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Numero do processo: 10980.908092/2008-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/04/2004
COFINS. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS.
A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Walber José da Silva - Presidente
(Assinado digitalmente)
José Antonio Francisco - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/04/2004 COFINS. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte
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COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 80 92 /2 00 8- 09 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/10/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 64 a 103) apresentado em 13 de maio de 2011 contra o Acórdão no 0630.728, de 16 de março de 2011, da 3ª Turma da DRJ/CTA (fls. 49 e 50), cientificado em 20 de abril de 2011, que, relativamente a declaração de compensação de PIS dos períodos de 15 de abril de 2004, considerou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A compensação de débitos da contribuinte com créditos cuja existência não for comprovada, não pode ser homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A declaração de compensação foi transmitida em 14 de setembro de 2004 e a Primeira Instância assim resumiu o litígio: Trata o processo de manifestação de inconformidade (fls. 10/11), apresentada em 02/09/208, era face da nãohomologação da compensação declarada por meio do Per/Dcomp nº 11641.70398.140904.1.3.047168, nos termos do despacho decisório emitido em 12/08/2008 pela DRF em Curitiba / PR (rastreamento nº 781137836 cópia à fl. 01). Na aludida Dcomp (cópia às fls. 05/09), transmitida eletronicamente em 14/09/2004, a contribuinte indicou um crédito de R$ 2.268,44 (que corresponde a parte de um pagamento efetuado em 15/04/2004, sob o código 5856, no valor de R$ 5.312,90, para o período de apuração 03/2004), e um débito de Cofins não cumulativa (código 5856) de R$ 2.377,55, relativo a agosto de 2004, vencido em 15/09/2004. Segundo o despacho decisório, cientificado em 25/08/2008 (f1. 2), a compensação não foi homologada porque o pagamento indicado como indevido (que foi localizado) já havia sido integralmente utilizado na extinção do débito de PIS (cód. 6912) de março de 2004. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/10/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.908092/200809 Acórdão n.º 3302001.811 S3C3T2 Fl. 108 3 Na manifestação apresentada a contribuinte alega que a compensação foi corretamente realizada e que teria faltado apenas a retificação da DCTF, já efetuado. [...] Às fls. 46/48, extratos de consulta aos sistemas de controle de DCTF, Dacon e DIPJ. No recurso, após recordar os termos do despacho decisório e do acórdão de primeira instância, alegou o seguinte a Interessada: Diante do exposto, entendese que a retificação tanto a DCTF quanto DIPJ ocorrida após ciência do Despacho Decisório, procede, visto que se cumpriu o prazo de 30 dias para a apresentação do manifesto de inconformidade e os próprios programas fornecidos pela Secretaria da Receita Federa, no ato da transmissão das respectivas retificações, não apresentaram nenhum impeditivo ou até mesmo erro. Entendese também que o único equívoco praticado por parte da contribuinte foi de não retificar o Dacon do 1° trimestre de 2004, da origem do crédito, que não afasta o direito aos mesmos, visto que o referido período encontrase prescrito, o que dificulta a atual retificação do Dacon, mas a prova dos respectivos créditos encontramse devidamente escriturados no livro Razão, n. 2, ano 2004, páginas 92, 98, 224, 243 e no livro Diário n. 2, ano 2004, registrado na Junta Comercial conforme autenticação n. 05/0736370, de 29/06/2005. Ora comprovada a existência do direito creditório solicitado, a Contribuinte requer que seja analisado e homologado o direito creditório. Afirmou juntar cópias da DIPJ e DCTF, dos livros Razão e Diário e da alteração contratual. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o acórdão de primeira instância e o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam todos vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Em relação à DCTF, a sua retificação tem efeitos desconsiderados pelo acórdão de primeira instância. É certo que, anteriormente à atual sistemática, a DCTF retificadora somente se prestava a reduzir o montante do tributo declarado, sujeitandose a um processo tributário de Fl. 109DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/10/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 análise de mérito por parte da autoridade fiscal, de forma que o valor inicialmente declarado somente seria alterado para o menor se houvesse prova antecipada do erro. Atualmente, entretanto, desde as alterações introduzidas pela Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001, art. 18, a DCTF retificadora, quando admitida, tem os mesmos efeitos da original (art. 9º, I, da IN RFB no 1.110, de 2010). De acordo com a IN citada acima, que é a mais recente, somente não seriam admitidas para reduzir o tributo declarado as DCTF retificadoras relativas a tributos cuja cobrança tenha sido enviada à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ou que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Obviamente, não foi o que ocorreu nos presentes autos, uma vez que o procedimento eletrônico referiuse à declaração de compensação e não à DCTF. Portanto, o despacho que não homologou a compensação não impedia a DCTF retificadora, que, por sua vez, substituiu completamente a original. Para que não houvesse tal situação, a Receita Federal teria que prever que o despacho de não homologação da declaração de compensação, baseado na inexistência de saldo de crédito pela sua alocação a débito declarado em DCTF, fosse causa de não admissão da DCTF. Como não é, a DCTF retificadora apresentada alterou a situação jurídica anteriormente constatada pelo despacho decisório, de que inexistiria indébito pela ausência de saldo de crédito. Diante do quadro acima exposto, concluise que, primeiramente, as compensações foram não homologadas corretamente, de acordo com os fatos existentes à época do despacho decisório. O acórdão de primeira instância considerou não demonstrado o direito de crédito, no que tem razão, mas, com a retificadora, o ônus de prova não era mais do sujeito passivo. Dessa forma, tal indébito tem que ser devidamente apurado pela autoridade fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a compensação. Por fim, esclareçase que a consideração de que a interessada também deveria ter provado ter suportado o ônus financeiro não poderia terlhe sido oposta no âmbito de julgamento do processo, uma vez que tal matéria não foi objeto do despacho decisório. De toda forma, a DRF poderá apurar todos os elementos que julgar necessários para reconhecer ou não o direito de crédito, além dos já constantes dos presentes autos. Assim, os autos devem retornar à delegacia de origem, para que o fisco apure os indébitos, mediante procedimento de diligência, para, então, o parecer ser submetido ao exame da seção competente da delegacia de origem, que deve novamente apreciar o mérito da compensação. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/10/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.908092/200809 Acórdão n.º 3302001.811 S3C3T2 Fl. 109 5 À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para determinar a apuração da liquidez e certeza do crédito da Interessada pela autoridade fiscal, submetendose a homologação das compensações a novo despacho decisório. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 111DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/10/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.727279/2011-21
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Data do fato gerador: 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO.
Aos tributos que integram o SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96), lançados de ofício em virtude da falta de pagamento/declaração, aplica-se a multa de ofício de 75%, inexistente qualquer situação para aplicação da multa qualificada de 150%.
Numero da decisão: 1803-001.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Selene Ferreira de Moraes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Data do fato gerador: 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. Aos tributos que integram o SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96), lançados de ofício em virtude da falta de pagamento/declaração, aplica-se a multa de ofício de 75%, inexistente qualquer situação para aplicação da multa qualificada de 150%.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes - Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1802; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 214 1 213 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.727279/201121 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803001.573 – 3ª Turma Especial Sessão de 6 de novembro de 2012 Matéria AI SIMPLES Recorrente EXPRESSO BOIADEIRO PALMEIRAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. Aos tributos que integram o SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96), lançados de ofício em virtude da falta de pagamento/declaração, aplicase a multa de ofício de 75%, inexistente qualquer situação para aplicação da multa qualificada de 150%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 72 79 /2 01 1- 21 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 05/12/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório EXPRESSO BOIADEIRO PALMEIRAS LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ BRASÍLIA (DF), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Contra a empresa acima identificada foi lavrado Auto de Infração IRPJ –Simples e seus reflexos em virtude de insuficiência de recolhimento referente a valores declarados/pagos a menor no anocalendário de 2007 (janeiro a julho). O valor do crédito tributário apurado no processo importa em R$ 365.857,30 (principal + multa de 75% e juros de mora), correspondente aos Autos de Infração de IRPJ, PIS, CSLL, Cofins e INSS. A contribuinte impugna os autos de infração constantes do presente processo alegando, em síntese, que: De fato recolheu a menor, pois naquele momento não dispunha de recursos financeiros para pagamento integral, vez que logo no primeiro exercício de funcionamento passou por situação financeira dificílima; Recolheu a menor, mas em nenhum momento quis ou pediu que declarasse a menor ou coisa semelhante, o que ocorreu foi erro do escriturário que preencheu a Declaração com o valor efetivamente recolhido e não informou a receita integral, tanto que procedeu as devidas retificações nas declarações quando percebeu o erro; Diante dos fatos, entende que o percentual da multa não poderia ter sido majorado a setenta e cinco por cento e que deve ser decretada a nulidade do processo, por conta das justificativas apresentadas. A DRJ BRASÍLIA (DF), através do acórdão nº 03047.053, de 09 de fevereiro de 2012 (fls. 187/190), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples AnoCalendário: 2007 Redução de Percentual da Multa de Ofício – Impossibilidade Atividade Administrativa de Lançamento Obrigatória. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, não competindo ao julgador ou à autoridade administrativa alterar o percentual de multa previsto em lei. Entendimento da RFB Expresso em Atos Normativos. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, o julgador deve observar o entendimento da SRF expresso em atos normativos. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 05/12/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10120.727279/201121 Acórdão n.º 1803001.573 S1TE03 Fl. 215 3 Ciente da decisão em 16/04/2012, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 197), apresentou o recurso voluntário em 15/05/2012 fls. 198/199 e 206, onde reitera os argumentos da inicial. É o relatório. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 05/12/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de autos de infração SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96), relativos ao primeiro semestre de 2007, lavrados em virtude de insuficiência de recolhimentos apurados pelo confronto entre a escrituração fiscal e os valores pagos, já que se encontrava omisso da DSPJ. Alega a recorrente em síntese: a) Que efetivamente recolheu a menor os valores devidos pois teve dificuldades financeiras decorrentes do inadimplemento de clientes; b) Que não houve qualquer tentativa deliberada de declarar valores a menor pois foi equívoco do escriturário, que no entanto forneceu as informações corretas ao Fisco Estadual; c) A empresa disponibilizou toda a documentação e livros existentes para a fiscalização; d) Que em virtude do procedimento adotado não deve ser aplicada a multa de 75%. Não assiste razão à interessada. Conforme relato contido em um dos autos de infração (fl. 132), estando a contribuinte omissa na entrega da DSPJ, efetuou a fiscalização o cotejo entre os valores devidos com base na receita bruta contida na escrituração fiscal e os valores efetivamente recolhidos. Com base no mencionado cotejo, apurou a autoridade fiscal a insuficiência no recolhimento dos tributos incluídos na sistemática do SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96), no período de 01/01/2007 a 30/06/2007. Destarte, tratandose de lançamento de ofício, impõese a aplicação da multa de ofício normal de 75%, prevista no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/96. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 217DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 05/12/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10120.727279/201121 Acórdão n.º 1803001.573 S1TE03 Fl. 216 5 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 05/12/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10830.010035/2010-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3102-000.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converte o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho - Relator
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente (assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho e Winderley Morais Pereira e Helder Kanamaru.
Relatório
Nome do relator: ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converte o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Relator (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro – Presidente (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho e Winderley Morais Pereira e Helder Kanamaru. Relatório Tratase de recurso voluntário visando a reforma do acórdão nº 0531.017 da 5ª Turma da DRJ/CPS, que julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário decorrente do auto de infração. De acordo com o relatório da decisão recorrida se pode observar que: “Tratase de auto de infração à legislação da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE (Remessas ao Exterior, fls. 356/359, lavrado em 26/07/2007, contra a contribuinte em epígrafe, em RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 10 03 5/ 20 10 -1 8 Fl. 2948DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.010035/201018 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3102000.224 S3C1T2 Fl. 568 2 decorrência do procedimento de fiscalização autorizado pelos MPF nº 08.1.04.00.2009007033 (Diligência) n º 08.1.03.002009009672 e nº 08.1.04.002010002147, relativos ao período de julho de 2005 a dezembro de 2008, fls.02/04, formalizando a exigência total de R$ 31.284.229,46, já incluídos o principal, a multa de ofício de 75% e os juros de mora calculados até a data da lavratura. Em 23/04/2009 foi dada a ciência à contribuinte do TERMO DE INÍCIO DE DILIGÊNCIA FISCAL de fl. 05 – MPFD nº 08.1.04.00 2009007033, intimandoa apresentar diversos livros e documentos contábeis/fiscais relativos ao anocalendário de 2008, dentre eles, aqueles referentes às operações de remessa de diversas ao exterior sujeitadas ao Imposto de Renda Retido na Fonte pelo código de arrecadação 0473, bem como de CIDE – Remessa ao Exterior, código de arrecadação 8741. Resposta da pessoa jurídica formalizada em 13/05/2009 às fls. 09/14, com documentos juntados às fls. 15/29. A pessoa jurídica foi cientificada em 18/04/2009 do TERMO DE PRORROGAÇÃO DE DILIGÊNCIA FISCAL de fl. 30 e, em 23/07/2009, do Termo de Início de Ação Fiscal de fls. 31/34, comunicando a alteração do procedimento de Diligência para Fiscalização (MPFF), bem como dos auditores fiscais encarregados do trabalho e respectivo supervisor. Na autoridade a contribuinte foi reintimada a apresentar os documentos antes solicitados, sendo especificados, em relação à apuração da CIDE – Remessa para o Exterior, do período de julho de 2005 a dezembro de 2008, os elementos adiante reproduzidos: Com relação á apuração da CIDE/Remessa para o exterior, apresentar Demonstrativos de Decomposição detalhada da base de calculo da CIDE/Remessa para o exterior para o período de julho de 2005 a dezembro de 2008, datado e assinado pelo Representante Legal da Fiscalizada ou por seu procurador; Obs.: Referido demonstrativo deverá ser elaborado na forma de planilha, entregue impressa e em meio magnético no formato “xls”, que detalhe, para todos os períodos de apuração compreendidos no intervalo fiscalizado, as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residente ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração a título de: I – aquisição de conhecimentos tecnológicos e/ou fornecimento de tecnologia; II – prestação de assistência técnica em: serviços de assistência técnica e serviços técnicos especializados; III – cessão e licença de uso de marcas; IV – cessão e licença de exploração de patentes; V – demais rubricas não especificadas a cima, sujeitas à incidência da referida contribuição; (...) Fl. 2949DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.010035/201018 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3102000.224 S3C1T2 Fl. 569 3 7) Com relação à CIDE/Remessa para o Exterior, apresentar esclarecimentos e planilhas que detalhem a eventual existência de: Processos de consulta formalizados perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil; Existência de créditos tributários objeto de parcelamento; Existência de pedidos restituição e pedidos de compensação. 8) Caso existam processos ajuizados pela empresa questionando quaisquer aspectos relacionados à CIDE/Remessas para Exterior: Identificar seus números e as varas em que estão tramitando; Identificar o objeto da Ação e seu estágio atual; Detalhar seu andamento desde a inicial; Apresentar todas as peças dos processos; Apresentar Certidões de Objeto de Pé recentes. O trabalho fiscal encontrase sintetizado no RELATÓRIO DE AÇÃO FISCAL Nº 00214/10/012 de fls. 360/369, cujo teor adiante é reproduzido parcialmente: I – DA EMPRESA FISCALIZADA 3 – A fiscalizada é sociedade por cotas de responsabilidade Ltda., tendo por objeto “fabricações de aparelhos telefônicos e de outros equipamentos de comunicação, peças e acessórios” (CNAE fiscal 26.329/00). 4 – A fiscalizada tem como procurador encarregado de acompanhar a Ação Fiscal e representar a empresa perante à Secretaria da Receita Federal do Brasil o Sr. Rogério Senra da Rocha, CPF 290.144.02821. 5 – A empresa não consignou em DCTF débitos a título de CIDE – Remessa ao Exterior, incidente sobre o pagamento ao exterior de serviços administrativo sem a transferência de tecnologia, relativamente ao período de 07/2005 a 12/2005. II – DA AÇÃO FISCAL 6 – O trabalho de auditoria teve início em 23/04/2009, quando foi lavrado TERMO DE INÍCIO DE DILIGÊNCIA FISCAL, fundamentado no MPFD nº 08.1.04.002009 007033. 7 – Em 03/07/2009, foi lavrado o TERMO DE INÍCIO DE AÇÃO FISCAL Nº00967/09/01. Dentre os elementos solicitados, destacam se: (...) 9 – Em 12/08/2009, a fiscalização apresentou a justificativa abaixo e extratos de seus livros contábeis como resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal Nº00967/10/001: Em atendimento à solicitação acima, estamos enviando o demonstrativo, elaborado na forma de planilha impressa e em meio Fl. 2950DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.010035/201018 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3102000.224 S3C1T2 Fl. 570 4 magnético, contendo a Decomposição detalhada e base de cálculo da CIDE/Remessas para o Exterior para o período de julho de 2005 a dezembro de 2008 (grifouse). 10 – Em 22/09/2009 foi lavrado o Termo de Intimação Nº00967/09/002, solicitandose à fiscalizada os seguintes documentos em complemento aos apresentados anteriormente: (...) 11 – Em 23/09/2009, a fiscalização demonstrou demonstrativo de apuração da CIDE/RE como resposta ao Termo de Intimação Nº00967/10/002. 12 – Em 17/02/2010 foi lavrado o Termo de Intimação Nº00967/09/005, solicitandose à fiscalizada os seguintes documentos em complemento aos apresentados anteriormente: (...) 13 – Em 13/03/2010, a fiscalizada apresentou a planilha solicitada, contendo o detalhamento de todas as remessas ao exterior efetuadas pela empresa a título de royalties pelo pagamento de tecnologia ou serviços com fornecimento de tecnologias também para o período ano calendário 2009, como resposta ao Termo de Intimação Nº00967/09/005. 14 – Em 05/05/2010, foi lavrado o Termo de Intimação Nº00967/09/007, solicitando à fiscalizada os seguintes esclarecimentos: Com relação à apuração da CIDE/Remessas para o período de julho de 2005 até 27/02/2007 (com o advento da Lei nº11.452/2007) apresentar planilha que detalhe as importâncias pagas, creditadas, entregues, ou remetidas, a cada período de apuração, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de: Licença de uso ou comercialização de software, sem a transferência de tecnologia; Com relação á apuração do CIDE/Remessa para o Exterior, para o período de julho de 2005 a dezembro de 2009 apresentar planilha que detalhe as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada período de apuração, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de: Serviços Administrativos e Semelhantes, sem a transferência de tecnologia; Serviços Técnicos e Semelhantes, sem a transferência de tecnologia; 15 – Em 25/05/2010, a fiscalizada apresentou as seguintes justificativas como resposta, respectivamente, aos itens 2 e 3 do Termo de Intimação Nº00967/09/007: A MIL não tem condições de atender este item da intimação, notadamente em função do volume de documentos/operações, o que Fl. 2951DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.010035/201018 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3102000.224 S3C1T2 Fl. 571 5 demandaria custos e tempo significativos. Toda a documentação fiscal se encontra a disposição desta Fiscalização, para que o procedimento possa ser devidamente concluído por esta equipe técnica. A MIL não tem condições de atender este item da intimação, notadamente em função do volume de documentos/operações e das características de cada uma delas. Apesar de a MIL não ter como atender plenamente aos termos desta questão, toda documentação fiscal se encontra à disposição desta Fiscalização, para que o procedimento possa ser devidamente concluído por esta equipe técnica. 16 – Em 16/06/2010, tendo em vista que as informações anteriormente solicitadas através do Termo de Intimação Nº00967/09/007, ainda não haviam sido prestadas a contendo e, tendo sido consideradas essenciais à determinação dos efeitos da Ação Judicial nº 2005.61.05.0095698 sobre os recolhimentos da CIDE/RE, foi lavrado o Termo de Intimação Nº00967/09/008, solicitandose à fiscalizada os seguintes esclarecimentos: Demonstrar a apuração da Base de Cálculo do Imposto do Imposto Retido na Fonte, relativamente ao código abaixo: IRRF – código 0473 – Imposto (...); Indicar de forma composta, por serviço e rendimento pago ao exterior, todas as bases de cálculo que resultam no recolhimento/declaração em DCTF do IRRF código 0473 para o período de julho de 2005 a dezembro de 2009; 17 – Em 23/07/2010, a fiscalizada apresentou as seguintes justificativas como resposta ao Termo de Intimação Nº00967/09/008: Em atendimento ao solicitado acima, estamos anexando a esta carta resposta, a planilha que demonstra todas as importâncias pagas pela MIL a residentes ou domiciliadas no exterior, a título de serviços administrativos sem transferência de tecnologia, que foram realizadas no exterior e são diretamente relacionados às exportações da Motorola Industrial Ltda, no período de julho de 2005 (grifouse). 18 – Em atendo aos esclarecimentos acima, a fiscalizada apresentou como amostra um contrato de prestações de serviços que detalha as espécies de serviços administrativos que eram adquiridos das unidades da Motorola em diversos países do mundo. 19 – Conforme se conclui das respostas apresentadas, a fiscalizada não inclui nas suas bases de cálculos da CIDE/RE, para o período de 07/2005 a 12/2005, as remessas ao exterior destinadas á aquisição de Serviços Administrativos e Semelhantes, sem transferência de tecnologia e/ou Serviços Técnicos e Semelhantes, sem a transferência de tecnologia. III – DO PROCESSO JUDICIAL 20 – Quanto à cobrança da CIDE Remessas para o Exterior a fiscalizada impetrou em 23/08/2005 o Mandato de Segurança nº2005.61.05.0095698. 21 – Em 02/09/2005, teve seu pedido de liminar deferido nos seguintes termos: Fl. 2952DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.010035/201018 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3102000.224 S3C1T2 Fl. 572 6 Isto posto, defiro a liminar pleiteada determinando que a autoridade coatora se abstenha de cobrar das impetrantes a CIDE instituída pela Lei nº 10.168 de 2000 relativamente aos royalties decorrentes dos contratos de licença de uso de software, sem a transferência de tecnologia, bem como relativamente aos contratos de serviços técnicos, administrativo e semelhantes, sem a transferência de tecnologia. (grifouse) 22 – Em 28/06/2007, teve seu pedido de liminar reformado através de decisão nos seguintes termos: Isto posto, CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA pleiteada, extinguindo o processo com resolução de mérito, nos termos do art. 269, 1 do Código de Processo Civil, para o fim de determinar à autoridade impetrada que se abstenha da cobrança da CIDE instituída pela Lei nº 10.168/00 relativamente aos royalties decorrentes dos contratos de licença de uso de software. (grifouse) 23 – Conforme consulta de última posição processual abaixo resumida, tal decisão e seus efeitos mantêmse inalterados até o presente momento (julho de 2010), sendo que o processo aguarda julgamento no Egrégio Tribunal Regional Federal da 3ª Região desde 22/01/2008. IV – DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL 24 – A Lei 10.168, de 29/12/2000, instituiu a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Remessas para o Exterior. 25 – Originalmente, quando a sua edição, o art. 2º da referida lei dispunha da seguinte maneira sobre a base de cálculo e sobre sua alíquota: (...) 26 – Com o advento da publicação da Lei 10.332, de 19/12/2001, novas hipóteses de incidência foram inseridas no campo de incidência da supracitada Contribuição; 27 – Desta forma, o §2º teve a redação alterada pelo artigo 6º da Lei 10.332/2001, passando a dispor: §2º. A partir de 1º de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídica signatárias de contratos que tenho por objetos serviços técnicos e de assistência administrativas e semelhantes a serem prestados a residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou Fl. 2953DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.010035/201018 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3102000.224 S3C1T2 Fl. 573 7 domiciliados no exterior (Redação dada pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) (grifouse) 28 – Posteriormente, este artigo de lei foi alterado pelo art. 20 da Lei nº 11.452, de 27 de fevereiro de 2007, sendo incluído o § 1º A. conforme transcrito abaixo: Art. 20. O art. 2º da Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2001, passa a vigorar acrescido do seguinte §1 – A: Art. 2º (...) §1ºA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando a transferência da correspondente tecnologia. Art. 21. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos em ralação ao disposto no art. 20 a partir de 1º de janeiro de 2006. (grifouse) V – DA IRREGULARIDADE APURADA 29 – No decorrer da Ação Fiscal constatouse que a fiscalizada, para os períodos de apuração de 07/2005 a 12/2005, enviou recursos ao exterior destinados à aquisição de Serviços Administrativos e Semelhantes, sem a transferência de tecnologia. 30 – Analisando a legislação de regência da CIDE – Remessas para o exterior, constatouse que a fiscalizada estava sujeita ao pagamento da contribuição incidente sobre os valores remetidos ao exterior entre 07/2005 a 12/2005 para aquisição destes serviços. VI – DA AUTUAÇÃO 31 – Com base em Medida Liminar em Mandato de Segurança n° 205.61.05.0095698, datada de 02/09/2005, a fiscalizada deixou de efetuar, no período de julho a dezembro de 2005, o recolhimento da CIDE Remessas ao Exterior incide sobre os valores remetidos ao exterior para aquisição de Serviços Administrativos e Semelhantes, sem a transferência de tecnologia. 32 – Através da Decisão em Mandato de Segurança nº 2005.61.05.0095698, proferida em 28/06/2007, a fiscalizada ficou desguarnecida judicialmente quanto aos recolhimentos da CIDE incidente sobre as remessas destinadas ao pagamento de Serviços Administrativos e Semelhantes, sem a transferência de tecnologia. 33 – Para o período de 07/2005 a 12/2005, a fiscalizada não efetuou declaração destes valores devidos em DCTF ou efetuou a sua regularização mediante recolhimento da CIDE – Remessas para o exterior. Na DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL às fls. 258/359, o auditor fiscal atribui à contribuinte a prática da seguinte irregularidade: 001 – CIDE – REMESSAS DE VALORES PARA O EXTERIOR FALTA DE RECOLHIMENTO DA CIDE – REMESSAS DE VALORES PARA O EXTERIOR. – SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS Conforme exposto no Fl. 2954DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.010035/201018 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3102000.224 S3C1T2 Fl. 574 8 Relatório da Ação Fiscal Nº 00967/09/012 anexo, parte integrante e indissociável do presente Auto de Infração, o contribuinte deixou de recolher a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE, incidente sobre as remessas de valores ao exterior, demonstradas na planilha anexa ao relatório, relativamente aos períodos de apuração citados abaixo. Constituise de ofício o crédito tributário abaixo, decorrente do envio de remessas ao exterior destinado ao pagamento de Serviços Administrativos e Semelhantes, sem a transferência de tecnologia. Fato GeradorValor Tributável ou ImpostoMulta (%) 31/07/20055.454.054,5275,00 31/08/20055.403.927,4975,00 30/09/2005 245.232,6775,00 31/10/2005 4.459,8775,00 31/11/20051.324.042,3975,00 31/12/20051.179.152,3375,00 Enquadramento Legal: Arts. 2º e 3º da Lei nº 10.168/2000, alterada pela Lei nº 10.332/2001. Dada ciência pessoal ao procurador da empresa em 28/07/2010, conforme assinatura aposta à fl. 376 dos autos (instrumento de procuração à fl. 377), a autuada formalizou, em 27/08/2010, a impugnação às fls. 294/323, alegando as razões de fato e de direito adiante reproduzidas [destaques do original]: I – OS FATOS A Impugnante, pertence ao Grupo Motorola (mundialmente conhecido), é uma multinacional de grande porte que, a partir de seu estabelecimento industrial – localizado no interior de São Paulo – exerce suas atividades de fabricação e comercialização de produtos de informática e automação, incluindo telefones celulares, computadores, semicondutores, produtos para telechamadas e para rádio chamadas, produtos e sistemas para transmissão de processamento de dados, produtos e sistemas para satélites de comunicação e outros produtos e sistemas eletrônicos. Além da forte atuação do mercado interno, a produção da Impugnante também é voltada ao mercado internacional, tendo este sempre sido seu principal foco. A esse respeito, vale frisar que a impugnante é há anos a empresa beneficiária do RECOF, regime especial que visa estimular as exportações das empresas locais, tendo sempre cumprido com os compromissos de exportação assumidos perante as autoridades federais. Para implementar suas vendas externas e para manter a boa reputação de seus produtos no exterior (marketing, vendas, atendimento etc.), a Impugnante incorre em significativos gastos, todos relacionados às suas exportações e à manutenção desta fonte de receitas (comércio exterior). E pelo fato de a Impugnante ser o braço brasileiro de um sólido grupo multinacional, com estrutura em diversos países, a Impugnante servese desta estrutura internacional do próprio Grupo, sempre no intuito de aumentar suas exportações, de promover seus produtos e dar bom atendimento aos seus clientes/consumidores no exterior. Esse relacionamento entre as empresas do grupo Motorola é regulado por contratos multinacionais de prestações de serviços Fl. 2955DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.010035/201018 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3102000.224 S3C1T2 Fl. 575 9 (“intercompanies”). Tratase de contratos que não envolvem qualquer transferência de tecnologia, mais que são de grande valia para a manutenção da fonte de riquezas que o comércio internacional sempre representou para a Impugnante. Há vários meses, a Impugnante vem passando por processo de fiscalização da CIDE, contribuição social de intervenção no domínio econômico, instituída pela Lei nº 10.168/00, com o propósito específico de estimular o desenvolvimento tecnológico no Brasil. No início da vigência da citada Lei, a CIDE passou a ser cobrada sobre os negócios jurídicos realizados por detentoras de licença de uso ou adquirentes de conhecimentos tecnológicos, bem como por signatárias de contratos que implicavam transferência de tecnologia. Os contribuintes, eleitos pela citada lei, eram das empresas brasileiras que haviam firmado tais contratos com residentes ou domiciliados no exterior. Com a alteração do art.2º, da Lei nº 10.168/00, decorre o advento da Lei n° 10.332/01, essa mesma CIDE passou a ser cobrada também sobre o todo e qualquer contrato de prestação de serviço que tivesse por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes. Com esta alteração legislativa aqui citada, portanto, já houve questionável ampliação do campo de incidência da CIDE, que passou a incidir sobre contratos que em nada se relacionavam à área ou ao setor de intervenção de interesse do Estado (aquisição de capacitação tecnológica). A natureza jurídica dos pagamentos efetivados pela impugnante às demais empresas pertencentes ao Grupo Motorola no exterior, com fundamento nos contratos multilaterais de serviços, não envolve propriamente serviços e semelhantes. Não obstante, ao longo da ação fiscal a Impugnante recebeu uma série de intimações, todas solicitando a apresentação de planilhas com os volumes de suas remessas ao exterior decorrentes desses contratos multilaterais, como se de “serviços administrativos e semelhantes” se tratasse. Apesar da relutância da Impugnante (vide, a respeito, as seguidas intimações fiscais e respectivas respostas – que devem instruir este processo administrativo), na última intimação recebida antes da lavratura do auto ora impugnado a Impugnante foi obrigada a preencher uma planilha já previamente montada pela própria fiscalização, indicando o volume de remessas que, com base nos contratos multilaterais entre as empresas do grupo, teriam sido remetidas a título de “serviços administrativos”. A impugnante, agindo com tal boafé, acabou encaminhando a planilha solicitada à fiscalização, apontando todas as remessas que teriam sido realizadas com base nos contratos multilaterais existentes, intitulados genericamente como “serviços administrativos”. Para a surpresa da Impugnante, sem se preocuparem com a natureza jurídica efetiva de cada uma das remessas constantes da citada planilha, os Srs. Fiscais acabaram por lavrar o auto de infração ora impugnado, como se todos os itens e valores constantes daquela planilha estivessem sujeitos à CIDE; como se todos aqueles valores correspondessem efetivamente a remessas para pagamento de serviços administrativos, na acepção jurídica do termo e para fins de incidência da CIDE. Fl. 2956DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.010035/201018 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3102000.224 S3C1T2 Fl. 576 10 Ao assim procederem, os Srs. Fiscais laboraram em manifesto equívoco, tendo lançado neste auto de infração crédito tributário indevido, uma vez que pretenderam colher com a CIDE remessas ao exterior que, entre outras coisas, se referem a: despesas com marketing (com propaganda), gastos com vendas, gastos com telecomunicações e etc., não se tratando e nem podendo se tratar de serviços administrativos ou semelhantes. É importante frisar que se trata de serviços prestados no exterior, sendo os gastos essenciais para o fomento das exportações da Impugnante. Não há qualquer exportação de bem ou direito, tampouco de tecnologia, em decorrência desses serviços, que por não terem natureza de serviços administrativos ou semelhantes não podem mesmo ficarem sujeitos à CIDE. Vale aqui um parêntesis: a planilha apresentada pela Impugnante foi elaboradas por leigos, que não levaram em conta o conceito técnico e jurídico de serviço administrativo, para os fins e efeitos de incidência da CIDE. Muito embora internamente a Impugnante intitule de “serviços administrativos” aqueles prestados pelas empresas estrangeiras do Grupo, para efeito de incidência tributária o que vale é a conceituação técnica do termo, que deve levar em conta a real natureza jurídica de cada serviço efetivamente prestados no exterior em favor da impugnante. Conforme se passa a demonstrar, em função do erro de enquadramento da natureza jurídica das remessas da Impugnante, compreendidas pela autuação, esta defesa merece integral acolhimento da insubsistência da autuação e o arquivamento deste processo administrativo. II – ODIREITO – A IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO (a) Preliminarmente: processamento deste processo administrativo. 11.O auto de infração salienta a existência de demanda judicial, em que a Impugnante pleiteia o recolhimento do caráter abusivo da incidência da CIDE sobre serviços administrativos e semelhantes, em função das diversas inconstitucionalidades e ilegalidade cometidas pelo legislador ao editar a citada Lei nº 10.332/01, lei essa que indevidamente ampliou a hipótese de incidência da CIDE para serviços administrativos e semelhantes, que em nada se relacionam com o setor de intervenção (o objetivo da norma era de intervir no setor em que se pretendia e se pretende adquirir capacitação tecnológica). De fato, tratase do questionamento levado a efeito por meio do Mandato de Segurança 2005.6105.0095698, atualmente em grau de recurso perante o Egrégio Tribunal Regional Federal da Terceira Região (Doc. 04). 12.Em função do questionamento em Juízo desta CIDE sobre serviços administrativos e semelhantes, se o auto de infração ora impugnado fosse referente apenas e tão somente a estas espécies de serviços (serviços administrativos e semelhantes, na acepção jurídica e técnica do termo), de fato, não teria sentido o processamento desta defesa, a não ser que houvesse erros na quantificação dos valores constantes da autuação. 13.Ocorre que já salientado acima, a Fiscalização incorreu em manifesto erro, simplesmente transportar todos os dados da planilha que lhe foi entregue pela Impugnante para o auto de infração Fl. 2957DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.010035/201018 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3102000.224 S3C1T2 Fl. 577 11 impugnado, sem se quer solicitar um único documento de suporte para a análise da natureza jurídica destas remessas. Neste sentido, a fiscalização acabou lavrando um auto de infração que procura cobrar CIDE sobre remessas que não se traduzem em pagamento por serviços administrativos, não havendo que se falar em importação de bem, direito ou serviço para produzir efeito no Brasil. É diante deste erro da Fiscalização, esta defesa deve ser devidamente processada e acolhida, independentemente dos fatos e fundamentos que são objeto da ação judicial. 14.Havendo fundamentos por si só justificam a improcedência da autuação – e isto ocorrerá ainda que a Impugnante saia derrotada na demanda judicial citada no auto de infração (hipótese ora admitida para fins de argumentação) – deve este processo administrativo ser necessariamente processado e regularmente analisado pelos órgãos julgadores competentes. Ainda que a incidência da CIDE seja reputada definitivamente válida sobre remessas a título de serviços administrativos e semelhantes, ainda assim, a autuação é improcedente, posto que colheu situações que não tem natureza jurídica de serviços administrativos, ao simplesmente transpor para o auto dados constantes de simples planilha elaborada pela Impugnante em decorrência de intimação fiscal. (b) A Natureza Jurídica dos Serviços Compreendidos pela Autuação. 15.Pelo fato de a autuação fiscal ter sido lavrada com base em dados constantes de simples planilha, elaborada pela Impugnante no curso da ação fiscal e desprovida de elementos técnicos e jurídicos (na planilha apontase genericamente o termo “serviços administrativos” para representar todos os serviços decorrentes dos contratos multilaterais de serviços), a autuação é evidentemente nula, eis que decorre de indevida inversão do ônus da prova. No curso da ação fiscal, não houve o exame detido de qualquer documento ou contrato, mas a mera insistência da Fiscalização em receber, da Impugnante, uma planilha sem força jurídica probatória (a planilha segue em um modelo preparado pela própria Fiscalização e não acompanha por documentação suporte, eis que sequer solicitada ou analisada pelos Srs. Fiscais). Assim, quando o auto procura cobrar CIDE da Impugnante, sem se basear em qualquer elemento de prova, ele incorre em nulidade, que deve ser reconhecida de plano por este órgão julgador. Nem se alegue que a planilha teria caráter de confissão por parte da Impugnante. A planilha não é documento fiscal e como ressaltado anteriormente levou em conta o termo “serviço administrativo” sem qualquer conotação técnica ou jurídica. Não se presta a simples planilha, assim, a constituir prova contra a Impugnante, até porque, como dito, as remessas compreendidas pela autuação não tem natureza jurídica de serviços administrativos propriamente ditos. A cobrança ora impugnada, nestes termos, é claramente indevida. 16. Segundo o Dicionário Aurélio, o termo administrativo significa: Fl. 2958DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.010035/201018 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3102000.224 S3C1T2 Fl. 578 12 adj. Que pertence à administração: decisão administrativa. E o termo administração, a seu turno, é conceituado como: s. f. ação de administrar, de dirigir os negócios públicos ou privados, de gerir bens: a administração dos municípios é entregeu aos prefeitos. Governo, gestão dos negócios públicos. / Corpo administrativo que tem a seu cargo a administração pública: a administração do Estado. // administração da justiça, o exercício legal da justiça. // Administração dos sacramentos, ação de conferir os sacramento. São os serviços relacionados à gestão, de apoio e suporte à gestão aqueles que se caracterizam como serviços administrativos e semelhantes, para todos os efeitos legais. São aquelas atividades que de uma maneira geral se relacionam ou se destinam a dar apoio ou suporte à gestão, à administração da pessoa jurídica. 18. Em se tratando de regra que define ou que delimita a incidência tributária (a hipótese de incidência da CIDE), deve esta regra sujeitar se aos comandos do Código Tributário Nacional e da Constituição Federal, dentre os quais a estrita legalidade (“não há tributo sem lei que o estabeleça”) e o respeito ao conteúdo dos conceitos utilizados pela legislação tributária (art. 110 do CTN). 19. Muito embora a Impugnante reconheça que a legislação é imprecisa, podendo levar a caso de fundada dúvida acerca da natureza jurídica deste ou daquele serviço, a verdade é que não há nenhuma prova legítima nos autos indicando que as remessas teriam natureza jurídica de serviços administrativos, como tal, sujeitas a CIDE. Diante disso, o auto de infração ora impugnado é nulo, posto que desprovida de qualquer elemento de prova, sendo em relação ao mérito improcedente, por lançar CIDE sobre itens que não correspondem a serviços administrativos. 20. Apesar de o ônus da prova ser da fiscalização e de o auto ser todo ele fundado no teor de uma simples planilha, a Impugnante esclarece que possui documentos que podem evidenciar, de um vez por todas, a ilegalidade desta autuação. Em função do grande volume de documentos e do reduzido prazo para a apresentação desta defesa (tratandose inclusive de relatórios e de documentos produzidos originalmente em língua estrangeira), a Impugnante pleiteia a posterior juntada deste documentos aos autos – caso este órgão julgador entenda necessário, uma vez que a nulidade da autuação já é patente. (c) Impossibilidade de cobrança da CIDE sobre serviços sem transferência de tecnologia (inconstitucionalidade e ilegalidade) 21. No que diz respeito aos fundamentos que sustentam a demanda judicial que se encontram em curso, a Impugnante reitera todos os fatos e fundamentos constantes da respectiva petição inicial, que se anexa a este defesa, requerendose que seja considerada parte integrantes desta. Fl. 2959DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.010035/201018 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3102000.224 S3C1T2 Fl. 579 13 22. Em função da existência da citada ação judicial, que versa sobre matéria prejudicial – que prejudica o mérito do auto de infração ora impugnado – na hipótese de os fundamentos constantes dos itens “a’ e “b” acima restarem superados (o que apenas se admite a título de argumentação, para a conclusão do raciocínio), requer a Impugnante a suspensão de qualque medida de cobrança dos valores lançados nesta autuação, ao menos até que haja o julgamento definitivo da citada demanda judicial . Após analisar a impugnação apresentada, decidiu a DRJ, pela sua improcedência, consoante se depreende da ementa abaixo: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de Apuração: 31/07/2005 a 31/12/2005 NULIDADE INEXISTENTE. INCORREÇÕES SANÁVEIS. São considerados nulos somente atos e termos lavrados por pessoa incompetente e despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, incisos I e II, do Decreto nº 70.35, de 1992 (PAF). Segundo o art. 60, imprecisões na apuração da exigência, passíveis de saneamento no contencioso administrativo, desde que devidamente comprovadas pela impugnante, não resultam em nulidade do lançamento, quando não comprometida a defesa da autuada. PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO ADMINISTRATIVO. LANÇAMENTO. A propositura de ação judicial antes da lavratura do auto de infração não obstaculiza a formalização do lançamento, visando prevenir a decadência do direito da Fazenda Pública, mas impede a apreciação, pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento, das mesmas razões de mérito submetidas ao Poder Judiciário, cuja decisão faz coisa julgada se sobrepondo ao julgado administrativo. PROVAS. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO A instauração do litígio é o momento oportuno para apresentação da documentação comprobatória, competindo à impugnante comprovar as alegações trazidas aos autos visando afastar a exigência fiscal. Assunto: Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico – Período de apuração: 31/07/2005 a 31/12/2005 CIDE. Remessa ao Exterior. Previsão Legal. Segundo a legislação vigente no período autuado, é fato gerador da CIDE o pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa de royalties, realizados, a título de remuneração, por pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes, a residentes ou domiciliados no exterior. Impugnação Improcedente. Inconformada com a decisão acima, a contribuinte reitera argumentos de sua impugnação, alegando em síntese em suas razões recursais que: Fl. 2960DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.010035/201018 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3102000.224 S3C1T2 Fl. 580 14 O auto de infração foi lavrado com base em planilhas preenchidas por funcionários da Recorrente, sem analisar documentos comerciais, fiscais e contábeis, e assim requer a nulidade da autuação, pelo fato do Auto ser realizado com base em conclusões pessoais da Fiscalização, sem, portanto, elementos probatórios, ocorrendo ainda óbice para o contraditório e a ampla defesa. o presente recurso deve ser conhecido, de modo a dar seguimento ao processo independentemente dos fatos e fundamentos do Mandado de Segurança ora citado, tendo em vista que o mérito deste não se confundiria com o do recurso. Recorrente pleiteia o reconhecimento do caráter abusivo da incidência da CIDE sobre serviços administrativos e semelhantes em virtude de inconstitucionalidades e ilegalidades constantes da Lei nº 10.332/01. pleiteiase a decadência do crédito tributário devido ao decurso do lapso de 5 (cinco) anos da data do fato gerador. o acolhimento das provas apresentadas junto ao presente Recurso para acolhimento e análise do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em prol do princípio da verdade material. a improcedência da autuação em virtude da natureza jurídica das remessas compreendidas pela autuação como serviços técnicos e/ou administrativos, além de: instruir o recurso com documentos que comprovem que os descontos comerciais suportados pela Recorrente não merecem a cobrança da CIDE; as despesas relativas à Tooling, VAT e Turnover Tax não correspondem a serviços técnicos ou administrativos e semelhantes, não se sujeitando a CIDE. os demais itens da autuação, embora sejam serviços, não poderiam estar sujeitos a CIDE pela ausência de natureza de serviço técnico ou administrativos e semelhantes. Cancelamento e/ou relevação das penalidades impostas em observação a interpretação mais favorável, bem como falta de previsão legal para juros sobre a multa de ofício. Em 22/05/2012, a Recorrente apresenta requerimento no qual afirmar que apresenta todos os documentos “que comprovam a contabilização das invoices nºs 776, 781, 954, 968, 1965, 2018, 2312, 2372, 4129, 9160, 9967, 10383 e 200506”, e assim argumenta que sobre grande parte dos valores lançados operouse a decadência. Pelas razões acima, propõese a conversão do julgamento em diligência, para que a delegacia analise os comprovantes anexados, para aferir os depósitos realizados. Em seguida , dêse ciência do resultado à Procuradoria da Fazenda Nacional. Sala de sessões 22 de agosto de 2012. (assinado digitalmente) Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Relator Fl. 2961DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.010035/201018 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3102000.224 S3C1T2 Fl. 581 15 Fl. 2962DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 11020.722767/2011-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2010
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INEXISTÊNCIA DE ATOS DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. QUALIFICAÇÃO AFASTADA. MULTA DE MORA. APLICAVEL.
A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.
No caso concreto não foi constatada a existência de atos de sonegação, fraude ou conluio que pudessem qualificar a multa de ofício aplicada.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso na questão da multa isolada, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, para retirar a qualificação da multa de ofício nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Declaração de voto: Mauro José Silva.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator.
Declaração de Voto: Mauro José Silva
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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INEXISTÊNCIA DE ATOS DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. QUALIFICAÇÃO AFASTADA. MULTA DE MORA. APLICAVEL. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. No caso concreto não foi constatada a existência de atos de sonegação, fraude ou conluio que pudessem qualificar a multa de ofício aplicada. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso na questão da multa isolada, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, para retirar a qualificação da multa de ofício nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Declaração de voto: Mauro José Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 27 67 /2 01 1- 32 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator. Declaração de Voto: Mauro José Silva Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11020.722767/201132 Acórdão n.º 2301003.122 S2C3T1 Fl. 237 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa EURO TELHAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o lançamento de débito referente ao período de 12/2009 a 12/2010. 2. Conforme descrito no relatório fiscal de ff. 51 a 64, o auto de infração lavrado referese a contribuições devidas e não recolhidas pela empresa, bem como a glosa de valores informados em GFIP: “3. Este relatório é integrante do processo referente aos Autos de Infração das contribuições, destinadas à Seguridade Social, a cargo da empresa, relativas à cota patronal e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (AI – Auto de Infração Debcad nº 51.004.1531), bem como das contribuições devidas às Outras Entidades e Fundos (terceiros) (AIDebcad nº 51.004.1566), incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais. 3.1. Integra também este processo o Auto de Infração Debcad nº 51.004.1540 referente à glosa da compensação efetuada pelo sujeito passivo através da informação em GFIP de que tivera valores retidos ( Lei nº 9.711/98) sobre suas notas fiscais/faturas de serviços emitidas (campo ‘VALORES DE RETENÇÃO’ da GFIP), bem como relativo a multa isolada referente a compensação indevida acima referida, efetivada mediante falsidade de declaração apresentada pelo sujeito passivo, uma vez o exposto a seguir.” 3. Dessa forma, verificase que integravam o processo administrativo três autos de infração relativos às contribuições previdenciárias devidas pelo contribuinte: “1) Auto de Infração Debcad nº 51.004.1531: relativo às contribuições, destinadas à Seguridade Social, a cargo da empresa, inclusive a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, nas competências 12/2009 a 13/2010, no valor de R$ 1.016.366,03, consolidado em 16/09/2011. Foi aplicada a multa de ofício qualificada, no percentual de 150%. 2) Auto de Infração Debcad nº 51.004.1566: relativo às contribuições devidas a outras entidades e fundos, no caso, ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI, Serviço Social da Indústria – SESI, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA e Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa – SEBRAE, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados Fl. 238DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA 4 empregados, nas competências 12/2009 a 13/2010, no valor de R$ 241.212,68, consolidado em 16/09/2011. Foi aplicada a multa de ofício qualificada, no percentual de 150%. 3) Auto de Infração Debcad nº 51.004.1540: relativo à glosa de compensação (Levantamento GC – Glosa de Compensação) e à multa isolada referente à compensação realizada mediante falsa declaração (Levantamento MI – Multa Isolada), abrangendo as competências 12/2009 a 01/2011, (...), consolidado em 16/09/2011.” (f. 208) 4. Após tomar ciência da autuação, a empresa juntou Pedido de Parcelamento às ff. 138 a 140, no qual reconhece como devidos os valores lançados, porém discorda da multa de mora (20%) integrante do Auto de Infração n.º Debcad 51.004.1540 e das multas aplicadas no percentual de 150%. 5. Consta dos autos que, em atendimento ao pedido protocolado pelo contribuinte, os valores incontroversos foram transferidos, pelo fisco, para o processo n.º 11020.724334/201111, mediante Termo de Transferência de Crédito Tributário (ff. 152 a 156). Os processos nº 11020.72276/201132 (principal) e n.º 11020.723450/201113 foram apensados e todos os atos processuais foram juntados apenas ao principal (pedido de parcelamento, impugnação, acórdão de primeira instância e recurso voluntário). 6. O acórdão de primeira instância, que restringiuse à análise da aplicação da multa de ofício (150%) majorada por circunstância qualificativa (AI Debcad nº 51.004.1531 e nº 51.004.1566), da multa de mora (20% Levantamento GC do AI Debcad nº 51.004.1540) e da multa isolada (150% Levantamento MI do AI Debcad nº 51.004.1540), restou ementado nos seguintes termos: “MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE – CARACTERIZAÇÃO DA INTENÇÃO DO AGENTE NA PRÁTIVA DA INFRAÇÃO. A declaração em GFIP de informação que não condizem com a realidade, ocultando o efetivo valor da obrigação tributária principal e impedindo o conhecimento da ocorrência dos fatos geradores, evidencia a intenção dolosa do agente no cometimento da infração e implica qualificação da multa de ofício. PREVIDENCIÁRIO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação indevida, e uma vez presente a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõese a aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido” (f. 207) 7. Inconformado com a decisão de primeira instância, o contribuinte apresentou suas razões mantendo a argumentação trazida em sede de impugnação, que transcrevo do acórdão recorrido: Fl. 239DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11020.722767/201132 Acórdão n.º 2301003.122 S2C3T1 Fl. 238 5 “Informa, inicialmente, ter contratado de forma verbal serviços oferecidos pelo Sr. Évio Carvalho, que se dizendo especialista tributário, afirmou deter créditos fiscais e previdenciários junto ao governo, com plenas possibilidades de serem transferidos a terceiros para fins de compensação de valores a serem recolhidos, o que estaria amparado por decisões judiciais transitadas em julgado e asseguraria total garantia à operação. Afirma que durante a realização da ação fiscal é que teve conhecimento da inexistência de compensação dos débitos previdenciários da impugnante com créditos, mas sim de elaboração de GFIP retificadora declarando compensação de todo o valor a recolher. O procedimento usado pelo Sr. Évio Carvalho para anular as GFIPs oferecidas tempestivamente pela impugnante, era de seu total desconhecimento. A empresa, inclusive, pagou ao Sr. Évio Carvalho pelos trabalhos oferecidos, conforme comprovantes de depósito anexados. Não concorda com a multa aplicada no percentual de 150%, além da multa moratória, afirma que conforme estabelece o artigo 44, da Lei n.º 9.430/96, em sua atual redação, em qualquer caso, a única multa cabível pelo procedimento que a autoridade fiscal aplicou à impugnante, é de 75%, jamais de 150%. A impugnante agiu com total boa fé, não sendo cabível uma penalização na ordem de 150%. Informa estar anexando na impugnação, as GFIPs apresentadas pela impugnante à Receita Federal do Brasil, onde bem detalhadamente demonstra o valor do débito gerador e a recolher. Procedimento empregado pela sociedade, o qual está perfeitamente contabilizado em seus registros comerciais e fiscais. Salienta que consta do Auto de Infração Debcad 51.004.1540, além da multa de 150%, a multa de mora de 20%, caso em que totalmente descabida, eis que impossível a aplicação de duas penalidades e notícia ter efetuado o parcelamento de todo o valor devido demonstrado nos autos de infração, tudo com base na multa de 75%, eis que por meio desta impugnação aceita a penalidade de 75% e contesta a de 150%.” (f. 209) 8. Não houve apresentação de contrarrazões por parte do fisco. Os autos foram encaminhados para apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA 6 Voto Conselheiro DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DAS MULTAS APLICADAS 2. Depreendese do relatório fiscal que a empresa foi autuada por ter deixado de recolher contribuições, bem como por ter compensado valores indevidamente, que foram glosados: “3. Este relatório é integrante do processo referente aos Autos de Infração das contribuições, destinadas à Seguridade Social, a cargo da empresa, relativas à cota patronal e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (AI – Auto de Infração Debcad nº 51.004.1531), bem como das contribuições devidas às Outras Entidades e Fundos (terceiros) (AIDebcad nº 51.004.1566), incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais. 3.1. Integra também este processo o Auto de Infração Debcad nº 51.004.1540 referente à glosa da compensação efetuada pelo sujeito passivo através da informação em GFIP de que tivera valores retidos ( Lei nº 9.711/98) sobre suas notas fiscais/faturas de serviços emitidas (campo ‘VALORES DE RETENÇÃO’ da GFIP), bem como relativo a multa isolada referente a compensação indevida acima referida, efetivada mediante falsidade de declaração apresentada pelo sujeito passivo, uma vez o exposto a seguir.” (f. 52) 3. E conforme relatado acima, verificase que o presente processo administrativo foi constituído, originariamente, por três Debcads: “1) Auto de Infração Debcad nº 51.004.1531: relativo às contribuições, destinadas à Seguridade Social, a cargo da empresa, inclusive a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, nas competências 12/2009 a 13/2010, no valor de R$ 1.016.366,03, consolidado em 16/09/2011. Foi aplicada a multa de ofício qualificada, no percentual de 150%. 2) Auto de Infração Debcad nº 51.004.1566: relativo às contribuições devidas a outras entidades e fundos, no caso, ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI, Serviço Social da Indústria – SESI, Fl. 241DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11020.722767/201132 Acórdão n.º 2301003.122 S2C3T1 Fl. 239 7 Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA e Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa – SEBRAE, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, nas competências 12/2009 a 13/2010, no valor de R$ 241.212,68, consolidado em 16/09/2011. Foi aplicada a multa de ofício qualificada, no percentual de 150%. 3) Auto de Infração Debcad nº 51.004.1540: relativo à glosa de compensação (Levantamento GC – Glosa de Compensação) e à multa isolada referente à compensação realizada mediante falsa declaração (Levantamento MI – Multa Isolada), abrangendo as competências 12/2009 a 01/2011, no valor total de R$ 436.703,17, consolidado em 16/09/2011.” (f. 208) 4. No transcurso do processo, a empresa recorrente juntou aos autos Pedido de Parcelamento (ff. 138 a 140), no qual reconheceu como devidos os valores lançados, porém afirmou discordar da multa de mora (20%) integrante do Auto de Infração n.º Debcad 51.004.1540 e das multas aplicadas no percentual de 150%. 5. Compulsando os autos notase que os valores incontroversos foram transferidos para o processo n.º 11020.724334/201111, mediante Termo de Transferência de Crédito Tributário (ff. 152 a 156). Os processos nº 11020.72276/201132 (principal) e n.º 11020.723450/201113 foram apensados e todos os atos processuais foram juntados apenas ao principal (pedido de parcelamento, impugnação, acórdão de primeira instância e recurso voluntário). 6. Dessa forma, verificase que restou como objeto do presente processo somente a questão das multas aplicadas, a qual passo a analisar. 7. Segundo o relatório fiscal (ff. 51 a 64) “a multa aplicada de ofício é qualificada – 150% (Lei nº 9.430/96 – art. 44, I e §1º) – caso de sonegação, fraude ou conluio, nos termos dos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64”. 8. E sobre a matéria, insurgese o contribuinte afirmando que não incorreu em qualquer ato que pudesse resultar da majoração da multa de 75% prevista no artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996. E nesse ponto, entendo que razão assiste ao contribuinte. 9. Isso porque, conforme informado pela empresa somente tomou conhecimento de que os recolhimentos para a Previdência Social estavam sendo feitos de maneira incorreta, durante a fiscalização e tão logo teve ciência do fato, decidiu por adotar as providências cabíveis para a solução da questão. Para melhor ilustrar meu posicionamento, abaixo transcrevo parte do recurso no qual a empresa narra o ocorrido: “2) Entendeu a 7ª Turma de Julgamento, em manter as punições exatamente como constante dos autos de infração, em vista de que a GFIP apresentada não correspondia aos reais valores, com ocultação de obrigações tributárias, o que impedia o conhecimento da geração daqueles débitos, o que evidencia intenção dolosa e aplicação de multa qualificada. Também se amparou a Turma Julgadora, para manutenção da multa nos percentuais constantes das infrações, pelo fato de que a recorrente teria procedido compensação indevida. (...) Fl. 242DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA 8 4) No final do ano de 2009, a recorrente foi procurada pelo Sr. ÉVIO CARVALHO (fls. 70 do processo), o qual se dizendo especialista em assuntos tributários, ofereceu à sociedade serviços de assessoria fiscal para fins de compensação de impostos e contribuições previdenciárias. 5) Demonstrando o Sr. ÉVIO CARVALHO bastante habilidade no trato e manuseio da compensação oferecida, concordou a recorrente em contratar, de forma verbal, seus serviços, para fins de se obter uma legal economia fiscal através do sistema de compensação de crédito fiscal com dívidas fiscais. 6) O entendimento passado para os dirigentes da sociedade ora recorrente, foi de que ele, Sr. ÉVIO CARVALHO, detinha créditos fiscais e previdenciários junto ao Governo, com plenas possibilidades de serem transferidos a terceiros para fins de compensação de valores a serem recolhidos, o que estaria amparado por decisões judiciais transitadas em julgado, assegurando total garantia na operação. (...) 8) Não tinham os administradores da sociedade habilidade tanta para verificar se o serviço de compensação oferecido pelo Sr. ÉVIO CARVALHO era procedente e legal. Confiaram plenamente na sua pessoa. 9) Somente durante trabalho dos Senhores Fiscais e sua conclusão, é que a sociedade veio a tomar conhecimento de que na verdade, ele, Sr. ÉVIO CARVALHO, não realizava compensação dos débitos previdenciários da impugnante com créditos, mas sim procedia uma retificação da GFIP inicialmente apresentada pela sociedade, ou seja, a recorrente apresentava mensalmente GFIP com os devidos valores a recolher o Sr. ÉVIO elaborava uma GFIP retificadora anotando compensação de todo o valor que se devia recolher.”9 10. Dessa forma, verificase que a recorrente não agiu com dolo, ou intuito de sonegar ou fraudar a fiscalização, pois as GFIPs eram emitidas de maneira correta e depois retificadas por terceiro sem o consentimento e conhecimento da empresa. Além do mais o próprio fisco teve acesso aos documentos encaminhados mensalmente pelo contribuinte, deforma que não havia intento em esconder as declarações do fisco. 11. O artigo 35A, da Lei n.º 8.212, dispõe que “nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996”. 12. E segundo o § 1º, do artigo 44, da Lei n.º 9.430/96 “o percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis”. 13. Por sua vez, dispõem os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 sobre sonegação, fraude e conluio, verbis: “Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 243DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11020.722767/201132 Acórdão n.º 2301003.122 S2C3T1 Fl. 240 9 II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” 14. Conforme se depreende da legislação, para que a multa seja qualificada, é necessária que haja a conduta dolosa por parte do agente. Ensina a Doutrina que “dolo ocorre quando o indivíduo age de máfé, sabendo das consequências que possam vir a ocorrer, e o pratica para de alguma forma beneficiarse de algo”. Assim, para que haja dolo deve haver a intenção de “burlar a lei”, enganando o próximo em proveito próprio ou alheio, o que, no meu sentir, não ocorreu no caso concreto. 15. Além disso, a legislação tributária, quando trata da falsidade de declaração apresentada pelo contribuinte, exige a efetiva comprovação do ato por parte do agente fiscalizador, o que, no meu entendimento, inocorreu no processo ora relatado. A propósito, transcrevo: “Lei 8.212/91: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.” ........................................................................................ “Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional) Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: Fl. 244DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA 10 (...) IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória;” 16. Assim, como não observo no presente caso nenhum dos trazidos na legislação supra transcrita, entendo que não há que se falar em qualificação da multa aplicada. Nesse sentido cito as Súmulas CARF n.º 14 e 25 que rezam: “Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.” 17. Dessa forma, tenho como certo que a multa de ofício a ser aplicada no caso ora em análise é “de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata” (inciso I, artigo 44, da Lei nº 9.430/96). 18. Já no que se refere à multa de mora, aplicada aos débitos que não foram pagos nos prazos previstos na legislação entendo que deve ser aplicado o que assevera o artigo 61, da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” 19. Dessa forma, mantenho o lançamento nesse ponto, pois não há óbice na cumulação entre a aplicação da multa de ofício com a multa de mora. CONCLUSÃO 20. Por todo o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, afastando a qualificação da multa de ofício. (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator Fl. 245DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11020.722767/201132 Acórdão n.º 2301003.122 S2C3T1 Fl. 241 11 Declaração de Voto Conselheiro Mauro José Silva: Apresentamos nossas considerações quanto às multas aplicadas. Inicialmente cumpre esclarecer que a autoridade fiscal lançou a multa de 150% prevista no §10º do art. 89 da Lei 8.212/91 sem contudo nomeála como multa qualificada. Vejamos o texto do item 46 do Relatório Fiscal: “43. A multa aplicada sobre os valores indevidamente compensados é a prevista no §9º do art. 89 da Lei 8.212/91. E a multa isolada acima referida é a prevista no §10º do art. 89 da Lei 8.212/91.” Em outro trecho do Relatório Fiscal, ao tratar aí sim da multa qualificada prevista no art. 44 da Lei 9.430/96, a autoridade fiscal assim menciona: “50. A multa aplicada de ofício é qualificada – 150% (Lei nº 9.430/96 – art. 44, I e §1º c/c art. 35A da Lei 8.212/91) – caso de sonegação, fraude ou conluio, nos termos dos art. 71,72 e 73 da Lei nº 4.502/64, por todo o exposto no presente relatório.” Por conta da falta de pagamento ou recolhimento, ou da falta de declaração ou declaração inexata, a fiscalização acertadamente aplicou a multa do art. 44, inciso I da Lei 9.430/96. Ao entender que o caso possuía elementos de sonegação, fraude ou conluio, qualificou a referida multa na forma prevista no §1º do mesmo dispositivo. Nesse caso, de fato, a qualificação exige a existência de dolo. Para essa situação, a própria recorrente ao insistir que inexiste a qualificadora, admite que deve ser aplicada a multa do inciso I, ou seja, 75%. É o pedido da recorrente: aplicação da multa de 75% por inexistir razões para a qualificação. Nesse ponto, concordo com o pedido e com o relator. Para a aplicação dessa penalidade qualificada, a fiscalização devia apontar os fatos que entendeu ensejar a qualificação. Fatos, ainda que provados por indícios, que demonstrassem a existência de dolo de sonegação, fraude ou conluio, nos termos dos art.s 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. A referência genérica a tudo que foi relatado não consubstancia uma fundamentação adequada para penalidade tão gravosa. No entanto, a fiscalização também aplicou outra multa de 150% que não é multa qualificada, conforme veremos a seguir. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA 12 O que aqui devemos discutir são os requisitos para aplicação do §10º do art. 89 da Lei 8212/91 que transcrevemos: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) O Relator adotou como premissa a necessidade de dolo na falsidade, bem como entendeu que o caso se submetia ao art. 35A da Lei 8.21/91, in verbis: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) Se o caso estava regido pelo art. 35A, todas as determinações do art. 44 deveriam ser obedecidas, inclusive aquelas do §1º do art. 44 que exigia existência de dolo de fraude, sonegação ou conluio para os casos de aplicação da multa duplicada. Discordamos de ambas as premissas. Começamos pela segunda. O art. 35A é uma determinação geral para os lançamentos de ofício, prescrevendo que estes sigam o art. 44 da Lei 9.430/96. Porém para o caso de compensação, a mesma lei 8.212/91 traz norma especial determinando qual penalidade aplicar quando houver compensação indevida com falsidade de declaração. Tratandose de aparente conflito de normas, como se sabe, deve prevalecer a lei específica – lex specialis, para o caso. Portanto, é inaplicável ao caso de compensação indevida de contribuições previdenciárias com falsidade de declaração o art. 35A da Lei 8.212/91. A remissão que o §10º do art. 89 da Lei 8.212/91 faz ao art. 44 da Lei 9.430/96 é apenas para adotar o mesmo percentual do inciso I do dispositivo. Apenas isso. Afastada a ideia da necessidade de aplicação integral do art. 44 da Lei 9.430/96 ao caso, devemos analisar se o §10º do art. 89 da Lei 8.212/91 exige dolo para a falsidade. Facilmente se observa que o dispositivo não exige dolo ou faz menção à Lei 4502/64. Exigese apenas a falsidade de declaração como infração. Sendo infração tributária, esta se submete à regra geral do art. 136 do CTN que determina que a responsabilidade por infrações tributárias independe da intenção do agente, ou seja, independe de dolo. Assim, não Fl. 247DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11020.722767/201132 Acórdão n.º 2301003.122 S2C3T1 Fl. 242 13 temos que averiguar a intenção do agente em praticar a falsidade de declaração, mas apenas se esta foi praticada. Apesar de o Direito Tributário não exigir, genericamente, em suas infrações a presença do dolo, o que marca uma das diferenças em relação ao do Direito Penal, podemos buscar naquele ramo do Direito a noção da falsidade em si, dissociada do elemento doloso. Tomamos a lição de Guilherme de Souza Nucci (Código Penal Comentado, São Paulo: Editora do Tribunais, 2007, p. 972) sobre a falsidade prevista no art. 299 do CP(falsidade ideológica): A introdução de algo não correspondente à realidade compõe a falsidade ( ex.: incluir na carteira de habilitação que no motorista pode dirigir qualquer veículo, quando sua permissão limitase aos automóveis de passeio) e a inserção de declaração não compatível com a que se esperava fosse colocada compõe outra situação.” Assim, falsa é a declaração sobre um fato que não corresponde à realidade ou que não é compatível com o que se esperava fosse declarado. O que se esperava de um crédito que o contribuinte utiliza para compensar créditos tributários da União? Esperase aquilo que o CTN exige: que seja líquido e certo. É esse o comando do art. 170: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Só existe direito creditório compensável se este for líquido e certo. Um crédito oriundo de um pagamento tido como indevido por tese jurídica bastante contestada judicialmente não é líquido e certo. Só haverá liquidez e certeza depois do transito em julgado da respectiva ação judicial ou depois que a Fazenda Pública reconhecer o crédito administrativamente. Nenhuma das situações ocorreu no caso. O CTN veda, inclusive, a compensação de créditos referentes a ações ainda não transitadas em julgado. O que dizer de créditos baseados em tese jurídicas não acatadas pelo Poder Judiciário em ação própria do interessado? A realidade jurídica da recorrente era a não existência de créditos líquidos e certos. Ao declarar que os possuía, declarou fato falso, fato diverso da realidade jurídica. Fez declaração contendo informação diversa da que se esperava, uma vez que se esperava que só declarasse a compensação de créditos líquidos e certos. De fato, não há provas de que foi feita tal declaração falsa com dolo, mas a lei não exige o dolo, como já demonstramos. Mesmo tendo agindo com imprudência e/ou imperícia, ao acatar orientação de profissional que não podia atestar a competência, a recorrente cometeu a infração tributária. Como já dissemos, as infrações tributárias não exigem Fl. 248DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA 14 em regra a investigação da intenção do agente, conforme previsão do art. 136 do CTN. Não havendo expressa menção no texto legal da necessidade de caracterização do dolo, como é o caso presente, devemos aplicar a regra geral das infrações tributárias, ou seja, não podemos exigir dolo. Estando a infração caracterizada nos moldes exigidos pela lei, correta a aplicação da multa de 150%, pois ficou comprovada a falsidade de declaração apresentada pelo sujeito passivo. Por todo o exposto, voto no sentido de reduzir a multa aplicada com fundamento no art. 44, inciso I, §1º da Lei 9.430/96 para 75%, (DEBCAD nº 51.004.1531 e 51.004.1566); manter as multas de 20% e 150% (DEBCAD nº 51.004.1540) aplicadas conforme §§9º e 10º do art. 89 da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 249DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 19311.000021/2010-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário:2005, 2006, 2007
IRPJ.CSLL. ESTIMATIVA. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA A falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais, decorrente do cometimento de infração tributária, implica na multa de 50%, aplicada isoladamente, sobre o valor que deixou de ser recolhido a título de estimativa.
MULTA ISOLADA. ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO, CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO.
Segundo o art. 115 do CTN, obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. No caso do recolhimento das estimativas do IRPJ, trata-se de antecipação de imposto de renda, pelo que, ao final do ano calendário, com a ocorrência do fato gerador do imposto de renda, as estimativas passam a ser absorvidas pelo imposto de renda devido em razão do ajuste anual, desnaturando a sua natureza como obrigação instrumental. Não existe, assim, a possibilidade de se aplicar, cumulativamente, a multa de ofício pelo não recolhimento do imposto de renda apurado com o ajuste anual, e a multa isolada pelo descumprimento de obrigação acessória quando, em verdade, essa obrigação acessória converteu-se em obrigação principal ao final do ano calendário, pela superveniência do fato gerador do imposto de renda.
PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS E PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL AO DIREITO TRIBUTÁRIO.DIVERSIDADE DE CONTEXTOS. DIVERSIDADE DA NATUREZA DAS SANÇÕES.
As normas e princípios do direito penal, relativas a excludentes de ilicitude ou dirimentes, tendo em conta as sanções restritivas de liberdade ali cominadas, não são aplicáveis às sanções administrativas de caráter exclusivamente patrimonial, previstas no âmbito do direito tributário.
Numero da decisão: 1401-000.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos seguintes termos: I) Por maioria de votos, DAR provimento em relação aos períodos anteriores 2007. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator) e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Designado para redigir o voto vencedor nesta parte, O Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira; e II) Pelo voto de qualidade, NEGAR provimento em relação à multa isolada do anos-calendário de 2007. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário:2005, 2006, 2007 IRPJ.CSLL. ESTIMATIVA. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA A falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais, decorrente do cometimento de infração tributária, implica na multa de 50%, aplicada isoladamente, sobre o valor que deixou de ser recolhido a título de estimativa. MULTA ISOLADA. ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO, CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO. Segundo o art. 115 do CTN, obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. No caso do recolhimento das estimativas do IRPJ, trata-se de antecipação de imposto de renda, pelo que, ao final do ano calendário, com a ocorrência do fato gerador do imposto de renda, as estimativas passam a ser absorvidas pelo imposto de renda devido em razão do ajuste anual, desnaturando a sua natureza como obrigação instrumental. Não existe, assim, a possibilidade de se aplicar, cumulativamente, a multa de ofício pelo não recolhimento do imposto de renda apurado com o ajuste anual, e a multa isolada pelo descumprimento de obrigação acessória quando, em verdade, essa obrigação acessória converteu-se em obrigação principal ao final do ano calendário, pela superveniência do fato gerador do imposto de renda. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS E PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL AO DIREITO TRIBUTÁRIO.DIVERSIDADE DE CONTEXTOS. DIVERSIDADE DA NATUREZA DAS SANÇÕES. As normas e princípios do direito penal, relativas a excludentes de ilicitude ou dirimentes, tendo em conta as sanções restritivas de liberdade ali cominadas, não são aplicáveis às sanções administrativas de caráter exclusivamente patrimonial, previstas no âmbito do direito tributário.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2005, 2006, 2007 IRPJ.CSLL. ESTIMATIVA. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA A falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais, decorrente do cometimento de infração tributária, implica na multa de 50%, aplicada isoladamente, sobre o valor que deixou de ser recolhido a título de estimativa. MULTA ISOLADA. ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO, CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO. Segundo o art. 115 do CTN, obrigação acessória “é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal”. No caso do recolhimento das estimativas do IRPJ, tratase de antecipação de imposto de renda, pelo que, ao final do ano calendário, com a ocorrência do fato gerador do imposto de renda, as estimativas passam a ser absorvidas pelo imposto de renda devido em razão do ajuste anual, desnaturando a sua natureza como obrigação instrumental. Não existe, assim, a possibilidade de se aplicar, cumulativamente, a multa de ofício pelo não recolhimento do imposto de renda apurado com o ajuste anual, e a multa isolada pelo descumprimento de obrigação acessória quando, em verdade, essa obrigação acessória converteuse em obrigação principal ao final do ano calendário, pela superveniência do fato gerador do imposto de renda. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS E PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL AO DIREITO TRIBUTÁRIO.DIVERSIDADE DE CONTEXTOS. DIVERSIDADE DA NATUREZA DAS SANÇÕES. As normas e princípios do direito penal, relativas a excludentes de ilicitude ou dirimentes, tendo em conta as sanções restritivas de liberdade ali AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 00 00 21 /2 01 0- 20 Fl. 1528DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.529 2 cominadas, não são aplicáveis às sanções administrativas de caráter exclusivamente patrimonial, previstas no âmbito do direito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos seguintes termos: I) Por maioria de votos, DAR provimento em relação aos períodos anteriores 2007. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator) e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Designado para redigir o voto vencedor nesta parte, O Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira; e II) Pelo voto de qualidade, NEGAR provimento em relação à multa isolada do anoscalendário de 2007. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 1529DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.530 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 0528.504, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em CampinasSP. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Tratase de autos de infração à legislação do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, lavrados em 28/01/2010, pelo Serviço de Fiscalização Sefis da DRF Jundiaí, para constituir o crédito tributário no montante de R$ 449.381.167,38, incluídos o principal, a multa de ofício de 75% e os juros de mora devidos até a data da lavratura, assim como, as multas isoladas de 50% e os juros isolados por falta de recolhimento das antecipações (estimativas), tendo em conta as irregularidades apuradas, nos anoscalendário 2006 e 2007, e assim descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 1111/1138, parte integrante da peça acusatória: Contexto No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, com base nos artigos 904, 910, 911 e 927, do Decreto n2 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), no curso da presente ação fiscal levada a efeito no sujeito passivo acima identificado, iniciada em 08/05/2009, constatamos as irregularidades abaixo descritas. 1. DO INICIO DO PROCEDIMENTO FISCAL No início deste procedimento (Termo de Início, de 08/05/2009), o sujeito passivo foi intimado a apresentar o livro de apuração do lucro real (LALUR) e os documentos pertinentes que pudessem esclarecer e comprovar as exclusões das bases de cálculo do Lucro Real e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido feitas mediante os valores lançados nas DIPJs retificadoras dos anoscalendário de 2004 e 2005, e nas DIPJs originais referentes aos anoscalendário de 2006 e 2007. Para atendimento ao termo de início, foram solicitadas duas prorrogações de prazo: uma de 30 (trinta) dias (recebida em 26/05/09 e concedida conforme Termo de Prorrogação de Prazo PJ de 26/05/09), e outra de 25 (vinte e cinco) dias, conforme petição CEACTUACFT078/09, protocolada sob n° 008364 em 24/06/09, concedida tacitamente. Fl. 1530DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.531 4 Através da petição CEACTUACFT088/09, protocolizada sob n° 009681 em 17/07/2009, o sujeito passivo apresentou esclarecimentos sobre as exclusões informadas nas DIPJs sob análise fiscal, especificando que, dentre outras, as exclusões mais expressivas decorreram da apropriação de depreciação do custo de aquisição do direito de exploração de rodovias e variações monetárias passivas referentes ao mesmo custo de aquisição, amparadas em Razões Auxiliares, conforme cópias que apresentou na ocasião. 2. SOLICITAÇÃO DE OUTROS DOCUMENTOS E ESCLARECIMENTOS Através do Termo de Intimação Fiscal, datado de 21/07/2009, o sujeito passivo foi intimado a apresentar os seguintes elementos: a) Cópias dos balancetes analíticos, balanços patrimoniais e demonstrações de resultados, relativamente aos períodos encerrados em 31/12/2004 a 31/12/2007; b) Demonstrativo mensal do cálculo da variação monetária, depreciação e amortizações do direito de outorga, relativamente às exclusões do lucro real dos anoscalendário de 2004 e 2005, e comprovar a realização do registro contábil no Diário e Razão, de acordo com o os artigos 251, 258 e 259, do RIR/99, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99; • c) Informar, no caso de não ter sido feita a contabilização na forma prevista, em qual legislação se baseou para a realização das pretendidas retificações nas bases de cálculo do IRPJ e CSLL sem o devido registro contábil dentro do período respectivo ou do ajuste contábil de exercício anterior, conforme previsto no artigo 186 da Lei 6.404/76. 3. ESCLARECIMENTOS DO SUJEITO PASSIVO SOBRE AS EXCLUSÕES E ADIÇÕES Em resposta ao termo fiscal acima, através da petição CE ACTUACFT088/09, protocolizada sob n° 010759 em 10 de agosto de 2009, o sujeito passivo informou que, com base em autorização expressa da CVM, a sua contabilidade não registrava o custo total de aquisição do direito de exploração de rodovias e tampouco as variações monetárias incidentes sobre os valores devidos. Segundo ele, a CVM acolheu proposta da CCR de que as demonstrações financeiras apenas indicassem os valores que periodicamente eram pagos pela aquisição dos direitos de concessão (regime de Caixa). Esclareceu que, do ponto de vista fiscal, inicialmente, vinha adotando o mesmo procedimento, isto é, apenas os valores efetivamente pagos ao Poder Público, pela aquisição do direito de exploração de rodovias, é que afetavam o cálculo do IRPJ e da CSLL, via quotas de depreciação e amortização, e via despesas de variação monetária, as quais estavam embutidas no valor das parcelas que eram periodicamente pagas. Após aquele período, havendo surgido uma dúvida quanto ao correto Fl. 1531DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.532 5 tratamento contábil e fiscal que deveria ser dado às quantias devidas ao Poder Público, em decorrência do referido contrato de concessão, o sujeito passivo foi motivado a apresentar a consulta ao Fisco a propósito do tratamento fiscal que deveria ser dado. Assim, a SRRF da 8a RF proferiu a Solução de Consulta SRRF/83 RF/DISIT n. 21, de 28.01.2005, mediante a qual concluiu que os montantes correspondentes às parcelas de amortização e aos encargos financeiros, decorrentes do contrato de concessão em foco, seriam dedutíveis no prazo de sua vigência, pelo regime de competência. Disse ainda que, por cautela, optou por aguardar o deslinde de alguns trâmite perante o antigo Conselho de Contribuintes sobre o assunto, para então adotar uma posição a respeito do tratamento fiscal em questão e que posteriormente, durante o ano de 2006, quando já estavam formalizados os acórdãos do Conselho, finalmente sentiuse seguro para adotar o procedimento reconhecido como válido na Solução de Consulta n° 21/2005. Diante disso, recalculou o IRPJ e a CSLL com base no mencionado critério, considerando os encargos de depreciação, amortização e variação monetária relativos ao seu direito de exploração de rodovias nas bases de cálculo daqueles tributos, independentemente do efetivo pagamento (regime de competência). Esclareceu que a despeito da mudança de critérios para a apuração do IRPJ é da CSLL, o procedimento contábil que até então vinha sendo adotado restou inalterado, nos termos da orientação expedida pela CVM. No caso dos anos de 2004 e 2005, como a mudança na forma de apuração dos citados tributos foi feita em 2006, estando aqueles períodos encerrados, entendeu que já não mais era possível realizar qualquer lançamento contábil referente àqueles anos. Segundo informou, os novos critérios de cálculo do IRPJ e da CSLL foram controlados no LALUR, valendose do disposto no art. 8o do DecretoLei n° 1.598, de 30.12.1977 e o correspondente dispositivo do RIR/99, art. 270. L Por fim, esclareceu que não fez qualquer lançamento a título de ajuste de exercícios anteriores, nos termos do parágrafo Io do artigo 186, da Lei n° 6.404, de 15.12.1977, porque entendia que tal dispositivo não se aplica à situação descrita, na medida em que, no presente caso, não houve alteração de critério contábil, que desde 2002 é o mesmo, conforme devidamente autorizado pela CVM. Fl. 1532DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.533 6 Na ocasião, apresentou os demais elementos solicitados no termo fiscal. 4. NOVA INTIMAÇÃO FISCAL SOBRE AS EXCLUSÕES E ADIÇÕES Conforme o Termo de Intimação Fiscal, datado de 23/10/2009, com ciência pessoal na mesma data, foram solicitados esclarecimentos sobre as razões das adições dos custos de outorga fixa ao lucro líquido, para fins de apuração do IRPJ e CSLL, dos períodos de 2004, 2005, 2006 e 2007. Também foram solicitadas planilhas de cálculos relativas a apuração mensal dos valores da depreciação, amortização e variação monetária que foram excluídos do lucro líquido para fins de apuração do IRPJ e CSLL dos anoscalendário de 2006 e 2007, e comprovação da contabilização desses valores, bem como outros documentos e esclarecimentos. 5. RESPOSTA DO SUJEITO PASSIVO AO TERMO FISCAL DE 23/10/09 A resposta foi feita através do documento CEACTUACFT 153/09, protocolado nesta DRF sob n° 015222, em 12 de novembro de 2009. Sobre as adições dos custos de outorga fixa ao lucro líquido para fins de apuração do IRPJ e CSLL dos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007, o sujeito passivo informou que as adições referidas estavam inseridas no contexto dos procedimentos contábeis e fiscais, já descritos na petição datada de 10.08.2009, protocolada em atendimento ao termo de intimação fiscal de 21.07.2009. Como já havia feito anteriormente, tornou a esclarecer que o procedimento adotado foi de contabilizar as despesas decorrentes do custo de aquisição do direito de outorga de rodovia, em conta de resultado, à medida que eles eram mensalmente realizados e, por outro lado, para fins fiscais, adotava o regime de competência para o reconhecimento das obrigações referentes ao seu direito de exploração de rodovias, o que significa dizer que a atualização monetária dos valores por ela devidos, assim como as amortizações do respectivo custo de aquisição e depreciações, eram consideradas na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, independentemente de qualquer pagamento. Segundo informou, o registro contábil pelo regime de caixa estava autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por meio de ofício CVM/SEP/GEA2 n° 521/02, e o reconhecimento das mencionadas variações pelo regime de competência foi declarado válido pelo Fisco, por meio da Solução de Consulta n° 21/2006, emitida a seu favor. Como a contabilidade adotava um critério diferentemente daquele praticado para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, realizava ajustes ao lucro líquido de cada período, por meio do Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.534 7 seu LALUR, e no caso das despesas financeiras com variação monetária, das amortizações e depreciações, como a contabilidade não registrava esses valores os ajustes fiscais eram efetuados na forma de exclusões no LALUR (regime de competência). Em contrapartida, para não haver deduções indevidas na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, os valores que eram registrados na contabilidade a cada pagamento, pelo regime de caixa, eram adicionados no LALUR. Esclareceu, assim, que as adições referidas no item 01 do Termo de Intimação Fiscal de 23.10.2009, correspondem justamente aos valores que pagava mensalmente ao 5i Poder Público para fins de aquisição do seu direito de exploração de rodovias. A soma dos valores pagos á cada mês perfaz os montantes adicionados no LALUR ao final de cada período de apuração. 6. ANÁLISE FISCAL DAS EXCLUSÕES E ADIÇÕES Não obstante o sujeito passivo ter posteriormente (conforme item 7 e seguintes), mediante a apresentação em 27/11/2009 de DIPJs e DCTFs retificadoras, restabelecido os valores componentes das bases de cálculo do IRPJ e CSLL aos valores apurados nas declarações originais, tornando sem efeito as alterações que havia realizado, cumpre registrar que as pretendidas exclusões do Lucro Liquido, por terem sido realizadas com base em valores à margem da sua Contabilidade, não encontram amparo na legislação fiscal, especialmente diante dos artigos 250, 251, 257, 258, 259, 274 e 275, do RIR/99, c/c os artigos 178 a 188, da Lei n° 6.404, de 15/12/76, Relativamente a período anterior, o contribuinte houvera adotado o mesmo procedimento, que foi objeto de julgamento pela DRJ Campinas no processo 13839.000536/200707, em que foi analisada a manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório desta DRF, que não homologou as compensações formalizadas em PER/DCOMP vinculadas a saldos negativos de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2003. Fazemos nossos os argumentos e os fundamentos legais utilizados pelos julgadores da DRJ Campinas no Despacho Decisório (Acórdão n° 0520.215 2a Turma da DRJ/CPS), mediante o qual foi mantida a não homologação das Declarações de Compensação em litígio, cuja cópia será juntada a este processo, para demonstrar a irregularidade que estava sendo cometida pelo sujeito passivo, ao adotar idêntico procedimento em relação aos períodos ora analisados. Fl. 1534DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.535 8 Concluise daí, que as pretendidas exclusões nas bases de cálculo do IRPJ e CSLL não poderiam ser validadas juridicamente, o que teria sido também, a nosso ver, um dos motivos pelo qual o sujeito passivo tenha desconsiderado, já durante a ação fiscal, os referidos ajustes (adições/exclusões) e efetuado a retificação das DIPJs e DCTFS, de 2004 a 2007, retornando aos valores apurados com base nos valores efetivamente escriturados na sua contabilidade, como se demonstrará a seguir. 7. RETIFICAÇÕES DAS DIPJs E DCTFS DOS ANOS CALENDÁRIO DE 2004, 2005,2006 e 2007 Em 27/11/2009, o sujeito passivo apresentou Declarações de Informação EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJs) e DCTFs retificadoras, relativamente aos anoscalendário de 2003 (não objeto desta ação fiscal), 2004, 2005, 2006 e 2007, notandose, conforme a planilha "Comparativo DIPJ Original x Retificadora", que se encontra anexa ao termo fiscal datado de 09/12/2009, que as alterações tiveram por finalidade principal anular os efeitos das DIPJs retificadoras entregues em 19/03/2007, para os anoscalendário de 2004 e 2005, retornandose aos valores originalmente informados, salvo pequenos ajustes, e também o de anular os efeitos das DIPJs originais, em relação aos anoscalendário de 2006 e 2007. Em relação aos valores informados nas DIPJs retificadoras apresentadas em 27/11/2009, verificamos que o lucro líquido está de acordo com o apurado e demonstrado em sua Contabilidade. Assim também, as exclusões e inclusões utilizadas na apuração do lucro real correspondem a valores escriturados e que fazem parte da Demonstração do Resultado do Exercício. 8. INTIMAÇÃO FISCAL EM QUE SE SOLICITAM ESCLARECIMENTOS SOBRE AS RETIFICAÇÕES E INSUFICIÊNCIAS DE RECOLHIMENTOS. Comparando as alterações realizadas através das retificadoras, com os valores informados nas DIPJs apresentadas antes do início deste procedimento fiscal, constatamos insuficiência no recolhimento do IRPJ e CSLL ajuste anual em vários períodos, conforme apontado no termo fiscal de 09/12/2009, no qual o sujeito passivo foi intimado a se manifestar sobre os motivos das retificações das DIPJs, das DCTFs e sobre as insuficiências nos recolhimentos dos tributos. Também foram apontados nos demonstrativos anexos à referida intimação fiscal, os valores das estimativas mensais do IRPJ e CSLL apurados na DIPJ retificadora e os pagamentos efetivamente realizados por DARF. Fl. 1535DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.536 9 9. ESCLARECIMENTOS DO SUJEITO PASSIVO Em atendimento à Intimação fiscal de 09/12/09 e através da petição protocolizada em 14/12/2009, sob n° 017045, o sujeito passivo prestou esclarecimentos sobre o motivo das alterações e sobre as insuficiências de recolhimento de tributos. Enfatizou que todas as retificações foram apresentadas no contexto da adesão aos benefícios da Lei n° 11.941/2009, que trata do parcelamento de débitos com redução de multa e juros. Apontou que parte significativa das diferenças demonstradas no termo fiscal decorreram de débitos por ele constituídos em DCTFs e DIPJs em face de sua decisão de inclusão no aludido programa, aguardandose, para tanto, apenas a divulgação das datas e procedimentos para a inclusão e consolidação dos débitos nesse Programa. Em relação ao motivo pelo qual apresentou as retificações, esclareceu que, como anteriormente houvera informado, havia de sua parte a interpretação acerca do seu direito à dedução de despesas de outorga referentes ao passivo registrado em face do Poder Público Concedente, o que o levou a efetuar exclusões/adições na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, ocasionando, inclusive, retificações anteriores de DIPJs. Reconheceu também que tal procedimento ocasionou uma redução do saldo de IRPJ e CSLL a pagar, motivo pelo qual, mais recentemente, optou por refazer toda a sua apuração de IRPJ e CSLL, desconsiderando os referidos ajustes (adições/exclusões), e retificando todas as suas DIPJs e DCTFs, tendo como finalidade a recomposição integral das apurações desses tributos, retornando ao assim chamado status quo ante. Informou que as retificações em DIPJs e DCTFs e constituição de débitos tributários (atualmente em aberto) efetuadas relativamente aos anoscalendário sob fiscalização foram efetivadas tendo em vista o objetivo de: (i) de viabilizar a inclusão dos débitos assim constituídos no programa de parcelamento previsto na Lei n° 11.941/2009; e (ii) atender à disposição expressa constante da Instrução Normativa n° 968/09, segundo o qual o contribuinte era obrigado a constituir, mediante declaração, os débitos ainda não declarados até o dia 30 de novembro de 2009, razão pela qual, pautada de boafé, retificou as aludidas DIPJs no dia 27/11/2009. Fl. 1536DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.537 10 Em relação às insuficiências referidas no termo fiscal, o sujeito passivo apresentou os correspondentes comprovantes e apontou, período a período, as seguintes parcelas que não foram consideradas no levantamento fiscal: (i) dedução do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e Contribuição Social Retida na Fonte (CSRF), (ii) valores compensados por meio de PER/DCOMP e (iv) pequenas diferenças nos valores recolhidos por DARF. Nos itens 21, 26, 31, 34, 37 e 39, da referida petição, o sujeito passivo argumentou que os débitos correspondentes às diferenças apontadas teriam sido declarados e constituídos nas DCTFs retificadoras do período (referidas no item 7), relativamente à antecipação das estimativas, os quais seriam quitados por meio do parcelamento previsto na Lei n° 11.941/2009, e que, por isso, deveriam ser desconsiderados do cálculo fiscal. Conforme demonstrado no quadro abaixo, verificase que apenas parte do débito de estimativa mensal do IRPJ e CSLL informada na DCTF apresentada antes do início do procedimento fiscal foi extinta através de pagamentos por DARF e compensação por PER/DCOMP. Constatase que os créditos vinculados relativos às demais compensações (créditos provenientes de suposto recolhimento a maior em períodos anteriores), informados nas DCTFs entregues antes do início da fiscalização, foram excluídos nas DCTFs retificadoras apresentadas em 27/11/2009 (item 7), em razão do sujeito passivo ter desistido do procedimento anteriormente adotado, segundo informou. Depois de iniciada a ação fiscal não houve nenhum pagamento e não foi compensado nenhum valor por DCOMP. COMPARATIVO DA DCTF APRESENTADA ANTES DO INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO COM A RETIFICADORA APRESENTADA EM 27/11/2009 (ITEM 7). I ANOCALENDÁRIO DE 2005 IRPJ DCTF anterior DCTF retificadora Acréscimo Débito estimativa 50.293.272,12 58.669.948,73 8.376.676,61 () Pagamentos 49.585.245,80 57.794.756,64 () Compensações 708.026,32 708.026,32 saldo 167.165,77 OBS: O valor correspondente à diferença nos pagamentos de R$ 49.595.245,90 (DCTF anterior) para R$ 57.794.756,64 (DCTF retificadora), foi pago antes do início do procedimento fiscal. CSLL DCTF anterior DCTF retificadora Acréscimo Débito estimativa 20.933.420,01 23.423.678,64 2.490.258,63 Fl. 1537DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.538 11 () Pagamentos 20.534.200,24 23.092.305,16 () Compensações 399.219,77 254.889,47 saldo 76.484,01 II ANOCALENDÁRIO DE 2006 IRPJ DCTF anterior DCTF retificadora Acréscimo Débito estimativa 49.536.556,41 65.609.454,08 16.072.897,67 () Pagamentos 25.847.382,46 25.901.215,97 () Compensações 23.689.173,95 saldo 39.708.238,11 CSLL DCTF anterior DCTF retificadora Acréscimo Débito estimativa 20.332.368,12 26.150.311,29 5.817.943,17 () Pagamentos 9.308.499,71 9.315.387,34 () Compensações 11.023.868,41 6.950,26 saldo 16.827.973,69 II ANOCALENDÁRIO DE 2007 IRPJ DCTF anterior DCTF retificadora Acréscimo Débito estimativa 53.200.043,34 102.488.283,87 49.288.240,53 () Pagamentos 12.413.689,48 12.419.044,86 () Compensações 40.786.353,86 CSLL DCTF anterior DCTF retificadora Acréscimo Débito estimativa 20.915.636,10 38.658.080,71 17.742.444,61 () Pagamentos 4.740.124,47 4.740.124,47 () Compensações 16.175.511,63 saldo - 33.917.956,24 Durante a ação fiscal e atendendo intimação fiscal, o contribuinte apresentou as demonstrações financeiras acompanhadas do Parecer dos Auditores Independentes, elaboradas de acordo com a legislação societária e expressando os resultados alcançados nos exercícios sociais encerrados em 31/12/2005, 31/12/2006 e 31/12/2007, nas quais verificase que a empresa apurou lucro líquido nesses períodos e ocorreram distribuições de dividendos por conta desses lucros. Na apuração do Lucro Real demonstrado na DIPJ retificadora, o contribuinte desconsiderou os valores dos encargos da concessão calculados à margem da Contabilidade, em Razões Auxiliares, que pretendia excluir do Lucro Líquido, conforme se mencionou no início deste termo. 10. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO AJUSTE ANUAL DO IRPJ E CSLL Fl. 1538DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.539 12 Diante dos esclarecimentos e documentos apresentados pelo sujeito passivo, refizemos os cálculos do IRPJ e CSLL a pagar no ajuste anual de cada período, alterandose os valores das insuficiências constantes do Termo Fiscal de 09/12/2009, estando os novos valores demonstrados nas planilhas denominadas "APURAÇÃO DAS DIFERENÇAS DE ESTIMATIVA MENSAL E AJUSTE ANUAL IRPJ e CSLL", de n°s 01, 02, 04, 05, 07 e 08, que se encontram anexas ao presente termo, dele fazendo parte integrante. Ficaram assim constituídos os novos valores das insuficiências nos recolhimentos do ajuste anual do IRPJ e da CSLL: AJUSTE ANUAL IRPJ AC 2005 Inicialmente, o saldo a pagar no valor de R$ 901.998,11, foi apurado sem considerarse a dedução do valor de R$ 1.248.532,67, relativo ao IRRF (Imposto de Renda retido na fonte) e a compensação realizada por meio de PER/DCOMP. O novo cálculo resultou em saldo credor no valor de R$ 67.198,19, conforme á PLANILHA N°01. AJUSTE ANUAL CSLL AC 2005 Considerandose os valores compensados por PER/DCOMP, anteriormente não considerados, verificouse que o novo cálculo apontou saldo credor no valor de R$ 133.202,76, conforme a PLANILHA N° 02. AJUSTE ANUAL IRPJ AC 2006 O saldo a pagar no valor de R$ 45.280.400,29 foi apurado sem considerarse a dedução do IRRF (Imposto de Renda retido na fonte), no valor de R$ 5.573.075,80. O saldo a pagar correto é de R$ 39.707.324,49, conforme a PLANILHA N° 04. AJUSTE ANUAL CSLL AC 2006 O saldo a pagar no valor de R$ 16.834.595,06 foi apurado sem considerarse a compensação por PER/DCOMP, no valor de R$ 6.950,26. O saldo a pagar correto é de R$ 16.827.644,80, conforme a PLANILHA N° 05. AJUSTE ANUAL IRPJ AC 2007 O saldo a pagar no valor de R$ 93.110.419,94 foi apurado sem considerarse a dedução do IRRF (Imposto de Renda retido na fonte), no valor de R$ 3.035.825,55 e um recolhimento feito por DARF no valor de R$ 5.355,38. O saldo a pagar correto é de R$ 90.069.239,01, conforme a PLANILHA N° 07. AJUSTE ANUAL CSLL AC 2007 O saldo a pagar no valor de R$ 33.940.901,26 foi apurado sem considerarse a CSRF deduzida no próprio ano, no valor de R$ 22.945,02. Assim, o saldo a pagar correto é de R$ 33.917.956,24, conforme a PLANILHA N° 08. Destacamos que as bases de cálculo por nós utilizadas na apuração do débito do IRPJ e CSLL devidos no encerramento do exercício ajuste anual estão de conformidade com o lucro líquido apurado na Contabilidade, elaborada de acordo com as leis fiscais e comerciais, conforme se verifica pelos balanços e demonstrações dos resultados apresentados durante a Fl. 1539DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.540 13 fiscalização, e também de acordo com o lucro real demonstrado na DIPJ retificadora mencionada no item 7. Constatamos que no cálculo do ajuste anual do IRPJ e da CSLL demonstrados nas DIPJs retificadoras, o sujeito passivo deduziu a totalidade das estimativas declaradas em DCTF, independentemente de ter havido ou não a extinção desses débitos na forma prevista em lei. Através da petição protocolizada sob n° 017045, alegou que na apuração das insuficiências de recolhimentos do ajuste anual, a que se refere o Termo Fiscal de 09/12/2009, a fiscalização não considerou os débitos de estimativas mensais que já haviam sido constituídos por meio de DCTF retificadoras (entregues durante a ação fiscal, conforme o item 7 acima) e cujos valores em aberto deverão ser incluídos no parcelamento instituído pela Lei n° 11.941/09 (ao qual aderiu no decorrer da ação fiscal). Deve ser esclarecido que não cabe razão ao sujeito passivo ao pleitear a dedução integral das estimativas, por duas razões: (i) diante da extemporaneidade prevista no artigo 7o do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972 e (ii) pelo fato das estimativas não terem sido efetivamente pagas dentro do período de apuração do ajuste anual, como se demonstrará mais adiante. Em relação à extemporaneidade, deve ser observado que, de conformidade com o disposto no artigo 10, § 2o, III, da IN SRF 482/04 (abaixo transcrito), alterado pelo artigo 12, § 2o, III, da IN SRF 583/05, artigo 12, § 2o, III, da IN SRF 695/06 e artigo 11, § 2o, III, da IN SRF 786/07, as DCTFs retificadoras que tiveram como objeto a alteração dos débitos relativos a imposto e contribuição em relação aos quais o sujeito passivo havia sido intimado no início da ação fiscal, não podem produzir efeitos a seu favor. IN SRF 482/04: Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. (...) §2° Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: (...) III em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. No que tange às estimativas informadas na DCTF, na determinação do saldo do ajuste anual a pagar, deduzimos do imposto devido somente a estimativa mensal efetivamente paga antes do início do início da ação fiscal, considerandose como Fl. 1540DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.541 14 tal os valores pagos mediante DARF, os compensados por PER/DCOMP, indicados pelo contribuinte (ainda pendentes de homologação) e as retenções na fonte, constantes de documentos apresentados pelo contribuinte. O procedimento fiscal foi feito com observância do disposto no art. 2o, §§ 3o e 4o, III e IV, e no § 2o do artigo 74, da Lei n° 9.430, de 1996, abaixo transcritos: Art. 2° A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1° e2°do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995. (...) § 3° A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1° e 2o do artigo anterior. § 4° Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: (...) III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo, (grifos nosso) Artigo 74 (...) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) Observese, assim, que a declaração de compensação formalizada na forma prevista na Lei 9.430/96 também extingue o crédito tributário da estimativa mensal, conforme estabelecido no citado § 2o do artigo 74 da Lei e no artigo 26 da IN n° 600/05, abaixo transcrito: Art. 26 (...) § Io A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. Fl. 1541DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.542 15 § 2o A compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. (...) §4° A Declaração de Compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Destaquese ainda, que as INSTRUÇÕES DE PREENCHIMENTO da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, disponíveis aos contribuintes no "AJUDA" ao programa de preenchimento da DIPJ (Mafon), obtido por Download na página da Receita Federal na internet, interpretando a citada legislação, esclarece ao contribuinte quais as parcelas a serem deduzidas na apuração do ajuste anual, entre as quais não se incluem os débitos de estimativas mensais somente declarados em DCTF, conforme se verifica na transcrição da instrução de preenchimento da DIPJ 2008 (ano calendário de 2007), observandose que para a DIPJ 2007 (ano calendário 2006) e DIPJ 2006 (anocalendário 2005), a instrução é idêntica. Linha 12A/17 () Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa Esta linha deve ser preenchida somente pelas pessoas jurídicas que apuraram o lucro real anual. Somente podem ser deduzidos na apuração do ajuste anual os valores de estimativa efetivamente pagos relativos ao ano calendário objeto da declaração. Considerase efetivamente pago por estimativa o crédito tributário extinto por meio de: dedução do imposto de renda retido ou pago sobre as receitas que integram a base de cálculo, compensação solicitada por meio da Declaração de Compensação (PER/DComp) ou de processo administrativo, compensação autorizada por medida judicial e valores pagos mediante Darf. Consideramse, ainda, como efetivamente pagos por estimativa os valores recolhidos mensalmente aos fundos Finor, Finam e Funres, até o limite permitido no ajuste anual, exclusivamente pelas pessoas jurídicas ou grupos de empresas coligadas de que trata o art. 9° da Lei n° 8.167, de 1991, que, isolada ou conjuntamente, detenham, pelo menos, cinqüenta e um por cento do capital votante de sociedade titular de projeto aprovado como beneficiário das aplicações no Finor, Finam e Funres, relativo a setores da economia considerados, pelo Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, nas áreas de atuação da Sudene e da Sudam, desde que o projeto tenha sido aprovado ou protocolizado no órgão competente até 2 de maio de 2001 e que esteja em situação de regularidade (Lei n° 9.532, de 1997, art. 4o, § 8o, MP n°2.19914, de 2001, arts. 3oe 17). ] Fl. 1542DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.543 16 Atenção: A aplicação fica assegurada somente até o final do prazo previsto para a implantação do projeto. O valor do imposto efetivamente pago por estimativa corresponde ao somatório dos valores mensais relativos à sesuinte operação: IEFP = Imposto Mensal Efetivamente Pago por Estimativa IEFP = (Linhas 11/07 + 11/08 + 11/09 + 11/10 + U/11 + Pagamentos de IRPJ mensal + Pagamentos Finor/Finam/Funres até o limite permitido no ajuste anual + Compensação solicitada mediante Declaração de Compensação (PER/DComp) ou processo administrativo, e compensação autorizada por medida judicial) (os grifos são nossos) 11. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS IRPJ E CSLL Conforme demonstrado nas planilhas de n°s 01, 02, 04, 05, 07 e 08, anexas, também foram constatadas insuficiências de recolhimentos de estimativas mensais de IRPJ e CSLL relativas aos anoscalendário de 2005,2006 e 2007. Seguindo as normas prescritas nos dispositivos legais acima mencionados, na apuração dos saldos a pagar dos débitos de estimativa, dos quais já haviam sido deduzidos o valor retido na fonte, consideramos somente os valores efetivamente recolhidos por DARF, os compensados por DCOMP com créditos comprovados realizados antes do início do procedimento fiscal. Observese que essas insuficiências coincidem com os saldos a pagar apurados pelo sujeito passivo na DCTF retificadora apresentada após o início da fiscalização, conforme demonstrado nas planilhas anexas, de n°s 03, 06 e 09. 12. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO SALDO A PAGAR NO AJUSTE ANUAL E MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DA ESTIMATIVA MENSAL 0 sujeito passivo deveria ter efetuado o pagamento da estimativa mensal e do saldo do imposto apurado em 31 de dezembro nos prazos previstos no art. 6o, da Lei 9.430/96, a saber: Lei 9.430/96 Fl. 1543DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.544 17 Art. 6° O imposto devido, apurado na forma do art. 2o, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: 1 pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2o; (...) Considerando, no entanto, que não houve o pagamento total das estimativas apuradas, assim como não houve nenhum recolhimento a título de ajuste ao final do exercício, sobre os valores não pagos, caberá o lançamento de ofício para aplicação das multas previstas no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, combinado com seu § Io inciso IV, alterado pela Medida Provisória n° 351, de 2007, posteriormente convertida na Lei n° 11.488, de junho de 2007, a saber: Lei. 9430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, apôs o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...) 10 As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2o, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, (grifo nosso) (...) Em razão do disposto no art. 14 da Lei n° 11.488/2007, a referida penalidade passou a estar assim prevista: Artigo 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; 11 de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo Fl. 1544DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.545 18 negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Como se observa, as bases de cálculo das multas isolada e genérica, por falta de pagamento da antecipação e por falta de pagamento da contribuição ou tributo, são distintas, tanto de fato como de direito. Somente o pagamento do tributo definitivo apurado na declaração DIPJ extingue o crédito tributário (CTN, art. 150), ao contrário do recolhimento da antecipação, que não tem esse efeito, por ser esse recolhimento provisório e estar sujeito ao ajuste na data do encerramento do exercício, podendo, inclusive, ser suspenso no curso do período (mediante balanço ou balancete de suspensão art. 35 da Lei 8.891/95), ou resultar em restituição, parcial ou integral (caso a estimativa recolhida for maior). Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § Io O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito tributário, sob condição resolutoria da ulterior homologação de lançamento. • ' (...) Lei 8.891/95 Ari. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Verificase ainda que, juridicamente, o fato gerador do Imposto sobre a Renda só será tido por ocorrido ao final do período anual (31/12). O valor do lucro base de cálculo do tributo só será apurado por ocasião do balanço no encerramento do exercício, momento em que são compensados os valores pagos antecipadamente em cada mês sobre base estimada (Art. 2° caput da Lei 9430/96), mas a materialidade tributada é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano, conforme disposto no § 3o do art. 2o da Lei 9.430/96, abaixo transcrito: § 3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1° e 2o do artigo anterior. Fl. 1545DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.546 19 De acordo com este comando legal, ao final de cada ano deve ser apurado o lucro real e calculado o imposto devido no período. Caso constatada a insuficiência de pagamento do tributo apurado pelo lucro real, as empresas terão de complementar a estimativa que fora recolhida ao longo do mesmo período. Conforme se depreende desses dispositivos legais, o imposto de renda (IRPJ) e a CSLL verdadeiramente devidos são apenas aqueles apurados ao final do ano. O recolhimento mensal não resulta de outro fato gerador distinto do relativo ao período de apuração anual; ao contrário, corresponde a mera antecipação provisória de um recolhimento, em contemplação de um fato gerador e uma base de cálculo positiva que se estima venha ou possa vir a ocorrer no final do período, não representando, por si só, dívida líquida e certa. Tanto é provisório o recolhimento da estimativa que o art. 15 da Instrução Normativa SRF n°. 93/97, ao interpretar o art 2o da Lei n°. 9.430/96, que trata desse regime, prescreve a impossibilidade de as autoridades fiscais exigirem de ofício a estimativa não paga no vencimento, que deverá se restringir à multa de ofício sobre os valores não recolhidos, a saber: IN 93/97 Art. 15. O lançamento de ofício, caso a pessoa jurídica tenha optado pelo pagamento do imposto por estimativa, restringirse á à multa de ofício sobre os valores não recolhidos. Como se infere das normas legais acima citadas, não é suficiente a declaração em DCTF da estimativa mensal para utilizála como dedução do valor do tributo devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, como pretende o sujeito passivo. Para que isso fosse possível, o débito da estimativa deveria estar extinto na forma anteriormente mencionada, dentro dos prazos previstos na legislação. Isso não ocorrendo, a antecipação passa a integrar o imposto definitivo apurado na declaração ao final do período com base no Lucro Real (ajuste anual), e este sim é que poderá ser exigido em lançamento de ofício, por representar débito líquido e certo. Assim, as estimativas não efetivamente pagas não podem ser deduzidas na apuração do ajuste anual do Imposto sobre a Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e devem ser utilizadas para fins de cobrança da multa isolada. Outrossim, não vislumbramos nenhuma disposição expressa do CTN ou da legislação tributária ordinária que autorize a dispensa da multa isolada por descumprimento da obrigação de recolher antecipações. Diante do exposto, tendo sido constatado que não houve o pagamento integral do imposto por estimativa, será efetuado lançamento de ofício para aplicação da multa de ofício sobre os Fl. 1546DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.547 20 valores devidos e não recolhidos e exigirseá o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, que não foi recolhido, acrescido da multa de 75% e juros de mora, conforme disposto no citado artigo 15 e nos artigos 16 e 49 da Instrução Normativa n° 93/97: Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de oficio abrangerá: I a multa de oficio sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; II o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de oficio e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto. Art. 49. Aplicamse à contribuição social sobre o lucro líquido as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, observadas as alterações previstas na Lei n° 9.430, de 1996. Nas PLANILHAS N°S: 01, 02, 04, 05, 07, 08 e 10, que se encontram anexas e ficam fazendo parte integrante deste Auto de Infração, estão demonstradas as bases de cálculo, a apuração das inconsistências de recolhimentos e o cálculo da multa isolada. Observamos que as insuficiências de recolhimentos de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2004 foram lançadas em autos de infração formalizados no processo administrativo fiscal n° 19311.000616/200941, conforme relatado no Termo de Constatação Fiscal, datado de 18/12/2009 (encerramento parcial). 13. OUTROS TERMOS FISCAIS Além dos termos fiscais acima mencionados, no decorrer da ação fiscal foram emitidos os seguintes termos fiscais: a) Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal, de 31/08/2009, com ciência via postal em 03/09/09; b) Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal, de 19/10/2009, com ciência via postal em 26/10/09. c) Termo de Intimação Fiscal, de 20/01/2010, no qual foi solicitado o último balanço/balancete encerrado no ano de 2009. 14. FINALIZAÇÃO O crédito tributário apurado será constituído mediante a lavratura de Auto de infração distinto para as seguintes infrações e tributos: (i) insuficiências de recolhimentos de IRPJ, (ii) insuficiências de recolhimentos de CSLL, (iii) multa isolada Fl. 1547DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.548 21 de IRPJ e (iv) multa isolada de CSLL, dos quais este termo é parte integrante e indissociável. E, para constar e surtir os efeitos legais lavramos o presente Termo, em 3 (três) vias de igual teor e forma, assinado pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e pelo representante do sujeito passivo, que neste ato recebe umà das vias. Cientificada dos lançamentos, em 29/01/2010, na pessoa de seus procuradores (cf. instrumento de procuração de fls. 10), a contribuinte, por intermédio de seus advogados e bastantes procuradores (cf. instrumentos de mandato e de substabelecimento de fls. 1181/1184), protocolizou a impugnação de fls. 1140/1177, em 26/02/2010, alegando em sua defesa as seguintes razões de fato e de direito. Destaca se tratar de impugnação parcial, na medida em que o litígio restringese à exigência das multas isoladas por falta/insuficiência de recolhimento das estimativas mensalmente devidas de IRPJ e CSLL, nos anoscalendário de 2005 a 2007. Quanto aos demais débitos (principal, multa de ofício de 75% e juros de mora) também constituídos exofficio nos lançamentos ora sob apreciação, não serão objeto de impugnação, devendo ser, oportunamente, incluídos no parcelamento instituído pela Lei n° 11.941, de 2009. Esclarece que a insuficiência de pagamento mensal das estimativas seria decorrente de duas situações: (i) durante a fase de fiscalização, o cancelamento dos PER/DCOMP ainda não apreciados pela autoridade competente, nos quais teriam sido compensadas as estimativas mensais devidas; (ii) exclusões anteriormente efetuadas pela empresa na apuração das estimativas mensais, e ora canceladas nas DIPJ e DCTF retificadoras apresentadas. Assinala ainda que no curso dos anoscalendário de 2005 a 2007, teria efetuado o cálculo das estimativas devidas, e informado os débitos e a forma de sua extinção, por compensação, em DCTF. Entretanto, ao reavaliar a origem dos créditos utilizados nas compensações, a contribuinte teria optado por cancelar os PER/DCOMP e retificar as DIPJ e DCTF, ainda que sob procedimento fiscal, com o intuito de viabilizar a inclusão dos débitos em aberto no parcelamento da Lei n° 11.941, de 2009. Contesta, em síntese, a exigência de multa isolada, por insuficiência de recolhimento das estimativas mensais: (i) no anocalendário de 2005. porque apurado saldo negativo de IRPJ e CSLL no ajuste anual; e (ii) nos anoscalendário de 2006 e 2007. porque concomitante com a exigência da multa de ofício aplicada sobre o IRPJ e a CSLL apurados no ajuste anual. No entender da defesa, o objetivo do preceito contido no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (com as alterações legislativas Fl. 1548DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.549 22 supervenientes, inclusive), seria assegurar o recolhimento antecipado e evitar o não pagamento da estimativa de IRPJ e CSLL no curso do anocalendário. Tanto assim que a base de cálculo da multa isolada seria (e sempre foi) o próprio valor da estimativa que deixou de ser paga. Entretanto, a multa isolada somente teria razão de ser se, no momento de sua aplicação, a estimativa ainda fosse devida. Nas palavras da Impugnante: "24. De fato, é incompatível a aplicação da Multa Isolada, que tem por pressuposto a falta de recolhimento da estimativa no anocalendário ou o recolhimento a menor, quando a estimativa não é mais devida. 25. Entendimento diverso levaria ao absurdo de se admitir a aplicação de uma penalidade por conduta que não é mais exigida (pagamento da estimativa) e, principalmente, por valor que não é mais devido". Requer a interpretação do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, em consonância com os dispositivos que tratam da sistemática de apuração do IRPJ e da CSLL (art. 2o, §3°, §4°, IV, art. 6o, §1°, I e II), para concluir que, após o encerramento do anocalendário, não haveria que se falar em exigência de estimativa, mas apenas dos próprios tributos apurados no ajuste, e conseqüentemente, não haveria que se falar em aplicação de multa isolada. A multa isolada por falta/insuficiência de recolhimento somente poderia ser aplicada no próprio anocalendário. Transcreve ementa de julgado do Conselho de Contribuintes (Ac. 10323.040, de 24/05/2007). I Argumentos contra a incidência da Multa Isolada no ano calendário de 2005 No que tange ao anocalendário de 2005, diz que a apuração de saldos negativos de IRPJ/CSLL ao final do período, denotaria que os pagamentos efetuados ao longo do anocalendário seriam superiores aos valores devidos, pelo que improcedente a aplicação da multa isolada em face da inexistência de qualquer prejuízo para a Fazenda Nacional. Faz referência a jurisprudência pacífica do Conselho de Contribuintes no sentido de que "não havendo IRPJ e CSLL a pagar no ajuste anual, inexiste base de cálculo para a aplicação da multa isolada". E prossegue: "42. Isso porque, após o encerramento ao anocalendário, a base de cálculo para efeito de aplicação da multa isolada tem como limite o saldo de IRPJ e de CSLL a pagar, apurado na declaração anual de ajuste (momento da ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL), e a apuração de saldo negativo demonstra a inexistência de qualquer valor devido no ano calendário em questão". Transcreve em seu favor várias ementas de Acórdãos do Conselho de Contribuintes, e ainda a seguinte ementa de julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF: Fl. 1549DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.550 23 N° Acórdão CSRF/0104.930 Data da Sessão 12/04/2004 Relator(a) José Clóvis Alves IRPJ MULTA ISOLADA FALTA DE PAGAMENTO DO IRPJ COM BASE NO LUCRO ESTIMADO A regra é o pagamento com base no lucro real apurado no trimestre, a exceção é a opção feita pelo contribuinte de recolhimento do imposto e adicional determinados sobre base de cálculo estimada. A Pessoa Jurídica somente poderá suspender ou reduzir o imposto devido a partir do segundo mês do ano calendário, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculados com base no lucro real do período em curso. (Lei n° 8.981/95, art. 35 c/c art. 2o Lei n" 9.430/96). A falta de recolhimento está sujeita às multas de 75% ou 150%, quando o contribuinte não demonstra ser indevido o valor do IRPJ do mês em virtude de recolhimento excedentes em períodos anteriores. (Lei n° 9.430/96 44 § 1º inciso IV c/c art. 2o). A base de cálculo da multa é o valor do imposto calculado sobre lucro estimado não recolhido ou diferença entre a devido e o recolhido até a apuração do lucro real anual. A partir da apuração do lucro real anual, o limite para a base de cálculo da sanção é a diferença entre o imposto anual devido e a estimativa obrigatória, se menor. (Lei n° 9.430/96 art. 44 caput c/c § Io inciso IVe Lei 8.981/95 art. 35 § 1º letra "b"). A multa pode ser aplicada tanto dentro do ano calendário a que se referem os fatos geradores, como nos anos subseqüentes dentro do período decadencial contado dos fatos geradores. Se aplicada depois do levantamento do balanço a base de cálculo da multa isolada é a diferença entre o lucro real anual apurado e a estimativa obrigatória recolhida. Afirma ainda que tal entendimento teria sido mantido em recentes julgados da CSRF, nas sessões de 25 e 26/01/2010 (Recursos n° 150.521 e 146.770, cujos acórdãos ainda não teriam sido formalizados). II Argumentos contra a incidência da multa isolada no ano calendário de 2006 Além do argumento acima, quanto aos anoscalendário de 2006, invoca em seu favor a tese da dupla incidência de penalidade, tendo em conta estar sendo exigida a multa de ofício isolada, por falta de recolhimento das estimativas mensais, cumulada com a multa de ofício exigida juntamente com o IRPJ e a CSLL devidos no ajuste anual. No entender da defesa, em decorrência de um único fato praticado pela Impugnante (recolhimento a menor de IRPJ e CSLL), ou de uma mesma infração, teriam sido aplicadas duas penalidades, inclusive, sobre a mesma base de cálculo: (i) a multa de ofício de 75% sobre o IRPJ e a CSLL apurados no ajuste dos anoscalendário de 2006, sobre uma base de cálculo de R$ 56.534.969,30; e (ii) a multa isolada de 50% sobre a diferença de estimativa não recolhida no anocalendário de Fl. 1550DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.551 24 2006, sobre a mesma base de cálculo de R$ 56.534.969,30. Tal cumulação de penalidades sobre o mesmo fato seria vedada pelo ordenamento jurídico vigente, por caracterizar bis in idem. Referese ainda ao princípio da continência lógica (ou consunção), segundo o qual a multa de ofício aplicada em função da falta de pagamento do IRPJ e da CSLL apurados no encerramento do anocalendário absorveria a multa aplicável por falta de pagamento das estimativas mensais, meras antecipações dos tributos devidos no ajuste anual. Defende assim que a multa isolada não estaria sendo exigida pelo descumprimento de uma obrigação acessória, mas pelo descumprimento da obrigação principal, conduta que já teria sido apenada por meio da aplicação da multa de ofício correspondente de 75%. Para referendar a sua tese, transcreve doutrina segundo a qual as multas de ofício do art. 44 teriam por pressuposto a falta de pagamento de imposto ou contribuição devidos trimestral ou anualmente, e as circunstâncias descritas no §1° diriam respeito a modos de cobrança e não a novas hipóteses de incidência. Sob tal perspectiva, as estimativas mensais não seriam incidências diferentes do imposto ou contribuição devidos anualmente, e assim, somente poderiam ser exigidas em função da expectativa de obtenção de lucro até o final do período de apuração. Adotado tal entendimento, a falta de pagamento somente poderia ser verificada depois de encerrado o período de apuração, quando seria aferida a existência, ou não de base tributável. Reitera a Impugnante assim que o valor a ser antecipado decorreria do mesmo fato gerador a se consolidar ao final do anocalendário. Novamente colaciona julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF abaixo transcrito: Acórdão: CSRF/0105.875 Data da Sessão: 23/06/2008 Relator (a): Marcos Vinícius Neder de Lima MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA O artigo 44 da Lei n° 9.430/96preceitua que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se contunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo nãorecolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela Fl. 1551DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.552 25 falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Recurso especial negado. Reitera ainda a argumentação de que na redação original do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, vigente desde o anocalendário de 1996, nos incisos I e II previase as distintas multas de ofício de 75% e 150%, e no §1° a forma pela qual as multas deveriam ser exigidas (em conjunto ou isoladamente). Assevera assim que o §1° não teria estipulado penalidade diversa e autônoma daquela prevista no caput. E continua: "63. Por certo, caso a multa seja aplicada após o encerramento do anocalendário, quando já materializada a ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL, bem como a devida apuração dos tributos devidos, a exigência da multa deve ser formalizada apenas na modalidade de ofício, em conjunto com os tributos apurados no ajuste. 64. De reverso, caso seja constatada a ocorrência de não recolhimento das estimativas, ainda no curso do anocalendário, momento em que não se mostra configurado o fato gerador do IRPJ e da CSLL, a multa deve ser aplicada de forma isolada. 65. Vale dizer, pela própria sistemática prevista pelo art. 44 da Lei n° 9.430/96, devese exigir uma ou outra multa, a depender da situação verificada no caso concreto. O que não se pode admitir é a cobrança da multa nas suas duas modalidades de exigência e no mesmo momento, como pretendido pela fiscalização no caso concreto". Além de fazer remissão a vários outros julgados, outra ementa de acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF é transcrita, e tem o seguinte teor: Acórdão n° 0105.882 Sessão de 23 de junho de 2008 Relatora Karem Jureidini Dias APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de oficio e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas ' as penalidades estão relacionadas ao descumprimento Fl. 1552DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.553 26 de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no recolhimento de tributo. Referenda que tal posicionamento teria sido mantido na sessão de 25 e 26/01/2010 (Recursos 157.705, 157.723 e 160.430, cujos acórdãos ainda não teriam sido formalizados). III Argumentos contra a incidência da multa isolada no ano calendário de 2007 Transcreve a redação do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, dada pela Lei n° 11.488, de 2007 (conversão da Medida Provisória n° 351, de 2007), para repetir a argumentação já expendida com relação à exigência efetuada no anocalendário de 2006, principalmente a vedação de concomitância de incidência de dupla penalidade, ressalvando que a alteração legislativa não teria o condão de respaldar qualquer mudança de entendimento. Nas palavras da defesa: "75. Inicialmente, cumpre ressaltar que nos trabalhos legislativos que resultaram na alteração do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 não há qualquer referência à suposta pretensão ou ao propósito de o legislador modificar o tipo normativo anterior ou autorizar a aplicação concomitante de multas isoladas e de ofício". Assevera ainda que em 29/06/2006 teria sido publicada a Medida Provisória n° 303, 2006 (que teria tido seu prazo de vigência encerrado em 27/10/2006), que já teria alterado o art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, no tocante à incidência da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas mensais, para esclarecer a base de cálculo (pagamento mensal) e reduzir a alíquota para 50%. Na exposição de motivos teria sido feita a ressalva de que o objetivo da alteração seria apenas reduzir o percentual da multa de ofício lançada isoladamente, sem qualquer referência à mudança do tipo normativo anterior ou autorização para aplicação concomitante da multa isolada e da multa exigida juntamente com o tributo devido. Em 22/01/2007, teria sido publicada a Medida Provisória n° 351, de 2007, com a mesma redação da Medida Provisória n° 303, de 2006, e com o mesmo objetivo expresso na exposição de motivos, novamente sem qualquer referência à mudança do tipo normativo anterior ou autorização para aplicação concomitante da multa isolada e da multa exigida juntamente com o tributo devido. Destaca que a exposição de motivos, se não vinculante, seria relevante para a interpretação do texto legislado. E prossegue: "90. Sendo assim, certo é que qualquer interpretação que se dê à regra não pode ignorar esse seu sentido finalístico: por meio dela, o legislador fiscal aliás, o próprio Poder Executivo pretendeu tãosomente reduzir a multa isolada, mas não modificarlhe o perfil". Fl. 1553DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.554 27 Conclui daí plenamente aplicável ao anocalendário de 2007 o entendimento já pacificado no Conselho de Contribuintes de que a multa isolada por falta/insuficiência de pagamento das estimativas mensais não seria devida concomitantemente com a multa de ofício aplicada em decorrência da falta/insuficiência de pagamento do IRPJ/CSLL devidos no ajuste anual. Acrescenta ainda que diante da nova redação do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, distintas seriam as multas previstas no inciso I (75%) e no inciso II (50%), e não haveria previsão expressa de possibilidade de lançamento concomitante de ambas as multas. Reproduzemse as alegações da defesa: "94. Caso o legislador pretendesse autorizar a exigência concomitante da multa de ofício e da multa isolada, o teria feito expressamente, determinando que nos lançamentos de ofício fossem aplicadas multa de ofício (de 75%) "E" multa isolada (de 50%), ou então multa de ofício "sem prejuízo" da multa isolada, o que não ocorreu". Referese a um outro acórdão da CSRF para referendar suas colocações: N° Acórdão CSRF/0105.078 Data da Sessão 17/10/2004 Relator(a) José Clóvis Alves "MULTA ISOLADA Ari. 44, I, da Lei 9430/96 Inaplicabilidade. NÃO CUMULATIVIDADE A multa isolada prevista no artigo 44 § 1º, somente pode ser exigida uma vez não podendo portanto ser aplicada quando a base para seu lançamento já tiver sido parâmetro para exigência da mesma multa por falta de pagamento de tributo. O legislador, quando quer, determina a cumulatividade de multas, na ausência de previsão legal, sobre o mesmo fato somente pode ser lançada uma multa. Recurso negado ". Cita legislação em que há expressa previsão de incidência de mais de uma penalidade, para concluir: "98. Portanto, na atual redação do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 não existe entre o inciso I e o inciso II a conjunção aditiva 'e' ou qualquer outra expressão equivalente, tal como a largamente encontrada na própria legislação tributária federal, o que reafirma o entendimento no sentido de que, no lançamento de ofício, ou será aplicada a multa de ofício de 75% juntamente com o tributo devido (apurado após o encerramento do ano calendário), ou então será exigida isoladamente a multa (no mesmo anocalendário)". Advoga em seu favor a aplicação do art. 112 do CTN. Às fls. 1285/1289 consta documentação elaborada pela autoridade preparadora (Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário Secat da DRF Jundiaí/SP) acerca da formalização de autos apartados para a transferência da exigência não impugnada (processo n° 15922.000040/201015), Fl. 1554DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.555 28 e às fls. 1290, despacho da mesma autoridade se pronunciando pela tempestividade da impugnação apresentada. A DRJ, manteve integralmente o lançamento, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005,2006,2007 Multa Isolada. Falta de Recolhimento das Estimativas Mensais. A multa isolada, calculada sobre a totalidade ou diferença da antecipação do IRPJ e da CSLL, mensalmente devida e não recolhida, deve ser aplicada à pessoa jurídica, sujeita à tributação com base no lucro real, e optante pelo pagamento do IRPJ e da CSLL, em cada mês, determinados sobre bases de cálculo estimadas, por descumprimento da obrigação de antecipar o IRPJ ou a CSLL mensalmente devidos. Multa de Ofício e Multa Isolada. Duplicidade de Incidência. Não Caracterização. A multa de ofício.exigida por falta de pagamento do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual, e a multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, têm hipóteses de incidência e bases de cálculo distintas. De acordo com as expressas disposições legais, a incidência de multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, é completamente autônoma em relação à obrigação tributária principal a ser constituída, ou não, no final do período. Princípio da Consunção. Inaplicabilidade das Normas e Princípios do Direito Penal ao Direito Tributário. Diversidade da Natureza das Sanções. As normas e princípios do direito penal, relativas a excludentes de ilicitude ou dirimentes, tendo em conta as sanções restritivas de liberdade ali cominadas, não são aplicáveis às sanções administrativas de caráter exclusivamente patrimonial, previstas no âmbito do direito tributário. O princípio da consunção do direito penal não deve ser aplicado, porque ao restringir a incidência da multa isolada aos casos em que não haja lançamento sobre diferença de IRPJ/CSLL devidos na apuração anual, institui uma alternatividade excludente de incidências não prevista na Lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005,2006,2007 Fl. 1555DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.556 29 Jurisprudência da CSRF. Efeitos. As decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF têm apenas força persuasiva, mas não vinculante para os órgãos da Administração Tributária Federal. Apenas o Ministro da Fazenda pode atribuir às Súmulas editadas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, efeito vinculante em relação à administração tributária federal. Irresignada com a decisão de primeira instância a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho (fls. 1314/1355), repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. Às fls. 1511/1527 encontrase Contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional com supedâneo no art. 48, parágrafo 2º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº. 256, de 22 de junho de 2009. É o relatório. Fl. 1556DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.557 30 Voto Vencido Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. MULTA ISOLADA – ESTIMATIVAS NÃO PAGAS A lide circunscreve ao pleito da Recorrente pelo cancelamento da multa isolada de 50% apurada em face de falta de recolhimento da estimativa do tributo devido, feito sob argumento de impossibilidade de cumulação com a multa de ofício de 75% lançada sobre os tributos devidos (IRPJ/CSLL) no ajuste Anual, bem assim do princípio da continência lógica (ou consunção). O relato precisou bem os termos da defesa de forma mais detalhada, aqui se transcrevendo apenas parte mais relevante: No entender da defesa, em decorrência de um único fato praticado pela Impugnante (recolhimento a menor de IRPJ e CSLL), ou de uma mesma infração, teriam sido aplicadas duas penalidades, inclusive, sobre a mesma base de cálculo: (i) a multa de ofício de 75% sobre o IRPJ e a CSLL apurados no ajuste dos anoscalendário de 2006, sobre uma base de cálculo de R$ 56.534.969,30; e (ii) a multa isolada de 50% sobre a diferença de estimativa não recolhida no anocalendário de 2006, sobre a mesma base de cálculo de R$ 56.534.969,30. Tal cumulação de penalidades sobre o mesmo fato seria vedada pelo ordenamento jurídico vigente, por caracterizar bis in idem. Referese ainda ao princípio da continência lógica (ou consunção), segundo o qual a multa de ofício aplicada em função da falta de pagamento do IRPJ e da CSLL apurados no encerramento do anocalendário absorveria a multa aplicável por falta de pagamento das estimativas mensais, meras antecipações dos tributos devidos no ajuste anual. Defende assim que a multa isolada não estaria sendo exigida pelo descumprimento de uma obrigação acessória, mas pelo descumprimento da obrigação principal, conduta que já teria sido apenada por meio da aplicação da multa de ofício correspondente de 75%. Cabe de início esclarecer que não se confunde a existência de duas infrações distintas.Uma coisa é o descumprimento da obrigação de recolher, até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir, o imposto apurado por estimativa; outra, completamente Fl. 1557DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.558 31 diferente é a caracterização de declaração inexata e da falta de recolhimento do imposto apurado no final do ano, com base no lucro real. Tais infrações são passíveis de penalidades distintas, previstas em diferentes dispositivos da legislação uma incidindo isoladamente, sobre as estimativas obrigatórias não recolhidas durante o anocalendário e outra cobrada juntamente com o imposto devido (declaração inexata). A lei em sua redação original, coincidentemente, tinha adotado o mesmo percentual de 75% para ambos os casos. Mas, esse dispositivo foi alterado pela lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, dandolhe nova redação, reduzindo a multa isolada para 50%; bem assim deixando bem claro, se dúvidas haviam, de que a referida multa isolada era cabível no caso de estimativa mensal não paga e não de tributo final não pago. Por outras palavras, se não se trata da mesma hipótese de incidência, e nem da mesma base de cálculo, também não se trata dos mesmos fatos: deixar de recolher a antecipação devida a título de estimativa de IRPJ e CSLL em vários meses do ano, não é o mesmo que deixar de pagar o IRPJ e a CSLL devidos. Assim, em virtude da legislação referida, ao optar pela apuração dos lucros com base no real anual a contribuinte ficou obrigada a antecipar o pagamento do imposto de renda e da contribuição social, recolhendoos mensalmente, por estimativa. A multa isolada recebe essa denominação apenas por ser exigida separada e independentemente do tributo, tanto que se impõe ainda quando nenhum tributo ao final do período de apuração seja devido, apenas porque o contribuinte deixou de satisfazer o recolhimento por estimativa que lhe tocava efetuar. A multa aplicase ainda que, no final do período de apuração, venha a ser apurado prejuízo fiscal, texto taxativo da Lei. Se a multa é cabível mesmo na hipótese de se verificar prejuízo ao final do período de apuração (“...ainda que tenha apurado prejuízo fiscal (...) no anocalendário correspondente”; 2(duas) ilações estão aí pressupostas que ratificam mais ainda as conclusões anteriormente chegadas: a) a penalidade é imposta não em razão do pagamento insuficiente do tributo devido ao final da apuração, mas sim pelo falta de cumprimento de outra obrigação distinta, que é o recolhimento antecipado da estimativa mensal; b) descabido é também o argumento de que a multa isolada só se aplica para período não encerrado, uma vez que aquele comando só pode ser aferido após o encerramento do exercício, situação em que os prejuízos fiscais estão prontos para serem aferidos e quantificados. Portanto, importa verificar que a exigência da multa isolada independe de se apurar resultado anual tributável, decorre do descumprimento da obrigação de recolher a estimativa apurada no mêscalendário. Também não se pode conceber que a aplicação da multa seja de caráter condicional. Explico melhor. O descumprimento da norma enseja a aplicação da penalidade, não tendo lógica a lei determinar que se proceda de certa maneira e se venha a ter procedimento em sentido oposto. É, pois, inadmissível que paralelamente com o deverser do Fl. 1558DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.559 32 comportamento, coexista o pretenso direito ao livre arbítrio de agir, vulnerandose o conteúdo das determinações legais. O nãocumprimento da obrigação tributária estabelecida nos dispositivos legais pelas pessoas jurídicas a elas obrigadas, consubstanciase em infração tributária e oportuniza o procedimento fiscal de ofício que visa restaurar o ordenamento jurídico violado. Outrossim, importante ressaltar que quem tinha o entendimento antes da redação da MP 303, de 29 de junho de 2006 (DOU 30/06/2006), consoante julgado abaixo da CSRF, deveria revêlo, se lastreado apenas nessa tese, após a edição dessa MP, que deixou claro que a multa de ofício isolada de 75% e posteriormente de 50% não era calculada sobre diferença de tributo, mas efetivamente sobre a estimativa. Tal interpretação pecava pelo excesso de literalidade que carregava consigo ao analisar o caput do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Eis abaixo a ementa do Acórdão de que falo: CSRF/0105.875 Data da Sessão: 23/06/2008 MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 preceitua que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se contunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo nãorecolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. A legislação em apreço, prescrita originalmente no art. 44,1, §1°, IV da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...) §l° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o Fl. 1559DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.560 33 lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; A redação acima transcrita teria tido vigência até a publicação da Medida Provisória n° 303, de 29 de junho de 2006, tendo força de Lei até essa data e posteriormente, foi editada a Medida Provisórias 351, de 22 de janeiro de 2007 (DOU 22/01/2007), convertida na Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, com a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal (...) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Como se vê não houve mudança nenhuma na essência, apenas na redução do percentual da multa e uma nova disposição redacional, muito como repercussão dos Julgados do CARF no legislativo, fazendo que o mesmo deixasse mais claro ainda o que já estava: que seriam duas hipótese distintas e que a base de cálculo da multa não era o tributo devido no final do exercício como apontava a jurisprudência da época. O Referido julgado do CARF fixouse demasiadamente no aspecto secundário da questão, deixando de lado o seu aspecto primário. Explicome melhor. Nesse ponto é peço uma “licença filosófica” para fazer uma digressão a respeito de certas nuances da linguagem que podem levar a confusões conceituais. O filósofo da Linguagem John R. Searle tratou também desse assunto, que não passou despercebido à sua argúcia: “Há uma distinção, bem conhecida em filosofia da linguagem, entre o que uma sentença ou expressão significa e o que um falante quer significar quando emite essa sentença ou expressão. O interesse da distinção deriva não do fato relativamente trivial de que o falante pode ignorar o significado da sentença ou expressão, mas do fato de que, mesmo quando o falante tem competência lingüística perfeita, o significado literal da sentença ou da expressão pode não coincidir com o significado da emissão do falante. Fl. 1560DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.561 34 (...)Às vezes, quando alguém se refere a um objeto, esse alguém está de posse de todo um rol de aspectos sob os quais, ou em virtude dos quais, poder terse referido ao objeto; escolhe porém referirse ao objeto sob um aspecto. Normalmente, o aspecto selecionado será tal que o falante supõe que habilitará o ouvinte a selecionar o mesmo objeto. Em tais casos, como nos casos de atos de fala indiretos, quer se dizer o que se diz, mas também algo mais. Nesses casos, qualquer aspecto serve, contanto que habilite o ouvinte a selecionar o objeto. (Pode ser inclusive algo que tanto o falante como o ouvinte acreditem ser falso do objeto. Assim, alguém diz “o assassino de Smith”, mas quer dizer também aquele homem lá, Jones, o acusado do crime, a pessoa que está sendo agora interrogada pelo promotor público, a que está se comportando tão estranhamente, e assim por diante. Nesses casos, se o aspecto que se seleciona para fazer referência ao objeto não funcionar, podese recorrer a algum outro. (...) O aspecto secundário é qualquer aspecto que o falante expresse numa descrição definida (ou outra expressão) e seja tal que o falante o emita como uma tentativa de garantir a referência ao objeto que satisfação seu aspecto primário, mas que o falante não pretenda que faça parte das condições de verdade do enunciado que tenta fazer. Dessa explicação, segue se que a cada aspecto secundário deve corresponder a um aspecto primário. Todo uso referencial tem um aspecto primário subjacente.” Nesse diapasão e forte em Searle, Data Venia, ousamos discordar do entendimento do referido Julgado na medida em que se enfatiza um aspecto secundário destituído de qualquer pretensão de verdade:“totalidade ou diferença de tributo”, em detrimento de seu aspecto primário: que o percentual da multa exigida isoladamente incida sobre o valor do pagamento mensal, pagamento este que no final do exercício irá transmutar no “Totalidade ou parte tributo devido”. A DRJ identifica indiretamente a convergência da defesa para esse mesmo mister: Andou bem a defesa ao explicitar que o objetivo do preceito contido no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (com as alterações legislativas supervenientes, inclusive), seria assegurar o recolhimento antecipado e evitar o não pagamento da estimativa mensal de IRPJ e CSLL no curso do anocalendário, e reconhecer que a base de cálculo da multa isolada sempre foi, mesmo antes das alterações legislativas, o próprio valor da estimativa que deixou de ser paga. Nesse contexto, a nova redação do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, elaborada a partir da vigência das MP n° 303, de 2006, e 351, de 2007, e da Lei n° 11.488, de 2007, ao instituir um percentual distinto e menos gravoso em relação ao aplicável ao descumprimento da obrigação tributária principal (IRPJ e CSLL devidos na apuração anual) apenas veio aperfeiçoar o preceito normativo acerca da incidência da multa isolada, por falta de Fl. 1561DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.562 35 recolhimento das estimativas mensais, explicitando o seu caráter de obrigação acessória. Sob a vigência da redação original da Lei n° 9.430, de 1996, e ainda atualmente, com a redação da Lei n° 11.488 de 2007, a multa isolada deve ser aplicada à pessoa jurídica, sujeita à tributação com base no lucro real, e optante pelo pagamento do IRPJ e da CSLL, em cada mês, determinados sobre bases de cálculo estimadas, por descumprimento da obrigação de antecipar o IRPJ ou a CSLL mensalmente devidos; e deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença da antecipação do IRPJ e da CSLL, mensalmente devida e não recolhida. Em relação a tese da consunção, em primeiro lugar há que se ter cautela na importação de institutos de outros quadrantes do Direito (Penal) cujos bens protegidos são outros: liberdade do ser humano. O princípio da consunção no Direito Penal possui como característica básica, o englobamento de uma conduta típica menos gravosa por outra de maior relevância, estas possuem um nexo, sendo considerada a primeira conduta como um mero ato preparatório da última. O problema é que esse princípio se amolda ao Direito Penal de forma a contribuir para o caráter de justiça na retributividade da pena. Ora, o Direito Tributário não é lastreado apenas no princípio da retributividade e da prevenção, mas se reveste do seu caráter patrimonial, afinal o Direito tributário, em apertada síntese, é o direito que define como serão cobrados os tributos dos cidadãos para gerar receitas para o estado fazer face às suas despesas e custeio e tem como contraparte, entre outros, o Direito Financeiro, que é o conjunto de normas jurídicas destinadas à regulamentação do financiamento geral das atividades do Estado. O contexto então muda totalmente e se torna impeditiva para tais “importações”. Em relação à Tese da inaplicabilidade da consunção no Direito Tributário, a relatora da DRJ, Maria Lúcia Aguilera, com muita propriedade soube defender o que ilustrei de forma geral, razão pela qual faço minhas também as suas razões de decidir: Nesse contexto, importante desvelar os fundamentos contra a concomitância da incidência das multas. Em primeiro lugar, se não se trata da mesma hipótese de incidência, e nem da mesma base de cálculo, também não se trata dos mesmos fatos, e o exemplo fala por si mesmo: deixar de recolher a antecipação devida a título de estimativa de IRPJ e CSLL em janeiro, fevereiro, março ou abril, não é o mesmo que deixar de pagar o IRPJ e a CSLL devidos no ajuste anual. Não se acata assim a tese de que teriam o mesmo pressuposto fático as multas previstas no artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e relativas à falta de pagamento de tributos e contribuições apurados, em caráter definitivo, trimestral ou anualmente, e à falta de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL, com caráter de provisoriedade. Não têm. A exigência, juntamente com os tributos devidos, ou isoladamente, também não é uma distinção apenas acerca dos modos de cobrança, mas se trata de diversas hipóteses de incidência. Fl. 1562DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.563 36 Dizer que não haveria possibilidade de aplicação de duas multas sobre fatos distintos, porque uma infração (fim) absorveria a outra (meio), segundo o princípio da continência lógica (ou da consunção), também não encontra eco na legislação positivada. Adotase o entendimento de que as normas e princípios do direito penal não são aplicáveis ao direito .tributário. As penalidades aplicadas no âmbito do direito tributário, ainda que fundamentadas em condutas qualificadas pelo dolo, constituem se em sanções administrativas de caráter patrimonial, sobre as quais não tem sentido a incidência de excludentes de ilicitude ou dirimentes, previstas no âmbito do direito penal, aplicáveis primordialmente a penas restritivas de liberdade. — . .. Ademais, apesar da necessária relação entre as antecipações mensais devidas a título de estimativa, e o IRPJ e a CSLL devidos ao final do período, não poderia haver absorção de uma pela outra, sob pena de quase completa inviabilização da incidência da multa isolada, e porque como se verá adiante tratase de obrigações tributárias completamente autônomas, conforme as expressas disposições da hipótese normativa da multa isolada: a multa, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal, incide "ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido". Outras razões de defesa que já foram refutadas neste voto, foram também brilhantemente apreciadas e refutadas pelo colegiado julgador a quo, razão pela qual adoto e transcrevo parcialmente as suas razões de decidir: (...) Admitida a aplicação do princípio do Direito Penal da consunção ao Direito Tributário, a exigência da multa isolada ficaria restrita aos casos em que não houvesse lançamento sobre diferença de IRPJ/CSLL devidos na apuração anual. Todavia, tal caráter alternativo construído na interpretação a partir de um princípio do direito penal, não se encontra positivado na Lei. De outro lado, quando se parte do pressuposto de que são multas de distintas hipóteses normativas e bases de cálculo, não se sustenta a argumentação de que a concomitância deveria ser afastada por falta de expressa disposição na legislação. Na verdade, a concomitância somente precisaria estar expressamente consignada na Lei quando as multas fossem incidentes sobre os mesmos fatos, o que não é ó caso em apreço. Salientese que o fato de constar na redação original que a multa isolada seria "calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição ", e a partir da MP n° 303 e 351 constar "sobre o valor do pagamento mensal" não justifica a interpretação, por vezes adotada, de que, até as alterações legislativas acima referidas, a exigência da multa isolada sobre a falta de recolhimento das antecipações mensais estaria Fl. 1563DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.564 37 condicionada ao valor do "tributo ou contribuição" apurados como devidos no final do período. Na verdade, tratase de uma interpretação que se apega à literalidade dos termos "tributo ou contribuição", usados na redação original do caput do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, para afirmar que, apesar de o valor calculado e pago a título de estimativa não ter natureza de tributo/contribuição (conceito jurídico que pressupõe a ocorrência do fato gerador e instauração da obrigação jurídica tributária a se realizar apenas ao final do período anual em 31 de dezembro), corresponde a uma mera antecipação provisória de um recolhimento que necessariamente se tornará devido ao final do período de apuração. Proceder a tal vinculação condicional entre o fato gerador anual do IRPJ e da CSLL e os fatos geradores mensais das estimativas, não apenas vai além dos preceitos normativos em apreço, mas contra as expressas disposições vigentes desde da redação original do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, que prescrevem que a obrigação mensal de antecipação do IRPJ e da CSLL, calculada sobre base de cálculo estimada, independe completamente da apuração de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, ao final do anocalendário correspondente. Sob a perspectiva ora adotada, a obrigação de antecipar mensalmente o tributo ou contribuição apurados, no curso do anocalendário, não pode ser afastada pelo simples fato de, ao final do período de apuração (em 31 de dezembro), a pessoa jurídica não vir a apurar IRPJ ou CSLL devidos, ou apurálos em valores menores do que os já recolhidos anteriormente. Reiterese: na Lei, não há qualquer vinculação que condicione o dever de antecipar à configuração da obrigação tributária ao final do período de apuração, mas, ao contrário, a Lei prescreve expressamente a autonomia entre o dever de antecipar e a obrigação tributária principal. Ademais, a possibilidade de a contribuinte, no curso do ano calendário, levantar balanços ou balancetes acumulados e mensais de suspensão ou redução do pagamento das estimativas devidas, e assim afastar, total ou parcialmente, a obrigatoriedade antecipação do IRPJ e da CSLL apurados até aquela data, não se confunde com a apuração anual dos tributos devidos em caráter de definitividade. Os balanços/balancetes não têm outro efeito senão o de suspender/reduzir as antecipações devidas a título de estimativas mensais, e a apuração anual tem o condão de determinar definitivamente a ocorrência, ou não, do fato gerador do IRPJ/CSLL devidos. Do ponto de vista temporal ou cronológico, admitirse a tese de que a condição para a exigibilidade da multa isolada seria a apuração de IRPJ/CSLL devidos ao final do período, implicaria comprometer gravemente a sistemática das antecipações mensais obrigatórias, na medida em que bastaria ao contribuinte aguardar o final do período de apuração, para proceder ao Fl. 1564DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.565 38 recolhimento apenas das estimativas suficientes para a liquidação do IRPJ/CSLL devidos anualmente. Nesse contexto, não haveria mais que se falar em antecipações provisórias, passíveis de ajuste anual, mas em tributos devidos definitivamente, com vencimento antecipado em relação à ocorrência do fato gerador. Não nos parece que esta tenha sido a sistemática instituída pela legislação. Reiterese: a obrigatoriedade da antecipação mensal somente é afastada mediante a elaboração de balanços e balancetes acumulados e mensais de suspensão e redução dos recolhimentos devidos, não havendo qualquer disposição que suporte a interpretação de que a antecipação não seria devida, quando no ajuste anual não houvesse IRPJ/CSLL devidos. Temse assim que a multa isolada em questão, que decorre da falta de pagamento mensal das estimativas devidas no curso do anocalendário, é aplicada em função do descumprimento de uma obrigação tributária acessória (falta de recolhimento de antecipações obrigatórias), e é completamente autônoma em relação à obrigação tributária principal a ser constituída, ou não, no final do período. Tratase de obrigação acessória, porque a estimativa não pode ser considerada propriamente um "tributo" devido, a ser extinto, por pagamento (modalidade de extinção da obrigação e do crédito tributário, prevista no art. 156,1 do CTN), mas apenas uma "antecipação estimada" do tributo, a ser apurado como devido, ou não, ao final do período de apuração, que é devida e deve ser recolhida apenas para validar uma determinada sistemática de tributação de livre opção do contribuinte, qual seja: o Lucro Real Anual. Impõese ressaltar que a expressão "antecipação estimada do tributo, a ser apurado como devido, ou não" quer dizer justamente que ainda que não apurado tributo devido e/ou apurado saldo negativo de IRPJ/CSLL ao final do período, as estimativas apuradas mensalmente como devidas, no curso do anocalendário, e não extintas, mediante pagamento ou compensação, devem ser objeto de lançamento de multa isolada. E não se pode alegar aqui que se trata de multa incidente sobre falta/insuficiência de pagamento que se configurou indevido: (i) porque a obrigação acessória de antecipar o IRPJ/CSLL, apurados mensalmente, persiste independentemente da configuração da obrigação principal de pagar o tributo devido ao final do período; e (ii) porque não há exigência da estimativa não recolhida, mas apenas da multa isolada sobre a infração apurada. Ratificam tal interpretação, as disposições dos arts. 15 e 16 da Instrução Normativa n° 93, de 24 de dezembro de 1997 (DOU 29/12/1997), nas quais se verifica que não é possível o lançamento de ofício das estimativas propriamente ditas, mm mesmo no curso do anocalendário, antes da apuração do IRPJ/CSLL definitivamente devidos. Diante da falta de Fl. 1565DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.566 39 pagamento das antecipações mensais, devidas a título de estimativas de IRPJ e CSLL, somente pode ser formalizado o lançamento de multa isolada, por descumprimento da obrigação acessória, necessária a validar a opção pelo Lucro Real Anual. O que confirma que tal obrigação não se configura, de fato, como obrigação principal. É a seguinte a redação dos dispositivos em comento, in verbis: Art. 15, O lançamento de oficio, caso a pessoa jurídica tenha optado pelo pagamento do imposto por estimativa, restringirse á à multa de ofício sobre os valores não recolhidos. § Io As infrações relativas às regras de determinação do lucro real, verificadas nos procedimentos de redução ou suspensão do imposto devido em determinado mês, ensejarão a aplicação da multa de que trata o "caput" sobre o valor indevidamente reduzido ou suspenso. §2° Na falta de atendimento à intimação de que trata o § 2° do artigo anterior, no prazo nela consignado, o AuditorFiscal do Tesouro Nacional procederá à aplicação da multa de que trata o "caput" sobre o valor apurado com base nas regras dos arts. 3oa 6o, ressalvado o disposto no § 3odo artigo anterior. § 3o A não escrituração do livro Diário e do LALUR, até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês, implicará a desconsideração do balanço ou balancete para efeito da suspensão ou redução de que trata o art. 10, aplicandose o disposto no § Io. Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de oficio abrangerá: Ia multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; II o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de oficio e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto. Decorre dos preceitos normativos acima que, nem no curso, e nem após o encerramento do anocalendário, com a apuração do IRPJ e da CSLL devidos no ajuste anual, é possível o lançamento das estimativas propriamente ditas, porque não pode haver dever de pagar tributo, apurado com caráter de provisoriedade, mas apenas dever de antecipar um valor que poderá vir a se configurar devido ou indevido, ao final do período. Aliás, é justamente porque a estimativa não é exigível como obrigação principal (tributo), que foi instituída uma multa isolada (ou seja, exigida sem que o principal fosse exigido), para justamente penalizar as pessoas jurídicas que, apesar de optantes pela sistemática de apuração do Lucro Real Anual, descumprem, no cursó do anocalendário, a obrigação de Fl. 1566DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.567 40 apuração e recolhimento das antecipações mensais obrigatórias, nos termos da legislação em vigor. Nesse aspecto, cumpre mais uma vez assinalar que a incidência da multa isolada não tem fundamento na exigibilidade das estimativas mensalmente devidas, porque as estimativas não são exigíveis, sequer no curso do anocalendário, não podendo ser objeto de lançamento de ofício. O único instrumento de que dispõe o Fisco para sancionar o descumprimento do dever de antecipar o IRPJ/CSLL devidos mensalmente, pelas pessoas jurídicas, optantes pelo Lucro Real Anual, é a aplicação da multa isolada. Por conseguinte não se pode justificar a não incidência da multa isolada, na falta de exigibilidade das estimativas após o encerramento do anocalendário. Repitase: elas não são exigíveis sequer no curso do período de apuração!!! Concluise daí, que além de distintas naturezas jurídicas, são completamente autônomas as obrigações tributárias, relativas às antecipações mensais devidas a título de estimativas, e as relativas ao IRPJ e a CSLL devidos ao final do período de apuração anual, e tal autonomia encontra eco nas próprias disposições legislativas, quando se referem à incidência da multa isolada, ainda que apurado prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL no período. Desta forma, não se sustentam as arguições da defesa, no sentido de que a multa isolada por falta/insuficiência de recolhimento somente poderia ser aplicada no próprio ano calendário, tendo em conta que após o encerramento do ano calendário, apenas seriam exigíveis os tributos apurados no ajuste anual. Conforme já dito, as estimativas propriamente ditas jamais são exigíveis, porque configuram mera antecipação provisória, e essa condição não é alterada após o encerramento do anocalendário. Já a multa isolada é sempre exigível, desde que apurada falta/insuficiência de recolhimento das estimativas mensais, sendo irrelevante a apuração de tributo devido no ajuste anual. A tese de que a falta/insuficiência de pagamento mensal das estimativas apuradas como devidas não ocasionaria qualquer prejuízo à Fazenda Nacional também só pode subsistir dentro da perspectiva de que há vinculação condicional entre as antecipações mensais e os tributos apurados como devidos na apuração anual. Se de acordo com a legislação positivada, tal vinculação é expressamente rechaçada justamente para garantir a obrigatoriedade de recolhimento das antecipações mensais independentemente de apuração de IRPJ/CSLL devidos na apuração anual, há sim prejuízo ao Fisco quando a contribuinte deixa de observar a obrigatoriedade de recolhimento das antecipações necessárias a validar a apuração anual do IRPJ e da CSLL. Por fim, cumpre esclarecer que as decisões da CSRF transcritas pela defesa têm apenas força persuasiva, mas não vinculante para os órgãos da Administração Tributária Federal. Apenas o Fl. 1567DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.568 41 Ministro da Fazenda pode atribuir às Súmulas editadas pelo CARF efeito vinculante em relação à administração tributária federal, conforme as expressas disposições do art. 75 e seus §§ da Portaria do Ministro da Fazenda MF n° 256, de 22/06/2009 (DOU 23/06/2009). De outro lado, temse a notícia de que a proposta de Enunciado de Súmula, a seguir transcrita e relacionada à matéria, foi expressamente rejeitada pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF: 12. PROPOSTA DE ENUNCIADO DE SÚMULA n°: REJEITADA Até a vigencia da Medida Provisoria n° 351/2007, a multa isolada decorrente da falta ou insuficiência de antecipações não pode ser exigida concomitantemente com a multa de oficio incidente sobre o tributo apurado no ajuste anual. Diante dos fundamentos jurídicos acima invocados, inaplicável também os preceitos contidos no art. 112 do CTN, porque não há dúvida quanto à capitulação legal do fato, à natureza ou às circunstâncias materiais do fato,' ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Mantenho, portanto, a multa isolada nos exatos termos prescritos na autuação. Por todo o exposto, NEGO provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1568DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.569 42 Voto Vencedor O Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira: Em que pese as sempre bem postas razões proferidas pelo nobre Conselheiro Relator, a Turma Julgadora, por maioria, entendeu pelo cancelamento da multa isolada relativa aos anos calendário 2005 e 2006, mantendoa, no entanto, com relação ao ano calendário 2007, tendo este Conselheiro sido designado para a redação das razões de voto vencedor. A cumulação entre a multa de ofício isolada aplicada pelo não recolhimento das estimativas mensais no lucro real após o encerramento do ano calendário de apuração não é estranho ao conhecimento desta Corte Administrativa. De fato, é entendimento assente na Câmara Superior de Recursos Fiscais que a multa isolada pelo não recolhimento das estimativas somente é aplicável quando o lançamento se der antes do fechamento do anocalendário. Após este encerramento, a aplicação cumulativa da multa de ofício (tomando por base o tributo que deixou de ser recolhido no ano calendário após o ajuste anual) e a multa isolada (tomando por base o valor das estimativas que deixaram de ser recolhidas no mesmo período), configura dupla penalização do mesmo fato gerador tributário. Isso porque o recolhimento do imposto de renda mensal por estimativa configura antecipação do tributo que será apurado no encerramento do anocalendário. Tanto assim que o montante eventualmente recolhido a maior no curso do ano deve ser restituído caso o fato gerador tributário, após efetivamente ocorrido ao final do período, alcance tributação inferior àquela recolhida por antecipação. Assim, encerrado o exercício fiscal, fazse o imposto recolhido no ano calendário consolidarse face o imposto apurado no exercício em torno de uma única realidade, qual seja, a ocorrência do fato gerador do imposto de renda ocorrido em 31 de dezembro de cada ano. Assim, não entendo seja possível penalizar o contribuinte (i) pelo não recolhimento das estimativas e (ii) pelo não recolhimento do imposto anual, posto que a primeira nada mais é do que antecipação do segundo. Demais disso, encerrado o ano calendário extinguese a obrigação de pagamento das estimativas, posto que a obrigação tributária passa a ser regida exclusivamente pelo ajuste anual do IRPJ referente a todo o período. Não existe, pois, congruência lógica e jurídica em se exigir penalidade pelo descumprimento de uma obrigação que não mais perdura perante a Ordem Jurídica. Neste particular, dispõe, o art. 115 do CTN, que a obrigação acessória “é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal”. No caso do recolhimento das estimativas do IRPJ, tratase de antecipação de imposto de renda, pelo que, ao final do ano calendário, com a ocorrência do fato gerador do imposto de renda, as estimativas passam a ser absorvidas pelo imposto de renda devido em Fl. 1569DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.570 43 razão do ajuste anual, desnaturando a sua natureza como obrigação instrumental. Não existe, assim, a possibilidade de se aplicar, cumulativamente, a multa de ofício pelo não recolhimento do imposto de renda apurado com o ajuste anual, e a multa isolada pelo descumprimento de obrigação acessória quando, em verdade, essa obrigação acessória converteuse em obrigação principal ao final do ano calendário, pela superveniência do fato gerador do imposto de renda. Neste sentido, é farta a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, valendo ressaltar os seguintes excertos: Ementa:APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA – Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Assim, a primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte pela imputação de penalidades de mesma natureza, já que ambas estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no dever de recolher o tributo.Recurso especial negado. CSRF/0105.844 Ementa:Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJExercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003Ementa:MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício.APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar Fl. 1570DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401000.761 S1C4T1 Fl. 1.571 44 essa mesma arrecadação.Recurso especial negado. CSRF/01 05.875 Ementa:MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA – Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o térmico do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos e o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto. Acórdão 10195819 Pelo exposto, a Turma Julgadora deu provimento ao recurso neste particular, para cancelar a aplicação da multa isolada, em relação aos anos calendário 2005 e 2006. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 1571DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 11065.003280/2002-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/1997, 30/11/1997, 31/12/1997
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. FALTA DE OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO.
Quando no acórdão não há obscuridade, contradição ou omissão, os embargos não devem ser conhecidos.
Numero da decisão: 3401-001.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não admitir os embargos por não restar caracterizada a contradição apontada. Vencidos os Conselheiros Odassi Guerzoni Filho e Emanuel Carlos Dantas de Assis, que os admitiam. Designado o conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça para elaborar o voto vencedor.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Odassi Guerzoni Filho Relator
Jean Cleuter Simões Mendonça - Redator
Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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Bebidas Antarctica Polar S/A) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/1997, 30/11/1997, 31/12/1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. FALTA DE OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO. Quando no acórdão não há obscuridade, contradição ou omissão, os embargos não devem ser conhecidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não admitir os embargos por não restar caracterizada a contradição apontada. Vencidos os Conselheiros Odassi Guerzoni Filho e Emanuel Carlos Dantas de Assis, que os admitiam. Designado o conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça para elaborar o voto vencedor. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho – Relator Jean Cleuter Simões Mendonça Redator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 32 80 /2 00 2- 40 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19 /12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO 2 Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 20313.713, de 3/12/2008, proferido pela extinta Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, atual Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, de relatoria do exConselheiro Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, sob o argumento de que o mesmo encerraria uma contradição. Para a Douta Embargante, a contradição residiria no fato de o motivo do lançamento efetuado por meio de auto de infração [auditoria eletrônica na DCTF que constatou divergência no número do CNPJ indicado como beneficiário de ação judicial] ainda persistir e não ter sido afastado pelas “provas trazidas aos autos quanto a legitimidade da sucessão societária”, consoante restara afirmado no Acórdão ora embargado. É que, argumenta a Embargante, a informação de que a empresa beneficiária da ordem judicial fora incorporada por um terceiro não seria capaz de sanar o conflito existente com o CNPJ da empresa autuada. Assim, aduz ela, “a assertiva de que ‘a legitimidade da sucessão societária [...] explica a questão da suposta indicação equivocada de CNPJ’ não parece encontrar respaldo nas circunstâncias fáticas retratadas nos autos. Isso porque não houve nenhuma conexão da referida divergência de CNPJ com a sucessão societária noticiada no feito.” Por fim, observa a Embargante ser importante que se verifique “com precisão a identidade de CNPJ para a concessão da compensação ora ventilada, haja vista a necessidade de impedirse que o contribuinte acabe usufruindo do benefício em duplicidade, vinculando créditos auferidos a CNPJ diversos.” No essencial, é o Relatório. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19 /12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO Processo nº 11065.003280/200240 Acórdão n.º 3401001.908 S3C4T1 Fl. 143 3 Voto Vencido Conselheiro Odassi Guerzoni Filho Admissibilidade dos embargos De fato, a divergência existente entre os números de CNPJ, isto é, aquele da empresa que ingressou com a ação ordinária de repetição de indébito do PIS/Pasep [estabelecimento matriz] e aquele da DCTF auditada [estabelecimento filial], nada tem de conexo com a sucessão societária [incorporação da Indústria de Bebidas AntarcticaPolar S/A pela Ambev] havida somente em agosto de 2002, depois, da autuação. Daí, então, que não poderia ser esse [a sucessão societária] o motivo para o afastamento da exigência consubstanciada no auto de infração que ensejou a abertura deste processo administrativo. De serem admitidos, pois, os presentes embargos, para sanar a contradição. Histórico do caso Em 17/06/2002 a empresa Indústria de Bebidas AntarcticaPolar S/A, com endereço à Rua Osvaldo Aranha, 4.520, Olaria, em MontenegroRS, CNPJ 95.424.479/0012 52, foi cientificada do auto de infração, originado de auditoria eletrônica em suas DCTF dos meses de outubro, novembro e dezembro de 1997, por meio da qual constatouse que os créditos vinculados [exigibilidade suspensa por conta de processo judicial indicado] aos débitos não teriam sido totalmente confirmados. A infração foi, então, caracterizada pela ocorrência denominada: “Proc jud de outro CNPJ” (sic) Na impugnação, em suas duas folhas, a autuada clamou pelo cancelamento da exigência sob o argumento de que os débitos lançados estariam com a sua exigibilidade suspensa em face da existência de uma decisão judicial. A 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto AlegreRS, sob o argumento de que a autuada não trouxera qualquer prova capaz de elidir a exação, manteve o lançamento, transformando, entretanto, a multa de oficio de 75% numa multa de mora de 20%. No Recurso Voluntário a autuada argumentou que a ação judicial indicada na DCTF e que daria suporte às vinculações de crédito efetuadas junto aos débitos era de repetição de indébito, autuada sob o nº 95.00601346 e distribuída em nome de Indústria de BebidasAntarctica Polar S/A, cuja sede, naquele momento, diz ela, era em Porto Alegre, daí ter constado um número de CNPJ diverso da empresa autuada pela fiscalização. De fato, do documento constante da fl. 50, verificase que na petição inicial protocolizada junto ao Poder Judiciário em 1995, consta, juntamente com outros, o nome de Indústria de Bebidas AntarcticaPolar S/A, cujo CNPJ indicado é 95.424.479/000108, com sede em Porto Alegre. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19 /12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO 4 O Acórdão ora embargado teve a seguinte fundamentação, verbis: “[...] A recorrente traz provas nos autos quanto a legitimidade da sucessão societária levada a efeito, o que explica e justifica a questão da suposta indicação equivocada de CNPJ entre empresa autora da ação e autuada. Por fim, não vejo como deixar de reconhecer seu direito, pois que efetivamente os créditos reclamados nestes autos foram por ela compensados em face de decisão judicial que lhe foi amplamente favorável e quanto ao mesmo tributo (PIS). Mesmo porque, o próprio Poder Judiciário já declarou o esgotamento jurisdicional de sua análise sobre o tema, o que implica no fato de que a recorrente não pode ficar sem um provimento na esfera administrativa e sobre tal matéria. Entendo que a mesma recorrente , bem como seus argumentos de defesa e razões de recorrer não pode ficar à margem duma manifestação na esfera administrativofiscal, observado para o caso concreto os mais comezinhos princípios constitucionais de Direito. Com essas considerações, voto por dar provimento parcial ao recurso, sem prejuízo de verificação dos cálculos relativos à compensação realizada pela recorrente, devendo a autoridade administrativa observar a semestralidade da base de cálculo sem correção, tudo nos termos do comando judicial definitivo que a recorrente detém em seu favor.” (grifei) O destaque que dei ao trecho do Acórdão, acima reproduzido, tem por objetivo ressaltar que, diferentemente do que nele afirmado, não está na sucessão societária [a autuada foi incorporada em agosto de 2002 pela Cia. Brasileira de Bebidas] a justificativa para a indicação equivocada de CNPJ. Ocorreu, conforme já dito acima, que a ação judicial de repetição de indébito fora interposta pelo estabelecimento matriz da então denominada Industria de Bebidas AntarcticaPolar S/A, enquanto que as compensações de débitos foram utilizadas por um de seus estabelecimentos filiais, qual seja, o de CNPJ com final “0012”. Daí, portanto, não ter a varredura eletrônica procedida pela Receita Federal ter encontrado correspondência entre o número do CNPJ que constou da ação judicial e aquele que se utilizou dos benefícios da referida ação judicial. A decisão judicial de primeira instância, que, afinal, acabou transitada em julgado, se deu nos seguintes termos, fl. 63: “Isto posto, julgo procedente o pedido inicial e condeno a ré devolução da diferença recolhida a maior, em face da aplicação dos Decretosleis nos 2445 e 2449/88, respeitada a decadência quinquenal, e cujos comprovantes de recolhimento estejam acostados aos autos, acrescido de correção monetária a partir do indevido pagamento e juros moratórios nos termos do artigo 167, parágrafo único, do CTN.” Assim, a autuada apurou o crédito que entendia fazer jus em face dessa decisão judicial e, diante da negativa do juízo em se manifestar sobre seus cálculos [fls. 65 e 66], procedeu, por conta própria e invocando a observância da regra contida no artigo 14 da IN SRF 21, de 1997, às compensações dos débitos do PIS/Pasep de outubro, novembro e dezembro de 1997, o fazendo nos meses de novembro [R$ 20.000,00] e dezembro [R$ Fl. 145DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19 /12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO Processo nº 11065.003280/200240 Acórdão n.º 3401001.908 S3C4T1 Fl. 144 5 20.000,00] de 1997 e em janeiro de 1998 [R$ 30.000,00], conforme atestam os registros contábeis às fls. 42, 43 e 39, respectivamente. Referido dispositivo legal estava assim redigido: Art. 14. Os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resultantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. [...] § 6º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art.17. § 7º A compensação de créditos com débitos de tributos e contribuições de períodos anteriores ao do crédito, mesmo que de mesma espécie, deverá ser solicitada à DRF ou IRFA do domicílio do contribuinte, por meio de Pedido de Restituição, acompanhado do respectivo Pedido de Compensação.” Deliberação Não constam dos autos as cópias das DCTF auditadas e que se referem aos meses de outubro a dezembro de 1997, mas, muito provavelmente, foram entregues tempestivamente, e, em o sendo e obedecendo o regramento então vigente, referiramse à movimentação do estabelecimento filial, detentor do CNPJ de final “0012”. De outra parte, a varredura eletrônica feita pela Receita Federal não poderia, mesmo, encontrar correspondência entre o número da ação judicial indicada na DCTF para justificar a vinculação dos créditos, porquanto, como se viu acima, a ação judicial fora interposta em nome do estabelecimento matriz. Tampouco pode ser aceito aqui o argumento da Recorrente para justificar a diferença entre os números de CNPJ, de que, à época em que distribuída a ação ordinária, a sede da empresa era em Porto Alegre. Ora, isso apenas confirma que a ação judicial foi promovida pelo estabelecimento matriz, cujo CNPJ possui o final “0001”. De se lembrar que, naquela época, os recolhimentos do PIS/Pasep e da Cofins, dentre outros, bem como a entrega da DCTF, se davam de forma descentralizada, sendo que, somente a partir da edição da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 15, é que tais procedimentos passaram a ser de forma centralizada. Para mim, portanto, isso tem importância fundamental para o deslinde da presente lide. Sim, pois, se os recolhimentos do PIS/Pasep se davam de forma descentralizada e a ação judicial fora intentada pelo estabelecimento matriz, não poderia ter havido o aproveitamento de um crédito reconhecido judicialmente para o CNPJ de final “0001” Fl. 146DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19 /12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO 6 para fins de quitar, mediante compensação, débitos de outro estabelecimento, de final “0012”, como ocorreu. Fosse o caso, deveria, ou poderia, o estabelecimento matriz aproveitar tais créditos para quitar seus próprios débitos de PIS/Pasep e não os de seu estabelecimento filial. Correta se mostrou, pois, a autuação, que apontou e motivou o lançamento na diferença entre os números de CNPJ. Em face do exposto, acolho os presentes embargos e a eles dou efeitos infringentes, modificando os termos do Acórdão nº 20313.713, de 03/12/2008, para negar provimento ao Recurso Voluntário. Odassi Guerzoni Filho Relator Voto Vencedor Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, redator designado. Muito embora tenha grande respeito pelo notável conhecimento do Eminente Conselheiro Relator, dele ouso discordar. A Embargante alega que no acórdão embargado houve contradição, em razão de que, supostamente, o fundamento da existência da comprovação da sucessão para justificar a divergência da CNPJ inscrito na DCTF não é suficiente para afastar o lançamento. É cediço que os Embargos de Declaração são instrumento processual utilizado para sanar os vícios da decisão embargada, quando esta contém contradição, omissão ou obscuridade. No presente caso, não houve a suposta obscuridade apontada pela Embargante, haja vista que o Relator originário, que redigiu o voto condutor do acórdão prolatado, foi claro ao afirmar que as provas produzidas eram suficientes para justificar a sucessão societária, o que confirmaria o direito ao crédito aproveitado, afastando, por consequência, o auto de infração. Esse voto foi acolhido pela maioria do Colegiado, demonstrando que a maior parte dos Conselheiros da então Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes entendeu da mesma forma que o Relator. Nos Embargos de Declaração ora analisados, o que se percebe é a vontade da Embargante na reapreciação da mesma matéria já julgada pelo Acórdão Embargado, o que é inviável por essa via. Assim, por não estar presente a contradição apontada, nem haver omissão ou obscuridade, os presentes Embargos de Declaração não merecem ser acolhidos. Ex positis, voto por rejeitar os presentes Embargos. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça – Redator. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19 /12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO Processo nº 11065.003280/200240 Acórdão n.º 3401001.908 S3C4T1 Fl. 145 7 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19 /12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001366/2006-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
LIVRO DIÁRIO. PARTIDAS MENSAIS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA INSUFICIÊNCIA DE VALOR PROBATÓRIO PARA JUSTIFICAR ACRÉSCIMO PATRIMONIAL DE SÓCIOS A TÍTULO DE DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS.
A escrituração do livro em partidas mensais, feitas uma só vez ao fim de cada mês, sem que as operações de mesma natureza sejam desdobradas em livros auxiliares, ou discriminadas pelos dias de ocorrência no lançamento único que as compreende, bem como com ausência de registro da movimentação bancária, torna imprestável a escrituração para comprovar a existência de lucros isentos distribuíveis a seus sócios.
Numero da decisão: 2202-002.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Odmir Fernandes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Rafael Pandolfo. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann - Presidente. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Rafael Pandolfo. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
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PARTIDAS MENSAIS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA INSUFICIÊNCIA DE VALOR PROBATÓRIO PARA JUSTIFICAR ACRÉSCIMO PATRIMONIAL DE SÓCIOS A TÍTULO DE DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. A escrituração do livro em partidas mensais, feitas uma só vez ao fim de cada mês, sem que as operações de mesma natureza sejam desdobradas em livros auxiliares, ou discriminadas pelos dias de ocorrência no lançamento único que as compreende, bem como com ausência de registro da movimentação bancária, torna imprestável a escrituração para comprovar a existência de lucros isentos distribuíveis a seus sócios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Rafael Pandolfo. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 13 66 /2 00 6- 19 Fl. 399DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ODMIR FERNANDES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 3ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de Janeiro II, que manteve a autuação do Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF, dos anoscalendário: 2001, 2002, 2003 sobre: a) omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica; b) omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada e FAPI; e c) omissão de rendimentos decorrente do APD acréscimo patrimonial a descoberto. Discutese no recurso, desde a impugnação, apenas o item c – APD Auto de Infração de fls. 248/256 e Termo de Verificação Fiscal (fls. 257/265), com ciência da autuação em 22/11/2006 (fls. 275). Impugnação (fls. 283/291). Decisão recorrida (fls. 340/343) com ciência em 11/04/2011 (AR fls. 345) manteve a autuação. Não se admitiu como origem a distribuição de lucro da empresa Posto e Serviços Dimanches Ltda. (fl. 260: R$150.000,00 em 2001; R$800.000,00 em 2002; e R$1.434.147,54 em 2003), pela falta de comprovação do efetivo recebimento ou transmissão dos numerários (os valores alegados como recebidos eram em montantes significativos e em espécie) e o livro Diário da empresa foi registrado somente após o início da ação fiscal, e a empresa não escriturou a conta bancos, embora com significativa movimentação financeira de milhões de reais (fls. 263) sempre superior à renda bruta declarada. Recurso Voluntário a fls. 362/384, sustenta, em síntese, cerceamento de defesa, pois em nenhuma das linhas da autuação e seus anexos houve a imputação de que a escrituração contábil era viciada. Escriturou o livro em partidas mensais, mas apenas e tão somente pela falta de contabilização da movimentação financeira. Inexistência nos autos qualquer tipo de intimação do contribuinte para corrigir a contabilidade que estava na eminência de ser desclassificada. É o breve relatório. Voto. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 18471.001366/200619 Acórdão n.º 2202002.113 S2C2T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Odmir Fernandes Relator A autuação cuida de três infrações: a) Omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica; b) Omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada e FAPI; e c) Omissão de rendimentos apurados por APD Acréscimo patrimonial a descoberto. A decisão recorrida esta assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003 LIVRO DIÁRIO. PARTIDAS MENSAIS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA INSUFICIÊNCIA DE VALOR PROBATÓRIO PARA JUSTIFICAR ACRÉSCIMO PATRIMONIAL DE SÓCIOS A TÍTULO DE DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. A escrituração do livro em partidas mensais, feitas uma só vez ao fim de cada mês, sem que as operações de mesma natureza sejam desdobradas em livros auxiliares, ou discriminadas pelos dias de ocorrência no lançamento único que as compreende, bem como com ausência de registro da movimentação bancária, torna imprestável a escrituração para comprovar a existência de lucros isentos distribuíveis a seus sócios. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Três são os itens da autuação, mas o Recorrente discute apenas o APD acréscimo patrimonial a descoberto. O Recorrente foi intimação para comprovar o efetivo recebimento das importâncias declaradas em "Rendimentos Isentos e Não Tributáveis",: AnoCalendário de 2001 R$ 150.000,00; AnoCalendário de 2002 R$ 800.000,00; AnoCalendário de 2003 R$1.434.147,54. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ODMIR FERNANDES 4 Para justificar a declaração dos rendimentos não sujeitos ao imposto e o acréscimo patrimonial apurado pela fiscalização, sustentou que os valores decorrem da distribuição de lucros da empresa Posto e Serviços Dimanches Ltda (fl. 260): R$150.000,00, em 2001; R$ 800.000,00 ,em 2002; e R$ 1.434.147,54, em 2003. A autuação e a decisão recorrida não admitiram a justificativa da distribuição de lucros da sociedade não sujeitos ao imposto pela falta de comprovação da existência de lucro e do efetivo pagamento e recebimento dos referidos valores. Sustentouse que os valores eram em montante significativos e feitos em espécie. O Livro Diário da empresa foi registrado somente após o início da ação fiscal e a empresa não escriturou a conta bancos, embora possuísse significativa movimentação financeira de milhões de reais (fl. 263). A Recorrente faz longo arrazoado citado a legislação sobre a matéria para dizer que a fiscalização desconsiderou indevidamente a contabilidade da empresa e a distribuição dos lucros que justificam a existência do acréscimo patrimonial apurado pela fiscalização. Todo o arrazoado desenvolvido pelo Recorrente esta correto, mas a matéria não é apenas de direito, como pensa a Recorrente. É da prova do fato alegado; prova para infirmar ou contrariar o trabalho da fiscalização. Primeiro, deveria comprovar que a escrita contábil da empresa estava revestida das formalidades de legais para ser oposta a fiscalização. Pelo que consta dos autos a contabilidade não foi desconsiderada, mas não mereceu fé, e assim foi exigida a prova do fato alegação. Segundo, deveria comprovar a existência de lucros na sociedade de que é titular. Terceiro, na existência de lucros comprovar a efetiva distribuição aos sócios, na proporção do capital, salvo se desproporcional. Também nada comprovou. A fiscalização não admitiu aprova com a escrita contábil pela falha na escrituração. O livro Diário, principal de qualquer escrita contábil, somente foi registrado e assinado pelo contador e pelos sócios após o início da ação fiscal. A empresa não escriturou a conta bancos, embora possuísse significativa movimentação financeira de milhões de reais (fl. 263). Nenhuma prova veio para os autos para infirmar esses fatos constatados pela fiscalização, nem mesmo se a escrita contábil foi feita ou reconstituída. Enfim, nenhuma prova veio para os autos para comprovar existência e a efetiva distribuição de lucros para justificar o acréscimo patrimonial da autuada. Contudo, a empresa apresentou Declaração de rendimentos DIPJ. Logo, ainda que não se admitam os lucros pela escrita contábil regular, temos a DIPJ da empresa uma distribuidora de combustíveis – gás, constado existência de receita. A fiscalização confrontou essas receitas declaradas na DIPJ com a movimentação financeira da empresa e apurou valor superior aos declarados. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 18471.001366/200619 Acórdão n.º 2202002.113 S2C2T2 Fl. 4 5 Intimada a explicar, nada soube esclarecer sobre a divergência. Enfim, sem prova firme e segura do fato a existência de lucro e a efetiva distribuição não é possíveis admitir a justificativa do acréscimo patrimonial, não há assim como acolher as razões de recurso. Não significa de só contabilidade comprovar os fatos sustentados pelo Recorrente. Não se admitindo a escrita contábil, não se comprovando que a escrita merece fé, cabia a o autuado utilizar outros meios lícitos de prova para comprovar o fato pretendido. A dialética discursiva costuma empolga a argumentação, mas não se pode esquecer do aspecto material, os fato, e a prova desse fato alegado. O julgador não é nenhum expert em contabilidade, cálculos matemáticos, planilhas e nem perito das partes. Se o interessado não faz prova do que alega, da regularidade da escrita contábil, da existência e da distribuição de lucros, não há como reconhecer o direito alegado, ainda que tenha alguma razão. A confusão patrimonial infelizmente ainda é uma constante na atividade empresarial, não se consegue ou não se deseja entender a separação das pessoas – natural e jurídica, com os direitos e obrigações distintos. Boa parte dos operadores do direito tributário em desconhecer a estreita ligação dos fatos, os registros contábeis com a tributação. Os fatos registrados na escrita contábil possuem fé pública, podem ser opostos ao fisco, se revestidos das formalidades. Confirase: Decretolei 1.598 de 1977: Art. 9º A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita a verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos da sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. § 1º A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Em suma, os resultados na escrita contábil não foram admitidos pela fiscalização e a Recorrente nada comprovou em sentido contrário; no sentido de existir o lucro e a efetiva distribuição. Ante o exposto, pelo meu voto, conheço e nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes Relator Fl. 403DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ODMIR FERNANDES 6 Fl. 404DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ODMIR FERNANDES
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Numero do processo: 10120.903729/2009-73
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004
PRESSUPOSTO PROCESSUAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso voluntário apresentado fora do prazo legal não atende a pressuposto de admissibilidade, não podendo ser conhecido.
Numero da decisão: 3803-003.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 PRESSUPOSTO PROCESSUAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O recurso voluntário apresentado fora do prazo legal não atende a pressuposto de admissibilidade, não podendo ser conhecido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1735; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 76 1 75 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.903729/200973 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803003.612 – 3ª Turma Especial Sessão de 24 de outubro de 2012 Matéria COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente HOSPFAR IND E COM DE PRODUTOS HOSPITALARES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 PRESSUPOSTO PROCESSUAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O recurso voluntário apresentado fora do prazo legal não atende a pressuposto de admissibilidade, não podendo ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0347.652, da DRJ/Brasília, de 29 de março de 2012, fls. 47/50 do processo digitalizado, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 37 29 /2 00 9- 73 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/10/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Os autos são processados a partir da análise da Declaração de Compensação eletrônica nº 27076.44036.110305.1.3.045210, transmitida eletronicamente em 02/05/2005, utilizando crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade SocialCofins. Foi emitido o Despacho Decisório eletrônico de fl. 5, por meio do qual a compensação não foi homologada, por inexistência de crédito, visto que o DARF indicado teve seu pagamento utilizado integralmente. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 1 a 4, a Interessada alegou que: a) inadvertidamente, cometera erro de fato no preenchimento da DCTF do período, não retificada oportunamente; mas que transmitira Dacon retificador que demonstraria o efetivo valor da Cofins devida no período; b) está amparada no princípio da verdade material, tendo requerido, em consequência, a reforma do despacho decisório, a fim de que a compensação declarada fosse integralmente homologada. Em julgamento da lide, a DRJ/Brasília: a) consignou os fundamentos da extinção do crédito tributário por meio de compensação, deles extraindo a necessidade de comprovação, pelo contribuinte, da liquidez e certeza do crédito utilizado; b) pontuou que essa comprovação, no âmbito da lide, há de ser feita com documentos que respaldem as afirmações e há de acompanhar a manifestação de inconformidade, em face do disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972, sob pena de preclusão; c) anotou que a simples entrega do Dacon retificador, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em sua Declaração de Compensação; d) no caso em análise, não foi demonstrada pela Interessada a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração, conforme previsto no art. 923 do RIR/99, por intermédio da escrituração contábilfiscal, lastreada em documentos hábeis e idôneos, sendo da Contribuinte o ônus da prova, conforme dispõe o Código de Processo Civil, em seu art. 333. e) considerou que, uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública, passível de compensação, não há reparo a ser feito na decisão dada pela autoridade administrativa. A decisão restou ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 APRESENTAÇÃO DE DACON RETIFICADOR. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/10/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10120.903729/200973 Acórdão n.º 3803003.612 S3TE03 Fl. 77 3 Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de demonstrativo retificador, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Cientificada da decisão em 21 de maio de 2012, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 21 de junho de 2012, em que reitera o exato argumento trazido na manifestação de inconformidade, e pleiteia a realização de diligência para o fim de averiguação da escrituração contábilfiscal. É o relatório. Voto Fl. 78DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/10/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator Conforme relatado a empresa foi cientificada da decisão em 21 de maio de 2012, quartafeira, e apresentou o recurso voluntário em 21 de junho de 2012. Não há, no recurso, preliminar de tempestividade, nem consta a existência de feriado(s), nesse interregno, de que resulte a extensão da contagem do prazo para a sua apresentação na data do recebimento. Portanto, o recurso é intempestivo, deixando de atender a requisito para sua admissibilidade. Em face do exposto, voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 24 de outubro 2012 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 79DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/10/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10120.903729/200973 Acórdão n.º 3803003.612 S3TE03 Fl. 78 5 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10120.903729/200973 Interessada: HOSPFAR IND E COM DE PRODUTOS HOSPITALARES LTDA Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803003.612, de 24 de outubro de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 24 de outubro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 80DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/10/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 37193.002278/2002-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1997 a 28/02/2001
ATO ADMINISTRATIVO. EXISTÊNCIA NO MUNDO JURÍDICO SOMENTE APÓS A CIÊNCIA DO INTERESSADO. DECADÊNCIA DO CRÉDITO OBJETO DE COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO.
Os atos administrativos só passam a existir no mundo jurídico com a ciência do interessado. Tendo o interessado sido cientificado em data posterior a edição da Sumula Vinculante 08, é forçoso reconhecer a decadência do crédito tributário que foi utilizado na compensação de ofício, com o conseqüente reconhecimento do direito creditório que havia sido utilizado naquela operação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-003.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator.
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa , Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1997 a 28/02/2001 ATO ADMINISTRATIVO. EXISTÊNCIA NO MUNDO JURÍDICO SOMENTE APÓS A CIÊNCIA DO INTERESSADO. DECADÊNCIA DO CRÉDITO OBJETO DE COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. Os atos administrativos só passam a existir no mundo jurídico com a ciência do interessado. Tendo o interessado sido cientificado em data posterior a edição da Sumula Vinculante 08, é forçoso reconhecer a decadência do crédito tributário que foi utilizado na compensação de ofício, com o conseqüente reconhecimento do direito creditório que havia sido utilizado naquela operação. Recurso Voluntário Provido.
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PREV RESTITUIÇÃO Recorrente ARTTEL ARAÇATUBA TRABALHO TEMPORÁRIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1997 a 28/02/2001 ATO ADMINISTRATIVO. EXISTÊNCIA NO MUNDO JURÍDICO SOMENTE APÓS A CIÊNCIA DO INTERESSADO. DECADÊNCIA DO CRÉDITO OBJETO DE COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. Os atos administrativos só passam a existir no mundo jurídico com a ciência do interessado. Tendo o interessado sido cientificado em data posterior a edição da Sumula Vinculante 08, é forçoso reconhecer a decadência do crédito tributário que foi utilizado na compensação de ofício, com o conseqüente reconhecimento do direito creditório que havia sido utilizado naquela operação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa , Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 19 3. 00 22 78 /2 00 2- 81 Fl. 834DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 Relatório Tratase de Pedido de Compensação, fls. 01/02, de 22/05/2002, no qual a interessada requer o direito de compensar contribuições ao SAT pagas indevidamente por considerar um grau de risco maior que o que estava submetida, em relação às competências 07/97 a 02/2001, no valor de R$ 75.639,11. O Serviço de Arrecadação da Gerência Executiva de Araçatuba, em 28/03/2005 solicitou diligência para apurar algumas informações necessárias para análise do pedido, fls. 23/24. Em seguida, em 15/09/2005 a interessada solicitou fosse seu pedido convertido em restituição, tendo em vista que sofria a retenção de 11% e não teria como efetuar a compensação, bem como aproveitou para juntar as guias de pagamento. Em 13 /12/2005, o órgão arrecadador manifestouse pelo acolhimento do pedido da interessada com direito creditório de R$ 47.691,92, fls. 599/600. O processo foi enviado para a Procuradoria para parecer final. Em 10/05/2007, a Procuradoria manifestouse, fls. 605/606, inclinandose pelo acatamento do pedido e da transformação de compensação em restituição. E, 19/06/2007, foi deferido o pedido de restituição, conforme Parecer de fls. 619/621, do qual a interessada foi cientificada em 28/06/2007, fls. 623. O Recurso de Ofício foi indeferido, fls. 627, tendo a interessada manifestado de acordo com os cálculos, fls. 625. No entanto, em 12/09/2007 foi emitida a Autorização de Pagamento de fls. 640, na qual ficou anotada que estava ocorrendo a quitação do débito 35.709.2708. Desse ato a interessada só tomou conhecimento em 09/10/2008, fls. 645. Em 05/06/2009, apresentou sua irresignação contra a compensação de ofício efetuada, por entender que o débito compensado estava atingido pela decadência nos moldes da Súmula Vinculante 8, fls. 652/657. O processo foi enviado para a Procuradoria para providências administrativas, fls. 695, que foram adotadas, fls. 696. Novamente foi o processo enviado para a Procuradoria manifestarse sobre o pedido, fls. 700. A Procuradoria, e, 28/09/2009, fls. 701, entendeu que o crédito da interessada foi utilizado em 12/098/2007, antes, portanto, da edição da Súmula Vinculante 08. Opinou pelo indeferimento do pedido. Em fls. 703/704, entretanto, há manifestação, datada de 18/02/2009, da Procuradoria no sentido do cancelamento do débito 35.709.2708 por conta da aplicação da Súmula Vinculante 08. Fl. 835DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 37193.002278/200281 Acórdão n.º 2301003.025 S2C3T1 Fl. 835 3 Em 04/11/2009, a SAORT – Araçatuba emitiu novo parecer indeferindo a restituição e mantendo a compensação de ofício, fls. 767/770. A interessada foi cientificada em 07/11/2009 e em 04/12/2009 apresentou novo recurso. Em 17/11/2011, a DRJ/Ribeirão Preto concluiu que a manifestação de inconformidade era improcedente, fls. 801/813, tendo a interessada sido cientificada em 09/12/2011, fls. 810. O Recurso Voluntário foi apresentado em 10/01/2012 com os argumentos que resumimos a seguir. Haveria nulidade no Acórdão recorrido por falta de motivação e de abordagem de diversos argumentos. O prazo para compensação estaria, na data em que foi realizado, precluso por conta da aplicação do art. 24 da Lei 11.457/2007 que estabelece um prazo máximo de 360 dias para conclusão dos processos. Entende que na decisão que tomou ciência foi deferida somente a restituição em dinheiro e não a compensação de ofício. Teria ocorrido a preclusão da compensação de ofício. Suscita que não foi cientificada da decisão de realizar a compensação de ofício antes da edição da Súmula Vinculante 08, o que induz à aplicação daquela súmula e o deferimento de sua restituição. Insiste na necessidade de ocorrer sua anuência para a compensação de ofício. É o relatório. Fl. 836DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. A controvérsia que nos apresenta a recorrente diz respeito à validade da compensação de ofício de seu crédito já reconhecido perante a Fazenda Pública. O conteúdo da Autorização de Pagamento de fls. 640 ao determinar a compensação de ofício tomou a feição de ato administrativo por dispor de direito do contribuinte. Sendo ato administrativo, depende da ciência do administrado para surtir efeitos legais, em atendimento ao princípio da publicidade inserto no art. 37 da Constituição Federal (CF), e para permitir que esse exerça seu direito à ampla defesa previsto no art. 5º, inciso LV da Constituição Federal (CF). A ciência da interessada só ocorreu em 09/10/2008, data posterior da edição da Súmula Vinculante 08. Logo, na data em que o ato administrativo que procedeu à compensação de ofício foi cientificado à interessada, o débito 35.709.2708 já estava extinto pela decadência. É de ser destacado que o indeferimento do presente recurso representaria ofensa ao princípio da eficiência e da moralidade administrativa na medida em que, além de não amparado na lei, obrigaria à interessada ingressar com novo pedido de restituição, uma vez que o débito quitado foi anulado, conforme manifestação da Procuradoria da Fazenda. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, de modo reconhecer o direito à restituição do valor constante da Autorização de Pagamento de fls. 640. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 837DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 16327.914420/2009-79
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/12/2004
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ERRO DE PREENCHIMENTO DE DCTF
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado.
Numero da decisão: 3803-003.506
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral a Drª. Renata Borges La Guardia, OAB/SP nº 182.620.
[assinado digitalmente]
Alexandre Kern - Presidente.
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/12/2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ERRO DE PREENCHIMENTO DE DCTF Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1666; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 10 1 9 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.914420/200979 Recurso nº 934.258 Voluntário Acórdão nº 3803003.506 – 3ª Turma Especial Sessão de 25 de setembro de 2012 Matéria PIS/PASEP Recorrente BANCO VOTORANTIM S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/12/2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ERRO DE PREENCHIMENTO DE DCTF Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral a Drª. Renata Borges La Guardia, OAB/SP nº 182.620. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 44 20 /2 00 9- 79 Fl. 321DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN 2 A Contribuinte entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação nº 20892.50060.200407.1.3.044866 de fls. 54 a 59 (numeração eletrônica), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de PIS relativo ao período de apuração novembro de 2004. Pelo Despacho Decisório de fls. 15 o contribuinte foi cientificado, em 19/10/2009 (fls. 66), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o débito indevidamente compensado no valor principal de R$ 33.129,34. Irresignado, o contribuinte apresentou em 18/11/2009 Manifestação de Inconformidade de fls. 01 a 09, informando e argumentando que: a) Que em novembro de 2004 havia apurado PIS a pagar no valor de R$ 231.907,09, sendo que desse montante R$ 22.637,87 tinham sido retidos na fonte e R$ 209.269,22 a pagar, entretanto, por equivoco, o recorrente acabou recolhendo um valor superior (R$ 338.799,62), ocasionando uma divergência entre o valor apurado em DCTF e o efetivamente recolhido. Que teria se equivocado ainda ao não excluir do declarado em DCTF o valor do PIS retido (R$ 22.637,87). b) uma vez identificado o equívoco, o recorrente teria constituído crédito tributário, que se pretendeu utilizar na PER/DCOMP acima referida para se compensar os débitos constante na mesma. c) No entanto o recorrente deixou de corrigir a DCTF do período do crédito, bem como a DIPJ, permanecendo a informação de que o valor devido, a título de PIS, naquele período seria de R$ 231.907,09 (DCTF) e R$ 337.022,04 (DIPJ), ambas considerando o valor retido na fonte, conforme explicado anteriormente. O fato de apresentar o PER/DCOMP, antes de retificar a DIPJ e a DCTF acabou gerando a inconsistência que teria sido a causa do despacho decisório denegatório. d) Para sanar tal pendência o contribuinte retificou a DCTF, alterando os valores de PIS condizente com o apurado na época. e) Argumenta ser dever da administração pública a busca pela verdade material e neste sentido a Autoridade fiscal deveria ter intimado o contribuinte antes de não homologar a compensação. f) Que a adoção da conduta acima estaria em consonância com os princípios da moralidade, eficiência e celeridade previstos na Constituição Federal e na Lei 9.784/99. g) Que houve vício de forma e este não poderia macular a existência do seu direito creditório. h) Que pelo princípio da verdade material as meras questões formais não poderiam se sobrepor à efetiva existência do crédito, face ao princípio da verdade material, para tanto colaciona decisões administrativas no sentido de se cancelar o lançamento quando comprovado o erro no preenchimento da declaração. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16327.914420/200979 Acórdão n.º 3803003.506 S3TE03 Fl. 11 3 i) Que houve erro puramente material no preenchimento do PER/DCOMP e que tal erro não poderia ter sido utilizado para o não reconhecimento do direito creditório pleiteado. j) Por fim requer que seja provida a manifestação de inconformidade, desconstituindose a exigência fiscal formulada, seja reconhecida a DCTF retificadora e consequentemente o crédito tributário e homologado o pedido de compensação em sua totalidade. A DRJ em São Paulo(I) considerou improcedente os pedidos da manifestante, por não considerar que o contribuinte arrolou provas necessárias para a comprovação do crédito. Inconformada a Recorrente apresentou Recurso Voluntário a este órgão julgador, onde bem explica os motivos que a levaram a cometer o erro, com cálculos contábeis detalhados. Discrimina que o erro de preenchimento ocorreu por falha no lançamento de despesas de cambio. Adiciona o que chamou de balancete contábil, entretanto não o identificamos como um balancete contábil, por faltarlhe elementos essenciais a um balancete como o descritivo de todas as contas e apuração dos resultados e ainda assinatura do representante da Pessoa Jurídica e do contador responsável. Ao final requer o reconhecimento do credito e protesta pela sustentação oral. É o Relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. O recorrente, afirma ter direito ao crédito pleiteado em PER/DCOMP na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de PIS devido a erro de preenchimento de DCTF, relativo ao período de apuração novembro de 2004. Não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o débito indevidamente compensado no valor de R$ 48.882,33. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve instruir sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” No caso em análise, a contribuinte esclarece que teria cometido erro de preenchimento de DCTF. No entanto, neste momento processual, para comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábil fiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração, conforme previsto no art. 923 do RIR/99, transcrito a seguir: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). Via de regra, impende a quem alega o ônus da prova. A ambos, administração fazendária e contribuintes, cabe a produção de provas que proporcionem condições de convicção ao julgador favoráveis à sua pretensão. O Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo tributário, preceitua que todas as provas que instruirão o processo no âmbito administrativotributário e que sejam aptas a comprovar o direito do sujeito passivo, deverão ser colacionadas nos autos até o momento da impugnação sob pena de preclusão. Sabese que o Contribuinte contou com momento oportuno para apresentar a devida documentação que comprovasse suas alegações, entretanto, mesmo que tais provas não tenham sido carreadas na impugnação, admitese, excepcionalmente, sua juntada após a impugnação nos caso em que excepcionou o Decreto n° 70.235, art. 16, inciso V, parágrafo 4°, ao que se lê: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Não se encaixa nenhum dos casos elencados no Decreto que rege os processos administrativos, o narrado neste processo. No direito tributário devese sempre triunfar a verdade material dos fatos, desta feita, cabe à administração fazendária o ônus da prova no ilícito tributário, entretanto, não conferiu a lei ao contribuinte o poder de se eximir de sua responsabilidade através da omissão da entrega dos elementos materiais à apreciação objetiva e subjetiva estabelecida na legislação tributária. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16327.914420/200979 Acórdão n.º 3803003.506 S3TE03 Fl. 12 5 Frisase que, em casos como este, em que o contribuinte alega a existência de crédito, sobre este recai a responsabilidade da apresentação de todos os elementos de provas que demonstrem a cabal existência do crédito pretendido, desta forma, a apresentação de tais documentos oferecem maior possibilidade de apreciação objetiva e segura quanto às conclusões extraídas de seus resultados, assegurando ampla defesa ao contribuinte, para que o mesmo não seja maculado além do expressamente previsto na legislação tributária. A Recorrente furtouse em arrolar documentos que pudessem comprovar o credito pleiteado. Se houve erro, a contribuinte tem em seus documentos contábeis todos os meios para provar seus argumentos. O fato é que sua defesa é carente de provas. A Recorrente anexou tão somente o que chama de balancete, não traz todos os elementos e assinaturas, e suas declarações, e ainda assim, o fez em sede Recurso Voluntário, documentos estes insuficientes a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido. Diante do exposto acima, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. É como voto. João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 325DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN
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