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Numero do processo: 13888.003703/2010-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 30/06/2005 a 30/06/2008
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em se tomar conhecimento parcial do recurso e, na parte conhecida, negar provimento.
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Elias Fernandes Eufrásio e Nanci Gama.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 30/06/2005 a 30/06/2008 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Negado
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AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em se tomar conhecimento parcial do recurso e, na parte conhecida, negar provimento. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Elias Fernandes Eufrásio e Nanci Gama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 37 03 /2 01 0- 83 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto com as devidas adições, o relatório da primeira instância. "O contribuinte em epígrafe ajuizou Ação Declaratória com pedido de Antecipação dos Efeitos da Tutela n° 2001.61.09.0050775, cujo mérito do processo é sobre o direito ao creditamento do valor do IPI, corrigido monetariamente, dentro do período decenal, sobre aquisições de insumos em operações Isentas, Imunes, NãoTributadas ou Tributados à Alíquota Zero e utilizados na industrialização de produtos tributados, bem como reconhecer o direito da autora de utilizar este credito na compensação de debito do mesmo ou de outros tributos administrados pela SRF. Tendo a fiscalização apurado que não houve concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, conforme previsto no CTN art 151, incisos IV e V, e, portanto, não estando o Crédito Tributário com exigibilidade suspensa, foi refeita a escrituração do contribuinte com a glosa dos indigitados créditos que foram escriturados e abateram os débitos do IPI, sem fundamentação legal ou sem a definitiva sentença judicial transitada em julgado. Conseqüentemente, foi apurado e constituído de ofício o crédito tributário montante em R$3.994.115,95, nele inclusos os juros de mora e a multa de ofício aplicada no percentual de 75% sobre o valor do imposto, conforma a capitulação legal e descrição de fls. 02/30. Tempestivamente o contribuinte apresentou a impugnação de fls. Alegando, em síntese, que o lançamento ofende o princípio da nãocumulatividade, conforme doutrina e julgados que cita, e requereu a suspensão deste processo administrativo, até o trânsito em julgado do processo de n° 2001.61.09.0050775 e/ou ulterior apreciação definitiva pelo Supremo Tribunal Federal no RE n° 590.8097, que vinculará as demais lides acerca do tema." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ao analisar a impugnação, decidiu por não conhecer da impugnação quanto ao mérito da lide por ser matéria em discussão no poder judiciário, aplicando o instituto da concomitância e indeferiu o pedido para a suspensão do julgamento por falta de amparo legal. A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 30/06/2005 a 30/06/2008 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13888.003703/201083 Acórdão n.º 3102001.620 S3C1T2 Fl. 234 3 INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. CONCOMITÂNCIA. As decisões do Poder Judiciário prevalecem sobre o entendimento da esfera administrativa, assim, não se discute na esfera administrativa a mesma matéria discutida em processo judicial, mas, tão somente, os diferentes objetos, como determina o ADN COSIT nº 03/96. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" A autuada ao tomar ciência da decisão da DRJ, veio aos autos apresentado Recurso Voluntário, pedindo o sobrestamento do julgamento administrativo em razão da existência do Recurso Extraordinário nº 5908097 em andamento perante o Supremo Tribunal Federal, no qual foi reconhecida a repercussão geral da matéria nos termos do art. 543B do Código de Processo Civil. Tal sobrestamento seria obrigatório em atendimento ao § 1º do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A seguir traz alegações quanto a pertinência do direito ao crédito do IPI sobre as aquisições de insumos tributados à alíquota zero e NT, repisando os argumentos já apresentados na impugnação. Ao fim do Recurso, pede o afastamento da multa de ofício, substituindoa pela multa de mora em razão da integral confissão dos débitos declarados e ainda, caso o julgamento do Recurso decida pela manutenção do lançamento para prevenir a decadência, pede a substituição da multa de ofício pela multa de mora em obediência ao art. 63 da Lei nº 9.430/96. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O objeto da Ação Judicial em questão e do Auto de Infração constante desse processo tratam da mesma matéria. A possibilidade de utilização de crédito do IPI nas aquisições de insumos não tributados e tributados a alíquota zero. Em razão da discussão judicial, as alegações apresentados no Recurso não podem ser objeto de deliberação por parte deste colegiado, pois a decisão a ser adotada na Ação Judicial interfere diretamente no lançamento ora combatido. O código Tributário Nacional ao excluir da apreciação dos tribunais administrativos, a matéria objeto de ação judicial, visa evitar decisões divergentes, diante do principio da unidade de jurisdição prevalente no País em que decisões judiciais são soberanas e Fl. 235DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 a propositura destas afasta a possibilidade de apreciação pela via administrativa. Este entendimento foi objeto da Súmula nº 1 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Quanto aos pedidos de sobrestamento do julgamento e da substituição da multa de ofício pela multa de mora, por tratarse de matérias distintas daquela tratada na ação judicial, merecem ser discutidas. A partir das alterações promovidas no Regimento Interno do CARF, com a edição da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, foi incluída a determinação de reproduzir nos julgamentos deste colegiado as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo STF e pelo STJ, julgados nos termos do art. 543B e do art. 543C, do CPC e também o sobrestamento dos julgamentos dos recursos administrativos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria. Estas determinações constam do art. 62A, do Regimento Interno do CARF, aprovado na portaria MF nº 256/2009. In verbis: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes..” Esclarecendo o alcance do sobrestamento dos recursos administrativos previsto no art. 62A do RICARF, em 03/01/2012 foi publicada a Portaria CARF nº 001/2012. Que no seu art. 1º detalhou as situações em que deveria ocorrer o sobrestamento dos processos. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13888.003703/201083 Acórdão n.º 3102001.620 S3C1T2 Fl. 235 5 "Art. 1º. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso." Conforme se depreende da leitura do artigo 1º da citada portaria, os julgamentos somente serão sobrestados por parte deste conselho, quando o sobrestamento foi comprovadamente determinado pelo STRF. A decisão da Repercussão Geral no RE 5908097, que tratava do crédito de IPI referente a insumos isentos e de alíquota zero não determinou explicitamente o sobrestamento de processos, assim, em atendimento ao art. 1º da Portaria CARF 001/2012, não pode prosperar o pedido da Recorrente. Quanto a substituição da multa de ofício pela multa de mora, em razão da matéria ser objeto de discussão na esfera judicial, também aqui não assiste razão ao Recurso. O art. 63 da Lei nº 9.430/96 determinam a aplicação da multa de mora, nos lançamentos para prevenir a decadência, quando existe decisão judicial determinando a suspensão da exigência. Tal situação não aconteceu para a Recorrente, assim, correto o lançamento realizado pela Autoridade Fiscal com a exigência da multa de ofício. Por fim, quanto a alegação que deveria ser aplicada a multa de mora em razão dos débitos serem objeto de confissão espontânea, também aqui não prospera o Recurso. O relatório fiscal esclarece que o lançamento corresponde a parte não declarada pela Recorrente (fl. 36). Destarte, foi excluído do lançamento os valores declarados e confessados. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso na parte que existe concomitância com a ação judicial e quanto à parte conhecida negar provimento. Winderley Morais Pereira Fl. 237DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 Fl. 238DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10840.002961/2003-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1994
Ementa. PIS-REPIQUE. SEMESTRALIDADE.IMPERTINÊNCIA.
Tendo em vista a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça, bem como da CSRF, a base de cálculo do PIS somente foi alterada pela Medida Provisória n° 1.212/95. Até fevereiro de 1996, o PIS devido era calculado com base de cálculo do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador.
CRÉDITOS RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. APURAÇÃO DO INDÉBITO NOS TERMOS DO PROVIMENTO JUDICIAL. ADEQUAÇÃO AO PEDIDO.
Tratando-se a espécie de créditos reconhecidos judicialmente, a apuração do indébito deve observar os estritos termos do provimento judicial, que se reportou expressamente ao direito de compensação dos recolhimentos comprovados nos autos, tal como pleiteado originalmente pela autora.
ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
CRÉDITOS RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES ADMINISTRADOS PELA SRF. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSIVO.
Os créditos de natureza tributária relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, poderão ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF, se houver legislação superveniente que assegure igual tratamento aos demais contribuintes, desde que tal procedimento não afronte os fundamentos que embasaram a decisão de mérito.
Numero da decisão: 3401-002.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente.
ÂNGELA SARTORI - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori, Fábia Regina Freitas e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1994 Ementa. PIS-REPIQUE. SEMESTRALIDADE.IMPERTINÊNCIA. Tendo em vista a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça, bem como da CSRF, a base de cálculo do PIS somente foi alterada pela Medida Provisória n° 1.212/95. Até fevereiro de 1996, o PIS devido era calculado com base de cálculo do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador. CRÉDITOS RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. APURAÇÃO DO INDÉBITO NOS TERMOS DO PROVIMENTO JUDICIAL. ADEQUAÇÃO AO PEDIDO. Tratando-se a espécie de créditos reconhecidos judicialmente, a apuração do indébito deve observar os estritos termos do provimento judicial, que se reportou expressamente ao direito de compensação dos recolhimentos comprovados nos autos, tal como pleiteado originalmente pela autora. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA CRÉDITOS RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES ADMINISTRADOS PELA SRF. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSIVO. Os créditos de natureza tributária relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, poderão ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF, se houver legislação superveniente que assegure igual tratamento aos demais contribuintes, desde que tal procedimento não afronte os fundamentos que embasaram a decisão de mérito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente. ÂNGELA SARTORI - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori, Fábia Regina Freitas e Júlio César Alves Ramos.
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PISREPIQUE. SEMESTRALIDADE.IMPERTINÊNCIA. Tendo em vista a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça, bem como da CSRF, a base de cálculo do PIS somente foi alterada pela Medida Provisória n° 1.212/95. Até fevereiro de 1996, o PIS devido era calculado com base de cálculo do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador. CRÉDITOS RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. APURAÇÃO DO INDÉBITO NOS TERMOS DO PROVIMENTO JUDICIAL. ADEQUAÇÃO AO PEDIDO. Tratandose a espécie de créditos reconhecidos judicialmente, a apuração do indébito deve observar os estritos termos do provimento judicial, que se reportou expressamente ao direito de compensação dos recolhimentos comprovados nos autos, tal como pleiteado originalmente pela autora. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA CRÉDITOS RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES ADMINISTRADOS PELA SRF. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSIVO. Os créditos de natureza tributária relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, poderão ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF, se houver legislação superveniente que assegure igual tratamento aos demais contribuintes, desde que tal procedimento não afronte os fundamentos que embasaram a decisão de mérito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 29 61 /2 00 3- 71 Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por A NGELA SARTORI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. ÂNGELA SARTORI Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori, Fábia Regina Freitas e Júlio César Alves Ramos. Relatório Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por A NGELA SARTORI Processo nº 10840.002961/200371 Acórdão n.º 3401002.091 S3C4T1 Fl. 6 3 Trata o presente processo de Pedido de Restituição, protocolado em 14/08/2003, no valor de R$ 594.007,54 (quinhentos e noventa e quatro mil sete reais e cinquenta e quatro centavos), apresentado pelo Recorrente com o fim de ver compensado débito seu com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior, referente ao Programa de Integração Social – PIS. Ao pedido foram anexadas cópias do inteiro teor da petição inicial (fls. 02/36), da sentença (fls. 37/44), do acórdão do TRF da 3 a Região (fls. 46/55) e da certidão de trânsito em julgado (fl. 57), além de planilhas demonstrativas do crédito solicitado (fls. 58/61) e dos DARFs de recolhimento da exação, ocorridos no período de outubro/1988 a março/1995 (fls. 76/161). Por meio da referida ação judicial, o Recorrente pleiteou o reconhecimento da inconstitucionalidade dos DecretosLeis n°s 2.445 e 2.449, de 1988, declarandose a exigibilidade do PIS nos moldes da Lei Complementar n° 7/70 (à alíquota de 0,75% incidente exclusivamente sobre o faturamento da empresa, à exceção do ano de 1989, quando a alíquota foi reduzida para 0,35%). Pede, inclusive, que o cálculo da exação seja feito "conforme o parágrafo único do artigo 6 o do referido diploma legal". O Recorrente ainda peticionou em juízo "a condenação da requerida a admitir a compensação das quantias indevidamente pagas", com débitos do próprio PIS, da Cofins e da CSLL, considerandose a atualização monetária do indébito por índices "que meçam a real e efetiva perda do poder aquisitivo da moeda". E, caso não opte pela compensação (nos termos do art. 66, § 3o , da Lei n° 8.383/91), pede pela "condenação da requerida a restituir o indébito". A autoridade judiciária singular julgou procedente o pedido, nos temos do seguinte dispositivo sentença: Diante do exposto, e de tudo o mais que dos autos consta, julgo procedente o pedido para o fim de declarar a inexistência de relação jurídico tributária que obrigue a Autora recolher a contribuição para o PIS, na forma prevista nos Decretosleis 2.445/88 e 2.449/88; prevalecendo a exigibilidade da exação nos termos da legislação anterior (Lei Complementar n° 07/70), reconhecendo o direito da Autora de compensar os valores efetiva e indevidamente recolhidos à esse título, comprovados nos autos, com valor das parcelas vincendas da contribuição para o PIS, nos termos do art. 66 da Lei n° 8.383/91. Os autos foram remetidos ao Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região, para julgamento do reexame necessário e também da apelação da autora, que pugnou pelo direito de compensar o indébito "com outros tributos administrados pela SRF, bem como pela inclusão de índices inflacionários na correção monetária" (extraído do relatório do acórdão, fl. 46). Referida Corte, entretanto, negou provimento à apelação e à remessa oficial, conforme acórdão e ementa de fl. 55. Não tendo havido recursos aos Tribunais Superiores, a ação transitou em julgado em 06/03/2002. Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por A NGELA SARTORI 4 À vista das verificações efetuadas, a fiscalização apurou o direito creditório possível de ser reconhecido, manifestandose nos termos da informação de fls. (241/246), cujas conclusões seguem transcritas: Diante de todo o exposto, há que se concluir: no que se refere aos períodos de apuração jul/88 a 11/93, pelo não cabimento do pedido de restituição apresentado. Todavia, da mesma forma, não cabe discussão quanto ao direito de compensação do contribuinte, com débitos da própria contribuição, em face do provimento judicial. Efetuados os cálculos, pelo mesmo critério demonstrado na inicial em Juízo, foram apurados os valores constantes do demonstrativo de fls. 237/238, em valores originais e em moeda da época; no que se refere aos períodos de apuração dez/93 a dez/94, pela inexistência de crédito em favor da requerente, tendo em vista que os valores objeto do pleito já foram alcançados pela decadência do direito à restituição (todos os pagamentos acrescentados posteriormente ao processo administrativo foram realizados em data anterior a 14/08/1998); A fiscalização conclui que "há que se proceder ao reconhecimento parcial do direito creditório à interessada, relativamente ao presente processo, conforme valores originais dos créditos apurados no demonstrativo de fls. 237/238, admitida, nos termos do provimento judicial, a compensação de tais créditos com parcelas vincendas do próprio PIS, excluídas as parcelas relativas a demais tributos, e corrigidos monetariamente pelos mesmos índices utilizados pela União Federal para atualização de seus débitos". Foi emitido o despacho decisório de fl. 247, que indeferiu o pedido de restituição, mas reconheceu o direito creditório (conforme apurado pela fiscalização), em face do provimento judicial, bem como homologou as compensações declaradas com suporte no referido crédito (conforme Declarações de Compensação DCOMPs transmitidas a partir de 12/09/2003), até o limite do crédito reconhecido, "desde que efetuadas com débitos da própria contribuição". Nesse passo, importa transcrever as ementas que integraram o referido despacho decisório: PIS Programa de Integração Social Pagamento a maior ou indevido Decadência O direito de pleitear a restituição/compensação extinguese com o decurso de prazo de cinco anos contados do pagamento a maior ou indevido. Prazo de Recolhimento A Lei n° 7.691/88 revogou o parágrafo único do art. 6o da L.C. n" 07/70; não sobreviveu portanto, a partir daí, o prazo de seis meses, entre o fato gerador e o pagamento da contribuição, como originalmente determinava o referido dispositivo. Compensação A compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Decisão Judicial Compensação O aproveitamento do crédito tributário havido contra a Fazenda Nacional, via decisão judicial, deverá ocorrer da forma determinada no julgado. Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por A NGELA SARTORI Processo nº 10840.002961/200371 Acórdão n.º 3401002.091 S3C4T1 Fl. 7 5 Em 16/04/2007, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, por meio da qual aduz, em síntese, que: a) "analisandose o conteúdo das informações de fls. 241/246, fica claro que o indeferimento do pedido de compensação foi parcial"; b) a discordância do Fisco cingiuse a dois motivos: "a) o uso do critério da semestralidade previsto no art. 6o , parágrafo único, da Lei Complementar n° 07, de 1970, para o PIS, que teria sido revogado pela Lei n° 7.691, de 1988; b) houve inclusão de valores que não teriam sido objeto da ação judicial, o que acabou provocando a decadência dos mesmos"; c) a Lei n° 7.691, de 1988, "em nada alterou a apuração da exação de julho com base no faturamento de janeiro". Em verdade, "a semestralidade só foi revogada pela Medida Provisória (MP) n° 1.212, de 1995, não alcançando, assim, os períodos de apuração relativos ao indébito pleiteado. Nesse sentido já se pronunciou o antigo 2º Conselho de Contribuintes, conforme ementas de decisão trazidas à colação. Ademais, a sentença "assegurou a total aplicação dos ditames da Lei Complementar n° 7, de 1970", que estava em vigor no período dos recolhimentos relativos ao indébito pleiteado; d) a correta interpretação do dispositivo sentencial deve ser no sentido de considerar que a declaração de inexistência da relação jurídico tributária tem "caráter continuativo", devendo "prevalecer enquanto permanecer inalterada a legislação acerca do assunto", que só foi alterada em 1995. Neste caso, os pagamentos incluídos na petição administrativa, que não haviam sido incluídos na petição judicial (relativos aos períodos de apuração dez/93 a dez/94), também devem ser objetos de restituição. E este o entendimento da melhor doutrina e também do STJ, conforme julgado trazido à ilustração. "Sob a ótica desse raciocínio, podese afirmar que todo o período elencado no pedido de restituição está coberto pela coisa julgada, de sorte que não há que se falar em decadência, mesmo porque o prazo quinquenal é contado a partir do trânsito em julgado da sentença judicial, nos termos do art. 168, inciso II, do Código Tributário Nacional". Conclui a recorrente pleiteando a reforma da decisão recorrida, "acolhendose integralmente o pedido de compensação tal como foi proposto". Após o processo ter sido encaminhado para julgamento da manifestação de inconformidade (fl. 271) e antes de ter sido julgado, retornou a pedido da autoridade preparadora, "para fins de verificações de DCOMPs vinculadas ao crédito em questão, bem como efetivação da compensação no processo" (fl. 272). Às fls. 277/492 foram acostados extratos das DCOMPs eletrônicas enviadas pela contribuinte com suporte relativo a este processo, transmitidas no período de 12/09/2003 a 20/06/2007. Efetuados os procedimentos de compensação do direito creditório reconhecido, remanesceram débitos relativos a compensações nãohomologadas (que não se referiam a débitos de PIS), que foram objetos de cobrança nos termos da Intimação de fls. 523/524, que também oportunizou à interessada o direito de manifestar inconformidade no prazo de 30 dias. Referida intimação foi recebida em 13/03/2009 (fl. 538), e em 09/04/2009 foi protocolada nova manifestação de inconformidade, conforme peça de fls. 545/560. Nesta nova peça, após preliminarmente requerer que "seja atribuído efeito suspensivo à presente Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por A NGELA SARTORI 6 manifestação de inconformidade", nos termos legais apontados a recorrente aduz que a limitação das compensações do direito creditório reconhecido apenas aos débitos de PIS ignorou a revogação do art. 66 da Lei n° 8.383/91 pelo artigo 74 da Lei n° 9.430/96, "norma que possibilita a compensação ampla entre tributos administrados pela RFB", o que ocorreu após a prolação da sentença. Prossegue asseverando que "a sentença judicial passada em julgado apenas declarou o direito de compensação da autora da ação (no caso, a contribuinte ora recorrente), declaração ao direito de compensação essa que hoje sequer é mais necessária. A maneira e alcance desse direito de compensação deve obedecer as normas vigentes à época da efetivação da compensação, principalmente se nova norma veio a ampliar o direito de compensação dos contribuintes". Entende ainda a Recorrente, que o caso se trata de aplicação do princípio da retroatividade benigna (conf. art. 106 do CTN). Aponta que este entendimento é defendido pelos Conselheiros Maria Teresa Martines Lopes e Emanuel Carlos Dantas de Assis, na sua obra "Compensação Tributária" MP Editora, 2007, pp. 101/104), assim como pelo STJ, conforme julgado que também traz à transcrição. Prossegue pontuando que, "caso se admitisse tal limitação à compensação em razão da existência de coisa julgada, a contribuinte ora recorrente sofreria indevida discriminação em relação a outros que sequer ingressaram com ações judiciais", valendose apenas dos efeitos erga omnes conferidos, na espécie, pela Resolução do Senado Federal n° 49/1995. Neste caso, restaria ferido o princípio constitucional da isonomia tributária (conf. art. 150, inc. II, da CF/88). Assinala, que o STJ "já apreciou caso análogo ao presente, em que a Fazenda Pública se negou a autorizar a compensação de FINSOCIAL com parcelas vincendas de COFINS porque o título judicial não previu expressamente a possibilidade de compensação", conforme ementa igualmente transcrita no recurso. Conclui requerendo "a reforma do despacho decisório que limitou as compensações a parcelas vincendas de contribuição ao PIS, para que sejam admitidas também as demais compensações que foram realizadas com demais tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil". As manifestações de inconformidade trazidas pela interessada já haviam sido objeto de julgamento por esta Turma, conforme Acórdão n° 30.357, de 02 de agosto de 2010 (fls. 578/594), por meio do qual concluise, à unanimidade, pela parcial procedência dos protestos aduzidos, nos termos do voto cujo conteúdo segue reproduzido: Conclusão Ante o exposto, voto por julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade, para o fim de reconhecer o direito de a interessada ter homologadas as compensações realizadas com supedâneo no crédito oriundo do provimento judicial obtido nos autos da ação ordinária n°94.03038004 (2a Vara da Justiça Federal de Ribeirão Preto), de quaisquer débitos administrados pela Receita Federal, até o limite do crédito reconhecido, que deverá ser calculado pelo regime da semestralidade sem a correção monetária da base de cálculo, excluindose eventuais créditos decorrentes dos pagamentos relativos a períodos de apuração ocorridos entre dezembro/93 a dezembro/94, que não constaram do pedido judicial. Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por A NGELA SARTORI Processo nº 10840.002961/200371 Acórdão n.º 3401002.091 S3C4T1 Fl. 8 7 Remetidos os autos à unidade preparadora, para ciência da contribuinte e demais providências, a autoridade fiscal constatou "incorreção no procedimento de apuração adotado inicialmente no caso em tela". Isto porque, "tratandose de empresa cuja receita não provém da venda de mercadorias, a aplicação da LC nr. 07/70 implica na apuração da contribuição devida para o PIS, mediante a aplicação da alíquota de 5% sobre o valor do Imposto de Renda devido, ou como se devido fosse (PISDedução e PISRepique), e não mediante a aplicação da alíquota de 0,75% sobre a base de cálculo mensal" (fl. 595). Prossegue a autoridade asseverando que, desta forma, "resultou incorreta a apuração inicial da contribuição devida conforme realizada às fls. 223/238". E em razão desta constatação, com supedâneo no que dispõe o art. 27 da Portaria MF n° 58, de 2006, a autoridade a quo decidiu retornar o processo a DRJ para que fosse avaliada "a necessidade de reexame do caso em questão, em especial no que se refere à determinação explícita no Acórdão quanto à forma de apuração da contribuição devida". Em análise aos argumentos da Recorrente a DRJ decidiu em síntese: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1994 JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. INEXATIDÕES MATERIAIS CORREÇÃO. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, mediante prolação de novo acórdão. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/07/1988 A 31/12/1994 PISREPIQUE. EMPRESA NÃO COMERCIAL. SEMESTRALIDADE.IMPERTINÊNCIA. Uma vez constatado que a interessada não se trata de empresa comercial, temse como impertinente à espécie os protestos acerca da aplicação da apuração do crédito considerando o regime da semestralidade. CRÉDITOS RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. APURAÇÃO DO INDÉBITO NOS TERMOS DO PROVIMENTO JUDICIAL. ADEQUAÇÃO AO PEDIDO. Tratandose a espécie de créditos reconhecidos judicialmente, a apuração do indébito deve observar os estritos termos do provimento judicial, que se reportou expressamente ao direito de compensação dos recolhimentos comprovados nos autos, tal como pleiteado originalmente pela autora. Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por A NGELA SARTORI 8 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/07/1988 A 31/12/1994 PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DECADÊNCIA O direito de pleitear a restituição/compensação extinguese com o decurso de prazo de cinco anos contados do pagamento a maior ou indevido. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/07/1988 A 31/12/1994 CRÉDITOS RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES ADMINISTRADOS PELA SRF. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSIVO. Os créditos de natureza tributária relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, poderão ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF, se houver legislação superveniente que assegure igual tratamento aos demais contribuintes, desde que tal procedimento não afronte os fundamentos que embasaram a decisão de mérito. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte No Recurso Voluntário o Recorrente reiterou os argumentos da manifestação de inconformidade requerendo: “que se reforme a decisão recorrida e ao final seja homologada a totalidade das compensações realizadas.” É o Relatório. Voto Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por A NGELA SARTORI Processo nº 10840.002961/200371 Acórdão n.º 3401002.091 S3C4T1 Fl. 9 9 Conselheira Relator Angela Sartori O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele tomo conhecimento. A não homologação da compensação realizada pelo contribuinte referese ao período em que supostamente não estaria abrangido pela decisão judicial supra citada, conforme entendimento da autoridade fiscal. Descrevemos a conclusão da decisão da DRJ: “Ante o exposto, voto por julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade, para o fim de reconhecer o direito de a interessada ter homologadas as compensações realizadas com supedâneo no crédito oriundo do provimento judicial obtido nos autos da ação ordinária n° 94.03038004 (2a Vara da Justiça Federal de Ribeirão Preto), de quaisquer débitos administrados pela Receita Federal, até o limite do crédito reconhecido, que deverá ser recalculado pela sistemática conhecida por "PISRepique" (art. 3 o da LC n° 7/70), excluindose eventuais créditos decorrentes dos pagamentos relativos a períodos de apuração ocorridos entre dezembro/93 a dezembro/94, que não constaram do pedido judicial. Eventual contrariedade da interessada acerca do novo crédito apurado e consequente procedimento de liquidação das compensações pretendidas, deverá ser objeto de recurso voluntário endereçado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.” Para tanto, a DRJ fundamenta sua decisão em dois pontos principais: a) deve se respeitar a literalidade do dispositivo da sentença, em razão da natureza vinculada da administração pública; b) Os pedidos do autor em sua inicial reportavamse exclusivamente aos débitos ali contabilizados; c) ainda que considerada a situação como de trato sucessivo, esta alcançaria apenas a parte declaratória da sentença e não a condenatória. Conforme transcrito acima, três são os pontos de discordância apresentados em sede do recurso voluntário: 1) a apuração do crédito pela sistemática conhecida como "semestralidade"; 2) a decadência do direito de restituir indébitos relativos a períodos de apuração não incluídos no pedido judicial e 3) a possibilidade de compensação do crédito com quaisquer débitos administrados pela Receita Federal; Pois bem, não merece reforma a referida decisão da DRJ, conforme analisaremos a seguir: Na questão da semestralidade a DRJ defende a tese de que o disposto no art. 6º parágrafo único, da Lei Complementar n° 7/70 (sobre o qual reside a questão da "semestralidade"), foi revogado pela Lei n° 7.691, de 1988, não havendo que se falar da apuração do indébito por aquela sistemática, dado que os pagamentos realizados pela contribuinte ocorreram após a vigência da referida lei. Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por A NGELA SARTORI 10 Neste sentido, durante a vigência da LC n° 07/70, acolho o entendimento de que a base de cálculo do PIS do mês de janeiro corresponde ao faturamento ocorrido neste mesmo mês, sendo que apenas o vencimento é que se dava no sexto mês posterior. E a partir da Lei n° 7.691/88, o valor devido passou a ser atualizado desde o terceiro dia do mês subsequente ao fato gerador. Neste caso, mesmo que acolhida a tese da semestralidade, a apuração do indébito de PIS recolhido com base nos diplomas declarados inconstitucionais, devem considerar a atualização da base de cálculo ocorrida no semestre (fato este que a prática demonstra que reduz substancialmente, ou até mesmo anula, o crédito pleiteado). A jurisprudência administrativa já se pacificou acerca da questão aqui ventilada, como aliás demonstrou a Recorrente nos julgados trazidos à colação. À guisa de exemplo, cito o julgamento da 2 o Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, em fins de 2008, negou provimento ao recurso do contribuinte contra o Acórdão n° 20217.340, assim ementado em relação à matéria recorrida: SEMESTRALIDADE. Tendo em vista a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça, bem como da CSRF, a base de cálculo do PIS somente foi alterada pela Medida Provisória n° 1.212/95. Até fevereiro de 1996, o PIS devido era calculado com base de cálculo do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador. Ademais tal entendimento possui guarida na Súmula CARF n 15: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6q da Lei Complementar n? 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. (...) Na referida petição judicial a Recorrente expressamente requereu que o cálculo da exação fosse feito "conforme o parágrafo único do artigo 6 o do referido diploma legal". Ou seja, considerando o entendimento agora prevalecente, este cálculo deve considerar a apuração no regime da semestralidade sem a correção monetária da base de cálculo. A Recorrente defende a tese de que a correta interpretação do dispositivo sentencial deve ser no sentido de considerar que a declaração de inexistência da relação jurídicotributária tem "caráter continuativo", devendo "prevalecer enquanto permanecer inalterada a legislação acerca do assunto", que só foi alterada em 1995. Nesse passo, penso ser oportuno transcrever os exatos termos do pedido formulado pela contribuinte em sua petição judicial, quanto à questão da compensação aqui analisada: Em razão do exposto requer: b.l a declaração de terem sido indevidos os recolhimentos efetuados pela requerente na medida em que ultrapassaram as importâncias exigidas conforme o seu faturamento, eis alíquotas de 0,35% no ano de 1989 e 0,75% nos demais, conforme demonstrativo retroelaborado: b.2 a condenação da requerida a admitir a compensação das quantias indevidamente pagas a título de Contribuição ao Programa de Integração Social, e, na mesma proporção, dos juros e das penalidades pecuniárias (art. 167, do CTN), tudo conforme demonstrativo retro, Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por A NGELA SARTORI Processo nº 10840.002961/200371 Acórdão n.º 3401002.091 S3C4T1 Fl. 10 11 com outras contribuições sociais cuja arrecadação e administração caiba ao Departamento da Receita Federal. Ademais, o dispositivo sentencial, ao reconhecer o direito à compensação do indébito tributário, reportouse expressamente aos "valores efetiva e indevidamente recolhidos, comprovados nos autos", tal como o pedido formulado na inicial. Neste caso, como a própria autora da petição judicial limitou seu pedido aos valores por ela demonstrados na ação, e assim foi concedido na sentença, entendo que não pode ela pleitear administrativamente um indébito relativo a pagamentos nela não incluídos, em que pese o entendimento jurisprudencial trazido pela recorrente. Era ônus da autora da ação eventualmente complementar seu pedido judicial para o fim de incluir os recolhimentos não inicialmente considerados na sua petição, ou mesmo pleitear a expressa manifestação do magistrado acerca do alcance da sentença além dos recolhimentos "comprovados nos autos". Em resumo, tratandose a espécie de créditos reconhecidos judicialmente, a apuração do indébito deve observar os estritos termos do provimento judicial, que se reportou expressamente ao direito de compensação dos recolhimentos comprovados nos autos, tal como pleiteado pela autora. Os demais recolhimentos, só inseridos na petição administrativa aqui julgada, encontramse fulminados pela decadência, porquanto pleiteados após o transcurso do prazo quinquenal prescrito no art. 168, inc. I, do CTN, e não no inc. II, referido pela recorrente. Por fim, quanto ao pleito pela homologação das compensações realizadas com outros débitos que não o próprio PIS, conforme declaradas nas respectivas DCOMPs eletrônicas, entendo que assiste razão à recorrente. Como se viu, o provimento judicial limitouse a autorizar a compensação com débitos do próprio PIS. A recorrente, entretanto, pede pela aplicação do disposto no art. 74 da Lei n° 9.430/96, que passou a permitir a compensação de indébitos tributários com tributos de espécie diversa. Neste sentido, entende que há que se aplicar à espécie a inovação legislativa superveniente ao provimento judicial, que lhe é mais favorável. Consignese que a Lei n° 10.637, que alterou a redação do art. 74, é de 30/12/2002, tendo sido resultado da conversão da Medida Provisória (MP) n° 66, de 29/08/2002. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário para manter a decisão da DRJ para o fim de reconhecer o direito de a interessada ter homologadas as compensações realizadas com supedâneo no crédito oriundo do provimento judicial obtido nos autos da ação ordinária n° 94.03038004 (2a Vara da Justiça Federal de Ribeirão Preto), de quaisquer débitos administrados pela Receita Federal, até o limite do crédito reconhecido, que deverá ser recalculado pela sistemática conhecida por "PISRepique" (art. 3 o da LC n° 7/70), excluindose eventuais créditos decorrentes dos pagamentos relativos a períodos de apuração ocorridos entre dezembro/93 a dezembro/94, que não constaram do pedido judicial. Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por A NGELA SARTORI 12 Ângela Sartori (assinado digitalmente) Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por A NGELA SARTORI
score : 1.0
Numero do processo: 13881.000235/2002-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 16/09/1997 a 07/05/2002
Ressarcimento.
Insumos Tributados à Alíquota Zero
A aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Aplicação da Súmula CARF n° 18
Insumos Isentos
A não-cumulatividade do IPI é implementada por meio da compensação do débito decorrente da saída do estabelecimento com o crédito decorrentes do imposto pago quando da aquisição de insumos.
Tratando-se de insumos não onerados, em razão de isenção, não há valor algum a ser creditado.
Ressarcimento. Correção Monetária. Limites.
Ressarcimento de crédito tem natureza jurídica distinta da repetição de indébito. Por conseguinte, não há respaldo legal para sua atualização monetária com base na Taxa Selic desde o momento da sua apuração ou da formulação do pedido. Entretanto, em observância ao art. 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, não se pode deixar de aplicar, no presente processo, orientação assentada no REsp nº 1.035.847 / RS, julgado em sede de Recurso Repetitivo, disciplinado pelo art. 543-C do Código de Processo Civil.
Com base em tal precedente, só se reconhece o direito à correção dos créditos que tiveram seu reconhecimento negado pelo Fisco e que tal decisão foi revista por este Colegiado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Ausente tal determinação, cabe dar seguimento ao julgamento do presente recurso. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 16/09/1997 a 07/05/2002 RESSARCIMENTO. INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Aplicação da Súmula CARF n° 18 INSUMOS ISENTOS A nãocumulatividade do IPI é implementada por meio da compensação do débito decorrente da saída do estabelecimento com o crédito decorrentes do imposto pago quando da aquisição de insumos. Tratandose de insumos não onerados, em razão de isenção, não há valor algum a ser creditado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 1. 00 02 35 /2 00 2- 45 Fl. 803DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 1/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13881.000235/200245 Acórdão n.º 3102001.440 S3C1T2 Fl. 804 2 RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. LIMITES. Ressarcimento de crédito tem natureza jurídica distinta da repetição de indébito. Por conseguinte, não há respaldo legal para sua atualização monetária com base na Taxa Selic desde o momento da sua apuração ou da formulação do pedido. Entretanto, em observância ao art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, não se pode deixar de aplicar, no presente processo, orientação assentada no REsp nº 1.035.847 / RS, julgado em sede de “Recurso Repetitivo”, disciplinado pelo art. 543C do Código de Processo Civil. Com base em tal precedente, só se reconhece o direito à correção dos créditos que tiveram seu reconhecimento negado pelo Fisco e que tal decisão foi revista por este Colegiado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: O contribuinte em epígrafe pediu a restituição do IPI, corrigido monetariamente, que teria recolhido à maior por não ter se creditado de entradas de insumos não oneradas pelo imposto. 0 pleito foi negado, em regular Despacho Decisório, por falta de base legal. Tempestivamente. o interessado apresentou sua manifestação de inconformidade alegando, cm síntese, que seu direito estaria amparado constitucionalmente, inclusive no que tange à atualização monetária, conforme julgados que cita. Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pelo indeferimento do pedido de compensação, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Fl. 804DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 1/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13881.000235/200245 Acórdão n.º 3102001.440 S3C1T2 Fl. 805 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 16/09/1997 a 07/05/2002 DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível. por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. RESSARCIMENTO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção. Em nome da clareza, enfrento separadamente as matérias sobre as quais deve este Colegiado se manifestar. 1 Preliminarmente Descabimento do Sobrestamento Antes de adentrar na análise das questões de mérito, cabe esclarecer, preliminarmente que, inobstante o presente recurso tratar de temas debatidos em sede de repercussão geral, reconhecida nos autos do RE nº 590.809/RS1, julgo incabível promover o sobrestamento do andamento do presente recurso. 1 IPI CREDITAMENTO ALÍQUOTA ZERO PRODUTO NÃO TRIBUTADO E ISENÇÃO RESCISÓRIA ADMISSIBILIDADE NA ORIGEM. Possui repercussão geral controvérsia envolvendo a rescisão de julgado fundamentado em corrente jurisprudencial majoritária existente à época da formalização do acórdão rescindendo, em razão de entendimento posteriormente firmado pelo Supremo, bem como a relativa ao creditamento no caso de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Fl. 805DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 1/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13881.000235/200245 Acórdão n.º 3102001.440 S3C1T2 Fl. 806 4 Com efeito, a partir da orientação assentada na Portaria CARF n° 001, de 03 de janeiro de 2012, só caberia sobrestar o andamento do feito se o Pretório Excelso determinasse expressamente o sobrestamento das ações que envolvessem o mesmo tema. 2. Mérito 2.1 Apuração de Créditos sobre a Aquisição de Insumos Tributados à Alíquota Zero Inicialmente, cabe destacar que a impossibilidade de se apurar créditos sobre a aquisição de insumos tributados à alíquota zero encontrase sedimentada na instância administrativa, sendo inclusive alvo da Súmula CARF n° 18, assim redigida: A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Quanto a esse ponto, portanto, não caberia tecer maiores análises: o enunciado sumular deve ser obrigatoriamente observado. 2.2 Apuração de Créditos sobre a Aquisição de Insumos Isentos: Em que pesem as abalizadas opiniões doutrinárias e a anterior manifestação do Pretório Excelso sobre o tema, não vejo como apurar créditos na aquisição de insumos isentos. A meu ver, pelos mesmos motivos que orientaram a alteração da jurisprudência daquela Corte Constitucional, a nãocumulatividade disciplinada pela Constituição Federal de 1988 não admite que sejam computados créditos em operações envolvendo a aquisição de produtos isentos. Nesse aspecto, tomo emprestadas as conclusões da Ministra Carmem Lúcia no votovista exarado nos autos do RE 566.819, por meio do qual a jurisprudência do STF, até então representada pelo RE 212.484, sofreu significativa modificação. Confirase : 22. Não adentro os pormenores da diferenciação doutrinária e legal atinente aos institutos tributários da isenção, não tributação e da aplicação de alíquotazero. Sob a perspectiva constitucional, para afastar "o pleito do adquirente de insumo desonerado é suficiente a constatação de que em nenhuma dessas hipóteses (isenção, nãotributação ou alíquota zero) apresenta elemento essencial e condicionante à compensação, a saber, recolhimento de imposto na operação anterior. 23. É certo que a incidência do imposto sobre o valor total da operação de que decorrer a saída do produto (Lei n. 4.502/64, art.14, inc. II, e Decreto n. 4.544/02 RIPI, art. 131, inc. II) suscita o alegado diferimento do imposto em relação à operação desonerada. Contudo, tenho que o princípio constitucional da não cumulatividade limitase a compensar a pessoa que recolhe imposto (débito) sobre uma operação já tributada (crédito), não Fl. 806DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 1/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13881.000235/200245 Acórdão n.º 3102001.440 S3C1T2 Fl. 807 5 envolvendo, portanto, a pretendida anulação dos efeitos de eventual diferimento decorrente de uma operação desonerada. Assim, o sistema de créditos decorrente da nãocumulatividade não procura restringir o pagamento do tributo à atividade industrial que o produtor realiza (valor agregado), mas evitar que este recolha imposto sobre operação já tributada. Com efeito, a Constituição de 1988 assim definiu os contornos da não cumulatividade do IPI: "Art. 153. Compete à União instituir imposto sobre: (..) , IV produtos industrializados: (...) § 3° O imposto previsto no inciso IV: (...) II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores;". (original não destacado) Já no plano da Lei Complementar, no caso, do CTN, extraise o seguinte comando: Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. (original não destacado) Finalmente, coube à Lei nº 4.502, de 1964, com status de lei ordinária, disciplinar: Art. 25. A importância a recolher será o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuído do montante do imposto relativo aos produtos nele entrados, no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer. Ora, se a regra é o creditamento a partir do montante pago, a exceção seria a possibilidade de se apurar créditos a partir de operações desoneradas. Assim, conferir crédito sobre valores não recolhidos, não vedada pela Constituição Federal, de fato, representaria um favor fiscal e, como tal exigiria a expedição de lei específica que a respaldasse, mormente após a reforma levada a efeito por meio da Emenda Constitucional nº 3, de 1993, que acrescentou o § 6º ao art. 150 daquela Carta Magna2. 2 § 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, Fl. 807DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 1/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13881.000235/200245 Acórdão n.º 3102001.440 S3C1T2 Fl. 808 6 2.3 Taxa Selic Conforme tenho me manifestado em algumas oportunidades em que o tema é debatido, a correção dos créditos se limitaria às hipóteses em que tais créditos se originam em indébitos tributários. Diversamente, em princípio, seriam as hipóteses em que os créditos teriam origem no direito a ressarcimento. Nestes casos, inobstante a ausência de respaldo legal, em observância ao art. 62A do RICARF3, caberia aplicar a orientação jurisprudencial assentada no REsp nº 1.035.847 / RS4, julgado em sede de “Recurso Repetitivo”, disciplinado pelo art. 543C do Código de Processo Civil. Segundo tal aresto, a taxa Selic passa a incidir sobre os créditos ressarcidos a partir do momento em que se configura a resistência do Fisco, materializada, segundo entendo, na negativa do reconhecimento. Ocorre que, no presente recurso, não se verifica o reconhecimento de créditos que o Fisco se negou a reconhecer, o que prejudicaria, a meu ver a aplicação daquele precedente. Assim sendo, entendo que o pedido de correção monetária deva ser rejeitado. 3 Conclusão Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 25 de abril de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g 3 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 4 MINISTRO LUIZ FUX, julgado em 24/06/2009. Fl. 808DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 1/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13881.000235/200245 Acórdão n.º 3102001.440 S3C1T2 Fl. 809 7 Fl. 809DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 1/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10166.900390/2010-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
IRPJ. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO PLEITEADO.
O ônus de comprovar a existência do crédito objeto de compensação é do sujeito passivo. Não restando comprovada a existência de crédito passível de restituição, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, a compensação não pode ser homologada.
Numero da decisão: 1302-001.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira seção de julgamento, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Paulo Roberto Cortez, Diniz Raposo e Silva, Andrada Marcio Canuto Natal, Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 IRPJ. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO PLEITEADO. O ônus de comprovar a existência do crédito objeto de compensação é do sujeito passivo. Não restando comprovada a existência de crédito passível de restituição, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, a compensação não pode ser homologada.
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SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO PLEITEADO. O ônus de comprovar a existência do crédito objeto de compensação é do sujeito passivo. Não restando comprovada a existência de crédito passível de restituição, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, a compensação não pode ser homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Paulo Roberto Cortez, Diniz Raposo e Silva, Andrada Marcio Canuto Natal, Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 03 90 /2 01 0- 61 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10166.900390/201061 Acórdão n.º 1302001.000 S1C3T2 Fl. 109 2 Relatório ORCA VEÍCULOS LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF., que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Brasília/DF.. Trata a lide de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação – PER/DCOMP, relativo a Saldo Negativo de IRPJ – anocalendário de 2002 com débitos de Pis e Cofins. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (Delegacia da Receita Federal em Brasília/DF.) os indeferiu, após concluir que o saldo negativo informado na DIPJ do anocalendário de 2002 no valor de R$ 10.106,83 não restou configurado, uma vez que os valores declarados como quitados a título de estimativas, no valor de R$ 137.880,50, que teriam sido quitadas mediante compensação, não foram confirmados. Assim, restou apurado saldo de Imposto a Pagar no período e, em consequência, a autoridade administrativa não homologou as compensações pleiteadas. Inconformada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF. (fls. 01/05), trazendo os argumentos assim resumidos no acórdão recorrido: Irresignada com a nãohomologação da compensação pela instância "a quo", a interessada oferece manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: Compensou porque houve saldo negativo de IRPJ no período e não imposto a pagar, e como já havia recolhido tais impostos, a legislação aplicável permite a compensação via Dcomp; Assim, espera seja recebida a manifestação de inconformidade com efeito suspensivo, com fundamento no art. 74 da Lei 9.430/96, alterada pela Lei 11.051/04. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF. analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 03043.009, de 12/05/2011 (fls. 88/90), indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002 Compensação Necessidade da Liquidez e Certeza do Crédito do Sujeito Passivo. A lei somente autoriza a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10166.900390/201061 Acórdão n.º 1302001.000 S1C3T2 Fl. 110 3 A manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação enquadrase no disposto no inciso III do art. 151 do CTN relativamente ao débito objeto da compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O acórdão recorrido ao analisar a manifestação de inconformidade destacou que: Examinandose os autos verificase que o saldo negativo de IRPJ/2002 foi considerado inexistente porque a contribuinte incluiu na composição do saldo estimativas compensadas no anocalendário de 2002 que não foram comprovadas, sendo insuficiente a soma das parcelas de composição do crédito de Saldo Negativo de IRPJ (retenções na Fonte, estimativas pagas, compensadas ou parceladas) para comprovar a quitação do imposto devido. Daí que o saldo negativo informado na Dcomp não existe, inviabilizandose a compensação declarada por inexistência daquele crédito. Ressaltese que as ditas estimativas compensadas no processo administrativo n° 10166.006331/200537 (fls 38/39) não ocorreu porque aquele processo trata de Pedido de Habilitação de Crédito de Ação Judicial, cujo montante foi reconhecido no processo 10166.012890/200403 e totalmente absorvido e até insuficiente para quitar os débitos ali elencados. Assim, como a compensação pressupõe a existência de créditos para o encontro de contas débitos "versus" créditos, a compensação declarada pelo sujeito passivo não pode ser homologada, porque o saldo negativo pleiteado não existe, aliás, apurouse imposto a pagar. Ciente da decisão de primeira instância em 20/09/2011, conforme documento de fl. 92, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 19/08/2011 (registro de recepção à fl. 93, razões de recurso às fls. 93/99), mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: a) Que realizou as compensações dos créditos da ação judicial passada em julgado, conforme permite a legislação; b) Que tem, crédito suficiente para efetuar a compensação de débitos de Pis e Cofins (março/2005), com crédito de saldo negativo do IRPJ, anocalendário /2002; c) Que a administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogá los por motivo de conveniência e oportunidade, nos termos da Lei nº9.784/99; d) Que não pode a administração não homologar todas as compensações realizadas, se a recorrente tinha crédito suficiente para compensar todos os débitos nas Per/Dcomp´s enviadas, e na época certa do Fl. 110DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10166.900390/201061 Acórdão n.º 1302001.000 S1C3T2 Fl. 111 4 recolhimento do tributo compensado apresentou a PER/DCOMP no prazo legal. Ao final requer o provimento do recurso com o conseqüente reconhecimento do direito creditório e homologação das compensações efetuadas. É o Relatório. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10166.900390/201061 Acórdão n.º 1302001.000 S1C3T2 Fl. 112 5 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e, portanto, dele conheço. O litígio decorre do não reconhecimento pela autoridade administrativa da existência de saldo negativo do IRPJ na apuração do imposto devido no anocalendário 2003, conforme indicado pela recorrente na PER/DCOMP apresentada. Tal fato se deu tendo em vista que a autoridade administrativa não reconheceu a efetividade dos valores de estimativas mensais declarados na DIPJ, que teriam sido adimplidas, segundo a interessada, mediante compensação efetuada no processo administrativo n° 10166.006331/200537, cujos créditos decorreriam de decisão judicial transitada em julgado. De acordo com o acórdão recorrido “as ditas estimativas compensadas no processo administrativo n° 10166.006331/200537 (fls 38/39) não ocorreu (sic) porque aquele processo trata de Pedido de Habilitação de Crédito de Ação Judicial, cujo montante foi reconhecido no processo 10166.012890/200403 e totalmente absorvido e até insuficiente para quitar os débitos ali elencados”. Em sua defesa a recorrente se limita a afirmar que efetuou as compensações em decorrência de decisão judicial transitada em julgado, nos termos da legislação. Todavia, não trouxe aos autos nenhum elemento que pudesse refutar as conclusões do despacho decisório e do acórdão recorrido e demonstrar a existência do crédito pleiteado. O ônus de comprovar a existência do crédito objeto de compensação é do sujeito passivo. Desta feita, não restando comprovada a existência de crédito passível de restituição, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, a pretensão da recorrente não pode prosperar. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 2 de outubro de 2012 (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 112DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10166.900390/201061 Acórdão n.º 1302001.000 S1C3T2 Fl. 113 6 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 13820.000020/2008-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003, 01/08/2004 a 31/12/2004
Ementa:
RETENÇÃO NA CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA E NA EMPREITADA. COMPENSAÇÃO.
A obrigação da empresa contratante de serviços prestados mediante cessão de mão-de-obra ou empreitada de reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal/fatura de serviços e recolher a importância retida, prevista no artigo 31 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.711/98, é modalidade de responsabilidade tributária, autorizada pelo artigo 128 do CTN.
A empresa prestadora de serviços mediante cessão de mão-de-obra ou empreitada que tenha valores retidos poderá compensar essas importâncias quando do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço.
SIMPLES
A exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno -SIMPLES, restabelece a obrigatoriedade da incidência das contribuições previdenciárias, antes substituídas.
DECADÊNCIA
A fluência do prazo decadencial refere-se ao impedimento do fisco de constituir o crédito tributário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Paulo Roberto Lara dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriana Sato.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003, 01/08/2004 a 31/12/2004 Ementa: RETENÇÃO NA CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA E NA EMPREITADA. COMPENSAÇÃO. A obrigação da empresa contratante de serviços prestados mediante cessão de mão-de-obra ou empreitada de reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal/fatura de serviços e recolher a importância retida, prevista no artigo 31 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.711/98, é modalidade de responsabilidade tributária, autorizada pelo artigo 128 do CTN. A empresa prestadora de serviços mediante cessão de mão-de-obra ou empreitada que tenha valores retidos poderá compensar essas importâncias quando do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. SIMPLES A exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno -SIMPLES, restabelece a obrigatoriedade da incidência das contribuições previdenciárias, antes substituídas. DECADÊNCIA A fluência do prazo decadencial refere-se ao impedimento do fisco de constituir o crédito tributário. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003, 01/08/2004 a 31/12/2004 Ementa: RETENÇÃO NA CESSÃO DE MÃODEOBRA E NA EMPREITADA. COMPENSAÇÃO. A obrigação da empresa contratante de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada de reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal/fatura de serviços e recolher a importância retida, prevista no artigo 31 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.711/98, é modalidade de responsabilidade tributária, autorizada pelo artigo 128 do CTN. A empresa prestadora de serviços mediante cessão de mãodeobra ou empreitada que tenha valores retidos poderá compensar essas importâncias quando do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. SIMPLES A exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno SIMPLES, restabelece a obrigatoriedade da incidência das contribuições previdenciárias, antes substituídas. DECADÊNCIA A fluência do prazo decadencial referese ao impedimento do fisco de constituir o crédito tributário. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 0. 00 00 20 /2 00 8- 34 Fl. 380DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Paulo Roberto Lara dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriana Sato. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13820.000020/200834 Acórdão n.º 2302002.121 S2C3T2 Fl. 289 3 Relatório Trata o presente de pedido de restituição protocolado pela requerente em 08/04/2005, relativo ao valor excedente das retenções sofridas sobre as notas fiscais de prestação de serviço, em relação ao valor devido das contribuições previdenciárias sobre a sua folha de pagamento, nas competências de 12/2003 e 08/2004 a 12/2004, inclusive o 13º salário. A requerente optou pelo SIMPLES em 21/08/2002, mas foi excluída do Sistema, através do Ato Declaratório de Exclusão de 02/08/2004, fls.327, com efeitos retroativos a 21/08/2002, por exercer atividade vedada à opção. O Ato Declaratório transitou em julgado, porque a manifestação de inconformidade da empresa foi indeferida e não foi apresentado recurso sobre a matéria. Tendo em vista que a requerente apresentou as GFIP’s, para subsidiar o pedido de restituição como optante do SIMPLES, foi solicitado que procedesse as devidas correções, bem como a elaboração de novo demonstrativo como os valores corretos a serem restituídos, considerando as contribuições patronais. O contribuinte não promoveu as correções alegando a decadência e a DRF, com base nos documentos juntados, quando do protocolo, deferiu parcialmente o pedido, fls.335/341, deduzindo do valor a ser restituído a cota patronal das contribuições previdenciárias. Após manifestação de inconformidade, Acórdão de fls.351/354, não reconheceu o direito creditório, na forma como pleiteado. Inconformado o contribuinte apresentou recurso voluntário onde alega em apertada síntese: a) que a própria previdência diz que as contribuições para as terceiras entidades decaiu, então como as demais contribuições também não decaíram? b) que a previdência foi inerte, pois não efetuou lançamento; c) que as competências estão abrangidas pela decadência, mas o direito da requerente não está extinto porque o exerceu no tempo oportuno; d) que a exclusão do SIMPLES não poderia ser retroativa. Requer que seja declarada a decadência do crédito tributário referente às competências 12/2003, e 08/2004 a 12/2004 e que seja mantida a restituição nos valores pleiteados, devidamente corrigidos. É o relatório. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Fl. 383DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13820.000020/200834 Acórdão n.º 2302002.121 S2C3T2 Fl. 290 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Primeiramente, informo à recorrente que as considerações acerca da sua exclusão do SIMPLES, não cabem neste processo, posto que o Ato Declaratório de Exclusão seguiu procedimento próprio e já transitou em julgado, surtindo seus efeitos, uma vez que a requerente não interpôs recurso voluntário da decisão emitida pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil. Portanto, a situação que se apresenta é bem clara, na medida em que não sendo a recorrente optante do SIMPLES, devia recolher à previdência social as contribuições patronais e aquelas arrecadadas para as terceiras entidades, além da contribuição descontada dos segurados empregados. O processo trata de pedido de restituição relativo a retenções de 11%, efetuadas e incidentes sobre as notas fiscais de prestação de serviços.A Lei nº 9.711/98 em seu artigo 23 alterou a redação do artigo 31 da Lei nº 8.212/91, estabelecendo uma nova modalidade de substituição tributária, ao determinar que os tomadores de serviço efetuem a retenção de 11% (onze por cento) sobre o valor bruto do pagamento referente à prestação de serviço efetuado com cessão de mãodeobra. A partir de 1º de fevereiro de 1999, com a nova redação do art. 31 da Lei nº 8.212/91, alterouse a natureza jurídica da relação entre o INSS e a empresa tomadora de serviços com cessão de mãodeobra, deixando de existir a solidariedade, criandose a substituição tributária estribada no art. 128 do CTN. O artigo 31 da Lei n.º 8.212/91, com a redação que lhe foi dada pela Lei n.º 9.711/1998, diz que a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãode obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá proceder à retenção incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço e recolher a importância retida até o dia dois do mês subsequente ao da emissão da nota fiscal ou fatura, em nome da cedente de mãodeobra: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33. (Redação dada pela MP nº 1.66315, de 22/10/98 e convertida no art. 23 da Lei nº 9.711, de 20/11/98). Vigência a partir de 01/02/99, conforme o art. 29 da Lei nº 9.711/98. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 A empresa prestadora de serviços mediante cessão de mãodeobra ou empreitada que tenha valores retidos poderá compensar essas importâncias quando do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. No caso em tela, a recorrente, optante do SIMPLES, solicitou a restituição dos valores excedentes à sua folha de pagamento. Durante a instrução do processo, restou configurada a sua exclusão do SIMPLES, desde a constituição da empresa, por exercer atividade vedada à opção no Sistema e, embora solicitada, não promoveu as retificações necessárias em GFIP, tampouco apresentou novo discriminativo de valores a restituir, computando as contribuições patronais. Ainda assim, a DRF considerou as informações prestadas e os documentos juntados pela recorrente e deferiu o pedido de restituição parcialmente, já que considerou as contribuições patronais, além das contribuições devidas pelos segurados empregados, para o cálculo dos valores a serem restituídos. Com acerto a DRF informou que não seriam cobrados os valores destinados às terceiras entidades por se encontrarem abrangidos pela decadência quando do deferimento parcial do pedido de restituição. Ao contrário do que diz à recorrente, a previdência social não utilizou parâmetros diversos para acatar a fluência do prazo decadencial. Ocorre que as contribuições a serem restituídas restringemse às previdenciárias, conforme artigo 203, §2º da Instrução Normativa n.º 03/2005, vigente à época dos fatos geradores, ou seja as contribuições destinadas aos terceiros não podem ser compensadas, devendo ser integralmente recolhidas: Art. 203. A empresa prestadora de serviços que sofreu retenção no ato da quitação da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, conforme previsto nos arts. 140 e 172, poderá compensar o valor retido quando do recolhimento das contribuições devidas à Previdência Social, desde que a retenção esteja destacada na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços. (...) § 2º A compensação da retenção somente poderá ser efetuada com as contribuições devidas à Previdência Social, não podendo absorver contribuições destinadas a outras entidades ou fundos, as quais deverão ser recolhidas integralmente pelo sujeito passivo. Entretanto, quando do deferimento parcial da restituição em 19/05/2010, fls. 335/341, as competências de 12/2003 e 08/2004 a 12/2004, já estavam abrangidas pela fluência do prazo decadencial, não cabendo intimar o contribuinte a recolhêlas. Por outro lado, é de se ver que não procede o argumento da recorrente quando quer que o fisco declare os valores das contribuições patronais decadentes, mas que lhe restitua os mesmos. A assertiva é totalmente equivocada, porque, por imposição legal, artigo 22 da Lei n.º 8.212/91, existe a obrigatoriedade do recolhimento da cota patronal da contribuição previdenciária para as empresas não optantes do SIMPLES, como é o caso da recorrente e por isso, quando da restituição, tal contribuição deve ser computada, juntamente com a cota do segurado empregado. Transcrevo abaixo o artigo 22, da Lei n.º 8.212/91: Fl. 385DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13820.000020/200834 Acórdão n.º 2302002.121 S2C3T2 Fl. 291 7 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) (Vide LCp nº 84, de 1996) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. A decadência . por sua vez, com base no artigo 173, II, do Código Tributário Nacional, referese à prerrogativa do fisco constituir o crédito tributário, o que não é objeto deste processo. A decadência não implica em dizer que a contribuição não era devida, não há isenção de contribuição, apenas pela fluência do prazo decadencial o fisco está impedido de constituir o crédito tributário: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 386DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Portanto, a contribuição previdenciária patronal era devida pela recorrente nas competências objeto do pedido de restituição, devendo ser computadas para o cálculo dos valores a serem restituídos, já que os valores retidos sobre as notas fiscais de prestação de serviço excederam aos valores de contribuição sobre as remunerações dos segurados empregados contidas nas folhas de pagamento. Desta forma, entendo que não há reparos a fazer na decisão recorrida, uma vez que a restituição solicitada pela recorrente foi parcialmente deferida, descontandose dos valores retidos as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados contida nas folhas de pagamento. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 387DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 18471.000663/2006-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não ocorre cerceamento de defesa quando ao contribuinte é estendido tempo necessário para apresentar documentos, oportunidade de apresentar impugnação e interpor recurso voluntário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ART. 42 LEI 9.430. PRESUNÇÃO VÁLIDA. FATO GERADOR. PESSOA FÍSICA. A comprovação da existência de depósitos bancários na conta do contribuinte sem que haja comprovação de origem que os configure como já tributados ou não-tributáveis autoriza o lançamento de Imposto de Renda com base em omissão de rendimentos configurada por depósitos bancários sem origem justificada. SUMULA CARF Nº 2. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2202-001.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann - Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não ocorre cerceamento de defesa quando ao contribuinte é estendido tempo necessário para apresentar documentos, oportunidade de apresentar impugnação e interpor recurso voluntário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ART. 42 LEI 9.430. PRESUNÇÃO VÁLIDA. FATO GERADOR. PESSOA FÍSICA. A comprovação da existência de depósitos bancários na conta do contribuinte sem que haja comprovação de origem que os configure como já tributados ou nãotributáveis autoriza o lançamento de Imposto de Renda com base em omissão de rendimentos configurada por depósitos bancários sem origem justificada. SUMULA CARF Nº 2. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 06 63 /2 00 6- 47 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 2 (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 18471.000663/200647 Acórdão n.º 2202001.852 S2C2T2 Fl. 208 3 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização A fiscalização deu início a procedimento de fiscalização para verificar a discrepância entre a movimentação financeira efetuada nas contas bancárias do contribuinte e os valores declarados em sua DAA. Neste ínterim, o ora recorrente foi intimado a apresentar: a) extrato de movimentação bancária dos anos de 2001 a 2003 referentes à conta no Banco Itaú; b) cópia do registro de imóveis na cidade de Cosmos / RJ; Com base nos dados coletados, a fiscalização elaborou lista dos depósitos bancários sem origem identificada, e intimou o contribuinte a comprovar a origem das movimentações (fls. 116120). Uma vez intimado, o recorrente solicitou diversas dilações de prazo para buscar os documentos necessários, mas acabou por pugnar pela impossibilidade de reunir os documentos necessários, devido ao lapso de tempo entre a ocorrência dos fatos e a fiscalização. Sendo assim, não restou alternativa à fiscalização senão lançar o tributo devido com base nos documentos apresentados pelo próprio recorrente. 2 Auto de Infração Com base no acima descrito, a autoridade fiscalizadora lavrou Auto de Infração (fl. 121129) em 27/07/06, tendo o contribuinte sido intimado em 07/08/06. O total do crédito tributário constituído foi de R$ 1.020.775,23, incluídos imposto, multa de 75% e juros de mora. O Auto de Infração foi baseado no art. 42 da Lei nº 9.430/96 – autuação por depósitos bancários sem origem identificada. Os fatos geradores englobavam os anos calendário de 2001 a 2003. 3 Impugnação Indignado com o resultado da fiscalização, o autuado apresentou impugnação tempestiva (fls. 134147), fundandose nos seguintes argumentos: a) apresentou espontaneamente os extratos bancários para demonstrar boa fé e colaboração com o poder público, que estava a investigar as últimas cinco DAA's de Imposto de Renda; b) ocorreu cerceamento de defesa; Fl. 209DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 4 c) não atinge o entendimento do quadro de evolução patrimonial apresentado pela fiscalização, o que impossibilitou sua defesa; d) tributação por presunção viola o art. 140 do CTN; e) simples depósito bancário não constitui acréscimo patrimonial, sendo incapaz de ensejar a incidência do Imposto sobre a Renda; f) no direito tributário existe o princípio do in dúbio contra fiscum, extraído do art. 112 do CTN; g) deveriam ter sido excluídos da base de cálculo os valores já declarados na DAA como tributáveis, isentos e não tributáveis; h) a penalidade é confiscatória; i) é inconstitucional a incidência da SELIC, pois os juros autorizados pelo CTN são moratórios, enquanto a SELIC corresponde a juros remuneratórios. 4 Acórdão de Impugnação A 1ª Turma da DRJ/RJ2 julgou a impugnação apresentada pelo autuado em 16/10/09. O acórdão foi, por unanimidade, no sentido de negar provimento à impugnação, alinhando os seguintes argumentos: a) não ocorreu cerceamento de defesa, pois ao contribuinte foram concedidas sucessivas dilações de prazo para a apresentação de documentos, além de serem proporcionadas vistas ao processo e apresentação de impugnação; b) não procede a reclamação acerca da obscuridade da tabela de variação patrimonial, pois o documento sequer existe nos autos; c) após a edição da Lei nº 9.430/96, é possível a constituição de crédito tributário com base em presunção apurada a partir de depósitos bancários sem origem; d) cada depósito deve ser identificado e comprovado individualmente, não podendo ser excluídas quantias que não tenham sido identificadas como já tributadas, ou isentas; e) a confiscatoriedade da multa é matéria constitucional e não pode ser discutida em órgão administrativo; f) a aplicação da SELIC é adequada, vez que o CTN estipula que os juros de 1% são aplicados apenas quando não há disposição em contrário, não impedindo a fixação, mediante lei, de índice diferente; 5 Recurso Voluntário Ainda insatisfeito com a situação, o recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, no qual repisa os argumentos da impugnação, mas, estranhamente, cita uma variedade de fatos que não parecem guardar relação de pertinência para com o presente processo administrativo, levando a crer que o recurso se referia ao anocalendário de 2000, que fora fiscalizado em outro processo administrativo. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 18471.000663/200647 Acórdão n.º 2202001.852 S2C2T2 Fl. 209 5 É o relatório. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 6 Voto Conselheiro Relator Rafael Pandolfo O presente recurso atende aos requisitos legais de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. O recurso demanda análise tópica. 1. Da Nulidade por Cerceamento de Defesa A primeira alegação do recorrente é a de que o processo seria nulo por cerceamento de defesa, com base no art. 59 da Lei nº 70.235/72. A reclamação não procede. A uma, pois durante o processo de fiscalização foram concedidas todas as dilações de prazo solicitadas pelo contribuinte, até que este desistiu de tentar reunir os documentos. A duas, pois o contribuinte teve a oportunidade de apresentar defesa em tempo hábil, bem como de interpor recurso voluntário. Não obstante se reconheça a dificuldade de juntar todos os documentos necessários, o que ocorre é que a comprovação das origens é uma exigência legal à qual este Conselho está atrelado, não podendo desconsiderála. 2. Da Consideração de Depósitos Bancários Como Fato Gerador do Imposto de Renda O art. 42 da Lei 9.430/96 estipula, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. “ O enunciado contém presunção legal, definida como o resultado de processo lógico mediante o qual do fato conhecido, cuja existência é certa, é inferida a existência de fato desconhecido, cuja existência é provável. Tendo respaldo legal e admitindo prova em contrário (presunção relativa), a presunção é considerada válida no direito tributário. No caso da técnica de apuração baseada em presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96, o fato conhecido é a existência de depósitos bancários que denotam, a priori, acréscimo patrimonial, tendo em vista que renda, para fins de imposto de renda, é considerada como o acréscimo patrimonial em determinado período de tempo. A existência de depósitos sem origem e sem tributação comprovados levam à presunção de que houve acréscimo patrimonial não oferecido à tributação. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 18471.000663/200647 Acórdão n.º 2202001.852 S2C2T2 Fl. 210 7 Por ser presunção relativa, é necessário que o contribuinte seja intimado regularmente, sendolhe oportunizado conhecimento prévio do resultado da apuração dos depósitos discriminados individualmente, de modo a possibilitar a defesa, o que ocorreu no presente procedimento (fls. 1518) Sendo assim, não é plausível o argumento esgrimido pelo contribuinte de que os depósitos bancários não seriam base de cálculo para o Imposto de Renda, o que afastaria a tributação. Ademais, por não ter apresentado provas que infirmassem a presunção gerada pelos depósitos bancários, considerase acertada a autuação. Por fim, quanto à alegação de que parte destes valores omitidos corresponderiam a rendimentos isentos e nãotributáveis, declarados na DAA, deve ser referido que o recorrente sequer logrou identificar os respectivos depósitos. 3. Dos Princípios Constitucionais Violados e das Demais Inconstitucionalidades A alegada violação à segurança jurídica e à tipicidade tributária foi afastada pelo ponto acima. Quanto à questão da capacidade contributiva, essa reflete a validade da lei que erigiu a presunção, o que demandaria análise de inconstitucionalidade de lei tributária. Conforme dispõe a súmula CARF nº 2, é incabível a análise de inconstitucionalidade de lei em face da constituição por este Conselho, sendo impossível a esta Turma empreender a análise das questões levantadas pela contribuinte. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O mesmo pode ser dito acerca da confiscatoriedade da multa e da inconstitucionalidade e da ilegalidade da utilização da SELIC, cuja análise foge à competência deste Conselho. Sendo assim, voto por REJEITAR a preliminar suscitada, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Relator Rafael Pandolfo Fl. 213DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 10830.012128/2008-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004
ILEGITIMIDADE PASSIVA
A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF no.32).
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA - ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL
É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº. 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE ANUAL DE R$ 80.000,00
No caso de pessoa física, não são considerados rendimentos omitidos, para os fins da presunção do artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996, os depósitos de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00, cuja soma anual não ultrapasse R$ 80.000,00 (§3°, inciso II, da mesma lei, com a redação dada pela Lei n° 9.481, de 1997).
JUROS - TAXA SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
TAXA SELIC. JUROS DE MORA INCIDENTE SOBRE MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE.
Os juros de mora equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, por absoluta falta de previsão legal.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE
O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2202-001.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a taxa Selic incidente sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Antonio Lopo Martinez (Relator) e Nelson Mallmann. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga. Fez sustentação oral, o seu representante legal, Dr. Gustavo Froner Minatel, inscrito na OAB/SP sob o nº 210.198.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Redatora designada.
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiros Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº. 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 21 28 /2 00 8- 62 Fl. 776DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 18/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA 2 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE ANUAL DE R$ 80.000,00 No caso de pessoa física, não são considerados rendimentos omitidos, para os fins da presunção do artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996, os depósitos de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00, cuja soma anual não ultrapasse R$ 80.000,00 (§3°, inciso II, da mesma lei, com a redação dada pela Lei n° 9.481, de 1997). JUROS TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). TAXA SELIC. JUROS DE MORA INCIDENTE SOBRE MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE. Os juros de mora equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, por absoluta falta de previsão legal. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a taxa Selic incidente sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Antonio Lopo Martinez (Relator) e Nelson Mallmann. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga. Fez sustentação oral, o seu representante legal, Dr. Gustavo Froner Minatel, inscrito na OAB/SP sob o nº 210.198. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga – Redatora designada. Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiros Helenilson Cunha Pontes. Fl. 777DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 18/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10830.012128/200862 Acórdão n.º 2202001.962 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, JOAO CARLOS DONATO, foi lavrado o auto de infração de fls. 02/06, acompanhado dos demonstrativos de fls. 07/09 e do termo de verificação fiscal de fls. 11/22, além do demonstrativo de valores de fls. 23/81, relativo ao imposto sobre a renda das pessoas físicas dos anos calendário de 2003 e 2004, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 999.786,39. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 04 a 05, a exigência decorreu da seguinte infração à legislação tributária: Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada – omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta (s) de depósito ou de investimento, mantida (s) em instituição (ões) financeira (s), em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal que é parte integrante do presente Auto de Infração. Fatos geradores, valores tributáveis e enquadramento legal as fls. 04/05. Consta do citado Termo de Verificação Fiscal de fls. 11/22: O fiscalizado tomou ciência em 16.01.2008 do termo de início de ação fiscal, tendo sido intimado, dentre outros a apresentar os extratos das contas correntes bancárias mantidas junto aos Bancos Itaú e Bradesco, informar nome e o CPF de eventuais cotitulares das contas, apresentando a respectiva ficha cadastral e a comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos que possibilitaram a realização dos depósitos e/ou créditos nas referidas contas bancárias; O contribuinte solicitou prorrogação de prazo em 01.02.2008, foi novamente intimado e em 06.03.2008, informou os cotitulares das contas correntes, apresentando os extratos das contas mantidas no Banco Itaú; novamente intimado, o contribuinte apresentou em 05.05.2008, cópias dos extratos da conta de n.º 4057 mantida junto ao Banco Bradesco; após ser intimado em 29.05.2008, para se manifestar, dentre outros, sobre a origem dos recursos que possibilitaram os depósitos nas contas 53250, 47789 e 14015, todas do Banco Itaú, o contribuinte se manifestou em 18.06.2008, sendo que em 14.07.2008 foi lhe concedido novo prazo para atendimento das exigências; Em 29.10.2008, o fiscalizado prestou informações. Entretanto, tais informações não responderam aos questionamentos levantados. O contribuinte foi cotitular das contas 47789 e 14015, mantidas na agência 0136 do Banco Itaú, no período sob exame. Nessas contas, os outros cotitulares eram o Senhor Jorge Luiz Donato, CPF 719.234.38891 e o Senhor Aldomir Donato, CPF 539.623.97868. Fl. 778DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 18/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA 4 A conta 4057 mantida junto ao Bradesco tinha como cotitular o Senhor Aldomir Donato e segundo o contribuinte, era utilizada para pagamento de cartão de crédito, não havendo movimentação. Intimado inicialmente, o Senhor João Carlos Donato afirmou que os valores depositados nas contas correntes 47789 e 14015 estavam relacionados a negócios efetuados por pessoa jurídica na qual figurava como sócio. No entanto, deixou de apresentar a esta fiscalização prova irrefutável de sua alegação, restringindo se a apresentar alguns contratos celebrados pela empresa Empreendimentos Imobiliários Jardim América Ltda., CNPJ n.º 04.810.614/000190 e alguns comprovantes de pagamento destes contratos; verificase do exame dos documentos e esclarecimentos trazidos que o fiscalizado não logrou êxito em comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos depósitos creditados na sua conta corrente, apurados com base nos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras da qual era correntista, restringindo se a alegar que se referiam a operações levadas a cabo por empresa da qual era sócio. Com relação ao percentual de participação em cada uma das contas, o fiscalizado intimado a se manifestar não o fez. O valor dos rendimentos será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos pela quantidade de titulares (art. 58 da Lei n.º 10.637/2002, que acrescentou o § 6º ao art. 42 da Lei n.º 9.430/1996 e art. 1º, § 2º da IN SRF n.º 246/2002). O fiscalizado apresentou cópias de alguns cheques no intuito de demonstrar que os depósitos efetuados nas contas 47789 e 14015, cujos titulares são pessoas físicas, referiamse a pagamentos efetuados pelos compradores de unidades residenciais da empresa Empreendimentos Imobiliários Jardim América Ltda. Tomemos como exemplo o contrato celebrado entre a referida empresa e os compradores Francisco Assis Del Bianco e Sandra Maria Castan Del Bianco. O instrumento de compra e venda reza que o preço é de R$ 63.000,00. O fiscalizado anexou dois cheques, um de R$ 3.000,00 do próprio comprador (Francisco Assis Del Bianco) e outro de R$ 60.000,00 de um senhor que sequer figura no contrato (Warleynilson Silva da Costa). Ou seja, justamente o cheque de maior valor não pertence ao comprador e é desta forma que pretende o fiscalizado elidir a presunção que milita contra si. Nos poucos exemplos trazidos pelo fiscalizado, ou os contratantes não são os mesmos que emitem os cheques ou os valores não coincidem com os estampados nos respectivos contratos; Intimado, o fiscalizado não apresentou a composição da receita mensal da pessoa jurídica, que segundo ele, teria ofertado os rendimentos à tributação; o livro Diário da pessoa jurídica traz a rubrica “Receitas da venda de unidades imobiliárias” resumida por mês. Admitese a escritura resumida no livro Diário, desde que utilizados livros auxiliares para registros individualizados que permitam sua perfeita verificação; Fl. 779DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 18/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10830.012128/200862 Acórdão n.º 2202001.962 S2C2T2 Fl. 4 5 Ou seja, não é possível verificar se o cheque “a” ou “b” compôs a receita de determinado mês da empresa Empreendimentos Imobiliários Jardim América Ltda. Tal verificação somente seria viabilizada com o cotejo de todos os cheques e demais ingressos que compuseram a receita mensal; ademais, conforme pode ser verificado no quadro a fl.18, existe uma enorme discrepância entre o valor movimentado nas contas n.º 47.789 e 14.015, ambas do Itaú e o valor informado no Livro Diário da empresa, o que serve para afastar de vez a alegação do fiscalizado quanto à utilização destas contas correntes para movimentar recursos exclusivos de pessoa jurídica; Um outro dado que chama a atenção é a existência de cinco sócios na empresa Empreendimentos Imobiliários Jardim América Ltda., sendo que dois deles, justamente os sócios gerentes (os senhores Dejanir José Thomé e Pedro Motta), não figuravam como cotitulares das contas 47.789 e 14.015, o que vem contrariar os argumentos trazidos pelo fiscalizado de que se tratam de recursos movimentados pela empresa em questão. Diante das constatações acima, fica o fiscalizado sujeito a lançamento de ofício. Cientificado do lançamento em 08/12/2008 (fl. 591), o contribuinte apresentou, em 07/01/2009, a impugnação de fls. 603 a 632, por intermédio de procurador (procuração a fl. 633), acompanhada dos documentos de fls. 635/698, alegando: Preliminarmente, nulidade por estar o sigilo bancário sob reserva do Judiciário. O acesso às contas bancárias estava sob a denominada reserva de jurisdição, o que significa dizer que o alcance dessas informações só podia ser autorizado pelo Poder Judiciário. Nulidade: ausência de motivação para uso dos extratos. Cita o art. 2º do Decreto n.º 3.724/2001, para dizer que o acesso aos extratos bancários depende de motivação, ou seja, o Fisco precisaria demonstrar a existência de outros indícios que pudessem acenar para a prática de sonegação, dentre as 11 hipóteses que configuram as denominadas “informações indispensáveis”, única condição para autorizar o acesso aos extratos bancários. O autuante utilizou as informações bancárias sem demonstrar porque as considerava “indispensáveis”; Erro na determinação do momento do fato gerador o § 1º, do art. 42, da Lei n.º 9.430/96 é claro ao determinar que os valores tidos como receita ou rendimentos auferidos pelo contribuinte deverão ser apurados mensalmente. Se a lei manda considerar os depósitos não comprovados como rendimentos auferidos “no mês do crédito efetuado pela instituição financeira”, é imperativo reconhecer que, considerados os respectivos meses, decaiu o direito do Fisco de constituir crédito tributário sobre depósitos bancários efetuados há mais de cinco anos; Erro na eleição do sujeito passivo – depósitos bancários relativos à pessoa jurídica previamente informada à fiscalização – a presunção legal esculpida no art. 42 da Lei n.º 9.430/96 não alcança a titularidade dos valores movimentados, apenas Fl. 780DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 18/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA 6 considera depósitos cuja origem não seja justificada como renda, sem, contudo, autorizar a presunção de sua titularidade; No caso ora em julgamento, desde a primeira resposta acerca da origem dos valores depositados nas contas n.º 140159 e 477890, foi informado à fiscalização tratarse de valores referentes a operações comerciais (vendas de lotes) da pessoa jurídica Empreendimentos Imobiliários Jardim América Ltda. De fato, a citada empresa não possuía conta corrente em seu nome e por isso praticava todas as suas operações através das contas n.º 140159 e 477890; Para fins de aplicação da presunção de renda contida no art. 42 da Lei n.º 9.430/96, quando a movimentação dos valores em conta bancária é de terceira pessoa, a esta (no caso, a Jardim América) deve ser atribuída a titularidade dos valores ali depositados. Cita julgado do Conselho de Contribuintes; Uma vez demonstrado o verdadeiro titular dos depósitos bancários pelo contribuinte sob fiscalização, é ônus do Fisco desconstituir esse fato. É preciso registrar que foram entregues à fiscalização elementos, que por si só, sustentam a titularidade dos valores pela pessoa jurídica, quais sejam: a) pagamentos das taxas condominiais dos lotes a serem vendidos pela empresa – conforme documentos juntados as fls. 311/322, lista contendo os valores devidos (por quadra e lote) e recibo de depósito em benefício da Associação dos Proprietários de Residencial Jardim América. Ora, tais valores têm a natureza de taxa condominial. É evidente que somente a pessoa jurídica Jardim América é que é responsável por esses pagamentos dos lotes que ainda não haviam sido vendidos; b) contratos de venda e compra de lotes com pagamento nas contascorrentes n.º 140159 e 477890 – além do exemplo de contrato de venda e compra de lotes trazidos pela fiscalização, foram entregues outros contratos e depósitos em que há perfeita coincidência entre datas e valores. Vejam se os demais documentos juntados: b1) contrato particular de compromisso de compra e venda firmado entre Empreendimentos Imobiliários Jardim América Ltda. e Cláudio Leite Pinto e Marina Alda Leite, no valor de R$ 59.000,00, pagos da seguinte forma: (i) R$ 11.800,00 pagos com um único cheque depositado em 15/01/2003 – fl. 130 dos autos; (ii) R$ 11.800,00 pagos em um único cheque nominal a empresa Jardim América;(iii) R$ 11.800,00 pagos com dois cheques no valor de R$ 5.900,00 em 13/05/2003. É possível identificar um dos depósitos nas fls. 132 dos autos (o outro cheque deve ter sido depositado em conjunto com outros valores); b2) contrato particular de compromisso de compra e venda firmado entre Empreendimentos Imobiliários Jardim América Ltda. e Heraul Stella, no valor de R$ 61.859,19 pagos em parcelas de R$ 10.309,86. É possível identificar nos extratos constantes dos autos três depósitos coincidentes em datas e valores, nos dias 13/05/2003 (fl. 132), 30/05/2003 (fl. 132) e 10/07/2003 (fl. 134); b3) contrato particular de compromisso de compra e venda firmado entre Empreendimentos Imobiliários Jardim América Ltda. e Sérgio Gandini, no valor de R$ 69.000,00, pagos de Fl. 781DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 18/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10830.012128/200862 Acórdão n.º 2202001.962 S2C2T2 Fl. 5 7 forma parcelada. O valor acordado foi depositado na conta 47.7890 em quatro parcelas da seguinte forma: (i) R$ 5.000,00 (dois cheques de R$ 2.500,00) depositados conforme recibo; (ii) R$ 18.000,00 (cheques prédatados para dezembro de 2005) conforme recibo; (iii) R$ 23.000,00 (cheques de terceiros) pagos em 03 de janeiro de 2006 conforme recibo; c) movimentação de títulos e cobranças – cumpre registrar que a grande soma de títulos movimentados (na conta 47.7890 ultrapassa a cifra de 900 lançamentos enquanto a conta n.º 140159 atinge mais de 90), é indício para atestar a titularidade dos depósitos para a qual não existe presunção (presunção é só para omissão de receitas). MÉRITO – os depósitos bancários não sustentam a presunção legal de omissão de rendimentos – a presunção legal de omissão de rendimentos encontra sérios obstáculos técnicos para a sua instituição e concreção. É evidente que a presunção não surge do olimpo: ela deve resultar sempre da experiência, da observação dos fatos na ordem natural das coisas. Cita doutrina; A inadequação está presente na presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei n.º 9.430/96, única norma que sustenta o lançamento tributário, uma vez que entre os depósitos bancários e a omissão de rendimentos não há uma correlação lógica direta e segura. A Súmula 182, do extinto TRF, demonstra quanto é precipitada a tentativa de ser elevar os simples depósitos ao plano da presunção de rendimentos omitidos é inquestionável que a movimentação bancária não corporifica fato gerador do Imposto de Renda, vez que não é a operação que deve ser tributada, mas sim o ganho, o acréscimo patrimonial da mesma; desconsideração das sobras de recursos do mês anterior – apurado pelo Fisco como tributável um valor no mês de janeiro, esse valor deveria ser excluído da tributação no mês de fevereiro, e assim sucessivamente, uma vez que a origem dos recursos movimentados no mês subseqüente estaria comprovada pelos valores apurados e tributados pelo Fisco no mês anterior, a exemplo da metodologia utilizada pelo Fisco na apuração de suposto acréscimo patrimonial; Da comprovação da origem dos depósitos – tomando como base a planilha fornecida pelo próprio fiscal, anexa ao auto de infração, sob a rubrica Demonstrativos de Valores, veja se os seguintes itens que jamais deveriam ter sido considerados como valores de origem não comprovada: 1) resgate de aplicações financeiras dentre os valores considerados via presunção como rendimentos omitidos na conta n.º 47.7890 estão diversos lançamentos a crédito sob a rubrica Resgate de Aplicações Financeiras. Ora, tais lançamentos são meras transferências patrimoniais que não representam ingresso, quanto mais renda. As fls. 623/625, estão listados os valores e as datas relativas ao resgate de aplicações financeiras; Fl. 782DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 18/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA 8 2) redução do saldo devedor – dentre os lançamentos a crédito na conta 47.7890 tomados como renda constam valores que, de fato, não ingressaram no patrimônio do impugnante. A redução do saldo devedor nada mais é do que o registro no extrato da concessão de um empréstimo (costumeiramente chamado de limite especial) que não é renda. A fl. 626, consta o demonstrativo das reduções de saldo devedor; 3) estornos bancários – os estornos efetuados pelo banco não foram excluídos. A fls. 627, encontra se a lista dos estornos de lançamentos; 4) cheques devolvidos – foram considerados depósitos de origem não comprovada e tributados como rendimentos omitidos, valores que se referem à devolução de cheques. As fls. 628/630 constam as listas de cheques devolvidos/depósitos estornados. Não se pode tributar valores que não ingressaram de falto na contacorrente do impugnante; 5) transferência entre contas do mesmo titular – especificamente na conta 4057 foram considerados como rendimentos omitidos valores que, de fato, foram meras transferências para cobrir o saldo dessa conta. Os valores depositados provêm da conta n.º 53.2504. Essa conta, aliás, já foi questionada e todos os seus rendimentos tributados como na pessoa de Sílvia Regina Torres Donato. Dessa forma, os valores constantes da contacorrente n.º 405 não representam ingresso ou valores novos, mas sim mera transferência de recursos da mesma titularidade, ou seja, de João Carlos Donato e Sílvia Regina Torres Donato As fls. 630/631 estão listados os valores transferidos; Dispensa de comprovação de pequenos depósitos – inexistência de valores a serem tributados – excluídos os valores apontados como indevidos e somados os depósitos de valor individual inferior aos R$ 12.000,00 em cada conta bancária, constatase que a soma global (de cada ano) não ultrapassa os R$ 80.000,00. Dessa forma, é patente a necessidade de exclusão de tais valores; Por fim, questiona a incidência da taxa Selic sobre a multa de ofício e requer o reconhecimento da nulidade do lançamento de ofício. A DRJ São Paulo II julga a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2003, 2004 PRELIMINAR. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. Havendo procedimento administrativo regularmente instaurado, não constitui quebra do sigilo bancário a obtenção, pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados, de dados sobre a movimentação bancária dos contribuintes com base em valores da CPMF. Preliminar rejeitada. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 18/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10830.012128/200862 Acórdão n.º 2202001.962 S2C2T2 Fl. 6 9 PRELIMINAR. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO PARA USO DOS EXTRATOS. Não é exigida a demonstração da indispensabilidade dos extratos bancários, quando estes são solicitados pela fiscalização diretamente ao contribuinte. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. APURAÇÃO MENSAL. OBRIGATORIEDADE DE AJUSTE ANUAL. DECADÊNCIA. A partir do ano calendário de 1991, o imposto de renda das pessoas físicas continuou a ser exigido mensalmente, à medida que os rendimentos fossem sendo auferidos, sem prejuízo, contudo, do ajuste anual estabelecido pela Lei nº 8.134/90, razão pela qual o fato gerador somente se perfaz em 31 de dezembro de cada ano calendário. O lançamento de tributo é procedimento exclusivo da autoridade administrativa. Tratando se de lançamento de ofício, o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Existindo nos autos elementos que identificam o contribuinte como sendo titular de fato das contas bancárias em que se baseou a autuação, não há como prosperar a alegação de erro na identificação do sujeito passivo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DISPONIBILIDADE FINANCEIRA DO MÊS ANTERIOR. A sistemática de apuração de omissão de rendimentos por meio de depósitos bancários prevê a análise individualizada dos mesmos, não podendo a receita tributada em um mês ser considerada como disponibilidade financeira do mês seguinte. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LIMITE DE TRIBUTAÇÃO. Devem ser mantidos na autuação, os créditos bancários de valor inferior a R$ 12.000,00, uma vez que a soma desses depósitos, nos anos calendário de 2003 e 2004, superou o montante de R$ 80.000,00, considerando se, para efeito de cálculo desse limite anual, os créditos efetuados em todas as contas de depósito ou de investimento, cuja titularidade seja do contribuinte. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. Fl. 784DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 18/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA 10 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. DOUTRINA. EFEITOS As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão aquele objeto da decisão. A doutrina transcrita não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Inteligência do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A autoridade de primeira instância reconheceu a procedência de argumentos do recorrente no que toca aos seguintes pontos: Em relação ao resgate de aplicações financeiras constantes da conta n.º 47.7890 constata se serem procedentes as alegações do contribuinte, devendo ser excluídos da tributação os valores referentes a 1/3 dos resgates de aplicações financeiras constantes dos demonstrativos de fls. 623/625, os quais totalizam R$ 61.225,84 no ano calendário 2003 (1/3 de R$ 183.677,52) e R$ 11.563,32 no ano calendário 2004 (1/3 de R$ 34.689,97). Também deverão ser excluídos da tributação os valores referentes à redução do saldo devedor, discriminados a fl. 626, que totalizam R$ 6.702,17 no ano calendário 2004, na proporção de 1/3, ou seja, deve ser excluída a importância de R$ 2.234,06. O contribuinte tem parcialmente razão quando reclama da tributação indevida de valores posteriormente estornados pelos bancos. Todos os valores listados a fl. 627, referentes à conta 47.7890 devem ser excluídos da tributação, por serem depósitos/créditos estornados na mesma data em que se deu o depósito. Além desses, há mais um depósito a ser excluído, referente a crédito posteriormente estornado. É o depósito efetuado em 27/02/2004, no valor de R$ 16.149,35. Assim, deve ser excluída da tributação no ano calendário 2004 a importância de R$ 33.270,38, correspondente a 1/3 do somatório dos valores estornados na conta n.º 47.7890 (R$ 99.811,15). Quanto à conta n.º 14.0159, os valores discriminados na tabela de fls. 627/628, não estão incluídos no Demonstrativo de Valores (vide fls. 44 e 46 que incluem, respectivamente, os depósitos efetuados em 15/04/2003 e 12/05/2003), já tendo sido desconsiderados pela fiscalização como depósitos de origem não comprovada. Em relação aos cheques devolvidos, temos que em relação à conta n.º 47.7890, dos depósitos cujos cheques foram devolvidos, dois valores não foram incluídos no Demonstrativo de Valores, quer sejam, o depósito no valor de R$ 67,57 efetuado em 16/09/2003 e o depósito no valor de R$ 1.000,00 efetuado em 23/01/2003. Todos os demais valores listados pelo contribuinte as fls. 628 e 629 devem ser excluídos da tributação, totalizando R$ 1.280,21 no ano calendário 2003 (1/3 de R$ 3.840,63) e R$ 7.617,02 no ano calendário 2004 (1/3 de R$ 22.851,06). Fl. 785DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 18/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10830.012128/200862 Acórdão n.º 2202001.962 S2C2T2 Fl. 7 11 Já em relação à conta n.º 14.0159, os valores a serem a serem excluídos são os referentes aos depósitos efetuados em 30/05/2003, no valor de R$ 45,33 (fl. 304), 30/06/2003, no valor de R$ 4,94 (fl. 309) e em 31/03/2004, no valor de R$ 45,71 (fl. 348). Cabe esclarecer que o valor de R$ 3.200,00 de 15/04/2003 não foi incluído pela fiscalização entre os depósitos tributados. Assim, deve ser excluída da tributação a importância de R$ 16,76 (1/3 de R$ 50,27) no ano calendário 2003 e R$ 15,24 no ano calendário 2004 (1/3 de R$ 45,71) e não os valores de R$ 2.096,20, R$ 30.431,70, R$ 4.798,20 e R$ 3.200,00 informados no quadro de fl. 418. Por fim, com relação à conta n.º 4057, o contribuinte listou depósitos efetuados em 2004 e 2005. Aqui, somente serão apreciados os depósitos efetuados em 2004, uma vez que o ano calendário de 2005 não está sendo tributado nos presentes autos. Os valores que o contribuinte alega terem sido devolvidos em 21/01/2004, no valor de R$ 348,71 e 26/01/2004, no valor de R$ 348,71 não foram localizados no extrato de fl. 88. O depósito de 31/08/2004, no valor de R$ 647,57 não foi incluído pela fiscalização no Demonstrativo de Valores. Assim, cabe excluir do lançamento os valores de R$ 106,00 (datado de R$ 19/01/2004), R$ 106,00 (datado de 21/01/2004) e R$ 400,00 (datado de R$ 19/07/2004), totalizando R$ 612,00, a razão de 50%, ou seja, não deve ser tributada no ano calendário 2004 a importância de R$ 306,00. Quanto à transferência entre contas do mesmo titular, listadas as fls. 630/631, o contribuinte alega que na conta n.º 4057 foram considerados como rendimentos omitidos valores que foram meras transferências da conta n.º 53.2504, de titularidade de Sílvia Regina Torres Donato, esposa do contribuinte. Uma vez que os depósitos referentes à conta n.º 53.2504 foram objeto de tributação no processo de n.º 10830.012128/200862, cabe rever o presente lançamento para excluir da tributação no ano calendário 2003 a importância de R$ 1.155,00 (50% de R$ 2.310,00) e no ano calendário 2004, a importância de R$ 2.175,00 (50% de R$ 4.350,00). Insatisfeito, a contribuinte apresenta o recurso voluntário de fls.608, onde reitera os argumentos da impugnação. No recurso os seguintes pontos são destacados: Preliminarmente, da nulidade pelo quebra do sigilo bancário sob reserva do judiciário; Nulidade da ausência de motivação para o uso dos extratos; Do erro na determinação do momento de ocorrência do fato gerador; Do erro em relação do sujeito passivo – depósitos bancários relativos a pessoa jurídica previamente informada a fiscalização. Dos depósitos bancários que não sustenta a presunção legal de omissão de rendimentos; Da Desconsideração das sobras de recursos do mês anterior; Fl. 786DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 18/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA 12 Da dispensa de comprovação de pequenos depósitos de valor inferior a R$ 12.000,00. Da selic no poder incidir sobre a multa de ofício. É o relatório. Fl. 787DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 18/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10830.012128/200862 Acórdão n.º 2202001.962 S2C2T2 Fl. 8 13 Voto Vencido Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Da Impossibilidade de Quebra do Sigilo Bancário O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Apesar de existir intermináveis discussões quanto à natureza do sigilo bancário, entendo que tal garantia, inserese na esfera do direito à privacidade, traduzido no artigo 5°, inciso X, da Constituição Federal. Por outro lado, entendo que o direito à privacidade não é ilimitado, tendo em vista o princípio da convivência de liberdades. Assim, não se pode, sob o manto da privacidade, pretender acobertar indistintamente qualquer irregularidade que seja objeto de apuração pelo fisco, ou seja, os direitos e garantias individuais previstos na Constituição Federal não se prestam a servir de manto protetor a comportamentos abusivos, e nem tampouco devem prevalecer diante de fatos que possam constituir crimes. Sejam eles crimes tributários ou não. Não restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. Da mesma forma, a quebra do sigilo bancário não afronta aos incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal de 1988. O Supremo Tribunal Federal já decidiu que: “Ementa: Inquérito. Agravo regimental. Sigilo bancário. Quebra. Afronta ao artigo 5º, X e XII, da CF: Inexistência. (...). I A quebra do sigilo bancário não afronta o artigo 5º, X e XII, da Constituição Federal (Precedentes: PET. 577). (...). (Ac. Do Plenário do Supremo Tribunal Federal, no AGRINQ 897/DF, rel. Min. Francisco Rezek, em 23.11.94).” Fl. 788DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 18/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA 14 Ora, é cediço que o sigilo bancário não tem caráter incontestável nem absoluto, pois deve sempre estar submetido, como direito individual que é, aos interesses da sociedade em geral e, por conseguinte, ao interesse maior da preservação dos comandos estabelecidos pela lei. Diz a Lei n° 4.595, de 1964: “Art. 38 As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. § 1° As informações e esclarecimentos ordenados pelo Poder Judiciário, prestado pelo Banco Central da República do Brasil ou pelas instituições financeiras, e a exibição de livros e documentos em juízo, se revestirão sempre do mesmo caráter sigiloso, só podendo a eles ter acesso às partes legítimas na causa, que deles não poderão servirse para fins estranhos à mesma. § 2° O Banco Central da República do Brasil e as instituições financeiras públicas prestarão informações ao Poder Legislativo, podendo, havendo relevantes motivos, solicitar sejam mantidas em reserva ou sigilo. § 3° As Comissões Parlamentares de Inquérito, no exercício da competência constitucional e legal de ampla investigação obterão as informações que necessitarem das instituições financeiras, inclusive através do Banco Central da República do Brasil. § 4° Os pedidos de informações a que se referem os §§ 2° e 3°, deste artigo, deverão ser aprovados pelo Plenário da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal e, quando se tratar de Comissão Parlamentar de Inquérito, pela maioria absoluta de seus membros. § 5° Os agentes fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados somente poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, quando houver processo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. § 6° O disposto no parágrafo anterior se aplica igualmente à prestação de esclarecimentos e informes pelas instituições financeiras às autoridades fiscais, devendo sempre estas e os exames ser conservados em sigilo, não podendo ser utilizados senão reservadamente.” Nos termos da lei, acima mencionada, o sigilo bancário será quebrado sempre que houver processo instaurado e a autoridade fiscalizadora considerar necessário, pois é sabido que os estabelecimentos vinculados ao sistema bancário não poderá eximirse de fornecer à fiscalização, em cada caso especificado pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, cópias das contas correntes de seus depositantes ou de outras pessoas que tenham relações com tais estabelecimentos, nem de prestar informações ou quaisquer esclarecimentos solicitados, se a autoridade fiscal assim o julgar necessário, tendo em vista a instrução de processo para qual essas informações são requeridas. É evidente, que a possibilidade da quebra do sigilo bancário é de natureza excepcional, e o artigo 38 da Lei n° 4.595, de 1964, arrola as oportunidades em que terceiros tem acesso ao conhecimento de dados e informações de operações realizadas no mercado financeiro pelos seus investidores/clientes. Os parágrafos, do artigo anteriormente citado, estabelecem, de forma clara, quais são as autoridades que tem acesso a estas informações, ou Fl. 789DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 18/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10830.012128/200862 Acórdão n.º 2202001.962 S2C2T2 Fl. 9 15 seja, Poder Judiciário (§ 1°); Poder Legislativo (§ 2°); Comissões Parlamentares de Inquérito (§ 3°) e os agentes fiscais do Ministério da Fazenda e dos Estados (§§ 5° e 6°). O texto acima estabelece com clareza a obrigatoriedade que os bancos tinham de permitir aos agentes fiscais o exame dos registros de contas de depósitos. Para isto, bastaria demonstrar a existência de processo fiscal e declarar que tal documentação era indispensável à investigação em curso. Desta forma, entendo que fica demonstrado que, já em 1964, os bancos estavam obrigados a fornecer à fiscalização documentação a respeito de transações com seus clientes. Não há como discordar que a expressão “processo instaurado” se refere ao “processo administrativo fiscal”, já que em caso contrário não haveria a necessidade de existirem os parágrafos 5º e 6º do referido diploma legal. Assim, fica evidenciado que para a Administração Tributária Federal ter acesso a informações relativo às atividades e operações no mercado financeiro e de capitais realizadas pelos contribuintes pessoas físicas e/ou jurídicas, estaria condicionada a observância de certos requisitos, quais sejam: ter processo administrativo fiscal instaurado; que as informações a serem solicitadas fossem indispensáveis e que estas informações não poderiam ser reveladas a terceiros. Já, por outro lado, em 1966, a Lei nº. 5.172 (Código Tributário Nacional) promoveu alterações no dispositivo acima transcrito, eliminando a exigência de prévia existência de processo. No art. 197 o Código Tributário Nacional dispõe: “Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: ... II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras.” Após a edição do Código Tributário Nacional, o Decreto nº. 1.718, de 1979 reforçou a obrigatoriedade que têm as Instituições Financeiras de prestar informações às autoridades fiscais. No art. 2º daquele ato legal foi estabelecido: "Continuam obrigados a auxiliar a fiscalização dos tributos sob administração do Ministério da Fazenda, ou quando solicitados a prestar informações, os estabelecimentos bancários, inclusive as Caixas Econômicas, os Tabeliães e Oficiais de registro, o Instituto Nacional de Propriedade Industrial, as Juntas Comerciais ou as repartições e autoridades que as substituírem, as Bolsas de Valores e as empresas corretoras, as Caixas de Assistência, as Associações e Organizações Sindicais, as Companhias de Seguros, e demais entidades ou empresas que possam, por qualquer forma, esclarecer situações para a mesma fiscalização.” Já no comando da Lei nº. 8.021, de 1990, esta obrigatoriedade é mais abrangente incluindo Bolsa de Valores e Assemelhadas, além das Instituições Financeiras, cuja redação diz o seguinte: “Art. 7° A autoridade fiscal do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento poderá proceder a exames de documentos, livros e registros das bolsas de valores, de Fl. 790DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 18/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA 16 mercadorias, de futuros e assemelhadas, bem como solicitar a prestação de esclarecimentos e informações a respeito de operações por elas praticadas, inclusive em relação a terceiros. Art. 8º Iniciado o procedimento fiscal, a autoridade fiscal poderá solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no art. 38 da Lei nº. 4.595, de 31 de dezembro de 1964. Parágrafo único As informações, que obedecerão às normas regulamentares expedidas pelo Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, deverão ser prestadas no prazo máximo de dez dias úteis contados da data da solicitação, aplicandose, no caso de descumprimento desse prazo, a penalidade prevista no § 1º do art. 7º.” Evidente está, diante das normas legais acima transcritas, que as instituições financeiras não podem invocar o dever de sigilo bancário quando da efetivação, por parte da Fazenda Pública, de pedido de informações acerca de um terceiro, existindo processo administrativo fiscal que permita tal solicitação. Não há que se falar, portanto, em quebra do sigilo bancário, uma vez que a autoridade fazendária encontrase legalmente obrigada a manter os dados recebidos sob sigilo, conforme impõe o parágrafo 6° do artigo 38 da Lei n° 4.595, de 1964. Os dispositivos legais acima citados, não foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, dão respaldo ao procedimento da fiscalização. Por esta razão, rejeitase o argumento de que os documentos foram obtidos de forma ilícita. O sigilo bancário, face à farta legislação existente, não pode ser argüido com a finalidade de negar informações ao fisco. A Lei nº. 8.021, de 1990 revoga, para fins fiscais, a obrigatoriedade das instituições financeiras a conservar sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados, estabelecido no art. 38 da Lei nº. 4.595, de 1964. Este último dispositivo legal já estabelecia em seus parágrafos 5º e 6º que: “5º Os agentes fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados somente poderão proceder a exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, quando houver processo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. 6º O disposto no parágrafo anterior se aplica igualmente à prestação de esclarecimentos e informes pelas instituições financeiras às autoridades fiscais, devendo sempre estas e os exames ser conservados em sigilo, não podendo ser utilizados senão reservadamente.” Resta claro, portanto, a possibilidade de a administração fazendária solicitar aos estabelecimentos bancários às informações que esses detenham em relação aos contribuintes para os quais exista procedimento fiscal em andamento, sem que seja necessário demonstrar os motivos que conduziram a tal requisição. Agora sob o comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, esta condição é indiscutível, cuja redação diz o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) Fl. 791DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 18/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10830.012128/200862 Acórdão n.º 2202001.962 S2C2T2 Fl. 10 17 § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. A edição desse dispositivo de lei complementar se fez indispensável, em virtude de divergência interpretativa que havia sido estabelecida acerca do tema, especialmente em face de decisão de uma das Turmas do Superior Tribunal de Justiça, no qual ficou assentado que o termo “processo”, empregado no artigo 38 da Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964, se referia a processo judicial e não processo administrativo, que a expressão autoridade competente se referia à autoridade judiciária, não a autoridade administrativofiscal. Cuidou, assim, o preceptivo legal em questão que revogou expressamente, em seu artigo 13, o artigo 38 da Lei nº 4.595, de 1964 , de chancelar uma exceção à regra do sigilo bancário já prevista na lei anterior, agora com toda a clareza, sem deixar margem à interpretação equivocada ou distorcida, ao declarar expressamente que o processo mencionado é o administrativo; que a autoridade competente, para fins da lei, é a administrativa. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 18/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA 18 Ora, se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Nesse sentido, leiase a opinião de Bernardo Ribeiro de Moraes, contido no Compêndio de Direito Tributário, Ed. Forense, 1a. Edição, 1984, pág. 746: "O sigilo dessas informações, inclusive o sigilo bancário, não é absoluto. Ninguém pode se eximir de prestar informações, no interesse público, para o esclarecimento dos fatos essenciais e indispensáveis à aplicação da lei tributária. O sigilo, em verdade, não é estabelecido para ocultar fatos, mas sim, para revestir a revelação deles de um caráter de excepcionalidade. Assim, compete à autoridade administrativa, ao fazer a intimação escrita, conforme determina o Código Tributário Nacional, estar diante de processos administrativos já instaurados, onde as respectivas informações sejam indispensáveis.” Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Da ausência de motivação para uso do extratos Tal como afirmado pela autoridade recorrida, mo caso em tela, não houve qualquer procedimento fiscal executado pela Auditoria Fiscal junto a qualquer instituição financeira. Os extratos bancários que serviram de base para o lançamento foram solicitados pela Fiscalização diretamente ao Contribuinte e por este foram apresentados. Tratamse de documentos do próprio sujeito passivo, tornandose inaplicáveis a este caso concreto, portanto, as normas contidas nos artigos 2º e 3º do Decreto nº 3.724/2001. Os dados da CPFM indicaram movimentação financeira acima de R$ 2.000.000,00 nos anos calendários 2003 e 2004 (fl. 11), motivando o encaminhamento de intimação ao contribuinte para a apresentação de extratos bancários e da comprovação da origem dos depósitos efetuados em suas contas correntes. Fl. 793DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 18/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10830.012128/200862 Acórdão n.º 2202001.962 S2C2T2 Fl. 11 19 Da Ilegitimidade Passiva Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, uma vez que está comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que torna lícito o lançamento sobre o próprio titular da conta. Sobre esse ponto o CARF já consolidou entendimento: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF No.32) É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Da Presunção baseada em Depósitos Bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte Fl. 794DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 18/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA 20 poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). Dos Limites previstos no Art. 42 da Lei. 9.430/96 No que toca aos limites percebese da analise dos autos, após já excluído o que foi afastado pelo DRJ que os valores movimentados na conta bancária da recorrente, e que embasaram o lançamento, foram de R$ 675.990,65 e R$ 905.803,71, respectivamente nos anos calendários de 2003 e 2003. Desta forma, resta verificar se o procedimento fiscal atentou ao limites disposto na legislação vigente. Para uma correta elucidação acerca deste ponto cabe transcrever os excertos legais pertinentes: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). (Alterado pela Lei nº 9.481, de 13.8.97) (grifos postos) Depreendese do excerto transcrito que não se pode considerar, para efeitos de determinação da receita omitida, os depósitos individuais iguais e inferiores a quantia de R$ 12.000,00, desde que o somatório destes não ultrapassem o valor de R$ 80.000,00. Com base no quadro de fls. 25 a 83, excluindose o valores que a autoridade de primeira instância considerou comprovados, apurase os valores lançados como omissão depósitos bancários por ano, segregando entre aqueles quais são iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 e os que são superiores. Fl. 795DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 18/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10830.012128/200862 Acórdão n.º 2202001.962 S2C2T2 Fl. 12 21 Do computo dos mesmos, o depósitos com valores inferiores a R$12.000,00 são muito maiores do que R$ 80.000,00 (ou mais do que R$ 240.000,00, sem o computo do 1/3). Na verdade observase que a maioria absoluta dos depósitos é realizado em valores iguais ou inferiores a R$ 12.000,00. Refazendose os cálculos, constatase que ficaram mantidos depósitos no valor de R$ 199.056,49 e R$ 296.257,28, respectivamente em 2003 e 2004, que tem valores superiores a R$ 12.000,00. Tendo em vista que o percentual de participação foi de 1/3, naquelas contas, restou para o contribuinte os valores de R$ 66.352,16 e R$ 98.752,43, respectivamente nos anos 2003 e 2004, em depósitos com valores superiores a R$ 12.000,00. Em suma, do confronto desses valores, com o total de depósitos mantidos após a decisão da DRJ, não resta dúvida que o limite de R$ 80.000,00 (ou de R$ 240.000, sem o computo do 1/3) foi superado com folga. Deste modo não é de se excluir do lançamento os valores de depósitos iguais menores de R$12.000,00. Da Inconstitucionalidade das Normas No referente a suposta inconstitucionalidade das Normas aplicadas, que determinariam a aplicação de multas e juros de natureza confiscatória, acompanho a posição sumulada pelo CARF de que não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Cabe esclarecer o contribuinte que a falta de recolhimento do tributo ou declaração inexata, apurada em lançamento de ofício, enseja o lançamento da multa de 75%, prevista no art. 44, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não podendo a autoridade lançadora deixar de aplicála ou reduzir seu percentual ao seu livre arbítrio.Nestes termos, como a multa de ofício está prevista em disposições literais de lei e como as instâncias julgadoras não podem negar validade a estas disposições, não se pode aqui acatar a alegação da contribuinte. É de se manter, assim, a penalidade de 75%. Da Inaplicabilidade da Selic como Taxa de Juros Por fim, quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic, como juros de mora, aplicável o conteúdo da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Assim, é de se negar provimento também nessa parte. No que toca ao questionamento do juros selic sobre a multa de ofício, não acompanho aqueles que entendem oportuno o seu afastamento. Fl. 796DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 18/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA 22 Ante ao exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 797DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 18/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10830.012128/200862 Acórdão n.º 2202001.962 S2C2T2 Fl. 13 23 Voto Vencedor Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Redatora Designada Em que pese o merecido respeito a que faz jus o Ilustre Relator, peço vênia para dele discordar quanto à incidência da Taxa Selic sobre a multa de ofício. A incidência dos juros de mora está prevista no art. 61 do Código Tributário Nacional – CTN, in verbis (grifei): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Para a devida interpretação do dispositivo acima transcrito é necessário buscar o conceito de “crédito” a partir de outros artigos do mesmo código. Assim dispõe o art. 113 do CTN: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2o A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3o A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Depreende do artigo acima transcrito que a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador que pode ter dois objetos: pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, esta última decorrente da inobservância de uma obrigação acessória. Inferese, assim, que o conceito de obrigação principal não inclui a multa de ofício vinculada, mas tão somente a multa pelo descumprimento da obrigação acessória. Dessa forma, uma vez que “O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” (art. 139 do CTN), este também não abrange a multa de ofício proporcional exigida junto com o tributo ou contribuição. Reforçando nosso entendimento, o art. 161 do CTN deixa claro que os juros serão exigidos “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. Fl. 798DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 18/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA 24 Entendo, assim, que a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício não encontra amparo na lei complementar. Resta agora analisar a legislação ordinária que prevê a aplicação da Taxa Selic, transcrevendose, inicialmente, o art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O dispositivo acima prevê os acréscimo moratórios (multa e juros de mora) incidentes sobre os débitos decorrentes de tributos e contribuições não pagos nos prazos, ou seja, sobre o valor do principal, que não se confunde com a multa de ofício vinculada. Caso a multa de ofício estivesse incluída no conceito de “débito” estarseia defendendo a incidência de multa de mora sobre multa de ofício, o que não se admite. É cediço que a multa de mora é aplicada tão somente em recolhimentos de tributos e contribuições pagos após o vencimento, efetuados espontaneamente pelo sujeito passivo, enquanto que a multa de ofício é aplicada nos de falta de pagamento apurada em procedimento de ofício. Ademais, a aplicação concomitante das duas multas (de mora e de ofício) é vedada pelo art. 950, §3o, do Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99. A incidência cumulativa da Taxa Selic está prevista apenas nos casos de lançamento isolado de multa ou juros de mora, nos termos do art. 43 da Lei no 9.430, de 1996: Art.43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Concluise, assim, que também na legislação ordinária não existe previsão para a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Pelos fundamentos expostos, voto por DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a aplicação da Taxa Selic sobre a multa de ofício. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 799DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 18/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10830.012128/200862 Acórdão n.º 2202001.962 S2C2T2 Fl. 14 25 Fl. 800DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 18/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Numero do processo: 11330.000560/2007-23
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/10/2002
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PAGAMENTO PARCIAL.
Constatado o pagamento parcial de contribuições previdenciárias, a Fiscalização lavrará notificação de débito, nos termos do art. 37 da Lei n. 8.212/91.
MULTA
Recálculo da multa para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, c do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Carolina Wanderley Landim, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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PAGAMENTO PARCIAL. Constatado o pagamento parcial de contribuições previdenciárias, a Fiscalização lavrará notificação de débito, nos termos do art. 37 da Lei n. 8.212/91. MULTA Recálculo da multa para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 05 60 /2 00 7- 23 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Carolina Wanderley Landim, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11330.000560/200723 Acórdão n.º 2403001.671 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório 1. Tratase de crédito lançado contra o contribuinte acima identificado, por meio da NFLD n° 35.553.2166, cuja notificação ocorreu em 28/10/2003 (fl. 4 da numeração digital), por ter concluído a fiscalização que a Recorrente recolheu com insuficiência as contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores salariais constantes nas folhas de pagamento e de remunerações pagas a autônomos, referente ao período 05/2002 a 10/2002, totalizando a importância de R$ 32.890,56 (trinta e dois mil, oitocentos e noventa reais e cinquenta e seis centavos). 2. Observamse as seguintes informações no Relatório Fiscal de fls. 28/30, in verbis: “1. Este Relatório Fiscal visa prestar os esclarecimentos necessários acerca da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD acima, a qual referese às DIFERENÇAS DE RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE OS VALORES DOS SALÁRIOS DE EMPREGADOS INFORMADOS NAS FOLHAS DE PAGAMENTO E DE REMUNERAÇÕES DE AUTÔNOMOS CONSTANTES EM RPA , DO PERÍODO DE 05/02 A 10/02. 2. RELATO DO DÉBITO: Quando da ação fiscal junto à empresa em questão, ora concluída, no exame das contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores salariais constantes nas folhas de pagamento e de remunerações pagas a autônomos, verificamos que a empresa recolheu com insuficiência as contribuições relativas ao período de 05/02 a 10/02, conforme demonstramos nos quadros anexos ( I a III ) deste relatório. Face ao exposto procedemos o levantamento do débito das diferenças encontradas, conforme atribuições conferidas pelo artigo 229, do decreto 3.048, de 06/05/99. 3. DADOS DO DÉBITO: 3.1 FATO GERADOR: A insuficiência de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores salariais de empregados constantes em folhas de pagamento e remunerações de autônomos. 3.2 BASE DE CÁLCULO: Os valores informados pela empresa nas folhas de pagamento e valores constantes de recibos de pagamento de autônomos, conforme discriminados nos quadros anexos a este relatório. 3.3 INCIDÊNCIAS: Sobre as bases de cálculo do débito incidiram as seguintes 3.3.1 Para seguridade Social: a) contribuição dos segurados, Fl. 312DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 b) contribuição da empresa c) financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. 3.3.2 Para terceiros: INCRA, SENAI, SESI E SEBRAE. (...) 3.6 ELEMENTOS EXAMINADOS PARA APURAÇÃO DO DÉBITO: Livro Diário n° 181, registrado na JUCERJA sob o n° 387/2003, escriturado até 31/01/03, livro razão, fichas de registro de empregados, folhas de pagamento, recibos de férias, recibos de rescisão de contrato de trabalho, GPS, GFIP, guias do FNDE, RAIS, contrato social e respectivas alterações, recibos de pagamento de autônomosRPA e outros elementos de fiscalização.” DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a presente NFLD, por meio do instrumento de fls. 43/55, a qual não logrou êxito total. DA DILIGÊNCIA Foi determinada diligência para dirimir dúvidas com relação à ausência de fundamentos legais no débito para segurados empregados, contribuintes individuais e SAT e divergências no valor do salário contribuição em competências incluídas em 2 (duas) NFLD´s, concomitantemente (fls. 234/235). Foi determinada a retificação do crédito lançado nos termos propostos nos itens 4 e 5 da diligência realizada às fls. 239/241, inclusive com a emissão do DADR – Discriminativo Analítico de Débito Retificado, às fls. 264, ou seja, foram excluídos do presente lançamento as competências 05/2002, 06/2002, 08/2002 e 10/2002. Devidamente intimada da diligência em 23/03/2007 (fl. 250), a Recorrente quedouse inerte (fl. 262). DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de JaneiroRJ, por meio da 14ª Turma da DRJ/RJ01, prolatou o Acórdão n° 1219.128 de fls. 265/273, mantendo procedente em parte o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, in verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOCIAIS Período de apuração: 01/05/2002 a 31/10/2002 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃOPREVIDENCIÁRIA. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, a teor do disposto no artigo 37 da Lei n° 8.212/91. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11330.000560/200723 Acórdão n.º 2403001.671 S2C4T3 Fl. 4 5 RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO Comprovado erro na apuração do crédito lançado, o mesmo deve ser retificado a teor do artigo 145, I do Código Tributário Nacional CTN. Lançamento Procedente em Parte” Dessa forma, o lançamento foi julgado procedente em parte para retificar o valor da base de cálculo, mantendo apenas as competências de 07/2002 e 09/2009, equivalente ao montante de R$ 12.005,78 (doze mil, cinco reais e setenta e oito centavos), que acrescido de juros e multa da um total de R$ 16.619,23 (dezesseis mil, seiscentos e dezenove reais e vinte e três centavos). DO RECURSO Ainda inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente (fls. 307), Recurso Voluntário (fls. 277/279), requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, com os seguintes argumentos: Dos Fundamentos Jurídicos Em sucinto Recurso, alega a Recorrente que as diferenças apontadas pela fiscalização são fruto de informações errôneas lançadas na GFIP e que após o lançamento das mesmas houve a tentativa de corrigílas através de processo administrativo instaurado. Alega ainda que junto ao processo administrativo o qual visava informar os erros, foi anexado as retificações, bem como as guias de recolhimento dos valores recolhidos que se seriam os corretos. Do Pedido Ao final requer, seja dado provimento ao recurso para julgar improcedente o auto de infração guerreado e, consequentemente, desconstituir o lançamento do crédito tributário nele contido. É o relatório. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme consta na fl. 307 o Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO Não há razão para anulação da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD ora combatida, pois foi esclarecido por meio da diligência realizada que houve um equívoco em alguns períodos, onde se verificou a duplicidade nos lançamentos, o que não foi o caso das competências 07/2002 e 09/2002. No caso em tela, a Recorrente informou em GFIP valores a título de salário de contribuição menores do que os verificados nas folhas de pagamento nos períodos mencionados acima, ou seja, 07/2002 e 09/2002. Assim, foi utilizado como base de cálculo na apuração das diferenças a remuneração informada nas folhas de pagamento. A questão não gira em torno do erro na apresentação de informações da GFIP, como pretende fazer parecer a Recorrente, pois, se fosse isso apenas, poderia ter sido feita a devida retificação dos períodos informados com incorreções. O caso é que se trata de falta de pagamento sobre os valores verificados como corretos, que são os valores apresentados em folha de pagamento, em detrimento dos valores apresentados em GFIP, com valores inferiores. As folhas de pagamento elaboradas pelas empresas são documentos próprios para identificar os valores e bases de cálculo das contribuições previdenciárias (entendimento exarado por esta 3a Turma Ordinária em 21/09/2010, no julgamento do Proc. n. 13896.002044/200763, que deu origem ao Acórdão de n. 240300.165). Logo, não tendo demonstrado o cumprimento da obrigação principal, deve o lançamento ser mantido. DA MULTA A multa aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabelece que os débitos referentes a contribuições não recolhidas no prazo previsto em lei, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade Fl. 315DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11330.000560/200723 Acórdão n.º 2403001.671 S2C4T3 Fl. 5 7 benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo), para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo provimento parcial do presente Recurso Voluntário, para determinar o recálculo da multa, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 316DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10983.905048/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Emanuel Carlos Dantas de Assis - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fábia Regina Freitas e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte. Júlio César Alves Ramos Presidente Emanuel Carlos Dantas de Assis Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fábia Regina Freitas e Júlio César Alves Ramos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão que manteve Despacho Decisório eletrônico não homologando compensação constante de PER/DCOMP, cujo crédito tem origem, segundo a contribuinte, em retenções feitas pela Universidade Federal de Santa Catarina. Segundo o Despacho denegatório o DARF não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. O processo retorna a este Colegiado após duas diligências: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 05 04 8/ 20 08 -1 7 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10983.905048/200817 Resolução nº 3401000.610 S3C4T1 Fl. 227 2 a primeira determinou ao órgão de origem se pronunciar sobre a DCTF retificadora e a existência de pagamento a maior ou não, quando a DRF de Florianópolis entendeu não caber qualquer revisão no Despacho Decisório que não reconheceu o crédito e, além do mais, afirmou que o recurso voluntário não devia ser conhecido porque firmado por pessoa sem poderes de representação para tanto; a segunda visou sanar a falha na representação e intimar a contribuinte a se pronunciar sobre o entendimento da DRF FlorianópolisSC, exposto na primeira diligência. Intimado por ocasião da segunda diligência, a contribuinte insiste na compensação, referindose a outros dois processos semelhantes a este – os de nºs 10983.901218/200886 e 10983.901097/200872 – e afirmando que as telas SIAFI demonstram a retenção pelos órgãos públicos. Requer a reforma do acórdão recorrido ou, então, nova diligência para que se proceda à juntada dos “Comprovantes Anuais de Retenção de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS”, expedidos pelos órgãos públicos pagadores, que são espelhos das telas SIAFI, tal como adotado nos dois processos acima referidos, nos quais o valor compensado decorrente das retenções foi confirmado pela DRF. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator Diante da insuficiência das diligências realizadas até agora, e por ter sido regularizada a representação processual, carece realizar uma nova, desta feita para que a unidade de origem adote procedimentos semelhantes aos realizados nos processos nºs 10983.901218/200886 e 10983.901097/200872, investigando a fundo a existência de pagamento a maior ou não. Para tanto, deve buscar junto ao SIAFI os dados das retenções e, se necessário, solicitar à contribuinte os Comprovantes Anuais de Retenção de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS fornecidos por órgãos públicos (incluindo autarquias e fundações da administração pública federal) a pessoas jurídicas fornecedoras de bens ou prestadoras de serviços, nos termos do art. 64 da Lei nº 9.430/96. A Recorrente possui inúmeros processos semelhantes ao presente, sendo em que alguns foram comprovadas, ao menos em parte, as retenções alegadas. Diante dessas comprovações, reforçase a necessidade de nova investigação. Pelo exposto, voto por converter o presente julgamento em nova diligência para que a unidade de origem, primeiro, verifique as retenções alegadas, seja por meio do sistema SIAFI, seja obtendo junto à contribuinte os Comprovantes Anuais de Retenção de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, e segundo, emita parecer conclusivo sobre a compensação, respondendo: a) se restaram comprovadas tais retenções, discriminando os seus valores em caso positivo, e b) se houve ou não compensação com os montantes devidos, elaborando demonstrativo com os valores retidos, compensados e os saldos porventura disponíveis. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10983.905048/200817 Resolução nº 3401000.610 S3C4T1 Fl. 228 3 Do parecer deve ser dada ciência à contribuinte, abrindoselhe o prazo de trinta dias para, querendo, se manifestar sobre o resultado desta nova diligência. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 228DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10882.000921/2010-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2006
DIRF. PRESUNÇÃO. RETENÇÃO SEM RECOLHIMENTO.
A apresentação da DIRF é confissão de retenção pelo sujeito passivo, que cria a presunção da retenção por ela retratada
TAXA SELIC. JUROS DE MORA.
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso voluntário não provido.
Numero da decisão: 2202-002.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2006 DIRF. PRESUNÇÃO. RETENÇÃO SEM RECOLHIMENTO. A apresentação da DIRF é confissão de retenção pelo sujeito passivo, que cria a presunção da retenção por ela retratada TAXA SELIC. JUROS DE MORA. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso voluntário não provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2006 DIRF. PRESUNÇÃO. RETENÇÃO SEM RECOLHIMENTO. A apresentação da DIRF é confissão de retenção pelo sujeito passivo, que cria a presunção da retenção por ela retratada TAXA SELIC. JUROS DE MORA. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso voluntário não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 09 21 /2 01 0- 28 Fl. 278DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10882.000921/201028 Acórdão n.º 2202002.056 S2C2T2 Fl. 279 3 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização Em consulta ao programa DIRF x DARF, a Fiscalização constatou falta de recolhimento de imposto de renda retido na fonte sobre trabalho assalariado e sobre trabalho sem vínculo empregatício, referente ao anocalendário 2005, exercício de 2006. Em 03/03/09, a recorrente foi intimado a apresentar cópia da DIRF 2006, anocalendário 2005, e cópia dos respectivos comprovantes de recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte (fl. 2). Em resposta, a recorrente apresentou cópia da DIRF, e declaração na qual alega não ter encontrado os respectivos comprovantes de recolhimento (fls. 3). Em 14/12/09 a recorrente compareceu à repartição fiscal, tendo sido orientado a retificar a DCTF, a fim de que refletisse os valores declarados em DIRF (fl. 27). Por meio da Intimação Fiscal 002, a recorrente foi intimado a apresentar a DCTF retificadadora (fl. 10). Considerando a omissão da recorrente na apresentação da DCTF retificadora, bem como a ausência de contestação quanto aos valores presentes nas DIRF apresentadas, decidiu a fiscalização lavrar auto de infração constituindo crédito tributário do código 0561 e 0588. 2 Auto de Infração Foi lavrado auto de infração (fls. 4350), em 01/04/10, constituindo crédito tributário no montante de R$ 321.114,85, incluídos imposto, multa de 75% e juros de mora. O fundamento da autuação foi falta de recolhimento de imposto de renda retido na fonte sobre trabalho assalariado e sobre trabalho sem vínculo de emprego, englobando o anocalendário de 2005. A recorrente tomou ciência do auto em 07/04/10 (fl. 50). 3 Impugnação O contribuinte apresentou impugnação, tempestivamente, em 03/05/10, (fls. 5364), instruída com os documentos de fls. 65122, erigida sobre os seguintes argumentos: a) o auto de infração é nulo, pois a descrição das infrações apontadas é deficitária, não sendo possível aferir o fato gerador do crédito pretendido pelo Fisco; b) vários dos pagamentos realizados não foram considerados; c) foram entregues as declarações dos funcionários e providenciaramse os recolhimentos referentes ao código de receita 0561. Aduz que o auto de Fl. 280DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO 4 infração é deficitário, pois não traz dados precisos e não descreve as incorreções, o que prejudica a sua defesa; d) foram apresentados todos os documentos e livros exigidos pela autoridade fiscal, em atenção aos requisitos legais, contendo informações verídicas e claras, sendo que não poderia sofrer as conseqüências da aplicação de multas, tendo em vista a inexistência de qualquer ilícito no presente caso; e) alega que tratase de sua primeira autuação pela falta de apresentação de documentação, caracterizandose, portanto, como primária. Desta forma, identificase a lisura e a boafé, tendo em vista que provou a inexistência de deficiência na apresentação dos documentos solicitados; f) a multa aplicada é injustificada, mencionando jurisprudência do Superior Tribunal Federal neste sentido; g) a aplicação de juros de mora com base na taxa SELIC é inconstitucional. Ao fim, requer o cancelamento do auto de infração por flagrante nulidade e inexigibilidade dos débitos. 4 Acórdão de Impugnação A 3ª Turma da DRJ/RPO julgou a impugnação e acordou, por unanimidade, pela PARCIAL PROCEDÊNCIA da impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido, alinhando os seguintes argumentos (fls. 193209): a) não há nulidades no lançamento, uma vez que depreendese do Termo de Verificação Fiscal e do auto de infração que as infrações detectadas em regular procedimento de fiscalização encontramse claramente descritas e detalhadas, incluindo a descrição dos fatos, as datas dos fatos geradores, os valores informados em DIRF, nas DCTFs, bem como os recolhimentos efetuados, além do necessário enquadramento legal; b) a autuada efetuou a retenção do imposto sobre rendimentos pagos a título de trabalho assalariado e nãoassalariado, conforme se verifica nas DIRF apresentadas pela recorrente, sendo que era obrigação da empresa a declaração em DCTF de todas as retenções de imposto de renda efetuados, o que não foi providenciado. Por tal motivo, o lançamento efetivado pela fiscalização está correto, calcado em declarações prestadas pelo sujeito passivo; c) por outro lado, constatase que a fiscalização deixou de considerar uma série de recolhimentos efetuados e registrados em sistema, conforme tabela de fls. 203 à 206, devendo a DRJ de origem vincular tais pagamentos ao presente processo, extinguindo os débitos correspondente, se verificada a regularidade e disponibilidade dos pagamentos; d) neste mesmo sentido, deve ser parcialmente excluída a aplicação de multa de ofício, para que não incida sobre os recolhimentos realizados antes da lavratura do auto de infração, conforme tabela de fl. 209. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10882.000921/201028 Acórdão n.º 2202002.056 S2C2T2 Fl. 280 5 A recorrente tomou ciência do acórdão de impugnação em 19/07/11. 5 Recurso Voluntário Indignada com o resultado do acórdão de impugnação, a recorrente interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 04/08/11, repisando os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO 6 Voto Conselheiro Relator Rafael Pandolfo O presente recurso atende aos requisitos legais de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. A recorrente insurgese contra a aplicação de multa e cobrança do tributo, pois, segundo alega, a fiscalização deixou de considerar os valores que já haviam sido recolhidos. Ocorre que a decisão recorrida tratou de contemplar os valores devidamente recolhidos pela recorrente e registrados no relatórioSief para fins de abatimento da base de cálculo do tributo e exclusão parcial da multa (fls. 203206), conforme revela o trecho abaixo reproduzido (fl. 208): Diante do exposto, o presente voto é no sentido de RECEBER a impugnação por tempestiva, e JULGAR PROCEDENTE EM PARTE a exigência fiscal, com a exclusão parcial da multa de ofício, conforme demonstrativo ao final deste acórdão, devendo a DRF de origem vincular os pagamentos descritos no demonstrativo do Item 26 a este processo, desde que verificada a regularidade e disponibilidade deles. A constatação acima apontada não foi infirmada pela peça recursal, que limitouse a repisar o caminho retórico já trilhado na impugnação. Como conclusão, verificase que remanesce incólume o fundamento fáticoprobatório sobre o qual foi erigida a decisão recorrida. À míngua de qualquer fundamento probatório ou retórico novo, tenho que remanesce imaculada, no ponto, a r. decisão da DRJ. 2 Aplicação da Taxa SELIC e Multa de Ofício A recorrente defende que o emprego da taxa SELIC a título de juros de mora é ilegal e inconstitucional. Quanto à ilegalidade, a questão já foi decidida por este Conselho, estando inclusive consolidada em Súmula no sentido da possibilidade da aplicação da Taxa SELIC como o índice dos juros de mora. Versa a súmula: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Quanto à inconstitucionalidade da aplicação da Taxa SELIC, a própria jurisprudência do STF vai ao sentido de considerar legítima sua aplicação: 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Fl. 283DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10882.000921/201028 Acórdão n.º 2202002.056 S2C2T2 Fl. 281 7 Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. (RE 582461, Relator: Min. Gilmar Mendes, Julg 18/05/2011, Divulg 17/08/2011, Public 18/08/2011) 4. A isonomia é resguardada, visto que a Lei estadual prevê a aplicação da taxa SELIC, que traduz rigorosa igualdade de tratamento entre o contribuinte e o Fisco. (ADI 2214, Relator: Min. Maurício Corrêa, Julg 06/02/2002, Publ 19/04/2002) Ademais, a este Conselho não cabe a análise da constitucionalidade de lei tributária, conforme entendimento sumular, abaixo reproduzido: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sendo assim, o caráter confiscatório da multa, e a inconstitucionalidade da aplicação da SELIC, por se tratarem de temas constitucionais, não podem ser analisados neste julgamento. Deste modo, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 284DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO
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