto de infração ocorreu em 2015, portanto, afasto a alegação de decadência. Da manutenção da responsabilidade. A imputação de solidariedade a Recorrente Lagon , se deu em razão da sua gerente financeira, Maria Terezinha Bastos ser procuradora da APROVE, e segundo por ela declarado prestava serviço a APROVE fazendo o controle de taxas de adesões e ressarcimentos de despesas de eventos. A gerente comercial da LANGON, Marjori de Oliveira Fernandes, também é procuradora da APROVE e segundo declarou prestava serviço na APROVE uma vez por semana, que restituía os gastos efetuados pelos consultores. Embora a APROVE afirme ser uma associação de promotores de venda, é possível constatar que ela não representa os promotores e sim, a BAYONNE que fabrica os produtos e a LANGON que distribui os produtos. Tanto que os próprios funcionários destas empresas trabalham para a APROVE, sem registro trabalhista. Ou seja, não são os associados que realizam os trabalhos na APROVE, nem são funcionários contratados pela associação, e sim, funcionários da LANGON e da BAYONNE. Cabe destacar que grande parte dos cheques emitidos pela APROVE teve como beneficiários a BAYONNE e a LANGON. A APROVE pagou a impressão da revista RACCO MANIA, despesa que deveria ser de responsabilidade da BAYONNE. O conjunto de indícios apresentados pela fiscalização confirmam que havia um grupo econômico de fato formado entre a BAYONNE Cosméticos Ltda, LANGON e APROVE, ficando com esta última a distribuição dos produtos Racco entre os promotores de vendas, o pagamento dos bônus e porcentagem para cada cadeia de distribuição e o marketing e com a primeira a fabricação e com a segunda a distribuição dos produtos. Existe entre as empresas citadas um grupo econômico de fato, com uma unidade de interesses negociais, onde atuam em conjunto para o benefício de uma só atividade, o que demonstra o interesse comum na situação que constituiu o fato gerador apurado, configurando a solidariedade entre elas. Diante de todo o exposto, fica comprovado que a BAYONNE e a LANGON tinham conhecimento e se beneficiaram dos valores que circularam pelas contas bancárias da interessada, sendo também consideradas responsáveis solidárias. Diante destas constatações, mantenho a decisão recorrida e nego provimento ao Recurso Voluntário. Do Recurso Voluntário de José Paulo Franz e Alcimar Luiz Bertolli. Fl. 28629DF CARF MF 24 Em recurso conjunto reclamam a nulidade da decisão por falta de fundamentação no que diz respeito a descrição da conduta por eles praticada para dar ensejo a responsabilidade descrita no art. 135, III do CTN, assim sejam excluídos da autuação ou subsidiariamente seja afastada a qualificação da multa. Quanto ao argumento da nulidade da autuação pela ausência de competência da autoridade fiscal para atribuir responsabilidade solidária, temos que ele já foi afastado pela DRJ sob fundamento do disciplinado pela Portaria RFB 2.284, de 29/11/2010, que confere Autoridade Fiscal da RFB referida competência. Quanto à atribuição de responsabilidade aos sócios pessoas físicas, a autoridade fiscal lhes imputa as seguintes praticas caracterizadoras de infração ao estatuto social da APROVE. Pois, pelos os atos praticados nas contas bancárias da APROVE, efetuados pelas suas bastantes procuradoras, e por terem permitido, por suas inteiras responsabilidades, agiram com excesso de poderes e dolo específico conforme disposto no inciso III, do artigo 135, e alínea c, inciso III, do artigo 137, da Lei n° 5172, de 25 de outubro de 1966, respectivamente, sendo considerados RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS pelo crédito tributário: JOSÉ PAULO FRANZ CPF 385.112.31900 ALCIMAR LUIZ DE BORTOLLI CPF 473.140.01987 Os representantes da APROVE estão sendo responsabilizados pelos atos praticados nas contas bancárias da associação pelas procuradoras que nomearam, permitindo que agissem com excesso de poderes e dolo específico. Verificase que a associação deveria apenas atuar em benefício comum da atividade comercial dos associados, nas áreas de treinamento, planejamento integrado de vendas, publicidade, assistência técnica, desenvolvimento de serviços comuns, dentre outras, além de objetivar, igualmente, finalidades recreativas, sendo que, de fato efetuava a distribuição dos produtos Racco entre os promotores de vendas, o pagamento dos bônus e porcentagem para cada cadeia de distribuição e o marketing, formando um grupo econômico entre BAYONNE, LANGON e APROVE. Desta forma, caracterizados os requisitos necessários a sua responsabilização, enquanto sócios que atuaram com desvio aos objetivos do estatuto social da APROVE. Recurso de Ofício. Em relação à exclusão das responsáveis solidárias Tathya Caroline Rauen Gaffke Freitas, Etyane Gisele Rauen, Gisela Pisseti Rauen, houve RECURSO DE OFÍCIO. Segundo a acusação fiscal tres deveriam ser responsabilizadas pelo fato de figurarem como administradoras das Pessoas Jurídicas BAYONNE COSMÉTICOS LTDA e LANGON COSMÉTICOS LTDA, empresas que eram empregadoras das Sras. MARJORI DE OLIVEIRA FERNANDES e MARIZA TEREZINHA BASTOS, que atuavam como procuradoras da APROVE, e que teria supostamente autorizado que tais pessoas promovessem a movimentação das contas bancárias da APROVE para promover depósitos em nome da BAYONNE. Acrescenta que a interessada pagou pela impressão da Revista Racco Mania, que grande parte dos destinatários dos cheques emitidos é a BAYONNE e a LANGON. Tais condutas, não são suficientes para caracterização de responsabilidade solidária nos moldes do art. 135, do CTN. Fl. 28630DF CARF MF Processo nº 10980.721948/201554 Acórdão n.º 1401003.056 S1C4T1 Fl. 28.619 25 Com bem observado na decisão recorrida os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas, somente poderiam ser responsáveis por atos praticados na gerência da pessoa jurídica que representam. Ocorre que o auto foi lavrado em face de pessoa jurídica diversa daquelas que administram. Embora comprovado o interesse comum das empresas não há nos autos comprovação de que as administradoras da LANGON e da BAYONNE seriam também administradoras da APROVE. A solidariedade não se presume, ela deve estar prevista em lei e o artigo 135 do CTN trata da responsabilização de administradores da empresa que praticou o fato gerador. Acertado o argumento da DRJ, por isso, também mantenho a decisão por seus próprios fundamentos. Da multa qualificada: A qualificação da multa em 150%, conforme Termo de Constatação Fiscal fl. 80, se deu em razão do da prática da fraude, bem como e também por adotar um procedimento continuado de não informar à Secretaria da Receita Federal do Brasil as operações realizadas de modo a tentar ocultar sua conduta de efetuar pagamentos aos supostos associados, que foram lançados na conta 3303110001 – BÔNUS PREMIAÇÕES (fls 2683 a 5194) , sem a comprovação das despesas efetuadas pelos supostos associados e sem a apresentação da relação dos supostos associados que participaram das reuniões, conforme relatado anteriormente; parte como reembolso de despesas e parte como bônus por ingresso de novos associados. Também não comprovou a necessidade e a efetiva prestação dos serviços referentes aos pagamentos aos fornecedores e às transferências bancárias, relacionadas nos Termos de Intimação Fiscal, lavrados em 04 de março (fls 26959/63) e em 16 de março de 2015 (fls 27135/43), respectivamente. Por esse motivo, tomo de empréstimo as considerações do Conselheiro Luiz Rodrigo no Acórdão 1104002.498, bastante pertinentes a este caso, quando menciona que: "Pela dicção da redação da Lei nº 4.502/1964, devese comprovar a ação ou omissão dolosa tendente a ocultar, do conhecimento do fisco, a ocorrência do fato gerador. O elemento dolo não é representado pelos atos praticados, pela exteriorização destes; característica marcante dos elementos objetivos do tipo penal. O dolo é representado pelo elemento subjetivo do tipo, que se perfaz pela intenção do agente em praticar tal conduta, descrita na norma como ilícita. Para a sua configuração, deverseia buscar internarse na mente do praticante da conduta para perceber qual era a sua intenção, se lícita ou ilícita. Entretanto, como isso não é possível, buscase interpretar a exteriorização dos atos e, assim, constatar se houve, ou não, máfé na prática da conduta". No caso em concreto, verificase a presença da figura da omissão dolosa tendente a ocultar, do conhecimento do fisco, a ocorrência do fato gerador. Fl. 28631DF CARF MF 26 Do percentual confiscatório da multa de ofício. Argui a recorrente que o percentual de multa qualificada, seria exagerado, na medida em que resta por arrancar uma parcela considerável do patrimônio do contribuinte. Este é o caráter confiscatório da multa exigida. À luz do artigo 103, I, da Constituição Federal, o chefe do Poder Executivo, no caso o Presidente da República, tem legitimidade para propor ação direta de inconstitucionalidade sustentando que determinada lei viola da Constituição. Contudo, nem o Presidência da República e tampouco os demais órgãos da Administração podem deixar de cumprir lei sob o pretexto de que esta viola norma Constitucional. Neste sentido, por força do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) A propósito, na mesma linha dos fundamentos anteriormente expostos, a matéria resultou Sumulada junto ao Carf, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Deste modo, não conheço das questões que sustentam a insubsistência do crédito tributário com base em alegações relacionadas à inconstitucionalidade das normas apontadas pela recorrente. Ante o exposto, nego provimento aos Recursos Voluntários da Contribuinte e dos apontados como responsáveis tributários e de Ofício. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 28632DF CARF MF Processo nº 10980.721948/201554 Acórdão n.º 1401003.056 S1C4T1 Fl. 28.620 27 Fl. 28633DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.004728/2010-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA. DISPÊNDIOS VINCULADOS A ATOS COOPERATIVOS. CRÉDITO.
Não é permitida a apropriação de créditos incidentes sobre despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciações, armazenagem e fretes, vinculados proporcionalmente aos atos cooperativos, posto que não se configuram como adstritos ao regime não cumulativo das contribuições.
RESSARCIMENTO. CRÉDITOS VINCULADOS A RECEITAS TRIBUTADAS.
Os saldos credores de Pis e Cofins, no regime da não cumulatividade, vinculados a receitas tributadas, somente podem ser aproveitados para compensação dos débitos da mesma contribuição, no contexto da não cumulatividade, e não podem ser ressarcidos.
Numero da decisão: 3201-004.530
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. Recorrente SOCIEDADE COOPERATIVA UNIÃO AGRÍCOLA CANOINHAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA. DISPÊNDIOS VINCULADOS A ATOS COOPERATIVOS. CRÉDITO. Não é permitida a apropriação de créditos incidentes sobre despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciações, armazenagem e fretes, vinculados proporcionalmente aos atos cooperativos, posto que não se configuram como adstritos ao regime não cumulativo das contribuições. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS VINCULADOS A RECEITAS TRIBUTADAS. Os saldos credores de Pis e Cofins, no regime da não cumulatividade, vinculados a receitas tributadas, somente podem ser aproveitados para compensação dos débitos da mesma contribuição, no contexto da não cumulatividade, e não podem ser ressarcidos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 47 28 /2 01 0- 62 Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10920.004728/201062 Acórdão n.º 3201004.530 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) amparado em crédito decorrente da Contribuição para o PIS/Pasep Mercado Interno, utilizado para a extinção de créditos tributários próprios por meio da transmissão de diversas Declarações de Compensação (DCOMPs). Reproduzo, em parte, o relatório da primeira instância administrativa: Importante mencionar a existência do Mandado de Segurança de nº 500392024.2010.404.7201, impetrado pela manifestante tendo por fundamento o art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, que estabelece o prazo de 360 dias para que o autoridade administrativa profira a decisão pertinente aos documentos por ela apresentados, prazo que teria transcorrido sem que a providência houvesse sido adotada, motivo com base no qual requereu a decretação, por parte do Poder Judiciário, da análise imediata da questão. Em decisão datada de 10/11/2010, (...), deuse a concessão parcial da segurança, sendo determinada a apreciação da questão no prazo de 60 (sessenta) dias. Os Pedidos de Ressarcimento a serem analisados e deliberados pela unidade jurisdicionante da pessoa jurídica, a DRF Joinvile/SC, referemse ao PIS/Pasep Mercado Interno e à Cofins Mercado Interno dos fatos geradores compreendidos entre o 3º Trimestre/2004 e o 4º Trimestre/2008, conforme a seguir detalhado: Processo Tributo PERDCOMP PA 10920.004711/201013 Cofins 17455.71035.310709.1.5.112060 3° Trimestre/2004 10920.004723/201030 PIS/Pasep 30642.26493.290709.1.5.107959 3° Trimestre/2004 10920.004710/201061 Cofins 28375.24544.310709.1.5.116324 4° Trimestre/2004 10920.004724/201084 PIS/Pasep 29897.60316.290709.1.5.104505 4° Trimestre/2004 10920.004709/201036 Cofins 15328.79211.310709.1.5.116830 1° Trimestre/2005 10920.004725/201029 PIS/Pasep 25689.76192.290709.1.5.102921 1° Trimestre/2005 10920.004708/201091 Cofins 30424.34979.310709.1.5.115072 2° Trimestre/2005 10920.004726/201073 PIS/Pasep 39774.00532.290709.1.5.100185 2° Trimestre/2005 10920.404707/201047 Cofins 23790.46725.310709.1.5.116148 3° Trimestre/2005 10920.004728/201062 PIS/Pasep 02417.08395.290709.1.5.100094 3° Trimestre/2005 10920.004706/201001 Cofins 37964.06050.310709.1.5.114270 4° Trimestre/2005 10920.004727/201018 PIS/Pasep 21861.29156.290709.1.5.106247 4° Trimestre/2005 10920.004705/201058 Cofins 06970.81145.310709.1.5.111410 1° Trimestre/2006 10920.004729/201015 PIS/Pasep 28541.03638.310709.1.5.104332 1° Trimestre/2006 10920.004716/201038 Cofins 07960.33360.310709.1.5.111850 2° Trimestre/2006 10920.004732/201021 PIS/Pasep 22249.79328.310709.1.5.107100 2° Trimestre/2006 10920.004717/201082 Cofins 19624.55898.310709.1.5.112757 3° Trimestre/2006 10920.004733/201075 PIS/Pasep 31301.78029.050308.1.1.101768 3° Trimestre/2006 10920.004718/201027 Cofins 36617.64721.060308.1.1.115747 4° Trimestre/2006 10920.004730/201031 PIS/Pasep 42697.96779.050308.1.1.108306 4° Trimestre/2006 10920.004712/201050 Cofins 15943.22182.060308.1.1.116378 1° Trimestre/2007 10920.004731/201086 PIS/Pasep 35701.48279.060308.1.1.107085 1° Trimestre/2007 10920.004715/201093 Cofins 28956.87473.060308.1.1.116300 2° Trimestre/2007 Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10920.004728/201062 Acórdão n.º 3201004.530 S3C2T1 Fl. 4 3 10920.004734/201010 PIS/Pasep 22709.19031.130308.1.1.109949 2° Trimestre/2007 10920.004714/201049 Cofins 41188.20386.060308.1.1.114335 3° Trimestre/2007 10920.004735/201064 PIS/Pasep 21497.17327.130308.1.1.102500 3° Trimestre/2007 10920.004713/201002 Cofins 19868.38705.060308.1.1.112304 4° Trimestre/2007 10920.004736/201017 PIS/Pasep 14116.48037.130308.1.1.106736 4° Trimestre/2007 10920.004719/201071 Cofins 32429.08130.130109.1.1.114306 1° Trimestre/2008 10920.004737/201053 PIS/Pasep 07150.17502.290709.1.5.102770 1° Trimestre/2008 10920.004720/201004 Cofins 39665.94856.310709.1.5.119731 2° Trimestre/2008 10920.004738/201066 PIS/Pasep 01050.62515.310709.1.1.109626 2° Trimestre/2008 10920.004721/201041 Cofins 03226.66128.310709.1.1.110966 3° Trimestre/2008 10920.0047391201042 PIS/Pasep 12003.75662.310709.1.1.100828 3° Trimestre/2008 10920.004722/201095 Cofins 39583.82165.310709.1.1.11 4456 4° Trimestre/2008 10920.004740/201077 PIS/Pasep 40010.52467.310709.1.1.100090 4° Trimestre/2008 Os créditos presentes nos Pedidos de Ressarcimento suprarrelacionados foram utilizados pela pessoa jurídica em numerosos procedimentos compensatórios, com base nos quais extinguiu créditos tributários de sua responsabilidade. Sentença datada de 14/12/2010 confirmou a liminar, na parte que determinou a apreciação dos Pedidos de Ressarcimento e das Declarações de Compensação no prazo de 60 (sessenta) dias, e declarou o direito de a impetrante “ver aplicada correção monetária aos créditos de PIS/COFINS objeto dos referidos requerimentos, a partir do dia imediatamente posterior ao vencimento do prazo previsto no art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, até a data do crédito na contacorrente da empresa, à variação da taxa selic”, (...). Objetivando dar cumprimento à determinação judicial, a autoridade administrativa responsável pelos trabalhos emitiu a Intimação Fiscal (...), tendo a pessoa jurídica sido instada a apresentar os balancetes mensais que contêm a demonstração das receitas e despesas declaradas nos DACONs dos períodos alcançados pela auditoria fiscal; a relação dos produtos revendidos pela sociedade cooperativa, com as respectivas classificações NCM; a relação dos clientes adquirentes dos produtos comercializados; a fundamentação legal utilizada para considerar que todas as receitas são isentas, não alcançadas pela incidência das contribuições, com suspensão ou sujeitas à alíquota zero; cópias de todas as faturas de energia elétrica informadas nos DACONs; cópias dos contratos e a comprovação dos pagamentos dos aluguéis de prédios locados pela pessoa jurídica, informados nos DACONs; e a cópia do contrato/estatuto social da SOCIEDADE COOPERATIVA UNIÃO AGRÍCOLA CANOINHAS, além da documentação de identificação da pessoa natural responsável pela pessoa jurídica. (...) Concluído o procedimento fiscal, deuse a edição de Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o crédito postulado e homologou também de forma parcial as compensações manejadas pela pessoa jurídica, (...). O contribuinte considerou que todas as receitas auferidas, sejam decorrentes dos atos cooperativos, sejam da atividade com não Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10920.004728/201062 Acórdão n.º 3201004.530 S3C2T1 Fl. 5 4 cooperados, ensejavam direito ao ressarcimento o que, segundo a autoridade fiscal, não tem cabimento. Nas palavras do AFRFB, “o contribuinte considera que tanto as exclusões da base de cálculo das contribuições como as receitas de vendas com alíquota zero configuram hipótese em que é autorizado o ressarcimento e a compensação do saldo credor com outros débitos”. Ainda que o efeito sobre o valor apurado das contribuições sociais seja o mesmo, “legalmente são sujeições distintas e inconfundíveis, não se permitindo atribuir os efeitos de uma a outra, por analogia”. Discorreu, em seguida, sobre a Lei nº 5.764, de 1971, que trata do regime jurídico das sociedades cooperativas. Os atos cooperativos não são operações de compra e venda, mas atos praticados entre a sociedade cooperativa e seus cooperados, voltados para seus interesses e suas necessidades como, por exemplo, a entrega da produção à cooperativa para que a comercialize em condições mais favoráveis, e o fornecimento ao cooperado de insumos adquiridos pela cooperativa em melhores condições que a compra individual. Pode, outrossim, a cooperativa atuar como uma empresa comercial qualquer, adquirindo bens de terceiros não associados e os revendendo a clientes não pertencentes ao seu quadro social. Também é possível que atue como prestadora de serviços de armazenagem e beneficiamento prestados a terceiros não associados. Tais operações devem ser contabilizadas em separado dos atos cooperativos e seu resultado deve ser oferecido à tributação. No caso fiscalizado, a pessoa jurídica exerce ambas as atividades. Pratica atos cooperativos além de comprar e vender bens e serviços a não cooperados. Em vista do disposto no art. 87 da Lei nº 5.764, de 1971, contabiliza separadamente as operações com terceiros, como observado nos balancetes apresentados. Assim, “às receitas decorrentes do ato cooperativo [...] aplicase a legislação específica, ao passo que às demais receitas decorrentes de operações com terceiros não cooperados aplica se o regramento geral da nãocumulatividade das contribuições pois aí a cooperativa atua como uma empresa comercial comum. É dizer, quando as receitas forem decorrentes do ato cooperativo são exclusões da base de cálculo das contribuições (ainda que os produtos entregues estejam sujeitos à alíquota zero no mercado em geral)”, conforme disposto pelo art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, medida que também é assegurada pelo art. 17 da Lei nº 10.684, de 2003, que além da exclusão dos valores relativos aos atos cooperativos admite a exclusão adicional dos custos agregados ao produto agropecuário aos associados, quando da sua comercialização. Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10920.004728/201062 Acórdão n.º 3201004.530 S3C2T1 Fl. 6 5 A RFB editou a Instrução Normativa nº 635, de 2004, regulamentando o PIS/Pasep e a Cofins das sociedades cooperativas. O art. 11 da norma lista as exclusões e define “custos agregados ao produto agropecuário dos associados como os dispêndios pagos ou incorridos com [...] locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento [...] bem assim os de comercialização ou armazenamento do produto entregue pelo cooperado (§ 8º). Portanto, além das receitas do ato cooperativo, os custos da cooperativa para praticálos também são exclusões da base de cálculo das contribuições”. Como verificado nos DACONs transmitidos e nas memórias de cálculo apresentadas à fiscalização, “as despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete foram consideradas pelo contribuinte simultaneamente como exclusão da receita bruta e como base de cálculo de créditos da nãocumulatividade, em claro equívoco”. Ainda segundo informado nos DACONs, “não houve contribuição devida sobre receitas em nenhum mês, informação que diverge dos balancetes, onde constam PIS e COFINS devidos sobre receitas auferidas com não associados”. Decidiu então a autoridade fiscal “desconsiderar todas as informações prestadas nos DACONs e apurar os montantes de créditos passíveis de ressarcimento com base nos balancetes. Para tanto, e por não ter o interessado contabilidade de custos integrada, fazse necessário separar do total de receitas aquilo que é decorrente do ato cooperativo, estabelecendo uma proporção para rateio das despesas comuns (energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete) entre o que é custo agregado ao produto agropecuário e o que é vinculado às demais operações com não associados”. Sobre as despesas vinculadas aos atos com não associados calculou os créditos nos termos do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, procedendo ao rateio proporcional de acordo com a sua vinculação às receitas tributadas à alíquota normal da nãocumulatividade e às receitas sujeitas à alíquota zero, neste último caso passível de ressarcimento após o desconto da contribuição devida, conforme disposto pelo art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, e 17 da Lei nº 11.033, de 2003. Apresentou, em seguida, planilhas em que segregou as receitas a partir de informações constantes dos balancetes apresentados pela cooperativa em Receitas de revenda de mercadorias (A), Receitas de vendas a não associados (B) e Receitas de serviços prestados a terceiros (C), chegando ao percentual de receita decorrente do ato cooperativo [A / (A + B +C)]) e ao percentual de receita auferida com não associados [(B + C) / (A + B + C)]. No que tange às receitas auferidas com não associados (B + C), promoveu a distinção entre receitas tributadas à alíquota normal (obtidas pela divisão dos valores de PIS/Pasep e de Cofins contabilizados pela pessoa jurídica, informados em seus balancetes, pelas alíquotas respectivas de cada uma desta Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10920.004728/201062 Acórdão n.º 3201004.530 S3C2T1 Fl. 7 6 contribuições = L) e as receitas sujeitas à alíquota zero [N = (B + C) – L]. Prosseguindo, aplicou sobre os valores de despesas informados nos DACONs (P) os percentuais de receita do ato cooperativo (H) e de receitas auferidas com não associados (J), obtendo o valor do Custo agregado ao produto agropecuário (Q) e a Parcela vinculada às demais receitas (R), sendo este último valor entendido como aquele passível apurar o desconto de crédito a que tem direito o contribuinte. Sobre a Parcela vinculada às demais receitas (R), tida como a base de cálculo para a apuração dos créditos, aplicou as alíquotas de 1,65% para o PIS/Pasep (S) e de 7,6% para a Cofins (V). Sobre estes dois últimos valores fez incidir o percentual de receita tributada à alíquota normal (M) e o percentual de receita tributada à alíquota zero (N), chegando aos valores de crédito vinculados à receita normal, não passíveis de desconto (T e X) e os valores de crédito vinculados à receita sujeita à alíquota zero, estes sim, passíveis de desconto (U e Y). Concluindo o procedimento, dos créditos considerados como passíveis de desconto deduziu os valores de PIS/Pasep e de Cofins apurados pelo contribuinte e constantes de seus balancetes chegando, finalmente, aos valores de crédito a serem reconhecidos pela autoridade fazendária competente. Registrou que a apuração do PIS/Pasep e da Cofins devidos em cada mês não fez parte de seu trabalho, em que apenas considerou o valor constante dos balancetes de verificação disponibilizados pela interessada. Quanto ao Mandado de Segurança de nº 5003920 24.2010.404.7201, em cuja Sentença foi determinada a incidência de juros Selic a partir do dia imediatamente posterior ao vencimento do prazo de um ano previsto no art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, até a data do crédito em contacorrente da impetrante, registrou que na lista de documentos constantes da decisão além dos Pedidos de Ressarcimento existem também Declarações de Compensação (as chamadas DCOMPs) em relação às quais a decisão judicial não encontra aplicabilidade. Tendo o contribuinte optado por compensar a integralidade do crédito consignado nos Pedidos de Restituição, afirmou o representante fazendário que a requerente “já se aproveitou do crédito pleiteado muito antes do vencimento do prazo de 360 dias para apreciação do pedido”. (...) Em 01/02/2011, a sociedade cooperativa foi notificada do Despacho Decisório que reconheceu de modo parcial o crédito informado no Pedido de Ressarcimento e do Despacho da SAORT/DRF Joinvile/SC que relacionou os créditos tributários decorrentes das compensações não homologadas, (...). No dia 02/03/2011 a pessoa jurídica apresentou a sua manifestação de inconformidade, (...). Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10920.004728/201062 Acórdão n.º 3201004.530 S3C2T1 Fl. 8 7 No entendimento da litigante, a decisão da autoridade fiscal mostrase “assaz confusa e obscura”, já que o procedimento por ela adotado, na apuração dos créditos em pauta, tem por sustentáculo o comando legal inserto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e até mesmo em ato infralegal constante do art. 23 da Instrução Normativa SRF nº 635, de 2006, norma que expressamente admite a apuração de créditos em relação à energia elétrica consumida nos estabelecimentos da sociedade cooperativa e aos aluguéis de prédios utilizados nas atividades da sociedade cooperativa, dentre outras possibilidades. Ao contrário do afirmado pelo Auditor Fiscal, pouco importa a discussão sobre a “exclusão ou não de crédito tributário”, já que existe norma permitindo a manutenção do crédito, como antes dito. No caso concreto, o desconto de crédito referente às despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciação e frete possui permissão legal expressa no art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, como também na Lei nº 10.865, de 2004. O art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, assegura que uma vez apurado saldo credor em favor da insurgente, tal quantia poderá ser utilizada para a quitação de outros débitos de sua responsabilidade, procedimento por ela adotado, ou então requerido em ressarcimento. O entendimento da autoridade fiscal, atinente à desconsideração dos créditos de PIS/Pasep e Cofins relacionados às despesas incorridas, na proporção dos atos cooperativos e não cooperativos, representa procedimento arbitrário pois praticado ao arrepio da lei, devendo ser corrigido pela autoridade julgadora de primeira instância. Importante observar que a decisão do Senhor AFRFB carece de fundamentação pois em nenhum momento apresentou o dispositivo legal que o levou a glosar parcialmente os créditos referentes às despesas incorridas. Sem disposição legal que impeça o desconto do crédito, este é admissível, tratandose de raciocínio decorrente do princípio de legalidade tributária (art. 150, inc. I da Constituição Federal). O ato administrativo atacado carece de motivação, o que também o fulmina de nulidade. Assegurou o agente fazendário ser de “fácil percepção que às receitas decorrentes do ato cooperativo (afora não se tratarem de operações de compra e venda) aplicase a legislação específica”. Todavia, deixou de esclarecer qual seria a tal da “legislação específica”. Não bastasse a ilegalidade apontada, a decisão ora contraditada atenta contra o princípio da isonomia na medida em que em situação absolutamente idêntica, tratada no processo nº 13984.001478/200919, a autoridade fazendária conferiu integralmente o crédito pleiteado pela Cooperativa Agrícola Frutas de Ouro, (...). Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10920.004728/201062 Acórdão n.º 3201004.530 S3C2T1 Fl. 9 8 Até mesmo a DRF Joinvile, em situação absolutamente idêntica, reconheceu o direito pleiteado em decisão proferida no processo nº 10920.000414/201091, (...). Sendo a norma vinculada, deve atentar para a estrita legalidade, não sendo admitido que os agentes públicos a interpretem de forma discricionária, de modo a aplicála de modo diverso em relação a fatos absolutamente idênticos. O art. 150, inc. II da Constituição Federal representa um verdadeiro corolário do princípio constitucional da isonomia, o que veda o tratamento diferenciado para situações idênticas, como ocorre no caso presente. Demonstrado o flagrante equívoco promovido pelo AFRFB responsável pelo procedimento fiscal, pugna a requerente pela reforma da combatida decisão fiscal, determinandose a baixa dos autos em diligência a fim de que seja apurada a forma correta dos créditos referentes aos insumos adquiridos pela requerente. Também existe equívoco da autoridade fiscal, no que se reporta à determinação judicial de valoração do crédito pela taxa Selic a partir da extrapolação do prazo determinado pelo art. 24 da Lei nº 11.457, de 2011, o que deve ser corrigido por essa instância julgadora. Em abono ao princípio da economia processual e para evitar o cerceamento do direito de defesa e ao contraditório, bem como para evitar julgamentos descompassados em relação a matérias pertinentes, requereu a reunião ao presente dos demais processos da requerente que dizem respeito a créditos de outros fatos geradores, assinalando a existência de provas documentais existentes no processo nº 10920.004716/201038 que devem ser consideradas em todos os demais processos. Finalizando, requereu que a presente manifestação de inconformidade seja declarada procedente, possibilitando ao contribuinte o ressarcimento dos valores de PIS/Pasep e de Cofins glosados, devidamente atualizados pela taxa Selic, o que redundará nas homologações das compensações vinculadas ao crédito em comento. A DRJ/Fortaleza/CE, por meio do Acórdão 08036.350, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. COMPENSAÇÃO. Os créditos do PIS/Pasep apurados em relação a custos, despesas e encargos que não puderem ser aproveitados na dedução de débitos da própria contribuição social poderão ser utilizados na compensação de débitos próprios, vencidos Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10920.004728/201062 Acórdão n.º 3201004.530 S3C2T1 Fl. 10 9 ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, desde que vinculados à receita de exportação. Quanto ao saldo credor acumulado em virtude de vendas efetuadas no mercado interno, somente poderá ser utilizado em procedimento compensatório na hipótese de as vendas haverem sido efetivadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição social em apreço, ex vi o determinado pelo art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. APROPRIAÇÃO DIRETA OU RATEIO PROPORCIONAL. REQUISITOS PARA ELEIÇÃO DA METODOLOGIA ADOTADA. A pessoa jurídica sujeita à cobrança nãocumulativa do PIS/Pasep que aufira receitas no mercado interno vinculadas a operações tributadas e a operações não tributadas (sujeitas à suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência), no caso de existirem custos, encargos e despesas vinculados a ambas as espécies de receitas a apuração do valor do crédito passível de ressarcimento ou de compensação será determinada pelo método da apropriação direta se existir sistema de contabilidade de custos integrado e coordenado com o restante da escrituração, adotandose o método do rateio proporcional, em caso contrário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No Recurso Voluntário, a cooperativa reforça os argumentos de defesa. Circunscreve o litígio assim: “Cumpre lembrar que a presente discussão se circunscreve basicamente ao aproveitamento de créditos alusivos à energia elétrica, alugueis, armazenagem e fretes que, no entendimento da fiscalização, somente poderiam ter sido aproveitados de forma proporcional às vendas realizadas para terceiros à alíquota zero.” Deixa de argumentar quanto à atualização dos créditos. É o relatório. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10920.004728/201062 Acórdão n.º 3201004.530 S3C2T1 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.507, de 28/11/2018, proferido no julgamento do processo 10920.004705/201058, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.507): "O recurso é tempestivo, preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. A recorrente é cooperativa de produção agrícola, tendo efetuado atividades com cooperados e não cooperados. Pede ressarcimento das contribuições que restaram com saldos credores ao final do trimestre. Remanescem no Recurso Voluntário duas matérias em litígio: 1 – Direito de crédito sobre os custos e despesas vinculados à parcela das receitas excluída da base de cálculo das cooperativas de produção, conforme art. 15 da MP 2.15835/2001 e artigo 17 da Lei 10.684/2003 O Fisco glosou os créditos incidentes sobre a parcela dos custos, despesas e outros dispêndios, proporcionais à parcela das receitas que foram excluídas da base de cálculo da cooperativa, excluídas por comando do artigo 15 da MP 2.15835/2001, e artigo 17 da Lei 10.684/2003. Transcrevo trechos do Despacho Decisório pertinentes ao exame em foco (fl. 135 e seguintes “...é de fácil percepção que às receitas decorrentes do ato cooperativo (afora não se tratarem de operações de compra e venda) aplicase a legislação específica, ao passo que às demais receitas decorrentes de operações com terceiros não cooperados aplicase o regramento geral da nãocumulatividade das contribuições pois aí a cooperativa atua como uma empresa comercial comum. É dizer, quando as receitas forem decorrentes do ato cooperativo são exclusões da base de cálculo das contribuições (ainda que os produtos entregues estejam sujeitos à alíquota zero no mercado em geral), nos termos do art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001: (...) A Lei nº 10.684/2003 também traz hipótese de exclusão [art. 17]: (...) Portanto, além das receitas do ato cooperativo, os custos da cooperativa para praticálos também são exclusões da base de cálculo das contribuições. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10920.004728/201062 Acórdão n.º 3201004.530 S3C2T1 Fl. 12 11 Segundo as informações das fichas de apuração dos créditos dos DACONS e as memórias de cálculo entregues em meio digital, as despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete foram consideradas pelo contribuinte simultaneamente como exclusão da receita bruta e como base de cálculo de créditos da não cumulatividade, em claro equívoco. (...) Para tanto [calcular os créditos passíveis de ressarcimento], e por não ter o interessado contabilidade de custos integrada, fazse necessário separar do total de receitas aquilo que é decorrente do ato cooperatibvo, estabelecendo uma proporção para rateio das despesas comuns (energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete) entre o que é custo agregado ao produto agropecuário e o que é vinculado às demais operações com não associados (§§7º e 8º do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, também rateados proporcionalmente de acrodo com a vinculação às receitas tributadas à alíquota normal da nãocumulatividade e a vinculação à receitas sujeitas à alíquota zero, este último passível de ressarcimento após o desconto da contribuição devida, nos termos dos artigos 16 da Lei nº 11.116/2005 e 17 da Lei nº 11.033/2003:” A glosa é correta. Os dispêndios relatados, energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete, encontram previsão legal de direito de crédito, para as pessoas jurídicas em geral, nos termos do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. No caso de regimes tributários diferenciados, convivendo dentro de uma mesma pessoa jurídica, os créditos somente podem ser apropriados quando vinculados ao regime não cumulativo, nos termos do §7º do mesmo artigo: § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência não cumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. A parcela dos dispêndios proporcional aos atos cooperativos, também é ato cooperativo, isto é, faz parte da atividade cooperativista, e não se sujeita à tributação. O STJ, no âmbito do REsp 1.164.716, sob o rito dos repetitivos (art. 543C do CPC), com trânsito em julgado em 22/06/2016, decidiu que a tributação de Pis e Cofins somente incide sobre atos nãocooperativos: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. (…) 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda ,em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10920.004728/201062 Acórdão n.º 3201004.530 S3C2T1 Fl. 13 12 autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ (sic), fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. Portanto, essa parcela não pode gerar créditos, posto que os créditos somente podem ser calculados em relação à parcela das receitas submetidas ao regime não cumulativo. A parcela das receitas fora do campo da tributação, os atos cooperativos, não gera créditos. O art. 17 da Lei 11.033/2004 somente se aplica às receitas e despesas adstritas ao regime não cumulativo das contribuições, o que não é o caso das receitas e despesas vinculadas aos atos cooperativos. 2 – Direito de ressarcimento total dos créditos, sem limitação à proporcionalidade com as receitas exportadas, ou vendidas no mercado interno com isenção, alíquota zero ou não incidência. A recorrente pretende o ressarcimento integral, com compensação, dos créditos apurados. Regra geral, em operações normais, nunca haveria saldos credores de Pis e Cofins não cumulativos, pois cada operação comercial agrega valor aos produtos, e portanto, a saída tem valor maior que a entrada, resultaNdo em saldos devedores de tributos não cumulativos. Desse modo, a lógica básica dos tributos não cumulativos é que se compensem créditos, da entrada, e débitos, na saída, e recolhase a diferença, via de regra, maior. Todavia, há casos em que determinadas operações são tributariamente incentivadas, com isenções, alíquota zero, ou não incidência. Nesses casos, a operação resultará, eventualmente, em saldos credores de tributos, posto que aproveitam créditos na entrada e não incidem débitos na saída. Assim, os benefícios permaneceriam sem utilidade se não pudessem ser ressarcidos em dinheiro, porque não teriam débitos para compensar. O ressarcimento em dinheiro pode, ainda, ser compensado com outros tributos diferentes, tal como organiza toda a legislação pertinente, em especial o artigo 74 da Lei 9.430/96. Desse modo, o ressarcimento é exceção à regra geral, e deve ser expressamente previsto na legislação para que possa ser aplicado. A referência que a recorrente faz às MP´s 552/2012 e 556/2012 não têm pertinência ao caso, pois tratase de permissão de ressarcimento de créditos presumidos, desonerados à saída, por exportação, isenção, não tributação ou alíquota zero. Aqui, se nega o ressarcimento a créditos vinculados a saídas tributadas com alíquotas positivas. Portanto, os dispêndios vinculados aos atos não cooperativos geram crédito, porém as receitas tributadas a alíquotas positivas não se subsumem ao disposto no artigo 17 da Lei 11.033/2004, e os créditos vinculados a essas receitas tributadas com alíquotas positivas somente podem ser compensados com eventuais débitos da mesma contribuição, apurados pela cooperativa, no próprio mês ou em meses subsequentes, conforme artigo 3º, §4º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002, e não podem ser ressarcidos ou compensados com outros tributos. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10920.004728/201062 Acórdão n.º 3201004.530 S3C2T1 Fl. 14 13 Conclusão Pelo exposto, voto negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 290DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.000921/2009-25
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
DIREITO AO CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INSUMOS.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os valores relativos a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, considerando tais itens serem essenciais à atividade do sujeito passivo.
Numero da decisão: 9303-007.790
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer o direito ao crédito referente a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. DIREITO AO CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INSUMOS. Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os valores relativos a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, considerando tais itens serem essenciais à atividade do sujeito passivo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2281; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11516.000921/200925 Recurso nº 1 Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303007.790 – 3ª Turma Sessão de 11 de dezembro de 2018 Matéria CONSTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. INSUMOS DIVERSOS. Recorrentes INDÚSTRIA CARBONÍFERA RIO DESERTO LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. DIREITO AO CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INSUMOS. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os valores relativos a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, considerando tais itens serem essenciais à atividade do sujeito passivo. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar lhe provimento parcial, para reconhecer o direito ao crédito referente a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 09 21 /2 00 9- 25 Fl. 626DF CARF MF Processo nº 11516.000921/200925 Acórdão n.º 9303007.790 CSRFT3 Fl. 3 2 transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratamse de recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo contra o acórdão nº 3803003.870, que deu provimento parcial ao recurso voluntário. Após ser integrado por acórdão que acolheu, em parte, os embargos de declaração interpostos por Conselheiro, restou consignada a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2007 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Insumo dedutível para efeito de Cofins não cumulativa é todo aquele relacionado direta ou indiretamente com a produção do contribuinte e que afete as receitas tributadas pela contribuição social. E quando o cumprimento das obrigações ambientais impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, gere despesas, estas devem ser consideradas insumo. Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto ao conceito de insumo aplicável para fins de tomada de créditos das contribuições não cumulativas. Dentre outros argumentos, defende que, para dos créditos em foco, a legislação estabelece que se incluem no conceito de insumo, além das matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto. Fl. 627DF CARF MF Processo nº 11516.000921/200925 Acórdão n.º 9303007.790 CSRFT3 Fl. 4 3 Mediante Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Irresignado, o sujeito passivo opôs Embargos de Declaração alegando contradição e obscuridade quanto ao pronunciamento acerca dos concretos e corretos itens passíveis de aproveitamento do crédito. Todavia, seus embargos foram rejeitados. Contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda foram apresentados pelo sujeito passivo. Em síntese, o contribuinte defende que não se deve considerar, para fins de creditamento do PIS e da Cofins não cumulativos, os conceitos de insumos aplicáveis à apuração de créditos do IPI e do ICMS. O sujeito passivo também interpôs Recurso Especial ao qual foi dado seguimento. Foi admitida a rediscussão da questão relativa ao conceito de insumo aplicável para o reconhecimento do direito de créditos das contribuições não cumulativas. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao Recurso Especial do sujeito passivo. Alega, essencialmente, que não há como se admitir a adoção da legislação do IRPJ para se conceituar insumo para fins de constituição de créditos de PIS e Cofins não cumulativos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.785, de 11/12/2018, proferido no julgamento do processo 11516.000925/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.785): "Depreendendose da análise dos recursos interpostos pelo sujeito passivo e pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que em relação às matérias trazidas foram comprovadas as divergências, conforme preceitua o art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. O que concordo com os exames constantes dos Despachos de Admissibilidade. Em vista do exposto, conheço os recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo. Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se tratava de matéria controvérsia – pois, em fevereiro de 2018, o STJ, em sede de recurso repetitivo, ao apreciar o REsp 1.221.170, definiu que o Fl. 628DF CARF MF Processo nº 11516.000921/200925 Acórdão n.º 9303007.790 CSRFT3 Fl. 5 4 conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo sujeito passivo. Em 24.4.2018, foi publicado o acórdão do STJ, que trouxe em sua ementa: “TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte.” Definiu ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas IN SRF 247 e 404 que, por sua vez, traz um entendimento mais restritivo que a descrita na lei. Nessa linha, efetivamente a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, tal como já entendia, expresso que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pela contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Fl. 629DF CARF MF Processo nº 11516.000921/200925 Acórdão n.º 9303007.790 CSRFT3 Fl. 6 5 Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante recordar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, era de se constatar que o entendimento predominante considerava o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Fl. 630DF CARF MF Processo nº 11516.000921/200925 Acórdão n.º 9303007.790 CSRFT3 Fl. 7 6 Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Fl. 631DF CARF MF Processo nº 11516.000921/200925 Acórdão n.º 9303007.790 CSRFT3 Fl. 8 7 Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. Tal como expressou o STJ em recente decisão. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): Fl. 632DF CARF MF Processo nº 11516.000921/200925 Acórdão n.º 9303007.790 CSRFT3 Fl. 9 8 “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Fl. 633DF CARF MF Processo nº 11516.000921/200925 Acórdão n.º 9303007.790 CSRFT3 Fl. 10 9 Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados Fl. 634DF CARF MF Processo nº 11516.000921/200925 Acórdão n.º 9303007.790 CSRFT3 Fl. 11 10 IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Fl. 635DF CARF MF Processo nº 11516.000921/200925 Acórdão n.º 9303007.790 CSRFT3 Fl. 12 11 Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Nessa linha, o STJ, que apreciou, em sede de repetitivo, o REsp1.221.170 – trouxe, pelas discussões e votos proferidos, o mesmo entendimento já aplicável pelas suas turmas e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Privilegiando, assim, a segurança jurídica que tanto merece a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Ademais, importante trazer ainda a NOTA SEI PGFN/MF 63/2018: "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014." Tal Nota contempla em seus itens 41 a 43: “41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo." Sendo assim, fica firmado pela PGFN o seguinte conceito de insumos: Fl. 636DF CARF MF Processo nº 11516.000921/200925 Acórdão n.º 9303007.790 CSRFT3 Fl. 13 12 “Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.” Após superada a conceituação de insumos para fins de constituição de crédito de PIS e Cofins, passo a analisar os itens trazidos pelo sujeito passivo que, por sua vez, tem como atividade a exploração e produção do carvão mineral. Para tanto, importante recordar o voto constante do acórdão recorrido: “[...] Não é possível reconhecer o direito creditório em relação às despesas com o transporte de funcionários, fornecimento de água, leite, pintura de banheiro, material de limpeza, material de escritório, refeição, vigilância, limpeza, encadernação, controle e prevenção de pneumoconiose, fornecer equipamento de proteção individual etc, pois estas despesas não podem ser consideradas insumo para efeito de creditamento, ainda que o Acordo Coletivo de Trabalho tenha obrigado a empresa a fornecer, equipamento de proteção aos funcionários, aquisição de caixas de papelão, bem como o fornecimento de água e leite aos seus funcionários. Por certo que estes 2 (dois) últimos produtos, dentre outros, não apresentam nenhuma relação com o processo produtivo de uma mina de extração de carvão mineral e por isso agiu bem a fiscalização em glosálos. [...] A mesma sorte ocorre em relação às despesas resultantes das aquisições com correias transportadoras, os cabos elétricos e mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão e aquisição de caixas de papelão, pois penso que aqui falhou a interessada ao não ter demonstrado se estes produtos foram efetivamente aplicados na atividade de extração mineral. Ainda não deve ser concedido crédito em relação as despesas com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, uma vez que as notas fiscais anexas às fls. 498/499 do PAF n.º 13963.000565/200573, referentes a serviços de conserto de motor, não provam que estes serviços tenham sido realizados em equipamentos relacionados com o processo produtivo da empresa, ainda mais quando estas notas fiscais não são coincidentes com nenhuma das notas fiscais glosas e citadas na planilha elaborada pelo agente fazendário. Cumpre ainda observar que embora a empresa tenha juntado aos autos as notas fiscais anexas às fls. 498/499 do PAF n.º 13963.000565/200573, referentes a serviços de conserto de motor, por outro lado não há provas de que estes serviços tenham sido realizado em equipamentos relacionados com o processo produtivo da empresa, ainda mais quando estas notas fiscais não são coincidentes com nenhuma das notas fiscais glosas e citadas na planilha elaborada pelo agente fazendário. Quanto às despesas com aquisições de explosivos e cursos em relação aos mesmos, penso que estas despesas estão relacionadas com o processo produtivo. Entretanto, o contribuinte não instruiu os autos com notas fiscais de aquisição e nem mesmo contratos de prestação de serviços em relação aos cursos de operacionalização destes explosivos, razão pela qual não demonstrando o seu direito não há fundamento para o reconhecimento dos créditos neste particular. O mesmo digase em relação às despesas com embalagens e etiquetas.” Fl. 637DF CARF MF Processo nº 11516.000921/200925 Acórdão n.º 9303007.790 CSRFT3 Fl. 14 13 Após breve recordação, considerando que o acórdão de recurso voluntário não trouxe especificamente os diversos itens constantes do recurso voluntário, ainda que tenha sido apreciado pelo colegiado a quo ao adotar o termo “etc.” no voto recorrido, passarei a analisar os diversos itens questionados em recurso voluntário, com exceção daqueles que o contribuinte logrou êxito no acórdão recorrido (custos relacionados às obrigações ambientais e aos custos de serviços de terraplanagem e destinação final de resíduos, monitoramento do ar e serviços necessários para a recuperação do meio ambiente): 1. Despesas com o transporte de funcionários em trajetos específicos, por não conseguir identificar se referia a trajeto interno (na produção) ou externo (do domicílio do trabalhador para a produção), entendo que não há como reconhecer o crédito das contribuições; 2. Fornecimento de água potável, leite, marmitas, lanches, entendo serem itens passíveis de geração de crédito das contribuições, vez que, pela atividade do contribuinte, o trabalho em minas de carvão traz uma particularidade crítica na movimentação dos trabalhadores – inclusive para sair desse ambiente à procura de estabelecimentos de comércio alimentar e, adotando o teste de subtração da Nota PGFN, entendo que tal item é essencial para a sua atividade; 3. Exames e tratamentos médicos e assistência ao trabalhador acidentado, ainda que necessários, não há como se reconhecer o direito ao crédito das contribuições, pois não entendo que há como se vincular direta ou indiretamente à produção do carvão, por exemplo; 4. Uniformes e Equipamentos de Proteção Individual, entendo que tais custos geram o direito ao crédito das contribuições, inclusive por ser obrigatório nessa atividade. Recordo que essa turma já apreciou esse item – o que peço licença para transcrever parte das ementas dos seguintes acórdãos: · Acórdão 9303006.222 – Conselheiro Demes Brito “[...] COFINS NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. UNIFORME/VESTUÁRIO. EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. LUBRIFICANTES E COMBUSTÍVEIS. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS uniforme, vestuário, equipamento de proteção individual, combustíveis e lubrificantes.[...]” · Acórdão 9303005.526 – Charles Mayer de Castro Souza “[...] No caso julgado, são exemplos de insumos: a) os materiais de segurança ou proteção individual, tais como: avental, bota, botina, capacete, creme protetor, máscaras, meia, protetor auricular, protetor facial e botas sete léguas; b) materiais de uso geral: arruela, mangueira, rodinho, chave allen, chave boca, chave fenda, lâmpadas, Fl. 638DF CARF MF Processo nº 11516.000921/200925 Acórdão n.º 9303007.790 CSRFT3 Fl. 15 14 parafuso allen, parafuso bucha, parafuso sextavado, porca inox, retentor, rolamento, tubo galvanizado e tubo PVC [...]” · Acórdão 9303005.912 – Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas “[...] PIS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de uniformes/vestimentas, cuja aplicação não seja em decorrência de exigências legais, além da necessária comprovação de sua utilização diretamente no processo produtivo. Da mesma forma os combustíveis e lubrificantes só dão direito ao crédito se utilizados diretamente no processo produtivo. Acatase os créditos da aquisição de equipamentos de proteção individual em razão de seu necessário consumo, com o tempo, durante o uso no processo produtivo. [...]” 5. Controle e Prevenção de Pneumoconiose, tal como os custos com exames e tratamentos médicos, ainda que necessários, não há como se reconhecer o direito ao crédito das contribuições; 6. Auditorias de certificação de qualidade e de procedimento como as ISO, ainda que necessários, não há como se gerar crédito pois não vinculada diretamente ou indiretamente à produção do carvão; 7. Caixas de Papelão e Sacos BIG Bag, entendo que geram direito ao crédito, pois essenciais para o acondicionamento do carvão produzido; ademais as etiquetas decorrem de exigência obrigatória, por se tratar de produtos perigosos; 8. Correias de Transporte, entendo ser essencial à atividade na exploração da mina, o que entendo ser gerador de crédito; 9. Gastos com explosivos e cursos técnicos relativos à operação da mina, entendo serem essenciais à sua atividade de exploração, bem como o curso atrelado a esses gastos, para se prevenir a segurança; 10. Sondagens, entendo que serem geradores de crédito, pois essencial à sua atividade; 11. Pintura de banheiro, material de limpeza, material de escritório, vigilância, limpeza, encadernação, entendo que não há como se reconhecer o crédito, vez que são meros custos administrativos. Quanto à limpeza, não há comprovação da vinculação à sua atividade fim; 12. Custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, entendo que tais itens são essenciais à sua atividade. Em vista do exposto, dou provimento parcial ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Quanto aos itens trazidos em Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, importante recordar o voto do acórdão recorrido: Fl. 639DF CARF MF Processo nº 11516.000921/200925 Acórdão n.º 9303007.790 CSRFT3 Fl. 16 15 “[...] Assim, considerando a planilha anexa aos autos em que estão relacionados os serviços e produtos glosados pela fiscalização, ou seja, excluídos do creditamento da contribuição, reconheço do pleito do contribuinte em relação todas as despesas ocorridas em razão das prestações de serviços vinculados ao meio ambiente, dado que estas despesas somente ocorreram em função das imposições decorrentes do Acordo Judicial de Conduta e dos Termos de Ajuste de Conduta celebrados com Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual e FÁTMA. Assim, partindo da planilha elaborada pelo agente fazendário, concedo créditos em relação às aquisições de serviços e produtos mencionados na tabela abaixo, por compreender que estes são essenciais para o processo produtivo da empresa e ainda por estas despesas terem decorrido de imposição do Poder Público: [...] Logo, compreendo que deve ser reconhecido o direito aos créditos pleiteados para todas as despesas relacionadas de alguma forma com a recuperação do meio ambiente, ainda que não estejam relacionadas na planilha elaborada pela repartição de origem, uma vez que esses serviços são essenciais ao funcionamento da empresa, ou seja: risco ambiental, recuperação ambiental, auditorias ambiental, terraplanagem para recuperação ambiental, prestação de serviços com o objetivo de obtenção da Licença Ambiental Prévia, prestação de serviços de monitoramento do ar na área de influência das minas, serviços de acompanhamento das etapas de elaboração de diagnóstico ambiental, serviços de estudos hidrológicos, locação de máquinas e equipamentos para aterro com o intuito de recuperação ambiental, de ensaio técnico, serviços de elaboração de Estudos de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente (FIA/RIMA), prestação de serviços de diagnóstico ambiental nas áreas impactadas pela mineração por meio de avaliação da flora e fauna visando a avaliação da reabilitação de áreas degradadas, prestação de serviços de geomecânica e avaliação dos parâmetros de qualidade das camadas que foram o teto e o piso da mina, prestação de serviços de dimencionamento de pilares de minas, prestação de serviços planialtimétricos, anteprojeto de recuperação de área ambiental e drenagem, serviços de coleta de resíduos sólidos. Ainda assiste razão ao contribuinte quando requer os créditos em relação a depreciação dos bens do ativo imobilizado, principalmente quando o fiscal nada comenda a respeito, bem mesmo o julgador de primeiro grau, uma vez que os contribuintes sujeitos a incidência não cumulativa do PIS/COFINS, em relação aos bens adquiridos, podem descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação, nos termos da legislação aplicável. Assim, podem gerar direito a estes créditos as depreciações das empilhadeiras, bombas hidráulicas, motores etc, desde que registrados no ativo imobilizado.[...]” Em relação aos itens descritos no voto do acórdão recorrido, manifesto minha concordância, pois entendo que todos são essenciais à atividade do sujeito passivo, o que, fazendo o teste de subtração, impossível a operacionalização de sua atividade. Em vista do exposto, voto por: · Dar provimento parcial ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo; Fl. 640DF CARF MF Processo nº 11516.000921/200925 Acórdão n.º 9303007.790 CSRFT3 Fl. 17 16 · Negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional." (...) Transcrevese, a seguir, o voto vencedor do acórdão paradigma, que tratou do direito de crédito quanto ao fornecimento de água potável, leite, marmitas, lanches e cursos técnicos relativos à operação da mina: "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo parcialmente de suas conclusões quanto aos itens que são possíveis de creditamento à luz do novo conceito de insumos introduzidos pela decisão do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos. Importante esclarecer, que parte desse colegiado, nas sessões de julgamento precedentes, inclusive eu, não compartilhava do entendimento de que a legislação da não cumulatividade do PIS e da Cofins dava margem para compreender o conceito de insumos no sentido de sua relevância e essencialidade às atividades da empresa como um todo. No nosso entender a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. Embora não aplicável a legislação restritiva do IPI, o insumo era restrito ao item aplicado e consumido diretamente no processo produtivo, não se admitindo bens ou serviços que, embora relevantes, fossem aplicados nas etapas préindustriais ou pós industriais, a exemplo dos conhecidos insumos de insumos, como é o caso do adubo utilizado na plantação da canadeaçúcar, quando o produto final colocado à venda é o açúcar ou o álcool. Porém, como bem esclareceu a relatora em seu voto, o STJ, no julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, submetido à sistemática dos recursos repetitivos de que tratam os arts. 1036 e seguintes do NCPC, trouxe um novo delineamento ao trazer a interpretação do conceito de insumos que entende deve ser dada pela leitura do inciso II dos art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. A própria Fazenda Nacional, editou a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN MF, na qual traz que o STJ em referido julgamento teria assentado as seguintes teses: “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte". Portanto, a partir desta sessão de julgamento, por força do efeito vinculante da citada decisão do STJ, esse conselheiro passará a adotar o entendimento muito bem explanado pela relatora e também pela citada nota da PGFN. Para que o conceito doravante adotado seja bem esclarecido, transcrevo abaixo excertos da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, os quais considero esclarecedores dos critérios a serem adotados. (...) 15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos Fl. 641DF CARF MF Processo nº 11516.000921/200925 Acórdão n.º 9303007.790 CSRFT3 Fl. 18 17 mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observase que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividadefim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques. 18. (...) Destarte, entendeu o STJ que o conceito de insumos, para fins da não cumulatividade aplicável às referidas contribuições, não corresponde exatamente aos conceitos de “custos e despesas operacionais” utilizados na legislação do Imposto de Renda. (...) 36. Com a edição das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, o legislador infraconstitucional elencou vários elementos que como regra integram cadeias produtivas, considerandoos, de forma expressa, como ensejadores de créditos de PIS e COFINS, dentro da sistemática da nãocumulatividade. Há, pois, itens dentro do processo produtivo cuja indispensabilidade material os faz essenciais ou relevantes, de forma que a atividadefim da empresa não é possível de ser mantida sem a presença deles, existindo outros cuja essencialidade decorre por imposição legal, não se podendo conceber a realização da atividade produtiva em descumprimento do comando legal. São itens que, se hipoteticamente subtraídos, não obstante não impeçam a consecução dos objetivos da empresa, são exigidos pela lei, devendo, assim, ser considerados insumos. (...) 38. Não devem ser consideradas insumos as despesas com as quais a empresa precisa arcar para o exercício das suas atividades que não estejam intrinsicamente relacionadas ao exercício de sua atividadefim e que seriam mero custo operacional. Isso porque há bens e serviços que possuem papel importante para as atividades da empresa, inclusive para obtenção de vantagem concorrencial, mas cujo nexo de causalidade não está atrelado à sua atividade precípua, ou seja, ao processo produtivo relacionado ao produto ou serviço. 39. Vale dizer que embora a decisão do STJ não tenha discutido especificamente sobre as atividades realizadas pela empresa que ensejariam a existência de insumos para fins de creditamento, na medida em que a tese firmada referese apenas à atividade econômica do contribuinte, é certo, a partir dos fundamentos constantes no Acórdão, que somente haveria insumos nas atividades de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. Desse modo, é inegável que inexistem insumos em atividades administrativas, jurídicas, contábeis, comerciais, ainda que realizadas pelo contribuinte, se tais atividades não configurarem a sua atividadefim. (...) 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. (...) Fl. 642DF CARF MF Processo nº 11516.000921/200925 Acórdão n.º 9303007.790 CSRFT3 Fl. 19 18 50. Outro aspecto que pode ser destacado na decisão do STJ é que, ao entender que insumo é um conceito jurídico indeterminado, permitiuse uma conceituação diferenciada, de modo que é possível que seja adotada definição diferente a depender da situação, o que não configuraria confusão, diferentemente do que alegava o contribuinte no Recurso Especial. 51. O STJ entendeu que deve ser analisado, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou relevante para o processo produtivo ou à atividade principal desenvolvida pela empresa. Vale ressaltar que o STJ não adentrou em tal análise casuística já que seria incompatível com a via especial. 52. Determinouse, pois, o retorno dos autos, para que observadas as balizas estabelecidas no julgado, fosse apreciada a possibilidade de dedução dos créditos relativos aos custos e despesas pleiteados pelo contribuinte à luz do objeto social daquela empresa, ressaltandose as limitações do exame na via mandamental, considerando as restrições atinentes aos aspectos probatórios. (...) Portanto, partindo dessas premissas é que iremos analisar, em cada caso, o direito ao crédito de PIS e Cofins de que tratam o inc. II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Passemos então à análise dos itens específicos do presente processo, dos quais discordamos da ilustre relatora. No caso específico nossa discordância é em relação a fornecimento de água potável, leite, marmitas, lanches e cursos técnicos relativos à operação da mina. Apesar de tanto a relatora quanto eu estarmos em sintonia em relação ao conceito de insumos trazidos pela decisão do STJ, não tenho a mesma conclusão que ela que tais itens possam ser considerados insumos e serem relevantes e pertinentes para a atividade produtiva exercida pelo contribuinte. Com a devida venia, não considero que sejam itens, cuja subtração possa obstar a atividade produtiva do contribuinte. Não há como considerálos como insumos da atividade produtiva do contribuinte. Veja como dispõe a legislação do PIS e da Cofins quanto à possibilidade de creditamento: Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (...) Creio que a atenta leitura do dispositivo legal é suficiente para afastar o crédito da nãocumulatividade em relação a itens estranhos ao processo produtivo do contribuinte. Portanto, deixo de acompanhar a relatora em relação aos itens: fornecimento de água potável, leite, marmitas, lanches e cursos técnicos relativos à operação da mina. Em conclusão, nego o aproveitamento de créditos da nãocumulatividade de PIS/Cofins sobre esses itens." Fl. 643DF CARF MF Processo nº 11516.000921/200925 Acórdão n.º 9303007.790 CSRFT3 Fl. 20 19 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Recurso Especial do Contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para reconhecer o direito ao crédito referente a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão. O colegiado também conheceu do Recurso Especial da Fazenda Nacional, mas, no mérito, negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 644DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.905942/2008-20
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/1999
ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA.
A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares que seriam expedidas pelo Executivo, conclui-se que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS.
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de ser indeferido seu pedido.
Numero da decisão: 3001-000.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas no recurso e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/1999 ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA. A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares que seriam expedidas pelo Executivo, conclui-se que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de ser indeferido seu pedido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas no recurso e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
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COFINS. PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. Recorrente SAVIPLAST INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/1999 ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA. A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares que seriam expedidas pelo Executivo, concluise que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de ser indeferido seu pedido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas no recurso e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 59 42 /2 00 8- 20 Fl. 163DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Por bem resumir os fatos descritos nos autos, adoto, por transcrição, o sucinto relatório que lastreou o v. acórdão recorrido (fls. 46/47), verbis. Trata o presente processo fiscal de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRFB jurisdicionante relativo à COntribl1Íçã0 para O PIS/P2lSep, em virtude de exame de declaração de compensação no qual Foi homologado o encontro de contas por ausência/insuficiênciade créditos oponíveis contra a Fazenda Pública. A interessada por sua vez, contesta o Parecer alegando em sede de preliminar sua nulidade. No mérito, alega que ao fazer levantamento de importâncias pagas a título de Pis e Cofins, conforme disposição Lei 9.718/98, da constatou valores pagos a maior, conforme seu entendimento e documentos que teriam sido apresentados no presente processo. Contesta 0 conceito de receita bruta e a tributação sobre a totalidade das receitas, instituído pela lei acima referida. Afirma que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável com base no disposto no art. 30, §2, inciso III, da Lei 9.718/1998, o que teria gerado indébitos compensáveis. Também é alegado que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração indevida do tributo. A decisão recorrida desacolheu a manifestação de inconformidade da empresa, alegando que a pretensão da impugnante de excluir da base de cálculo da contribuição valores que alega terem sido repassados a terceiros, por entender que a regra insculpida no inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.718/1998, teve a sua eficácia condicionada à regulamentação por parte do Poder Executivo, fato que nunca ocorreu até o advento de sua revogação por força do inciso IV, art. 47, da Medida Provisória nº 1.99119/2000. Argumentou, em defesa do seu entendimento, expressa disposição do Ato Declaratório SRF 56/2000, segundo o qual "não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1 ° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica" (fls. 49). Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11020.905942/200820 Acórdão n.º 3001000.624 S3C0T1 Fl. 3 3 Regularmente cientificada do teor do Acórdão nº 1018.472 em 13.03.2002 (fls. 50/51), ingressou o contribuinte com Recurso Voluntário em 13.04.2009 (fls. 52/79), reiterando suas razões impugnatórias constantes da Manifestação de Inconformidade, alegando preliminarmente que (i) a decisão recorrida foi proferida com ausência de fundamentação; (ii) laborou o julgador singular desvio de finalidade; (iii) daí resultando para o contribuinte prejuízo ao contraditório administrativo, à ampla defesa e ao devido processo legal. Em razões de mérito, sustentou que: (a) o crédito pretendido é passível de compensação; (b) é patente a legalidade da sua pretensão com fulcro nos incisos do § 2º, art. 3º, da citada Lei 9.718/1993; (c) a compensabilidade dos créditos pretendida é legalmente cabível; (d) a autoridade recorrida laborou em ilegalidade e inconstitucionalidade; e, (e) concluiu, verbis. Pelo exposto, requer a Recorrente seja provido o presente recurso a fim de que seja homologada a compensação declarada, reconhecendose a relevância dos fundamentos de fato e de direito ora encaminhados ao seu elevado crivo, com a conseqüente refonna do Acórdão DRJ/POA n° 1018.472, de 27 de fevereiro de 2009.. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. O contribuinte foi regularmente cientificada do teor do Acórdão nº 1018.477 em 13.03.2009( fls. 50/51), e ingressou com Recurso Voluntário em 13.03.2009 (fls. 52/79), através de procurador habilitado, preenchendo os demais pressupostos legais, pelo que dele tomo conhecimento por tempestivo o apelo Das Preliminares Data venia do hercúleo esforço do ilustre advogado da recorrente, entendo que não se sustentam juridicamente as preliminares deduzidas em sede recursal. Com efeito, embora sucinta, a decisão guerreada fundamentou de forma consistente e segura os argumentos que lastrearam sua conclusão. Logo, não há falar em falta de fundamentação e/ou desvio de finalidade, tendo em vista que a jurisprudência dos Tribunais Superiores, deste CARF e da própria Câmara Superior de Recursos Fiscais é firme e reiterada quanto ao acerto e juridicidade da decisão recorrida. Ademais, incumbe à parte comprovar a existência do crédito, com liquidez e certeza; e todas as oportunidades foram oferecidas à empresa para tal demonstração. Todavia, a pretensão do recorrente esbarra na ilegalidade de seu pedido, haja vista que o benefício que daria azo ao crédito pretendido dependia de regulamentação pelo Poder Executivo, o que nunca aconteceu. Tanto isto é verdade que foi editado o Ato Declaratório SRF nº 56/2000 disciplinando a inaplicabilidade do inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei nº 9.718/1993; e, posteriormente, foi editada a Medida Provisória nº 1.99119/2000, revogando expressamente o alegado benefício fiscal. Consequentemente, rejeito as preliminares suscitadas em sede de Recurso Voluntário. Fl. 165DF CARF MF 4 Do Mérito Nos aspectos de mérito, melhor sorte não socorre ao recorrente, relativamente à pretensão deduzida. Senão, vejamos. Como relatado, a discussão gira em torno de ses aceita (ou não) a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores que a empresa alega terem sido repassados a terceiros, por entender a decisão recorrida que a regra insculpida no inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.718/1998, teve a sua eficácia condicionada à regulamentação por parte do Poder Executivo, fato que nunca ocorreu até o advento de sua expressa revogação, por força do inciso IV, art. 47, da Medida Provisória nº 1.99119/2000. Argumentou a autoridade recorrida, em defesa do seu entendimento, expressa disposição do Ato Declaratório SRF 56/2000, segundo o qual "não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1 ° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica". Essa matéria, todavia, já é bem conhecida desse colegiado, inclusive dessa Turma Extraordinária que, através do Acórdão nº 3001000.409, de minha relatoria, proferido durante a sessão de 10 de julho próximo passado, corroborou a jurisprudência do CARF no sentido de que, por falta de regulamentação do Poder Executivo, não gerou eficácia aos contribuintes o benefício previsto no inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.718/1998, cujo voto transcrevo a seguir como fundamentos de decidir nestes autos, verbis. Como relatado, cuida o presente processo de pedido de compensação, no valor de R$ 6.755,07, mais devidas correções, pela não aplicação do art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.715/98. Demandase, assim, a autoexecutoriedade do artigo em comento e a compensação dos recolhimentos a maior do PIS e COFINS entre fevereiro de 1999 e agosto de 2000. Ambas as decisões recorridas (Despacho Decisório e Acórdão da DRJ/POA) entenderam pelo indeferimento total do pleito do requerente por considerar não ser autoaplicável o benefício constante do inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.715/1998, em virtude da expressão “observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo”, normas estas que nunca foram editadas, como expressamente reconhecido pelo Ato Declaratório 56/2000 e pela Instrução Normativa SRF 006/2000 . Argumentouse mais, no v. Acórdão recorrido, que a documentação apresentada pelo contribuinte fora insuficiente para a comprovação dos pagamentos alegadamente efetuados pela impugnante, ora recorrente, e que a pretensão encontra óbice também nas disposições da IN/SRF nº 006/2000. Ao contrário do trazido pela parte tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário, não se trata da discussão do decreto ser norma secundária, não podendo, pois, regular o dispositivo em comento. De fato, a discussão sobre a aplicação ou não de algo literalmente previsto no dispositivo legal primário, como o art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/98, diz respeito à constitucionalidade ou não de tal previsão legal, o que não compete à seara administrativa. Para tanto, resta Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11020.905942/200820 Acórdão n.º 3001000.624 S3C0T1 Fl. 4 5 consolidado na Súmula nº 2 do CARF, determinando que o Colegiado “não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Além disso, especificamente sobre o dispositivo em questão, o Ato Declaratório SRF nº 56/2000, apresenta os mesmos fundamentos, no sentido de que o dispositivo não seria autoexecutório, in verbis: "O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuções, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do §2º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998, condição resolutória para sua eficácia (...) considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória No 1.991 18, de 9 de junho de 2000; considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, declara: não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1o de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica". Nesse diapasão, mister é reproduzir trecho do acórdão produzido pela 2ª Turma da DRJ em Porto Alegre de nº 10 14.542, na página 33 do processo em questão, que ratifica esse escorreito posicionamento: "Irrelevante, para esse caso, a premissa de que o regulamento não pode alterar o conteúdo da lei, haja vista que, tratandose de dispositivo normativo que não tinha o atributo da auto executoriedade (sic), obviamente, enquanto não expedido o ato regulamentador, embora vigente, não produza efeitos. De fato, foi o dispositivo expressamente revogado pelo inciso IV do art. 47 da Medida Provisória nº 1.88118/2000, sem que houvesse sido regulamentado, não tendo, assim, produzido efeitos no curso de sua vigência." O recorrente trouxe diversas jurisprudências vanguardistas do TRF4 no sentido de não precisar de norma regulamentadora, como o REAgR 378191/RJ, a AP em MS – 74550, Proc. 200071070075522, UF: RS e ACAP – 480218, proc. 200170000022294, UF:PR, contidos nas folhas 5153. Contudo, tais jurisprudências não são de Tribunais Superiores e não autorizam a instância administrativa a se manifestar sobre questões constitucionais, conforme previsto no Decreto Nº 2.346/1997, porquanto não há uma interpretação inequívoca e definitiva do texto constitucional. Dessarte, conforme o próprio requerente reconhece em seu Recurso (fsl. 50), não há consenso sobre a questão da norma em comento ser autoaplicável ou não. Fl. 167DF CARF MF 6 Por conseguinte, em face de todo o exposto, uma vez não reconhecido o direito do recorrente de recolher os PIS e COFINS nos moldes previstos no art. 3º, §2º, III da Lei 9718/98, conforme sustentado no apelo em julgamento (fls. 55), não há que se falar, também, em direito de efetuar a compensação do montante recolhido indevidamente, com parcelas vincendas dos próprios tributos na forma do art. 66 da Lei 8.383/91, como também sustentado pelo contribuinte em seu apelo, via pedido alternativo (fls. 55/65), partindo da alegada condição (fls. 55), de que a primeira parte do pedido seria provido, fato que não se confirma no caso concreto em exame. Ademais, a matéria já foi objeto de debate e julgamento pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara deste Colegiado que, em sessão de 25 de maio de 2017, proferiu o Acórdão nº 3301.003.671, por unanimidade de votos, afastando a tese da autoaplicabilidade da norma insculpida no inciso III, § 2º, art. 3º, da citada Lei 9.715/1998 (Proc. 11065.910359/200903), pelos fundamentos sintetizados na seguinte ementa, verbis. "EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL COFINS. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA. A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, concluise que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Desta forma, voto no sentido de tomar conhecimento para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Diante do exposto, e coerente com o meu entendimento esposado quando do julgamento do Processo 11080.901059/200856, tendo como recorrente a empresa Trefilaço Fl. 168DF CARF MF Processo nº 11020.905942/200820 Acórdão n.º 3001000.624 S3C0T1 Fl. 5 7 Trefilação de Metais Ltda., que resultou no Acórdão nº 3001000.409, de 10.07.2018, também desta feita VOTO para tomar conhecimento do Recurso Voluntário deduzido pela empresa SAVIPLAST INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTA., rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, para negar provimento ao apelo da recorrente. (assinado digitalmente) Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Fl. 169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12571.000193/2008-79
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS DO IRPJ E CSLL NÃO RECOLHIDAS.
Por expressa disposição legal, é legítima a exigência de multa isolada da pessoa jurídica que tenha optado pelo pagamento mensal do IRPJ e da CSLL, apurada sobre base de cálculo estimada, que deixar de fazê-lo ou fazê-lo em montante inferior ao devido, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal no ano-calendário correspondente.
Numero da decisão: 9101-004.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e Luis Fabiano Alves Penteado, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS DO IRPJ E CSLL NÃO RECOLHIDAS. Por expressa disposição legal, é legítima a exigência de multa isolada da pessoa jurídica que tenha optado pelo pagamento mensal do IRPJ e da CSLL, apurada sobre base de cálculo estimada, que deixar de fazê-lo ou fazê-lo em montante inferior ao devido, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal no ano-calendário correspondente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e Luis Fabiano Alves Penteado, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1604; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 134 1 133 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 12571.000193/200879 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101004.022 – 1ª Turma Sessão de 13 de fevereiro de 2019 Matéria IRPJ MULTA ISOLADA Recorrente MADEIREIRA RICKLI LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS DO IRPJ E CSLL NÃO RECOLHIDAS. Por expressa disposição legal, é legítima a exigência de multa isolada da pessoa jurídica que tenha optado pelo pagamento mensal do IRPJ e da CSLL, apurada sobre base de cálculo estimada, que deixar de fazêlo ou fazêlo em montante inferior ao devido, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal no ano calendário correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e Luis Fabiano Alves Penteado, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 00 01 93 /2 00 8- 79 Fl. 134DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Autos de Infração (fls. 22 a 31) lavrados em 13.11.2008 referentes à aplicação de multas isoladas (de 50% sobre o valor que deixou de ser recolhido) ante o não recolhimento das antecipações mensais do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (“IRPJ”) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (“CSLL”), calculadas de acordo com a base de cálculo estimada, referente ao ano calendário de 2004. Em face de tal exigência fiscal, a Recorrente apresentou Impugnação em 17.12.2008 (efls. 36 a 38), alegando em síntese que, tendo sido apurado resultado negativo no ano calendário de 2004, não seria cabível a aplicação de multas ante o não recolhimento de antecipações do IRPJ e da CSLL correspondentes ao período. Sob o Acórdão nº 0628.612 (efls. 55 a 59), a 2ª Turma da DRJ/CTA, em 07 de outubro de 2010, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário. Vejase a ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. A falta de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada pela pessoa jurídica que optou pela tributação com base no lucro real anula implica, por força de determinação legal, a aplicação da multa de ofício isolada, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal no anocalendário correspondente. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Uma vez efetuada a opção pela forma de tributação com base no lucro real anual, a pessoa jurídica fica sujeita a antecipações mensais da contribuição, calculadas com base em estimativa. O não recolhimento ou o recolhimento a menor do tributo sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada prevista no art. 44, II, alínea "b" da Lei 9.430, de 1996, na redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. Inconformada, a empresa interpôs Recurso Voluntário (efls. 64 a 67) repisando seus argumentos. No CARF, sob o acórdão nº 1202000.698 (efls. 72 a 79), em 18 de janeiro de 2012, foi negado provimento ao recurso da contribuinte. Acompanhese a ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004 Ementa: MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS DO IRPJ E CSLL NÃO RECOLHIDAS. Por expressa disposição legal, é legítima a exigência de multa isolada da pessoa jurídica que tenha optado pelo pagamento mensal do IRPJ e da CSLL, Fl. 135DF CARF MF Processo nº 12571.000193/200879 Acórdão n.º 9101004.022 CSRFT1 Fl. 135 3 apurada sobre base de cálculo estimada, que deixar de fazêlo ou fazêlo em montante inferior ao devido, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal no ano calendário correspondente. O contribuinte, ainda inconformado, interpôs, Recurso Especial (efls. 85 a 92) alegando divergência em relação à matéria "lançamento de multa isolada depois do final do exercício". Traz os seguintes acórdãos paradigmas, cujo inteiro teor anexou ao recurso (efls. 97 a 110 e 112 a 117): Acórdão nº 140200.239 (2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 Ementa: MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. E inaplicável a penalidade após o encerramento do período de apuração quanto o contribuinte apura prejuízo fiscal. Recurso de Oficio Negado e Recurso Voluntário Provido. Acórdão nº 1803000.539 (3ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF): Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercícios: 1998 a 2002 Ementa: CSLL MULTA ISOLADA ESTIMATIVAS – ANOS CALENDÁRIOS JÁ ENCERRADOS LIMITE Após o encerramento do anocalendário, a base de cálculo para efeito de aplicação da multa isolada tem como limite os saldos da contribuição a pagar na declaração de ajuste, não sendo cabível a sua imposição no valor que exceder a este, conforme jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O Despacho de Admissibilidade (efls. 120 a 124) admitiu o recurso especial do contribuinte, entendendo restar caracterizada a divergência sobre a exigência de multa isolada por falta de recolhimento de estimativa. Por fim, a recorrida apresentou Contrarrazões (efls. 126 a 132) atacando, primeiramente, o conhecimento do recurso especial, alegando falta de cotejo analítico para comprovar a divergência arguida. No mérito, manteve os mesmos argumentos que apresentara em sua impugnação e recurso voluntário. É o relatório. Fl. 136DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator Conhecimento O recurso especial do contribuinte (efls. 8592) trata da suposta cobrança indevida de multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL após o encerramento do anocalendário, principalmente, em face da apuração de prejuízo fiscal quando da apuração final dos tributos mencionados. Enquanto que no acórdão recorrido nº 120200.698 (efls. 7279) mantevese a exigência da multa isolada pelo não recolhimento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, mesmo tendo sido apurado prejuízo fiscal ao final do anocalendário, os acórdãos paradigmas entenderam ser inaplicável a penalidade em questão após o encerramento do período de apuração quando o contribuinte apura prejuízo fiscal (acórdão nº 140200.239) e que, após o encerramento do anocalendário, a base de cálculo para efeito de aplicação da multa isolada tem como limite os saldos da contribuição a pagar na declaração de ajuste, o que, por consequência, obsta o lançamento da multa na hipótese de apuração de resultado negativo (acórdão nº 1803000.539). No que pese o Despacho de Admissibilidade (efls.120124) ter dado seguimento ao recurso especial, a Procuradoria apresentou Contrarrazões (efls. 126132) questionando a admissibilidade do recurso especial, especificamente quanto ao cotejo analítico, que na visão da recorrida, restou ausente (efls. 127129). Ao analisar o RICARF, extraise disposição expressa contida no artigo 67, §8º, no sentido de ser necessário que a divergência alegada pelo recorrente seja demonstrada de forma analítica, ou seja, deverá haver a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Atestese: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. O regramento é claro e expresso. Contudo, entendo que o recurso especial do contribuinte deve ser conhecido, pois a demonstração analítica tem como propósito comprovar a divergência jurisprudencial sobre determinada interpretação da legislação tributária, e no caso concreto, tal divergência, independentemente de um esmiuçado cotejo analítico, resta evidentemente caracterizada. Não houve dúvida alguma quando do deferimento do despacho de admissibilidade quanto a este requisito e, agora, ao ver deste Julgador, tampouco subsiste dúvida quanto à configuração de divergência jurisprudencial. Ante o justificado, tomo conhecimento do recurso especial do contribuinte. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 12571.000193/200879 Acórdão n.º 9101004.022 CSRFT1 Fl. 136 5 Mérito Em síntese, a insurgência trazida pelo contribuinte, em seu recurso especial, para fins de análise deste Colegiado, é a aplicação da multa isolada, por falta de recolhimento de estimativas, após o encerramento do exercício. Isto porque, no v. acórdão recorrido (efls. 7279) ficou assentado o posicionamento de que é correta a exigência da multa isolada pelo não recolhimento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, mesmo tendo sido apurado prejuízo fiscal ao final do anocalendário. Na contramão, os acórdãos paradigmas entenderam ser inaplicável a penalidade em questão após o encerramento do período de apuração quando o contribuinte apura prejuízo fiscal (acórdão nº 140200.239) e que, após o encerramento do anocalendário, a base de cálculo para efeito de aplicação da multa isolada tem como limite os saldos da contribuição a pagar na declaração de ajuste, o que, por consequência, obsta o lançamento da multa na hipótese de apuração de resultado negativo (acórdão nº 1803000.539). Entendo não assistir razão a recorrente. Esclareço. A multa isolada exigida no caso concreto é referente ao anocalendário 2004, porém, independentemente da alteração legislativa ocasionada pela edição da Lei nº 11.488/2007, tal cobrança seria devida no caso concreto, pois ao se comprometer com o regime das estimativas, o contribuinte assume com o Fisco o dever de antecipar tais valores, sendo irrelevante se posteriormente, quando do ajuste anual, ou seja, quando do encerramento do ano calendário, haverá tributo a pagar ou saldo negativo do imposto. Notese que a obrigação tributária se insere na teoria geral das obrigações e contém seus principais elementos: Credor (Sujeito Ativo), Devedor (Sujeito Passivo), Objeto (prestação de dar pagar tributo, fazer..., não fazer...) etc. Ocorre que o nascimento da obrigação tributária se dá de forma distinta da obrigação regulada pela legislação cível: enquanto a civil nasce pela vontade das partes, a tributária é ex lege, nasce do fenômeno da subsunção. Também a formalização da obrigação é diferente daquela do direito civil: enquanto uma decorre, substancialmente, do contrato, a tributária decorre do lançamento. Por fim, aproximando agora do caso concreto, não me parece acertado comparar a obrigação acessória do direito civil à "acessória" do direito tributário. A expressão legislativa não foi a mais feliz neste caso, pois enquanto a obrigação acessória do direito privado extinguese juntamente com a principal, o mesmo não ocorre com a tributária. A locução do Código Tributário Nacional aclara que as obrigações principal e acessória têm fatos geradores diversos. Enquanto a primeira é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência, a segunda é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Não é à toa, aliás, que a melhor doutrina ao tratar das "obrigações acessórias" prefere referirse a "obrigações instrumentais" visto que estas têm como objetivo o controle da fiscalização quanto ao cumprimento da principal. É bem verdade que, ao definir o sujeito passivo como contribuinte ou responsável, o legislador não previu, por exemplo, as situações de mera retenção, o que causa Fl. 138DF CARF MF 6 certa confusão no aplicador da lei ao definir a sujeição passiva nos casos de ausência de retenção na fonte em nome de terceiro. A mesma confusão se dá, no meu entendimento, na multa pela falta de recolhimento da estimativa mensal, quanto ao aspecto da mera antecipação do tributo IRPJ/CSSL, que neste particular tem natureza acessória na sua acepção mais estrita, ou seja: o fato de não antecipar é que está sob discussão, posto que a obrigação de pagar será objeto de lançamento de ofício (quando o mesmo ocorra após o final do exercício) com base no ajuste anual do imposto, e não com base no valor da estimativa. Ademais, o pleito do contribuinte implicaria ofensa à literalidade do art. 44, da Lei nº 9.430/96, dispositivo que prevê, de forma expressa, a aplicação da penalidade isolada “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente”. Ora, se a própria norma prevê sua aplicação ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL, pressupõese, por óbvio, que o exercício já tenha sido encerrado, sem o que não se poderia falar em apuração do resultado do exercício. Quando o sujeito passivo escolhe aderir ao regime das estimativas acaba indiretamente se comprometendo a auxiliar a União quanto às suas despesas incorridas no curso do exercício fiscal correspondente ao pagamento das estimativas. Assim, o ordenamento jurídico protege, com a multa isolada, o fluxo financeiro advindo do pagamento mensal das estimativas. Inexistindo penalidade pelo seu não recolhimento não haveria como obrigar o contribuinte a antecipar o tributo, e o pagamento das estimativas acabaria por se tornar mera faculdade do contribuinte, retirando da norma a sua força cogente, o que não se mostra razoável. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do Contribuinte. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 139DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.900954/2011-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
NULIDADE POR AUSÊNCIA DE JULGAMENTO DO MÉRITO. INOCORRÊNCIA.
Uma vez analisados os dispositivos legais e argumentos invocados em defesa, não há que se falar em nulidade. Ausência de preterição do direito de defesa.
IMUNIDADE. DERIVADOS DE PETRÓLEO. LUBRIFICANTES.
São imunes da incidência do IPI os derivados de petróleo, dentre os quais os óleos lubrificantes classificados nos códigos 2710.1931 e 2710.1932, com a notação de não tributados (NT) na TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4.542/2002.
IPI. MP, PI E ME EMPREGADOS EM PRODUTOS NT. AUSÊNCIA DE CRÉDITOS.
Não podem ser escriturados créditos relativos a matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem que se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para questionamento de eventual inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
SOLUÇÃO DE CONSULTA. MUDANÇA DE ORIENTAÇÃO. EFEITOS.
Não cabe aplicar o entendimento da Receita Federal objeto de consulta anterior aos fatos geradores ocorridos após a publicação oficial do ADI SRF Nº 05/2006.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra acompanharam a relatora pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Renato Vieira de Avila (suplente convocado), que davam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cynthia Elena de Campos - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
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INOCORRÊNCIA. Uma vez analisados os dispositivos legais e argumentos invocados em defesa, não há que se falar em nulidade. Ausência de preterição do direito de defesa. IMUNIDADE. DERIVADOS DE PETRÓLEO. LUBRIFICANTES. São imunes da incidência do IPI os derivados de petróleo, dentre os quais os óleos lubrificantes classificados nos códigos 2710.1931 e 2710.1932, com a notação de não tributados (NT) na TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4.542/2002. IPI. MP, PI E ME EMPREGADOS EM PRODUTOS NT. AUSÊNCIA DE CRÉDITOS. Não podem ser escriturados créditos relativos a matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem que se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para questionamento de eventual inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). SOLUÇÃO DE CONSULTA. MUDANÇA DE ORIENTAÇÃO. EFEITOS. Não cabe aplicar o entendimento da Receita Federal objeto de consulta anterior aos fatos geradores ocorridos após a publicação oficial do ADI SRF Nº 05/2006. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 09 54 /2 01 1- 93 Fl. 561DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra acompanharam a relatora pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Renato Vieira de Avila (suplente convocado), que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 1457.405, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra Despacho Decisório que não reconheceu o direito creditório. Por bem descrever os fatos ocorridos até aquele momento, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que não reconheceu o direito creditório peticionado e, conseqüentemente, não homologou as compensações declaradas. Segundo relatório fiscal, a contribuinte, no período discriminado na ementa deste Acórdão, deixou de recolher o imposto em virtude da utilização de créditos empregados em produtos classificados na TIPI como NT. Disso decorreu a reescrituração dos créditos do IPI, resultando na redução do saldo credor que o interessado apresentou como direito creditório para compensar os débitos confessados na presente declaração de compensação. Tempestivamente, a manifestante alegou que, como contestou o lançamento de ofício (PAF 16682.720026/201228), peticiona que o presente aguarde o julgamento da impugnação contra o Fl. 562DF CARF MF Processo nº 16682.900954/201193 Acórdão n.º 3402006.030 S3C4T2 Fl. 562 3 Auto de Infração, reportandose aos mesmo argumentos já lá articulados. A Contribuinte foi intimada via postal em data de 26/05/2015 (fls. 269 a 270), sendo que a interposição de Recurso Voluntário ocorreu por protocolo físico (fls. 397 417) em data de 25/06/2015 e, posteriormente, por protocolo eletrônico (fls. 274292) em data de 26/06/2015. Em síntese, o Recurso Voluntário pede pela reforma do acórdão recorrido e, por consequência, o reconhecimento integral dos créditos de IPI referentes ao 2º trimestre de 2007, com a homologação das compensações realizadas. Para tanto, a Recorrente apresenta os seguintes argumentos: i) A compensação pretendida e declarada no PER/DCOMP nº 32501.23551.190208.1.3.011645, bem como o Pedido de Restituição e Ressarcimento representado pelo PER/DOMP nº 09322.31415.180208.1.1.013775 dizem respeito a créditos de IPI decorrente da aquisição de insumos (Matéria Prima, Produtos Intermediários e Materiais de Embalagens) utilizados na fabricação de óleos lubrificantes constantes das NCM nº 2710.1931 e 2710.1932 e, portanto, objeto da imunidade prevista no art. 155, § 3º da Constituição Federal; ii) Os créditos de IPI objeto das compensações declaradas estão sendo discutidos no PAF 16682.720026/201228, que aguarda julgamento definitivo. motivo pelo qual deve ser sobrestado; iii) O Acórdão é nulo por ausência de julgamento do mérito da impugnação da Recorrente, devendo os autos do presente processo administrativo serem remetidos para a DRJ, para prolação de um novo acórdão de primeira instância; iv) O RIPI vigente à época da apuração do crédito não impunha qualquer limitação ao alcance da referida regra imunizante, especialmente no que diz respeito à produção dos derivados de petróleo. v) O legislador constitucional garantiu ao contribuinte o direito de se creditar do IPI relativamente a todos os produtos que ingressarem em seu estabelecimento sem qualquer restrição ou limitação, o que caracteriza o princípio da não cumulatividade; vi) O artigo 195, § 2º do RIPI vigente à época reconheceu de forma expressa que a abrangência do creditamento previsto no art. 11 da Lei 9.799/99 abrangeria os insumos utilizados na produção de produtos imunes; vii) Ingressou com solução de consulta SRRF/7ª RF/DSIT nº 394/2003, cuja resposta foi juntada aos autos do processo administrativo nº 16682.720026/201228; viii) A ADI/SRF nº 05/2006 não altera os efeitos da referida solução de consulta e pretende inovar no mundo jurídico e criar restrições onde não restringiu o legislador ordinário e não pode ser fundamento para afastar o direito ao crédito do qual se reveste a Recorrente. É o relatório. Fl. 563DF CARF MF 4 Voto Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório, verificase a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Preliminares suscitadas pela defesa Inicialmente, quanto ao argumentos da Recorrente de que o presente processo se refere a créditos discutidos no PAF nº 16682.720026/201228, que está em fase de recurso aguardando julgamento definitivo, cabe observar que o processo mencionado se refere a auto de infração para a cobrança de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI sobre o período de apuração de 01/01/2007 a 31/12/2007, decorrente da utilização de créditos básicos indevidos. O processo em questão foi julgado pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme Ementa abaixo colacionada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO FINAL IMUNE OU NT. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. A possibilidade de manutenção e utilização, inclusive mediante ressarcimento, dos créditos de IPI incidente nas aquisições de insumos destinados à industrialização de produtos, incluídos os isentos e os sujeitos à alíquota zero, não se estende às pessoas jurídicas não contribuintes do imposto, produtoras de mercadorias classificadas como não tributadas NT. (Súmula CARF nº 20) Portanto, resta prejudicado o pedido de suspensão do presente feito, bem como o pedido. Por sua vez, o Julgador a quo tratou sobre os dispositivos legais que embasaram a defesa, bem como não restou configurada a previsão do artigo 59, inciso II do Decreto nº 70.235/1972, não havendo causa para nulidade do acórdão recorrido. Fl. 564DF CARF MF Processo nº 16682.900954/201193 Acórdão n.º 3402006.030 S3C4T2 Fl. 563 5 Mérito Da Súmula CARF nº 20. Com relação ao mérito, inicialmente cabe observar que não se enquadra neste caso a Súmula CARF nº 20, que assim dispõe: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 20215269, de 05/11/2003 Acórdão nº 20215366, de 03/12/2003 Acórdão nº 20215455, de 17/02/2004 Acórdão nº 20216141, de 28/01/2005 Acórdão nº 20400488, de 11/08/2005 Impera destacar que os Acórdãos precedentes1 não versam especificamente sobre imunidade, motivo pelo qual não há subsunção do presente caso concreto à fundamentação legal que embasa a Súmula em referência. Neste sentido, a 3ª Turma da Câmara Superior deste Tribunal Administrativo já se pronunciou em processos da Recorrente, através do Acórdão nº 9303004.581 (PAF: 16682.720026/201228) e Acórdão nº 9303007.368 (PAF: 16682.721220/201221), com votos favoráveis ao afastamento desta Súmula, proferidos pelos Eminentes Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, vencidos por desempate por voto de qualidade. Do crédito de IPI sobre MP, PI e ME utilizados na fabricação de produtos derivados de petróleo. A Recorrente alega que a compensação pretendida e declarada no PER/DCOMP nº 32501.23551.190208.1.3.011645, bem como o Pedido de Restituição e Ressarcimento representado pelo PER/DOMP nº 09322.31415.180208.1.1.013775 dizem respeito a créditos de IPI decorrente da aquisição de insumos (Matéria Prima, Produtos Intermediários e Materiais de Embalagens) utilizados na fabricação de óleos lubrificantes constantes das NCM nº 2710.1931 e 2710.1932 e, portanto, objeto da imunidade prevista no art. 155, § 3º da Constituição Federal. Alega, ainda, que o RIPI vigente à época da apuração do crédito não impunha qualquer limitação ao alcance da referida regra imunizante. Sem razão. 1 Acórdão nº 20215269, de 05/11/2003, Acórdão nº 20215366, de 03/12/2003, Acórdão nº 20215455, de 17/02/2004; Acórdão nº 20216141, de 28/01/2005 e Acórdão nº 20400488, de 11/08/2005. Fl. 565DF CARF MF 6 Os produtos objeto do lançamento impugnado são classificados na posição NCM 2710.19312 (óleo lubrificante sem aditivo) e 2710.19323 (óleo lubrificante com aditivo), com a notação NT (não tributado) na Tabela da TIPI. Para interpretação da legislação que rege a matéria e da sistemática da não cumulatividade, impera inicialmente trazer a lume os ensinamentos do Ilustre Jurista Geraldo Ataliba, que em sua renomada obra "Hipótese de Incidência Tributária"4, define o objeto da relação tributária e a consumação do fato imponível como a entrega do dinheiro pelo contribuinte ao estado, concretizando o desígnio legal. (pág. 31) 5. A incidência do IPI é definida no Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002), aplicável aos fatos objeto desta autuação e que assim dispõe: Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e Decretolei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 10.451,de 10 de maio de 2002, art. 6º). (sem destaque no texto original) Art. 18. São imunes da incidência do imposto: IV a energia elétrica, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País (Constituição, art. 155, § 3º). 2 2710.19.31 Combustíveis minerais, óleos minerais e produtos de sua destilação; matérias betuminosas; ceras minerais Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto óleos brutos; preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições, contendo, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos; resíduos de óleos Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos) e preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições, contendo, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto resíduos de óleos: Outros Óleos lubrificantes Sem aditivos 3 2710.19.32 Combustíveis minerais, óleos minerais e produtos de sua destilação; matérias betuminosas; ceras minerais Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto óleos brutos; preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições, contendo, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos; resíduos de óleos Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos) e preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições, contendo, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto resíduos de óleos: Outros Óleos lubrificantes Com aditivos 4 Malheiros Editora Ltda, 6ª Edição, 14ª Tiragem, 2013. 5 8.1 Como a norma confere a um fato o efeito jurídico de atribuir a titularidade de uma soma de dinheiro ao poder público, assim que acontecido este fato o sujeito passivo (contribuinte) perde a titularidade desse dinheiro. 8.2 Fica, ipso facto, constituído no dever de entregálo ao credor. este fica com o direito de exigir tal entrega. Esta relação jurídica, que tem num de seus pólos o poder público (credor) e noutro o contribuinte (devedor), reveste a forma de obrigação que só se vai extinguir com a entrega (comportamento objeto da obrigação) do dinheiro ao credor. (pág. 32) Fl. 566DF CARF MF Processo nº 16682.900954/201193 Acórdão n.º 3402006.030 S3C4T2 Fl. 564 7 § 3º Para fins do disposto no inciso IV, entendese como derivados do petróleo os produtos decorrentes da transformação do petróleo, por meio de conjunto de processos genericamente denominado refino ou refinação, classificados quimicamente como hidrocarbonetos. Da análise do artigo 2º, Parágrafo Único, constatase que o campo de incidência do IPI abrange produtos dispostos na Tabela TIPI, tributados com alíquota zero ou maior, excluindose aqueles com a notação NT (não tributado). Com isso, as normas gerais do IPI estabelecem que os produtos com notação “NT” na TIPI não são considerados produtos industrializados sujeitos ao recolhimento do imposto, ainda que resultem de operação, em tese, caracterizável como industrialização conforme as definições do artigo 4º do RIPI/2002. Outrossim, impera ponderar que a não cumulatividade do IPI traduzse no direito de o contribuinte abater o imposto devido nas saídas dos produtos do estabelecimento industrial com o valor pago na aquisição dos insumos. E, salvo as exceções legais, não sendo configurada a hipótese de incidência por falta de previsão para respectivo recolhimento, como ocorre no caso de produtos nãotributados, consequentemente não é possível a escrituração de créditos. Tal vedação é prevista pelo artigo 190, § 1º e artigo 193, inciso I, alínea "a" e § 2º do RIPI/2002. Vejamos: Art. 190. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: § 1º Não deverão ser escriturados créditos relativos a MP, PI e ME que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, ou saídos com suspensão cujo estorno seja determinado por disposição legal . (sem destaque no texto original) Art. 193. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25, § 3º, Decreto lei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 8ª, Lei nº 7.798, de 1989, art. 12, e Lei nº 9.779, de 1999, art. 11): I relativo a MP, PI e ME , que tenham sido: a) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos nãotributados; § 2º O disposto na alínea a do inciso I aplicase, inclusive, a produtos destinados ao exterior. (sem destaque no texto original) Oportuno observar que por ocasião do fato gerador, o artigo 195, §§ 1º e 2º do RIPI/2002 tinha por previsão que: Art. 195. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão Fl. 567DF CARF MF 8 utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, § 3º, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). § 1º Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no § 2º (Lei nº 5.172, de 1996, art. 49, parágrafo único, e Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). § 2º O saldo credor de que trata o § 1º, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero ou imunes, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 207 a 209, observadas as normas expedidas pela SRF (Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). Art. 196. O direito à utilização do crédito a que se refere o art. 195 está subordinado ao cumprimento das condições estabelecidas para cada caso e das exigências previstas para a sua escrituração, neste Regulamento. (sem destaque no texto original) Os requisitos para escrituração de tais créditos estão previstos no artigo 190, § 1º, artigo 193, inciso I, alínea "a" e § 2º do RIPI/2002, acima já citados. OU SEJA, é expressamente vedada a escrituração de créditos relativos à MP, PI e ME que são empregados na industrialização de produtos não tributados. Destacase, ainda, o artigo 49, parágrafo único da Lei nº 5.172/1996, assim dispõe: Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte transferese para o período ou períodos seguintes. Analisando a evolução trazida pela legislação correspondente em conjunto com a regra do artigo 196, acima transcrito, o qual condiciona a utilização do crédito a que se refere o artigo 195 ao cumprimento das exigências previstas para a sua escrituração e, ainda, levando em conta que a redação do artigo 190, § 1º expressamente proíbe que sejam escriturados créditos relativos a MP, PI e ME que se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, não há dúvidas sobre a impossibilidade legal de aproveitamento dos créditos pretendidos neste litígio. Frisese que, posteriormente, o RIPI/2002 foi revogado pelo Decreto nº 7.212/2010 (RIPI/2010), tornando tal impossibilidade de creditamento mais clara através do §1º do art. 251, §§ 1º e 2º do artigo 256 e artigo 257. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 16682.900954/201193 Acórdão n.º 3402006.030 S3C4T2 Fl. 565 9 Por sua vez, o artigo 11 da Lei n° 9.779/99 tratou sobre a utilização dos créditos do IPI nos seguintes termos: “Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. (sem destaque no texto original) A IN/SRF nº 33/1999 assim previa em seu artigo 4º: “INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 33, DE 04 DE MARÇO DE 1999 DO DIREITO AO APROVEITAMENTO DO SALDO CREDOR DO IPI ART. 11 DA LEI NO 9.779, DE 1999 Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei No 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1o de janeiro de 1999.” (sem destaque no texto original) Consignase que até a vigência da Lei nº 9.779/99 havia a previsão do artigo 5º DecretoLei nº 491/1969, que autorizava a manutenção e utilização de créditos do IPI relativos à MP, PI e ME efetivamente utilizados na industrialização de produtos exportados, não obstante terem sido excluídos do campo de incidência do imposto pelo artigo 153, § 3º, inciso III, da Constituição Federal. O incentivo legal do DecretoLei nº 491/1969 foi restabelecido pelo artigo 1º, inciso II da Lei nº 8.402/92 e não foi revogado pela Lei nº 9.779/99, a qual apenas ampliou a possibilidade de créditos igualmente a produtos isentos e tributados à alíquota zero, o que levou ao texto do artigo 4º da IN SRF nº 33/99, acima transcrito. Portanto, ao incluir os produtos "imunes", concluise que a Instrução Normativa em referência não criou exceção não prevista na Lei nº 9.779/99, mas tão somente compilou no texto legal o dispositivo que já vigorava naquele momento, qual seja: produtos imunes por destinação à exportação. A regra de exceção ditada pelo Artigo 11 da Lei nº 9.779/1999 não admite interpretação extensiva para permitir o creditamento relacionado a produtos finais não tributados, pois o benefício somente foi reconhecido pela lei aos produtos isentos ou sujeitos ao regime de alíquota zero, como já mencionado. Aplicandose o Princípio da Estrita Legalidade, Fl. 569DF CARF MF 10 nenhum tributo pode ser criado, extinto, aumentado ou reduzido sem que o seja por lei. Neste sentido se posicionou o Superior Tribunal de Justiça em julgamento ao REsp nº 1060199/SP, de Relatoria do Eminente Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, julgado em 05/08/2010, DJe 01/09/2010, bem como através do julgamento ao REsp nº 1027678/SP, de Relatoria do Eminente Ministro LUIZ FUX, da Primeira Turma, julgado em 19/02/2009, DJe 25/03/2009. E, tão somente no sentido de dispor sobre a incidência do artigo 11 da Lei nº 9.779/1999, combinado com o art. 5º do Decretolei nº 491/1969 e o art. 4º da IN SRF nº 33/1999, em 18/04/2006 foi publicado o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5/2006. Até a edição do ADI SRF n.º 05/2006, a Recorrente estava albergada pela Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DISIT n.º 394, de 2003, que igualmente utilizada para justificar o creditamento. Todavia, após a publicação oficial de tal ato, não cabe mais aplicar o entendimento da Receita Federal objeto da consulta anterior. Não vem ao caso a discussão sobre a força normativa de um Ato Declaratório, uma vez que o impedimento ao direito creditório da Recorrente advém das legislações incidentes sobre a matéria, conforme já demonstrado. O Superior Tribunal de Justiça já tratou sobre a matéria em julgamento ao REsp nº 1.015.855SP (STJ, Primeira Turma, Relator Ministro José Delgado, Julgamento em 08/04/2008, DJE de 30/04/2008), conforme Ementa abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IPI. PRETENSÃO DE APROVEITAMENTO DE VALOR PAGO NA AQUISIÇÃO DE MATÉRIASPRIMAS, INSUMOS E MATERIAIS DE EMBALAGENS EMPREGADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS, IMUNES, NÃOTRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. PREVISÃO LEGAL QUE CONTEMPLA SOMENTE OS PRODUTOS FINAIS ISENTOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. ART. 11 DA LEI 9.779/99. CONCESSÃO DE BENEFÍCIO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE ESTRITA. ARTS. 150, I, CF/88 E 97 DO CTN. INTERPRETAÇÃO LITERAL. ART. 111 DO CTN. ART. 49 DO CTN E ART. 153, IV, § 3º, DA CF/88. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. DL 20.910/32. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. INCIDÊNCIA. 1. A impetrante/recorrente, pessoa jurídica de direito privado, tem por objeto social a fabricação e comercialização de calçados e suas partes, peças e componentes, assim como de artigos de vestuário em geral e a prestação de serviços industriais nos dois ramos. Impetrou mandado de segurança com vistas ao aproveitamento (pedido de compensação com tributos de espécies distintas administrados pela Secretaria da Receita Federal, com atualização monetária e juros) do valor pago, a título de IPI, na aquisição de matériasprimas, insumos e materiais de embalagens utilizados na industrialização de produtos finais isentos, sujeitos à alíquota zero, nãotributados ou imunes. Fl. 570DF CARF MF Processo nº 16682.900954/201193 Acórdão n.º 3402006.030 S3C4T2 Fl. 566 11 2. O apelo não merece ser conhecido em relação à alegação de violação dos arts. 165, I, 168, I, 156, VII, e 150, §§ 1º e 2º, do CTN, pois não estão prequestionados, não tendo sido debatidos nem recebido juízo decisório pelo Tribunal a quo, situação que atrai a incidência da Súmula 282/STF. 3. O aresto recorrido entendeu que não se extrai da hipótese legal (art. 11 da Lei 9.779/99) o direito ao creditamento quando o produto final for imune ou nãotributado, mas apenas quando isento ou tributado à alíquota zero. Ao final, concluiu pelo nãoprovimento da apelação da contribuinte. 4. O art. 11 da Lei 9.779/99 prevê duas hipóteses para o creditamento do IPI: quando o produto final for isento ou tributado à alíquota zero. Os casos de nãotributação e imunidade estão fora do alcance da norma, sendo vedada a sua interpretação extensiva. 5. O princípio da legalidade, insculpido no texto constitucional, exalta que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei (art. 5º, II). No campo tributário significa que nenhum tributo pode ser criado, extinto, aumentado ou reduzido sem que o seja por lei (art. 150, I, CF/88 e 97 do CTN). É o princípio da legalidade estrita. Igual pensamento pode ser atribuído a benefício concedido ao contribuinte, como no presente caso. Não estando inscrito na regra beneficiadora que na saída dos produtos nãotributados ou imunes podem ser aproveitados os créditos de IPI recolhidos na etapa antecessora, não se reconhece o direito do contribuinte nesse aspecto, sob pena de ser atribuída eficácia extensiva ao comando legal. 6. O direito tributário, dado o seu caráter excepcional, porque consiste em ingerência no patrimônio do contribuinte, não pode ter seu campo de aplicação estendido, pois todo o processo de interpretação e integração da norma tem seus limites fixados pela legalidade. 7. A interpretação extensiva não pode ser empregada porquanto destinase a permitir a aplicação de uma norma a circunstâncias, fatos e situações que não estão previstos, por entender que a lei teria dito menos do que gostaria. A hipótese dos autos, quanto à pretensão relativa ao aproveitamento de créditos de IPI em relação a produtos finais nãotributados ou imunes, está fora do alcance expresso da lei regedora, não se podendo concluir que o legislador a tenha querido contemplar. 8. A questão relativa à ofensa ao art. 49 do CTN, referente ao direito de aproveitamento integral dos créditos de IPI, conforme defendido pela empresa, não fica dissociada do exame do princípio da nãocumulatividade (art. 153, IV, § 3º da CF/88), impedindo o seu exame nesta via excepcional. 9. Considerando o pedido do mandamus e o teor do art. 11 da Lei 9.779/99, temse a possibilidade de se reconhecer o direito da contribuinte ao aproveitamento de créditos de IPI gerados a Fl. 571DF CARF MF 12 partir da industrialização de produtos finais isentos ou tributados à alíquota zero. Observandose a data da impetração (08/01/2004) e a prescrição qüinqüenal (aplicação do Decreto 20.910/32), poderão ser aproveitados os créditos adquiridos desde a data de 08/01/1999. 10. Os posicionamentos do STJ e do STF alinhamse no sentido de ser indevida a correção monetária dos créditos escriturais de IPI. É reconhecida somente quando o aproveitamento, pelo contribuinte, sofre demora em virtude de resistência oposta por ilegítimo ato administrativo ou normativo do Fisco, o que se verifica no caso dos autos. Deve ser determinada, portanto, a incidência da Taxa Selic, que engloba atualização monetária e juros, sobre os créditos da recorrente que não puderam ser aproveitados oportunamente. 11. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido para reconhecer, tãosomente, o direito da contribuinte à utilização dos créditos de IPI adquiridos entre 08/01/1999 e 08/01/2004 em razão da industrialização de produtos finais isentos ou tributados à alíquota zero. (SEM DESTAQUES NO TEXTO ORIGINAL) A orientação dada pela decisão acima direciona a Jurisprudência do STJ sobre o tema, a exemplo do AgInt no REsp nº 1.572.317PR, proferido pela Segunda Turma, de relatoria do Eminente Ministro Herman Benjamin (J: 02/02/2017, DJE: 03/03/2017). Em síntese, conclui o STJ que o direito ao crédito de IPI só existe quando os produtos tiverem saída tributada, não cabendo a ampliação da incidência do artigo 11 da Lei nº 9.779/1999, que abrange apenas a isenção ou alíquota zero, nada prevendo sobre produtos imunes ou não tributados. Reiterase que, neste caso, deve ser aplicado o artigo 97 do Código Tributário Nacional, bem como o Princípio da Legalidade e o artigo 150, inciso I da Constituição Federal. Outrossim, a Recorrente pede para que seja reconhecido o seu direito ao crédito escriturado, argumentando que a não cumulatividade é previsão de ordem constitucional (artigo 153, § 3º, IV) e sem limitação quanto aos produtos imunes. Ocorre que a conclusão pela impossibilidade ao creditamento pretendido decorre de expresso texto legal e, eventual questionamento quanto à restrição ao instituto da imunidade esbarra em análise sobre a inconstitucionalidade da legislação que rege a matéria, o que é de competência privativa do Poder Judiciário. Ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais compete julgar recursos que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RICARF: artigo 1º), incidindo, portanto, a Súmula CARF nº 26. Este Colegiado já se pronunciou da mesma forma em caso análogo, a exemplo do v. Acórdão nº 3402003.838.7 6 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 7 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 10/01/2003 a 31/12/2003 IPI. IMUNIDADE . DERIVADOS DE PETRÓLEO. Fl. 572DF CARF MF Processo nº 16682.900954/201193 Acórdão n.º 3402006.030 S3C4T2 Fl. 567 13 Em razão dos fundamentos acima, concluo que correta a não homologação das compensações objeto deste litígio. Por fim, cabe registrar, nos termos do art. 63, § 8º do Anexo II do RICARF, que os Conselheiros que votaram pelas conclusões do voto desta Relatora fizeramno sob o fundamento de que seria aplicável ao caso a Súmula CARF nº 20. Dispositivo Ante o exposto, conheço e nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos É vedado ao CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Súmula CARF n. 2). Assim, não é possível ao Tribunal Administrativo declarar a inconstitucionalidade de expressa determinação legal de tributação por alíquota positiva constante da Tabela de incidência de IPI (TIPI) de produtos que se enquadram como derivados de petróleo, sob o argumento de estarem abarcados pela imunidade tributária. CRÉDITO AQUISIÇÃO INSUMOS NÃO TRIBUTADOS. O princípio da não cumulatividade não assegura direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados, isentos ou sujeitos à alíquota zero. (Supremo Tribunal Federal, RE n.º 398.365, repercussão geral). Aplicação do art. 62, §2º do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Negado (Acórdão nº 3402003.838 PAF: 10970.000401/200810 Relatora: Conselheira Maysa de Sa Pittondo Deligne) Fl. 573DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.000124/2010-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2201-000.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, para que a autoridade lançadora se manifeste sobre as conclusões dispostas no Relatório de revisão de cálculos apresentado pelo contribuinte, bem assim para que junte aos autos extrato em que se verifique a eventual disponibilidade de parte do montante supostamente recolhido indevidamente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, para que a autoridade lançadora se manifeste sobre as conclusões dispostas no Relatório de revisão de cálculos apresentado pelo contribuinte, bem assim para que junte aos autos extrato em que se verifique a eventual disponibilidade de parte do montante supostamente recolhido indevidamente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 145/161 interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), de fls. 129/137, a qual considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, para não reconhecer o direito creditório pleiteado e consequentemente não homologar a compensação. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 00 12 4/ 20 10 -2 2 Fl. 188DF CARF MF Processo nº 16327.000124/201022 Resolução nº 2201000.340 S2C2T1 Fl. 183 2 O presente processo surgiu do processo das declarações de compensação n° 09243.41635.040305.1.7.047692 e 23962.62680.040305.1.7.047070, de pagamento de IRRF, código de receita 9453, efetuado em 6/12//2004, no valor de R$ 40.000.000,00, com débitos de IRRF relativos a janeiro de 2005 (fls. 4/13). Em 4/12/2009 a contribuinte foi intimada a apresentar os seguintes documentos e informações (fls. 19): • Confrontar os valores declarados na DIRF e os valores declarados na DCTF, relativamente ao IRRF (código 9453) de dezembro de 2004. • Apresentar cópias simples do livro Razão, das contas envolvidas no registro contábil dos valores de IRRF (código 9453) de dezembro de 2004. Demonstrar o estorno ou lançamento em conta de crédito a recuperar do valor alegado como indevidamente recolhido. • Confrontar os valores do item 2 com os valores declarados, apresentados no item 1. • Demonstrar e comprovar que os valores retidos indevidamente a título de IRRF (código 9453) de dezembro de 2004 foram efetivamente devolvidos ao titular/beneficiário dos rendimentos. Caso não tenlia ocorrido a retenção indevida, comprovar. • Para os créditos alegados nos Per/Dcomp's, justificar e comprovar o motivo e as circunstâncias de o pagamento ter sido efetuado e posteriormente considerado indevido ou a maior. • Apresentar cópia do contrato social/estatuto da empresa e suas alterações. A empresa protocolou a resposta de fls. 21/22 Em 5/1/2010 a empresa foi novamente intimada (fls. 43) a: (i) apresentar cópia simples do Razão, da conta onde fica evidenciada a contrapartida do lançamento contábil dos valores do IRRF (código 9453) de dezembro de 2004 efetuado na conta "PROVISÃO P J.C.P. A PAGAR COMPLEM, apresentada na resposta à citada intimação; (ii) apresentar cópia simples do Razão, da conta onde fíca evidenciado o lançamento contábil do DARF de recolhimento de R$ 40.000.000,00, efetuado no dia 06/12/2004, de mesmo vencimento, código de receita 9453, e o respectivo estorno ou lançamento em conta de crédito a recuperar do valor alegado como indevidamente recolhido. Em 19/1/2010 a empresa apresentou informações complementares, anexando os documentos de fls. 49/50. Em 8/2/2010 foi exarado despacho decisório que não homologou a compensação declarada com base nos seguintes fundamentos (fls. 53/58): • Não se observa a contrapartida do lançamento contábil de R$ 113.110.252,85 da provisão para pagamento de IRRF sobre JCP, que se refere ao IRRF devido informado na DCTF relativo aos códigos de receita 9453 e 5706, conforme alegado na resposta à intimação Deinf/SPO/Diort n° 200/2009. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 16327.000124/201022 Resolução nº 2201000.340 S2C2T1 Fl. 184 3 • Observase apenas a contrapartida do valor de estorno de R$ 275.104,52. • Não se observa nenhum lançamento relativo ao recolhimento do DARF de 40.000.000,00 efetuado no dia 6/12/2004, de mesma data de vencimento, código de receita 9453, nem o respectivo estorno ou lançamento em conta de crédito a recuperar do valor alegado nas declarações de compensações em análise como indevidamente recolhido. • Cabe ao interessado a demonstração hábil, com comprovação em sua escrituração contábil, quando instado em via de procedimento fiscal de verificação da liquidez e certeza do crédito alegado, apresentar a documentação comprobatória requerida, demonstrando as circunstâncias materiais envolvidas na geração do crédito. • Não há no exame dos documentos apresentados elementos suficientes para a comprovação do crédito alegado. Da Manifestação de Inconformidade Recebida a cientificação da mencionada decisão, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando em síntese: a) Em Assembléia Geral Extraordinária realizada em 6/12/2004, a impugnante deliberou acerca do pagamento de Juros sobre o Capital Próprio JCP aos seus acionistas, assumindo, por conseguinte, a obrigação da retenção e recolhimento do IRRF incidente sobre o rendimento, sob os códigos de receita 5706 e 9453. b) Considerando que na data da aludida AGE ainda não era conhecida a efetiva composição analítica dos acionistas que seriam beneficiários do pagamento de JCP, a impugnante efetuou no prazo legal o recolhimento de IRRF sobre uma base estimada, pelo valor total de R$ 114.892.659,68. c) Uma vez conhecida em 15/12/2004 a efeüva composição dos acionistas residentes no exterior que seriam beneficiários de JCP, mediante informações obtidas junto à BM&F, acabou por apurar que o efetivo IRRF que deveria ser recolhido correspondia a R$ 112.835.201,04. d) O documento de fls. 23 demonstra a provisão do valor de R$ 903.039.000,15, no Livro Razão, referência 08/85, na conta contábil n° 00000035 denominada "PROVISÃO P. JCP A PAGAR COMPLEMENTAR". O lançamento foi assim registrado: Data Histórico Documento D/C/Saldo 06/12/2004 Saldo em 6/12/2004 903.039.000,15 e) Posteriormente, considerando que o efetivo valor pago a título de JCP foi conhecido apenas em 15/12/2004, após a obtenção de informações acerca das ações negociadas na BM&F, para adequar o saldo da provisão acima ao efetivo valor bruto pago na monta de RS 903.039.000,15, correspondendo a um líquido de R$ 790.196.881,83, a manifestante efetuou os seguintes registros na mesma conta contábil: Fl. 190DF CARF MF Processo nº 16327.000124/201022 Resolução nº 2201000.340 S2C2T1 Fl. 185 4 1) Valor Bruto de R$ 903.032.082, 81 Data Histórico Documento D/C/Saldo 06/12/2004 Saldo em 6/12/2004 0004133 6.969,58CR* 31/12/2004 Prov. desp. S/inc CPMF 903.039.000,15 Total 903.032.000,15 *Credor 2) Valor líquido de R$ 790.196.881,83 Data Histórico Documento D/C/Saldo 06/12/2004 Prov. desp. S/inc CPMF 0004133 790.286.860,01 31/12/2004 Estorno de lanc. banco 0004133 89.978,18 Total 790.196.881,83 f) o registro contábil dos valores pagos a título de JCP é inquestionável, nada justificando as afirmações contrárias do despacho decisório. g) Do valor de R$ 40.000.000,00, o total de R$ 1.389.399,67 foi recolhido a maior, razão pela qual a contribuinte retificou sua DCTF relativa ao 4° trimestre. h) A contabilidade da contribuinte adota como padrão registrar a débito na própria conta contábil relativa a "Provisão para pagamento de JCP", os valores devidos a título de IRRF. i) No Livro Razão 08/85 foi registrado na mesma contábil o valor total de IRRF de R$ 112.835.148,36, lançado pelo valor de R$ 113.110.252,86, mais o estorno de R$ 275.104,52, da seguinte forma: Data Histórico Documento D/C/Saldo 31/12/2004 Estorno de lanc. banco 0004133 275.104,52 31/12/2004 Prov. desp. S/inc CPMF 0004133 113.110.252,86 Total 112.835.148,36 j) A contrapartida do valor de IRRF de R$ 113.110.252,86, lançado a débito na contabilidade, corresponde ao mesmo valor debitado em sua conta caixa, da qual saíram as quantias utilizadas para a quitação do tributo (.sic). k) O valor de IRRF recolhido a maior no total de R$ 2.057.458,64, no qual o valor de R$ 1.389.399,67, objeto das compensações não homologadas nestes autos está inserido, foi objeto de outro lançamento no Livro Razão, referência 04/83, na conta contábil denominada "IRRF sobre JCP intermediário" n° 00030007, da seguinte forma: Data Histórico Documento D/C/Saldo 31/12/2004 Saldo em 31/12/2004 0004133 2.143.785,97 DC* *devedor 1) Considerando que as compensações em questão não foram homologadas exclusivamente sob o argumento de uma suposta falta de registro contábil dos valores aqui analisados, uma vez comprovadas estes, e demonstrada a liquidez e certeza dos créditos compensados, deve ser reformado o despacho decisório. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 16327.000124/201022 Resolução nº 2201000.340 S2C2T1 Fl. 186 5 m) Requer a produção de prova pericial, formulando quesitos e indicando perito. n) No caso concreto, restará totalmente contrariado o princípio da moralidade se se negar à impugnante a devolução dos valores indicados. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) entendeu pelo não reconhecimento do direito creditório que a interessada afirmava ter, conforme ementa abaixo (fl. 120): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 06/12/2004 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário A Recorrente, devidamente intimada da decisão da DRJ apresentou o recurso voluntário de fls. 145/161, em que alegou, em apertada síntese: a) liquidez e certeza do crédito oriundo do recolhimento a maior de IRRF incidente sobre JCP pagos a residentes no país; b) contabilização dos lançamentos relativos à compensação efetuada pelo recorrente; c) necessidade de prova pericial; e d) o direito à devolução do indébito tributário. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. De acordo com a fiscalização e com a decisão recorrida, sem a apresentação dos registros contábeis, não haveria como comprovar a legitimidade do crédito. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 16327.000124/201022 Resolução nº 2201000.340 S2C2T1 Fl. 187 6 Por isso, a Recorrente apresentou, desde a Manifestação de Inconformidade, pedido de perícia, indicou o seu perito e formulou os seguintes quesitos: Apesar de ter cumprido os requisitos para a produção de prova pericial, a decisão recorrida houve por bem indeferir o pedido formulado pela Recorrente sob os seguintes argumentos: A manifestante acredita ser necessária a realização de diligência, tendo formulado quesitos e indicado perito nos termos do art. 16, inciso IV, do Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. Os artigos 18 e 28 deste decreto assim dispõem: "Ari. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93). (...) Art. 28. Na decisão em que for Julgada questão preliminar será também Julgado também o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (redação dada pelo art. 1 ° da Lei n° 8.748/93) Fl. 193DF CARF MF Processo nº 16327.000124/201022 Resolução nº 2201000.340 S2C2T1 Fl. 188 7 A contribuinte, apesar de intimada, não anexou aos autos os elementos solicitados pela autoridade administrativa. Ora, a diligência não se destina a preencher as lacunas a defesa quanto à produção de provas de sua competência, mas a esclarecer aspectos obscuros do processo, no caso de tais esclarecimentos serem considerados indispensáveis à formação da convicção do julgador. Os quesitos formulados poderiam ter sido respondidos a partir da análise dos elementos solicitados pela autoridade administrativa. A escrituração contábil e fiscal é elemento de prova essencial, que está sob a guarda do contribuinte. Diante da falta de apresentação destes elementos, que poderiam ter sido anexados até na impugnação, entendo que não há motivos para deferir a diligência solicitada, nos termos do art. 18 do Decreto n° 70.235/1972, devendo ser aplicada ao caso a regra do ônus da prova, conforme a seguir será demonstrado. Por outro lado, a decisão recorrida fundamentouse exatamente na falta da demonstração de sua contabilidade nos seguintes termos: Contrariamente ao alegado, não está equivocado o entendimento da autoridade administrativa de que o crédito de IRRF objeto de restituição depende de demonstração de sua contabilização para ser considerado líquido e certo. (...) Desta forma, os registros contábeis são o meio de prova mais natural para demonstrar a liquidez e certeza do direito creditório. Apesar de intimado em duas ocasiões, o sujeito passivo não apresentou os elementos contábeis explicitamente solicitados pela autoridade administrativa. Desta forma, os registros contábeis são o meio de prova mais natural para demonstrar a liquidez e certeza do direito creditório. Apesar de intimado, o sujeito passivo não apresentou os elementos contábeis explicitamente solicitados pela autoridade administrativa. Não há dúvidas sobre o recolhimento efetuado. No entanto, não é possível identificar claramente os lançamentos contábeis realizados. As considerações acima nos levam a conclusão de que é pertinente a afirmação da autoridade administrativa de que o contribuinte não anexou aos autos cópia dos registro contábeis completos (partidas e contrapartidas) que demonstrariam a existência do indébito. Pela descrição dos fatos contábeis narrados pela contribuinte deveríamos encontrar os lançamentos abaixo(valores ilustrativos). Notese que o exemplo é teórico porque não há informações suficientes sobre o sistema contábil adotado pela contribuinte. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 16327.000124/201022 Resolução nº 2201000.340 S2C2T1 Fl. 189 8 1 Pela constituição da provisão para pagamento de JCP D Juros sobre o Capital Próprio (R)*243.333.333,33 C Juros sobre o Capital Próprio a Pagar (PC)206.833.333,33 C IRRF a recolher* (PC) 36.500.000,00 •Adotamos alíquota de 15% só para exemplificar (36. 500.000,00/0.15). 2 Pelo pagamento do IRRF D IRRF a recolher(PC) 36.500.000,00 C Caixa (AC) 36.500.000,00 3 Pelo pagamento do JCP D Juros sobre o Capital Próprio a Pagar (PC)199.202.l 12,21* C Caixa (AC)199.202.112,21 *(35.153.313,92/0,15) 35.153.313,92 4 Pelo estorno do valor de JCP estimado a maior (243.333.333,33 234.355.426,13) D Juros sobre o Capital Próprio a Pagar (PC)7.631.221,12 D IRRF a recolher 1.346.686,08 C Juros sobre o Capital Próprio (R) 8.977.907,20 (...) No presente caso, o sujeito passivo não se desincumbiu de seu ônus, ou seja, não logrou sucesso ao comprovar, com base na documentação contábil, a liquidez e certeza do direito creditório. Logo, não há que se falar em ofensa a nenhum dos princípios elencados na manifestação de inconformidade. Ocorre que a decisão recorrida só afirma a necessidade da perícia, conforme requerido pela Recorrente desde a apresentação da manifestação de inconformidade. Sendo assim, converto o presente julgamento em diligência para que seja realizada a diligência requerida, com a apreciação do Relatório de revisão dos cálculos de IRRF sobre Juros sobre o Capital Próprio" juntado às fls. 166/179 elaborado pela empresa de auditoria PricewaterhouseCoopers. Conclusão Diante do exposto converto o julgamento do processo em diligência, para que a autoridade lançadora se manifeste sobre as conclusões dispostas no Relatório de revisão de cálculos apresentado pelo contribuinte, bem assim para que junte aos autos extrato em que se verifique a eventual disponibilidade de parte do montante supostamente recolhido indevidamente. (assinado digitalmente) Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 195DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912757/2009-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO.
O ressarcimento previsto no artigo 11 da Lei nº 9.779/99 somente se opera à vista da comprovação da existência de créditos provenientes da aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem. Comprovada em procedimento fiscal a inexistência de tais créditos, faz-se necessário o indeferimento do pedido de ressarcimento e a não homologação de eventual compensação decorrente.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.127
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. O ressarcimento previsto no artigo 11 da Lei nº 9.779/99 somente se opera à vista da comprovação da existência de créditos provenientes da aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem. Comprovada em procedimento fiscal a inexistência de tais créditos, faz-se necessário o indeferimento do pedido de ressarcimento e a não homologação de eventual compensação decorrente. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Raphael Madeira Abad.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. O ressarcimento previsto no artigo 11 da Lei nº 9.779/99 somente se opera à vista da comprovação da existência de créditos provenientes da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Comprovada em procedimento fiscal a inexistência de tais créditos, fazse necessário o indeferimento do pedido de ressarcimento e a não homologação de eventual compensação decorrente. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 27 57 /2 00 9- 75 Fl. 9227DF CARF MF Processo nº 10830.912757/200975 Acórdão n.º 3302006.127 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do ressarcimento de crédito de IPI e de não homologação da compensação declarada, tendo como fundamento a inexistência do crédito pleiteado, dada a inobservância do valor tributável mínimo nas transações da fiscalizada com sua única cliente, empresa interdependente, Unilever Brasil Ltda., conforme reconstituição da escrita fiscal. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito, arguindo que determinadas compensações por ele declarados haviam sido homologadas tacitamente, situação essa não reconhecida no trabalho fiscal. Alegou, ainda, que estava ocorrendo cobrança de tributo em duplicidade, em razão da glosa ocorrida em outro processo, e teceu comentários sobre o "valor tributável mínimo". A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14064.327, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que o ressarcimento previsto no art. 11 da Lei nº 9.779/98 somente se operava à vista da comprovação da existência de créditos provenientes da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, sendo que, uma vez verificada a inexistência de tais créditos, faziase necessário o indeferimento do pedido de ressarcimento e a não homologação de eventual compensação decorrente. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando praticamente os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 9228DF CARF MF Processo nº 10830.912757/200975 Acórdão n.º 3302006.127 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.118, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10830.910444/201016, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.118): O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. I Preliminar Sobrestamento e vinculação de processos A recorrente em seu apelo solicitou o sobrestamento do presente feito, até final julgamento de processos judicial, que tem por objeto a existência do crédito objeto do pedido de ressarcimento. Entretanto, entendo não haver a possibilidade de ser atendido o pedido da recorrente, uma vez que o processo administrativo no qual discutiase a existência do crédito, já fora finalizado, sendo certo que em sua decisão restou consignado não existir o crédito pleiteado. Ademais, entendo que um dos princípios que regem o processo administrativo é o da oficialidade, que determina que o processo deva ser impulsionado ex officio, nos exatos termos do inciso XII, do parágrafo único, do art. 2º da Lei nº 9.784/1999. Vale dizer, não há qualquer previsão legal ou regimental que autorize a suspensão do andamento do processo administrativo em razão de processo judicial. Por tais razões rejeito a preliminar trazida pela recorrente. II. Da homologação Tácita Argumenta a recorrente que haveria a homologação tácita das compensações declaradas, tendo em vista ter percorrido o prazo de 5 anos contados da data de entrega da declaração e a prolação do despacho decisório que denegou a compensação. Entretanto, entendo que não há razão que de guarida às alegações trazidas pela recorrente, tendo em vista que o prazo para a contagem do prazo da homologação tácita começa a transcorrere a partir de 04/05/2009, data da retificadora informada no presente processo (art. 78 IN 1300). II Mérito Fl. 9229DF CARF MF Processo nº 10830.912757/200975 Acórdão n.º 3302006.127 S3C3T2 Fl. 5 4 No que diz respeito ao mérito, entendo que melhor sorte não socorre as alegações da recorrente. O que estamos decidindo é a possibilidade de ser deferido o pedido de ressarcimento e homologação de compensação efetuada pela recorrente. As matérias trazidas pela recorrente em seu recurso voluntário que dizem respeito exclusivamente à formação do crédito, não são aqui tratadas, vez que já definitivamente julgadas no processo nº 10480.724644/201156, onde restou decidido não haver crédito em favor da recorrente que pudesse fazer frente a presente pedido de ressarcimento e compensação. Assim, conforme informado no despacho decisório, bem como na decisão da DRJ, não existe crédito passível de ser utilizado para liquidar o débito objeto do pedido de restituição e compensação efetuado pela recorrente. Vale lembrar que a própria recorrente reconhece que o processo administrativo relacionado a existência do crédito esta definitivamente julgado na esfera administrativa, porém, por não concordar com a decisão, discute novamente a matéria, desta vez na esfera judicial. Por derradeiro, ressaltase que as alegações trazidas pela recorrente em seu recurso foram apresentadas de forma genérica, reprisando o que outrora fora discutido em outro processo, como dito no parágrafo anterior, motivo pelo qual não há como serem reconhecidas. Portanto, correto o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação. Por todo o exposto, voto por conhecer parcialmente o recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. Ressaltese que, quanto à alegação do Recorrente de homologação tácita da compensação, neste processo ela também não se configurou, pois, conforme se verifica à fl. 2, a Declaração de Compensação Retificadora fora transmitida em 05/03/2008, tendo o contribuinte sido cientificado do Despacho Decisório respectivo em 04/06/2012 (fl. 8944). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu conhecer em parte o recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 9230DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727417/2015-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013
RETENÇÃO DE 11%. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. GLOSA.
Não atendidas as condições estabelecidas na legislação, deverá a fiscalização efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados, com o consequente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Na hipótese de compensação indevida, e uma vez presente falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõe-se a aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado.
RETENÇÃO. FALTA DE DESTAQUE NAS NOTAS FISCAIS.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa cedente de mão-de-obra de efetuar o destaque na nota fiscal/fatura de 11% (onze por cento) do valor bruto da prestação de serviços.
NÃO EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS.
Deixar a empresa de exibir qualquer livro ou documento relacionado com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira constitui infração à legislação previdenciária.
ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DIGITAL. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMITIDAS.
Sujeita-se à multa, prevista na legislação, a empresa que apresenta escrituração contábil digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ECD. INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMITIDAS. BASE DE CÁLCULO.
A base de cálculo da multa aplicada em decorrente de obrigação acessória apresentada com informações inexatas, incompletas ou omitidas deve corresponder a essas irregularidades identificadas.
GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
No âmbito previdenciário, verificada a existência de um grupo econômico, o reconhecimento da responsabilidade solidária é impositivo de lei.
Numero da decisão: 2402-006.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam considerados no lançamento, em cada competência e até o limite do montante aproveitado na GFIP, os valores destacados nas notas fiscais, emitidas nas respectivas competências e apresentadas até a impugnação, que tenham sido contabilizadas na forma do artigo 137 da Instrução Normativa RFB 971/2009, conforme explicitado no voto do Relator, ainda que recolhidos em outra competência, bem como para que a multa relacionada à Escrituração Contábil Digital (ECD) apresentada com informações omitidas, inexatas ou incompletas seja ajustada para que sua base de cálculo passe a constar aquela que corresponda à informação omitida, inexata ou incompleta apurada pelo autuante. Vencidos o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento em maior extensão, afastando a multa de 150%, bem como a solidariedade.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013 RETENÇÃO DE 11%. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. GLOSA. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação, deverá a fiscalização efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados, com o consequente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação indevida, e uma vez presente falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõe-se a aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. RETENÇÃO. FALTA DE DESTAQUE NAS NOTAS FISCAIS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa cedente de mão-de-obra de efetuar o destaque na nota fiscal/fatura de 11% (onze por cento) do valor bruto da prestação de serviços. NÃO EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS. Deixar a empresa de exibir qualquer livro ou documento relacionado com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira constitui infração à legislação previdenciária. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DIGITAL. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMITIDAS. Sujeita-se à multa, prevista na legislação, a empresa que apresenta escrituração contábil digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ECD. INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMITIDAS. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da multa aplicada em decorrente de obrigação acessória apresentada com informações inexatas, incompletas ou omitidas deve corresponder a essas irregularidades identificadas. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. No âmbito previdenciário, verificada a existência de um grupo econômico, o reconhecimento da responsabilidade solidária é impositivo de lei.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam considerados no lançamento, em cada competência e até o limite do montante aproveitado na GFIP, os valores destacados nas notas fiscais, emitidas nas respectivas competências e apresentadas até a impugnação, que tenham sido contabilizadas na forma do artigo 137 da Instrução Normativa RFB 971/2009, conforme explicitado no voto do Relator, ainda que recolhidos em outra competência, bem como para que a multa relacionada à Escrituração Contábil Digital (ECD) apresentada com informações omitidas, inexatas ou incompletas seja ajustada para que sua base de cálculo passe a constar aquela que corresponda à informação omitida, inexata ou incompleta apurada pelo autuante. Vencidos o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento em maior extensão, afastando a multa de 150%, bem como a solidariedade. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-02-27T12:43:14Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-02-27T12:43:14Z; Last-Modified: 2019-02-27T12:43:14Z; dcterms:modified: 2019-02-27T12:43:14Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-02-27T12:43:14Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-02-27T12:43:14Z; meta:save-date: 2019-02-27T12:43:14Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-02-27T12:43:14Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-02-27T12:43:14Z; created: 2019-02-27T12:43:14Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; Creation-Date: 2019-02-27T12:43:14Z; pdf:charsPerPage: 1943; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-02-27T12:43:14Z | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 6.301 1 6.300 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.727417/201579 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.965 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de fevereiro de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente PLANALTO SERVICE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013 RETENÇÃO DE 11%. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. GLOSA. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação, deverá a fiscalização efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados, com o consequente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação indevida, e uma vez presente falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõese a aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. RETENÇÃO. FALTA DE DESTAQUE NAS NOTAS FISCAIS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa cedente de mãodeobra de efetuar o destaque na nota fiscal/fatura de 11% (onze por cento) do valor bruto da prestação de serviços. NÃO EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS. Deixar a empresa de exibir qualquer livro ou documento relacionado com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira constitui infração à legislação previdenciária. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DIGITAL. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMITIDAS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 74 17 /2 01 5- 79 Fl. 6301DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.302 2 Sujeitase à multa, prevista na legislação, a empresa que apresenta escrituração contábil digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ECD. INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMITIDAS. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da multa aplicada em decorrente de obrigação acessória apresentada com informações inexatas, incompletas ou omitidas deve corresponder a essas irregularidades identificadas. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. No âmbito previdenciário, verificada a existência de um grupo econômico, o reconhecimento da responsabilidade solidária é impositivo de lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam considerados no lançamento, em cada competência e até o limite do montante aproveitado na GFIP, os valores destacados nas notas fiscais, emitidas nas respectivas competências e apresentadas até a impugnação, que tenham sido contabilizadas na forma do artigo 137 da Instrução Normativa RFB 971/2009, conforme explicitado no voto do Relator, ainda que recolhidos em outra competência, bem como para que a multa relacionada à Escrituração Contábil Digital (ECD) apresentada com informações omitidas, inexatas ou incompletas seja ajustada para que sua base de cálculo passe a constar aquela que corresponda à informação omitida, inexata ou incompleta apurada pelo autuante. Vencidos o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento em maior extensão, afastando a multa de 150%, bem como a solidariedade. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, que considerou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Fl. 6302DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.303 3 Contra o contribuinte foram lavrados Autos de Infração em 17.9.2015, para constituição de Contribuição Previdenciária e multas, em função das seguintes infrações levantadas: TRIBUTO: 1 Valores Indevidamente Compensados Glosa de Retenção (PRESTADOR) principal de R$ 9.122.561,73 período de 1/2012 a 12/2013 acrescido de multa de mora e juros legais Selic; MULTA ISOLADA: 2 Compensação com Falsidade de Declaração período de 1/2012 a 12/2013 multa isolada no valor de R$ 13.683.842,55; MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: 3 Falta de Destaque dos 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços por empresa cedente de mãodeobra período de 25.8.2015 multa no valor de R$ 1.925,81; 4 Não exibição de documentos ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/91 ou apresentação que não atenda às formalidades legais exigidas período de 25.8.2015 multa no valor de R$ 19.257,83; e 5 Apresentação da Escrituração Contábil Digital (ECD) com informações incorretas ou omissas período de 28.8.2015 multa de R$ 12.362.780,49. Relatório Fiscal às fls. 20/184. Foram incluídos como responsáveis solidários as empresas abaixo, em função de comporem, como sustentado pelo Fisco, o mesmo grupo econômico de fato, que decorreria de mero exercício de poder de controle. MOVELARIA E MADEIREIRA MERCEDES LTDA ME CNPJ 72.573.165/000165; PLANALTO SERVIÇOS EMPRESARIAS LTDA ME CNPJ 32.906.349/000183; e PLANALTO EMPRESAS DE VIGILÂNCIA E SEGURANÇA LTDA CNPJ 00.734.276/000101. Regularmente intimados, apresentaram uma única Impugnação que foi julgada parcialmente procedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil DRJ, às fls. 4980/5032, com a seguinte ementa: RETENÇÃO DE 11%. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. GLOSA. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação, deverá a fiscalização efetuar a glosa dos valores indevidamente Fl. 6303DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.304 4 compensados, com o consequente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação indevida, e uma vez presente falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõe se a aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. Procedida a retificação do lançamento, sendo excluídos dos Autos de Infração os valores lançados a maior, pela fiscalização. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DIGITAL. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMITIDAS. Sujeitase à multa, prevista na legislação, a empresa que apresenta escrituração contábil digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas. RETENÇÃO. FALTA DE DESTAQUE NAS NOTAS FISCAIS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa cedente de mãodeobra de efetuar o destaque na nota fiscal/fatura de 11% (onze por cento) do valor bruto da prestação de serviços. NÃO EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS. Deixar a empresa de exibir qualquer livro ou documento relacionado com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira constitui infração à legislação previdenciária. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARGUIÇÃO DE VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. A multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória é aplicada e cobrada em virtude de determinação legal. A alegação de que a multa não atende os princípios da razoabilidade e proporcionalidade não pode ser discutida nesta esfera de julgamento, pois se trata de exigência fundada em legislação vigente, à qual o julgador administrativo é vinculado. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Fl. 6304DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.305 5 No âmbito previdenciário, verificada a existência de um grupo econômico, o reconhecimento da responsabilidade solidária é impositivo de lei. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento da impugnante, a realização de diligências, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. TERMO DE ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS. As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ’s) são incompetentes para se manifestar a respeito de Termo de Arrolamento de Bens e Direitos. Em seu Recurso Voluntário às fls. 5068/5098 aduz, em breve síntese: Em preliminar: Que a recorrente, embora reconheça a receita na prestação de serviços pelo regime de competência, consoante dispõe a norma; utilizase do regime de caixa para a contabilização da retenção relativa àquelas mesmas receitas. Assim, uma vez que o recolhimento da contribuição sobre a folha dáse em momento anterior à utilização da retenção sofrida (por compensação), não haveria prejuízo ao erário, na medida em que estaria antecipando a receita ou diferindo o direito de aproveitamento da retenção. No mérito, passo a relatar, segundo a estrutura dos tópicos no recurso: IMPROCEDÊNCIA DA GLOSA DOS CRÉDITOS DE RETENÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA – AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO DO CRÉDITO – NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. Que o autuante não procedeu de maneira a comprovar a inexistência do crédito de retenção na fonte; Que no Relatório Fiscal haveria valores em planilhas em campos que consta como "não entregou" ou "não informou", que na realidade constam tanto na nota fiscal emitida, como na planilha do demonstrativo mensal. Que estaria juntando os razonetes das contas "bancos", "clientes" e "previdência social a recolher" SOLUÇÃO SUBSIDIÁRIA – APONTAMENTO DE RETENÇÕES A MENOR – IMPACTO NO VALOR FINAL A SER PAGO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Que o auditor suprimiu valores de contribuição previdenciária retida, seja de GPS não consideradas ou mesmo aquelas nas quais não foram computados os valores relativos à atualização monetária e juros. Fl. 6305DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.306 6 SOLUÇÃO SUBSIDIÁRIA – NECESSIDADE DE RECOMPOSIÇÃO DOS VALORES A SEREM PAGOS PELA CONTRIBUINTE – APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL Que o autuante desconsiderou os excedentes de retenção havidos nos meses de março, outubro e novembro de 2012, que deveriam ser utilizados em compensações de períodos posteriores. IMPROCEDÊNCIA DA MULTA ISOLADA DO ART. 89, §10º, DA LEI N. 8.212/91 – FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. Que em momento algum se alegou ou comprovou que a Contribuinte teria se utilizado de artifícios fraudulentos para lesar o fisco. Ao contrário, ela mesmo, de boafé, expôs à fiscalização a forma como realizava a contabilização dos créditos advindos da retenção em nota fiscal. Que a aplicação da multa de ofício isolada agravada resguardase para as hipóteses em que o contribuinte tenha realmente a intenção de fraudar o Fisco, sendo certo que a autoridade fiscal não comprovou qualquer ato doloso nesse sentido. IMPROCEDÊNCIA DA MULTA ISOLADA DO ART. 57, III, “A”, DA MEDIDA PROVISÓRIA N. 2.158/01 – APRESENTAÇÃO DE ECD COM INEXATIDÃO Que o fato de a autuada contabilizar suas retenções pelo regime de caixa, fato esse inclusive noticiado pela Contribuinte no curso da fiscalização, não importa em inexatidão, incompletude ou omissão de informações na escrita fiscal, já que a empresa entendia por correta sua forma de reconhecer e mensurar os créditos de retenção de contribuição previdenciária. SOLUÇÃO SUBSIDIÁRIA – BASE DE CÁLCULO DA MULTA MAJORADA – ERRO NO DIMENSIONAMENTO DA INFRAÇÃO Que interpretação adequada à dosimetria da pena é aquela que leva em consideração o valor das transações ou operações que contenham informações omitidas, inexatas ou incompletas, desde que não seja o valor final inferior à R$ 100,00. Entender pela base de cálculo como sendo o faturamento anual da empresa desvirtua o próprio sentido da norma, transmudando o seu texto e fazendo produzir efeitos que nem mesmo o legislador pensou. Que, nesse rumo, a base de cálculo da multa, na hipótese de manutenção do auto de infração neste ponto, o que se coloca apenas por apego ao debate, deve ser retificada, para que leve em consideração somente as glosas dos créditos de retenção de contribuição previdenciária. SOLUÇÃO SUBSIDIÁRIA – APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA SEGUNDO O TEXTO DO ART. 57, III, “A”, DA MEDIDA PROVISÓRIA N. 2.158/01 DADO PELA LEI N. 12.766/12 – RETROATIVIDADE BENIGNA Que deve ser aplicada a retroatividade benigna, decorrente da redação dada pela Lei 12.873/13, ao artigo 57, III, "a" da MP 2.158/2001. IMPROCEDÊNCIA DA MULTA ISOLADA POR AUSÊNCIA DE DESTAQUE DE RETENÇÃO EM ALGUMAS NOTAS FISCAIS Fl. 6306DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.307 7 Que o dever de retenção de contribuição previdenciária na prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, desde fevereiro de 1999, é da empresa contratante, e não da empresa prestadora de serviços, conforme previsão contida no artigo 112 da IN n. 971/09. Que em não havendo destaque e retenção, não haverá também proveito de crédito de retenção. IMPROCEDÊNCIA DA MULTA ISOLADA PELA NÃO APRESENTAÇÃO DE ALGUMAS NOTAS FISCAIS. Que não procedeu de forma como afirmado no relatório fiscal, na medida em que teria, sim, apresentado as notas fiscais questionadas pelo autuante. DA INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO GRUPO ECONÔMICO. Que a jurisprudência consolidada do E. Superior Tribunal de Justiça afasta a caracterização de responsabilidade tributária solidária, quando não haja realização conjunta do fato gerador. Que as empresas, de fato, não praticam atividades conjuntamente ou de alguma forma interligadas, o que, por si só, é mais que suficiente a evidenciar a ilegitimidade do respectivo arrolamento das sociedades como devedoras solidárias do presente crédito tributário. Iniciado o julgamento em 5/7/18, decidiuse por convertêlo em diligência para que a autoridade elaborasse planilha discriminando, nota a nota, aquelas apresentas à Fiscalização, além das acostadas nestes autos, emitidas pelo autuado no período de 2012 e 2013, que contivessem o regular destaque da retenção, assim como que tivessem sido contabilizadas em conta de receita, no mês de sua emissão, consoante determina o artigo 137 da IN RFB nº 971/2009 e que fosse juntado aos autos o resumo das GFIP (auditadas) do período, de forma a que se evidenciassem os valores apurados, retidos e compensados no mês. Em resposta, foi acostada aos autos a Informação Fiscal de fls. 6193/6272, por meio da qual, praticamente, apenas reafirmou em 80 laudas a acusação posta no Relatório Fiscal. Em nova manifestação, o recorrente sustentou o não cumprimento da diligência, razão pela qual pugnou fosse a mesma reiterada (fls 6291/6297). É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O recurso foi inicialmente conhecido por este colegiado na sessão de julgamento de 5/7/18. Como consignado naquela oportunidade, os demais solidários teriam sido intimados por edital (fls. 5064), eis que improfícua as intimações pela via postal, e quedaramse inertes. Todavia, há de se notar que o recurso voluntário foi apresentado em nome Fl. 6307DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.308 8 de "PLANALTO SERVICE LTDA E OUTROS", além de fazer referência a "autos de infração lavrados em face da ora Recorrente e das empresas arroladas como responsáveis solidárias....." Confirase: Nesse sentido, voto por conhecer do recurso em sua integralidade, inclusive quanto à parte em que trata da responsabilidade solidária, enfrentada, digase de passagem, pela instância de piso, ainda que suscitada em uma única peça impugnatória apresentada. Baixado em diligência, os autos retornaram a esta Turma para prosseguimento no julgamento, razão pela qual, passo a retomar a análise do caso. De início, cumpre registrar que o tópico classificado pelo recorrente como preliminar (questão do reconhecimento das receitas pelo regime de competência e a retenção, pelo do de caixa), será aqui tratado como mérito, eis que guarda relação direta com o cerne da controvérsia. Mérito Glosa de Retenções. Consoante informa a Fiscalização em seu Relatório Fiscal, o contribuinte teria sido intimado a demonstrar a apuração dos créditos decorrentes da retenção em Notas Fiscais e das compensações realizadas. Em resposta, teria apresentado planilhas dos anos 2012 e 2013 com relação das notas fiscais e percentual dos tributos descontados. Exatamente neste ponto, abro um parênteses para refutar a argumentação do recorrente no sentido de que o autuante não teria procedido de maneira a comprovar a inexistência do crédito de retenção na fonte. Ora, uma vez intimado a detalhar/demonstrar a apuração dos créditos, competiu ao autuado a prova do direito de que se valera em suas GFIP, sendo certo que a documentação por ele apresentada teria sido analisada ao longo do procedimento de ofício empreendido nestes autos. Prosseguindo então, passo a inferir, com isso, que o crédito do contribuinte estaria lastreado em retenções sofridas nos anos de 2012 e 2013 e utilizadas nos respectivos meses de emissão da nota fiscal ou fatura de serviços, para compensar o valor das Fl. 6308DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.309 9 contribuições destinadas à Seguridade Social, devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. Vale registrar que tal intimação decorreu da constatação de que os valores compensados, com retenções do mês, eram substancialmente maiores do que os recolhimentos identificados nos sistemas. Explico: com o destaque da retenção pelo prestador, o tomador deve efetuar seu recolhimento no CNPJ do prestador, informando na GPS, a data de referência (competência) como a da emissão da nota. Assim, ainda que o recolhimento da retenção se dê em momento posterior, a apropriação, pelo sistema, tomará a da data de referência (competência) informada na GPS, de forma que, se regularmente recolhidas pelo(s) tomador(es) passam a guardar relação com o valor informado pelo contribuinte em suas GFIPs. Desta feita, o valor recolhido em GPS, na competência que lá aparece nos sistemas da RFB, deve, ou ao menos deveria, revelar as retenções sofridas pelo prestador naquele mês. Veja que, com isso, a auditoria fiscal passa, necessariamente, pela consulta a tal sistema. Uma vez verificada a significativa diferença, como no caso em tela, onde os recolhimentos mostraramse inferiores às retenções/compensações declaradas nas respectivas GFIPs, há de se investigar sua causa, como por exemplo: se ausência de recolhimentos pelos tomadores; ou se aproveitamento pelo prestador sem lastro nos documentos fiscais; ou ainda, se erro de tomador ao informar a competência na GPS. Quanto à última hipótese acima, registrese que, com certa freqüência, alguns tomadores informam na GPS um período de referência posterior ao da emissão da nota fiscal, com vistas a furtarse ao recolhimento dos acréscimos legais. Nesse sentido, considerando que na forma do artigo 137 da IN RFB 971/2009, artigo 31 da Lei 8.212/91 e §§ 4º, 9º e 10 do artigo 219 do Decreto 3.048/99, o prestador passa ter direito ao crédito, a rigor, já no ato da emissão da nota fiscal ou fatura de serviço com o devido destaque da retenção, faz imprescindível a apresentação das notas fiscais então emitidas no período. Art. 137. O lançamento da retenção na escrituração contábil, de que trata o art. 136, deverá discriminar: I o valor bruto dos serviços; II o valor da retenção; e III o valor líquido a receber. Parágrafo único. Na contabilidade em que houver lançamento pela soma total das notas fiscais, das faturas ou dos recibos de prestação de serviços e pela soma total da retenção, por mês, por contratante, a empresa contratada deverá manter em registros auxiliares a discriminação desses valores, por contratante, conforme disposto no inciso III do art. 134. Fl. 6309DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.310 10 Do dispositivo acima, temse que haverá um lançamento de 3ª fórmula1, no seguinte padrão, tomando por exemplo uma nota fiscal de serviços no valor de R$ 100.000,00: D CONTA DE ATIVO DIREITO Valor Líquido a Receber R$ 89.000,00; D CONTA DE ATIVO DIREITO Valor da Retenção R$ 11.000,00; e C CONTA DE RESULTADO RECEITA Valor Bruto dos Serviços R$ 100.000,00 Com isso, com a emissão da nota, o contribuinte já contará com seu crédito contabilizado em conta de Ativo. Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5odo art. 33 desta Lei. Percebase da redação acima, que o recolhimento do valor retido darseá, como regra, até o dia 20 do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura. Assim, ainda que o pagamento ao prestador se dê em um outro momento, bem a frente, por exemplo, o fato é que a retenção deve ser recolhida tomando por referência o dia da emissão da nota ou fatura de serviço, fazendo com que não haja substancial distanciamento entre o aproveitamento do crédito pelo prestador (data da emissão da nota) e o ingresso do respectivo valor aos cofres públicos (até o dia 20 do mês subseqüente). Efetuado o recolhimento após o prazo acima assinalado, serão devidos os acréscimos legais, que, por óbvio, não integrarão o valor do crédito do prestador. E mais, a teor do § 5º do artigo 33 da Lei 8.212/91, a empresa contratante dos serviços que deixou de reter os 11%, quando devida a retenção, fica diretamente responsável pelo pagamento do tributo não retido e não recolhido. Confirase o texto. Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) 1 É o registro do fato contábil envolvendo mais de uma conta devedora e apenas uma conta credora. http://www.portaldecontabilidade.com.br/guia/lancamcont.htm Fl. 6310DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.311 11 § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Vejamos, adiante, o que prescreve o artigo 219 do Decreto 3.048/99: Art.219.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitadade mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5ºdo art. 216. §4ºO valor retido de que trata este artigo deverá ser destacado na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, sendo compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa contratada quando do recolhimento das contribuições destinadas à seguridade social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados. §9ºNa impossibilidade de haver compensação integral na própria competência, o saldo remanescente poderá ser compensado nas competências subseqüentes, inclusive na relativa à gratificação natalina,ou ser objeto de restituição, não sujeitas ao disposto no § 3ºdo art. 247. §10. Para fins de recolhimento e de compensação da importância retida, será considerada como competência aquela a que corresponder à data da emissão da nota fiscal, fatura ou recibo. Feitas as breves considerações acima, podese resumir o procedimento da seguinte forma: Cabe ao prestador observado o serviço prestado e a legislação pertinente emitir a nota fiscal ou fatura de serviço com o destaque da contribuição a ser retida, o que autorizarlheá sua imediata compensação2 desde que, por óbvio, tenha arcado com o ônus dessa retenção com o valor da contribuição devida sobre a folha naquele mesmo mês de emissão da nota. Somente na hipótese em que houver excesso de retenção em relação ao valor da contribuição devida no mês é que o contribuinte estará autorizado a ver restituído ou a compensar esse excedente em períodos posteriores, na forma da lei. Se, por sua vez, não efetuar o destaque, além de se sujeitar a multa regulamentar, a utilização da retenção em compensações estará condicionada à comprovação de sua efetiva ocorrência. A seu turno, cabe ao tomador observado o serviço contratado e legislação pertinente efetuar a retenção e recolhimento da contribuição no prazo legal, independentemente de ter havido ou não seu destaque. Pois bem. 2 ..ou por outro estabelecimento da mesma empresa. Fl. 6311DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.312 12 A fiscalização efetuou o lançamento das divergências a seguir apontadas, levandose em conta o valor compensado na GFIP e os recolhimentos de retenção identificados no mesmo mês, promovidos por seus tomadores. Vejase: Todavia, consta às fls. 469/517, planilha aparentemente apresentada pelo autuado, na qual relaciona as notas fiscais emitidas no período de 2012 e 2013, com a discriminação dos valores totais e retenções destacadas. O procedimento adotado pelo Fisco foi motivado pela constatação de que nenhuma das retenções e tomadores informados na planilha "Valores Declarados em GFIP por tomador" (fls. 550/569) correspondia aos valores informados pelo recorrente na planilha de notas emitidas no período (2012/2013). Ou seja, desconsiderou todas as notas fiscais emitidas no período, pelo fato de não terem sido informadas (as retenções) na GFIP. A não identificação direta na GFIP, ainda que possa coincidir um ou outro tomador, aparentemente decorre do fato de o recorrente, como já dito alhures, declarar e contabilizar as retenções, observando o regime de caixa. É dizer, quando do recebimento pelo serviço prestado. Fl. 6312DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.313 13 Ademais, a afirmação no item 12 do relatório fiscal (fls. 192), no sentido de que "Nenhum, repito, nenhum desses valores de retenção declarados em GFIP corresponde aos valores informados pelo contribuinte na planilha “Demonstrativo mensal (IN RFB 9712009" merece ser melhor avaliada. Vejamos: Conforme se verifica da planilha de fls. 550 e seguintes, os valores de retenções informados nas GFIPs apresentamse consolidados, mensalmente, por tomador, ao passo que naquele demonstrativo mensal (IN RFB 9712009), aparentemente detalhado por nota. Veja: Assim, se considerada a sistemática adotada pelo contribuinte e na hipótese de haver nota emitida e liquidada no mesmo mês, há a inafastável possibilidade de que referido documento, listado naquele demonstrativo mensal (IN RFB 9712009), esteja integrando o valor consolidado naquela planilha de fl. 550, que retrataria, repito, as retenções informadas em GFIP. Reforça a tese, o comparativo efetuado pelo autuante no item 22 do relatório fiscal, que aparentemente considerou os débitos na conta contábil 2.1.1.3.01.0004 PREVIDÊNCIA SOCIAL A RECOLHER – 2012 e 2013 e as notas fiscais que integraram o sobredito demonstrativo mensal (IN RFB 9712009). Daquele comparativo, pôdese constatar que várias notas emitidas em determinado mês, tiveram suas retenções aproveitadas no próprio mês, na medida em que, muito provavelmente, teriam sido emitidas e liquidadas no mesmo mês. Confirase, por amostragem: Fl. 6313DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.314 14 A partir dos totais mensais daquela planilha de notas emitidas (demonstrativo mensal IN RFB 9712009), chegouse ao comparativo adiante, donde se pode observar que mesmo quando comparadas as retenções supostamente informadas pelo próprio recorrente naquele demonstrativo mensal (IN RFB 9712009) com as aproveitadas em GFIP, o cotejo não lhe favoreceu de forma decisiva, demonstrando diferença de aproveitamento a maior em todos os meses em que fora autuado, o que, quando observado em uma série história ao longo de 24 meses põe em cheque a argumentação de que o aproveitamento do crédito derase, apenas e tão somente, quando do recebimento pelas notas emitidas, sem que houvesse, naquele comparativo, uma espécie de compensação entre os saldos. Dessa análise, há de se concluir que há fortes indícios de que o aproveitamento da retenção acabou se dando, de certa forma, de maneira indevida, seja pelo possível aproveitamento em duplicidade da retenção (quando da emissão da nota e quando de sua liquidação), seja pelo seu aproveitamento desprovido de lastro em documento fiscal. Vide coluna "GFIP x PLANIL". RETENÇÃO DIFERENÇA PLANILHA GPS GFIP GFIP x GPS GFIP x PLANIL JANEIRO 1.543.120,48 1.545.525,61 1.763.534,82 218.009,21 220.414,34 FEVEREIRO 1.664.494,46 1.707.060,20 1.827.568,57 120.508,37 163.074,11 MARÇO ABRIL 1.622.309,25 1.602.097,18 1.779.703,62 177.606,44 157.394,37 MAIO 1.497.559,67 1.439.284,26 1.786.620,02 347.335,76 289.060,35 JUNHO 1.792.543,79 1.811.776,52 1.862.140,80 50.364,28 69.597,01 2012JULHO 1.648.295,50 1.726.639,23 1.849.894,39 123.255,16 201.598,89 AGOSTO 1.539.195,40 1.570.523,63 1.907.135,47 336.611,84 367.940,07 SETEMBRO 1.662.119,23 1.553.039,49 1.874.264,31 321.224,82 212.145,08 OUTUBRO NOVEMBRO DEZEMBRO 1.952.269,86 1.719.221,27 1.986.582,01 267.360,74 34.312,15 13 SAL 245.640,39 245.640,39 245.640,39 JANEIRO 1.091.593,98 1.053.300,11 1.883.388,32 830.088,21 791.794,34 Fl. 6314DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.315 15 FEVEREIRO 1.519.729,29 1.754.332,94 2.071.214,77 316.881,83 551.485,48 MARÇO 1.775.488,96 1.599.091,24 2.183.954,96 584.863,72 408.466,00 ABRIL 1.904.776,56 1.843.160,20 2.304.152,22 460.992,02 399.375,66 MAIO 2.350.557,34 1.966.822,79 2.416.145,53 449.322,74 65.588,19 JUNHO 1.860.748,11 1.706.051,62 2.335.786,66 629.735,04 475.038,55 2013JULHO 2.203.469,15 2.365.742,54 2.422.603,31 56.860,77 219.134,16 AGOSTO 2.342.700,63 2.147.840,77 2.478.931,81 331.091,04 136.231,18 SETEMBRO 1.895.446,58 1.905.756,54 2.473.042,56 567.286,02 577.595,98 OUTUBRO 2.502.449,79 2.451.205,42 2.582.965,61 131.760,19 80.515,82 NOVEMBRO 2.461.014,71 2.379.649,45 2.527.744,88 148.095,43 66.730,17 DEZEMBRO 2.737.447,97 2.533.647,15 2.797.010,73 263.363,58 59.562,76 13 SAL 2.144.304,13 2.144.304,13 2.144.304,13 À fl. 201, no item 21 do relatório fiscal, há uma planilha com relação de notas fiscais que não teriam sido apresentadas pelo contribuinte no curso do procedimento fiscal. Por outro lado, a partir da fl. 3924, há vários documentos fiscais acostados, intitulados como "apresentados durante fiscalização e relacionados pelo fiscal como não entregues". Dentre os documentos apontados pelo autuante, podese notar, a partir de fl. 201, que, de fato, há cópias de várias daquelas notas juntadas aos autos. Forte nas considerações acima foi a proposta de conversão do julgamento em diligência à unidade de origem, com vistas a que a Fiscalização elaborasse planilha discriminando, nota a nota, aquelas apresentas à Fiscalização, além das acostadas nestes autos, emitidas pelo autuado no período de 2012 e 2013, que contivessem o regular destaque da retenção, assim como que tivessem sido contabilizadas em conta de receita, no mês de sua emissão, consoante determinava o artigo 137 da IN RFB nº 971/2009. Já a Informação Fiscal, em substanciais 80 laudas, inicialmente procurou esclarecer do que se tratou o caso, que pode ser resumido pelos seguintes parágrafos: E em atenção à diligência, assevera que: Fl. 6315DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.316 16 Todavia, a planilha em referência aparenta ter partido dos valores contabilizados e cotejados com as notas fiscais emitidas em vários períodos, inclusive em 2010 e 2011. No que toca aos documentos alegadamente apresentados e não considerados pelo autuante, bem como quanto à contabilização dos valores retratados nas notas fiscais, assim se reportou o Fisco: [...] De todo o narrado, podese notar que há um imbróglio de difícil solução. Por um lado, o Fisco desconsiderou todas as notas fiscais emitidas no período auditado, pelo fato de, como já dito, não terem sido informadas (as retenções) na GFIP. Por outro, o contribuinte não traz a detalhada comprovação material de seu crédito, resumindose a explicar que o reconheceu no ato do recebimento pelos serviços prestados e não no momento da emissão da nota fiscal. Além do quê, teria sido identificado pelo Fisco o aproveitamento duplicado de créditos e a contabilização de seu aproveitamento sem que tivesse sido informado qualquer retenção na planilha apresentada ao autuante. Em sua nova manifestação, após a Informação Fiscal decorrente da conversão do julgamento em diligência, passou a pugnar o recorrente fosse efetivamente cumprida a determinação deste colegiado. Não obstante, embora reconheça que a diligência não fora cumprida em sua integralidade, penso que os elementos dos autos, ladeados a própria inércia do recorrente em ajustar e demonstrar o quantum de seu crédito em função das inconsistências apontadas pelo Fl. 6316DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.317 17 Fisco, passaram a ser suficientes à conclusão deste julgamento, sendo certo que, quando de sua liquidação, deverão ser observado os estritos termos do decidido por esta Turma. Assim prosseguindo, percebase que o reconhecimento do crédito no momento da emissão da nota fiscal, além de se alinhar ao princípio da competência, é um imperativo legal justamente para que se mantenha um controle padronizado a evitar o aproveitamento desordenado e em duplicidade de créditos indevidos. Assim, é com a emissão da nota fiscal com o regular destaque da retenção e a contabilização da respectiva receita ladeada ao reconhecimento contábil do crédito é que dará suporte ao aproveitamento desse valor na GFIP daquela competência. Note que se faz necessária a contabilização desse direito em conta de ativo e o reconhecimento da receita pelo total da nota fiscal emitida, de forma a evidenciar que o prestador arcará com o ônus da retenção, na medida em que o valor a ser recebido se dará a menor do que a receita reconhecida. Quando da compensação, aquele crédito deverá ser contabilmente baixado contra a conta que registra a obrigação a recolher. É essa a inarredável sistemática que se espera. No que toca à argumentação de que o auditor teria suprimido valores de contribuição previdenciária retida, seja de GPSs não consideradas ou mesmo aquelas nas quais não foram computados os valores relativos à atualização monetária e juros, a decisão de piso bem abordou o assunto, como se segue: Fl. 6317DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.318 18 Após as considerações acima, a primeira instância julgadora revisou o lançamento para excluir aquele valor de R$ 36.446,67, da competência 05/2013 e a correspondente multa isolada, o que justificou o decreto de provimento parcial. Na sequência, sustentou ainda o recorrente que o autuante teria desconsiderado os excedentes de retenção havidos nos meses de março, outubro e novembro de 2012, que deveriam ser utilizados em compensações de períodos posteriores. Nesse ponto, corretamente esclareceu o acórdão recorrido: Fl. 6318DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.319 19 Postas as considerações acima, tenho que devam ser considerados no lançamento, em cada competência e até o limite do montando aproveitado na GFIP, os valores destacados nas notas fiscais emitidas nas respectivas competências e apresentadas até a impugnação, a teor do § 4 do artigo 16 do Decreto 70235/72, que tenham sido contabilizadas na forma do artigo 137 da IN RFB 971/2009, conforme explicitado neste voto, ainda que recolhidos em outra competência. Mérito Multa Isolada 150%. Nesse ponto, aduz a recorrente que em momento algum se alegou ou comprovou que a contribuinte teria se utilizado de artifícios fraudulentos para lesar o fisco. Ao contrário, ela mesmo, de boafé, teria exposto à fiscalização a forma como realizava a contabilização dos créditos advindos da retenção em nota fiscal. E mais, que a aplicação da multa de ofício isolada agravada resguardase para as hipóteses em que o contribuinte tenha realmente a intenção de fraudar o Fisco, sendo certo que a autoridade fiscal não comprovou qualquer ato doloso nesse sentido. Pois bem. O § 10 do artigo 89 da Lei 8.212/91 assim dispõe: (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (destaquei) A seu turno, falsidade é qualidade daquilo que é falso, que, na sequência, pode ser assim definido 3: 1 Oposto à verdade ou à realidade; inexato, infundado. 2 Em que há mentira, fingimento ou dolo. 3 Que não é verdadeiro, mas inventado; fictício, enganoso. 4 Que se faz passar pelo que não é; impostor. 5 Que não é original ou autêntico, mas feito como imitação, às vezes com intenção fraudulenta; falsificado, imitado, postiço. 6 Que não é leal; desleal, pérfido, traidor. Diferentemente da seara criminal, onde para se ter um provimento condenatório fazse necessário, como regra4, provar o dolo na conduta comissiva ou omissiva do agente, na medida em que a pena traz, a rigor, restrições ao seu consagrado direito constitucional à liberdade; no âmbito tributário temse como regra, quanto à imposição de 3 https://michaelis.uol.com.br/modernoportugues/busca/portuguesbrasileiro/falso/ 4 Ressalvados os tipos expressos na lei penal para o s quais basta a culpa na conduta. Fl. 6319DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.320 20 penalidade, a desnecessidade de se apontar/provar o dolo na conduta do contribuinte, como se denota do artigo 136 infra colacionado, eis que, aqui, a penalidade traz implicações, em última análise, ao direito à propriedade. Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Nesse rumo, podese concluir que enquanto no âmbito criminal, a regra é que se demonstre a intenção (dolo) na conduta do agente; no tributário, a responsabilidade pela infração é de natureza objetiva, bastando, para tanto, que se demonstre a ação (ou omissão), o resultado reprovável e o nexo de causalidade entre ambos. Perceba que quando o legislador tributário pretendeu exigir do Estado a comprovação da intenção do agente, o fez expressamente na lei, consoante se denota do parágrafo 1º do artigo 44 da Lei 9.430/96, combinado com os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. Confirase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Ainda para ilustrar, vejase o que diz o artigo 18 da Lei 8.023/90: Fl. 6320DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.321 21 Art. 18. A inclusão, na apuração do resultado da atividade rural, de rendimentos auferidos em outras atividades que não as previstas no art. 2º, com o objetivo de desfrutar de tributação mais favorecida, constitui fraude e sujeita o infrator à multa de cento e cinqüenta por cento do valor da diferença do imposto devido, sem prejuízo de outras cominações legais. Percebase que a lei estabelece objetivamente situação que uma vez constatada dará ensejo à multa já no patamar original de 150%. Não há qualquer gradação, ao contrário de que se tem para as multas de oficio daquele artigo 44. Nesse mesmo sentido, são os acórdão 9202003.931, de 12.054.2016 e 9202 005160, de 25.01.2017, adiante ementados: COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos decorrentes de recolhimentos de contribuições sem efetivamente desincumbirse de demonstrar o efetivo recolhimento. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da lei 8212/91, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" a compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. COMPENSAÇÃO. PRECATÓRIOS EM AÇÃO JUDICIAL DE CONTRIBUIÇÕES DIVERSAS. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos antes mesmo de decisão judicial ou declaração de inconstitucionalidade da contribuição devida. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da lei 8212/91, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" a compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Posto desta forma, penso que toda e qualquer discussão sobre o tema refoge ao âmbito do contencioso administrativo, na medida em que acaba por envolver, inevitavelmente, questões acerca da razoabilidade e do nãoconfisco decorrentes da aplicação da norma. Prosseguindo quanto ao caso em tela. Fl. 6321DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.322 22 O contribuinte, no período de 01/2012 a 13/2012, efetuou compensações em 23 GFIP, procurando extinguir, indevidamente, grande parte dos débitos lá apurados e confessados mediante o aproveitamento de créditos que sequer de longe logrou comprovar sua integralidade. Por outro lado, o autuante logrou demonstrar que parte dos créditos pretensamente utilizados teria se dado de forma irregular, seja mediante sua contabilização e aproveitamento em duplicidade, seja desprovido de lastro em documental fiscal (retenção zerada em planilha, contudo indevidamente contabilizada), seja ainda pela indevida sistemática alegadamente adotada pelo recorrente para o seu aproveitamento. Referidas compensações tiveram o condão de reduzir, na GFIP, o valor devido e que alimentou a cobrança automática previdenciária. Vale dizer: o valor informado como compensado deixou de ser cobrado automaticamente pelos sistemas previdenciários. Em função deste mecanismo, o resultado da conduta frisese: deixar de pagar tributo era, sem sombra de dúvida, vislumbrado, esperado e pretendido pelo contribuinte. Nessa linha, estou certo de que as várias compensações informadas em GFIP não se alinharam à realidade ou à verdade, razão pela qual concluo pela procedência do lançamento a esse título, que não se confunde com o aqueles relativos às multas que serão tratados nos itens a seguir. Mérito Multa por descumprimento de obrigação acessória. Com relação a esta matéria, foram lavrados autos de infração a partir das ocorrências a seguir individualizadas: Ausência de destaque em Notas Fiscais: Sobre esse aspecto, aduz o recorrente que o dever de retenção de contribuição previdenciária na prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, desde fevereiro de 1999, é da empresa contratante, e não da empresa prestadora de serviços, conforme previsão contida no artigo 112 da IN n. 971/09. E prossegue ao afirmar que em não havendo destaque e retenção, não haveria também proveito de crédito de retenção. Não é bem assim. A obrigação de o tomador do serviço efetuar a retenção não desincumbe o prestador de efetuar o regular destaque das retenções nas notas de sua emissão, consoante estabelecem os artigos 92 e 102, ambos a Lei 8.212/91 e artigo 383, caput e § 3º e art 383 do Dec 3.048/99 c/c artigos 31 § 1º da Lei 8.212/91 e artigo 219, § 4º do Dec 3.048/99. Nesse mesmo sentido foi a decisão de piso, com a qual concordo, inclusive no que pertine à alegação de que referidos serviços prestados a órgãos públicos não seriam, conforme entendimentos dos tomadores, sujeitos à retenção. Confirase: Fl. 6322DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.323 23 Não apresentação de algumas Notas Fiscais: Já messe ponto, alega que não procedeu de forma como afirmado no relatório fiscal, na medida em que teria, sim, apresentado as notas fiscais questionadas pelo autuante. Contudo, não apontou em seu recurso o protocolo do recebimento de tais documentos pela Fiscalização, o que impede seja afastada a imputação fiscal. Apresentação da ECD com inexatidão: Nesse quesito, assevera o recorrente que o fato de contabilizar suas retenções pelo regime de caixa, fato esse inclusive por ele noticiado no curso da fiscalização, não importaria em inexatidão, incompletude ou omissão de informações na escrita fiscal, já que a empresa entendia por correta sua forma de reconhecer e mensurar os créditos de retenção de contribuição previdenciária. Ouso discordar. Consoante relatado na acusação fiscal e mencionado no acórdão de piso, foram identificadas várias irregularidades na ECD do autuado que justificaram o entendimento de que as informações teriam sido apresentadas de forma inexata, incompleta ou omitida, como prevê o inciso III do artigo 57 da MP 2.158/2001, com a redação dada pela Lei 12.873/2013. Foram elas: Fl. 6323DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.324 24 Somese a elas, a oportuna consideração feita pelo acórdão recorrido nos seguintes termos: Fl. 6324DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.325 25 Frente ao acima apontado, penso que não há como afastar a imputação fiscal no que tange a ocorrência dos fatos. Quanto ao pleito para que fosse aplicada a retroatividade benigna, cumpre destacar que o autuante valeuse justamente do dispositivo invocado pelo recorrente, qual seja, o artigo 57, III, "a" da MP 2.158/2001, com a redação dada pela Lei 12.873/2013 5, sendo certo que não houve sequer alteração posterior nesse dispositivo a justificar qualquer aplicação retroativa. Por sua vez, no que toca à dosimetria da multa, o autuante assim procedeu: Utilizou, como base de cálculo, o valor das Receitas de Prestação de Serviços e de Revenda de Mercadorias constantes nas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) dos anos 2012 e 2013 e sobre elas aplicou a alíquota de 3%, dessa forma: DIPJ ANO RECEITAS ALÍQUOTA MULTA 2012 188.316.906,48 3% 5.649.507,19 2013 223.775.776,56 3% 6.713.273,30 TOTAL => 12.362.780,49 Frente a isso, aduziu o autuado que interpretação adequada à dosimetria da pena seria aquela que leva em consideração o valor das transações ou operações que contivessem informações omitidas, inexatas ou incompletas, desde que não houvesse o valor final inferior à R$ 100,00. E prosseguiu ao sustentar que entender pela base de cálculo como sendo o faturamento anual da empresa desvirtuaria o próprio sentido da norma, transmudando o seu texto e fazendo produzir efeitos que nem mesmo o legislador pensou. E que, em assim sendo, a base de cálculo da multa, na hipótese de manutenção do auto de infração neste ponto, o que se 5 Art. 57 O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013) (...) III por cumprimento de obrigação acessória com informações inexatas, incompletas ou omitidas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013) a) 3% (três por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta; (Incluído pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013) Fl. 6325DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.326 26 colocaria apenas por apego ao debate, deveria ser retificada, para que levasse em consideração somente as glosas dos créditos de retenção de contribuição previdenciária. Por sua vez, a decisão de piso indeferiu o pleito de ajuste na base de cálculo fundamentando no fato de que lá no dispositivo normativo constar "o valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário" e não o valor das transações ou operações com informações omitidas, inexatas ou incompletas. Pois bem. Vejamos a alteração no dispositivo ao longo do tempo: Redação original: Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: [...] II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Alterado pela Lei 12.766/2012: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentálos ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas [...] III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. Alterado pela Lei 12.873/2013: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei Fl. 6326DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.327 27 nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas [...] III por cumprimento de obrigação acessória com informações inexatas, incompletas ou omitidas a) 3% (três por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta Podese notar a significativa alteração da redação da base de cálculo da multa quando comparadas as redações alteradas pela Lei 12.766/2012 e 12.873/2013, da qual se valera o autuante. Na de 2012, a base era "0,2% (dois décimos por cento)....., sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços", enquanto que na de 2013, "3% (três por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta". Referida alteração foi implementada por meio de emenda na redação original da MP 619/2013, que foi convertida na Lei 12.873/2013. Em função da evolução da norma, a leitura que faço é que a novel disposição procurou, de fato, desvincular a multa do faturamento ordinário do sujeito passivo, na medida em que deixara de ser o faturamento do mês anterior para passar a ser o valor das transações comerciais ou das operações financeiras (...), no caso de informação omitida, inexata ou incompleta, tendo sua alíquota aumentada em 15 vezes (de 0,2 % para 3 %). Oportuno mencionar que a Instrução Normativa RFB 1.277/2012, que instituiu a obrigação de prestar informações relativas às transações entre residentes ou domiciliados no Brasil e residentes ou domiciliados no exterior que compreendam serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, das pessoas jurídicas ou dos entes despersonalizados, valendose da previsão contida naquele artigo 57 da MP 2.158/2001, assim dispôs sobre a penalidade: Art. 4º O sujeito passivo que deixar de prestar as informações de que trata o art. 1º ou que apresentálas com incorreções ou omissões será intimado para apresentálas ou para prestar esclarecimentos no prazo estipulado pela RFB e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1336, de 26 de fevereiro de 2013) Fl. 6327DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.328 28 [...] III por cumprimento de obrigação acessória com informações inexatas, incompletas ou omitidas: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1409, de 07 de novembro de 2013) a) 3% (três por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1409, de 07 de novembro de 2013) [...] § 5º Para fins do disposto no inciso III do caput, o valor das transações comerciais ou operações financeiras corresponde: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1803, de 06 de abril de 2018) I ao valor da operação sujeita a registro no Siscoserv à qual estejam especificamente vinculadas as informações inexatas, incompletas ou omitidas; ou (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1803, de 06 de abril de 2018) II ao somatório do valor das operações a que as informações inexatas, incompletas ou omitidas se referem, no caso de informações comuns a diferentes operações sujeitas a registro no Sistema Integrado de Comércio Exterior de Serviços, Intangíveis e Outras Operações que Produzam Variações no Patrimônio (Siscoserv) e que componham um conjunto de dados que caracterizam a prestação de um serviço, uma transferência ou aquisição de intangível ou a realização de uma operação que produza variação no patrimônio. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1803, de 06 de abril de 2018) É de se perceber que a base de cálculo da multa relativa ao descumprimento da obrigação acessória instituída por força daquela IN 1.277/2012 assemelhase e valese do mesmo dispositivo legal utilizado para a multa aqui tratada, sendo certo que a interpretação dada ao dispositivo, com a redação dada pela IN RFB 1.803/2018 e no âmbito daquela obrigação acessória, foi no sentido de que o valor das transações comerciais ou operações financeiras corresponderia ao valor da operação sujeita a registro no Siscoserv à qual estejam especificamente vinculadas as informações inexatas, incompletas ou omitidas ou ao somatório do valor das operações a que as informações inexatas, incompletas ou omitidas se referem, conforme o caso. Posto assim, penso que a base de cálculo da multa deve ser considerada como sendo aquela que representa a informação omitida, inexata ou incompleta apurada pelo autuante. Mérito Da Solidariedade. Fl. 6328DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.329 29 Nesta matéria, alega o recorrente que a jurisprudência consolidada do E. Superior Tribunal de Justiça afastaria a caracterização de responsabilidade tributária solidária, quando não haja realização conjunta do fato gerador. E que as empresas, de fato, não praticaram atividades conjuntamente ou de uma forma interligadas, o que, por si só, seria mais que suficiente a evidenciar a ilegitimidade do respectivo arrolamento das sociedades como devedoras solidárias do presente crédito tributário. Não comungo dessa tese, ao mesmo tempo em que me alinho ao entendimento da instância de piso, como já me manifestei em outras oportunidades, no que sentido de que a responsabilização, uma vez demonstrada a existência de grupo econômico, se dá por imposição legal, pouco importando tenha sido demonstrado, ou não, pela fiscalização o interesse comum da situação que constituiu o fato gerador da exação. Nesse sentido, tomo como razões de decidir a fundamentação e conclusão a seguir colacionados: Fl. 6329DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.330 30 Fl. 6330DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.331 31 Nesse sentido, VOTO por conhecer do recurso e DARLHE parcial provimento para que sejam considerados no lançamento, em cada competência e até o limite do montante aproveitado na GFIP, os valores destacados nas notas fiscais emitidas nas respectivas competências e apresentadas até a impugnação, que tenham sido contabilizadas na forma do artigo 137 da IN RFB 971/2009, conforme explicitado neste voto, ainda que recolhidos em outra competência, bem como para que a multa relacionada à ECD apresentada com informações omitidas, inexatas ou incompletas seja ajustada para que sua base de cálculo passe a constar aquela que corresponda à informação omitida, inexata ou incompleta apurada pelo autuante. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 6331DF CARF MF
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