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Numero do processo: 14041.000176/2009-36
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1997 a 30/11/1998
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 2403-001.719
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente), IVACIR JULIO DE SOUZA, CAROLINA WANDERLEY LANDIM, PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, MARCELO MAGALHAES PEIXOTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 01 76 /2 00 9- 36 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente), IVACIR JULIO DE SOUZA, CAROLINA WANDERLEY LANDIM, PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, MARCELO MAGALHAES PEIXOTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000176/200936 Acórdão n.º 2403001.719 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, Acórdão 0337.416 da 7ª Turma, que julgou improcedente a impugnação. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal — AIOP, lavrado em nome do contribuinte em epígrafe, sob DEBCAD n° 37.210.0317, em 03/02/2009, no qual foram incluídas as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga a segurados (cota patronal e cota destinadas ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho), além dos juros e multa correspondentes, totalizando o crédito tributário no valor de R$ 42.656,83. 0 período fiscalizado é de 03/1996 a 03/2001, sendo que o lançamento abrange a(s) competência(s) 02/1997 a 05/1997, 07/1997 a 02/1998 e 08/1998 a 11/1998. O Relatório Fiscal de fls. 26/34 informa que o presente lançamento é realizado em substituição As Notificações de Lançamento de Débito — NFLD, no 35.019.6095 e 35.019.608 7, lavradas em nome do contribuinte Via Engenharia S/A. Referidas notificações foram anuladas pelo Conselho de Recursos da Previdência Social — CRPS por erro de fundamentação legal. A anulação das NFLD mencionadas foi cientificada A Via Engenharia S/A a partir de 18/02/2004, de forma, que, considerando o disposto no artigo 173, II, do CTN, a Fazendo Pública pode constituir o crédito em epígrafe ematé5 anos contados da dataem que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Nas notificações julgadas nulas considerouse a existência da responsabilidade solidária entre os prestadores (e subempreiteiros) e o tomador de serviços por cessão de mãode obra (Via Engenharia S/A), diante da ausência de recolhimentos pelos prestadores e em razão de o tomador não ter apresentado Fl. 113DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 os documentos de elisão da responsabilidade solidária (folha de pagamento, GFIP, GRPS/GPS, etc). As NFLD foram julgadas nulas por erro de fundamentação legal, já que estavam amparadas somente no artigo 30, VI da Lei 8.212/91, e deveriam, no caso de solidariedade de subempreitada, estar fundamentadas também no artigo 124, I, do Código Tributário Nacional — CTN. Isto porque o artigo 30, VI, da Lei 8.212/91, A. época do período lançado, não tratava de subempreitada, tratando apenas de cessão de mãodeobra. Assim, para aquela parcela do débito, a fundamentação legal seria a aplicação da solidariedade em razão da existência de interesse em comum na situação que constitui o fato gerador, prevista no artigo 124, I, do CTN. O Relatório Fiscal informa ainda que os fatos geradores foram verificados mediante análise dos seguintes elementos: Livros Diário e Razão, Notas Fiscais de serviço/faturas, Contratos de prestação de serviços, Folhas de Pagamentos e Guias de recolhimento de prestadores de serviço/subempreiteiros, contas correntes de prestadores de serviço/subempreiteiros, Declarações de existência de contabilidade formalizada dos prestadores de serviço/subempreiteiros, apresentados pela empresa Via Engenharia S/A na ocasião da lavratura das NFLD substituídas. Nas NFLD substituídas também consta planilha, na qual foram relacionados os pagamentos de faturas/notas fiscais de prestadores de serviço de mãodeobra e subempreiteiras, contendo informaçõès referentes a data do pagamento, conta em que foi efetuado o lançamento, centro de custo, valor da nota fiscal/fatura, observações sobre o serviço prestado, número da nota fiscal/fatura, prestador de serviço/CNPJ, percentual aplicado sobre o valor da nota fiscal, salário de contribuição apurado, abatimento de eventuais salários de contribuição contidos em guias apresentadas e salário de contribuição do débito apurado. A empresa Via Engenharia S/A foi intimada a apresentar as Guias de Recolhimento e folhas de pagamento ou GFIP referentes aos pagamentos constantes da planilha, com fins de elidir a responsabilidade solidária. Também foi oportunizada a referida empresa a apresentação de outros elementos, caso discordasse dos percentuais aplicados para efeitos de aferição do salário de contribuição. Em análise dos contacorrentes dos prestadores de serviços, verificouse que a maior parte não apresentava recolhimentos compatíveis com os serviços prestados e outros sequer apresentavam recolhimento. Não foram incluídos para efeito de aferição indireta os prestadores de serviços que apresentaram recolhimento compatível com os valores das notas fiscais/faturas, desde que a natureza dos mesmos permitia a apresentação de uma guia de recolhimento(genérica com recolhimento englobado no CGC/CNPJ, e os prestadores de serviços que, mesmo tendo apresentado guia de recolhimento com valor inferior ao previsto, Fl. 114DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000176/200936 Acórdão n.º 2403001.719 S2C4T3 Fl. 4 5 apresentaram declaração de contabilidade firmada pelo responsável pela empresa e pelo contador. Por fim, foram abatidos do débito os recolhimentos efetuados por aqueles prestadores que apresentaram recolhimentosinferiores e não houve apresentação de declaração de contabilidade. Na substituição dos débitos anulados, foram excluídos os períodos em que as prestadoras de serviço eram optantes pelo SIMPLES e os levantamentos atinentes a prestadores de serviço que, no período, tiveram seus débitos incluídos no REFIS. Portanto, diante da não elisão da responsabilidade solidária, o presente débito foi apurado por aferição indireta, sendo que o salário de contribuição foi calculado aplicando percentuais sobre os valores das notas fiscais/faturas, conforme detalhado nas planilhas anexadas pela autoridade fiscal. No que concerne h. responsabilidade solidária, o Relatório Fiscal acrescenta que, conforme artigo 896 do Código Civil, a mesma não se presume, resulta da lei ou da vontade das partes. No caso, o arbitramento pelo faturamento para apurar a base de cálculo das contribuições previdencidrias, na hipótese de fiscalização de prestadores de serviços mediante cessão de mão deobra, está previsto no artigo 33 da Lei 8.212/91. 0 procedimento previsto no diploma legal foi detalhado, na época do lançamento, na OS/INSS/DAF n° 176/1997 e, antes, pela OS/LNSS/DAF if 83/1993. Para o período anterior a vigência da Lei 9.528/97, a solidariedade de débitos de subempreiteiros está fundamentada no artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. A partir da Lei 9.528/97, o fundamento legal da solidariedade de débitos de subempreiteiros passa a ser o artigo 30, inciso VI, da Lei 8.212/91. Em relação a solidariedade de débitos de empresas contratantes de serviços por cessão de mãodeobra, seu fundamento legal, para os fatos geradores ocorridos até 01/1999, é o artigo 31 da Lei 8.212/91. Consta, às fls. 35/36, Termo de Sujeição Passiva Solidária, cientificado em 23/03/2009 ao sujeito passivo solidário TURMAN CONSTRUÇÕES LTDA, 59.575.258/0001 69, conforme documento de fls. 37, juntamente com o Auto de Infração sob comento. Do resultado do julgamento foi dado ciência exclusivamente à Via Engenharia. Inconformada com a decisão, a empresa Via Engenharia apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · Nulidade do crédito lançado. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 · Decadência. · Até o momento da apresentação da impugnação não havia sido notificado o contribuinte do lançamento do crédito tributário em discussão. Disso decorre que o crédito, indiscutivelmente, também já decaiu para o contribuinte. · A cobrança da multa é indevida por que a contribuinte não participou do comportamento, nada sonegou, nenhum ato ilícito cometeu daí a inviabilidade de ser punida por ato de terceiro. É o relatório. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000176/200936 Acórdão n.º 2403001.719 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator Apesar do vício constatado, somente dar ciência a 1 devedor do resultado do julgamento de primeira instância, por economia processual, passo a analisar o presente processo. DECADÊNCIA – PRESTADOR DO SERVIÇO Consta do processo, folhas 35/36, Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado contra a empresa TURMAN CONSTRUÇÕES LTDA em 03/02/2009. A ciência ao contribuinte foi dada em 23/03/2009. Os fatos geradores ocorreram entre 02/1997 e 11/1998. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do prazo decenal para a decadência dos créditos previdenciários devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Pelo intervalo de tempo decorrido entre os fatos geradores e a ciência do sujeito passivo constatase que ocorreu a decadência do crédito tributário por qualquer critério estabelecido pelo CTN. DECADÊNCIA – TOMADOR DO SERVIÇO O acórdão administrativo de última instância (CaJ/CRPS) que reconheceu a nulidade do crédito lançado foi prolatado em 31 de outubro de 2003. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 A notificação do contribuinte ocorreu em 2004. Segundo o CTN, a decadência opera decorridos 5 anos da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Estabelece o Decreto 70.235/72 que são definitivas as decisões de segunda instância de que não caiba recurso. Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. O Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, vigente à época da anulação, estabelecia a Câmara de Julgamento como única instância para julgar os recursos interpostos contra decisões do INSS, nos processos de interesse dos contribuintes. PORTARIA MPAS Nº 2.740, DE 26 DE JULHO DE 2001 DOU DE 03/08/2001 Art. 13.Compete às Câmaras de Julgamento: Fl. 118DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000176/200936 Acórdão n.º 2403001.719 S2C4T3 Fl. 6 9 I julgar, em última instância, os recursos interpostos contra as decisões proferidas pelas Juntas de Recursos que infringirem lei, regulamento ou ato normativo ministerial; e II julgar, em única instância, os recursos interpostos contra decisões do INSS, nos processos de interesse dos contribuintes, inclusive a que indefere o pedido de isenção de contribuições, bem como, com efeito suspensivo, a decisão cancelatória da isenção já concedida podendo, para tanto, anular os atos da constituição do crédito previdenciário e os que impõem penalidade administrativa. Entendo que quando prolatada a decisão pela Câmara de Julgamento do CRPS, a decisão tornouse definitiva. Com base no acima exposto, entendo que se operou a decadência visto que o prazo, da data em que se tornou definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado (31/10/2003) até o novo lançamento (18/02/2009) foi maior que 5 anos. CONCLUSÃO Voto pelo provimento do recurso em razão da decadência. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 119DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 13984.720198/2010-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2007
ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO.
Só podem ser excluídas da base de cálculo do ITR, as áreas de interesse ecológico, declaradas mediante ato de órgão competente, federal ou estadual, que ampliem as restrições de uso para fim de supressão ou exploração da vegetação. Caso não haja essa declaração o valor não poderá ser excluído
Numero da decisão: 2202-002.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto do relator.
(Assinado Digitalmente)
Nelson Mallmann - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Pedro Anan Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez , Odmir Fernandes, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto do relator. (Assinado Digitalmente) Nelson Mallmann - Presidente. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez , Odmir Fernandes, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007 ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. Só podem ser excluídas da base de cálculo do ITR, as áreas de interesse ecológico, declaradas mediante ato de órgão competente, federal ou estadual, que ampliem as restrições de uso para fim de supressão ou exploração da vegetação. Caso não haja essa declaração o valor não poderá ser excluído Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto do relator. (Assinado Digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez , Odmir Fernandes, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 72 01 98 /2 01 0- 47 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/11/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/11/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 13984.720198/201047 Acórdão n.º 2202002.042 S2C2T2 Fl. 133 3 Relatório Contra a interessada supra foi lavrada a Notificação de Lançamento e respectivos demonstrativos de fls. 01 a 04, por meio do qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2007, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 132.908,44, relativo ao imóvel rural denominado Passa Dois, com área de 947,9 ha., NIRF 2.588.6754, localizado no município de Santa Cecília/SC.. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que, após regularmente intimada, a contribuinte não comprovou as áreas isentas declaradas a título de preservação permanente, de reserva legal e de interesse ecológico; que, em resposta ao termo de intimação fiscal, não foi enviado ato específico do órgão competente federal ou estadual declarando área do imóvel como de interesse ecológico, imprestável para atividade rural, e nem foi comprovada a entrega do ADA ao Ibama no ano de 2007; e que, quanto ao laudo de avaliação apresentado, observouse que a metodologia utilizada não está prevista dentre os métodos especificados na NBR 14.653 da ABNT, item 8, assim como não há especificação dos dados colhidos no mercado, que se resumem a relatos de proprietários vizinhos e a opinião do próprio avaliador, tornando o laudo inaceitável por não se enquadrar em nenhum grau de fundamentação, conforme itens 9.2.3.1, 9.2.3.3 e 9.2.3.5, e, diante disso, o VTN foi arbitrado nos moldes do art. 14 da Lei n° 9.393/96, considerando as informações do Sistema de Preços de Terras da Receita Federal para o município de localização do imóvel no exercício 2007, sendo adotado o VTN/ha. de R$ 2.066,00 referente a terras de campo ou reflorestamento. Instruíram o lançamento os documentos de fls. 05 a 33. Cientificada do lançamento, por via postal, em 20/10/2010 (fls. 50), a interessada apresentou a impugnação de fls. 36 a 39, em 16/11/2010, acompanhada dos documentos de fls. 40 a 49, onde argumentou, em suma, o que segue: • A empresa originouse em 23/06/2005, com a cisão parcial da empresa denominada Indústrias Zipperer S/A, quando o imóvel passou a pertencer a contribuinte; anteriormente, em 30/08/1979, a empresa Ziprinho Agroflorestal Ltda, registrou na matrícula da propriedade, 189,4 ha. de reserva legal, e, em 20/08/1996, a Indústrias Zipperer S/A voltou a incorporar o imóvel através da fusão das empresas; • A averbação da reserva legal teve sua denominação errônea, entretanto, o intuito de preservar foi cumprido, já que a quantidade indicada no registro é a correta; • Em 03/04/1991, a então proprietária Ziprinho Agro Florestal Ltda registrou Termo de Compromisso de Manutenção de Floresta a Manejar com extensão de 461,8 há., correspondendo 48, 71% da área de utilização limitada, podendo nela ser feita exploração racional sob Regime de Manejo Sustentado, desde que autorizado pelo Ibama; tal compromisso é cumprido pela interessada; Fl. 134DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/11/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 • O Ibama reconheceu através da Portaria n° 37N, de 03/04/1992, em seu art. 2o , a Lista Oficial de Espécies da Flora Brasileira Ameaçadas de Extinção, assim como o Decreto n° 750, dispõe sobre o corte, a exploração e a supressão de vegetação da Mata Atlântica e, conforme Mapas de Vegetação do Brasil e de Biomas, lançados pelo IBGE, o Bioma Mata Atlântica ocupa inteiramente o Estado de Santa Catarina, portanto, concluise que se está diante de uma área de interesse ecológico; • Foi protocolado ADA junto ao Ibama, em 17/09/1998, que foi retificado em 09/09/2004, indicando 86,3 ha. de preservação permanente, 189,4 ha. de reserva legal, 379,5 ha. de interesse ecológico e 283,2 ha. de área com reflorestamento; • Procedendo de maneira contrária à manutenção e recuperação do meio ambiente isentando as áreas preservadas, consoante legislação do ITR, o lançamento está penalizando a interessada, que preserva uma área que poderia ser produtiva, aumentando o ITR e aplicando multa de oficio; • Requer que sejam aceitos o ADA retificador do Exercício de 1997, pois na data não era exigida a entrega anual, o Termo de Compromisso de Manutenção de Floresta a Manejar, o Oficio n° 003/05 DITEC/IBAMA/SC, que comprova a área de utilização limitada e a obrigação contida no Termo de Compromisso; por fim, requer a revisão do lançamento e o cancelamento da multa de ofício, levando em consideração as novas informações e os documentos anexados, bem como o fato de nunca ter deixado de apresentar os mesmos quando solicitados, e também suas obrigações acessórias (DITR) no prazo. A autoridade recorrida, ao examinar o pleito, decidiu, por unanimidade por dar provimento parcial a impugnação através do acórdão DRJ/CGE n° 0427.411, de 13 de fevereiro de 2012, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2006 ÁREAS ISENTAS. TRIBUTAÇÃO. Para efeito de isenção do ITR, somente será aceita como de interesse ecológico a área específica do imóvel assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual. Impõese restabelecer a área de preservação permanente declarada, diante da comprovação de que essa foi informada em ADA entregue ao Ibama antes do fato gerador do Exercício tratado. VALOR DA TERRA NUA. A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua apurado pela fiscalização, com base no SIPT, não impugnado pelo sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. A multa de ofício e os juros de mora exigidos encontram amparo em lei. Devidamente cientificado dessa decisão, o Recorrente apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, onde reitera os argumentos da impugnação. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/11/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 13984.720198/201047 Acórdão n.º 2202002.042 S2C2T2 Fl. 134 5 É o relatório Fl. 136DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/11/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 6 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de lançamento tributário de ITR, exercício 2005, derivado de glosa de exclusão de área de interesse ecológico uma que o Recorrente não teria comprovado que a mesma havia sido declarada pelo órgão competente a sua restrição. A Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, assim determina em seu artigo 10: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c)comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) Fl. 137DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/11/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 13984.720198/201047 Acórdão n.º 2202002.042 S2C2T2 Fl. 135 7 e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) (...) Nos termos de referida norma legal, o contribuinte poderá excluir da base de cálculo do ITR, a área de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas, desde que o mesmo seja declarada pelo órgão competente federal ou estadual. No caso em concreto devemos verificar se isso ocorreu. Ao analisarmos os documentos, apresentado pelo contribuinte não há nos autos qualquer documento que comprove o reconhecimento dessa área por órgão competente federal ou estadual. Entendo que a declaração do IBAMA atestando que existe plano de manejo não é suficiente para atestar que a área é de interesse ecológio, diante disso não merece reparos a decisão da DRJ. Desta forma, entendo não assiste razão a Recorrente. Neste sentido conheço do recurso e no mérito nego provimento. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 138DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/11/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR
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Numero do processo: 19482.720010/2011-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 27 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3101-000.263
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Corintho Oliveira Machado - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Leonardo Mussi da Silva, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Henrique Pinheiro Torres - Presidente Corintho Oliveira Machado - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Leonardo Mussi da Silva, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Henrique Pinheiro Torres Presidente Corintho Oliveira Machado Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Leonardo Mussi da Silva, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 94 82 .7 20 01 0/ 20 11 -8 9 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 19482.720010/201189 Resolução nº 3101000.263 S3C1T1 Fl. 3 2 Relatório Adoto como parte de meu relato, o quanto reportado pelo decisum a quo: O interessado foi autuado em face da infração de “CESSÃO DO NOME DA PESSOA JURÍDICA COM VISTAS NO ACOBERTAMENTO DOS REAIS INTERVENIENTES OU BENEFICIÁRIOS”. Foi lançada a multa do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007. Intimado, o interessado apresentou impugnação na qual alega: O foco central para aplicação da pena de perdimento das mercadorias, bem como a multa no de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), referente a suposta cessão do nome do importador com vistas ao acobertamento do real interveniente, é a quebra da cadeia do IPI, como tentativa de justificativa ao Dano ao Erário. Não houve ocultação do real importador. A empresa importadora importou para si as mercadorias, conforme documentos de instrução do despacho. A questão das etiquetas na carga (com nome Maxi Cabo) não demonstram fraude. Considerase falha do exportador, não ocultação do real importador. O importador (HP Comércio) foi apresentado ao exportador (Zeta) pela empresa Maxi Cabo. É notório o equívoco do exportador, pois consta das etiquetas “MAXI CABOOC 0310 GUARULHOS”, pois a mercadoria não seguiu para Guarulhos, mas para Viracopos. Houve erro de confecção da etiqueta. Não houve nem haverá “quebra da cadeia do IPI”. As mercadorias, por necessitarem de outras para se tornarem acabadas e/ou transformarem em equipamentos montados a partir deles, devem ser processadas em estabelecimento industrial, contribuinte do IPI. O importador recolheu todos os tributos no registro da declaração de importação (DI), inclusive o imposto sobre a importação (IPI). O importador importou as mercadorias para si, recolheu tributos e não ocultou nenhuma empresa. Não foi comprovada vantagem para o mesmo ou desvantagem para o fisco. Estão descaracterizadas as alegações feitas pelo AuditorFiscal. Não houve ocultação, não deve ser aplicada a multa de R$ 5 mil. Mesma sorte tem a pena de perdimento. Não houve dano ao erário. Cita julgado do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Não houve concurso de pessoas nem falsidade ideológica. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 19482.720010/201189 Resolução nº 3101000.263 S3C1T1 Fl. 4 3 O artigo 333 do Código de Processo Civil impõe o ônus da prova àquele que alega. Cita doutrina. As provas demonstram que a importação ocorre para o impugnante. Requer a anulação do auto de infração. Apresenta pedido também em relação à pena de perdimento das mercadorias. Recebida a impugnação pela repartição “a quo”, os autos foram encaminhados a esta Delegacia de Julgamento (DRJ) em meio eletrônico (“eprocesso”) e distribuídos ao relator. Posteriormente, o interessado apresentou carta do exportador e tradução juramentada (“Documentos Diversos” do “eprocesso”, identificado como fls. 311 a 314). A DRJ em SÃO PAULO II/SP considerou a Impugnação Procedente, ementando assim o acórdão: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 17/05/2011 Cessão de nome para importação de terceiro. Procedente o lançamento da multa do artigo 33 da Lei 11.488/2007. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 327 e seguintes, onde basicamente reprisa os argumentos esgrimidos em primeiro grau; ataca a decisão a quo, que diz ser parcial, em favor da União; requer a improcedência da multa aplicada, bem como a anulação de outros procedimentos fiscais a que a recorrente foi submetida: perdimento de mercadorias e representação fiscal para fins penais. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Relatados, passo a votar. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 19482.720010/201189 Resolução nº 3101000.263 S3C1T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. Em virtude da tempestividade do recurso voluntário, e presença dos demais requisitos de admissibilidade, passase à apreciação desse. In limine, cumpre dizer que este Colegiado é competente para decidir apenas acerca da multa aplicada pela cessão de seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários; e por isso o pedido de anulação dos outros procedimentos fiscais a que a recorrente foi submetida: perdimento de mercadorias e representação fiscal para fins penais, não será apreciado. A imputação produzida pelo Fisco é baseada em vários indícios graves que apontam para a cessão de nome para importação de terceiro, por parte da recorrente, tais como as etiquetas das caixas com o nome da empresa MaxiCabo, que aparece também na embalagem plástica que contém os milheiros de terminais específicos; o processo produtivo da MaxiCabo; a Maxi Cabo foi cliente da empresa DGI e posteriormente passou a ser cliente da empresa HP. Há vínculo entre Maxi Cabo e HP porque o Sr. Marcos César Fávaro é sócio de HP e DGI; emails apresentados pela fiscalização, nos quais o exportador comunica todos os procedimentos à Maxi Cabo, tanto antes quanto depois da data de chegada da carga ao Brasil. De outra banda, a recorrente traz uma prova considerável, ainda que não satisfativa, de que houve um erro por parte do exportador, ao etiquetar os produtos exportados carta do exportador declarando haver equívoco nas etiquetas da importação da HP. Atento a todas essas argumentações, de lado a lado, este Conselheiro não conseguiu, ainda, formar a sua convicção acerca da conjuntura que, de fato, envolveu a operação comercial que serve de pano de fundo para a exigência fiscal. A doutrina costuma chamar de estado de perplexidade quando ao julgador não é possível acatar, com firmeza, qualquer das versões trazidas aos autos. Nesse contexto, penso razoável dar oportunidade à recorrente para provar que as mercadorias importadas o foram para si mesma, como afirma seu patrono desde a impugnação. Nessa moldura, voto pela conversão deste julgamento em diligência, para que a recorrente seja intimada a fazer prova, mediante Laudo Técnico (com ART Anotação de Responsabilidade Técnica), produzido por engenheiro de produção, devidamente credenciado Fl. 342DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 19482.720010/201189 Resolução nº 3101000.263 S3C1T1 Fl. 6 5 junto ao respectivo órgão de classe, de que as mercadorias importadas pela recorrente efetivamente fazem parte do seu processo produtivo. Ato seguido, em homenagem ao contraditório e à ampla defesa, seja a Procuradoria da Fazenda Nacional intimada do conteúdo do Laudo Técnico acostado, para manifestarse, querendo, em prazo de trinta dias. Após o transcurso do prazo, devolvamse os autos a esta Turma para julgamento. Sala das Sessões, em 29 de novembro de 2012. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 343DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 10480.722459/2009-11
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há que se cogitar de cerceamento do direito defesa na fase de investigação fiscal, cujo procedimento é realizado no interesse exclusivo do fisco.
O procedimento de fiscalização de revisão interna de declaração ou de investigação externa tem caráter inquisitorial; é realizado no interesse exclusivo do fisco para reunião ou colheita de elementos de prova de possível infração tributária.
Durante o procedimento de fiscalização não há lide, nem processo, pela inexistência de acusação formal ou imputação de infração. É incabível a alegação de cerceamento na fase de investigação fiscal, pois os princípios do do contraditório e da ampla defesa são de aplicação na fase do devido processo legal administrativo.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula CARF nº 46).
É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte (Súmula CARF nº 6).
O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa.
Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
REVISÃO INTERNA DE DECLAÇÃO. CIÊNCIA DE INTIMAÇÃO FISCAL. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PERDA DA ESPONTANEIDADE.
No procedimento de revisão interna de declarações não há termo de início de fiscalização, mas intimação fiscal, quando necessária, para apresentação de esclarecimentos e documentos.
Após a ciência dessa intimação fiscal, o contribuinte perde a espontaneidade para efeito de exclusão da responsabilidade por infração tributária em relação aos fatos geradores anteriores.
A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício (Súmula CARF nº 33).
LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO. PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS DE TRATAMENTO DE ESGOTO.
Submetem-se ao coeficiente de presunção do lucro de 32% (trinta e dois por cento), para fins de apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica pelo regime de tributação do lucro presumido, as receitas da atividade de prestação de serviços de coleta e tratamento de esgotos (efluentes e dejetos) de origem comercial, industrial e residencial pelas Estações de Tratamento de Esgoto - ETE.
LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL.
O lançamento decorrente segue a sorte do lançamento principal, pela íntima relação de causa e efeito, inexistindo razões fáticas e jurídicas para decidir diversamente.
Numero da decisão: 1802-001.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de cerceamento do direito defesa na fase de investigação fiscal, cujo procedimento é realizado no interesse exclusivo do fisco. O procedimento de fiscalização de revisão interna de declaração ou de investigação externa tem caráter inquisitorial; é realizado no interesse exclusivo do fisco para reunião ou colheita de elementos de prova de possível infração tributária. Durante o procedimento de fiscalização não há lide, nem processo, pela inexistência de acusação formal ou imputação de infração. É incabível a alegação de cerceamento na fase de investigação fiscal, pois os princípios do do contraditório e da ampla defesa são de aplicação na fase do devido processo legal administrativo. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula CARF nº 46). É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte (Súmula CARF nº 6). O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 24 59 /2 00 9- 11 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.722459/200911 Acórdão n.º 1802001.279 S1TE02 Fl. 207 2 mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. REVISÃO INTERNA DE DECLAÇÃO. CIÊNCIA DE INTIMAÇÃO FISCAL. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PERDA DA ESPONTANEIDADE. No procedimento de revisão interna de declarações não há termo de início de fiscalização, mas intimação fiscal, quando necessária, para apresentação de esclarecimentos e documentos. Após a ciência dessa intimação fiscal, o contribuinte perde a espontaneidade para efeito de exclusão da responsabilidade por infração tributária em relação aos fatos geradores anteriores. A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício (Súmula CARF nº 33). LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO. PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS DE TRATAMENTO DE ESGOTO. Submetemse ao coeficiente de presunção do lucro de 32% (trinta e dois por cento), para fins de apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica pelo regime de tributação do lucro presumido, as receitas da atividade de prestação de serviços de coleta e tratamento de esgotos (efluentes e dejetos) de origem comercial, industrial e residencial pelas Estações de Tratamento de Esgoto ETE. 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Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.722459/200911 Acórdão n.º 1802001.279 S1TE02 Fl. 209 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 166/188 contra decisão da 3ª Turma da DRJ/Recife (fls. 154/159) que julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário dos autos de infração do IRPJ e da CSLL, quanto ao anocalendário 2006. Quanto aos fatos, consta dos autos: que, em procedimento de revisão interna de declarações (auditoria interna dos dados da DIPJ 2007, anocalendário 2006, e das respectivas DCTF), a contribuinte, mediante intimação fiscal com data de ciência de 29/07/2009, foi instada a prestar esclarecimentos necessários, no prazo de cinco dias úteis, quanto ao IRPJ e à CSLL, ano calendário 2006, apurados com base no lucro presumido, pois os valores irrisórios confessados nas respectivas DCTF estavam em completa dissonância, quando comparados com os débitos informados na DIPJ, conforme demonstrativo resumo abaixo, extraído da intimação fiscal (fl.38): Período IRPJ a Pagar – DIPJ Débito IRPJ – DCTF 1° trimestre 17.767,63 29,59 2º trimestre 7.213,10 31.68 30 trimestre 29.997,43 4° trimestre 39.729,31 Total 94.707,47 61,27 Período CSLL a Pagar DIPJ Débito CSLL – DCTF 1° trimestre 8.556.35 26,63 2° trimestre 4.325,45 28,51 3° trimestre 12.447,98 4° trimestre 16.469,18 Total 41.798,96 55,14 Obs: 1) Consta da DIPJ (original) que a contribuinte apurou o IRPJ e a CSLL do anocalendário 2006, mediante aplicação do coeficiente de presunção do lucro de 32% (prestação de serviços em geral) sobre a receita bruta trimestral, conforme art. 15, § 1º, III, “a”, 1ª parte, da Lei nº 9.249/95 e art. 22 da Lei nº 10.684/2003. 2) Para apresentação de documentos relativos a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou de declaração apresentada, o prazo é de 5 (cinco) dias úteis (Lei nº 3.470/58, art. 19, com alteração de redação pelo art. 71, da MP nº 2.15834/2001, matriz legal do art. 835, § 3º, do RIR/99). que, em 03 de agosto de 2009, a contribuinte pediu dilação de prazo para atender ao solicitado na citada intimação fiscal, sendo deferido acréscimo de prazo, conforme despacho de 03/08/2009 (fl. 39); que, em 14/08/2009, já no curso do procedimento de fiscalização, embora tendo perdido a espontaneidade para exclusão da responsabilidade por infração à legislação tributária, a contribuinte, ainda assim, apresentou retificadora da DIPJ 2007, anocalendário Fl. 209DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.722459/200911 Acórdão n.º 1802001.279 S1TE02 Fl. 210 5 2006, e também apresentou retificadora das respectivas DCTF desse anocalendário objeto de investigação, reclassificando as receitas auferidas de “prestação de serviços em geral” para “atividade de comércio”, para efeito de aplicação de coeficientes de presunção do lucro. Com isso, a contribuinte na apuração: a) alterou o coeficiente de presunção de 32% para 8%, no caso do IRPJ; e, b) mudou o coeficiente de 32% para 12%, no caso da CSLL; c) reduziu, sobremaneira, o valor a pagar dessas exações fiscais, conforme demonstrativo abaixo extraído da Intimação Fiscal (fls. 40/41): Período IRPJ a P agar –DIPJ Retificadora Débito IRPJ DCTF Retificadora IRPJ Pagamento – DARF 1 ° trimestre 3.565,14 3.565,14 29,59 2° trimestre 1.844.18 1.844.18 31,68 3o trimestre 5.683,72 5.683,72 0,00 4o trimestre 7.000,81 7.000,81 0.00 Totais 18.093,85 18.093,85 61,27 Período CSLL a Pagar –DIPJ Retificadora Débito CSLL DCTF Retificadora CSLL Pagamento – DARF 1° trimestre 3.208,63 3.208,63 26,63 2° trimestre 1.659.76 1.659.76 28,51 3o trimestre 5.115,35 5.115,35 0,00 4o trimestre 6.300,73 6.300,73 0,00 Totais 16.284,47 16.284,47 55,14 que, em face dessas declarações retificadoras produzidas no curso do procedimento de fiscalização, a contribuinte em 11/09/2009 foi intimada a apresentar, no prazo de cinco dias úteis, livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, com demonstrativo/classificação das operações – receitas de prestação de serviços/faturamento –, no sentido de indentificar, operação por operação, o coeficiente de presunção do lucro, consoante Termo de Verificação e Intimação Fiscal (fls. 40/41); que a contribuinte forneceu demonstrativo/classificação das receitas de faturamento do anocalendário 2006, discriminando cada operação realizada, respectiva nota fiscal, data, valor da operação de prestação, destinatário, coeficiente de presunção do lucro por operação para efeito do IRPJ, conforme demonstrativo de faturamento desse anocalendário (fls. 23/26 e 27/37), cujos dados extraídos, em síntese, são os seguintes: POSIÇÃO DA EMPRESA INFORMAÇÕES PRESTADAS À FISCALIZAÇÃO PERÍODO DE APURAÇÃO RECEITA BRUTA Coeficiente de 8% Coeficiente 32% Janeiro/2006 125.069,20 37.369,20 87.700,00 Fevereiro/2006 74.071,18 19.486,88 54.584,30 Março/2006 97.955,01 97.955,01 0,00 1° Trimestre/2006 297.095,39 154.811,09 142.284,30 Abril/2006 25.447,80 22.147,80 3.300,00 Maio/2006 65.894,36 62.884,36 3.010,00 Junho/2006 62.339,68 35.459,68 26.880,00 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.722459/200911 Acórdão n.º 1802001.279 S1TE02 Fl. 211 6 2o Trimestre/2006 153.681,84 120.491,84 33.190,00 Julho/2006 121.655,62 121.655,62 0,00 Agosto/2006 186.356,95 151.075,08 35.281,87 Setembro/2006 165.630,77 165.630,77 0,00 3o Trimestre/2006 473.643,34 438.361,47 35.281,87 Outubro/2006 157.257,73 157.257,73 0,00 Novembro/2006 326.747,96 326.747,96 0,00 Dezembro/2006 102.083,36 102.083,36 0,00 4o Trimestre/2006 586.089,05 586.089,05 0,00 Obs: Esse quadro representa, por fim, o entendimento da contribuinte apresentado à fiscalização quanto à classificação das receitas por coeficiente de presunção do lucro presumido do anocalendário 2006 para o IRPJ (na verdade, é versão nº 03 da contribuinte, ou seja, diversa da DIPJ original e diversa da DIPJ retificadora). que, em 30/11/2009, após análise pelo fisco da documentação contábil, a contribuinte tomou ciência, pessoalmente, por intermédio de representante legal, do resultado final dos trabalhos da fiscalização – Quadro Demonstrativo Levantado pela fiscalização para efeito de apuração do Lucro Presumido e da diferença de tributos (IRPJ e CSLL a serem lançados por auto de infração), conforme Termo de Verificação e Intimação Fiscal (fls.20/23) e transcrito no voto; que ainda, em 30/11/2009, ato contínuo, a contribuinte, por fim, tomou ciência dos autos de infração do IRPJ e da CSLL, anocalendário 2006, cujo crédito tributário perfaz o montante de R$ 130.781,37 e está assim especificado (fls. 02/19): Auto de Infração (R$) Principal Juros de Mora (calculados até 30/10/2009) Multa de Ofício de 75% Total IRPJ 46.237,04 15.934,29 34.677,77 96.849,10 CSLL 16.258,35 5.480,17 12.193,75 33.932,27 Obs: Como a DIPJ retificadora e as DCTF retiticadoras, do anocalendário 2006, foram apresentadas no curso do procedimento de fiscalização, a contribuinte perdera a espontaneidade para efeito de exclusão da responsabilidade por infração tributária, a partir da ciência do início do procedimento de fiscalização. Houve lançamento de diferença do IRPJ e da CSLL dos 1º e 2º trimestres/2006 e integral dos 3º e 4º trimestres/2006, valores não confessados em DCTF e não recolhidos antes da ciência da intimação fiscal em procedimento de revisão interna de declarações. Os valores do IRPJ e da CSLL confessados nas DCTF originais relativos aos 1º e 2º trimestres/2006 (inclusive foram pagos antes do início da fiscalização) foram deduzidos dos tributos apurados de ofício, conforme demonstrativos (fls. 09 e 16/17). Por isso, somente foi lançada a diferença do IRPJ e da CSLL dos 1º e 2º trimestres/2006 e integral dos 3º e 4º trimestres/2006, valores que não estavam confessados em DCTF e não pagos, com juros de mora e multa de ofício de 75%. infração imputada no auto de infração do IRPJ: (...) 001 – APLICAÇÃO INDEVIDA DE COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO A PARTIR DO AC 93 Aplicação incorreta do coeficiente de 8%sobre as receitas da atividade de Prestação de Serviços, quando o correto seria 32%, na forma como descrito no Termo de Verificação Fiscal, em anexo, parte integrante dos autos (...) Fl. 211DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.722459/200911 Acórdão n.º 1802001.279 S1TE02 Fl. 212 7 Enquadramento Legal: Arts. 518 e 519 do RIR/99 (...) infração imputada no auto de infração da CSLL (infração reflexa): (...) CSLL – FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL Valor apurado conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal em anexo, parte integrante dos autos de infração (...) Enquadramento Legal: Art. 2º, §§, da Lei nº 7.689/88; Art. 20 da Lei nº 9.249/95; Art. 29 da Lei nº 9.430/96 e Art. 37 da Lei nº 10.637/02. (...) Em resumo, a fiscalização constatou que, no anocalendário 2006, contribuinte aplicara ou utilizara coeficiente de presunção do lucro presumido de valor a menor, mormente em relação às operações de beneficiamento de resíduos industriais/comerciais (prestação de serviços de tratamento de resíduos recebidos de empresas industriais/comerciais), conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 20/23). Para a CSLL, no âmbito do lucro presumido, o fisco aplicou o coeficiente de 12% sobre a receita bruta/faturamento, anocalendário 2006. A contribuinte apresentou impugnação na primeira instância de julgamento em 28/12/2009 (fls. 93/99), cujas razões, em síntese, são as seguintes: que as receitas classificadas pela autoridade fiscal como prestação de serviços seriam, na verdade, resultantes de industrialização (relativas ao beneficiamento de resíduos industriais), caracterizadas pela transformação de matéria prima (dejetos) em adubo; que tal beneficiamento consiste em tratamento dispensado aos dejetos industriais/comerciais transportados para a empresa e transformados em adubos e fertilizantes, estando a correspondente receita sujeita ao percentual de 8% para determinação do lucro presumido; que foi inobservado pelo fisco o artigo 904 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), posto que o AuditorFiscal não fez o trabalho de fiscalização in loco, ou seja, não compareceu ao estabelecimento da contribuinte, tendo lavrado os autos de infração no prédio na sede da DRF/Recife. Portanto, sem conhecer o funcionamento da empresa, “aumentando a carga tributária ao aplicar multa de 75% sobre a diferença por ele encontrada”; Fl. 212DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.722459/200911 Acórdão n.º 1802001.279 S1TE02 Fl. 213 8 que anexou à impugnação fotos com intuito de ilustrar ou provar o proceso de beneficiamento de resíduos que desenvolve, e suas etapas: (i) o recebimento de resíduos (dejetos) das empresas constantes das notas fiscais; (ii) o tratamento com adição de produtos químicos, resultando na separação da água, a qual volta ao ambiente devidamente limpa e desinfetada; (ii) produção de adubo e fertilizante, constituindo este procedimento em prestação de serviço industrial sujeito à aplicação do coeficiente de presunção do lucro de 8%. A DRJ/Recife, enfrentando o litígio, decidiu, no mérito, pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário, cuja ementa do Acórdão transcrevo (fl. 153), in verbis: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. TRATAMENTO DE ESGOTO: Estão sujeitas ao percentual de 32% (trinta e dois por cento) para fins de se apurar a base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, pelo regime de tributação com base no lucro presumido, as concessionárias ou subconcessionárias de serviços públicos que exploram a atividade de prestação de serviços de coleta e tratamento de esgotos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DA LAVRATURA. O auto de infração pode ser lavrado no interior da própria repartição, quando estiverem disponíveis as informações necessárias. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Inconformada com esse decisim do qual tomou ciência em 08/06/2011 (fl.165), a contribuinte aprsentou Recurso Voluntário em 08/07/2011 de fls. 166/188, cujas razões, em síntese, são as seguintes: – Nulidade do auto de infração, por afronta ao art. 904 do RIR/99: · que o AuditorFiscal não comparaceu, in loco, para fiscalizar a empresa; · que se limitou a lavrar os autos de infração na sede da Repartição Fiscal (procedimento interno de revisão de declarações); · que o fisco, no caso, deveria ter aberto um procedimento de fiscalização externa, para apurar, com mais profundidade, o processo produtivo da Fl. 213DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.722459/200911 Acórdão n.º 1802001.279 S1TE02 Fl. 214 9 empresa e não somente, com base nos documentos fornecidos pela fiscalizada, afastar a aplicação do coeficiente de presunção do lucro adotado pela recorrente. A recorrente, ainda, invocou, citou, precedentes jurisprudenciais deste CARF no sentido de que o fisco não pode basear suas conclusões meramente em relatórios ou controles internos; · que a falta de busca da verdade material fere a motivação e a legalidade do ato administrativo de lançamento, implicando sua nulidade, por cerceamento do direito de defesa e do princípio do contraditório. Declarações Retificadoras: · que a apresentação das declarações retificadoras (DIPJ, DCTF) decorreram, espontaneamente, pela recorrente, em face de auditoria interna efetuada pela própria empresa em sua escrituração comercial e fiscal, em face de troca, mudança, do responsável técnico; · que o contabilista anterior havia se equivocado na aplicação dos coeficientes de presunção do lucro em relação ao faturamento do ano calendário 2006. Apresentação da Documentação Exigida pela Fiscalização: · que, sendo objeto de fiscalização pela RFB, a contribuinte apresentou a documentação exigida, e foi lavrado, por fim, auto de infração do IRPJ, por divergência na aplicação do coeficiente de presunção do lucro, em relação ao beneficiamento de dejetos e resíduos industriais; · que a contribuinte entende ser prestação de serviço industrial, sendo aplicável coeficiente de 8%; · que, porém, a fiscalização aplicou coeficiente de 32%, pela aplicação do mesmo tratamento dispensado às concessionárias de serviços públicos que exploram a atividade de prestação de serviços de coleta e tratamento de esgoto. Processo produtivo – industrialização: · que a recorrente exerce a atividade de saneamento ambiental e compostagem, beneficiando resíduos e efluentes, transformandoos em água tratada e composto utilizável como adubo; q · ue não é concessionária de serviço público de tratamento de esgoto; · que não se insere na classificação de serviços públicos; · que exerce atividade particular; · que a permissão se deu, apenas, com relação ao uso do imóvel pertencente ao DER; Fl. 214DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.722459/200911 Acórdão n.º 1802001.279 S1TE02 Fl. 215 10 · que beneficiamento de esgoto é atividade industrial; que dela resulta um produto industrializado, a ser posteriormente comercializado: o adubo; · que a empresa recebe o efluente bruto, submetendoo atráves de processos biológicos e fisicoquímicos em efluente tratado, condicionador de solos e mudas de plantas; que o adubo e as mudas de plantas não são comercializados, mas sim destinados, utilizados, sem fins lucrativos, para pequisas pelas Instituições de Ensino Superior e iniciativas de educação ambiental; · que o processo produtivo da ETE –Curado possui quatro etapas de tratamento: preliminar, primária, secundária e terciária; · que os resíduos sólidos e efluentes líquidos, recebidos pela ETECurado, são provenientes de residências, dos estabelecimentos comerciais e das indústrias. Ainda, visando melhorar a compostagem, a empresa recebe resíduos de poda de árvores urbanas que, após triturados, são mistutados na compostagem anterior; · que a empresa, ainda, mantém um minhocário; · que o fato do AuditorFiscal ter deixado de averiguar in loco a atividade da recorrente foi tão prejudicial, pois não apurou a atividade industrial (processo produtivo típico de industrialização), devendo, assim, ser aplicado o coeficiente de presunção do lucro de 8%. Por fim, a recorrente pediu, preliminarmente, a nulidade do lançamento fiscal e, no mérito, o cancelamento da exigência fiscal, por exercer atividade industrial. É o relatório. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.722459/200911 Acórdão n.º 1802001.279 S1TE02 Fl. 216 11 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos do processo tratam de autos de infração do IRPJ e da CSLL para exigência de diferença do principal dessas exações fiscais dos 1º e 2º trimestres/2006 e integral dos 3º e 4º trimestres/2006, com respectivos juros de mora e multa de ofício de 75%, no âmbito do regime tributário do Lucro Presumido, de apuração trimestral. Nesta instância recursal, a recorrente suscitou, preliminarmente, nulidade do lançamento fiscal, pois os autos de infração do IRPJ e da CSLL foram lavrados na sede da Repartição Fiscal, em procedimento de revisão interna de declarações, sem visita in loco ao estabelecimento objeto do procedimento de fiscalização. No mérito, o litígio objeto dos autos resumese ao auto de infração do IRPJ, pois quanto ao auto de infração da CSLL a recorrente nada objetou quanto a questões de fato e de direito. O ponto controvertido do auto de infração do IRPJ reside acerca da aplicação do coeficiente de presunção em relação às receitas auferidas pela recorrente na atividade de prestação de serviços de tratamento de esgoto (dejetos), recebidos de empresas comerciais/industriais, tomadoras desses serviços. Vale dizer, a recorrente recebeu esgoto (dejetos industriais/comerciais) para tratamento proveniente de várias empresas comerciais/industriais, no anocalendário 2006. Essas receitas de beneficiamento de esgoto são apenas parte das receitas totais da empresa no anocalendário 2006, conforme será demonstrado quando do enfrentamento das questões de mérito. Em relação às outras receitas não há litígio. Primeiramente, a contribuinte registrou na escrituração contábil/fiscal todas as receitas do anocalendário 2006 como sendo de “prestação de serviços em geral”, aplicando o coeficiente de presunção de 32%, tanto para o IRPJ quanto para a CSLL, conforme DIPJ original. Depois, já durante o procedimento de fiscalização (revisão interna de declarações), a contribuinte apresentou DIPJ retificadora e DCTF retiticadoras, informando apuração do IRPJ e da CSLL, anoalendário 2006, com coeficiente, respectivamente, de 8% e 12% (“receitas de atividade de comércio”), reduzindo, sobremaneira, os débitos desses tributos, em relação à DIPJ original. Por fim, após nova intimação fiscal no procedimento de fiscalização (auditoria interna de declarações), a contribuinte apresentou uma 3ª versão, aplicando sobre as receitas auferidas do anocalendário 2006: Fl. 216DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.722459/200911 Acórdão n.º 1802001.279 S1TE02 Fl. 217 12 a) parte delas, o coeficiente de presunção de 8% (atividade de comércio); b) outra parte delas, o coeficiente de presunção 32% (atividade de prestação de serviço em geral). O litígio, a irresignação da recorrente, versa apenas quanto às receitas que auferiu da atividade de prestação de serviço de tratamento de esgoto (dejetos), pois, diversamente do entendimento do fisco que aplicou o coeficiente de 32% base de cálculo do IRPJ (“prestação de serviços em geral”), ela (contribuinte) aplicou e defende coeficiente de presunção de 8% para essa parte das receitas, como se fosse decorrente de “atividade de comércio”. Já, em relação à CSLL, como já dito, quanto ao mérito inexiste divergência quanto ao coeficiente de presunção do lucro, pois o fisco, inadvertidamente, aplicou o coeficiente de presunção mínimo de 12% para todas as receitas. Portanto, em relação ao auto de infração da CSLL, além da preliminar de nulidade suscitada, a recorrente nada objetou nesta instância recursal, em termos de matéria de direito e de fato. NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. PROCEDIMENTO DE REVISÃO INTERNA DE DECLARAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO NA REPARTIÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR REJEITADA. A recorrente, nas razões do recurso, assim como ocorrera na instância a quo, suscitou preliminar de nulidade do lançamento fiscal, alegando que o fisco não poderia lavrar os autos de infração, objeto deste processo, na Repartição Fiscal, sem preocedimento de fiscalização externa, in loco, no estabelecimento da contribuinte; que o fisco – por desconhecer o processo industrial de beneficiamento de esgoto (dejetos) – classificou, equivocamente, as receitas auferidas como sendo de prestação de serviços em geral (coeficiente de presunção do lucro de 32%), quando as receitas seriam decorrentes de processo de industrialização (coeficiente de presunção do lucro de 8%). E concluiu a recorrente que o fisco, agindo assim, não teria observado o princípio da verdade material, implicando cerceamento do direto de defesa, com prejuízo ao contraditório e à ampla defesa. Rejeito, peremptoriamente, a preliminar suscitada, pela inocorrência de vício algum que pudesse macular de nulidade o lançamento fiscal. Primeiramente, a questão probatória, a busca da verdade material, se a infração imputada está ou não amparada em provas suficientes, é matéria de mérito e será oportunamente enfrentada quando da análise de mérito do lançamento fiscal. O procedimento de fiscalização, seja interno (auditoria interna de declarações) ou externo (fiscalização in loco), é de interesse exclusivamente do fisco para coleta ou produção de provas de possível infração praticada pelo contribuinte. Por isso, o procedimento de fiscalização tem caráter inquisitórial. Não há que se falar em violação dos princípios da ampla defesa e do contraditório no procedimento de fiscalização, pois, como disse, ele tem caráter unilateral ou inquisitórial. No procedimento de investigação fiscal não há processo, não há lide, pois ainda inexiste acusação formal ou imputação de infração. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.722459/200911 Acórdão n.º 1802001.279 S1TE02 Fl. 218 13 Os princípios do contraditório e da ampla defesa são atinentes ao devido processo legal administrativo ou judicial, onde há acusação formal, imputação de infração e pretensão resistida (lide), e o rito processual deverá, necessariamente, proporcionar ao acusado a possibilidade de ampla defesa e do contraditório, cânones constitucionais. Portanto, não há que se falar em aplicação dos princípios do contraditório e da ampla defesa no procedimento de fiscalização ou de investigação fiscal que tem caráter unilateral, inquisitorial, similar ao inquérito policial. Ainda, no procedimento de revisão interna de declarações não há termo de início de fiscalização (não é fiscalização externa), mas sim intimação fiscal para prestar esclarecimentos e apresentar documentos (se o fisco dispuser das provas da infração apurada) é dispensada a prévia intimação do contribuinte, conforme art. 835 do RIR/99. No caso, no procedimento de revisão interna de declarações, antes da imputação da infração, o fisco intimou, por duas vezes, a contribuinte para que fornecesse esclarecimentos e provas em relação aos dados veiculados nas declarações retificadoras e reputando ter as provas suficientes, após essas manifestações da contribuinte, imputou a infração. Mesmo que não houvesse a prévia intimação fiscal, que não é o caso, ainda assim, o fisco poderia, como visto, imputar a infração tributária com os elementos de prova que dispusesse, sem que isso representasse vício algum de nulidade do lançamento, pois a questão probatória (se existe ou não elemento de prova suficiente para amparar a infração imputada e quando ela existe desde que não seja prova obtida por meios ilícitos) é matéria de mérito. Logo, a questão probatória suscitada, como na situação dos autos, não tem o condão de inquinar de nulidade o lançamento fiscal, mas, quanto muito, no mérito, poderá, em tese, implicar a improcedência do feito fiscal, caso os elementos de prova sejam insuficientes para embasar a acusação fiscal. O fisco, como demonstrado, pode, sim, lavrar auto de infração com as provas que dispuser, inclusive sem a necessidade de intimação fiscal prévia, sem que isso represente vício para o lançamento fiscal. Nesse sentido, a matéria, por ser pacífica, está sumulada neste CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Logo, se o lançamento em revisão interna de declaração pode ser efetuado sem previa intimação do contribuinte, sem que isso represente vício algum do auto de infração. Logo, com mais razão, inexiste vício algum, nesse particular, quando há prévia intimação fiscal do contribuinte antes da lavratura dos autos de infração, que é o caso. Quanto ao local da lavratura do auto de infração, pode, sim, ser lavrado pela fiscalização na sede da Repartição Fiscal, local onde foi constatada a infração. Neste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em relação a essa questão levantada pela recorrente, o entendimento é pacífico, admitindo, sim, a lavratura do auto de infração na Repartição Fiscal, in verbis: Fl. 218DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.722459/200911 Acórdão n.º 1802001.279 S1TE02 Fl. 219 14 Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. O lançamento foi efetuado em consonância com o art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.235/72, ou seja, contém completa descrição dos fatos, matéria tributável, demonstrativo de cálculo dos valores lançados, e pertinente enquadramento legal, permitindo o perfeito entendimento dos fatos e da infração imputada, possibilitando amplo direito de defesa e do contraditório, não se vislumbrando prejuízo algum à defesa. Quanto ao auto da infração da CSLL, a aplicação de coeficiente de presunção mínimo de 12% para todas as receitas (quando acerca de parte delas deveria ter sido aplicado coeficiente de presunsão de 32%) não tem o condão de macular, nessa parte, o lançamento fiscal, pois esse fato não configura vício algum que pudesse inquinar de nulidade o lançamento fiscal, mas mera irregularidade sem consequência jurídica nos autos. Caberia ao fisco lançar a diferença de CSLL antes que houvesse transcorrido o lapso decadencial. Nessa parte, o auto de infração, por conseguinte, impôs carga tributária menos onerosa à contribuinte do que a prevista legalmente. O lançamento fiscal foi efetuado por AuditorFiscal investido, legalmente, nas suas atribuições legais. Ainda, não restou caracterizado vício algum de que trata o art. 59 do Decreto nº 70.235/72 que pudesse macular de nulidade o lançamento fiscal. Na verdade, somente a falta de descrição dos fatos e a falta de capitulação legal ensejam, ou configuram cerceamento de defesa e provocam a nulidade do lançamento fiscal (Decreto nº 70.235/71, art. 59, II), que não é o caso. Nesse sentido, também é o entendimento deste Egrégio Conselho Administrativo, cabendo transcrever, a título ilustrativo, alguns precedentes, in verbis: NULIDADE – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA –CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS INCOMPLETA – IRF – Anos 1991 a 1993 – O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa (Acórdão nº 10417.364, de 22/02/2001, 1º CC). AUTO DE INFRAÇÃO – DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA –O erro no enquadramento legal da infração cometida não acarreta a nulidade do auto de infração, quando comprovado, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida e a alentada impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que inocorreu preterição do direito de defesa (Acórdão nº 10313.567, DOU de 28/05/1995); Fl. 219DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.722459/200911 Acórdão n.º 1802001.279 S1TE02 Fl. 220 15 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE DO LANÇAMENTO. A capitulação legal incompleta da infração ou mesmo a sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração, quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma detalhada das imputações que lhe foram feitas (Acórdão 10806.208, sessão de 17/08/2000). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – INOCORRÊNCIA. A inclusão desnecessária de um dispositivo legal, além do corretamente apontado para as infrações praticadas, não acarreta a improcedência da ação fiscal. Outrossim, a simples ocorrência de erro de enquadramento legal da infração não é o bastante, por si só, para acarretar a nulidade do lançamento quando, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida, venha a permitir ao sujeito passivo, na impugnação, o conhecimento do inteiro teor do ilícito que lhe foi imputado, inclusive os valores e cálculos considerados para determinar a matéria tributável.(Acórdão nº 10417.253, sessão de 10/11/99). AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA. Para que haja nulidade do lançamento é necessário que exista vício formal imprescindível à validade do lançamento. Desta forma, se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, mediante substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa ou por vício formal.(Acórdão nº 10248.141, sessão de 25/01/2007). Nesse diapasão, também é o entendimento jurisprudencial da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. CSRF/0103.264, de 19/03/2001 e publicado no DOU em 24/09/2001), verbis: A imperfeição na capitulação legal do lançamento não autoriza, por si só, sua declaração de nulidade, se a acusação fiscal estiver claramente descrita e propiciar ao contribuinte dele se defender amplamente, mormente se este não suscitar e demonstrar o prejuízo sofrido em razão do ato viciado. Por tudo que foi exposto, rejeito a suscitada preliminar de nulidade. APRESENTAÇÃO DE DIPJ RETIFICADORA E DE DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DE INTIMAÇÃO FISCAL EM PROCEDIMENTO DE REVISÃO INTERNA DE DECLARAÇÃO. ESPONTANEIDADE FISCAL NÃO CARACTERIZADA. A recorrente alegou que apresentara a DIPJ retificadora e as DCTF retificadoras, de forma espontânea quanto aos fatos geradores do anocalendário 2006. Não procede essa argumentação da recorrente. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.722459/200911 Acórdão n.º 1802001.279 S1TE02 Fl. 221 16 Durante o procedimento de auditoria interna (revisão interna de declarações na Repartição Fiscal), o fisco apurou discrepância gritante de dados, informações, entre a DIPJ 2007 (anocalendário 2006) – tributos apurados e a pagar e os débitos confessados em DCTF original. Na verdade, os débitos confessados na DCTF original (IRPJ e CSLL) quanto aos períodos de apuração do anocalendário 2006 são irrisórios, ínfimos, pífios (são inferiores a um por cento do valor total) quanto comparados com os débitos apurados e informados na DIPJ original desse anocalendário. Nesse sentido, os dados estão expostos, resumidos, demonstrados no Termo de Intimação Fiscal, que a contribuinte tomou ciência em 29/07/2009 (fls. 38/39) e cujo demonstrativo já consta transcrito no relatório. No caso, houve o lançamento da diferença do IRPJ e da CSLL dos 1º e 2º trimestres/2006 e da integralidade dos 3º e 4º trimestres/2006, e sempres sobre a totalidade da receita bruta desse anocalendário da contribuinte (receitas de vendas e de prestação de servicos); foram deduzidos, subtraídos, do principal dessas exações fiscais apuradas de ofício, os valores dos débitos confessados nas DCTF originais do 1º e 2º trimestres/2006. A DIPJ retificadora e as DCTF retificadoras, transmitidas eletronicamente (internet) em 14/08/2009 (fls. 53/89), deixaram de ser consideradas pelo fisco para efeito de exclusão da responsabilidade fiscal por infração tributária, pois foram apresentadas após ciência da intimação fiscal de 29/07/2009 em procedimento de revisão interna de declaração, fato que implicou a perda da espontaneidade fiscal. A propósito, estatui o art. 7º, I, § 1º, do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 10/01/2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II (...) III (...) § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. (...) (grifei) Os precedentes jurisprundência administrativa deste CARF também são no mesmo sentido, ou seja, são do entendimento que a DIPJ retificadora e as DCTF retificadoras, todas apresentadas após a ciência do início da fiscalização em procedimento de revisão interna ou de fiscalização externa, não podem ser obstados contra o fisco para exclusão da responsabilidade por infração à legislação tributária quanto aos fatos geradores anteriores, em face da perda da espontaneidade fiscal. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.722459/200911 Acórdão n.º 1802001.279 S1TE02 Fl. 222 17 Ainda, por ser pacífico esse entendimento no âmbito do CARF, a matéria está sumulada: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o i nício do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Portanto, conforme demonstrado, não restou caracterizada a espontaneidade fiscal da recorrente. IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO DO LUCRO. SERVIÇO DE TRATAMENTO DE ESGOTO INDUSTRIAL/COMERCIAL (RIR/99, Art. 519, § 1º, III, “a”, 1ª parte). Nas razões do recurso, a recorrente argumentou que as receitas de prestação de serviços de tratamento de esgoto (beneficiamento de esgoto – dejetos e efluentes – recebidos das empresas industriais/comerciais) seriam na verdade serviço de industrialização, ou seja, pela transformação de matéria prima (esgoto, dejetos, efluentes): a) em água tratada por processos físicoquímicos (sendo devolvida à natureza); e, b) quanto aos resíduos sólidos/matéria orgânica – por compostagem, em adubo/fertilizante, Para a recorrente tal “beneficiamento” configuraria processo de industrialização, estando a correspondente receita auferida pelo serviço de industrialização – para realização desse processo de tratamento sujeita ao coeficiente de presunção do lucro de 8%, e não 32% como imputado pelo fisco. A pretensão da recorrente não tem cabimento, não merece prosperar. A divergência de entendimento da recorrente, em relação ao fisco, reside nas receitas auferidas da prestação de serviços de tratamento de esgotos (efluentes, dejetos) recebidos das seguintes empresas comerciais/industriais, quanto ao anocalendário 2006, conforme relação de notas fiscais fornecidas pela própria interessada (fls. 23/26 e 27/37): Bunge Alimentos S.A.; Masterfoods Brasil Alimentos Ltda.; Amanco Brasil Ltda – SUAPE; Philips Eletrônica do Nordeste S.A; Condor Nordeste Indústria e Comércio Ltda; Companhia de Bebidas das Américas – AMBEV; White Martins Gases Industriais do Nordeste S.A.; Cargill Nutrição Animal Ltda – PURINA; Fl. 222DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.722459/200911 Acórdão n.º 1802001.279 S1TE02 Fl. 223 18 Condomínio do Shopping Center Guararapes; São Mateus Frigorífico Industrial Ltda.; Corn Products Brasil Ingredientes Industriais Ltda; Companhia Industrial de Vidros – CIV. A recorrente, sem dúvida, recebeu o material de esgoto (efluentes, dejetos) de estabelecimentos industriais/comerciais, e foi remunerada pela prestação desse serviço de tratamento de esgoto em seu estabelecimento (Estação de Tratamento Esgoto ETE), devolvendo à natureza água tratada e mateial solído despoluído. E, ainda, quanto ao material sólido (resíduos sólidos matéria orgânica), por meio de processo de compostagem, alega, sem provas nos autos, que teria transformado resíduos orgânicos em adubo/fertilizante, destinando para terceiros (sem fim comercial). Nas razões do recurso, a recorrente argumenta que no processo de tratamento do esgoto, o matérial sólido é separado da água (tratamento primário) e , por compostagem, os resíduos orgânicos são transformados em adubo/fertilizante (condicionador de solo para mudas de plantas) e que, por sua vez, não são comercializados (sem fins comerciais), pois são destinados, sem fins lucrativos, para pesquisas e para Instituições de Ensino Superior e iniciativas de educação ambiental. Como se vê, as empresas industriais/comerciais, que produzem grande quantidade de dejetos (esgoto, efluentes), e precisando se livrar desse esgoto, material poluído (sendo proibidas de jogar, lançar diretamente na natureza esse material devido ao risco de contaminação de mananciais), destinam, transportam, esse material até o estabelecimento da recorrente – Estação de Tratamento de Esgoto – ETE para tratamento, remunerandoa pela prestação desse serviço que, em última análise, resultará em devolução (retorno) à natureza de água tratada e resíduos sólidos tratados. Ainda, eventualmente quanto aos resíduos sólidos (matéria orgânica), por processo de compostagem, poderão ou serão transformados em adubo/fertilizante (utilizado para condicionador de solo para produção de mudas de plantas) que não foram e não são comercializados, mas sim destinados gratuitamente a terceiros, para instituições sem fins lucrativos. A propósito, e para melhor compreensão das fases do processo de tratamento do esgoto (efluentes e dejetos industriais/comerciais/residenciais), colaciono, por pertinente, o seguinte estudo doutrinário da autora Tamires Tramontin Tayrini Marcelino, arquivado no curso de Engenharia Química na UNESC, publicado na internet no site (http://www.ebah.com.br/content/ABAAAA5IEAG/tratamentoesgoto), in verbis: (...) Tratamento do esgoto Esgoto, efluente ou águas servidas são todos os resíduos líquidos provenientes de indústrias e domicílios e que necessitam de tratamento adequado para que sejam removidas as impurezas e assim possam ser devolvidos à natureza sem causar danos ambientais e à saúde humana. Geralmente a própria natureza possui a capacidade de decompor a matéria orgânica presente nos rios, lagos e no mar. No entanto, no caso dos efluentes essa Fl. 223DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.722459/200911 Acórdão n.º 1802001.279 S1TE02 Fl. 224 19 matéria em grande quantidade exige um tratamento mais eficaz em uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) que, basicamente, reproduz a ação da natureza de maneira mais rápida (Von Sperling, 1995). É importante destacar que o tratamento dos efluentes pode variar muito dependendo do tipo de efluente tratado e da classificação do corpo de água que irá receber esse efluente, de acordo com a Resolução CONAMA 20/86. Quanto ao tipo, o esgoto industrial costuma ser mais difícil e caro de tratar devido à grande quantidade de produtos químicos presentes. Quanto à classificação, o efluente deve ser devolvido ao rio, tão limpo ou mais limpo do que ele próprio, de forma que não altere suas características físicas, químicas e biológicas. Em alguns casos, como por exemplo, quando a bacia hidrográfica está classificada como sendo de classe especial, nenhum tipo de efluente pode ser jogado ali, mesmo que tratado. Isso porque esse tipo de classe se refere aos corpos de água usados para abastecimento. O tratamento pode atingir diferentes níveis denominados tecnicamente de tratamento primário, secundário ou terciário. O tratamento primário envolve a remoção de sólidos grosseiros através de grades, geralmente, e a sedimentação (caixa retentora de areia e decantadoras) ou flotação de materiais constituídos principalmente de partículas em suspensão. Essa fase produz quantidade de sólidos que devem ser dispostos adequadamente. De maneira geral, os sólidos retirados em caixas retentoras de areia são enterrados, e aqueles retirados em decantadores devem ser adensados e digeridos adequadamente para posterior secagem e disposição em locais apropriados. As formas de tratamento desse lodo variam de maneira bastante ampla. O tratamento secundário, por sua vez, destinase à degradação biológica de compostos carbonáceos. Quando é feita essa degradação, naturalmente ocorre a decomposição de carboidratos, óleos e graxas e proteínas a compostos mais simples, tais como: CO2, H2O, NH3, CH4, H2S, etc, dependendo do tipo de processo predominante. As bactérias que efetuam o tratamento, por outro lado, se reproduzem e têm sua massa total aumentada em função da quantidade de matéria degradada. Caso se empregue o processo aeróbio, para cada quilograma de DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio consumo de oxigênio, através de reações biológicas e químicas) removida ocorre a formação de cerca de 0,4 a 0,7 quilograma de bactérias (matéria seca) e, caso se opte pelo processo anaeróbico, temse para cada quilograma de DBO removida a formação de 0,2 a 0,20 quilograma de bactérias aproximadamente. A pequena formação de biomassa do processo anaeróbio em relação ao aeróbio é uma das grandes vantagens ao uso das bactérias que proliferam em ambiente anaeróbio pelo tratamento de efluentes, pois o custo e a dificuldade para tratamento, transporte e disposição final do lodo biológico são bastante reduzidos, no caso. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.722459/200911 Acórdão n.º 1802001.279 S1TE02 Fl. 225 20 Adensamento, digestão, secagem e disposição adequada Dependendo do tipo Geralmente, o volume de lodo no processo anaeróbio, em termos práticos é menor que 20% do volume produzido no processo aeróbio, para um mesmo efluente líquido. Após a fase em que é feita a degradação biológica, os sólidos produzidos devem ser removidas em unidades específicas para esse fim (lagoas de sedimentação, decantadores, flotadores, etc.) e, posteriormente são submetidos a de processo adotado podese recircular uma parcela da massa de bactérias ativas, de volta ao reator biológico. Essa alternativa permite o aumento da produtividade do sistema e maior estabilidade no seu desempenho. De maneira geral, a maioria das estações construídas alcança apenas o nível de tratamento secundário, aqui descrito, porém, em muitas situações, é obrigatório que esse tratamento alcance o nível denominado terciário. O efluente do tratamento secundário ainda possui Nitrogênio e Fósforo em quantidade, concentração e formas que podem provocar problemas no corpo receptor, dependendo de suas condições especificas, dando origem ao fenômeno conhecido como eutrofização, que é sentido pela intensa proliferação de algas. O Tratamento terciário tem por objetivo, no caso de esgotos sanitários, a redução das concentrações de Nitrogênio e Fósforo, é geralmente fundamentada em processos biológicos realizados em duas fazes subsequentes denominadas nitrificação e desnitrificação. A remoção de fósforo também pode ser efetuada através de tratamento químico, com sulfato de alumínio, por exemplo. Na nitrificação, o nitrogênio é levado á forma de nitrato e posteriormente, na desnitrificação, é levado à produção de N2, principalmente, que é volatizado para o ar. O tratamento terciário também produz lodo, que deve ser adensado, digerido, secado e disposto corretamente. Em essência, as operações e os processos descritos destinamse a remoção de sólidos em suspensão e da carga orgânica, restando agora, para completar o tratamento, que se cuide da remoção de organismos patogênicos. (...) A recorrente efetua, predominantemente, o tratamento primário do esgoto (efluente e dejetos). Há, também, em certa medida, a compostagem dos resíduos orgânicos do esgoto recebido da Bunge Alimentos. Pois, nesse sentido a recorrente juntou aos autos a Licença de Operação nº 920/2005 emitida pela Agência Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (CPRH), fls. 122/124, a qual assim caracteriza o empreendimento: “O projeto enquadrase na Tipologia de Estações de Tratamento de Esgotos Sanitários – ETE, Classe “O”, cuja atividade consiste no funcionamento da ETE/TIP (Terminal Integrado de Passageiros), localizada no bairro do Curado, Recife.PE. A referida ETE é composta pelos seguintes dispositivos: grades de barras, caixa de areia, valo de oxidação, decantador secundário, leitos de secagem de lodo, tanque de contato para desinfecção e Fl. 225DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.722459/200911 Acórdão n.º 1802001.279 S1TE02 Fl. 226 21 emissário final. O efluente final é lançado no rio Capibaribe. A ETE é utilizada unicamente para o tratamento de lodos biológicos digeridos originados de esgotos domésticos provenientes da limpeza de tanques sépticos. Na área da ETE também funciona uma Unidade de Compostagem que processa lodo da Bunge Alimentos.” Local de funcionamento da ETE. Nesse sentido, consta ainda dos autos Termo de Permissão Especial de Uso, emitido pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de Pernambuco (DER/PE), fls. 125/128, o qual tem como objeto “a autorização para utilização e exploração da Estação de Tratamento de Esgoto do Terminal Antônio Farias – TAF, conforme projeto integrante do Processo nº 1394/04, aprovado pelo PERMISSOR, através do Diretor Executivo, de 03/08/04.” Como visto, o Estabelecimento de Tratamento de Esgoto ETE (tratamento de efluentes, dejetos, de estabelecimentos industriais/comerciais) não é indústria, e o processo de tratamento de esgoto, que pode ser desde o mais simples (tratamento primário) até o mais complexo (tratamento terciário), não é industrialização, pois o objetivo, a função precípua, não é a trasformação de matéria prima, obtenção de mercadoria de espécie nova com fins comerciais, mas sim a devolução à natureza de água tratada (despoluída) e de resíduos orgânicos tratados (despoluídos). Destarte, a contribuinte é remunerada pela prestação de serviço de tratamento de esgoto (efluentes e dejetos) que, ao final, há restituição de água tratada à natureza e restituição ou devolução, também, à natureza de resíduos sólidos tratados (despoluídos). Há, ainda, aproveitamento, eventualmente, de resíduos sólidos (matéria orgânica) – submetida a trabalho de compostagem – para obtenção de adubo orgânico/fertilizante sem fim comercial – e que não caracteriza, não configura, industrialização para efeito da legislação tributária federal. Quanto ao adubo/fertilizante que teria sido produzido por compostagem pela recorrente, no anocalendário 2006, sequer há prova disso nos autos de tal produção, como, por exemplo, qual quantidade produzida, pois não houve comercialização (vendas), não constam dos autos notas fiscais de saída de tal produção do estabelecimento da ETE. Não há prova nos autos de que a recorrente fosse contribuinte do IPI, para que fosse cogitada a prestação de serviço de industrialização para terceiros (industrialização por encomenda, etc). Não se pode confundir prestação de serviços de tratamento de esgoto (efluentes e dejetos) com produção, eventual, de adubo orgânico/fertilizante por compostagem. Em relação à receita bruta de serviço de tratamento de esgoto, o coeficiente de presunção do lucro é de 32% (prestação de serviços em geral). Já, em relação ao adubo orgânico/fertilizante, decorrente de aproveitamento de resíduos orgânicos tratados, a receita bruta de vendas desse produto, com notas fiscais de vendas (saídas), incide o coeficiente de 8% (comércio em geral); porém, no caso, a contribuinte não comprovou receitas de vendas de adubo orgânico/fertilizante, quanto ao anocalendário 2006; pelo contrário, a contribuinte, nas intervenções nos autos, limitiuse a dizer que fez doação do adubo/fertilizante que teria sido produzido por compostagem (produção sem fim comercial). Além disso, a compostagem seria restrita ao esgoto (efluentes e dejetos) recebidos da Bunge Alimentos (conforme Licença de Operação concedida pela Agência Fl. 226DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.722459/200911 Acórdão n.º 1802001.279 S1TE02 Fl. 227 22 Estadual de Meio Ambiente, cuja transcrição do seu teor já foi efetuada acima), não abarcando as outras empresas já citadas neste tópico do voto. Na verdade, as receitas da recorrente são de prestação de serviços de tratamento de esgoto para as empresas citadas no início deste tópico, ou seja, prestação de serviço em geral, enquadradas, subsumidas no arts. 15, § 1º, III, “a”, e 20, da Lei nº 9.249/95, in verbis: (...) Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nosarts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995.(Vide Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I – (...) II – (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de:(Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa;(Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (...) Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003, art. 22)(Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005, art. 34) Ainda, em relação às prestação de serviço de tratamento de esgoto realizado pela recorrente (art. 15, §1º, inciso III, “a”, da Lei nº 9.249/95), cabe, a título de ilustração, ressaltar que esse tratamento tributário, também, é aplicado às empresas concessionárias de serviços públicos de tratamento de esgoto, cuja questão já foi enfrentada pela Administração Tributária. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.722459/200911 Acórdão n.º 1802001.279 S1TE02 Fl. 228 23 Nesse sentido, transcrevo o disposto no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 16, de 18 de setembro de 2000, in verbis: “Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que estão sujeitas ao percentual de 32% (trinta e dois por cento) para fins de se apurar a base de cálculo estimada do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, pelos regimes de tributação com base no lucro real ou presumido, as concessionárias ou subconcessionárias de serviços públicos que exploram as seguintes atividades: I de prestação de serviços de suprimento de água tratada e a conseqüente coleta e tratamento de esgotos, cobradas diretamente dos usuários dos serviços; II – (...)” Correta, assim, a aplicação pelo fisco do coeficiente de presunção de 32% sobre as receitas de prestação de serviço de tratamento de esgoto, conforme auto de infração e Termo de Verificação e Intimação Fiscal, parte integrante do lançamento fiscal. A recorrente alegou que não é concessória de serviço público de tratamento de esgoto, mas sim empresa privada. Irrelevante tal observação, pois, como restou demonstrado, em relação às receitas de prestação de serviços de tratamento de esgoto, o tratamento tributário é o estatuído no art. 15, § 1º, III, “a” e art. 20 da Lei nº 9.249/95, independemente do regime de exploração da Estação de Tratamento de Esgoto, ser a título de concessão pública ou de iniciativa particular ou privada. A legislação é clara: serviços em geral submetemse ao coeficiente de presunção de 32%, no regime do lucro presumido: RIR/99, arts. 518 e 519. Por fim, quanto à quantificação da matéria tributável, consta do Termo de Verificação e Intimação Fiscal – parte integrante do lançamento fiscal, anocalendário 2006, que apenas parte de suas receitas totais referese a tratamento de esgoto, cujas receitas foram submetidas pelo fisco, diversamente do entendimento da recorrente, ao coeficiente de presunção de 32% (fls.21/22), in verbis: (...) RECEITA BRUTA POSIÇÃO DA EMPRESA POSIÇÃO DA FISCALIZAÇÃO APLICAÇÃO ALÍQUOTAS APLICAÇÃO ALÍQUOTAS 8% 32% 8% 32% Janeiro/2006 37.369,20 87.700,00 0,00 125.069,20 Fevereiro/2006 19.486,88 54.584,30 27.997,74 46.073,44 Março/2006 97.955,01 0,00 70.448,97 27.506,04 1° Trimestre/2006 154.811,09 142.284,30 98.446,71 198.648,68 Abril/2006 22.147,80 3.300,00 0,00 25.447,80 Maio/2006 62.884,36 3.010,00 28.900,00 36.994,36 Junho/2006 35.459,68 26.880,00 0,00 62.339.68 2o Trimestre/2006 120.491,84 33.190,00 28.900,00 124.781,84 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.722459/200911 Acórdão n.º 1802001.279 S1TE02 Fl. 229 24 Julho/2006 121.655,62 0,00 64.444,30 57.211,32 Agosto/2006 151.075,08 35.281,87 131.671,76 54.685,19 Setembro/2006 165.630,77 0,00 114.981,43 50.649,34 3o Trimestre/2006 438.361,47 35.281,87 311.097,49 162.545,85 Outubro/2006 157.257,73 0,00 104.636,91 52.620,82 Novembro/2006 326.747,96 0,00 299.588,52 27.159,44 Dezembro/2006 102.083,36 0,00 29.300,00 72.783,36 4o Trimestre/2006 586.089,05 0,00 433.525,43 152.563,62 No sentido de esclarecer a consideração, por parte da fiscalização, da aplicação da alíquota de 32% ao invés da aplicação da alíquota de 8%, utilizada pela empresa, (...) apresentamos os comentários(...), (...), correspondentes ao faturamento do ano 2006, sujeitos à aplicação da alíquota de 8% e 32%, para fins de cálculo do Lucro Presumido, a saber: Receitas de Beneficiamento de Resíduos Industriais aplicado em relação às empresas Bunge Alimentos S.A., Masterfoods Brasil Alimentos Ltda., Amanco Brasil Ltda SUAPE, Philips Eletrônica do Nordeste S.A., Condor Nordeste Indústria e Comércio Ltda., Companhia de Bebidas das Américas AMBEV, White Martins Gases Industriais do Nordeste S.A., Cargill Nutrição Animal Ltda PURINA., Condomínio do Shopping Center Guararapes, São Mateus Frigorífico Industrial Ltda., Corn Products Brasil Ingredientes Industriais Ltda., e Companhia Industrial de Vidros CIV, resultantes da aplicação da Estação de Tratamento de Esgoto do Terminal Antônio Farias, utilizados pela empresa fiscalizada,(...) , com aplicação da alíquota de 32%, adotado por esta fiscalização; Por fim, em relação à Receita da aplicação de Serviços de Reflorestamento, realizados em favor da empresa Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco AD DIPER, correspondente às Notas Fiscais 000080 e 000139, procedemos à reclassificação para a aplicação da alíquota de 8%, em função de critérios observados quanto à classificação dos serviços constantes das Notas Fiscais 000126, 000150 e 000202. (...) As receitas dos serviços de prestação de serviços de tratamento de esgoto (dejetos e efluentes) sujeitos ao coeficiente de 32%, objeto da irresignação da recorrente, foram apuradas pelo fisco com base na relação, planilha, de notas fiscais fornecidas pela própria interessada, conforme relação (fls. 23/26 e 27/37). Vale dizer, conforme demonstrado na planilha acima, em relação às receitas da recorrente sujeitas ao coeficiente de 32% do anocalendário 2006, apenas parte delas foi objeto de recurso nesta instância recursal (somente aquelas relativas a prestação de serviços de tratamento de esgoto das empresas já citadas no início deste tópico do voto, ou seja, as mesmas da transcrição acima). Fl. 229DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.722459/200911 Acórdão n.º 1802001.279 S1TE02 Fl. 230 25 As provas materiais constantes dos autos, no caso, são suficientes para caracterização e aplicação do coeficiente de 32% às receitas de prestação de serviços de tratamento de esgoto (dejetos tratados das empresas tomadoras dos serviços citadas no início deste tópico do voto e objeto da transcrição acima). Pois, diversamente do entendimento da recorrente, o tratamento de esgoto não se trata de industrialização, nem de receitas de comércio em geral, mas sim de prestação de serviço em geral, consoante legislação tributária de regência já transcrita alhures. Portanto, não há reparo algum a fazer quanto ao lucro presumido apurado pelo fisco do anocalendário 2006 e quanto ao imposto lançado no auto de infração do IRPJ. Deve ser mantida a decisão recorrida. LANÇAMENTO DECORRENTE: CSLL. AUTO DE INFRAÇÃO. ANOCALENDÁRIO 2006. Quanto à CSLL, a questão da segregação de receitas (receitas de vendas e de prestação de serviços de tratamento de esgoto) tornouse irrelevante, despicienda, pois o fisco aplicou o coeficiente mínimo de 12% para todas as receitas do anocalendário 2006. No mérito, a recorrente em relação à CSLL nada objetou, especificamente quanto à matéria de fato e de direito. Matéria preclusa. Ademais, o lançamento decorrente segue a sorte do lançamento principal, pela íntima relação de causa e efeito, inexistindo razões fáticas e jurídicas para decidir diversamente. Por tudo que foi exposto, voto para REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 230DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10980.008444/2008-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2005
RECEITAS FINANCEIRAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
É ônus da interessada comprovar, por meio da escrita fiscal e contábil, especialmente, a alegada existência de receitas financeiras, então submetidas à alíquota zero. Ausente tal comprovação, não há como excluir valores da base de cálculo adotada pela autuação, extraída dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (DACON) apresentados pelo próprio contribuinte, nos quais os campos destinados às receitas financeiras encontram-se zerados.
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. PRIMEIRO DIA DO ANO SEGUINTE. CTN, ART. 173, I. STJ. RECURSO REPETITIVO.
Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo, a ser reproduzida no CARF em obediência ao art. 62-A do Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, alterado pela Portaria MF nº 586, de 2010, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário ofício é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, tal pagamento não ocorre.
Numero da decisão: 3401-001.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Júlio César Alves Ramos Presidente
Emanuel Carlos Dantas de Assis - Relator
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2005 RECEITAS FINANCEIRAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. É ônus da interessada comprovar, por meio da escrita fiscal e contábil, especialmente, a alegada existência de receitas financeiras, então submetidas à alíquota zero. Ausente tal comprovação, não há como excluir valores da base de cálculo adotada pela autuação, extraída dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (DACON) apresentados pelo próprio contribuinte, nos quais os campos destinados às receitas financeiras encontram-se zerados. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. PRIMEIRO DIA DO ANO SEGUINTE. CTN, ART. 173, I. STJ. RECURSO REPETITIVO. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo, a ser reproduzida no CARF em obediência ao art. 62-A do Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, alterado pela Portaria MF nº 586, de 2010, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário ofício é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, tal pagamento não ocorre.
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Recorrente AUTO VIAÇÃO MARECHAL LTDA Recorrida CURITIBAPR ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2003 a 30/04/2003 DECADÊNCIA. CINCO ANOS A CONTAR DO FATO GERADOR. SÚMULA VINCULANTE DO STF Nº 8/2008. Editada a Súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal nº 8/2008, segundo a qual é inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212/91, o prazo para a Fazenda proceder ao lançamento do PIS e da Cofins é de cinco anos, nos termos do CTN. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. PRIMEIRO DIA DO ANO SEGUINTE. CTN, ART. 173, I. STJ. RECURSO REPETITIVO. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo, a ser reproduzida no CARF em obediência ao art. 62A do Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, alterado pela Portaria MF nº 586, de 2010, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário ofício é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, tal pagamento não ocorre. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2003 a 30/04/2003, 01/06/2003 a 30/06/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPRESCINDIBILIDADE A PARTIR 01/10/2002. RITO PRÓPRIO. Não compete ao CARF se pronunciar sobre pedido de compensação, exceto em sede de recurso voluntário interposto contra decisão da primeira instância que apreciou manifestação de inconformidade relativa ao pedido, sendo que a partir de 01/10/2002, com a entrada em vigor do art. 49 da MP nº 66, de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 84 44 /2 00 8- 16 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10980.008444/200816 Acórdão n.º 3401001.977 S3C4T1 Fl. 185 2 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, que alterou o art. 74 da Lei nº 9.430/96, a compensação de tributos administrados pela extinta Secretaria da Receita Federal passou a ser efetivada por meio de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação, inclusive quando realizada entre tributos da mesma espécie. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2005 RECEITAS FINANCEIRAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. É ônus da interessada comprovar, por meio da escrita fiscal e contábil, especialmente, a alegada existência de receitas financeiras, então submetidas à alíquota zero. Ausente tal comprovação, não há como excluir valores da base de cálculo adotada pela autuação, extraída dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (DACON) apresentados pelo próprio contribuinte, nos quais os campos destinados às receitas financeiras encontramse zerados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Júlio César Alves Ramos – Presidente Emanuel Carlos Dantas de Assis Relator Relatório O processo trata de 2 autos de infração, referentes ao PIS e à Cofins, com ciências em 19/06/2008, mantidos integralmente pela DRJ. Por bem resumir o que consta dos autos até então, reproduzo o relatório da primeira instância: (a) de fls. 26/31, em que são exigidos R$ 11.638,08 de contribuição ao PIS, além de multa de ofício de 75% e encargos legais, relativamente aos períodos de apuração março/2003 a abril/2003, junho/2003 e outubro/2003; instruem o referido auto a descrição dos fatos c enquadramento legal de íls. 29/30, o demonstrativo de apuração de fl. 26 e o demonstrativo de multa e juros de mora de fl. 27; (b) de fls. 32/41, em que são exigidos: (b.l) R$ 596,31 de Cofins cumulativa, além de multa de ofício de 75% e encargos legais, relativamente aos períodos de apuração agosto/2003 a Fl. 185DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10980.008444/200816 Acórdão n.º 3401001.977 S3C4T1 Fl. 186 3 outubro/2003; e (b.2) R$ 13.711,94 de Cofins nãocumulativa, além de multa de ofício de 75% e encargos legais, relativamente aos períodos de apuração janeiro/2005 a junho/2005; instruem o referido auto a descrição dos fatos c enquadramento legal de fls. 38/40, o demonstrativo de apuração de fls. 32/33 e o demonstrativo de multa e juros de mora de fls. 34/35. Cientificada em 19/06/2008 (fl. 148), a interessada apresentou, em 21/07/2008, as seguintes impugnações: (a) de fls. 44/49, instruída com os documentos de fls. 50/76, contra o lançamento de PIS; e (b) de fls. 77/83, instruída com os documentos de fls. 84/145, contra o lançamento de Cofins. Tais impugnações são a seguir sintetizadas. Impugnação contra o PIS: argüi a decadência do lançamento de PIS relativo aos períodos de apuração março e abril de 2003, tendo por base legal o art. 150, § 4° do CTN; caso não seja aceita a alegação de decadência, argumenta que houve pagamento a maior nos períodos de apuração janeiro a março de 2003, conforme estaria demonstrado na planilha de fl. 50 e cópias de DARF de fls. 51/54; acrescenta que teria compensado esses recolhimentos havidos a maior (corrigidos pela Selic), com o PIS devido para os períodos de apuração março e abril de 2003, nos termos do art. 66 da Lei n.° 8.383, de 1991; por sua vez, na eventualidade de não serem aceitas as compensações assim feitas, requer que as mesmas sejam concretizadas a partir de sua impugnação; sustenta que não procede a diferença apontada referente ao período de apuração junho/2003 (de R$ 10.308,77), uma vez que teria se valido de pagamento a maior efetuado no período de apuração maio/2003 (no montante de R$ 10.432,43) para quitar a precitada diferença por meio de compensação via PER/Dcomp; também neste caso, caso não se aceite a compensação que empreendeu, consoante previsão do art. 66 da Lei 8.383, de 1991, requer a sua efetivação por meio da impugnação; afirma que irá recolher a diferença apontada de PIS para o período de apuração outubro/2003 (R$ 283,87), inclusive com multa e encargos legais, pedindo um prazo de 5 dias úteis para ajuntada do comprovante. Impugnação contra a Cofins: avisa que não impugnará os lançamentos da Cofins cumulativa (períodos de apuração agosto a outubro de 2003), e que fará o recolhimento por meio de DARF em 21/07/2008 (requerendo, ainda, a juntada do comprovante de pagamento no prazo de 5 dias úteis); na seqüência, fala que inexiste diferença para os períodos de apuração janeiro a junho de 2005, posto que a partir de Fl. 186DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10980.008444/200816 Acórdão n.º 3401001.977 S3C4T1 Fl. 187 4 02/08/2004 a alíquota de Cofins foi reduzida a zero, quando incidente sobre receitas financeiras (Decreto n.° 5.164, de 2004, com autorização do art. 27 § 2° da Lei n.° 10.865, de 2004, c/c Decreto n.° 5.442, de 2005), sendo que o valor que recolheu (e que foi informado cm DCTF) seria o correto, enquanto que o valor indicado no auto de infração (advindo de diferença entre DACON e DCTF) não levaria em conta a incidência da referida alíquota zero; reafirma que a inconsistência teria ocorrido unicamente no DACON, já que nele teria incluído, indevidamente, as receitas financeiras sem levar em consideração a mencionada alíquota zero; anexa planilha (fl. 84) que permitiria a análise dos valores, dizendo que na última coluna dessa planilha constariam valores que estão inclusos no DACON, que não dizem respeito às receitas financeiras, totalizando R$ 426,84, os quais também recolherá via DARF, em 21/07/2008, que posteriormente apresentará. A 3ª Turma da DRJ, após destacar os períodos de apuração em relação aos há concordância com os dois lançamentos, rejeitou as alegações do restante considerando basicamente o seguinte: por não ter havido pagamentos antecipados do PIS nos períodos de apuração de março de abril de 2003, conforme o extrato de fl. 152 (que contempla pagamentos com vencimentos em 15/01/2003, 14/02/2003 e 14/03/2003), o prazo decadencial de cinco anos começa a ser contado em 01/01/2004 e expira em 31/12/2008, pelo que em 19/06/2008, esta a data da ciência, não tinha ocorrido a decadência; por não haver Declarações de Compensação (DCOMP) visando aproveitar os alegados recolhimentos a maior do PIS nos períodos de apuração de janeiro, fevereiro, março e maio de 2003 negou a compensação pleiteada, observando que declaração de compensação n° 30532.78864.221203.1.3.571409, para quitação do débito da Contribuição período de apuração junho/2003, foi levada em conta pela fiscalização; por não constar dos DACON receitas financeiras nos períodos de apuração de janeiro a junho de 2005, manteve os valores autuados da Cofins nesses meses, os quais decorrem de diferenças entre os informados nos DACON e os confessados nas DCTF respectivas. Observou a DRJ que não foram trazidos aos autos elementos da escrituração contábil/fiscal (cópias do livro Diário e/ou Razão) onde conste o correto e efetivo registro de receitas financeiras, reputando insuficientes para comprovação alegada as cópias de balancetes contábeis e de extratos bancários apresentadas. No Recurso Voluntário, tempestivo, a contribuinte repisa alegações da impugnação parcial, requerendo ao final a reforma do acórdão da primeira instância. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10980.008444/200816 Acórdão n.º 3401001.977 S3C4T1 Fl. 188 5 Voto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo, pelo que é conhecido. Diante da peça recursal, que não acrescentou à Impugnação provas novas, descabe qualquer reforma no acórdão recorrido. Os temas a tratar dizem respeito às seguintes alegações: 1) decadência do PIS nos períodos de apuração de março e abril de 2003, em relação aos quais a Recorrente defende que o termo inicial do prazo decadencial deve ser contado dos fatos geradores porque teria havido compensação dos débitos nesses dois meses, questão relacionada com a alegação 2; 2) compensação de débitos PIS lançados nos períodos de apuração março e abril de 2003, para o que teriam sido aproveitados indébitos dos períodos de janeiro a março de 2003, bem como do débito da mesma Contribuição no período de junho de 2003, com indébito de maio de 2003; 3) redução dos valores devidos da Cofins nos períodos de apuração de janeiro a junho de 2005, porque segundo a Recorrente teria sido desprezada a alíquota zero da Contribuição sobre as receitas financeiras desses meses. Cuido inicialmente do item 2, porque da compensação (ou não) dos débitos do PIS nos meses de março e abril de 2003 pode depender o termo inicial da decadência nesses dois períodos de apuração. COMPENSAÇÃO A PARTIR DE 01/10/2002: IMPRESCINDIBILIDADE DE DCOMP A compensação pleiteada não pode ser admitida porque, a partir de 01/10/2002, com a entrada em vigor do art. 49 da MP nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, que alterou o art. 74 da Lei nº 9.430/96, a compensação de tributos administrados pela extinta Secretaria da Receita Federal passou a ser efetivada por meio de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação, inclusive quando realizada entre tributos da mesma espécie, sendo que na data da sua transmissão se dá o encontro de contas entre débitos e créditos. Na situação em tela a ausência das DCOMP constitui óbice incontornável à compensação defendida, que inclusive somente foi requerida após a autuação. Como não foi solicitada antes, não poderia mesmo ser considerada nesta etapa recursal. É que, sob pena de supressão de instância, os pedidos de compensação (ou DCOMP, no caso destes autos) devem seguir rito próprio, a começar pela análise por parte das Delegacias ou Inspetorias da Receita Federal, cujo indeferimento pode ser seguido de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento e posterior Recurso Voluntário, se for o caso. Se ao final do processo específico (ou da análise da DCOMP) for reconhecido ao contribuinte algum direito creditório, o valor a repetir poderá até ser utilizado para liquidação de crédito tributário objeto do Auto de Infração contestado, mediante Fl. 188DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10980.008444/200816 Acórdão n.º 3401001.977 S3C4T1 Fl. 189 6 compensação. Não se admite, todavia, que a repetição de indébito requerida após a autuação sirva como meio transverso de contestação ao lançamento regular, como pretendido neste processo. Saliento, por oportuno, que mesmo quando era dispensado processo específico para compensação entre tributos da mesma espécie (antes da DCOMP instituída nos termos da MP nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002), a compensação precisava ser informada em DCTF. E na situação dos autos também não consta tenha havido qualquer informação em DCTF, da compensação debatida. PRAZO DECADENCIAL: CONTAGEM A PARTIR DO ANO SEGUINTE EM QUE PODERIAM SER EFETUADOS OS LANÇAMENTOS, POR INEXISTIR PAGAMENTO ANTECIPADO Por inexistir pagamentos antecipados, nos termos exigidos pelo art. 150 do CTN, tampouco caber admitir a compensação requerida para débitos do PIS (tratada no tópico acima), a contagem do prazo decadencial é feita como interpretado pela DRJ. Como se sabe, no trato da decadência cabe aplicar, primeiro, a Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal nº 8/20081, segundo a qual é inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212/91 e por isto o prazo decadencial é dado pelo CTN, sendo então de cinco anos, e segundo, os julgados repetitivos do STJ, pelos quais o início da contagem, inexistente pagamento antecipado, é o previsto no art. 173, I, do mesmo Código, ou seja, o primeiro do ano seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O meu entendimento pessoal, que prevaleceu por maioria neste Colegiado até as reuniões anteriores ao mês de fevereiro de 2011, é o de que o termo inicial ou dies a quo do prazo decadencial deve ser contado sempre da ocorrência do fato gerador, tenha havido ou não a antecipação de pagamento exigida referida no art. 150 do CTN. Importa investigar a respeito do que se homologa – se o pagamento antecipado, ou toda a atividade do sujeito passivo. Ressaltando que há inúmeras opiniões em contrário, segundo as quais não há lançamento por homologação se não houver pagamento antecipado, filiome à corrente minoritária a qual pertence José Souto Maior Borges, que entende haver homologação da atividade do contribuinte, consistente na identificação do fato gerador e apuração do imposto, que deve ser antecipado somente se devido. Lembro, por oportuno, o lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física, em que o contribuinte, após computar os valores retidos pela fonte pagadora, calcula o imposto anual podendo chegar a três resultados diferentes: valor devido, zero ou imposto a restituir. Após o cálculo, o sujeito passivo preenche e entrega a declaração, devendo antecipar o pagamento se apurou valor a pagar, ou então aguardar a restituição, caso os valores retidos tenham sido maiores que o imposto devido anualmente. A Secretaria da Receita Federal, após processar a declaração, emite uma notificação, através da qual o auditor fiscal homologa expressamente todo o procedimento do contribuinte, já que confirma o imposto a restituir ou o valor zero, ou ainda, caso tenha 1 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decretolei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10980.008444/200816 Acórdão n.º 3401001.977 S3C4T1 Fl. 190 7 apurado valor diferente, procede ao lançamento desta diferença. Quando a autoridade administrativa confirma o valor declarado pelo sujeito passivo, é expedida uma notificação ao sujeito passivo e temse o lançamento por homologação; quando o valor apurado pela autoridade é maior, ao invés de uma notificação lavrase um auto de infração, procedendose ao lançamento de ofício. Nos outros tributos lançados por homologação – hoje quase todos o são , o procedimento não é substancialmente diferente, sendo que em vez de notificação expressa na grande maioria dos casos ocorre a homologação ficta, na forma do previsto no § 4º do art. 150 do CTN. Ora, se a autoridade administrativa homologa um valor zero, ou uma restituição, evidente que não está homologando pagamento. A redação do caput do art. 150 do CTN emprega o termo pagamento para informar o dever de sua antecipação (“... tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento ...”), não para dizer de sua homologação. Esta referese à atividade (ou procedimento) do sujeito passivo (“... a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.” Feita a ressalva quanto ao meu entendimento particular, curvose à posição contrária do STJ, levando em conta o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, acrescentado pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, que dispõe o seguinte: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes A questão referente ao termo inicial do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário de ofício nas hipóteses em que o contribuinte não declara, nem efetua o pagamento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação (discussão acerca da possibilidade de aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN), foi decidida pelo STJ no Recurso Especial nº 973.733SC, julgado sob o regime de recurso repetitivo, com a ementa seguinte (negrito acrescentado): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS Fl. 190DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10980.008444/200816 Acórdão n.º 3401001.977 S3C4T1 Fl. 191 8 PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10980.008444/200816 Acórdão n.º 3401001.977 S3C4T1 Fl. 192 9 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. (STJ, Primeira Seção, REsp 973.733SC, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 12/8/2009, unânime). Conforme os fundamentos acima, e porque inexistiram pagamentos antecipados em relação aos fatos geradores de março de abril de 2003, o prazo decadencial começa a contar em 1º de janeiro de 2004, de modo que em 19/06/2008, data da ciência do auto de infração do PIS (também nesta mesma data houve ciência do auto da Cofins, mas a decadência é alegada tãosomente em relação ao PIS), ainda não tinha havido decadência. RECEITAS FINANCEIRAS: AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO No tocante às receitas financeiras dos períodos de apuração de janeiro a junho de 2005, sobre as quais caberia reconhecer a alíquota zero da Cofins, não assiste razão à Recorrente porque não foram apresentadas provas de que, nos valores informados nos DACON – superiores aos confessados nas DCTF desses meses, o que acarretou as autuação respectiva , teriam sido somadas indevidamente tais receitas. Como bem observou a DRJ, não foi trazida aos autos a escrituração contábil e fiscal (cópias dos Livros Diário e Razão), mas apenas cópias de balancetes contábeis e de extratos bancários. Sendo assim, não há como identificar cada uma das diversas parcelas que somadas resultaram nos montantes informados nos DACON. A ausência de dados da escrituração contábil e fiscal, aliada ao que consta nos DACON, nos quais a linha correspondente às receitas financeiras encontrase zerada nos meses de janeiro a junho de 2005 (ver cópias às fls. 16/21, linha 07, coluna Regime Não Cumulativo), a autuação deve ser mantida. CONCLUSÃO Pelo exposto, nego provimento ao Recurso. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 192DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
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Numero do processo: 10805.003553/2007-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2301-000.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação: Tiago Conde Teixeira. OAB: 24.259/DF.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator.
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação: Tiago Conde Teixeira. OAB: 24.259/DF. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva - Relator. Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
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Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação: Tiago Conde Teixeira. OAB: 24.259/DF. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .0 03 55 3/ 20 07 -9 7 Fl. 2167DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10805.003553/200797 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.275 S2C3T1 Fl. 2.147 2 Relatório e Voto: O presente processo trata do descumprimento da obrigação acessória de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. O processo que cuida da obrigação principal não foi distribuído para este Relator. Observamos que os fatos que ensejaram o presente lançamento ensejam a conexão do presente com o processo que cuida da obrigação principal pelos motivos que abaixo serão expostos. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) determina que seja feita a distribuição dos processos conexos para a mesma Câmara (art. 47, caput) e para o mesmo Relator (art. 49, § 7º). Vejamos o teor dos dispositivos: Art. 47. Os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos e, preferencialmente, organizados em lotes por matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. (...) Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. (...) § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. (...) O desafio para a interpretação de tais dispositivos é estabelecer em que situações ocorre a conexão entre processos. Para enfrentálo, buscamos a disciplina existente no Processo Civil. No Código Processual temos os arts. 103 a 106 que tratam da matéria: Art.103. Reputamse conexas duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir. Art.104. Dáse a continência entre duas ou mais ações sempre que há identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o objeto de uma, por ser mais amplo, abrange o das outras. Fl. 2168DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10805.003553/200797 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.275 S2C3T1 Fl. 2.148 3 Art.105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente. Art.106. Correndo em separado ações conexas perante juízes que têm a mesma competência territorial, considerase prevento aquele que despachou em primeiro lugar. O art. 103 do CPC, acima transcrito, exige, portanto, que haja objeto comum ou causa de pedir comum entre duas ou mais ações para que lhes seja reconhecida a conexidade. Tomando a lição de Cândido Rangel Dinamarco, assumimos que objeto do processo consiste no pedido formulado pelo demandante (Cf. DINAMARCO, Cândido Rangel. Instituições de direito processual civil. Vol. II. 2ª ed. revista e atualizada. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 184). A causa de pedir, segundo o mesmo autor, é a descrição dos fatos caracterizadores da crise jurídica lamentada( op. cit., p. 126). Em resumo, portanto, há conexão quando há um pedido comum ou os fatos narrados são comuns a dois processos. Ou, nas palavras de Cândido Rangel Dinamarco: ”ocorre conexidade quando duas ou várias demandas tiverem por objeto o mesmo bem da vida ou forem fundadas no contexto de fatos”(op. cit., p. 149) No caso do processo administrativo fiscal, as situações mais comuns de conexão advirão da identidade de fatos narrados. Em situações nas quais determinados fatos dão ensejo a lançamento para cobrança da obrigação principal e penalidade por descumprimento de obrigação acessória teremos nítida conexão. Outro exemplo comum diz respeito a fatos que estão capturados na hipótese de incidência de mais de um tributo. Caso do IRPJ e da CSLL, por exemplo. A jurisprudência deste Colegiado já acolheu em diversos julgados a existência de conexão em situações similares a essas. Vejamos: Acórdão nº 20401549 do Processo 13364000073200375 Data 27/07/2006 Ementa PIS. COMPETÊNCIA DO 1º CONSELHO DE CONTRIBUINTES. Quando lastreada, no todo ou em parte, em fatos cuja apuração serviu para determinar a prática de infração à legislação pertinente à tributação de pessoa jurídica, a competência para julgamento do recurso do PIS conexo será do Primeiro Conselho de Contribuintes. Acórdão nº 20401655 do Processo 13603002864200370 Data 22/08/2006 Ementa NORMAS PROCESSUAIS. Havendo matéria idêntica a ser decidida em processos conexos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, a responsabilidade pelo crédito tributário sob exação, mesmo que estes últimos decorram de lançamento isolado, oriundas de mesma base fática e decorrentes de mesma verificação fiscal, a competência para análise e julgamento dos mesmos é de mesmo órgão julgador do Primeiro Conselho de Contribuintes. Recurso não conhecido. Acórdão nº 20212088 do Processo 138080049149630 Data 09/05/2000 Ementa NORMAS PROCESSUAIS CONEXÃO PROCESSUAL DECORRÊNCIA: O exame da exigência principal e da acessória, Fl. 2169DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10805.003553/200797 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.275 S2C3T1 Fl. 2.149 4 quando processadas em autos distintos, deve observar os efeitos da prevenção a fim de evitar decisões contraditórias em processos nitidamente conexos, cabendo à exigência acessória o mesmo destino da exigência principal, em face da inquestionável relação de causa e efeito que as entrelaça. Recurso provido. o Acórdão nº 20500720 do Processo 37284007953200410 Data 04/06/2008 Ementa Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias. Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/200. Ementa(...) AUTO DE INFRAÇÃO CONEXO À NFLD. Sendo o descumprimento de obrigação acessória conexo a matéria tratada em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, deve seguir a decisão emanada para aquela. Processo Anulado Acórdão nº 10708449 do Processo 16327000591200242 Data 22/02/2006 Ementa MULTA ISOLADA Considerada não cabível a exigência do próprio Imposto de Renda Pessoa Jurídica, formalizada em processo conexo, incabível a aplicação da multa isolada, por falta de recolhimento do IRPJ, sobre base de cálculo estimada, referente ao mesmo períodobase de apuração. Recurso provido. Acórdão nº 10808585 do Processo 10680000555200435 Data 10/11/2005 Ementa IRPJ e CSL DEDUÇÕES DE OFÍCIO PIS E COFINS JUROS DE MORA Deve se admitir a dedução, das bases tributáveis do IRPJ e da CSL, dos valores do PIS e da COFINS lançados de ofício, assim como dos juros de mora sobre eles incidentes até o encerramento do período de apuração dos tributos, de forma a se adequar o lançamento de ofício ao valor que efetivamente influiu na apuração do lucro líquido. ADESÃO AO PAES Não logrando o contribuinte correlacionar os débitos informados no PAES com os valores autuados não há como se exonerar os valores pleiteados. LANÇAMENTOS CONEXOS PIS E COFINS Os efeitos do decidido no lançamento principal do IRPJ, se estendem, por decorrência aos processos conexos. Da leitura dos julgados acima podemos observar que a identidade de causa de pedir, de fatos narrados, não precisa ser completa, podendo ser parcial. Identificada as situações ensejadoras da conexidade, restanos identificar as conseqüências processuais daí advindas . Ocorrendo a conexão, o CPC determina a distribuição por dependência: Art. 253. Distribuirseão por dependência as causas de qualquer natureza: (Redação dada pela Lei nº 10.358, de 2001) I quando se relacionarem, por conexão ou continência, com outra já ajuizada; (Redação dada pela Lei nº 10.358, de 2001) (...) De modo similar, o RICARF, como já ressaltamos, determina a distribuição por dependência para a Câmara e para o Relator. Fl. 2170DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10805.003553/200797 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.275 S2C3T1 Fl. 2.150 5 Mas deveria tal distribuição por dependência ocorrer em todos os casos? Ou haveria casos nos quais esta seria dispensável? A doutrina de Cândido Rangel Dinamarco (op. cit., p. 151) aponta a utilidade como critério suficiente para impor a reunião dos processos. Tal utilidade está presente naquelas situações nas quais as providências a tomar (reunião de processos) sejam aptas a proporcionar a harmonia de julgados ou a convicção única do julgador em relação a duas ou mais demandas. Ainda que a identidade dos fatos seja parcial, a utilidade da providência de reunião dos processos se justifica. De modo similar ao que acontece no processo civil, no processo administrativo a reunião dos processos tem por objetivo evitar a contradição de julgados e está sujeita à avaliação do julgador de sua utilidade. Ressaltamos que a utilidade não se esgota na possibilidade ou não de decisões contraditórias, mas diz respeito também ao interesse das partes. Assim, se nos autos não constam todos os elementos que permitem a compreensão da crise jurídica a ser sanada, permitindo que seja prejudicado o fisco na sua pretensão de cobrança do crédito tributário ou o contribuinte na sua ampla defesa, há utilidade na indicação de reunião dos processos. Nesses casos, diante do eminente prejuízo para uma das partes, a reunião dos processos é obrigatória, sob pena de nulidade do decisum que a desconsiderar. Situação diversa temos quando não há prejuízo possível para quaisquer das partes advindo diretamente do trâmite separado dos processos, mas subsiste a possibilidade de decisões contraditórias. Nesses casos, a reunião dos processos para julgamento simultâneo é providência que tem óbvio apelo para a segurança jurídica, na medida em que assegura que não haverá decisões contraditórias. A mesma situação contribui para a concretização da eficiência que está consagrada no art. 37 como princípio da administração pública, pois evita que as análises sejam totalmente refeitas por relatores distintos. Porém, nessa situação, caso não tenha ocorrido a reunião dos processos não haveria nulidade processual a ser declarada. No caso em análise, continuarmos com o julgamento isolado do presente poderá resultar em prejuízo para a defesa, ou para o fisco, se optássemos pela nulidade ou provimento por falta de provas nos autos, uma vez que, em geral, o processo que cuida da obrigação principal traz a totalidade dos documentos citados pela fiscalização. Como cuidamos de julgamento de penalidade por deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, a identidade com o contexto dos fatos que envolvem a obrigação principal é óbvia de modo a restar evidenciada a conexão. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER o RECURSO VOLUNTÁRIO e CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA de modo que sejam cumpridos os arts. 47, caput e 49, §7º do RICARF. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 2171DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 16641.000057/2009-40
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS REQUERIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. LIVRO RAZÃO.
A legislação e a jurisprudência são fortes no sentido de que a não apresentação de documentos fiscais enseja o arbitramento do lucro pela fiscalização. A entrega de documento após o lançamento de ofício, não preclui o arbitramento realizado pela autoridade fiscal. Súmula CARF n° 59.
ÔNUS DA PROVA.
Efetuado o lançamento pela autoridade fiscal, com base nos elementos constantes dos documentos apresentados pelo contribuinte, cabe a este, demonstrar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do autor. Aplicação sistemática do art. 333, II, do CPC.
PROVA PERICIAL
Quando todos os elementos de prova se mostram suficientes para determinar a matéria tributável, ainda que constem divergências, desnecessária a perícia. Precedentes do CARF.
Numero da decisão: 1802-001.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, Jose de Oliveira Ferraz Correa e Gustavo Junqueira Carneiro Leao.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS REQUERIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. LIVRO RAZÃO. A legislação e a jurisprudência são fortes no sentido de que a não apresentação de documentos fiscais enseja o arbitramento do lucro pela fiscalização. A entrega de documento após o lançamento de ofício, não preclui o arbitramento realizado pela autoridade fiscal. Súmula CARF n° 59. ÔNUS DA PROVA. Efetuado o lançamento pela autoridade fiscal, com base nos elementos constantes dos documentos apresentados pelo contribuinte, cabe a este, demonstrar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do autor. Aplicação sistemática do art. 333, II, do CPC. PROVA PERICIAL Quando todos os elementos de prova se mostram suficientes para determinar a matéria tributável, ainda que constem divergências, desnecessária a perícia. Precedentes do CARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (documento assinado digitalmente) Marciel Eder Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, Jose de Oliveira Ferraz Correa e Gustavo Junqueira Carneiro Leao.
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FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS REQUERIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. LIVRO RAZÃO. A legislação e a jurisprudência são fortes no sentido de que a não apresentação de documentos fiscais enseja o arbitramento do lucro pela fiscalização. A entrega de documento após o lançamento de ofício, não preclui o arbitramento realizado pela autoridade fiscal. Súmula CARF n° 59. ÔNUS DA PROVA. Efetuado o lançamento pela autoridade fiscal, com base nos elementos constantes dos documentos apresentados pelo contribuinte, cabe a este, demonstrar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do autor. Aplicação sistemática do art. 333, II, do CPC. PROVA PERICIAL Quando todos os elementos de prova se mostram suficientes para determinar a matéria tributável, ainda que constem divergências, desnecessária a perícia. Precedentes do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 1. 00 00 57 /2 00 9- 40 Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Marciel Eder Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, Jose de Oliveira Ferraz Correa e Gustavo Junqueira Carneiro Leao. Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16641.000057/200940 Acórdão n.º 1802001.406 S1TE02 Fl. 1.068 3 Relatório Tratam os presentes de Auto de Infração que constatou suposta falta de tributação das operações realizadas pelo CFOP 5.125 (serviços de industrialização) no ano calendário de 2004, após averiguação dos documentos apresentados pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do presente Recurso Voluntário, adoto o Relatório proferido pela 1a Turma da DRJ/POA, através do Acórdão n° 10 036.180, constante às fls. 1.024/1.028: Tratamse de autos de infração lavrados em 27/03/2009 (fls. 02 a 37),cientificados ao contribuinte em 30/03/2009 (fl. 649). O procedimento fiscal teve início em 02/10/2008 (fls. 55 e 56). Do procedimento Fiscal Após análise dos documentos apresentados pelo contribuinte em resposta ao termo que iniciou a ação fiscalizatória, a autoridade fiscal requereu ao contribuinte inúmeros esclarecimentos, destacandose os que concernem às operações escrituradas no Livro de Registro e Apuração do ICMS escrituradas sob código (CFOP) 5.125 (industrialização efetuada para outra empresa quando a mercadoria recebida para utilização no processo de industrialização não transitar pelo estabelecimento adquirente da mercadoria). O procedimento fiscal, a partir daí, girou em torno do oferecimento à tributação, ou não, dos valores escriturados no CFOP 5.125. Em resumo, assim se desenvolveu o embate: Intimado a apresentar contratos de prestação de serviço, o contribuinte informou não haver contratos dessa espécie, haja vista trataremse de operações de permuta e “negociadas a cada lote de arroz com casca beneficiado” (fl. 138); A autoridade fiscal lavrou nova intimação requerendo a demonstração dos valores que corresponderiam à prestação de serviços, discriminados por notas fiscais (fls. 176 e 177); em resposta, o contribuinte apresentou planilha (fls. 183 a 197); em análise das informações prestadas, em conjunto com Livros de Registro de Entradas e Saídas e Livro de apuração do ICMS, a autoridade autuante concluiu que: a. Os valores escriturados sob CFOP 5.125 nos diversos livros fiscais são compatíveis; b. Não há registro da entrada dos produtos recebidos em permuta; c. O cotejamento dos livros fiscais com a DIPJ/2005 demonstram que os valores escriturados no referido código não compuseram as bases de cálculo dos tributos federais; Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Intimado a se manifestar sobre as conclusões da Fiscalização, o contribuinte informou que os valores referentes ao CFOP 5.125 não foram incluídos nas bases de cálculos dos tributos federais informados na DIPJ/2005 pois tais valores diriam respeito à sobra de arroz recebida para beneficiamento a terceiros, entretanto, tais valores teriam sido oferecidos à tributação, pois, quando da venda do mesmo, estariam escriturados no CFOP 5.101 (venda de produção do estabelecimento); informou ainda que não é possível identificar os lançamentos contábeis referentes às operações, de forma individualizada, pois “são vendidos como um todo” (fl. 212); Diante desses fatos, concluiu que a Fiscalização que o contribuinte não registrou em sua contabilidade as mercadorias recebidas em permuta (como pagamento dos serviços prestados a terceiros), bem como “não foi possível para a empresa destacar, ou seja, identificar, segregar, demonstrar a entrada das mercadorias recebidas em permuta pelo pagamento dos serviços prestados e, tão pouco, a sua saída”; Assevera ainda a autoridade autuante que a tese de que as receitas com prestações de serviços (CFOP 5.125) estariam incluídas nas receitas de vendas de mercadorias (CFOP 5.101) não se confirma, pois, nos meses de maio, junho e julho de 2004, os valores registrados no Livro Registro de ICMS sob a rubrica 5.125 é superior ao montante de vendas de mercadorias; Em relação à entrada de mercadorias, a Fiscalização identificou discrepância entre os valores escriturados nos livros fiscais e os informados em DIPJ; Instado a se manifestar a respeito, bem como a apresentar os Livros Diário, Razão e Registro de Inventário (fls. 215 e 216), o contribuinte limitouse a anexar uma listagem de notas fiscais que confirmariam as informações prestadas em DIPJ, sem no entanto tecer qualquer esclarecimento sobre as divergências apontadas; em informou ainda que deixava de apresentar o Livro Razão por não possuílo (fl. 218); Ato contínuo, a Fiscalização reintimou o contribuinte a apresentar o Livro Razão (fls. 219 a 221), alertandoo que a falta de apresentação implicaria a o arbitramento dos lucros, nos termos do art. 530, VI, do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda); Em atendimento à intimação, o contribuinte ratificou a informação de que não possuía o Livro Razão(fls. 245 e 246); Em relação à listagem de notas fiscais apresentada pelo contribuinte para supostamente justificar as informações prestadas em DIPJ, a autoridade fiscal confrontoua com os registros dos livros fiscais e Livro Diário, concluindo que (fls. 44 a 48): a. Há inúmeras notas fiscais constantes do Livro de Entradas que não foram listas pelo contribuinte, e tampouco registradas no Livro Diário (total de R$ 808.348,59); Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16641.000057/200940 Acórdão n.º 1802001.406 S1TE02 Fl. 1.069 5 b. Discrepância entre os valores das importações constantes na listagem apresentada pelo contribuinte e no Livro de Apuração do ICMS (na listagem consta R$ 1.767.953,18 e no Livro de Apuração do ICMS, R$ 2.009.037,78); c. Há inúmeras notas indicadas pelo contribuinte que não constam do Livro de Entradas. Considerando a ausência de apresentação do Livro Razão, bem como as inúmeras inconsistências entre os valores e operação registrados nos livros fiscais, Livro Diário e nas próprias informações prestadas pelo contribuinte, a Fiscalização, ao lavrar os autos de infração para exigência dos tributos que entendeu devidos pela omissão de receitas de prestação de serviços (CFOP 5.125), também procedeu ao arbitramento de lucros, nos termos do art. 530, II e VI, do RIR/1999. Da impugnação Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 651 a 657). Em relação à omissão de receitas, reforçou sua tese de que, embora de fato tenha havido prestação de serviços, em nenhum momento houve omissão, haja vista que o pagamento dos serviços prestados teria se dado por meio de permuta de subprodutos do arroz, posteriormente alienados e cujos valores teriam sido adicionados no código 5.101 (venda de produção do estabelecimento). Alega que as divergências apontadas pela Fiscalização se devem ao fato de que, necessariamente, “nem tudo o que foi recebido foi vendido, ou porque as datas não são as mesmas e também porque os preços podem ser diferenciados em razão da essência do negócio realizado. Desse modo, por óbvio, o valor das compras para comercialização não são coincidentes.” Conclui que embora possa ter ocorrido alguma divergência de datas, “não houve omissão de lançamento de notas fiscais na contabilidade”, ou seja, não houve omissão de receitas. Quanto ao arbitramento, assim se manifestou o impugnante: I. a escrituração mantida pela empresa nos Livros Diário e Caixa não permitem o arbitramento de lucros; II. embora tenha informado extra oficialmente não possuir o Livro Razão do anocalendário de 2004, poderia sanar essa irregularidade em curto espaço de tempo; III. cita jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes que entende lhe ser favorável, baseada na tese de que o arbitramento somente deve se dar em casos extremos e desde que sejam observados quatro critérios: “a) primeiro; o auditor fiscal não determinou que a empresa regularizasse a contabilidade, simplesmente foi solicitando documentos sem indicar o seu objetivo, melhor dizendo, sem Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 explicar o que queria, na realidade; jamais solicitou o desmembramento das contas de forma diária com o objetivo de identificar o Lucro Líquido pelo método real o auto de infração não cumpre o primeiro requisito de validade; b) segundo; o contribuinte demonstrará, quando da perícia, acompanhada por perito e auditor fiscal o desmembramento dos seus livros contábeis – segundo requisito que leva o auto a improcedência; c) terceiro; toda a documentação dos lançamentos de forma resumida onde se identifica perfeitamente o lucro liquido esteve à disposição da fiscal, que poderia verificar perfeitamente a existência ou não do lucro real, ou seja, a autoridade administrativa tinha como identificar o lucro real pelos documentos terceiro requisito que leva o auto à improcedência; d) quarto e último requisito; a contabilidade foi dada como imprestável pelo simples fato de o senhor fiscal não conseguir no momento em que entendeu ser o correto toda a documentação contábil. Não se apontaram as deficiências e situações que não permitiram visualizar o lucro liquido pelo método de lucro real o arbitramento também não satisfaz o último requisito de validade.”(grifo nosso) IV. Traz ainda doutrina de Maria Rita Ferragut sobre o arbitramento e seus requisitos, concluindo que a Fiscalização não adotou o procedimento adequado para que pudesse arbitrar os seus lucros; V. Sobre a insuficiência de prazo para atualização da contabilidade, argumenta que o próprio Auditor Fiscal confessa que o prazo foi insuficiente; alega ainda que “para passar de lançamentos mensais e resumidos para lançamentos diários e desmembrados o prazo concedido pelo fiscal era humanamente impossível de ser cumprido pela estrutura contábil da contribuinte.” VI. Informa ainda que conseguiu elaborar o Livro Razão (anexo à impugnação); VII. Somente com a análise do Livro Razão é que se poderá apurar verdadeiramente os fatos, reiterando a necessidade de perícia; VIII. Em relação às bases de cálculo, novamente argumenta que o valor registrado sob CFOP 5.125 no Livro Registro e Apuração do ICMS estão incluídos nos valores trimestrais de receita de venda de mercadoria, tendo havido, em alguns casos, tributação em duplicidade. Naquela oportunidade, a nobre turma julgadora entendeu pela improcedência da impugnação do contribuinte, conforme Ementa às fls. 1.023: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16641.000057/200940 Acórdão n.º 1802001.406 S1TE02 Fl. 1.070 7 Anocalendário:2004 OMISSÃO DE RECEITAS. ESCRITURAÇÃO EM LIVROS FISCAIS.ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. INADMISSIBILIDADE. Comprovada pela Fiscalização que receitas escrituradas nos livros fiscais não compuseram a base de cálculo dos tributos declarados, mantémse a exação. Meras alegações, desacompanhadas de quaisquer elementos de provas, não são suficientes para elidir a força probatória da escrita fiscal. ARBITRAMENTO DOS LUCROS. VÍCIOS NA ESCRITURAÇÃO. AUSÊNCIA DO LIVRO RAZÃO. APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO CONDICIONAL. Procede o arbitramento dos lucros efetivado em virtude de o contribuinte, regularmente intimado, não apresentar o Livro Razão. A apresentação da escrituração após o lançamento de ofício não invalida o arbitramento ante a inexistência de lançamento condicional. A ausência de escrituração de entrada de mercadorias que compuseram o estoque, bem como de valores significativos de mercadorias recebidas em permuta, desqualificam a escrituração do Livro Diário. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. OMISSÃO DE RECEITAS PIS. COFINS.CSLL. Aplicase às exigências ditas reflexas, o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada em 13/01/2012, apresentou Recurso Voluntário em 10/02/2012, argüindo que a desconsideração de toda a documentação apresentada não é medida própria, suscitando que deve ser feita a diligência fiscal, e ainda que seu caso não representa hipótese de arbitramento, visto que outros documentos poderiam perfazer sua escrituração e permitir a aferição dos resultados passíveis de tributação. É o relato do essencial. Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e preenche aos pressupostos de admissibilidade. Dele, tomo conhecimento. Como se extrai do relatório, contra o contribuinte foi lavrado Auto de Infração exigindo IRPJ e reflexos, dada a suposta omissão de receitas, com a aplicação do arbitramento de lucro de que trata o art. 530 do RIR, pela não apresentação do Livro Razão, com aplicação da multa de ofício de 75%. Para melhor deslinde dos fatos, analiso a seguir os pontos contraditos pela recorrente neste pleito recursal. DA OMISSÃO DE RECEITAS A autoridade fiscal conduziu sua pretensão pelo Livro Registro de Apuração do ICMS apresentado pela recorrente, onde observou que os serviços de industrialização (CFOP 5.125) ali escriturados, não haviam servido de base dos tributos federais, caracterizando portanto, omissão de receitas nesta parte. A recorrente aduz repetidamente que as operações consignadas nesta rubrica não foram levadas à tributação, porque serviram de base na venda de produção do estabelecimento (CFOP 5.101) e que, caso o fizesse, configuraria uma “tributação em duplicidade” (bis in idem) – fls. 650. Ora, não há o que se confundir o serviço de industrialização com a venda de produção do estabelecimento, tendo objeto totalmente distinto. Enquanto que o serviço de industrialização tem natureza imaterial, que agrega valor ao produto final, a venda de produção do estabelecimento possui natureza material, física, controlada via estoque entre remetente e destinatário. Portanto, em termos simples, as operações de venda de produção e serviço de industrialização realizadas estão dentro do conceito de faturamento, cujos valores devem servir de base de cálculo dos tributos federais, não havendo regra de exceção a um ou outro que afigurese contrário à pretensão fiscal alhures. A recorrente ventila suposto equívoco de ordem escritural ao suscitar que as operações controladas no CFOP 5.101 refletem as operações do CFOP 5.125, porém não comprova a contrariu sensu de alguma sorte ter isso ocorrido. Neste caso, deveria a recorrente demonstrar por meio de documentos (prova material) que a pretensão fiscal estava equivocada, assim como estabelece o Código de Processo Civil – Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973: Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16641.000057/200940 Acórdão n.º 1802001.406 S1TE02 Fl. 1.071 9 II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. [...] Assim, incomprovadas suas alegações, sagaz é a permanência da exigência nessa parte. A recorrente alega também o seguinte (fls. 1.043/1.044): Conforme alegações na impugnação, inclusive reiteradas pelos agentes do órgão fazendário, alguns serviços foram prestados através de pagamento com permuta de subprodutos de arroz, conforme identificados pelo fiscal e informados pela empresa. Tais subprodutos não foram incluídos no livro fiscal registro de entradas pois tiveram custo zero. O valor obtido com a venda desses foi tributado integralmente, diferentemente do que concluiu agente fiscalizador, bem como, a 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS). E por este motivo também não foram registrados. Ora, a permuta é modalidade de acordo comercial, substituinte do pagamento. Para o Ente Tributante, levase em conta o denominado fato gerador, que é a situação descrita em lei, com a previsão de incidência tributária, que no caso dos tributos federais em sua maioria é o faturamento, e no lucro real, especificamente, proliferase com a constatação de lucro ao final do exercício. Assim, a constatação de que houveram operações sem o lastro contábil e fiscal, pela emissão de notas fiscais e movimentação de estoque, subsume também uma omissão, passível de tributação. Ademais, os documentos fiscais devem ser emitidos e escriturados, independente da forma em que o acordo comercial é firmado entre as partes. Portanto, não prospera o Recurso nesta parte, ficando caracterizada a não tributação dos valores recebidos a título de serviço de industrialização, que, aliado à falta de escrituração nas entradas (mercadorias em permuta), configura hipótese de omissão de receitas. DO ARBITRAMENTO A base imponível ficou sujeita ao arbitramento, dada a constatação de divergência nos valores escriturados e pela não entrega do livro razão do respectivo ano calendário (2004), impossibilitando à fiscalização fundamentar sua pretensão em elementos materiais produzidos pelo contribuinte. Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 O Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) é claro ao dispor as hipóteses de arbitramento, que ficaram constatadas in casu: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: [...] II – a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte a revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou determinar o lucro real; [...] VI – o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. Tal expressão é reforçada ainda pela Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, nos seguintes termos: Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: [...] VIII – o contribuinte não escriturar ou deixar de apresentar a autoridade administrativa os livros ou registros auxiliares de que trata o § 2° do art. 177 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e § 2° do art. 8° do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977. Ora, no caso em que se apresenta, duas foram as hipóteses do arbitramento: (I) da não apresentação do Livro Razão do anocalendário de 2004 e, (II) erros na escrituração que impossibilitaram a determinação do lucro real. Verifico e atesto que o Livro Razão do anocalendário de 2004 foi solicitado pela fiscalização em 11/03/2009, e novamente em 13/03/2009 (fls. 217/219), tendo em 23/03/2009 peticionado o contribuinte informando “não possuir o Livro Razão relativo ao ano calendário de 2.004.” (fls. 243/244) Após a intimação do Auto de Infração, a recorrente tempestivamente apresentou manifestação de inconformidade, oportunidade em que apresentou cópia integral do Livro Razão reiteradamente solicitado antes do lançamento de ofício, o qual havia formalizado não possuir. Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16641.000057/200940 Acórdão n.º 1802001.406 S1TE02 Fl. 1.072 11 Ora, a apresentação intempestiva do documento solicitado, não elide a configuração e a imputação do arbitramento. É senão matéria sumulada por este Conselho esta hipótese: Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. Somandose a isso, ficaram evidenciadas inúmeras inconsistências na escrituração da recorrente, impossibilitando assim uma completa análise da matéria tributável da autoridade fiscal, dentre elas, a não escrituração das notas fiscais objeto de permuta. Diante disso, amparada nos dispositivos legais já citados, não restou outra alternativa que o arbitramento, permitindose com base em alguns elementos lastreados, a tributação. Pelo exposto, é de se manter o arbitramento, estando correta a imposição fiscal procedida. DA PROVA PERICIAL A recorrente pede exaustivamente em seu Recurso Voluntário por prova pericial. Ora, os atos administrativos regemse pelos princípios da oficialidade e da celeridade. Em matéria probatória, os contribuintes devem prestar as informações em momento próprio, sobretudo, não cabendo deferimento de prova pericial com fins protelatórios, denotandose esse fato quando todos os elementos necessários para o perfeito deslinde dos fatos já se encontram nos autos. É assente a jurisprudência deste Conselho neste sentido: PAF PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA INDEFERIMENTO. A diligência e a perícia não se prestam para produzir provas de responsabilidade das partes ou colher juízo de terceiros sobre a matéria em litígio, mas a trazer aos autos elementos que possam contribuir para o deslinde do processo. Devem ser indeferidos os pedidos prescindíveis para o desfecho da lide. (Acórdão nº 10421.032, sessão de 13/09/2005) IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 Anocalendário: 1991 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO JUSTIFICADA. PRESUNÇÃO LEGAL. A presunção de omissão de receitas não se firma quando erguida somente sobre os depósitos bancários cuja origem dos recursos não foi justificada pelo contribuinte, antes da edição do artigo 42 da Lei nº 9.430/96. [...] PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A turma julgadora é livre para forma sua convicção quanto à necessidade ou não da realização de diligências para dirimir o litígio administrativo fiscal, podendo indeferir o pedido formulado pelo contribuinte (art. 18, caput, PAF). (Acórdão n°1801001.034, Relatora Ana de Barros Fernandes, Primeira Turma Especial, Primeira Seção, julgado em 14/06/2012) Ante o exposto, entendendo pela desnecessidade de perícia no presente caso, diante da existência de todos os documentos necessários para averiguação das ocorrências, ainda que figuremse divergências, indefiro o pedido de perícia da recorrente. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Marciel Eder Costa Relator Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10880.907848/2008-12
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito.
PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
A diligência e a perícia não se prestam para produzir provas de responsabilidade das partes.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
EDITADO EM: 21/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Adriana Oliveira e Ribeiro, Fabio Miranda Coradini, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, , Sidney Eduardo Stahl (Relator).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. EDITADO EM: 21/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Adriana Oliveira e Ribeiro, Fabio Miranda Coradini, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, , Sidney Eduardo Stahl (Relator).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1813; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 202 1 201 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.907848/200812 Recurso nº 938.384 Voluntário Acórdão nº 3801001.400 – 1ª Turma Especial Sessão de 21 de agosto de 2012 Matéria Pedido de Compensação Recorrente SOBRAL INVICTA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A diligência e a perícia não se prestam para produzir provas de responsabilidade das partes. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. EDITADO EM: 21/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Adriana Oliveira e Ribeiro, Fabio Miranda Coradini, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, , Sidney Eduardo Stahl (Relator). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 78 48 /2 00 8- 12 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da DRJ, assim expresso: Trata o presente processo de Despacho Decisório, emitido no âmbito da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em são Paulo, com respeito a Declaração de Compensação eletrônica da Contribuinte. Conforme a decisão, fl. 1, o pagamento indicado como indevido ou a maior não oferece saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débito da Contribuinte relativo a fato gerador de 31/07/2001 (código 2172). Do referido despacho consta: A partir das característicasdo DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação dedébitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. A Contribuinte, inconformada com o Despacho Decisório, apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 10/21 na qual argumenta, em síntese, no sentido: de que a administração pública deve atuar e proferir seus atos em absoluta consonânci ce as normas legais, sempre da melhor forma, a fim de beneficiar os individu ela administrados, aos quais deve a obrigação de bem estar e cidadania; de que a n o se não homologação ora questionada possui equivoco patente, vez que não houve qualquer comunicação por parte da administração à manifestante para que apresentasse a sua justificativa acerca dos créditos aproveitados mediante o fornecimento de esclarecimentos e documentos para juizo de convencimento do D. Auditor Fiscal; de que o despacho decisório se amolda a uma forma de lançamento por oficio por revisão, nos termos do art. 149 do CTN; dc que pretendem as autoridades administrativas transformar o Despacho Decisório numa espécie de auto de infração, já que não foi dada oportunidade ao Manifestante para justificar o seu procedimento, o que acarreta num cerceamento de defesa; de que, pelo simples fato da inobservância dos critérios norteadores do lançamento por revisão, já faz concluir que se trata de um ato administrativo que não goza de prestigio perante o sistema tributário; de que a Manifestante, por meio de sua consultoria tributária, identificou, em outubro de 2003, que, no período de fevereiro e abril de 1999 e julho a setembro de 2003, lançou na sua escrita fiscal e contábil créditos de tributos Fl. 203DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.907848/200812 Acórdão n.º 3801001.400 S3TE01 Fl. 203 3 pagos indevidamente como receita tributável pelo PIS/COFINS, nos termos da Lei n° 9.718/98, tendo o referido direito nascido do recolhimento indevido de PIS/COFINS sobre aproveitamento de créditos reconhecidos judicialmente, visto que tais valores não configuram receita nova tributável pelas citadas contribuições; e de que o procedimento adotado pela Manifestante se subsume ao Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 25/2003, o que implica dizer que o cerceamento de defesa causado pelo Despacho Decisório, ao impedir que a Manifestante apresentasse a sua justificativa, privilegiando assim o principio do devido processo legal, bem como ao contraditório e ampla defesa, só torna o Despacho Decisório nulo de pleno direito, por falta de motivação. Reivindica a reforma do Despacho Decisório para fins de homologação do crédito compensado pela Manifestante. Nos termos do art 16, IV do Decreto n° 70.235/72 a Manifestante requer o deferimento de diligência para fins de constatação da veracidade dos fatos narrados. Para fins de instrução do julgamento a Manifestante junta cópia do relatório de crédito promovido pela sua consultoria acerca da origem dos créditos apropriados. A DRJ julgou o processo com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2001 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento de defesa quando o contribuinte é regularmente cientificado do despacho decisório, sendolhe possibilitada a apresentação de manifestação de inconformidade no prazo legal. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que — por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado — expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação. DESPACHO ELETRONICO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. A ausência de valor disponível para eventual restituição ou compensação é circunstância apla a embasar a não homologação de compensação. COMPENSAÇAO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória dc compensação. PEDIDO DE DILIGENCIA. Improcede o pedido de diligência realizado em desconformidade com o prescrito na legislação de regência. Apresenta a recorrente o presente Recurso Voluntário apontando em síntese que seu direito creditório “nasceu do recolhimento indevido de PIS/COFINS sobre aproveitamento de créditos reconhecidos judicialmente, gerando um recolhimento indevido, visto que tais valores não configuram receita nova tributável pelas citadas contribuições. Logo, os pagamentos indevidos são plenamente passíveis de compensação imediata pelo contribuinte”. Que “a notificação de não homologação questionada possui equivoco patente, vez que não houve qualquer comunicação por parte da administração à Recorrnte para que apresentasse a sua justificativa acerca dos créditos aproveitados mediante o fornecimento de esclarecimentos e documentos para juízo de convencimento do D. Auditor Fiscal.” Que o ato administrativo é nulo porque o direito do contribuinte foi cerceado. Que a planilha que acostou aos autos deve ser tida como suficiente para provar o seu direito porque foi elaborada com alicerce em documentos fiscais e que demonstrou, por meio de sua consultoria tributária que, no período de fevereiro e abril de 1999 e julho a dezembro de 2003, lançou na sua escrita fiscal e contábil créditos de tributos pagos indevidamente como receita tributável pelo PIS/COFINS, nos termos da Lei nº 9.718/98. Para fins de instrução do julgamento, a Recorrente junta juntou cópia do relatório de crédito promovido pela sua consultoria acerca da origem dos créditos apropriados, bem como cópia parcial do seu Razão Contábil. Requer, a final, seja baixado o processo em diligência e dado provimento ao recurso. É o relatório, Fl. 205DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.907848/200812 Acórdão n.º 3801001.400 S3TE01 Fl. 204 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. A questão levada a recurso se cinge, como se pode ver, a dois pontos. O um, a validade da prova apresentada pela recorrente. O dois, o pedido da Recorrente para que se transforme em diligência o presente processo a fim de averiguar a veracidade dos fatos por ela levantados. Entendo que as questões se confundem. Prova conforme o velho e conhecido Aurélio Buarque de Holanda é aquilo que atesta a veracidade ou a autenticidade de alguma coisa; uma demonstração evidente. Prova, portanto, serve para demonstrar uma verdade, quer da Fazenda, quer do Contribuinte com relação aos fatos apresentados. É verdade, conforme tenho me manifestado reiteradamente, que os malfadados “despachos eletrônicos” não correspondem ao mais adequado mecanismo de prestação de informações ao contribuinte/cidadão. Sabemos que as decisões devem ser suficientemente motivadas, não bastando que nelas se tenha um ‘porque sim’ ou um ‘porque não’ para darlhes validade, ou, como em casos semelhantes em “tem” ou “não tem” crédito. Entretanto, no caso em concreto, não é o que se opera. Lembremonos que estamos diante de um pedido de compensação e que cabe ao contribuinte apresentar as provas do seu direito creditório. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, vejamos: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, compete ao sujeito passivo. À ora Recorrente, a comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento, por intermédio da presente compensação. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 Ademais, do mesmo modo que o Decreto nº 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Em verdade, este dispositivo legal apenas transfere, para o processo administrativo fiscal, o sistema adotado pelo Código de Processo Civil, que, em seu artigo 333, ao repartir o ônus probandi, o faz inadmitindo a mera alegação e a negação geral. Assim, na hipótese da compensação pleiteada, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Quanto à planilha carreada como prova ao presente processo que, conforme a Recorrente, foi “elaborada por sua consultoria”, tenho que não é elemento de prova suficiente a albergar as suas alegações. A Recorrente pode não acreditar, mas advogado é imerecidamente mal visto e talvez seja por isso que as suas alegações devem ser acompanhadas de provas que não as suas próprias argumentações. Portanto, a planilha apresentada pelo consultor tributário somente teria valor se acompanhado dos elementos que demonstrassem sua veracidade. Quanto ao pedido de diligência formulado, tenho que não pode ser acolhido. Conforme o artigo 16 do Decreto 70.235/72 o momento processual para requerimento de diligências ou perícias pelo sujeito passivo é o da impugnação, consoante artigo 16. Porém, há ainda outras formalidades a serem cumpridas quais sejam: pedido acompanhado dos motivos que a justifiquem, formulação dos requisitos referentes ao exame desejado e, no caso de perícia, indicação do perito que procederá ao exame. O não atendimento desses requisitos é causa de desconsideração do pedido sem que isso signifique cerceamento do direito de defesa. No entanto, se atendidos todos os requisitos, a autoridade julgadora entender que o pedido é prescindível, deverá fundamentar o indeferimento, sob pena de nulidade da decisão por cerceamento do direito de defesa. A solicitação de realização de diligências tem fundamento no poder instrutório geral conferido à Administração Pública para levantar informações necessárias para a decisão administrativa. Assim, no processo administrativo, é possível requisitar, ao interessado ou a terceiros, a exibição de documentos e complementação de dados, nos limites normativamente estabelecidos. Pela sua própria natureza, é esperado que o cumprimento de uma diligência faça com que sejam agregadas ao processo administrativo um conjunto de informações que não fazia parte dos elementos inicialmente apresentados. Esses dados serão utilizados como fundamento para a futura decisão administrativa. Em resumo: diligência serve para esclarecer, não para produzir prova e não é somente meu esse entendimento, vejamos: PAF PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA INDEFERIMENTO A diligência e a perícia não se Fl. 207DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.907848/200812 Acórdão n.º 3801001.400 S3TE01 Fl. 205 7 prestam para produzir provas de responsabilidade das partes ou colher juízo de terceiros sobre a matéria em litígio, mas a trazer aos autos elementos que possam contribuir para o deslinde do processo. Devem ser indeferidos os pedidos prescindíveis para o desfecho da lide. (Acórdão 10421.032, de 13/09/2005) Nesse sentido, não tendo sido produzidas pela Recorrente as provas que deveria produzir, não há para esse conselheiro qualquer caminho senão votar pela improcedência do recurso voluntário. É como voto, (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 208DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10540.720158/2010-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO.
A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
AIOP. ÔNUS DA PROVA. IMPUGNAÇÃO SEM ESTEIO EM PROVAS MATERIAIS.
A elaboração deficiente das folhas de pagamento e das GFIP, marcadas pelo não registro de todas as remunerações pagas a todos os segurados a seu serviço e de todos os dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária, respectivamente, autoriza o Fisco a lançar a contribuição previdenciária que reputar devida, recaindo sobre o sujeito passivo o ônus da prova em contrário. O Recurso pautado unicamente em alegações verbais, sem o amparo de indício de prova material, não desincumbe o Recorrente do ônus probatório imposto pelo art. 33, §3º, in fine da Lei nº 8.212/91.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL. INEXISTÊNCIA.
Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os motivos ensejadores da autuação e os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal, favorecendo, assim, o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo.
CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXERCICIO DO CONTRÁDITÓRIO E DA AMPLA DEFESA.
O Processo Administrativo Fiscal constitui-se no instrumento processual próprio e adequado para que o sujeito passivo exerça, administrativamente, em sua plenitude, o seu constitucional direito ao contraditório e à ampla defesa em face da exigência fiscal infligida pela fiscalização, sendo de observância obrigatória o rito processual fixado no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. ART. 37 DA LEI Nº 8.212/91.
Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições sociais previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DOS SEGURADOS. DESCONTO DE SUAS RESPECTIVAS REMUNERAÇÕES PELA EMPRESA. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA PELO RECOLHIMENTO.
A responsabilidade pela arrecadação e recolhimento das contribuições previdenciárias a cargo dos segurados empregados repousa sobre a empresa, por força da responsabilidade tributária a esta atribuída pelo art. 30, I, a e b da Lei nº 8.212/91.
O desconto da contribuição a cargo dos segurados a serviço da empresa, aqui incluídos os órgão públicos, sempre se presume feito oportuna e regularmente pela entidade a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com a lei.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.993
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta (na data da formalização do Acordão).
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Adriano Gonzáles Silvério e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO. A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. AIOP. ÔNUS DA PROVA. IMPUGNAÇÃO SEM ESTEIO EM PROVAS MATERIAIS. A elaboração deficiente das folhas de pagamento e das GFIP, marcadas pelo não registro de todas as remunerações pagas a todos os segurados a seu serviço e de todos os dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária, respectivamente, autoriza o Fisco a lançar a contribuição previdenciária que reputar devida, recaindo sobre o sujeito passivo o ônus da prova em contrário. O Recurso pautado unicamente em alegações verbais, sem o amparo de indício de prova material, não desincumbe o Recorrente do ônus probatório imposto pelo art. 33, §3º, in fine da Lei nº 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os motivos ensejadores da autuação e os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 01 58 /2 01 0- 26 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal, favorecendo, assim, o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXERCICIO DO CONTRÁDITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. O Processo Administrativo Fiscal constituise no instrumento processual próprio e adequado para que o sujeito passivo exerça, administrativamente, em sua plenitude, o seu constitucional direito ao contraditório e à ampla defesa em face da exigência fiscal infligida pela fiscalização, sendo de observância obrigatória o rito processual fixado no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. ART. 37 DA LEI Nº 8.212/91. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições sociais previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DOS SEGURADOS. DESCONTO DE SUAS RESPECTIVAS REMUNERAÇÕES PELA EMPRESA. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA PELO RECOLHIMENTO. A responsabilidade pela arrecadação e recolhimento das contribuições previdenciárias a cargo dos segurados empregados repousa sobre a empresa, por força da responsabilidade tributária a esta atribuída pelo art. 30, I, ‘a’ e ‘b’ da Lei nº 8.212/91. O desconto da contribuição a cargo dos segurados a serviço da empresa, aqui incluídos os órgão públicos, sempre se presume feito oportuna e regularmente pela entidade a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com a lei. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta (na data da formalização do Acordão). Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Adriano Gonzáles Silvério e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10540.720158/201026 Acórdão n.º 2302001.993 S2C3T2 Fl. 155 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 Data da lavratura do AIOP: 12/08/2010. Data da Ciência do AIOP: 23/08/2010 Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal mediante a qual se formaliza o lançamento de contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social a cargo dos segurados empregados e segurados contribuintes individuais, incidentes sobre os seus respectivos Salários de Contribuição, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 52/58. Reporta o Agente Fiscal que o Autuado não incluiu todas as remunerações dos segurados empregados e segurados contribuintes individuais a seu serviço, nas GFIP correspondentes, transmitidas antes do início da ação fiscal, além de haver declarado nesse documento SAT/RAT com alíquota a menor. Acrescenta que o órgão público, embora devidamente intimado mediante TIPF, deixou de apresentar no decorrer da ação fiscal os resumos gerais da folha de pagamento do décimo terceiro dos segurados, dentre outros documentos solicitados. Além disso, o Município em foco não prestou esclarecimentos a respeito de divergências existentes entre a folha de pagamento, a GFIP, os Balanços Contábeis e os valores informados em Ofício do TCM/BA, tampouco retificou as GFIP. Na aferição indireta da remuneração dos segurados contribuintes individuais foram considerados os valores anuais da despesa constante da conta 3.3.9.0.36.00 Outros Serviços de Terceiros Pessoa Física do Demonstrativo de Despesa Sintético e da Consolidação do Balanço apresentados, havendo sido o montante obtido dividido por 12 para definir as bases mensais. Para os segurados empregados, foram considerados os valores anuais da despesa com pessoal, sujeitos à incidência de contribuição, tendo como fonte Ofício enviado pelo Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia – TCM/BA. Foram considerados, na apuração dos valores devidos de contribuição previdenciária, as guias da previdência social e débitos/parcelamentos existentes, antes do início da ação fiscal, bem como, compensações (saláriofamília e saláriomaternidade), regularmente declaradas em GFIP, conforme previsto na legislação previdenciária. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 66/87. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 106/115, julgando procedente em parte o lançamento, para dele excluir valores lançados equivocadamente a maior no Fl. 156DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 levantamento RCPAGAMENTO A PESSOA FÍSICA no exercício 2006, e retificando o crédito tributário na forma consignada no Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 94/105. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 04 de maio de 2011, conforme Aviso de Recebimento a fl. 110. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 113/133, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Que o lançamento é nulo quando a narração for confusa e dificultar o direito de defesa; · Que os Autos de Infração 37.289.7134 e 37.289.7150 possuem a mesma motivação e narração dos fatos; · Que os autos de infração aplicados ao Município não possuem motivação, apenas se limitando a dar o enquadramento da conduta; · Que para que seja aplicada uma multa é necessário que haja um processo administrativo em que seja garantido o contraditório e a ampla defesa, para que depois a multa seja mensurada e aplicada; · Que o arbitramento tem caráter excepcionalíssimo, devendo ser utilizado em casos extremos, na medida em que deve sempre prevalecer a base de cálculo originária, regramatriz de incidência tributária; · Que a omissão de alguns segurados na escrituração contábil e nas folhas de pagamentos, jamais poderia legitimar a opção do Fisco pela utilização do arbitramento; · Que os Autos de Infração nº 37.289.7088 e 37.289.7096, até a presente data não foram decididos pela turma julgadora de primeiro piso, atrapalhando e prejudicando o direito de defesa do Recorrente; · Que houve erro na identificação da base de cálculo relativa à aferição indireta no exercício de 2007. Alfim, requer a declaração de nulidade, insubsistência e improcedência do lançamento. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE Fl. 157DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10540.720158/201026 Acórdão n.º 2302001.993 S2C3T2 Fl. 156 5 O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 04/05/2011, Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 03 de junho de 2012, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Estando presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DO ARBITRAMENTO Pondera o Recorrente que o arbitramento tem caráter excepcionalíssimo, devendo ser utilizado em casos extremos, na medida em que deve sempre prevalecer a base de cálculo originária, regramatriz de incidência tributária. Aduz que o arbitramento só tem cabimento quando for impossível ao Fisco verificar a documentação fiscal do contribuinte. Em se tornando esta imprestável é lícita à aplicação do arbitramento. Tal alegação é perfeita, do ponto de vista principiológico, mas não se coaduna com as provas dos autos. Cumpre neste comenos destacar que, no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre as obrigações tributárias, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, o CTN honrou prescrever, com propriedade, a distinção entre as duas modalidades de obrigações tributárias, ad litteris et verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade Fl. 158DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos) As obrigações acessórias, consoante os termos do Diploma Tributário, consubstanciamse deveres de natureza instrumental, consistentes em um fazer, não fazer ou permitir, fixados na legislação tributária, na abrangência do art. 96 do CTN, em proveito do interesse da administração fiscal no que tange à arrecadação e à fiscalização de tributos. No plano infraconstitucional, no que pertine às contribuições previdenciárias, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual fez inserir na Ordem Jurídica Nacional uma diversidade de obrigações acessórias, criadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização das contribuições previdenciárias, sem transpor os umbrais limitativos erguidos pelo CTN. Envolto no ordenamento realçado nas linhas precedentes, o art. 32 da citada lei de custeio da Seguridade Social estatuiu como obrigação acessória da empresa o lançamento mensal, em títulos próprios da contabilidade, de forma descriminada, de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, o montante das quantias descontadas dos segurados, as contribuições a cargo da empresa, bem como os totais por esta recolhidos. Impôs também ao sujeito passivo o dever instrumental de elaborar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação tributária. Além disso, determinou que o contribuinte informasse, mensamente, mediante GFIP, todos os dados relacionados a todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, e outras informações do interesse do INSS. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 159DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10540.720158/201026 Acórdão n.º 2302001.993 S2C3T2 Fl. 157 7 No que pertine à elaboração das folhas de pagamento, ouvimos em alto e bom som das normas assentadas no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 que a folha de pagamento deve ser elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, devendo, necessariamente, discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; destacar o nome das seguradas em gozo de saláriomaternidade; destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais e indicar o número de quotas de salário família atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. No que toca à GFIP, exige a lei que em tal documento sejam declarados mensamente pelo empregador, dentre outras informações, os dados cadastrais do empregador/contribuinte, dos trabalhadores e tomadores/obras; as Bases de incidência do FGTS e das contribuições previdenciárias, compreendendo o total das remunerações dos trabalhadores, a comercialização da produção, a receita de espetáculos desportivos/patrocínio, o pagamento a cooperativa de trabalho, a movimentação de trabalhadores (afastamentos e retornos), saláriofamília e saláriomaternidade, compensação de contribuições previdenciárias, assim como retenção de 11% sobre nota fiscal/fatura, exposição a agentes nocivos/múltiplos vínculos, valor da contribuição do segurado, nas situações em que não for calculado pelo SEFIP (múltiplos vínculos/múltiplas fontes, trabalhador avulso), valor das faturas emitidas para o tomador, dentre tantas outras previstas no Manual da GFIP, aprovado pela Instrução Normativa RFB nº 880, de 16/10/2008 e pela Circular CAIXA nº 451, de 13/10/2008. De outro canto, mas ária de outra ópera, a lei ordena que sejam lançados mensalmente em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Mostrase auspicioso destacar que a contabilidade tem como uma de suas finalidades assegurar o controle do patrimônio e fornecer as informações sobre a composição e variações patrimoniais, bem como o resultado das atividades econômicas envolvidas, visando a atender, de forma uniforme, às exigências das leis e regulamentos dos órgãos públicos. Na atualidade ela cumpre, igualmente, o papel de instrumento gerencial, que se utiliza de um sistema de informações para registrar as operações da organização, elaborar e interpretar relatórios que mensurem os resultados, e fornecer informações necessárias à tomada de decisões no processo de gestão, planejamento, execução e controle. Contudo, a razão maior para a uniformização dos princípios gerais da contabilidade é a configuração de um sistema de informações tributárias, através do qual o fisco possa sindicar os fatos geradores ocorridos e apurar os tributos devidos, fiscalizar a regularidade do seu recolhimento, para, assim, traçar as diretrizes da política tributária. Registrese, por relevante, que os registros contábeis devem ser feitos de modo preciso, com esteio em documentação idônea, a qual deve ser conservada em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, bem como a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, a teor do art. 4º do DecretoLei nº 486, de 3 de março de 1969. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Avulta nesse panorama que as prestações adjetivas ordenadas na legislação tributária têm por finalidade precípua permitir à fiscalização a sindicância ágil, segura e integral dos fatos jurígenos tributários ocorridos nas dependências jurídicas do sujeito passivo, motivo pelo qual se exige que a escrituração seja: a) Mensal, em razão do critério de apuração das contribuições previdenciárias ser por competência. b) Em títulos próprios, que propicie uma fácil e rápida identificação pelos agentes fiscais das contas contábeis onde se encontram registrados os fatos geradores de contribuições previdenciárias. c) De forma discriminada, de molde a se identificar as rubricas integrantes da base de incidência das contribuições previdenciárias, eis que, a cada uma delas corresponde uma alíquota própria a ser empregada no cômputo da contribuição devida. d) Que individualize o montante das quantias descontadas dos segurados, as contribuições a cargo da empresa, bem como os totais por esta recolhidos, de maneira que a fiscalização possa verificar a correcção das importâncias descontadas dos segurados e os montantes a cargo destes e os devidos pela empresa vertidos aos cofres públicos. Não se mostra demasiado enaltecer que o registro dessas informações nas folhas de pagamento, nas GFIP e na contabilidade não se configura como uma faculdade do município, mas, sim, uma obrigação tributária a ele imposta diretamente, com a força de império da lei formal, gerada nas Conchas Opostas do Congresso Nacional, segundo o trâmite gestacional plasmado nos artigos 61 a 69 da nossa Lei Soberana. Citese que tais documentos devem ser mantidos pela empresa à disposição da fiscalização, observadas as normas estabelecidas pelos órgãos competentes, até que ocorra a decadência das obrigações tributárias a eles associadas ou deles decorrentes. Não se deve perder de vista, igualmente, que as folhas de pagamento, as GFIP e os livros contábeis equiparamse a documentos públicos e que o seu preenchimento com informações incorretas ou omissas constituise crime de falsidade ideológica, na forma prevista no DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Brasileiro. DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Falsificação de documento público Art. 297 Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro: Pena reclusão, de dois a seis anos, e multa. §1º Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, aumentase a pena de sexta parte. §2º Para os efeitos penais, equiparamse a documento público o emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular. (grifos nossos) §3º Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) Fl. 161DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10540.720158/201026 Acórdão n.º 2302001.993 S2C3T2 Fl. 158 9 I na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório;(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) (grifos nossos) II na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita; (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) III em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) (grifos nossos) §4º Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados no §3º, nome do segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços.(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) (grifos nossos) Falsidade ideológica Art. 299 Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: (grifos nossos) Pena reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, se o documento é particular. Parágrafo único Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, aumentase a pena de sexta parte. No âmbito das contribuições sociais previdenciárias, a Lei nº 8.212/91 atribuiu à fiscalização previdenciária a prerrogativa de examinar toda a contabilidade da empresa, não podendo lhe ser oposta qualquer disposição legal excludente ou limitativa do direito de examinar os livros, arquivos, documentos ou papéis comerciais ou fiscais, assim como o poder de exigir a exibição de todos os livros e documentos relacionados com as contribuições sociais previdenciárias, ficando a empresa obrigada a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados, a teor do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). Fl. 162DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (grifos nossos) §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (...) §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Salientese que as diretivas ora enunciadas não discrepam dos mandamentos encartados no Código Tributário Nacional CTN, cujo art. 195 aponta, inflexivelmente, para o mesmo norte. Código Tributário Nacional CTN Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. No caso em exame, conforme consignado no item 4.3. do Relatório Fiscal, a fls. 62/64, o ente público autuado apresentou as folhas de pagamento, exceto as do décimo terceiro, Consolidação do Balanço e Demonstrativo de despesa sintético dos anos 2006, 2007 e 2008. Nos documentos contábeis exibidos não foi possível identificar os valores mensais de salário de contribuição, impossibilitando a verificação do montante mensal, integridade e regular contabilização. Foram identificadas, ainda, discrepâncias entre os dados citados e os do TCM/BA . Solicitados esclarecimentos através de Termo de Intimação, estes não foram prestados de forma a esclarecer as divergências existentes, mês a mês, entre os dados do TCM / Fl. 163DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10540.720158/201026 Acórdão n.º 2302001.993 S2C3T2 Fl. 159 11 BA, Balanços contábeis, folhas e GFIP, bem como, quanto à existência de recolhimentos superiores aos valores declarados em GFIP. Tais divergências encontram expostas na Tabela ao pé da fl. 66, no Relatório Fiscal da Infração. Destaca, também, a Autoridade Lançadora, ao item 3. do Relatório Fiscal a fl. 61 que o Recorrente, apesar de formalmente intimado mediante termo próprio, não apresentou os resumos gerais da folha de pagamento referente ao 13º salário dos servidores. Além disso, o Ente Municipal não incluiu nas GFIP correspondentes todas as remunerações dos segurados a seu serviço, havendo sido omitidos do documento citado valores pagos a segurados, e informado com erro a alíquota de SAT/RAT nas GFIP de 01/2006 a 12/2006, e de 01/2007 a 13/2008. Como se não bastasse, não consta informado nas GFIP nenhum segurado contribuinte individual, apesar de a contabilidade registrar nos exercícios de 2006, 2007 e 2008 um montante de quase 8,4 milhões de reais em remunerações a essa categoria de segurados, o que equivale à média mensal de mais de 233 mil reais. Dessarte, a não observância das obrigações tributárias assentada no art. 32 da Lei nº 8.212/91, consistentes na elaboração deficiente das folhas de pagamento e das GFIP, marcadas pelo não registro de todas as remunerações pagas a todos os segurados a seu serviço e de todos os dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária, respectivamente, assim como as discrepâncias de remuneração entre os documentos do órgão público em tela e os dados por ele mesmo enviados ao TCM/BA, frustrou os objetivos da lei, prejudicando a atuação ágil e eficiente dos agentes do fisco, que se viram impelidos a despender uma energia investigatória suplementar na apuração dos fatos geradores em realce, não somente nos documentos suso destacados, mas, igualmente, em outras fontes de informação, tais como o Ofício do TCM à Secretaria da Receita Federal do Brasil, dentre outros. Reconhece o Recorrente que o arbitramento só deve ser realizado em casos extremos, quando forem omissos ou não mereçam fé os documentos expedidos pelo sujeito passivo, em atenção ao art. 148 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Na mesma medida dispõe o §3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33 (...) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Nessas circunstâncias, a apresentação deficiente dos documentos citados nos parágrafos precedentes, configurouse como motivo justo, bastante, suficiente e determinante para que o Fisco inscrevesse de ofício a importância reputada como devida, cabendo sujeito passivo o ônus da prova em contrário, a teor do §3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Não procede, pois, o argumento recursal de que a omissão de alguns segurados na escrituração contábil e nas folhas de pagamentos jamais poderia legitimar a opção do Fisco pela utilização do arbitramento. Tivesse o sujeito passivo cumprido, com o devido rigor, as obrigações acessórias impostas pela legislação, os fatos geradores teriam sido apurados diretamente nas folhas de pagamento, nas GFIP e na contabilidade. Mas assim não ocorreu. A não observância das formalidades exigidas pela legislação tributária quebrou o mecanismo idealizado pelo legislador ordinário para a apuração ágil e precisa dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, obrigando os agentes fiscais a investigar uma série de outros documentos para a captação dos fatos jurígenos tributários de sua competência, no cumprimento efetivo do seu dever de ofício. As divergências de remuneração de pessoal apurada pela fiscalização e não esclarecidas pelo Recorrente encontramse dispostas na Tabela abaixo: DESPESA DE PESSOAL 2006 2007 2008 TOTAL BALANÇO 4.289.832,71 4.474.546,74 5.723.075,58 14.487.455,03 FOLHA DE PAGAMENTO 2.893.209,53 2.871.792,77 3.601.353,78 9.366.356,08 GFIP 2.458.530,89 2.807.257,29 3.503.670,73 8.769.458,91 OFÍCIO DO TCM/BA 3.919.369,09 5.225.991,49 6.686.637,15 15.831.997,73 Diante desse panorama, outra alternativa não se abriu à fiscalização que não apurar o montante devido por aferição indireta da base de cálculo, autorizada que estava pelo permissivo legal encartado no §3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, transferindose para o sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Citese por relevante que no procedimento de apuração da matéria tributável por arbitramento, valese a Autoridade Fiscal de outros elementos de sindicância que não aqueles documentos assinalados pela lei como adequados ao registro lapidado dos fatos Fl. 165DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10540.720158/201026 Acórdão n.º 2302001.993 S2C3T2 Fl. 160 13 geradores de contribuições previdenciárias, tais como as folhas de pagamento, GFIP e os Livros Fiscais. Tais elementos podem ser os mais diversos, como, a título meramente ilustrativo, RPA, notas fiscais, Custo Unitário Básico da construção civil, valor de mercado de utilidades recebidas por segurados, custo de mão de obra empregada em serviços de construção civil, dentre outros. Alguns desses critérios de aferição indireta, a serem empregados pela fiscalização nas hipóteses autorizadas pela lei, encontramse positivados na legislação previdenciária, ostentando natureza meramente procedimental interna, não interferindo, de maneira alguma, extra muros, eis que não vinculam nem impõem obrigações, de qualquer espécie, aos contribuintes. A abrangência de seus comandos, advirtase, restringese, tão somente, ao critério de apuração indireta das bases de cálculo de contribuições previdenciárias, nada mais. Em outros casos, como se deu ocorrer no presente, a fiscalização tem que buscar outros parâmetros de aferição os mais diversos imagináveis, de molde a construir hipoteticamente o arcabouço substancial da matéria tributável, tendo por alicerce, tão somente, o principio da razoabilidade. No caso em apreciação, a autoridade fiscal procedeu à apuração dos fatos geradores constantes nos Levantamentos intitulados “TC – DIF TCM FOLHA ARBITRADO”, “TC1 – DIF TCM FOLHA ARBITRADO” e “TC2 – DIF TCM FOLHA ARBITRADO” com base nas diferenças entre os valores de Despesa de Pessoal repassados pelo TCM/BA e os informados pelo Órgão público nas suas Folhas de pagamento, assim como nos levantamentos registrados sob o rótulo “TG – DIF TCM GFIP ARBITRADO”, “TG2 – DIF TCM GFIP ARBITRADO” com base nas diferenças entre os valores de Despesa de Pessoal repassados pelo TCM/BA e os informados pelo Órgão público nas GFIP referentes ao 13º salário dos segurados empregados, eis que, nessas competências, o autuado não apresentou as folhas de pagamento correspondentes.. A base de cálculo das contribuições em relevo, fruto do aludido procedimento de aferição acima especificado, encontrase explicitada no Discriminativo de Débito, a fls. 14/35, discriminada por levantamento. As bases de cálculo de cálculo dos demais levantamentos que compõem o presente Auto de Infração não se houveram por apuradas mediante aferição indireta, mas, sim, diretamente a partir dos documentos apresentados pelo Autuado. Nessa perspectiva, conforme expressamente estatuído na lei, não concordando o sujeito passivo com o valor aferido pela Autoridade Lançadora, competelhe, ante a refigurada distribuição do ônus da prova, que lhe é avesso, demonstrar por meios idôneos que tal montante não condiz com a realidade. A decisão de 1ª instância já havia fundamentado a negativa de provimento à impugnação interposta pelo sujeito passivo em foco na ausência de esclarecimentos sobre as divergências apontadas pela fiscalização. Nesse contexto, mesmo ciente de que seu pedido houvera sido negado em razão da carência da comprovação material do Direito alegado, o Recorrente quedouse inerte Fl. 166DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 no sentido de suprir a falta em destaque, não fazendo acostar aos autos os elementos de prova aptos a contrapor o conjunto probatório trazido à balha pela fiscalização. Nas oportunidades que teve de se manifestar nos autos do processo, o Recorrente não honrou produzir as provas necessárias à elisão do lançamento tributário que ora se edifica. Limitouse a deduzir ponderações acerca das circunstâncias autorizadoras da apuração da base de cálculo por arbitramento, as quais, reiterese, encontramse presentes no caso em estudo, gravitando à distância do núcleo jurídico sensível do qual se irradiaram os fundamentos legais e constitucionais que forneceram esteio à exação em debate, não logrando assim desincumbirse do encargo que lhe pesava e se lhe mostrava contrário. Nesse diapasão, não se mostra suficiente à elisão do lançamento a mera alegação, em sede de recurso, de que não estariam presentes os pressupostos autorizadores da apuração da base de cálculo por aferição indireta. Ora, ante a refigurada distribuição do ônus da prova, deveria o Recorrente ter demonstrado, no bojo de sua peça recursal, com fundamento na sua escrita contábil, devidamente amparada pelos documentos comprobatórios da fidedignidade dos registros contábeis, que os lançamentos tributários levados a efeito pelo fisco encontravamse em descordo com a realidade. Mas assim não se sucedeu. Optou, a seu risco, por exortar asserções totalmente alheias aos fundamentos objetivos do presente lançamento, as quais se mostraram insuficientes para elidir a imputação que lhe fora infligida pela fiscalização previdenciária, não obtendo sucesso, assim, em desincumbirse do encargo que lhe pesava e se lhe mostrava contrário, eis que não produziu os meios de prova hábeis a desconstituir o lançamento que ora se opera. Com efeito, o princípio da verdade material deve iluminar o procedimento de fiscalização para permitir lógica entre hipótese normativa e a realidade fática considerada. Mas tal princípio deve ser observado não somente pela administração tributária, como também, pelo administrado, que tem por obrigação legal registrar todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias tanto nas folhas de pagamento como nas GFIP e na contabilidade. Falhando o contribuinte em sua obrigação, a lei prevê um procedimento alternativo, consistente na apuração indireta da base de cálculo, como assim procedeu a fiscalização. No Processo Administrativo Fiscal, alegar sem nada demonstrar e provar, produz o mesmo efeito prático que nada alegar. Diante desse quadro, não se revela possível a esta Corte Administrativa o provimento do pleito ora requerido pelo Recorrente, em razão da carência de conjunto probatório robusto que dê esteio ao direito por si alegado. Diante do que se coligiu até o momento, restou visível a procedência do procedimento levado a cabo pela Autoridade Fiscal. 2.2. DA NULIDADE DO LANÇAMENTO Argumenta o Recorrente que o lançamento é nulo quando a narração for confusa e dificultar o direito de defesa. A alegação do Autuado não se coaduna com as provas dos autos. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10540.720158/201026 Acórdão n.º 2302001.993 S2C3T2 Fl. 161 15 Compulsando os autos do processo verificase que o Relatório Fiscal, a fls. 60/66, destacou com clareza as contribuições sociais objeto do lançamento assim como as correspondentes alíquotas. Descreve, em seu desenvolvimento, as operações levadas a efeito no curso do procedimento fiscal, assim como as irregularidades constatadas pela fiscalização, relatando, de maneira tópica, a não apresentação de documentos, a não prestação de informações e a omissão de fatos geradores nas GFIP. A resenha fiscal realiza toda a descrição dos fatos geradores e dos respectivos levantamentos, além dos motivos ensejadores da apuração por aferição indireta da base de cálculo de alguns dos levantamentos lançados, assim como o critério de arbitramento. O Relatório Fiscal suso referido informa igualmente os documentos analisados e a fonte de apuração dos fatos geradores. De outro eito, as informações pertinentes às contribuições sociais objeto do presente lançamento encontram dispostas no Discriminativo de Débito, a fls. 14/35, de forma discriminada por rubrica, alíquota, valor absoluto, base de cálculo, competência e estabelecimento, de molde que sua correcção e consistência podem ser sindicadas a qualquer tempo e oportunidade pelo sujeito passivo. O documento descrito no parágrafo precedente informa também, de forma individualizada por rubrica lançada, os valores dos créditos de titularidade do contribuinte que foram considerados no presente lançamento, as GPS recolhidas, os valores de dedução legal e as diferenças a recolher, assim como os códigos de cada levantamento que integra a presente notificação fiscal e os códigos do Fundo de Previdência e Assistência Social, de terceiros e a Classificação Nacional de Atividades Econômicas a que se enquadra a empresa recorrente. O preâmbulo do Discriminativo de Débito expõe para cada levantamento o seu período de apuração e lançamento, informando ao sujeito passivo os motivos ensejadores das contribuições neles contidas. De forma idêntica, guardadas as devidas particularidades, os preceitos normativos que fornecem sustentação jurídica ao lançamento então operado foram devidamente especificados no corpo dos relatórios fiscais acima desfraldados, assim como no relatório intitulado Fundamentos Legais do Débito – FLD, a fls. 51/53, o qual foi estruturado de maneira atomizada por tópicos específicos condizentes com os mais diversos e variados aspectos relacionados com procedimento fiscal e o crédito tributário ora em constituição, descrevendo, pormenorizadamente, em cada horizonte temporal, todos os instrumentos normativos que dão esteio às atribuições e competências do auditor fiscal, às contribuições sociais lançadas e seus acessórios pecuniários, às substituições tributárias, aos prazos e obrigações de recolhimento, às obrigações acessórias pertinentes ao caso espécie, dentre outras, especificando, não somente o Diploma Legal invocado, mas, igualmente, os dispositivos normativos correspondentes, permitindo ao notificado a perfeita compreensão dos fundamentos e razões da autuação, sendolhe garantido, dessarte, o exercício do contraditório e da ampla defesa. Malgrado as alegações apostas nesta preliminar de mérito, o Recorrente demonstrou, tanto em sua impugnação ao lançamento como no recurso em face da decisão de primeira instância, ter compreendido como perfeição os motivos ensejadores da vertente Fl. 168DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 notificação de lançamento. Com efeito, os Diplomas Jurídicos e os preceitos normativos sobre os quais se alicerça a exação ora atacada foram enfrentados pelo Recorrente com precisão cirúrgica, da mesma forma que o fora a descrição dos fatos jurígenos tributários apurados pelo fisco, não se vislumbrando nos instrumentos de bloqueio acima delineados qualquer argumentação desvinculada ou alheia ao lançamento que tornasse verossímil a alegação de que, concretamente, houve por cerceado o direito de defesa do sujeito passivo recorrente, fato que revela terem os relatórios fiscais integrantes deste Processo Administrativo Fiscal cumprido fielmente o papel que lhe fora atribuído pela lei. Não há, portanto, qualquer confusão ou obscuridade dúvida quanto à hipótese de incidência dos tributos objeto deste lançamento. Como visto, verificase que a Notificação Fiscal em relevo foi lavrada em harmonia com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a tipificação da obrigação tributária principal violada, os fatos jurígenos não adimplidos, a composição pecuniária das bases de cálculo, obrigação principal e respectivos acessórios, tudo de forma bem detalhada e discriminada em seus elementos de constituição. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIPF, TIF e TEPF, dentre outros, havendo sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao notificado. Não procede, portanto, a alegação recursal de que os autos de infração aplicados ao Município não possuem motivação, apenas se limitando a dar o enquadramento da conduta. A motivação é clara e está muito bem descrita e delineada nos relatórios fiscais acima referidos. A fiscalização constatou discrepâncias significativas entre as remunerações efetuadas a segurados empregados e a segurados contribuintes individuais informadas nas GFIP, nas folhas de pagamento, na contabilidade e os valores de despesas de pessoal declarados pelo próprio município ao TCM/BA, cujos recolhimentos realizados não foram suficientes para cobrir as contribuições previdenciárias delas decorrentes, deixando, igualmente, de esclarecer as razões de tais discrepâncias, circunstância que motivou a apuração da base de cálculo de determinados levantamentos por aferição indireta. Também se revela infundado o argumento esposado pelo Autuado de que os Autos de Infração nº 37.289.7088 e 37.289.7096, até a presente data, não foram decididos pela turma julgadora de 1ª Instância, atrapalhando e prejudicando o direito de defesa do Recorrente. Os aludidos documentos fiscais referemse a Autos de Infração lavrados pelo descumprimento de obrigação acessória, consistente na apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com omissões ou incorreções relativas aos fatos geradores apurados mediante o Auto de Infração ora em julgamento. Inexiste relação de prejudicialidade daqueles Autos de Infração com o presente. O contrário sim. Do julgamento do vertente processo é possível que haja irradiação de efeitos para aqueles, motivo pelo qual se mostra prudente que este seja julgado antes daqueles. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10540.720158/201026 Acórdão n.º 2302001.993 S2C3T2 Fl. 162 17 Inexiste, pois, qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação de cerceamento de defesa tão veementemente defendida pelo sujeito passivo, razão pela qual impende repelir peremptoriamente tal preliminar. 2.3. DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Pondera o Município que, para que seja aplicada uma multa, é necessário que haja um processo administrativo em que seja garantido o contraditório e a ampla defesa, para que, depois, a multa seja mensurada e aplicada. Tal alegação dispensaria qualquer comentário. ... melhor fazêlo. O Recorrente precisa ser apresentado, com a máxima urgência, em meio a requintes de plena intimidade, com os preceitos inscritos nos artigos 142 e 149, I do CTN e art. 37 da Lei nº 8.212/91. Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (grifos nossos) Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; (...) Fl. 170DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 O caso ora em apreciação trata de notificação fiscal débito, formalizada mediante Auto de Infração de Obrigação Principal, mediante o qual a autoridade fiscal, de maneira privativa, promoveu o lançamento de ofício de contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas aos cofres da Autarquia Previdenciária Federal. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). §1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). §2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) §7o O crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de lançamento, de auto de infração e de confissão de valores devidos e não recolhidos pelo contribuinte. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. (grifos nossos) Diante dos aludidos dispositivos, avulta, por decorrência lógica, que a condução do procedimento de constituição do crédito tributário é prerrogativa privativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de seus auditores fiscais, a qual detém a competência para planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previdenciárias previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social. Nessa prumada, nos termos do art. 37 da Lei nº 8.212/91, c.c. art. 149, I do CTN, havendo o auditor fiscal constatado o atraso total ou parcial o atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições previdenciárias em foco, teve ele, por dever de ofício, ante a natureza plenamente vinculada de suas atribuições institucionais, que lavrar a competente notificação de lançamento, descrevendo de maneira clara e precisa os fatos geradores apurados, as contribuições devidas e os períodos a que se referem, como de fato assim se observou nos Fl. 171DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10540.720158/201026 Acórdão n.º 2302001.993 S2C3T2 Fl. 163 19 variados e específicos relatórios que integram o presente instrumento de constituição de crédito tributário. Mostrase auspicioso destacar que o lançamento tributário se configura legalmente como um procedimento administrativo privativo da autoridade fiscal competente, com o objetivo de apurar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. O procedimento administrativo delineado no parágrafo precedente é inaugurado, em regra, por uma fase preliminar, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicandolhe a legislação tributária. Durante a fase oficiosa, os atos ex officio praticados pelo agente fiscal bem como os procedimentos que antecedem o ato de lançamento são unilaterais da fiscalização, sendo juridicamente inexigível a presença do contraditório na fase de formalização do lançamento. A fase oficiosa ou não contenciosa encerrase com a ciência do contribuinte do lançamento tributário levado a cabo, podendo ele, aquiescendo, nada alegar, vindo a pagar ou a parcelar o que lhe é exigido, ou, numa atitude diametralmente oposta, discordando da exigência fiscal, impugnar o lançamento, exercendo assim o seu direito ao contraditório e à ampla defesa, inaugurando, assim, a fase litigiosa do Processo Administrativo Fiscal, a teor do art. 14 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Nessa perspectiva, tanto as provas coletadas diretamente pela fiscalização quanto àquelas obtidas por intermédio dos trabalhos complementares de investigação não se submetem ao contraditório e à ampla defesa nessa fase inquisitorial acima mencionada, mas, sim, posteriormente, com a impugnação ao lançamento pelo sujeito passivo, quando então se instaura o contencioso fiscal. Em virtude de sua natureza inquisitiva, a ausência do contraditório na fase preparatória do lançamento não o nulifica. Anotese que o auditor fiscal possui a prerrogativa, mas não a obrigação, de exigir do sujeito passivo a prestação de esclarecimentos e informações de interesse da fiscalização. O contribuinte, sim, encontrase jungido pelo dever jurídico de prestar à autoridade fiscal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, conforme assim preceitua o inciso III do art. 32 da Lei nº 8.212/91. Se o Recorrente ainda não percebeu, cumpre iluminálo. O presente Processo Administrativo Fiscal constituise, exatamente, no meio processual próprio, único e adequado para que o sujeito passivo exerça, em sua plenitude, o seu constitucional direito ao contraditório e à ampla defesa em face da exigência fiscal que lhe ora lhe é infligida pela Fl. 172DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 fiscalização, sendo de observância obrigatória o rito processual fixado no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Dessarte, mediante o presente Processo Administrativo Fiscal, a autoridade administrativa competente, in casu, o Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil, inaugura o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária correspondente, a determinar a matéria tributável, a calcular o montante do tributo devido e a identificar o seu sujeito passivo, tudo na forma encartada no art. 142 do CTN. Em tempo, o objeto do Auto de Infração de Obrigação Principal é o tributo. A penalidade pecuniária a que se refere o art. 142, in fine, do CTN decorre do descumprimento de obrigação tributária acessória e é constituída mediante Auto de Infração de Obrigação Acessória, o qual ostenta natureza jurídica diversa da do Auto de Infração ora em julgamento. O presente Processo Administrativo Fiscal tem por objeto o lançamento de ofício de contribuições previdenciárias – obrigação principal , cujo crédito tributário nele veiculado somente restará definitivamente constituído com o Trânsito em Julgado administrativo. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Autuado, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo órgão de 1ª instância não expressamente contestadas pelo Recorrente em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela parte. 3.1. DOS LANÇAMENTOS EFETUADOS NA MESMA AÇÃO FISCAL Alega o Recorrente que os Autos de Infração 37.289.7134 e 37.289.7150 possuem a mesma motivação e narração dos fatos. A percepção dos fatos pelo Recorrente revelase apuradíssima. Realmente, conforme descrito no item 5.1. do Relatório Fiscal a fl. 57, no curso da ação fiscal em debate houvese por lavrado, por descumprimento de obrigação principal, além do vertente Auto de Infração, o AIOP n° 37.289.7134, que promoveu o lançamento de contribuições previdenciárias a cargo da empresa destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. Notese que o presente Auto de Infração referese, tão somente, a contribuições previdenciárias A CARGO DOS SEGURADOS, incidentes sobre as respectivas Fl. 173DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10540.720158/201026 Acórdão n.º 2302001.993 S2C3T2 Fl. 164 21 remunerações, cuja responsabilidade pela retenção e recolhimento é atribuída ao empregador pelas alíneas ‘a’ e ‘b’ do inciso do art. 30 da Lei nº 8.212/91. Já o Auto de Infração n° 37.289.7134 referese a contribuições previdenciárias A CARGO DO MUNICÍPIO, destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea ‘a’ deste inciso, a contribuição a que se refere o inciso IV do caput do art. 22 desta Lei, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço até o dia 10 (dez) do mês seguinte ao da competência; Cumpre alertar que o desconto da contribuição dos segurados a serviço da empresa, aqui incluídos os órgão públicos, sempre se presume feito oportuna e regularmente pela entidade a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto na Lei de Custeio da Seguridade Social, a teor do art. 33, §5º do mesmo Diploma Legal. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. 3.2. DO ERRO DA BASE DE CÁLCULO APURADA Fl. 174DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 Alega o Recorrente ter havido erro na identificação da base de cálculo relativa à aferição indireta no exercício de 2007. Razão lhe assiste in totum. Com efeito, a Agente Fiscal, ao lançar a base de cálculo referente ao levantamento RCPAGAMENTO A PESSOA FÍSICA, no exercício de 2007, informou por equívoco não o montante de R$ 1.798.978,17 registrado na conta 3390.36.00 – outros serviços de terceiros – pessoa física, mas, sim, o valor de R$ 4.474.546,74 consignado na conta 3190.11.00 – Vencimentos e vantagens fixas – pessoal civil, conforme consolidação de balanço 2007, a fl. 143 dos autos do processo administrativo n° 10540.720156/201037, relativo ao auto de Infração n° 37.289.7134, lavrado na mesma ação fiscal. Todavia, tal erro na quantificação da base de cálculo referente ao levantamento RCPAGAMENTO A PESSOA FÍSICA, exercício 2007, já se houve por corrigido pelo órgão julgador de 1ª Instância, conforme Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 94/103. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 175DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10480.914333/2009-62
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/03/2003
REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO NO CARF.
As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática da repercussão geral deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 3803-003.652
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. Após 9 de junho de 2005, o prazo para a repetição ou compensação de indébitos relativos a tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos contados da data do pagamento antecipado, conforme já decidiu o Supremo tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621, submetido à sistemática da repercussão geral. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/03/2003 REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO NO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática da repercussão geral deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 43 33 /2 00 9- 62 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em decorrência da decisão da DRJ Recife/PE que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte para se contrapor à não homologação da compensação pleiteada, nos termos do despacho decisório eletrônico exarado pela repartição de origem. O contribuinte havia transmitido à Receita Federal Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), relativos a pretenso pagamento da contribuição para o PIS efetuado a maior, cujo direito creditório reclamado neste processo totaliza o valor de R$ 10.698,07, tratandose de crédito de sociedade empresária sucedida por incorporação. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem decidiu por não homologar a compensação, sob o fundamento de que, “na data de transmissão do documento em análise já estava extinto o direito de utilização do crédito por terem se passado mais de cinco anos entre a data de arrecadação do DARF e a data de transmissão do PER/DCOMP” (fl. 6). Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 11 a 18) e requereu a homologação total da compensação ou a realização de perícia para se confirmar o crédito pleiteado, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) nos termos de decisões judiciais reproduzidas em parte na peça recursal, a prescrição do direito de ação, relativa à compensação de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil deve ser contada a partir da efetiva ou tácita homologação do respectivo lançamento; b) a não homologação das compensações constitui autêntica sanção política ou indireta, violando a razoabilidade, a proporcionalidade e o devido processo legal. A DRJ Recife/PE julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 29 a 37), tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 COFINS.RESTITUIÇÃO.PRAZO DECADENCIAL 0 prazo para pleitear a restituição de tributos relativos a valores pagos a maior ou indevidamente, inclusive em relação aos tributos lançados por homologação, é de 5 anos contados da data do pagamento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10480.914333/200962 Acórdão n.º 3803003.652 S3TE03 Fl. 63 3 A compensação, nos termos do art. 170 do CTN, só poderá ser homologada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos estejam revestidos dos atributos de liquidez e certeza. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. A extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, desde que seja editado ato especifico do Sr. Secretário da Receita Federal nesse sentido. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando este deixar de conter os requisitos estabelecidos pelo art.16, inciso IV, do decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972 e quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o contribuinte recorre a este Conselho (fls. 42 a 52) e reitera seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo reproduzidas na peça recursal ementas de decisões dos extintos Conselhos de Contribuintes. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos sobre Pedido de Restituição cumulado com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), não acatados pela Receita Federal por se referir a pagamento que já se encontrava extinto pelo decurso do prazo de cinco anos entre a data de arrecadação e a data de transmissão da declaração de compensação. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 A contorvérsia se restringe, portanto, ao prazo extintivo do direito de se pleitear a restituição de tributos pagos a maior ou indevidamente. O Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 566.621, submetido à regra da repercussão geral (art. 543B, § 3º, do Código de Processo Civil), decidiu, em 4 de agosto de 2011, que, no que tange aos pedidos de repetição ou compensação de indébitos formalizados a partir de 9 de junho de 2005, aplicase lhes o prazo de cinco anos contados da data do pagamento indevido. A data de 9 de junho de 2005 corresponde ao dia seguinte ao termo final da vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005, que definiu, nas hipóteses de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo de cinco anos contados da data do pagamento antecipado para a extinção do crédito tributário respectivo. No mesmo julgamento, a aplicação retroativa do referido prazo (art. 3º da LC nº 118/2005) foi considerada inconstitucional, por ferir o princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Referida decisão do STF transitou em julgado em 27 de fevereiro de 2012, de acordo com consulta ao sítio do Tribunal na internet realizada em 08/10/2012. De acordo com o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256/2009), as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática da repercussão geral deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o contribuinte formulou seu pedido de restituição e compensação em 21 de novembro de 2008, após, portanto, a vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005, referindose a pagamento efetuado em 14/03/2003, em razão do que temse por transcorrido o prazo previsto no art. 168, I, do Código Tributário Nacional (CTN), combinado com o art. 3º, in fine, da Lei Complementar nº 118/2005. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 65DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10480.914333/200962 Acórdão n.º 3803003.652 S3TE03 Fl. 64 5 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10480.914333/200962 Interessada: VOTORANTIM CIMENTOS N/NE S/A Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803003.652, de 25 de outubro de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 25 de outubro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 66DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS
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