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Numero do processo: 10166.911620/2009-83
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009
COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. COMPETÊNCIA DE AUDITOR FISCAL. ATO PRIVATIVO DO DELEGADO DA RECEITA FEDERAL. PRELIMINAR DE NULIDADE AFASTADA.
O despacho decisório em pedido de compensação não é competência privativa do Delegado da Receita Federal. O Auditor Fiscal, nos termos do art. 6º, I, b, da Lei nº 10.593/2002, na redação da Lei nº 11.457/2007, tem competência para proferir decisões em processos de restituição ou de compensação tributária.
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS PROLAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, C, DO DECRETO Nº 70.235/1972. POSSIBILIDADE. NATUREZA DO INDÉBITO NÃO DEMONSTRADA. PROVA INSUFICIENTE. RECURSO DESPROVIDO.
A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, c, do Decreto nº 70.235/1972. Se a prova é insuficiente, inviável a homologação da compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-001.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
EDITADO EM: 10/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Jose´ Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2009 COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. COMPETÊNCIA DE AUDITOR FISCAL. ATO PRIVATIVO DO DELEGADO DA RECEITA FEDERAL. PRELIMINAR DE NULIDADE AFASTADA. O despacho decisório em pedido de compensação não é competência privativa do Delegado da Receita Federal. O Auditor Fiscal, nos termos do art. 6º, I, b, da Lei nº 10.593/2002, na redação da Lei nº 11.457/2007, tem competência para proferir decisões em processos de restituição ou de compensação tributária. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS PROLAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, C, DO DECRETO Nº 70.235/1972. POSSIBILIDADE. NATUREZA DO INDÉBITO NÃO DEMONSTRADA. PROVA INSUFICIENTE. RECURSO DESPROVIDO. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, c, do Decreto nº 70.235/1972. Se a prova é insuficiente, inviável a homologação da compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. EDITADO EM: 10/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Jose´ Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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DESPACHO DECISÓRIO. COMPETÊNCIA DE AUDITOR FISCAL. ATO PRIVATIVO DO DELEGADO DA RECEITA FEDERAL. PRELIMINAR DE NULIDADE AFASTADA. O despacho decisório em pedido de compensação não é competência privativa do Delegado da Receita Federal. O Auditor Fiscal, nos termos do art. 6º, I, “b”, da Lei nº 10.593/2002, na redação da Lei nº 11.457/2007, tem competência para proferir decisões em processos de restituição ou de compensação tributária. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS PROLAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. POSSIBILIDADE. NATUREZA DO INDÉBITO NÃO DEMONSTRADA. PROVA INSUFICIENTE. RECURSO DESPROVIDO. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Se a prova é insuficiente, inviável a homologação da compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 91 16 20 /2 00 9- 83 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. EDITADO EM: 10/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 Compensação Pagamento indevido Cofins A compensação de débitos tributários somente poderá ser autorizada pela autoridade fiscal competente com crédito liquido e certo do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Retificação de DCTF Só é admissível mediante a comprovação do erro em que se funde, e antes de notificação do ato fiscal. Logo, a retificação de DCTF, por si só, não é prova suficiente para provar a liquidez e certeza do crédito utilizado no Per/Dcomp. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem resumir a controvérsia até a presente fase processual, transcrevese o relatório, de fls. 51, do acórdão da DRJ: Trata o presente processo de despacho decisório eletrônico (fl. 17), no qual a autoridade fiscal competente não homologou a Dcomp nº 10937.10760.100609.1.3.044708 porque o pagamento (R$ 1.073.009,04) relativo ao DARF, ali discriminado, foi integralmente utilizado para quitação de débito de Cofins da contribuinte, apurado em 31/01/2009. A contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 20/10/2009 (AR –fl. 18). Inconformada apresentou manifestação Fl. 146DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10166.911620/200983 Acórdão n.º 3802001.279 S3TE02 Fl. 146 3 de inconformidade (fls. 1 a 3) em 30/10/2009, na qual transcreve os fatos, faz demonstrativos e argumenta, em síntese, o seguinte: a falta de identificação do crédito compensado é por não ter retificado o débito de Cofins, código 5856, declarado na DCTF de mar/2009, no valor de R$ 1.120.016,98; em 08/10/2009 enviou DCTF retificadora alterando o débito de Cofins (R$ 1.073.009,04) ddclarado em janeiro/2009, para R$ 902.366,51, gerando crédito de R$ 170.642,53 que atualizado pela taxa Selic quando da compensação em junho/2009, importava R$ 176.751,53. No pedido, requer seja reconhecido o crédito atualizado de R$ 176.751,53, bem como homologada a declaração de compensação – DCOMP. A Recorrente, nas razões de fls. 5567, reitera as alegações apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, notadamente a preliminar de nulidade do despacho decisório, por incompetência do Auditor Fiscal, bem como o argumento de que já fora apresentada a documentação comprobatória do direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A interessada teve ciência da decisão no dia 12/07/2011 (fls. 54), interpondo recurso tempestivo em 11/8/2011 (fls. 55/67). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. I DA PRELIMINAR DE NULIDADE Os Auditores Fiscais da Receita Federal, nos termos do art. 6º, I, “b”, da Lei nº 10.593/2002, na redação da Lei nº 11.457/2007, têm competência para proferir decisões em processos de restituição e de compensação de tributos e contribuições: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I [...] b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; Entendese, assim, que deve ser afastada a preliminar de nulidade. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 II DO MÉRITO A Recorrente, alegando a ocorrência de pagamento indevido de Cofins no valor de R$ 170.642,53, apresentou a PER/Dcomp de fls. 0915, visando compensar o indébito com o tributo devido no período de apuração respectivo. Todavia, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), o que fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Após a prolação do despacho decisório, acreditando que a não homologação poderia ser afastada mediante retificação da Dctf, o Recorrente assim procedeu, sem, contudo, apresentar prova da existência do crédito compensado. A DRJ, por sua vez, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A prova crédito, na verdade, foi juntada apenas por ocasião da interposição do recurso voluntário. Portanto, antes de examinar se a prova apresentada é suficiente para demonstrar a certeza e a liquidez do direito creditório, cabe avaliar a sua admissibilidade em face das regras de preclusão previstas no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997). Entendese que o caso em exame se subsume à hipótese do art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. A prova, com efeito, foi destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos. Afinal, até a prolação do acórdão da DRJ, a ausência de prova do crédito não havia sido aventada, à medida que, consoante destacado, a não homologação estava assentada apenas na falta de retificação da Dctf. Admitida a juntada da prova, esta deve ser apreciada e, caso demonstrada de plano a existência do direito creditório, autorizada a compensação, uma vez que, por força do princípio da verdade material, a Fazenda Pública tem o dever de tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade: “O princípio da verdade material ou real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar as decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Assim, no tocante a provas, desde que obtidas por meios lícitos (como impõe o inciso LVI do art. 5º da CF), a Administração detém liberdade plena de produzilas.” Fl. 148DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10166.911620/200983 Acórdão n.º 3802001.279 S3TE02 Fl. 147 5 (MEDAUAR, Odete. A Processualidade do Direito Administrativo. 2. ed. São Paulo: RT, 2008, p. 131). “A força de tais princípios é tanta que o dever de investigação do Fisco só cessa na medida e a partir do limite em que o seu exercício se tornou impossível, em virtude do não exercício ou do exercício deficiente do dever de colaboração do particular [...]. Enquanto essa possibilidade subsiste, deve o Fisco prosseguir no cumprimento de seu dever, seja qual for a complexidade e o custo de tal investigação.” (XAVIER, Alberto. Do lançamento no direito tributário brasileiro. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 152). O princípio da verdade material, com efeito, representa exceção à regra da obrigatoriedade da concentração das provas no momento da apresentação da impugnação, consoante ensina Bianca Xavier: “Nesse momento processual – da impugnação – deverá ser iniciada a formação das provas, sendo obrigatória, até mesmo, a formulação dos quesitos relativos à prova pericial, caso o contribuinte tenha interesse em fazer uso dessa espécie de prova, o que atesta a obrigatoriedade da concentração das provas no momento da apresentação da impugnação. [...] No entanto, pelo princípio da verdade material e da oficialidade, a autoridade fiscal deverá buscar outras provas, além das que carreiam os autos, para determinar a solução da controvérsia contida no processo administrativo. Diante desse cenário, é correto afirmar que após a apresentação da impugnação a autoridade julgadora deve avaliar as provas apresentadas pelo contribuinte no ato da impugnação, como também verificar a conveniência de serem apresentadas provas adicionais ou até mesmo determinar a realização de perícia ou diligências. Todos esses atos compõem a determinada fase instrutória do processo, mais especificamente a fase da admissão da prova.” (XAVIER, Bianca Ramos. A duração razoável do processo administrativo fiscal. 2009. 133. F. Dissertação de Mestrado. Universidade Cândido Mendes. Rio de Janeiro, 2009, p. 7779. Disponível em: http://www.pmducam.org/index.php? option=com_docman&task=doc_view&gid=185). Portanto, se a existência do crédito é inequívoca, não há como deixar de reconhecer o direito à compensação, inclusive porque, nos termos do art. 18 da Medida Provisória nº 2.18949/2001, a Dctf retificadora tem a mesma natureza da declaração retificada, substituindoa integralmente: Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Por outro lado, de acordo com a Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, vigente ao tempo da apresentação da Dctf, a retificação pode ocorrer nas seguintes hipóteses: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. Nesse sentido, embora mais ampla que a interpretação ora adotada, colocase o seguinte julgado da 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 3ª Seção: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/04/2005 CIDE. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Acórdão nº 330201.406. 2ª TO. 3ª C. 3ª S. Processo 10880.920505/200924. Rel. Conselheiro José Antonio Francisco. S. 26/01/2012). Fl. 150DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10166.911620/200983 Acórdão n.º 3802001.279 S3TE02 Fl. 148 7 Em circunstâncias dessa natureza, entendese que, por força do princípio da verdade material, o contribuinte, a despeito da retificação extemporânea, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Analisando a Dacon Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (fls. 139), notase que o valor informado a título de “Cofins a pagar Regime Não Cumulativo” corresponde a R$ 902.366,52 e R$ 48.655,35, de “Cofins a Pagar Regime Cumulativo”. Não há especificação dos créditos deduzidos no regime nãocumulativo nem a base de cálculo do tributo. São apresentados diversos documentos de período de apuração distinto (ano de 2006), sendo que o Livro Razão (fls. 105) contém apenas o lançamento na conta “Cofins” de R$ 1.121.664,40, a título de “valor referente recl pgto Cofins 01/2009” e de R$ 170.642,54 (“valor referente aproveitamento crédito Cofins jan/09”). As páginas do livro não permitem a aferição da base de cálculo da contribuição nem tampouco os custos e as despesas considerados para fins de apuração do crédito. Na verdade, não há qualquer explicação nos autos acerca da origem da diferença entre o recolhimento efetuado a maior e o valor supostamente correto. O interessado, em outras palavras, não esclarece se houve equívoco na determinação da base de cálculo ou na apuração dos créditos dedutíveis, circunstância que, com a devida vênia, inviabiliza a aferição da existência do direito creditório. Enfim, entendese que a documentação apresentada não é suficiente para a demonstração da existência do direito creditório. Votase, assim, pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 151DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 11065.003583/2007-77
Turma: Quinta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2003, 01/06/2003 a 30/11/2003, 01/09/2004 a 30/09/2004, 01/11/2004 a 30/11/2004, 01/02/2005 a 28/02/2005, 01/01/2006 a 30/06/2006
Ementa:
DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
CERCEAMENTO DE DEFESA
O cerceamento de defesa e a violação ao princípio do contraditório e ao princípio da ampla defesa não restaram caracterizados, pois, o interessado apresentou impugnação e recurso à notificação lavrada.
PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO.
O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria, em conceder provimento parcial quanto à preliminar de extinção do crédito pela homologação tácita prevista no art.150, parágrafo 4º do CTN, para as competências em que havia recolhimentos previdenciários, nos termos do voto da relatora. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Juliana Campos Carvalho Cruz, entenderam que se aplicava o art. 150 parágrafo 4º do CTN, para todo o período. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu, pois entendeu que deveria ser aplicado o art. 173, inciso I do CTN. Quanto à parcela não extinta não houve divergência.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz , Paulo Roberto Lara dos Santos, Adriana Sato.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2003, 01/06/2003 a 30/11/2003, 01/09/2004 a 30/09/2004, 01/11/2004 a 30/11/2004, 01/02/2005 a 28/02/2005, 01/01/2006 a 30/06/2006 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. CERCEAMENTO DE DEFESA O cerceamento de defesa e a violação ao princípio do contraditório e ao princípio da ampla defesa não restaram caracterizados, pois, o interessado apresentou impugnação e recurso à notificação lavrada. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria, em conceder provimento parcial quanto à preliminar de extinção do crédito pela homologação tácita prevista no art.150, parágrafo 4º do CTN, para as competências em que havia recolhimentos previdenciários, nos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 35 83 /2 00 7- 77 Fl. 800DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 termos do voto da relatora. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Juliana Campos Carvalho Cruz, entenderam que se aplicava o art. 150 parágrafo 4º do CTN, para todo o período. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu, pois entendeu que deveria ser aplicado o art. 173, inciso I do CTN. Quanto à parcela não extinta não houve divergência. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz , Paulo Roberto Lara dos Santos, Adriana Sato. Fl. 801DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11065.003583/200777 Acórdão n.º 2302002.203 S2C3T2 Fl. 781 3 Relatório Trata a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, cientificada ao sujeito passivo em 22/11/2007, de contribuições previdenciárias relativas a parte patronal, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas aos terceiros, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados no período de 01/2002 a 06/2006. O relatório fiscal de fls. 49/51, traz que os valores do salário de contribuição foram apurados com base nas folhas de pagamento apresentadas e não foram declarados em GFIP e que a individualização dos segurados e suas respectivas remunerações constam de planilha anexa ao relatório, às fls. 52/66. Após impugnação, Acórdão de fls.170/176 julgou o crédito procedente. Inconformado o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde argúi em síntese: a) que a Administração não buscou a verdade material, que a NFLD é excessivamente sintética, não fundamentada, precária e incompreensível; b) que os relatórios das folhas de pagamento entregues à fiscalização estavam em desacordo com as folhas, fato que foi comunicado à fiscalização, a qual decidiu manter os trabalhos já realizados, procedimento que viciou de nulidade a NFLD; c) que a alíquota de SAT foi aplicada de forma única no grau máximo sem analisar quais as atividades dos estabelecimentos da recorrente; que alíquota superior a 1% é inconstitucional e ilegal; que as alíquotas não podem estar expressas em Decreto, mas sim na Lei; d) não aceita que a contabilidade tenha sido examinada até março de 2005 e os lançamento foram até 06/2006; e) a nulidade da decisão recorrida por cerceamento de defesa, pelo indeferimento do pedido de perícia; f) por fim junta documentos para esclarecer que: no período de 01/2002 a 08/2002 os funcionários apontados eram da empresa CARRIER TRANSICOLD BRASIL EQUIPAMENTOS DE AR CONDICIONADO E DE REFRIGERAÇÃO PARA TRANSPORTES LTDA., que foi incorporada pela recorrente em agosto de 2002; os funcionários constavam das folhas e das GFIP’s da incorporada; de 09/2002 a 12/2005, há funcionários já desligados e um funcionário que era de uma filial, estando lá o seu recolhimento; Fl. 802DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 de 01/2006 a 06/2006, os lançamentos são improcedentes, pois os funcionários estavam devidamente registrados nas GFIP’s e suas contribuições foram recolhidas. No Anexo II consta demonstrativo mensal em qual CNPJ foram recolhidas as contribuições lançadas. No Anexo III, constam os documentos comprobatórios das alegações. g) argúi que a documentação comprova a nulidade do lançamento e a i procedência da NFLD uma vez que lhe imputa fatos geradores que não foram por ela realizados, mas por sua coligada e devidamente extintos pelo pagamento; h) que as multas subsistentes e relativas à incorporada devem ser excluídas do lançamento, pois não se transmitem à incorporadora, art.132, CTN; i) argúi a decadência exposta no CTN. Requer o acolhimento das preliminares para reconhecer a nulidade da NFLD, ou que seja anulada a decisão de primeira instância para a realização de perícia contábil. Alternativamente, requer a reforma da decisão e o integral cancelamento do lançamento fiscal. Por fim, requer que a alíquota RAT não ultrapasse o percentual de 1% e que seja fixada de acordo com a atividade preponderante de cada estabelecimento. Resolução n.º 230100.018, da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 02/06/2009, converteu o julgamento em diligência para que a fiscalização examinasse os documentos apresentados e se manifestasse sobre: a) a existência de segurados na GFIP, mas que constaram do Anexo I da NFLD como não declarados em GFIP; b) a existência de lançamento de segurados já demitidos; c) se no período de janeiro de 2002 a agosto de 2002, os segurados não constantes das GFIP’s eram efetivamente empregados da CARRIER TRANSICOLD BRASIL EQUIPAMENTOS DE AR CONDICIONADO E DE REFRIGERAÇÃO PARA TRANSPORTES LTDA., empresa que foi incorporada pela notificada em 31/08/2002 e por isso constavam das folhas e das GFIP’s daquela empresa; d) se no período de setembro de 2002 a dezembro de 2005, os empregados, cujas remunerações não foram informadas em GFIP, já haviam sido demitidos; e) se as contribuições do segurado Caiel Wallace da Rocha, empregado de uma filial, foram recolhidas no CNPJ 03.646.086/000201 (fl.139), como afirma a recorrente; f) se no período de janeiro a junho de 2006, existem diferenças no salário de contribuição, ou se o lançamento se refere apenas a diferença na alíquota de SAT/RAT; Fl. 803DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11065.003583/200777 Acórdão n.º 2302002.203 S2C3T2 Fl. 782 5 g) qual a atividade preponderante da empresa? Elaborar planilha onde fique comprovado em qual atividade se concentra o maior número de segurados a fim de ser determinada a alíquota do SAT/RAT. O Fisco emitiu Informação de fls. 776, que transcrevo a seguir: Questionamento "a": relacionamos na coluna CNPJ DECLARADO EM GFIP da planilha RELATÓRIO DA INFRAÇÃO — ANEXO I, apensa ao presente relatório, os números dos CNPJ das empresas em que os segurados foram declarados em GFIP — considerando somente as válidas, deixando em branco para aqueles onde não foi localizada nenhuma informação. Questionamento "b": a coluna DATA RESCISÃO da planilha RELATÓRIO DA INFRAÇÃO — ANEXO I, apensa ao presente relatório, apresenta as informações prestadas em GFIP, referente às datas de demissões dos segurados. Comparando essas datas com as competências em que foram efetuados os lançamentos do crédito tributário, identificamos a existência de segurados já demitidos, discriminados na tabela abaixo, contudo, eles foram relacionados nos documentos disponibilizados pela empresa na época. Depreendese que a auditoria fiscal efetuou o lançamento na competência em que a empresa apropriou os valores em suas folhas de pagamento. Na planilha não consta a data da demissão da segurada Rosilda dos Santos, haja vista a análise das GFIP ter iniciado a partir da competência 200201, porém, o processo apresenta nas páginas 284 a 287, suas rescisões de contrato de trabalho, cujo afastamento ocorreu em 3111212001, havendo lançamento para ela na competência 200201. Competência Segurado Demissão 200206 MÁRCIO TEIXEIRA GONÇALVES 11/03/2002 200208 CLAUDIO JOSE CABRAL GARCIA 29/07/2002 200303 NORMY LUIZ BUSELLATO 24/02/2003 200303 ADALBERTO SAGMEISTER 24/02/2003 200308 CARLOS CARDOSO DOS SANTOS 24/07/2003 200409 CLAUDIO GUTARONE DA SILVA 26/08/2004 200411 GILMAR ANTONIO SPENA 19/07/2004 Questionamento "c": a coluna CNPJ DECLARADO EM GFIP da planilha RELATÓRIO DA INFRAÇÃO — ANEXO I, apensa ao presente relatório, relaciona os segurados que foram declarados em GFIP. De todos os segurados relacionados no período de janeiro/2002 a agosto/2002, apenas os contidos na tabela abaixo não constaram das GFIP entregue pela empresa CARRIER TRANSICOLD BRASIL EQUIPAMENTOS DE AR Fl. 804DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 CONDICIONADO E DE REFRIGERAÇÃO PARA TRANSPORTES LTDA — CNPJ n° 72.527.1531000100. O processo não apresenta as folhas de pagamento da empresa. Competência Segurado 200201 ROSILDA DOS SANTOS 200201 JOÃO BOSCO COSTA MENEZES 200206 MARCIO TEIXEIRA GONÇALVES 200208 CLAUDIO JOSE CABRAL GARCIA 200208 CAIEL WALLACE ROCHA 1 03.646.086/000201 (GFIP) Questionamento "d": a coluna DATA RESCISÃO da planilha RELATÓRIO DA INFRAÇÃO — ANEXO I, apensa ao presente relatório, apresenta as informações prestadas em GFIP referente às datas de demissões dos segurados. Na planilha não consta a data da demissão da segurada Rosilda dos Santos, haja vista a análise das GFIP ter iniciado a partir da competência 200201, porém, o processo apresenta nas páginas 284 a 287, suas rescisões de contrato de trabalho, cujo afastamento ocorreu em 3111212001, havendo lançamento para ela na competência 200201. Questionamento "e": segundo informações prestadas em GFIP pelo estabelecimento 03.646.0861000201, o segurado Caiei Wallace da Rocha foi admitido em 0110812002 e demitido em 0311112003, estando a sua remuneração, juntamente com a de outros segurados, declarada nesse período. Entretanto, ao cotejarmos as informações do banco de dados das GPS pagas, evidenciamos que, nas competências de setembro/2002, janeiro/2003, março/2003, abril/2003, junho/2003, julho/2003, setembro/2003, outubro/2003 e novembro/2003, os recolhimentos efetuados foram insuficientes em relação às contribuições declaradas em GFIP. Questionamento "f': as diferenças estão pormenorizadas nas páginas 09 e 10 deste processo. Questionamento "a ": a planilha QUANTIDADE SEGURADOS EMPRESA CARRIER REFRIGERAÇÃO BRASIL LTDA apresenta o número de trabalhadores à disposição em seus estabelecimentos matriz e filiais, bem como o CNAE vigente à época e a respectiva alíquota do SAT. O contribuinte foi cientificado do resultado da diligência, manifestouse e os autos retornaram a julgamento. É o relatório. Fl. 805DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11065.003583/200777 Acórdão n.º 2302002.203 S2C3T2 Fl. 783 7 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade devendo ser conhecido. Da Preliminar A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito foi cientificada ao sujeito passivo em 22/11/2207, referindose ao período de 01/2002 a 06/2006. A recorrente argúi a decadência qüinqüenal , e com efeito, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 806DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, devendo observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso presente, se pode observar pelo DAD – Discriminativo Analítico do Débito, fls. 04 a 06, e pelo RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, fls. 27/29, que houveram recolhimentos parciais que foram abatidos do débito apurado, nas competências de 01/2002 e 08/2002 a 10/2002, devendo para este período, ser observado o Fl. 807DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11065.003583/200777 Acórdão n.º 2302002.203 S2C3T2 Fl. 784 9 prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, artigo 150, § 4º, e excluídas essas competências: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Para as demais competências, onde não foram constatados recolhimentos parciais relativos ao crédito lançado nesta notificação, aplicase o artigo 173, I do CTN, não havendo decadência: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Não vislumbro a tese de nulidade da notificação, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; Fl. 808DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. Fl. 809DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11065.003583/200777 Acórdão n.º 2302002.203 S2C3T2 Fl. 785 11 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Ressalto a inexistência do cerceamento defesa, como alegado, posto que a notificação de débito, seus anexos, o relatório fiscal e a diligência fiscal explicitaram a origem e o valor do débito, o procedimento fiscal foi desenvolvido dentro da empresa, à vista de seus administradores e empregados, tanto que foi possível à notificada contestar totalmente o débito, o que demonstra perfeita compreensão do mesmo. O direito à ampla defesa e ao contraditório, assegurado pela Constituição federal, não foi maculado em razão do levantamento ter sido efetuado através do exame dos documentos de posse da notificada, por ela elaborados, o que lhe permite contradizer e defenderse sem qualquer restrição, eis que são de seu conhecimento os elementos oferecidos para exame. Ainda, quanto ao contraditório e à ampla defesa, preleciona Hugo de Brito Machado in Mandado de Segurança em Matéria Tributária, Ed. Revista dos Tribunais, 1995, pág. 304: Os conceitos de contraditório, e de ampla defesa, são interligados, até porque o contraditório é, de certa forma, um meio, ou um instrumento inerente à ampla defesa. Por contraditório entendese a garantia de que nenhum decisão ocorrerá sem a manifestação dos que são parte no conflito. No processo administrativo fiscal a garantia do contraditório quer dizer que o contribuinte tem direito de manifestarse sobre toda e qualquer afirmação dos agentes do fisco, antes da decisão. E também que os agentes do fisco devem ser ouvidos sobre a defesa oferecida pelo contribuinte. .......................................................................................... A ampla defesa quer dizer que o contribuinte não pode ter contra ele constituído um crédito tributário sem que lhe seja assegurada oportunidade para demonstrar que o mesmo é indevido. Fl. 810DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Portanto, a argumentação da recorrente não deve prosperar. O cerceamento de defesa e a violação ao princípio do contraditório e ao princípio da ampla defesa não restaram caracterizados, pois, o interessado apresentou impugnação e recurso à notificação lavrada. Em razão da natureza do lançamento, dos elementos que foram examinados e lhe deram suporte e da realização de diligência fiscal para exame de documentos juntados, entendo ser prescindível a realização de perícia para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) PORTARIA Nº 520, DE 19 DE MAIO DE 2004 Art. 11. A autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva DecisãoNotificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. Do Mérito O lançamento referese à falta de recolhimento de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, apuradas através das folhas de pagamento da notificada em contraposição às informações declaradas pela mesma em GFIP. De acordo com os elementos constantes do processo, ainda em sede de primeira instância, a recorrente argüia a existência de recolhimentos e informações em GFIP efetuados por empresas coligadas e juntou documentos, mas o Acórdão de Primeira Instância julgou o lançamento procedente. Por hora do recurso, a notificada juntou mais documentos de fls. 254 a 764, buscando comprovar suas alegações e reiterou todas as argumentações já expostas na peça de defesa. Embora a Portaria MPS/GM nº 520/2004, no art. 9º, § 1º, acompanhando os preceitos do art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, tenha limitado o momento para a apresentação de provas, dispondo que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, da análise dos documentos juntados pelo sujeito passivo, mesmo que após a impugnação, verificouse que os mesmos podiam importar em revisão do lançamento, nos termos do art. 149 c/c art. 145, inciso III, ambos do CTN. Por este motivo, o Colegiado, através de Resolução, converteu o julgamento em diligência para que o Fisco procedesse ao exame dos documentos apresentados. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11065.003583/200777 Acórdão n.º 2302002.203 S2C3T2 Fl. 786 13 Da informação prestada às fls.776, e planilhas juntadas às fls. 777/782, vêse que o crédito merece retificação, pois alguns segurados empregados já haviam sido demitidos e constam da notificação, outros foram declarados em GFIP’s de outras empresas coligadas ou incorporadas à recorrente, quanto a um segurado , pelo menos, Caiel Wallace da Rocha, o Fisco admite que houveram recolhimentos, embora insuficientes para os valores declarados em GFIP e a atividade que reúne o maior número de segurados na empresa até a competência 11/2003, condiz com a alíquota de SAT de 2%, enquanto a notificação consignou 3%. Assim, é de se ver que o lançamento deve ser retificado, considerando os termos trazidos pela diligência fiscal. Destarte, quanto ao argumento da ilegalidade da cobrança da contribuição devida em relação ao SAT – Seguro de Acidente de Trabalho, é de se ver que a exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; Fl. 812DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. § 6º Verificado erro no autoenquadramento, o Instituto Nacional do Seguro Social adotará as medidas necessárias à sua correção, orientando o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procedendo à notificação dos valores devidos. § 7º O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea “a” do inciso V do caput do art. 9º. § 8º Quando se tratar de produtor rural pessoa jurídica que se dedique à produção rural e contribua nos moldes do inciso IV do caput do art. 201, a contribuição referida neste artigo corresponde a zero vírgula um por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. § 9º (Revogado pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Fl. 813DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11065.003583/200777 Acórdão n.º 2302002.203 S2C3T2 Fl. 787 15 § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99), que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceram os conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, repelese a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Nesse sentido já decidiu o STF, no RE n ° 343.446SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, cuja ementa transcrevo: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI 7.787/89, ARTS. 3º E 4º; LEI 8.212/91, ART. 22, II, REDAÇÃO DA LEI 9.732/98. DECRETOS 612/92, 2.173/97 E 3.048/99. C.F., ARTIGO 195, § 4º; ART. 154, II; ART. 5º, II; ART. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido.” Fl. 814DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 Assim, os conceitos de atividade preponderante, de risco de acidente de trabalho leve, médio ou grave; não precisariam estar definidos em lei, o Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que tais conceitos são complementares e não essenciais na definição da exação. Por todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, para excluir do lançamento as competências de 01/2002, 08/2002, 09/2002 e 10/2002, pela homologação tácita do artigo 150,§4º, do Código Tributário Nacional; para que a alíquota de SAT seja considerada 2% até 11/2003; para que os segurados empregados de outras empresas sejam excluídos do lançamento, assim como aqueles que já haviam sido demitidos no período notificado, de acordo com os termos da diligência fiscal de fls. 776. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 815DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10665.901726/2010-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Inexistindo crédito capaz de suportar a compensação declarada, de considerá-la como não homologada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-002.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Odassi Guerzoni Filho - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Inexistindo crédito capaz de suportar a compensação declarada, de considerá la como não homologada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho e Fernando Marques Cleto Duarte. Relatório O presente processo trata de Declarações de Compensação de débitos nos valores de R$ 43.565,76, R$ 13.998,40 e R$ 152.461,55, todas as três efetuadas mediante o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 17 26 /2 01 0- 81 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/11/2 012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 aproveitamento de alegado crédito de IPI (ressarcimento do saldo credor apurado com base na Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999) do 4º trimestre de 2006. O Despacho Decisório da DRF em DivinópolisMG homologou apenas a primeira das três compensações, no valor de R$ 43.565,76, sob o argumento de que não haveria crédito em montante suficiente para tanto, a teor do levantamento realizado pela fiscalização constante do processo nº 10665.001722/201000 e reproduzido neste processo. Na Manifestação de Inconformidade a interessada pugnou pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário até que seja proferida decisão em definitivo no referido processo que tratou da revisão de seu saldo credor e que resultou na lavratura de auto de infração. Juntou cópia da impugnação apresentada contra o referido lançamento no processo nº 10665.001722/201000. Despacho monocrático do Presidente da 3ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de ForaMG determinou a devolução do processo à DRF em Divinópolis para que essa Unidade avaliasse a possibilidade de revisão de seu Despacho Decisório no sentido de não reconhecer a totalidade do direito creditório postulado e não homologar as compensações dos débitos contidos nas Dcomp que especificou. Referido despacho da DRJ invocara a regra contida no art. 20 da IN SRF nº 600, de 28/12/2005, reproduzida no art. 25 da IN SRF nº 900, de 30/12/2008, segundo a qual “É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação de exigência de crédito de IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido.” A DRF em Divinópolis, por sua vez, não acatou a recomendação da instância julgadora e não procedeu a nenhum reparo em seu Despacho Decisório por entender que o comando dado pelo artigo 25 da IN SRF 600, de 2006, aplicarseia somente aos casos em que a discussão administrativa antecedesse ao pedido de ressarcimento, o que não é o caso. A 3a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de ForaMG manteve então os termos do Despacho Decisório de indeferimento em decisão que insistiu na necessidade de aplicação daquela regra contida no art. 25 da IN SRF 600, de 2006. No Recurso Voluntário a Recorrente argumentou que o dispositivo invocado pela DRJ somente poderia ser aplicado no caso de o processo judicial ou administrativo ser anterior à data das compensações, sob pena de violação da regra contida no artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Entende a Recorrente que, em o crédito tendo sido apurado no momento da compensação pelo contribuinte e não pelo Fisco, e, ainda, que referido crédito fora estornado na escrita fiscal por determinação infralegal, não haveria de se glosar o que não mais existe. Considera também a Recorrente que o referido dispositivo invocado pela instância de piso não encontraria previsão no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, o que lhe daria a característica de ilegalidade por prever hipótese negativa sumária de recurso onde o Decreto que regula o processo administrativo não prevê. Para ela, estaria havendo violação do princípio da segurança jurídica por se invocar fato posterior que, obviamente, a seu ver, não tinha ciência à época da realização da compensação. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/11/2 012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10665.901726/201081 Acórdão n.º 3401002.002 S3C4T1 Fl. 3 3 Por fim, em face das circunstâncias, defende que haja o sobrestamento do julgamento do processo e não o indeferimento sumário da manifestação de inconformidade. No essencial, é o Relatório. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/11/2 012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho Cientificada da decisão da DRJ em 09/04/2012, a interessada apresentou o Recurso Voluntário em 09/05/2012, portanto, de forma tempestiva. Preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. A Recorrente tem razão quando contesta o indeferimento sumário do reconhecimento de seu crédito e, consequentemente, da não homologação de todas as suas compensações. Ora, a regra contida no caput dos artigos 20 e 25, respectivamente, das instruções normativas da SRF de nºs. 600, de 2005 e 900, de 2008, invocado pela DRJ, segundo a qual “É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente à pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido.”, à evidência não se aplica ao presente caso, uma vez que o procedimento de fiscalização foi deflagrado justamente para que a Autoridade Tributária tivesse a certeza da existência dos saldos credores informados nos pedidos de ressarcimento e, dessa forma, homologasse as compensações declaradas. Referido procedimento de fiscalização, aquele consubstanciado por meio do processo administrativo nº 10665.001722/201000, por certo, baseouse noutra regra, contida nos artigos 19 e 65, respectivamente, das referidas instruções normativas 600, de 2006 e 900, de 2008, a seguir reproduzidos: Art. 19. A autoridade da SRF competente para decidir sobre o pedido de ressarcimento de créditos do IPI poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação, pelo estabelecimento que escriturou referidos créditos, do livro Registro de Apuração do IPI correspondente aos períodos de apuração e de escrituração (ou cópia autenticada) e de outros documentos relativos aos créditos, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal no estabelecimento da pessoa jurídica a fim de que seja verificada a exatidão das informações prestadas. Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Além disso, o parágrafo único dos mencionados artigos 20 e 25 das referidas IN SRF nºs. 600, de 2006 e 900, de 2008, estabelecem que “Ao requerer o ressarcimento, o representante legal da pessoa jurídica deverá prestar declaração, sob penas da lei, de que a pessoa jurídica não se encontra na situação mencionada no caput.” Mas, no presente caso, a tal “situação mencionada no caput” [existência de processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão Fl. 276DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/11/2 012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10665.901726/201081 Acórdão n.º 3401002.002 S3C4T1 Fl. 4 5 definitiva, na esfera administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido] só veio a ocorrer após a entrega dos vários PER/Dcomp, de modo que, repito, não há que se falar naquele indeferimento sumário a que se referem os tais artigos 20 e 25 das duas instruções normativas acima citadas consoante defendeu a instância de piso em seu voto. Conforme relatado, naquele processo administrativo nº 10665.001722/2010 00, a auditoria fiscal detectou infrações à legislação do IPI que resultaram na reconstituição de ofício da escrita fiscal do contribuinte, inserindo débitos e glosando créditos, de sorte que os saldos credores originais apurados não foram reconhecidos pelo Fisco. Resta bastante claro, portanto, que a auditoria fiscal que culminou na lavratura do auto de infração nada mais é do que o resultado da apreciação dos pedidos de ressarcimento dos saldos credores, caracterizandose, portanto, uma relação indissociável entre ambos os procedimentos [PER/Dcomp e auto de infração]. Na sessão de 25 de setembro de 2012, por meio do Acórdão nº 3401001.946, esta Turma, por unanimidade de votos, referendou integralmente os procedimentos do Fisco relacionados à mencionada reconstituição dos saldos credores da interessada, de maneira que somente os saldos credores ali apurados é que podem ser utilizados em procedimento de compensação. Para o presente processo o Fisco informou que não há saldo credor suficiente para suportar as compensações nos valores de R$ 13.998,40 e R$ 152.461,55. Voto, pois, por negar provimento ao Recurso. Odassi Guerzoni Filho Relator Fl. 277DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/11/2 012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 13839.902417/2008-63
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000
COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA.
Não comprovada, na fase recursal, a certeza e liquidez do crédito, mantém-se a decisão recorrida que, pelo mesmo motivo, não homologou a compensação declarada pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
EDITADO EM: 09/10/2012
Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Não comprovada, na fase recursal, a certeza e liquidez do crédito, mantém-se a decisão recorrida que, pelo mesmo motivo, não homologou a compensação declarada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Não comprovada, na fase recursal, a certeza e liquidez do crédito, mantémse a decisão recorrida que, pelo mesmo motivo, não homologou a compensação declarada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. EDITADO EM: 09/10/2012 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 24 17 /2 00 8- 63 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão proferido pelos membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas/SP, em que, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a manifestação de inconformidade, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, deve ser demonstrada a liquidez e certeza de crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos registrados até a prolação do Acórdão de primeiro grau, transcrevo a seguir o relatório nele encartado: Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP nº 36822.00483.220906.1.7046609, com base em suposto crédito de PIS oriundo de pagamento indevido ou a maior (Darf código 8109, período de apuração 06/2000, data arrecadação 24/09/2004, valor total R$ 147.577,00). A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 147.577,00 Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO, a compensação declarada. Cientificada desse despacho em 20/08/2008, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade em 11/09/2008, alegando que possui o crédito pleiteado, o qual somente não teria sido reconhecido em decorrência de alguns equívocos no preenchimento de suas obrigações acessórias. Relata: 7. No mês de junho de 2000 a REQUERENTE apurou PIS a recolher no montante de R$ 77.761,55, o qual foi quitado mediante compensação com o crédito que a REQUERENTE Fl. 141DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.902417/200863 Acórdão n.º 3802001.304 S3TE02 Fl. 11 3 detinha a título de ressarcimento de IPI, conforme se verifica da documentação acostada aos autos; 8. Após isso, no mês de setembro de 2004, tendo em vista a exigência do valor referente a junho/2004 (sic) pela Administração Tributária, uma vez que a compensação ainda estava pendente de homologação, a REQUERENTE quitou novamente o mesmo tributo mediante o pagamentos dos seguintes valores: [...] 9. É importante destacar que a REQUERENTE imaginou, à época, que o DARF relacionado ao recolhimento mencionado continha equívoco no preenchimento, razão pela qual, em 08/10/2004, emitiu REDARF solicitando a troca do CNPJ inicialmente informado (57.010.662/0001 60) para o CNPJ nº 55.121.438/000110 (pertencente a outra empresa do Grupo Societário). 10. Após isso, verificando que o CNPJ inicial era realmente o correto, preencheu novo REDARF para fazer constar, desta vez, o seu CNPJ (57.010.662/000160). 11. No entanto, acredita a REQUERENTE que este último REDARF não foi processado pelos sistemas da Administração Tributária, justamente em razão da não homologação de seu pedido de compensação. Prosseguindo. 12. Naquele mesmo ano, ao comparecer ao Centro de Atendimento ao Contribuinte, o Representante Legal da REQUERENTE foi informado, verbalmente, de que a compensação realizada no ano 2000 havia sido homologada pela Administração Tributária. 13. Em razão disso, tendo em vista o recolhimento efetuado em 24 de setembro de 2004, a REQUERENTE passou a ser detentora de créditos para com a Administração Tributária, razão pela qual apresentou o PER/DCOMP em foco. 14. Ocorre que ao emitir a PER/DCOMP supracitada, por meio da qual utilizou o valor recolhido em 2004, acrescido de multa e juros, a REQUERENTE informou a data incorreta de arrecadação, razão pela qual, acredita a REQUERENTE, não houve o adequado cruzamento de dados por parte do Fisco. 15. Deveras, ao invés de mencionar a data de recolhimento como sendo 24/09/2004, a REQUERENTE, em sua PER/DCOMP, informou como data de arrecadação a data de 24/06/2004, razão pela qual realizou a competente retificação da PER/DCOMP (Doc. 03), considerada pela Administração Tributária. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 16. Vêse, portanto, que o Fisco desconsiderou o último REDARF apresentado, o que ensejou a não localização do recolhimento nos sistemas da SRF, que deixou de reconhecer o valor recolhido como passível de restituição. Acrescenta que somente com a ciência do Despacho em tela é que verificou o efetivo motivo do não conhecimento de seu crédito. Entretanto, a verificação dos aludidos erros de preenchimento da DCOMP e do não afasta a existência inequívoca de seu crédito. Cita jurisprudência administrativa e judicial que corroborariam seu entendimento. Aduz, por fim, que não há prejuízo ao Fisco; ao contrário, não lhe permitir utilizar tal crédito configuraria enriquecimento ilícito do Erário. Em 10/03/2011, a Interessada foi cientificada do referido Acórdão. Inconformada, em 08/04/2011, protocolou o presente Recurso Voluntário, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, alegou que saldo de crédito disponível, no valor de R$ 147.443,74, erroneamente vinculado ao CNPJ nº 55.121.438/000110, pertencente a pessoa jurídica Incorporada, poderia e deveria por ela ser compensado, pois, nos termos do art. 227 da Lei nº 6.404, de 1976, fazia jus ao referido credito. Aduziu ainda que o princípio da verdade material deverseia sobrepor a qualquer equívoco cometido no cumprimento das obrigações acessórias, logo, meros erros de preenchimento de declaração não poderiam tolher o seu direito à compensação da quantia paga a maior, sob pena de patente enriquecimento ilícito do Erário. Em 10/08/2011, os presentes autos foram enviados a este E. Conselho. Na Sessão de março de 2012, mediante sorteio, foram distribuídos para este Conselheiro, em conformidade com o disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, foi apresentado por parte legítima, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, incluindo o limite de alçada, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme consignado no contestado Despacho Decisório (fl. 63), a não homologação da compensação em tela decorreu do fato de não ter sido localizado nos sistemas da Administração Tributária o pagamento (Darf) com os dados informados na presente DComp. No presente Recurso, a Interessada informou que o pagamento (Darf) informado na DComp fora objeto de dois Pedidos de Retificação de Darf – Redarf (58/59). No primeiro, com data de 08/10/2004, o nº do CNPJ originalmente indicado no Darf, que era o da própria Recorrente (57.010.662/000160), foi alterado para o CNPJ de nº 55.121.438/000110, pertencente a outra pessoa jurídica do mesmo grupo societário e que foi por ela incorporada em 30/11/2000 (fl. 82). No segundo, protocolado em 27/10/2004, foi pedido o restabelecimento do Fl. 143DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.902417/200863 Acórdão n.º 3802001.304 S3TE02 Fl. 12 5 nº do CNPJ original (57.010.662/000160), porém, segundo os extratos de fls. 71/72, esta nova retificação não foi processada no âmbito dos sistemas da Receita Federal, consequentemente, o referido pagamento (Darf) continua vinculado ao CNPJ de nº 55.121.438/000110, o que motivou a não localização do mencionado pagamento e, em face da inexistência do crédito informado, a não homologação da compensação em apreço. Por sua vez, embora tenha confirmado que o saldo do crédito vinculado ao referido pagamento (Darf), no valor total de R$ 147.443,74, estivesse disponível para utilização, a Turma de Julgamento de primeiro grau manteve a não homologação da compensação em tela, sob a alegação de que a Recorrente não havia demonstrado a certeza e a liquidez do crédito informado na presente DComp, com base nos seguintes argumentos: a) a Recorrente havia declarado ter apurado débito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de junho de 2000, no valor de R$ 168.904,87, do qual R$ 165.523,45 foram informados como compensados com créditos de ressarcimento de IPI (processo nº 13601.000245/0019), porém, esta compensação não foi integralmente deferida, pois, conforme extratos de fls. 79/81, parte do débito compensado, no valor de R$ 117.296,91, foi enviada à PGFN e inscrita em Dívida Ativa da União (processo nº 13839.500940/200778) em 26/10/2007; e b) a Interessada havia juntado aos autos (fls. 61/62) cópia do Demonstrativo de Débito Apurado e Creditos Vinculados da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de junho de 2000, relativo à DCTF apresentada pela pessoa jurídica incorporada (CNPJ nº 55.121.438/000110), com os seguintes valores: a) débito apurado no valor de R$ 77.830,86; e b) créditos vinculados a (i) outras compensações e deduções, no valor de R$ 77.761,55 (processo nº 10880.010681/0019) e (ii) exigibilidade suspensa, no valor de R$ 69,31. Entretanto, não havia constado dos autos qualquer documento relativo a eventual deferimento da referida compensação. Em suma, de acordo com os fundamentos fáticos aduzidos pela Turma de Julgamento de primeiro instância, nem a Recorrente nem a pessoa jurídica por ela incorporada havia realizado o alegado pagamento maior ou indevido, fonte do crédito utilizado no presente procedimento compensatório, haja vista que, em relação ao citado período de apuração, remanesciam débitos em aberto da Contribuição para o PIS/Pasep em montante igual ou inferior ao valor do indébito informado. No presente Recurso, reafirmou a Recorrente que a causa da não homologação da compensação declarada fora a não localização do crédito informado na DComp em apreço, em face do não processamento do último Redarf e a consequente manutenção do alegado pagamento indevido vinculado ao CNPJ nº 55.121.438/000110, pertencente à pessoa jurídica incorporada. Em relação aos argumentos apresentados no Acórdão recorrido, no item 16 do Recurso em apreço asseverou a Recorrente o seguinte: 16. Ora, a não homologação das compensações apresentadas em outros processos administrativos, digase de passagem, sequer poderia ser mencionada no presente Fl. 144DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 6 feito, já que em um deles o montante exigido foi recolhido e outro é objeto de discussão judicial. Com base nessa informação, ao meu ver, a Recorrente confessou a existência dos dois débitos mencionados no voto condutor do julgado recorrido, ademais, esclareceu o seguinte: a) o débito em nome da própria Recorrente, inscrito em Dívida Ativa União (DAU), no valor de R$ 168.904,87, estava em discussão judicial; e b) o débito em nome da Incorporada, no valor de R$ 77.761,55, fora recolhido. Em relação ao débito inscrito em DAU, além de não ter apresentado prova da citada ação judicial, tal fato ratifica o argumento do Órgão julgador de primeiro grau de que a Recorrente era detentora de débito maior (R$ 168.904,87) do que valor do indébito alegado (R$ 77.761,55). No que tange ao pagamento do débito da Incorporada, no valor de R$ 77.761,55, tal informação confirma a sugestão do Relator do julgado recorrido, no sentido de que tal pagamento, na verdade, tratavase da quitação do débito não compensado da Incorporada do mesmo valor. Dessa forma, resta esclarecido que o deferimento e processamento do primeiro pedido de Redarf, por meio do qual o nº do CNPJ da Recorrente (57.010.662/0001 60) fora substituído pelo nº do CNPJ da Incorporada (55.121.438/000110 (fl. 71), estava correto, o que equivale a dizer que o pagamento do valor do débito da Incorporada, realizado por meio do Darf de fl. 58, foi erroneamente recolhido com o nº do CNPJ da Recorrente. Em consequência, fica demonstrada a improcedência do novo pedido de Redarf (fl. 59), apresentado pela Recorrente, com o objetivo de restabelecer o nº do seu CNPJ para o citado pagamento. Com base nessas considerações, estou convencido de que, no caso em tela, não houve o alegado pagamento a maior ou indevido, o que confirma a inexistência do crédito utilizado pela Recorrente no presente procedimento compensatório. Por fim, alegou ainda a Recorrente que o princípio da verdade material deve se sobrepor a qualquer equívoco presente nas obrigações acessórias, não podendo meros erros de preenchimento de declaração tolher o seu direito a restituição ou compensação da quantia indevidamente paga. Discordo. No âmbito do processo administrativo fiscal, em conformidade com o princípio da estrila legalidade, o princípio da verdade material atribui primazia a busca pela verdade substancial em detrimento da verdade formal, porém, isto não significa que a autoridade julgadora tenha de assumir ônus probatório das partes interessadas, seja da Fiscalização ou do sujeito passivo. Na verdade, a orientação determinada pelo referido princípio é no sentido de que a autoridade julgadora não deve contentarse apenas com os aspectos formais da controvérsia. Entretanto, no que tange ao dever de provar as suas alegações, tal princípio não ampara a omissão deliberada ou injustificada da parte interessada, incluindo, obviamente, o sujeito passivo, conforme expressamente determinado no § 4º1 do art. 16 do PAF, aplicável ao 1 "Art. 16. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 145DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.902417/200863 Acórdão n.º 3802001.304 S3TE02 Fl. 13 7 processo de compensação, por força do disposto no art. 74, § 112, da Lei nº 9.430, de 1996, que, em face da preclusão, veda o conhecimento da prova documental apresentada após a fase impugnatório ou de manifestação de inconformidade, caso não atendidas as ressalvas previstas nas alíneas do referido parágrafo. Além disso, em consonância com o disposto nos arts. 15 e 18 do PAF, o encargo da instrução probatória é sempre da incumbência da parte que alega o fato probando, não podendo tal atividade ser transferida para a autoridade julgadora, sob pena de desvirtuamento das regras que rege o processo administrativo fiscal. Em consequência desse regramento legal, somente quando a instrução probatório se revelar imprescindível e necessária à formação do convencimento da autoridade julgadora é que ela poderá determinar a sua produção ou complementação, de ofício ou a requerimento da parte interessada. Não se pode também olvidar que, na condição de titular do crédito compensado, o ônus de provar a certeza e liquidez do alegado crédito, na data da compensação, era da Recorrente, conforme expressamente exige o art. 170 do CTN, combinado com o disposto no § 1º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Por fim, é oportuno ressaltar que o entendimento aqui esposado não significa privilegiar o aspecto formal em detrimento da verdade material, mas em deixar expresso que a homologação da compensação prescinde da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado na compensação, o que não ocorreu no presente caso. Por essas razões, rejeito as alegações da Recorrente, para manter a não homologação da compensação em tela, por falta do crédito informado na presente DComp. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao presente Recurso, para manter na íntegra o Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos".(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997). 2 "Art. 74. Omissis. (...) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. " Fl. 146DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 8 José Fernandes do Nascimento Fl. 147DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA
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Numero do processo: 10480.722516/2009-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL
Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
PEDIDO DE PERÍCIA - INDEFERIMENTO
É de ser indeferido o pedido de perícia contábil quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo.
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - DISTRIBUIÇÃO DE PRÊMIOS - SORTEIOS VÍDEOS LOTÉRIAS
Estão sujeitos à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, os prêmios pagos no jogo de bingo e por máquinas eletrônicas de qualquer valor, não se aplicando o limite de isenção previsto no parágrafo 1° do art. 676 do RIR/1999
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - PAGAMENTO SEM CAUSA.
A incidência também alcança os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.
DA MULTA QUALIFICADA
Cabível a multa qualificada de 150%, majorada em 50%, quando estiver perfeitamente demonstrado nos autos, que o agente envolvido na prática da infração tributária conseguiu o objetivo desejado de, reiteradamente, ocultar parte do faturamento, deixando, com isto, de recolher os tributos devidos.
Rejeitar Preliminares.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 2202-002.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. PEDIDO DE PERÍCIA - INDEFERIMENTO É de ser indeferido o pedido de perícia contábil quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - DISTRIBUIÇÃO DE PRÊMIOS - SORTEIOS VÍDEOS LOTÉRIAS Estão sujeitos à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, os prêmios pagos no jogo de bingo e por máquinas eletrônicas de qualquer valor, não se aplicando o limite de isenção previsto no parágrafo 1° do art. 676 do RIR/1999 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - PAGAMENTO SEM CAUSA. A incidência também alcança os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. DA MULTA QUALIFICADA Cabível a multa qualificada de 150%, majorada em 50%, quando estiver perfeitamente demonstrado nos autos, que o agente envolvido na prática da infração tributária conseguiu o objetivo desejado de, reiteradamente, ocultar parte do faturamento, deixando, com isto, de recolher os tributos devidos. Rejeitar Preliminares. Recurso Negado.
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PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIMENTO É de ser indeferido o pedido de perícia contábil quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE DISTRIBUIÇÃO DE PRÊMIOS SORTEIOS VÍDEOS LOTÉRIAS Estão sujeitos à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, os prêmios pagos no jogo de bingo e por máquinas eletrônicas de qualquer valor, não se aplicando o limite de isenção previsto no parágrafo 1° do art. 676 do RIR/1999 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE PAGAMENTO SEM CAUSA. A incidência também alcança os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. DA MULTA QUALIFICADA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 25 16 /2 00 9- 53 Fl. 494DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Cabível a multa qualificada de 150%, majorada em 50%, quando estiver perfeitamente demonstrado nos autos, que o agente envolvido na prática da infração tributária conseguiu o objetivo desejado de, reiteradamente, ocultar parte do faturamento, deixando, com isto, de recolher os tributos devidos. Rejeitar Preliminares. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.722516/200953 Acórdão n.º 2202002.043 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor da contribuinte, FUNCHAL DIVERSÕES ELETRÔNICAS LTDA, foi lavrado auto de infração do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF (fls. 02 a 07), lavrado para formalização e exigência de crédito tributário no montante de R$ 1.146.828,04 (principal, multa e juros). De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, Falta de Recolhimento de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre Pagamentos a Beneficiários não Identificados “Valor apurado conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal anexo, parte integrante deste”. Períodos de apuração: janeiro a abril de 2004; junho a outubro e dezembro de 2006; e janeiro a julho de 2007; Falta de Recolhimento de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre Pagamentos sem Causa ou de Operação Não Comprovada “Valor apurado conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal anexo, parte integrante deste”. Período de apuração: dezembro de 2004. Foi aplicada a multa qualificada de 150% Apresentouse impugnação, contrapondose, em síntese, que: 4.1. a Fiscalização identificou a falta de recolhimento do IRRF sobre (i) pagamentos a beneficiários não identificados, assim entendidos os ganhadores de prêmios em vídeo loterias, e (ii) recursos repassados a terceiros e sócios a título de empréstimos, quando não comprovada a efetividade da operação, sendo o crédito tributário lançado com fulcro no art. 674, caput e § 1o, do RIR/99, com “multa punitiva agravada de 150%”, “por entender configurados os tipos prescritos pelos incisos I e II da Lei n° 8.137/65”; 4.2. a empresa restou vinculada às operações financeiras realizadas pelas empresas integrantes do grupo econômico "Sonho Real", alvo de operação da Polícia Federal para fins de investigação da "exploração irregular de loterias e de máquinas caçaníqueis", sendo consideradas como receitas da Impugnante a movimentação junto às máquinas de videoloteria exploradas pelo grupo "Sonho Real", bem como as comissões auferidas diretamente pela Impugnante por meio da venda de bilhetes lotéricos; Fl. 496DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 4.3. Transcreve trechos do Termo de Verificação Fiscal, e diz que o mesmo não deve prosperar, por (i) ser impossível o enquadramento dos fatos na previsão do art. 674, caput, e §1º, c/c art. 61 da Lei nº 8.981/95 e (ii) não haver provas da ocorrência do ilícito penal exigido pelo art. 44 da Lei 9.430/96 para aplicação da multa qualificada; Alegações preliminares de nulidade, cerceamento de defesa e negativa de pleito de reabertura do prazo da impugnação 4.4. alega preliminar de nulidade, por cerceamento ao direito de defesa e negativa do pleito de reabertura do prazo da impugnação; 4.4.1. a fiscalização decorreu da Operação Zebra, deflagrada pela Polícia Federal em 24/08/2007, com a apreensão de diversos documentos e mídia (HD); 4.4.2. a impugnante foi notificada do conteúdo dos lançamentos em 11/12/2009, sem que, entretanto, fossemlhe devolvidos os documentos exigidos pelas autoridades lançadoras ou aqueles apreendidos pela Polícia Federal, não obstante sucessivos requerimentos dirigidos à DRF, seja para liberação seja para obtenção de fotocópia; 4.4.3. “a providência somente foi adotada em 17/12/2009, consoante o Termo de Devolução de Livros e Documentos em anexo”. Transcreve conteúdos do referido Termo, nos seguintes termos, entre outros: “... estamos procedendo nesta data a devolução dos Livros e documentos a seguir relacionados:“ e “Estamos procedendo, nesta data a entrega ao contribuinte dos documentos apreendidos na ‘Operação Zebra’, utilizados como prova nas auditorias fiscais realizadas nas empresas Sistemas Recifenses de Máquinas Ltda, Funchal Diversões Eletrônicas Ltda e MCCM Entretenimento Ltda e anexadas aos respectivos processos” 4.4.4. até 17/12/2009 não teve acesso aos documentos utilizados para os lançamentos, impossibilitandolhe de conferir e contraditar informações dos Autos de Infração, restando prejudicada sua defesa no período de 11/12/2009 a 17/12/2009; 4.4.5. pleiteou reabertura do prazo do art. 15 do Decreto 70.235/72 para impugnação para “que seu dies a quo coincidisse” com a entrega dos documentos em 17/12/2009, “o que foi negado” pela DRF/Recife, havendo cerceamento à defesa; 4.4.6. qualquer restrição ao contraditório e à ampla defesa é censurável pelas garantias constitucionais. Transcreve excertos de decisões do CARF que entende aplicáveis e conclui que, diante da demora na entrega de documentos e “em face da impossibilidade do Impugnante de, (...) entre 11.12.2009 a 17.12.2009, ter ciência dos fundamentos da exigência fiscal”, a DRJ/Recife decrete “a nulidade do processo administrativo, reabrindo o prazo para impugnação ou, (...), devolva ao Impugnante o prazo de 6 (seis) dias para apresentação de razões complementares (...)”; Fl. 497DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.722516/200953 Acórdão n.º 2202002.043 S2C2T2 Fl. 4 5 Sobre o IRRF incidente sobre os prêmios pagos pagamento a beneficiário não identificado 4.5. a base de cálculo do IRRF foram os valores da relação "Saídas de Máquinas", dos "Relatórios de Controle de Máquinas" apreendidos na Operação Zebra; 4.5.1. “concluiu a Autuação que (i) os valores relacionados nas "Entradas de Máquinas" consistiriam na receita bruta auferida pelo Impugnante, decorrente das apostas realizadas nas máquinas de vídeo bingo, e, (...) (ii) o quantitativo de que trata a planilha "Saídas de Máquinas" corresponderia aos prêmios em dinheiro (...)”; 4.5.2. alertou que os valores das "Saídas de Máquinas" não se referem apenas a prêmios em dinheiro, mas o Fisco os manteve como base de incidência do IRRF, e enquadrou os fatos no art. 674 do RIR/99 (pagamento a beneficiário não identificado), incorrendo em erro de enquadramento legal, pois “deveria (...) pautarse tãosomente (...) pelos artigos 676 e 677 do RIR/99”, além que a alíquota usada (35%) não é aplicável ao caso, que seria de 30% para pagamento de prêmios em dinheiro e 20% para prêmios em bens e serviços; 4.5.3. “Em face do (...) Parecer COSIT n° 2, de 30 de março de 2001, o jogo de bingo foi enquadrado como ‘sorteios de qualquer espécie’, estando (...) sujeito ao IR Fonte”, com base de cálculo e alíquota previstas nos arts. 676 e 677 do RIR/99; 4.5.4. “se em relação ao jogo do bingo houve (...) alguma discussão quanto a sua subsunção ao IRRF do art. 676 e 677, no que tange à vídeoloteria ou à loteria eletrônica não há qualquer dúvida quanto ao enquadramento nas citadas normas específicas”, concluindo que não cabe a base de cálculo reajustada e a alíquota do art. 674 do RIR/99; 4.5.5. nem todas as "Saídas de Máquinas" são em dinheiro, grande parte é de “apostas bem sucedidas transformadas em créditos para novos jogos nas máquinas”, assim, “variados prêmios (=saídas) são pagos por meio de bens e serviços (créditos outorgados aos apostadores bem sucedidos para novos jogos)”; 4.5.6. a base de cálculo do IRRF, valor reajustado das "SAÍDAS DE MÁQUINAS", “é bastante superior à receita (...) na mesma atividade de exploração de vídeoloteria ("ENTRADAS DE MÁQUINAS"), conforme a apuração” do “próprio Fisco”; 4.5.7. não concorda que, porque a contribuinte não identificou os ganhadores dos prêmios, o Fisco caracterize o pagamento a beneficiário não identificado (art. 674 do RIR/99), considerando como líquidos os valores pagos e reajuste a base de cálculo; 4.5.8. assim, presumiuse que a receita tributável pelo IRRF é a soma do valor líquido pago e do IRRF que deveria ter sido retido, e que as máquinas de videoloteria distribuem prêmios Fl. 498DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 superiores ao arrecadado, “fato impossível de se aceitar como verdadeiro”; 4.5.9. o pagamento de prêmio em pecúnia é pressuposto para o IRRF conforme o art. 674 do RIR/99 c/c o art. 61 da Lei 8.981/95, mas derrubada tal “presunção”, “descabe a incidência (...) pelo caput do art. 674 do RIR/99”; 4.5.10. “a falta de comprovação (...) do pagamento do prêmio em dinheiro desautoriza o reajuste da base de incidência do IRRF”, conforme a IN n° 15/2001; 4.5.11. Transcreveu art. 20 e seu §3º, da IN nº 15/2001, nos seguintes termos: “não se aplica o reajustamento da base de cálculo: I – aos prêmios distribuídos sob a forma de bens e serviços, por meio de concursos e sorteios de qualquer espécie”, e aduz que como“significativa parcela dos prêmios concedidos pelas máquinas de vídeoloteria é revertida em forma de bens e serviços, como espécie de crédito para novas apostas, não correspondendo a um pagamento em dinheiro”, descaberia o reajustamento da base de cálculo do IRRF; 4.5.12. “a tributação do IRRF sobre base ("Saídas de Máquinas") (...) superior à receita apurada ("Entradas de Máquinas"), (...) agride o princípio da capacidade contributiva” por tomar por base valor não agregado ao seu patrimônio. Cita art. 145, §1o, da Constituição Federal e transcreve excerto do RE nº 153.771/MG; 4.5.13. a base legal é inaplicável, irreal, sendo o lançamento inválido, pois; (i) deveria orientarse pelos arts. 676 e 677 do RIR/99, normas específicas aplicáveis à exploração de loterias, ocorrendo erro de enquadramento legal, ensejando anulação por incompatibilidade entre a norma e o fato tributável; (ii) a base de cálculo do IRRF não poderia ser reajustada, pois “traz presunção de (...) prêmios em pecúnia” superiores a todas as apostas em “Entradas das Máquinas”; (iii) o Fisco não admitiu “prêmios (...)de bens e serviços, com os créditos para possibilitar novas apostas”, o que afasta o IRRF do “art. 674 do RIR/99’ e não permite o reajuste da base de cálculo, conforme art. 20, § 3°, I, da IN 15/2001; (iv) “a base de incidência do IRRF eleita pela Fiscalização conflita com o princípio da capacidade contributiva”, impondo tributo sobre signo que não é de riqueza; Alegações de desconsideração da regra da isenção inscrita no art. 676, §1º, do RIR/99, e de necessidade de diligência para obtenção dos relatórios gerados pelas máquinas de vídeo loteria. 4.6. conforme art. 676, I, §1º, do RIR/99 o imposto à alíquota de 30%, só deve incidir sobre o total dos prêmios lotéricos e de sweepstake superiores a 11 centavos; Fl. 499DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.722516/200953 Acórdão n.º 2202002.043 S2C2T2 Fl. 5 7 4.6.1. no entanto, a fiscalização considerou como premiação, e base de incidência, todos os valores do Relatório “Saídas de Máquinas”, “sem discriminar, como se faz possível através da extração de relatório individualizado de cada máquina, o valor específico de cada premiação” de modo a aplicar a regra de isenção do art. 676, §1º, do RIR/99; 4.6.2. as máquinas de videoloteria exploradas pela impugnante possuem premiação de 1, 4, 100 e 1000 vezes o valor da aposta, e aceita apostas de R$ 0,10 ou R$ 0,25; 4.6.3. como “a imensa maioria das apostas” era de “R$ 0,10”, só sobre “a premiação máxima (1000 vezes o valor da aposta)” incidiria “IRRF, estando todos os demais prêmios (...) entre R$ 0,10 e R$ 10,00 (...) na faixa de isenção (...) do art. 676, §1º, do RIR/99”; 4.6.4. o mesmo raciocínio se aplica às apostas de R$ 0,25, incidindo IRRF somente em relação aos prêmios de 100 ou 1000 vezes o valor da aposta; 4.6.5. “a imensa maioria das máquinas de vídeoloteria exploradas pelo Impugnante ("SUPER BOLA"), possui 4 (quatro) faixas de premiação ("quatro cantos", "linha", "linha dupla" e "bingo") correspondentes, respectivamente, a 1, 4, 100 e 1000 vezes o valor (...) apostado, (...) R$ 0,10 (dez centavos) ou R$ 0,25 (vinte e cinco centavos)”; 4.6.6. as “máquinas de videoloteria foram objeto de Laudo Pericial do INEP (Instituto de Eletrônica de Potência do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade de Santa Catarina) e do Instituto de Criminalística do Departamento de Polícia Civil do Estado do Paraná, ambos em anexo, constando desse último que 66,2642% das jogadas são objeto de premiação, sendo 25,3274% das jogadas (16,7830% do total de jogadas) na primeira faixa de premiação (1 vez o valor da aposta); 72,4373% das jogadas (48% do total de jogadas) na segunda faixa de premiação (4 vezes o valor da aposta); 2,2238% das jogadas (1,4736% do total de jogadas) na terceira faixa de premiação (100 vezes o valor da aposta); e, finalmente, 0,0115% das jogadas (0,0076% do total de jogadas) na quarta e última faixa de premiação (1000 vezes o valor da aposta)”, sendo “patente o absurdo de submeter à tributação pelo IRRF a totalidade das premiações, quando estatisticamente verificado que tãosomente 2,2353% das apostas premiadas estariam sujeitas à incidência do mesmo, na medida em que superiores ao limite isento de R$ 11,10”; 4.6.7. “as máquinas (...) da videoloteria encontramse (i) apreendidas em poder da Polícia Federal ou (ii) armazenadas, desligadas e inoperantes, pelo Impugnante, devendo ser levada a efeito a perícia física (...), para constatar e reafirmar as conclusões (...) do ‘Laudo de Exame de Equipamento Eletrônico’ exarado pelo Instituto de Criminalística do Departamento da Polícia Civil do Estado do Paraná e (...) estabelecer, de forma Fl. 500DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 precisa, os prêmios que, nos termos dos (...) art. 676, §1º, do RIR/99, sofreriam a incidência do IRRF”; 4.6.8. “tendo em vista a omissão da autoridade lançadora de proceder à discriminação do valor dos prêmios individualmente pagos (informação de possível obtenção mediante extração de relatório das máquinas), desconsiderando, assim, a regra de isenção (...) sobre prêmios de valor inferior a R$ 11,10, depreca (...) pela (...) perícia técnica para (...): (a) discriminação completa e minuciosa dos valores dos prêmios pagos, mediante extração de relatórios das máquinas exploradas pelo Impugnante, de sorte a estabelecer, de forma precisa, as premiações passíveis de incidência do IRRF, conforme (...) art. 676, § 1o, do RIR/99”. Indica como assistente técnico, a contabilista Rosimar Pereira Soares Moura, CRC 052901–RJ; Sobre o IRRF sobre Pagamentos sem Causa/Operação Não Comprovada 4.7. Além do IRRF “sobre os prêmios conferidos por meio da exploração de vídeoloteria”, o Fisco, com base no §1o do art. 674 do RIR/99, exigiu o IRRF “sobre os empréstimos contraídos” pela empresa junto à MCCM Entretenimento Ltda e aos seus sócios; 4.7.1. como a contribuinte “não comprovou o trânsito financeiro da transação, a Autuação consideroua como operação não comprovada ou sem causa, lançando o IRRF sobre as respectivas bases, ajustadas pelo acréscimo da alíquota de 35%”; 4.7.2. “a existência do pagamento ou da entrega do recurso ao terceiro ou sócio figura como pressuposto material para ensejar a incidência do IRRF”, o que o Fisco precisaria provar, para “caso não demonstrada (...) a operação ou causa (...), considerar como pagamento a beneficiário não identificado” sujeito ao pagamento de IRRF; 4.7.4. contraditória a postura da fiscalização, considerando o caso subsumido ao §1º do art 674 do RIR/99, por não provar a entrega dos recursos aos terceiros; 4.7.5. “Se a operação é questionada justamente ante a ausência de prova da efetiva entrega do valor do empréstimo, não há como considerar que houve pagamento a beneficiário não identificado. A desconsideração fiscal da operação por não haver a circulação financeira dos valores somente permitiria a tributação por omissão de receitas, relativamente ao pretenso retorno do capital no caixa da empresa, como veio a reconhecer a própria Fiscalização ao aplicar a presunção legal preconizada pelo art. 282 do RIR/99”; 4.7.6. “Não poderia a Autuação, assim, tratar o empréstimo como dois eventos distintos, ora sujeito ao IRRF em relação aos pagamentos/entregas de recursos, ora tributado pelo IRPJ referentemente aos suprimentos de caixa fornecidos à empresa em retorno do valor do empréstimo”; Fl. 501DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.722516/200953 Acórdão n.º 2202002.043 S2C2T2 Fl. 6 9 4.7.7. “os (...) (tomadores do empréstimo) estão claramente identificados, a causa do pagamento foi determinada por meio da apresentação dos contratos de mútuo, desconhecendose apenas a efetividade da entrega dos recursos aos terceiros e sócios”; 4.7.8. “não havendo o pagamento ou a entrega do recurso (...), não há (...) incidência do IRRF”. Transcreve ementas do CARF sobre o assunto; 4.7.9. “afastada pela própria autuação a realização do pagamento em lide, não estão presentes os pressupostos (...) da incidência do IRRF na forma prescrita pelo § 1o do art. 674 c/c art. 61 da Lei n° 8.981/95 (...)” e “verificada a inidoneidade da prova da circulação financeira dos valores (...) dos empréstimos, cumpriria à Autuação tãosomente proceder à tributação dos respectivos valores por omissão de receitas”; 4.7.10. apesar de todos os argumentos apresentados nesta impugnação para esta infração, a contribuinte, posteriormente, apresentou desistência da impugnação relativamente à mesma, conforme fls. 375 e 376, e ainda relatado no item 5 adiante; Alegação de Ausência de Requisitos para a Imposição da Multa Qualificada 4.8. foi imputada a multa de 150% do art. 44, §1o, da Lei n° 9.430/96, pois, a conduta do Impugnante estaria, em tese, na hipótese do art. 71 da Lei n° 4.502/64; 4.8.1. “mister o enquadramento efetivo da conduta do contribuinte no tipo penal, caracterizandose a intenção deliberada de fraudar a Administração Tributária”; 4.8.2. “Como o crime tributário não se presume, não se dispensa dilações investigativas para fins de caracterizálo. Imprescindível, assim, a comprovação do intuito fraudulento do sujeito passivo para legitimar a qualificação da multa de ofício agravada”. Transcreve Súmula n o 14 do 1o CC, atual CARF; 4.8.3. “a falta de declaração dos valores dos prêmios e (...) de prova da entrega dos recursos relativos aos empréstimos escriturados foi suficiente para caracterizar, sem quaisquer outras investigações, a prática do crime de sonegação e (...) a imputação da penalidade agravada”; 4.8.4. “Não houve (...) a comprovação da conduta ilícita (...), limitandose” o Fisco “a assentar que o crime ocorreu em tese, conforme Termo de Verificação Fiscal”; 4.8.5. “não houve o necessário enquadramento da conduta do Impugnante, mediante fatos concretos e comprovados, nos tipos penais ventilados pelo Fisco, pelo que não se afigura correta a aplicação da penalidade qualificada”; Fl. 502DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 4.8.6. “Apenas o não cumprimento ou mesmo o cumprimento inadequado das obrigações tributárias acessórias, como a omissão em relação ao registro das referidas movimentações financeiras, não configura, isoladamente, fato suficiente para a tipificação penal”. Transcreve mais ementas do CARF, no caso, sobre multa qualificada; 4.8.7. “(...) o auto de infração (...) de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre pretensos pagamentos a terceiros beneficiários não identificados (...) tratase de valores que não transitaram pelas contas de Resultado Econômico da Empresa, não se prestando, justamente por isso, a reduzir qualquer base tributável”; 4.8.8. “se as bases descortinadas pela autoridade lançadora não tivera qualquer influência sobre a quantificação dos tributos devidos pelo Impugnante, não há se que falar em sonegação de impostos”; 4.8.9. não comprovado o “elemento subjetivo do tipo arguido (...) para (...) legitimar a (...) multa qualificada, incabível” esta, “à luz da Súmula 1a CC”; 4.8.10. apesar de afirmar que a Impugnante tinha "escrituração paralela” e “valores à margem da escrituração regular, todos os elementos necessários à quantificação do crédito tributário foram obtidos de documentos produzidos pelo Impugnante, não sendo possível descortinar (...) o intento fraudulento, (...) necessário à (...) multa qualificada”; 4.8.11. manteve escrituração regular, possibilitando ao Fisco obter todos os registros necessários à formação do crédito, “descabe a aplicação de multa agravada, posto que inexistente o intuito evidente de fraude”. Transcreve mais ementas do CARF sobre multa; 4.8.12. “a ‘escrituração paralela’ supostamente descortinada pela autoridade lançadora consistia, em verdade, na aplicação de entendimento do Impugnante de que somente seriam tributáveis os valores correspondentes ao resultado obtido da exploração das máquinas de videoloteria (diferença entre o valor das apostas e dos prêmios pagos), entendimento que, em que pese possa ser considerado equivocado, não caracteriza intuito "manifesto" de fraude, passível de ser apenado por multa qualificada”; Conclusões da impugnação 4.11. requer: “a) a (...) nulidade” por “cerceamento de defesa”, “reabrindo o prazo para impugnação ou (...)” que “devolva ao Impugnante o prazo de 6 (seis) dias para apresentação de razões complementares, de forma a garantir o direito (...) de ampla defesa”; “b) (...) diante da impossibilidade da aplicação, in casu, do IRRF na forma prescrita pelo art. 674, caput e § 1o, do RIR/99, por completa ausência de subsunção aos fatos apurados na ação fiscal (erro de enquadramento legal), e (...) verificada (...) base de incidência completamente irreal do IRRF lançado (em valor Fl. 503DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.722516/200953 Acórdão n.º 2202002.043 S2C2T2 Fl. 7 11 superior à totalidade das apostas), (...) que seja (...) integralmente anulado o lançamento”; e 4.11.1. “caso se entenda possível a reforma do auto mediante a substituição do lançamento tributário, requer (...) a revisão do lançamento, para (a) enquadrar a distribuição dos prêmios por meio de máquinas de videobingo na hipótese de incidência do IRRF de que tratam os artigos 676 e 677 do RIR/99, normas específicas que tratam da atividade de exploração de loterias, levandose em consideração tais alíquotas na composição do reajustamento da base de cálculo, na forma do art. 20 da IN SRF n° 15/2001; (b) determinar a revisão da base de incidência do IRRF sobre os prêmios concedidos pelas máquinas de videoloteria, para que seja afastado o reajustamento da base de cálculo sobre os prêmios distribuídos em forma de bens e serviços, assim considerados os créditos concedidos para novas apostas; (c) limitar o reajustamento da base de cálculo do IRRF ao valor arrecadado pelas máquinas de videobingo, assim consideradas as "Entradas de Máquinas", sob pena de se admitir a distribuição de prêmios em valores superior às apostas registradas; (d) aplicar a regra do art. 676, § 1o, do RIR/99, excluindo da incidência do IRRF os prêmio em valor inferior a R$ 11,10, de acordo com o resultado da perícia requerida; e, (e) excluir a multa qualificada, por força do entendimento sedimentado na Súmula 1a do CARF”. 5. Consta da fl. 375 do Processo, Despacho de Encaminhamento, ao SECAT/DRF/RECIFE, com data de emissão de 19/03/2010, para que se procedesse à “informação de desistência das respectivas impugnações em razão da adesão lei 11941/09”. 5.1. na fl. 376 consta petição da empresa Funchal Diversões Eletrônicas Ltda, referente ao presente Processo nº 10480722516/200953, na qual, por meio do seu representante legal, o sócio Julio Emilio Cavalcanti Paschoal Neto, CPF 501.516.81449, vem “requerer a DESISTÊNCIA PARCIAL da impugnação interposta, no que diz respeito ao IRRF (código 2932), com fato gerador em 31/12/2004, no valor principal de R$ 69.295,24 pertinente a pagamento considerado “sem causa”. Declara, ainda e por fim, que renuncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam a referida impugnação e que o crédito tributário objeto da autuação será recolhido nas condições previstas na Lei nº 11.941/2009, cuja adesão já restou deferida”. A DRJ/Recife julgou o lançamento procedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2004, 2006, 2007 Fl. 504DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 IRRF PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTO SEM CAUSA. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento), todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado e os pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2006, 2007 MATÉRIAS NÃO CONTESTADAS. IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA COMPROVADA. Não se instaura o contencioso sobre as matérias não expressamente contestadas. NULIDADE. HIPÓTESES NÃO VERIFICADAS. Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, nãohá que se ventilar hipótese de nulidade do lançamento. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de realização de perícia e diligência. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INTENÇÃO DE OCULTAR DO FISCO A OCORRÊNCIA DE FATO GERADOR. A conduta do contribuinte no sentido de ocultar do fisco a ocorrência do fato gerador, enseja a qualificação da multa de ofício. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE. NORMAS LEGAIS. JULGAMENTO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, não podendo decidir, em âmbito administrativo, pela inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis ou atos normativos validamente editados. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.722516/200953 Acórdão n.º 2202002.043 S2C2T2 Fl. 8 13 A extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito a contribuinte interpõe recurso voluntário reiterando as razões da impugnação. Indica que o lançamento se pautou em duas situações: a primeira, pagamento de prêmios a apostadores em máquinas de videoloteria, entendendo a autoridade lançadora que havia obrigatoriedade de identificação dos ganhadores e a retenção do impostos de renda na fonte;. Alega cerceamento do direito de defesa e exige a anulação do processo e restabelecimento do prazo de impugnação, uma vez que não teria acesso a documentos que teriam sido retidos pela Policia Federal; Indica que lhe estaria prejudicada a defesa tendo em vista que só teve acesso a documentação após o início de prazo de impugnação, o que limitaria a sua defesa. Do cerceamento do direito de defesa por indeferimento do pedido de pericia, uma vez que teria apresentado laudos indicando que tão somentr 2,2353% das apostas estariam sujeitas a incidência do mesmo. Do IRRF incidente sobre os prêmios pagos – pagamento a beneficiário não identificado. Alega que nunca poderia a autoridade lançadora simplesmente ter considerado todo o movimento de “Saída de Máquinas” como prêmios entregues em dinheiro, sujeitando o fato à hipótese de incidência prescrita pelo artigo 674 do Regulamento, vez que o pagamento de prêmios lotéricos tem regra de incidência específica do IRRF. No caso em análise pelo fato de não ter sido identificados os ganhadores dos prêmios, a autuação caracterizou a hipótese de pagamentos a beneficiário não identificado (art. 674 do RIR) considerando como líquidos os valores pagos e procedendo o reajuste da base de cálculo do IRRF. Presumiu que a receita tributável é o valor líquido pago ao apostados mais a quantia que deveria ter sido recolhida de IRRF. Nesse caso surge a impossibilidade pois as máquinas de videoloteria distribuem prêmios em valores superiores ao que efetivamente arrecadam a autuação deixou de admitir a existência de prêmios distribuídos na forma de bens e serviços, como os créditos para possibilitar novas apostas Fl. 506DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 Da desconsideração da regra de isenção no art. 676, § 1 do RIR/99, da necessidade de diligência para obtenção de relatório gerados pelas máquinas de vídeoloteria;. Da ausência de requisitos para imposição da multa qualificada. No entendimento da autoridade lançadora a falta de declaração dos valores dos prêmios e a falta de prova relativo aos empréstimos escriturados foi o suficiente, no entendimento da autoridade lançadora para caracterizar, a qualificação da multa. É o relatório. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.722516/200953 Acórdão n.º 2202002.043 S2C2T2 Fl. 9 15 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Da Preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa Constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias e no correspondente Relatório de Procedimento Fiscal, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu o seu direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. As razões para não se aceitar os argumentos do recorrente estão claramente demonstrados tanto no Termo de Verificação do Auto de Infração como na Decisão recorrida. Entendo que não procede a alegação de que a defesa teria sido prejudicada. Uma vez que isso não impediu que o contribuinte apresentase ampla defesa suscitando vários pontos. Do Pedido de Pericia É de ser indeferido o pedido de perícia quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo. Dos Pagamentos a Beneficiários não Identificados A infração apontada se refere ao art. 674 do RIR. Art.674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei 8.981, de 1995, art. 61). §1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei 8.981, de 1995, art. 61, §1º). §2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei 8.981, de 1995, art. 61, §2º). §3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei 8.981, de 1995, art. 61, §3º). Entendo que não seria o caso de ser aplicado o artigo 676 do RIR Fl. 508DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 Art.676. Estão sujeitos à incidência do imposto, à alíquota de trinta por cento, exclusivamente na fonte: I os lucros decorrentes de prêmios em dinheiro obtidos em loterias, inclusive as instantâneas, mesmo as de finalidade assistencial, ainda que exploradas diretamente pelo Estado, concursos desportivos em geral, compreendidos os de turfe e sorteios de qualquer espécie, exclusive os de antecipação nos títulos de capitalização e os de amortização e resgate das ações das sociedades anônimas ( Lei 4.506, de 1964, art. 14); II os prêmios em concursos de prognósticos desportivos, seja qual for o valor do rateio atribuído a cada ganhador (Decreto Lei 1.493, de 7 de dezembro de 1976, art. 10). §1º O imposto de que trata o inciso I incidirá sobre o total dos prêmios lotéricos e de sweepstake superiores a onze reais e dez centavos, devendo a Secretaria da Receita Federal pronunciar se sobre o cálculo desse imposto (DecretoLei 204, de 27 de fevereiro de 1967, art. 5º, §§1ºe 2º, e Lei 5.971, de 11 de dezembro de 1973, art. 21, Lei 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei 9.249, de 1995, art. 30). Os jogos de vídeo loteria se enquadram como modalidade sorteios em geral. Os lucros decorrentes de prêmios distribuídos por intermédio de jogos de bingo estariam sujeitos ao imposto de 30% (trinta por cento), mediante desconto na fonte pagadora, quando distribuídos em dinheiro, e devidamente identificados os beneficiários. Os valores dos prêmios distribuídos nas máquinas de vídeo lotéria são determinados com base na leitura de "saída", quando inexistente qualquer forma de controle específico ou de registro contábil. O sujeito passivo da obrigação tributária, na condição de responsável pela retenção e recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre a distribuição de prêmios, nas atividades de apostas em vídeo loteria , é a fonte pagadora A isenção de R$ 11,11 é aplicável apenas aos prêmios lotéricos (Loteria Federal) e de Sweepstake (aposta em Corrida de Cavalos). Desta forma, o limite de isenção de R$ 11,11 é inaplicável no caso de prêmios em dinheiro obtidos em sorteios realizados na exploração de vídeo loterias. Da Qualificação da Multa Cabível a multa qualificada de 150%, quando estiver perfeitamente demonstrado nos autos, que o agente envolvido na prática da infração tributária conseguiu o objetivo desejado de, reiteradamente, ocultar parte do faturamento, deixando, com isto, de recolher os tributos devidos. Consoante a defesa, a qualificação da multa teria sido indevida, pois que não teria sido provada a intenção de fraudar o fisco por parte do contribuinte, “limitandose a autoridade fiscal a assentar que o crime ocorreu em tese”. A simples omissão de receita não poderia dar ensejo à qualificação, posição adotada pelo Conselho de Contribuintes (Carf), inclusive objeto da súmula nº 14 do 1º Conselho. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.722516/200953 Acórdão n.º 2202002.043 S2C2T2 Fl. 10 17 Mais uma vez, não lhe assiste razão. O não recolhimento, tampouco declaração __ sequer foram apontados os ganhadores __, do IRRF incidente sobre a totalidade dos prêmios pagos, de forma contumaz (anos de 2005 a 2007), bem assim a realização de pagamentos cujas respectivas operações não se comprovaram, em conjunto, evidenciam a intenção deliberada de ocultar do fisco a ocorrência do fato gerador do tributo, particularidade que se amolda ao art. 71 da Lei nº 4.502, de 196412, e, de consequente ao inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Como se vê nos autos, o contribuinte foi autuado sob a acusação de ação dolosa e fraudulenta caracterizada pela utilização sistemática do expediente de "escrituração paralela"; "demonstrativos identificando a sua real arrecadação e distribuição de prêmios". Ou seja, ao deixar de contabilizar propositalmente e reiteradamente a distribuição de prêmios, o contribuinte ocultou deliberadamente a sua real destinação, impedindo de forma maliciosa e ardilosa o conhecimento, por parte da Secretaria da Receita Federal, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, qual seja, o pagamento de prêmios em sorteios de vídeo loteria, ou operações não comprovada com a intenção de propiciar pagamentos a terceiros. Ante ao exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 510DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10480.914180/2009-53
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOVAÇÃO NA FUNDAMENTAÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
Acatada a preliminar de cerceamento de defesa, por supressão de instância, posto que a autoridade julgadora de primeira instância inovou em relação aos fundamentos primeiros apresentados pelo fisco sem que a Requerente tenha sido cientificada dos mesmos e oportunizada sua manifestação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-001.696
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, anular a Decisão da DRJ nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso e o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl que dava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luiz Bordignon - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
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INOVAÇÃO NA FUNDAMENTAÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Acatada a preliminar de cerceamento de defesa, por supressão de instância, posto que a autoridade julgadora de primeira instância inovou em relação aos fundamentos primeiros apresentados pelo fisco sem que a Requerente tenha sido cientificada dos mesmos e oportunizada sua manifestação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, anular a Decisão da DRJ nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso e o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl que dava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 41 80 /2 00 9- 53 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914180/200953 Acórdão n.º 3801001.696 S3TE01 Fl. 92 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Tratase de manifestação de inconformidade protocolizada em 12/11/2009, em face do Despacho proferido eletronicamente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife/PE DRF/REC/PE, mediante o qual foi indeferido/nãohomologada Pedido Eletrônico de Restituição/ Declaração de Compensação (PER/DCOMP. . 2. Consoante se verifica às fls. 01/04 , a contribuinte, através de sobredito PER/DCOMP, declarou a compensação do débito descrito em sua página com conjecturado crédito, no montante originário de R$ 90.082,44, que seria derivado de pagamento indevido a título da COFINS, código de receita: 2172, do período de apuração de novembro de 2000, efetuado aos 15/12/2000. 3. Inferese, do Despacho Decisório de fl.05, que, com fundamento nos arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN) e, ainda, no art. 74, da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, não foi reconhecido o direito creditório pleiteado e, por decorrência, foi não homologada a compensação no qual o pretenso crédito foi utilizado – pois o pagamento vinculado ao suposto indébito foi totalmente aproveitado para a extinção do débito de COFINS do período de apuração de novembro de 2000 . 4. O sujeito passivo, cientificado de enfocado Despacho Decisório aos 21/10/2009 (vide aviso de recebimento de fl.41), interpôs a mencionada manifestação de inconformidade, na qual alega possuir créditos pautados em decisão judicial favorável à Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Pernambuco OAB/PE (à qual a empresa seria (sic) sindicalizada), garantidora da isenção do pagamento da COFINS às empresas exclusivamente prestadoras de serviços relativos a profissões legalmente regulamentadas, motivo por que teria direito ao reconhecimento do indébito do pagamento da COFINS tratado nos correntes autos e, conseqüentemente, à homologação das compensações realizadas por intermédio do PER/DCOMP aqui examinado. 5. Sustenta a recorrente, ainda, que, de acordo com informações colhidas junto ao Centro de Atendimento ao Contribuinte CAC da DRF/REC/PE, a conclusão atingida pelo Despacho Decisório censurado se deveria à nãoretificação, para o novo valor apurado, da respectiva Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) circunstância que, na visão da defendente, não anularia a existência do pretendido crédito. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 6. Á manifestação de inconformidade, o sujeito passivo anexou, dentre outros documentos, cópia de acórdão proferido pelo E. Tribunal Regional Federal da 5ª Região TRF/5ª Região (fls. 22/37) e de certidão de trânsito em julgado (fl.38). 7. Este julgador juntou aos presentes autos os seguintes documentos: (i) extrato de consulta processual junto ao sítio do TRF/5ª Região à Ação Rescisória tombada sob o n° 2006.05.00.0442426 e ementas dos acórdãos proferidos naquela ação aos 23/11/2007, 27/02/2008 e 16/06/2010 (fls.42/53 ); e (ii) extrato de consulta processual junto ao sítio do Supremo Tribunal Federal STF à Reclamação etiquetada sob o n° 6.917/PE e decisão monocrática nela proferida aos 09/12/2008 pelo Exmo. Ministro Joaquim Barbosa (fls.54/57). A Delegacia de Julgamento em Recife (PE) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/11 /2000 a 30/11/2000 SOCIEDADE CIVIL. COFINS. ISENÇÃO RECONHECIDA POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. SUBSEQÜENTE POSICIONAMENTO DIVERSO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. TITULO JUDICIAL. INEXIGIBILIDADE. É inexigível o título judicial, consubstanciado em decisão judicial transitada em julgado que reconhece direito à isenção do pagamento da COFINS a sociedades civis prestadoras de serviços relacionados a profissão legalmente regulamentada, quando sobrevindo a respeito posicionamento diverso consolidado junto ao Supremo Tribunal Federal, especialmente quando a eficácia da decisão judicial transitada em julgado haja sido desconstituída em ação rescisória. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO FUNDADO EM TÍTULO JUDICIAL INEXIGÍVEL. NÃOHOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. PROCEDÊNCIA. É procedente o Despacho Decisório que não homologa compensações em que é utilizado suposto direito creditório fundado em titulo judicial inexigível, por inexistir crédito líquido e certo a ser compensado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 68 a 73, aduzindo, em síntese. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914180/200953 Acórdão n.º 3801001.696 S3TE01 Fl. 93 5 A decisão da DRF/Recife considerou não homologadas as compensações com base no fato de que os DARF’s aos quais estavam vinculados os créditos estavam totalmente utilizados. A Recorrente baseou sua manifestação de inconformidade em argumentos e fatos que tentavam ilidir a decisão da DRF/Recife, buscando demonstrar a existência dos créditos tributários em favor da empresa. Em sede de julgamento por parte da DRJ/Recife não está ocorrendo apenas a revisão proferida pela DRF/Recife, mas sim uma inovação completa do conteúdo do indeferimento inicial das compensações, que agora sustentase na apresentação das DCOMP antes do trânsito em julgado da ação, sem que tenha sido oportunizado à empresa a possibilidade de apresentar defesa sobre o assunto. Toda a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. A decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/Recife, por ter cerceado o direito de defesa da empresa, ao inovar juridicamente nos argumentos sem prévia comunicação e abertura de prazo para alegações da empresa sobre novos fatos e informações apresentados ao processo, merece reparos. A argumentação da DRJ/Recife não condiz com a realidade dos fatos. Em seu item 19, a decisão da DRJ/Recife informa que não seria possível a utilização dos créditos para compensação em razão de existir liminar em sede de Reclamação suspendendo os efeitos da decisão que garantia aos filiados à OAB/PE o direito de isenção de COFINS. A decisão judicial em Mandado de Segurança que concedeu o benefício de isenção da COFINS já havia sido encerrada e reconhecido o direito. Apenas em sede de ação rescisória foi reanalisada a questão, na qual o TRF da 5ª Região decidiu por conceder parcial provimento à rescisória a fim de conceder efeitos ex nunc à decisão, ou seja, a rescisão da decisão que concedia o benefício isenção da COFINS somente surtiria efeitos para frente, não abrangendo os fatos pretéritos. Apenas contra esta decisão do TRF foi que concedeuse a liminar do Ministro Joaquim Barbosa do STF, suspendendo a modulação dos efeitos da decisão da rescisória. A liminar é decisão precária e não anulou os efeitos do decidido na ação rescisória. Seus efeitos estão apenas suspensos, aguardando um pronunciamento do órgão colegiado do STF quanto à manutenção ou não da liminar. DO PEDIDO: De todo o exposto e demonstrado nesta, restando provada a existência dos créditos relativos a pagamentos indevidos de COFINS e que a decisão proferida pela DRJ/Recife está em dissonância com a realidade dos fatos, requer que seja processado Fl. 95DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 regularmente o presente Recurso Voluntário, na forma do Decreto nº 70.235/72, de acordo com os mandamentos do art. 74, da Lei nº 9.430/96 e, ao final, julgado integralmente procedente para, reformando as decisões proferidas pela DRF/Recife e DRJ/Recife, reconhecer o direito de crédito da empresa relativo aos pagamentos indevidos, realizados a título de Cofins e, consequentemente, homologar a compensação realizada no PER/DCOMP relacionado a esse processo que utilizaram tais créditos. É o relatório. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914180/200953 Acórdão n.º 3801001.696 S3TE01 Fl. 94 7 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Conforme já relatado, a Requerente teve seu pedido de compensação indeferido em razão do pagamento ter sido integralmente utilizado na quitação do débito declarado em DCTF, não restando saldo disponível a ser aproveitado para compensar com débitos informados no PerDcomp. Em sua Manifestação de Inconformidade, aduz a empresa que estava isenta do pagamento da contribuição para a COFINS na forma do decidido judicialmente, portanto todos os pagamentos realizados a tal título tornaramse indevidos consoante disposição do art. 165, I, do CTN. A Autoridade Julgadora de Primeira Instância, com fulcro no art. 741, II e parágrafo único do Código de Processo Civil, abaixo colacionado, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão da DRF/Recife, sob o fundamento de que é inexigível o título judicial, consubstanciado em decisão judicial transitada em julgado, quando sobrevindo a respeito posicionamento diverso consolidado junto ao Supremo Tribunal Federal. Art. 741. Na execução contra a Fazenda Pública, os embargos só poderão versar sobre: [...] II inexigibilidade do título; [...] Parágrafo único. Para efeito do disposto no inciso II do caput deste artigo, considerase também inexigível o título judicial fundado em lei ou ato normativo declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou interpretação da lei ou ato normativo tidas pelo Supremo Tribunal Federal como incompatíveis com a Constituição Federal. Por seu turno, a Recorrente se contrapõe aos fundamentos da DRJ/Recife, pontuando duas questões, a saber: Cerceamento de defesa em razão da inovação perpetrada pela DRJ/Recife que inovou o conteúdo do indeferimento inicial das compensações sem prévia comunicação e abertura de prazo para alegações da empresa sobre os novos fatos e alegações apresentadas ao processo. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 8 A decisão judicial em Mandado de Segurança que concedeu o benefício de isenção da Cofins já havia sido encerrada e reconhecido o direito. Apenas em sede de ação rescisória foi reanalisada a questão, na qual o TRF da 5ª Região decidiu dar parcial provimento à rescisória a fim de conceder efeitos exnunc a decisão e que apenas contra esta decisão do TRF foi proferida a liminar do Ministro Joaquim Barbosa do STF, suspendendo a modulação dos efeitos da decisão da rescisória. I Da preliminar de nulidade por cerceamento de defesa. Protesta a Requerente pela ocorrência de cerceamento de defesa em razão de inovação no conteúdo do indeferimento inicial, consubstanciado na ausência de comunicação prévia dos documentos acostados aos autos e abertura de prazo para manifestação. Passemos à análise do arguido. Da análise dos autos, constatase que foram juntados os documentos de fls. 42 a 57, conforme informação de fls. 58, abaixo colacionada: 7. Este julgador juntou aos presentes autos os seguintes documentos: (i) extrato de consulta processual junto ao sítio do TRF/ 5ª Região à Ação Rescisória tombada sob o n° 2006.05.00.0442426 e ementas dos acórdãos proferidos naquela ação aos 23/11/2007, 27/02/2008 e 16/06/2010 (fls.42/53 ); e (ii) extrato de consulta processual junto ao sítio do Supremo Tribunal Federal STF à Reclamação etiquetada sob o n° 6.917/PE e decisão monocrática nela proferida aos 09/12/2008 pelo Exmo. Ministro Joaquim Barbosa (fls. 54/57). Importante registrar que a juntada dos referidos documentos ocorreu após a apresentação da manifestação de inconformidade pelo Contribuinte. Também, que não há impedimento legal para a juntada de novos documentos pela autoridade administrativa/julgadora, todavia o que não é permitido é inovar em relação aos fundamentos primeiros apresentados pelo fisco sem que a Requerente tenha sido cientificada dos mesmos e oportunizada sua manifestação. No caso presente, além do Contribuinte não ter sido cientificado da juntada de novos elementos ao processo, a razão de decidir estampada no acórdão se deu com fundamento nos novos documentos. Convém aclarar que, nos casos em que a autoridade administrativa/julgadora carrear aos autos documentos após a apresentação da peça impugnatória, é essencial que o contribuinte seja cientificado e aberto prazo para manifestação, se desejar, só assim estará garantido o pleno exercício de seu direito a ampla defesa e ao contraditório, postulados gravados na Constituição Federal e no Processo Administrativo Fiscal. Não obstante, a manifestação de inconformidade é ato que faz nascer o contencioso, repercutindo na mudança do procedimento administrativo preparatório para o de julgamento, comportando ao contribuinte as garantias relativas ao devido processo legal. Resta claro que o Despacho Decisório emanado pela DRF/Recife teve como fundamento a insuficiência de saldo disponível para procederse a compensação, enquanto que Fl. 98DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914180/200953 Acórdão n.º 3801001.696 S3TE01 Fl. 95 9 a decisão da DRJ/Recife alicerçou –se nos efeitos das decisões judiciais prolatadas nos processos (i) AMS nº 80558/PE (2001.83.00.145250); (ii) Ação Rescisória nº 5471/PE (2006.05.00.0442426) e (iii) RCL/6917 – STF – Reclamação. O que não se pode, agora, em segunda instância administrativa de julgamento, é analisar fatos e documentos que não constavam da lide inicial, sob pena de afrontar garantias e princípios processuais, como por exemplo, o do duplo grau de jurisdição. É fato que a Recorrente tem o direito de participação no processo administrativo em relação a todo e qualquer ato ou documento juntado, sendo que a falta de comunicação acarreta cerceamento de defesa pela ausência de contraditório. Desse modo, as normas reguladoras do processo administrativo fiscal outorgam ao contribuinte o direito de ter a matéria litigiosa, seus fundamentos, argumentos e provas analisados pelas duas instâncias administrativas de julgamento, sem o que teríamos como conseqüência a supressão de uma delas. Desse modo, diante das razões acima expostas, encaminho meu voto no sentido de julgar procedente o recurso voluntário para declarar NULA a decisão da DRJ/Recife, como também todos os atos praticados posteriormente à referida decisão, posto que esta inovou em relação aos fundamentos primeiros apresentados pelo fisco sem que a Requerente tenha sido cientificada dos mesmos e oportunizada sua manifestação. A partir de então, deve o processo retornar à Unidade de Origem para: 1. Cientificar o contribuinte dessa decisão; 2. Cientificar o contribuinte dos documentos de fls. 42 a 57, juntados pela DRJ/Recife; 3. Abrir prazo para manifestação, se assim desejar; 4. Aplicar o rito do PAF. É como voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 99DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10467.902153/2009-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.496
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, converterem o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Luis Carlos Shimoyama (Suplente).
RELATÓRIO
Com o objetivo de elucidar os fatos ocorridos até a propositura deste recurso voluntário, reproduzo o relatório da decisão vergastada, verbis:
Trata o presente processo de Pedido Restituição e Declaração de Compensação PER/DCOMP- nº 21053.66235.131205.1.3.04-9720, de fls.01/04, com os seguintes créditos e débitos, respectivamente: COFINS: Data de Arrecadação: 15/03/2004. PIS/Pasep e COFINS - Período de Apuração: dezembro de 2005.
2. O pleito foi indeferido pelo Despacho Decisório Eletrônico de fl.05, do Delegado da Receita Federal do Brasil em João Pessoa -PB com base nas seguintes constatações, in verbis:
Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no Per/Dcomp: R$ 798,93.
A partir das características do darf discriminado no Per/dcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação dos débitos informados no Per/Dcomp.
3. Cientificada de tal negativa na data de 01/06/2009, a contribuinte apresentou em 26/06/2009 a manifestação de inconformidade de fl.07/08, na qual alega:
3.1. que, de acordo com o art.3º § 2º, da Lei nº 10.485 de 03 de julho de 2002, ficaram reduzidas a zero por cento as alíquotas da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista com as vendas dos produtos de que trata o inciso I- caput, do referido artigo;
3.2.sendo assim, por ser comerciante varejista de peças de veículos relacionados nos anexos I e II da Lei supracitada, entende que tem direito à tal redução;
3.3. em levantamento realizado nas saídas de mercadorias, foi verificado que no ano calendário de 2004, o pagamento de 3% da Cofins teve como base de cálculo a receita bruta mensal, daí o valor da Cofins recolhido a maior, conforme levantamento ora demonstrado (planilha que compõe a manifestação de conformidade);
3.4.desta forma, o pagamento da Cofins referente ao mês de fevereiro de 2004 realizado em 15/03/2004, correspondente a R$ 956,88 é superior ao realmente devido que corresponde a R$ 157,95, havendo um pagamento a maior de R$ 798,93;
3.5. informa que pelas razões ora apresentadas procedeu em 06/06/2009 à retificação da DIPJ do exercício de 2005, ano-calendário de 2004(Ficha 26- A) e da DCTF informando a Cofins devida no valor de R$ 157,95
3.6. solicita, em face do exposto, que seja considerada a compensação declarada no Per/Dcomp de nº 21053.66235.131205.1.3.04-9720;
3.7.junta cópia dos recibos da DCTF retificadora correspondentes ao 1º trimestre de 2004.
4. Foram juntadas aos presentes autos por esta julgadora a seguinte duas DCTF apresentadas pela contribuinte relativas ao mês de fevereiro de 2004, datadas 12/05/2004 e 05/06/2009.
A 2ª Turma da DRJ Recife (PE) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 11-33220, de 24 de março de 2011, cuja ementa abaixo transcrevo:
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao sujeito passivo o ônus da prova relativo a direito creditório pleiteado em Pedido Eletrônico de Restituição.
DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. ÔNUS DA PROVA. Eventuais erros de preenchimento na DCTF devem ser comprovados pela recorrente, uma vez que esta detém todos os elementos necessários, ou seja, a escrituração contábil e os documentos que lhe dão sustentação.
COMPENSAÇÃO. INDÉBITO INCOMPROVADO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. PROCEDÊNCIA. Procede o despacho decisório que não-homologa a compensação de débitos com suposto direito creditório incomprovado pelo sujeito passivo.
Diante da decisão proferida pela primeira instância administrativa, apresentou recurso voluntário onde alega, em breve síntese, que:
A empresa atua no ramo de comércio de peças e acessórios para veículos, logicamente obrigada a efetuar compras aos fornecedores dos produtos de autopeças e próprios para máquinas e veículos autopropulsados, ambos no anexo I e II da Lei nº 10.485 de 03/07/2002, art. 3º, bem como direito ao PIS/Cofins reduzido a 0% as alíquotas, relativamente à receita bruta auferidas dos mesmos produtos;
No direito de deduzir no seu faturamento as vendas de produtos tributados pela alíquota zero, a empresa apresentou na época, retificadora das DCTF e DIPJ, porque recolheu a maior a Cofins do mês de 02/2004. Dentro da possibilidade de provas necessárias e com a finalidade de convencer as autoridade julgadoras, anexamos cópias das notas fiscais de aquisição porque nelas se verificam mercadorias adquiridas com classificações fiscais para o PIS e Cofins.
Termina seu recurso requerendo a procedência total de seu pedido, baseado nas razões recursais apresentadas.
É o relatório.
VOTO
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
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O pleito foi indeferido pelo Despacho Decisório Eletrônico de fl.05, do Delegado da Receita Federal do Brasil em João Pessoa -PB com base nas seguintes constatações, in verbis: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no Per/Dcomp: R$ 798,93. A partir das características do darf discriminado no Per/dcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação dos débitos informados no Per/Dcomp. 3. Cientificada de tal negativa na data de 01/06/2009, a contribuinte apresentou em 26/06/2009 a manifestação de inconformidade de fl.07/08, na qual alega: 3.1. que, de acordo com o art.3º § 2º, da Lei nº 10.485 de 03 de julho de 2002, ficaram reduzidas a zero por cento as alíquotas da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista com as vendas dos produtos de que trata o inciso I- caput, do referido artigo; 3.2.sendo assim, por ser comerciante varejista de peças de veículos relacionados nos anexos I e II da Lei supracitada, entende que tem direito à tal redução; 3.3. em levantamento realizado nas saídas de mercadorias, foi verificado que no ano calendário de 2004, o pagamento de 3% da Cofins teve como base de cálculo a receita bruta mensal, daí o valor da Cofins recolhido a maior, conforme levantamento ora demonstrado (planilha que compõe a manifestação de conformidade); 3.4.desta forma, o pagamento da Cofins referente ao mês de fevereiro de 2004 realizado em 15/03/2004, correspondente a R$ 956,88 é superior ao realmente devido que corresponde a R$ 157,95, havendo um pagamento a maior de R$ 798,93; 3.5. informa que pelas razões ora apresentadas procedeu em 06/06/2009 à retificação da DIPJ do exercício de 2005, ano-calendário de 2004(Ficha 26- A) e da DCTF informando a Cofins devida no valor de R$ 157,95 3.6. solicita, em face do exposto, que seja considerada a compensação declarada no Per/Dcomp de nº 21053.66235.131205.1.3.04-9720; 3.7.junta cópia dos recibos da DCTF retificadora correspondentes ao 1º trimestre de 2004. 4. Foram juntadas aos presentes autos por esta julgadora a seguinte duas DCTF apresentadas pela contribuinte relativas ao mês de fevereiro de 2004, datadas 12/05/2004 e 05/06/2009. A 2ª Turma da DRJ Recife (PE) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 11-33220, de 24 de março de 2011, cuja ementa abaixo transcrevo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao sujeito passivo o ônus da prova relativo a direito creditório pleiteado em Pedido Eletrônico de Restituição. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. ÔNUS DA PROVA. Eventuais erros de preenchimento na DCTF devem ser comprovados pela recorrente, uma vez que esta detém todos os elementos necessários, ou seja, a escrituração contábil e os documentos que lhe dão sustentação. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO INCOMPROVADO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. PROCEDÊNCIA. Procede o despacho decisório que não-homologa a compensação de débitos com suposto direito creditório incomprovado pelo sujeito passivo. Diante da decisão proferida pela primeira instância administrativa, apresentou recurso voluntário onde alega, em breve síntese, que: A empresa atua no ramo de comércio de peças e acessórios para veículos, logicamente obrigada a efetuar compras aos fornecedores dos produtos de autopeças e próprios para máquinas e veículos autopropulsados, ambos no anexo I e II da Lei nº 10.485 de 03/07/2002, art. 3º, bem como direito ao PIS/Cofins reduzido a 0% as alíquotas, relativamente à receita bruta auferidas dos mesmos produtos; No direito de deduzir no seu faturamento as vendas de produtos tributados pela alíquota zero, a empresa apresentou na época, retificadora das DCTF e DIPJ, porque recolheu a maior a Cofins do mês de 02/2004. Dentro da possibilidade de provas necessárias e com a finalidade de convencer as autoridade julgadoras, anexamos cópias das notas fiscais de aquisição porque nelas se verificam mercadorias adquiridas com classificações fiscais para o PIS e Cofins. Termina seu recurso requerendo a procedência total de seu pedido, baseado nas razões recursais apresentadas. É o relatório. VOTO
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(assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Luis Carlos Shimoyama (Suplente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 67 .9 02 15 3/ 20 09 -1 4 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10467.902153/200914 Resolução nº 3402000.496 S3C4T2 Fl. 101 2 RELATÓRIO Com o objetivo de elucidar os fatos ocorridos até a propositura deste recurso voluntário, reproduzo o relatório da decisão vergastada, verbis: Trata o presente processo de Pedido Restituição e Declaração de Compensação – PER/DCOMP nº 21053.66235.131205.1.3.049720, de fls.01/04, com os seguintes créditos e débitos, respectivamente: COFINS: Data de Arrecadação: 15/03/2004. PIS/Pasep e COFINS Período de Apuração: dezembro de 2005. 2. O pleito foi indeferido pelo Despacho Decisório Eletrônico de fl.05, do Delegado da Receita Federal do Brasil em João Pessoa PB com base nas seguintes constatações, in verbis: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no Per/Dcomp: R$ 798,93. A partir das características do darf discriminado no Per/dcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação dos débitos informados no Per/Dcomp.” 3. Cientificada de tal negativa na data de 01/06/2009, a contribuinte apresentou em 26/06/2009 a manifestação de inconformidade de fl.07/08, na qual alega: 3.1. que, de acordo com o art.3º § 2º, da Lei nº 10.485 de 03 de julho de 2002, ficaram reduzidas a zero por cento as alíquotas da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista com as vendas dos produtos de que trata o inciso I caput, do referido artigo; 3.2.sendo assim, por ser comerciante varejista de peças de veículos relacionados nos anexos I e II da Lei supracitada, entende que tem direito à tal redução; 3.3. em levantamento realizado nas saídas de mercadorias, foi verificado que no ano calendário de 2004, o pagamento de 3% da Cofins teve como base de cálculo a receita bruta mensal, daí o valor da Cofins recolhido a maior, conforme levantamento ora demonstrado (planilha que compõe a manifestação de conformidade); 3.4.desta forma, o pagamento da Cofins referente ao mês de fevereiro de 2004 realizado em 15/03/2004, correspondente a R$ 956,88 é superior ao realmente devido que corresponde a R$ 157,95, havendo um pagamento a maior de R$ 798,93; 3.5. informa que pelas razões ora apresentadas procedeu em 06/06/2009 à retificação da DIPJ do exercício de 2005, anocalendário de 2004(Ficha 26 A) e da DCTF informando a Cofins devida no valor de R$ 157,95 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10467.902153/200914 Resolução nº 3402000.496 S3C4T2 Fl. 102 3 3.6. solicita, em face do exposto, que seja considerada a compensação declarada no Per/Dcomp de nº 21053.66235.131205.1.3.049720; 3.7.junta cópia dos recibos da DCTF retificadora correspondentes ao 1º trimestre de 2004. 4. Foram juntadas aos presentes autos por esta julgadora a seguinte duas DCTF apresentadas pela contribuinte relativas ao mês de fevereiro de 2004, datadas 12/05/2004 e 05/06/2009. A 2ª Turma da DRJ Recife (PE) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 1133220, de 24 de março de 2011, cuja ementa abaixo transcrevo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao sujeito passivo o ônus da prova relativo a direito creditório pleiteado em Pedido Eletrônico de Restituição. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. ÔNUS DA PROVA. Eventuais erros de preenchimento na DCTF devem ser comprovados pela recorrente, uma vez que esta detém todos os elementos necessários, ou seja, a escrituração contábil e os documentos que lhe dão sustentação. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO INCOMPROVADO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. PROCEDÊNCIA. Procede o despacho decisório que nãohomologa a compensação de débitos com suposto direito creditório incomprovado pelo sujeito passivo. Diante da decisão proferida pela primeira instância administrativa, apresentou recurso voluntário onde alega, em breve síntese, que: 1) A empresa atua no ramo de comércio de peças e acessórios para veículos, logicamente obrigada a efetuar compras aos fornecedores dos produtos de autopeças e próprios para máquinas e veículos autopropulsados, ambos no anexo I e II da Lei nº 10.485 de 03/07/2002, art. 3º, bem como direito ao PIS/Cofins reduzido a 0% as alíquotas, relativamente à receita bruta auferidas dos mesmos produtos; 2) No direito de deduzir no seu faturamento as vendas de produtos tributados pela alíquota zero, a empresa apresentou na época, retificadora das DCTF e DIPJ, porque recolheu a maior a Cofins do mês de 02/2004. Dentro da possibilidade de provas necessárias e com a finalidade de convencer as autoridade julgadoras, anexamos cópias das notas fiscais de aquisição porque nelas se verificam mercadorias adquiridas com classificações fiscais para o PIS e Cofins. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10467.902153/200914 Resolução nº 3402000.496 S3C4T2 Fl. 103 4 Termina seu recurso requerendo a procedência total de seu pedido, baseado nas razões recursais apresentadas. É o relatório. VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar. Como dito alhures, o contribuinte não foi intimado pela unidade preparadora para prestar informações jurídicas acerca do crédito requisitado. Foi exarado um despacho decisório que se restringiu a afirmar, sem análises jurídicas, que foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A Delegacia da Receita Federal do Brasil do domicílio fiscal do recorrente deveria ter intimado o contribuinte para apresentar as razões de seu pedido. Não se pode aceitar que seja proferida uma decisão sobre um direito potestativo, baseado apenas em batimento entre comprovante de recolhimento e a DCTF apresentada. A análise tem que passar, necessariamente, pela verdadeira causa de pedir do requisitante, nunca por um batimento eletrônico. A falta de intimação e de uma crítica aos verdadeiros fundamentos jurídicos que poderiam sustentar o pedido do contribuinte, ocasiona o cerceamento do direito de defesa. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega incansavelmente que seu direito deriva de sua atividade societária, comerciante de autopeças, cuja Lei nº 10.485/2002 reduziu a zero a alíquota a ser aplicada na receita bruta auferida na venda destes produtos. E, equivocadamente, efetuou os cálculos do PIS e da Cofins sem excluir as vendas destes produtos. Fato que elevou o valor devido das exações. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade do recorrente por falta de provas suficientes para demonstrar o indébito apontado. No recurso voluntário, foram repisados todos os argumentos antes expostos, com a juntada aos autos de cópias digitalizadas de diversas notas fiscais que podem provar suas insistentes alegações. Entendo que esses novos documentos acostados ao processo necessitam de uma analise aprofundada e do cotejo com os livros fiscais, para uma justa verificação do direito alegado pelo recorrente tanto na manifestação de inconformidade como no recurso voluntário. Neste contexto, converto o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem analise os documentos acostados aos autos quando da propositura do recurso Fl. 115DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10467.902153/200914 Resolução nº 3402000.496 S3C4T2 Fl. 104 5 voluntário e produza um relatório conclusivo sobre a composição das bases de cálculo das exações, observando em especial as operações com produtos com a alíquota zero. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência ao contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. Após todos os procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. Sala das Sessões, em 28/11/2012 GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Fl. 116DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10840.004504/2003-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1997
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
No Auto de Infração (fls. 3) consta valor de imposto retido na fonte para o exercício de 1998, ano calendário de 1997. Em havendo pagamento antecipado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 150, § 4º do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial do ano calendário de 1997 dá-se no dia 01/01/1998 e o termo final no dia 31/12/2002.
Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 24/11/2003, portanto, após de transcorrido o prazo de cinco contados do fato, nesta data já se encontrava decaído o direito da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário relativo ao ano calendário de 1997.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire Relator
EDITADO EM: 19/11/2012
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM: 19/11/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No Auto de Infração (fls. 3) consta valor de imposto retido na fonte para o exercício de 1998, ano calendário de 1997. Em havendo pagamento antecipado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 150, § 4º do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial do ano calendário de 1997 dáse no dia 01/01/1998 e o termo final no dia 31/12/2002. Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 24/11/2003, portanto, após de transcorrido o prazo de cinco contados do fato, nesta data já se encontrava decaído o direito da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário relativo ao ano calendário de 1997. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 45 04 /2 00 3- 11 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 19/11/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n.º 194 00.104, proferido pela 4ª Turma Especial da 4ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes em 09/12/2008, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso. Segue abaixo sua ementa: “IRPF DECADÊNCIA. No imposto de renda da pessoa física, por se tratar de um tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial iniciase a partir da data da ocorrência do fato gerador, que se consolida no dia 31.12 do anocalendário, e termina depois de transcorrido o prazo de cinco anos, conforme prevê o § 4º , do art. 150, do Código Tributário Nacional. Recurso provido.” A PGFN afirma que, quanto a contagem da decadência, o acórdão ora combatido promoveu interpretação acerca do marco inicial desse prazo, apregoando, com espeque no art. 150, §4º do CTN, que tal termo deveria ser a ocorrência do fato gerador, independentemente de ter havido pagamento antecipado pelo contribuinte. Apresenta paradigmas segundo os quais, para as hipóteses de total ausência de recolhimento do tributo, incide o prazo previsto no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Seguem abaixo as suas ementas: “TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. É inconstitucional o artigo 45 da Lei nq 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante n.Q 08 do STF. TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173,1); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, Fl. 155DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10840.004504/200311 Acórdão n.º 9202002.440 CSRFT2 Fl. 3 3 ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4a) Recurso Especial do Sujeito Passivo Negado.” (AC CSRF/0203.331) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LAPSO MANIFESTO. RERATIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. “Constatada a ocorrência de erro no acórdão embargado, devem ser acolhidos os embargos interpostos para a devida retificação do julgado anterior. Deve ser acolhida a proposta de saneamento do Acórdão na 20214.058, para suprimir do voto condutor a consideração sobre a semestralidade da base de cálculo do crédito tributário remanescente (08/98 a 05/99 e 08/99, sem modificação da conclusão do acórdão, mantendose a ementa anterior: "PIS PRAZO DECADENCIAL Nos tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, havendo pagamentos, a decadência do direito de constituir o crédito tributário se rege pelo artigo 150, § 4a, do CTN, de modo que o prazo para esse efeito será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Não havendo pagamentos, configurase a situação em que a constituição do crédito tributário deverá observar o disposto no artigo 173, inciso I, do CTN, com a decadência do direito de constituir o crédito tributário pelo lançamento. (Precedentes do STJ REsp na 58.9185/RJ, REsp na 199560/SP). Recurso provido nesta parte. PIS LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA A Resolução do Senado Federal ns 49, de 09/10/95, suspendeu a execução dos DecretosLeis nu 2.445/88 e 2.449/88, em função da inconstitucionalidade reconhecida pelo STF, no julgamento do RE na 148.7542/RJ, afastandoos definitivamente do ordenamento jurídico pátrio. 2) A retirada dos referidos decretosleis do mundo jurídico produziu efeitos ex tunc, e funcionou como se nunca houvessem existido, retornandose, assim, a aplicabilidade da sistemática anterior, passando a ser aplicadas as determinações da LC n 7/70, com as modificações deliberadas pela LC n° 17/73. PARAGRAFO ÚNICO DO ART. 6o DA LEI COMPLEMENTAR N° 7/70 A norma do parágrafo único do art. 6a da LC na 7/70 determina a incidência da contribuição sobre o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador faturamento do mês. 2) A base de cálculo da contribuição permaneceu incólume e em pleno vigor até os efeitos da edição da MP nB 1.212/95, quando passou a ser considerado o faturamento do mês (Precedentes do STJ e da CSRF/MF). Recurso ao qual se dá provimento parcial." Embargos acolhidos.” (AC 20218.684) Explica que, enquanto o acórdão recorrido entende que, quanto aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, somente se aplica o artigo 150, § 4°, do CTN, os acórdãos paradigmas advogam que, a depender da existência de pagamento antecipado, deve ser aplicado ou o art. 150, § 4º do CTN, ou o art. 173, I, também do CTN. No mérito, observa que, no caso em apreço, não houve pagamento antecipado de tributo pelo contribuinte quanto aos créditos de IRPF referente ao exercício de 1998. Assim, pondera que, como a ciência do auto de infração ocorreu em 25/11/2003, e os fatos geradores dos tributos excluídos do lançamento pelo acórdão recorrido se aperfeiçoaram em 31/12/97, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado é 01/01/1999, razão pela qual o lançamento poderia ter sido realizado até 31/12/2003. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Ao final, requer o conhecimento e provimento de seu recurso especial. Nos termos do Despacho n.º 220000.334, foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte ofereceu, tempestivamente, contrarazões. Afirma que, consoante a Declaração de Ajuste Anual – ano calendário de 1997, o contribuinte sofreu retenção de imposto de renda na fonte, valor que não foi glosado pela fiscalização. Desse modo, pondera que não há que se falar em ausência de pagamento antecipado. Nesse contexto, sustenta que a posição adotada pelo acórdão hostilizado ajustase perfeitamente à tese sufragada nos arestos paradigmas, visto que apenas determinou a aplicação do art. 150, §4º do CTN em caso no qual houve uma antecipação de pagamento do tributo sujeito à modalidade do lançamento por homologação. Do exposto, conclui que não há divergência entre o aresto atacado e os paradigmas apresentados pela Fazenda Nacional, de maneira que o recurso especial em comento sequer merece ser conhecido. Ademais, no caso concreto argumenta que, mesmo que se entenda que os valores retidos na fonte não configuram a antecipação de recolhimento, tal situação não tem o condão de alterar a disciplina típica do lançamento por homologação, visto que o contribuinte exerceu uma variada gama de atividades tendentes a levantar o crédito tributário eventualmente devido no exercício em questão, ou seja, procedeu a todas as operações que a legislação lhe impunha para determinar a matéria tributável. Salienta que todo esse procedimento podia perfeitamente ser objeto de homologação por parte da autoridade administrativa, algo que, a rigor, acabou ocorrendo de forma tácita, por conta do transcurso do qüinqüênio a que se refere o §4º do artigo 150 do CTN. Frisa que não se aplica ao caso em tela a orientação do STJ de que a regra de decadência a ser aplicada na hipótese de lançamento por homologação sem o pagamento antecipado é a prevista no inciso I do art. 173 do CTN, pois o contribuinte cumpriu todas as obrigações inerentes à quantificação do imposto e procedeu aos respectivos cálculos de acordo com a legislação de regência, sendo que, ao final, apurou que o montante já recolhido durante o ano calendário (retenções na fonte) foi superior ao IRPF devido. Ao final, requer que o recurso especial não seja conhecido, ou que lhe seja negado provimento. Eis o breve relatório. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10840.004504/200311 Acórdão n.º 9202002.440 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, Fl. 158DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). Em suma, inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No Auto de Infração (fls. 3) consta valor de imposto retido na fonte para o exercício de 1998, ano calendário de 1997. Em havendo pagamento antecipado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 150, § 4º do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial do ano calendário de 1997 dáse no dia 01/01/1998 e o termo final no dia 31/12/2002. Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 24/11/2003, portanto, após de transcorrido o prazo de cinco contados do fato gerador, nesta data já se encontrava decaído o direito da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário relativo ao ano calendário de 1997. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10840.004504/200311 Acórdão n.º 9202002.440 CSRFT2 Fl. 5 7 Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 160DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 11020.001879/2007-70
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 10/01/2002 a 10/12/2004
IPI. SUSPENSÃO. VENDAS A EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS. HIPÓTESES.
Nos termos do art. 39 da Lei nº 9.532/97, somente poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI, os produtos destinados à exportação quando adquiridos por empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, assim caracterizada pela sua remessa direta do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora.
IPI. MULTA DE OFÍCIO. HIPÓTESE DE SUSPENSÃO NÃO CONFIGURADA. FALTA DE RECOLHIMENTO. ART. 80 DA LEI 4.502/64.
Não tendo sido caracterizada a hipótese de suspensão do IPI, por não ter o produtor entregue os produtos diretamente no embarque ou no recinto alfandegário, não se caracterizando com isso a venda para exportação, configura-se a falta de recolhimento prevista no art. 80 da Lei nº 4.502/64, aplicando-se a multa de ofício.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-001.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Ivan Allegretti (Relator), Rosaldo Trevisan e Domingos de Sá Filho, que deram provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento as operações em relação às quais foram comprovadas as exportações. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl.
Antonio Carlos Atulim Presidente
Ivan Allegretti Relator
Robson José Bayerl Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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SUSPENSÃO. VENDAS A EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS. HIPÓTESES. Nos termos do art. 39 da Lei nº 9.532/97, somente poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI, os produtos destinados à exportação quando adquiridos por empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, assim caracterizada pela sua remessa direta do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. IPI. MULTA DE OFÍCIO. HIPÓTESE DE SUSPENSÃO NÃO CONFIGURADA. FALTA DE RECOLHIMENTO. ART. 80 DA LEI 4.502/64. Não tendo sido caracterizada a hipótese de suspensão do IPI, por não ter o produtor entregue os produtos diretamente no embarque ou no recinto alfandegário, não se caracterizando com isso a venda para exportação, configurase a falta de recolhimento prevista no art. 80 da Lei nº 4.502/64, aplicandose a multa de ofício. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Ivan Allegretti (Relator), Rosaldo Trevisan e Domingos de Sá Filho, que deram provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento as operações em relação às quais foram comprovadas as exportações. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 18 79 /2 00 7- 70 Fl. 1547DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente e m 08/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Antonio Carlos Atulim – Presidente Ivan Allegretti – Relator Robson José Bayerl – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti Relatório Por bem descrever os fatos, transcrevo o relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fl. 1429): O estabelecimento industrial acima qualificado foi autuado por Auditores Fiscais da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul (DRF/CXL), conforme Auto de Infração das fls. 3 a 9 (vol. I), e anexos, para formalização da exigência do IPI, (…), acrescido dos juros de mora e da multa de 75%, por falta de lançamento do imposto, (…). Os motivos da autuação estão expostos no Relatório de Auditoria Fiscal das fls. 43 a 50 (vol. I) e seguem resumidos. A fiscalização apurou que o interessado descumpriu as condições para suspensão do IPI, nas vendas a empresas comerciais exportadoras, por não ter havido a remessa dos produtos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, tendo ocorrido a remessa aos próprios estabelecimentos das empresas comerciais exportadoras adquirentes dos produtos, sendo que muitas delas eram empresas inaptas, inexistentes de fato ou que se declararam inativas. (…) O sujeito passivo tomou ciência do lançamento de oficio em 28 de junho de 2007, conforme consta na fl. 4 (vol. I), e apresentou impugnação tempestiva, em 27 de julho de 2007 (…) Em primeiro lugar, o impugnante afirma que teria ocorrido a decadência, em relação aos fatos geradores ocorridos de janeiro a junho de 2002, ou seja, há mais de cinco anos da lavratura do Auto de Infração. Além disso, afirma que os produtos industrializados destinados ao exterior são imunes do IPI, sendo que os produtos em questão foram efetivamente exportados, conforme cópias de notas fiscais e de comprovantes de exportação anexados à defesa. O interessado alega, na sequência, que remeteu seus produtos para empresas comerciais exportadoras, o que, em si, dá direito Fl. 1548DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente e m 08/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11020.001879/200770 Acórdão n.º 3403001.833 S3C4T3 Fl. 10 3 à suspensão do IPI, citando como exemplo a empresa "Foz Global Exportadora de Alimentos Ltda.", que tem por objeto social exclusivamente a exportação de alimentos. Argumenta que depõe contra os termos da lei e conta a finalidade da norma constitucional que imunizou as exportações para o exterior a pretensão fazendária, no sentido de que somente haveria a suspensão do IPI caso o produto fosse encaminhado diretamente ao exterior. Em seguida, o interessado contesta a aplicação da multa de oficio, por falta de lançamento do IPI, por não ter ocorrido a infração, dizendo ainda que o art. 80, I, da Lei 4.502, de 1964, com a redação dada pelo art. 45 da Lei nº 9.430, de 1996, foi expressamente revogado pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Por último, pede a improcedência da autuação” (fls. 1428v/1429v). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre/RS (DRJ), por meio do Acórdão 1027.845, de 15 de outubro de 2010, deu parcial provimento à impugnação apenas para retirar do auto de infração os fatos geradores ocorridos mais de 5 anos antes da notificação (1º decêndio de janeiro de 2002 ao 2) decêndio de junho de 2002), mantendo a autuação quanto ao mais, conforme o entendimento sintetizado na sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/01/2002 a 10/12/2004 FALTA DE LANÇAMENTO DO IPI. SUSPENSÃO INDEVIDA VENDAS A EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS, COM SUPOSTO FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Inexiste o direito A suspensão do IPI nas vendas a empresas comerciais exportadoras, com alegado fim especifico de exportação, em relação às quais tenha sido verificado que os produtos não foram remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA. Verificada a antecipação de pagamento do IPI, segundo a legislação desse imposto, e expirado o prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, decaindo a Fazenda Pública do direito de exigir eventuais diferenças, por falta de lançamento do IPI nas notas fiscais. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO. MULTA DE OFÍCIO. A falta de lançamento do IPI nas notas fiscais é punida com a multa de oficio de 75% do imposto que deixou de ser lançado. Fl. 1549DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente e m 08/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 1455/1466) alegando que: 1) seria beneficiário da imunidade destinada à exportação, prevista no art. 153, § 3º, III, da Constituição e que “Passando a análise do fato concreto, as notas fiscais denunciam que o destino das mercadorias era o exterior, uma vez que foram entregues a empresa comercial exportadora. Ainda, e conforme se vê dos documentos juntados à defesa, ditas mercadorias foram, comprovadamente, exportadas, isso se infere pelas Notas fiscais de exportação e pelos Comprovantes de Exportação expedidos pelo SISCOMEX” (fl. 1457) e que, “tendo em conta que as operações impugnadas pela fiscalização são todas relativas à remessas para empresas comerciais exportadoras, adequada a operação, para fins de reconhecimento do seu enquadramento legal à hipótese da imunidade pela exportação de produtos para o exterior. E, não poderia ser diferente, uma vez que, tomandose, por exemplo, a empresa Foz Global Exportadora de Alimentos Ltda. a qual tem por objeto social tão somente a "exportação de alimentos", como evidentemente denuncia sua razão social depõe contra os termos da lei e contra a finalidade da norma constitucional que imunizou as exportações para o exterior a pretensão fazendária, no sentido de que somente haveria a suspensão do IPI acaso o produto fosse encaminhado diretamente ao exterior” (fl. 1459); 2) que a multa de ofício de 75% não seria aplicável, tendo em vista que “foi fundamentada pelo art. 80, I, da Lei n.° 4.502/64, com redação alterada pela Lei n.° 9.430/96, em seu artigo 45, todavia, esse dispositivo foi expressamente revogado pela Lei 11.488/07” (fl. 1465), de modo que, “pelo fato de não existir dispositivo legal que penalize a conduta da Recorrente, ainda mais que inexistiu a infração, não deve prosperar o presente auto de infração, por falta de tipicidade legal” (fl. 1465) e que “Recorrente não incorreu nas infrações descritas naqueles artigos citados pela Fiscalização, motivo pelo qual, a única conclusão plausível é que não há enquadramento no tipo legal lá descrito” (fl. 1466). É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso é tempestivo (fls. 1452 e 1455) motivo pelo qual dele conheço. O contribuinte alega que seria beneficiário da imunidade constitucional prevista no art. 153, § 3º, III, da Constituição, o qual dispõe que o IPI “não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior”, em relação às operações de saída que realizou sob o título de “remessa para o fim de exportação”. A Fiscalização apurou que “o contribuinte apresentou as cópias das Notas Fiscais solicitadas (fl. 116 a 315), onde se confirma a ausência de destaque do IPI. Muito embora nas Notas Fiscais emitidas até 24/05/2002 (fl. 116 a 141) o contribuinte indique como base legal, justificativa para a ausência de destaque de IPI, a imunidade constante do art. 18, inciso II do RIPI/98, na verdade, sendo tais remessas efetuadas a Comerciais Exportadoras, a base legal aplicável , sem dúvida o art. 40, inciso VI, alínea "a" do RIPI/98 ou o art. 42, inciso V. alínea "a" do RIPI/02, legislação esta informada pelo contribuinte nas demais Notas Fiscais (fl. 142 a 315)” (fl. 44; grifo editado). Fl. 1550DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente e m 08/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11020.001879/200770 Acórdão n.º 3403001.833 S3C4T3 Fl. 11 5 A Fiscalização promoveu o lançamento do IPI em relação a estas vendas, por entender que o contribuinte não atendeu os requisitos previstos no art. 40, inciso VI, alínea "a" do RIPI/98, depois substituído pelo art. 42, inciso V, alínea "a" do RIPI/02, para que houvesse a suspensão do IPI na operação de venda para a empresa comercial exportadora. A razão de tal entendimento, reiterado pela DRJ, reside no fato de que os produtos não foram entregues diretamente no embarque para exportação ou em recinto alfandegado. Diz a Fiscalização que “com base na análise das Notas Fiscais apresentadas pelo contribuinte, constatase que as mesmas tiveram como destino o estabelecimento comercial das Comerciais Exportadoras adquirentes dos produtos, o que também é confirmado pela resposta do próprio contribuinte (fl. 87, item "ii") onde o mesmo afirma que os produtos "foram remetidos diretamente para o Endereço do Estabelecimento Comercial do Comprador", restando inequívoco o descumprimento do requisito indispensável para a fruição do beneficio da suspensão do IPI, constante do § 2° do art. 40 do RIPI/98 ou do § 1° ao art. 42 do RIPI/02, que condiciona tal beneficio à remessa dos produtos diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado” (fls. 44/45). A Fiscalização também identificou graves inconsistências em relação a algumas das empresas comerciais exportadoras envolvidas nestas operações, conforme se transcreve abaixo: A empresa "Capricho Comercio de Alimentos Ltda. CNPJ 00.980.570/000195", para a qual a fiscalizada remeteu, no período fiscalizado (2002 a 2004), o total de R$ 400.725,00 de produtos (fl. 57), i empresa inapta nos sistemas da RFB (Secretaria da Receita Federal do Brasil), com efeitos desde 10/09/2002 (fl. 103). Consultandose os sistemas da Receita Federal do Brasil, constatase que tal suposta Comercial Exportadora não concluiu qualquer exportação no período aqui fiscalizado (fl. 104). A empresa "Comercial Grande de Alimentos Ltda. CNPJ 01.532.329/000166", destinatária da NF 241607, emitida pela fiscalizada em 13/02/2002, no valor de R$ 18.500,00 (fl. 125), ainda no ano de 2002 alterou sua razão social para "Mercearia Kofad Ltda." (fl. 106), atua no comércio varejista (fl. 107). Tal suposta Comercial Exportadora, se declarou INATIVA no ano calendário de 2002 (fl. 108), ano do fornecimento constante da NF 241607. A empresa "Exportadora Isabella Ltda. CNPJ 82.070.764/000118", é empresa INAPTA, com efeitos desde 21/08/2006 por ser INEXISTENTE DE FATO (fl. 110). Em relação ano calendário 2003, ano em que a fiscalizada remeteu lhe R$ 103.150,00 de produtos com o fim especifico de exportação (fl. 57), a mesma sequer apresentou DIPJ (Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica fl. 111). A Comercial Exportadora "Comercial Ópera Ltda. CNPJ 81.682.452/000100", também foi declarada INAPTA, a partir de 11/11/2003, por ser INEXISTENTE DE FATO (fl. 112). A Fl. 1551DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente e m 08/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 fiscalizada remeteu produtos a esta suposta empresa, nos anos de 2002 e 2003, no valor total de R$ 100.650,00 (fl. 57). No ano calendário de 2002 a compradora (Comercial Ópera Ltda.) declarouse INATIVA e no ano de 2003 sequer apresentou DIPJ (fl. 113). Consultandose os sistemas da Receita Federal do Brasil, constatase que tal suposta Comercial Exportadora não concluiu qualquer exportação no período aqui fiscalizado (fl. 114). A empresa "Alexandre da Cruz & Marques Cia. Ltda. CNPJ 01.245.640/000124" é outra empresa declarada INAPTA, com efeitos desde 20/01/2003 (fl. 115). No entanto a fiscalizada remeteu, a esta empresa, produtos constantes da NF no 283946, emitida em 20/05/2003, no valor de R$ 30.750,00 (fl. 182). Ressaltese que esta suposta "Comercial Exportadora", nos anos de 2002 e 2003, não realizou qualquer operação regular de exportação (fl. 109) Como se pode perceber deste breve relato, muitas das remessas efetuadas a Comerciais Exportadoras, com fim especifico de exportação, foram efetuadas a empresas INAPTAS, INEXISTENTES DE FATO, ou que se declaram INATIVAS. Importante destacar que, ainda que tais exportações tenham sido realizadas, não poderia a fiscalizada ter se beneficiado do instituto da suspensão, uma vez que não cumpriu o requisito indispensável a fruição do beneficio. Tal relato tem o Único intuito de demonstrar a relevância e coerência do requisito legal que condiciona a suspensão do IPI à remessa dos produtos diretamente para embarque de exportação ou recinto alfandegado, como forma de prevenção a possíveis evasões fiscais. Ocorre que a contribuinte juntou com a impugnação os documentos de fls. 360/1429, em que apresenta uma sequência combinada (1) de notas fiscais de vendas realizadas por ela às empresas FOZ GLOBAL EXPORTADORA DE ALIMTS LTDA., MUFFATO E FILHO LTDA., MUFFATO BENTO LTDA., (2) de notas fiscais emitidas por estas empresas comerciais exportadoras para destinatários localizados no exterior, bem como (3) de memorandos destas empresas demonstrando o vínculo entre as notas de venda da contribuinte para a exportadora e as notas de venda da exportadora para o exterior, e (4) comprovantes de exportação (COMPROVANTE DE EXPORTAÇÃODSE) referentes às notas fiscais de venda da exportadora para o exterior. Não apenas os memorandos, mas também as notas fiscais de venda das empresas exportadoras para o exterior indicam as notas fiscais da contribuinte, das quais se originaram os produtos. Tais documentos demonstram a existência de ligação entre a saída dos produtos da contribuinte até a sua efetiva exportação. Ou seja, evidenciam que os produtos que a contribuinte deu saída foram exportados. Isto é substancialmente relevante, pois significa que a operação de saída do contribuinte para a empresa comercial exportadora resultou – concreta e efetivamente – na exportação dos produtos. Ou seja, estáse diante de provas que demonstram que uma parte dos produtos foi efetivamente exportada. Fl. 1552DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente e m 08/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11020.001879/200770 Acórdão n.º 3403001.833 S3C4T3 Fl. 12 7 Ora, as normas regulamentares estabelecem um itinerário burocrático cuja finalidade é a de assegurar que não seja burlado este efeito final. Quando estas normas estabelecem um determinado formato de negócio jurídico, seu objetivo é o de impedir que haja desvios dos produtos, bem como permitir um controle eficiente pelo Estado, além de segurança na informação de que tenham sido efetivamente exportados. A suspensão do IPI na operação entre o produtor e a comercial exportadora é uma medida que ampara a saída do produto do estabelecimento, sem a qual haveria a incidência do IPI. Exigir que a entrega física do produto acontecesse diretamente no embarque para o exterior, ou em um recinto alfandegário, foi a medida de que se serviu o legislador para resguardar tanto o produtor como a comercial exportadora, garantindo a realização da exportação. Por meio deste mecanismo também se eliminou a dúvida sobre quem seria o responsável pelo imposto, assegurando a arrecadação caso fosse frustrada a exportação. Com efeito, se o produtor não entrega o produto diretamente no embarque ou no recinto alfandegário, já por esta razão se assegurar ao Estado que busque contra o produtor o valor do IPI. Mas se o contribuinte consegue provar que entregou o produto à comercial exportadora e este produto foi exportado, não há porque lançar mão deste mecanismo que asseguraria cobrar do produtor pela frustração da exportação. Com efeito, a suspensão apenas existe por um breve momento, para logo depois transformarse em desoneração definitiva, por força da imunidade conferida às exportações. Mas se trata apenas de um mecanismo para assegurar a arrecadação, prevenindo a hipótese de que seja frustrada a exportação, por meio de um mecanismo formalmente simples, que atribui a responsabilidade ao produtor por força de algo que ele mesmo deixe de fazer, mas que é um mecanismo intermediário, de passagem, que não pode ser elevado acima da própria razão final de toda a estrutura normativa, que não pode prevalecer diante da verificação de que houve a exportação daquele produto que o produtor deu saída. A nota fiscal de saída do produtor indica como “Natureza da operação” o texto “REMESSA C/ FIM ESPECIF. EXPORTAÇÃO” e os memorandos conectam os números destas notas fiscais às notas fiscais de exportação, as quais também indicam o nome da produtora e o número das notas fiscais. As informações estão interrelacionadas e dão conta de que houve a exportação. O conjunto dos documentos demonstra, pois, que o itinerário até chegar à exportação aconteceu de maneira diferente da prevista no regulamento, mas ao mesmo tempo demonstra que houve a exportação dos produtos produzidos pela contribuinte, por meio de empresa comercial exportadora. Fl. 1553DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente e m 08/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 É importante esclarecer que os documentos que comprovam as exportações referemse às empresas FOZ GLOBAL EXPORTADORA DE ALIMTS LTDA., MUFFATO E FILHO LTDA. e MUFFATO BENTO LTDA. Não se referem, portanto, àquelas empresas indicadas pela Fiscalização, em relação às quais verificouse nunca haver realizado nenhuma operação de exportação no período fiscalizado, ou que estariam inativas ou inexistentes de fato. Concluo, pois, que deve ser dado provimento parcial do recurso, por entender que não pode haver exigência de IPI em relação às operações de saída da contribuinte em relação às quais foram comprovadas a exportação, conforme as notas fiscais apresentadas pelo recorrente com a sua impugnação, devendo ser mantido o auto de infração quanto às demais operações. No que se refere à aplicação da multa de ofício, o contribuinte alega que não seria aplicável, tendo em vista que “foi fundamentada pelo art. 80, I, da Lei n.° 4.502/64, com redação alterada pela Lei n.° 9.430/96, em seu artigo 45, todavia, esse dispositivo foi expressamente revogado pela Lei 11.488/07” (fl. 1465), de modo que, “pelo fato de não existir dispositivo legal que penalize a conduta da Recorrente, ainda mais que inexistiu a infração, não deve prosperar o presente auto de infração, por falta de tipicidade legal” (fl. 1465). Não tem razão o contribuinte, pois, não tendo sido caracterizada a hipótese de suspensão do IPI, por não ter o produtor entregue os produtos diretamente no embarque ou no recinto alfandegário, não se caracterizando com isso a venda para exportação, configurase a falta de recolhimento prevista no art. 80 da Lei nº 4.502/64, aplicandose a multa de ofício. O caput do art. 80 da Lei nº 4.502/64 não foi revogado pela Lei nº 11.488/2007, tendo remanescido vigente com a seguinte redação Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. Na medida, pois, em que não se configurou a hipótese de suspensão do IPI, é patente que houve falta de recolhimento do imposto, o que dá causa à aplicação da multa de ofício. Pelas razões expostas, voto pelo provimento parcial do recurso, por entender que não pode haver exigência de IPI em relação às operações de saída da contribuinte em relação às quais foram comprovadas a exportação, conforme as notas fiscais apresentadas pelo recorrente com a sua impugnação, devendo ser mantido o auto de infração quanto às demais operações, mantida a aplicação da multa de ofício. Ivan Allegretti Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator Designado Fl. 1554DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente e m 08/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11020.001879/200770 Acórdão n.º 3403001.833 S3C4T3 Fl. 13 9 Nada obstante os plausíveis argumentos deduzidos pelo douto conselheiro relator, divirjo de sua compreensão acerca da possibilidade da fruição da suspensão de imposto vindicada quando devidamente comprovadas as exportações realizadas. Nos termos do art. 39 da Lei nº 9.532/97, a garantia de suspensão do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI está atrelada à venda com o fim específico de exportação, assim entendida a remessa dos produtos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. No caso vertente, os produtos foram remetidos a estabelecimento não alfandegado da pessoa jurídica adquirente, ainda que posteriormente comprovada a sua exportação. Mesmo louvável o raciocínio ora vergastado, a verdade é que sua adoção criaria a estranha figura da “suspensão condicional” do imposto, eis que vincularia sua eficácia à ocorrência de um evento futuro e incerto, consistente na exportação posterior dos produtos pelo adquirente, sendo hipótese de condição resolutória, porquanto indigitada suspensão subsistiria desde o momento da saída dos produtos do estabelecimento vendedor e extinguirse ia com a não comprovação da operação de exportação pela empresa comercial exportadora. Contudo, o dispositivo adrede arrolado não abre margem a tal possibilidade, pois é categórico em relacionar em quais situações a suspensão poderá ser aproveitada: remessa para embarque de exportação ou para recinto alfandegado. E só. Em qualquer outra hipótese o imposto deve ser destacado normalmente. Logo, uma vez não observado o requisito necessário para o gozo da suspensão do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, cabível a exigência do tributo devido com os consectários legais, como formalizado no presente lançamento. Com estas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto. Robson José Bayerl Fl. 1555DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente e m 08/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10875.000127/2002-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1997
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECRETO-LEI nº 2.445/88 e DECRETO-LEI nº 2.449/88. CONSTITUÇÃO. DISPENSA.
Improcedente o lançamento em auto de infração ou notificação de lançamento do crédito tributário correspondente à parcela de contribuição ao Programa de Integração Social exigida na forma do Decreto-Lei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, e do Decreto-Lei nº 2.449, de 21 de julho de 1988, na parte que exceda o valor devido com fulcro na Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, haja vista expressa disposição legal dispensando sua constituição.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-001.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Relator.
EDITADO EM: 12/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Elias Fernandes Eufrásio. Ausente a Conselheira Nanci Gama.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Relator. EDITADO EM: 12/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Elias Fernandes Eufrásio. Ausente a Conselheira Nanci Gama.
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DECRETOLEI nº 2.445/88 e DECRETOLEI nº 2.449/88. CONSTITUÇÃO. DISPENSA. Improcedente o lançamento em auto de infração ou notificação de lançamento do crédito tributário correspondente à parcela de contribuição ao Programa de Integração Social exigida na forma do DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, e do DecretoLei nº 2.449, de 21 de julho de 1988, na parte que exceda o valor devido com fulcro na Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, haja vista expressa disposição legal dispensando sua constituição. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 12/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Elias Fernandes Eufrásio. Ausente a Conselheira Nanci Gama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 01 27 /2 00 2- 63 Fl. 435DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de auto de infração relativo à Contribuição para o PIS, lavrado em 29/10/2001(fls. 107), cientificado ao contribuinte por via postal em 14/12/2001 (fls. 115), formalizando crédito tributário no valor total de R$ 64,72, em virtude de não confirmação do processo judicial indicado para fins de suspensão da exigibilidade do débito declarado para o período de maio de 1997. Em oposição ao lançamento foi protocolizada em 03/01/2002 a impugnação de fls. 01/07, acompanhada dos documentos de fls. 08/113, com as razões de defesa a seguir sintetizadas. Argúi em preliminar a nulidade do Auto de Infração por inobservância das normas legais de regência por deixar de ressalvar que a exigibilidade do crédito tributário estaria suspensa por sentença judicial. No mérito, assevera que os valores lançados foram objeto de compensação realizada com amparo em sentença judicial, alegando que: ajuizou Medida Cautelar Inominada, processo nº 96.0014052, visando a concessão de liminar para compensar, sem os requisitos da Instrução Normativa nº 67/92, o PIS indevidamente recolhido, com o próprio PIS, em conformidade com o art. 66 da Lei 8.383/91, tendo obtido a liminar; a ação foi julgada improcedente em primeiro grau, ensejando interposição de recurso de apelação, ao qual foi dado provimento pelo TRF, tendo ocorrido trânsito em julgado; paralelamente, foi ajuizada ação principal Declaratória cumulada com pedido de repetição de indébito, que não foi apensada à Medida cautelar, e aguarda apreciação em primeiro grau. Reportase à suspensão da exigibilidade do crédito tributário em função do art. 151, V, do CTN. Finaliza requerendo o cancelamento do Auto de Infração. Em análise prévia, a autoridade preparadora, fazendo menção à Medida Cautelar Inominada, informou, às fls. 123/124, ter apurado que a contribuinte obteve o direito de compensar com o PIS vincendos, conforme sentenças da primeira e segunda instâncias, observadas as seguintes datas: 05/06/96 obteve liminar favorável em primeira instância e em 23/09/96 a sentença foi julgada improcedente, fls. 120; em 23/09/98 teve Acórdão favorável, fls. 66 e 122. O Auto de Infração teve por base a DCTFs entregue em 24/12/97, portanto a compensação foi efetuada fora do prazo autorizado judicialmente. Aponta, ainda, ausência, nos autos, de provas da existência dos supostos créditos de PIS. Por meio do despacho de fls. 126, foi o processo remetido para julgamento. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1997 Fl. 436DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10875.000127/200263 Acórdão n.º 3102001.633 S3C1T2 Fl. 3 3 DCTF. REVISÃO INTERNA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Incabível discutir aspectos que poderiam ensejar a nulidade do lançamento, se o crédito tributário subsistiria constituído pelo contribuinte, mediante formalização em declaração. LANÇAMENTO. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO ADMINISTRATIVO. A propositura de ação judicial antes da lavratura do auto de infração, com o mesmo objeto, ainda que restasse confirmada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não obstaculiza a formalização do lançamento, mas impede a apreciação, pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento, das razões de mérito submetidas ao Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO. DÉBITOS DECLARADOS. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de suspensão da exigibilidade não comprovada, apurada em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis nº 11.051/2004 e nº 11.196/2005. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso. O processo versa sobre crédito constituído em auto de infração ainda que declarado em DCTF pela autuada, cuja exigência está suspensa por medida judicial ainda não transitada em julgado, discutindo a legalidade da majoração da Contribuição ao Programa de Integração Social promovida pelos DecretosLei nº 2445 e 2.449, ambos de 1988. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento considerou pertinente o lançamento, pois, embora o crédito esteja definitivamente constituído na declaração em DCTF e, por força disso, exigível desde que o administrado não logre êxito no processo judicial, o lançamento obedeceu à regra então vigente, que, segundo entendimento da administração, determinava o lançamento dos tributos, mesmo que declarados pelo contribuinte. Outro processo do mesma empresa foi julgado por esta mesma Turma, e o auto de infração mantido conforme a seguir reproduzido. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA 4 O crédito tributário correspondente à multa de ofício contida no auto de infração foi exonerado em primeira instância. Sendo seu valor inferior ao limite de alçada, não há recurso de ofício a esse respeito, razão porque remanesce apenas a discussão acerca da Contribuição exigida. A data do trânsito em julgado da ação que reconheceu o direito de crédito do contribuinte perante a Fazenda Pública ocorreu em 31/08/1999, posterior, portanto, à data de compensação com os débitos exigidos. Ademais, pacífico o entendimento de que a compensação depende da adoção de procedimentos que impeçam a utilização do direito de crédito em duplicidade, como bem lecionado no voto condutor da decisão recorrida. Noutro giro, em sede de recurso voluntário a recorrente não renova pedido de decretação da nulidade do auto de infração em face da confissão de dívida constituída em DCTF. Quanto a isso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento assim manifestouse em relação à consignação do débito em dois instrumentos distintos, hábeis à formalização da exigência. Em sua defesa, reportase o interessado a compensação com crédito decorrente da ação judicial de Repetição de Indébito nº 92.00794963 e argúi tanto a nulidade como improcedência da autuação invocando disposições da IN SRF 32/97 e das Leis 8.383/91 e 9.430/96. Inicialmente com referência à arguição de nulidade do lançamento, cumpre observar que sua formalização decorre do que dispunha a Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Todavia, o escopo de tal dispositivo foi reduzido pela Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, que assim dispôs: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. [...] E, neste contexto, prevaleceu administrativamente o entendimento de que a DCTF teria mantido o caráter de confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência do crédito tributário nela declarado, atribuído pelo art. 5o, § 1o, do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, inclusive durante a vigência do art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Assim, embora o presente lançamento de ofício tenha por objeto o mesmo crédito tributário já confessado pelo sujeito passivo em sua declaração encaminhada à Receita Federal, atendeu à exigência de formalização então preconizada no referido art. 90 da Medida Provisória nº 2.158/2001, posteriormente sobrepujada pelo art. 18 da Lei nº 10.833/2003. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10875.000127/200263 Acórdão n.º 3102001.633 S3C1T2 Fl. 4 5 Portanto, em razão da nova ordem legal que rege a revisão/lançamento das DCTF, superadas estão eventuais nulidades havidas no lançamento ora impugnado. Descabe, pois, discutir sua validade, se o crédito tributário subsistiria constituído pelo contribuinte, mediante formalização em declaração. Cumpre, apenas, apreciar os argumentos de mérito para decidir sobre a procedência da exigência. Pelas razões expostas, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. Sobrevém, contudo, aqui, argumento veiculado no Recurso Voluntário, do qual não se tem lembrança ter feito parte da defesa apresentada no outro processo, de que a Instrução Normativa n 31, de 08 de abril de 1997 ( e não 32, como acima), dispensava a constituição do crédito em litígio, nos seguintes termos. "Ad argumentandum" o presente processo administrativo é NULO por contrariar o próprio entendimento do Fisco Federal consubstanciado na IN/SRF N9 31 de 08 de abril de 1997, a qual determina a dispensa da constituição de créditos da Fazenda Nacional e ocancelamento do lançamento nos casos que específica: Com efeito, melhor analisando o caso, chego a conclusão de que não só a Instrução Normativa, mas a própria MP 1.175/95 dispensava a constituição do crédito tributário decorrente da majoração introduzida pelos citados Decretos, desde 27 de outubro de 1995. Portanto, muito antes do lançamento de que aqui se trata. Art. 17. Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente: (grifos meus) (...) VIII à parcela de contribuição ao Programa de Integração Social exigida na forma do DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, e do DecretoLei nº 2.449, de 21 de julho de 1988, na parte que exceda o valor devido com fulcro na Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970. Pelo exposto, sem adentrar à questão da pertinência ou não da constituição em auto de infração de dívidas já constituídas por declarações prestadas pelo sujeito passivo, não vejo como manter um crédito quando a própria Lei dispensava sua constituição. VOTO POR DAR INTEGRAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, 26 de setembro de 2012. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA 6 Fl. 440DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA
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