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Numero do processo: 13766.000576/2002-37
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/08/1997
COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DA DECISÃO JUDICIAL NA DATA DA COMPENSAÇÃO. FALTA DOS REQUISITOS DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. IMPOSSIBILITADA A HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO.
1. É condição necessária para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo que o crédito utilizado atenda os requisitos da certeza e liquidez na data da entrega da Declaração de Compensação (DComp), atributos que são conferidos ao crédito originário de decisão judicial somente após o trânsito em julgado da respectiva decisão.
2. Se na data da realização da compensação não havia sequer decisão judicial com o reconhecimento do direito creditório informado, fica impossibilitada a homologação da compensação declarada, por inexistência de crédito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/1997 a 31/08/1997 COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DA DECISÃO JUDICIAL NA DATA DA COMPENSAÇÃO. FALTA DOS REQUISITOS DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. IMPOSSIBILITADA A HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. 1. É condição necessária para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo que o crédito utilizado atenda os requisitos da certeza e liquidez na data da entrega da Declaração de Compensação (DComp), atributos que são conferidos ao crédito originário de decisão judicial somente após o trânsito em julgado da respectiva decisão. 2. Se na data da realização da compensação não havia sequer decisão judicial com o reconhecimento do direito creditório informado, fica impossibilitada a homologação da compensação declarada, por inexistência de crédito. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1997 a 31/08/1997 COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DA DECISÃO JUDICIAL NA DATA DA COMPENSAÇÃO. FALTA DOS REQUISITOS DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. IMPOSSIBILITADA A HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. 1. É condição necessária para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo que o crédito utilizado atenda os requisitos da certeza e liquidez na data da entrega da Declaração de Compensação (DComp), atributos que são conferidos ao crédito originário de decisão judicial somente após o trânsito em julgado da respectiva decisão. 2. Se na data da realização da compensação não havia sequer decisão judicial com o reconhecimento do direito creditório informado, fica impossibilitada a homologação da compensação declarada, por inexistência de crédito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 6. 00 05 76 /2 00 2- 37 Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra Acórdão proferido pela 8ª Turma de Julgamento da DRJ – Rio de Janeiro II/RJ, em que, por unanimidade de votos, julgou procedente, em parte, a impugnação e exonerou a multa de ofício cobrada, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/07/1997 a 31/08/1997 CRÉDITO DE DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da IN SRF n˚ 21/1997, combinada com a IN SRF n˚ 73/1997, é vedada a compensação de créditos reconhecidos pela via judicial antes do trânsito em julgado da decisão. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de pagamentos não comprovados, para débitos declarados em DCTF pelo próprio sujeito passivo, hipótese esta que não mais se configura em penalidade. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Por bem descrever os fatos, reproduzo a seguir o relatório que integra o Acórdão recorrido: Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo à falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, relativo aos períodos de apuração 07/1997 e 08/1997 (fls. 20/28), no valor de R$ 180.336,84, aí incluídos principal, multa e juros. Na Descrição dos Fatos (fls. 23), consta que a presente exigência originouse de auditoria interna na DCTF apresentada pelo sujeito passivo referente aos períodos de apuração 07/1997 e 08/1997, tendo sido verificada a falta de recolhimento do principal. O enquadramento legal da presente autuação encontrase especificado à fl. 23. Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13766.000576/200237 Acórdão n.º 3802001.437 S3TE02 Fl. 21 3 Após tomar ciência da autuação, a empresa autuada, inconformada, apresentou a impugnação de fls. 01/03, alegando, em síntese que: quando da elaboração da DCTF objeto do presente Auto, ao informar o número de processo de compensação dos valores acima, equivocouse, informando o número de outro processo. Assim, o correto é o número de dois processos de compensação, o de n˚ 93.00044451, referente PISRestituição, e o de n˚ 93.00041215, referente a FinsocialRestituição; o objeto do presente Auto já foi alvo de fiscalização, inclusive tendo sido autuada, através do AI n˚ 00140, lavrado pela DRF/Vitória em 14/04/1998, processo n˚ 10783.0024770/9898, tornandose a presente autuação prejudicada. No pedido requer seja julgada procedente a impugnação e cancelado o presente feito fiscal. Em 14/02/2012, a Recorrente foi cientificada da decisão. Em 13/03/2012, postou o presente Recurso Voluntário, no qual alegou que: a) a presente controvérsia limitavase ao direito de realizar as presentes compensações antes do trânsito julgado das decisões judiciais exaradas nos autos das Ações Ordinária nºs 93.0004445 e 93.00041215, ocorrido em 22/11/2005 e 11/09/2006, respectivamente, em que foram reconhecidos os créditos utilizados; b) o direito de pedir a compensação de tributo pago indevidamente fundamentavase no art. 165 do CTN e no primado da estrita legalidade tributária, previsto no art. 150, I, da CF/88; c) o art. 17 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, informava o procedimento e os documentos, mas não vedava a compensação de crédito judicial antes do trânsito em julgado; d) a referida Instrução Normativa era desarrazoada, abusiva e ilegal, pois feria o princípio da legalidade tributária e da hierarquia das leis, uma vez que criara restrição ou proibição à compensação autorizada no art. 170 do CTN; No final, requereu provimento do Recurso, para que fosse cancelado a cobrança dos débitos Cofins dos meses de julho e agosto de 1997. Em 03/07/2012, os presentes autos foram enviados a este E. Conselho. Na Sessão de julho 2012, mediante sorteio, foram distribuídos para este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 O presente Recurso foi apresentado dentro do prazo legal e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A presente controvérsia limitase à questão atinente ao direito de a Recorrente compensar, antes do trânsito em julgado, os alegados créditos reconhecidos no âmbito das decisões judiciais, exaradas nos autos das Ações Ordinária nºs 93.00044451 e 93.00041215, que, segundo a Recorrente, transitaram em julgado em 22/11/2005 e 11/09/2006, respectivamente. De acordo com o auto de infração (fls. 22/27), a compensação foi realizada no dia 25/11/1997, data da entrega da DCTF nº 000100199700186079. Logo, é incontroverso que, na data da realização da compensação, as referidas decisões judiciais ainda não haviam transitado em julgado. Entretanto, no caso em tela, a questão fundamental não diz respeito a existência de decisão judicial com trânsito em julgado, mas a existência da referida decisão na data da realização da compensação. Nesse sentido, noticiam os autos que, na referida data, a Recorrente sequer tinha decisão judicial que amparasse o alegado direito creditório. De fato, compulsando os autos, verificase que as primeiras decisões somente foram prolatadas após a data da compensação. Na Ação Ordinária nº 93.00044451 (fls. 79/96), a sentença foi proferida em 10/06/1998, enquanto que na Ação Ordinária nº 93.00041215 (fls. 153/163), a sentença foi exarada no dia 17/06/1998. O caso presente não se trata de falta de decisão judicial com trânsito em julgado, mas de inexistência, na data da realização da compensação, de decisão judicial que houvesse reconhecido o crédito utilizado. Os elementos colacionados aos autos comprovam que, em 25/11/1997, a Recorrente não era detentora de nenhuma decisão judicial que respaldasse o procedimento compensatório em tela. Por conseguinte, na referida data, a Recorrente não possuía créditos líquidos e certos a serem compensados, o que demonstra que a referida compensação foi realizada de forma irregular e, portanto, dissonante do disposto no art. 170 do CTN e no art. 741 da Lei nº 9.430, de 1996, que, em sua redação originária, permitia a compensação somente de crédito passível de restituição ou ressarcimento. Da mesma forma, em consonância com os referidos preceitos legais, o art. 172 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, com redação da Instrução Normativa SRF nº 73, de 1997, determinava que somente o crédito reconhecido por decisão judicial transitado em 1 "Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração." 2 "Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. (Redação dada pela IN SRF nº 73/97, de 15/09/1997) § 1° No caso de título judicial em fase de execução, a restituição, o ressarcimento ou a compensação somente poderão ser efetuados se o contribuinte comprovar junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. (Redação dada pela IN SRF nº 73/97, de 15/09/1997) § 2° Não poderão ser objeto de pedido de restituição, ressarcimento ou compensação os créditos decorrentes de títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório." (Incluído pela IN SRF nº 73/97, de 15/09/1997) Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13766.000576/200237 Acórdão n.º 3802001.437 S3TE02 Fl. 22 5 julgado poderia ser objeto de compensação. Além disso, tal compensação era apenas informada na DCTF, pois era obrigatória a sua formalização por meio de requerimento, nos termos do art. 12 da referida Instrução Normativa, a seguir transcrito: Art. 12. Os créditos de que tratam os arts. 2º e 3º, inclusive quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, serão utilizados para compensação com débitos do contribuinte, em procedimento de ofício ou a requerimento do interessado. § 1º A compensação será efetuada entre quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da SRF, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. § 2º A compensação de ofício será precedida de notificação ao contribuinte para que se manifeste sobre o procedimento, no prazo de quinze dias, contado da data do recebimento, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 3º A compensação a requerimento, formalizada no "Pedido de Compensação" de que trata o Anexo III, poderá ser efetuada inclusive com débitos vincendos, desde que não exista débitos vencidos, ainda que objeto de parcelamento, de obrigação do contribuinte. (Redação dada pela IN SRF nº 73/97, de 15/09/1997) § 4º Será admitida, também, a apresentação de pedido de compensação após o ingresso do pedido de restituição ou ressarcimento, desde que o valor ou saldo a utilizar não tenha sido restituído ou ressarcido. § 5º Se o valor a ser ressarcido ou restituído, na hipótese do § 4º, for insuficiente para quitar o total do débito, o contribuinte deverá efetuar o pagamento da diferença no prazo previsto na legislação específica. § 6º Caso haja redução no valor da restituição ou do ressarcimento pleiteado, a parcela do débito a ser quitado, na hipótese do § 4º, excedente ao valor do crédito que houver sido deferido, ficará sujeita à incidência de acréscimos legais. § 7º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art.17. [...]. (grifos não originais) Da leitura dos referidos dispositivos, extraise que, além da exigência do trânsito em julgado, a compensação do crédito reconhecido por decisão judicial dependia da apresentação de requerimento do interessado, instruído com a prova da desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do respectivo título judicial. No presente caso, além de não possuir, na data da compensação, a decisão judicial reconhecendo o crédito informado, a Recorrente também não cumpriu nenhum dos requisitos exigidos para a realização da compensação de créditos dessa natureza. Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 6 Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao presente Recurso, para manter na íntegra o Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA
score : 1.0
Numero do processo: 11543.003126/2003-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.475
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do relatório e voto que integram do presente julgado. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça (Relator) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, designado para redigir a resolução para a diligência o Conselheiro João Carlos Cassuli Junior.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz da Gama Lobo D'eça Relator
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior Redator Designado
Participaram do presente do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo DEça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, João Carlos Cassuli Junior (Redator Designado), Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Carlos Shimoyama (Suplente).
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do relatório e voto que integram do presente julgado. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça (Relator) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, designado para redigir a resolução para a diligência o Conselheiro João Carlos Cassuli Junior. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) Fernando Luiz da Gama Lobo D'eça Relator (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Redator Designado Participaram do presente do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo DEça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, João Carlos Cassuli Junior (Redator Designado), Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Carlos Shimoyama (Suplente).
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COREANO BRASILEIRA DE PELOTIZAÇÃO KOBRASCO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do relatório e voto que integram do presente julgado. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça (Relator) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, designado para redigir a resolução para a diligência o Conselheiro João Carlos Cassuli Junior. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) Fernando Luiz da Gama Lobo D'eça – Relator (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Redator Designado Participaram do presente do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, João Carlos Cassuli Junior (Redator Designado), Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Carlos Shimoyama (Suplente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 43 .0 03 12 6/ 20 03 -7 6 Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA Processo nº 11543.003126/200376 Resolução nº 3402000.475 S3C4T2 Fl. 21 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) contra o Acórdão DRJ/CTA nº 1331.357 de 16/09/10 constante de fls. 257/163 exarado pela 5ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro II RJ que, por unanimidade de votos, houve por bem “julgar improcedente” a Manifestação de Inconformidade de fls. 164/185, mantendo o Despacho Decisório (fls. 142) e Respectivo Parecer (fls. 125/142) da DRF de Vitória ES, que indeferiu parcialmente o Pedido de Ressarcimento de PIS não cumulativo apurado no 1º e 2º trimestres de 2007 e respectivas Declarações de Compensação, através das quais a ora Recorrente pretendia ver compensados débitos de tributos administrados pela SRF. O r. Despacho Decisório (fls. 142) e Respectivo Parecer (fls. 125/142) da DRF de Vitória ES, justificou a glosa parcial aos seguintes fundamentos:: “14. Com base na análise da escrituração do sujeito passivo, assim como, das notas fiscais de saída, dos demonstrativos de apuração do PIS nãocumulativo apresentados, e de outros elementos apresentados, demonstraram inconsistências nos valores dos créditos compensados. 15. No que tange a base de cálculo apurada pelo sujeito passivo, foram realizados ajustes e adições, adequandoa ao que foi disciplinado pela legislação tributária. Tais ajustes e adições à base de cálculo, assim como, as eventuais glosas dos créditos a descontar estão abaixo disciplinadas. Venda da produção no mercado Interno 16. Ao analisar os DACON (Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais) apresentados pelo sujeito passivo foi constatado que praticamente toda sua produção foi destinada ao mercado externo (fls. 08/12). 17. A despeito disso, outras conclusões foram extraídas dos registros contábeis e fiscais, assim como de suas notas fiscais de venda. Conforme registrado nos Livros Registro de Apuração de ICMS (fis. 18/21), nos Livros Balancete (fls. 22/23) e nas Notas Fiscais de Venda (fls. 26/30), no período analisado a KOBRASCO destinou grande parte de sua produção ao estabelecimento de CNPJ 33.592.5101022042, pertencente a coligada Companhia Vale do Rio Doce, registrando as operações sob os Códigos Fiscais de Operação – CFOP 5.11 (até dez/02) e 5.101 (a partir de jan103), códigos estes destinados à venda de produtos no mercado interno. Da mesma forma, na escrituração contábil os lançamentos fazem menção a vendas no mercado interno e não a vendas para o exterior (balancetes às fls. 22/23). 18. Verificase, em pesquisa ao Convênio CONFAZ s/n°, de 15 de dezembro de 1970, com as alterações impostas pelo Ajuste SINIEF 06/00 e 07/01, que desde 1° de janeiro de 2001 vigoram CFOP próprios para as operações com fim específico de exportação. Desde então as sardas de produção do estabelecimento para trading company ou para empresa comercial exportadora, com fim especifico de Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA Processo nº 11543.003126/200376 Resolução nº 3402000.475 S3C4T2 Fl. 22 3 exportação, passaram a ser identificadas pelos códigos 5.86 e 5.501, cujo registro nos livros do destinatário das mercadorias/produtos correspondem aos códigos 1.86 e 1.501(¹), respectivamente. 19. Assim, muito embora o contribuinte insira no campo "Informações Complementares" nas Notas Fiscais a expressão "remessa com o fim especifico de exportação", a identificação da natureza das operações como vendas de produção do estabelecimento, enquadrandoas nos CFOP 5.11 ou 5.101, revela a ausência da finalidade exigida pela Lei 10.637/02 para fruição do beneficio da isenção fiscal. Observe que ao declarar nas Notas Fiscais a natureza da operação via CFOP 5.11 e 5.101, o contribuinte dá suporte para que o destinatário de seus produtos, enquanto não decaído o direito, aproveite créditos de PIS nãocumulativo vinculados às aquisições, o que em uma operação eminentemente com fim específico de exportação não é admitido, consoante o próprio Art. 21 § 2° da IN 600/2005, acima transcrito. 20. Tais conclusões foram corroboradas ao analisar os documentos do destinatário das pelotas de minério de ferro, qual seja, o estabelecimento de CNPJ 33.592.510/022042, pertencente à Companhia Vale do Rio Doce, empresa coligada do sujeito passivo. Baseado na operação identificada nas Notas Fiscais da remetente, em muitos casos este estabelecimento escriturou em seus Livros Registro de Entradas as compras realizadas junto à KOBRASCO como aquisições normais no mercado interno, com CFOP 1.12 e 1.102 (fls. 93\108). Não se pode olvidar, todavia, que também há registros nos citados livros com os códigos CFOP 1.86 e 1.501, contudo, e mesmo nestes casos, enquanto não ___ (¹) Ajuste SINIEF 06/00 1.86 Entradas de mercadorias remetidas com fim específico de exportação. 5.86 Remessa de produção do estabelecimento, com fim específico de exportação Ajuste SINIEF 07101 e Anexo XXVII do RICMS/ES 1.501 Entrada de mercadoria recebida com fim especifico de exportação 5.501 Remessa de produção do estabelecimento, com fim específico de exportação. ____ decair do seu direito poderá o estabelecimento matriz da CVRD, munido das Notas Fiscais de aquisições, requerer o aproveitamento do crédito de PIS por meio de compensação ou ressarcimento. Ademais, não se vislumbra poder o contribuinte utilizarse de informações ambíguas por ele inseridas em documentos fiscais obrigatórios para garantirlhe o beneficio da isenção fiscal, sem, entretanto, afastar a Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA Processo nº 11543.003126/200376 Resolução nº 3402000.475 S3C4T2 Fl. 23 4 possibilidade de o destinatário das mercadorias aproveitarse do crédito, em desacordo com a legislação tributária. 21. Em relação ao estabelecimento destinatário, convém mencionar ainda que as suas vendas de pelotas de minério de ferro são registradas sob os CFOP 5.11 e 7.11 (até dez/02) e sob os CFOP 5.101 e 7.101 (a partir de jan./03). Veja que não há distinção entre as vendas de mercadorias adquiridas para revenda e as de produção própria, identificando todas como vendas de produção própria. Nas exportações não há quaisquer registros no código que identifica as exportações de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, CFOP 7.501(²), o que reforça a conclusão de que as vendas de pelotas de minério de ferro da KOBRASCO para a CVRD não comportam o beneficio fiscal da isenção do PIS. Em verdade, tratase de comercialização normal no mercado interno em que se tributa a receita auferida pelo produtor e mantémse o crédito na escrita do comprador, independentemente da destinação ou não das mercadorias para o exterior. 22. A própria CVRD, em resposta ao Termo de Solicitação de Documentos n° 115/2007, anexou à documentação entregue, uma consulta formulada internamente em que alega estar utilizando os créditos decorrentes dessas vendas (fls. 110/114). ______ (²) Ajuste SINIEF 07/01 e Anexo XXVII do RICMS/ES 7.501 — Exportação de mercadorias recebidas com fim especifico de exportação Classificamse neste código as exportações das mercadorias recebidas anteriormente com finalidade especifica de exportação, cujas entradas tenham sido classificadas nos códigos "1.501 — Entrada de mercadoria recebida com fim especifico de exportação ou "2.501— Entrada de mercadoria recebida com fim especifico de exportação". ______ 23. Bem assim, os códigos 5.86 e 5.501(³) são destinados aos casos em que ocorra remessa com o fim especifico de exportação, ou seja, qualquer operação em que há a transferência de mercadorias/produtos com determinado fim. Cabe, então, trazer à baila a definição legal dada á expressão "fim específico de exportação", que para fazer jus ao benefício fiscal deverá haver, necessariamente, remessa das mercadorias vendidas, diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. 24. Nesse sentido, dispõe a IN SRF n° 247/02, respaldada no art. 14 da MP 2.15835/01, incisos VIII e IX e § 1°, e no art. 5°, inciso III, da MP 66/02: (...) VIII – de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadores nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA Processo nº 11543.003126/200376 Resolução nº 3402000.475 S3C4T2 Fl. 24 5 novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim especifico de exportação para o exterior; e IX – de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. § 1º Consideramse adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. (grifos nossos) (...) 25. Observe que esta norma tributária descortinou o significado da expressão "fim específico de exportação", utilizando a definição prevista na Lei n° 9.532, de 10 de _____ (³)5.86 Remessa de produção do estabelecimento, com fim especifico de exportação 5.501 Remessa de produção do estabelecimento, com fim especifico de exportação. ________ dezembro de 1997, cujo art. 39, § 2°, dispõe in verbis: Art. 39. Poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IR, os produtos destinados à exportação, quando: (...) § Consideramse adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento Industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. 26. O próprio decreto n° 1.248/72 já havia disciplinado o tema, senão vejamos: Art.1° As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim especifico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste DecretoLei. Parágrafo único. Consideramse destinadas ao fim específico exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas estabelecimento do produtorvendedor para: a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; b) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento. Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA Processo nº 11543.003126/200376 Resolução nº 3402000.475 S3C4T2 Fl. 25 6 27. Depreendese então que para fazer jus à isenção prevista no art. 5° da Lei 10.637/02, não basta que as vendas sejam efetuadas às empresas comerciais exportadoras e que estas promovam a exportação. Tornase indispensável também que os produtos vendidos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comerciar exportadora. 28. Intimados a empresa destinatária (CVRD) a elucidar como se operou a entrega das pelotas de minério de ferro, e, no caso de as mesmas terem sido diretamente remetidas do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, a apresentar a documentação suporte de tais remessas. Foi esclarecido que as pelotas são entregues no pátio da remetente, inexistindo, desse modo, a documentação requerida (fl. 92). Tal fato foi corroborado com visita realizada ao parque fabril da KOBRASCO. Convém salientar que, apesar da KOBRASCO estar instalada próxima a terminais portuários, seu estabelecimento não está compreendido em área ou recinto alfandegado. 29. Simultaneamente, foi oficiado junto a Inspetoria da Receita Federal do Brasil com vistas a elucidar acerca do alfandegamento dos pátios das usinas de pelotização das empresas coligadas da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). Atendendo ao oficio, constatouse que referidos pátios não são alfandegados, estando as áreas de alfandegamento da CVRD definidos no ADE SRRF07 N° 320/2006, publicado no DOU de 18/0912006 (fls. 115/118), o que não engloba as áreas dos pátios das usinas de pelotização. 30. Sobre o assunto, já disciplina o Art. 111 do CTN (Código Tributário Nacional) que a norma tributária deve ser interpretada literalmente, não cabendo ao sujeito passivo se valer de preceitos da analogia ou de interpretações extensivas, a fim de se enquadrar no bojo da norma isentiva. Assim sendo, não configurado o fim especifico de exportação delineado pelo art. 39, § 2° Lei n° 9.532 1997 e pela IN SRF n° 247/02, acima disciplinados, não cabe ao sujeito passivo fazer jus à isenção pretendida. 31. Por todo o exposto, verificase que, nos termos da legislação tributária, as vendas de pelotas de minério de ferro efetuadas pela KOBRASCO à CVRD~ 33.592.510/022042, não estão amparadas peia Isenção da contribuição para o PIS, posto que as mesmas não se enquadram na definição de fim especifico de exportação delineada pela legislação tributária. 32. Ademais, é importante salientar que, nos termos do art. 111, incisos l e II, do Código Tributário Nacional, Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário e outorga de isenção". 33. Somase a esse fato as notas fiscais emitidas a CVRD e sua própria contabilidade, na qual foram registradas como vendas efetuadas no mercado interno, e não á empresa comercial exportadora. Sobre o assunto é do entendimento das normas contábeis que a contabilidade Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA Processo nº 11543.003126/200376 Resolução nº 3402000.475 S3C4T2 Fl. 26 7 da empresa deve retratar fielmente as operações, por ventura, ocorridas. Variações monetárias ativas dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio 34. O sujeito equivocouse ao não incluir no bojo da base de cálculo do Pis nãocumulativo os valores decorrentes das variações cambiais dos passivos, conta esta de natureza devedora. Deste modo, os lançamentos registrados a crédito representam uma receita tributável devendo compor sua base de cálculo. 35. Sobre o assunto, sabese que a gestão patrimonial imprime ao patrimônio da entidade, constantes variações. As variações representam os acréscimos e as reduções que resultam na situação liquida patrimonial. As variações que acrescem a situação líquida patrimonial são denominadas de variações ativas e as que reduzem de variações patrimoniais passivas. 36. Dentro desse contexto, as variações ativas são provenientes do aumento de valores do ativo e da diminuição de valores do passivo e as variações passivas decorrem da diminuição dos valores do ativo ou do acréscimo dos valores do passivo. 37. Nesta vereda, podese afirmar que nem toda variação ativa decorre do ativo, assim como a variação passiva não somente provém do passivo, devendo o subgrupo variação cambial dos passivos, compor a base de cálculo do Pis nãocumulativo. 38. Ademais, o sujeito passivo apurou o saldo da conta de variações cambiais, adotando um regime de contacorrente, Merece comentário o art. 3°, § 4° da Lei 9.718/98 que sinaliza a forma de apuração do que venha a ser variação cambial ativa e passiva, para efeitos de registro na conta contábil específica, de forma alguma estipulando que o valor tributável pelo Pis deva ser o saldo mensal positivo entre as variações ativas e passivas como entendeu o contribuinte. Se admissível tal abatimento, sua previsão deveria encontrarse Inserta no art. 3°, § 2° da Lei 9.718/98, o que não ocorreu; nem tampouco foi vislumbrado pela Lei 10.637/2002 e alterações, e também pela IN nº 247/2002. 39. Todas essas disposições aplicamse também na determinação da base de cálculo do Pis nãocumulativo, haja vista que as receitas financeiras inseremse no faturamento a que se refere o art. 1° da Lei 10.637/02. Enquanto o art, 1° caput e §§ 1° e 2° das referidas leis exprimem a base de incidência do PIS, o § do mesmo artigo delimita as hipóteses de exclusões da base de cálculo, elencando as espécies de receitas não alcançadas pelas contribuições. 40. De acordo com o art. 97 do Código Tributário Nacional, somente a lei pode instituir, majorar ou reduzir tributos, definir o fato gerador, fixar a alíquota e estabelecer a base de cálculo do tributo, bem como as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários. Não há, portanto, outra possibilidade de composição da base de cálculo que não seja aquela prevista em lei. Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA Processo nº 11543.003126/200376 Resolução nº 3402000.475 S3C4T2 Fl. 27 8 41. A base de cálculo do tributo e as hipóteses de exclusão definidas na lei não comportam interpretação extensiva. No caso do Pis, a base de cálculo e as exclusões permitidas foram claramente definidas no artigo 1° da Lei 10.637/02, não incluindo a hipótese de exclusão pretendida pelo sujeito passivo. De acordo com a norma, a contribuição em análise incide sobre o faturamento. Assim, não há sentido em utilizarse de conceitos típicos da tributação pelo IRPJ, como custo, despesa ou lucro para reduzir a base imponível. 42. Analisando a contabilidade do sujeito passivo, constatouse que foi adotado o regime de competência das variações cambiais. Assim sendo, para fins de apuração da base de cálculo do Pis não cumulativo, foram considerados os valores registrados no Livro Balancete, considerando os valores de variações cambiais ativas, seja decorrente da conta de variações cambiais dos passivos seja decorrente da conta variações cambiais dos ativos, não fazendo jus o sujeito passivo de apurar o saldo mensal positivo entre as variações cambiais ativas e passivas como realizado por ele. Créditos a descontar 43. Do valor das contribuições a pagar apurado pela aplicação das alíquotas sobre a base de cálculo, a pessoa jurídica poderá descontar créditos, determinados mediante a aplicação de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). 44. Embora o titulo desta modalidade de contribuição sugira a implantação da nãocumulatividade, este instituto não foi adotado em sua plenitude, pois a Lei n° 10.637/2002 preferiu a técnica de listar as operações que geram e as que não geram direito a crédito. De qualquer forma, alguns princípios podem ser identificados. 45. Como regra geral, o direito ao crédito do Pis nasce com a aquisição, em cada mês, de bens e serviços que, na fase anterior da cadeia de produção ou de comercialização, se sujeitaram às mesmas contribuições e cuja receita da venda ou da revenda integrem a base de cálculo do Pis. 46. O sujeito passivo foi intimado no dia 16/01/2008 (fls. 13115) a apresentar as planilhas de custo dos insumos (bens e serviços) utilizados na produção e que geraram créditos na apuração do Pis em relação ao período analisado, foi utilizado o termo de solicitação de documentos n° 01 de 2008. 47. Em resposta, o sujeito passivo apresentou planilhas mensais elencando os itens que compuseram a base de cálculo dos créditos de Pis nãocumulativo (fls. 30/35 e 63/75). São eles: Serviços contratados diretos – SAC, serviços contratados CVRD, despesas financeiras mutuo – CVRD, saldo de insumos no estoque em 30/11/02 (estoque de abertura), e insumos adquiridos. 48. Foram efetuadas glosas no item serviços contratados diretos – SAC, tendo em vista que alguns desses serviços não se enquadraram na definição de insumos delineada pela legislação no tocante à apuração de créditos a descontar. Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA Processo nº 11543.003126/200376 Resolução nº 3402000.475 S3C4T2 Fl. 28 9 49. A lei n° 10.637/2002, que instituiu a nãocumulatividade do PIS, foi alterada pela Lei n° 10.68412003, e novamente pela Lei n° 10.865/2004, a qual veio tão somente esclarecer qualquer entendimento ambíguo que, por ventura, aquela lei suscitou. Abaixo foram transcritas a original e as respectivas alterações para fins meramente ilustrativos. Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º;(revogado) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei n° 10.865, de 2004) a) nos incisos IP e V do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei n° 10.865, de 2004) b) no § 1º do art. 2o desta Lei; (locando pela Lei n° 10.865, de 2004) II bens e serviços utilizados como lastimo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes;(revogado) li – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Redação dada pela Lei n° 10.684, de 30.5.2003)(revogado) II bens e serviços, utilizados corno insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei n° 10.865, de 2004) Uma vez constatada a possibilidade de apuração de créditos em função de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda, consoante o próprio Art. 3°, inciso Il da Lei 10.637/2002 (alterada pela Lei 10.865/2004), cabe trazer a baila o conceito de insumo, primordial para esclarecer quais os custos que geram direito a crédito na sistemática do Pis nãocumulativo. Tal conceito adveio do decreto n° 247/2002. Na atividade industrial, além dos combustíveis e lubrificantes são insumos: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado: e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA Processo nº 11543.003126/200376 Resolução nº 3402000.475 S3C4T2 Fl. 29 10 50. Destarte, para que o serviço prestado possa ser utilizado para fins de apuração dos créditos a descontar, deve estar em consonância com a definição esboçada pela legislação fiscal, ou seja, o serviço prestado deve necessariamente ser aplicado ou consumido produção ou fabricação do produto. 51. Assim sendo, serviços administrativos, serviços de auditoria, serviços decorrentes de atividades meio estariam fora dessa definição, não configurando serviços sujeitos a apuração de créditos da contribuição. 52. Foram elaboradas pela diligência as Tabelas de Serviços Contratados Diretos – Serviços Excluídos, anexadas ao presente parecer (fl. 119). Nesta tabela foram discriminados apenas os contratos que foram excluídos da base de cálculo dos créditos a descontar, visto que não se enquadraram na definição de insumo delineada pela legislação tributária, acima demonstrada. Foram discriminados também os seus correspondentes objetos a fim de esclarecer o fundamento de sua exclusão. A PLANILHA DE APURAÇÃO DA BC DOS SERVIÇOS CONTRATOS (fl. 120), corresponde à soma dos serviços que serviram de base para o cálculo dos créditos a descontar e que foi transportada para a PLANILHA DE APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP (fl. 121/122). Referida soma equivale aos valores calculados pelo sujeito passivo, menos os valores que foram glosados pela diligência. 53. O outro item que compôs a planilha de custo dos créditos foram os Serviços Contratados CVRD (Companhia Vale do Rio Doce). O sujeito passivo foi intimado a apresentar as notas fiscais dos serviços contratados da CVRD, conforme o Termo de Solicitação de Documentos n° 01/2008 – item E. Além disso, foi solicitado o contrato de operação da usina de pelotização, com vistas à correta apuração dos créditos a descontar. 54. De posse do contrato de operação das usinas de pelotização (fls. 36/62), pôdese verificar que a CVRD realizou a operação das usinas de pelotização da Kobrasco no período analisado, ficando ajustado uma compensação a ser paga por essa operação. Referida compensação é composta pela seguinte fórmula matemática: Co = C + K Y T, donde Co corresponde ao valor cobrado. 55. O fator C corresponde a serviços e fornecimentos prestados pela CVRD a suas coligadas. Ele corresponde a gastos de PESSOAL, MATER. DIRETO, MAT. INDIRETO, ENERGIA ELETRICA e GASTOS DIVER., compreendidos nas seguintes atividades: • Serviços de operação • Serviços de Utilidades • Serviços Apoio Administrativo . • Serviços Gerais • Serviços de Parada de Usinas • Gastos não Atacados Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA Processo nº 11543.003126/200376 Resolução nº 3402000.475 S3C4T2 Fl. 30 11 56. O sujeito passivo aproveitou de forma integral os valores repassados pela CVRD. No entanto, seguindo a mesma linha de raciocínio depreendida acima, não é qualquer serviço que gera direito a crédito de Pis. Assim sendo, partes desses serviços foram glosados e, posteriormente, os valores correspondentes foram adotados na própria PLANILHA DE APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP (fl. 121/122). 57. No que tange o Fator C foram glosados nas atividades de Serviços Apoio Administrativos e Serviços Gerais, os gastos com pessoal e gastos diversos, uma vez que não configuram serviços aplicados na produção/fabricação do produto. Gastos com pessoal e gastos diversos retratam apenas dispêndios de atividades meio. Não foram excluídos os gastos com materiais e energia elétrica, posto que tais valores já haviam sido previamente excluídos do cálculo dos créditos a descontar pelo sujeito passivo. 58. O Fator K corresponde a despesas gerais, constante da fórmula de compensação da Usina de Pelotização. Da mesma forma como ocorreu em relação ao fator C, os dispêndios referentes a este fator também foram excluídos da base de cálculo dos créditos a descontar por não se enquadrarem na definição de serviços aplicados na produção/fabricação do produto. 59. O Fator Y corresponde à remuneração do capital de giro provido pela CVRD. Este componente tem por finalidade compensar a CVRD pelo custo financeiro do capital de giro que a CVRD proverá para a operação e manutenção das usinas. Não existe previsão legal para que esse tipo de despesa se insira no bojo da base de cálculo dos créditos a descontar. 60. O Fator T corresponde a gastos realizados pela utilização de uma pilha adicional. Entendese que tal gasto enquadrase na definição de insumo delineado pela legislação, razão pela qual foi mantido no cálculo da base de cálculo dos créditos a descontar. 61. No que tange os gastos Despesas Financeiras Mutuo — CVRD,, Saldo de Insumos no Estoque em 30/11/02 (estoque de abertura) e Insumos Adquiridos não houve nenhuma correção a ser efetuada, mantendose os valores originais, ora fornecidos pelo sujeito passivo. Preenchimento das Planilhas de Apuração da contribuição para o Pis 62. Dirimidas as questões confinantes e feitos os ajustes necessários, partiuSe para a apuração do Pis nãocumulativo devido (débito), e para apuração dos créditos a descontar (crédito). Para isso, foram utilizadas as PLANILHAS DE APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS (fls. 121/122). 63. As planilhas foram preenchidas da seguinte forma. No campo Receita da Exportação, foi preenchido já com seus valores líquidos, ou seja, ou valores brutos de venda ou prestação de serviços diminuídos de descontos incondicionais, devoluções de venda ou estornos, por ventura, existentes. Os valores líquidos retratam nada mais do que os valores lançados a crédito no Livro Balancete da empresa menos os valores lançados a débito. Foi utilizado o saldo das respectivas contas. Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA Processo nº 11543.003126/200376 Resolução nº 3402000.475 S3C4T2 Fl. 31 12 64. No campo Receitas Financeiras foram incluídas as contas Variações Cambiais dos Passivos, valores estes não incluídos Inicialmente pela empresa, o que contraria o entendimento legal, conforme visto no item Variações monetárias ativas dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, acima disciplinado. 65. Com relação ao preenchimento da parte dos créditos é importante observar a existência de duas colunas: mercado interno e exportação. Esse procedimento advém do fato da legislação permitir a compensação de créditos apenas em relação à parcela decorrente da exportação, como veremos a seguir. Compensação 66. As pessoas jurídicas que promovam exportação de mercadorias para o exterior, operação sem incidência do Pis nãocumulativo, provavelmente acumularão créditos superiores aos débitos por operações no mercado interno, tributadas pelas contribuições. 67. A Instrução Normativa SRF n° 600/2005, consolidou as normas relativas à compensação, á restituição e ao ressarcimento de créditos do contribuinte, relativos a tributos e contribuições federais, revogando as normas anteriores que tratavam da matéria. Conforme este ato normativo, os créditos da contribuição para o Pis, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, se decorrentes de: I custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; (...) 68. Na verdade, o sujeito passivo se valeu dessa norma COM vistas a compensar o suposto saldo remanescente de crédito de Pis com débitos de IRPJ. E o intuito da presente diligência foi o de comprovar a exatidão dessa compensação. 69. Nesta senda, a legislação obriga a pessoa jurídica sujeita à sistemática da “nãocumulatividade" a contabilizar os bens e serviços adquiridos e os custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliadas no Pais separadamente daqueles efetuados a pessoas jurídica domiciliada no exterior. A Instrução Normativa SRF n° 387/2004 exige que a pessoa jurídica sujeita à sistemática da "nãocumulatividade" mantenha controle de todas operações que influenciem a apuração do valor devido das contribuições e dos respectivos créditos a serem descontados, deduzidos, compensados ou ressarcidos, especialmente quanto: a) às receitas sujeitas à apuração da contribuição em conformidade com o art. 2° da Lei n° 10.637, de 2002; Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA Processo nº 11543.003126/200376 Resolução nº 3402000.475 S3C4T2 Fl. 32 13 b) às aquisições e aos pagamentos efetuados a pessoas jurídicas domiciliadas no Pais; c) aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas sujeitas à apuração da contribuição; d) aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas de exportação e de vendas a empresas comerciais exportadoras com fim especifico de exportação, que estariam sujeitas à apuração das contribuições em conformidade com o art. 2° da Lei n° 10.637, de 2002, e com o art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003, caso as vendas fossem destinadas ao mercado interno e, e) ao estoque de abertura, nas hipóteses previstas no art. 11 da Lei n° 10.637, de 2002, e no art. 12 da Lei n° 10.833, de 2003. 70. Desse macio, para segregar essas informações devese partir de duas metodologias: a)apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com o restante da escrituração; b) rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas, encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta e a receita total, auferidas no mês. 71. O sujeito passivo foi intimado através do Termo de Solicitação de Documentos N° 01/2008 a informar qual foi o regime adotado. Em resposta, ele alegou que foi adotado o regime de rateio proporcional entre as receitas de exportação e receitas no mercado interno, sendo então utilizada esta metodologia para o preenchimento das planilhas de apuração da contribuição, na qual foram segregados os créditos decorrentes do mercado interno e os créditos decorrentes da exportação. 72. Uma vez preenchidas as planilhas de apuração da contribuição para o Pis, foi elaborada a planilha de compensação (fl. 123), a qual ilustra as compensações efetuadas a partir dos valores de débitos e de créditos apurados pela diligência. Não foi possível homologar em sua totalidade as compensações efetuadas, tendose em vista a insuficiência de créditos. 73. Importante ressaltar que apenas o saldo de crédito decorrente do mercado externo possibilita o sujeito passivo de compensar com outros débitos administrados pela SRF. Assim sendo, primeiramente foram descontados os créditos decorrentes do mercado interno para depois utilizar os créditos decorrentes do mercado externo, ou seja, apurava se o Pis devido para depois apurar o Pis a pagar. O saldo de créditos do mercado externo, por ventura existente, foi utilizado para fins de compensação, consoante as DCOMP's apresentadas pelo sujeito passivo. De acordo com a planilha de compensação, as compensações apresentadas pelo sujeito passivo foram homologadas em parte em função de insuficiência de créditos. Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA Processo nº 11543.003126/200376 Resolução nº 3402000.475 S3C4T2 Fl. 33 14 74. O sujeito passivo apresentou as Declarações de Compensações (DCOMP's) constantes as folhas 01 e 02 tendentes a compensar débitos de IRPJ com créditos decorrentes da contribuição para o Pis nãocumulativo. PROPOSIÇÃO 80. Com estas considerações, proponho á Delegada da Receita Federal em Vitória/ES que RECONHEÇA apenas o direito creditório de R$ 173.781,40 (cento e setenta e trás mil, setecentos e oitenta e um reais e quarenta centavos), nos moldes da Planilha de Compensação (fls. 123) e da Tabela de Compensação (fl. 124), relativo ao saldo remanescente da apuração nãocumulativa da contribuição para o Pis, período agosto de 2003, conforme estatuem a Leis n° 10.637/02 e IN SRF 247/02, e, ato continuo, que sejam HOMOLOGADAS as compensações apresentadas na Planilha de Compensação, até o limite do crédito aqui reconhecido, a fim de que surta os efeitos previstos no art. 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação alterada pela legislação que lhe sobreveio. À melhor consideração. ........ De acordo. À consideração da Sra. Delegada, com a recomendação de aprovação e acolhimento do parecer. ... DESPACHO DECISÓRIO DRFNIT/ES PAF 11543.003126/200376 À vista do Parecer Seort/DRFNIT/, elaborado pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária (SEORT) desta Delegacia, que APROVO, e, ainda, o disposto no art. 238, VI, do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda n° 95, de 30/04/2007, publicada na Edição Extra do DOU de 02/05/2007, RECONHEÇO o direito creditório de R$ 173.781,40 (cento e setenta e três mil, setecentos e oitenta e um reais e quarenta centavos), nos moldes da Planilha de Compensação (fls. 123) e da Tabela de Compensação (fl. 124), relativo ao saldo remanescente da apuração nãocumulativa da contribuição para o Pis, período agosto de 2003, conforme estatuem a Leis n° 10,637/02 e IN SRF 247/02, e, ato contínuo, HOMOLOGO AS COMPENSAÇÕES constantes da planilha da compensação, até o limite do crédito ora reconhecido. DETERMINO, ainda, a remessa ao SECAT/DRFNIT/ES para o processamento das compensações de acordo com a Tabela de Compensação constante à fl. 124 e, posteriormente, a ciência ao sujeito passivo do Inteiro teor do Parecer Seort/DRFNIT/ES n° /2008 e deste despacho decisório, cabendo registrar que, em caso de discordância de suas conclusões, cabe interposição de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da sua ciência, nos termos do art. 74, §§ 7° a 11, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela legislação superveniente. Ressalto que a individualização das medidas mencionadas não prejudica a observância de outras, porventura Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA Processo nº 11543.003126/200376 Resolução nº 3402000.475 S3C4T2 Fl. 34 15 cabíveis, tendentes a salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional.” Por seu turno, a r. decisão de fls. 257/163 da 5ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro II RJ, houve por bem “julgar improcedente” a Manifestação de Inconformidade de fls. 164/185, mantendo o Despacho Decisório (fls. 142) e Respectivo Parecer (fls. 125/142) da DRF de Vitória – ES, aos fundamentos sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Consideramse isentas da contribuição para o PIS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação somente quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO CAMBIAL. A exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da contribuição ao PIS não alcança as variações cambiais ativas, que têm natureza de receitas financeiras, devendo, como tal, sofrer a incidência daquela contribuição. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da nãocumulatividade, consideram se insinuas os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Nas razões de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta a insubsistência da r. decisão recorrida tendo em vista: a) a regularidade das remessas destinadas ao fim exclusivo de exportação eis que as operações de venda realizadas pela RECORRENTE para a VALE S.A., empresa comercial exportadora, foram destinadas exclusivamente ao mercado externo, fato que não foi contestado pela fiscalização e é demonstrado pelo arcabouço probatório juntado aos presentes autos e que desconsiderar a imunidade tributária que aproveita a RECORRENTE na situação de exportadora indireta de produtos (via comercial exportadora) é onerar a exportação contra expressa determinação constitucional que comporta interpretação ampla, não se podendo considerar que a alegada desobediência a determinadas obrigações acessórias teria o condão de o tornar passível de tributação; b) que o trajeto das pelotas exportadas ocorre em duas fases, a primeira, quando as pelotas deixam a área de produção da RECORRENTE e são destinadas à estocagem nos pátios da própria RECORRENTE, e a segunda, quando as pelotas deixam os pátios da RECORRENTE por meio de esteiras e são destinadas por essas esteiras diretamente, seja para os pátios da VALE, que são considerados área alfandegadas, de acordo com o que prescreve o Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA Processo nº 11543.003126/200376 Resolução nº 3402000.475 S3C4T2 Fl. 35 16 ADE da 7a RF de n° 320, de 14 de setembro de 2006, dali seguindo para destino ao exterior; ou, o embarque em navios com destino ao exterior, seja diretamente para o embarque em navios com destino ao exterior, razão pela qual que tais pátios são partes integrantes dessas mesmas usinas, compondo, juntamente com elas, um só todo, um só estabelecimento industrial, donde carece de base empírica idônea a alegação de que a RECORRENTE não remeteria diretamente para recintos alfandegados as pelotas que produz, o que inquina de ilegalidade o auto de infração contra ela lavrado pela i. Receita Federal do Brasil; b) que o equívoco no preenchimento do CFOP das notas fiscais que específico de exportação seria irrelevante para descaracterizar a real natureza da operação ante a observância dos princípios da verdade material e da prevalência da substância sobre a forma no processo administrativo fiscal e que tal equívoco, em razão do princípio da verdade material e do princípio da prevalência da substância sobre a forma, não poderia, de modo algum, redundar na suposta comprovação de que não havia "fim específico de exportação" no que tange às remessas diretas de pelotas para área alfandegada da VALE S.A. pois é mais do que evidente que ninguém envia produtos para área alfandegada, a não ser que possua a finalidade específica de exportálos; c) que as variações monetárias ativas decorrentes do fechamento dos contratos de câmbio se subsumem ao conceito de receita decorrente de operação de exportação cobertas pela a imunidade das Contribuições Sociais nas operações de vendas para o exterior, donde decorre a impossibilidade de se fazer incidir o PIS sobre as variações decorrentes dos contratos de câmbios, sendo que o credito que goza a RECORRENTE com a variação cambial no fechamento do câmbio é, em verdade, direito Creditório decorrente das operações de exportação, sendo indevida a glosa realizada pelos Auditores Fiscais, de sorte, que devem ser descontados do cálculo do tributo devido os valores referentes as variações monetárias ativas dos direitos de créditos e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio; d) depois de tecer considerações sobre as diferenças da não cumulatividade no IPI, ICMS e nas contribuições sociais sobre o faturamento e sua aproximação ao conceito de custo e despesas operacionais, e que os referidos créditos se enquadrariam perfeitamente no conceito de insumos, na conceituação da legislação do PIS e da COFINS conforme reconhecido nas decisões de consulta e decisões da própria SRF e do Poder Judiciário que cita, donde seria indevida desconsideração do crédito decorrente de serviços que teriam sido usados "indiretamente" no processo produtivo da RECORRENTE e que no caso se prendem aos serviços relativos a Contrato com a CVRD (Companhia Vale do Rio Doce) e consubstanciados nos Serviços de elaboração de projetos mecânicos e elétricos, serviços de análise de material emitido no ar atmosférico, serviços de manutenção nos sistemas elétricos, eletrônicos em equipamentos ambientais das chaminés, serviços de consultoria em meio ambiente, serviços técnicos de controle e automação (cf. fls. 120); e) finalmente requer perícia ou diligência para esclarecimento de matéria de fato formulando quesitos e nomeando assistente técnico. É o relatório. Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA Processo nº 11543.003126/200376 Resolução nº 3402000.475 S3C4T2 Fl. 36 17 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator Designado. O recurso reúne as condições de admissibilidade, porém, não se encontra em condições de receber um julgamento justo, pois ainda remanescem dúvidas a serem elucidadas. De antemão, deixo registrado que adoto integralmente o muito bem e detalhado relatório elaborado pelo Ilustre Relator inicialmente designado, Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, para quem, no entanto, já haveria condições para o julgamento do feito, sendo, no entanto, neste particular, sido vencido pela maioria que preferiu aprofundar um pouco mais a investigação probatória, convertendo o julgamento em diligência, para o que restei designado. Essencialmente a discussão em tela pautase na solução de três principais pontos: (i) a real finalidade das vendas realizadas pela recorrente, para fins de apuração do direito creditório nos termos estabelecidos pela Lei 10.637/2002; (ii) a natureza das prestações de serviço do qual a recorrente tomou crédito, se caracterizadas ou não como insumos no processo produtivo da mesma; e (iii) as variações monetárias que a recorrente deixou de adicionar à base de cálculo da contribuição ao Pis são consideradas receitas financeiras, caracterizadas como “vendas nomercado interno”, ou então, seriam receitas de exportação, por serem dela decorrentes. Os pontos acima citados são controvertidos por que, à medida em que a recorrente considera as vendas realizadas para a empresa Vale do Rio Doce (CVRD), como vendas com fim específico de exportação, a Autoridade Fiscal entendeu que, pela classificação de CFOP registrada para as referidas vendas, bem como, pelo fato de que os produtos não são depositados diretamente em recintos alfandegados (ficam primeiramente no pátio da recorrente, sob espera de frete, por conta e ordem da compradora Vale), a venda está a ser realizada no mercado interno, não ensejando o direito creditório perseguido. Neste mesmo sentido, controversa é também a tomada de créditos sobre determinados serviços, efetuada pela recorrente e glosada pela Autoridade Administrativa, sob a alegação de que não se tratam estes de insumos “utilizados na prestação de serviços ou na produção de bens ou produtos destinados à venda”, conforme prevê o artigo 3º da Lei 10.637/2002. Finalmente, a autoridade ainda questiona o procedimento adotado pela recorrente com relação a classificação atribuída às variações cambiais, que deveriam ter sido adicionadas à base de cálculo da contribuição, e reconhecidas como sendo provenientes de receitas do mercado interno, devendo, finalmente, serem reconhecidas por variação, e não através de um “contacorrente”, como fizera a recorrente. Em suma, os pontos acima destacados denotam que sua solução possui essencialmente um profundo conhecimento do processo produtivo e das operações da empresa, de forma que, tanto em relação à destinação ou não das vendas para fim específico de exportação, quanto a aplicação de determinados serviços dos quais a empresa tomou crédito, e finalmente, a origem e momento de reconhecimento da variação cambial, podem ser solucionadas esclarecendose estas questões. Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA Processo nº 11543.003126/200376 Resolução nº 3402000.475 S3C4T2 Fl. 37 18 Tenho que a decisão da DRJ clareou bastante os motivos pelo qual parte do crédito tomado pelo sujeito passivo não foi reconhecido, tendo então o contribuinte reunido documentos de forma a combater estas alegações em seu recurso voluntário. Os fundamentos trazidos pelo contribuinte visavam comprovar o processo produtivo da empresa, bem como, esclarecer ainda o fato de que os CFOP’s classificados como venda no mercado interno realmente estariam equivocados, apresentando suas retificações, fatores esses que deverão ser oportunamente enfrentados. Ainda, o sujeito passivo rebateu os fundamentos do Fisco acerca da glosa dos créditos relativa aos serviços utilizados no processo produtivo, suscitando um julgamento sob o prisma do novo conceito de insumos, que não aquele restrito ao IPI. Suscitou no colegiado, ainda, dúvida sobre a forma e momento de reconhecimento da variação cambial, em face das operações realizadas. Assim, as razões trazidas pelo contribuinte em seu recurso, bem como os documentos anexados ao mesmo, transmira “início de prova” suficientes de sugerir um aprofundamento probatório, eis que, por si só, nesse momento, ainda não seriam suficientes para um livre convencimento fundamentado que seja completamente justo, sem que pairem dúvidas acerca da verdade material, razão pela qual entendese que o melhor caminho é a conversão do julgamento em diligência, a fim de que a Delegacia da Receita Federal apure algumas situações que abaixo serão elencadas. Neste sentido, o Decreto 70.235/72, em seu artigo 29, bem determina: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. A jurisprudência estendese na mesma esteira: PRELIMINAR. DILIGÊNCIA. CONVICÇÃO DO JULGADOR. A teor do art. 29 do Decreto nº 70.235/72 a realização de diligência vincula se ao livre convencimento da autoridade administrativa julgadora. (2º Conselho de Contribuintes / 2a. Câmara / ACÓRDÃO 20218.273 em 19.09.2007) Conforme mencionado anteriormente, temse que a questão para a solução tanto das dúvidas no que tange à destinação das vendas da recorrente, quanto dos serviços sobre a qual apropriou o crédito nos termos da Lei 10.637/2002, e, ainda, quando a forma e momento da geração e reconhecimento da variação cambial, necessitam de esclarecimentos acerca do processo empresarial e produtivo adotado, razão pela qual voto no sentido de que o julgamento seja convertido em diligência para que a Repartição de Origem tome as seguintes providências: 1 Aponte pormenorizadamente o caminho que as pelotas de minério de ferro tomam desde a entrada da matériaprima no estabelecimento da recorrente, até a disponibilização do produto para a venda; Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA Processo nº 11543.003126/200376 Resolução nº 3402000.475 S3C4T2 Fl. 38 19 2 Esclareça junto à recorrente e junto à Companhia Vale do Rio Doce o trâmite que envolve os negócios jurídicos entre as mesmas realizados, de modo a constatar quando o produto deixa efetivamente de ser propriedade da recorrente e passa a ser da compradora; 3 Verifique onde e quando, dentro do negócio jurídico realizado entre as duas empresas citadas, as pelotas de minério de ferro são depositadas, transportadas e/ou armazenadas, e qual o fim a que este processo (armazenagem, transporte ou depósito) se presta; 4 Aponte quem é o responsável pelo transporte das pelotas de minério de ferro do estabelecimento da Recorrente até o estabelecimento da compradora, descrevendo o caminho percorrido e as respectivas titularidades quanto à posse dos produtos industrializados, e assunção de riscos pela eventual perda dos citados produtos, no curso do transporte; 5 Aponte a destinação dada pela Companhia Vale do Rio Doce às pelotas de minério de ferro adquiridas da recorrente, observando seus dados contábeis; 6 Apure junto à Companhia Vale do Rio Doce o aproveitamento ou não dos créditos de PIS decorrentes da aquisição das pelotas de minério de ferro da recorrente, no período objeto do pedido de compensação sob análise; 7 Esclareça se o estabelecimento onde as pelotas de minério de ferro vendidas para a empresa Vale do Rio Doce ficam depositadas é ou não recinto alfandegado; assim como esclareça quando o produto é entregue à compradora Vale do Rio Doce, é direcionado/entregue em qual estabelecimento da referida compradora, informando se se trata ou não de recinto alfandegado; 8 Aponte, dentro do processo produtivo da recorrente, a utilização/necessidade dos serviços sobre os quais a mesma tomou crédito, e indique sua relação ou não com a geração de receita da recorrente; apontar se tais serviços são imposição de mercado, por normas de posturas, se são esseciais e/ou imprescindíveis ao processo empresarial da Recorrente, e o porque destas considerações. Enfim, descrever em que etapa do processo empresarial e para qual finalidade e destinação são empregados os serviços cujos créditos foram tomados pela Recorrente; 9 Quanto as variações cambiais, apontar se se tratam de variações ativas de direitos creditórios, passivas de obrigações, ou ambas; apontando, ainda, se tal verificação de variação se dá antes do embarque para fins de exportação ou após o referido embarque. Ainda, apontar se é composto um conta corrente entre variações positivas e negativas e periodicidade de reconhecimento, ou se se trata apenas de reconhecimento das variações que geram receitas; 10 Ao final, elaborar Relatório de Diligência, manifestandose de forma conclusiva sobre os resultados alcançados, concedendo, ao final, vista a Recorrente, com prazo de 30 (trinta) dias para se pronunciar, querendo, Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA Processo nº 11543.003126/200376 Resolução nº 3402000.475 S3C4T2 Fl. 39 20 sobre o Relatório, sendo que, após vencido o prazo, os autos deverão é retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator Designado. Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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Numero do processo: 14751.002321/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
SIMPLES. BASE DE CÁLCULO DOS TRIBUTOS DEVIDOS. RECEITA BRUTA.
Os tributos recolhidos mensalmente com base no Simples constituem o resultado da aplicação de um determinado percentual sobre a receita bruta auferida no mês, não sobre o apontado ganho resultante das operações realizadas pelo optante do regime simplificado.
OMISSÃO DE RECEITAS. REGIME DE APURAÇÃO ADOTADO PELA PESSOA JURÍDICA AUTUADA.
Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valores dos tributos a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão.
BONIFICAÇÕES CONCEDIDAS EM MERCADORIAS.
As bonificações em mercadorias, quando caracterizadas como descontos incondicionais, devem ser excluídas da base de tributação do Simples, por representarem redução no custo individual das mercadorias recebidas, não podendo ser consideradas como receitas passíveis de tributação.
INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO.
Exige-se através de lançamento de ofício as diferenças apuradas, relativas a recolhimentos a menor em face da identificação de base cálculo aplicável a maior em relação àquela apurada pela contribuinte.
Lançamento mantido em parte.
Numero da decisão: 1401-000.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento parcial para afastar a inclusão da remessa em bonificação como receita tributável.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Karem Jureidini Dias (vice-Presidente), Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes De Mattos e Mauricio Pereira Faro.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005 SIMPLES. BASE DE CÁLCULO DOS TRIBUTOS DEVIDOS. RECEITA BRUTA. Os tributos recolhidos mensalmente com base no Simples constituem o resultado da aplicação de um determinado percentual sobre a receita bruta auferida no mês, não sobre o apontado ganho resultante das operações realizadas pelo optante do regime simplificado. OMISSÃO DE RECEITAS. REGIME DE APURAÇÃO ADOTADO PELA PESSOA JURÍDICA AUTUADA. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valores dos tributos a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão. BONIFICAÇÕES CONCEDIDAS EM MERCADORIAS. As bonificações em mercadorias, quando caracterizadas como descontos incondicionais, devem ser excluídas da base de tributação do Simples, por representarem redução no custo individual das mercadorias recebidas, não podendo ser consideradas como receitas passíveis de tributação. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Exige-se através de lançamento de ofício as diferenças apuradas, relativas a recolhimentos a menor em face da identificação de base cálculo aplicável a maior em relação àquela apurada pela contribuinte. Lançamento mantido em parte.
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BASE DE CÁLCULO DOS TRIBUTOS DEVIDOS. RECEITA BRUTA. Os tributos recolhidos mensalmente com base no Simples constituem o resultado da aplicação de um determinado percentual sobre a receita bruta auferida no mês, não sobre o apontado ganho resultante das operações realizadas pelo optante do regime simplificado. OMISSÃO DE RECEITAS. REGIME DE APURAÇÃO ADOTADO PELA PESSOA JURÍDICA AUTUADA. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valores dos tributos a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. BONIFICAÇÕES CONCEDIDAS EM MERCADORIAS. As bonificações em mercadorias, quando caracterizadas como descontos incondicionais, devem ser excluídas da base de tributação do Simples, por representarem redução no custo individual das mercadorias recebidas, não podendo ser consideradas como receitas passíveis de tributação. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Exigese através de lançamento de ofício as diferenças apuradas, relativas a recolhimentos a menor em face da identificação de base cálculo aplicável a maior em relação àquela apurada pela contribuinte. Lançamento mantido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 23 21 /2 00 9- 15 Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14751.002321/200915 Acórdão n.º 1401000.794 S1C4T1 Fl. 1.184 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento parcial para afastar a inclusão da remessa em bonificação como receita tributável. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Karem Jureidini Dias (vicePresidente), Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes De Mattos e Mauricio Pereira Faro. Relatório Tratase de auto de infração de Simples, decorrente da apuração de omissão de receitas no ano calendário 2005. Pela sua completude, adoto e transcrevo o relatório constante da decisão recorrida, in verbis: Conforme descrições dos fatos, constantes dos autos de infração, fls. 04 a 06, 20 (verso) a 23, 27 a 29 (verso), 33 (verso) a 36, e 40 a 42 (verso), os autos de infração relativos ao anocalendário de 2005, foram decorrentes de: • Omissão de receitas não escrituradas, no valor das notas fiscais de "remessa em bonificação" da fornecedora Souza Cruz S.A. para a contribuinte, equivalente ao valor, ou preço, de custo, das mercadorias remetidas pela fornecedora, a título de bonificação em mercadorias em função dos volumes comercializados pela empresa J. T. de Lima, uma espécie de desconto em mercadorias, em vez de desconto em dinheiro, sendo tais mercadorias não escrituradas consideradas vendidas pelo preço de custo "tendo em vista que os preços são tabelados", e não "simplesmente repassadas aos fumantes contumazes" como forma de propaganda junto a estes, tal como alegado pela fiscalizada. Essas receitas foram relacionadas no "Demonstrativo das Receitas de Vendas de Cigarros" (fls. 1005 a 1006); • Omissão de receitas equivalentes a pagamentos efetuados com recursos estranhos à escrituração. Compras não foram escrituradas no livro Registro de Entradas de Mercadorias (livro fiscal), também não sendo escriturados no Livro Caixa os pagamentos efetuados às empresas Chocolates Garoto S.A., Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14751.002321/200915 Acórdão n.º 1401000.794 S1C4T1 Fl. 1.185 3 Souza Cruz S.A. e Refrescos Guararapes Ltda, conforme "Demonstrativo das Compras e Pagamentos não Escriturados" (fls. 1007 a 1023); e Insuficiência de recolhimento, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, integrante dos Autos de Infração (fls. 1033 a 1044). 3. No Termo de Verificação Fiscal, fls. 1033 a 1044, ainda é descrito que: 3.1. o crédito tributário referese ao SIMPLES, pela ausência de recolhimento relativamente ao ano base de 2005; 3.2. a empresa foi constituída em 20/07/1971 e tem como objetivo o "Comércio varejista de doces, balas, bombons e semelhantes", CNAE 4721104, e está constituída na Junta Comercial como firma individual ou empresária em nome de Jacó Tibúrcio de Lima, CNPJ 08.667.073/000143; 3.3. foi selecionada para fiscalização na operação "Clientes x Fornecedores Compras", porque efetuou compras na ordem de R$ 8.095.748,73, conforme declarações DIPJ de fornecedor, embora a fiscalizada tenha informado para a Receita Federal do Brasil RFB compras acumuladas no valor de R$ 89.893,24, conforme Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica do ano calendário 2005 (fls. 114 a 131); 3.4. a contribuinte tomou ciência do início do procedimento fiscal em 20/01/2009, sendolhe solicitados livro de Registro de Entradas e Saídas de Mercadorias, de Apuração do ICMS, Registro de Apuração do ISS, livro Caixa, Registro de Termos de Ocorrências e de Documentos Fiscais e Registro de Inventário, Notas Fiscais de entradas e saídas de mercadorias e de serviços prestados em 2005, além de contrato social e alterações; 3.5. em 29/01/2009 apresentou os livros documentos solicitados, complementando o material em 04/02/2009; 3.6. também foram colhidos documentos e informações perante terceiros (fornecedores mais representativos em volume de vendas à fiscalizada, no caso: Chocolates Garoto S.A., Souza Cruz S.A. e Refrescos Guararapes Ltda); 3.6.1. o fornecedor Chocolates Garoto S.A. encaminhou cópias de notas fiscais de venda à fiscalizada, canhotos das notas fiscais e planilha com dados de seu livro Razão da conta clientes, onde consta o número de Nota Fiscal, data de emissão, vencimento e forma de pagamento, consoante fls. 182 a 218, e informou que o responsável pelas compras e pagamentos em 2005 e 2006 era o sr. Jacó Tibúrcio de Lima, além de anexar relatório com as formas de pagamentos, informando, posteriormente, a forma e data das quitações (fls. 214 a 218); 3.6.1.1. do confronto dos valores das vendas efetivamente feitas pela fornecedora Chocolates Garotos S.A. com os valores Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14751.002321/200915 Acórdão n.º 1401000.794 S1C4T1 Fl. 1.186 4 escriturados no livro Caixa e no livro de Registro de Entradas de Mercadorias da fiscalizada, foram detectadas várias compras e pagamentos não escriturados, sendo lavrado Termo de Constatação Fiscal, acompanhado do Demonstrativo das Compras e Pagamentos não Escriturados, com ciência em 29/07/2009; 3.6.2. o fornecedor Souza Cruz S.A. apresentou relação de 792 notas fiscais emitidas em 2005 e 2006, relativas às vendas de cigarros, cartões telefônicos e remessas em bonificações, efetuadas à pessoa jurídica J. T. de Lima, enviando 697 notas fiscais localizadas, justificando que 95 notas fiscais não foram encontradas, possivelmente por arquivamento em locais diversos, mas estava apresentando todos os dados das notas fiscais obtidos de arquivos magnéticos; 3.6.2.1. explicou, a mesma Souza Cruz S.A., que a quitação da venda é dada no momento da entrega das mercadorias, mediante pagamento à vista, ou por pagamento na modalidade "RCC Recibo de Crédito em Carteira", cujo pagamento se dava de 03 a 07 dias da entrega da mercadoria, tendo juntado cópias de RCC, canhotos de entrega de mercadorias em que o sr. Jacó Tibúrcio de Lima aparece atestando o recebimento das mercadorias compradas; 3.6.2.2. no cadastro CNPJ, o nome do sr. Jacó Tibúrcio aparece como proprietário, sendo responsável pelas compras e pagamentos da empresa; 3.6.2.3. a Souza Cruz S.A. foi ainda intimada a apresentar as 95 notas fiscais restantes e para demonstrar as suas formas de pagamento, bem como solicitouse da mesma informar sobre a operação "remessa em bonificação" CFOP 5.910, em que situação se dava tal transação, e para que informasse qual o tipo de relação comercial que mantinha com a fiscalizada; 3.6.2.4. em resposta, a Souza Cruz S.A. enviou 82 notas fiscais e nova relação de notas fiscais e respondeu que a operação "remessa e bonificação" consistia em um bônus em mercadorias concedido ao cliente, em função dos volumes comercializados e ainda que mantinha relação comercial normal de venda por atacado dos produtos que comercializava e não havia qualquer vinculo contratual entre as empresas; 3.6.2.5. do confronto dos valores das vendas efetivamente realizadas pela fornecedora Souza Cruz S.A. com os valores escriturados no livro Caixa e no livro Registro de Entradas de Mercadorias da pessoa jurídica J. T. de Lima, constatouse que as compras e os pagamentos efetuados à empresa Souza Cruz S.A. não foram escrituradas no livro fiscal de Registro de Entradas de Mercadorias, nem ocorreu o registro do pagamento no livro Caixa, conforme fls. 132 a 181, sendo lavrado Termo de Constatação Fiscal, acompanhado do Demonstrativo das Compras e Pagamentos não Escriturados, com ciência em 29/07/2009; Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14751.002321/200915 Acórdão n.º 1401000.794 S1C4T1 Fl. 1.187 5 3.6.3. após intimações, a empresa Refrescos Guararapes Ltda apresentou via correio eletrônico planilha com todas as vendas realizadas à fiscalizada, e sua forma de pagamento e posteriormente entregou as 3a vias de notas fiscais e boletos das operações comerciais realizadas com a J. T. de Lima, informando o nome do sr. Jacó Tibúrcio de Lima como responsável e garantidor das operações comerciais, além de enviar mais 14 notas fiscais em resposta à pedido de complementação de informações; 3.6.3.1. foram detectadas várias compras e pagamentos não escriturados, mediante o confronto dos valores das vendas efetivamente realizadas pela fornecedora Refrescos Guararapes Ltda com os valores escriturados no livro Caixa e no livro Registro de Entradas de Mercadorias da pessoa jurídica fiscalizada, sendo lavrado Termo de Constatação Fiscal, acompanhado de Demonstrativo das Compras e Pagamentos não escriturados, com ciência em 29/07/2009; 3.7. as aquisições e os respectivos pagamentos feitos às empresas Chocolates Garoto S.A., e Refrescos Guararapes Ltda, tiveram alguns registros feitos nos mencionados livros Caixa e de Registro de Entradas de Mercadorias; 3.8. o Termo de Constatação Fiscal está acompanhado do Demonstrativo das Compras e Pagamentos não Escriturados e 05 planilhas referentes às mercadorias recebidas a título de remessa de bonificação, espécie de bônus em mercadorias, ou de desconto em mercadorias, consoante o Demonstrativo das Receitas de Vendas de Cigarros, sendo que do primeiro demonstrativo constam o n° da nota fiscal, data de emissão, valor, nome do fornecedor, CNPJ e informações de pagamento (data, forma de pagamento e valor), enquanto no segundo demonstrativo constam dados da nota fiscal, fornecedor e CNPJ; 3.9. ainda no curso do procedimento fiscal, a fiscalizada apresentou suas contrarazões ao Termo de Constatação Fiscal em 12/08/2009, alegando que: 3.9.1. é comerciante há mais de 30 anos, e sempre soube que cigarros eram tributados no momento da aquisição; 3.9.2. o lucro com cigarros sempre foi pequeno, não havendo que pagar outro imposto sobre a sua venda, sendo o lucro bruto de 2% no atacado, que representam 95% das vendas, e de no máximo 8% na venda ao consumidor, sem levar em conta as perdas; 3.9.3. reconhece que em momento algum enviou notas fiscais para lançamento nos livros de entradas de mercadorias nem informou à contabilidade o montante dessas vendas, não sabendo que tais notas fiscais deveriam ser lançadas na contabilidade, bem como as suas vendas, e que estava cometendo uma infração fiscal; Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14751.002321/200915 Acórdão n.º 1401000.794 S1C4T1 Fl. 1.188 6 3.9.4. reconhece como verdadeiras as compras à Souza Cruz S.A. levantadas pela fiscalização e desconhece os motivos para o não lançamento das notas fiscais de aquisição de mercadorias junto às empresas Refrescos Guararapes Ltda e Chocolates Garoto S.A., o que talvez se devesse ao extravio de tais documentos, por serem em pequeno número; 3.9.5. as mercadorias dadas pela Souza Cruz a título de bonificação ou brinde eram para serem distribuídas a título de propaganda comercial, não sendo vendidas nem delas obtinha lucro ou receita, sendo repassadas aos fumantes contumazes; 3.9.6. discorda da inclusão da nota fiscal n° 029551, de 12/12/2005, no valor de R$ 52.522,72, pois acredita haver um engano já que os valores dos brindes giravam em torno de R$ 300,00 a R$ 1.000,00; 3.9.7. solicitou que fosse tributado levandose em conta a margem de lucro bruto de 2% sobre o preço de custo e que, diante da possível autuação, seja dada maior a celeridade possível, de modo a poder participar do parcelamento previsto na Lei n° 11.941/09; 3.10. a partir das respostas da contribuinte ao Termo de Constatação Fiscal, a fiscalização concluiu e relatou, no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1033 a 1044), integrante dos Autos de Infração, que: 3.10.1. assistia razão à contribuinte quanto à inclusão da nota fiscal n° 029551 como não sendo remessa em bonificação ou desconto, por se tratar, de fato, de aquisição de mercadoria, excluindo o seu valor do Demonstrativo das Receitas de Vendas de Cigarros e o incluindo no Demonstrativo das Compras e Pagamentos não Escriturados; 3.10.2. do total das vendas de mercadorias em 2005, os cigarros representaram 99,30%, os refrigerantes 0,47% e chocolates 0,23%; 3.10.3. quanto à alegação da contribuinte de que o imposto era pago quando da aquisição do cigarro junto à empresa Souza Cruz S.A., a fiscalização esclarece estar correta sua afirmação no que se refere ao PIS e Cofins, uma vez que os fabricantes e importadores, na condição de contribuinte e de responsável, como substituto tributário, dos comerciantes varejistas e atacadistas, recolhem tais contribuições sociais, baseados na Lei Complementar n° 70/91, art. 3o , Lei nü 9.532/97, art. 53 e art. 81; Lei n° 9.317/96, art. 5° §5°; Lei n° 9.718/98; Decreto n° 4.524/02, arts. 4o , 37, 47 e 82 e 83; e Lei n° 10.865/04, art. 29 e 53; 3.10.4. os comerciantes varejistas optantes pelo SIMPLES Federal, entretanto, não podem excluir o PIS e a Cofins já descontada na aquisição, assim como não poderá afastar da receita bruta o valor das vendas desse produto (cigarros), Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14751.002321/200915 Acórdão n.º 1401000.794 S1C4T1 Fl. 1.189 7 conforme Lei n° 9.317/76, art. 5o , §5°; Decreto n° 4.524/02, art. 4 o e art. 37 e a IN SRF n° 247/02, art. 4 o e 38; 3.10.5. esclareceu também que diferentemente ocorre com o SIMPLES Nacional, conforme inciso IV, §4° do art. 18 da Lei n° 123/2003, que manda reduzir, do montante devido, as receitas decorrentes de substituição tributária, de modo que, se o SIMPLES Nacional existisse desde o exercício de 2005, essas receitas de cigarros não seriam incluídas no cálculo do imposto devido, no entanto, no SIMPLES Federal, como é o caso, não há previsão para exclusão das receitas tributárias oriundas de mercadorias adquiridas com substituição tributária; 3.10.6. no que se refere ao pedido para ser tributado de acordo com a sua margem de lucro bruto de 2% sobre a comercialização de cigarros, esclareceu ainda, a fiscalização, que não há tal previsão legal para as empresas optantes pelo SIMPLES Federal, de modo que, no caso em apreço, o sujeito passivo deveria ter optado pelo regime de tributação Lucro Real, onde é apurado o lucro contábil de receitas menos os custos e despesas operacionais; 3.10.7. diferentemente do que diz a contribuinte, a empresa Souza Cruz S.A. informou que a operação remessa em bonificação consistia de bônus em mercadorias concedido ao cliente em função dos volumes comercializados, não se tratando de mercadoria dadas para distribuição gratuita a título de propaganda conforme defende a empresa; 3.11. considerandose a informação da Souza Cruz S.A. de que a operação de remessa em bonificação, CFOP 5.910, consistia em bônus em mercadorias cedidas ao cliente em função do grande volume de vendas de cigarros, configurandose numa espécie de desconto, só que dado em mercadoria, e não doação para que a fiscalizada procedesse à distribuição gratuita aos "fumantes contumazes" como forma de propaganda do cigarro, como alegado pela defendente, foi elaborada a planilha Demonstrativo das Receitas de Vendas de Cigarros, receitas, essas, omitidas, que tiveram origem nas mercadorias cedidas pela fábrica a título de bônus ou descontos comerciais à cliente J. T. de Lima, em função do montante comercializado; 3.12. a fiscalizada foi intimada a justificar a falta de escrituração das compras no livro Registro de Entradas de Mercadorias e a falta de registro de pagamentos no livro Caixa relativamente às aquisições feitas junto às empresas Souza Cruz S.A., Chocolates Garoto S.A. e Refrescos Guararapes Ltda., todavia não comprovou a escrituração dos pagamentos, pelo que foram elaboradas as planilhas Demonstrativo das Compras e Pagamentos não Escriturados, considerandose a não escrituração em omissão de receitas, conforme art. 40 da Lei 9.430/96 e art. 281 do RIR/99; 3.13. assim, foram consideradas as omissões de receitas: mercadoria recebida a título de desconto e os pagamentos não escriturados no livro Caixa, cujos valores contam dos Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14751.002321/200915 Acórdão n.º 1401000.794 S1C4T1 Fl. 1.190 8 demonstrativos: Demonstrativo das Receitas de Vendas de Cigarros e Demonstrativo das Compras e Pagamentos não Escriturados, apurandose a base de cálculo do SIMPLES a partir dos valores tributáveis desses demonstrativos, levandose em conta que, no caso do SIMPLES, as únicas deduções permitidas são relativas às vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, sendo vedada qualquer outra exclusão, seja em função da alíquota incidente ou tratamento diferenciado, tais como, substituição tributária, diferimento, crédito presumido, redução da base de cálculo e isenção, nos termos do art. 2o , §§ 2 o e 4 o da Lei 9.317/96, e art. 4 o , §1°, e art. 19, da IN SRF n° 355, de 2003; 3.14. verificouse que a empresa deixou de recolher ou recolheu a menor o SIMPLES (IRPJ, CSLL, Cofins, PIS, "IPI" e INSS) para o período constante do auto de infração, anocalendário de 2005. 4. Devidamente notificada dos Autos de Infração em 15/12/2009, e não se conformando, a contribuinte apresentou, em 14/01/2010, as suas razões de defesa, fls. 1048 a 1053, argumentando, em síntese, que: 4.1. é empresário individual, representado pelo titular, sr. Jacó Tibúrcio de Lima; 4.2. consta do auto de infração que deixou de efetuar o registro no Livro de Registro de Entradas e no Livro Caixa diversas notas fiscais de entradas de mercadorias para revenda adquiridas das empresa Sousa Cruz S/A, Chocolates Garoto S/A e Refrescos Guararapes S/A, caracterizando infração fiscal conforme art. 40 da Lei 9.430/96, tendo o auto de infração o valor total de R$ 2.095.544,01, a título SIMPLES (CSLL, IRPJ, PIS, COFINS e INSS), multas e juros, relativamente ao ano base de 2005; 4.3. foi questionado pelo agente fiscal sobre a aquisição de mercadorias conforme uma relação com diversas notas fiscais de mercadorias adquiridas da empresa Sousa Cruz S/A e umas poucas das empresas Chocolates Garoto S/A e Refrescos Guararapes S/A, sendo notório que, à época, o conhecimento dos pequenos comerciantes do Mercado Central era de que cigarro sempre tivera seus impostos recolhidos na fonte, não havendo imposto posterior a ser pago, ''daí por falta de orientação deixar de lançar nos Livros de Registro de Entradas e no Livro Caixa tais aquisições", o que foi confirmado por escrito ao agente fiscalizado; 4.4. cigarro é comercializado de forma diferente das outras mercadorias (chocolates e refrigerantes), já que o cigarro tem preço tabelado, sendo vendido pelo preço que é adquirido, e a empresa Sousa Cruz S/A cede mercadorias a título de bônus ou descontos comerciais em função do volume comercializado, nos percentuais de 1%, 1,5% e 2%, de acordo com a marca do Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14751.002321/200915 Acórdão n.º 1401000.794 S1C4T1 Fl. 1.191 9 cigarro, sendo o ganho pequeno, apesar do volume monetário da operação ser alto; 4.5. apresenta "alguns demonstrativos e considerações que comprovam a inaplicabilidade do valor apurado no auto de infração", sendo: 4.5.1. o "quadro demonstrativo de 'Receitas, Impostos Incidentes s/ Receitas, Custo das Mercadorias Vendidas e Lucro Bruto' de acordo com as Notas Fiscais relacionadas no referido Auto de Infração", o qual "considera que os impostos (JCMS, Cofins e PIS) incidentes nas receitas com cigarro e com refrigerantes são cobrados através de substituição tributária"; 4.5.1.1. "conforme quadro demonstrativo acima (...) o valor da Receita Bruta acrescido do valor da Bonificação totalizam um montante de R$ 9.229.076,50 (...), o Lucro Bruto é de R$ 100.039,67 (...), valor pequeno em relação à receita total, uma vez que 99,32% da Receita Bruta é representado por operações com 'cigarro' e a mesma tem um valor adicionado ínfimo, e a cobrança na fonte do PIS, Cofins e ICMS'; 4.5.1.2. apresenta um comparativo entre os valores dos tributos PIS, Cofins, IRPJ e CSLL, apurados nos autos de infração (no total de R$ 468.405,77) e os valores dos mesmos tributos apurados a partir do que chama de "efetivo lucro da empresa" (com o valor total de R$ 24.455,71), encontrando uma diferença total de R$ 443.950,06; 4.5.2. "o novo Sistema Simplificado de Arrecadação 'Simples Nacional' estabelecido conforme Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, contempla que o contribuinte deverá considerar, destacadamente, para fim de pagamento as receitas decorrentes da venda de mercadorias sujeitas a substituição tributária e tributação concentrada em uma única etapa (monofásica), bem como, em relação ao ICMS, antecipação tributária com encerramento de tributação"; 4.5.2.1. o Simples Nacional permite abater da base de cálculo do PIS, da Cofins e do ICMS o valor de receitas que já sofreram tributação na fonte, o que o Simples Federal não contemplava, tributando todas as receitas sem considerar o que já havia sofrido tributação na fonte, conforme a base de cálculo do auto de infração. Apresenta quadro demonstrativo comparativo entre o Regime de recolhimento do SIMPLES Federal e do SIMPLES Nacional, pelo qual encontra uma diferença de R$ 348.424,01 a maior no primeiro em relação ao segundo, entre os totais de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, para a mesma base de cálculo de R$ 9.229.076,50; 4.5.3. a contribuição para o INSS no auto de infração foi calculada de acordo com as alíquotas do SIMPLES Federal, obtidas através da receita acumulada; 4.5.3.1. como o valor das operações com cigarro é alto, o percentual da contribuição para o INSS, foi "de Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14751.002321/200915 Acórdão n.º 1401000.794 S1C4T1 Fl. 1.192 10 aproximadamente 4,98%'', "o que é inaplicável uma vez que o valor adicional do cigarro varia entre 1%, 1,5% e 2%>"; 4.5.3.2. explica que no seu estabelecimento são necessários em média quatro empregados e apresenta um demonstrativo com o valor dos encargos para com o INSS sobre a Folha de salários, pro labore e autônomos para o ano de 2005, encontrando um total de R$ 8.076,00, de sorte a apurar uma diferença de R$ 451.295,17 em relação ao valor constante do auto de infração a esse título, que foi de R$ 459.371,17; 4.5.4. apresenta um comparativo dos tributos apurados, conforme tenham incidido sobre o que chama de "resultado efetivo (lucro real) da empresa''' "e os apurados no auto de infração'", chegando a uma diferença total de R$ 895.245,23; 4.6. conclui que o valor dos impostos e contribuições está super avaliado em aproximadamente 2.850%, do que discorda, alegando que a penalidade deve ser proporcional ao agravo e "o acréscimo de 2.850% incide no valor dos impostos e contribuições e também sobre multas por infração fiscal e juros de mora"; 4.7. "por falta de orientação e com pouco esclarecimento que se têm os pequenos comerciantes do 'Mercado Central', e acreditando que o imposto do cigarro era totalmente recolhido na fonte e que não havia mais nada a recolher (...), o pequeno empresário tributou a atividade de bomboniere no Simples federal. Mas as operações com cigarro não podem ser tributadas pelo SIMPLES FEDERAL uma vez que o valor adicionado (1%. 1,5% e 2%) é menor que a alíquota do imposto (3% a 15,12%)"; 4.8. essa situação é agravada uma vez que 99% das receitas que compõem a base de cálculo são oriundas da venda de cigarros, conforme lista de NF apresentadas no auto de infração; 4.9. alega, por fim, que houve cerceamento ao direito de defesa pela forma de cálculo dos "impostos" no auto de infração, com valor impossível de recolhimento, considerando os bens do autuado e a realidade do período onde houve um ganho de aproximadamente R$ 100.000,00 e um auto de infração de R$ 2.095.544,01, pelo que requer o cancelamento do débito fiscal, asseverando que tal feito seria a aplicação mais lídima justiça. Posto o feito em julgamento perante a DRJ de Recife, entendeu colegiado por negar provimento à impugnação, tendo a decisão sido ementada como se segue: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 SIMPLES. BASE DE CÁLCULO DOS TRIBUTOS DEVIDOS. RECEITA BRUTA. Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14751.002321/200915 Acórdão n.º 1401000.794 S1C4T1 Fl. 1.193 11 Os tributos recolhidos mensalmente com base no Simples constituem o resultado da aplicação de um determinado percentual sobre a receita bruta auferida no mês, não sobre o apontado ganho resultante das operações realizadas pelo optante do regime simplificado. OMISSÃO DE RECEITAS. REGIME DE APURAÇÃO ADOTADO PELA PESSOA JURÍDICA AUTUADA. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valores dos tributos a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Exigese através de lançamento de ofício as diferenças apuradas, relativas a recolhimentos a menor em face da identificação de base cálculo aplicável a maior em relação àquela apurada pela contribuinte. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em que renova as razões da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Relator: O recurso preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. É o caso de omissão de receitas constatada em procedimento fiscal, no qual a Autoridade Fiscal requisitou informações à Souza Cruz S/A e a outros fornecedores do Recorrente sobre as vendas à ela realizadas durante o anocalendário de 2005. Concluídos os trabalhos fiscais, foram apuradas três infrações distintas: 1) omissão de receitas relativas às bonificações recebidas da Souza Cruz S/A; 2) omissão de receitas relativas a pagamentos efetuados com recursos estranhos à escrituração contábil e 3) insuficiência do valor recolhido. Em relação ao primeiro item, entendo que não deve prevalecer a exigência firmada pelo Fisco Federal. Explicome: Consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 1104/1105) que a empresa Souza Cruz S.A. concedia ao Recorrente uma espécie de desconto dado em mercadoria, denominado “remessa em bonificação”, consoante se infere do seguinte trecho: A partir de informações prestadas pela empresa Souza Cruz S.A. de que a operação “remessa em bonificação”, código fiscal de Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14751.002321/200915 Acórdão n.º 1401000.794 S1C4T1 Fl. 1.194 12 operação e serviço – CFOP 5.910, consistia em bônus em mercadorias cedidas ao cliente, em função do grande volume de vendas de cigarros, espécie de desconto dado em mercadoria, e não doação para o cliente a título de propaganda do produto do cigarro, para distribuição gratuita (folha 259). Diante disso, elaborouse com suporte nas informações prestadas pela empresa Souza Cruz S.A., CNPJ 33.009.911/009276, a planilha contendo “Demonstrativo das Receitas de Vendas de Cigarros” (folhas 104 a 108), que tiveram origem nas mercadorias cedidas pela fábrica de cigarros a título de bônus ou descontos comerciais a cliente J T DE LIMA, em função do montante comercializado. Como visto, a Souza Cruz S.A. esclareceu que a operação de “remessa em bonificação” representa bônus em mercadorias concedidos ao cliente, em função dos volumes comercializados. Dos documentos acostados aos autos, verificase que essa bonificação é instrumentalizada por meio de nota fiscal à parte, diversa daquela na qual foi registrada a venda de mercadorias. Esse tipo de procedimento é normalmente adotado pelas empresas que, por questões comerciais, optam por emitir uma nota fiscal para venda e outra para a bonificação. Sendo assim, a própria fiscalização elaborou a planilha de fls. 104/108 (atuais fls. 152 a 156), denominada “Demonstrativo das Receitas de Vendas de Cigarros”, a fim de relacionar as notas fiscais de “remessa em bonificação”, as suas respectivas datas de emissão, valores e fornecedores envolvidos, evidenciando a habitualidade das operações. Submetida a matéria à apreciação da DRJ de Recife/PE, esta manteve integramente a autuação ao fundamento de que o Recorrente não comprovou que as mercadorias recebidas em bonificação foram repassadas aos seus clientes sem nenhum ganho: No que se refere às bonificações dadas pela Souza Cruz S.A. em mercadorias “cedidas” à contribuinte em função do volume comercializado por esta, a contribuinte, no procedimento fiscal, na resposta de fls. 109 a 112, simplesmente alega que recebia gratuitamente tal mercadoria e que distribuía ou repassava aos clientes fumantes contumazes, como forma de propaganda, e que não auferia receita de vendas com as mesmas, no entanto não comprovou esse repasse gratuito. Na impugnação, por sua vez, fl. 1049, no que se refere às mesmas bonificações, a contribuinte apenas argumenta que “o cigarro tem preço tabelado para o comerciante” e que “o produto é vendido pelo preço que é adquirido a empresa Souza Cruz S/A”, alegando que “a empresa Souza Cruz S/A cede mercadorias a título de Bônus ou Descontos comerciais em função do volume comercializado. Essa bonificação tem variação de 1%, 1,5% e 2% de acordo com as marcas dos cigarros adquiridos”. No entanto, continua sem apresentar qualquer documentação que comprove o referido repasse gratuito aos seus clientes. Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14751.002321/200915 Acórdão n.º 1401000.794 S1C4T1 Fl. 1.195 13 Tendo, a contribuinte, a disponibilidade de tais cigarros, referidos como bonificações, e não tendo a mesma comprovado a sua distribuição gratuita, é de se concordar com a omissão das receitas equivalente aos valores das notas fiscais de tais remessas da Souza Cruz S.A. para a J. T. de Lima, que constam dos autos e cujos valores integraram o Demonstrativo das Receitas de Vendas de Cigarros, fls. 1005 e 1006, no montante acumulado no ano de 2005 de R$ 95.723,61, tal como procedido pela fiscalização. Contudo, por discordar dos fundamentos de voto da DRJ, decido afastar a autuação no que diz respeito à incidência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS em relação às “remessas em bonificação”. A bonificação em mercadorias é normalmente concedida na própria nota fiscal de venda e caracterizase como desconto incondicional, não se configurando como receita passível de tributação pela pessoa jurídica beneficiária. Também pode ocorrer que, por questões comerciais, os fornecedores optem por conceder essa bonificação aos seus grandes clientes emitindo uma nota fiscal para vendas e outra nota fiscal para a bonificação. Cada fornecedor é livre para definir a melhor medida a ser adotada na condução dos seus negócios, sendo indiferente o fato de a bonificação ser emitida na mesma nota fiscal da venda – ou não – para a sua configuração como desconto incondicional, pois a bonificação não se enquadra como receita bruta para fins de tributação, até porque essas bonificações servirão apenas para reduzir o custo individual das mercadorias recebidas. É importante ressaltar que o fornecedor não impôs qualquer condição para a remessa das mercadorias a título de bonificação. O fato de estas serem conseqüências de a fiscalizada comercializar bastante a mercadoria a ela remetida não se relaciona a imposição de qualquer condição pela fornecedora. Portanto, o fundamento dessas bonificações não tem o condão de atribuir condições e, conseqüentemente, impor o tratamento dado aos descontos condicionais. Compulsando os autos, verifiquei que a bonificação não está atrelada a qualquer condição que deveria ser cumprida pela Recorrente. Ao contrário, o fornecedor visa bonificar os clientes que possuem um bom desempenho de vendas sem impor qualquer condição. É importante evidenciar que a bonificação tem natureza jurídica distinta dos chamados “descontosexpurgos”, que estão atrelados ao pagamento antecipado de um valor e têm a finalidade de expurgar o montante de juros que estariam embutidos no preço a prazo da dívida. Assim, o pagamento antecipado seria a condição para usufruir daquele desconto. Lado outro, a bonificação ora analisada não impôs nenhuma condição ao cliente. Novamente, impende ressaltar que o fundamento em que se embasou o fornecedor para conceder a bonificação (bom desempenho das vendas) é divergente da imposição de condição. Desse modo, por entender que as “remessas em bonificação” não devem servir de base para tributação dos tributos acima referidos, julgo parcialmente procedente o pedido a fim de afastar o lançamento incidente sobre as “remessas em bonificação”. Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14751.002321/200915 Acórdão n.º 1401000.794 S1C4T1 Fl. 1.196 14 Quanto aos demais fundamentos da autuação, mantenho integralmente o lançamento, adotando inclusive os mesmos fundamentos de voto da DRJ, que tratou adequadamente da questão. O próprio Recorrente, em seu recurso voluntário, afirma que o “‘Simples Nacional’ estabelecido conforme Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, contempla que o contribuinte deverá considerar, destacadamente, para fim de pagamento as receitas decorrentes da venda de mercadorias sujeitas a substituição tributária e tributação concentrada em uma única etapa (monofásica), bem como, em relação ao ICMS, antecipação tributária com encerramento de tributação. Com isso o Simples Nacional permite abater da base de cálculo do Pis, da Cofins e do Icms o valor que receitas que já sofreram tributação na fonte. Hipótese que o Simples Federal não contemplava, e com isso tributava todas as receitas sem considerar o que já havia sofrido tributação na fonte, conforme apresentado na base de cálculo do auto de infração.” Apesar de o Recorrente ter razão na fundamentação do seu raciocínio, ele partiu de premissa equivocada, o que ensejou o engano na aplicação das normas ao caso concreto. Isso porque, no anocalendário de 2005, que foi aquele objeto do presente lançamento, ainda estava em vigor a Lei n° 9.317/96, por meio da qual a empresa optante do Simples era tributada pela aplicação das alíquotas dos tributos integrantes desse sistema sobre a receita bruta, somente podendo ser excluídas destas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Por expressa previsão legal, não poderiam ser excluídos tributos incidentes ou descontados quando da aquisição das mercadorias, seja por meio de substituição tributária, tributação monofásica ou antecipação tributária no caso do ICMS. É o que dispõem os arts. 4º e 37 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que regulamenta a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins devidas pelas pessoas jurídicas em geral: Art. 4º Os fabricantes e os importadores de cigarros são contribuintes e responsáveis, na condição de substitutos, pelo recolhimento do PIS/Pasep e da Cofins devidos pelos comerciantes varejistas, nos termos do art. 47 (Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 3º , Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 53, e Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, art. 5º ). Parágrafo único. A substituição prevista neste artigo não alcança o comerciante atacadista de cigarros, que está obrigado ao pagamento das contribuições incidentes sobre a sua receita de comercialização desse produto. Art. 37. Os comerciantes varejistas de cigarros, em decorrência da substituição a que estão sujeitos na forma do caput do art. 4º , para efeito da apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor das vendas desse produto, desde que a substituição tenha sido efetuada na aquisição (Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 3º , Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, art. 5º , Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, art. 5º , § 5º , e Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 53). Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14751.002321/200915 Acórdão n.º 1401000.794 S1C4T1 Fl. 1.197 15 Parágrafo único. O disposto neste artigo não alcança os comerciantes varejistas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Tributos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples). No caso em tela, como já mencionado, no anocalendário de 2005 o Recorrente era optante pelo Simples Federal, de acordo com as regras aplicáveis à Lei n° 9.317/96, que estiveram em vigor até 30/06/2007, quando foi revogada pela Lei Complementar n° 123/2006, que começou a vigorar em l°/07/2007 (art. 88). Somente com as inovações trazidas pela Lei Complementar n° 123/2006 é que as empresas optantes pelo Simples Nacional puderam considerar destacadamente as receitas de vendas de mercadorias sujeitas à substituição tributária, tributação monofásica e, no caso do ICMS, à antecipação tributária com encerramento de tributação (art. 18). Desta feita, apesar das constatações do Recorrente relativas às diferenças entre a apuração de tributos nos planos do Simples Nacional (LC nº 123/2006) e do Simples Federal (Lei n° 9.317/96), é certo que para os fatos geradores do anocalendário de 2005 não poderiam ser aplicados os benefícios implementados pela Lei Complementar nº 123/2006 no que diz respeito ao destaque do PIS, da COFINS e do ICMS nos casos de mercadorias sujeitas à tributação monofásica e à substituição tributária. É importante destacar que o parágrafo único do art. 37 do Decreto nº 4.524/02 impõe restrição que não encontra amparo em lei. Assim, teria razão o contribuinte em alegar a inaplicabilidade do referido decreto vez que ausente o fundamento legal. Mesmo porque, em princípio, parece fugir da lógica da tributação no regime de substituição onde se impõe ao fabricante a condição de contribuinte substituto do comerciante varejista, atribuindolhe a base de cálculo relativa ao preço de venda no varejo, e, em direção oposta, impõe aos comerciantes varejistas (optantes pelo Simples) o novo pagamento das contribuições sobre o mesmo preço praticado no varejo. Confirase o que dispõe o art. 47 do Decreto nº 4.524/02 acerca da tributação dos fabricantes de cigarros: Seção V Regime de Substituição Art. 47. A contribuição mensal devida pelos fabricantes e importadores de cigarros, na condição de contribuintes e de substitutos dos comerciantes varejistas, será calculada sobre o preço de venda no varejo, multiplicado por (Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 3º , Lei nº 9.532, de 1997, art. 53, e Lei nº 9.715, de 1998, art. 5º ): I 1,38 (um vírgula trinta e oito), para o PIS/Pasep; e II 1,18 (um vírgula dezoito), para a Cofins. Repare que impõese ao fabricante a condição de contribuinte substituto dos comerciantes varejistas, com base de cálculo majorada (preço de venda no varejo multiplicado Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14751.002321/200915 Acórdão n.º 1401000.794 S1C4T1 Fl. 1.198 16 pelos percentuais definidos), e, ainda, impossibilita a exclusão dos comerciantes varejistas das receitas oriundas da venda do cigarro, no caso deste ser optante pelo Simples Federal. Mesmo compreendendo as razões e concordando com o alegado pelo Recorrente, afasto esse entendimento em virtude do disposto no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, bem como no art. 59 do Decreto nº 7.574/11, que vedam aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de decreto. Portanto, contendo a expressa impossibilidade no Decreto nº 4.524/02 (art. 37), mantenho o lançamento nos moldes em que efetuado. Com relação às receitas submetidas à tributação e à alegação do Recorrente de que possui baixa margem de lucratividade e que, por isso, não poderia ter as suas receitas integralmente submetidas à tributação pelo Simples Federal, também entendo que os seus argumentos não devem prosperar. Ao realizar a sua opção pelo Simples Federal, único regime simplificado vigente no âmbito federal em 2005, o Recorrente escolheu submeterse às regras da Lei n° 9.317/96, pelas quais a base de tributação deve ser a receita bruta mensal auferida pelo contribuinte, nos moldes em que apuradas pela fiscalização a partir da comprovação de pagamentos com recursos estranhos à contabilização. Como bem esclareceu a DRJ, se o Recorrente pretendia fazer uso de deduções além daquelas permitidas pelo Simples Federal (Lei n° 9.317/96), deveria ter optado pela tributação na forma de Lucro Real, por meio da qual poderia excluir os custos de aquisição das mercadorias e despesas, de acordo a legislação de regência dessa forma de tributação. Por fim, quanto à autuação por insuficiência nos recolhimentos mensais, entendo que o que está sendo exigido são apenas diferenças apuradas, relativas a recolhimentos a menor em face da identificação de base cálculo aplicável a maior em relação àquela apurada pelo Recorrente. Assim, reconheço o acertamento dos trabalhos fiscais Por essas razões, entendo por caracterizada a omissão de rendimentos e decido manter o lançamento nos moldes em que efetuado. Entretanto, afasto a exigência tributária no que diz respeito à “remessa em bonificação”, por entender que essas bonificações servirão apenas para reduzir o custo individual das mercadorias recebidas, não podendo ser consideradas como receitas passíveis de tributação. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14751.002321/200915 Acórdão n.º 1401000.794 S1C4T1 Fl. 1.199 17 Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Numero do processo: 11516.002562/2007-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: NELSON MALLMANN
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RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 25 62 /2 00 7- 89 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por NELSON MALLMANN 2 SILVIO DOS SANTOS, contribuinte inscrito no CPF/MF sob o nº 491.992.508 53, com domicílio fiscal na cidade de Florianópolis, Estado de Santa Catarina, à Rua General Eurico Gaspar Dutra, nº 440, 401 B – Bairro Estreito, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis SC, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 41/43, prolatada pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fl. 47. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 18/06/2007, a Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 05/08), com ciência por AR, em 25/06/2007 (fl. 38), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 6.719,71 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo ao exercício de 2005, correspondente ao anocalendário de 2004. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2005, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver Omissão de Rendimentos Recebidos a Título de Resgate de Contribuições à Previdência Privada, PGBL e Fapi. Infração capitulada nos arts. 1° ao 3.° e §§, da Lei n.° 7.713, de 1988; arts. 1° ao 3°, da Lei n.° 8.134, de 1990; art. 33 da Lei n.° 9.250, de 1995; arts. 1° e 15, da Lei n.° 10.451, de 2002; art. 7° da Medida Provisória n.° 2.15970, de 2001, art. 43, inciso XIV e XV do Decreto n.° 3.000/99 – RIR, de 1999. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através da própria Notificação de Lançamento (fls. 05/08), entre outros, os seguintes aspectos: que da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de Contribuições à Previdência Privada, Plano Gerador de Benefício Livre e aos Fundos de Aposentadoria Programada Individual, sujeitos à tabela progressiva, no valor de RS 1.032,94 recebido(s) pelo titular e/ou dependentes, da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 157, 80. Irresignado com o lançamento o autuado apresenta, tempestivamente, em 12/07/2007, a sua peça impugnatória de fls. 01/03, instruído pelos documentos de fls. 04/40, solicitando que seja acolhida a impugnação e determinado o cancelamento do crédito tributário amparado, em síntese, nos seguintes argumentos: que não houve a omissão de rendimentos a título de resgate de contribuições à Previdência Privada PGBL e Fapi, mas sim seu lançamento na declaração de Stela Marisa Coelho Thives dos Santos, CPF 422.635.73968, esposa do solicitante, conforme cópia apresentada em anexo da Declaração de Ajuste Anual Simplificada do exercício de 2005, ano calendário 2004, no valor de R$ 11.032,94, recebida de Bradesco Vida e Previdência; que o lançamento foi feito na declaração de Stela Marisa Coelho Thives dos Santos por se tratar de um bem comum e foi creditado na conta corrente conjunta do Banco Bradesco, agência 2476, n° 60.0350, movimentada por ambos correntistas; Fl. 69DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11516.002562/200789 Acórdão n.º 2202002.073 S2C2T2 Fl. 3 3 que o plano de Previdência Privada PGBL, realizado com um aporte único, teve origem na venda de bens comum ao casal, pois os mesmo se uniram em casamento em 01 de dezembro de 1990, em regime de comunhão parcial de bens, conforme mostram as Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física do solicitante dos anos de 1998/1977, 1999/1998/ 2000/1999 e 2001/2001, cujas cópias estão apresentadas em anexo; que com relação da Fundação de Estudos Superiores de Administração e Gerência realmente houve omissão dos rendimentos, pois a referida instituição entregou com atraso a informação de rendimentos e eu não fiz a declaração de retificação. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Quinta Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC, concluíram pela improcedência da impugnação, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que de fato, em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, verificase que a Sra. Stela Marisa Coelho Thives dos Santos, CPF n° 422.635.73968, apresentou, em 21/04/2005, DIRPF/2005, em modelo simplificado, informando rendimentos tributáveis de R$11.032,94, com IRRF de R$157,80, recebidos de Bradesco Vida e Previdência, CNPJ 51.990.695/000137, declaração arquivada sob o n° 09/12.749.904; que as contribuições realizadas a planos de previdência privada são passíveis de dedução e desta, forma, são informadas na "relação de pagamentos e doações efetuados", não sendo informadas na declaração de bens e direitos da DIRPF. O valor resgatado é rendimento tributável e deve ser somado aos rendimentos tributáveis na Declaração de ajuste anual, no ano do seu recebimento, compensandose o respectivo IRRF; que o PGBL Plano Gerador de Benefício Livre é um plano de previdência privada. Os planos de previdência não podem ser considerados bens comuns posto que se constituem num investimento individual, personalíssimo. que o objetivo do Plano é a concessão de benefícios de previdência aberta complementar, não se pode confundir com fundos de investimento de mercado financeiro. A renda ou o resgate são pagos exclusivamente ao participante; que quando o bem é comum, em caso de dissolução da sociedade conjugal, o cônjuge teria direito à meação do mesmo. A meação já pertencia ao cônjuge, eis que referente ao Direito de Família e não de Sucessão. No caso da meação não há transferência de bens, pois estes já pertenciam ao meeiro desde a constituição da união afetiva; que outro argumento de que a aplicação sob exame não pode ser considerado bem comum é o fato de que seu resgate é efetuado apenas por quem detém a titularidade, isoladamente, diferentemente, por exemplo, de um imóvel do casal, em que é necessário que os dois cônjuges assinem a alienação; que assim, sendo o resgate de previdência privada um benefício próprio, privativo/individual, e não um bem comum, deve ser incluído para o ajuste anual na declaração do aplicador/titular, estando correto o lançamento que considerou, também, a compensação do IRRF. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por NELSON MALLMANN 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA I R P F Anocalendário: 2004 DISPENSA DE EMENTA Acórdão dispensado de ementa de acordo com a Portaria SRF n 1.364, de 10 de novembro de 2004. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 04/03/2011, conforme Termo constante à fl. 46, e, com ela não se conformando, a recorrente interpôs, em tempo hábil (25/03/2011), o recurso voluntário de fl. 47, instruído pelos documentos de fl. 48, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nos mesmos argumentos apresentados na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que solicita a revisão dos cálculos do imposto lançado em relação aos rendimentos recebidos de Bradesco Vida e Previdência S.A., uma vez que não houve omissão, mas declaração em nome da esposa, como consta no próprio auto; que como não houve má fé e sim um equívoco, o contribuinte solicita a retirada da multa assim como o parcelamento do débito. É o Relatório Fl. 71DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11516.002562/200789 Acórdão n.º 2202002.073 S2C2T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Não há argüição de qualquer preliminar. A matéria em discussão tem origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2005, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à previdência privada, PGBL e Fapi. Inicialmente o contribuinte alega que os rendimentos não foram omitidos, mas informados pela esposa que apresenta declaração em separado, uma vez que tratase de bem comum. A decisão recorrida considerou a impugnação improcedente amparada no argumento de que na aplicação em PGBL, plano de previdência privada (aposentadoria), o benefício se reverte exclusivamente para o participante. No caso de falecimento deste, transferese, de imediato, ao beneficiário por ele nomeado, que pode ser o cônjuge ou qualquer outra pessoa com indicação exclusiva e da vontade do contratante do plano.Assim, sendo o resgate de previdência privada um benefício próprio, privativo/individual, e não um bem comum, deve ser incluído para o ajuste anual na declaração do aplicador/titular, estando correto o lançamento que considerou, também, a compensação do IRRF. Inconformado, de forma parcial, pleiteia, nesta fase recursal, a exclusão da multa de lançamento de ofício sob o argumento de que como não houve má fé e sim um equívoco, o contribuinte solicita a retirada da multa assim como o parcelamento do débito. Quanto ao parcelamento solicitado o contribuinte deve se dirigir a repartição de origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil por se tratar de matéria de execução de decisão administrativa. No que diz respeito à exclusão da multa de ofício é de se dizer, que necessário se faz destacar, que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, independentemente de questões de discordância, pelos contribuintes, acerca de alegadas ilegalidades/inconstitucionalidades, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Não há dúvidas de que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de Fl. 72DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por NELSON MALLMANN 6 suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontramse elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídicotributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. (...). A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do Fl. 73DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11516.002562/200789 Acórdão n.º 2202002.073 S2C2T2 Fl. 5 7 processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação (...). Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal (...). Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF., não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da CF., que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por NELSON MALLMANN 8 De qualquer forma, há que se esclarecer que o Imposto Renda da Pessoa Física é um tributo calculado sobre a renda tributável auferida. Ou seja, é calculado levandose em consideração aos rendimentos tributáveis auferidos e em razão do valor é enquadrada dentro de uma alíquota, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito passivo da obrigação tributária. Ademais, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis. Enfim, o que se quer dizer é que a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má fé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 75DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 10480.905177/2010-82
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
EDITADO EM: 31/10/2012
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e José Fernandes do Nascimento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator EDITADO EM: 31/10/2012 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e José Fernandes do Nascimento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Solon Sehn.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator EDITADO EM: 31/10/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 51 77 /2 01 0- 82 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e José Fernandes do Nascimento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Solon Sehn. Relatório Este processo decorre da não homologação de compensação pleiteada por meio de PER/DCOMP (retificadora), uma vez que, para a quitação do débito apontado pela suplicante, não foi confirmado o direito creditório por esta alegado, relativamente à COFINS de setembro de 2003, no valor de R$ 442,29. Inconformada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade onde alegou que o direito creditório estaria demonstrado na DACON retificadora do período e que, por limitação técnica da Receita Federal, não procedera à correspondente retificação da DCTF. Tais argumentos, todavia, não foram acolhidos pela 2a Turma da DRJ Recife, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada, fundamentada, basicamente, na não comprovação do direito creditório alegado (vide fls. 62/68). A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 01/03/2012 (fls. 71). Inconformada, a autuada apresentou, em 21/03/2012, o recurso voluntário de fls. 74/77, onde alega que a receita apontada como “outras receitas” na DIPJ do anocalendário de 2004, trata se exclusivamente de receita financeira, não tendo o contribuinte, no período, nada faturado a título de resultado de sua atividade de prestação de serviços. Ressalta, ainda, que a análise da ficha 06A da DIPJ (que alega anexar) seria suficiente para se chegar à conclusão de que nada recebera pela prestação de serviços (linha 08), portanto, o faturamento e a receita bruta do período corresponderiam a zero. Por sua vez, a receita financeira, indicada na linha 24 da DIPJ, não entraria na composição da Receita Bruta. Defende que a Lei no 11.941/09, ao revogar expressamente o § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/98, mudou o conceito anterior de receita bruta, deixando claro que esta corresponde ao faturamento. Assim, a receita financeira, mera compensação parcial do capital de giro no tempo, não poderia ser confundida com a “receita do faturamento”, a qual decorre principalmente das vendas e revendas de mercadorias e da prestação de serviços. Por todo o exposto, requer seja provido integralmente seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para a sua aceitação. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10480.905177/201082 Acórdão n.º 3802001.354 S3TE02 Fl. 81 3 A discussão diz respeito à existência ou não de direito creditório decorrente de alegado pagamento indevido da COFINS de competência de setembro de 2003 (regime cumulativo). É verdade que a Lei no 11.941, de 27/05/2009, em seu artigo 79, inciso XII, revogou expressamente o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, que ampliara a base de cálculo do PIS e da COFINS. Este dispositivo, contudo, já fora declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, ao entender que o alargamento do conceito de faturamento prescrito pela norma em evidência estava maculado por vício formal de constitucionalidade. Com a declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, o STF entendeu que o PIS e a COFINS somente poderiam incidir sobre as receitas operacionais das empresas, ou seja, aquelas ligadas às suas atividades principais. O alcance desse entendimento, em relação à COFINS regida pelo regime da nãocumulatividade, prevaleceu até a edição da Medida Provisória no 135, de 20/10/2003, posteriormente convertida na Lei no 10.833, de 29/12/2003, que trouxe nova ampliação da base de cálculo da contribuição, agora, sem o vício da inconstitucionalidade, dada a edição da EC no 20, de 15/12/1998. A ampliação da base de cálculo para as empresas submetidas ao novo regime edificado pela norma em evidência – da nãocumulatividade – passou a viger a partir de 1o de fevereiro de 2004. Portanto, referida ampliação da base de cálculo da COFINS, nos termos acima observados, não alcança o período cujo direito creditório é reclamado pela empresa (setembro de 2003). Consequentemente, considerando a natureza jurídica da reclamante – empresa de natureza comercial –, para o mês de setembro de 2003, a exigência da contribuição sobre receitas outras além das originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, em tese, não é legítima. Abstraindose dessa questão, temse, contudo, que a recorrente não comprova o crédito tributário reclamado. A título comprobatório do direito, esta alega anexar a ficha 06A da DIPJ, a qual, segundo defende, seria suficiente para demonstrar que a base de cálculo da contribuição teria sido composta unicamente por receitas financeiras não integrantes da citada base de cálculo. Tal documento, contudo, não foi acostado aos autos e, ainda que o fosse, o mesmo, por si só, não seria suficiente para demonstrar o alegado equívoco e o consequente direito creditório que a suplicante alega fazer jus. Com efeito, a interessada não juntou ao processo nenhuma documentação contábil ou fiscal capaz de confirmar o direito reclamado. Constam dos autos unicamente as DACON original e retificadora, bem como a ficha 26A da DIPJ do período, documentos que são insuficientes para a comprovação do direito. Para tanto, deveria a suplicante, por exemplo, ter apresentado o Livro Razão acompanhado do Livro Diário com os lançamentos que alicerçassem as correções aduzidas como legítimas. Não custa lembrar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante Fl. 82DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 compensação. A não comprovação da certeza e da liquidez dos referidos créditos não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 23 de outubro de 2012. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 83DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 10980.002311/2008-36
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004, 2005
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA ESPECIAL DE INTERESSE TURÍSTICO - AEIT
Consideram-se como áreas de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas a fixar as dunas, a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovia, a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares, a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico, a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção, a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas ou a assegurar condições de bem-estar público.
PERÍCIA. NÃO CABIMENTO.
Incabível o pedido de realização de perícia para produção de provas, no caso do ônus probatório ser de responsabilidade do contribuinte.
IMÓVEL RURAL EM CONDOMÍNIO. DITR. RESPONSABILIDADE POR DECLARAR.
O imóvel rural que for titulado a várias pessoas, enquanto for mantido indiviso, deve ser declarado por somente um dos titulares, na condição de condômino declarante.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse em comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.
As decisões administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, limitando-se ao processo administrativo fiscal em que foram proferidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros.
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Antônio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente.
Assinado digitalmente
Walter Reinaldo Falcão Lima - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Walter Reinaldo Falcão Lima. Ausentes os Conselheiros Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCAO LIMA
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ÁREA ESPECIAL DE INTERESSE TURÍSTICO AEIT Consideramse como áreas de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas a fixar as dunas, a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovia, a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares, a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico, a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção, a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas ou a assegurar condições de bemestar público. PERÍCIA. NÃO CABIMENTO. Incabível o pedido de realização de perícia para produção de provas, no caso do ônus probatório ser de responsabilidade do contribuinte. IMÓVEL RURAL EM CONDOMÍNIO. DITR. RESPONSABILIDADE POR DECLARAR. O imóvel rural que for titulado a várias pessoas, enquanto for mantido indiviso, deve ser declarado por somente um dos titulares, na condição de condômino declarante. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse em comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, limitandose AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 23 11 /2 00 8- 36 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10980.002311/200836 Acórdão n.º 2801002.718 S2TE01 Fl. 140 2 ao processo administrativo fiscal em que foram proferidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Walter Reinaldo Falcão Lima. Ausentes os Conselheiros Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Sandro Machado dos Reis. Relatório Por descrever bem os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 103), que reproduzo a seguir: “Contra a interessada supra, foi lavrado o Auto de Infração e respectivos demonstrativos de fls. 36 a 44, por meio do qual se exigiu o pagamento do ITR dos Exercícios de 2004 e 2005, acrescido de juros moratórios e multa, totalizando o crédito tributário de R$ 65.914,68, relativo ao imóvel rural denominado “Parte dos lotes rurais 02, 03, e 04 – Gl. Rib. do Tronco”, com área total de 378,0 ha, NIRF –Número do imóvel na Receita Federal – 2.959.8842, localizado no município de Antonina/PR. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, às fls. 41 a 43, a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que houve falta de recolhimento de Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural dos exercícios de 2004 e 2005; que após regularmente intimada a contribuinte não comprovou a isenção das áreas declaradas a título de preservação permanente, pois os documentos enviados em sua resposta, não apresentam elementos suficientes para a efetiva caracterização das áreas de preservação permanente existentes no imóvel, tendo em vista que as informações prestadas no ofício se baseiam unicamente em documentos fornecidos pela contribuinte, sem a realização de vistoria no imóvel; quanto ao valor da terra nua, em função da Fl. 162DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10980.002311/200836 Acórdão n.º 2801002.718 S2TE01 Fl. 141 3 não apresentação de elementos de comprovação, o mesmo foi arbitrado conforme informações do SIPT para o exercício de 2005. Cientificada do lançamento em 27/02/2008, conforme AR à fl. 46, a interessada apresentou, em 27/03/2008, a impugnação de fls. 50 a 52, aduzindo, em síntese, que: A matrícula do imóvel, registro nº 7.399 do CRI, Comarca de Antonina/PR, comprova que é proprietário de uma parte ideal de 50% (cinqüenta por cento) da área e o restante pertence à Cooperativa Central Agropecuária Sudoeste Ltda; O imóvel está integralmente abrangido pelo perímetro da área Especial de Interesse Turístico do Marumbi, conforme comprovado no processo 57/94, da Agência de Rendas de Medianeira, com isenção da incidência de ITR, por ser de preservação permanente; A autoridade efetuou a lavratura do auto de infração sem realizar qualquer vistoria no local para verificar a autenticidade das informações prestadas, motivo pelo qual não pode subsistir a infração; Por último, requer nulidade do auto de infração e redução da multa ao mínimo legal. Instruiu a impugnação com os documentos de fls. 53 a 99.” A 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande – MS julgou a impugnação procedente em parte (fls. 101/109), nos termos da ementa a seguir transcrita: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício:2004, 2005 Nulidade do lançamento. Não tendo sido constatada ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento. Prova Pericial. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, somente, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerarem prescindíveis ou impraticáveis. Área de Preservação Permanente APP em Área Especial de Interesse Turístico AEIT Consideramse, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e Fl. 163DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10980.002311/200836 Acórdão n.º 2801002.718 S2TE01 Fl. 142 4 demais formas de vegetação natural destinadas a, entre outros, proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico e asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção e esteja reconhecida mediante Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, em até seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR. Matéria Não Impugnada VTN Tributado. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, conforme legislação processual. Juros de mora. Multa de Ofício Lançada. É cabível a cobrança de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), e da multa de ofício por expressa previsão legal. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.” Acatouse como sendo de preservação permanente a área de 98,3 ha, correspondente à área descrita como “zona primitiva”, localizada dentro da AEIT do Marumbi, criada pela Lei 7.919/84, regulamentada pelo Decreto nº 5.308/85, na qual a área do imóvel se encontra inserida, como reconhecido pelo órgão julgador de primeira instância, com base no Ofício nº 016/92, fls. 94 a 96. Cientificada do acórdão de primeira instância em 17/8/10 (fls. 114), a interessada interpôs, em 15/9/10, o recurso de fls. 115/137, alegando, em suma: a) preliminarmente, nulidade do acórdão recorrido, por cerceamento do direito de defesa, em virtude de ter sido indeferida a solicitação de perícia para verificar a área de preservação permanente existente no imóvel. Aduz que, como o Instituto Ambiental do Paraná constatou a impossibilidade de acesso ao imóvel, o Poder Público pode e deve determinar a realização de perícia e vistoria, com a elaboração do Laudo Técnico competente. b) a Agência de Rendas de Medianeira atestou, em 1994, que a área de preservação permanente em questão restou comprovada, diante da documentação apresentada, à época, àquele órgão; c) a área de preservação permanente em questão não é tributável, por estar integralmente abrangida pelo perímetro da Área Especial de Interesse Turístico do Marumbi; d) a aplicação da multa (sic) levou em consideração a totalidade do imóvel, sendo que, a recorrente é proprietária de somente 50% do imóvel, conforme documentos acostados aos autos. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10980.002311/200836 Acórdão n.º 2801002.718 S2TE01 Fl. 143 5 Diante do exposto acima requer, preliminarmente, a nulidade da decisão, e, caso assim não se entenda, que seja dado provimento ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima, Relator O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O indeferimento do pedido de realização de perícia, formulado na impugnação, não acarreta a nulidade do acórdão recorrido, como será demonstrado a seguir. Nos termos do disposto no art. 18, do Decreto n° 70.235/72, abaixo reproduzido, a autoridade julgadora de primeira instância poderá determinar a realização de diligência ou perícia, quando entendêla necessária. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância, determinará, de ofício, ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993). No caso em apreço, o indeferimento ocorreu por ter sido considerada dispensável a prova pericial, pelo fato de sua realização não ser prescindível na formação de convicção do julgador para a apreciação da lide. Não há qualquer reparo a ser feito na decisão recorrida, haja vista que o ônus de comprovar a existência da área de preservação permanente, neste caso, é da recorrente. O fato de haver impossibilidade de acesso ao imóvel para a elaboração do laudo técnico solicitado, visando à comprovação da existência daquela área, não elide o ônus do contribuinte, pois caberia a ele adotar as providências necessárias a solução do problema (ações judiciais, por exemplo), não devendo ser imputado ao Fisco essa tarefa. Por tais razões rejeito a preliminar suscitada. Quanto ao mérito, também não há razões para alterar o acórdão recorrido. O fato de a Agência de Rendas de Medianeira ter reconhecido, em 1994, a existência da área de preservação permanente em questão, não tem o condão de vincular o julgamento deste processo. As decisões administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, limitandose ao processo administrativo fiscal em que foram proferidas. Acerca do restante da área que não foi considerada como de preservação permanente pelo órgão julgador de primeira instância, correto o entendimento exarado no acórdão recorrido, posto que, conforme o Ofício nº 016/92, fls. 94 a 96, tal área está Fl. 165DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10980.002311/200836 Acórdão n.º 2801002.718 S2TE01 Fl. 144 6 classificada como “zona de uso extensivo”, em que é permitida sua exploração, mesmo com restrições. O simples de o imóvel estar localizado na Área Especial de Interesse Turístico do Marumbi (AEIT do Marumbi), criada pela Lei 7.919/84 e regulamentada pelo Decreto 5.308/85, como reconhecido naquele acórdão, não é suficiente para que toda a área do imóvel seja aceita como área de preservação permanente, mas somente aquela que atenda ao disposto no artigo 3o, da Lei nº 4.771/1965, que assim dispõe: Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. Segundo o Ofício nº 016/92, fls. 94 a 96, na área classificada como “zona de uso extensivo” é previsto o aproveitamento de produtos e subprodutos florestais sem que haja a remoção da cobertura vegetal, ex.: apicultura, coleta de sementes, exploração de ervas para fins ornamentais, medicinais e artesanais, alem da exploração do palmito em regime de manejo sustentado. Todas as atividades pretendidas, deverão obter a aprovação da Câmara de Apoio Técnico (instituída pelo Decreto supra citado), para então posteriormente poderem ser autorizadas pelo I.A.P”. Diante do exposto acima e da ausência de provas em sentido contrário, se conclui que a aludida área não se enquadra em quaisquer das hipóteses descritas no dispositivo legal acima reproduzido, portanto não há como considerála como sendo de preservação permanente e excluila da base de cálculo do ITR, como pretende a recorrente. Também não cabe excluir a referida área da tributação do ITR por ser caracterizada como Mata Atlântica, pelo fato de o dispositivo legal que determinou a exclusão das áreas cobertas por florestas nativas da tributação do ITR (Lei n° 11.428) ter sido editado em 22/12/06 e publicada no Diário Oficial da União em 26/12/06. Logo não alcança os fatos geradores relativos às DITR dos exercícios 2004 e 2005, pois não há qualquer dispositivo naquela norma que determine que os efeitos dessa exclusão da tributação são retroativos àqueles exercícios. Por fim, improcedente a alegação de que deveria responder por 50% da multa (sic), por ser proprietária somente de 50% da área do imóvel, haja vista que, neste caso, a recorrente responde solidariamente pelos outros condôminos, nos termos do disposto no art. 124, I, do Código Tributário Nacional: Fl. 166DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10980.002311/200836 Acórdão n.º 2801002.718 S2TE01 Fl. 145 7 Art. 124. São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse em comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Convém ressaltar que, conforme previsão contida no art. 39 da Instrução Normativa SRF n° 256/2002, abaixo transcrito, a responsabilidade por declarar o imóvel rural que for titulado a mais de um contribuinte, enquanto for mantido indiviso, é de somente um dos titulares. Art. 39. O imóvel rural que for titulado a várias pessoas, enquanto for mantido indiviso, deve ser declarado por somente um dos titulares, na condição de condômino declarante. Por tais razões voto por REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Fl. 167DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES
score : 1.0
Numero do processo: 13558.000282/2010-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2009
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE INOVA NOS FUNDAMENTOS DO LANÇAMENTO. PREJUÍZO AO DIREITO DE DEFESA DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. É nula, por prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo, a decisão de primeira instância que apresenta fundamentos fático-jurídicos ao lançamento impugnado não constantes da peça de ataque. Decisão de Primeira Instância Anulada
Numero da decisão: 2401-002.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instancia. Votou pela conclusões o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que anulava em face da preterição do direito de defesa, em virtude da ausência da análise das alegações do contribuinte Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2009 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE INOVA NOS FUNDAMENTOS DO LANÇAMENTO. PREJUÍZO AO DIREITO DE DEFESA DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. É nula, por prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo, a decisão de primeira instância que apresenta fundamentos fático-jurídicos ao lançamento impugnado não constantes da peça de ataque. Decisão de Primeira Instância Anulada
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PREJUÍZO AO DIREITO DE DEFESA DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. É nula, por prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo, a decisão de primeira instância que apresenta fundamentos fáticojurídicos ao lançamento impugnado não constantes da peça de ataque. Decisão de Primeira Instância Anulada Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instancia. Votou pela conclusões o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que anulava em face da preterição do direito de defesa, em virtude da ausência da análise das alegações do contribuinte Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 00 02 82 /2 01 0- 71 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13558.000282/201071 Acórdão n.º 2401002.593 S2C4T1 Fl. 135 3 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.233.3974, lavrado contra o contribuinte acima identificado para exigência das contribuições decorrentes de glosas de compensações, supostamente efetuadas irregularmente. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 27/32, as compensações foram efetuadas em desacordo com o que determina o art. 89 da Lei n.º 8.212/1991. Ressaltase que a empresa apresentou as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, no período do débito, sem declarar qualquer crédito no campo compensação, todavia, posteriormente, retificou as guias informativas, lançando as declarações dos créditos a compensar. Afirmase ainda que a Prefeitura autuada foi intimada a esclarecer a origem das compensações, porém apresentou justificativa não convincente, acompanhada de planilha relativa ao pagamento de remunerações aos detentores de cargos eletivos no período de janeiro de 1998 a junho de 2004. Às contribuições lançadas foi aplicada multa qualificada de 150%, por entender o fisco que a Prefeitura houvera incorrido em falsidade ideológica, motivo pelo qual também foi lavrada Representação para Fins Penais. A Municipalidade apresentou defesa, fls. 37/46, cujas razões foram acatadas parcialmente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Salvador (BA), que manteve as contribuições lançadas, mas afastou a aplicação da multa qualificada, fls. 53/56. A justificativa da DRJ para manutenção de parte do crédito impugnado é que a autuada não houvera atendido às exigências da Instrução Normativa SRP n.º 15/2006, sendo lícitas as glosas efetuadas. Irresignado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 64/71, no qual alegou, em síntese, que: a) a RFB não cuida de uniformizar suas decisões, posto que, em situação análoga, a mesma Delegacia de Julgamento prolatora da decisão recorrida, decidiu que as glosas de compensação eram improcedentes. Cita excerto da decisão que reputou divergente; b) o Município apresentou à Administração Tributária Declaração de Compensação, nos moldes determinados pela legislação aplicável, in casu, a Instrução Normativa RFB n.º 900/2008; c) a autuação ora combatida, desconsiderou o pedido de compensação efetuado pela recorrente, o que representa afronta ao devido processo legal; Fl. 136DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 d) tendo a alínea “h”, do inciso I do art. 12 da Lei n.º 8.212/1991, acrescentada pela Lei n.º 9.506/1997, sido declarada inconstitucional, todas as contribuições incidentes sobre os subsídios recebidos pelo Prefeito, Vice e Vereadores são indevidas; f) os recolhimentos efetuados pela Prefeitura sobre os subsídios dos exercentes de mandatos eletivos, mediante confissão de dívida ou retenção no Fundo de Participação dos Municípios – FPM, são passíveis de compensação, não se justificando as glosas efetuadas; Por fim, com arrimo nas alegações acima, pede o cancelamento do AI. Foram acostadas com o recurso cópias de comprovantes de retenção de contribuições previdenciárias no FPM e da decisão da DRJ em Salvador mencionada pela recorrente. É o relatório. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13558.000282/201071 Acórdão n.º 2401002.593 S2C4T1 Fl. 136 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Da afronta ao devido processo legal A DRJ motivou sua decisão pela procedência parcial do crédito no fato da entidade não haver comprovado o cumprimento dos requisitos previstos na Instrução Normativa SRP n.º 15/2006. Todavia, não encontrei no Relatório Fiscal qualquer menção a esse fato, mas apenas a informação de que a autuada houvera efetuado as compensações em desacordo com o que determina o art. 89 da Lei n.º 8.212/1991. O dispositivo em questão assim prescreve: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) Com base na norma acima, a Autoridade Fiscal afirmou que o fato do órgão autuado haver exibido demonstrativo de remunerações pagas aos agentes políticos não seria suficiente para comprovar o seu direito à compensação, uma vez que faltou a apresentação da prova do recolhimento. A recorrente, por seu turno, afirma que as contribuições foram retidas do seu FPM sob as rubricas “obrigações correntes” e “amortização de parcelamento”. Dos fatos acima articulados, percebese claramente que a decisão recorrida considerou procedentes as glosas, mas por fundamento diverso daquele apresentado pelo Fisco, o que, ao meu ver, fere o direito de defesa do sujeito passivo, que não pode se contrapor a motivação não apresentada na peça de ataque, qual seja, o descumprimento dos requisitos da Instrução Normativa RFB n.º 15/2006. Nos termos do Decreto n.º 70.235/1972, que rege o processo administrativo fiscal de exigência de tributos administrados pela RFB, é nula a decisão que incorre em preterimento do direito de defesa do contribuinte. Eis o dispositivo: Art. 59. São nulos: Fl. 138DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...)(grifei) Por esse motivo, é vedado ao órgão de julgamento inovar nos fundamentos do lançamento, posto que esse expediente acarreta em grave prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo, bem como em quebra do princípio da imparcialidade, a que devem respeito os órgãos de julgamento. Posicionome, então, pela nulidade da decisão recorrida. Conclusão Diante do exposto, voto por declarar nula a decisão de primeira instância. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 139DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10920.908666/2009-26
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 13/08/2004
PER/DCOMP.COFINS. PAGAMENTO EM VALOR SUPERIOR AO DEVIDO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL.
Comprovada documentalmente a ocorrência de pagamento em valor superior ao devido, cabível o reconhecimento do direito creditório decorrente e a homologação da compensação, até o limite do valor a restituir.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-001.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luiz Bordignon - Relator.
EDITADO EM: 27/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Marcos Antonio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1494; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 69 1 68 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.908666/200926 Recurso nº 919.604 Voluntário Acórdão nº 3801001.516 – 1ª Turma Especial Sessão de 23 de outubro de 2012 Matéria COFINS NÃOCUMULATIVA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente TESC TERMINAL SANTA CATARINA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 13/08/2004 PER/DCOMP.COFINS. PAGAMENTO EM VALOR SUPERIOR AO DEVIDO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. Comprovada documentalmente a ocorrência de pagamento em valor superior ao devido, cabível o reconhecimento do direito creditório decorrente e a homologação da compensação, até o limite do valor a restituir. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 86 66 /2 00 9- 26 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 EDITADO EM: 27/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Marcos Antonio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.908666/200926 Acórdão n.º 3801001.516 S3TE01 Fl. 70 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP, transmitida em 25/09/2006, por meio da qual a contribuinte acima identificada procedeu à compensação de créditos resultantes de pagamento indevido ou a maior. Na apreciação do pleito, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville verificou que o crédito consignado na DCOMP já havia sido utilizado parcialmente para a quitação de débitos da contribuinte, restando saldo inferior ao pretendido. A contribuinte apresentou a presente manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que a SRF não efetuou a precisa conferência dos dados no período; que a DCTF de julho/2004 aponta um saldo devedor de Cofins diferente da DIPJ 2005, sendo que este retrata a realidade da empresa; que, na DIPJ 2005, o valor da contribuição a pagar é de R$ 14.100,17, já na DCTF era de R$ 14.931,30; e que o valor correto (R$ 14.100,17), descontado do DARF com vencimento em 13/08/2004 resulta no crédito informado no PER/DCOMP, apto a compensar o débito em cobrança. Argumenta, ainda, que conforme orientações gerais no site da Receita Federal do Brasil, nas divergências constatadas em pedidos de compensação, deve ser oportunizado ao contribuinte que retifique eventuais erros de declaração. Transcreve trecho do site acerca do Termo de Intimação, onde trata das “orientações gerais”, e remete a ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes, bem como de processos judiciais. Requer o deferimento da compensação”. A Delegacia de Julgamento em Florianópolis (SC) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Dada a natureza própria da Declaração de Compensação, a qual extingue o débito tributário, não é lícito, em sede de manifestação de inconformidade alterar a natureza ou o montante do crédito tributário nela declarado para fins de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 71DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Direito Creditório Não Reconhecido”. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 37 a 43, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade. Em 16 de fevereiro de 2012, por meio da Resolução 3801000.305, da Primeira Turma Especial da Terceira Seção, o julgamento foi convertido em diligência à DRF de origem, a fim de: 1. informar a data da apresentação da DIPJ 2005. 2. juntar ao processo uma cópia do Dacon referente ao período de apuração 07/2004, onde consta a apuração da Cofins regime não cumulativo, bem como informar a data da apresentação do referido demonstrativo. 3. Cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; 4. Retornar o processo a este CARF para julgamento. Em atendimento ao solicitado, a Unidade de Origem elaborou o documento intitulado “INFORMAÇÃO FISCAL”, fls. 64, onde consta: · a data da apresentação da DIPJ/2005 ativa é 29/09/2006; · a data da apresentação do Dacon ativo referente ao período de apuração 07/2004 é 29/09/2006. · Outrossim, foi juntada ao processo cópia do Dacon ativo referente ao período de apuração 07/2004, em que consta a apuração da Cofins. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.908666/200926 Acórdão n.º 3801001.516 S3TE01 Fl. 71 5 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Conforme se depreende dos autos, a interessada apresentou o PER/DCOMP nº 33515.69447.250906.1.3.047631, em 25/09/2006, por meio do qual informa um pagamento indevido ou a maior de Cofins – Não Cumulativa, referente ao período de apuração 07/2004, recolhido em 13/08/2004, no valor original de R$ 36.518,63. Convém ressaltar que o direito à repetição de indébito está previsto no artigo 165 do Código Tributário Nacional – CTN, verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; (...) A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville homologou parcialmente a compensação pretendida, sob o fundamento de que o crédito consignado na DCOMP já havia sido utilizado parcialmente para a quitação de débitos da contribuinte, restando saldo inferior ao pretendido. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte alega que: A DCTF de julho/2004 aponta um saldo devedor de Cofins diferente da DIPJ 2005, sendo que este retrata a realidade da empresa; Que na DIPJ 2005 o valor da contribuição a pagar é de R$ 14.100,17, já na DCTF era de R$ 14.931, 30; Que o valor correto (R$ 14.100,17), descontado do DARF com vencimento em 13/08/2004 resulta no crédito informado no PER/DCOMP, apto a compensar o débito em cobrança. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 A DRJ/FNS julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, conforme ementa acima colacionada. Discordando da decisão da autoridade julgadora de primeira instância, a interessada apresentou o recurso de fls. 37/43, reafirmando os argumentos trazidos anteriormente, acrescentando que os dados informados no Per/Dcomp estavam de acordo com àqueles constantes na DIPJ e no Dacon. Convém aclarar que a lide posta se refere ao valor efetivamente devido da COFINS nãocumulativa do PA 07/2004. Compulsandose as peças que compõem o presente processo, em especial aquelas resultantes da diligência requerida por esse Colegiado, verificase que a recorrente informou na DCTF do 3º/trimestre/2007 (fls. 03), referente ao mês de julho, a importância de R$ 14.931,30 a título de Cofins nãocumulativa e efetuou o pagamento de R$ 50.618,80 em 13/08/2004. Também, que apurou como devido, no mesmo período, o montante de R$ 14.100,17, conforme DIPJ 2005, fls. 26 e Dacon, fls. 62. Registrase que tanto a DIPJ 2005 quanto o Dacon 03/2004 foram transmitidos em 29/06/2006 e a ciência do Despacho Decisório se deu em 01/07/2009. Por conseguinte, pelos documentos comprobatórios colacionados aos autos, em especial a diligência fiscal realizada pela Delegacia de origem, entendo que efetivamente restou comprovada a ocorrência de pagamento da Cofins nãocumulativa em valor superior ao devido relativamente ao PA 07/2004, sendo declarado o valor de R$ 14.931,30 e devido o valor de R$ 14.100,17, caracterizandose como indevido o valor original de R$ 831,30. Desse modo, diante do acima exposto, encaminho meu voto no sentido de julgar procedente o recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no valor original de R$ 831,30, na data de 13/08/2004, homologando a compensação requerida até o limite do crédito a restituir. É assim que voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 74DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10242.000354/2010-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/03/2001 a 30/06/2001
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DACON - ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A previsão da entrega da DACON (obrigação acessória), bem como o esclarecimento dos procedimentos que devem ser adotados pelos contribuintes estão claros nos termos das Instruções Normativas nº 1.015/10 e nº 974/09, desta forma e inexistindo qualquer justificativa para a apresentação das declarações em atraso (como, por exemplo, a inviabilidade do sistema da Receita Federal para recebimento da declaração), deve ser mantida a penalidade. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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LTDA.ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2001 a 30/06/2001 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DACON ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A previsão da entrega da DACON (obrigação acessória), bem como o esclarecimento dos procedimentos que devem ser adotados pelos contribuintes estão claros nos termos das Instruções Normativas nº 1.015/10 e nº 974/09, desta forma e inexistindo qualquer justificativa para a apresentação das declarações em atraso (como, por exemplo, a inviabilidade do sistema da Receita Federal para recebimento da declaração), deve ser mantida a penalidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 2. 00 03 54 /2 01 0- 45 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 9/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10242.000354/201045 Acórdão n.º 3302001.771 S3C3T2 Fl. 11 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de Auto de Infração eletrônico lavrado para constituição de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Contribuições Sociais (DACON) (fl. 02/06), relativas aos meses de janeiro a abril de 2010 e de junho de 2010. Em sua Impugnação (fls. 01/07) a Recorrente reconhece que entregou a DACON em data diversa daquela a que estaria obrigada à entrega, e reconhece que a partir da entrada em vigor da Instrução Normativa nº 974/09, que extinguiu a DCTF semestral, obrigando todos os contribuintes à entrega mensal da Declaração, foi extinta, também, a DACON Semestral (que seguia o mesmo regime de entrega da DCTF). Argumenta que encontrou dificuldades em promover a entrega da DACON com assinatura digital e que a Receita Federal não teria orientado os contribuintes sobre como promover a entrega do demonstrativo, sem assinatura digital. Requer o cancelamento da multa aplicada, dada a ausência de orientação da Receita Federal sobre a entrega e a impossibilidade de estabelecimento de multa por Instrução Normativa, por ofensa à legalidade. Alega, ainda, haver imposição de multa em cascata e confisco na aplicação da penalidade. A DRJ julgou improcedente a impugnação (fls. 36/40) e manteve o lançamento sob o fundamento de que, como observou a Recorrente, a DACONSemestral foi extinta por meio da Instrução Normativa nº 974/09, tornandose obrigatória a entrega mensal. No que tange às eventuais dificuldades encontradas pelos contribuintes para operacionalizar a entrega a Receita Federal teria sido clara ao estabelecer, por meio da Instrução Normativa nº 1.015/10, que enquanto não disponibilizado novo programa gerador da DACON, que deveria ser utilizado o programa DACONSemestral/Mensal. O Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte (fls. 46/55) insurgese contra a decisão da DRJ, reiterando os argumentos anteriormente apresentados. Informa ainda que a demora na entrega dos demonstrativos se deu em virtude de problemas no sistema da própria Receita Federal que teria ficado congestionado em razão da entrega de muitas declarações e demonstrativos no mesmo período. Questiona, ainda, a razoabilidade da norma que afastou a aplicação de penalidade em relação a atraso de um dia na entrega da DCTF, mas não contemplou atrasos de mais dias, ou de mês. Alega, ainda, ilegalidade da decisão por não ter se referido expressamente aos fatos e provas apresentados. Os autos foram inicialmente distribuídos à Primeira Seção, porém constatada a competência desta Terceira Seção para tratar da matéria em discussão, foram redistribuídos (fls. 67/68). Vieramme então, os autos para decisão. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 9/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10242.000354/201045 Acórdão n.º 3302001.771 S3C3T2 Fl. 12 3 Voto Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele o conheço. Os autos tratam de imposição de multa por atraso na entrega da DACON, nos períodos de janeiro a abril e junho de 2010. Primeiramente, de se destacar que a Recorrente admite que no período em questão, após alterações legislativas diversas, estabeleceuse a necessidade de entrega mensal da DACON. Portanto, desnecessário traçar maiores comentários a respeito da evolução normativa que acarretou a obrigatoriedade da entrega mensal do demonstrativo, visto que tanto Fisco como contribuinte concordam que no período as empresas estavam obrigadas à entrega mensal. A Recorrente alega, contudo, que não haveria orientação clara da Receita Federal quanto aos demonstrativos a serem apresentados, diante da alteração normativa que obrigou os contribuintes à sua entrega mensal. Entretanto, como bem demonstrou a DRJ em sua decisão, a Receita Federal orientou os contribuintes no sentido de que, enquanto não fosse disponibilizado novo programa – contemplando apenas o demonstrativo mensal – deveria ser utilizado o programa eletrônico até então existente, qual seja, o DACONSemestral/Mensal. Neste sentido, destaco a clara redação da Instrução Normativa nº 1.015/10, verbis: Art. 13. Enquanto não disponibilizado novo programa gerador, o Dacon deverá ser elaborado mediante a utilização do programa Dacon MensalSemestral. Parágrafo único. O Dacon será considerado apresentado na periodicidade mensal, qualquer que seja a marcação no quadro " Periodicidade de Entrega" da ficha " Novo Demonstrativo" . Ainda em relação à formalização da entrega da DACON a Recorrente alega que a Instrução Normativa nº 955/09 estabeleceu a necessidade de assinatura digital do demonstrativo, para transmissão à Receita Federal, para declarações cujo prazo de entrega seria a partir de 30/06/10, mas que, no entanto, o prazo para entrega da DACON e DCTF seria 07 e 22 de junho de 2010, portanto anterior ao prazo a partir do qual a IN exigia a assinatura digital. Em primeiro lugar esclareço que a multa foi aplicada pelo atraso na entrega dos demonstrativos, e em sua defesa a Recorrente não elucida porque trouxe à baila a questão da certificação digital. De todo modo, a Instrução Normativa nº 955/09, ao contrário do que alega a Recorrente, não estabeleceu a exigência da assinatura digital apenas para declarações cujo prazo de entrega seria a partir de 30/06/10, mas referiuse, no caso da DACON especificamente, ao demonstrativo que tratasse dos fatos geradores ocorridos a partir de abril/2010. Ou seja, em janeiro, a exigência da certificação digital foi estabelecida em relação aos demonstrativos que se referissem aos fatos ocorrido a partir de abril/2010. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 9/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10242.000354/201045 Acórdão n.º 3302001.771 S3C3T2 Fl. 13 4 Considerando, ainda, que o prazo de entrega da DACON, estabelecido pela Instrução Normativa nº 1.015/10 é o quinto dia útil do 2º mês subsequente ao de referência, a exigência se daria a partir da entrega da DACON de abril/10, a ser transmitida no 5º dia útil de junho. Vale destacar, ainda, que a redação da norma veio a ser alterada novamente, por meio da Instrução Normativa nº 1.036/10, que adiou a entrada em vigor da exigência de assinatura digital apenas para a DACON relativa aos fatos geradores de maio/10. Ou seja, a rigor, em relação aos períodos autuados a exigência de assinatura digital apresentouse apenas em relação a DACON dos fatos geradores de junho/10. No entanto, dado o atraso ocorrido, e o fato de a transmissão dos demonstrativos só ter ocorrido em setembro/10, naquele momento já vigorava a exigência da certificação digital, em relação à qual não há nenhuma ilegalidade – afinal, estabelecida com a devida antecedência pela legislação. Vale também notar que a Recorrente alega que o atraso na entrega dos demonstrativos se deu em função do sistema da Receita Federal ter ficado indisponível para transmissão dos demonstrativos, por estar congestionado em função dos prazos de entrega referiremse a um grande número de Declarações. No entanto, o que se constata dos autos é que o atraso em questão correspondeu, em alguns casos, a quatro meses (DACON relativa a janeiro/10). Isto porque, conforme se constata dos demonstrativos (fls. 08/17) todos (objeto da autuação em comento) foram transmitidos apenas em 03/09/10. Ou seja, não se trata de atraso de alguns dias, enquanto o sistema da Receita Federal estivesse indisponível. O atraso foi de meses. Não há como admitirse, portanto, o argumento da Recorrente de que o atraso se deu em razão de congestionamento do sistema, pois não fosse improvável (senão impossível) que o sistema da Receita Federal permanecesse congestionado, e sem processamento de declarações, por meses, não há nos autos prova de que assim ocorreu. A este respeito, destaco que a Recorrente anexou a tela de apenas uma tentativa de transmissão de demonstrativo, na qual foi apontado “serviço indisponível”. Não há no documento, contudo, data que permita constatar quando foi feita a tentativa infrutífera de transmissão. De todo modo, como mencionado acima, a alegação de que o atraso se deu por indisponibilidade do sistema não se sustenta, na medida em que o atraso se deu por meses, e não apenas alguns dias. Não procedem, também, as alegações de que não há razoabilidade no perdão da multa por atraso concedido pela Receita Federal para transmissões ocorridas apenas no dia seguinte ao do prazo final. Inclusive porque o perdão em questão se coaduna com a questão de ter havido indisponibilidade no sistema, na data limite de transmissão dos demonstrativos. Entendo que, ao contrário, o que não seria razoável é que a norma afastasse a penalidade para atrasos de meses, como pretendeu a Recorrente, justamente porque não me parece crível que o sistema do órgão tenha permanecido indisponível por tantos meses. No que se refere à penalidade aplicada, aspectos constitucionais como o confisco não são alegações passíveis de análise neste tribunal administrativo. E, por fim, quanto à alegação de que a cobrança e regulamentação de multas por descumprimento de obrigações acessórias não poderia ser estabelecida por meio de Instruções Normativas, por ausência de Lei que as instituísse, o DecretoLei nº 2.124/83 autoriza que as normas a respeito do tema sejam exaradas pelo Ministério da Fazenda (e, por conseguinte, pela Receita Federal), verbis: Fl. 76DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 9/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10242.000354/201045 Acórdão n.º 3302001.771 S3C3T2 Fl. 14 5 Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º Não pago no prazo estabelecido pela legislação o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2º do artigo 7º do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2º, 3º e 4º do artigo 11 do Decretolei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado, mantendo a decisão de primeira instância administrativa. É como voto. Sala das Sessões, em 22 de agosto de 2012. (assinado digitalmente) Relatora Fabiola Cassiano Keramidas Fl. 77DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 9/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 10120.904657/2009-81
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/04/2004
PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL.
A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF).
Recurso Voluntário Negado.
A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório.
Numero da decisão: 3801-001.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a legitimidade do crédito.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
EDITADO EM: 08/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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RETIFICAÇÃO DA DCTF. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2004 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a legitimidade do crédito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 46 57 /2 00 9- 81 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904657/200981 Acórdão n.º 3801001.541 S3TE01 Fl. 11 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. EDITADO EM: 08/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904657/200981 Acórdão n.º 3801001.541 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Adotase o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 41468.80768.161205.1.7.044448, transmitida eletronicamente em 16/12/2005, com base em créditos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 14/05/2004 6912 4.216,74 14/05/2004 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP foi identificado pelos sistemas internos da RFB, que o referido DARF, na verdade, havia sido utilizado para pagamento de outro débito e PER/DComp, conforme demonstrado no quadro a seguir, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada pela contribuinte no PER/DCOMP objeto da atual lide. Utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP: NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO SALDO DO CRÉDITO ORIGINAL DISPONÍVEL PARA COMPENSAÇÃO 1602440541 4.216,74 DB: cód 6912 – PA 14/05/204 4.216,74 0,00 Assim, em 20/4/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 3), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 749,50. Cientificado, via postal, dessa decisão em 29/4/2011 (fl. 28), bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 29/5/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2, acrescida de documentação anexa. A contribuinte contesta a decisão proferida no Despacho Decisório, esclarecendo que na data do envio do PER/DCOMP ainda não teria transmitida DCTF retificadora, pertinente ao crédito do pagamento a maior. Informa que esta providência Fl. 85DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904657/200981 Acórdão n.º 3801001.541 S3TE01 Fl. 13 4 teria sido tomada em 27 de maio de 2009. Anexa as vias referentes aos créditos, juntamente com o recibo de entrega. A DRJ em Brasília (DF) julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, cujo teor é sintetizado a seguir. Após breve relato do processo, discorre sobre o instituto da compensação tributária. Enfatiza que a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário e exige a existência de crédito líquido e certo, nos termos do art. 170 do CTN. Sustenta que pelos documentos que foram juntados, restou cabalmente comprovado que, por meio de DCTF retificadora, há a existência de pagamento indevido ou a maior. Argumenta que as provas juntadas no recurso voluntário, planilhas discriminando os valores a serem compensados e o Livro Diário da empresa, consubstanciam provas robustas da existência dos créditos que deverão ser compensados. Defende a tese de que não há qualquer óbice que impeça ao recorrente de trazer novas provas, ainda que em âmbito recursal, dada a prevalência do princípio da verdade material ou liberdade da prova. Colaciona doutrina sobre o princípio da verdade material. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904657/200981 Acórdão n.º 3801001.541 S3TE01 Fl. 14 5 Insiste na tese de que pelo princípio da verdade material, que além do contribuinte poder trazer novas provas, a todo o momento, inclusive na fase recursal, a Fazenda não deve ficar adstrita às provas trazidas aos autos pelas partes, com o fito de descobrir a verdade dos fatos, inclusive realizando perícias e diligências. Por fim, requereu que fosse acolhido e provido seu recurso para reformar o acórdão da Turma e julgar procedente o pedido de direito creditório pleiteado. É o relatório. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904657/200981 Acórdão n.º 3801001.541 S3TE01 Fl. 15 6 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. Em que pese a alegação de erro de fato no preenchimento das DCTFs, o seu pleito não pode prosperar, uma vez que tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário, não apresentou os documentos essenciais para o reconhecimento de seu crédito, tais como: demonstrativo da base de cálculo do suposto pagamento a maior, notas fiscais de venda, escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito, etc. A requerente teve a oportunidade de comprovar o seu direito creditório, todavia limitouse a apresentar um demonstrativo da compensação, uma demonstração de resultado para efeito de suspensão/ redução de IRPJ/CSLL, período base de 01/01/2005 a 31/10/2005, e o Livro Diário do período de apuração de outubro de 2005. Destaco que os lançamentos colacionados no Livro Diário não fazem quaisquer referências à composição da base de cálculo do período de apuração do suposto pagamento a maior. Os lançamentos referemse à apropriação dos créditos no mês outubro de 2005. Destarte, verificase que a recorrente não apresentou qualquer documento fiscal ou contábil referente ao fato gerador (auferimento de receita) do seu pretenso crédito, de sorte que o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve ser homologado. Com efeito, a simples apresentação de uma declaração retificadora não produz os efeitos pretendidos pela interessada, visto que seu crédito não goza de liquidez e certeza. Convém ressaltar que não há óbice legal para a retificação da DCTF após a emissão do despacho decisório, porém a simples retificação deste documento não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito créditório. Além do mais, o art. 333 do Código de Processo Civil preceitua que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Ora, tendo alegado que efetuou pagamento a maior de Contribuição, a recorrente tinha por obrigação legal de colacionar ao processo administrativo os respectivos documentos comprobatórios que sustentariam seu direito. Pertinente é a colocação de Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart sobre o ônus da prova in Manual do processo de conhecimento. 5 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 271: A produção de prova não é um comportamento necessário para o julgamento favorável. Na verdade, o ônus da prova indica que Fl. 88DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904657/200981 Acórdão n.º 3801001.541 S3TE01 Fl. 16 7 a parte que não produzir prova se sujeitará ao risco de um julgamento desfavorável. Ou seja, o descumprimento desse ônus não implica, necessariamente, um resultado desfavorável, mas no aumento do risco de um julgamento contrário [...](grifo do original) Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para a compensação que o crédito seja líquido e certo, in verbis: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda.” (grifouse) No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não o comprovou por meio de provas documentais hábeis, em especial, demonstração da base de cálculo do período de apuração em que se apurou, em tese, um pagamento a maior. É preciso insistir no fato de que a simples retificação de DCTFs é insuficiente para se comprovar o direito creditório. Quanto ao princípio da verdade material, é importante salientar que o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que a prova documental tem que ser apresentada na impugnação, salvo os casos expressos abaixo mencionados: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Assim sendo, a lei estabelece o momento de apresentação da prova documental, qual seja, a interposição da manifestação de inconformidade. In casu, a recorrente não alegou uma das exceções do aludido dispositivo, portanto precluiu o seu direito de produção de prova documental. A propósito, Maria Teresa Martinez López e Marcela Cheffer Bianchini no artigo Aspectos Polêmicos sobre o Momento de Apresentação da Prova no Processo Administrativo Fiscal Federal em A Prova no Processo Tributário – São Paulo: Dialética, 2010, p. 51, esclarecem: (...) O devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. O processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a Fl. 89DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904657/200981 Acórdão n.º 3801001.541 S3TE01 Fl. 17 8 solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com o direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. O artigo 16 do PAF, em seu parágrafo 4º, estabelece limitações à atividade probatória do administrado ao determinar que a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que restar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior ou referirse a fato ou direito superveniente.(grifouse) Em remate, o direito creditório não restou comprovado. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, e, por conseguinte, não homologando a compensação. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 90DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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